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SUMÁRIO

Dos crimes contra a inviolabilidade de correspondência......5
Violação de correspondência......................................................................5
1.

Objetividade jurídica..........................................................................5

2.

Tipo objetivo...................................................................................... 5

3.

Sujeito ativo....................................................................................... 6

4.

Sujeito passivo................................................................................... 7

5.

Elemento subjetivo............................................................................ 7

6.

Consumação...................................................................................... 7

7.

Tentativa............................................................................................ 7

8.

Causa de aumento de pena...............................................................7

9.

Ação penal......................................................................................... 8

Sonegação ou destruição de correspondência............................................8
1.

Objetividade jurídica..........................................................................8

2.

Tipo objetivo...................................................................................... 8

3.

Sujeito ativo....................................................................................... 9

4.

Sujeito passivo................................................................................... 9

5.

Elemento subjetivo............................................................................ 9

6.

Consumação.................................................................................... 10

7.

Tentativa.......................................................................................... 10

8.

Causa de aumento de pena.............................................................10

9.

Ação penal....................................................................................... 10

Violação de comunicação telegráfica, radioelétrica ou telefônica.............10
1.

Objetividade jurídica........................................................................11

2.

Sujeito ativo..................................................................................... 11

3.

Sujeito passivo................................................................................. 11

4.

Tipo objetivo.................................................................................... 11

5.

Consumação.................................................................................... 12

6.

Tentativa.......................................................................................... 12

7.

Ação penal e pena...........................................................................13

Impedimento de comunicação ou conversação........................................13
1

1.

Sujeito ativo..................................................................................... 13

2.

Sujeito passivo................................................................................. 13

3.

Elemento subjetivo..........................................................................14

4.

Consumação.................................................................................... 14

5.

Tentativa.......................................................................................... 15

6.

Ação penal....................................................................................... 15

Dos crimes contra a inviolabilidade dos segredos..............15
Divulgação de segredo.............................................................................. 15
1.

Objetividade jurídica........................................................................15

2.

Tipo objetivo.................................................................................... 16

3.

Sujeito ativo..................................................................................... 17

4.

Sujeito passivo................................................................................. 17

5.

Consumação.................................................................................... 18

6.

Tentativa.......................................................................................... 18

7.

Elemento subjetivo..........................................................................18

8.

Forma qualificada............................................................................ 19

9.

Ação penal....................................................................................... 19

Violação de segredo profissional...............................................................19
1.

Objetividade jurídica........................................................................20

2.

Tipo objetivo.................................................................................... 20

3.

Sujeito ativo..................................................................................... 20

4.

Sujeito passivo................................................................................. 21

5.

Consumação.................................................................................... 22

6.

Tentativa.......................................................................................... 22

7.

Elemento subjetivo..........................................................................22

8.

Ação penal....................................................................................... 22

Invasão de dispositivo informático............................................................22
1.

Objetividade jurídica........................................................................22

2.

Elemento subjetivo..........................................................................23

3.

Sujeito ativo..................................................................................... 24
2

4.

Sujeito passivo................................................................................. 24

5.

Tipo objetivo.................................................................................... 24

6.

Consumação.................................................................................... 25

7.

Tentativa.......................................................................................... 25

8.

Figura típica equiparada..................................................................25

9.

Aumento de pena sobre as figuras simples e equiparada..................................26

10.

Aumento de pena sobre as figuras qualificadas..........................................26

11.

Ação penal e pena........................................................................26

Da Usupação.....................................................................27
Alteração de limites.................................................................................. 27
1.

Objetividade jurídica........................................................................27

2.

Tipo objetivo.................................................................................... 27

3.

Elemento subjetivo..........................................................................28

4.

Sujeito ativo..................................................................................... 28

5.

Sujeito passivo................................................................................. 28

6.

Consumação.................................................................................... 28

7.

Tentativa.......................................................................................... 29

8.

Ação penal....................................................................................... 29

Usurpação de águas.................................................................................. 30
1.

Objetividade jurídica........................................................................30

2.

Tipo objetivo.................................................................................... 30

3.

Sujeito ativo..................................................................................... 31

4.

Sujeito passivo................................................................................. 31

5.

Consumação.................................................................................... 31

6.

Tentativa.......................................................................................... 32

7.

Ação penal....................................................................................... 32

Esbulho possessório.................................................................................. 32
1.

Objetividade jurídica........................................................................33

2.

Tipo objetivo.................................................................................... 33
3

........................................... Tipo objetivo....... 37 4............................... 38 6............................................................................................ 37 3........................................................................................................................................................... Sujeito ativo..... 38 7...... Objetividade jurídica................................... Consumação........... 35 8................... Elemento subjetivo........... Tentativa.. Concurso................. 38 REFERENCIAS........................................................................................................................ Ação penal............ 34 5........... Tentativa.......................................... Sujeito ativo................................................................................................. 35 7...................................... Sujeito passivo....................................................... 38 5....................................................................... 34 6...................39 4 ........36 1...............34 4............36 2.......................................................... 35 8................................................................................ 36 Supressão ou alteração de marca em animais............3................. Sujeito passivo......... Ação penal................................................................................................................................................................................. Consumação.............

