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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL

TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO

ANÁLISE DE CUSTOS AGRÍCOLAS

1

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TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO

INTRODUÇÃO

Conteúdo
1.

CUSTOS METODOLOGIA CONAB...............................................................4

2. DO PACOTE TECNOLÓGICO E DOS COEFICIENTES TÉCNICOS DA
PRODUÇÃO..................................................................................................... 5
3.

TERMOS CONTÁBEIS E ECONÔMICOS – COMPONENTES DOS CUSTOS.....5
3.1

A Descrição Dos Itens Que Compõem O Custo De Produção.............6

3.2

As máquinas e implementos agrícolas.............................................8

3.2.1

A hora/máquina............................................................................. 8

3.2.2

A manutenção................................................................................ 9

3.2.3

A depreciação................................................................................ 9

3.2.4 A remuneração do capital................................................................9
3.3

As benfeitorias................................................................................. 10

3.3.1

A depreciação.............................................................................. 10

3.3.2

A manutenção............................................................................. 11

3.3.3

A remuneração de capital.............................................................12

3.4

Os Agrotóxicos................................................................................. 12

3.5

Os Fertilizantes................................................................................ 12

3.6

A exaustão....................................................................................... 13

3.7

A Irrigação....................................................................................... 13

3.7.1

A hora/máquina...........................................................................14

3.7.2

A depreciação.............................................................................. 14

3.7.3

A manutenção............................................................................. 14

3.7.4

A remuneração do capital.............................................................15

3.8

O Seguro Rural................................................................................. 15

3.9

A mão de obra (MOB) e os encargos sociais e trabalhistas.............15

3.10 Os Gastos com o Transporte............................................................16
3.11

As Despesas Administrativas..........................................................16

3.12 A remuneração do fator terra..........................................................17
4.

PROCESSO PRODUTIVO AGRÍCOLA (CANA-DE-AÇÚCAR)........................17
4.1

Preparo Do Solo.............................................................................. 17
2

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5.

6.

4.2

Plantio.............................................................................................. 18

4.3

Tratos Culturais................................................................................ 19

4.4

Colheita........................................................................................... 19

METODOLOGIA DE CÁLCULO DE CUSTO AGRÍCOLA...............................20
5.1

Cálculo Do Custo De Produção Agrícola (Cana-De-Açúcar)..............21

5.2

Custo Operacional Efetivo..............................................................21

5.3

Custo Operacional Total...................................................................25

5.4

Custo Total...................................................................................... 26

5.5

Margem Total e Lucro Total..............................................................29

Resumo da metodologia de Custos Agrícolas........................................29

BIBLIOGRAFIA............................................................................................... 33

1. CUSTOS METODOLOGIA CONAB
Ao se falar em custos, deve-se definir os conceitos em termos econômicos. O
custo econômico considera os custos explícitos, que se referem ao desembolso
3

O custo total (CT) é a soma dos custos fixos totais e variáveis totais. manutenção periódica de máquinas. Representam as despesas realizadas com os fatores variáveis de produção. 2004). 2009). como é o caso da depreciação e do custo de oportunidade. 2. transporte externo. a metodologia estabelece o registro das despesas com depreciação. são chamados de custos indiretos (VASCONCELOS e GARCIA. que é o custo de todos os recursos que exigem desembolso monetário por parte da atividade produtiva para sua recomposição. incluso a depreciação. sementes. são chamados de custos diretos (VASCONCELOS e GARCIA. armazenagem. que é conhecida como pacote 4 . fertilizantes. 2007) Os custos de produção são divididos em dois tipos. e a sua finalidade na análise é a opção de decisão em casos em que os retornos financeiros sejam inferiores aos de outras alternativas. DO PACOTE TECNOLÓGICO E DOS COEFICIENTES TÉCNICOS DA PRODUÇÃO No cálculo do custo de produção de uma determinada cultura deve constar como informação básica a combinação de insumos. classificação. Os custos variáveis totais (CVT) são a parcela dos custos totais que dependem da produção e por isso mudam com a variação do volume de produção. Nos custos fixos. A metodologia indica como custo variável os gastos com máquinas. 2004). que se refere ao valor que um determinado fator poderia receber em algum uso alternativo (CASTRO et al. mão de obra temporária e permanente. seguro de capital fixo e remuneração esperada sobre o capital fixo e a terra. São decorrentes dos gastos com os fatores fixos de produção. transporte e seguro.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO efetivamente realizado. defensivos. representadas pelo custo de oportunidade (REIS. encargos sociais. Os custos fixos totais (CFT) correspondem às parcelas dos custos totais que independem da produção. e os custos implícitos que dizem respeito àqueles para os quais não ocorrem desembolsos efetivos. Na contabilidade privada. Outro conceito importante é o de custo operacional. de serviços e de máquinas e implementos utilizados ao longo do processo produtivo. Na contabilidade empresarial.

1996). sistema de cultivo. 5 . máquinas e implementos agrícolas. sistema de cultivo. relação trabalhista.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO tecnológico e indica a quantidade de cada item em particular. solo. devem ser observados no processo de elaboração. ou seja. fertilizantes. aqueles que somente ocorrem ou incidem se houver produção. 1996). os referidos coeficientes são Influenciados diretamente pela diversidade de condições ambientais (clima. de acordo com sua função no processo produtivo. no que se refere aos insumos. Em termos econômicos. meio ambiente. Nos custos variáveis são agrupados todos os componentes que participam do processo. Essas quantidades mencionadas. uma grande variedade de padrões tecnológicos de produção (BRASIL. sementes e defensivos). são denominadas de coeficientes técnicos de produção. custo operacional e custo total. os componentes do custo são agrupados. infraestrutura e comercialização. principalmente. os custos fixos são diferenciados em depreciação do capital fixo e demais custos fixos envolvidos na produção e remuneração dos fatores terra e capital fixo. os custos variáveis são separados em despesas de custeio da lavoura. dada as peculiaridades da atividade agrícola. esta última incidente sobre o capital de giro utilizado. crédito rural. que resulta num determinado nível de produtividade (BRASIL. em horas (máquinas e equipamentos) e em dia de trabalho (humano ou animal) e. seus coeficientes técnicos e os seus preços. implementação e avaliação de políticas públicas e de programas governamentais. quilograma ou litro (corretivos. 3. podendo ser expressas em tonelada. custos fixos. na medida que a atividade produtiva se desenvolve. referidas a unidade de área (hectare). por unidade de área. nas categorias de custos variáveis. etc) que moldam. assistência técnica e extensão rural. despesas de pós-colheita e despesa financeira. Os custos de produção. Da mesma forma. TERMOS CONTÁBEIS E ECONÔMICOS – COMPONENTES DOS CUSTOS Em termos contábeis. na prática. topografia.

