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ciência

thomas s. kuhn A ESTRUTURA D A S REVOLUÇÕES CIENTÍFICAS

thomas s. kuhn A ESTRUTURA D A S REVOLUÇÕES CIENTÍFICAS

Coleção Dirigida

Debates por J. Guinsburg

Equipe Garcia.

de

realização: Kyoto

Tradução: Miyashiro;

Beatriz

Vianna

Boeira e W.

Nelson

Boeira; Adriana

Revisão:

Alice

Produção:

Ricardo

Neves e

Título

do

original

inglês:

The

Structure
©

of Scientific
1962, 1970 by

Revolutions
The University of Chicago

Copyright

5*

edição

Direitos Av.

reservados em

língua S.

portuguesa à A. 3025

E D I T O R A

PERSPECTIVA

Brigadeiro Luís Antônio, (011) 885-8388 885-6878

01401-000 - São Telefone: Fax: 1998 (011)

P a u l o — SP — Brasil

SUMARIO Prefácio Introdução: Um Papel para a História 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 9 19

A R o t a para a Ciência Normal 29 A Natureza da Ciência Normal 43 A Ciência Normal c o m o Resolução de Q u e bra-Cabeças 57 A Prioridade dos Paradigmas 67 A Anomalia e a Emergência das Descobertas Científicas 77 As Crises e a Emergência das Teorias Científicas 93 A Resposta à Crise 107

Os paradigmas e a estrutura da comunidade 2. A natureza da ciência 125 145 173 183 201 217 219 225 232 237 244 251 254 . incomensurabilidade e revoluções 6. 12. 9. Revoluções e relativismo 7. Os paradigmas como exemplos compartilhados 4. A Natureza e a Necessidade das Revoluções Científicas As Revoluções C o m o Mudanças de Concepção de Mundo A Invisibilidade das Revoluções A Resolução de Revoluções O Progresso através de Revoluções Posfácio — 1 9 6 9 : 1. Os paradigmas como a constelação dos compromissos de grupo 3. Conhecimento tácito e intuição 5. Exemplares. 10.g. 11.

c i e n t i s t a s . que a p r e s e n t a v a a c i ê n c i a física p a r a o s n a o . Naquele tempo eu era um estud a n t e de pós-graduação em Física Teórica tendo já e m vista m i n h a dissertação. esta exposição a t e o r i a s e p r á t i c a s científicas a n t i q u a d a s m i n o u r a d i c a l mente algumas das minhas concepções básicas a respeito da natureza da ciência e das razões de seu sucesso i n c o m u m . P a r a m i n h a c o m p l e t a surpresa. p r o p o r c i o n o u .m e a primeira exposição à História da Ciência.PREFACIO O ensaio a seguir é o p r i m e i r o relatório c o m p l e t o publicado sobre um projeto concebido originalmente há quase quinze anos. U m envolvimento afortun a d o com um curso experimental da universidade. .