I. 47 da Lei n. que trata do serviço postal e de telegramas. 6.538/78. do Código Penal. através da via postal. 6. 151. 1. Correspondência por carta ou epistolar é a comunicação por meio de cartas ou qualquer outro instrumento de comunicação escrita. Correspondência é o objeto material do delito. 40 da Lei n. ou pagamento não excedente a vinte dias-multa. Devassar indevidamente o conteúdo de correspondência fechada dirigida a outrem: Pena — detenção.Dos crimes contra a inviolabilidade de correspondência Violação de correspondência Os delitos previstos nos arts.538/78. Art. De acordo com o art. ou por telegrama”. caput. Objetividade jurídica A inviolabilidade da correspondência alheia. Telegráfica é a comunicação por telegrama. Tipo objetivo 5 . 40. até seis meses. foram substituídos pelos crimes previstos no art. por meio de carta. é “toda comunicação de pessoa a pessoa. e seu § 1º. 2.

de dois a quatro anos. a violação constitui crime especial previsto no art. Em relação a este. 3º. Ex. quem realiza interceptação de comunicação telefônica. 3. a pena será agravada nos termos do art. apesar de o texto legal declarar a inviolabilidade de correspondência sem prever qualquer exceção.898/65 (abuso de autoridade). de informática ou telemática. Sujeito ativo Pode ser qualquer pessoa. Veja-se que. Quando a violação da correspondência constituir meio para a prática de crime mais grave. 4. O professor Fernando Capez ensina que pouco importa para a configuração do crime que o conteúdo da correspondência seja confidencial. c. 10 da Lei n. pois o que a lei incrimina é tão somente o ato de tomar conhecimento do conteúdo da correspondência alheia.Trata a lei de proteger a carta. quanto a este aspecto. pois há situações em que é necessária a abertura da correspondência para se evitar mal maior. secreto. o telegrama. da Lei n. 9. 43 da Lei n. desde que fechados. ficará por este absorvida. O tipo penal em análise se refere à correspondência fechada. Trata-se de crime comum. o bilhete. Se for cometido por funcionário público no desempenho das funções. 6. que pune com reclusão. sem atentar para a sua natureza. 6 . hipótese que pode ser encarada como estado de necessidade.: para descobrir segredos da vítima e depois extorqui-la. derrogou o art.538/78. é evidente que tal princípio não pode ser encarado como absoluto. não abrangendo o conhecimento indevido de teor de correio eletrônico. que.296/96. e multa.

sendo. Elemento subjetivo É o dolo. por engano. abre e lê correspondência alheia. Causa de aumento de pena 7 . Tentativa É possível quando o agente é flagrado quando está abrindo a carta. Não existe modalidade culposa.4. impedido de ler seu conteúdo. 7. Consumação Não basta que o agente abra a carta. o delito só se consuma quando ele se intera de seu conteúdo. porém. Trata-se de crime com duplo sujeito passivo. Sujeito passivo O remetente e o destinatário. 5. 8. não podendo ser punido aquele que. que são as pessoas interessadas na manutenção do sigilo. 6. exigência feita pelo próprio tipo penal.

Nos termos do art. O dano pode ser econômico ou moral. Tipo objetivo Trata-se de figura penal que tem por finalidade punir o agente que se apodera de correspondência alheia. Objetividade jurídica Como no presente tipo penal não importa se o agente teve ou não conhecimento do conteúdo. 2. Por se tratar de infração de menor potencial ofensivo. 48 da Lei n.538/78. a objetividade jurídica é o direito do destinatário de receber a correspondência e o de mantê-la consigo se assim o quiser. do Código Penal. para sonegá-la ou destruí-la. a pena será aumentada em metade se a conduta causar dano para outrem. Sonegação ou destruição de correspondência Art. 40. § 2º. 6. § 4º. a competência é do Juizado Especial Criminal. 40 § 1º — Incorre nas mesmas penas quem se apossa indevidamente de correspondência alheia. 6. com o fito de sonegá-la (fazer com que não chegue até a vítima) ou destruí-la. 9. no todo ou em parte. Ação penal É pública condicionada à representação.538/78. 8 . da Lei n. nos termos do art. aberta ou fechada. 151. mantido em vigor pelo art. 1. embora não fechada.

538/78. derrogou o art. Sujeito passivo O remetente e o destinatário. 6. pois o tipo penal tutela também a correspondência não fechada. É o que ocorre quando o namorado encontra uma carta já lida pela namorada e. Na destruição. em que se pune o conhecimento indevido de seu conteúdo por terceiros. Segundo Fernando Capez. por ciúme. a pena será agravada nos termos do art. 4. Se a correspondência tem valor econômico. é possível que o destinatário já tenha recebido e lido a carta. 4. a subtração constitui furto. que.Na primeira modalidade. Se for cometido por funcionário público no desempenho das funções. 43 da Lei n. quanto a este aspecto. da Lei n. no crime aqui em estudo pune-se o apoderamento indevido da correspondência. que são as pessoas interessadas na manutenção do sigilo. Trata-se de crime comum. Sujeito ativo Pode ser qualquer pessoa. c. diferentemente do crime de violação de correspondência. a destrói.898/65 (abuso de autoridade). 5. o destinatário ainda não recebeu a carta. Elemento subjetivo 9 . para o fim de sonegála ou destruí-la. de modo que a sonegação impede que o conteúdo chegue ao seu conhecimento. 3. Trata-se de crime com duplo sujeito passivo. 3º. e a destruição crime de dano. pouco importando se o agente teve ou não conhecimento de seu conteúdo.

a pena será aumentada em metade se a conduta causar dano para outrem. Tentativa É cabível quando o agente não consegue se apossar da carta. portanto. 40. 6. Consumação Ocorre no instante que o agente se apodera da correspondência. Ação penal Com o mesmo fundamento do delito anterior.É o dolo. § 2º. 6. 8. pois dispensa. O dano pode ser econômico ou moral. sendo. 9. 10 . Essa conclusão decorre do texto legal. sendo irrelevante o motivo que levou o agente a querer destruir ou sonegar a correspondência alheia. trata-se de crime de ação pública condicionada à representação. para fim de consumação. crime formal. Causa de aumento de pena Nos termos do art. que o agente consiga sonegar ou destruir a correspondência. da Lei n. 7. de competência do Juizado Especial Criminal.538/78.

