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2ª Edição Eletrônica
Antologia
CÉLIA LAMOUNIER Coordenadora
Capa e Edição Eletrônica: L P Baçan
Outubro de 2009 Londrina - PR
Direitos exclusivos para língua portuguesa:
Copyright © 2009 dos Autores
Distribuição exclusiva através da Biblioteca Virtual "Célia Lamounier” e SCRIBD.
Autorizadas a reprodução e distribuição gratuita desde que sejam preservadas as características originais da obra.
Visite o site e conheça o trabalho de Célia Lamounier.
www.celialamounier.net
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ÍNDICE
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A Organizadora |
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Angela Bretas |
5 |
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Angélica Teresa Almstadter |
9 |
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Arlete de Andrade |
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Belvedere |
13 |
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Célia Lamounier |
15 |
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Cristina Pires |
18 |
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Elane Tomich |
20 |
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Fátima Marques da Cunha |
23 |
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Lizete Abrahão |
25 |
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lucelena maia |
27 |
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Rose Mary Sadalla |
29 |
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Simone Barbariz |
31 |
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Vanderli Medeiros |
33 |
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Gustavo Dourado |
35 |
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Haroldo P. Barboza |
37 |
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JF MARQUES |
39 |
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José Geraldo Martinez |
42 |
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Net 7 Mares |
45 |
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Plínio Sgarbi |
47 |
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Valdez |
49 |
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Vanderley Caixe |
52 |
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CÉLIA LAMOUNIER
Nasceu em 19.07.43, em Itapecerica, MG, onde reside atualmente, filha de Raymundo Nonato de Araújo e Isaura Lamounier de Araújo. Advogada, divorciada, aposentada TCE/MG, escritora e jornalista. Presidente Academia Itapecericana de Letras e Cultura. Sócia da Academia Municipalista de Letras de MG. Instituto Histórico e Geográfico de MG – IHGMG ( e + outras). Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil – AJEB. REBRA – ACLCL – AVBL Academia Virtual Brasileira de Letras. Vice presidente Clube da Serena Idade de Itapecerica, MG.
Obra Literária: Livros publicados:
Entardecer de Lágrimas - 1978 Cidades e Trovadores - 1982 Sirgas e Organsins – 1986 Itapecerica antologia l – 1993 Passo a Passo – 1998 Dicionário dos Padres de Itapecerica/2001 No site Avbl o livro virtual - Passo a Passo - 2002 Verbete – Dicionário de Mulheres de Hilda Hubner – RS Dicionário de Poetas Contemporâneos RJ/91(e + outros) Participação em 50 antologias nacionais com premiações
Sites com trabalhos da autora:
www.celialamounier.net www.celialamounier.hpg.com.br www.notivaga.com www.avbl.com.br - ensaios www.celialamounier.hpg.com.br www.itapecericamg.cjb.net www.blocosonline.com.br/literatura www.vaniadiniz.pro.br www.jamulher.hpg.ig.com.br www.usinadeletras.com.br http://planeta.terra.com.br/arte/ateneu
www.geocities.com/~rebra/autores/622port.html
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A letra Angela Bretas
A letra
em linha reta
cansou
de ser correta
retificou
sua meta
curvou-se
nas palavras
acentuou
sua lavra
retornou
ao ABC
e sem pressa
aprendeu
a soletrar
A letra
buscou
a vazão
da inspiração
aflorada
na calada da madrugada em que a fala perdeu valor
A letra
sem travas
se libertou
e moveu
de rebate
ao encontro
da partida
da despedida
dorida
pela ausência
5
presente
[imposta] da carência de si própria
A letra
virou verso
criou prosa
gerou temas
gritou em
maiúsculas
[e minúsculas] a fúria
abençoada
da
mente
já cansada
de buscá-la em versos vãos
A letra
presente
correu livremente ao encontro
da magia
da poesia
que aflorou
sem demora
na memória
A letra
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Conversando com as estrelas Angela Bretas
Diz para mim estrela brilhante Como faço para suprir a falta de um alguém Que me faz sentir completa, confiante
E me leva muito mais do além
Conta para mim estrela cadente
O que é que digo ao meu coração
Que agora encontra-se doente
Recordando uma doce paixão
Me mostra o caminho estrela-guia
