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ARTE NAS REDUÇÕES JESUÍTICAS: DE SÃO PAULO AO CONE SUL* *Artigo produzido como parte dos resultados de bolsa

de pós-doutorado sobre modelos jesuíticos realizado na Universidade Nova de Lisboa, sob a orientação do Prof. Dr. Carlos Moura, outorgada ao autor pelo Banco Santander/UNESP. Por Percival Tirapeli Professor titular do Instituto de Artes da UNESP – Universidade Estadual Paulista

1. Gênese

A reflexão sobre a arte nas reduções indígenas é um exercício que neste início de século ganha dimensão pluridisciplinar, tantas são as possibilidades de leitura. Este artigo está direcionado este tema nas artes plásticas - escultura e pintura - além da arquitetura. Para entender os objetos produzidos naquele nomento de união das duas culturas – americana e européia, a primeira ainda na pedra polida dando as mãos àquela renascentista -, tem-se que conjugar pensamentos distintos sobre os objetivos e ações que foram tomadas por ambas. A ação catequética baseada na oralidade teve que ser estruturada na Arte de gramática da lingua mais usada na costa do Brasil (1595) do padre José de Anchieta, marco inicial das artes da literatura e cênicas, status aceito e contestado por críticos.1 (Il.01) A comunicação, portanto era peça primordial sem a qual não se cumpriria a missão evangelizadora que no primeiro gesto seria expresso no batismo, coincidente com a água abundante e familiar dos gentios assim como a pia batismal em forma de cuia. Para a execução da ação catequética foi necessário criar um novo espaço sagrado – a capela/choupana – onde os inacianos se tornavam protagonistas nas funções ritualísticas introduzindo novos objetos - o mais marcante, o cruzeiro. Este sim tinha destaque, pois posto diante do espaço da igreja era presença privilegiadas durante as danças, cantos, autos de fé e fogueira, todos elementos para celebrações. Difícil ainda neste primeiro momento apontar os modelos ditados pelas normas oficiais jesuíticas de 1558 e que teriam sido
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A gramática do Pe. José de Anchieta tem o título de Arte de gramática da língua mais usada na costa do Brasil, e foi impressa na cidade de Coimbra, Portugal, em 1595 e foi utilizada nos colégios jesuíticos até a expulsão dos padres em 1759.

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seguidos nas regiões Sudeste e Sul do Brasil. As notas de suntuosidade e estilo requintado seguidas pelos primeiros inacianos se fazem presentes nestas regiões não pelo espírito de pobreza que regia a Companhia, mas pela falta de materialidade e mesmo tradição de técnica construtiva. A beleza dos sítios geográficos para a implantação dos colégios e seminários foi propiciada pela própria natureza e os locais selecionados para facilitar as ações estratégicas e militares de então. A perenidade das construções foi item dispensável neste primeiro instante de ação catequética. A probabilidade de mudança do sítio - tal como ocorrera em Santo André da Borda do Campo para os campos do Piratininga, atual São Paulo, e também no primeiro núcleo da vila de São Sebastião do Rio de Janeiro - fez com que os padres optassem por construções provisórias. Bem diversa era a realidade em Portugal, onde os sítios eram sempre urbanos em terras doadas pelo rei, com casos bem diferentes em cada uma das implantações. Passada esta fase de conquista territorial nas novas terras e adaptação completa dos primeiros missionários, aos poucos o modo nostro foi sendo implantado em especial na região Nordeste com raros exemplos nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo2.

2. O Estilo Barroco e a arte dos jesuítas

Neste início do século XXI busca-se pela arqueologia e restauro da materialidade os vestígios das primitivas reduções.3 Nas ciências sociais há tempos os estudos se desenvolvem proclamando como utópicos os ideais da criação de uma nova civilização nas terras americanas. Assim, foram os relatos sobre os inacianos que levaram a qualificações mais grandiosas, como República dos Guaranís ou ainda Reduções Musicais Guaranís. Porém o esforço para compreender as ações catequéticas jesuíticas com suas realizações e derrotas ainda apaixona pesquisadores de muitos campos; cada vez mais a interdisciplinaridade é apontada como solução diante da complexidade e amplidão dos
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O modo nostro é uma fórmula oficial construtiva jesuítica para facilitar a fidelidade aos critérios e regulamentação das novas construções de tal maneira que tenham flexibilização e adaptação às evoluções artísticas, aos meios geográficos e tradições arquitetônicas locais. 3 A Revista do IPHAN que comemora os 70 anos da instituição, de 2007, é dedicada à arqueologia, com artigo de Rosana Najjar sobre as dificuldades do trabalho em conjunto de restauro e arqueologia. Cita dois exemplos de êxito nos antigos aldeamentos de Reritiba, hoje Anchieta (ES) e na capela de São Lourenço dos Índios em Niterói (RJ).

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franciscana ou carmelita não deixa de ter extensa bibliografia sob os mais diversos aspectos. ou ainda Antuérpia. ambos com permissão de d. Portanto os jesuítas não criaram um estilo novo de arte. primeiro grande estilo internacional adaptou-se desde as terras orientais para onde fora Francisco Xavier (Il. passados 250 anos da supressão da Companhia de Jesus4 já se aceita que no campo das artes o estilo artístico utilizado pelos padres é o barroco. Na América Latina as denominações se multiplicam como ibero-americano e crioulo e em especial no Cone Sul barroco guaraní ou missioneiro. a mais importante cidade do século de ouro espanhol onde os padres se concentravam antes de partir para as missões sul americanas. O escritor francês J.6 4 As datas de expulsão dos jesuítas das Américas são diferentes. desde Roma para todos os cantos do mundo de onde os jesuítas partiram. mas o barroco. Na realidade as primeiras igrejas dos jesuítas seguiam os tratadistas maneiristas e se localizavam no Norte da Itália ainda durante o Concílio de Trento que terminou em 1563. Isso quando ainda os inacianos ensaiavam seus primeiros ensinamentos para um século depois estarem aconselhando praticamente todas as corte católicas da Europa. 5 Há vários autores que aproximam a coincidência do estilo barroco europeu no século XVII com a ContraReforma e o fortalecimento da Companhia de Jesus sugerindo que as denominações de estilo barroco e a arte produzida pela Companhia sejam chamadas de arte jesuítica. Muito se discutiu se o emprego do termo arte barroca jesuítica estaria exato. rei de Portugal.o que ampliaria o termo para barroco colonial ou mesmo brasileiro. Sevilha. 3 .objetos a serem estudados. 6 A curta vida da Companhia de Jesus se comparada às das ordens religiosas beneditina. cidade dos Países Baixos estrategicamente disposta para barrar a expansão protestante. portanto com o auge da influência dos padres vestidos com hábitos negros espalhados pelas cortes do mundo. capital do reino no qual desde 1554 os padres foram responsáveis pelo ensino das artes. Cresce o poderio papal e no início do século XVII Roma se torna o centro artístico na figura de Bernini que termina as obras da Basílica do Vaticano já nos meados daquele século conhecido como barroco. em particular no Novo Mundo. na América Espanhola em 1767 e a supressão da Companhia de Jesus pelo papa Bento XIV foi em 1773. porém com um período inicial das regras maneiristas e influências clássicas em todo período dos anos 1540 a 1760 5. Neste caso. Lacouture escreveu de maneira brilhante a história dos padres em dois volumes Os jesuítas – a conquista e Os jesuítas – o regresso traduzidos em 1993. Lisboa. sendo do Brasil em 1759. Este período coincide. Esta arte periférica dos centros irradiadores de cultura. já que se convencionou chamar barroco italiano segundo a conformidade geográfica ou ainda barroco luso-brasileiro por motivos estilísticos além dos políticos . sendo a igreja do Gesù em Roma modelo para as novas construções jesuíticas. 02) até terras americanas de Manoel da Nóbrega. João III. Após o concílio surge a Contra-Reforma que cria normas para as construções a partir de então.

