Ao Rodrigo

e à Lara

Colecção “Rosa Sinistra”
Manifestos contra o medo: Antologia de uma intervenção cívica / Luís Norberto Lourenço. Castelo
Branco: Casa Comum das Tertúlias, 2011
Ficha técnica
Esta obra é licenciada por uma licença Creative Commons
Atribuição - Uso Não Comercial - Proibição de realização de Obras Derivadas 3.0 Não Adoptada

© Luís Norberto Lourenço, 2011
© Desta Edição: Casa Comum das Tertúlias, 2011
© Do Prefácio: Luís Raposo, 2011
© Das imagens: Joaquim Leite e Racheal Geirinhas, 2011
Título: Manifestos contra o medo: Antologia de uma intervenção cívica
Autor: Luís Norberto Lourenço
Prefácio: Luís Raposo
Revisão: Pedro Miguel Salvado
Capa: Informaster, Lda.
Imagem da capa: Joaquim Leite
Fotografia do autor: Racheal Geirinhas

Editora: Casa Comum das Tertúlias
URL: http://casacomumdastertulias.blogspot.com
E-mail: luis.norberto.lourenco@gmail.com
1.ª Edição, Castelo Branco, Novembro, 2011
Paginação e grafismo: Informaster, Lda.
Impressão: Digital XXI – Mafra
Tiragem: 400 exemplares
Depósito Legal: 335104/11
ISBN: 978-989-96187-3-2
Apoios:
Câmara Municipal de Castelo Branco
Junta de Freguesia de Castelo Branco
Instituto Português da Juventude

Luís Norberto Lourenço

Manifestos contra o medo
Antologia de uma intervenção cívica

Prefácio de
Luís Raposo

Castelo Branco
2011

Colecção “Rosa Sinistra”, 1

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Índice
Prefácio .....................................................................................................................................................................................
Apresentação ........................................................................................................................................................................
Agradecimentos ...................................................................................................................................................................
Ser ou não ser .........................................................................................................................................................................
Projecto de combate à pobreza e ao desequilíbrio populacional, tendo como base
a Reforma Agrária .................................................................................................................................................................
As minhas propostas para aperfeiçoar a Democracia .........................................................................................
A História como resposta ..................................................................................................................................................
Abertura das bibliotecas aos fins-de-semana .........................................................................................................
Coincidências ........................................................................................................................................................................
Amor, ódio e racismo ..........................................................................................................................................................
Intervenção na Sessão Pública da Câmara Municipal de Castelo Branco, 17 de Abril de 1998 ........
Intolerável Impunidade ou A Nostalgia do Antigo Regime ..............................................................................
Aborto: considerações genéricas ..................................................................................................................................
Obrigado Ernesto Melo Antunes ...................................................................................................................................
Adeus, Luís Sá .........................................................................................................................................................................
A Aliança PS/PCP: o mais velho mito da direita pós-25 de Abril Ou A Direita e os seus mitos .........
Nuvens sombrias ..................................................................................................................................................................
Aristides de Sousa Mendes ou o diplomata Humanista .....................................................................................
Jornalismo, desertificação e Idanha-a-Nova ............................................................................................................
Investigação e seus problemas ......................................................................................................................................
A Noite de Cristal ..................................................................................................................................................................
Apelo sobre Timor Loro Sae (Leste) .............................................................................................................................
Biblioteca Municipal Castelo Branco, Agenda Cultural, Aristides de Sousa Mendes
e 25 de Abril ............................................................................................................................................................................
Manifesto contra o medo .................................................................................................................................................
A Cultura em Castelo Branco...........................................................................................................................................
AD Guarda: Combater a crise. Já! ...................................................................................................................................
A Política Cultural da (Câmara Municipal) Guarda e a Incultura de Alguns ...............................................
Volta César, estás perdoado .............................................................................................................................................
Crise! Qual crise?....................................................................................................................................................................
O Dia da Liberdade: 25 de Abril de 1974 ....................................................................................................................
Não quero viver num país que esquece Abril .........................................................................................................
Obrigado Abril .......................................................................................................................................................................
As elites e o fim do Ensino Público ...............................................................................................................................

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A Cultura do Medo: as cartas anónimas.....................................................................................................................
Espanha: actualidade ..........................................................................................................................................................
Era uma vez uma revolução que perdeu o “r” .........................................................................................................
O Bastonário da Ordem dos Médicos: Ainda o Encerramento das Maternidades no Interior…......
ESART: promessa por cumprir, futuro adiado ..........................................................................................................
O 25 de Abril e a Direita .....................................................................................................................................................
Os portugueses face aos Imigrantes – A Xenofobia e o Racismo ..................................................................
A Descolonização, a Direita, Paulo Portas e o CDS-PP .........................................................................................
A Cultura no Concelho de Penamacor: O exemplo (e não promessas) da CCT .......................................
A Política Educativa do Governo: Concurso de Professores de 2004/2005 ...............................................
A actualidade de A a Z: reflexões (I) .............................................................................................................................
Não deixe que os outros decidam por si ...................................................................................................................
Actualidade... ..........................................................................................................................................................................
Contributos para a reflexão política interna: Por uma cidadania plena e por um PS como
uma escola de cidadãos ....................................................................................................................................................
Os partidos portugueses e a Democracia: o Partido Socialista .......................................................................
Não há votos inúteis ............................................................................................................................................................
Aborto e divisões na maioria...........................................................................................................................................
Basta! ..........................................................................................................................................................................................
As maiorias absolutas e a alteração da lei eleitoral ...............................................................................................
Eleições presidenciais (II): independentes? ...............................................................................................................
Referendo à Constituição Europeia ..............................................................................................................................
A cultura da violência .........................................................................................................................................................
Falemos de Igualdade… ...................................................................................................................................................
Domingos Torrão convidado pelo PS? Não deve ser verdade!!.......................................................................
Autárquicas: por uma política cultural .......................................................................................................................
Autárquicas em Penamacor .............................................................................................................................................
Manifestação Nazi de 18 de Junho de 2005: opinião...........................................................................................
Eleições autárquicas: problemas locais.......................................................................................................................
Crónica cultural: teatro .......................................................................................................................................................
Fundação Calouste Gulbenkian extingue ballet. Próximo Episódio: A FCG extingue-se? ..................
“Saia de cena quem não é de cena” .............................................................................................................................
Sociedade demissionária ..................................................................................................................................................
Sobre as eleições presidenciais ......................................................................................................................................
Eleições presidenciais portuguesas de 2006: uma leitura possível ..............................................................
Futura médica nazi? – Carta Aberta ao Reitor da Universidade da Beira Interior e ao Director
da Faculdade de Medicina da UBI .................................................................................................................................

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As brasas e os afectos ......................................................................................................................................................... 151
Escrita, partilha e afectos: debate com escritores da Beira Baixa.................................................................... 153
Regionalização? Sim. Região Centro? Não. ............................................................................................................... 156
Assembleia Municipal de Castelo Brancono Cine-Teatro Avenida de Castelo Branco ......................... 158
Proposta de Homenagem a Aristides de Sousa Mendes ................................................................................... 159
Homenagem a um certo animal (político) ou Dicionário de um certo jardinismo ................................ 160
Em Democracia há temas interditos? O caso dos “cartoons” ........................................................................... 161
Acesso gratuito ao Diário da República em formato electrónico ................................................................... 163
Interior acossado: Beira Interior sem comboios Intercidades ........................................................................... 165
As novas cidades................................................................................................................................................................... 167
A CCT na “Tertúlia Escudos IV”:Em debate: os incêndios e muito mais… .................................................. 168
Conclusões da tertúlia sobre “O 25 de Abril visto de Espanha” ...................................................................... 170
Pela abolição dos partidos… ou não .......................................................................................................................... 173
Intervenção na Assembleia Geral de Militantes da Concelhia do PS de Castelo Branco de 3 de Julho
de 2003...................................................................................................................................................................................... 174
A Biblioteca Municipal de Castelo Branco (I) ........................................................................................................... 175
Uma Biblioteca exemplar .................................................................................................................................................. 176
Indignação ............................................................................................................................................................................... 177
Juízes, Militares E Jornalistas: Actores Políticos? Que Independência? Que Ética? ................................. 179
Regionalizar ou aumentar os poderes das CCDR e dos Governadores Civis? ........................................... 181
Eleições legislativas: as listas de deputados ............................................................................................................. 182
Cantarão os amanhãs? ....................................................................................................................................................... 183
Penso, logo hesito – só eu sei porque fico em casa ............................................................................................. 184
Crónica de um não acontecimento: Comemorações do 26º Aniversário do 25 de Abril de 1974
em Castelo Branco ............................................................................................................................................................... 186
Cooperação tertuliana com Salamanca ..................................................................................................................... 188
Moção Global de Orientação Política “Revolução e Reconciliação” ............................................................ 192
Código do Trabalho, Governo de direita e desrespeito pela Constituição ................................................. 198
Uma no Cravo, outra na Agenda ................................................................................................................................... 199
Cidadania, Cultura, Castelo Branco e Beira Baixa ................................................................................................... 201
A abstenção cultural e cívica ........................................................................................................................................... 204
Nem oásis, nem deserto .................................................................................................................................................... 206
Museus é que está a dar! ................................................................................................................................................... 208
“República de Leitores” na Casa Grande dos Livros ou Como “suicidar” uma boa iniciativa ............. 211
Funcionamento da Biblioteca Municipal de Castelo Branco e uma política de promoção
do livro ....................................................................................................................................................................................... 213

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MANIFESTOS CONTRA O MEDO

Prefácio
Não foi certamente por ter sido seu professor, nem por desde aí nos termos repetidamente encontrado, normalmente em museus, de que cultivamos ambos o amor, que o
autor entendeu dar-me o privilégio de antecipadamente ler esta colectânea de escritos seus
e lhes apor algumas palavras introdutórias, à guisa de prefácio.
Não foi igualmente por termos percursos comuns, nem geracionais (infelizmente para
o quinquagenário que sem me aperceber já sou), nem profissionais (seguimos ambos as
nossas vidas, depois do profícuo encontro que tivemos na Universidade Lusíada, sendo eu o
professor e o Luís Norberto Lourenço o aluno), nem tão-pouco político-partidários (já que,
bem vistas as coisas, ele despertou para a militância partidária quando eu dela tinha saída
há pouco, ainda por cima por portas diferentes).
Mas penso saber o que levou o Luís Norberto a convidar-me. È algo quase indizível e
que se resume em valores.
O respeito pela vida e pelas ideias, em primeiro lugar. Qualquer vida e quaisquer ideias.
Mesmo as contrárias à nossa maneira de ver o Mundo, serão sempre preferíveis à indigência
intelectual. Por isso convergimos no repúdio daqueles, falangistas ou fascistas, que gritavam
“viva a morte !” ou diziam puxar da pistola quando lhes falavam em cultura.
Em segundo lugar, a admiração pela verticalidade, que faz das pessoas seres humanos.
No fundo, o arrimo ao retrato que já Sá de Miranda fazia do “homem de um só rosto, de um
só parecer”, “de antes quebrar que torcer”, aquele que nunca terá lugar na corte, em quaisquer cortes, mas há-de um dia morrer em paz consigo próprio e compensado por, quase
sem querer, “fazer escola”, quer dizer, deixar alguma boa memória atrás de si.
De valores se trata aqui, portanto. De ser, mais do que de ter, se fala nas páginas deste
livro. A sua leitura constitui um grato refrigério em tempos de banalidade, de falta de compromisso cívico. Em tempos de abandono de consciência ou da sua compra em dinheiro ou
espécie, neste caso sob a forma de acções caritativas, as quais, por mais urgentes e sinceras
que sejam (o que nem sempre é o caso), estão longe de constituir a reposta radical de que
Mundo dos Homens carece.
De valores se trata ainda em tempo de indisciplina interior e de arrogância sobre os
outros e sobre o passado. Neste particular e devido à sua formação em História, Luís Norberto dá-nos especiais ensinamentos. “Se há lição que a História nos ensina é a da não
esquecer as lições do passado” – diz-nos a certo passo, e mais uma vez fica este arqueólogo/historiador que abaixo se assina reconfortado nas suas idênticas convicções.
Mas existe ainda, para além de tudo o que fica dito, uma dimensão dos escritos de
Luís Norberto Lourenço que constitui um bem inestimável, uma quase jóia rara: a sua
assumida militância política inteligente, partidariamente engajada, mas intelectualmente

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

descomprometida. Nada mais equívoco do que proclamar princípios, e valores, para depois
não os praticar ou praticá-los sectariamente (o sectarismo sempre foi e sempre será sinónimo de estupidez). Não é em absoluto o caso do autor, que não hesita um segundo em
por a mão na massa, em “tomar partido”, fazendo-o com a postura do livre-pensador, do
que esteve na origem de muitos movimentos de cidadania em séculos passados, inclusive
daquele que no nosso País conduziu a viver a res publica em República.
Por isso convergimos, a ponto de me ser dada a honra de prefaciar esta obra. O autor
é, confessada e orgulhosamente, o militante partidário socialista; eu sou o independente,
mas de modo algum o indiferente, alguém que um dia se considerou comunista e militou,
com enorme convicção, no respectivo partido histórico, de onde saiu um dia por divergências mais filosóficas do que operacionais, sem nunca deixar todavia de sentir ser essa a sua
família, que por isso nunca trocou por outra.
Vivemos ambos, pois, a vida pelo seu lado esquerdo, que é o lado do coração. Defendemos ambos que a história não terminou e que novos mundos, mais progressivos, mais
justos, no fundo mais humanos, hão-de surgir.
E estamos dispostos ambos a trilhar novas vias, como abundantemente se documenta
na profusão de propostas apresentadas nestas páginas, ainda aqui com grande identidade
de pensamento, dado que ambos reconhecemos que o futuro não será fácil, tal como escrevi
num dos meus textos de reflexão sobre as políticas do património cultural: “Não será certamente fácil e cómoda a via para a reformulação do pensamento da esquerda neste domínio [referia-me às políticas da cultura e do património cultural]. Obrigará a negar muitos
dos ‘amanhãs que cantam’, ‘teorias científicas’ e ‘verdades eternas’ que nos alimentaram na
juventude, quando à nossa volta só víamos fome e repressão. Assim será, porque o mundo
mudou: a repressão e a fome são outras, bem mais subtis; e os nossos antigos amanhãs, são
já ontens. Parecerá ainda uma via perigosa, porque sugere um caminho estreito, delimitado
de um lado pelo cultivo conservador e passadista dos ‘grandes monumentos pátrios’ e do
outro pelo vanguardismo transcultural, avesso às heranças culturais e defensor de contratos de classe, mais do que de articulações nacionais. Admito que seja estreito, de facto, este
caminho, porque a esquerda passou demasiado tempo apática, e a repetir ‘slogans’. Mas,
‘aprender com a experiência’ e ‘fazer caminho, caminhando’ sempre foram e serão virtudes
com tonalidades de esquerda” 1.
Luís Raposo
Arqueologo

1 “A política de património cultural da esquerda”, in Ideias à Esquerda, nº 2, pp. 48-53. Ed. Campo da Comunicação, Lisboa.

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MANIFESTOS CONTRA O MEDO

Apresentação
Reuni em livro, aquela que tem sido a minha intervenção e resume o meu pensamento. Não o fiz por achar que tenha um pensamento especialmente original ou vanguardista, por considerar que a minha opinião seja mais importante que a de outros ou mais
sábia, faço-o antes de mais por mim, para deixar reunido em livro a minha intervenção publicada ou não, seja ela num contexto académico, associativo, cultural, partidário, laboral ou
outro qualquer.
A origem dos textos, na sua maioria, é a imprensa escrita e a blogosfera, sendo que
alguns textos estavam até hoje inéditos, foram escritos e por alguma razão ficaram na
gaveta, perdera-se a oportunidade de se publicarem, foram preteridos por outros ou até, na
época, não os julgámos interessantes, relidos hoje, parecem-nos tão válidos como aqueles
então publicados, outros resultaram de intervenções em assembleias partidárias e municipais (a que assisti como cidadão) ou de cartas onde este cidadão expressava determinadas
preocupações e os quais achamos por bem aqui também reunir, não deixando de ser testemunhos duma participação cívica. Os textos já publicados editam-se sem as ilustrações originais, mantendo-se apenas o texto. O texto “Museus é que está a dar” resulta dum conjunto
de seis publicações com esse título num blogue, reescrito aqui como texto único, sem perder o sentido original. Depois de lido pelo Dr. Luís Raposo, referiu-nos um artigo seu sobre
este tema, “Um museu para o meu bairro”, o qual desconhecia, publicado no “Público”, em
14/04/1990.
Alguns artigos tiveram de ser corrigidos de gralhas publicadas na versão publicada na
imprensa, não fazendo sentido manter um erro já detectado.
A sequência dos textos é fundamentalmente cronológica, ainda que pudesse ter
optado por uma organização temática ou outra qualquer.
Vários são os temas que ao longo dos anos me levaram a intervir, seja a defesa da
República, o combate ao racismo e à xenofobia, a defesa do Laicismo, o apelo a uma cidadania activa, nomeadamente o combate aos abstencionismo, a defesa duma melhor e maior
oferta cultural, por um maior empenho nas comemorações do 25 de Abril e do 5 de Outubro, a defesa da escola e da saúde pública, no empenho em sublinhar o papel humanista de
Aristides de Sousa Mendes, da lusofonia, a luta pela implementação da regionalização ou a
defesa duma Região (chame-se ela Distrito de Castelo Branco, Beira Baixa ou Beira Interior)
e duma cidade, Castelo Branco.
Estes textos são opinião dum homem livre. Nunca pedi autorização para escrever
nenhum deles, nem fiz fretes a ninguém (partido ou patrão), disse o que julguei ser importante dizer num dado momento, fundamentando a opinião e recorrendo a uma frontalidade
que não abdico, sobretudo perante o Poder, seja ele qual for.

A Casa Comum das Tertúlias inicia com este livro uma nova iniciativa editorial, esta
nova colecção, a “Rosa Sinistra”, acolherá títulos assumidamente de intervenção, não sendo
ideológica, não é certamente apolítica, não abrimos mãos da defesa de alguns valores: a
República, a Democracia e o Laicismo.

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MANIFESTOS CONTRA O MEDO

Agradecimentos
São devidos alguns agradecimentos: ao Dr. Luís Raposo, arqueólogo e Director do
Museu Nacional de Arqueologia, por ter aceitado prefaciar esta obra, foi meu professor de
Pré-História e de Arqueologia, participei como voluntário sob a sua orientação, na Foz do
Enxarrique, em Vila Velha de Ródão, na minha primeira de quatro escavações arqueológicas, convidei-o para uma tertúlia sobre arqueologia em Castelo Branco, em 2002 e não deixou de marcar presença, agora honra-me ao aceitar mais este desafio, ao Dr. Pedro Miguel
Salvado, amigo e Mestre pela partilha de inúmeros livros, por ter lido a obra e ter-me incentivado à publicação da mesma, ao Dr. António Regedor, também meu antigo professor de
Indexação, por ter lido os textos e pelos conselhos que me deu, ao Dr. Joaquim Leite, pintor
amigo que me cedeu a imagem de um seu quadro sobre Castelo Branco para inclusão na
capa do livro, à amiga e colega Dr. Beatriz Mayor Serrano, pela partilha cultural, por ter sempre ter acreditado neste e noutros meus projectos de escrita, à minha esposa Racheal Geirinhas pela fotografia publicada junto com a minha nota biográfica e pela paciência olímpica
com o espaço que os livros ocupam na minha vida, à Informaster, na pessoa de Rui Almeida
e à Digital XXI, na pessoa de Telma Melo, por fim, às entidades que apoiaram esta edição: a
Câmara Municipal de Castelo Branco, na pessoa do seu Presidente, Joaquim Morão, à Junta
de Freguesia de Castelo Branco, na pessoa do seu Presidente, Eng.º Jorge Neves e ao Instituto Português da Juventude, na pessoa do seu Director Regional do Centro do IPJ, Dr.
Miguel Nascimento e à Dr.ª Maria Fernanda Pires da Direcção Regional do Centro do IPJ, pelo
seu empenho.
Agradeço ainda a todas as publicações que acolheram os textos agora aqui compilados, com excepção dos textos inéditos: “Rosa Sinistra”, “Raia”, “Público”, “A Página da Educação”, “Baril”, “Diário do Alentejo”, “Diário Regional de Viseu”, “Diário As Beiras”, “Diário XXI”,
“O Distrito de Portalegre”, “Fonte Nova”, “Gazeta do Interior”, “Gazeta de Sátão”, “Imenso
Sul”, “Jornal do Centro”, “Jornal do Fundão”, “JF Jovem” (Suplemento do “Jornal do Fundão”),
“La Tertulia”, “Notícias da Covilhã”, “O Interior”, “O Malhadinhas”, “Porta da Estrela”, “Povo
da Beira”, “Reconquista”, “Sumário”, “Tertuliando – Fanzine da Casa Comum das Tertúlias” e
“Rádio Juventude”.

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MANIFESTOS CONTRA O MEDO

Ser ou não ser2
Ser ou não ser:
ß Apartidário;
ß Independente;
ß Cidadão politizado;
ß Militante;
ß Votante.
Apartidário é a pessoa, que até tem determinados ideais e se rege por determinados
princípios, mas que não é apoiante de nenhum partido, ou seja, aquele que em determinada altura, durante um período mais ou menos longo não está em suficiente convergência com um partido específico, será, digamos em termos eleitorais um votante flutuante, ou
seja, que tanto pode votar no partido A, B ou C, ou votar em branco, anular o seu voto ou
por e simplesmente nem sequer votar, abstendo-se.
Independente será aquele que até tem um partido que apoia, com o qual até pode
estar convergente, mas que não está disposto a tornar-se militante, isto é, não se quer comprometer partidariamente.
Considero, por um lado, um cidadão politizado (não confundir com instrumentalizado), o cidadão que sabe o que se passa à sua volta, que é observador, que ouve opiniões
distintas, divergentes, está atento às notícias, que tem um espírito crítico em relação ao que
ouve, vê e lê. E que demarca a sua posição. É neste sentido que considero um cidadão politizado, o mais apto para fazer as escolhas (votar, por exemplo) em consciência.
A militância partidária, é o acto de participar activamente numa organização partidária
(partido), isto é, num sentido positivo, participar no sentido em que acredita em determinados princípios e projectos, pelos quais está disposto a dar a cara; e mais uma vez pela positiva, não porque tenha intenção de ter o poder pelo poder, ou de querer ir para o poder para
dele se servir e enriquecer, mas porque se preocupa pela sua terra, região ou país e neste
sentido pensa como eu penso, que é a melhor forma de pôr em prática um projecto em que
acredita, e que está disposto a defender.
Votar – votar é talvez o maior direito que qualquer cidadão, em democracia, pode ter,
isto é, a possibilidade de através do voto poder castigar ou aplaudir quem o governa. E neste
sentido, é de extraordinária importância o exercício do voto, pois o seu não exercício, pode
entre outras coisas, levar a pensar a quem é contra a democracia, que a abstinência de voto
é uma abdicação desse direito máximo. E não será? E não poderão esses, e mesmo outros,
pensar legitimamente, que quem assim actua de facto é contra a democracia, e que podem
sentir-se legitimados a atacá-la?
2 Publicado no “Rosa Sinistra: Jornal da JB – Juventude Socialista de Belém (FAUL)”, n.º 1, Maio de 1995.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

É principalmente por isso, que nunca deixarei, pelo facto de não votar, que se ponha
em causa a democracia.
Retomando a questão da militância, diria ainda o seguinte: o facto de se ser militante
implica é claro solidariedade partidária, mas não deve, nem pode em minha opinião restringir o pensamento e deturpar a sua expressão e o Partido Socialista, é em Portugal, o espaço
político onde, nesse sentido e em todos, há maior liberdade de pensamento e acção, só
por isso decidi ser militante do P.S., de outra forma, nunca teria aderido a ele, ou a qualquer
outro, se fosse o caso.

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MANIFESTOS CONTRA O MEDO

Projecto de combate à pobreza e ao desequilíbrio
populacional, tendo como base a Reforma Agrária
[inédito]
Como diz o título, pretendo fazer a defesa da Reforma Agrária – pela via socialista e
democrática, não já a comunista – visando a equidade e pretendendo com a mesma: o
combate à pobreza e ao desequilíbrio populacional, nomeadamente a desertificação do
Interior português.
As diferenças entre uma Reforma Agrária, tipo comunista, e outra, tipo socialista transparecerão à medida que os argumentos forem apresentados. Convergindo ambas, quanto
aos princípios e aos fins, divergindo quantos aos meios.
Primeiro os factos:
Facto, é que, mais de 70% da nossa população vive no Litoral, sendo a tendência para
aumentar, vendo-se o Interior “sangrado de gente” há já pelo menos três décadas a esta
parte;
Facto, é que, desta população no litoral, cerca de metade vive nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, e nestas, parte importante vive em bairros de lata e zonas degradadas, em que: o emprego é coisa rara, a alfabetização, também, as famílias numerosas são
uma realidade, o que como se compreende é dramático para quem nada tem.
As questões:
Se a estas populações, que vivem péssimas condições, nas áreas metropolitanas das
grandes cidades, lhes garantissem condições de vida dignas, mesmo que mínimas, no Interior – com o auxílio do Governo, das futuras juntas regionais (num cenário de regionalização), câmaras municipais e juntas de freguesia – será que não preferiam ir para aí? Mais,
atendendo ao seu local de origem, porque a maior parte dessa população são o fruto de
migrações do Interior, seria na maior parte dos casos um regresso às origens, mas com bem
melhores condições de vida.
Claro que, essas populações necessitam de locais para se instalarem e de terras, das
quais muitos necessitarão para tirar o seu sustento.
Então, onde e como as obter?
As respostas:
Para uma melhor compreensão aconselho a leitura da Utopia, de Thomas More, sobre
a solução encontrada pelos utopianos para os desequilíbrios populacionais.
Concretamente, é uma resposta ao problema da desertificação da Beira Baixa à qual
procuro dar resposta, para o restante Interior, as soluções penso que passam por necessários ajustamentos.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Temos assim, na A. M. de Lisboa, mais concretamente nos subúrbios da cidade, parte
importante das populações que são originárias da Beira Baixa.
Então, o que proponho é o seguinte:
1. Que se trabalhe no sentido de saber, quem dos habitantes dos bairros de lata e das
zonas degradadas alfacinhas são oriundos da Beira Baixa;
2. Que o Governo, em conjunto com as futuras juntas regionais, câmaras municipais,
juntas de freguesia, dê garantias a essas populações, que deslocando-se para a Beira
Baixa, fundamentalmente para as zonas rurais, as esperam alojamentos, o que não é
difícil de conseguir, pois, na maior parte das aldeias, o número de alojamentos ultrapassa os efectivos populacionais, quando não os dobram (incrível, não é?). Ainda
que boa parte destas tenham de ser restauradas ou reconstruídas, mas aqui, o que
parece um problema, é uma resposta, pois, pelo menos nos primeiros tempos será
a solução para o desemprego;
3. Surgindo-nos, na Beira Baixa, principalmente na zona raiana, latifúndios, mais concretamente montados abandonados, vítimas do absentismo, tal como terras de
minifúndio e média propriedade e abandonados na zona do pinhal. Então, o que
proponho é o seguinte:
a) Havendo por certo muitas pessoas, que não tendo de que viver, antes de morrer,
entregar-se-ão de bom grado ao trato da terra, à pastorícia, à pecuária e à agricultura. Enquanto que, por outro lado, boa parte desses proprietários absentistas, cujas
terras foram abandonadas ou estão sub-aproveitadas, delas não tiram rendimento,
para as quais não têm projectos, nem a curto nem a médio prazo, querendo uns por
isso vender, outros apesar disso não;
b) Proponho pois, que o Estado chegue junto desses proprietários e compre essas
terras ao preço do mercado, àqueles que querem vender, aos que não querem –
atitude que considero no mínimo egoísta e irracional, mesmo anti-social, de uma
insensibilidade a toda a prova e mesmo um acto criminoso, pois, trata-se de querer
ficar com algo de que não se tira, nem se espera vir a tirar proveitos, num futuro próximo, quando se podia com a sua venda arrancar tantas vidas da pobreza, ganhando
com isso o próprio absentista, as populações pobres e o país no seu todo. Assim, em
caso de recusa o Estado expropriará esses terrenos, dando aos proprietários, ainda
assim, 50% do se valor no mercado. Terras essas que serão entregues aos pobres
a um preço que considero simbólico, 10% do montante dispendido pelo Estado –
podendo, nessa aquisição, os particulares e as empresas ter um papel importante,
ajudando o Estado, no pagamento desses terrenos, sendo o valor dessa ajuda descontado nos impostos – sendo o mesmo, pago em prestações ao longo de 10 a 20
anos, sem juros. Não se efectuando o pagamento de nada no 1.º ano até porque
esses novos proprietários não terão ainda como pagá-lo.
c) Porque há dois cenários bem diferentes na Beira Baixa, quanto à dimensão e produtividade das propriedades, a sua forma de exploração terá, obviamente de ser

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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diferente. Temos, pois, a meu ver, duas modalidades de entrega das propriedades: i)
pois bem, na Zona do Pinhal, de pequenas e médias propriedades, as terras seriam
entregues, uma por família; ii) enquanto na Zona da Raia, de grandes propriedades, poder-se-iam constituir cooperativas às quais se entregariam as terras, trabalhando-se colectivamente. No fundo o que proponho é a constituição de kolkhozes
ou em alternativa dos moshav ou kibutz.
Concluindo:
Vejo neste projecto só vantagens, as quais são as seguintes:
1) Quem não tinha, de e como sobreviver, passa a ter, sem que ninguém tenha sido
obrigado a migrar;
2) Quem tinha propriedades abandonadas ou sub-aproveitadas sói lucra com todo o
processo, porque, quer recebendo a totalidade do valor da propriedade, quer apenas metade, só pode beneficiar, sem que se tenha violado o direito de propriedade
privada ou atentado contra a integridade física dos proprietários, como aconteceu
noutros casos.
3) O Litoral liberta-se da pressão demográfica;
4) O Interior vê suprimidas as carências populacionais;
5) Quem migra, migra para os locais de origem, retorna portanto, sendo muito menos
difícil a sua integração do que se fosse de encontro ao desconhecido;
6) São reaproveitados terrenos abandonados;
7) Dar-se-à vida a aldeias e vilas quase fantasmas;
8) Recuperar-se-ão alojamentos degradados e abandonados;
9) E, por último, por uma vez na História, para os críticos do Estado, claro, este fará o
seu papel e o dinheiro dos contribuintes será bem gasto, ou melhor, investido, a
bem de todos.
Contudo, tudo isto não é suficiente, o Interior precisa, de ter mais estabelecimentos de
Ensino Superior estatais principalmente, empregos para os bacharéis, licenciados, mestrados e doutorados. Para que, deste modo: não só regressem ao Interior populações que dela
saíram como “verá” este, deixar sair populações jovens para as grandes cidades do Litoral,
para – é só uma parte do problema – estudar e porque não encontraram nos seus locais de
origem (Interior) empregos compatíveis, aí (Litoral) acabam por ficar e constituir família.
Acontecendo pois, em consequência, a perda de população activa, no Interior e jovens
casais. Logo, diminui a Natalidade, em consequência a população saindo do Interior a
mão-de-obra qualificada, mesmo quando aí se forma.
Nada neste projecto é irrealizável, só falta coragem e vontade política de o levar
avante.
Penso que seja a solução para o Interior e não assistirei passivamente à morte do
mesmo.
Castelo Branco, 1995

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

As minhas propostas para aperfeiçoar a Democracia3
As minhas propostas para aperfeiçoar a Democracia:
ß Redução de mandatos de Presidente da Câmara para 3 mandatos consecutivos, no
máximo;
ß Redução dos mandatos de Primeiro-Ministro e Ministros respectivamente para 2 e 3
mandatos consecutivos, no máximo;
ß Fim do cargo de Governador Civil e de Ministros da República das Regiões da
Madeira e dos Açores, substituindo-se estes cargos por outros passando estes a
ser eleitos pelos deputados das respectivas assembleias municipais das respectivas regiões;
ß Redução da idade mínima para se ser eleito Presidente da República para 30 anos;
ß Incompatibilidade do cargo de Primeiro-Ministro com qualquer cargo na direcção
de um partido;
ß Referendo sobre a regionalização;
ß Descentralização a nível nacional e regional;
ß Referendo sobre a revisão do Tratado de Maastricht;
ß Possibilidade dos imigrantes com mais de 10 anos de residência em Portugal poderem votar e ser eleitos nas eleições autárquicas;
ß Proibição de empresas financiarem partidos, podendo, no entanto, qualquer cidadão a título individual fazê-lo, subindo o montante máximo actual 10% e a partir do
momento em que entre em vigor o respectivo diploma legal se equipare essa variação à inflação;
ß Em nome da igualdade, nomeadamente entre os sexos, instituir quotas por sexo
para as listas de candidaturas a todas as eleições, sendo que essas quotas sejam proporcionais à população eleitora. No caso de vagarem lugares quer da quota masculina quer da quota masculina, então completam-se com a do outro sexo.
ß Em lugares elegíveis, sejam 2 em cada 5 candidaturas femininas;
(continua no próximo número)

3 Publicado no “Rosa Sinistra: Jornal da JB – Juventude Socialista de Belém (FAUL)”, n.º 5, Maio de 1996 e texto
semelhante foi publicado no “JF Jovem” (Suplemento do Jornal do Fundão), 15/11/1996.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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A História como resposta4
Lá fora chovia e o vento assobiava. Estava (não) à luz da vela, mas quase. Não faltavam
mais que sete punhados de minutos, para o dia 23 de Dezembro do ano de 1996 ter o seu
fim.
Estava na Beira Interior, em Castelo Branco, em casa, ouvia música na (Rádio Beira Interior), enquanto passava os apontamentos de História Medieval Geral, cadeira do 2.º ano de
História, quando no capítulo respeitante às invasões barbaras do Império Romano, século
V, mais concretamente da relação entre os invasores-ocupantes bárbaros (Visigodos neste
caso), então minoritários, com as populações indígenas (galo-romanas), maioritários, na Gália
romana, se me depara um aspecto dessa relação que me levou a reflectir e a dar um salto no
tempo, para estabelecer um paralelo com as atitudes actuais das populações ciganas para
com o mundo das sociedades que as rodeiam nos diferentes países onde residem.
Este aspecto, comum a ambos os povos: outrora (meados do século V) os bárbaros,
hoje (final do século XX), os ciganos, ontem, minoritários os Visigodos, hoje minoritários os
Ciganos, seja qual for o pais onde residem e ao qual nos quisermos referir (lembre-se, que
tal como os Judeus, que durante muito tempo não tiveram um país a que pudessem chamar seu, também o não têm hoje, por exemplo, Curdos e Ciganos) é que não estão dispostos, estes, como não estavam aqueles, a permitir que os filhos frequentassem as escolas;
ontem, dos galo-romanos; hoje dos portugueses (em Portugal), ou daqueles outros países
onde residam.
Ontem como hoje, o problema é só um, acontece que essas minorias, não queriam e
não querem que os seus filhos fossem e sejam aculturados por uma sociedade diferente da
sua e perdessem as suas tradições, vindo a adoptar a dos que os ensinam.
Mas não é o fim da História, nem podia sê-lo. É que se há lição que a História nos ensina
é a da não esquecer as lições do passado, atitude que já levou a tamanhas desgraças totalmente evitáveis, até porque previsíveis.
Assim, a meu ver, esta (a História) já foi esquecida durante demasiado tempo.
Defendo que se chegue junto das populações ciganas e que se lhes proponha um
ensino – dito integrado ou multicultural – em que, não sejam omitidas as suas tradições,
como lhes sejam ensinadas, em simultâneo com as do país de acolhimento.
Só assim, haverá integração (oposta à marginalização, exclusão ou segregação), não
só desta, mas de todas as minorias, obviamente, não visando o aniquilamento da sua cultura ou da sua assimilação, mas com respeito das diferentes minorias, pela cultura das várias
minorias e vice-versa.
4 Publicado no Suplemento “JF Jovem”, N.º 23, “Jornal do Fundão”, 10/01/1997.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Respeito esse, que só me parece ser possível através da alfabetização. Quem nega,
pois, a utilidade da História.
Fonte privilegiada para se compreender o presente e o futuro nos seus múltiplos problemas, que raramente são novos e a que a História nos mostra através do seu estudo.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Abertura das bibliotecas aos fins-de-semana5
A génese desta proposta está na necessidade de pôr cobro a dois problemas de ordem
cultural/educacional e contribuir para a diminuição de outro de ordem sócio-económica.
Quanto ao 1.º, tem dois destinatários: o público em geral e os estudantes deslocados
em particular.
Assim, a ideia é permitir o usufruto das bibliotecas, a quem não pode tê-lo durante os
“dias da semana de trabalho” ou “dias úteis”, até porque a maior parte da população activa
sai do emprego depois da hora de fecho das bibliotecas; especificamente aos estudantes,
que estudam fora das suas zonas de origem, nomeadamente os universitários, para que
possam consultar, fontes locais para trabalhos, aos fins-de-semana durante o período lectivo, durante o qual apenas se podem deslocar a “casa” nos fins-de-semana ou nas férias
escolares.
No plano sócio-económico, seriam criados novos empregos, uma vez que, a minha
proposta não tem como intenção a sobrecarga de horário laboral dos actuais funcionários,
até porque sou apologista do limite máximo das 40h de trabalho (se bem que o ideal seriam
as 35h, mas isto fica para outra ocasião…).
Certamente não haverá poucos desempregados interessados em trabalhar, mesmo
que seja aos fins-de-semana.
E parece-me óbvio que o Ministério da Educação, o Ministério da Cultura, o Ministério
do Emprego e as Câmaras Municipais não estão alheados ao fenómeno do desemprego e
apenas com uma medida atacar três problemas: promover a cultura e fomentar a educação,
combatendo simultaneamente o desemprego.

5 Publicado no “Reconquista”, 25/07/1997.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Coincidências6
“Skinheads” jovens brancos e patriotas; é a original definição da advogada Paula Brum,
militante popular e candidata à autarquia idanhense (Idanha-a-Nova) pelo PP.
Assim definia os seus clientes, os “skinheads” – que no dia 10/6/1995 mataram um
negro, Alcino Monteiro, agredindo outros, em Lisboa –, a advogada de defesa dos mesmos
no passado dia 12/11/1997 – depois de conhecida a apreciação do recurso, apresentado
pela defesa ao Supremo Tribunal de Justiça, a qual praticamente mantinha, no essencial, as
penas anteriores – dizia: «A Justiça portuguesa é contra os jovens brancos e patriotas», ou
seja, para esta senhora, um cidadão branco que agrida e assassine um cidadão negro é um
patriota – principalmente, suponho, se tiver “patrioticamente” celebrado, o “Dia da Raça” no
dia 10 de Junho, com o braço estendido, fazendo a saudação nazi, ao som do Hino Nacional,
olhando fixamente um retrato de A. Oliveira Salazar com o crucifixo ao lado – merecedor de
elogios e quem sabe, ser condecorado.
Mas coincidência, outro dos advogados dos mesmos arguidos, Miranda Boavida, é
também militante popular e também candidato à mesma autarquia (neste caso à Assembleia Municipal).
Mas as coincidências continuam.
É também o PP, um dos partidos apoiantes do general(íssimo) spinolista, Carlos Azeredo, o tal do “Ouro Nazi”, e que à “boa maneira” dos historiadores nazis, diz que o Holocausto não existiu.
Igualmente este partido, à semelhança do que acontece no Porto, tentou em Lisboa, avançar para a autarquia com um candidato anti-semita, Silva Resende, tendo este no
entanto recusado.
É também apoiado pelo PP, um candidato a uma autarquia do Distrito de Braga, que
quer desintoxicar à força os toxicodependentes, talvez inspirado nas “conversões” dos infiéis
pelas espadas dos cruzados e pelas torturas da Inquisição.
Reflictamos: a) O que aqui está em causa, não é, claramente, o facto de qualquer cidadão, ter direito a um advogado de defesa; b) Mas ninguém obrigou os dois advogados populares a defender os “skins” e c) Sabemos que há vários tipos de advogados, que se especializam nas mais variadas áreas do Direito, como seja o Direito do Trabalho ou outro, também,
preferem uns ser advogados de defesa outros de acusação; uns defender as vítimas, outros
os agressores, os violadores, os assassinos.
Neste caso, os dois advogados populares devem sentir-se bem na pele de “advogados do Diabo”.
Castelo Branco, 19/11/1997
6 Publicado no “Reconquista”, 5/12/1997 e na “Gazeta do Interior”, 4/12/1997.

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MANIFESTOS CONTRA O MEDO

Amor, ódio e racismo7
Este texto, anima-o a denúncia do racismo e da xenofobia, como contributo para a
revolução das mentalidades das gentes da Beira Interior.
O racismo que existe na nossa região tem a faceta mais perigosa, porque tem a cobri-lo
uma grande, mas no entanto frágil, máscara. Não é tanto o racismo violento – de que são
exemplos agressões e mortes, motivadas pelos preconceitos raciais –, não é o racismo visível que me preocupa mais na Beira Interior, porque esse, por se mostrar, pode ser combatido mais facilmente, porque está identificado, pior é o que está interiorizado na mente das
pessoas, é o racismo invisível, difícil de combater, porque apenas se insinua no privado e aí
age, não se manifestando publicamente.
É o racismo do foro psicológico, que se sente, nomeadamente no seio familiar, quando
se ultrapassam as barreiras do preconceito e dois jovens (ou não) com diferentes tons de
pele se tornam amigos, “pior”, se se apaixonam, mas se falam em casamento, então a casa
vem abaixo; é a ameaça da expulsão da casa dos pais e a ameaça de o (a) deserdar; é o dizer
«para mim, morreste, já não és meu (minha) filho (filha)»; ou mesmo a violência física e, por
fim, a traição dos falsos amigos.
E não se pense, que falo de abstracto, falo do concreto, estou a pensar em casos que
conheço e em que as vítimas deste racismo mo denunciaram. Neste caso específico, do
racismo que atinge o seio de uma família, o caso é tanto mais grave, quanto mais cultos
são os progenitores, porque a cultura e a educação de que são portadores os devia tornar
menos permeáveis aos preconceitos raciais. E quando falo em progenitores cultos, estou a
pensar em dois grupos profissionais concretos, o dos profissionais ligados ao mundo das leis:
advogados e juízes.
Assim, diria mesmo que é altamente preocupante, se um desses pais racistas é professor (a) – imagine-se que mensagem passará nas aulas, talvez a da “superioridade” da
sua “raça”, da sua religião? – ou juiz (a) – tendo à sua frente litigantes de “raças” diferentes,
poderá ser imparcial? – ou, finalmente, advogado (a) – que escondendo os seus preconceitos raciais se apresta a defender uma pessoa de outra “raça”, não para ajudar a resolver o seu
caso, mas para prejudicá-la.
É a mesma gente, dita “muito católica”, mas pouco cristã, dita “de bem”, defensora
da moral e dos bons costumes e apregoadora do Amor contra o Ódio, que com o seu
ódio racista destrói o amor de dois jovens, apenas e só, porque as suas cores de pele são
diferentes.

7 Publicado no “Jornal do Fundão”, 23/1/1998.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Algo, que para quem não é racista é apenas aparência – não o essencial –, a cor, a qual
não é portadora de cultura, de personalidade, de carácter, de valores, é apenas e só uma cor,
um tom de pele, de olhos, de cabelo… enfim, do que se quiser.
O racismo de que falo não é minoritário na Beira Interior. Não, já perdi a ilusão, é maioritário. Só que, quem é portador da doença do racismo, tem vergonha, e assim é difícil combatê-la, e essa é a tarefa mais árdua de um anti-racista. Adivinho as reacções a este texto
e não as temo, porque sei que – se o ódio não vos cegar – ao tocar no vosso ponto fraco,
meditareis sobre ele, e então, talvez tenha valido o esforço.
A verdade vencerá o ódio e a vergonha apoderar-se-á de vós, se se revirem nestas
palavras.
E então, quiçá, algo mude.

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MANIFESTOS CONTRA O MEDO

Intervenção na Sessão Pública da Câmara Municipal
de Castelo Branco, 17 de Abril de 1998
[inédito]
A Sessão Pública da CMCB teve início pelas 10h, quando deram a palavras aos munícipes, aproveitei a ocasião para expor duas situações junto da autarquia:
1) Peço que, até se fazerem as obras no troço da estrada que vai da Rotunda da Europa
ao fundo da Avenida Humberto Delgado, até à Avenida de Espanha, fosse ponderada a
hipótese de se colocarem bandas sonoras, antes da curva que precede a entrada na Avenida
de Espanha (vindos do Centro da cidade), visto ser uma zona onde se verificaram já vários
atropelamentos, dois no espaço de 2 a 3 dias, há cerca de duas semanas, e isto porque a
entrada na avenida é precedida de uma curva muito próxima;
2) Solicito que, fosse ponderada a hipótese da remoção dos “placards” (painéis) publicitários que se encontram nas esquinas dos passeios e que impedem a boa visibilidade dos
automobilistas, quando se preparam para cruzar algumas das nossas ruas e avenidas, ex:
Avenida Humberto Delgado e Avenida Nuno Álvares, obrigando os condutores a entrar com
os seus veículos nas respectivas vias para melhorar a sua visão, entrando numa das faixas de
rodagem das respectivas vias.
Castelo Branco, 17 de Abril de 1998

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Intolerável Impunidade
ou A Nostalgia do Antigo Regime8
A mentalidade da classe médica portuguesa cristalizou no dia 24 de Abril de 1974, às
23h 59.
Como vivem infelizes os médicos! Nostálgicos (nem todos, obviamente) do Estado
Novo, Estado corporativo, em que se reviam, ou não transpirassem corporativismo por
todos os poros. Pois, só segundo a lógica corporativa, se percebem as declarações públicas
e as acções dos médicos portugueses nos últimos tempos.
Num país como Portugal, com falta de médicos – 284/100.000 hab. (1988/91), para os
475/100.000 hab. em Itália e para os 382/100.000 hab. em Espanha – , sobretudo no Interior do país, entre outras razões, porque os mesmos, apesar dos incentivos, não querem aqui
exercer medicina; onde as listas de espera para uma consulta ou ser operado (se entretanto
não se morrer devido ao agravamento da doença) são enormes.
País, onde as autoridades regionais (e sub-regionais) do Ministério da Saúde – à falta de
médicos portugueses – decidiram – e muito bem – contratar médicos estrangeiros (espanhóis) para preencher as graves lacunas do pessoal médico, logo se levantaram as vozes
desta classe corporativa – que deve à Democracia, entre outras benesses o direito à greve
– , contra tais justas medidas, argumentando que aqueles desconhecem a língua (portuguesa) – provavelmente as doenças mudam consoante a língua do paciente e um ataque
cardíaco dum cidadão espanhol, ou uma perna partida, talvez sejam diferentes deste lado
da fronteira; tudo bem, é verdade que em Espanha continua a haver “sangue azul”, pois é,
isto muda tudo… convenhamos!
Perante a recusa de contratação de médicos estrangeiros, esperava, pelo menos, que
a classe médica portuguesa – supõe-se que preocupada com a saúde dos habitantes deste
país – fosse a maior defensora da criação de novas faculdades de Medicina, para que assim
não se sentisse a necessidade de recorrer aos tais médicos estrangeiros.
Pura ilusão! Qual quê?! Estes senhores têm é medo da concorrência e deixar de ser uma
pequena elite bem remunerada. Entre muitos a ganhar muito e alguns a ganhar muito mais,
a opção é claramente a 2.ª. Os portugueses que se lixem, que esperem nas filas dos hospitais e centros de saúde e aguardem a sua vez de serem operados, se entretanto morrerem
enquanto esperam para serem operados (de preferência que sejam estudantes ou potenciais estudante de medicina… elimina-se a concorrência!), as direcções dos hospitais, centros de saúde e clínicas, lá estarão para corporativamente (mais uma vez) os proteger.
Maquiavélico, eu? Não, raciocínio lógico perante a fria análise dos factos.
8 Publicado na “Gazeta do Interior”, 1998.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Dizem que os médicos querem ajudar as pessoas – só um idealista como eu para acreditar nisto – , não será que será que querem dizer: a sua pessoa?
Agora – numa já longa série de afirmações incríveis – , vêm dizer, os médicos (não
todos, obviamente como em tudo há excepções), que não há capacidade para formação
de novos médicos.
Concluindo: não trabalham, nem querem deixar que os outros o façam.
Está na hora de acabar com a impunidade dos médicos e com a sua mentalidade
corporativa.
Em nome da saúde, de todos os que vivem em Portugal, ou que um dia de passagem
por cá tenham a infelicidade de aqui adoecer.
Castelo Branco, 14/09/1998

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Aborto: considerações genéricas
[inédito; escrito por altura do Referendo de 1998 sobre a Despenalização da Interrupção
Voluntária da Gravidez]
É o remédio para uma chaga social e como qualquer remédio nunca pode sobrepor-se
à prevenção, isto é, ao planeamento familiar e à educação sexual, em família e na escola,
pelo menos a começar aos 10/11 anos de idade – depois será tarde demais.
Mas a prevenção infelizmente não anula o problema, apenas o poderá diminuir,
mesmo que consideravelmente, como tal, falhada a prevenção – de que não se pode abdicar jamais – tem que vir, não a repressão, porque é geralmente aceite que é um mal menor
e que ninguém abortará por gosto.
Posto isto, com o aborto, surgem 3 conflitos de interesses, ou melhor, juridicamente
dois e um relativamente indefinido. Explicando... o interesse da mãe, em ter ou não o filho;
o do pai, isto é, o dos progenitores, e o do feto, que juridicamente não tem direitos, pelo
menos em Portugal (não sendo assim em todos os países).
Quanto às situações concretas:
1. Em caso de inviabilidade do feto. Não me parece que haja qualquer dúvida, visto
que se é inviável, significa, que realmente é um feto morto, mal “nasça”, por isso
parece-me uma crueldade obrigar uma mãe, e mesmo o pai a ver a gravidez ir até
ao fim, se é que irá, quando o resultado é conhecido à partida, a morte mal nasça. E
aqui deve-se fazer o aborto tão cedo quanto possível.
2. Quando está em causa a vida da mãe. Isto é, o bebé nasce, morrendo a mãe ou
vive a mãe, e abortando, morre o bebé? É outra das situações cuja resolução não
me parece das mais difíceis, uma vez que, o argumento dos que dizem ser contra o
aborto e pela vida, cai por terra. Pois que vida querem defender, as duas? Impossível.
Então havendo que escolher e aqui alguém morre (ou mais correctamente no caso
do feto não chega a nascer), a solução parece-me clara. Só uma “pessoa” é efectivamente humana (visto o bebé ainda ser um feto), e é a única que já estabeleceu relações e criou afectos, a mãe, a mulher, mas atenção, não significa isto que queira obrigar a mãe a abortar, visto que pode haver mais do que uma solução:
2.1. a que considero mais lógica, a mais razoável, vive a mãe pelas razões apontadas
atrás, a qual podendo ter outros filhos, será “compensado” o casal com outro filho,
caso não seja possível pode recorrer a inseminação artificial, ou porque não, à
adopção;
2.2. esta, dificilmente será a mais aceitável, pessoal e socialmente, mas que não deixa
de se colocar. E que é a seguinte. Pode acontecer que a mãe e o pai, ambos, concordem arriscar que se leve a gravidez até ao fim. Considero-a, repito, dificilmente

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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aceitável, mas é uma hipótese que se pode pôr. Em caso de discórdia dos progenitores quem é que deve decidir? Não tenho dúvidas que o peso da decisão deve
ser igual. Isto é, sendo ambos pais, nenhum deve prevalecer. A não ser que, claro,
a mãe esteja disposta a morrer pelo filho e o pai não concorde. Aqui deve prevalecer a opinião do pai, para salvaguardar a vida da mãe, cujo acto, por muito altruísta
que seja, não deixa de ser um autêntico suicídio.
3. Em caso de violação, também não tenho muitas dúvidas quanto a esta situação, a
decisão aqui só pode ser da mulher, da “mãe” forçada:
3.1. Levanto é, isso sim, várias questões a outro nível, não quanto a quem decide, mas
quanto à inevitabilidade do aborto, ou seja:
3.1.1. a mais extrema, a mulher aborta; Perfeitamente legítimo;
3.1.2. esta poderá optar por levar a gravidez até ao fim, mas não fica com o filho, dá-o
para adopção; opção obviamente, também perfeitamente legítima, e até tem
duas vantagens em relação à anterior, salva-se uma vida – que não será ainda
humana – e satisfaz-se o desejo dos pais que não têm hipótese de ter filhos, ou
até já os tiveram, mas que querem adoptar um. Até aqui tudo bem, mas penso
que seja muito complicado ao nível psicológico, vejamos, a mulher violada, é
assim forçada a ser mãe e não querendo criar o filho, suportará no entanto uma
gravidez forçada de 9 meses? Acho complicado! Mas nada o impede. Se bem que
seria mais coerente e lógico, já que se leva a gravidez ao fim, seria preferível criar
o filho. Assim chega-se à 3ª hipótese;
3.1.3. a mãe, apesar de violada, decide criar o filho. Obviamente legítimo e louvável,
claro, ou porque acha que o “fruto” dessa violação não tem qualquer culpa e
ultrapassará quaisquer recordações da mesma, ou porque, numa atitude – esta
menos positiva que a anterior, mas fruto de uma grande força de vontade também – de querer-se “vingar”, ou “castigar” o violador, tendo o filho, com o que ele
certamente não contaria.
Tudo opções legítimas. Não se queira é obrigar uma mulher que é violada, a ficar com
uma criança que não desejou, e que nem sequer se tratou de descuido, foi forçada.
4. Em caso de mal formação do feto, i. é, de deficiência. Aqui há vários factores a ter
em conta:
4.1. ao nível da decisão, terá de caber ao casal;
4.2. quanto à deficiência depende do grau da mesma:
4.2.1. sendo obviamente incomodativo, mas perfeitamente ultrapassável – e aqui aparece logo um facto mais ou menos subjectivo – penso que a opinião médica
neste caso terá de ser se não vinculativa, muito importante, e aqui, surgem várias
questões que levam a novo ponto;
4.2.1.1. se se parte duma lógica de aperfeiçoamento da espécie, e o critério é eugénico. Muito cuidado, sabe-se onde isso já nos levou e essa lógica não pode de
maneira nenhuma imperar;

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

4.2.1.2. na perspectiva que deve ser claramente a humanista, surgem-me duas dúvidas e duas certezas:
4.2.1.3. o feto tem problemas. Mas são ultrapassáveis? Então que nasça;
4.2.1.4. as deficiências são tão grandes que o grau de sofrimento e incomodidade só
trará desvantagens: 1º para o próprio, para a família? Então, não deve nascer.
5. O bebé é perfeitamente saudável. Sendo o factor aborto devido por várias razões:
fruto de um descuido, ou “azar”, ou por razões económicas:
5.1. Falhando a prevenção, isto é, os métodos contraceptivos, o que fazer? Abortar? Não
o defendo, mas obviamente também o impeço. Porquê? Também, como no caso
da violação, em princípio o filho não será desejado, mas o casal pode querer tê-lo,
óptimo. Não o querendo, só se ambos (pai e mãe) estiverem de acordo. Se houver
desacordo? Querendo-o a mãe, deve tê-lo. Querendo-o o pai, também. Porquê, se
as situações são diferentes, a mesma resposta?
5.1.1. Na 1ª, porque se é o pai que “lava as mãos”, não é a mãe e o filho quem tem de
aceitar tal situação. Pois perde assim, a meu ver, o pai, qualquer direito.
5.1.2. Na 2ª, se o pai o quer criar, não lhe deve ser negado o direito, se a mãe não o quer,
querendo-o o pai, a vontade deste deve prevalecer.
5.2. As razões económicas não podem ser apresentadas como razões para o aborto.
É para mim a situação de entre todas elas, a que se pode aproximar mais de um
acto criminoso, tal como o aborto “100% eugénico”, ou seja, cuja razão seja rejeitar
qualquer feto à mínima deficiência, “à priori”. Passo a explicar: Se no aborto “100%
eugénico” as razões são claramente erradas, aqui também, até porque há alternativas, isto é, o casal não tem condições? Tudo bem (ou mal), mas há quem queira
adoptar, logo não se deve abortar. Quanto a isto não tenho dúvidas. Acontece que,
pelo facto do planeamento familiar não ter, infelizmente, existido, ou porque a
contracepção falhou, o aborto nunca pode ser encarado como um método contraceptivo, até porque, repito, há alternativas. Mais, se se rejeitar a adopção, porque
não o Estado ajudar o casal a criar esse filho, até porque, e falando de Portugal, a
população portuguesa decresce e envelhece.
Para os anti-aborto...
Pelo menos sejam coerentes. Não me venham defender a sua não legalização ou pelo
menos não despenalização, mas continuar a combatê-la, i. é, o proíbam, mas não queiram que o crime, que para vós existe, não tenha punição, ou são hipócritas ou pelo menos
incoerentes!?
Se o aborto, por ser proibido, não deixa de existir, pelo menos é preferível dar condições mínimas de saúde a quem o quer fazer, para que não haja, pelo menos complicações,
mesmo morte, além da exploração das mulheres.
Une-se, ao menos, bom senso, mais, as vítimas do aborto são os pobres, porque os
ricos continuam a fazê-lo, no estrangeiro, logo deixemo-nos de demagogia.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Em que altura da gravidez se deve fazer, o aborto? A partir do momento em que os
progenitores e os médicos não tenham quaisquer dúvidas sobre as várias considerações e
queiram fazê-lo, deve-se avançar quanto mais cedo melhor, para que diminua o período de
sofrimento de todos.
Castelo Branco, Maio/1998
Nota: O rascunho deste texto foi escrito, integralmente, numa viagem do comboio
Inter-cidades entre Castelo Branco e Lisboa.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Obrigado Ernesto Melo Antunes9
“Coroem de loiros
os que os não merecem.
A esses, tão pobres
que os loiros os contentam
e enriquecem, dêem
a pobreza dos loiros”
Sebastião da Gama
Tentarei ser tão imparcial e objectivo quanto o sentimento de gratidão a Melo Antunes mo permitir.
Eu, jovem de 25 anos, natural de Castelo Branco, que goza, como qualquer outro
português, do direito de exprimir livremente, de eleger os seus representantes políticos e
de ser eleito para cargos públicos, quero agradecer e prestar homenagem publicamente
ao tenente-coronel Ernesto Melo Antunes, um dos homens que mais contribuíram para
que hoje haja liberdade e Democracia em Portugal. “O que deve a democracia a Ernesto
Melo Antunes? Tudo o que se disse mais uma coisa: o exemplo de ‘civilização da ‘tropa’ que
durante séculos se habituara a mandar no país. E o silêncio discreto com que regressou a
casa, quando os quartéis voltaram a ser apenas aquilo que deviam ser”, António Mega Ferreira, “Público”, 16/08/99.
Foi um dos principais autores do documento do MFA saído da reunião em Cascais a 5
de Março de 1974, “O movimento, as forças armadas e a Nação”. Membro da Comissão Coordenadora do MFA e ministro dos Governos Provisórios, nomeadamente Ministro dos Negócios Estrangeiros.
Membro do Conselho da Revolução. Presidente da I Comissão Constitucional. Membro do Conselho de Estado.
Um dos principais responsáveis pela condução da descolonização, que levará à renúncia de Spínola à Presidência da República após o 28 de Setembro de 1974, “A questão fundamental do exercício à autodeterminação e independência dos povos colonizados era uma
questão de honra para o novo regime”, E. Melo Antunes.
“Convém recordar que antes do 25 de Abril ninguém se oferecia para o que era necessário fazer: encetar as negociações com os movimentos nacionalistas das colónias. Dessa
responsabilidade prática todos os grandes nomes da ditadura fugiram. Por consequência,
9 Publicado na revista “Raia”, n.º 15, de Setembro de 1999.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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teve a Revolução que enfrentar a questão colonial e Melo Antunes chamou a si os casos mais
difíceis.”, José Medeiros Ferreira, “Diário de Notícias”, 17/08/99.
Sobre Angola diz E. Melo Antunes: “A noção que eu tinha era que o jogo (em Angola)
nos ultrapassava completamente. A África do Sul entra pelo Sul e o conflito angolano internacionaliza-se. O MPLA logo a seguir, pediu apoio militar a Cuba, e o MPLA, sem o apoio
de Cuba não teria podido controlar o avanço da UNITA. (…) Os americanos apoiaram claramente a FNLA e o Zaire, na tentativa de tomada do poder em Luanda”.
E. Melo Antunes coordenou o programa da política económica e social, que dará origem ao 11 de Março de 1975.
Foi um dos autores do “Documento dos Nove”, de 6 de Agosto de 1975, que resultará
no 25 de Novembro de 1975 e na normalização democrática. Sobre as primeiras eleições
legislativas democráticas pós-28 de Maio de 1926, dirá: “O PS apresentava-se como um partido de mudança, de corte com o passado e como um partido claramente de esquerda, mas
não representava as ameaças do PCP. A população era conservadora, como é hoje.”
Adere ao PS em 1981.
É Subdirector-Geral da UNESCO em 1986.
“Melo Antunes, porém, não convertia este protagonismo em poder pessoal. Dispensava o aplauso fácil da multidão. Recusava a política espectáculo. Era um sentimental.”, Luís
Salgado de Matos, “Público”, 16/08/99.
A morte (física) de Melo Antunes aos 65 anos (completaria 66 a 2 de Outubro) no dia
11 de Agosto de 1999 em Sintra, vítima de cancro no pulmão, eclipsou (pelo menos para
aqueles que celebram anualmente o 25 de Abril de 1974 e se emocionam ao som da “Grândola, Vila Morena”) o tão mediático quanto frustrante (para quem o observou em Portugal)
eclipse do Sol.
Digo morte (física), porque o seu exemplo, a sua memória ficam, como fica a utopia daquele que “(não) estava disposto a trocar a sua utopia por honras efémeras”, António
Ribeiro Ferreira, em editorial do “Diário de Notícias”, de 12/08/99.
A morte deste Capitão de Abril, ideólogo do 25 de Abril/do MFA, “Pai do 25 de Abril” (nas
palavras do ex-Presidente da República, A. Ramalho Eanes), nome indissociável da Revolução
dos Cravos, deixa mais pobre Portugal, mais pobre a Democracia Portuguesa, perdendo-se
consciência crítica e a Democracia precisava dela como o Homem de ar para viver.
Deixa-nos um homem que se bateu por belos ideais: Democracia, Liberdade e Socialismo, e que teve a coragem de dar um passo que muitos não deram ou não puderam dar
para derrubar a Ditadura, o Estado Novo de Salazar e de Marcelo Caetano.
Eu que, enquanto criança de 8 meses, não pude contribuir para a queda do Estado
Novo, agradeço a este homem e a todos os Capitães de Abril, por tornarem um sonho (que
comanda a vida) da Democracia realidade, por muitas críticas que faça à sua aplicação prática, porque eu quero sempre mais e melhor Democracia (por isso defendi e defendo a
Regionalização).