E me ensina a lutar contra esta dor
Acabe com esta agonia Não me deixe morrer de amor
Ilumine meus caminhos estrela cintilante Ajude-me a acreditar em um sonho bonito Acabe com esta ausência distante Traga pra perto meu tesouro infinito
Me escuta estrela d'alva
Ouça esta prece de quem tanto precisa Que nasce do fundo d'alma
E eleva seu desejo de forma submissa
Não me deixa sozinha estrela do céu Faça eu acreditar no verbo amar Me enlace com seu sagrado véu
E me leve para bem longe, além do mar
Vem comigo estrela de luz Me embala em sua doce visão Seu brilho que tanto reluz Ameniza a dor da solidão
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Acredita em mim estrela distante Quando rogo por sua piedade Sua força é grande, é possante E pode me levar novamente ao encontro da felicidade
www.angelabretas.com
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Meu Quarto Angélica Teresa Almstadter
Meu quarto tem paredes Que me abraçam Tem cheiros que te lembram Meu quarto tem olhos Pra refletir em minh´alma Sua presença ausente Meu quarto chora sobre Minha cama Tua falta tão constante Meu quarto sussurra Aflito teu nome Em noites de saudade doída Só meu quarto conhece Minha ferida Meu quarto, meu claustro Meu céu, meu limite
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Esse homem Angélica Teresa Almstadter
Quem é esse homem Que me vem tão mansamente Me invade esfomeado Sorve minhas palavras Bebe em parcas doses Minha alma Minha calma Cala-me com beijos pedintes Insinuações razantes Afagos com requinte Espasmos ofegantes Quero esse homem Ansioso, doce Misterioso, monossilábico Meu homem, meu senhor Que me venha pela manhã Pela tarde ou na madrugada Peito nu pronto para o afago Lábios umidecidos sussurrantes Quem é esse homem De sorriso largo Voz insinuante Mãos inquietas Que me venha este homem fogoso À devorar minhas entranhas No leito do peito em flor Ardendo poesias transbordantes
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Afins desafinados Arlete de Andrade
Somos afins sem total afinidade, assim Caminha essa verdade, tentando encontrar nos restos o que resta para recomeçar.
Somos tão desiguais! E, em nossas diferenças tentamos alcançar o que nos une, o que nos põe lado a lado, em passos alternados.
Somos dois em um. Um ao meio, fracionados em desejos, em projetos Calcados um no outro
Somos corpo e alma. Por vezes mais corpo, Por vezes mais alma. Sem definição, Nos afinamos em acordes que só nós entendemos.
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Lamento Arlete de Andrade
Atravessa-me o peito Esta espada profundamente n’alma! Grande é o meu sofrimento! Esvai-se profusamente minhas forças. Se me atormenta o arrependimento, também não
Posso tornar a ver o passado, não tivesse ele, Quando presente, passado tão sorrateiramente. Era moço e tão belo; Tão faceiro e encantador! Dói essa ferida que não fecha, Incerto é o meu lamento
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É |
caminhar embaixo de um sol escaldante |
|
|
E |
mirar o oásis |
delírio! |
Pega-me pelas mãos o destino, e me conduz.
Deixo-me levar como um menino Pelas mãos da mãe. Ah! Se eu pudesse encontrar
O vento que soprava,
A mesma estrela que brilhava,
Quando eu, ainda livre, podia Caminhar a seu lado. Qualquer agonia de espera é melhor Do que o que não pode ser Estou em terra estranha, Num lugar onde não falam minha Língua, não usam meu costumes, Não vivem o que acredito. Sou culpada pelo que sinto, Condenada pelo que quero. Nem mesmo posso arrancar de mim Essa lâmina. Posta. Ainda que esmoreça se Arrancá-la morrerei.
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Senhora
Belvedere
Quando nos conhecemos eu tinha no rosto um colorido suave
e a minha voz
um quê de melodiosa. Sutis fragrâncias no ar.
O tempo passou.
Incontável. Hoje nos encontramos
e no meu rosto
ainda o colorido, mas mesclas de saudades
das coisas perdidas. Dizes que estou
a mesma.
Mas é outra a hora. Chamam-me Senhora.
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O camafeu
Belvedere
Tenho um camafeu muito antigo, adornado por minúsculas pérolas. Herança de minha tia mais bela. Não a conheci, senão pelo retrato em branco e preto, exposto na sala do casarão. Ela se foi muito cedo. Dela, além do camafeu, herdei parte do nome e, claro, sobrenome. De sua beleza, dizem, herdei traços. De sua simplicidade nenhum vestígio.
Ainda bem.
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D A N Ç A R Célia Lamounier
O corpo quer dançar
a música envolvente
relaxa, gira e anda
se entrega suavemente.
Nos braços de alguém desliga o pensamento roda só leve e fundo
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o |
mundo é muito lento. |
|
O |
som se faz silêncio |
|
o |
corpo sublimou |
voraz a dança vence
o peso acabou.