Logo fundaram um colégio em São Vicente e cinco anos depois. Guarulhos (SP) que estavam dispostas a apenas um dia de marcha dos colégios regionais vieram a desenvolver-se como grandes cidades.7 Pelo rio Amazonas seguiram até a fronteira com o Peru. segundo relata Paulo Bertran em História da terra e do homem no Planalto Central. Novas descobertas ao lado da Catedral Metropolitana incentivaram os arqueólogos mexicanos a demolirem as construções coloniais ao 4 . Esta situação é para ilustrar a colaboração entre Estado e Igreja no quadro de posse da terra. A posse do conquistador era visível na ordem estabelecida pelo traçado regular. multiplicaram-se com os de São Luís do Maranhão e se instalaram na entrada da Floresta Amazônica em Belém. Têm-se notícias de jesuítas que entraram pelo rio Tocantins até o atual estado de Goiás. auxiliado em geral pela escolha do terreno plano muitas vezes sobre antigas cidades indígenas 8. Rio de Janeiro (RJ). 8 O maior exemplo de destruição promovida pelos conquistadores espanhóis foi a antiga capital Tenochtitlan. construíram inúmeros colégios. seguidos pelo do Rio de Janeiro. atual Cidade do México. 2000.57. construída sobre os templos maiores do Sol e da Lua. cursos de rios e por fim adentrando o sertão. o de São Paulo de Piratininga (Il. na boca do sertão. a implantação dos núcleos urbanos era de centros reguladores regionais configurados nas cidades estabelecidas ao redor da praça de armas.03). São Paulo (SP). O objetivo era alcançar as missões espanholas pelos rios das bacias Amazônica e do Prata até o Paraguai. e assim incursionaram por Goiás à busca dos mesmos. Neste arco de linhas imaginárias. Naqueles territórios nos quais já havia cidades. Esta maneira descentralizada de ocupação do território com a construção de sequência de assentamentos difere totalmente da forma da ocupação espanhola. fundamentada na construção de rosários de vilas. a partir de Olinda. que inclusive desrespeitava o Tratado de Tordesilhas. povoações e reduções ao longo do litoral. As reduções jesuíticas Nóbrega foi o primeiro a comandar as ações catequéticas nas Américas assim que aqui os jesuítas aportaram com Tomé de Souza em 1549 para fundar a capital colonial de São Salvador na Bahia. antigas reduções indígenas como Niterói (RJ). 7 Os padres sediados em Belém do Pará temiam que ocorresse com os índios do sertão o acontecido com os guaranís do Guairá escravizados pelos bandeirantes paulistas. Pernambuco. residências.3. No Nordeste. p. fazendas e reduções indígenas fundadas em conjugação com o poder real. Nasceram daqueles núcleos as pequenas vilas e hoje várias delas se transformaram em nossas grandes capitais como Salvador (BA).

Esta diferença vai aparecer posteriormente no caráter mais informal das reduções no Brasil e de perenidade nas reduções das misiones. pois o imóvel foi a leilão. Cuzco. Guimarães) para outras ordens como franciscanos ou carmelitas. o de empreendimento. 4.9 Na segunda metade do século XX houve uma reconsideração sobre o espólio arquitetônico jesuítico. O caso mais curioso. no Algarve. O Espólio da Companhia de Jesus Em Portugal. abalos sísmicos revelaram bases de templos e palácios antigos encobertos pelas construções religiosas coloniais. pois a supressão da Companhia foi simultânea. tendo o coro na antiga capela mor (Il 4). tal como em Évora e Funchal. é a igreja da cidade do Faro. o que ficou claro quando dos tratados de Madri (1750) e de Santo Ildefonso (1777) a partir dos quais se estabeleceram novos limites entre as terras de Portugal e Espanha no cone Sul do continente americano (Santaella. o Marquês de Pombal substituiu nomes de localidades indígenas por aqueles de cidades portuguesas como Óbidos e Santarém. educacional e de liberdade – principalmente contra o aprisinamento e exportação da não de obra escrava para a região açucareira do Nordeste – e na América espanhola. ocorreu em quase todas as nações atingidas. Ilha da Madeira. 5 . de onde partiu a primeira investida contra os jesuítas. além desses. capital do império inca.e o conseqüente caminho civilizatório do modelo europeu nas terras americanas e impérios orientais. quando realizou seus estudos de pós doutorado sob o título Patrimônio artístico e arquitetônico jesuíticos : modelos lusos e suas adaptações no Brasil na Universidade Nova de Lisboa. Porto. Mas em ambos os casos seguiram motivos políticos de posse da terra. Vários complexos arquitetônicos jesuíticos foram redor do templo mexica para evidenciarem a nova pirâmide. Na América portuguesa as reduções têm o caráter de proteção espiritual. Elvas. Depois. os edifícios também tiveram sortes diversas passando os seminários e colégios (Braga. enquanto programa de expansão das dimensões territoriais ao tempo das grandes descobertas . Atualmente outros têm usos como asilo e igreja-museu (Portimão).Portanto é no conceito de construção territorial e não de urbanismo que os jesuítas primeiro se impõem aos mandatários do reino português. A igreja de Coimbra transformou-se na Sé Nova e o colégio foi anexado à universidade. comandada pelo Marquês de Pombal. que foi transformada em um teatro. foi destruída restando apenas bases. brigada militar e comunidade (Vila Viçosa). 2000). Na Amazônia brasileira. sob a orientação dos professores doutores Carlos Moura e Adelaide da Conceição Miranda. 9 Os dados sobre os complexos arquitetônicos jesuíticos de Portugal foram observados pelo autor nos meses de setembro a dezembro de 2008.

nos centros onde havia edifícios religiosos o legado arquitetônico da Igreja sofreu o primeiro desfalque já no século XVIII. antiga capital do império Inca. No caso das misiones espanholas. As ruínas das Misiones possuem a mesma filosofia de preservação de vários povos em três países diferentes.6). além de padres desavisados da importância da arte colonial que dispersaram os tesouros artísticos restando apenas os incorporados à arquitetura. da igreja de Itaquaquecetuba (1640) e do Embu (1700) além da redução de Guarulhos.aclamados Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. mas com Estado e Igreja juntos. Os exemplos continuariam pela esmagadora maioria das reduções que seguiram o caminho natural do desenvolvimento urbanístico em todo o Brasil. o complexo jesuítico de Córdoba permaneceu como símbolo da atuação dos padres tanto no ensino como na ação catequética (Il 5). dos jesuítas. O chamado tesouro jesuítico. A pia batismal foi o que restou deste pouso jesuítico fundado por Leonardo Nunes. Estes exemplos mesclam a ação de populares com a dos colecionadores particulares. passando por Córdoba e Santa Fé. que adaptaram as construções segundo suas necessidades. No Peru. O reconhecimento daquelas ruínas como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO confirma o testemunho da ação catequética da proclamada República dos Guaranis 10 . em Cuzco. 10 A UNESCO tem privilegiado a aclamação de monumentos que formem conjuntos e. Dispersou-se o tesouro da capela de São Miguel (1622). a igreja jesuítica também foi proclamada Patrimônio da Humanidade (Il. a remarcação das fronteiras entre os quatro países envolvidos naquela região levou-as ao abandono total. 6 . as reformas políticas atingiram tanto Portugal como Espanha e por consequência a América Latina. praticamente fictício. Ela foi salva pelo pesquisador e pintor Benedito Calixto que a levou para o Museu Paulista no início do século XX. O exemplo no litoral paulista são as ruínas de Abarebebê (c. o caminho do Vice-Reinado do Peru até Assunção no Paraguai. levou a população à busca do ouro que teria sido acumulado pelos padres vestidos de sotainas pretas. o padre voador que aconselhou o padre Manoel da Nóbrega a fundar um colégio nos campos de Piratininga. Na Argentina. em geral franciscanos. Com o banimento. e o da freguesia da Escada (1652) em Guararema. As reduções passaram para as mãos de outros religiosos. neste caso.1553) em Peruíbe nas quais a população escavou por conta própria o que atualmente é um sítio arqueológico sob proteção da Universidade de São Paulo. fundada pelo padre José de Anchieta. pois aquele território paraguaio foi dividido entre Argentina e Brasil.

