Está en la página 1de 2

Declaração da Conferência entre as Altas Partes Contratantes da Quarta Convenção de Genebra sobre o caso Israel-Palestina (17/12/2014 Genebra, Suíça)

1) Esta declaração reflete o entendimento comum alcançado pelas Altas Partes Contratantes participantes da Conferência entre Altas Partes Contratantes da Quarta Convenção de Genebra 1 , em 17 de dezembro de 2014, tendo em mente a recomendação da Assembleia Geral das Nações Unidas, em sua resolução 64/10 de 1º de dezembro de 2009.

2)

As Altas Partes Contratantes participantes reafirmam a declaração da Conferência entre Altas Partes Contratantes da Quarta Convenção de Genebra de 15 de julho de 1999 e a declaração de 5 de dezembro de 2001.

3) As Altas Partes Contratantes reiteram a necessidade de respeito completo aos princípios fundamentais do direito internacional humanitário, de acordo com o qual todas as partes no conflito, e assim também os atores não-estatais, precisam respeitar, em todos os momentos, inter alia, (1) a obrigação de distinguir entre civis e combatentes e entre objetos civis e objetos militares; (2) o princípio da proporcionalidade, e (3) a obrigação de tomar todas as precauções possíveis para proteger os civis e os objetos civis. Além disso, as Altas Partes Contratantes participantes enfatizam que nenhuma violação do direito internacional humanitário por qualquer das partes em um conflito pode eximir a outra parte das suas próprias obrigações sob o direito internacional humanitário.

4)

As Altas Partes Contratantes participantes enfatizam a contínua aplicabilidade e relevância da Quarta Convenção de Genebra, que todas as Altas Partes Contratantes comprometeram-se a respeitar e assegurar o respeito em todas as circunstâncias. Assim, instam a Potência Ocupante 2 a respeitar integral e efetivamente a Quarta Convenção de Genebra no Território Palestino Ocupado, inclusive em Jerusalém Oriental. Também lembram a Potência Ocupante das suas obrigações na administração do Território Palestino Ocupado de uma forma que leve completamente em consideração as necessidades da população civil enquanto assegura sua própria segurança, e preserve de forma notável suas características demográficas.

5) As Altas Partes Contratantes relembram a obrigação primária da Potência Ocupante de assegurar o abastecimento adequado da população do território ocupado e, quando não estiver em posição de fazê-lo, está sob a obrigação de permitir e facilitar programas de assistência. Neste caso, lembram ainda que todas as Altas Partes Contratantes devem permitir a livre passagem de assistência humanitária e devem garantir a sua proteção. Assim, as Altas Partes Contratantes participantes reiteram seu apoio às atividades do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, dentro do seu papel particular conferido pelas Convenções de Genebra, da Agência das Nações Unidas para Assistência e Trabalhos (UNRWA) e outras organizações humanitárias imparciais, para avaliar e aliviar a situação humanitária na área. Além disso, todas as partes no conflito, e assim também os atores não estatais, devem fazer todos os esforços possíveis para permitir e facilitar a passagem rápida e desimpedida da assistência humanitária para a população do território ocupado.

1 Quarta Convenção de Genebra, sobre a Proteção de Pessoas Civis em Tempos de Guerra (agosto de 1949). [N.T.]

2 Inúmeros documentos e organizações internacionais classificam Israel de “Potência Ocupante”, mas os sucessivos governos israelenses rechaçam a classificação, alegando que os territórios palestinos ocupados são “territórios sob disputa”. [N.T.]

6) As Altas Partes Contratantes participantes enfatizam que todas as sérias violações do direito internacional humanitário devem ser investigadas e que todos os responsáveis devem ser julgados.

7) As Altas Partes Contratantes participantes expressam sua profunda preocupação sobre as recorrentes violações do direito internacional humanitário por todas as partes no conflito, e assim também os atores não estatais, inclusive no contexto das operações militares e ataques dirigidos contra ou emanados desde o Território Palestino Ocupado desde a Conferência entre Altas Partes Contratantes em 5 de dezembro de 2001, e sobre o grande sofrimento resultante para a população civil. As Altas Partes Contratantes participantes estão particularmente preocupadas com o número de vítimas entre a população civil em áreas densamente habitadas.

8) As Altas Partes Contratantes participantes expressam sua profunda preocupação com o impacto da contínua ocupação do Território Palestino Ocupado. Elas lembram que, de acordo com a opinião consultiva da Corte Internacional de Justiça de 9 de julho de 2004, a construção do muro no Território Palestino Ocupado, inclusive dentro e em torno de Jerusalém Oriental, ao menos onde desvia da Linha Verde, e seu regime associado, são contrários ao direito internacional humanitário. Expressam, da mesma forma, sua profunda preocupação, do ponto de vista do direito internacional humanitário, sobre certas medidas tomadas pela Potência Ocupante no Território Palestino Ocupado, inclusive o fechamento da Faixa de Gaza. As Altas Partes Contratantes participantes reafirmam a ilegalidade das colônias no dito território e da expansão e, assim, da respectiva tomada ilegal de propriedade, assim como a transferência de prisioneiros para o território da Potência Ocupante.

9)

Com relação à condução de hostilidades, as Altas Partes Contratantes participantes sublinham que os seguintes atos são, entre outros, proibidos pelo direito internacional humanitário a todas as partes no conflito e, como tais, também aos atores não-estatais: (1) Ataques indiscriminados de qualquer tipo, inclusive ataques que não são direcionados a alvos militares específicos, e o emprego de um método ou meio de combate que não possa ser direcionado a um alvo militar específico, ou cujos efeitos não cumpram os requisitos dos princípios mencionados no parágrafo 3 desta Declaração; (2) Ataques desproporcionais de qualquer tipo, inclusive a destruição excessiva de infraestrutura civil; (3) Destruição de propriedade levada a cabo de forma inconsistente com os princípios mencionados no parágrafo 3 desta Declaração; (4) Ataques contra pessoas e objetos protegidos, inclusive prédios, materiais, transportes, unidades e membros de equipes médicas, assim como pessoas e objetos do esforço humanitário, a menos que e naquele momento eles tenham perdido sua proteção contra ataques diretos; (5) Ataques contra objetos civis, inclusive escolas, a menos que no momento sejam alvos militares; (6) Localização de objetos militares na área em que estão civis e objetos civis, quando isso for evitável, e (7) uso de civis como escudos humanos.

10) As Altas Partes Contratantes participantes reiteram a necessidade de encontrar-se uma solução pacífica para o conflito, e enfatizam que o respeito pela e a implementação da Quarta Convenção de Genebra e do direito internacional humanitário em geral é essencial para alcançar-se uma paz justa e duradoura.

Tradução: Moara Crivelente