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Há cerca de 5 mil anos, uma tribo de pigmeus do centro da África saiu para caçar.

Alguns deles
notaram o estranho comportamento de javalis que comiam uma certa planta. Os animais ficavam
mansos ou andavam desorientados. Um pigmeu, então, resolveu provar aquele arbusto. Comeu e
gostou. Recomendou para outros na tribo, que também adoraram a sensação de entorpecimento.
Logo, um curandeiro avisou: havia uma divindade dentro da planta. E os nativos passaram a venerar
o arbusto. Começaram a fazer rituais que se espalharam por outras tribos. E são feitos até hoje. A
árvore Tabernanthe iboga, conhecida por iboga, é usada para fins lisérgicos em cerimônias com
adeptos no Gabão, Angola, Guiné e Camarões.
Há milênios o homem conhece plantas como a iboga, uma droga vegetal. O historiador grego
Heródoto anotou, em 450 a.C., que a Cannabis sativa, planta da maconha, era queimada em saunas
para dar barato em freqüentadores. “O banho de vapor dava um gozo tão intenso que arrancava
gritos de alegria.” No fim do século 19, muitos desses produtos viraram, em laboratórios, drogas
sintetizadas. Foram estudadas por cientistas e médicos, como Sigmund Freud.
Somente no século 20 é que começaram a surgir proibições globais ao uso de entorpecentes.
Primeiro, nos EUA, em 1948. Depois, em 1961, em mais de 100 países (Brasil entre eles), após uma
convenção da ONU. Segundo um relatório publicado pela entidade em 2005, há cerca de 340
milhões de usuários de drogas no planeta. Movimentam um mercado de 1,5 trilhão de dólares. “Ao
longo da história, as drogas tiveram usos múltiplos que alimentaram e espelharam a alma humana”,
diz o professor da USP Henrique Carneiro, autor de Pequena Enciclopédia da História das Drogas e
Bebidas. Elas deram origem a religiões, percorreram o planeta com o comércio, provocaram
guerras, mudaram a cultura, música e moda. Acompanhe agora uma viagem pela história das
substâncias mais famosas.
Ayahuasca

Índios da bacia Amazônica tomam esse chá alucinógeno há mais de 4 mil anos – um hábito que
chamou a atenção de portugueses e espanhóis assim que eles desembarcaram por aqui, no século
16. Ao chegarem à Amazônia, padres jesuítas escreveram sobre o chá da “poção diabólica” e as
cerimônias que os indígenas realizavam depois de consumir o ayahuasca. Durante todo esse tempo,
a bebida provavelmente teve a mesma receita: um cozido à base de pedaços do cipó Banisteriopsis
caapi.
O nome quem deu foram os índios quíchuas, do Peru. Ayahuasca quer dizer “vinho dos espíritos” –
segundo eles, o chá dá poderes telepáticos e sobrenaturais. Mas os quíchuas são apenas um dos 70
povos na América Latina que tomam o chá com freqüência. Na maioria dos casos, o chá é visto
como uma divindade. Mas a ayahuasca também serve ao prazer: ao final dos rituais, muitos índios
transam com suas parceiras.
No século 20, a fama do chá correu o mundo. Escritores viajavam para a América do Sul,
enfrentavam o calor e a umidade e dormiam em aldeias para ter experiências alucinógenas. Entre os
pirados estavam o poeta beatnik William Burroughs. Burroughs esteve no Brasil e na Colômbia, em
1953. Quando voltou aos EUA escreveu o livro Cartas do Yagé (yagé é outro nome do chá, tomado
na periferia de Bogotá). “Uma onda de tontura me arrebatou. Brilhos azuis passavam em frente de
mim”, escreveu. Depois, recomendou a bebida ao amigo Allen Ginsberg, que veio para a Amazônia
em 1960. Hoje o chá é tão divulgado na internet (mais de 400 mil sites) que existem até pacotes
turísticos vendidos por entidades clandestinas. A pessoa paga hotel, avião e visitas a tribos que
fazem o culto. O custo: entre 1 000 e 1 300 dólares.
Cacto peiote

Cerca de 10% das mais de 50 espécies de cacto têm propriedades alucinógenas. A mais conhecida é
a Lophophora williamsi, que brota em desertos no sul dos EUA e norte do México. É usada em
rituais há 3 mil anos e cerca de 50 comunidades indígenas a consideram sagrada. Os huichois, do
norte do México, chegam a fazer uma peregrinação anual de mais de 400 km para colhê-la. Quando
a encontram, fazem um ritual: em silêncio, agem como se estivessem diante de um cervo, até
lançarem uma flecha na planta. Quando voltam com o peiote para a tribo, organizam rituais e
celebrações sob efeito da droga.
Algumas tribos da região, no entanto, descobriram os poderes do peiote somente no século 19.
“Depois da Guerra Civil Americana, os índios comanches e os navajos viveram uma terrível crise
com o extermínio dos seus búfalos e os massacres que sofreram”, conta o pesquisador da USP
Henrique Carneiro. Para amenizar a fase difícil, “aderiram ao consumo religioso do peiote”. Numa
das cerimônias, chamada “dança fantasma”, os índios dançavam alucinados e diziam se comunicar
com os mortos.
O escritor inglês Aldous Huxley tomou a mescalina, substância do cacto. Descreveu as viagens no
livro As Portas da Percepção: “Foi como tirar férias químicas do mundo real”. Mas nem só o
underground era seduzido pela droga. O físico inglês Francis Crick – que em 1953 descobriu a
estrutura do DNA – provou o peiote várias vezes e gostou. Em 1967, quando lançou o livro Of
Molecules and Men (“Sobre Moléculas e Homens”, sem tradução em português), o cientista
colocou na epígrafe a frase “Este é o poderoso conhecimento, sorrimos com ele”, tirada do poema
Peyote Poem, do escritor e doidão Michael McClure.
Cocaína

Imagem: Marcello Casal Jr/ABr/Creative Commons
Quando chegaram à América, os espanhóis perceberam que os índios da região tinham adoração
pela folha da coca. Pragmáticos, passaram a distribuí-la aos escravos para estimular o trabalho.
Acontece que os brancos também tomaram gosto pela coisa. E as folhas foram parar na Europa.
No Velho Continente, a planta era utilizada na fabricação de vinhos. Um deles, o Mariani, criado
em 1863, era o preferido do papa Leão 13, que deu até medalha de honra ao produtor da bebida. Foi
nessa mesma época que o químico alemão Albert Niemann isolou o alcalóide cloridrato de cocaína.
Como tantos outros cientistas que você vai conhecer nesta reportagem, ele usou o corpo como
cobaia: aplicou a droga na veia e sentiu a força do efeito.
O psicanalista Sigmund Freud investigou o uso da droga. Achava que ela serviria como remédio
contra a depressão e embarcou na experiência: “O efeito consiste em uma duradoura euforia. A
pessoa adquire um grande vigor”. Até que um dos pacientes, Ernst Fleischl, extrapolou e morreu de
overdose. Freud, então, abandonou a droga.
Era normal laboratórios fazerem propaganda sobre a cocaína. Dizia-se que era “excelente contra o
pessimismo e o cansaço” e, para mulheres, dava “vitalidade e formosura”. Somente no começo do
século 20 é que políticos puritanos começaram a lutar pela proibição da droga, que praticamente
sumiu do país. Só voltaria no fim da década de 1970, quando a cocaína refinada na Bolívia e
Colômbia entrou nos EUA. E, mesmo proibida, não saiu mais.
Crack

Feita pela mistura da pasta de cocaína com bicarbonato de sódio, leva em segundos a um estado de
euforia intenso que não dura mais do que 10 minutos. Assim, quem usa quer sempre repetir a dose.
O nome crack vem desse efeito rápido, que surge como estalos para o usuário.
O consumo de crack explodiu no meio dos anos 80, como alternativa barata à cocaína. Mas a droga
aparecia também em festas de universitários e até de políticos. Um desses casos ficou famoso. Em
janeiro de 1990, o prefeito de Washington, Marion Barry, foi preso numa operação do FBI quando
estava num quarto de hotel com uma antiga namorada, cooptada pelos policiais. Assim que ele
começou a usar crack, os agentes entraram no lugar e o prenderam. Barry renunciou e ficou detido
por 6 meses numa prisão federal.
Em São Paulo, o crack ainda hoje é a droga mais vendida em favelas e entre os sem-teto. No Rio,
demorou muito mais para circular. “A disseminação do crack é fruto de ação do vendedor de
cocaína no varejo, que produz as pedras em casa. No Rio, a estrutura do tráfico não permitia essa
esperteza”, afirma Myltainho Severiano da Silva, autor de Se Liga! O Livro das Drogas. Quem
vendia crack era assassinado. Mas, em crise por causa de apreensões de drogas pela polícia, os
chefões do tráfico passaram a permitir a venda de crack no Rio no fim da década de 1990.
Cogumelos

Imagem: Alan Rockefeller/Creative Commons
Existem cerca de 30 mil tipos de cogumelos no mundo, mas só 70 provocam viagens. São os
cogumelos alucinógenos, com alcalóides que, quando ingeridos, dão barato. Um segredo, aliás, há
tempos conhecido pelo homem: 5 mil anos atrás o cogumelo Amanita muscaria já era colhido ao pé
de carvalhos no norte da Europa e na Sibéria. Quando não o encontravam, os nativos da região
bebiam até a urina de renas que comiam o cogumelo, para assim conseguir o efeito entorpecente.
No Império Romano, o cogumelo utilizado era outro, o caesarea, consumido com vinho em festas
que terminavam em orgias. Outra espécie, Claviceps pupurea, que nasce de parasitas do centeio, fez
sucesso por acaso em regiões da Itália durante a Idade Média. Em algumas aldeias, os pães eram
feitos com farinha do centeio onde o fungo crescera. Sob o efeito do cogumelo, as pessoas
dançavam sem parar em festas. Os sábios, que não sabiam que era o pão que dava barato, diziam
que a euforia era causada pela picada de uma aranha. Deram a essa sensação o nome de
“tarantismo” (de tarântula). Dessas festas teria surgido uma dança famosa – a tarantela.
No hemisfério sul, a variedade mais comum é o psilocybe que nasce nas fezes do gado. A mesma
espécie aparece na América Central, onde arqueólogos encontraram esculturas em forma de
cogumelo misturadas com figuras humanas. Datam de 500 a.C. e estão em El Salvador, Guatemala
e México.
Maconha

Imagem: Getty Images
A Cannabis sativa, originária da Ásia Central, é consumida há mais de 10 mil anos. Os primeiros
sinais de uso medicinal do cânhamo, outro nome da planta, datam de 2300 a.C., na China, numa
lista de fármacos chamada Pen Ts’ao Ching – um estudo encomendado pelo imperador Chen Nong
(a maconha servia tanto para prisão de ventre como para problemas de menstruação). Na
Índia, por volta de 2000 a.C., a Cannabis era considerada sagrada.
A planta apareceu no Brasil com escravos africanos, que a usavam em ritos religiosos. O sociólogo
Gilberto Freyre anotou isso no clássico Casa Grande & Senzala, de 1933: “Já fumei macumba,
como é conhecida na Bahia. Produz a impressão de quem volta cansado de um baile, mas com a
música nos ouvidos”. No Brasil, até 1905, podia-se comprar uma marca de cigarros chamada
Índios. Era maconha com tabaco. Na caixa, um aviso curioso: “Servem para combater asma, insônia
e catarros”.
No século 19, a erva foi receitada até para a rainha inglesa Vitória. Ela fez um tratamento à base de
maconha contra cólicas menstruais, indicado pelo médico do palácio. Hoje, há uma cultura em
torno da droga que se mantém com revistas especializadas, sites e ongs defendendo seu uso. A
maconha tem até torneio anual, na Holanda: a Cannabis Cup, que avalia a qualidade da droga de
todos os continentes. O país, aliás, não permite o comércio livre da erva. A droga pode ser vendida
apenas nos coffee shops e o limite por pessoa é de 5 gramas – suficiente para 5 cigarros.
Haxixe
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Imagem: Mjpresson/Creative Commons
A pasta formada pelas secreções de THC, princípio ativo da maconha, é consumida há milênios na
Ásia – na China, foram encontrados registros de seu uso medicinal em 2500 a.C. Mas foi o
comércio de especiarias que fez do haxixe uma droga “global”. Acredita-se que por volta de 2 d.C.
a substância seguiu para o norte da África e Oriente Médio pelas mãos de comerciantes que iam ao
Oriente em busca de especiarias. Eles recebiam haxixe como cortesia nas operação de compra e
venda.
O nome, no entanto, vem do árabe – hashish significa “erva seca”. Ficou conhecido assim quando
Hassan bin Sabbab, líder de uma seita xiita da Pérsia no século 11, reuniu seguidores numa
fortaleza para matar soldados das Cruzadas. Antes de entrar em ação, usavam a droga. Os homens
de Hassan, conhecido como Velho da Montanha, eram chamados de aschinchin – alguém sob
influência do haxixe. Daí derivou a palavra assassin, ou assassino.
A droga se espalhou pela Europa no século 18. O poeta francês Charles Baudelaire e seus amigos
escritores Alexandre Dumas e Victor Hugo se reuniam para fumá-la. Baudelaire gostava tanto de
haxixe que fazia parte de uma ordem, a Club des Haschichiens. Nos encontros, além de usar haxixe,
os participantes tinham um estranho ritual: exaltar Hassan bin Sabbab. Todos vestiam roupas árabes
e um dos integrantes era eleito o Velho da Montanha.
Ecstasy

Em 1912, um químico que investigava moderadores de apetite para a empresa alemã Merck
desenvolveu uma droga de nome impronunciável: metilenedioxianfentamenia, ou MMDA.
Experimentou, sentiu uma leve euforia, mas arquivou a descoberta. Na década de 1960, o cientista
americano Alexander Shulguin procurava um remédio que estimulasse a libido. Encontrou os
papéis da pesquisa da Merk e incluiu o MMDA na lista de mais de 100 substâncias que ele testou
em tratamentos psiquiátricos. A que fez mais sucesso foi justamente a MMDA, que ganhou a fama
de “droga do amor”. Os pacientes diziam que ela os ajudava a ser mais carinhosos – hoje, sabe-se
que a droga estimula a produção de serotonina no cérebro, responsável pela sensação de prazer.
Não surpreende, portanto, o nome que fez a substância famosa: “ecstasy”, de êxtase mesmo. Em 20
anos, as pastilhas da droga estavam circulando nas ruas. Eram combinadas com o som da música
eletrônica em festas chamadas raves, que atravessavam o dia e só terminavam à tarde. Em 1988, o
êcstasy foi a febre no verão inglês, que acabou batizado de Summer of Love, ou “verão do amor” ,
mesmo nome que os hippies deram ao ano de 1967, quando eles se entupiram de LSD. A
comparação não era exagerada: as duas drogas estiveram por trás de boa parte da produção cultural
jovem de suas épocas.
Heroína

A substância foi descoberta em 1874, a partir de um aprimoramento na fórmula da morfina. Os
trabalhos de pesquisa nessa área já haviam levado, por exemplo, à invenção da seringa, criada em
1853 por um cientista francês que procurava maneiras de melhorar a aplicação da morfina. Batizado
de heroína, o novo remédio começou a ser vendido em 1898 para curar a tosse. A bula dizia: “A
dose mínima faz desaparecer qualquer tipo de tosse, inclusive tuberculose”. O nome fazia referência
às aparentes capacidades “heróicas” da droga, que impressionou os farmacêuticos do laboratório da
Bayer.
Logo descobriram também que, injetada, a heroína é uma droga de efeito veloz, poderoso e que
provoca dependência rapidamente. Viciados em crise de abstinência têm alucinações, cólicas,
vômitos e desmaios. Assim, a heroína teve sua comercialização proibida em 1906, nos EUA. Em
1913, o fabricante alemão parou de produzi-la, mas ela manteve intensa circulação ilegal na Europa
e, principalmente, na Ásia. A droga voltou a aparecer nos EUA somente no começo dos anos 70,
quando soldados servindo na Guerra do Vietnã começaram a consumi-la com asiáticos. Estima-se
que cerca de 10% dos veteranos voltaram para casa viciados. .
LSD

O químico alemão Albert Hofmann trabalhava no laboratório Sandoz, em 1938, investigando um
medicamento para ativar a circulação. Testava a ergotamina, princípio ativo do fungo do centeio,
que ele sintetizou e chamou dietilamida. Tomou uma dose pequena e sentiu um efeito sutil.
Somente em 19 de abril de 1943 Hofmann resolveu testar uma dose maior. O químico, então com
37 anos, voltou para casa de bicicleta. Teve a primeira viagem de ácido de que se tem notícia: “Vi
figuras fantásticas de plasticidade e coloração”, contou. Apresentou o LSD (iniciais em alemão de
ácido lisérgico) a amigos médicos. Hofmann hoje tem 100 anos e é um dos integrantes do comitê
que escolhe o Prêmio Nobel.
O americano Timothy Leary se encarregou de ser um dos embaixadores do LSD pelo mundo.
Doutor em psicologia clínica de Harvard, ministrava a droga para seus pacientes e a recomendava a
alunos do campus – até ser expulso pela universidade, em 1963. Na época a cidade de São
Francisco começava a se tornar capital da cultura hippie. Uma das principais atrações eram shows
de rock para uma platéia encharcada de ácido fabricado em laboratórios clandestinos. Os
freqüentadores pregavam o amor livre, a vida em comunidade e veneravam religiões orientais. O
lema deles você conhece: “paz e amor”.
Em 1967, o movimento era capaz de reunir até 100 mil pessoas num parque. As farras lisérgicas
muitas vezes acabavam em sexo coletivo. Não é à toa que o ano tenha entrado para história como
Summer of Love, o “verão do amor”.
Ópio

O suco leitoso tirado da papoula branca é consumido há cerca de 5 mil anos no sudoeste da Ásia,
em ilhas do Mediterrâneo e no Oriente Médio. Fez parte até da mitologia grega – era usado para
venerar a deusa Demeter. A lenda dizia que, após ter sua filha Proserpina raptada, Demeter passou a
procurá-la. Encontrou e comeu sementes de papoula, diminuindo a dor da perda. A imagem da
deusa, então, ficou ligada à papoula – e rituais em sua homenagem incluíram o uso da droga. O
nome ópio vem do grego opin, ou suco. A chegada da civilização romana não diminuiu a sua
popularidade, inclusive para fins medicinais. “O ópio era a aspirina de seu tempo. No ano 312,
havia na cidade de Roma 793 estabelecimentos que o distribuíam”, afirma Antonio Escohotado, em
O Livro das Drogas.
Na época das navegações, a Inglaterra chegou a monopolizar a venda mundial de ópio. Entre os
principais importadores estava a China, apesar de o produto ser proibido lá desde 1729. A luta
contra o contrabando levou a um conflito militar entre os dois países, que durou de 1839 a 1842 e
ficou conhecido como Guerra do Ópio. Os ingleses venceram e obrigaram a China a permitir o
comércio da droga. Ficaram também com o território de Hong Kong, que só foi devolvido em 1997.

