Está en la página 1de 29

XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO.

XIX
SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM. LOGROSÁN (CÁCERES), 25 – 28 DE
SEPTIEMBRE DEL 2014

“ROSMANINHAL, TERRA DO OURO”ETNOMINEROLOGIA E PATRIMÓNIO GEOLÓGICO: UMA
EXPERIÊNCIA PARTICIPATIVA NO GEOPARK NATURTEJO,
PORTUGAL
“ROSMANINHAL, LAND OF GOLD” –
ETHNOMINERALOGY AND GEOLOGICAL HERITAGE: A PARTICIPATIVE
EXPERIENCE AT NATURTEJO GLOBAL GEOPARK, PORTUGAL
1,2

EDDY CHAMBINO, 2,3CARLOS NETO DE CARVALHO, 2,4JOANA RODRIGUES

1

Centro Cultural Raiano, Idanha-a-Nova, eddynebach@gmail.com
Geopark Naturtejo da Meseta Meridional – Geoparque Europeu e Global sob os auspícios da UNESCO,
geral@naturtejo.com
3
Serviço de Geologia da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, carlos.praedichnia@gmail.com
4
Naturtejo, E.I.M., geoturismo@naturtejo.com
2

RESUMO: São variadas ordens os fatores que contribuem para uma identidade de paisagem onde o ouro
assume uma especial relevância. Comecemos por referir e salientar que a pré-história e a história nos
aportam curiosas fontes (materiais e documentais) alusivas à exploração dos recursos minerais desta
região do Rosmaninhal. O rio Tejo (aurifer Tagus de Estrabão e Catulo) que circunscreve um dos limites
a Sul da povoação congrega por si mesmo todo esse referencial histórico, literário e lendário ligado ao
ouro. Das exaustivas campanhas auríferas romanas ao longo dos depósitos aluviais dos terraços deste
histórico rio, incluindo os seus afluentes Erges, Aravil, Ponsul e Ocreza, ficaram os densos vestígios das
lavagens, as denominadas conheiras, conhais, gorroeiras ou gorroais, valiosas enquanto património
geomineiro, histórico e cultural da região. Pelas vias factuais supra mencionadas, de índole diversificada,
conclui-se que entre os populares se tenha divulgado um conhecimento preciso e detalhado sobre a
localização destes lugares mineiros, assim como uma profusa circulação de histórias sobre achados de
pepitas de ouro, de variadas dimensões e formas, ao longo de várias décadas.
A fama do ouro de Rosmaninhal despoletou também algumas migrações de prospetores de regiões tão
longínquas quanto a Noruega, e de garimpeiros ambulantes que se deslocavam de Penha Garcia e da
vizinha Extremadura para estes territórios, permanecendo na região por longas jornadas a garimpar junto
das linhas de água. Tal como os seus negociantes – os ourives – que frequentemente se deslocavam até à
localidade para fazer os seus negócios de compra e venda de ouro, onde era incluído este ouro nativo.
São deveras notáveis estes testemunhos e motivo suficientemente válido para que se tenha desenvolvido
todo um corpus lendário em torno do ouro, seus achados e lugares. Ou seja, casos diversos de pessoas que
com frequência sonharam com a existência de “minas/tesouros” onde estavam enterrados tesouros, potes,
panelas, arcas, sempre repletos de ouro. Deste modo e partindo destas amplas dimensões onde o ouro
assume especial destaque, procura-se neste trabalho, a partir de abordagens multidisciplinares (Geologia,
Antropologia, Museologia), partilhar uma experiência participativa em torno de um projeto expositivo
museológico, com o objetivo da salvaguarda e valorização no futuro deste património imaterial.
PALAVRAS-CHAVE: Ouro, Etnomineralogia, Património Geológico, Geopark Naturtejo, Rosmaninhal
(Beira Interior, Portugal)
ABSTRACT: Several factors at different scales contribute for an identity of the landscape where the gold
assumes a special relevance. We shall start to refer and highlight that Pre-history and History come up
with interesting evidences (both material and documental) related with the exploration of mineral
resources in the region of Rosmaninhal. The Tejo river (aurifer Tagus as named by Strabo and Catulo),
defining the southern village’s boundaries, is the historical, literary and legendary referential related to
gold. From the gold extensive campaigns of the Romans across the alluvial terrace deposits of this
historical river, including its tributaries Erges, Aravil, Ponsul and Ocreza, remained the vast tailing piles,
called locally as conheiras, conhais, gorroeiras or gorroais, which are quite important as geomining,
historic and cultural heritage. From the above mentioned diversified facts it is concluded that among
locals a precise and comprehensive knowledge about these mining areas, as well as the common notion of
stories about different weight and shape gold nugget findings has been circulated for several decades.

1

XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO. XIX
SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM. LOGROSÁN (CÁCERES), 25 – 28 DE
SEPTIEMBRE DEL 2014
The reputation of the gold from Rosmaninhal had also triggered some migrations of prospectors from
areas as far as Norway, and gold panners coming from Penha Garcia and neighboring Extremadura
villages to these lands, staying for long periods panning in the streams. Like their buyers – the goldsmiths
– that frequently came to the village to sell and buy gold, including this native gold.
These living testimonies are remarkable and the motif sufficiently valid for developing a whole corpus of
legends for the gold, its findings and places. In other words, it is reported several cases of people that
frequently dreamed with the existence of underground “mines/treasures” where pots and chests full of
gold have been buried. In this way and starting from these broad dimensions where gold assumes special
revelance, in this work we propose under multidisciplinary approaches (Geology, Anthropology,
Museology), to share a participative experience that is being developed under an exhibition for a museum
project, with the aim of rescuing and valuing this intangible heritage for the future.
KEY-WORDS: Gold, Ethnomineralogy, Geological Heritage, Naturtejo Geopark, Rosmaninhal (Beira
Interior, Portugal)
“Às vezes chegam a encontrar em Rosmaninhal, à flor da terra, pepitas de ouro, puro de mais de
cem gramas, o que deu a esta zona uma certa fama, tendo feito afluir ali, há uns trinta a quarenta
anos, alguns mineiros nacionais e estrangeiros que se dedicaram a investigar os antigos trabalhos
romanos, de resto, sem resultado apreciável, não obstante algumas dezenas de registos mineiros,
tomados, retomados e finalmente abandonados.”
Samuel Schwarz (1933)

1. INTRODUÇÃO
No Aurifer Tagus de Catulo, Estrabão ou Plínio às últimas décadas, a região do
Rosmaninhal sempre se destacou como um Eldorado na Lusitania. Por séculos se
contaram lendas do seu ouro “do grosso”, e das mais longínquas paragens chegaram
garimpeiros ou gandaieiros que, na época das chuvas, percorriam exaustivamente as
barrocas confluentes nos rios Erges ao Ponsul, até chegarem às barreiras do Rio Tejo.
Até ao século passado os Rosmaninhenses ou Chamusquedos conviveram de longe com
esses movimentos pendulares e episódicos de “estrangeiros”, num tempo em que os
esqueléticos solos revolvidos incessantemente pelos arados e lavados pelas chuvas
torrenciais eram perscrutados ao detalhe por quase toda a população, desde as crianças a
caminho da escola, os homens que acompanhavam os movimentos dos rebanhos e os
ritmos do trabalho do campo, às mulheres que iam à fonte ou à lenha. Destes tempos
subsistem lendas e histórias de achados de pepitas “de quilo”, cujo cruzamento de
informações entre os locais e visitantes recorrentes do Rosmaninhal, como os ourives,
permite atestar a sua veracidade (Fig. 1).
Partindo destas amplas dimensões onde o ouro assumiu especial destaque para uma
comunidade, procura-se neste trabalho, que culmina dez anos de experiências a partir de
abordagens multidisciplinares (Geologia, Antropologia, Museologia), partilhar uma
experiência participativa em torno de um projeto expositivo museológico (Chambino,
2

por vezes reativada segundo orientação Bética. sob a forma de antigas minas. potenciando o desenvolvimento regional sustentável. vivências. 2010. numa paisagem que conta uma história em múltiplos episódios com mais de 6oo milhões de anos (Fig. 2006. a conservação. 2011). Desde 2006 que o geoparque integra as Redes Europeia e Global de Geoparques. salvaguarda e valorização no futuro do património geomineiro material. com o principal objetivo de conservar e promover o património geológico. Couto de Santa Marina. A peneplanície é delimitada pelos vales entrincheirados dos rios Erges a oriente. Nisa. Proença-a-Nova e Vila Velha de Ródão. 2012. Figura 1. XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM. Rodrigues et al. Neto de Carvalho et al. 2).. Comecemos por analisar as origens do ouro do Rosmaninhal. Município de Idanha-a-Nova 2. no Vale da Morena. Alares e Cubeira. assim como de um património imaterial que consiste em lendas. objetos etno-arqueológicos e espaços geográficos. Sequeira et al. PATRIMÓNIO GEOMINEIRO E A CARTOGRAFIA DA MEMÓRIA De fato.XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO. (1999) refere que as primitivas explorações mineiras das Veigas de Monfortinho e a SW do Vale das Eiras. concentraram os seus trabalhos na base da Formação de Torre e na Formação de Monfortinho. sob os auspícios da UNESCO. os cumes são compostos por uma cobertura de depósitos detríticos cenozóicos do tipo torrencial/fluvial fortemente retalhada pelo encaixe fluvial (vide Fig. Este território é um imenso plano xistento (Domínio do Complexo Xisto-Grauváquico/Grupo das Beiras) cortado por filões felsíticos e quartzosos e densamente recortado pela fracturação tardivarisca. Oleiros. na bacia hidrográfica do Rio Erges. com a participação das comunidades locais. LOGROSÁN (CÁCERES). num território com 4624 km2. 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 2011. O objetivo deste estudo prende-se com o estudo. como no caso da Falha de Segura. O ouro do Rosmaninhal contado na primeira pessoa. O Geopark Naturtejo da Meseta Meridional em Portugal reúne os municípios de Castelo Branco. em vias de total esquecimento. são de variadas ordens os fatores que contribuem para uma identidade de paisagem onde o ouro assume uma especial relevância. Tejo a sul e Aravil a ocidente. Para atingir estas finalidades os geoparques assentam em três pilares. no âmbito do projeto “Quando a gente andava ao Menério” do Centro Cultural Raiano. técnicas e mapas mentais. assim como nos seus 3 .. a educação e o turismo. Idanha-a-Nova. 2). o plano é rebaixado progressivamente nos terraços erosivos que compõem as barreiras do Tejo.