este ensaio é a primeira de minhas publicações na qual essas preocupações iniciais s ã o d o m i n a n t e s . . esse g r u p o mostrou o q u e era pensar cientificamente. Mais c l a r a m e n t e d o q u e m u i t o s o u t r o s e r u d i t o s r e c e n t e s . E m p a r t e e s t e e n s a i o é u m a tentativa de explicar a m i m m e s m o e a amigos c o m o me aconteceu ter sido lançado da ciência p a r a a sua história.E u retirara essas concepções e m p a r t e d o p r ó p r i o treino científico e em p a r t e de um antigo interesse r e creativo n a Filosofia d a Ciência. essas noções foram e são f u n d a m e n t a i s p a r a m u i t a s discussões científicas. Etudes Galilérnnes ( 3 v . M i n h a primeira oportunidade de aprofundar algum a s d a s idéias expostas a seguir foi-me proporcionada por três anos c o m o Júnior Fellow da Society of F e l l o w s d a U n i v e r s i d a d e d e H a r v a r d . t r a d u ç ã o d e K a t e L o e w e n b e r g ( N o v a Y o r k . A N N E L I E S E M A I E R . Exerceram influência especial: ALEXANDRE K O Y R É . O resultado foi u m a m u d a n ç a d r á s t i c a n o s m e u s p l a n o s p r o f i s s i o nais. E m b o ra eu questione cada vez mais algumas de suas interpretações históricas particulares. H Ê L E N E M E T Z G E R . 1 9 3 9 ) . 1 9 3 0 ) . É M I L E M E Y E R S O N . Die Vorlãr/er G ali leis tm 14. Boerhaave et la doctrlne chimlque ( P a r i s . 1 9 4 9 ) . 1923). ldentity and Reality. quaisquer q u e fossem sua utilidade pedagógica e sua plausibilidade abstrata. Hélène Metzger e Anneliese Maier. Slahl. u m a m u d a n ç a da Física p a r a a História da Ciência e a partir daí. n u m a é p o c a e m q u e o s c â n o n e s d o p e n s a m e n t o científico e r a m m u i t o diferentes dos atualmente e m voga. E m vista disso parecia valer a p e n a perseguir detalhadam e n t e suas carências de verossimilhança. g r a d u a l m e n t e . P a r i s . . Jahrhundert ( " S t u d i e n zur N a t u r p h i l o s o p h i e der Spãtscholastik". R o m a . tais n o ç õ e s n ã o s e a d a p t a v a m à s exigências d o e m p r e e n d i m e n t o a p r e s e n t a d o pelo estudo histórico. D e a l g u m a m a n e i r a . a transição para um novo c a m p o de e s t u d o s t e r i a s i d o b e m m a i s difícil e p o d e r i a n ã o s e t e r r e a l i z a d o . Continuei a estudar especialmente os escritos de Alexandre Koyré e encontrei pela primeira vez os de É m i le Meyerson. C o m exceção de alguns artigos. Les dactrines chimiaues en France du début du XVII* à la fin du XVIII* siècle (Paris. S e m esse p e r í o do de liberdade. seus trabalhos. de p r o b l e m a s históricos relativamente simples às p r e o c u p a ç õ e s mais filosóficas q u e i n i c i a l m e n t e m e h a v i a m l e v a d o à H i s t ó r i a . T o d a v i a . junta1 1 . 1 9 3 0 ) . e Newton. P a r t e d o m e u t e m p o d u r a n t e esses a n o s foi d e v o t a d a à H i s t ó r i a d a C i ê n c i a p r o p r i a m e n t e d i t a .

