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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO

12ª Promotoria de Justiça do Núcleo de Defesa do Pat. Público e da Probidade Administrativa


MISSÃO: Defender o regime democrático, a ordem jurídica e os interesses sociais e individuais indisponíveis, buscando a justiça social e pleno
exercício da cidadania.

Exmo. Sr. Juiz de Direito da Vara Especializada de Ação Cível Pública e Ação Popular
da Comarca de Cuiabá.

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO
ESTADO DE MATO GROSSO pelo Promotor de Justiça abaixo assinado, no
exercício de suas atribuições legais, por delegação, conforme Portaria 082/2009-PGJ,
legitimado pelos arts. 127 e 129 inciso III, da Constituição Federal, art. 103 da
Constituição Estadual, art. 1º da Lei Complementar Estadual nº 27/93, 25 inciso IV,
letra “b”; 26, inciso I e 29 inciso VIII, da Lei nº 8.625/93-LONMP e pela Lei Federal nº
7.347/85 – ACP vem perante Vossa Excelência propor a presente AÇÃO CIVIL DE
RESSARCIMENTO DE DANOS AO ERÁRIO C/C PEDIDO LIMINAR DE EXIBIÇÃO
DE DOCUMENTOS contra:
1 – JOSÉ GERALDO RIVA, brasileiro,
separado, Deputado Estadual, Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de
Mato Grosso, portador da cédula de identidade RG n° 297.707/SSP-MT e do CPF n°
387.539.109-82, nascido em Guaçuí-ES em 08/04/59, filho de Daury Riva e Maria
Pirovani Riva, residente na rua Estevão de Mendonça, nº 199, Edifício Giardino de
Roma, Bairro Goiabeiras em Cuiabá-MT, podendo também ser encontrado na
Assembleia Legislativa Estadual, situada na Av. André Antônio Maggi, nº 06, no Centro
Político Administrativo - CPA;
2 – HUMBERTO MELO BOSAIPO,
brasileiro, casado, Conselheiro do TCE/MT e advogado, inscrito na OAB/MT sob o nº
3.655/MT, com CPF n° 094.169.601-44, nascido em Goiânia-GO em 03/11/54, filho de
Edifício Sede das Promotorias de Justiça Reunidas, setor do Ministério Público, rua 04, s/nº., Centro Político Administrativo - CPA.
CEP 78.049-921 – Cuiabá-MT – fones (65) 3613-1647 – E-mail:probidade.administrativa@mp.mt.gov.br – SRS - Pags. 1 de 12
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exercício da cidadania.

