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N. O 3 | JUL-AGO-SET 2014 | DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
N. O 3 | JUL-AGO-SET 2014 |
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
N. O 3 | JUL-AGO-SET 2014 | DISTRIBUIÇÃO GRATUITA HUGO VIRGÍLIO Presidente da CAJAP aborda problemas

HUGO

VIRGÍLIO

Presidente da CAJAP aborda problemas de arbitragem

BRUNO RODRIGUES E CARLOS CAPELA

A SAUDADE

JÁ APERTA

Página 6

CATARINA

ASCENSÃO

UMA MADEIRENSE NA GALIZA

Página 28

GERAÇÕES

CLÃ RESENDE

Página 34

FOTO CEDIDA POR CRISTINA RESENDEFOTO

NUNO GONÇALVES

NESTA EDIÇÃO

A UMA SÓ VOZ

4

Vice-presidente financeiro, Ivan Caçador

OPINIÃO

 

5

Daniel Martins fala-nos da importância do fator psicológico e das lesões

ENTREVISTA

6

Bruno Rodrigues e Carlos Capela

falam sobre o fim da sua carreira

e

dos novos desafios na arbitragem

NÓS

NA

ÁUSTRIA

12

Daniel Martins e Roberto Martins contam-nos a sua participação no Europeu sub 20, em 2014

OPINIÃO

 

14

Prof. José António Silva fala sobre a preparação do árbitro para a competição (Parte I)

CAPA 16

CAPA

16

Grande entrevista Dr. Hugo Virgilio, presidente da CAJAP

OPINIÃO

24

Carlos Capela fala sobre

a

sanção progressiva (Parte I)

 

CLUBES COM HISTÓRIA

26

40 Anos NAAL Passos Manuel

UM FDS COM

28

Catarina Ascensão na Galiza

OPINIÃO

32

Jorge Fernandes fala sobre a espetacularidade do andebol de praia

GERAÇÕES

34

Carlos, Patrícia e Joana: Família Resende marca presença no gerações

e Joana: Família Resende marca presença no gerações ÉPOCA 2013/2014 39 Todos os campeões nacionais de

ÉPOCA 2013/2014

39

Todos os campeões nacionais de andebol 2013/2014

CAMPEÕES SENIORES NACIONAIS 2013/2014

40

F. C. Porto Vitalis e Alavarium Love Tiles

UNIVERSITÁRIO

48

22º Campeonato Mundial Universitário de andebol Guimarães 2014

DESTAQUES

52

Tudo sobre o andebol de praia 2014

QUADROS DE ARBITRAGEM

2014/2015

60

Conheça aqui todos os quadros de arbitragem nacionais à data de 16 de outubro de 2014

NOTÍCIAS

Destaque para assuntos andebolísticos

63

de 2014 NOTÍCIAS Destaque para assuntos andebolísticos 63 Portugal campeão mundial universitário masculino em 2014

Portugal campeão mundial universitário masculino em 2014

Bruno Rodrigues e Carlos Capela falam-nos dos seus novos projetos FOTO ANTÓNIO OLIVEIRA
Bruno Rodrigues e Carlos Capela
falam-nos dos seus novos projetos
FOTO ANTÓNIO OLIVEIRA
falam-nos dos seus novos projetos FOTO ANTÓNIO OLIVEIRA DIREÇÃO Presidente António Trinca (CIPA 68 870)
falam-nos dos seus novos projetos FOTO ANTÓNIO OLIVEIRA DIREÇÃO Presidente António Trinca (CIPA 68 870)

DIREÇÃO

Presidente António Trinca (CIPA 68 870)

Vice-Presidente administrativo Eurico NIcolau (CIPA 108 725)

Vice-Presidente financeiro Ivan Caçador (CIPA 111 803)

Tesoureiro Tiago Monteiro (CIPA 107 780)

MESA DA

CONSELHO FISCAL

ASSEMBLEIA GERAL

E DISCIPLINAR

Presidente António Costa e Silva (CIPA 45 279)

1º Secretário Alberto Alves (CIPA 93 789)

1º Secretário Tiago Correia (CIPA 148 053)

2º Secretário António Brousse (CIPA 114 168)

2º Secretário Érica Krithinas (CIPA 96 090)

Edição

-

Esta edição da revista APAOMA

APAOMA

foi escrita segundo o novo acordo

ortográfico.

Propriedade

-

A revista APAOMA é uma

APAOMA

publicação trimestral dirigida

Website: http://www.apaoma.pt

e distribuída gratuitamente

e.mail: apaoma@gmail.com

a todos os desportistas.

“A APAOMA é uma marca registada da APAOMA- Associação portuguesa de árbitros e oficiais de mesa”

Os artigos assinados são da inteira responsabilidade dos autores e não representam a opinião da associação.

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APAOMA

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A UMA SÓ VOZ

A UMA SÓ VOZ IVAN CAÇADOR Vice-Presidente financeiro A ARBITRAGEM PORTUGUESA VIVE UM MOMENTO DE TRANQUILIDADE

IVAN CAÇADOR

Vice-Presidente financeiro

A ARBITRAGEM PORTUGUESA VIVE UM MOMENTO DE TRANQUILIDADE

A Revista da APAOMA elevou a comunicação entre todos os agentes da modalidade a um patamar impensável num passado recente, e a diversidade das matérias permite-nos afirmar que é já uma referência no nosso meio.

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A Arbitragem Portuguesa vive um momento de tranquilidade como há muito não se via. Existe um clima de transparência e coexistência entre a Direção da FAP e o seu Conselho de Arbitragem que se reflete na ligação cooperativa com a nossa Associação de Classe.

Neste novo projeto da APAOMA, com a inclusão dos novos Órgãos Sociais, nos quais orgulhosamente me incluo, transparece uma vontade enorme de nos desafiarmos a cada dia, de nos superarmos com ideias inovadoras capazes de aglutinar não só os quadros de arbitragem, mas também os demais agentes da nossa modalidade.

A Revista da APAOMA elevou a comunicação entre todos os agentes da modalidade a um patamar impensável num passado

recente, e a diversidade das matérias permite-nos afirmar que

é já uma referência no nosso meio. Expresso aqui o nosso

compromisso de elevarmos a cada edição os nossos níveis de exigência, resultando num produto final de excelência, capaz de aglutinar todos os amantes de Andebol. Nas edições anteriores desta nossa publicação já nos focamos em temas tão diversos como a relação árbitro/treinador, a condição física e metodologia de treino, o andebol universitário, o desporto adaptado, a vertente de praia, a gestão de emoções. Demos ênfase, naturalmente aos nossos árbitros e suas conquistas, mas também divulgamos os nossos jogadores e suas vivências. No seguimento das entrevistas ao Presidente da FAP, e ao Presidente do CA, que muito nos honram, apresentamos agora as ideias do Presidente da CAJAP, e abordaremos outros temas de elevado interesse, que tenho a certeza que cativarão a vossa leitura. Estamos em pleno início de época, pelo que termino desejando

todos os agentes da modalidade os maiores sucessos desportivos, reafirmando que a APAOMA estará sempre empenhada em contribuir para que o nosso Andebol supere todos os desafios e consiga os mais grandiosos feitos. Portugal merece!

a

em contribuir para que o nosso Andebol supere todos os desafios e consiga os mais grandiosos
OPINIÃO DANIEL MARTINS Psicólogo / Neuropsicólogo A IMPORTÂNCIA DA INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA NA REABILITAÇÃO DE

OPINIÃO

DANIEL MARTINS

Psicólogo / Neuropsicólogo

A IMPORTÂNCIA DA INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA NA REABILITAÇÃO DE LESÕES

Uma intervenção psicológica facilita o processo de recuperação da lesão desportiva através dos seus procedimentos, técnicas e estratégias.

S eja por prazer ou como atividade profissional, as lesões são ocorrências comuns em qualquer prática desportiva. As consequências negativas das lesões ultrapassam claramente a saúde física dos indivíduos afectando o seu bem-estar

psicológico. Existem alguns sintomas psicológicos, resultantes de uma lesão, que podem interferir com o plano de tratamento, tais como, ansiedade, depressão, perturbação do sono, medo, desespero, frustração e impaciência. As reações psicológicas mais severas podem ter um impacto mais sério na vida do atleta que as próprias limitações físicas da lesão. Mas, vamos começar pelo início, ou seja, como surgem as lesões. As causas primárias das lesões desportivas são de origem fisiológica, como a fadiga física, a sobre carga de treino, problemas musculares ou articulares. No entanto, fatores psicológicos podem contribuir para a ocorrência das lesões. Indivíduos com maiores níveis de stresse apresentam maior probabilidade de se lesionarem do que aqueles que apresentam níveis de stresse mais baixos no seu dia-a-dia. O stresse não é o único factor psicológico que pode levar ao surgimento de lesões desportivas. Características de personalidade como o optimismo, autoestima, ansiedade, desempenham um papel

moderador na relação entre a resposta ao stresse e a lesão.

A capacidade mental que o individuo tem de utilizar

estratégias como, a concentração, pensamentos positivos, auto motivação, reduz a probabilidade de ocorrência de uma lesão. As reações psicológicas associadas às lesões desportivas envolvem, frequentemente, perda de identidade pelo facto de uma parte importante de si próprio “se ter perdido”, afectando de forma negativa o seu autoconceito e a autoestima; medo e ansiedade, devido aos elevados

níveis de preocupação acerca da sua capacidade para recuperarem totalmente da lesão, da possibilidade de

se voltarem a lesionar e de poder vir a ser substituído;

falta de confiança, depois de uma lesão, face à sua incapacidade para treinarem e competirem, resultando numa diminuição da motivação e, posteriormente, no seu rendimento. Mas, além destas reações psicológicas,

também são frequentes alguns sinais ou sintomas de um desajustamento psicológico, como sentimentos de irritação, revolta e confusão; pensamentos obsessivos acerca do dia em que poderão voltar a competir; negam

a existência da lesão; insistência em queixas físicas sem importância; sentimentos de culpa pelo fraco rendimento da equipa; isolamento e/ou afastamento de outras pessoas significativas; mudanças de humor; pensamentos negativos.

REAÇÕES PSICOLÓGICAS TÊM UM IMPACTO MAIS SÉRIO NA VIDA DO ATLETA QUE AS LIMITAÇÕES FÍSICAS DA LESÃO

A presença de reações emocionais negativas ou

desadaptativas interfere assim no bem-estar psicológico

do indivíduo, podendo interferir na reabilitação da lesão, através de alterações nos níveis de adesão e motivação adequadas às tarefas e atividades de reabilitação. O que pode torna, para muitos atletas, o processo de tratamento

e recuperação extremamente desgastantes.

A utilização de estratégias psicológicas quando

combinadas com a reabilitação física facilita a recuperação da lesão. De acordo com Weiberg & Gould

(2003), numa primeira fase, o objetivo principal é ajudar o individuo a lidar com o estado emocional que acompanha

o início da sua lesão. A maior fonte de stresse nesta fase

é a incerteza que acompanha a sua condição e ainda a

necessidade de realizar um diagnóstico. Desta forma deve haver uma preocupação em ajudar o atleta a compreender

a lesão que apresenta. Numa segunda fase, é importante

ajudar o atleta a manter a motivação e adesão às tarefas da reabilitação da lesão. Na última fase, considera-se que o atleta, mesmo estando fisicamente apto para a participação desportiva, não tem a sua recuperação completa até retomar o normal funcionamento. Uma intervenção psicológica facilita o processo de recuperação da lesão desportiva através dos seus procedimentos, técnicas e estratégias.

de recuperação da lesão desportiva através dos seus procedimentos, técnicas e estratégias. 5 APAOMA JUL-AGO-SET 2014
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ENTREVISTA

Bruno Rodrigues e Carlos Capela

A SAUDADE JÁ APERTA

Após década e meia ao mais alto nível, Bruno Rodrigues e Carlos Capela optaram por novas funções no Mundo da Arbitragem. Cientes da decisão tomada, as saudades de andarem dentro de campo já são imensas

Q ual o principal motivo para terminarem a

dos amantes da nossa modalidade?

BRUNO RODRIGUES (BR) Principalmente

o cansaço acumulado, o amor pela

carreira de árbitros tão precocemente, visto

serem das duplas mais respeitadas e queridas

modalidade começou em 1990 como jogador, depois

a arbitragem em 1997 até aos dias de hoje. Toda esta

dedicação ao andebol tem outras consequências inerentes, ou seja, sacrificamos frequentemente as pessoas mais próximas para poder estar presente no andebol. Depois como pessoa de ambições e objetivos

elevados sentia que a carreira tinha estagnado, e que

a vontade e prazer de outrora para arbitrar não era o

mesmo. Sentia que a modalidade teria mais a ganhar comigo na formação de jovens árbitros, algo que já o faço na A. A. Aveiro, mas não com a disponibilidade necessária, pois os jogos semanalmente não permitiam fazer o acompanhamento dos formandos com a devida presença.

CARLOS CAPELA (CC) Somos árbitros desde muito jovens

e

antes disso éramos jogadores. Sou árbitro desde 1998

e

estou ligado à modalidade desde 1992. Acabou por

ir surgindo algum cansaço, até porque muito cedo se tornou impossível progredir numa carreira que abraçámos de alma e coração. Além disso, trabalhamos na formação de árbitros há muito tempo, e o gosto por esse trabalho foi aumentando com o passar do tempo, sempre de mãos dadas com a nossa função de árbitros. Estamos, agora, motivados para continuar esse trabalho com uma disponibilidade que, enquanto árbitros, se torna impossível. Precisamente por nos sentirmos respeitados, sentimo-nos também incentivados a ficar

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ligados à arbitragem. No entanto, a consciência de que vou deixar de viver os jogos “por dentro” existe, e com certeza isso vai custar muito, principalmente nos primeiros tempos

Continuarão ligados à arbitragem certamente, já podem desvendar quais as funções que terão no futuro na arbitragem? EM CONJUNTO Como já referi, a formação está nos nossos planos. Queremos ajudar a crescer as duplas jovens, e procurar chamar mais pessoas para a arbitragem. É um mundo um pouco fechado. Se soubermos mostrar a todos como é compensador o “lado de cá”, poderemos ter maisgente interessada em experimentar a arbitragem. A nível regional, continuaremos à frente da Escola de Formação de Árbitros. A nível nacional, tirámos o curso de observadoresno passado mês de agosto, para que possamos continuar a trabalhar com os árbitros, no terreno, a passar tanto conhecimento quanto for possível e a dar a visão de quem viveu de dentro as mesmas emoções. Sabemos a importância que os bons observadores podem ter na evolução de um árbitro.

