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Jussara Maria Rosa Mendes Jane Cruz Prates Beatriz Gershenson Aguinsky

(Organizadoras)

" O Sistema Unico de Assistência Social: as contribuições à fundamentação e os desafios à implantação

edi
Porto Alegre, 2009

~

2009.Brasil.© EDIPUCRS. . Jussara Maria Rosa Mendes. . 5 bf'ecllpucra Av. 2009 Capa: Vinícius Xavier Preparação de originais: Suliani Editografia Ltda. Jane Cruz Prates e Beatriz Gershenson Aguinsky. Ipiranga. Assistência Social . Mendes. TI. I. Prates. m.Porto Alegre: EDIPUCRS.Porto Alegre . ~edi www pucr.RS . 6681 .br Proibida a reprodução total ou parcial desta obra sem autorização expressa da Editora. Aguinsky.981 Ficha Catalográfica elaborada pelo Setor de Tratamento da Informação da BC-PUCRS. ISBN: 978-85-7430-899-9 1.Prédio 33 Caixa Postal 1429 90619-900 .Brasil Fone/fax: (51) 3320-3523 e-rnail: edipucrs@pucrs. Iane Cruz. Beatriz Gershenson. CDD 361. Revisão: das Organizadoras Editoração e composição: Phenix Produções Gráficas Impressão e acabamento Dados Internacionais S623 de Catalogação na Publicação (CIP) O Sistema único de assistência social: as contribuições à fundamentação e os desafios à implantação / organizadoras. 269 p. Jussara Maria Rosa.

atuente em vigência. o sistema de eguridade Social brasileiro..dade de Serviço Social da PUCRS. bro do NEPES.Lei 8742). . Doutora em Serviço Social pela Faculdade de Serviço So~ da PUCRS. Coordenadora do NEPES . a partir da al inicia o processo de reorganização da assistência no país a necessidade de revisão dos conceitos assistencialistas que rmeavam o campo da política social. Em 1993 é promulgada a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS . oranda do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da PUCRS. professora do Programa de Graduação e Pós-Graduação da . propõe a consolidação da assistência .A política de assistência social e o Sistema Único da Assistência Social: a trajetória da constituição da política pública Berenice Hajas Couto * Marta Barba Silva * * Introdução A assistência social no Brasil assume caráter de política pública a partir da Constituição de 1988 ao compor. juntamente com as políticas de saúde e previdência. assistente social da FUndação de Assistência Social e dania da Prefeitura Municipal de Porto Alegre.Núcleo Políticas e Economia Social do PRPG da PUCRS.istente Social. A Política Nacional de Assistência Social (PNAS).

