Autor 1: ROSANA ADAMI MATTIODA - rosana.mattioda@pucpr.br Autor 2: PÂMELA TEIXEIRA FERNANDES - pamelafernandes_di@hotmail.com Autor 3: JOSÉ LUIZ CASELA - j.casela@pucpr.br Autor 4: OSIRIS CANCIGLIERI JUNIOR - osiris.canciglieri@pucpr.br RESUMO: O presente artigo apresenta uma visão sobre o tema desenvolvimento de produto, seus conceitos, modelos e fases, tendo a sustentabilidade como pano de fundo. Procura responder a questão problema: qual o atual relacionamento entre o processo de desenvolvimento de produtos e a sustentabilidade. Nesse cenário, foi feito uma revisão bibliográfica sobre os principais temas que unem o desenvolvimento de produtos, a sustentabilidade e o chamado produto sustentável. O resultado final do estudo dá origem a uma visão sobre os aspectos conceituais que norteiam essa relação. PALAVRAS-CHAVES: desenvolvimento de produtos; sustentabilidade; desenvolvimento sustentável; produtos sustentáveis. 1. Introdução O esgotamento dos recursos não renováveis, o aquecimento global, a destruição das florestas, a contaminação da água, a poluição atmosférica, dentre muitas outras questões, estão entre os mais graves problemas atuais, devido fundamentalmente, quando se fala em preservação do meio ambiente, a décadas de má gestão de recursos naturais, a expansão das atividades humanas em áreas que deveriam ser preservadas e ao desenvolvimento econômico sem elementos regulatórios que controlassem seus excessos. Sob essas condições o desenvolvimento sustentável tornou-se de extrema importância a nível mundial, mobilizando autoridades, empresas e nações a integrar o pensamento sustentável no planejamento de suas operações. De acordo com o relatório Brundtland (World Commission on Environment and Development, 1987), o desenvolvimento sustentável deve "atender às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras satisfazerem suas próprias necessidades". O conceito central da sustentabilidade ou desenvolvimento sustentável é o chamado equilíbrio do "triple bottom line", que é alcançar simultaneamente prosperidade econômica, qualidade ambiental e responsabilidade social. Neste ambiente, o efeito da sustentabilidade para a sobrevivência e crescimento dos negócios está evidente nos assuntos globais em pauta. A exigência de projetos ecologicamente, socialmente e tecnologicamente sustentáveis tornaram-se requisitos constantemente estudados nas organizações para indicar soluções alternativas para novas estratégias de negócios. Como já afirmado por especialistas, as práticas de negócios sustentáveis melhoram a produtividade dos recursos da empresa, a confiança dos acionistas e satisfazem as exigências de uma nova classe consumidora (van
. no passado. com dificuldade até de apresentar um referencial em comum que pode ser identificado e aceito tanto por designers como por gestores de empresas. 2011). Neste contexto. Das diferentes abordagens que são utilizadas para o processo de desenvolvimento do produto. Através do embasamento teórico. Hoje. ORECCHINI et al. 2010. grande produtividade e um padrão de qualidade que está condicionado ao investimento que a empresa faz em seus processos de gestão e no processo de desenvolvimento de novos produtos. é sensato considerar que também grande parte dos custos ambientais de um produto podem ser prescritos pelos seus estágios de projeto. desenvolvimento sustentável e produto sustentável. . 41). Tais problemas ambientais eram vistos e tratados como problemas que afetavam áreas específicas. ROMEIRO FILHO et al. o artigo tem como intenção esboçar o cenário do desenvolvimento do produto no contexto do desenvolvimento sustentável. Como resultados apresenta-se a inter-relação da importância do desenvolvimento integrado de produtos dentro do pensamento da sustentabilidade. sustentabilidade. como os locais para disposição final de resíduos que continham materiais perigosos ou a contaminação de rios e nascentes. Reagir de forma rápida diante de aumento da concorrência. p. a consciência sobre esses problemas permite a compreensão do efeito imediato que o design e a manufatura têm sobre o ambiente e como os produtos e seus sistemas podem afetar os ecossistemas a sua volta. agilidade. ou ainda Phased Review Process (PRP) –. pode-se citar: Engenharia Simultânea (ES) ou Engenharia Concorrente. OTHMAN et al. (EL MARGHANI. o estudo teórico-conceitual é o ponto de partida de uma pesquisa com intenção de esboçar um primeiro cenário. 