Antes da arbitragem qual a ligação que tinhas com o andebol? BR O andebol já nasceu comigo, o meu pai foi árbitro nacional e lembro me de ter poucos anos e acompanha

- lo quando ele ia arbitar. Depois ele deixou arbitragem

foi dirigente no Avanca, clube onde inicie a minha carreira de jogador com 10 anos, treinando num ringue de cimento onde ia de bicicleta, e mais cedo, para os treinos para retirar a água em excesso para poder treinar. Sacrificos que me ajudaram imenso na

e

e mais cedo, para os treinos para retirar a água em excesso para poder treinar. Sacrificos

OLIVEIRAFOTOS

ANTÓNIO OLIVEIRA

FOTOS ANTÓNIO

OLIVEIRAFOTOS ANTÓNIO OLIVEIRA FOTOS ANTÓNIO 7 APAOMA JUL-AGO-SET 2014
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ENTREVISTA arbitragem. Depois acumulei as funções de técnico nos bambis e infantis do clube quando

ENTREVISTA

arbitragem. Depois acumulei as funções de técnico nos bambis e infantis do clube quando jogava nos juniores. Posteriormente fiz o curso de árbitro em 1997 quando este foi ministrado nas instalações do próprio clube por um ex-árbitros conhecido pelo “Nunes Quinta Velha”.

CC Fui atleta do Sp. Espinho durante 3 épocas,

e quando a secção de andebol fechou portas,

em 1995, fui jogar para Oleiros, onde estive 5 épocas.

Como surgiu a arbitragem na tua carreira no Andebol? Quais as influências que tiveste?

BR Como já referi o meu pai foi árbitro também,

e cresci com essa referencia. Os meus irmãos

começaram também a jogar andebol e continuam

a faze-lo, logo o andebol é uma paixão familiar.

Lembro me no inicio da minha carreira de ter o meu pai, no banco como dirigente, os meus dois irmãos a

jogar, eu arbitrar e a minha mãe na bancada a assistir. Às vezes as coisas não corriam bem, e as minhas decisões não eram bem recebidas por eles. Cada um defendia a sua “dama” com o maior afinco e dedicação,

e esse rigor levava a minha mãe em casa a ter o papel

de serenar os ânimos e mediar as nossas razões, mas no final tudo acabava em bem. Sempre soubemos deixar os momentos menos bons dos jogos no campo e respeitar a nossa amizade fora dele. Mas voltando á questão, como jogador nunca seria nada de especial e como tinha o gosto pela liderança

e decisão abracei de corpo e alma a carreira da

arbitragem. Além disso nos jogos dos escalões de formação frequentemente não apareciam árbitros e como

as pessoas do clube sabiam que eu gostava, e não tinha medo de pegar no velhinho apito de metal do meu pai, pediam - me para estar presente no pavilhão para apitar esses jogos, isto tinha eu 15/16 anos.

CC Confesso que no início foi só uma questão de

curiosidade. Queria ter novas experiências na modalidade e a hipótese de apitar uns jogos de infantis

QUEREMOS AJUDAR A CRESCER AS DUPLAS JOVENS, E PROCURAR CHAMAR MAIS PESSOAS PARA A ARBITRAGEMna modalidade e a hipótese de apitar uns jogos de infantis BRUNO RODRIGUES E CARLOS CAPELA

BRUNO RODRIGUES E CARLOS CAPELA

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e iniciados, após tirar o curso, agradou-me muito.

Nunca pensei que iria acabar por evoluir tanto e por

ganhar tanta paixão pela arbitragem.Tirei o curso com

o Carlos Malpique e aprendi muito com ele. Foi ele,

muito possivelmente, a primeira pessoa que me marcou pela positiva na arbitragem.

O que é para a vossa dupla um bom árbitro? Para ter sucesso na arbitragem que características devem possuir os jovens árbitros?

EM CONJUNTO O melhor árbitro não é aquele que não

erra, mas sim o que erra menos. O erro é incontornável em todos os jogos, e é melhor árbitro aquele que melhor convive com ele e melhor o ultrapassa. Mas

a caraterística que mais destaco é a humildade. Não

gosto de um árbitro arrogante. É possível manter-se a autoridade e, ao mesmo tempo, a humildade. Ser-se humilde é ser-se propenso a evoluir e a aprender em permanência, pois o árbitro nunca deixa de aprender. Os mais jovens devem ter isso bem presente e ter espírito de sacrifício, pois em todas as fases da carreira de um árbitro há momentos muito difíceis.

Como surgiu a oportunidade de formarem dupla e desde quando são dupla?

BR Na altura eu formava dupla com o Hilário Matos, que

entretanto desistiu da arbitragem. Foi proposto, a mim

e ao Carlos, que fizéssemos a experiência de arbitrar

juntos. Foi em 2000. Correu muito bem desde o início, principalmente porque fomos cimentando uma muito boa amizade, algo que é fundamental para uma boa dupla de árbitros se manter unida.

CC Na altura eu formava dupla com o Francisco Barros,

que entretanto desistiu da arbitragem. Foi proposto,

a mim e ao Bruno, que fizéssemos a experiência de

arbitrar juntos. Foi em 2000. Correu muito bem desde o início, principalmente porque fomos cimentando uma muito boa amizade, algo que é fundamental para uma boa dupla de árbitros se manter unida.

Analisavam os jogos que arbitram? Se sim, como costumavam fazê-lo?

EM CONJUNTO Sempre. Normalmente não o fazíamos

imediatamente a seguir ao jogo. Fazê-lo de cabeça quente pode nem sempre dar bom resultado. Aproveitávamos as viagens e as refeições para c onversar sobre tudo, incluindo as nossas atuações. Sempre que nos era possível, fazíamos análise de vídeo dos nossos próprios jogos. Muitos árbitros não gostam de o fazer, mas é a ver os nossos erros que conseguimos perceber onde estamos bem e o que

precisamos de corrigir. Além disso, sempre pedimos ajuda a outras pessoas,especialmente aos nossos colegas, para nos dizerem o que achavam do nosso trabalho. Percebemos desde cedo, quando fomos integrados no Grupo de Árbitros Jovens, como pode ser importante para um árbitro ouvir a opinião de outro árbitro.

Arbitrar um jogo implica tomadas de decisão instantâneas,ou seja, ocorre um lance e o seu ajuizar

tem de ser instantâneo. Alguma vez sentiram que erraram, após ter apitado? Quando acontecia, o que sentiam?

BR Sim, mas depois da decisão tomada não a irá alterar.

Mais importante é o reconhecimento do erro, pois senão for percepcionado poderá levar a um acumular de más decisões. A sensação de não ter ajuizado bem é algo que

nos faz sentir interiormente muito mal, mas saber pedir desculpa é uma atitude que nem todos a compreendem

e aceitam.

CC É frequente o árbitro perceber que erra no momento

em que apita. A sensação é horrível, mas é preciso saber superar esse sentimento de falha, que tem tendência a ter efeitos prolongados quando a falha é grave. Várias vezes pedi desculpa a atletas e treinadores, e felizmente fui quase sempre bem acolhido.

Nos escalões de formação a maioria dos assistentes são

pais e familiares dos atletas, o que leva a que, alguns desses espectadores tenham para com os árbitros atitudes menos corretas. Como lidavamcom essas situações?

BR Se nos outros jogos ficou alheio a tudo e

concentrado e focado no jogo, nesses jogos de formação que a educação das pessoas deveria ser um ponto presente, pois mais que atletas são formados futuros homens e mulheres, muitas das

vezes o incomodo causado leva-me a desviar atenções

e a sentir me triste com essas atitudes. Como podemos exigir respeito e educação aos nossos filhos se na bancada enquanto estes jogam, não a usamos?!

CC No início foi muito difícil. A inexperiência

está de mãos dadas com a incapacidade de ser imune

a essas atitudes. Tive as minhas falhas nesses momentos

em que o coração esteve perto da boca, mas com o tempo ganhei resistência. Choca-me particularmente ver pais e mães, em jogos em que os seus filhos estão em campo, dar um exemplo de mediocridade na bancada. A educação cabe em todo o lado, ainda que

a nossa equipa esteja a perder. Os jovens são crianças,

e como crianças que são têm direito à formação, e não à deformação por parte de quem mais responsabilidades tem. Muitos pais não percebem que, se os seus filhos

tem. Muitos pais não percebem que, se os seus filhos O ERRO É INCONTORNÁVEL EM TODOS

O ERRO É INCONTORNÁVEL

EM TODOS OS JOGOS,

E É MELHOR ÁRBITRO

AQUELE QUE MELHOR CONVIVE COM ELE E MELHOR O ULTRAPASSA

BRUNO RODRIGUES E CARLOS CAPELA

ainda estão a aprender a jogar, também os árbitros têm de ter jogos nas pernas para aprender a arbitrar.

Qual foi o jogo mais difícil da vossa carreira? Porquê? EM CONJUNTO Foram alguns. Um de que eu e o Bruno sempre falámos foi um FC Porto x Sp. Espinho, em Santo Tirso, a contar para o campeonato da extinta Liga Portuguesa de Andebol, porque acumulámos uma enorme quantidade de erros e fomos absolutamente incapazes de dirigir o jogo como deveria ser. Não sabemos o que se passou connosco, mas ambos estivemos muito mal. Não foi difícil pelas equipas ou pelo público. Foi difícil pela nossa ausência de autocontrolo. Pareceu-nos que durou horas! Outro jogo muito complicado foi em Águeda, numa partida em que se decidia o campeonato regional de seniores, pois o ambiente foi pesadíssimo desde o primeiro minuto, e as condições de segurança estavam longe de ser as ideais. Em ambos os casos, apesar de terem sido experiências desagradáveis, crescemos um pouco.

E o qual foi o que mais gostaram de arbitrar? Porquê?

EM CONJUNTO Vários. Tenho de destacar a Final da Taça de Portugal deste ano, o ABC x Sporting. Um jogo decisivo, com o pavilhão a abarrotar e com grandes intervenientes, só poderia resultar numa excelente partida de andebol. Fomos felizes e estivemos bem, o que fez com que a sensação no final fosse ótima porque, acima de tudo, nos divertimos e desfrutámos o momento, que é um marco nas nossas carreiras.

O melhor momento na vossa carreira foi…

BR Sentir o agradecimento de todos no nosso ultimo jogo da carreira, na final do Garcicup em Estarreja, foi algo indiscritivel. O arbitro é sempre odiado e assobiado em todos os momentos, mas naquele momento onde

fomos reconhecidos por muitas pessoas e entidades, sentir o carinho de um pavilhão inteiro é um

reconhecidos por muitas pessoas e entidades, sentir o carinho de um pavilhão inteiro é um 9
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ENTREVISTA Bruno Rodrigues e Carlos Capela acompanhados pelas respectivas esposas no momento da despedida momento

ENTREVISTA

ENTREVISTA Bruno Rodrigues e Carlos Capela acompanhados pelas respectivas esposas no momento da despedida momento que

Bruno Rodrigues e Carlos Capela acompanhados pelas respectivas esposas no momento da despedida

momento que jamais será esquecido. CC Cada amigo que fizemos foi um bom momento passado. Desportivamente, também tivemos muitos bons momentos. Na Grécia, dirigimos a meia final do Campeonato do Mundo de Desporto Escolar de 2002, o Eslováquia x Alemanha. As finais da Taça de Portugal masculina e feminina, a somar às inúmeras finais de campeonatos jovens e torneios que tivemos o privilégio de dirigir, são igualmente momentos incontornáveis na nossa vida desportiva. Mas depois de tanta dificuldade e tanto sacrifício na dedicação à arbitragem, a homenagem da FAP no Benfica x Sporting deste ano, que foi o nosso último jogo nacional, e as dedicatórias que nos fizeram no nosso último jogo “em casa”, na Associação

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de Andebol de Aveiro, fizeram-nos sentir que nada foi em vão.

O que pensam do atual momento da arbitragem portuguesa?

EM CONJUNTO Faltam mais referências de peso

aos mais novos, porque muitos são muito jovens

e estão há pouco tempo na arbitragem, o que faz

com que não conheçam as pessoas, só os nomes. Quando cheguei à 1ª divisão, havia nomes como António Goulão, José Macau, António Marreiros, Jorge Gil e Dario Ramos, entre outros, e aprendi muito com eles. Tive, inclusivamente, a felicidade de dirigir jogos com o Goulão e o Gil. Os mais

novos não os conhecem como os fantásticos árbitros que foram. No entanto, foi graças aos ensinamentos deles, em grande medida, que se tornou possível termos hoje duas duplas com o nível do Eurico

e do Ivan, e do Duarte e do Ricardo, que chegaram,

com muito mérito, ao topo. Serão estas duas duplas, a breve prazo, as novas grandes referências da arbitragem portuguesa.Mas na base há muito trabalho para fazer. Temos de criar incentivos para

que os árbitros não se limitem a ir aos jogos e ir embora. Gostava de ver de novo implementada a prática de nomear os melhores árbitros com os árbitros em formação em alguns jogos. Quer o Eurico e o Ivan, quer o Duarte e o Ricardo, teriam um papel crucial nessa estratégia, pois poderiam passar conhecimentos

e a experiência adquirida de uma forma muito mais

próxima. É esta proximidade que faz com que os mais novos deixem de encarar alguém como “o melhor” para passar a ser “o modelo a seguir”. Apesar de ver que há muito potencial na nova geração de árbitros, penso que há ainda uma grande diferença entre os árbitros de topo e os que vêm atrás. É preciso acarinhar os novos e criar-lhes as tais referências, sem deixar de exigir deles o esforço e a dedicação correspondentes.

A

vossa referência na arbitragem a nível nacional?

E

a nível Internacional?

EM CONJUNTO Confesso que a nível internacional não tenho referências. Não consigo apontar um nome que se destaque claramente dos outros.

Já no que toca aos portugueses, mencionei, na questão anterior, nomes que foram referências

para mim. Pela forma como dirigiam os seus jogos

e pelas qualidades humanas que sempre

revelaram no contato pessoal comigo e em campo,

António Goulão e Dario Ramos foram os meus modelos de árbitro.

sempre revelaram no contato pessoal comigo e em campo, António Goulão e Dario Ramos foram os
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Would you like to experience a week with new friendships, amazing enter- tainment and lots of handball? Now you have the chance!

Denmark’s big international handball festival Generation Handball is loo- king forward to welcoming 3000 happy handball lovers to a week full of experiences!

The handball festival takes place in a unique festival site - a handball village in the heart of Viborg.

The tournament is for young people aged 11-23 years.

Generation Handball hopes to be able to welcome many Portuguese teams, and the first team from Portugal, which signs up for Generation Handball,

will get a free stay!

