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Câmpus de São José do Rio Preto II o a r n e u t
Câmpus de São José do Rio Preto II o a r n e u t

Câmpus de São José do Rio Preto

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PROGRAMAÇÃO & CADERNO DE RESUMOS

25 a 27/06/2012

II Colóquio Narrativa Contemporânea Em Debate

25 a 27/06/2012

PROGRAMAÇÃO

25/06
25/06

09h30min. – Distribuição de Material aos participantes

10h30min. – Conferência

Anfiteatro I

Comunidades inventadas na Literatura Portuguesa Contemporânea Profª Drª Lílian Jacoto – FFLCH-USP

Resumo: A partir de uma discussão a respeito do pacto social da arte e sua crise no mundo contemporâneo, recortada da narrativa Os Teclados, de Teolinda Gersão (1999), pretende-se discutir a literatura do século XX em Portugal através da análise de comunidades interpretativas geradas no mundo ficcional. Tomar-se-ão dois exemplos: a Comunidade de Maria Gabriela Llansol; e O Bairro, de Gonçalo M. Tavares. Palavras-Chave: Arte; Comunidade Interpretativa; Crise; Debate Literário; Ficção Contemporânea; Literatura Portuguesa.

14h – Diálogo entre pesquisadores I

Sala 11 – Bloco C

A poética da escrita em Água Viva, de Clarice Lispector Dda. Adriana Monteiro Piromalli Guarizo – PPGLetras–Unesp/SJRP

Resumo: Pretendemos investigar um elemento fundamental na obra de Clarice Lispector que diz respeito às relações sujeito de linguagem e escrita, passando por suas implicações. Para tanto, intenta observar como tal relação está posta em alguns de seus romances, contos e crônicas e, por fim, em Água viva. Em virtude de portar, como texto, dois modos de escrita: uma mais “conformada” às convenções de gênero (que, consequentemente, são também convenções de crítica, de público leitor e, até mesmo, de mercado, pois livros também precisam ser vendidos) e outra mais rebelde a tais convenções, constituída por inovações, transgressões às exigências, não apenas de gênero, mas também de crítica, de público leitor e de mercado (pois a arte também vive da recusa a ceder às demandas deste), é que Água viva constituir-se-ia como um núcleo privilegiado de reflexões, ou a culminância dessa problemática temático-formal, a qual estão vinculados os principais valores da poética

clariciana, o que justificaria o título “A poética da escrita em Água viva”. A partir dessas considerações, o que se impõe a esta pesquisa é o estudo do projeto literário da referida autora, como algo marcado pela tensão entre os dois modos de escrita: o “fazer literatura” e o “escrever”, cujo ápice da afirmação da segunda escrita sobre a primeira se dá em Água viva, devido a alguns procedimentos que serão explicitados, nesta teses. Desse modo, a partir da leitura deste livro, seria possível “rastrear” e “pinçar”, em outros textos de sua obra, fragmentos dessas reflexões de uma autora que escreve refletindo e discutindo com o leitor sobre o que faz, portanto, reflexões de caráter metalinguístico. Palavras-chave: Água viva; Clarice Lispector; Escrita; Literatura brasileira; Projeto ficcional; Prosa.

A escrita em cena no texto de Llansol Dda. Karina Marize Vitagliano – PPGLetras–Unesp/SJRP

Resumo: A obra da escritora portuguesa contemporânea Maria Gabriela Llansol esquiva-se de qualquer tentativa de encarceramento, fascinando- nos justamente por sua feição fluida e vital, que transforma terrenos outrora fixos em universos móveis, criando um texto que experimenta as suas potencialidades linguísticas, colocando o próprio ato de escrita em cena. Como diz Llansol, em Parasceve: puzzles e ironias (2001, p. 9), “as palavras estão a andar”: elas se deslocam pelo texto, desprendem-se do dicionário, deslizam pelas páginas, provocando um turbilhão imagético que rompe com o caráter imotivado do signo, fazendo com que a imagem acústica não seja a representação do objeto, e sim a sua apresentação. Palavras-chave: Cena; Escrita; Experimentalismo; Gabriela Llansol; Imagem; Representação.

14h – Diálogo entre pesquisadores II

Sala 12 – Bloco C

As dimensões do texto de Maria Gabriela Llansol Mda. Winnie Wouters – PPGLetras–Unesp/SJRP

Resumo: Neste trabalho, visamos discutir as dimensões temporais e espaciais que configuram a escrita de Maria Gabriela Llansol em texto, já que o modo muito particular de composição da autora faz com que seu texto seja não um medium para um outro universo, consistindo em um espaço escritural em que as figuras caminham pelas páginas dos livros por meio do movimento das palavras, e o pensamento se irradia, não seguindo em linha reta. Para tanto, fundamentar-nos-emos na perspectiva metaficcional trazida por Hutcheon (1984) e Waugh (1984), que implica observar a obra a partir de seus apontamentos autorreflexivos e autoconscientes. Como objeto para a análise, selecionamos O jogo da liberdade da alma (2003), que praticamente anula a narratividade em

função da reflexão sobre o próprio desenvolvimento do texto, e, por vezes, recorreremos também ao “diário” de Llansol, Um falcão no punho (2011). Palavras-chave: Autorreflexividade; Escrita; Maria Gabriela Llansol; Metaficção; O jogo da liberdade da alma; Texto.

O Grande Mentecapto: contemporaneidade e tradição Mda. Maraiza A. Ruiz – PPGLetras–Unesp/SJRP

Resumo: O presente trabalho tem o objetivo de situar o romance brasileiro O Grande Mentecapto, do autor Fernando Sabino, em uma linhagem literária carnavalizada, realista e satírica, que surge com o romance latino, abrange o romance picaresco espanhol e chega à literatura brasileira por meio da neopicaresca ou malandragem. O referido romance, publicado em 1979, foi muito bem recebido pelos leitores e pela crítica, tornando-se o best seller desse importante escritor mineiro, porém é uma obra pouco discutida pelos teóricos em diversos aspectos como, por exemplo, a construção narrativa em seu diálogo com a contemporaneidade e com a tradição. O Grande Mentecapto retoma o grotesco, o baixo material e corporal, o campo do sério-cômico e a biografia, elementos que integram uma tradição literária de origem latina: a literatura carnavalizada. Vale destacar, porém, que o movimento de construção desse romance sabiniano é dialético e antropofágico, pois ele incorpora esses traços provenientes de uma tradição literária e os renova chegando a uma síntese profundamente contemporânea. O elemento biográfico, por exemplo, é um elemento tradicional, pois já se fazia presente no romance latino, no picaresco e no malandro, mas em O Grande Mentecapto ele recebe um tratamento diferenciado: se na literatura carnavalizada, a biografia e o enredo eram estreitamente vinculados e seguiam um trajeto linear e sem lacunas, no referido romance, biografia e enredo são fragmentados e seguem um trajeto circular que proporciona o desvio da tradição carnavalizada para que haja um retorno ao nacional. Portanto, este trabalho pretende discutir como O Grande Mentecapto dialoga abertamente com a tradição carnavalizada, se apropriando de seus elementos constitutivos, devorando-os e reapresentando-os em uma síntese contemporânea e brasileira. Palavras-chave: Carnavalização; Carnavalização; Fernando Sabino; Grotesco; Narrativa contemporânea; Romance brasileiro.

