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O DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA: UMA POLÍTICA DE

MANUTENÇÃO DO VÍNCULO
Cenise Monte Vicente[1
O !"nc#$o te% &i%ens'o (io$)*ic+, +-eti!+ e soci+$
A todo nascimento corresponde um encontro entre um homem e uma mulher. O recém-nascido é, em si,
expressão concreta de uma experiência de encontro. A própria gestação é impensável sem um vnculo concreto
entre mãe e !eto. "m cordão os une. "m cordão possi#ilita a vida.
Após o nascimento, o seio assumirá esta !unção de vinculação concreta. O récem-chegado expressa um
vnculo, so#revive graças a uma vinculação org$nica, #iológica e crescerá e se desenvolverá com a constituição
de uma vinculação sim#ólica, a!etiva e social.
To&+ c.i+n/+ te% -+%"$i+ e .e&e &e 0+.entesco
O #e#ê, ao ser conce#ido, %á pertence a uma rede !amiliar, &ue compreende o pai e a mãe e seus respectivos
grupos !amiliares. Ao pertencer a estes grupos, tam#ém %á está esta#elecido &uem são os outros e o universo de
escolhas amorosas e interdiç'es as &uais estará su%eito, de acordo com a cultura onde ele está inserido[1.
(ada criança rece#e um nome próprio e um so#renome &ue indicam esta pertinência. )ua constituição
en&uanto ser social e en&uanto indivduo, ao ser nomeado, inclui imediata e intrinsecamente uma !amlia, toda a
rede de parentesco ao &ual estará vinculado.
O !"nc#$o 2 !it+$
*os primeiros anos de vida a criança depende destas ligaç'es para crescer. +la carece de cuidados com o
corpo, com a alimentação e com a aprendi,agem. -as nada disso é possvel se ela não encontrar um am#iente
de acolhimento e a!eto. Os #e#ês não so#revivem ao desamor. .ais con!lituados e instáveis produ,em uma
relação de am#ivalência &ue pode pre%udicar a criança.
As doenças mentais in!antis expressam, !re&/entemente, as di!iculdades a!etivas das relaç'es interpessoais
!amiliares. *a área da sa0de mental, o papel dos dist0r#ios !amiliares nos sintomas da criança tem sido cada
ve, mais reconhecido.

1ohn 2o3l#4, um dos principais teóricos especiali,ado em desenvolvimento humano a!irmava, %á em 5675, &ue
8o amor materno na in!$ncia e %uventude é tão importante para a sa0de mental &uanto as vitaminas e protenas o
são para a sa0de !sica99 :apud ;utter 56<=, 56>5?.
A c.i+n/+ n+sce n#%+ co%#ni&+&e
A criança nasce em determinado território social e geográ!ico. @mediatamente rece#e o direito A cidadania: é
natural de algum lugar. +ste lugar será includo na sua de!inição, na sua identidade.
A criança nasce, portanto, em uma comunidade. 8)ou !ilho de tais pessoas e sou de tal lugar8. )ão duas
coordenadas &ue permitem a &ual&uer um situar-se no mundo. Bual&uer lugar sempre pertence a uma nação ou
está su#metido a uma #andeira.
A nacionalidade é um presente imediato de &ual&uer sociedade a uma criança. )ão as ra,es
#rotando. C a !aceta comunitária da necessidade humana !undamental de n'o est+. s)3
A criança inicia sua história dentro da história de sua !amlia, de sua comunidade e de sua nação. -ais
amplamente, ela participará de um perodo da história dos homens. )erá marcada e a!etada pelas diversas
dimens'es de seu tempo. )erá a tam#ém &ue dará sua contri#uição en&uanto ser e cidadão.
Dannah Arendt :56<E? relaciona a ação ao nascimento. )egundo seu pensamento 8agir é a resposta
humana A condição da natalidade. 1á &ue todos nós chegamos ao mundo em virtude do nascimento, estamos
aptos, como recém-chegados e principiantes, a começar algo novoF sem o !ator nascimento nem se&uer
sa#eramos o &ue é a novidade8, e &ual&uer 8ação não passaria de comportamento ou preservação comum. Agir
e começar não são a mesma coisa, mas estão intimamente ligados8.