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www.generationhandball.com

August 4 - August 8 2015
August 4 - August 8 2015

August 4 - August 8 2015

NÓS… NA ÁUSTRIA

EHF 2014 Men 20 Handball

QUALIDADE, NÃO FALTA ÀS DUPLAS PORTUGUESAS

Principais competições internacionais continuam a contar com a presença de duplas portuguesas. Sinal mais para a arbitragem

O que sentiram ao receber a nomeação para o Euro sub 20 Áustria 2014? RESPOSTA CONJUNTA Recebemos a

nomeação com grande satisfação, sabendo que é mais uma etapa a

seguir para a nossa consolidação

a nível internacional. Porque

são nestas fases finais que somos observados pelas altas instâncias da EHF.

se muito na condição física e na preparação mental devido à intensa atividade a que estamos sujeitos num espaço de 2 semanas.

Como foram passados os dias na Áustria? RESPOSTA CONJUNTA Praticamente, durante todos os dias havia atividade física pela manhã (muito cedo) e visionamento de jogos, bem

como a sua discussão de lances. Nos dias sem competição, o tempo era passado em excursões para conhecer

De que maneira se preparam para esta

exigência a nível físico. Pese embora

a

cultura das cidades que acolheram

competição?

o

campeonato.

ROBERTO MARTINS (RM) Este tipo de competições requer uma grande

O jogo que mais recordam deste Europeu?

a

condição física seja primordial ao

RESPOSTA CONJUNTA Sem dúvida,

longo de toda a época, neste caso em específico, tivemos uma preparação mais cuidada devido ao grande número de jogos e ao pouco tempo de descanso entre eles. DANIEL MARTINS (DM)A preparação para este tipo de competição foca-

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o jogo que opôs a equipa da casa

(Áustria) com a Suécia que decidia qual das equipas seguiria para a meia-final. Um pavilhão muito bem composto em que se jogou um andebol ao mais alto nível, no qual todos saíram satisfeitos.

Daniel e Roberto Martins no protocolo de início de jogo no Europeu Austríaco

Podem-nos contar algum episódio que tenha sucedido com vocês? RESPOSTA CONJUNTA Lembro-me de um episódio em particular,

o fato de no final de um jogo

algumas pessoas se dirigirem a nós

e pedirem autógrafos e as famosas

“selfies”, algo a que não estamos habituados.

Ensinamentos que trouxeram deste Europeu? RM A partilha de vivências com as várias duplas e delegados

Este tipo de competições requer uma grande exigência a nível físico com grande experiencia a

Este tipo de competições requer uma grande exigência a nível físico

competições requer uma grande exigência a nível físico com grande experiencia a nível internacional, enriqueceu os

com grande experiencia a nível internacional, enriqueceu os nossos conhecimentos tanto a nível técnico como de preparação a nível mental para jogos com maior grau de exigência. DM Muitos….

Roberto e Daniel, qual a melhor dupla deste campeonato? RM Para mim sem dúvida a dupla alemã, pela postura dentro e fora das 4 linhas. E também porque vêm com a experiência de um

campeonato onde estão as melhores equipas do mundo, os melhores jogadores do mundo e onde são realizados os melhores jogos. DM É difícil mencionar, mas apontaria os alemães porque vêm com uma “bagagem” do melhor campeonato do mundo e os suecos pela forma como aprendem.

Como correu a organização do Áustria

2014?

RM A organização foi simplesmente fantástica.

2014? RM A organização foi simplesmente fantástica. DM Foi uma organização profissional em que nada faltava
2014? RM A organização foi simplesmente fantástica. DM Foi uma organização profissional em que nada faltava

DM Foi uma organização profissional em que nada faltava e quando havia alguma mudança de planos, os assuntos tinham resposta imediata.

Poderemos ver representada a Arbitragem Portuguesa nos Jogos de

2016?

RM Eu gostaria, qualidade é o que não falta às duplas de arbitragem portuguesas. DM Estou confiante que sim, mas

é o que não falta às duplas de arbitragem portuguesas. DM Estou confiante que sim, mas
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OPINIÃO

JOSÉ ANTÓNIO SILVA

Docente Faculdade de Desporto - UP / Treinador

SILVA Docente Faculdade de Desporto - UP / Treinador A PREPARAÇÃO DO ÁRBITRO PARA A COMPETIÇÃO

A PREPARAÇÃO DO ÁRBITRO PARA A COMPETIÇÃO (PARTE I)

A colaboração entre as duas classes, para a qual este artigo pretende dar um pequeno contributo, é uma das possibilidades de se desenvolver um trabalho que, em última análise, reverterá a favor da modalidade.

E m primeiro lugar gostaria de expressar a minha satisfação pela possibilidade de contribuir para o aprofundamento da colaboração entre treinadores e árbitros, algo que há muitos anos venho defendendo. Estas duas classes têm um papel decisivo

na evolução do Andebol e caminham muitas vezes de costas voltadas, o que prejudica a modalidade de que

todos gostamos. De facto, a relação treinador / árbitro

é caracterizada muitas vezes por um elevado nível

de tensão, em consequência de diferentes percepções relativamente a diversos aspectos do jogo. Seria irreal pensar que estaremos sempre de acordo e que através de uma regulação acertada, esses momentos seriam

eliminados. Partir desse pressuposto seria um erro, pelo que devemos assumir essa inevitabilidade e trabalhar em conjunto para que os seus efeitos possam ser atenuados. A colaboração entre as duas classes, para a qual este artigo pretende dar um pequeno contributo, é uma das possibilidades de se desenvolver um trabalho que, em última análise, reverterá a favor da modalidade. Ainda antes de abordar o tema principal deste artigo gostaria de enfatizar dois pontos: tenho um enorme respeito pelos árbitros, reconhecendo a grande dificuldade no desempenho da tarefa que lhes cabe; as ideias apresentadas são o reflexo de um posicionamento pessoal, não devendo ser interpretadas como uma perspectiva comum aos restantes treinadores. Nesta primeira colaboração com a revista, decidi abordar

a questão da preparação do árbitro para a competição, porque entendo ser uma área que muitos descuram.

Estou convicto que os árbitros, à imagem de treinadores

e jogadores, se devem preparar com rigor para a sua

actividade, já que arbitrar um jogo é uma tarefa exigente que obriga, entre outros factores, a elevados níveis de (i) concentração e (ii) condição física, (iii) conhecimento

do jogo, bem como do (iv) regulamento. Uma preparação adequada facilitará o trabalho do árbitro e deve passar

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do árbitro e deve passar 14 APAOMA JUL-AGO-SET 2014 ESTOU CONVICTO QUE OS ÁRBITROS, À IMAGEM

ESTOU CONVICTO QUE OS ÁRBITROS, À IMAGEM DE TREINADORES E JOGADORES, SE DEVEM PREPARAR COM RIGOR PARA A SUA ATIVIDADE…

pela identificação das suas próprias fragilidades, por forma a encontrar estratégias que permitam minimizar eventuais consequências. Assim como um jogador que apresenta debilidades ao nível físico deverá trabalhar para melhorar a sua performance, também o árbitro deverá investir para melhorar os aspectos em que não seja tão forte, independentemente da sua natureza.

Relativamente à concentração, existe a priori um aspecto a ter em conta: todos os jogos

Relativamente à concentração, existe a priori um aspecto

a ter em conta: todos os jogos são importantes e exigem

da parte do árbitro o máximo empenho e atenção. Como já tive a oportunidade de afirmar em diversas ocasiões, um jogo que para alguns pode ser considerado de menor importância, é para os treinadores e jogadores o momento alto da sua semana e para o qual trabalharam afincadamente várias horas. Assim sendo, espera-se que os árbitros se empenhem ao máximo em todos os momentos, independentemente do que está em causa para

a sua carreira ou em termos competitivos para as equipas.

Outro dos aspectos que por vezes pode contribuir para uma menor concentração é o cansaço, provocado não só pelo jogo que no momento decorre, mas também por uma sequência de jogos, sendo natural que uma dupla de arbitragem que tenha que arbitrar num curto espaço de tempo uma série de jogos se sinta afectada a este nível. Sabendo que esta situação é muitas vezes inevitável,

é necessário ter consciência da situação e encontrar a melhor forma de lidar com esta circunstância.

A concentração dos árbitros pode ainda ser afectada

por episódios ocorridos no jogo, de que são exemplo os conflitos com outros intervenientes e eventuais erros cometidos. Estas situações são normais na competição

e no caso dos árbitros não estarem preparados para as

gerir eficazmente, podem condicionar a sua actuação.

Este facto deve-se por vezes à ausência de preparação

a este nível, já que se entende que essas circunstâncias não se vão verificar, o que constitui um erro. Os árbitros à imagem dos treinadores e jogadores, devem-

se preparar para momentos em que as condições do

jogo se complicam ou nos quais a sua prestação é menos conseguida, para saber como agir e ultrapassar rapidamente a situação. Muitas vezes só se equaciona um cenário em que tudo corre bem, descurando a preparação para ultrapassar os maus momentos. Relativamente à condição física, ela afigura-se como

decisiva para a prestação dos árbitros tendo repercussões fundamentalmente a dois níveis: (i) na capacidade que

os árbitros têm para acompanhar todos os lances nas

melhores condições e (ii) para evitar o aparecimento da fadiga.

A evolução recente do jogo ditou um aumento

significativo da sua intensidade, bem como do número de ataques, factores que obrigaram a uma adaptação

por parte dos vários intervenientes, nos quais se inclui

a equipa de arbitragem. A solicitação do ponto de

vista físico aumentou para todos, sendo exigido aos árbitros que acompanhem devidamente todos os lances para que os possam avaliar da melhor forma. Assim a disponibilidade para realizar acções semelhantes às dos jogadores, como sprint`s e mudanças de direcção, bem como a capacidade para as repetir num curto espaço de tempo, têm que ser características dos árbitros actuais. Para além deste aspecto mais relacionado com acções pontuais, os árbitros deverão ter também a capacidade para recuperar entre esforços, potenciando os momentos de pausa no jogo, evitando assim o aparecimento da fadiga. Esta questão é decisiva, visto que muitos dos jogos mais intensos e com elevada competitividade se decidem no final, devendo a dupla de arbitragem estar na melhor condição para avaliar correctamente, reduzindo

ao mínimo indispensável o efeito da fadiga na sua prestação. Tendo em vista uma preparação eficaz a este nível, é imperioso que o árbitro desenvolva um trabalho sistemático e bem dirigido. No próximo número serão abordadas as questões do conhecimento do jogo e do regulamento como parte integrante da preparação do árbitro para a competição.

do jogo e do regulamento como parte integrante da preparação do árbitro para a competição. 15
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CAPACAPA

Hugo Virgílio

É NECESSÁRIO CRIAR INCENTIVOS DE VÁRIAS ORDENS PARA CAPTAR NOVOS VALORES PARA A ARBITRAGEM

VÁRIAS ORDENS PARA CAPTAR NOVOS VALORES PARA A ARBITRAGEM Do ponto de vista qualitativo a arbitragem

Do ponto de vista qualitativo a arbitragem portuguesa está bem e recomenda-se. Não é por acaso que os organismos internacionais confiam cada vez mais nos árbitros portugueses para as grandes competições internacionais.

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CAPA

N

Na sua opinião considera verdadeira a afirmação de que a arbitragem portuguesa atravessa um momento de crise? Do ponto de vista qualitativo a arbitragem portuguesa está bem e recomenda-se. Não é por acaso que os organismos internacionais confiam cada vez mais nos árbitros portugueses para as grandes competições internacionais. No entanto, do ponto de vista quantitativo, o cenário já não é tão risonho. Existe hoje um défice muito grande de árbitros para satisfazer todas as necessidades das federações e associações regionais. Há, neste aspeto, um caminho a percorrer que necessariamente terá de passar por criar uma carreira de arbitragem com mais incentivos para captar jovens para esta nobre função que é a arbitragem.

Portugal tem registado alguns casos de sucesso de árbitros e juízes em diferentes modalidades a nível internacional. Que análise faz destes exemplos nacionais? De facto, a arbitragem portuguesa tem alcançado lugar de destaque a nível internacional. Lamentavelmente, os órgãos de comunicação social não têm dado grande relevo a todos os sucessos que a arbitragem portuguesa tem conseguido. O Estado e as próprias instituições desportivas nacionais também não têm sabido dar o reconhecimento de tais feitos. Portugal pode orgulhar-se de ter tido nos últimos Jogos Olímpicos de Londres 2012 uma grande representação a nível da arbitragem, tendo inclusive o orgulho de termos 4 árbitros a dirigir finais olímpicas, temos árbitros portugueses nas fases finais de Campeonatos do Mundo em diversas modalidades ou em Campeonatos da Europa,

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bem como em finais de competições europeias.

Os sucessos alcançados pela arbitragem portuguesa são

o resultado de um grande trabalho desenvolvido em

primeira instância pelos próprios árbitros, mas também

é a consequência do labor das federações desportivas e

principalmente dos conselhos de arbitragem. Também não posso deixar de referir que Portugal tem hoje pessoas de reconhecida competência a desempenhar

os mais elevados cargos em instituições internacionais

o que também muito nos orgulha. Importa que, não

abdicando dos princípios de seriedade e honestidade com que desempenham as suas funções, não esqueçam

o importantíssimo papel que podem desempenhar para

ajudar ao desenvolvimento da arbitragem portuguesa.

Numa perspectiva global quais os pontos determinantes que ainda julga serem necessários implementar para definitivamente a arbitragem portuguesa atingir elevados padrões de qualidade? Como referi, a arbitragem portuguesa está num patamar elevado. Basta atentar ao facto de na maioria das modalidades os árbitros conseguirem atingir níveis que infelizmente os outros agentes não conseguem atingir. Mas temos de ter a consciência de que a evolução é uma constante, devendo sempre caminhar na busca da excelência. Existe um défice quantitativo de árbitros em Portugal, fator importante que deve ser combatido para conseguirmos patamares de excelência. É pois necessário criar incentivos de várias ordens para captar novos valores para a arbitragem.

É necessário melhorar a formação dos árbitros,

perfeitamente dispare nas várias modalidades. Não percebo por que razão as Federações não unem sinergias para desenvolver mais e melhores formações. Poderiam usufruir de meios humanos e técnicos que certamente individualmente não dispõem. Nesta área a CAJAP também pode desempenhar um papel de relevo. Dou-lhe outro exemplo, a Fundação do Desporto e as Federações poderiam proporcionar a utilização de recursos físicos de excelência, como sejam os Centros de Alto Rendimento, para a preparação dos árbitros. Lamentavelmente estas infraestruturas de excelência não servem os árbitros. Lamentavelmente ainda há muitos dirigentes que olham

para a arbitragem como um mal necessário em vez de compreender que é um meio indispensável para a evolução qualitativa das modalidades. Mas, em nome da verdade, é importante referir que muito se tem feito em prol dos árbitros. Para não me repetir, destaco agora a recente profissionalização dos árbitros, que certamente contribuirá para termos melhores árbitros.