servindo também ao fisiologismo e à formação de redutos eleitorais [. em um contexto repleto de contradições e conflitos. d opressão colocadas pela sociedade capitalista (IAMAMOTO. patrimonialistas e de subalternidade que são consti1111 ivn no trato com a questão social 1 no Brasil. É preciso I uihrar que "a introdução da Assistência Social como políti.• A política de assistência social e o SUAS o Sistema Único de Assistência Social 33 social como política pública e direito social na perspectiva do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). tratamos aqui de uma espécie de 'cultura política' que nega a identidade social dos subalternos e seu pertencimento a uma classe.. é necessário compreender que está em I pula um tipo particular de configuração da relação entre o llreito público a ter acesso ao atendimento na condição de doidão. afiançada como direito d"finida como: [ . É preciso se ter claro que a Assistência Social é. vêm se apresentando como espaço propício à ocorrência de práticas assistencialistas e clientelistas. Muitas das inovações em curso na política de Assistência Social resultam de um longo processo de organização e lutas dos diferentes segmentos presentes em nossa sociedade. . . to do campo da política pública apresenta-se eivado de contradições. 1993. 1 um tipo particular de política social que caracteriza-se por: a)genérica na atenção e específica nos destinatários. 41). na Assistência Social. o carni1111/ para alterar a forma de pensar e processar a política de I I ência social foi árduo e repleto de contradições. 1992). porque voltada prioritariamente para o atenI 111 unstão social aqui apreendida como [arma de desigualdade social e tam111 como forma de resistência da classe trabalhadora frente a todas as ror11101. Esses pré-conceitos serão mais evidenciados no campo da Assistência Social.32 COUTO. particularmente. onde a .doiavanço. Em outras palavras. sendo esse um sistema público não contributivo. p. Trajetória da política de assistência social a partir de 1988 O caminho percorrido pela sociedade brasileira no tra- ção de que: do ponto de vista político. B. descentralizado e participativo que tem por função a gestão do conteúdo específico da assistência social no campo da proteção social brasileira. retoma-se a necessidade de analisar criticamente I.. mas também reitera as heranças históricas 1111. 111\ ponto é possível romper com as caraclerísticas clienI li. sua inserção na Seguridade Social. as intervenções no campo da política social e. B. 2004. Saúde e Assistência Social) vai buscar romper com a forma tradicional do trato do campo da proteção social brasileira e por outro é necessário o enfrentamento do enraizamento dos pré-conceitos que permeiam a compreensão corrente sobre o papel do Estado e da sociedade brasileira. a partir I.] a forma assistencialista como se apresenta a Assistência Social no Brasil pode ser analisada a partir da constata- om esse estoque cultural de suballernidade. Desse modo.'1 itutivas da cultura política brasileira" (eOUTO.. tas. em relação ao qual o debate tem sido revela dor de disputas por projetos societários diferenciados. b) particularista. e com ele a necessidade de se pensar a pobreza e o trato com ela. () ial da área da seguridade social incorpora uma inovaI J C nceitual. Recoloca-se com vigor o debate central quanto ao papel da política de assistência.].. tratamos de uma forma de ocultar o conflito e a resistência e de legitimar a dominação (YAZBEK.. esse sempre foi um campo adverso à categoria direito social.. uma vez que o preceito constitucional de "dever do Estado e direito do cidadão" não encontra um solo histórico propício. onde por um lado a garantia constitucional da Seguridade Social e do tripé que a compõe (Previdência Social. No Brasil. R.. M. SILVA. caracterizando como [. I I fi ).

o trabalho assistencial permaneceu por longo tempo a margem do debate político. M. De trajetória fragmentada. c) desrnercadorizável. assirn tem a tarefa de trazer para a arena política as demandas de grande parcela da população brasileira e o faz na condição de direito social.ntrahdade do Estado na universalização e garantia de direitos e de acesso a serviços sociais qualificados.sem que. ao mesmo teo:po em que propõe o sistema descentralizado e participatívo na gestão da Assistência Social no Pais. 29). do trabalho voluntário.juI1I1 ico e político . e (c) o caráter universalizante. 9). porque. p. sob a égide da democracia e da cidadania (YAZBEK. Questão que rebatia no entendimento com que era tratada a população mais pobre ~o ~rasil. desmercadori- Reconhece que há necessidade de um pacocíal. ao incluir segmentos sociais excluídos no circuito de políticas. colocando-a no rol de integração com as demais políticas sociais e principalmente econômicas (eOUTO. R. reconhecida como campo da benemerência. B. mas também aponta a ce.. Reconhece a assistência social como política pública. serviços e direitos. a LOAS não apenas introduz novo significado para a Assistência Social. Aponta para o caráter genérico da prestação dos serviços e identifica que o atendimento deva ser das necessidades sociais básicas. onde os direitos da população mais pobre devam r 'arantidos. (b) a definição de que é possível existir provisão soclal. Essa definição recoloca questões centrais no debate brasi! íro sobre o campo do trabalho assistencial. SILVA. sem força política para incidir nos orçamentos estatais. 1997. da não necessidade de instrurnentos de qualidade técnica e de eficiência política. p. E. portanto.• A polltica ~sistência social e o SUAS o Sistema ••I i uníversal. 1981) no trato com a população mais pobre. diferenciando-a do assistencialismo e situando-a como política de Seguridade voltada à extensão da cidadania social dos setores mais vulnerabiliz~dos da população brasileira. tratado como particularidade da esfera privada e institumlo-se com recursos insuficientes para. B. Inegavelmente. a Assistência Social transita de um cam1"1 IjU historicamente assenta-se na órbita da relação pessoI. Único de Assistência Social 35 dimento das necessidades sociais básicas. 1996. A legislação é fruto di' representações de interesses. acima de tudo. descaracterizando o atendimento as demandas dessa parcela da população do patamar de direito e desvinculando-as do embate da classe social. a se11 01 cio terreno público e afiançada como direito. pois a trajetória de política SOCIalbrasileira demonstra o desconhecimento sobre o II1odo e as condições de vida dessa população. Além disso. desde I Constituição de 1988. 160). direito do cidadão e dever do Estado. traz para arena política as demandas de uma par:e~a i~~ortante da populaçãO que anteriormente permaneCIa invisível. p. é preciso reconhecer que o favor estabeleceu-se como forma de sociabilidade (SCHWARZ. Apresenta-se como um documento juspolítico . seja necessário a contribuição financeira de quem é demandatário da política. 2004. A Assistência Social. Dessa forma. Telles (2001) aponta para a incivilidade no trato bras~lelro desse fenômeno social. para isso.que expressa "a reprodução de velhos em- . reforça o conteúdo universal de várias políticas sócioeconômicas setoriais (peREIRA. com a complexidade em lidar com as qunstões jurídicas e as do plano político. via legislação.34 couro. O campo da assistência social convive. que o Estado deva ter primazia na condução 11 política e que haja um compartilhamento das decisões I rem tomadas entre sociedade civil e Estado. Essa definição da política de Assistência Social engloba diversos aspectos inovadores: (a) a sua definição como política ~oclal. muitas vezes de difícil conI iliação. e d) universalizante.