Sra da Assunção (1579) fundada pelo padre José de Anchieta na cidade que hoje leva seu nome. nascida na França e que se estendeu até 1761. as construções do Embu seguidas pelo aldeamento de Carapicuiba em 1940. e dez anos depois Salvador. a igreja dos Reis Magos (1580) com residência anexa é exemplar raro de arquitetura maneirista. na vila de Nova Almeida. Esses fatos denotam. também sítio arqueológico pesquisado pelo Iphan completa a tríade de exemplos no litoral Sudeste a serem tomados para análise neste artigo. Em 1943 as construções jesuíticas capixabas já estavam arroladas. a igreja de São Lourenço dos Índios.aliada ao avanço da modernidade sobre a trama e os monumentos das cidades coloniais alertaram para a destruição de nosso passado. continuada na Espanha e toda América Latina em 1766 e sacramentada pelo papa Bento XIV em Roma em 1773. As reduções e a criação do Patrimônio Histórico. que criou a Missão de Pesquisas Folclóricas em 1938. assim gravando músicas e recolhendo objetos populares hoje no acervo do Centro 7 .11 As ações arqueológicas nas reduções se seguiram 11 O projeto de preservação dos monumentos e da cultura proposto por Mário de Andrade em 1937 teve sua primeira etapa implantada privilegiando os bens construídos. ou seja. com a destruição do morro do Castelo (1922). nada restou. as construções em pedra junto ao rio Reritiba. Em maio do ano seguinte as ruínas de São Miguel das Missões já estavam tombadas e meses depois a de São Lourenço em Niterói e no estado de São Paulo. oficializada de início pelo Marquês de Pombal em Portugal e Brasil em 1759. A preservação arquitetônica e urbanística foi prioridade naqueles primeiros momentos do Iphan. Em Niterói. contrariando as metas de Mário de Andrade que propunha a preservação do patrimônio imaterial. materiais.Rio de Janeiro. quando se fez desaparecer o local do berço da cidade. A repercussão dos descasos ocorridos em capitais . objetivo do presente trabalho. na grande Vitória. No Estado do Espírito Santo. as dificuldades da busca dos resquícios artísticos nas reduções. A criação do Iphan em 1937 – inicialmente Serviço do Patrimônio Histórico Artístico Nacional – logo olhou para as antigas reduções ou missões jesuíticas. Na cidade de Serra. constituem um campo arqueológico que foi pesquisado pelo corpo técnico do IPHAN (2007). com a destruição da Sé Primacial . por si. Daquelas construções primitivas em palha e posteriormente taipa. a residência de N. atual IPHAN Esta primeira investida contra o legado construído jesuítico foi ação orquestrada pelas cortes européias.5. A decisão do Iphan de privilegiar o urbanismo e a arquitetura desgostou Mário de Andrade.

e duas em Niterói. no início deste século o IPHAN passou a publicar uma revista especial sobre arqueologia nos sítios de bens tombados. Reduções no Espírito Santo e Rio de Janeiro A região do litoral Sudeste foi marcada pela ação catequética dos jesuítas nos primórdios da civilização européia no Brasil. hoje Anchieta (1579).Os bens imateriais ou espirituais como a cultura popular. louças. música e demais costumes foram iniciados na década de 70 com a Fundação Nacional Pró-Memória e ampliados apenas no início do século XXI. geram hoje estudos para a compreensão daquele momento de gênese das reduções. ferragens e peças em madeira. e de estarem muito próximas às antigas aldeias dos índios em sítios de excepcional beleza natural. as capelas de São Lourenço dos Índios e de São Francisco Xavier. passando pelo litoral fluminense até as vilas nas quais tangiam a linha imaginária do Tratado de Tordesilhas (1494) passando primeiro por São Vicente e Cananéia ambas na Capitania de São Vicente e se estendendo para o Paranaguá no atual Paraná. O desaparecimento das etnias acima como a citada. ou o envolvimento dos Tamoios com os franceses e as alianças que se sucederam e por fim a massificação gerada pela classificação ainda no período quinhentista pelo tronco das linguas apenas tupi-guarani. e aqueles das artes e ofícios como cerâmicas. portanto independente da ação dos inacianos. danças. em Nova Almeida. no Rio de Janeiro (1617). As artes plásticas nas reduções são itens estudados por vezes conjuntamente à ação catequética. e São Pedro da Aldeia. Pode-se destacar construções remanescentes do início do século XVII : Reritiba. chegando finalmente à Colônia de Sacramento no Uruguai. Todas estas reduções ou mesmo residências tem em comum o fato de terem sido criadas na segunda metade do século XVI. 8 . São Francisco do Sul em Santa Catarina de onde se ia até Assunção no Paraguai.em segunda fase. Do Estado do Espírito Santo. A distância temporal entre os tombamentos e ações arqueológicas foi grande. 6. ambas no Espírito Santo (1615). Reis Magos. A arqueologia finalmente ajudou a esclarecer Cultural São Paulo. que prosseguiu até o final do século XX. porém não menor o arrolamento dos bens móveis tais como os objetos litúrgicos e a imaginária para o culto religioso. visto que outras ciências pesquisam o comportamento dos silvícolas como o dos Tupinambá no estudo A organização social dos Tupinambá de Florestan Fernandes (1989).