DESPESAS DE CUSTEIO DA LAVOURA 1 – Operação com máquinas e implementos 2 – Mão de obra e encargos sociais e trabalhistas 3 – Sementes 4 – Fertilizantes 5 – Agrotóxicos 6 – Despesas com irrigação 7 – Despesas administrativas 6 .1 A Descrição Dos Itens Que Compõem O Custo De Produção Considerando os critérios de organização apresentados acima. Difere do custo total apenas por não contemplar a renda dos fatores fixos. seguros e outros. consideradas aqui como remuneração esperada sobre o capital fixo e sobre a terra. os elementos do custo de produção agrícola são reunidos segundo o padrão a seguir: A . 3.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO Enquadram-se aqui os itens de custeio. independentemente do volume de produção. as despesas de pós-colheita e as despesas financeiras.CUSTO VARIÁVEL I . no curto prazo. constituindo-se. É um conceito de maior aplicação em estudos e análises com horizontes de médio prazo. numa condição necessária para que o produtor continue na atividade. O custo operacional é composto de todos os itens de custos variáveis (despesas diretas) e a parcela dos custos fixos diretamente associada à implementação da lavoura. Numa perspectiva de longo prazo todos esses itens devem ser considerados na formulação de políticas para o setor. enquadram-se os elementos de despesas que são suportados pelo produtor. Nos custos fixos. tais como depreciação. O custo total de produção compreende o somatório do custo operacional mais a remuneração atribuída aos fatores de produção.

Terra D .UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO 8 – Outros itens II .CUSTO OPERACIONAL (A + B) VI .DESPESAS FINANCEIRAS 1 .CUSTO TOTAL (C + VI) 7 .RENDA DE FATORES 1 .OUTROS CUSTOS FIXOS 1 – Mão de obra e encargos sociais e trabalhistas 2 – Seguro do capital fixo C .CUSTO FIXO IV – DEPRECIAÇÕES e EXAUSTÃO 1 – Depreciação de benfeitorias e instalações 2 – Depreciação de máquinas 3 – Depreciação de implementos 4 – Exaustão do cultivo V .DESPESAS PÓS-COLHEITA 1 – Seguro agrícola 2 – Transporte externo 3 – Assistência técnica e extensão rural 4 – Armazenagem 5 – Despesas administrativas 6 – Outros itens III .Remuneração esperada sobre capital fixo 2 .Juros B .

O levantamento dos coeficientes técnicos. que são observados a partir do seu uso.2 A manutenção Outro fator que tem reflexo nos custos de produção é a manutenção. Manutenção diz respeito. trato cultural. também. em cada hora de trabalho.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO 3.1 A hora/máquina Para calcular o valor da hora trabalhada pelas máquinas é preciso definir o preço e a quantidade consumida (coeficientes técnicos) dos itens de cada equipamento. informações relacionadas com a vida útil dos bens e os gastos com sua manutenção.2. 8 . coleta de óleo. São utilizadas. que pode ser entendida como o conjunto de procedimentos que visa manter as máquinas e implementos nas melhores condições possíveis de funcionamento e prolongar sua vida útil. reparos. os gastos com o óleo diesel. levando em consideração a potência. salário do operador e seus encargos sociais. em resumo. preço do combustível. fabricante. especificação. As principais informações e coeficientes técnicos a serem levantados pela Conab são: tipo. preço do bem novo. lubrificação. filtro/lubrificantes.2. plantio. tração. ao abastecimento. colheita e pós-colheita) e devem ser utilizadas de acordo com as suas características e com as necessidades do plantio. época e intensidade de uso. 3. modelo. 3. energia elétrica e os salários e encargos sociais e trabalhistas dos seus operadores. quantidade do bem. se traduzem em impactos importantes nos custos de produção agrícola. horas trabalhadas por hectare. proteção contra ferrugem e deterioração. marca. potência. fase de cultivo.2 As máquinas e implementos agrícolas As máquinas e os implementos agrícolas são projetados para realizar a execução de operações em diversas fases do cultivo (correção e preparo do solo.

os indicadores de vida útil em anos e horas são importantes face a implicação desses dados para o cálculo da depreciação. Para o cálculo da depreciação de máquinas e implementos. a taxa de 6% ao ano como a taxa de retorno. independente da sua natureza. por convenção. ação da natureza ou obsolescência tecnológica. A Conab entende que o investimento do produtor deve ser remunerado e utiliza. a perda de valor ou eficiência.2. 3.2. seguinte fórmula: Depreciação= VN −VR x HsTr VUh Onde: VN = Valor do bem novo VR = Valor residual do bem VUh = Vida útil do bem definida em horas HsTr = Total de horas trabalhadas por hectare pelo bem. A fórmula utilizada é a seguinte: 9 . é necessário incluir a remuneração do capital imobilizado pelo agricultor e o seu cálculo refere-se à parcela que é calculada sobre o valor do bem adquirido e utilizado na produção e inclusa no custo fixo da produção.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO 3. Nesse ponto. representa um custo real. Para a unidade produtiva.4 A remuneração do capital Na composição do custo de produção. da hora/máquina e da manutenção desses bens. como se fosse aplicado o capital em outro investimento alternativo. causada pelo desgaste pelo uso.3 A depreciação Um dos aspectos essenciais para o custo de produção é a depreciação que refere-se à perda de valor ou eficiência produtiva.

