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OPERAÇÃO-RELÂMPAGO
Autor

CLARK DARLTON

Tradução

RICHARD PAUL NETO

Digitalização e Revisão

ARLINDO_SAN

No dia 3 de dezembro de 2.435 do calendário terrano finalmente chegou a hora. Depois que Perry Rhodan fora bemsucedido nas buscas do transmissor fantasma, que representava uma ameaça à existência dos guerrilheiros gurrados, os mal-entendidos que lavravam entre os terranos e os homens-leão puderam ser eliminados quase instantaneamente. Perry Rhodan, Roi Danton, os ertrusianos Melbar Kasom e Oro Masut e os outros sobreviventes do comando Modula foram libertados. Os terranos e os gurrados celebraram uma aliança para defender os interesses comuns. Já estamos no dia 10 de dezembro do ano 2.435. Já se reconheceu claramente o perigo representado pelos agentes de cristal, isto graças aos dados que os gurrados forneceram aos terranos. Além de Danger I existem muitos planetas de cristal, que jamais foram vistos por qualquer ser humano. Neutralizar os planetas Danger — é este o objetivo e a finalidade de uma operação em grande escala da Frota Solar. A operação ê designada por um nome em código: OperaçãoRelâmpago...

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Personagens Principais: = = = = = = =

Perry Rhodan — Administrador-Geral do Império Solar, que dá início à Operação-Relâmpago. Gucky — O rato-castor que toma um banho — e passa a ser um confidente. Jumpy — O “garotinho” de Gucky. Roi Danton — Rei dos livres-mercadores e filho de Perry Rhodan. Oro Masut — O guarda pessoal de Roi Danton, que se deixa enganar. Capitão Reinke — Chefe de uma missão de reconhecimento no planeta Danger XIV. Major Wolters — Comandante de um jato espacial.

1
Depois do ataque dos terranos o planeta Danger I se transformara numa paisagem cheia de crateras, mas este fato não afetava o significado de seu nome: perigo. Os hipnocristais, esferas de quatrocentos metros de diâmetro que circulavam em torno do planeta como satélites, tinham sido destruídos. Mas ainda se recebiam impulsos de grande intensidade, que só podiam vir dos veios de cristal que atravessavam o planeta bem abaixo da superfície. Enquanto existiam estes veios, não se podia dizer que o perigo tivesse sido eliminado. Novas esferas de cristal poderiam formar-se, e com elas os perlians esperavam dominar não somente a grande nuvem de Magalhães, mas a própria Via Láctea. Rhodan celebrara uma aliança com os gurrados, também conhecidos como os homens-leão. Os terranos prometeram que dariam aos oprimidos todo o apoio possível em sua luta com os perlians. Em compensação os gurrados colocaram seus conhecimentos astronáuticos à disposição dos terranos. Rhodan esperava que esta combinação lhe permitisse liquidar de vez os agentes de cristal. Havia vinte e oito planetas de cristal além de Danger I. A tarefa dos terranos consistia em atacar e destruir estes planetas. Com a chegada das vinte mil unidades da antiga frota de vigilância do sistema de Jellico, comandada por Reginald Bell, os contingentes de Rhodan na grande nuvem de Magalhães receberam um reforço considerável. As unidades foram distribuídas de tal maneira que cerca de quatrocentas podiam ser usadas no ataque a cada um dos planetas. Desta forma ainda haveria uma boa reserva para atender a qualquer eventualidade. As posições dos planetas tinham sido fornecidas pelos gurrados. A OperaçãoRelâmpago foi iniciada no dia 3 de dezembro do ano 2.435. Dali a uma semana, no dia 10 de dezembro, Rhodan já pôde dar ordens de ataque. Estava estacionado com quinhentas naves perto de Danger I, o segundo planeta de um sol amarelo conhecido como estrela chocadeira. Havia uma coisa que o incomodava um pouco. A Francis Drake, nave-capitânia dos livres-mercadores com seu misterioso comandante, Roi Danton, a bordo, estava por perto. Isso o incomodava porque não sabia o que pensar do homem que de um lado não podia levar a sério, mas de outro lado sabia que era muito inteligente e perspicaz. Seu comportamento bizarro não foi capaz de enganar Rhodan. Tratava-se de um dos homens mais competentes que já vira. “Tanto faz”, pensou Rhodan enquanto olhava para a grande tela panorâmica da Crest. “Se quiser, pode participar do ataque. Mal não pode fazer. Mas ai dele se não se submeter ao meu comando. Neste caso quero que vá para...” Rhodan esquecera que Gucky se encontrava na sala de comando. Como se sabia, Gucky era telepata. — Em quem está pensando? — perguntou o rato-castor, embora soubesse perfeitamente. — Não me diga que é naquele tipo maluco do século dezoito. — Espião cerebral — disse Rhodan, repreendendo o rato-castor, que se espreguiçava numa poltrona. — Será que nem se pode pensar mais à vontade? — Rhodan suspirou. — É claro que estava pensando em Roi Danton. Você não pode negar que ele nos tem ajudado de vez em quando.

o livre-viajante Roi Danton quer falar com o senhor. Limitou-se a fitar Roi Danton. Neste instante um oficial saiu da sala de rádio e fez continência. Motivos muito importantes. Além disso fala como um homem normal. — Comigo não — respondeu Rhodan depois de aspirar fortemente o ar.— Nem penso em negar isso. — Isso me deixa muito mais tranqüilo — confessou Rhodan em tom irônico. o senhor está bastante preocupado com as hipnovibrações dos cristais. senhor.. — Bem. Era um quadro tão surpreendente que Rhodan não conseguiu dizer uma única palavra. — Senhor.. — É somente hoje. comovido. Seja como for. Uma pequena tela iluminou-se. — Infelizmente o senhor tem razão. como Gucky costumava chamar o lorgnon. mas um uniforme de uma cor extremamente simples. — Cá entre nós.. Rhodan olhou para Gucky. — Estou curioso para saber o que deseja desta vez — respondeu Gucky. Além disso o hovalgônio contido nessas redes emite radiações tão intensas que pode ser localizado a qualquer momento. Rhodan não devia perceber que mais uma vez ele sabia mais que o Administrador-Geral do Império Solar. — Mas parece que alguma coisa aconteceu com o senhor. — O senhor ainda saberá. Quer que transfira a ligação para cá? Rhodan fez um gesto para Gucky. Mas pode ficar tranqüilo. O senhor certamente já sabe disso. As redes de proteção que têm sido usadas não representam uma proteção adequada. Tinha seus motivos para isso. O sorriso de Gucky aprofundou-se ainda mais. e dali a um instante mostrou o rosto de Roi Danton. os homens que estão atrás de Danton devem ser verdadeiros gênios. não é mesmo? Pois então! Isso exige uma adaptação não apenas mental. Rhodan espantou-se ao ver que não usava as vestes costumeiras do século dezoito. baixinho. — Gucky não me incomoda — disse Rhodan em tom frio. — Há algo de errado com o senhor? — perguntou Danton. — Resolveu falar comigo só para me contar isso? — Sua ironia me ofende.. Era completamente normal. vamos lançar um ataque importante. que certamente aparecera em sua tela. — Basta falar no diabo que ele aparece — nem que seja apenas na tela. — O que deseja? . estava faltando.. mas o rato-castor permaneceu calado. mas também em nosso exterior. mas de resto é um homem de confiança e um amigo de verdade. A gente morre de rir quando Roi sofre aquele tique francês. — Um dia havemos de descobrir. que não durará muito. — Talvez — murmurou Gucky e riu para dentro. Surpresas técnicas. Resolvi falar com o senhor por outro motivo.. Afinal. Onde está. Além disso o rosto não parecia afetado. pensei que talvez soubesse. Roi Danton. Até mesmo o infalível óculo de cabo. Pelo que sei. senhor. estarrecido.. Mas não compreendo. É uma adaptação passageira. cuja origem estava envolta em mistério. gostaria que respondesse a uma pergunta. bem. De repente olhou para Gucky. onde está o uniforme que costuma usar? Acho-o meio esquisito. Indignado. sir — interrompeu Danton em tom amável. Quem pode estar atrás disso? Atrás das surpresas técnicas? Não faz nenhuma idéia? — Como posso saber? — perguntou Gucky.. — O que devo pensar desse rato-castor sorridente? Tem de estar em todas? Ela me deixa irritado. Quem dera que não nos preparasse tantas surpresas.

. Era um homem baixo. com a cabeça completamente calva. Eu chamaria isso de capacete hovalfletor.. ah. Perry. talvez adiante muito. A figura de Eschka justificaria isso. lá está ele. Trata-se do conde Gris Eschka. — Acha que existe outra possibilidade. — Pelo menos terei a oportunidade de apoiar seus comandos de desembarque — ofereceu Danton.— Anunciar uma visita. — Pois é. embora não tenha a menor dúvida de que atendam às exigências mais rigorosas. — Que vem a ser isso? — perguntou Rhodan. O que é que ele tem a ver com isso? — Entregará os capacetes e explicará a maneira de usá-los. onde foi recebido por Rhodan juntamente com alguns dos seus homens e vários mutantes. Alguns oficiais acompanharam-no à cantina. Infelizmente não sei o que está acontecendo com as outras frotas. qual é mesmo o nome? — Conde Gris Eschka. muito gordo... Mr. — Acabamos de receber a confirmação de que os outros planetas Danger foram encontrados nas posições indicadas pelos gurrados. Quer recebê-lo a bordo da Crest? Rhodan suspirou.. Podemos dizer que se trata de um protetor aperfeiçoado contra as influências hipnóticas. Por que faria isso agora? Vamos ouvir o conde dos livres-mercadores. Ainda demorou três horas até que um barco espacial da Lydola entrasse no hangar da Crest. Para compensar os cabelos que faltavam na cabeça usava uma espessa barba negra. Infelizmente a quantidade de que dispomos é um tanto reduzida. Quando o conde Gris Eschka entrou na sala reinou um silêncio constrangedor. Em seguida dirigiu-se a Gucky. Tratava-se de um veículo espacial esférico de quinhentos metros de diâmetro. — Receba o conde antes de dar ordem de ataque à sua frota. Quanto à ordem de ataque. Rhodan olhou fixamente para a tela escura. Pode chegar a qualquer momento. — O que é que esse conde. podemos experimentá-los durante a operação. Vamos estabelecer o contato. — Podemos esperar mais uma hora com ele. Danton? — Não senhor — respondeu Roi Danton e desligou imediatamente. senhor. A Lydola era a nave de Eschka. A experiência já nos ensinou que Danton nunca contrariou nossos interesses. embora todos estivessem com vontade de irromper numa estrondosa gargalhada. Poderia ter a gentileza de recebê-lo antes de dar a ordem de ataque? — Não sei que influência um livre-mercador poderia ter na operação a ser desencadeada. que . baixinho? Qual é a sua opinião? Acha que adiantará alguma coisa? — Talvez não adiante nada. O conde anunciou sua presença. que de repente tivera o interesse despertado. Não podemos perder muito tempo. Gucky estava discretamente sentado num canto da sala para vigiar os pensamentos do livre-mercador. — Mais breve não é possível — a voz de Danton parecia um tanto ressentida. — Seja breve. um dos meus homens de confiança — e um terrano que nem o senhor e todos nós. — Onde está ele? — A alguns anos-luz daqui.. Até parecia uma esfera com vida que entrasse rolando na cantina. Tudo bem. — Então. Fazer mal não pode. mas já vem para cá em vôo linear. O conde Eschka apresentará um brinquedo técnico que talvez possa ser útil. Poderia fazer o favor de explicar? — Pois não. — Quanto aos capacetes.

Tenho certeza de que lhes poderá ser muito útil. — Prazer em conhecê-lo — Eschka sentou e colocou sobre a mesa uma sacola de material transparente. Em seguida fez uma ligeira mesura para Rhodan — provavelmente mais por razões orgânicas que por qualquer outro motivo. que merecia toda confiança. Mais tarde mandarei produzir maiores quantidades. Eschka dissera a verdade. — Quantas peças tem em estoque? — Infelizmente só disponho de cinco mil. Seus homens precisam deste tipo de proteção. Mas esta barba fora aparada o suficiente para não esconder as condecorações coloridas com que Eschka se enfeitara. conde Eschka. conde Eschka. — Até certo ponto isso é verdade — reconheceu Rhodan com um sorriso. Trouxe uma coisa. O senhor tem de confiar em nossos homens teóricos. Mas devia ser uma expressão enganadora. — Costumamos ser chamados de livres-mercadores. Os capacetes já foram testados? — Foram. Eschka sorriu e cumprimentou os outros com um gesto de cabeça. É claro que não foi possível simular nos laboratórios com toda exatidão a situação real. Examinou-o e passou-o aos outros. — Preciso saber com quem estou lidando. — Este deve ser Gucky. senhor. o rato-castor. Sei que pretendem lançar um ataque contra os planetas Danger. Os olhos inteligentes mostravam que se tratava de um homem intelectualizado. Acho que não há necessidade de apresentar meus amigos. — Já ouvi falar muitas vezes do senhor — Eschka sorriu e olhou para um lugar que ficava além do mutante. mas tenho certeza de que os capacetes cumprirão suas finalidades — Eschka inclinou-se. — Seja bem-vindo a bordo da Crest. Por favor. Avistou Gucky. É o ponto de vista de Roi Danton.. O uniforme não assentava muito bem e a barba dava ao conde dos livresmercadores um aspecto desleixado. O senhor já sabe. Pode falar à vontade. mais tarde ficaremos gratos por uma pequena retribuição. Danton me disse que é uma espécie de polícia mental. — Naturalmente. Fazemos questão de manter boas relações com o senhor. Se realmente valem o que prometem. O campo hovalfletor foi inventado há pouco tempo por nossos cientistas. considere estes capacetes um presente nosso.quase chegava a cobrir seu peito. Roi Danton disse que o senhor quer falar comigo. na medida do possível. mas isto deve ser suficiente pelo menos para o ataque a Danger I. abriu a sacola e retirou um capacete. Era de um metal flexível e tão grande que podia envolver completamente a cabeça de uma pessoa. Rhodan levantou e foi ao seu encontro. Peço que me desculpe. Mas o fato é que neste caso não pedimos nada em troca. Ao menos por enquanto. Dali certamente não se pode concluir que costumamos dar de presente nossas mercadorias. O rato-castor deu de ombros e acenou com a cabeça.. conde Eschka. Não tenho nada a esconder. — O que exige em troca. Rhodan olhou para Gucky. — O escudo de hovalgônio foi embutido no capacete e está equipado com um microdispositivo de absorção. A placa da nuca alcançava a vértebra superior do pescoço. . Faça o favor de sentar. senão estarão em perigo. — Excelente. — Com licença — disse Rhodan e pegou o capacete. Desta forma evita-se a emanação de qualquer tipo de radiação capaz de revelar a presença da pessoa que usa o capacete. conde Eschka? O rosto de Eschka abriu-se num largo sorriso. O campo hovalfletor protege a pessoa contra toda e qualquer influência hipnótica.

Mesmo que seja verdade. — Rhodan fez uma pequena pausa e prosseguiu: — Bem que eu gostaria de saber quem são eles. Além disso Gucky podia impedir que alguém espionasse seus pensamentos desde que quisesse. É claro que também preciso de um capacete. — Vocês vivem brigando há cinco séculos — por causa de dois segundos de diferença. dando-se por satisfeito a contragosto. E parecia que naquele momento queria. chefe do Exército de Mutantes. não Danton. senhores. . — Avisaremos — prometeu Eschka e levantou. Gucky aproximou-se calmamente da mesa. — Também penso assim — resmungou Ivã Goratchim. — Roi não os trará. — Vim ao mundo dois segundos depois de você. — Vamos pegar os capacetes. A cabeça esquerda. — respondeu Rhodan. — Senhor. Atlan tem uma pergunta.. faça o favor de avisar. — John Marshall cuidará disso — Rhodan olhou demoradamente para Gucky. De repente teve a impressão de que Gucky estava mentindo. O ataque a ser desfechado contra Danger I já me deixa menos preocupado do que estava uma hora atrás. Um oficial acompanhou-o para fora da cantina. e principalmente nos seus cientistas. — Nunca. o que é de admirar. — Os capacetes estão sendo descarregados. — Você disse Roi. Logo saberemos. Perry — disse Gucky a Rhodan. — Vamos recolher os novos capacetes. senhores.. senhor.? — suspirou Gucky. Neste instante o intercomunicador zumbiu. — Perdemos tempo. — Se pudermos fazer alguma coisa pelo senhor. Nunca! Desta vez as duas cabeças estavam de acordo e convictas do que diziam. Conhece mesmo? — Não é bem isso — Gucky parecia um tanto embaraçado. Em seguida atacaremos. Os lábios de Rhodan crisparam-se num sorriso condescendente. Mas é mais fácil dizer Roi que Danton.— Ficamos-lhe muito gratos — disse Rhodan finalmente. — Não o conheço mais que você. Rhodan saiu. Desculpe se me despeço — Eschka apertou a mão de Rhodan e cumprimentou os outros com um gesto bonachão. Chefe. — Um dia vamos encontrar-nos com eles — observou John Marshall. Será que nunca se cansarão? Os dois rostos sorriram para Rhodan. Tenho outras tarefas para cumprir. a cabeça direita do mutante geminado. chamada de Ivanovitch. baixinho. mas infelizmente o telepata Marshall já não estava lá. — O tempo perdido quase daria para construir um novo universo. não há motivo para insistir constantemente neste aspecto. Quer falar pessoalmente com ele? — Irei imediatamente — Rhodan levantou.. Já perdemos muito tempo. O rosto de um oficial do centro de rádio apareceu na tela. — Este conde é um sujeito bem simpático — disse enquanto examinava o capacete.. — São pessoas muito competentes. É ao menos o que vive dizendo. Faz de conta que o conhece muito bem. — Tem certeza de que isso funciona. protestou. Ficarão à sua disposição na Drake. — Sinto-me honrado. — Que argumento sem graça!. senão meu irmão mais jovem bancará o louco. — Confio nos livres-mercadores. — Vamos precisar de dois capacetes.

Tinha uma tarefa a cumprir. — Mas garanto que vocês não têm uma piscina tão bonita como nós. Vamos logo! Ali fica o elevador. O ertrusiano devia ter seus motivos para ser tão cuidadoso.. Podemos criar instantaneamente qualquer temperatura desejada. — Naturalmente. — De qualquer maneira ficarei muito velho. existem mais quatro ativadores na galáxia. Acho que você gostaria de saber que idade atinge um rato-castor. e decidira levá-la avante de maneira a deixar satisfeito o patrão. — Hum — Gucky continuou a refletir. grandalhão. — Pelo que sei. que sempre era curioso. Ao menos por enquanto. — Mármore? Numa espaçonave? É o máximo! — É claro que só é um revestimento de mármore. Vocês poderiam tomar o exemplo. Gucky estava bastante interessado em descobrir este motivo. Gostaria de dar uma olhada? Um pequeno banho não lhe faria nada. e com luz indireta. Veio em companhia de seu guarda pessoal Oro Masut. Masut distraiu a atenção do rato-castor. mas parece verdadeiro. Em hipótese alguma poderia cometer uma leviandade. É de mármore. que em sua opinião eram bastante tolas.. Muita gente quer. Principalmente o próprio Rhodan. — Vocês têm uma sauna? Masut fez que sim. Precisava descobrir um meio de enganar o ertrusiano. — Mas possui os recursos técnicos mais sofisticados que se possa imaginar. Mas é um segredo. Foi assim: Roi Danton veio visitar Rhodan na Crest. — Para que ia querer um ativador de células? — disse. Enquanto Danton conversava com Rhodan.*** A calma do rato-castor era apenas aparente. — Mas não tenho pressa. — Nossa nave não é tão grande — disse Masut depois de algum tempo. Nem conhece a Crest — Gucky refletiu um instante. — Irei buscar um deles quando chegar a hora — resmungou Gucky enquanto passeava ao lado de Masut pelo corredor principal. respondendo a uma pergunta de Masut sobre o aparelho que prolongava a vida. um gigantesco ertrusiano. Bastaria tirar-lhe o aparelho ou pô-lo fora de ação por alguns minutos. Gucky sorriu. fazendo uma porção de perguntas inúteis. É que há pouco menos de dez horas sabia quem era Roi Danton. — Será que um dia o imortal do planeta Peregrino voltará a aparecer? — Quem sabe? Masut estava fazendo um exercício de paciência. Fez de conta que não tinha percebido nada e continuou a responder às perguntas do ertrusiano. Ninguém deveria saber que Roi Danton era filho de Rhodan. uma vez que andava com um aparelhozinho que dissociava seus impulsos mentais. Roi Danton gosta de tomar uma sauna de vez em quando. Masut. Devia haver um meio de enganar o guarda pessoal. tornando-os irreconhecíveis. Não tinha medo de que Gucky descobrisse seus pensamentos. Gucky ficou bastante aborrecido por estar conversando com uma pessoa capaz de esconder seus pensamentos. . — É o que você pensa. Mas não demorou muito para que Gucky descobrisse.