A construção das personagens-narradoras em As meninas, de Lygia Fagundes Telles

Mda. Nara Gonçalves Oliani – PPGLetras–Unesp/SJRP

Resumo: Desde o seu primeiro romance, Ciranda de pedra (1954), Lygia Fagundes Telles deu voz às suas personagens protagonistas, fazendo com que elas revelassem o interior fragmentário de suas mentes,

construindo imagens sobre si mesmas e sobre o mundo que as cercava. Em sua maioria absoluta, as personagens-narradoras eram mulheres e, frequentemente, jovens que problematizavam suas existências em meio a tradições convencionais em crise. Em As meninas (1973), Lygia mostra um amadurecimento dessa estrutura romanesca, ao construir três personagens-narradoras, as protagonistas Lia, Lorena e Ana Clara, que narram em primeira pessoa, juntamente com interferências de um narrador em terceira pessoa. As narrações desse romance são à base do monólogo interior e do fluxo de consciência que dão-se pela construção dialógica de uma escrita que é, ao mesmo tempo, a redescoberta de uma realidade interior (psicológica) e de uma exterior. Vemos que há um confronto entre as narrações das experiências mentais das personagens-narradoras e aquelas vividas em suas ações, no desenvolvimento do romance. Nesse trabalho pretendemos analisar, ainda que de forma resumida, o modo como dessa linguagem fragmentada de As meninas, emergem representações do mundo; o que, nesse caso, envolvem problematizações acerca do universo das mulheres, em meio à crise do patriarcalismo e a crise do autoritarismo advindo da ditadura militar brasileira, em meados da década de 60-70. Palavras-chave: Foco Narrativo; Lygia Fagundes Telles; Mulher; Narrador; Personagem; Representação; Romance.

16h – Diálogo entre pesquisadores III

Sala 11 – Bloco C

La importancia de llamarse Daniel Santos, de Luis Rafael Sánchez:

apontamentos sobre o romance melodramático de matriz musical na narrativa hispano-americana do pós-boom Dd. Wanderlan da Silva Alves – PPGLetras–Unesp/SJRP; Universidade Estadual da Paraíba – UEPB

Resumo: La importancia de llamarse Daniel Santos (1989), do escritor portorriquenho Luis Rafael Sánchez, é um romance que se destaca pela acentuada hibridação formal que apresenta, estruturando-se a partir de um conjunto de situações, temas e motivos melodramáticos, e um discurso acerca do melodrama, além de apresentar um intenso diálogo com a música, especialmente a canção romântica (bolero e tango) e os ritmos caribenhos. Essa narrativa desenvolve um discurso metalinguístico crítico acerca da relação da arte e do indivíduo latinoamericanos com o melodrama em suas mais variadas configurações, não só como gênero artístico musical e literário, mas também como manifestação cultural cujos códigos e valores simbólicos (BROOK, 1985; GEAR et al., 1988; HERLINGHAUS, 2002) podem ser expressivos das condições culturais e sociais que estão presentes nos desiguais processos modernizadores do continente americano (BHABHA, 1998). A partir dessas constatações, nossa comunicação propõe descrever e analisar os procedimentos

escriturais por meio dos quais o romance La importancia de llamarse Daniel Santos estabelece seu diálogo com a música, visando a refletir sobre os efeitos expressivos dessa abertura formal ao melodramático associado a uma matriz musical em sua narrativa, que é, na verdade, representativa de um dos desdobramentos da narrativa hispano-americana do pós-boom voltada ao diálogo com o melodrama, os mass media e os produtos e bens culturais e simbólicos difundidos pela indústria cultura e a cultura de massa na América Latina dos anos 1960-1980, aproximadamente. Palavras-chave: Gênero; Hibridismo; Luis Rafael Sánchez; Melodrama; Narrativa Hispano-Americana do século XX; Pós-boom.

E quando ossos e despojos resgatam o que é da memória? Um olhar sobre A História dos ossos, de Alberto Martins Dda. Juliana Silva Dias – PPGLetras–Unesp/SJRP

Resumo: Definitiva e infelizmente nem só de momentos bons e formidáveis são formadas as memórias, nem só em instantes mágicos, com peso e aura de verdadeira revelação, ressurge aquilo que era do passado. Na novela "A história dos ossos", do livro A história dos ossos (2005), do escritor Alberto Martins, a personagem protagonista, por entre determinadas ruínas da cidade e certos fragmentos de suas memórias, que brotam entre e/ou a partir de uma sensação e outra, caminha pela cidade da infância enquanto decide o que fazer com os ossos do pai. Trabalhando com essa problemática instaurada, esse trabalho tem por objetivo tanto demonstrar como as percepções pessoais da personagem principal enxergam e desvendam o panorama citadino litorâneo maestrado pela modernização, quanto revelar como essas mesmas percepções que ele tem do todo social afetam a e influenciam na formação da memória que essa personagem constrói de si e de seus familiares, em especial, as recordações que envolvem o pai. Para tal análise, valemo-nos de trechos da teoria da memória coletiva do sociólogo Maurice Halbwachs, bem como de outros estudos que trabalham com a formação das memórias, principalmente, a partir das relações entre sujeito e cidade, como, por exemplo, os trabalhos de psicologia social de Ecléa Bosi. Considerando-se a forte presença da percepção e da duração na novela, também tecemos relações com a filosofia de Henri Bergson na tentativa de desvendar certas manifestações memorialísticas. Por fim, também fizemos uso de alguns textos críticos que, em dada medida, dialogam com a narrativa de Alberto Martins. Palavras-chave: Alberto Martins; Cidade; Memória; Percepção; Recordação; Ruína.

19h – Conferência

Sala 5 – Bloco C

Theatrum mundi: o império-minuto em dois romances portugueses contemporâneos Prof. Dr. Paulo Alexandre Pereira – Universidade de Aveiro - Portugal

Resumo: Propõe-se, na presente comunicação, uma leitura de dois romances portugueses contemporâneos de autoria feminina – Ilusão (ou o que quiserem), de Luísa Costa Gomes, e A noite das mulheres cantoras, de Lídia Jorge, dados à estampa respetivamente em 2009 e 2011 –, entendendo-os, por extensão metonímica, como variações ficcionais do velho topos do mundo como teatro. Acusando uma forte radicação num theatrum mundi da velocidade e da glamourização hipermodernas, parodicamente cientes da floresta de enganos tecnocientífica ou da volatilidade carnavalizada das identidades virtuais, estas fábulas contemporâneas parecem, na antropologia sob espécie ficcional que propõem, desalojar o locus criticus do descompromisso ideológico e da desmobilização ética, insistentemente repisado à hora de mapear os rumos da ficção portuguesa contemporânea. Salientar-se-á, assim, o modo como, em ambos os casos, o tecido romanesco incorpora uma indeclinável historicidade, concretizada numa atenta microscopia do modus convivendi contemporâneo, seja ele o da vertigem jubilatória dos roaring eighties ou o da fraudulenta facticidade de tempos que Bauman consagrou como “líquido-modernos”. Assim, se, no caso do romance de Lídia Jorge, o relato retrospetivo dos efémeros minutos de fama de uma banda feminina em ascensão configura uma parábola de tonalidade sombria sobre um mundo tornado espetáculo –– verdadeiro «casino cósmico», em que tudo se calcula em termos de «impacto máximo e obsolescência imediata» (George Steiner) ––, já em Luísa Costa Gomes, a efabulação, em andamento pícaro e carnavalesco, das derivas de um aspirante a ator, entre castings e avatares no Second Life, permite traçar uma radiografia impiedosa da tragicomédia contemporânea. Entre a grauitas da investigação alegórico-ficcional conduzida por Lídia Jorge e o anyhting goes da comédia de enganos construída por Luísa Costa Gomes, parece insinuar-se a consciência de que ao romance incumbe (ainda) oferecer testemunho, ainda que frágil, do veloz teatro do tempo. Como, de resto, reconhece Lídia Jorge: “Fica claro que só pretendo ser testemunha do mundo. Tudo isso, nada mais do que isso”. Palavras-chave: Alegoria; Autoria Feminina; Contemporaneidade; Lídia Jorge; Luísa Costa Gomes; Romance.

