Anais do IV Simpósio de Saúde Pública da Região Sudoeste: O SUS e a saúde do idoso. v.1, 2012. ISSN 2238-9326
ABORDAGEM CLÍNICA E FISIOTERAPÊUTICA EM PNEUMONIA: UM ESTUDO DA LITERATURA BRASILEIRA
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Ana Carolina França dos Anjos, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Jequié-BA,
carolina.anjos1@hotmail.com;
Thiago Raphael Martins Meira, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Jequié-BA, thiagormm@hotmail.com; Daíla Freire dos Santos, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Jequié-BA,
ilafreire11@hotmail.com;
Hellaná Braga Martins, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Jequié-BA, nanataligada@hotmail.com; Marcos Túlio Raposo, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Jequié-BA, tulio.raposo@hotmail.com;
INTRODUÇÃO
A pneumonia é uma inflamação aguda que atinge o parênquima pulmonar, geralmente
resultante de invasão por agentes microbiológicos. Caracteriza- se pelo preenchimento dos espaços aéreos e adjacências, devido uma solidificação exudativa. Manifesta-se pelo aparecimento de tosse, expectoração, dor torácica, dispnéia, febre igual ou superior a 38°C, tremores, mialgias (SARMENTO, 2007).
Esta enfermidade é classificada principalmente em comunitária e hospitalar. A pneumonia comunitária, ocorre fora do ambiente hospitalar ou surgem quando as manifestações aparecem nas primeiras 48 horas de internação, acometendo cerca de 2 e 12 casos/ 1.000 habitantes por ano, com maior prevalência na faixa etária de crianças menores de 5 anos e pacientes idosos. Já a pneumonia adquirida no hospital ocorre após 48 horas ou mais de internação. Sua incidência é estimada em 5 a 10 casos por 1.000 admissões, sendo a segunda causa de infecções hospitalares, onde pacientes entubados apresentam risco 20 vezes mais que a dos não entubados na unidade de terapia intensiva (SILVA et al., 2012).
A fisioterapia respiratória é composta de técnicas que visam à prevenção para evitar
complicações em um paciente com quadro clínico de pneumopatia, melhorar ou reabilitar a disfunção toracopulmonar, e treinar e recondicionar as condições respiratórias desses pacientes (COSTA, 1999).
Diante do exposto, este estudo visa apresentar os principais tratamentos e abordagens fisioterapêuticas em pacientes acometidos com pneumonia.
MATERIAL E MÉTODOS
Esta pesquisa caracteriza-se por um estudo de revisão de literatura, na qual foi realizada buscas de artigos e livros que contemplassem a temática, que pudessem dar subsídios teóricos para o objetivo do estudo. Para coleta de dados foi realizado pesquisa por meio das bases de
dados on-line internacionais Scielo e Lilacs, além de livros catalogados na Biblioteca Jorge Amado pertencente a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - Campus Jequié.
A busca pelos artigos fez-se pelas seguintes palavras-chave: pneumonias, fisioterapia e
tratamento, sendo limitadas ao período entre 2000 e 2012. Como critério de inclusão foi selecionado estudos que referenciavam a intervenção da fisioterapia em pacientes portadores de pneumonia. Como critério de exclusão foi integrado artigos de relato de caso. Foram encontradas 3.200 publicações que abordavam a pneumonia em diversos idiomas. Por meio do critério de inclusão foram selecionadas 15 publicações. A partir da seleção dos artigos, foram feitas suas leituras na íntegra e extraídos os principais resultados. Posteriormente
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os artigos foram agrupados em categorias que abordavam diagnóstico, prevenção e tratamento.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
TRATAMENTO FARMACOLÓGICO
O tratamento farmacológico com a utilização de antibióticos deve ser iniciado o mais
rápido possível, mesmo sem os resultados dos testes diagnósticos, devido o risco de mortalidade.
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Autor/Ano |
Tipo de pneumonia |
Medicamentos |
Necessidades |
|
|
BARRETO, 2009; |
Comunitária |
Macrolídeos ou |
Reavaliação do paciente em 48 a 72 horas, por ser o período crítico da evolução. |
|
|
SILVA et al., |
2012. |
betalactâneos. |
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TARANTINO, 2008; SILVA et al., 2012.
Hospitalar
Cefalosporinas de terceira geração; Fluoroquinolonas; Betalactâmico-inibidor de betalactamases não ativos contra Pseudomonas sp.
O antibiótico deve ser de amplo espectro envolvendo os patógenos mais freqüentes e levando em consideração as características da instituição.
TRATAMENTO COM FISIOTERAPIA RESPIRATÓRIA
A fisioterapia respiratória através das técnicas de higiene brônquica possibilita o
desprendimento e a mobilização das secreções, retorno dos volumes e capacidades, melhora da ventilação/perfusão (V/Q), diminuição do trabalho respiratório e cardíaco, e manutenção ou melhora da mobilidade da caixa torácica (SARMENTO, 2007; YOKOTA et al., 2006).