O !"nc#$o e o c.esci%ento
O ser humano não disp'e, ao nascer, de repertório su!iciente para so#reviver sem a participação de um o#t.o
si*ni-ic+ti!o, &ue supra sua ina#ilidade para su#sistir, sua !alta de autonomia. Os primeiros anos de vida são de
grande imaturidade e vulnera#ilidade :;osseti-Gerreira, 56>H?. )egundo 2o3l#4 :5675?, o vnculo :ou apego? é
compreendido en&uanto 8sistema comportamental destinado a garantir a so#revivência. O sistema é complexo,
din$mico, avaliado constantemente e capacitado para corrigir &ual&uer tendência &ue ponha em risco a
criança8.

+m outras palavras, o !"nc#$o ou o +0e*o seriam um desses sistemas, 8cu%o alvo :set goal? é a manutenção da
proximidade entre a mãe e a criança, de maneira a garantir a segurança desta 0ltima8 :2o3l#4, 5675 e 2ischo!!,
56<7, apud ;osseti-Gerreira, 56>H?.
A &o. &o .o%0i%ento
O o#t.o si*ni-ic+ti!o pode não ser a mãe. *o processo interativo tanto a criança &uanto o adulto têm papel
ativo na constituição da ligação a!etiva. O vnculo pode ser com outras pessoas &ue se ocupam ou não das
necessidades #ásicas da criança.
*o entanto, separar ou perder pessoas &ueridas ou romper temporária ou de!initivamente os vnculos produ,
so!rimento.
Iários estudos dedicaram-se a estudar os danos causados pelo a!astamento da criança de pessoas &ueridas. "m
dos aspectos o#servados di, respeito A hospitali,ação. O +statuto da (riança e do Adolescente :+(A? en!ati,a o
direito da !amlia de acompanhar a criança durante a internação hospitalar: 8Os esta#elecimentos de
atendimento A sa0de deverão proporcionar condiç'es para a permanência em te%0o inte*.+$ de um dos pais ou
responsável, nos casos de internação de criança ou adolescente8 :artigo 5=?.
A i%0o.t4nci+ &o -i$5o 0+.+ os 0+is e + -+%"$i+
1á !oi re!erida a import$ncia da !amlia para a identidade do #e#ê. *ão se pode deixar de re!letir so#re a re
Buando um #e#ê é conce#ido e aceito, a identidade dos genitores tam#ém é alterada. @sto é, o homem e a
mulher envolvidos nascem na condição de pai e mãe. @sto não acontece apenas com o primeiro !ilho. (ada nova
criança promove uma alteração na 8gestalt8 !amiliar.
Jo ponto de vista dos adultos grávidos - pai e mãe - o vnculo com o novo ser é anterior ao nascimento e
composto de um imaginário repleto de esperança. )ó um estado de extrema miséria ou incerte,a :presente, por
exemplo, nas situaç'es de guerra?, pode retirar das pessoas o sonho de um !uturo melhor para seus !ilhos.
.ode-se di,er &ue a trans!ormação de sonho em pesadelo, envolvendo uma nova gestação, é um dos piores
sintomas da po#re,a. )igni!ica a perda da crença no !uturo e a instalação de uma vivência de impotência civil
pro!unda.
A experiência de convvio entre irmãos pode ser igualmente rica e marcante para as crianças.
I%0o.t4nci+ &o !"nc#$o no &i.eito 6 !i&+

O vnculo é um aspecto tão !undamental na condição humana, e particularmente essencial ao desenvolvimento,
&ue os direitos da criança o levam em consideração na categoria con!i!7nci+ 8 !i!e. 9#nto. O &ue está em %ogo
não é uma &uestão moral, religiosa ou cultural, mas sim uma &uestão vital.
*a discussão das situaç'es de risco para a criança a &uestão da mortalidade in!antil ou da desnutrição é
imediata. )o#reviver é condição #ásica, ó#via, para o direito A vida. Jeve-se acrescentar a dimensão a!etiva na
de!esa da vida.
+m outras palavras, so#reviver é pouco. A criança tem direito + !i!e., a des!rutar de uma rede a!etiva, na &ual
possa crescer plenamente, #rincar, contar com a paciência, a toler$ncia e a compreensão dos adultos sempre &ue
estiver em di!iculdade.
A criança tem direito a chorar. *em sempre a criança tem condição de ver#ali,ar seus sentimentos, suas
ang0stias, seus medos. A criança pe&uena utili,a modos corporais de expressão, como o gritar, o de#ater-se, o
emudecer etc.