26/06
26/06

08h – Diálogo entre pesquisadores IV

Sala 11 – Bloco C

“Eu estive aqui”: o bildungsroman pós-colonial de Dulce Maria Cardoso Prof. Dr. Paulo Alexandre Pereira – Universidade de Aveiro - Portugal

Resumo: Publicado em 2011, O retorno, de Dulce Maria Cardoso, tem sido objeto de irrestrita aclamação crítica e de assinalável sucesso junto do público leitor, confirmando assim aquela que era já por muitos considerada uma das mais singulares vozes no concerto da ficção portuguesa contemporânea. Elegendo como narrador não-fidedigno o filho pré- adolescente, a narrativa acompanha a traumática transplantação para a metrópole de uma família de retornados oriunda de Luanda, inscrevendo- se, assim, no corpus, já reveladoramente copioso, das “narrativas de regresso”. Dissentido embora do paródico mundus inversus de As Naus, de António Lobo Antunes – verdadeiro texto inaugurante das ficções de retorno pós-imperial –, O retorno nem por isso deixa de dissecar, sob a lupa inclemente do jovem narrador, a ingente tarefa de reconstrução ontológica dos retornados e a condição aporética da sua interidentidade. Procedendo a uma instabilização, de contornos pós-coloniais, das consabidas dicotomias que travejavam os impérios, designadamente as de base rácica e sexual, o romance de Dulce Maria Cardoso consubstancia um exemplum ficcional da porosidade das fronteiras entre colonizadores e subalternos, numa clara demonstração de que, para estes desterrados a quem o romance é dedicado, nunca o retorno virá a converter-se em verdadeiro regresso. Em função deste nostos épico a contrario, a viagem de regresso a uma pátria – já distorcida pela distância ou tão-somente imaginada – é de sinal decetivo e culmina fatalmente no desenraizamento e na deslembrança. Não deixa, por outro lado, de ser particularmente fecunda, no caso de O retorno, a mobilização da memória arquitextual do Bildungsroman, tratando-se, por convenção, de um formato de inclinação androcêntrica e imperialista. Procurar-se-á discutir o modo como, no romance, confluem traços semionarrativos herdados do romance de formação (e.g. perspetiva autodiegética, adolescentismo, orientação teleológica), embora refuncionalizados à luz do ambíguo saldo maturacional do protagonista. Palavras-chave: Bildungsroman; Dulce Maria Cardoso; Ficção Portuguesa Contemporânea; Narrativa de Regresso; Pós-colonialismo; Romance.

Notas sobre A máquina de fazer espanhóis, de Valter Hugo Mãe Prof. Dr. Orlando Nunes de Amorim – PPGLetras–Unesp/SJRP

Resumo: Publicado em 2010, A máquina de fazer espanhóis, de Valter Hugo Mãe é um romance que encena a vida contemporânea sem

metafísica, jogando, na sua composição (história narrada, narração e intertextualidade) com vários planos que, simultaneamente, narram, de modo cru e sem concessões sentimentais de qualquer ordem, a história da vida do protagonista – um homem velho que, após perder a mulher, é internado em um asilo -, e, no plano intertextual, estabelecem uma relação com a visão desencantada do mundo elaborada, por Fernando Pessoa, por meio do heterônimo Álvaro de Campos. Uma das personagens principais do romance é, justamente, o “Esteves sem Metafísica” do poema “Tabacaria”, que é o mais velho habitante do asilo “Feliz Idade” onde o personagem principal é confinado até o fim de seus dias. Palavras-chave: Desencantamento do mundo; Fernando Pessoa/Álvaro de Campos; Ficção Portuguesa Contemporânea; Intertextualidade; Romance; Valter Hugo Mãe.

10h30min. – Diálogo entre pesquisadores V

Sala 09-pós

Miniconto: abordagens a partir de escritores hispânicos Profª Drª Roxana Guadalupe Herrera Alvarez – PPGLetras–Unesp/SJRP

Resumo: o miniconto tem sido objeto de discussões variadas: umas, defendem sua autonomia frente ao conto. Outras, consideram-no uma forma decorrente do conto. Entre esses dois extremos há abordagens que buscam situar, na intencionalidade do escritor, a forma do miniconto. O objetivo desta comunicação é apresentar um panorama dessas discussões

aliado à leitura comentada de minicontos dos escritores hispânicos David

Roas (Barcelona,1965-

e Ana María

Shua (Buenos Aires, 1951- Palavras-chave: Ana Maria Shua; David Roas; Fantástico; Fernando Iwasaki; Literatura Espanhola; Literatura Hispano-Americana; Miniconto.

),

Fernando Iwasaki (Lima, 1961-

)

A construção do perfil literário como uma atividade crítica – posicionamentos críticos em perfis de escritores nas crônicas de Carlos Drummond de Andrade Prof. Dr. Márcio dos Santos Freire – CEFET/Belo Horizonte (MG)

Resumo: Carlos Drummond de Andrade é refratário à classificação de poeta crítico, que foi de maneira definitiva atrelada à figura dos grandes líricos do século XX. Distante da atividade crítica ou filosófica, Drummond escreveu muitos necrológios, epicédios e perfis literários em suas crônicas publicadas na imprensa brasileira. Partindo da análise e interpretação do uso que o poeta fez dessas formas literárias breves, publicadas em jornais e posteriormente coligidas em livros, buscaremos entender como ali o poeta se manifesta sobre seus contemporâneos a partir de inserções críticas repletas de elogios, exaltações, restrições, avaliações e

julgamentos, por vezes ambíguos e até contundentes, que expõem seus gostos, suas opções literárias e muitas de suas posições críticas. Palavras-chave: Carlos Drummond de Andrade; Crítica Literária; Crônica; Perfis de Escritores; Poesia; Poetas.

14h – Diálogo entre pesquisadores VI

Sala 13 – Prédio Central/1º andar

O imaginário sertanejo: O romance d'A pedra do Reino e o projeto estético de Ariano Suassuna Md. Giuliarde de Abreu Narvaes – PPGLetras–Unesp/SJRP

Resumo: Neste trabalho, partindo da leitura de alguns fragmentos do Romance d’A pedra do Reino e o príncipe do sangue do vai-e-volta, de Ariano Suassuna, buscaremos, nos contornos estéticos do romance, os fachos de uma revelação “poética” da realidade sertaneja, sobre a qual se volta o olhar de Suassuna, procurando na tradição da Literatura nordestina sua ligação com o romanceiro popular e com seu próprio imaginário de escritor. No Romance d’A Pedra do Reino, o passado torna-se realidade transfigurada em sonho, que reestabelece, na invenção estética, uma relação mítica e mágica com os objetos da memória de um patrimônio cultural universal escondido no coração do sertão brasileiro. Rei e jogral de sua própria história, Dom Pedro Dinis Ferreira Quaderna, protagonista do romance, enuncia do terreno da imaginação literária, espaço que lhe permite transfigurar a realidade, sacralizá-la, observar o sertão de dentro de si mesmo, como sertão mítico da alma. Suassuna (2007), ao falar sobre sua obra, revela: “Fui muito acusado de falsificar o sertão. Não é que eu falsifique a realidade do sertão. É que eu, a partir da realidade do sertão, procuro ser fiel ao meu sonho, que é o que me interessa na literatura.”. Palavras-chave: Ariano Suassuna; Imaginário; Poética; Realidade; Romance d’A pedra do Reino; Romanceiro.

