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PLANO MUNICIPAL DE

REDUÇÃO DE RISCOS
DE SÃO VICENTE/SP

Diagnóstico de Riscos e
Proposição de
Intervenções

BOCAINA
CURSOS & ESTUDOS AMBIENTAIS-URBANOS
BOCAINA
CURSOS & ESTUDOS AMBIENTAIS-URBANOS

PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO VICENTE/SP

Diagnóstico de Riscos e
Proposição de
Intervenções
Etapa II: Elaboração do Plano Municipal
de Redução de Riscos

São Vicente
Março de 2009

Equipe executiva

Bocaina – Cursos & Estudos Ambientais Urbanos

Fernando Rocha Nogueira, geólogo, CREA–SP nº 0601915568 (coordenador)


Cassandra Maroni Nunes, geóloga, CREA-SP n° 0601524894
Waldemar Siqueira Filho, engenheiro, CREA-SP n° 0600678873
José Marques Carriço, arquiteto, CREA-SP n° 0601353380
Fernando Fabrini Machado de Almeida, geólogo, CREA-SP n° 5060090130
Mayra Macchi Gomes de Moraes, estagiária de Geologia

Equipe executiva

Prefeitura Municipal de São Vicente

Diego Costa Rozo Guimarães - Chefe do Departamento de Desenvolvimento


de Projetos Habitacionais – SEHAB
Juliana Pereira Nascimento - Chefe do Departamento de Urbanização de
Assentamentos Subnormais – SEHAB
Augusto Pedroso Filho - Chefe do Departamento de Acompanhamento e
Fiscalização de Obras – SEHAB
Marcos Paulo Santiago Martins - Agente Operacional da Defesa Civil

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Índice de Quadros
Quadro 1. Relação e localização das áreas selecionadas.....................................................................................5
Quadro 2. Características dos movimentos de massa mais freqüentes nas encostas brasileiras.......................11
Quadro 3. Critérios para definição do grau de probabilidade de ocorrência de processos de instabilização do
tipo escorregamentos em encostas ocupadas....................................................................................................15
Quadro 4. Ficha geral de campo para uma área................................................................................................17
Quadro 5. Ficha de campo para um setor de risco.............................................................................................18
Quadro 6. Check list para o diagnóstico do setor e descrição do processo de instabilização...........................19
Quadro 7. Referências para a caracterização da ocupação................................................................................19
Quadro 8. Tipologia de intervenções voltadas à redução de riscos associados a escorregamentos em encostas
ocupadas e a solapamentos de margens de córregos.........................................................................................20

Índice de Figuras
Figura 1. Encosta marginal linear sustentada pelo granito Santos, a montante da Rua da Constituição..........14

Fotos
Fernando Fabrini Machado de Almeida - planejamento e execução do vôo e
fotos oblíquas de baixa altitude.
Waldemar Siqueira Filho - fotos de campo.

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Sumário
1. Introdução........................................................................................................................................................4
Fonte: Elaboração própria, 2009. .......................................................................................................................5
2. Referencial Teórico-Conceitual ......................................................................................................................6
2.1. Riscos geológico-geotécnicos e sua gestão..............................................................................................6
2.2. Geologia e geomorfologia das áreas estudadas......................................................................................12
3. Metodologia e Procedimentos Empregados..................................................................................................14
4. Resultados do diagnóstico de riscos..............................................................................................................23
Anexos...............................................................................................................................................................24
Anexo 1. Mapa de localização das áreas estudadas.............................................................................................4
Anexo 2. Quadro síntese do diagnóstico de riscos..............................................................................................4

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1. Introdução
Este relatório apresenta o
diagnóstico de riscos geológico-geotécnicos associados a escorregamentos em
encostas do município de São Vicente, estado de São Paulo, e a proposição das
intervenções necessárias para sua redução ou erradicação. Trata-se do segundo
produto na elaboração do Plano Municipal de Redução de Riscos de São
Vicente – PMRR, objeto do Contrato N˚ 145/08, Processo Administrativo nº
21537/08. Este estudo se insere no convênio firmado entre a Prefeitura Municipal
de São Vicente (PMSV) e a Caixa Econômica Federal/ Ministério das Cidades,
por meio do Programa de Urbanização, Regularização e Integração de
Assentamentos Precários/Ação de Apoio à Prevenção e Erradicação de Riscos
em Assentamentos Precários.
O Plano Municipal de Redução de Risco (PMRR) tem por objetivo a
construção de referenciais técnicos e gerenciais que possibilitem à Prefeitura
Municipal implementar intervenções estruturais e ações não estruturais
necessárias à erradicação das situações de riscos associados a escorregamentos
em encostas.
Entende-se aqui por risco (R) a probabilidade (P) de ocorrer um acidente
associado a um determinado perigo ou ameaça (A), que possa resultar em
conseqüências (C) danosas às pessoas ou bens, em função da vulnerabilidade
(V) do meio exposto ao perigo e que pode ter seus efeitos reduzidos pelo grau de
gerenciamento (g) administrado por agentes públicos ou pela comunidade. Ou
seja:

R = P (ƒ A) * C (ƒ V) * g –1

Nas áreas de assentamento urbano precário e/ou irregular, em função de


sua alta vulnerabilidade, geralmente determinada, entre outros fatores, pela forma
ou localização inadequada da ocupação, pela ausência de infra-estrutura urbana
(drenagem, pavimentação, saneamento) e de serviços básicos (coleta de lixo,
redes elétrica e hidráulica etc.) e pela degradação do ambiente associada, é
freqüente o registro de riscos ambientais, especialmente aqueles de natureza
geológico-geotécnicos.