2011. Conforme Huang (1996). Structured Development Process (SDP). a manufatura e os problemas ambientais eram tratados independentemente e quase nenhuma atenção era dada ao ambiente durante as várias fases que englobam o desenvolvimento de produtos.BELLEN.. Stage Gate – conhecido como Phased Program Planing (PPP) ou modificado Phased Program Development (PPD). Referencial Teórico 2. 2010). 2. ou pano de fundo. etc.. projeto de produtos e outras terminologias afins.1 Desenvolvimento Integrado de Produto Conforme Romeiro Filho (2010) para reduzir o grau de incertezas e assegurar que as decisões são as mais assertivas dentro de um contexto é que se investe no desenvolvimento de produtos. A definição de desenvolvimento de produtos. também chamado de funil de desenvolvimento. conforme Berto e Nakano (1998. o presente artigo tem por objetivo apresentar os principais conceitos de desenvolvimento de produto.. Desenvolver produtos ou novos produtos é a razão de sucesso para se estabelecer ou se manter de forma competitiva no mercado. apud OKUMURA et al. Sabe-se que as atividades de design são responsáveis por até 70% dos custos de manufatura de um produto. que engloba uma tentativa de formular explicações acerca de algum aspecto da realidade. 2012. Essas condições exigem das empresas e de seus gestores. são apresentadas de forma bem diversificada. Neste caso. A utilização de uma ou outra expressão está ligada às diferentes abordagens adotadas por seus autores e de como essa etapa se ocupa na estrutura organizacional das empresas. Com isso. Desenvolvimento Integrado de Produtos (DIP). evoluções tecnológicas e o progressivo aumento de exigência do consumidor são condições básicas para se manter competitivo. 2006.
desenvolvimento e tempo de entrega do produto. Visa reduzir o esforço total do produto – da concepção à entrega –. diminuição dos tempos dos ciclos. marketing e manutenção devem ser desenvolvidos simultaneamente. A Figura 1 a seguir descreve um exemplo sobre esta visão holística. analisando o produto sobre os aspectos de desenvolvimento de tecnologia. product data management. EL-GANZOURY. multimedia. redução de custos. Seus objetivos incluem o melhoramento da qualidade. Trata-se de uma abordagem onde o design dos produtos e todos os seus processos no sistema de manufatura são considerados simultaneamente. 1996. Keldmann. do produto e do sistema de produção. Sistemas como produção. O conceito ES foi inicialmente proposto como um potencial meio para minimizar o projeto. que visem à organização dos processos de desenvolvimento de forma a reduzir o desperdício ao projetar produtos para atender as necessidades e expectativas dos consumidores.O desenvolvimento de produtos envolve mais que o projeto de design. A Engenharia Simultânea é uma das técnicas que podem ser usadas para alcançar estes objetivos (ROZENFELD. etc. visualization. aquisição de materiais. confiabilidade. KELDMANN. As informações pertinentes devem ser direcionadas entre as funções de design e os processos relacionados na organização. e aspectos ambientais. além do trabalho cooperativo de equipes multidisciplinares. desde o início. entre outros. A Engenharia Simultânea é descrita mais como uma filosofia do que como uma tecnologia. é essencial que uma ampla perspectiva do produto seja considerada a partir de uma visão holística. manutenção. 2006. 1996). TSENG.determinação simultânea dos sistemas de vendas e marketing. 1987 (apud van Hemel. respeitando as necessidades dos consumidores. electronic data interchange (EDI). estimativas de custo. van HEMEL. Para responder à concorrência global. como análise de mercado. Exemplos de tecnologias populares na ES são soft prototyping. o desenvolvimento de um produto bem sucedido necessita metodologias atuais e aperfeiçoadas. 2012). . Durante a etapa de desenvolvimento é importante que os processos de ES sejam aplicados. Conforme Prasad (1999) a ES pretende incentivar os desenvolvedores de produtos. marketing. substituem a tradicional abordagem sequencial "over-the-wall" por um projeto simultâneo de abordagem paralela com a fabricação. desempenho. design for X-ability. a considerar o trabalho total tendo um grande impacto sobre o processo de criação e a maneira como uma organização conduz o negócio PDP. Figura 1. aumento de produtividade e eficiência e melhoramento da imagem social. pois. aumento de flexibilidade. incluindo requisitos estruturais e funcionais dos produtos associados às implicações de manufatura. Fonte: Adaptado de Andreassen e Hein. Exemplo de Desenvolvimento Integrado do Produto .