O homem salazarista subvertido em Afirma Pereira, de Antonio Tabucchi

Md. Marcos V. B. Pereira – PPGLetras–Unesp/SJRP

Resumo: A ressignificação e a problematização da história de Portugal apresenta-se, nas últimas décadas, no imaginário de alguns autores portugueses, mais precisamente acerca do salazarismo, em José Saramago, José Cardoso Pires e António Lobo Antunes. Mas esse olhar sobre o regime salazarista não é estritamente português. Sob o viés do olhar estrangeiro, o autor italiano Antonio Tabucchi também aborda essa questão em sua obra intitulada Afirma Pereira (1994). A narrativa, ambientada em Lisboa, no ano de 1938, apresenta-se sob a perspectiva de Pereira, um jornalista que parte do comodismo com relação ao momento histórico-político em que vive e passa a se posicionar como

intelectual crítico, denunciando as atrocidades ocorridas na ditadura

salazarista. Para analisarmos o momento histórico da narrativa partimos do artigo “O salazarismo e o homem novo: ensaio sobre o Estado Novo e a questão do totalitarismo” (2001), do sociólogo português Fernando Rosas, em que são elencados os ‘mitos ideológicos fundadores do Estado Novo’ que constituem a base do regime totalitário português. Partindo dessa perspectiva, utilizaremos o mito da ordem corporativa que caracteriza “uma certa visão infantilizadora do povo português, gente conformada, respeitosa, doce” (ROSAS, 2001, p. 1036) e a maneira pela qual Tabucchi subverte, na construção de seus personagens, essa ideia de conformação

e docilidade ao flagrar o processo de transição de Pereira do conformismo

ao engajamento crítico. Dessa forma, pretende-se analisar de que maneira esse mito ideológico e esse momento histórico se relacionam e são

problematizados no processo de representação que a narrativa concebe. Palavras-chave: Antonio Tabucchi; Ditadura; Fascismo; Mitos ideológicos; Romance Histórico; Salazarismo.

A metalinguagem em Um sopro de vida, de Clarice Lispector Dd. Robson R. D. S. Faria – PPGLetras–Unesp/SJRP

Resumo: Partindo de um estudo dos elementos estruturais e fabulativos que compõem o texto Um sopro de vida (LISPECTOR, 1980), nossa pesquisa busca entender qual a função da metalinguagem na construção do livro e a sua relação com os outros elementos que o compõem. Tal investigação surge da identificação do desenvolvimento, em S.V., de temas constantes na obra da autora, já apontados anteriormente pela

fortuna crítica, como em Benedito Nunes em O drama da linguagem (1995)

e Arnaldo Franco Junior (2001), e que neste último texto de Clarice são

problematizados e conduzidos ao extremo pela instauração de impasses que se apresentam por meio da elaboração da estrutura textual (espaço, tempo, personagens, narrador) e fabulativa (enredo, linguagem)

estabelecendo uma tensão que se estende ao longo do livro e conduz S.V.

a uma quase “auto-implosão”, um desmoronamento textual que se realiza

“ad infinitum”, todavia, não plenamente, pois há um movimento interno que impede a “falência” do texto, dando-lhe sustentação. Dentro desse panorama, a pergunta que se apresenta é: Em que medida a metalinguagem contribui para a manifestação, no plano discursivo, desse processo? Nesta comunicação pretende-se apresentar alguns dos elementos que, segundo as leituras realizadas até aqui, permitem a apresentação das considerações acima. Destaca-se que esta pesquisa está no início e que, apesar da trajetória de estudos da obra da autora que desenvolvemos desde o mestrado, ainda não contamos com resultados precisos sobre as questões aqui aventadas. De outro lado, julgamos profícuo o debate que se pode estabelecer a partir da exposição de nossa

comunicação, em que trataremos da metalinguagem na primeira parte do livro. Palavras-chave: Clarice Lispector; Metalinguagem; Narrativa Brasileira Contemporânea; Personagem; Narrador; Um sopro de vida.

14h – Diálogo entre pesquisadores VII

Sala Zero

A intenção neofantástica e o humor em microcontos de 83 novelas, de Alberto Chimal

Dd. Thiago Andreu – PPGLetras–Unesp/SJRP

Resumo: O estudioso Jaime Alazraki (2001) nos propõe que a perplexidade e a inquietação constituam o fator intencional da narrativa neofantástica. Se examinarmos alguns contos e microcontos que se filiam à concepção de neofantástico, podemos perceber que a proposição do teórico argentino se sustenta até certo ponto, já que, em parte deles, a inquietação ou a perplexidade parece se entrelaçar ou, até mesmo, ser substituída por uma outra categoria intencional, qual seja, a de provocar no leitor o efeito de humor. Tendo, portanto, como escopo essa questão, analisaremos brevemente como se dá esse processo em alguns microcontos de 83 novelas (2010), do escritor mexicano Alberto Chimal, valendo-nos, em especial, de estudos do próprio Jaime Alazraki (2001), de David Roas (2001; 2010; 2011) e de Lidia Morales Benito (2008). Objetivamos, antes de demarcar qual seria realmente a intenção das narrativas neofantásticas, discutir, na obra supracitada, sua performance e seus possíveis limites. Palavras-chave: Alberto Chimal; Humor; Literatura Hispano-Americana; Microconto; Narrativa Contemporânea; Neofantástico.

Crítica literaria androide y crítica literaria paranoica. Los avatares de la ciencia ficción en el mundo académico latinoamericano Md. Roberto Lépori – PPGLetras–Unesp/SJRP

Resumo: En el siguiente trabajo me propongo indagar por qué en América Latina –en concreto en Argentina- los discursos académicos han sido reacios a consolidar como campo de estudio la ciencia ficción. Mi objetivo, en principio, es delinear esa problemática a partir de la producción de narrativas. En ese sentido, daré cuenta de los asertos de Luis Cano (Intermitente recurrencia, 2006) quien sugiere que los autores vernáculos – un caso ejemplar es Jorge Luis Borges – interesados en escribir ciencia ficción, a salvaguarda del propio prestigio, ´disimularon´ su producción bajo el ropaje de géneros populares consagrados como el fantástico o el policial. En un segundo momento, en la transición de la literatura a la crítica, retomo de Pablo Capanna (Idios Kosmos, 1995) el concepto de ´crítica androide´ (categoría aplicada a los estudios sobre la obra del

escritor norteamericano Philip K. Dick). Según la perspectiva adoptada aquí, la crítica literaria androide respondería automáticamente a la tradición del discurso académico sancionado: si éste no considera pertinente reflexionar sobre los géneros populares, entonces quedan ellos por fuera del campo de estudio. En lo que respecta a la ciencia ficción, una de las razones de mayor peso para ese rasgo androide de la Academia, rodeada de un mundo plagado de narrativas de ciencia ficción, se debe tal vez a la compleja inserción de ´lo posmoderno´ en el contexto cultural e intelectual latinoamericanos. Por último, y como un gesto teórico a futuro, esbozo un eventual ´antídoto´ a la incidencia de la crítica androide: la crítica literaria paranoica. Frente a la imposibilidad de recuperar el tiempo perdido, la crítica paranoica aparecería como la encargada de revisar, releer, leer al sesgo, re-narrar y volver a contar los discursos académicos – y las narrativas del género- que dejaron fuera de consideración como parámetro de análisis y de lectura a la ciencia ficción. Palavras-chave: Academia; Crítica androide; Crítica literária; Ciencia ficción; Posmodernidad; Paranoia.

16h – Diálogo entre pesquisadores VIII

Sala 4 – Bloco C

Várzeas da subjetividade e da objetividade nos romances: Perto do coração selvagem, A paixão segundo G. H. e A Hora da Estrela, de Clarice Lispector Dda. Maria do Socorro G. Torres – PPGLetras–Unesp/SJRP; UNIR/Vilhena

Resumo: As escritas destes romances se revelam dentro de um sistema literário complexo. É nossa intenção transitar nas camadas heterogêneas discursivas dos romances, para daí conhecer os índices de subjetividade que norteiam as experiências narrativas vividas pelas personagens dos romances. A leitura dos índices de subjetividade direcionaram nosso olhar para o processo de significação que se encontra tencionado e problematizado nas narrativas. A problematização das relações entre a enunciação e o enunciado nos romances intensifica a tensão da linguagem literária que se faz irônica, crítica e autocrítica. Nesta perspectiva, outros dois aspectos são importantes no conjunto das obras analisadas: a heterogeneidade discursiva e a maneira como as mesmas procuram legitimar, através de suas falas, um saber e um poder, elementos fundamentais para a compreensão do labirinto dos romances. Sistema literário complexo em que os índices de subjetividade e de construção irônica tensiva, crítica e autocrítica se desenvolvem distintamente: a primeira de ordem humana – a relação que se dá entre o eu e o outro nos romances é sempre de natureza conflituosa e de contaminação, que visa ao final o reconhecimento identitário; a segunda de ordem estrutural – os romances enquanto organização verbal desaguam em suas narrativas práticas culturais que visam intensificar o complexo abastecimento dos

canais subjetivos dos sujeitos, vazantes de subjetividade enunciativas, capazes de modificarem o leito estético da narrativa. Palavras-chave: Clarice Lispector; Enunciação; Enunciado; Heterogeneidade; Ironia; Significação; Subjetividade.