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Este trabalho enfoca prioritariamente as situações de risco associadas a
processos atuantes de instabilização de taludes em encostas que possam afetar a
segurança de moradias implantadas nos assentamentos precários e irregulares
do município, mas também engloba algumas áreas da cidade formal e regular e
perigos que podem afetar a infra-estrutura urbana.
As seguintes áreas com potencialidade de apresentarem situações de
riscos associados a escorregamentos em encostas no município de São Vicente
foram indicadas pela Prefeitura, vistoriadas e analisadas neste estudo (ver mapa
do Anexo 1 (p. 4):

Quadro 1. Relação e localização das áreas selecionadas


N˚ Nome da área Localização
Morro Itararé - divisa com
1 Morro da Asa Delta 23˚57'58.12'' S 46˚21'25.76'' O
Santos
Rua da Constituição/ Rua
2 Rua da Constituição 23˚58’09.38’’ S 46˚21'51.87'' O
Coaracy Paranhos
Complexo Viário Roberto
Clube Itararé/
3 Mário Santini/ Rua 23˚58'07.34'' S 46˚22'09.32'' O
Concretex
Marechal Deodoro
Rua San Martin - Viela San
4 Carrefour 23˚57'52.88'' S 46˚22'07.54'' O
Martin
Av. Juiz de Fora - Horto
5 Bananal 23˚57'40.90'' S 46˚21'55.89'' O
Florestal
Morro Voturuá/
Rua Monteiro Lobato com
6 Linha Vermelha 23˚57'27.78'' S 46˚22'10.62'' O
Rua Cinco

7 Ilha Porchat - 23˚58'29.22'' S 46˚22'15.62'' O


Av. Getulio Vargas/Rua
8 Morro dos Barbosas Newton Prado/ Rua do 23˚58'14.99'' S 46˚23'10.85'' O
Colégio
Av. Saturnino de Brito / Rua 23˚58'40.05'' S 46˚23'14.67'' O
9 Parque Prainha
Benedito Calixto 23˚58'40.19'' S 46˚23'14.86'' O
Av. Tupiniquins ~600,
10 Curtume pouco à frente do Porto das 23˚58'29.21'' S 46˚23'29.21'' O
Naus
Rua Joaquim Barbosa dos
11 Japui 23˚59'14.72'' S 46˚23'30.06'' O
Santos
Estrada do Acarau - Área
12 Acarau 23˚56'18.91'' S 46˚23'29.21'' O
Continental
Fonte: Elaboração própria, 2009.

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2. Referencial Teórico-Conceitual
2.1. Riscos geológico-geotécnicos e sua gestão.

Risco é a potencialidade de que ocorra um acidente, um desastre, um


evento físico que resulte em perdas e danos sociais ou econômicos. A geógrafa
francesa Yvette Veyret (2007) define risco, objeto social, como a percepção do
perigo ou da catástrofe possível. Considera que ele existe apenas em relação a
uma sociedade que o apreende por meio de representações mentais e com ele
convive por meio de práticas específicas. Não há riscos, portanto, sem uma
população que o perceba e que poderia sofrer seus efeitos. Para esta autora, a
gestão de riscos traduz as escolhas políticas e as decisões finais de organização
dos territórios, a prevenção constituindo o coração da análise.
Acidente geológico ou geotécnico é definido como a ocorrência de um
evento adverso (evento perigoso) de natureza geológica (processo envolvendo o
solo, a rocha e/ou a água) ou de natureza geotécnica (comportamento do solo ou
da rocha ante uma intervenção antrópica), que tenha provocado conseqüências
danosas a uma população (pessoas, estruturas físicas, sistemas produtivos) ou a
um segmento da mesma.
A partir deste conceito, entende-se que risco geológico ou geotécnico
corresponde a uma condição potencial de ocorrência de um acidente, ou seja,
uma situação na qual a possibilidade de ocorrência de um processo geológico ou
de um comportamento geotécnico indica a possibilidade de registro de
conseqüência social e/ou econômica caso o evento perigoso ocorra. Desse modo,
conceitualmente, só há risco quando há alguma possibilidade de perda ou dano.
A equação mais simples e didática utilizada para representar risco é:

R=PxC

sendo: R = risco;

P = probabilidade (ou possibilidade) de ocorrência de um determinado


evento adverso (evento perigoso);

C = conseqüências sociais e/ou econômicas potencias.

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A grande maioria das equações de risco propostas por diferentes autores é
representada pelo produto entre dois ou mais termos. Tal fato se deve ao conceito
matemático denominado “convolução”, que indica concomitância e mútuo
condicionamento desses termos (CARDONA, 2001). Assim, sendo nulo um dos
termos da equação (probabilidade ou conseqüências), o risco também é nulo.
Um evento adverso potencial identificado (perigo) sempre deve estar
associado a um processo geológico ou geotécnico atuante no assentamento
precário estudado.
Esses processos no ambiente urbano podem ser resultados de causas
naturais ou antrópicas, mas a geração dos riscos associados a eles é sempre um
processo social ou ambiental urbano (NOGUEIRA, 2002).
Os escorregamentos e solapamentos urbanos podem movimentar, além de
rochas, solo e vegetação, depósitos artificiais (lixo, aterros, entulhos) ou materiais
mistos, caracterizando processos geológicos, geomórficos ou geotécnicos.
Marques de Castro et al (2005) consideram que risco pode ser tomado
como uma categoria de análise associada, a priori, às noções de incerteza,
exposição ao perigo, perda e prejuízos materiais, econômicos e humanos em
função de processos de ordem "natural", tais como os processos exógenos e
endógenos da Terra, e/ou daqueles associados ao trabalho e às relações
humanas. O risco (lato sensu) refere-se, portanto, à probabilidade de ocorrência
de processos no tempo e no espaço, não constantes e não-determinados, e à
maneira como estes processos afetam (direta ou indiretamente) a vida humana.
No que se refere aos riscos de natureza geológica, é comum que as
atividades que resultam na identificação e análise ou avaliação dos riscos sejam
realizadas por meio de investigações geológico-geotécnicas de campo. Tais
investigações requerem que sejam consideradas tanto a probabilidade, ou
possibilidade, de ocorrência do evento adverso quanto às conseqüências sociais
e/ou econômicas associadas, que no caso do presente estudo, são os processos
de instabilização associados a escorregamentos em encostas.
No que concerne às consequências, Carvalho (2000, p. 52) afirma que
sua avaliação “[...] envolve sempre um julgamento a respeito dos elementos em
risco e de sua vulnerabilidade. É comum que nas análises de risco em favelas

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apenas as moradias sejam consideradas como elementos em risco” (grifo
nosso).