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

No que respeita à passagem da teoria à prática, diz Manuela Cruzeiro sobre a acção
de E. Melo Antunes: “Tentou salvar o que era salvável da ideia socialista, sem nunca se convencer que as coisas tenham que ser o que são (…) homem de profundas convicções de
esquerda, muito antes do 25 de Abril, coube-lhe o papel ingrato de controlador do sonho;
obrigado a confrontar os seus ideais com a realidade concreta, foi incansável na procura de
uma via política original no nosso país para o socialismo, que não fosse a transposição mecânica de modelos político-sociais conhecidos.”
A meu ver Portugal não faria nada demais se declarasse luto nacional pela sua morte,
tal como o deveria e deverá fazer à morte de todos e cada um dos Capitães de Abril, outros
países o fizeram ainda recentemente para homenagear figuras menos importantes para a
sua História.
A grandeza dum país também se vê pela forma como se presta homenagem aos seus
(verdadeiros) heróis, Salgueiro Maia (o Capitão de Abril) e Aristides de Sousa Mendes (o cônsul português em Bordéus) são alguns dos heróis portugueses maltratados, espero que a
memória de Melo Antunes não o seja também, aliás pelas mesmas razões que o foi Salgueiro
Maia: “Enquanto Vasco Gonçalves aparecia associado ao PCP e Otelo à extrema-esquerda, o
meu nome não estava associado ao PS. Defendia teoricamente e levava à prática a autonomia do MFA, em relação aos partidos”, E. Melo Antunes. E muitos não lho perdoaram como
o não fizeram também em relação a Salgueiro Maia.
Não posso, como Jorge Sampaio, agradecer-lhe em nome de todos os portugueses,
limito-me a fazê-lo em meu nome pessoal, ousaria talvez fazê-lo em nome dos jovens portugueses, a quem ele e outros portadores da Utopia permitiram ter um futuro mais luminoso
e menos “pidesco” e beato, futuro esse depositário de uma esperança incomensurável.
Obrigado Melo Antunes. Até sempre.

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MANIFESTOS CONTRA O MEDO

Adeus, Luís Sá10
“Na verdade, o que no essencial separa as forças políticas não é a proposta de tal ou tal
delimitação provisória de partida, das áreas regionais, mas sim a vontade ou falta de vontade
de regionalizar”
In “Regiões Administrativas – O Poder que falta”, Luís Sá, Edit. Caminho, Lisboa, 1989
Nascido em Luanda, há 47 anos, morreu no dia 15 de Outubro de 1999, em Lisboa,
vítima dum colapso cardíaco, Luís Manuel da Silva Sá.
Eu não era seu amigo, nem camarada, nem familiar, mas senti bastante a sua morte,
porque alem de seu admirador tive a felicidade de o conhecer e de conversar com ele em
seis ocasiões entre 1994 e 1998.
Quando no passado sábado via no Telejornal as imagens do seu funeral (em S. Paio de
Antos, Esposende, no qual estiveram mais de duas mil pessoas de todos os quadrantes políticos e estratos sociais), foi com custo que retive as lágrimas.
Luís Sá era Licenciado em Direito e Doutorado em Ciências Sociais, docente universitário de nas Universidades Lusíada (UL) e Internacional, autor de uma vasta bibliografia, nomeadamente sobre o poder local, a regionalização, a ciência política e o direito.
Luís Sá era militante do P.C.P. desde 1975, em 1983 chega ao Comité Central e em 1989
entra na sua Comissão Política. Era deputado eleito à Assembleia da República (AR) desde
1991 (nas eleições legislativas, de 10 de Outubro de 1999 foi reeleito para a AR nas listas da
CDU (PCP+PEV) como segundo candidato pelo círculo eleitoral de Lisboa, em que a coligação subiu de 15 para 17 deputados), em 1994 fora eleito para o Parlamento Europeu como
cabeça de lista da CDU.
A primeira vez que falei com Luís Sá, foi em 1994 na Universidade Lusíada, em Lisboa,
precisamente durante a campanha eleitoral para as europeias desse ano, quando este, como
cabeça de lista de um dos quatro maiores partidos políticos portugueses, foi convidado para
um debate na UL, ao qual assisti conhecendo-o então pessoalmente.
A partir daí a simpatia que tinha por Luís Sá transformou-se em admiração, a qual cresceu após cada contacto, após cada declaração pública.
Uma semana depois do primeiro encontro, foi no Congresso “Portugal: Que futuro?”,
no qual ambos participámos, eu em estreia absoluta no activismo político e cívico, que nos
reencontrámos.
Em menos de 15 dias deu-se o terceiro encontro, em Castelo Branco, e o último, infelizmente, foi em 1998, novamente na UL, antes do debate que aí ia decorrer sobre a regio10 Publicado na Revista “Raia”, 1999

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

nalização (em que Luís Sá iria participar) antes do referendo, no qual, ambos defensores da
mesma, votámos vencidos.
Eu no campo socialista, outros no comunista, e não só, depositámos nele a esperança
de vê-lo a médio prazo como Secretário-Geral do PCP e a fazer a aproximação (que não
pode ser unilateral como muitos querem) ao PS, ele que seria talvez um dos poucos dirigentes comunistas a poder (e a querer) fazê-lo.
Era, pelo menos para mim, um dos melhores parlamentares e políticos portugueses
da actualidade.
A regionalização teve em Luís Sá, um dos melhores defensores, um dos mais empenhados e sinceros apoiantes do “sim” ao referendo (1998).
Politicamente, lamento ainda que não tenhamos juntos visto a regionalização vencer
daqui a 10 ou 15 anos, a qual por ser uma reforma justa acabará por se realizar.
Pessoalmente, lamento não ter havido tempo para estreitos laços de amizade; mais
egoisticamente diria que vi fugir a oportunidade de me autografar o seu livro (o único que
tenho dele… para já).
Pretendo que este texto tenha sido informativo, mas também uma homenagem, e por
fim, igualmente a melhor forma que encontrei para me mostrar solidário com os comunistas
(e não só) portugueses, especialmente alguns que conheço bem (e sei que eram mais que
seus camaradas), tenho por amigos e os aprendi a admirar.
O problema de quem não é crente, como eu, de quem acredita em homens e mulheres, com todos os defeitos, em vez de acreditar em Deus (ou Deuses) é que sente a morte
humana de uma forma mais real – porque definitiva, apesar de ficar a memória e o exemplo – como sente mais profundamente, quando descobre qualquer imperfeição naqueles
que admira, porque por vezes tende a admirá-los como deuses e não como humanos que
são e não podem deixar de ser.
Um dos poucos defeitos que descortinei em Luís Sá, um “homem bom” (palavras dum
adversário político), foi… ter morrido (tão cedo).
Castelo Branco, 18 de Outubro de 1999

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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A Aliança PS/PCP: o mais velho mito da direita
pós-25 de Abril Ou A Direita e os seus mitos11
Faz parte da estratégia política da direita, entenda-se do PPD/PSD e do CDS-PP, de
tempos a tempos “assustar” os eleitores do centro, entenda-se, aqueles que “flutuam” entre
o PS e o PSD, com o “papão” comunista, dizendo: «É desta. É desta, agora que o PS e o PCP
se vão entender».
Só falo sobre esta questão, por mais surrealista que pareça, entenda-se, numa coligação ou aliança eleitoral entre PS e PCP (CDU), por estar farto de a ver levantada por uma
direita que a usa como estratégia destrutiva, mas que seriamente não acredita nela (nessa
hipotética aliança), porque sabe que o PS e PCP, nunca, e sublinho nunca, se aliarão, no plano
nacional (eleições legislativas), porque de facto é isto que está em causa. Aliança que nunca
se concretizará, porque este PS, com ou sem António Guterres, nunca a faria nem fará.
Infelizmente, apesar de toda a simbologia, apesar de hinos (o PS já secundarizou “A
Internacional”), das bandeiras (a do PS viu o vermelho ser “e…ragado” pelo cor-de-rosa e
pelo branco), dos estatutos (quanto já mudaram os do PS!), das origens históricas (as quais
alguns jovens socialistas nem fazem ideia) das lutas antifascistas travadas (os que as fizeram
são agora pejorativamente chamados históricos no PS, enquanto no PCP os olham com respeito) em conjunto (por vezes, outras nem por isso), de ideologias com base comum, de
matriz marxista do PS e do PCP, de teóricos em muitos casos iguais, não sendo Karl Marx o
único caso.
Sim, apesar de tudo isto, parece que o PS, ou pelo menos alguns dos seus militantes,
diria mais, apoiantes, nada quer ter a ver com a esquerda, nada quer ter a ver com o PCP.
Alguns odeiam-no tanto (não é exagero) como o PSD, o PP, ou fascistas (salazaristas) que não se identificam nestes partidos. O PS, quando no Governo tomou uma posição legislando “à esquerda”, ou vota na Assembleia da República com o PCP, logo vem a
direita falar na viragem à esquerda do PS, na perigosa aliança de esquerda, rosa-vermelha,
socialista-comunista.
As leis aprovadas com voto conjunto de socialistas e comunistas, nomeadamente
durante os últimos dois governos PS, são claramente minoritários, são a excepção que confirma a regra de alianças, entendimentos privilegiados entre o PS e PSD ou PP.
Mas, ou talvez por isso, das poucas leis aprovadas com os votos do PS mais PCP e PEV,
duas tiveram como destino os dois únicos referendos até à data feitos em Portugal, por pressão da direita, que quer agora levar uma 3.ª lei a referendo.

11 Versão expurgada de gralhas dum artigo publicado na revista “Raia”, em 2000.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

O PS, com posição maioritária e com apoio parlamentar mais do que suficiente para
assegurar a aprovação das leis, só cedeu por vontade manifesta de António Guterres, que
por falta de convicção nas leis aprovadas (despenalização do aborto e regionalização e agora
a despenalização do consumo de droga), ou porque estas o foram com o PCP, cedeu.
Complexos de esquerda?
Não!!!
Logo aproveitou o PS (a cúpula, entenda-se o Secretariado Nacional) o pretexto/boleia
da direita para deixar cair as leis, quase não fazendo campanha, ou não se mostrando muito
convicto durante a mesma, para que, as mesmas talvez chumbassem.
E, vá-se lá saber por que carga de água, alguns militantes e apoiantes ditos socialistas
são sensíveis a esta argumentação da direita!
Como homem de esquerda e socialista, compreendo e defendo que socialistas e
comunistas, e porque não, ecologistas e bloquistas, se entendam, que privilegiem antes de
mais o diálogo entre si.
Isso será o “ideologicamente coerente”, o “politicamente natural”, contra-natura, apesar dos exemplos pós-25 de Abril, é que o PS tenha governado com o PSD (bloco central e
com o CDS-PP) e nunca tenha governado com o PCP.
Razões pelas quais a direita não tem que se queixar ou levantar falsas questões.
Apesar da maioria da população portuguesa se dizer de esquerda (PS, PCP e outros) nas
várias eleições, nomeadamente nas legislativas, superar sempre os que se dizem de direita,
excepto durante as duas maiorias absolutas do PSD com Cavaco Silva como Presidente do
PSD, a verdade é que o PS, tem ou pelo menos parece ter complexos de esquerda.
Talvez porque não é, nem nunca foi um partido de esquerda.
Por isso, e isso basta, nunca se aliará ao PCP.
Só a direita finge realmente acreditar nisso para captar votos dos eleitores centristas
que ora votam no PS ora no PSD.
É isto o que penso, cada um que reflicta e pense no que quiser, a história política portuguesa confirma-o, e é nesta que baseio a minha opinião.

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MANIFESTOS CONTRA O MEDO

Nuvens sombrias12
1. Mocidade Portuguesa. Oliveira Simões, o saudosista.
A Mocidade Portuguesa (ou Organização Nacional Mocidade Portuguesa) foi criada
em 19 de Maio de 1936 e foi extinta com o 25 de Abril.
Simultaneamente era proibido o escutismo não católico, sendo o escutismo católico
tolerado, pretendia o Estado Novo a exclusividade da doutrinação da juventude.
A Mocidade Portuguesa era uma organização de carácter paramilitar, constituída por
quatro escalões etários: «lusitos», dos 7/10 anos; «infantes», dos 10/14 anos; «vanguardistas»,
dos 14/17 anos e «cadetes», dos 17/25 anos. Os dois primeiros escalões eram de filiação obrigatória, se bem que inicialmente era obrigatória para todos.
O Estado Novo (Salazar) pretendia com a sua criação abranger «toda a juventude, escolar ou não», e destinava-se a «estimular o desenvolvimento integral da sua capacidade física, a
formação do carácter e a devoção à Pátria; no sentimento da ordem, no gosto pela disciplina e
no culto do dever militar», ou mais simplesmente, pretendia doutrinar a juventude (masculina) portuguesa, fiel à trilogia: Deus, Pátria e Família.
A Mocidade Portuguesa tinha como “irmã” a Mocidade Portuguesa Feminina, criada
em 8/12/1937 e também teve fim com a Revolução dos Cravos, que visava igualmente, a
Mocidade Portuguesa Feminina, a doutrinação das jovens portuguesas e consolidar o papel
secundário das mulheres na sociedade portuguesa do Estado Novo.
Em 17 de Dezembro de 1999 era nomeado (pelo Primeiro-Ministro, António Guterres e
pelo Ministro da Defesa Nacional, Júlio Castro Caldas) director-geral (DGP) do Ministério da
Defesa Nacional, o tenente-general piloto-aviador José Augusto Valente de Oliveira Simões,
nascido em 1942, em Lisboa, casado, com dois filhos.
A 18/1/2000 tomava posse, em cerimónia presidida pelo Ministro da Defesa, onde
defendia a «recuperação de algumas actividades que eram exercidas pela Mocidade Portuguesa» (“Diário de Notícias”, 13/1/2000) como forma de atrair voluntários às Forças
Armadas.
Este saudosista do Estado Novo – só assim se percebem as suas declarações –, da Ditadura e da Mocidade Portuguesa, inspirada na Juventude Hitleriana [Alemanha] e nas Juventudes Fascistas (Itália), foi infelizmente nomeado por um governo do Partido Socialista, cujo
Ministro da Defesa – militante do Partido Social Democrata – ouviu impávido e sereno os
elogios do tenente-coronel Oliveira Simões à Mocidade Portuguesa.
Dos partidos políticos portugueses, que eu tenha conhecimento, só o Partido Comunista Português reagiu, pela voz do deputado João Amaral:«Como se sentiu o Sr. Ministro da
12 Publicado na Revista “Raia”, n.º 21, Abril/2000 e no blogue: http://centro-de-estudos-socialistas.blogspot.
com (Ago/2005).

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Defesa quando ouviu o implícito elogio da actividade da ex-Mocidade Portuguesa e o que pensa
disso?» (“Diário de Notícias”, 14/1/2000).
Ao saber do episódio noticiado pelo “Diário de Notícias” e após breve reflexão logo me
lembrei das declarações, de um dirigente da Esquerda Portuguesa, feitas há 4 ou 5 anos, a
propósito da potencial (e real) tendência direitista no seio das Forças Armadas [Portuguesas]
(F.A.P.). O dirigente é Mário Tomé, da União Democrática Popular, que hoje integra o Bloco
de Esquerda. Dizia então Mário Tomé (vou tentar lembrar-me do que disse então) que o
facto de as pessoas de esquerda serem geralmente pacifistas e as de direita mais militaristas,
mais viradas para a carreira militar – daí lhe preocupar a profissionalização das Forças Armadas – levava a que se corresse o perigo de a curto ou médio prazo, as Forças Armadas, se tornassem maleáveis ao renascimento do fascismo/salazarismo, qual instrumento da Direita.
Na altura as suas declarações pareceram-me exageradas. Agora não. A situação não
merecerá uma reflexão?
2. Áustria. Nazismo. Joerg Haider. FPOe. Coligação conservadora/extrema-direita.
Dou a palavra a Andrei Sakarov (1968): «O mundo nunca poderá esquecer as fogueiras
de pilhas de livros que se ergueram nas praças das cidades alemãs, os discursos histéricos, canibalescos dos Fuhrers fascistas e os seus planos, ainda mais canibalescos, de destruição de povos
inteiros, incluindo o russo. (...) Jamais serão esquecidas as trincheiras de quilómetros de extensão
cheias de corpos, as câmaras de gás, os cães S.S., os médicos fanáticos, as pilhas de cabelo de
mulher, as malas com dentes de oiro e os fertilizantes provenientes das fábricas da morte. Uma
análise das causas que levaram Hitler ao poder revela-nos o papel inesquecível dos capitais
monopolistas alemão e internacional.»
Alguém tem dúvida sobre o carácter e a determinação política do homem (Joerg Haider), líder do Partido da “Liberdade” Austríaco (FPOe), que faz as seguintes afirmações: sobre
os médicos estrangeiros, chama-lhes “negros de bata”, fala dos “pretos agressivos por natureza”, “assassinos das nossas crianças”, os“inúteis do Sul”, de “casa limpa”, referindo-se a uma
Áustria sem estrangeiros, no seu recente acordo com os conservadores do Partido Conservador Austríaco (OeVP), sugeriu que o subsídio às mães fosse atribuído apenas aos “austríacos puros”, dos S.S. diz que são “homens de carácter que continuam fiéis às suas convicções
mesmo quando os ventos sopram em contrário.”
Os pais de Haider, Robert e Dorothe, entram na juventude nazi (Juventude Hitleriana) e
Liga das Raparigas Alemãs, respectivamente. «Em 1986, o mesmo ano em que toma as rédeas
do partido, herda de um tio-avô uma quinta de 1565 hectares na Caríntia, onde hoje vive com a
mulher e as duas filhas, que fora confiscada a uma família judia pelo regime nazi» (Rev. “Pública”,
do “Público”, 18/2/2000), “a nação austríaca é um aborto, um aborto ideológico”, “não à sobrepopulação de estrangeiros”, retomando a palavra alemã “Ueberfremdung” que pertencia ao
vocabulário nazi.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Desenganem-se os que pensam, que é pelo facto de Joerg Haider, o líder do FPOe, não
fazer parte do governo austríaco, mantendo-se à frente do governo da região austríaca da
Caríntia, que deixa de manipular os seus cinco ministros (do FPOe), ou que é pelo facto de
dizer que vai cumprir as regras do jogo democrático e por trazer um “pin” da União Europeia
na lapela que isso faz dele um europeísta, e podem pois dormir descansados!!
Tal como para Hitler, Mussolini ou Estaline, as promessas, os papéis, os tratados que
assinavam, funcionavam como calmantes para os adversários, que tranquilizados depressa
se arrependiam de ter acreditado nas palavras dos ditadores. Quem confiar hoje em Haider, não fugirá ao julgamento da História, há erros que se pagam caro. Novamente palavra a
Andrei S. Sakarov: «… a colaboração no campo das ideias não pode naturalmente apelar para
ideologias fanáticas, sectaristas e extremistas, que rejeitam todas as possibilidades de aproximação, de discussão e de compromisso, por exemplo, nem tão pouco poderá apelar para ideologias
da demagogia fascista [e nazi], racista, militarista e maoista [e estalinista]».
Não tenhamos ilusões, não me venham com argumentos do tipo: “foram eleitos”, também Hitler (e o Partido Nazi) foi eleito e levado nos braços para o poder pelos conservadores
alemães de Van Pappen, também Mussolini foi eleito e levado para o poder pelos conservadores (liberais e populares) italianos, e depois? Tanto Hitler como Mussolini depois de utilizarem a direita moderada como muleta depressa a afastaram, a austríaca não terá melhor
sorte. Depende de nós velarmos pela manutenção das regras democráticas, ou então assistiremos ao suicídio (mais do que assassínio) da Democracia. Os tempos não estão de molde
a esperar para ver, a Suíça cujo governo de extrema-direita já demonstrou o que nos espera
na Áustria, não deixa margem para dúvidas.
O PP e o PSD, em vez de enfrentarem o problema preferiram a politiquice, atacar o
governo português e o PS, falar duma “conspiração da Internacional Socialista” e criticar a
posição tomada pelos outros 14 governos da UE. Do PP perceber-se-á – está na sua natureza – alguma simpatia pela extrema-direita, tudo o que é anti-esquerda, anti-socialista,
anti-comunista, é bom; do PSD, só o suicídio colectivo e a sede desenfreada do poder pode
justificar mais um tiro no pé – neste caso – em ambos.
3. Concordata. Lei da Liberdade religiosa. Liberdade de culto.
A concordata é um tratado concluído entre a Santa Sé (Estado do Vaticano) e o Governo
de um país para fixar os direitos respectivos da Igreja e do Estado. A primeira realizou-se no
século XII, com o rei Henrique I de Inglaterra (1101). Das concordatas contemporâneas, 17
datam do pontificado de Pio XI (1912-1939), Papa que prepara a portuguesa, isto é, entre
Portugal e a Santa Sé, assinada em 1940 (renegociada em 1975) por Pio XII e pelo Portugal
de Salazar, do Estado Novo.
A vigência da mesma compreende-se num contexto de ditadura, em que a Igreja Católica foi um forte suporte da mesma, mas inaceitável num contexto democrático, em que o
Estado é laico, pela Lei, pela Constituição, ou pelo menos devia sê-lo, de facto. A vigência
da Concordata, pelo menos com a actual redacção é um atentado à liberdade religiosa, o

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Estado não deve tomar partido do ponto de vista religioso, deve dar liberdade aos cidadãos
de serem ou não crentes, e sendo, a crer no que muito bem entendem.
Neste momento há dois projectos de lei da Liberdade Religiosa, apresentados pelo
Partido Socialista e pelo Bloco de Esquerda e também está prevista a revisão da Concordata
até 2003, há quem defenda o seu fim, como o BE e como eu próprio.
O projecto de lei do PS (subscrito por Vera Jardim, ex-Ministro da Justiça e pelo presidente do Grupo Parlamentar do PS, Francisco Assis) é tido como consensual, mais moderado. O projecto de lei do BE (do qual Fernando Rosas aparece como porta-voz) é tido como
polémico, mais radical, o que é curioso, pois o Bloco mais não quer que defender a pureza
dos princípios da laicidade que estão vertidos na Constituição Portuguesa (1976, actual).
Um Estado (democrático) que não seja laico, será sempre um Estado coxo, tendencioso, moralista (ou imoral), o único Estado (democrático) que garante a imparcialidade em
matéria de liberdade de culto/religiosa é o Estado Laico. Por isso a defesa de do laicismo,
quer para crentes quer para não crentes, e a liberdade de culto/religiosa, como sua consequência, não é assunto de segunda ou terceira importância, mas de primeira. Nesta matéria,
o BE, face ao projecto de lei do PS e outros alternativos de que se fala, é o mais próximo do
ideal, por isso lhe manifesto o meu apoio (público) total. Algumas propostas concretas sobre
o protocolo de Estado, diz o projecto do BE: «As igrejas e as demais confissões religiosas não
têm representação protocolar permanente nas cerimónias e actos públicos promovidos por
órgãos de Estado, das Regiões Autónomas e das autarquias locais», a minha concordância é
total, chame-me radical, anti-clerical, jacobino… o que bem entendam, nesta questão não
há meio-termo, o Estado ou é laico ou não é. Em matéria de ensino religioso, este deve ser
feito fora das escolas públicas, tendo em conta que o ensino público, tal como o Estado, são
não confessionais – o que está previsto nos dois projectos –, até porque as várias comunidades religiosas têm escolas próprias (privadas) onde ministram o ensino da sua fé, além de
o fazerem no seio da família.
«Os vossos filhos não são vossos. Pertencem à vida. (…) Podeis dar-lhes o vosso amor, mas
não são as suas almas, porque elas habitam já um futuro que vós não podeis visitar nem em
sonhos» Khalil Gibran (“O Profeta”).
É por isso que penso que os pais não devem optar pelos filhos em matéria de religião,
estes escolherão livremente com base no conhecimento que tiveram das várias religiões,
optando assim por ser crentes desta ou daquela, de várias ou de nenhuma. Daí, isso sim, ser
defensável a existência de uma disciplina sobre História das Religiões, obrigatória, que deve
ser dada com a maior objectividade possível. Impor uma religião, por mais convicto que se
possa estar que a “nossa” é a melhor (e não o é sempre?) é um mau exemplo de educar para
a cidadania.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Aristides de Sousa Mendes
ou o diplomata Humanista13
«Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não»
Manuel Alegre (“Trova do Vento que Passa”, in Praça da Canção)
Introdução
Pretendo neste texto aprofundar um tema já por mim abordado sucintamente (Noite
de Cristal, in Raia, n.º 8, Nov/Dez, 1998), divulgando dois documentos (duas cartas de ASM,
que se encontram no Arquivo Salazar, no Arquivo Nacional da Torre do Tombo) que penso
serem ainda inéditos, aos quais junto ainda um terceiro (carta também de Sousa Mendes),
já divulgada por Rui Afonso (Injustiça: O Caso Sousa Mendes, Col. Nosso Mundo, Edit. Caminho, Lisboa, 1990) de onde transcrevo a referida carta. Por último decidi transcrever na íntegra alguns artigos da Constituição da República Portuguesa de 1933, por esta ser por várias
vezes referida nas cartas, não deixando, claro, de fazer todos os comentários que considere
pertinentes.
No plano diplomático, não foi apenas Aristides de Sousa Mendes (1885-1954), cônsul-geral de Portugal em Bordéus (França), que disse não a António de Oliveira Salazar,
quando o ditador, Presidente do Conselho, Ministro das Finanças e dos Negócios Estrangeiros, dava ordens aos diplomatas portugueses, pela Circular n.º 14 (11/Nov./1939, dez semanas depois do início da II Guerra Mundial), a qual não permitia conceder vistos a judeus
(sobretudo) – nada anti-semita, portanto, o “nosso suave” ditador.
Em nome do seu humanismo (Nota 1), demonstrando coragem e altruísmo, cumprindo a Constituição de 1933 (obra de Salazar!!), Sousa Mendes salvou “só” 38.500 seres
humanos, graças aos vistos (proibidos por Salazar) que concedeu, impedindo assim que os
nazis aumentassem os números de genocídio dos judeus.
Humanismo e altruísmo que valeram a Sousa Mendes a vingança do ditador (Nota
2), que liquidaria a carreira diplomática do cônsul, atirado (com a família) para a miséria e
que, por ironia (melhor, cinismo) do destino assistiria espantado, como o Governo português
(liderado por Salazar), receberia os louros por ter deixado entrar em Portugal muitos refugia-

13 Publicado na revista “Raia”, n.º 19, Fevereiro 2000, pág. 48-51.

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dos (155.000), entre eles os 38.500 salvos por Sousa Mendes, ao mesmo tempo que aquele
era condenado – processo disciplinar de 1940 e perseguido exactamente por isso.
Mas como disse atrás, Sousa Mendes não foi o único diplomata português a desobedecer às ordens (circular nº 14) inconstitucionais e racistas de Salazar, também o fizeram:
José Luís Archer, em Paris; Lencastre e Menezes, cônsul em Atenas; o cônsul-geral em Hamburgo; Giuseppe Agenor Magno, cônsul honorário em Milão, exonerado a 13/Dez./1939 (40)
das suas funções, após ter sido acusado pela PVDE de ter concedido vistos recusados pelo
MNE e Sampaio Garrido, Ministro em Budapeste e o sucessor Teixeira Branquinho, em 1944,
já com a autorização de Salazar – face à esperada vitória aliada – , também só em teoria é
que os dirigentes do Estado Novo – a começar por Salazar e Marcelo Caetano – respeitavam a lei (nomeadamente a Constituição de 1933), na prática, as «leis especiais» contradizem
muitas vezes a própria Constituição, tornando-se em lei efectiva.
Também em teoria, o Presidente da República era o chefe de Estado, mas de facto
quem detinha o poder era o Presidente do Conselho e só ele… o ditador – Salazar primeiro,
Caetano depois.
Documento 1*
«A Sua Excelência o Senhor Presidente da república,
Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches, antigo cônsul de Portugal em Bordéus [1938/1940], apresenta a expressão das suas mais respeitosas homenagens, e informa
que, em consequência da punição que lhe foi infligida, se acha gravemente doente e na
miséria com a sua numerosa família, sendo o seu único “crime” ter salvo milhares (cerca de
38.500) de refugiados das garras germânicas e, sobretudo, ter dado entrada e passagem por
Portugal a milhares de judeus contra as instruções expressas do MNE [circular nº 14], que justamente proibiam [aos cônsules de carreira] a concessão de vistos [sem prévia consulta ao
ministério e à PVDE] (Nota 3) a judeus. Estas instruções eram contrárias à Constituição [Portuguesa de 1933] política do País, que não permite a distinção em território português, entre
as pessoas, segundo a religião que professam. Pede a clemência de Vossa Excelência, como
chefe supremo da Nação, convencido que não merece tal pena quem só quis fazer bem e
defender a Constituição, louvando a Pátria portuguesa aos olhos do mundo. Rua de Buarcos,
nº 20 Figueira da Foz, 1º - 9 – 1945»
Documento 2*
«Confidencial. A sua Excelência o Senhor Embaixador do Brasil ou o Senhor Encarregado de Negócios do Brasil,
Eu, abaixo mencionado, sou o antigo cônsul de Portugal em Bordéus que, na ocasião da queda da França me sacrifiquei para salvar os refugiados de caírem nas mãos dos
alemães.
Salvei, assim, muitos milhares de pessoas, mas cai no desagrado de Salazar, por não ter
obedecido às suas ordens que não permitiam dar vistos aos cidadãos de países já ocupados

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pelos alemães, a não ser que apresentassem bilhetes para seguir de Lisboa para o Ultramar,
não os permitindo em caso nenhum a judeus, russos, polacos, checos e os sem pátria (Nota
4) [por exemplo, refugiados arménios] (Nota 5).
Por este motivo fui severamente castigado apesar de ter prestado grandes serviços aos
aliados sem outra recompensa, senão a satisfação da minha consciência.
Esperava eu que, terminada a guerra, Salazar reconsiderasse na sua injusta decisão,
mas tal não sucedeu encontrando-me actualmente não só na mais cruel (e) miséria com a
minha numerosa família, mas gravemente doente. Não pratiquei acto nenhum censurável
ou indigno, tendo sido condenado inocente. Peço, por isso, a V. Ex.ª se digne interceder por
mim junto do Governo português no sentido de conseguir a minha reintegração. Espero de
V. Ex.ª sabedor das circunstâncias que são do conhecimento geral me não negue o favor que
solicito e apresento-lhe os protestos da minha alta consideração.
Figueira d Foz, 7-9-1945
Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches – 20,
Rua de Buarcos, 20
P.S. Sou pai de dois soldados portugueses que se alistaram voluntariamente no exército americano, como cidadãos americanos, e combateram na Europa até à rendição da
Alemanha.»
Documento 3
Extracto da reclamação apresentada à Assembleia Nacional em 1945, por Aristides de
Sousa Mendes:
«(…) Tendo-lhe [Aristides de Sousa Mendes, enquanto cônsul de Portugal em Bordéus] sido envidas instruções (circular n.º 14) pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (A.
O. Salazar) sobre vistos em passaportes, essas instruções continham na 1.ª alínea a proibição
absoluta de os dar aos israelitas, sem discriminação de nacionalidade. Tratando-se de milhares de pessoas de religião judaica, de todos os países invadidos, já perseguidos na Alemanha
e noutros países seus forçados aderentes, entendeu o reclamante que não devia obedecer
àquela proibição por a considerar inconstitucional em virtude do art.º 8, n.º 3 da Constituição [1933], que garante a liberdade e a inviolabilidade de crenças, não permitindo que ninguém seja perseguido por causa delas, nem obrigado a responder à cerca da religião que
professa, medida que aliás se lhe tornava necessária para saber a religião dos impenetrantes,
e assim negar ou conceder o visto. Nestes termos, se o reclamante não obedeceu à ordem
recebida do Ministério, não fez mais que resistir, nos termos do n.º 18 do art.º 8 da Constituição, a uma ordem que infringia manifestamente as garantias individuais não legalmente
suspensas nessa ocasião (art.º 8, n.º 19). E não se pretenda que a inviolabilidade de crenças
não é, segundo a Constituição, um direito para os estrangeiros visados, por não se achar residindo em Portugal, único caso em que poderiam ter os mesmos direitos que os nacionais
(art.º 7) pois não se trata no caso presente de um direito dos estrangeiros mas de um dever

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dos funcionários portugueses que nem em Portugal nem nos seus consulados, também território português, poderão sem quebra da Constituição interrogar seja quem for sobre a religião professada, para negar qualquer acto da sua competência, o que a admitir-se significaria odiosa perseguição religiosa, mormente quando se imponha o direito de asilo que todo
o país civilizado sempre tem reconhecido e praticado em ocasiões de guerra ou calamidade
pública (…)», (Afonso, Rui – Injustiça: O Caso Sousa Mendes, Lisboa, col. Nosso Mundo, Editorial Caminho, 1990)
Documento 4
Constituição de 11 de Abril de 1933
Parte I: Das Garantias Fundamentais
(…) Titulo II: Dos Cidadãos
(…) Art.º 7
A lei civil determina como se adquire e como se perde a qualidade de cidadão português. Este goza de direitos e garantias consignadas na Constituição, salvas, quanto aos naturalizados, as restrições estabelecidas na lei.
§ Único – dos mesmos direitos e garantias gozam os estrangeiros residentes em Portugal, se a lei não determinar o contrário. Exceptuam-se os direitos políticos e os direitos
públicos que se traduzem num encargo para o Estado, observando-se porém, quanto aos
últimos, a reciprocidade de vantagens concedidas aos súbditos portugueses por outros
Estados.
Art.º 8º
Constituem direitos e garantias individuais dos cidadãos portugueses:
3.º – A liberdade e inviolabilidade de crenças e práticas religiosas não podendo ninguém por causa delas ser perseguido, privado de um direito [Nota 6], ou isento de qualquer
obrigação ou dever cívico. Ninguém será obrigado a responder acerca da religião que professa, a não ser em inquérito estatístico ordenado por lei;
4.º – A liberdade de expressão de pensamento em qualquer forma [Nota 7];
14.º – A liberdade de reunião e associação [Nota 8];
18º – O direito de representação ou petição, de reclamação ou queixa, perante os
órgãos de soberania ou quaisquer autoridades, em defesa dos seus direitos ou do interesse
geral;
19º – O direito de resistir a quaisquer ordens que infrinjam as garantias individuais, se
não estiverem legalmente suspensas, e do repelir pela força a agressão particular, quando
não seja possível recorrer à autoridade pública;
§ 2º – Leis especiais regularão o exercício da liberdade de expressão, do pensamento,
de ensino, de reunião e de associação, devendo, quanto à primeira impedir preventiva
(Nota 9) ou repressivamente (Nota 10) a perversão da opinião pública na sua função de
força social, e salvaguardar a integridade moral dos cidadãos, a quem ficará assegurado o
direito de fazer inserir gratuitamente a rectificação ou defesa na publicação periódica em

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que foram injuriados ou inflamados, sem prejuízo de qualquer outra responsabilidade ou
procedimento determinado na lei.
Artigo 10º
É vedado aos órgãos de soberania, conjunta ou separadamente, suspender a Constituição, ou restringir os direitos nela consignados, salvos os casos na mesma previstos. (Miranda,
Jorge – As Constituições portuguesas: de 1822 ao texto actual da Constituição, 4ª ed., Lisboa: Livr. Petrony, Lda. Edit. 1997)
Notas:
* Arquivo Nacional/Torre do Tombo: Arquivo Salazar. Cota: AOS/CP – 178; P.15; Pasta:
5.1.9./16; 18/6/38 a 5/12/45; Fls. 142/164.
1. Sousa Mendes em sua defesa diz durante o processo disciplinar de 1940: «Não podia
eu fazer diferenças de nacionalidade, visto obedecer a razões de humanidade, que
não distinguem raças nem nacionalidade.» (Injustiça:… Rui Afonso).
2. Calheiro de Meneses [testemunha de defesa de ASM no processo disciplinar de
1940] sobre ASM diz: «sabe bem o depoente que um funcionário não tem que ser
humano quando se trata de cumprir ordens, sejam de que natureza forem [leia-se
inconstitucionais e injustas]». (Injustiça:… Rui Afonso)
3. Os protestos contra os poderes crescentes da PVDE – Polícia de Vigilância e Defesa
do Estado – não se fizeram esperar, mas o MNE, cuja pasta era detida por Salazar,
seguiu cada vez mais a atitude de endurecimento da policia e virou-se frequentemente contra os diplomatas. Em 12/Abril/1940, por exemplo, avisou o embaixador
de Roma de que «não delegava em nenhuma delegação diplomática portuguesa a
faculdade de conceder passaportes fora das normas estabelecidas» (Irene Pimentel,
«refugiados durante a II Guerra Mundial – Portugal porto de abrigo» in História, n.º 8,
ano XX / Nova Série, Nov. 1988, pág. 19/20)
4. Estrangeiros de nacionalidade indefinida, contestada ou em litígio, portadores de
passaporte Nansen [«… dado que muitos dos portadores de passaportes Nansen,
emitidos pelo alto comissário para os refugiados da sociedade das nações, eram
judeus da Polónia e da Rússia que tinham fugido dos “pogroms” anos antes, é fácil
de ver qual o grupo que estava a ser afastado para tratamento especial. (…) As novas
instruções [circular n.º 14] visavam claramente deter o crescente fluxo de refugiados
que tinham resultado da deflagração da Guerra Mundial. Muitos desses refugiados,
especialmente os judeus, que tinham anteriormente fugido dos nazis quando estes
tinham tomado o poder nos seus países, tinham-se instalado na França e nos Países Baixos. Agora queriam, se possível, fugir para a América antes que os nazis ocupassem o resto da Europa. A Lisboa neutra era encarada como porta para a América, mas para chegar a Lisboa era necessário um visto português» (Injustiça: …, Rui
Afonso, pág. 59, 60 e 61). É então que os diplomatas portugueses (e não só) entram
na história, por ousarem desobedecer a Salazar, rodeando os regulamentos (circular
n.º 14) o melhor que puderam.] e estrangeiros que apresentem nos seus passaportes

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a declaração ou qualquer sinal de não poderem regressar livremente ao pais de origem, estrangeiros sem meios de subsistência.
5. Calouste Gulbenkian, a quem Portugal deve tanto, era arménio, e foi um dos que
beneficiou dos vistos de Sousa Mendes.
6. Mas quem quisesse trabalhar na função pública tinha que ser baptizado.
7. Mas instituía-se a censura.
8. Mas proibiam-se os partidos e sindicatos.
9. Entrava em cena a censura.
10. Cabia à polícia política (PVDE/PIDE/DGS) [Presos políticos (1926/39): totais 11.626
presos, 1511 deportados, 234 mortos, 990 feridos em combate]. Os números pecam
por escassez. (História de Portugal, (Dir.), José Mattoso, Círculo de Leitores)

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MANIFESTOS CONTRA O MEDO

Jornalismo, desertificação e Idanha-a-Nova
[inédito]
Não sou jornalista, não sou crítico de TV, não sou teórico do desenvolvimento, nem da
desertificação.
Sim, sou do Interior, da Beira Interior, sim, sou um apaixonado pelo concelho de Idanha-a-Nova, sua sede de concelho, da aldeia histórica de Idanha-a-Velha, em particular,
conhecedor e fã incondicional do Centro Cultural Raiano (CCR), da Biblioteca Municipal de
Idanha-a-Nova, do seu Parque de campismo, das suas Piscinas Municipais…
Feita a introdução a que propósito vem tudo isto?
Na passada 6.ª feira foi entrevistado pelo Regiões/Castelo Branco (RTP1), o Presidente
da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova.
O motivo da entrevista era a desertificação, o decréscimo populacional, sobretudo no
interior português, nomeadamente no concelho de Idanha-a-Nova.
Até aqui tudo bem, mal esteve a jornalista, Lígia Veríssimo, na entrevista que realizou
ao edil idanhense, Dr. Francisco Baptista, pelo tom, pelas questões feitas.
Teoricamente seria eu, o último a vir em defesa de um autarca do PSD, não sou militante nem simpatizante, nem nunca serei, do PSD, nunca votei, nem sequer estive perto de
alguma vez de o fazer, no PSD e, a não ser que uma clara viragem à esquerda ocorra votarei neste partido.
Não, não é pois, a política partidária que me move, move-me a indignação perante a
arrogância de alguns jornalistas, move-me o combate ao telelixo, protagonizado, em Portugal pela TVI e pela SIC, e em parte pela RTP1, a excepção é a RTP2.
O combate pelo desenvolvimento, sobretudo da Beira Interior, e nesse contexto
defendi e defendo a regionalização como meio (não o único e não só como meio) para
alcançá-lo e o combate à desertificação.
Perguntava a jornalista ao edil idanhense, se a culpa – as palavras foram sensivelmente
estas – da derrota no combate à desertificação, fora do antigo executivo camarário (PS, liderado por Joaquim Morão), ou do actual (PSD, liderado por Francisco Baptista), a esta pergunta e a outras, pela forma e pelo tom em como foram feitas, o autarca idanhense respondeu com elevação, louve-se e, vá lá, não caiu na tentação de culpar o anterior executivo
camarário, algo que seria tentador para muitos, e até porque a pergunta, como foi feita, lhe
dava o pretexto para fazê-lo, mas não o fez, o que seria uma tremenda injustiça, mas também não respondeu à letra à senhora jornalista, nem perdeu a calma, o que, confesso, não
me aconteceu, quando via o programa informativo “Regiões”.
Agiu duplamente bem o Dr. Francisco Baptista, porque se tivesse perdido a calma, a
jornalista (os jornalistas têm sempre a última palavra; lembro-me de algumas situações, a

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

propósito, que também em indignaram, o que me acontecia a todo o momento com Margarida Marante, acontecia, porque já não vejo o programa da mesma, fartei-me da arrogância da senhora jornalista) arranjaria maneira de ficar por cima (não me levem à letra sabem
do que é que estou a falar…).
Outras das perguntas, continha a convicção (afirmação) da jornalista, de que o Centro
Cultural Raiano, e outras infraestruturas que tais, nomeadamente culturais, não serviam para
nada, que o combate à desertificação não se faria com infraestruturas, mas sim, opinava
(não era um debate, pelo que a jornalista, nem sequer deveria opinar, tinha tão só de perguntar, mas até foi bom para conhecer a ignorância da senhora jornalista, espelhada nesta e
noutras afirmações), com incentivos fiscais (entre outros).
Pois bem, gostava de saber o que é que a senhora jornalista faria com os tais incentivos ficais, com por ex. maiores ordenados por si só, se não tivesse onde usufruir desses
benefícios.
A título de exemplo: o CCR neste momento serve como centro de congressos (um
dos melhores se não o melhor da Beira Interior, “só”, à frente da Guarda, Covilhã, Castelo
Branco, Fundão…), de cinema, de teatro, sala de concertos, para ballet, para exposições, tem
um museu permanente, aí está instalado o arquivo histórico municipal… pois é, não serve
mesmo para nada…
O CCR é caso único em toda a Beira Interior, em todo o interior norte português, só
comparável ao CCB, com as devidas proporções, com a vantagem de na Idanha-a-Nova, servir o CCR de exemplo para toda uma região, e é já indispensável, duvido que se ache indispensável, quer para o país, quer para Lisboa o CCB e o CCR está integrado na paisagem, pelo
contrário, não é necessário lembrar as críticas feitas ao CCB.
Ao somar ao CCR, estão a recuperação das aldeias históricas, novas estradas, novas
sedes de juntas de freguesia, equipamentos sociais nas freguesias do concelho, as piscinas
municipais (aquecidas e ao ar livre) em Idanha-a-Nova, talvez as melhores do Distrito de Castelo Branco.
Em Idanha-a-Nova está sediada uma Escola Superior do IPCB, isto numa vila que nem
sequer é das maiores do distrito de Castelo Branco.
Na zona industrial da mesma vila está instalada uma das poucas fábricas de CD’s a
laborar em Portugal, pouca coisa!
A Feira Raiana, evento indispensável na Raia, e porque não, na Beira Interior, impar na
região, tendo em conta que se realiza ano sim ano não numa vila (Idanha-a-Nova).
Temos ainda o Parque de Campismo Municipal de Idanha-a-Nova, próximo da barragem de Idanha-a-Nova, que como albicastrense, a ver o meu, me faz inveja (boa). Parque a
preços acessíveis, com piscina, campo de ténis, de futebol de 5… situado ao lado duma barragem onde se pode nadar, pescar e andar de barco, e muito próximo das aldeias históricas
de Idanha-a-Velha e de Monsanto.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Temos também a Biblioteca Municipal, mais um motivo de inveja (boa) para Castelo
branco e para metade das cidades do país e da esmagadora maioria das vilas. Biblioteca
bonita, completa e bem equipada.
Os acessos rodoviários fazem corar muitas cidades portuguesas.
Há ainda a habitação social feita com muito bom gosto.
Pouca coisa para a senhora jornalista, talvez preferisse uns incentivos fiscais, e que não
se investisse em nada.
Claro que, depois, como as pessoas porque não tinham onde usufruir do dinheiro,
pouco tempo depois, arrecadados os benefícios fiscais, iam para o litoral apetecível.
Eu falo por mim, depois de Castelo Branco, Covilhã e Guarda, e talvez Fundão, Idanha-a-Nova é a localidade onde mais gostaria de morar.
Não preciso de qualquer incentivo fiscal para morar em Idanha-a-Nova, só emprego.
Que interesse tem ser milionário numa ilha deserta?
Que interessa, por ex., ser proprietário de uma biblioteca extraordinária e ser
analfabeto?
Que interessa Ter o melhor computador do mundo e não saber usá-lo?
Que interessa ganhar muito mais no Interior, se se morar numa localidade, onde não
há teatro, nem cinema, nem , livrarias, nem onde comprar a maior parte das revistas ou jornais, onde não há uma piscina onde dar um mergulho, com temperaturas superiores a 30º
e muitas vezes a 40º C?
Felizmente este não é o caso de Idanha-a-Nova. Bem pelo contrário.
Bem… falta uma livraria.
Castelo branco, [2000?]