2. responsáveis pelo delineamento das alternativas em atendimento aos problemas identificados anteriormente.1 Modelos e Fases de Projeto e Desenvolvimento de Produtos El Marghani (2011) os textos clássicos de desenvolvimento de produto. Desenvolvimento e Pós Desenvolvimento) encontradas nos modelos dos principais autores nas áreas de Engenharia e Design. ciências econômicas. Hubka & Eder (1998) e Pahl & Beitz (1996). e. conforme a autora seria: Stage-Gate (SG) e Product Based Business (PPB). Em Engenharia Simultânea (ES) cita Clark & Fujimoto (1991). 2011). 3) Pós-desenvolvimento. fase em que são estabelecidas as modificações para garantir a continuidade da vida útil do produto. assim preparao. 1996. (2006) Stuart Pugh (2002) ENGENHARIA Kaminski (2000) Especificação de técnicas de necessidade Especificação de Projeto de Produto Clark e Fugimoto (1991) Back (1983) Löbach (2000) DESIGN Baxter (1998) Munari (1979) AUTORES Pré-Desenvolvimento Pré-Desenvolvimento Planejamento Estratégico de Produtos MACROFASES DO PDP Conceito Plano do Projeto Projeto Informacional Projeto Conceitual Estudo de Viabilidade Estudo de Viabilidade – Projeto Conceitual Preparação Especificação de Projeto Estruturação do Problema Desenvolvimento Projetação Geração Planejamento do Produto Projeto Conceitual Projeto Básico Projeto Preliminar Avaliação Projeto Conceitual Criatividade Projeto de Configuração Experimentação Modelos Verificação . PARSAEI. inspeções nas fases do ciclo de vida do produto como serviço e manutenção e disposição final (HUANG. montagem. Miller (1993). ou o seu fim de vida. o processo de desenvolvimento integrado de produtos (PDIP) é uma metodologia por meio da qual uma equipe multidisciplinar desenvolve um projeto. Conforme El Marghani (2011) é possível identificar o objetivo conceitual comum que existe em três macro-fases: 1) Pré-desenvolvimento. De acordo com Back et al. Os modelos propostos para o Projeto e Desenvolvimento de Produtos apresentam diversas fases em seus processos e tipicamente são agrupados em três grandes macro-fases. as necessidades e restrições do ciclo de vida do produto. 1993). Nomenclaturas para as fases do PDP nas áreas de Engenharia e Design ÁREAS Rozenfeld et al. No caso de Desenvolvimento Integrado de Produtos cita como referências Andreasen & Heins (1987).. A Tabela 1 demonstra algumas das diversas nomenclaturas para as fases do Processo de Desenvolvimento do Produto (Pré-Desenvolvimento. onde se tem o estabelecimento das especificações de projeto do produto a ser desenvolvido. considerando simultaneamente ao longo do seu desenvolvimento. Na visão dos autores o profissional de engenharia frequentemente é forçado a considerar outros fatores paralelos. Tabela 1. abrangendo amplamente aos fatos conhecidos. (2008.usinagem. Conforme os autores. Prasad (1996). Outras abordagens. 2) Desenvolvimento. apud OKUMURA et al.2. para conversão adequada das especificações requeridas ao executar a função de projetar o produto em questão. Prasad (1997) e Pugh (1990). apresentam diferentes abordagens cujos modelos possuem diferentes características. Back (1983) recomenda os estudos nas disciplinas opcionais de ciências humanas. ciências sociais e inclusive de artes. onde há as fases de projetação e implementação.