Pés a dançar
segue o som livre, acalma,
se entrega ao infinito
sinta voar – és alma!
não fala
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F R A T E R N I D A D E Célia Lamounier
Poeta eu sou a cantar, Poeta eu sou a escrever:
Ensino a ter esperança
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E |
ter amor de verdade. |
|
O |
futuro da criança |
Está na fraternidade Que vamos multiplicar Todos os meses do ano Porém, especialmente, ABRIL É CHAMA A BRILHAR
Porque vamos festejar
Ação da Fraternidade, Mostrando ao mundo de agora
A beleza essencial
Que está no cantar da hora Pleno de amor celestial, Solicitando a Jesus Para bem cuidar de todos, Cantando e agradecendo
A QUERER DIZER DE NOVO
Poeta canto a ensinar
E o mundo é meu na palavra:
Vida dos homens avulta Pelo poder da união
E de mãos juntas resulta
Maior glória e emoção, Os homens sendo um só corpo Envolvidos pelo amor Vão aumentando esta chama QUE JAMAIS SE HÁ DE APAGAR
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Porque vamos trabalhar Por um século de paz:
Vida feliz plena em Deus Trocando o sal pelo mel Que tesouros são os seus Momentos na terra e céu De amor e bens DIVIDIDOS. Seus e meus passos são nossos Passos firmes defendendo A LIBERDADE DO POVO
www.celialamounier.net
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Admoestação Cristina Pires
Por todos os meios, tentei-te explicar,
A tão minha maneira, de te amar.
Se o faço com fados cheios de amor, Tu dizes que gracejo com a dor.
Quando em letras, sangro o meu coração,
E me perco no luto, das horas mortas,
Tu replicas que o fiz com a intenção,
De fazer poesia, com linhas tortas.
Se pranteio na noite silenciosa, Padecendo das tuas longas ausências, Tu ousas chamar de vil mentirosa, Ás minhas mais profundas dolências.
Mas, quando a minha alma cai em pranto, Quando a outras dás o teu sorriso lindo, Sarcástico dizes : « Não é pra tanto ! » Só porque, por ti, ciúmes não sinto ?
Mas, agora, digo-te com clareza, Sem trajar um poema, ou um soneto, Que despojastes de toda a beleza, Um amor que hoje, já não te prometo !
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Cânticos do vento Cristina Pires
E o vento anunciou ternas saudades,
Murmuradas pelo Adamastor, Findaram eternas tempestades, Com líricos cânticos de Louvor.
Jubilei diante do teu amor,
Curvei-me ás tuas potestades.
E o vento anunciou ternas saudades,
Murmuradas pelo Adamastor.
Embalei nas amenidades,
E no calor do vento do Sul
Findaram eternas tempestades. Providência coberta de azul…
E o vento anunciou ternas saudades.
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Mergulho no Azul Elane Tomich
Disse-me um pescador Vindo dos mares do sul, Nunca mergulhe no azul Que o azul tem tonalidades, Que valem meias verdades. Às vezes tem tom de amor, Às vezes tem tom de dor
Nunca mergulhe no azul
Que o azul é esquecimento Labirinto de um tormento
O azul não tem norte ou sul
Azul é mais que o verde
É igual ao firmamento
É onde gente se perde.
Nunca mergulhe no azul Que lá não há cais de corais
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E |
tudo vira jamais. |
|
O |
azul nos deixa ao léu |
Que o azul não tem norte ou sul,
É onde morrem as baleias
É onde cantam as sereias.
Nunca mergulhe no azul Que o azul é maior que o mundo
É onde a gente vai fundo
Nas águas da emoção
Grandes ondas da paixão
O azul não tem norte ou sul
Mar e sangue são azuis.
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Nunca mergulhe no azul Que é onde se esvai a razão Sem o mapa do coração.
É onde as jangadas viram,
Buscando um eterno horizonte
O azul não tem norte ou sul
Nada que nos aponte.
Nunca mergulhe no azul Que é onde vagam os vultos De quem teve nada ou tudo, Piratas e pescadores
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O |
azul é uma arca de dores. |
|
O |
azul não tem norte ou sul, |
Busque em outra cor, seu reduto!
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Vitrine Elane Tomich
Na vitrine refletida Passando, me achei multidão Fita retrospectiva De vinho, sangue e paixão, feito fogos de artifício, De procuras sem indícios. Mas, verdade seja dita, Do mundo via sacra viva Refletidos Eram eus, tantos proscritos, Em graça de solidão!
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QUEM TANTO EU QUERIA Fátima Marques da Cunha
Quando encontrar no amor, aquele que suponho, Existir, além, dos anseios que antevejo, Na imagem indescritível, de tanto desejo, Não vou acreditar, pois tudo será sonho!