Antônio Bosaipo e Teresa Costa Melo Bosaipo, residente na rua Manoel Leopoldino,
apartamento 265, Ed. Luciana, Bairro Araés, em Cuiabá-MT, podendo também ser
encontrado no Tribunal de Contas Estadual, localizado no Centro Político
Administrativo - CPA, Caixa Postal nº 10.003, CEP 78070-970; ;
3 – GUILHERME DA COSTA
GARCIA, brasileiro, casado, economista, servidor da Assembleia Legislativa de Mato
Grosso, portador da cédula de identidade RG nº 099.641/SSP-MT e do CPF nº
001.706.071-00, nascido em Vila Bela da Santíssima Trindade-MT em 08/11/43, filho
de Joaquim da Costa Garcia e Trinidad Poquiviqui, residente na rua Estevão de
Mendonça, n° 2.148, bairro Morada do Sol, em Cuiabá-MT;
4 – NASSER OKDE, brasileiro, casado,
servidor do Poder Legislativo Estadual, portador da cédula de identidade RG n°
0327430-6/SSP-MT e do CPF/MF n° 314.188.641-53, nascido em Rio Verde-GO em
10/04/64, filho de Hassan Okde e Latifi Okde, residente na avenida Rubens de
Mendonça, n° 3.000, Bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá-MT;
5 – OSVALDO JOSÉ COSTA,
brasileiro, casado, funcionário público, portador da cédula de identidade RG nº 570790/
SSP-MT e do CPF nº 045.926.541-53, nascido em 25/05/51, filho de Octávio José da
Cota e Mirtes Ribeiro da Costa, residente e domiciliado na rua Itália, nº 400, Bairro
Santa Rosa, em Cuiabá-MT;
6 – VARNEY FIGUEIREDO DE LIMA,
brasileiro, casado, funcionário público, portador da cédula de identidade RG nº
0614132-3/SSP-MT e do CPF nº 363.119.101-44, nascido em Cuiabá em 19/10/65,
filho de Mário Gonçalves de Lima e Darcy Fortunato Gonçalves de Lima, residente e
domiciliado na rua A, s/n, quadra 11, bloco 9, apartamento 101, Residencial Paiaguás,
em Cuiabá-MT;
7 – JURACY BRITO, brasileiro, casado,
funcionário da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso, portador da cédula
de identidade RG nº 0539493-7/SSP-MT e do CPF/MF nº 808.772.571-91, nascido em
Barra do Garças-MT em 13/01/70, filho de Domingos Brito Lima e Aurelina Araújo
Moreira, residente na rua Benedito Curvo, quadra 103, casa 01, Jardim Costa Verde,
em Várzea Grande-MT; pelos motivos de fato e de direito que passa a aduzir.

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I - SÍNTESE DOS PEDIDOS


1 - O Ministério Público do Estado de Mato
Grosso, por meio dessa ação pretende a condenação dos requeridos JOSÉ
GERALDO RIVA e HUMBERTO DE MELLO BOSAIPO ao ressarcimento dos danos
causados ao erário em razão de atos ilícitos, no valor de R$ 377.097,50 (trezentos e
setenta e sete mil, noventa e sete reais e cinquenta centavos), porque na qualidade de
gestores responsáveis pela Administração da Assembleia Legislativa Estadual foram
responsáveis pelo desvio.
Também busca-se responsabilizar o requerido GUILHERME
GARCIA pois este na qualidade de servidor público responsável à época dos fatos
pelo setor de finanças da Assembleia Legislativa Estadual, colaborou diretamente na
prática dos atos fraudulentos, concorrendo para consecução deles, beneficiando-se
direta e indiretamente dos ilícitos perpetrados contra o patrimônio público. Ressalta-se
a não inclusão de LUIZ EUGÊNIO DE GODÓY no polo passivo da presente ação ante
a circunstância de ter falecido em 03/04/2007 (fls. 231), bem como por ser solidária a
responsabilidade dos demais requeridos pelos danos causados ao erário.
Ainda, deduz-se a pretensão em face dos requeridos OSVALDO
JOSÉ COSTA, VARNEY FIGUEIREDO DE LIMA, JURACY BRITO e NASSER OKDE,
porque todos eles servidores da AL/MT, sacaram ou depositaram os valores objeto da
presente ação em suas contas correntes pessoais.
Reivindica-se ainda, pelos fundamentos expostos na presente
ação, medida cautelar de exibição de documentos.
II – FATOS
2 – Em 13/07/05 o autor instaurou o
Inquérito Civil GEAP nº 000807-002/2005 com um volume e dois anexos, em
continuidade às investigações relativas às denúncias de desvio e apropriação indevida
de recursos públicos do Poder Legislativo Estadual.
As investigações tiveram início em virtude da notícia e
encaminhamento de documentos pela Justiça Federal, demonstrando que mais de
sessenta e cinco milhões de reais oriundos da Assembleia Legislativa do Estado de
Mato Grosso haviam circulado pelas contas da Confiança Factoring Fomento Mercantil
Ltda, empresa pertencente ao grupo João Arcanjo Ribeiro, sendo isso um dos