A LOAS.Primazia da responsabilidade do Estado na condução da política de assistência social em cada esfera de governo (BRASIL. após 1111 árduo trabalho de pactuação entre todos os entes federa10. •'tJAS e a consolidação da assistência social como polítipública Na esteira do trabalho de consolidação da Assistência c li inl enquanto política pública. 5° .~peracionais Básicas. ' A política de assistência social e o SUAS o Sistema Único de Assistência Social 37 """'S um torno da questão social e de velhas resistências em 1I unslormar a proteção ao pobre em direito de cidadania" (PEI'EII'A. todas as políticas sociais que a compõe.I. pois com a promulgação da referida lei enfeixam-se. estabelern-se os novos parâmetros a serem instituídos no campo da eguridade Social. 2005. já 1Ie1 icavarn nas suas deliberações a necessidade de construirc 11m Sistema Único para a Política. por meio de organizações representativas.'. ampliando a discussão acerca dos direitos soiais no país. 2005). No entanto. são construídas na contramão do solo histórico assistencial brasileiro.uiva d direito". lin).. A PNAS define. onde a participação popular é essencial. a política de assistência vem sendo implementada em todo lira. li . direito do cidadão e dever do Estado e no seu artigo quinto apresenta as diretrizes que vão nortear sua formulação. que na sua constituição informam e publicizam regras de balizamento da organização e funcionamento dos sistemas. A partir de 1993. na perspectiva de consolidação dessas diretrizes e dos 111 iípios garantidores de direito que referendam a área. SILVA. juridicamente.36 couro. altera a condição de "ai tern. em 2005. e comando único das ações em cada esfera de governo. com vistas a garantir o atendimento às u-cessídades básicas dos segmentos populacionais vulnerahllizados pela pobreza e pela exclusão social" (BRASIL. . historicamente compreendidos 111 r unção da incapacidade para o trabalho ou vulnerabilida- Essas diretrizes. M. portanto.NOB2 que institui o SUAS. na formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis. 2002. . no seu artigo primeiro. Assim. Primeiro porque referendam a centralidade e primazia do Estado na condução da política. acrescida de redefinições teóricas e filosó- ricas que estabelecem um paradigma próprio para a política de a sistência. Por fim. políticas sociais brasileiras são regulamentadas publicamente pelas Nor- III. De 1993 até 2005.A organização da assistência social tem como base as seguintes diretrizes: I ..] I rr-ito de cidadania. B.Descentralização político-administrativa para os Estados. onselhos paritários e trabalhadores da área foram aproICla a Política Nacional de Assistência Social (PNAS) e a CII'lUa Operacional Básica . A saber: Art. então a Assistência Social como "[. 70). p. l"fLuais e as Nacionais realizadas na vigência da LOAS. define a assistência social como política de seguridade social.. III . quando foram estabelecidos os preceiI para estabelecimento do Sistema Único de Assistência Soli. impõe a necessidade de controle social. conforme a Constituição de 1988. além de anunciar a necessidade de pactuação entre os entes federados. Introduz nessa definição a clareza de política asseguulora de direito social e aponta para a parcela da população II qual ela é destinatária. a partir das deli"fll ações das várias conferências realizadas.B R. com a aprovação da LOAS.Participação da população. as Conferências Municipais. o Distrito Federal e os Municípios. il. Altera a lógica que regula a insero dos sujeitos na política.

