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-

---

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ALBERTO VlElRA

A QUESTÃO CEREALíFERA NOS AÇORES NOS SÉCULOS XV-XVII

(Elementos

para

o

seu

estudo) '*

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'4DE o

UNIVERSIDADE DOS AÇORES

PONTA DELGADA.

1985

Série

História

Separata

de ARQUIPÉLAGO

Revista

da Universidade

dos

Açores

e Filosofia

- N.o 1- Janeiro-Junho -

VaI. VII - 1985

A QUESTAO CEREAWFERA MOS AÇORES NOS SMXlLOS XV-XVIX

(Elementos para o seu estudo) *

1.

Ao eurapeu,

o pão, o

vinho

e

o azeite apresenhm-se

como ela-nentos swbstanciais definidores da sua dieia ahm-

tar. Desk maio, no processo de tanscdtmção procurou-se

e e sb td*

a!hmbr, Mw As jnfhhch

ai&rnAtlântim. No contexto europeu, o

expansionh oclden-

tal não conduziu ao desaparecimgllto d&es pndutos mas,

antes, à sua af,imaçEtu, em conjunto cm os produtos atk então

considerados exbticos (açúcar, wpechrias). Ao mesmo tempo

*

+-.

Com este estudo concluimos a aimilagem do bigo na economia

cereuera insular, inidada com

o esmo do &anémio

de cereais dos

Apares para a Madeira no

X'Wb (hnuuicação

apresentada no

WuIo Tnte-

Os Apms

e o AUlhrtXco nos

shh XW

e XVI1,

Agosto de W] e cantWa nauh

traballio, da rn-

Mole, sobre

a0 comércio de cereais das Can- para a Madeira nos s8culos M-XKb (Comunicação apresentada no VI Colóquia de Hi9th-i~~aPitfrlo-Amam. em Outubro de IW).

Aproveitarn(1s o ensejo para agradeer ao

Sr. Praf. Doutor A. Tdoro

de Mah todo o apoio e consdhm prestadm para a elabora@o dates estudos parcelares.

a cristandade ocidental ao valorizar o pão e o vinho, enca-

rmcbos como o símbolo da es&& da vida humana e do

sw Salvador, fez cosn que estes produtos fundamentais avan-

çassm Iado a Iado cm a expansão da cristandade I. Coan uma dieta alimentar pouco variada o europeu não

foi capaz de encontrar no acanhado espaça do velho canti-

n&e,p-'wc&&h

no acd~ado=papo do veiho cmhi-

parca fertilidade do sob aliada ao seu rápido esgotam&, em contraste m um movimenta demográfico ascendente,

cor~dwhm,a 1bo~1~l

siimção de rotura e, mais propriamente,

de fome. A fase hcid da idade Média é marcada, de modo

gd, ean tado o *ankhde

mopeu, pm uimai situação depres-

si&,

mama& pelo &equilíbrio

entre os -r

n&r&

e a pqmlarç8a e. por uma forte instabilidade poiitico-institu-

cional. No entanto, =te mm&, defhido como a crise do kulo XVI, pode ser considerado mo um comwsso de espera, fim e fundamental para as a3teraçks estruturais que se segui-

ra. Assim, por meados do séculii XV, temo8 ma nova conva- lescença *&ria paultada *Ia transformeição da economia

mal, com a wpecialização de mlturas e o apm5nwnt-o de

m aii irentes iie arrotemenb sub;Sa.tuitivas do soIo esgotado 2.

Portugal, situado nuana franja da Eumpa Ocidental, cmm-

gou de toda esta -6nck

XIV

~QS~op

e XV

conturbada d&Mpse

ao longo

cm mna situaçao düícil, demamada

~d&~tdcode~e,Mudetalmdo.

queentre

  • 1 oa bxtw de Vihino MagaMes Gdnho, Os Descobri-

-o

e & Amm& ndirrrdiel, m,p. 277: 3oe.l mão, &obre o trigo dm

X.fr .s XV&

in üus Artes

e da HbtÓrita da

M&T~, vol. I,

illm no

ia."

r cm,

3.