As técnicas de reexpansão do parênquima pulmonar são utilizadas buscando aumentar a
ventilação em zonas não comprometidas, visando supressão ou minimização do desequilíbrio entre relação V/Q. Também pode ser utilizado inspirômetros de incentivo e a realização de padrões ventilatórios seletivos (diafragmático e torácico), com o intuito de promover ao paciente maior ventilação colateral (SARMENTO, 2007).
|
Autor/Ano |
Tipo de estudo |
Amostra |
Recursos utilizados |
Resultados |
||
|
Manobras |
de |
higiene |
Melhora na mecânica respiratória; Diminuição da resistência do sistema respiratório. |
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Prospectivo, |
92 pacientes; Idade média: 65 anos |
brônquica. |
||||
|
Ogawa et al., 2009 |
transversal e observacional. |
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|
Aberto, |
Técnicas de higiene brônquica; Oscilador oral de alta freqüência (OOAF); Técnica de expiração forçada. |
Desobstrução das vias aéreas; Melhora do pico de fluxo expiratório e ausculta pulmonar. |
||||
|
Lanza et al., 2009 |
randômico e controlado. |
26 crianças |
||||
|
Farencena et al., 2006 |
Revisão de |
58 idosos |
Manobras de higiene brônquica; Drenagem postural; Hhuffing e o flutter®. Reexpansão pulmonar associada com |
Deslocamento da secreção; Aumento do fluxo expiratório; Aumento da ventilação pulmonar; Melhora na oxigenação |
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|
prontuários. |
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o grupo intervenção realizou fisioterapia respiratória três vezes
O grupo de intervenção permaneceu mais tempo hospitalizado,
Tartari,
2003
|
ao |
dia |
com febre de maior |
|
O |
grupo controle uma |
duração e maior escore |
|
vez ao dia foi orientado |
de gravidade na |
|
|
a |
respirar |
avaliação quando |
|
profundamente, |
comparado com o |
|
|
expectorar a secreção |
grupo controle, sendo |
|
|
e |
manter |
que não apresentou |
Randomizados
em grupo
controle e
intervenção
65 pacientes; Idade: 1 a 12 anos
preferencialmente em decúbito lateral.
na
freqüência respiratória
diferenças
|
e |
nos |
sinais |
|
radiológicos. |
A |
|
explicação para os resultados obtidos, se deve em razão dos pacientes estarem na
fase aguda da pneumonia, onde as secreções ainda estão na região alveolar, e não estão presentes nas vias aéreas.
Os presentes estudos (OGAWA et al., 2009; FARENCENA et al., 2006; LANZA et al., 2009) demonstram a eficácia da fisioterapia respiratória em pacientes acometidos com pneumonia, permitindo a desobstrução brônquica, que gera aumento do fluxo expiratório e melhora na relação V/Q, porém estudo de Tartari (2003) faz um alerta em relação à inclusão de procedimentos fisioterápicos na fase aguda da pneumonia.
|
CONCLUSÃO |
||||||||||
|
Através |
dos |
estudos |
analisados |
pode-se |
observar |
que |
a |
atuação |
da |
fisioterapia |
respiratória é importante na melhora do quadro clínico dos pacientes com pneumonia, proporcionando através de técnicas, deslocamento da secreção e aumentando do fluxo expiratório, porém são necessários novos estudos para maiores constatações dos resultados.
PALAVRAS-CHAVE: Pneumonias, Fisioterapia, Tratamento.
Eixo-temático: Epidemiologia
REFERÊNCIAS
BARRETO, S.S.M. Pneumologia no consultório. Porto Alegre: Artmed, 2009.
COSTA, D. Fisioterapia respiratória básica. São Paulo: Atheneu, 1999.
FARENCENA, G.S.; et al. Atuação fisioterapêutica e morbidade por pneumonia: um estudo no hospital casa de saúde, Santa Maria/RS. Disciplinarum scientia, v.7, n.1, p.29-39, 2006.
LANZA, F.C.; et al. Oscilação oral de alta freqüência reduz a obstrução das vias aéreas em crianças com pneumonia?. Revista brasileira de alergia e imunologia, v.32, n.2, p.59-62, 2009.
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OGAWA, K.Y.L.;
et al. Intervenção fisioterapêutica nas emergências cardiorrespiratórias. O mundo da saúde, v.33, n.4, p.457-466, 2009.
SARMENTO, G.J.V. Fisioterapia respiratória em pacientes críticos: rotinas clínicas. 2. ed. Manole: Barueri, 2007.
SILVA, L. C. C.; et al. Pneumologia: princípios e prática. Porto Alegre: Artmed, 2012.
TARANTINO, A. B. Doenças Pulmonares. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.
TARTARI, J.L.L. Eficácia da fisioterapia respiratória em pacientes pediatricos hospitalizados com pneumonia adquirida na comunidade: um ensaio clínico randomizado. 2003. 103 f. Disertação (mestrado) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2003.
YOKOTA, C.O.; et al. Fisioterapia respiratória em pacientes sob ventilação mecânica. Revista de ciências médicas, v.15, n.4, p.339-345, 2006.
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