Visa o dispositivo dar concretude ao art. 4. radioelétrica ou telefônica Art. 5º. Objetividade jurídica O sigilo das conversas telegráficas. 11 . II — Na mesma pena incorre quem indevidamente divulga. Sujeito passivo As mesmas estudadas nos dois crimes anteriores. XII. radioelétricas e telefônicas. Tipo objetivo As condutas típicas são: a) divulgar — relatar o conteúdo a outras pessoas. que declara ser inviolável o sigilo das comunicações telegráficas. 151. Trata-se de crime comum. por ordem judicial. ou conversação telefônica entre outras pessoas. 2. salvo. 1. Sujeito ativo Pode ser qualquer pessoa. 3. § 1º. transmite a outrem ou utiliza abusivamente comunicação telegráfica ou radioelétrica dirigida a terceiro.Violação de comunicação telegráfica. da Constituição Federal. de dados e das comunicações telefônicas. nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. no último caso.

entretanto. 12 . 9. Para Cezar.b) transmitir — narrar o conteúdo à pessoa determinada. O delito somente se aperfeiçoa quando a divulgação ou transmissão são feitas de forma indevida (elemento normativo) ou quando a utilização é feita de forma abusiva. independentemente da futura divulgação do conteúdo. de dois a quatro anos. Em relação a conversações telefônicas. quem tomar conhecimento de seu conteúdo e der divulgação cometerá também o delito.10. por exemplo. Além disso. ou quebrar segredo da Justiça.296/96. transmissão ou utilização. quem realiza a interceptação de conversa telefônica alheia sem autorização judicial já está cometendo crime. não é necessário. de informática ou telemática. ouve conversa alheia em extensão telefônica e divulga seu conteúdo. 9. é suficiente que uma só pessoa tome conhecimento da comunicação para que se configure o crime. nos termos do art. logo. c) utilizar — usar para qualquer fim. como as gravações feitas de forma autorizada devem ser mantidas em sigilo. Assim. bem mais gravemente apenado (reclusão. Esse crime está descrito no art.296/96. que uma pluralidade de pessoas tome conhecimento da comunicação. 5. porém. Consumação No momento em que ocorre a divulgação.: funcionário de Distrito Policial que passa o conteúdo das gravações a órgãos da imprensa. Ex. sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei”. e multa) “realizar interceptação de comunicações telefônicas. bem como o procedimento a ser adotado. que regulamentou as hipóteses em que pode ser decretada a interceptação telefônica. 8º da Lei n. pois o tipo penal pune a transmissão a outrem. constitui crime. Atualmente. o tipo penal ainda pode ser aplicado para quem. da Lei n. em sua parte final.

Sujeito passivo 13 . Impedimento de comunicação ou conversação Art. Sujeito ativo Trata-se de crime próprio. Não é necessário que o agente esteja trabalhando no momento da infração penal. de competência do Juizado Especial Criminal.6. ou multa. Tentativa É possível. 2. A lei pune quem impede a comunicação telegráfica ou radioelétrica dirigida a terceiros ou a conversação entre outras pessoas. que só pode ser cometido pelas pessoas elencadas no texto legal — sócio ou empregado da empresa vítima. por isso. A pena é de um a seis meses. É indiferente que o agente o faça de 1. O sujeito ativo pode ser sócio ou empregado tanto da empresa remetente quando da destinatária. sendo. 7. Ação penal e pena É pública condicionada à representação. § 1º. 151. III — Na mesma pena incorre quem impede a comunicação ou a conversação referidas no número anterior.

necessariamente. ou seja. respondendo o agente por uma única figura 14 . Elemento subjetivo É o dolo. haverá erro de proibição Cezar Roberto Bitencourt. ou revela seu conteúdo a estranho. consubstanciado na vontade de violar o sigilo da correspondência comercial pela prática de uma das condutas descritas no tipo. a prática de mais de uma das condutas nucleares não configura concurso de crimes. ensina que o sujeito ativo deve. 3. O dolo pode apresentar-se sob a forma direta ou eventual. 4. quando o agente (no todo ou em parte) desvia. Consumação No exato momento em que praticado quaisquer dos atos descritos no tipo penal. O professor Fernando Capez. Não existe figura culposa. ensina é o dolo. Segundo o Cezar Roberto Bitencourt. ter conhecimento de que a correspondência se destina ao estabelecimento (comercial ou industrial) e que tem o dever de zelar pela sua inviolabilidade e não revelar a estranho o seu conteúdo. subtrai ou suprime a correspondência.É a empresa remetente ou destinatária. do contrário. O agente deve ter conhecimento de que abusa de sua condição de sócio ou empregado. sonega. Não se exige qualquer finalidade específica.

5. de um a seis meses. 1. também conhecido como de ação múltipla. 153. sem justa causa. conteúdo de documento particular ou de correspondência confidencial. Ação penal Pública condicionada à representação. e cuja divulga¬ ção possa produzir dano a outrem: Pena — detenção. 6.delitiva. Divulgar alguém. Objetividade jurídica 15 .trata-se de crime de conteúdo variado. ou multa. de que é destinatário ou detentor. Tentativa É possível. pois. Esta poderá ser oferecida pela própria pessoa jurídica ou pelos sócios Dos crimes contra a inviolabilidade dos segredos Divulgação de segredo Art.

