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GEOGRAFIA DO
MUNDO, DAS REGIÕES E

DOS LUGARES

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Regionalismo e o Ensino da Geografia 36 Atividades Complementares 42 Geografia e Globalização: O Mundial e o Local 43 A Produção do Espaço Geográfico numa Perspectiva Regional 43 Fundamentos para Análise Espacial 43 Questão Regional e Políticas Públicas 46 A Atual Dinâmica regional e o Papel do Urbano 51 A Dinâmica Regional no Mundo Pós-Fordista 54 Atividades Complementares 55 Geografia Regional no Contexto da Globalização 57 Globalização: Um Breve Estudo 57 O Mundo Contemporâneo e a Nova Realidade Regional 64 As Ideologias do Progresso e a Questão Regional 75 Organização do espaço: Regiões Centrais e Periféricas 78 Atividades Complementares 82 Glossário 84 Referências Bibliográficas 86 3 .Sumário Análise Regional e Seus Diferentes Níveis de Abordagem Trajetória do Conceito de Região nas Correntes do Pensamento Geográfico 7 7 Discutindo o conceito “região” no contexto da ciência geográfica 7 A região na Geografia Tradicional 10 A Região na Geografia Moderna 14 A Região na Geografia Contemporânea 17 Atividades Complementares 20 Abordagens Teóricas Sobre o Tema Regional 21 A geografia e o método regional 21 Regionalização. regionalismo e sua expressão na literatura 24 As diferentes propostas de divisão espacial 29 Região.

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Ao iniciar nossos estudos nesta disciplina faço um convite para uma viagem geográfica e farei isso parafraseando a cantora Adriana Calcanhoto. contextualizadas de acordo com a dinâmica do espaço regional. as regiões e os lugares. segundo as correntes do pensamento geográfico.. No bloco 2. Essa viagem tem como objetivo realizar um passeio pelo mundo. enquanto ciência social possui um vasto campo de investigação.. Com o olhar geográfico eu vejo tudo enquadrado. no território. Sônia Marise Rodrigues Pereira Tomasoni 5 . cujo método se baseia no entendimento das interações socioespaciais. A partir dessa premissa discutimos no bloco 1 a análise regional e seus diferentes níveis de abordagens através de uma leitura teórica sobre a categoria “região”. sob o viés da análise regional. assim. pela janela do quarto. nas regiões e. nas paisagens. marcado atualmente pelo chamado período técnicocientífico-informacional.. prepare sua bagagem de conhecimentos e não se esqueça dos mapas! Profª Msc. buscando compreender e analisar o mundo. exige que se observe as relações que se travam no contexto da vida humana e da vida natural. Um mundo.Apresentação da Disciplina Caro aluno.. Esta disciplina propõe uma reflexão teórica acerca dos temas aqui apresentados que levará à construção de um embasamento teórico que possibilite uma leitura do mundo contemporâneo.. a partir do uso de diferentes níveis de escalas e formas de compreensão da realidade. remoto controle. A Geografia. do carro. Assim convidamos vocês para uma viagem na Geografia Regional.. permitindo uma análise sobre a produção do espaço geográfico regionalizado no contexto da globalização. Nossa viagem segue esta trilha. o estudo se dedica a uma leitura do mundo atual contextualizado na dimensão espaço-tempo. A Geografia Regional procura. respectivamente na estrofe que diz: Eu ando pelo mundo prestando atenção no espaço geográfico: nos lugares. observando-se a relevância das abordagens conceituais. do ônibus. estudar as combinações únicas e particulares dos traços humanos e físicos que caracterizam cada região e promovem a sua diferenciação. na música “Esquadros” de (sua) autoria.

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o Estado Europeu surge no século XVIII. Significa dizer que em momento de efervescência de uma determinada corrente geográfica. governar. Assim. espaço. ainda. A palavra “regione” designava uma área subordinada a regras gerais hegemônicas do Império Romano e. seu estudo é balizado pela trajetória das correntes do pensamento geográfico que evolui com a sociedade no tempo e no espaço..ANÁLISE REGIONAL E SEUS DIFERENTES NÍVEIS DE ABORDAGEM TRAJETÓRIA DO CONCEITO DE REGIÃO NAS CORRENTES DO PENSAMENTO GEOGRÁFICO Discutindo o conceito “região” no contexto da ciência geográfica No processo de compreensão dos conceitos-chave da Geografia. a região liga-se aos princípios de localização e extensão que. regente. as regiões do Semi-Árido Brasileiro ou do Pantanal Matogrossense ou. poder. etc.. portadora de uma diversidade sócio-cultural e natural. sendo considerado um dos conceitos-chave da Geografia. e sob a ideologia de uma possível invasão militar. cultural ou comercial. muito grandes. afirmou que “[. 7 . a região cacauicultora do sul Bahia. Além disso. o termo surgiu da relação entre o poder central de Roma e uma determinada extensão espacial (ou territorial). considerando que seu radical “reg” significa domínio. Atenção! O termo região é utilizado na linguagem comum e na linguagem científica. surgiu a região das áreas autônomas dos feudos da Idade Média e do mesmo modo. O termo região vem do latim regere e significa regência. assim como os conceitos de paisagem. BEZZI (1996. baseando-se na reunião desses recortes espaciais originados desde o Império Romano. Nesse sentido. Discorrendo sobre região. faz-se necessário entender seus significados dentro de um contexto socioeconômico.] O significado de região liga-se fortemente às tendências filosóficas de cada época”. território e lugar. regra. dos recortes inerentes ao poder de Roma e. contexto esse. como por exemplo. cultural e político. Aproveitandose desses recortes. aliados aos seus atributos naturais e antrópicos. sempre sujeito às transformações ocorridas no tempo e no espaço. seguido ao seu esfacelamento. pensa-se a categoria região de maneira diferenciada. p. se estabeleceram os recortes espaciais da propriedade de poder administrativo da hierarquia clérica. assim. podem definí-la.3).

cuja importância se difundiu na Europa e América e demais continentes. também. o continente africano configurase numa região que “perde”. cujos efeitos cumulativos determinam certa historicidade de ocupação. através dos seus cinco conceitos-chave que. Regiões que “perdem” e regiões que “ganham” resultam da política e de outros fatores que determinaram essa divisão do espaço em diferentes realidades sócio-espaciais. que busca analisar o significado da região para as sociedades de cada período da história. no qual serão abordadas a Geografia Quantitativa e a Geografia Crítica. ela estuda a sociedade e suas interações na superfície terrestre. a idéia de região faz parte da linguagem comum e é passível de mistificação social e manipulação política. seja na área técnica. Além desse uso. ou outra. período em que se deterão os olhares para a Geografia Humanística. DAS REGIÕES E DOS LUGARES Sendo a Geografia uma Ciência Social. A segunda corrente do pensamento geográfico corresponde ao período da Geografia Moderna.govt. momento em que a evolução da Geografia como Ciência Social originou a “Escola Francesa de Geografia”. território ou lugar). Uma terceira corrente refere-se à Geografia Contemporânea. Fonte:http://www. marcando a superfície terrestre. Na atual conjuntura econômica mundial. o período “Determinista” e período “Possibilista”.GIF 8 . A primeira corrente do pensamento geográfico ficou conhecida como “Geografia Clássica ou Tradicional”. Neste sentido. cujos fundamentos teórico-conceituais foram submetidos à apreciação das academias de ciências da época. existir simultânea e independentemente da prevalência de uma corrente geográfica. possuem “forte parentesco entre si”. A Geografia Clássica ou Tradicional compreende dois períodos evolutivos. sendo debatidos e disseminados. sofrem as transformações antropogênicas.nz/program MES/GFX/MAPS/S-AFRICA-BIG. chama-se a atenção de que os conceitos coexistem. surgida na França no início do século XX. A frase dessa estudiosa confirma o que afirmamos anteriormente acerca do uso da expressão região no senso comum. a saber. paisagem. seja no tocante a cientificidade. a política ou aqueles que estão nela envolvidos podem usar desse variável para atender seus interesses. segundo Roberto Lobato Corrêa (1995). De acordo com Lencioni (2003). O conceito de região será trabalhado nesta disciplina no contexto das correntes do pensamento da Geografia.GEOGRAFIA DO MUNDO. uma vez que todos os espaços (sejam eles região. conseguindo adeptos em todos os cantos do mundo.nzaid. voltados para o planejamento territorial e podendo.

povos formados por egeus. Vários povos contribuíram na construção dessa cultura. por terem sido pioneiros na construção de um conhecimento metódico. Os gregos pertencentes à escola jônica de filosofia podem ser considerados os primeiros geógrafos. grandes famílias com antepassados comuns. A eles pode ser creditada a primeira regionalização. perdidos e divididos. 9 . inclusive Creta)e a Grécia Continental (sul dos Balcãs). das diferenciações do mundo. Esses estudiosos não ficavam trancados em suas residências produzindo ou registrando as idéias que apareciam em suas mentes. Percebe-se que a observação do espaço geográfico nesse momento era indispensável. é preciso explicar a realidade espacial existente de forma crítica. pelas suas características. os que produziram o maior legado da Antiguidade (Lencioni. passando pelos hebreus. e elaboraram divisões do mundo (LencionI. Os gregos. representado e dividido. dedicadas ao pastoreio e ao comércio. As descrições do espaço passaram a ser comparadas ao mesmo tempo. e a Odisséia conta as aventuras de Ulisses (Odisseu) em seu retorno para casa. Essa comparação resultava na identificação de “lugares” diferenciados dentro da área dominada pelos romanos. Dos sumérios.A região do Oriente Médio e seu entorno é sem dúvida o berço da cultura ocidental. num sentido figurativo. espaços eram invadidos. gerando assim. a diferenciação de áreas. Dentre esse pode-se citar Tales de Mileto. Pitágoras. Cada génos era chefiado por um patriarca e sua economia era natural e autosuficiente. egípcios até chegar aos fenícios. ao contrário. no entanto. Grandes estudiosos até hoje são lembrados por desenvolveram estudos que. pode-se afirmar que ao mesmo tempo em que a civilização ocidental era construída. Aristótese. porém. a sociedade organizava-se em génos. essas idéias resultavam de viagens que eram feitas por diversas áreas do mundo cognoscível. essa limite não impediu que os mesmos apropriassem do espaço geográfico e o utilizasse para atender as suas diferentes necessidades. a observação constitui-se prática necessária nesse processo. O relevo montanhoso e o solo pouco fértil estimularam a navegação e dificultaram as comunicações internas das cidades-Estados. dos rios e da superfície da Terra. dente outros. Xenófanes. no entanto. Grécia Insular (ilhas do mares Jônio e Egeu. que. viagens essas que geravam muitas informações que eram então trabalhadas e porque não dizer então sistematizadas. jônios. são sem dúvida. Construíram uma explicação do universo. 2003). Desde dos primórdios a Geografia era feira a partir da observação do espaço. aqueus e dórios. O Período Homérico começou com as violentas invasões dos dórios. das marés. esse trabalho passa por uma evolução onde entra como parte do processo de compreensão do espaço a comparação de áreas. Anaximandro. A Ilíada descreve a guerra de Tróia. Atenção! A Grécia Antiga estava dividida em três regiões: Grécia Asiática(estreita faixa na Ásia menor). davam conta de explicar a realidade espacial daquele período. Na atualidade. que podemos aqui chamar de regiões. assírios. dominados. É importante ressaltar que os homens que viveram naquele momento histórico não dispunham dos mesmos recursos e instrumentos hoje utilizados no processo de regionalização do espaço terrestre. O conhecimento acerca das regiões remonta a esse tempo. Nessa época. recebiam tratamentos únicos. também. 2003). babilônios. descrito. das influências climáticas. Nesse sentido. o espaço geográfico foi observado. A transitoriedade das coisas fascinava-os. Essa divisão resultou em áreas diferenciadas.

conduzindo o pensamento geográfico daquela época. entre gregos e persas. Essa corrente se difundiu na França e na Alemanha. A Feníncia.htm> <http://www. em guerras desgastantes. em fortalezas com muralhas. houve a colonização no litoral dos mares Mediterrâneo. agruparam-se em tribos. entre a Confederação de Delos(liderada por Atenas) e a liga do Peloponeso(liderada por Esparta). De 431 a 404 a. O Conceito vem fundado na idéia de que o “ambiente impõe certo domínio na orientação do desenvolvimento” das atividades humanas. a partir de sua obra. Entre os séculos VII e VI a. a Pérsia e parte da Índia. Entre as principais cidades estacam Tebas. que estavam ligadas entre si por meio de laços culturais. intitulada “Régions naturelles et noms de pays”. As tribos estabeleceram-se em lugares elevados.C. Envolveu-se.. Felipe II foi sucedido por seu filho Alexandre. No Período Clássico. XIX) que surgiu o primeiro conceito de “Região Natural”.C. O local era a acrópole e em torno dela formaram-se cidades. Atenas e Esparta. Surgiu também a escravidão. Egeu e Negro. resultantes da combinação entre os elementos do espaço (fatores naturais como o clima. DAS REGIÕES E DOS LUGARES O crescimento da população e a falta de solos férteis gerou conflitos que levaram à divisão dos bens e da terra.GEOGRAFIA DO MUNDO. Para se defenderem dos persas. especificamente na corrente Determinista (Sec. O apogeu dessa fase ocorreu entre 461 a 431 a. 10 . a Grécia Antiga atingiu o apogeu.C. que conquistou a Síria. os génos se uniram em fratrias. Após tantas guerras. também. tentaram livrar-se do domínio persa. no governo de Péricles. Acesse: <http://www.C.pdf> A região na Geografia Tradicional Segundo Roberto Lobato Corrêa (1995). por sua vez. foi no período da corrente da Geografia Clássica ou Tradicional.. que conquistou a Grécia em 338 a.com/historiag/gregos. vegetação. Segundo CORRÊA (1998). algumas Cidades-Estados organizaram a Confederação de Delos. principalmente Mileto. relevo.brasilescola. Para se protegerem. identificada por L.cpdoc. Atenas valeu-se da administração da Confederação para conseguir hegemonia no mundo grego. As pessoas iam para lá fugindo da miséria ou em busca de mercados consumidores.fgv/revista/org/162. as cidades gregas foram presas fáceis para Felipe II da Macedônia. que. a Palestina. As Guerras Médicas. houve a Guerra do Peloponeso.. ela poderia ser entendida como determinada superfície terrestre de dimensões e escalas variáveis. geologia. Gallois (1908). segundo as suas características. uma região se diferenciava da outra pelos seus aspectos físicos. começaram quando as colônias gregas na Ásia menor. ou seja. Daí resultou a degregação dos génos. substituídos pela propriedade privada d terra e pela divisão da sociedade em classes. o Egito.

). Assim. definido por Friedrich Ratzel (19.tipos de solos e fatores antrópicos). seria determinante na escolha de suas atividades e no tipo de comportamento que possuía. Podemos exemplificar uma região natural a partir do mapa. de modo a garantir as possibilidades de progresso para uma determinada região e sua sociedade.. Tal fato transformou-se na razão de ser do Estado Alemão (entre outros estados-nação) que. ideologicamente.br/online/imagens/tiposdeclima.com. significando que. Fonte:http://www.. se realizou a partir do conceito de “Espaço Vital”.. o clima. úteis se preservados ou ampliados quando necessário. em sua antropogeografia. entre outros fatores. usou tal filosofia para justificar a sua política de expansão territorial e 11 ..gif O Determinismo Geográfico tinha laços estreitamente ligados a objetivos econômicos e políticos. Constituía-se em um argumento fundamental para as classes dominantes que buscavam legitimar seus anseios ligados ao expansionismo territorial. para a corrente determinista a análise das relações sócio-espaciais deveria partir da idéia de que o homem sofreria as condições impostas pela região natural.banstur. na qual privilegiou conceitos de território e espaço vital. indispensáveis à vida do homem e. O clima sempre ocupou lugar de destaque como critério na definição de regiões naturais. um território equilibrado entre o meio físico e todos os seus recursos disponíveis. Compreende-se por espaço vital. Uma leitura do determinismo geográfico na Alemanha. usado ainda nos dias atuais. portanto.

a qual passa a se configurar como uma região geográfica. do uso de critérios naturais. surgem os primeiros debates na ciência geográfica. sobretudo. criou o termo “Possibilismo”. principal representante do Possibilismo. na qual estão entrelaçados os componentes humanos e naturais. MUNDO. a humanidade através do trabalho é capaz de alterar a região.br/ibgeteen/mapas/imagens/brasil_regioes_gde. em 1903. fase esta correspondente à industrial-imperialista-colonialista. passando de região natural para região humana. justificando-se através da expressão que dizia: “a natureza propõe e o homem dispõe”. podemos citar como exemplo a regionalização do território brasileiro realizada pelo IBGE. publicou sua obra intitulada “Tableau de la Geographie de la France”.gov. a relação entre o homem e o meio natural. que ficou conhecida como a corrente “Possibilista”. onde considerou a região como uma entidade concreta. ou seja. O Possibilismo e a Região A Corrente Possibilista teve como berço a França do século XIX e compreende.gif Contrariamente às determinações do meio natural e ao predomínio das suas influências. O Possibilismo baseava-se nas possibilidades do homem transformar ou readaptar as características da natureza. momento em que nasce no seio da Escola da Geografia Fracesa. DAS REGIÕES E DOS LUGARES As cinco grandes regiões brasileiras foram definidas a partir. Fonte:http://www. nova corrente geográfica. Henri Le Fébvre (1922).ibge. entre o final do século XIX e a primeira metade do século XX. que utilizou como critério a Região Natural. em que o homem passaria da condição de 12 . criando um contraponto ao Determinismo. de maneira diferente.capitalista. Nesta corrente a região surgiu com uma nova configuração. GEOGRAFIA DO No Brasil. palco das ações antrópicas e apresentando um processo de evolução. La Blache.

Para os possibilistas não haveria diferença da região natural para a geográfica no tocante à evolução. o homem é um dos seus agentes de maior transformação.br/petgeo/Contexto/Artigos/Artigo%20Thiago.faed. Em suma. ocorrendo em paralelo com outras formas de vida animal. sendo o fato mais importante a associação dos elementos que confere singularidade à região. ou “região–paisagem”. o que alguns autores destacam. que determinam as atividades humanas. um tentáculo. diríamos neste caso. no qual a região é vista como um lugar de fenômenos heterogêneos. tratando-a como uma unidade singular. O Possibilismo promoveu o fortalecimento da região na ciência geográfica. vegetação). na qual estariam convivendo em harmonia animais. Assim o espaço transformado. caracterizado como uma região e. vegetais e o homem com características únicas. O homem. clima. resultantes da interação homem x meio. Como um dos elementos integrantes da região. cultural e técnico-científico). Tal leitura do espaço. em determinado ambiente. Na região lablachiana os limites são estabelecidos por um dos componentes (solo. mas o que revelaria sua individualidade seria a população e a relação com as regiões vizinhas. embora no meio natural a vegetação se apresente como um dos seus traços mais expressivos.htm> 13 . a região apresenta certas especificidades. estabelecendo focos diferenciados no Determinismo e no Possibilismo. na Geografia Tradicional a região é analisada através das relações entre o homem e o meio natural. não como uma corrente. na qual as “combinações dos fatores responsáveis pela sua configuração. o Método Regional que trouxe o conceito de diferenciação de áreas. mas como uma complementação. Fonte: <http://www. Ao propor o conceito de “região geográfica”.udesc. a região é vista como parte da superfície onde ocorre a combinação de elementos naturais. caberiam ao geógrafo desvendar”. Ainda temos. Na no primeiro período da Escola Francesa de Geografia. portanto. serviu de “base” para o planejamento territorial realizado pelo Estado. resultante do trabalho humano. capaz de imprimir traços particulares e modelar a região.influenciado passivo para um ativo transformador. imprimiria a cada região da Terra uma singularidade específica. seria compreendido como um espaço geográfico. enquanto que para o segundo período. transformando a região. certamente com o seu gênero de vida (correspondente ao seu nível sócio-econômico. Vital de La Blache baseou-se na idéia da região como resultado do trabalho humano.

1998: 32). enquanto que as regiões homogêneas e as funcionais ou polarizadas não apresentariam tal feição e. ou seja. correspondente à sua área de influência. trazendo para si o relevante papel de centro polarizador. o nível de renda. Já a região complexa. é o resultado de uma análise balizada em um conjunto de elementos ou variáveis. a base para a definição e o conhecimento de regiões. por exemplo. Temos como exemplo a divisão de um país em regiões econômicas . funcionais ou polarizadas correspondem a classificações realizadas a partir da sua funcionalidade. torna-se. o tipo de clima. Com base nas concepções lógico-positivistas foram definidos alguns desdobramentos. região homogênea e região funcional ou polarizada. onde a rentabilidade e o mercado são aspectos importantes para a regionalização do território e/ou sua análise regional. Nesse caso. Nesse contexto. 2001 citando CORRÊA. como. excluiria a outra. A região não é mais concebida com uma essência concreta como no Possibilismo. em uma determinada área. a criação de bovinos etc. industrial e a renda da população” (CORRÊA. Nesses casos a funcionalidade regional se assenta na economia. a produção agropecuária etc (RIBEIRO. a existência de uma. que dão forma a um território. Atenção! A Nova Geografia surge nas décadas de 60 e 70. como por exemplo. 1980). do século passado. então. Vale ressaltar que as regiões simples e complexas poderiam conviver ou se sobrepor no espaço. DAS REGIÕES E DOS LUGARES A Geografia Moderna vai ser composta por duas Correntes: a Nova Geografia e a Geografia Crítica. estatisticamente. sendo fundamentada na objetividade e na utilização de técnicas estatísticas buscando maior produção científica. na Nova Geografia. a região passa a ser definida “como um conjunto de lugares onde as diferenças internas dos lugares são menores que as existentes entre eles e qualquer elemento de outro conjunto de lugares” (CORRÊA. 14 . haja vista a grande preocupação com a eliminação da subjetividade e da base empírica. Uma região funcional representa as múltiplas relações coexistentes no espaço geográfico. a densidade da população. Nas regiões funcionais existe uma maior dinâmica quando se tratam de fluxos. Nestes casos a cidade se coloca como o centro dessas formas de organização espaciais. a urbanização. no tempo e no espaço. cujas variáveis sejam a densidade demográfica. os tipos de solos. responsável também pela organização de sua hinterlândia ou seu entorno. A região simples vem alicerçada em um critério de análise. alguns tipos de região com distintos enfoques. Não havendo a preocupação com o movimento da realidade. esta poderia ser definida. assim temos: região simples e complexa. mas sim como um produto da criação intelectual delimitada através de objetivos específicos. considera-se um agregado de áreas com características invariáveis. a produção agropecuária. As regiões homogêneas. O positivismo lógico.A Região na Geografia Moderna GEOGRAFIA DO MUNDO. diferenciando-o dos demais. 1998: 34).

e tinha como objetivo transformar o caráter científico da Geografia passando para uma ciência social que estudasse a relação homem x meio através do materialismo histórico-dialético. pois esta apresentaria contornos produzidos pela divisão sócio-espacial do trabalho. capaz de gerar as contradições e a luta de classes sobre o espaço ou território. contudo é importante recordar que a região é resultado de múltiplos mecanismos de regionalização e se assemelharia a região vidalina com limites definidos. com base no materialismo histórico dialético. entre os quais contamse os distintos grupos sócio-culturais. 1995: 66). a região passa a ser entendida como resposta local aos processos capitalistas. distinguindo-se entre dominadores e dominados. as principais responsáveis pelo surgimento das contradições sociais do espaço. níveis de organização de classes sociais e desenvolvimento espacial desigual. sinalizando para as reproduções das relações de produção do espaço pelas classes dominantes. KARL MARX 15 . buscando-se estudar a “reprodução das relações sociais de produção do espaço geográfico”. organizadas segundo a lógica capitalista. Segundo (CASTRO. com base nas relações entre a economia e a política que defendiam a formação sócio-econômica de a idéia de uma região como produto histórico-concreto dos diversos modos de produção atuantes. As diferenciações entre as regiões seria fruto da união de caracteres. com base no materialismo histórico dialético. Contudo. o discurso marxista foi mais um argumento contra a interpretação das regiões definidas na base de critérios científicos. Sendo assim. a região assume importante conotação. esse olhar crítico separa nitidamente dominadores de dominados. responsáveis pelas diferenças sociais produzidas através da luta de classes no espaço. a densidade e quantidades dos fluxos financeiros. A regionalização na Geografia Crítica analisa as transformações socioespaciais. A região passa a ser analisada com uma criticidade inédita no campo da geografia. ação do grande capital e forças produtivas constituem elementos de explicação acerca de diferentes dinamismos regionais. A região passa a ser analisada de forma crítica e inédita no campo da geografia. os limites espaciais. fixando-se nas grandes redes mundiais capitalistas.A Geografia Crítica e a Região A Corrente Crítica da Geografia surgiu durante a década de 1970. sinalizando para as reproduções das relações de produção do espaço pelas classes dominantes. Os conceitos e/ou expressões de relações de produção. que se constituem nos elementos responsáveis pelo desenvolvimento desigual das regiões. migratórios. relações de trabalho. etc. Nesse debate. é importante recordar que a região é resultado de múltiplos mecanismos de regionalização e se assemelha ao processo de divisão regional que valoriza. A regionalização na Geografia Crítica analisa as transformações socioespaciais. as principais responsáveis pelo surgimento das contradições sociais do espaço. sob um novo olhar para as sociedades de modo geral. Foi desenvolvido por Carl Friedrich Marx. comerciais. também. distinguindo formas de produção de espaço diferentes.