Certamente essa simplificação na consideração das conseqüências se


deve à dificuldade encontrada pelos profissionais que abordam os aspectos
físicos dos riscos geológicos, em melhor caracterizar os elementos e fatores
inerentes a essa componente da análise de riscos.
Nogueira (2002) descreve que a consequência
decorrente de um acidente é função da vulnerabilidade; esta dependente da
suscetibilidade das pessoas e/ou bens serem afetados, assim como da
“resiliência” dos elementos expostos. O termo “resiliência” empregado se apóia
em um conceito da Física que, aplicado à área de risco, se traduz na capacidade
de resposta de uma determinada população a um eventual acidente.
Já em termos da probabilidade (ou possibilidade) de ocorrência do
processo perigoso, verifica-se o desenvolvimento de pesquisas visando uma
determinação quantitativa em muitos centros europeus, norte-americanos e
brasileiros de atuação na prevenção de acidentes geológicos.
Entretanto, é importante lembrar que Nardocci afirma que
mesmo que o cálculo da probabilidade de ocorrência de um evento seja preciso,
exato, será apenas uma probabilidade. Medir com precisão a probabilidade de
ocorrência de um evento não trará a certeza de ocorrência ou não desse evento,
tampouco permitirá conhecer-se o momento em que ocorrerá. (NARDOCCI, 1999,
p. 49)
O Working Group - Committee on Risk Assessment - IUGS (1997)
reconhece dois grandes tipos de abordagens para a realização da análise de risco
de escorregamentos: a) análise qualitativa e b) análise quantitativa. Considera
ainda que os riscos resultantes das análises qualitativas possam ser expressos
por diferentes níveis ou graus, escalonados. Nas análises de risco qualitativas
mais sofisticadas, pode existir o incremento de um componente quantitativo dos
parâmetros técnicos analisados (indicadores), mesmo que estes números
resultem da experiência e do julgamento de especialistas.
Morgenstern (1997) afirma que análises qualitativas, conduzidas por
métodos de hierarquização de riscos relativos variam em detalhamento e

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complexidade e, muitas vezes, satisfazem as necessidades práticas de gestores,
fornecendo elementos para a mitigação dos riscos identificados.
Carvalho, considerando a prática atual, descreve que

[...] a maneira mais simples de se tratar a probabilidade em análises de risco


consiste em se atribuir, à possibilidade de ocorrência do processo de
instabilização, níveis definidos de forma literal (possibilidade de ocorrência baixa,
média ou alta, por exemplo). Esta é a base para as análises de risco de caráter
qualitativo, em que um profissional experiente avalia o quadro de condicionantes e
indícios da ocorrência do processo de instabilização, compara as situações
encontradas com modelos de comportamento e, baseado em sua experiência,
hierarquiza as situações de risco em função da possibilidade de ocorrência do
processo num determinado período de tempo [geralmente um ano]. (CARVALHO,
2000, p. 54),
Cerri (1993) discorre sobre as características dos mapeamentos de risco
de escorregamentos em encostas ocupadas. Resumidamente, o autor citado
descreve que os trabalhos de mapeamento de risco de escorregamentos em
encostas ocupadas podem ser realizados em dois níveis de detalhe distintos: o
zoneamento de risco e o cadastramento de risco.
No zoneamento de risco são delimitadas áreas – ou setores – nos quais se
encontram instaladas várias moradias. Para cada área ou setor identificado é
atribuído um mesmo grau de risco, muito alto, por exemplo. Esse grau de risco é
atribuído para todo o setor, embora possa haver algumas moradias em meio a
essa área que não apresentem risco tão elevado e, eventualmente, ocorrem
moradias até mesmo sem risco.
Já no cadastramento de risco de escorregamentos em encostas
ocupadas, os trabalhos de mapeamento são executados em grau de detalhe bem
maior que nos casos de zoneamentos, sendo que os riscos são identificados e
analisados moradia por moradia. No presente estudo, na maioria das áreas, foi
possível detalhar as informações do zoneamento de risco de tal maneira que, em
quase todas as situações, aproxima-se de um cadastramento.
Em Geologia de Engenharia, a avaliação da probabilidade (ou
possibilidade) de um determinado fenômeno físico ocorrer em um local e período
de tempo definidos, leva em conta as características específicas do processo
perigoso em questão, especialmente a sua tipologia, mecanismo, material
envolvido, magnitude, velocidade, tempo de duração, trajetória, severidade etc.

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Essa caracterização se faz, inicialmente, por meio de investigações
geológico-geotécnicas de campo, que ainda contemplam a identificação dos
condicionantes naturais e induzidos dos processos perigosos, o reconhecimento
de indícios de desenvolvimento dos processos perigosos, bem como de feições e
evidências de instabilidades.

Escorregamentos, na definição de Infanti e Fornasari Filho (1998),


consistem no movimento rápido de massas de solo ou rocha, geralmente bem
definidos quanto ao seu volume, cujo centro de gravidade se desloca para baixo e
para fora de um talude (natural, de corte ou de aterro).
Guidicini e Nieble (1984) definem escorregamentos como movimentos
rápidos, apresentado superfície de ruptura bem definida, de duração
relativamente curta, de massas de terreno geralmente bem definidas quanto ao
seu volume, cujo centro de gravidade se desloca para baixo e para fora do talude.
Para Carvalho (1996), escorregamentos podem ser definidos como
movimentos coletivos de solo ou rocha em que a massa instabilizada desliza
sobre uma superfície claramente delimitada no maciço estável, envolvendo um
volume bem definido de material.
No sentido mais amplo, no entanto, o termo escorregamento congrega
vários processos que apresentam características distintas, embora todos eles
sejam resultantes da ação da gravidade. Dentre esses processos tem-se os
escorregamentos (slides) propriamente ditos, os rastejos (creep), as quedas de
bloco (falls), os rolamentos de matacões, os tombamentos e as corridas (flows).
Por este motivo, é comum observar a utilização do termo “escorregamentos e
processos correlatos” para se referir ao conjunto de processos citados, conforme
Cerri, (1993, p. 57).
Apresenta-se no Quadro 2, baseado em Augusto Filho (1992), uma
classificação simples de escorregamentos e processos correlatos, de fácil
utilização na caracterização dos processos.

Mesmo reconhecendo-se as eventuais limitações, imprecisões e incertezas


inerentes à análise qualitativa de riscos, os resultados dessa atividade podem ser
decisivos para a eficácia de uma política de intervenções voltada à consolidação
da ocupação. Para tanto, é imprescindível a adoção de métodos, critérios e

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procedimentos adequados, assim como a construção de detalhados modelos de
comportamento dos processos perigosos.