43). a teriitotialização. bem 1111110 ge. B. [. 2005). onde a federação brasileira é penIda nas suas particularidades. grande porte e metrópoles. de gênero ou por deficiências. M." a descentraJização "j. recuperando a ideia de grupo familiar e não de IlId ivíduo isolado. p. 2006. a Política define àquelas situações vulneráveis acrescidas da dimensão de exclusão social. étnicas. independentement~ ~os formato~ ~u model~s assume. Assim.' que dela necessitarem. mantendo-o incluído no sistema social a despeito de estar acima da linha de pobreza. evitando que o cidadão resvale do patamar de renda alcançado li perca o acesso que já possui aos bens e serviços. A vulnerabilidade. projetos e benefícios de proteção fi( ial básica e. 41) e a d~limitação oIll I rri tório enquanto um elemento que busca "agregar ao conhecimento da 11\111 idade a dinâmica demográfica associada à dinâmica sociolerritorial em I urso" (BRASIL.relacionais ou de pertencimento social (discriminações etárias. ampliando o acesso aos bens e serviços socioassistenciais em 11 as urbana e rural. que impõe pensar a política a partir das demandas I'''' são colocadas e das potencialidades e necessidades de .) uma racionalidade política que inscreve o campo da gestão da assistência social. privação (ausência de renda.. doe rr nt federativo. violação de direitos e perda de vínculos simbólicos e/ou afelivos. famílias e grupos que se enconIrnm em ituações de vulnerabilidades e riscos sociais. Trata-se da forma racional como o sistema é compreenI do e deve ser estabelecido no território nacional. a PNAS estabelece dentre seus objetivos: pro'I • erviços.• A política de assistência social e o SUAS Único de Assistência Social 39 dos ciclos geracionais. dando uns iquência ao aprimoramento da legislação e dos direitos I mrantidos pela LOAS. programas. destina-se à população que vive em situações "decorrentes da pobreza.a coletlv~dade. entre outras). serviços e direitos usufruídos pcl demais segmentos da população. segundo o conceito definido na PNAS (BRASIL. SILVA. antes de iniciativa isolada de cada ente 3 di'. (c) Promoção: promover a cidadania.2005. 111-112).38 o Sistema COUTO.. 11 queno. p. a NOB/SUAS apresenta o regramento para a constituição do Sistema Único de Assistência Social. B R. Essas funções ao se integrarem cumprem o papel de resgatar e concretizar direitos antes negados.. (d) Proteção: atenção às populações excluídas e vulneráveis socialmente. definindo-se em municípios t. O SUAS deve estruturar-se a partir II 11 cessidades básicas da população e responder de forma uucreta a essas demandas. precário ou nulo acesso aos serviços públicos). orientando-se agora 1" LI inclusão de cidadãos.2005. Como base de organização propõe: a matricialidade soI /llfamiliar. p. médio. Entendendo 1"0 a estruturas devem estar assentadas na leitura dessa relhlade. é mediadora das relações entre os SU)elt~se. operacionalizadas por meios de ações de redistribuição de renda direta e indireta (BRASIL. uma das formas de proteção social não contributiva. a uma compreensão política unificada dos três entes federativos quanto ao seu conteúdo (serviços e benefícios) que competem a um órgão público afiançar ao cidadão (SPOSATI." Estabelece como funções da política: (a) Inserção: inclusao do destinatários nas políticas sociais básicas proporcionando-lhes o acesso a bens. contribuir com a inclusão e a equidlld dos destinatários da política de Assistência Social. como responsabilidade de Estado. e/ou fragilização de vínculos afetivos . deli111 tando continuamente os deslocamentos entre o publico e o privado. 33).adora de modalidades comunitárias de vida" (p.. Por risco social.lundo a PNAS a "família. sendo: [. 1 11'11' . ou especial para famílias. indivíduos e grupo. eliminando relações clientelistas que não se pautam por direitos e que submetem. (b) Prevenção: criar ap ios nas situações circunstanciais de vulnerabilidade. fragmentam e desorganizam os destinatários e.) é uma forma pactuada que refere o processo de gestão da assistência social. Ida esfera na construção do Sistema. Portanto.

