Calmon Fichamento de “The New Economics of Organization” e de “Political Control and the Power of the Agent”– Terry Moe (Junho de 2009) Kleber Chagas Cerqueira (Matrícula: 0960969)
O primeiro artigo de Terry Moe aqui sintetizado, que é de 1984, apontava que nos dez anos anteriores a sua publicação uma importante nova abordagem no estudo das organizações havia emergido dentro da economia. Essa nova abordagem, chamada por ele de “a nova economia da organização”, se caracterizaria por três elementos: uma perspectiva contratual sobre os relacionamentos organizacionais o foco teórico no controle hierárquico; e análises formais via modelos principal-agente. Segundo Moe, até então a teoria política positiva não havia contribuído muito para a compreensão da burocracia pública. Isso pela pouca importância que a ciência política vinha dando até então a um terceiro elemento fundamental, formador, junto com as eleições e o mercado, das escolhas públicas: a hierarquia. Assim, foi a partir do trabalho pioneiro de economistas como Downs, Tullock e Niskanen que a nova abordagem, a nova economia da organização, emergiu, mais recentemente, com o intuito de suplantar a teoria neoclássica da firma, para explicar, de modo revolucionário, porque as organizações se comportam como vemos. O irrealismo de alguns postulados da teoria neoclássica não impediu a consolidação desta como principal matriz explicativa do funcionamento organizacional, na medida em que seu rigor e formalismo permitiram o desenvolvimento de sofisticados e elegantes modelos explicativos.
por vezes ineficientes. chegando .As origens e temas básicos da nova economia da organização foram assentados fundamentalmente pela visão pioneira de três divergentes da teoria neoclássica da firma: Ronald Coase. o que o levou a construir um modelo de escolha e decisão baseado em rotinas. Daí emergiu a teoria da organização de Simon. mas seu impacto acabou sendo mais sutil e menos sistemático que o de Coase. mas razoáveis do ponto de vista adaptativo. processo orçamentário (Wildavsky) e processo decisório(Allison). seu artigo ressurgiu nos anos 1970 com a maior fonte teórica para o emergente campo de estudo das instituições. Alchian contribuiu para remover a preeminência dos últimos postulados irrealistas da teoria neoclássica da firma. Depois de muito citado e pouco usado. O Paradigma comportamental emergente foi então incorporado à Ciência Política a partir de estudos sobre incrementalismo (Lindblom). diferentemente destes. em famoso artigo de 1937. Procurando encontrar um modelo melhor de explicação para o comportamento individual. associando-se aos esforços de Coase e Simon. Seu maior legado foi incorporar definitivamente aos estudos sobre instituições a preocupação com os elementos psicológicos no processo decisório. a qual acesso limitado às informações e limitada capacidade humana de processá-las. Simon chegou à tese da racionalidade limitada dos agentes. Coase apontou. nas palavras do próprio Coase. estendendo a elas os princípios da racionalidade limitada e da rotinização encontrados no comportamento individual. Alchian não construiu um modelo de comportamento individual. aplicando às organizações o conceito darwinista de seleção natural. Posteriormente. a propensão das instituições para reduzir custos de transação como a razão principal de suas existências. Mas. O trabalho de Simon teve muita influência na economia da organização. Herbert Simon e Armen Alchian.
negligencie a explicação dos fenômenos empíricos. Contrariamente à aplicação tradicional do modelo principal-agente ao controle do Congresso dos EUA sobre a burocracia. voltando-se sobre si mesmo.aos trabalhos de March. O segundo paradigma emergente foi o da natureza contratual das organizações. Associado à tese da assimetria das informações esse paradigma levou ao desenvolvimento da estrutura analítica dominante de análise formal da hierarquia: o modelo principal-agente. Olsen e Cohen. as limitações do paradigma contratual se revelam na dificuldade de se traduzir os modelos da economia para a política e na necessidade de modificações substanciais nos modelos e conclusões da economia das organizações. de uma sutil rede de incentivos e de relacionamentos que condicionam o controle político que o Congresso exerce sobre a burocracia. que a vê controlando o Congresso. voltado ao estudo do controle hierárquico num contexto de informação assimétrica e conflito de interesses. Weingast propõe uma visão do comportamento da burocracia como dependente do contexto institucional. A principal vantagem do modelo é que os temas organizacionais podem ser estudados por meio dele de forma clara e rigorosa. Todavia. como nos modelos econômicos convencionais. que o refinaram no modelo “lata de lixo” das organizações. onde a forma tende a triunfar sobre a substância e o interesse analítico. A principal desvantagem consiste num tratamento matemático de alta complexidade sobre problemas triviais. tornando-se meros “brinquedos matemáticos”. Como podem os políticos controlar a burocracia? O modelo principalagente fornece uma visão simples da política democrática: toda a política é estruturada numa corrente de relações do tipo principal-agente. derivado de Coase. .
Moe analisa a relação entre controle político e poder do agente. . definidora desse relacionamento. Mas há uma segunda fonte de poder da burocracia que está relacionada ao caráter eletivo das autoridades e à capacidade da burocracia de influenciar suas escolhas de modo a potencializar seus resultados eleitorais. A partir de uma análise empírica do comportamento eleitoral de professores de escola pública estadunidense e de seu sindicato. Isso resulta numa capacidade da burocracia em controlar seus controladores e coloca o relacionamento principal-agente em uma perspectiva bem diferente. para exercer um efetivo controle sobre seus subordinados. Nessa perspectiva. o relacionamento entre as autoridades políticas e a burocracia é comumente entendido como um tipo de relação principal-agente e as análises centram-se em como as autoridades podem tentar superar a assimetria de informações. Moe pretende mostrar como estes são bastante ativos e influentes na escolha das autoridades chaves que os governam. Essa constatação impõe uma reorientação das teorias atuais de modo a considerar o relacionamento autoridades-burocracia num contexto mais complexo das organizações democráticas a prover um entendimento mais equilibrado do relacionamento de controle entre aqueles personagens. a informação é a fonte do poder da burocracia. Parte da constatação de que no estudo da burocracia pública.No segundo texto.