A narrativa como memória, em Órfãos do eldorado, de Milton Hatoum Mda. Vivian de Assis Lemos – PPGLetras–Unesp/SJRP

Resumo: Este trabalho busca analisar a obra Órfãos do eldorado, do escritor amazonense Milton Hatoum, com o intuito de averiguar como o autor utiliza a memória para articular a construção do romance Órfãos do Eldorado, publicado em 2008. Segundo aponta Benedito Nunes (2009, p. 301-302) a narrativa de Hatoum é fortemente calcada na memória, como atestam, por exemplo, os romances Relato de um certo oriente (1989) e Dois irmãos (2000). Em Órfãos do eldorado nos deparamos com uma viagem pelos meandros da memória, fato confirmado pelo próprio narrador que afirma narrar “o que a memória alcança, com paciência” (HATOUM, 2008, p.15). Essa afirmativa do próprio protagonista evidencia a carga memorialística presente nesta obra que surpreende porque articula três narrativas que se podem depreender: a mítica, a histórica e a pessoal, se é que se pode chamar assim o relato que o protagonista faz de sua difícil relação com o pai, causada pela morte da mãe no momento do parto e dos traumas que são acarretados por isso; traumas estes que vão surgindo aos poucos na narrativa entre recalques e silenciamentos complexificados pela incursão de aspectos míticos, relativos tanto às lendas da Amazônia e ao mito do Eldorado, quanto à ordenação factual de dados históricos concernentes à história da região amazônica. Em outras palavras, o que se verifica é a convergência dessas três narrativas, de modo a configurar um texto marcado pela inventividade, pelo rigor criativo e certo lirismo, responsáveis pelo desenho do regionalismo revisitado que Tânia Pellegrini (2004) e Alfredo Bosi (1994) atribuem ao fazer narrativo de Hatoum, situando-o como herdeiro crítico de uma tradição do romance brasileiro. Palavras-chave: Memória; Milton Hatoum; Mito; Órfãos do eldorado; Romance Brasileiro Contemporâneo; Silenciamento; Trauma.

Identidade e espiritualidade em The Secret Life of Bees Mda. Juliane C. Chatagnier – PPGLetras–Unesp/SJRP

Resumo: Objetiva-se, com este trabalho, ressaltar a importância dada à religião na construção de Lily - protagonista do romance The Secret Life of Bees (2002), da autora norte-americana Sue Monk Kidd – com base nas reflexões de Derrida (2000) e Vattimo (2000; 2002), a respeito do papel da religião na sociedade. A religião pode ser encontrada em diversas partes do romance, seja em forma de citação bíblica, de referência a diferentes práticas religiosas ou, até mesmo, em momentos de orações subjetivas

feitas pela protagonista. Em meio a um contexto fragmentado, Lily encontra-se, dentre outras coisas, sem a presença da mãe. Graças a essa perda, a personagem se vê obrigada a buscar algo que faça sentido. Mesmo sendo adepta à religião batista, Lily não mostra muito entusiasmo pelas práticas religiosas até o momento em que ouve uma voz guiando-a rumo ao encontro de vestígios da mãe. A partir de então a religião passa a ser um fator importantíssimo nesta narrativa de identidade. Desta maneira, pode-se observar que a religião torna-se base para o desenvolvimento de Lily, pois serve como apego da adolescente por algo concreto, colaborador de descobertas. É por meio da religião que Lily consegue forças para sobreviver em meio a confusão psicológica. É, também, a partir das orações para a Virgem Maria Negra – imagem que entra na vida de Lily durante a procura pela mãe - que passa a compreender fatos que antes a incomodavam. Palavras-chave: Narrativa de Identidade; Perda; Personagem; Religião; Romance; Sue Monk Kidd.

16h – Diálogo entre pesquisadores VIII

Sala 12 – Bloco C

A articulação entre experiência urbana e cinema na narrativa literária brasileira: Alcântara Machado e Valêncio Xavier Dda. Ana Paula Dias Rodrigues – PPGLetras–Unesp/SJRP

Resumo: Demonstramos, neste trabalho, as reverberações formais e temáticas da articulação entre experiência urbana e linguagem cinematográfica em duas narrativas da literatura brasileira – a saber:

Pathé-baby (1926), de Alcântara Machado e Maciste no inferno (1983), de Valêncio Xavier. Denota-se, na primeira, a preocupação urgente de representar o novo modo de percepção da paisagem urbana no início do século XX, configurado pelas transformações e inovações tecnológicas. Nesse texto, a imagem ou o registro de uma experiência urbana emerge, portanto, dos aspectos formais da linguagem da obra, uma vez que estes procuram traduzir, em um estilo pontuado por características cinematográficas, as sensações impressas pelo novo modo de organização daquele espaço. Por outro lado, a narrativa contemporânea de Xavier centra-se, a partir de uma linguagem híbrida que funde letra e imagem, no impacto do processo de urbanização sobre a subjetividade humana, estabelecendo o cinema como espaço de fuga da opressão da dinâmica da nova vida e geografia urbanas e como ambiente propício para o exercício de um comportamento imoral, sinônimo de não urbanidade. Embora ambientada nas primeiras décadas do século XX, a narrativa valenciana expressa uma compreensão e uma consciência da experiência urbana que representa o olhar contemporâneo sobre a questão da relação entre homem e cidade moderna, enquanto o texto de Alcântara Machado

traduz as impressões do homem do início do século passado sobre a nova configuração da urbe. Palavras-chave: Alcântara Machado; Experiência urbana; Hibridismo Linguagem cinematográfica; Narrativa brasileira; Valêncio Xavier.

Loucura, nonsense e absurdo em O púcaro búlgaro, de Campos de Carvalho

Dda. Josiane Gonzaga de Oliveira – PPGLetras–Unesp/SJRP

Resumo: O romance O púcaro búlgaro (1964), de Campos de Carvalho é um diário de bordo que narra um projeto exploratório com vistas à descoberta da Bulgária e dos púcaros búlgaros. O projeto absurdo faz com que o leitor crie uma imagem também absurda acerca de seu idealizador, o narrador-personagem, Hilário, que, apesar da ambição de conquistar e explorar o território búlgaro permanece, de fato, enclausurado com os demais expedicionários em seu apartamento no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro. Nesta análise nos propomos a discutir a intensa exploração do nonsense e do absurdo como procedimentos de escrita e de composição narrativa, que evidenciam uma crítica contundente ao discurso racional e aos saberes e comportamentos instituídos promovendo o que acreditamos ser uma espécie de textualização do tema da loucura. Palavras-chave: Absurdo; Campos de Carvalho; Loucura; Narrativa contemporânea; Nonsense; Romance.

