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O QUE É CULTURA?

É comum dizermos que uma pessoa não possui cultura quando ela não tem contato com a leitura, artes, história, música, etc. Se compararmos um professor universitário com um indivíduo que não sabe ler nem escrever, a maior parte das pessoas chegaria à conclusão de que o professor é “cheio de cultura” e o outro, desprovido dela. Mas, afinal, o que é cultura? Não podemos dizer que um índio que não tem contato com livros, nem com música clássica, por exemplo, não possui cultura. Onde ficam seus costumes, tradições, sua língua? Podemos o definir como a rede de significados que dão sentido ao mundo que cerca um indivíduo, ou seja, sociedade. Engloba um conjunto de diversos aspectos, como crenças, valores, costumes, leis, moral, línguas, etc, chegamos à conclusão de que é impossível que um indivíduo não tenha cultura, afinal, ninguém nasce e permanece fora de um contexto social. Cultura Erudita Os produtores da chamada cultura erudita fazem parte de uma elite social, econômica, política e cultural e seu conhecimento ser proveniente do pensamento científico, dos livros, das pesquisas universitárias ou do estudo em geral. Sem fazer juízo de valor, podemos resumir assim: A cultura erudita exige um alto grau de instrução, de estudo, de formação específica, de conhecimento de história da arte (muitas vezes universal), dos movimentos artísticos, da própria história geral, etc. Conseqüentemente, acaba sendo mais elaborada. Por oposição ao conceito de arte popular, a partir do século XVI ter-seá consolidado uma cultura erudita, alta cultura ou cultura cultivada, própria dos grupos sociais dominantes.

O traço mais importante desta cultura devia-se ao fato dos grupos dominantes serem os mecenas e os principais compradores das obras produzidas pelas elites dos criadores culturais. A situação começou a ser rapidamente alterada após a segunda guerra mundial. As diferenças na fruição das artes passaram a ser feitas em função de grupos culturais, que não coincidem necessariamente com grupos sociais. Nunca como antes foram tão evidentes a importância dos críticos, historiadores de arte, curadores e outros públicos especializados na seleção dos criadores de vanguarda como a influenciarem a compra das suas obras pelos grupos sociais dominantes ou pelas instituições públicas A explicação para este divórcio entre os grupos dominantes e os artistas de vanguarda terá que procurar na natureza hermética das propostas estéticas das novas correntes artísticas. Cultura Popular A cultura popular aparece associada ao povo, às classes excluídas socialmente, às classes dominadas. A cultura popular não está ligada ao conhecimento científico, pelo contrário, ela diz a respeito ao conhecimento vulgar ou espontâneo, ao senso comum. O artista popular tira sua “inspiração” de acontecimentos locais rotineiros, a arte popular é regional. É importante ressaltar que os produtores da cultura popular não têm consciência de que o que fazem. Os produtores de cultura erudita têm consciência de que o que fazem tem essa denominação e é assunto de discussões, mesmo porque os intelectuais que discutem esses conceitos fazem parte dessa elite. O conceito de cultura popular é, contudo recente, está intimamente associado ao processo de urbanização que ocorre a partir do século XVIII, e ao despertar outra forma de cultura - a cultura de massas. A cultura popular, divulgada pelo romantismo, ocupará no imaginário da burguesia oitocentista as

memórias de uma sociedade que estava a desaparecer. Neste imaginário aparece retratada uma cultura feita por camponeses. Símbolo de um povo idealizado, puro e feliz na sua ignorância. Trata-se de uma imagem que é a antítese das massas de operários e pobres que se arrastam pelas cidades em vias de industrialização. A imagem deste "povo"- autor desta cultura identifica-se aos olhos dos românticos com o espírito nacional. Os seus usos, costumes, romances, cantares dão origem a um conceito novo de "Folclore", expressão deste saber ancestral preservado pelo povo. A cultura popular surge frequentemente decomposta nas suas múltiplas manifestações, como sejam: a arte, o teatro, o folclore, a música, arquitetura, as festas e romarias, a culinária, a poesia, os jogos, os divertimentos. O conceito de cultura popular apesar de persistir, revela-se hoje profundamente limitativo para descrever a própria realidade social dos campos. As comunidades rurais estão impregnadas de valores próprios da cultura de massas, sem, no entanto terem abandonado por completo as suas referências culturais. Constituem já uma cultura intermédia em fase de rápida integração na cultura de massas Cultura de Massas Não está vinculada a nenhum grupo específico e é transmitida de maneira industrializada para um público generalizado, interfere na existência de uma cultura erudita da elite e de uma cultura popular do povo. A Indústria Cultural é uma indústria que não fabrica produtos concretos, vende uma ideologia, vende visões do mundo, vende idéias, desejos. A cultura de massas não é uma cultura que surge espontaneamente das próprias massas, mas uma cultura já pronta e fornecida por outro setor social (que controla a produção da Indústria Cultural), a classe dominante. A cultura de massas funciona como uma ponte entre a cultura erudita e a cultura popular, mas uma ponte prejudicial, porque na verdade ela ignora

O desenvolvimento tecnológico tornou possível reproduzir obras de arte em escala industrial. por exemplo. Folclore O termo folklore folk (povo). gerações após gerações. O folclore pode ser dividido em lendas e mitos. As lendas são estórias contadas por pessoas e transmitidas oralmente através dos tempos. Muitos nascem da pura imaginação das pessoas. meios como jornais e livros.totalmente as diferenças entre os produtores dessas duas culturas e se direciona para um público abstrato e homogêneo. Misturam fatos reais e históricos com acontecimentos que são frutos da fantasia. através de explicações científicas. uma pintura de Picasso e uma massa de população passam a ter acesso a essas pinturas. Podemos definir o folclore como um conjunto de mitos e lendas que as pessoas passam de geração para geração. Como os povos da antiguidade não conseguiam explicar os fenômenos da natureza. principalmente dos moradores das regiões do interior do Brasil. então inúmeros livros passam a apresentar. Os mitos são narrativas que possuem um forte componente simbólico. O rádio e a televisão (que atingem quase todo o território brasileiro) adquiram o status de principais (e únicos para algumas pessoas) meios de comunicação de veiculação de bens culturais. As lendas procuraram dar explicação a acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais. criavam mitos com este objetivo: dar sentido as coisas do mundo. Muitos deles deram origem à festas populares. são de acesso restrito a uma parcela da população. Os mitos também serviam como uma forma de passar conhecimentos e alertar as pessoas sobre perigos ou defeitos e . Muitas destas histórias foram criadas para passar mensagens importantes ou apenas para assustar as pessoas. por exemplo. lore (saber) O termo identifica o saber tradicional. que ocorrem pelos quatro cantos do país. O folclore é passado de pais para filhos.