As cabines ficam do outro lado.. Escute. Costumava ter tempo para dedicar-se a eles. — Ainda bem que você confessou. As saunas são muito quentes e durante o chuveiro tenho de ficar saltando de um lado para outro para fazer cair um pingo de água em meu corpo. De repente compreendeu por que simpatizava tanto com o eterno brincalhão Roi Danton e por que nunca tivera a impressão de que era um estranho. — Formidável! — disse. Sentia-se atraído pela água. aspirando fortemente o ar... não é? — disse numa discreta tentação. — Que pena que a gente não tem tempo. Era como se Gucky tivesse levado uma pancada. O choque foi tão forte que o ratocastor quase afundou. Sentiu o campo de gravitação artificial até mesmo dentro da água. debatia-se na água e finalmente foi parar perto de Gucky. Mas de outro lado não provocaria tantas suspeitas se atendesse ao desejo do rato-castor.. Uma piscina de verdade. seria possível. você acha que permitiriam que eu também entrasse na água? Já estou cansado de tomar saunas e banhos de chuveiro. — Caramba! Aonde pensa que vai? Gucky logo se controlou. Mas quando viu a gigantesca piscina. Poderia esperar por mim? Masut parecia um tanto desolado. perseguia os outros. — Mais uma vez e chegou. Gucky saiu da cabine e saltou de cabeça para dentro da piscina. Perto de Danton você só tem a sauna... — Já faz muito tempo que não nado.. Gucky fez uma tentativa cuidadosa de penetrar nos pensamentos de Masut. — Linda. mas mergulhou no líquido verde soltando um grito de alegria e seguido por alguns cadetes que eram aficionados da natação. onde foi recebido ruidosamente por alguns homens que trabalhavam no centro de rastreamento. Neste exato momento Masut voltou a pensar em Roi Danton. meu amiguinho. Estava à espera de Masut. Mergulhava. A água está ótima — refresca bem..Masut acompanhou Gucky um tanto relutante. Sem uniforme e sem o aparelho especial que costumava trazer consigo. Gucky viu por seu rosto. grandalhão. O ertrusiano aproximou-se lentamente da piscina e ficou parado perto dela. Não viera à Crest para tomar banho. Vou dar um mergulho. — Faça-me companhia — sugeriu Gucky e entrou numa cabine. — Quer tomar banho agora? Acha que é possível? — Por que não? — O que quero dizer. Roi Danton — filho de Perry Rhodan! E entre os terranos ninguém sabia. Masut não deixou que isto lhe estragasse o bom humor. . Mas Masut conseguiu segurá-lo no último instante. não pôde resistir à tentação. Nossa nave é mesmo melhor que a de vocês. que estava apenas de cueca. respirando com dificuldade. O ertrusiano imitou-o. Não poderia trair-se naquele instante. iluminada de baixo para cima em todas as cores do espectro.. — Tomara que não tenham dado pela nossa falta — disse Gucky e nadou com braçadas vigorosas para o trampolim. com o revestimento de mármore — e alguns terranos solícitos dentro dela. Parecia não pesar nada.. mas o homem de confiança de Danton só pensava no prazer inesperado que lhe fora oferecido. Masut. Uma eternidade. O gigante caiu ruidosamente na água. mas hoje não tinha. Gucky deu-lhe um empurrão telecinético.

— Danton pensou um pouco e prosseguiu: — Tolice! Vamos falar sensatamente. A conversa já estava terminando quando apareceram Gucky e seu filho Jumpy. surpreendendo Rhodan pelo comportamento absolutamente normal.. Pensei que isso deixasse feliz o ilustre descendente de uma estirpe tão ilustre. fazer algumas insinuações. que era um homem de confiança.. Rhodan recebeu a visita de Roi Danton. — O que quis dizer ao falar numa estirpe ilustre. Gucky informou que ele. A pronúncia não foi boa? — Mais — oui. Teria sido mesmo a vontade de tomar um banho? Ou será que ele fizera isso de propósito? “Pouco importa”. Danton pensava que podia andar enganando todo mundo.. porque os traços de seu rosto me fazem lembrar um velho amigo. Danton saltitava nervosamente de um lado para outro. Pelo contrário. Os dois conversaram ligeiramente. — Quem é seu pai? Preciso saber. a gente nunca acerta. quando estavam vestidos de novo. Olhou angustiado para Rhodan. mas acabou sobressaltando-se por um instante.Mais tarde.. Gucky fez de conta que só então vira Roi Danton. Ainda não compreendia por que o guarda pessoal de Roi. pensou Gucky. John Marshall e o mutante de duas cabeças chamado Ivã Ivanovitch Goratchim estavam prontos para entrar em ação. — Desde quando você fala francês? Gucky sorriu debochado. baixinho? Gucky notou o olhar de espanto de Rhodan e compreendeu que precisaria ter cuidado. Diga seu nome. — É a primeira vez. Só queria deixar Danton nervoso. se mostrara tão negligente. Danton fitou-o prolongadamente. — Foi para isso que estudei que nem um louco. mas este não demonstrava a menor reação às palavras de Gucky. . Devia pelo menos desconfiar de que com Gucky isso não seria tão fácil. para que possa ter certeza. *** Antes de dar a ordem final para o ataque concentrado ao planeta de cristal.. — Ah. Foi quando os cinco mil capacetes com hovalfletores estavam sendo transferidos de uma nave para outra. rei dos livres-mercadores. monsieur — comment allez vous? — Três bien — respondeu Danton automaticamente. Bem. Ninguém assistiu à conversa. Para ele a incerteza seria pior que qualquer outra coisa. mas não tinha a intenção de revelar nada. Discutiram o ataque e as ações que seriam desenvolvidas em seguida. Mais uma vez o livre-mercador dispensou as brincadeirinhas. Aguardava calmamente o que iria acontecer. Já sabia por que Masut sempre andava com um aparelho que distorcia seus impulsos mentais. — Sire — disse Gucky em tom afetado. Gucky não foi mais capaz de ler os pensamentos do ertrusiano. — Pode dizer — escarneceu Gucky. Conhecia seu rato-castor. Olhou fixamente para Gucky. — Desde quando a língua francesa não é sensata? — perguntou Gucky. seu filho..

. baixinho? — perguntou Rhodan. É quanto basta. — Talvez seja por causa dos dois — murmurou e tirou a mão de cima da boca de Jumpy. — Às vezes não consigo compreender . O pequeno rato-castor respirou profundamente e finalmente disse aquilo que há muito trazia na ponta da língua. Queiram desculpar. mas às vezes tenho vontade de expulsá-lo da Via Láctea juntamente com seus livres-mercadores — Rhodan abanou a cabeça.— Não sei quem é meu pai — resmungou Danton depois de algum tempo. O que se há de fazer? Rhodan sorriu. Assim que a porta se fechou. você não tem nada com isso. Preciso voltar para perto de minha gente. Trate de não se intrometer nos assuntos familiares de gente estranha. ou por causa do tal do Roi Danton? Gucky sabia que não podia ir muito longe.. — Sinto muito. — Quando estiver satisfeito. Gucky apoiou as mãos nos quadris e fitou Danton com uma expressão atrevida. Não conseguiu esconder o embaraço. Um momento. Evitava olhar para Rhodan. Saberei encontrar meu caminho sozinho. Roi Danton. numa evidente insinuação. o sorriso desapareceu do rosto de Gucky.. — Obrigado. Será que é por minha causa. Você viu como ficou perturbado. Deixe que meu comando vá na frente. — Que bobagem foi essa. embora predominasse o verde. — Não me sinto bem.? — perguntou. — Mais uma vez muito obrigado. Acho que sua origem está envolta num grande mistério. Quando será o ataque.? Gucky fez um gesto para pedir desculpas. Mas Roi gosta de fazer segredo em torno de si mesmo. mas este sujeito só pensa em comida. Não tome nenhuma iniciativa. — Nada. — Vamos receber uma provisão suplementar de mantimentos antes que comece a coisa. fitou Gucky com uma expressão de expectativa. que brilhavam nas mais variadas cores. e por isso fiz de conta que sabia alguma coisa. Perry.. Gucky. — Talvez você tenha razão.. — Estranhos. acho isso bastante estranho. — Aliás.. — Comer — respondeu. a mim mesmo. Roi Danton retirou-se. Para dizer a verdade.. esticando uma palavra. Simpatizo com Roi. um mundo marrom-esverdeado que possuía uma atmosfera. contemplando a maravilha que se oferecia aos seus olhos. Parecia envolto em milhares de brilhantes reluzentes.. Quando ia saindo. mas o rato-castor limitou-se a exigir um sorriso debochado e cumprimentar Roi com um gesto. A luz do sol refletia-se .! Rhodan acenou lentamente com a cabeça. — Os senhores têm meus capacetes. — Dentro de uma hora. Antigamente minha reação teria sido bem diferente. *** A pouco menos de mil anos-luz dali Atlan estava de pé à frente da tela panorâmica. Já andei pensando nisso mais de uma vez. pensará em outra coisa. Perry. — Je ne me sens pas biens — murmurou.? Rhodan dava a impressão de já ter esquecido o incidente que não parecia ter nenhuma importância. messieurs. confuso. Desta vez Danton assustou-se de verdade. O planeta Danger XXVII flutuava no espaço vazio. Mandarei vir um oficial para acompanhá-lo.

. “Assumiram nossa herança.. E ele. Bell distribuíra suas quatrocentas naves de tal forma que o planeta ficou completamente cercado. Atlan fez um sinal para o comandante da Imperator. “Mas um dia... E então.” Atlan voltou a olhar para o relógio. Por meio da violência. Rhodan está certo ao aplicar medidas duras. a mesma coisa aconteceria em todos os lugares em que existiam planetas Danger. Talvez fosse a sorte dos terranos. Mas era aí que estava o problema. as unidades avançariam e abririam fogo com todos os canhões ao mesmo tempo. pensou o arcônida.neles e as cores de seu espectro transformavam a tela panorâmica da Imperator num belo caleidoscópio. São os verdadeiros herdeiros do Universo — e sabem defender sua herança.” Atlan olhou para a tela. . a bondade e a compreensão. sempre que necessário. “Tomara que Old Man não interfira cedo demais”. mas também com a diplomacia. viera para destruir o espetáculo sem igual da natureza. Os grupos de Bell encontravam-se num ponto mais distante. Atlan se comunicara pelo hiperrádio com Rhodan e em seguida entrara em contato com o Almirante Con Bayth. Mas provavelmente não poderia viajar constantemente no espaço linear.. As gigabombas disparadas pelos canhões conversores destruiriam os cristais. quando possível.” Mais um minuto. Não é mesmo. Ficou com os olhos semicerrados. que sabia o que fazer. Estava a caminho. Os comandantes tinham recebido suas instruções.. preocupado. voltaremos a defrontar-nos com ele. Os perlians reconhecerão que estão errados e cederão assim que seus cristais deixarem de existir. Quatrocentas unidades da 14a frota da USO estavam preparadas. pois isso forçaria demais seus propulsores. No instante em que dessem ordem de abrir fogo. Mais quatro minutos. a herança dos arcônidas. pensou Atlan. mas de uma cria do inimigo mais perigoso que se poderia imaginar. Qualquer contemplação e tolerância representará a destruição certa dos povos inteligentes da Via Láctea. Mais oito minutos de espera. A desgraça cairia abruptamente sobre os cristais e os perlians. “Agora não é hora de usar a bondade. Faria a mesma coisa que outros vinte e oito comandantes. cedo ou tarde. vindo da Via Láctea. O robô gigante poderia estragar os planos dos terranos. Só depois disso seria atacado o próprio planeta. Atlan olhou para o relógio. Atlan. “Estes terranos”. Dali em diante tudo dependeria do oficial experimentado. Mais dez segundos. Quando fosse dado o sinal de ataque. A qualquer momento cada um destes cristais poderia sair da órbita para seguir uma rota de destruição. Faltavam dez minutos para o ataque. *** Danger XIV não era muito diferente de Danger I ou Danger XXVII. Vinte e nove planetas seriam atacados por um total de onze mil e seiscentas naves. Cada um dos diamantes com sua aparência inocente era na verdade um gigantesco hipnocristal com quatrocentos metros de diâmetro. que entrara em posição perto de Danger XXVIII. Não se tratava de um espetáculo da natureza.

. onde os poderosos fortes espaciais já tinham dado início às operações defensivas. Rhodan confiava em Roi Danton.A espera terminara Bell deu o sinal. mas eram em código e incompreensíveis. sem que a frota corresse qualquer perigo. . para não entrar na área de influência das terríveis ondas hipnossugestivas. pensou Bell enquanto contemplava as belas luzes coloridas projetadas na tela. Mas nem por isso o planeta sem vida deixara de ser perigoso. mas somente os fatos poderiam justificar sua confiança nos novos campos hovalfletores. Os primeiros blocos de cristal desmancharam-se sob o fogo dos atacantes. “Por que nos obrigam a isso? Existe alguma razão especial? Ou é por acaso?” Bell manteve suas unidades a uma distância segura. Menos em Danger I. Não se descobrira onde ficavam os alojamentos dos perlians. e os perlians estavam mortos.. Herm Wolters esperava que isso não se tornasse necessário. A mesma coisa aconteceu em toda parte. Possuía uma atmosfera densa e grandes oceanos com pequenos ocidentes. Seu interior era formado por veios de cristal que emitiam radiações. Uma vez completada a destruição dos cristais. O planeta Danger XIV transformou-se num inferno atômico. Danger XIV era o terceiro planeta de um sol amarelo normal. as naves abriram fogo contra o planeta. que dirigiu pessoalmente o jato espacial. *** O planeta Danger I não era habitado. Os cristais que circulavam em torno dele tinham sido destruídos há tempo. “Por que sempre temos de destruir?”. se necessário. As primeiras mensagens de rádio dos perlians foram captadas. Foi por isso que o Major Herm Wolters recebeu ordem de descer em Danger I com um pequeno comando. Levava nove homens dispostos a atravessar o inferno com ele. Os instrumentos haviam mostrado que estes continentes eram atravessados por grandes veios de cristais. Do lugar em que se encontrava os cristais que circulavam em torno do planeta podiam ser destruídos. Sem dúvida apareceriam quando a situação se tornasse insustentável. para testar os capacetes. Era um oficial muito competente. Os impulsos volitivos destes cristais eram perfeitamente capazes de submeter milhões de cérebros à sua influência.

— Só saberemos disso mais tarde. A pessoa que usava o traje não corria o menor perigo. Dali a dez minutos o Major Wolters.Quando se aproximaram da superfície cheia de crateras. Wolters ficou de olho em seus homens. a influência hipnótica desapareceu — informou Wolters a Rhodan. mas não se via o menor sinal de que ainda houvesse perlians vivos por perto. Tente encontrar a entrada para o interior do planeta. com os quais a pessoa podia voar. Os campos defensivos individuais representavam uma boa proteção contra qualquer ataque. — Acho que será melhor nos prevenirmos. Saia do jato e fique fora algum tempo. — Olhem! Parece que são construções — disse o Tenente McGee. e sempre uma cratera ao lado da outra. — Tenho uma sensação esquisita. Por enquanto o comportamento deles era completamente normal. O jato espacial sobrevoou a paisagem sem vida e algumas centenas de metros de altura. Mantenha-me sempre informado. o sargento Tomarow e mais três homens pisaram na superfície de Danger I. senhor — disse o Tenente McGee. Estavam numa situação bem protegida. Certamente tinham sido todos mortos com a explosão de seus olhos do tempo. . o Tenente McGee. As comunicações pelo rádio com a Crest funcionavam perfeitamente. perto de uma grande cratera. Entendido? A pequena nave baixava cada vez mais sobre a paisagem entrecortada de crateras. tanto que não tinham sido destruídos no primeiro ataque dos terranos. — Vamos dar uma olhada? — perguntou um sargento enquanto ajeitava o capacete pressurizado. senhor. Será que podem ser os cristais? — São eles — respondeu Wolters e pegou o capacete. O quadro que se descortinava diante dos homens era sempre o mesmo: crateras. Usavam os novos trajes de combate. embora os controles do jato espacial lhe dessem muito trabalho. Na planície apareceram alguns edifícios baixos. — Até parece que uma mão fria tenta apertar meu cérebro. Os campos defletores desviavam os raios de luz. major. — Tanto faz descermos aqui ou em outro lugar — Wolters fez o jato espacial seguir para perto de um dos edifícios. deu algumas voltas em torno dele e pousou numa superfície relativamente plana. mas quando a distância se reduziu a mil quilômetros houve as primeiras alterações. Mas a novidade mais importante era o regulador de temperatura. apontando na direção do vôo. graças ao qual o traje podia perfeitamente ser exposto a uma temperatura de dois mil e quinhentos graus centígrados. — Será feito. profundas fendas no solo e montes de escórias frescas. uma vez que o sistema de refrigeração fazia com que a temperatura em seu interior permanecesse constante. bem encostados às rochas íngremes. tornando invisível a pessoa que usava o traje. — Parece que continuam intactas. Por enquanto podem ficar com os capacetes pressurizados abertos. Os outros ficam aqui até que eu dê um sinal. — Depois que colocamos os capacetes. superfícies brilhantes de material derretido pelas explosões atômicas. impedindo o sangue de circular. — Parece que funcionam mesmo. sempre que isso se tornasse necessário. Os trajes possuíam projetores antigravitacionais. Desça num ponto favorável. Colocar capacetes hovalfletores. — Sairei com cinco homens. que no fundo não passavam de uma versão bastante aperfeiçoada dos velhos trajes de combate arcônidas. No meio de tudo isso planícies pedregosas. Os propulsores silenciaram.

Mas não há dúvida de que por aqui se pode descer. e os edifícios ficavam a apenas algumas centenas de metros do jato espacial. — Parece que por aqui há um elevador — disse.Além disso havia sistemas de oxigenação e de renovação do ar nas mochilas. Não há mais portas. Se tudo tivesse corrido segundo o plano. O elevador fora construído na rocha. . dirigindo-se a Rhodan. Espere por mim.. O símbolo do Império Solar brilhava sobre o peito — o sol e seus nove planetas. Prestava atenção principalmente à mão gelada que queria apertar seu cérebro. Além disso devíamos verificar se os capacetes realmente oferecem proteção. — Acho que quem deve decidir isso é o Chefe — respondeu Wolters com uma ligeira recriminação na voz. juntamente com dois cadetes. Não deixavam passar nenhum tipo de hipnorradiação. — Prefiro esperar mais meia hora — respondeu Rhodan. — Vamos dar uma olhada nos edifícios — informou Wolters pelo hipertransmissor do jato espacial. As salas em que entraram pareciam inabitáveis e sem vida. è foi o que fizemos. Transmita meus parabéns a Roi Danton. — Podemos ligar nossos aparelhos e descer — sugeriu Tomarow. O Tenente McGee revistou as salas dos fundos do edifício principal. Wolters confirmou com um gesto. Quer dizer que nesta parte o problema também está resolvido. O grupo manteve contato de rádio permanente com os companheiros. — Recebemos ordem de encontrar um acesso. Os capacetes de proteção dos livres-mercadores mereciam toda confiança. O edifício fora construído de tal maneira que a parede dos fundos era formada pela rocha. Oferecem. e depois para a direita. Quando se encontrou com McGee. já fazia quase uma hora e meia que tinham pousado. — Parece que estão abandonados. Não era o que o Chefe queria saber? — Vamos dar uma olhada. Dali a alguns minutos teve início a segunda fase da Operação-Relâmpago. com o brilho da Via Láctea nos fundos. Os capacetes funcionam perfeitamente. Ainda se viam suas sombras. mas continuam intactos. — Bombas térmicas — conjeturou o sargento Tomarow. mas esperou em vão que ela aparecesse.. Talvez encontremos por aqui uma entrada para o interior do planeta. — O senhor me ouve? — Ouço-o muito bem. e por isso Wolters se viu diante de uma grande abertura retangular. Não havia porta. Todos os objetos que não eram de um metal resistente tinham desaparecido. mas não encontraram nada. Atrás dessa abertura havia um poço escuro que descia às profundezas do planeta. — No fim do corredor. Wolters e seus homens ainda revistaram as outras salas. Mais alguma coisa? Pois então vamos avisar o Chefe. Em um dos bolsos internos estavam guardados alimentos concentrados e tabletes de água. No chão pedregoso tornava-se mais fácil andar. e parece que o elevador também foi danificado pelo calor. sim. Onde está? — perguntou o Major Wolters. — É simples. Um calor incrível devia ter transformado tudo em cinzas numa fração de segundos. Não havia outras crateras pelo caminho. O Major Wolters sorriu ligeiramente e fez um sinal para seus homens. os cristais que circulavam em tomo dos vinte e oito planetas já deviam ter desaparecido.