artísticos. o marxismo influenciou os mais diversos setores da atividade humana ao longo do século XX. relações de trabalho. se tornando uma corrente política-teórica que abrange uma ampla gama de pensadores e militantes. capaz de gerar as contradições e a luta de classes sobre o espaço ou território. económicas.br/carloswalter1. Sendo assim. especialmente a social-democracia. Tornou-se base para as doutrinas oficiais utilizadas nos países socialistas.wikipedia.org/wiki/Marxismo> e <http://ivairr. políticas e sociais elaboradas primariamente por Karl Heinrich Marx e Friedrich Engels e desenvolvidas mais tarde por outros seguidores. o marxismo ultrapassou as idéias dos seus precursores.br/fonteshtml/citros/citrosnordeste/ mapa_nordeste. desde a política e a prática sindical até a análise e interpretação de fatos sociais. Embrapa. Interpreta a vida social conforme a dinâmica da luta de classes e prevê a transformação das sociedades de acordo com as leis do desenvolvimento histórico de seu sistema produtivo. morais. Fonte: <http://pt. a região passa a ser entendida como resposta local aos processos capitalistas. DAS REGIÕES E DOS LUGARES Os conceitos e/ou expressões de relações de produção. a Região Nordeste constituiu-se periferia do capitalismo brasileiro.png> Atenção! MARXISMO é o conjunto de idéias filosóficas. nem sempre coincidentes e assumindo posições teóricas e políticas às vezes antagônicas tornando-se necessário observar as diversas definições de marxismo e suas diversas tendências.Cnptia. Historicamente. Fonte:<http://sistemasdeproducao. históricos e econômicos.htm> 16 . segundo os autores dessas doutrinas.com. ação do grande capital e forças produtivas constituem elementos de explicação acerca de diferentes dinamismos regionais. Fruto de décadas de colaboração entre Karl Marx e Friedrich Engels. o bolchevismo e o comunismo de conselhos. GEOGRAFIA DO MUNDO.organizadas segundo a lógica capitalista. No entanto.uol.sites.

com feições e objetivos diferenciados. construído dentro de um quadro de solidariedade territorial” (GOMES. experiência de vida e vivência regional no proceso de definição dos espaços regionais. os conceitos de lugar e território citados anteriormente. estamos falando da categoria território e da categoria lugar.php?pID=6368> Embora a região seja uma categoria relevante nesta corrente do pensamento geográfico. a região é “produto real. As relações de vizinhanças são consideradas no processo de identificação dos espaços regionais na geografia humanística. significados. Assim. reportaremos ao de SILVA (1996) que entende o entende como uma “expressão de processos estruturais através dos quais emergem práticas cotidianas de indivíduos ou instituições”. são analisados com maior freqüência em produções acadêmicas e aparecem com destaque na discussão dos Parâmetros Curriculares Nacionais em todos os ciclos. afetiva. Fonte:<http://www. ou ambas”. Dentre tantos conceitos tratados por vários autores sobre o lugar. sentimento de pertencimento. Assim. entenderemos o território da mesma forma concebida por CORRÊA (1994). definiu-o como sendo “o elo afetivo entre a pessoa e o lugar ou o quadro físico”. Valoriza a experiência humana. que o define como o “espaço revestido da dimensão política. bem como compreender as conceitos de território e de lugar. A região sempre ocupou lugar de destaque na ciência geográfica. 1995:71).org/pictures.missaolondrina. sendo analisada na própria evolução do pensamento em suas diversas correntes. Ao buscar a [re]valorização da região esta corrente se fundamenta em aspectos psicológicos para entender seu conceito. 17 . 1995:67). com um “novo olhar” acerca da região. sendo “vista como um quadro de referência fundamental na sociedade” (GOMES. utiliza elementos como: afetividade com o lugar.A Região na Geografia Contemporânea A Geografia Humanística “aparece” na década de 70 do século XX. seja do individuo ou do grupo a partir de valores. Aqui. sob prismas. A análise regional descortina uma gama de características e aspectos do espaço que seriam dotados de maior dificuldade se analisadas em escalas globais. Yi-Fu Tuan. crenças e saberes. ao propor na Geografia o termo Topofilia para balizar a análise e estudos no/com/sobre o lugar. Evoca categorias de análise geográfica que em alguns momentos tornam-se sinônimos da região. pelo viés do espaço vivido.

Edward Relph e Mercer e Powell. Evidentemente. tornandose revestida de grande importância para a análise na geografia. naturalista e do senso comum. existe uma visão do mundo. 1976). semelhante à espessura dos conceitos temporais. Na fenomenologia existencial o espaço é concebido como espaço presente. A Geografia Humanística procura valorizar a experiência do indivíduo ou do grupo. Embora possuindo raízes mais antigas. Anne Buttimer. Preocupando-se em verificar a apreensão das essências. os geógrafos humanistas argumentam que sua abordagem merece o rótulo de “humanística”. tais como Heidegger. pois não se interessa pelo objeto nem pelo sujeito. pela percepção e intuição das pessoas. A espessura do espaço é vista na concepção do “aqui”. O lugar é aquele em que o indivíduo se encontra ambientado 18 . “A fenomenologia não é nem uma ciência de objetos. metas e propósitos (Entrikin. e possui a fenomenologia existencial como a filosofia subjacente. para cada grupo humano.Na contemporaneidade existe a discussão acerca da região no tocante a relação entre esta e o processo de globalização. presente e futuro. Merleau-Ponty e Sartre. A fenomenologia preocupa-se em analisar os aspectos essenciais dos objetos da consciência. novos contornos. Texto Complementar Geografia Humanística A abordagem humanística em Geografia tem como base os trabalhos realizados por Yi-Fu Tuan. como os provenientes das perspectivas científica. tais como “agora”. os significados contemporâneos da fenomenologia são atribuídos à filosofia de Edmund Husserl (1859-1939). 1976). Para cada indivíduo. 1962. que envolve aspectos do passado. citado in Entrikin. pois estudam os aspectos do homem que são mais distintamente humanos: significações. DAS REGIÕES E DOS LUGARES A região adquire novas configurações. Nessa perspectiva. valores. pois. Para a perspectiva científica o espaço é algo dimensional que se expressa por uma representação. nem uma ciência do sujeito: ela é uma ciência da experiência” (Edie. entre outros. visando compreender o comportamento e as maneiras de sentir das pessoas em relação aos seus lugares. É o contexto pelo qual a pessoa valoriza e organiza o seu espaço e o seu mundo. através da supressão de todos os preconceitos que um indivíduo possa ter sobre a natureza dos objetos. diferente do espaço representativo da geometria e da ciência. esse movimento filosófico foi ampliado e vários autores forneceram subsídios importantes. na contemporaneidade. em oposição aos pontos adimensionais do espaço mensurável. que é um sistema de relações com outros lugares. não pode mais ser vista como área estanque e pode ser concebida da escala local à global. a fenomenologia utiliza como fundamental a experiência vivida e adquirida pelo indivíduo. experienciado como sendo de certa espessura. que se expressa através das suas atitudes e valores para com o quadro ambiente. e nele se relaciona. Desta maneira. contrapõese às observações de base empírica. GEOGRAFIA DO MUNDO. Para o fenomenólogo o espaço é um contexto. As noções de espaço e lugar surgem como muito importantes para esta tendência geográfica. em Kant e em Hegel.

com. a integração espacial faz-se mais pela dimensão afetiva que pela métrica. na sua personalidade e distinção.pop. as mesmas figuras para o divertimento infantil são encontrados de modo generalizado. mas me sentir muito mais ligado à cidade Y.htm> <http://www. Quantos lugares nos encantam pelo típico que possuem? Entretanto. Lugares e pessoas fisicamente distantes podem estar afetivamente muito próximos.com.pop. encontramos elementos idênticos em quase todas as localidades. Dessa maneira. pois envolve não só as noções de “perto” e “longe”. os mesmos produtos alimentícios. o da descaracterização do lugar. as características e as particularidades dos lugares. possibilitando a capacidade para reconhecer e estruturar a disposição dos objetos. Em 1974. o movimento e o pensamento se combinam para dar-nos o nosso sentido característico de espaço. Estar junto. de espaço (Tuan. que foi tema de um dos trabalhos de Edward Relph (1976). com a expansão cada vez maior da tecnologia. mas aquela que tem significância afetiva para uma pessoa ou grupo de pessoas. O lugar não é toda e qualquer localidade. Yi-Fu Tuan (1974a) observa que o “espaço e lugar estão no âmago da nossa disciplina. A noção de espaço envolve um complexo de idéias. Sob a perspectiva humanística o espaço e lugar assumem características muito diferentes. Valoriza-se também o contexto ambiental e os aspectos que redundam no encanto e na magia dos lugares. O reconhecimento dos objetos implica o reconhecimento de intervalos e relações de distância entre os objetos e. é o “centro de significância ou um foco de ação emocional do homem”. Posso estar morando na cidade X. 1974a). da massificação. A distância é de âmbito espaço-temporal. nas mais variadas regiões e países. os mesmos meios de transporte. os mesmos tipos de construções e edifícios. atitudes e valores ambientais. ao tentar estruturar o setor de estudos relacionados com a percepção. não significa a proximidade física. Isso representa o processo de universalização. Fontes: <http://www. o estudo do espaço é a análise dos sentimentos e idéias espaciais das pessoas e grupos de pessoas. nas grandes e pequenas cidades.geografiafacil. Há o entrelaçamento entre o grupo e o lugar. A tarefa básica do geógrafo humanista é mostrar o que eles são através de uma estrutura coerente. mas o relacionamento afetivo com outra pessoa ou com outro lugar. mas também as de passado. Sob a perspectiva positivista a geografia é a análise da organização espacial. para a Geografia Humanística.geografiafacil. A percepção visual. Portanto. presente e futuro. Da valorização da percepção e das atitudes decorre a preocupação de verificar os gostos. Os mesmos cartazes de propaganda.br> 19 . Yi-Fu Tuan propôs o termo Topofilia definindo-o como “o elo afetivo entre a pessoa e o lugar ou quadro físico”. Os seus acontecimentos são mais significativos e tocantes para mim que os da cidade na qual atualmente resido.no qual está integrado. dos seus sentimentos e afeiçoes. estar próximo. na qual vivi por muito tempo e onde se encontram meus familiares. Ele faz parte do seu mundo. as preferências. o tato. pois. das facilidades de transporte e da organização do consumo. Todavia.br/INcorrentesgeograficas.

) A geografia tem suas raízes na busca e no entendimento da diferenciação de lugares.. DAS REGIÕES Atividades Complementares E DOS LUGARES 1. “(. resultante das relações entre os homens. Caracterize a região a partir da corrente crítica da geografia. 3. certamente a geografia não teria surgido” (CORRÊA.). 2.. 20 . países e continentes.. 1998: 8). descreva o conceito de região defendido por cada uma delas..GEOGRAFIA DO MUNDO. Identifique e escreva o nome de duas correntes do pensamento geográfico e em seguida. regiões. De acordo com o texto e com seus conhecimentos disserte sobre a importância do conceito de região para/na análise geográfica. entre estes e a natureza. Não houvesse diferenciação de áreas (.

21 . em qualquer nível de divisão. que. únicas em suas características”. Pode-se compreender. nas diferentes esferas: social.4. físico-ambiential. Como exemplo. a Geografia buscou através de métodos de investigação. (CORRÊA. econômica. Defina o conceito de lugar a partir de SILVA (1996. explicações para compreensão dos fenômenos do espaço geográfico. 1991:16). política e cultural. são como as partes temporais da história. a geografia viveu a fase desenvolvimentista onde o enfoque central estava baseado numa visão. temos o Método Regional.) 5. ABORDAGENS TEÓRICAS SOBRE O TEMA REGIONAL A geografia e o método regional Desde sua formação enquanto ciência. o método regional num contexto histórico. a Geografia Regional apresenta no seu objeto “o caráter variável da superfície da Terra – uma unidade que só pode ser dividida arbitrariamente em partes. Neste contexto. a partir de pesquisas e estudos realizados por geógrafos. Após a Segunda Guerra Mundial. além de se constituir em abordagem teórico–metodológica foi utilizado como instrumento de compreensão da dinâmica do espaço geográfico. Diferencie região simples de região complexa. as quais.

Na atualidade. Na primeira. ao serem investigativos. Uma vez identificando o momento de origem desse método. Mesmo sendo de 22 . Nesse E DOS LUGARES sentido. os agentes capitalistas utilizam-se das MUNDO. Ao ser escolhido como objeto de estudo pelos geógrafos. o espaço regional passa a ser concebido como resultado da ação das forças capitalistas que produzem regiões ricas e regiões pobres. esclarecer o seu objetivo central. portanto. qualquer estudo regional embasado na Geografia Crítica. inserem-se os acampamentos do MST (Movimento dos sem Terra). de que material foram feitas. Nesse grupo. Para continuar discutindo o método regional é importante definir o momento de sua origem. por que a escolha daquele local para se instalar o acampamento. as disputas entre as correntes deterministas e possibilistas continuavam. quando surge esse método? De acordo com os estudiosos. É claro que esse método detinha-se mais na resolução do primeiro grupo de questões. nesse caso a França e a Alemanha. busca-se compreender a região a partir dos pressupostos da Geografia Crítica e da Geografia Humanística. A Geografia inicia esse processo respondendo também essas questões. surgiu como demanda das corporações e dos aparelhos de Estado. os geógrafos disputavam espaços no meio acadêmico das universidades desses dois países. o acampamento do MST. passa a ser estudado como fenômeno científico. Ao adotar esse critério como meio para dividir o espaço. Afinal de contas. como a Geografia propõem o estudo dos fenômenos geográficos seguindo esse ritual. seus valores e suas tradições. nesse momento. propõe a análise científica dos fenômenos espaciais. De acordo com estudiosos que se debruçaram sobre essa questão. Como qualquer método ele possui características que lhe são próprias. sem acrescentar valor ao método regional. As regiões desenvolvidas resultam GEOGRAFIA DO da forma como os meios de produção. etc. É importante ressaltar que no final do século XIX. Em seguida. a região é vista como resultado do uso do critério cultural na diferenciação do espaço. Vale lembrar que. por último. tem o materialismo histórico e dialético como princípio geral explicador das realidades. para chegar ao entendimento das questões lançadas. Um aspecto relevante é sobre a diferenciação de áreas que não é vista a partir das relações homem x natureza. conduzirão o pesquisador ao entendimento da realidade estudada. nem tampouco ao conceito de organização espacial. Você Sabia? O objetivo central do método regional é buscar subsídios para explicar a realidade espacial. ele propõe produzir uma geografia regional sobre as diferentes áreas da Terra. o pesquisador valorizara o conjunto de práticas daquelas sociedades. Inicialmente deve-se partir de uma breve e significativa descrição desse espaço: como as construções são dispostas. esse método tem sua origem no momento em que os franceses e alemães disputavam territórios no continente europeu. DAS REGIÕES estruturas das áreas subdesenvolvidas para a produção da mais valia. Na segunda. Tanto o método regional. Nesse sentido o objetivo desse método confunde-se com o próprio método da Geografia que. mas sim da integração de fenômenos diversos em uma dada porção da terra. é necessário também. observando seus hábitos. enquanto ciência. o pesquisador poderá lançar mão de questionamentos mais difíceis de serem respondidos apenas observando o espaço: Que realidade social ele representa? Como se caracteriza a estrutura fundiária brasileira? Por que existe o MST? Qual a importância da reforma agrária para o desenvolvimento de uma nação? Todos esses questionamentos.. aqui.

Como conseqüência desse processo.grande relevância para a Geografia. Segundo Demo: 23 . resultando em uma integração única de fenômenos heterogêneos. um critério de cientificidade.. alteração e até substituição. Tanto o método regional como o fato de a Geografia ser considerada uma ciência de síntese passaram a ser questionados uma vez que a sociedade sobre a qual essas idéias foram construídas não era mais a mesma e exigia novas explicações para a realidade espacial. tudo o que se colocar como pronto e acabado não pode ser considerado científico. isso é impossível. no método regional não se dava atenção devida a essa questão. Biologia. Receber o papel de ciência de síntese dos estudos regionais foi a “saída” encontrada pelos geógrafos de então para preencher essa lacuna. analisavam-se diferentes fenômenos. etc. sejam eles naturais. realidades essas que acompanharam as modificações da sociedade. culturais. chegava-se à definição de uma dada região. Entretanto. na atualidade. De acordo com Hartshorne. A ciência geográfica estava atrasada nesse processo e. a discutibilidade é. na atualidade. etc. Como afirmado. talvez resida a preocupação de dar à ciência a mesma segurança que a religião dá aos seus seguidores. Embora o método regional tenha sido exaustivamente utilizado por geógrafos. a compreensão do espaço a partir da relação homem e natureza. Nada no conhecimento científico é indiscutível. seria possível compreender e construir uma verdadeira realidade regional. outras ciências estavam num estágio mais avançado em relação à definição do seu objeto de análise. O fato de se passar a questionar o método regional e o objeto de estudo da geografia inscrevese numa normalidade no meio acadêmico. ele passou a ser criticado por conta de não dar conta das realidades presentes. O aspecto relevante era identificar as diferenças entre áreas. Economia. precisava definir e defender seu objeto de estudo científico. inclusive. Para o autor Pedro Demo (1995). no momento de sua ascensão. históricos. a Geografia não devia mais nada as outras ciências. identificavam-se também outros recortes regionais. já que para ser ciência é necessário estar aberto para refutação. inicia-se o debate no mundo científico o fato de a Geografia ser considerada uma ciência de síntese. pois o problema que a acompanhava a bastante tempo fora resolvido. Por que à Geografia foi dada essa função? No final do século XIX. o desenvolvimento do método regional contribuiu para que a Geografia passasse a ser entendida como uma ciência de síntese dos estudos regionais desenvolvidos por outras áreas do saber. Sobre essa questão leia o texto em destaque abaixo. A verdade científica é mutável. A partir de compreensões de realidades regionais resultantes dos trabalhos desenvolvidos pela Geologia. fluída e perde sua essência se se propor a virar um dogma. Sendo assim. A Geografia responsabilizar-se-ia dessa tarefa de destaque. Nesse equívoco. a qualquer preço. pois o conhecimento científico muda. Ao mesmo tempo. Você Sabia? O conhecimento científico é indiscutível Esse é muito provavelmente o erro mais comum sobre o conhecimento científico. Assim colocado. É importante ressaltar que a região não passa de uma área constituída de elementos que lhe dão unicidade. A limitação do mesmo estava no fato de não explicar os conceitos de região e de organização espacial de forma a convencer o meio acadêmico de então. e a partir de uma realidade identificada como resultante da integração dos mesmos.

não acontecem desassociados de uma paisagem. precisamos sempre pesquisar.GEOGRAFIA DO MUNDO.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_Pensamento_ogr%C3%A1fico> <http://www. as fundamentações precisam ser tão bem feitas que permitam ser desmontadas e superadas. no fundo. o conhecimento científico é mutável. 24 . A análise geográfica a partir da literatura possibilita compreender o espaço de outrora. alguns até mesmo ilógicos.wikipedia. bem como o espaço presente e o movimento da sociedade nesses tempos. não precisaríamos mais fazer ciência. DAS REGIÕES E DOS LUGARES “. Regionalização. Não fosse assim.. compreendendo sua gente. discutível.htm> O texto acima reforça a tese aqui descrita de que há um movimento natural na sociedade e no meio acadêmico em relação às transformações em suas essências..org/artigos/v08/m326108. antes de analisar os aspectos regionais na obra de Graciliano Ramos. Qualquer história. porque retira daí sua formidável capacidade de aprender e de inovar-se. Esse conjunto de práticas regionais produz o que muitos estudiosos chamam de regionalismo. assim como toda estruturação lógica encobre passos menos lógicos. Propomos mostrar nesse conteúdo elementos de uma região brasileira que aparecem na obra Vidas Secas de Graciliano Ramos.cienciasecognicao. Acreditamos que por meio da descrição desses elementos seja possível mergulhar em algumas esferas do espaço regional. em sociedade. Não só o cenário da realidade muda. de um espaço qualquer. A ação e as falas das personagens e dos personagens são acompanhados de descrições do lugar onde se encontram. como muda também nossa própria forma de ver o mundo. todo argumento contém componentes não argumentados. bem como o regionalismo serão aqui discutidos. Como dissemos antes. regionalismo e sua expressão na literatura Uma das áreas que mais cresce na ciência geográfica é aquela que propõe analisar o espaço geográfico em obras literárias. pois todas as dúvidas e questionamentos. A regionalização. conhecimento científico é o que busca fundamentar-se de todos os modos possíveis e imagináveis. Mudam os métodos de interpretar essa realidade. Por isso. Contudo. não por defeito. Estariam respondidos. considerando que já teríamos a mão todo o conhecimento necessário. paradigmas e verdades. seus hábitos. essa aparente precariedade é.” (Demo. a produção científica é dialética. As verdades de hoje são substituídas pelas novidades de amanhã. não seria mais necessário produzir ciência. Fontes: <http://pt. conto ou novela. seu dia-a-dia. mas por tessitura própria do discurso científico. sua grande virtude. uma vez que a literatura reflete a vida em comunidade. Se assim não fosse. 2000: 29). não só porque a realidade é ampla e complexa e não detemos todo o conhecimento sobre o mundo. mas também porque o que já conhecemos sobre os fenômenos da realidade é insuficiente e discutível. mas mantém consciência crítica de que alcança este objetivo apenas parcialmente.

No primeiro conceito. No período de 1950 a 1963 ocorreu uma grande produção acadêmica em análise regional. sua função no sistema capitalista brasileiro. Esses modelos baseavam-se sobretudo na escolha dos critérios fisiográficos. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) foi o primeiro órgão a propor.br/museu/principios/figu34/34_linguagem_grav1. De uma forma ou de outra. A escolha desses critérios resultará dos interesses e dos objetivos de quem está dividindo o espaço em áreas com características comuns.jpg> A regionalização pode ser entendida de duas maneiras: primeiro pode ser definida como um processo de divisão do espaço geográfico em áreas a partir do uso de critérios préestabelecidos. De 1964 a 1975.org. é inegável que o desenvolvimento de regionalizações quase sempre resultou e resulta do interesse do Estado em materializar políticas públicas e seus projetos políticos. As primeiras caracterizavamse por possuir características únicas/homogêneas em relação a outras regiões. Duarte (1980). a regionalização é vista mais como meio para se chegar a um determinado objetivo. Esse período ficou conhecido como a fase da síntese regional. também estiveram presentes os aspectos históricos. ela também pode ser vista como meio.). apresentou uma periodicidade. econômicos e político-administrativos. a ação dos órgãos de planejamento materializa-se. vegetação. 25 . para melhor entendimento do processo de regionalização. As segundas eram identificadas a partir de sua principal função em relação a outros espaços. fauna. no entanto. a regionalização é entendida como um processo de análise e de ação segundo o qual as práticas setoriais estão inseridas dentro de regiões administrativas. Para dividir o espaço nacional em áreas com características comuns o IBGE utilizou-se de critérios naturais: aspectos fisiográficos (relevo. solo. históricos. Esses estudos davam conta de explicar as inter-relações entre o homem e o meio natural e o resultado dessa relação na paisagem geográfica. clima. no segundo. econômicos e político-administrativos no processo de divisão regional. etc. segundo a qual evidencia-se as principais divisões regionais feitas pelos órgãos de planejamento ou por estudiosos do espaço brasileiro no século passado. Fonte:<http://www.vermelho. aprimorou-se as técnicas de operacionalização e definiu-se os modelos de divisão regional. Essa divisão regional foi intitulada de Grandes Regiões Brasileiras. segundo. onde as monografias que explicavam as realidades do espaço regional eram muito produzidas nos meios acadêmicos brasileiros. bem como no espaço geográfico nacional. Associados a esses critérios. levando-se em consideração. elaborar e editar uma divisão regional para o Brasil. As regiões foram classificadas de homogêneas ou funcionais. pelo qual o Brasil passou.A sofrida realidade dos nordestinos é retratada na obra de Graciliano Ramos.