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desdobramentos da operação intitulada “Arca de Noé”, desencadeada em conjunto


pela Polícia Federal, Ministério Público Federal e Ministério Público Estadual, visando
desmantelar a organização criminosa chefiada pelo então temido e poderoso
“comendador” (anexo I). Os documentos apreendidos somados ao relatório do Banco
Central encaminhado ao MPE pela Justiça Federal, geraram a suspeita de que havia
lavagem de dinheiro proveniente da AL/MT, mediante pagamentos efetuados para
pretensos credores.
3 – Para apurar a ocorrência destes
pagamentos o autor desta ação ingressou com uma medida judicial de exceção ao
sigilo bancário da conta corrente nº 86.100-6, Agência Setor Público do Banco do
Brasil de Cuiabá-MT, de titularidade da Assembleia Legislativa do Estado de Mato
Grosso. Em virtude desta medida, foram identificadas 36 (trinta e seis) cópias de
cheques nominais à CONTRIBUIÇÃO FUNDO SOCIAL, a seguir relacionados (fls. 57
e seguintes, anexo II):
cheque nº data valor observação
959188 15/04/99 R$ 11.171,68 compensado banco 320, ag. 24, c/c 6508-7, endosso G. Garcia
258 19/05/99 R$ 12.858,85 compensado banco 320, ag. 24, c/c 9060-0, endosso Bosaipo e
G. Garcia
958966 17/06/99 R$ 8.098,02 sacado, endosso G. Garcia
630 22/06/99 R$ 13.430,40 compensado banco 320, ag. 24, c/c 9060-0, endosso Vilson
Penteado de Almeida
811 16/07/99 R$ 12.398,65 compensado banco 320, ag. 24, c/c 9060-0
1025 18/08/99 R$ 12.556,34 compensado banco 320, ag. 24, c/c 9060-0, endosso Vilson
Penteado de Almeida
1406 21/09/99 R$ 13.352,14 compensado banco 320, ag. 24, c/c 9060-0, endosso Vilson
Penteado de Almeida
1636 22/10/99 R$ 13.843,79 compensado banco 320, ag. 24, c/c 07009060-0
1900 18/11/99 R$ 14.146,97 sacado, endosso Bosaipo
2285 20/12/99 R$ 14.532,56 sacado, endosso Bosaipo e G. Garcia
2597 19/01/00 R$ 14.619,18 sacado, c/c Osvaldo José Costa
2936 15/03/00 R$ 15.177,43 sacado, endosso Bosaipo e G. Garcia
3023 24/03/00 R$ 15.472,17 c/c Varney F. de Lima, endosso G. Garcia
3752 26/04/00 R$ 16.106,02 sacado, c/c Juracy Brito, endosso Godoy
3990 23/05/00 R$ 16.318,82 sacado, endosso Godoy
4212 19/06/00 R$ 8.256,50 compensado, c/c Nasser Okde, endosso G. Garcia
4213 19/06/00 R$ 8.344,80 compensado, c/c Nasser Okde, endosso G. Garcia
4564 31/07/00 R$ 8.580,09 compensado, c/c Nasser Okde, endosso G. Garcia
4563 02/08/00 R$ 8.000,00 compensado, c/c Nasser Okde, endosso G. Garcia
4756 01/09/00 R$ 8.685,91 sacado, c/c Nasser Okde
4755 01/09/00 R$ 8.000,00 sacado, c/c Nasser Okde

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4965 22/09/00 R$ 8.538,62 sacado, c/c Nasser Okde