Conforme Guimarães (2012) a proposta DS é um método estruturado de ideias que ocorrem durante a atividade de design. passa a ter uma interpretação mais ampla. ambiental e social. Embora alguns modelos extendam sua macro-fase de pré-projeto é pertinente à divisão em duas fases distintas.. geração e eliminação de resíduos. 2000). STEAD. onde os três pilares são cobertos (HEIJUNGS et al. Uma boa parte da literatura adota o desenvolvimento de produto como voltado ao processo de negócio.Projeto Detalhado Projeto Detalhado Projeto Executivo Engenharia do Produto Projeto Detalhado – Revisão e testes Planejamento da produção Realização Projeto Detalhado Solução Preparação para Produção Implementação Manufatura Planejamento da produção Projeto do Processo Projeto de Fabricação Lançamento do Produto Execução Produção Piloto Planejamento de Marketing Pós-Desenvolvimento Pós-Desenvolvimento Acompanhar Produto / Produção Descontinuar Produto Fonte: Adaptado de El Marghani (2011) e Romeiro Filho (2010). crescimento populacional. objetiva desenvolver e finalizar todas as especificações do produto para ser encaminhada á manufatura e outras fases do produto. Em geral. criação. Assim. Isso se reflete principalmente no que diz respeito às fases que podem ser consideradas as mais importantes do processo de projeto. e assim por diante. devendo todas suas dimensões ser abordados na avaliação da sustentabilidade. Na fase conceitual. tais como: esgotamento de recursos. A utilização de uma ou outra expressão está ligada às diferentes abordagens adotadas por seus autores e de como essa etapa se ocupa na estrutura organizacional das empresas (ROMEIRO FILHO. o campo de DS é subdividido em três áreas: econômica. 2010).2 Sustentabilidade e Desenvolvimento Sustentável A definição de Desenvolvimento Sustentável (DS) estabelece ligações claras com muitas questões de preocupação biofísicas e socioeconômicas. 2. a interpretação taxativa de ‘ecológico’ na qual a sustentabilidade e DS são vistos na maioria das vezes. ou seja. a separação proporciona uma visibilidade maior dos resultados ao longo do processo e atendimento aos objetivos planejados e tomada de decisão. qualidade ambiental. segurança. Conforme Rozenfeld (2006) o projeto informacional trata basicamente da aquisição e transformação de informações. poluição. 2010. representação e seleção de soluções para o problema do projeto. pré-projeto e projeto informacional (fase correspondente à primeira etapa da macro-fase ‘desenvolvimento’). STEAD. justiça social. as atividades da equipe de projeto relacionam-se com a busca. o planejamento e . O projeto detalhado dá prosseguimento a fase anterior. pois apesar de relacionadas. pobreza.
. renováveis e biodegradáveis. A produção sustentável também é um desafio para os atuais processos de produção. ROMEIRO FILHO et al. 2007). 1996. Essas diversas abordagens podem apresentar prós e contras em cada método ou caso específicos. van HEMEL et al. Conforme Holloway et al.. Novos modelos de decisão de fim de vida devem incluir aspectos como energia. reuso ou remanufatura dos produtos (HOLLOWAY et al. mas sim considerar todas as etapas do ciclo de vida do produto. e não melhoria de um produto. impactos ambientais.o conceito do produto.3 Consciência de Produtos Sustentáveis Decisões iniciais do projeto podem ter uma posição significativa ou mesmo impacto sobre a sustentabilidade da realização do produto. um conjunto de objetivos e ações podem ser consideradas metas genéricas do design para mitigar os impactos ambientais. e) Garantir que a expectativa de vida do produto seja apropriada e tentar estendê-la o máximo possível. tem a capacidade de influenciar positivamente os efeitos ambientais através de suas decisões e ações. como: financeira.. 1996. estratégias da empresa. Para atender aos objetivos do desenvolvimento sustentável é necessário fechar os ciclos que envolvem o produto. As decisões têm de ser feitas com base não só em estrutura. g) Projetar para facilitar a reciclagem. mais viável e economicamente eficientes. por encontrar-se em uma posição central do processo de desenvolvimento de produtos. fim de vida. tendo em vista a preferência futura por produtos duráveis e reutilizáveis em algum novo ciclo de produção (MULDER. visando à redução desses impactos para o menor índice possível sem comprometer outros critérios como função. Entretanto. tais como: a) Considerar em termos ambientais todos os estágios do ciclo de vida do produto. (1996) a necessidade de incorporar considerações ambientais tem sido dirigida por alguns fatores que podem facilitar as diferentes abordagens que atuam sobre um problema específico. ou sistemas ao longo do seu ciclo de vida completo. Termos como Design for Environment. não considerando . Os fabricantes de máquinas-ferramentas e sistemas de produção desempenham um papel significativo no fornecimento de máquinas mais sustentáveis. e. Esses aspectos são diretamente afetados pelas modernas práticas industriais e os designers. Ecodesign. c) Usar materiais reciclados. d) Escolher materiais que minimizem outros danos ou poluições ambientais. incluindo a distribuição. Clientes exigem equipamentos mais confiáveis. De uma forma geral. Green Design. Nos últimos anos tem sido crescente o número de metodologi as ‘green’ desenvolvidas direcionadas aos objetivos de design ambiental. Manzini e Vezzoli (2003. Environmentally Conscious Design são usados alternativamente na literatura. para gerenciamento de sistemas de produtos que são conjuntamente capazes de cumprir as exigências ambientais. 1996). 2010) argumentam que o projeto deve focar no desenvolvimento de produtos únicos. logística e gestão. condições de mercado emergentes. 2. ou seja. garantindo o aumento da sua eficiência. pressões do mercado e preocupação ambiental. apud RAMANI et al. f) Considerar o uso atual do produto visando minimizar os efeitos ambientais em longo prazo. b) Aumentar a eficiência no uso da energia dos materiais e outras fontes. legislativa.. 2010). máquinas mais limpas e mais acessíveis economicamente. custo e estética do produto (HOLLOWAY et al. material e as escolhas de fabricação.. as mudanças disruptivas e o lucro da empresa. pressionando para a inovação no sentido de ser uma solução para o problema. o conceito desses termos considera todos os impactos ambientais associados com um produto. ecologicamente corretas e que atendam as exigências previstas pela ergonomia garantindo a saúde dos usuários. qualidade. transporte.
