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Universidade federal do Triângulo Mineiro

Unidade temática: As Minas e as Gerais

Fichamento: Mitologia da Mineiridade, O imaginário mineiro na vida política e cultural do Brasil.

Profª Glaura Teixeira Nogueira Lima

Aluna: Isabela Bolzan Favarão

Uberaba 2013

como fonte de enganos. Autora: Laura de Mello e Souza Introdução Tudo que é particular e próprio às expectativas individuais é comumente acoimado pelo subjetivismo. (pg. nesse sentido.13) Ora. (pg.Fichamento: Mitologia da Mineiridade. alem do enfrentamentos do Império Universal.14) Gestou-se em Minas Gerais uma cultura política própria que ganha relevo nos momentos de transição no Brasil. que subsumiu o específico.] é possível afirmar-se que.13) Todo trabalho intelectual é histórico não apenas no sentido de versar sobre um momento da criação coletiva dos homens. visível no chamado fenômeno da conciliação.14) [. significou. no século XII”. (pg.. frequentemente denominada “mineiridade”. 16) .. quando não como ensaios suspeitos em busca de legitimação social. foram os historiadores os responsáveis pela construção da ideia de nacionalidade.14) Nessas ocasiões surge muitas vezes o reconhecimento de que a subcultura de Minas. pois “não existe nação sem historia nacional. (pg. na ribalta da sociedade. O imaginário mineiro na vida política e cultural do Brasil. principalmente. tidos e havidos como a própria manifestação da temperancia.13) “A exclusão do indivíduo não produziria um homem superior. (pg.] Cabe perguntar sobre a necessidade de apelar ao “caráter regional” ao “espírito particular dos mineiros”. mesmo em forma virtual. e as primeiras apareceram no Ocidente. purificado das escórias do imprevisível. mas. de uma certa forma. 15) [. senão só um repetidor inconsciente do que fosse programado” (pg. (pg. conteria os princípios do “entendimento nacional”. porque coloca problemas e inquietações que estão presentes. a desconsideração do singular parece-nos ser uma das marcas do mundo conterrâneo. a ultrapassagem das identidades regionais afirmadoras dos particularismos. transformando-o num mero matiz do conjunto.. 15) O movimento de constituição dos Estados. (pg. (pg.

estamento e classe.22) São as motivações os êmulos essenciais dos mitos e. mobilizandoas na prática social.Os trabalhos voltados a compreensão da emergência do Estado Nacional podem ser agrupados em dois eixos principais. 3º) a necessidade de responder a questões imediatas. estamentos.20) A defesa da identidade nacional manifesta-se.. segundo Fernando Henrique Cardoso para quem é possível “caracterizar” o pensamento político brasileiro deste século dizendo que nele há duas tendências [. no ataque às mensagens importadas emitidas pelos veículos da industria cultural.18) [. o processo de elaboração mítica pressupões: 1º) a permanência de condições históricas que lhe ofertem o material. considerados perigosos.19) Os intelectuais brasileiros dirigiram-se.22) As crenças míticas inauguram. onde se pode haurir o sentido das trajetórias particulares. (pg. a transposição da administração portuguesa para o colônia impediu o florescimento da cultura autentica. pois a certeza de ter-se adentrado ao universo da história. a maneira de captar as particularidades da estratificação social brasileira no período reside no emprego concomitante dos conceitos de casta. Daí. intentando amalgar a sociedade. ora a partir de uma fisionomia modelada pelo caráter nacional. 5º) as “motivações” de determinados agentes sociais.24) . transformando “uma intenção histórica em natureza. (pg. (pg. de forma mais visível. castas e das camadas sociais. 17) Para Raymundo Faoro. o segundo distingue a sociedade trabalhada a partir das categorias. classes.] O primeiro privilegia a dimensão Estado enquanto centro irradiador da nação. rastreando o perfil definidor do conjunto. elites. 2º) certa “criatividade social” capaz de fornecer-lhe a forma. (pg23) O mito desenvolver-se-á como em espiral até que o impulso intelectual que o produziu seja esgotado. uma contingência em eternidade” (pg. não por acaso à busca incessante das nossas raízes... 18) Na visão de Florestan Fernandes. (pg. ora através de um Estado todo-poderoso. (pg. enquanto núcleo organizador. (pg..21) Os significados culturais produzidos pelo pensamento mítico conferem aos seres sociais a possibilidade de tornarem-se proeminentes sobre a experiência vivida. (pg. O papel identificador desempenhado pelos mitos obriga-os a desenvolver operações de decantação da história. (pg.]Fernando Henrique Cardoso chama a atenção para a dificuldades de apreender a sociedade colonial a partir de categorias formalmente definidas. 4º) a existência de produtores culturais como mediadores simbólicos. por meio delas podem trabalhar “a analogia do sentido e da forma”.