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Investigação e seus problemas14
Sabem quantos dias úteis tem um ano (em Portugal), o ano de 2001, por exemplo?
244!! Pois, porque se aos 365 dias que tem o ano 2001, se descontar os fins-de-semana (104
dias), mais feriados, nacionais e um municipal, por localidade (11 dias), obviamente sem contar com aqueles que se celebram no fim-de-semana, temos um total de 115 dias e somem-se
mais 7 dias de tolerância de ponte, mais do que certas e temos 121 dias de inactividade.
Há alguns anos que faço investigação, para mim próprio ou para trabalhos, enquanto
estudante, para a Universidade, agora continuo a investigar por minha conta e risco nas horas
vagas, mas além disso actualmente estou a fazer um trabalho de investigação para uma instituição da cidade de Castelo Branco e mais uma vez tento saltar os obstáculos que se apresentam no meu caminho e que todos os investigadores enfrentam, talvez excepto alguns
privilegiados.
As minhas propostas são simples e objectivas:
ß Abrir as bibliotecas públicas, sejam elas nacionais, municipais (ou do ensino superior)
durante todo o dia (das 9h às 20h, sem interrupção para almoço, substituindo-se os
funcionários que vão almoçar), abrindo as bibliotecas e arquivos (históricos, municipais, distritais e nacionais) aos sábados, durante todo o dia;
ß Tornar as bibliotecas e os arquivos espaços vivos, chamando os cidadãos a esses
locais, mesmo à noite graças a várias iniciativas: leitura assistida, recitais de poesia,
concertos musicais, exposições sobre autores, obras, editoras, culturas linguísticas,
áreas do saber, teatro, realização de tertúlias, de debates, de cursos livres…
Porque não ir a uma biblioteca à noite participar numa tertúlia, debater os temas locais,
regionais, nacionais ou internacionais, enquanto se bebe um café no bar duma biblioteca,
enquanto se ouve uma música, tocada ou não, ao vivo em vez de se ir para um café ou ir
mergulhar no fumo de um qualquer bar ou alienar-se numa qualquer discoteca?
Castelo Branco, 28/01/2001

14 Publicado na Revista “Raia”, N.º 30, 2001.

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MANIFESTOS CONTRA O MEDO

A Noite de Cristal15
No dia nove de Novembro último assinalou-se o Dia Internacional Contra o Fascismo e
o Anti-semitismo, dia instituído para lembrar a “Noite de Cristal” (ou, em alemão, “Kristallnacht”), assim baptizada pelos Judeus.
Também chamada “Noite dos Vidros Partidos”, noite da violência contra os Judeus e
sua propriedade destruída ou roubada pelos Nazis Alemães na referida noite de nove para
dez de Novembro de 1938 – ironicamente chamada assim devido aos restos espalhados de
vidros partidos, consequência da violência dos Nazis.
O pretexto para o incidente foi o assassinato em Paris, a sete de Novembro de um
jovem diplomata alemão, conselheiro da embaixada alemã, Ernst Von Rath, por um jovem
estudante judeu polaco, Herschel Grynszpan.
A notícia da morte de Rath apanha Adolf Hitler em Munique, a nove de Novembro,
onde estava a celebrar o aniversário da tentativa abortada de derrube do governo do Estado
da Baviera em 1923.
O seu ministro da propaganda, Joseph Gobbels, depois de conferenciar com Hitler,
apelou à reunião das antigas “Tropas de Assalto”, exortando violentas represálias, as quais se
deviam organizar de forma a parecer “demonstrações expontâneas”. Ordenou por telefone,
a partir de Munique, imediatas perseguições racistas na Alemanha e na Áustria (anexada
nesse mesmo ano, 1938, pela Alemanha Nazi).
O resultado da noite de violência inclui espancamento até a morte (100 Judeus mortos) – depois de lhes saquearem as casas – centenas seriamente injuriados, e ainda milhares humilhados e aterrorizados. Cerca de 7.500 estabelecimentos de Judeus saqueados e
estima-se que 191 Sinagogas foram queimadas ou demolidas. Foi ordenado à polícia para
não interferir. A ordens de Reinhardt Heydrich, chefe da polícia de segurança, a GESTAPO
prendeu 30.000 Judeus, que foram libertados apenas na condição de emigrarem e abdicarem da sua riqueza. Escassos dias depois o ministro do interior, Hermann Goering, ordenou
severas acções repressivas contra os Judeus, para garantir o pagamento dos proprietários de
negócios arruinados.
A “Noite de Cristal” foi o culminar da perseguição aos judeus e a todos os “não arianos” iniciada pelo regime hitleriano – o dia nove de Novembro é tido, oficialmente, como
o começo do Holocausto – quando em 30 de Janeiro de 1933 Hitler chega ao poder. Em
23 de Março, aprova uma lei que dava ao seu governo poderes absolutos. As primeiras leis
anti-semitas surgem em catadupa nesse mesmo ano, logo em Abril.
Segundo Jacques Droz, na sua “História da Alemanha”: «Mas ainda mais terríveis que estas medidas que estas medidas legais são os actos de brutalidade cometidos
15 Publicado na revista “Raia”, 1999

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

individualmente contra os Judeus, que, em grande número (eram cerca de 500 mil em 1933,
cerca de um por cento da população alemã) são deportados ou massacrados. Mais cruel é
a propaganda dirigida contra os Judeus por alguns profissionais do anti-semitismo como
Julius Stricher, que inflamou sem descanso os Alemães contra estes através do relato dos crimes rituais ou dos atentados contra os costumes (…)».
Bem antes da guerra que o regime [hitleriano] se orientava para a “solução final” da
questão judaica. Exemplo disso é a criação em 1933, dos campos de concentração (ali estavam os prisioneiros políticos), sendo o primeiro, o da Dachau, aberto em 22 de Março, uma
antiga fábrica de armamento próxima de Munique, para onde foram enviados cerca de
10.000 Judeus, 17 Portugueses estiveram neste campo supõem-se (pois não há certezas)
que tenham sido combatentes nas brigadas internacionais, durante a guerra civil espanhola
(1936-1939), ou ainda pelo facto de alguns deles terem participado na Resistência francesa,
quando detidos, foram transferidos para a Alemanha.
Voltando à “Noite de Cristal”. Segundo relatório dos S.S. de Geldern, pequena cidade
da Renânia (Alemanha), datado de 14 de Novembro: «Nos distritos de Geldren e Xanten, a
acção foi levada a efeito exclusivamente pelos membros das S.S. 10/25. o grupo de assalto
S.S. III/25 deu as ordens por telefone. No dia 10.11.1938, às 3,20H. […] Durante o dia 11.11.38,
os membros da S.S. 10/25 fizeram algumas vítimas, nas casas dos judeus, onde procuravam documentos e armas.» «Não foram encontrados nem documentos nem armas», isto
segundo a “Monumenta Judaica”, Vol. I
«Actualmente, há quem tente ressuscitar as ideias racistas do regime nazi. Uma prova
disso foram as declarações anti-semitas do candidato à Câmara [municipal] do Porto, general Carlos Azeredo, feitas num artigo para o Jornal de Notícias, no qual a palavra holocausto
aparece entre aspas além das acusações de que o povo Judeu é o “inventor da usura”.
Não existem gupos neonazis organizados em Portugal, mas isso não impede que
pequenos grupos de “Skinheads” actuem em diversas partes do país, mesmo que de
maneira desorganizada.
A História não se repete, mas é preciso estar consciente dela para que não assuma
novas formas de opressão. Não podemos esquecer o passado, nem repetir o que já se provou ser dispensável para a Humanidade» (in “S.O.S. Informa”, n.º 25, Boletim de Informação
Semanal do S.O.S Racismo).
Foi no seguimento de episódios com este – deixo a adjectivação para o leitor, até porque não há dicionário (no meu) palavras suficientemente fortes para qualificar – que uma
onda enorme de refugiados se fez sentir na Europa, proporcionalmente à medida do avanço
nazi (Alemão) durante a II Guerra Mundial (1939/45), sendo que muitos dos refugiados eram
Judeus. Talvez – especulação minha – porventura, por não querer ser cúmplice de futuras
matanças, o cônsul português em Bordéus (de 1938 a 1940), Aristides de Sousa Mendes,
concedeu 10.000 vistos a outros tantos seres humanos, salvando-os do extermínio nazi, da
sua limpeza étnica ou rácica, isto convém não esquecê-lo, contra as ordens do ditador António Oliveira Salazar, à época também Ministro dos Negócios Estrangeiros.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

57

Foi, como conhecedor destes factos e de outros, que propus aos seguintes órgãos do
poder local: Câmara Municipal de Castelo Branco, Assembleia Municipal de Castelo Branco
e Junta de Freguesia de Castelo Branco – tendo já obtido resposta positiva da Câmara Municipal – uma homenagem a Aristides de Sousa Mendes.
Um dos homens que furou a política salazarista de neutralidade comprometida com
os países do eixo (Alemanha, Itália e Japão).
Neutralidade comprometida, talvez em nome da velha tradição absolutista, que por
“razões de Estado” expulsou – D. Manuel I – os Judeus de Portugal, em 1496, forçou os que
ficaram a converterem-se e instalando em Portugal a “Santa Inquisição” (Tribunal do “Santo”
Ofício) – pedida ao Vaticano por D. Manuel I, estabelecendo-se com o rei que lhe sucede, D.
João III – que tiveram como principais vítimas os cristãos-novos (maioritariamente antigos
judeus, ou destes descendentes), alguns protestantes e muitos por motivos políticos.
Em nome dessa mesma “razão de Estado”, não convinha salvar os judeus- lembro que
aos 10.000 passados por Sousa Mendes, a maior parte foi a Judeus, ainda que de várias
nacionalidades – e indispor assim o homólogo ditador alemão (Adolf Hitler), para quê? Para
salvar uns tipos que ainda por cima não eram católicos, infiéis, portanto?
Pois, eu sei que a Constituição Portuguesa de 1933 (em respeito da qual agiu o cônsul
português, contra a ordens inconstitucionais de Salazar, o mesmo que inspirou a dita constituição!!) – a do Estado Novo – até defendia a liberdade religiosa, mas isso era e foi “letra
morta” para Salazar e Marcello Caetano (o tal da outonal “Primavera Marcelista”).
A confirmá-lo, se necessário fosse, estava a assinatura da concordata com a Santa Sé
em 1940, pelo Estado Novo, tornando Portugal, na prática um Estado de religião oficial
católica.
A censura e a PIDE (PVDE e DGS.) lá estavam para garantir a unidade nacional na questão religiosa (nesta e noutras), tais como a censura em tempos de absolutismo e os inquisidores imbuídos, quiçá, dum espírito (“Santo”) de Cruzada.
Claro que havia sempre uns “chatos” – teimosos, enfim – decididos a não colaborar na
farsa do pensamento único – de que agora se fala tanto – e a não omitir, factos, tais como
o “Jornal do Fundão”, o jornal “República”, o jornal “Avante”, e a revista “Seara Nova”, entre
outros, que tentavam (e conseguiam) contornar a censura.
Bibliografia
Afonso, Rui – Injustiça: o caso Sousa Mendes, Col. Nosso Mundo, Edit. Caminho, Lisboa, 1990.
Afonso, Rui – Um Homem Bom – Aristides de Sousa Mendes, o “Wallenberg Português”, Col. Nosso Mundo, Edit. Caminho, Lisboa, 1995.
Mascarenhas, João Mário (Coord.) e Martins, Maria João – Aristides de Sousa Mendes: A
Coragem da Tolerância. Biblioteca – Museu República e Resistência, Lisboa, 1996.
Martins, Maria João – O Paraíso Triste, a vida quotidiana em Lisboa durante a II Guerra
Mundial, Veja, Lisboa, 1995.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Nery, Júlia – O Cônsul, Publ. Dom Quixote, Lisboa, 1991.
Rosas, Fernando – Portugal Entre a Paz e a Guerra, Edit. Estampa, Lisboa, 1990.
Telo, António José – Portugal na Segunda Guerra, Veja, Lisboa, 1992.
Piementel, Irene – «Os Refugiados da II Guerra Mundial, Portugal, Porto de Abrigo», in
Rev. História, n.º 8, ano XX (Nova Série), Nov. 98,pp. 16-25.

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MANIFESTOS CONTRA O MEDO

Apelo sobre Timor Loro Sae (Leste)
[inédito]
Como cidadão português, cidadão lusófono e cidadão do Mundo, apelo a todos os
cidadãos brasileiros residentes em Castelo Branco, na Beira Interior que, solidários como o
Povo de Timor Lorosae, escrevam para o Embaixador do Brasil em Portugal, para os consulados do seu país em Portugal, para o seu Embaixador na ONU e para Fernando Henriques Cardoso, seu Presidente da República, repudiando a atitude do seu país no Conselho
de Segurança da ONU, que enquanto membro não permanente do mesmo, recusou ontem
(9 de Setembro de 1999) em conjunto com todos os outros membros (permanentes e não
permanentes) a proposta portuguesa para uma reunião emergente do Conselho de Segurança da ONU.
Bastava um voto para se realizar a referida reunião e o Brasil demonstrou toda a sua
“fraternidade” ao votar não, aliás como os nossos “parceiros” da União Europeia, a França e
o Reino Unido.
Com amigos destes…
Que país é este que se diz nosso irmão?
o Brasil, que é um membro da CPLP como Portugal, a qual espera rapidamente contar
como seu membro de pleno direito Timor Leste.
Outros interesses parecem presidir à diplomacia brasileira, que não os do humanismo.
O Brasil traiu (diga-se a palavra certa) Portugal e traiu o Povo de Timor Leste.
A próxima vez que um dirigente brasileiro se referir a Portugal como “país irmão”, saberemos que é demagogia, saberemos que mente com quantos dentes tem.
O Brasil que acolheu numa 1.ª fase o General Humberto Delgado – quando este pediu
asilo político – no tempo do Presidente Juscelino Kubitscheck de Oliveira, mas que lhe retirou o estatuto de asilado no tempo de João Belchior Goulart, o mesmo Brasil que acolheu
a elite do Estado Novo depois do 25 de Abril de 1974 em Portugal, no tempo do Presidente
brasileiro Ernesto Geisel Beckmann.
O Brasil parece só servir para acolher os criminosos portugueses (ou não) que daqui
fogem à justiça.
Estou arrependido – sinto mesmo vergonha – por ter sempre estado ao lado das
selecções brasileiras e seus atletas sempre que participavam em competições desportivas e
defrontavam outros países (excepto quando jogavam contra Portugal, claro), como aconteceu no último Mundial de Futebol Sénior Masculino, em 1998 em França.
Castelo Branco, 10 de Setembro de 1999

60

LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Biblioteca Municipal Castelo Branco, Agenda Cultural,
Aristides de Sousa Mendes e 25 de Abril
[inédito; conteúdo de carta endereçada ao Presidente CMCB,
Joaquim Morão]
Algumas perguntas…
A Biblioteca Municipal de Castelo Branco necessita de novas instalações, para quando
um novo edifício? O responsável pela Biblioteca Municipal, o Dr. Ernesto Pinto Lobo morreu e não foi substituído, a bibliotecária que tinha ao seu serviço foi-se embora há já largos meses e não foi substituída por ninguém, a BMCB tem um escasso número de técnicos
[superiores] e está fechada aos sábados além de adquirir [anualmente] uma quantidade de
livros irrisória, só recebe um jornal diário e um só semanário [nacional]…
Para quando uma biblioteca a sério?
Foi também pensando no que neste campo fez na Idanha que o apoiei desde a primeira hora… Castelo Branco, a capital de distrito e da Beira Baixa, não merece melhor? Sei
que está a tratar do assunto, mas o tempo urge!
Para quando uma agenda cultural da cidade, já temos uma do Cine-Teatro Avenida,
ainda bem, mas não chega.
A minha proposta de homenagem a Aristides de Sousa Mendes, que foi aprovada em
Sessão de Câmara Municipal de Castelo Branco espera concretização.
No ano 2000, Castelo Branco passou ao lado das comemorações dos 26 anos do 25 de
Abril e este ano vai repetir-se o “esquecimento”?
Porque não Sr. Presidente, dar o nome de Aristides de Sousa Mendes, a uma rua, praça,
rotunda (por exemplo, àquela situada ao fundo da Avenida Humberto Delgado) ou avenida
e anunciá-lo no próximo dia 25 de Abril de 2001? Penso que seria uma justa homenagem a
Abril e ao homem.
Se não se fizer é apenas por falta de vontade política, ruas não faltam na nossa cidade
a que apenas foi atribuído um n.º, ainda por cima muitas novas ruas se estão a “rasgar” na
cidade.
Castelo Branco, 1 de Março de 2001

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Manifesto contra o medo16
Perguntava-me um colega de profissão, depois de ler um dos meus últimos textos
publicados: “Não estás a pensar candidatar-te a nenhum cargo público nos próximos vinte
anos, pois não?”
Que terei eu dito de tão grave para motivar a pergunta? Limitara-me a denunciar uma
situação, relatando nada mais que a verdade. Um escândalo!!
Ainda sobre o mesmo assunto disseram-me: “Prepara-te para as reacções. Vais sofrer
muitas pressões.”
O medo atrofia o pensamento e a acção.
O medo limita, quando não mata, a criatividade, a crítica.
Hoje teme-se tudo e todos.
Poucos são aqueles que ao escreverem não medem as palavras, com receio que lhes
venham pedir contas.
Não pensem que falo de medir as palavras quanto a difamar a alguém, falo do direito
em reivindicar o que é justo, de denunciar situações anómalas.
Não há censura política, mas a censura económica – pressão/coacção económica –
sente-se, sendo primordialmente causada pelas grandes (e pequenas) concentrações dos
meios de comunicação social: periódicas (revistas e jornais), rádios e televisões.
O maior problema que a censura acarreta, seja ela explícita ou implícita, directa ou
indirecta, imposta ou auto-imposta, é a auto-censura.
Nota-se frequentemente que, muitos autores de textos, assinam com siglas, pseudónimos, ou nem sequer assinam, ou quando se trata de cartas dos leitores, muitas vezes aparece: “leitor devidamente identificado”.
Para lutar contra isto, assino sempre com três (dos meus seis) nomes: Luís Norberto
Lourenço, para não ser confundido com mais ninguém, serei sempre eu o responsável, para
o bem e para o mal, pelo que digo e escrevo.
Também nas entrevistas (inseridas em reportagens), muitos dos entrevistados –
quando não se recusam a sê-lo – tapam a cara não por ter vergonha de ter feito algo errado,
mas por medo de falar, quando denunciam certas situações, temendo ser prejudicados.
Defendo o combate ao medo.
Só se pode combatê-lo, falando, escrevendo, criticando, indignando-se, provocando,
subvertendo se for preciso e publicando clandestinamente.
Ter medo aumenta-o.
Não ter medo diminui-o.
16 Publicado em: “O Distrito de Portalegre”, 25/5/2001; “Imenso Sul”, 25/5/2001; “Fonte Nova”, 26/5/2001; “Reconquista”, 8/6/2001 e “Gazeta do Interior”, 21/6/2001.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

A intervenção, a crítica construtiva, o inconformismo, são o sal da Democracia.
Talvez, eu só não tenha medo porque sou inocente ou ingénuo, quiçá louco ou
suicida.
Os ditadores não gostam dos loucos lúcidos, também Erasmo no seu “Elogio da Loucura” não gostava propriamente dos ditadores do seu tempo (diria de todos os tempos), talvez porque os loucos pensem e actuem “demasiado” livremente.
O único medo que tenho é: ter medo de ter medo.
Falar e escrever livremente devia ser o mais normal numa sociedade democrática, mas
pelos vistos, nem nestas nos podemos exprimir livremente, sendo que quem o faz, é para
uns, um alvo a abater e para outros um herói.
Falar é preciso, sem medo!
Não me calarei!
Não me calarão!
Por nós, contra o medo… defendo a Abolição do Medo
Castelo Branco, 15 de Maio de 2001

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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A Cultura em Castelo Branco17
Há alturas em que negar uma palavra amiga é tão grave como ficar calado perante as
injustiças.
Desenvolvendo a Cultura também se cumpre Abril.
A Cultura em Castelo Branco deu um salto qualitativo e quantitativo sem precedentes
nos últimos cinco anos, sobretudo nos últimos dois.
Para isso contribuíram: a criação da revista mensal “Raia” (que faz quatro anos em
Setembro); a criação pela “Alma Azul” da revista mensal “Alcains 2000”; a abertura da Livraria “A Mar Arte” (por toda a actividade da mesma que vai muito para alem da simples venda
de livros, o que por si só já era importante); as iniciativas (lançamento e apresentação de
livros e recitais de poesia) da “Alma Azul” – que abriu uma delegação em Castelo Branco –
como o Encontro de Poesia Alma Azul; os Ciclos de Teatro do Instituto Politécnico de Castelo
Branco (IPCB); os Ciclos do IPCB; a Cultura Politécnica, da responsabilidade do IPCB; os Ciclos
de Teatro para a Infância e a Juventude (realizou-se o II este ano) organizado pela Delegação
Regional [de Castelo Branco] do Instituto Português da Juventude (IPJ) e pelo “Váatão”; os
concertos no Centro de Estudo para as Artes – Belgais – os quais têm entrada livre e a cujo
acesso é garantido transporte gratuito pela Câmara Municipal de Castelo Branco; a reabertura (15 anos depois!) do Cine-Teatro Avenida – faz em Setembro um ano – e todas as iniciativas aí realizadas e a criação da Agenda Cultural do mesmo; a “Primavera Musical”, organizada pelo Conservatório Regional de Castelo Branco e que realizara em Maio o VII Festival Internacional de Música de Castelo Branco; a criação da Escola Superior de Artes Aplicadas (ESART) do IPCB e, por esta, da Orquestra de Câmara da ESART; a criação do Museu de
Tapeçaria do IPCB; a realização das duas (extraordinárias) edições (que devem repetir-se) do
“Raia sem Fronteiras. Festival de Cultura”; a abertura da Casa do Arco do Bispo; as iniciativas
de índole cultural da Delegação Regional do IPJ; a reabertura – depois de estar vários anos
encerrado para obras – do Museu Francisco Tavares Proença Júnior e tudo o que este tem
promovido, desde a possibilidade de consultada sua biblioteca, às exposições, aos cursos de
bordados, às conferências e aos ateliês; a criação do grupo de teatro albicastrense “Váatão”;
a criação da Evasão – Ateliê de Artes; as exposições no Museu de Arte Sacra da Misericórdia de Castelo Branco, na Galeria Manuela Cruz, na Galeria Rural Arte, na Galeria Bar Património, no Hotel Meliá Confort Colina do Castelo, na Casa do Arco do Bispo, na Sala da Nora no
Cine-Teatro Avenida e no Arquivo Distrital de Castelo Branco; a disponibilização aos leitores
albicastrenses de mais de 10000 livros (doados pelo ex-Governador Civil, Dr. Vasco Silva ao
PCP), cedido pelo PCP à Biblioteca da ESE do IPCB; a instalação na cidade de uma Delegação
Regional da RTP, donde é emitido o programa “Regiões/Castelo Branco”, importando, no
17 Publicado no “Reconquista”, 25/5/2001.

64

LUÍS NORBERTO LOURENÇO

que à divulgação das actividades culturais na Beira Interior diz respeito; a abertura da Delegação Regional do IPPAR (Instituto Português do Património Arquitectónico) e, por último,
Castelo Branco é desde o fim do ano que passou Pólo de Excelência Cultural, sendo o único
concelho da Beira Interior a integrar este programa do Ministério da Cultura e uma das dez
cidades que o integram.
Estes serão, se quiserem… filhos da Utopia que já nasceram.
A nova Biblioteca Municipal de Castelo Branco, o novo Arquivo Histórico Municipal de
Castelo Branco, a elaboração duma Agenda Cultural – mensal, que a cidade já começa a exigir – do Concelho de Castelo Branco e a reabertura do Museu Académico.
Estes serão os filhos da Utopia esperados brevemente.
Não tenho memória de, em tão curto espaço de tempo, ter assistido a tantas peças
de teatro, a tantos recitais de poesia, concertos de música, lançamentos e apresentações de
livros como nos últimos meses em Castelo Branco.
Só com esta verdadeira revolução cultural pode Castelo Branco vir a contar com uma
verdadeira consciência crítica.
Agora, meus amigos ter oferta cultural é uma coisa e saber e querer aproveitá-la é
outra.
Esta é uma cidade muito estranha… antes queixavam-se as pessoas de que não acontecia nada, agora que acontece… aderem muito pouco.
No entanto, a Cultura está no bom caminho em Castelo Branco, para admiração de
alguns e inveja de outros.
Nota: Este texto obteve, no sábado seguinte, uma reacção no programa “Indústriad’arte”
da Rádio Beira Interior, aplaudindo o artigo de opinião mas dando “o toque” à ausência
duma referência ao programa. O autor destas linhas, que se encontrava a ouvir o programa,
telefonou para a RBI e aceitou o reparo.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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AD Guarda: Combater a crise. Já!18
Não tendo por hábito escrever sobre desporto, não que o tema, seja para mim tabu
ou um tema menor, eu adoro ver e praticar desporto, mas nunca me senti motivado para
escrever sobre o mesmo.
No entanto, quando deparei com a notícia de “O Interior” (8/6/2001) sobre a situação
crítica da A. D. Guarda (nomeadamente no futebol, da equipa sénior masculina), eu como
beirão, da nossa Beira Interior, resolvi tomar uma posição pública sobre o caso, porque o que
se passa é tão grave, no plano desportivo, para a Guarda como para o resto da Beira Interior.
É a afirmação da região, também no plano desportivo que está em causa, é a saída certa de
novos e menos novos valores que está em causa.
Na notícia d’ ”O Interior” sobre a última Assembleia Geral (bem ilustrada pela foto) referia-se que os sócios presentes não ultrapassavam uma dezena. Ora, não sabemos quantos
sócios tem a A. D. Guarda, suponho que terá no mínimo mais de mil, logo o contributo dos
sócios, veja-se a “adesão em massa”, não parece muito grande para combater a crise. Se não
forem, primeiro os sócios a dar o exemplo, pagando as quotas, assistindo aos jogos (em casa,
principalmente), aplaudindo a equipa, participando activamente na vida do clube, sobretudo nas Assembleias Gerais, não há outros apoios que lhe (A. D. Guarda) valha.
Um clube que, será o mais representativo da cidade e do Distrito das Guarda, não
pode, depois de se deixar cair nos distritais de futebol, conformar-se com a situação e não
ter dinheiro para disputar os mesmos… um clube duma capital de distrito. Que tivesse dificuldades, numa primeira ou numa segunda Divisão Nacional de Futebol, por ser um clube
sediado no Interior, ainda vá. Agora nos distritais?
Sejam orgulhosos, egitanenses! Levantem a A. D. Guarda.
Castelo Branco

18 Publicado em “O Interior”, 6/7/2001.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

A Política Cultural da (Câmara Municipal) Guarda e a
Incultura de Alguns19
Não é só o nº de espectadores (nos eventos culturais) que é mais baixo na Guarda, face
à Covilhã e a Castelo Branco.
A Guarda, seja o concelho, seja a cidade, tem também menos habitantes que as outras
duas cidades da Beira Interior.
Por isso a análise comparativa desses nºs deve ter isso em conta.
Vem isto a propósito do ataque do Sr. A. Conde Barão à política cultural “elitista” (não
o diz, mas lê-se nas entrelinhas) da Câmara Municipal da Guarda, no texto: “A plítica da (in)
cultura na Guarda (2)”, publicado em “O Interior” (de 8/6/2001).
Ataque que pressupõe a defesa duma política cultural popular ou talvez populista,
talvez defenda uma política cultural que apoie os programas tipo: “Big Brother”, “Bar da TV”,
“Mulher não entra”, “As Noites Marcianas”, “Os Acorrentados”, o “ Big Estrelas”, o “Big Show
Sic”, a pretensa música do Zé Cabra e dos Cebola Mole, o “Mundo Vip”, o “Jet Set”, o “Lux”, os
noticiários da SIC e da TVI e outros que tais, ao que parece com audiência garantida.
Para quem, como eu, cidadão atento à actualidade, sobretudo ao que passa na nossa
Beira Interior, principalmente no campo da Cultura, foi com assombro que li a crónica do Sr.
A. Conde Barão.
Sabendo como a Guarda “mexe” culturalmente de alguns anos para cá e seguindo as
pisadas do Grupo Aquilo – Teatro [da Guarda], CRL.
Sabendo que tem uma excelente Agenda Cultural, talvez a melhor da Beira Interior e
uma das melhores a nível nacional.
Sabendo que a Câmara Municipal da Guarda tem feito um esforço notável pela promoção da Cultura (nomeadamente com uma política de baixos preços para os espectáculos), o que muitas câmaras municipais não fazem, muitas não têm sequer uma política cultural, enquanto que a Câmara Municipal da Guarda tem uma política cultural apostada na
qualidade.
Esta política cultural de qualidade, erudita, mais do que elitista, só reforça a formação
da cidadania, o que provavelmente não interessa ao Sr. A. Conde Barão.
A Câmara Municipal da Guarda oferece cultura de qualidade, não pode é obrigar os
cidadãos da Guarda a aderir à mesma, se aqueles, como muitos outros noutros locais de Portugal e do Globo preferem o esterco televisivo à cultura de qualidade (obviamente, elitista,
para quem consome esterco).
São opções...
19 Publicado em “O Interior”, em Junho de 2001.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Provavelmente, o Sr. A. Conde Barão, não se incluirá entre os 36323 espectadores da
Guarda, para poder falar de resultados decepcionantes, quanto à política da Guarda.
A Revista Cultural “Praça Velha” (nº 9), os espectáculos do Grupo Aquilo – Teatro [da
Guarda], CRL, a existência de cinco jornais, principalmente de “O Interior”, só se justificam
porque a cidade está a “mexer”, mostra que o rei não vai nu, porque o tempo dos reis é
tempo que já lá vai... felizmente.
Muito mais podia ser rebatido em relação ao texto, mas é duma irracionalidade pela
falta de lucidez na análise da realidade e duma injustiça tão visível face ao trabalho meritório
da autarquia, no plano cultural que me eximo de continuar.
Por último, sorte a das cidades – infelizmente, porque aspiro a mais – que têm uma
sessão de cinema todos os dias, Portalegre (capital de distrito) e Ponte de Sôr, por exemplo,
nem isso têm.
Castelo Branco, 13 de Junho de 2001

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Volta César, estás perdoado20
Não retiro os méritos aos executivos camarários liderados pelo Dr. César Vila Franca,
menos ao último.
Mas não esqueço também os erros cometidos por aqueles que permitiram que Castelo Branco crescesse, mas não se desenvolvesse.
Crescimento e desenvolvimento tem tido Castelo Branco – e continuará a ter por muitos e bons anos com Castelo Branco 2020 e com o Programa Polis – com a autarquia PS, liderada pelo Sr. Joaquim Morão.
Nos últimos meses, os candidatos de Castelo Branco do PSD às próximas eleições
autárquicas, nomeadamente o ex-autarca Dr. César Vila Franca, têm lançado um ataque cerrado, principalmente nas páginas dos jornais e aos microfones das rádios ao PS local, ao executivo camarário e principalmente ao Presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, Sr.
Joaquim Morão.
O caminho seguido pelo PSD local tem sido o mesmo do nacional, isto é, na falta de
ideias, critica por criticar, vota contra, porque sim – por exemplo na Assembleia Municipal –
calunia e tenta baralhar os factos a ver se convence alguém.
O PSD disse que a cidade estagnou durante o actual mandato PS, com Joaquim Morão!!
Acreditam nisso!! Ou andarão distraídos?
Todo o país admira, elogia e inveja Castelo Branco. Porquê? Porque o Concelho e a
cidade parou? Não creio.
No Interior, Castelo Branco (com executivo camarário PS) foi juntamente com a Guarda
(com executivo camarário PS) e com Évora (com executivo camarário CDU), as cidades e
concelhos que mais cresceram e se desenvolveram (com a Cultura a assumir lugar de destaque), sendo que Castelo Branco, foi no seu distrito a cidade e o concelho que mais cresceu e se desenvolveu.
Quem são os responsáveis pelo crime urbanístico que está a ser cometido na encosta
do Castelo, em Castelo Branco?
O PSD e nomeadamente o ex-presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco e
actual cabeça de lista deste partido (coligado com o PP) à Assembleia Municipal de Castelo
Branco, o Dr. César Vila Franca.
Quem são os responsáveis pelos erros urbanísticos gritantes cometidos na Urbanização
da Quinta Pires Marques e na Urbanização da Quinta Dr. Beirão?
O PSD e o ex-presidente da C. Municipal de Castelo Branco e cabeça de lista deste partido à A. Municipal de Castelo Branco, o Dr. César Vila Franca.
20 Publicado em “Reconquista” e “O Interior”, em Julho de 2001.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Quem tem sido uma oposição responsável, construtiva, na Assembleia Municipal? O
PSD? O PP? Não, a CDU (PCP + PEV).
Quem tem sido uma oposição responsável e construtiva, na Assembleia da República?
O PSD? Não, o BE e a CDU. São os que apresentam mais trabalho e com maior seriedade, não
alinhando nem no populismo nem na demagogia do PP, nem na irresponsabilidade e falta
de ideias do PSD, obrigando o PS a votar várias vezes na Assembleia da República ao lado,
quer do BE quer da CDU, não que agradasse muito a António Guterres nem a muitos sectores conservadores do PS, votar “à esquerda”, mas a oposição construtiva que têm sido quer
a CDU quer o BE a isso forçou o PS.
Quem será julgado pelos eleitores nas próximas eleições autárquicas albicastrenses:
Câmara Municipal, Assembleia Municipal e Assembleia de Freguesia, não são apenas os
actuais eleitos que se venham a recandidatar, mas também as oposições, pela forma como
o foram e no caso de Dr. César Vila Franca, por exemplo, de julgar o seu último mandato à
frente da Câmara Municipal de Castelo Branco, já que este fugiu ao embate político com
Joaquim Morão, esperando que agora, encabeçando uma lista do PSD, não para a Câmara
Municipal, mas para a Assembleia Municipal, tenha hipóteses de vencer, partindo nomeadamente do princípio que, o seu último mandato à frente da Câmara Municipal, tenha sido
varrido da memória dos albicastrenses.
Falo com a autoridade, de quem não deixando de ser apoiante de Joaquim Morão e
da grande maioria das medidas tomadas pelo mesmo, enquanto autarca, já desde o tempo
de Idanha-a-Nova, nunca abdicou de falar e escrever, ora aplaudindo o que de uma maneira
geral tem sido realizado em Castelo Branco, ora criticando, sempre propondo alternativas,
o que pontualmente tem sido menos conseguido, porque ninguém é perfeito e há sempre
erros que se cometem, eu estou pronto a apontá-los e a propor alternativas, para que Castelo Branco tenha o futuro que merece, como centro democrático irradiador de progresso
por toda a Beira Interior.
Por seu lado o PSD, se tem alternativas não as apresenta preferindo a calúnia e votar
contra tudo indiscriminadamente.
Castelo Branco, 14 de Julho de 2001

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Crise! Qual crise?21
Fala-se muito em crise económica em Portugal.
A quem interessa que se fale em crise?
Às oposições, para derrubar o Governo do PS.
Haverá mesmo uma crise económica?
O consumo de produtos de luxo, de casas, de carros, nomeadamente de grande cilindrada, não tem baixado.
E havendo, quem são os responsáveis?
Acontece que os grandes grupos económicos, a quem o Governo finalmente resolveu, por pressão da CDU e do BE, cobrar os impostos que não pagavam, através da reforma
fiscal, que a direita criticou, resolveram boicotar a Economia, graças ao peso desmesurado
que têm na Economia, graças às privatizações e ao controlo – premeditadamente? – ineficiente da concorrência.
A justiça social obriga a que quem mais ganha, mais pague em valores absolutos, isto
é o mínimo, e proporcionalmente, em valores relativos.
Mas os poderosos rodeiam-se dos maiores especialistas em fugir às obrigações para
com o Estado e logo para com a Sociedade.
O Governo PS, infelizmente, ainda não se apercebeu do boicote, ou pelo menos ainda
não o denunciou.
A crise não existe, o que existe é o boicote económico das grandes fortunas, atrasando
o país por causa do seu egoísmo.
Castelo Branco, 15 de Julho de 2001

21 Publicado na “Gazeta do Interior”, 26/07/2001.

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MANIFESTOS CONTRA O MEDO

O Dia da Liberdade: 25 de Abril de 1974
Castelo Branco no ano 2000 ignorou as comemorações dos 26 anos do 25 de Abril
de 1974, facto que não espanta ninguém, a capital de Distrito não costuma ser exemplo
nesta matéria.
E este ano acontecerá o mesmo?
Deixaremos passar a data em branco?
Tanto quanto sei, em Castelo Branco, salvo a Secção Solene da Assembleia Municipal
de Castelo Branco – que no ano passado não se realizou – a propósito do 25 de Abril de
1974, e a pretexto dos 25º Aniversário da Constituição da República Portuguesa de
1976, nada mais está previsto.
Comemorar ABRIL, a Revolução dos Cravos é:
ß comemorar o fim da Censura (visto prévio) e o regresso da Liberdade de Expressão;
ß comemorar o fim da polícia política (PVDE/ PIDE/DGS);
ß comemorar o fim da Guerra Colonial e a independência das ex-colónias – porque
uma Democracia não pode ter colónias;
ß comemorar a existência de eleições livres e o fim das pseudo-eleições realizadas
durante a Ditadura Militar e o Estado Novo;
ß uma forma de homenagear aquelas que caíram (ou não) na luta pela Democracia,
pela Liberdade e pela Igualdade;
Não é pequeno pois o motivo que nos deve levar a comemorar o 25 de Abril, nem
que seja apenas com um cravo vermelho ao peito.
Pergunto se não foi o MFA, o 25 de Abril, que implantou a República Democrática,
que nos devolveu a esperança e a alegria, que tornou a Utopia da emancipação feminina
uma realidade, apesar de alguns reaccionários?
Eu enquanto cidadão de apenas 27 anos, não encaro o 25 de Abril com indiferença,
este não é para mim apenas mais um feriado, é o dia que tornou a Utopia possível.
Em nome de Abril digo não às câmaras municipais monocolores e aos círculos eleitorais uninominais, por diminuírem a representatividade eleitoral.
25 DE ABRIL SEMPRE.
Castelo Branco, 17 de Abril de 2001

72

LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Não quero viver num país que esquece Abril
(...)
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.
(...)
in “As portas que Abril Abriu”, Ary dos Santos
Mais uma vez, por Abril, pela Democracia, sou impelido a ser uma voz incómoda.
Sou socialista. Sou albicastrense. Tenho 28 anos (apenas), 8 meses aquando da Revolução. E, no entanto, comemoro o 25 de Abril! No próximo dia 25 de Abril, farei questão de
andar orgulhosamente de CRAVO VERMELHO ao peito, em Castelo Branco.
Serei revolucionário? É como me sinto, cada vez mais.
Pensava eu, ingenuamente, que todos os portugueses, fossem eles de Esquerda ou de
Direita (obviamente, à excepção da extrema-direita) celebrariam o 25 de Abril, DIA DA LIBERDADE! Afinal, é ao 25 de Abril que devemos a LIBERDADE, a DEMOCRACIA, o fim da Censura,
da polícia política, da discriminação das mulheres, a instituição de uma Escola para todos...
Que fizemos de Abril? Que fizemos da esperança? Por querem tantos que Abril se não
cumpra?
Que partidos celebram o 25 de Abril? Que associações celebram o 25 de Abril? Que
sindicatos celebram o 25 de Abril? Quantos sindicatos (livres) existiam antes do 25 de Abril,
apenas a CGTP-IN, ilegal, visto estes serem proibidos durante a Ditadura, durante o Estado
Novo. Em Castelo Branco, só a CGTP-IN, pela União dos Sindicatos de Castelo Branco, o vai
fazer.
Quantos partidos devem a sua existência legal (constitucional) ao 25 de Abril de 1974?
Todos. Eram proibidos até essa data. Que partidos, hoje activos, só existem porque o MFA
fez Abril florir? Quase todos. Só o PCP, o PS e o PCTP/MRPP são anteriores ao 25 de Abril.
Que associações devem a sua existência à Revolução dos Cravos? Quase todas, porque
quase todas lhe são posteriores.
E o poder autárquico: Câmaras Municipais, Assembleias Municipais, Juntas de Freguesia e Assembleias de Freguesia? Quem comemora Abril e quem não o faz? Os eleitos autárquicos, só o são porque aconteceu Abril, porque a Utopia se realizou. Não o esqueçam.
Que temem que seja recordado? O fim da Censura? Porquê? Talvez porque ela ainda
hoje exista, de várias formas, não legal (constitucional), antes devido a pressões económicas, políticas e religiosas?

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Quem tem medo de Abril?
Temem que se lembre a defesa do serviço público, actualmente posto em causa em
quase todos os campos? Temem que se lembre que há outra forma de fazer política?
Os que se dizem Democratas, mas que apenas se dão ao trabalho de votar, os que
o fazem, um dia acordarão como a França, em estado de choque, com o resultado da
extrema-direita de Le Pen, então pode ser tarde de mais? A Itália e a Áustria também acordaram tarde. E Portugal?
Cumprir Abril, não era apenas realizar os três “D”: Democratizar, Descolonizar e
Desenvolver. Pugno por uma Democracia real e participativa, não meramente formal e
representativa.
Que fizeste e farás por Abril, caro concidadão?
25 DE ABRIL SEMPRE.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Obrigado Abril22
A Liberdade é uma conquista, ganha e perdida várias vezes ao longo da nossa História. Por isso é preciso acarinhá-la, aprofundá-la, cultivá-la, não deixar, sobre que pretexto for,
que se perca. Celebrá-la e exercê-la, sempre. Estar sempre atento aos seus detractores, é um
imperativo da cidadania.
Portugal tornou-se independente no século XII, perdendo a Independência no século
XVI e restaurando-a no século XVII, 60 anos depois.
Portugal libertou-se do Absolutismo em 1820, com a vitória do Liberalismo, para logo,
parte das conquistas vintistas se perderem, com a reacção das forças conservadoras e sobretudo devido à ditadura miguelista.
Em 1910, cai a Monarquia e é implantada a República, dando-se assim mais um passo nas
conquistas cívicas e políticas, em Portugal. Com a Monarquia, caíam várias desigualdades, o
Chefe de Estado passou a ser eleito, todos passaram a ser cidadãos, deixou de haver súbditos e
soberanos, instituí-se a escolaridade obrigatória, o Laicismo, foi consagrado o direito à greve...
Houve dois interregnos ditatoriais, durante a I República, entre eles o Sidonismo, regressando-se a um passado que se supunha ultrapassado. No entanto, a esperança, a Liberdade
e a Democracia voltariam a ser repostas, até ao 28 de Maio de 1926, quando mais uma vez,
o país seria subjugado por uma Ditadura (1º, uma Ditadura Militar, depois, a Ditadura Nacional/Estado Novo), a qual fecharia as portas ao exterior até ao 25 de Abril de 1974 e tal como
o Absolutismo, tentou aprisionar o pensamento, impedir que soprassem os ventos vindos,
nomeadamente da França Revolucionária, também o Salazarismo/Marcelismo tentou impedir que outras ideias, opostas ao Estado Novo entrassem em Portugal, mas as ideias, não são
aprisionáveis, porque há sempre meio de difundi-las, há sempre alguém que diz Não, há
sempre alguém que estende a mão à Liberdade.
No próximo dia 25 de Abril, à tarde, acontecerá uma tertúlia sobre a LIBERDADE, organizada pela “Tertúlia”, na sede da Junta de Freguesia de Castelo Branco e à noite haverá um
concerto no Cine-Teatro Avenida, promovido pela União dos Sindicatos de Castelo Branco.
Isto serão as Comemorações de Abril, em Castelo Branco, este ano, nada mais!
Comemorar ABRIL, a Revolução dos Cravos é:
ß comemorar o fim da Censura (visto prévio) e o regresso da Liberdade de Expressão;
ß comemorar o fim da polícia política (PIDE, PVDE, DGS);
ß comemorar o fim da Guerra Colonial e a independência das colónias – porque uma
Democracia não pode ter colónias;
ß comemorar a existência de eleições livres, que substituíram as “eleições” encenadas
durante a Ditadura;
22 Publicado na “Gazeta do Interior”, 25/04/2002.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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ß uma forma de homenagear aqueles que caíram (ou não) na luta pela Democracia,
pela Liberdade, pela Igualdade e pela Tolerância.
Isto nada dirá a algumas pessoas e no entanto muitos morreram, foram torturados,
despedidos ou emigraram, pelo simples facto de querer viver em Liberdade! Celebrar Abril
é dizer que não lutaram em vão e dizer que lhes estamos reconhecidos.
Não é pequeno pois o motivo que nos deve levar a comemorar o 25 de Abril, nem
que seja apenas com um cravo vermelho ao peito.
Caro concidadão, mostre também, orgulhosamente, o seu cravo vermelho ao peito,
no dia 25 de Abril.
O Cravo é bonito. É barato. Só não dá milhões! Não é uma flor carnívora, logo, não
morde, bem... talvez algumas consciências e simboliza a Liberdade. Pode ser apenas simbólico, mas é uma forma de agradecer a Abril.
Pergunto se não foi o MFA, o 25 de Abril, que implantou a República Democrática,
que nos devolveu a esperança e a alegria, que tornou a Utopia da emancipação feminina
uma realidade? Ainda não completa, é certo!
Graças aos Capitães de Abril vivemos há mais 28 anos em Liberdade, sem conhecer outro sistema político que não a Democracia, com defeitos, na sua prática, para os quais
todos somos poucos no sentido de resolvê-los.
Em nome de Abril, digo não à privatização da RTP e ao fim da RTP2, por um serviço
público (de TV e rádio) de qualidade; em nome de Abril, digo sim a uma cultura (erudita)
para todos; digo não ao “choque fiscal” (engavetado, para já! Viva o défice!) e sim à justiça fiscal; digo não a um Ensino Privado pago (subsidiado) pelo Estado e sim a um Ensino Público
para todos, do pré-escolar ao Ensino Superior, à luz da Constituição, só isso. Em matéria de
rádio e TV, os privados querem o lucro (como nos outros sectores de actividade), este será
tanto maior, quanto maior audiência tiver, se a maioria quer produtos de fraca qualidade,
será isso que as TV’s e as rádios lhes vão dar. Não é o serviço público que querem oferecer.
Está em causa, hoje, em várias áreas: Educação, Economia, Saúde, Cultura, Comunicação Social... todo um conceito de serviço público, que nos foi legado por Abril e que visava,
tão só, que todos tivessem acesso aos bens essenciais e não só, sendo o Estado, por nós sustentado, quem melhor o devia fazer.
A privatização desenfreada, servindo apenas alguns, está a por em causa o princípio
do serviço público, levando a uma ruptura social, pretendendo-se servir muito bem poucos
(hospitais e escolas bem apetrechadas e pagas, para quem pode pagar) e o resto não interessa (investindo menos no público).
Eu, cidadão de 28 anos, não encaro o 25 de Abril com indiferença, este não é para
mim apenas mais um feriado, é o dia que tornou a Utopia possível, por isso o meu Obrigado
aos Capitães de Abril.
Caro concidadão, o que vai fazer este ano para comemorar Abril?
25 DE ABRIL SEMPRE.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

As elites e o fim do Ensino Público23
No editorial do “Diário de Notícias”, de hoje (30/7/2002), assinado pelo Sr. Francisco
Azevedo e Silva (FAS), com o título de “Oportunidades”, o editorialista referia:
«A pretensa igualitarização feita pela política até aqui seguida para o ensino, em que
o Estado só suporta o custo real de um aluno caso esteja no público, é, afinal, geradora de
desigualdades.»
Pois bem, esta não é a minha opinião.
Uma e outra vez, texto após texto, jornal após jornal, uns católicos (sobretudo estes),
outros não, intensifica-se uma campanha já por mim denunciada em vários fóruns, campanha que tenta criar “espaço” – sabendo que a coligação de Direita que governa Portugal, a
sustenta – para que sejam tomadas medidas delapidadoras do serviço público na Educação,
i. é, para mais cedo ou mais tarde abolir o Ensino Público, assim como pretendem o fim da
Segurança Social (à qual, de resto, já passaram a certidão de óbito, por inúmeras vezes).
Em nome de falsas liberdades, diferentes da Liberdade, FAS, como outros, ataca a
Igualdade, parecendo defendê-la. Baralhados?
Alguns teóricos e defensores da Direita, de algumas correntes liberais (por exemplo,
como Paulo Portas e João Carlos Espada, para as quais a lógica do Lucro é tudo, a Ditadura
das Finanças é um dogma e a sua maior preocupação defender os interesses patronais.
Claro?) tendem a opor os conceitos de Igualdade e de Liberdade (os dois maiores pilares,
inseparáveis e complementares, da Democracia), privilegiando o segundo, porque odeiam
(ódio “de classe”, diria um marxista) o 1º.
Estes, não querem um povo (cidadãos) culto, escolarizado, crítico, pensante e
actuante.
Querem um povo ignorante, inculto, acrítico, manipulável, apolítico (abstencionista) e
apartidário.
Por isto, a RTP 2, a RDP A2 e a RDP A3, têm de acabar, por serem “espaços” de cultura
e de diversidade.
Para estes defensores do Ensino Privado, a 2ª das suas batalhas – a 1ª foi conseguir subsídios para escolas privadas – é acabar com a escolaridade obrigatória.
Não defendo o fim das escolas privadas, penso apenas que devem ser pagas com
100% de dinheiro privado.

23 Publicado em “O Interior ”, 09/08/2002 e “Reconquista”, 23/08/2002.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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O Estado que é de todos (pelo menos devia ser) deve preocupar-se que todos tenham
acesso a um ensino público, gratuito, laico, democrático e universal, quem quer pagar para
ter, por exemplo, um ensino religioso, fascista, racista, xenófobo, elitista, ou outro, que o
pague com o seu dinheiro.
Castelo Branco, 30 de Julho de 2002

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

A Cultura do Medo: as cartas anónimas24
Em tempos escrevi um “Manifesto contra o medo”, volto à temática hoje.
Escrevo a pensar nos atentados terroristas.
Escrevo na sequência das notícias sobre cartas anónimas, ditas irrelevantes e ainda
assim divulgadas e profusamente ampliadas, promovendo a calúnia, a difamação e o
boato.
Nomeadamente, em jornais (e em sítios na Internet, também, de meios de comunicação que aparentemente são sérios) que dizem (não cumprindo) que só publicam cartas de
leitores que se identifiquem (nome, morada, telefone, n.º de B.I., foto…), ao mesmo tempo
que aceitam como fontes fidedignas cartas sem identificação!
É a lógica do medo.
O triunfo do boato.
A vitória da mentira.
O elogio da cobardia.
Os escritores anónimos vencerão!
As ditaduras e os terroristas servem-se do medo e promovem-no para triunfar, as primeiras para se manterem no Poder e os segundos para semear o caos e através da estratégia do Terror atingir os seus objectivos.
O boato é uma arma ao serviço do medo.
Como desmascarar uma mentira?
Como derrotar um boato?
Ignorando-o, deixando-o seguir impunemente o seu caminho de difamação?
Combatendo-o, alimentando a besta ao dar-lhe publicidade?
O boato é uma arma perigosa, num cenário de guerra suja (como se alguma fosse
limpa!).
Ainda por cima, quando os boatos são base de notícias, não apenas de pasquins, mas
doutros órgãos de informação que lhe deviam estar imunes, deixando-se levar pelos argumentos “um boato tem sempre alguma coisa de verdade” e “não há fumo sem fogo”.
Todos os regimes repressivos, ditatoriais, se serviram (e servem) do boato para derrotar
os adversários, desacreditando-os.
A Inquisição (Tribunal do Santo Ofício) promovia a denúncia, pagando a quem o fazia
e oferecendo aos denunciantes/acusadores o direito a poderem permanecer no anonimato,
sem revelar aos réus de que eram acusados.
Quantos morreram às mãos da Inquisição sem saber quem os acusou?
24 Publicado no “Diário XXI” de 12/1/2003 e “Reconquista” de 16/1/2003.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Os dirigentes nazis, encorajavam os jovens nazis – membros da Juventude Hitleriana –
a denunciar os pais se estes não fossem apoiantes de Hitler e das suas ideias.
A PIDE (PVDE/DGS) promovia a delação, a denúncia gratuita, a coberto do anonimato,
com milhares de colaboradores por todo o país, prontos a denunciar familiares, amigos,
colegas e vizinhos, por inveja ou pelo que recebiam por elas, não necessariamente por motivos políticos.
E tal como aquela todas as polícias políticas assim actuam.
Numa Democracia, os cidadãos devem dizer abertamente o que pensam, sem medo,
assinando o que escrevem, lutando pelo que acreditam, intervindo, “de peito aberto”, com
frontalidade, com verdade, não escondendo-se cobardemente atrás do anonimato.
Porque o medo gera medo.
Vila Nova de Paiva, 7 de Janeiro de 2004

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Espanha: actualidade25
1. O 11 de Março de 2004
Os atentados terroristas em Madrid no dia 11 de Março de 2004.
Dizem que a guerra é a política por outros meios, então o terrorismo é a guerra por
outros meios.
O terrorismo é um fenómeno indefensável e inaceitável, é sempre condenável. Vitime
uma pessoa ou mil pessoas.
Não esquecendo que nem tudo o que se chama terrorismo o é de facto e nem todos
os que são chamados de terroristas o são.
Sendo pacifista, em princípio, advogando a via do diálogo até ao fim, defendo uma
guerra defensiva.
Questiono-me, se um cidadão dum país invadido e ocupado, não tem o direito de se
defender, seja porque meio for?
Muitos perguntam qual é a diferença entre as mortes de inocentes (civis) provocadas
pela queda das bombas e das minas anti-pessoais (cuja abolição não foi ratificada por muitos países, entre eles os EUA), as quais matam tão indiscriminadamente como qualquer atentado e as mortes dos mesmos num atentado terrorista.
Será que as mortes provocadas pelos países que possuem dinheiro para ter força aérea
e mísseis são diferentes daquelas que resultam das acções dos que lutam com os punhos,
com as pedras da calçada e que recorrem aos atentados?
Talvez! O inimigo é sempre o outro? O terrorista é sempre o outro? O nosso ditador é
melhor do que o teu! Como é nosso amigo, é democrata. Se fosse nosso inimigo, seria o pior
ditador do mundo!
Que direito tem os países que possuem armas atómicas, químicas e outras, de impedir que outros as queiram possuir? É apenas a lógica do mais forte! Porque aqueles que as
têm não abdicam delas. E só nesse caso teriam toda a legitimidade para defenderem que
outros as queiram ter.
2. Eleições legislativas espanholas de 14 de Março de 2004
Nem sempre a mentira é punida eleitoralmente, neste caso foi, felizmente.
A abstenção, a derrota do PP, a vitória do PSOE e a subida significativa da Esquerda
Republicana da Catalunha.
A abstenção (desceu 8% face às eleições de 2000) foi mais baixa do que se previa antes
dos atentados, este facto, seja como resultado duma maior consciência política, seja como
resposta ao terrorismo ou um misto de ambas é um facto muito importante.
25 Publicado no “Diário XXI” (em duas partes), 17 e 18 de Março de 2004.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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A derrota do PP resulta da derrota de quatro grandes mentiras: caso Prestige, a Invasão (e Ocupação) do Afeganistão, a Invasão (e Ocupação) do Iraque e a gestão política dos
atentados de 11 de Março, por Aznar e pelo PP, tentando culpar a ETA (não fazendo deles
“bons rapazes”), dum atentado perpetuado pela Al-Qaeda. As instruções governativas, para
as embaixadas espanholas, para advogar a “tese ETA”, não só revela o estofo “democrático”
do PP espanhol, como a sua falta de tacto político.
A vitória do PSOE, inesperada até há alguns dias, quando muito pensava-se numa
vitória tangencial do PP, se marcar uma mudança de rumo na política externa espanhola,
quanto à guerra, entre outras já será positivo.
O resultado da Esquerda Republicana da Catalunha (independentista), passando de
1 para 8 deputados, sendo a quarta força política em Espanha (à frente da IU), demonstra
como as forças politicas nacionalistas – CiU, ERC, PNV, BNG, CC, sem contar com os outros
menos votados, valem mais de 8% e mais de 31 deputados – contra uma Espanha unida,
estão fortes.
3. A reflexão portuguesa
O Governo português, no quadro do seu apoio à Invasão do Iraque, terá que reflectir, chegando à conclusão que aquilo que muitos previram, a resposta do terrorismo “islâmico” (muito mais forte do que a Ditadura Iraquiana, inofensiva enquanto inimigo externo,
não quanto à população iraquiana, porque sem aviação, sem armada, nem as ditas armas
de destruição maciça, nem ligações aos terroristas da Al-Qaeda, que sim agora existe!) era
inevitável e “cega”.
Espero que nas próximas eleições europeias, os eleitores portugueses punam eleitoralmente o Governo de Direita, por também nos ter levado a apoiar guerras (Afeganistão e
Iraque), sob falsos pretextos.
Que dirão aos portugueses, Durão Barroso e Paulo Portas, enquanto líderes dos partidos do Governo, se Portugal também for alvo de ataques terroristas da Al-Qaeda, devido a
ter apoiado os EUA (e o RU) nas ditas guerras “preventivas e anti-terroristas”?
Não tenho dúvidas, depois da Espanha chegará a vez de Portugal e de todos os outros
países, cujos governos apoiaram os EUA.
E os portugueses serão sacrificados em nome do apoio ao “amigo americano”…
4. Das prioridades políticas
Lembro-me das declarações dum dirigente soviético (da URSS), quando a certa altura,
a propósito da “corrida ao armamento” durante a Guerra Fria, disse: Temos de nos questionar, se estamos a construir o Socialismo ou a armar-nos?
Na URSS, o resultado da escolha política pela corrida ao armamento com os EUA é
sabido: fizeram-se algumas conquistas sociais, no campo da educação, da investigação e
do desporto, no entanto todo o dinheiro e meios investidos na “corrida” e repressão interna,
levaram ao não aperfeiçoamento e aprofundamento dessas conquistas, acabando por

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

perder o apoio interno, por querer apostar na imposição “à força” dum modelo, justo, em
teoria, não entendido por muitos, na prática, porque não era executado com base no diálogo, da democracia.
Quando os políticos dão primazia à Segurança Interna e à Defesa Externa, numa lógica
securitária e do Estado policial, em vez da aposta: na Educação, na Saúde, na Cultura, na Justiça, na Cidadania, na Investigação… o resultado é nada resolverem no plano securitário, porque a montante, não prevenindo as causas do que pretendem combater, deixaram que se
agravassem as consequências.
«A segurança, a autoridade e a eficácia têm de coexistir com o escrutínio e o debate
democrático e com o exercício pleno das liberdades. A abertura das sociedades democráticas europeias pode ser a uma fragilidade perante o terrorismo, mas o seu fechamento seria
a sua morte» (José Vítor Malheiros, in “Público”, 16/Março/2004)
Nem um Estado policial, no mais elevado escalão, impedirá ataques terroristas. Em
Democracia, onde eu quero viver, ainda é mais difícil impedi-los e só, como disse anteriormente, combatê-los a montante.
«O “kamikaze”, que odeia o próximo ao ponto de se suicidar para o prejudicar, porá
bombas mesmo numa sociedade totalitária» (Luís Salgado de Matos, in “Público”, 15/
Março/2004)
A repressão gera revolta, a Democracia gera Democracia.
Castelo Branco, 16 de Março de 2004

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MANIFESTOS CONTRA O MEDO

Era uma vez uma revolução que perdeu o “r”26
Era uma vez um país, onde Abril abriu as portas que muitos ainda hoje gostariam de
ver fechadas, nesse país à beira-mar plantado, aquele da ocidental praia lusitana, do pai
tirano que caiu da cadeira…
As cabeças pensantes da direita no Governo redescobriram a “ciência do corte”, risca-se
uma letra e muda tudo! “Abril é Evolução”, diz a campanha publicitária do Governo PSD/PP.
Eis que, para matar a Constituição da República Portuguesa e logo o 25 de Abril, é
necessário tentar diminuir a importância da Revolução dos Cravos, fazendo esquecer a
importância da ruptura, para que se pense que com o “25 de Abril” ou sem ele, estaríamos
onde estamos hoje, em Democracia, com imperfeições como todas, mas em Democracia.
Antes uma Democracia imperfeita do que uma perfeita Ditadura.
Naquela manhã clara, não foi a Revolução que matou, foi a Reacção, pela mão da PIDE/
DGS, quatro cidadãos desarmados e mais quarenta feridos… as últimas vítimas do Estado
Novo que caiu sem luta tão podre que estava.
As bandarilhas de esperança afugentaram a fera e a coligação revisionista e passadista
já era, nem os capitalistas, nem os fadistas, nem as batinas lhes valeram! Jovens capitães
tendo ao seu lado a população e as espingardas a dispararem cravos correram com os vampiros para o Brasil e deram muito trabalho aos alfaiates que muita casaca viraram.
Castelo Branco, Abril/2004