romances.qualidades do ser humano. na qual a enunciação da idéia ou fato está envolta numa alegoria a fim de dificultar a descoberta. por defeitos físicos – Pedro Cego.pela profissão – João Pedreiro. parlendas. trava – línguas. poesias. João Saci (porque tem uma perna só).são aqueles dados às torcidas de certos times de futebol. Chico Ferreiro. literatura de cordel. Ex. etc. fórmulas. animais ou coisas. até mesmo lugares. por vezes definindo certa particularidade ou com objetivo de crítica podem ser: • Coletivos . às cidades ou aos moradores de certa região. As adivinhas podem se classificar-se em: Comuns. Adivinhas São uma forma lúdica de enigmas populares.Na literatura folclórica podemos destacar a literatura escrita e a literatura oral. apelidos.: capixaba. maliciosas e versificadas • • Por que o galo quando canta fecha os olhos? O que é que o homem tem atrás e a mulher na frente? Apelidos São designações que se dão a pessoas. Exemplos Brasileiros Linguagem e Literatura Uso predominante da mímica e da metáfora. Deuses. • • Os Individuais podem ser . religiosas. heróis e personagens sobrenaturais se misturam com fatos da realidade para dar sentido a vida e ao mundo. . gaúcho.. barriga-verde. Mane Sacristão. correio elegante. Exemplos: adivinhas.

Podem ser pequenos relatos ou formas versificadas. Se guardares. por mim choras. Pardal pardo Por que palras? Palro sempre e palrarei Porque sou Pardal pardo Palrador del-rei. Uma das mais comuns é a elas ensinam aos filhos apontando-lhes os dedinhos da mão – Minguinho. Parlendas A finalidade é entreter a criança. principalmente nas festas juninas. sorteando o pegador. fura bolo e mata piolho. Ex. ensinando-lhe algo. que surgem em certas parlendas.Correio Elegante Fazem parte da literatura escrita o Correio Elegante. Correio Elegante ou Sentimental Se jogares fora esta carta. queres casar comigo. quadrinhas enviadas pelos namorados nas festas regionais. Se queimares. que apresentam no seu transcurso palavras de difícil articulação. me amas.: Uni duni tê. salemê mingüê. Fórmulas de escolha São fórmulas usadas pelas crianças para brincar de pique e outros brinquedos a fim de evitar contendas e descontentamentos. o sorvete colorê. . seu vizinho. me a adoras. pai de todos. que é posto menos desejado num jogo infantil. Trava-línguas São problemas orais de difícil enunciação de palavras. Se rasgares. uni duni tê.

Diz o mito que um homem foi atacado por um lobo numa noite de lua cheia e não morreu. Ele é representado por um homem jovem. em 1560. Nestas noites. Curupira Assim como o boitatá. Representado por um anão de cabelos compridos e com os pés virados para trás. Boto Acredita-se que a lenda do boto tenha surgido na região amazônica. porém desenvolveu a capacidade de transforma-se em lobo nas noites de lua cheia.Algumas lendas. Após a conquista. o boitatá é conhecido como "fogo que corre". Acredita-se que este mito é de origem indígena e que seja um dos primeiros do folclore brasileiro. mitos e contos folclóricos do Brasil: Boitatá Representada por uma cobra de fogo que protege as matas e os animais e tem a capacidade de perseguir e matar aqueles que desrespeitam a natureza. muitos habitantes do interior acreditam que é obra do curupira. Antes de a madrugada chegar. o lobisomem ataca todos aqueles que encontra pela frente. Mãe-D'água . Persegue e mata todos que desrespeitam a natureza. Somente um tiro de bala de prata em seu coração seria capaz de matá-lo. leva as jovens para a beira de um rio e as engravida. Foram encontrados relatos do boitatá em cartas do padre jesuíta José de Anchieta. ele mergulha nas águas do rio para transformar-se em um boto. bonito e charmoso que encanta mulheres em bailes e festas. Lobisomem Este mito aparece em várias regiões do mundo. Quando alguém desaparece nas matas. Na região nordeste. o curupira também é um protetor das matas e dos animais silvestres.

era um homem que foi muito malvado e só pensava em fazer coisas ruins. Como castigo. os faz largar suas famílias. Em vida. consegue encantar os homens e levá-los para o fundo das águas. foi rejeitado pela terra e teve que viver como uma alma penada. provocando a falta de ar. Corpo-seco É uma espécie de assombração que fica assustando as pessoas nas estradas. enquanto solta fogo pelas narinas. Também aparece em alguns mitos como sendo uma mulher luminosa que voa pelos ares. chegando a prejudicar e maltratar a própria mãe. Mãe-de-ouro Representada por uma bola de fogo que indica os locais onde se encontra jazidas de ouro. Pisadeira É uma velha de chinelos que aparece nas madrugadas para pisar na barriga das pessoas. Mula-sem-cabeça Surgido na região interior. Após sua morte. conta que uma mulher teve um romance com um padre. em todas as noites de quinta para sexta-feira é transformada num animal quadrúpede que galopa e salta sem parar. Saci-Pererê O saci-pererê é representado por um menino negro que tem apenas uma perna. Em alguns locais do Brasil. Com seu canto atraente.Encontramos na mitologia universal um personagem muito parecido com a mãe-d'água : a sereia. Este personagem tem o corpo metade de mulher e metade de peixe. Dizem que costuma aparecer quando as pessoas vão dormir de estômago muito cheio. Sempre com seu cachimbo e com um gorro vermelho que lhe dá . toma a forma de uma mulher bonita que habita cavernas e após atrair homens casados.