29) As expressões políticas dos mineiros combinam memórias. o regionalismo foi compreendido como manifestação típica da federação brasileira do período de descentralização republicana. (pg. (pg. para o home. Daí o uso das noções de comportamento político. a identidades é concebida enquanto síntese de traços sócias produzidos na realidade e incorporados por agentes determinados e não como expressão acabada do próprio movimento da sociedade.Do debate social advém o caráter histórico dos mitos e nele diferentes significados são gestados. o problema fica superdimensionado. (pg..25) Evidentemente. 33) A transformação da paisagem e o perfil societário são convertidos em fenômenos em si. faltando deslindar a força dos nexos sociais escondidos de trás da transformação da natureza e dos agregados estatísticos. (pg.27) Teria a identidade papel semelhante a do totemismo na sociedades simples? (pg. (pg. 31) O fenônimo do coronelismo primorosamente. numa espécie de sacrilização das lembranças da terra. 35) . (pg. dadas as suas especificidades..25) Tratando-se de sociedades como a brasileira. a linha das gradações não é horizontal. como vimos. no passado. principalmente. a seiva que nutre os arquétipos. 34) A teoria da modernização firmou os parâmetros últimos das pesquisas. alusões ao passado e arguta capacidade de analise conformando um discurso original. (pg. sorvendo avidamente.32) O estado constituído em 1930 não encontrou óbices fundamentais ao reordenamento do domínio publico e pode redefinir a frio suas ligações com os poderes locais. [.26) Explicitando: para nós. de elite e massa. 28) O memorialismo mineiro mobiliza as concepções da mineiridade. (pg. (pg. analisado por Vitor Nunes Leal significa essencialmente a debilidade do poder municipal diante da crescente importância do plano federal. de geração política.] A nacionalidade pensa-se de forma coletiva através de categorias universalizadoras. 30) As fontes do mito No rastreio do regional Na abordagem historiográfica. (pg. mas entrecortada por pontos ascendentes e descendentes. (pg. incessantemente. numa toada composta por questões que a história põe e repõe.

39) O próprio regionalismo constitui-se no nível da ideologia das classes dominantes nos estados. as regiões seriam definidas pelo caráter diverso das leis de sua própria reprodução e pelo caráter de suas relações com as demais. numa contrapartida à concentração e à centralização da política e da economia do âmbito nacional. mas em momentos fundantes do próprio real. (pg. 35) Em sumo o corenialismo é a forma de exercício do poder das oligarquias. 37) Na critica política de desenvolvimento regional implementada pela SUDENE. no caso entendidos como a época de metamorfose de situação agrária para um estagio industrial em momentos em que os quais o “estado forte e centralizado” encontrava-se ausente.. (pg.42) . pois a consciência infeliz das oligarquias decadentes. é portanto a representação da crise na organização do espaço do grupo que a elabora. (pg. nesse sentido.em períodos de transição. 42) A abordagem da identidade regional supõe.A capacidade de fazer historia. passarão à História como relíquia da primeira República. (pg. (pg. atribuída as elites. no exame das contradições que esse caráter diferenciado pode colocar. no entanto. 38) Regionalismo e Anti-regionalismo no Paraná intenta perceber “como o regionalismo e o anti-regionalismo jogam um papel importante no embate entre a reprodução de um capital que necessita de um espaço nacional e os capitais que dominam determinadas circunscrições desse mesmo espaço”. 40) A ideologia regionalista. 40) A perda do espaço corresponde a articulação regional da “classe dominante” (pg.39) O regionalismo é conduzido para o embate entre os segmentos sociais dominantes na dinâmica da história. o autor detêm-se “no exame das tendências de homogeneização monopolística do espaço econômico”. explica o retardamento ou avanços sociais. (pg.) o processo de mudança ainda esta acontecendo. no exame do caráter diferenciado que pode persistir na reprodução do sistema global. 41) O regionalismo com figura. (pg.“classes dominantes”. (pg. 36) O interior diminuirá e a cidade avançará em direção ao centro do poder (. (pg.. e em breve os coronéis assim como os cangaceiros e os fanáticos. desvendar as elaborações produzidas por sujeitos sociais que não se constituem em meras ilusões. tal como surge. (pg.