26 Publicado na “Notícias da Covilhã”, 22/04/2005 e blogue http://centro-de-estudos-socialistas.blogspot.
com 14/04/2005.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

O Bastonário da Ordem dos Médicos: Ainda o
Encerramento das Maternidades no Interior…27
Vem o Bastonário da Ordem dos Médicos, o Dr. Germano de Sousa (ver “Diário XXI”,
20/9/2004) juntar a sua voz, àquelas como a do Presidente da Comissão Nacional de Saúde
Materna e Infantil (CNSMI), o Dr. Albino Aroso, que defendem o encerramento de oito das
treze maternidades (por terem um n.º de partos iguais ou inferiores a dois por dia) existentes na Região Centro: Castelo Branco, Covilhã, Guarda (todas as da Beira Interior), Bragança, Mirandela (as únicas duas do Distrito de Bragança), Chaves, Lamego e Figueira da
Foz. Destas só uma não fica no Interior. E a concretizar-se esse cenário, nos distritos de: Castelo Branco, Guarda e Bragança, isto é, todo o Interior ao Norte do Tejo, não haveria uma
única maternidade!!!
O Bastonário, talvez por fazer a declaração (citada por aquele diário) na Covilhã, defendeu que das três da Beira Interior se devia manter a da Covilhã, por aí existir um hospital universitário, da Faculdade de Medicina (a cuja criação, convém lembrar, se opôs a Ordem dos
Médicos!) da UBI, devendo concentrar aí meios e serviços.
Quando, para suprir a carência de médicos e enfermeiros, nomeadamente, algumas
unidades de saúde do Interior (sobretudos em áreas rurais, desertificadas e mais isoladas,
principalmente na Raia) começaram a aceitar e recrutar médicos e enfermeiros estrangeiros
(na maioria espanhóis), a “voz corporativa” da Ordem dos Médicos fez-se ouvir contra essa
situação, sem que apontasse alternativas, porque em simultâneo opunha-se a que aumentassem as vagas para Medicina, tal como se opôs à criação das novas faculdades de Medicina (entre elas a da Covilhã) e ainda se manifestava contra a ida de médicos (“contra a sua
vontade”, já que não vão doutra forma) para unidades de saúde fora de Lisboa, Porto ou
Coimbra.
Ou seja, a Ordem dos Médicos vê o exercício da Medicina como um negócio exclusivo
– como se dum Clube se tratasse – sendo que, quanto menos médicos existirem melhor,
mais os doentes estão dependentes, mais ganham os médicos que existem e mais poder e
influência política cada um dos médicos exerce!
Algumas perguntas/reflexões, bem simples, directas, concretas e frontais, para o Sr.
Bastonário:
Os médicos
Quando o Sr. Bastonário diz que não se podem manter hospitais sem meios nem pessoal e que se devem concentrar os meios e o pessoal, conhecerá a realidade de que fala?
27 Publicado (parcialmente) no “Diário XI”, 28/09/2004, integralmente em: http://cctertulias.blogs.sapo.pt,
http://republicalaica.blogspot.com e “Gazeta do Interior”, 17/11/2004.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Quantos médicos existem em Portugal? Quantos por cada especialidade?
Quantos finalistas em Medicina estão inscritos este ano? Quantos médicos estão a
fazer internato? Quantos se encontram à beira (a um e dois anos) da reforma?
Quantos médicos existem em Portugal, por hospital, centro de saúde e clínica? Quantos exercem noutro local? Quantos trabalham para o Serviço Nacional de Saúde (SNS)?
Quantos exercem no privado? Quantos exercem medicina em exclusivo para o Estado?
Quais são as maiores carências de pessoal médico, por hospital e centro de saúde?
Por distrito e por concelho: quais são as doenças (e outros cuidados de saúde) que
apresentam índices mais elevados.
Qual é o número de médicos (por especialidade) por distrito e concelho?
Os enfermeiros
Quantos enfermeiros existem no território nacional, por distrito e por concelho?
Desconfio que o Sr. Bastonário terá alguma dificuldade em me responder, visto que
neste país, normalmente, ou não há números, ou quando há são deturpados (como os do
desemprego). Mesmo a análise dos mesmos não é a mais correcta! Estou a pensar também
no caso da Educação, assunto a que voltarei brevemente.
Para a defesa dum país sem assimetrias, harmonioso e equilibrado, à questão: Há profissionais e meios a mais num lado e a menos noutro? A resposta não deve ser despedir os
profissionais que estão a mais, nem fechar os serviços que com escassez dos mesmos e sim
redistribuir esses profissionais, em excesso num lado e de que há carência noutro.
Esta é a resposta progressista e contra o país assimétrico.
A questão Público/Privado
Enquanto não existir uma cobertura pública total, ao nível da Educação (do pré-escolar ao 12.º ano e Ensino Superior) e da Saúde (para cumprir uma “coisa” chamada Constituição da República), não deviam abrir, em nome da transparência e do livre acesso de todos
os cidadãos (chamam a isto: Igualdade) aos cuidados de saúde e à educação, mais escolas
privadas nem mais hospitais privados (nem privatizar os públicos que existem).
Assim como, quem advoga o encerramento dalguns cursos, tendo poder para o fazer,
devia encerrar, primeiro os que existem no privado, e se, ainda assim, a oferta for excessiva
se devem fechar cursos no público.
Tal como, enquanto cidadão dum país democrático – país que devia lutar pela Igualdade – não posso aceitar que exista uma clínica privada a servir uma população, em exclusivo, porque o Estado, fechando serviços públicos, favoreceu os privados, condicionando o
acesso aos cuidados de saúde da população carenciada (é a Liberdade de morrer?). Uma vez
que, se não houvesse procura e tendo em conta que os privados procuram o lucro, estes
não tinham aberto as portas!
Ou sou eu que estou a ver mal?
As ambulâncias
Que país este em que a maior parte das ambulâncias em vez de estarem ao serviço
para prestar auxílio em casos de emergência, servem de meio de transporte para os muitos

86

LUÍS NORBERTO LOURENÇO

idosos e carenciados, que por não terem outros meios para se movimentar (e pagar táxis
com reformas de miséria está fora de causa) a eles recorrem?
É correcto que, num quartel de Bombeiros, de seis ambulâncias, muitas vezes, cinco
delas estejam a servir, apenas, como meio de transporte de pessoas para idas a consultas?
Quantas das saídas das ambulâncias são para prestar este serviço?
Situação inexistente se houvesse serviços, com mais meios e médicos para os
resolver.
Se a morte é uma certeza (dizem que a única) quando se nasce, cabe-nos a todos
adiá-la o mais possível, vivendo com a melhor saúde possível e combater as doenças, ou
então não precisávamos de médicos (de enfermeiros…) e deixávamos os doentes morrer
sem cuidados!
Será uma opção?
Penamacor, 21 de Setembro de 2004

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MANIFESTOS CONTRA O MEDO

ESART: promessa por cumprir, futuro adiado28
“Depois de Pedro Lynce, enquanto ministro da Ciência e do Ensino Superior, ter falhado
na garantia que deixou em Castelo Branco, de que o Campus da Talagueira seria uma prioridade, foi a vez do ex-Primeiro-Ministro ter faltado também à palavra. Durão Barroso afirmou
em Castelo Branco que as novas escolas do Politécnico (incluindo a de Artes Aplicadas) iam
avançar, uma promessa deixada na presença de alguns membros do Governo, entre eles a
ainda ministra desta pasta, Maria da Graça Carvalho.”
(“Gazeta do Interior”, 9/9/2004)
“O Governo Português deu o dito por não dito no que respeita à inscrição em PIDDAC
da Escola Superior de Artes Aplicadas de Castelo Branco. Depois do ex-Primeiro-Ministro
Durão Barroso, ter garantido, em Castelo Branco, a construção da nova escola, a ESART volta
a não ser contemplada em Piddac.”
(“Reconquista”, 10/9/2004)
Um imperativo de consciência leva-me a fazer uma intervenção pública, enquanto
cidadão e agente cultural, em defesa da ESART, centro de excelência local, de influência
regional e nacional, no plano da educação e da cultura.
A Escola Superior de Artes Aplicadas (ESART) do Instituto Politécnico de Castelo Branco
(IPCB), criada pelo Governo PS, liderado por António Guterres e durante o mandato do qual
se projectou o edifício da ESART, a situar-se junto à EST (no Campus da Talagueira, no qual
será construído também o edifício da ESALD) e à NERCAB e para a construção do qual a
Câmara Municipal de Castelo Branco cedeu os terrenos gratuitamente ao IPCB, os quais custaram à autarquia cinco milhões de euros (“Reconquista”, 10/9/2004)!
Lembre-se que a ESART tem funcionado, em parte no edifício do Cine-Teatro Avenida
de C. Branco, nas antigas instalações da ESA e em algumas salas da ESE.
Este Governo PSD/PP (como outros do PSD) só sabe usar, no que respeita ao Interior e
concretamente à Beira Baixa, na sua prática governativa estes verbos: tirar, cortar, centralizar
(falam em descentralização, mas assiste-se ao oposto), concentrar, castigar, desinvestir, desiludir (se é que iludiu alguém!), adiar…
A ESART criou a única Orquestra Sinfónica (OS) da região e uma das poucas de todos
os distritos do Interior, aumentando assim a oferta cultural da região e do país.
28 Publicado no “Diário XXI”, 21/9/2004 e “Reconquista”, 1/10/2004.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

A ESART pôs Castelo Branco e todo o distrito a mexer culturalmente, não só a OS realizou concertos um pouco por todo o lado, como vários alunos, a solo ou não, percorreram
toda a região em concertos, assim como, com exposições de alunos da escola que decorreram um pouco por todo o lado.
A ESART ajudou a que se formasse uma maior massa crítica, também no plano cultural, na região.
Devido à ESART, muitos alunos que não viriam para a região, porque querendo os cursos ministrados por esta escola não os encontrariam aqui se não existisse a ESART, hoje aqui
estudam e alguns aqui fixaram residência…
Este romance, é mais uma tragédia para a região desde que somos castigados com
este Governo de Coligação PSD/PP, com vários capítulos: 1.º (até 2002), o Governo PS de
António Guterres, criou a ESART e foi durante o seu mandato apoiado o projecto de construção da escola; 2.º (2002/04), o Governo PSD/PP de Durão Barroso, numa primeira fase, a
do discurso do país de tanga, de corte em corte, corta na ESART, numa segunda fase aprova
um projecto menos ambicioso (que esta gente do Interior não merece coisa melhor) e agora
com o novo Governo PSD/PP (o tal que não foi eleito) de Santana Lopes, remete a ESART
para a gaveta.
Uns trabalham pelo progresso, pela cultura na Região, o Governo não só não apoia
como sabota o nosso trabalho, e o Governo e ainda fala nas autarquias como gastadoras!
Não é o caso de Castelo Branco nem de muitas autarquias…
Sorte a do Governo que não aplica a si a produtividade de que tanto reclama…
É caso para colocar algumas perguntas:
Que mal fez a Beira Interior a este Governo?
Que mal fez a Beira Interior ao PSD e ao PP?
Por que insiste este Governo em nos castigar?
Por que razão os militantes e apoiantes dos partidos de direita permanecem num
ensurdecedor silêncio, os deputados (a Maria Elisa já foi embora, o Ribeiro Cristóvão também, “vivó futebol”, a propósito, quem são os outros deputados? Já ouviram falar deles? Que
projectos apresentaram e o que reivindicaram para a região…) eleitos pelo distrito de Castelo Branco, não criticam, não se indignam, não protestam, não contestam, é porque estão
contentes com a governação!
Os santanistas do distrito estão mudos e surdos (não se sabe se contentes ou não), não
vá ficarem sem tacho, ainda por cima a malta é nova e o futuro deverá ser radioso…
Castelo Branco, 14 de Setembro de 2004

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MANIFESTOS CONTRA O MEDO

O 25 de Abril e a Direita29
Tenho andado “comovido”, diria mesmo, com o coração “dilacerado”, “solidário” com
a Direita que se queixa de não receber condecorações pelo 25 de Abril! Não há direito! Coitados! Logo eles, “lutadores incansáveis” contra a ditadura, que foram perseguidos, presos,
torturados, mortos e censurados, que tiveram que se exilar, que emigrar, ou então de passar à clandestinidade…
Essa coisa dos “comunas” arrebatarem as condecorações quase todas, não está certo!
Até parece que os fascistas (salazaristas, nada de confusões…) os não tratavam bem!
Estavam sempre a falar no comunismo! Os comunistas isto, o comunismo aquilo… até os
transportavam de graça, indo ao ponto de os ir buscar a casa, para se instalarem confortavelmente nas prisões da PIDE/DGS, claro está, depois de uma “sessão de mímica”, isto é,
tortura (nome exagerado, certamente) da estátua, prática comum nos “saraus culturais” lá
para as bandas da António Maria Cardoso (nome da rua onde se situava a sede da polícia
política)!
Nós, PPD/PSD e CDS-PP (o único partido com representação parlamentar que não
aprovou a Constituição), que até somos os maiores defensores da Constituição da República, filha da Revolução (sem “R” para a Direita) dos Cravos, herdeira de Abril, nós que nem
atirámos ao chão um cravo vermelho na Assembleia Regional da Madeira!
Quem, dos meus leitores, conhece alguém de direita que se tenha destacado na oposição ao Estado Novo, no combate à Ditadura, pugnando pela Democracia?
Devem ter sido muitos, só é pena, que assim de repente, pressionado a dar uma resposta, não se lembre de ninguém! Mas, não perca o sono, até porque sabe que bastarão 30
segundos para se lembrar de um punhado deles (os únicos, certamente).
Tirando os deputados da Ala Liberal, provavelmente não conhece mais ninguém.
Por favor, que alguém condecore com uma medalha de cortiça o Dr. Paulo Portas, pelo
seu “grande apego” às conquistas de Abril.
Abril, esse mês esquerdista (ainda lhe privatizamos o nome, que é para aprender! Sempre dava uns trocados para combater o défice). Um ano não poderá ter só onze meses? Passávamos de Março para Maio (directamente para o 2 de Maio, claro, ou para Junho)!
O 25 de Abril tem as costas largas! São assim as datas generosas! O 5 de Outubro também padece desse mal.
Para os que preferiam que não tivesse havido revolução, os partidários do 24 de Abril,
tudo o que de mal tem o país é culpa de Abril!
Nomeadamente, esses “gajos” dos imigrantes, vão lá para a terra deles que a malta precisa de trabalho…
29 Publicado no “Diário XXI”, 28/4/2004 e blogue: http://industriadarte.blogs.sapo.pt (29/4/2004).

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

E a Escola? No tempo deles é que era bom! A escola é só para alguns, assim é que estavam bem! Qual escola para todos, qual Igualdade, qual “merda”, o homem não é igual à
mulher, o homem é que manda e pronto! Nem o branco ao preto, o primeiro tem de ensinar
o segundo, senão ele não se orienta! Na escola, meninos dum lado e meninas do outro, não
havia cá misturas! Não faltava mais nada!
E o divórcio, senhores!? Coisa do demónio, deve ter sido inventado pelos comunistas e
pelos socialistas, que cá para nós, é tudo a mesma coisa, é tudo vermelho!
Uma sugestão para a Direita: aproveitem o 28 de Maio para entregar umas medalhas
aos vossos, que sem essas, a Esquerda passa bem!
Talvez um dia, os pides e os colaboracionistas, os heróis de África, os rapazes da Mocidade e os patrióticos legionários, os coronéis da censura, sejam condecorados pela “direita
evolucionista”, com as medalhas da Liberdade.
A direita inveja a Esquerda, porque se sente incómoda nesta Festa da Liberdade, por
isso fala em apropriação das celebrações e vai de cortar o “r” para se sentir mais a gosto.
Grande Democracia, ao permitires que tomemos nas nossas mãos o futuro. Grande
Democracia, que até permites que te critiquem e digam as maiores barbaridades…
Obrigado Abril. Obrigado MFA. Obrigado a todos os antifascistas.
Castelo Branco, 27 de Abril de 2004

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Os portugueses face aos Imigrantes – A Xenofobia
e o Racismo30
“Muitos portugueses talvez não saibam, mas em 2001 o saldo líquido entre as contribuições pagas pelos imigrantes que trabalham e residem em Portugal e aquilo que o Estado
gastou com eles em saúde, educação, segurança social, justiça, habitação e equipamentos
foi de 65 milhões de contos. Por outras palavras: os 450 mil imigrantes [legais] que acolhemos entre nós não só nos ajudaram a construir estradas e pontes [casas, a EXPO 98, o C. C.
Colombo…], a limpar as nossas casas ou a realizar colheitas agrícolas, como contribuíram
para a diminuição do défice. (…) A Xenofobia anti-imigrante corrói o tecido social tal como
o populismo que a explora corrói o sistema democrático.”
José Manuel Fernandes, em editorial, intitulado “Imigração e Emprego”
do “Público” de 18/9/2003
Ainda que uma sondagem (trabalhando com uma amostra que, se supõe, deverá ser
representativa dum determinado universo) nunca represente totalmente o que os cidadãos
pensam, deve ser encarada duma forma cuidada e com atenção, sem ser levada à letra.
Há quem dê quase tanto destaque e crédito a uma sondagem como aos resultados
eleitorais, veja-se alguns títulos de jornais!
A sondagem sobre A Imigração em Portugal, realizada pelo Centro de Estudos de
Sondagem e de Opinião da Universidade Católica, para a RTP e para o “Público”, publicada
ontem (15/12/2003) neste diário, lançando o debate do programa “Prós e Contras”, sobre
A Imigração em Portugal, transmitido ontem à noite na RTP1, deu como resultado, a duas
das cinco perguntas colocadas, o seguinte: “Concorda com a vinda de mais imigrantes para Portugal?” – Não (75%), Sim (19%) e Ns/Nr (6%) e “A actual Lei da Imigração
prevê a expulsão dos imigrantes sem documentos. Concorda com esta medida?” –
Sim (62%), Não (31%) e Ns/Nr (7%). Resultado, na minha opinião, preocupante.
O discurso xenófobo do PP e de Paulo Portas contra os imigrantes, defendendo “os
portugueses primeiro”, na linha de da FN e de Le Pen (assim como doutros partidos de
direita e de extrema-direita) e não muito longe do que defende o PNR (de extrema-direita,
sem expressão, mas com uma sondagem destas com muitos potenciais eleitores, sensíveis
ao seu ódio racial e xenófobo) é influenciado pelo clima anti-imigrantes e alimenta-se da
desconfiança/ódio e ignorância face aos imigrantes.

30 Publicado no ”Diário XXI”, 29/12/2003

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Para estes: a criminalidade, o desemprego e todos os males de que se lembrarem,
é culpa, sempre, do “outro” (que também somos nós), do imigrante, do estrangeiro, do
diferente.
Os imigrantes ilegais não votam, os portugueses sim, logo esse discurso tende a render votos (os xenófobos e os racistas sabem disso e usam-no).
“Quando cheguei a Portugal, perguntaram-me se eu na Moldávia tinha televisão em
casa. Julguei que era uma piada e respondi que sim a rir. À terceira vez que me perguntaram,
vi que era a sério e respondi: nós temos gás natural desde 1972, vocês só agora é que têm.”
A sua República natal está longe da imagem que os portugueses têm. Pensam que somos
todos russos e que vivemos atrasados.” Victor Snegariov, imigrante moldavo em Portugal,
em reportagem do “Jornal do Centro” (5/12/2003).
A Migração, a Imigração e a Emigração, são fenómenos sociais e demográficos, existente há muitos milhares de anos e que existirá sempre enquanto houver desigualdade: no
nível de vida, nas condições de vida, na distribuição da riqueza, enquanto houver democracias e ditaduras.
A nova Lei da Imigração, da autoria do actual Governo, de coligação PSD/PP, é fruto,
em parte, desse discurso populista do PP.
Um imigrante ilegal, não é ilegal porque quer. Ele é sempre (a) vítima, culpado é quem
o explora. Mas o “outro” é que é perseguido e expulso.
Deixo uma só pergunta aos defensores da expulsão dos imigrantes: Defendem que
todos os países onde vivem emigrantes portugueses, na linha de “os nossos, os nacionais,
primeiro”, os expulsem? Se sim estão dispostos a acolher os cerca de 5 milhões existentes
nas mais variadas paragens? Estais dispostos a condenar os milhões de portugueses que
emigraram? Estais dispostos a dizer-lhes, cara a cara, “deviam ter-vos expulsado por emigraram clandestinamente”?
Castelo Branco, 16/12/2003

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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A Descolonização, a Direita,
Paulo Portas e o CDS-PP31
Declarações de Paulo Portas no Congresso da Juventude Popular (JP), citadas do jornal “Público”, de 1 de Dezembro de 2003, de texto assinado por Isabel Braga: [Paulo] Portas
diz não ter “vergonha da história” nem do “império”. Isabel Braga “Eu tenho orgulho na história de Portugal, porque que me hão-de impor [na Constituição] que o Estado deve ser anticolonialista?” (Paulo Portas) Título de notícia do mesmo n.º do “Público”: “Paulo Portas quer uma
Constituição que não seja anticolonialista”
Para o nosso actual ministro de Estado e da Defesa de Portugal e líder do CDS-PP,
Paulo Portas, a (actual) Constituição da República Portuguesa (de 1976; após a V revisão) não
devia nem tem de ser anticolonialista, porque, segundo ele, nos devemos orgulhar do nosso
passado, nomeadamente do passado colonial/imperial. Ora, este ministro, como todos os
outros, ao tomar posse teve que jurar cumprir a actual Constituição, se bem que, na verdade,
quase não passe um dia em que não a afronte por palavras e actos.
Se a nossa Constituição não é democrática como afirma, irresponsavelmente e faltando à verdade, o nosso primeiro-ministro e líder do PPD/PSD, Durão Barroso, então o seu
Governo é ilegal!
Mais uma vez, Durão Barroso que está habituado a mentir aos portugueses, ou não
tivesse ele compactuado com a Invasão (dita Libertação) do Iraque, apoiando oficialmente a
guerra, com base em falsos pressupostos, os quais levantavam dúvidas a muitos, sabendo-se
hoje, sem margem para dúvidas que eram, efectivamente, falsos (nomeadamente, refiro-me,
claro, às armas de destruição maciça), servindo de mero pretexto para que os EUA depusessem um governante inimigo, seu ex-aliado e por eles armado, consolidando-se económica-militarmente no Médio Oriente, vendendo o apoio português em troca dum punhado
de dólares (possibilidade de participar na reconstrução do Iraque, etc.), argumentando com
as duas alianças (a velha, do séc. XIV, aliança luso-inglesa e a da NATO) para justificar o nosso
apoio natural e obrigatório aos EUA (e Reino Unido), sabendo que ambas são alianças defensivas e não ofensivas, logo, só por que um nosso aliado decida atacar outro país não somos
obrigados a atacá-lo também, apenas se o nosso aliado fosse atacado.
Na minha concepção de Democracia, não diferente do que muitos pensam e alicerçada na nossa actual Constituição, a existência de colónias é uma aberração e a sua defesa
por alguém que se diga um democrata é uma incoerência, contrariando a: Declaração de
Direitos do Homem e do Cidadão (1789)*; Declaração Universal dos Direitos do Homem
31 Publicado no “Diário XXI”, Dezembro/2003 e “Jornal do Centro”, 19/12/2003.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

(1948)**; Convenção Europeia dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais
(1950)***; Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia (2000)**** e outros documentos de que o Estado português é signatário.
O facto de existir colónias pressupõe que há uma situação de desigualdade, entre a
Metrópole e a Colónia, entre colonizadores e colonizados, isto perante uma constituição
democrática que tem como um dos principais pilares, oriundos da Revolução Francesa,
a Igualdade (sendo os outros a Liberdade, a Fraternidade e a da Solidariedade), perante a
nossa participação na ONU e na EU, ambas organizações defensoras do princípio da Igualdade, onde a legislação refere a igualdade de todos os homens (e mulheres) perante a lei,
ora colonizadores e colonizados, por definição, não são pessoas iguais.
Enquanto cidadão português e democrata, exijo ao ministro da Defesa, um pedido de
desculpas oficial, dirigido a todos os povos das nossas ex-colónias, por essas declarações
no Congresso da JP, entretanto já reafirmadas. Nasci em Portugal, logo sou português, visto
não ter mudado nem querer mudar de nacionalidade. Orgulho-me de ser português por
algumas razões e nem por isso, noutras. Por exemplo, não me orgulho do meu país ter tido
colónias, de ter praticado a escravatura, de ter tido a Inquisição e uma polícia política (PVDE/
PIDE/DGS). Por exemplo, orgulho-me de sermos uma democracia, apesar dos defeitos (não
há democracias perfeitas porque os homens e as mulheres não são perfeitos...), orgulho-me
de não existir em Portugal a pena de morte, orgulho-me da Revolução dos Cravos, porque
tudo o que nos legou e por ter sido pacífica. Se tivesse nascido na Alemanha, enquanto alemão, tinha de me orgulhar do Holocausto nazi?
Para Paulo Portas e para a restante direita portuguesa, seja democrática ou não, o que
contestam não é “a forma” como foi feita a Descolonização e sim o ter sido feita, porque
nenhum Governo de Direita faria a Descolonização, nem em 1975, nem noutra altura qualquer, quando muito, davam uma nova roupagem ao colonialismo, à inglesa.
Na minha opinião, a Descolonização não se processou da melhor maneira. Terá sido
a possível, num cenário de guerra e em que a jovem democracia não se podia permitir ter
colónias, pelas razões que referi anteriormente, tendo as ex-colónias sido entregues àqueles
que ganharam a legitimidade pela força das armas, num cenário de luta pela Independência, pela única forma possível, num país (Portugal) em que vigorava uma Ditadura (Estado
Novo), a qual, por isso mesmo não permitiria (nem permitiu) uma luta pacífica e das poucas
aberturas politicas que o regime salazarista-marcelista ensaiou, visaram apenas um objectivo: iludir os adversários da Ditadura, para que aparecessem-se a dar a cara às claras, sobretudo os que actuavam na clandestinidade para mais facilmente os apanhar. Contrarie esta
opinião quem conseguir!
Também, a direita, não era contra “aquela” regionalização, era e é, contra qualquer
regionalização que implique uma maior democracia. A criação/imposição das Comunidades Urbanas e outras coisas que tais, assentes meramente num princípio numérico (a única
coisa que a direita percebe e mal), tem pouco de democrático e vai transformar o país numa
manta de retalhos, com pouco a ver com as “regiões históricas” de Portugal Continental.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Por favor, senhores da direita, sejam coerentes e façam aquilo a que ultimamente nos
têm habituado duma forma boçal e descomplexada, de quem sente que é dono do Poder
e que pode dizer e fazer o que quiser, assumam-se como “filhos de Salazar”, como fascistas
que são e nunca deixarão de ser.
Castelo Branco, 12 de Dezembro de 2003
Notas: (*) França, 26 de Agosto de 1789 (ver Art. 1.º).
(**) Adoptada pela Assembleia Geral da ONU, em 10 de Dezembro de 1948 (ver Art.
1.º), publicada na 1.ª Série do Diário da República, em 9 de Março de 1978.
(***) Aprovado pelo Conselho da Europa, em 1950, ratificado pela Assembleia da
República, em 3 de Maio de 1997.
(****) Adoptada pela UE e publicada no Jornal Oficial da UE a 18 de Dezembro de
2000.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

A Cultura no Concelho de Penamacor:
O exemplo (e não promessas) da CCT
Sabia que a Casa Comum das Tertúlias (CCT) tem um dos dois espaços onde é possível
expor em todo o Concelho de Penamacor? O único privado, mas aberto ao público.
Sabia que é o único espaço visitável (também) à noite (das 15h às 19h e das 21h às
24h, de segunda a sexta-feira, abrindo regularmente ao fim-de-semana, ainda sem horário fixo)?
Sabia que em toda a Beira Interior a CCT tem provavelmente a única galeria aberta à
noite?
Estando a Biblioteca Municipal de Penamacor (BMP) fechada, tendo em vista a fase
de transição do actual edifício para o novo (prometida para o Outono do ano passado,
para Maio, depois Junho, Julho, Agosto, Setembro... a próxima data é Outubro!), é na Casa
Comum das Tertúlias que pode encontrar (para consulta e leitura local) livros, revistas, fanzines, jornais, agendas culturais, catálogos de algumas livrarias, tudo isto, enquanto ouve
música e admira uma exposição (todos os meses uma nova).
A Casa Comum das Tertúlias, com sede em Penamacor, é um espaço democrático, de
Cidadania, de reflexão e intervenção: cultural, social e política, a semear Cultura desde 5 de
Outubro de 2001, em: Castelo Branco, Cidade Rodrigo, Mangualde, Marvão, Nisa, Penamacor, Portalegre, Porto, Proença-a-Nova, Sátão, V. N. de Paiva, V. V. de Ródão. …
Onde está a remodelação/reconstrução/restauro do edifício do Teatro de Penamacor,
actual sede da ADEP, no Jardim da República, em Penamacor? Prometida há meses, semanas
depois de nós termos lançado publicamente a questão numa tertúlia.
Com a BMP fechada, o Espaço Internet fechado à noite (durante Agosto), o Centro de
Cultura e Animação Comunitária fechado ao fim-de-semana e à noite, o Salão Paroquial
fechado (há dois anos, para obras, daquelas que nunca mais acabam, as quais estão paradas), é na Casa Comum das Tertúlias que os penamacorenses poderão ir ao encontro da cultura, pelo menos a noite cultural é nossa, até que nos resolvam acompanhar...
Nós esperamos por companhia, entretanto dizemos PRESENTE (em nome da Cultura e
da Cidadania), não com promessas (deixamos essas para quem domina essa arte), mas com
obras.
A Revolução Cultural continua...

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MANIFESTOS CONTRA O MEDO

A Política Educativa do Governo: Concurso de Professores
de 2004/200532
“Tenho esperança que, dentro de duas semanas, 95 a 96% dos professores estarão mesmo
colocados. (…) Quando se coloca um professor, atrás dele vai quase sempre um filho e uma família, o jardim-escola e o emprego da esposa [ou marido!] ”
Paulo Neta, Coordenador-adjunto do Centro de Área Educativa (CAE) de Aveiro, que
reconheceu a existência de problemas graves na abertura do ano escolar
(caderno Local, “Público”, 14/9/2009)
Escrevo um dia depois de, mais uma vez, um prazo não ter sido cumprido, “apenas”
mais uma tragédia neste interminável romance do Concurso de Professores deste ano…
Pretendo focar neste artigo alguns aspectos respeitantes aos concursos e outros da
prática governativa na área da Educação.
1. As duas listas de Ordenação Definitiva do Concurso Docente e a má fé inerente à
existência das mesmas. A má fé é crime ou estou enganado?
2. A falta de transparência na colocação dos professores que irão substituir colegas,
isto é, das substituições, sendo que este ano os professores que são candidatos às substituições serão apenas contactados telefonicamente (como se prova que se fez esse contacto?)
e não como acontecia até 2002 (ano em que tomou posse o Governo PSD/PP), no tempo do
Governo PS, em que os contactos, mesmo que inicialmente telefónicos, quando não se conseguia contactar um docente (o 1.º na lista, como não colocado, para o grupo docente em
causa) era enviado um telegrama e esperava-se três dias por uma resposta e só depois se
contactava o docente que na lista constava a seguir.
3. Os manuais escolares: o aumento incomportável dos preços e a subversão da lei…
Uma negociata! Depois de dois anos sem aumentos (sejam reais ou nominais) salariais para
a maioria dos portugueses, assistimos ao aumento incomportável para as carteiras dos portugueses! Defendeu este Governo, como acontecia nos últimos anos, que os manuais escolares se mantivessem por um período de dois, três ou quatro anos (a extrema-direita deste
Governo até defendia o Manual Único, como no tempo do Estado Novo!), isso acontece em
teoria, visto que as editoras de manuais escolares praticam um jogo desonesto (e que não
é punido, nem fiscalizado…), ou seja, os manuais mantém-se durante esse período, mas
todos os anos publicam versões novas (mudando os conteúdos, textos, imagens…), forçando os encarregados de educação a comprar as últimas versões (necessariamente mais
32 Publicado no “Diário XXI”, Nov/2004 e no “Notícias da Covilhã”, 17/9/2004.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

caras), para acompanharem devidamente as aulas e para não serem os alunos prejudicados
no seu estudo.
4. O desrespeito pelos professores: a publicação duma lista pejada de erros, tanto no
caso da primeira, como no da segunda lista provisória! Não falo dos erros em si, graves e que
deveriam ser reparados cabalmente, refiro-me ao facto do Ministério achar “perfeitamente
normal” dezenas de milhares professores (mais de 90% dos docentes a concurso) terem sido
excluídos (quando os números, esses sim normais e habituais eram, de um milhar e meio
todos os anos, duplicando no último ano, já com este Governo, sendo este ano o descalabro) e se terem enganado a preencher os boletins! Se estes docentes são assim tão incapazes (alguns deles a concorrer há mais de 20 anos), que irresponsabilidade a do Ministério ao
permitir que venham, estes docentes, a ensinar “os homens e as mulheres de amanhã”!
5. O 16 de Setembro de 2004: a data mítica de abertura do ano escolar… Basta a citação acima referida não são necessárias mais palavras!
6. O destacamento por condições específicas, na sua alínea c) apresenta-se mal redigido, isto é, em vez de falar em “pessoas doentes sobre a qual se tem responsabilidade”
(caso em que, por exemplo, um familiar que reside num lar está sob a responsabilidade de
outra pessoa sem que esteja a cargo da mesma), se se referisse “pessoas doentes a cargo do
docente”… assim, tornou-se um convite óbvio ao aproveitamento da lei, para subvertê-la.
7. O Ministério faltou à verdade: sobre “o sucesso” dum processo extremamente
moroso, pejado de erros (nunca verdadeiramente assumidos), com falta de transparência,
prazos constantemente ultrapassados, duas listas provisórias em vez duma, devido à enormidade dos erros, duas versões de listas definitivas…
8. Os residuais: o Ministério da Educação continua a falar em necessidades residuais,
quando fala dos docentes contratados! Se estivessem em causa dezenas ou algumas centenas de docentes, face aos mais de 110 mil, enfim, a terminologia não chocaria, mas estão
em causa muitos milhares de docentes (e refiro-me apenas aos que serão colocados face às
vagas, não de todos os que concorrem!).
Pede-se a um qualquer Governo que faça melhor que o anterior, pede-se que quando
mude, seja o que for, mude para melhor e que não altere o que está bem, ou a alterar tenda
a aperfeiçoar o que esteja menos bem, acabando ou minorando os aspectos que ainda corram mal.
Se havia (e há) na Educação em Portugal, aspectos a alterar, o processo dos concursos
de professores (de Pessoal Docente) era um deles, mas apesar de tudo, era um processo que
corria bem, todos os anos, até aos últimos dois, havia um número de erros pontuais, que por
serem, isso mesmo, pontuais, não eram muito graves sendo com alguma facilidade resolvidos, mas a excepção tornou-se este ano na regra.
Educadores e professores, funcionários, pais e alunos, cidadãos, podem aceitar erros,
não podem aceitar, quando os erros são tão gritantes que quem os cometeu fale em sucesso
e se ria cínica e prepotentemente de quem o critica.
Penamacor, 14 de Setembro de 2004

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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A actualidade de A a Z: reflexões (I)33
ABORTO (sua despenalização). Factos: a Assembleia da República (AR) aprovou a despenalização do aborto, apesar disso fez-se um referendo sobre o tema que não foi vinculativo, pois para tal era necessário que votassem mais de 50 por cento dos eleitores e só votaram 32, mais, a diferença de votos entre o Sim e o Não foi inferior a 50.000, e percentualmente a dois por cento. Logo, a legitimidade constitucional e política é total para nova votação na A.R. ou para um novo referendo, não necessariamente já no próximo ano, mas até
ao fim dos próximos quatro anos. Por último, as posições dos vários grupos parlamentares
sobre o assunto parecem ser as seguintes: PSD e PP desfavoráveis (sem novidades), BE, PEV e
PCP favoráveis (igualmente). O PS que foi autor de um dos projectos votados favoravelmente
na A.R., quer agora voltar atrás, contra a opinião dos seu eleitorado, militantes e maioria do
grupo parlamentar. Talvez a opinião de António Guterres e dos seus apoiantes no grupo parlalentar do PS, os independentes ex-CDS, seja mais importnate. Talvez o PS ainda não tenha
percebido porque perdeu votos à sua esquerda!
ATÉISMO ou direito de não acreditar no fenómeno religioso, ou simplesmente em
Deus ou deuses. Para alguns ser ateu é uma provocação. Mas para esses ser diferente também uma provocação.
AUSTRALIANOS. Aspirantes a imperialistas (atitude face a Timor Lorosae, ao CNRT e
a Portugal) que continuam a pensar como colonos do Reino Unido. Falo do referendo sobre
a República que, a ser escolhida (e não foi) face à Monarquia, permitiria, entre outras coisas,
aos australianos escolherem o seu próprio Chefe de Estado, um australiano, ao passo que
agora tem uma Chefe de Estado que é inglesa (a rainha do Reino Unido da Grã-Bretanha e
da Irlanda do Norte), que não escolheram, e que não reside na Austrália. Enfim, preferiram
manter a sua menoridade política!
BEIRA INTEIOR, com ou sem referendo, com ou sem regionalização. A derrota num
referendo, que não foi vinculativo, não apaga um facto, não mata uma ideia. Além de que, a
maioria nem sempre tem razão.
BLOCO DE ESQUERDA, ou o fim do cinzentismo na AR. Uma outra forma de pensar
e fazer política.
CENSURA. O regresso do fantasma? Falo das concentrações nos mais variados sectores de actividade: bancário, das seguradoras, companhias de aviação e principalmente dos
meios de comunicação social, onde três dos grandes grupos económicos e um “império religioso”, a Igreja Católica, controlam cerca de três quartos do sector. Por alguma razão há uma
luta fraticida pelo controlo dos “media”, seja das rádios, das TV’s, das revistas ou dos jornais,
33 Publicado na revista “Raia”, em 1999

100

LUÍS NORBERTO LOURENÇO

sejam eles nacionais, regionais ou até locais. Qual será a credibilidade dum jornalista que trabalhe num satélite destes impérios ou noutros semelhantes? Será necessário dizer mais?
DEMOCRACIA na Indonésia! Será? Ver para crer.
ELEIÇÕES ou EMPATE (115/115) que afinal não foi, porque na prática não é muito diferente (o dito) duma maioria absoluta minimalista (116/114). Falo obviamente dos resultados
das últimas eleições legislativas. Na prática não basta aos partidos da oposição (PSD, PCP, PP,
PEV e BE) no seu conjunto terem igual número de deputados que o Governo do PS, o que
inviabiliza a queda do Governo na A.R. E depois, alguém acredita que se um governo com
um apoio de 110 deputados face a 120 da oposição não caiu, será com 115 a favor contra
igual número da oposição que cairá?
FMI, ou Capitalismo, ou Grupo dos 7 (G’7), ou “Quero, (talvez) posso e (talvez) mando”.
Porquê FMI? A propósito de Timor Lorosae (Leste) e não só. Quem é que os senhores do FMI
pensam que são? Acham eles que os timorenses se libertaram do jugo indonésio, para se
lhes atirarem nos braços? Quem são eles para imporem ou mesmo sugerirem uma língua
ou uma moeda para Timor Lorosae?
GUERRA. Não poderá ela passar de moda?
HUMILDADE. Quando um dirigente partidário (António Guterres) reconhece ter
pedido votos para outra força política (BE), mais, dando razão a quem o fez! É de aplaudir.
IGUALDADE. O novo ministério. Se nada de relevante fizer, estou entre os que não lhe
perdoarão, todas as vítimas de discriminação seja ela quem for.
JUVENTUDE SOCIALISTA. Quem te viu e quem te vê! Não é esta a Jota que conheço:
calada (silenciada?) e seguidista! Não quero ver nesta – durante a legislatura do Governo
PS – a versão rosa do “rebanho” que foram os laranjinhas durante os governos PSD de A.
Cavaco Silva. Não, não estou a pensar apenas na despenalização do aborto.
LEI ELEITORAL. Querem alterá-la? Tudo bem desde que seja para aumentar a representatividade do eleitorado na A.R., o que equivale a dizer aprofundar a democracia, nomeadamente através da passagem da proporcionalidade moderada para a integral, mantendo
os círculos eleitorais plurinominais, esquecendo a ideia da re-introdução do Senado, e isso
sim, aumentar as incompatibilidades no que respeita à candidatura a deputado. Enquanto
forem quase sempre os mesmos a candidatarem-se aos vários lugares políticos eleitos, veremos que muitos são os que não cumprem os mandatos para os quais foram eleitos.
NÃO CIDADÃOS. Os que se abstiveram nas últimas eleições europeias e legislativas
(e todas as outras), já para não falar nos dois referendos nacionais que por cá se realizaram.
Posso ser cínico? Obrigado pela prova de confiança que depositaram nos que como eu votaram, pois os resultados foram excelentes!
OLINDA. Nome de uma bonita cidade brasileira (pernambucana), Património Cultural da Humanidade. Nome de uma (minha) avó que já não é deste mundo e da qual tenho
muitas saudades.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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PETIÇÃO entregue na AR pela Rede Anti-Racista, no dia 10 de Novembro de 1999 (Dia
Internacional contra o Fascismo e o Anti-Semitismo), com cinco mil assinaturas, com vista à
regularização da situação de 40 mil estrangeiros residentes em Portugal.
REFUGIADOS. Porque há guerra, fome e ditadura. Não há forma de ilegalizar tudo
isto?
REGIONALIZAÇÃO. Apesar do referendo (porque não foi vinculativo), até já.
SOCIALISMO. Porque sim. Porque o sonho comanda a vida. Porque com os erros se
aprende.
SURREALISTA. A existência política de Alberto João Jardim e do seu número dois
Jaime Ramos.
TERCEIRA VIA, ou quarta via, ou a “nossa” via. Vias de outros que não a minha, que
não é certamente a que leva a que chamem ao Partido Socialista, o “Partido Social Cristão”
(expressão perante a qual perco todo o sentido de humor), aquele que tornou clandestina
“A Internacional”, que se envergonha de punho esquerdo fechado e prefere a rosa, que já
não grita palavras de ordem com o punho erguido, mas fazendo o “V” de vitória (simbolicamente neutro, sintomático, neutraliza-se tudo o que cheire a esquerda!!), aquele que tem
vergonha de ser de Esquerda, do seu próprio nome, que fica arrepiado ao ouvir: camarada!
UTOPIA. Porque há ideias que são sempre actuais.
VITÓRIA no Euro 2004 para Portugal (perdão, no litoral de Portugal), de António Guterres, sua eleição como Presidente da Internacional Socialista (desculpe?).
WC. Local onde Jorg Haider se inspirou para o seu manifesto eleitoral e onde os austríacos que votaram no seu partido (FPO) tomaram a decisão de votar no neo-nazi aspirante
a ditador.
XENOFOBIA. Um nome para o medo, para a ignorância. Um nome para a atitude dos
espanhóis, de que a sua comunicação social (da esquerda à direita, castelhana ou galega,
imprensa escrita, rádios e TV’s) é exemplo, face aos portugueses, recentemente dois casos:
as reacções face à vitória portuguesa para a organização do Euro 2004 (com a derrota das
candidaturas espanhola e áustro-húngara, só que esta soube perder) e face ao veto português no negócio BSCH/Grupo Champalimaud. Atitude dos suíços face aos “seus” emigrantes, também dos austríacos em relação aos “seus” imigrantes. Já devem ter percebido
que falo dos ganhos eleitorais da extrema-direita alpina, na Suiça (principalmente nos cantões germanófilos, surpresa?) e na Áustria com a obtenção do segundo lugar nas legislativas deste ano.
ZOOLÓGICO (JARDIM). Crónica de uma morte anunciada?

102

LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Não deixe que os outros decidam por si
Escrevo a propósito das próximas eleições para a Presidência da República, que
se realizam a 14 de Janeiro de 2001.
Não quero iludir ninguém, sou frontalmente contra o abstencionismo em Democracia e
sobre a abstenção e suas pseudo-razões não usarei eufemismos.
Que isto fique claro – se quer continuar, caro leitor, não me responsabilizo!
Algumas boas razões (não que as haja más!) para votar nas próximas eleições
presidenciais:
ß Voto, porque não quero que os outros decidam por mim, mesmo que considerasse
que não gosto de nenhum dos candidatos (o que não é o caso) votaria no menos
mau;
ß Voto, porque votar é um direito e como tal nunca abdicarei dele;
ß Voto, porque votar é também um dever e como cidadão dormirei mais descansado,
tendo cumprido um dever cívico (É uma razão nada egoísta, não é?);
ß Voto, porque as eleições para a Presidência da República são as únicas onde temos
oportunidade de eleger directamente um nosso representante político;
ß Voto, por respeito àqueles que caíram vítimas do absolutismo e do salazarismo (fascismo), lutando para que nós hoje possamos fazer livremente as nossas escolhas;
ß Voto, porque o meu voto conta, conta vote eu num ou noutro qualquer candidato,
conta na mesma se votar em branco, como conta se anular o meu voto, não contaria de certeza se não votasse – algo só a morte me pode impedir;
ß Voto, porque a revista Caras, a Lux, o Mundo Vip e o Jet Set não cobrem o
acontecimento;
ß Voto, nem que seja só para chatear a extrema-direita;
ß Voto, porque não quero dar argumentos, abstendo-me, aos que defendem a eleição
indirecta do Presidente da República (P.R.);
ß Voto, porque não quero contribuir com a minha abstenção para a campanha monárquica, porque me sinto bem na pele de cidadão português e não quero ser súbdito
de um qualquer monarca;
ß Voto, para não dar pretextos aos espíritos antidemocráticos, ansiosos por uma
grande abstenção, para argumentar contra a Democracia.
Votar sim, mas em quem – Bem, não está à espera que lhe diga em quem vou votar!?
Está? E isso interessa? Bem, o tempo é seu!?
Temos cinco candidatos ás eleições, por ordem alfabética... não vá o leitor acusar-me
de parcialidade:

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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1. António Abreu, apoiado pelo PCP, do qual é militante, é engenheiro químico e
vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa;
2. Fernando Rosas, apoiado pelo BE, do qual é militante, é historiador, director da
revista História e Professor na FCSH da Universidade Nova de Lisboa;
3. Ferreira do Amaral, apoiado pelo PSD, do qual é militante e, em parte, pelo PP, é
engenheiro, ex-ministro em governos PSD e deputado na Assembleia da República
(A.R.) eleito pelo PSD;
4. Garcia Pereira, apoiado pelo MRPP, do qual é militante, é advogado;
5. Jorge Sampaio, apoiado pelo PS, do qual é militante, é advogado, ex-presidente
da Câmara Municipal de Lisboa, ex-Secretário-Geral do PS e actual Presidente da
República.
Alguns comentários... (Não, não vou dar notas!)
Nas sondagens Jorge Sampaio aparece com resultados que lhe dão uma vitória clara
logo na 1ª volta.
Dos vários candidatos, a acreditar nas sondagens, só Jorge Sampaio recolhe intenções
de voto esmagadoras dos votantes no partido que o apoia.
Dos cinco maiores forças políticas, só o PP ainda não decidiu apoiar claramente um dos
candidatos presidenciais, limitou-se a “queimar” um pré-candidato.
É notória a dificuldade que a Direita tem em apresentar um candidato credível, ou seja,
elegível, à Presidência da República, nunca tendo eleito um único P.R. desde 25 de Abril de
1974.
Porquê? Porque parte da Direita defende a eleição indirecta do P.R., isto é feita pelos
deputados da A.R., depois, porque algum do eleitorado da Direita é monárquico, para o
qual não faz sentido votar em eleições presidenciais e finalmente porque na Direita ainda há
alguns saudosos do Estado Novo e isto da Democracia, de eleições com vários candidatos,
com debates, parece-lhes... exótico, quiçá... subversivo.
Sobres os candidatos muito se tem dito, o que me merece alguns comentários – se é
que isso interessa!
António Abreu, candidato a quem preferem perguntar se vai desistir ou não, é para
mim menos interessante que outros potenciais candidatos comunistas, como José Saramago, por exemplo, mas o PCP é que sabe.
Fernando Rosas, candidato que se tiver mais votos que António Abreu e que o BE
nas duas eleições que já disputou desde a sua formação, já terá ganho a aposta, é um dos
candidatos para mim elegíveis (Ainda não digo em quem vou votar. Talvez nem diga...).
Porquê? Porque admiro Fernando Rosas enquanto historiador, pessoa e político, pelo seu
passado coerente de Esquerda, enquanto antifascista, razão pela qual “visitou” as prisões
durante o Estado Novo e como tal sabe dar valor à Democracia.
Garcia Pereira, é um político apoiado por um partido, o seu, o qual é um dos poucos
de Esquerda com o qual nunca simpatizei, uma das razões é porque defendo a coerência na
política (e não só) e por este pequeno partido já parece ter passado quase toda a gente, de

104

LUÍS NORBERTO LOURENÇO

esquerda e de direita, pelo que, ou será um partido a que só aderem pessoas sem qualquer
opção política sólida, tendo aceitado e aceitando inscrições no seu partido de toda a gente
sem qualquer critério, muitos dos actuais, ditos capitalistas, passaram por lá, para lutar contra o PCP na Esquerda, sem nunca ter sido verdadeiramente de Esquerda.
Ferreira do Amaral é o único candidato da Direita, que à falta de argumentos políticos, ataca Jorge Sampaio, enquanto actual P.R. (e não só), directamente ou pela boca do
seu porta-voz , sem se constituir como verdadeira alternativa, ele que foi, não a 1ª, nem a
2ª, nem a 3ª escolha... da Direita, do PSD, para avançar para Belém. É um candidato apoiado
por um partido onde muitos defendem as eleições indirectas, as quais são por sinal menos
democráticas, porque não seria o universo do eleitorado português a eleger o P.R., mas uns
punhado de deputados que decidiria por nós. Não, obrigado. Eleição indirecta, a qual pressupõe uma diminuição do poder, da legitimidade política do P.R! Curiosamente os mesmos
que defendem as eleições indirectas, são aqueles que defendem uma maior intervenção do
P.R. na vida política. Ó coerência, por onde andas!? Este candidato presidencial é militante
do PSD, o mesmo partido que defendeu, quando estava no poder: uma maioria (absoluta),
um governo e um presidente. São os mesmos que falam do “polvo” socialista... andam a ver
filmes a mais! Agora, porque na oposição, querem o oposto, talvez seja natural, mas não é
coerente.
Jorge Sampaio, candidato, que tem sido o mais correcto face aos outros candidatos, com provas dadas, com um percurso político coerente, sempre à Esquerda, oposicionista ao Estado Novo, a quem só não desculpo duas omissões: a) não ter, desde a primeira
hora, esclarecido os portugueses sobre a intervenção portuguesa, no quadro da NATO, no
Kosovo, atacando a Jugoslávia, sem nunca se ter declarado guerra à mesma; b) não ter demitido o presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, quando tinha todos
os motivos legais para o fazer, porque A. J. Jardim ofendeu por palavras e actos, por várias
vezes a Constituição da República Portuguesa, que enquanto cidadão eleito jurou respeitar. Não votarei num candidato neutro perante Alberto João Jardim. Neutro perante alguém
que ameaça com separatismo, que ataca sem modos: Governo, Presidente da República,
Assembleia da República, Conselho de Estado (por ex., disse sobre uma reunião do C. E. a
que faltou, que tinha mais que fazer...), Comis. Nac. de Eleições, Ministro da República, Tribunal Constitucional; que discrimina quem se lhe opõe e que ofende constantemente os não
madeirenses, alcunhando de: cubanos, comunistas, esquerdistas, continentais, infiltrados...
todos os que não se riem das suas graçolas.
P.S.: Se o (a) caro (a) leitor (a) resolver não votar, resta-me agradecer-lhe a confiança que
deposita no meu voto.
7 de Janeiro de 2001, Castelo Branco

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MANIFESTOS CONTRA O MEDO

Actualidade...34
Era uma vez um cidadão que não gostava de política, por isso não votava.
Veio um político demagogo populista que não gostava dos cidadãos, vai daí, diz que as
eleições custam muito dinheiro e que deviam acabar com elas.
Aquele cidadão que não gostava de politica, por isso não votava, achou muito bem,
como outros como ele.
O tal político demagogo populista disse que a Democracia era um luxo dos ricos e que
nós como somos pobres não podíamos mantê-la.
Assim, poderia baixar os impostos, não fossem aqueles esbanjadores democratas que
o combatiam e atrasavam o país com perdas de tempo com discussões e diálogos.
Como o país tinha que avançar tinham de combater aqueles obstáculos e de formar
mais polícias, sendo preciso dinheiro para isso.
O tal politico que não gostava dos cidadãos, colocou mais polícias nas ruas para protegerem os cidadãos de se cansarem a discutir política.
O tal politico que não gostava dos cidadãos e que achava que só polícias não chegavam, pegou nos desempregados e deu trabalho a todos para se encarregarem de ver se os
cidadãos não andavam a perder tempo a discutir política.
Por cada cidadão que salvassem do pecado do diálogo recebiam uma comissão. Um
dia, o tal cidadão que não gostava de política estava a dizer a outro que os políticos eram
todos iguais e que ele não gostava de política.
Um daqueles cidadãos encarregues de salvar as almas dos cidadãos pensantes, ao
ouvir isto denunciou o cidadão à polícia e este foi preso.
Porquê? Se o cidadão não queria saber da política, logo, dos políticos, também não
gostava do político demagogo populista… assim, esta ovelha tresmalhada tinha de ser
reeducada.
Lição: o cidadão não queria saber da política, mas a política queria saber dele.
Penamacor, 14 de Julho de 2004

34 Publicado em http://cctertulias.blogs.sapo.pt (14/07/2004)

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Contributos para a reflexão política interna:
Por uma cidadania plena e por um PS
como uma escola de cidadãos35
[UM APROFUNDAMENTO, CONCRETO E NÃO RETÓRICO,
DA DEMOCRACIA INTERNA, É IMPERATIVO]
1. DAS PRIMÁRIAS
Começa a fazer o seu caminho (o qual também tenho trilhado) a defesa da realização
de eleições primárias no PS, para a escolha dos seus candidatos às eleições autárquicas (e
também para as restantes).
Actualmente, há a legitimidade estatutária e democrática, da escolha dos candidatos às várias eleições, pelas estruturas do partido (secções, concelhias, distritais, Secretariado Nacional...), não sendo, honestamente, o método mais democrático e “apenas” por
isso, defendo que sejam todos os militantes, nas respectivas concelhias, por voto universal, secreto e directo, a votar nos candidatos às respectivas autarquias (Câmara Municipal,
Assembleia Municipal, Assembleia de Freguesia e Junta de Freguesia).
Atenção! Defendo que apenas votem os militantes socialistas e não os independentes e simpatizantes não filiados no PS. Os simpatizantes, sem filiação, também não votam
nas eleições de clubes e associações, uma vez que não são sócios. Os potenciais candidatos
independentes, que integrem listas do PS, devem como os outros, ser sufragados em primárias, não devendo ter direito a voto, já que não pagam quotas, nem dão a cara pelo partido.
2. DAS ELEIÇÕES, DEBATES E CAMPANHAS ELEITORAIS INTERNAS
Que este contributo ainda possa ter alguma utilidade para a campanha eleitoral para
eleger o Secretário-Geral do PS, ou então, que fique como uma achega para o futuro do
nosso partido.
Com ou sem listas únicas (por princípio sou contra elas, devido a proporcionarem a
uma quase total ausência de debate) candidatas aos vários órgãos partidários, defendo e
disto não abdico (desculpem-me os camaradas a inflexibilidade democrática), um debate
exaustivo e esclarecedor, porque só ele é dignificante e por que importa tanto a existência
da Democracia, por si só, como a qualidade da mesma, por isso defendo uma democracia
representativa fortemente participativa e isso só é possível, quando um eleitor (seja qual for
a eleição em causa) perante uma eleição, tenha tido, anteriormente,
oportunidade de assistir e participar num amplo e efectivo debate.
35 Publicado em http://centro-de-estudos-socialistas.blogspot.com (01/03/2005)

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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A título de exemplo, propus (a propósito da eleição para SG), em plena Assembleia
Geral de Militantes, na minha Concelhia (de Castelo Branco), que se fizessem debates (em
plenários distritais de militantes) em todas as federações distritais (fosse ou não na capital de
distrito) do partido, com a presença dos três candidatos a SG.
Por mais interessante (oportuno e importante) que se apresente, para a maioria dos
portugueses e mesmo para os militantes e simpatizantes socialistas, a realização de debates
na televisão e na rádio, úteis como complementares ao debate interno, não devem aqueles
substituí-lo nem compensar as suas lacunas.
Prioridade ao debate interno, porque só os militantes do PS votam.
Por mais simpático e fraternal que sejam os jantares (almoços, lanches, ceias e petiscos) de apoio a candidatos em campanha, não é com um jantar que um militante fica mais
esclarecido sobre as propostas em cima da mesa, visto não se tratar “propriamente” dum
debate.
São indispensáveis esses debates a nível regional, como seria importante, com ou sem
a presença dos candidatos a SG, que os mandatários e apoiantes, a nível local, das várias listas oponentes debatessem nas várias concelhias.
Será pedir muito?
Será uma proposta tão descabida ou será demasiado democrática?
Castelo Branco, 15 de Setembro de 2004

108

LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Os partidos portugueses e a Democracia:
o Partido Socialista36
Na actualidade, o Partido Socialista – fundado em 19 de Abril de 1973 – é o partido
português mais democrático.
São afirmações, com a autoridade duma militância socialista de 11 anos (e 10 de JS que
terminou quando atingi o limite de idade, 30 anos), de alguém que sempre diz (e escreve)
o que pensa, não se sentindo limitado por essa militância, intervindo sempre que importa
fazê-lo, mesmo quando as opiniões são contrárias às do PS, estivesse ele no Governo ou na
oposição.
Dos partidos políticos portugueses representados na Assembleia da República, o PS é
o único que elege o seu líder por voto directo, secreto e universal, isto é, sufragado por todos
os seus militantes, os restantes partidos elegem os seus líderes, em Congresso (ou noutro
organismo similar), por voto indirecto (nalguns casos, o voto nem sequer é secreto) dos militantes, que delegaram nos congressistas o seu voto.
Lembro que, ao passo que o Partido Socialista organizou os Estados Gerais, em 1994
(e mais tarde os Estados Gerais dos Militantes), as outras forças políticas representadas na
AR: PSD, CDU (PCP + PEV) e PP, também resolveram organizar, posteriormente, iniciativas
similares.
Antes dos Estados Gerais, realizou-se em Maio de 1994, outra iniciativa (não partidária)
contemporânea destas, refiro-me ao Congresso “Portugal: Que futuro?”.
Todas estas iniciativas tiveram como lema e propósito a abertura dos respectivos partidos (excepto a do Congresso, porque não partidária) à sociedade civil, isto é, para congregar:
militantes e simpatizantes, sobretudo, para conquistar potenciais eleitores.
Então, qual a diferença?
Participei no Congresso “Portugal: Que futuro?”, com 20 anos, sem qualquer experiência política, ainda sem filiação partidária, mas já tinha pedido a adesão ao PS.
Esta experiência de cidadania, única na Democracia portuguesa, foi tida como organizada para pressionar o PS e o PCP a coligarem-se, para fazer frente ao PSD de Cavaco Silva
(que estava no seu terceiro mandato, segundo de maioria absoluta). Criticado por muitos
que lá não puseram os pés e por outros que viram e leram o que os órgãos de informação
quiseram que se soubesse.
Na verdade, porque estive lá, sei a cobertura jornalística que se fez, ouvia-se (sobretudo as televisões) aquelas figuras que vinham apresentar comunicações e do que restava (a
36 Publicado no blogue http://cctertulias.blogs.sapo.pt (17/9/2004), Fórum do http://escudos.webcindario.com (30/9/2004) e “Jornal de Notícias” (On-line) (28/9/2004).