RAIOS X HUGO VIRGÍLIO NOME Hugo Filipe Baía Lopes Simões Virgílio IDADE 41 anos DATA

RAIOS X

HUGO VIRGÍLIO

NOME

Hugo Filipe Baía Lopes Simões Virgílio IDADE

41 anos

DATA NASCIMENTO

12 de junho de 1973

CARGO Presidente C.A.J.A.P. - Confederação das Associações de Juízes e Árbitros de Portugal FORMAÇÃO ACADÉMICA Mestrado em Direito DADOS DO SEU PERCURSO

Árbitro de Andebol de 1992 - 2007

Presidente da Direção APAOMA de 2002 - 2010

Vice-presidente da Direção CAJAP de 2006 - 2012

Presidente da Direção CAJAP 2012 - ….

Conselheiro do Conselho Nacional de Desporto 2012 - …

Se tivesse que apontar um modelo estrangeiro de gestão

para arbitragem qual escolheria? E porquê da sua opção por esse modelo? Não existem modelos perfeitos. A resposta a esta questão

é muito variável pois os modelos variam de modalidade para modalidade. No andebol revejo-me no modelo

francês e no dos países nórdicos; no futebol aprecio o modelo inglês e italiano; no rugby também gosto do modelo inglês e francês, etc. Não deixo de salientar o modelo inglês de gestão da arbitragem no futebol que é um verdadeiro case study, onde a arbitragem está fora da esfera das federações

e ligas profissionais, é gerida pelos árbitros através

de sociedade a quem as instituições desportivas recorrem para contratar a prestação de serviços. Inexiste qualquer interferência por parte das Federações e Ligas Profissionais e muito menos por parte de clubes desportivos, na gestão da arbitragem e tão pouco têm o poder eletivo das pessoas que gerem a arbitragem.

Relativamente aos outros elementos da arbitragem que nem sempre são reconhecidos, casos dos delegados e observadores, como se encontram as suas situações

neste momento? O que podem as diferentes modalidades exigirem a estes agentes?

O papel dos observadores é extremamente importante

para o desenvolvimento da arbitragem. São eles que analisam e avaliam os árbitros, tarefa que é da maior relevância para os Conselhos de Arbitragem poderem gerir adequadamente os recursos humanos que têm à sua disposição. Mas os observadores têm também uma

função pedagógica importantíssima junto dos quadros de arbitragem.

Já os delegados têm uma função não tão direcionada para

os árbitros (apesar de auxiliarem nos jogos), mas têm antes uma função de salvaguarda da boa aplicação dos

regulamentos federativos e de garante da equidade entre

as equipas.

Também foi árbitro de Andebol. Quais os aspetos que salientaria como essenciais para que um árbitro possa

atingir o patamar máximo da arbitragem nesta modalidade? Existem inúmeros fatores que devem ser conjugados para

se atingir o patamar da excelência. Destaco alguns que

considero fundamentais para o desempenho das funções dos árbitros: seriedade, consistência, comunicação, capacidade de decisão, equilíbrio, integridade, capacidade de julgamento, confiança, prazer e motivação, boa condição física, boa condição psicofisiológica, boa condição emocional e boa condição técnica e conhecimento das regras de jogo.

boa condição emocional e boa condição técnica e conhecimento das regras de jogo. 19 APAOMA JUL-AGO-SET
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CAPA É também extremamente importante a estabilidade familiar e profissional, dois pilares que se não

CAPA

É também extremamente importante a estabilidade

familiar e profissional, dois pilares que se não forem devidamente sólidos podem fazer desmoronar tudo.

Que balanço faz aos anos em que pertenceu aos quadros nacionais da FAP? Foram 15 anos dedicados à arbitragem do andebol. Logicamente que passados tantos anos, o balanço só pode ser muito positivo. Do ponto de vista desportivo consegui alcançar o topo de uma carreira a nível nacional. Tive o privilégio de arbitrar com excelentes pessoas e com todos muito aprendi. Privei com imensas pessoas por quem nutro profundo respeito e consideração.

Qual a sua opinião sobre o atual momento da arbitragem nacional no andebol comparativamente ao momento em que ainda exercia as funções de árbitro? Verifico existir um claro fosso entre as nossas duplas mais credenciadas e as restantes. Importa trabalhar para

mitigar esta diferença qualitativa. Por outro lado, verifico existir menos experiencia por parte dos árbitros, situação

a que não é alheio o facto das duplas mais experientes

terem progressivamente vindo a abandonaram a atividade cada vez mais cedo, facto que considero dever merecer uma profunda reflexão por parte do Conselho de Arbitragem. Existe ainda um claro retrocesso no que diz respeito às relações interpessoais, devendo os árbitros ter plena consciência de que os jogadores, treinadores e dirigentes são parte ativa do jogo, não podendo, de forma alguma, ser tratados como inimigos.

Na sua perspectiva, os árbitros jovens têm atualmente maiores possibilidades de progressão na carreira do que tinham os árbitros jovens há 10 anos atrás? Inexiste uma clara definição de carreira de árbitro e muito menos uniforme a todas as modalidades. Como acima referi a CAJAP está atualmente a trabalhar nesse sentido. Considero, no entanto, que a contrário sensu, este facto

VERIFICO EXISTIR UM CLARO FOSSO ENTRE AS NOSSAS DUPLAS MAIS CREDENCIADAS E AS RESTANTES.Considero, no entanto, que a contrário sensu, este facto 20 APAOMA JUL-AGO-SET 2014 leva a que

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leva a que os jovens árbitros tenham atualmente maiores possibilidades de progressão do que há dez anos atrás, pois temos verificado algumas ascensões vertiginosas. Quando iniciei a minha carreira de árbitro de andebol, apesar do valor que cada um demonstrava, só se conseguia chegar à primeira divisão após vários anos e

após ter percorrido pelo menos 5 níveis. Hoje, certamente pela falta de árbitros, a ascensão é muito mais rápidas. No entanto, o problema do acesso às insígnias internacionais mantêm-se inalterado. Como sabemos, quando um jovem inicia a sua carreira na arbitragem logicamente que é com a legítima ambição de um dia poder ser árbitro internacional. Sucede que, no quadro atual, apenas poderá almejar tal desiderato quando os atuais árbitros internacionais deixarem de o ser, o que normalmente só acontece em final de carreira. Se atendermos a que os árbitros internacionais têm 33 anos equivale a dizer que ainda poderão arbitrar ao mais alto nível durante os próximos 12 anos. Quer isto dizer, na prática que um jovem de 18 anos que entre agora na arbitragem só poderá almejar chegar ao patamar mais elevado da arbitragem quando tiver 30 anos. Sucede que com esta idade já poucas (para não dizer nenhumas) hipóteses têm de alcançar as insígnias da EHF, sobretudo porque as federações entendem não os indicar. Logicamente que, não havendo reais expectativas de poder chegar ao topo da carreira, é muito difícil conseguir captar novos árbitros, como é também difícil motivar os que cá andam. Por este motivo, e também para que os árbitros internacionais não se acomodem com o que já conseguiram, defendo que sejam criados objetivos claros

e exequíveis para cada dupla internacional, devendo a

Federação dar todas as condições para alcançarem tais

objetivos, mas definindo também regras penalizadoras para eventual insucesso.

Uma das funções que também desempenhou foi a de presidente da Direção da APAOMA. Como vê o momento atual desta associação? A APAOMA é uma associação de classe na qual os

árbitros, oficiais de mesa e observadores se revêm

e amplamente reconhecida pela FAP e associações

regionais. Felizmente o Presidente da Direção da FAP, a

Direção e o Conselho de Arbitragem são pessoas sérias e competentes, que promovem o diálogo com a Associação

e que diligenciam atividades conjuntas. Existe hoje um ambiente profícuo para o desenvolvimento do andebol onde logicamente a APAOMA se insere. Também me revejo na gestão atual da APAOMA, pois apesar de todas as limitações que conheço melhor

Jantar anual de árbitros do CREAR - Lisboa do que ninguém, conseguiram dinamizar algumas iniciativas

Jantar anual de árbitros do CREAR - Lisboa

do que ninguém, conseguiram dinamizar algumas

iniciativas que são da maior relevância para os quadros de arbitragem, como seja a negociação dos abonos com

o CA ou a “auditoria” às classificações dos árbitros.

Não posso deixar de saudar a criação da revista da APAOMA. Muitas das tarefas que os dirigentes associativos promovem, apesar de serem extremamente importantes para os árbitros, não são visíveis aos olhos destes, existindo muitas críticas extremamente injustas (inclusive de quem nem sequer se digna pagar quotas). Infelizmente só quem produz é sujeito a criticas, quem, pelo contrário, nada faz não é alvo de qualquer censura.

No seu período de presidência sentiu mais dificuldades ou facilidades em implementar as ideias preconizadas pela APAOMA? Quais foram as razões para tal?

O nascimento de qualquer instituição é sempre

complicado. No caso da APAOMA as dificuldades foram maiores porque os anteriores projetos de constituição de uma associação de classe foram mal sucedidos. Antes de termos constituído a associação os árbitros deixavam

ao livre arbítrio de terceiros as decisões sobre tudo

o que dizia respeito à sua atividade pois não tinham

qualquer voz ativa. Muitas vezes os árbitros viram os

seus legítimos interesses e direitos serem prejudicados

e remetiam-se ao silêncio com justificados receios de

verem as suas carreiras desportivas prejudicadas. Creio que a APAOMA foi muito importante para alguma

emancipação por parte dos árbitros. Talvez a minha maior mágoa seja constatar que alguns ex- dirigentes da Federação nunca perceberam as motivações da APAOMA, a sua função adentro da modalidade e o potencial que poderia retirar dela. Pasme-se o facto da Direção da APAOMA, enquanto associação representativa dos árbitros, nunca ter sido convidada pelos Conselhos de Arbitragem para qualquer reunião ou iniciativa. Este exemplo elucida na perfeição as dificuldades por que passamos, felizmente as coisas estão bem diferentes Não deixarei também de referir que a APAOMA se viu confrontada com a “guerra” entre a Liga e a FAP tendo tido um papel extremamente importante, não só para a defesa dos árbitros, mas também na salvaguarda da imagem do andebol. Recordo ainda que os árbitros se viram, pela primeira vez, a braços com sérios problemas fiscais. Soubemos unir esforços e arranjar soluções para minorar os prejuízos dos árbitros. Intentamos inclusive vários processos judiciais contra a Administração Fiscal em vários Tribunais do país, de Braga a Beja, e todos tiveram sentenças favoráveis para os árbitros. Todos estes processos foram totalmente graciosos para os árbitros. A APAOMA constitui garantias bancárias e eu próprio fui fiador dos árbitros. Recordo ainda que apesar de todas as dificuldades com que nos deparamos, conseguimos negociar equipamentos para todos os árbitros e oficiais de

com que nos deparamos, conseguimos negociar equipamentos para todos os árbitros e oficiais de 21 APAOMA
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CAPA Tomada de posse dos órgãos sociais da CAJAP em em 2008 mesa. Orgulho-me de

CAPA

CAPA Tomada de posse dos órgãos sociais da CAJAP em em 2008 mesa. Orgulho-me de não

Tomada de posse dos órgãos sociais da CAJAP em em 2008

mesa. Orgulho-me de não termos feito qualquer distinção dentro de campo entre os árbitros, todos receberam equipamentos iguais. Também não posso deixar de referir os obstáculos com que nos confrontamos para conseguir que os pagamentos aos árbitros fossem feitos atempadamente, os quais, inclusive, chegaram a ser feitos através da APAOMA. Mas tenho orgulho em afirmar que os nossos esforços foram sempre recompensados, pois nunca os árbitros iniciaram uma época sem que fossem previamente liquidadas todas as verbas da época anterior. Apesar de tudo isto, hoje asseguro que o maior obstáculo que encontramos foram sem dúvida alguma os próprios árbitros. Apesar de trabalharmos arduamente

e graciosamente na APAOMA apenas e só em prol

deles, inclusive com prejuízo para as nossas carreiras desportivas, é com alguma mágoa que constatei a falta de reconhecimento dos próprios árbitros. Logicamente que é sempre possível fazer mais e melhor e assumo alguns erros cometidos, mas não posso deixar de manifestar a minha mágoa pela falta de um simples “obrigado” por parte de quem teve ajuda graciosa, quer através de apoio jurídico, de adiantamentos financeiros,

de constituição de fiador, etc. Quero referir, que desde

a constituição até à nossa saída da APAOMA, nenhum

membro da Direção alguma vez recebeu qualquer verba, seja a que titulo for, da APAOMA. Todas as despesas tidas no exercício dos poderes que nos foram conferidos foram por nós suportadas com custas pessoais. Começamos sem dinheiro e, mesmo com enorme défice de pagamento de quotas, conseguimos deixar um saldo positivo superior a 10.000,00 euros.

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superior a 10.000,00 euros. 22 APAOMA JUL-AGO-SET 2014 A APAOMA É UMA ASSOCIAÇÃO DE CLASSE NA

A APAOMA É UMA ASSOCIAÇÃO DE CLASSE NA QUAL OS ÁRBITROS, OFICIAIS DE MESA E OBSERVADORES SE REVÊM E AMPLAMENTE RECONHECIDA PELA FAP E ASSOCIAÇÕES REGIONAIS

De uma forma geral, considera ser compensador a dedicação completa à vida da arbitragem? Só é árbitro quem realmente Ama a arbitragem, pois atualmente as compensações são verdadeiramente escassas. E quem ama … Mas que há vida para além da arbitragem isso não tenho qualquer dúvida.

Qual a mensagem que deixaria aos árbitros que iniciam a carreira desportiva neste momento? A arbitragem é uma função verdadeiramente extraordinária dentro do jogo. A nobre e honrosa tarefa do árbitro enquanto responsável por fazer cumprir as regras, os regulamentos, o espírito do jogo, do fair-play merecem o nosso esforço e abnegação. Certamente que com vontade, trabalho e dedicação almejarão os patamares que se propõem alcançar.

e abnegação. Certamente que com vontade, trabalho e dedicação almejarão os patamares que se propõem alcançar.

OPINIÃO

CARLOS CAPELA

Esc. de Formação de Árbitros de And. de Aveiro

CAPELA Esc. de Formação de Árbitros de And. de Aveiro SANÇÃO PROGRESSIVA Com este texto quis

SANÇÃO PROGRESSIVA

Com este texto quis não só falar das regras e de como as aplicar em jogo, mas levantar o véu sobre o outro lado do andebol e a forma como veem o jogo aqueles que procuram apenas permitir que sejam os atletas as estrelas

N a minha opinião, há dois aspetos que definem uma arbitragem: a boa aplicação da lei da vantagem, pois sendo o andebol um desporto de contato físico é imperioso saber geri-lo corretamente, e o bom uso da sanção disciplinar, não só como fator

decisivo para punir excessos no contato entre jogadores, mas também para manter a ordem e o respeito dentro do campo. Dedico o meu artigo desta edição à aplicação da sanção disciplinar.