e. levando em consideração a eficiência ambiental e a responsabilidade social aplicada em todas as suas operações. 2010). Reforça a visão de que as empresas devem adotar políticas de preços mais justos e operações adequadas à capacidade suportada pelos ecossistemas. apud GAGNON et al... Complementam ainda com ações que retornem a melhoria contínua para a organização. implementação e manutenção de ações que tornem a organização economicamente viável e inserida em uma posição competitiva. (2010) “produtos sustentáveis” podem ser definidos como soluções que atendam às necessidades e demandas sociais. 2006. FIKSEL. 2010) a sustentabilidade empresarial é “o desenvolvimento. operando de modo que seus interesses comerciais e os interesses do meio ambiente e da sociedade se cruzem. 2) ênfase na concepção de produtos para as demandas reais. posteriormente.. 2011).. começando com a implementação das atividades ecos-eficientes e inovações verdes e. Uma empresa sustentável deve criar lucros para seus acionistas. atendendo a necessidades humanas locais. através de complementos bem integrados à abordagem convencional. (2012). 2011.] a sustentabilidade não é um critério extra. De acordo com Orecchini et al. dentro do desenvolvimento de soluções de design. uma vez que esse só é possível se os impactos negativos da extração de materiais.. através de ciclo de vida do produto. projetistas e engenheiros devem considerar as questões de sustentabilidade em todas as fases de concepção de um projeto. Esses conceitos expõem claramente que designers. minimizando impactos negativos e maximizando os impactos positivos nas dimensões ambiental. Design para a sustentabilidade combina a complexidade da concepção arquitetônica tradicional com a complexidade de se considerar uma série de questões ambientais que são baseadas em princípios ecológicos. que veem a contribuir para o aumento do desempenho dos processos ao longo do ciclo de vida dos produtos (BOMMEL.. proteger o meio ambiente e melhorar as vidas daqueles com quem ela interage. Trata-se de todas as características que um projeto deve cumprir”. 4) concepção de sistemas relacionados. A sustentabilidade hoje está tornando-se protagonista das estratégias corporativas. De acordo com Mulder (2006. 2010) "[. ou mesmo propondo novas abordagens. Esse ponto abre uma perspectiva atual ao enfatizar a relação existente entre o desenvolvimento sustentável e a sustentabilidade empresarial. Segundo Marx et al. com a adoção de práticas de Responsabilidade Social e relatórios. a partir dos anos 1990. GUIMARÃES. as empresas começaram a adotar os princípios da sustentabilidade em suas organizações. . disposição e processos de reutilização sejam evitados.4 Requisitos de sustentabilidade Para as empresas. A abordagem do ciclo de vida é uma premissa para o desenvolvimento sustentável. 2001).”. transformação. Segundo Pimenta (2008. (POHL et al. como embalagem ou logística. 2011). 1995. como a utilização de ferramentas de gestão capazes de administrar os aspectos e impactos ambientais. 3) ciclo de vida de produtos e projeto de produto/processo que facilitem a remanufatura. social e ética. apud ROMEIRO FILHO et al. a sustentabilidade está se tornando um princípio dominante e essencial. As questões centrais que norteiam o design sustentável são: 1) atenção para os volumes de produção e consumo. mas também tendo em vista o seu ciclo de vida (AZKARATE et al..apenas o custo de aquisição. uso. apud MARX et al. 2.. 5) compatibilidade ambiental com o uso de recursos locais e sua disponibilidade em longo prazo. (van WEENEN. econômica.