2

Rwa ama situam

do

owiteirto s6Moecon6mico

europeu

vide:

W. Abel, Crises mres en Eu-

(XVlle-XIXe), Paris, 1973, pp. 52-W:

R. Wonaarmó e A. Te, Los farndmmib &Z

mundo moderPio, Madrid,

lm,pp.~:~.~~,ubafo~~~,~i R. Henri Bautier, A Ecmia na Eump Medieval, Lisboa, 1973, pp. 213-291.

A QUESTAO

CEREALfFEFtA NOS AÇOREB NOS S1CULCXI XV-XVII

finais do &do XIV e as últimas dkadas do século XV viveu-se

21 anos de mise de subsis~aa-

f dentro &te conterrto que a btoriografia situa a actua- ção dei politica africcinista e insular de Portugal pt-enediwo, encarandme a expansão africano-&&tia coano consquência

desta aanbihcia 4. A conquista e m~godo nmk de Africa,

a co!onização das Ws

atlânticas- surgem cmrio unaa mlução

adequada para minorar ou retirar rn efeitm da depmd?ncia dos fornos portugueses wn relaeo aos grh estrang&oso5. Fkmtradas as prinebas tentativas mn &rica e Canárias e, a&, uma acção fugaz na Madeira, os dçures apresentar-se-ão

cwno o celeiro do reino, capaz de suprir as necessidades da

metrhpde e das mas Bms

-das

carentes:

praças de

Afmica e Madeira 6.

Deste

modo a partir

do ií1W

q1-

do século XV os Açores surgem como o celeiro oficial de provi- menh do reino, das praças de Africa, da Madeira e, até mesmo,

mo suplemento vantajoso para o cdrcio cam as CanhriEts. Mantevese esta posição a% meados do &cdo XVII, altura

  • 3 Oliveira Marques, 1~~

d Hi&hia da &Mtura

em Porttagal,

Lish, i%%, p. a,;vide, V. M. Godinho, M.,pp. m B1.

  • 4 Opinião defendida e fundamentada por V+ho

Magaihãea Godinho.

em Docunwntoa sobre o

Expnsh

Idem, HirPtória Echica e Soca da Ex-

vol.

111, Lisboa,

1m;

Portuguesa, Lisboa, 1W7:

Idem, A Ewo Qwtrocdkta pwt%rgttesa. Robbnus dag origem e du

i$Rha de

du&o,

Lisboa, 1944; Idem,

*IIe FrobEme du Pah

dms

l'konomie portugaise - XVe-XVIe sihel~,in RmMa de &-h,

vol. XLI

 

(M),n ." 47, gp. 87-113: refw@a

por Oliveira Marques, op.

cit.,

e

Frawka Carreiro da Costa, <OS A- e o probleana oeredifero @ugu@s

da &do#, in Boletim üa Cmnbsão Re&dom

doa Cereais do Aiqai-

@@o dos Açores, n.' I (lW),pp. 23-28.Nok-se que Sder de Sousa Lima

(em Os Açores na Ecrnionaicl Ati&ratiea E

...

],

Angra do IEeroismo, 1818,

pp. Bs'lO)

rebate esta tese argumentando que os Açorea surgem en

meah do A.XV com a finalidade de rdver os problemas do pmvi-

ma das praças de Africa.

  • 5 V. M. Godinho, q~.Ca., p. 231; vide F. Bmudd. Le Mddetewange

...

],

t.

2,

pp. 590532; Oliveira Marques,

et le Monde Méditerranéen r

Qp. ca., p. 247.

Oliveira Marques, ibid., pp. 251 e 254.

em que a produção de cereais no arquMlago entra em franca

decadbcia, devido à actuação de dtiplos factores. Se no inicio a poIitica de exploração do soIo insulm ia de

encontro à política cerealwera do reino, num segundo momento,

a atrutua'a~ão da actividade econbmica far-se-á de acordo

cm os impulsos nascentes ou cop~sequentesda crise do A.XIV.