A memória em Essa terra, de Antonio Torres: estratégias temporais da narrativa e seus efeitos Dd. Rogério Gustavo Gonçalves – PPGLetras–Unesp/SJRP

Resumo: Em Essa terra, acompanhando os saltos e as múltiplas associações da memória dos personagens principais, Antônio Torres constrói uma narrativa interior, que se estrutura na representação de um tempo não linear, marcado por digressões e mudanças bruscas. Com base nessas particularidades, este trabalho busca analisar o efeito lúdico dessa construção fragmentária do romance, cuja disposição dos capítulos ou episódios apresenta-se como um quebra-cabeça em que é solicitada a atividade do leitor de montá-lo. Visto que os retrocessos temporais iniciam ou terminam, muitas vezes, sem introdução ou referência à sua relação cronológica com cenas precedentes ou posteriores, pretende-se verificar as implicações decorrentes desses recursos de mudanças bruscas de tempo e, conseqüentemente, de espaço, situação e personagens. Considerando a relação entre forma, conteúdo e recepção, tenciona-se mostrar como tais procedimentos tendem a provocar uma sensação de perda de referência no leitor, que parece ser lançado no meio de uma cena já em andamento, sensação semelhante àquela que demonstram os personagens em relação à sua posição instável num mundo onde não há

lugar para eles, oscilando entre a vida no espaço sertanejo do qual foram destituídos e uma estrutura social urbana na qual não estão completamente integrados. Palavras-chave: Antônio Torres; Contexto; Essa terra; Leitor; Romance; Temporalidade.

19h – Diálogo entre pesquisadores IX

Sala 5 – Bloco C

O romance como forma provisória Profª Dr ª Juliana Santini – PPGEstudos Literários–Unesp/Araraquara

Resumo: “O romance é concebível sem o mundo moderno?”. Essa questão intitula o ensaio de Cláudio Magris – que emblematicamente encerra o volume A cultura do romance, organizado por Franco Moretti - e é repetida pelo autor por três vezes ao longo de seu texto, que expõe uma perspectiva apocalíptica em relação ao desenvolvimento do romance na literatura contemporânea. Para o autor, somente a transformação da forma romanesca, aliada à representação de uma realidade desagregada, possibilitaria a superação de um estado de alienação que, segundo ele, impõe-se por meio de narrativas concebidas sob moldes tradicionais. Tomando o questionamento de Magris como mote, propõe-se uma reflexão em torno dos modos de representação utilizados por Luiz Ruffato na composição de seu projeto literário Inferno provisório, romance de cinco, em que o autor declara construir uma poética do proletariado brasileiro. Interessa, nesse sentido, observar de que maneira a proposição de um romance fragmentado – em seu conjunto e na linguagem que o compõe – alia o traço da experimentação, preconizado pela vanguarda, a uma determinação ideológica que difere do engajamento do realismo social da década de 30 ou do realismo verdade no romance brasileiro da década de 70 do século XX. A hipótese aqui colocada, nesse sentido,conduz para a possível retomada do realismo na prosa de Ruffato nos termos em que o define Tânia Pellegrini, sobretudo no que diz respeito à utilização de um método de representação outro, o que não deixa de apontar para a transformação reivindicada por Magris. Palavras-chave: Realismo; Romance; Narrativa contemporânea; Representação; Luiz Ruffato; Proletariado; Poética.

A epopéia dissimulada e a perversão do herói nos contos de Marcelo

Mirisola

Prof. Dr. Márcio Scheel – PPGLetras–Unesp/SJRP

Resumo: O livro de contos O herói devolvido, do escritor paulistano Marcelo Mirisola, pode ser entendido como uma das mais significativas criações da narrativa brasileira da última década. Publicado nos anos 2000, o livro apresenta um conjunto de 30 narrativas que se articulam em

torno de um mesmo narrador-personagem que, menos do que uma subjetividade concreta, se revela como uma voz, um discurso, uma forma de enunciar, obsessivamente, os mesmos temas: o esvaziamento de sentidos que rege a existência cotidiana, a objetificação da mulher, a degradação do outro, a corrupção dos valores, o sexo como uma prática excessiva e mecânica, que já não prevê o gozo, o prazer ou qualquer satisfação, apenas a exacerbação da perversidade, a satisfação cruel de um desejo torpe, que manipula o outro, que o usa e descarta com a mesma paixão terrível com que consome os símbolos e as ideologias de massa que circulam como os produtos mais bem acabados da indústria cultural. Desse modo, o narrador faz de seus contos o locus de um discurso no qual o preconceito, a vileza e a vilania dão o tom dos ressentimentos e recalques que determinam o caráter desse “herói devolvido” e que, metonimicamente, estão na base de certas formas de pensar e agir de uma sociedade contemporânea marcada por um profundo embotamento de consciência. A ironia dessas narrativas é ainda mais evidente se considerarmos que, para além das obsessões temáticas, os contos, como aparecem articulados, remetem a uma organização francamente romanesca que, de forma mais ou menos dissimulada, parodiam a própria forma da epopeia e a imagem emblemática do herói. Epopeia de uma vida minúscula, de um herói vulgar e de um mundo cuja aretê parece definitiva e irrevogavelmente perdida. Palavras-chave: Contemporaneidade; Conto; Epopeia; Marcelo Mirisola; Perversão; Romance.

27/06
27/06

08h – Diálogo entre pesquisadores X

Sala 8 – Bloco C

“Por cima de toda folha” uma narrativa infantil às avessas? Dra. Rachel Hoffmann – doutora pelo PPGLetras–Unesp/SJRP

Resumo: Este trabalho tem como objetivo analisar a narrativa “Por cima de toda a folha”, inserida no livro O burro em pé (1979), de José Cardoso Pires. O texto narra-nos a história de Celeste, criança que, junto com a mãe viúva e com a avó, retorna de Angola a Portugal, devido aos conflitos bélicos em prol da independência do país africano. Em Lisboa, ela entra em contato com vários grupos de personagens, dentre os quais destacamos: traficantes de mercadorias da colônia, meninos que simulam, em suas brincadeiras, situações de guerra, mulheres que, sendo também refugiadas, rememoram suas vidas em Angola, além do corvo Vicente, que desencaminha a menina em uma de suas andanças por Lisboa. O texto chama-nos atenção para as reações de algumas das personagens citadas frente a um brinquedo de Celeste: a boneca Làlinha que, por ser negra, desperta atitudes diversas tanto das personagens adultas quanto das

crianças. Em nosso trabalho, pretendemos estudar a narrativa, questionando não só sua configuração como uma espécie de história infantil às avessas, mas também apontando a ironia do texto que, ao colocar falas preconceituosas na boca de algumas personagens infantis, simula uma ironia perversa que faz com que o leitor seja obrigado a posicionar-se diante do que lê. Além disso, pela adoção da linguagem irônica, o narrador também se coloca claramente contrário a uma mentalidade justificadora da guerra. Essa mentalidade tem raízes profundas, que se relacionam com a questão da identidade portuguesa e que se pautam principalmente na ideia da nação lusa como país descobridor e colonizador por excelência. Nossa análise, portanto, sustenta-se em três eixos: a ironia, a questão dos gêneros e a questão da identidade portuguesa. Palavras-chave: Descolonização; Gêneros textuais; Identidade Portuguesa; Ironia; José Cardoso Pires; Preconceito.

A construção da identidade pela palavra que se anuncia na literatura de António Lobo Antunes Prof ª Dr ª Andréia Régia Nogueira do Rego – União das Faculdades dos Grandes Lagos – UNILAGO/SJRP

Resumo: Tendo como corpus de análise o romance Fado Alexandrino, de António Lobo Antunes, temos como propósito identificar as relações contrapontísticas entre o discurso ficcional e o histórico do Portugal salazarista que culminam na construção narrativa, com a qual procuraremos indicar a importância do discurso literário como subversor não só da tirania que se constitui socialmente, como também da que o ser humano cultiva em seu íntimo. Palavras-chave: António Lobo Antunes; Fado Alexandrino; Ficção; História; Salazarismo; Tiranias.