no início dessas construções. Estas são observações de Lúcio Costa em seu artigo A arquitetura dos jesuítas no Brasil (1941) na Revista da Sphan. atual Anchieta.1. Neste caso. Local simbólico é aquele às margens do rio Reritiba no qual o padre José de Anchieta fundou a igreja de Nossa Senhora da Assunção ainda em 1579 com a ajuda dos índios catequizados. Nas construções da época da colonização nota-se preocupação com a colocação dos edifícios em pontos destacados da paisagem natural. 9 . 1997. Os padres trabalhavam utilizando toda mão-de-obra especializada possível de encontrar. a vinda de religiosos portugueses subordinados às oficinas da ordem. 6. possibilitando. o conjunto de igreja com uma torre lateral e residência com fachada em parte preservada das reformas do século XI. O olhar dirige-se para lá. O tema complexo foi exposto de maneira clara. ilustrado com os desenhos do arquiteto que durante cerca de meio século esteve à frente das decisões dos tombamentos dos monumentos nacionais. na parte posterior do edifício. Na 12 A primeira edição deste texto clássico é de 1941 na Revista do SPHAN nº 5. O altar encontra-se na parede oposta à entrada. a denominada arquitetura chã. São inconfundíveis as edificações em quadra e o amplo terreiro na frente. tem um interior diferenciado de três naves divididas com arcaria sustentada por colunas. Redução de Reritiba. com a valorização do conjunto no espaço urbano.este encontro de culturas sobrepostas literalmente em muitos locais preservados onde se estudava apenas a arquitetura. despojado e austero. quase frio. A igreja sobressai com um exterior simples. e se tornaram clássicas pela sua clareza e acerto do estudo que depois de mais de meio século ainda está atualizado12.7). Ocorre assim uma redescoberta das eras pré e pós cabralina nos aterramentos sucessivos ocorridos para as construções seiscentistas sobre os precários vestígios de cemitérios indígenas e os possíveis resquícios da taipa. assim. Da construção primitiva resta a parte da fachada e o local onde o beato morreu. nº 27. em especial no estado de São Paulo. O ambiente interno também é simples. ES (Il. pois os ornamentos foram aplicados inicialmente nos retábulos dos altares — ornatos de madeira em cujo centro figura uma imagem. termo que poderia referir-se a pintura ou escultura — com nichos para abrigar os vultos dos santos venerados. lugar da devoção religiosa e motiva a admiração. reeditado em outras publicações e depois na Revista do Patrimônio – 60 anos de Revista. o aprendizado nas oficinas locais. Para suprir a falta de qualificação dos trabalhadores tem-se.

Residência dos Reis Magos. danças. segundo Lúcio Costa. volutas e motivos marinhos. teve sua construção maneirista terminada em 1615. A luz vinda de uma janela na altura da base do altar dá volumetria a esta peça. a igreja com o coro para abrigar os curumins que facilmente aprendiam as músicas em latim . O retábulo é vigoroso e ocupa toda parede do fundo da capela-mor. Serra. 6.2. ES (Il 8).parede do retábulo-mor foram encontrados resquícios de pinturas geométricas quando das prospecções e trabalhos arqueológicos do Iphan terminados em 2002. A igreja é de nave única e cobertura é em telha vã. músicas integradas aos autos religiosos. Nova Almeida. O projeto é completo. constando do amplo terreiro fronteiriço para procissões. Este altar sinaliza a presença divina. cravos – dos utensílios domésticos como diversos tipos de porcelanas e cerâmicas. É ornado por colunas torsas com videiras. revela a feitura pela mão de obra indígena e mostra o ensinamento dos padres . Na residência criouse um museu no qual se destacam os testemunhos da construção – ferragens. Encimado por frontão composto por volutas sobrepostas e decoradas. enquadrando uma pintura da Adoração dos Reis Magos. tornando-o ainda mais presente 10 . comungando um desejo de realização artística e catequética. datada de 1700.incentivados pelos meninos que vinham de Lisboa. datada de 1580. ao redor do qual existia a convivência comunitária no térreo e as celas no piso superior.9). o conjunto mostra uma plasticidade maciça. Sem dourado ou mesmo policromia. O retábulo mor por detrás do cruzeiro em alvenaria fica sobre elevado patamar na capela mor. dobradiças. cruzeiro lembrando a evangelização. valorizada tanto pela luminosidade lateral como pela generosidade das formas esculpidas. ao espartano gosto inaciano (Il. A igreja e a residência foram construídas sobre um outeiro nos arredores da embocadura do Rio dos Reis Magos. Havia ainda a residência com pátio quadrado. O modelo do altar maneirista imposto pela cultura européia é alí dissecado pela cultura indígena e reinterpretado na união das duas culturas. A redução dos Reis Magos. além daqueles objetos de culto religiono dentre os quais se destaca fragmento de um Crucificado de esmerada feitura.além do desejo de formar uma escola de escultores naquele momento de nascimento da cultura brasileira.

é o mais caracterizadamente jesuítico com ornamentos remanescentes da Renascença. conservados na igreja de N. criado estacionamento e jardim na parte posterior. Todo conjunto tem proporções perfeitas.dentro de uma arquitetura chã. conforme mostraram trabalhos arqueológicos do final do século XX. 11 . 6. quando os índios termiminós. o corpo do retábulo constituído por suportes para os dois pares de colunas com um terço delas mostrando cabeças de anjinhos em meio a arabescos renascentistas. 191). na parte superior. 2008. S. de autoria do padre Manuel do Canto. caneluras divergentes entre si e capitéis compósitos. capela-mor e sacristia na lateral à direita. Em Niterói. p. confere dignidade à obra. dando ao monumento visibilidade total. com severas linhas jesuíticas no triângulo frontão retilíneo com óculo. mas sua construção foi preservada 13. O retábulo possui todos os elementos ornamentais maneiristas – o altar comprimido dentre duas volutas salientes ornamentadas com esferas ao centro. Redução de São Lourenço dos Índios. Durante séculos. rara peça da arte maneirista jesuítica. Depois da expulsão dos padres teve outros usos.3. o terreno fronteiriço serviu de cemitério para os índios. Seu retábulo é comparável com aqueles da igreja jesuítica do Rio de Janeiro. RJ (Il. a igreja de São Lourenço dos Índios teve sua primitiva construção anterior a 1570 e remonta à fundação da cidade. três janelas de vergas retas. Também nesse estilo se enquadra o nicho central com arco pleno emoldurado por painéis escultóricos rasos. Sua disposição na parede do fundo. preso ao teto. assim como na porta. fato raro que dignifica a construção. p. que abriga a imagem retabular de São Lourenço com 13 No restauro de 2005 foi recuperado todo o gramado fronteiriço. do Bonsucesso (Tirapeli. 2008. na parte inferior. Niterói. sob o comando de Araribóia se agruparam do outro lado da Baía da Guanabara em agradecimento à união dos índios e portugueses para a expulsão dos franceses da ilha de Villegagnon. a começar pelo retábulo até o painel pictórico que reveste toda parede do fundo. Segundo Lúcio Costa (1941). emoldurado por pintura sobre madeira e guarda-pó com lambrequins e borlas na altura do forro.151). Há fundações de possíveis torres posteriores e as atuais sineiras dispostas na parede fronteiriça ocorreram nas sucessivas reformas dentre os anos de 1627 até 1769 (Tirapeli.10). Interiormente é simples com nave única.A capela foi inaugurada ainda no século XVI com o auto São Lourenço. Seu exterior é singelo.