Para saber mais
Pequena Enciclopédia da História das Drogas e Bebidas - Henrique Carneiro, Elsevier, 2005
O Livro das Drogas - Antonio Escohotado, Dynamis, 1995
Se Liga! O Livro das Drogas - Myltainho Severiano da Silva, Record, 1997
Álcool e Drogas na História do Brasil - Org. Renato Pinto Venâncio e Henrique Carneiro,
Alameda e PUCMinas, 2005
http://www.neip.info/
http://www.erowid.org/psychoactives/psychoactives.shtml


O presente trabalho visa, além do tema central, estudar a questão da influência das
drogas na criminalidade através de estudo histórico, funcional, e as leis vigentes sobre o tema.
Conforme será exposto na presente monografia, a relação de dependência tem se
mostrado preocupante, uma vez, que o número de usuários tem aumentado desencadeando não
apenas problemas de saúde pública, como também a prática de crimes cometidos por indivíduos
acometidos pelo mal da droga.
O ponto sensível do presente estudo é compreender o que leva ao sujeito a se
envolver com substancias entorpecentes e demonstrar que a política proibicionista e as sanções
implementadas não vêm surtindo efeito positivos.
A realidade atual apresentada nos sistemas carcerários são de celas lotadas, uso de
drogas, fugindo assim com a função de resocializar e apresentar oportunidades de desenvolvimento
do indivíduo que cometeu a infração. Portanto, faz necessário buscar alternativas que superem este
cenário e proporcione resultados eficazes.
Passaremos a estudar então, não apenas os aspectos polêmicos gerados pelas drogas,
mas também soluções que se mostrem eficazes para combater e minimizar o mal ocasionado pelo
uso de substâncias entorpecentes, pautado na Lei de Drogas n. 11.343/06 e nos preceitos de direito
fundamental elencados na Constituição Federal.
Este trabalho apresentará os temas que se relacionam diretamente com a questão da
droga na sociedade e soluções que visem prevenir principalmente crianças e adolescentes.

2 Definição sobre o conceito de drogas

A definição mais ampla da palavra droga é fornecida por farmacologistas, atribuída
como qualquer substancia capaz de alterar o funcionamento normal de um organismo,
assemelhando-se com a definição empregada pelos gregos antigos, que entendiam que nenhuma
substancia era boa ou má em si, o uso que se faz é que ditará suas consequências.

A Organização Mundial da Saúde a define como:

”Droga é qualquer substancia não produzida pelo organismo que tem a propriedade
de atuar sobre um ou mais de seus sistemas produzindo alterações em seu funcionamento.” [1]

No contexto internacional de controle de drogas a sua definição é empregada como
substancias psicóticas e proibidas, ganhando forças a partir de tratados da ONU de 1961 e 1971.
Porém, as drogas aqui tratadas são aquelas consideradas ilícitas, reguladas pela Lei 11.343, de 23 de
agosto de 2006, apresentadas em seu artigo 1°, parágrafo único o seguinte:

“Art.1° - Parágrafo único. Para fins desta Lei, considera-se como drogas as
substancias ou os produtos capazes de causar, dependência, assim especificados em lei ou
relacionados em listas atualizadas periodicamente pelo Poder Executivo da União” [2]

As drogas podem ser classificadas de acordo com a sua obtenção, reação no
organismo e sua ilicitude. Referente à sua obtenção classifica-se as drogas naturais, conhecidas
desde a antiguidade, como todas aquelas oriundas de plantas, fungos, animais, ou seja, qualquer tipo
de organismo vivo. Posteriormente com o desenvolvimento da química moderna, no inicio do
século 19 tornou-se possível extrair e purificar moléculas desses produtos naturais responsáveis por
seus efeitos psicoativos, como por exemplo a morfina, extraída em 1804 do ópio e a cocaína,
presente nas folhas de coca (Erythroxylum coca).

Já as drogas sintéticas são aquelas fabricadas totalmente em laboratório, como no
caso das anfetaminas e do ecstasy. Apesar de criadas artificialmente, possuem efeitos graças a sua
semelhança com substancias sintetizada em nosso organismo, a maioria são criadas com a
finalidade de imitar as drogas naturais e obter método de fabricação mais baratos.

A última classificação quanto à obtenção, são as chamadas semissintéticas, ou seja,
para caracterizar as drogas que são feitas em laboratórios a partir de produtos naturais, são criadas
pela modificação de uma molécula obtida naturalmente, como no caso da heroína, produzida por
meio de uma modificação da morfina.

O segundo meio de classificação é realizada de acordo com seus efeitos gerados
sobre o comportamento e a percepção, sendo dividida entre estimulantes, depressoras e
perturbadoras do sistema nervoso central.

As estimulantes têm por finalidade acelerar o organismo, possuem como efeitos mais
comuns a diminuição do sono do apetite e o aumento do estado de alerta, da pressão sanguínea e da
ansiedade, como no caso da cocaína. Por sua vez, as depressoras, reduzem a atividade cerebral e
deixam, as pessoas sonolentas, pode possuir também efeito analgésico, por diminuírem o trabalho
dos neurônios envolvidos com o processamento da dor, é o caso do álcool, substancias inalantes e
todas as drogas opióides. Por fim, as drogas perturbadoras, são aquelas que mais do que aumentar
ou diminuir a atividade do sistema nervoso central, mudam a maneira de ele trabalhar, tendo efeito
menos quantitativo e mais qualitativo, causando delírios, ilusões ou alucinações, como no caso da
maconha e do LSD.
No entanto verifica-se que a classificação jurídica apresenta maior efeito prático
sobre a vida de seus consumidores e da economia global. A determinação de uma droga como
sendo legal, tem influência fundamental sobre sua forma de produção, distribuição e consumo, além
de consequências indiretas sobre o impacto dela para a saúde de seus usuários.

As drogas ilegais são aquelas cuja distribuição e venda para uso recreativo são
proibidas por tratados internacionais sobre o assunto. Essas convenções dividem as substancias em
quatro classes e proíbem as seguintes substancias: anfeetamina, catina, cocaína e folhas de coca,
codeína, ecstasy, heroína, hidrocodona, LSD, maconha, mescalina, metadona, metanfetamina,
morfina, ópio, oxicodona e psilocibina.

Em contrapartida, as drogas classificadas como legais apesar de não serem alvo de
controle internacional, são reguladas por leis que restringem sua venda, consumo e publicidade,
como no caso do álcool e o tabaco.

Por fim, a classe de substancias controladas, diz respeito aos remédios importantes,
normalmente sua cadeia produtiva é controlada a fim de evitar desvio para o mercado negro.

Há pouco mais de um século, atribui-se uma nova distinção levando-se em conta o
uso recreativo, medicinal e religioso, como é o caso de alguns usuários de maconha a utilizam para
aliviar sintomas de depressão, glaucoma e a questão religiosa dá-se através dos seguidores do Santo
Daime, utilizando a ayahuaasca em seu ritual.
3 Aspecto Histórico

O uso das drogas psicoativas é mais antigo do que as primeiras civilizações. Na pré-
história foi constatado por antropólogos, arqueólogos dente outros estudiosos, que o homem tenha
usado plantas alucinógenas para se embriagar ainda no período Paleolítico superior entre 40 e 10
mil anos atrás, conforme surgem algumas pinturas em cavernas da Idade da Pedra. No entanto, não
é possível provar isso com evidências diretas porque as drogas obtidas naquele tempo não se
preservaram.

Nos sítios arqueológicos de 8000 A.C em diante, aparecem evidências mais
concretas de que as plantas psicoativas já faziam parte da vida do cotidiano da civilização nesta
época. Utilizavam plantas estimulantes em rituais funerários e visionarias em cultos religiosos;
consumiam bebidas com ópio e cultivava papoula para produzi-lo.

No período neolítico a humanidade não apenas usava drogas, como sabia fabricá-las.
A receita mais antiga que existe por exemplo, é da cerveja, escrita pelos sumérios, na data de 8000
A.C.

Existem textos na Mesopotâmia e na Síria, dotados do terceiro e do segundo milênios
antes de Cristo, com descrições de banquetes em que as bebidas alcoólicas eram consideradas
indispensáveis. Praticamente todas as civilizações desde as pré-históricas até as contemporâneas,
inventaram alguma bebida fermentada com a matéria prima que tinham ao seu alcance, sendo a
mais antiga, uma espécie de vinho chinês feito por volta de 7000 A.C com ervar e arroz cuspido.

As drogas tinham aplicações religiosas e medicinais, mas também eram usadas
socialmente e por prazer. Seriam motivos suficientes para os povos antigos considerarem essas
plantas sagradas.

A tradição xâmanica dos povos da Sibéria teve influência do uso de drogas entre os
índios da América. A ciência atribuiu o povoamento do Novo Mundo à migração de povos
siberianos que chegaram caminhando pelo estreito de Bering. Ao migrar, aqueles povos, teriam
trazido consigo não apenas seus genes, mas também a tradição ancestral, sua cultura de buscar
drogas capazes de alterar a experiência sensorial, o que para essa civilização representava uma
viagem espiritual, um encontro com Deus, especialmente nas regiões tropicais, os grupos nômades
teriam encontrado outros cogumelos alucinógenos, mas também uma variedade de plantas com
poderes sensoriais e medicinais, como por exemplo o tabaco.

A civilização grega foi capaz de identificar e compreender o fenômeno da tolerância,
os gregos entendiam que nenhuma substancia era boa ou má em si, o que determinava seu malefício
era a quantidade do uso que se realizava. Esta noção de que o perigo não esta na droga, mas na
maneira como ela é usada não se restringe apenas no contexto farmacêutico, também se encontrava
no ambiente social, religioso e político. A história das festas dionisíacas, o culto ao Deus do vinho,
é um exemplo.

O uso medicinal, religioso e social das drogas era mais ou menos a mesma coisa. A
visão deste povo sobre os psicoativos, assim como diversos outros elementos de sua cultura, foi
integralmente assimilada pela civilização romana.

O filósofo Platão, aduz sobre o vinho, o qual era proibido para mulheres e menores
de 30 anos, já para aqueles que eram permitidos o uso da bebida, poderia embebedar-se para lidar
com as dificuldades e o tédio da velhice. Verifica-se, portanto, que a restrição era apenas um
preceito moral, só foi proibido o uso de drogas para assassinatos. A droga de maior utilização era o
ópio, já a maconha encontrava-se em um segundo plano.

Com o surgimento do cristianismo seus textos evangélicos, enunciam a importância
do vinho para a religião cristã atribuindo um papel mais simbólico do que prático. Enquanto as
antigas religiões usavam drogas para produzir embriaguez, buscando a experiência mística, os
cristãos apostavam na própria Eucaristia como fonte desse estado de espírito. O êxtase religioso não
era mais proporcionado por um agente externo, mas sim pelo exercício da fé e autossugestão.

Outro motivo menos ideológico e mais político pra proibir e perseguir o uso de ervas
com a finalidade medicinal e principalmente alucinógena era a necessidade de o cristianismo se
firmar como religião dominante na Europa e nos arredores, conferindo à figura do demônio às
outras drogas, pautaram-se assim de argumentos bíblicos para perseguir os lideres xamânicos que
proporcionavam cura e transe por meio de plantas já estava na Torá judaica.

Muitos séculos antes de a maconha ser chamada de “erva do diabo”, as plantas
medicinais já haviam sido demonizadas pela Igreja. O cristianismo contribui para diminuir o uso
ritual de drogas alucinógenas, considerado “feitiçaria”. Os alquimistas neste cenário foram cruciais
para preservar conhecimento sobre drogas antigas perseguidas na Idade Media.

No período das Grandes Navegações, com a vinda de Colombo a ilha da San
Salvador, ocorreu o contado dos primeiros navegantes com o tabaco, estava entre os principais
produtos do mercado global inaugurado na era dos descobrimentos

Em todas as narrativas feitas por espanhóis e portugueses, e mais tarde por franceses
e ingleses, os desbravadores do Novo Mundo descreviam como curiosidade e algum espanto os
hábitos dos nativos de todas as partes da America em relação ao tabaco. Os índios usavam a planta
por prazer, como remédios, para diminuir a fome ou para celebrar e conversar com sés deuses. Com
modos de usar e objetivos tão semelhantes aos que as bruxas usavam com outras plantas, é claro
que os europeus logo viram que aquilo era coisa do demônio.O tabaco chegou à Europa na década
de 1550, quando portugueses e espanhóis levaram algumas sementes para casa. Daí em diante, a
planta se disseminou com uma velocidade sem precedentes.

Um dos principais responsáveis pela popularização do tabaco foi o Frances Jean
Nicot, embaixador em Portugal, que pediu ao botânico português Damião de Gois, uma muda da
planta para presentear sua rainha, Catarina de Medici Nicot também pretendia fazer alguns testes
medicinais com a planta e ao final deles espalhou a surpreendente notícia de que ela curava o
câncer, logo em seguida, em 1571, o medico botânico espanhol Nicolas Monardes descreveu o
tabaco como cura para praticamente todas as doenças conhecidas na época.

De repente, a “erva nicotina”, como era chamada na época, virou moda. Nos reinos
ibéricos e na França sendo consumida por inalação, sob a forma de rapé. O representante do papa
em Portugal enviou mudas de tabaco para o Sumo Pontífice, que mandou planta-las no Vaticano.
Daí em diante, padres e bispos de toda a Europa em vez de demonizarem a planta ajudaram a
difundi-la pelo resto do continente. Enquanto isso, os navegantes portugueses tratavam de
apresenta-la à África, à Índia, à China e ao Japão.

A era das grandes navegações não proporcionou apenas o descobrimento do tabaco.
Pela primeira vez na historia, drogas de todos os continentes circulavam pelo mundo. Povos do
mundo inteiro entraram num intercambio inédito de remédios e de sensações. A América era o
principal fornecedor desse escambo sensorial. Alem do tabaco, ela apresentou a coca, a erva-mate, o
guaraná, e uma enorme de substancias alucinógenas e visionarias.
O rei da Inglaterra James I, um dos primeiros antitabagistas da historia, decretou em
1604 um imposto de 4.000% sobre o valor do tabaco importado para o país. Em 1611, a Espanha
também criaria um imposto sobre a importação de tabaco de suas colônias em Cuba e Santo
Domingo. Como a produção e as vendas não paravam de subir, os dois reinos logo instituíram
monopólios estatais sobre aquele comercio. Além das políticas fiscais, países do mundo inteiro
começaram a criar leis para controlar o consumo desenfreado daquela nova droga. Japão 1607,
império otomano 1611, Suécia e Dinamarca 1632, Rússia 1634, Nápoles 1637, Sicilia 1640, China
1642 e Império Mongol 1671 foram alguns dos Estados que proibiram seu consumo no século 17.

Os católicos se voltaram contra a droga de novo quando padres e bispos começaram
a cheirar rapé e fumar durante a missa. O papa Inocêncio VIII ameaçou excomungar quem usasse
tabaco próximo às igrejas. A igreja Ortodoxa decidiu que fora a fumaça do tabaco, e não o vinho,
que embriagou Noé a ponto de ele aparecer nu diante de seus filhos, foi a deixa portanto para os
russos banirem o tabaco. As penas incluíam chicoteamento, exílio na Sibéria ou castração.