onde há a preocupação da organização para os problemas de sustentabilidade. O Desenvolvimento de Produtos sob a Perspectiva da Sustentabilidade Guimarães (2012) sugere a existência de três tipos de abordagem no processo de desenvolvimento de produtos sustentáveis: a mais comum. PÉREZ-BELIS. a abordagem de multicritérios. experimentos. uma vez que este oferece a flexibilidade necessária para ser capaz de realizar mudanças e incorporar melhorias nos produtos. uma mais avançada. análise multicritério. PÉREZ-BELIS. As ferramentas de sustentabilidade devem. porque não são modelos genéricos e imediatamente aplicáveis. regulamentos. matrizes. principalmente. 2012). estimativa de custos. etc. que simultaneamente leva em conta todos os requisitos tradicionais que afetam o produto (como a função. ser utilizadas em conjunto com as abordagens existentes associadas com a prática do estado-da-arte de engenharia (BOVEA. 2010). tais como: análise funcional. todas elas avaliam o aspecto ambiental de um produto de forma isolada.) juntamente com os outros aspectos relevantes (como segurança. nas quais algumas se destacam por estarem em maior evidência. um sistema de valores baseado na sustentabilidade pode fornecer uma base solidamente ética para o desenvolvimento ecologicamente sensível de sistemas de gestão estratégicas. No âmbito da estratégia da empresa. são dois dos fatores chave para o design sustentável de sucesso (BOVEA. PÉREZ-BELIS. considerando como o produto pode afetar o meio ambiente em suas diferentes fases. Assim. patentes. A fim de implementar com sucesso o processo de projeto engenheiros podem contar com uma variedade de ferramentas. Entretanto. (GAGNON et al. 2012). Na literatura uma grande variedade de técnicas e ferramentas foram desenvolvidas para avaliar a exigência ambiental dos produtos e fazer a sua integração com o processo de projeto. porém não inovadora. e. qualidade. 3. Projetos sustentáveis precisam ser tão técnicos quanto os projetos convencionais. simulações de computador. a integração dos aspectos ambientais nas fases iniciais do processo de projeto juntamente com uma abordagem apoiada em multicritérios. saúde e requisitos legais e regulamentares) além dos impactos ambientais (BOVEA. 2010). desdobramento da função qualidade (QFD). várias restrições também devem ser consideradas: orçamento. que permite equilibrar as exigências ambientais contra outras exigências tradicionais. custo. Bovea e Pérez-Belis (2012) em sua revisão apresentam três fatores principais que podem ser considerados como características necessárias para a otimização do processo de concepção de produtos sustentáveis: a integração precoce de aspectos ambientais no projeto de produto. . políticas públicas. que permitem às organizações atender a grande demanda dos stakeholders “verdes” que representam o planeta na arena de negócios imediatos (STEAD. No entanto.. Apesar de seu uso ser visto pelas indústrias como uma forma de aumentar a sua eficiência durante o processo de desenvolvimento de produto ainda não são amplamente adotadas. a abordagem do ciclo de vida. métodos de criatividade. desempenho. sem considerar os demais requisitos que um designer deve levar em conta durante o processo de design. que considera melhorias em algumas etapas do ciclo de vida e demonstra alguma prevenção para questões ambientais. portanto. focando o desenvolvimento sustentável na sociedade e na manutenção da civilização. etc. e a que pode ser considerada ideal. STEAD. códigos. análise de risco. cronograma.Ao longo dos anos uma grande variedade de técnicas foi desenvolvida para avaliar o desempenho ambiental dos produtos. estratégias organizacionais. 2000). que considera todas as etapas do ciclo de vida e envolve a participação de outras empresas. GAGNON et al. 2012.