2 — Esta espera já está me deixando nervoso — resmungou a cabeça esquerda do mutante geminado Goratchim. juntamente com quarenta e cinco homens. — Que poço? — O poço de um elevador que leva para o interior do planeta. Marshall. Não tivemos mais nenhum contato com eles. Quando pousou ao lado do jato espacial do Major Wolters. aborrecida. a cabeça direita. que tal qual os outros esperava que Rhodan desse ordem de entrarem em ação. Também conhecia Goratchim e os dois ratos-castores. O mutante também era capaz de transformar os compostos de carbono em que pusesse os olhos em energia pura. três homens enfiados em trajes de combate vieram correndo ao seu encontro. que parecia um anão ao lado do mutante com as pernas de tronco e duas cabeças. O contato foi interrompido de repente. que da mesma forma que os outros trazia o protetor hovalfletor embaixo do capacete. e era isso mesmo. — Tomara que logo aconteça alguma coisa. foram dois segundos. e os hipnoimpulsos dos veios de cristal eram absorvidos e neutralizados pelos novos capacetes. — Repita! O que aconteceu? O cadete viu que o homem ao qual acabara de dirigir-se era o chefe do Exército de Mutantes. Havia mais dois veículos que transportavam uma divisão de robôs de combate. Quando fomos dar uma olhada no edifício. — O major e os cinco homens — desapareceram. não encontramos nada além do poço. Está lembrado? — Não queremos saber mais dessa história de seu nascimento — queixou-se Gucky. Estavam naquele edifício. Eram ao todo cem veículos desta espécie. — Você deveria ter-se habituado a esperar desde que nasceu — consolou Ivã. Talvez os cristais impeçam as comunicações pelo rádio.. segurou o homem pelo braço.. — Afinal. — O major não responde mais aos nossos chamados. no ponto de interseção das duas cabeças. — Continue! Provavelmente Wolters e os cinco homens sob seu comando entraram neste poço. Não era possível que houvesse qualquer defesa contra o ataque. — Verifiquem se o traje assenta bem. que nem uma centelha numa mistura explosiva. Seus fluxos mentais agiam sobre os compostos de cálcio.. Mas entendia-se muito bem com o gigante. Desceu em alta velocidade para a superfície de Danger I. O pequeno veículo sofreu um solavanco quando saiu da Crest. Tratou de controlar-se. Goratchim era conhecido como o detonador. Os dois homens e os dois ratos-castores estavam sentados na cabine apertada de um veículo de desembarque que deveria levá-los à superfície de Danger I com mais cinco mil terranos. a mesma coisa aconteceu em mais cem lugares. Não foi nada fácil confeccioná-lo para duas cabeças.. Quando os quatro mutantes saíram do veículo de desembarque. senhor. que era um dos mutantes mais perigosos. — Ninguém vai criar caso por causa de dois segundos — prosseguiu Gucky. mas também é . — Isso mesmo — concordou Marshall.

deverá avisar imediatamente. O grupo desceu lentamente. — Em hipótese alguma devemos separar-nos. — Parece que este poço não tem fim. Quem sentir qualquer influência hipnótica. — Temos de confiar no acaso — Marshall dirigiu a luz da lanterna para baixo. Outra coisa. As paredes eram lisas e nuas. mas não conseguiu espantar certo pavor do desconhecido. mas o feixe potente não chegou ao fundo do poço. Qual deles teria sido usado pelo Major Wolters? Marshall conferenciou ligeiramente com os comandantes dos dois grupos. — Cá estamos — disse. Gucky dirigiu o feixe de luz para baixo. Seria muito perigoso. — Vamos ver se encontramos Wolters. Deste jeito acabamos saindo do outro lado do planeta. John. Aquele mundo sem vida o deixava assustado. Gucky captou seus pensamentos. quase levitando. — Acho que poderemos descer com nossos equipamentos de vôo. Suas gigantescas pernas de tronco atravessaram o corredor vazio. Depois de alguns segundos a luz mortiça da entrada do poço desapareceu em cima deles. Ele mesmo não se sentia muito à vontade. Não que tivesse medo. . Levaram apenas alguns minutos para verificar que havia pelo menos dez elevadores que levavam para dentro do planeta. Só parou quando chegou perto da entrada do elevador. por menor que seja. Mas depois disso a situação começará a ficar crítica. Antes disso atingiremos os alojamentos dos antigos guardas de Danger I. — Não se preocupe. Isso é muito importante. Os quarenta e cinco terranos que tinham vindo no veículo de desembarque espalharam-se e ocuparam o edifício. — Você não vai sair daqui — Marshall disse isto num tom muito sério.possível que tenha acontecido alguma coisa aos homens. — Rhodan nos deu plena liberdade de ação — disse aos três mutantes. mas não devemos separar-nos. — Querem que me teleporte para baixo? — sugeriu Gucky. mas não disse nada. Ainda não pode ter ido muito longe. — Talvez seja o poço no qual Wolters desapareceu. Gucky? Não está detectando vibrações cerebrais? — Nada. Como é. Ivã Ivanovitch Goratchim parecia ser o único que não se incomodava com isso. Jumpy segurou a mão do pai. Ivã grunhiu satisfeito.

Por ali também tinha sido quase tudo destruído. se os cristais quisessem. — Quem sabe se não voltaram à superfície por outra saída? — perguntou Marshall. Os veios de cristal tinham vida. Desta vez o elevador funcionava. a luz das lanternas finalmente foi refletida numa coisa. — Não percebo nenhuma influência hipnótica. Alguém está sentindo a influência dos cristais? — Os capacetes são excelentes — respondeu Ivanovitch. — Acho que já não existe a menor dúvida de que os campos defensivos de Danton funcionam — disse Gucky. os sinais da violência tornavam-se cada vez menores. — O cristal. — Vamos cuidar da nossa tarefa. mas tinham sido inutilizadas. as máquinas já deveriam ter parado de funcionar. mas em compensação houvera explosões. — Não se sente absolutamente nada — confirmou Ivã. Encontraram uma sala de geradores que estava completamente em ordem. Tratava-se de um modelo antiquado. — Se não há mais ninguém por aqui. eles se viram num corredor largo e alto. para não se perderem no labirinto de corredores. de tal forma que a luz artificial quase podia ser dispensada. Andando! Entraram no elevador e desceram mais alguns quilômetros abaixo da superfície do planeta medonho. nas profundezas do planeta. Os quatro mutantes pousaram. Os homens ficaram bem perto uns dos outros. Era o fundo do poço. que se transformava numa massa pensante extremamente perigosa. cujas paredes brilhavam num tom esverdeado. Quando a cabine finalmente parou e os mutantes saíram. funcionando perfeitamente. Ali. Cada unidade mineral era uma microestrutura autônoma. — Para que serve isto? — perguntou Ivã. Antes de usarmos os capacetes nossos cérebros teriam sido destruídos numa questão de segundos. de forma que as duas cabeças ficaram de acordo. Sentiram-se satisfeitos por finalmente terem uma coisa em que apoiar os pés. Marshall tentou em vão estabelecer contato de rádio com Wolters. E ele tem vida! Era isto mesmo. À medida que avançavam. De repente depararam-se com um poço que levava ainda mais para o fundo. — Nada de impulsos mentais. Não sei como faremos para encontrá-los. Talvez tenham ido mais longe. Por que continuam a gerar energia? Mais tarde compreenderiam para que servia a energia. mas também não teve resposta. .Depois de outros dez minutos de descida. Do lugar em que tinham pisado o chão saíam corredores para todos os lados. As máquinas geravam energia que era conduzida através de cabos reluzentes. desconfiado. — Quer dizer que as ondas de rádio são mesmo absorvidas. Eram os veios de cristal brilhando de dentro para fora. Na cabine gradeada havia lugar para os quatro mutantes. As instalações ainda estavam lá. — Nenhum sinal de Wolters e seus companheiros — Gucky olhou em volta. Chamou o comando de desembarque. mas era uma forma diferente de destruição. não se verificara a ação das bombas térmicas. que funcionava com um dispositivo mecânico. — Então é isto — murmurou John Marshall enquanto contemplava os veios que atravessavam a rocha.

Diria que sua natureza é desconhecida. — As comunicações de rádio em nosso grupo funcionam perfeitamente — disse Goratchim de repente. senhor — disse. Os outros grupos também localizaram a radiação hiperenergética. enquanto os dois ratos-castores se encarregavam do reconhecimento das áreas adjacentes. — Acontece que nem mesmo com a destruição dos perlians e das esferas de cristal o perigo foi eliminado de vez. — De qualquer maneira. São estranhos impulsos hiperenergéticos. Temos de exterminar o mal pela raiz. cujo ponto de origem deve ficar mais no fundo. Gucky teleportava-se um pequeno trecho para a frente e voltava imediatamente. Em minha opinião as radiações constatadas por Goratchim talvez nos possam servir de indicação quanto ao lugar em que poderemos encontrar a raiz do mal. Quer dizer que o Administrador-Geral não permanecera a bordo da Crest. — Não seria possível determinar o ponto de origem? — perguntou Marshall. Agora funcionam perfeitamente. cujo ponto de origem fica pelo menos mil quilômetros abaixo de nós. Será que algum campo de bloqueio foi desligado? Marshall aumentou a capacidade de recepção de seu aparelho. — Encontramo-nos no interior de um campo de radiações de grande intensidade. Já descobriram alguma coisa? — Nada além de uma emanação da quinta dimensão. Há pouco tive a impressão de que ouvi outras vozes. O senhor é capaz de determinar nossa posição? — Estamos indo atrás dos senhores. quase não somos afetados pelos cristais. De fato parece que tem origem em um único ponto.— Não se esqueça de que somos mutantes — disse Marshall. Marshall prometeu que teria cuidado. Isto sem falar nas radiações emitidas pelos veios que vemos aqui. irônico. — Será que sabemos? — Não exatamente — respondeu Marshall prontamente. Não sabemos por que as comunicações pelo rádio foram interrompidas. Tenha cuidado. Era a voz de Perry Rhodan. O mutante de duas cabeças mexeu nos controles de seu traje de combate. — Continue a procurá-lo — e avance mais. — O senhor me ouve? — Ouço-o perfeitamente. — Em algum lugar eles devem estar! — disse uma voz bem conhecida. — Marshall falando. Os rádios ficarão constantemente ligados. com o hovalfletor sinto-me mais seguro. — Talvez seja isto que estamos procurando. Marshall aumentou o volume de transmissão de seu rádio. o senhor me acompanhará com mais dez homens. . Danton seguirá na direção oposta. Permite que vamos dar uma olhada? — Nós os seguiremos. De qualquer modo. As emanações saem de um único ponto. — É estranho. — O que estamos procurando mesmo? — perguntou Gucky. — Continuem a procurar! Major Grinell. que de repente parecia bastante interessado. Goratchim só cuidava dos seus instrumentos. Dos veios de cristal existentes nos planetas Danger podem sair a qualquer momento novas aglomerações que se desloquem em direção à Via Láctea. Já conseguiu estabelecer contato com o Major Wolters? — Infelizmente não. Onde se meteu? Por que não respondeu aos meus chamados? — Estamos uns cinqüenta quilômetros abaixo da superfície. Resolvera participar da operação.

ao lado do sargento Tomarow. Deveríamos ao menos tentar transmitir alguma informação para cima.— Há um elevador dois quilômetros à nossa frente — informou depois do terceiro salto. Caminhava na frente do grupo. que eram muito simples. Quando o Major Wolters se deu conta do perigo. Fizeram a determinação goniométrica da posição de Rhodan e descobriram que na verdade tinham sido quase mil quilômetros. Em seguida vinham os três cadetes. — Acho que nos arriscamos demais. — Não temos por que preocupar-nos. — Os capacetes defendem-nos delas — tranqüilizou o Major Wolters. mas era perfeitamente suportável e não afetava a liberdade de decisão dos homens. a intensidade das emanações aumenta — disse o sargento Tomarow. uma vez que o peso de seus corpos diminuiu bastante. O Tenente McGee ia no fim. mas de repente pareciam incapazes de resistir às investidas dos impulsos desconhecidos. Algumas ondas de influência hipnótica conseguiram atravessá-los. Pelos cálculos de Marshall deviam ter descido pelo menos quinhentos quilômetros. A pressão na cabeça voltou a fazer-se sentir. com a arma energética pronta para atirar. Os homens ligaram o equipamento de vôo e começaram a descer. Sabia perfeitamente que as camadas de rocha e as emanações do cristal tinham de absorver as ondas de rádio. — A cada passo que damos. mas ela devia ser bem elevada. — Não devemos separar-nos. De ambos os lados os veios de cristal brilhavam nas paredes. e por isso não puderam verificar de onde vinham os impulsos hiperenergéticos. Isso quase não preocupou Wolters. — Conheço o caminho. — Está sentindo coceira na pele. Os hovalfletores funcionavam perfeitamente. Não recebemos ordem para isso. Não possuíam os respectivos instrumentos. major. . Deve ter sido feito para o transporte de carga. Tal qual os mutantes que vieram depois. — Uma coisa enorme. de onde partiam muitos corredores. já era tarde.. Dali a meia hora a aceleração começou a fazer-se sentir. Por que haveríamos de ficar inativos por aqui? Acho que não há nada de errado em darmos uma olhada neste poço. — Como. Estava com dor de cabeça e começava a ficar nervoso. — O senhor não sairá daqui — ordenou o major em tom enérgico. O grupo atingiu um hall de distribuição retangular.. *** O sargento Tomarow olhou para baixo no poço do elevador. Não puderam medir a velocidade. sargento? Acho que até seria bom que continuássemos a desempenhar nosso papel de cobaias. O Major Wolters adivinhou seus pensamentos. O Chefe está informado e deu ordem de ataque. Vamos pegálo? — Serve tão bem quanto qualquer outro — decidiu Marshall. desceram mil quilômetros. De repente uma voz diferente saiu do receptor. O grupo atingiu o elevador dentro de dez minutos e procurou familiarizar-se com os controles. As comunicações pelo rádio eram excelentes. mas não conseguiram estabelecer contato de rádio com a superfície. Por isso tomaram a direção errada. Em seguida desceram rapidamente. preocupado. se o rádio não funciona? — Posso voltar sozinho — sugeriu o Tenente McGee. Parte das emanações hipnóticas vinha deles — mas somente uma parte.

Viu que Tomarow o seguira. calmo. O limite fica bem à minha frente. Era um soldado experiente e perspicaz. O cadete Miller empalideceu de tão absurda que lhe parecera a exigência. O major deu mais alguns passos. mas McGee resolveu andar mais devagar. O fato devia-se ao entusiasmo do major. — Venha buscar-me. Parecia que ia atender ao pedido. Não havia mais ninguém que demovesse o Major Wolters da intenção de examinar o interior do planeta por conta própria. antes de parar e olhar para trás. Mas McGee não foi. vai enfrentar a corte marcial. O senhor não é mais dono da própria vontade. — Venha imediatamente para junto de mim. Não era porque não soubesse cumprir seu dever. quando algum sentimento o alertava — como estava acontecendo naquele momento. — Sabe tão bem quanto eu que o Major Wolters não é mais dono da própria vontade. além dos três cadetes. — O senhor enlouqueceu. Parou juntou à barreira invisível e pôs-se a observar Wolters e os outros quatro companheiros. — Mate McGee. o hovalfletor deixará de funcionar. que pela primeira vez participavam de uma operação de combate. — Eu me recuso. cadete Miller — ordenou o tenente e recuou um passo. tenente. Havia uma expressão fria em seus olhos. Seu rosto assumiu uma expressão desolada. O Major Wolters fez um movimento. Levantou a arma devagar e apontou-a para o Tenente McGee. Se atravessar esse limite. Se não obedecer imediatamente. Mas dali a um instante houve uma modificação surpreendente com ele. Está sob a influência dos cristais. tal qual o senhor. E o Tenente McGee não gostava nem um pouco das ações inspiradas num entusiasmo excessivo. que já participara de inúmeras operações. — Pois eu me recuso a cumpri-la. senhor. Venha para junto de mim. No mesmo instante o hovalfletor deixou de funcionar. tenente. O Major Wolters olhou fixamente para ele. mas somente por uma fração de segundo. O Major Wolters continuava a olhar para ele. — Não faça isso. O Tenente McGee parou. De repente seu rosto pálido e espantado assumiu uma expressão fria e controlada. enquanto se dirigia a um dos seus subordinados. mas de repente ficou parado. senhor — retrucou McGee enquanto apontava a arma energética para o superior. Logo recuperou o ar frio e arrogante. Era como se uma mão invisível o detivesse. — Venha logo. Wolters foi o primeiro a atravessar a hipnobarreira. Venha para cá. — Qual é o texto do parágrafo quarto do artigo sete do regulamento de combate? — perguntou. Foi dominado pelos cristais. Isto é uma ordem. Miller — disse. só continuava vivo graças ao fato de sempre ter sido prudente.Wolters dera ordem para que ficassem juntos. São apenas cinco . O senhor ainda é capaz de pensar com a própria cabeça? O Major Wolters continuou com o rosto indiferente. Parecia ter envelhecido alguns anos dentro de poucos segundos. Eu sinto. Pensando bem. — Nem tente forçar-me. — Por que faz essa pergunta? Quer vir ou terei de buscá-lo? McGee acenou com a cabeça. — Venha — disse Wolters num tom mecânico e indiferente.

metros. O senhor verá que tenho razão. Se tentar qualquer truque eu o mato, cadete Miller. Serei obrigado a fazer isso. Procure compreender... Mas era o que McGee acabara de dizer. Os cristais tinham subjugado Miller. E para eles uma vida humana não contava. Os dedos de Miller encurvaram-se em torno do gatilho. A reação do Tenente McGee veio enquanto dava um salto para trás. Atirou nas pernas de Miller, uma vez que não queria matá-lo. O cadete caiu ao chão com um berro e não levantou mais. Os lugares em que o traje de combate tinha sido danificado voltaram a fechar-se. McGee correu para trás uns vinte metros e abrigou-se atrás de uma curva do corredor. Olhou cuidadosamente na direção do major. Parecia que Wolters já o esquecera. Saiu andando pelo corredor, seguido pelos subordinados. Deixara Miller para trás, sem dispensar-lhe qualquer cuidado, o que era a melhor prova de que já não era a mesma pessoa. McGee foi para junto da barreira, que não via, mas imaginava. — O senhor me ouve, Miller? O ferido levantou a cabeça. Havia uma expressão de dor em seu rosto, que assumira uma coloração acinzentada de tão assustado que estava. Os cristais não se interessavam mais por seu cérebro, uma vez que este se tornara inútil para eles. — Preste atenção, tenente... — Sinto muito ter sido obrigado a atirar no senhor. Acontece que o senhor estava sob a influência dos cristais e pretendia matar-me. Em que ponto começou esta influência? Está lembrado? — Exatamente no ponto em que o senhor se encontra. Não dê mais um único passo. — Nem penso nisso. Mas quero que o senhor venha para cá. Vamos logo, homem. Abafe a dor e trate de rastejar. Consegue? O cadete gemeu. — E muito difícil, senhor. Sua pontaria foi excelente... — Ainda bem que foi. Se fosse um mau atirador, o senhor a esta hora estaria morto. Miller conseguiu rastejar para a barreira invisível, onde foi recebido por McGee, que o puxou para junto da parede e examinou a ferida, que não era perigosa. Podia ser muito dolorosa. McGee fez um curativo, da melhor forma que isso era possível nessas condições, e em seguida sentou no chão ao lado de Miller. — Quero que diga uma coisa. Como foi mesmo quando atravessou a barreira? Miller pôs-se a refletir e depois começou a contar. — Foi bem de repente. Já sentia dores de cabeça, mas acho que o senhor também sentiu. Mas de repente tudo mudou. Alguém se apoderou de minha vontade e passou a dar-me ordens. Não pude deixar de fazer o que exigiam de mim. Quando o major deu ordem de atirar no senhor, tive de fazê-lo. Não havia nada que pudesse impedir-me... — Nada a não ser eu — confirmou McGee com um aceno de cabeça. — Tive de usar a violência. Viu para onde foram o major e os outros? — Seguiram nesta direção... — o cadete apontou para a frente, para o lugar em que o corredor fazia uma curva. — Quer ir atrás deles? — Não quero morrer, Miller. Contra aquilo que fica do outro lado da barreira somos impotentes, mesmo usando os capacetes. É possível que os mutantes consigam. Temos de voltar para avisar os outros. Ninguém mais deve entrar na armadilha. Talvez encontremos o caminho sozinhos. — Minhas pernas — choramingou Miller. — Doem tanto...

— Trate de controlar-se, homem, senão morrerá aqui mesmo. Tem de vir comigo. É a única salvação. Mas McGee mostrou-se compreensivo. Não apressou o companheiro. Achou que este deveria recuperar-se um pouco. McGee comeu calmamente alguns alimentos concentrados e ingeriu vários tabletes de água para matar a sede. Em seguida mexeu no rádio e aumentou a potência do receptor. Dali a instantes recebeu os primeiros sinais. *** — É um certo Tenente McGee com um ferido — disse John Marshall. — Precisamos dar um jeito de encontrá-lo. Faça a determinação goniométrica da posição, Goratchim. Quando atingiram o ponto de interseção, o mutante de duas cabeças ficou parado. — McGee fica nesta direção e a origem das hiperradiações naquela outra. Qual dos dois é mais importante? — O tenente e o ferido são mais importantes — decidiu Marshall prontamente. — Qual é a distância? — Menos de quinhentos metros. Dali a pouco encontraram McGee e Miller e ficaram sabendo o que havia acontecido. Rhodan e seus companheiros ainda estavam bem longe, e por isso Marshall resolveu fazer uma pausa. — Ainda dispomos de meia hora, tenente. Depois o levaremos de volta ao elevador. Conte detalhadamente o que aconteceu. Precisamos saber. McGee fez seu relato. — O major Wolters fez questão de agir por conta própria para livrar o senhor de um pouco de trabalho — concluiu. — Só isto. Não poderia imaginar que iria entrar numa armadilha. O senhor vai tirá-lo de lá, não vai? — É claro que vamos tirar este tipo esquentado da barreira em que se meteu. Mas nem penso em atravessar a barreira sem uma proteção adequada. Afinal, temos nossos instrumentos. Goratchim começará logo a trabalhar com eles. Logo saberemos mais alguma coisa. Ivã e Ivanovitch discutiam constantemente enquanto trabalhavam com os instrumentos. Mas apesar disso conseguiram determinar o ponto exato em que começava a influência hipnótica. Provavelmente tratava-se de impulsos mecanicamente controlados, que isolavam parte do sistema de corredores subterrâneos por meio de um campo esférico. Quem atravessasse o limite ficaria submetido à influência dos cristais, apesar dos dispositivos de proteção de que dispusesse. — Deve haver um motivo bem forte para a existência desta barreira — concluiu Marshall. — Do outro lado da barreira certamente existe uma coisa muito importante. Tão importante que vale a pena criar uma barreira por isso. Resta saber como faremos para chegar do outro lado. — Posso teleportar — sugeriu Gucky. — Você fica aqui — decidiu Marshall em tom sério. — Seria muito perigoso. A propósito. Vocês já notaram que aqui embaixo não faz muito calor? A temperatura é de oitenta e nove graus centígrados. Se não fosse o sistema de refrigeração naturalmente seria bem desagradável, mas para nossos trajes de combate é uma brincadeira. Quer dizer que aqui embaixo existe um sistema de climatização que ainda funciona.