Esperei tanto o riso, de um amor sem medo, Que a demora, já não choro, e não sei se quero, Crer que ele exista, por isso não o espero; Se um dia ele vier, será o meu segredo!
E negarei a mim, pois não terei vontade De acreditar, um dia, que a felicidade pudesse ser tão simples, como eu já sabia;
E, à Vida, hoje suplico, como a uma amiga, cerrar-me os olhos, para que eu jamais consiga, reconhecer o olhar, de quem tanto eu queria!
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IREI TE AMAR Fátima Marques da Cunha
Encontrar-te-ei, quando sentenciar a Vida, em acórdãos supremos, a minha liberdade, de ver dos sonhos, somente a dor e a despedida, qual prisioneira, da eterna algema, que é a saudade!
Encontrar-te-ei nos sonhos, ou talvez no nada, sem que te procure, entre semáforos dispersos, virás, talvez, em luz, numa dessas madrugadas, feito sinal divino, há de iluminar meus versos!
E maior que o infinito, saberei te amar. Vou conhecer o mundo, no teu corpo a brincar, Na ousadia, da inocência descoberta!
E como argila ardente, nas mãos do escultor, render-me-ei a ti, absoluto senhor, que só me escravizando, há de me tornar liberta!
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Imprevisto Lizete Abrahão
Hoje eu ganhei um beijo Mais que um, se bem pensado
Prolongado
Um beijo de roçados Um beijo acompanhado De mãos indóceis voejando
Qual colibri a flor sugando
Deslizando
E que beijo bem beijado!
Minha boca já sente saudade Desse beijo de corpo tocado Que incendiou minha vontade
Assim
Ah! quase não resisto! Me deixou perfumada, tremendo,
Tal chama de fogueira ardendo Numa fraqueza de sede consumida Que eriçou minha gana de beber Sugar daquela boca tão fornida
A água que do céu me fez antever
Foi por acaso
Tomou forma de desejo feito o beijo Como o sol que desemboca na aurora Do esboço que se delineou ânsia divina Agora resta em minha pele seu cheiro.
E um quero mais agarrado à minha rima
Sabe-me a um tropel sem cavaleiro.
insaciado
pairando
de imprevisto
a volúpia dessa hora
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Simplesmente não te encontrei Lizete Abrahão
Tu que procurei a vida inteira
E que nunca tive em meus braços
Ah! te procurei por tanta ladeira
E apenas escutei meus passos
Nas ruas silenciosas te busquei
Até no mar fui ao fundo te pescar Mas eu no mar me afoguei Sereias mentiram pra não te achar Pousei nas pétalas das rosas Que um dia nasceram em meu jardim Mas elas caladas, silenciosas Despetalaram-se dentro de mim Voltei aos meus tempos de criança Pra indagar à menina iludida Mas ela, envelhecida esperança, Disse que tu já te foras pra vida Nos verdes ramos me sombreei
A descansar das minhas procuras
Sementes de ilusões germinei Brotando nas taças das loucuras Retomei na noite as minhas idas
Pra lua e estrelas chorei tua ausência Cantaram um poema de luzes e de vidas Para iluminar minha existência Até reflexo do espelho sem imagem Quebrou-se em mil pedaços Cada fração brilhou qual miragem Na hora rápida dos estilhaços Eu te procurei em tantos lugares Em cada canto deste mundo
E das esquinas fiz patamares
Do meu sonho, agora vagabundo.
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Florescer lucelena maia
Quando por algum motivo que nem precisa ser tão importante sinto-me vazia, longe, distante cheia de sentimentos confusos busco claridade, reflexo da serenidade no meu porto seguro, meu canto secreto onde me acho me acerto arrumo a confusão que me habita. Neste lugar em que muitos passam, não param, encontro a mais forte energia, a vibração para a vida. Nele sou grão, sou semente germino cresço vou embora, mas não demora retorno para florescer
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T A L V E Z lucelena maia
Amanhã
quando eu acordar
já não seja inverno
e a janela do meu coração possa ser aberta para você observar
que não foram alguns dias mas toda uma estação de frio,
flagelo,
abandono,
solidão,
hibernando e aprendendo
que uma pérola tem que ser desejável por sua preciosidade,
conquistada
por sua raridade
e amada
para que a porta do coração jamais seja aberta por outra mão.