Ele continua a descrever a realidade regional em “Vidas Secas”. a espingarda de pederneira no ombro. também.GEOGRAFIA DO MUNDO. a viagem progredira bem três léguas. O regionalismo também pode ser compreendido como uma ideologia que pode sustentar reivindicações do tipo nacionalista como ocorreu no sul do Brasil. encontramse entrelaçados concretamente. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro. cambaio. Fabiano sombrio. discorrendo sobre a integração monetária. onde parte da população da Região Sul pregava sua autonomia em relação ao restante do país. Todos eles refletem as territorialidades e o regionalismo de uma determinada porção do território nacional. uma individualidade coletiva psicológica em relação a seus vizinhos. Arrastaramse para lá. em conseqüência das transformações paradigmáticas pelas quais passaram a Geografia. numa escala planetária. no que diz respeito ao uso de critérios para sua materialização. o aió a tiracolo. 26 . De acordo com Castro (1997). Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. pode ser entendido como sentimento de pertencimento. os processos de regionalizações brasileiras. Leia atentamente o texto abaixo e tente identificar aspectos que o autor descreve acerca da Região Nordeste brasileira. 2006). tanto da representação territorial política como no sentido dos seus discursos e bandeiras regionalistas. Sendo assim. Vidas Secas (como mencionado no início do capítulo). deve-se entender a regionalização como um procedimento para entender as relações econômicas contemporâneas. mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco. Passa-se a priorizar a técnica na elaboração de modelos de estrutura e de eficiência espacial. vem priorizando discutir as características e atuação dos blocos econômicos na economia global. a natureza. o imaginário político. um estado de espírito nascido da combinação de formas físicas e humanas que dão a uma comunidade. políticos e das questões globais. Daí a necessidade de valorizar o imaginário de certa coletividade. até então. também mudou. voltando-se para a análise dos sistemas socioeconômicos. Chegou o momento de discorrermos um pouco sobre o regionalismo. o regionalismo. é rediscutido no que diz respeito às suas bases metodológicas. cuja pretensão era criar uma federação. a análise regional na atualidade. Sendo assim. sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça. Finalmente chegamos a discussão pensada para esse texto acerca do regionalismo em obras literárias. estavam cansados e famintos. num certo quadro territorial. DAS REGIÕES E DOS LUGARES A partir de 1975. Ordinariamente andavam pouco. nesse caso. não seria diferente para a Geografia. Outro aspecto importante ao analisar essa temática é informar que o mesmo. pode-se dizer que o mesmo trata-se de uma ideologia política cujo objetivo é a promoção da autonomia regional. Em muitos livros clássicos de literatura podemos ver marcas regionalistas como nas histórias narradas em Grande Sertão Veredas. Fazia horas que procuravam uma sombra. através dos galhos pelados da catinga rala. Ana Terra e Jubiabá. o conceito de regionalização. dentre outros. bem como a natureza do local onde reside para compreender o regionalismo ali existente. Como as transformações continuam a acontecer no seio de qualquer ciência. A folhagem dos juazeiros apareceu longe. O menino mais velho e a cachorra baleia iam atrás (GRACILIANO RAMOS. Em tempos de globalização. o embasamento teórico que sustentou. Primeiramente. explicando algumas questões-chaves. sob arbítrio de agências supranacionais. o território. devagar. O slogan utilizado por esse grupo intitulava-se “O Sul é meu país”. entendida também como um sentimento. a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão.

a cabeça.. Coitado. Mais uma vez. terá condições de mensurar o comportamento dos seus personagens e de que forma se apropriam do espaço geográfico descrito. O Vôo negro dos urubus fazia círculos altos em redor de bichos moribundos. As características evidenciadas exemplificam como é possível identificar aspectos regionais em diversas obras literárias. A fome. e não guardava lembranças disso. São essas mesmas pessoas. Nos primeiros. morrera na areia do rio. “as manchas brancas que eram ossadas na catinga” e “a fome apertava demais os retirantes e por ali não havia sinal de comida” indicam qual espaço regional brasileiro o cenário descrito no livro representava. “os galhos pelados da catinga”. à beira de uma poça: a fome apertara demais os retirantes e por ali não existia sinal de comida. enquanto parava. que assola boa parte da população dos países subdesenvolvidos é um dos mais graves problemas nordestinos e mantêm íntima relação com o segundo. uma vez que durante o período de secas as árvores perdem os galhos e ficam “peladas”. os ossos do amigo. Ao falar em juazeiros e em galhos pelados da caatinga o escritor descreve aspectos característicos dessa região brasileira. Quando fala em rio seco. Outros dois aspectos descritos mencionados pelo autor referem-se à fome e à existência dos retirantes nessa área do espaço geográfico brasileiro. [. faz menção a uma realidade comum em boa parte da região semi-árida. essa água deixa de existir na estação seca. aparentemente. nos segundos. no “destino” da sociedade. Nesse sentido. migrantes que vão em busca de melhores condições de vida em localidades que não enfrentam a falta de chuvas e onde. Um juazeiro é uma planta característica de áreas com baixos índices pluviométricos. o geógrafo leitor ao se propor ir adiante na tentativa de interpretar outras nuances nessa obra literária. evidencia um aspecto característico dessa parte do Brasil. poderá perceber de que forma essas personagens estabelecem relações com os lugares e muitas vezes sentem-se parte deles denotando uma inteira dependência das condições naturais a eles impostas. “o rio seco”. O geógrafo leitor ainda.. As expressões ou falas “juazeiro”. Em nenhuma outra área do país é possível encontrar uma realidade cruel como essa caracterizada pela morte de animais em conseqüência do problema já descrito. Além dos aspectos visíveis da paisagem. Passaremos agora a identificar elementos ou situações identitárias da Região Nordeste brasileira. Sabe-se que os rios podem ser permanentes ou temporários. Graciliano Ramos refere-se ao segundo tipo de rios ao expressar “rio seco”. No caso de Vidas Secas logo no primeiro capítulo é possível estabelecer contato com a realidade geográfica nordestina.] Ainda na véspera eram seis viventes. onde haviam descansado. a análise cuidadosa do livro Vidas Secas e de outras obras literárias conduzirá o geógrafo leitor e pesquisador a identificar as marcas regionalistas presentes nos 27 . Agora. mesmo influenciando certas práticas humanas não é fator determinante no destino do ser humano. Outro aspecto característico da região semi-árida descrito pelo autor é a existência da mata de caatinga intercalada com as manchas brancas. a água corre durante todo o ano. criam mecanismos de sobrevivência mostrando que a natureza..A catinga estendia-se. que se refere aos retirantes. 2006).. contando com o papagaio. que em meio a muitas adversidades. a oferta de emprego é maior. que nada mais são que ossadas de vacas ou bois mortos em conseqüência da falta de alimento e da falta d’água nessa região. Baleia jantara os pés. dirigia as pupilas brilhantes aos objetos familiares. de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. estranhava não ver sobre o baú de folha a gaiola pequena onde a ave se equilibrava mal (GRACILIANO RAMOS.

e o último: Fuga . episódios que acabam se interligando com uma certa autonomia. tentando entender o contexto brasileiro no momento em que esse livro foi escrito e editado pela 1ª vez. São “quadros”. filho primogênito dos dezesseis que teriam seus pais. há uma proximidade entre o primeiro capítulo: Mudança. Esse caráter mostra que o romance é cíclico. diante da seca. de testa larga (. na cidade de Quebrangulo.asp> <http://www. GEOGRAFIA DO MUNDO.releituras. Sendo assim.com/graciramos_bio. dentes fortes.). ou melhor. onde o mundo se fecha para a família de Fabiano. ou pelo menos parte delas. Sebastião Ramos de Oliveira e Maria Amélia Ferro Ramos. O romance tem um caráter fragmentário . desde cedo. Fontes: <http://vbookstore. Viveu sua infância nas cidades de Viçosa. VIDAS SECAS aborda a problemática da seca e da opressão social. Texto Complementar Sobre Vidas Secas Publicado em 1938.. fala tremenda. sertão de Alagoas. olhos maus que em momentos de cólera se inflamavam com um brilho de loucura”. o que o fez alimentar.). sob o regime das secas e das surras que lhe eram aplicadas por seu pai. queixo rijo. Como coloca o crítico Affonso Romano de Sant’Anna .a mudança da família que . onde a estória é secundária e onde o próprio arranjo dos capítulos do livro obedece a um critério aleatório. diante de uma obra singular onde os personagens não passam de figurantes. agressiva. a geografia de determinadas regiões. ranzinza (. Mesmo com essa estrutura descontínua. que a Geografia Regional.shtml> <http://www.a chegada de uma família de retirantes . pode ser conhecida e analisada a partir de estudos literários.Estamos sem dúvida. Em seu livro autobiográfico “Infância”.. Sobre Graciliano Ramos Graciliano Ramos nasceu no dia 27 de outubro de 1892. DAS REGIÕES E DOS LUGARES No espaço abaixo aprofunde seus conhecimentos sobre Vidas Secas e seu autor.. Palmeira dos Índios (AL) e Buíque (PE). uma senhora enfezada.htm> 28 .. foge para o sul. a idéia de que todas as relações humanas são regidas pela violência.mesmos.br/resumos/vidassecas.com. assim se referia a seus pais: “Um homem sério.uc. é possível afirmar sim.pt/iea/neerlandesa.uol. saindo de uma mera classificação regionalista para mostrar o drama que o Homem sofre com a opressão do mundo.

o governo necessitava de instrumentos teóricos para promover o desenvolvimento regional. Teoria dos Dois Circuitos da Economia Urbana (Milton Santos. O conhecimento da realidade regional era indispensável para construção de projetos que pudessem minimizar as contradições dentro do próprio território. Dentre essas se podem citar: 1. como classificação.As diferentes propostas de divisão espacial Duarte (1980) apresentou 4 abordagens conceituais para se regionalizar o espaço. 1953). Ordenação dos fenômenos. 2. naquele momento que pudesses sustentar os projetos governamentais. Teoria do Desenvolvimento Regional Induzido Interna e Externamente (J. O objetivo dessa regionalização era classificar determinado espaço de acordo com seus diferentes atributos geográficos. Como o nome sugere. O espaço era entendido como uma totalidade e a região era vista como uma classe de área. este tipo de regionalização propõe a divisão do espaço em subespaços ou regiões complexas utilizando-se de critérios naturais. Hilhorst. Teoria da Propagação de Ondas de Inovação ou Teoria da Difusão Espacial das Inovações (Torsten Hägerstrand. baseando-se na distribuição dos fenômenos geográficos. Etapas do processo de regionalização como classificação de área: Enumeração dos fatores geográficos. 3. Entre os anos de 1950 a 1960 as regionalizações desenvolvidas eram vistas como instrumento de ação. 1979). Construção de generalizações indutivas e. A regionalização como instrumento de ação surgiu como preocupação política decorrente das desigualdades sociais e econômicas do espaço geográfico brasileiro. Embora o conhecimento das realidades regionais existisse. que pode ser exemplificada pela relação existente entre o centro (economias industrializadas) e a periferia. 29 . já. A primeira teoria pode ser considerada uma extensão da Teoria centro-Periferia de Fridman. A regionalização como diferenciação de área esteve em maior evidência no final do século XIX até as três primeiras décadas do século XX. Essa regionalização pode ser considerada tradicional e estava ligada à noção de paisagem geográfica e da síntese geográfica.G. 1973). Sistematização das informações. Várias teorias de desenvolvimento regional existiam. nesse caso a América Latina. Esse modelo desenvolveu-se no seio da Geografia Teorético-quantitativa ou da Nova Geografia e seu método de investigação baseava-se na análise empírica. bem como as economias de cada recorte regional. Como ponto de partida era necessário conhecer a economia nacional. De acordo com esse autor é possível pensar em regionalização como diferenciação de área. De 1950 a 1970 do século passado os processos de divisão do espaço em regiões basearam-se na regionalização como classificação de áreas. neopositivista. como instrumento de ação e regionalização como processo.M. com princípios da lógica formal.

dois subsistemas dentro da economia desses países: a saber. com utilização de alto padrão tecnológico no processo produtivo de atividades agrícolas. aquelas ligadas ao comércio. Sobre essa teoria faremos uma série de considerações. p. mas com resultados inversos. Conseqüentemente. seis elementos essenciais são observados: o meio. Esse contexto cria diferenças quantitativas e qualitativas no consumo nas diferentes cidades do mundo subdesenvolvido. que antes de migrarem para as cidades desenvolviam a agricultura familiar ou de subsistência e que comercializavam os excedentes nas feiras locais. A terceira teoria. DAS REGIÕES A segunda teoria exemplifica-se por inovações agrícolas ocorridas na Suécia. o tempo. Esse quadro cria uma divisão entre aqueles que podem consumir permanentemente o que necessitam e aqueles que. embora não proponha claramente caminhos a serem utilizados para minimizar essas diferenças. E DOS LUGARES O desenvolvimento do modo de produção capitalista tem produzido diferentes realidades sociais e espaciais. Essa modernização tecnológica produz transformações na estrutura do trabalho e que se reproduz diferentemente em regiões e países. O outro resulta de um mesmo processo. Quanto à agricultura. a origem e o destino dos produtos resultantes do processo. o circuito superior e o circuito inferior. os componentes materiais. criam-se atividades de pequenas dimensões. frente à América Anglo-Saxônica e de outras regiões em diferentes continentes. diferenças essas que se expressam nos circuitos de produção. o mercado de trabalho deteriora-se e uma porcentagem elevada de pessoas não tem atividades nem rendas permanentes (Santos (1979). entendemos que ela possibilitará a compreensão acerca do funcionamento das regiões brasileiras. Enquanto de um lado ocorre a diminuição do emprego na agricultura e na indústria. não podem satisfazê-las. ocorrem geralmente nos espaços livres públicos.GEOGRAFIA DO MUNDO. sendo essa última mais presente nas grandes cidades. ao contrário tem sido substituída pelas pastagens. os componentes não-materiais. explica de que forma o sistema capitalista produz regiões centrais e periféricas. Essas realidades caracterizam-se pela existência de uma massa de pessoas que recebe salários baixos. 1979. Um desses circuitos é o resultado direto da modernização tecnológica e uma de suas características é o desenvolvimento de atividades modernas que beneficiam a poucos. É nesse sentido. também vê diminuir seus efeitos. Essa é uma das explicações do êxodo rural e da urbanização terciária. principalmente. ou porque é atrasada ou porque está se modernizando. provocada pela modernização tecnológica. por outro lado. convivendo ao lado de uma minoria com rendas elevadas (Santos. 29). Para Santos é necessário evitar a confusão entre a noção dualismo e a dos dois circuitos da economia urbana dos países subdesenvolvidos tal como se concebe: 30 . O aumento do desemprego está associado. Essas atividades estão presentes em diferentes sociedades e cidades e. a dos dois circuitos da economia. que o modo de produção capitalista produz regiões que dependem de outras e subsistemas que são subordinados a outros. Boa parte dos desempregados tem sua origem na zona rural. trabalham esporadicamente ou não tem nenhum rendimento. às transformações ocorridas no espaço rural de muitos países subdesenvolvidos: a agricultura tradicional não se modernizou. distribuição e consumo dos bens e serviços. produzindo assim. à força de trabalho não pára de aumentar. onde os indivíduos beneficiam parcialmente das atividades ligadas a essa modernização. mesmo tendo necessidade. Nesse caso. pois. da América Latina. nas cidades dos países subdesenvolvidos.

o circuito inferior aparece como dependente do circuito superior. a existência de dois circuitos na economia das cidades é resultado de um mesmo grupo de fatores que. isto em meados do século passado. O subemprego e as formas de atividades que a ele se ligam são uma das conseqüências direta disso (SANTOS. como a revolução do consumo. “Pois da mesma maneira que no conjunto de um país. Para Santos. parece estar ultrapassada. trata-se do sistema por inteiro. a quantidade de indústrias que empregavam menos trabalhadores era maior que aquelas que empregavam mais.“dualismo no interior do dualismo” “intradualismo urbano” O tradicional deixou de sê-lo desde o momento em que toda a vida da sociedade foi subvertida pelos elementos revolucionários. quando se faz um esforço não somente para descrever. Também é difícil acreditar na idéia de uma transição entre as duas situações. A feira livre é uma das representações do circuito inferior da economia urbana. 31 . as atividades tradicionais nos países subdesenvolvidos limitam-se à população de baixa renda e às vezes ultrapassam a escala do lugar. porque também são em maior quantidade que as modernas. representado essencialmente pelas formas monopolísticas de atividades. P. Assim não há dualismo: os dois circuitos têm a mesma origem. Ao lado dos aspectos da produção. mas também de distribuição e consumo. com a preocupação de simplificar. 1979). A idéia de um dualismo (dicotomia ou fragmentação da economia urbana) em que as duas categorias históricas de atividades estariam em conflito. nos países subdesenvolvidos. Pode se aceitar também que o que acontece hoje nos países subdesenvolvidos não é outra coisa senão etapas em direção à situação atual dos países desenvolvidos É necessário recusar o dualismo urbano. Lacoste apud por Santos afirma que todas as novas forças comandadas do exterior levam também à adaptação do aparelho de produção e de um modo mais geral à transformação de todo o subsistema local. As empresas tradicionais empregavam maior número de trabalhadores.ex. quer dizer. Contudo. é indispensável considerar e analisar a distribuição e consumo. nos países subdesenvolvidos. apesar de sua aparente interdependência. Esse termo mesmo desgastado tornou-se muito cômodo para designar a contemporaneidade de diversas formas de produção. mas principalmente para analisar e interpretar o que se passa na economia das cidades dos países subdesenvolvidos. Posso analisar a situação dos estabelecimentos dentro dos dois circuitos. o mesmo conjunto de causas e são interligados. Com a modernização. assim como do emprego. observando a quantidade que cada um paga (há registros em prefeituras?).: A revitalização do artesanato turístico. Para as indústrias esse critério não se aplica. é necessário precisar que. chamamos de modernização tecnológica”. a oposição e mesmo o antagonismo das situações de desenvolvimento são fruto de um mesmo encadeamento de causas.

tem ocorrido a diminuição dos mesmos. pela insuficiência dos meios de transporte e. como o supermercado. Santos considera abusiva á idéia de assimilar a economia do gueto à do circuito inferior e. Nos países desenvolvidos.br/images/secretarias/servicos/ feirajardimdapenha. no interior das cidades dos países subdesenvolvidos. Nos primeiros. pelo número limitado de empregos. as condições de industrialização criavam mais empregos. É por esse motivo que o terciário nas cidades dos países subdesenvolvidos é mais importante que o secundário. direto e usuário que caracteriza a maior parte das operações do sistema econômico ao qual pertencem e que eles contribuem para nutrir”. (apelo à mão-de-obra do campo) no segundo. ao contrário do que se passou nos países desenvolvidos.GEOGRAFIA DO MUNDO. criação da modernização tecnológica. e que representa a condição de dependência de todo o sistema econômico. não ocorreu a diminuição da população ativa em relação à população total. a falta de qualificação de uma grande parte da mão-de-obra aparece igualmente como um elemento de comparação não negligenciável entre a população pobre das grandes cidades européias nos séculos XVIII e XIX e a atual população pobre dos países terceiro-mundistas. é muito mais fácil nos bairros pobres das cidades dos países ricos”. como ocorreu nos países subdesenvolvidos.es. revela-se muito mais extenso.vitoria. Segundo Santos. DAS REGIÕES E DOS LUGARES Fonte:<http://www. 32 . o circuito inferior é um fenômeno econômico muito mais amplo. Nas cidades dos países pobres.gov. a mobilidade dos indivíduos do gueto é reduzida. do outro. de um lado. e deve ser estudado como tal. Naqueles ainda. a favela como circuito inferior.jpg> O primeiro erro é achar que é possível fazer um paralelo entre os fenômenos econômicos urbanos que acompanharam a Revolução industrial na Europa e aqueles que se constatam no processo de industrialização dos países subdesenvolvidos. “Nos países subdesenvolvidos os verdadeiros pobres só dispõem do crédito pessoal. “a concorrência de formas modernas de comercialização. ao contrário. Segundo Santos. São algumas as diferenças entre o processo de industrialização nos países desenvolvidos e subdesenvolvidos. não delimitado geograficamente. o leque de ocupações intercambiáveis que podem proporcionar ganho às pessoas pobres e sem qualificação precisa. A favela é somente um quadro material de vida representativo da pobreza. isso o leva a refutar a atitude que visa a confundir. Ele reafirma que a existência dos dois circuitos é um fenômeno atual.

mas que são grandes demandantes de bens petroquímicos). em Betim. na Bahia. Para esse tipo de regionalização. os elementos que o compõem estão em relação de interdependência funcional uns com os outros. em longo prazo provocará um grande desenvolvimento em diferentes setores. Após sua implantação. o pólo está produzindo não apenas insumos químicos e petroquímicos. Bridgestone. isto é. mas também automóveis. na Bahia. Saiba Mais! O Pólo Petroquímico de Camaçari. o que demandava a divisão da região em espaços menores. Na regionalização como instrumento de ação a economia passa a ser o suporte para esse processo. Como estamos falando de teorias de desenvolvimento regional . A capacidade instalada do Pólo de Camaçari ultrapassa 8 milhões de toneladas ano de produtos químicos e petroquímicos básicos. Apesar da interação entre os dois circuitos. Continental e umas 30 empresas sistemistas que produzem componentes para o setor automotivo. E também é responsável pelo abastecimento de 50% do mercado brasileiro de produtos químicos e petroquímicos. Depois de experimentações desse modelo desenvolvimentista em muitas regiões latino-americanas e em outros lugares. Nesse processo. plásticos e outros bens de consumo. Minas Gerais. para a promoção de uma região pobre as status de região rica era necessário as implantação das indústrias chamadas motrizes. o pólo agrega um outro tanto de indústrias não petroquímicas. já foram investidos no seu parque industrial mais de US$ 10 bilhões. promover o desenvolvimento local. em uma cidade e seu entorno ou em uma região urbana. responsáveis pela formação de complexos industriais. Com a implantação de sua terceira geração industrial (etapa da cadeia produtiva composta inclusive por fabricantes de outros setores. ao ser implantado. No Brasil. De acordo com a teoria dos pólos de crescimento de françois perroux (1955). evidenciam-se as equipes interdisciplinares com papel relevante do geógrafo que passa a ser indispensável em trabalho com os objetivos de tornar regiões pobres em regiões mais desenvolvidas. que aglutina 53 empresas do pólo. o que. Significa dizer que a implantação de uma indústria motriz é o primeiro passo para melhorar as condições sócio-econômicas da região. um sistema. 33 . pneus. as etapas não funcionam como o esperado e outros fatores impedem que o dito desenvolvimento sócio-econômico ocorra no espaço regional. O texto abaixo fala sobre o Pólo Petroquímico de Camaçari. como a Ford. emprega 29 mil pessoas. agrotóxicos. Segundo dados do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic). intermediários e finais. das quais 12 mil contratadas e 17 mil terceirizados. os planejadores partem do pressuposto de que o processo de desenvolvimento regional depende da dinâmica do sistema econômico social. No entanto. na região metropolitana de Salvador. Com 37 empresas químicas e petroquímicas. Firestone. Pirelli. ele mesmo. vários pólos de desenvolvimento foram planejados e implantados: o Pólo Industrial de Contagem. bebidas. outras indústrias serão induzidas a se implantarem naquele espaço. “cada circuito ou subsistema da economia urbana dos países subdesenvolvidos é. vai completar 28 anos de atividade com o reconhecimento de seu papel fundamental na industrialização e no desenvolvimento regional. buscava-se a região econômica centrada em um pólo econômico. o território era visto como espaço que carecia de uma estratégia de desenvolvimento. Monsanto. analise cuidadosamente aspectos desse Pólo que visava. as características que distinguem um subsistema do outro provêm exatamente da oposição das características de cada um dos sistemas”. o Pólo Petroquímico de Camaçari-Dias D’ávila.Para Santos. incluindo os investimentos da Ford e Monsanto. concluiu-se que na prática.

org.4 bilhões e contribui com mais de 30% do PIB do Estado da Bahia. Uma situação bem diferente de 29 de junho de 1978. insumo que será transformado em fibra têxtil para ser processada pela indústria de fio. a âncora do pólo têxtil serão os grupos nacionais interessados em garantir competitividade de longo prazo. na região metropolitana de Salvador. que divide o território brasileiro em regiões Geoeconômicas: Amazônia. A empresa Indorama. da Indonésia. na Bahia. com a indústria de terceira geração.iedi. abordaremos de forma mais suscinta a regionalização como processo. Já em fase adiantada de estudo. A partir de 1970. em especial a industrialização. Embora diversas empresas têxteis de outros países também queiram participar do projeto.fatura anualmente US$ 9. DAS REGIÕES E DOS LUGARES Em parceria com a Petrobrás. Nesse processo de regionalização utilizam-se os seguintes critérios: aspectos naturais.br> Por último. o pólo têxtil poderá gerar de 300 mil a 500 mil empregos ao longo de toda a cadeia. o projeto do pólo têxtil e a instalação de outras indústrias de bens de consumo final. a abordagem fundada no materialismo histórico e dialético é dada à Geografia. cita-se a proposta por Pedro Pinchas Geiger (1967). 34 . GEOGRAFIA DO MUNDO. que abastecia as indústrias do pólo petroquímico. pretende se instalar em Camaçari e consumir uma parte importante da matéria-prima produzida no pólo. Como exemplo no Brasil. Fonte: <http://www. Nesse sentido o conceito de região passa a ter uma dimensão política. Portanto. Centro-Sul e Nordeste. o Pólo Petroquímico já é chamado de Pólo Industrial de Camaçari e consolida a idéia perseguida pelos seus idealizadores desde a implantação: a de ser um complexo petroquímico integrado. vai completar 28 anos de atividade com o reconhecimento de seu papel fundamental na industrialização e no desenvolvimento regional. fatores socioeconômicos e o processo histórico de formação do território nacional. de uma regionalização que valorizou o processo. no qual a indústria básica fornece os insumos e matérias-primas necessárias a todo o processo produtivo das indústrias intermediárias e depois para a produção de bens de consumo final. algumas empresas do Pólo Petroquímico trabalham para instalar um pólo têxtil em Camaçari e a idéia é utilizar a produção intermediária de PTA. quando o pólo petroquímico foi inaugurado oficialmente com o início das operações da central de matérias-primas da Companhia Petroquímica do Nordeste (Copene). principalmente pelo fato da competição com indústria asiática ser muito agressiva e a indústria brasileira ser cada vez mais assediada por produtos chineses. O Pólo Petroquímico de Camaçari. o que influenciou as teorias do desenvolvimento regional. tecido e de confecção na Bahia.