em uma dada lavoura. a Conab utilizará a seguinte fórmula: 10 . HsTr = Total de horas trabalhadas por hectare pelo bem.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO RC= {[( VM x Q M 2 CAT )] } x ( HSTr ) x J Onde: VM = Valor do bem novo QM = Quantidade do bem CAT = Capacidade anual de trabalho do bem em horas.3 As benfeitorias As benfeitorias são obras ou serviços realizados num bem com o intuito de aproveitá-lo e conservá-lo e que não podem ser retirados sem destruição ou dano. do preparo do solo à colheita. causada pelo desgaste do seu uso. J = Taxa de remuneração. definida como a razão entre a vida útil do bem em horas e a vida útil do bem em anos. Para o cálculo da depreciação de máquinas e implementos. para realizar todas as tarefas.3. em uma safra. idade e estado de conservação.1 A depreciação As benfeitorias fazem parte do ativo imobilizado. 3. 3. Nesse ponto é fundamental definir com clareza a vida útil em anos para se calcular o custo da perda de valor ou eficiência desse bem em relação à unidade produtiva. que é representado pelos direitos que tenham como objeto os bens destinados à manutenção das atividades da empresa ou exercidos com essa finalidade e como tal sofrem perda de valor ou eficiência produtiva.

O resultado da operação é dividido pela área cultivada. obtido a partir da média de utilização dos tratores nesta lavoura. A prevenção e as medidas corretivas são riscos assumidos pelo proprietário e entendidas como parte do custo de oportunidade da unidade produtiva. O valor do bem novo é multiplicado pela taxa de manutenção definida (1%) e pela taxa de ocupação e dividido pela vida útil do bem em anos. 11 . 3. É importante compreender que a manutenção é essencial para se manter um bem em bom estado de uso e nas melhores condições para prolongamento da sua vida útil.3.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO [( VN −VR x Tocup VUa Deprecia çã o= á rea ) ] Onde: VN = valor do bem novo VR = valor residual do bem VUa = vida útil do bem definida em anos Tocup = taxa de ocupação do bem.3 A remuneração de capital A remuneração do capital imobilizado pelo produtor é outro fator de composição do custo fixo da produção.2 A manutenção Também nesse item observa-se a necessidade de incorporar no custo os gastos com a manutenção.3. definida como sendo o percentual de utilização deste bem em uma determinada lavoura. 3. A Conab utiliza o custo de oportunidade para incluir a manutenção no cálculo do custo de produção.

Outro aspecto importante para registro nos custos de produção é quando a compra do agrotóxico for coletiva ou em grande quantidade. direto do fornecedor nacional. em razão das alterações constantes no mercado desses produtos e dos cuidados ambientais. como se o capital fosse aplicado em outro investimento alternativo. 3. no levantamento dos coeficientes técnicos deverá obter informações acerca dos agrotóxicos substitutos ou de rotação temporária àqueles utilizados e informados pelo produtor no painel.5 Os Fertilizantes A Conab.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO A Conab entende que o investimento do produtor deve ser remunerado e utiliza o percentual de 6% ao ano como a taxa de retorno. a quantidade do produto comprado e o processo de divisão dos custos e quantidades pela compra. obter a origem do produto adquirido (cooperativa. principalmente. 3. direto do fornecedor nacional. A finalidade é.4 Os Agrotóxicos A Conab. obter a origem do produto adquirido (cooperativa. facilitar as pesquisas de preços e a atualização dos custos. A finalidade é. 3. em razão das alterações constantes no mercado desses produtos e dos cuidados ambientais. Outro aspecto importante para registro nos custos de produção é quando a compra do fertilizante for coletiva ou em grande quantidade. importação. sendo necessário. sendo necessário. além das informações acima citadas. principalmente. no levantamento dos coeficientes técnicos deverá obter informações acerca de possíveis fertilizantes substitutos em razão da sua utilização de forma constante ou prolongada àqueles utilizados e informados pelo produtor no painel. etc) e a quantidade do produto comprado e o processo de divisão dos custos e quantidades pela compra. além das informações acima citadas. importação. facilitar as pesquisas de preços e a atualização dos custos. etc).6 A exaustão 12 .

localizada e superficial. 3. Pode ser por gotejamento e microaspersão. 3. Pode ser convencional ou não convencional. abastecidos com água sob pressão. Na irrigação localizada. por meio de dispositivos especiais (aspersores).1 A hora/máquina 13 . caminhos internos e a lavoura propriamente dita. a água é aplicada diretamente sobre a zona radicular da planta. podendo ser feita por sulco e inundação. fornecendo apenas o necessário para o desenvolvimento do vegetal. a exaustão tem relação com a perda de valor de bens ou direitos do ativo ao longo do tempo. bem como qualquer outra ação indispensável à obtenção do produto final do sistema de irrigação. pois a escolha do método de produção faz parte de um processo de tomada de decisão. englobando os diversos cortes.7. Propicia a redução dos custos de produção e reflete na eficiência econômica e tecnológica da atividade agrícola.7 A Irrigação A irrigação é uma operação agrícola que tem como objetivo suprir artificialmente a necessidade de água da planta. tais como: reservatório e captação. drenagem. Os métodos de irrigação são por aspersão. Para efeito de esclarecimentos. calculada em função do volume extraído em cada período. O empreendimento de irrigação é o conjunto de obras e atividades que o compõem. adução e distribuição de água. O superficial é a aplicação/penetração direta da água no solo. Aspersão é o método de aplicação de água às plantas em forma de chuva artificial. confrontando com a produção total esperada. a recuperação do investimento é através da exaustão.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO Nos casos das culturas permanentes e semiperenes que proporcionam a possibilidade de segundo ou outros cortes seguintes. onde diversas alternativas foram analisadas e pode-se indicar a melhor combinação de fatores com a tecnologia disponível.