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Poesias de mim Rose Mary Sadalla
Quando no silêncio da noite No adormecer da madrugada
Chega o vento soprando tua pele Me transformo em poesias
E faço nascer poemas de mim
Mergulho em devaneios e desabrocho
E como brisa morna e suave, estremeço
Nos pêlos da minha poesia nua
Me viro do avesso e padeço
Viro terra fértil e você meu grão Canto pra lua meus versos de delírio
E espero suplicante, deitada no chão
Que o vento me sopre de amor e paixão Sou estrela e lua sou mulher Sou sonho, verdade, sou real
Sou tudo que minha poesia na tua pele quiser Sou o vento soprando no corpo de mulher Que se tranca, move, geme e goza Fica grávida, imensa e plena
E quando a madrugada vem e o vento sopra
A pele em poesia se transborda
Fecho os olhos e me sinto levada pelo vento. Sou poesia que nasce de ti e frutifica Sou a terra que serve de lastro, No vento soprado, sou teu chão.
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Abra a porta! Rose Mary Sadalla
Se fechares a porta para mim Todo o meu carinho e amor vão ficar de fora
E, não poderei dizer-te o quanto posso te amar
Se fechares a porta para mim
|
O |
vento não poderá nos cantar uma canção de amor |
|
E |
nos embriagar com a suavidade de sua brisa |
Se fechares a porta para mim
|
O |
aroma das Rosas não perfumarão nossos aposentos |
|
E |
deixaremos de sentir o perfume de nossos corpos |
Exalando amor numa junção completa de embriagues total. E, então amor? venha! deixe esta porta aberta
O amor quer entrar sem resistências sem meandros.
Deixe que o vento nos encante e acarinhe nossos rostos Deixe que o perfume das rosas nos embriague deste amor Venha! me deixa estar dentro deste amor Te amo! deixe esta porta aberta.
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FAZER AMOR Simone Barbariz
Fazer amor não é a mesma coisa Que fazer sexo, transar, Acasalar, dar umazinha Ou quaisquer outras denominações que possa ter
Fazer amor não é algo assim:
Sem compromisso algum, Onde há um encontro casual
E um até nunca mais
Fazer amor é mágico,
É magia no ar,
Pura sedução no olhar
E prazer dos sentidos
Fazer amor é entrega total,
É pertencer ao outro
Inteiramente
Sem quaisquer restrições
Fazer amor é algo
Que muitas pessoas jamais o saberão Pois nem todas sabem
O que é este tal de amar
Fazer amor é comunhão de almas Fundindo-se e trocando luz, Fazer amor é sussurrar Mesmo quando se grita
Por isto sempre faço amor:
Entrego-me total e loucamente Ao homem que escolhi para Somar meus sonhos e dividir minha vida
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FRAUDANDO A DEMOCRACIA Simone Barbariz
Nas urnas, vergonha Nos concursos, corrupção A troca de favores, Não favorece somente políticos
Concursos públicos, vestibulares, Concursos poéticos Todos vítimas deste ato atroz De coleguismo, de companheirismo
Retrocesso no processo De onde nasceu a Democracia Fortes dores foram sentidas No parto desta menina
Tão moça e tão violada diariamente Por abutres sem escrúpulos Na sua busca vã Por sucesso inverídico.
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VOLTAS Vanderli Medeiros
Dei voltas nos versos Mexi em rimas tentei criar uma obra prima em frases desconexas Consultei o dicionário e enfeitei com sílabas, sinônimos, parônimos Somente para dizer te amo!
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Dispo-me Nesse Poema Vanderli Medeiros
Dispo-me nesse poema. Percorrerei com meu olhar um paginar de meu passado oculto do mundo Tatuarei como retrato as diásporas dos dias vividos apenas em meu pensar
Cada percurso será um lento paginar das pálpebras dormentes Em um eterno repensar e balancear
E nesse despir-me,
deixarei que a inércia do tempo real vivido, se perca nesse processo criativo e volátil
Novamente entre a luz diáfana me encontro com o alvorecer
E no tic tac das horas vou caminhando com o amanhecer,
que me pega mais uma vez nesse constante repaginar de minha vida e meus amores
Outra vez o medo de revelar nessa tatuagem poética
fêmea-mulher que está presa em mim, me faz pudica Amanheço novamente entre páginas mal definidas de minha vida Cubro com o amanhecer essa mulher que dorme em mim
a
!
34
Brasília Gustavo Dourado
Acrópole da Nova Era Acropolítica da Nova QuimEra!
Deusa fluminosa transascendente
Arquitextura em vôo
Fêmil megalopólen de Aquárius
Cibérpolis pantológica espiramidal? UniverSíntese do Novo Homem? PoliCenário do Sonho e do Prazer? Berço civilizatório do Cruzeiro do Sul? Fênix da Épocaelipse Revelação do UniverSer? Pantheon do Apocalipse Quintessência do terceiro milêneon
Cristalinda musalquímica
SereiaAtlante, pitonisa dévica
numinosa
?