pp. de terreiro e casario singelo. (o retábulo) por essa mesma razão. Exemplares ímpares de capelas alpendradas. da Conceição de Voturuna (c. sendo a da Aldeia de Carapicuíba (1698) a que melhor conserva seu entorno.1680). como responsável pela gênese da arquitetura mineira para aquelas primeiras capelas e matrizes de barro e madeira das cidades fundadas pelos bandeirantes paulistas.é. ambas nas redondezas da capital. Já o escritor modernista adquiriu em 1944 o sítio onde a capela se situa. Em São Paulo há retábulos do mesmo período como nas capelas de Santo Antônio em São Roque e Nossa Senhora de Voturuna em Santana de Parnaíba. transferida pelos próprios paulistas. tem a honra de encerrar em suas diminutas dimensões " uma versão de sabor popular dos nobilíssimos retábulos jesuíticos do primeiro período . uma peça de valor excepcional".dalmática. São marcos que valem mais como testemunhos do que pela beleza que a arte atingiu em outras partes do Brasil. testemunhos da consolidação e conquista dos caminhos para diversas regiões do Brasil. resplendor. as capelas alpendradas paulistas constituem dos mais importantes monumentos arquitetônicos. segundo Mário de Andrade. Trata-se de exemplar ímpar. Assim. finalmente. As escavações arqueológicas revelaram a existência de cemitério indígena na parte fronteiriça e sob parte do edifício. A capela de Santo Antônio gerou a tese de que seu retábulo é o marco inicial da brasilidade na arte lusobrasileira. foram objeto de pesquisas aprofundadas de Lúcio Costa e Mário de Andrade. A de N. como a de São Miguel (1622) em São Paulo e a de Santo Antônio (1681) em São Roque. raro até mesmo em Portugal. palma na mão direita e grelha do martírio segura pela mão esquerda e amparada aos seus pés. Reduções no Estado de São Paulo São Paulo guarda parte da gênese da história da arte brasileira. Lúcio Costa (1997. nas palavras do maior estudioso da arte jesuítica brasileira. O urbanista foi além: considerou sua solução arquitetônica. 134 – 137). segundo Lúcio Costa. mas veio a falecer no ano seguinte sem realizar seu sonho de ali criar um centro para pesquisadores. E ainda. o entablamento saliente que suporta as volutas e os mainéis que emolduram o painel pictórico da Assunção da Virgem . 7. em Santana do Parnaíba. As capelas alpendradas ao redor da então São Paulo do Piratininga guardam as características do primeiro período da catequese jesuítica. 12 .S.

Uma capela lateral foi construída com tijolos de adobe e estrutura de madeira. SP (Il. 1945. foi reformada por frei Mariano da Conceição Veloso no século XVIII quando o pé direito da nave foi ampliado. Lúcio Costa. teria batizado cerca de 30 índios e realizado outros tantos casamentos. Em São Miguel.7. em 1616. Fernão Cardim.p 108). Segundo Sérgio Buarque de Holanda (1941.1997. intercalando madeiras para a sustentação do telhado. com características das construções jesuíticas do século XVII. o aspecto mais leve e gracioso resulta no alteamento da nave com paredes de adobe. pois data de 1735. embora posterior de um século. e escoramento interno de madeira. ainda se conservam nas terças decoradas da sacristia. É provável que tenha caído em ruínas. (LEITE. sendo que em 1589 essa aldeia possuía 800 índios e centralizava a catequização dos guaianazes. fundada pelo beato padre José de Anchieta em São Miguel. observando antigas capelas existentes nos arredores e a igreja da capital. 230). p.1. como a de Carapicuíba. passando a apresentar um corredor lateral gradeado. pelo Iphan. a fundação da aldeia deu-se por volta de 1562. o das capelas típicas de aldeia. merecendo receber a denominação de arte brasileira e não mais de luso-brasileira. alí o Pe. daquela mesma região de São Paulo. Na reforma do arquiteto Luis Saia em 1959. São Paulo. em 1586. já constava do testamento de Anna de Moraes. em 1585. O feitio primitivo desta velha capela de 1622 – data do portal e da valiosa peça que é a grade de separação do presbitério – seria. material muito empregado nas reformas e acréscimos do século XVIII. Redução de São Miguel. Nessa construção também de taipa. sendo reconstruída. continua a explanação sobre a técnica construtiva: ―Na capela tão simpática de São Miguel. em 1622. p. Existe menção à existência de uma capela em São Miguel já nos Catálogos da Companhia de Jesus. pelo bandeirante Fernão Munhoz. A balaustrada da mesa de comunhão é também notada por Lúcio Costa como das mais significativas da arte daquele período. a igreja. 106). acrescido de alpendre. vestígios de mão-de-obra indígena” (Costa. 13 .11) A capela de São Miguel. hoje bairro da zona leste da capital. abriu-se inteiramente o corredor livrando-se da parede e foram então colocados barrotes sobre o parapeito. conforme a inscrição da porta principal.

p. 1622 – deixado pelos jesuítas.S. e restaurada pelo Iphan sob responsabilidade de Luís Saia em 1959. e o sacrário da igreja. a equipe do restaurador Julio Moraes encontrou pinturas na camarinha do altar da referida capela que pode ter sido construída pelos franciscanos (Il 13). entre eles. discordando da determinação. quando um padre teria vendido a porta da sacristia. em 1936. São Miguel parece ter ficado abandonada por longo período. No restauro de 2006/08. incluindo seus bens móveis. reuniu-se ao povo para reaver o conjunto de objetos e índios da ―Escada‖. em 1745.popularmente diziase estarem ali sepultados o cacique Baquiriou. A Câmara de Mogi. foram construídos dois novos altares laterais no arco cruzeiro. Quando da ampliação feita por frei Mariano da Conceição Veloso logo depois da expulsão dos jesuítas em 1759. mas. Quando destas descobertas. segundo Paulo Duarte (1938. 11). Estamos sem dúvida diante dos mais antigos desenhos – a confirmar pela data da verga. no início do XIX. a aldeia já estava sob a direção religiosa dos capuchinhos (Arroyo. Em 1952. chefe da tribo dos guaianazes e sua filha 14 . inclusive a de São Miguel. um desconhecido invadiu o templo e depredou móveis e imagens. uma cômoda usada desde o século XVII para a guarda de paramentos. autorizou a transferência das imagens e alfaias da igreja de N. Desse modo. 64). no altar-mor. constitui hoje o único exemplar alpendrado remanescente brasileiro dos primeiros séculos da colonização. como imagens. em Guararema (à época pertencente a Mogi das Cruzes) para a de São Miguel. as obras tomaram outro rumo inclusive com a rápida ação dos arqueólogos que confirmaram a existência de cemitério indígena . da Escada. vieram à luz desenhos pintados a maneira maneirista em tonalidades vermelhas fortes e contornos pretos que haviam ficado encobertos pelas tábuas do altar lateral do lado da Epístola (Il 12). p. 1954. Essa histórica capela. Ainda devido à extensão pode-se pensar na hipótese de grandes barrados coloridos sobre a taipa. tombada em 1938.Já no final do século XVII havia uma preocupação por parte das autoridades com relação à manutenção de diversas capelas. Neste início de século passa por um restauro durante o qual foram encontrados desenhos pintados por detrás dos altares das laterais. Na capela lateral. o vigário da vara de São Paulo. alfaias e outros. Com o passar dos anos a igreja foi vítima de diferentes atentados contra a sua integridade patrimonial. André Baruel. ligada ao corpo da igreja por um arco pleno.