E, assim tereonos una agricultura subjugada as Leis ao mer- cado, uma dnte especialização de produtos. As IImiItações

do meio, o seu posicionaanrnto periférico candw &

Ares

insular atlhtica para uuna fom de exploração econiimica

peculiar, baseada na mmocuitum ou dominancia de um pro-

duto, de awdo cm as necessidades comentes do mercado

  • ar- e colonial7. NWse que as Açores se situam numa

p-ão

pidegiada no ImÇado dias r& da índia e hdh,

afhmndose com uima base de apoio ialprtante para as

naus, siíuação essa que Wava i criação de infraesh- turãs de awio e provimento às naus Eh Angra encontrou-se

uma enseada estrubural apropriada a tal tarefa, mas mava-se

necessário definir ttma área agricola de apoio para o provi- mento assíduo do biscoito, o que se enconhou nas zonas aráveis da ilha Terceira, Graciosa, S. Jwge e, memo, em S. IiGguel.

O arquip51ago açoriano apresentava-se assim, desde a primeira metade do século XVI, como o aeio apropriado para

a afirmação da cultura de cereais. As assimetrias eviden- ciadas pela estrutura, relevo e clima oonduzham a um arranque

  • 7 Esta tdtica terá ixatammta alargado e documentado em estudo

em preparação sobre o corn6rcio inter-insular nos séculos XV-XVI; vide F.Braudei, &M., t. 1, pp. 141-1M.

8

Vide

Pierre Chunu,

Seville

1'AtEa&@,

pp.

35141;

Hbider Lima, op. I%., pp. 129139. Segimdo a documentação da Provedora

das Armadas temas damrnentada a acçb do trigo no provimento das

armadas, mmo biscoito, em Pública de Ponta Delgada, Li&

fol. 47, (Zã pmie) fols. 3%.

e

1546, 1518, 1%.

Confrontese, Biblioteca

de Emato do

Csslto, 87,

(I parte)

41. Veja-se, ainda, A. Teodoro de Matos,

Os Açores e a Meira das fndias no século XVI, Separata de Estudos de

História, II, Lisboa, 1%.

A QUESTAO CEBEALfFEIRA NOS ACOR3X NOS B~CULOSXV-XVII

  • d- da cokmh~he ~~ do solo, mar-

~umn~~to~~eosiai~a~çãodecrul&ufiaB

moante as potencialidades do meio ou dos inkresw do

medo atlhtico. Assim se amummam neste meio extenso

e variado, os prdutos de pro-

das naus (vinão, trigo) e

de cmm industrial (pastel) nb se alimando o açkar.

As razões que ~z~

ao hi3ono da cultura da cana

sacarina multam mais da actm~ãadas irmteresses marcantes

do dki&mo

wmhniw, do que &a

adaptação ao solo.

&iddade~ da sua

2. &reseaitaridase o arqu$&hgo cano uma vasta área e um solo variado, difícil se brnava o ddhea~de uma poli- üca de aproveitarnmto, nnã hhmdo mãdeabra necessária

para a sua cuncretização houve msidade de centirar a acção

eim. áreas ddhidas, &h vezes jh em mias de mmbamlento.

Na

ilha de S. Miguel

e Santa Maria,

o ritmo acelerado das

arroteias e as elevadas possibilidades do seu solo para a expansão da cultura cerealifwa, amduzjraan sua afirmação mo principais produtoras de *O, relegando para posição

secundárias as restmk.

%ta

Maria foi

a primeira iiha a

ser

arroteada, mas a

SIM kea de cultura reduzda cmdh-a para uma posição

secundápia, dando lugar a ilha de S. Miguel, m

uma área

plana apropãiada para um incentivo das amoteias, não obstante as diP~~ dmivadm das whbicas e da &mí- cidade. A ilha vede afirma-se, ao longo dos &eulm XVI e XVII cmo a principal área produtora de! trigo do arq-o.

A

ib

Terceira, que teve uma

-@o

inicial eoritur-

W, MmQ, a pmtir de 1480, ma

@xílq&da

na

pdwão de mais mantendo-se, a& awdos do &do

XVI,

cmo uma forte concorrente de S. Migud. A sua posição den-

tava-a para iùma acção de cultivo de cemais niicessâxios ao

pmuimento das naus, mas as cms~

sozichções do seok

temiário atraíam cada vez rmh. gd.ee- ao mo angrame,

colocando o campo nama situação de d-aibandono, pelo que

ALBERTO VIEIXRA

se tornava mcesshrio o esta~belecimentode ligações regulares

cm S. -e,

Graciosa e S. n8iguel para pder-se exwutar

o servipo de provimento.