.ais e adultos devem estar in!ormados e preparados para respeitar o momento da criança, a etapa de
desenvolvimento na &ual esta se encontra. A capacidade dos mais velhos deve ser estimulada para escutar
a&uilo &ue a criança está 8contando8.
)e a criança encontra pais e adultos &ue a enxergam, escutam, acompanham com interesse e com expectativa
positiva seus passos, tornar-se-á uma criança !eli, e segura.
A &i%ens'o 0o$"tic+ &o !"nc#$o
Buando a !amlia :tenha ela a con!iguração &ue tiver? e a comunidade não dão conta de garantir a vida dentro
dos limites da dignidade :a includo um mundo amistoso, acolhedor?, ca#e ao +stado assegurar aos cidadãos
tais direitos para &ue a criança des!rute de #ens &ue apenas a dimensão a!etiva pode !ornecer.
O vnculo tem, portanto, uma dimensão poltica &uando, para sua manutenção e desenvolvimento, necessita de
proteção do +stado.
*este momento, o vnculo, por meio do direito A convivência, passa a !a,er parte de um con%unto de pautas das
polticas p0#licas.
A !amlia, a comunidade e a sociedade civil devem participar amplamente da ela#oração de alternativas,
priori,ando o apoio A !amlia para &ue esta possa cumprir com suas !unç'es.
A !amlia natural ou su#stituta é sempre melhor do &ue &ual&uer instituição de internação. A institucionali,ação
tem historicamente produ,ido crianças anal!a#etas e sem perspectivas de vida autKnoma.
.rimo Levi, pensador italiano &ue passou pela experiência de institucionali,ação, sinteti,ou o e!eito destrutivo
da internação através do conceito de 5o%e% !+:io;
M@magine-se agora um homem ao &ual, %unto com as pessoas amadas, lhe são levados sua casa,
seus há#itos, suas roupas, tudo en!im, literalmente tudo o &ue possui: será um homem va,io,
condenado a so!rimento e necessidade, es&uecido da dignidade e discernimento, %á &ue acontece
!acilmente a &uem perdeu tudo de perder-se a si mesmo.[<
N
As .e0.esent+/=es soci+is so(.e +s -+%"$i+s 0o(.es
A dimensão poltica é a!etada pelo universo das representaç'es sociais, isto é, sm#olos, idéias e imagens
compartilhadas pelo coletivo. Oais representaç'es dos pro#lemas relativos A po#re,a aca#am por determinar a
aprovação ou desaprovação de aç'es e programas desenvolvidos pelo poder p0#lico
Je certo modo, tais idéias e o imaginário participam, consciente ou inconscientemente, desde a ela#oração das
respostas institucionais, se%a por parte dos polticos se%a por parte dos técnicos.
As crianças em situação de rua expressam o nvel de miséria de suas !amlias e de suas comunidades. *o
entanto, a representação construda tem sido a de &ue as crianças não têm !amlia, são 8da rua8. Ou então, &ue
!oram 8a#andonadas8 por pais desprovidos de a!etividade.
Além de escapar da incKmoda evidência de tanta miséria, preenche-se este vácuo por uma retórica na &ual os
po#res são des&uali!icados en&uanto pais. .assam a ser vistos como pais &ue não amam, incapa,es de
esta#elecer vnculos com suas crianças.
Buando uma mãe po#re, em pleno puerpério, entrega seu #e#ê para salvá-lo da !ome, o discurso do senso
comum di, &ue ela deu sua criança. *unca se ouve di,er &ue ela perdeu o !ilho.
+ntre duas !amlias interessadas em adotar uma criança, costuma prevalecer a opinião de &ue a !amlia rica está
mais apta para desenvolver #em a paternidade.
*os denominados 8or!anatos8, a maioria das crianças têm !amlia. As instituiç'es, entretanto, insistem em
manter uma designação &ue não corresponde A realidade. -as ao 8or!ani,ar8 a clientela, explicita-se uma
mentalidade segundo a &ual a !amlia miserável é ignorada ou tratada como inexistente.
.ara &ue uma criança perca toda sua !amlia :incluindo avós e tios maternos e paternos?, é necessário &ue uma
grande tragédia tenha lhe sucedido. + isto é rarssimo.