a Cruz ou a Santa Cruz constitui motivo de reverência. nas máscaras. ou ainda tradicional. como os cantos das folias do Divino. nas rendas. queimar comida e acordar pessoas com gargalhadas. na indumentária. . no papel recortado. improvisada. Fixada em lugar onde houve algum desastre. o universo lúdico folclórico não perdeu espaço com os brinquedos eletrônicos. Religião Um exemplo de folclore no catolicismo brasileiro é a função da cruz. as pipas. Vive aprontando travessuras e se diverte muito com isso. Música A música folclórica é aquela espontânea das sociedades. os peões. como as modas ou modinhas de Batuque. considerada como o maior antídoto contra o diabo e males derivados dele. os pega-pegas. Arte e Artesanato A arte folclórica é expressa através dos acessórios domésticos. crenças nos fantasmas assombrações. as bochas. na pintura e na escultura. nos bordados. as queimadas. As peladas. Crendices e Supertições É o medo do desconhecido aliado à insegurança da vida que geram nos homens crenças supersticiosas. embora freqüentemente reformulado. podendo ser: improvisada e aceita espontaneamente.poderes mágicos. gato preto. as malhas. nos desenhos. as amarelinhas. as mágicas e a magia ligada à bruxaria. Suas funções são de decoração e de ornamentação. Lúdico O lúdico no folclore é o momento da socialização. letradas. assassinato ou onde alguém foi enterrado. nos utensílios caseiros. as cirandas. sexta feira 13. do estreitamento dos laços sociais. nas dobraduras. nos amarrados. ensaiada e aceita. Adora espantar cavalos.

uma estória é contada . Para um costume ser considerado folclore é preciso ter origem anônima. há quase dois mil anos. essencialmente brasileira. dando origem a inúmeras variantes. as danças. aceitando o fato. E quem inventou os brinquedos de roda com suas cantigas. mas o nome desse alguém. pela primeira vez. as adivinhas. assim. como a cestaria. despersonalizando-se. morre num caldeirão que continha nossa feijoada. não se saber ao certo quem o criou. considerando-o como seu. não tem autor conhecido. O fato folclórico A) A primeira é o anonimato. Considera-se artesanato folclórico todas as coisas que são necessárias. isto é. se perdeu através dos tempos. por gula. por isso. pois sua função é utilitária. Naturalmente tudo tem um autor. a autoria. no dia-a-dia do nosso país. A diferença entre folclórico e o popular O folclore é popular mais nem tudo o que é popular é folclórico. ou seja. Ao pé do fogo. Mas já havia sido registrada em uma coleção de estórias da Índia. que no dia do casório. é a aceitação do fato pelo povo e é essa aceitação que despersonaliza o autor. na beira do fogão. quem não quer manda? B) A segunda característica é a aceitação coletiva. Assim. A transmissão é de boca em boca. O povo. enfim. as trovas. saiu à procura de quem com ela desejasse casar-se . a cerâmica utilitária e as próprias ferramentas de trabalho do artesão. na missa. pelos seus elementos. a tecelagem. Quem foi seu autor? Ninguém sabe. pela primeira vez: quem quer vai. A estória de Dona Baratinha que se considerou muito rica ao encontrar um vintém e.O artesanato folclórico difere da arte folclórica. e o modifica e o transforma. desse autor. Também precisa resistir ao tempo e ser passado de geração em geração. pois o noivo é o nosso conhecido João Ratão. toma-o para si. os ditados? Quem disse. foi feito por alguém. Deve ser aceito e praticado por um grande número de indivíduos.nos parece. nos encontros sociais.

que se fixam pela prática freqüente. aquela cerâmica e as modificações não invalidam o modelo. da região. narrativas imaginosas sobre a natureza e o sobrenatural. no que se refere à técnica. Não havia imprensa. aquela indumentária. se aprende também por imitação. imprensa. uma certa estrutura que determina aquela dança. D) A quarta característica é a tradicionalidade. não havia. em qualquer das modalidades particulares (lendas. sem vida. provérbios. aquela estória. A aquisição do conhecimento dá a cada qual a possibilidade de difundi-lo. cabendo. nas vilazinhas esquecidas. e lhe dá uma unidade. Só se aprende. não no sentido de um tradicional acabado. A mesma coisa acontece com as danças. Na transmissão oral vive toda a história daquele grupo. coisa passada. adivinhas. de propagá-lo. escolas.de várias maneiras. de rendas. cantos. Tudo pode ser modificado.) em conexão com o objetivo. a técnica. poesia. os teatros. nos povoados distantes. feitura de aparelhos rudimentares. aos bem dotados. a que se faz de boca em boca. nem jornais. Há. todos os conhecimentos eram transmitidos oralmente. de trançados. facilita a apreensão e a conservação. Essa forma de transmissão. uma cantiga tem trechos diferentes na melodia. muitas vezes. nessas circunstâncias. Sem se poderem valer de outros expedientes. contudo. . C) A terceira característica é a transmissão oral. como professores. as pessoas do povo se valem da tradição. parlendas. perimido. por ouvir dizer e. comunicação do exemplo e imitação espontânea. a responsabilidade maior nas cantorias. etc. mas de uma força de coesão interna que define o modelo do conglomerado. brinquedos. ainda persiste em meios primitivos e no interior de nosso país. tanto pode o conjunto de dançadores dar três voltas como apenas uma. os acontecimentos são alterados e o próprio povo diz: "Quem conta um conto acrescenta um ponto". do povo. nas danças e nas técnicas. a indumentária tanto pode ser rica e colorida como simples e ingênua. evidentemente. mas suas danças não têm regulamento. nem livros. pois os antigos não dispunham de outros meios de comunicação. porque o povo dança. nos bairros longínquos. portanto. não são codificadas. a oral. isto é. e. contos com preceitos morais e normas de procedimento. dispensado. daquele povo. o ensinamento oral.

não ensinados na escola. que é o modo vivo e atual pelo qual se transmitem os conhecimentos. o Natal é comemorado com grupos de Pastorinhas. e sofre evidentemente. Assim. de uma técnica. o Bumba-meu-boi aparece em datas distintas. seja uma atitude ante qualquer agente que exija definição de comportamento. seja decorrente de rito religioso. variando conforme a região. por exemplo. cujas origens talvez se perderam nos tempos. não é apenas uma repetição de gestos com feição harmoniosa. é uma expressão a ser analisada como integrante de um contexto. canta para adormecer a criança. com seus cantos e danças próprias.veiculada pela transmissão oral. não segue seu destino nem cumpre sua missão sem lutas e empecilhos. Tudo quanto o povo faz tem uma razão. um destino. é dinâmica. e. a uma norma psicoreligiosa-social. audições como os eruditos. rege todo o saber popular. Mas não dão concertos. buscando na lição vinda do passado o que precisam saber no presente. Congadas e Moçambiques louvam a Senhora do Rosário e São . Bailes Pastoris e Folias de Reis. de uma dança. canta para trabalhar. já que suas possibilidades as endereçam mais A sabedoria constituída que à inventiva. recitais. seja o desenvolvimento de um jogo. da cultura do povo. O povo nada realiza sem motivo. canta para ajudar a morrer e para enterrar seus mortos. Elementos de outras culturas a submetem a pressão. A tradição. mas a cultura é viva. deve ser vista como pane de um todo. seja de cerimônia do grupo. sem determinante estritamente ligada a um comportamento. canta para festejar as colheitas e os acontecimentos. Inicialmente teria tido um destino. uma função. Somente a inércia poderá retardar essas modificações. a fim de resolver suas situações. Essa força. e isto provém de não ser absolutamente fechado o campo da cultura. é um campo aberto onde se agitam as influências do próprio meio e as externas. que age no sentido de garantir a permanência dos valores de uma cultura. assim. impacto em todos os setores. E) A quinta característica é a funcionalidade. A dança. antes. Por que o povo canta? Canta para rezar. as suas festas têm épocas marcadas.