Da pré-história e a história aportam-se-nos curiosas fontes (materiais e documentais) alusivas à exploração dos recursos minerais desta região (Fig. 2007. 2010). interpretação essa que foi repetida por outros autores ao longo dos tempos (e. Aliás.. 3). correspondem ao traçado do pré-Erges controlado pelas reativações da Falha de Segura. que foram exploradas na antiguidade (Fig. Figura 2. É do senso comum no Rosmaninhal que “nas barrocas aparecem as mais pequenas.. 1988). em Calzadilla (IGME. antes da sua captura fluvial. os quais são cortados pela erosão fluvial. LOGROSÁN (CÁCERES). na Extremadura. levou Schwarz (1933) a interpretar erradamente os poços e sanjas do Rosmaninhal como canais de lavagem de minério fechados para fiscalização da produção aurífera. Os mais elevados teores de ouro reconhecidos na região. encontramse associados a pórfiros graníticos e filões quartzosos brechificados (Santos Oliveira. Estas formações não afloram no Rosmaninhal. têm paralelo com a Mina El Chivote. no 4 . Alarcão. Esta situação de crescimento excepcional edáfico de pepitas de ouro será análoga a Casas de Don Pedro-Talarrubias. Fernández Nieto. 2. até acima das 17g/tonelada. com os seus vastos terraços fluviais plistocénicos. 2007). 2003. Barrios Sánchez et al. possivelmente sob ação bacteriana. O rio Tejo (aurifer Tagus. em vieiros. 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 terraços fluviais mais antigos (Pérez-García & Rivas. Romão et al.g.. XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM. Tanto as mineralizações como a forma e idade da mineração. Enquadramento geológico da área do Rosmaninhal no contexto do Geopark Naturtejo da Meseta Meridional assistido pela UNESCO. onde teve origem a pepita Doña Maria José.. 2011) e zonas de cisalhamento (Pereira et al. nas zonas lavradas apareciam as maiores”. com 218g (Vila & Herrera. 1993) sujeitas a reativações mais recentes. designação tão recorrente na Antiguidade. literário e lendário ligado ao ouro.XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO. mas a Ribeira do Freixo e a Ribeira da Enchacana. encontradas “à flor da terra”. 1988). IGME. 1971) que circunscreve um dos limites a Sul do Rosmaninhal congrega por si mesmo todo esse referencial histórico. A ocorrência das maiores pepitas de ouro associadas a perfis de solos. 2006. não põe de parte a hipótese de serem produto de alteração do substrato rochoso mineralizado com posterior reconcentração e recrescimento edáfico do ouro. com mineralizações associadas a circulação tardia na transição e terminação de falhas e intersecção de filões. a ausência de filões de quartzo em zonas de cisalhamento com concentrações de ouro por remobilização e enriquecimento supergénico. 9). Refere Estrabão (III. 4c).

“Acrescenta que entre os Artabros. que são os últimos da Lusitânia.. Sequeira et al. 2011.. Ocreza. 2006).. no Rio Tejo (70ha). Sánchez-Palencia et al. 1995. Martins. que os rios arrastam esta terra. Calado & Calado. encontram-se vestígios da aplicação do ground sluicing. Hebro (na actual Bulgária). 1999. as arrugias mais extensas correspondem a Belgais. Tejo. às Veigas de Monfortinho. valiosas enquanto património geomineiro da região (Calado & Calado. 2013. Batata. Batata et al. Tripeiro. Firmat & Bento. 1965. I. Emmons. através de canal talhado no bedrock xistento de acordo 5 . em relação à visita do grego Posidónio de Apameia à costa atlântica peninsular na transição dos sécs. no Rio Ponsul (200ha). 1988. Pactolo (na actual Turquia) e Ganges (India). 2008. Sánchez-Palencia & Pérez-García. 1988. A sua origem romana. 2011. 2011). no Rio Erges (104ha) e ao Conhal do Arneiro.. ficaram os numerosos vestígios das explorações... estanho e ouro branco (com efeito está misturado com a prata). 1992. durante a corrida ao ouro do Oeste Americano. em trabalhos e estudos monográficos subsequentes (Schwarz. Carvalho. 1954. Henriques et al. 1979. 1987. Neto de Carvalho et al... Domergue. Aravil. 2006. 1862). 2004. 2011. Neto de Carvalho et al. A mesma tipologia de desmonte descrita por Plínio na sua Naturalis Historia. 2011. Almeida. I. as denominadas conheiras. Das exaustivas campanhas auríferas romanas ao longo dos depósitos de terraços fluviais deste histórico rio e sua bacia hidrográfica. ou “do tempo dos mouros”. datada do séc. 2006. 1975. em meados do séc. que as mulheres amontoam com as enxadas e lavam em peneiros sobre um cesto”. De um total conhecido de 91 conheiras (corrigido a partir dos sítios inventariados em Batata et al. Sequeira & Proença. 2009. 4a). Aravil e Rosmaninhal é confirmada pelo Barão d’Eschwege (1825) e afirmada para o território do Geopark Naturtejo da Meseta Meridional nos rios Erges. 1937. Cardoso et al. LOGROSÁN (CÁCERES). Para Plínio o Tejo aurífero era um dos quatro rios referenciais para ouro no mundo antigo.XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO. 2002. Ribeira de Arades.. 1970. Deprez & De Dapper. para norte e poente a terra tem afloramentos de prata...C. 2005. II-I a. Pérez-García & Rivas. 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 primeiro quartel do séc. Veigas & Martins. Pipino. 2008. A origem romana das explorações existentes no Erges. Deprez. Encarnação et al. 2010. XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM. 2011. 1977. Rodrigues et al. 2013). Alarcão. Romão et al. Na conheira da Fonte Santa (Fig. faz parte da cultura local há séculos e já é relatada como tal nas Memórias Paroquiais de 1758.. 1990. 2002. Allan. 2010. sendo os restantes Padus ou Pó (Itália). era ainda aplicada na cadeia central da Serra Nevada. Carvalho & Ferreira. 1933. Deprez et al. XIX (Neves Cabral.. Ribeira de Pracana e Ribeira da Sertã. 2009. Ponsul.

o permanente movimento de “gandaieiros” de Monfortinho e de localidades vizinhas. que Tibério Cláudio Rufo. Em Agosto de 1887 é constituída a Companhia das Minas de Ouro de Monfortinho.1kg de ouro para uma média de 226 a 261 mg de Au/m3 (Pérez-Garcia & Rivas. Ao encontrarem-se no novo perímetro 6 . pede as concessões mineiras em Julho de 1936. Nas Termas de Monfortinho.XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO. com sede em Lisboa. Industriais franceses e espanhóis foram os primeiros a instalarem-se em 1871. Conde da Covilhã (1900-1970). com frentes de desmonte.2 a 982. a água das nascentes termais. no entanto. A partir de 1889 foram estabelecidas formalmente quatro concessões mineiras na área das “Veigas” de Monfortinho. XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM. onde se reporta a obtenção de 2 a 4 g diárias de ouro e o achado de pepitas com 30 a 40g (Schwarz. Já em 1934. LOGROSÁN (CÁCERES). Em 1938 é construído o hotel e em 1939. recolheu 120 libras de ouro (Almeida. fundada em 1907 pelo Dr. o Conde da Covilhã entrara em força na Companhia das Águas da Fonte Santa de Monfortinho. alteradas pelas construções urbanas que deram origem às Termas de Monfortinho a partir dos finais da década de 30. No entanto. ou o equivalente a 39. (2011) redescobriram uma lápide estudada por Almeida (1970). o novo balneário. nomeadamente na Veiga do Cravo e na zona ribeirinha espanhola a sul da localidade das Termas. A partir de 1933 a história da exploração mineira de ouro em Monfortinho vê-se condicionada por outro recurso geológico. os vestígios desta exploração antiga são ainda visíveis em alguns locais. 1988).28kg. perpendicular e subjacente à frente de desmonte preservada (Fig. em terrenos do Visconde de Proença-a-Velha e dos herdeiros de Francisco Tavares Proença. 4b). Encarnação et al. escritórios e armazém. Em Idanha-a-Velha. a qual refere na inscrição que possui em honra de Júpiter. 1933). no período de 1869 a 1951. A maioria dos vestígios das frentes de exploração e outras estruturas mineiras foram. 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 com a orientação da xistosidade. feito cidadão romano possivelmente no tempo de Cláudio. Mas também o Rio Ponsul ou o Rosmaninhal poderão ter sido a origem da fortuna de Rufo. 1988). canais de abastecimento e tanques de acumulação de água (Pérez García & Rivas. O processo arrasta-se até 1948 sem intenção de iniciar a exploração mineira. 1975). As Veigas de Monfortinho terão produzido 818. 1970. José Gardette Martins. mais tarde em Idanha-a-Nova. tendo chegado a construir na Veiga do Cravo casa de habitação. levou a que entrassem 118 declarações de descoberta de minas na Câmara Municipal de Salvaterra do Extremo e. pilhas de estéreis (as gorroeiras). Carvalho. Um grupo de empresários liderado por Julio Anahory Calheiros.

