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3ª SESSÃO – UNIDADE 2 – ACTIVIDADE 1

Análise Crítica ao Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares

Estudos realizados em diversos países, em regiões e em contextos diversos, como os Estados


Unidos, Canadá, Reino Unido ou na Austrália, países onde as bibliotecas têm um percurso
mais consolidado, evidenciam, de forma clara, o impacto das bibliotecas escolares na
aprendizagem e no sucesso educativo dos alunos. Há o reconhecimento de que a biblioteca
escolar é usada enquanto espaço apetrechado com um conjunto significativo de recursos e de
equipamentos. As condições internas, as condições externas, as condições físicas e a
qualidade da colecção são fundamentais, mas o espaço formativo e de aprendizagem,
intrinsecamente relacionado com a escola e com o processo de ensino/ aprendizagem são
imprescindíveis. A literacia da informação tem, nestes estudos, um papel muito importante.

Embora em Portugal haja algum vazio de dados, em termos de avaliação e conhecimento da


realidade das nossas bibliotecas, também, diversos estudos internacionais, realizados em
países com um maior percurso nesta área, vieram demonstrar a importância das práticas de
avaliação.
Assim, o modelo de auto-avaliação das bibliotecas escolares deve ser encarado como um
elemento regulador, conducente a uma contínua melhoria da gestão e consequente
funcionamento das nossas bibliotecas, através da recolha e análise de evidências que orientem
na definição de objectivos e de prioridades e que venham a contribuir para o melhor
desempenho das mesmas.

A literatura internacional, na área da auto-avaliação das bibliotecas escolares, identifica um


modelo organizado em quatro domínios e de um conjunto de indicadores relativos ao trabalho
desenvolvido nas bibliotecas que, por sua vez, se podem agrupar em três grandes áreas,
determinantes na construção de uma biblioteca escolar de qualidade e que passo a
transcrever:

Integração na escola e no processo de ensino / aprendizagem


- A integração institucional e programática da biblioteca escolar, que deve ter em conta os
objectivos educacionais e programáticos da escola;

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- O desenvolvimento de competências de leitura e de um programa de literacia da informação,
integrado no desenvolvimento das diferentes áreas curricular disciplinares, não disciplinares
ou em actividades educativas / projectos de desenvolvimento curricular;
- A articulação da biblioteca escolar com os diferentes departamentos, docentes e alunos, na
planificação e desenvolvimento de actividades educativas e de aprendizagem.

Acesso e qualidade da colecção


- A organização e o equipamento dos diferentes espaços, de acordo com os standards
definidos, facultando condições de acesso e de trabalho individual ou em grupo;
- A disponibilização de um conjunto de recursos de informação, em diferentes ambientes e
suportes, actualizada e em quantidade e qualidade adequadas às necessidades dos
utilizadores.

Gestão da biblioteca escolar


- A afectação de um professor bibliotecário qualificado e de uma equipa que assegure as
rotinas inerentes à gestão, que articule e trabalhe com a escola, professores e alunos;
- A qualidade/competência de liderança do professor bibliotecário e da equipa;
- O desenvolvimento de estratégias de gestão e de integração da biblioteca escolar na escola e
no desenvolvimento curricular;
- O desenvolvimento de estratégias de gestão baseadas na recolha sistemática de evidências e
de uma auto-avaliação sistemática.

Assim, pode-se inferir que o processo avaliativo permite:

− Aferir a eficácia dos serviços prestados, sucessos/insucessos, condicionantes da


qualidade de ensino;
− Aferir o impacto que temos nas atitudes/comportamentos e competências dos nossos
utilizadores;
− Ficarmos a saber a diferença que fazemos, ou não, a nível de Escola;
− Reivindicar a nossa importância e fazer compreender junto dos órgãos de poder que
fazemos a diferença, somos imprescindíveis, fazendo crer que os recursos humanos e
materiais são um investimento com retorno;
− Passar esta mensagem, igualmente, à comunidade educativa - docentes, alunos,
assistentes operacionais e encarregados de educação, salientando a importância da
biblioteca escolar na resposta às grandes prioridades dos Projectos Educativo e

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Curriculares, o seu empenho no cumprimento de objectivos comuns a toda a escola,
disposta a contribuir para o sucesso escolar dos alunos. Em contrapartida, é forçoso
que estejam despertos aos sinais de inércia e, em contrapartida, saibam contribuir para
a construção do seu próprio saber, a partir das orientações e diferentes suportes
colocados à sua disposição.

O conhecimento, mesmo que empírico, aliado a uma postura de investigação, de


aprendizagem contínua e de uma forte liderança do professor coordenador - proactivo e
persuasivo - são, entre outros, factores dominantes ao nível da gestão e optimização dos
serviços. Porém, sem o envolvimento imprescindível dos parceiros educacionais, inclusive da
própria equipa,, todas as expectativas correm o risco de saírem frustradas. “À mulher de César
não basta parecê-lo, há que sê-lo”.
A biblioteca escolar e os docentes, conjuntamente, devem evoluir em vários sentidos, sendo
que, a BE deverá passar a ser o centro do novo conceito de aprendizagem, em que o aluno é o
construtor do seu próprio conhecimento. As estratégias a utilizar devem basear-se no
questionamento constante e no desenvolvimento de novas literacias, preparando-os para uma
aprendizagem contínua ao longo da vida que responda aos novos desafios sociais.

Após a implementação do processo avaliativo, há que fazer as alterações necessárias e voltar


a recolher novas evidências relativas ao impacto das mudanças realizadas.

“A avaliação não deverá ser um fim em si mesmo, mas um processo de melhoria que deve
facultar informação de qualidade capaz de apoiar a tomada de decisão”.

Os resultados devem ser partilhados, discutidos e divulgados nos órgãos de gestão” e abertos
a toda a toda a comunidade escola.

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