o consumo de óleo diesel é igual a 12% da potência da máquina. 3. observa-se que os conjuntos de irrigação que são inclusos nos custos de produção são bens que estão sendo comercializados normalmente no mercado e o seu preço é pesquisado e registrado como novo e de primeiro uso.3 A manutenção Com relação à manutenção. assim. acerca da modernização tecnológica. 3.7. a energia elétrica consumida. a vida útil do conjunto de irrigação e o gasto com manutenção.2 A depreciação A depreciação dos conjuntos e motores de irrigação refere-se à desvalorização desses bens em razão da perda de valor ou eficiência. Para os motores estacionários elétricos. as horas trabalhadas. O coeficiente técnico do óleo diesel é uma função da potência da máquina. A fórmula de cálculo é idêntica à de máquinas e implementos agrícolas. A depreciação do conjunto de irrigação será de acordo com o método e tipo de irrigação. especialmente quanto à garantia e assistência técnica e. usa-se também uma função da potência da máquina para determinar-se o consumo de energia elétrica. O custo leva em conta a potência (CV). partindo da premissa de que os equipamentos são novos e de primeiro uso. principalmente. se for o caso. o valor da hora trabalhada pelo conjunto de motobomba ou dos motores. o combustível. são precisos o preço e a quantidade consumida em cada hora de trabalho. variando uniformemente ao longo da vida útil. 14 . dentro das condições de compra e venda.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO No cálculo da hora/máquina.7. Isto é. o consumo de energia elétrica é igual a 75% da potência da máquina. No seu cálculo. o método considera a depreciação como uma função linear da idade do bem.

uma vez que esse tipo de seguro é opcional. dependendo do meio adotado para sua contratação. prazo determinado.4 A remuneração do capital A remuneração do capital imobilizado pelo produtor é outro fator de composição dos custos de produção e os juros referem-se à parcela que é calculada sobre o valor do bem e utilizado na produção. temporário. artigos 443. 3. como se fosse aplicado o capital em outro investimento alternativo. eventual ou avulso. O registro no custo de produção somente ocorrerá se houver desembolso do produtor. A mais importante justificativa para a contratação por tempo determinado é a inaplicabilidade de indenização de 40% sobre 15 .8 O Seguro Rural O seguro rural faz parte dos mecanismos de política agrícola e pode ser entendido como um meio de atenuar os riscos da atividade agropecuária. O contrato por tempo determinado é aquele que prevê o término da prestação de serviços pelo trabalhador nos casos expressamente previstos na legislação consolidada (CLT. safra ou de acordo com o acordo ou convenção coletiva de trabalho. 445 e 451). A Conab entende que o investimento do produtor deve ser remunerado e utiliza o percentual de 6% ao ano como a taxa de retorno. e o seu contrato de trabalho pode ser por tempo indeterminado. podendo ser um indutor de novas tecnologias de cultivo. 3. pode ser caracterizado como empregado.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO A manutenção é entendida como o conjunto de procedimentos que visa manter os conjuntos de irrigação nas melhores condições possíveis de funcionamento e prolongar sua vida útil.7. 3.9 A mão de obra (MOB) e os encargos sociais e trabalhistas O trabalhador rural.

13º salário e férias. No caso de rescisão contratual por parte do empregado não terá direito a retirada do FGTS e receberá o saldo de salários e o 13º proporcional. 16 . que não estão ligados à produção (atividade fim). o salário do trabalhador é entendido como a remuneração total recebida integral e diretamente como contraprestação pelo seu serviço ao empregador. assim entendidas as tarefas normalmente executadas no período compreendido entre o preparo do solo para o cultivo e a colheita. Trata-se de trabalho não-eventual. 3. A moradia e a alimentação podem ser abatidas do salário do empregado até 20% e 25% do salário mínimo respectivamente. serão registrados em outras despesas no custo variável. No caso de rescisão do contrato por parte do empregador sem justa causa o trabalhador será indenizado pela metade do salário que teria direito. bem como do aviso prévio. a jornada do trabalho é limitada a oito horas diárias. Para efeito dos custos de produção. 3. pagos ou incorridos. inserido na atividade-fim do produtor rural. as férias e o 13º proporcional.10 Os Gastos com o Transporte Os gastos com transporte. ambos proporcionais ao tempo de trabalho. para gestão do empreendimento rural. além do FGTS. na hipótese de gasto efetivo pelo produtor. poderá ser obtida a seguinte informação: nome do transportador. 44 horas semanais e 220 horas mensais e os encargos sociais e trabalhistas são computados de acordo com o tipo de contratação. Para efeito de estudos e cálculo dos custos. No final do contrato o trabalhador será remunerado pela saldo de salário.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO os depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).11 As Despesas Administrativas As despesas administrativas representam os gastos. o percurso e o preço em tonelada cobrado pelos serviços de transporte da mercadoria do produtor. O contrato de safra é aquele que tem sua duração dependente da influência das estações nas atividades agrárias. incluindo o salário.