É, talvez, o aspeto em que é mais difícil o trabalho do

árbitro. Agradar a todos, definindo e aplicando uma linha disciplinar coerente, é uma tarefa complicada e requer muito esforço e concentração do primeiro ao último minuto. Esta “linha disciplinar” deve marcar o limite que o árbitro permite. Todos os intervenientes no jogo devem perceber até onde podem ir, e essa linha é

marcada e mantida pelos árbitros. Os árbitros, ao definirem corretamente esta linha, acabam não só por mostrar a todos o que podem esperar da sua atuação, mas também por marcar a sua própria imagem. Neste particular, os primeiros dez ou quinze minutos são de enorme importância. Existe a tendência, talvez natural, de facilitar ou de “ir ver até onde dá”, mas essa gestão tem de ser feita com pinças. Uma exceção, feita conscientemente, pode abrir um precedente muito grave na condução do jogo e conduzir à perda total do controlo do jogo. Os jogadores e treinadores compreendem muitas vezes melhor uma falha involuntária na análise de um lance do que uma exceção deste género. E é precisamente nesta fase inicial do jogo que devem surgir os cartões amarelos.

A advertência é um ato público, em que o árbitro diz

claramente a todos aquilo que permite e o que está na disposição de punir. O cartão amarelo é um aviso para

toda a equipa, e esta forma de ver a punição mais leve de todas justifica umas linhas… é que a esmagadora maioria dos agentes de um jogo entendem que um cartão

se aplica só à ação de um jogador e deve ser analisado

independentemente. Não! O cartão amarelo é um aviso para toda a equipa! Vamos lá com um exemplo. Imaginemos que, aos cinco minutos de jogo, o pivô da

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cinco minutos de jogo, o pivô da 24 APAOMA JUL-AGO-SET 2014 equipa atacante recebe a bola

equipa atacante recebe a bola de costas para a baliza. O defesa agarra-o por trás e não o deixa rodar para a baliza. O defesa deve ser punido com cartão amarelo. Neste momento, toda a equipa se encontra advertida para o facto de esta ser uma ação punível com sanção disciplinar. Se, mais tarde, o pivô atacante voltar a receber a bola e for impedido de rodar para a baliza por estar a ser agarrado por trás por outro jogador, o infrator não deve ser punido com nova advertência, mas sim com exclusão de dois minutos! “Mas a falta foi igual”, vão reclamar os colegas

e treinadores do jogador punido. Só que a questão é que

é precisamente por ser igual que a exclusão deve ser

atribuída. O cartão amarelo, apesar de ser mostrado a um jogador, aplica-se, no que toca ao “tipo de falta”, a toda a equipa. Aqui, deixem-me só fugir ao tema por um instante para dizer que nestas ocasiões em que puni atletas

FOTO ANTÓNIO OLIVEIRA

FOTO ANTÓNIO OLIVEIRA por agarrarem o pivô por trás, inúmeras vezes os atletas punidos me disseram

por agarrarem o pivô por trás, inúmeras vezes os atletas punidos me disseram (especialmente os mais jovens), e cito, “mas o meu treinador manda-me defender assim”.

Para os treinadores da formação, fica aqui o meu forte apelo

a trabalhar esta técnica defensiva.

É aqui que surge a necessidade de distinguir os conceitos de “sanção disciplinar” e “sanção progressiva”. Na

prática, são conceitos que se misturam, mas são termos frequentemente mal usados. O entendimento que se deve ter de “sanção progressiva” difere do de “sanção disciplinar” na medida em que trata de situações como

a que descrevi em cima. São sanções cuja gravidade é

progressiva e evolui com o jogo e a seriedade da ação. Já uma sanção disciplinar pode ou não ser progressiva,

pois pode ser resultado de uma ação que justifique imediatamente uma punição severa ou resultado de algo

que aconteceu previamente, e daí a sua progressividade.

É essencial referir que nada obriga a começar o jogo

usando o cartão amarelo. Cada situação pede uma análise da parte dos árbitros, pelo que, sendo possível à dupla de arbitragem conduzir o jogo começando pelas sanções mais leves, tanto melhor, mas se o momento o exigir, existem exclusões e desqualificações como sanções possíveis, que devem e podem ser usadas desde o início se tal for necessário. Após o limite máximo de três cartões amarelos por equipa, passamos a outro nível de punição. A exclusão pode ser motivada por uma questão de “progressividade” na sanção, como já referi em cima, ou por uma ação que o justifique de imediato. Neste último caso devem incluir-se todas as ações em que o jogador infrator não tem em consideração o perigo em que coloca o adversário. Nenhum árbitro

deve facilitar perante situações deste tipo. O andebol é um desporto viril, em que a agressividade deve estar sempre presente, mas dentro de certos limites. Compete aos árbitros punir os excessos que inevitavelmente surgem em cada jogo. Compete aos jogadores respeitar a integridade física dos seus adversários. Compete aos treinadores trabalhar as suas equipas para que o andebol seja jogado dentro das regras.

É verdade que muitas vezes os contatos que ocorrem

não são intencionais, e é preciso saber distingui-los dos que podemos apelidar de “maldosos”, mas é difícil julgar intenções e devemos puni-los mesmo assim. Seja voluntário ou não, um contato incorreto acaba por deixar marca em quem o sofre, e esse deve ser, acima de tudo, o critério decisivo. Estou em crer que muitas das pessoas que leem esta revista não são árbitros, e por isso desconhecem que existem critérios tão claramente definidos. Como tal tomo a liberdade de começar por transcrever um excerto da regra

8:4, que define esses critérios e dá exemplos de situações que merecem uma exclusão imediata de dois minutos. “8:4 (…)

a) Faltas que se cometem com grande intensidade ou contra um adversário que está a correr rápido;

b) Agarrar um adversário por um largo período de tempo, ou fazê-lo cair ao solo;

c) Faltas dirigidas à cabeça, pescoço ou garganta;

d) Golpear fortemente o tronco ou o braço de remate;

e) Tentar que o adversário perca o controlo do seu corpo

(por exemplo: agarrar a perna/pé de um adversário que está a saltar); f) Correr ou saltar a grande velocidade sobre um adversário.“

(CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO)

APAOMA 25 JUL-AGO-SET 2014
APAOMA
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CLUBES COM HISTÓRIA

CLUBES COM HISTÓRIA PASSOS MANUEL – 50 ANOS DE HISTÓRIA NO ANDEBOL DE LISBOA O NAAL

PASSOS MANUEL – 50 ANOS DE HISTÓRIA NO ANDEBOL DE LISBOA

O NAAL Passos Manuel, um dos clubes de Lisboa e do País com maior historial no andebol, particularmente na área de formação, onde é um dos poucos emblemas com títulos nacionais em todos os escalões etários, comemorou

os 50 anos de atividade ininterrupta com um conjunto de cerimónias de enorme significado e teve também a felicidade de reunir, neste ano tão importante, dois feitos de grande valor e de grande vitalidade, como foram a manutenção da sua equipa de seniores masculinos na Divisão 1 e a ascensão da sua equipa de seniores femininos ao escalão principal, após conquista do título de Campeão Nacional da 2a Divisão. Conjuga-se assim, na época 2014/15, uma presença simultânea nos principais campeonatos de ambos os

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géneros, um feito único na modalidade nos nossos dias,

e extremamente raro em toda a história do andebol

nacional. Independentemente dos muitos sucessos no plano competitivo, o historial deste clube lisboeta fica especialmente marcado por uma postura de clube que sempre apoiou o seu desenvolvimento nos jovens.

Jovens que o iam procurando para a prática desportiva

e que, fruto de experiências vividas no próprio clube,

acabavam por desenvolver o interesse e se empenharem na condução e desenvolvimento das próprias actividades e nas mais diversas responsabilidades:

dirigentes, treinadores, etc. Sendo quase um oásis num panorama de inexistência de associativismo desportivo no centro histórico da Cidade, uma zona simultaneamente muito carenciada de instalações desportivas qualificadas, o Passos Manuel, ao longo destas cinco décadas tem lançado milhares de atletas no desporto federado, para além dum notável trabalho de colaboração com as autarquias locais, mais vocacionado para o fomento da iniciação à prática desportiva e da animação pré-desportiva. Diga-se a propósito que este clube de origem escolar é tradicionalmente um dos muito poucos a nível nacional

que dispõe de atletas em todos os escalões etários de ambos os sexos, cotando-se década

que dispõe de atletas em todos os escalões etários de ambos os sexos, cotando-se década após década entre os clubes com maior número de praticantes. Para o desenvolvimento das suas diversas vertentes de treino, o ”Passos”, como é normalmente conhecido, tem utilizado diversos tipos de instalações desportivas da Escola e da cidade, com flutuações e restrições que têm provavelmente constituído o principal entrave ao desenvolvimento das suas potencialidades. No momento atual, o Passos utiliza um total de 7 instalações para treinos, muito embora e desde há cerca de duas décadas, centre a maioria da sua atividade de treino competitivo nas instalações do Complexo Desportivo da Lapa e a realização de jogos no Pavilhão da Quinta de Marrocos fruto, neste caso, de um virtuoso protocolo de colaboração e desenvolvimento com o Sport Lisboa e Benfica. Para além do já referido historial de grande riqueza quantitativa e qualitativa, onde se sinaliza o lançamento de dezenas de atletas internacionais, treinadores reconhecidos e dirigentes da modalidade, a nível nacional e internacional, o Passos Manuel continua a manifestar grande vitalidade, desenvolvendo actualmente um projecto em parceria e com grande

apoio das autarquias, escolas e algumas empresas, denominado FUN&BOL, que movimenta centenas de crianças daquela zona da cidade, em actividades de animação desportiva e de iniciação ao andebol. Deste modo, a participação das equipas mais representativas nos mais altos patamares do andebol nacional, acaba por ser um merecido prémio e uma importante referência para o trabalho desenvolvido e a desenvolver. Realce para o papel junto das gerações mais jovens, possibilitando-lhes exemplos e modelos que poderão reforçar a sua ambição e motivação para o aperfeiçoamento e a especialização. Finalmente será de registar que esta ascensão competitiva do Passos tem constituído um interessante polo de atracão para trazer de novo às bancadas e aos fóruns internos do clube, muitos ex-atletas que naturalmente se haviam afastado das atividades e que agora voltam a partilhar e recordar muitas e ricas experiências vividas no seu “Passos Manuel”. O Desporto Nacional precisa destes clubes e dos seus protagonistas, intencionalmente incógnitos, mas que na sombra desenvolvem um papel fundamental junto das populações, num país com tão baixos índices de prática desportiva.

fundamental junto das populações, num país com tão baixos índices de prática desportiva. 27 APAOMA JUL-AGO-SET
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UM FIM DE SEMANA COM

Catarina Ascensão — EX Mecalia Atletic Guardés

CAMPEONATO ESPANHOL COM SOTAQUE MADEIRENSE

Continuamos a nossa viagem pela europa, deslocando-nos até à Galiza. Lá encontramos Catarina Ascenção, com quem dialogamos na véspera da deslocação a Bilbao

SÁBADO

Dia de jogo, em Bilbao, às 19h

5h30

Hora de despertar; após me preparar desloco-me para o pavilhão.

6h00

Saída do pavilhão no autocarro do Guardes com os grandes motoristas, Rocha e Angel. A deslocação hoje é para Bilbao, todas estamos equipadas com as almofadas e mantas, sendo que algumas de nós se deitam no chão a dormir, outras preferem descansar nos assentos e assim começamos uma viagem de muitas horas.

7h30

Paragem habitual em Godiña para o pequeno-almoço de equipa.

8h00

Retomamos a viagem onde, em regra dormimos mais um bocado.

11h00

Já despertas ocupamos o tempo que resta da viagem com atividades entre nós: jogamos às cartas, vemos filmes no autocarro, cantamos, vemos as paisagens, cada uma ocupa-se com a sua melhor distração.

13h00

Paragem para almoçar. Quando

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jogamos fora, em regra, comemos

sempre dois pratos, o primeiro prato (massa) e o segundo prato (frango com arroz ou batata frita).

A sobremesa é um iogurte

ou uma peça de fruta.

16h30

Chegamos a Bilbao, hora para lanchar

e um pequeno passeio pela cidade.

17h30

Hora e meia antes da hora

marcada para o início do jogo estamos no pavilhão. A primeira coisa que fazemos é meter música no balneário. Em seguida todas nos penteamos

e equipamos. Quando estamos

preparadas o nosso treinador vem ao balneário dar a palestra e os últimos conselhos para o jogo.

19h00

Jogo com PROSETECNISA ZUAZO

21h00

A seguir ao jogo jantar, onde todas

falamos sobre o jogo

22h00

Iniciamos a viagem de regresso A La Guardia. Começamos sempre por ver um filme e tentamos dormir o resto da viagem, o que por vezes não conseguimos mas é sempre muito desconfortável.

ver um filme e tentamos dormir o resto da viagem, o que por vezes não conseguimos
ver um filme e tentamos dormir o resto da viagem, o que por vezes não conseguimos
a mais uma jogada (cima) e com a sua equipa (em baixo) após a conquista
a mais uma jogada (cima) e com a sua equipa (em baixo) após a conquista

a mais uma jogada (cima) e com a sua equipa (em baixo) após a conquista de mais um jogo de grande dificuldade

após a conquista de mais um jogo de grande dificuldade RAIOS X CATARINA ASCENÇÃO NOME Catarina
após a conquista de mais um jogo de grande dificuldade RAIOS X CATARINA ASCENÇÃO NOME Catarina

RAIOS X

CATARINA

ASCENÇÃO

NOME Catarina Raquel Côrte Ascensão LOCAL E DATA DE NASCIMENTO Funchal, 22 de setembro de 1992 POSIÇÃO Ponta Direita CLUBES Clube Desportivo Infante,

Clube Sports Madeira, Madeira SAD

e Mecalia Atlético Guardés INTERNACIONALIZAÇÕES

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MELHOR ATLETA PORTUGUESA E ESTRANGEIRA NA SUA POSIÇÃO

Patrícia Rodrigues (JAC Alcanena)

e Alexandra Nascimento (Brasil) SETE IDEAL COM QUEM JOGOU GR Virgínia Ganau (Madeira Andebol SAD) PE Cláudia Aguiar (Madeira Andebol SAD) LE Mónica Soares (Madeira Andebol SAD) C Estela Doiro (Mecalia Atlético Guardés) LD Alesia Kurchankova (Mecalia Atlético Guardés) (Madeira Andebol SAD) PD Carmen Martin

(Madeira Andebol SAD)

Renata Tavares

(Madeira Andebol SAD) TREINADOR MARCANTE Vitor Rodrigues (Club Sports Madeira) TÍTULOS

Campeã regional, Campeã Nacional

2011/2012, Taça e Super Taça 2011/2012

Taça e Super taça 2012/2013 PROFISSÃO Jogadora de andebol CIDADE IDEAL PARA VIVER Ilha da Madeira PRATO PREFERIDO Espetadinha e bolo do caco com manteiga d’alho BEBIDA PREFERIDA Frutos vermelhos FILME PREFERIDO

Hachiko

FILME PREFERIDO Um homem com sorte MÚSICA PREFERIDA Adoro qualquer género de música, depende dos momentos para ouvi-las.