Po&e. 0>($ico, socie&+&e ci!i$ e co%#ni&+&e; const.#in&o #%+ .e&e &e +0oio 6s c.i+n/+s, +os 9o!ens e
s#+s -+%"$i+s
As !amlias diretamente a!etadas pela rua são em n0mero menor do &ue o de crianças vivendo nas ruas, %á &ue,
em geral, não é uma 0nica criança &ue migra da miséria doméstica
Assim, programas &ue desenvolvam pro%etos com as !amlias podem atingir as crianças e resgatar uma
&ualidade de vnculo &ue lhes permita a#andonar o êxodo circular ur#ano.
A criança pode ser inserida em 8continentes8 institucionais destinados A sua proteção e desenvolvimento. -as
continentes estes complementares ao continente !amiliar. A !amlia não pode ser excluda por&ue constitui um
espaço privilegiado de convivência, dado &ue nele a dimensão a!etiva é inerente.
O principal continente complementar é a creche ou a escola.
A construção de serviços, programas e aç'es deve contar com a participação das !amlias e da comunidade,
tanto na discussão &uanto na execução e gerenciamento das propostas.
As respostas variam de acordo com a realidade e as potencialidades de cada localidade. O &ue deve ser
garantido é o direito de participação popular em !óruns de discussão e de eleição de legtimos representantes
nos conselhos deli#erativos de polticas p0#licas.
Con-$ito -+%i$i+.
O !ato de a !amlia ser um espaço privilegiado de convivência, não signi!ica &ue não ha%a con!litos nesta es!era.
)egundo )alem :56>P?, 8cada ciclo da vida !amiliar exige a%ustamento por parte de am#as as geraç'es,
envolvendo portanto, o grupo como um todo8.
Além disso, existem 8con!litos e tens'es8 no decorrer de toda a existência da !amlia. Oais con!litos podem ser
mani!estos ou latentes. A !orma de lidar com os con!litos pode variar de modelos autoritários e intolerantes, nos
&uais predomina um relacionamento adultocêntrico, de opressão e silenciamento dos mais !racos, em geral, as
crianças. O modo de lidar com os pro#lemas pode ser tam#ém democrático e de respeito pelas di!erenças, e
mesmo de valori,ação da c.ise, &uando o modo pre!erencial de lidar com as di!iculdades é pelo entendimento,
pela linguagem, pela conversa.

O silêncio nem sempre é sinal de pa, ou de li#erdade. Buando a resolução de um con!lito se dá pelo
silenciamento do mais !raco remete os ressentimentos A es!era latente, carregada de energia pronta para
emergir, muitas ve,es utili,ando-se de um modo de expressão &ue acentua a #arreira para o diálogo.
.ode-se imaginar ra,'es históricas, e elas certamente existem, para a !re&/ência de relacionamentos violentos
nas interaç'es dos adultos com as crianças na !amlia, na escola etc.
A construção de uma sociedade democrática passa por uma trans!ormação destas relaç'es, por uma nova
compreensão da vitalidade do con!lito, pela produção de novas respostas, centradas no 0nico método não-
violento: o diálogo. Jialogar e aprender a conviver com as di!erenças são instrumentos !undamentais para esta
mudança no relacionamento do mundo adulto com o in!anto-%uvenil.
O ser humano é complexo e contraditório, am#ivalente em seus sentimentos e condutas, capa, de construir e de
destruir. +m condiç'es sociais de escasse,, de privação e de !alta de perspectivas, as possi#ilidades de amar, de
construir e de respeitar o outro !icam #astante ameaçadas. *a medida em &ue a vida a &ual está su#metido não
o trata en&uanto homem, suas respostas tendem A rude,a da sua mera de!esa da so#revivência.
As milhares de !amlias sem-terra, sem casa, sem tra#alho, sem alimento, en!rentam situaç'es diárias &ue
ameaçam não só seus corpos - território 0ltimo do despossudo - mas, simultaneamente, seus vnculos e
su#%etividades.
+ste estado de privação de direitos ameaça a todos, na medida em &ue produ, desumani,ação generali,ada.
Jo ponto de vista da&ueles &ue não são pessoalmente atingidos pela miséria, emerge um tipo peculiar de
desumani,ação - a ausência de solidariedade e a dessensi#ili,ação para com os pro#lemas sociais.
A solidariedade social é uma dimensão mais ampla da noção de vnculo. As !amlias têm o direito de contar
com esta !orma de apoio.
?e.!i/os e 0.o*.+%+s
As !amlias e a sociedade têm, no mnimo, três grandes pro#lemas a en!rentar: 5? a ruaF =? a institucionali,ação
e E? a violência.