4966 04/10/00 R$ 8.538,62 compensado, c/c Nasser Okde, endosso G. Garcia
5172 03/11/00 R$ 8.612,74 compensado, c/c Nasser Okde
5173 03/11/00 R$ 8.612,74 compensado, c/c Nasser Okde
8782 13/12/00 R$ 9.021,11 compensado, c/c Osvaldo José Costa
8781 15/12/00 R$ 9.021,12 compensado, c/c Osvaldo José Costa
8771 17/01/01 R$ 8.916,41 compensado, c/c Osvaldo José Costa
8772 17/01/01 R$ 8.916,41 sacado, endosso G. Garcia
8174 16/02/01 R$ 8.810,52 sacado, c/c Nasser Okde, endosso Godoy
8175 16/02/01 R$ 9.299,40 sacado, c/c Nasser Okde, endosso Godoy
8440 16/03/01 R$ 7.000,00 sacado, endosso Bosaipo
8439 21/03/01 R$ 7.647,33 sacado, c/c Juracy Brito
6839 19/04/01 R$ 6.000,00 sacado, c/c Nasser Okde
6840 19/04/01 R$ 5.212,16 sacado, c/c Nasser Okde
6849 02/05/01 R$ 9.000,00 sacado
Total: R$ 377.097,50

4 – Diante da constatação de que os


cheques emitidos em nome da CONTRIBUIÇÃO FUNDO SOCIAL foram sacados ou
depositados na conta corrente de servidores da Assembleia Legislativa, o autor
requisitou ao Presidente da AL/MT cópias de todos os comprovantes de pagamentos
efetuados com os cheques acima, bem como esclarecimentos sobre qual o tributo ou
contribuição havia sido paga (fls. 15/16, 59 e 60).
Em resposta a AL/MT limitou-se a informar o repasse a quem de
direito do valor correspondente ao desconto devidamente autorizado pelo servidor a
título de contribuição para o Fundo Social (fls. 78). Novamente oficiado (fls. 89/90 e
106) o então Presidente José Geraldo Riva recusou-se a prestar maiores informações,
ao argumento de que as indagações já teriam sido respondidas, tampouco apresentou
qualquer comprovante de pagamento ou esclarecimento a que título (fls. 122).
Também foi oficiado aos Deputados José Geraldo Riva e
Humberto Melo Bosaipo e ao funcionário Guilherme Garcia (fls. 18/32, 59, 61/62),
questionando-os sobre a emissão dos cheques em favor do FUNDO DE
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Após pedidos de prorrogação de prazo, não apresentaram
qualquer esclarecimento (fls. 33 e 35/36, 65/67, 70/71). Novamente oficiados, deixaram
transcorrer o prazo sem resposta (fls. 94/103, 114 e 116).
5 – Foram trazidos aos autos os documentos
pertinentes às quebras de sigilo bancário de alguns dos requeridos, inclusive o relatório
do CAOP onde constam os depósitos feitos na conta do réu Nasser Okde (fls.
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exercício da cidadania.

126/226).
Como se vê pelo quadro acima e pela ausência de qualquer
justificativa para a emissão dos cheques ou para o destino a eles dados, está
claramente demonstrado que o pagamento a título de Contribuição de Fundo Social foi
utilizado, fraudulentamente, para justificar a emissão dos cheques de titularidade da
AL/MT, como já narrado em várias outras ações propostas, envolvendo empresas
“fantasmas”. Tudo está a demonstrar a existência de um esquema de lavagem e
desvio de dinheiro público.
6 – As supostas contribuições foram
utilizadas dolosamente pelo requerido GUILHERME DA COSTA GARCIA, responsável
à época dos fatos pelo setor de finanças da AL/MT, que colaborou com as falcatruas e
beneficiou-se do esquema montado. Também os réus OSVALDO JOSÉ COSTA,
VARNEY FIGUEIREDO DE LIMA, JURACY BRITO e NASSER OKDE participaram do
esquema montado beneficiando-se com os cheques sacados ou depositados em suas
contas pessoais. Eles agiram sob orientação e comando dos então Deputados
HUMBERTO MELO BOSAIPO e JOSÉ GERALDO RIVA, como verdadeira quadrilha,
organizada para desviarem e apropriarem-se criminosamente de dinheiro público. Os
cheques nunca foram parar em fundo social algum!
A verdade é que até o presente momento, a AL/MT mantém em
sigilo indevido, imoral e ilegal os documentos que teriam dado origem aos supostos
pagamentos narrados nestes autos. Pela atitude constada é bem provável que eles
nem existam!
7 – A análise dos documentos mostra que
dos cheques emitidos em favor da CONTRIBUIÇÃO DE FUNDO SOCIAL, vinte e um
deles foram sacados diretamente na boca do caixa, conforme consta da relação que
está no bojo desta inicial. Se sacados no caixa, não foram depositados em fundo
nenhum!
Em vários cheques consta a assinatura de HUMBERTO
BOSAIPO e de GUILHERME GARCIA. Essa assinatura funcionava junto ao Banco do
Brasil como uma autorização dada pelos emitentes do cheque para o saque direto no
caixa, sendo que algumas vezes eles mesmos sacavam os cheques e em outras o
saque se dava por pessoas por eles indicadas, inclusive o réu NASSER, sendo por
eles providenciada, inclusive, a provisão de numerário junto ao banco para os saques.