as consequências da colonização foram tamanhas que. através de guerras e escravidão. Cada tribo possui sua cultura. falam quatro línguas. Apesar da colonização europeia ter praticamente destruído a população indígena não só fisicamente. uma língua derivada do TupiGuarani com termos da língua portuguesa que serviu de língua franca no interior do Brasil até meados do século XVIII. principalmente nas regiões de influência paulista e na região amazônica. atualmente. a cultura e os conhecimentos desse povo acabaram por influenciar parcialmente a língua. já os Carajás falam apenas uma. o português brasileiro guarda inúmeros termos de origem indígena. Durante a colonização a cultura e os conhecimentos indígenas foram determinantes. Atualmente. Os Ianomâmis. Os Guaranis manifestam sua cultura em trabalhos em cerâmica e em rituais religiosos. e a presença muito frequente na toponímia por todo o território. como as redes de descanso. costumes e línguas diferentes. Tanto que o principal destaque nesse período foi a influência indígena na chamada língua geral. pela ação da catequese e intensa miscigenação com outras etnias. com destino certo. no Brasil. os índios se dividem em diversos povos de hábitos. religião. por exemplo. Formação da Cultura Brasileira A influência indígena Primeiros habitantes do território brasileiro. A diversidade cultural presente entre as culturas indígenas brasileiras é proporcional a existente hoje em todo o Brasil. Porém. . como também culturalmente. enquanto os Tupis acreditam ser dominados por um ser supremo designado Monan. Dentre eles estão os nomes na designação de animais e plantas nativos como o jaguar. crenças e conhecimentos específicos. a culinária. e ainda as Danças de São Gonçalo e de Santa Cruz. o folclore e o uso de objetos. especialmente derivados do Tupi-Guarani. apenas algumas nações indígenas ainda existem e conseguem manter parte da sua cultura original.Benedito. a capivara e o ipê.

deixou no Brasil as tradições do calendário religioso. tatu. tornando-se a religião oficial do Estado até a ele herdou as palavras ligadas à flora e à fauna (abacaxi. em 1808. Durante todo período de colonização cidadãos portugueses foram transportados para as terras sulamericanas. Difundida principalmente pelos padres jesuítas. o português fixou-se definitivamente como o idioma do Brasil. A partir daí a imigração portuguesa foi constante e perdurou até meados do século XX. caju. no açaí. como também as culturas dos povos que já existiam. O evento que mais trouxe implicações políticas. suas festas e procissões. na jabuticaba. o português era no início da colonização considerado língua geral na colônia. o saci-pererê. Com a proibição do tupi em virtude da chegada de muitos imigrantes da metrópole. Outro importante legado português foi a religião católica. crença de grande parte da população brasileira. O catolicismo. a herança indígena está na mandioca. ao lado do tupi. piranha). influenciando não só a sociedade que viria a se formar. com os seres fantásticos como o curupira. geográficos.Também recebeu forte influência indígena o folclore das regiões do interior do Brasil. de todos os povos que chegaram no País os portugueses foram os que mais exerceram influência na formação da cultura brasileira. A mais evidente herança portuguesa para a cultura brasileira é a língua portuguesa. atualmente falada por todos os habitantes do País. Na culinária. na ervamate. profundamente arraigado em Portugal. mandioca. a influência indígena se faz mais forte em certas regiões brasileiras como o Norte do Brasil. o boitatá e a Iara. em que os grupos conseguiram se manter mais distantes da primeira ação colonizadora A influência portuguesa Colonizadores do território brasileiro por 322 anos. Das línguas indígenas. nos inúmeros pescados e em pratos típicos como o pirão. Apesar desses legados terem uma boa representatividade no País. João VI para o Brasil. econômicas e culturais para o Brasil foi a mudança da corte de D. bem como nomes próprios e .

maneirismo. são de origem portuguesa os seres fantásticos como a cuca. que foi criada nos engenhos como substituto para a bagaceira portuguesa. Atualmente. A cachaça. Um deles é a feijoada brasileira.8% da população brasileira declara-se católica. o carnaval e a festa junina.Constituição Republicana de 1891. Além da língua e da religião. tanto na arte popular como na arte erudita. A formação cultural no Brasil . A culinária brasileira também recebeu algumas interferências dos colonizadores. que foi um resultado da adaptação dos cozidos portugueses. Duas das festas mais importantes do Brasil. e muitas das lendas e jogos infantis como as cantigas de roda. são o resultado da adaptação de pratos portugueses às condições da colônia. pintura. o bicho-papão e o lobisomem. Com isso a literatura. Nas artes. De acordo com o IBGE 73.na decoração de talha dourada e nas pinturas de muitas igrejas coloniais. barroco. tem forte apelo à cultura dos colonos misturada com as culturas dos demais povos que habitaram o País. No folclore brasileiro. Muitos dos pratos típicos do País. vários folguedos populares como o bumba-meu-boi. o fandango e a farra do boi denotam grande influência portuguesa. e alguns pratos portugueses como as bacalhoadas também se incorporaram aos hábitos brasileiros. escultura. música. também chegaram no Brasil por influência dos portugueses. As intervenções portuguesas seguiram após a Independência. o Brasil é considerado o maior país do mundo em número de católicos nominais. por exemplo. arquitetura e artes em geral no Brasil colônia eram muito baseadas na arte portuguesa. E muito do que o Brasil é hoje. rococó e neoclassicismo. que instituiu o Estado laico. Essa referência pode ser vista nos escritos do Padre Antônio Vieira. a cultura dos portugueses foi responsável pela introdução dos grandes movimentos artísticos europeus como o renascimento.

