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XXIII Congresso da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música – Natal – 2013

Uma Discussão Acerca do Conceito de Arranjo

MODALIDADE: COMUNICAÇÃO

Rogério Carvalho

Universidade Estadual do Maranhão – rogeriocello@bol.com.br

Resumo: Este texto se dedica a discutir o conceito de arranjo. Sobretudo a busca de uma delimitação coerente para o termo “arranjo” como prática cotidiana na música popular brasileira. Para isso, consideraremos verbetes de vários dicionários como Grove (2000), Harvard (1999), Oxford (1994), Larousse (1998), (1999), Aurélio (1986) e de outras referências bibliográficas relevantes.

Palavras-chave: Arranjo. Conceito. Música popular brasileira.

A Discussion About the Concept of Arrangement

Abstract: This text is dedicated to discuss the concept of arrangement. Especially the search for a coherent definition for the term "arrangement" as a daily practice in Brazilian Popular Music. For this, consider entries from multiple dictionaries as Grove (2000), Harvard (1999), Oxford (1994), Larousse (1998), (1999), Aurelio (1986) and other relevant references.

Keywords: Arrangement. Concept. Brazilian popular music.

1. Introdução

Segundo as definições recolhidas do Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (1986), da Grande Enciclopédia Larousse Cultural (1998) e do Dicionário Larousse Cultural

da Língua Portuguesa (1999), o termo arranjo está associado à “ordenação”, “organização”, “boa disposição”, “arrumação”, “alinho” etc. Entretanto, no que tange ao arranjo musical essas mesmas obras de referência são unânimes em defini-lo como a adaptação de uma peça, criada para uma determinada formação, para outra diferente da original. No Dicionário Musical Brasileiro (1989), Mário de Andrade concorda com essas definições quando

conceitua arranjo da seguinte forma: “[

escritura de uma música para destinação

instrumental ou vocal diversa da que foi escrita” (ANDRADE, 1989: 25).

]

2. Conceito de arranjo

As definições vistas acima trazem consigo várias limitações, pois pensar o arranjo dessa forma é, simplesmente, entendê-lo apenas como uma “adaptação” ou “transcrição” de uma obra com o propósito de torná-la acessível à outra categoria de executantes. Assim

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sendo, a palavra “arranjo” certamente se confundirá com outros termos como “redução” (quando, por exemplo, faz-se a redução de uma ópera de Rossini para piano e vozes) ou “orquestração” (no caso, por exemplo, da peça para piano “Quadros de uma Exposição”, composta por Mussorgsky e posteriormente transcrita para orquestra, por Ravel). No Dictionary Oxford of Music (1994) o conceito de arranjo é definido da seguinte

forma:

Adaptação de uma peça para um meio musical diferente daquele para que tinha sido originalmente composto. Por vezes transcrição significa reescrever a obra para o mesmo meio, mas num estilo de execução simplificado. Por vezes usa-se o termo “arranjo” para um tratamento livre do material e o termo transcrição para um tratamento mais fiel. No Jazz “arranjo” tende a significar “orquestração”. (KENNEDY, 1994: 41)

Como podemos observar, este verbete se inicia tratando o termo “arranjo” como sinônimo de “transcrição”. Ele reforça o que já foi dito até aqui pelos outros verbetes, acrescentando outros usos como o de adaptação facilitada da obra para executantes de outros níveis. Entretanto, esse verbete ainda nos traz novas perspectivas para a compreensão do conceito de arranjo, quando explana sobre a possibilidade de o arranjo possuir um tratamento mais livre do material original enquanto que a transcrição tem um caráter mais fiel de manipulação da obra original. Na edição de 2000 do The New Grove Dictionary of Music and Musicians, o termo arranjo é definido de forma geral como a reelaboração de uma composição, normalmente para um meio diferente do original. O Grove completa fazendo uma observação importante: o arranjo seria uma elaboração de uma idéia original, mas normalmente com algum nível de recomposição envolvido. O The Harvard Concise Dictionary of Music and Musicians (1999) define o arranjo na música popular como sendo uma versão específica da composição. Tratando também do arranjo na música popular, o The New Grove Dicitonary of Jazz (1988) define arranjo como sendo uma reelaboração ou recomposição de uma obra musical ou parte dela, resultando uma nova versão da peça. O Grove of Jazz conclui que a prática do arranjo na música popular cobre uma ampla gama de possibilidades, que vão desde criar um simples acompanhamento de uma melodia cantada até a mais inventiva re-composição da idéia original. Samuel Adler, no seu The Study of Orchestration (1989), define arranjo da seguinte

forma:

O arranjo envolve em maior grau um processo composicional, pois o material pré- existente pode vir a ser apenas uma melodia, ou mesmo parte de uma, para qual o arranjador tem que criar uma harmonia, contraponto, e muitas vezes até o ritmo, antes mesmo de pensar na orquestração. (ADLER, 1989: 512)

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A definição de Adler para o arranjo destaca o aspecto composicional do processo criativo do músico que trabalha com uma obra pré-existente. O autor prossegue dizendo que a palavra arranjo deve ser empregada para caracterizar o processo recomposicional de uma peça original. Beatriz Paes Leme, na sua dissertação de mestrado intitulada Guerra Peixe e as 14 canções do Guia Prático de Villa Lobos – Reflexões acerca da prática da transcrição (2000) concorda com Adler e completa:

Fazer um arranjo pode envolver tarefas como concepção da forma, harmonização, composição de partes auxiliares – introduções, intermezzos, coda – criação de contracantos, etc, além, é claro da instrumentação e da feitura de uma partitura, se isso se faz necessário. O arranjador, portanto, absorve grande parte do trabalho que, no contexto erudito, costuma ser atribuição do compositor – e desse ponto de vista não é exagerado dizer que ele, muitas vezes, complementa o trabalho de composição. (LEME, 1999: 23)

Paulo Aragão, discutindo a prática do arranjo na música popular na sua dissertação de mestrado intitulada Pixinguinha e a gênese do arranjo musical brasileiro (2001), expõe alguns aspectos importantes dessa questão. Segundo ele, o reconhecimento de uma “instância de representação do original” é muito complicado, simplesmente porque, na prática, ao contrário da música erudita, não há “a partitura” e muito menos uma definição exata acerca dos elementos que constituem o “original” de uma obra. Aragão completa afirmando que a ausência desse documento original tornou o arranjo uma prática fundamental para a veiculação das composições. “Desta forma temos uma compreensão da prática do arranjo como uma forma de estruturação de uma obra popular” (ARAGÃO, 2001: 17).

3. Conclusão

Podemos concluir então que o arranjo é criado a partir de um material pré- existente, ou seja: a composição original. O arranjador possui liberdade no tratamento do material original, trabalhando-o do ponto vista recomposicional. Esse processo composicional tende a gerar uma nova versão específica, derivada da obra original. Resumindo de forma simples e objetiva tudo que discutimos até aqui sobre o conceito de arranjo, o regente e arranjador Samuel Kerr vem concluir a nossa discussão com a seguinte frase: “Quando você faz um arranjo, você compõe!” (KERR apud SOUZA, 2003: 158).

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Referências:

ADLER, S. The Study of Orchestration: Delaware Water Gap: Shawnee Press Inc, 1989.

ANDRADE, M. Dicionário Musical Brasileiro. São Paulo: EDUSP, 1989.

ARAGÃO, P. Pixinguinha e a gênese do arranjo musical brasileiro (1929 a 1935). Rio de Janeiro, 2001. Dissertação (Mestrado em Música). UNIRIO.

BOYD, M. The New Grove Dictionary of Music and Musicians. New York: Groves Dictionaries Inc, 2000.

CIVITA, V. Grande Enciclopédia Larousse Cultual. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1998.

Dicionário Larousse Cultural da Língua Portuguesa. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1999.

FERREIRA, A. B. de H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro. Editora Nova Fronteira, 1986.

KENNEDY, M. Dicionário Oxford de Música. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1994.

LEME, B. C. P. Guerra-Peixe e as 14 canções do Guia Prático de Villa-Lobos – Reflexões acerca da prática da transcrição. Rio de Janeiro, 2000. Dissertação (Mestrado em Música). UNIRIO.

RANDEL, D. M. The Harvard Concise Dictionary of Music and Musicians. Cambrige: The Belknap Press of Harvard University, 1999.

SCHULLER, G. The New Grove Dicitonary of Jazz. London: Macmillian Press Limited,

1988.

SOUZA, S. S de. O arranjo coral de música popular brasileira e sua utilização como elemento de educação musical. São Paulo, 2003. Dissertação (Mestrado em Música). UNESP.

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