Ainda acontece que este corredor leva ao ponto de origem das radiações hiperenergéticas — disse Ivã. — Quer dizer que não precisamos voltar para chegar lá. No outro corredor certamente existe o mesmo tipo de barreira. — Provavelmente — Marshall refletiu por um instante. Em seguida entrou em contato com Rhodan, para informá-lo sobre o que tinha acontecido. — O que devemos fazer diante do desaparecimento do Major Wolters? — Procurá-lo. Evitem qualquer risco, na medida do possível.

Goratchim usou seu aparelho e localizou prontamente o corredor que levava diretamente ao ponto de origem das radiações. Pelo menos por enquanto. . Não se via nada. Eu sinto. — Prestem atenção no que vai acontecer daqui em diante. tenente. Ainda havia uma pressão selvagem. puxem-me. que quase o fez desmaiar. Era o que Marshall esperava ao atravessar a barreira. usando o elevador. — As radiações estão ficando cada vez mais intensas — disse Ivã depois que tinham avançado alguns quilômetros. O senhor há de compreender que não pode continuar. Não se tratava de um campo energético comum. Os instrumentos ainda revelaram que numa profundidade maior havia enormes jazidas de cristais. Se conseguirmos atravessar a hipnobarreira sem sermos assumidos imediatamente pelos cristais. — Assim é melhor. A uns dois metros. Partiremos imediatamente. Teria o mesmo destino de seu superior. mas esta era apenas um sinal da raiva impotente dos cristais que não conseguiam subjugar o cérebro do mutante. Vejo que estamos de acordo. tenente. — Posso servir de elemento de ligação com Rhodan? — Está certo — Marshall tirou uma corda fina do bolso do traje de combate e amarrou-a ao cinto. Sentiu imediatamente uma forte dor de cabeça. a não ser que esta caixinha tenha dado a louca. — Nós não sentimos nada. que não podia ser atravessado por qualquer porção de matéria sólida. Ainda bem que o senhor está conosco. O grupo parou. E a experiência revelou que os cérebros mutados não são tão suscetíveis à influência hipnótica. Mas quem não dispusesse de uma proteção especial era prontamente submetido à influência dos hipnocristais. A temperatura permanecera constante. mas o Tenente McGee ficou nervoso. o senhor dificilmente poderia acompanhar-nos. mesmo que eu proteste — Marshall pegou a arma energética que trazia no cinto e entregou-a a Gucky. Só possui um cérebro normal. — O senhor não é mutante. — Pararei assim que o senhor disser. Não terei como resistir. Colocou a outra ponta na mão de Goratchim.3 Depois que o pessoal da equipe médica tinha levado o cadete ferido para cima. Mas dali a alguns segundos a dor continuou. Basta puxar a corda. Mesmo quem possuísse um hovalfletor ficaria privado da vontade própria e da capacidade de decisão numa questão de segundos. É aí que está a diferença. Se os cristais forem mais fortes e me submeterem à sua influência. quer estejam protegidos por um hovalfletor. — É exatamente como no outro corredor. sem encontrar qualquer resistência. o Tenente McGee perguntou: — Posso ir com o senhor? — Infelizmente só posso permitir isso até certo ponto — respondeu John Marshall. — Muito bem. A pressão no cérebro está ficando mais forte. — A barreira está bem à nossa frente. Pelo menos não terei a mesma sorte do coitado do Miller. Ainda estavam mil quilômetros abaixo da superfície. quer não. Podia-se passar por ele firmemente.

Weissmann? — perguntou Rhodan ao geólogo. — Deve ser uma zona artificialmente delimitada — conjeturou Goratchim. Os únicos seres que podiam e se arriscavam eram os quatro mutantes.— Vocês me ouvem? — perguntou Marshall. Tenho a impressão de que grande parte do planeta é formada pela massa cristalina. — Acho que teremos surpresas. Se não voltarem dentro de uma hora. Mas não sei dizer de que tipo é a barreira com a qual nos defrontamos. Perry Rhodan comandava um grupo de cientistas. — Meus instrumentos ainda revelam outra coisa. — A mim também — disse Jumpy um tanto desanimado. Gucky avançou para o lugar em que segundo Goratchim ficava o limite. — Parece que não há perigo — disse. — Que acha. Jumpy e McGee não estavam a mais de dez metros de Marshall. As ondas de rádio não conseguiam atravessar a barreira. — Não sairei daqui. que continuava a esperar no mesmo lugar. Dentro de duas horas encontraram o Tenente McGee. depois que McGee acabara de dar suas informações. — Vamos aguardar — Marshall pegou a arma energética que entregara a Gucky. Combinado? Marshall confirmou com um gesto — e penetrou na zona de silêncio. Felizmente no interior da zona bloqueada era possível comunicar-se pelo rádio. Goratchim. McGee nos prestará bons serviços como elementos de ligação. senhor.. A mil quilômetros de profundidades os homens que participavam das operações encontravam invariavelmente a barreira energética hipnossugestiva. — Viram? Pode-se teleportar. mas não deram sinal de terem recebido a mensagem. aconteça o que acontecer. McGee sentou no chão um metro antes da barreira. E as operações deles tinham mais uma coisa em comum. embora ali. . darei o alarme. Seguiram as pistas de Wolters e Marshall. Em toda parte havia elevadores e poços pelos quais se podia descer. — Ao menos para os mutantes. teremos problemas. Certamente não demorará a chegar. embaixo da superfície. — Acha que os veios de cristal estendem-se mais para o interior do planeta? Ou será que terminam aqui? — De forma alguma. De vez em quando um de nós terá de cruzar a barreira para informá-lo sobre o que está acontecendo. Dr. John Marshall permaneceu mais alguns minutos na área atingida pelas radiações intensas antes de voltar para junto dos companheiros. embora o contato com quem estivesse do lado de fora fosse impossível. Assim Rhodan será mantido informado. Se não pudermos. Gucky. E não esperou muito. Quase não havia nenhuma diferença entre eles. Ninguém podia atravessá-la sem ser assumido pelos cristais. No momento isto quase não incomodava os mutantes. Em seguida teleportou-se mais dois metros. A julgar por sua intensidade.. dificilmente precisasse dela. Daqui a pouco encontraremos outra barreira pela frente. Isto me deixa muito mais tranqüilo. *** Os comandos terranos penetravam no interior de Danger I por cem lugares diferentes. Ainda não se sabe se do outro lado da barreira poderemos comunicar-nos pelo rádio. Eram acompanhados de um pequeno grupo do comando de guardas pessoais. Voltou satisfeito.

falando devagar. pararam de repente. *** A pressão no cérebro continuou. Um sol amarelo aproximava-se do horizonte. sacudiu as duas cabeças. insignificante. Do lado direito o terreno subia. Voltaremos a usar a corda. teremos de destruir seu coração. Do lado esquerdo via-se a margem de um mar azul. Quando tinham caminhado exatamente um quilômetro. McGee dissera que um dos homens que tinham atravessado a barreira voltaria para mantê-los informados. Deve ser o coração de Danger I. De algumas rochas salientes desciam ruidosas quedas de água. Goratchim. mas é diferente daquele atrás do qual desapareceu o Major Wolters. No lugar em que pouco antes houvera o corredor luminoso estendia-se uma superfície que parecia não ter fim. mas sempre é uma curvatura. Mas acho que os hovalfletores nos protegerão. Gucky. — Estão fazendo de tudo para ver se conseguem — disse Gucky em tom seco. — Não se trata de um campo energético comum. Dali a um minuto caminhou cautelosamente na direção do campo energético vermelho. À sua frente uma parede avermelhada brilhante fechava o corredor. Ondas suaves acariciavam a areia da praia. tocou nele — e atravessou-o. A uns cinqüenta quilômetros daqui. até atingir o ponto de origem das radiações — disse John Marshall. John Marshall ia na frente. caso minha teoria não dê certo. Continuava invisível. — Pois vá na frente — sugeriu Gucky em tom irônico. envolve uma região de centenas de quilômetros cúbicos. E agora? — Temos de seguir para a frente. Em cima desta superfície via-se o céu azul. Por enquanto não aparecera ninguém. Em torno delas havia névoas que refletiam a luz do sol no poente em todas as cores do espectro.. apresentando rochas que se perdiam na mata densa.. . Era uma miragem. Deu um salto para trás. mas todos já se acostumavam. Goratchim formou a retaguarda. No mesmo instante a cena mudou do outro lado da cortina energética. Os cristais faziam aparecer diante dos homens e dos ratoscastores exatamente os quadros que para eles representavam o paraíso. — É o que estamos procurando. constantemente repetido. Venham. Como fazer isto sem assumir um risco? — Sem risco infelizmente não é possível. Se for circular ou esférico. Depois dele vieram Gucky e Jumpy. — Entrem! Recebam o poder! Abram a mente. Queriam levá-los a atravessar a cortina vermelha para atingir a paisagem do paraíso. mergulhando a paisagem paradisíaca num rosa chamejante. Apresenta uma curvatura. Irei na frente. Em seguida todos ouviram em seus cérebros um comando estereotipado. Se quisermos pôr fora de ação o planeta. e mais para fora viam-se pequenas ilhas com estranhas plantas e árvores tropicais.Rhodan sentiu um nervosismo nunca antes experimentado quando olhou para o corredor em cujo interior tinham desaparecido os mutantes. Era formada de energia e desaparecia na rocha de todos os lados. — É estranho — disse depois de algum tempo. Não se via nenhum sinal da hipnobarreira. — A primeira coisa que temos de fazer é verificar a intensidade da influência. que imediatamente pôs a funcionar seu instrumento. que caminhavam de mãos dadas. A fonte de radiações cuja posição determinamos goniometricamente há algumas horas fica no centro da curvatura.

É o único que pode decidir o que deverá ser feito. Eram brilhantes enormes. Gucky saiu caminhando na direção da cortina vermelha. Desculpem. mas em compensação saltaram na água cristalina e davam mergulhos profundos. Jumpy estufou o peito. Ou melhor. foi uma leviandade. papai — disse Jumpy com a voz trêmula. Irei primeiro para fazer uma experiência. Você fica aqui. pois em seu interior viam-se cidades supermodernas. Parecia que o teto abaulado estava revestido de lindos brilhantes. o mais jovem. enquanto estranhos aviões se mantinham suspensos no ar. Antes que alguém pudesse impedi-lo. De repente um corredor luminoso apareceu no meio da paisagem. Alguém tem de entrar. atingindo Ivanovitch. se Gucky não usasse o capacete pressurizado. Não dançaram. O tráfego corria pelas ruas largas e bem iluminadas. Outras deitaram na margem do rio para tomar banho de sol. Gucky estremeceu ligeiramente... — Só faltam algumas bailarinas — resmungou Ivanovitch. recebiam carga ou eram descarregadas ou voltavam a decolar. tranqüilo. Gucky respirou profundamente. . O lindo corredor permaneceu no meio da paisagem. — Entrem! Recebam o poder! Abram a mente! Venha. Parecia ser real. — Voltarei para avisar McGee. embora minutos antes ainda não tivesse existido.Era uma intenção não clara que não poderia deixar de ser reconhecida imediatamente. A miragem mudou. Desta forma Gucky só levou uma forte pancada na cabeça. — É isso mesmo. para calar-se em seguida. filho — disse. que berrou zangado: — Você ficou louco? Não fui eu. Gucky reagiu imediatamente. — Quem pode saber quem é quem quando alguém tem duas cabeças? — resmungou Gucky para acrescentar em tom mais calmo: — Mas antes ter duas cabeças que nenhuma. Mas não temos alternativa.. Mas finalmente acenou com a cabeça. — Isso até faz secar a saliva na boca da gente — esbravejou Gucky.. E estas cidades tinham vida. Homens e outros seres movimentavam-se em passeios rolantes. — Ninguém melhor para uma empresa tão arriscada que nós. passou a mão pela hipnobarreira e segurou Gucky pela gola.! — E aquela horta perto da palmeira? Que será? Aposto que por lá há cenouras. Puxou-o violentamente para trás e deu-lhe uma ruidosa bofetada. teria dado. quando junto à bacia natural que se formara embaixo da queda de água apareceram algumas damas escassamente vestidas. As naves pousavam constantemente. os últimos da raça dos ilts. Foi o Ivã. Junto a quase todas as cidades se viam portos espaciais. que desempenhavam as funções de telas de imagem. — Não é que Ivanovitch só pensa em.. — Não está com vontade de ver isso de perto? — Por enquanto dispenso — disseram Ivã e Ivanovitch ao mesmo tempo. — Prefiro nem perguntar o que é moralmente mais justificável: moças com biquínis ou cenouras — observou para Goratchim.. Vamos esperar Rhodan. A ordem estereotipada continuava a soar em seus cérebros. — Então vamos nós dois. Goratchim deu um salto.

Atravessaram o campo energético vermelho brilhante.— Esperaremos aqui — disse Goratchim. São capazes de pensar e por isso mesmo têm sentimentos e desejos. Nunca se soube o que os robôs estavam vendo. desconfiado. Dentro de dez minutos o grupo atingiu a cortina vermelha. Conforme se esperara. Estes obedeciam às ordens de Marshall. que continuava a aparecer no meio da paisagem. Contaram as palavras ligeiras o que tinha acontecido. Talvez vejam um mar de óleo lubrificante de excelente qualidade. atravessou a primeira barreira em sua companhia. revelando sua verdadeira natureza. Não havia dúvida de que os cristais já haviam assumido seus cérebros semi-orgânicos. Dentro de alguns segundos os robôs. Vocês verão o que acontece com eles. mas os gigantescos brilhantes continuaram. Ficaram contentes ao ver que Rhodan e seus companheiros já estavam lá. Como era quase transparente. também reagem aos comandos hipnóticos dos cristais. Logo. foram esmagados. Atravessarão a segunda barreira. Era um quadro apavorante. Dali a uma hora e meia. Seus movimentos tinham-se tornado mais bruscos. As cidades projetadas nas telas desapareceram. Os quatro mutantes prenderam a respiração. — Mas aposto que os robôs vêem exatamente aquilo que desejam. Os cristais atacaram os robôs. que pareciam nem ter notado a mudança ou simplesmente não tomavam conhecimento dela. Uma luminosidade esverdeada encheu o corredor. se bem que em escala menor. como se tivessem vida. Estão notando alguma coisa? — Não notamos nada — respondeu Goratchim e tentou encontrar uma explicação. Rhodan proibiu que os mutantes avançassem mais. mas Marshall por enquanto ficou com Rhodan. sem tomar conhecimento do assalto hipnótico dos cristais. Deu suas instruções. Gucky saltou de volta para junto de Goratchim e Jumpy. — Os robôs especiais já estão a caminho — disse e voltou a chamar o comando de transporte pelo rádio. os mutantes viram perfeitamente o que aconteceu em seguida. O que aconteceu em seguida parecia antes um pesadelo. O corredor mudou. As paredes tremiam convulsivamente. Entraram no lindo corredor. — Chegarão daqui a pouco. — E nem se sentirão atraídos por jardins e moças bonitas. Os cérebros biológicos-positrônicos pensavam de forma independente. feitos de aço terconite da melhor qualidade. Tenho certeza de que o mistério dos planetas Danger está escondido atrás da barreira. Os cristais deveriam adaptar-se aos desejos das almas dos robôs. O resto terá de ficar para depois. O teto abaulado desceu. aproximando-se das cabeças dos robôs. De repente os cristais desferiram seu golpe. A massa cristalina dura como diamante envolveu os cinco robôs. quando chegaram os robôs. — Não acredito que os robôs se interessem por ilhas paradisíacas e lindas quedas de água — disse Gucky. Os robôs possuem cérebros biológicos-positrônicos. mas foi em vão. . Para evitar que Marshall tivesse de fazer a caminhada. Realmente existia. mas até certo ponto eram parecidos com os cérebros mutados. Gucky teleportou de volta com ele. Marshall chegou a esta conclusão quando entrou na zona de bloqueio com os cinco robôs especiais. Era formado por cristais. mas os cinco colossos saíram andando de repente sem que tivessem recebido qualquer comando. O corredor era parecido com uma porção de intestino funcionando.

Juntos vamos conseguir porque já conhecemos o perigo. Promete? — Prometo. John. você saltará com ele para cá. — Nem me fale nisso — protestou Gucky em tom resoluto. não solte minha mão. — Aconteça o que acontecer. Ficando juntos. — A mesma coisa teria acontecido conosco se tivéssemos atendido ao chamado — afirmou Marshall. Dentro de instantes o corredor voltou a apresentar-se no mesmo esplendor de antes. . E os comandos hipnóticos continuavam a seduzir. Jumpy. a força do salto dobra. Não esperem um segundo que seja... que certamente tinham entrado na armadilha. Estava pensando em Wolters e seus companheiros. Assim não haverá erro. . *** Gucky não teve a menor dificuldade em localizar a origem das radiações hiperenergéticas. papai. Gucky segurou a mão de Jumpy. — Se notarem qualquer perigo. Salto para lá. que ficava a uns cinqüenta quilômetros da barreira vermelha. voltem imediatamente.e esperaram. E quem poderia ser mais rápido que um teleportador? Nem mesmo a luz. — Estamos perdendo tempo — insistiu Gucky. antes que os cristais tenham tempo de adaptar-se a mim. Concentrara-se exatamente neste ponto. Este só concordou depois que Goratchim passou a defender a sugestão de Gucky. Vou sugerir uma coisa numa boa. Até lá cem dos nossos companheiros poderão cair na armadilha. podemos suspender a operação e conformar-nos com o fato de que o perigo dos cristais continuará. — Droga! — disse Ivã Goratchim com a voz apagada. teremos de concentrar-nos em Goratchim ou no tio John.Só restou uma massa metálica disforme. Quando materializou juntamente com. Apavorados até o fundo do coração. viu-se na extremidade de um gigantesco pavilhão com mais de quinhentos metros de diâmetro. É preciso ser mais rápido que eles. O teto era abaulado e tinha pelo menos duzentos metros de altura.. — Dentro de seis meses tudo começaria de novo. Levaram cinco minutos para convencer Marshall. com cerca de cinqüenta metros de diâmetro. tão longe que deixo o corredor para trás. O risco é muito grande. Jumpy irá comigo. — Quem pode permitir isso é Rhodan. — Levaremos pelo menos dez minutos para explicar a situação a Rhodan. Os dois ratos-castores desmaterializaram.. não é. Quando quisermos voltar. garotinho? — Pronto. depois que Goratchim lhe fornecera a direção apontada pelos instrumentos. Eu não. Jumpy? Se o papai se arriscar demais. contemplaram a paisagem paradisíaca e o lindo túnel de cristal. No centro do pavilhão jazia uma esfera de cristal de uma cor azul viva... — E agora? Será que existe uma possibilidade de atravessar a hipnobarreira sem correr perigo? Se não existir. Você é um rapaz sensato. Lembrava uma gigantesca abóbada cujas paredes eram de rocha nua entremeada de veios de cristal verde-azulados. Boa sorte. O assunto será liquidado. tio John. que quando muito ainda poderia valer alguma coisa como sucata. John Marshall e Goratchim ficaram. Pronto. Voltarei imediatamente. nem que existam mil máquinas de sucatamento feitas de cristal. — Muito bem.

Tentou descobrir o que significava isso. mas Gucky compreendeu perfeitamente. Havia em sua superfície milhares de excrescências em forma de espinho. A dor de cabeça ficou mais forte. Rápido! Era pouco provável que os impulsos chegassem a Marshall. Gucky contou com minúcias o que tinham descoberto. Jumpy cochichou estas palavras. Alguém tentava apoderar-se de sua mente.. — Descobrimos.. Também sentia uma pressão cada vez mais forte no cérebro. quando recebeu a resposta. Os dois ratos-castores contemplaram o cristal. O fato de os cristais menores não descreverem órbitas de satélites não ajudava a resolver o problema. Não queria desistir tão depressa. Talvez Goratchim consiga. Parecia que o cristal levava algum tempo para reagir. — Se houver algum perigo. foram recebidos por John Marshall e Goratchim com demonstrações de alívio. Gucky imaginou que só poderia ser o grande cristal — o coração de Danger I. — Vocês podem destruir o cristal? — perguntou Marshall. — O cristal máter sem dúvida é o cérebro central de Danger I — disse Goratchim. Gucky e Jumpy concentramse em Marshall e no mutante de duas cabeças. Além disso ele e Jumpy não corriam um perigo iminente. Não agüentaremos muito tempo. O comprimento era de dez metros e os espinhos terminavam em ponta. Gucky preparou-se para saltar de volta. a dor de cabeça está aumentando. Não era simplesmente redondo. mas tiveram certa dificuldade. É um cristal gigantesco. — Se conseguirmos destruí-lo. Será que conseguiremos? — Só saberemos daqui a dez minutos — respondeu Gucky em tom indiferente. Inúmeras esferas de cristal pequenas esvoaçavam pela sala. atravessando todas as barreiras hipnóticas. Pelo contrário. A influência hipnótica exercida pelos cristais os perturbava. Onde estão? — Num pavilhão que fica a cinqüenta quilômetros daí. que deviam ter mais ou menos um metro na base. na esperança de que o telepata pudesse captar seus impulsos mentais. Voavam constantemente para junto das paredes e tocavam nos veios de cristal. — Vamos avisar Perry? — Acho que sim — sugeriu Marshall. — Venham buscar Goratchim — transmitiu Marshall. . e talvez até de todos os planetas Danger. dando a impressão de que se abasteciam de energia junto a estes. — John — pensou. contornando o cristal gigante e tocando constantemente nos espinhos de dez metros de comprimento. Teve a impressão de que chegara perto da solução que Rhodan e seus terranos procuravam com tamanho empenho. voltem. Ou então nunca esperara que alguém pudesse chegar onde estavam os dois ratoscastores. Responda caso tenha compreendido. Vocês podem teleportar de lá. Quando rematerializaram. o que deixou Gucky ainda mais confuso. dando um nome ao objeto. — Vamos voltar à primeira hipnobarreira. — Tem cinqüenta metros de diâmetro. mas por enquanto ainda dá. Já começou com o tratamento hipnótico.A esfera brilhava e pulsava — e vivia. caso o cristal contenha cálcio ou carbono. mas não queria deixar o estranho lugar tão depressa. Estava mesmo na hora. teremos feito um bom progresso. Pareciam ter vida própria. Era um quadro tão fantástico que Gucky não se atreveu a fazer qualquer movimento. — Papai. Tanto maior foi o espanto e a sensação de alívio dali a alguns segundos.

os ratos-castores concentraram-se — e desapareceram. Quem poderia chegar perto do cristal máter a não ser Gucky e Jumpy? E como faríamos para destruí-lo se para isso não pudéssemos contar com Goratchim? Se sentirem que a intensidade dos hipnoimpulsos aumenta muito. Teleportaram para junto de Rhodan. Talvez seria possível teleportar alguns robôs de combate ao pavilhão central. Não fizeram a caminhada. Poderemos tentar de novo em outra oportunidade. Robôs com cérebros puramente positrônicos. que não podem ser afetados pela ação dos cristais. . Uma vez estabelecido o contato físico.— Ótimo. Jumpy pegou uma das mãos de Goratchim e Gucky a outra. — Concordo com o plano de vocês — disse o Administrador-Geral depois que tudo lhe fora explicado. Assim poderemos contar com os contatos de rádio de que talvez precisemos. voltem imediatamente. Serão programados com a ordem de destruir o cristal máter. — Não vejo alternativa.