A rua a!asta crianças e %ovens de suas !amlias e comunidade, o!erecendo de modo sistemático o ingresso ao
crime e A droga. +stes caminhos levam A violência, A privação de li#erdade e, muitas ve,es, A morte.

A organi,ação de programas e serviços destinados a atender e dar retaguarda As !amlias durante todo o ciclo de
vida - desde a concepção até a velhice - pode evitar os três pro#lemas citados.
(ompreender a !amlia en&uanto um sistema din$mico exige alteração na maioria dos programas existentes,
&ue costumam re!letir o processo de especiali,ação ocorrido no conhecimento cient!ico.
.lane%amento !amiliar, acesso a métodos de pré-concepção, in!ormaç'es so#re os principais cuidados com a
maternidade e a import$ncia do papel do pai precisam ser amplamente discutidos. O conhecimento e o acesso a
#ens e serviços !acilitam a vida da !amlia e o #em-estar de seus mem#ros.
O tra#alho técnico ou comunitário consiste, !re&/entemente, da de!esa dos direitos, de conhecimento dos
recursos existentes e de retaguarda. +sta retaguarda deve ser transitória, centrada na promoção da !amlia.
C importante &ue todos sai#am &ue a po#re,a não pode acarretar a perda dos !ilhos. Assim, a cada criança com
pro#lemas corresponde uma !amlia em di!iculdades. *inguém tem o direito de or!ani,ar a criança po#re.
As crianças de ,ero a seis anos têm direito A creche. Os municpios devem executar =7Q dos seus orçamentos
para atender A área de educação e a sua principal responsa#ilidade é com as crianças, do #erçário A pré-escola e
com a educação #ásica.
O (onselho de Jireitos do -unicpio deve acompanhar atentamente a execução orçamentária. O (onselho
Outelar deve ser acionado sempre &ue alguma criança não se%a atendida ou este%a sendo ameaçada.
*a idade escolar a participação dos pais na escola e no processo de aprendi,agem da criança são importantes
para evitar a evasão. O estmulo, a expectativa positiva e o interesse pelo &ue a criança reali,a têm um papel
muito signi!icativo.
O olhar da !amlia no acompanhamento da criança deve ser estimulado e valori,ado. A !amlia é um o#servador
especial pela proximidade e a!eto pela criança. C necessário &ue a sociedade entenda &ue a !amlia, ao cuidar
das crianças, tra#alha pela reprodução social.
A luta das !amlias e das comunidades contra a evasão escolar passa pela análise dos !atores &ue excluem a
criança da escola eRou a atraem A rua. Analisar sem culpa#ili,ar nem a criança, nem a escola, nem a !amlia,
mas voltados A desco#erta de alternativas reali,áveis &ue reintegrem a criança A escola. .ais, escolas,
comunidades e %ovens devem participar deste processo.

O menino ou menina &ue !re&/enta ou vive na rua exige pro%etos pedagógicos destinados a reaproximá-los de
sua !amlia e comunidade. O retorno A escola da comunidade com seus pares deve ser a meta. .reparar a escola
para acolher esta criança e %ovem &ue regressa é igualmente importante. Buando uma criança !racassa, toda a
sociedade está !racassando. Buando uma %ovem não pode deixar a prostituição, por po#re,a ou preconceito,
todos estamos perdidos.
A discussão da renda e do tra#alho precoce é inadiável. O processo de pro!issionali,ação não pode impedir o
%ovem de estudar e, principalmente, não pode impedi-lo de construir um pro%eto de vida.
As cidades devem ter pro%etos para todos os %ovens, criar oportunidades e!etivas de aprendi,agem,
pro!issionali,ação e remuneração para seus adolescentes. +sporte, la,er e cultura são tão importantes para a
!ormação &uanto o tra#alho.
A discussão so#re a sexualidade &ue en!rente a &uestão da gravide, precoce e indese%ada, a &uestão da A@J) e
outras doenças sexualmente transmissveis, a prevenção de drogas, en!im, toda uma série de tópicos cu%o
desconhecimento só aumenta a tragédia individual e !amiliar.
A luta cotidiana pela so#revivência retira dos %ovens a perspectiva do !uturo. .recisam ser institudas medidas
&ue apóiem as !amlias em suas lutas para vencer o limiar de po#re,a &ue ameaça o vnculo. Oais medidas
devem ser transitórias e promover, a curto pra,o, sua autonomia.