das areias de ouro do Tejo.A. próximo da raia”. Num período histórico em que o país se encontrava em insolvência e D. as minas portuguesas. em ambos os lados da fronteira. com valor médio de pureza de 92. mandou que lhe buscassem o ouro nas areais do Tejo”. 1957. Pretendia-se fazer a exploração de uma frente ribeirinha de 7 km de extensão por 1 km de largura. na sua ribeira e “noutros lugares onde dizia ter aparecido ouro em grãos e pedaços grandes”. para o qual dera o desenho Francisco de Hollanda. 1988).2% (Pérez-García & Rivas. 5 anos (Campos. João III se voltava para o Brasil patrocinando uma intensa busca por minas de ouro. Leão (1785) faz referência ao seguinte: “Mas o ouro que em suas areias se tirava era tão puro. A mina que elle descobriu foi a do Rosmaninhal. a partir de 1534 e por um período de. que no seu reinado se revelou pouco frutífera. e cuja matéria prima. João III possuía um sceptro de ouro. João III. Manuel e D. terão servido como garantia visível (o cetro real) aos empréstimos vindos do exterior. de comunicação viária na fronteira e de salvaguarda do aquífero das Termas de Monfortinho.”. que lhe fizessem um ceptro. XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM. O ouro nativo aparece nos terraços do rio Erges em partículas pequenas. João III. Da notoriedade histórica. para a extração de 484 kg de ouro. No final dos anos 80 ainda foram feitos estudos de prospeção para a abertura de uma exploração mineira de ouro na envolvente das Termas de Monfortinho. Esta tradição. que querendo El-rei D. LOGROSÁN (CÁCERES). No seguimento da centralidade deste lugar-comum na bibliografia histórica. a identificação de uma mina de ouro no Rosmaninhal.XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO. que assevera terminantemente que o precioso objecto fora feito com uma barra de ouro tirada de uma mina descoberta por Ayres do Quental. Ayres do Quental foi feitor-mór dos metaes nos reinados de D. devendo prevalecer o testemunho de Hollanda. fora extrahida das areias do Tejo. segundo a tradição exarada em André de Resende. Fig. porém. S. pelo menos. 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 reservado às nascentes da “Fonte Santa de Monfortinho” as concessões são anuladas em Junho de 1949. Salienta-se através da pontualidade desta referência histórica. de forma laminar. onde foram avaliadas as características do minério. 4e). Viterbo (1904) reforça que: “D. Provavelmente engolida 7 . embora vaga. que nunca chegou a ser concretizada por questões ambientais. é destituída de fundamento. na província da Beira. e parece ter sido um dos portuguezes mais notáveis nesta especialidade. pela empresa espanhola Sociedade de Informação e Exploração Mineira “Mina Krystina. como o Rosmaninhal. raramente com mais de 1 mm. deste reino.

Amélia. principalmente poços verticais com galerias entulhadas.XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO. e principalmente ao Distrito de Castelo Branco. que os moradores recolhem com maior abundância?” a resposta foi: “Os frutos que dá a terra em mais abundância são: trigo. D. foi feita com ouro proveniente do Cabeço Mouro (Pinheirinho. como em outros lugares do território do Geopark Naturtejo. nas Memórias Paroquiais de 1758. Vicente da Beira e Oleiros. junto da capela de Santo António. Ainda na confluência desta bibliografia. presidente e secretário da Sociedad Exploradora Aurífera de Madrid. localizar inúmeros vestígios de exploração mineira. Toulões. As Memórias Paroquiais aludem a ocorrência eventual ou recorrente de garimpeiros no Rosmaninhal. com sede em Lisboa e numerosos interesses mineiros na região. Escalos de Baixo. S. descrevia: “Pelo que diz respeito à BeiraBaixa. Francisco Clemente de la Pena e D. nos Livros de Registos de Descoberta de Minas do Município de Idanha-a-Nova. e 8 . a esposa do Rei D. 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 pelo tempo onde ainda é possível. terra estéril. com efeito. tendo aí permanecido. o Rosmaninhal congrega múltiplos registos de ouro. Idanha-a-Velha. centeio. sendo o mais antigo do ano 1868 e estendendo-se até 1955. Lourenço Huertas. Sarzedas. que se encontram disseminados pelo amplo território (Fig. Logo antes. obtiveram uma concessão provisória de uma mina de ouro na freguesia do Rosmaninhal. Amieira do Tejo. à pergunta 15 do inquérito. Também ecoa entre os populares que a coroa da Rainha D. sob reclamação do Visconde de Asseca (Diário do Governo de 30 de Março. folha do Vale da Morena. 4d). XIX-princípios do séc. verificamos. em 1854. Carlos I. Ainda no âmbito desta documentação mineira. ingleses e belgas fizeram registos de minas. cevada e algum mel. a trabalhar para a Empresa Minero-Metalúrgica. Pela via da documentação mineira. O terceirense Moses Zagory também por aqui esteve muitos anos a partir de 1900. produz alguns grãos de ouro perfeito. Alguns. permaneceram na região por anos. “Quais são os frutos da terra. do Padre Luís Cardoso. Nos finais do séc. nº 75). Malpica do Tejo. pelo menos. Fratel. XX diversos garimpeiros estrangeiros. o engenheiro de minas e arqueólogo Samuel Schwarz. até 1875. como o alemão Afred Rost ou o belga Georges Boucher. pelo menos. Vila Velha de Ródão. espanhóis. concelho de Salvaterra do Extremo. noruegueses. LOGROSÁN (CÁCERES). 2003). como em Salvaterra do Extremo. alemães. num total de 285 pedidos de direitos de pesquisa registados na Comarca de Idanha-a-Nova. e para a parte do Meio-Dia. XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM. Almaceda. 2001). uns maiores outros menores” (Rego.

perto de Penamacor. Couto. Barroca da Mina (Goulão). e os montes de pedras aluviais alinhados nas beiras do Erges. Minas. Devesa e Poupa. numa extensão de alguns quilómetros. nomeadamente Vale da Morena. 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 estudamos muitos vestígios de explorações auríferas romanas nos concelhos de Penamacor e Idanha-a-Nova.Trabalhos subterrâneos. Corgos. portanto.Trabalhos a céu aberto. Tabela 1 – Representação gráfica de Registos de Minas pelos lugares mais intensamente prospetados ao longo do período 1868-1955 9 . sendo que a tabela 1 faz o mapeamento dos topónimos mais pesquisados e. etc. Santa Marinha. Algarves. Erges. nos sítios de Monfortinho. potencialmente mais produtivos (Fonte: Arquivo do Município de Idanha-a-Nova). Aos segundos pertencem as antigas galerias subterrâneas que existem na região de Rosmaninhal. nas aluviões dos rios Baságueda. XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM. Salvaterra do Extremo. e 2º . Ainda hoje os locais identificam estas paisagens mineiras ancestrais. nos sítios do Cabeço Mouro. Couto de Santa Marina. Aravil e Ponsul e dos diversos afluentes do Erges e do Tejo. Cabeço de João Pires. Rosmaninhal. Fonte Santa. no sitio das Caldas do Monfortinho. LOGROSÁN (CÁCERES). Aos primeiros pertencem as grandes escavações existentes no sitio da Carreira de Tiro. etc”. Cubeira. Cabeço Mouro. Nos livros de Registos de Minas foram identificados 54 locais na freguesia do Rosmaninhal. Estes vestígios de trabalhos romanos podem-se dividir em duas categorias: 1º .XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO.

com o presente e o futuro deste mesmo território. Património geomineiro do Rosmaninhal. b – Ground sluicing: canal escavado nos filitos para lavagem de sedimentos (Fonte Santa). 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 Figura 3. Monfortinho e alguns lugares da vizinha Extremadura para estes territórios do Rosmaninhal. cabras. feitor-mor do reino e provedor-mor dos metais. LOGROSÁN (CÁCERES). João III a Aires de Quental. “AQUI TEM MUITO OURO. Pelas vias factuais supra mencionadas. ovelhas. porcos. XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM. assim como uma profusa circulação de um conjunto alargado de histórias sobre achados de pepitas de ouro de variadas dimensões. vacas) ligado à propriedade aberta (latifúndio) 10 . centeio. e – Vestígios da lavagem de terras em Corgos. permanecendo na região por longas jornadas a garimpar junto das linhas de água.XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO. conclui-se que entre os populares se tenha divulgado um conhecimento preciso e detalhado sobre a localização destes lugares mineiros ancestrais. 5). Distribuição das áreas mineiras no concelho de Idanha-a-Nova no espaço e no tempo. posicionam-se de forma gradual em meados da segunda metade do século passado. CAMARADA!”: O OURO PRESENTE NA CULTURA LOCAL Os registos das memórias que serviram de base e complemento a este trabalho retratam um quadro histórico do território de Rosmaninhal em conformidade com as suas profundas modificações (Fig. Face à sua base temporal. Figura 4. 3. c – Sanja aberta ao longo de planos de cisalhamento (Cabeço Mouro). A fama do ouro do Rosmaninhal despoletou também algumas migrações de garimpeiros ambulantes que se deslocavam de Penha Garcia. Onde a agricultura tradicional (cereais de sequeiro) e o pastoreio extensivo (ovelhas. de índole diversificada. concedida por D. f – Antiga mina da Devesa (ou dos Engenheiros). O Rosmaninhal naquilo que é a sua espessura e expressão identitária das suas paisagens teve sempre uma profundíssima relação com os gados (cabras. em plena expansão da cultura do trigo (1930/1960). aveia. vacas) e os cereais de sequeiro (trigo. ora se articula. onde emergem ecos de um território já quase dissociado das práticas agrícolas. Não esquecendo o permanente diálogo que ora se opõe. A – Bench placer explorado no terraço mais baixo do Rio Tejo numa extensão de 600m (Conheira da Fonte Santa). etc). porcos.