cores e movimentos. que deixaram como principal herança a língua portuguesa.Segundo o Dicionário Aurélio. hábitos. o bicho-papão e o lobisomem. também recebeu influências da imigração de europeus não portugueses e povos de outras culturas. culturas. crença da maioria da população. Foi nesse período que se deu o início da formação cultural brasileira que. culinária e folclore brasileiros. o território brasileiro foi palco de uma fusão primordial entre as culturas dos indígenas. atualmente o Brasil constitui . das manifestações artísticas e intelectuais transmitidos coletivamente. transmitiram suas características culturais e formaram o que hoje é o Brasil: um conglomerado de povos. a Inglaterra e os Estados Unidos. dos europeus. Ou seja. Durante os séculos de colonização. formando assim uma sociedade altamente miscigenada. das crenças. influenciando com seus costumes na cultura local atual. Países como a França. que no caso do Brasil é um dos mais plurais do mundo. Além da linguagem. pensamentos e arte de um povo. os colonizadores também implementaram no território a religião católica. crenças. das instituições. é o conjunto formado pela linguagem. não ficaram de fora desse contexto e também exportaram seus hábitos e produtos para o Brasil. crenças. especialmente portugueses. grandes centros culturais do planeta. e dos escravos trazidos da África subsahariana. falada por todos seus habitantes. mais tarde. e os seres fantásticos do folclore como o bumbameu-boi. eles conseguiram deixar no País um pouco de seu conhecimento nas línguas. Por mais que esses povos tenham sido marcados no passado pelas contradições do conflito e da convivência. A colonização europeia foi tão forte que praticamente eliminou as demais culturas dos povos indígenas e africanos. direta ou indiretamente. como árabes e asiáticos. a cultura pode ser definida como um complexo dos padrões de comportamento. e típicos de uma sociedade. Dentre todos esses povos. Tudo o que se vê hoje culturalmente nas regiões brasileiras é resultado da reunião das crenças de todos esses povos que. Mesmo assim. os que exerceram maior influência no Brasil foram os portugueses.

a imigração europeia para o Brasil foi incentivada tanto para o povoamento territorial de regiões ainda nativas e alvo da cobiça dos países vizinhos. Em relação à quantidade de imigrantes. principalmente em São Paulo. da França.uma nação de traços singulares. de convivência pacífica e baseada no respeito e na coletividade Influência dos imigrantes Por um vasto período de tempo a população brasileira era. quem chegou em maior número foram os italianos. da Holanda. do Japão. Apesar de o Brasil ser uma colônia portuguesa. . os imigrantes europeus não tiveram problemas em manter e difundir a sua cultura no Brasil. do Líbano. deixando de lado muitos aspectos de sua herança cultural. a população italiana foi se concentrando. logo atrás dos italianos vieram os portugueses e em seguida os alemães. sua língua e criavam no local uma espécie de cópia das terras que deixaram na Europa. Apesar de estarem em menor número. Os que viviam em pequenas propriedades familiares mantinham seus costumes. em sua maior parte. da Polônia. também chegaram no Brasil imigrantes da Espanha. Ao contrário do que aconteceu com os índios e africanos. Mas com o fim da mão de obra escrava entre os séculos XIX e XX. esses últimos vindos em um movimento organizado contratado pelo governo brasileiro para se concentrarem no Rio de Janeiro. da Ucrânia. deixando na população muitas de suas influências germânicas. quanto para o trabalho em regime de colonato (semiassalariados). composta por negros e mestiços. Do sul de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul. que chegaram em um fluxo contínuo desde 1824. Os últimos se fixaram especialmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Já os imigrantes que se fixaram nas grandes fazendas e centros urbanos rapidamente se integraram na sociedade brasileira. da Coréia do Sul e da Suíça.

de maneira geral. a imigração de pessoas deixou de ser frequente a partir de 1970. Colômbia. Com essa mudança e com o fortalecimento do processo emigratório. Tribos. Os franceses deixaram grandes contribuições nas artes. referência no mundo. como na música e em festas populares. Bolívia. Peru e Paraguai. a entrada de imigrantes no Brasil continuou e englobou países como China. a imigração da Europa e de outras regiões do mundo influenciasse em todos os aspectos a cultura brasileira. tradições. jejes. A influência africana A cultura africana é extremamente diversificada e suas características retratam tanto a história do povo quanto a do continente – considerado o território habitado a mais tempo na Terra.O fato das culturas europeias não terem sido reprimidas fez com que. No Brasil. Formados principalmente por bantos. Culturalmente eles diferem muito entre si. línguas e religiões específicas. A culinária recebeu notável influência italiana. sendo em alguns aspectos. grupos étnicos e sociais formam essa população de costumes. a cultura africana chegou através do tráfico negreiro que trouxe para o País povos da África na condição de escravos. quando os atrativos de terra boa para o plantio em fazendas brasileiras deixaram de existir com a forte industrialização e as novas oportunidades deixaram de ser interessantes para os povos. hauçás e malês os africanos tiveram . Porém. Isso acontece porque os habitantes da África evoluíram em um ambiente cheio de contrastes e com várias dimensões. hoje o Brasil não recebe mais influência imigratória tão impactante como acontecia antigamente. os alemães na arquitetura e os imigrantes eslavos e os japoneses deixaram nas técnicas agrícolas. Apesar dessa variedade de povos interessados no Brasil. vivem em habitações diversificadas e se envolvem em inúmeras atividades econômicas. que transforou pratos típicos como a pizza em comida popular no Brasil. nagôs. praticam diferentes religiões. Sua cultura miscigenada já possui suas características próprias. falam um vasto número de línguas.