com/geografiaonline/geoeconomica.org/wiki/Regi%C3%B5es_do_Brasil> 35 .mre.br/cdbrasil/itamaraty/web/port/divpol/apresent/apresent/index.A regionalização do Brasil indicada acima exemplifica a regionalização como processo.gov.geocities.htm> <http://pt.wikipedia. Fonte: http://www.jpg Acesse: <http://www.

como também a sua importância na comercialização de produtos alimentícios. Dividir o espaço de um bairro. Atenção! Importante: Oferecer aos alunos a paisagem de quarteirões distantes e estimulandoos a fazer comparativos dos elementos existentes. que nada mais é que a gama de conhecimentos adquiridos por estes em sua vivencia cotidiana em determinado espaço. Podemos afirmar que este tipo de aprendizagem torna-se eficiente pelo fato de estarmos trabalhando o conhecimento com informações. outros elementos. as próprias ruas e suas calçadas. o açougue. estaríamos propiciando o cenário ideal para explicar aos alunos do Fundamental uma micro-região. o semáforo. por exemplo. outros equipamentos ou elementos como: o poste de iluminação. podem fazer parte dessa pequena porção espacial regional (micro-região). como sedimentação da aula sobre região e regionalização. as pessoas da vizinhança e os transeuntes. elementos e fatores conhecidos pelos alunos ao qual denominamos de cultura oculta. enfim. Assim. Regionalismo e o Ensino da Geografia O Ensino da Geografia Regional nas séries finais do Ensino Fundamental: GEOGRAFIA DO MUNDO. dentro de um espaço que eles vivem e conhecem de maneira profunda. os jardins particulares. É também de fácil identificação o papel desempenhado pela praça local. que será utilizada para o desenvolvimento intelectual e escolar da população. Isso lhes permitiria uma melhor identificação dos elementos constantes nessa micro-região. como também propicia emprego de melhor qualidade e melhor mão de obra para o comércio local em virtude de uma melhor qualificação dos estudantes. o papel de um armazém ou mercadinho é perfeitamente identificável pelo aluno. ou a escola existente na vizinhança como equipamento que oferece cultura. que propicia lazer. 36 . implica na utilização do método científico da comparação. inclusive com a vantagem dos alunos reconhecerem o papel de cada elemento contido neste espaço. limitando o seu estudo regional em duas ruas e uma praça (regionalização). pois o mesmo tem capacidade para reconhecer este como gerador de emprego e renda para a população local. dentre outros gêneros. os carros que transitam pelas vias. DAS REGIÕES E DOS LUGARES Para que ocorra um entendimento das questões referentes ao estudo das regiões e regionalização nas classes da 5ª a 8ª série no ensino fundamental se faz necessário à observância de fatores peculiares na divisão regional sendo este compatível com o nível de análise e compreensão dos alunos.Região. os muros. residências.

a elaboração de idéias sobre região. p. onde evidentemente devem existir edificações com funções diferenciadas. considerando que. considerando a dinâmica das relações de produção. dentre outros elementos. em épocas diferentes. Porém combinada articulação da divisão territorial e social do trabalho. onde o entendimento a respeito da questão de observação do espaço ocorre com maior amplitude. em sua totalidade. e no caso de centro desenvolvido a presença de verticalização das edificações. sendo esta região. A depender do grau de desenvolvimento deste espaço selecionado posteriormente com vistas ao Ensino Médio poderemos encontrar fábricas. É no interior das contradições que movem a sociedade capitalista que procuramos compreender os discursos regionais presentes nos livros didáticos de Geografia. No espaço rural os elementos existentes possuem também funções especificas neste.101). da cultura e do grau civilizatório atingido pela sociedade. estádios de futebol. o que englobaria todo o bairro. é pela intermediação da relação social e do trabalho que a sociedade não só transforma o meio circundante em espaço produzido. a idéia e/ou conceito de região adquire uma significação social que varia de acordo com a visão de mundo. Silvana de Ensino da Geografia Regional no Ensino Médio Tratando-se de alunos do Ensino Médio. via de regra. Partindo desse enfoque. em detrimento da existência de edificações horizontalizadas no espaço ou região do entorno deste. haja vista que pode-se tomar como parâmetro uma escala geográfica maior. Portanto. edifícios. Entendemos como Moreira (1982. viadutos e quartéis. nacional e internacional. em nível regional. com comparativos e observação de diferenças existentes entre o entorno da cidade e a zona central. a discussão e entendimento do processo de regionalização e compreensão do espaço regional tende a ser mais amplo. ficando evidente nesta região a ação efetiva do homem na formação deste. Fonte: Reflexão sobre a temática regional e o ensino de Geografia LIMA. é concebida como resultado das relações que se estabelecem entre sociedade e natureza num determinado momento do desenvolvimento das forças produtivas. igrejas. bem como. 37 . que “o homem é produto da história da natureza e a natureza é a condição concreta da existencialidade humana”. se comparado com o espaço ou região selecionado para estudo papa os alunos do Ensino Fundamental. Efetivamente que os elementos contidos nesses espaços (rural e urbano) oferecem uma gama de elementos mais diversificados devido a abrangência deste. tendo como suporte para sua reprodução.Texto Complementar Refletir sobre o modo como a temática regional vem sendo tratada no ensino de Geografia contribui para a compreensão da relação sociedade/território. contemplada com alguma porção de espaço natural ou paisagem natural. como também se modifica no processo. no contexto da representação social. as quais criaram as regiões como expressão da materialidade do capital. a desigual. da relação homem/natureza. Salvadora Caceres Alcântara de & ABREU.

o homem é mantido como categoria genérica e os recursos naturais como um dado a ser explorado. pois este constitui o elemento fundante na determinação das regiões e a função que cada uma desempenha dentro da totalidade espacial. Texto Complementar A região no contexto discursivo Para iniciar a reflexão. governar. já materializado como discurso na linguagem social. expressão de claro matiz militar e estatal”. numa sociedade de classes.GEOGRAFIA DO MUNDO. enquanto parcela da totalidade. dirigir. Em todos estes espaços ou regiões estudadas e analisadas pelos alunos evidencia-se a presença da ação antrópica. Vidal de La Blache definiu como objeto da Geografia regional a relação homem/natureza. O termo região surgiu como conceito em Geografia. segundo Moreira (1993. 07). a divisão territorial e social do trabalho. encontraremos: paisagem urbana e paisagem rural. O que implica dizer que devemos considerar a forma diferenciada como o capital se propaga nos territórios para garantir sua reprodução ampliada. Silvana de 38 . Fonte: Reflexão sobre a temática regional e o ensino de Geografia LIMA. mas que é capaz de realizar transformações dependendo das condições técnicas e do capital que dispõe. como bem frisou Moreira (1981). DAS REGIÕES E DOS LUGARES Com relação aos tipos de paisagem que poderão ser encontradas nos espaços analisados desde a divisão regional para estudos dos alunos do fundamental até a hora apresentada. é antes de tudo uma relação social e a busca da compreensão da sua unidade deve levar em conta as relações travadas pelos homens no processo de produção. fato este que confirma a presença do homem na formação ou “modelagem” da região. a partir do século XIX. sendo preciso considerar. A relação homem/natureza. traz implícitas formas de organização sócio-territorial de uma determinada sociedade. dentro da concepção ou conceito contemporâneo de região. que sofre a influência do meio. Salvadora Caceres Alcântara de & ABREU. uma vez que o termo. é vazia de significado. na perspectiva da paisagem e considerou o homem como um ser ativo. que viria a se tornar o principal sistematizador da Geografia regional. Entendemos que a idéia sobre a região. “vem de regere. porém. quer dizer reger. na análise. p. inaugurando a chamada corrente possibilista. com o francês Paul Vidal de La Blache (1845-1918). Nesse sentido. A palavra região. consideramos importante resgatar a origem da palavra região. a região seria a unidade de análise que expressaria a forma como a sociedade se organiza no território.

mas 39 .ibge. A primeira refere-se à relação entre o espaço geográfico real e o espaço geográfico representado em qualquer mapa. Muitos geógrafos afirmam ser possível discorrer sobre um fenômeno em diferentes escalas.. também. a região é “o lugar onde a ação se passa”.br/home/geociencias/cartografia/manual_nocoes/imagens/imagem6. muitas vezes. são diferentes porque eles apresentam-se em diferentes níveis de análise espacial.. Define-se a escala cartográfica após definição da geográfica. Inicialmente. agindo tanto como freios. Fonte: http://www.Região e escala É necessário em qualquer estudo regional definir a escala de abordagem. Sendo assim. A escala cartográfica é a relação existente entre o espaço real e o espaço representado. “pode ter origem local ou distante. que pode ser tanto natural como humano. É importante ressaltar que é possível trabalhar a escala geográfica sem se remeter à escala cartográfica.jpg Nos dias de hoje o geógrafo dispõe (. afirma ainda ser o espaço do impacto. o conhecimento acerca da escala é essencial na compreensão da diversidade e do confronto entre diversas intencionalidades. Aí lançamos um questionamento: a “arquitetura” desse fenômeno não variará de uma escala para outra? É importante ressaltar que os fenômenos. Esse mesmo autor ainda sugere outra maneira de compreender o estudo regional. é preciso diferenciar escala cartográfica da escala geográfica. quanto como forças. em diversos níveis de apreensão da realidade. Para Santos (1994). Pode-se dizer que a escala gráfica é um elemento da escala geográfica. a segunda refere-se à determinada área do espaço geográfico delimitada para efeito de análise científica e/ou estudo. Com essa diferenciação acreditamos que você já tem condições de separar uma escala gráfica de uma escala geográfica. Mas isso não o dispensará de definir com precisão aquilo de que ele quer tratar. eles contêm em si mesmo sua própria superação. a considerar a região como um campo ação concomitantes de intensidades variáveis. mais do que como a inscrição espacial precisa de equilíbrios fundamentais. Os limites regionais são múltiplos. de pesquisar criteriosamente o impacto espacial exato dos fenômenos que ele analisa. a escala aparece quando você precisa definir limites geográficos.gov. a definição da escala é primordial na elaboração de estudos geográficos. Para ele.) a reconhecer que o desenho dos limites já não é mais objeto principal de sua pesquisa: ele tende. dinâmicos. Aliás.

uma grande cadeia de montanhas como os Andes e as montanhas Rochosas. correspondem a uma terceira ordem de grandeza. Yves Lacoste (1997) afirma que se pode ordenar a descrição e o raciocínio geográfico em diferentes níveis de análise espacial que correspondem a diferentes ordens de grandeza dos objetos geográficos.insere-se numa ordem de quinta grandeza. a região não pode ser entendida apenas como espaços de média e grande extensão territorial. Estados como a França. os conjuntos espaciais que devem ser levados em consideração para perceber a diversidade de combinação de fenômenos na superfície do globo. o Reino Unido. das mais diferentes naturezas. Uma rua. A quinta ordem de grandeza refere-se a conjuntos ainda mais numerosos. como pequenos maciços montanhosos. Outra discussão que aparece ao se discutir escala refere-se à classificação dos conjuntos espaciais em função das diversas disciplinas acadêmicas.vtourist. um bairro. os subconjuntos regionais dos Estados maiores. Para ele a primeira ordem de grandeza corresponde aos conjuntos espaciais cuja maior dimensão se mede em dezenas de milhares de quilômetros: continentes e oceanos. Nesse sentido. o grupo de países do Pacto de Varsóvia ou da OTAN. as grandes regiões “naturais” como a bacia parisiense. o Canadá. cujas dimensões se medem em quilômetros.GEOGRAFIA DO MUNDO. isto é. grandes zonas climáticas. Copacabana. a diversos tipos de ações. aglomerações muito grandes. conjuntos como o mar Mediterrâneo. grandes florestas.com/1878962-Copacabana-Rio_de_Janeiro.bairro carioca. DAS REGIÕES E DOS LUGARES sempre resulta em um impacto sobre o pedaço do território”. subconjuntos regionais de Estados que decorrem da terceira ordem correspondem à quarta ordem de grandeza em que as dimensões se medem em dezenas de quilômetros. mas também um conjunto geográfico como o mundo subdesenvolvido. A segunda ordem de grandeza corresponde aos conjuntos cuja maior dimensão se mede em milhares de quilômetros: áreas como a da ex-URSS (União das Repúblicas Soviéticas). Fonte:<http://p. uma cidade podem ser compreendidos como espaços regionais. em que a maior dimensão medese em centenas de quilômetros.jpg> 40 . a China. uma vez que estão sujeitos. Os conjuntos extremamente numerosos. diariamente. cadeias de montanhas como os Alpes. etc.

nem o mesmo sentido.php?script=sci_arttext&pid=S0102311X1996000300012&lng= es&nrm=iso&tlng=pt> 41 . que os leva a não ter mais a mesma significação.000 ou 1 : 100. cujas dimensões se medem em metros correspondem à sétima ordem de grandeza. por exemplo. algo diverso se dá quando mudamos de ordem de grandeza nas escalas. Ela é sempre indicada sob a forma de uma fração. a escala será de 1 / 100. e por vezes até a natureza dos fenômenos. que representa seu múltiplo sobre o terreno. com a unidade (1) como numerador.A sexta ordem refere-se aos conjuntos cujas dimensões se medem em centenas de metros. Do mesmo modo quando abordamos fenômenos de certo porte estamos obrigatoriamente trabalhando em um escala específica. Como afirma Roger Brunet.embrapa.000 vezes maior que sobre a carta. É preciso não esquecer o fato de que a carta é uma redução do território e dos fenômenos sobre o mesmo.scielo.nsf/0/71ea1befe8423c820325687e0047c590/ $FILE/073-pant. embora nas cartas temáticas para fins de evidência maior se sobressaiam as representações de determinados fenômenos. Se largura medida sobre o terreno é 100. toda mudança de escala modifica as percepções e as representações. embora usando o mesmo termo. nem a mesma estrutura.br/pab/pab. e dos mais delicados.pdf> <www. leia o texto abaixo: Texto Complementar Em geografia existe o conceito de escala que é distinto do mesmo conceito cartográfico. Acesse: <atlas. ou seja. A escala geográfica leva em consideração que fenômenos diversos se dão em diferentes escalas. e um número como denominador. Para entender um pouco mais sobre a escala cartográfica. É em função dessa ordem de grandeza que se faz a escolha das escalas levando-se em conta o nível de precisão das informações a serem mapeadas e analisadas. 10 Km para um 1 cm. Como qualquer modelo da realidade o mapa se constrói segundo uma escala que garante sua correspondência com aquilo que representa. na sua escala geográfica. Os conjuntos inumeráveis. A escala é a relação de redução entre uma largura medida sobre a carta e a medida real correspondente sobre o terreno.000. A escala cartográfica é um dos atributos fundamentais da carta.br/scielo. É sobretudo a descontinuidade na ordem de grandeza dos fenômenos.sct.

. 4. Diferencie regionalização de regionalismo. 3. enumere aspectos da Região Nordeste brasileira.Atividades GEOGRAFIA DO Complementares MUNDO. DAS REGIÕES E DOS LUGARES 1. De que forma compreende-se o funcionamento dos fenômenos geográficos a partir da utilização do método regional? 2. A partir do livro Vidas Secas de Graciliano Ramos. 42 . Descreva a importância do ensino da Geografia Regional nas séries finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio.

112 –112). Sendo assim..): paisagem. alterando-o no todo ou em sua parte ou preservando-o em suas formas e interações espaciais” (CÔRREA. lugar e território” (CÔRREA. função e forma. região. a natureza. Yves Lacoste (1997) afirma que se pode ordenar a descrição e o raciocínio geográfico em diferentes níveis de análise espacial que correspondem a diferentes ordens de grandeza dos objetos geográficos. o alto de uma colina” (Parâmetros Curriculares Nacionais. economistas. O espaço geográfico é fruto de um processo histórico no qual a sociedade imprimiu progressivamente suas marcas.. 1ª a 4ª série. espaço. necessitamos compreender suas diversas categorias de análise: o espaço geográfico. 1995: 16). a paisagem. 1995: 35). essas classes não são alvos de debates apenas nos encontros de geógrafos. no entanto. p. arquitetos. sofrendo interferências das diversas atividades humanas e das diferentes escalas (global. GEOGRAFIA E GLOBALIZAÇÃO: O MUNDIAL E O LOCAL A PRODUÇÃO DO ESPAÇO GEOGRÁFICO NUMA PERSPECTIVA REGIONAL Fundamentos para Análise Espacial Para analisarmos o espaço geográfico. Polêmicas à parte. E segundo Santos (1985) o espaço deve ser entendido a partir das categorias: estrutura. as redes. É neste espaço que se estabelece o lugar. um conjunto de ações espacialmente localizadas que impactam diretamente sobre o espaço. Para Côrrea (1995) “a geografia tem como objeto de estudo a sociedade que. dentre outros. isto é. em qual ordem insere-se o continente americano nesse contexto? Justifique. . onde se brinca desde menino. é objetivada via cinco conceitos-chaves que guardam entre si forte grau de parentesco (. Os lugares por mais longínquos que sejam acabam mantendo relações entre si. “São as práticas espaciais. 43 .5. o território. processo. objeto de estudo da Geografia para muitos estudiosos. o lugar. a janela de onde se vê a rua. historiadores. No presente texto daremos ênfase apenas a abordagem de cunho geográfico. a região. antropólogos. uma categoria que “traduz espaços com os quais as pessoas têm vínculos mais afetivos e subjetivos que racionais e objetivos: uma praça. mas também de sociólogos. regional) que atuam sobre ele.

Segundo Tuan (1983: 151) “o espaço transforma-se em lugar à medida que adquire definição e significado”. um aqui a partir do qual descobrir o mundo. “Por exemplo. significados particulares advindos das nossas associações subjetivas com ele. 44 .aquele mundo de ambigüidades. Quando olhamos para uma cena panorâmica. que. e impregna o espaço de símbolos e signos que irão traduzir esta apropriação que “é a expressão de uma consciência social do espaço. O espaço-vivido adquire. têm pouca notoriedade visual. “Não há limites precisos a serem traçados entre espaço. muitos lugares altamente significativos para certos indivíduos e grupos. como fenômenos experienciados. 2002: 16). uma harmonia ímpar de ritmos naturais e artificiais. tendo por meta compreender o caráter singular de cada porção do planeta” (MORAES.. comprometimentos e significados no qual estamos inextricavelmente envolvidos em nossas vidas diárias” (RELPH. Nem a relação entre eles é constante – lugares têm paisagens. Entretanto. seja através de MUNDO. 1979:16). lugar talvez seja o mais fundamental dos três. 1979:17). precisamos de uma base para estabelecer nossa existência e realizar nossas possibilidades. 1995:131)”1 . nossos olhos detêm em pontos de interesse (. Neste contexto. 1979: 19). de trabalhar e brincar” (TUAN. No entanto. A procura por um lugar é um desejo intrínseco ao homem. 1983: 203). estreitamento de laços e segurança emocional. embora seja individual. 1983: 203). como a hora do sol nascer e se pôr. São conhecidos emocionalmente. mas isso é ainda a procura de um lugar. como qualquer objeto estável que capta a nossa atenção. DAS REGIÕES “bons ou maus encontros” que possibilitem “experiências intensas ou fracas E DOS LUGARES ou simplesmente por experiências que estão suficientemente fora do ordinário para despertar a consciência geográfica” (RELPH. 1979:2-3). 1979:12). É uma mistura singular de vistas.). e paisagens e espaços têm lugares. de permitir a troca de experiências. portanto. superfícies e cores” (RELPH. de autoria da geógrafa Suely Coelho apresentada na UFBA em setembro de 2005. 1 Fragmento da dissertação de Mestrado intitulada: Elementos de valorização imobiliária em conjuntos habitacionais verticalizados: o caso de Cajazeiras V e XI. sons e cheiros. Um lugar capaz de libertá-lo de seus próprios medos. em Salvador -BA. repensadas dia após dia e através dos anos. mudar. paisagem e lugar. “Nós podemos trocar de lugares. porque focaliza espaço e paisagem em torno das intenções e experiências humanas” (RELPH.“O conceito de lugar é trabalhado por Relph (1979) juntamente com os conceitos de paisagem e espaço. No sentido e significado dado a tais vivências o homem constitui o seu “mundo vivido . requisitos que dependem do tempo de vivência constituído de experiências “em sua maior parte fugazes e pouco dramáticas. o mesmo autor considera que a “importância dos acontecimentos na vida de qualquer indivíduo está mais diretamente relacionada com a sua intensidade do que com a sua extensão” (TUAN.. “é idiossincrático para nós por causa da singularidade de suas formas. de GEOGRAFIA DO permitir o enraizamento. e não através do olho crítico da mente”. “O estudo da individualidade do lugar deve abarcar “todos os fenômenos que estão presentes numa dada área. à necessidade de raízes e segurança” (RELPH. esta tríade compreende as bases fenomenológicas da realidade geográfica. Conforme Tuan (1983: 155) o lugar se define de diversas formas. Culturalmente. um acolá para o qual ir” (DARDEL apud RELPH 1979:17). tal concepção de lugar excede o sentido de localização geográfica para referir-se à necessidade humana de enraizamento. é gerada coletivamente numa sociedade historicamente constituída” (VERAS. “lugar” extrapola o sentido de localização geográfica para referir-se a um “tipo de envolvimento com o mundo.

Outra categoria importante é a paisagem, marcada pela heterogeneidade, representa
os diversos elementos (naturais e artificiais) num determinado lugar. Cada paisagem possui
sua singularidade que se expressa exatamente pelos diferentes objetos que a compõe.
Observando-a podemos conhecer a maneira pela qual a sociedade a transforma através do
uso de novas técnicas ou pela própria relação com o espaço vivido.
A paisagem também exprime a história dos diversos lugares e é sempre mutável.
Segundo Santos (1994), não devemos confundir paisagem com espaço: “a primeira é a
materialização de um instante da sociedade. Seria, numa comparação ousada, a realidade
de homens fixos, parados numa fotografia. O espaço resulta do casamento da sociedade
com a paisagem. O espaço contém o movimento. Por isso paisagem e espaço são um par
dialético” (SANTOS, 1994:72).
Numa outra definição o mesmo autor define paisagem como “um conjunto de objetos
que nosso corpo alcança e identifica. O jardim, a rua, o conjunto de casas que temos à nossa
frente, como simples pedestres. Uma fração mais extensa de espaço que nossa vista alcança
do alto de um edifício. A paisagem é nosso horizonte, estejamos onde estivermos” (SANTOS,
1994: 76), podendo ser relatado também numa letra de música: “Da janela lateral do quarto
de dormir, vejo uma igreja, um sinal de glória, vejo um muro branco e um vôo pássaro, vejo
uma grade, um velho sinal” (Lô Borges e Fernando Brant).
Segundo Moraes (2002), “a paisagem, posta como objeto específico da Geografia,
é vista como uma associação de múltiplos fenômenos, o que mantém a concepção de
síntese, que trabalha os dados de todas as demais ciências. Esta perspectiva apresenta duas
variantes, para a apreensão da paisagem: uma, mantendo a tônica descritiva (...) – daí ser
denominada morfológica. A outra se preocuparia mais com a relação entre os elementos e
com a dinâmica destes, apontando para um estudo da fisiologia, isto é, do funcionamento da
paisagem” (MORAES, 2002: 14-15).
Para entendermos o que é território faz-se necessário compreendermos, por
conseguinte, a convivência num dado espaço de diversas etnias, crenças, idéias, tradições
e técnicas de diferentes sociedades.
Normalmente relacionamos a categoria território ao Estado como gestor, “no entanto,
ele não precisa e nem deve ser reduzido a essa escala ou à associação com a figura do
Estado. Territórios existem e são construídos (e desconstruídos) nas mais diversas escalas,
da mais acanhada (p. ex, uma rua) à internacional (p. ex, a área formada pelo conjunto de
territórios dos países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte – OTAN)”
(SOUZA, 1995: 81).
A noção de território também aparece nos livros didáticos de Geografia trazendo uma
noção de extensão ou de espaços nos quais determinadas nações exercem seu domínio e
soberania.
Abordam também, geralmente, como se deu a formação territorial dos países ao longo
dos séculos e sua regionalização. Sobre isso nos fala Santos (1978) “cada pedaço do território
é definido por uma história, por um arranjo específico dos homens, dos equipamentos e das
atividades” (SANTOS, 1978: 184).
Este renomado autor também aborda em outra obra a configuração territorial que
segundo ele “é o território mais o conjunto de objetos existentes sobre ele; objetos naturais
e artificiais que a definem” (SANTOS, 1994: 75).
Paisagem e território são categorias distintas apesar da conexão entre ambas “a
paisagem é conjunto das coisas que se dão diretamente aos nossos sentidos; a configuração
territorial é o conjunto total, integral de todas as coisas que formam a natureza em seu aspecto
superficial e visível; e o espaço é resultado de um matrimônio ou um encontro, sagrado enquanto
dura, entre a configuração territorial, a paisagem e a sociedade” (SANTOS, 1994: 77).