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exercício da cidadania.

Esses fatos foram confirmados pela gerente de contas da agência


do setor público do Banco do Brasil, Raquel Alves Coelho em 10/03/03, através de
declarações prestadas nos autos do Inquérito Civil Público nº 009/03, juntadas às fls.
228/229 do procedimento que dá suporte a esta inicial.
8 – É evidente que essa operação de desvio
e apropriação indevida de dinheiro público não poderia de forma alguma ter sido
realizada com êxito, sem a efetiva participação dos Deputados Estaduais JOSÉ RIVA e
HUMBERTO BOSAIPO que, à época dos fatos, exerciam cargo de comando na
Assembleia Legislativa deste Estado. Foram co-responsáveis e eram ordenadores de
despesas, além de emitentes dos cheques nominais, dentre eles os destinados a
suposta CONTRIBUIÇÃO DE FUNDO SOCIAL.
Em relação ao servidor GUILHERME DA COSTA GARCIA, foi
incluído no polo passivo desta ação porque atuava conjuntamente como ordenador de
despesa, por integrar a Mesa Diretora da AL/MT e por atribuição do cargo de
Secretário de Finanças (tesoureiro) e, nessa qualidade, ele assinava cheques emitidos
contra a conta corrente daquele Parlamento Estadual. Por sua vez, OSVALDO
COSTA, VARNEY LIMA, JURACY BRITO e NASSER OKDE eram servidores da
AL/MT e sacaram ou tiveram depositados nas suas contas correntes os valores dos
cheques acima relacionados.
NASSER era lotado na Secretaria de Finanças, trabalhava
conjuntamente com Luiz Eugênio Godoy e, segundo a Gerente Raquel Alves Coelho
(fls. 228/229), era uma das pessoas que podia sacar os cheques emitidos pela AL/MT
em favor das empresas fictícias, endossados pelo suposto representante da empresa.
E assim foram emitidos os cheques nº 4563 (8.000,00), 4756 (8.685,91), 4755
(8.000,00), 4965 (8.538,62), 8174 (8.810,52), 8175 (9.299,40), 6839 (6.000,00) e 6840
(5.212,16) em nome da Contribuição de Fundo Social, sacados por ele; e os cheques
nº 4212 (8.256,50), 4213 (8.344,80), 4564 (8.580,09), 4966 (R$ 8.538,62), 5172
(8.612,74) e 5173 (R$ 8.612,74) depositados na conta corrente de sua titularidade,
conforme consta do quadro acima.
JURACY era assessor parlamentar do Deputado Humberto
Bosaipo, pessoa de sua mais alta confiança e conhecedor do “esquema”, tendo sido
beneficiário dos cheques nº 3752 e 8439, respectivamente no valor de R$ 16.106,02 e
de R$ 7.647,33, por ele sacados. Ele, aliás, recebeu também vários outros cheques,

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totalizando importância vultosa, que são objeto de outras ações.