que contribuiu com os ritmos que são a base de boa parte da música popular brasileira. chegavam a ser batizados com nomes portugueses e obrigados a se converterem ao catolicismo. a contribuição dos africanos na cultura brasileira não se limitou à religião. A música também foi muito favorecida pela cultura africana. uma das mais antigas do Brasil e a mais remota da Colônia. Na culinária regional. As mais praticadas no Brasil são o candomblé e a umbanda. Mesmo assim foram eles que ajudaram a dar origem às religiões afro-brasileiras. instrumento utilizado para criar o ritmo que acompanha os passos da capoeira. Dança. também foram trazidos alguns instrumentos musicais como o berimbau. samba. o afoxé e o agogô. por exemplo. Já o idioma brasileiro ganhou novas palavras como macumba e catinga. culinária e idioma receberam influências que prevalecem no Brasil até os dias de hoje. em 21 de janeiro. a herança africana é evidente. Dando continuidade à exploração da terra e em busca de novos gentios a evangelizar. e os instrumentos musicais atabaque. no cumprimento da missão que os trouxera ao Novo batuque. Porém. principalmente na Bahia. música. moleque. o caruru e o acarajé. Além da contribuição rítmica. No folclore são de origem africana as danças de cateretê. Martim Afonso de Souza fundou a povoação que iria transformar-se na Vila de São Vicente. O dendezeiro.sua cultura repreendida pelos colonizadores. benze. O mais conhecido deles no Brasil é o berimbau. que juntamente com outros gêneros deu origem à base rítmica do maxixe. choro e bossa nova. . jongo e o samba. a cuíca e a marimba. Na colônia os escravos aprendiam o português. uma palmeira africana da qual se extrai o azeite de dendê. Colonização de São Paulo A colonização de São Paulo começou em 1532 quando. Um exemplo disso é o gênero musical lundu. foi introduzido na região pelos escravos e é hoje utilizado em vários pratos de influência africana como o vatapá. todos de origem africana. difundidas atualmente em diversas regiões do País.

Por isso. segundo cartas enviadas a Portugal. para ter controle exclusivo sobre a região das Minas. as "bandeiras". São Paulo vivia da agricultura de subsistência. onde encontraram. "uma terra mui sadia. Do ponto de vista da segurança. na segunda metade do século começariam as viagens de reconhecimento ao interior do país. que incluía então um território muito mais vasto que o do atual Estado. Em 1560. expedições organizadas para aprisionar índios e procurar pedras e metais preciosos nos sertões distantes. ao redor do qual se iniciou a construção das primeiras casas de taipa. na proporção direta do extermínio das nações indígenas que colocavam resistência a esse empreendimento. aprisionando índios para trabalharem como escravos na frustrada tentativa de implantação em escala da lavoura de cana-de-açúcar. escalou a serra do mar chegando ao planalto de Piratininga. dando início ao desbravamento das Minas Gerais. No início. Assim. que dariam origem ao povoado de São Paulo de Piratininga. contando sobretudo com a mão-de-obra do indígena e desfalcada de seus homens válidos. que facilitava a defesa contra ataques de índios hostis. responsáveis pela ampliação do território brasileiro a sul e a sudoeste muito além da linha de Tordesilhas. fresca e de boas águas". Embora em 1711 a vila tenha sido elevada à categoria de cidade. Em 1681. que partiam para o sertão a redesenhar as fronteiras do Brasil. fundaram um colégio em 25 de janeiro de 1554. São Paulo foi considerada cabeça da Capitania. do qual faziam parte José de Anchieta e Manoel da Nóbrega. São Paulo continuava sendo apenas o quartel-general de onde não cessavam de partir as "bandeiras". carente de uma atividade econômica lucrativa como a do cultivo da cana-de-açúcar no Nordeste.Mundo. um grupo de jesuítas. Disso tudo resultou a proverbial pobreza da província de São Paulo na época colonial. Mas o sonho já era então a descoberta do ouro e dos metais preciosos. o povoado ganhou foros de vila. ao longo de todo o século XVIII. a localização topográfica de São Paulo era perfeita: situava-se numa colina alta e plana. Durante os três primeiros séculos de . o próprio êxito do empreendimento bandeirante fez que a Coroa desmembrasse a capitania. Nesse lugar.

Diversas definições acerca de Cultura Popular foram construídas nas ciências humanas. uma criação humana necessária para que o homem pudesse adaptar-se ao meio e ao mesmo tempo transformá-lo. e em especial nas lavouras de açúcar. Era já então insignificante a presença de índios nas zonas ocupadas pela colonização. econômicas e políticas. Há uma enorme afinidade entre a Geografia e o tema Cultura. e. e em decorrência das transformações ocorridas na sociedade com a evolução do modo de produção capitalista foi aberto um debate sobre sua posição frente o processo de globalização. Assim. Após a Independência. predominava entre a população uma "língua geral" de base tupi-guarani. estima-se que o espanhol fosse a segunda língua da vila de São Paulo. entre 1580 e 1640. implantadas com êxito no litoral norte e na região entre Itu e Sorocaba.colonização. o número de índios e mamelucos superou em muito o de europeus. A cultura é. em 1822. pois a Geografia tem como objetivo compreensão do espaço e das manifestações sociais. Geografia da Cultura Popular A Cultura Popular enquanto movimento social possui significativa influência na configuração do espaço geográfico e. sua compreensão é essencial para o ensino de Geografia. portanto. No período da união das coroas ibéricas. a grande virada da economia paulista só aconteceria na passagem do século XVIII para o XIX. quando as plantações de café começaram a substituir as de cana-de-açúcar e a se preparar para ocupar o primeiro plano na economia nacional. Até meados do século XVIII. Gastronomia e Turismo . sendo essa língua franca a mais falada em toda a região. e culturais que ocorrem no espaço geográfico dentro de sua dinâmica temporal e espacial. os africanos representavam algo em torno de 25% da população. mais de 40%. os mulatos.

A gastronomia é uma arte na qual quem a executa e quem a aprecia esteja em perfeita sintonia e. tendo em vista que os hábitos alimentares de um povo e os seus modos de fazer identificam e expressam a identidade de uma comunidade. . compreender como a gastronomia pode se tornar um importante atrativo cultural para o turismo. produtos típicos. contribuir influenciar na cultura alimentar de cada região de acordo com as adaptações que dela ocorre. A necessidade de se alimentar é básica e indispensável. nesse momento ele tem a oportunidade de saborear um alimento típico de onde se encontra e também conhecer um pouco da cultura desse local através de sua gastronomia. identificar traços culturais de um povo por meio da sua religiosidade. Nesse sentido o intuito deste trabalho é salientar a importância da gastronomia enquanto atrativo turístico-cultural. remetendo a idéia de traços e expressões culturais onde ela acontece.Na maioria das vezes o turista vai a um restaurante com o objetivo de saciar a fome. Nesse sentido. independente do tipo de atrativo e. principalmente quando através dela o turista possa entender o seu valor e a maneira de como ela é realizada. fica claro que a relação entre a gastronomia e o turismo acontece decorrente das mais variadas formas de atrativos para a sua realização.cultural. também de aproximar as pessoas. pois nela está contido o cotidiano e a história de quem a criou. Faz-se necessário. a busca por novos sabores e cores acaba favorecendo a atividade turística. etnia. uma vez que ela não apenas visa saciar a fome. todos eles irão de uma maneira ou de outra atrair estes turistas para determinados destinos turísticos. aproveitar o que solo de cada lugar tem a oferecer e através de sua capacidade de atravessar fronteiras. por isso. não é fácil compreendê-la como apenas como quem oferece algum alimento ao ser humano. principalmente no que diz respeito a atrativo turístico.Nos últimos anos a gastronomia tornou-se um importante atrativo turístico. lembrando sempre que a cultura propriamente dita é variada e dinâmica e seus processos mudam de conteúdo e significado de um lugar para o outro. ao mesmo tempo. mas.

