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Editoria: Tecnologia

Pauta: LHC – Grande Colisor de Hádrons)


Repórter: Mariana Scocco
Caracteres: 6.104

A máquina do começo do mundo


“A máquina LHC (Grande Colisor de Hádrons) é, com certeza, um dos maiores
feitos que o homem já construiu”. É assim que José Martins de Oliveira Junior, doutor
em Física Nuclear pela Universidade de São Paulo e professor de Física da Uniso
define a super máquina de 27 quilômetros de comprimento, instalada
subterraneamente entre a França e a Suíça. O primeiro teste da máquina foi realizado
em setembro deste ano.
O LHC foi criado com a intenção de reproduzir as condições físicas que
ocorreram no momento do Big Bang - grande explosão que explica a origem do
universo - para verificar se as afirmações desta teoria estão corretas. Segundo esta
linha de pensamento, no momento da explosão, partículas dos mais variados tipos
foram criadas, porém, logo em seguida desapareceram, após combinações com
outras, formando os átomos que compõem a matéria da forma como a conhecemos
hoje. “A grande maioria destas partículas só pode ser criada em condições extremas,
ou seja, quando aceleramos outras partículas encontradas atualmente (como os
prótons) e as lançamos em altíssimas velocidades umas contra as outras, de tal forma
que no momento da colisão sejam criadas condições energéticas (temperatura)
similares àquelas produzidas segundo o que propõe a teoria do Big Bang, que é
exatamente o que o LHC pretende fazer”, explica Oliveira.
Ainda de acordo com Oliveira Junior, a máquina foi construída dentro de um
túnel (enterrado a 100 metros de profundidade) para blindar a radiação que será
emitida pela máquina. “O feixe de partículas (prótons) produz radiação nociva para a
saúde dos seres vivos, e a forma mais barata de criar uma blindagem para os vários
tipos de radiação produzida pelo LHC, é utilizar a própria terra. Se não fosse assim,
teriam que ser construídas espessas paredes de concreto ou chumbo, o que iria
encarecer ainda mais o projeto”, afirma. A máquina em si não gera grande quantidade
de resíduos nucleares, e apenas alguns equipamentos ficarão radioativos devido ao
intenso bombardeio dos prótons. Por isso, após o seu tempo de vida útil, estes
equipamentos deverão ficar armazenados em local apropriado. “O resíduo gerado é
pequeno se compararmos com aquele produzido, por exemplo, em uma usina nuclear
de geração termoelétrica”, completa.
Para o doutorando em Física na Universidade de São Paulo e colaborador do
projeto do LHC, Gabriel Barros, o principal problema ambiental relacionado ao uso da
máquina está no consumo e geração de energia elétrica. “O CERN (Centro Europeu
de Pesquisas Nucleares) estima que o consumo anual de energia do colisor será de
cerca de 800 mil megawatts hora (MWh)”.
“Um megawatts é suficiente para ascender 2.500 lâmpadas de iluminação
pública. A Energia consumida pelo LHC é quase quatro vezes maior do que o
necessário para abastecer a rede de iluminação pública da cidade de São Paulo, que
conta com 560 mil lâmpadas”, calcula o eletricista André Luis do Amaral.
O projeto custou em torno de 13 bilhões de dólares e começou a ser
desenvolvido em 1991, quando, em uma reunião de Conselho do CERN, foi decidido
que o LHC seria um experimento essencial para explorar a área da Física Nuclear. O
financiamento ficou por conta dos 20 países europeus, componentes do CERN além
de recursos destinados por outros países, como os Estados Unidos e Japão, por
exemplo.
Para Gabriel Barros, a importância do experimento está na possibilidade de se
realizar pesquisa de ponta na área de Física de Altas Energias, e aumentar o
conhecimento a respeito dos tipos de interações existentes na natureza, e sua
composição. “Outro aspecto interessante é a possibilidade de testar a validade de um
modelo, o Modelo Padrão (que diz respeito às partículas elementares e às forças de
interação), que atualmente é o aceito para explicar o conhecimento que temos neste
ramo da Física” comenta. “Estar inserido em um projeto de pesquisa de ponta é muito
atraente. Pelo fato de ser mundial, a pesquisa parece funcionar 24 horas por dia, pois
enquanto você dorme aqui no Brasil, há pessoas trabalhando em outros lugares do
mundo. Isso acaba por motivar, e muito, a manter uma produtividade constante e
apresentar resultados aos membros da colaboração”, conta Barros.
De acordo com Oliveira Junior em um experimento deste porte, "coisas" novas
podem surgir, ou seja, podem ser criadas partículas que nem sequer foram pensados,
então o desafio é grande. “Os cientistas envolvidos estão ansiosos para colocar a
máquina em funcionamento. Mas ninguém precisa ficar nervoso, pois os físicos ainda
não construíram uma máquina capaz de criar buracos negros que pudessem engolir
tudo, como havia sido anunciado por alguns malucos que não entendem de física e
queriam impedir a entrada em funcionamento desta maravilhosa máquina”, alerta.
Ainda é difícil apontar quais seriam as possíveis conseqüências que os estudos
realizados no LHC possam trazer ao cotidiano das pessoas. Porém devemos lembrar
que a Internet, por exemplo, teve sua origem no CERN com a pesquisa de colisão de
partículas. A WWW (World Wide Web) nunca foi patenteada e seu impacto na vida das
pessoas e na economia mundial é incalculável.
“Outros benefícios com certeza virão, tais como o desenvolvimento de
detectores eficientes para todo tipo de radiação provenientes das colisões entre os
núcleos, que depois é transferida para a área médica na forma de novos
equipamentos como tomógrafos ou equipamentos de imagens essenciais para um
diagnóstico preciso de doenças nos seus estágios iniciais”, conclui Oliveira. Também
poderão ser desenvolvidos dispositivos eletro-eletrônicos ultra-rápidos usados para
coletar as informações dos detectores de partículas, que depois chegam ao público
em geral na forma de celulares mais eficientes e novos tocadores de música, por
exemplo.
Apesar da grande expectativa em relação aos resultados das pesquisas que
poderão ser feitas pela máquina, um vazamento de gás Helio, usado para refrigerar os
elementos que compõem o acelerador, impediu o início do seu funcionamento. Os
físicos e os curiosos em geral, terão que esperar até o segundo trimestre de 2009 para
o reinício dos testes.