14). que apresentam videiras naturalistas. SP. mais de setenta — com cenas da Paixão — que até hoje se encontram em número reduzido no museu. O fausto daquela residência evidenciava-se pelo grande número de imaginária arrolada. Ainda nos arredores da capital. com o emblema da Companhia de Jesus e os dois altares laterais da igreja. quando foi construída pelo padre Domingos Machado com a ajuda da mão de obra indígena (il. ganham relevo o altar mor da primeira fase joanina e os dois laterais ainda do estilo nacional português com águias bicéfalas no coroamento. Igreja de Nossa Senhora do Rosário e Residência dos Jesuítas – Embu. a residência de Nossa Senhora do Rosário. na cidade do Embu das Artes tem sua importância devido ao fato de ser dos mais íntegros exemplares jesuíticos do final do século XVII.15) são caixotonados. Aldeia de Carapicuiba. remete ao final do século XVII ou às primeiras décadas do século XVIII. O órgão no coro é considerado o mais antigo feito no período colonial (Tirapeli. 7. Estas pinturas datam por volta de 1700 constituindo importante acervo pictórico jesuítico com referenciais às sacristia do colégio de Santo Alexandre em Belém e Vigia no Pará. No interior da capela. p.Iraraí. surpreendendo arqueólogos e restauradores. Os forros da capela-mor e sacristia (Il.3. SP. o primeiro pintado com motivos florais inclusive no revestimento da parede e o segundo na sacristia com pinturas simbólicas de cenas da Paixão de Cristo cercadas por elementos grotescos e outros motivos orientais. 7. prática em São Paulo apontada por Lúcio Costa a respeito do retábulo da capela de Voturuna (1680). 2003.( Il 16) 14 Esta capela é de valor inestimável para o patrimônio cultural da capital. As últimas descobertas foram nos anos de 2006-2008. Os quatro leões para missas de exéquias estão entre as peças mais intrigantes. 15 . 236).2. verificou-se até uma urna funerária em cócoras 14. O púlpito. Estes altares mais antigos que a construção da igreja talvez tivessem sido transferidos de outra redução das redondezas. similares àqueles de Aleijadinho no museu homônimo em Ouro Preto.pois sua conservação de certa forma isenta a culpa das autoridades pela destruição do Colégio Jesuítico do qual nasceu a capital paulista. Passado o radar no sítio arqueológico.

a de Itaquaquecetuba (1624) nos arredores da capital paulista. A praça é utilizada para a dança da santa cruz. A tradição da dança indígena permanece também em outra antiga redução. a respeito da habitação (Andrade. Na frente fica a área social. exemplar raro de aldeamento indígena que sobrevive à especulação imobiliária nas proximidades da rodovia Raposo Tavares. espaço para cozinhar e guardar os trens. 1960 e 1961 quando se estudaram as técnicas construtivas e a semelhança de partido arquitetônico com aqueles das missões jesuíticas do Rio Grande do Sul. o Janjão do Iphan. 7. As casas antigas do terreiro da aldeia são bem simples com um ou dois cômodos. embora sem a ornamentação. Próxima a esta região entre a capital e Embu. Do lado de fora. encontra-se a Aldeia de Carapicuiba. O último estudo das construções foi feito por Antônio Luís Dias de Andrade. 2006. no curso do rio Tietê. instalada em terrenos superiores do aldeamento nas terras de Afonso Sardinha. que as doou aos padres jesuítas. 24 – 32). segundo os padrões pré-estabelecidos de organização social. do Iphan. Com as terras exauridas o aldeamento foi abandonado e posteriormente reconstruído em 1736 com remanescentes de casas e capela que foram estudados por Luis Saia. além dos entalhes na igreja do Embu. Sra da Ajuda. Segundo o pesquisador. realizada nos primeiros dias de maio inaugurando o ciclo ígneo das festas juninas. sobretudo. Outras construções servem de vendas e bares. feitas de pau-a-pique. pp. realiza-se a dança ensinada pelos jesuítas aos índios em louvor da santa cruz. Sua origem remonta a 1580.4. falecido em 1997. Ocorreram ainda intervenções em 1954. Outras casas populares mais recentes seguem o modelo de um quarto onde acumulam baús e prateleiras e uma cozinha que serve como local de estar e mesmo para dormir. 1956. onde se conserva a igreja N.Nesta sequência de exemplos no estado de São Paulo apontaram-se as descobertas recentes dos desenhos na capela de São Miguel e as pinturas. trata-se do único aldeamento jesuítico que sobreviveu. Nossa Senhora da Escada em Guararema. a alcova na intermediária e os fundos reservados para o convivio e serviços domésticos. Ao pé do cruzeiro fronteiriço ao terreiro da capela cuja invocação é São João Batista. (Il 17) 16 . e também ao acesso a alguns dados empíricos sobre a natureza das atividades do grupo humano ali estabelecido e. Assim permaneceriam em vigília noturna.

em talha vazada.5. Este tipo de altar formando um novo anteparo plano para apenas um nicho em arco. Outros retábulos se conservam em capelas como a da fazenda Voturuna em Santana do Parnaíba. Ao observar a parte posterior do altar vê-se a estrutura em madeira pouco distante da parede. p. 245). situada na rota de outras reduções como Itaquaquecetuba e São José (dos Campos). No litoral em Itanhaém há retábulos com características jesuíticas tanto na igreja matriz como no convento N. e encimada pelo telhado de duas águas com pequeno óculo no triângulo formado pela empena. Outras reduções e capelas em São Paulo Ao redor de São Paulo outras reduções jesuíticas se transformaram em vilas e cidades e seus edifícios foram desfigurados. hoje bairro de Pinheiros passou para os beneditinos que conservaram um altar recolhido daquela igreja quando reconstruída. o retábulo principal é todo em madeira com apenas um nicho em arco pleno de pequena profundidade. diferente do retábulo mencionado em São Miguel. pois estavam a meio caminho das minas de ouro. segundo Mário de Andrade.A freguesia da Escada data de 1652. outro em São Roque no sítio Santo Antônio. por fim. 2003. sendo dos mais importantes do século XVII. já no Vale do Paraíba onde os jesuítas foram proibidos de construir suas residências. com três janelas na parte superior e três portas desalinhadas no térreo. 7. da Conceição (1699). que fica junto à taipa. Parte deles foram para o Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS/SP). é raro e certamente deveria ostentar ornamentação pictórica. Em Santo Amaro. dois deles recuperados e restauradas sua cores originais ( Carneiro. onde se conserva (Tirapeli. teria sido em 1911 que o referido altar lá guardado passou para o mosteiro beneditino de Jundiaí. Sra. A igreja sem torres está agregada à residência. 2004). As igrejas de Cotia e Guarulhos preservam seus sacrários. reformados ou guardam apenas partes de seus retábulos. Também parte das talhas vazadas do retábulo mor de Itaquaquecetuba se encontra no mesmo museu. A residência alonga a fachada plana. a igreja transformada era provida de três altares. Segundo relatos. Há dois altares junto ao arco da capela mor ornados em entalhes e pinturas de sabor popular. A igreja da antiga redução. ali próximo. No Museu da Ordem Terceira do Carmo em Mogi das Cruzes há um retábulo proveniente da capela da fazenda de Santo Alberto (1665). O primeiro ainda em seu local original e o segundo no MAS/SP. 17 . E.