Os muçulmanos resolveram de outra forma o problema do tabaco não ser citado nas
revelações feitas por Maomé: se o Corão não aprova a droga explicitamente, ela deveria ser
proibida. Estima-se que o império otomano Murad IV mandou executar mais de 25 mil fumantes
em 14 anos. Na Pérsia a pena de morte também foi adotada contra fumantes, sendo executada,
jogando chumbo derretido na garganta dos condenados. Na China, entre 1640 e 1644, a pena para
os fumantes era a decapitação.

No entanto, as proibições não duraram muito, porque apesar das penas duríssimas, os
fumantes continuavam a se multiplicar e nenhum governo poderia sustentar por tanto tempo leis tão
impopulares.

No inicio do século 16 a química moderna permitiu criar drogas mais potentes com a
purificação de extratos naturais. A primeira “essência” descoberta foi a do ópio, em 1805. O alemão
Friedrich Sertürner conseguir isolar o ingrediente da resina responsável por seus efeitos analgésicos
e sedativos, o químico chamou a substancia de “morfium”, em referencia a Morfeu, seu grego dos
sonhos, e fora da Alemanha preferiram chama-la de morfina. Tal descoberta incentivou os cientistas
a usar métodos semelhantes para isolar outros princípios ativos, como são conhecidas as substancias
biologicamente ativas dos vegetais.

Ate 1830, já haviam isolado e identificado a substancia psicoativas do café (cafeína),
tabaco (nicotina) e das plantas solanáceas que as bruxas adoravam (atropina)

A existência desses alcaloides ressuscitou o interesse por uma planta no Novo
Mundo, a coca, planta utilizadas pelos índios que trabalhavam nas minas de prata do Peru
consumiam suas folhas para aguentar o trabalho árduo. Os colonizadores espanhóis ganharam
dinheiro cobrando impostos sobre o comércio interno da planta, no entanto, não realizavam seu
consumo por considerarem como um habito selvagem.

No inicio do século 19, alguns cientistas em busca de seus alcaloides não
encontraram qualquer efeito farmacológico, pois durante a viagem transatlântica, as folhas
apodreciam, e qualquer essência que houvesse naquele arbusto desaparecia.

Em 1860, Albert Niemann isolou pela primeira vez a cocaína, sendo assim
confirmado seu poder estimulante. As folhas do arbusto foram introduzidas na fórmula de uma
incrível variedade de xaropes e tônicos, o mais famoso desses produtos foi o produto Frances Vin
de Mariani, um vinho composto com folhas de coca lançado em 1863, sendo esta bebida premiada
pelo papa Leão XIII. Anos depois, o farmacêutico John Pembertin, mudou a fórmula, misturou a
coca com xarope de noz de cola e lançou a bebida Coca Cola.

Entre os alemães, o interesse voltou-se para as pesquisas da cocaína pura, um dos
maiores interessados nesse campo foi o Sigmund Freud, entre 1884 e 1887, publicou cinco artigos e
tornou-se um fiel consumidor da droga fazendo o uso com seringas hipodérmicas.
Em Uber Coca (1884), descreve a variedade de problemas de saúde que eram
tratados com coca ou cocaína naquela época: distúrbios alimentares ou gástricos, anemia, sífilis, tifo
e asma. Além disso, servia como um estimulante mental e sexual. Freud apresentou a substancia
para seu amigo, oftalmologista Karl Köller, que descobriu seu potencial como anestésico local. Na
época ajudou a revolucionar as cirurgias de olhos e gargantas.

A grande procura de médicos, farmacêuticos, fabricantes de vinhos e xaropes fez os
preços subirem e criou pela primeira vez um valioso mercado internacional para as folhas de coca.
O Peru e Bolívia eram os tradicionais produtores do arbusto, sendo atribuída uma nova commodity
agrícola.

A cocaína despertava em seus usuários um consumo compulsivo, no século 19, seu
uso já havia se identificado entre alguns consumidores de álcool e de opiáceos. Esse “efeito
colateral” da cocaína foi um dos fatores que contribuíram para sua proscrição no inicio do século
20, quando surgiram as primeiras leis de controle de drogas.

E a partir da década de 1970, começou-se a misturar a cocaína com outros produtos
surgindo assim o crack, obtido por meio do aquecimento de uma mistura de cocaína, água e
bicarbonato de sódio.

Nos períodos compreendidos entre 1839 e 1842 e entre 1856 e 1860, ocorreu a
Guerra do Ópio liderada por britânicos e chineses que tratavam uma das mais antigas desiguais e
sangrentas guerras do século 19. O conflito teve como motivação a relação obsessiva que esses
povos estabeleceram com o uso de duas drogas: chá no caso dos ocidentais, e o narcótico milenar
que deu nome ao confronto, entre os orientais. A China e a Inglaterra entraram em guerra duas
vezes por divergir sobre o comercio de ópio, a Inglaterra insistia e traficar ópio para compensar
gastos com o chá e equilibrar comércio com a China.

No final do século 16 padres portugueses que foram à China arrebanhar súditos
trouxeram os primeiros relatos da droga. Logo os primeiros carregamentos da erva chegavam à
Europa, trazidos por portugueses e holandeses e a bebida tornou-se artigo de luxo entre as classes
abstratas dos dois países. A conexão com os ingleses surgiram em 1662, quando a princesa lusa
Catarina de Bragaça, adepta ao chá, casou-se com Charles II, rei da Inglaterra. O monarca adotou o
habito de sua esposa e em 1664 mandou importar o primeiro quilo de chá recebido em Londres, em
vista disso, a corte começou a imitar o consumo de drogas de seus monarcas. No inicio, o habito era
uma extravagância de ricos, mas após 50 anos a Inglaterra estava importando mais de 6 milhões de
quilos de chá chinês por ano.

Entre 1710 e 1759, os ingleses pagaram aos chineses o triplo dos que receberam
deles. Ou seja, toda a prata que os ingleses ganharam de portugueses e espanhóis estava se esvaindo
em chá. A solução dos ingleses seria outro produto lusitano: o ópio.

Os chineses conheciam o ópio e o consumiam pelo menos desde o século sete, no
entanto, eles não tinham o habito de fumar nada, foram os portugueses que introduziram o habito de
fumar tabaco em cachimbos. A China havia proibido o tabaco por motivo econômico, diante da
rápida expansão de consumo da nova droga o imperador proibiu a importação de tabaco para evitar
o problema mais tarde enfrentado pelos ingleses por conta do chá, ou seja, um desequilíbrio do
comercio exterior. No entanto o imperador não previu que os fumantes chineses iriam saciar sua
vontade colocando ópio nos cachimbos, foi a compra dessa droga, ainda de holandeses e
portugueses que começou a desequilibrar a balança comercial , chinesa quando Yung Cheng decidiu
proibi-la.

Em 1793 foi proibido o plantio da papoula, matéria prima para a produção do ópio. A
escassez interna fez o preço subir o suficiente para que no final do século 18 o tráfico permitisse ao
Reino Unido zerar sua balança comercial com a China, com a venda de mais de 400 toneladas da
droga por ano. Cem anos depois a China proibiu o fumo, mas o consumo havia se multiplicado
exponencialmente. O imperador nomeou Lin Zexu, como uma espécie de “czar antidrogas”. O
primeiro tiro a ser disparado da Guerra do Opio foi na baía de Kowloon por um navio inglês, em 4
de setembro de 1839.

Posteriormente foi assinado o Tratado de Nanquim, o qual atribuía aos britânicos
direito de explorar o comercio com a China em cinco cidades portuárias, garantia que qualquer
cidadão britânico só responderia a tribunais de sua própria rainha, tornava Hong Kong uma
possessão britânica por tempo indeterminado e ainda obrigava a China a pagar toda a despesa
oriunda da guerra.

No ano de 1990, os Estados Unidos da America, organizaram um encontro
internacional na China, em Xangai para propor estratégias internacionais de controle do ópio. A
Comissão Internacional do Ópio seria o primeiro passo rumo à política internacional de proibição
das drogas que vigora até o inicio do século 21.

No século 18, verificou-se na Inglaterra pela primeira vez o consumo exagerado de
álcool como um problema generalizado com desdobramento para a saúde publica, episódio este
marcado como a epidemia do gim. No século 19, a problemática atingiu os Estados Unidos.
Posteriormente surgiram os primeiros movimentos proibicionistas. A primeira
organização de alcance nacional a defender o “beba com moderação” foi a “American Temperance
Socciety”, criada em 1826, sendo motivado pela ressurreição da velha associação entre o uso de
drogas e o diabo.

Na década de 1830, já havia cidades proibindo à bebida, e em 1851 o Estado de
Maine tornou-se o primeiro a proibir a produção e consumo de álcool, com penas de prisão e multas
para os infratores. Em 1855, outros 12 Estados haviam seguido o exemplo, e em 1869, foi criado o
Partido Proibicionista que disputaria as eleições presidenciais pela primeira vez em 1880 e perdura
até os dias de hoje.

No final do século 18, surgiu pela primeira vez a ideia do alcoolismo como doença,
em vez de um pecado ou uma possessão demoníaca. Segundo esta teoria algumas pessoas perdiam
o controle do consumo de álcool, a solução normalmente proposta por quem tinha essa visão era a
internação compulsória, os menos providos de renda eram mantidos em manicômios semelhantes às
prisões da época. A maioria dos médicos entendia que o alcoolismo era coisa de pessoas fracas, que
visavam minimizar responsabilidade moral do vício e encorajar ainda mais a dependência do álcool.

A medicina do século 19 trouxe o tratamento de alcoolismo para fornecer aos
doentes substancias com menos potencial para causar dependência como a morfina e a cocaína,
também descobertas no mesmo século. Essas substâncias eram utilizadas por via endovenosa ou
misturada em centenas de dezenas de remédios. A criação da seringa hipodérmica também fez da
morfina um analgésico de grande utilidade nos campos de batalha e em hospitais de campanha da
Guerra da Secessão (EUA 1861-1865) e da guerra franco prussiana (1870).

O uso descontrolado criou hordas de soldados com a chamada “doença do exército”,
logo, a classe médica entendeu que o uso era capaz de causar “hábitos compulsivos” a palavra
dependência ainda não era empregada. Essas substâncias foram incluídas no rol que os americanos
defensores da temperança tentariam proibir em uma sucessão de encontros e tratados internacionais
realizados na primeira metade do século 20.

A Lei Seca Americana, ocorreu em 1920 o movimento pela temperança, colocando
na ilegalidade a produção e o comercio de bebidas alcoólicas. Quando os EUA entraram no conflito
em 1917, o Congresso proibiu o uso de grãos para a fabricação de bebidas enquanto durasse o
confronto, para economizar alimentos.

Fiscalizou 170 mil bares do país. Estava proibido qualquer líquido com mais de 0,5%
de álcool, as únicas exceções seriam para o uso cientifico, religioso e medicinal, no entanto, não
havia uma criminalização do uso.

No entanto, observa-se que com a proibição do álcool, houve um aumento da
criminalidade. Na década de 1920, os gângsteres ganharam mercado lucrativo da venda clandestina.
Outra consequência foi o aumento do tributos para compensar as perdas com arrecadação sobre a
produção e a venda de álcool.

Com seis meses de mandato, o presidente Franklin Roosevelt, decretou a extinção da
lei seca, em 05 de dezembro de 1933, declarou que os impostou arrecadados dali em diante das
bebidas alcoólicas, iriam pagar a conta do New Deal, para recuperar a economia do país, falida,
desde a quebra da bolsa de valores em 1929.

4 Drogas

No começo do século 20, as grandes indústrias farmacêuticas, já fortalecidas pela
venda da morfina e da cocaína, começaram a investir em pesquisas de produção das primeiras
drogas sintéticas. Uma das primeiras a se destacar foi a anfetamina, lançada como remédio para
depressão.

Em 1937, os médicos psiquiatras demonstraram interesse pelo remédio derivado da
anfetamina. A droga foi aprovada no tratamento de narcolepsia, atuava como estimulante cardíaco.
Alguns médicos notaram também que alcoolistas diminuíram o uso da bebida.

A Alemanha utilizava o Pervitin e no Japão o Philopon, ambos eram metanfetaminas
moléculas de anfetamina. Em 1939, surgiram nos EUA os primeiros relatos de pacientes com
dependência de anfetaminas,e no mesmo ano um estudante usuário da droga, teve um colapso
nervoso e morreu. No entanto, tal evento não impediu que se uso cessasse na segunda guerra
mundial, que atribuía o efeito da adrenalina, ambas aumentam a concentração, estado de alerta e a
autoconfiança, e diminuem a sensibilidade a dor, à fome, e à sede, alem das necessidades de dormir.

Enquanto os americanos usavam a anfetamina, japoneses e alemães, preferiam
metanfetaminas. Em 1940, os japoneses já tinham à sua disposição 24 tipos de droga, já os soldados
do Reich receberam 35 milhões de pílulas, quase 300 mil comprimidos por dia. Entre abril de
10940 quando invadiram a França, na guerra relâmpago dos alemães, famosa pela sua rapidez era
movida por metanfetamina, era sabido que o próprio Fürher usava a droga com frequência.

Em 1941 foi determinado que o comprimido de Pervitin deveria permanecer
trancados nos armários, entre os civis o Ministério da Saúde decidiu que a droga só poderia ser
vendida sob prescrição em função do potencial de causar dependência.

Com o final da guerra, o uso da droga havia disseminando por todos os EUA, o
consumo girava em torno de 2 milhões de pílulas diariamente apenas sob prescrição, sendo essa
quantidade suficiente para abastecer 2% da população adulta americana da época, metade era
Benzendrina, para pessoas com depressão. No Japão, com o final da guerra, o estoque dos militares
foi distribuído entre a população civil e o país viveu a primeira epidemia de anfetamina da historia.

No inicio dos anos 1960, remédios mais modernos substituíram as anfetaminas no
tratamento de depressão, atualmente, verifica-se sua fórmula na maioria dos remédios para
emagrecer.

O Brasil entrou no século 21 como um dos principais mercados dessa droga,
comprada no mercado negro com o nome de Ritalina, outro medicamento dessa classe de
substancias é o principal tratamento para crianças com hiperatividade e déficit de atenção.

As metanfetaminas, no entanto, são o maior problema de saúde publica. Nos EUA,
no sudeste asiático e na Austrália elas estão entre as drogas de maior numero de usuário e de
dependentes. Na china e na Tailândia, elas são consumidas em comprimidos chamados yabba. Nos
EUA, é mais comum injetar na veia o ice diluída em água ou fumar o cristal meth ( crack das
anfetaminas). A droga vicia rapidamente e em poucos meses causa sérios danos à saúde física e
mental dos que se tornam dependentes.

O mercado da droga sintética esta em crescimento, a apreensão anual de
metanfetamina duplicou de 2008 até 2010 e chegou a 45 toneladas, já a apreensão de ectasy foram
de 1.3 toneladas em 2010


Albert Hofmann químico suíço descobriu e sintetizou o LSD, no ano de 1943. Suas
pesquisas datavam desde 1935, tendo como matéria prima um fungo denominado “ergot” o qual, na
Idade Média era utilizado para estimular as contrações de parto, e a partir do século 19, para conter
a hemorragia após o nascimento.

Depois de isolar a ergobasina responsável por esse efeito, Hofmann, conseguiu
produzir uma versão sintética da molécula. Seu último trabalho foi tentar melhorar o remédio que a
natureza produziu modificando aquela substancia.

No ano de 1943, em sua 25ª experiência, obteve como resultado o composto
dietilamina de acido lisérgico chamado por Albert de LSD-25ª

A empresa de laboratório, Sandoz, na Basileia, realizou testes com animais e
verificou comportamentos estranhos; os peixes nadavam de maneiras diferentes e estranhas, gatos
ficavam eriçados e com medo de ratos, aranhas passaram a produzir teias especialmente simétricas,
o importante é que a droga era segura, nenhuma função vital era prejudicada apesar das alterações
de comportamento.

No inicio da década de 1950, o “Delysid”, nome que a companhia escolheu para a
nova droga começou a ser distribuída para os psicoterapeutas, com a finalidade de receitar a
substancia nas terapias, a fim de liberar, ajudá-los a reprimir material reprimido e a segunda
indicação se baseava na teoria de que a “onda” de LSD era uma espécie de psicose, e conhecer o
estado mental de seus pacientes ajudaria os terapeutas a se comunicar com eles.

Em tempos de guerra fria, a CIA e o Exército americano, patrocinavam essas
experiências com a droga, em busco de um soro da verdade. A maioria dos experimentos foram
realizados entre 1951 e 1963, testados em pacientes mentais ou presidiários que não tinham a menor
ciência do que estavam ingerindo.

Na primeira conferencia sobre o LSD, realizada no ano de 1959 houve as diferenças
de abordagem e de resultados, gerando incontroversas. Parte dos analistas faziam uma longa
preparação para o dia de usar a droga. Naquele mesmo ano, houve dois relatos de suicídio entre
pacientes.

Em 1963, ocorreu a primeira prisão por contrabando de LSD nos EUA e a patente da
empresa Sandoz sobre a droga expirou, o que permitiu que outras empresas a fabricassem. Com o
intuito de evitar o uso descontrolado de qualquer droga experimental, o EUA decretou a proibição
do uso sem previa autorização, fato este que culminou com a extinção da era de pesquisas
psicoterapêuticas com acido lisérgico.