154) — sacerdote que ouve confissão e a divulga — ou crime contra a honra — moça que conta em segredo para uma amiga que teve relação sexual com dois homens ao mesmo tempo e esta conta o que ouviu para inúmeras pessoas. O tipo penal em análise. salvo se constituir violação de sigilo decorrente de dever profissional (art. a transmissão a uma só pessoa. e a correspondência sigilosa. crime de difamação. Assim. O objeto material deste crime é o documento particular. cometendo. Não basta. a divulgação de segredo que lhe foi confidenciado oralmente não constitui crime. Se não hou ver um segredo ou se não existir a potencialidade de provocar dano. portanto. ainda. assim. O caráter confidencial do conteúdo da correspondência pode estar expresso em seu texto ou implícito na natureza da informação contida.A finalidade do dispositivo é resguardar o sigilo em relação aos fatos da vida cujo conhecimento por outras pessoas possa provocar dano. 2. a divulgação é atípica. portanto. Divulgar significa dar conhecimento do conteúdo a número elevado e indeterminado de pessoas. ou seja. diz respeito apenas ao segredo escrito. aquele que não é elaborado por funcionário público no desempenho de suas funções. Tipo objetivo A conduta típica é divulgar o conteúdo de documento particular ou de correspondência sigilosa. É necessário. que o documento ou correspondência contenham algum segredo cuja divulgação possa provocar dano material ou moral a outrem. 16 .

eventualmente. sofre prejuízo ou dano material 17 . ensina que quando o sujeito ativo for o detentor do documento ou da correspondência confidencial. Cezar Roberto Bitencourt ressalva que não se deve confundir sujeito passivo com prejudicado: “aquele é o titular do bem jurídico protegido e. 325). uma vez que fatos inócuos não podem converterse em segredos. quando praticado por funcionário público (art. pela simples vontade do remetente. A descrição típica contém um elemento normativo manifestado na expressão “sem justa causa”. por exemplo.A divulgação de segredo contido em documento público pode. Pode ser o remetente da carta. que significa a inexistência de motivo razoável a justificar a divulgação. em razão do crime. Sujeito passivo É a pessoa que pode sofrer o dano como consequência da divulgação do segredo. Sujeito ativo Trata-se de crime próprio. O crime-fim absorve o crime-meio. ensina que documento e correspondência devem ter interesse moral ou material. 3. o destinatário (no caso de o autor do crime ser o detentor) ou qualquer outra pessoa. enquanto este é qualquer pessoa que. pois só pode ser cometido pelo destinatário ou deten tor do documento ou correspondência. Há justa causa. Não há que se falar no caso em concurso daquele delito com o de violação de correspondência. na hipótese. ele só responderá pelo crime único de divulgação de segredo. protegidos pelo Direito Penal. 4. O professor Cezar Roberto Bitencourt. quando a divulgação se faz necessária para o desvendamento de um crime. ou quando há consentimento do interessado. caracterizar crime de violação de sigilo funcional. lesado. Fernando Capez.

o primeiro será vítima da relação processual-criminal. detém a faculdade de autorizar a revelação do segredo. que tenha ciência de que o conteúdo divulgado era sigiloso e que. 18 . Fernando Capez considera que o agente deve ter conhecimento da ilegitimidade de sua conduta. ao prejudicado. portanto. é necessário que o agente saiba da ilegitimidade de seu comportamento. Não existe figura culposa. 6. podendo vir a causar prejuízo a outrem. Trata-se. e o segundo será testemunha. de crime formal. bem como de que o conteúdo divulgado é sigiloso. E continua: “a relevância da distinção repousa nos direitos decorrentes dessa condição que cada um tem: o sujeito passivo é o titular do direito de representar criminalmente contra o sujeito ativo. pois. 7. além de ter o direito da reparação ex delito. Tentativa É possível. Não há previsão da modalidade culposa desse delito. Consumação No momento da divulgação do segredo. independentemente da produção de qualquer dano. Elemento subjetivo O crime é doloso e. resta-lhe o direito de postular a reparação do dano sofrido”.ou moral. por outro lado. como a lei exige que o fato ocorra sem justa causa. embora interessada”. 5. poderia gerar prejuízo a outrem.

de mero exaurimento. Na modalidade simples. salvo se o fato causar prejuízo à Administração Pública. nesse caso. a competência é do Juizado Especial Criminal 19 . divulgar sem justa causa. ou seja. assim definidas em lei. 153 estabelecem como regra a ação pública condicionada à representação. e multa. sem justa causa. embora considere-se consumado com a simples divulgação do segredo crime formal. já que tem o condão de alterar a espécie de ação penal.983/2000 e se refere a outro tipo de informação sigilosa ou reservada. 9. Essa modalidade qualificada foi introduzida no Código Penal pela Lei n. não se tratando. aquelas que sejam assim definidas expressamente em lei. Forma qualifi cada Art.Cezar Roberto Bitencourt afirma que não há exigência de nenhum elemento subjetivo especial do injusto. 8. de norma penal em branco a ser complementada por outras leis. que o crime em análise. A conduta típica é a mesma da modalidade simples. ainda que da figura simples. Trata-se. portanto. contidas ou não nos sistemas de informação ou banco de dados da Administração Pública: Pena — reclusão. Ação penal Os §§ 1º e 2º do art. 9. 153. nem mesmo a finalidade de obter qualquer vantagem com a divulgação. informações sigilosas ou reserva das. § 1º-A — Divulgar. sofrerá consequências se o fato causar prejuízo à Administração Pública. de um a quatro anos. pois. Note-se.