Rosmaninhal. 2005 † Foi dentro deste quadro histórico de enormes dificuldades económicas. a que se dão respectivamente os nomes de arraiais e montes. 84 anos. etc. Por outro lado. Rosmaninhal. surgia amiúde mediante esta partilha de proximidade com os trabalhos dos campos. XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM. Recolhas: a . 1968).Trabalho de campo. o geógrafo que calcorreou com profundidade estas terras raianas e lhes sentiu o pulsar. Penha Garcia. Figura 5. Deixando marcas e caraterísticas históricas. a sementeira e a colheita da azeitona. 1995). por não terem trabalho” (Dias.António Claro e sua bacia do garimpo de ouro.). se evidenciaram no conhecimento minucioso de uma paisagem e dos seus ritmos vitais. os trabalhadores de Idanha-a-Nova vagueavam todo o santo dia. 11 .António Claro. b Albano Quaresma. vivem afogadas pelas enormes unidades agrárias. tiradas as ceifas. muitos dedicavam-se a percorrer as linhas de água na esperança de encontrarem alguma pepita de ouro que minimizasse as carências a que estavam submetidos. A consequente descoberta de pepitas de ouro. que alguns destes ganhões e pastores. Orlando Ribeiro. Mina da Fonte Fria. 90 anos. nos períodos intercalares em que escasseavam estes mesmos trabalhos. e Maria Antunes. pautado pelo trabalho sazonal nos campos. politicas e sociais vincadas numa sociedade rural outrora dividida por uma acentuada estratificação social constituída quase exclusivamente por duas classes. outros por graus de especialização mais elevados. 82 anos. 2005 †. Dentro dos “ricos” destacavam-se os grandes senhores da terra. 96 anos.XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO. o etnógrafo Jaime Lopes Dias escreve sobre a situação quotidiana da vila de Idanha-a-Nova: “Naquele tempo. Na classe dos “pobres” incluíam-se todos os assalariados rurais (pastores. LOGROSÁN (CÁCERES).José Manuel Seborro. para além de um âmbito de culturas mimosas e resguardadas de muros (os chões). nomeadamente a carência de trabalho cujos sintomas se difundiam por todo o concelho.” (Ribeiro. uns por golpe de sorte. “Mas a nossa terra é tão rica em ouro o que é não há quem explore. gados e acomodação de ganhões ou jornaleiros. refletindo sobre o ambiente social da época. grandes. e . chamadas coutos (…) A cada uma preside uma casa de lavoura. Ou então. d . os proprietários. dános um retrato bastante lúcido e caraterizador desta geografia social do espaço: “As povoações. os “ricos” e os “pobres”. c . Rosmaninhal. ganhões. económicas. escassas e afastadas. 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 davam sentido e definiam o livre-trânsito de homens e animais.

Rosmaninhal. 1962). de fato. a revolve-la. Cedo se aprendia a sondar e perscrutar a terra. a avaliá-la. lavrava com as juntas de vacas e parelhas de matchos [machos] e…descobriam muito… descobriam muito ouro…e atão a terra vinha lavada…vinha e lavava e a gente via aqueles bocadinhos de ouro…” (Ti Zé Manel. Já as lavras. relações para com os recursos minerais da terra. conjuntamente com as suas complexidades e associações em termos físicos de avaliação da composição de solos (etnomineralogia na asserção de Lévi-Strauss. Rosmaninhal). familiaridades. Aliás. actualmente. contribuía e facultava essa circulação. “Quando andava gente a lavrar. ÁGUA (DA CHUVA) E OURO (EM PEPITAS EXCEPCIONAIS) “…na zona do Rosmaninhal onde o povo se dedica ainda. era de igual modo fundamento das relações sociais e vitais da aldeia. TERRA (LAVRADA). tidas como critérios essenciais para a exploração e preservação do solo. antigamente havia pouco que fazer. 1933). XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM. que contribuíam. 5c). de sedimentos plausíveis de conterem ouro. participam entre os habitantes locais.1. Já o romano Plínio. Traduzindo também a este nível essa memória da relação fecunda dos camponeses com a terra. à apanha de pepitas de ouro. III) menciona Justino que refere como o arado era suficiente. Fig. para obter ouro. quási à superfície da terra. ao revolver frequentemente as terras. na sua obra Naturalis Historia (XLIV. iam para o campo pelos ribeiros a ver se encontravam ouro” (Maria Mendes. os homens quando era no tempo que chovia. Com as enxurradas abrem-se frequentemente sulcos na superfície das terras. Desta forma empírica se desenvolveram conhecimentos. As “riscas” como são conhecidas localmente as fendas sulcadas na terra pelas enxurradas. onde a terra para além de ser suporte e meio de produção. LOGROSÁN (CÁCERES). permitindo ao jeito de canais a sua consequente lavagem. 95 anos. 90 anos. para a respetiva descoberta: as chuvas fortes (enxurradas) e as lavras frequentes das terras. Nas memórias das pessoas que descobriram pepitas de ouro é recorrente ouvir-se a conjugação de dois fatores (um de ordem natural e outro de ordem técnica). 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 Aqui para o lado dos Corgos. E através desta proximidade empírica de relacionamento com a terra. após as épocas de chuva” (Schwarz.XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO. 3. a moldá-la. desse lugar-referencial onde se encontram as maiores probabilidades de encontrar ouro. tais como o ouro. às vezes. desenvolveram-se essas capacidades de observação. é do conhecimento generalizado dos populares o mapeamento dos 12 . através das chuvas.

Registo das pepitas excepcionais através da memória local NOME GRAMAS LOCAL DA DESCOBERTA VENDA | OURIVES Ti Zé Cabaço 1. incluindo >100g Vários locais Do tamanho de tangerina Ti Zé Manel “Menteroso” >50g Couto de Santa Marina Do tamanho de castanha. LOGROSÁN (CÁCERES). Tabela 2.200g Devesa (Fontinha dos Engenheiros) Do tamanho de uma mão/alegadamente sonegada por importante personalidade local Ti Manuel Charra >1.000g Vale da Morena (ao pé da Fraguinha) Vendida a ourives Chico “Cágado” 925g Soalheiras (Portela da Mouca Lálá. terreno de olival) Vendida em pedaços a vários ourives.XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO. tal como a memória dos mais relevantes descobridores e suas descobertas (Tabela 2). perdida Manel da Barra 50g Vale da Morena - 13 . 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 lugares onde existe de fato ouro.100/1. Descobridores e descobertas. incluindo Valdemar (Castelo Branco) por 20 contos João António “Pecado” 125/9 gr Moinho da Figueira Gato (Mealhada?) Foi vendida por 3 mil escudos Ti Artur Robalo >200g Couto de Santa Marina (Barragem do Henriques Moura) - Zé Pingaroto >100g Herdade da Poupa (Cabeço das Gazes) - Ti Abel Russo Vários. XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM.

encontram-se muito aquém da maior pepita de aluvião alguma vez encontrada. A pepita de Chico Cágado apareceu nos jornais há quase 60 anos.” 14 .2. com um peso de 71.35m de largo. Este engenheiro reporta um número elevado de garimpeiros nas Veigas e descreve os utensílios utilizados na lavagem de sedimentos: “a conca não difere da bateia normal senão na forma. faz uma visita de dez dias à região “…encarregado de avaliar a possível utilização dos jazigos auríferos de aluvião tão frequentes na província da Beira Baixa” (Castro e Solla. 1971). 2013). e futuro Ministro dos Negócios Estrangeiros. Colocada a caixa num ribeiro. de 0. 3. no entanto. qual a proporção de ouro que verdadeiramente continham. A caixa é rectangular. 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 O achado de grandes pepitas é recorrente no Rosmaninhal. de modo a que a água corra para dentro dela (…). Muitas extravasaram o domínio do conhecimento da própria comunidade. não obstante.25m a 0. Os adiceiros lavam em geral as areias que se depositam entre os interstícios dos afloramentos do xisto. foram assinaladas no início do séc.018kg. não se sabe. MEMÓRIA DOS GARIMPEIROS DE PENHA GARCIA Em 1901. com 3 e 7 kg. Estas encontram-se entre as maiores pepitas de ouro registadas na Península Ibérica ao longo da história (Vila & Herrera. então diretor de minas dos territórios administrados pela Companhia de Moçambique. Na década de 90. a Welcome Stranger de Victoria. o ouro do Rosmaninhal foi novamente noticiado aquando do última tentativa da sua exploração no Vale da Morena. na região de Góis. bem como na televisão pública nacional. Austrália. XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM. o engenheiro Alfredo Augusto Freire de Andrade. o registo destes grandes achados é conhecido com precisão por toda a comunidade e pela ordem do peso das ocorrências. Todos estes achados. no Jornal Raiano em Fevereiro do mesmo ano. 16 de Abril de 1993). Pipino. ainda que sem confirmação. O seu achado é confirmado pelo ourives de Castelo Branco que a comprou (Carvalho.XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO. XX. Soler (1883) assinala na província de León pepitas com 113 a 1120g. “Querem levar o ouro da Raia!” (Gazeta do Interior. e o fundo é coberto por uma tábua perfurada por grande número de buracos. que retém o ouro naturalmente na ocasião das cheias e é aí que fazem as suas maiores colheitas. proximamente a uma calota esférica e é de madeira e no seu manejo têm os adiceiros grande destreza. LOGROSÁN (CÁCERES). 1980). 2006. As maiores pepitas de ouro encontradas em Portugal. De uma forma geral.