Em 1965, alarmada com o uso recreativo da droga, a Sandoz, interrompeu sua
produção. Nos EUA, uma nova lei proibiu a venda e a fabricação de drogas psicodélicas. No
entanto era tarde demais, visto que milhões de doses já eram produzidas no mercado negro.

O LSD despertou interesse por boa parte da classe artística americana. O movimento
hippie ganhou uma nova droga. O seu uso proporcionava uma visão da realidade de outra maneira,
tinha a ver com a negação do “establishment” e os protestos contra as armas nucleares e a Guerra do
Vietnã que marcaram o final dos anos 60.
Em 1964, o israelense Raphael Mechoulan conseguiu isolar o delta-9-
tetrahidrocanabinol, popularmente conhecido como THC, responsável pelo efeito psicoativo e por
boa parte dos efeitos terapêuticos da planta. Tal substância pertence à família da canabinóide.

Surgiram vários protestos sobre a discriminização do uso da maconha, amparada por
artistas e músicos. Em 4 de julho de 1970, uma população se reuniu fumar maconha e protestar
contra a proibição da droga na festa de independência dos EUA celebrada em frente ao memorial
Lincon em Washington.

No mesmo ano foi criada a Normal (National Organization for Reformation of
Marijuana Laws) em defesa da legalização da droga. Diante dos protestos, alguns países
encomendaram levantamentos sobre tudo o que a ciência sabia sobre a maconha para atestar se era
mesmo noviça e se seus usuários deveriam ser presos.

O primeiro estudo acerca do tema foi publicado em 1969, denominado Relatório
Wootton, a Holando. Firmou duas comissões de pesquisa, concluída em 1971 e 1972. No Canadá, o
resultado da Comissão Le Dain foi publicado em 1972.

Concluíram através de estudos que a maconha era menos perigosa do que o álcool e
o tabaco, muitas informações sobre seu perigo não passava de mitos e as penas deveriam ser
reduzidas ou ate mesmo extintas. Praticamente todos os países ignoraram o relatório, sendo a
Holanda o único pais a seguir a regra, em 1976, começaria a implementar seus “coffee shops”.

O isolamento do THC havia despertado um interesse renovado nas pesquisas sobre a
droga, no entanto, verificava-se um empecilho referente às autorizações.

No inicio da década de 1990, estudos realizaram a descoberta dos locais do cérebro
onde o TCH atua e da anandamida, molécula que produzimos e que se encaixa nesses mesmos
lugares, os receptores canabinoides. Essa Nova pesquisa conclui que as células do nosso organismo
e os neurônios do cérebro, têm um sistema de comunicação que regula a memória, o sistema imune,
a fome, a sensação de dor e nossas mudanças de humor entre outros processos. Cientistas acreditam
que a quantidade que nosso cérebro tem de receptores canavonoides é maior do que a de todos os
outros receptores somados, acreditam também que esse sistema vai ajuda-los a desenvolver
remédios para diversos problemas de saúde sérios, como obesidade mórbida, depressão, ansiedade,
esclerose múltipla, por exemplo.
Nos anos 50 a maconha tornou-se popular no mundo inteiro e consolidou-se como a
droga proibida mais usada no planeta, de acordo com o Relatório Anual de 2012 da ONU, a
maconha foi a droga mais consumida, com 224 milhões de usuário em todo o mundo. O diretor do
Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (ONUDD), Yuri Fedotov, acredita que “a
maconha não é uma droga tão inocente como alguns quiseram nos fazer acreditar. Segundo
informes médicos, produz mudanças irreversíveis em nível cerebral”.

A história dessa substancia foi identificada com a música do fim do século 20. Em
1912, o químico Anton Köllisch se dedicava à síntese de moléculas novas, em busca de um anti-
hemorrágico quando descobriu pela primeira vez a molécula de metilenodioximetanfetamina,
conhecida pela sigla MDMA, patenteando em 1914.

Foi nos EUA que as drogas começaram a serem usadas nas ruas, mais precisamente
na cidade de São Francisco no fim da década de 1960. O cientista Alexandre Shulgin, foi o
responsável por popularizar o MDMA na década de 1970, no laboratório de sua casa. O resultado
de seus estudos foram publicados em 1978, em um artigo em que ele retrata que a droga parece
evocar um estado de consciência alterado, facilmente controlado, com insinuações emocionais e
sensuais.
Vindo dai a origem do nome “droga do amor” que era utilizada por psicólogos para
ajudar seus pacientes a se desenvolverem nas terapias de casais. No dia 1° de julho de 1984, entrou
provisoriamente na ilegalidade, dois anos depois, pesquisas concluíram que o MDMA tinha
utilidade terapêutica comprovada e que não apresentava “alto potencial de causar dependência”,
sugerindo que seu uso fosse restrito aos médicos e terapeutas. Porém a Agencia resolveu ignorar o
relatório e proibiu qualquer tipo de uso de drogas nos EUA. Em 1988, a droga chega em São Paulo.

De maneira geral a população mundial não parece disposta a abandonar o uso de
drogas. Observa-se que os ocidentais costumam usar mais estimulantes como a cocaína, já os
orientais, preferem por drogas depressoras como a heroína.

4.1 Distinção entre usuário, dependente e viciado

Classifica-se o usuário de drogas como o individuo que realiza seu consumo
independentemente da frequência. Já a dependência química é uma doença crônica, sendo por sua
vez, diagnosticada pela presença de alguns critérios clínicos.

A dependência química é a forma de vício mais comum que existe, é considerada
pela medicina uma doença causada por alterações químicas no cérebro que levam a pessoa a
consumir determinada substancia compulsivamente mesmo quando tem o conhecimento que tal
pratica acarretará consequências graves.

Substancias que viciam causam alterações complexas e de longo prazo no cérebro,
impedindo a pessoa de controlar seu comportamento racionalmente. É possível reverter as
alterações através tratamento prolongado.
Apesar de o cérebro ser alvo da dependência, não e possível diagnosticar a doença
com um exame laboratorial, o método mais aceito, é o da Associação Psiquiátrica Americana
(APA), que considera dependente químico o paciente que apresenta pelo menos três sintomas
conforme a lista descrita:

“Uso de doses progressivamente maiores da droga para ter o mesmo efeito, se o
individuo se sente fisicamente mal quando não faz uso da droga , quando ocorre a perda de controle
e ingere mais substancias por um tempo maior do que o planejado, quando o indivíduo tenta
diminuir ou interromper o uso da droga quando gasta boa parte do tempo para conseguir a droga e
utiliza-la, quando o sujeito abandona ou diminui a atividade de lazer, ocasiões sociais ou estudo por
conta das drogas e por fim quando continua usando a droga mesmo sabendo que tem um problema
físico ou psicológico frequente causado ou piorado pelo uso”.[3]

4.2 Caminho percorrido pelas drogas

O modo de usar uma droga determina o caminho que ela percorre até o cérebro. A
quantidade e a concentração de droga que atinge o cérebro, e o tempo que ela leva para chegar,
mudam de acordo com a forma de uso.

4.2.1 Via respiratória

É a via mais curta e direta rumo ao cérebro, logo, a mais rápida. Quando uma
substância no estado gasoso é aspirada, segue por nossas vias até os alvéolos e passa para a
circulação da mesma forma que o oxigênio. Ela se difunde de um meio que a droga está mais
concentrada para outro em que se encontra menos concentrada, do ar inspirado para o sangue,
posteriormente percorre o mesmo caminho ate o cérebro: do pulmão para o lado esquerdo do
coração e diretamente para a cabeça.

Além de ser uma alternativa rápida, esta forma de uso, proporciona também uma
concentração de droga no sangue tão alta quanto uma injeção na veia. A inalação direta de uma
droga só é possível com substancias muito volátil, como o caso da cola de sapateiro, o éter e o lança
perfume.

Já para fumar uma droga é preciso fornecer calor para que ela passe do estado solido
para o gasoso. Tabaco, maconha ou crack, são queimados em cigarros ou cachimbos com essa
finalidade.

4.2.2 Via intranasal

Através dessa modalidade existem algumas barreiras como pêlos do nariz,
microcílios que revestem a parede das partes mais profundas só sistema respiratório que veta a
entrada de partículas solidas para dentre outras coisas evitar o entupimento dos alvéolos.

Quando o individuo cheira uma droga como a cocaína, as barreiras do nariz são
superadas com o uso de canudos, e a maioria do pó se deposita nas fossas nasais, pouca coisa passa
dali para a faringe e a laringe.

A parede das fossas é revestida por uma mucosa, tecido formado por uma camada de
células de proteção e irrigado por vasos sanguíneos bem finos e superficiais. Ao chegar o pó se
dissolve no ambiente umedecido pelo muco e atravessa essas células até o sangue. O percurso é
uma volta até o lado direito do coração, passar pelo pulmão e voltar ao lado esquerdo para subir ao
cérebro, como se a droga entrasse no sangue “por contato”.

Para passar pela mucosa, a molécula da droga precisa ser pequena e quimicamente
capaz de atravessar as membranas daquela camada de células.

4.2.3 Via Digestiva

Quando se engole uma droga, ela faz o caminho de qualquer comida ou bebida, é
digerida. A primeira consequência de usar o sistema digestivo como entrada , é que boa parte da
dose é destruída antes mesmo de chegar ao cérebro. Este trabalho, pode ocasionar algumas doenças
como por exemplo a cirrose, causada pela sobrecardo do fígado.

Em relação ao seu efeito, a principal característica da ingestão é a relativa lentidão
com que ele chega, normamente, é menos intenso do que nas outras formas de uso, porque a droga
entra aos poucos no sangue, diluindo-se em vários litros.

4.2.4 Via Intravenosa

Drogas solúveis em água podem ser injetadas diretamente no sangue com a ajuda de
uma agulha e uma seringa. Apesar do passe livre para a circulação, esse método demora um pouco
mais para colocar a droga no cérebro do que fumar.

Quando uma droga é injetada na veia, vai para o lado direito do coração, antes de ir
par ao pulmão, o seu percurso é maior, se a substancia for aplicada na artéria, demora ainda mais,
visto que o sangue esta caminhando para um órgão ou tecido. No entanto, praticamente todo o
conteúdo injetado chega ao cérebro.

Esse meio é considerado um dos mais perigosos devido às fontes de infecções, tanto
do sangue de uma agulha compartilhada quanto a sujeira da parafernália usada para preparar as
doses.

4.3 Reação da droga no organismo

Nosso cérebro apresenta uma proteção para agentes estranhos, que esta na parede dos
vasos que lhe transporta o sangue. A parede dos capilares, os vasos mais finos que temos, essas
células se colam de um jeito meio “frouxo”, deixando buracos. Isso serve para que nutrientes e ate
células inteiras passem do sangue para os tecidos e vice-versa. Existe a “barreira hematoencefálica”,
apresentando como função proteger o cérebro de substancias indesejado.

A barreira é basicamente a falta de espaço entre as células que formam a parede dos
capilares do cérebro, esses espaços têm no máximo 500 dáltons, a molécula de heroína tem 369
dáltons, cocaína, 303 dáltons, e o álcool 46 dáltons. Algumas substancias atravessam a barreira
protetora do cérebro por difusão.

Assim que a droga entra no organismo, nosso corpo inicia um processo de limpeza,
ocorrendo uma quebra das moléculas para posteriormente serem eliminadas na urina, a quebra é
feita por enzimas, o filtro pelos rins, atuando em conjunto o fígado. Quando o individuo ingerir uma
substancia com mais frequência do que o fígado consegue eliminar, a concentração no sangue
aumenta. Esse equilíbrio de entrada e saída do droga no sangue estabelece sua concentração no
organismo e o efeito que ela causa.

A variedade dos efeitos que podem ser causados é consequência de diferentes
mecanismos de ação no cérebro. Cada droga desencadeia uma sensação diferente, o álcool por
exemplo, faz com que a pessoa perca a coordenação motora fale muito, tenha sono, já a maconha
deixe mais introspectivo, risonha e esquecida, a cocaína, deixa agitado, estado de alerta falante e até
mais agressivo e o LSD costuma proporcionar alucinações visuais e auditivas.

As drogas amplificam direta ou indiretamente o efeito dos neurotransmissores,
substancias produzidas pelo próprio corpo, o estimulo nervoso viaja pela membrana do neurônio
como um impulso elétrico, na porta do axônio o estimulo faz com que pequenas bolsas cheias de
neurotransmissores (NTs) se fundam com a membrana, solando seu conteúdo na sinapse . Os NTs
se encaixam em receptores na membrana do neurônio seguinte. Isso permite a entrada de íons na
célula, criando um novo impulso elétrico, que segue pelo neurônio, dependendo do par de NT e
receptor, o encaixe pode abrir a porta para íons negativos, o que impede a propagação do impulso
elétrico, o neurônio seguinte fica inibido.

Em seguida os NTs lançados na sinapse são destruídos por enzimas ou reabsorvidos
por proteínas no axônio para que a estimulação do próximo neurônio seja interrompida. O ciclo
completo dura de 10 a 30 milésimos de segundo.

Uma vez no cérebro as drogas são capazes de se encaixar em receptores específicos e
estimular ou inibir os neurônios. Algumas atuam indiretamente estimulando a produção de NTs ou
impedindo que eles retornem ao axônio de origem. Independente do mecanismo de ação, o
resultado é uma ocupação dos receptores bem maiores do que o normal, se o encaixe do par de NT
e receptor no qual a droga interfere tem efeito estimulante, ela vai deixar o neurônio seguinte muito
mais excitado. Se for inibidor, mais “apagado”.

Com o passar do tempo o nosso organismo começa a adquirir tolerância à
determinada substância, o gera o consumo de doses maiores, acarretando maior perigo ao usuário.
O tipo mais importante de tolerância, porem, é a adaptação do cérebro, no momento em que a
substancia atinge o cérebro, a droga causa um excesso de estimulação dos neurônios, ao substituir
os neurotransmissores nas sinapses e se encaixar em receptores de membrana, nosso sistema
nervoso percebe a mudança e recorre a diferentes recursos para voltar ao nível de estimulação
normal. O sistema nervoso também pode desenvolver um tipo de tolerância comportamental ou
condicionada, em que o cérebro aprende a conviver com a droga para se proteger dos seus efeitos.

A cocaína causa um tipo de tolerância aguda que se manifesta numa simples noite,
mas a maioria das drogas precisam ser consumida em médio ou longo prazo para causar tolerância,
o álcool por exemplo, costuma levar semanas até anos. Como este fato leva o usuário a utilizar
quantidade cada vez maiores, aumenta a chance de surgir dependência química.

O médico suíço Paracelso, do século 15, considera que o que faz o veneno é a dose.
Desde o primeiro uso há o perigo, como o uso de drogas injetáveis pode desencadear infecções, em
caso de acidente causar até mesmo overdose e com o passar do tempo, verifica-se a necessidade de
aumentar a dose para obter o efeito inicial.

As drogas causam prazer por agirem sobre as mesmas partes que a comida e o sexo.
Nosso cérebro apresenta o sistema de recompensa, um mecanismo de sobrevivência, sua função é
de programa- ló para repetir as ações que dão satisfação e são boas. Fisicamente, o sistema de
recompensa é um grupo particular de neurônios que se concentra numa parte especifica do cérebro,
é justamente essa região o alvo de preferência da maioria das drogas, ao atingir esta região mexem
na comunicação dos neurônios e fazem o usuário sentir uma sensação agradável.
Tal fato ocorre porque as substancias psicotrópicas afetam a concentração de
dopamina, neurotransmissor usado pelos neurônios do sistema de recompensa para se comunicar,
uma vez que cada substancia ativa um mecanismo diferente, direto ou indireto que aumenta a
quantidade de receptores de dopamina ocupados. O resultado é uma estimulação extra do sistema de
recompensa que significa prazer.

Nosso organismo no entanto não consegue distinguir a origem da dopamina, por
mais que o estimulo não seja “natural”, o prazer causado pela droga é real.
Considerada Referente ao fator abstinência, é considerada quando um indivíduo
sente algum desconforto ao interromper subitamente o uso de uma droga dizemos que ele tem
dependência física, a síndrome de abstinência portanto, é o resultado desse quadro, seus sintomas
são opostos ao efeito normais da droga.

É comum associar a dependência física ao vício, chamada de dependência química,
no entanto verifica-se que existe tanto a síndrome de abstinência sem vício quanto vício sem
síndrome de abstinência. A primeira é um nível de alteração do cérebro relativamente simples que
pode ser tratada com remédio, já no caso da segunda, é consequência de alterações bem mais
complexas.
.
4.4 Motivos que levam o indivíduo consumir drogas

Entre o primeiro uso e o vício, o usuário costuma passar por diferentes estágios na
sua relação com a droga, o que caracteriza cada um é, principalmente a frequência e a motivação
para o uso alem das complicações que acompanham cada etapa.

A primeira experiência geralmente acontece por curiosidade, por causa da pressão de
amigos ou vontade de imitar um ídolo, entre os adolescentes principalmente, o ato de usar drogas e
tido como uma aventura. Nessa fase experimental, a frequência de uso é baixa e aleatória, mas o
usuário já se expõe a alguns riscos, que variam de acordo com a droga. Algumas pessoas que
consomem a droga pela primeira vez passa a praticar o que médicos e psicólogos chamam de uso
recreativo ou social, nesse caso o individuo só utiliza a droga quando esta com os amigos.