Uma estética da materialidade Prof ª Dr ª Nilze Maria de Azeredo Reguera – União das Faculdades dos Grandes Lagos – UNILAGO/SJRP; Pós-doutoranda FFLCH/DLCV/USP

Resumo: Fluxo-floema (1970), o primeiro livro em prosa de Hilda Hilst, marca de modo contundente a sua produção, apresentando narradores que sempre se deparam com a palavra. Ao se colocarem na posição de um escritor ou daquele que gostaria de relatar ou escrever o acontecido, esses sujeitos sempre se veem diante do imperativo de (se) comunicar — curiosamente, porém, não sabendo como ou não querendo fazê-lo —, ou de seus corpos, sedutores, socialmente deslocados ou afeitos à (auto)dilaceração. É assim que parece ser empreendido um acirrado e performático destrinçar do narrar,por meio de um trânsito entre palavras e corpos, que acentuaria a própria materialidade.Considerando um contexto em que, segundo

estudiosos como A. Compagnon (2010), coexistiriam uma visão, por vezes “utópica”, que pressuporia o auge do projeto moderno, e outra que estamparia uma recusa corrosiva em relação ao mesmo, investigamos, tendo por referência “Fluxo”, a autorreferencialidade e as suas reverberações na poética hilstiana. Nesse texto tem-se o narrador-personagem Ruiska, um

escritor, que é casado com Ruisis, que se envolveria com o editor do marido,

e pai de Rukah, que morreria de encefalite. Como num grande ensaio que

ressalta a inépcia do narrar, o texto paradoxalmente se desenrola em torno das possibilidades de Ruiska em escrever a história que lhe foi

encomendada e em interagir com as personagens a partir do local em que se encontra recluso, entre o poço e a claraboia, a adequação que lhe é imposta

e a sua resistência à mesma.Assim, indagaremos em que medida, a partir

desse“apego” dos sujeitos-narradores à corporeidade —das suas palavras, dos seus corpos, com os seus órgãos e fluidos e com o contato que estabelecem entre si— ter-se-ia em Hilst uma estética da materialidade, que tanto daria margem a um ludismo, que junto à ironia poderia ser revisor da tradição moderna, quanto ao vazio ou à dilaceração, que poderiam ser relacionados à violência ou à morte. Palavras-chave: Autorreferencialidade; Corpo; Hilda Hilst; Ludismo; Materialidade; Modernidade.

08h – Diálogo entre pesquisadores XI

Sala 2 – Bloco C

Mia Couto e Guimarães Rosa: possíveis aproximações entre literatura e etnografia

Mda. Elizabeth da S. Mendonça – PPGLetras–Unesp/SJRP

Resumo: Na contemporaneidade, seguindo a forte tendência auto- reflexiva do campo das ciências humanas, a antropologia tem se ocupado da problemática da representação do outro. Clifford (1998) e Geertz (2002) questionam a autoridade etnográfica enquanto única provedora de conhecimento antropológico sobre o assunto. No âmbito dessas discussões epistemológicas efetuadas no campo antropológico/etnográfico, apontaremos algumas possibilidades de aproximação entre a literatura e a etnografia nos universos ficcionais de Mia Couto e Guimarães Rosa. Para tanto, discutiremos a conceituação de polifonia apontada por Clifford (1998) existente na representação do outro na escrita etnográfica, bem como as práticas de retrabalhar dados culturais retirados dos contextos histórico-sociais das sociedades observadas pelos etnógrafos em seus textos. Examinaremos, com base nessas reflexões, a possibilidade de ler as diferentes representações das figuras dos velhos nas literaturas dos escritores mencionados. Palavras-chave: Etnografia; Guimarães Rosa; Literatura; Mia Couto; Polifonia; Representação; Velhice.

A linguagem da violência nos contos de Famílias terrivelmente felizes, de Marçal Aquino

Md. Fábio M. Mendes – PPGLetras–Unesp/SJRP

Resumo: A proposta é realizar uma análise crítica literária e social sobre o novo realismo brasileiro a partir da coleção de contos Famílias terrivelmente felizes (2003), de Marçal Aquino, focalizando principalmente as narrativas “Onze Jantares” (1986) e “Matadores” (1991). Para isso nos apoiaremos nas fortunas críticas de Michel Foucault e Giorgio Agamben, a fim de compreendermos como tais narrativas propõem uma desagregação dos sujeitos, ou dos personagens, utilizando, para isto, uma linguagem da violência e da imagem da morte. Esta violência tanto pode ser apresentada de modo físico e psicológico, como de maneira simbólica. A morte se faz presente como processo, mas também como o fim da vida e da existência histórica humana dos personagens construídos pelo autor. Neste contexto, a ironia aparece nas obras de Marçal Aquino como estratégia discursiva, sendo articulada como figura de linguagem a fim de “suavizar” a violência exposta no texto e, ao mesmo tempo, provocar um distanciamento reflexivo e crítico por parte do leitor. Por fim, arguiremos que as narrativas de Marçal Aquino propõem, direta ou indiretamente, uma hermenêutica do real calcada na linguagem literária da violência. Palavras-chave: Ironia; Linguagem da violência; Marçal Aquino; Morte; Novo realismo; Personagem.

10h30min. – Diálogo entre pesquisadores XII

Sala 5 – Bloco C

Relato, experiência e memória de guerra em algumas narrativas recentes de expressão francesa Prof ª Dr ª Flávia Nascimento – PPGLetras–Unesp/SJRP

Resumo: Desde a Antiguidade, conflitos bélicos de toda natureza vêm servindo de tema principal ou acessório, nas mais variadas literaturas, a múltiplas formas da ficção literária. Durante o século XIX, no apogeu da forma romanesca, o tema se afirmou em grandes romances históricos como Guerra e Paz, de Tolstoi, e Ivanhoe, de Walter Scott, para citar apenas dois exemplos entre tantos outros. No século XX, após o término do grande conflito de 1914-1918, o tema da guerra se ilustrou em toda uma narrativa de ficção que passou a por em cena não mais somente as disputas bélicas – antes reduzidas a fundo diegético de maior ou menor relevo – mas também as próprias relações entre escritura de ficção, memória e história imediata, que também despertaram o interesse de filósofos. Em 1933, refletindo sobre a barbárie que vitimara, com a primeira guerra mundial, toda uma geração de jovens europeus, bem como sobre o grande número de “livros de guerra” que inundara o mercado literário após a cessação das hostilidades, Walter Benjamin se mostrava cético quanto à

possibilidade real da transmissão de tão terrível experiência histórica por meio da narrativa, posto que os homens que a tinham vivido haviam voltado emudecidos dos campos de batalha. Poucos anos depois, com o impacto da segunda Grande Guerra e com a revelação aterrorizadora dos campos de extermínio nazistas, outros se debruçaram sobre o problema do relato enquanto testemunho: assim Giorgio Agamben em sua reflexão sobre os escritos de Primo Lévi, a partir dos quais propôs as noções de superstes e de testis. Assim, igualmente, Paul Ricoeur, em sua magistral análise sobre os componentes do relato testemunhal e da narrativa histórica, em que propõe uma fecunda articulação entre esta última e a narrativa de ficção. Nas perspectivas abertas por esses questionamentos, proporemos, nesse trabalho, uma reflexão sobre três recentes narrativas em que a memória das guerras coloniais e de seus desdobramentos é posta em cena: Où j’ai laissé mon âme [Onde deixei minh’alma] do francês Jérôme Ferrari (Paris, Actes Sud, 2010), Entendez-vous dans les

montagnes… [Escute lá nas montanhas

da argelina de expressão

francesa Maïssa Bey (Paris, Éditions de l’Aube, 2010) e Alá e as crianças- soldados, do marfinense Ahmadou Kourouma (São Paulo, Estação Liberdade, 2003, tradução de Flávia Nascimento, 1ª ed. francesa em

2000).