Destacavam-se pelas técnicas e algum “saber-fazer” especializado relacionado com o garimpo e apuramento do ouro. Às vezes andávamos aqui por Penha Garcia. 1971). “MINAS ESCONDIDAS” E TESOUROS. Garimpeiros de Penha Garcia. Ficou enraizado na memória local a presença ambulante dos garimpeiros de Penha Garcia na paisagem envolvente. Vale da Morena e Cabeço Mouro.75 vezes a eficácia da lavagem de sedimentos. 5d. Rosmaninhal). levávamos tudo à cabeça. XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM. 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 (Castro e Solla. Trabalhei no Rosmaninhal com 14 anos. P. 4. 9 gramas foi a pepita mais grossa e 30 gramas aqui em Penha Garcia. a olho. Em primeiro íamos os dois [mulher. Estas migrações/deambulações associadas ao garimpo do ouro inscreviam-se regularmente nessas estratégias que as populações locais encontravam para fazer face às dificuldades dos tempos. LOGROSÁN (CÁCERES). em relação à bateia ou coucha/conca ou bacia. Toulões e até de Brozas faziam regularmente temporadas nos seus lugares preferidos como os Corgos. “Homens que vinham pra’ai de propósito a cavar terra a cavar terra assim nas barrocas…lavavam…lavavam…traziam umas bacias próprias e lavavam a terra. A DECIFRAÇÃO DE UMA GEOGRAFIA MÍTICA LOCAL 15 . Fui o primeiro a andar ao ouro. onde permaneciam longas temporadas a lavar terras na senda do ouro. Os do Rosmaninhal andavam só às pepitas. escolhiam os itinerários que acompanhassem os rios (Erges. Garcia. caleira ou escalão também são designações locais) ou sluice aumenta em 43. Aravil. íamos a pé até ao Rosmaninhal. Ponsul) e ribeiras. entre estes a conca e a caixa. De acordo com Neves Cabral (1862). aquelas que ficavam à vista com a água. denominações locais. com um burro carregado com os utensílios. pegava-as a todas umas às outras…oh…houve homens que atcharam ai uma riqueza. ficavam lá aquelas falhinhas no fundo…eles apoi com um bocadinho de coso que tinham…azougue [mercúrio] ou o que era ajunteva. 90 anos.” (António Claro. “Tinha 13 anos quando comecei a andar ao ouro. Maria Antunes].e). Levávamos o farnel para toda a semana e a ferramenta para trabalhar. Dormíamos pelas malhadas [habitações agrícolas]. e merenda. Fig. Monfortinho. 85 anos. Alares e Cegonhas.XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO. até chegarem ao território de Rosmaninhal. cale. Deslocavam-se a pé. atcharam ai uma riqueza…” (Ti Zé Manuel. a caixa (calha. no Couto do Badacha.

ruínas antigas. deixaram lindas mouras encantadas em guarda a seus tesouros. fiam. Perdem-se no tempo as infinitas histórias sobre tesouros. Nestas histórias sobre tesouros participam seres imaginários. a alguns sinais que o evidenciam. andava variado da cabeça…” (Jerónimo Folgado. fontes. vencedores. 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 É certo e sabido que os tesouros existem. aos roteiros de tesouros ou mesmo através dos sonhos. descoberta ou perda que circulam através da tradição oral. têm alfaias agrícolas.” Alves (1934). mouras. se viram obrigados a largar as nossas terras. andou ali uma máquina mais de quanto tempo a escavar…fez ali uma buraca…não apareceu nada (…) sonhou que havia lá uma mina…que havia lá qualquer coisa. estes supostos guardiães habitam o subsolo. mas quando é ao fim quero isso tapado…lá andou. Ou seja. tanto cavou…que convenceu-se. tanto cavou. Recolhemos em Rosmaninhal alguns destes exemplos: “Houve um senhor que sonhou que ali mesmo ali ao lado onde está aquele coiso [anta] ali no cabecinho onde estavam os gorrões que lhe chamavam forca…então o velhote disse que havia lá uma mina e o quê que pensou. Rosmaninhal). A sinalizar na paisagem estas evidências estão buracos. palácios. árvores de grande porte. vivem uma vida subterrânea paralela à vida humana. LOGROSÁN (CÁCERES). O encantamento faz parte das suas estratégias de ocultamento e só mediante a quebra deste é que se tem acesso a este mundo subterrâneo repleto de tesouros. fadas. enfim. Algumas das múltiplas formas de revelação destes tesouros ocultos. lavam e põem a secar a sua roupa. dobam e tecem os seus panos. estão associadas à mera casualidade. anões. que no fundo são os seus cientes guardiães permanentes: mouros. antigas minas. como diz a mitologia popular. saliências. oferecimento. andava variado da cabeça e mandou vir ali uma máquina. onde construíram cidades. “Quando os mouros.XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO. pedras. “O meu sogro que Deus tem também sonhou com uma (…) ali ao pé onde está o poço. até que um dia. ali na estrada (…) era ali em frente do povo (…) diz que detrás de uma oliveira que estava uma mina – vir aqui a cavar que ali está uma mina! Mas os filhos diziam 16 . um tesouro. falou comigo se podia lá cavar (…) vá lá a cavar. grutas. uma buldoza. onde criam animais. o respetivo sonho tem que se repetir três vezes. tornando-se assim num dos seus temas mais fecundos e recorrentes. sua revelação. etc. pela força das armas cristãs. 75 anos. em termos imaginários. aqui de facto não há cá nada…e nós quando foi ao fim…o da máquina fechou aquilo…fechou aquele Buraco…o homem sonhou. XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM. pudessem vir tomar conta deles. serpentes. Mediante o rol destas histórias.

“(…) estava uma e dizia assim – eu ando a sonhar que está ali uma mina…um dia disseram assim – Vamos lá a ver?! – estava lá uma talha da beira mas estava arrancada.” (Maria Mendes. 1992). Os ourives 17 . São deveras notáveis estes testemunhos e motivo suficientemente válido para que se tenha desenvolvido todo um corpus lendário em torno do ouro. tinha o papo tão cheio que logo os tornou ricos. Foi um senhor que veio de fora…veio de fora. Rosmaninhal). logo se procura na moela possíveis grãos de ouro. 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 que estava lá uma serpente…os filhos nunca lá quiseram ir a tirar a mina. “Olha…está uma senhora. 5. Uma das lendas conta que uma galinha só comia grãos de ouro: “…quando foi morta. quando no campo se mata qualquer galinha. 2001). O NEGÓCIO DA COMPRA E VENDA DE OURO Já o Barão d’Eschwege (1825) escrevia sobre a atividade dos povos da região que apanhavam o ouro da terra.XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO. já está tonta da cabeça também! E dizia assim – Deixa-te estar aqui em casa! Ai todos os dias sonho! E foi lá…foi lá diz que estava lá uma serpenta [serpente] a dizer – Não abras aqui a poça que está cá uma serpenta que te agarra! Ela agarrou medo nunca lá foi já…[risos]”(Ti Firmina. Rosmaninhal). 77 anos. ali à esquerda…à direita quando a gente vai…além num cabecinho daqueles havia muita gente que lá ia a cavar que sonharam com aquela mina…mas ninguém lá queria ir porque diz que estava lá um dragão o não sei quê…e tudo tinha medo de lá ir!” Ainda lá cavaram muitos! (Inês “Manjerica”. seus achados e lugares. Rosmaninhal). o certo é que. onde o mê homem achou o ouro…além para lá do ringue…chamam-lhe além a Forca…ela sonhava que estava lá uma mina com ouro…dizia – Ai…eu ainda lá vou! Agora está no lar. LOGROSÁN (CÁCERES). para surpresa dos donos. “Você não conhece aquela ponte que está ali no Arrabalde.” (Pinheirinho. OURIVES. eu até nomeava…isto é…não é do meu tempo…(…) e a outra era ali naquele cabeço quando a gente vai para a Santa. 95 anos. Rosmaninhal). como já tem acontecido por várias vezes. Ficção ou não. a catalisar e solicitar a palavra e o gesto (Brito. 95 anos. XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM. ali naqueles chães [terrenos] ali disseram que tiraram uma mina com uma mão cheia de ouro que lá estava…uma panela cheia de ouro que lá estava…e foi de dia!”(Ti Zé Manel. 78 anos. vendendo-o aos ourives das vilas próximas. Os tesouros ocultos participam intensamente do imaginário dos grupos e continuam. no espaço social da aldeia.