O mapeamento dos riscos é a primeiro e indispensável atividade para que


um município possa organizar suas políticas públicas para a gestão dos riscos a
que está sujeito. Para Augusto Filho (2001), este é um dos fundamentos do
gerenciamento de riscos: a existência de técnicas que permitem identificá-los e
avaliá-los.

Quadro 2. Características dos movimentos de massa mais freqüentes nas


encostas brasileiras.
PROCESSOS CARACTERÍSTICAS DO MOVIMENTO/MATERIAL/GEOMETRIA
 Vários planos de deslocamento (internos
 Velocidades muito baixas (cm/ano) a baixas e decrescentes com a
RASTEJOS profundidade
(CREEP)  Movimentos constantes, sazonais ou intermitentes.
 Solo,depósitos, rocha alterada e/ou fraturada.
 Geometria indefinida
 Poucos planos de deslocamento (externos
 Velocidades médias (m/h) a altas (m/s)
 Pequenos a grandes volumes de material
ESCORREGA-  Geometria e materiais variáveis:
MENTOS  planares ou translacionais: solos pouco espessos, solos e
(SLIDES) rochas com um plano de fraqueza;
 circulares ou rotacionais: aterros, solos espessos
homogêneos e rochas muito fraturadas;
 em cunha: solos e rochas com dois planos de fraqueza.
 Sem planos de deslocamento
 Queda livre ou rolamento através de plano inclinado
 Velocidades muito altas (vários m/s)
 Material rochoso
QUEDAS
 Pequenos e médios volumes
(FALLS)
 Geometria variável: lascas, placas, placas, blocos, etc.
 ROLAMENTO DE MATACÃO
 TOMBAMENTO
 DESPLACAMENTO
 Muitas superfícies de deslocamento (internas e externas à massa em
movimentação)
 Movimento semelhante ao de um líquido viscoso
CORRIDAS  Desenvolvimento ao longo das drenagens
(FLOWS)  Velocidades médias a altas
 Mobilização de solo, rochas, detritos e água.
 Grandes volumes de material
 Extenso raio de alcance, mesmo em áreas planas.
Fonte: Modificado de Augusto Filho (1992, p. 723).
A gestão de riscos é um processo que se inicia quando a sociedade, ou
parcela desta, adquire a percepção de que as manifestações aparentes ou

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efetivas de um processo adverso existente podem provocar consequências
danosas superiores ao admissível por esta comunidade. Esta envolve o
planejamento e a aplicação de políticas, estratégias, instrumentos e medidas
orientadas a impedir, reduzir, prever e controlar os efeitos adversos de fenômenos
perigosos sobre a população, os bens e serviços e o meio ambiente.
De acordo com a agência das Nações Unidas voltada para a redução de
desastres (United Nations Disasters Relief Office – UNDRO, 1991), o
gerenciamento de riscos ambientais deve estar apoiado em quatro estratégias de
ação:

1. Identificação e análise dos riscos (mapeamento dos riscos);


2. planejamento e implementação de intervenções (obras e serviços) para
a erradicação ou redução dos riscos;
3. monitoramento permanente das áreas de risco e implantação de planos
preventivos de defesa civil;
4. informação pública e capacitação para ações preventivas e autodefesa.
Como indicado no Plano de Trabalho, estas quatro estratégias deverão
nortear os estudos a serem desenvolvidos e as proposições finais deste plano
estratégico para redução dos riscos geológico-geotécnicos município de São
Vicente.

2.2. Geologia e geomorfologia das áreas estudadas.

Todas as áreas estudadas, com exceção da área 12, localizam-se em


encostas ou no sopé de morros do maciço de Santos e São Vicente. Este maciço
pertence ao mesmo conjunto definido pela serra do Mar. E, como ela, tem nos
escorregamentos seu principal mecanismo natural atual de evolução do relevo
(IPT, 1979).
Predominam nessas encostas a seguinte litologia:
• Granito Santos - constitui a rocha predominante nas encostas onde ou a
jusante de qual se situam as áreas 1 a 6. Trata-se de um granito intrusivo,
não orientado, de coloração bege a rósea e granulação fina a média. É a
litologia mais resistente à erosão, apresentando geralmente solos rasos.
Os processos mais frequentes de escorregamentos em encostas deste

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material estão associados a desplacamentos ou quedas de blocos e lascas
rochosas.
• Granitóide embrechítico ou granito com megacristais orientados – estão
presentes nas encostas a montante da Rua Coaracy Paranhos (área 2), e
nas áreas 8 a 11. São rochas com grandes cristais alongados de feldspato
branco a róseo, em matriz de gnaisse, cinzenta, orientada, com granulação
média a grossa. A alteração destas rochas resulta em solos pouco
espessos, matacões esparsos e lajes expostas na crista dos maciços.
Pode-se observar, por exemplo, no Morro dos Barbosas, um solo de
alteração com muitos blocos rochosos centimétricos imerso nesta matriz.
• Migmatitos estromatíticos, que compõe o maciço da Ilha Porchat (área 7), que
também é cortado por dique de diabásio. Os migmatitos são rochas
bandadas, com os minerais orientados, de coloração cinza e granulação
média a fina. Ao se decompor, formam solos espessos, com até pouco
mais de 10 metros, formando raramente matacões. Quando estas rochas
aparecem à meia encosta, possibilitam a formação de reentrâncias e
patamares que, quando acumulam material detrítico, geram depósitos de
encosta instáveis.
Nos morros de Santos e São Vicente é possível se classificar as encostas
em dois grupos: aquelas voltadas para as planícies alveolares, como a da Nova
Cintra, em Santos; e as encostas marginais, voltadas para as planícies costeiras.
Nestas encostas marginais se reconhecem duas formas básicas: os anfiteatros de
erosão e as encostas lineares (IPT, 1979).

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Figura 1. Encosta marginal linear sustentada pelo granito Santos, a


montante da Rua da Constituição.
Autor: Fernando Fabrini Machado de Almeida (2008).