4 6 . V. r e i m p r e s s o n a s u a o b r a From a Logical Point of Vieiv ( C a m b r i d g e . O. Quine apresentou suas conc e p ç õ e s e m " T w o D o g m a s o f E m p i r i c i s m " . W h o r f a c e r c a d o efeito d a l i n g u a g e m s o b r e a s c o n c e p ções de m u n d o . 3 . fez-me c o m p r e e n d e r q u e essas idéias p o d i a m necessitar d e u m a colocação n o âmbito d a Sociologia d a C o m u n i d a d e Científica. 1946). . Sutton. Thought and Reality -— Selected Writings of Beniamin Lee Whorf ( N o v a Y o r k . Durante meu último ano como Júnior Fellow. encontrada ao acaso.m e n t e c o m o Great Chain of Being de A. 1 9 3 0 ) e L. m u i t o d o m e u t e m p o d u r a n t e esses a n o s foi g a s t o e x p l o r a n d o c a m p o s s e m r e l a ç ã o a p a r e n t e c o m a História da Ciência. juntamente com u m a observação de o u t r o Júnior Fellow. um ensaio q u e antecipa muitas de minhas próprias idéias. M a s s . W. um c o n v i t e p a r a fazer c o n f e r ê n c i a s p a r a o L o w e l l I n s t i t u te de Boston proporcionou-me a primeira oportunida2 3 2. m a s nos quais a pesquisa atual revela p r o b l e m a s similares aos q u e a História vinha trazendo à minha atenção. foram decisivos na formação de m i n h a concepção do q u e p o d e ser a h i s t ó r i a d a s i d é i a s científicas. D e s d e então o s escritos d e W h o r f foram reunidos por J O H N B . 1 9 5 3 ) p p . Quine franqueou-me o acess o a o s q u e b r a . 1956). A p e n a s através dela eu poderia ter e n c o n t r a d o a monografia quase desconhecida de L u d w i k F l e c k .m e ler t e x t o s d e P s i cologia da P e r c e p ç ã o e em especial os psicólogos da Gestalt. Francis X. U m c o l e g a f e z . L o v e j o y .es notions de mouvement et de vitesse chez Venfant (Paris. U m a nota de rodapé. L. outro introduziu-me às especulações de B.c a b e ç a s filosóficos d a d i s t i n ç ã o a n a l í t i co-sintética. (Basiléia. conduziu-me às experiências por meio das quais Jean Piaget iluminou os vários m u n d o s da criança em crescimento e o processo de transição de u m p a r a o u t r o . t r a d u ç ã o de M a r j o r i e G a b a i n ( L o n d r e s . . CARKOLL em Language. devo a eles m a i s d o q u e m e s e r i a p o s s í v e l r e c o n s t r u i r o u avaliar neste m o m e n t o . Entstehung und Entwicklung einer wissenschaftlichen Tatsache. D o i s conjuntos de investigações de Piaget foram particularmente importantes. 2 0 . E s t e é o tipo de exploração ao acaso q u e a Society of Fellows permite. O. C o n t u d o . O trabalho de Fleck. porque apresentavam conceitos e processos que t a m b é m provêm diretamente da História da Ciência: The ChtUTs Conceptian of Causality. 1935). E m b o r a os leitores e n c o n t r e m p o u c a s referências a qualquer desses trabalhos ou conversas. S u a i m p o r tância é secundária somente quando comparada com os materiais provenientes de fontes primárias.

E s s e c o n t a t o c o n f r o n t o u . essas i d é i a s d e m o n s t r a r a m ser u m a f o n t e d e o r i e n t a ç ã o i m p l í cita e de estruturação de problemas p a r a grande parte d e m i n h a s a u l a s m a i s a v a n ç a d a s . Os problemas d e ensino d e u m a disciplina que e u n u n c a estudara sistematicamente ocuparam-me por quase u m a década. F i q u e i especialmente impressionado com o n ú m e r o e a extensão dos desacordos expressos existentes entre os cien- . M a i s u m a v e z tive a o p o r t u n i d a d e d e d i rigir t o d a m i n h a a t e n ç ã o a o s p r o b l e m a s d i s c u t i d o s a d i a n t e .m e c o m p r o b l e m a s que n ã o antecipara. V á r i o s deles t r a tam do papel decisivo d e s e m p e n h a d o por u m a ou outra m e t a f í s i c a n a p e s q u i s a científica c r i a d o r a . A l é m disso são apresentados outros vínculos do m e s m o tipo. C o n t u d o . c o m o a respeito das técnicas apropriadas a sua comunicação eficaz. deixando-me p o u c o t e m p o p a r a u m a articulaç ã o explícita d a s idéias que me h a v i a m levado a esse c a m p o d e estudos. No a n o seguinte comecei a lecionar História da Ciência propriamente dita. O e s t á g i o final d o d e s e n v o l v i m e n t o d e s t e e n s a i o começou c o m um convite para passar o ano de 1 9 5 8 . entre os quais eu fora treinado. O u t r o s e x a m i n a m a maneira pela qual as bases experimentais de u m a nova teoria são acumuladas e assimiladas por h o m e n s c o m p r o m e t i d o s c o m u m a teoria m a i s antiga. A i n d a m a i s i m p o r t a n t e foi p a s s a r o a n o n u m a c o m u n i d a d e c o m p o s t a p r e d o m i n a n t e m e n t e de cientistas sociais. t a n t o acerca da viabilidade das minhas concepções. Do convite resultou u m a série d e oito conferências públicas sobre " A B u s c a d a T e o r i a F í s i c a " (The Quest for Physical Theory).1 9 5 9 n o C e n t e r for A d v a n c e d S t u d i e s i n t h e B e h a v i o r a l S c i e n c e s . A o fazer isso. a p r e sentadas em m a r ç o de 1 9 5 1 . incompatível c o m aquela. O s m e s m o s p r o b l e m a s e a m e s m a o r i e n t a ç ã o d ã o unidade à maioria dos estudos predominantemente históricos e aparentemente diversos que publiquei desde o fim de m i n h a bolsa de pesquisa. q u e ainda estava em desenvolvimento. relativos às diferenças entre essas c o m u n i d a d e s e as d o s cientistas ligados às ciências naturais. P o r isso d e v o a g r a d e c e r a m e u s alunos pelas lições inestimáveis.d e p a r a testar m i n h a c o n c e p ç ã o d e ciência. esses estudos descrevem o tipo de desenvolvimento que adiante chamarei de "emergência" de u m a teoria ou descoberta nova. a f o r t u n a d a m e n t e .