Não conhecemos as diferentes espécies e não sabemos quais são suas características. A destruição da superfície devia ser evitada na medida do possível. Dê-me um planador e garanto que dentro de uma hora receberá aviso de que descobrimos uma entrada. como sempre. posto fora de ação com duas bombas. O chefe do respectivo comando era o Capitão Reinke. Quatro veículos de desembarque encarregaram-se do continente. ao qual viemos com intenção hostis. — Meu caro Reinke. Acontece que nos encontramos num mundo desconhecido e desabitado. Bell chegou à conclusão de que não havia mais nenhuma operação de defesa e deu ordem de invadir o planeta. — Eu sim. que ficavam no continente. Voaram em baixa altura na direção leste. — Está bem. que desta vez isso não lhe renderá nenhuma condecoração. O Coronel Grayhound fitou o oficial por alguns segundos antes de responder. — Assim não conseguiremos nada. — Sim. No meio deles viam-se pântanos sem árvores e lagos de águas límpidas no meio das montanhas. Embaixo deles via-se perfeitamente o tapete verde da mata. Como pretende descobrir a entrada? — Tenho meus métodos. ou então não existe mais. — Senhor — disse em tom lacônico e objetivo. Mas vai prometer que não cometerá nenhuma ação precipitada. eu sei — o coronel refletiu um instante e acenou com a cabeça. Dali a dez minutos um planador ocupado pelo Capitão Reinke e outros cinco oficiais subiu ao céu azul de Danger XIV. O continente oval que ficava no centro de um gigantesco oceano escapara praticamente intacto. Obrigado. O Capitão Reinke pediu uma ligação com o comandante. Não desafie o perigo. Confio no senhor e sei que é um tipo arrojado. — Onde está o inimigo. Às vezes uma estepe coberta de capim interrompia a monotonia da paisagem. Estou falando em outros seres que têm seu habitat neste planeta — os animais. Nele só havia um forte. enquanto as tropas de desembarque vasculhavam a área. O senhor terá um planador. coronel? — Deve ter-se recolhido a algum lugar. O comandante do veículo 33 era o Coronel Grayhound. O Capitão Reinke sorriu. à procura de um caminho que levasse ao interior do planeta. Mas não me refiro aos perlians. O veículo 33 desceu na região norte do continente oval. Quase todo o continente está coberto de mata virgem. senhor. senhor. mas meus companheiros não. Os fortes dos perlians.. Grayhound resmungou algumas palavras que ninguém compreendeu e deu suas instruções.. Além disso o senhor já tem condecorações que chega. foram postos fora de ação no primeiro ataque dos terranos. eu o conheço. .4 O planeta Danger XIV era um mundo predominantemente aquático. Não encontrou resistência. Grayhound permaneceu a bordo com o resto dos homens.

Vamos examinar as construções de perto. O grupo de cinco homens entrou no pátio interno cercado por edifícios. O Capitão Reinke não participou das discussões. Cada edifício terminava numa elevação em forma de cúpula. sempre desconfiado e conhecido por sua prudência exagerada. Sou capaz de apostar que encontraremos um elevador por lá. Não tirava os olhos da paisagem que deslizava lá embaixo. Parecia que não eram habitadas. nada. Os homens usavam uniforme de combate. enquanto se aproximavam dos edifícios baixos. Não se via ò menor movimento. Quando voltou a sobrevoar a mata. Até havia pequenos insetos. O planador deu algumas voltas e pousou numa clareira perto das construções.. . Nenhuma porta. — Quem sabe se eles não põem ovos? — conjeturou o Tenente Bock. que cuidava dos rastreadores. — Talvez seja uma coincidência — Reinke segurou a arma energética com mais força e certificou-se de que estava destravada. — Quem sabe se lá embaixo não existem dragões que cospem fogo? — Que nem nos contos de fadas — resmungou o Tenente Bernot. — Bem embaixo da cúpula giratória. o pessimista. — Quem dera que eu pudesse passar minhas férias aqui. sem tomar conhecimento do planador que voava em cima de suas cabeças. Com isto fica completa a apresentação dos ocupantes do planador. o ar puro e rico em oxigênio. que dançavam aos bandos em cima das poças cintilantes. Pareciam completamente inofensivos. Para enxergar melhor. Russell fez um ligeiro contato de rádio e ficou sabendo que não houvera qualquer novidade com o planador. — Vamos dar uma caminhada? — perguntou Black. — Fique no planador para poder entrar em contato com o comandante. Reinke descobriu construções nas primeiras elevações. — Devem ser ovos enormes. — Podem brincar — disse o Tenente Black. Só no edifício central havia um dispositivo giratório e complicados aparelhos de goniometria. prontas para atirar. Parece bem convidativo. reduziu a velocidade e desceu ainda mais.— É um ótimo lugar para a gente passar as férias — disse o Tenente Ornara. caso haja algum imprevisto. O planador atingiu a costa norte e passou a seguir para o sudeste. prestando atenção aos menores detalhes. — Nossas vacas de leite estão pastando lá embaixo. da qual saíam os canos de canhões comuns. o planador passou rente às copas das árvores. que era conhecido por seu humor bizarro. Russell chamou o Coronel Grayhound pelo rádio. — Pode-se chamar assim — Reinke olhou para Russell. — Vamos. As vacas de leite eram quadrúpedes que corriam pela estepe em manadas. — Que lugar maravilhoso! — entusiasmou-se Ornara. Comunicou sua posição. Era possível que alguns perlians tivessem sobrevivido ao ataque e estivessem escondidos neste lugar. Ainda não tinham encontrado ninguém. — A entrada fica ali — cochichou Black. — Não se deve confundir os contos de fadas com as lendas — retificou o pedantesco Tenente Russell em tom áspero. — Não se alegre antes da hora — preveniu Bernot. a dez quilômetros da costa. que revelavam a presença de um canhão energético moderno. mas isto não queria dizer que não houvesse perigo. Estava tudo em ordem com o veículo. O clima era tropical.. mas não os trajes espaciais. Seguravam as armas energéticas na mão.

. Parecia vir de bem longe.. — Saia! — berrou Reinke. — Eu também — resmungou Bernot contrariado. Pôs-se a refletir. — Vamos! Saia logo. O planador já era.! Russell não respondeu. não teria a menor dúvida em responder que nos encontramos num centro gerador. — Que houve? — No telhado. Será que foi uma reação defensiva automática? — Provavelmente — Reinke fez um sinal para seus homens. De repente seu rádio deu o sinal de chamada... aquele canhão que fica no centro. — Vamos encontrarnos no portão. Em seguida ouviu-se alguém tossindo. meio apagada e entrecortada. entrando pelas aberturas. Como está o canhão? — Continua na mesma posição... — Nossos rádio-capacetes não têm potência suficiente para vencer esta distância. — Ou será que é outra coisa? — Black olhou para baixo.A luz que penetrava pela janela bastava para iluminar o interior do edifício. Russell! Corra! Para cá ou para a mata. tenente. óleo e energia. Passe pelo portão que fica bem à sua frente e espere. Bock tentou abrir uma porta. Se alguém me perguntasse onde estamos. Havia um corredor largo. As janelas davam para o pátio interno. Só poderia ser aberta a maçarico. para seguir em ângulo reto em relação ao edifício que ficava ao lado.. Um estranho zumbido enchia o ar. senhor.. Reinke e seus companheiros deixaram-se cair no chão para não serem derrubados. Depressa.. — Senhor. que seguia para ambos os lados. — Ainda bem. — É um poço. e se estivesse com os olhos vendados. Venha para cá.. — Eles até têm porão! — disse Black. Dentro de instantes estará apontado para o planador. que continuava deitado no chão. Reinke respirou aliviado.. Estou deitado numa poça de água. Finalmente a voz de Russel se fez ouvir. parecidos com o grunhido dos leitões do planeta Terra. Reinke parou junto à escada. — Um movimento? Não foi uma ilusão? — De forma alguma. Dali a instantes o edifício foi sacudido por uma terrível explosão. O corredor descreveu uma curva para a esquerda. — Como vai o senhor? Responda! Do pequeno alto-falante saíram sons incompreensíveis. O canhão gira devagar. — Russell! — gritou Reinke. capitão... não permitindo que se visse o que havia nas salas. — O cheiro é de metal. . A onda de pressão arremessou-me a dez metros de distância. — Capi. Ainda pôde avisar o coronel? — Foi muito rápido. Algumas vidraças foram estilhaçadas e a onda de pressão atravessou o corredor. mas ela resistiu. Mas meus ossos estão inteiros. enquanto do outro lado do corredor as portas estavam fechadas. Finalmente Reinke seguiu para a esquerda. Fez um movimento. — Isto é uma ordem. Do lado direito havia uma escada larga que descia. O chão vibrava ligeiramente. Trate de proteger-se. Depois reinou o silêncio. Só podia ser Russell. espantado. Russell.. Ornara pôs-se a farejar. Por algum tempo os homens ficaram indecisos sobre a direção que deveriam tomar.

O alicate caiu pouco menos de um metro. Reinke levantou e foi para perto do poço que levava para baixo. Tomara que esteja funcionando — Reinke revirou os bolsos e tirou um alicate. Mais uma vez vidros estilhaçados zuniram pelo ar e gigantescos blocos desprenderam-se do teto e caíram com um enorme estrondo. ficou suspenso no ar por um instante. — Vamos primeiro dar uma olhada neste poço. Seu uniforme de combate estava imundo e fora rasgado em vários lugares. fora danificada. até onde estes puderam acompanhá-lo. depois de ter regulado o mecanismo de tempo para cinco minutos. Fundirei a porta. se tivesse pousado sem desconfiar de nada. A mochila. que foi mais forte que aquela que destruíra o planador. Reinke colocou a granada. Havia algumas luzes de controle acesas. dê-me uma granada atômica. — Uma granada atômica — murmurou Reinke e virou as costas. Demorou quase dez minutos até que um pedaço incandescente de formato retangular caísse para dentro. A lâmina da porta era de um material muito resistente. e o mecanismo automático embutido na base zumbia perigosamente. — Precisamos pô-lo fora de ação. Além disso as grossas paredes ofereciam uma boa proteção. senão teremos mais problemas. — Tratem de abrigar-se. sobre o círculo giratório. Dali a um minuto o edifício foi sacudido pela explosão. Reinke era o tipo do homem que não gostava de perder tempo. Se necessário. — Ornara. que em sua opinião ficava bastante longe do foco da explosão. sempre poderemos pedir reforços. Reinke teve de esperar mais cinco minutos até que as bordas esfriassem o suficiente para poderem entrar. — O canhão já era — conjeturou Russell. que era do tamanho de um punho humano.. e depois desceu devagar. — Bem feito. — Se acoplarmos todos os telecomunicadores. e somente depois disso voltaremos ao veículo de desembarque. De repente esbarrou num obstáculo invisível. Este canhão tem de ser destruído numa explosão. Os homens deixaram-se cair no chão mal tinham passado pela curva. Encontraram uma escada que levava para a parte superior do edifício. Em seguida procuramos o elevador. Acho que é um elevador antigravitacional. — Logo saberemos. . O canhão automático estava guardado num grande recinto abobadado. depois que comunicássemos a descoberta do elevador. acompanhado pelos feixes de luz das lanternas. — Antes de mais nada temos de dar um jeito neste canhão automático — disse Reinke. talvez consigamos. Os elevadores antigravitacionais sempre eram construídos de tal forma que seu campo de sustentação era automaticamente ligado assim que algum objeto atravessava a cortina de raios invisíveis. Continuava apontado para uma cratera coberta por uma camada vidrada que se formara no lugar em que estivesse o planador. — Vamos descer? Ou devemos primeiro procurar um contato com o Coronel Grayhound? — perguntou Russell. Mas havia uma porta de metal impedindo a entrada no centro de comando do canhão automático. Reinke não perdeu tempo. O dispositivo de alarme ainda não fora desativado. — Sem dúvida o veículo de desembarque também teria sido destruído. a não ser que antes disso apareça alguém para levar-nos.Dali a dez minutos o rádio-operador entrou no corredor. Em seguida desceu para a entrada do elevador.. — E agora? — perguntou. Certamente encontrarão os edifícios. em cujo interior havia aparelhos muito importantes. Até parecia que atravessara um pântano de quatro. se descerem no lugar por nós indicado.

. Bernot. — Não sei. — Isto se aplica a todo mundo.. Acho que deveríamos voltar juntos. Nossa tarefa não é j espionar por aí. acabo enlouquecendo. Ficarão à nossa espera lá em cima. Se demorar mais um pouco. mas os feixes de luz das lanternas de Reinke e Bock já se tinham perdido na escuridão. Deu ordem para que o grupo partisse. na direção do mar. Está ficando cada vez pior. Ainda tentaram entrar em contato com o Coronel Grayhound. Bock e eu prosseguiremos. Black. Recebemos ordem de tentar encontrar uma entrada. não custa prestar muita atenção. Caminharam para o noroeste. no edifício. Fique com a arma engatilhada. mas sem resultado. — Para mim chega.. — Se a dor de cabeça aumentar. capitão. Alguém está com dor de cabeça? — Um pouco — murmurou Ornara. Não percebi nenhuma influência hipnótica. e foi o que fizemos. mas nada menos de quatro horas. pântano e estepe. Reinke sabia que isso era um alerta bem claro. A intensidade dos impulsos hiperenergéticos aumentara tanto que não poderiam entrar nas instalações subterrâneas sem correr um grave risco de vida. Ornara continuava a queixar-se de dor de cabeça. Ornar parou. Desceu devagar. Depois que descermos isto provavelmente mudará. Bernot não teve alternativa. mas não queria desistir. Bernot. Felizmente tinham trazido as lanternas. atiraremos para valer. — Não podem ser somente estes veios — conjeturou Reinke. Tentaram encontrá-los. — Como vai o senhor.— Está funcionando — constatou Reinke laconicamente. E neste caso devemos ter muito cuidado. avise imediatamente. Não agüento mais. Black? — Acho que deveríamos retirar-nos. Voltaram à superfície. A dor de cabeça não é o único sinal de que os cristais estão transmitindo seus impulsos. — Black tem razão — disse Bernot. e Black também sentia uma pressão no cérebro. Percorreram uns três ou quatro quilômetros. — Será que é um sinal de que há algo de errado? — Acho que não — respondeu o Tenente Bock. — Vamos. Não esperaram duas. Use seu transmissor. O tenente foi o primeiro a saltar. Bernot deu de ombro e fez um sinal para os companheiros. Bernot e Russell voltarão. Bernot hesitou. Estava escuro. mas o transmissor era muito fraco. mas é um sinal bastante seguro. Talvez as mensagens sejam recebidas. Ornara — disse Reinke em tom sério. seguido pelos outros. Seus equipamentos de vôo falharam por alguma coisa que não conseguiram descobrir. Se Bock e eu não estivermos de volta dentro de duas horas. Vamos. — Ornara. Assuma o comando. Mas antes de chegar lá teriam de percorrer dez quilômetros de mata virgem. Bock. Andaram um pouco ao acaso e descobriram os primeiros veios de cristal nas paredes. capitão. Os homens olharam para trás. — Vá logo. voe para o veículo de desembarque. É possível que ainda haja perlians por aqui. Outro detalhe. Reinke e Bock não voltaram. Se encontrarmos algum. Reinke era um homem de decisões rápidas. Sei o que estou fazendo. — O senhor sempre foi muito sensível. antes que seus pés tocassem em chão firme. De qualquer maneira.

tentando subjugá-lo para impor-lhe sua vontade.. Mastigava alguns alimentos concentrados. De repente teve a impressão de que argolas de ferro apertavam seu crânio. Parou. contemplou a arma energética que segurava na mão — e atirou-a para longe. *** Quando tinham caminhado uma hora. E foi atrás de Bock. que ameaçava estourar de dor. Inclusive a que vinha em sua direção. — Mal acabamos de atravessar a estepe. Reinke defendeu-se o melhor que pôde. Volte! Depressa! Mas Bock nem pensava nisso. Mas devia ser verdade. — Daqui em diante só construiremos. Em seguida impulsos mentais estranhos. Reinke.. penetraram em seu consciente. Os dois encontraram-se num elevador que os levou para cima. — Não destruiremos mais — disse com a voz apagada. — Como vai seu programa de férias. que estava fora de uso há vários anos. Bock. Reinke e Bock olharam para as telas do centro de comando e viram os quatro oficiais afastando-se a pé. Foi quando os hipnoimpulsos atacaram com toda força.. mas parou tão de repente que até parecia que esbarrara numa parede. em que nunca antes o homem pusera o pé. não-humanóides.*** O Capitão Reinke e o Tenente Bock não chegaram longe. Bock saiu andando de novo.. — Lá vai o inimigo — disse Bock com a voz fria. Ornara não respondeu. Não deram o menor sinal de que os tivessem reconhecido. — Pelo amor de Deus. E neste mundo estranho poderia haver qualquer forma de vida. Ornara? — perguntou Black com uma ponta de malícia. Era tarde para voltar. Automaticamente. o Tenente Bernot mandou fazer uma pausa. Reconstruiremos aquilo que destruímos. saindo da mata. Reinke forçou-se ao máximo para fugir. olhem! — gritou Russell de repente. Estava na hora de que mãos fortes se encarregassem novamente de uma tarefa destinada a fortalecer o poder do cristal e preparar o caminho para a invasão da Via Láctea. Pelo contrário... nós o destruiremos. embora Reinke tivesse pressentido o ataque. Vamos. excedia sua capacidade de imaginação. Aquilo que vinha em sua direção. — Quando voltar. Atravessaram alguns corredores compridos e atingiram um elevador antigravitacional que os levou à superfície.. — Cuidado. . Caminharam cerca de trezentos metros e desceram uns dez quilômetros num elevador mecânico. guiados pela vontade do cristal máter.. — Bock tem razão — murmurou. Encontravam-se num mundo estranho. — Precisamos construir. apontando para a mata. — Meu Deus! Que é isso? Os homens não foram capazes de esboçar uma reação imediata. saíram caminhando diretamente para o centro de comando robotizado da estação. nós os destruiremos. Tenho certeza de que o ambiente da mata virgem será menos acolhedor. Saiu correndo na direção da qual tinha vindo. Se os outros vierem buscar-nos.

O corpo carbonizado caiu ao chão. — Ainda bem que pelo menos as armas energéticas ainda estão funcionando — resmungou Black. Havia antenas movimentando-se em todas as direções. Bernot foi o segundo a abrir fogo. mas a simples idéia de que algum ser desconhecido as abrira não deixava os homens muito à vontade. Que tal fazermos uma pausa. Os homens andaram em torno do cadáver do monstro para examiná-lo. que se movimentavam no ritmo dos pés. — Quem dera que ao menos pudéssemos voar — murmurou Black. — Vamos embora — sugeriu Bernot e levantou os olhos para o céu. — Não sabemos quantas horas de luz do dia ainda teremos. Parecia que desempenhavam as funções dos olhos. O feixe energético acertou bem no centro da cabeça do monstro. mas logo se notaram os efeitos dos tiros e o animal esboçou a primeira reação. — Bem que Grayhound teve razão ao prevenir-nos contras as formas de vida desconhecidas deste planeta. Na cabeça via-se uma boca larga. É bem possível que haja raios especiais. O sol continua quase no mesmo lugar em que estava horas atrás. Felizmente a rotação de Danger XIV é lenta. Os homens suspenderam o fogo. as pernas voltaram a movimentar-se. mas era quase certo que a criatura fantástica era um carnívoro. depois que não viu mais os homens. — Meu Deus! — disse Russell antes de começar a atirar. Mas apesar disso conseguiram percorrer três quilômetros antes de atingir uma clareira. — Uma centopéia carnívora. — Ainda não me recuperei completamente dos efeitos do vôo de dez metros que tive de fazer.. Bernot respirou aliviado. — Por que será que os projetores antigravitacionais não estão funcionando. O animal estava a uns cinqüenta metros e aproximava-se rapidamente. A base deste planeta dispõe de sistemas de proteção automáticos. Bernot? — Em minha opinião é por causa das radiações hipnóticas. Ou então talvez seja uma coisa que não conhecemos. apavorado. Ainda encontraremos outras espécies. — Não agüento mais — gemeu Russell. As costas estavam cobertas por inúmeros cabelos. É este o motivo por que o alcance de nossos telecomunicadores é bem menor que de costume. que já se recuperara do susto. De repente pareciam ter acordado. A cabeça fora destruída a ponto de não ser possível reconhecer os detalhes. Havia trilhas abertas. O formato era cilíndrico. Os homens trataram de abrigar-se. Por um instante teve-se a impressão de que o raio energético era incapaz de romper a blindagem que talvez existisse. — Façam pontaria na cabeça. A caminhada pela mata foi mais difícil que pela estepe. — Uma centopéia! — gemeu Ornara. Entrou em convulsões e finalmente permaneceu imóvel. Era uma perspectiva desagradável. Mas acho que seremos capazes de enfrentá-las. — Fogo! — berrou Bernot. Tinha dois metros de diâmetro e locomovia-se com i centenas de perninhas.. incapaz de fazer qualquer movimento. fazendo tremer o solo. Bernot? Bernot olhou para o relógio. Devia haver outros seres na mata.Devia ter uns vinte metros de comprimento. . As antenas ficaram procurando. Assim que determinaram a nova direção. O monstro reduziu a velocidade. que retirem qualquer espécie de energia. com dentes afiados.