A pmkk

cie finais do kulo XVI

temos a

afirmação do

arq-o açoriano coano principal produtor de trigo da

área

adhtica. E& h dividia-se em 3 regiõea produbras deli-

mitadas: uma Ares danbmte cmsignada às duas principais

fias (S. Miguel, Terceiira)

se afirma m pleno a pro-

dução cereauera, e uma hrea periférica subjugada aos meca-

nismos econhicos dos centros dominantes, qm produziam o cereal para o codmio, feito a partir do centro a que se

orientam. Esta última Ara apresenta duas submgiões, defi-

aida umsomte w esfera de domhqão. Assim têmos a ilha

de &&a.hkia

&ada

sob a

dçada

de S. Miguel e as

-$@@ Waeen@s QU danbiy& pelo porto de Angra. No-

awn&io

4~&4-~0

íb -1

das Rom e Corvo se

f+qia,@;@@i~ - ,

q

abadocmedims

m~fôO2. Em cmclusá~ Mui-se consoante as possi-

bilidades do e da d&h& de eixos de escoaimento ou,

mais propriamente, da conflu&neia de rotas capazes de wua-

rem os elevada excedenks de produçgo.

A

ilha

de

S.

Wuel, sendo a ilha

de maior extensão do

aquiMiago e a que oferecia meihores condições L arroteias afirma-=, desde o inicio, cmo a principal área de produção de cereal e onde crescia, lado a Mo, o pastel e o trigo. Desde

ideio havia-se apwtado natas duas culturas e, isfo de tal

modo, que em 1532 se reccmemiava que as terras que não fossem de pão ou pastel ficariam para o concelho, de raodo

a evitar-se o alargmenh das Areas de pasto 9. Aliás em 1536

justifiava-se o elevado prwo da carne em Ponta Delgada pelo grande aumenb da população e por serem as terras do

9 BiWoka Piibiiea e Arquivo de Pauta Delgada, Cbmm de Ponta

-,

(a partir daqui citado pia sigh B.P.A.P.D., CPD), L." 3 de

Re@&q L" I, fd. m.

A QUESTAO CB1REALtm NOS bçOREB NOS 8&CDL08 XV-XVII

seu kma &se

e teraaa & -'O.

toda

a tmra

de&

--da

h pastes

Assim todo o espaço em tomo da e&de

miava piaOWo

de pastel e trigo, sendo esta cmsi&Wa

a principal hr~de

produç&o da da. F'rutuoso, cerca

de I azm mai8 tarde con-

firma essa situação, sendo de9oiip comhorado por doctimeato

de 164Q ".

MIM, aiihaproduzia138u8~ãetrigoqdomais

de~(7705~os)da~~~aRtb&a

Grande e Pmta Delgada, situ-

ã-,pn&&o

secundhia

a~Wdia~bF~can2380m&s,Viia

FranadoCampocoan1235eoN~cm~sl2Zl

moios. As*

a área dcmhmte dda cultura situava-se prb

xho ao pmh de Ponta Delgada+ A data o principal porto

do &cio

micaelense.

A ilha Terceira é referida em todas as fmtes narrativas

caano una das principais Was de produção de meai do aqui-

pbiago, de tal modo que em 1527 Francisco &vares atribui-lhe

o

&#o

&

m&

do trigo*.

No rn

&o

AnU Cordeiro quando afirma que esta ilha

se refere

em tempos

recuados deu quasi o mesmo que Sõio WguebU.

As restantes ilhas encontram-se nwna situação secudárh

mas, mesmo assjm, ctnn um

excedente &

poduç5o cmfor-

tAvel, capaz de manter activo o cm&cio ld e miemo. Assim

sucde coan a ilha Graciosa, onde a produção de trigo e cevada

acede ao das mais ilhas* H. Esta situação p9eade-m com

B.P.U.D., CPD. :L

4 de Registo, n.°

2. fd. Bv., c&tulo

de um

carta~~dotalhodacarne,phkdonoA~do~A~@~,

A.mr p. 5s.

11 mnflc

ida*

[

...