Figura 6. havia também quem juntasse pequenas 18 . a cheirar. ora por mera iniciativa própria. por vezes até duvidasse não é… não à frente do cliente mas depois em casa.”(João António Folgado. ourives. Os seus nomes estão assim intrinsecamente ligados aos circuitos destas descobertas e seus posteriores desenvolvimentos. 75 anos. Numa sociedade e num período em que o dinheiro escasseava. 1979). Porém. esposa de Elias Preguiça. O Valdemar e o Catarino de Castelo Branco. a família Preguiça de Cantanhede e o “Gato” são os ourives mais reconhecidos (Fig. Carvalho. b – Ourivesaria Catarino. 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 deslocavam-se amiúde por todo o concelho no negócio da compra e venda de ouro. E ele [sogro. ele pegava numa mão cheia de ouro e começava a cheirar. Cantanhede). 68 anos. 6). a – Homenagem ao ourives na pequena localidade de Febres (Cantanhede). onde se incluíam os negócios relativos a este ouro nativo ou ouro cascalho. o Preguiça dali da Idanha…os tios deles. Rosmaninhal).5%) com a compra das pepitas. seus preços e respetivos negócios. os ourives obtinham um bom lucro (até 92. XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM. O ourives foi o Gato. Numa época em que o preço do ouro estava fixado entre os 35$00 e os 40$00/g (actualmente 17-20 cêntimos. Bom já lá vão…cinquenta e tal anos quase sessenta. a pepita de João Folgado valeu à sua família apenas 3 contos e a de Chico Cágado. ali parece-me que foi…não sei quantos escudos a grama…bom eu sei que o nosso foram 129 gramas e deram-nos 3 mil escudos por ele. Enquanto conhecedores e avaliadores minuciosos do grau de pureza deste mineral. os ourives assumem uma destacada importância nas memórias coletivas destes territórios auríferos. ver Tabela 2). apelido ou alcunha. LOGROSÁN (CÁCERES).” (Maria Manata. naquela altura. Algumas gerações de ourives deslocaram-se ao Rosmaninhal. O ouro ainda era transacionado regularmente há 50 anos (Carvalho. a cheirar o ouro e ele dizia que estava puro…que era bom. em Penamacor. Os ourives são reconhecidos por todos através do seu nome próprio. pais…” (Jerónimo Folgado. chamávamos nós o ouro cascalho.XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO. respectivamente. “Faziam a troca do ouro cascalho. Rosmaninhal). era assim daquelas pessoas que contava-me o que fazia. “Nessa altura até vinham cá muitos ourives. António Conceição. ourives] quando vinha para a nossa loja. 60 anos. o que comprava e depois pousava lá em cima do balcão e quando trazia assim aquele ouro (ouro cascalho). 1980). “A venda cá. 20 contos (15 e 100 euros. Tanto o Valdemar. o que vendia. Ora integrados nos itinerários normais das feiras.

em 116 anos. assim como os seus afluentes e subafluentes. Nos últimos dois séculos existiram 112 concessões mineiras em todo o território do Geopark e só em Idanha-a-Nova.XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO. recolhia as lendilhinhas de ouro numa pena de grifo. O pai de Maria Augusta.. às vivências “d’ir ao minério” e ao contrabando de volfrâmio e estanho. Mas é o ouro que marca a paisagem cultural da região. 2010). às ilusões da Revolução Industrial. quando o trabalho e o alimento escasseavam. foram feitos 1960 registos de descoberta de minas. assentes no turismo (Neto de Carvalho et al.. 2010). associadas às migrações de mão-de-obra agrícola. natural de Idanha-a-Nova e residente no Rosmaninhal. Ocreza. nomeadamente o Erges. 83 anos. a “febre do ouro negro” ou do volfrâmio teve as suas especificidades. mais de 3 000 anos de trabalhos mineiros deixaram uma marca profunda na paisagem e na memória (Neto de Carvalho et al. 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 quantidades e aproveitasse vendê-los aos garimpeiros ambulantes que circulavam pelo território. O ouro do Rosmaninhal é lendário. quando juntava cerca de 1g vendia aos ourives para comprar tabaco. Charneca. Associado ao modo de vida pastoril. Foz do Cobrão. XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM. ou comunidades inteiras. As “Buracas da Moura” nas cristas quartzíticas são reminiscências lendárias que nos chegam da Idade do Ferro. Conta Maria Mendes (95 anos). O património industrial é a evidência de atividades socioeconómicas transformadoras que tiveram e continuam a ter profundas consequências históricas (The Nizhny Tagil Charter for the Industrial Heritage. “QUANDO A GENTE ANDAVA AO MENÉRIO”: INVESTIGAÇÃO E DIVULGAÇÃO PARTICIPATIVAS DA CULTURA IMATERIAL DOS RECURSOS GEOLÓGICOS A relação do Homem com o substrato geológico é particularmente evidente na cultura mineira. 2003). LOGROSÁN (CÁCERES). Os “eixos da gandaia” eram e sempre foram o Tejo. É esta cartografia da memória que se procura hoje conhecer e potenciar em lógicas inovadoras de desenvolvimento. movendo famílias exclusivamente dedicadas à gandaia do ouro. Aravil e Sertã. Ponsul) testemunham a magnitude quilométrica dos desmontes mineiros de aluvião durante o Período Romano. foi com o dinheiro do ouro do meu pai”. Ponsul. A atividade mineira depende da 19 . 6. o ouro é nómada. “conhais” ou “gorroais” (Arneiro. “Olhe foram os primeiros brincos que eu pus nas orelhas. As “conheiras”. Termas de Monfortinho. José Mendes encontrou uma pepita do tamanho de uma noz. Num território mineiro. No território do Geopark Naturtejo.

7).. Em 1986. a recreação de uma pesquisa de ouro (Catarino. 7c). c – Festa do Ouro na Foz do Cobrão. Este evento. além da história local da mineração e do património industrial. 2006. Salvaterra do Extremo. b – Apresentação de documento fílmico aos informantes. fonte destas valiosas informações e experiências têm mais de 70 anos. 2012. o estilo de vida e os impactos sociais da mineração. as actividades desenvolvidas pelo Geopark Naturtejo têm por base a cultura mineira que privilegia a evolução das técnicas. patrocinado pelo Programa das Aldeias de Xisto (Fig. Divulgação do Património imaterial do ouro. com o apoio da Associação de Estudos do Alto Tejo e do Geopark Naturtejo.. a sociedade é totalmente dependente mas pouco consciente dos recursos minerais usados como matéria-prima na maioria dos objetos do quotidiano e. Neste sentido. Fig. Atualmente. impulsionou o desenvolvimento de programas turísticos pelas empresas de animação turística e de um estudo mais sistemático. Qual o significado de uma conca se os visitantes não sabem como é que esta era utilizada e rentabilizada? A contribuição de antigos mineiros permite enriquecer os objetos com a sua história e modo de utilização.. o Grupo dos Amigos da Foz do Cobrão. Fig. sob a forma de entrevista gravada e filmada. porém. multidisciplinar. familiares e autoridades locais. Esta festa foi recriada 20 anos depois com os mesmos garimpeiros. 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 geodiversidade local e todas as atividades de interpretação devem incluir a história geológica dos jazigos. 2011. 2011. pelo que a participação das comunidades locais. Neste contexto. 2003). Vila Velha de Ródão juntou antigos garimpeiros locais e a comunidade para a “Festa do ouro em Foz do Cobrão”. a mais vulnerável. as atividades de divulgação contribuem para a promoção da utilização sustentável dos recursos minerais. 5a e 7a. com enorme repercussão nos media nacionais. XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM. designadamente de antigos mineiros.. Figs. nesse sentido. Rodrigues et al. e – Animação turística durante o Festival Salva a Terra. o património geomineiro intangível é uma das maiores riquezas do Geopark Naturtejo sendo. Estes testemunhos têm vindo a ser recolhidos. 7c. LOGROSÁN (CÁCERES). a – Recolha fílmica de testemunhos vivenciais. dos antigos territórios mineiros e sua valorização (Rodrigues et al.XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO. f – 20 .d). é fundamental nas fases de investigação mas também na dinamização de atividades com público (Neto de Carvalho et al.b). dado que os peritos. Figura 7. constituindo a base para a interpretação do património geomineiro (Neto de Carvalho et al. d – Pepita de ouro encontrada na borra da conca de madeira durante a Festa do Ouro.