3. Metodologia e Procedimentos Empregados


O Programa de Controle e Erradicação de Riscos do Ministério das
Cidades propõe:
[...] a adoção de um método de análise de risco de caráter qualitativo, em que a
experiência dos técnicos encarregados da análise é utilizada para estimativa da
probabilidade de ocorrência dos eventos destrutivos e das suas conseqüências
potenciais. Nas análises qualitativas de risco, a probabilidade de ocorrência dos
eventos destrutivos é avaliada de forma subjetiva e expressa em termos literais
(por exemplo: muito alta, alta, média ou baixa). Uma vez que a probabilidade de
ocorrência do processo destrutivo depende do período de tempo considerado,
considera-se nas análises o período de um ano, que engloba ao menos uma
estação chuvosa. Assim, ao estimar a probabilidade de ocorrência dos eventos
destrutivos, os técnicos encarregados da análise avaliam a probabilidade de
ocorrência do evento destrutivo por ocasião de um episódio de chuvas intensas e
prolongadas. (BRASIL, 2004, p. 2)
O procedimento proposto compreende: (a) a avaliação qualitativa da
probabilidade de ocorrência do processo destrutivo no decorrer de um episódio de
chuvas intensas e prolongadas, realizada a partir dos indicadores de
instabilidade, de evidências de ocorrências pretéritas de eventos destrutivos e de
entrevistas com moradores; e, (b) a definição do grau de probabilidade do setor,
expressão qualitativa da probabilidade de ocorrência do processo destrutivo.

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Para a definição do grau de probabilidade de ocorrência de acidentes nas
situações de riscos associados a escorregamentos e solapamentos, o documento
propõe os critérios do Quadro 3 apresentado a seguir.

Quadro 3. Critérios para definição do grau de probabilidade de ocorrência


de processos de instabilização do tipo escorregamentos em encostas
ocupadas.
Grau de
Descrição
probabilidade
Os condicionantes geológico-geotécnicos predisponentes (declividade, tipo de
terreno etc.) e o nível de intervenção no setor são de baixa potencialidade
para o desenvolvimento de processos de escorregamentos. Não há indícios
Baixo a
de desenvolvimento de processos de instabilização de encostas. É a condição
inexistente
menos crítica.
(R1)
Mantidas as condições existentes, não se espera a ocorrência de eventos
destrutivos no período de um ciclo chuvoso.
Os condicionantes geológico-geotécnicos predisponentes (declividade, tipo de
terreno etc.) e o nível de intervenção no setor são de baixa potencialidade
para o desenvolvimento de processos de escorregamentos. Observa-se a
Médio presença de alguma(s) evidência(s) de instabilidade, porém incipiente(s).
(R2)
Mantidas as condições existentes, é reduzida a possibilidade de ocorrência
de eventos destrutivos durante episódios de chuvas intensas e prolongadas, no
período de um ciclo chuvoso.
Os condicionantes geológico-geotécnicos predisponentes (declividade, tipo de
terreno, etc.) e o nível de intervenção no setor são de alta potencialidade para
o desenvolvimento de processos de escorregamentos. Observa-se a presença
de significativa(s) evidência(s) de instabilidade (trincas no solo, degraus de
Alto
abatimento em taludes etc.).
(R3)
Mantidas as condições existentes, é perfeitamente possível a ocorrência de
eventos destrutivos durante episódios de chuvas intensas e prolongadas, no
período de um ciclo chuvoso.
Os condicionantes geológico-geotécnicos predisponentes (declividade, tipo de
terreno, etc.) e o nível de intervenção no setor são de alta potencialidade para
o desenvolvimento de processos de escorregamentos. As evidências de
instabilidade (trincas no solo, blocos e lascas rochosas individualizados,
fraturamento do maciço rochoso, degraus de abatimento em taludes, trincas
Muito Alto em moradias ou em muros de contenção, árvores ou postes inclinados,
(R4) cicatrizes de escorregamento, feições erosivas, etc.) são expressivas e estão
presentes em grande número e/ou magnitude.
É a condição mais crítica. Mantidas as condições existentes, é muito provável
a ocorrência de eventos destrutivos durante episódios de chuvas intensas e
prolongadas, no período de um ciclo chuvoso.

Os trabalhos de campo constituem-se basicamente em


investigações geológico-geotécnicas de superfície, buscando identificar
condicionantes dos processos de instabilização, evidências de instabilidade e
indícios do desenvolvimento de processos destrutivos. Os procedimentos
seguintes são recomendados por Cerri et al (2007):

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• Obter a localização das áreas de risco, por meio de utilização de GPS (Global
Positioning System), com no mínimo um ponto de leitura por área
mapeada;
• delimitar setores de risco, com base em julgamento dos profissionais
responsáveis, atribuindo, para cada setor, um grau de probabilidade de
ocorrência de processo de instabilização (escorregamento de encostas ou
solapamento de margens de córregos), considerando o período de um ano,
com base nos critérios descritos no Quadro 1;
• um setor de risco indica um espaço definido dentro do assentamento sujeito a
um determinado processo destrutivo potencial, cujas evidências ou
indicadores predisponentes foram identificados em campo;
• representar cada setor de risco identificado em cópias de fotografias aéreas
oblíquas de baixa altitude, imagens de satélite ou fotografias de solo, cuja
escala permita a identificação das moradias existentes no setor;
• estimar as conseqüências potenciais do processo de instabilização, por meio
da avaliação das possíveis formas de desenvolvimento do processo
destrutivo atuante (por exemplo, volumes mobilizados, trajetórias dos
detritos, áreas de alcance etc.), definir e registrar o número de moradias
ameaçadas (total ou parcialmente), em cada setor de risco;
• os resultados das investigações geológico-geotécnicas e das interpretações
devem ser registrados em fichas de campo apresentadas abaixo (Quadro 4
e Quadro 5). O Quadro 6 e o Quadro 7 servem como referência para a
análise de campo.