I,

Chicago, 1972, p.

gS: Gaspar

Saudades da Tm,W, Md. II, p. 23.

  • 12 Vem iiifwmapdo, 2.' m,cap. N,cii. por V. M. Godinho,

Qp. eit.,

u

VOI. m, p. m.

Hist6rbo Irigukmo, ed. facsimiIada cBe lm, p

A. Cadeb, IIW Imüana, p. 435.

as cmdiç6es fztvorhveis da fomç50 geogrifica desta ilha.

Quanto às restantes, Valenth Fernandes e Jan Alphonse

referem a abundrlncia de cereais, enquanto Gaspar Fkubuoso

na descrição que faz das divemas iihs alude As ilhas de S. Jorge e Pico como terras de pouco pão, ao Faial cm co&ebta de muito trigo, As Flores cmo autosuficimte e Graciosa e Corvo cano terras de pão *.

1

A

hhtoriqgdia

quinhentista é unhíme em

afirmar

a

elevada fertilidade do solo açoriano. Destes o mais mdelar

B o

hta de Fruhoso que nos ãi conta, de modo exaustivo,

das diversas formas de actividade econhnica do arquipelago,

tendo em mta a actuação dos factores de pdu~ão~~.

&te

aubr traça-nos, de modo clarividente, a situação ala economia

awriana na dkada

de

80.

Na

deswição das diversas ilhas

que cmqõean o mquipelago açoriano salienk que o solo

açoriano, de um maio gd, apradava-se apto v a dtum do trigo, quer pela sua fomção geográfica, quer pda sua

fertilidade que tornava desneceadrio o uso de arrokiaii de

pousio 17. Assim conclui. que as ilhas dos Açores aão tão abun- dantes de pão, que logo no principio do seu deobrimento

dava cada moi0 de kma semeada de trigo ou cevala quarenta

ou cinquenta e sessenta moios e, ainda muitas vezes, recolhem os lavradores de um aisueire de semeadura vinte e trinta, 'B

Depois, na dmrição de cada Ua destaca a fedidade das

ilhas de Santa Maria e S. Miguel dizendo, quanto h primeira:

hia-se u m moio de brm cm írinta e cinco at& quarenta alqueires de bjigo, e não sofre tanta semente como as oukras

ilhas, porque C de muita criação, e aoham-se p5s de trigo de

1s

SacMes

Terra, L." Vi, pp. 23%, 287, W,Z Wm, M,338-339,

M,348, 560352; V. M. Godinho, op. cit., vol. EI, pp. 237-238 e 242.

Notese que em 1506 Valentim Fernandes refere para o Faial apenas a

criação de gada (vide V. M. Godinho, W., p. 238).

'6

ms da Tem, L." HI, IV (2 pois.), VI.

  • 17 Ibid., L.°

IlI, pp. 988 e 68; LI LV, p. 17; L.' VI, p. Z3.

  • 18 Ibid., L.O Vi, p. 4.

A QfWSTAO CEREALZFERA NOS WORBls NOS 8-OH

XY-=I

,lãm grh que d& c&

e dez, cento e vink wigas; e o comum

4aqdtis que bem miam, são cinquenta e sesente, dez, quinze,

t

E-'

*te,

bink,

quarenta, w. Quanto h ilha de S. Migd destaca

i elevada feMlidade do do, de tal mdo que não necessita

mente no princípio do seu descobrimento, m que - Mo

&

podo, pois

as

mas &o

abw&.&simo fruto, maior-

%%I vigor e força

...3

, referindo m& &i#&, um Mom

da vila da KMxa Grande, s em a&a~ imiha partes

ilha, rwndia a terra

a sessenta apdys por moi0 de

desta

-o,

e o mema de cevada;

e tão h&, e @a& wa o gão, que

&& ceifões segavam trezentos feixes ao dia. e cada feixe

dava iun alqueire de trigo

, ". Estas observações são confir-

...

madas por fiei A. de Monte Alverne, que refere produzir,

m>s Fenais, uan mio de tama 60 de trigo, tendese encwi- mo *um de trigo que tinha 107 espigaa.