depois m a n t i v e r a m . T a n t o a H i s tória c o m o meus conhecimentos fizeram-me duvidar de q u e os praticantes das ciências naturais p o s s u a m respostas mais firmes ou m a i s p e r m a n e n t e s p a r a tais questões do q u e seus colegas d a s ciências sociais. por ter-me dado o estímulo necessário e ter-me aconselhado sobre o manuscrito resultante. particularmente com Charles Morris.m e f i r m e m e n t e l i g a d o a u m c o m p r o m i s s o e finalmente esperaram com extraordinário tato e paciência p o r u m resultado. <• N ã o é necessário recontar aqui a história subseqüente desse esboço. torn a n d o possível u m a publicação independente simultânea. m a s algumas palavras d e v e m ser ditas a r e s p e i t o d a f o r m a q u e ele m a n t e v e a t r a v é s d a s r e visões. . O caráter esquemático desta primeira apresentaç ã o n ã o precisa ser necessariamente u m a desvantagem. durante algum tempo. psicól o g o s ou s o c i ó l o g o s . da Química ou da Biologia normalmente n ã o evocam as controvérsias sobre fundamentos que atualmente parecem endêmicas entre. a prática da Astronomia. um esboço p r e liminar deste ensaio emergiu rapidamente. E m b o r a acontecimentos subseqüentes t e n h a m r e l a x a d o u m t a n t o essas restrições. C o n t u d o .tistas s o c i a i s n o q u e d i z r e s p e i t o à n a t u r e z a d o s m é t o d o s e p r o b l e m a s científicos l e g í t i m o s . E contudo. A t e n t a t i v a de d e s c o b r i r a f o n t e dessa diferença levou-me ao reconhecimento do papel d e s e m p e n h a d o n a p e s q u i s a científica p o r a q u i l o q u e . eu pensava q u e o manuscrito aparec e r i a e x c l u s i v a m e n t e c o m o u m v o l u m e d a Encyclopedia of Unijied Science. este t r a b a l h o p e r m a n e c e antes u m ensaio d o que o livro de amplas p r o p o r ç õ e s que o assunto acab a r á exigindo. desde então. as limitações de espaç o d a Encyclopedia t o r n a r a m n e c e s s á r i o a p r e s e n t a r m i nhas concepções numa forma extremamente condensada e esquemática. chamo de "paradigmas". por exemplo. A n t e s de terminar e revisar extensamente u m a primeira versão. Q u a n d o esta p e ç a d o m e u quebra-cabeça encaixou no seu lugar. Considero "par a d i g m a s " a s r e a l i z a ç õ e s científicas u n i v e r s a l m e n t e r e conhecidas que. da Física. fornecem problemas e soluções modelares para u m a comunidade de praticantes d e u m a ciência. E s t o u e m dívida p a r a c o m eles. de algum modo. Os e d i t o r e s d e s t a o b r a p i o n e i ra primeiramente solicitaram-me o ensaio.