como um corpo nómada. com o apoio do Centro de Ciência Viva da Floresta e patrocinado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. embora com um relevo económico relativo foi sempre um contributo precioso para a subsistência diária. Ou seja. O projeto sobre o património geológico de Idanha demonstra várias valências que o torna pioneiro: é conhecida a riqueza histórica e etnográfica destas regiões e cada vez mais se promove a qualidade e raridade dos seus georrecursos. com o ourives Paulo Dias. a reconstituição do espaço da 21 . que pretende fundir áreas do conhecimento tão distintas quanto a etnografia e a geologia. prolongou-se por milénios. Assim. h – Nova vida nos espaços da memória mineira. para além de uma rede de informantes e uma maior proximidade entre investigador e a comunidade. LOGROSÁN (CÁCERES). agora quase esquecidos. tais como: materiais fílmicos. Rio Ocreza. as aldeias passam a contar ainda com um conjunto de ferramentas de utilização futura. em termos de equacionamentos de valorizações. XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM. A convivência dos povos de Idanha com uma exploração mineira que. de estudos de arqueologia mineira e de inquéritos orais. fruto das respetivas investigações efetivadas em cada uma destas aldeias. 2011). A exposição “Quando a gente andava ao menério” assenta sobretudo numa planificação onde a mobilidade desta mesma têm uma redobrada relevância (Chambino. trata-se de um trabalho científico multidisciplinar. da escola de Febres. ou seja. 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 Geologia no Verão. com a reconstituição física das suas práticas pelos antigos mineiros que ainda subsistem nas aldeias. áudio e documentais produzidos no âmbito desta mesma investigação. partindo da génese da sua definição. de um entendimento em relação à sua estrutura. cantigas e modos de vida. Por esta via e de uma forma sistemática. g – Workshop “Do Ouro à Jóia” no âmbito da acção já referida. reconfigura-se efetivamente com novos conteúdos e materiais temáticos relacionados com os respetivos contextos locais mineiros. em rápido retrocesso pela morte dos velhos mineiros.XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO. As suas práticas terão deixado marcas no legado cultural popular. Este legado. sob a forma de lendas. apresenta como aplicação prática e como objetivo final. está a acrescentar-se valor a um importante corpus de materiais (tangíveis e intangíveis). caminha para o total esquecimento se não for recuperado através de buscas bibliográficas. desenho e ideia finalizada. para além das mais-valias imediatas do usufruto dos conteúdos da própria exposição para a história da comunidade e de toda a dinâmica de eventos criados em seu redor. que percorre as aldeias com passado mineiro do concelho de Idanha-a-Nova.

modos de organização formal e informal e afins). 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 mina e das vivências em torno do minério. A exposição constitui uma coleção de referência dos utensílios. mapas. ferramentas. NOTAS FINAIS “Vastas ocorrências auríferas.XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO. sendo enriquecida à medida que se desloca de localidade em localidade. no sentido prioritário de salvaguardar 22 . 7. estudos históricos. elaborou-se um registo fílmico. Medelim (2013). Miguel de Acha (2012). 1975). tal como num sentido mais alargado o próprio património geo-etno-mineiro do território do Geopark Naturtejo da Meseta Meridional.) como imateriais (linguagens próprias. infraestruturas. caraterização das paisagens mineiras romanas a contemporâneas. Na linha conceitual destes argumentos. tecnologias. fotografias. onde proliferam vestígios de antiquíssimas explorações” (Carvalho. O estudo de caso do ouro de Rosmaninhal é precisamente o continuar duma longa investigação e deambulação pelos territórios de maior relevância mineira do concelho de Idanha-a-Nova. Termas de Monfortinho. bem como dos minérios explorados. que serviram simultaneamente de guias destas paisagens e. LOGROSÁN (CÁCERES). 7b). posteriormente em S. O projeto do património mineiro de Idanha surgiu em 2005. enquanto suporte metodológico. porventura as de maiores dimensões entre nós. relembrando e envolvendo os protagonistas locais. estudar. XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM. repertórios de saberes. Foi com estes propósitos em mente que esta equipa com uma visão multidisciplinar (antropologia e geologia) foi para o terreno conhecer e inventariar por um lado e por outro. revisitou-se esta paisagem mineira conjuntamente com alguns protagonistas locais do ouro. São inúmeras as linhas de investigação que este tema em redor do ouro projeta. gestualidades. A aposta num filme de apresentação e num arquivo audiovisual permitirá relatar a história geológica de Idanha e as estórias dos seus mineiros de uma forma muito mais apelativa e abrangente (Fig. Proença-a-Velha e Salvaterra do Extremo. objetos. tanto em relação os seus vestígios materiais (documentação relacionada. a perspetiva do mineiro face ao seu mundo em rápida mutação e o impacte sócio-económico da atividade mineira ao longo dos tempos. O itinerário de uma exposição “nómada” que está nas bases desta investigação iniciou-se em 2011 no Centro Cultural Raiano (Idanha-a-Nova). preservar e colocar em valorização este mesmo património. no âmbito do Inventário do Património Geológico e Mineiro para a constituição do Geopark Naturtejo da Meseta Meridional. ao mesmo tempo sensibilizando.

Numa segunda fase. do Centro Cultural Raiano. Assumindo-se e reforçando-se aqui. Mem Martins. por dezenas de pessoas que dedicaram parte das suas vidas à “gandaia do ouro”. e ao colega Paulo Longo. trajetos. convidaram-se os participantes e restante comunidade a visualizar o resultado do trabalho final da montagem das imagens fílmicas e nesta sequência preparou-se um workshop de garimpo de ouro nas proximidades. Em paralelo. fizeram-se registos fotográficos no sentido de documentar de forma criteriosa e ampla o universo do presente deste património em Rosmaninhal. Mas a exposição também dá a conhecer os profundos impactos sociais que estas práticas tiveram no território e suas consequentes ligações identitárias legadas. não apenas no Rosmaninhal. 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 uma parcela significativa destas memórias do ouro.XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO. pela coordenação museográfica. e João Geraldes pela partilha de conhecimentos de campo. mas em muitas aldeias do território do Geopark Naturtejo. LOGROSÁN (CÁCERES). toda essa dimensão possível da partilha e transmissão de conhecimentos histórico-vivenciais relacionados com um território habitado e explorado. Aos geólogos Alberto Rivas. e as indicações dadas no terreno. A Santa Casa da Misericórdia do Rosmaninhal por nos ter aberto as portas do seu Lar para as entrevistas e filmagens. 1988. 23 . AGRADECIMENTOS Os autores deixam uma palavra de grande apreço pelo apoio que sempre tiveram por parte da Junta de Freguesia do Rosmaninhal nos trabalhos de campo. Bibliografia Alarcão. linhas de água e locais de evidencias mineiras diversas) como as humanas (informantes). XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM. de Coria. Europa-América (Forum de História I). face à avançada idade dos principais intervenientes. O Domínio Romano em Portugal. com o intuito da partilha experiencial com a comunidade do decorrer dos trabalhos e respetiva valorização de uma memória social. Os autores agradecem ainda as entrevistas concedidas ao longo dos anos. na investigação e na organização de acções de valorização dos patrimónios locais. nestes círculos locais com forte sentido de pertença afetiva e formas peculiares de experienciar o meio envolvente. J. tanto as configurações físicas (antigas minas. seus principais traços identitários a uma paisagem física e humana.

F. 47-48. 2002. Batata. Mineração Romana em Portugal. 12(3/4). Brandão (ed. 139175. León. 47-69. F. Almeida. & Cunha. M. El Oro de Casas de Don Pedro-Talarrubias. Brito.C.B. & Reguilón. 32 (3). Contribución a su investigación histórica.XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO.M.. Noticias históricas e curiosas das Minas e dos Estabelecimentos Metalúrgicos em Portugal (manusc. C. Boletim de Minas. Idade do Ferro e romanização entre os rios Zêzere. Chambino. Vol. Notas e Trabalhos. Florido. Barão d’Eschwege 1825. Henriques. Caninas. 2006. Estudos.). Memórias arqueológicas-históricas do distrito de Bragança. Calado. 1965. 2(3). In: C. Actas do VI Simpósio sobre Mineração e Metalurgia Históricas no Sudoeste Europeu.F. Actas do Congresso Internacional sobre Património Geológico e Mineiro.. 46. Actas do VI Simpósio sobre Mineração e Metalurgia Históricas no Sudoeste Europeu. 272-345.M. Batata.. S. J.L. Batata (Ed. Tesouros: o passado. 25-56. 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 Allan. 24 . 292p.. Mineração aurífera antiga a céu aberto no sul do distrito de Castelo Branco. Arquivo da Repartição de Minas). XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM. C. C. Badajoz (España). In: J. Barrios Sánchez. P. Macla.P. 1992. S. 2011. Lisboa: 265-272. Elementos para a História da Administração mineira nos séculos XII a XVI. 215-246. Batata. P. Porto. Trabalhos de Antropologia e Etnologia. Mineração antiga em Portugal: uma visão genérica. 1957. J.P. C. da Idade do Bronze à Época Romana. 1934. IX. Notícia sobre vestígios de exploração romana de ouro aluvionar no concelho de Nisa: o Conhal do Arneiro. C. LOGROSÁN (CÁCERES). & Calado. J. La Minería Hispana e Hispanoamericana. 1. 2011. Trabalhos de Arqueologia. Vol.. o presente e o risco da desordem. 195-220 Alves. F. Campos. 1970.M. 13.). M. A mineração em Portugal na antiguidade. Tejo e Ocreza. J. 2010.