VARNEY era servidor da AL/MT e teve o cheque nº 3023 (R$
15.472,17) depositado em sua conta corrente pessoal.
OSVALDO também servidor da AL/MT sacou os cheques nº 2597
(R$ 14.619,18), 8781 ( R$ 9.021,11), 8771 (R$ 8.916,41) e depositou o cheque nº
8782 (R$ 9.021,11) em sua conta corrente pessoal.
9 – Desse modo, com o encerramento das
investigações promovidas no âmbito do Inquérito Civil em questão, comprovou-se que
R$ 377.097,50 provenientes de verbas públicas foram desviados pelos requeridos em
proveito deles, por meio de ardiloso esquema em que utilizaram a CONTRIBUIÇÃO DE
FUNDO SOCIAL como falsa credora, emitindo trinta e seis (36) cheques daquela Casa
de Leis para ela, no intuito de justificar a saída ilegal de dinheiro daquele parlamento.
Em face do ocorrido e das provas anexas a esta inicial, não resta
outra alternativa ao Ministério Público Estadual senão ingressar com a presente ação
civil pública para buscar o ressarcimento dos prejuízos causados ao erário pelos
diversos desvios perpetrados.
III – DIREITO
10 – A Lei nº 7.347/85 (Ação Civil Pública),
em seu artigo 5º e 21, remetendo também ao Título III da Lei nº 8.078/90 – CDC, prevê
a ação de responsabilidade por danos causados a qualquer interesse difuso ou
coletivo. A natureza difusa dos danos ao erário é inconteste, tendo em vista que a
agressão não fere exclusivamente a pessoa jurídica de direito público interno, mas sim
a toda a coletividade, que mantém o funcionamento da administração pública por meio
do pagamento de tributos. A respeito da natureza do bem jurídico tutelado no caso em
concreto, leciona o professor Paulo de Tarso Brandão1:
... É inegável o caráter preponderantemente difuso do
interesse que envolve a higidez do erário público.
Talvez esse seja o exemplo mais puro de interesse
difuso, na medida em que diz respeito a um número
indeterminado de pessoas, ou seja, a todos aqueles
que habitam o Município, o Estado ou o próprio País,
a cujos governos cabe gerir o patrimônio lesado, e
mais todas as pessoas que venham ou possam vir, ainda
que transitoriamente, a desfrutar do conforto de uma
perfeita aplicação ou a ter os dissabores da má
gestão do dinheiro público.

1 BRANDÃO, Paulo de Tarso. Ação Civil Pública. São Paulo: Obra Jurídica. 1996.
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exercício da cidadania.

Lembro que, infelizmente, as sanções pela prática de ato de


improbidade administrativa não poderão ser aplicadas, em virtude da prescrição.
Porém, perfeitamente preservado o direito de buscar o ressarcimento da importância
que deixou os cofres públicos indevidamente e proporcionou enriquecimento ilícito aos
particulares, a teor do artigo 37, § 5º, da Constituição Federal, cabendo ao Ministério
Público a proteção do patrimônio público por expressa determinação contida nos arts.
127 e 129, inciso III, da Constituição Federal, art. 103 da Constituição Estadual, Lei
Complementar Estadual nº 27/93, Lei 8.625/93 – LONMP, Lei Federal nº 7.347/85 –
ACP e Lei Federal nº 8.078/90.
11 – A atitude dos requeridos causou
prejuízo ao erário, saltando aos olhos a necessidade de serem condenados ao
ressarcimento. O fundamento jurídico que determina a indenização do dano é princípio
antigo do direito, segundo o qual todo aquele que causa dano tem o dever de fazer sua
recomposição, pois as normas jurídicas não admitem o enriquecimento sem causa,
sendo certo que o prejuízo sofrido pelo patrimônio público possui uma característica
sui generis, o fato de ser, por mandamento constitucional, imprescritível.
Portanto, do cotejo entre os fatos relatados com o direito posto, a
única conclusão aceitável e admitida é a condenação dos requeridos no dever de
indenizar o patrimônio público pelo imenso prejuízo que lhe causaram, na medida em
que desviaram mais de R$ 377.097,50 dos cofres estaduais para proveito próprio,
enriquecendo-se às custas da população mato-grossense.