os viajantes representam uma ruptura nas formas dos europeus conceberem a America. a terra parecera ter perdido. Os conhecidos gerais são a propriedade do idiota. (pg. 43) Não se pode esquecer que o novo despertar brasileiro atingiu-se de cores pinceladas na palhetas da cultura europeia de vanguarda. no entanto. onde descortina panorama da maior diversidade de cumes isolados e vales profundos. os vales mais profundos. oro viajante se acha em alto ponto de vista.50) . (pg. se pode concebê-la como uma ruptura. No século passado. 49) As viagens foram a Odisseia moderna do homem europeu. o escravismo é. 49) As nuanças de Quixote As montanhas vão se tornando mais alta e escarpadas. (pg.” (pg. para portugueses e luso brasileiros. em essência. as fontes precipitam-se mais rápidas em baixo. 47) Alem do mais. (pg. dado que introduz nova maneira de olhar a realidade tem ao mesmo tempo. 44) Para Blake. provavelmente nos estaríamos iniciando a nossa própria Odisseia. 48) O reconhecimento das colônias como membros do corpo europeu era inevitável. (pg. muito de sua primeira graça e gentileza. por elas. Particularizar é a verdadeira distinção do mérito. (pg. a sua identidade haveria de passar necessariamente. (pg. 46) A literatura de viagens parece ter sorvido parte desse caldo de cultura. “generalizar é de idiota.47) A colonização é um processo de violência sobretudo sobre homens. (pg. um lastro comum característico da continuidade. a memória que se forjara da terra descoberta nos quinhentos e que fora retomada pelos viajantes dos oitocentos. que agora ele vinha restituída. 46) A inquietação da procura do caminho da auto-expressao faz dos românticos homens seduzidos pelo exótico. a sua expressão mais forte. 43) De outro lado. ora se vê fechado entre paredes de montanhas ameaçadoramente abruptas.Sensibilidade romântica No intervalo de cerca de dois séculos. (pg. 45) A nacionalidade transforma-se em repositório da identidade e pode ofertar aos homens a possibilidade de exprimirem-se de maneira genuína. (pg. (pg. rochas maciças nos cumes ou no vale interrompem mais frequentemente as lindas encostas verdes e campinas.

] Dom Quixote encarna a morte do mundo cavalheiresco. (pg. sobretudo nos dias de festa. como vimos. 56) [. O seu traje nacional de uso comum difere dos paulistas. a referência as características cavalheirescas e a atração pela imagem da morte envolvem as minas numa atmosfera romântica. 60) As nossas esperanças reviviam com as palavras do profeta da renascença das Minas Gerais. pouco suscetíveis aos princípios da autoridade. cuja satisfação é o preço da quietude. Que vive ainda só nos seus delírios.57) A ideologia do trabalho trazidas dos imigrantes e cultivada especialmente. atingindo-as com suas raízes possantes. contudo..De qualquer forma.. (pg. a dois aspectos merecedores de maior relevo: 1) a ideia de sobrevivência desconectada da necessidade de grande dispêndio de trabalho. nas Minas Gerais a mineração não teria jamais. Os mineiros como Quixote transitam no mesmo universo onírico. ou inserido no conjunto do país. (pg. 62) Há nesta passagem por outro lado. (pg..] o acalanto do ouro provocava a paralisia do todo social. (pg. 57) Provavelmente. 53) Para nossa analise. a mesma força ressuscitadora dos sonhos. as outras regiões brasileira. (pg. (pg. (pg. 52) A caracterização de minas gerais pelos viajantes desponta num quadro eivado por comparações. 58) Como os ingleses. a natureza tem sempre grande força sedutora. (pg. (pg. (pg. construída a partir de referências a Europa.59) [. 54) As minas criaram a harmonia dos diversos timbres. foram os imigrantes estrangeiros os principais modificadores dessas concepções. nem sempre os homens o são. 61) Simultaneamente.51) Se a paisagem é digna de descrições emocionadas como estas. 55) A síntese de todos esses sentimentos tidos como mesquinhos é a decantada tristeza do brasileiro conectada ao gosto incoercível por pedras e metais preciosos. o mineiro faz muita questão do anseios no trajar e no terno branco. (pg.. transformando as minas no polo irradiador da preguiça nacional. deram centralidade as sua partes. 2) a noção de ócio como constante nacional. menção ao caráter político inquieto dos mineiros. (pg. (pg.63) . por aqueles que haviam ascendiam afirmavam-se em contraposição ao ócio.

e principalmente o significados que lhe foram atribuídos uteriormente. (pg. 63) . encontram-se na gênese da formação desse conceito.O movimento da inconfidência.