O segundo passo, é chamado pro alguns estudiosos de fase instrumental, porque o
uso da droga passa a ser um instrumento para alterar seu comportamento de acordo com a situação,
sem a droga, a atividade em questão perde a graça, a droga não é mais utilizada por influencia de
outros.

Esta fase do uso instrumental é chamada de “abuso de drogas” em seu Manual
Estatístico e de Diagnostico de Desordens Mentais. A OMS se refere ao abuso de drogas como “uso
problemático” e o define como um Padrão de uso de drogas que causa danos físicos ou mentais à
saúde, geralmente com consequências sociais.

Quando o efeito da droga cessa, seu cérebro não volta ao normal, porque seu
funcionamento já foi profundamente alterado devido ao uso por exemplo, no caso do crack e da
heroína podem ter efeito social devastador e representar risco de vida, tanto pela chance de
overdose e problemas de saúde como por dívidas com traficantes.

As chances do individuo tornar-se um viciado esta relacionado a três fatores
principais: a droga que se faz o uso, como ela é administrada, o ambiente em que cresceu e vive e
de características pessoais, determinadas por herança genética.

O fator da droga, esta ligado com a sensação desencadeada pelo uso da substancia,
ou seja, quanto mais forte, imediato e prazeroso, for seu efeito, maior será seu potencial de fazer
uma pessoa repetir a dose até se tronar dependente.
.
A forma de administração da droga também é crucial para determinar a velocidade
com que ela chega ao cérebro, quanto mais direto for o caminho para o cérebro maior o potencial de
dependência.
Outra propriedade importante é sua solubilidade em gordura, porque assim facilita
sua difusão pelo cérebro, o qual apresenta uma composição bastante gordurosa realizando a
passagem através da barreira hematoencefálica.

Já o fator usuário que é o sujeito pré disposto pela saúde mental , o DNA, ou seja a
predisposição genética. Observa-se que a particularidade do efeito de uma droga possa ser mais ou
menos forte, mais ou menos prazerosa influencia bastante o padrão de uso que ele vai desenvolver
no caminho para uma relação de dependência ou não.

Por fim, o contexto ambiental, vai do ambiente familiar à macroeconomia global. A
pressão dos fatores ambientais para o uso, ou a abstinência sobre determinado grupo muitas vezes
explica o padrão de consumo de substancias típicas de determinados períodos, países ou regiões. O
acesso fácil combinado com a falta de oportunidade de emprego, educação e lazer principalmente
em comunidades pobres, onde o trafico se instala, cria um ambiente favorável ao consumo de certas
substancias.

O peculiar dos fatores ambientais é que eles são mais flexíveis se comparados aos
fatores de drogas individuais. O potencial de uso de cocaína injetável para causar dependência não
muda, bem como a tolerância inata de uma pessoa ao álcool, mas é possível mudar o valor que se
atribui a determinados comportamentos e logo, sua influencia sobre o uso de drogas.

Essa possibilidade de mudar ou remover fatores comportamentais que influenciam
positivamente ou negativamente o risco de drogas é o que torna especialmente importantes para
estratégias de prevenção ao uso de drogas e o tratamento de dependentes.


5 Política e Lei de drogas.

Legalização proibição e descriminalização são as palavras chaves quando tratar sobre
os debates referente as drogas sendo diferentes as opções que o governo tem para tratar quem vende
e quem usa essas substancias.

As alternativas disponíveis funcionam da seguinte forma; a proibição recai sobre a
produção, distribuição, venda e compra de drogas em qualquer quantidade são crimes. Em geral,
atividades ligadas à produção e à distribuição são punidas com prisão. As penas ligadas ao uso
costumam ser mais brandas, mas em muitos países também levam à cadeia. A compra e a venda
podem ser autorizadas por órgãos competentes em casos específicos, quando é comprovado que a
droga será usada com finalidades religiosas, medicinais ou cientificas.

O objetivo principal é diminuir a oferta de entorpecentes proscritos para aumentar
seu preço e as oportunidades de consumo. Essa política é dominante nos 183 países participantes
das três convenções da ONU, de 1961, 1971 e 1988, as regras desses tratados se aplicam a mais de
cem substancias naturais e sintéticas.

A descriminalização pode apresentar diferentes interpretações, mas comumente é
usada quando se extinguem as penas criminais para usuários de drogas. Em alguns países pode ser
apresentado como despenalização, usuários flagrados com pequenas quantidades de entorpecentes,
para uso pessoal, recebem, no máximo, penas administrativas como multas, se forem dependentes
também podem ser obrigados a se tratar, dependendo do país. Portar grande quantidade de drogas
ou vendê-las leva à prisão. A descriminalização pode ser feita mudando a lei ou o modo como os
juízes a interpretam, seu objetivo principal é reduzir danos para os usuários e dependentes e
concentrar esforços na prevenção e no combate à oferta. Esta medida pode ser observada em alguns
lugares da Europa e da America Latina, em estados americanos e australianos, como por exemplo,
no caso da maconha. Em países com Portugal e México a descriminalização vale para pequenas
quantidades de qualquer droga.

Já no caso da legalização, o governo estabelece regras para o comércio de cada
droga, impondo restrições de idade, locais e horários, quanto mais perigosa é a droga, mais rigoroso
e restritivo é o seu controle sobre o mercado, sua principal finalidade é reduzir o uso problemático e
os problemas causados pela criação de mercados ilegais. Tal medida é adotada no mundo inteiro,
com o álcool e tabaco, a não ser em países muçulmanos onde o álcool geralmente é ilegal, verifica-
se que a compra e venda de quantidades pequenas de maconha para uso pessoal também são
toleradas em algumas regiões da Holanda e na Espanha no Canadá e em 13 estados dos EUA, o uso
medicinal está legalizado.

A política de drogas deve corresponder aos valores e culturas de um determinado
grupo a que ela atende. Na década de 1970, a Europa foi atingida pelo dominante uso da heroína.
Vários países reformularam suas leis para lidar com o problema, não houve uma solução conjunta,
cada ente foi em busca do resultado que melhor atendia a suas necessidades de saúde pública,
financeiras e morais. A Suécia por exemplo, definiu que o objetivo principal seria tornar o consumo
de substancias ilícitas o menos possível a Holanda por sua vez, decidiu priorizar a redução de
danos, e não a redução do consumo, hoje os dois países são referencias de políticas totalmente
opostas que produziram resultados diferentes.

Outro ponto é que uma boa política de drogas é aquela capaz de diminuir os
problemas relacionados ao uso das substancias, para alguns, como o governo sueco, a única maneira
de evitar esses problemas é a abstinência, enquanto outros consideram que isso é um objetivo
impossível e até desnecessário. Do mesmo modo, a maioria concorda que dependentes de drogas
precisam de tratamento e não prisão.

Outros objetivos e princípios compartilhados pelos defensores das diferentes
políticas de drogas estão são as seguintes: o uso de drogas é um risco em potencial, o problema de
drogas é principalmente uma questão de saúde publica, não de policia, políticas de drogas precisam
ser orientadas por resultados devem buscar a melhor relação custo-benefício para o dinheiro
público, não devem ser entraves para a estabilidade econômica e o desenvolvimento, devem ser
compatíveis com as políticas internacionais de direitos humanos, minimixar o uso problemático de
drogas e os danos que ela causa minimizar a criminalidade associado ao trafico e ao seu uso,
minimizar os danos relacionados ao uso de drogas em crianças e famílias e por fim, garantir
tratamento para quem quiser ajuda.

Um caminho importante para entender a enorme variedade de problemas ligados à
droga è classificá-las de acordo com o que esta por trás deles. Identificar se um problema ligado
associado é causado diretamente pelo seu consumo ou pelas leis criadas para controlá-las é
fundamentas para avaliar os prós e os contras de cada política de drogas, afinal, as leis podem afetar
as diferentes categorias de danos de maneira independente.

O ex-diretor do escritório sobre Drogas da ONU, argumentou que a legalização é
inaceitável porque “não estamos contando feijões: estamos contando vidas.” Seu discurso mostra
que, por motivos ideológicos ele rechaça a hipótese de qualquer aumento no numero de usuário de
drogas, acreditando que isso representaria mais mortes por uso dessas substancias.

Por outro lado a Holanda admite uma política que aumente o numero de usuários de
maconha desde que isso ajude a diminuir o numero de usuário de heroína, assim como admite até
que mais pessoas usem heroína, se o total de usuários problemáticos for menor. No entanto verifica-
se que essa diversidade cultural ao lado de outros fatores sociais e econômicos explica o motivo do
sucesso ou não da política adotada pelos países.

As leis e outras medidas que as acompanham em uma política de drogas também têm
suas limitações, porque fatores socioculturais podem ser muito mais relevantes do que os jurídicos.

A política adotada atualmente pela comunidades internacional, proíbe o uso
recreativo de certas substancias, começou a ser estabelecida formalmente em 1961, com a
assinatura da convenção única de narcóticos.

Ao longo daquela década, os países signatários começaram a adaptar suas leis para
estabelecer à nova lei internacional, que entrou em vigor em 1964, foi ampliada e atualizada por
outras duas convenções internacionais, de 197 e de 1988, e teve adesão de mais países- em 201, 183
países estavam comprometidos com as três. O objetivo desses acordos é controlar e reduzir a
produção, a distribuição e o consumo recreativo das mais de sem substancias citadas pelos
documentos.

A ideia por trás da proibição é punir a venda e inibir o consumo de drogas por meio
da ameaça de punição, bem sucedida ela cumpriria com os seguintes objetivos: diminuir a oferta de
drogas para aumentar o preço e diminuir sua pureza disponível no mercado negro e assim reduzir o
consumo e por fim fazer com que a implementação dessa medida trouxesse benefícios maiores do
que os prejuízos que ela eventualmente ocasiona.

Quando se verifica os indicadores conclui-se que há a constatação do fracasso da
proibição. Alguns dos principais defensores do modelo, como o escritório das Nações Unidas sobre
Drogas e Crime, reconhecem a preocupação com os chamados “efeitos colaterais do sistema de
controle”.

Desde a década de 1960, o consumo de todas as drogas disparou no mundo inteiro, e
o sistema internacional, que entrou em vigor na mesma época, não se mostrou capaz de frear essa
tendência.
A conferencia em Xangai em 1909 e a convenção de Haia em 1922 são fundamentais
para compreender de que forma, e quais as influências na produção de leis e normas sobre as
drogas, ocorreram no Brasil. As convenções internacionais no inicio do século XX surgem como
resultados da guerra do ópio inicialmente possuem o objetivo de controlar o comercio do ópio e
seus derivados, os países signatários se comprometeram em coibir o uso de opiáceos e de cocaína
em seus territórios, caso o uso não obedecesse a recomendações médicas. A política criminal contra
as drogas tornou-se de inicio uma estratégia em política dos EUA.

O proibicionismo conforme se concebeu nos fins do século XIX, é resultado de
inúmeros fatores socioculturais contribuintes para a intervenção estatal sob a alteração da
consciência por meio do uso de substancias psicoativa.

O aspecto econômico teve uma grande contribuição da política proibicionista, por
interessar a indústria farmacêutica o monopólio de manipulação, refinamento e comercio do ópio e
da cocaína, por outro lado, a ascensão da classe medica, procurando rechaçar tudo o que pudesse ser
caracterizado como xamanismo ou curandeirismo. Pode-se enquadrar também, a participação de
setores mais conservadores da sociedade cristã que referendaram as politicas proibicionistas
valendo-se da ideologia de pureza moral; cabe lembrar que tais setores tinham força política junto
aos legisladores. Quanto às motivações do proibicionismo, destaca-se o aspecto racial:

“Com a proibição do ópio, a partir de 1900, começaram as primeiras campanhas de
amedrontamento da população norte-americana com relação aos “perigos” da droga correlacionados
a específicos grupos étnicos, vistos como “ameaçadores”. Em território americano, a reprovação
moral ao uso de substancias psicoativas- representado pelas abstêmias ligada puritanas; era
tradicionalmente acompanhada pela associação entre determinadas drogas e grupos sociais. Uma
mesma lógica era aplicada: minorias e imigrantes tinham comportamentos moralmente reprováveis
e ameaçavam valores clássicos da America branca puritana”[4].

A primeira guerra mundial interrompeu as reuniões internacionais, no entanto nos
anos dentre 920 e 1930, década da Grande Proibição, sob a liga das nações houve, três encontros
internacionais dentre os quais o mais importante foi o acordo de Genebra em 1925. O acordo
ampliava o conceito de substancias entorpecente e tornava realidade os dispositivos da convenção
de Haia. Em 1921, ocorreu a criação da primeira organização internacional com o objetivo de
controlar a comercialização das drogas sob o titulo de comissão consultiva do Ópio e outras
substancias nocivas, sucedida pela Comissão das Nações Unidas sobre Drogas Narcóticas (CND-
COMISSION ON Narcotic Drugs) em 1946 vinculada ao Conselho Econômico e Social da ONU.

No ano de 1925, os EUA abandonaram a conferência de Genebra devido à
insatisfação dos resultados do acordo; entre 1931 e 936 organizaram outras duas convenções que
mudam o curso das políticas de restrição às drogas, uma vez que contribuíram para o fortalecimento
de uma política internacional de repressão ao trafico. A conferência de 1936, comumente conhecida
como Convenção para a repressão do tráfico ilícito das drogas nocivas, foi promulgado pelo decreto
2.994 de 17 de agosto de 1938, no Brasil, pelo presidente Getulio Vargas.

Na Segunda Guerra, bem como a Primeira Guerra, interromperam as conferencias
internacionais, a recém-criada ONU passa a se encarregar dos protocolos assinados pela Liga das
Nações.

Em 948 e 1953, outros dois protocolos são assinados o primeiro em Paris e o
segundo em Nova York. Em 1961 foi dado outro passo mais significativo com o objetivo de
fortalecer a internacionalização do controle sobre as drogas através da criação da Convenção Única
de Nova York sobre Entorpecentes. A ONU passou a ter a atribuição legal de fiscalização
internacional dos entorpecentes, contando com a participação de todos os países membros das
Nações Unidas, a convenção única de 1961 revogou as convenções anteriores, sendo promulgada
no Brasil pelo decreto 54.216 de 27 de agosto de 1964.

Em 1977, sob a convocação da Secretária Geral das Nações Unidas realizou-se a
Conferencia Internacional sobre o Abuso de Drogas e Tráfico Ilícito. Em 1988, em Viena, é
concluído o texto final da Convenção Contra o Trafico Ilícito de Entorpecentes e Substancias
Psicotrópicas. O texto tinha como finalidade complementar as Convenções de 1961 e 1972, no ano
de 1990, entra em vigor internacional.

A organização dos Estados Americanos (OEA) criou a Comissão Interamericana de
Controle do Abuso de Drogas (CICAD) no ano de 1986, que tem como objetivo propiciar a
cooperação multilateral no continente, sobretudo no combate ao tráfico de drogas. A primeira
conferencia ocorreu na cidade do Rio de Janeiro, onde foi aprovado o documento Programa
Interamericano de Accíon de Rio de Janeiro Contra El Consumo, La Procuccíon y el Tráfico Ilícitos
de Estupefacientes y Sustancias Psicotópicas. O programa é composto de quatro capítulos com
propostas para redução da demanda e ofertas de substâncias ilícitas. Em 1992, o programa sofre
uma revisão.

5.1 O Proibicionismo no Brasil.

O Brasil embora tenha se comprometido em cumprir o tratado de Haia, nunca o fez,
efetivamente. Com o fim da Primeira Guerra, as convenções foram retomadas, no ano de 1921, o
governo brasileiro se viu obrigado a cumprir seus compromissos internacionais; a primeira lei
específica sobre drogas no Brasil é sancionada pelo presidente Epitácio Pessoa, trata-se do decreto
n° 4294 de 6 de julho de 1921, composto por 13 artigos, o qualobjetivava, dentre outras coisas,
penalizar quem vende, expor, à venda, ou ministrar substancias venenosas, sem legitima autorização
e sem as formalidades prescritas nos regulamentos sanitários, com determinação de multa. Caso
tais “substancias venenosas” contivessem algum tipo de qualidade entorpecente, a pena alterava
para “prisão cellular por um a quatro annos”. Referente ao álcool, o decreto penalizava com multas
“apresentar-se publicamente em estado de embriaguez que cause escândalo, desordem ou ponha em
risco a segurança própria ou alheia”.

Pode-se observar a influencia dos EUA através do surgimento dos movimentos da
“temperança”, como a “União Pró-Temperança”. Em abril de 1936 foi criada a Comissão Nacional
de Fiscalização de Entorpecentes (CNFE) pelo decreto n° 780, se justificava a medida que cumpria
ao Estado brasileiro cuidar da higiene mental e incentivar a luta conta os venenos sociais.

Cabia ainda à comissão elaborar projetos com vista a consolidar as leis nacionais
sobre drogas e submetê-las ao Poder Legislativo, com a criação da CNFE, criaram-se as comissões
estaduais, apresentando portanto um provável embrião para o projeto de política nacional brasileira
sobre drogas.