Visão sobre a relação do desenvolvimento integrado de produto e a sustentabilidade Tendo em vista o conceitual teórico descrito anteriormente. Entretanto. é evidente a falta de novas abordagens. nota-se que a evolução dos modelos tem ocorrido com mais frequência nas práticas voltadas aos processos de engenharia. Apesar da discussão sobre desenvolvimento sustentável já possuir uma expressiva representação na literatura. é perceptível que a sustentabilidade como estratégia de inovação ainda tem um longo caminho a percorrer dentro das indústrias. a Figura 2 descreve a visão do Projeto de Desenvolvimento Integrado do Produto dentro da consciência sustentável. podem levar até 70% do custo . a maioria das ferramentas desenvolvidas para auxiliar no processo de projeto sustentável são direcionadas à visão da engenharia e são criticadas . quando vista sob a perspectiva do desenvolvimento sustentável apresenta uma grande vantagem e uma oportunidade promissora e para as empresas. 4. A inovação. Os autores sugerem que todas as fases do projeto integrado para o desenvolvimento do produto devem estar contidas num pensamento mais amplo.. que interagem entre si e é englobado pela perspectiva do pensamento triple bottom line. para atrair ou reter os clientes e funcionários. Como resultado.] as escolhas de design. Na compilação dos modelos de Processos de Desenvolvimento de Produtos apresentada neste artigo. Figura 2. Conclusão O pensamento apresentado neste artigo sugere que a estratégia empresarial deve considerar aspectos da sustentabilidade e do desenvolvimento sustentável. os impactos ambientais do ciclo de vida de um produto são em grande parte determinada pelo design. especialmente as decisões tomadas durante a fase inicial do projeto. nominado de “Projeto Integrado de Produto Orientado para a Sustentabilidade”. 5.incluindo o consumo de material e de recursos comprometidos. ou visando à lucratividade. é mais desejável integrar os esforços de fabricação ambientalmente conscientes com um design para o ambiente”. não apenas por obrigações legais.Ramani (2010) afirma que: “[. A consciência das questões de sustentabilidade e do uso estratégico delas certamente apoia os esforços da empresa para ser rentável e é claramente um requisito obrigatório para a sobrevivência das empresas no futuro. Inter-relação do Desenvolvimento Integrado do Produto sob a perspectiva da consciência sustentável. Quando o foco passa a ser o design.. Para maximizar a sustentabilidade do produto. neste caso em particular.
Somente assim. social e tecnologicamente sustentáveis. Measuring Sustainability in Ecodesign. 2012. Tendo em vista que a ideia de Projeto Integrado (OKUMURA et al. Indicadores de Sustentabilidade: uma análise comparativa. v. PÉREZ-BELIS. p. n. QC. 2011. Roland. soluções de produção e manufatura. e novas abordagens que insiram em suas etapas de desenvolvimento as considerações com relação aos aspectos do triple bottom line. principalmente dentro do atual contexto. An assessment method and design support system for designing sustainable machine tools. É nessa fase. FIKSEL. M D. pesquisa de marketing. além de termos soluções originais e inovadoras. onde departamentos de marketing. V. essas ações determinam as soluções de design. RICONDO. TISCHNER.22. Journal of Cleaner Production. tendências do design. n. considerando-os principalmente durante o processo criativo. implementação industrial. cadeia de suprimentos e. Lia Buarque de Macedo. EL MARGHANI. p. seus atributos de valor. a prosperidade econômica. 2011. Van. entre outros. Groupe de Recherche en Économie et Développement International.8. e de acordo com as novas exigências do mercado contemporâneo. PÉREZ. Viviane Gespar Ribas. através do desenvolvimento de Projeto Integrado de Produto Orientado para a Sustentabilidade. Joseph.13. ou porque consomem muito tempo. Université de Sherbrooke. a necessidade de atualizações para propostas de Processos de Desenvolvimento fica evidente. Ao se tratar a questão da sustentabilidade já nas fases iniciais da concepção do produto.61-71. GUIMARÃES. p..165179. Ed. Itziar. Ursula (Ed.M. a questão ambiental que o produto nasce (ROZENFELD et al. Theoretical Issues in Ergonomics Science. 2. Canada. A conceptual framework for analyzing sustainability strategies in industrial supply networks from an innovation perspective. particularmente na fase do projeto conceitual. v. Journal of Engineering Design. 2010.1.3. Sherbrooke.). 2011) significa atuar com uma equipe multidisciplinar e de maneira simultânea durante os processos de desenvolvimento. gestão de projetos. tendo como fonte de informação o cliente. A taxonomy of ecodesign tools for integrating environmental requirements into the product design process.tanto pelos acadêmicos quanto pelas empresas como difíceis de utilizar. v. Sociotechnical design for a sustainable world. Martin (Ed. v. MARTÍNEZ. GAGNON. n. BOVEA. LEDUC. 2012. Referências AZKARATE. Sheffield: Greenleaf.2. ou porque há a necessidade da atuação de um especialista. Ander. H. se estará atendendo as exigências de projetos ecológica. sob uma ótica do designer. Modelo de Processo de Design. Bruno.20. evolução do mercado.895-904. Amaia.19.240–269.W. SAVARD. 2011. Neste contexto ainda é necessário analisar. 2001. BOMMEL. Nas fases iniciais do PDP. estilo. From a conventional to a sustainable engineering design process: different shades of sustainability. como inserir de uma forma prática e funcional os requisitos de sustentabilidade no projeto de produto já em suas etapas inicias. Paulino . In: Sustainable solutions: developing products and services for the future. há o envolvimento do designer já na etapa da geração do conceito do produto.). Rio da Janeiro: Editora FGV. p.. São Paulo: Blücher Acadêmico. Journal of Cleaner Production. . a qualidade ambiental e a responsabilidade social. CHARTER. 2006). engenheiros e designers devem trabalhar em conjunto. com uma ideia em processo de definição. Luc. 2006. especificações técnicas e processos. n. Hans Michael. A compreensão desses aspectos geram respostas dentro desses novos paradigmas para apresentar soluções de design contemporâneas de forma a alcançar também. de forma integrada. van BELLEN.