Dessa forma vai-se criando uma cozinha de caráter étnico. a levam consigo. um grande pólo de atração de fluxos turísticos. explorada com muita freqüência no turismo para ressaltar as características de uma cultura em particular. e. onde ela é uma das manifestações culturais mais expressivas. 32) diz que: A identidade também é expressa pelas pessoas através da gastronomia. que reflete suas preferências e aversões. Uma vez que as escolhas alimentares são incorporadas ao processo de desenvolvimento que as sociedades passam. devida às varias influências tanto em sua formação histórica quanto a sua extensão territorial que propicia uma imensa opção em variedades de alimentos que são exóticos de um lugar para o outro tanto em seus aspectos físicos quanto na maneira como são preparados e consumidos e hábitos de um lugar para o outro A gastronomia é dessa forma. pois alimentar é uma necessidade básica e constitui um dos eixos do turismo cultural. Em relação ao Brasil. que trazem consigo a expressão de seus estilos de vida. Schluter (2003. reforçando seu sentido de pertencimento ao lugar de origem. a gastronomia é bastante peculiar e variada de uma região para a outra. Dessa maneira. neste caso funciona como opção de preservação a medida que oferece para visitação os locais mais impregnados da cultura e facilita em muito a preservação de seus locais. Cultura como atrativo Turístico Como pensar a História e a Cultura como atrativo turístico?”. étnicos.A identidade por meio da gastronomia A gastronomia é sem dúvida alguma um meio de identificação de um povo. porque com ela vêm juntos traços religiosos. identificações e discriminações. viabilizando e universalizando a troca humana e o convívio entre as culturas. p. fica claro que os hábitos alimentares terminam por contribuir na formação da identidade social dos povos. costumes e hábitos. . A presença do turismo. pois através dela se torna possível conhecer a história. sociais. quando imigram . hábitos e seus costumes.

dificilmente terá sua transmissão por “manuscritos”. Contudo. A partir do momento que a Cultura Popular que era espontânea passa a ser utilizada com fins lucrativos. a interpretação da História e da cultura é algo que deveria se tornar quase que obrigatório. deve-se ter uma certeza. pelo contrário. o produto do Turismo Histórico e Cultural não se dá apenas por meio das visitações aleatórias aos monumentos (Igrejas. o principal produto parte de um completo conjunto que engloba o passado e presente vivido pelos moradores locais complementado pela sua cultura. Entende-se. e sim espontânea acompanhada de dois importantes itens: naturalidade e informalidade. Museus. possivelmente. mas sim. mal interpretados. passar por modificações (que podem ou não interferir no seu contexto histórico e cultural) e revigorar manifestações que já estavam esquecidas e que se perderiam no tempo. A cultura é transmitida pela oralidade. A Manifestação da Cultura Popular quando voltada ao atendimento do Turista pode receber novos valores (diferentes de sua originalidade). em sua simplicidade. todavia não deixando de ser cultura popular. . entre outros). que deve ser respeitada como tal e merece ser estudado nos mínimos critérios. destruídos”.Para o turismo. Quando se analisa a Cultura Popular aliada ao Turismo. portanto ao Profissional de Turismo tomar uma posição antes que “os fenômenos sejam mal compreendidos. costuma-se passar de “pai para filho” e assim por diante. Cabe. Esses locais estão entre as áreas que mais apresentam crescimento no ramo do Turismo nos últimos anos e encontram-se entre as áreas que oferecem oportunidades dentro do Trade Turístico. Teatros. ou seja. mal aproveitados e. pode-se perceber um novo horizonte a ser discutido. portanto que a “cultura popular” não é determinada. visto que o Turismo em “cidades históricas” tem se mostrado um grande arrebanhador de visitantes. ela deixa sua espontaneidade e passa para um novo panorama.

Então.) o Folclore estimula o Turismo. em vez de reatar os laços culturais de determinada comunidade.. (Martins. a Cultura Popular deve utilizar-se do Turismo como uma ferramenta de auxilio para não se perder nos tempos. alimenta o Folclore. o Turismo age como um instrumento de exclusão da população local. Laura. mesmo a cultura se transformando em “rituais de entretenimento". pois. Em compensação. como já foi dito na citação de Saul Martins. Além do mais. porque. 2001 p. mas ambos devem saber respeitar suas particularidades. Onde. o Turismo e o Folclore devem caminhar juntos. inseparáveis (.. Saul Alves apud Della Monica. dá-lhe prestígio. mas mesmo com todas as críticas existentes Saul Martins diz que Turismo e Folclore devem estar de mãos dadas. o turismo é forte motivador para que a população local mantenha viva suas manifestações culturais. como foi dito tem seus prós e contras. pois serão iguais a qualquer outro lugar. Onde o Turismo ajuda a manter viva as manifestações culturais sem causar um grande impacto na Cultura Popular. sem qualquer atratividade. o turista não mais terá interesse em conhecê-los. o aplauso do turista entusiasma o povo.42) Contudo. onde os atrativos se mostram como objetos sem vida e sem significados. dá-lhe calor e vida. e a população se torna peças nesse . o dia que deixarem suas verdadeiras raízes e suas particularidades. além de provocar a monumentalização e a musealização.O “espetáculo” (apresentação de manifestações culturais) feito ao visitante. aliados. a utilização do Turismo como incentivo para o crescimento e manutenção da Cultura de determinada localidade não pode servir de impulso para uma vulgarização Histórica Cultural do local. dando-se o devido respeito de manter suas raízes e tradições.