IV – PEDIDO LIMINAR DE
EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS
12 – É fundamental para o deslinde da
presente ação o exame de todos os procedimentos referentes à despesa pública, tais
como empenhos, guias de recolhimento e pagamentos efetuados pela AL/MT a título
de CONTRIBUIÇÃO DE FUNDO SOCIAL, se é que esses documentos existem, pois
tudo indica o contrário!
Embora estes documentos tenham sido requisitados, não foram
apresentados ao Ministério Público para análise no procedimento que serve de base à
presente ação (fls. 15/16, 59 e 60, 78, 89/90 e 106 e 122). Quem sabe agora, por
determinação judicial, eles apareçam?!!!
Importante registrar que no curso da Ação Civil Pública nº
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12ª Promotoria de Justiça do Núcleo de Defesa do Pat. Público e da Probidade Administrativa
MISSÃO: Defender o regime democrático, a ordem jurídica e os interesses sociais e individuais indisponíveis, buscando a justiça social e pleno
exercício da cidadania.

146/2008, diante da determinação do juízo para que a AL/MT apresentasse os


documentos relativos a processos licitatórios da contratação de empresa o Parlamento
Estadual se esquivou de tal obrigação argumentando que os documentos já haviam
sido descartados, segundo tabela de temporalidade instituída pelo Ato nº 369/96, pela
comissão constituída pelo Ato nº 370/96 (fls. 232/235). Não é o caso destes autos, já
que não trata-se de despesa sujeita a procedimento licitatório.
O procedimento de liquidação da despesa referente a
contribuição para o FUNDO SOCIAL (empenho, guias e pagamento), previstos no
artigo 58 da Lei nº 4.320/64, devem estar preservados e arquivados, se existirem e
devem ser exibidos para análise nestes autos, já que deveriam estar arquivados, pois
não estavam abrangidos pelo ato citado.
13 – Anoto que os artigos 355 a 363 do
Código de Processo Civil trazem como meio de prova lícito o pedido de exibição de
documento ou coisa, concedendo ao magistrado o poder de ordenar que a parte ou um
terceiro apresente, em juízo, documentos que estejam em seu poder e que sejam
importantes para o deslinde da causa.
Assim, diante dessa possibilidade e considerando a
necessidade da medida, pois administrativamente a AL/MT nega-se a fornecer
cópia da documentação, requer-se liminarmente que Vossa Excelência determine,
cumulativa e alternativamente à Assembleia Legislativa, por meio de seu representante
e com fundamento no art. 360 do CPC, o seguinte:
(a) - EXIBIÇÃO de todos os documentos relativos a quaisquer processos
administrativos que deram origem a obrigação do recolhimento de CONTRIBUIÇÃO
DE FUNDO SOCIAL;
(b) - EXIBIÇÃO de todos todos os comprovantes da liquidação de despesa,
contendo empenho, guias de recolhimento e pagamentos efetuados a título de
CONTRIBUIÇÃO DE FUNDO SOCIAL.
O autor requer desde já e expressamente, em caso de não
exibição e apresentação de tais documentos, seja aplicado o art. 359 do CPC,
admitindo-se como verdadeiros todos os fatos que por meio dos documentos
que pleiteia a exibição, se pretende provar, quais sejam, que os pagamentos feitos
pelos cheques indicados na tabela constante do item 5, emitidos em favor da
CONTRIBUIÇÃO DE FUNDO SOCIAL, foram ilícitos e fraudulentos, conforme já

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explanado nesta inicial.