45

GEOGRAFIA DO

MUNDO, DAS REGIÕES

Já a região como categoria de análise espacial representa áreas com
características históricas, naturais e sociais, dentro de limites específicos, que
as distinguem de outros lugares. Estas regiões possuem tamanhos variados,
podem se estender por milhares de quilômetros ou reunir grupos de pequenas
cidades.

Como exemplo temos a própria regionalização do Brasil realizada (Norte,
Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste) do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE), ou em regiões Geoeconômicas (Amazônia, Centro-Sul e Nordeste),
ou outras menores como região da Chapada Diamantina, região do ABCD paulista etc.
Lembramos sempre que a tarefa de regionalizar não é fácil, pois se esbarra com a dificuldade
de estabelecermos os verdadeiros limites entre uma região e outra, além da difícil missão de
considerarmos quais são os elementos espaciais principais para a delimitação regional.

E DOS LUGARES

Kayser (1980) define região como “um espaço preciso, mas não é imutável, inscrito em
um quadro natural determinado, e que responde a três características essenciais: os laços
existentes entre seus habitantes, sua organização em torno de um centro dotado de certa
autonomia, e sua integração funcional em uma economia global” (KAYSER, 1980: 282).
Outro elemento importante para o entendimento do espaço geográfico são as categorias
de análise de Milton Santos: forma, função, estrutura e processo. Segundo o autor forma é
o aspecto visível, exterior, de um objeto, referindo-se ainda ao arranjo deles, que passam
a constituir um padrão espacial. A noção de função “implica uma tarefa, atividade ou papel
desempenhado pelo objeto criado. Assim, este tem um aspecto exterior visível – a forma – e
desempenha uma atividade – a função”.
Por conseguinte, o termo estrutura diz respeito ao modo como os objetos estão
organizados, refere-se não a um padrão espacial, mas à maneira como estão inter-relacionados
entre si. Segundo Santos (1978) “é a natureza social e econômica de uma sociedade em um
dado momento do tempo. O processo é definido como uma ação que se realiza continuamente,
visando um resultado qualquer, implicando tempo e mudança”. Assim, “o espaço se define como
um conjunto de formas representativas de relações sociais que estão acontecendo diante de
nossos olhos e que se manifestam através de processos e funções” (SANTOS, 1978: 122).
A análise espacial, portanto envolve o conhecimento categorias importantes da Geografia
como, por exemplo: paisagem, território, região, lugar, rede e também a compreensão de que
o espaço, por ser criação da sociedade está permanentemente em mutação.

Questão Regional e Políticas Públicas
O estudo regional tem no processo de regionalização uma face de grande importância,
sabe-se que a divisão em regiões é realizada como base em critérios distintos e atende a
objetivos já estabelecidos.
As políticas públicas possuem grande relevância na configuração regional tanto em
escala global quanto nacional. No caso brasileiro podemos observar especificidades que
caracterizam esse processo.
A regionalização apresenta algumas problemáticas dentre elas a dificuldade em se
estabelecer limites entre as regiões e a escolha de critérios que serão utilizados nessa divisão
em regiões. Regionalizar é ao mesmo tempo unir e dividir o espaço geográfico, no Brasil
a divisão em cinco regiões segue o critério da homogeneidade elaborada pelo IBGE, mas
também é alvo de críticas. Assim, a política estratégica fomentou, ao invés de integrar, um
agravamento das desigualdades regionais, mesmo com a criação de órgãos que objetivavam o
desenvolvimento de suas respectivas regiões, como no caso da SUDENE, da SUDAM etc.

46

No Brasil a política estratégica fomentou ao invés de uma maior integração um maior
agravamento das desigualdades regionais as quais foram conseqüências das diferentes ou
inexistentes políticas públicas territoriais. Assim, com a criação de órgãos os quais objetivavam
o desenvolvimento das suas respectivas regiões visavam implementar essas políticas
territoriais com objetivo de resolver as desigualdades regionais do território brasileiro.
Torna-se importante frisar que essa produção de regionalização assenta-se em
fundamentos econômicos, sobre tal aspecto assinala Castro: “a geografia ao produzir
regionalizações baseadas na funcionalidade e rentabilidade, estaria na verdade colaborando
com a produção de um desenvolvimento espacial desigual, visto sob a máscara de uma
complementaridade funcional hierárquica” (CASTRO, 1995: 65).
As políticas públicas territoriais são direcionadas a atender e a reproduzir anseios e
interesses das classes dominantes, que por sua vez controlam o capital e seu processo de
reestruturação espacial.
O estudo regional de uma divisão possui vertentes teóricas de uma possível análise
regional e pode ser pensada, na atualidade, a partir da produção econômica do território no
planejamento das políticas públicas contemporâneas. Debruçaremos numa dessas análises,
sob a ótica de Brandão (2003), a fim de termos o entendimento de como se dá a análise
regional no mundo contemporâneo.

47

DAS REGIÕES E DOS LUGARES 48 .GEOGRAFIA DO MUNDO.

49 .

GEOGRAFIA DO MUNDO. DAS REGIÕES E DOS LUGARES 50 .

do território e do lugar. isto é como redes locais dinâmicas de relações econômicas inseridas em telas estendidas em escala mundial de competição e troca inter-regional” (SCOTT et al. sociedade. pois se tornam o palco principal do dinamismo regional. política. cidade esta que vai se caracterizar pela sua importância na economia. sendo que os centros urbanos desempenham um papel de grande relevância. 51 . 2003. O ambiente urbano é configurado pela sua concentração populacional. Cada uma dessas vertentes tem a partir do olhar dos teóricos a sua “compreensão”. econômicos e de informações que circulam por seu espaço. Dessa forma os grandes centros urbanos receberam a denominação de “cidade-regiões” ou “cidades mundiais”.Brandão. Carlos Antônio. e na cultura no espaço regional e global. 2001: 16). onde os atores da globalização encenam suas peças. A Atual Dinâmica regional e o Papel do Urbano A dinâmica regional pode ser observada do global ao local. pelos grandes fluxos de idéias. a sua leitura do mundo e faz essa análise a partir da região. “As cidades-regiões globais parecem funcionar cada vez mais como motores regionais da economia global.

Esse quadro só começou a apresentar modificação quando ocorreu a passagem do feudalismo para a Idade Moderna. A globalização e a cidade-região mantêm estreitas relações entre si. Os aspectos políticos apresentam grande associação com o espaço urbano promovendo a reestruturação territorial. “A cidade desponta como cenário de movimentação de fluxos. ou a guerra de lugares onde “essa competição proporciona a cada localidade elaborar estratégias e ferramentas capazes de torná-las atraentes para o capital e o trabalho” como definiu Santos (2002: 105). pois a urbe entrelaça os acontecimentos nas esferas de decisões políticas. exercendo uma liderança no processo de globalização. serviços jurídicos. 1999: 402). pois as relações se davam no âmbito apenas do feudo envolvendo os servos e os senhores numa área restrita. nas comunicações e na vida das pessoas. A regionalização que se processa no mundo atual utiliza inúmeras ferramentas para transformar e remodelar o espaço podemos citar os blocos regionais econômicos. 52 . oferecendo bens e serviços sendo o lócus da sociedade de consumo. a qual não mantinha grandes contatos com o “mundo exterior”. DAS REGIÕES E DOS LUGARES É necessário relembrar que as cidades no período da Antiguidade não apresentavam grande importância nas suas respectivas regiões. A Revolução Industrial no século XVIII representou a fase de coroação da importância das cidades. ainda como estilo de vida. aspecto que resultou numa maior concentração de pessoas. As cidades são também importantes. elementos que se relacionam diretamente com o urbano e o espaço metropolitano. As cidades se organizam em redes disseminando informações. coleta e difusão de informações. Por tanto. esta última é importante no processo de transformação territorial que põe em cheque o papel e a força do Estado-Nação. O regionalismo global propicia uma competição entre as cidades. nessa época os centros urbanos tornaram-se pólos econômicos. a internacionalização do capital e o enfraquecimento do poder do Estado-Nação. convém lembrar que no período feudal a existência de feudos impossibilitou um florescimento urbano. esses englobam serviços avançados. Na economia global as grandes cidades atuam como controladores que coordenam e gerenciam atividades interligadas no espaço se tornando pólos urbanos que possibilita a conexão de áreas produtoras e mercados em diferentes escalas.GEOGRAFIA DO MUNDO. financeiros. No período da baixa Idade Média as cidades experimentaram um processo dinâmico. aliadas à expansão do comércio resultante da comercialização do excedente agrícola. gerado pelo desenvolvimento das atividades mercantis e artesanais. A idéia de cidade como poderoso símbolo cultural e político talvez esteja cada vez mais presentes nesses “novos tempos” turbulentos. os sistemas avançados de telecomunicação poderiam possibilitar sua localização dispersa pelo globo” (CASTELLS. possibilitando o aumento de fluxos e de capital nas cidades. consultorias. Sobre as cidades é importante salientar a relevância do espaço urbano por suas funções e pelo papel na acumulação de capital. devido ao fato da economia estar alicerçada nas atividades agrícolas. A política utiliza-se de meios que buscam oferecer serviços urbanos com custos reduzidos para os habitantes e para a instalação de ramos empresariais que dinamizem as relações econômicas. sociais. As cidades ocupam a posição de centralidade na vida contemporânea. que atraiam indústrias e acelerava o processo de urbanização.

tanta concentração de poder político. um crescimento econômico e desenvolvimento social mais expressivo do que os territórios nacionais nos quais elas estão inseridas. As relações entre as cidades apresentam distinções. Os centros urbanos funcionam estruturados em redes que interligam fluxos econômicos.Saiba Mais! Esta competição urbana visa atrair investimentos empresariais que possibilitem um avanço e um dinamismo maior nas relações produtivas. A cidade de São Paulo ocupa uma posição de destaque no contexto brasileiro e mundial. 53 . AGNEW. “Os estudos regionais. As cidades apresentam mais de um centro numa mesma metrópole. no mundo globalizado. 1996). ganharam uma nova dimensão e algumas regiões. social e econômico servirá de base para uma hierarquização urbana. enquanto concentram serviços. Ocorre a formação de redes entre os centros industriais no entorno de regiões metropolitanas. as transnacionais. durante a década de 1980. a concorrência entre as cidades gera um processo de homogeneização urbana. de informações. Essa análise é amparada no fato de estas regiões terem conhecido. de pessoas. vêm retirando suas unidades produtivas do interior das metrópoles nacionais e optando pela localização nas pequenas e médias cidades. na qualificação de mão-de-obra. São Paulo e Rio de Janeiro possuem ferramentas que possibilitam exercer comando e liderança. foram identificadas. influenciando as configurações regionais brasileiras. nesse processo as cidades buscam estabelecer um “padrão” de semelhança nos serviços. No Brasil. 2001). a exemplo do Vale do Silício na Califórnia e a Terceira Itália na Emilia Romana. Belo Horizonte e Curitiba. Essas mudanças espaciais estão conduzindo a novas estruturações regionais que dão origem a conjuntos ligados à economia global. nesse momento. não observar e dissipar as diferenças pode implicar na perda de empreendimentos que representam a fuga de mão-de-obra e capital para outras regiões. Nesse contexto. conhecem um desenvolvimento regional endógeno (SCOTT. nos impostos e nas condições que possam provocar atração ou repulsão de indústrias e de capital. A economia da globalização apresenta o esvaziamento das grandes metrópoles mundiais de suas atividades produtivas industriais. O papel do urbano apresenta um grande destaque nos estudos regionais. na polinucleação e no empresariamento urbano (HARVEY. já que este grande centro urbano agrega além de uma grande quantidade de população uma grande densidade de fluxos financeiros e comerciais. mas que também favorecem a competição e a homogeneização entre as cidades. a grande mobilidade e intensidade dos fluxos elevam as cidades a espaços privilegiados na escala regional e mundial. É importante citar que dentro da hierarquia urbana existem centros de importância relacionados apenas com as suas respectivas regiões como exemplo podemos destacar Salvador. SOJA e STORPER. No Brasil é de fácil constatação o poder e a liderança exercida por algumas cidades em escala regional e nacional. baseadas no policentrismo. por vários autores como espaços que.

a Emília-Romana. O acesso e o grau de qualificação da mão-de-obra mantêm uma estreita ligação com as economias de aglomeração. A flexibilização constitui característica ímpar do pós-fordismo. O pós-fordismo possibilitou a elaboração de um novo panorama (para as grandes. o qual teve com o término da II Guerra elevação do padrão de vida. Na economia atual os mercados ficam mais volúveis tal fato propicia para que as firmas façam o que denominamos de “dança dos lugares” pois. embasado no crescimento econômico e na sociedade de consumo. A etapa concebida como pós-fordista se baseou numa nova configuração da mão-deobra. pois os mercados passam a ser mais instáveis e para atender a tais mercados a flexibilidade faz uso da rotatividade de mão-de-obra. Ocorreu a formação de centros especializados como o Vale do Silício. serviços empresariais e financeiros além de design. Atenção! O fordismo representou mais do que apenas uma forma de produção na sociedade capitalista. passa a desempenhar tarefas distintas na empresa já que ela também tem que adaptar rapidamente às demandas do mercado. na Itália. pois o capital exerce o poder de reestruturar e remodelar as regiões. ele obteve status de organizador interferindo no planejamento e nas características regionais do capitalismo. a falência deste abriu espaço para o período chamado de pós-fordismo. Surgem ao redor do mundo áreas de produção em locais específicos atrelados às aglomerações dos produtos em locais distintos são as “ ilhas de prosperidade”. nos Estados Unidos. da redução da jornada de trabalho. consumo e na [nova] divisão do trabalho. DAS REGIÕES E DOS LUGARES O período denominado pós-fordismo é caracterizado por aspectos que promovem novas características baseadas na flexibilização das relações de produção. É relevante ressaltar que o fordismo desenvolvido nos países ricos é caracterizado pela produção e pelo consumo em massa. pequenas e médias corporações) fato comprovado quando se observa a tendência de buscar ainda uma maior especialização produtiva com o desmantelamento de estruturas produtivas centrais. elas instalam-se com formas flexíveis de organização produzindo mudanças rápidas nos espaços geográficos e nas economias regionais. Essas áreas são caracterizadas pelo regime de acumulação e o crescimento de setores industriais como: o eletrônico e a alta tecnologia. que implicou em novas configurações e transformações no âmbito regional e mundial. como formas de atender às necessidades dos mercados. jóias e confecções. isto é. no recrutamento de jovens e mulheres para a força de trabalho. concorrência. e a cidade da ciência em Paris. pois esta passa a ser mais flexível. que forma uma rede com os serviços empresariais. 54 . entidades institucionais e centros de pesquisa.A Dinâmica Regional no Mundo Pós-Fordista GEOGRAFIA DO MUNDO.

Todo esse panorama proporcionou uma reestruturação produtiva que influenciou diretamente na reorganização de áreas industriais e o investimento em setores de alta tecnologia como: informática. capaz de desempenhar várias funções na fábrica. No Brasil esse processo de reestruturação produtiva remonta aos anos 80 e foi intensificado na década de 1990. transformando desde o processo de produção (de automação rígida para automação programável através da informação) até os processos comerciais e financeiros. No âmbito da mão-de-obra começa a vigorar o trabalho polivalente. E em contrapartida promoveu a queda de setores como a siderurgia e a indústria têxtil. automação crescente e conseqüente dispensa de grande número de trabalhadores. Observa-se no nível internacional o fim do acordo de bretton woods. 55 . dinamização de alguns setores e fortalecimento de áreas antes marginalizadas ou de áreas já concebidas como pólos do capital produtivo. O processo de reestruturação produtiva passa a ser uma das principais características da globalização que proporciona novas feições nas estruturas produtivas em distintas regiões do planeta. Tal reestruturação promoveu um rearranjo regional no país. do padrão-ouro da hegemonia norte-americana e a consolidação do japão e da alemanha como pólos do poder regional. revolução tecnocientífica tanto nas comunicações como nos equipamentos a qual alterou a produção mundial. O Just-in-time possui como características o descarte de atividades que não adicione valor ao produto. sendo responsável pela desconcentração espacial da indústria.O declínio do fordismo teve como fatores desencadeadores a crise do petróleo. o surgimento de novos setores da produção e mercados ampliando o setor terciário (comércio e prestação de serviços). atrelado a isso o Just-in-time que produz na quantidade e no momento necessário. da administração centralizada e hierarquizada. Atividades Complementares 1. Essa nova fase descortinada – a flexibilização – procura quebrar a rigidez do fordismo. química. geração de pequenos lotes de fabricação e linearização do sistema de produção. estabeleça uma relação entre este e o processo de flexibilização. telecomunicações etc. descentralização da produção o que representou o declínio da fábrica gigante e padronizada. Baseando-se nos textos do Material Impresso e nos conhecimentos adquiridos sobre o Pós-Fordismo.

4.2. GEOGRAFIA DO MUNDO. Descreva as categorias de análise propostas por Milton Santos: forma. 56 . para se compreender o espaço. Comente o processo de reestruturação produtiva e as suas conseqüências. Faça uma relação entre os principais conceitos trabalhados pela Geografia e explique como eles podem elucidar a produção do espaço. DAS REGIÕES E DOS LUGARES 3. 5. estrutura e processo. função. Discorra sobre o conceito de lugar e seus acréscimos para os estudos da geografia.

. tais como guetos. Dentro deste contexto. isto é. Um dos resultados desta mudança de valores trazidos pela globalização. A cidade apresenta-se como palco das relações e práticas sociais.GEOGRAFIA REGIONAL NO CONTEXTO DA GLOBALIZAÇÃO Globalização: Um Breve Estudo A globalização se insere num contexto sócio-espacial e econômico. Quem se globaliza são as pessoas e os lugares”. hoje pode ser considerado formado por espaços contíguos e de lugares em rede. mas não há espaço mundial. de uma forma homóloga a apropriação do capital. redefinem-se pela mudança do estágio capitalista e com a fluidez do capital. Neste sentido ele produz diversidades inerentes às cidades. periferias. de acordo com Massey (2002). de vigilância e comunicação. rodovias. cresceu e transformou as relações sociais explicitadas por Marx no capitalismo industrial. tal como a apropriação de espaços privados e mercadorias. Seguindo esta linha. são espaços hegemônicos. neste caso.) a noção (idealizada) de uma época em que os lugares eram supostamente habitados por 57 . mas paradoxalmente se fragmenta. na qual ela determina e é determinada pelos novos padrões capitalistas e também pela resposta que a sociedade urbana apresenta a partir desses padrões. todos os lugares são mundiais. 2000). Levebvre (1993) explicita que o espaço torna-se homogeinizador dos processos de produção social através de métodos de gestão e controle. Já o território. Os lugares passam a ser conhecidos em função de suas potencialidades.. especificados acima. 2000). que no século XX. Santos (1996) aponta que o “espaço se globaliza. 1990). tal fato incentivou o turismo e todas as atividades comerciais correlatas ao turismo. de acordo com o que eles podem oferecer às empresas. conforme Massey (2002) e Santos (1996. fazendo com que cada época produza seu próprio espaço (LEVEBVRE. 1994). de forma a abarcar todas as conjecturas já estudadas deste termo. Lefebvre (1990) analisa que o conceito de espaço também mudou com o tempo. sendo um recorte do termo espaço definido por Levebvre (1990). do mesmo modo que os lugares potencializam a globalização privilegiando a competitividade inerente a ela (SANTOS. Os conceitos de lugar e território se redefiniram em uma visão pós-modernista. Os lugares. subúrbio. 1996). Dentro de um viés de contemporaneidade. a partir da mudança de fluxo do capital. “é a crescente incerteza sobre o que queremos dizer com lugares e como nos relacionamos com eles (. A globalização revaloriza os lugares. Desde a década de 1960 existe um espaço produzido em escala mundial baseado nos aviões. dentro da cidade. onde se instalam as forças que regulam a ação em outros lugares (SANTOS. Harvey (1996) afirma que a globalização faz com que todos os espaços urbanos se submetam à disciplina de livre flutuação financeira. juntamente com o desenvolvimento da globalização. à fluidez do capital financeiro. o espaço e o lugar assumem novos posicionamentos. O lugar torna-se então uma forma desligada do espaço físico. sendo a informação um meio através do qual estes lugares se perfazem de significados dentro do mercado da globalização (SANTOS. A informação hoje possui uma velocidade maior devido aos avanços da tecnologia que possibilitou que algumas localidades passassem a ter um fluxo maior de investimentos em virtude das suas riquezas naturais. transforma-se em nós de uma sociedade em rede.

58 . DAS REGIÕES E DOS LUGARES tendências opostas à individualidade e à globalidade”. Neste sentido. Os movimentos urbanos dos anos 70 e 80 foram também partes do amplo movimento pela redemocratização do país. Na visão de comunidade. estruturalmente. É notório lá – pela descrição que faz Castells – que as associações de moradores e as federações municipais de associações se envolveram não apenas em movimentos reivindicatórios de bens coletivos (canalização de água. As classes populares haviam sido alijadas da atenção pública. tendendo a agrupar-se em organizações comunitárias que. Esta visão de Santos abarca a definição de lugar de Castells (1999). segundo o qual a leitura de lugar no mundo atual torna-se uma forma de se encontrar novos significados sociais. e segundo Harvey (1996) a solução apresentada por eles é atrativa. para as reivindicações populares. desemprego. Eles foram obrigando os governos a se voltarem para as massas. iluminação. “as únicas coisas que param as revoltas ou a quebra social total em muitas cidades são as redes intricadas de solidariedade social. em última analise. a ditadura não tinha condições de se manter. tanto os trabalhadores – vítimas do arrocho salarial que sustentou o “milagre econômico” – quanto seus bairros – vítimas do desinteresse governamental. Santos (1996) apresenta uma visão de lugar a qual pode ser vista como um elo entre o indivíduo e o mundo. muitos analistas contemporâneos acreditam que as cidades são basicamente constituídas de agrupamentos de vilas urbanas. comunal” (CASTELLS. não poderia levar em conta as demandas populares. etc. as centenas de grupos voluntários trabalhando para restaurar algum senso de decência e orgulho em um mundo urbanizado chocado pelas rápidas mudanças. É necessário que as pessoas participem de movimentos urbanos. transporte. em muitos casos. esgoto. o lugar é a sede de resistência da sociedade civil das contradições do capitalismo. migrações maciças e todos os tipos de esforços radicais infligidos pela modernidade capitalista passando por uma visão niilista de pós-modernidade” (HARVEY. ao longo do tempo. movimentos. 1999: 79). federações. Com a população organizada em associações. Para ele. uma identidade cultural. transformando-o em um poder a seu serviço”. o poder e dedicação de organizações comunitárias. uma vez que a comunidade apresenta termos como ‘espírito de comunidade’ e ‘solidariedade comunitária’ que amenizam os problemas e contradições urbanas existentes dentro de uma sociedade em rede. 2002:177-178). Neste contexto. áreas de lazer. Para ele. Neste particular. 1996: 425).) como também procuraram resgatar suas raízes culturais – abafadas pela ditadura – e buscaram intervir no poder local. foram obrigando os governos (municipais.comunidades coerentes e homogêneas é contraposta à fragmentação e ruptura atuais” (MASSEY. Os movimentos urbanos contribuíram para derrubar um regime que. Uma nova visão de comunidade surge a partir do momento em que “as pessoas resistem ao processo de individualização e atomização. onde “a lógica GEOGRAFIA DO do desenvolvimento dos sistemas sociais se manifesta pela unidade das MUNDO. temos a contribuição de Ivo Lesbaupin “há uma vinculação entre as lutas urbanas e a luta pela democratização do país. para as condições de vida urbanas. geram um sentimento de pertença e. nos quais produzam um novo significado de interesses comuns. ao menos parcialmente. federal) a atenderem a suas exigências. há muita semelhança entre o processo vivido no Brasil neste período e os anos 70 na Espanha – transição da ditadura para a democracia (embora a ditadura de Franco fosse muito mais enraizada que a nossa e embora o povo espanhol tivesse um passado de lutas significativo). estaduais.

têm implicado em reações políticas muitas vezes opostas entre os grupos que coabitam determinado espaço. Segundo Castells (1999) a construção da identidade depende da matéria prima proveniente da cultura obtida. o imposto de fora. uma vez que é nesse espaço vivido que se reproduzem as relações sociais. enfatiza o lugar como incubador de novos significados. onde a compressão espaço-tempo teria como uma de suas conseqüências a perda de referenciais e identidades. Identidade de projeto: quando os atores. É a partir do cotidiano que se pode apreender as noções de espaço. Espaço e Tempo. Identidade de resistência: criada por atores contrários a dominação atual. De um lado. sobre o movimento. ou seja. lugar. posições radicais procuram restabelecer alguma identidade e senso de pertencimento voltando aos particularismos tradicionais e ao resgate das heranças 59 . o desenvolvimento de uma outra noção de lugar se faz necessário no momento atual.”. Subsidiando Castells (1999). constroem uma nova identidade para redefinir sua situação na sociedade. dentre os quais o da identidade de resistência que se coloca como uma forma de se contrapor as contradições do capitalismo atual dentro do espaço urbano. Para Massey (2002). e identidade. Lefebvre demonstra que estas identidades de resistência existem a partir de uma contradição e desejo das pessoas de se sentirem próprias ao espaço. o recôndito. de forma que ele consiga ser compatível com as novas e constantes (des)territorializações causadas pelo novo modelo de desenvolvimento flexível? A perda de referenciais. nele. em que condições devem se reconstituir o conceito de lugar. Há uma distribuição entre três formas e origens de construção de identidades: Identidade legitimadora: introduzida pelos dominantes para expandir e racionalizar sua dominação em relação aos atores sociais. Tal perda de referenciais e identidades está relacionada com a sensação de pertencimento de um grupo a um lugar e. afinal. com um estado psicológico relacionado diretamente com o espaço físico. Para Santos (1996) o lugar é como a extensão do acontecer homogêneo ou do acontecer solidário e que se caracteriza pela própria configuração territorial e pela norma. usando a comunicação. pois. Neste contexto. o permanente. ou a coexistência de novos com os antigos em um mesmo lugar. em Técnica. uma vez que “é pelo Lugar que revemos o Mundo e ajustamos nossa interpretação. o passageiro. Castells (1999) apresenta conceitos de identidade. portanto. processada e reorganizada de acordo com a sociedade.Milton Santos. com a realidade concreta experimentada por este grupo ou indivíduo. criando resistências com princípios diferentes ou opostos a sociedade. a organização e os regimes de regulação. o real triunfam.