MÚSICA PREFERIDA Adoro qualquer género de música, depende dos momentos para ouvi-las. 29 APAOMA JUL-AGO-SET 2014
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UM FIM DE SEMANA COM DOMINGO 8h00 A viagem está perto do fim. Paragem em

UM FIM DE SEMANA COM

DOMINGO

8h00

A viagem está perto do fim.

Paragem em Godiña para tomar o pequeno-almoço (opcional)

9h00

Finalmente chegamos, em casa

já eu e a minha colega de equipaque

reside comigo dormimos mais um bocado, já que no autocarro é bastante difícil.

15h00

Aproveito a tarde de Domingo para dar um passeio com os amigos, tomar um café. Tempo ainda para falar com a família e com os meus amigos da Madeira. Aproveito para matar as saudades de todos.

21h00

Por norma ao Domingo janto com amigos. Após o jantar vamos a um bar ouvir uma música.

ARBITRAGEM

Quais as principais diferenças notam entre a arbitragem Portuguesa e a Espanhola??

A arbitragem é muito mais rigorosa,

quer a nível disciplinar, quer a nível técnico. Outro fator que noto diferença, é a relação entre o árbitro

 

23h00

e

as equipas (conseguimos dialogar).

 

13h00

Volto para casa, vejo a minha série

O

contacto físico é muito mais forte e os

repostas do sono preparamos o

“la que se aviciña” e acabo sempre

árbitros não marcam tantas faltas, deixam

almoço (variamos muito a alimentação).

por adormecer muito rápido devido ao cansaço.

por adormecer muito rápido devido ao cansaço. jogar mais. Acho que essa é a maior diferença

jogar mais. Acho que essa é a maior diferença entre Portugal e Espanha.

O QUE ELES DIZEM

CATARINA ASCENÇÃO

“Enquanto irmã, podemos dizer que sempre foi uma referência

de força, de determinação e de coragem! É uma grande mulher

e nunca desistiu daquilo que

realmente a faz feliz. Gostamos imenso dela e sabemos acima de tudo, que é uma amiga para a vida!”

JOANA e MARTA ASCENSÃO, irmãs.

“A Catarina é, sem dúvida, a melhor filha que uma mãe poderia

ter! Dedicada e atenta, nunca se esquece do que verdadeiramente

é importante. É uma menina muito

especial, super divertida e com uma personalidade muito vincada. Amo-te muito minha guerreira.”

SANDRA FREITAS, mãe.

“Dirijo-me a ti como amigo e não como cunhado para dizer que

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és uma campeã fora e dentro de campo, em vários sentidos. Sempre lutas-te por aquilo que querias e conseguido ou não

atingir os teus objetivos fizeste-o sempre com um sorriso na cara, o que para mim é de louvar. Continua assim cunhada a lutar por aquilo que queres com um sorriso para todos. Beijinhos”

SÉRGIO ABREU, amigo.

“Catarina é uma atleta persistente, lutadora que quer superar os obstáculos

diariamente. Nunca está satisfeita. Para mim uma atleta exemplar, porque são nos momentos difíceis (reunir força interior, suportar dores físicas e emocionais) que reconhecemos aqueles a quem chamamos GRANDE ATLETA.” Victor Rodrigues, ex-treinador.

dores físicas e emocionais) que reconhecemos aqueles a quem chamamos GRANDE ATLETA.” Victor Rodrigues, ex-treinador.

FOTO ANTÓNIO OLIVEIRA

OPINIÃO

JORGE FERNANDES

Docente de Educação Física e Desporto

JORGE FERNANDES Docente de Educação Física e Desporto NO VERÃO O ANDEBOL É NA PRAIA Terminada

NO VERÃO O ANDEBOL É NA PRAIA

Terminada a época de pavilhão, a “tribo” do Andebol volta-se agora para a vertente de praia. O grande espetáculo na areia vai começar.

A modalidade demorou a crescer

e a cimentar o seu lugar entre as

modalidades outdoor, contudo neste

momento o cenário é bem diferente.

Hoje em dia, de norte a sul as praias e

os campos de areia nesta altura de Verão

agitam-se com os fantásticos fins-de-semana recheados de boa competição. Curiosamente nasceu num país com pouca expressão no Andebol e teve como ponto de partida, os conhecimentos adquiridos pelo seu criador noutra modalidade, mais concretamente o Voleibol que já possuía a sua vertente praticada na praia.

Em boa altura o Prof. Briani teve a visão de que poderia fazer o transfer do Andebol jogado nos pavilhões para uma superfície como a areia das praias. Foi o início de uma história feliz desta modalidade que delicia os seus fãs no indoor mas que de igual forma faz delirar os espectadores que acompanham os jogos nos campos de areia.

E o que faz o Andebol de Praia ser tão vibrante e

espectacular e em simultâneo diferenciar-se tanto daquele que se pratica em pavilhão? Os aspetos essenciais como as acções técnicas, as regras e a influência que cada um exerce sobre o outro.

A areia permite realizar determinadas acções técnicas

individuais, particularmente em termos ofensivos, que se revestem de uma enorme beleza e espetacularidade e as quais só são possíveis presenciar no Andebol de Praia. São referência essencialmente os remates em pirueta completa, as “jogadas” aéreas e os golos marcados pelos guarda-redes, todas muito procuradas pelos jogadores dado que as regras ditam que as mesmas quando resultem em golo sejam beneficiadas de um ponto extra.

Esta particularidade nas regras é um dos aspetos vitais para a modalidade pois motiva as equipas e os seus melhores executantes a realizarem estas mesmas ações com elevada frequência, no intuito de alcançar em cada ataque os dois pontos. Além desta regra já referida, existe uma outra que pode ser considerada como fator incentivador do jogo

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como fator incentivador do jogo 32 APAOMA JUL-AGO-SET 2014 ofensivo e da procura pela melhor estratégia

ofensivo e da procura pela melhor estratégia defensiva

numa constante busca pela vitória, que é concretamente

a divisão do jogo em dois períodos com resultados

separados, ou seja, a vitória num deles não garante a vitória no jogo, para tal é necessário que uma equipa vença os dois períodos. No caso de empate nos períodos, o jogo ganha uma nova

intensidade e entusiasmo, pois é necessário recorrerem aos sempre exigentes e espectaculares “shootout” (um contra o guarda-redes).

É neste contexto de proporcionar grandes espetáculos

que Portugal acompanhou o desenvolvimento da modalidade, muito por força do empenho e capacidade de trabalho de algumas associações regionais que se dedicaram a fundo mas igualmente pelo apoio que a FAP concedeu na estruturação da modalidade que em 1994 foi reconhecida oficialmente pela IHF. Em termos do trabalho das associações, destaca-se a realização dos circuitos regionais, e de alguns torneios, os quais fazem movimentar muitos praticantes e

equipas, que transformam a praia num excelente palco HOJE EM DIA, DE NORTE A SUL

equipas, que transformam a praia num excelente palco

HOJE EM DIA, DE NORTE A SUL AS PRAIAS E OS CAMPOS DE AREIA NO VERÃO AGITAM-SE COM OS FANTÁSTICOS FINS-DE-SEMANA RECHEADOS DE BOA COMPETIÇÃO.

um maior número de praticantes, que com certeza se

desportivo. No entanto, o trabalho das associações não

traduzirá num maior número de competições e por

se

esgota somente nestes aspetos, pois há o trabalho

consequência um aumento do número de público adepto

iniciado na formação, precisamente nos centros de

da modalidade.

treino. Este trabalho de formação parece-me extremamente importante porque a modalidade precisa manter-se em crescimento e para tal os seus praticantes precisam atingir níveis elevados de desenvolvimento, que serão mais facilmente alcançáveis com a prática regular ao longo do ano, através de sessões de treinos, tal e qual como se processam numa qualquer modalidade de pavilhão.

A visão de promover a melhor preparação dos

jogadores do futuro é muito bem concebida, até porque as selecções nacionais irão beneficiar desse desenvolvimento para alcançar sempre os melhores desempenhos em termos das competições internacionais

em que irá marcar presença. Por outro lado, a perspectiva da formação também passará por garantir

A dinâmica e a implementação que a modalidade já

possui, são comprovadas pelo calendário nacional oficial para este ano, onde para além dos circuitos regionais

se destaca a realização do 1º Congresso de Andebol

de Praia, organizado pela Associação de Leiria, e de um torneio Ibérico da responsabilidade da Associação de Aveiro conjuntamente com a Federação Galega de Balonmano. Deste calendário ainda há que realçar duas competições importantes como são o Campeonato Universitário e o Campeonato do Desporto Escolar. Ambas visam um público-alvo onde a modalidade poderá encontrar um caminho para a sua expansão, “angariando” novos praticantes. Um destaque positivo que merece o Andebol de Praia português prende-se com o fato deste já ser praticado em regiões interiores do país.

Praia português prende-se com o fato deste já ser praticado em regiões interiores do país. 33
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FOTO S CEDIDAS POR CRISTINA RESENDE

GERAÇÕES
GERAÇÕES

Joana Resende (CALE - Clube de Andebol de Leça), Carlos Resende (Liberty ABC/UMinho) e Patrícia Resende (Colégio de Gaia)

CLÃ RESENDE

Considerado por muitos o melhor jogador português de andebol de todos os tempos, Carlos Resende, é o atual treinador do ABC de Braga e pai de duas jovens promissoras do nosso andebol. É com eles que o Gerações desta edição se foi encontrar

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F ala-nos um pouco sobre ti. O teu dia a dia fora do andebol? CARLOS RESENDE (CR) O meu dia a dia de andebol é muito variado

e por vezes algo preenchido, isto é:

sou docente no ISMAI e na FADEUP

e uma das unidades curriculares

que lecciono é de Andebol; depois no final da tarde viajo rumo a Braga para o trabalho de treinador do Liberty ABC/UMinho, este resulta na participação nos treinos/jogos, no planeamento e nas diversas análises de vídeo; termino normalmente o dia como pai da Patrícia, ao ir buscá-la

ao treino no Colégio de Gaia. Para lá deste dia a dia normal teremos que “contabilizar” todas as horas de enorme prazer a disfrutar de andebol de qualidade como espectador (da Champions League ou das Competições Internacionais!).

RAIOS X

JOANA

RESENDE

NOME Joana dos Santos Resende LOCAL E DATA DE NASCIMENTO

Porto, 23 de Março de 2001 POSIÇÃO Lateral esquerdo e central CLUBES

CALE

INTERNACIONALIZAÇÕES

0

MELHOR ATLETA PORTUGUÊS E ESTRANGEIRO NA SUA POSIÇÃO

Nuno Grilo (ABC UMinho)

e Mikkel Hansen (PSG)

SETE IDEALCOM QUEM JOGOU

PE Madalena Barbosa (CALE) PD Catarina Lages (CALE) LE Catarina Silva (CALE)

C Mariana Almeida (CALE)

LD Beatriz Prata (CALE)

e

Mariana Moreira (CALE)

P

Catarina Freitas (CALE)

GR Maria Ramos (CALE)

TREINADOR MAIS MARCANTE Vitor Pinto (CALE) TÍTULOS

1

PROFISSÃO

Estudante

CIDADE IDEAL PARA VIVER

Porto

PRATO PREFERIDO

Lasanha

BEBIDA PREFERIDA

Água

FILME PREFERIDO Nenhum em especial LIVRO PREFERIDO A coleção toda do ‘Hunger Games’ MÚSICA PREFERIDA Não tenho música preferida

RAIOS X

CARLOS RESENDE

NOME Carlos Alberto da Rocha Resende LOCAL E DATA DE NASCIMENTO Marvila, Lisboa, 29 de maio de 1971 POSIÇÃO Lateral Esquerdo e Central foram as posições que mais tempo joguei, no entanto, iniciei a minha carreira nos seniores como Extremo Esquerdo, passei

por Central, evoluí para Lateral Esquerdo

e terminei como Central/Lateral Esquerdo CLUBES Atleta: Ateneu da Madre Deus, SCP, FCP

e ABC; Treinador: FCP e ABC

INTERNACIONALIZAÇÕES 253 jogos internacionais, cerca de 22 pelos escalões de formação e 233 na Seleção Nacional A MELHOR ATLETA PORTUGUÊS E ESTRANGEIRO NA SUA POSIÇÃO Jorge Rodrigues e João Gonçalves, e o

sueco Magnus Wislander (considerado o jogador do Século XX) SETE IDEALCOM QUEM JOGOU PE Rui Rocha e Ricardo Andorinho PD Ricardo Costa e Rui Almeida LE Eduardo Filipe e Yuriy Kostetsky

C Victor Tchicoulaev e Jorge Rodrigues

LD Filipe Cruz e Alexandre Barbosa

P Carlos Galambas e Alexandru Dedo

GR Paulo Morgado e Carlos Ferreira TREINADOR MAIS MARCANTE Todos os treinadores me marcaram de forma extremamente positiva, apenas irei sublinhar a importância que o Professor José Tomás teve na minha formação como desportista e como cidadão! TÍTULOS

Como atleta, 7 Campeonatos Nacionais, 4 Taças de Portugal e 4 taças da Liga. Como treinador, 1 Campeonato Nacional, 1 Taça de Portugal e 1 taça da Liga PROFISSÃO Treinador e Professor Universitário CIDADE IDEAL PARA VIVER

Porto

PRATO PREFERIDO

A comida tradicional portuguesa BEBIDA PREFERIDA

Água

FILME PREFERIDO Um que tenha ação, suspense e não tenha um final demasiado óbvio! LIVRO PREFERIDO De preferência um livro técnico MÚSICA PREFERIDA Música Portuguesa, especialmente as letras do Pedro Abrunhosa e a voz da Manuela Azevedo

RAIOS X

PATRÍCIA

RESENDE

NOME Patrícia dos Santos Resende LOCAL E DATA DE NASCIMENTO Porto, 2 de agosto de 1997 POSIÇÃO Lateral direito e Pivot CLUBES CALE e Colégio de Gaia INTERNACIONALIZAÇÕES

12 jogos internacionais, pela seleção juniores B MELHOR ATLETA PORTUGUÊS E ESTRANGEIRO NA SUA POSIÇÃO Tiago Rocha (Wisla Plock) e Noddesbo (FC Barcelona) SETE IDEALCOM QUEM JOGOU PE Sara Andrade (Colégio de Gaia) LE Sandra Santiago (Colégio de Gaia)

C Rita Neves (Alavarium)

LD Vanessa Silva (Colégio de Gaia) PD Anaís Gouveia (Sports Madeira)

P Helena Soares (Colégio de Gaia)

GR Irina (Colégio de Gaia) TREINADOR MAIS MARCANTE Paula Marisa (Colégio de Gaia) TÍTULOS Campeã regional nas iniciadas e Campeã Nacional do Desporto Escolar PROFISSÃO Estudante CIDADE IDEAL PARA VIVER Stratford, Reino Unido PRATO PREFERIDO Arroz de pato BEBIDA PREFERIDA Sumo de laranja natural FILME PREFERIDO Missão Impossível

LIVRO PREFERIDO A message in a bottle MÚSICA PREFERIDA The XX Intro

Missão Impossível LIVRO PREFERIDO A message in a bottle MÚSICA PREFERIDA The XX Intro 35 APAOMA
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GERAÇÕES PATRÍCIA RESENDE (PR) O meu dia-a- dia é maioritariamente vocacionado para a parte académica,

GERAÇÕES

PATRÍCIA RESENDE (PR) O meu dia-a- dia é maioritariamente vocacionado para a parte académica, mas também concílio isto com o andebol e com tempos de lazer.