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Quadro 4. Ficha geral de campo para uma área

FICHA GERAL DE CAMPO


Local: ______________________________________ Área: ___

Equipe: _____________________________________ Data: __/__/__

Localização da Área: ___________________________ GPS: _________________

Identificação da Foto Oblíqua: ____________

Caracterização da Ocupação (padrão, tipologia das edificações, infra-estrutura):

Caracterização Geológica:

Caracterização Geomorfológica:

Setor Grau de
Nº de moradias ameaçadas Alternativa de intervenção
nº probabilidade

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Quadro 5. Ficha de campo para um setor de risco

FICHA DE CAMPO
Encosta
Margem de Córrego

Local: __________________________________ Área nº:_______ Setor: ____________


Referência _________________________________________________________________
Equipe: ___________________________________________________ Data: __ / __ / ____

Diagnóstico do setor (condicionantes e indicadores do processo de instabilização):

Descrição do Processo de Instabilização: (escorregamento de solo / rocha / aterro;


naturais / induzidos; materiais mobilizados; solapamento; ação direta da água etc):

Observações (incluindo descrição de fotos obtidas no local):

Grau de Probabilidade:

Indicação de intervenção:

Quantitativos para a intervenção sugerida:

Estimativa de n° de edificações no setor:

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Quadro 6. Check list para o diagnóstico do setor e descrição do processo de
instabilização
CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL EVIDÊNCIAS DE MOVIMENTAÇÃO
Talude natural/ corte Trincas moradia/aterro
Altura do talude Inclinação de árvores/postes/muros
Aterro compactado/lançado Degraus de abatimento
Distância da moradia Cicatrizes de escorregamentos
Declividade Feições erosivas
Estruturas em solo/rocha desfavoráveis Muros/paredes “embarrigados”
Presença de blocos de rocha/matacões/ ÁGUA
paredões rochosos Concentração de água de chuva em superfície
Presença de lixo/entulho Lançamento de água servida em superfície
Aterro em anfiteatro Presença de fossas/rede de esgoto/rede de água
Ocupação de cabeceira de drenagem Surgências d’água
Vazamentos
VEGETAÇÃO NO TALUDE OU MARGENS DE CÓRREGO
PROXIMIDADES Tipo de canal (natural/sinuoso/retificado)
Presença de árvores Distância da margem
Vegetação rasteira Altura do talude marginal
Área desmatada Altura de cheias
Área de cultivo Trincas na superfície do terreno

Quadro 7. Referências para a caracterização da ocupação

CATEGORIA DE OCUPAÇÃO CARACTERÍSTICAS

Áreas densamente ocupadas, com infra-estrutura


Área consolidada
básica.

Áreas em processo de ocupação, adjacentes a


áreas de ocupação consolidada. Densidade da
Área parcialmente consolidada
ocupação variando de 30% a 90%. Razoável infra-
estrutura básica.

Áreas de expansão, periféricas e distantes de


Área parcelada núcleo urbanizado. Baixa densidade de ocupação
(até 30%). Desprovidas de infra-estrutura básica

Nesses casos, caracterizar a área quanto a


Área mista densidade de ocupação e quanto a implantação de
infra-estrutura básica.

Ainda em campo, também deverão ser indicada(s) a(s) alternativa(s)


de intervenção(ões) adequada(s) para cada setor de risco. Nos casos de ser
possível a adoção de mais de uma alternativa de intervenção, essa possibilidade
deve ser explicitada nas fichas de campo.

Também devem estar registrados na ficha de campo os


quantitativos (como extensões, áreas e/ou volumes) para posterior estimativa de

Elaboração do Plano Municipal de Riscos de São Vicente 19


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custos da intervenção sugerida. A tipologia das intervenções a ser adotada é
apresentada no Quadro 8.

Quadro 8. Tipologia de intervenções voltadas à redução de riscos


associados a escorregamentos em encostas ocupadas e a solapamentos de
margens de córregos
TIPO DE
DESCRIÇÃO
INTERVENÇÃO
Serviços de limpeza de entulho, lixo etc. Remoção de bananeiras.
SERVIÇOS DE LIMPEZA E Recuperação e/ou limpeza de sistemas de drenagem, esgotos e acessos.
RECUPERAÇÃO Também incluem obras de limpeza de canais de drenagem. Correspondem
a serviços manuais e/ou utilizando maquinário de pequeno porte.
Implantação de sistema de drenagem superficial (canaletas, rápidos, caixas
de transição, escadas d´água etc.). Implantação de proteção superficial
vegetal (gramíneas) ou biomanta em taludes com solo exposto. Implantação
OBRAS DE DRENAGEM E de proteção superficial por meio de “argamassa chapada”. Eventual
PROTEÇÃO execução de acessos para pedestres, como por ex. calçadas, escadarias,
SUPERFICIAL lajes de concreto, integrados ao sistema de drenagem. Proteção vegetal de
margens de canais de drenagem. Predomínio de serviços manuais e/ou
com maquinário de pequeno porte.
Alteração da geometria do terreno por meio da execução de cortes e/ou
aterros localizados, visando à obtenção de taludes com ângulos de
RETALUDAMENTO inclinação menores. Predomínio de serviços manuais e/ou com maquinário
de pequeno porte.

DESMONTE DE BLOCOS Desmonte de blocos rochosos e matacões, por meio de serviços manuais,
E MATACÕES eventualmente com o uso de explosivo.
Execução de sistema de drenagem de subsuperfície (trincheiras drenantes,
OBRAS DE DRENAGEM DHP, poços de rebaixamento etc.). Correspondem a serviços parcial ou
DE SUBSUPERFÍCIE totalmente mecanizados.
Execução de serviços de terraplenagem. Execução combinada de obras de
OBRAS DE TERRAPLE- drenagem superficial e proteção vegetal (obras complementares aos
NAGEM DE MÉDIO A serviços de terraplenagem). Obras de desvio e canalização de córregos.
GRANDE PORTE Predomínio de serviços mecanizados.
Implantação de estruturas de contenção (localizadas ou não), como muros a
ESTRUTURAS DE CON- flexão (em concreto ou alvenaria estrutural), muros de gravidade, como
TENÇÃO DE PEQUENO gabiões, “bolsacreto”, muro de solo cimento ensacado (“rip-rap”), muros
PORTE (hmax ≤ 3 m) sobre estacas escavadas. Correspondem a serviços manuais ou
parcialmente mecanizados.
Implantação de estruturas de contenção (localizadas ou não), envolvendo
ESTRUTURAS DE CON- muros em concreto a flexão, muros de gravidade (gabiões), chumbadores,
TENÇÃO DE MÉDIO A solo grampeado, microestacas e cortinas atirantadas. Poderão envolver
GRANDE PORTES serviços complementares de terraplenagem. Predomínio de serviços
(hmax > 3 m) mecanizados.
Obras lineares de proteção de margens de canais, por meio de obras de
OBRAS LINEARES DE gravidade (gabiões, muros de concreto, massa etc.) ou pré-moldados em
PROTEÇÃO DE concreto armado. Correspondem a serviços parcial ou totalmente
MARGENS DE CANAIS mecanizados.