— Já demos para guerrear macacos! — indignou-se Black e finalmente lembrou-se de usar sua arma energética como tal. Desde que então ainda existissem. Atirava para matar. para que os feixes energéticos deixassem a pessoa inconsciente. exausto. Os homens deitaram onde estavam. Deu alguns tiros e conseguiu libertar-se. Devia desaparecer dentro de cinco ou seis horas. Ainda não tinham andado cem metros. mas não a matassem. Mal tiveram forças para pegar água num regato próximo e beber um pouco. Estavam mortos ou inconscientes. os quatro sabiam que tinham conseguido. Já era um princípio de senso comunitário. Vamos esperar? — Não temos alternativa — murmurou Bernot. Vamos descansar dez minutos. que levaram alguns minutos para recuperar-se da surpresa. Só poderemos ficar descansados quando estivermos lá. Russell não foi tão delicado.— Pelos meus cálculos ainda faltam três quilômetros para chegarmos à costa. O Capitão Reinke e o Tenente Bock não estavam com eles. O ataque pegou-os de surpresa. Ornara acordou com Ires ou quatro selvagens em cima dele. Havia pelo menos cinqüenta seres de sua espécie espalhados pelo chão. Aos poucos a raiva ou a coragem dos atacantes foi diminuindo. — Se resolver procurar-nos. . Ornara até conseguir dormir alguns minutos. Engoliram alguns alimentos concentrados para não ficar muito fracos. O sol descera um pouco. quando os “macacos” desceram das árvores para cuidar dos companheiros tombados. A uns vinte metros dali as ondas acariciavam a praia. Eram figuras humanóides que saltavam nos galhos que nem macacos terranos ou corriam de quatro pelo capim alto. Caíram com eles sobre os quatro homens. e pegou a arma. Foram mais um pedaço para o oeste. ficando deitado de costas. mas ainda continuavam a sentir-se inseguros. Vamos embora antes que se recuperem do susto. Mas está bem. Em seguida levantou de um salto e olhou em volta. As mãos pouco desenvolvidas seguravam paus ou pedras. Quando finalmente avistaram a costa. o que representava uma violação grave nas leis do espaço. — Livramo-nos deles. Fora atingido na cabeça por uma pedra e sangrava. — Deve ter sido mais ou menos daqui que comuniquei pela última vez minha posição ao Coronel Grayhound — disse Russell. — Antes isso que lutar com centopéias. Black desferia golpes com a arma energética. virá para cá. repelindo os atacantes. Rolou num instante. Certamente não tivera tempo para modificar a regulagem de sua arma. O grupo procurou uma depressão arenosa. que mais tarde estes seres chamariam de civilização. que ficava a uns cem metros da mata. — O perigo passou — disse Bernot e saiu do seu esconderijo. Ainda teve bastante presença de espírito para reduzir a potência da arma. Bernot também regulara sua arma energética ao nível da paralisação e punha calmamente fora de ação um inimigo após o outro. A lei suprema da frota espacial dizia que só se devia matar um ser humanóide em caso de extrema necessidade. Retiraram-se para as árvores e passaram a bombardear os intrusos com galhos e frutos duros. Apesar disso os atacantes investiam constantemente contra o grupo.

Os cristais. Ornara apressou-se em comunicar a posição.Ornara ficou de sentinela no primeiro turno. Resolveram ficar. desde que não voassem muito alto. Não está sentindo. Qualquer receptor que se aproximar a cinco quilômetros captará nossas mensagens. com a arma energética destravada sobre o joelho.? — perguntou Black. Ornara foi de opinião que deveriam seguir para o oeste. Não sei se adianta sairmos daqui. — Está começando de novo. Sentou na borda da depressão. Vinham de um planador que estava à sua procura. Quanto aos cristais. Dali a duas horas Ornara captou alguns impulsos fracos com o telecomunicador. e dali a pouco o planador desceu junto à depressão. . melhor para todos. Achou bem natural que voassem para os edifícios abandonados. Bernot deu de ombros. Mas estava aumentando. Parecia que continuava tudo como antes. que estava só. Mas uma coisa eu garanto. a fim de procurar Reinke e Bock. seria mais fácil encontrar os quatro homens perto da costa. no mar e no céu. Acorde os outros.. Russell. O que teria acontecido com o capitão e o Tenente Bock? Por que não voltaram conforme haviam prometido? Os cristais. Talvez fosse por acaso. voltou a sentir. — Que faremos se os cristais redobrarem seus esforços. Os homens conferenciavam. Finalmente os edifícios baixos apareceram junto aos morros. Dores de cabeça. e principalmente um veículo de desembarque. mas não os cristais. Certamente enxergaria um planador. O aparelho era pilotado pelo sargento Duncan. é um risco que temos de assumir. pois destruímos o canhão automático. Bernot disse que não valia a pena. Ainda bem que me acordou. na direção em que ficava o veículo de desembarque. Dali a duas horas foi a vez de Russell ficar de sentinela.. que tentavam apoderar-se de sua vontade. enquanto os outros dormiam. A dor de cabeça lancinante já não podia ser reprimida. E não era só isto. É que nem no lugar em que deixamos o capitão. Ficou de olho na mata. embora com potência reduzida. Levaram menos de cinco minutos para percorrer um trecho em que pouco antes tinham gasto quase meio dia. Se isso acontecer. Bernot? — O senhor tem razão. Russell sabia que os cristais eram mais perigosos que todos os monstros e homensmacaco da selva.. Quer dizer que se ficarmos aqui dará na mesma. porque o Coronel Grayhound devia encontrar-se pelo menos a cinqüenta quilômetros dali. Se mandasse um planador. Quanto mais depressa agirmos. A dor de cabeça foi acompanhada de comandos estranhos. os cristais nos alcançarão em qualquer lugar em que estivermos. Pensara que fosse por causa dos ferimentos leves que sofrerá. A pressão nos cérebros diminuiu de repente.? Ao lembrar-se disso. Além disso nossos rádios ainda funcionam. mesmo caminhando. Bernot explicou o que tinha acontecido. Os cristais estão em toda parte. — Infelizmente não posso responder a essa pergunta. mas o sol tinha baixado bastante. Estes a gente podia enfrentar. Resolveu acordar Bernot. Finalmente teve tempo e tranqüilidade para refletir sobre a situação em que se encontravam. — Não poderá acontecer nada. Estava com o corpo dolorido por causa da longa caminhada e da queda que levara por causa da explosão do planador..

Se tivesse chegado uma hora antes com o planador. Rápido. Destruímos as instalações na medida em que isso foi possível. Mas não há mais perigo. — Por que não o fez? — perguntou. teria sido recebido a tiros de canhão. Vamos embora? O sargento Duncan fez uma ligação pelo rádio. O Coronel Grayhound deve saber — o capitão encostou o dedo à testa. Acabaram se encontrando à frente do edifício. — Então? — resmungou Grayhound. — Pensamos que tivessem sido assumidos pelos cristais. Preciso falar com ele. Finalmente descontraíram-se. Permite que eu vá ao subsolo? Ou então poderia vir com o barco. nem sinal dos cristais. Ativamos o sistema de defesa automático da base. Se a situação é a mesma em todo o planeta. Aconteceu. feliz. Mais que isto. já não temos por que ficar preocupados. capitão — exclamou Bernot. o coronel. Eles nos agarraram. — Que bom vê-lo de novo. — Que diz sobre a garantia que me deu? — Descobrimos a entrada. Agarrou a arma energética e desceu. procurando manter-se constantemente abrigados. Os lábios de Reinke crisparam-se num sorriso ligeiro. Bernot empalideceu. De um instante para outro recuperamos a própria identidade. Primeiro foi Bock. — Ah. O senhor sabe — quando se está sob a influência dos cristais. Não estavam armados e agitavam violentamente os braços. Bernot viu uma coisa se mexendo perto dos edifícios. Nada de dores de cabeça. nenhuma influência estranha. Só assim o senhor pôde pousar sem incidentes. Nossa memória apresenta falhas. Desativamos o sistema de defesa automático. . capitão? — Não faço idéia. enquanto os outros continuavam no planador. Tudo por ordem dos cristais. — Como se explica isso. que apesar do tom áspero de sua voz não conseguiu esconder o alívio. Russell e Ornara foram atrás dele. Naturalmente anulamos as medidas que tínhamos tomado enquanto nossas mentes estavam submetidas à influência estranha. senhor. sim. Demorou um pouco porque houve um imprevisto. Saíram correndo em direção ao edifício. Por que não voltaram conforme tinha sido combinado? Andamos um bom pedaço pela mata antes de sermos recolhidos pelo planador. Os dois homens que vieram ao seu encontro eram o Capitão Reinke e o Tenente Bock. — Aguarde nossa chegada — disse Grayhound.Quando estavam pousando. Bock e eu teríamos destruído o planador — e matado o senhor. que tinha sido desligado. depois eu. caso os outros grupos não tenham encontrado nada? Por aqui existe um excelente local para pousar. — Aconteceram algumas coisas — até onde estamos lembrados. — Porque a pressão diminuiu de repente até ficarmos livres. prontos para entrar em ação.

O cristal não era capaz de resistir ao ataque energético. O fogo escaldante atingiu o cristal máter. Os impulsos mentais do telepata tornaram-se cada vez mais fracos. Mas foi um contato muito fraco. Brilhava num tom vermelho escuro.! Mas o mutante geminado ainda relutou. O gigantesco cristal mudou de cor. Os dois ratos-castores perceberam imediatamente que a esfera cristalina estava mudada. mas uns contra os outros.. — Vamos voltar! — disse e concentrou-se no salto. Não podia mais. Os ferrões tremiam e descreviam círculos.. Não podemos sair mais. mas não aconteceu nada que estivesse ligado a qualquer atividade desempenhada por elas.5 Gucky. Que dor de cabeça. afetando suas faculdades especiais..! Gucky segurou o braço de Jumpy e de Goratchim. dilatava-se apressadamente e voltava a encolher. Gucky e Jumpy não eram capazes de teleportar. enquanto pegava a arma energética que trazia presa ao cinto: — Atirem — antes que ele nos pegue! Vamos logo. até acabar de todo. Não aconteceu absolutamente nada. Conseguiu. Tiveram de fazer um grande esforço para levantar as armas e apontá-las sobre o cristal maravilhoso. A mente de Ivanovitch era torturada por comandos e sentimentos . Os impulsos hiperenergéticos exerciam sua influência sobre os cérebros dos mutantes. que se encontrava a seu lado. — Pois usem as armas energéticas. A estranha figura vibrava.. — Não é possível.. Ivanovitch fez girar o cano da arma energética e apontou-o para Jumpy.. Só conseguiram apertar lentamente o acionador. Gucky dirigiu-se a Goratchim e disse em voz alta. Não contra o cristal. — Vamos logo. foi desviado e volatilizou o piso. Jumpy e Ivã Ivanovitch Goratchim rematerializaram no pavilhão em que estava guardado o cristal máter. Poças de rocha derretida formaram-se. Não é possível mesmo. está atacando. Goratchim! Os três mutantes sentiram a forte influência em sua mente e a pressão que comprimia seu consciente.... Gucky compreendeu por que Goratchim não usava sua faculdade especial.. — Droga! — resmungou Ivã. Parecia que esquecera o motivo por que tinha sido trazido àquele lugar. Goratchim! — chiou Gucky. Seus dedos crisparam-se.. Gucky fez uma tentativa desesperada de estabelecer contato telepático com Marshall. — Tentem destruí-lo! — Goratchim não consegue.. — O cristal máter. Goratchim ficou fascinado pelo estranho espetáculo. Não consigo concentrar-me. Mas não atirou.. Os movimentos dos pequenos satélites de cristal eram mais rápidos. Deve ser o centro de comando que controla todo o planeta.. De repente os três mutantes foram dominados por um tremendo ódio. — Acabe com ele. mas fazia o possível para defender-se. o mais idoso dos dois. As duas cabeças fitavam o cristal.

— Isto faz parte da cultura de um gentleman — respondeu Jumpy em tom atrevido. aliviado. que acabaram tão de repente que Gucky levou algum tempo para dar-se conta disso. Tudo desaparecera. — Estamos conseguindo. Ficaram parados. Escureceu. Até parecia uma gigantesca pedra preciosa. que já não era necessário uma vez que o sentimento de ódio desaparecera. Jumpy era seu amigo.. Talvez esteja acontecendo alguma coisa de que nem desconfiamos. — Desde quando você entende alguma coisa de pedras preciosas? — perguntou. Gucky não poderia saber que o escurecimento do cristal que acabara de notar fora causado por um estranho fenômeno hiperfísico. inclusive as dores de cabeça.. A temperatura subira a cerca de dois mil graus e os sistemas de refrigeração dos trajes de combate trabalhavam a plena potência. Andem depressa! — Está bem. Meu Deus. Parecia que estas palavras tinham chamado Ivanovitch de volta à realidade. — Os impulsos do cristal estão cada vez mais fracos — fungou Gucky. e tinha de matá-lo. Diminuiu pela metade e os impulsos hipnóticos desapareceram. O metal pingava do teto abaulado. Metade do cristal máter já fora gaseificada.. para em seguida assumir uma cor vermelho-pálida e tornar-se transparente. arrastadas pelas correntes de ar aquecido. Os veios de cristal mudaram para o rosa. Os impulsos eram nítidos e fortes. formando poças cada vez maiores. Mas por enquanto os três mutantes nem desconfiavam disto.. — O cristal sofreu uma modificação. que produzira uma modificação completa da estrutura dos grupos atômicos supradimensionais do cristal. — Até parece um rubi ou coisa que o valha — disse Jumpy. Bem devagar o cano da arma voltou a apontar na direção anterior e começou a despejar feixes de energia. — Atire no cristal. — Não sinto mais nenhuma pressão — cochichou. — Conseguimos — disse em voz alta. A rocha liquefeita formou pequenos córregos que fluíram para a extremidade do pavilhão. . — Eu não sei distingui-las. — O cristal morreu — afirmou Ivã Goratchim. As névoas agitavam-se no gigantesco pavilhão. Não pense em nada. desconfiado.. Ele sabia disso. Como estão as coisas por aí? — Nada de impulsos. E a mudança dos grupos atômicos foi acompanhada por uma alteração das energias que os mantinham ligados. Qual era o certo? — Não deixe que ele o distraia! — rugiu Ivã. Gucky lançou um olhar de espanto para o filho. estamos conseguindo! A cor do cristal mudou de novo. A visão piorara bastante.conflitantes.? Não há mais nada. irmão. onde se juntaram nas partes mais fundas. Suspenderam o fogo. mas não se exaltou. a cabeça do lado direito. Tentou estabelecer contato telepático com Marshall e espantou-se ao ver que conseguira imediatamente. O cristal máter transformara-se numa coisa bem diferente. Gucky resmungou alguma coisa. olhando espantados para o milagre. Mas também era seu inimigo. — O que é feito das dores de cabeça? Dos impulsos.. — Aí também? Para o rosa? É estranho! — Voltem. Gucky.

o grupo caminhou para o lugar em que houvera as paisagens do paraíso e o mortífero túnel de cristal. Gucky e Jumpy seguraram as mãos de Goratchim e teleportaram de volta para junto de Marshall. Não corriam nenhum perigo ao fazer isto. Acho que por lá também deve ter acontecido alguma coisa — isto se o comando foi cumprido. Enquanto se dirigiam à superfície. — Acho que já sei o que aconteceu. Rhodan olhou para o relógio. O Major Grinell ficara alguns metros para trás. Será que existe alguma ligação entre uma coisa e outra. Não acreditava que o tremendo problema tivesse sido resolvido de uma hora para outra por uma ação insignificante. passaram por um veio de cristal muito grosso. As névoas foram desaparecendo. pois não havia mais hiperimpulsos. Weissmann? — Sem dúvida. Rhodan acenou com a cabeça e seguiu seu caminho.. — Alguma novidade? — perguntou Marshall enquanto contemplava o veio de cristal. De repente arregalou os olhos. Rhodan fez um gesto afirmativo e sem dizer uma palavra voltou com os companheiros. senhor. é provável que o comando também tenha sido dirigido aos outros planetas. Um presente tão valioso que nem dá para compreender. — Estes veios eram verde-azulados — disse Marshall. — murmurou Rhodan. mas havia um bloqueio. Dr.Os mutantes lançaram mais um olhar para o cristal máter. — Tenho a impressão de que já a vi antes. — Uma delas deve ser certa. que não existia mais. — Senhor — disse a Rhodan. Marshall tentou penetrar nos pensamentos de Rhodan. — Dr. Como se trata de um hiperimpulso. que não sofrera mais nenhuma modificação. Naquele momento voltou a alcançar o grupo. calmo. Não havia mais impulsos hiperenergéticos.. o cristal máter nos fez um presente enorme. para surpresa de Rhodan. Tudo isso tinha cedido lugar a um pavilhão de pedra muito simples. Weissmann — estava dizendo Rhodan. falando devagar. Talvez encontre uma. Precisava aguardar as informações vindas dos outros destacamentos da frota que se tinham dirigido aos diversos planetas Danger. mas não . Parecia ter compreendido. Foi uma espécie de comando dirigido aos outros cristais. Rhodan parou. — Por que será que mudaram em toda parte com a simples alteração da estrutura atômica do cristal máter? — Esta cor. Enquanto Goratchim contava o que tinha acontecido. O hiperimpulso foi emitido pelo cristal máter. Se não me engano. Como era um telepata de grande experiência talvez pudesse romper o bloqueio. — Trate de encontrar uma explicação aceitável. — Há vinte minutos verificou-se a alteração do cristal máter. que brilhava num vermelho-pálido. Até funcionam muito bem. No momento não havia nada a fazer lá embaixo. Veio de Danger I e espalhou-se em todas as direções. O calor estava diminuindo e a rocha voltou a solidificar-se. — As comunicações pelo rádio com a superfície voltaram a funcionar. — Existem várias — respondeu o cientista. A estação de hiper-rádio da Crest informa que há vinte minutos foi captado um impulso muito forte. em cujas paredes se viam inúmeros veios de tonalidade vermelho-pálida. que já atravessara o lugar em que ficava a hiperbarreira.

se arriscou. Quando Rhodan protegia a mente. Mas preferiu ficar calado. Mas Gucky não. John Marshall respeitou o desejo do amigo. . Levou somente alguns segundos para descobrir o que Rhodan estava pensando. era porque não queria que ninguém conhecesse seus pensamentos.

que felizmente desapareceram. os hipnoimpulsos dos outros vinte e oito planetas Danger desapareceram. O grupo prosseguiu. Finalmente passaram por um cruzamento e atingiram o centro de comando. — Morreram há duas horas — afirmou Ornara depois de um ligeiro exame.6 No momento em que o comando do cristal máter de Danger I atravessou o espaço. Atravessou grandes pavilhões vazios e depois de algum tempo chegou ao centro de comando dos cristais. que fizera seus cálculos. uma vez que sabia que o Capitão Reinke já se encontrava mil quilômetros abaixo da superfície. Russell usou adesivos para marcar o caminho percorrido. — A natureza da alteração ainda não é conhecida — respondeu Grayhound. — Os cristais também morreram — disse Reinke e apontou para os veios avermelhados que atravessavam a parede rochosa. As instalações automáticas funcionavam perfeitamente. — Mas o senhor pode avançar até chegar ao chamado cristal máter. — Acabamos de receber ordem de suspender o ataque — informou o Coronel Grayhound. pondo fora de ação os postos de vigilância dos perlians que ainda restavam. Reduziram a velocidade pouco antes de chegar ao fundo do poço e tocaram suavemente o chão. — E faz duas horas que este mundo sofreu uma modificação. — Passaram do azul para o cor-de-rosa. — Ou de baixo para cima — opinou Ornara. — Entre regularmente em contato conosco. — Morreram e mudaram de cor. Não são mais perigosos. esperançoso. . Quando recebeu esta informação de Reginald Bell o Coronel Grayhound pediu permissão para avançar até o cristal máter de Danger XIV. mas os perlians que se encontravam em seu interior tinham sido mortos pela explosão de seus misteriosos olhos do tempo. — É um ótimo meio de transporte. — Estabelecerei contato de dez em dez minutos — prometeu Reinke. Escapara à destruição. o que deixou Grayhound bastante aliviado. O grupo avançou rapidamente. Tratase de uma esfera que deve estar em algum lugar do interior do planeta. Os comandos puderam penetrar nas entranhas do planeta sem correr qualquer perigo. É o centro de comando de todos os impulsos hiperenergéticos. se é que este existe. As comunicações de rádio com o veículo de desembarque eram perfeitas. — Aliás. Fazia trinta minutos que Reinke e os cinco oficiais que o acompanhavam tinham saltado num grande poço antigravitacional. É apenas uma suposição que Perry Rhodan gostaria de ver confirmada. os veios de cristal mudaram de cor — acrescentou. Não apresentam nenhum brilho verde. pois não queria que ficassem perdidos no labirinto dos corredores. — Nós o encontraremos — prometeu o Capitão Reinke. Até mesmo as esteiras transportadoras entravam em movimento assim que seus sensores eram ativados por um peso. Infelizmente só funciona na vertical. de cima para baixo. Os cristais já não representavam nenhum perigo. A permissão foi concedida. Seria desagradável ter de chamá-lo de volta. — São quase mil quilômetros — informou Russell.