JOANA RESENDE (JR) O meu dia-a-dia

é principalmente os estudos. Quando

tenho tempos livres, para além do andebol, gosto de conviver com os meus amigos e com a minha família.

O Andebol para ti é…? CR Uma paixão e uma forma de vida! PR Um hobby, no sentido de que é um dos meus passatempos favoritos (sendo que não pode servir de derivativo às ocupações habituais pois faz parte do meu dia-a-dia). JR Para mim, o andebol já não é simplesmente um desporto, é a minha paixão. Não me importava de jogar andebol de manhã, à tarde e à noite. Ao longo dos tempos, o andebol tem-me feito crescer e ganhar novas experiências e amizades.

Carlos define a Patrícia, como atleta e como filha. CR A Patrícia é como atleta aquilo que é como filha, uma jovem que dá sempre o máximo de si, é extremamente organizada, responsável, humilde e ambiciosa!

Carlos define a Joana, como atleta e como filha. CR A Joana é uma atleta que iniciou

a prática desportiva bastante mais cedo, quando comparada com a

irmã, e revela enorme apetência para

o desporto, em termos globais, no

andebol revela um enorme potencial que necessita de ser muito trabalhado. Como filha é muito carinhosa e em termos académicos segue de muito

perto o crescimento da irmã.

Patrícia define o Carlos Resende, como treinador e como pai. PR Como treinador é alguém empenhado e ambicioso, com capacidades naturais de liderança

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naturais de liderança 36 APAOMA JUL-AGO-SET 2014 Sou desportista, pelo que qualquer derrota não é um

Sou desportista, pelo que qualquer derrota não é um mau momento, mas sim uma forma de me ajudar

a depois

conseguirmos

chegar

à vitória.

e paixão pela modalidade. Como

pai é uma pessoa amiga e carinhosa que está lá sempre para me ajudar a

seguir os meus sonhos, sem me impor barreiras ou metas. JR Carlos Resende, como treinador,

é uma excelente pessoa capaz de

ensinar as diversas coisas do andebol.

É amigo dos atletas, e tem paciência

a ensinar os mais novos, e nesse caso eu posso falar porque ele também foi uma das pessoas que me ajudou imenso a compreender o básico do andebol, como o meu treinador no clube que ando. Posso dizer que ele é um grande treinador, porque

é capaz de fazer mudar uma equipa

completamente, fazendo-a “crescer”. Como pai, é o meu melhor amigo. Aquele que me ensina os valores… os princípios… as atitudes que um ser humano e atleta devem ter.

O que sentes ao ver a Patrícia jogar?

CR em primeiro lugar, um enorme prazer por ser minha filha, por outro, gosto de a ver jogar por ser uma atleta

extremamente empenhada e astuta!

O que sentes ao ver a Joana jogar?

CR O sentimento de ver a Joana é de todo idêntico ao ver a Patrícia, pois são filhas que adoro e obtenho enorme prazer em acompanhar o seu crescimento como pai. Aproveito para sublinhar – como pai. Pois a tarefa de treinador deixo para os de direito!

O que sentes quando entras num

pavilhão (recordo que o fazes praticamente desde bebé) e vês o teu pai, primeiro como jogador e agora como treinador, sabendo que ele foi o melhor jogador português de todos os tempos e é um símbolo da modalidade? PR Pelo facto de já ter nascido neste meio, acho que é uma coisa extremamente normal, mas também é sempre bom ver que todos os esforços que ele fez ao longo da vida foram compensados, é um ótimo modelo a seguir!

JR Como já estou habituada a vê- lo jogar e treinar, isso já é normal para mim, contudo fico sempre maravilhada com as coisas que ele é capaz de fazer e ensinar.

Quais as diferenças entre a(s) atleta(s)

e a filha(s)?

CR Nenhuma, são as mesmas pessoas!

Como andebolista o que sentes em ter o Carlos Resende como pai? PR Sinto que é um privilégio ter alguém a que a qualquer momento posso recorrer e me pode ajudar a melhorar. JR Sinto-me muito bem, como qualquer outra pessoa sentiria, ao ter ao seu lado alguém que quando fosse necessário algo nos fosse ajudar incondicionalmente.

Concordas com o novo modelo competitivo do Andebol 1, ou como treinador és adepto do modelo anterior, em que a regularidade era premiada, em detrimento da espetacularidade que os play off trazem à prova? CR Como treinador sou adepto de um modelo competitivo que valorize todos os jogos durante uma época desportiva, pois um campeonato deve ser uma prova de resistência e não uma prova de sprint. Para tal, já existem competições e ainda poderemos criar/desenvolver novas, com esse espírito competitivo!

Concordas com o modelo competitivo da 1ª Divisão de Seniores Femininos. Primeiramente um campeonato em que jogam todas as equipas a duas voltas no sistema casa fora depois play off’s ou preferias um modelo em que a regularidade fosse mais premiada? PR Embora já à duas épocas que tenho a felicidade de poder participar nos jogos da equipa sénior, não é algo que esteja muito à vontade para responder. Mas acho que um modelo que favorecesse a regularidade seria mais justo de certa forma.

É fácil conciliar a tua vida profissional com a tua vida pessoal, pois para além de treinador de andebol no ABC és docente na FADEUP, no ISMAI e aluno de Doutoramento na FADEUP? CR Não, não é nada fácil! Aliás se fosse fácil qualquer outro o faria!

nada fácil! Aliás se fosse fácil qualquer outro o faria! Não consigo classificar nenhum momento da

Não consigo classificar nenhum momento da minha carreira desportiva como o ‘pior’ pois é com os erros que podemos aprender e melhorar.

Contudo, até ao momento não tenho tido sucesso no Doutoramento! O segredo está em conseguir abstrair das restantes tarefas na execução de outra, isto é, é crucial dar tudo na actividade que desenvolvemos no momento, e não pensar nas restantes,

pois se for esse o caso, o mais certo

é não conseguir executar nenhuma

com o padrão de qualidade que nos

exigimos!

É fácil conciliar a tua vida profissional com o andebol? PR Com um bocado de organização

e estabelecendo prioridades todas as

semanas, penso que é uma coisa fácil de se fazer. JR Muito fácil. O andebol ajuda-nos

a ser muito organizadas. Quando

gostamos daquilo que fazemos arranjamos sempre tempo para tudo. Assim, consigo conciliar a escola, o estudo em casa, o andebol e o lazer.

Qual foi o melhor e pior momento na tua carreira desportiva? CR O pior momento desportivo foi a eliminação prematura no

Campeonato Nacional pelo S. Bernardo, enquanto treinador do FCP (quando um mês antes tínhamos vencido a Taça da Liga, na final, precisamente, o S. Bernardo!!!). O melhor momento resulta no pensamento dos troféus que ainda conquistarei! PR Não consigo classificar nenhum momento da minha carreira

desportiva como o ‘pior’ pois é com os erros que podemos aprender e melhorar. Os melhores momentos foram sem dúvida as amizades que fiz ao longo dos meus anos de andebol. JR O melhor foi ter conquistado

o meu primeiro titulo de campeã

nacional pelo escalão acima e ter sido uma mais-valia na conquista do mesmo. Sou desportista, pelo que qualquer derrota não é um mau momento, mas sim uma forma de me ajudar a depois conseguirmos chegar

à vitória. Por isso, não tenho piores momentos.

Carlos, na tua opinião o que deve mudar no Andebol em Portugal?

não tenho piores momentos. Carlos, na tua opinião o que deve mudar no Andebol em Portugal?
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JUL-AGO-SET 2014

GERAÇÕES O sentimento de ver a Joana é de todo idêntico ao ver a Patrícia,

GERAÇÕES

GERAÇÕES O sentimento de ver a Joana é de todo idêntico ao ver a Patrícia, pois

O sentimento

de ver a Joana

é de todo idêntico

ao ver a Patrícia, pois são filhas que adoro e obtenho enorme prazer em

acompanhar

o seu

crescimento

como pai. Aproveito para sublinhar – como pai. Pois a tarefa de treinador deixo para os de direito!

CR Neste momento necessitamos de um factor de desenvolvimento muito forte para que nos seja possível entrar, novamente, num ciclo virtuoso! De referir, a pouca visibilidade nos media que as

principais provas e interpretes ainda

têm!

Patrícia, o que deve opinião mudar no Andebol Feminino em Portugal? PR Não tenho suficiente conhecimento para poder responder

a essa questão.

Joana, o que deve na tua opinião mudar no Andebol Feminino em Portugal, que pensas que poderia trazer mais atletas, amigas tuas por exemplo, para o andebol? JR Não tenho conhecimentos suficientes para responder

a esta questão.

O que pensas do atual momento da Arbitragem portuguesa comparando com a arbitragem nos teus tempos de jogador? CR Como houve uma clara clivagem

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APAOMA

JUL-AGO-SET 2014

nas idades médias das duplas de arbitragem é possível observar uma certa falta de experiência em algumas abordagens, no entanto, já existe neste momento um conjunto de duplas que acumularam muita experiência. Tenho a expectativa que num curto espaço de tempo nos seja possível assistir a um conjunto de árbitros com muito sucesso nacional e internacional!

O que pensas da Arbitragem

portuguesa?

PR Penso que a mentalidade de toda a gente é sempre querer mais, claro que os árbitros não são nem nunca serão perfeitos, ninguém o é. Mas queremos sempre melhor.

O que pensas da Arbitragem

portuguesa, há muitas diferenças entre os árbitros que arbitram os teus jogos e os que vês arbitrar os jogos do teu pai, tu que és uma privilegiada de

teres acesso aos jogos de topo do nosso

andebol?

JR Acho que na formação deveriam existir árbitros com mais capacidade para ensinar e não como os que existem que, tal como nós, estão a aprender.

No Verão, o Andebol não para, muda somente de local, vai até à praia… Gostas de Andebol de Praia? O que pensas desta variante do Andebol? CR Eu adoro todas as formas de andebol! Bem, no andebol de praia não simpatizo muito com as

piruetas

prazer a jogar! PR É uma ótima maneira de manter os jogadores ativos entre as épocas. Gosto bastante de jogar e tenho uma equipa formada com amigas, as 2much 4you. O ano passado fomos campeãs regionais do circuito de Aveiro e vice-campeãs nacionais.

JR Eu gosto imenso do Andebol de Praia. Ainda não tive o prazer e oportunidade de fazer parte de uma equipa, contudo acho esta variante do Andebol diferente e muito apelativa para continuarmos sempre ativas com este desporto.

!

Ah, ainda tenho muito

variante do Andebol diferente e muito apelativa para continuarmos sempre ativas com este desporto. ! Ah,

ÉPOCA 2013/2014

QUADRO DE HONRA 2013-2014

PROVA

CLUBE

ASSOCIAÇÃO

ANDEBOL 1

ANDEBOL 1 FC Porto Vitalis Porto

FC

Porto Vitalis

Porto

Camp. Nac. 1ª Div. Sen. Masc.

PO 02

PO 02 CD Xico Andebol Braga

CD

Xico Andebol

Braga

Camp. Nac. 2ª Div. Sen. Masc.

PO 03

PO 03 Arsenal C. Devesa Braga

Arsenal C. Devesa

Braga

Camp. Nac. 3ª Div. Sen. Masc.

PO 04

PO 04 SL Benfica Lisboa

SL Benfica

Lisboa

Camp. Nac. 1ª Div. Jun. Masc.

PO 05

PO 05 AA Avanca Aveiro

AA

Avanca

Aveiro

Camp. Nac. 2ª Div. Jun. Masc.

PO 06

PO 06 AA Águas Santas Porto

AA

Águas Santas

Porto

Camp. Nac. 1ª Div. Juv. Masc.

PO 07

PO 07 CCR Alto do Moinho Setúbal

CCR Alto do Moinho

Setúbal

Camp. Nac. 2ª Div. Jun. Masc.

PO 08

PO 08 Académico FC Porto

Académico FC

Porto

Camp. Nac. Inic. Masc.

PO 09

PO 09 Alavarium Love Tiles Aveiro

Alavarium Love Tiles

Aveiro

Camp. Nac. 1ª Div. Sen. Fem.

PO 10

PO 10 NAAL Passos Manuel Lisboa

NAAL Passos Manuel

Lisboa

Camp. Nac. 2ª Div. Sen. Fem.

PO 11

PO 11 CD Juve Lis Leiria

CD

Juve Lis

Leiria

Camp. Nac. Jun. Fem.

PO 12

PO 12 JAC Alcanena Santarém

JAC Alcanena

Santarém

Camp. Nac. Juv. Fem.

PO 13

PO 13 CA Leça Porto

CA

Leça

Porto

Camp. Nac. Inic. Fem.

PO 14

PO 14 C Sports Madeira Madeira

C Sports Madeira

Madeira

Encontro Nacional de Inf. Fem.

PO 15

PO 15 CDSP Oleiros Aveiro

CDSP Oleiros

Aveiro

Encontro Nacional de Inf. Masc.

PO 20

PO 20 Sporting CP Lisboa

Sporting CP

Lisboa

Taça de Portugal Sen. Masc.

PO 22

PO 22 Sporting CP Lisboa

Sporting CP

Lisboa

Supertaça Sen. Masc.