Os últimos índios missioneiros foram extintos durante a Guerra do Paraguai em 186515. que pertencia a Espanha até o Tratado de Madri em 1750. Ainda desta igreja. pp. assim como a imagem do padroeiro.1. o complexo missioneiro jesuítico tem seu ícone maior nas ruínas de São Miguel das Missões. abaixo da linha divisória do Tratado de Tordesilhas. As Missões foram aclamadas como Patrimônio da Humanidade juntamente com as ruínas jesuíticas da Argentina e Paraguai conhecida com Misiones. a N. na região dos Sete Povos das Missões. A igreja sempre era o foco visual e deveria 15 As primeiras misiones espanholas foram erigidas no atual Estado do Paraná. de 1560. 18 . Ruínas de São Miguel das Missões. são os Fragmentos Vicentinos. Lúcio Costa em seu artigo A arquitetura dos jesuítas no Brasil . 8. da Conceição. fundadas entre os anos 1690 a 1763 pelos padres jesuítas para abrigarem e evangelizarem os índios guaranis. Eles estavam reunidos no Guairá desde o início do século XVII. RS. Naquele período estava em terras espanholas. nas terras do cacique Arapysandu a leste na região do Guairá. Cada missão podia abrigar por volta de três mil índios que trabalhavam nos campos sob a orientação de dois ou no máximo cinco padres. de autoria de João Gonçalo Fernandes. que indicam pertencerem a um altar lateral da primitiva igreja (1559) que abrigava a mais antiga imagem brasileira. recolhida no Museu de Arte de Santos ( Tirapeli. todavia em pesquisa. Faz ainda parte das ruínas das Misiones as ruínas jesuiticas paraguaia e argentina que pertenciam ao reino da Espanha. Atualmente são várias ruínas sutilmente visíveis aguardando trabalho arqueológico. quando foram atacados pelos bandeirantes paulistas e se mudaram para as terras abaixo das Cataratas do Iguaçu. que sofreram um grave incêndio em 2001 e foram restauradas. 8. permanecendo. 1941. (Il 18) A Missão de São Miguel constitui um dos Setes Povos que com o Tratado de Madri (1750) passou a pertencer ao território nacional. termina declarando que esta arquitetura nada tem a ver com aquela da Província do Brasil. Região das Misiones Ao Sul. não distante da divisa do atual Estado de São Paulo. 368-9 e 105). O mundo jesuítico do ideário missioneiro está presente na dignidade daquela fachada romana. Sra. abaixo do rio Paranapanema. 2003.sobreviveram as colunas maneiristas do baldaquino adaptado da igreja matriz de São Vicente. construída por quem sabia de modenatura e estava muito ciente do conhecimento da proporção. Estima-se que tenha havido por volta de 30 missões ao sul de Asunção.

outra das sete missões. torre e arcaria interna dividindo as naves.ter capacidade para abrigar todos os habitantes daquela localidade. Este monumento é símbolo da política de conservação nacional iniciada em 1937 com a criação do Serviço do Patrimônio Histórico Artístico e Nacional. de Vignola e Giacomo della Porta. ao lado daquelas que em parte foram esculpidas pelos guaranis e por vezes finalizadas pelos mestres. nascido em São Francisco de Borja . o grande templo foi projetado pelo irmão jesuíta João Batista Primoli e iniciado em 1744. foram declaradas patrimônio estadual em 1927 e dez anos depois as Ruínas de São Miguel foram tombadas como o primeiro monumento nacional por intervenção de Getúlio Vargas. São Miguel tem um acervo imagético. anos depois do Tratado de Santo Idelfonso (1761) ter anulado o Tratado de Madri. As outras também mostram as dimensões internas determinadas pelas bases de suas colunas ou paredes. No Museu das Missões estão obras executadas nas oficinas pelos mestres jesuítas. tanto lítico como torêutico. Os longos cabelos das mulheres guaranis. do mais alto nível. Há também peças parte eruditas e interpretações populares dos indígenas. que teve como primeiro diretor o mineiro Rodrigo Melo Franco de Andrade. Neste caso de São Miguel. levando-as à decadência. 1999). com diretrizes escritas pelo paulista Mário de Andrade. seguindo os modelos europeus divulgados em gravuras. Expostas às intempéries por quase cento e cinquenta anos. Além de todo legado urbanístico – oriundo de diversas missões como a de São João Batista e obras como a fonte dos jesuítas – e do arquitetônico. As esculturas foram analisadas por diversos autores como Armindo Trevisan (1978) sendo aquele acervo exposto em diversas partes do mundo. assim as missões voltaram para as mãos dos espanhóis que exploravam os índios. Estas ruínas no lado brasileiro são as únicas a manterem uma igreja que ostenta a fachada. atual Iphan. Estas esculturas do denominado barroco jesuítico guarani são visíveis nos traços dos rostos à medida que o escultor identifica-se com o culto católico gerando assim imagens familiares. e são projetos completos ou em parte do mesmo arquiteto. A degradação das igrejas bem como de todas as misiones começou após a expulsão dos jesuítas da Espanha em 1768. irmão Primoli. bem como 19 . transformando-a em Museu das Missões cujo acervo se forma de esculturas em madeira e pedra (Tavares. O arquiteto Lúcio Costa reconstruiu uma das vivendas dos indígenas. Sua volumetria arquitetônica rivaliza com os projetos europeus baseados na igreja de Gesù. templo matriz dos inacianos em Roma. presidente do Brasil à época.

Quanto às ruínas. segundo relatos dos padres ( Il 20 e 21). Em San Ignacio Miní tem-se a sensação da busca do ―paraíso perdido‖ revelado pela amplidão da praça e a monumentalidade da fachada mesmo arruinada e suas paredes com esculturas em baixos relevos. Talvez seja este o melhor testemunho visível e plástico legado pelas imponentes ruínas. seguindo a gramática da cantaria aplicada com erudição. Na misiones paraguaias o acervo escultórico encontra-se em salas improvisadas ou mesmo nas igrejas aguardando espaços museológicos. há autores que vem no sofrimento expresso nos rostos dos Cristos mortos a projeção do dilema da nova vida dos guaranis confinados nas reduções. A arcaria das antigas residências indígenas aponta para avanço arquitetônico e tecnológico. de Trinidad e de Jesus de Tavarangue ambas no Paraguai e a de São Miguel no Brasil. além das soluções barrocas na parte da fachada existente. Da mesma maneira que suaves curvas foram aplicadas na fachada da igreja de São Miguel. a de Trinidad denota uma emoção especial devido às esculturas em pedras em diversas partes do templo desde nichos. Ruínas de San Ignacio Miní (Argentina) e Trinidad. As esculturas em pedra agregadas à arquitetura. São quatro ruínas declaradas Patrimônio da Humanidade (1984). O mesmo se observa 16 Em San Ignacio Miní há um museu missioneiro inserido em edifício neocolonial com maquete da missão. 20 . com mão de obra puramente indígena. os recuos e avanços dos apliques e das colunas contribuem para a absorção e reflexos da intensa luminosidade produzindo luzes e sombras velando e desvelando formas surpreendentes16. incorporam na imagem da Imaculada. 8. Por meio delas pode-se ter uma idéia do esplendor que as misiones atingiram em se tratando de trabalho lítico. assim como Santana. maracas e instrumentos de corda por eles mesmos construídos. bases de altares e imponente púlpito. recebem tratamentos diferenciados. bem como painéis didáticos sobre as práticas artísticas e agrícolas dos guaranis. (Il 19) San Ignacio Miní. o ―monumento perdido‖ é compartilhado pela intromissão da floresta e por toda sorte de vegetação sobre as pedras que revelam as construções testemunhas arquitetônicas. Em Santana. Jesus de Tavarengue (Paraguai). ambas no lado argentino. Por fim. as de San Ignacio Miní na Argentina.gestos e posturas.2. Há placas explicativas nos diversos circuitos turísticos e um galpão com fragmentos de pedras e olaria aplicadas nas construções. A revelação maior está porém no friso decorativo da nave e capelas do transcepto com relevos de anjos instrumentistas com órgão. harpa.