Deste modo temos que a média de produtividade do trigo

mcbva entre 15 a 5% mentes, &ra

houvesse anos com

refehcias elevadissimas e exageradas. Este nko B comi- derado devado se tivermas em coata que na medievaiidade

Wdental este oscilava entre 3 e 4 mtes, nunca excedendo

em anos de boa colheita as 10 sementes ". Identica situação

w mva wn Portugal, onde a média rondava estes níimeros rbpeibas se encontrando valor &s nas terras do mosteiro

&B Alcdaw (cm 8 a 13 semenbs) e na mo de Bararam

lwm 8 sementes) ".

.I

Ao darPi<rs crédito is obwaçb

de Gaspar Frutumo

&manos nestas ilhas uma produção indgar, que exd os

-

hbs

até

então vigentes

na

ecaaicda

agrária

europeia.

,

'9

w

..L."

m, g. m, co~roboradopor

qw refeie

@Waaircada grão de trigo 100 a 110

UM#&fu IirwdaM, p. 108).

,rr

P

9:

c

,Qe

IMd..

L" IV, vol. 11, pp. 17 e 9.

~~ da Pmiflcia de S. João -vd.

Hidbrirr AgmtIo de

8t

II, p. 16.

-,

1 -'

a

lu *

oddwa -&oI

S)ubs, L'lrcomnie d

dep capwws &m

1974:

ra8digtrcùC ...

I,Paris,l~,vol.I.gp.l~lsl.

Op. &

..

pp. 4860.

ALBERTO VIEIRA

A

abbaçiio

ean que este e

o -

autores quinhewtas

(Zurara, V. Fernandes) referem a elevada ~odutivkladedo

drías~~eam~ism~gunneaitoaf

situaçih ddtas. Tudo seria ~poessiveln a terra rica e virgem,

de o trigo &escia facihnate.

O

encontrava nestas pwagns, por explorar, a

wlução adequada para a degrada-,

cada vez maior, do solo

cm~l, a& ter experimentado a aduhgem do solo, o

variada sistema de afolãaariento e rotação de culturas. Este ora conquishdo produzia quantidades elevadas de cereal,

sem misar do pwisio, pelo que uma área reduzida era capaz de prdmir sarna igual a uma vasta extensão na Europa. A cultura do cereal, nmtas paragms, fazia-se no solo

apropriado e numa faixa reduzida de terreno, ficando as rw-

tantes cs-

de arvoredo a aguardar um

melhor dianen-

sionamento da politia de amdeias. Mas cedo este wlo se esgotava, como dtado 'de ma explcração htmsiva, sem a necessh'ia fertilização do solo por meio do estrume, tremoço

ou pOUgio. Assim &eu

na ilha de S. M@ud a pmtir de

pkdgios do &do

XVI, agravd wn dim do mesnm,

ã8oulo.

Oii6velde~oduiividade~pam6wi7:

I,*-

necmilrio morrex ao tr-o

e fava como fertikantma.

  • Ga- Fmtuoewi, escr#&

em S. Wgd as temas -ma

na -da

de 80, salienta

que

nalo repndem com tanta abun-

&mia mno WW, eaqumh nas Rores refere que daraan

km nntitm.$er%ib s mas, mas jh agora são mui fracas

e l&m&s dm WmW, e! Mo ik aparece mais que a pedra =.

FA Agmtbh de Monte Aivem?,

Gusmsto Vmmmdos Franco, tEvoiução

op. cü., d.11 , p. 116. Vide Jab

da dtura do trigo em S. MiguQ,

Subsídios para o m =tudoa.

in lhietitn da Gmissáo Reg*

dos

Cemais üos *ã.

a' 6 (IW), gp. 534. A quebra da produção deve-se

hmMm ao L.' IV, VOI. u. cap. XCL

da alforra, vide Gaspar F'mchow,

25

Op.Cjt.,L.'IV,

vd. H,p. 11; L.'Vi,

mp. XLVIX.