computador. 3.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO Referem-se aos gastos de energia elétrica do imóvel. disponibilidade de máquinas e implementos. se são áreas de expansão ou renovação do canavial. portanto um preparo de solo para o plantio da cana-de-açúcar deve ser de no mínimo 30 cm. internet. etc). confecção de terraços. telefone. regime de chuvas. dessecação para plantio. Admite-se o percentual de 3% sobre o total do custeio. PROCESSO PRODUTIVO AGRÍCOLA (CANA-DE-AÇÚCAR) 4. isso porque a cultura concentra cerca de 70 a 80% das raízes em profundidades de 40 a 45 cm de solo. e. Isto ocorre devido a fatores como condições do terreno. assinatura de revistas e jornais. serviços de contador. que estão ligados ao processo produtivo. principalmente. Além disso. hospedagem. a profundidade de plantio é de 20 a 30 cm. gessagem. a situação da área. calagem. declividade. suscetibilidade a erosão. Dentre as operações mais usuais encontram-se: aração. gradagem niveladora. manutenção 17 . 4. rádio comunicador. veículo de passeio e combustível. milho e feijão. ou seja. tipo de solo.12 A remuneração do fator terra A metodologia admite que a terra é um dos fatores de produção e para efeito de cálculo do custo. material de consumo. capacitação (viagens. O registro será em outras despesas (custo variável) e o resultado é o produto entre o valor de custeio e o percentual adotado (convenção) para as despesas administrativas. As operações realizadas nesta etapa não apresentam um padrão definido. pagamento de inscrição. estima-se que a taxa de remuneração da terra é de 3% sobre o preço real médio de venda da terra.1 Preparo Do Solo O preparo de solo na cultura da cana-de-açúcar é relativamente profundo se comparado a outras culturas como soja.

o espaçamento mais utilizado é o de 1. A região Nordeste. 2006). ocorrendo nos meses de janeiro. dentre outros fatores. Tal diferença é explicada pela declividade do terreno. fevereiro e março. o plantio é realizado geralmente nos meses de janeiro a maio. evitando problemas como aborto de gemas e doenças transmissíveis por muda. ocorrendo no período de abril a maio. distinguindo-se em plantio de verão. No caso da região Centro-Sul. um plantio econômico não deveria despender mais que 10 t de cana/ha. As regiões conhecidas como de expansão são aquelas que realizam maior número de operações mecanizadas na etapa de preparo do solo. No caso da colheita mecanizada. Pode se fazer ainda. oriundas de viveiros corretamente conduzidos. do tipo de colheita a ser realizada. é caracterizada pelo plantio de “12 meses” ou “cana-deano”. O espaçamento utilizado é de suma importância para um bom desenvolvimento da cultura. Além de influenciar diretamente na produtividade. sendo o mesmo realizado nos meses de setembro e outubro. Como citado acima.6 m e dependem. 2006). devido às divergências climáticas dentro do território nacional. dependendo de sua localização geográfica. e plantio de outono.5 m. que abrange os meses de junho. o plantio é realizado numa profundidade entre 20 a 30 cm.2 Plantio O plantio da cana-de-açúcar é realizado em diferentes épocas. enquanto que a região Nordeste apresenta características mais ligadas a operações manuais. As medidas mais utilizadas variam de 1 a 1. sendo recomendado de 10 a 12 gemas por metro. por sua vez. 18 . uma vez que este se adapta de forma mais adequada às colhedoras disponíveis no mercado. combinando linhas duplas distanciadas 0. com auxilio de irrigação.5 m entre si e 1. sistematização do terreno e subsolagem. sendo caracterizado como plantio de “18 meses” ou “cana-de-ano-e-meio”. o plantio de inverno. Em alguns casos ainda é realizado o plantio “abacaxi”. evitando casos de pisoteio da soqueira na colheita mecanizada. entre outros fatores. julho e agosto (SEGATO et al.4 m entre as duplas (SEGATO et al. o que ocorre. 4. diminui a ação de ervas daninhas e adequada a cultura para o tipo de colheita desejada.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO de estradas e carreadores.4 a 0. De acordo com Segato et al (2006).

alcançando. Após as etapas de colheita e carregamento. volumes. baseando-se no trinômio planta. maiores produtividades. sem a utilização direta da mão-de-obra. ambiente e manejo. O transporte de cana do campo para as fábricas é realizado essencialmente por meio do uso de caminhões. também chamado de “Romeu e Julieta”. 19 . a colheita da cana-de-açúcar. uma vez que a forma de transporte que se apresenta mais adequada para as características de distâncias. Dentre algumas técnicas podem ser citadas: adubações complementares (cobertura). ocorre em períodos distintos. prolongando-se até o mês de novembro. atravessando o ano civil. Especificamente na região Nordeste. aplicação de corretivos.3 Tratos Culturais Tem como finalidade proporcionar melhores condições para o desenvolvimento da cultura. Os conjuntos mais utilizados na região Sudeste são: Sistema “Rodotrem”. aplicação de defensivos químicos e biológicos. com isso. Existe uma grande diversidade de diferentes conjuntos rodoviários utilizados no transporte de cana tanto que as capacidades transportadas variam desde 25 a 60 toneladas de cana-de-açúcar por viagem. a tendência é que este último sistema seja o mais utilizado nas próximas décadas. no qual um caminhão cavalo-mecânico traciona um semi-reboque canavieiro.4 Colheita Devido as diferentes épocas de plantio. no qual um caminhão canavieiro traciona dois reboques. a colheita é iniciada no mês de setembro e vai até março. Os sistemas mecanizados. nos quais a matéria-prima é cortada e carregada por máquinas.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO 4. No caso do Centro-Sul. 4. confiabilidade e periodicidade demandada no transporte dessa matéria-prima a fábrica ao longo do seu ciclo de colheita em campo e processamento na fábrica. o processo inicia-se geralmente em maio. fazendo com que a “safra canavieira” se encaixe no ano civil. Com a preocupação ambiental e humana por parte de vários segmentos da sociedade. e o “Treminhão”. agilidade. como calcário e gesso. irrigação/fertirrigação. dá se o processo de transporte da cana até a unidade processadora. entre outros.