O movimento se sobrepõe ao repouso. Nas cidades devido a uma maior mobilidade e possibilidade de encontros entre as pessoas. cada passante é presumido não atacar o que encontra. 2002). DAS REGIÕES Os movimentos sociais possuem um papel importante no cotidiano para exprimir esta relação entre a apropriação do lugar e das identidades. A circulação é mais criadora que a produção. isto é. A rua é um lugar de encontro. Os homens mudam de lugar. evitam-se os aborrecimentos. que valoriza para as pessoas algumas relações em alguns lugares (os magazines e butiques. a população está mais preocupada em consumir do que exercer qualquer outra intenção política. solidária da economia verbal. de uma maneira radical. propõe-se andar tranqüilamente. Também exprime a identidade dos movimentos sociais quando afirma que um grupo apropria-se dos lugares. de modo a ser compatível a “um sentido adequadamente E DOS LUGARES progressista do lugar” (MASSEY. 1990). Tal posição tem exacerbado os localismos e conflitos nacionalistas. Assim. as contradições do capitalismo aparecem (MASSEY. Ele ainda acrescenta que o uso do espaço público implica num acordo tático. A cidade parece programar nas suas entrelinhas os encontros e desencontros de seus habitantes. menos tempo para os encontros entre as pessoas. o direito à mobilidade no caso) é na realidade ilusório.GEOGRAFIA DO culturais. Massey (2002) desenvolve seu conceito como uma alternativa a um posicionamento radical. no entanto. o agressor que transgride essa lei comete um ato criminoso.) e. no qual exista um pacto de não-agressão. “Na rua. levando a um “consenso” e a uma convenção: nesses locais. os cinemas etc. distanciando-se cada vez mais das possibilidades de traçar estratégias de mudança. Um tal espaço supõe uma “economia espacial”. Quanto aos discursos denotativos. sendo que esta “apropriação mostra que o uso e valor de uso podem dominar a troca e valor de troca” e também que o conhecimento revolucionário geralmente ocorre na rua. ressalvada a impossibilidade. a velocidade vivida na cidade é resultado do modo de vida que nela se instala: rotina de mais trabalho e. as distâncias respeitosas” (LEVEBVRE. deixam-se espaços disponíveis. Santos (1996) subsidia esta idéia ao afirmar que a anarquia atual da cidade grande lhe assegura um maior número de deslocamentos. os “proxêmios”. como uma criação da força de hegemonia do espaço produzido. De outro lado. sem o qual não existem as relações interpessoais. Reunidos nos centros comerciais ou mesmo isolados em frente à tv. a vida e o cotidiano caracterizam-se pelo efêmero. realiza um espaço-tempo apropriado. MUNDO. ou uma desarticulação da sociedade frente a ações coletivas com vistas à transformação de valores e instituições. os cafés. ordenando-se. considerado por Castells 60 . grupos progressistas enxergam nestas atitudes a incapacidade de entender a dinâmica da realidade e sua negação. da necessidade da valorização do espaço da rua. De acordo com Milton Santos (1996:262) “a mobilidade se tornou praticamente uma regra. Observa-se uma incapacidade. Nesta linha. pelo passageiro. também conduzindo a um consenso: não se luta para ocupar o mesmo local. estar bem etc. busca uma noção que permita que as singularidades e a sensação de pertencimento seja compatível com a “condição pósmoderna” em que vivemos sem ter que se posicionar. Ao que parece. o autor exemplifica a mobilidade. Voltando a Levebvre (1990) esse direito à cidade (isto é. Nesse sentido as resistências se anulam e o tempo que ‘sobra’ é destinado à televisão ou passeios ao shopping. apesar de distinta. Vivemos em cidades que explodem – tanto espacialmente como socialmente . têm um aspecto quase jurídico. enquanto a geração de relações interpessoais é mais intensa. como turistas ou como imigrantes”. em uma visão bastante parecida com Jane Jacobs. descritivos.a velocidade rápida ou lenta do dia-a-dia graças à qualidade dos objetos técnicos incorporados ao urbano. Nas grandes cidades. suscita discursos conotativos a propósito desses lugares. 2002). por conseguinte.

nem nunca houve. Esses fatores que agem entre si e determinam a conduta do empreendedor podem vir a facilitar ou dificultar a administração do empreendimento. o texto abaixo apresenta uma visão contrária a usualmente encontrada sobre o fenômeno da globalização. um caminho árduo é percorrido. Após descrever os efeitos perversos da globalização e suas vertentes. reduzindo e simplificando os processos de produção. Esconde-se a cidade real. novas metas são traçadas. o percurso não tem o seu término na abertura do negócio. em favor desse processo propriamente indomável 61 . impedindo ou transformando os convívios entre os habitantes. Segundo Rifkin (1996). como se ele tivesse a capacidade de concentrar. aquela dos encontros e da vizinhança. A instabilidade e a incerteza em relação ao emprego são constatadas também na contratação de empregados temporários. novos sonhos idealizados e desse modo. uma expressão uniforme e singular dos argumentos. a solução para o clima de instabilidade que enfrentam em seus empregos formais. na outra ponta. no qual o fenômeno tende a ser geralmente caracterizado de modo negativo. Contrariamente ao que parece acreditar a coalizão dos altermundialistas – que poderiam ser identificados. No entanto. como antiglobalizadores – não há. Como alternativa para complementação da renda e segurança no trabalho. As empresas estão reestruturando rapidamente suas organizações. diversas são as causas que motivam um empreendedor à abrir a seu próprio negócio. uma estratégia das grandes empresas para reduzir salários e evitar os altos custos de benefícios tais como assistência médica. nesse momento. sendolhe. Texto Complementar “O debate em torno do processo de globalização no Brasil (se de fato ele existe) tem sido singularmente marcado por uma espécie de unilateralismo conceitual. trabalhadores habilitados e experientes enfrentam a possibilidade de serem declarados excedentes em decorrência dos avanços tecnológicos. emergindo os territórios fluidos e da velocidade. Constrói-se um espaço urbano racional e tecnificado. O que poderia ser considerado segundo o mesmo autor. A cidade deixa de ser o local do encontro e passa a ser apenas um local de passagem. Uma outra estética e outros valores são atribuídos às cidades. Outro efeito nocivo da globalização refere-se a estrutura funcional das empresas. eliminando trabalhadores impossibilitados de competir com a eficiência de custos. creditadas muito poucas virtudes econômicas. muitos encontram na abertura de uma pequena empresa. gerando um processo de volatização das relações sociais. à falta de melhor termo. de um lado. durante o qual obstáculos são vencidos e experiências adquiridas. todos os vícios sociais e todas as torpezas morais do capitalismo realmente existente. as motivações que impulsionam o empreendedor no decorrer do processo possuem fundamental importância. se alguma.(1999) como premissas na formação de Movimentos Sociais. aposentadoria. Afinal. licenças médicas pagas e férias. controle de qualidade e rapidez de entrega alcançados com a produção automatizada. Paradoxalmente. como resistência a um processo de individualização. tudo se passa como se um pensamento único dominasse esse debate de idéias. de forma moderada ou aberta. impedindo de fato a expressão de argumentos não conformes a essa visão negativa do processo. forças ou grupos que se posicionam. Da idéia presente no imaginário à materialização do empreendimento.

correlações causais apoiadas em fatos e números. envolvendo sempre. aliás. não são comprovadas mediante 62 . que ela dificilmente é acolhida favoravelmente por líderes políticos. e que não se pode mesmo esperar que ela seja saudada como eminentemente positiva pelos auto-proclamados “filósofos sociais”. Prova disso é o imenso succès d’estime e de marketing editorial. dessas forças impessoais desencadeadas com redobrado vigor após o término – entre 1989 e 1991 – da alternativa socialista ao sistema capitalista de produção e de intercâmbio. que a globalização está longe de ser aceita de modo inquestionado em todas as partes. A bem da verdade. mesmo numa típica sociedade capitalista. quando se admite a ocorrência de tal possibilidade. Pouco se exige dessas condenações in abstracto e sem possibilidade de recurso. identificam como representando um vago “consenso de Washington”). O que se tem. Mas a produção acadêmica poderia contemplar. parece claro. a situação vem geralmente acompanhada de uma qualificação segundo a qual esse processo tende a excluir os países periféricos (ou dependentes) de seus eventuais benefícios (.. Ou então dedicar-se a constatar os aspectos positivos. do livro de um conhecido economista falsamente alternativo que traz por título. pois. após uma busca bibliográfica. de fato – e que poderia. GEOGRAFIA DO MUNDO. em dados estatísticos relevantes. de maneira errônea. políticos e sociais. quando não com uma certa ojeriza de princípio. algumas das “bondades” – no sentido espanhol do termo – trazidas pela globalização no curso das últimas duas décadas (se tanto) de avanços do “modo global de produção”. ao mesmo tempo. as forças do socialismo e do terceiro-mundismo..e incontrolável (e que eles. dois ou três ensaios sérios que enfatizassem os aspectos positivos desse fenômeno tão vilipendiado quanto incompreendido. Do exame da literatura disponível. justamente. tão simplesmente. em termos econômicos. DAS REGIÕES E DOS LUGARES Com efeito. ser paradoxalmente considerado como mais uma vitória da globalização –. acusações genéricas contra a globalização merecem acolhida geralmente favorável e acabam atuando como bode expiatório de dificuldades momentâneas ou de crises estruturais enfrentadas por uma dada sociedade. Uma comparação perfunctória revelaria. Do ponto de vista do grande público. pesquisas de terreno. é uma reorganização global de velhas e novas forças sociais antiglobalizadoras. tão contrárias ao “novo espírito da época” como tinham sido.) cujos impactos são tão complexos quanto contraditórios. junto ao grande público (a começar pelo universitário). a “globalização e seus malefícios”. Elas não vêem sustentadas em provas empíricas. em suas respectivas épocas. como se dela emanassem odores pestilências ou vírus nefastos à boa saúde dos indivíduos e sociedades por ela tocados. Ao contrário: ela ainda é vista com desconfiança. não foi possível encontrar. a propósito. conseqüências positivas e negativas. que a oposição ao capitalismo ancienne manière nunca teve à sua disposição tendências equivalentes e contrárias tão fortes e disseminadas como essa coalizão global que hoje combate a globalização.

que ressentem (com a força de um transplante de órgãos) a perda das velhas certezas socialistas e dos antigos projetos anti-capitalistas.2 2 Fragmento do texto: A globalização e seus benefícios: um contraponto ao pessimismo de autoria de Paulo Roberto de Almeida.alguma demonstração lógica nem são dotadas de fundamentação histórica. Melhor deixar essa tarefa explicativa aos “psicanalistas da globalização” – se é que eles já apareceram no mercado – e limitar-se a analisar o problema do ponto de vista dos argumentos de ordem econômica. doutor em Ciências Sociais. do tipo: “eis a origem dos nossos problemas. Menos compreensível é a atitude de outros. provavelmente. diplomata. Existem. elas cumprem uma função justificatória. elementos psicológicos que explicam essa “fuga da realidade” que o fenômeno da globalização provoca em jovens idealistas e sinceramente devotados às causas humanitárias e que pretendem construir um “outro mundo”.htm> 63 . menos jovens.com. ou ciência lúgubre” .br/037/37pra. ela se situa nas engrenagens da globalização”. Disponível em <http://www.espacoacademico. com todas as limitações que podem existir nessa disciplina que já foi chamada de dismal science. autor de vários trabalhos sobre relações internacionais e política externa do Brasil. Para todos os efeitos.

. irrestritas ao território físico. Esta nova fase é denominada acumulação flexível.. 2 – a reestruturação produtiva. 3 – a globalização vista (. a insatisfação dos trabalhadores. a livre contratação. incluindo aí também um espaço virtual do fluxo do capital. e a desaceleração do crescimento econômico.) enquanto uma ideologia (.. o acirramento da competição internacional.. (.] como o aprofundamento. que resultaram na inclusão econômico-social de grandes massas trabalhadoras.. as crises do petróleo de 73 e 79.. e contaram com a participação decisiva do Estado (welfare state). e a elevação das taxas de juros e está criada a conjuntura necessária ao surgimento de um novo paradigma tecnológico/organizacional.) como um processo de aprofundamento das tendências mais iminentes do sistema capitalista. a ideologia da qualidade total. Nela. 59) afirma que ela pode ser entendida “[. como contraponto à rigidez fordista. Some-se a isso o fim do acordo de Bretton Woods. cujos principais elementos foram o envelhecimento do paradigma tecnológico em vigor. Ao tratar da globalização... da internacionalização das relações capitalistas de produção e distribuição. determinantes desse novo momento do capitalismo em escala planetária: 1 – o neoliberalismo. a reengenharia de pessoal. no qual a regulação econômica era feita através do mercado e a exclusão da maior parte da população era marca registrada. o neoliberalismo como doutrina postula um retorno ao passado (précrise de 1929). da convergência de três fenômenos. entrelaçados e complementares. O just-in-time. sendo assim. Quanto à reestruturação produtiva. impulsionado pelo processo de reestruturação produtiva iniciado na década anterior nos países capitalistas centrais. p.) e enquanto um conjunto de políticas econômico-sociais. Filgueiras (2000. uma doutrina antiga e regressiva.. a terceirização e a telemática constituem alguns dos elementos do período.. 64 .O Mundo Contemporâneo e a Nova Realidade Regional GEOGRAFIA DO MUNDO. pode-se dizer que ela se constitui em uma resposta à crise do fordismo.) compreendida como resposta do capital à queda/ estagnação da produtividade e a diminuição dos lucros. tornando-as mais flexíveis. as transformações estruturais no âmbito da produção e do trabalho flexibilizam as novas relações e ressuscitam velhas relações tayloristas. adotado por boa parte dos governos hoje no poder. aqui entendido (. Saiba Mais! O neoliberalismo nasce como uma reação às conquistas sociais do pós-guerra. esgotamento do processo de difusão do padrão de consumo americano (american way of life). nos anos 80. apesar de apontar também para o surgimento de novas situações e novos problemas. segundo Filgueiras (2000: 41-42). Portanto. DAS REGIÕES E DOS LUGARES A globalização se insere neste processo urbano como um transformador das relações espaciais. sob qualquer ótica que se queira enxergá-la.”. O contexto referido resulta. a força de trabalho polivalente. o que implicou em crise fiscal e endividamento do Estado.

(. portanto. a desintermediação e a abertura dos mercados financeiros nacionais. com isto. Ou seja.) na persistência das elevadas taxas de desemprego. apesar de algum 65 .” A respeito do segundo.. deixando de ser relevantes para uma inserção melhor ou pior das regiões na nova ordem econômica internacional. etc. pelo mesmo motivo. que estaria se constituindo numa nova “sociedade global”. e. cresce a subordinação destes últimos e. como as características e tendências acima vêm se realizando (. e a que a enxerga como algo totalmente novo.. identificam-se duas posições extremas em meio ao debate: a que vê na globalização apenas a continuidade de um movimento já presente nos primórdios do modo de produção capitalista. da seguinte maneira: Texto Complementar “De um lado.) evidencia-se por certo um movimento de continuação e de expansão do modo de produção capitalista. à medida que se fortalece o poderio das maiores potências.). intensifica-se a concentração e a centralização de capitais.. do conceito de globalização. Nesse processo.. Dois aspectos finais se destacam na construção desse cenário: a globalização financeira e o desemprego estrutural.. incerto e arriscado. Por outro lado. 2000. tendo como instrumentos as instituições financeiras multilaterais (FMI. a concorrência centra-se cada vez mais no domínio do conhecimento e da informação... por fim. 62-65) afirma que “(. na segunda metade do século XIX. a relação centro/periferia torna-se mais complexa e instável.). (FILGUEIRAS. se assemelha à de imperialismo. as vantagens competitivas naturais tendem a desaparecer. que acabou se transformando numa peça teórica fundamental da economia política do século XX.. potencializa-se a possibilidade da crise com seus efeitos destrutivos em escala planetária.. acelera-se o desenvolvimento das forças produtivas e cresce o volume e o valor dos meios de produção por trabalhador.) decorre de três processos estreitamente relacionados: a desregulamentação ou liberalização monetária e financeira. “póscapitalista. fragiliza-se o poder da maioria dos Estados nacionais e estreita-se a capacidade de se fazer políticas macroeconômicas. tanto no plano das relações de concorrência intercapitalistas quanto no da própria relação capital/trabalho que funda e define esse modo de produção. os riscos de interrupção abrupta do processo de desenvolvimento. No entanto. superdimensionando a acumulação fictícia num ambiente cada vez mais instável. Filgueiras (2000. vaga e positiva. 59-69). a forma e a amplitude. p.) evidenciam a existência de novos elementos e de novas circunstâncias.. a esfera financeira assume papel preponderante no sistema..Cabe ressaltar que a conotação atual.) bem como o acirramento de todas as suas tendências imanentes (. ao mesmo tempo em que se dão transferências de capitais especulativos e atividades produtivas (às vezes com alto conteúdo tecnológico) de países centrais para periféricos. BID. No processo de re-significação do conceito existente. Quanto ao primeiro.”. BIRD. o autor o vê expresso “(. observa-se que a competição intercapitalista torna-se cada vez mais feroz e globaliza-se quase sem limites de barreiras nacionais. podem ser identificados a radicalização e o aprofundamento de todas as suas características constitutivas (. p. concretamente. O autor se posiciona de forma intermediária entre esses dois extremos.. naquilo que ele tem de essencial.

em combate à globalização perversa.3 Saiba Mais! Milton Santos acredita ser o lugar. de Estado Territorial para a noção pós-moderna de transnacionalização do território” devido ao que se chama de globalização. resultam as qualidades e ‘propriedades’ do espaço urbano” (LEVEBVRE apud CASTELLS. que Santos considera perversa. mas ao contrário. enquanto escala local. por meio do lugar e do cotidiano. “É o uso do território.) O espaço é o resultado de uma história que deve se conceber como a obra de agentes ou atores sociais. 66 . Neste contexto pode-se dizer que “a cidade (.. o que o permite dizer que o território habitado cria novas sinergias. que faz dele objeto de análise social. deve-se estender essa resistência local a escalas maiores – deve-se criar “novas horizontalidades”. Para tanto. sua base econômica e suas relações sociais. que Castells (1999) se utiliza de argumentos ligados mais à territorialização quando se refere aos movimentos sociais. A nova forma urbana fomentada pela globalização. 1996: 15) Explicita que “evoluímos da noção. 1996: 36).. que reduz a afirmação das formas de viver solidárias e contíguas através da imposição das normas globais em detrimento das locais. 1999:148-149). também incluem a multiplicidade infinita de perspectivas” (SANTOS.de suas interações. Desta forma. é necessário compreender a realidade através do espaço usado (ou território usado). de dificuldades e problemas próprios dos séculos XVIII e XIX. de países. o retorno. não desvincula a singularidade do lugar. deve-se analisar esse fenômeno da globalização e não se esquecer também de se analisar a ciência. neste início de século XXI. teorizar para ser capaz de criar oportunidades de mudança.. sucessos e derrotas.crescimento econômico. (. E ainda relativiza essa estatização do território de ontem como a sua transnacionalização de hoje. DAS REGIÕES E DOS LUGARES Tem-se.as lutas de classes . o tempo e o espaço. para se entender o território. o lugar se apresenta como sede da resistência da sociedade civil. distanciando-se do que Levebvre coloca que as ações sociais . Santos (1996) procura deixar claro que o território é tido como objeto de análise social devido ao seu uso. tornada antiga. através de Gottdiener (1993).. Segundo o autor. regiões e lugares inteiros do planeta. operando por impulsos sucessivos. a tecnologia e a informação/ideologia. com suas superestruturas. de suas estratégias. 3 Fragmento da dissertação de Mestrado intitulada: Território e poder do estado: o orçamento participativo como política territorial de governo em Alagoinhas/BA (Brasil). que contêm a variedade das coisas e das ações.. o espaço se torna palco das ações sociais.” (SANTOS. Para ele. Santos (1996) apresenta uma formulação que explicita o contexto desta reflexão: “o tempo e o espaço não se tornaram vazios ou fantasmagóricos. portanto.) projeta no terreno uma sociedade inteira.. tendo um papel ativo diante da mundialização ou apesar dela. GEOGRAFIA DO MUNDO. a luta de classes impede que o espaço abstrato se estenda e aniquile as diferenças. Portanto. e não o território em si mesmo. diante desse cenário. a sede de resistência da sociedade civil contra este mercado (generalização contra singularização). a perda de sentido e significados e a instauração da perplexidade. Percebe-se também. de sujeitos coletivos.possuem uma dimensão espacial. mantendose como palco e ator para que as relações sociais aconteçam. com a ampliação da exclusão social. Para o autor.. e na ampliação do tempo médio em que os indivíduos ficam sem ocupação produtiva”. a degradação das condições de trabalho e vida. de autoria de Claudemiro Ferreira da Cruz Neto apresentada na UFS em 2005.

mas que. (LEFEBVRE. Esses níveis em conjunto correspondem aquilo que ele denomina de prática espacial. uma vez que cada lugar pode ser o centro de uma mistura distinta de relações sociais (MASSEY. correspondendo ao espaço vivido. 1995: 19) reflete as aspirações de quem os possui e os submete a juízos de valor. são. ora ao atestar o pertencimento a uma legitimidade. o qual. por sua vez. “no fundo. 2002). Você Sabia? O modo de produção capitalista produz desigualdade econômica e uma qualidade de vida cada vez mais contrastante entre as classes sociais. uma concepção unitária de espaço é esboçada. que produz um espaço e posteriormente dele se apropria. aparece como fundamental”. perante o qual o discurso social. Estes três momentos intervêm diferentemente na produção do espaço. um discurso manifesto dos objetos. cor. fechando também os olhos para aqueles que são jogados na miséria e. ou o espaço concebido. “Segundo Baudrilard (1995:10). disposição no espaço. segundo Lefebvre (2006). é em Santos (2000) que essa noção parece ser mais desenvolvida. excluídos do sistema capitalista. as necessidades e funções descrevem apenas um nível abstrato. duração. Imersos numa ideologia perversa são poucos os que contestam o modo de vida capitalista e muitos os que vivem na conveniência do consumo. planejadores. Tanto em Massey (2002) quanto em Santos (2000). aquele correspondente aos lugares de dominação. recusa. mas também as relações ligadas ao plano do Estado ou do capital. portanto. Para Baudrilard (1995:14). toda a mecânica social do valor. Assim. não só suas propriedades mais imediatas. o da reprodução da força de trabalho e finalmente o da reprodução das relações sociais de produção. do conflito entre classes e como lugar de resistência. ora ao deixar transparecer uma aspiração desejada (quando de posse de um objeto filia-se à classe dos que o possuem). portanto como lócus da dominação. seu comportamento ou algum objeto irá sutilmente refletir seu status social. aparentemente. urbanistas. e exercidos por todos os sujeitos 67 . 2006). no entanto a imaginação procura lhe restaurar alguma autonomia. Sua estratégia de reprodução foi se refinando com a evolução dos meios de comunicação e informação: é implantada a ideologia do individualismo e do consumo de bens e serviços de necessidades criadas que faz com que as pessoas se fechem em seu mundo particular. Este último busca enfatizar o território em sua globalidade. Ainda nesse mesmo espaço coexistem representações dessas relações sociais: as representações do espaço. subordinado à dominação. “os fins sociais da ostentação. no entanto coexistem ao mesmo tempo e no mesmo lugar. sob a evidência concreta. Cada pessoa está sujeita a tais julgamentos a partir dos objetos que possui. ou seja. dos arquitetos. etc” (BAUDRILARD. largamente inconsciente.ela não homogeneíza. afirmar que o espaço é um produto social implica o reconhecimento de que nele imbricam-se três níveis: o da reprodução biológica. material. e os espaços de representação. Tal significação social incorporada aos objetos “e isto no mais pequeno dos seus pormenores: forma. e mesmo que o indivíduo utilize a negação para abstrair-se da “mobilidade” ou “conformidade”. no entanto se na primeira a conceituação de lugar parece simplesmente indicar uma ruptura com as conceituações tradicionais. em grande parte inconscientes. associando tempo e espaço. Diz respeito ao espaço percebido.

portanto. feita pela Saatchi & Saatchi. A descentralização do processo de produção será caracterizada pela produção das partes que compõem o produto em locais diferentes do globo. Taiwan. seja por causa da extração da matéria-prima. levando uma busca desesperada de uma maior produtividade. de autoria da geógrafa Suely Coelho apresentada na UFBA em setembro de 2005. realizado para um público-alvo mundial. o carburador. Neste contexto. no Caribe. da Itália. renovam-se” (BAUDRILARD. os objetos multiplicam-se. E isso só é possível porque os lugares e o mundo tornaram-se conhecidos. ou americano a partir do momento que as partes que compõem o produto são provenientes de vários locais do globo. Isto é possível porque há uma intensificação em relação à rede de transportes. quando inscreve em seus produtos ‘made in USA’. Uma campanha publicitária de cerveja. As roupas japonesas. coréia do Sul e Cingapura.4 A globalização analisada em seu aspecto geopolítico e do comércio entre as nações. Quer dizer. editada em Nova York. os objetos passam a traduzir as aspirações sociais contrariadas. Um ‘filme-global’. Um produto não é genuinamente japonês. contém no elenco vedete internacionais. 68 . rodada no Canadá. Tal esmero em alcançar distinção a partir da posse e ostentação de objetos traduz a ânsia por inserir-se em outra classe social. ou nas Filipinas.GEOGRAFIA DO MUNDO. em Salvador -BA. diversificam-se. De acordo com SANTOS (2000) “Em parte por causa da competitividade. é produzido por uma major de Hollywood. Mas ao deparar-se com as dificuldades de manutenção na nova classe social. 1995: 37) . O Ford Fiesta é montado em Valência (Espanha). esta utópica “mobilidade” se mostra momentânea “já que à medida que se sobe na escala social. mas os vidros vêm do Canadá. nos lugares de consumo. dirigido por um cineasta europeu. 1995: 34) em ritmo acelerado. financiado pelos japoneses. são fabricadas em Hong Kong. os cilindros. é concebida na Inglaterra. há lugares mais apropriados para aumentar o lucro de alguns. esquece de mencionar que eles foram produzidos no México. já a indústria de confecção norte-americana. quando por falta de recursos têm-se que optar pela compra de um carro ou renovar toda a mobília do apartamento. usando componentes eletrônicos inventados em Nova Jersey e fabricados no Japão.” (ORTIZ. Esta batalha é travada nas bolsas de valores onde haverá a circulação de investimentos que acontecem simultaneamente em várias partes do globo. “Um carro esporte Mazda é desenhado na Califórnia. Percebemos que o mundo está cada vez mais integrado e independente sendo que cada vez mais o controle financeiro e político ficam nas mãos das transnacionais que realizam entre si uma verdade guerra em busca do poder global. DAS REGIÕES E DOS LUGARES sem que eles o saibam”. em detrimento de outros. os pistões da Alemanha. consumidas no mercado americano. da França. financiado por Tóquio. uma descentralização na produção de vários produtos em função das áreas no mundo que apresentam uma maior probabilidade de produção de um produto a baixos preços. e o eixo de transmissão. depende de condições oferecidas nos lugares de produção. as baterias e a ignição da Inglaterra. e as cenas se passam em vários lugares do planeta. afeta a produção capitalista e torna o mercado de trabalho mais competitivo e com menos oportunidades aos trabalhadores. confirmando desta forma que “só as classes privilegiadas têm direito à atualidade dos modelos. ou barateamento da mão-de-obra. nos lugares da circulação. 1994)”. Ocorre. Os outros têm direito a ela quando os modelos já mudaram” (BAUDRILARD. o protótipo é criado em Worthing (Inglaterra) e a montagem é feita nos Estados Unidos e no México. o radiador da Áustria. cujo exercício. da comunicação e da tecnologia. porque a 4 Fragmento da dissertação de Mestrado intitulada: Elementos de valorização imobiliária em conjuntos habitacionais verticalizados: o caso de Cajazeiras V e XI.