De um lado. ora condenados pelos iluministas. fundamentada nas causas e efeitos daquele período em que se buscavam os esclarecimentos dos fatos no calor da discussão que culminou na supressão da Companhia de Jesus . 9. 21 . sob iluminação excessiva já que recebiam sol através dos vitrais pela parte posterior danificando a policromia. Outra visão é da materialidade que constitui o patrimônio visível a ser conservado e estudado. atualmente dividida pela Província de Entre Rios na Argentina. sem dúvida. Um olhar mais atento pode discernir todos os estados por que passaram estes empreendimentos religiosos. brasileira e argentina. Nos dois momentos. abstrata. do outro. as esculturas estavam acondicionadas em um salão paroquial ao lado do sítio arqueológico de Trinidad. ora aclamados. Ainda aquelas no Planalto do Piratininga nas quais estes testemunhos desapareceram da paisagem e até caíram no esquecimento nos acervos museológicos.e seus efeitos sobre a região até hoje sentidos. Primeiro.nas ruínas de Jesus de Tavarangue. abóbadas em meia laranja e cantos arredondados nas paredes e colunas circulares a elas adossadas17. a pujança das cidades que nasceram como reduções no Sudeste. calcada na literatura.o que confere status mítico àquela ação catequética. As esculturas de Jesus de Tavarengue estavam na igreja atual. a ação missioneira jesuítica nas terras paraguaia. ganha admiração . O acesso rodoviário a esta redução estava praticamente finalizado e a limpeza das paredes das ruínas da igreja fazia-se lavando as pedras. os sentimentos de perda e construção também se entrelaçam. Guarulhos. aguardava-se local apropriado para as esculturas. paraíso perdido. As peças eram em sua maioria de vulto inteiro com policromias originais em bom estado. Como no caso anterior. Neste plano. em especial na área educacional. 17 Na ocasião da visita a estas duas ruínas em janeiro de 2007. Niterói ou Vitória. o sentimento de ruína. Esta visão é a mais distante. com portais com arcos trilobados. visto que o isolamento e esforço de união daquela região Sul repartida ainda continua distante de decisões de qualquer ordem tal como ocorre nas grandes cidades do Sudeste como São Paulo. dilapidado pela política das cortes européias selando a sorte de uma civilização utópica que tivera interesses políticos. como as esculturas e as ruínas em si. Conclusões (il22 e 22A) A reflexão sobre a arte produzida pelos padres jesuítas nestas duas regiões Sul e Sudeste conduz a conclusões antagônicas. as ruínas das missões do Cone Sul. algumas já ao gosto rococó. religiosos e de realizações intelectuais. dispostas sobre tamboretes. todas de refinada feitura.

autorizaram os intelectuais às 22 expressar o . O que se vê no Museu das Missões em São Miguel (RS) é parte ínfima da produção escultórica que enriquecia os altares das igrejas que abrigavam até três mil almas sob suas abóbadas de berço construídas em pedras lavradas pelos indígenas. tanto dos civilizadores como daqueles a serem civilizados. Isso enquanto a música colonial é objeto de pesquisa em território mais amplo. quando o conceito da conservação dos traços da civilização do vencido não ia além de ser troféu da conquista. Os objetos litúrgicos em ouro e prata recolhidos em museus ou coleções particulares tiveram melhor sorte que aqueles dos incas. como Anchieta e Nova Almeida (ES). atingindo até a Bolívia.comparável à não destruição total das pedras das ruinas missioneiras empregadas em larga escala na construção daquela região. A História segue seu curso e os testemunhos de um tempo ganham a dimensão de historicidade livres das regras e com fruição estética como já sugerira Mário de Andrade ao elencar os testemunhos históricos coloniais do Estado de São Paulo. nos levam ainda à uma reconstrução enaltecedora dos derrotados – a Companhia de Jesus e os guaranís – fato raro e de gosto contemporâneo no estudo da História. A conservação das residências e igrejas ainda hoje. Carapicuiba e Embu das Artes (SP). A visão do Paraíso dos Guaranís dificilmente escapará do clichê da sociabilidade e musicalidade confirmando nossa admiração pela grandiosidade da missão religiosa mesmo que seguida de atrocidade. praticamente intatas com grande parte de suas obras de arte é quase um milagre .Os restos de um naufrágio no dizer de Lúcio Costa. quando visitou a região das Missões em 1937 . Esta visão de materialidade. As lutas pela independência das regiões fraccionadas dos antigos vice-reinados hispânicos e o consequente subdesenvolvimento das mesmas. e as pesquisas são divulgadas por meio de congressos específicos e revividas nas criações como a Missa Crioula. concretiza a visão de martírio e de continuidade de sofrimento tanto na literatura como nas análises das obras de arte que naqueles tempos missioneiros almejavam encontro do humano com o divino. que foram fundidos pelos conquistadores. pode ser empregada na avaliação dos acervos arquitetônico e de imaginária visto que o pictórico foi praticamente todo destruído pela ação do tempo. Este ponto em comum da derrota. testemunha do encontro das civilizações. bem como as recentes pesquisas sobre as mais antigas talhas jesuíticas denominadas Fragmentos Vicentinos possivelmente de 1560.

La Laguna: Fundación Canaria Mapfre. estes cenários aqui delineados partem de jesuítas portugueses como Manoel da Nóbrega. em contraposição ao progresso dos protestantes anglicanos . pp. São Paulo. Todas as interpretações que objetivam o esclarecimento da materialidade restante daquele naufrágio ou desta empreitada religiosa/civilizatória/política enfrentam a complexidade multidisciplinar que envolve a estética. o que hoje nos possibilita a leitura de tais realizações como obras abertas no conceito do escritor italiano Umberto Eco. que criou as reduções indígenas no Brasil (1549). Iphan/Gov. Claudete. 2006. São Paulo. 2000. Victor Hugo Mori (org). Carlos Javier Castro (org). BERTRAN. os espanhóis. Também a arte tem um grande distanciamento entre a realidade latinoamericana e os modelos europeus.interpretações da América Latina fadada à derrota e miséria. História da terra e do homem no Planalto Central. 10. BRUNETTO. Anchieta y los pueblos indígenas del Brasil. 1981. BOFF.refletido na pujante sociedade norte-americana. Aldeia de Carapicuiba. ANDRADE. periférico ou missioneiro e jesuítico guarani e mais cruel. In Patrimônio: atualizando o debate. Sem dúvida. Bibliografia AMARAL. Mais uma vez os inacianos são motivo de admiração. A imaginágia guaraní : acervo do Museu das Missões. o que valeu denominações de barroco crioulo ou mestiço. São Paulo: Livraria Nobel/Edusp. Isso desde os tempos sombrios dos conceitos religiosos católicos ibéricos. Santo Ângelo : Centro de Cultura Missioneira – CCM/URI – EDIURI. Paulo. 2003. Brasilia: Verano. A hispanidade em São Paulo. em ambos os casos para a difusão da fé. Aracy A. seguindo os modelos das cidades quadriculadas vinculadas à rigidez militar dos acampamentos dos tempos romanos. Depois. 2005. pois adaptaram seus modelos artísticos originando outros aqui realizados. Antonio Luiz Dias. o restauro e a arqueologia segundo o objetivo deste artigo ao exemplificar com as artes plásticas. ainda na aurora da Companhia (1540). ignorado pelos estudiosos das metrópoles das quais se originaram os modelos a serem ou não seguidos. mesmo antes dos modelos das igrejas de São Roque (1560) em Lisboa ou Espírito Santo (1576) de Évora. adaptados a uma situação incógnita. 24 -32. 23 . Os modelos vieram aos poucos.

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