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

109

fase do debate, em que todos os presentes podiam participar), nada diziam, desligavam as
câmaras e os gravadores, arrumavam o papel e a caneta e iam embora, para que se dissesse
o que lhes tinham dito para dizerem, transmitindo uma ideia parcial do que aconteceu.
No Congresso participaram muitos portugueses preocupados em pensar e discutir o
país e o rumo que levava, preocupados com a saúde da Democracia em Portugal, a viver o
terceiro mandato consecutivo do PSD e o segundo de maioria absoluta.
Se, o Congresso, reuniu muitos participantes que eram militantes e simpatizantes, quer
do PS, quer do PCP, participaram militantes e simpatizantes de toda a esquerda portuguesa,
independentes de várias áreas profissionais e também alguns críticos da Governação cavaquista (PSD), fossem eles de centro e da direita, se bem que em menor número e mais anónimos, assim como, muitos jovens (alguns como eu deram o seu primeiro passo na intervenção cívica e política) e muitas mulheres, o que não era, de todo, muito habitual.
Eu participei, já como militante do PS, nos Estados Gerais, portanto deles falo com a
autoridade duma testemunha participante em várias debates organizados no seu âmbito,
quanto às outras iniciativas (excepto os Estados Gerais dos Militantes do PS, em que participei como militante) acompanhei-as pelos vários órgãos de informação.
O que vi nos Estados Gerais, organizados pelo PS, em oposição ao que outros partidos fizeram – seja por incapacidade destes em reunir mais pessoas ou por as terem à partida afastado – foi uma larga participação de militantes do PS, de muitos simpatizantes do
PS, ainda que não filiados, outros que sendo especialistas nas várias áreas, em cujos painéis de debate participaram por todo o país, eram independentes, não se lhes conhecendo
qualquer intervenção ou participação partidária, em que, homens e mulheres de esquerda,
com as mais variadas simpatias políticas e outros tantos que, não sendo de esquerda e eram
oriundos da área do PPD-PSD (ex-governantes de Governos PSD, por exemplo) e do CDS-PP
(alguns ex-CDS devido à sua deriva de direita), os primeiros destes, desiludidos com a governação cavaquista que estava a definhar e que acabaria em Outubro de 1995, nas Eleições
Legislativas.
Contrariamente aos Estados Gerais, o que se viu nas outras iniciativas, foi a participação – em menor número, em menos locais – menos abrangente, porque quase exclusiva
dos militantes dos respectivos partidos que as organizaram e quase exclusivamente de pessoas, que não sendo militantes, são simpatizantes e votantes, bem conhecidos, porque costumam dar a cara – seja em campanhas eleitorais, em iniciativas partidárias ou em artigos
de opinião – pelas respectivas forças políticas, muitas vezes parecendo “mais papista que
o Papa”. Portanto, nelas não participando pessoas doutras áreas políticas, nem verdadeiros
independentes (isto dos independentes tem muito que se lhe diga).
Foi o PS, portanto, o único que verdadeiramente gerou esperança, entusiasmo e participação política à sua volta, para além do círculo estritamente partidário.
É, hoje, o PS, o partido que pode dizer que elegeu o seu líder da forma mais democrática: por voto secreto (o único verdadeiramente livre), directo (o único verdadeiramente
decisivo) e universal (o único democrático).

110

LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Curiosamente, José Sócrates foi eleito para Secretário-Geral por mais pessoas do
que as que escolheram Santana Lopes para Presidente do PSD e para liderar o Governo de
Portugal.
Nem tudo vai bem no universo do punho e da rosa, mas eu luto para aperfeiçoá-lo,
muitas vezes em minoria, outras mais acompanhado.
Assim como luto (na teoria e na prática) por um país mais democrático, mais justo,
equilibrado e muito menos assimétrico, não aceitando que votem o Interior ao esquecimento e à miséria, desinvestindo, desiludindo e fechando tudo, dizendo que somos poucos
e que por isso não vale a pena gastar dinheiro connosco!
Algo vai mal na Democracia em Portugal e não é no PS!
Penamacor, 27 de Setembro de 2004

111

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

Não há votos inúteis
Faço uso deste espaço, para, no uso dos meus direitos e deveres de cidadão, apelar ao
voto nas próximas eleições.
Votar é tanto um direito como um dever.
Votar é um direito (constitucionalmente consagrado), porque temos, enquanto cidadãos de um país democrático, o direito de eleger e de ser eleitos.
Votar é um dever, porque todos os cidadãos tem o dever de contribuir para o bem-estar,
o progresso e o desenvolvimento do país e pelo seu voto escolhem qual é o rumo que querem para o país, não podem demitir-se de o fazer, sob pena de perderem a autoridade de
criticar, porque quando foram chamados a escolher, se alhearam.
As eleições, o direito de voto, são uma conquista histórica, que em Portugal, tem três
datas marcantes: 1820, com a Revolução Liberal, aprofundada em 5 de Outubro de 1910,
com a Implantação da República, através da Revolução Republicana e por último com o 25
de Abril de 1974, com a Revolução dos Cravos, a partir da qual se instituiu o sufrágio directo,
universal e secreto.
Muitos perderam a vida por se baterem pela Liberdade, pela Democracia, por esse
facto foram torturados, censurados, despedidos e presos.
Só aos maus políticos não lhes interessa a abstenção, ou melhor, interessa, pois para
estes quanto maior esta for, maior será o desinteresse dos eleitores face à política e às acções
daqueles que elegemos e logo podem cometer as asneiras que muito bem entendam, que
ninguém se importa, ou para ser mais justo, poucos se importam.
No próximo dia 17 de Março de 2002, Portugal vai a votos, trata-se de eleições legislativas, de eleger os deputados que constituirão a Assembleia da República, de escolher
entre um partido ou coligação, sendo que, do mais votado sairá o próximo Governo e o primeiro-ministro, que o liderará.
Não quero aqui dar indicações de voto nem dizer em quem vou votar, ainda que muitos saibam em quem irei fazê-lo. Podia fazê-lo, porque tenho esse direito, mas penso que,
mais importante é apelar ao voto, não importa em quem.
Todos os votos são úteis, sejam em branco, sejam nulos, ou em qualquer partido ou
coligação.
O único voto que não conta é o de quem não vota, de quem se abstém, de quem é
indiferente em relação ao futuro de Portugal.
Eu voto. Porque o meu voto conta. Penso, logo voto.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Aborto e divisões na maioria37
Novamente a questão do aborto e novas divisões na maioria (PSD/PP) governamental.
O PSD quer dialogar, quer mudar a lei, o PP não.
Na verdade, a posição mais uma vez assumida pelos dois partidos, resume-se em três
palavras: hipocrisia (porque se quisessem mudar a lei mudavam, afinal, não são poder?) e
cobardia (refém dum Partido menor) do PSD, e coerência (não concordando com este Partido, pelo menos nesta matéria, é consequente com o que defende) do PP.
Concluindo, tudo terá de ficar como está, para que continue a coligação, por mais que
esteja demonstrado que sociais-democratas e populares não se suportam durante muito
tempo (como aqueles namorados que só estão felizes separados...). Porque continuam a
assassinar as nossas crianças? Raramente passa uma semana sem que surja uma notícia em
Portugal (e noutros países) sobre uma criança abandonada (ainda com vida ou morta) num
caixote do lixo, numa qualquer casa-de-banho...
Rara a semana em que não há uma criança vendida, raptada, violada ou maltratada...
Quantos casos de crianças subnutridas por incúria!?
Quantos de nós pensamos que muitos: “pais” e “mães”, não deviam poder exercer a
paternidade (e maternidade), quanto mais ter filhos, por manifesta falta de condições económicas, psicológicas... de sentido de humanidade!
CIDADANIA
(...) Uma última questão (inquietante para quem se preocupa com a cidadania) para
reflexão.
Na passada semana, decorreram eleições para a Associação de Estudantes da escola
onde exerço a docência (em Seia).
Sendo um docente preocupado com a promoção da cidadania, resolvi promover o
debate (com as minhas cinco turmas) sobre as eleições em geral e sobre aquelas em particular, isto é, falando que perante uma eleição se pode votar ou não (e quais as implicações
dessa escolha), depois que, votando, se pode ainda votar em branco, votar nulo, ou votar
numa das listas candidatas (no caso em concreto eram quatro).

37 Publicado no “Diário XXI” (26/11/2004), “Diário Regional de Viseu” (29/11/2004) e blogues http://cctertulias.
blogs.sapo.pt (24/11/2004) e http://republicalaica.blogspot.com (24/11/2004) e http://escudos.webcindario.com
(Fórum) (24/11/2004).

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Explicando o que implicava cada opção, a seguir referi que se pode votar pela negativa (na lista menos má, ou contra uma lista de quem não se gosta nada), ou pela positiva
(votar na melhor).
Referi depois, que importa estarmos esclarecidos perante uma eleição (o que defende
cada lista e se o que defende é viável, sendo que quem as integra as pode concretizar), caso
contrário, haver uma lista única ou várias é irrelevante (já que não conhecemos as várias
propostas).
A propósito daquelas eleições (numa EB 2/3) em concreto, devo contar três factos graves (sobre os quais actuei de imediato): a) os alunos (turmas do 5.º e do 6.º) referiram que
foram ameaçados para votarem em algumas listas; b) os mesmos disseram que uma lista
oferecia pastilhas a quem votasse nela; c) por último, um dos alunos disse que foi impedido de votar (alguém votara por ele, fiquei literalmente aturdido), só possível, porque não
pediam o cartão de estudante aos alunos. Depois da aula acompanhei o aluno à mesa de
voto para que pudesse exercer (o que aconteceu) o direito de votar.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Basta!38
Os milhões de eleitores que elegeram (por duas vezes) Jorge Sampaio, para a Presidência da República, estão desiludidos, os que o combateram, agora, dizem que é isento, imparcial e sensato, quando, até à nomeação de Pedro Santana Lopes como Primeiro-Ministro
(PM), não se cansavam de recordar a sua militância socialista, temendo as eleições antecipadas, que a realizarem-se, provavelmente perderiam, e que portanto o Presidente da República (PR) iria fazer um favor ao seu partido.
Os apoiantes de Jorge Sampaio não queriam que este favorecesse o seu partido, que
este favorecesse a esquerda, queriam, isso sim, a oportunidade de eleitoralmente punir o
partido e coligação, com maioria absoluta na Assembleia da República, cujo primeiro-ministro fugiu (depois de, na campanha eleitoral que levaria a direita ao poder e já no Governo
acusarem até à exaustão o PS de ter fugido às suas responsabilidades).
Votei em Jorge Sampaio por pensar que era um republicano, um homem de esquerda,
um democrata, que punha a legitimidade democrática das decisões à frente da governabilidade, da estabilidade, se é que estas estavam em causa!
Será que um primeiro-ministro não eleito, em democracia, terá toda a autoridade de
que necessita para governar, sobretudo não estando o país em fase de transição política?
Como irá continuar a enfrentar toda a contestação que se seguir? Com a polícia de choque? Já que as tentativas de censura (felizmente tão ineptas e boçais que não enganam ninguém) não resultam. Cedendo, cedendo, até se demitir e vir outro? Dialogar? Quantos não
lhe irão continuar a lembrar que está num cargo para o qual não foi eleito?
O Interior português, em especial, boicotado pelo Governo na sua tentativa de investimento “premiará” a direita no Poder com um verdadeiro descalabro eleitoral. Pelo menos
tudo tem feito para merecê-lo.
Hoje, o PR, Jorge Sampaio não é um homem só… antes fosse, está é muito mal acompanhado: os que o elegeram abandonaram-no (e já pouco ou nada esperam dele) e os
que o combateram, porque conjunturalmente tomou uma decisão que lhes é favorável
elogiam-no.
Os seus apoiantes sinceros, defraudados, abandonam-no, resta-lhe o apoio conjuntural (enquanto, primando pela ausência de uma atitude, continuar a servir a direita), interesseiro e falso dos que o combateram toda a vida.
Contra a opinião do Conselho Estado, resolveu dar uma oportunidade à coligação de
direita, a um PM com um passado pouco recomendável (repleto de tarefas inacabadas, de
38 Publicado no blogue http://cctertulias.blogs.sapo.pt (2/12/2004)

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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compromissos rompidos), infelizmente, tudo fez para confirmar os receios de quem se opôs
à sua nomeação…
Jorge Sampaio alegou apostar na estabilidade (não passa uma semana sem que o próprio governo se mostre à beira da ruptura), disse apostar numa mesma política financeira
(radicalmente invertida do Governo Barroso para o Governo Santana Lopes, cada uma pior
que a outra e sobre a qual o Ministro das Finanças e o PM não se entendem!)…
Um Governo mais preocupado com a sua imagem do que em Governar, merece
continuar?
Um Governo que é oposição a si próprio merece governar?
Um Governo que quer censurar os seus cidadãos, visto à luz duma constituição democrática, merece governar?
Um Governo com graves intromissões nas eleições regionais e que apoia um líder político (Alberto João Jardim), que no discurso de vitória diz que vai eliminar os seus adversários
merece que se lhe dê qualquer crédito?
O Governo quer provocar a sua própria queda? Então dê-se-lhe o golpe de
misericórdia.
Que espera Senhor Presidente, que o Governo caia na rua? A breve trecho, terá de lidar
com a desobediência civil. Entre esta e novas eleições legislativas, escolha!
Demita este Governo e a seguir demita-se, Sr. Presidente.
Antes que o Povo, obviamente, o demita a si.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

As maiorias absolutas e a alteração da lei eleitoral39
A propósito da proposta de alteração da lei eleitoral portuguesa, para favorecer a criação de maiorias na Assembleia da República, defendida por alguns e realidade em muitos países (Inglaterra…), agora mais actual, por ter sido advogada recentemente pelo Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio.
A opinião que a seguir se apresenta não é de agora é a de sempre, isto é, coerentemente tenho vindo – por escrito e por outros meios – a defender que, estando em causa
a relação/equilíbrio entre dois princípios: o da democraticidade e o da governabilidade, se
deve dar primazia ao primeiro, a não ser assim, a Democracia Pluralista, que defendo, nem
sequer seria uma mera formalidade, já que nem formalmente existiria, estando à partida,
por lei, deturpada.
Quando o eleitorado decide eleger, com uma maioria absoluta, um partido ou coligação partidária, fazendo-o por falta de alternativa credível ou por o considerar, de facto, o
melhor, é um acto democrático e até salutar em termos de estabilidade governativa.
Bem diferente, é alterar uma lei eleitoral, para dar, “na secretaria”, uma vitória mais alargada do que aquela que o eleitorado exprimiu nas urnas.
Não sou favorável a um sistema eleitoral que favoreça maiorias.
Se o voto de cada cidadão vale um voto (a Democracia é isto), a percentagem de votos
deve corresponder, proporcionalmente, à eleição de deputados.
Só contam, para a eleição dos deputados os votos nas listas partidárias (para a contagem, não são tidos em conta os votos nulos, em branco), isto é, quando se transformam os
votos sufragados em mandatos, a percentagem dum partido, por ex.: 20%, devia corresponder (descontados votos nulos e brancos) a 20% dos mandatos. Tudo o que for diferente disto
é deturpar a Democracia!
Os argumentos da Democracia não podem ser estranhos a ela, sob pena de a subverter, transformando-a num sistema híbrido de “democracia musculada”.
No dia 20 de Fevereiro de 2005 decorrem eleições legislativas para a AR, para a eleição dos seus 230 deputados e, em consequência, do líder do partido mais votado para
primeiro-ministro.
Votarei, como sempre fiz. Farei a minha escolha, em consciência, o futuro me dirá se fiz
a opção correcta. Intervindo e votando, participarei no caminho a seguir, não deixarei que
outros decidam por mim. Não viro a cara à luta, nem me demito do exercício da cidadania.

39 Publicado no blogue http://republicalaica.blogspot.com , http://escudos.webcindario.com (Foro), “Diário
Regional de Viseu”, 13/1/2005, “Povo da Beira”, 18/1/2005, “Diário XXI”, 20/1/2005 e “Porta da Estrela”, 20/1/2005.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Serão os cidadãos eleitores, aqueles a quem cabe decidir se é bom para Portugal dar
maioria absoluta a um partido (ou coligação), decidir se é salutar (ou não) essa opção, para a
nossa democracia, depois de três governos que caíram antes do fim do seu mandato. Seia,
12 de Janeiro de 2005

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Eleições presidenciais (II): independentes?40
Por lei (CRP) as candidaturas presidenciais escapam ao foro dos partidos, são independentes deles, independentemente dos apoios (logísticos, económicos, políticos…) que
estes lhes venham a assegurar.
No entanto, é exactamente por esta necessidade de apoios que, nenhum candidato
que aspire a vencer uma eleição presidencial, se pode dar ao luxo de dispensar o apoio claro
de, pelo menos, um dos dois maiores partidos portugueses (PS e PSD).
Em alguns países e Portugal não é excepção, há candidatos que podem dispensar um
apoio (financeiro-económico, logístico, político), devido à sua fortuna pessoal, ainda assim
terá de ter feito, inevitavelmente, um trabalho de muitos anos de preparação, para criar pontos de apoio locais por todo o país, algo que, um candidato com apoio partidário (no caso
do PS, PSD, PCP, PP e em parte o BE) já tem assegurado.
Apesar destas constatações, assistimos a candidatos não só apoiados por partidos,
mas apresentados por partidos!
Temos 10 candidatos presidenciais: Mário Soares, Manuel Alegre, Cavaco Silva, Jerónimo de Sousa, Francisco Louça, Garcia Pereira, Carmelinda Pereira, Mário Nogueira, Manuela
Magno e Luís Botelho, dos quais, só os seis primeiros terão reais hipóteses de se apresentar a
votos, entregando as assinaturas necessárias (7500 a 15000) no Tribunal Constitucional:
ß Mário Soares (apoio do PS), foi Secretário-Geral do PS e seu fundador, ex-Ministro de várias pastas, ex-Primeiro-Ministro, ex-Presidente da República por 10 anos,
ex-deputado e ex-deputado europeu;
ß Manuel Alegre (sem apoio partidário), fundador e dirigente do PS, nas listas do qual
foi eleito deputado para a Assembleia da República;
ß Cavaco Silva (apoio do PSD e do PP, sem o apoio da juventude deste último, a GP),
ex-Presidente do PSD, ex-Ministro das Finanças e ex-PM por 10 anos, candidato derrotado por J. Sampaio nas Presidenciais de 1995;
ß Jerónimo de Sousa (apoio do PCP), Secretário-Geral do PCP;
ß Francisco Louçã (apoio do BE), fundador e dirigente do PSR e do BE, deputado eleito
pelo BE para a AR;
ß Garcia Pereira (apoio do PCTP/MRPP), dirigente deste partido;
ß Carmelinda Pereira (com o apoio do POUS), dirigente deste partido;
ß Mário Nogueira (sem apoio partidário de relevo);
ß Manuela Magno (sem apoio partidário de relevo);
ß Luís Botelho (sem apoio partidário de relevo). Dos seis primeiros candidatos, só a
Cavaco Silva se não conhece actividade política ou cívica anterior ao 25 de Abril de
40 Publicado no “Notícias da Covilhã”, 2/12/2005.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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1974! Que contributo deu, ao contrário dos outros, para a queda do Estado Novo,
para hoje podermos viver em Democracia? Destes seis, este é o único que nada fez
e não é o mais novo! Seria para ele indiferente viver numa Ditadura ou numa Democracia!? Para os outros não.
Ser independente é o quê? Ser apartidário, ser apolítico? É não ter opinião sobre nada
o que seja polémico?
É independente quem não se apresenta como militante dum partido e numa lista oficial dum partido a uma eleição? Só isto!? Que critério tão pouco exigente…
E os independentes que concorrem em listas partidárias, esses são independentes?
E os independentes que só o são formalmente, por não terem o apoio do seu partido?
Independentes de quê? Apenas dos partidos? Independentes do poder económico, dos interesses económicos, da religião, das confissões religiosas ou de outro qualquer interesse?
Há algo de errado em se ser militante dum partido? Talvez para alguns militantes seja
um jugo! E alguém os inscreveu à força? Talvez esses se devessem emancipar. Para os que
não são militantes dum qualquer partido é mais acertado não efabularem sobre o que não
sabem. Um conselho, se me permitirem os meus leitores: em vez se lamuriarem sobre os
males da nossa política, sobre a má classe política, sobre os jogos sujos e sobre a falta de
qualidade e interesse dos debates e sobre o pobre país que temos (no caso de assim pensarem)… que tal exercerem o seu direito de voto, não votando em nenhum dos candidatos
(votando em branco ou anulando o seu voto).
Abstendo-se em nada ajudam o vosso país.

Blogues e sítios:
http://mario-super.blogspot.com (não oficial)
http://alegrepresidente.blogspot.com
http://garcia-pereira-a-presidente.blogspot.com
http://mega-cavaco.blogspot.com
http://botelhoribeiro.blogspot.com
http://manuelamagno.blogspot.com
http://www.mariosoares.net
http://www.manuelalegre.com
http://www.cavacosilva.pt
http://www.franciscopresidente.net
http://www.jeronimodesousa.org
http://www.garciapereira-presidenciais2006.net
http://pous4.no.sapo.pt/page_2.html
http://www.manuelamagno.com.pt
http://www.recuperarportugal.org
http://www.botelhoribeiro.org

120

LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Outras ligações úteis:
http://www.cne.pt
http://www.stape.pt
http://www.tribunalconstitucional.pt/tc/crp.html

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Referendo à Constituição Europeia41
Do Referendo
Há dois tipos de referendos: consultivo e vinculativo. O primeiro dá indicações importantes, não obrigando, no entanto, o poder político a respeitar a vontade popular.
O segundo, sendo vinculativo, obriga o poder político a respeitar a vontade popular. O referendo vinculativo só é válido se a percentagem de votantes for superior a 50 por
cento, não se verificando esta condição, o seu resultado, ainda assim, não sendo vinculativo,
o poder político deve tê-lo em conta, sobretudo se a diferença de votos for substancial. Em
Portugal, a Constituição da República Portuguesa de 1976 (em vigor), só admite o referendo
vinculativo. (em Espanha não é vinculativo).
Desde que há Democracia em Portugal, desde o 25 de Abril de 1974 (Revolução dos
Cravos), apenas se fizeram dois referendos, em 1998: sobre o Aborto e sobre a Regionalização. Nenhum dos dois foi vinculativo, visto a abstenção ter sido superior a 50 por cento.
No primeiro caso a percentagem de votantes foi de 32 por cento, sendo a diferença de
votos, entre o SIM e o NÃO, inferior a 0,5 por cento, tendo vencido o NÃO. Ou seja, neste caso
não se pode dizer que a vontade da maioria tenha sido clara.
No segundo caso houve uma vitória clara do NÃO à Regionalização e apesar da percentagem de votos ter sido inferior à da abstenção, se bem que aqui votaram mais de 45 por
cento dos votantes, o resultado tinha de ser tido em conta.
Eu votei nos dois referendos e nos dois casos votei no SIM.
Eu que sempre defendi o aprofundamento da Democracia, penso que os referendos
são a forma mais directa e democrática de todos participarem e se responsabilizarem por
uma tomada de decisão.
Nos dois referendos portugueses, a maioria dos eleitores despiram a pele de cidadãos
e se tinham dúvidas ou não se sentiam esclarecidos só tinham de votar em branco ou anular o voto.
Devo referir, que pelo facto de quase todas as sondagens darem a vitória ao SIM no
referendo sobre o Aborto, levou a quem se batia pelo NÃO a apelar à abstenção de forma a
tornar o resultado não vinculativo se vencesse o SIM.
O Referendo à Constituição Europeia
41 Publicado nos blogues http://cctertulias.blogs.sapo.pt e http://republicalaica.blogspot.com , “Diário Regional
de Viseu”; 1/03/2005, “Diário XXI” e revista “La Tertulia”, n.º 2 (Abril/2005), dos “Escudos IV”.

122

LUÍS NORBERTO LOURENÇO

No que respeita a este referendo, devo confessar que ainda não me sinto esclarecido
sobre esta matéria, apesar de já ter organizado duas tertúlias sobre o assunto. É um daqueles
temas em que me é difícil ser 100 por cento a favor ou 100 por cento contra.
A Constituição Europeia tem aspectos positivos e outros negativos, sinceramente os
negativos (como a questão do directório...) parecem-me ser mais relevantes que os positivos (aprofundarei esta questão em breve). No entanto, a minha a decisão ainda não está
tomada.
Os eleitores espanhóis (que votaram a 20/02/05) decidiram pelo SIM, de uma forma
muito clara, não esquecendo, no entanto, que a abstenção foi muito elevada. Temos de ter
em conta, também a elevada abstenção nas eleições para o Parlamento Europeu. Aqui há
responsabilidade dos eleitores e dos eleitos.

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MANIFESTOS CONTRA O MEDO

A cultura da violência42
Não podemos olhar para o Estado da mesma maneira, independentemente de ser um
Estado ditatorial ou democrático. Mas, para alguns extremistas, tanto dá se o Estado é uma
ditadura ou uma democracia, trata-se do Poder e como tal, não importa que tipo de legitimidade apresenta, se a democrática, se a da força. Lutando contra o Estado, lutam contra as
forças de autoridade que garantem a ordem, as forças policiais e as forças armadas, vendo
sempre num polícia um alvo a abater, por encararem os polícias como agentes repressivos
do Estado, não como alguém que os protege, talvez por isso, numa reunião em que participei, em Lisboa, em 2001, alguém dizia que a polícia não era eficaz, ao que argumentava
outro, um anarquista, rindo: “Ainda bem!” Um nazi português (problema de identidade?)
disse que é facilmente provocavel... Alguns casos são do foro da psiquiatria, da psicologia ou
da psicanálise e não casos de polícia, do foro da politica ou problema social, cultural ou de
mentalidade ou de racismo. Quem vê um polícia e de repente de lhe dá uma vontade irreprimível de injuriá-lo, de agredi-lo ou de o matar, está traumatizado e deve tratar-se e não
ser deixado à solta! Quem é o vilão? O ministro do interior Francês que chama escumalha a
quem se comporta violentamente ou aqueles que “enfiando a carapuça”, logo se apressam
a dar-lhe razão, queimando bens alheios (Claro! Malucos, mas não parvos) e atacando pessoas para que o ministro seja demitido? Que culpa terão os donos dos bens (que não eram
do ministro) para serem agredidos? É que não consta que o ministro o tenha sido! O Governo
francês, vir desenterrar agora, 20 anos depois, medidas de combate à pobreza, de apoio à
inclusão e de requalificação urbana, medidas que hoje se consideram justas e urgentes e
obviamente já desactualizadas e desadequadas, levariam, tomadas a tempo, a que hoje
nada disto se passasse, porque as causas não existiriam. Duas décadas de perda de tempo,
20 anos de desinvestimento no combate às desigualdades! Agora isto! Pela violência conseguiu-se o que não se obteve através do diálogo. Lição a tirar? O Poder, os poderes continuam
sem perceber que não podemos viver em cidades de condomínios fechados dum lado e
barracas doutro, em regiões com TGV, Metro, Aeroporto e marina, dum lado, continuando a
ter do outro, milhares de aldeia isoladas no fim-de-semana for falta de transportes públicos.
Não foi a Grande Muralha que evitou que a China fosse invadida pelos mongóis, não foi um
muro que impediu que os alemães de leste procurassem a este a liberdade e a riqueza que
não sentiam lá, não é a Europa do Acordo de Schengen que impedirá os imigrantes de
entrar nessa Europa rica para deixar para trás: a miséria, a fome, a guerra, a perseguição política e a tirania, como não é mais um muro o que impedirá que os palestinianos emigrem ou
vão trabalhar para Israel, onde existe emprego, para deixar a miséria duma terra pátria que
42 Versão escrita e aprofundada da 3.ª crónica de opinião proferida na Rádio Juventude. Publicada, em versão
reduzida, “Diário XXI”, 17/11/2005 e blogue http://luisnorbertolourenco.blogs.sapo.pt em (Novembro/2005).

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

amam, mas onde não há emprego. Com uma escola pública voltada ao abandono, pela falta
de investimento, acompanhada pelo vergonhoso apoio às privadas, com o encerramento
de serviços de saúde públicos (as maternidades, sim, as maternidades e a oftalmologia), logo
substituídos por privados, talvez porque sejam necessários, já que as empresas privadas
apenas perseguem o lucro, não o bem comum. Na quarta-feira noticiou-se a inauguração
dum um Hotel de 5 estrelas no Afeganistão! Pasme-se! Num país destruído e onde grassa a
miséria, não se investe no bem colectivo, ostenta-se o luxo privado, não percebendo a
revolta que provoca naqueles que nada tem, na esmagadora maioria de afegãos que nunca
poderão sequer pensar em usufruir desse empreendimento. Não, não é uma boa notícia.
Boa notícia seria a de que teriam sido inaugurados 10 ou 11 hotéis decentes de três estrelas
onde muitos, em caso de necessidade se poderiam acolher. Boa notícia não é haver 5 ou 6
infantários de luxuosos, mas 60 ou 70 com condições mais que suficientes. Quando se permite o investimento num campo de golfe num deserto, a bem de poucos, em vez de lutar
por torná-lo arável, a bem de todos. Semeando esta desigualdade não é com muros que
vamos lá. Tragicamente, o Poder (e quem o suporta) não percebe e perdemos todos. Assassina-se o futuro colectivo. Vemos as entrevistas a pessoas presas, ex-presidiárias crónicas e
algumas outras e a primeira resposta que dão para ultrapassar as dificuldades que se lhes
deparam, não é pela via positiva. Não! “Não tenho, tenho de roubar”. É este o discurso. Uns
são ensinados e apreendem sobretudo o valor do bem e da paz, outros não. Quando o
Estado não actua em qualquer área da sua competência, entram em cena outros actores,
geralmente preocupados apenas na defesa dos seus interesses, se ameaçados, sem qualquer preocupação de ordem ética ou moral. Em matéria de segurança interna, não me
parece que a substituição de agentes de autoridade, por milícias armadas, para preencher o
vazio, traga algo de bom. Se o Estado não garante segurança ao cidadão não faltará quem
se lhe substitua, isso sim, à margem da lei, para quem os Direitos Humanos, a Constituição
ou o Código Civil, não serão propriamente uma prioridade. Para uma sã convivência cidadã,
não podemos permitir, que uma Justiça injusta (trágica ironia), seja substituída pelo linchamento na praça pública ou que vigore a lei da vingança, a qual, sabemos bem no que iria
dar. O igual acesso à Justiça e a celeridade dos processos judiciais, se não se torna num facto,
resta ao cidadão ir gritar ao microfone, sempre disponível, duma TV, para ser ouvido e atendido. Só que esta não é um órgão de soberania… ainda. Numa entrevista na revista “Pública”,
do jornal “Público” de domingo passado: “Muitas vezes nas manifestações decidimos ser
mais moderados, para que as pessoas não sejam mortas”. Marc Amann, autor de “Go,Stop.
Act! A arte dos protestos de rua criativos”, espécie de manual de guerrilha urbana para o séc.
XXI, nas palavras do autor. Por outras palavras, estas minhas, “só não partimos as montras
das lojas, incendiamos carros e atiramos pedras aos polícias, se não dispararem contra nós.
Pois, é que nós não somos mártires nenhuns!” Dizendo combater a repressão, o que demonstram, “pela boca morre o peixe”, é que só por ter medo da dita repressão é que acalmam os
ânimos. Temos também um caso de Justiça (e de Educação), relacionado com a violência
infanto-juvenil. São conhecidos os casos em que alunos agridem colegas, professores e

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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funcionários, furam pneus e riscam carros (a gravidade e a quantidade das situações muda
de escola para escola, mas poucas fogem a esta realidade), a pena mais grave é mandá-los
para casa, para junto de pais que não os controlam e em que alguns até batem! E os pais ou
estão ao lado da escola ou serão os primeiros cúmplices e as primeiras vítimas dos filhos que
criam. Criam? Se os pais não os controlarem, chegará o dia em que: toxicodependentes, presos, alcoólicos, traficantes, loucos, assassinos, pedófilos e outros, serão impedidos de ter
filhos. E não deveriam? Dar protagonismo aos agressores – não digo que se prejudique a
boa cobertura noticiosa, ouvindo as várias partes em confronto, mas que se pense em como
isso se faz – à procura do seu momento de fama, para se imortalizarem junto do seu grupo,
dará o mote para que outros, sem escrúpulos, lhes sigam o exemplo e os órgãos de comunicação social, seus patrões e jornalistas, terão de perceber a sua quota-parte de responsabilidade no trilhar dum caminho que nos leva a um suicídio colectivo. Aquele que se presta
ao papel de “bicho exótico” num qualquer programa de TV, não lhe interessa como aparece,
desde que apareça. Por causa do radicalismo violento de uma minoria, todos pagamos:
manifestações restringidas, ruas e edifícios vigiados com câmaras, chamadas sobre escuta
(Quem paga tudo isso? O contribuinte!), a censura advogada por alguns para evitar excessos
verbais e outros, a que acresce uma desconfiança colectiva, o estado de emergência e o
recolher obrigatório, ontem no EUA, hoje na França, amanhã em Portugal. Devido à violência física e verbal de um punhado de pessoas, muitos cidadãos não participam em manifestações, para não serem confundidos com os violentos. Nem assistem a jogos ou a concertos,
com medo de problemas. Violentados assim, nos seus direitos. Esperemos que um dia não
acordemos e nos vejamos num autêntico Estado policial, qual filme de ficção tornado real,
demasiado real…
Castelo Branco, 12 de Novembro de 2005

126

LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Falemos de Igualdade…43
Os números não mentem…
Em 16 ministros do futuro Governo socialista, apenas dois são mulheres.
Em 308 presidentes de câmara, 15 são mulheres.
Em 230 deputados da Assembleia da República, só 30% são mulheres.
Em mais de 850 anos de História, apenas uma mulher foi Primeiro-ministro, por poucos meses, Maria de Lurdes Pintassilgo, num dos primeiros governos a seguir ao 25 de Abril
de 1974.
Entre os Presidentes dos Governos Regionais: dos Açores e da Madeira, Ministros da
República: na Madeira e nos Açores, Governadores de Macau, os Presidentes da Assembleia
da República, Presidentes da República, Presidentes do Tribunal Constitucional… nem uma
só mulher.
No entanto, a maior parte dos estudantes universitários são mulheres.
No entanto, a maior partes dos docentes das escolas são também mulheres.
São dados concretos e objectivos de 2005, em Portugal.
Trabalho igual, salário igual
Na minha opinião, a Igualdade (entre sexos) deve ser promovida com medidas concretas, práticas e não ficar por ideias abstractas, de pura retórica, sem consequências.
Defendo que mulheres e homens, por um mesmo trabalho, por um mesmo desempenho, num mesmo local de trabalho, devem receber o mesmo salário. O que para mim e
para muitos parece óbvio, ainda não é uma realidade, se hoje os trabalhadores e as trabalhadoras do Estado (funcionários públicos ou equiparados, da Administração Pública, Central e Local) recebem o mesmo, no sector privado (essa oitava maravilha!) isso não acontece
e em média uma mulher recebe – fazendo o mesmo trabalho que um homem – dois terços
(66,6%) do salário dum homem.
As mulheres na Política
A fraca participação das mulheres na vida política deve-se à ausência de três emancipações femininas: social, económica e familiar.
Se estas três emancipações fossem realidades e não utopias… em muitas sociedades,
em muitos países, ontem como hoje, também em Portugal, a participação das mulheres na

43 Publicado em: http://republicalaica.blogspot.com, http://fanzinetertuliando.blogspot.com
http://cctertulias.blogs.sapo.pt , http://centro-de-estudos-socialistas.blogspot.com
http://escudos.webcindario.com (Foro), http://visaoonline.clix.pt e parcialmente no jornal escolar “Baril”.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

127

vida política seria facilitada e promovida, visto serem criadas condições que o permitem e
que hoje o impedem.
Na sociedade, sendo a mulher maioritária, não se percebe uma atitude submissa e que
a leva aceitar, em troca de um tratamento igual, pequenas, ditas, gentilezas, como que compensando a falta de igualdade real.
Na esfera familiar: a partilha de tarefas domésticas, na lida da casa, entre o casal (que
deve ser incutida desde a infância pelos educadores, tendo a mãe, enquanto mulher responsabilidade de ser um agente activo na promoção da igualdade), libertará a mulher (porque é
ela a mais sacrificada) para essa participação política… cívica e associativa.
O alargamento da rede pública (a todos os concelhos e a cada freguesia) de creches e
de infantários é, assim, não uma quimera, não uma reivindicação impossível de atender, mas
uma prioridade absoluta. Um maior apoio à mulher, enquanto mãe (e ao homem, enquanto
pai), isto é, à família, permitindo um acesso generalizado à escolaridade desde o pré-escolar, é muito mais importante do que um ensino superior público e gratuito (que defendo),
porque é no inicio que a vida é mais difícil para os pais e mais necessário o apoio aos mesmos enquanto tal.
Na área económica: se uma mulher receber o mesmo salário que um homem, por um
mesmo trabalho, então ficará mais independente, menos condicionada economicamente,
para poder participar activamente na vida política.
A questão das quotas
A ideia de introduzir quotas nas listas partidárias, nas listas de candidatos a vários cargos políticos, no acesso ao emprego… pode ser uma medida positiva, dita de discriminação positiva, mas a meu ver, promove uma igualdade passiva e não activa, isto é, não promovendo e compensando o mérito. Porque uma pessoa não entra para uma lista por ser
um bom profissional, um bom político, mas por ser mulher independentemente de haver
alguém do outro género mais capaz.
Na verdade se não fosse um sistema de quotas ainda teríamos menos mulheres na
política do que o que temos hoje, o que digo é que temos de avançar e atacar o problema a
montante, evitando ao mesmo tempo que se crie a ideia de injustiça entre os homens que
ficam sem um lugar, apenas por serem homens, por excederem a sua quota e não por serem
piores: profissionalmente ou politicamente.
A população portuguesa é, aproximadamente, 52% composta por mulheres, sendo
48% homens (Censos de 2005). Por isso, a respeitar-se integralmente esta quota demográfica, então 52% dos docentes deviam ser mulheres? Assim como, os trabalhadores nas fábricas de têxteis?
Durante muito tempo, a palavra duma mulher, em tribunal, nada valia.
Durante muito tempo, uma mulher solteira ou casada não podia viajar sozinha para
o estrangeiro, não acontecendo o mesmo com homens solteiros ou com os maridos. Isto
aconteceu em Portugal, até à Revolução dos Cravos!

128

LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Acredito que para algumas mulheres, a liberdade e a igualdade seja poder ir a uma
discoteca, fumar, poder usar calças, usar um corte de cabelo curto… aspectos porventura
importantes! Na verdade, a razão porque tantos (as) morreram no campo de batalha e nas
prisões políticas, onde foram torturados e espancados, foi certamente para o exercício do
direito de todos ao voto (independentemente do sexo), foi certamente pelo direito à alfabetização de todos: ricos e pobres, homens e mulheres, independentemente da cor, foi certamente para que o cidadão e cidadã fossem iguais perante a lei e sobretudo, para o livre
acesso ao emprego, sem discriminação de sexo ou outra qualquer. A liberalização dos costumes, a questão do divertimento terá a sua importância, mas será o fundamental?
Lutemos todos por uma sociedade mais justa e igualitária, não nos aspectos formais,
que pouco interessam, sim em aspectos concretos da vida quotidiana. Já!
Castelo Branco, 8 de Março de 2005, Dia Internacional da Mulher
P.S.
1. Na passada segunda-feira, perante uma Assembleia de mais de cem pessoas, em
Castelo Branco, onde se encontravam muitas mulheres, apresentei “pela rama” estas mesmas propostas, ninguém comentou nada, nem as mulheres acharam por bem reforçar a
minha intervenção, neste aspecto concreto. Conclui, pois, que as presentes se sentem bem
com a vida que levam, ou eram todas funcionárias públicas e estas questões, nomeadamente o aspecto salarial, não as afecta.
2. No referendo sobre aborto (1998), apenas votaram 32% dos eleitores. Mas o número
de eleitores mulheres ultrapassa os 52%!!! Não são as mulheres as mais penalizadas pelo
aborto: física e psiquicamente? Talvez não! Abstiveram-se…
3. É possível que haja silêncios de ouro, estes foram… de chumbo!

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Domingos Torrão convidado pelo PS?
Não deve ser verdade!!44
Esta semana, li num jornal regional (da Beira Baixa) que o Dr. Domingos Torrão, Presidente da Câmara Municipal de Penamacor (ex-PS, eleito em 2001 como “Independente”,
com o apoio do PSD), terá afirmado que se recandidata à autarquia e que recebeu convites
do PS (e do PSD)!
Não deve ser verdade!!
Os estatutos (EM VIGOR) do Partido Socialista são muito claros: ESTATUTOS DO PARTIDO SOCIALISTA (aprovados na Comissão Nacional de 11 de Janeiro de 2003), CAPÍTULO VII
(DA DISCIPLINA PARTIDÁRIA), diz o seguinte: Artigo 94º (Das sanções disciplinares)
1. Os membros do Partido estão sujeitos à disciplina partidária, podendo ser-lhes aplicadas
as seguintes sanções:
a. Advertência;
b. Censura;
c. Suspensão até um ano;
d. Expulsão.
2. Três advertências equivalem automaticamente a uma pena de suspensão de três meses.
3. A Comissão Nacional de Jurisdição pode converter em pena de expulsão a terceira ou
subsequentes penas de suspensão, para o que o processo lhe é obrigatoriamente remetido com
os necessários elementos de instrução.
4. Fora do caso previsto no número anterior, a pena de expulsão só pode ser aplicada por
falta grave, nomeadamente o desrespeito aos princípios programáticos e à linha política do Partido, a inobservância dos Estatutos e Regulamentos e das decisões dos seus órgãos, a violação de
compromissos assumidos e em geral a conduta que acarrete sério prejuízo ao prestígio e ao bom
nome do Partido.
5. Considera-se igualmente falta grave a que consiste em integrar ou apoiar expressamente
listas contrárias à orientação definida pelos órgãos competentes do Partido, inclusivé nos actos
eleitorais em que o PS não se faça representar. Aguardo a qualquer momento um desmentido
oficial do PS (estruturas locais, regionais ou nacionais).
Como se sentiriam, de resto, os militantes socialistas e simpatizantes do PS quem fizeram campanha pelo PS em 2001?

44 Publicado no “Diário XXI”, 18/04/2005 e blogues http://centro-de-estudos-socialistas.blogspot.com e http://
luis.norberto.lourenco.blogs.sapo.pt.

130

LUÍS NORBERTO LOURENÇO

A ser verdade o convite e não um lapso, os Estatutos deveriam ser arquivados com o
carimbo: “sem efeito” ou “mera retórica: não é para levar a sério”
Militante do PS, n.º 27557, desde 4/3/1994, inscrito na “era cavaquista”)
Ver em: www.ps.pt

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Autárquicas: por uma política cultural45
Se ainda faltam alguns meses para as próximas eleições autárquicas, nunca é cedo
para promover um debate sobre as políticas culturais dos municípios.
A relação entre agentes culturais e poder político deve ser de cooperação, sempre que
cada uma das partes respeite o trabalho das outras. Quando, por um lado, o poder político
tenta “anexar” os agentes culturais, por outro, pratica uma política de incúria cultural (quantas vezes partilhada pelas oposições eleitas!), deverá ter, nos agentes culturais responsáveis
e livres, uma oposição acérrima e frontal.
A existência duma Agenda Cultural (AC), bem cultural (e informativo) fundamental,
quer para os agentes culturais (para a divulgação das suas iniciativas), quer para os cidadãos
(para delas terem conhecimento), também, quando falamos de agendas municipais, para
a própria autarquia mostrar o que acontece no seu Concelho (muitos autarcas ainda não
perceberam isto!), seja promovido pela autarquia ou não. Agenda essa, cuja periodicidade
(muito há a dizer sobre isto) se deverá adaptar à oferta cultural que no município proporciona, devendo ser a mais completa possível, não promovendo apenas os eventos organizados pelo município e todos os que acontecem na sua área geográfica.
Na verdade, a melhor agenda cultural, nunca cobre tudo o que acontece, porque surgem iniciativas que só se confirmam à última hora. Desde que os agentes culturais enviem
a divulgação das suas iniciativas atempadamente para os responsáveis da AC, desde que
os próprios agentes culturais sejam contactados por esses responsáveis, incentivando-os
a enviarem os dados e a informá-los sobre a AC (muitos desconhecem que estas existem,
devido à deficiente distribuição de muitas delas). Assim, provavelmente as lacunas duma AG
podem ser eficazmente combatidas.
Os municípios devem bater-se por uma política cultural clara e activa, promotora da
Cidadania, duma Cultura de qualidade, diversificada nas abordagens e abrangente no que
respeita aos públicos. Se o nível cultural é normalmente baixo, não é sério nem responsável,
promover iniciativas que não o combatam e o mantenham.
A definição de uma utilização integrada de espaços culturais (e de lazer), como: bibliotecas, museus, arquivos, cinemas, teatros, auditórios, centros culturais, galerias de arte, postos de turismo, espaços internet, escolas, jardins públicos, cafés e bares… devendo os espaços públicos ter horários (alargados) que promovam o acesso e não o dificultem.

45 Publicado nos blogues http://luisnorbertolourenco.blogs.sapo.pt (20/04/2005) e http://fanzinetertuliando.
blogspot.com , “Diário Regional de Viseu”, 21/04/2005; “Jornal do Fundão”, 22/04/2005; “Diário XXI”, 25/04/2005;
“Povo da Beira”, 26/04/2005 e “A Página da Educação”, Maio/2005.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Não faz sentido que os responsáveis autárquicos pelo sector da Cultura vivam de costas viradas para os agentes culturais, sendo o oposto também verdadeiro, também não faz
qualquer sentido que os vários agentes culturais vivam de mão estendida para o Poder.
No entanto, é verdade que o Poder central, regional e local, afectam verbas para as
várias áreas da sua responsabilidade, sendo a Cultura uma delas e se apoiam outras áreas,
por que não a Cultura, por isso, não sou contra os subsídios. Não se fique é por aí e que sem
eles alguns nada façam!
Penamacor, 20 de Abril de 2005

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Autárquicas em Penamacor46
Já é oficial: Vítor Gabriel, actual vereador socialista na autarquia penamacorense, lidera
uma lista, apoiada pela coligação PSD/PP à presidência da Câmara Municipal de Penamacor (CMP).
Domingos Torrão, actual presidente da CMP, eleito como independente, com o apoio
do PSD, vai candidatar-se com o apoio do PS, partido contra o qual se candidatou em 2001,
apesar de ter sido eleito no mandato anterior nas listas do PS. A política local em Penamacor é uma vergonha!
Traídos ontem, traidores hoje? Traidores ontem, aliados hoje?
Socialistas anteontem, independentes ontem, socialistas hoje?
Socialistas ontem, social-democratas/populares hoje?
Lutei enquanto militante do PS para que as partes desavindas, no seio do PS local, chegassem a um acordo. Empenhei-me em juntá-las e em mobilizar esforços, tendo promovido
uma reunião nesse sentido e feito vários contactos. Foram várias as ocasiões em que manifestei publicamente, em reuniões partidárias e externamente, o meu desagrado pelo rumo
que a política local estava a tomar, de nada valeu. Sei que a moral e a ética em política não
vale muito, em Penamacor não vale nada...
Sinto-me como cidadão desiludido e como militante traído. Se vier a ser confrontado
publicamente com o que agora escrevo revelarei se tal for necessário, as iniciativas que
tomei e com quem falei, a propósito desta questão, se não for o caso dou o assunto por
encerrado. Se fosse eleitor em Penamacor restava-me votar em branco.

46 Publicado no “Diário XXI”, 27/06/2005 e blogue http://centro-de-estudos-socialistas.blogspot.com

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Manifestação Nazi de 18 de Junho de 2005: opinião47
A manifestação realizada em Lisboa (da Praça do Chile até ao Rossio com passagem
pelo Martim Moniz), no dia 18 de Junho de 2005, dita Contra o (um suposto) Aumento da
Criminalidade em Portugal, marcada na sequência do “arrastão” da praia de Carcavelos, foi
organizada pela Frente Nacional (FN) e pelo Partido Nacional Renovador (PNR), a qual juntou duas centenas de pessoas (desempregados, veteranos de guerra e gente dita de “sangue azul”…), para lutar pelo seu “cavalo de batalha”, o orgulho branco, contra tudo o que
não é nazi, contra o Outro, sempre!
Duas organizações nacionalistas, de extrema-direita, sendo o último um partido legalizado (comprou o PRD!!!). Acontece que ambas integram elementos nazis (nacional-socialistas, dizem eles, como se não fosse o mesmo), fascistas, salazaristas, monárquicos integralistas, racistas, xenófobos e homofobos.
Contrariamente ao que eu (e muitos) esperava não houve uma manifestação organizada de sinal contrário, exceptuando algumas pessoas isoladas, os que reagiram às palavras
de ordem insultuosas dos nazis portugueses, fizeram-no espontaneamente.
Ainda bem que assim foi, pois, como cheguei a temer, se alguns elementos mais radicais, tais como: alguns anarquistas mais radicais e alguns elementos da extrema-esquerda
para os quais “um nazi bom é um nazi morto”, a coisa poderia ter descambado numa autêntica batalha campal, com mortos e feridos.
Pergunto às autoridades portuguesas, nomeadamente ao Governador Civil de Lisboa, por que autorizou a manifestação quando os seus promotores defendem ideias tais
como estas: a censura, as milícias populares, a expulsão de todos os imigrantes, de todos
os que não são brancos (arianos?), os quais negam o holocausto, promovem a discriminação racial, o ódio ao estrangeiro, não um nacionalismo são e sim agressivo. Mais, não se trata
de defender só determinadas ideias, pois alguns dos dirigentes destes movimentos, consequentemente com o que defendem já mataram e estiveram presos devido a motivos raciais.
Como é o caso de Mário Machado (“cabeça rapada”, assumidamente nazi), segurança (pensava que os seguranças tinham de ter um registo criminal impecável…), assassino de Alcino
Monteiro, em 1995, preso durante 4 anos e participante em Maio de 2005 numa espécie
“pogrom” em Coruche, para limpá-la (sem aspas) de ciganos e segundo a revista “Pública”
(19/06/2005) consta dos registos criminais das polícias europeias. Não é o racismo punido
pela Constituição da República Portuguesa, por todos os documentos internacionais ratificados pelo Estado Português, onde se condena o Racismo e a Xenofobia? Então a manifestação nunca poderia ter sido autorizada. Na tomada de posse, a Governadora Civil de
47 Publicado, parcialmente (sem P.S. e links), “Notícias da Covilhã”, 24/06/2005 blogues http://centro-de-estudos-socialistas.blogspot.com e http://luis.norberto.lourenco.blogs.sapo.pt

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Lisboa, não jurou respeitar a Constituição? Será que a PSP, a GNR, o SIS, o Governo Civil de
Lisboa, nunca ouviram falar de Mário Machado (MM) e outros dirigentes nacionalistas já
condenados por homicídio por questões raciais, tendo ocaso de MM sido tão mediático?
Tendo em conta que os elementos da extrema-direita são tão poucos que quase toda a
gente os conhece (SOS Racismo, Olho Vivo, Solidariedade Imigrante... entre outras associações que combatem o racismo e a xenofobia conhecem-nos bem!), por exemplo, lá estava
na manifestação o Professor Humberto Nuno Oliveira (dirigente do Grupo de Amigos de
Olivença), historiador, professor na Universidade Lusíada, com o qual tive o desprazer de ter
uma discussão há oito anos, numa conferência, sobre a questão de Olivença, naquela universidade onde estudei, onde as suas ideias fascistas eram já bem visíveis. Felizmente não
fui seu aluno!
O que estavam a fazer naquela manifestação militantes do CDS/PP? Penso que sei a
resposta, claro que é possível que esteja enganado e alguém me convença do contrário…
Castelo Branco, 20 de Junho de 2005
Ver mais:
Jornal “Público”, 18 e 19 de Junho de 2005
Revista “Pública”, 19 de Junho de 2005
“Diário de Notícias”, 19 de Junho de 2005
P.S.
A manifestação/marcha também pretendia homenagear os portugueses assassinados
na África do Sul (AS). Não condenarei eu as mortes dos portugueses (quase um por dia) na
AS? Claro que sim! Como condeno a morte de qualquer ser humano, seja português ou
não, seja naquele país ou noutro qualquer! Como português toca-me mais, obviamente,
no entanto é preciso não esquecer porque é que os portugueses são alvos preferenciais em
países como: a África do Sul, a Venezuela ou o Brasil, não acontecendo os mesmo em França,
na Alemanha ou nos EUA, por exemplo. A razão não é racial (talvez pontualmente) é económica, pois se nos três primeiros países os portugueses estão entre os cidadãos mais ricos,
isso já não acontece nos outros, logo, são alvos potenciais nos primeiros e não nos segundos, se bem que a questão racial pode estar presente na África do Sul – e não se veja o que a
seguir afirmo como desculpando a criminalidade que atinge os portugueses – uma vez que
os portugueses que aí residem conviveram bem com o regime de “apartheid”, pois estavam
entre uma minoria (a branca) privilegiada, não se conhecendo portugueses como expoentes na luta contra o racismo na AS, por isso acredito que algumas das mortes sejam causadas por vingança.