No ano de 1946, com titulo “Toxicomanias no após-guerra”, o presidente da CNFE,
apresentou na Oficina Sanitaria Panamericana, suas impressões sobre a situação brasileira com
relação ao problema das “toxicomanias”, o relatório descreve o seguinte:

“Desde então começou o Brasil a exercer uma campanha sistemática sobre o uso dos
entorpecentes, que hoje se realiza uniformemente em todo o território nacional, não só nas capitais e
grandes cidades, como em todo o interior do país. Da Comissão Nacional de Fiscalização de
Entorpecentes fazem parte representantes dos Ministérios das Relações Exteriores da Educação e
Saúde, da Justiça Fazenda, Trabalho, Agricultura, Marinha, Guerra, do Departamento Federal da
Segurança Pública e da classe médica. Com esta organização não há Comissão Nacional de
Fiscalização de Entorpecentes elementos técnicos especializados de todos os setores que têm
interferência no controle do uso e comercio dessas substancias. A comissão Nacional, como
trabalho inicial, paganizou uma consolidação das leis existentes, que fez com que o Brasil ficasse
provido de uma legislação sobre entorpecentes que pode ser considerada, sem exagero, como uma
das mais completas e eficientes que existem atualmente”.[5]

O decreto n° 2.994 de 17 de agosto de 1938, promulgava a Convenção para a
repressão do trafico ilícitos das drogas nocivas de 1936, em novembro do vigente ano, o decreto-lei
n° 891 aprovava a “LEI de Fiscalização de Entorpecentes”, a qual tinha como objetivo “dotar o país
de uma legislação capaz de regular eficientemente a fiscalização de entorpecentes”. Sua função é de
estabelecer quais as substancias eram consideradas entorpecentes e posteriormente dividia em dois
grupos, o primeiro grupo relacionava o ópio bruto, o medicinal e suas preparações. Neste primeiro
grupo, encontravam-se, também, substancias a base de folha de coca e cannabissativa. O segundo
grupo, composto por dois produtos a etilmorfina e seus sais e a metilmorfina e seus sais.

O decreto-lei de 1938 apresenta fatores inovadores e fundamentais, pelo fato de
determinar de maneira exclusiva em território nacional a proibição total do plantio, tráfico e
consumo das substâncias relacionadas. Outro fator a ser tratado, está enunciado no capitulo III da
lei, o qual estabelece o direito legal da internação compulsória por parte do Estado.

A fiscalização mais rigorosa só viria a se efetivar após o golpe militar, anteriormente
a este fato, os usuário, dependente não eram criminalizado. O sistema que se aplicava era o
“médico-policial”, os casos mais graves eram internados compulsoriamente e tratados por meio de
dose gradativamente menores e da privação progressiva e a alta assemelhavam-se a alvarás de
soltura.

O ano de 1964 é, portanto um divisor de água na política criminal do país , significa
dizer que o modelo de política criminal passa de sanitário para bélico, a droga a partir dos anos 60 é
associada aos movimentos de “subversão”. Neste sentido pode-se verificar um novo ethos com a
criação da Lei n° 4.483, de 16 de 1964.

5.2 Lei de drogas no Brasil

Verifica-se no período de colonização do Brasil, fazia vigente as ordenações
Manuelinas em 1532, no entanto, apenas as ordenações Filipinas (1603) que foram aplicadas em
território colonial, já que, no período das capitanias hereditárias, vigorava o arbítrio dos donatários
fundados nas cartas de doação. Teve sua parte criminal aplicado por mais de dois séculos, sendo
substituído apenas quando a promulgação do código criminal do Império em 16 de dezembro de
1830.

O título LXXXIX codificava o seguinte:

“Nenhuma pessoa tenha em sua caza para vender, rosalgar branco,
nem vermelho, nem amarello, nem solimão, nem água delle, nem escamoneá, nem ópo, salvo se for
Boticário examinado, e que tenha licença para ter Botica, e usar do Officio”.[6]

Na época do Império, com a vinda da Família Real portuguesa para o Brasil, em
1808, em nada alterou a vigência das Ordenações Filipinas no país. Essa realidade só foi modificada
posterior à proclamação da independência por Dom Pedro I, em 1823, e consequente outorga da
Constituição de 1824, influenciada pelos ideais do liberalismo que emanavam dos seguintes países,
França e Estados Unidos. No entanto este código, não abordava questões relativas às drogas, apenas
os assuntos referentes a venda de substancias e medicamentos e política sanitária[7].

Em 11 de outubro de 1890, posterior à proclamação da republica, entra em vigor o
novo código. Em seu art. 159, dispunha sobre questões relativas às drogas conforme segue:

“Art. 159. Expor à venda, ou ministrar, substancias venenosas, sem legitima
autorização e sem as formalidade prescriptas nos regulamentos: Penas – de multa de 200$000 a
500$000” [8]

Em vista do insucesso, visto que tal dispositivo foi insuficiente para combater a onda
de toxicomania que invadiu o país em 1914. Em vista dos fatos, foi baixado

Em julho de 1921, foi editado o Decreto n°. 14.969, inspirado na Convenção de Haia
de 1912, regulamentado pelo Decreto n. 14.969, a qual abordavam não apenas os aspectos
criminais, mas também a cominação de pena de 1 a 4 anos para as infrações de venda e uso de
entorpecentes, e medidas de controlo do comercio, necessidade de prescrição média e normas de
registros.

O Decreto n°. 20.930, editado no dia 11 de janeiro de 1932, passou a designar a
expressão “substâncias toxicas” para referir-se aos entorpecentes como o ópio, a cocaína e a
maconha, alem de atribuir ao Departamento Nacional de Saúde a função de classificar as
substancias capazes de alterar comportamentos.

Grande impulso foi dado pelo Decreto n.°3.114, de 13 de março de 1941,alterado
pelo Decreto-Lei n.° 8.647 de 1946, com atribuições de estudar e fixar normas gerais sobre
fiscalização e repressão.

Posteriormente surgiu o projeto para a edição do Decreto-Lei n.° 891, de 25 de
novembro de 1938, ainda fonte básica de nossa legislação.

O Código penal de 1940, instalada a nova ordem político-juridica, posterior a
outorga da Carta Constitucional, rompendo-se com a tradição liberal das Cartas Magnas anteriores,
deu-se inicio a elaboração de um novo Código Penal, baseado no projeto de Alcântra Machado, o
novo Código Penal, entrou em vigor no dia 1° de janeiro de 1942.

“Art. 281. Importar ou exportar, vender ou expor à venda, fornecer,
ainda que a título gratuito, transportar, trazer consigo, ter em deposito, guardar, ministrar ou, de
qualquer maneira, entregar a consumo substancia entorpecente, sem autorização ou em desacordo
com determinação legal ou regulamentar: Pena – reclusão, de um a cinco anos, e multa, de dois a
dez contos de réis”.[9]

Do cultivo de plantas entorpecentes e sua extração e purificação de seus princípios
ativos, estavam inseridas do Decreto-Lei n°. 4.720, de setembro de 1942[10].

Até a edição da Lei Federal n°. 6.368, em outubro de 1976, responsável por sua
revogação, o artigo 281 passou por várias transformações em seu texto. Em novembro d 1964, a Lei
n°. 4.451 acrescentou ao tipo a ação de plantar qualquer substancia entorpecente, a classificação
ficou por conta do Serviço Nacional de Fiscalização da Medicina e Farmácia, a partir do Decreto
Lei n°. 159, .este órgão, através da portaria n°. 8°do ano de 1967, passou a adotar as listas de
entorpecentes contidas no documento da Convenção Única de Entorpecentes por serem mais
completas.

Em 1968, o Decreto n°. 385, introduziu no texto as ações de preparar e produzir,
incluindo ainda no rol de substancias controladas aquelas capazes de determinar dependência física
ou psíquica, bem como o critério de aplicação da pena pecuniária, que passou a ser fixada tendo
como valor referencial o salário mínimo vigente no país.

No mês de outubro de 1971, a Lei n°. 5.726, apresentou medidas preventivas e
repressivas às condutas de mercancia e posse de substancias psicotrópicas, além da alteração
processuais para o julgamento de tais delitos , acerca de tal marco, expõe o doutrinador Vicente
Greco Filho o seguinte:

“Em linhas gerias, procurava a Lei n. 5.726/71 ressaltar a importância da educação e
da conscientização geral na luta contra os tóxicos, único instrumento realmente válido para se obter
resultados no combate ao vicio, representando, como já dissemos, a iniciativa mais completa e
válida na repressão aos tóxicos no âmbito mundial na sua época.”[11].

A Portaria n.° 131, de 6 de abril de 1972, aprovou o Regimento Interno da Comissão
Nacional da Comissão Nacional de Fiscalização de Entorpecentes do Ministério da Saúde
(CONFEN), este órgão foi criado pelo Decreto-Lei n.° 780, de 28 de abril de 1936, e mantido pelo
Decreto-Lei n.°891, de 1938. Constitui ainda órgão consultivo do Ministério da Saúde para
orientação do Governo em suas relações com a ONU, visando o cumprimento de acordos ou
convenções sobre a matéria.

Posteriormente com o advento da entrada em vigor da Lei n°.6.368 no ano de 1976
restou revogada a Lei n°. 5.726/1971, menos seu artigo 22, o qual regulava o procedimento sumário
de expulsão de estrangeiros que tivessem praticado crime de trafico de entorpecentes.

A Constituição Federal de 1988,referiu o tráfico de entorpecentes como crime
inafiançável em seu artigo 5°, XLIII, insuscetível de graça ou anistia,bem como mencionou sobre o
trafico, ao dispor que o brasileiro naturalizado poderá ser extraditado, desde que comprovado sua
relação como tráfico (art.5°, LI)

No novo diploma legal a Lei. 10.409, de janeiro de 2002, surgira com o objetivo de
substituir integralmente a Lei n°. 6.368/76, no entanto, o Poder Executivo, vetou o Capitulo III da
respectiva lei, que tratava especificamente dos “Crimes e das Penas”, bem como o artigo 59, que
dispunha a revogação da Lei anterior. Em vista aos defeitos apresentados e com a aplicação da nova
Lei, culminou com que as respectivas Leis 6.368/76 e 10.409/02, vigessem até o advento da Lei n°.
11.3434, de agosto de 2006.

Por fim, no mês de outubro do ano de 2006, entrou em vigor no Brasil a nova lei de
drogas, a Lei 11.343/06, o qual substituiu a Lei 6.368 de 1976 e a Lei 10.409 de 2002.

A nova lei trouxe um aumento das penas, a pena mínimo para os tipos básicos de
crimes identificados ao “trafico” passou de três anos para cinco anos. Diante da previsão de
circunstancias qualificadoras como emprego de arma por exemplo, que aumentam de um sexto a
dois terços as penas previstas para aqueles tipos básicos de crimes, as penas efetivamente aplicadas
dificilmente ficaram no mínimo de cinco anos de reclusão. Isso já ocorria na vigência da Lei
6.368/76, em que frequentemente identificação de circunstancias qualificadoras tornava rara a
aplicação da pena mínima. Na nova lei, a lista de circunstancias qualificadoras é ampliada, o que
tornara ainda mais rara a aplicação da pena mínima.
Reafirma a antecipação do momento criminalizador da produção e da distribuição
das drogas ilícitas. Possuir, transportar ou expedir são condutas que constituem apenas um começo
da execução da venda ou de qualquer outra forma de fornecimento, que caracterizam propriamente
o “trafico”.

Verifica-se assim, que a nova lei, denominada Lei Antidrogas, trouxe inovações
pontuais e de ordem meramente quantitativa em relação ao conteúdo normativo da Lei 6.368/76.
Culminou com o aumento da pena mínima privativa de liberdade prevista para o crime de trafico
ilícito, bem como aumentou os marcos mínimos e máximos das penas pecuniárias. Reagrupou ou
desdobrou, em artigos e parágrafos algumas das figuras delituosas, que orbitam em torno da figura
que é o crime de tráfico.

A atual legislação sobre drogas em relação ao usuário extinguiu a pena privativa de
liberdade, adotando uma punição mais branda, Gomes, em seu livro Nova Lei de Drogas
Comentada, afirma que ouve a descriminalização, apoiando-se na Lei de Introdução ao Código
Penal, conforme dispõem em seu artigo 1°, que crime é a infração penal punida com reclusão ou
detenção:

“Crime é a infração penal punida com reclusão ou detenção (que isolada ou
cumulativa ou alternativamente com multa), não há dúvida que a posse de droga para consumo
pessoal (com a nova lei) deixou de ser “crime” porque as sanções impostas para essa conduta
(advertência, prestação de serviços à comunidade e comparecimento a programas educativos – art.
28) não conduzem a nenhum tipo de prisão, Alias, justamente por isso, tampouco essa conduta
passou a ser contravenção penal (que se caracteriza pela imposicao de prisao simples ou multa ).
Em outras palavras: a nova Lei de Drogas, no art. 28 discriminalizou a conduta da posse de droga
para consumo pessoal, retirou-lhe a etiqueta de “infração penal” porque de modo algum permite a
pena de prisão. E sem pena de prisão não pode se admitir a existência de infração “penal” no nosso
País”. [12]

Já para o doutrinador Volpe Filho, não houve a descriminalização, e sim a
despenalização:

“A sanção penal, como é sabido, possui como uma das espécies a pena. As penas
podem ser as seguintes, sem prejuízo de outras, de acordo com o inc. XLVI, art. 5°, da Constituição
Federal: a) privação ou restrição da liberdade b) perda de bens; c) multa; d) prestação social
alternativa; e) suspensão ou interdição de direitos”.[13]


6 Relação Droga e Crime


A diversidade das drogas, tanto as licitas como as ilícitas, possuem efeitos intensos
sobre a forma como as pessoas se sentem, seus pensamentos e ações. Ligado à isso, pode-se
considerar que o uso de drogas é uma das explicações para a violência, desigualdade social
e desestrutura familiar.

O usuário de drogas, para manter seu vício muitas vezes cometem furtos e roubos, e
até mesmo realiza prática de outros crimes por estarem acometidos pelo efeito da droga ou se utiliza
da substancia para ter coragem, impulso para praticar um ato ilícito, conforme verifica-se no
julgado a seguir:

Processo n. 007.09.226968-7, 1ª Vara Criminal e do Juizado de Violência Doméstica
e Familiar contra a Mulher do Foro Regional VII Itaquera. Embriagado e sob efeito de cocaína
provoca acidente de transito[14]

Processo RECSENSES n. 61653520088260438 SP 0006165-35.2008.9.26.0438.
Relator Pedro Menin. 16ª Câmara de Direito Criminal, Julgamento 24/04/2012.
EMENTA: Sentença de Pronúncia 1. Homicídio duplamente qualificado Motivo
torpe consistente em desavença iniciada por dinheiro para compra de drogas Crime praticado
mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, atingida fatalmente, na face, por disparos de
arma de fogo, enquanto andava de bicicleta. Configuração – 2. Recurso em Sentido Estrito visando
a despronúncia por ausência de indícios de autoria ou o afastamento das qualificadoras
Impossibilidade 3. Recurso Defensivo improvido. Pronuncia mantida. Submissão do acusado ao
Conselho de Sentença.[15]

A expressão criminalidade vinculada com a ideia do uso de drogas pode ser
classificadas da seguinte forma: crimes psicofarmacológicos, são os delitos cometidos sob a
influência de uma substancia psicoativa, em resultado do seu consumo intenso ou crônico; crimes
econômicos compulsivos, que são os delitos cometidos com o intuito de obtenção de dinheiro ou
entorpecentes, para alimentar o consumo de substâncias e infrações à legislação em matéria de
droga, que são os delitos por infração à legislação em matéria de drogas.

O estudioso do tema, Goldstein, apresenta a relação droga criminalidade, em um
conceito tripartido, a droga leva à violência através de integração dos modelos psicofarmacológicos,
econômico compulsivo e sistêmico. De acordo, com este modelo, o consumo agudo ou crônico de
substâncias psicoativas pode originar agressões e violência, o quadro psicológico do usuário de
drogas consiste em irratibilidade, medo, paranoia, variações extremas de humor, sendo assim, os
crimes psicofarmacológicos, alem de incluir violência devido ouso realizado, inclui crime como
abuso sexual e assaltos ou ataques para o individuo realizar consumo do entorpecente.

Considera-se que o consumo de opiáceos e de cannabis é pouco suscetível de causar
crimes psicofarmacoloficamente induzidos, visto que são substância que tendem a reduzir a
agressividade, porém, a irratibilidade associada à síndrome de abstinência podem estar ligados a um
aumento da violência

Dos crimes econômicos compulsivos, define-se como uma dependência que leva o
usuário a cometer infrações para obter dinheiro para financiar seu vício, cometendo assim,infrações
contra a propriedade,como furto, roubo, assalto, ou prostituição e o tráfico. Inclui-se nesta
categoria, aqueles cujo o consumo necessita ser financiado por rendimento obtido de maneira ilegal.