REMOÇÃO DE As remoções podem ser definitivas ou preventivas e temporárias, por


MORADIAS exemplo, para implantação de uma obra.

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A seleção da tipologia de intervenção adequada deve necessariamente
buscar uma perfeita sintonia com as características do processo geológico-
geotécnico identificado no local. Isto implica na necessidade de se buscar a
aderência entre o tipo de processo geológico-geotécnico e a intervenção
escolhida, bem como a combinação das intervenções gerais propostas para o
assentamento com as sugestões de obras localizadas.

Deve-se, também, buscar a indicação das obras mais simples, de menor


custo e mais compatíveis com a capacidade gerencial-financeira do município,
visando à redução de risco.

Utilizando as referências acima apresentadas, o diagnóstico de


riscos foi executado conforme se relata a seguir:

• No dia 12 de novembro de 2008, junto ao arquiteto Diego Costa Rozo


Guimarães, Chefe do Departamento de Desenvolvimento de Projetos
Habitacionais e Tânia Mangolini, Diretora de Participação Comunitária da
Secretaria Municipal de Habitação, foram vistoriadas e delimitadas todas
as áreas a serem estudadas. Em pontos extremos de cada área foram
realizadas leituras de coordenadas com GPS (Global Positioning System).
As áreas foram numeradas e sua denominação foi pactuada com os
técnicos municipais que acompanharam os trabalhos (ver Quadro 1).
• No dia 1° de dezembro p. p. foi realizado um sobrevôo em avião sobre as
áreas indicadas acima, para execução de fotografias aéreas de baixa
altitude (a alturas em média entre 100 a 150 metros do solo).
• Cópias das fotos obtidas neste vôo foram impressas para os trabalhos de
campo.
• Os trabalhos de campo foram realizados entre os dias 9 e 18 de dezembro de
2008. Todas as atividades de campo foram acompanhadas por técnicos da
PMSV, cujos nomes constam das fichas de campo anexas, e que tiveram o
importante papel de relatar características da ocupação, indicar pontos de
ocorrência pretérita de acidentes e outros problemas ambientais e facilitar
contatos com os moradores.
• Em cada uma das áreas, foram vistoriadas todas as porções do assentamento
que ocupam taludes de encosta ou o seu sopé, com maior detalhamento

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de investigação e análise nos trechos com histórico de ocorrência de
instabilidades nos taludes ou de acidentes.
• Em cada uma das situações onde se identificava potencialidade para a
ocorrência de um acidente que pudesse afetar uma ou mais moradias, foi
realizada detalhada investigação no terreno circundante e nas porções
internas e externas das edificações, além de coleta de informações junto
aos técnicos da Prefeitura que acompanhavam o trabalho de campo e aos
moradores do local, procurando responder as seguintes questões: (1) que
processos naturais ou da ação humana são responsáveis por este perigo?
(2) em que condições a sua evolução poderá produzir um acidente? (3)
qual a probabilidade deste fenômeno físico acontecer? (NOGUEIRA, 2006)
(4) quais as moradias que podem ser afetadas se isso ocorrer?
Imediatamente após responder estas questões, buscavam-se alternativas
de ações preventivas e intervenções estruturais que pudessem interromper
o processo destrutivo detectado ou minimizar suas consequências.
• Tendo formulado uma proposta de intervenção, ainda em campo colhiam-se
algumas indicações quantitativas que permitissem a posterior estimativa de
custos para a sua execução (medidas em comprimento, altura, área,
volume etc.)
• Essas informações foram lançadas (a) nas fotografias aéreas de baixa altitude
foram lançadas: delimitação do setor de risco (moradias que podem ser
afetadas pelo processo destrutivo identificado) e indicação de eventual
aspecto significativo do processo (como, por exemplo, cicatrizes de
escorregamento, blocos rochosos, linhas de drenagem etc.), além da
denominação das vias de referência para a localização do setor; em alguns
setores, foram também indicadas nas fotografias aéreas de baixa altitude
as intervenções estruturais propostas; (b) nas fichas gerais e de campo
(ver Quadro 4 e Quadro 5).
• Condicionantes ou evidências de risco foram registrados por fotografias de
detalhe (FC).

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4. Resultados do diagnóstico de riscos
• Nas 12 áreas selecionadas para o mapeamento, foram delimitados 19 setores
de risco (ver Anexo 2, p. 26), afetando 113 edificações (uni e
multifamiliares) e 3 pontos do sistema viário;
• Em três áreas (Carrefour, Bananal e Acarau) considerou-se o risco às
moradias baixo a inexistente;
• Foram identificados três setores de risco muito alto, a que estão sujeitas 5
edificações e dois pontos do sistema viário;
• Foram identificados três setores de risco alto, a que estão sujeitas 28
edificações e um ponto do sistema viário;
• Oitenta edificações estão em situações de risco médio.
• Em termos dos processos perigosos identificados, cerca de 44% estão
associados a queda ou rolamento de blocos ou lascas rochosas, 33% a
escorregamentos de solo e blocos rochosos, 11% a escorregamentos de
solo em taludes de corte. Não foram observados depósitos artificiais de
encostas instáveis (lixo, aterro e entulho) nas áreas vistoriadas.
• Foi sugerida a remoção de um total de 16 moradias em função do grau de
risco e da existência de um projeto viário em andamento que não justifica a
implantação de intervenções de segurança de alto custo necessárias para
a consolidação da ocupação.

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Anexos

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Anexo 1. Mapa de localização das áreas estudadas

Fonte: Elaboração própria (2009).