Bell. Em seguida Bell estabeleceu contato de hiper-rádio com a Crest. o grupo caiu numa cilada que não poderia prever. para escapar à destruição completa. Mas de qualquer maneira a frota ficará onde está. Para simplificar as coisas. Este concentrou sua frota e fez sua nave-capitânia pousar junto aos edifícios. Tratava-se do elemento mais valioso que se conhecia. Esta afirmativa foi recebida com um silêncio carregado de espanto. — Volte a chamar dentro de algumas horas. imóvel. Neste instante chegou Roi Danton. vamos designar este impulso como o comando de conversão. Este sofreu a mesma transformação do outro. onde Grayhound estava à sua espera. Como lhe ocorreu essa idéia. Falou com Rhodan. — Isso mesmo — morreram — concordou um físico idoso. *** Rhodan reuniu todos os cientistas na Crest e informou-os sobre o que acontecera em Danger I. perplexo. Estava morto e já não emitia nenhum comando hiperenergético. já que todos os perlians tinham morrido. Transformou-se. Rhodan confirmou com um gesto. acompanhado por dois livres-mercadores. Ainda há comandos de vocês em Danger XIV? — Um grupo avançou até o lugar em que se encontra o cristal máter. — Vamos esclarecer isso — garantiu Rhodan. Reinke recebeu ordem de voltar à superfície. Ao menos por alguns dias. — A nova forma assumida pelos cristais não é desconhecida — exclamou Roi enquanto sentava ao lado de Rhodan. O hovalgônio era um elemento que emitia radiações na quinta dimensão. — Acho que devemos partir dos fatos conhecidos — disse. Da substância mais preciosa do Universo.. Quando o cristal máter de Danger I sofreu o bombardeio. Danton chegou a ouvir as últimas palavras do Dr. Tinham recebido permissão de entrar na nave e participar da conferência. Em seguida pediu sua opinião. O Dr. Deixara de emitir radiações. ele percebeu que os impulsos de comando hiperenergéticos não agiam com a necessária rapidez sobre os mutantes — e desistiu da luta.? — gemeu o físico. A modificação realizou-se no mesmo instante em que o comando chegou aos planetas. — Era o que eu imaginava — afirmou. — Mas a hipótese é tão fantástica que não conseguia acreditar nela. começou a falar. Esta transformação certamente verificou-se simultaneamente em toda parte. Antes disso enviou um hiperimpulso para a nuvem de Magalhães. Parara de pulsar. — Hovalgônio. Aí certamente já teremos outras informações. Sabemos que este comando foi cumprido. Weissmann. Danton? . — Aqui e em toda parte o cristal se transformou em hovalgônio puro.. Foi um impulso de comando para que os outros cristais máter passassem pela mesma transformação. Morreram. Os cristais deixaram de existir como tais. — Desta forma será mais fácil chegar a alguma conclusão. que a passou a Bell. Reinke transmitiu a informação a Grayhound. Quando se dirigia ao elevador antigravitacional. Os dois conferenciaram ligeiramente.No meio da sala estava o gigantesco cristal rosado. que acompanhara Rhodan para as profundezas do planeta. Weissmann. — No momento os planetas Danger não representam nenhum perigo.

Por que será que tudo aconteceu? Em minha opinião foi uma medida de autopreservação. Não acha isso engraçado? — Não vejo onde está a graça. se existe alguém que conhece o hovalgônio. Acontece que não sabemos quantos cristais ainda existem no espaço cósmico. Tinha medo da resposta. E não conhecemos os planos dos perlians nem sabemos como pretendem vingar-se. — Quando se verificou a transformação? — perguntou. com mais ovos do que pode gastar em toda a vida. no sistema de Roi. Rhodan voltou a dirigir-se ao Dr. — Uma porção. caso o senhor deseje. — Não faço idéia. O que representa um simples ovinho? O que foi que Rhodan encontrou depois? Uma verdadeira granja. Rhodan bem que me poderia ceder ao menos um dos planetas Danger. que ainda não parara de rir.. O que não se dirá dos depósitos existentes em todos os planetas Danger? Alguém que se encontrava mais afastado deu uma risadinha. e para evitar que isso acontecesse transformaram-se em hovalgônio. — Não é necessário discutir isto aqui — disse Rhodan.— Bem. Uma sombra parecida com a de um homem. Gucky derramava lágrimas de tanto que ria. Será que Gucky sabia uma coisa que todo mundo ignorava? As eternas insinuações. meu chapa. furioso. — respondeu Gucky. fez um gesto vago. E neste planeta foi descoberto hovalgônio. que talvez sejam dirigidos por seres inteligentes. Não se lembra de que comprei um planeta do senhor — se é que se pode dar este nome ao negócio que celebramos? Rubin. como retribuição pelos hovalfletores. Weissmann deu de ombros. que caminhava a seu lado. Não se esqueça de que os perlians estão em casa na nuvem de Magalhães. — Chegou a mais alguma conclusão? O Dr. Mas as jazidas que existem lá são uma insignificância em comparação com as quantidades encontradas em Danger I. — Esta transformação pode ser revertida? — Fisicamente não. — De qualquer maneira. — Estes problemas ainda nos causarão muitas preocupações — reconheceu Rhodan. cujo rosto até dava a impressão de que estava sentindo dores. Danton estremeceu e fitou o rato-castor. mas preferiu não fazer nenhuma pergunta. Foi muito rápido. — Mas não precisamos resolver isto hoje. ficará praticamente em família. O hovalgônio é por assim dizer o produto final de uma série de transformações. — Qual é o motivo dessa risada estúpida? — perguntou Danton. — O senhor conseguiu que Rhodan lhe cedesse um ovo. O Capitão Reinke parou e destravou a arma energética. — Que foi isso? Ornara.. *** Viram uma sombra mexer-se na luz mortiça do corredor comprido. É completamente impossível. este alguém sou eu. Já temos todas as quantidades desse elemento da quinta dimensão de que podemos precisar. Por enquanto o perigo passou. senhor. O planeta é este. olhando de soslaio para Danton. Será que foi um perlian? . Com estas palavras Rhodan deu por encerrada a conferência. Os cristais sabiam que seriam destruídos. enquanto nós só conhecemos uma pequena parte dela. Acho que existem inúmeras possibilidades de emprego. Weissmann. Era Gucky.

Sou capaz de apostar que podemos voar de novo. — Talvez. Acho que só por um acaso feliz chegaremos ao mesmo elevador pelo qual descemos. Bernot ia a seu lado. ela deveria estar aqui. Se necessário. Russell ia no fim. — Era o que eu queria saber — ouviram os outros. Ainda não parara de falar. — Estava enganado. A energia não é suficiente. Ornara parou. não é a mesma curva. Bernot examinou seu traje de combate. Russell encontrou vestígios de cola na parede. Não tinham encontrado mais nenhuma marcação. o que pode ter sido? — Não faço a mínima. Bernot! O que poderia levar estes selvagens a entrar nas catacumbas? Acho isso impossível — opinou Russell. Em compensação viam de vez em quando as misteriosas sombras bem ao longe. Examinou a parede. para evitar que fossem pegos de surpresa por alguma coisa vinda de' trás. — Não colocamos uma marcação nesta curva? — Colocamos. Russell foi para onde estava Ornara. Vamos andando devagar. mas não encontraram nenhum vestígio de cola. Logo descobriremos. os amigos que ficaram lá em cima terão de ajudar um pouco. que estava um pouco afastado dos outros. Os corredores são todos iguais. Bem que poderíamos ter trocado estes trajes. Vamos andando. O grupo voltou à curva na qual deveria estar a marcação.— Acho que não. minha gente. Bernot. O Capitão Reinke segurava frouxamente a arma energética na mão caída para baixo. Acontece que não está — Russell pigarreou. — Poderíamos — confirmou Reinke. o grupo defrontou-se de repente com uma porta metálica. . — Acho que isto explica tudo — disse em tom calmo. — Alguém se diverte arrancando os adesivos para que nos percamos. Os perlians foram mortos. Tinham certeza de que não haviam estado neste lugar. Por que fez a pergunta? — Não consigo encontrá-la. Era possível que tivessem seguido um caminho errado. quando voltou a ficar visível. — O senhor me dá vontade de rir. — Então? — perguntou Reinke em tom irônico. mexeu nos controles de seu traje de combate. — A técnica voltou a funcionar. O hiperimpulso emitido pelo cristal máter de Danger I provocou a explosão de seus olhos do tempo. — Será que mesmo sem a marcação encontraremos o caminho que leva à superfície? Russell deu de ombros. De repente tornou-se invisível. — Se tivesse um pouco mais de imaginação — disse Bernot — estaria inclinado a dizer que acabo de ver os homens-macaco que nos atacaram na mata. — Acontece que não trocamos. O grupo prosseguiu cuidadosamente. — Droga! — exclamou. — Logo. mas não posso garantir. Descobriram que a marcação que tinham visto minutos antes também desaparecera. Depois de percorrer alguns corredores compridos e vários corredores secundários. — Se não foi um perlian. Voltaram. Não custa tentar. — Se coloquei a fita adesiva nesta curva. — Nunca se sabe — disse Bernot em tom de mistério. Estava completamente curado dos ferimentos leves que sofrera. Examinaram cuidadosamente a parede.

acontece que temos problemas. — Como? — Isso mesmo. — Cortaram nossa retirada — gritou Bock. o eterno brincalhão. ao lado do qual a tripulação passeava calmamente ao ar livre. dando a impressão de que se sentia satisfeito. — Grupo Reinke falando.. — Querem que destruamos estas belas instalações. Não conseguiram abrir a porta. Outros centros de controle e trechos da superfície de Danger XIV apareceram em várias telas. De vez em quando uma pedra atravessava o ar. mas difícil de fazer. — Destrua isso com uma bomba! — recomendou Grayhound. — Regular as armas para o efeito paralisante — ordenou Reinke. — Não podemos manter ocupados todos os planetas Danger. Infelizmente o telecomunicador do sargento Flipper estava desligado. Até se via o veículo de desembarque. senhor. Era uma coisa fácil de dizer. que continuava a esfregar a canela.Não foi necessário usar violência para abrir a porta. revelando que as instalações estavam funcionando. Vocês expulsarão os macacos. bem. feche o botão de cima da jaqueta. Um zumbido enchia o ar. Nada de grave. que sabia o que tinha acontecido com os outros. Mas estes coitados continuaram invisíveis. — Se fizermos explodir uma bomba. — Estes coitados nem sabem com quem se meteram. Fica longe daqui. — Se é assim.. Não se enganara.. O argumento não deixava de ser válido. dando a impressão de que eram movidas por fantasmas. Coloque uma bomba. sargento Flipper. o que está esperando? A ligação foi interrompida. dando a impressão de que estava de férias. — Acho que não. — Ei. senhor. — Tentam de novo atacar-nos a pedradas. — Primeiro temos de fazê-los sair daqui... os telecomunicadores deram o sinal de chamada. — Atenção! — gritou Reinke de repente e deu um salto. Por que será? Não há mais perlians por aqui. Antes que Reinke pudesse dar uma resposta. — Aqui fala Grayhound. fora do alcance das armas energéticas. São ordens superiores. A não ser que o cristal máter possa ser destruído na explosão. os homens-macaco irão pelos ares — Reinke tinha suas dúvidas. — Vamos abrir a porta a tiros. Outras pedras vieram e Bock soltou um grito de dor quando uma delas o atingiu na canela. Algumas chaves mudaram de posição. Como estão as coisas aí embaixo? Ainda demorarão muito para voltar? — Acontece. — São mesmo os macacos! — gritou Bernot. Uma grande pedra passou perto de sua cabeça e bateu ruidosamente na parede. Finalmente Reinke se cansou e deu ordem para que se retirassem para o corredor. Saberemos resolvê-los. Estamos num centro de comando e. Russell. Atrás dela ficava uma sala de máquinas e um gigantesco centro de controle. zangado. pegou o telecomunicador. Alguém queria entrar em contato com o grupo. — Vou colocar as bombas — sugeriu Bernot. . — Acho que duas bastarão. — Pois é — disse Reinke.. Só podia ser o Coronel Grayhound. — Mas podem aparecer outros — Bernot desviou-se com muita habilidade de uma pedra que parecia ter vindo do nada.

Além disso alguém teve a idéia de bater com uma pedra em suas têmporas — não com muita força. Os homens-macaco carregaram-no para dentro da claridade. mas por enquanto não aconteceu nada disso. Estava deitado numa clareira. que era o conjunto distribuidor. Os blocos de máquina representavam uma boa proteção. mas suportável. avançou pelo pavilhão. Uma vez lá. Apesar das pedras que continuavam a ser arremessadas. Não viu sinal dos misteriosos atacantes. Tratava-se de uma fenda estreita entre dois geradores. curioso. Isso não podia ser mais evitado. A arma energética foi arrancada de sua mão. O que teria acontecido no pavilhão. O céu azul estendia-se acima dele. Não havia como entrar em contato com os amigos. na qual ninguém poderia enfiar a mão. estava envolto numa luminosidade vermelho-pálida saída das paredes do corredor pelo qual estava sendo carregado. Não demorou a encontrar um bom lugar para colocar as bombas. As bombas explodiriam dentro de quarenta minutos. O único ruído que se ouvia era o zumbido regular das máquinas. e atiraram-no ao chão. Cinco ou seis vultos ágeis precipitaram-se sobre ele. Bernot pegou as bombas e regulou o mecanismo de tempo para dali a uma hora. Bernot receou que a arma fosse disparar. em plena mata. Bernot chegava cada vez mais perto do núcleo do centro de comando. mas assim mesmo perdeu os sentidos por alguns minutos. vindos de trás. A porta deslizou para o lado e Bernot teve de fechar os olhos porque a claridade o deixara ofuscado. O grupo caminhou mais dez minutos e parou. O chão em que . Os homens-macaco conversavam numa língua parecida com o grasnar dos patos. Só lhe restava esperar que Reinke e seus companheiros se afastassem bastante das bombas antes que elas detonassem. de tal maneira que podia usá-la a qualquer momento. Havia uma porta metálica fechando o corredor. Quatro homenzinhos carregavam-no. O ataque veio de repente. Segurava a arma energética na mão direita. Bernot viu tudo isto abrindo cuidadosamente os olhos. As bombas! Girou ligeiramente o pulso e conseguiu olhar para o relógio. Não eram arremessadas mais pedras.. Um homem segurava a arma energética e mexia nela.. A temperatura era elevada. Devia ser o suficiente para se afastarem da área de perigo. segurando-lhe as mãos e os pés. Até soprava uma brisa ligeira. Quando acordou. Estava sem o capacete protetor e não tinha possibilidade de pôr as mãos no intercomunicador.Bernot pegou duas granadas atômicas do tamanho de um punho humano que se encontravam na bolsa que trazia a tiracolo. Bastava o peso dos seres que estavam deitados em cima dele para pô-lo fora de ação. Bernot deixou cair as bombas e tratou de voltar. O espanto tremendo que sentiu quase o deixou paralisado. certificou-se de que estava só. Um grupo seguia na frente. A segurança com que caminhavam pelo labirinto subterrâneo seria inexplicável se não tivessem estado ali antes. Virou a cabeça. Mas não conseguiu evitar a impressão de que eles não eram tão selvagens como ele e seus companheiros tinham acreditado. enquanto outro formava a retaguarda. da qual Bernot naturalmente não entendeu uma única palavra. Alguém pôs-se a mexer nela. Colocaram-no no chão e Bernot voltou a abrir os olhos.

Estou sentado num reator e não deixo que ninguém chegue perto de mim. Foi a primeira idéia que lhe ocorreu. Bernot ouviu tiros e gritos. Acha que devo avisar Grayhound? — Acho. Como se explicava que os nativos o tivessem levado à superfície tão depressa? Pelo seu relógio. Antes que tivesse tempo de refletir sobre isso. Falavam em voz baixa. Mas finalmente a voz de Russell respondeu. Era o mesmo ruído que ouvira lá embaixo. — Estou numa fria. — Bernot falando. como esperara. Mas de repente teve uma dúvida. que não podia ser causado pelos inúmeros insetos. o céu. Tirou um filtro do bolso de seu traje de combate e encostou-o aos olhos. contemplaram-no demoradamente — e afastaram-se. Levaram-me à superfície e largaram-me na mata. Bernot ia prestar atenção à conversa. A porta metálica fechou-se atrás deles. Mais tarde cuidaremos dos outros. Como farei para sair daqui? — Abra caminho a tiro. Já não compreendia mais nada. Mas o céu era limpo demais para ser real. Deu-se conta de que a situação era algo mais que simplesmente irreal. Quando vai explodir a bomba? — Pelo amor de Deus. Não era uma miragem. Os outros foram subjugados e levados daqui. Tratava-se mesmo de uma árvore. Não se tratava de um sol. Talvez deixassem que fosse devorado por uma centopéia. dando a impressão de que tinham medo de alguma coisa. Russell não se encontrava embaixo dele. O chão macio em que estava deitado tremia e vibrava ligeiramente.fora depositado era macio e um pouco úmido. Tentou descobrir o sol. Queriam sacrificá-lo aos seus deuses. — Onde se meteu. quando há pouco ainda tinham estado no labirinto? Bernot olhou para o relógio e ligou o telecomunicador. A mata era irreal. . Contemplou as árvores e até chegou a tocar em uma delas. Será que ainda havia alguma coisa que era real? Como era possível que tivessem chegado a uma mata simplesmente atravessando uma porta. fazia exatamente trinta e cinco minutos que caíra prisioneiro. Era um tempo muito curto para subir mais de mil quilômetros. Bernot? Sofremos um ataque. perto do centro de comando. mas acho que há algum truque nisso. Quando determinou a posição. não estava sofrendo uma alucinação. capitão? Por algum tempo não se ouviu nada. até mesmo num elevador antigravitacional. monstros não deviam faltar neste mundo. produzindo um baque surdo. Saia daí e permaneça em contato comigo. Dê o fora daí! Será daqui a dez minutos. Teve de caminhar um pedaço junto à mata para vê-lo. afinal. Pôde acompanhar a tentativa de fuga de Russell pelo goniômetro. enchia o ar. Russell. Bernot levantou devagar. mas de uma lâmpada muito forte. O sol brilhava através das copas das árvores. Além disso Bernot não notara nenhum sinal de ter passado por um destes elevadores. Bernot já podia imaginar qual era a intenção dos homens-macaco. O senhor me ouve. Os nativos — pelo menos Bernot pensava que os homens-macaco o fossem — tinham-se afastado e pareciam discutir um assunto. Viu perfeitamente o sol. Tentarei abrir passagem. os nativos vieram para perto dele. ou por outro monstro. levou um tremendo susto. mas de repente teve a atenção distraída por outra coisa. mas na mesma altura. Um zumbido quase imperceptível.