O que será essa cidade?
www.gustavodourado.com.br
35
BrasiLíngua Gustavo Dourado
Laço em laço: enlace Pindoramafro: luzilázia A língua de Juca Pyrama Zumbi(u) Camoniânima Luxafra - tupiguarânia Morenua Rósea Sertântrica. Floresce(u) Latim por tintim:
Roma Romã: Proema D'África: Axé-Nagô Brasilis: Naturativa Antropofálica Mistura:
Frevo-fervor: Paraguaçú Línguímã: Modegrama: Nheengatu Por tu(guesa):
Faço-me errante ente Navega lume! Sempre nu navegante Trovejo o silên-cio do Universom Relampeando a Língua-gen Dos grãs Sertons: Lusíadas Veredas
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Meu ponto de apoio Haroldo P. Barboza
(Menção Honrosa – José Bonifácio – SP – maio/00)
Ouvi o bater cadenciado e abafado Do que parecia um pequeno tambor
Vi duas luzes brilhando no Universo
Parecendo estrelas iluminando o céu.
Adormeci colocando minha cabeça Sobre suave travesseiro sem adereço Senti o aroma suave de uma flor Que com certeza cresceu no jardim.
Mas o tambor era um forte coração Batendo firme, bombeando amor
As luzes verdes lembrando esmeraldas
Eram os belos olhos sob o véu.
|
O |
macio que me sustenta à noite |
|
É |
o colo da amada a quem me ofereço |
|
E |
o cheiro que vem do seu corpo |
Exibe o amor que ela sente por mim.
37
Testemunha ocular Haroldo P Barboza
(8º lugar Festival SESC-maio/99)
Do mais alto ponto das copas
O índio viu três naus à deriva
Encarou o líder das tropas
E disse na língua nativa :
Levantem seus altos mastros Abram velas aos doces ventos As ondas apagarão seus rastros No ano de mil e quinhentos.
Escrevam palavras de carinho Que expliquem o gasto feito
A carta seguirá caminho
Pois Caminha dará um jeito.
Não machuquem a rica terra Que dá orgulho à Natureza Bebam a água que vem da serra Apenas respirem o ar de pureza.
Carreguem algumas sementes Mas esqueçam o metal vil Se querem ver nativos contentes Deixem que eles explorem o Brasil.
As armas contendo ganância Provocaram gritos de dor Mostraram sua intolerância Diante do gesto de amor.
38
Parto poético JF MARQUES
Como sofre o poeta as dores da humanidade os amores sem resposta os embates da maldade mas o riso da amada
lhe traz o gozo fagueiro
e num clarão de beleza
ilumina o mundo inteiro.
O poeta é ser sofrido morre todo santo dia por desprezo ou abandono mas também tem alegria quando canta seu amor
e versos mil lhe entoa ora suave sussurra ora em brados reboa
Eis que a obra do poeta
|
é |
o fruto do seu amor |
|
e |
o coração em seu peito |
|
é |
ventre cheio de dor |
pois ele concebe poesia como se desse à luz
o sentimento profundo
que sua palavra traduz.
eus criou o passarinho
para trinar noite e dia
e deu ao poeta o dom
de cantar pela poesia
para que o homem louvasse
a graça, o amor a beleza,
a dor, a vida e a morte,
a magia da natureza.
39
E quem melhor compreende
da mãe o profundo amor que o poeta que pare
o verso com a mesma dor? se ambos tudo entregam
sem nada em volta esperar
o filho é irmão do poema pois é parto o poetar.
26/04/2002
40
Barcarola à sereia JF MARQUES
A onda que arrebenta na areia
Tão mansa, sussurrante aos teus pés
Partiu do horizonte que incendeia
E manda a ti louvarem as marés
Que bramem o seu amor jamais contido
Em nome de Netuno embevecido
E eu, pobre marujo enfeitiçado,
Escravo do teu canto ciciante
Vagando neste barco desgarrado Lutando pra tornar-me teu amante
O poeta enamorado da sereia
Só ouve o murmurar que o tonteia
O mar ficou salgado com o meu pranto
Gritando contra o vento que me afasta Mas a cruel magia do teu canto Destrói todo vivente que ele arrasta Em vão diz-me a razão que é loucura Render-me a este amor que é tortura!
Mais vale ser um deus por um momento Libando em teus braços a paixão Que leva a olvidar o sofrimento Que vai me destruir o coração Mas eu sei bem vingar-me, oh malvada! Farei de ti a deusa mais amada
E quando na areia encontrares
Aquele que te amou até à morte Verás que não há mais nos sete mares
O bardo que enfrentou a triste sorte
De amar-te pra sentires a extensão Da dor que brota só da solidão!