Este pode ser dividido em Custo Operacional Efetivo (COE) e Custo Operacional Total (COT). 2006). Dentro do COE devem estar contidos todos os custos desembolsáveis do ciclo produtivo agroindustrial. mas também no que se refere ao montante dos custos de produção. incluindo ao COT a remuneração do capital investido em benfeitorias. obtêm-se o Custo Total (CT) (GOUVEIA ET AL. a mão-de-obra familiar. insumos. Assim sendo. Portanto. obtêm-se o COT. arrendamentos e manutenções. chega-se o CT.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO O transporte da cana até a unidade processadora é um fator de extrema importância não só pelo fato de existir perda de qualidade da matéria-prima durante tal operação. Já o custo operacional total engloba os custos diretos. ao serem considerados os custos de oportunidade da terra e do capital investido. benfeitorias e equipamentos (imobilizados da empresa). e as depreciações. Finalmente. o custo operacional total pode ser considerado como o custo realizado pelo produtor no curto prazo para produzir e repor o maquinário e continuar produzindo (DUARTE. que são apenas uma parte dos custos indiretos.1 Cálculo Do Custo De Produção Agrícola (Cana-De-Açúcar) 20 . máquinas. 2006). 2006). que mesmo não sendo remunerada é essencial para a execução da atividade. o custo operacional efetivo pode ser entendido como sendo os gastos com recursos de produção que exigem desembolso para sua recomposição por parte da empresa (DUARTE. podendo inclusive. Citam-se nesta categoria as operações com máquinas e implementos. 5. equipamentos e outros ativos imobilizados. mão-de-obra. a logística e o raio médio do transporte impactam diretamente nos custos. despesas administrativas. Neste sentido. inviabilizar o processo produtivo. implementos. Por fim. sejam eles variáveis ou fixos. 5. METODOLOGIA DE CÁLCULO DE CUSTO AGRÍCOLA As despesas que compõem “todos os itens de custos variáveis (despesas diretas) e a parcela dos custos fixos diretamente associada à implementação da lavoura” fazem parte do custo operacional de produção (BRASIL. 2008). Somando-se ao COE as depreciações de maquinário.

Portanto. carregamento e transporte (CCT) Dentro de cada etapa são alocadas as respectivas operações agrícolas. b) e c) descritas acima. sendo elas: a) Preparo de solo e plantio b) Tratos culturais da soqueira c) Corte. Para a realização destas. a classe de operações mecanizadas inclui todos os gastos com máquinas e implementos referentes ao preparo de solo. mão-de-obra (“operações manuais”) e insumos (“insumos”). Tabela 1 – Principais operações agrícolas e tipos de insumos da lavoura de canade açúcar 21 . São apresentadas também as equações utilizadas. 5. tratos culturais e CCT. são necessárias combinações de máquinas e implementos (definida como “operações mecanizadas”).UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO A seguir é feita uma descrição detalhada dos itens que compõem cada etapa do custo operacional de produção da cana-de-açúcar.2 Custo Operacional Efetivo Fernandes (2003) determina que os custos de produção da cana-de-açúcar podem ser divididos em três etapas distintas. A Tabela 1 resume as principais operações (mecanizadas e manuais) e tipos de insumos inseridos nas etapas a). O mesmo se aplica às classes de mão de obra e insumos.

Conhecendo-se o número de hectares contemplados com a realização de cada uma das operações. OPERi = custo da operação i. que expõe o quanto custa à realização da respectiva operação em 1 (um) hectare de terra.i X PINS) ] X HAi (1) Onde: i = operação em questão. obtêm-se o montante total despendido na safra em análise. 22 . inicialmente define-se a quantidade necessária da combinação utilizada para a execução de 1 (um) hectare (horas máquina/ha. R$/homem dia. R$/dose). Assim. homens dia/ha. OPERi = [ ( cmaq.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO Para cada operação realizada. dose do insumo/ha) e o seu preço unitário (R$/h.i X PMOB) + (cINS.i X PHM) + (cMOB. definise o cálculo acima descrito conforme a Equação 1. são designados o coeficiente técnico e seu preço. O resultado é um valor monetário. cMAQ = coeficiente de utilização da máquina e/ou equipamento na operação i. Matematicamente. medido em reais. bem como o número de hectares que foram contemplados na mesma.

SEG = gasto com seguros de benfeitorias agrícolas. reais por quilômetro (R$/km) ou reais por tonelada de cana (R$/t). etc. MAN = gasto com manutenção de benfeitorias agrícolas. medido em reais (R$). ALIM = gasto com alimentação dos funcionários. R$/L. contador. PINS = preço do insumo utilizado na operação i. medido em reais (R$). etc. cINS = coeficiente de utilização (dose) do insumo na operação i. etc. salienta-se para os gastos com salários (pessoal administrativo. cMOB = coeficiente de utilização da mão-de-obra na operação i. alimentação e serviços aos funcionários (médicos. Neles. água. Nota-se ainda que a presença dos custos administrativos dentro dos custos operacionais de produção. MAT = gastos com materiais de escritório. ajudantes. CONT = gasto com contas em geral. medido em reais por hora (R$/h).). telefone. PMOB = preço da mão-de-obra utilizada na operação i. Assim. odontológicos.). materiais de escritório. denotam-se os custos administrativos como segue: ADM = SAL+ MAT+SEG+ MAN+ CONT+ ALIM+ SERV+OUTR (2) Onde: ADM = custos administrativos.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO PHM = preço da máquina e/ou equipamento utilizados na operação i. medido em reais (R$). seguros e manutenções de benfeitorias. medido em reais (R$). medido em reais (R$). pró-labore do proprietário. inclusive encargos. 23 . medido em reais (R$). etc. medido em reais por dia trabalhado (R$/dia).). SAL = gasto com salários. HAi = número de hectares em que a operação i foi realizada. medido em reais por unidade de dose (R$/t. medido em reais (R$). R$/kg.). contas diretas em geral (luz.