A import$ncia da comunidade em apoiar as !amlias em momentos crticos, como os de nascimentos, doenças,
ou mesmo a&ueles &ue as impeçam de assistir totalmente suas crianças, deve ser en!ati,ada.
O papel da comunidade na luta por e&uipamentos de +ducação, )a0de, (ultura e La,er e no gerenciamento
democrático-participativo destes, &uando %á existem, deve ser estimulado.
Vio$7nci+ &o%2stic+
A violência doméstica está presente em todas as classes sociais. ;esulta de um con!lito de gênero ou de
geraç'es. Jecorre de uma !orma de lidar com as desigualdades na &ual as di!erenças são trans!ormadas ou em
relação entre superiores e in!eriores eRou onde o mais !raco é tratado en&uanto 8coisa8 :A,evedo S Tuerra,
56>6 e 566P?.
+xiste a tradição de ensinar através do castigo, da punição e ela conta com diversos provér#ios populares &ue
de!endem uma interação violenta, legitimada pela 8o#rigação8 da !amlia em corrigir a criança.

+m muitos casos, a !amlia não disp'e de um repertório democrático para resolver as situaç'es con!litivas e
recorre, portanto, a seu acervo pessoal :memória? de procedimentos ad&uiridos no próprio processo de
aprendi,agem.
)oma-se, As ve,es, a esta memória individual e coletiva :presente na história de vida do pai ou mãe violentos e
nos costumes?, uma intensi!icação da conduta destrutiva, &uando predomina o ódio, o ressentimento, o a#uso e
a transgressão. C o mundo da tragédia relacional.
+xistem, no mnimo, dois grandes campos de atuação nesta área. "m di, respeito ao tra#alho no interior da
!amlia, para impedir a crueldade, a tortura e o estupro ou a#uso, ou, em alguns casos mesmo, retirar o agressor
do convvio com a criança. Outro campo re!ere-se A necessidade de romper com o 8pacto de silêncio8 &ue cerca
este tema :A,evedo S Tuerra, 56>6 e 566P?.
A den0ncia tem um papel importante na conscienti,ação so#re os direitos da criança. .ara além da constatação
do !enKmeno, são necessários serviços de noti!icação, acompanhamento de !amlias maltratantes, programas
preventivos e de intervenção, atendimento especiali,ado de atenção e de retaguarda As vtimas e agressores.
Os a#rigos podem ter uma !unção importante durante o estudo do caso, en&uanto a %ustiça não de!ine se a
!amlia perde o pátrio poder.
A vida da criança não pode ser dani!icada ou destruda de modo irreparável. +vitar este risco pode levar o %ui, a
optar pela #usca de uma !amlia su#stituta. +sta nova !amlia pode precisar de apoio técnico para lidar com a
criança ou %ovem &ue vem marcado por tais vivências. +la#orar o passado é uma das maneiras de livrar-se da
mera repetição.
NOTA?;
[1 .ro!essora do Jepartamento de .sicologia e +ducação da "niversidade de )ão .aulo, (ampus ;i#eirão
.reto - ).. +x-(onselheira do (onselho -unicipal dos Jireitos da (riança e do Adolescente de (ampinas - )..
[1 As sociedades humana variam nU !orma de parentesco, casamento, residência, vida doméstica :Jurham,
56>E ?. *ão se pretende a&ui naturali,ar o processo, mas assinalar possveis aspectos psicológicos existentes
nas !amlias #rasileiraF mesmo considerando in0meras possi#ilidades de arran%os. A de!inição de parentesco
de!endida pela Antropologia, segundo Jurharn :p. ==?, é a seguinte: 8estruturaF !ormais &ue consistem em
arran%os e com#inaç'es de três relaç'es #ásicas as de descendência :entre pai -!ilhos eRou mãe -!ilhos?, de
consang/inidade :entre irmãos ? e de a!inidades :criadas pelo casamento?8.

[< )i imagini ora un noma a cui, insieme con le persone 1mate vengono iolli la sua casa, le sul a#itu0ini, 5 suor
a#iti !urto in!ine, letteralmente tullo &uanto possiede: sara un uomo vuoto, ridotto a so!!ercn,a e #isogno,
dimentico di dignitA e discernimento, poiché accade !acilmente a chi há persa !urto di perdere se stesso8, ln 8)e
Buesto V um "omoN :apud 2asagli