136

LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Eleições autárquicas: problemas locais48
Dia 9 de Outubro de 2005, decorrem as eleições para o poder local, são as chamadas
eleições autárquicas, através das quais se elegem: a nível concelhio, para a Câmara Municipal, o Presidente da Câmara e os vereadores e para a Assembleia Municipal, os deputados
municipais, do qual sairá o Presidente da AM e a nível da freguesia, elegem-se os membros
da Assembleia de Freguesia, donde sairá o Presidente da respectiva Junta e demais elementos, sendo este o 1.º da lista mais votada.
No próximo domingo, todos os cidadãos eleitores são chamados a votar, a escolher os
seus melhores representantes a nível local, para melhor resolver problemas e protagonizar
projectos, para desenvolver as nossas terras.
A posição, face às conclusões, sobre os resultados das eleições autárquicas, muda consoante o partido que está no governo, é o nosso ou é outro. É uma análise meramente conjuntural e circunstancial. Mudando o governo, muda a opinião!
Isto é, se o partido do Governo é o nosso, queremos que a leitura dum bom resultado autárquico (mais de 300 municípios, milhares de freguesias, com inúmeros particularismos locais, com diversas alianças, umas mais naturais outras menos…), se transforme num
reforço do apoio do Governo e se for mau se fique por uma leitura meramente local.
Se somos da oposição (hoje, não necessariamente ontem ou amanhã!), então um bem
resultado do nosso partido é um castigo do governo (para o qual não se votou…), se o nosso
partido tem um mau resultado não de devem fazer leituras nacionais (porque já não interessa)
e tudo se deve a questões locais!
Isto não está certo, não é sério! Não é uma análise ética, moral ou politicamente correcta, antes de mais não é verdadeira nem imparcial.
A verdade terá de ser sempre a verdade, independentemente da posição social, profissional, económica, politica, partidária ou outra, de quem a analisa.
As minhas opiniões a este respeito tentam ser equidistantes, alheando-me o possível
da questão conjuntural e circunstancial: cada eleição tem um propósito e uma ilação a retirar. Nas autárquicas, pretende-se escolher a melhor equipa, liderada pelo mais capaz, com o
melhor programa. Ter isto tudo junto, por si só, não é fácil. Aqui entram em jogo vários factores: se entre os candidatos algum tem experiência autárquica e/ou executiva, se tem experiência política ou outra qualquer, se o actual presidente, da autarquia em questão se recandidata,
logo interessa saber se o seu trabalho merece ser reconhecido com nova eleição ou censurado
com a voto depositado noutro. É pois o trabalho autárquico e as propostas para um determinado município que estão em causa.
Não há lugar a qualquer espécie de leitura nacional e distrital a fazer?
48 Publicado no blogue http://luisnorbertolourenco.blogs.sapo.pt (03/10/2005)

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Apesar de tudo o que disse, algumas existem!
Tendo em conta, a forma como são escolhidos os candidatos às eleições locais (e às
outras), isto é, escolhidos (ou pelo menos tolerados) pelos dirigentes nacionais dos diversos
partidos, ouvidas as organizações regionais dos mesmos e também as locais (nem sempre
ouvidas… umas vezes bem outras não!), não são só os candidatos que vencem ou perdem,
também quem os escolheu (com base em que critérios) terá de ser premiado ou responsabilizado pelos resultados.
Na minha opinião, é sobre este aspecto e apenas sobre este aspecto que reside uma
análise para além da local.
A abstenção é a arma dos desistentes.
Não está bem informado? Informe-se.
Um voto não decide! Dizem.
Não!?
Por quantos votos se venceram as últimas eleições em Idanha-a-Nova? Quantos votos
separaram as três primeiras listas nas últimas eleições na Sertã? Em Cantanhede, houve
empate entre as duas listas mais votadas numas eleições! Por quantos votos Mário Soares
derrotou Freitas do Amaral em 1986? Por quantos votos Santana Lopes venceu João Soares
em Lisboa? Por quantos votos perdeu o Sim para o Não, no Referendo sobre a IVG, “aborto”?
São apenas alguns exemplos…
O voto é a arma de quem acredita que o seu voto decide, que o seu voto pode contribuir para chegar a uma escolha melhor dos nossos representantes políticos, de quem não
tem medo de se dar bem… ou de se responsabilizar, se verificar que afinal as escolhas não
foram as melhores (porque por mais bem informados que pensamos estar, não temos as
cartas todas na mão, só temos alguns dados).
(Eleitor n.º 15833 da Freguesia de Castelo Branco)

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Crónica cultural: teatro49
Há cães à solta no panorama cultural albicastrense e em boa hora largaram a coleira,
metendo mãos à obra para enfrentar o primeiro obstáculo a quem trabalha: a inveja.
Quem ousa fazer obra não deve preocupar-se com apoios, financiamentos, públicos,
clientes, espaços para apresentar a obra… o maior obstáculo é mesmo e prioritariamente
enfrentar e resistir à inveja. Percebendo que a inveja como o boato só se vencem “não lhes
dando cavaco”.
Na noite de sábado passado, tive ocasião de assistir, no Cine-Teato Avenida, em Castelo
Branco, à peça de teatro “As mãos de Abraão Zacut”, de Luís de Stttau Monteiro, representada pelo Grupo de Teatro “Cães à Solta”, de Alcains (Castelo Branco).
Não sou crítico de teatro, por isso, esta não é uma crítica teatral, nunca li a obra de Luís
de Sttau Monteiro, ficando no entanto muito motivado para a ler, quem me acompanhava
nessa noite, mais conhecedora da sua obra, referiu ser uma peça de temática forte.
Uma boa assistência teve ocasião de assistir e participar numa peça que manifestamente lhe agradou.
Antes da peça, a noite começou por ser abrilhantada por um momento musical e poético, a cargo duma jovem associação de Castelo Branco, a “Arco da Velha”.
“Cães à Solta” foi criado recentemente, sendo esta a sua peça de estreia.
Para quem não conhece a obra nem assistiu à peça, a temática é a da Segunda
Guerra Mundial, mais particularmente o Genocídio dos Judeus e a “vida” nos campos de
concentração.
Esta crónica tem alguns objectivos: saudar o novo grupo de teatro, não tanto pela sua
criação, mais pela qualidade do seu trabalho e reflectir sobre o tema da peça.
Cada história é feita de várias histórias que se cruzam, aqui se falam sobre aqueles que
se calam perante as injustiças, só reagindo quando os atingem, o fatalismo de alguns e os
que não se conformam com aquilo a que o destino lhes parece reservar e lutam contra ele,
sobre aqueles que ganham com a crise alheia, sobre a manipulação das pessoas.
Aristides de Sousa Mendes, cônsul português em Bordéus, salvou milhares de pessoas
do mesmo destino trágico de que fala a peça, pagou profissionalmente por isso. Salazar
ordenara-lhe para não passar vistos aos judeus, Sousa Mendes “ousou” pensar e tomar uma
opção, salvar milhares de pessoas, ganhando o ódio do Ditador. Oliveira Salazar que não
queria a inimizade do “irmão ideológico” Hitler, apesar de tudo, fazia por aparecer perante os
Aliados que combatiam as forças do Eixo, como o salvador dos judeus, enquanto que internamente esmagava um funcionário que lhe desobedecera.
49 Publicado no “Diário XXI”, 12/01/2006; no “Notícias da Covilhã”, 13/01/2006 e
no blogue http://luisnorbertolourenco.blogs.sapo.pt

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Por isso, todas as homenagens que se façam a ASM serão poucas.
Um professor do tempo da universidade, questionado por mim, o qual não vou fazer
o favor de nomear, condenou ASM, dizia que um funcionário tem de cumprir ordens! Não
interessa que do seu incumprimento se tenham salvo milhares de pessoas? É esta postura
“cega” perante a lei, o poder, a postura da direita salazarista.
As “razões de Estado” que tanto mal fazem aos povos que supostamente dizem proteger e defender, fizeram muitas vítimas ao longo da História Mundial. Durante a Guerra Civil
de Espanha (1936-1939), Salazar, para não prejudicar a “boa vizinhança ibérica”, entregou nas
mãos assassinas e vingativas do aliado ideológico, Franco, os espanhóis republicanos que se
tinham refugiado em Portugal.
Para que conste, aqui fica a ficha técnica da peça:
ß Encenação e interpretação: Bruno Esteves, Eduarda Gordino, Inês Baltasar, João
Alberto Soares, Maria Filomena, Maria João Canadas, Nuno Leão, Ricardo Marques,
Ricardo Martins e Sérgio Lopes.
ß Luz: Luís Amaro
ß Som: Nuno Pio
ß Fotografia: Luís Moreira
ß Design gráfico: Celso Lopes
ß Figurinos e cenografia: Cães à Solta
ß Produção: Milene Pio
Que a estes Cães à Solta ninguém lhes reserve um lugar nalgum qualquer canil
cultural.
Pois, a inveja reinante tem como alvo os bons, os que fazem estalar a modorra, aos
calados, nada há a criticar… se nada dizem! E a qualidade é um grande defeito para a inveja.
Inveja dos resultados, não do trabalho que custa alcançá-los. Não faltando qualidade a este
jovem grupo de teatro, deixo o meu desejo para que a inveja fique longe deles.
Castelo Branco, 8 de Janeiro de 2005

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Fundação Calouste Gulbenkian extingue ballet. Próximo
Episódio: A FCG extingue-se?50
O Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian divulgou ontem, em
comunicado, que até Agosto de 2006 (anúncio com um ano de antecedência, apesar de
todos os espectáculos terem sido imediatamente cancelados… esperam mecenas!?) irá
extinguir o Ballet Gulbenkian (BG), mudando os moldes do seu investimento nesta área da
cultura.
Alega-se reestruturação (palavra, SEMPRE, sinónima de despedimentos e de fim de
algo) da instituição…
Em “substituição” da companhia, a FCG prefere investir em: bolsas para o estrangeiro,
acções de formação, apoiar os actuais bailarinos a criar as suas próprias companhias… que
alguém irá, um dia, extinguir, digo, reestruturar!
Participo nesta discussão pública como cidadão preocupado com as questões culturais e agente cultural, não na qualidade de especialista em ballet ou grande apaixonado pelo
mesmo, que não sou.
Na verdade, não foram muitas as oportunidades para assistir a espectáculos de ballet e
quando as tive, quase sempre, preferi outras artes: o teatro, o cinema, as exposições, as tertúlias, os concertos, as apresentações e lançamentos de livros.
Depois do fim das Bibliotecas Itinerantes da FCG – tão importantes que algumas bibliotecas da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas começaram a recuperar a ideia – extinguiram-se as Bibliotecas Fixas da FCG, entregues ao cuidado das Câmaras Municipais, que por
falta de verbas (sempre a falta de verbas!) encerraram muitas delas.
Agora, é a vez do BG, com 40 anos de actividade, uma das duas companhias portuguesas de bailado de referência e com projecção internacional.
De extinção em extinção até à extinção final?
A seguir vai a Orquestra? E o Coro? E o Museu? Neste momento há muito mais museus
do que há 20, 30 ou 50 anos! E então? Porque há vários fechará a FCG o seu?
Pelo facto do panorama artístico e cultural se ter alterado e desenvolvido, acaba-se
com o que temos de bom?
Porque há mais oferta cultural, acaba-se com a melhor?
O actual Conselho de Administração (e os que extinguiram as bibliotecas da FCG) pretende ficar na história como o coveiro da FCG, como o destruidor do legado de Calouste
Gulbenkian?
50 Publicado no “Diário XXI” e “Diário Regional de Viseu” a 08/07/2005, “Notícias da Covilhã”, 15/07/2005 e site
http://forumcctertulias.foros.st

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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De instituição elogiada, prestigiada e vanguardista, a instituição culturalmente reaccionária e castradora?
Troca-se o certo (companhia de referência cultural) pelo incerto (hipotéticas companhias a virem a ser criadas e cuja qualidade só o futuro o dirá)!

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

“Saia de cena quem não é de cena”51
“Saia de cena quem não é de cena”.
É preciso dizer mais!?
Álvaro Barreto, Maria Elisa, Ribeiro Cristóvão... agora, Morais Sarmento!
Todos deputados eleitos do PSD em Castelo Branco em diferentes legislativas.
De comum? Todos romperam os seus compromissos (mandatos que receberam dos
seus eleitores) com o nosso distrito. Nenhum vive no distrito, razão pela qual não conhecem os seus problemas e anseios, por isso aqui perderam os seus combates eleitorais e de
tão escaldado estar o nosso eleitorado, com a forma como o poder laranja em Lisboa trata a
Beira Baixa, chegou ao cúmulo de ser brindado com um inimaginável, no entanto merecido:
4-1 (PS-PSD). Depois de três consecutivos (3-2) e num distrito que já foi laranja.
Este distrito elegeu dois chefes de Governo do PS, muito deve aos dois: António Guterres e José Sócrates. Se estes dois e os restantes deputados eleitos pelo PS fizeram o que
deles se esperava, é bom e devia ser a regra.
Quem não tem cumprido ao longo dos tempos é o PSD: o Nacional, que impõe aqui como
candidatos quem bem quer, sem pensar na sua implantação regional, achando que a “máquina
laranja” tudo resolve; o Local, que se submete (raras excepções rapidamente silenciadas e afastadas) à vontade do PSD Nacional e o resultado tem sido confrangedor para o seu eleitorado,
que neles depositou as suas esperanças e para o distrito que os teve com representantes.
Carlos Pinto, segundo da lista do PSD (suplente de Sarmento), nas eleições legislativas de
Fevereiro de 2005, irá ocupar o seu lugar na Assembleia da República ou fica pela Covilhã? Se
não ocupar o lugar será o terceiro (dum partido que elegeu apenas 1!) da lista que substituirá o
tal senhor que queria amordaçar a Comunicação Social? Sarmento não percebia (os censores
são pouco inteligentes por natureza e tradição, como é que iria perceber!) por que os jornalistas não gostavam dele e tanto o criticavam!!! Aprenderam a lição? O PSD? O seu eleitorado?
O PP candidata Luís Queiró (“com grandes ligações a CB”) à Assembleia Municipal de
Castelo Branco! Para ocupar o seu lugar? Não me façam rir. Maria Celeste Capelo, candidata
do PP à CMCB, a verificarem-se os resultados previsíveis, tendo em conta os resultados dos
últimos anos e pensando-se no que vale percentualmente o PP em Castelo Branco, não será
eleita. Atenção, porque esta política local, é a n.º 2 da lista à AMCB, porque não a n.º 3 ou 4?
Porque Luís Queiró vai seguir o (mau) exemplo dos deputados laranjas, será mera figura de
cartaz, não ocupará o seu lugar, assim, Celeste Capelo irá subir na lista e substituí-lo, até porque é mais do que previsível que o PP só eleja um deputado municipal.
51 Publicado na ”Gazeta do Interior”, 22/09/2005, “Notícias da Covilhã”, 23/09/2005 e blogues http://socialismo.
blogcindario.com, http://centro-de-estudos-socialistas.blogspot.com e http://luisnorbertolourenco.blogs.sapo.
pt (23/09/2005)

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

143

Sociedade demissionária52
De “treinadores de bancada” está o nosso país cheio.
Muitos comentam e criticam, poucos dão a cara, quase sempre os mesmos!
Veja-se as presidenciais (e na corrida a outros cargos políticos)... várias personalidades, com notoriedade quanto baste, desejadas, com currículo profissional e político, com
popularidade (a acreditar nas sondagens) e muitos apoios revelados em público, à direita e
à esquerda, preferem o lugar, cómodo, bem pago, confortável, de crítico e sem responsabilidades, de comentadores nas televisões, nas rádios ou colunistas nos jornais!
Dar a cara? Não! Dá muito trabalho e assim passariam eles a ser os criticados!
O meu caro leitor, certamente, é sócio de pelo menos um clube ou duma qualquer
associação: profissional, política, cultural, de bairro... mesmo accionista duma qualquer
empresa.
Pois bem, costuma participar nas suas actividades? Participa nas Assembleias-gerais?
Tem as suas quotas pagas?
Ontem participei numa Assembleia-geral do Albi Sport Clube de Castelo Branco, onde
fui um dos 14 participantes, onde sou o sócio 302, mais terá o Clube, eram mais de mil e
cem quando me inscrevi! E os outros? Havia eleições, no entanto não se apresentaram listas, escolheu-se uma Comissão Administrativa (a 2.ª na história desta colectividade), o que,
como se sabe, limita a sua acção e a concretização de projectos do mesmo. Até que apareça alguém…
Em Fevereiro deste ano participei numa AG do Clube de Castelo Branco, estávamos
menos de 25, o Clube tem mais de 160 sócios com as quotas pagas! Onde estavam os
outros? No almoço de aniversário do CCB, em Abril, estavam perto de 100 pessoas, certamente sócios, familiares e convidados (nem todos sócios porventura).
São conhecidas as dificuldades do Sport Benfica e Castelo Branco para encontrar quem
queira tomar conta dele, as direcções continuam, por falta de alternativa, repetiram-se AG
para se encontrar soluções.
São conhecidas as dificuldades do Desportivo de Castelo Branco, de que sou sócio,
com quotas pagas, há muitos anos. Também é conhecida a fraca adesão às suas AG.
Tenho alertado vários responsáveis por diversos organismos para que divulgação das
AG e das actividades das mesmas se processe de forma diferente, ainda assim, não sei se o
cenário mudaria radicalmente.
À convocatória, publicada atempadamente nos jornais locais, à afixação da mesma
nas instalações dos clubes, devia juntar-se a divulgação mais personalizada, via “e-mail”
52 Publicado na “Reconquista”, 11/11/2005 e blogue: http://luisnorbertolourenco.blogs.sapo.pt (28/10/2005). 1.ª
crónica semanal de opinião, Rádio Juventude (Castelo Branco), 2/11/2005.

144

LUÍS NORBERTO LOURENÇO

ou utilizando o serviço “mytmn”, o que pode fazer-se a custo zero e se não há contactos,
solicitem-nos!
Na verdade, devemos pensar que há sócios preocupados com a vida dos clubes e que
no entanto estão a estudar, a trabalhar ou a residir fora da cidade, logicamente não vão assiduamente à sede do mesmo e nem sempre podem ler os jornais locais.
Tenho mais de 20 anos de sócio (tenho 32 de idade) dum Clube da cidade, sem que
tenha recebido: via postal, “e-mail”, telemóvel ou qualquer outra informação sobre as actividades do mesmo, nomeadamente as convocatórias para as AG, muitas vezes, sei delas
quando já ocorreram.
Também se podia falar da participação política! A conversa de café, o “mandar bocas
e recados”, enviar papelinhos e mensagens enviadas para o correio electrónico, semeando
boatos, é prática de gente sem coragem, gente que entra e sai calada duma AG, uma e
outra vez, que nunca dá a cara. Chegada a hora do voto, abstêm-se, numa renúncia da sua
cidadania.
Para que não sejam sempre os mesmos protagonistas das várias associações, é necessário que outros se preocupem, apresentem propostas de actividades, se disponham a colaborar nelas.
Castelo Branco, 28 de Outubro de 2005

145

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

Sobre as eleições presidenciais53
O candidato presidencial Cavaco Silva disse durante almoço no Fundão que o País
recuperou economicamente, durante os dez anos que chefiou o Governo e referiu ter dado
um contributo para o desenvolvimento e progresso da Beira Interior.
Tamanha falta de memória e cinismo merece a minha resposta enquanto beirão.
A quem devemos alguns dos investimentos mais importantes que se fizeram na nossa
Beira Interior? A Cavaco Silva!? Não. A António Guterres (tendo Sócrates como um dos governantes), aos dois governos do PS liderados por Guterres, de 1994/2002.
A título de exemplo:
1) A A23.
2) A electrificação da Linha da Beira Baixa.
3) O Gás Natural.
4) Os túneis da Gardunha (lembrem-se da luta do “JF”, semanas a fio)
5) O Programa Pólis (de tão criticado a tão desejado).
6) A Fac. Medic. da UBI
7) A ESART - Esc. Sup. de Artes Aplicadas
8) A ESALD - Esc. Sup. Amato Lusitano (integrando a Escola de Enfermagem de Castelo Branco).
Mais, Cavaco não só não fez estes investimentos na nossa terra, como disse que não
tínhamos cá gente suficiente que os justificassem.
A Cavaco Silva, a Beira Baixa e a Beira Alta, a Beira Interior, se preferirem, devem o encerramento de vários serviços públicos e não lhe devem nenhum investimento de relevo.
A ver vamos, se a memória dos beirões está mais fresca do que a do candidato presidencial apoiado pela direita ou se irá premiar o seu cinismo.
Castelo Branco, 17 de Janeiro de 2006
Ver mais em:
http://www.jornaldofundao.pt/index.asp?idEdicao=417&idSeccao=3587&Action=se
ccao

53 Publicado no “Diário XXI”, 18/01/2003; “Notícias da Covilhã”, 20/01/2003, no blogue http://luisnorbertolourenco.blogs.sapo.pt e em http://jn2.sapo.pt/seccoes/mensagem.asp?85261 e http://www.jornaldofundao.pt/
forum/message.asp?IdMsg=1758&idForum=1&IdRef=0

146

LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Eleições presidenciais portuguesas de 2006:
uma leitura possível
“Só é vencido quem desiste de lutar.” (Mário Soares, 22/01/06)
Quando faltam escrutinar os votos de duas freguesias onde houve boicotes eleitorais
e os votos dos emigrantes, já não está em causa, nem a eleição à primeira volta de Cavaco
Silva, nem as posições relativas dos seis candidatos à Presidência da República. (Ver resultados oficiais) *
Posso então fazer uma análise, não a sondagens ou a projecções e sim a resultados
eleitorais, isto é, à vontade expressa da maioria dos eleitores portugueses. A vontade soberana (democrática, legitima e legalmente a única) do Povo, a qual a Constituição consagra.
Resultados: Cavaco Silva (50,59%), Manuel Alegre (20,7%), Mário Soares (14,3%), Jerónimo de Sousa (8,6%), Francisco Louça (5,3%) e Garcia Pereira (0,4%). Brancos: 1,06%
e nulos: 0,79%. Com uma abstenção de 37,4%.
Cavaco Silva foi eleito por 50,59% dos votos (60 mil votos separam os que o quiseram
na PR e os que o rejeitaram… nunca um PR foi eleito por tão poucos votos). No entanto,
49,41% dos eleitores votantes rejeitaram este novo PR.
C. Silva, no discurso da vitória, agradeceu o apoio à Direita, ao PSD e ao PP (o tal partido que o enojara referir durante toda a campanha!). Deixou assim claro (se dúvidas havia),
quem esteve com ele e quem com ele terá direito a beber champanhe.
O discurso de José Sócrates, Secretário-geral do PS e Primeiro-ministro de Portugal,
foi um discurso politicamente inteligente e apaziguador, acolhendo os militantes e simpatizantes desavindos.
Da desunião à Esquerda, referi-me atempadamente**, dando o exemplo das últimas
eleições presidenciais francesas.
Confesso que não acreditava que um candidato sem apoio partidário pudesse chegar a um resultado tão significativo como o que obteve Alegre, superando mais de 20% dos
votos.
É um forte sinal cívico e esclarecedor, num cenário duma Democracia consolidada,
tanto mais que não havia apoios de grandes grupos económicos por trás.
Cavaco Silva não representará nunca metade dos eleitores portugueses, aqueles que
se dizem de Esquerda. É por isso que esta teria de ter sempre um candidato forte e mobilizador, unindo em seu torno todas as tendências políticas da Esquerda, do centro-esquerda à
extrema-esquerda. E isso só seria possível com diálogo entre todos os partidos de Esquerda,
antes de se colocarem as candidaturas no terreno. Sendo uma eleição apartidária, os apoios
partidários são decisivos.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

147

Não foi possível. Não foi possível, sobretudo, pela mesma razão que nunca haverá em
Portugal uma Governo de Esquerda. O que temos, apoiado pelo PS, foi eleito por um eleitorado do chamado “centrão”, que vai centro-esquerda ao centro-direita e alguma esquerda.
Mário Soares ou outro candidato, em alternativa a C. Silva, deveria ter construído o
apoio uma candidatura com processos de escolha democraticamente partilhados a partir da
base e não sentidos como impostos pelo aparelho, pelos dirigentes partidários.
A Mário Soares devemos muito: a oposição ao Estado Novo (ditadura), a construção e
consolidação da nossa Democracia, a fundação do PS e a adesão à CEE (hoje, UE). Devemos
ainda, o nunca ter dito não a Portugal, quando o país chamou por ele.
No entanto, perdeu e estou triste por ele, porque não merecia tamanha derrota, parte
dela, devendo-se à forma como em Portugal se encara a velhice, não como um poço de
sabedoria e antes um fardo!
Nota negativa para a exclusão dos debates televisivos dum candidato a PR, Garcia
Pereira.
Nunca me reverei numa democracia coxa.
O dia de reflexão, maldito para alguns, deve manter-se (pena que não se cumpra verdadeiramente e que a CNE não tenha poderes concretos para poder fiscalizá-lo, penalizando os infractores). Depois da campanha e duma longa pré-campanha eleitoral é salutar
haver um para o eleitor reflectir. Não?
Parabéns ao STAPE pela rapidez com que nos forneceu os resultados.
Nota pessoal:
Sou militante do Partido Socialista desde 1994. Fui um dos milhares de subscritores da
candidatura de apoio a Mário Soares. Estive no jantar de apoio a Mário Soares, em Castelo
Branco, durante a pré-campanha. Estive no comício de apoio a Mário Soares, em Castelo
Branco, na campanha eleitoral. Participei nas várias reuniões partidárias enquanto militante
socialista: na secção, na concelhia e no plenário distrital de militantes de Castelo Branco.
Ouvi e fiz-me ouvir. Mais importante do que tudo, exerci o meu direito de voto, votando em
Mário Soares. Cumpri como militante o meu dever, estando presente nos momentos decisivos. Como agente cultural, no quadro das iniciativas da Casa Comum das Tertúlias, dei um
modesto contributo para o esclarecimento dos eleitores, ao disponibilizar em locais públicos uma pasta com os manifestos eleitorais dos candidatos à PR. Cumpri como cidadão o
meu dever, votando. Comprometendo-me, sabendo que um voto só vale isso mesmo: um
voto. Apesar disso quis votar. A democracia não se esgota no “centrão” que dá vitórias e não
perceber isto é não perceber nada. Excluir os ditos “radicais”, atirando-os para fora do sistema democrático, o qual combaterão marginal e clandestinamente, é armar os inimigos da
Democracia. Teremos todos cumprido as nossas obrigações?
Castelo Branco, 22 de Janeiro de 2006

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

*Resultados oficiais:
http://www.stape.pt
http://www.presidenciais.mj.pt/html/ISD23.html
http://www.cne.pt
**http://luisnorbertolourenco.blogs.sapo.pt/arquivo/769666.html
***http://fanzinetertuliando.blogspot.com/2005/11/iniciativa-cvica-da-cct-presidenciais.html

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Futura médica nazi? – Carta Aberta ao Reitor
da Universidade da Beira Interior e ao Director
da Faculdade de Medicina da UBI54
Rita Vaz, aluna do 1.º ano da Faculdade de Medicina da UBI, é a líder da Juventude
Nacionalista (JN), estrutura juvenil do Partido Nacional Renovador (PNR), não representa praticamente ninguém (120 militantes a nível nacional), mas não é isso que me preocupa, preocupa-me o facto de ser estudante de Medicina, preocupa-me o facto de poder vir a exercer
a Medicina, por esta razão tomo esta posição pública em forma de carta aberta.
Pergunto-me: quem não sabe o papel dos médicos nazis no III Reich (Regime Nazi), no
Holocausto, no programa de Eutanásia, no programa de Eugenia, no genocídio de judeus,
ciganos, homossexuais, cidadãos portadores de deficiência, comunistas e de todos os que
os nazis não toleravam (e os neo-nazis não toleram)?
Esta aluna, a ser uma futura médica, não vai, como diz, pôr de parte as suas ideias
para exercer medicina. Os médicos nazis não o fizeram, ela que admira Hitler, o III Reich e
o Nazismo, o que para o caso é o mesmo e a sua “maior obra”, o Holocausto, ainda que se
limite a dizer que apenas admire pessoalmente “algumas ideias” do nacional-socialismo.
Diz que não é racista, mas não tolera que um “preto” (porque não é europeu) possa ser
cidadão português, só um “branco”.
A acabar esta jovem o curso de Medicina, a poder entrar na Ordem dos Médicos e a
chegar a exercer Medicina, poderá a Ordem responder por ela, por cada paciente que lhe
morra nas mãos e que não seja branco, seja estrangeiro, deficiente ou homossexual? Estarão o Estado Português e a Justiça Portuguesa preparados para ser alvo de acusações de
negligência??? Será que uma prática nazi não colide com o código deontológico da Ordem
dos Médicos?
E a UBI? Quem tem a UBI a dizer sobre as ideias desta sua aluna? Estará um qualquer
professor estrangeiro ou um qualquer estudante africano da UBI disposto a ser “tratado” por
esta futura médica? Os responsáveis pela Faculdade de Medicina da UBI estariam dispostos a confiar-lhe a saúde dos seus filhos ou dos filhos dos seus amigos doutra nacionalidade
que não a portuguesa?
Aqui está um bom exemplo de que não basta ter uma média de mais de 18 valores
para se ser um bom médico, a humanidade do futuro médico é fundamental e quanto à
humanidade (que para ela não se aplicará a todos os seres humanos) desta aluna estamos
conversados!
54 Publicado no “Notícias da Covilhã” e no blogue http://centro-de-estudos-socialistas.blogspot.com (14/04/2005)

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

A Rita Vaz não é uma iletrada, não defende ideias cuja prática não se conheça, não
pode prometer imparcialidade e humanidade no tratamento de futuros doentes, esquecendo (será que não sabe!?) o papel dos médicos (assassinos de bata branca é mais correcto) alemães durante o nazismo, como “carrascos voluntários de Hitler”. O nazismo é tudo
menos imparcial e humano!
“Os actos de violência dos skinheads, os nossos militantes mais fiéis, pertencem ao passado”, diz Rita Vaz ao jornal “Público” de domingo passado. Acredite quem quiser, eu não.
Não estou disposto a dar-lhe o benefício da dúvida.
Estará a Ordem dos Médicos? Estará a UBI? Estará o Estado Português? Estará a Justiça Portuguesa?
Até quando? Até à primeira morte dum seu paciente?
Lusitano, romanizado, cristianizado, barbarizado, islamizado, afrancesado, africanizado, abrasileirado, americanizado… cidadão português, me confesso.
Castelo Branco, 16 de Abril de 2007

151

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

As brasas e os afectos55
Objectivos
Escrever a nossa história e divulgar a agenda tertuliana, intervindo sobre a actualidade,
exercendo a Cidadania, são os nossos objectivos.
Já ditos e escritos, agora reafirmados, para que não restem dúvidas.
Este número
Chegados ao número 5 (seis a contar com o número zero), eis que brindámos os nossos leitores com mais revolução gráfica. Está a tornar-se num hábito!
Não se trata propriamente da apologia duma revolução (gráfica) permanente! Se bem
que parece.
John Smith, liderando uma equipa do Cibercentro de Castelo Branco, é o responsável
pelo novo grafismo da fanzine. Os conteúdos (a selecção e qualidade… ou falta dela) são da
nossa inteira responsabilidade.
A realidade é demasiado dinâmica para uma publicação mensal, os obstáculos continuam a deparar-se-nos.
A cada obstáculo que se nos coloca, no entanto, saímos mais pujantes, logo que ultrapassado, fruto dum verdadeiro jogo de cintura e suportados numa fantástica REDE DE AFECTOS TERTULIANA.
Rede de afectos que também tornou possível a próxima iniciativa! (ver última pág.)
Sobre os afectos, falaremos nessa altura…
Continuamos a divulgar o nosso Arquivo Tertuliano, onde fomos buscar fotografias de
iniciativas, recortes de imprensa sobre a nossa história tertuliana, resumo e conclusões de
iniciativas.
Jorge Costa, presente em inúmeras iniciativas da Casa Comum das Tertúlias, elaborou uma peça jornalística sobre uma delas. O tema: o referendo sobre o tratado europeu
(e a constituição europeia). O tema era candente e a CCT colocou-o em cima da mesa para
debate: franco e aberto, em Vila Nova de Paiva e em Castelo Branco. O assunto continuará na
ordem do dia de quem manda, não de quem mansamente obedece… Chame-se Constituição ou não, os princípios vertidos no texto são para levar por diante, com ou sem referendos
nacionais. Não me interessam as capas: a questão da denominação e sob a capa noticiosa
do Mundial de Futebol e das férias de Verão.
Agenda tertuliana
Dia 8 de Julho, acolhemos Isabel Agos, pseudónimo duma poetisa com raízes na nossa
Beira. A poesia e o humor da Isabel, conjugados num espaço tertuliano: informal, participativo, democrático e que apela à reflexão, é o que espera quem quiser juntar-se a nós.
55 Editorial de “Tertuliando – Fanzine da Casa Comum das Tertúlias”, n.º 5, Julho/2006.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

O olvido não mora aqui
Não esquecemos que dissemos prever um aumento da tiragem da fanzine, gradual
e para breve. Ainda não foi possível. Sem mais apoios não conseguiremos descolar dos
200 exemplares. Obtivemos um apoio à edição por parte da Junta de Freguesia de Castelo
Branco. Estamos gratos. Foi importante, urgem outros.
Uma vez mais chegamos atempadamente às mãos da comunidade tertuliana. É
um desafio muito importante que nos colocámos. Só não se conseguiu vencê-lo entre o
número 0 e o número 1.
Brasas tornadas afectos
Começamos a aventura editorial deste número sobre brasas… rodeados de afectos
continuamos…
Pela Cultura.
Pela Cidadania.
Por castelo Branco.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Escrita, partilha e afectos:
debate com escritores da Beira Baixa56
Decorreu em Castelo Branco, de 6 a 13 de Agosto de 2006, o “9º Encontro Europeu
de Jovens Luso-descendentes” intitulado “Formação, descoberta e festejo”, promovido pela
Coordination des Collectivités Portuguaises de France e localmente organizado pela Câmara
Municipal de Castelo Branco, numa parceria com várias entidades.
No âmbito deste encontro, organizei, para a CMCB o “Debate com escritores da Beira
Baixa”, realizado a 9 de Agosto de 2006, marcado para as 16h 30m, no Cybercentro de Castelo Branco. Começaria às 16h 45m e terminaria às 19h 45m.
Tendo como participantes 35 jovens dos 16 aos 31 anos da França, da Suiça, do Luxemburgo, de Inglaterra, da Alemanha, do Brasil, da Holanda e da Itália.
Cumpriu-se o objectivo de proporcionar um debate informal de jovens luso-descendentes com escritores da Beira Baixa, para que lhes falassem sobre a história da região e dessem o seu testemunho enquanto escritores e investigadores, falando das suas investigações
e consequentemente sobre a região onde nasceram e sobre a qual escrevem.
Foi pedido aos três escritores convidados que se cingissem inicialmente aos 15 minutos (tendo oportunidade de aprofundar as suas reflexões ao longo do debate) para proporcionar que se entrasse na fase do debate o mais rapidamente possível (não prejudicando a
parte dum debate que, normalmente, findas as comunicações, é prejudicada por aquelas
terem ultrapassado o tempo previsto).
Na mesa do painel constavam os seguintes elementos**:
Organização do Encontro:
Dra. Cristina Granada (Vereadora do Pelouro da Educação da CMCB)
Dra. Ana Sofia Grazies (CCPF)
Moderador e organizador deste Debate:
Dr. Luís Norberto Lourenço (BMCB/CMCB)
Escritores convidados:
Prof. Dra. Benedicta Maria Duque Vieira
Dr. João Henriques Ribeiro
Prof. Dr. António Tavares Proença
Cristina Granada, professora, artista, dirigente do PS, foi deputada eleita à Assembleia
da República.

56 Publicado como artigo de opinião no “Notícias da Covilhã” (24/08/2006), como notícia não assinada “Povo da
Beira” (22/08/2006) e no “Reconquista” (25/08/2006).

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Ana Sofia Grazies, licenciada em Literatura Francesa, trabalha na CCPF e foi uma das
três monitoras da CCPF presente no Encontro.
Luís Norberto Lourenço, professor, trabalha na BMCB, fundador da Casa Comum das
Tertúlias e director e editor de Tertuliando.
João Henriques Ribeiro, nasceu em 1935, em Carregais, concelho de Proença-a-Nova,
distrito de Castelo Branco. Lecciona actualmente na USALBI. Escreveu: Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco: 490 Anos (2005), Os Jardins do Paço Episcopal de Castelo Branco,
com Leonel Azevedo, numa edição da CMCB (2001), Castelo Branco e a sua região: história, arte, etnografia (1980), org. Manifestações de arte romana no distrito de Castelo Branco:
exposição documental fotográfica, com a colaboração de António L. P. Nunes (1987).
António Tavares Proença, nasceu em 1949, na Aldeia de João Pires, conc. de Penamacor, distr. de C. Branco. Docente do Ensino Secundário é investigador da UNL. Autor de: A
evolução da teoria sindical europeia (1986), A opinião pública actual: o regionalismo (1993),
A substância dos inícios (1984), O sindicalismo independente (1994), Nomes de lugares do
concelho de Penamacor (1996), Os regimes políticos e a regionalização. Um novo conceito
de Estado Regional. O caso da região da Beira Baixa: 1807-2002, Universidade Nova de Lisboa
(2003). A Censura durante o Estado Novo e a sua execução à Imprensa periódica na região
tradicional, histórica e Cultural na Beira Baixa, editada pelo CHC da FCSH da UNL (1992). Beira
Baixa: Periódicos: religiosos, artísticos, informativos, noticiosos, literários, científicos e políticos: 1500-2000 (2001).
Benedicta Maria da Fonseca Duque de Vieira Ferreira, nasceu em 1943, na Póvoa de Rio
de Moinhos, conc. e distr. de C. Branco. Docente e investigadora no ISCTE. Escreveu e ensaio
biográfico “O Conde de Penha Garcia e a sua vida pública” (1972), escreveu sobre “Presença
regional no Parlamento Nacional, as representações da Beira Baixa entre 1824-1910”, org.
“Grupos Sociais e Estratificação Social em Portugal no Século XIX” editada pelo Centro de
Estudos de História Contemporânea Portuguesa (2004), Um Artista na Era das Revoluções,
in “Sequeira, um Português na Mudança dos Tempos” (1996).
Escreveu com Emília Salvado Borges, os manuais de História do 11º e do 12º Ano, da
Edit. O Livro (1996). Modernidade e Educação em Portugal. Séculos XVI a XXI, in “Ler História”, 35. (1998). Tolerância Religiosa e Educação - Portugal Anos 90, in “Ler História”, 33 (1997).
A Revolução de Setembro e a Discussão Constitucional de 1837, 1987. O Problema Político
Português no Tempo das Primeiras Cortes Liberais, Vol. I e A Justiça Civil na Transição para o
Estado Liberal, Vol. V ambos da série “A Crise do Antigo Regime e as Cortes Constituintes de
1821-1822”, dir. Miriam Halpern Pereira (1992).
Iniciou-se o encontro com a abertura por Cristina Granada, seguida Ana Sofia Grazies,
seguindo-se o moderador que apresentaria os escritores convidados e introduziu o debate,
dando de seguida a palavra aos escritores, indicando que as inscrições para intervir estavam
abertas durante toda a fase do debate.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

155

João Henriques Ribeiro falou das escavações em que participou no castelo de Castelo
Branco e da Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco, sobre a qual é autor de um trabalho, sendo um tema que suscitou muita curiosidade nos participantes no debate.
Benedicta Duque Vieira falaria da Revolução Francesa, das Invasões Francesas e do seu
forte impacto em Castelo Branco e da Revolução Liberal em Portugal. Falando ainda do seu
trabalho sobre o Arquivo Distrital de castelo Branco, hoje, felizmente desactualizado.
António Tavares Proença falou da sua ida para França “a salto”, da sua participação no
Maio de 1968 em Paris e do seu regresso a Portugal também por essa razão. Abordando
ainda os obstáculos que se colocam à realização da investigação científica.
Entre os jovens que colocaram questões, destaque para a Ana Sofia, a Rosangela
Rocha (brasileira a trabalhar numa ONG no Luxemburgo junto à comunidade portuguesa) e
o Gabriel dos Santos (luso-francês a viver em França).
A Rosangela colocou 4 pertinentes questões aos três escritores revelando uma grande
vontade de saber mais sobre a região.
A vitória do “Não” em França e na Holanda no referendo ao projecto de Constituição
Europeia e a Guerra Israel-Líbano/Palestina, foram alguns dos temas da actualidade mais
debatidos.
Durante o debate os participantes tiveram oportunidade de conhecer obras publicadas ou apoiadas pela Câmara Municipal de Castelo Branco sobre a Beira Baixa. Obras expostas durante o debate.
Mais uma vez, estou grato ao Cybercentro pela plena colaboração dos seus funcionários e do seu Director, o Dr. Lino Galvão.
**Na foto (cedida pelo Cybercentro) em anexo, da esq. para a dir.: João Ribeiro, Benedicta Vieira, Cristina Granada, Luís Lourenço, Ana Grazies e António Proença.
Ver mais em:
http://www.ccpf.info

156

LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Regionalização? Sim. Região Centro? Não.57
O título é claro, para que não restem dúvidas sobre o que nos move. Sejamos claros,
sou eleitor na cidade de Castelo Branco, em 1998, na altura do Referendo Nacional sobre
as Regiões Administrativas, a Regionalização, disse SIM à regionalização, disse sim à Beira
Interior.
O processo de regionalização de 1998, mal ou bem conduzido, mal ou bem explicado,
foi democrático.
Surgiu no mês passado um movimento para defender a regionalização, defendendo
um mapa com cinco regiões, sendo uma delas a Região Centro.
Sou um cidadão do mundo (não que tenha corrido o Mundo...), um europeu (porque
nasci na Europa), português (seria outra coisa qualquer se não tivesse nascido em Portugal),
sou beirão (porque nasci numa das Beiras) e albicastrense (natural de Castelo Branco).
Aceitaremos uma região que se denomine Beira Baixa, Beira Interior ou Beiras. Não
que nos seja indiferente a escolha de qualquer uma delas! Para cada uma haverá argumentos válidos que a defenda.
Quanto à Região Centro... Ninguém diz que é do Centro, houve-se dizer “sou Beirão”,
“sou Minhoto”, “sou Algarvio”, “sou Alentejano ou “sou Ribatejano”. Mas, “sou do Centro”!!!??
Há uma certa ideia do que é ser do Norte, ser Nortenho, mas não conheço ninguém que se
diga do Sul ou do Centro, são apenas meros posicionamentos geográficos, sem afectividade
ou marca cultural, um Algarvio ou um Alentejano não se dizem do Sul, tal como os Beirões
não se dizem do Centro. Que haja uma região no Centro e que se chame Beiras ainda vá!
Enquanto democrata não entendo nem aceito uma democracia “coxa”: 1) a nível local:
1.1) elegemos para as Freguesias 1.2) elegemos para os Concelhos 2) a nível nacional: a) elegemos a Assembleia da República (por consequência o futuro Governo), b) o Presidente
da República 3) a nível europeu, elegemos o Parlamento Europeu 4) a nível regional? Não
temos voto na matéria!!
O que diz a Constituição (e que falta cumprir):
Constituição da República Portuguesa
PARTE III - Organização do poder político
TÍTULO VIII - Poder Local
CAPÍTULO IV Região administrativa
Artigo 255.º (Criação legal)
As regiões administrativas são criadas simultaneamente, por lei, a qual define os
respectivos poderes, a composição, a competência e o funcionamento dos seus órgãos,
podendo estabelecer diferenciações quanto ao regime aplicável a cada uma.
57 Publicado no blogue http://luisnorbertolourenco.blogs.sapo.pt (08/05/2007).

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

157

Artigo 256.º (Instituição em concreto)
1. A instituição em concreto das regiões administrativas, com aprovação da lei de instituição de cada uma delas, depende da lei prevista no artigo anterior e do voto favorável expresso pela maioria dos cidadãos eleitores que se tenham pronunciado em consulta
directa, de alcance nacional e relativa a cada área regional. 2. Quando a maioria dos cidadãos eleitores participantes não se pronunciar favoravelmente em relação a pergunta de
alcance nacional sobre a instituição em concreto das regiões administrativas, as respostas a
perguntas que tenham tido lugar relativas a cada região criada na lei não produzirão efeitos.
3. As consultas aos cidadãos eleitores previstas nos números anteriores terão lugar nas condições e nos termos estabelecidos em lei orgânica, por decisão do Presidente da República,
mediante proposta da Assembleia da República, aplicando-se, com as devidas adaptações,
o regime decorrente do artigo 115.º.
Artigo 257.º (Atribuições)
Às regiões administrativas são conferidas, designadamente, a direcção de serviços
públicos e tarefas de coordenação e apoio à acção dos municípios no respeito da autonomia destes e sem limitação dos respectivos poderes.
Artigo 258.º (Planeamento)
As regiões administrativas elaboram planos regionais e participam na elaboração dos
planos nacionais.
Artigo 259.º (Órgãos da região)
Os órgãos representativos da região administrativa são a assembleia regional e a junta
regional.
Artigo 260.º (Assembleia regional)
A assembleia regional é o órgão deliberativo da região e é constituída por membros
eleitos directamente e por membros, em número inferior ao daqueles, eleitos pelo sistema
da representação proporcional e o método da média mais alta de Hondt, pelo colégio eleitoral formado pelos membros das assembleias municipais da mesma área designados por
eleição directa.
Artigo 261.º (Junta regional)
A junta regional é o órgão executivo colegial da região.
Artigo 262.º (Representante do Governo)
Junto de cada região pode haver um representante do Governo, nomeado em Conselho de Ministros, cuja competência se exerce igualmente junto das autarquias existentes
na área respectiva.
Pode ler aqui:
http://www.portugal.gov.pt/Portal/Print.aspx?guid=%7B134D7A62-2071-4A28-92914A8BF8B5450E%7D
Voltarei ao assunto...
8 de Maio de 2007

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Assembleia Municipal de Castelo Branco
no Cine-Teatro Avenida de Castelo Branco58
Assisti hoje a mais uma Assembleia Municipal de Castelo Branco (AMCB), aprazada
para as 16h terminaria às 20h40m.
A mesma teve lugar no local habitual, o Salão Nobre da Câmara Municipal de Castelo
Branco.
Nem sempre me é possível assistir ao plenário deste órgão autárquico, normalmente
reúne em horário laboral, impedindo o cidadão que trabalha de participar, hoje, usufruindo
das férias lectivas, tive oportunidade de assistir, enquanto albicastrense e cidadão eleitor e
contribuinte interessado nos assuntos da sua cidade.
Hoje importa-me destacar uma lacuna de que padece esta Assembleia Municipal e
outras.
Manifestamente, existe uma falta de espaço, impedindo que todos se sintam
confortáveis.
Considerando que a Assembleia Municipal de Castelo Branco é o conjunto dos deputados municipais eleitos, em plenário convocado ordinariamente ou extraordinariamente e não
o local em que se reunem, quero aqui lançar uma proposta simples e à partida susceptível de
agradar a todos os envolvidos.
A proposta:
Felizmente, a cidade de Castelo Branco está bem dotada de auditórios, com todas as
condições, alguns deles em espaços municipais. Isto é um facto!
Pois, entendo que neste sentido não há necessidade de a referida AM reunir num
espaço acanhado quando a cerca de 100m existe um equipamento municipal com todas as
condições para acolher as reuniões da AMCB, refiro-me ao grande auditório do Cine-Teatro
Avenida de Castelo Branco.
Sendo um equipamento central na cidade e com espaço suficiente e municipal (logo
sem custos adicionais para a autarquia).
Aí, não faltarão lugares para todos deputados municipais se sentarem, nenhum jornalista deixará de ter condições para trabalhar e se sentar e nenhum cidadão que se queira inteirar dos assuntos do seu concelho ficará sem lugar.

58 Publicado no blogue http://luisnorbertolourenco.blogs.sapo.pt [23/12/2006]

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Proposta de Homenagem
a Aristides de Sousa Mendes59
(Carta Aberta ao Poder Local em Castelo Branco)
Exmos. Srs.
Junta de Freguesia de Castelo Branco
Assembleia Municipal de Castelo Branco
Câmara Municipal de Castelo Branco
Eu, Luís Norberto Fidalgo da Silva Trindade Lourenço, com 25 anos de idade, natural de Castelo Branco, cidadão eleitor nesta cidade da Beira Interior, estudante de História
(4.º ano), venho colocar à consideração dos representantes (democraticamente eleitos) do
poder local em Castelo Branco, a seguinte proposta:
ß a edificação duma estátua na cidade de Castelo Branco a Aristides de Sousa Mendes, a situar-se, porque não, no local do futuro Centro Cívico, como símbolo de uma
cultura de tolerância e respeito mútuo, que estou certo, aspiramos que seja a bandeira (futura) da “polis” Albicastrense.
Aristides de Sousa Mendes, o cônsul Português em Bordéus (França), durante a II
Guerra Mundial, que ao serviço de um Estado (Novo) ditatorial (o Português), ousou enfrentar as ordens de sinal contrário do ditador A. O. Salazar e em nome da sua consciência salvou do extermínio centenas de homens, mulheres e crianças Judias, impedindo de se juntarem aos milhões de vítimas mortais (e não só) da política intolerante, racista, xenófoba,
discriminatória e persecutória do nazismo, do genocídio dos Judeus (mas não se esqueçam dos ciganos, de todos os “não brancos”, ou melhor, ditos “não Arianos”, dos deficientes
e homossexuais).
Ao homenagear Aristides de Sousa Mendes, homenageiam-se também todos os que
corajosamente ousaram e ousam por em causa os ditames das ditaduras, arriscando a sua
vida e quando não, a dos seus familiares e amigos. Penso que a proposta é viável e a homenagem é por demais justa para ser recusada.
Os Estados, os cidadãos e os povos não se podem recusar a homenagear os injustiçados que não fugiram a tomar partido na sua consciência colocando-se à mercê da ira dos
poderosos, quando podiam ficar confortável e comodamente quietos no seu lugar, indiferentes ao sofrimento alheio e em vez disso se bateram pelos outros, pelos perseguidos,
pelos desfavorecidos, pelos desprotegidos.
Bem-hajam.
59 Publicado na “Reconquista”, 6/11/1998 e no blogue http://luisnorbertolourenco.blogs.sapo.pt (Julho/2005).