“A competitividade impõe o reino do fugaz. Temos vários desenhos animados de origem japonesa. que leva a esse atordoamento geral em que vivemos. Este consumismo no processo de globalização é mais intenso. O tempo é muito rápido e as pessoas entram neste processo. 2000: 13). o que não existia antes. com que as normas se modificam. Essa competitividade. possibilitada pelas atuais condições objetivas. Isto facilitou o transporte de investimentos entre as multinacionais nas bolsas de valores. acelerando o próprio pensamento para estarem aptas para competir e estarem inseridas no mercado de trabalho que exige profissionais rápidos. graças à tecnologia. São as trocas de informações que irão reger numa escala menor a inserção de uma determinada localidade no processo de globalização. Hoje. em poucos minutos têm-se grandes somas de investimentos relacionadas a ações de um produto. O avanço da tecnologia permite que os locais sejam conhecidos em função da sua produtividade e do quem têm a oferecer. O profissional necessita estar conectado as informações que acontecem simultaneamente em várias partes do globo. A globalização revaloriza os lugares e os lugares – de acordo com o que podem oferecer às empresas – potencializam a competitividade” (SANTOS. Há o fortalecimento destes produtos por meio do “bombardeio” da mídia. estando em vários locais ao mesmo tempo. Hoje o tempo não é medido pelo tic-tac do relógio e sim pelo click do computador. À medida que a mídia veicula um produto. 2000). para subsistir validamente. as pessoas passam a adquirir produtos numa ânsia desenfreada por mais e mais produtos. é resultado da perversidade da globalização. porque é transferida para outra grande empresa e aumenta o seu poder. parece tornar as pessoas cada vez mais ignorantes. isso a desequilibra. quem fica parado esperando as informações chegarem até si arriscar permanecer às margens desse processo. os lugares. Então. As pessoas adquirem os produtos que estão nas novelas ou utilizados pelas celebridades. “A velocidade com que as coisas se transformam. desprovidas de referenciais” (SANTOS. é preciso competir por uma pequena faixa de mercado. e numa escala global há todo um trânsito de economias que irão fortalecer ou enfraquecer determinado local. cria uma tensão permanente. se uma pequena fatia de mercado escapa a uma grande empresa.informação circula rapidamente e porque. 2000: 22). há vários telespectadores que irão incorporar estes produtos e irão se constituir num mercado consumidor. em todas as instâncias. em detrimento de outros” (SANTOS. dentre outros produtos com um elevado padrão de qualidade que de certa forma enfraquecem a produção local. tornam-se um dado essencial do processo produtivo. maior o consumo. Consequentemente os locais que não tem maior representatividade passam a ser ignorados e passam a ser excluídos deste processo da globalização. ágeis e flexíveis. Muitos destes objetos não têm muita relação com o lugar onde se vive. produtos importados de times norte-americanos. Hoje. Quanto maior o salário. mas numa busca por distinção ou refinamento. e a única solução que parece viável e ir remando também” (SANTOS. 2000:12). A mídia irá favorecer o conhecimento de um determinado produto. Há a disseminação de 69 . e passam a ter um papel que não tinham antes. “Há lugares mais apropriados para aumentar o lucro de alguns. os membros de uma equipe podem estar conectados entre si simultaneamente através de um sistema de vídeo conferência. porque se sentem inseguras. há músicas provenientes de várias partesdo mundo.

GEOGRAFIA DO

MUNDO, DAS REGIÕES

E DOS LUGARES

uma falsa necessidade de consumo. Ao mesmo tempo têm-se um processo de
resistência aos mesmos, por meio de movimento das pessoas que tentam impedir
o enfraquecimento dos produtos locais e a entrada de produtos massificados
que vêm de fora. A globalização possui a característica de não valorizar o que é
local em prol da disseminação de produtos com pouca ou nenhuma relação com
determinados lugares.

Temos acesso às notícias e não aos fatos, conforme Santos (2000). É
uma fábula imaginar que todas as localidades estão cientes do que ocorre nas demais partes
do mundo. Alguns contrastes são intrínsecos ao processo de globalização nos grandes centros
urbanos. Observe a quantidade de pessoas inseridas no mercado informal de economia tais como
ambulantes, feirantes, trabalhadores informais que contrastam com a variedade de out-doors
que anunciam produtos muito aquém das reais possibilidades de aquisição da população.
A notícia é o parecer de um profissional, não são dados todos os fatos. As notícias são
direcionadas por grupos que permitem o que deve ser veiculado para a população. A própria
mídia irá funcionar no sentido de fazer conhecer os lugares e tem-se a falsa ilusão de se
conhecer um lugar, a influência da mídia é questionável. Não se pode ficar totalmente satisfeito
com o que a mídia oferece já que a notícia é fragmentada e não é repassada como um todo.
A assimilação acrítica de conteúdos provenientes das propagandas acaba por favorecer
a unificação de costumes, hábitos e comportamentos que passam a ser ditados por centros
de concepção dos mesmos influenciando todo o restante do globo. Ocorre a inserção do
país no mundo globalizado. Milton Santos (2001) classifica tal situação como efeito de um
“olhar distorcido” que por sua vez daria origem a um “país distorcido”. A resistência em
perceber o espaço que nos circunda e os respectivos modos de vida viriam a fortalecer tal
“olhar distorcido”.
Este fluxo de informações possibilitado pela internet e pelos demais meios de comunicação
viabiliza as trocas financeiras, culturais, comerciais e técnicas. Este período que vivenciamos é
baseado nos avanços das pesquisas científicas e no patamar atingido pela tecnologia. Ambos
contribuem para que as informações possam ser difundidas instantaneamente por todo o
planeta atingindo áreas distantes das áreas centrais de concepção de idéias, de produção ou
de intenso fluxo financeiro.
Há uma relação direta com o que acontece entre as partes do planeta, vislumbramos
a tendência e a ilusão de todos os lugares se tornarem globais. É uma fábula imaginar que
todas as localidades estão interligadas ao processo de globalização. Poucos são os que
estabelecem relações globais, representados por empresas transnacionais, alguns Estados
e algumas firmas.
Os efeitos nocivos da globalização se fazem sentir em escalas variadas segundo o
grau de seqüelas provocadas pelo desemprego, violência urbana, fome, insegurança, além
do aumento substancial do stress e doenças de causas emocionais fruto da instabilidade
vivenciada em ambientes de trabalho e familiar.
O avanço tecnológico não ocorre no mesmo ritmo da difusão destas descobertas e menos
ainda a incorporação das mesmas pela sociedade. Ao invés de melhorar a qualidade de vida
de grande parcela da população, tais avanços tecnológicos se restringem a uma minoria.
Como resposta a Globalização temos a efervescência de movimentos
sociais que ganham notoriedade e espaço nas diversas mídias. A partir
das discussões realizadas nos âmbitos das reuniões de condomínio, das
associações de pais e alunos, sindicatos, centros sociais, clubes culturais há
o amadurecimento da participação popular como mecanismo de intervenção
de uma dada realidade.

70

Segundo Lefebvre (1993) “resta elucidar a relação entre esse espaço fragmentado
e as múltiplas redes que combatem a fragmentação e restabelecem, senão uma unidade
racional, ao menos a homogeneidade. Através e contra a hierarquização, não pode romper,
aqui ou ali, arquitetural ou urbanisticamente, “algo” que sai do modo de produção existente,
que nasce de suas contradições, revelando-as e não as cobrindo com um véu?”
Estes movimentos sociais emergem na escala do urbano devido a uma crise decorrente
segundo Castells (1980) da incapacidade da organização social capitalista de assegurar
a plena utilização dos serviços de utilidade pública que ele mesmo suscitou, esta crise se
apresenta como conseqüência necessária à lógica do sistema capitalista.
Transformar a lógica dos sistemas produtivos e de gestão dos bens coletivos seria uma
medida para reverter este quadro. Nossa realidade hoje é de uma crise urbana fruto de um
sistema capitalista que não atende na sua totalidade as necessidades de educação, transporte,
saúde, dentre outros meios de consumo coletivo. Não há uma geração destes serviços condizente
com a demanda.
“Aparece como uma crescente exigência das massas populares, e, principalmente,
como reivindicação de suas expressões coletivas, do movimento sindical e das organizações
citadinas. Com efeito, as necessidades sociais não são um dado biológico fixo, mas se definem
historicamente, aumentando e transformando-se, na medida em que se desenvolvem as
forças produtivas e a partir da modificação da correlação de forças entre as classes sociais”
(CASTELLS, 1980: 22).
O melhoramento destes serviços não se insere na lógica de obtenção
de lucros. Há uma incompatibilidade nesta relação de bens coletivos
públicos e obtenção de lucro. O Estado é um agente decisivo na produção,
gestão e organização destes serviços. Sua atuação não é neutra e resulta
de um processo político amplamente determinado pelas lutas de classe.
Quando o Estado se ausenta disto haverá a ação da iniciativa privada, isto
é a atuação dos agentes hegemônicos que irão assumir estas necessidades
tendo claramente o objetivo de obtenção de lucro.
“Assim, pois, os meios de consumo coletivos, elementos básicos da estrutura urbana, são,
cada vez mais, uma exigência imperiosa da acumulação do capital, do processo de produção,
do processo de consumo e das reivindicações sociais, na medida em que se desenvolve
o capitalismo monopolista. Mas, ao mesmo, tempo, aquilo que é exigido pelo sistema em
conjunto, mal pode ser atendido por algum capital privado. E é essa a contradição estrutural
que provoca a crise urbana: os serviços coletivos requeridos pelo modo de vida suscitado pelo
desenvolvimento capitalista não são suficientemente rentáveis para ser produzidos pelo capital,
com vistas à obtenção do lucro. Daí nasce a crise urbana como crise de serviços coletivos
necessários à vida das cidades. Da impossibilidade do sistema em produzir aqueles serviços
cuja necessidade ele suscitou. A menos que sejam criadas de fora do processo de circulação do
capital, as condições necessárias para um investimento rentável. Ou a menos que se transforme
a lógica de produção e gestão desses bens coletivos, não utilizando como critério a obtenção
de um lucro privado” (CASTELLS, 1980: 23).

Você Sabia?
É inviável atender a todas as demandas sociais quando o Estado prioriza o
lucro no melhoramento das funções urbanas as quais passam a estar submetidas
pelo capital. Esta atuação é vertical e caracteriza-se pela influência de interesses
privados por trás da intervenção do Estado.

71

“Mas a intervenção do Estado não se constitui um suposto mecanismo
regulador neutro aplicado a um sistema em desequilíbrio. É a resultante de
um processo político, amplamente determinado pelas lutas de classe. Nesse
sentido, os conflitos políticos serão fatores essenciais na gestão dos meios
GEOGRAFIA DO coletivos de consumo e do sistema urbano por eles determinado. Pois bem,
MUNDO, DAS REGIÕES
na medida em que esses serviços coletivos condicionam as práticas sociais
E DOS LUGARES
do conjunto da população, todos os grupos sociais sofrem profundamente as
conseqüências da intervenção do estado nesse âmbito: o Estado se transforma no patrão
dos serviços públicos estruturadores da vida cotidiana. E a partir daí, as contradições que
se desenvolvem na esfera do consumo coletivo, os conflitos que nascem da organização
urbana, tendem a se relacionar, mais ou menos diretamente, com a gestão do Estado e com
as orientações políticas subjacentes” (CASTELLS, 1980: 24).
Sobre o Estado, Lefebvre (1993) acrescenta que este “se consolida à escala mundial.
Ele pesa sobre a sociedade (as sociedades) com todo seu peso; ele planifica, organiza
“racionalmente” a sociedade com a contribuição de conhecimentos e técnicas, impondo
medidas análogas, senão homólogas, quaisquer que sejam as ideologias políticas, o passado
histórico, a origem social das pessoas no poder. O Estado esmaga o tempo reduzindo as
diferenças a repetições, a circularidades (batizadas de “equilíbrio”, “feed-back”, “regulações”
etc.). O espaço o arrasta segundo o esquema hegeliano. Esse Estado moderno se põe e se
impõe como centro estável, definitivamente, de sociedades e espaços (nacionais)”.
O que fazer? Buscar técnicas de se ocupar o meio ambiente natural resguardando
seu equilíbrio ecológico e distribuindo os meios de produção e de reprodução da sociedade
eqüitativa e inteligentemente? Tentar reestruturar nossas cidades e o campo? Com quais
técnicas de construção? Seguindo quais valores culturais e sociais? Com quais recursos? E
a “sociedade urbana” de Lefebvre? É inevitável? É desejável ou indesejável?
Os movimentos sociais pressionam por mudanças e o Estado caminha para o BemEstar-Social. Seria o Estado um mediador entre as classes sociais, querendo resgatar a
dignidade e os direitos dos desprovidos? Ou seria ele populista e instaurador de uma ideologia
que mascara a intenção de se manter a serviço prioritariamente dos interesses do capital?
Atualmente, os governos locais muitas vezes disputam entre si as possibilidades de
atração do capital para seus territórios. Tal prática política seria a solução dos problemas sociais
do município? Quem sai ganhando no balanço final? Quais as perdas e as conseqüências da
disputa entre governos? A falta de união e solidariedade entre os municípios, e a falta de disposição
para solucionar conjuntamente problemas comuns, são conseqüências previsíveis.
Depara-se com uma efervescência em vários níveis local, nacional e internacional
quanto ao surgimento de movimentos sociais e urbanos, nos quais há o agrupamento de
pessoas para combater a ideologia capitalista de individualismo exacerbado, ocasionando
assim um redesenho na estrutura social, fruto da complexa luta de classes. Movimentos tais
como o MST (Movimento dos Trabalhadores sem Terra), Hip-Hop, MTST (Movimento dos
Trabalhadores sem Teto), Movimentos Feministas, Movimentos Gays ganham vigor no sentido
de lutar contra a lógica perversa de consumo que geram as desigualdades sociais.
De acordo com Santos (2000) pode-se esperar dos pobres uma ruptura, porque são
estes os maiores atingidos pela exclusão, são eles que vão lutar por mudanças, é exatamente
a vivência compartilhada das mesmas dificuldades que serão o vínculo das redes de
solidariedade formadas entre os menos favorecidos. É esta identificação que possibilita um
fortalecimento destes grupos tendo como premissa “opor-se à crença de que se é pequeno,
diante da enormidade do processo globalitário, a certeza de que podemos produzir as idéias
que permitam mudar o mundo” (SANTOS, 2000: 10).
Neste sentido, Lefebvre (1993) acrescenta que “a luta de classes intervém na produção
do espaço, produção da qual as classes, frações e grupos de classes são os agentes. A luta

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Atenção! É importante frisar que a violência também é uma forma de discurso que aponta para uma vontade de superação e entendimento do problema. a de produzir diferenças que não sejam internas ao crescimento econômico considerado como estratégia. Para dizer a verdade. As formas dessa luta são muito mais variadas que outrora. saúde e educação e a violência nas suas diversas facetas. sofre-se com o desemprego. a população consome através da indústria do medo que produz grades. só a luta de classes tem uma capacidade diferencial. Elas se batem. Analisar o espaço como socialmente produzido . Guerras e revoluções.como espaço usado . Este discurso pode ser realizado através de outras formas. as ações políticas das minorias”. tendo o poder de assim valorizar ou desvalorizar terrenos urbanos. trágica. Dela fazem parte. o mundo moderno corresponde à visão trágica de Nietzsche. mas é importante frisar que há outras maneiras de se valer um discurso. A violência subversiva replica a violência do poder. planos e programas. hoje mais que nunca. mas na cidade como um todo. às vezes ferozmente. Segundo Lefebvre (1993) “A racionalidade do Estado. Restrito ao ato de violência. com a fome. a discussão do que poderia e deveria ser feito para se construir uma sociedade mais justa seria o próximo. confrontos e distúrbios. certamente. elas sobrevivem. As forças fervilhantes destampam a panela: o Estado e seu espaço. fracassos e vitórias. literalmente apagando as diferenças. se manifesta: a violência incessante. O tempo? O negativo? Surgem explosivamente. O desafio é perceber as mudanças profundas nos próprios valores culturais e no sistema de produção e distribuição de bens produzidos. Sua negatividade nova. é um discurso. isto é a nova ordem mundial atrelada à internacionalização do capital que reestrutura as 73 . não apenas dentro dos presídios e restritas as periferias. No Brasil. As diferenças jamais disseram sua última palavra. A violência quando ocorre não é apenas um ato sem motivo. Pensar e discutir sobre essas questões são os primeiros passos. Se esse desafio for superado. suscita a contestação. e complexo problema a ser pensado. só ela impede que o espaço abstrato se estenda ao planeta. para se afirmar e se transformar na adversidade”. se lê no espaço. Parte deste medo é embutida através da mídia que dissemina notícias de assaltos e os centraliza em algumas áreas da cidade. Por trás do medo inerente diante da insegurança de serem assaltadas ou terem suas residências invadidas.de classes.é entender as características desse seu processo de formação para compreender as origens de seus problemas atuais. instrumentos de segurança tais como alarmes e cercas. há outras maneiras de reivindicar e de contestar a realidade. perde-se a razão do discurso. É o que tem feito diversos compositores através do rap. Vencidas. “lógica” e “sistema” (diferenças induzidas ou toleradas). técnicas. algo se quer dizer. um ritmo musical. A normalidade estatista também impõe a perpétua transgressão. com a falta de habitação. O atual panorama do mundo contemporâneo assenta-se na multipolarização econômica.

berço da acumulação. tendo como parceiras o capital que busca maiores lucros em áreas com “atrativos” para tal finalidade. As relações inter-regionais contemporâneas apresentam uma forte ligação com a divisão internacional do trabalho associada ao tipo e a distribuição das empresas multinacionais. dentre outras que proporcionam intensas transformações na Geografia Regional. Benko (1996) afirmou: “penso que a economia mundial emergente pode ser considerada como um mosaico de regiões produtivas especializadas. Esse espaço abstrato apóia-se em enormes redes de bancos. auxiliadas pelo grande poder exercido pela mídia que fomenta o desejo. Os espaços regionais nesse contexto contemporâneo e pós-moderno apresentam uma integração entre capital. produção e mercados. As feições da produção flexível são delimitadas por setores especializados e juntamente com “benefícios” concedidos por regiões envolvidas na “guerra de lugares”. 74 . sujeito da história. centros de negócios. Segundo Lefebvre (1993) “o capitalismo e o neo-capitalismo produziram o espaço abstrato que contém o “mundo da mercadoria”. investimentos. O cenário mundial está sob o comando do processo de globalização que gera profundas constantes transformações a nível regional e planetário. lugar da riqueza. dos aeroportos. ao mesmo tempo que a potência do dinheiro e a do Estado político. serviços e mercadorias que se distribuem pelo planeta. comerciais. aliada ao nível tecnológico buscando atender às necessidades dos mercados que por sua vez encontram-se muito mais voláteis. Nesse espaço. explodiu”. estas apresentam padrões que culminam com uma maior velocidade na transformação de áreas em mercadorias a serem consumidas. com processos complexos de crescimento localizado. As transnacionais fazem uso de níveis de qualificação de mão-de-obra. de grandes unidades de produção. centro do espaço histórico. das redes de informação. apesar de tudo. Sobre a importância da globalização e seus fluxos econômicos. a cidade. proporcionando novas e constantes transformações na organização do espaço. A nova realidade regional é perpassada pelo global e o local aliado ao pós-fordismo e o pós-modernismo para estabelecer configurações que permitam associações com a globalização. cada vez mais dependente. sempre crescente pelo consumo de incontáveis produtos. Observando esses aspectos nota-se que o capital cria e recria regiões. DAS REGIÕES E DOS LUGARES feições regionais de determinada área. sendo que a globalização gera um processo de territorialidade regional pautada nas relações entre sistemas regionais e locais. A região não se mostra. promovendo assim modificações no espaço regional. A economia global é representada por uma gama de fluxos econômicos.GEOGRAFIA DO MUNDO. proporcionando dessa forma um ambiente regional com soluções e problemáticas econômicas e sociais de feições específicas na região. fluxos e cultura. das outras regiões”. E também no espaço das auto-estradas. essa flexibilidade gerou uma profunda reestruturação no tocante a mão-de-obra. identificada na economia através das multinacionais que se distribuem por várias regiões. mas como uma área contínua e demarcada devido as características desses novos tempos que promovem no âmbito regional uma fragmentação. Nesse atual panorama observa-se a grande força econômica das grandes corporações que se ramificam por inúmeras áreas do globo. financeiros. o enfraquecimento do estado-nação e a estruturação inter-regional. O processo de acumulação flexível se tornou com a crise do fordismo a forma mais coerente de se enquadrar aos novos objetivos. sua “lógica” e suas estratégias à escala mundial.