31.M. Fis.V. Cardoso & M. Actas do VI Simpósio sobre Mineração e Metalurgia Históricas no Sudoeste Europeu. Deprez. LOGROSÁN (CÁCERES). C. Tese de Doutoramento. DirecçãoGeral de Geologia e Minas. Belgium. In: J. 1979. Dinam. A. The Conhal do Arneiro (Nisa. Quatern. 247-261. A geoarchaeological study of the natural resources in the territory of the Roman town of Ammaia (Northeastern Alentejo. 25 .. A. Geogr. Almagro-Gorbea (eds). Catarino. 1971. Freire de Andrade.A. 2011. & Fabião. A. 20-46. Alguns aspectos da mineração romana na Estremadura e Alto Alentejo.D.. Carvalho. “Quando a gente andava ao menério”. Boletim de Minas. Jazigos de ouro das Beiras e A. A.L.D. 129-138. Breves referências sobre jazigos auríferos portugueses. M.XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO. Carvalho. 1980. 2003. Guerra. 3-16. Nordeste Alentejano.L.D. 2011. J. Castro e Solla. Vila Velha de Ródão. Chambino. 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 Cardoso. & De Dapper. E. Ghent University. Academia Portuguesa da História/Real Academia de la História. Jazidas auríferas aluvionares – trabalhos de pesquisa. Algumas lavras auríferas romanas. 169-188. Grupo dos Amigos da Foz do Cobrão. Os ancestrais de hoje e de amanhã. A geoarchaeological view on ancient gold exploitation in a Late Quaternary Tagus riverine landscape. M. 2008. 1975. S. granite building stone provisioning and opencast gold mining. 139-150. 12(II). Deprez. Estudos. J. L. Boletim de Minas. 1954. 8(4). XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM. Portugal). Carvalho. As aluviões auríferas do Tejo. & Ferreira. S. Elementos para a elaboração de uma cartografia do património mineiro do concelho de Idanha-a-Nova. IX(1-4). Carvalho.L. Lucius Cornelius Bocchus Escritor Lusitano da Idade de Prata da Literatura Latina. Boletim de Minas. O. 16 (3/4). Foz do Cobrão.R. 2009. Portugal): case studies on water supply. Notas e Trabalhos do Serviço de Fomento Mineiro. 313-315.

Northeastern Alentejo. A política do campo.H. 109121. Plon.). C. 34. F. C. Descripção do Reino de Portugal. Les mines de la Péninsule Ibérique dans l’Antiquité romaine. Preservação. J. & Chambino. 1785.. A geoarchaeological study of the historical placer gold exploitation of the Tagus River terrace of the Conhal (Nisa.XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO. Fol. N. Vermeuler (eds. Instituto Geológico y Minero de España 2007. 1962. Archaeological Reports of Ghent University. Fernández Nieto. De Dapper & F. De Dapper. W.. De Paepe. Carta Arqueológica do Tejo Internacional. VIII. Para a história da barragem da Campina de Idanha-a-Nova e da sua gente. J. 2011. J. P. Catalogue des mines et des fonderies antiques de la Péninsule Ibérique.. série archeology. XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM.. M. Zephyrus. 2. McGraw-Hill.-J. D. 14-16. Leão. Ghent. 1987. dr. & Batista. Lévi-Strauss.L. M. Portugal). Aurifer Tagus. London. Batata. “Ol’ Man River”: Geo-archaeological aspects of rivers and river plains. S. 359p. 26 . Domergue. Paris. 1968. Gold Deposits of the World. Primeira Contribuição (vol. Emmons. 1995. Actas do VI Simpósio sobre Mineração e Metalurgia Históricas no Sudoeste Europeu.N. Domergue. 21-22.C.. Mapa Metalogenético de Extremadura a escala 1:250000. Torre do Tombo. C. 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 Deprez. Publications de la Casa de Velazquez.. & Vermeuler. 120p. Salamanca. Gestão aurífera e afirmação epigráfica: o caso de Tiberius Claudius Rufus (CIL II 5132) de Idanha-a-Velha. Joaquim de Carvalho). Henriques. C. 1937. 1990. LOGROSÁN (CÁCERES). J. F. P. Caninas. rumo indispensável à vida nacional I (Cartas do professor e filósofo. La pensée sauvage. Salvado. Almeida. 311-332. 2). 1971. Junta da Extremadura. Encarnação. Dias. In: M. École Française de Rome. Proceedings of the International Colloquium. F. 2009.

18. Rosmaninhal: Passado e Presente (da antiga vila raiana da Beira Baixa). Lisboa.. Gouveia. Neto de Carvalho. del P.. 2010. & Chambino. IV. Pérez García. A. LOGROSÁN (CÁCERES). Actas do 3º Simpósio sobre Mineração e Metalurgia Históricas no Sudoeste Europeu. Proceedings of the 11th European Geoparks Conference. Informe interno de Mina Krystina. C. A. (eds. Ribeiro. C. 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 Martins. J.S. 2006. Neto de Carvalho. C. Estudos Regionais.A. Ediraia. 37p.. Cisalhamentos hercínicos e controlo estrutural das mineralizações de Sn-W. Rego. 167-168. Mercedes. v. Rocha D. Pipino. J & Chambino. 27 . 1993. Relatório sobre a exposição universal de Londres de 1862. 1988. Pinheirinho. 595-606. C. 2012. Opúsculos geográficos. 1995.. do Minho. & Meireles. 2003. S. Fundação Calouste Gulbenkian. Auditorium. Memórias Paroquiais. A. E. & Moreira. Imprensa Nacional.XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO.). S. em Portugal. 157p. Arouca. E.A.C. 18(10).. E. Neves Cabral. Geomining heritage in the Naturtejo area: inventory and tourist promotion. Pereira. L. G. XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM. Rodrigues. V. P. Exploração mineira romana e a metalurgia do ouro em Portugal. J. J. 89-119. 1862. J. C. In: Sá.I. E-Terra. Aurifodine e sfruttamento dei terrazzi auriferi. Tese de Mestrado. Castelo Branco. Neto de Carvalho. Londres. Chambino. Rodrigues. Cuadernos del Laboratorio Xeolóxico de Laxe.A. Paz. 2001. 1-4.M.S.. Geomining Heritage in Naturtejo Geopark (Portugal) – the role of temporary exhibitions for connecting local communities with geodiversity.M.. AGA – Associação Geoparque Arouca. Património geocultural do Geopark Naturtejo da Meseta Meridional. Univ. A.. Câmara Municipal de Idanha-a-Nova. O.C. Correia.A. Ribeiro.B. Transcrições. 2008. Evaluación de los aluviones auríferos del río Erjas (Cáceres).C. Porto. Au e U na Zona Centro-Ibérica. & Rivas.C. E. 2013.

A. F. I. A. Greece. 135-156. A Geologia de Engenharia e os Recursos Geológicos. 35-38.J.. Refojos. XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM.B.. C. 9. “There’s Gold at Foz!” and other geotourism products for raising awareness of the Naturtejo Geopark geomining heritage. Actas das 2ªs Jornadas do Património da Beira Interior. 68-69. (ed. Minería romana de oro en las cuencas de los ríos Erges/Erjas y Bazágueda (Lusitania): la zona minera de PenamacorMeimoa. & Chambino. Rosmaninhal. E. Santos Oliveira. Sánchez-Palencia. Proceedings of the 9th European Geoparks Conference.M. 2010.). Sequeira. Zonas mineras y civitates del noreste de Portugal en el Alto Imperio (zona fronteiriza con España de los distritos de Braganza y Castelo Branco). 1933.C.. Schwarz. P. In N.XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO. Lisboa. 1-5 October 2010. Litogeoquímica na área de Sarzedas (Castelo Branco). & Peréz-García. Cabral. Informes y Trabajos. Díez.. Sánchez-Palencia. Guarda. J. 29-A. E. S. J. B... Perona. 2011.000. In: Batata.S. Extracto do relatório acerca das pesquisas de ouro no concelho de Idanha-a-Nova. M. Segura. 2010. Romão.R.P. Retorta (sector norte). R.. C.R. C. 1. Neto de Carvalho. 28 .C. J. Mytilene. Universidade de Coimbra. 606-627. 2005. Neto de Carvalho. L.P. A.J. Carta Geológica de Portugal à escala 1/50000. Carta Geológica de Portugal na escala de 1/50. Vila Velha de Ródão. & Ribeiro. Ortega. Boletim de Minas. Zouros (ed. LOGROSÁN (CÁCERES).. 1999. & Prats.L.. Pereira. Actas do VI Simpósio sobre Mineração e Metalurgia Históricas no Sudoeste Europeu. A. Rodrigues.J. Instituto Geológico e Mineiro. J. 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 Rodrigues. Cunha. Contribuição para o estudo de ocorrências de ouro.. “Há Ouro na Foz!” e outras actividades de divulgação do património geomineiro do Geopark Naturtejo.D. J. 25-D. D.C.). Cunha. Arqueologia mineira. Excavaciones en el exterior 2011. F. Notícia Explicativa da Folha 25-B Salvaterra do Extremo. 267-307. & Chambino. G. & Ribeiro. 263-283. Dias. Lesvos. 2003. Notícia Explicativa das Folhas 25-C.. P. Laboratório Nacional de Energia e Geologia: 54p. 2013.

Estudos. 77-92.G. 1883. J. Artes e Industrias Metallicas em Portugal. In: I. Mata-Perelló (Eds. D. A. L. 25 – 28 DE SEPTIEMBRE DEL 2014 Sequeira.G. 18..M. Vila.D. Geonovas. Reseña geológico-minera y catalogo de minerales. J. Notas sobre a prospecção do ouro em Portugal. de la Provincia de León. A. XIX SESIÓN CIENTÍFICA DE LA SEDPGYM.M.P. S. 95-106. Coimbra: Imprensa Universitária. Cuadernos del Museo Geominero. 29 . & Herrero.B. O Património Geológico e Geomorfológico do concelho de Idanha-a-Nova. 2006. Diputación Provincial. 1992.). rocas. & Serejo Proença. Rábano & J. Minas e minérios. 1904. L. LOGROSÁN (CÁCERES).F. Impr.P. etc.M. 493-501.M. Viterbo. Notas e Trabalhos. 6.XV CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATRIMONIO GEOLÓGICO Y MINERO. Patrimonio geológico y minero: su caracterización y puesta en valor. & Martins.J. 34. Excepcional colección de pepitas de oro de la Siberia Extremeña. 2004. Viegas. E. Soler. Leon.