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Narração - utiliza-se para relatar os factos, fazendo

avançar a acção; verbos de movimento no presente e no
pretérito perfeito.
Descrição - utiliza-se para descrever, apresentar algo ou
alguém de forma mais pormenorizada; adjectivos; verbos
no pretérito imperfeito; valor aspectual dos verbos;
recursos estilísticos (a comparação, a metáfora, a
enumeração, a adjectivação).
Diálogo - utiliza-se para reproduzir a fala das personagens;
discurso directo; grande proximidade espacial e temporal
entre o emissor e o receptor do discurso.
Monólogo - acontece quando uma personagem está a falar
consigo mesma; o locutor é o receptor de si próprio; o
discurso é desordenado, condicionado pelo pensamento do
emissor, subjectivo.

Discurso é a prática humana de construir textos, sejam
eles escritos ou orais. Sendo assim, todo discurso é uma
prática social. A análise de um discurso deve, portanto,
considerar o contexto em que se encontra, assim como as
personagens e as condições de produção do texto.
Em um texto narrativo, o autor pode optar por três tipos de
discurso: o discurso direto, o discurso indireto e o discurso
indireto livre. Não necessariamente estes três discursos
estão separados, eles podem aparecer juntos em um texto.
Dependerá de quem o produziu.
Vejamos cada um deles:

. quer exteriores.Discurso Direto: Neste tipo de discurso as personagens ganham voz. A mudança de habitação surge sempre relacionada com novas etapas e vivências psicológicas das personagens. é-nos quase sempre dada sob focalização interna de personagens. aspas e exclamações são muito comuns durante a reprodução das falas. Discurso Indireto: O narrador conta a história e reproduz fala. reflecte a solidariedade personagem/habitação. mais frequente do que a de exteriores. como prolongamento do interior das personagens. A descrição de interiores. o impressionismo destas descrições provém da animização da natureza e das coisas. O discurso direto reproduz fielmente as falas das personagens. A descrição quase se equipara em importância.. à narração. A . o narrador se utiliza de palavras suas para reproduzir aquilo que foi dito pela personagem. e reações das personagens. É escrito normalmente em terceira pessoa. Os episódios de crítica social são quadros descritivos em que as personagens aparecem irmanadas com os lugares. dois pontos. Isso permite que traços da fala e da personalidade das personagens sejam destacados e expostos no texto. Da mesma forma. a descrição enquadrada no passeio de Carlos e Cruges a Seteais (pág. 233): "Cruges agora admirava o jardim. a última descrição do Ramalhete e do seu espaço circundante (da pág. por exemplo. perguntar. Travessões. quer interiores. Veja-se. É o que ocorre normalmente em diálogos. Discurso Indireto Livre: O texto é escrito em terceira pessoa e o narrador conta a história. entre outros. A descrição de espaços. Verbos como dizer. de acordo com a necessidade do autor de fazê-lo. 707 a 710) é perspectivada por Carlos e Ega e reflecte bem o seu estado de espírito de desalento e profundo pessimismo. falar. mas as personagens têm voz própria. Nesse caso. n' Os Maias." Esta bela e impressionista descrição do jardim de Seteais é claramente perspectivada sob o olhar de artista de Cruges. Ela corresponde ao desenvolvimento de subtítulo do romance "Cenas da Vida Romântica". servem para que as falas das personagens sejam introduzidas e elas ganhem vida. Sendo assim é uma mistura dos outros dois tipos de discurso e as duas vozes se fundem. como em uma peça teatral.

descrição processa-se quase sempre numa dinâmica de fluir cinematográfico. Este contribui para o ritmo lento que se verifica na narrativa central. O lirismo (efusões líricas) é também uma agradável realidade nesta prosa de Eça." . O diálogo tem uma importância muito grande. Daí que as efusões líricas apareçam também frequentemente em monólogos interiores. A narração torna-se mais sóbria na intriga trágica. por vezes. o caracterizam como poeta ultraromântico. apresentando-se com notável economia de palavras os acontecimentos numa sucessão apropriada à criação de suspense. que eles exprimam o estado emotivo de personagens. o comentário do narrador a sublinhar a repreensão de D. tenta desligar-se de Maria Eduarda. a brincar assim com o Carlinhos. em discurso indirecto livre. ao mesmo tempo. Ana à sobrinha por estar a brincar com Carlos ("Sempre detestara ver a sobrinha. exprimir ele o que aquela poderia dizer. e. evitando assim a monotonia do discurso directo. ou do mais-que-perfeito. Na página 72. por uma espécie de discurso indirecto livre. quer exteriores. esses quadros são traçados. Os quadros descritivos partem sempre da realidade observada (ao contrário do que sucede no Romantismo). ou esclarecer a fala de uma personagem. em linguagem empolada e declamatória. É um dos processos que ele encontrou de conseguir uma maior economia de palavras. cortar a fala de uma personagem e. brincalhão e irónico nops episódios de crítica social (ver os diálogos travados no jantar do Hotel Central . sério e elegante na intriga trágica (ver nas páginas 644 e seguintes. mediante expedientes estilísticos próprios de um realismo impressionista. A narração processa-se quase sempre mediante o uso do perfeito verbal narrativo. O diálogo é emotivo. Manifesta-se sobretudo na descrição de espaços. Por exemplo. embora a imaginação do autor tudo eleve ao domínio do sonho.. O diálogo é. de matar a monotonia do discurso directo/indirecto e de se esconder. inutilmente.. a melhor forma de caracterização indirecta das personagens: de notar. quer interiores. dada sobretudo pelo uso do imperfeito verbal e do gerúndio."Carlos perdia-se nesta contemplação dolorosa. É também um processo de. O discurso indirecto livre é uma das conquistas mais originais do Eça.páginas 156 e seguintes). quando.. como as falas de Alencar. mas sobretudo na descrição do espaço rústico (paisagens). ao saber que é sua irmã (páginas 653-654) e o monólogo com que o mesmo Carlos comenta a morte do avô (página 671 . mediante a focalização interna. por detrás das personagens. por exemplo. o que torna a linguagem mais visualista. segundo a perspectiva das quais. pela animização desses espaços. dados. Esta irresistível tendência de Eça para a poetização dos espaços provém de uma outra tendência: fazer. o monólogo de Carlos da Maia.. o diálogo em que Carlos comunica ao avô que Maria Eduarda é sua irmã). n' Os Maias. Nos episódios descritivos/narrativos surge mais vezes o imperfeito e o gerúndio.." Aparece também o comentário do narrador para continuar. por exemplo. pelo contrário..