As Ideologias do Progresso e a Questão Regional O processo de regionalização apresenta faces repletas de diferenciações. Cada agente suscetível de intervir teria sua “influência”. Segundo Lefebvre (1993)5. o dos conhecimentos. Tais pilares baseiam nas formas e modos resultantes das características implementadas pelas atividades econômicas. bancos. tais como regularização fundiária. da construção de imóveis à repartição de investimentos e à divisão do trabalho no planeta inteiro. Essas diversas raças de capitais (e de capitalistas) compõem. o capital financeiro intervêm na prática. representam mais nitidamente os atores dos dramas: “sociedades” nacionais e multinacionais. coerente porque é duro e pelo único fato de que ele dura. quanto um sistema constituído e fechado. com os diversos mercados que se entrelaçam (o das mercadorias. coloca-se entre parênteses ao mesmo tempo a unidade do capitalismo e sua diversidade. o que entendem por “capitalismo” e por “influência”? Para uns. representam “o dinheiro” e suas capacidades de intervenção. o capitalismo se compõe de muitos elementos. não sem conflitos entre os capitalistas da mesma espécie ou de outra. o do solo). Ora. Ao longo da história algumas regiões enfrentaram momentos de apogeu e decadência em função do desenvolvimento e o crescimento regional. É importante perceber estas diferenciações do espaço geográfico a partir do local de vivência. o capitalismo”. portanto. o dos próprios capitais. Porém. Faz-se tanto uma simples soma de atividades separadas. promotores. 5 Texto traduzido a partir do original em inglês pelos professores Sergio Martins e Doralice Barros Pereira (UFMG). podemos citar: a região açucareira do Nordeste brasileiro. Texto Complementar “hoje em dia poucas pessoas recusariam admitir “a influência” de capitais e do capitalismo nas questões práticas concernentes ao espaço. As regiões possuem um desenvolvimento desigual. Assim. ou a troca comercial. 75 . essas diferenciações se assentam não somente em bases físicas. territorialidades contrastantes e atividades comerciais. O desenvolvimento desigual é tanto uma característica quanto uma conseqüência da modelagem implementada pelo capital no espaço. a seu momento. numa escala mais próxima e a partir disto ampliar a análise para a região. o da mão-de-obra. suas contradições. o capital comercial. autoridades. Mesmo em locais onde visivelmente estas diferenças não são facilmente perceptíveis. estas diferenças serão constatadas numa análise que aborde outras questões. criando dessa forma áreas “batizadas” por empreendimentos e atividades econômicas que se destacam na região. a mercadoria e sua generalidade. É comum percebemos em centros urbanos alguns conflitos gerados pela desigual ocupação do solo. O capital fundiário. econômicos e políticos. mas também em aspectos sociais. Por isto teremos áreas contrastantes convivendo lado a lado. cada um com possibilidades mais ou menos grandes. a região industrial e o Vale do Silício nos Estados Unidos. de tal forma que num mesmo território encontram-se regiões com grande desenvolvimento e outras tantas numa situação de marginalização total. O capital movimenta as relações e define as diferenças quanto a ocupação do solo numa dada localidade. Para outros. posto que “tudo” se compra e se vende.

se tornou o modelo para os parques tecnológicos em todo o mundo. A maior concentração está região Sudeste. aumento de produtividade e os vários problemas trabalhistas com funcionários 76 . a formação de uma mão-de-obra técnica e especializada de alta qualificação favoreceu o desenvolvimento das empresas. num modo geral. como boa malha viária e infra-estrutura aeroportuária. p. o município oferece qualidade de vida superior a dos grandes centros urbanos. citado por BENKO (2002. portanto. 154). Outro exemplo de tecnopólo no Brasil é a cidade de Campina Grande na Paraíba.Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas . Advanced Micro Devices (AMD). DAS REGIÕES E DOS LUGARES O Vale do Silício. Yahoo!.e englobam parques tecnológicos em projeto. A cidade de Campinas em São Paulo. próximo de Seattle). Google. Esta cidade é conhecida como o “Oásis High Tech do Nordeste” por se tornar referência nacional em eletroeletrônica. Microsoft (hoje está em Redmond. com 10 empreendimentos dessa natureza. a região é uma das que mais se desenvolve no País. assim como de organismos financeiros que facilitem os contatos pessoais entre esses meios. As principais características do fenômeno do Vale do Silício foram: a inovação se deu devido ao fato inédito de atrair indústrias para junto da universidade. Intel. a maioria das empresas era de pequeno porte e da área de tecnologia eletrônica. que possui 19 parques. eBay. Muitas empresas que hoje estão entre as maiores do mundo foram gestadas na região: Apple. descreve os tecnopólos como sendo “a reunião. dos empresários e da comunidade local. produz efeito de sinergia de que podem surgir idéias novas. O cinema anunciou no filme “Guerra nas estrelas” os prenúncios da robótica. termo surgido em 1971. concentra inúmeros atrativos. suscitando. A robótica é adotada por muitas fábricas e indústrias e tem obtido. informática e desenvolvimento de software. à grande oferta de mão-de-obra especializada. ao decidido apoio das escolas. reformulando a relação entre universidade e empresas. Symantec.GEOGRAFIA DO MUNDO. O sucesso desse parque tecnológico se deve a vários fatores: à visão de seus idealizadores. num mesmo lugar. NVIDIA Corporation. Atualmente a robótica se insere em vários ramos da indústria. centros de pesquisa. Um dos exemplos mais bem sucedidos desses parques é a experiência do Pólo Tecnológico de Santa Rita do Sapucaí. da saúde e nos estudos relacionados com a eletrônica. O estado que possui mais parques tecnológicos é Minas Gerais. aos esforços e desenvolvimento de tecnologia de ponta feita em conjunto pelas escolas e empresas e a uma eficiente política de marketing. Rio de Janeiro e Belo Horizonte). O Pólo Tecnológico de Santa Rita do Sapucaí está em uma localização geográfica privilegiada. à preocupação constante com a qualidade produtos. Esses dados são da ANPROTEC . Localizada entre os três maiores centros econômicos e comerciais do Brasil (São Paulo. mão-de-obra qualificada e proximidade a fornecedores. Altera. em implantação e em operação. entre muitas outras. inovações técnicas. Electronic Arts. de atividades de alta tecnologia. universidades e centros de pesquisa. LAFFITTE. criações de empresas”. Hewlett-Packard (HP). Além disso. Maxtor. Existem 34 parques tecnológicos no Brasil. empresas e universidades. êxito em questões levantadas sobre a redução de custos.

financeiros. do lazer e da cultura. O progresso caracterizado pelo crescimento econômico. Faz-se necessário salientar que as regiões configuradas como centrais concentram grande parte da população urbana. pois regionalizar implica no conhecimento das características e nas potencialidades de uma determinada área. Se antes o nordeste possuía fábricas e possuía características que poderiam alavancar a economia. regiões com maior poder e influência polarizam os fluxos comerciais. já que o capital se apropria e transforma o espaço estabelecendo como ideologia de progresso a ideologia que representa a supremacia dos aspectos econômicos sobre as pessoas. Os fatos mencionados servem de base para a comprovação da estreita relação entre economia e progresso regional. perdeu lugar para o Sudeste. Uma região que aspira alcançar a classificação de “região desenvolvida” utiliza primordialmente o parâmetro econômico. 1998: 196). onde o café se tornou a base econômica do país e posteriormente fomentou a instalação e o crescimento do parque industrial brasileiro concentrado nessa região. as regiões e os lugares. as ações políticas em nível nacional acentuaram as desigualdades regionais e prejudicaram. Há regiões que já estão prontas. Já outras regiões tendem a ser construídas devido as ausências das características encontradas nas primeiras. com o passar dos anos e atuação política parcial e centralizada em outras regiões brasileiras favoreceu para que o nordeste sofresse um declínio em favor destas para onde foram deslocadas estas indústrias. Como exemplo. serão atuante ações políticas de forma a desenvolvê-las segundo um padrão de desenvolvimento de modo a poder classificá-las dentro de critérios regionais. econômicas e sociais que as inserem num modelo estável. dentre outros. sendo assim regiões contabilizam lucros enquanto outras contabilizam prejuízos. No Brasil a região Nordeste pioneiramente classificada como mais dinâmica e desenvolvida baseada no desenvolvimento socioeconômico promovido pela cana-de-açúcar. industriais. baseia-se no fortalecimento regional. fato que provocou profundas transformações nas relações regionais e inter-regionais no mundo. Para tanto. Saiba Mais! As ideologias do progresso possuem forte ligação com o processo de regionalização. por conseguinte a região Nordeste.O desenvolvimento regional promove ainda a construção de redes. isto é. Por que o nordeste brasileiro é atrasado? Mesmo o Brasil tendo diferenças entre as regiões. nas quais. haja vista que: “o capital herda um mundo geográfico que já está diferenciado em complexos padrões espaciais” (SMITH. possuem características naturais. 77 . efetivando assim uma verdadeira hierarquia. Dessa forma atividades relacionadas ao progresso são capazes de proporciona grandes modificações no panorama regional. dos serviços. temos os Estados Unidos que apresentou um grande crescimento técnicocientífico após a Segunda Guerra Mundial.

a uma “objetivação” do saber? Sim e não: o saber objetivado num produto não coincide mais com o conhecimento teórico. um produto qualquer. para fixá-lo e o subjugar. portanto. Outras. essas abstrações concretas. Esse espaço seria abstrato? Sim. de dominação e de potência (poder) – mas que ele escapa parcialmente. De acordo com Lefebvre (1993) “Muitas pessoas não aceitaram que. É importante destacar que mesmo os grandes centros desfrutando de comando e domínio dos fluxos em âmbito mundial. ao mesmo título e no mesmo processo global que a mercadoria. esta definida pelo desenvolvimento econômico e carregada de desigualdades regionais. Londres e Tóquio exerçam grande influência em escala mundial. e a partir disto as demais atividades econômicas se voltam para atender a necessidade de cada vez mais obter maior lucratividade nas relações comerciais. Ele seria redutível a uma projeção . ao mesmo tempo. mas ele também é “real”. que ele é. vale salientar que mesmo os grandes centros desfrutando de comando e domínio dos fluxos em âmbito mundial. estes estão sempre em transformações. um meio de produção. Visto que o espaço assim produzido também serve de instrumento ao pensamento. como à ação. no modo de produção atual e na “sociedade em ato” tal como ela é. mas não da mesma maneira que um objeto.Organização do espaço: Regiões Centrais e Periféricas GEOGRAFIA DO MUNDO. mas. ele transcende a instrumentalidade. como a mercadoria e o dinheiro. uma espécie de realidade própria. enquanto tal. No entanto. promovendo dispersão e deslocamento para áreas que possibilitem maiores vantagens para o capital. o capital. as cidades globais nesse contexto apresentam um grande distanciamento de outros centros regionais distribuídos pelo globo. um meio de controle. 78 . embora de maneira distinta. procuraram provas. Ele é instrumental? Decerto. É de fácil compreensão que as cidades-globais como Nova Iorque. muitos dos seus recursos minerais permaneceram encobertos no subsolo aguardando uma valorização que surgiu com a utilização dos mesmos pela indústria e multinacionais. o espaço tenha assumido. européias e de diversas partes do mundo na África em busca de suas riquezas minerais. como o conhecimento. o dinheiro. A hierarquia que se observa no espaço mundial delimita facilmente as áreas centrais e as periféricas. diante desse paradoxo. há a presença considerável de empresas norte-americanas. aqueles mesmos que levam a realidade espacial em direção a uma espécie de autonomia impossível de dominar se esforçam para esgotá-lo. estes estão sempre em transformações. Destaca-se o exemplo do continente africano o qual desde a sua partilha possuiu suas riquezas sendo extraídas pelas potências que o colonizaram. de pesquisa e de fluxos. promovendo dispersão e deslocamento para áreas que possibilitem maiores vantagens para o capital. a princípio para atender a demanda de alimentos e de matérias-primas para o desenvolvimento industrial europeu. aos que dele se servem. É o capital que irá direcionar a economia de um local voltando todas as atenções para o que pode gerar mais lucro. Ele seria concreto? Sim. As forças sociais e políticas que o engendraram tentam controlá-lo e não conseguem. propiciando a essas comunidades mundiais uma grande superioridade em termos de desenvolvimento econômico. O espaço contém relações sociais”. DAS REGIÕES E DOS LUGARES As teorias de desenvolvimento regional se relacionam com a regionalização baseada na estrutura núcleo-periferia. Atualmente.

É lamentável o desinteresse no Brasil pelas questões que afligem a África. tais conflitos não possuem apenas uma repercussão local. este país apesar do desenvolvimento econômico. Uma análise sobre a situação africana perpassa pelo conhecimento dos demais fatores relacionados com a estabilidade de alguns chefes de governo amparados por potências coloniais. líderes na exportação de produtos estratégicos para o atual mercado. essas duas cidades concentram as empresas nacionais e transnacionais. ferro e chumbo. O espaço geográfico brasileiro apresenta como região central as metrópoles de São Paulo e do Rio de Janeiro. este não se reverte num desenvolvimento social. ou ações como golpes de Estado. A Ásia que poderia ser definida como área periférica. A seguir um texto escrito pelo colunista Fernando Casimiro: 79 . A independência de países detentores de matéria-prima. Você Sabia? Ocorrem movimentos que efervescem em áreas estratégicas como Moçambique. Angola e Tanzânia os quais pontuam a necessidade de se constituir formas de governo diferentes do capitalismo que domina grande parte dos países da África. diamante (92%) e bauxita (71%). milícias e confrontos arquitetados nos “bastidores” segundo interesses das potências hegemônicas. Além do petróleo e outras fontes de menor percentual como zinco. mas sim global por afetarem a economia uma escala mundial. além de bancos e os fluxos econômicos e serviços avançados. A região periférica vai ser composta por inúmeras áreas que serão coordenadas pelas grandes metrópoles brasileiras que exercem dominação através do capital que influencia na produção e na divisão inter-regional do trabalho no Brasil. O desconhecimento das questões africanas é fruto da tendência antes constatada do brasileiro tentar aproximar-se cada vez mais das tendências e modo de vida europeu e atualmente americano. há o cromo (97%). No caso específico da China. a invasão da Angola por tropas sulafricanas. grande parte destas riquezas estão conjuntamente concentradas no subsolo de poucos países. Como exemplo das reservas minerais pertencentes à África na estrutura produtiva mundial. mas a Ásia se insere no comércio com áreas centrais. Há todo um arranjo das forças que ditam o que as mídias devem veicular quanto às notícias e informações sobre a África de forma a manter no imaginário da população brasileira uma imagem distorcida da realidade.As riquezas minerais pertencentes ao continente africano são as causas de muitos dos conflitos vivenciados por países africanos. os ataques a Moçambique deve ser compreendido a partir de um contexto global e não apenas local. estanho. No quadro de reservas minerais e de seus respectivos países de origem é constatável uma característica peculiar. é motivo de tentativas de controle político seja para assegurar o fornecimento de tais riquezas e garantir os baixos preços. Qualquer acontecimento na África seja este norteado por questões como o apartheid sul-africano.

tem acelerado as suas reformas econômicas seguindo precisamente orientações antagônicas à ideologia comunista e ausentes na definição prática dos conceitos macroeconômicos da ideologias capitalistas.Texto Complementar GEOGRAFIA DO MUNDO. particularmente nos seus recursos humanos. por deixar que se explorem as suas riquezas a troco de contrapartidas financeiras que nunca vão de encontro aos valores dos produtos e muito menos da salvaguarda e benefício de interesses dos povos e países africanos. dirigida por um Partido comunista. atitude esta no sentido de se criar uma 80 . A China tem jogado uma estratégia entre a sustentação das ideologias comunistas para fugir à responsabilização dos critérios da abertura à democratização mas. mas sim dos seus governantes. É esta garantia e controle de reservas de matérias primas energéticas que fazem a diferença e farão cada vez mais. A China que se vê emergir não é uma China com estruturas econômicas e de desenvolvimento do tipo-padrão que caracterizam as economias e sociedades comunistas. direitos e garantias como cidadãos com direitos e deveres num Estado de Direito. De orientações comunistas talvez pelo fato do Partido que dirige o país ainda continuar a chamar-se Partido Comunista Chinês. A China sabe que muito do sucesso do desenvolvimento da Europa teve como base de sustentação o continente africano não só pelos seus recursos naturais. A China que se conhece não é a China onde os chineses têm liberdades. Um espaço privilegiado e com reservas variadas de produtos minerais energéticos é precisamente o continente africano. em simultâneo. levou os seus usos e costumes para outras terras e povos do mundo. não definir políticas de desenvolvimento com aproveitamento próprio dos seus recursos minerais energéticos. como das revoluções e no período de estabelecimento de afinidades numa nova relação das antigas potências coloniais com os novos países africanos. na determinação e sustentação das superpotências. como também. A China estudou o percurso europeu na África tanto na época da colonização. tendo como base a sustentabilidade dos seus negócios e a rentabilidade do capital nos pacotes das várias estratégias definidas consoante a zona de interesse e de intervenção. tendo como propósito disputar com as principais potências mundiais a garantia das reservas das principais matérias primas energéticas que sustentam o desenvolvimento industrial a nível mundial. povoou regiões do continente asiático. mas sim as economias e sociedades capitalistas. fez com que a China projetasse uma política externa digna do termo. A China definiu a sua estratégia de crescimento e de desenvolvimento. o mais populoso do mundo. De popular talvez o fato de ser o mais populoso do mundo. A necessidade de se modernizar para melhor se expandir. Privilegiado por não ser concorrente na busca de garantias de um futuro melhor para os africanos e por assim dizer. mas também pelos seus recursos humanos. A China sabe igualmente que a Europa pouco investiu na valorização do continente africano. A China é um império. A China define-se como uma República Popular. DAS REGIÕES E DOS LUGARES “A África é um continente e a China é um extenso país.

a táctica da China consiste em financiar projetos nem sempre propostos pelos governantes africanos. assim. como forma de salvaguardar uma relação de promiscuidade com os regimes ditatoriais africanos e em defesa dos seus interesses. O dinheiro aplicado pode ser uma estratégia de engenharia financeira com contrapartidas superiores ao investimento e. o que os governantes africanos preferem receber mas que o critério dos programas de cooperação dos países europeus nem sempre aprova. tal como na época da colonização européia. na sombra. aproveitar-se das riquezas de África para sustentar as necessidades enormes da sua rede de desenvolvimento. não para ajudar o continente africano a desenvolver-se. sobretudo. a China. Sabe-se que a China faz deslocar todos os meios para concretizar/executar os projetos anunciados.dependência crônica entre a Europa e a África no que concerne ao domínio tecnológico e no controle do dirigismo das iniciativas de desenvolvimento. em boa verdade menosprezaram no sentido de fazerem mais e melhor pelo desenvolvimento do continente africano. Políticas nem sempre baseadas na transparência e de que hoje se faz uso e abuso em África para dar à China a oportunidade que a Europa e os Estados Unidos. numa reposição clara da estratégia colonial. As políticas de cooperação traçadas e seguidas pelos governantes africanos são na sua maioria sustentadas por conveniências de planos normalmente elaborados pelos parceiros econômicos europeus e americanos. mas também o que levaram e o que têm levado da África. tanto por parte da Europa. com retorno total à proveniência: China! A China estudou igualmente a questão das relações internacionais e tem-se aproveitado da ambigüidade de posicionamentos e conveniências quer dos europeus. desde simples pregos até mão de obra. a China criou e definiu pacotes na sua missão de parceria estratégica com a África. como dos Estados Unidos. Sabe-se que a China consegue desta forma exportar os seus produtos sem ter concorrência ou restrição. No entanto. ou não fosse a China exemplo reconhecido de atropelos aos direitos humanos. mas sim. também ela. fugir à linha da não indiferença pela ingerência nos assuntos internos. esta forma de agir da China não é estranha ao mundo dito desenvolvido. A China sabe o que os europeus deixaram na África. muito disso resulta por culpa das estratégias erradas de relacionamento com África e com os africanos. só surge devido ao sucesso da política externa chinesa. Mas se os europeus e americanos não fizeram mais e melhor até aqui. sendo que é mais fácil a revisão dos erros estratégicos por parte dos europeus e americanos no sentido de uma nova aposta de desenvolvimento 81 . A China sabe o que os europeus têm dado hoje em dia para a África mas sabe. Esta atitude quer da Europa quer dos Estados Unidos de denunciar a pretensa hipoteca das reservas minerais energéticas de África pela China. muito menos os chineses conseguirão fazer. tirar proveito da sustentação da sua política de indiferença quanto aos direitos humanos e. Se outrora os africanos foram enganados pelas artimanhas dos primeiros colonizadores europeus. que cada vez mais se insurge contra as investidas da China no continente africano. mas incluídos em pacotes de oferta apresentados pela China. De estudo em estudo. hoje. da forma como tem sido feita. acima de tudo. e rentabilizar todo o investimento. cujas reservas dependem essencialmente de matérias primas energéticas que a China necessita em grandes quantidades. concretamente dos pacotes para África e que têm surtido efeito na implantação estrutural da China no continente negro. Se as movimentações chinesas estão a conseguir viciar os conceitos de cooperação entre nações e povos. quer dos americanos para.

às desgraças da África e dos africanos que são vítimas dos seus governantes apoiados pelos interesses das potências mundiais. Claro que seria sempre uma estratégia com recurso a parcerias. de forma a evitar a dependência. A globalização aumenta a circulação de capitais. criando estruturas de desenvolvimento próprio e no terreno. 2. mercadorias e informações. econômicas e culturais. Pesquise sobre os tecnópolos brasileiros e as modificações no espaço proveniente da influência dos mesmos. baseado em fórmulas de reciprocidade de vantagens igualmente sustentadas. A partir da afirmação e de seus conhecimentos disserte sobre a globalização. às doenças. do que permitir a expansão chinesa no continente. fechando os olhos às matanças. Os africanos deverão ter em conta que não há desenvolvimento sustentável sem haver liberdade e as memórias da colonização estarão sempre presentes para clarificar as dúvidas neste sentido. à fome. Gostaria de ver a África afirmar-se. Quem tiver boas intenções para África. 82 . mas também fragmenta o espaço promovendo desigualdades sociais. deverá ter boas intenções para os africanos e não olhar simplesmente para as riquezas naturais do continente negro e muito menos sustentar e apoiar ditaduras em África. suas causas e conseqüências. mas de forma a permitir que África tenha tudo de bom que outros continentes têm!” Atividades Complementares 1.GEOGRAFIA DO MUNDO. com os países africanos no sentido de uma nova marcação de pontos na estratégia de relacionamento com África. DAS REGIÕES E DOS LUGARES sustentado. pessoas. numa palavra.

4. Estabeleça diferenças constatadas no uso e apropriação do solo na localidade onde você reside e relacione-as com as diferenças constatadas na sua região com uma região mais desenvolvida economicamente. faça um texto comentando sobre uma relação correspondente entre uma potência e um país fornecedor de matéria-prima ou mão-de-obra.3. 83 . 5. Dê exemplos de localidades atingidas por políticas desiguais de desenvolvimento e o impacto das mesmas sobre a população. De acordo com a relação existente entre a China e a África.

possibilitando grandes fluxos. próprio dos humanistas. Âmbito: contorno. Hinterlândia: território situado por trás de uma costa marítima. Globalização: processo que integra economias e sociedades de diversos países. formulações de propostas. Dialética: arte do diálogo. com partes de mesma natureza. Atual estágio do sistema capitalista. molde. Instituição: estrutura resultante de necessidades sociais básicas. não apresenta diferença. etc. de caráter educacional. desigual e dessemelhante. Humanística: relativo ao humanismo. estrutura e formação. DAS REGIÕES E DOS LUGARES Anacronismo: confuso.GEOGRAFIA DO Glossário MUNDO. que se adaptam as condições do ambiente. Polarizar: produzir influência e comando torna-se pólo. Ideologia: conjunto articulado de idéias. ser importante numa determinada área. religioso. espaço delimitado e área de atuação. interior. Periferia: área marginalizada. da discussão. pontos na superfície. financeiros. utilizando argumentos. de serviços. Disparidades: díspar. Flexibilização: de fácil manejo. Metrópole: cidade principal. social. periferia. processos e atividades vitais. valores e crenças. Fórum Social Mundial – FSM: é um espaço aberto para discussões e reflexões. atrapalhado. Morfologia: trata das formas. Homogêneo: que apresenta semelhança. capital. cidade muito importante na região. Notório: conhecido de todos. etc. público. afastada dos centros. respeitando os direitos humanos e o meio ambiente. Fluxos: movimento contínuo que se repete no espaço. e troca de experiências entre os que se opõem ao sistema capitalista e a política neoliberal. Nodal: referente a nó. Configuração: forma exterior. aspecto. conformação e figura. comerciais. movimentação. Fisiográfico: Geografia Física Fisiologia: investiga as funções. 84 . um rio. trafégo. Buscam-se alternativas para que favoreçam o desenvolvimento de todos os cidadãos.

Urbe: cidade. num modo geral. Esta tecnologia. particular do sujeito. 85 . reduzir diversos elementos a sistema. mudável e instável. tornando sistemas mecânicos motorizados. Volúveis: inconstante. hoje adotada por muitas fábricas e indústrias tem obtido. ima província ou cidade. várias áreas centrais. Polinucleação: formado por vários núcleos. controlados manual ou automaticamente por circuitos elétricos ou mesmo computadores. ligado a atividades psíquicas e emocionais. eletrônica e computação. levanta a questão da redução de vagas no mercado de trabalho devido a substituição de mão-de-obra humana por máquinas. elétrica. antiteologia. Sistematização: agrupar em corpo de doutrina.Policentrismo: formado por vários centros. êxito em questões levantadas sobre a redução de custos. Transnacional: que ultrapassa os limites nacionais. Por outro lado. Positivismo: doutrina de Augusto Comte. aumento de produtividade e os vários problemas trabalhista com funcionários. multinacional. área de um país. Território: extensão de terra. os conhecimentos são baseados nos fatos e dados resultantes de experiências. baseada na antimetafísica. que atualmente trata de sistemas compostos por máquinas e partes mecânicas automáticas e controlados por circuitos integrados. Robótica: ramo da tecnologia que engloba mecânica. Subjetividade: individual.

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