Mal esta se fechou. Criaram um mundo artificial para eles aqui embaixo. Ornara. Russell já conseguira chegar ao corredor. — Enviarei um comando. atravessado por veios de cristal. Ouviu-se o ruído de árvores quebrando. Reinke.mas este solo deixara de existir. — Quer dizer que devem conhecer o mundo subterrâneo há muito tempo — concluiu. A julgar pelos resultados da goniometria. Não havia dúvida de que as árvores eram reais. Bernot levantou os olhos e viu algumas faixas rosadas no céu. Estava completamente escuro. Black e Bock não estavam armados. Ainda não fora possível estabelecer contato com Reinke e os outros. imóveis.. Bernot escondeu-se atrás de uma árvore. destruindo a aparelhagem que gerava a projeção de um paraíso silvestre criada para os homens da . Seus dedos tocaram uma rocha lisa e firme.. senhor — respondeu Reinke. Os homens perderam o apoio dos pés e caíram violentamente. sem se importar com a direção. Bernot voltou para junto dos outros. — Está bem. — Por que fomos trazidos para cá? Bernot explicou. Qual seria a distância do centro de comando. Em seguida Reinke entrou em contato com o Coronel Grayhound. perplexos.? Bernot correu para a porta. As gramíneas que brotavam do chão úmido tinham mudado ligeiramente de cor nas pontas. que o fitaram estupefatos. desde que acreditem estarem bastante longe do lugar da explosão para não correrem nenhum perigo. mas um teto de rocha bem alto. Ficava numa caverna. Outro abalo atravessou o solo à maneira de um terremoto. mas em seguida ficou tudo em silêncio. Podemos dar-nos por satisfeitos por não nos terem matado imediatamente.. Faltavam cinco minutos para a explosão. De repente a porta abriu-se. Os nativos trouxeram os quatro prisioneiros ao paraíso silvestre e colocaram-nos na clareira. O que havia em cima deles já não era um céu. Neste instante Russell chegou.. como acontecia na superfície. — Daqui em diante o senhor vai transmitir sinais goniométricos — ordenou o Coronel Grayhound em tom enérgico.. As bombas colocadas no centro de comando tinham explodido. mil quilômetros abaixo da superfície. Bernot deu uma volta para examinar a mata. Ficaram deitados. Olharam em volta. . De repente parecia haver certo alívio em seus rostos. — Já não compreendo mais nada — disse Reinke enquanto se erguia. De repente o sol apagou-se e o chão em que pisavam sofreu um forte solavanco. Saiu correndo. Os nativos conferenciavam e acabaram saindo pela porta.O paraíso silvestre não passava de um quadro muito bem montado. Indicaram-lhe a direção. Esqueceu que pretendera avisar Grayhound. — Talvez vivessem aqui como escravos dos perlians.. Bernot quis agarrar o solo da floresta com os dedos. Enquanto Reinke falava pelo rádio. Certamente acreditavam que estivessem na superfície. pois suas armas energéticas estavam apontadas para eles. Uma brisa fresca passou por ele. Bernot saltou de trás da árvore que lhe servira de esconderijo e correu para junto dos companheiros. mas por mais que se esforçasse não conseguiu abri-la. devia estar bem perto. Não conseguiu dizer mais nada.

que já chegara ao nível de mil quilômetros abaixo da superfície. — Fizemos o que era certo.floresta no interior da caverna subterrânea. Quando avistou o céu azul e o sol no poente. Talvez acabem se encontrando. Não nos trataram mal. Sentiu um movimento perto dele. onde não podia ser afetado pela pressão provocada pelo deslocamento do ar.? — Sim. e um teto abaulado atravessado pelo veios de cristal. Bernot teve certeza de que ambos eram reais. — O perigo passou. Subiram pelo elevador antigravitacional. Talvez acreditassem que era verdadeiro. Não foi nada fácil abrir a porta de metal maciço sem as armas energéticas. Seus olhos habituaram-se à penumbra. Só sei que eram diferentes dos nativos que Bernot e seus companheiros encontraram na mata. que surgira num lugar em que pouco antes tudo era escuridão. Fazia pouco tempo que Russell voltara a chamar. onde devem ter sido atingidos pela explosão. Bernot protestou. O gigantesco pavilhão cheio de máquinas transformara-se num caos. — Capitão. Estavam todos bem. A única coisa que viu foi uma árvore nua num chão liso. Se algum deles conseguira escapar. Levaram-nos ao lugar que para eles devia ser o mais bonito deste mundo — ao seu paraíso aparente. O grupo estabeleceu contato com o comando. Foi atirado ao chão. — Tentaremos encontrar o caminho — acrescentou. Felizmente havia ferramentas especiais guardadas nos bolsos dos trajes de combate. na superfície do planeta. Como pudemos deixar-nos enganar por um grupo de nativos? — disse Reinke. A onda de explosão viera atingi-lo num corredor lateral. É possível que nunca saibamos o que faziam aqui embaixo e quais as tarefas que lhes tinham sido atribuídas pelos cristais e pelos perlians. Tinham resistido perfeitamente à explosão. — O Coronel Grayhound quer que o senhor lhe forneça um relato minucioso. — E os anões da floresta que os prenderam? — Receio que tenham voltado ao centro de comando. Reinke transmitiu a informação a Grayhound. Tudo em ordem? Os outros também foram se apresentando. Nada mais. — Pode recebê-lo — resmungou Reinke. pôs-se de pé e prosseguiu em sua caminhada. Finalmente encontraram-se nas proximidades do centro de comando. Recebia a direção pelo telecomunicador. Mas havia uma coisa que Bernot não compreendia. — O comando já saiu. — Por aqui não podemos fazer mais nada — opinou o chefe do comando.. — Muito bem. não era possível encontrá-lo. Assim que se recuperou do susto. Os sinais goniométricos ajudaram os dois grupos a aproximar-se.. nada alegre. Consegue abrir a porta? — Vamos tentar. . Os homens da floresta pareciam ter sido vitimados pela catástrofe. mas apesar disso demorou quase trinta minutos até que os homens conseguissem chegar ao corredor. embora pudessem ter-nos matado se quisessem. Como se explicava que as projeções fossem tão parecidas com a realidade — tão parecidas que ouvira o estrondo das árvores caindo? Acontecia que as árvores não existiam mais. mas suspirou aliviado quando se encontrou com os outros. — Nunca me conformei.

Danton. Às vezes se faz de cortesão francês. — Já estive mais de uma vez em sua nave. — Isso não acontece somente com o senhor — interrompeu Danton. Seu comandante. — Aprecio a honra.. A expressão de seu rosto não era nada pacata. o fornecimento não deverá representar nenhum problema. Danton. Qual é mesmo sua verdadeira personalidade? — Sou Roi Danton. outras vezes age como um homem completamente normal. — Será que foi este ratinho-castor atrevido? — Ninguém disse. . enquanto meus pensamentos estão num lugar bem diferente. — Entregou.7 A Crest continuava a dar voltas em torno do planeta Danger I. Onde está Oro? Gucky olhou fixamente para a parede. furioso. Vira Gucky materializar no camarote de Rhodan. rei dos livres-mercadores — respondeu Danton. Pardon. Foi por isso que enviei o convite. meu caro. Em seguida sorriu com uma expressão irônica. meu chapa. Mas de repente estremeceu. de forma alguma tenho esta intenção. onde estava sendo realizada a reunião. voltara a procurar Rhodan para discutir a respeito do fornecimento de mais um lote de capacetes hovalfletores. a Francis Drake permaneceu perto da Crest. — Acho que não tenho alternativa — suspirou Rhodan. — Mas nunca esteve na piscina — interrompeu Danton. — Acha que estou aposentado. também quero dar uma resposta direta. — Portanto. mas não sei por que a piscina da Francis Drake é melhor que a da Crest. Roi compreendeu que o telepata voltara a bisbilhotar os pensamentos dos outros. Isso não é para qualquer um. A operação estava praticamente concluída. As outras unidades da força-tarefa de Rhodan também mantiveram suas posições. Um convite destes representa uma grande honra. Mas até mesmo um cego é capaz de ver que o senhor está desempenhando um papel.. Como de costume. Posso perfeitamente conversar com alguém. grandseigneur — é claro que só ficarei se o senhor permitir. — Oro entregou o convite? Gucky sentou. Tinha certeza de que ainda precisariam muito deste tipo de proteção. — Um convite para conhecer a piscina da Francis Drake. que já se recuperara da surpresa.. Não. Mas não sei se devo aceitá-lo. Atlan e Bell tinham enviado notícias tranqüilizadoras. orgulhoso. O perigo representado pelos hipnocristais ainda não fora afastado de vez. — A propósito.. — Quer dizer que sou um ratinho-castor atrevido? — perguntou. somente porque me mandou Oro Masut para distrair-me? Pois está muito enganado.. nobre herdeiro da Via Láctea. — O senhor é uma pessoa estranha.. o misterioso Roi Danton. — O senhor terá oportunidade de verificar. apoiando os braços nos quadris. Quando vai deixar cair a máscara? — Quem disse que uso uma? — Danton inclinou ligeiramente o corpo. — O senhor sempre está por perto — disse Rhodan em tom irônico. Ou será que pretende afastar-se de mim? — Já que me faz uma pergunta direta.

Quando chegaram à cúpula. O gigantesco guarda pessoal de Danton exigira que isso fosse feito. — Se fosse o senhor.— Oro vem vindo para cá. O primeiro a apresentar suas teorias e tentar prová-las foi o Dr. — E isso apesar de o senhor hoje não ter colocado perfume. Já tirara o uniforme e colocara o short. que já estava suficientemente treinado para ler os pensamentos de Oro Masut apesar do desconjuntor de impulsos. — Caminhar estimula a circulação — respondeu Masut em tom bonachão. Gucky fez que sim. — Deixou-se guiar pelo instinto. enquanto Rhodan dava permissão ao oficial para mandar entrar o visitante. É capaz de cheirar o amo a quinhentos metros — Gucky farejou o ar. afastaria esses pensamentos indecentes que tem na cabeça — recomendou Gucky. que se dirigia à cúpula-observatório. Danton ficou sentado perto de Rhodan. Em seguida retirou-se juntamente com Gucky. Rhodan sorriu e levantou os olhos ao ouvir alguém bater à porta. De vez em quando chegavam relatórios dos diversos destacamentos da frota. *** Rhodan pediu que Danton o acompanhasse à conferência dos cientistas que seria realizada na cantina. de onde podiam teleportar-se para a Drake. Caminhava balançando sobre as perninhas curtas e reclamando constantemente. — A natação também lhe fará muito bem. Ainda mais quando se pode teleportar. — Entregar-lhe-ei os dois sãos e salvos. — Pois então! — Gucky levantou. — Uma vestimenta bem esquisita. Dali a instantes o ertrusiano entrou. senhor. — Não demorem muito. sim — confirmou Gucky. — Ainda preciso discutir um assunto com Danton — Rhodan olhou para o relógio. Mas também sobre este ponto o Dr. — Ninguém vai fazer nada ao seu amo. em silêncio. para esclarecer as últimas dúvidas. Já não havia a menor dúvida de que o cristal máter de Danger I realmente fora o órgão central do sistema. Os dois foram encontrar Jumpy. — Vai aceitar o convite? — perguntou Masut sem rebuços. — É ele. . Um jovem oficial entrou e disse que alguém queria falar com os companheiros. fixaram a Drake e teleportaram. um sujeito enorme que não pertencia à tripulação da Crest. Olhou em volta e viu que estava tudo em ordem. Afinal. — Já descobri meu short. Pediu permissão para sentar. seu guarda pessoal tem bom faro. — Só pode ser Oro — conjeturou Danton. — Gostaria de saber quem inventou a teoria idiota de que os pés foram feitos para andar. Finalmente saltou nos ombros de Masut para que este o carregasse. Oro Masut também levantou. O rosto de Danton assumiu uma expressão indignada. Weissmann. Jumpy fora muito precipitado. Weissmann tinha sua própria opinião. Teve de encolher-se para não bater com a cabeça. se me permitem. — Só se Jumpy também puder ir. — Já está pegando o short — informou Masut em tom sério. Defendeu apaixonadamente a tese de que o perigo dos cristais praticamente tinham desaparecido. sem participar da discussão. Eram quase sempre a mesma coisa.

Foram todos mortos pela explosão de seus olhos do tempo. Mal fechou a porta. Mas. — É muita gentileza de sua parte. não é mesmo? — Talvez seja isso mesmo — Danton ficou escutando mais algum tempo. Trazia o uniforme dobrado embaixo do braço e vestia um short encharcado. — Faço o possível — confessou Rhodan e atribuiu o aperto de mão de Danton com uma cordialidade fora do comum. — Que piscina. Ao emitir o comando de conversão. — Será que isso ainda importa. — Acho que não demoraremos a encontrar-nos de novo — e espero que nos entendamos cada vez melhor. Irei com o senhor. o cristal máter proferiu uma sentença de morte dos perlians. Weissmann. — Um momento. O Professor Artnor ergueu o sobrecenho. senhor — disse Danton ao chegar à portinhola do pequeno barco espacial. Qualquer cristal que se encontrasse numa situação de perigo poderia expedir o comando para a conversão. — Mas os fatos permitem outra conclusão: a de que os perlians estavam irremediavelmente à mercê dos cristais. Fazem parte de um grande jogo. Seu rosto matreiro abria-se num largo sorriso.. Gucky materializou.— Acho que posso afirmar que não é isso. embora às vezes o incomodasse. Rhodan voltou ao camarote. — Sempre fico contente quando sou tratado como um visitante bem-vindo — nem que seja na hora da despedida. que por pouco não voltou a assumir o papel de cortesão da França antiga. Danton. Os dois levantaram e saíram. — Será uma honra — respondeu Danton e entrou no veículo espacial que o levaria à Drake. A cirurgia plástica da idade cósmica realizava verdadeiros milagres. para que somente Rhodan ouvisse: — Sobre os novos hovalfletores discutiremos oportunamente. Quem nos garante que não existem outros planetas Danger na nuvem de Magalhães. Mas no último instante lembrou-se do papel que estava desempenhando. Permite que me retire? — Não quero ser indelicado — retrucou Rhodan em tom sarcástico. é apenas uma opinião. minha gente! . Finalmente disse em voz baixa.. Danton. No hangar apertaram-se as mãos — pai e filho. aconteceram duas coisas. — Dentro em breve lhe farei uma visita na Drake. embora já tenha manifestado a mesma opinião. Acho que posso contar com sua compreensão. Pelo menos até o hangar. — Mas não me zangarei nem um pouco. grandseigneur — disse Danton. O rosto de Danton abriu-se num sorriso ligeiro. molhado como estava. embora o pai não soubesse disso. Perdoe as esquisitices que às vezes costumo exibir. — Isso mesmo! — concordou o Dr. como já disse. — Era só o que faltava! — fungou. — Ainda nos veremos. Todo homem tem seu grande jogo. senhores. — Passe bem. além dos que conhecemos? Neste caso nossas experiências poderiam ajudar-nos. — Além disso. Mas era possível que isto também fizesse parte do jogo. Gostava deste homem misterioso até o fundo da alma. senhor? — Importa muito. Hoje tenho certeza de que o processo de conversão poderia ter sido iniciado em qualquer um dos planetas Danger. Nunca poderemos provar que realmente é assim. Os outros costumam dizer que é sua vida. Danton cutucou Rhodan. Primeiro. Num gesto eufórico atirou o uniforme na cama de Rhodan e sentou na poltrona mais próxima.

no qual se entra por uma eclusa de ar. Ficava suspenso na sala. com a voz estridente se atropelando. com ou sem gravitação. . De repente vimo-nos num gigantesco pavilhão cheio de água. mas logo se calou ao ver o olhar zangado de Gucky. Preciso contar. — Cale a boca! — ordenou Gucky em tom enérgico. Jumpy não tinha mais nada a fazer. podemos desligar a gravitação artificial. você não pode deixar de visitar o tio Oro — exclamou Jumpy. alegre. Oro e eu mudamos de roupa. onde estava protegido. A piscina forma um recinto hermeticamente fechado. voltava-se a saltar na água — para a direita. embora eu saiba contar muito melhor. Como fizeram para respirar? — É aí que está o fantástico. pois já havia colocado o short. Bastava nadar para o lugar certo. nervoso.Antes que Rhodan pudesse dar uma resposta. A sala estava envolta em campos antigravitacionais. — Sei contar muito melhor que você. — O que acontecerá depois? A água se distribuirá uniformemente em toda a nave. Gostaria de ver alguém nadar no seco. — Se alguém vai contar alguma coisa. que era renovado constantemente. Você não entende os detalhes técnicos — Gucky voltou a dirigir-se a Rhodan. — Acham que a da Crest não serve? — Serve. A água não pesava nada. — Faz questão de contar a história. Rhodan sentou na cama. — Tudo isso por causa de uma piscina? — espantou-se. e deixou-se cair na outra poltrona. para ficar dentro de uma das bolhas. Na Drake as coisas são diferentes. mas eu me tinha esquecido. — Eu quero contar! — exclamou Jumpy. Também trajava um short molhado e parecia radiante. abrindo os braços e as pernas como quem salta de um trampolim de dez metros. tal qual nós que tomávamos banho nela. Jumpy entrou em cena. Oro pedira que prendêssemos a respiração. para cima ou para baixo. — Mas não é tão boa como a da Drake. em forma de gigantescas bolhas. — Bum — saltar para dentro do caldo! — comandou. — Interessante. para a esquerda. enquanto Rhodan ouvia com muita atenção. Que acha que aconteceu depois disso? — O que foi? — Eu quero contar! — berrou Jumpy. — Na verdade. Instalaram um equipamento antigravitacional de tipo especial. não aconteceu nada — prosseguiu Gucky.. sou eu. — Isso você já disse. — Sim. — Poderiam ter a gentileza de explicar o que significa isso? — Tio Perry. Ali se ficava o tempo que se quisesse.. Depois de encher os pulmões. — O que é isso? Se quiser.. que se enchera de água. mas também é um bom sujeito. Mas a água não enchia completamente a sala. Ainda havia lugar para o ar. Voltamos a encontrar-nos na eclusa. furioso. E não pesávamos mais nada. fomos recebidos com muita gentileza. diretamente ligadas à eclusa de ar. — Quando entramos na Drake. — É um grandalhão. — Uma portinhola abriu-se depois que quase tínhamos morrido afogados na eclusa de ar. Um dos encarregados da piscina levou-nos às cabines-vestiário.. ele já disse — interrompeu Jumpy com a voz estridente. sim — suspirou Gucky em tom resignado. entusiasmado. A água estava em toda parte. e não pesava nada. Rhodan tratou de proteger-se contra os esguichos de água. Rhodan levantou as sobrancelhas. Certamente tivera uma experiência muito agradável.

não para ouvir suas explicações fantásticas. pode-se dizer que a sala estava cheia de ar. Meu camarote transformou-se numa piscina. — Vamos pensar no assunto. tio Perry. Não levem a mal. “Até que é uma boa idéia. O amável convite deixou Jumpy tão surpreso que levou alguns segundos para começar a falar. Em seguida segurou a mão do filho e teleportou. Voava-se de uma ilha aquática para outra. senhores. no qual estavam suspensas gigantescas bolhas de água.. mas peço que se retirem. É isto! — Mas. mas esquecemos as coisas mais óbvias para tornar a vida mais agradável. Está na quinta dimensão. indignado. especialmente da parte dos mutantes. — Acho que o senhor está indo muito longe. Rhodan não estava prestando muita atenção. Weissman em tom apaixonado — que a questão do hovalgônio está esclarecida. Não preciso de uma piscina antigravitacional. E em seguida voava-se de uma ilha aérea para outra. Estava perplexo. — Basta dizer que um teleportador se desloca num espaço que não conhecemos. — Vocês certamente querem que na Crest também seja instalada uma piscina antigravitacional. — Foi uma exposição bem elucidativa — confessou Rhodan em tom amável.Gucky acenou calmamente com a cabeça e recostou-se na poltrona. — Para simplificar. É da quinta dimensão. Bem que deveria fazer-lhes a vontade. para respirar. mas é formidável. — Gostaria de saber o que estes dois teriam de fazer para a gente se zangar de verdade com eles — o Administrador-Geral levantou e saiu do camarote. Rhodan suspirou.” Rhodan levantou. O que é que os mutantes têm a ver com a quinta dimensão? — Muita coisa! — apaixonou-se o Dr. mas também o tempo. Criamos condições técnicas que nos permitem conquistar o Universo. . Rhodan sorriu. Teve a impressão de que os presentes estavam tão exaltados que nem notaram sua presença. E supera não somente o espaço. Atravessou o corredor e usou o elevador para chegar à cantina. irritado. Deleitou-se com o sentimento de finalmente ter tempo para alguma coisa. Quando voltou a ficar só. Aí deve estar a resposta às suas perguntas. — Faça-me o favor — objetou o Professor Artnor. doutor. pensou. Rhodan ouviu distraído. — Queremos — limitou-se Jumpy a responder.. — Muito bem. Pode contar. — Desde quando lê pensamentos? — espantou-se. “Uma piscina antigravitacional”. Viemos para discutir objetivamente os assuntos científicos. Entrou sem fazer barulho e ocupou seu lugar. — Pois eu acho — disse o Dr. É simples. para nadar. Os rostos de Gucky e Jumpy — quanta alegria. onde os cientistas ainda estavam discutindo. Parecia que Gucky e Jumpy nem tinham notado o que haviam aprontado na hora do entusiasmo. Gucky fitou Rhodan. Havia alguma semelhança com o estranho elemento. — Mandarei um robô faxineiro — prometeu Gucky. Weissmann.

O cientista só prosseguiu depois que a porta se fechara de novo. Weissmann interrompeu sua exposição.. Mas vou conseguir. — De qualquer maneira — disse Jumpy. O rosto de Gucky abriu-se num largo sorriso. — Acho suas opiniões muito interessantes. logo. Enquanto isso os dois ratos-castores estavam sentados em seu camarote.. Quem sabe se não podem fazer um resumo — depois que estiverem de acordo? — Pois não. senhor — o Dr. — Conforme já ressaltei. garotinho. o Dr. senhores. alegre. senhores. O cientista inspirou profundamente. senhor? Rhodan sorriu. — Logo. — Vai deixar-nos. Sei uma coisa que ele não quer que os outros saibam. — É estranho. O Administrador-Geral não costuma sair no meio de uma conferência. — Você é um gênio. medroso.. — Mas tomara que o tio Perry não resolva visitar a Drake antes da hora — piou. Captei seus pensamentos. — Você acha que Oro guardará segredo? — Primeiro tenho de convencer o tio Danton a guardar segredo. — Mas o quê? Jumpy engoliu o resto do delicioso alimento e recostou-se.. Weissmann seguiu Rhodan com os olhos. — Traga três garrafas de suco de uva — disse com a voz cansada. *** ** * . pensativo — seria lamentável se o tio Perry descobrisse que a piscina antigravitacional da Drake só existe em nossa imaginação. — Logo será diferente — gritou Gucky. Weissmann nem notara que Rhodan se retirara e voltara durante a conferência. Sua mente está ocupada com isso.O Dr. para não perdermos nenhum detalhe. deliciandose com um mingau de cenouras. Tio Perry mandará destruir a piscina antigravitacional. Este sorriu enquanto se retirava. Tal qual os outros. Sugiro que voltemos a discutir tudo desde o princípio. Mas. papai.. — Conseguimos.. ainda há muitas questões em aberto... O Professor Artnor suspirou e fez sinal para que o barman se aproximasse.

Ou será que ainda existem outros fatores de risco. o cristal máter irradiou um impulso que fez com que os hipnocristais modificassem sua estrutura. que traz o título Incidente no Setor Tiger.perry-rhodan.br ..Quando os comandos terranos tomaram de assalto os planetas Danger. Visite o Site Oficial Perry Rhodan: www..com. Desta forma as concentrações de cristal existentes em Magalhães já não representam nenhum perigo.? Leia sobre isso no próximo volume da série.

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