OUTR = gasto com outros custos administrativos relevantes. HA = número de hectares arrendados. do preço pago pelo quilograma de ATR e do preço estipulado nos contratos de arrendamento. A multiplicação destes três fatores resulta numa medida. Conhecendo-se o número de hectares arrendados é possível obterse o montante total gasto com arrendamentos. quando o arrendamento for caracterizado como um desembolso direto. O arrendamento é considerado no COE quando o produtor efetivamente produzir em terras arrendadas. medido em reais por quilograma de ATR (R$/kg ATR). medido em toneladas de cana por hectare (t/ha). PATR = preço do quilograma de ATR praticado na região em análise. ou seja. conforme expõe a equação 4: COE=∑ OPERi+ ADM + ARREND (4) 24 . estas despesas são expressas em função do ATR padrão regional. em reais por hectare (R$/ha). ARRED = ( cATRpadrão X PATR X PARRED ) X HA (3) Onde: ARREND = gasto total com arrendamentos.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO SERV = gasto com serviços subsidiados para os funcionários. medido em quilogramas de ATR por tonelada de cana (kg ATR/t). PARREND = preço do contrato de arrendamento praticado na região em análise. medido em reais (R$). cATRPADRÃO = coeficiente padrão fixado na região em análise. Pela soma das equações 1. medido em reais (R$). 2 e 3 obtêm-se o COE. Em geral. que designa o custo do arrendamento de 1 (um) hectare de terra. medido em reais (R$).

Já se COE > RT. sendo depreciado segundo uma vida útil pré-determinada. torna-se necessário que o montante advindo das receitas (RT) supere o COE. VI = valor inicial de i. Matematicamente. Para que a atividade seja rentável no curto prazo. medida em reais por tonelada de cana (R$/t). Di = depreciação do item i.3 Custo Operacional Total Para obtenção do Custo Operacional Total foram considerados os seguintes itens de depreciações: Depreciações de benfeitorias Depreciações de máquinas e equipamentos Depreciações de equipamentos de irrigação e fertirrigação Em todos os casos foi estimado o montante de capital investido em cada item. no qual o resultado é exposto em reais (R$). 25 . Isto indicaria um fluxo de caixa positivo no momento analisado. obtêm-se o valor a ser depreciado na safra vigente da seguinte forma: VIi−VRi Di= xG vui (5) Onde: i = benfeitorias. medido em reais (R$).UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO Esta medida (COE) indica a quantidade monetária efetivamente desembolsada pelo produtor ao longo da safra. máquinas e equipamentos ou equipamentos de irrigação e fertirrigação. então se constata prejuízo líquido da atividade no respectivo período. 5.

comprometendo assim sua reposição ao final de sua vida útil. Se as receitas geradas pela produção da safra vigente superarem o COT. Para que exista sustentabilidade da atividade produtiva. a equação que define o COT pode ser descrita por: cot=COE+ ∑ Di (6) Onde o COE resulta da Equação 4. é necessário que COT < RT no longo prazo.4 Custo Total Finalmente. para obtenção do Custo Total (CT) de produção são considerados os custos de oportunidade apresentados a seguir: Custo de oportunidade da terra própria Custo de oportunidade do capital investido 26 . mas ainda há recursos para que seja feita a reposição de sua frota.2. e esta condição se manter por um período relativamente longo de tempo. então não só puderam ser constatados fluxos de caixa positivos ao produtor. medido em reais (R$). medido em termos percentuais (%). 5. vu = vida útil de i. medida em anos. máquina. Salienta-se ainda que se deve sempre considerar o grau de utilização da benfeitoria. Assim. Caso contrário. o produtor não estará remunerando adequadamente seu capital imobilizado. benfeitorias e outros equipamentos considerados nos custos de produção. Isto se dá pois determinada construção ou máquina pode ser empregada em outras atividades existentes na propriedade entrevistada. exposta no item 5. G% = grau de utilização de i para a cultura da cana-de-açúcar. A interpretação econômica do COT retrata as condições de longo prazo da atividade produtiva. implemento ou equipamento de irrigação dentro da cultura da cana-de-açúcar.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO VR = valor residual de i.

medido em quilogramas de ATR por tonelada de cana (kg ATR/t). o custo de oportunidade da terra própria (COP terra) foi determinado conforme os contratos de arrendamento de cada região. Já no segundo caso. ATRpadrão = quantidade de ATR fixa estipulada nos contratos de arrendamento da região analisada. medido em reais por quilograma de ATR (R$/kg ATR). PATR = preço do ATR praticado. portanto. sendo considerados o valor do ATR padrão regional (kg ATR/t). A justificativa é de que o custo intrínseco as áreas não cultiváveis encontra-se incorporado nos preços dos arrendamentos sendo. APP. tais como reserva legal.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO No primeiro caso. o custo de oportunidade do capital investido (COP capital) foi dividido segundo: i) ii) iii) iv) capital investido na fundação da lavoura. Matematicamente. o preço pago pelo quilograma de ATR (R$/kg ATR) e o preço de arrendamento vigente. medido em reais (R$). esta relação pode ser expressa por: COPterra = ATRpadrão x PATR x Parrend x HApróprio (7) Onde: COPterra = custo de oportunidade da terra própria. em benfeitorias. medido em toneladas de cana por hectare (t/ha).. HApróprio = número de hectares cultiváveis. geralmente expresso em toneladas de cana por hectare (t/ha). Parrend = preço do arrendamento praticado. em equipamentos de irrigação/fertirrigação. devendo ser desconsideradas as áreas próprias destinadas a outros propósitos. contabilizados dentro dos custos de produção da lavoura. Nota-se que o COP terra incide apenas sobre a terra cultivável. etc. em máquinas e implementos. 27 .