40 couro. situação de rua. 2006). A proteção 1'0 ial destina-se a atender as famílias e indivíduos que se ncontram em situação de risco pessoal e social." A territorialização aparece como elemento articulador do sistema. de necessidades de estudos e diagnósticos e de transparência nos dados que devem oferecer subsídios onde se assentam as propostas para a área e. o acesso da população ocorre atra. 2005). abuso ual. uso de substâncias psicoativas. sim. Pensar o territó5 como campo das expressões da questão social que deman1\1 por Assistência Social. porém nesse novo moviJl1 n to pactuada pelos entes federados entendendo-se suas r SI' n abilidades frente a política de Assistência Social. O SUAS recoloca a necessidade do controle social e da uti ipação dos usuários para a sua efetiva implantação.. Houve um esforço no sentido de mapear os dados de realidade. 87. d uma única "porta de entrada" estabelecendo uma rede I. através das proteções afiançadas: 101 ão social básica e especial. a informação. r ompõe o debate sobre o financiamento da política. . cumprimento de medas sócio-educativas. M. 2005). tanto das demandas como das potencialidades de respondê-Ias para que o sistema fosse pensado em bases reais e objetivas. SILVA. por ocorrênI de abandono. apres ntando a necessidade de pactuação e de destinação orçamentária para o Fundo pelas três instâncias de governo. uma vez IP o trabalho articulado da Assistência Social deverá dar ihilidade às demandas na constante interlocução com toda I idade. monitoramento e avaliação. Portanto. Essa radiografia foi. Destina-se à população que vive 111 situação de vulnerabilidade social decorrente da pobreI. Esse talvez se apresente como maior desafio nesse campo tão atravessado por falta de pro- Em artigo publicado na revista Serviço Social &' Sociedade (n. situação de trabalho uluntil. visa assim construir uma oferta capilar de serviços baseados na lógica da proximidade do cidadão e localizar os serviços nos territórios com maior incidência de vulnerabilidades e riscos sociais para a população. no Sistema. reveladora de alguns dados persistentes no campo da política pública que ainda não foram ultrapassados. estabelecendo novos patamares de regularidade. B. inclusive. com urgência de estabelecer parâmetros técnicos substantivos. ações e benefícios organizados por níveis de com\1'. privação e ou fragilização de vínculos afetivos. S irviços. a V Conferência Nacional trabalhou na perspectiva de ter uma radiografia dos municípios brasileiros. a Política de Recursos Humanos. entre outras (BRASIL. recompondo a disputa pela riqueza socialmente nduzida. B. A proteção social básica prnsenta como objetivos prevenir situações de risco por meio • potencialidades e aquisições. imposta desde a LOAS. é colocar densidade política para nr as mais vulneráveis das cidades e metrópoles. Recomenda-se a leitura. Para a implementação do SUAS. Define-se como política pública que requisita serviços de qualidade e profissionais capacitados para oferecê-Ia e. idade e articulados. maus tratos físicos e/ou psíquicos. Aldaíza Sposati aponta para esses dados. com comando único em cada esfera de governo. e o fortalecimento de víncuI familiares e comunitários. a potência dos Conselhos e das Conferências como pa os privilegiados de construção da política retoma força I p rspectiva do Sistema que reitera aquilo que já é deterurna âo legal a partir da LOAS.• A politica de assistência social e o SUAS o Sistema Único de Assistência Social 41 político-administrativc. por fim. rompendo com a forma tradicional de atendimento da área. portanto. relaciolãs de pertencimento social (BRASIL. R.