31/07/2002
41
DÁ-ME UM TEMPO José Geraldo Martinez
Dá-me um tempo , moça , para receber-te cá dentro. Tenho poeiras guardadas , dores mofadas , perdidos sentimentos
Dá-me um tempo ? Quero estar sorrindo para o novo amor bem-vindo . Repleto de flores na alma Dá-me um tempo , moça , tenha calma . Mal sequei meus prantos , mal calei minha dor . Deixa-me receber-te no mais sublime amor :
livre, leve e solto, de toda paz envolto ! Dá-me um tempo ?
A casa será tua , se quiseres ,
será a maior das mulheres , meu amor enfim Dá-me um tempo , moça , para cuidar de mim . Quero ser o abraço que sonhas , tuas lembranças risonhas Teu companheiro de colo . Dá-me um tempo para um vôo solo . Quero escolher os lugares que te levarei . Todos por onde passei ,
enterrando meu passado ! Dá-me um tempo para que as flores tenham brotado . Contigo voarei para o futuro, por enormes quintais sem muros Serei teu . Dá-me um tempo de limpar-me completamente , abrir-te a porta finalmente !
E no sorriso mais doce , dizer-te :
entra !
maestromartinez@terra.com.br
http://www.josegeraldomartinez.hpg.ig.com.br/
42
VOLTAREMOS! José Geraldo Martinez
Voltaremos juntos . Não é ficção ! Meu amor ! Voltaremos em nossa reencarnação ! Faltou-nos aquela viagem sem endereço por vários lugares do mundo . Andar na montanha russa , lembras-te ? Eu tinha um medo profundo ! Tomar um porre nós dois , faltou-nos. Prá fazer amor depois ! Esquecer de tudo no outro dia .
Não deu tempo, meu amor , um de nós partiria ! Fui eu de costume , como sempre apressado Desta feita, tu não levarias ! Sofri onde estou , vendo-te chorar
E teu rosto banhado, eu não pude beijar .
Sofri , não imaginas!
De ver a tua dor e dizer-te que a vida segue por aqui
E perdão, minha amada ,
sequer me despedi !
Mas foi num dia calmo e as flores dormiam
|
O |
vento com os arvoredos mexiam numa mansa sinfonia ! |
|
A |
lua entrava pela janela e cobrindo-me sentinela |
|
o |
corpo que jazia. |
Lembro-me no derradeiro instante de uma estrela cadente
Fiz ainda um pedido ! Deu tempo, amor , deu tempo
Para que reencarnes comigo !
E sei que em nome deste amor,
por tudo que sonhamos serei atendido ! Faltou-nos ver a neve , cobrindo as chaminés Estar numa ilha abandonada , olhando a maré ! Nosso último natal em uma casinha branca no pé da serra .
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E cobrir os teus cabelos
com flor da primavera! Tu dormias quando parti
Queria abraçar-te , não consegui !
Não foi como sonhamos Separados! Por azar.
Mas , onde estarei , velarei teus passos.
E te esperarei um dia , para um longo abraço
Voltaremos, não chores ! Lembras-te das boas notícias, serei teu novamente .
Terás uma vida feliz por aí em tua vida terrena
E eu , aguardando-te aqui , de vida plena !
Voltaremos , não chores ! Vendo-te assim , sofrerei .
Eterno é o ser
Sou, hoje , uma estrela em esplendor !
A carne efêmera
Eterno o amor !
do
mar nos levar .
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FLOR-DE-LIS Net 7 Mares
Te quero comigo, como eu sempre quis, Para, tendo-te presa, envolta em meus braços, Despir teus pudores com gestos devassos, Decidido a buscar meu troféu flor-de-lis.
Preencher com volúpia os cantos e espaços De teu corpo, a fazer-te minha meretriz; Ler nos teu olhos o que a boca não diz; Romper teus tabus, desatar-te dos laços
E, submetendo-te a estranhos compassos, Flagrar em tua face o róseo matiz De ver-se rainha em poses servis,
E, enfim, conquistada nos tons violáceos Das marcas dos beijos em pontos esparsos Flor despetalada, vencida e feliz.
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SONETO DO AMIGO Net 7 Mares
Amigo é o que está sempre contigo, Nas horas de sorriso ou de dor;
|
É |
o abrigo que, no frio, dá calor, |
|
O |
escudo que te livra do perigo. |
Na luta contra o mal que em ti reside,
É o teu pedaço bom, dentro do peito;
A quem, na luta, ofendes num mal-feito,
Mas sabes que dali não vem revide.
O amigo não tem sexo ou origem,
Idade, raça ou endereço certo, E pode ser, até, um "João Ninguém",
Mas, se precisas, ele está por perto;
É a solução das dores que te afligem,
Pedaço de tua alma em outro alguém.