nas relações entre os homens. do sacerdote em relação às confissões dos fiéis. ou multa Parágrafo único. sem um motivo justo. 2. toma conhecimento de segredos de outras pessoas e. o legislador erigiu à condição de crime a conduta daqueles que. do médico etc. revelem tais segredos. 154. por exemplo. o motorista particular de um político que revela conversas que ouviu o patrão realizar pelo telefone celular responde pelo delito. A revelação pode se dar indistintamente pelas formas escrita. É o caso. Revelar alguém. Ao contrário do que ocorre com o crime do artigo anterior. cuja conduta típica é divulgar. de três meses a um ano. causar dano a alguém. Tipo objetivo A conduta típica consiste em revelar o segredo que significa dar ciência. 20 . Já o motorista que toma ciência de que o patrão irá receber um carregamento de cocaína e noticia o fato a policiais não comete a infração penal. oral etc. desde que isso possa. do advogado que ouve seu cliente confessar particularmente o cometimento do delito de que está sendo acusado. muitas vezes um indivíduo. 1. evidentemente. A vida em sociedade. Objetividade jurídica Resguardar o sigilo profissional. Somente se procede mediante representação. por isso. ofício ou profissão. O crime só se configura se não existir justa causa para a divulgação do segredo. segredo de que tem ciência em razão da função. e cuja revelação possa produzir dano a outrem: Pena de detenção. ministério. no presente delito basta que o segredo seja contado a uma só pessoa para que já esteja configurado. no exercício de sua atividade. Assim.Violação de segredo profissional Art. sem justa causa. contar a alguém o segredo.

Ex. Dizem-se confidentes necessários porque. Profissão. assistente social voluntária. Ofício é o desempenho de atividade manual. no dizer de Nélson Hungria. de contrato. Os auxiliares dessas pessoas também respondem pelo crime quando tomam conhecimento do segredo no desempenho de suas atividades. a revelação constitui crime especial previsto no art. como. freira. Se o agente toma conhecimento do segredo em razão de função pública.: médico. Sujeito ativo Trata-se de crime próprio. enfermeiras etc. de origem religiosa ou social.: motorista particular. Função é o encargo decorrente de lei. ofício ou profissão. direção de escola. Exs. Ex.: sacerdote.3. tutela. ou de ordem judicial. por exemplo. em razão de sua atividade específica.125 “sujeitos ativos do crime são os confidentes necessários. advogado etc. 21 . pedreiro ou jardineiro que tomam conhecimento de fatos no desempenho de suas atividades. Ex. 325 do Código Penal. No dizer de Damásio de Jesus. curatela. abrange qualquer atividade exercida habitualmente e com fim de lucro. dentista.: estagiários. Ministério é uma atividade decorrente de uma situação fática e não de direito. pessoas que recebem o conteúdo do segredo em razão da função. ministério. normalmente tomam conhecimento de fatos particulares da vida alheia”.

na forma escrita. por exemplo. portanto. 8. Sujeito passivo É aquele que pode sofrer algum dano com a revelação do segredo. é pública condicionada à representação. Ação penal Nos termos do parágrafo único do art. Tentativa É possível. bastando. 154. Elemento subjetivo É o dolo. podendo ser o titular do segredo e/ou terceiro. a possibilidade do dano. a infração se consuma no momento em que o segredo chega até a terceira pessoa.4. Não existe figura culposa. quando uma carta contendo a revela ção do segredo se extravia. Consumação Por ser crime formal. 7. 6. 5. mesmo que disso não decorra prejuízo para a vítima. 22 .

Note-se que há duas especificidades independentes para o dolo do agente: primeiro o fim especial de “obter. nos seguintes termos: “são invioláveis a intimidade. consistente no resguardo dos dados e informações armazenadas em dispositivo informático da vítima. não se aplica fatos ocorridos antes de sua entrada em vigor. a vida privada. Já na instalação de vulnerabilidades.Invasão de dispositivo informático 1. podendo agir inclusive por mera curiosidade ou bisbilhotice. art. adulterar ou destruir dados ou informações” ou “instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita”. nessa parte o tipo penal não requer do agente outra vontade senão aquela de vulnerar o sistema e suas informações ou dados. assegurando o direito de indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação” (CP. se instalo 23 . X). Objetividade jurídica O objeto jurídico do crime de invasão de dispositivo informático é a inviolabilidade da intimidade e da vida privada. O dolo é específico. pois exige a lei que a violação se dê com o especial fim de “obter. a honra e a imagem das pessoas. O Professor Damasio de Jesus ressalva que como se cuida de navattio legis vacatio incriminadora. sem a exigência de que se pretenda com isso obter vantagem ilícita. Trata-se de um direito fundamental constitucionalmente assegurado. entende-se que a vantagem intencionada pode ser econômico financeira ou de qualquer outra espécie. 2. Por exemplo. Ou seja. Não há previsão de figura culposa. o intento tem de ser a obtenção de vantagem ilícita Como o legislador não foi restritivo. adulterar ou destruir dados ou informações”. Elemento subjetivo O tipo subjetivo do ilícito é informado somente pelo dolo. º.

num computar uma via de acesso a informações para obter senhas bancárias e me locupletar ou se instalo uma vulnerabilidade num computador para saber dos hábitos e preferências de uma mulher desejada para poder conquistá-la o tipo penal está perfeito. conectado ou não à rede de computadores. adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo. assim. acessar. 5. mediante violação indevida de mecanismo de segurança deve ter sido levada a efeito com o fim de obter. Sujeito passivo Sujeito passivo é a pessoa que pode sofrer dano material ou moral em conseqüência da indevida obtenção. A conduta do agente. adulteração ou destruição de dados e informações em razão da invasão de dispositivo informático. 3. 4. seja seu titular ou até mesmo um terceiro. 24 . ou decorrente da instalação no mesmo de vulnerabilidades para obter vantagem ilícita. ou seja. o sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. penetrar. uma vez que o tipo penal não exige nenhuma qualidade especial do agente. Sujeito ativo A invasão de dispositivo informático é crime comum. Tipo objetivo O núcleo invadir tem o sentido de violar. o ato de invadir dispositivo informático alheio.