Por fim, os crimes sistêmicos, o qual refere-se a atos violentos praticados no
decorrer do mercado de drogas ilícitas, como cobrança de dívidas e confronto policial, por exemplo.
Observa-se que este tipo de violência esta relacionado com à proibição.
Percebe-se que há uma relação da prática de crimes cometida pelo individuo com o
uso de drogas. Segundo o autor da obra Medios de Comunicacíon Y Previnxíon de las
Drogodependencias, de 1987, Perez Oliva, já realizava tal associação conforme segue:

“Na maioria das vezes, a palavra droga, aparece, nas manchetes, associadas às
palavras briga, assalto, tiroteio e morte, em segundo lugar, ainda que com menor frequência, a
palavra droga bem seguida de conceitos tais como adulteração, “overdose” e morte, observe-e que
em ambos os casos o encadeamento conceitual termina no dano socialmente mais grave: a
morte”[16].

O promotor de justiça e mestre de direito penal, do Rio de Janeiro, Márcio Mothé Fernandes
publicou em seu artigo a passagem:

“Nos últimos meses, o pais tem assistido a uma sucessão de crimes que têm em
comum a utilização de drogas como causa predominante para a sua ocorrência. Somente numa
mesma rua do bairro Bancários, na Ilha do Governador, neste ano, dois crimes chocaram a
população: No dia 02 de janeiro, estando completamente alucinado por causa de drogas, o
adolescente A.D.F matou a avó com setenta facadas porque ela havia tentado impedi-lo de vender
um liquidificador para ser trocado por cocaína.No dia 17 de abril, o aposentado Paulo César da
Silva, 62 anos, matou a tiros o próprio filho, Paulo Eduardo Olinda da Silva, 28 anos, após ele ter
jogado uma televisão pela janela que seria vendida para ser trocada por entorpecentes. Em volta
redonda no dia 30 de janeiro o adolescente B.S.C, 16 anos, matou a avó Tereza Lucas da Silva
Costa, devido a uma crise de abstinência. A vitima teve a cabeça decepada e jogada no Rio Paraiba.
Na Bahia, no dia 31 de janeiro, o vigilante Elias Gonçalves, 41 anos, matou o filho Eliosvaldo
Santos Gonçalves, 21 anos, pois não aguentava mais assisti-lo roubando a vizinhança para comprar
drogas. Em São Paulo, no dia 30 de março, Amador Cortellini, 68 anos, após ter sido ameaçado de
morte pelo filho Rodrigo Cortelinni, 26 anos, acabou matando-o com um tiro no peito”[17]

De acordo com o site da policia militar do estado de São Paulo, apresentam alguns
dados sobre as drogas:
“A indústria da Droga, movimenta mais de 400 bilhões por ano.
Estima-se que existam 180 milhões de usuário de drogas no mundo.
Segundo a Organização de Saúde, a dependência (álcool, tabaco, cocaína, maconha,
anfetamina, e psicotrópicos) consome 10% do produto interno bruto de qualquer economia, em
gastos com Hospitais, acidentes de transito, e no trabalho, com a perda de produtividade, conclusão:
o Brasil perde, anualmente, alguns bilhões de dólares com gastos relacionados à dependência
química, dinheiro que poderia ser empregado em melhor qualidade de vida para todos.
Pesquisas indicam que 22,8% da população no Brasil consomem drogas.
49% das escolas estaduais tem problemas com o consumo e o tráfico de drogas
segundo pesquisa feita em 5 capitais Brasileiras.
20.000 brasileiros morrem a cada ano em decorrência do consumo de entorpecentes
ou de crimes relacionados ao tráfico.
Em 97, foram assassinados na capital paulista, 247 menores com idades entre 10 e 17
anos, sendo que 80% das mortes estavam relacionadas com a venda e o uso de drogas, o numero de
viciados em crack, cocaína e maconha na capital paulista chega a 1.6 milhão” [18]

O Relatório Mundial sobre Drogas de 2012, contabilizou cerca de 230 milhões de
pessoas – 1 em cada 20 pessoas- tendo consumido alguma droga ilícita pelo menos uma vez em
2010. Também aponta que os usuários problemáticos de drogas, principalmente as pessoas
dependentes de heroína e cocaína, totalizam cerca de 27 milhões, cerca de 0,% da população adulta
mundial, ou uma em cada 200 pessoas.

Afirmou o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon:

“O abuso de drogas e o trafico de ilícitos continuam tendo um impacto
profundamente negativo para o desenvolvimento e a estabilidade em todo o mundo. Os bilhões de
dólares gerados pelas drogas ilícitas alimentam atividades terroristas e estimulam outros crimes
como o trafico de seres humanos e o contrabando de armas e pessoas. As drogas ilícitas e as redes
criminosas relacionadas enfraquecem o Estado de Direito, A impunidade com a qual esse negócio
se sustenta provoca grande temor e semeia a decepção com a governança em todos os níveis”.[19]
Interessante reportagem do sociólogo Glauco Cortez, foi publicada na revista Carta
Capital em 24 de abril de 2011:
“O pacto para a redução de homicídios, articulado pelo ministro da Justiça, José
Eduardo Cardoso, em parceria com os governadores, bandeira do atual governo, retoma o debate
sobre segurança pública em um contexto onde os índices não são nada agradáveis para o Brasil.
Segundo dados de matéria publicada pela revista Carta Capital o Brasil registra uma media de 50
mil cidadãos mortos por homicídio todo ano.
O número nos alça à posição de sexto país mais violento do mundo e, em meio a esse
caos, não há consenso em relação às causas da violência.
De um lado, ela continua sendo atribuída à desigualdade social, de outro à
impunidade e falta de endurecimento maior do Código Penal. No meio de tudo isso, está nosso
excelente sistema judiciário. O texto publicado na Carta Capital prevê que “na tendência atual, a
estrutura de segurança publica do País caminha para o colapso”. Isso se explica em função da
quantidade exorbitante que o país gasta com segurança publica, mas que não e revestida em nenhum
beneficio para a população. Ou seja, gasta-se mal na direção errada.
O fato é que o quadro da violência é muito mais amplo e sutil. A maior parte dos crimes, como
também mostra o texto, “vitimas jovens, negros e inseridos em contexto de vulnerabilidade e
conflitos interpessoais.. Disputa do crime organizado e envolvimento com drogas contribuem, em
média, com um terço das razões para o cometimento desses crimes”.[20]
7 Proposta de prevenção
Ao que tudo indica a solução para a redução da criminalidade e da violência não se
dará pela prática de policiamento aleatório, de acordo com pesquisas do Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID) não se trata eficazmente de uma medida preventiva, mas sim de uma forma
de controle.

A prática de crime e de violência é cometida por indivíduos, o que leva a crer que o
tema é muito mais complexo visto que a prevenção deve se dar no combate ao não surgimento de
novos sujeitos que virão a delinquir. A prioridade deve recair nas políticas públicas que possibilitem
a prevenção principalmente de crianças e adolescentes ao uso de drogas.
Enuncia Muniz Sodré:
“A contentação da violência só se institui com a moral moderna, cujos valores se
orientam no sentido do respeito formal à pessoa humana.” [21]
Complementa por sua vez o Filosofo Durkhein que as políticas públicas de
prevenção têm de ser executadas junto à infância, alimentando as crianças com valores que venham
ao encontro da valorização da vida, alimenta-las de valores positivos.
A problemática da criminalidade e da violência, como já abordada, esta diretamente
ligada a fatores sociais. Observa-se ser cada vez mais precoce o uso de substancias ilícitas
Durkhein contraria a tese do italiano Cesare Lombroso, explicita o seguinte
pensamento:
“Se pretende que a criança herde, às vezes, tendências muito forte para atos
definidos, como o suicídio, o roubo, o assassínio, a fraude, etc. Mais tais asserções absolutamente
não se coadunam com os fatos. Diga-se o que se disser, não se nasce criminoso, ainda menos, não
se é votado, desde o nascimento, a este ou àquele gênero de crime”.[22]
O uso nocivo de drogas representa não somente um problema criminológico, social,
mas também um problema de saúde pública. A principio existe uma divergência sobre o que deve
ser prevenido, há vertentes que defende a prevenção de qualquer forma de uso de droga, por outro
lado, os que defendem prevenir apenas o uso problemático.
A proposta do fator prevenção é identificar pessoas ou comunidades mais expostas
aos fatores de risco e proporcioná-las proteção, no entanto, observa-se que nenhum fator pode ser
considerado uma causa inequívoca de problemas ou falta deles, pois coisas que andam juntas não
têm, necessariamente relações de causa e efeito. É impossível separar os fatores de risco e de
assistência e analisar a importância de cada um e especificamente para o contexto.

Existem certas circunstâncias que são mais decisivas para o contato com
entorpecentes, como por exemplo, histórico de violência sexual, a idade com que se começa a fazer
uso, presença de doenças psíquicas como depressão e esquizofrenia, quanto mais cedo o individuo
se inicia, quanto maior a frequência, maior a chance de esse excesso trazer riscos, sociais e pessoais.
Verifica-se ao observar à sociedade e notícias divulgadas ao longo dos anos, que a
prevenção utilizada como meio “amedrontador” não surte efeito, um dos aspectos benéficos e
funcionais para prevenir esta questão é a educação promovida sobre o ambiente familiar, fora de
casa, a mais eficiente mostra-se como as mais especificas, ou seja, aquelas que levam em conta de
maneira mais particular as características do grupo abordado e sua relação com determinada
substancia, cada contexto envolve fator de risco e de proteção diferentes e requer abordagem e
linguagem apropriadas e especificas. Ou seja, direcionando e visar o amparo referente aos pilares da
sociedade, proporcionando consciência, conhecimento, ao invés de produzir políticas
“amedrontadoras”.
Pode ser considerado como fatores de riscos ao uso de drogas quando o uso for
realizado pelos pais no ambiente familiar, a falta de envolvimento afetivos, sentimento de rejeição,
dificuldade de desempenho na escola e no trabalho, vizinhança violenta, desemprego e falta de
acesso a educação e lazer, transtornos psíquicos, ou seja, fatores que levam à segregação e
diferenciação do individuo com a sociedade, aspectos não apenas pessoais, mas também a relação
do individuo sociedade. Por outro lado os fatores de proteção pouco associados a problema com
drogas é o cenário contrário, ou seja, pais que não usam droga ou fazem uso moderado, afetividade
no lar, relações sociáveis estáveis e duradouras, escola e trabalho como ambiente de crescimento e
realização pessoal, sensação de segurança, acesso à educação, trabalho e lazer e vivencia espiritual.
7.1 O papel do Estado na prevenção contra as drogas.
Dentro do contexto drogas e o papel do Estado, deve-se levar em conta os direitos
fundamentais de segunda geração que são os direitos sociais, momento em que o Estado passa a
intervir na economia, sendo o garantidor de condições essenciais de vida, como saúde e a educação.
A Constituição Federal guarnece em seu art. 5° dentre outros preceitos o direito a
igualdade, direito à vida conforme segue:

“Art. 5° Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade nos termos seguintes”. [23]
Desse modo verifica-se como garantia Constitucional a função do Estado em ser o
garantidor da educação, da liberdade, dignidade e saúde. A Lei Maior enuncia em seu texto que é
dever da família, da sociedade e do Estado assegurar esses direitos individuais à criança e ao
adolescente, principalmente referente aos programas de prevenção e atendimento aos dependentes
de drogas, conforme segue:
“Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao
adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à
educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à
convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência,
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”. [24]
Observa-se que o Estado tem a responsabilidade de prestar serviços públicos à
sociedade, visualizando um efetivo funcional para atender as necessidades dos indivíduos, ou seja, a
busca pelo bem comum. Para atingir sua finalidade, a administração pública guarnece de princípios,
conforme disposto no artigo 37, caput da Constituição Federal enuncia o seguinte:
“Art. 37. A administração publica direta e indireta de qualquer dos Poderes da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecera aos princípios d legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte”.[25]
O estabelecimento de programas sociais, de prevenção auxiliam a minimizar os
problemas sociais e permitem que muitas pessoas restabeleçam uma vida digna, e por outro lado,
tratando-se do dever do Estado de promover a saúde, o individuo que consume o droga, se expõe à
síndrome de dependência química, momento em que existe a necessidade física ou psíquica da
substancia, sendo portanto uma doença passível de tratamento, atribuindo-se assim, novamente o
dever do Estado em tutelar políticas que visem o tratamento, dos usuários.
O principio da eficiência, mostra-se eficiente no tema abordado, pois pressupõe o
exercício das atividades do Estado através da eficácia na prestação dos serviços realizados pela
administração publica, com resultados capazes de satisfazer as necessidades da sociedade, buscando
assim “promover o bem a todos”, através de instrumentos específicos para solucionar problemas
sociais da sociedade.
“Violar um principio é muito mais grave do que transgredir uma norma. A
desatenção ao principio implica ofensa não apenas a um especifico mandamento obrigatório, mas a
todo o sistema de comandos. È a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade,
conforme o escalão do principio atingido por que representa insurgência contra todo o sistema,
subversão de seus valores fundamentais.” [26]
A negação dos direitos básicos do individuo culmina com prejuízos para a sociedade
e não somente para o usuário de drogas, como verifica-se atualmente com o indicie de
criminalidade e drogadição. A raiz desta questão do aumento de usuários de drogas, poderia ser
atacada por políticas de prevenção, proporcionando educação, cuidado com a saúde, ou seja,
proporcionar uma vida mais digna.
A Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas classifica a prevenção em três
níveis:
a) Prevenção primaria: tem por objetivo evitar a ocorrência do problema
principal, ou seja, tratar de diminuir a incidência, prevenindo assim o uso da droga antes que se
inicie;
b) Prevenção secundaria: ocorre quando existe o consumo da droga;
c) Prevenção terciaria: quando já existe a dependência de drogas, incentiva os
usuários a procurar uma terapia adequadas, visando sua recuperação.[27]
Em nosso ordenamento jurídico a questão da prevenção está disposta no art. 18 da
nova Lei de Drogas:
“Art.18 Constituem atividades de prevenção do uso indevido de drogas, para efeito
desta Lei, aquelas direcionadas para a redução dos fatores de vulnerabilidade e riscos e para a
promoção e o fortalecimento dos fatores de proteção”.[28]
Podemos classificar as medidas de combate à narcomania em medidas (a)
preventivas, (b) terapêuticas e (c) repressivas, conforme se destinarem a evitar o uso de drogas,
curas as toxicomanias instaladas e punir os responsáveis pelo vício.
a) Medidas preventivas: são as mais importantes, porque visam evitara implantação do vício e
aplicam-se ao destinatário das drogas, isto é, à população em geral e ao fornecedor. Quanto ao
destinatário,as medidas preventivas devem ser educacionais e sociais, significando as primeiras um
conjunto de providencias destinadas a conscientizar a população sobre os malefícios da
toxicomania, e as segundas, a eliminação das condições sociais que favoreçam sua implantação.
Foram previstas nos arts. 18 e 19 da lei.
b) Medidas terapêuticas: instalada a narcomania, impõem-se as medidas terapêuticas, particularizadas
a determinado viciado, bem como medidas terapêuticas gerais que visem a facilitar a reabilitação
dos viciados em geral, muitas vezes ainda desconhecidos. As medidas terapêuticas particularizadas
são as recomendadas pela medicina especializada, salientando-se novamente que na cura da
toxicomania não basta a recuperação da dependência física ou crise de abstinência, mas deve ser
superado o conflito primário de base psicopatológica e que determinaria a reincidência, assim que
terminada a primeira desintoxicação, se não for eliminado. Este escopo será obtido pelo adequado
tratamento psicanalítico. As medidas terapêuticas estão previstas nos arts. 20 a 26 da lei
c) Medidas repressivas: a gravidade e extensão do mal social que é a toxicomania exigem a reação
estatal contra os que,de qualquer modo, forem responsáveis pelo tráfico ou colocarem em perigo a
saúde pública, disseminando ou facilitando a disseminação do vício. As medidas repressivas são
penais quando a sanção corresponde a pena criminal, e administrativa quando, visando a reprimir
abuso ou desvio de autorização na produção, manuseio ou distribuição de substancias controladas,
determinam a cassação da referida autorização. Na produção. Manuseio ou distribuição de
substancias controladas, determinam a cassação da referida autorização. Estão previstas nos artigos.
27 a 30 e nos arts. 33 a 47”.[29]
7.2 A Justiça Terapêutica
No final do ano de 1989, em Miami nos EUA, surgiu a chamada “Drug Court” que
tem por finalidade enfrentar as causas dos problemas relacionados com as drogas, os delitos
cometidos por estes infratores. No Brasil, dez anos depois, inicialmente no Estado do Rio Grande
do Sul, surgiu o Projeto da Justiça Terapêutica
A justiça terapêutica consiste em um programa judicial para atendimento integral do
individuo, adolescente ou maior, envolvido com drogas, visando à recuperação do autor da infração
e a reparação dos danos à vítima, ou seja, é tida como um instrumento judicial para evitar a
imposição de penas privativas de liberdade ou até mesmo penas de multa. Encontrou seu primeiro
amparo legal no Estatuto da Criança e do Adolescente , em um de seus artigos prevê que em razão
da conduta de uma criança ou adolescente, será aplicada medida de proteção
Com a Nova Lei de Drogas, em busca pela reinserção social do usuário de droga,
estabelecendo em seu texto medida educativa de comparecimento em programas e cursos
educativos como uma medida alternativa, indo este fato de encontro com os preceitos elencados
com a Justiça Terapêutica.
Parte assim o projeto do pressuposto de que a prática do uso de droga, seja um fatos
criminológico determinante e uma vez afastada esta situação, os delitos deixarão de existir.
Segundo pesquisa realizada pelo Centro Brasileiro De Informações Sobre Drogas
Psicotrópicas (CEBRID), da Universidade Federal de São Paulo, aproximadamente um quinto dos
brasileiros na faixa etária entre 12 a 65 anos, em 107 cidades com mais de 200 mil habitantes, já
experimentou algum tipo de droga ilegal.
A Justiça Terapêutica poderá ser aplicada nos casos de transação, suspensão,
condicional do processo e da pena, livramento condicional e pena restritiva de direto, alem das
medidas protetivas e sócio-educativas dos artigos 101 e 102 do Estatuto da Criança e do
Adolescente, bem como casos que revelem ocorrência de alguma espécie de violência.[30]
Ricardo de Oliveira Silva , procurador e presidente fundador na Associação Nacional
da Justiça Terapêutica (ANTJ) no Rio Grande do Sul, expressou o seguinte significado deste tema;
no Brasil a proposta onde a legislação seja cumprida harmonicamente com medidas sociais, com
tratamento às pessoas que praticam crimes onde o componente drogas, no sentido amplo, esteja
presente de alguma maneira, pode ser chamada de Justiça Terapêutica. A Justiça Terapêutica pode
ser compreendida como um conjunto de medidas que visam aumentar a possibilidade de que
infratores usuários e dependentes de drogas entrem e permaneçam em tratamento, modificando seus
anteriores comportamentos delituosos para comportamentos socialmente adequados.
Este programa, por parte de órgão ou unidade do judiciário, que confira, intermedeie,
encaminhe crianças, adolescentes e adultos usuários ou dependentes de substancias lícitas ou
ilícitas, a tratamento, em virtude de envolvimento com a justiça, visando assim, à redução de risco,
através de monitoramento judicial. O importante é a conscientização do individuo a respeito dos
danos causados a si ou a sociedade devido ao uso de drogas.
A Justiça Terapêutica vem como uma alternativa para evitar à prisão, uma vez que
esta não tem cumprido com seu papel de sancionar, reeducar o socializar o marginal, atualmente as
penitenciarias podem ser consideradas como “escolas do crime”.
Para Arnaldo Neto:
“A adoção desse sistema nos demonstra uma certa preocupação com a sociedade,
com a dignidade da pessoa humana, fazendo com que profissionais da área jurídica e da área da
saúde trabalhem juntos, com o mesmo objetivo comum: o de aplicar o Direito não só para fazer a
Justiça, mas na melhor perspectiva de também exercer a cidadania”.[31]
O custo do Estado despendido para desenvolve este projeto é mais barato do que
manter o individuo na prisão. Em estudo realizado por Arnaldo Neto, constata-se que o individuo
preso custa aproximadamente R$750,00 (setecentos e cinquenta reais) por mês no caso de prisão
comum, já o custo do tratamento desenvolvido pela Justiça Terapêutica apresenta o valor de R$
75,00 (setenta e cinco reais) por indivíduo.
Apelação Cível n. 70033238197, Oitava Câmara Cível, TJ/RS, Relator: Luiz Ari
Azambuja Ramos, Julgado em 08/04/2010.
“A Justiça Terapêutica encontra sustentação nos direitos fundamentais,
principalmente nos direitos à vida e à saúde e no principio da dignidade da pessoa humana, haja
vista que as drogas são lesivas ao bem-estar individual e à saúde pública.
De mais a mais, a justificativa social do programa encontra-se na problemática das drogas,
principalmente na sua interrelação com criminalidade e, ainda, nas grandes dificuldades
apresentadas pelo sistema punitivo, já que o consumo de drogas, em especial o crack, constitui um
grave problema social da atualidade que necessita de rápidas soluções.pequenas mudanças na
compreensão e na ação.
Ademais, a aplicação da Justiça Terapêutica, para que seja imediata, pressupõe
pequenas mudanças na compreensão e na ação dos aplicadores do Direito, como a realização de
atos estratégicos dos aplicadores do Direito,como a realização de atos estratégicos voltados para o
estabelecimento efetivo do programa e a definição de diretrizes e padrões a serem seguidos.
Desse modo, pode-se afirmar que a Justiça Terapêutica tende a ser um verdadeiro
remédio penal a ser aplicado na luta pela quebra do binômio existente entre as drogas e a
criminalidade, pois age diretamente na raiz do problema destruindo o vício do infrator-usuário, que
consequentemente se afastará da prática criminosa, voltando ao sei social”.[32]