ou seja. compõe um grande desafio já anunciado na onstituição de 1988 e na LOAS em 1993. 2005. o cená- rio público brasileiro está atravessado por alternativa~ ~~tagônicas de futuro. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate À Fome. É nessa perspectiva que se reconhece o SUAS.. B.. é preciso lembrar que: Entre o pesado legado de tradição autoritária e excludente e as mudanças em curso no mundo contemporãneo. Conflitos e negociações 110 Brasil contemporâneo. p. Renovação e conservadorismo 1/1 no serviço Soei- nsaios críticos. I' LI. ] (PAGU. A afirmação do Sistema enquanto gestão e garantia de direitos sociais no campo da assistência social exige um reor- dl'llamento que ultrapassa as questões previstas nos instruIIII!IÜOS legais que o formalizam. É claro. ESCO- .42 couro. Embora várias tentativas tenham sido feitas no sentido de desmobilizar e enquadrar burocraticamente o movimento pela consolidação da política. V.. 114). 2004.ocla! que t~nha como medida o reconhecimento e generahzaçao de direitos e. C.. para incidir na criat . de outro. é preciso recolocar o debate obre o espaço da política no campo do acesso ao excedente do capital como forma de garantir vida digna a todos os cidad. R. São Paulo: Cortez. TELLES. V. um forte movimento para o reconhecimento dessa polílica como política pública e asseguradora de direito social.. 1988. embora insuficiente. O direito social e a assistência social na sociedade brailoir«: uma equação possível? São Paulo: Cortez. enquanto política pública vem tentando colocar na arena política esse debate. aS'posslbilldades de uma regulação democrática da Vida s. 1992. 2004. SILVA. há. TELLES. na contramão. B. no esforço coletivo da sociedade e do governo para consolidar de forma clara c transparente a explicitação desse Sistema. E. . Brasília: Se- I" taria Nacional de Assistência Social. M. B. "olfUca Nacional de Assistência Social e NOB-SUAS.• A politica de assistência social e o SUAS o Sistema Único de Assistência Social 43 tagoni mo de seus usuários 50' alo dos. In: ALVAREZ. M. I Cerências BRASIL. ' necessário mais que isso. Portan1o. temas a serem enfrentados por to los que estão envolvidos com o debate. de um l~do. "incorporar a legis1. Afinal. e pelo uso cliente lista dos recur- De rafios para a sociedade brasileira na perspectiva da malerialização do SUAS Materializar a política de Assistência Social na vida da população brasileira que nela tem o direito de ver atendida suas demandas. que p irrnanecem muitos desafios. I:() TO. tem buscado reproduzir essa forma de conceber a sociedade em tudo aquilo que diz respeito ao acesso dos mais pobres ao que é produzido coletivamente. I MAMOTO. A Assistência Social. Uma sociedade marcada por profunda desigualdade e também por uma naturalização de um mundo dual e pouco receptivo ao debate do acesso à riqueza socialmente produzida.. e de perpetuação em muitas experiências de espaços para formas despolitizadas e caritativas. p. Brasília: «nado Federal. Direitos Sociais. M.IuI à vida da população pobre brasileira é necessariamente 11111 dos caminhos. contrapondo.176).IO brasileiros. 2000. S. propostas neoliberais que r~presentam uma tentativa de privatização das relações sociais pela recusa da mediação pública dos direitos e esferas de representação I.li) de uma cultura que considere a política de Assistência ocial pela ótica da cidadania" (Couto. DANIGNO. Constituição da República Federativa do Brasil.

Brasília. M. Classes subalternas e assistência social. TELES. 19. Cultura e política nos movimentos sociais latinos americanos. São Paulo. M. s/l. SPOSATI. n. Ao vencedor as batatas. Cadernos Abong. A. 2. In: BRAVO.. (Org. SCHARTZ. n. Brasília: Thesaurus. 2000. ___ . 1997. P. ___ . Belo Horizonte: Novas Leituras. 11. p.44 couro. Serviço Social &' Sociedade. Globalização. 2001. ___ . Sobre a política de assistência social. out. A. V Pobreza e Cidadania. YAZBEK. (Org. A. Cadernos do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares . R. n. Política social e democracia. . São Paulo: USP. Política de assistência social no Brasil: avanços e retrocessos.). SILVA. São Paulo: Cortez.). PEREIRA. O primeiro ano do Sistema Único de Assistência Social. M. 96-122. C. R.• A política de assistência social e o SUAS BAR. 87. ed. precarização das relações de trabalho e seguridade social. Cortez. out. B. B. PEREIRA. UFMG.1981.CEAM/UNB. 2006. São Paulo: Duas Cidades. A. ano 3. São Paulo: Cortez. 1996. Rio de Janeiro: UERJ. A assistência social na perspectiva dos direitos: crítica aos padrões dominantes de proteção aos pobres no Brasil. P. 2001. L. 1993. 2002.