PO 23

PO 23 Madeira Andebol SAD Madeira

Madeira Andebol SAD

Madeira

Taça de Portugal Sen. Fem.

PO 24

PO 24 Madeira Andebol SAD Madeira

Madeira Andebol SAD

Madeira

Supertaça Sen. Fem.

Torneio nacional

 

CD

Xico Andebol

de Veteranos

de Veteranos Clássicos de Guimarães B r a g a

Clássicos de Guimarães

Braga

Veteranos Masculinos

Andebol de Praia

 

VG

— Café do Rossio

Leiria

Master's Masculinos

Andebol de Praia

 

Nbelchior/Académico

Leiria

Master's Femininos

Andebol de Praia

 

EFE — Os Tigres

Aveiro

Rookie's Masculinos

Andebol de Praia

 

2Much4U

Aveiro

Rookie's Femininos

39
39

APAOMA

JUL-AGO-SET 2014

FOTO NUNO LOPES/ADOPTARFAMA/FC PORTO

EM FOCO

Campeão nacional seniores masculinos

FC PORTO VITALIS

Na cidade Invicta, a sua equipa de andebol conquistou o primeiro “hexa” do andebol português, em competiçoes masculinas. Quisemos saber o que três obreiros dessa conquista pensam sobre o mesmo

masculinas. Quisemos saber o que três obreiros dessa conquista pensam sobre o mesmo 40 APAOMA JUL-AGO-SET
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APAOMA

JUL-AGO-SET 2014

FUTEBOL CLUBE PORTO - VITALIS CAMPEÃO NACIONAL 2013 / 2014 - SENIORES MASCULINOS

 

DATA

   

ALTURA

 

PESO

1ª ÉPOCA

CLUBE

 

NOME

NASCIMENTO

POSIÇÃO

INTER.

(CM)

(KG)

NO FC PORTO

ANTERIOR

1

Alfredo Quintana

20-mar-88

Guarda-redes

201

92

2010/11

Sel. Cuba

2

Nuno Carvalhais

23-ago-94

Lateral-esquerdo

44

197

91

2004/05

FCP

5

Gilberto Duarte

6-jul-90

Lateral-esquerdo

83

195

93

2007/08

Lagoa AC

6

Ricardo Mourão

21-fev-95

Ponta-esquerda

40

178

80

2006/07

FCP

7

Vasco Santos

25-jun-93

Lateral-esquerdo

33

199

93

2013/14

ADA Maia ISMAI

9

João Ferraz

8-jan-90

Lateral-direito

105

198

94

2012/13

Madeira Andebol SAD

10

Miguel Martins

4-nov-97

Central

37

190

80

2013/14

ADA Maia ISMAI

11

Belmiro Alves

2-jan-94

Lateral-esquerdo

106

194

93

2003/104

FCP

12

João Moniz

1-maio-95

Guarda-redes

38

190

97

2013/14

Delta Belenenses

13

Pedro Spínola

20-ago-83

Lateral-direito

16

186

87

2009/10

Delta Belenenses

15

Daymaro Salina

1-set-87

Pivot

200

101

2011/12

Sel. Cuba

16

Hugo Laurentino

22-jul-84

Guarda-redes

107

188

87

2005/06

Évora AC

17

Tiago Rocha

17-out-85

Pivot

137

195

104

2002/03

CDC São Paio de Oleiros

19

Ricardo Moreira

28-abr-82

Ponta-direita

75

185

87

2004/05

FCP

22

Alexis Borges

6-out-91

Pivot

-

195

115

2013/14

Sel. Cuba

23

Wilson Davyes

7-set-88

Central

117

192

90

2008/09

jogou em Espanha

24

Hugo Santos

2-mar-92

Ponta-esquerda

61

179

68

2013/14

ADA Maia ISMAI (emp.)

25

Francisco Leitão

14-abr-95

Pivot

22

190

100

2011/12

CA Leça

27

Hugo Rosário

8-mar-91

Lateral-esquerdo

77

195

93

2003/04

Madeira Andebol SAD

31

Miguel Sarmento

7-fev-90

Ponta-direita

44

185

79

2003/04

ABC UMinho

34

Ruben Sousa

22-mar-95

Pivot

22

193

94

2011/12

Gondomar Cultural

55

Miguel Baptista

26-out-95

Lateral-direito

65

196

96

2011/12

FCP

88

Mick Schubert

17-mar-88

Ponta-esquerda

193

82

90

2013/14

Ajax Copenhaga DEN

PRESIDENTE - Jorge Nuno Pinto da Costa

DIRETOR - José Vitorino Magalhães Pacheco Silva

TEAM MANAGER - Armando Nuno Martins Leitão

TREINADOR - Ljubomir Obradovic

TREINADOR ADJUNTO - Ricardo Alexandre Martins Teixeira Costa

FISIOTERAPEUTA - António Carlos Tavares Quintela Santos

AS MOVIMENTAÇÕES PARA A ÉPOCA 2014 / 2015

Entradas

Edgar Landim (Delta Belenense); Nuno Gonçalves (Sporting CP); Nuno Roque (Águas Santas Milaneza); Wesley Freitas (Handebol Taubaté)

Saídas

Hugo Rosário, João Moniz e Belmiro Alves (todos p/ Águas Santas Milaneza); Nuno Carvalhais, Miguel Sarmento e FranciscoLeitão, (todos p/ ADA Maia ISMAI); Pedro Spínola (Sporting CP); Tiago Rocha (Wisla Polock); Wilson Davyes (HBC Nantes) Ricardo Costa Ex.- Tr. Adj. Para Treinador principal da equipa ADA Maia ISMAI

(HBC Nantes) Ricardo Costa Ex.- Tr. Adj. Para Treinador principal da equipa ADA Maia ISMAI 41
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APAOMA

JUL-AGO-SET 2014

EM FOCO RICARDO MOREIRA (O CAPITÃO) Q ue significado tem para ti a conquista do

EM FOCO

RICARDO MOREIRA (O CAPITÃO)

Q ue significado tem para ti a

conquista do hexa campeonato

e o facto de pela primeira vez

o FC Porto Vitalis ter estado na EHF Champions League? Individualmente as conquistas nesta época desportiva foram de facto, um dos pontos mais altos na minha vida desportiva. A presença na EHF Champions League foi inédita no clube e a conquista do Hexa- Campeonato foi inédita tanto no clube como no Andebol Nacional. Desta forma e pelo facto de serem conquistas fantásticas, como capitão de equipa, senti um enorme prazer em poder desfrutar deste incrível feito juntamente com um grupo de atletas, treinadores e dirigentes, que por direito próprio se evidenciaram

e dirigentes, que por direito próprio se evidenciaram ao longo de pelo menos estes 6 anos.

ao longo de pelo menos estes 6 anos. Não posso esquecer que nestas conquistas os adeptos sempre estiveram bem presentes, e fizeram do “Dragão Caixa” a nossa fortaleza, quase sempre intransponível.

Como capitão de equipa tens responsabilidades, uma delas é, certamente, incutir nos novos atletas que chegam ao FC Porto Vitalis o espírito de ser dragão. O que é, concretamente, ser dragão? O que significa uma das frases mais ouvidas no meio desportivo nacional “Quem passa pelo FC Porto fica dragão, aprende-se a ser portista”?

JOÃO PEDRO RIBAS (O ADEPTO)

aprende-se a ser portista”? JOÃO PEDRO RIBAS (O ADEPTO) 42 APAOMA JUL-AGO-SET 2014 U m clube,
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JUL-AGO-SET 2014

U m clube, uma cidade, uma

para ti o FC Porto?

região… Ribas o que representa

O Porto, enquanto Cidade e por tudo aquilo que representa, significa tão só o impulso para o qual todos os Portistas se orientam. Denominada como Cidade Invicta, gera a ambição que todos reconhecem no Clube. Aquela mesma que qualquer Atleta

que aqui entra rapidamente afirma perentoriamente que nesta Casa apenas se admite Vencer e que isso representa o Estado Natural de Ansiedade por Triunfos e muita dificuldade em lidar com qualquer Derrota. Quando acontece, ela tem

O espírito do FC Porto é algo um

pouco inexplicável e indescritível para o cidadão comum ou para o

adepto/atleta dos clubes rivais. Ser Dragão, Ser Portista ou Ser Porto são frases habituais no vocabulário Portista e, na minha opinião, associados aos valores que o clube evidencia como sendo essenciais nas suas conquistas passadas, recentes e futuras: ambição, paixão, competência, rigor. A estes valores junta-se um factor indissociável:

o de estar num clube inigualável.

Como capitão de equipa todos tento da melhor maneira evidenciar aos atletas mais recentes no clube, que dentro dos objectivos pessoais de cada individuo, estes mesmos valores são essenciais para novas conquistas colectivas, assim como da própria melhoria individual. No entanto todos dentro do clube, fazem com que os atletas se sintam em casa, sintam que não lhes falta nada para que o seu rendimento desportivo seja óptimo.

nada para que o seu rendimento desportivo seja óptimo. de ser rapidamente eliminada do consciente de

de ser rapidamente eliminada do consciente de todos. Representa

igualmente o Espírito Solidário

e a Hospitalidade das Pessoas e

Adeptos do Clube. Todo Tripeiro sabe honrar o passado tão rico que outros ajudaram a construir aquando do apoio que prestaram

à conquista de Ceuta, fornecendo

todos os mantimentos às Armadas

e ficando apenas com coisas tão

“elementares” como as Tripas para

se alimentar. Serviu para se inventar um Grande Prato, da mesma forma que no Clube nos levam sempre

os melhores Jogadores e sabemos

sempre renovar a Equipa formando

TIAGO ROCHA (A FIGURA)

T iago, que significado tem

para ti a conquista do

hexa-campeonato e

teres sido o primeiro atleta português a entrar no sete ideal da Chapions league?

O hexa-campeonato é o reflexo

do excelente trabalho que se tem desempenhado no FCPorto, toda a estrutura trabalha de forma

exemplar e se assim não fosse não o

o tínhamos comemorado e entrado

na história do andebol português. Senti-me muito orgulhoso de fazer parte da primeira equipa do FCPorto na CL, a primeira vitória na CL e ser o primeiro português a fazer parte do 7ideal, contudo nada seria possível sem o contributo de toda a equipa.

Sendo tu considerado um dos embaixadores do nosso andebol,

mais Atletas capazes de nos manter no Topo! Fazemos da Solidariedade

e do Espírito de Sacrifício duas

Armas tão Fortes como poucos ou nenhuns se podem orgulhar. Para mim o FC Porto é um Orgulho Tripeiro, capaz de honrar todos

os Valores que sempre me foram

incutidos. Obrigado FC Porto!

É costume dizer-se no meio andebolístico nacional que jogue onde jogar, o FC Porto Vitalis nunca estará sozinho, já que é comum ver adeptos portistas em todos os pavilhões nacionais, sendo a equipa do FC Porto Vitalis a que maior assistência tem em

a equipa do FC Porto Vitalis a que maior assistência tem em vais pela primeira vez

vais pela primeira vez representar um clube estrangeiro. Qual a tua opinião sobre o valor dos atletas portugueses atualmente, sendo que já alguns noutros campeonatos que não o português? O andebol português está em

média no campeonato nacional. O que sentes como adepto do FC Porto ao saber isso e qual a importância dos adeptos do FC Porto Vitalis na conquista do Hexa? Não me compete a mim conferir a Importância dos Adeptos na conquista do Hexa. Isso são os Jogadores e Treinadores que devem responder. Antes afirmo que a Equipa de Andebol tem um Significado muito forte para os Adeptos que normalmente marcam presença nos Jogos onde o FC Porto joga. A Garra, a Crença, a Força e a Ambição que demonstram em Campo, o Respeito

estado de evolução, espero que assim continue e que sejam muitos portugueses a emigrar e a mostrar que existe bastante qualidade no nosso país, se abrirão portas para que novos atletas tenham uma maior evolução.

Tiago o que é ser portista? Uma mensagem para os adeptos do FC Porto Vitalis… Representar o FCPORTO fez parte da minha formação, aprendi a defender as cores de uma “nação” azul e branca que honra o seu escudo a cada momento, é um sentimento muito

forte que guardarei para toda a vida, tudo que vivi, tudo que lutei pelo Porto será eterno. Ser Portista

é tudo isto, é honrar um emblema

com uma mística de vitória que não tem fim. Obrigado a todos os adeptos pelo carinho que sempre tiveram por mim, orgulho de ser dragão e ter conquistado tantos títulos com vocês

de ser dragão e ter conquistado tantos títulos com vocês que sempre revelaram por cada Adepto

que sempre revelaram por cada Adepto e a Alegria que passam por envergar a Camisola deste Clube, são mais que suficientes para provar a importância desta Equipa para as Pessoas. Se a tudo isto lhe juntarmos o facto de serem Hexacampeões diria que poderemos falar num cenário mais que perfeito. Todavia, nenhum desses Triunfos ultrapassa

o nosso Orgulho por eles tão bem

representarem os Valores do FC Porto na forma como jogam. Jamais teremos uma Alegria maior que o simples facto de sermos Portistas e tudo que isso representa!

teremos uma Alegria maior que o simples facto de sermos Portistas e tudo que isso representa!
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JUL-AGO-SET 2014

FOTO JOSÉ CARLOS [V&V]

EM FOCO

Campeão Nacional Seniores feminos

ALAVARIUM LOVE TILES

Finda mais uma época desportiva análise à equipa Bi-campeã femina. Em Aveiro, escolhemos 4 obreiros do titulo para nos falarem da conquista do Bi Campeonato

Em Aveiro, escolhemos 4 obreiros do titulo para nos falarem da conquista do Bi Campeonato 44
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JUL-AGO-SET 2014

ALAVARIUM LOVE TILES PLANTEL CAMPEÃO NACIONAL 2013 / 2014 - SENIORES FEMININAS

 

DATA

   

ALTURA

 

PESO

1ª ÉPOCA

CLUBE

 

NOME

NASCIMENTO

POSIÇÃO

INTER.

(CM)

(KG)

NO ALAVARIUM

ANTERIOR

 

1 Diana Roque

26-fev-87

Guarda-redes

4

170

69

2009

/ 10

A.

D. Sanjoanense

 

2 Mariana Lopes

9-dez-94

Lateral Esquerda

76

175

67

2005

/ 06

ALAVARIUM AC -Formação

 

3 Maria Ramos *

1-abr-96

Ponta Direita

12

171

62

2007

/ 08

ALAVARIUM AC -Formação

 

4 Ivete Marques

24-nov-87

Pivot

-

170

67

2003

/ 04

C.

D. São Bernardo

 

5 Viviana Rebelo

3-set-86

Pivot

-

168

64

2012

/ 13

N.

D. Santa Joana - MAIA

 

6 Ana Neves

14-jun-96