Palavras-chave: Ahmadou Kourouma; Experiência; Jérôme Ferrari; Literaturas de Expressão Francesa; Maïssa Bey; Memória; Narrativa de ficção; Testemunho.

],

Capas de literatura brasileira traduzida: imagens do Brasil contemporâneo no exterior Profª Drª Maria Cláudia Rodrigues Alves – Unesp/SJRP

Resumo: O estudo das capas de livros brasileiros traduzidos no exterior é revelador dos respectivos projetos editoriais e da clientela de leitores estrangeiros de literatura brasileira traduzida. O mercado do livro, da literatura, não deixa de ser um “mercado” e, como todo negócio, segue regras de rentabilidade, seja qual for o país, a cultura envolvida. A análise de capas, do peritexto editorial conforme categorização de Gérard Genette, permite-nos detectar elementos de recepção da literatura brasileira traduzida e também compreender a evolução da imagem do Brasil e dos brasileiros no exterior. O estudo do paratexto editorial aqui proposto insere-se na área da Literatura Comparada e apresenta interfaces entre a Sociologia da Literatura, Imagologia e Estudos da Recepção. Palavras-chave: Capas de livro; Grafismo; Imagem; Imaginário; Mercado Editorial; Representação.

14h – Diálogo entre pesquisadores XIII

Sala12 – Bloco C

Mário de Carvalho e a escrita enviesada Profª Drª Márcia Valéria Zamboni Gobbi – PPGEstudos Literários- Unesp/Araraquara

Resumo: Mário de Carvalho é reconhecido pela crítica como um dos mais importantes escritores portugueses da atualidade – reconhecimento que se verifica, por exemplo, pela atribuição ao autor, em 2008, do Prêmio Vergílio Ferreira, pelo conjunto da obra. A singularidade de sua escrita ficcional reside na bem dosada mistura entre o olhar crítico lançado ao estado atual da sociedade portuguesa, herdeira da “decadência do império”, e o à vontade com que (re)trabalha as categorias narrativas, uma vez que insere sistematicamente, em seus romances, comentários metalinguísticos que, ao mesmo tempo em que fazem parte da própria amarração do enredo, desestabilizam as convenções de gênero, provocando no leitor uma reflexão (sempre mediada pela ironia) sobre o que, hoje, qualifica e caracteriza o romance. São estas as questões que comporão o eixo da análise, que se pretende apresentar, sobre Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto (1995) e Fantasia para dois coronéis e uma piscina (2003), romances bastante representativos dos rumos da ficção portuguesa contemporânea. Palavras-chave: Ficção Portuguesa Contemporânea; Gênero; Ironia; Mário de Carvalho; Metalinguagem; Romance.

Corpo investido em escrita: o texto de Maria Gabriela Llansol Profª Drª Sônia Helena de O. R. Piteri – PPGLetras-Unesp/SJRP

Resumo: Tomando como corpus cadernos manuscritos e dossiês datilografados da escritora portuguesa Maria Gabriela Llansol, e também alguns de seus livros em que se percebem de forma mais evidente reflexões sobre o gesto de escrever, é nosso propósito neste trabalho caminhar pela escrita corporal que marca a obra da autora, trazendo à discussão traços muito singulares que as palavras e a linguagem aí adquirem. Em destaque estará o conjunto “luar libidinal”, escorregadio, evanescente, que não se deixa capturar por aqueles que tentam aprisioná- lo em um sentido. De modo concomitante à escrita, figurará a leitura, com seu poder de sedução e com suas exigências para o legente que quiser desfrutá-la em toda a sua expansão. Palavras-chave: Corpo; Escrita; Leitura; Maria Gabriel Llansol; Palavra; Sentido.

16h – Filme: Quién Mato a Walter Benjamin

Sala 4 – Bloco C

19h – Diálogo entre pesquisadores XIV

Sala 5 – Bloco C

Babel subjetiva ou a mais completa tradução - breves considerações sobre Budapeste de Chico Buarque Profª Drª Diana Toneto – PPGLetras–Unesp/SJRP

Resumo: O objetivo da presente comunicação é discutir alguns aspectos de Budapeste, de Chico Buarque, publicado em 2003. No romance, uma contingência leva o protagonista, um brasileiro, à Hungria. Lá, envolvido com uma cultura muito distinta da sua, aventura-se em experiências com uma língua estranha, que “até o diabo respeita”, e com uma mulher instigante, que lhe ensina essa língua. Ambas convertem-se em espelhos que refratam e invertem sua experiência subjetiva aparentemente tão babélica e incompreensível quanto aquela que Budapeste lhe impõe; ao mesmo tempo em que se deixa levar por elas, língua e mulher, tão sedutoras e irresistíveis, repensa sua própria história pessoal, num jogo cubista de montagem e desmontagem de um cotidiano roto e enfraquecido que, paradoxalmente, uma língua incompreensível e uma mulher que é o avesso da sua ajudam-no a nomear. Opõem-se uma vida no Brasil, medíocre e angustiante, a qual o trabalho de escritor fantasma metaforiza, a outra aparentemente nonsense e surpreendente, num lugar distante, que lhe foi imposto pela contingência. Esse quadro encontra uma coerência narrativa, entre outros aspectos, pela intensa reflexão sobre o aprendizado de uma língua estrangeira e sobre os desdobramentos de exercícios tradutórios nos quais o protagonista se envolve como que para buscar não a compreensão do húngaro, mas uma tradução de si mesmo, flâneur a transitar por Budapeste, homem da multidão a girar pelas ruas do Rio de Janeiro. A partir da consideração da contingência como categoria do Real (Lacan) e da tradução como mecanismo de busca da subjetividade e rasura da origem (Derrida) ao mesmo tempo que transcriação (Haroldo de Campos), serão apontados alguns caminhos para a leitura do romance e para a leitura do contemporâneo que ele possibilita. Palavras-chave: Budapeste; Romance contemporâneo; Subjetividade; Tradução; Contingência; Metalinguagem.

Literatura, fotografia e artes plásticas em “Minha história dele”, de Valêncio Xavier

Prof. Dr. Arnaldo Franco Junior – PPGLetras–Unesp/SJRP

Resumo: Apresentaremos, neste trabalho, uma leitura do conto “Minha história dele”, de Valêncio Xavier, construído, como de praxe na poética do autor, a partir da apropriação de imagens e de textos alheios. No conto, a apropriação articula-se com a mise em abyme para instalar um debate sobre a noção de autoria, problematizada a partir da incorporação textual

de quatro fotografias, realizadas pelo fotógrafo e artista plástico Ruben Esmanhotto, de um coreano que sustenta, em público, cartazes em que conta a sua história, arrematando-a com pedido de dinheiro. Montagem, Apropriação, Metalinguagem são os elementos que se destacam na construção desta estranha narrativa que, simultaneamente, afirma e comenta com ambígua ironia, valores tradição literária moderna. Palavras-chave: Apropriação; Autoria; Conto; Mise em abyme; Narrativa Brasileira Contemporânea; Valêncio Xavier.

Oriente-se:

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Autoria; Conto; Mise em abyme ; Narrativa Brasileira Contemporânea; Valêncio Xavier. Oriente-se: * * * *

Anotações

II Colóquio Narrativa Contemporânea Em Debate

Realização:

Grupo de Pesquisa “Experiência e Experimentalismo na Narrativa Contemporânea” – CNPq – Unesp/São José do Rio Preto

Comissão Organizadora:

Arnaldo Franco Junior Márcio Scheel Orlando Nunes de Amorim

Apoio

Programa de Pós-Graduação em Letras – Unesp/SJRP Setor de Gráfica do Ibilce – Unesp/SJRP Setor de Laboratórios de Língua - Salas Ambiente

Agradecimentos Especiais

Flávia Nascimento Márcio Scheel Marcio Santana da Silva Marcos Alexandre Rosalez Maurício Borim Sônia Helena de O. R. Piteri