op. cit.,

A QUESTAO CERE&!FERA

NOS AÇ!QRWS NOS SWULOB XV-XVII

ipim

do skuio

fwl'ta de tirigo

XVI a

nas

mconbmm queilqum

anfes se man-

de

1608

o

trigo

a

foi

do A esterilidade que m manteve pm aiguns

o os moradores si -c

roZãoa. A situação

partir de 1532 mm os Wzoer do -0tarnento

ar. sentido de modo dehta na ilha Terceira:

iiha Tmey-ra estam tam ilewssytada de bygo

merem pm ban que par isso nom hsuri

F. Dnunmmid, Anuis da Ilha %eiru,

vol. I, p.

i!B.

rendhentre40ei80

danacercade5~~,

~kivemnwemcwitaque

eire de terra na CandeMa (S. Migud) era feita por

18 o naolo de terra dava

I5 mbios de ao na ilha

de

Cordeiro, op. &., p. 107). Na iIha darr flores o rnoio

da R. Gii.

O Arqui-a

ih

Aws

W&tuosa,

op. &., L." W,d. H, p, a-

&c,

XVII,

de morrer, ~L&QEII

ha couszis ca na terra com que se mmham

este pouco tempo que falecer. isto Senhm causou nwn

a=

boa

porque em terra de um

moyo de seaneadum

~iesemeou mey~e meio em que se lançou h terra quinhezitw

no~rúlr'de -o do que se cushumva lançar, isto cam esta

mbgba

Wgo que

ma ha

e

tam-

mearam-se mais

temas da que numa se semearm e segundo ha erifommçam

que tdu e m kias

&s

ilhas dos Aç-

ha

isto sailvo a

flha '%&WtaMaria que dyzem ter o trygo que Lhe he nece-

-o ,.&*, D&e 'modo estava compramekido o fornecimento

das &mna&ts

&s novas dkitas, isto é,

entre AM

e

,

Em meadori do século XVI a htituação agrava-se cam a

* - -O;

-1

de 1552 todo o muiflago

padetkw de fm& A pqhikaçiia &S. MigueI, Faia1 S. Jorge

amutbou-s&, riti~atadweemtm a saída ilimitada de wred

para extmkção,

rw das mdaa

do reino. Deste

modo ean

princípios de 1552 c~~

aas intençks

de Afonso Capiquo,

que vinha bmcar o dhheiro das kendas, pois como reíeirem -tas iib~este anno aja muita necessidade de kigm e seja

mais caro h que muitos anixrs ,

..

w

". Ehtretanto as momdoreri

& S. Miguel queixavam-se ao monarca da actividade espe-

culativa dos serrhúrim, que procurando tirar maior lucro das suas rendsis as eqmrhvam para fora, de modo que e& ficava

aem muiQ necessidade e no mvenio vem a valer muito e por

lhe Go ir

de fora falta

hs vezess, pelo que propõem a Sua

MajeJtade a obrigatmiedade de deixarem na ilha % da colheita,

no entanto, o aIvarfi rbgio 8- dekmhou Vq. Idhtica

a Arquivo Ma-

da Tosre do TwnIm, Corpo Cdw, parte 1.

map 48, n.° 98, Angra, 22 de Abril de m,carta de Pwo h

do Canto,

piblicatia in

Awpivo àos Açores, 1; pp. IIB119.

CP. nota 8.

A.N.T.T., Corpo Cmd&&o.

parte II, maço 81, n." 151, Angra. 16 de

~de~.~do~~dos~,publicadainA~oo

-S.

TV, p. 64.

" Ve$a-rie Maria MLnpia da Roeha Cifl, op. d.,p. ZM.

si&wqão se passava na Praia

(Terceira), onde a vereação

ddslda pelos grandes produtmes &e kigo permitia a elopor- kçáo de 4 000 moios e aumentava o- 8eu , m, docando a

poipulação numa situação de

gmh &ara

o encexxaments do m

face disb o corre-

e pmibira

a snida

de qualquer trigo. mas a vereaçb

kwda a-u

junto do

monarca tendo legitianidade a sua pwi@o3.

A primeira metade do &do

XVí 6 assim mamada wr

aukm mmlipi de prcrduçãú, que w

cmn um hter-

mlo

aproxirmado de 20 anos

(1508,

1532, k552), em que se

denota os reflexos do esgotamento do solo. Esta

situacão,

brm-se evidente m

S. Miguel na dkada

de 70 e 1PO e na

%meira em finais do skulo XVI %.

rb conjuntura que se esboça a partir & 1570 até cem de

1M0 C pautada por

25 mos de penitiriÃ,

cm especial realce

pam a ilha Terceira e S. Jorge. Na primeira a situação

agmvti-se a partir da d4cada de 80, me&

do assaldo fiIipino.