contexto. No principio o Guia tinha o papel de facilitar o contato do viajante com a comunidade receptiva. O turista ao visitar um atrativo busca conhecer e vislumbrar o mesmo. pelo novo e pelo desconhecido. como mais uma. não estimulando assim. sua cultura e suas tradições de forma a valorizar os munícipes.a população local. pois. dificilmente terá aquele momento em suas lembranças pelo fato de não ter entrado em contato com a cultura daquele povo e não ter visto os significados que aquele local teve no passado e tem no presente dos munícipes. mas sim em três agentes: Turista. Quando o turista tem contato com um atrativo que é dado como “morto”. ele deve inserir na conjuntura da visitação. etc) e por fim . os turistas a compreenderem a cultura e por conseqüência.como monumentalização . não participam dela. Para que a História e a Cultura sejam utilizadas e inseridas corretamente no contexto do atrativo turístico é necessário que os três agentes anteriormente citados cumpram seu papel dentro do Trade turístico. Hoje o Profissional de Turismo tem a função de ir além do visual. Profissional de Turismo (Guia. em dois tempos distintos . para que o mesmo tivesse formação de alta qualidade. a população local deve ser inserida neste contexto.apresentando assim.tanto no passado quanto no presente . Por isso que no Planejamento Turístico é necessário pensar não só no turista.ele normalmente guarda aquele momento somente em sua coleção de fotos. o significado de determinado atrativo para a população local. Turismólogo. sendo eles seu foco de inclusão. Portanto. mas internamente ele tem uma sede pelo exótico. Ele sente necessidade de conhecer e participar da cultura local. sem dinamicidade . esse profissional tinha como função mostrar ao viajante as diferenças culturais e levar o visitante aos locais de maior expressividade.com tanta importância quanto os demais . para CORIOLANO (2003) o “Guia era um intermediador de culturas”. Então. sendo que de acordo com MENESES (2004) ela é a responsável pela construção e .

na visão de SWARBROOKE (2000) deve significar que a atividade Turística não pode impedir que a população nativa exerça seus direitos em benefício do Turista. (TRUGUEIRO. para que essa venha participar do crescimento da atividade em seu município. dando origem aos diversos protagonistas e suas performances nos festejos populares. Identidade aqui compreendida como um processo cultural em constante movimento entre os espaços públicos e privados das instâncias sociais. profanas e de agradecimento. 2005). a População Local tem seu direito resguardado pelo Código de Direitos Humanos. onde de forma alguma sua liberdade pode ser ameaçada pela presença de visitantes. de significados. então que os três agentes trabalhem para uma Democratização do desenvolvimento do Turismo Histórico Cultural de forma a não privar nenhuma das parcelas envolvidas. que já estão incorporadas aos nossos calendários de tradição religiosa e festiva. São essas evoluções e evocações que chegam até os dias atuais. Turismo Sustentável. Manifestações Populares como Atrativos Turísticos O homem comemora há centenas de anos os seus ritos de passagem. de referências e de desdobramentos em processos culturais de apropriações e incorporações de novos valores simbólicos que vão construindo outras identidades. trazendo melhorias para todos envolvidos.preservação de todo o conjunto (atrativos e culturais). . São essas práticas do passado que chegam ao presente com as suas diversidades nacionais. regionais e locais. relembra as suas datas festivas sagradas. É necessário. da interpretação e de critérios para reconstrução e preservação dos Significados mantendo-os vivos no dia-a-dia da População Local. Levando em consideração. Ao longo do tempo essas práticas sempre fizeram parte dos processos das transformações culturais e religiosas da sociedade humana e das suas relações simbólicas entre a realidade e a ficção. Trabalhando assim para um Resgate da memória coletiva. Essa inclusão sendo bem sucedida torna o Turismo uma atividade Sustentável.

. culturais e econômicas. As manifestações agora também fazem parte de uma rede composta por grupos midiáticos. se os acontecimentos são acelerados e as distâncias encurtadas. aconselha-se que ele entre primeiramente em contato com a cultura popular do grupo que ele pretende conhecer. Tais expressões quando se tornam características de certo grupo social são chamadas de manifestações populares e tem sua importância consagrada principalmente pelo fato de oferecer amparo cultural e emocional a população em geral. e nesta sociedade midiatizada. acaba servindo ao exibicionismo. sempre rompendo limites e fronteiras de tempo e espaço. Nos dias de hoje.E concordância com esta citação pode-se afirmar que faz parte da natureza humana querer expressar os sentimentos. outras culturas. A cultura popular. cada região ou cidade tem sua peculiaridade. Cultura popular é um termo empregado para dominar uma obra do povo e não para o povo. o turismo. a novos sistemas de comunicação. ou mesmo conhecer a si mesmo. no mesmo movimento as culturas locais tornam-se valorizadas. as descobertas. etc. a outros significados. o entretenimento. é notória a idéia de ações ágeis e criativas que devem caracterizar “a cultura” do mundo globalizado. o que as distingue embora juntas possam compor uma unidade regional. Se o homem traz em si o apelo de conhecer novas terras. de modo que nenhuma cultura é fechada em si. o que não impede que ela guarde suas características próprias. as vezes até de forma ingênua. os anseios as crenças. Vale pontuar que uma cultura popular específica pode sofrer influências de várias outras. Em contraponto. seja por imagens televisivas. navegação eletrônica ou pelo trânsito de pessoas. a novas práticas sociais. Através dela existe uma possibilidade maior de interpretar valores desejos e pensamentos adquiridos dos povos de tempos mais primitivos até os mais atuais. se tudo acontecer por força da globalização. se abre a outros setores. as empresas alimentação e tantas outras organizações sociais. em que quase tudo se torna espetáculo. Sendo assim. ir atrás de suas raízes.

especialmente em Parintins. A cultura popular e suas manifestações estarão ameaçadas somente na medida em que houver interferência estranha ao grupo – quando o grupo não puder expressar seu imaginário – quando seus valores forem apropriados e expressos por elementos estranhos ao universo da comunidade. as Festas do Bumba-Meu-Boi em São Luiz. O aspecto polêmico dessas modificações. Peão Boiadeiro em Barretos em São Paulo. na Paraíba. e Caruaru em Pernambuco. Com o turismo as festas populares ganharam elementos inovadores e recuperaram o espaço público para as atividades criativas. permite a esses grupos de habitantes se exporem ao exterior de modo positivo – é uma maneira de existir com relação a eles mesmo e ao mundo fora da dominação política . econômica ou religiosa. além disso. Boi-Bumbá no Amazonas. dessas incorporações em função da presença do turista não está verdadeiramente ligado à presença do turista. no Maranhão. da mercantilização ou espetacularização. entre outras. A importância da sua preparação e o orgulho do resultado predispõem as pessoas ao acolhimento e.Temos como exemplo as festas populares juninas no Nordeste. especialmente em Campina Grande. .

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