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CHEGANDO AOS QUARENTA _Plínio Sgarbi
arrebento a casca dos trinta com alguns pêlos brancos entro para fase dos "entas" neste plano, a vida exige e sustenta encarar de costas o exame da próstata diminuir as doses no copo baixar a taxa de colesterol eliminar o teor dos cigarros. com requinte cuidar da barriga e namorar a menina de vinte
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fato
_Plínio Sgarbi
trato
meu hoje, fato lúcido e consciente estou em pré-posições proporções consistente adjacente insolvente impulso trato complexo, pseudológico (anti)céptico de você pulsando em contato com o meu ontem em sortidos e vertiginosos instantes do inconsciente espasmáticos estímulos psíquicos compulsivamente romântico do íntimo instinto erótico delirante
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No dia em que eu te encontrar Valdez
Quando eu te encontrar? O que faço? Dou-me à vertigem silente do abraço,
Ou fruo dos teus beijos o alvorecer? Se me deixo às carícias dos teus lábios,
Com certeza se irão os meus ressábios Nas fragâncias que soem acontecer.
Nem rejuvenecer nem envelhecer Vou, eu sei, sei que vou viver
A sensação de que serei eterno
Que voarei nas asas da ternura,
Agasalhado num colo de candura, Infenso aos rigores do inverno.
, Privar-me da razão ou ve-la fenecer.
Não é provável que vá endoidecer
Quero sentí-la num galope manso, Cada momento fruido alegremente;
O carinho pausado, docemente
Se apresso, verá
logo me canso.
Sim, quando te encontrar serei presente, Teus dias e tuas noites, tão somente
Os sonhos que querias, e serei saudade. Serei de tudo um pouco: a tua ilusão,
Aquele que te envolve o coração; Serei o anjo bom, a tua liberdade.
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Quando te encontrar serás meu mundo, A minha compaixão, meu eu profundo.
Não quero ver o tempo acorrentado. Que o deixem correr vertiginosamente.
Enquanto nos amarmos loucamente, Com certeza o veremos perpetuado
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S O L I D Ã O Valdez
Ah! solidão, silente solidão! Verso perdido, feito folha tonta, Nas cumeeiras negras da paixão.
Barco adernando na fraga ligeira; Abismos feros, fundos, abissais, Prenunciando a morte derradeira
É a solidão
Os elementos todos estertoram,
O coração se faz opalescente
Vem vindo mansamente.
Esturra, seca, medra a insegurança; Impõe-se o medo, fulgem as gazuas; Vai-se o vergel, as flores da esperança
Eis
Esfomeada, com os peitos lassos,
Sufoca sonhos, luz indiferença.
instalou-se sem pedir licença.
|
É |
cortesã, ocupa seu espaço |
|
O |
ninho faz na clâmide do ser, |
De cor escura, prenhe de mormaço.
Veste grinaldas, suscita pesares; Provoca dores incontidas, densas, Amortalhando, corrompendo os ares.
Vem vergastando tudo, de vencida, As ilusões, as forças, alegria; Gozo, prazer, e faz cessar a vida.
Ah! solidão, senhora da agonia! Deixa que viva este ser deserto Os solitários versos, a poesia
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Não Importa Vanderley Caixe
Céu e tempestade
É noite sozinha
Chove aqui nessa varanda Sem lua Sem verdades
E a alma se amesquinha
Nessa vida ciranda Nessa varanda
A chuva chove sozinha
Sem verdades Sem lua Eu não estou
O resto não importa
Se há verdades,
Se chove Se não há lua
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Quando a primavera chegar (lembranças da Ditadura) Vanderley Caixe
Quando a primavera chegar, eu olharei as rosas, mas os meus olhos estarão obnubilados /pelos grilhões do inverno passado. Minha mente estará demasiadamente sombria para receber a claridade do novo sol. Minha alma estará triste e dolorida /da última noite passada. NÃO me lembrarei que a nova estação em flores estará nascendo. Recordarei as noites de insônia, /os homens no cárcere padecendo. QUANDO o dia voltar, eu direi dessas noites de iniqüidades . Falarei dos que sofreram o flagelo em celas, dos que gemeram nus nas noites frias, /nas celas-fortes; do inverno queimando o corpo e a alma /dos prisioneiros castigados; da auto-mutilação; dos braços retalhados. Falarei da demência de homens sobre homens; da tortura abafada atrás das muralhas. QUANDO a primavera chegar, eu quero ter presente o inverno passado. Não esquecer essas noites que haveremos de impedir, do homem-besta sobre o homem.
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