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Homenagem a um certo animal (político)
ou Dicionário de um certo jardinismo60
A Constituição da República? Mero papel.
A República? Fonte de receitas para a Ilha.
As reuniões do Conselho de Estado? Só se não tiver mais nada para fazer. Tribunal
Constitucional (e outros que tais)? A Lei sou eu…
Os jornalistas que “não lhe baixam as calças”? Bartardos, para não dizer “filhos-da-puta”!
Os portugueses do Continente? Contribuintes amorfos que tudo aturam ao Senhor
da Madeira.
O Presidente da República? Homem paciente… Esquece-se (desde 1995) que tem a
arma para desarmar um doido varrido.
Os madeirenses? Aqueles que merecem quem elegeram.
Os madeirenses? Habitantes duma República das Bananas.
Deste seu devoto, na devida proporção com que V. Ex.ª ama a Democracia e Portugal,
Luís Norberto Lourenço

60 Publicado em: http://luisnorbertolourenco.blogs.sapo.pt http://jn2.sapo.pt/seccoes/mensagem.asp?75392 e
http://centro-de-estudos-socialistas.blogspot.com (8/06/2005)

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Em Democracia há temas interditos?
O caso dos “cartoons”61
A censura, seja qual a forma como se apresente, é um mal para o desenvolvimento
dos povos, das nações, dos cidadãos e dos Estados, quando estes se preocupam positivamente com os cidadãos que servem. Pode ser excomungado... quem comunga. E não quem
não comunga. Certo? Trai alguma coisa quem pertence ao que é traído, se não pertencia
não é traidor. Certo? Os vários “direitos” confessionais valem para quem comunga de determinada religião, não pode obrigar todos. A disciplina partidária, vale para os militantes dos
respectivos partidos e não para todos. Ou não será assim! Os estatutos dum clube obrigam
os sócios do mesmo não toda a população do Mundo. Certo? Será a lógica da batata. No
entanto, muitos não percebem isto. Todo um país deve ser punido por um acto (duvidoso,
polémico, provocador, insensato, criador, mera opinião... escolham um ou vários ou proponham outros), dum jornal. Deve um país pedir desculpa por não permitir ou não advogar
a censura!? Só se combate o medo e o Terror não nos vergando a ele. A sua lógica vencerá
perante o nosso recuo, perante o nosso silêncio. Sou por um Estado em que não há senhores nem súbditos, só cidadãos, iguais perante a lei. Sou por um Estado que fomente a igualdade de oportunidades. É o primado da lei que deve vigorar não uma moral ou uma ética,
seja ela da maioria, seja da minoria. O que vale uma caricatura ou um cartoon? Mil palavras!
Uma caricatura, critica uma determinada realidade, sintetizando-a, resumindo-a, não é um
retrato (que pode ser retocado), nem uma fotografia (que poder ser manipulada), manifesta uma opinião que não por palavras, pelo menos não exclusivamente. Não é nem um
livro, nem um artigo de opinião (quando muito poderia ilustrá-lo) ou texto científico. Se se
considerar ofensivo ou insultuoso determinado cartoon ou outra manifestação da opinião,
em Democracia há tribunais que existem para fiscalizar o cumprimento ou não das leis em
vigor, se for o caso deverão actuar. Fora da acção dos tribunais existem muitas acções legítimas, legais e pacíficas para demonstrar o nosso descontentamento perante determinado
facto. Isto num plano civilizado. Quem ataca Estado e os cidadãos em geral, de forma despropositada e violenta não pode esperar compreensão. Pode Israel e os países nórdicos em
causa continuar a financiar projectos em países em que massas agridem e ameaçam os
seus cidadãos e bens? Podem financiar indirectamente que os quer matar. Quem protesta
é uma minoria? Onde estão as manifestações pacíficas criticando a violência dessa suposta
minoria? No País Basco, a cada atentado da ETA, seguem-se várias manifestações de milhares de cidadãos espanhóis nessa região espanhola, em Bilbau, Vitória... de várias centenas de
61 Publicado nos blogues http://centro-de-estudos-socialistas.blogspot.com e
http://luisnorbertolourenco.blogs.sapo.pt (8/02/2006)

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

milhares de pessoas (mesmo 1 milhão) apelando ao fim do terrorismo “etarra”. Do mundo
muçulmano chegam-nos os protestos violentos e silêncio (complacente?), escasseiam verdadeiras manifestações de repulsa pela violência. É dificil não fazer generalizações quando
a realidade não dá margem para evitá-las. Ou não é assim e eu estou redondamente enganado. Se estiver, comentem. Com uma garantia, que um fundamentalista, defensor da censura, não lhe poderia dar, i. é, que o seu comentário não será censurado.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Acesso gratuito ao Diário da República
em formato electrónico62
Moção apresentada no XII CONGRESSO FEDERAÇÃO DE CASTELO BRANCO DO PARTIDO SOCIALISTA, que se realizou na Sertã (conc. do Distrito de Castelo Branco), ontem, 6
de Maio de 2006:
MOÇÃO SECTORIAL* Na rota da Sociedade da Informação
As sociedades não perdem o seu lastro histórico; o desejo da Sociedade da Informação —
e do Conhecimento — não faz uma sociedade nova: é antes a renovação de um ideal antigo,
a proclamação de uma liberdade desejada, a fome de modernidade e de justiça, como se, de
repente, as possibilidades técnicas tornassem insuportáveis os entraves burocráticos, a sufocação
autoritária, a privação de informação e de saber.
In Livro Verde para a Sociedade da Informação em Portugal (1997)
Esta moção saúda o Governo, formado pelo Partido Socialista e liderado pelo camarada José Sócrates, pela medida governativa de tornar o acesso gratuito e universal ao Diário
da República em formato electrónico, a partir de 1 de Julho. Saúda-se esta medida por contribuir para a democratização do acesso ao sistema jurídico nacional. O que permitirá reforçar as formas de acesso ao direito e à informação jurídica tratada, através de modalidades
de acesso do Diário da República que possibilitem soluções de pesquisa avançada de bases
de dados jurídicas. Ao mesmo tempo, esta medida permite uma poupança anual ao Estado
na ordem dos quatro milhões de euros, diminuindo os encargos burocráticos para os cidadãos em geral e para as empresas, limitando a edição em papel do Diário da República, o
que em termos de impacto económico, significará uma poupança de três milhões de euros
por ano em publicações, valor ao qual importa juntar mais um milhão de euros de redução
em encargos derivados de transmissões electrónicas obrigatórias. No plano ambiental, há
uma redução de 1400 toneladas de papel por ano, equivalente a 28 mil eucaliptos. A Democracia política só existe se edificada sobre uma democracia social, económica e cultural, se
for promotora duma justiça e duma equidade sociais, com uma aposta séria numa filosofia
de serviço público ao serviço da cidadania. O PS considera que a democratização é um processo contínuo, que se realiza em múltiplas dimensões, na organização política, na paridade
entre os géneros, na vida cívica, económica, cultural e social. In Declaração de Princípios do
PS (2002) Por princípio, um cidadão não pode alegar o desconhecimento duma Lei, para
desculpar o seu incumprimento. No entanto, até esta medida ser tomada, poucos eram os
62 Publicado no blogue http://luisnorbertolourenco.blogs.sapo.pt (7/05/2006)

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

que tinham acesso ao Diário da República, devido ao elevado custo da sua assinatura, quer
em formato papel, quer em formato electrónico e a qualidade dos serviços públicos onde
pode ser consultado deixam muito a desejar. Seja rico ou pobre, constitucionalmente o cidadão tem direito à justiça. Contudo, não basta ter acesso de direito é preciso que o tenha de
facto. Os direitos para ser exercidos precisam da existência de condições de facto. Que interessa a um cidadão com deficiências motoras que tenha direito a aceder a um local público,
se de facto as barreiras arquitectónicas o não permitem? Com o PS, Portugal trilha os caminhos da Sociedade da Informação.
Militante do PS n.º 27557 (Concelhia de Castelo Branco)
*Aprovada por unanimidade

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Interior acossado:
Beira Interior sem comboios Intercidades63
CP acaba com comboios directos de Lisboa para as Beiras: Covilhã, Guarda e Castelo Branco perdem Intercidades, substituídos por automotoras em viagens mais curtas.
Passageiros farão transbordo em Coimbra ou no Entroncamento. O objectivo da empresa
pública (mas pouco…) é optimizar (que em terminologia económica e financeira normalmente rima com fechar e despedir) a gestão da frota fazendo circular menos comboios
nas linhas.
Ao passo que a ligação Lisboa-Porto diminui em tempo com Alfas Pendulares mais
rápidos, de 3h para 2h 30m. Ao mesmo tempo investe-se no TGV.
Qual é a percentagem do país que é servida por estas apostas?
Quantos distritos ficam de fora destes investimentos e são afectados pelas medidas da
CP e do Governo? Distritos de: Viana do Castelo, Braga, Vila Real, Bragança, Guarda, Viseu,
Castelo Branco, Setúbal, Portalegre, Faro e Beja.
Talvez, Governo e CP queiram que os portugueses se concentrem TODOS no eixo
Lisboa-Porto!
Na há medidas, não há programas de combate à desertificação e de combate à interioridade que resultem, se acções concretas não forem tomadas, talvez não fosse pedir muito,
que se não querem investir no Interior, pelo menos que não nos tirassem o que temos.
Quem serve a Administração da CP? Que interesses noutros sectores dos transportes
(rodoviários, entenda-se) impedem que defendam o transporte ferroviário? Ou não foram
nomeados para isso, para melhorar a sua oferta em vez de restringi-la, como estão a fazer!?
Para que se fez a electrificação da Linha da Beira Baixa? Para nada, está visto!
Qualquer empresa quer ganhar mais e mais clientes, não perder os que tem.
E no entanto os responsáveis da CP indicam que, mesmo que os passageiros reajam
mal aos transbordos em Castelo Branco, Coimbra e no Entroncamento e se perca algum
mercado, os resultados operacionais serão sempre positivos face à redução de custos obtidos. Argumentação duma empresa que não serve os cidadãos se os quisesse servir alargava
e melhorava a oferta não a condicionava.
Significa que para o Governo e para a Administração da CP a insatisfação e perda certa
de passageiros da Beira Baixa e da Beira Alta não lhes interessa desde que baixe os custos. Se
ficarem sem cliente nenhuns acabam com os comboios de vez e então é que não há custos
a lamentar e cada um que compre um carro (pagando os impostos associados) e gaste mais
e mais combustível (pagando os vários impostos associados)
63 Publicado no “Público” e no “Diário XXI” , Maio de 2006

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Que motivos terá alguém de Castelo Branco, da Covilhã ou da Guarda para viajar de
Comboio até Lisboa?
De carro pode ir sempre em auto-estrada da Guarda até Lisboa, só pagando portagem
de Torres Novas até Lisboa. Se quiser ir de autocarro pelo mesmo percurso demora menos
tempo do que se for já hoje de comboio.
Se as viagens de comboio passam a demorar mais tempo e serão mais desconfortáveis
(pelos transbordos e pela substituição de carruagens por outras menos confortáveis) e com
menos ligações, só interessará àqueles que queiram fazer turismo e que na Linha da Beira
Baixa queiram apreciar a bela paisagem das margens do Tejo, o que até hoje é uma vantagem, restará, até ao final deste ano, mesmo como o único motivo de interesse.
De facto, mais vale que acabem com o comboio de vez, com esta política de investimento alguém ganhará? As regiões acossadas? Os cidadãos? O Ambiente? A CP? A economia do país? Talvez os interesses privados de alguns governantes e de alguns administradores da CP?
Pressão demográfica no litoral, nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto?
Pudera!
Por cada promessa de investimento, desinveste-se em quatro ou cinco áreas no
Interior.
Um Governo que actua assim só pode ter em mente um projecto de Regionalização
quem em nada visará combater as assimetrias regionais, ao contrário dos projectos debatidos aquando do Refendo sobre as regiões administrativas em 1998, por muitos criticados
e vencido. Muitos ainda se irão arrepender, porque o que hoje se prepara nada augura de
bom!
Maternidades, escolas, vários serviços públicos, comboios Intercidades: FECHAR,
FECHAR, FECHAR!
Cavaco, Durão, Santana e Sócrates! Quatro nomes, a face da mesma moeda… má.
Volta António Guterres, estás perdoado!
Castelo Branco, 1 de Maio de 2006

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MANIFESTOS CONTRA O MEDO

As novas cidades
[inédito]
Trancoso, Meda e Sabugal, as agora cidades, juntas não ultrapassam os 10 mil habitantes, a mais populosa não chega aos 4 mil habitantes, nenhumas destas localidades nem
os respectivos concelhos apresentam um desenvolvimento ou um crescimento assinalável,
antes pelo contrário os três concelhos perderam habitantes, nos últimos anos, pelo que a
sua elevação a cidade não respeita nem preenche qualquer critério que justifique esse estatuto, a não ser o pior e menos importante, o político! São autarquias da cor do Governo!
Claro que o critério populacional não é o único! Estarão as três cidades dotadas de importantes infraestruturas que ultrapassem outras carências? Não!
Seia, uma jovem cidade do mesmo distrito, com mais população e essa sim, bem
dotada de vários equipamentos públicos e colectivos. Apesar de ser permitido que fosse
elevada a cidade, está ameaçada de vir a perder os serviços da EDP!
Ou seja, o pretende-se compensar um dos distritos mais pobres do país, dos mais
desertificados, sem esperança em muitos dos seus concelhos, com a elevação de quase
todas as suas sedes a cidade? Para acabarem como Pinhel? Velha cidade que hoje já não
merece esse estatuto? Como Foz Côa? Cidade no papel! De facto, uma pequena vila, com
um futuro adiado…
A realidade é esta nos catorze concelhos que compõem o distrito da Guarda só há uma
cidade de facto, só há um centro urbano, o resto são miragens! Gouveia! Outra! Quando
muito será, de facto, uma grande vila.
Das novas cidades, talvez Estarreja mereça o título! As outras? Mereciam apostas sérias
no seu desenvolvimento e depois que se lhes atribuísse um titulo que então seria delas por
direito.
Quando se banaliza qualquer coisa que já teve muita importância esta perde a
mesma.
A elevação a vila e a cidade se é dada sem nenhum critério perceptível, banalizam a
atribuição do mesmo título.
Cidades há que há muito tempo mereciam essa atribuição outras e era duvidoso que
o merecessem, outras há e são estas que me preocupam, que nem grandes vilas são quanto
mais cidades.

168

LUÍS NORBERTO LOURENÇO

A CCT na “Tertúlia Escudos IV”:
Em debate: os incêndios e muito mais…64
A Casa Comum das Tertúlias, representada por mim próprio, esteve presente, a 30
de Agosto de 2005, pelas 17h, na “Cafeteria de Los Escudos IV”, em Salamanca, local onde
se reúne, semanalmente, dez anos e mais de 500 tertúlias passadas, “La Tertúlia Escudos
IV”.
Era dia de tertúlia com TEMA LIVRE (por vezes, no mês de Agosto, com menos tertulianos e a cada cinco tertúlias, sensivelmente, há uma sem tema à partida, nem convidados),
na qual participaram 20 tertulianos (n.º habitual no mês de Agosto e que ultrapassa, nos restantes meses do ano, normalmente, os 30, o que tivemos oportunidade de comprovar nas
duas tertúlias anteriores em que aí participámos), dois deles portugueses.
Um dos organizadores (sendo a outra Luisa Vaquero) e habitual moderador, Luis
Gutiérrez Barrio, deu início à tertúlia, perguntando aos companheiros presentes sobre o
que queriam falar, se de um ou mais temas. Via “e-mail”, avisara Luis Gutiérrez da minha visita
à tertúlia, tendo-me dito que seria dia de tema livre, no entanto, poderíamos vir a falar (do
flagelo) dos incêndios que afligiam Portugal e Espanha, o que logo lhe respondi que sim,
que também me interessava debater esse tema.
Posto em cima da mesa este tema, o dos incêndios (em Portugal e em Espanha), abordaram-se várias questões relativas aos mesmos: as suas causas directas (pirómanos, vinganças, interesses urbanísticos, o negócio das madeiras, a venda da madeira queimada, o
fogo posto), as indirectas (a falta de prevenção, o mau ordenamento florestal, a vigilância
insuficiente das áreas florestais, a não libertação dos bombeiros para o combate dos fogos,
por parte das empresas privadas, os bombeiros “no papel”, a descoordenação no combate
aos incêndios, quando estão em causa em simultâneo vários concelhos, com cada comandante a puxar os meios para o seu, o caso espanhol, em que se regionalizou uma área que
não podia deixar de ser de âmbito nacional, como a prevenção e combate aos incêndios e
com todos os problemas que isso acarreta, quanto os fogos atingem zonas fronteiriças entre
várias regiões, cada uma com a sua politica de combate aos fogos), falou-se do auxílio do
exército aos bombeiros (da sua maior necessidade), de penas mais duras (e efectivas) para
os incendiários, a questão duma melhor reflorestação, da propriedade (privada ou pública
dos terrenos), do problema de se limparem atempadamente os terrenos, defendendo-se
que quem não o faça seja obrigado, não o fazendo que o faça o Estado apresentando a factura ao proprietário.
64 Publicado a 01/09/2005 no blogue: http://casacomumdastertulias.blogspot.com e no “Notícia da Covilhã”,
16/09/2005, com este título: “Incêndios: mais vale prevenir”

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Uma pergunta que fica no ar? Com o dinheiro que se paga por uma hora de voo no
combate aos incêndios, quanto não daria para pagar a mais vigilantes das nossas florestas,
para melhor formar os nossos bombeiros ou para que se limpassem as matas? Como disse
um médico presente, fica bem mais barato prevenir que remediar. Um cancro detectado a
tempo é curável, detectado muito tarde, nada há a fazer… Que grandes interesses levarão
a não seguir opinião tão sensata!!
Seguiu-se a poesia (declamada por dois habituais tertulianos).
Passou-se de seguida para o mais acalorado tema do dia, a cobertura jornalística da
morte, a 27 de Agosto de 2005, dum polémico crítico taurino espanhol, Navallon (homem
independente, não manipulável, verdadeiramente livre, por isso mesmo, muitos inimigos
criou), natural de Salamanca, assunto que foi tratado de maneira muito diferente pelos três
diários de Salamanca e pelos nacionais, com o destaque normal num deles.
Terminou a tertúlia com a referência ao aumento constante e sistemático do preço do
petróleo, sua relação com a guerra do Iraque e sobre a política de George W. Bush.
Da nossa congénere salamantina, recebemos alguns exemplares da revista “La Tertulia Escudos IV”, vai no n.º 3 (4, incluindo o n.º 0), que faremos chegar a algumas bibliotecas. Assim, entregámos na Biblioteca Municipal de Castelo Branco e será entregue amanhã
na B. M. Portalegre este n.º da revista, assim como, em mais algumas bibliotecas.
Mais uma excelente jornada cultural, semeada de fraternidade genuína, não da institucional que tantas vezes nada significa.
“Tertulia Escudos IV”: Uma casa onde nos sentimos muito bem, porque somos sempre bem recebidos e por um comum entendimento e defesa (exercido em cada tertúlia) da
Democracia e da Cultura. Até (muito) breve.
Ver mais em:
http://escudos.webcindario.com/20052.htm#ULTIMA%20TERTULIA

170

LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Conclusões da tertúlia
sobre “O 25 de Abril visto de Espanha”65
Um abraço fraterno, sincero e comovido, do nosso convidado espanhol (em nome do
povo espanhol) a um “Capitão de Abril” presente no encontro, dirigido a todos os “Capitães
de Abril”, seguido de uma salva de palmas.
A mais bela homenagem a Abril a que tive oportunidade de assistir!
Assim começou a sua intervenção na tertúlia de ontem o médico Joaquín Martin
Hernández.
Organizámos, no passado dia 25 de Abril de 2004, a 104.ª tertúlia, na qual se abordou
o tema “O 25 DE ABRIL VISTO DE ESPANHA”, tendo como convidado o Prof. Doutor Joaquín
Martin Hernández (médico espanhol), realizada na Biblioteca Municipal de Castelo Branco,
pelas 15h, com 37 tertulianos, 18 compatriotas seus, da nossa congénere de Salamanca, a
Tertulia “LOS ESCUDOS IV”.
Uma verdadeira embaixada cultural daquela cidade espanhola, coordenada pela tertúlia salamantina, encontrando-se entre os participantes na iniciativa os seus organizadores,
Luis Gutiérrez Barrio e Luisa Vaquero, o nosso convidado, Joaquín Martin Hernández (um
dos fundadores da tertúlia salamantina), um “Capitão de Abril”, o albicastrense Carlos Carvalhão, o militante e dirigente do PCP, opositor ao Estado Novo e por isso preso, participante
no Congresso Republicano de Aveiro, Carlos Vale, a deputada municipal de Castelo Branco
do CDS/PP, Maria Celeste Capelo, o arquitecto e nosso tertuliano habitual Vasco Câmara Pestana, tal como: a bibliotecária Ilda Lopes, Maria João Capelo e Fernanda Mateus, o vereador
da Educação, eleito pelo PS, da Câmara Municipal de Castelo Branco, Joaquim Leonardo
Martins, o organizador da “Casa Comum das Tertúlias” e moderador da tertúlia, Luís Norberto Lourenço...
Esta tertúlia foi a 3.ª que dedicámos ao “25 de Abril” (uma por cada ano da nossa existência), realizando-se no âmbito das Comemoração dos 30 anos da “Revolução dos Cravos”,
do 25 DE ABRIL, da Democracia, da Liberdade, sendo a 5.ª iniciativa (de 104) que contou com
mais participantes. Pretendeu-se com ela, trazer aos albicastrenses uma perspectiva diferente daquela que é habitual nas iniciativas sobre o “25 de Abril de 1974”, isto é, convidámos
alguém que do estrangeiro viveu este acontecimento (soubemos ontem, pela sua boca, que
esteve no 1.º de Maio de 1974, o primeiro celebrado em Liberdade, com 1 milhão de portugueses, num país que não atingia os 10 milhões), estando o seu país também sob uma ditadura, dizendo-nos como foi recebido, este acontecimento marcante da história portuguesa,
em Espanha, qual o peso que teve na Transição Espanhola (da Ditadura franquista para a
65 Publicado no blogue http://cctertulias.blogs.sapo.pt (14/07/2004)

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Democracia, em 1975, após a morte de Franco), mostrando conhecer bem a Revolução Portuguesa. Durante a tertúlia foram ouvidas as músicas: o “Hino do MFA”, a “Tourada”, a “Trova
do vento que passa”, “E depois do adeus” e a “Grândola vila morena”, esta última, no final do
encontro, foi cantada em conjunto, de mãos dadas.
Foi a 2.ª iniciativa em que existiu uma colaboração das duas tertúlias: da “Casa Comum
das Tertúlias” e da “Tertulia Los Escudos IV”, seguindo-se a uma iniciativa conjunta em Cidade
Rodrigo (cujas conclusões já demos notícia, por este mesmo meio, na semana passada), a
tertúlia sobre um “Centro de Saúde Transfronteiriço”, realizada a 17 de Abril, pelas 17h, no
Centro Cultural e Recreativo “El Porvenir” de Cidade Rodrigo, com 41 tertulianos, entre os
quais: o Dr. José María Francia (médico espanhol), o Dr. Carlos Manuel Almeida (enfermeiro
português), a Dr.ª Rita Diana Moreira (professora portuguesa), como convidados e o Dr. Luís
Gutierréz Barrio (pela tertúlia espanhola) e o Dr. Luís Norberto Lourenço (pela tertúlia portuguesa), como moderadores. (ver anexos) JOAQUÍN MARTIN HERNÁNDEZ nasceu em Salamanca. É Doutorado em Medicina pela Universidade de Salamanca. Especialista em Pediatria
pela Escola Professional de Pediatria da U. de Salamanca. Diplomado em Saúde pela Escola
Nacional de Saúde. Diplomado em Medicina de Empresa. Membro da Sociedade Espanhola
de Geriatria e Gerontología. Mestrado em Gestão e Direcção de Centros Hospitalares. Actualmente é o Coordenador da Área de Saúde do Serviço Territorial de Saúde de Salamanca.
Presidente do Partido Liberal em Salamanca. Senador no Parlamento espanhol na IV Legislatura (1989-1993). Vice-presidente da Comissão de Incompatibilidades do Senado. Secretario
da Comissão Mista Congresso-Senado de Estudos sobre a Droga. Porta-voz da Comissão de
Segurança Social no Senado. Observador enviado pelo Governo Espanhol à Nicarágua, nas
eleições de 1991. Tertuliano habitual e um dos fundadores da Tertulia “LOS ESCUDOS IV”.
A tertúlia de hoje, como aquela em Cidade Rodrigo, não se ficou pelo debate propriamente dito, visto que, foi precedido pela visita cultural à cidade (visita guiada ao Museu de
Francisco Tavares Proença Júnior; visita guiada, pelo Prof. João Ribeiro, ao Jardim do Paço
e percurso pedestre pela Rua de Santa Maria, já de cravo vermelho ao peito), seguida de
almoço (onde não faltou um desejado prato de bacalhau) no Restaurante “A Muralha”, para
28 pessoas, no final do qual se leram alguns poemas, em português e castelhano, nomeadamente evocativos da data (Abril com “R”, de Manuel Alegre, foi um deles), aliás, muito acarinhada pelos nossos vizinhos e amigos de Salamanca.
Um historiador espanhol, Moisés Cayetano, no dia 14 de Abril de 2004, na sua coluna
no diário “El Periódico de Extremadura”, dizia: «El próximo dia 25 de Abril se cumplen 30
años del golpe militar que dio origen a la llamada Revolução dos Cravos, la revolución político-social más importante que ha tenido lugar en Europa en el último médio siglo, y que iniciada por unos jóvenes capitanes acabó con una dictadura de más de cuarenta años en Portugal. (…) tenemos un país que se encamina hacia el futuro conservando una activa soberanía popular que tan ejemplarmente conquistaron.»
A “Tertulia Los Escudos IV”, reúne-se semanalmente, às terças-feiras, pelas 17h, em
Salamanca, no Café/Restaurante “Los Escudos IV”, há 9 anos, em Maio próximo. Começando

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

por ser uma tertúlia dedicada ao mundo dos touros, actualmente aborda vários assuntos,
com uma média superior aos 20 participantes.
A “Casa Comum das Tertúlias”, com sede em Penamacor, é um espaço de Cidadania,
de reflexão e intervenção: cultural, social e política, apostada na difusão da Cultura. Herdeira
da “Tertúlia” e da “Tertúlia Itinerante”, a semear Cultura desde 5 de Outubro de 2001, em:
Castelo Branco, Marvão, Nisa, Penamacor, Portalegre, Sátão, V. N. de Paiva, V. V. de Ródão,
Cidade Rodrigo…
Obrigado Abril.
Castelo Branco, 26 de Abril de 2004

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Pela abolição dos partidos… ou não
Por que razão nos iludimos?
Para quê manter os partidos?
Para os usar e deitar fora?
Para, por eles sermos usados e deitados fora?
O PRD foi comprado pelo PNR! Como se duma empresa se tratasse!
O PSN foi usado por um número importante de aviadores militares que queriam passar à vida civil (à aviação comercial) e a forma que encontraram foi candidatarem-se por um
partido.
O PCTP/MRPP, que nos tempos do PREC (1.ª metade dos anos 70 do séc. XX) acolheu
todos os que quisessem combater o PCP, fossem de direita ou de esquerda. Isto foi assumido
publicamente por muitos ex-militantes.
Muitos dos pequenos partidos são utilizados por candidatos de partidos maiores
quando não são os escolhidos, nomeadamente, para as autárquicas.
Assim o BE, o PPM, o MPT, conseguiram em actos eleitorais diferentes as suas Câmaras Municipais.
PS e PSD, os grandes empregadores políticos… e não só, são os mais apetecíveis. Porque motivo, quando estão no poder ou parece estarem à beira dele, aumentam o número
de militantes e a participação destes nas iniciativas partidárias?
Qual a diferença entre uma lista eleitoral partidária e outra, dita independente, apoiada
por um partido.
Uma verdadeira lista de independentes NÃO PODE ter apoios partidários. Não faz qualquer sentido, uma lista composta de independentes, que serão pessoas apartidárias (não
apolíticas), mesmo que de entre eles se incluam antigos militantes de um qualquer partido!
Apartidários, que por qualquer razão não se revêem em nenhum partido, quer por considerarem a militância limitadora da sua liberdade ou por qualquer outra razão.
O que significa ser independente? Não militar num partido? É apenas isto! Significa não
ter de receber “ordens” do partido? E quem as aceita? Significa não ter de respeitar a disciplina partidária? E quem as respeita?

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Intervenção na Assembleia Geral
de Militantes da Concelhia do PS
de Castelo Branco de 3 de Julho de 2003
ß Propostas culturais (apresentadas à AMCB e à CMCB, no dia 25/6/2003): criação
em C.B. da Agenda Cultural e Vereador da Cultura (a tempo inteiro);
ß Descentralização (ex: CAE; PIJ que fecharam, 7 no Distr. C.B.; proposta de moção
sobre a centralização, repudiando-a, em curso adoptada pelo Governo PSD/PP);
ß Petição sobre a Electrificação da Linha da Beira Baixa (defendendo que continue até à Guarda);
ß Parabéns à JS/Castelo Branco pela criação de novos núcleos, sobretudo em
pouco tempo;
ß Parabéns ao PS por o Gás Natural ter chegado a Castelo Branco (por ter sido
uma iniciativa dos últimos governos PS, sendo que os Governos do PSD liderados por
Cavaco Silva, se opunha a que o Interior fosse incluído na rede de Gás Natural, por dizia,
não tinha população que o justificasse, argumento que tem levado a que o actual
Governo feche bastantes serviços descentralizados, nomeadamente no Interior);
ß Defesa da reunião alargada dos órgãos eleitos do PS (ex: do Núcleo de Belém
da JS/FAUL, para informar, incentivar, responsabilizar, também, os militantes de base
das decisões que são tomadas, porque foram ouvidos);
ß Agrupamento de Escolas (contra a forma como foram impostas);
ß Democracia no PS (nas vésperas das últimas legislativas, Ferro Rodrigues esteve em
C.B., no Hotel Rainha D. Amélia, para uma Assembleia Distrital de militantes do PS,
com a presença de independentes simpatizantes do PS; critiquei a forma apressada
como decorreu o encontro, pela mesa que presidiu a esse encontro, que em vez de
dar espaço de intervenção a todos, democraticamente, quis “despachar” o encontro,
como quem diz, vá lá despachem-se que não estamos aqui para vos ouvir, mas sim
para o nosso líder falar e fazer que queremos ouvir-vos, inscreveram-se 10 militantes
para falar, dos c. 400 que estariam presentes e chega porque não temos a noite toda);
ß Eleitoralismo/pragmatismo (o PS é um partido eleitoralista, pragmático, i. é.,
esforça-se sobretudo por ganhar eleições, significando isto que, muitas vezes, apresenta a eleições um programa e candidatos que podem ganhar, sem que sejam
necessariamente socialistas, de esquerda);
ß Caso de Penamacor (últimas eleições autárquicas/eleições PS/Penamacor).
Castelo Branco, 3 de Julho de 2003

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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A Biblioteca Municipal de Castelo Branco (I)
Não é a primeira vez que escrevo sobre a Biblioteca Municipal de Castelo Branco e suas
lacunas e porque não me quero repetir, trarei novas achegas.
O actual Presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, a Vereadora da Cultura da
CMCB, a anterior Bibliotecária da BMCB, os anteriores e os actuais responsáveis da mesma e
muitos dos que lêem os meus textos sabem o que penso ao respeito do actual estado da
Biblioteca. Quer através de textos publicados em periódicos regionais, quer pessoalmente,
já disse o que penso, fazendo algumas propostas.
Penso que a cidade de Castelo Branco só terá uma Biblioteca Municipal digna quando
tiver um edifício novo e, sobretudo, quando os responsáveis culturais da cidade apostarem
numa política cultural nova, por exemplo, à semelhança da seguida quer na Guarda e principalmente em Beja (sobre Beja escreverei no próximo texto).
Mas, enquanto se não faz um Biblioteca nova, não pode esta ficar como está.
Há que transferir a Delegação da Cruz Vermelha para outro local, permitindo, à Biblioteca Municipal, no mínimo, aumentar o seu acervo documental e respirar um pouco até à
criação de uma nova B. M., que ser quer... para ontem.
23/8/2001

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Uma Biblioteca exemplar
[inédito]
Decorrida que estava a primeira semana de Agosto, encontrando-me de férias na foz
do rio Mondego, resolvi dedicar uma certa tarde à cultura.
Assim desloquei-me à Biblioteca Municipal da Figueira da Foz (B.M.F.F.), genericamente
motivado pela curiosidade cultural, mas procurando em particular alguns livros de poesia
(que me inspirassem) e saber qual a diversidade de periódicos aí existentes, tanto pela quantidade como pela qualidade.
A Biblioteca Municipal da Figueira da Foz fica situada no mesmo edifício do Museu
Municipal e do Auditório Municipal e tem a seus pés um acolhedor relvado.
Chegado ao local, verdadeiro centro cultural figueirense, qual não foi a minha admiração por aí encontrar um n.º considerável de periódicos (jornais e revistas): regionais e nacionais, diários, semanários e outros. Sobretudo impressionou-me pela quantidade de jornais
regionais, nomeadamente da Beira Interior: “A Comarca da Sertã”, a “Reconquista”, o “Jornal do Fundão”, a “Guarda”... Além dos periódicos regionais aí se encontravam: o “Público”, o
“Diário de Notícias” e o “Jornal de Notícias” e outros diários e semanários nacionais.
A B.M.F.F. cumpre assim, pelo menos no que à oferta de leitura de periódicos diz respeito, o seu papel de biblioteca pública, tanto mais que se sabe, que outras bibliotecas
municipais situadas em capitais de distrito (o que não é o caso da Figueira da Foz) e outros
centros urbanos maiores que a Figueira da Foz, se contentam em disponibilizar aos seus leitores, não mais do que um semanário e um diário nacionais e os jornais da sua região, como
se aos leitores da mesma, não interessasse o que se passa nas outras regiões do país ou no
resto do mundo, contribuindo assim para alimentar bairrismos e pouco ou nada fazendo
para fomentar o conhecimento do “outro”.
Voltando aos diários (nacionais), quantas bibliotecas municipais ou não, oferecem aos
seus leitores, em simultâneo: o “Público”, o “Diário de Notícias” e o “Jornal de Notícias”?
Os quais são, na minha opinião e na da maior parte dos leitores, os três melhores jornais diários portugueses.
Quantas bibliotecas preferem oferecer aos seus leitores, tão só o “Correio da Manhã”,
jornal a que confesso recorrer, contrariado, quando não consigo por qualquer motivo comprar o “Público” ou um dos dois jornais alternativos aceitáveis: o “Diário de Notícias” ou o
“Jornal de Notícias”.
Pelo sítio onde se situa, no coração duma zona verde, e pela oferta de leitura de periódicos, a B.M.F.F. é um exemplo a seguir.
Figueira da Foz, Agosto/2000

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MANIFESTOS CONTRA O MEDO

Indignação66
Tinha prometido a mim mesmo, por uma questão de “higiene mental”, não sujar a
minha boca, nem as minhas mãos, nem perder o meu tempo a falar e a dar ainda mais publicidade a um programa que me repugna.
Os factos, no entanto, obrigaram-me a rever a minha posição, sob pena do meu silêncio desta vez se voltar contra mim, por isso não me posso calar!
Como é possível que a Câmara Municipal de Portalegre tenha oferecido transporte
para Lisboa e mesmo alguns jantares, a quem quisesse apoiar uma sua conterrânea, Elsa,
que participa num programa televisivo da TVI, o Big Brother 2.
Que interesse “público” estará a Câmara Municipal de Portalegre a servir quando apoia
as “Festas da Elsa”?
É, para mim, uma forma pouco socialista – tratando-se de um executivo camarário
socialista – de encarar o investimento público.
Como é possível que um qualquer órgão do poder local, regional ou nacional, patrocine ou fomente semelhante programa?
Será que o faz para agradar a alguns eleitores?
Será que o faz, nada inocentemente, pensando entreter alguns eleitores que assim não
se preocupam com os problemas locais?
Infelizmente, esta é a mesma Câmara Municipal que se queixa de não ter dinheiro para
financiar visitas de estudo, que não dota a sua cidade de um cinema com um mínimo de
condições – a Oposição em Portalegre também não está isenta de culpas, nem a própria
população portalegrense – e permite que, a certas horas, não haja transporte público entre
a cidade e a Estação da C.P., situada a 12 km!
Como é possível que, em determinados serviços públicos, se permita, mais grave do
que isso, se dê carta-branca a quem queira telefonar para o dito programa, para nomear
outros concorrentes para saírem dele, para que a dita Elsa continue nele?
Confesso que a minha concepção de serviço público não se revê nesta situação.
É esta imagem que algum poder dá, patrocinando tudo o que afaste os eleitores da
vida pública, do debate dos problemas locais, regionais, nacionais e internacionais, para
assim poder fazer as asneiras que quiser, sem ter de prestar contas a ninguém, é este o
mesmo poder que quer deixar passar a imagem de que os políticos são todos iguais, isto é,
maus, corruptos, para afastar os mais honestos da política, fazendo aumentar a abstenção, a
qual não preocupa um certo poder, este tipo de poder, o qual cresce paralelamente a ela.
66 Publicado em: “O Distrito de Portalegre”, 11/5/2001; “Fonte Nova”, 9/5/2001; “Imenso Sul”, 11/5/2001 e
“Diário do Alentejo”, 8/6/2001. O artigo teria uma resposta (nos mesmos jornais) de alguém que assinou como
“As Amigas da Elsa”.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Uma cultura viva, activa, forte, fortalece os cidadãos e isso preocupa um certo tipo de
poder que nos quer passivos, sem poder crítico, em suma, cidadãos manipuláveis.
Os cidadãos que participam naquele género de programas, quais novos heróis que,
este tipo de poder parece interessado em ajudar, não o podem criticar… por incapacidade
manifesta.
Infelizmente, há quem não veja ou não queira ver isto, esta estratégia passa também
por fazer esquecer o 25 de Abril de 1974, porque a sua comemoração faz os cidadãos recordar que há outra forma de fazer política que não esta e essa mensagem não convém a esse
poder que passe.

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MANIFESTOS CONTRA O MEDO

Juízes, Militares E Jornalistas:
Actores Políticos? Que Independência? Que Ética?
[inédito]
Um juiz é alguém que deve aplicar a justiça com imparcialidade e ser sempre independente do poder político, como os tribunais (poder judicial) o devem ser dos outros (poder executivo, legislativo e moderador, a estar este previsto).
Ao tomar partido, politicamente, imiscui-se numa esfera que lhe é, eticamente,
proibida.
Seria o mesmo que um político, contestar a decisão de um juiz, só porque não lhe
agrada, querendo pressioná-lo a aplicar a justiça conforme mais lhe convém.
Um jornalista, ao querer passar do seu papel de observador, para desempenhar o
papel de actor político, passa uma linha após a qual, do meu ponto de vista, não há volta
atrás.
Ao tomar partido, politicamente falando, como pode, regressando ao seu papel de jornalista, querer que o leiam e ouçam como sendo imparcial?
Vou mais longe...
Será que, os seus leitores, não pensarão que, este ao entrar na política, não se tinha já
preparado para o fazer, isto é, as notícias que deu, os textos jornalísticos e de opinião que
escreveu (assinando ou não) não tenderam politicamente para um dos lados?
Que imparcialidade terá tido?
Que independência?
Pode ter sido imparcial e independente, politicamente falando, economicamente, etc.
Mas, a dúvida, essa fica.
Pergunte-se mesmo, que notícias comprometedoras, de amigos (políticos) terão
ficado na gaveta (ou ido para o lixo), que notícias comprometedoras, de (potenciais futuros)
inimigos terão sido empoladas, dando-se-lhe um relevo que não tinham?
Um militar (GNR, Forças Armadas) também está, eticamente, no mínimo, impedido
de manifestar publicamente a sua opinião política.
Um militar é um funcionário público, que tem como função fazer aplicar a lei (pela força)
seja para preservar a segurança interna, seja para defender o país de ataques externos.
É, o militar, um dos membros do braço armado do Estado, e logo do poder executivo,
isto é, do Governo em funções, quando politicamente não consegue fazer-se respeitar, na
execução das leis, aprovadas democraticamente (porque é isto que está em causa).
Quando um militar pretende trocar de papéis, ou quer desempenhar dois, isto é, ser
militar e actor político, põe em causa a sua acção enquanto agente de autoridade, porque
deixa de ser imparcial.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Não significa isto que deve abdicar dos direitos que tem, tal como dos deveres, não
pode é desempenhar em simultâneo os dois papéis.
Não quer isto dizer, para que não haja confusão, que qualquer cidadão, qualquer que
seja a sua função, numa situação extrema, não possa, diria mesmo, não deva ter uma actuação política, só que alguns, pelo papel que desempenham na sociedade e aos quais lhes
é exigida, provavelmente mais do que aos outros, imparcialidade, independência, objectividade e ao pisarem a linha colocam em causa a sua credibilidade, seja ao aceitar fazer publicidade, seja ao tornarem-se actores políticos, por exemplo.
Claro que um juiz, perante a possibilidade de um partido ou alguém, que defenda o
fim da independência dos tribunais, poder ganhar eleições, por exemplo, pode (e deve)
fazer campanha contra esse partido.
Claro que um jornalista, perante a possibilidade de aprovação, por exemplo, de uma lei
que preveja qualquer forma de censura, pode (e deve) manifestar-se contra.
Mas estes, são exemplos, de poucas excepções que confirmam a regra.
Castelo Branco, 11 de Fevereiro de 2002

181

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

Regionalizar ou aumentar os poderes das CCDR
e dos Governadores Civis?
Começo pela resposta: Regionalizar.
A pretensa descentralização, sob a forma de reforçar os poderes dos Presidentes das
C.C.D.R. e dos Governadores Civis, é o oposto da descentralização e da regionalização, porque os Presidentes das C.C.D.R. e os Governadores Civis são nomeados pelo Governo, a ele
prestam contas, não respondem perante as populações das regiões, porque não são eleitos,
logo, não as representam e não me parece que os órgãos eleitos indirectamente, nas regiões, as Assembleias Distritais, o sejam muito melhor.
Reforçar os poderes de órgãos da Administração Central, não legitimados pelo voto, i.
é, não eleitos, é para mim inaceitável.
Isto confirma que, o PS nunca quis a Regionalização, por isso não se empenhou nela,
verdadeiramente, se dúvidas houvesse, aqui está a prova.
É um mau serviço à Democracia, é uma machadada na esperança de uma descentralização impulsionada pelo poder central (Governo), que como se vê nunca o quis, é por
último, uma traição dum Governo PS aos socialistas e não socialistas que se empenharam na
defesa da Regionalização e que não desistem da sua implementação.
Regionalização, para quem, é esta a melhor forma de descentralização do poder e de
reforçar a Democracia, castrada, pela falta de órgãos regionais eleitos directamente.
Castelo Branco, 31 de Julho de 2001

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Eleições legislativas: as listas de deputados
Olhos nos candidatos suplentes, olhos nos candidatos autarcas, porque provavelmente, não se candidatam para efectivamente ocupar o lugar, mas apenas como figura de
corpo presente para compor a fotografia.
Candidatos reais ou virtuais?
Quantos deputados serão eleitos para a próxima Assembleia da República? 230.
Quantos partidos estão representados na actual (dissolvida) AR? 6: PPD/PSD, PS,
CDS-PP, PCP, BE e PEV. Quantos terão reais possibilidades de eleger deputados? Em princípio os mesmos! Concentremo-nos nestes então. Por direito, cada um deste partidos, assim
como, todos os outros que se apresentem a votos nas próximas eleições podem apresentar,
cada um, 230 candidatos efectivos a deputados e outros tantos suplentes, tudo somado (e
pensemos só nestes) dá 1150 candidatos, só destes partidos, só os candidatos efectivos! Ora
bem. Pensemos que alguns dos candidatos eleitos serão substituídos, temporariamente ou
até ao final do seu mandato, por outro, suplente! Bem, os casos não são, longe disso, excepção. Por exemplo, o círculo eleitoral de Castelo Branco, elegerá (e tem elegidos de algumas
eleições para cá) cinco deputados. Nas últimas eleições o PS elegeu 3 deputados e o PSD
2 (repetindo os resultados dos dois actos eleitorais anteriores). Dos 3 do PS, os dois primeiros ocuparam e exerceram efectivamente o seu lugar, sendo chamada a exercê-lo a 4.ª e
1.ª suplente para substituir o 3.º eleito, que suspendeu o mandato. No caso do PSD o caso
é pior, elegendo dois deputados, a n.º 1 viria a abandonar o lugar, no meio duma jogada
política misturada com interesses pessoais, substituída por um suplente o 3.º da lista e 1.º
suplente, nada agradado com a situação, mais dado a futebóis, mas, enfim, lá desempenhou, com algum enfado o cargo, também seria substituído para se chamar o 4.º da lista e
2.º suplente.
Seia, 4 de Janeiro de 2005

183

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

Cantarão os amanhãs?
A nova lei sobre o consumo de álcool que o Governo elaborou reflecte o desconhecimento sobre a História, nomeadamente da História dos EUA do século XX, de quem a fez.
Refiro-me é claro da chamada “Lei seca” criada nos Anos 20 do nosso século nos EUA, a qual,
como se sabe foi aproveitada pela Máfia norte-americana, para, à custa da proibição do consumo de álcool, controlar todo o mercado ilegal das bebidas alcoólicas, porque as pessoas
não deixaram de beber bebidas alcoólicas.
Da “Lei seca”, cujos legisladores, à partida, pretendiam diminuir o consumo de álcool,
resultou não o oposto, como a Máfia daquele país cresceu exponencialmente, à custa do
lucro dos casinos, bares e destilarias que controlavam, lucro que servia para viver faustosamente, para corromper advogados, juízes, políticos – a quem financiam as campanhas –,
autoridades policiais (incluindo as chefias) e por aí fora.
Assim se percebe, que o combate não surtisse efeito, assim se percebe que também
isso se verifique no que respeita ao combate á Droga e irei mais longe, no que respeita à
prostituição sucede o mesmo.
Só pode continuar a defender a ilegalização do consumo da Droga, da prostituição e
defender a nova lei sobre o consumo de álcool, os ingénuos e os que vivem da ilegalização
destes três fenómenos sociais, porque infelizmente, não é novidade para ninguém, qualquer
produto ilegal é mais caro que o mesmo, sendo legal.
A nova lei sobre o consumo de álcool tem genericamente dois pontos: 1) proíbe a
venda de álcool a menores de 18 anos e 2) proíbe os condutores a conduzir com uma taxa
de alcoolémia superior a 0,3 / L, mas só os “encartados” à menos de 2 anos.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Penso, logo hesito – só eu sei porque fico em casa67
Não primo pela crítica a agentes e a criadores culturais, se hoje abro uma excepção,
vão perceber porquê.
No sábado à noite, num café-concerto albicastrense, espaço quanto baste, casa cheia
(apesar do frio e de concorrência na mesma, no entanto, melhor arte), subsídios a rodo,
espectáculo mau, com amadorismo à solta, salvando-se a exposição fotográfica, patente
no referido espaço. Passados 6 anos: zero em evolução e em respeito pelo público, pontualidade incluída!
Noite fria (estou a repetir-me… é que estava mesmo frio), o clube dos “seis milhões”
perdia, a paixão clubista não foi maior que o amor à arte (que não a sétima) e o respeito por
quem trabalha, assim, minutos antes da contenda findar, rumei a outro espectáculo.
Chegados lá, o espectáculo cultural tinha-se submetido à ditadura da bola, com direito
a 30 minutos de ressaca (qual petisco para o resto da semana, de tão intenso, quanto banal
debate: “o meu é o melhor”, “fomos roubados” “nós é que fomos”, “o árbitro devia ser irradiado” e outras pérolas do género).
A abrir o apetite para a peça, serviu-se sétima arte: cinema mudo! Prometia! Não fora
a “insistência” por parte dalguns espectadores em passar entre o projector e o pano onde
se projectava o filme, o próprio projeccionista incluído (isto tem um nome feio que o leitor
imagina qual é)!
Se o grupo é amador… a caminho da profissionalização (seis anos depois), a entrada
foi paga, até por isso, se dispensava o amadorismo. A ver vamos se assim continua, a casa
cheia, depois desta experiência! Quanto a mim, “não vou por aí”.
À mesma hora, decorria teatro noutro espaço cultural, na cidade “fagueira” que não é
a Capital nem a “Invicta”, onde se pode assistir a teatro todos os dias.
Falta de agenda (sem segundo, antes com duplo sentido)? Quanto ao calendário futebolístico, é conhecido em… Agosto! Não haveria outro dia para o café-concerto? Não se
podia ter anunciado que a peça começava às 22h?
Quanto ao espectáculo propriamente dito, como não sou crítico teatral, apenas cidadão activo, atento e interessado pela cultura, prefiro não qualificar o inqualificável (piadas
sem piada, originalidade nula, linguagem vulgar, quanto ao apelo à reflexão, só se for sobre
os subsídios que recebem).
Haverá sempre quem goste.

67 Publicado no blogue http://casacomumdastertulias.blogspot.com (29/01/2006)

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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A qualidade tem o seu lugar e a falta dela também (TVI, O Diabo, O Crime, Correio da
Manhã, 24 Horas, Zé Cabra, Cebola Mole, Big Brother, Primeira Companhia, Herman José,
Alberto João Jardim, Avelino Ferreira Torres, Le Pen, Vladimir Jirinovsky, George W. Bush,
Hamas… a lista é infindável e não vá pôr-me a jeito para me cortarem o texto por falta de
espaço, fico-me por aqui).
Subsídio, amadorismo e entrada paga! Algo está a mais? Diga-me o leitor qual é.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Crónica de um não acontecimento: Comemorações
do 26º Aniversário do 25 de Abril de 1974 em Castelo
Branco
[inédito]
Como é apanágio de Castelo Branco, a capital de Distrito – que alguns queremos capital, também, da cultura da Beira Interior – liderou, a nível regional (pelo menos!), as comemorações do 26º aniversário do 25 de Abril de 1974, da Revolução dos Cravos, liderou na quantidade e criatividade (diversidade) dos eventos realizados.
Nada que se compare à indiferença total que tal data mereceu na Covilhã, Fundão,
Guarda, Tortozendo ou Niza!
O Povo saiu à rua...
As ruas estiveram engalanadas de cravos vermelhos, cor-de-rosa, brancos...
Cada cidadão, grato por viver em Liberdade, ostentou orgulhosamente, de cabeça
bem levantada, o seu cravo vermelho ao peito!
Houve debates, colóquios e exposições evocativas por toda a cidade.
Todos cantaram as músicas de Abril, sobretudo a “Grândola, Vila Morena”, “E Depois do
Adeus”, a “Marcha do MFA” e, o Hino Nacional, “A Portuguesa”.
Os bilhetes para o filme “Capitães de Abril” esgotaram.
As escolas organizaram encontros com ex-presos políticos, escritores e jornalistas
censurados.
Realizaram-se várias provas desportivas e manifestações evocativas da queda do
Estado Novo, celebrando a Revolução dos Cravos, onde se gritava: “Liberdade. Liberdade”,
“Ditadura Nunca Mais”, “Fascismo Nunca Mais”, “25 de Abril Sempre”, “Viva o MFA”, “Vivam os
Capitães de Abril” e “Obrigado Abril”.
Assistiu-se a uma sessão solene da Assembleia Municipal de Castelo Branco, simplesmente única.
Realizaram-se: a “Feira do Livro Censurado” – A crise da Igreja, do Pe. Felicidade Alves,
por ex. –, a “Feira das Músicas Proibidas”, declamaram-se poemas de autores censurados –
como Manuel Alegre e José Carlos Ary dos Santos, por ex. – que gritaram, que clamavam
por Liberdade e a “Feira dos Periódicos Censurados” – como o Jornal do Fundão e a revista
Seara Nova, por ex.
A alegria que pairou na cidade, fez o ignorado Carnaval albicastrense parecer um
funeral.
Mais uma vez Castelo Branco – sobretudo os jovens, reconhecidos – mostrou-se grata
a quem – com o seu sangue, suor e lágrimas –, lhe serviu a Liberdade numa bandeja.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

187

Os Capitães de Abril e todos os outros que deram a sua vida (literalmente ou não) para
que hoje se possa usufruir da Liberdade conquistada, estão certamente orgulhosos dos seus
herdeiros albicastrenses.
De facto as comemorações deste ano, semelhantes às dos outros, nada tiveram a ver
com as do ano passado (1999) onde nem se deu pelo 25º aniversário do 25 de Abril, como
decerto se recordam.
Assistiu-se ainda à representação de peças de teatro evocativas da data e um ciclo de
cinema dedicado ao 25 de Abril.
Como é bom festejar o 25 de Abril em Castelo Branco... houve também outra coisita...
o lançamento de foguetes na manhã de 25 de Abril.
Não há dúvidas, esta é a outra face da cidade que se quer projectar para 2020, facto
que eu, como cego que não quero ver, entenda-se, acho estranho, era melhor deixar andar,
sem planear nada...

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Cooperação tertuliana com Salamanca68
A “Casa Comum das Tertúlias” (CCT) nasceu – em 1 de Janeiro de 2004 – da união da
“Tertúlia” com a “Tertúlia Itinerante”, ambas organizadas pelo albicastrense Luís Norberto
Lourenço. A primeira, activa em Castelo Branco desde 5 de Outubro de 2001, reunia quinzenalmente, à sexta-feira, pelas 21h 30m. A segunda (em 16 de Outubro de 2002), surgiu para
dar resposta a vários desafios e aproveitando a vida itinerante de docente que se impunha
ao seu organizador, por isso, esta não tinha periodicidade nem sede definida, agindo culturalmente em: Portalegre, Nisa, Penamacor, Vila Nova de Paiva, Marvão, Sátão, Vila Velha de
Ródão... sem nunca abandonar o projecto de Tertúlia em Castelo Branco.
Em 2003, Luís N. Lourenço adquiriu uma casa em Penamacor, fixando aí a sede das tertúlias, decidindo juntar as duas tertúlias, chamou à sede Casa Comum das Tertúlias. A Casa
Comum das Tertúlias é um espaço democrático, plural, de cidadania, de reflexão e intervenção: cultural, social e política, dando primazia à divulgação, promoção e dinamização da Cultura e à criação cultural e pugnando por uma Cidadania plena.
Entre as actividades realizadas temos: apresentação de livros, revistas e fanzines, a
organização de tertúlias, de exposições (cerâmica, desenho, escultura, fotografia, pintura...),
declamação e distribuição de poesia, concertos de música...
A CCT (e as tertúlias que a originaram), nas suas 103 iniciativas, já se reuniu em mais de
30 espaços diferentes, em várias localidades – também em Cidade Rodrigo, no dia 17 – juntando mais de 250 pessoas diferentes, participando, nas tertúlias, pessoas de todas as idades, homens e mulheres, com as mais variadas profissões, interesses, habilitações literárias,
opções políticas e partidárias.
Apesar da aquisição da casa onde terá a sua sede, onde obviamente decorrerão a maior
das iniciativas, não significa que a CCT deixe de intervir, onde e quando achar necessário.
O “formato” de tertúlia como forma de intervenção e reflexão, de cidadãos para cidadãos, sem a preocupação da “falta de tempo”, sempre presente quer em debates televisivos
ou radiofónicos, tem uma história recente, pois no início de 2001 – apesar duma primeira
tertúlia realizada em 1999 – estando o futuro organizador da CCT a leccionar em Portalegre, viria a integrar o núcleo tertuliano fundador da Tertúlia do Teatro de Portalegre (local de
reunião), dinamizada pelo Júlio Henriques, reunindo-se quinzenalmente à segunda-feira. A
experiência portalegrense iria ser aprofundada, com a fundação e organização do “Espaço
Tertúlia” (em parceria com Carlos Casaquinha; em 13 de Março de 2002; reunindo mensalmente, à quarta-feira, pelas 21h, em Portalegre, sobretudo na Livraria 8.6, decorrendo uma
iniciativa em Nisa).
68 Publicado no “Diário Regional de Viseu”, 20/04/2004.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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A Tertúlia “Los Escudos IV”, de Salamanca, coordenada por Luisa Vaquero e Luis Gutiérrez Barrio reúne-se semanalmente, terça-feira, há 9 anos, no café que lhe dá o nome, para
debater vários temas, ainda que tenha surgido como tertúlia sobre o mundo dos touros,
com cerca de 30 tertulianos. Foram estabelecidos contactos profícuos, de que a 1.ª tertúlia
conjunta já realizada em Cidade Rodrigo é um exemplo que se deseja muitas vezes repetido,
seguindo um segundo encontro a 25 de Abril em Portugal.
No dia 17 de Abril de 2004 realizou-se no Centro Cultural e Recreativo “El Porvenir” de
Cidade Rodrigo, pelas 17h, numa organização conjunta da Tertúlia “Los Escudos IV” (Salamanca) e da “Casa Comum das Tertúlias” (Castelo Branco/Penamacor), a tertúlia sobre o
“CENTRO SANITARIO TRANSFRONTERIZO”, a qual contou como convidados: José María Francia (médico; esp.), Carlos Manuel Almeida (enfermeiro; port.) e Rita Diana Moreira (professora; port.) e como moderadores: Luis Gutiérrez Barrio e Luís Norberto Lourenço, representando respectivamente as duas tertúlias organizadoras, com mais de 40 participantes (13
portugueses), sendo a maioria de Salamanca, contando ainda com vários tertulianos de
Cidade Rodrigo, membros da Federación Pró-Salud (Movimento de Cidadãos Pela Saúde
Pública em Cidade Rodrigo), incluindo o seu Presidente, José António Hernández e José Luis
Sanchez Tojal, participando, entre outros Luisa Vaquero e Joaquín Martín Hernández, da tertúlia salamantina, e Ilda Lopes, da tertúlia portuguesa.
Falou-se da Saúde Pública, em Portugal e na Espanha, de ambas realidades e respectivas carências, das privatizações dos hospitais em Portugal, das listas de espera, problema
que não se põe em Espanha, do futuro Centro Sanitário Transfronterizo de Ciudad Rodrigo,
falou-se também da necessidade de se criar um Observatório de Saúde na Península Ibérica,
nomeadamente, para fazer um levantamento das necessidades na área da saúde em Espanha e em Portugal, para que melhor possam ser suprimidas, investindo-se onde se tem de
investir, em vez de se trabalhar no escuro.
Em resposta ao nosso convite/desafio, a tertúlia salamantina, saiu pela primeira vez
de Salamanca, nos seus 9 anos de vida para se concretizar esta iniciativa conjunta, ficando
assim demonstrado o empenho dos seus membros no fortalecimento deste laço tertuliano
luso-espanhol e também na luta comum por uma Saúde Pública, a qual não pode estar à
venda. A privatização da saúde não é uma opção.
A 25 de Abril de 2004, a “Casa Comum das Tertúlias” organiza, com a colaboração da
Tertúlia “Los Escudos IV”, a tertúlia sobre “O 25 DE ABRIL VISTO DE ESPANHA”, com o Dr.
JOAQUÍN MARTIN HERNÁNDEZ, a que se juntam outros 20 companheiros da tertúlia salamantina, na Biblioteca Municipal de Castelo Branco, pelas 15h, no âmbito da Comemoração dos 30 anos da “Revolução dos Cravos”. Numa altura, em que muito se fala, em Portugal, da perda de algumas conquistas de Abril: com o ataque ao SNS, à Segurança Social, ao
Ensino Público, o fim da gestão democrática das escolas, a governamentalização da função
pública, a aprovação dum retrógrado Código do Trabalho... importa celebrar Abril da melhor
maneira possível, i. é, falando da sua herança para as gerações vindouras.
Beira Baixa ou Beira Interior? Beira Baixa e Beira Interior.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Vem este texto a propósito da citação de intervenções, no “Fórum” da “Reconquista”
na Internet, feitas neste semanário de 15 de Junho de 2001.
Diziam os Srs.: Maria Santos, Carlos Martins, Carlos Cravo, Paula Cordeiro e Joaquim
Neves, que falar em Beira Interior é ignorância, que esta só existe na cabeça de alguns iluminados e que como a Regionalização foi derrotada no referendo (1998), não se devia continuar a falar dela. Pois eu falo.
Vamos a ver se nos entendemos.
Antes de mais, um referendo só é vinculativo, se nele votarem mais de 50% dos eleitores, o que não foi o caso – nem do referendo sobre a Regionalização, nem do referendo
sobre a Despenalização do Aborto – pelo que os temas sufragados, mantêm-se em aberto.
Castelo Branco é sede de distrito, a capital da Beira Baixa e a maior cidade da Beira
Interior.
Falar em Beira Baixa ou Beira Interior, não é contradição, nem é ignorância falar de Beira
Interior, pela simples razão de que as duas designações não se referem ao mesmo.
A Beira Baixa (tal como hoje a conhecemos tem as fronteiras definidas desde 1936,
sendo uma das 11 regiões de Portugal Continental) corresponde genericamente ao Distrito
de Castelo Branco (com 11 concelhos, menos 2 que a Beira Baixa: Mação, D. de Santarém e
Pampilhosa da Serra, D. de Coimbra).
A Beira Interior corresponde genericamente aos Distritos de Castelo Branco e da
Guarda.
Já agora, o termo Beira Interior aparece, penso eu, pela primeira vez em Dezembro de
1976, numa proposta de regiões-plano, feita pelo Ministério do Plano e Coordenação Económica e em 1982, o PPM propunha um novo mapa das regiões com a designação de Beira
Interior a corresponder sensivelmente ao Distrito da Guarda, actualmente temos a designação de Beira Interior associada a várias entidades: Escola Profissional de Artes da Beira Interior, Escola Tecnológica da Beira Interior, Direcção Regional da Beira Interior, Universidade da
Beira Interior, Rodoviária da Beira Interior e Rádio Beira Interior, Associação Cultural da Beira
Interior e Associação de Ténis de Mesa da Beira Interior, por exemplo.
O Distrito da Guarda é por sua vez, com o de Viseu um dos distritos que compõem a
Beira Alta.
Várias têm sido as designações que o Centro de Portugal tem tido ao longo da nossa
História.
Também os próprios limites têm variado muito.
A grande Região Centro – quando se fala em Norte, Centro e Sul de Portugal Continental – corresponde praticamente à Beira (desde o início da Independência até 1823 não
se falava em mais do que uma Beira), ou às Beiras se quiserem.
Mas estas têm tido várias designações, actualmente fala-se em: Beira Alta, Beira Baixa
e Beira Litoral; ou em: Beira Interior e Beira Litoral.
Mas também já se adoptaram outras designações: simplesmente Beira, Beira Transmontana, Beira Oriental, Beira Marítima e Beira Central.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Para limites da Beira Baixa já se propuseram muitos, desde os actuais, até incluir alguns
concelhos do norte do Distrito de Portalegre.
Quanto a ignorância, ignorância talvez seja querer ligar o Distrito de Castelo Branco ao
de Coimbra, ou a ideia peregrina defendida pelo Dr. César Vila Franca, de ligar o nosso distrito ao da região de Lisboa e Vale do Tejo, isso sim seria inventar.
A regionalização, seria a forma de descentralizar Portugal, de legitimar democraticamente, fazendo-os eleger, os órgãos intermédios (regionais), os únicos não eleitos e que por
isso não respondem perante as populações, mas perante o Governo.
No entanto, sobre a regionalização falarei noutra altura.
Castelo Branco, Beira Interior, 16 de Julho de 2001