por exemplo. Nos termos do § 1º. Figura típica equiparada § 1o Na mesma pena incorre quem produz. Trata-se de crime instantâneo.Exige o art. Assim. oferece. vende ou difunde 25 . Para que ocorra a infração penal. do CP. cuja consumação não se prolonga no tempo. ainda. vende ou difunde dispositivo ou programa de computador com o intuito de permitir a prática da conduta definida no caput. Tentativa A tentativa é possível por se tratar de crime plurissubsistente. na mesma pena incorre (detenção. 8. ou instala no mesmo vulnerabilidades. mediante violação indevida de mecanismo de segurança. não se caracterizará o delito em estudo. de três meses a um ano. oferece. não pertença ao agente que o utiliza. distribui. tornando-o facilmente sujeito a violações. distribui. Consumação No momento em que o agente invade o dispositivo informático da vítima. e multa) quem “produz. isto é. 7. do art. 154-A que esse dispositivo informático seja alheio. 154-A. que a conduta seja levada a efeito mediante violação indevida de mecanismo de segurança 6. se alguém coloca informações em um computador de outra pessoa e se esta última acessa os dados ali inseridos. exige o tipo penal.

de Assembléia Legislativa de Estado. Nos termos do § 5º. se o prejuízo for exclusivamente de caráter moral. do art. estadual. do CP a pena é aumentada de um sexto a um terço se da invasão resulta prejuízo econômico. Entende-se por prejuízo econômico aquele que resulta em perda material ou financeira. tornar público ou notório).dispositivo ou programa de computador com o intuito de permitir a prática da conduta definida no caput”. vender (alienar. municipal ou do Distrito Federa 26 . fazer aparecer). 154-A. Desta forma. espalhar. do art. (3) Presidente da Câmara dos Deputados. adulterar ou destruir dados ou informações. não haverá incidência dessa causa de aumento. dos dados ou informações obtidos. governadores e prefeitos. distribuir (dar. doCP. a pena é aumentada de um a dois terços se houver divulgação (propagação. (2) Presidente do Supremo Tribunal Federal. 154-A. tendo como objeto material algum dispositivo ou programa de computador com o intuito de permitir a invasão de dispositivo informático alheio e praticar as mesmas condutas previstas no caput (obter. ou instalar vulnerabilidades). exibir ou propor para que seja aceito). oferecer (expor. transmitir). 9. 10. entregar. a pena é aumentada de um terço à metade se o crime for praticado contra: (1) Presidente da República. a qualquer título. dispor ou ceder por certo preço) e difundir (transmitir. Aumento de pena sobre as figuras qualificadas Nos termos do § 4º. Aumento de pena sobre as figuras simples e equiparada Nos termos do § 2º. (4) Dirigente máximo da administração direta e indireta. do Senado Federal. da Câmara Legislativa do Distrito Federal ou de Câmara Municipal.comercialização (atividade relacionada à intermediação ou venda) ou transmissão(transferência) a terceiros. O núcleo do tipo penal está representado pelos verbos: produzir (fabricar. 154-A. do art. propagar). federal. originar.

Alteração de limites Art. exceto Da Usurpação Este Capítulo abrange os crimes de alteração de limites. no todo ou em parte. 1. Objetividade jurídica Visa a lei resguardar a posse e a propriedade dos bens imóveis. com efeito. marco ou qualquer outro sinal Indicativo de linha divisória para apropriar-se. Ação penal e pena Nos termos do art. Nesse sentido Cezar. invadido. como no furto e no roubo. pode ser. 27 . expõe que protege-se. caput — Suprimir ou deslocar tapume. indevidamente. que.11. de coisa imóvel alheia: Pena — detenção. 161. a inviolabilidade do patrimônio imobiliário. usurpação de águas. 154-B a ação penal é condicionada a representação. de um a seis meses. e multa. ocupado ou deteriorado. a despeito de não poder ser objeto de subtração.Esbulho possessório e supressão ou alteração de marca em animais.

de modo a aumentar a área do agente. Sujeito passivo O vizinho. a total retirada do marco divisório. que retirou uma cerca apenas para reformá-la. Elemento subjetivo É o dolo. vida propriedade alheia. somente podendo ser alterado pelo vizinho do imóvel. 2.restringindo ou anulando o livre uso e gozo do proprietário ou possuidor. por meio da supressão ou deslocamento do marco divisório. por exemplo. no todo ou em parte. b) deslocamento do marco divisório. não haverá o delito. 5. quer na rural. 28 . Caso demonstre. ou seja. dono ou possuidor do imóvel. além do livre exercício de sua posse tranquila. é necessário que o agente tenha intenção de apropriar-se. Tipo objetivo Esse tipo penal possui duas condutas típicas alternativas: a) supressão. afastando-o do local correto. Sujeito ativo É amplamente dominante o entendimento de que se trata de crime próprio. 4. quer na zona urbana. 3.

incorre também na pena a esta cominada”. Ação penal Nos termos do art. É o que dispõe o § 2º do art. 161: “se o agente usa de violência. a ação penal é privada. Fernando Capez considera que haverá concurso material de crimes se o agente empregar violência. Se já o fez por completo. Trata-se. conforme já mencionado. 29 . aindaque a vítima posteriormente perceba o ocorrido e retome a parte de que foi tolhida. consoante a doutrina. § 3º. o crime está consumado. Trata-se de infração de menor potencial ofensivo. Consumação No exato instante em que o agente suprime ou desloca o marco divisório. Tentativa É possível quando o agente é flagrado iniciando a supressão ou deslocamento e é impedido de prosseguir. do Código Penal. de violência física empregada contra a pessoa da qual decorre lesão corporal ou a morte da vítima. de competência do Juizado Especial Criminal. Trata-se de crime formal. 161. exceto se para a prática do crime tiver havido emprego de violência ou se a propriedade usurpada for pública. 7. 8. ainda que a vítima retome posteriormente a parte a que faz jus.6.