7.3 A questão do crack
O crack, é uma mistura de pasta de cocaína com bicarbonato de sódio, geralmente é fumada e atinge
o sistema nervoso central em dez segundos e seu efeito dura de 3 a 10 minutos, apresentando
quadro de euforia, depressão e alucinação principalmente. Esta droga surgiu nos Estados Unidos na
década de 1980, nos bairros pobres de Nova Iorque e em Miami, no Brasil, chegou na década de
1990, e se disseminou inicialmente em São Paulo.
Flávio Gomes, valendo-se de dados estatísticos apresentados pelo Departamento
Nacional Penitenciário realizou um estudo comparativo o qual enuncia que 3.941 presos e uma
população de 732.793 habitantes, o estado do Acre foi o 21° colocados, em números absolutos,
dentre os estados com maior número de presidiários no Brasil. Considerado. No entanto, o índice de
presos a cada 100 mil habitantes, o estado lidera como o mais encarcerados do pais. O Acre
apresentou a taxa de 537,81 presos cada 100 mil habitantes. A maior de todos os estados. Superior a
estado como São Paulo (430,93), Mato Grosso do Sul (466,09) e Distrito Federal (382,76). Um dos
motivos do número elevado de presos no estado do Acre,pode ser atribuído às drogas,
principalmente o crack.
Esta droga apresenta um grande problema, que pode ate ser considerado de saúde e
não apenas jurídico. Pesquisa realizada no ano de 2011, pela Confederação Nacional dos
municípios, em 4.430 das 5.565 cidades brasileiras, o consumo do crack é de 90 %. No interior de
São Paulo cortadores de cana utilizam como energético.
Na reportagem divulgada na revista veja sobre o problema do crack diz que em
relação ao crack, as principais dificuldades apontadas pelas cidades dizem respeito à saúde,e
abrangem desde a falta de leitos para internação ate carência de disponibilidade de remédios. Em
segundo lugar, 58,5% dos municípios disseram ter problemas relacionados à segurança, como
aumento de furtos e roubos, violência domestica e vandalismo.
O uso desta droga, em sua potente dependência química, leva o usuário que não tem
capacidade econômica, a praticas delitos para obter a droga, levando aos indivíduos a abandonarem
família, carreira, por conta do vício.
O pesquisador Luis Flávio Sapori, no Instituto Minas pela Paz, realizou pesquisas
sobre o tema, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico, e
aponta que o crack é sem dúvida, um fator de risco para a violência urbana.
Este mesmo cenário, ocorre em Miami nos EUA, no anos de 1980 e 1990, era
maconha e cocaína,crack e heroína, nas chamadas “crack-houses”. A prisão e destruição destas
casas não foram eficientes no combate.
Um dos métodos mais eficientes foi a “Drug Court”, ao adotar esta medida
preventiva, houve uma redução de 33% de crimes cometidos e oito em cada dez dependentes que
chegam ao tribunal conseguem abandonar o vício, a taxa de homicídios no país de quase 10% para
cada mil pessoas, em 1990, caiu pela metade. Em Washington, o número de assassinatos caiu de
482 há 20 anos para 131 em 2010. Em Nova York, a queda foi de 2.245 homicídios em 1990 para
pouco mais de 500 em 2010.
O usuário que é flagrado com uma pequena quantidade de entorpecente, é preso,
passa a noite na cadeia e segue para o tribunal. Se é primário a juíza oferece ao individuo o
oportunidade para participar do programa.
O programa dura um ano, o individuo se submete a realizar exame de urina a cada
sete dias, ir duas vezes por semana no psicólogo e por fim participar de encontros com grupo de
narcóticos anônimos. A cada Us$ 1,00 gasto no tratamento, cerca de R% 1,70, o governo
economiza mais de US$ 3,00 em gastos com prisões. David Kahn, ex promotor de justiça que
trabalhou durante seis anos no Tribunal de Drogas, já esteve no Brasil, visitou a Cracolândia em
São Paulo para implementar o programa que hoje existe em 2,5 mil cidades no mundo.
No Fórum de Santana, em São Paulo, onde funciona o programa da Justiça
Terapêutica, confere a mesma chance para aquele que é flagrado com drogas, uma chance de trocar
a punição pelo tratamento. Afirma Mário Sérgio Sobrinho:
“Tanto a Corte americana quanto a justiça Terapêutica brasileira trabalham no
sentido de evitar que aquele que foi preso e teve problemas com drogas receba atenção na área
terapêutica para evitar a repetição do uso de drogas e novos crimes”. [33]
Atualmente, sabe-se que o Brasil, é o segundo maior consumidor de
cocaína e derivados do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, o nosso pais corresponde a parcela
de 20% do mercado mundial da droga, conforme pesquisa realizada pela Universidade Federal de
São Paulo (Unifesp). A presença da cocaína apresentou índice três vezes maior nas áreas urbanas,
com destaque para a região do Sudeste, com 46% de usuários, posteriormente Nordeste, Norte,
Centro-Oeste e por fim a região Sul.
O primeiro contato com as substancias entorpecentes começa cedo,
quase metade dos usuários tiveram seu primeiro contato aos 10 anos de idade, dos consumidores de
cocaína, metade tornaram-se dependentes, 30% alegam que pretendem parar e apenas 1% procurou
tratamento.
8 Conclusão
Desde os primórdios das civilizações a droga encontra-se inserida em nosso meio.
Com o advento de novas tecnologias e estudos no campo da farmacologia, desencadeou o
desenvolvimento de novas substâncias capazes de alterar as percepções mentais e físicas em busca
de prazer, adrenalina, seja para fazer o usuário fugir da sua realidade ou por mero entretenimento
Torna-se difícil atualmente, realizar o controle dessas substâncias, principalmente
das drogas sintéticas, por serem “novas”, não são classificadas como ilegais, proporcionando assim
a facilidade em obter entorpecentes no mercado do tráfico, como por exemplo, através de sites que
realizam a venda de drogas por “ delivery” .
Em vista deste cenário, da fácil obtenção e até mesmo, dependendo da droga, o baixo
custo, denota-se um número expressivo de usuários principalmente entre os jovens, independente da
fiscalização e proibição legal, realizando sua compra e consumo.
A procura por esse tipo de substâncias entorpecentes, se dá por fatores de exclusão
social, ausência de perspectiva de trabalho, estudo, melhorias no padrão de vida, conflitos
familiares, desilusões amorosas, bem como por simples prazer e diversão.
A evolução do número de dependentes químicos está acendendo e desencadeando
uma série de problemas de cunho social, jurídico, visto através de atos de vandalismo , crimes
relacionados com o uso de drogas. Assim como uma questão de saúde pública, visto o número
elevado de dependentes.
A situação apresentada é preocupante, pois se verifica que a política proibicionista não
logrou êxito, o tráfico de drogas continua vigente e, o número de consumidores continua crescendo.
Em consequência, muitos crimes são cometidos, em razão do uso de substancias entorpecentes,
como infrações contra o patrimônio, homicídios, dentre outros, ao cometerem práticas ilegais, seja
como um meio do usuário adquirir dinheiro para comprar drogas, ou consequência do uso,
aumentando a agressividade e ocasionando delírios
Constata-se que o sistema carcerário, não tem se mostrado eficaz para lidar com esta
situação, pois na maioria das vezes, ao invés de cumprir com seu papel de sancionar, reabilitar e
reeducar o indivíduo, acaba proporcionando um retrocesso comportamental e de caráter, pois o
cárcere é visto mais como” escola do crime” do que cumpridor do seu verdadeiro papel. O infrator
por muitas vezes, cumpre sua pena e continua utilizando entorpecentes, onde familiares se desfazem
de seus bens para saldar dividas com traficantes da prisão.
Assim, verifica-se que a política de prevenção pode ser uma esperança ao combate das drogas, e
consequentemente, diminuir os crimes cometidos pelo uso dessas substâncias. Deve-se atentar para
o motivo do problema e combatê-lo. O Estado, é garantidor dos direitos à saúde e à vida, devendo
assim proporcionar meios para cumprir sua proposta de prevenção da nova Lei de Drogas.





[1] Definição do conceito droga. Disponível em http://www.obid.senad.
[2] BRASIL Nova Lei de Drogas n° 11. 343 de 23 de agosto de 2006. Disponível
em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11343.htm
[3] TARSO Araujo. Almanaque das Drogas. São Paulo. Editora Leya. 2012 p.155

[4] RODRIGUES, Thiago. Narcotráfico: Uma Guerra Na Guerra. São Paulo: Editora Desatino.
2003. p.31
[5] FARIAS, Roberval Cordeiro. As Toxicomanias no Após Guerra. Boletim da Oficina Sanitária
Panamericana. Rio de Janeiro. p.584

[6] PIERANGELLI, José Henrique. Código Penal do Brasil. Evolução Histórica. São Paulo:
Editora Revista dos Tribunais.2001. p.60.
[7] GRECO, Vicente Filho. Tóxicos: Prevenção Repressão. São Paulo: Editora Saraiva. 2009.
p.61.
[8] BRASIL, Decreto n. 847 de 11 de outubro de 1890. Disponível em
http://www6.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=66049

[9] BRASIL. Decreto-lei n2.848, de 7 de dezembro de 1940. Disponível em
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91614/codigo-penal-decreto-lei-2848-40
[10] GRECO, Vicente Filho. Tóxicos: Prevenção – Repressão. São Paulo: Editora Saraiva. 2009.
p.63
[11] GRECO, Vicente Filho. Tóxicos: Prevenção – Repressão. São Paulo: Editora Saraiva.
2009, p.70
[12] GOMES Luiz Flávio, Nova Lei de Drogas comentada, São Paulo, Revista dos Tribunais 2006,
p.109
[13] VOLPE Filho, Clovis Alberto. Natureza residual do direito. In :III Encontro de Pesquisa da
Pós Graduação em Direito, 2004
[14] Acidente de Trânsito ocasionado por drogas. Disponível em http://tj-
sp.jusbrasil.com.br/noticias/2797410/justica-condena-motorista-que-dirigia-sob-efeito-de-alcool-e-
droga
[15] Jurisprudência acerca do crime de homicídio. Disponível
em http://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/21654100/recurso-em-sentido-estrito-recsenses-
61653520088260438-sp-0006165-3520088260438-tjsp
[16] PEREZ Oliva, Comunicacíon y Previnxíon de lãs drogodependencias, 1987,p.7
[17] MOTHÉ, Márcio Fernandes, Drogas e Criminalidade Urbana. Ministério da Justiça –MJ
Publicação de internet. Disponível em http://www.comunidadesegura.org/pt-br/DOSSIE-drogas-
um-desafio-latino-americano

[18] Disponível em: http://www.polmil.sp.gov.br/unidades/damco/drogas.asp

[19] Relatório da ONU. Disponível em: http://www.onu.org.br/relatorio-da-onu-mostra-que-cerca-
de-230-milhoes-de-pessoas-consumiram-drogas-ilicitas-em-2010/
[20] Disponível em Revista Carta Capital edição de 24 de abril de 2011
[21] SODRE, Muniz. Sociedade, Mídia e Violência. Porto Alegre. Editora Sulina. 2002

[22]DURKHEIM, Émile. Educação e Sociologia, São Paulo. 1978. 11° edição.
[23] BRASIL. Constituição Federal Dos Direitos e Garantias Fundamentais. Disponível
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm

[24] BRASIL. Constituição Federal. Da Família, da Criança, do Adolescente, do Jovem e do Idoso.
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm

[25] BRASIL Constituição Federal. Da Administração Pública. Disponível em
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
[26] DALLARI, Dalmo de Abreu, Direitos humanos e cidadania. São Paulo. Editora Modena. 2004.
p.47
[27] FEBRACT, 1998, p.44
[28] BRASIL Lei n. 11.343, de 23 de agosto de 2006. Disponível em
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11343.htm
[29] GRECO, Vicente Filho e João Daniel Rassi, Lei de Drogas anotada. Editora Saraiva. 2009.
p.40
[30] Poder Judiciário. Tribunal de Justiça Projeto Justiça Terapêutica. Disponível em
http://www.tjrs.jus.br/site/poder_judiciario/tribunal_de_justica/corregedoria_geral_da_justica/projet
os/projetos/justica_terapeutica.html
[31] NETO, Arnaldo Fonseca de Albuquerque Maranhão Estudos sobre a Justiça Terapêutica, 2003,
p.22.
[32] Jurisprudência. Disponível em http://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/21815280/apelacao-
criminal-acr-2012300215-se-tjse/inteiro-teor
[33] Disponível em http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1679015-15605,00.html