n. MARX. Mohamad R.3. p. v. William Z. HUPPES. GUINÉE. 2007. David W. ZHAO. CANCIGLIERI JR. Yinlun. Journal of Mechanical Design. Q. Fu. 253-263. p. Springer.) Design for X: concurrent engineering imperatives. Karthik. Editora Saraiva. São Paulo. THURSTON..49. ORECCHINI. PAULA. Sustainability Science. POHL. v. Jean Garner. v. In: HUANG. Leigh. Ângela Maria. Henrique. (Org.34 p. An intelligent system based on concurrent engineering for innovative product design at the conceptual design stage. 1996. 2010 ROZENFELD. Giorgio.422-428. Enabling principles of concurrency and simultaneity in concurrent engineering. ROMEIRO FILHO. POHL. Intelligent Software for Ecological Building Design. G. London: Chapman & Hall.57-73. A Engenharia Simultânea aplicada no desenvolvimento de produtos inclusivos: uma proposta de framework conceitual. RS. 2010. Innovation for sustainable development: from environmental design to transition management. Waleed. BERNSTEIN. Applying “Design for X” Experie nce in Design for Environment. 2011. REPKE. Reinout. Design for X: concurrent engineering imperatives. 2006. Journal Intelligent Decision Technologies. Carolien G. STEAD. materials and technologies . 1999.132. Fabio. VALITUTTI. Porto Alegre. v. Jun-Ki.) Design for X: concurrent engineering imperatives. A Modular Approach to Sustainability Assessment and Decision Support in Chemical Process Design.2. v. KELDMANN. CLEEG. TSENG. Sustainability Science. STEAD. SUTHERLAND. Design for Optimal Environmetal Impact. International Journal of Advanced Manufacturing Technology. Polymer Degradation and Stability. n..2. 1987. Biren. HOLLOWAY. Maria Lucia Miyake. Jens. Kevin C. Karel F. Harrison. London: Chapman & Hall. HANDWERKER. RAMANUJAN. EL-GANZOURY. 2000. ASSAL. (Org. Deborah. RUDEK Marcelo. 2010. 1996. Projeto do produto. Life cycle assessment and sustainability analysis of products . Jeroen B. G.313-329. v. Oxford University Press: New York. Gjalt. Industry and academia for a transition towards sustainability: advancing sustainability science through university–business collaborations. . v. Q. al. OKUMURA. John. 2010.7870-7881. HUANG. Rio de Janeiro: Elsevier. 2010.24. Edward. Jens-uwe. Integrated Sustainable Life Cycle Design: A Review. 1996. Osiris. Our Common Future. van HEMEL.World Commission on Environment and Development. p. SUM. et. PARSAEI. Istefani Carísio de.13.95.. p. 1993. Gunter.7. Hamid R. Fabiane. Journal of Business Ethics. WOZNY. RAMANI. Troels. TRANTER. KIM. Toward a scientific framework for sustainability life cycle analysis. Eco-Enterprise Strategy: Standing for Sustainability. p.5. Eduardo.S1. Gestão de desenvolvimento de produto: uma referência para a melhoria do processo. p. Hisham. p. v. Industrial & Engineering Chemistry Research. v. G. Ian. CHOI. WCED . Devarajan. 2012. n. Natural Resources Forum. Valeria.HEIJUNGS. Sustainable consumption in Brazil: Identification of preliminary requirements to guide product development and the definition of public policies. 2011. 2012. Artificial Intelligence for Engineering Design. PRASAD.51-62. London: Chapman & Hall. In: HUANG. VIII Congresso Brasileiro de Gestão de Desenvolvimento de Produto. MULDER.201-217. HUANG. Q. OTHMAN. Concurrent Engineering: Contemporary Issues and Modern Design Tools.185-204. VITALI. Carol. Analysis and Manufacturing. Kym Jason.