V – PREQUESTIONAMENTO
14 – Expressamente e desde já o Ministério
Público prequestiona a matéria legal e constitucional envolvida na presente causa,
para efeitos de eventual recurso especial e extraordinário, devendo sobre ela esse
Juízo posicionar-se de forma clara e precisa.
Na verdade, trata-se de simples cautela processual para, na
eventualidade de serem potencialmente utilizados os recursos especial e
extraordinário, não se faça Juízo de Admissibilidade Negativo, com fundamento na
ausência de prequestionamento, em todas as instâncias.
Assim, o não acolhimento da pretensão formulada pelo Ministério
Público nesta causa, contraria e nega vigência a lei federal, consubstanciada no artigo
5º e 21 da Lei Federal nº 7.347/85, art. 81, inciso I da Lei nº 8.078/90 e também
contraria dispositivo da Constituição da República, consubstanciado no artigo 37 § 4º.
VI – PEDIDOS DE MÉRITO
15 – Pelo acima exposto o Ministério Público
de Mato Grosso requer a Vossa Excelência:
(a) – a distribuição, registro e autuação desta petição juntamente com o Inquérito Civil
GEAP nº 000807-002/2005, com um volume, contendo os anexos I e II que integram
as investigações, justificam a propositura da presente demanda e contém provas
dos atos lesivos ao erário;
(b) – seja determinada a distribuição, registro e autuação com o recebimento da inicial,
procedendo-se à intimação pessoal do ESTADO DE MATO GROSSO, na pessoa
do Excelentíssimo Procurador-Geral do Estado, o qual pode ser encontrado na rua
06, s/nº, Centro Político Administrativo, nesta Capital, a fim de que, dentro do prazo
de 15 (quinze) dias, manifeste-se sobre a ação, observando-se a que esta intimação
deverá anteceder a citação dos requeridos, eis que poderá integrar a lide na
qualidade de litisconsorte ativo;
(c) – seja adotado rito ordinário e observada a Lei nº 7.347/85-LACP, já que
pretende-se apenas o ressarcimento dos danos causados ao erário, determinando-
se a citação dos réus para apresentarem contestação, no prazo e forma legal, com
as advertências dos arts. 285 e 319 do CPC, sob as pena da lei;
(d) – seja permitido provar-se o alegado por todos os meio em direito admitidos, tais
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exercício da cidadania.

como perícias, a serem especificadas oportunamente, depoimentos de


testemunhas, a serem arroladas tempestivamente, juntada oportuna de novos
documentos e especialmente a colheita de depoimento pessoal dos requeridos, sob
pena de confissão;
(e) – ao final, seja julgada procedente em todos os seus termos a presente ação para
condenar solidariamente os réus ao ressarcimento integral do dano causado ao
erário, no valor de R$ 377.097,50 (trezentos e setenta e sete mil, noventa e sete
reais e cinquenta centavos), valor não atualizado, sobre o qual deverá incidir
correção monetária e juros de mora, até o efetivo ressarcimento aos cofres do
Estado, a serem apurados em futura liquidação;
(f) – sejam os requeridos ainda condenados ao ônus da sucumbência, uma vez que a
lei da ação civil pública não os isentou desse encargo, quando vencidos;
(g) – que determine a intimação pessoal do autor (MPE) nesta ação, conforme
determinação do art. 236 § 2º, do CPC, no endereço constante do rodapé,
observando-se ainda o disposto no art. 18 da Lei nº 7.347/85 (sem adiantamento de
custas, emolumentos, honorários periciais ou outras despesas).
16 – Dá-se à presente causa para efeitos
legais o valor de R$ 377.097,50.
Nestes termos, espera deferimento.
Cuiabá, 02 de junho de 2009.

CÉLIO JOUBERT FÚRIO


Promotor de Justiça

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