o Custo Total de produção pode ser expresso por: CT=cot+COPterra + ∑ COPcapital .i = CIi x r (8) Onde: i = fundação da lavoura. medido em reais (R$). Se ao longo do tempo o CT se mantiver abaixo dos encaixes totais advindos da lavoura de cana-de-açúcar.a.). COPcapital = custo de oportunidade do capital investido. o produtor teve de fato remunerado seu capital e terra aplicados no processo produtivo. medida que facilita a comparação dos resultados com outros estudos disponíveis na literatura e no mercado canavieiro atual. medida em percentual ao ano (% a. r = taxa de juros. dividindo-se o montante total pela produção total de cana. equipamentos de irrigação/fertirrigação. exposta no item 5. conclui-se que há lucro econômico na atividade.3. Efetuando a divisão do valor original pelo respectivo número de hectares cultivados. Assim. máquinas e implementos ou benfeitorias. CI = capital investido em i. Os resultados obtidos nas equações 1 a 9 podem ser expressos tanto em sua medida original (R$) quanto em unidades diferenciadas. COPcapital. Salienta-se que a utilização de uma ou outra medida depende 28 .i (9) Onde o COT resulta da Equação 6. uma vez que. Por outro lado. a qual serve como dado de entrada aos custos industriais de produção. medido em reais (R$).UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO A Equação 8 demonstra de forma matemática o cálculo do COPcapital. além da manutenção e reposição dos ativos imobilizados. chega-se a mensuração em reais por hectare (R$/ha). obtêm-se a uma medida em reais por tonelada de cana (R$/t). Este cenário caracterizaria uma condição de longo prazo sustentável à atividade canavieira.

6. que nada mais é do que a receita total (RT) menos o COE.5 Margem Total e Lucro Total O primeiro comparativo apresentado é a Margem Bruta Total. 29 . podemos dimensionar o quanto rentável está sendo a atividade agrícola. os quais foram feitos pelo proprietário. durante o período de longo prazo. Finalmente. Isto significa que a atividade agrícola obteve resultado positivo na análise de curto prazo. que será através das RT menos os CT. ou seja. e de seus custos industriais (produção de açúcar e etanol). definindo assim uma primeira análise de longo prazo. Através desta análise. A seguir. sua remuneração e as depreciações do capital investido também foram cobertas pelas receitas.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO do anseio do pesquisador. Esta análise é a Margem Líquida Total. (2009). A estimativa dos custos é feita a partir do esquema simplificado representado na Figura 1. 5. Isto significa que. Resumo da metodologia de Custos Agrícolas A metodologia aplicada no estudo seguiu os procedimentos delineados por Marques (2009) e Xavier et al. pode-se comparar a RT com o COT. Este tipo de análise também demonstra se a atividade agrícola está sendo capaz de pagar os investimentos da terra. a RT menos COT. além de seus custos de curto prazo. por meio do levantamento dos custos agrícolas (cana-deaçúcar) de fornecedores autônomos e usinas. observando a análise do Lucro Total. sendo ambas úteis para as análises econômicas intrínsecas a atividade produtiva.

luz. arrendamentos. e. conforme os contratos de arrendamento de cada região. em reais. No primeiro modelo (custo de produção agrícola). insumos. equivalente ao custo da realização da respectiva operação. mão-de-obra. são consideradas as seguintes variáveis: utilização de máquinas e/ou equipamentos. E o segundo foi dividido em: capitais investidos na 30 . que. Por fim. adaptado de Marques (2009) e Xavier et al (2009). O primeiro incide apenas sobre a terra cultivável. Esquema de Custos. a partir do montante de capital investido. seguros (e/ou manutenção) de benfeitorias agrícolas. alimentação dos funcionários. para o cálculo do COE. o CT de produção leva em conta os custos de oportunidade da terra própria e do capital investido. outros custos administrativos relevantes. A fim de torná-las aptas às estimativas de custos.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO Figura 1. cada qual multiplicado pelo seu preço. serviços subsidiados para os funcionários. etc. as mesmas foram padronizadas em forma de coeficientes técnicos. gastos com salários. Fonte: PECEGE/CNA (2012). resulta em um valor monetário. A Tabela 2 apresenta os grandes grupos de variáveis utilizadas nos modelos dos custos de produção agrícola e industrial. materiais de escritório. e de equipamentos de irrigação e fertirrigação. de máquinas e equipamentos. Para o cálculo do COT são consideradas as depreciações (segundo uma vida útil prédeterminada) de benfeitorias. contas em geral (água.).

(2009). Variáveis utilizadas no cálculo de custos de produção AGRÍCOLA INDÚSTRIA ADM. equipamentos de irrigação e fertirrigação.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO fundação da lavoura. segue a metodologia de Marques (2009) e Xavier et al. 31 . benfeitorias. (2009) . Marques (2009) e Xavier et al. Custo Operacional Mecanização Mão-de-obra Mão-de-obra Efetivo (COE) Mão-de-obra Insumos Insumos e serviços Insumos Manutenção Capital de giro Arrendamento Administração Custo Operacional Administração Depreciações Depreciações Total (COT) Custo Operacional Remuneração do Proprietário Remuneração da terra Custo de Oportunidade do Capital Total (CT) Remuneração do capital Fonte: PECEGE/CNA (2012) adaptado de CONAB (2008). máquinas e implementos. e. *Para os cálculos. Tabela 2.

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO 32 .

São Paulo: Atlas. Piracicaba: STAB. Cálculos na Agroindústria da Cana-de-açúcar. Número 1 . F. PINTO. 1987. A. PASSARINI. 112 p. SEGATO.V. e NÓBREGA.conab. Manual de Instruções. J.H. FERNANDES. DAL BEM.gov. 2003. L. 33 . J.C.janeiro a junho de 2006.. Revista Minerva – Pesquisa & Tecnologia.M. S. 2006.S.A. A. E.C. VALLE. 2006. Atualizações em produção de cana-de-açúcar. A. Açúcar E Álcool do Estado de São Paulo.. Piracicaba.br CONSECANA-SP . Disponível em: http://www. JENDIROBA. Modelagem e simulação para o processo industrial de fabricação de açúcar e álcool.C. Volume 3. 415p.Piracicaba. Metodologia de cálculo de custo de produção da CONAB. CP 2.Conselho Dos Produtores De Cana-De-Açúcar. 240p. G. KOIKE.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL TECNÓLOGO SUCROALCOOLEIRO BIBLIOGRAFIA COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). Manual de Contabilidade Agrária.