Objetividade jurídica Visa a lei resguardar as águas públicas ou particulares que passem por determinado local. portanto. Tipo objetivo 30 . gozo ou exploração das águas. deverá responder em concurso material pelos crimes de lesões corporais e de alteração de limites. em proveito próprio ou de outrem. 1. águas alheias. considera que protege-se aqui o direito real do proprietário e não simplesmente um direito pessoal ou obrigacional. Desta feita.Na mesma pena incorre quem: I . pois não há expressa referência à grave ameaça. uso. 79 do CC). § 1º. deparar-se com o proprietário desta. com efeito. Afirma Cezar.Não abrange.desvia ou represa. Protege-se. São protegidas as águas consideradas imóveis (art. 161. e contra ele empregar violência. a violência moral. segundo sua destinação. 2. enquanto parte líquida do solo. se o agente. uma vez que as móveis ou mobilizadas recebem a proteção dos arts. sem autorização para tanto. 155 e 157. ao realizar a alteração de limites entre as propriedades confinantes. Usurpação de águas Art. evitando que o dono do terreno sofra prejuízo caso alguém queira desviar o seu curso ou represá-las..

não se poderá falar desse crime. Sujeito passivo A pessoa que pode sofrer dano em decorrência do desvio ou represamento (proprietário. seu fluxo pela propriedade. ele o aperfeiçoa e o complementa.). 5. Consumação O crime se consuma no instante em que o agente efetua o desvio ou represamento. 163). Quando se trata de água já represada pelo dono (para criação de peixes. ainda que não obtenha a vantagem em proveito próprio ou alheio a que o texto legal se 31 . diz que se o agente desvia ou represa águas alheias. Pode ser cometido por vizinho ou não. embora o especial fim de agir não integre o dolo. alterando. mas tão somente do dano (art. No caso de águas comuns que atravessam condomínios. configurando delito de furto. possuidor.Águas alheias são aquelas que não pertencem ao agente. com o desvio. seja prejudicado o uso de algum coproprietário. 4. para banho etc. arrendatário etc. a sua retirada constitui ato de subtração. cujo curso seja desviado ou represado pelo agente. isto é. Ao tratar da questão Cezar. Exige-se que sejam águas correntes. sem a intenção de obter qualquer vantagem ou proveito para si ou alguém. Com efeito. desde que. e essa finalidade especial é exatamente o diferencial que determina a tipificação modeladora da conduta praticada. com o propósito exclusivo de causar prejuízo à vítima. Trata-se de crime comum. até o condômino pode ser autor do crime. Sujeito ativo Pode ser qualquer pessoa. portanto.). 3.

portanto. inegavelmente. Esbulho possessório 32 .refere. Trata-se de infração de menor potencial ofensivo. Ação penal Nos termos do art. em seu curso executório. podem ser interrompidas por circunstâncias alheias à vontade do agente. de crime formal. No entanto. 6. são ações que. admitem fracionamento. 161. consiga o efetivo proveito próprio ou de terceiro. A admissibilidade da figura tentada não é assunto pacífico na doutrina. Damasio de Jesus considera que é irrelevante que o sujeito. § 3º. exceto se para a prática do crime tiver havido emprego de violência ou se a propriedade usurpada for pública. de competência do Juizado Especial Criminal. Tentativa É possível. do Código Penal. ou seja. desviar ou represar águas alheias são condutas que envolvem alguma complexidade e. 7. Cuida-se. com o desvio ou represamento. a ação penal é privada. conclusão que é inevitável em decorrência da própria redação do dispositivo.

Art. Objetividade jurídica Tutela-se também aqui a posse e a propriedade dos bens imóveis e. ainda.invade. para o fim de esbulho possessório. ou mediante concurso de mais de duas pessoas. Tipo objetivo A presente infração penal pressupõe a invasão de propriedade imóvel alheia. esses aspectos da pessoa humana. Essa proteção múltipla de bens jurídicos distintos permite que se possa classificá-lo como espécie de crime complexo. 1. 161. que são abundantemente protegidos no Título que cuida dos crimes contra a pessoa. 33 . Cezar.Na mesma pena incorre quem: II . edificada ou não. terreno ou edifício alheio. ou. diverge a doutrina em torno do significado da expressão “concurso de mais de duas pessoas”. § 1º . desde que o fato se dê mediante emprego de violência a pessoa ou grave ameaça. ainda. Quanto a esta última hipótese. 2. mediante concurso de duas ou mais pessoas. a incolumidade física e a liberdade individual nas hipóteses em que o crime venha a ser cometido com emprego de violência ou grave ameaça. paralelamente. considera que o modus operandi ofende. com violência a pessoa ou grave ameaça.

Nesse caso. por meio do chamado desforço imediato. Elemento subjetivo O crime só existe se a invasão se dá com o fim específico de esbulho possessório (elemento subjetivo do tipo). o art. 4. conclui que. § 1º. desde que o agente queira excluir a posse da vítima para passar a exercê-la ele próprio. poderá incorrer em crime de violação de domicílio (art. exceto o dono. ou seja. a conduta será atípica. logo após a invasão pacífica. que exige expressamente que o bem seja alheio. Sujeito ativo Pode ser qualquer pessoa. Cezar. 1. 150) ou retirada de coisa própria do poder de terceiro (art. o fato é atípico.210. Trata-se de crime comum. do Código Civil. quando este for praticado sem violência física ou grave ameaça. desde que o faça imediatamente. quando a invasão tiver como propósito a simples turbação da posse. Para Cezar a suficiência de um mínimo de três pessoas para configurar o crime de esbulho. nesse instante.Damásio defende a necessidade do envolvimento de pelo menos quatro pessoas (autor do crime em concurso com mais de duas). Não obstante. o invasor empregar violência para se manter na posse quando o legítimo proprietário tentava 3. permite que o dono retome a posse. pois lhe faltará o especial fim de esbulhar. É possível que o agente invada a propriedade alheia sozinho ou em concurso com apenas mais uma pessoa e sem emprego de violência ou grave ameaça. 346 do CP). O dono que invade imóvel alugado não incorre no tipo penal em análise. Se. Dependendo da hipótese. 34 .