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Moção Global de Orientação Política
“Revolução e Reconciliação” 69
Caros Camaradas,
Esta é a moção da ruptura com a baixa-política em voga, não só no PS e na JS, mas é
principalmente o nosso partido e a nossa jota que me preocupam. A violação dos estatutos,
premeditada, é a regra na JS e no PS: militantes que não recebem correspondência do Partido nem da Jota, que não recebem convocatórias nem para Assembleias Gerais de Militantes, nem para nenhumas outras actividades do PS e da JS, tanto mais que alguns destes militantes estão activos e têm as cotas pagas; as transferências de núcleo e de secção demoram
muito tempo (meses) e muitas vezes são feitas incorrectamente, com atribuição de n.ºs de
militante errados, invariavelmente superiores aos anteriores, por interesse político de alguns;
além das pressões políticas inaceitáveis para haver listas de consenso, com ameaças veladas
a integrantes em listas oposicionistas à “situação”.
Não é esta a minha concepção de Democracia.
A minha concepção de Democracia inspira-se, nomeadamente nos ideais de Abril, os
quais muitos querem fazer esquecer, por lembrarem que há outra maneira de fazer política,
por isso estarei sempre grato ao 25 de Abril de 1974, a tudo o que simboliza, grato a que
não tenha que viver numa Ditadura.
Esta é a moção da emancipação política da JS face ao PS.
Esta é a moção que dirá claramente ao PS que somos, obviamente, PS e JS, uma só
força política, que a JS é claramente a juventude do PS, mas que seremos sempre uma força
política autónoma, irreverente e crítica.
Do ponto de vista ideológico são as seguintes as características do Socialismo que
defendo: a República como regime político, a Democracia como sistema político, a
Esquerda como campo ideológico, o Laicismo como forma de encarar as relações entre
o Estado e a Religião, o Ecologismo enquanto filosofia de vida, se assim se pode dizer; a
Liberdade, a Igualdade, a Fraternidade, Solidariedade e a Tolerância como princípios,
que diria, inquestionáveis.
As minhas prioridades:
O país antes do partido.
O que é bom para o país tem de ser bom para o PS, o contrário pode não ser.
A Democracia acima do PS e da JS: Política / Partidarismo.
69 Moção apresentada na Convenção da Federação Distrital de Castelo Branco da JS, 17 de Março, Fundão,
2000.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Porque não defendo o sistema de partido único, nem o bipartidarismo, seja ele constitucional ou provocado, i. é, à custa de sistemas eleitorais maioritários, não proporcionais e
com círculos eleitorais uninominais que condicionam a Democracia e retiram representatividade aos eleitos.
Porque tenho uma visão política e não partidária da vida.
Portugal antes da União Europeia.
Primeiro português e só depois europeu, entenda-se, nascido na Europa, e não cidadão da União Europeia, que isto da U. Europeia, se autodenominar Europa como se os outros
países europeus não contassem, é arrogância.
A única forma de Portugal sobreviver na União Europeia é começar a participar mais
nas eleições europeias e não continuarmos cada vez mais alheados dessas eleições, nas
quais se decide cada vez mais o futuro do nosso país e defender a Língua Portuguesa como
património nacional inalienável, nunca abdicando dela em favor de nenhuma outra em cerimónias oficiais da U. E.
O país antes da Beira Interior.
Sou beirão, i. é, nascido nas Beiras, mais concretamente no sul da Beira Interior, ou seja
na Beira Baixa, defendo a minha região até onde posso, mas não sou separatista nem bairrista, para mim o que é bom para Portugal tem de sê-lo para a Beira Interior.
A Beira Interior antes de Castelo Branco.
Porque não sou bairrista. Sou albicastrense, mas não sou por Castelo Branco contra o
resto da região, por isso a Beira Interior primeiro.
A Esquerda antes do PS e da JS.
Porque a Esquerda não se esgota no PS e na JS, porque sobretudo tenho dúvidas que
o nosso partido e a nossa jota sejam realmente de esquerda, porque defendo a esquerda
em geral, não o atomismo político à esquerda, mas a unicidade não é necessária, excepto
para evitar vitórias da Direita.
Primeiro Socialista e só depois militante do PS e da JS.
Pelo que disse atrás, porque sou socialista e não deixarei de sê-lo, não direi já o mesmo
em relação ao PS e à JS, até pelo Socialismo duvidoso de muitas medidas de pessoas ditas
socialistas.
A política antes da economia: O regresso do político.
Principalmente face ao economicismo, i. é, face àquela visão da realidade puramente
económica. Os políticos são eleitos, os agentes económicos não, a Economia, sobretudo
num mercado aberto, não é controlável, a Política é.
O social antes do económico.
Primeiro deve-se defender os interesses da Sociedade e só depois pensar em função
da Economia.
Racismo, xenofobia e imigração.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

O combate ao Racismo, à Xenofobia, no fundo a qualquer tipo de intolerância em
geral, é um património político e ideológico da Esquerda, da Democracia, esquecê-lo é dar
razão aos que dizem que metemos o Socialismo na gaveta.
Urge legalizar os imigrantes que vão chegando a Portugal, urge punir severamente
todos os que os exploram, nomeadamente os patrões, sobretudo se o patrão é o Estado,
seja o Governo da República, seja uma Junta de Freguesia, nesta como noutras matérias o
Estado tem de dar o exemplo.
Nacionalização do Estado:
Saúde, Ensino, Segurança Social, Defesa e Justiça.
Um verdadeiro Estado republicano e democrático, não pode abdicar nunca de um serviço nacional de saúde público, de um ensino público, de uma segurança social pública, de
uma defesa, interna e externa, pública, nem de uma justiça pública.
Os ricos, se querem médicos e professores privados, segurança privada, que os
paguem, não queiram é, obrigar quem não pode a pagar.
O Socialismo é a defesa de pobres, dos oprimidos, dos indefesos, a não sê-lo não se
diferenciaria da Direita.
Não pode um partido socialista, nem uma sua juventude, assistir impávidos e serenos: à morte de pessoas por falta de assistência médica; à miséria, por não terem reforma,
dos que trabalharam durante toda uma vida, ou que por qualquer infelicidade ficaram incapacitados para trabalhar; deixar os cidadãos indefesos perante o crime, porque não podem
pagar a seguranças; permitir que alguém que se queira instruir o não possa fazer por falta
de recursos económicos e que a alguém lhe seja impossível recorrer à Justiça, por ser muito
cara.
Autárquicas: Parcerias políticas: alianças e/ou coligações.
Camaradas, sou claramente por uma opção de esquerda face às eleições autárquicas
(e não só), i. é, só defenderei e apoiarei – negando apoiar outra alternativa qualquer – listas
socialistas, para as Câmaras Municipais, Assembleias Municipais, Juntas de Freguesia e listas
de esquerda: PS/CDU, PS/BE, PS/CDU/BE, como partido de esquerda que somos (seremos?).
Como jovem de esquerda e socialista que sou, sempre repudiei e repudiarei alianças ou coligações com a Direita. Chegarei, se for lamentavelmente necessário, ao ponto de lutar contra o PS e a JS, quando defenderem posições não socialistas. Não falo no plano abstracto. A
simbologia do partido e das campanhas eleitorais é exemplificativo de forma como se tem
vindo a posicionar o PS no quadrante político nacional:
a) “ A Internacional”, hino oficial do PS, só cantado, quando o é, internamente, não nas
campanhas eleitorais, passou para segundo plano deixando lugar a uma música: “The Conquest”, contemporaneamente banda sonora de um filme: “1492: Conquista da América”, que
simboliza a intolerância, talvez por isso também seja o hino oficioso da Frente Nacional, de
Le Pen, em França, com quem somos comparados...
b) A bandeira oficial, de fundo vermelho, com o punho fechado como símbolo, vem
paulatinamente a ser substituída pela branca, a rosa substituindo o punho.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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c) A própria linguagem, o tratamento por “Camarada”, cada vez mais marginalizado,
quase encarado como pré-histórico e ofensivo, sendo paulatinamente substituído pelo
“amigo”, simpático, mas não ideologicamente, nem político-partidariamente conotado com
a Esquerda;
d) Também o punho fechado nos comícios quase inexistente, substituído esmagadoramente pelo braço levantado fazendo o “V” de vitória, o qual nunca foi usado por nenhum
partido de esquerda em nenhuma parte do mundo.
Tudo isto faz parte duma campanha para conquistar o “centro político”, eleitoralmente
útil, a curto prazo, mas inútil a médio e longo prazo, porque é um eleitorado incerto e flutuante, que não é socialista de corpo e alma, sendo que alguns aliados de circunstância oriundos dessa área política só o serão enquanto o partido tiver Poder, rapidamente se afastando
quando lhe “cheirar” a poder noutro lado.
Campanha, dizia, para conquistar o centro político e como tal havia que enterrar o passado, renegar as origens, a sigla até agora tem sobrevivido, até quando?
Esquecer o que de mais marcadamente ideológico e político tinha o partido, atentando contra os princípios socialistas, ao fim e ao cabo.
Chamei “Revolução e Reconciliação” à Moção Global de Orientação Política, da qual
sou o primeiro signatário, porque com o termo REVOLUÇÃO, quero afirmar a minha vontade
de “dar um murro na mesa”, de clarificar campos de actuação, de definir claramente os princípios e valores pelos quais vim à luta.
Quero fazer política a sério, não praticar a baixa-política.
O outro termo é RECONCILIAÇÃO, porque infelizmente, o Partido e a Jota, estes e todos
os outros, talvez por serem meios para exercer o Poder, têm no seu seio lutas intestinas, nada
leais e reveladoras de nenhum espírito da camaradagem, isto acontece, haja ou não listas
de consenso, ditas únicas, só úteis verdadeiramente, em momentos críticos onde se preveja
graves dissidências ou sectarismos irreparáveis como forma de reconciliação.
Mas que são indesejáveis noutro qualquer quadro, porque matam o debate, porque
não há apoiantes de outra lista com quem debater.
A Regionalização e a Beira Interior.
Continuando, Reconciliação, porque na Federação Distrital de Castelo Branco da JS se
vive num clima semelhante ao do PS e também ao do resto dos sectores do país, de constantes disputas Norte/Sul, neste caso e mais especificamente, Covilhã/Castelo Branco, luta
estúpida, infrutífera e que só prejudica a Jota, o Partido, o Distrito e o País.
Luta que assassinou a Regionalização e que se estendeu a outros partidos.
Uma luta sã é que eu gostaria de ver entre Castelo Branco e a Covilhã, apostada cada
cidade em tentar fazer mais e melhor que a outra e juntas que outras regiões. E não invejar conquistas de uma, tentar denegri-la, defender, algo para a sua terra só porque a outra a
tem, e pior, preferindo não tê-la desde que a outra também a não tenha. A isto chamo bairrismo, não-cidadania, mentalidade retrógrada, reaccionária, conservadora, corporativista e
proteccionista, oposta ao desenvolvimento.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Reconciliação, apostando no que nos une face ao que nos separa.
Gostava por exemplo, de ver listas formadas para os vários órgãos federativos e todos
os outros, elaboradas com base em projectos políticos comuns e não com base em hegemonias regionais, como se tratasse a Convenção de um campeonato inter-aldeias.
O Partido Socialista e a Juventude Socialista. Filosofia política.
Quero afirmar o que para mim é o Socialismo, pelo qual estou disposto a lutar, dizer
nomeadamente, que não distingo: SOCIALISMO de REPÙBLICA, quer numa perspectiva lata,
quer estrita, porque fora do regime republicano, não há verdadeiro Socialismo, porque na
Monarquia há pelo menos um cidadão com mais direitos que os outros o que é oposto
ao meu ideal político de IGUALDADE, representado pelo Socialismo e pela República; também ao nível do sistema político, só concebo aceitar viver num sistema democrático; SOCIALISMO e DEMOCRACIA são uma só coisa, no meu ideal político, claro que há vários “ideais
democráticos”, para mim é aquele em que há eleições multipartidárias, sendo o sufrágio:
universal, directo, secreto e único e o sistema de voto, por círculo, plurinominal e proporcional integral, segundo a ideia de “um Homem, um voto”, baseado nos princípios da Liberdade, da Igualdade, da Fraternidade e da Solidariedade e todos estes princípios são convergentes com a minha ideia de Socialismo, dito Democrático; ainda a Democracia, há a representativa e há a participativa, há a directa e a indirecta; a democracia representativa e indirecta é a mais fácil de por em prática, mas o argumento não me convence, até porque a
democracia participativa e directa é a “mais democrática” e ideal...
Tendo a confundir ESQUERDA e SOCIALISMO e talvez por isso, o Nacional-Socialismo
é um não-Socialismo, é uma farsa, a Esquerda não se resume ao Socialismo, no meu sentido estrito, no sentido lato dificilmente haverá Esquerda fora dele, todos os movimentos de
esquerda, sejam, ditos, socialistas, sociais-democratas ou trabalhistas, são socialistas, como o
comunismo, qualquer esquerdismo: anarquista, trotsquista, maoista... ou o ecologismo, pelo
menos na minha concepção de ecologismo, não deixará de ser socialista, mais ou menos
atenuadamente. Mas também por isto, por o Socialismo, encarado genericamente, ser mais
do que um partido, muitos levam a mal, não percebendo e estranhando, que eu já por diversas vezes tenha afirmado, que tive três vitórias nas últimas eleições legislativas, porque apesar de militar num determinado partido, não tenho uma visão partidária da realidade, mas
sim política e é por isso que se as três forças políticas mais representativas da esquerda portuguesa (PS, CDU e BE) subiram nas eleições legislativas, isso é bom, ficaria bem menos
contente, se o PS (por tendencialmente menos socialista) tivesse obtido uma maioria absoluta à custa da restante esquerda e os partidos à sua direita, por exemplo, PSD e PP, tivessem subido.
Também no que respeita às relações entre Estado e Igreja (s), a posição de um socialista, na minha opinião, coerentemente só pode ser laico, o resto será caciquismo, oportunismo, propaganda política no seu pior estilo, demagogia ou pseudo-socialismo; Laico, com
tudo o que isso implica, no sentido, nomeadamente de separar claramente o que é Estado
e o que é Igreja e é por isso que claramente defendo:

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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a) o fim da Concordata com o Vaticano;
b) o fim do estatuto de universidade semi-pública para a Universidade Católica;
c) o fim da representação de comunidades religiosas em cerimónias oficiais.
A defesa do LAICISMO é a única forma justa, imparcial e equidistante de tratar quer não
crentes quer crentes e aqui sejam eles da religião que forem, desde que não advoguem e/ou
pratiquem actos anticonstitucionais.
A defesa do Laicismo previne o fanatismo, que é no que acabam sempre por resultar
os Estados Teocráticos ou Estados com religião oficial ou mesmo oficiosa.
Quem votar favoravelmente esta moção convém que saiba, que vota numa alternativa política ao estado de coisas que acabo de denunciar, que vota numa determinada filosofia política, mais, que se o voto, consequentemente significa a disponibilidade para integrar uma lista candidata aos vários órgãos federativos, que se arrisca a comprometer numa
luta, onde teremos contra nós tudo o que é “poder instalado”.
Sim camaradas, acabo de assumir a candidatura ao Secretariado da Federação de Castelo Branco da JS!
Viva a JS. Viva o PS. Viva o 25 de Abril. Viva o Socialismo. Viva a Esquerda. Viva a República. Viva o Laicismo. Viva a Idanha-a-Nova. Viva a Beira Interior. Viva Portugal.
O DELEGADO À CONVENÇÃO
(PELA CONCELHIA DE IDANHA-A-NOVA DA JS)

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Código do Trabalho, Governo de direita
e desrespeito pela Constituição70
A propósito da decisão do Tribunal Constitucional (TC) sobre o Código de Trabalho
e dos «pequenos pormenores» considerados inconstitucionais de que fala o Ministro do
Trabalho...
Prova-se assim que o Presidente da República (a Esquerda, os sindicatos e muitos cidadãos), Jorge Sampaio, tinha razão.
Congratulo-me com a decisão do TC, ainda assim, um dos artigos do “novo” Código
do Trabalho, o da não reintegração dum trabalhador injustamente (injustamente... percebem!) despedido, é amoral, injusto, no mínimo. Sim, aquele que - em situação semelhante levou milhões para a rua em Itália - porque será que a inspiração é italiana, será devido aos
neo-fascistas de Gianfranco Fini - que o Ministro do PP neo-salazarista de Paulo Portas, não
deixaria de seguir, como Salazar seguiu o Mussolini... também em matéria laboral!? Espero
que a isto o P.R. responda com um veto. A ver vamos...
Como é sabido o Governo de Direita e quem o suporta não descansarão enquanto não
acabarem com a Constituição da República Portuguesa de 1976 (em vigor).
Assim, a todo o momento dão provas e sinais do que pensam da Constituição, do Tribunal Constitucional e por aí fora.
Para estes novos governantes, as inconstitucionalidades são “pormenores”, nada que
lhes tire o sono... Morais Sarmento, Bagão Félix - e a sua célebre frase “não me venham com a
Constituição...”, Alberto João Jardim (olha quem!), Pires de Lima (um ex-Bastonário da Ordem
dos Advogados), são os “franco (americano? Percebem...)-atiradores”...
Castelo Branco, 19/06/2003

70 Publicado no “Diário XXI” (20/06/2003).

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Uma no Cravo, outra na Agenda71
Para os amigos, as linhas
Para os outros, as entrelinhas
Que força é essa?
Tertuliando nasceu para divulgar uma obra tertuliana feita, nasceu para promover
as nossas iniciativas e para intervir, sem medos, sem freios, apesar dos parcos meios. Nasceu para acarinhar novos valores, objectivo que nos acompanha desde o início, e é com
essa filosofia que acolhemos a poesia de João Nery, a 1 de Abril de 2006, no Clube de Castelo Branco. Esta iniciativa, que contou novamente com o apoio desta instituição centenária, reuniu novos tertulianos.
O Clube de Castelo Branco, que celebrou 102 anos a 10 de Abril de 2006, será a nossa
casa por algum tempo.
Castelo Branco crescerá com base na força das suas colectividades ou perecerá nos
seus escombros, quais lágrimas de crocodilo de poderes demissionários, duma sociedade
amorfa e de cidadãos abstencionistas.
O leitor lê o nº 3 (4 se contarmos com o nº 0), sinal que continuamos, duma forma
serena e consolidada, a semear as nossas ideias.
Nesta edição, contamos com uma bela fotografia, pela objectiva da Fernanda Mateus,
tertuliana amiga, cuja amizade se confunde com a existência da CCT.
Outro contributo valioso, um documento tertuliano da autoria do Nuno Alexandre Barbosa, sobre o Laicismo, escrito por ocasião duma tertúlia agendada para Seia, sobre esse
tema e para a qual o autor foi o nosso convidado.
Continuamos a cronologia das iniciativas já por nós organizadas juntando fotos ilustrativas e a resenha da imprensa das nossas actividades.
A CCT leva quatro anos de vida e cinco primaveras, sempre marcadas com a celebração do 25 de Abril. Este ano celebramos os 32 anos da Revolução dos Cravos mantendo-nos
iguais a nós próprios: NÃO MANIPULÁVEIS, NEM CENSURÁVEIS, consolidando um projecto
que é maior que a vida, projecto que é de todos os que o acarinham: Pela Democracia, Pela
Cultura, SEMPRE, Por Castelo Branco.
Que força é esta? Cumprir Abril!
Agenda Municipal de Castelo Branco
Saúda-se a criação da nova Agenda Municipal [Cultural] de Castelo Branco, de periodicidade mensal, cujo nº 1 data de Abril do presente ano.
71 Editorial de Tertuliando – Fanzine da Casa Comum das Tertúlias, n.º 3, Maio, 2006.

200

LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Nunca será demais recordar as nossas intervenções, em vários fóruns, em favor duma
agenda cultural da cidade: AMPLAMENTE distribuída e preparada ATEMPADAMENTE; com
TODOS os contactos feitos no seio do meio cultural; solicitando e incentivando todos os
agentes culturais a actuar no concelho de Castelo Branco para enviarem as suas actividades
para a mesma; com uma periodicidade mensal, por ser a mais adequada a um meio cultural como o de Castelo Branco; ao serviço da Cultura, ao serviço dos criadores e dos agentes
culturais, ao serviço dos cidadãos, divulgando o que acontece na cidade e no seu concelho,
servindo os munícipes e promovendo a cidade fora das fronteiras do concelho. É preciso
perceber que uma Agenda Cultural não é só um instrumento útil e fundamental de divulgação e de alguma orientação (e não MANIPULAÇÃO ou MARGINALIZAÇÃO) é também um
meio de promoção dum concelho, duma localidade, sobretudo junto dum público que age
e faz agir, logo atento, mobilizado e mobilizador, pelo que o investimento feito gera frutos e
lucros, seja a curto, a médio ou a longo prazo.
Para isso é fundamental criar uma equipa dinâmica, conhecedora do meio cultural e
com os recursos humanos suficientes para não deixar mal quem a paga.
Não poderá ser descurada ainda outra vertente, que não seja o suporte papel: urge a
existência da agenda em suporte digital, com a consulta de todos os seus conteúdos (caso
de Penamacor…) e o envio da mesma para o correio electrónico dum nº significativo de
contactos (caso de Seia…).
Não perceber isto, é não perceber o que é uma política cultural, que é simultaneamente uma política sustentada de desenvolvimento local e regional.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Cidadania, Cultura, Castelo Branco e Beira Baixa72
Podia bem ser um trocadilho, uma graçola, no entanto, é o nosso programa.
A apologia: duma cidadania participativa; duma cultura de qualidade, acolhendo todos
os públicos; a defesa da nossa cidade, Castelo Branco, charneira do desenvolvimento regional de toda uma região que é a Beira Baixa, inserida numa Beira Interior, com problemas
comuns e potencialidades ora semelhantes ora complementares.
O nosso Arquivo Tertuliano continua a trazer para à luz “fanzínica”: poesia, fotos, conclusões de tertúlias, opinião, resenha de imprensa, resumo de iniciativas e divulgação de
próximas actividades… de tudo isto é feito a Tertuliando e em todos esses documentos está
bem presente o nosso programa. Não, não é um programa político (que não é para cumprir!), é, isso sim, um conjunto de princípios que estão presentes em cada iniciativa, o que
resulta numa acção cultural e cívica, com agenda própria e alheia a outras orientações. Na
CCT só os espíritos pouco livres se podem sentir desenquadrados.
Hora de balanço na próxima tertúlia
A fanzine chega ao nº 4, cinco incluindo o nº 0.
Não é um número “gordo” nem “redondo”, certamente que não basta para entrar para
a História… ainda!
Esta revolução gráfica permanente (3 grafismos em apenas 5 números) é fruto duma
procura constante e sistemática para melhor fazer passar uma mensagem que permanece,
independentemente da imagem.
É hora dum primeiro balanço.
Por isso realizaremos uma tertúlia para a apresentação deste número no Museu de
Francisco de Tavares Proença Júnior de Castelo Branco, instituição cultural que em 4 anos de
Casa Comum das Tertúlias acolhe pela segunda vez uma iniciativa nossa.
Fica aqui o nosso Bem-haja ao MFTPJ, em especial à sua Directora, a Dra. Aida Rechena
e também à Maria João Capelo, tertuliana de sempre, a quem entreguei a responsabilidade
de apresentar este projecto, que também é seu, pelo carinho que lhe tem votado.
Desculpem, sou beirão!
O sentimento de pertença a uma região, a um qualquer espaço, surge porque aí se
nasceu, aí fomos criados ou porque de alguma maneira fomos levados a adoptá-lo como
nosso.
Esse sentimento é alheio a modas, a conjunturas.
Não somos algarvios só porque o Algarve é uma região turisticamente internacional,
não passamos a ser lisboetas só para ser da Capital, não renegamos à Beira Baixa só porque
é uma região tradicionalmente pobre.
72 Editorial de Tertuliando – Fanzine da Casa Comum das Tertúlias, n.º 4, Junho/2006.

202

LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Somos da Beira Baixa… apesar das modas.
Pobreza, interioridade, desertificação? Dizemos presente para que assim não continue,
fundamentaremos a nossa opinião, propondo, criticando, agindo cultural e civicamente.
Livrarias municipais em Portugal
Questão meramente cultural? Talvez não!
Que politica cultural autárquica? Como promover a leitura e que meios se afectam
para a sua devida promoção?
Dependendo das respostas a estas perguntas, assim haverá a opção ou não, pela existência duma livraria municipal.
Quantas existem e onde? Para que servem? O que fazem os municípios às obras que
editam e que apoiam?
Da investigação que fiz, encontrei as livrarias municipais que se seguem, é possível que
existam mais: Guarda, Lourinhã, Albergaria-a-Velha, Aveiro, Cascais, Coimbra, Évora, Lisboa,
Loures, Matosinhos, Oeiras, Ovar, Sintra e Vila Nova de Gaia.
Todas as Câmaras Municipais editam e subsidiam ou apoiam a publicação de livros e
revistas.
Esse investimento, é dinheiro público, proveniente dos nossos impostos. Logo, o que
se faz com esse investimento, diz respeito a todos os cidadãos.
Essas obras ao serem apoiadas destinam-se a vários fins: as autarquias adquirem um
n.º importante de exemplares, alguns dos quais entrega à Biblioteca Municipal local; outros
são guardados para serem oferecidos em várias ocasiões; alguns estarão à venda na Tesouraria de cada autarquia, outros no Posto de Turismo local e alguns ainda poderão ser postos
à venda em livrarias, papelarias e quiosques locais.
Eventualmente, serão feitas apresentações públicas das obras, num tom solene (o que
agrada aos ilustres, mas afasta os potenciais e reais leitores).
Na Biblioteca Municipal de Beja, na sua recepção é possível adquirir algumas obras
locais! Claro, já sabemos que Beja é outra história, habitada por marcianos, cuja capacidade
craniana ultrapassa a de qualquer terrestre luso, como toda a gente sabe!
Os locais de venda, em regra: Posto de Turismo e Tesouraria Municipal, são serviços que
estão abertos com horários (o PT de Castelo Branco está aberto à hora de almoço, grande
conquista) que não servem a maior parte dos cidadãos, tendo, o primeiro, normalmente um
espaço exíguo (o de Marvão e o de Seia são excepções positivas), sendo, o segundo, tudo
menos um local apelativo e nada promotor da cultura. Logo, as receitas não cobrem minimamente o que foi pago, indirectamente, por todos nós, através dos impostos.
Contudo, autarquias com uma política cultural estruturante e uma política, economicamente e financeiramente inteligente (lembre-se o leitor da pergunta inicial) foram mais
longe e criaram
Livrarias Municipais, espaços dinamizados culturalmente, onde as obras apoiadas são
tratadas como merecem: foram pagas porque mereciam, então que sejam amplamente

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

203

divulgadas, vendidas, oferecidas ou integradas numa política de permutas culturais entre
municípios.
Se uma obra apoiada por um organismo público é mal divulgada e não se encontra
Em quase Lado nenhum, conclui-se que o investimento foi mal feito e não se optimizaram
recursos!
O que interessa a um autor quando publica um texto, um livro? Ser lido!
Para isso deverá ser publicado.
Sem encargos, de preferência e se ainda ganhar alguma coisa tanto melhor.
Publicar por publicar tem um interesse muito relativo. Se a obra não for divulgada e
lida, vendida ou oferecida é empenho que se perde.
É preferível fazer uma tiragem de 50.000 exemplares, desses, 45.000 ficam encaixotados e vender-se apenas 500? Ou será preferível publicar 10.000 exemplares, 9.500 serem
colocados em postos de venda e vender 9.000?
Política cultural: passiva ou activa?
A primeira, Na medida Do possível, Tenta dar Resposta cultural À procura cultural.
A segunda, antes que se manifeste uma necessidade, vai de encontro aos vários públicos, ouve os agentes culturais e procura antecipar necessidades e dar a melhor oferta cultural, não tendo que significar isso um avultado investimento na área da cultura, antes, através
duma aposta na diversificação da oferta cultural e pensando nos vários níveis etários, criar e
surpreender os públicos, apostando na qualidade, não esperando sentados que os leitores,
os espectadores, apareçam.

204

LUÍS NORBERTO LOURENÇO

A abstenção cultural e cívica73
A Agenda Tertuliana divulga as próximas iniciativas, nomeadamente a tertúlia sobre a
Energia Nuclear, com o Eng.º António Jardim (Engenheiro Nuclear) e com o Dr. Jorge Sanches Seguro, Deputado da Assembleia da República, membro da Comissão Eventual para o
Acompanhamento das Questões Energéticas.
Do “Arquivo Tertuliano”, divulgamos fotografias e fazemos a resenha de imprensa
sobre as nossas iniciativas.
No Campo da Poesia escolhemos o poema “Mater” de Carlos Xama dedicado às mães.
Destaque-se neste número a apresentação do logótipo da Casa Comum das Tertúlias,
importante meta ultrapassada na consolidação deste projecto. O mérito vai todo para a sua
criadora, Andreia Roque, igualmente responsável pelo grafismo deste número sete, como já
tinha sido do anterior.
De grande importância para nós é a colaboração nesta edição do Dr. Luís Gutiérrez
Barrio, um dos organizadores e habitual moderador das tertúlias da “Tertulia Rona Dalba” de
Salamanca. Aqui se publica o texto “Un poco de “Pirronismo”, por favor”, onde aborda uma
questão filosófica. O texto escrito em Castelhano, publica-se no original, retribuindo a publicação dum texto nosso em Português na revista “La Tertulia” da “Tertulia Rona Dalba”. A proximidade das duas línguas permite correr o risco da não tradução dos textos.
Novamente se publica um texto do nosso tertuliano, Dr. António Jacinto Pascoal, Mestre em Literaturas Africanas e que aqui aborda a “Poesia contemporânea”.
Dois artigos sobre a política cultural autárquica: um primeiro da nossa autoria “Autárquicas: por uma política cultural” e um segundo, assinado pelo actor Alfredo Brito, um Beirão e nosso tertuliano, comentando o primeiro. Foram publicados primeiro num blog, sendo
datados, tratam de tópicos que continuam a preocupar-nos culturalmente, pois, se resolvidos num determinado concelho, o problema permanece noutros. Além disso, aqui se publicam pela primeira vez em conjunto, apesar do primeiro ter sido publicado em várias publicações e blogs.
Espaço para uma crítica teatral sobre “O Alienista – Cães á Solta”, pela Dra. Vera Lúcia
Sousa, nossa colaboradora. Vimos a peça em conjunto e esta aceitou prontamente o nosso
desafio.
Tema a abordar em futuro número, o problema na natalidade, as inconsequentes medidas natalistas e a incompreensível ausência duma rede pública completa de pré-escolar.
Venham elas… as pedras!
73 Editorial de Tertuliando – Fanzine da Casa Comum das Tertúlias, n.º 7, Setembro/2007.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Cada número que se publica é mais um contributo para a salvaguarda da memória tertuliana, mais um “pedacinho” que damos a conhecer duma história tertuliana que começou
em 5 de Outubro de 2001.
Cada número, nas suas modestas oito páginas, é ainda um verdadeiro manifesto contra a abstenção cultural e cívica, duma sociedade demissionária, acossada, por culpa própria, pela inveja.
Continuamos a agir cultural e civicamente, apesar doutras agendas mediáticas e interesses pragmáticos. Agarramos com as duas mãos as pedras que nos lançam, aproveitando-as para nos ajudar a subir os muros que se continuam a construir, estabelecendo
pontes e alargando uma “rede de afectos”, a qual nos dá uma força imune a jogadas de bastidores. Quem atira as pedras não inveja o nosso trabalho, antes a nossa independência, que
não admitem, não percebem ou não conseguem ter...
Por Castelo Branco, por um Interior que não se resigna à desertificação, ao abandono,
ao encerramento de serviços, fruto da insensibilidade dalguns centros de interesse afastados dos problemas reais (e por eles tantas vezes fomentados), que decretam nos gabinetes e assinam de cruz, falam em desertos imaginários, em empregos quiméricos e que
jogam com os cidadãos como se estivessem num tabuleiro e estes fossem meros peões
descartáveis.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Nem oásis, nem deserto74
Neste regresso às lides “fanzínicas” da Casa Comum das Tertúlias, oferecemos aos nossos leitores e tertulianos, textos de novos colaboradores. A versão blog do “Tertuliando –
Fanzine da Casa Comum das Tertúlias”, tem estado activa e vem sendo actualizada, não
constrangida por outros factores que não o mero tempo disponível para a actualizar e a possibilidade de ter acesso à Internet.
Neste período de “travessia no deserto” (a ironia aqui ganha uma nova dimensão), não
estivemos parados: aprendemos (e esquecemos porventura outro tanto), organizámos tertúlias e visitas culturais, fizemos novos contactos, estabelecemos novas pontes culturais e
fizemos novos amigos tertulianos.
O Dr. António Carlos Almeida, Licenciado em História, apaixonado pelo Egipto,
envia-nos desde Setúbal um texto sobre alimentação no Egipto Antigo que aqui publicamos. Será nosso convidado numa próxima tertúlia.
O Eng. António Manuel Lopes Dias, Engenheiro Agrónomo, homem de grande cultura,
um camiliano, foi nessa qualidade nosso convidado para a tertúlia “Leitores de Camilo”. São
as conclusões dessa tertúlia que aqui publicamos.
No Campo da Poesia, publicamos mais alguns poemas, o poeta Henrique Líber foi o
escolhido.
Do nosso Arquivo Tertuliano damos a conhecer mais algumas fotografias das nossas
iniciativas, bem como imagens digitalizadas de notícias sobre nós. Aqui se publicam também as capas de algumas publicações por nós apresentadas, bem como outras de tertúlias
amigas, como a capa do n.º 7 da revista “La Tertúlia”, uma edição da “Tertulia Rona Dalba”.
Durante estes meses que se passaram sem edição da fanzine várias tertúlias e outras
iniciativas se realizaram, de algumas delas se dará conta com fotos das iniciativas: sumariamente: uma visita cultural a Setúbal, uma tertúlia sobre jogos populares infantis, a tertúlia
sobre leitores de Camilo, tertúlia sobre a interculturalidade em museus, a apresentação do
livro “A Formação da Sociedade Liberal” e a apresentação de dois livros de poemas de Isabel Agos.
Em Outubro, jornada tertuliana em Salamanca, numa organização conjunta, a 5.ª, com
a Tertulia Rona Dalba” (ex-Escudos IV) e com o Ateneo de Salamanca.
Alguns agradecimentos: ao Cybercentro de Castelo Branco que imprime, apoia graficamente esta publicação e nos tem cedido o seu espaço para várias iniciativas, à CM Castelo Branco pela cedência de espaços municipais para iniciativas, tais como: a BM Castelo
Branco, à Junta Freg. Castelo Branco, pelo apoio a esta publicação e à Feira do Livro Regional da Beira Baixa, ao Clube de Castelo Branco que connosco organizou aquela Feira, à CM
74 Editorial de Tertuliando – Fanzine da Casa Comum das Tertúlias, n.º 6, Agosto, 2007.

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Proença-a-Nova pelo apoio igualmente à Feira, ao Museu do Trabalho Michel Giacometti
de Setúbal, à Sociedade dos Amigos do Museu FTP Jr. co-organizador da visita cultural a
Setúbal.
Pela Cultura e pela Cidadania. Por Castelo Branco.

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Museus é que está a dar!
[publicámos em 2008 um conjunto de 6 “posts” com este título, no blogue “República,
Democracia e Laicismo” http://republicalaica.blogspot.com aqui se faz agora uma síntese
desse conjunto]
O exagero de novas propostas de espaços museológicos em face das crónicas dificuldades dos museus existentes levou-nos a reagir.
Ponto prévio, ontem pela tarde exercemos a cidadania da maneira possível (vários tertulianos e outros amigos o comprovarão), hoje, já com acesso à “artilharia pesada”, como
quem diz, “blogosfera”, tomamos uma posição.
Ante de mais a reportagem e em especial a citação que merece o nosso repúdio:
“Todo o espólio encontrado vai agora ser inventariado e guardado no Museu do Canteiro,
em Alcains. Mas dada a quantidade de material descoberto há quem defenda a criação de um
pólo museológico do castelo.”
(João Carrega, “Reconquista”, 10/07/2008)
Mais um…
Os coelhos não se livram duma certa fama, na verdade, se não se cuidam arriscam-se a
ser ultrapassados pela chuva de propostas museológicas para a Beira Baixa!
Museu do Brinquedo, da Seda, da Latoaria, da Resina…
Já lá iremos…
Antes damos voz ao António Veríssimo, com cujas palavras concordamos:
“Como albicastrense e antigo trabalhador do Museu Francisco Tavares Proença Júnior, ao
ler esta parte do artigo, fiquei com os poucos cabelos que ainda tenho na cabeça em tumulto.
Porque raio se levanta a hipótese do espólio encontrado no castelo, ir parar ao Museu do Canteiro
de Alcains e não ao Museu Albicastrense? Quero acreditar que tudo não passa de um mal entendido… pois, como antigo trabalhador do museu fui testemunha de várias colaborações, entre
os actuais responsáveis da nossa autarquia e o museu albicastrense. O destino deste espólio, terá
que passar sempre por Castelo Branco, a saída deste espólio da nossa cidade seria considerada
pelos albicastrenses como ‘um insulto e uma traição, à nossa cidade e aos albicastrenses assim
como às suas instituições’. Meus senhores, decorrem até 2010 as comemorações relativas ao centenário do Museu Francisco Tavares Proença Júnior, 100 anos de um percurso muito difícil e cheio
de espinhos. Cem anos: em que a arqueológica [arqueologia] começou por ser a sua espinha dorsal, porém com o passar dos tempos tornou-se exigente e especializou-se em etnografia e pintura, na década de 70, adquiriu notoriedade na área de trabalho do bordado de Castelo Branco.
Cem anos: Em que andou tipo cavaleiro andante, com a tralha às costas por vários lugares. Germinou e foi baptizado na Capela do Convento de Santo António, transferiu-se para o edifício da

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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Antiga Escola Normal Primária, onde ganhou formação escolar, transferiu-se para o convento
de Santo António, onde prossegue a sua formação católica, transfere-se para o edifício do actual
Conservatório Regional onde adquire formação musical, transferiu-se para o edifício do Governo
Civil, onde ganha formação política, for fim pega na trouxa e assenta definitivamente residência
no antigo Paço Episcopal, onde aprende a arte do bordado de Castelo Branco.
A ida deste espólio (seja qual ele for), para fora da nossa cidade, seria mais uma machadada no fundador do museu albicastrense, que na sua cova perguntará ‘que mal fiz eu a esta
gente para ser tratado desta maneira’.”
(António Veríssimo, no blogue “Castelo Branco – o Albicastrense”, http://castelobrancocidade.blogspot.com, 10/07/2008)
Sou Albicastrense (alguns dos que estão a maltratar a história na nossa cidade NÃO),
sou Licenciado em História (alguns dos que escondem, manipulam e vendem o nosso Património, possuem o 9º ou o 12º ano, quando muito, um deles perguntou-nos se pensámos
que era analfabeto… se tem o 9º ano, não é!), sou o sócio n.º 208 da SAMFTPJ (ser amigo
dum museu significa querer-lhe bem, querer que tenha mais e melhores recursos humanos
e financeiros, melhor oferta e consequentemente mais visitante), sou membro do Grupo de
Trabalho Para a Carta Patrimonial da Beira Baixa / Rede Cultural (conjunto de pessoas que se
reúnem mensalmente e só querem saber do Património duas ou três horas por mês? Não
queremos acreditar nisso!), criado no âmbito da SAMFTPJ, coordenado pelo sócio e meu
amigo Lopes Marcelo. Fundei em 5 de Outubro de 2001 a Casa Comum das Tertúlias, plataforma e formato de intervenção para lutar pela Cultura e pela Cidadania, de quem não se
resigna à Prostituição Cultural e a uma Cidadania Calculista!
Vamos aos factos, sobre a reportagem do semanário “Reconquista” e bem em concreto ao “aventar” de mais uma proposta museológica
Comecemos pelas perguntas que importa fazer:
Ao jornalista e Dr. João Carrega perguntámos quem é que defende um pólo museológico do castelo? Se não é Segredo de Estado queremos saber quem o defende… ou terá
pedido anonimato?
O espólio seria das escavações arqueológicas a cargo da Novarqueologia, para a
CMCB?
Ora bem, havendo um Museu do Estado, o Museu de Francisco Tavares Proença Júnior
em que o acervo mais importante é a sua colecção de Arqueologia, porque levar para o
Museu do Canteiro (CANTEIRO) de Alcains? E para quê criar um novo?
Insere-se esta lógica no esvaziamento do MFTPJ… a caminho da municipalização?
(com menos dinheiro, com menos funcionários, em vias de perder a escola de bordados
para o Pólo Cargaleiro, chegou a vez do “desvio” dos materiais arqueológicos)
Estaria tudo muito bem se os nossos museus tivessem recursos financeiros e humanos
para poderem cumprir a sua função, o que manifestamente não é o caso!
Basta ler (e ouvir) as intervenções de vários actuais directores e ex-directores, não só
do MFTPJ, sobre a questão dos recursos.

210

LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Perguntamos pois, se aos museus que existem não lhes são dados os recursos mínimos
para cumprir a sua missão, para quê criar museus novos? Com que dinheiro? Com quantos
funcionários? Quais as qualificações dos mesmos (primeiro ocupam as vagas e depois vão
tirar os cursos…)?
Defendi noutro espaço, em Maio de 2007, que as iniciativas do tipo “noite no museu”,
se multiplicassem, uma vez por semana já seria positivo ou uma vez por mês.
Neste cenário de incúria pelos museus existentes e de verdadeiro delírio na quantidade de propostas de vários outros, tal, é, no mínimo utópico e no entanto possível, se se
inverter a tendência.
A quem quer tornar o MFTPJ descartável, dizemos: NÃO!
A SAMFTPJ que coloque os “jogos de cintura” de lado e se manifeste!
As novas propostas museológicas para o distrito de Castelo Branco raiam o ridículo,
não necessariamente, devido a cada uma das propostas em concreto, mas tendo em conta
o estado em que estão os nossos museus, pelos recursos humanos e financeiros que lhes
cabe em sorte nos orçamentos das respectivas tutelas.
A questão que aqui quero colocar, é pois, para quê mais museus, se temos museus a
funcionar com um, dois ou três funcionários e cujo orçamento mal chega para pagar a água,
a luz, o telefone e os salários, abrindo alguns só quando há visitas marcadas?
No ano de 2007 (e já em 2008), surgiram ou voltaram a ser referidas várias propostas
museológicas para a nossa região: Belmonte: Museu à Descoberta do Mundo (CMB); Castelo Branco: Museu da Seda (proposta da APPACDM/CB); Museu do Brinquedo (proposta da
CMCB); Museu da Latoaria (proposta da JFCB). Covilhã: Museu da Cor (proposta da CMC).
Fundão: Museu das Minas da Panasqueira (proposta). Idanha-a-Nova: Museu da Marafona,
em Monsanto (proposta). Oleiros: Museu da Resina (proposta) Sertã: Museu - Escola de Artes
“Túlio Victorino” Vila Velha de Ródão: Centro de Interpretação de Arte Rupestre do Vale do
Tejo.
E alguma posposta me poderá ter escapado…
Nem de propósito, o Museu Académico de Castelo Branco quando reabre?
Mais:
http://www.reconquista.pt [10/07/2008]
http://castelobrancocidade.blogspot.com [10/07/2008]
http://republicalaica.blogspot.com [2008]
http://porterrasdoreiwamba.blogspot.com [1/07/2008]
http://pela-positiva.blogspot.com [Junho/2005]
http://biblioipp.blogspot.com [Março/2008]
http://minde-online.blogspot.com [Março/2007]
http://jpn.icicom.up.pt [19/03/2008]

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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“República de Leitores” na Casa Grande dos Livros
ou Como “suicidar” uma boa iniciativa75
A iniciativa “República de Leitores”, contava com o apoio de seis municípios, entre os
quais a Câmara Municipal de Castelo Branco, a decorrer ontem pelas 11h 30m, sob o lema
“100 anos... em 20 minutos”. Recebi o convite via Facebook. Aproveitei para ir uma vez que
estava em Castelo Branco, desloquei-me à biblioteca municipal da minha cidade para participar numa iniciativa que me daria um duplo prazer: a promoção da leitura e a comemoração da República.
No entanto, antes de chegar à biblioteca recolhi uma agenda cultural de Castelo
Branco... procurei, procurei, procurei... NADA sobre a iniciativa!! Mau... Cartazes nas imediações? NADA. À entrada da biblioteca? Nenhum cartaz, nenhum prospecto... bem, lá para as
11h 30m lá colocaram um único cartaz sobre o balcão da recepção!! Deve ser uma espécie de
divulgação... mas ao contrário! Pedi informações aos funcionários da biblioteca sobre a iniciativa... “O quê? Não sei de nada! Tu sabes? Não! Vocês sabem de alguma coisa? Parece que
há qualquer coisa...” Segue-se um telefonema para o bibliotecário... Também não sabia!!!!!!!!!!
Por fim, lá aparece alguém a dizer o que se iria passar...
Chegada à hora, distribuiu-se um pequeno texto a um punhado de leitores para leitura
individual... foi assim que se decorreu...
Quanto ao resto tudo bem: sempre um “filme” para tirar fotocópias; as exposições
bibliográficas são coisa quase inexistente, só quando a BMCB recebe as Jornadas de História
da Medicina na Beira Interior, preferem os “trapos”, a “bonecada” e os “desenhos infantis”...
as revistas expostas mostram a actualização do acervo documental... revistas de 1999, 2003,
2005, 2007... números recentes? Procurem... a (des)arrumação das revistas nas estantes, continua na mesma... a revista que está em exposição... muitas vezes não coincide com as que
estão no interior das caixas...
O poder político e o responsável da biblioteca continuam a fazer orelhas moucas a
quem gostaria de se poder orgulhar da sua biblioteca e sai de lá sempre triste com o que
vê!
A divulgação é o oposto do que deveria ser: a biblioteca cria um perfil no Facebook
(muito bem, finalmente)... e em alguns computadores não se tem acesso ao... Facebook!!??
Fazer uma iniciativa na biblioteca é matá-la à nascença... nem as próprias iniciativas que
organizam promovem, como esta... Cartão de leitor? Ainda não temos... A inauguração oficial até já esteve agendada... estamos “esperando”... Mas está tudo bem... a malta até deve
ser monárquica e os livros não importam nada! Basta “animar” a criançada, dar uns jornais
75 Publicado no blogue http://bibvirtual.blogs.sapo.pt (Maio/2010)

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

(durante algum tempo, os semanários independentemente do dia da semana em que saíam,
só chegavam à biblioteca à sexta-feira!) de borla para a terceira idade ler e nem precisa de
pagar café, mais uns estudantes para compor a coisa, acolher folclore quanto baste, templários de ocasião... quanto ao resto tudo bem!
Ao fim e ao cabo os livros não protestam, os leitores que se incomodam são quase
nenhuns e o poder tem maioria absoluta e a oposição não existe!
É a assim na Casa Grande dos Livros “estrategicamente ainda sem nome” de Castelo
Branco...
Castelo Branco, Maio/2010

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MANIFESTOS CONTRA O MEDO

Funcionamento da Biblioteca Municipal de Castelo Branco
e uma política de promoção do livro
[Inédito]
Alguns problemas da BMCB poderão dever-se a constrangimentos financeiros ou a
uma questão de prioridades, o que certamente será aceitável e defensável, já noutros casos
não é de orçamento que se trata mas resolver problemas de fácil resolução e sem que a
questão seja de dinheiro, ou este seja relevante.
Há questões relacionadas com a problemática da promoção do livro, onde a autarquia
deve ser parceira, se não líder, e em que a BMCB nesse contexto deveria ser membro activo
e não descartar-se desse papel, como na minha opinião acontece. Há questões que levanto,
que isoladamente, poderiam ser consideradas de somenos importância, mas no contexto
geral do problema que exponho é mais uma pedra fora do sítio na calçada.
Concretizando, o que critico e o que proponho:
1. Desde que a BMCB está no novo edifício (2007), no centro cívico, ainda não houve
uma inauguração do novo edifício, sem bem que o importante é que esteja aberta
ao público, mas não deixa de ser estranho;
2. A BMCB que tinha como nome “Biblioteca Municipal de Castelo Branco – Dr. Jaime
Lopes Dias”, perdeu o nome quando se instalou no novo espaço… estranha-se!
3. A BMCB continua com um mero cartão de papel identificando os leitores, quando
desde que está no novo espaço, com tudo informatizado, já há muito deveria ter
uma cartão magnético, como acontece com muitas bibliotecas;
4. Finalmente a BMCB tem um regulamento de funcionamento! Porque motivo não
se distribui uma fotocópia, já não digo na íntegra, mas como acontece em muitas
bibliotecas, um folheto A4 (duas páginas bastariam) com o resumo do que se pode
consultar, requisitar e com um mínimo de regras?
5. A Internet e a Informática na biblioteca: a) o serviço de correio electrónico, o Gmail,
funciona mas não na versão normal e sim limitada; b) tem-se acesso à rede social
do Facebook (a autarquia no seu site anuncia um perfil, a Cultura Vibra tem um, o
Museu do Canteiro também… a própria biblioteca!), mas com muitas limitações; c)
o Blogspot (a Cultura Vibra, o Museu do Canteiro e o Museu Cargaleiro, usam estes
blogues como páginas oficiais) não é consultável e muito menos editável em qualquer computador ao serviço dos leitores; d) na “casa do livro”, vários “sites” de livrarias e bibliotecas não abrem; e) pelo menos num dos computadores da Biblioteca é
impossível abrir documentos em pdf’s (incluindo documentos oficiais que a autarquia disponibiliza no seu site!); Defendo o desbloqueio total destes e de outros sites,
uma vez que isso também acontece noutro espaço público (Cybercentro de Castelo

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LUÍS NORBERTO LOURENÇO

Branco), em que a própria autarquia é parceira e nos dois casos tem de haver um
registo do utilizador, devidamente identificado, pelo que qualquer eventual situação está salvaguardada desta forma;
6. Os jornais semanários estão disponíveis na BMCB, não no próprio dia em que saem
para as bancas, muitas vezes só na sexta-feira! Não faz sentido…
7. Cada cidadão não se pode dar ao luxo de ter uma impressora e digitalizador que
digitalize e imprime em formato A3, já uma biblioteca municipal poderia muito bem
disponibilizar esse serviço e não apenas em A4.
8. A informação exposta na BMCB raramente divulga o quer que seja sobre eventos
relacionados com o mundo das ciências documentais, é caso raro a nível nacional!
Qual o motivo?
9. Em Castelo Branco não há uma verdadeira feira do livro, que deveria acontecer
todos os anos na mesma altura e dinamizada, não exijo nada como a de Lisboa ou
a do Porto, mesmo a de Braga, mas com uma dimensão interessante, convidando
todas as livrarias, da cidade e da região e até as de Cáceres (via TRIURBIR), quiosques,
papelarias, contactando todas as editoras do país, as autarquias da região para venderem os livros da nossa região. Chamando a colaborar todos os que desde sempre
se preocuparam com este assunto;
10. Venda de livros da autarquia: os livros que estão à venda no posto de turismo de
Castelo Branco (Turismo do Centro) é uma ínfima parte dos livros existentes na autarquia, pagos pelo contribuinte, mesmo que alguns se reservem para ofertas da autarquia em várias ocasiões esses livros, deveriam ser promovidos, só pelo facto de lá
estarem expostos e poder ser vendidos, realizando a autarquia algum dinheiro com
eles… alguns dos quais por não estarem disponíveis para venda em lado nenhum
nem sequer se sabe que existem.
11. Com o Turismo a funcionar como verdadeiro pólo promotor do livro, dispensar-se-ia uma livraria Municipal (a Guarda tem uma, por exemplo) para Castelo
Branco, a não ser assim, uma livraria municipal poderia funcionar no espaço do
Antigo Posto de Turismo da cidade, num espaço do Cine-Teatro Avenida, potenciando o espaço do Turismo do Centro, no R/C da Biblioteca Municipal (a de Beja
tem livros da autarquia à venda, a de Nisa, a de Mangualde e muitas outras) ou noutro lado, não faltam espaços na nossa cidade;
12. No acto de entrega da doação de publicações à BMCB, deveria ser entregue o duplicado dum documento que deveria existir na BMCB para comprovar essa entrega,
não existe… “basta dedicar o livro à BMCB e está bem assim”… a prova que não está
foram publicações que doei à BMCB e das quais nada sabem… deve haver buracos!
Bastava uma simples folhinha A4. Onde existe? Na BM de Alcobaça, por exemplo.
13. Quando começará a Biblioteca Municipal a receber com regularidade exposições
bibliográficas, em princípio as que mais importaria receber, tendo em conta a missão da mesma?

MANIFESTOS CONTRA O MEDO

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14. Como outras autarquias fizeram, porque desperdiçar o potencial de leitores (cerca
de 1000 em alguns dias de Agosto), na nossa Piscina-Praia de Castelo Branco e também nas Piscinas de Alcains, em vez de se instalar uma Biblioteca de Piscina no
Verão, com actividades para todas as idades e públicos? Onde existe? Nisa, Póvoa do
Varzim, Nazaré, em vários locais…
15. O “site” da autarquia continua sem divulgar as publicações subsidiadas/editadas
pela autarquia e através do qual os visitantes e potenciais interessados poderiam
adquirir as mesmas. A autarquia só teria a ganhar com isso;
16. O horário da BMCB, que actualmente já abre, e muito bem, à hora de almoço, não
estará na hora de pensar no alargamento para o sábado, umas horas que fosse, mesmo
que só abrisse de tarde. Esta sim é uma proposta que teria gastos e teria de contar
com a boa receptividade dos funcionários… Daria oportunidade a quem tem horários
complicados poder ir à biblioteca e que nem sequer à hora de almoço o podem fazer.
17. Um boletim bibliográfico para a BMCB, dando notícia das novidades chegadas
à BMCB, por compra ou oferta, nem sequer teria de existir em formato de papel,
poderia existir em formato digital, disponível no site da Câmara Municipal e no da
Biblioteca Municipal. E enviado via “mail” para os leitores e para os contactos da
autarquia e da BMCB. Haveria trabalho, mas se a edição não fosse em papel nem
sequer teria custos!
18. A actualização do acervo da BMCB não pode ser feita apenas à custa das ofertas, devem haver um mínimo de compras para manter actualizado o catálogo da
mesma;
19. O estado de desactualização das revistas é gritante, há excepção das que chegam via oferta;
20. Não entendo porque duas bibliotecas locais, no mesmo concelho e até sendo os
executivos do mesmo partido (pelo que não serão questões de politica a atrapalhar
qualquer entendimento!) BMCB e a da Junta de Freguesia de Alcains, são as duas
públicas, deveria haver uma colaboração, um apoio, uma cooperação e não há!
21. Postos de leitura em vários locais, com possibilidade de requisição domiciliária!
Utopia! Onde acontece? (Viana do Castelo, Covilhã, Rio Maior…)
22. Muitas destas questões, algumas delas práticas, que podem ser resolvidas pela
mera observação ou requisição dum ou outro serviço, seriam colmatadas se houvesse mais atenção do poder político: executivo (Presidente, em especial), deputados municipais e incluo a oposição eleita e não eleita.
Estas propostas e críticas já as coloquei dentro da própria Biblioteca, junto da Vereadora
da Cultura, Dra. Cristina Granada, do Presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, Joaquim Morão, em blogues… onde difundo o livro e numa comunicação apresentada num
congresso, num editorial dum “Tertuliando”, mas a realidade não tem mudado!
Castelo Branco, 8 de Setembro de 2011

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