Anexo 2. Quadro síntese do diagnóstico de riscos

Nº. de moradias
Probabilidade

ameaçadas
Grau de
Setor
Nº Tipologia das intervenções
Nome da área Processo atuante Quantitativo de obras
. sugeridas

Escorregamento raso
Médio de solo; queda ou Construção de um muro de Muro de espera: 10 m x 1 m de
S1 2
(R2) rolamento de blocos espera. alvenaria armada.
rochosos.
Escorregamento
Médio
S2 9 localizado de solo em Monitoramento. -
(R2)
talude de corte.
Escorregamento de • 30m de canaleta estilo
solo no topo do talude sarjetão com 50 cm de
Médio de corte do patamar largura;
S3 (R2) 5 superior; rompimento Drenagem de águas pluviais. • 16m de escadas de
Morro da Asa Delta do talude e queda de dissipação;
1 lascas e blocos • 3 caixas de passagem de
(Morro Itararé)
rochosos e de bambu. 55x55cm.
Rompimento do talude Drenagem de águas pluviais, • 8m de escada de dissipação
Alto e queda de lascas e remoção da touceira de com 30 cm de largura;
S4 1
(R3) blocos rochosos e de bambu e desmonte de blocos • 2 caixas de passagem de
bambu. e lascas rochosos instáveis. 55x55cm.
• 8m de mureta com 20cm de
altura;
Erosão do solo na
Médio Condução das águas • 5m de tubo de PVC branco
S5 1 base do pilar e ruptura
(R2) pluviais. de 100 mm;
da laje.
• 1 caixa de passagem de
40x40cm;
Interdição das moradias até a
execução da intervenção.
Desmonte manual de lascas
instáveis. Demolição de • Demolição de 110 m² de
Muito cômodos aos fundos das edificações;
Queda de lascas e
S1 alto 4
blocos rochosos.
moradias. Construção de • Execução de 20m de muro
(R4) estruturas de espera ou de espera de 1,40m de altura
Rua da proteção. Desmonte de de alvenaria armada.
2 Constituição blocos instáveis e/ou
(Morro Itararé) individualizados na porção
superior da encosta.
Monitoramento; Desmonte de
Médio Queda de lascas e blocos instáveis e/ou
S2 10 -
(R2) blocos rochosos. individualizados na porção
superior da encosta.
Alto Queda de lascas e Conclusão da obra de
S3 13 -
(R3) blocos rochosos. contenção interrompida.
Monitoramento/ “faxina”
Queda ou rolamento sistemática de lascas e
Clube Itararé Alto de blocos rochosos, blocos rochosos com Remoção e reassentamento de
3 S1 10
(Concretex) (R3) escorregamento raso instabilidade 16 moradias.
de solo. potencial/remoção integral
das moradias.
Inexis-
tente a Fiscalização e controle da
4 Carrefour - - - -
baixo ocupação
(R1)
Escorregamento de
solo em talude de Retaludamento: 10,0m x 5,0m.
Médio Retaludamento; muro de
5 Bananal S1 2 corte; queda ou Muro de espera em alvenaria
(R2) espera.
rolamento de blocos armada com 10,0 x 1,2m.
rochosos
Inexis-
Monitoramento. Faxina de
Linha Vermelha/ tente a
6 - - - blocos rochosos -
Voturuá baixo
individualizados.
(R1)
Condução das águas pluviais • Duas linhas de 30 metros de
da moradia a montante do tubo de PVC de 100 mm;
Alto Escorregamento de terreno. • Duas caixas de passagem de
S1 Viário
(R3) solo. Limpeza do depósito de 50x50cm;
encosta (lixo + solo • Retirada de 60 m3 de
escorregado). material.
• Recomposição de 5 metros
de muro de gabião de 2,0 m
de altura;
7 Ilha Porchat • Execução de 30 metros de
Recomposição do muro de muro de gabião com 2 m de
Viário/ gabião; limpeza do depósito altura;
Muito
estaciona- Escorregamento de de encosta; recomposição da
S2 alto • Retirada de 30m³ de material
mento do solo; ruptura de muro cobertura vegetal do talude
(R4) na encosta;
Juá de gabião.. em grama; condução de
águas pluviais. • Retirar mato e plantar grama
em 600 m2 de encosta;
• Reassentamento de 100 m²
de pavimento intertravado;
• Execução de 20m de sarjeta.
Morro dos S1 Muito Sistema Queda ou rolamento Monitoramento/faxina • 8m de sarjetão com 1m de
8
Barbosas alto viário/ de blocos rochosos; sistemática de blocos largura; 10m de guia e
(R4) estaciona- escorregamento de rochosos individualizados e sarjeta;
mento de solo e rocha. instáveis; • Escada de dissipação de
veículos a Direcionamento das águas 60,00m x 0,50m;
jusante + pluviais; • Duas caixas de passagem de
um edifício Muro de espera. 1,0m x 1,0m;
plurihabita- • Muro de espera em alvenaria
cional armada com 160,00m de
extensão x 2,00m de altura.
Queda ou rolamento
Monitoramento/ faxina
de blocos rochosos;
Médio sistemática de blocos
S2 8 escorregamento de -
(R2) rochosos individualizados e
solo em talude de
instáveis na encosta.
corte.
Monitoramento/faxina
Médio Queda ou rolamento sistemática de blocos
S3 2 -
(R2) de blocos rochosos. rochosos individualizados e
instáveis na encosta.
Monitoramento/faxina
sistemática de blocos
Queda ou rolamento
rochosos individualizados e
de blocos e lascas • 600m de cerca com canaleta;
Médio instáveis. Intervenções
9 Parque Prainha S1
(R2)
Cerca de 35 rochosos;
localizadas de contenção e • 3 caixas de passagem de
escorregamento de 1,0m x 1,0m.
drenagem. Muro de espera e
solo superficial.
drenagem no cercamento do
Parque Estadual.
Escorregamento de
solo e blocos
Médio 3 (uma delas
10 Curtume S1 rochosos imersos; Monitoramento. -
(R2) desocupada)
rolamento de blocos
rochosos
Japui S1 Alto 4 Escorregamento de
11 Desmonte de blocos Demolição de 36m² de
(R3) (3 moradias solo e blocos
rochosos; demolição parcial edificações.
+ rochosos imersos no
de moradias; embargo e/ou
1 edificação corpo de tálus;
demolição de obra.
em rolamento de blocos
construção) rochosos por ação da
água; escorregamento
de solo da encosta.
Escorregamento de
solo e blocos
Médio rochosos; rolamento
S2 3 Monitoramento. -
(R2) de blocos rochosos
por ação de águas
pluviais.

Inexis-
tente a Controle e planejamento da
12 Acarau - - - -
baixo ocupação.
(R1)

Fonte: Elaboração própria (2009).