Esta ilrha nunca atingiu at& 1600 um situaç&o& estabilidade,

pab que as situaçib de pentkia sendo demadas suce-

dime cm u m iamalo de 2 a 3 anos

Na iiha de S. Miguel

neste ,espaço de tmwo =nas surgan duas crises espaçadas

de 11 ma

(1562, 1573).

Que factores conduzam a esia diferente evolução da m-

jmtw cereaiífera nas chias h?

E!& diversidade surgenos como resultado de uma poli-

tica & deenvolvimentu, diversificada e orientada para rmos,

igwhmte diversos, abra, par v -

se a-tem

simi-

h$.A Tmira passarh, a partir dei primeira metade do

skdb ?M,a apwmhr-se cmo o principal entreposto do Mnh, a universal escaia do mar poenb, segundo Fru- tmm ". Desk mado a cidade de Angra e o seu porto atraira'm

3f VeMe nota B;Maria Olímpia da Rocha Gil, op. d.,pp. 284-28ü.

  • I V-wnãagalhães

GodlnIw, op. cit., H, pp. 237-228,

  • i a

36

IAnw de &se

cerealífera: 1510-n, 157&78, IW-85, W 90.

Gaspar Fhlctum, op. cit., L.' VI, pp. 2íB e 223,

e caaialiwiram todo o esforço terceirmse, que abandana a dura

 

labuta da &ma

para se dedhr ao cdrcia retalliistan.

AMs,

soluções ee deparavam para uma regiao ctww

a -,

mde as arroteias são pouco abundantes (Angra,

S. WM&&, Raia), em que o seu alargamento, numa ws- pech de retmbaibãidãde, tmna impsfvel. S. Migud, ao con-

br&rio, de~& uma vasb área de krmo fbrtil e par rhhdvm. No Uuo do seu pmoammto, o colono fixou-se,

hiwada M

, Wa

primeiras

arr-

em

zonas

ricas

%ma

do Campo, Pmta Delgada),

WWa

onde as

cdW4~m m ihdanb, do necessitando de alargh-las.

m,

Me, ~úmo esmbmenta de algumas destas

mWs e own o mme&t

'mã-a

campesina a área

&B

&x@,

s&ma prwam incessante do solo f6d.

~~0~~~

~XVl,&mmhqueem finais do &ulo se havia atin- gkb o dzim de aproveitamento do solo. cm % do total da &a da IlhaB. A ih Terceira &va destinada a ser um grande centro

de cmhio e do Mko inkmcional atlântico, enquanh n

iiha de S. mel se afirmava como a área agrícola, por

excelhcia, do arqwlago, onde o trigo medrava lado a lado

cm o pastel. NBo obstante o apaio fornecido pelas ilhas de Floipes e Corvo, condicimmtes & ordm geográfica traçam

esse mmo; de um

iado uma iiha extensa com vastas áreas

propicias h cultura do c&, do ouko uma $rea ~ianfracas

gosiibikhb agrícolas, mas disfrutamio de urna posiç5ío =&a-

-,

A ecmwlia açoriam estruQurar-se-&,a partir da pri-

meira mtade do &ulo

XVi,

sob o signo desta aãnlrihcl,

dmido origem a duas kas de actividade ecoaiwca domi- a,epn torno das quis se posichm as regiões periféricas

(-1

-

op.

R

YIde Padre Maibaâo, Phk Awrmse. citado por Héicier Lima.

d..gp.

1ã-m.

a Gasgar Fnictm, op. cit., L." W, vol. Ii, cap. LJ.

A Q-TBO

CEREAL!-

NOS Am-

NUB BmOS XV-XVII

qu.r* wmirm atribuir-se esta viragerii mdução cerealífera

Na-h

se tivemos ew conta

os smm de 1567 e 1587 podam%

B&&

significativa no natural nmy

da população para

quinhentista, com a afirmaçrio das kw ~~~oI~t

%.

Am SE