é de detenção. 35 . que tem pena maior — detenção de seis meses a dois anos. violação de domicílio ou exercício arbitrário das próprias razões. A pena. 20. 6. 7. 9º da Lei n. Tentativa É possível quando a invasão não se aperfeiçoa por conta da oposição apresentada pelo dono. terras da União. nesse caso. o crime poderá ser outro. de seis meses a três anos. Distinção Se o imóvel invadido ou ocupado é terreno ou unidade residencial. Ao tratar de questão. 4. Sujeito passivo O dono ou possuidor do imóvel invadido. ainda que destinados à reforma agrária. da Lei n. existe crime específico previsto no art. construída ou em construção.5.947/66. Estados ou Municípios. a fim de ocupá-las. Consumação No momento da invasão.741/71. pelo Sistema Financeiro de Habitação. do contrário. Capez considera que deve-se comprovar que a intenção do agente era o esbulho possessório. e multa. possuidor ou por terceiro. comete o crime do art. 5. por exemplo. quem invade. Por sua vez.

de seis meses a três anos. 161. § 3º. Trata-se de infração de menor potencial ofensivo. ainda que leves. sequer é necessária regra expressa para a hipótese de provocação de lesão. marca ou sinal indicativo de propriedade: Pena — detenção. exceto se para a prática do crime tiver havido emprego de violência ou se a propriedade usurpada for pública. § 2º. Concurso Se o agente comete o esbulho com emprego de violência. Supressão ou alteração de marca em animais Art. Ação penal Nos termos do art. nos termos do art. 162. contudo. a ação penal é privada. do Código Penal. e multa. que. Os doutrinadores costumam dizer que esse dispositivo também se aplica aos crimes de alteração de limites e usurpação de águas quando cometidos com emprego de violência. indevidamente. Suprimir ou alterar. 161.8. como esses dois crimes não contêm a violência dentre suas elementares. Ressalte-se. do Código Penal. responde também pelas lesões corporais causadas. sendo óbvio que esta não ficaria absorvida. em gado ou rebanho alheio. 36 . de competência do Juizado Especial Criminal. 8. O texto legal deixa claro que as penas serão somadas.

está protegendo a propriedade de animais de grande porte. furto”. como bois ou cavalos. são brincos colocados nas Orelhas ou no focinho do animal com formato característico. o furto de animais: o agente limita-se a empregar um meio fraudulento (supressão ou alteração de marca ou sinal) para irrogarse a propriedade dos animais. pois. ovelhas. 2. sendo a supressão ou alteração da marca um post factum impunível. nesses casos. pode remarcálo sem incorrer no ilícito penal. Por ausência de previsão legal. salienta que “não se confunde esta modalidade de usurpação com o abigeto. sendo óbvio que. já não se tratará de usurpação: o crime continuará com seu nomen juris. A própria Exposição de Motivos da Parte Especial do Código Penal. 37 . o agente só será punido pela conduta anterior. quem compra legalmente o animal. Sinais. Se esse meio fraudulento é usado para dissimular o anterior furto de animais. como porcos. marcar animal alheio desmarcado não constitui crime. Premissa do crime em análise é que não tenha havido prévio furto ou apropriação indébita dos animais. o faz em relação a animais de porte menor. isto é. Marcas são feitas por ferro em brasa ou elementos químicos no couro do animal. Quando a lei se refere a gado. Objetividade jurídica Tutela-se aqui a propriedade e a posse dos animais semoventes. são letras ou figuras.1. cabras etc. isto é. Em geral. Trata-se aqui de evidente falha da legislação. e quando se refere a rebanho. Tipo objetivo A conduta típica consiste em apagar ou modificar o sinal indicativo de propriedade em gado ou rebanho alheios. em seu item 58. A infração penal apenas existe quando a conduta se dá indevidamente (elemento normativo do tipo). em geral.

admite a suspensão condicional do processo. Tentativa É possível. a faz de tal forma que continua sendo possível identificar a marca do verdadeiro dono. Consumação Ocorre com a simples supressão ou alteração da marca ou sinal. inclusive quem possui animal que pertence a terceiro. 6. 89 da Lei n. 5.3. desde que o acusado preencha os demais requisitos do art. ainda que se dê apenas em relação a um animal. Sujeito ativo Pode ser qualquer pessoa. pela repentina chegada de alguém ao local. Ação penal Pública incondicionada. porém. 38 . Sujeito passivo O dono do animal. 4. quando o agente não consegue concretizar a remarcação iniciada. 9.099/95. Como a pena mínima não supera um ano. 7. ou até mesmo quando concretiza a remarcação.

Saraiva. 1013. Cezar Roberto. 2012. Saraiva. Direito Penal. 14ª ed. parte especial arts. 2014. Vitor Eduardo Rios. 1ª ed. São Paulo. 39 . Crimes contra a pessoa a crime contra o patrimônio. JESUS. 33ª ed. GONÇALVES. São Paulo. BITENCOURT. Direito Penal Comentado. Curso de Direito Penal. Direito Penal Esquematizado. 2º volume: parte especial. Fernando.REFERENCIAS CAPEZ. 7ª ed. 121 a 212. Saraiva. Damasio. São Paulo. 2011. Saraiva. 2º volume. São Paulo.