e m b o r a eu pense que são raras. nas quais dois p a r a d i g m a s p o d e m coexistir pacificamente nos p e - . Por exemplo. Por exemplo. cuja competição caracteriza o primeiro desses períodos. A necessidade de u m a c o n d e n s a ç ã o r á p i d a forç o u . a c o n c e p ç ã o de ciência desenvolvida aqui sugere a fecundidade potencial de u m a quantidade de novas espécies de pesquisa. A evidência histórica disponível é muito m a i o r d o q u e o e s p a ç o q u e tive p a r a e x p l o r á . Ao contrário. m i n h a distinção entre os períodos pré e pós-paradigmáticos no desenvolvimento da ciência é d e m a s i a d o esquemática. e n t ã o esta m u d a n ç a de perspectiva d e veria afetar a estrutura d a s publicações de pesquisa e dos manuais do período pós-revolucionário.m e igualmente a a b a n d o n a r a discussão de um b o m número de problemas importantes. d e s de o começo. Um desses efeitos — u m a a l t e r a ç ã o n a d i s t r i b u i ç ã o d a l i t e r a tura técnica citada nas notas de r o d a p é d o s relatórios de pesquisa — deve ser e s t u d a d o c o m o um índice possível d a o c o r r ê n c i a d e r e v o l u ç õ e s . C a d a u m a d a s escolas. os leitores p r e p a r a d o s p o r suas p r ó p r i a s p e s quisas p a r a a espécie de reorientação advogada aqui p o d e r ã o achar a forma do ensaio mais sugestiva e mais fácil d e a s s i m i l a r . A l é m disso a evidência p r o v é m tanto da história da Biologia c o m o da Física. O u a i n d a : se t e n h o r a z ã o ao afirmar q u e c a d a revolução científica a l t e r a a p e r s p e c t i v a h i s t ó r i c a d a c o m u n i d a d e q u e a experimenta. M i n h a decisão de o c u p a r . e x i s t e m circunstâncias. os tipos de ampliação em alcance e p r o fundidade q u e mais tarde espero incluir n u m a versão mais extensa. é guiada por a l g o m u i t o s e m e l h a n t e a u m p a r a d i g m a .m e aqui e x c l u s i v a m e n t e c o m a ú l t i m a foi p a r c i a l m e n t e b a s e a d a na intenção de a u m e n t a r a coerência deste ensaio e parcialmente na minha competência atual. necessitamos estudar detalhadamente o m o d o pelo qual as anomalias ou violações de expectativa atraem a crescente atenção de u m a comun i d a d e científica. tanto históricas c o m o sociológic a s . b e m c o m o a m a n e i r a p e l a q u a l o fracasso repetido na tentativa de ajustar u m a a n o m a lia p o d e i n d u z i r à e m e r g ê n c i a d e u m a c r i s e . A par disso. M a s e s t a f o r m a t a m b é m p o s s u i d e s v a n t a g e n s e e s s a s p o d e m justificar q u e e u i l u s t r e .l a .já q u e m e u objetivo fundamental é instar u m a m u d a n ça na percepção e avaliação de d a d o s familiares.

2 4 7 . e m Criticai Problems in the History of Science. econômicas e intelectuais e x t e r n a s n o d e s e n v o l v i m e n t o d a s c i ê n c i a s . Em conseqüência disso. p p . 321-56. em Archlves Internationales d'hts4aire des sciences. 1 9 5 7 ) . p p . este esteve mais freqüentemente dirigido a u m a a t i t u d e filosófica d o q u e a q u a l q u e r d e s u a s expressões plenamente articuladas. m a s e s t e e n s a i o n ã o foi p r o j e t a d o p a r a c o n 4. "Engmeering P r e c e d e m for the W o r k of Sadi Carnot". The Copernican Revolution: Planetary Astronomy in the Development oi Western Thought (Cambridge. Outros efeitos de condições externas intelectuais e e c o n ô m i c a s estão ilustradas em m e u s trabalhos: "Conservat i o n o f E n e r g y a s a n E x a m p l e o f S i m u l t a n e o u s D i s c o v e r y " . Penso que a consid e r a ç ã o explícita de exemplos desse tipo n ã o modificaria as teses principais desenvolvidas neste ensaio.. p p .5 1 . O n d e d e m o n s t r e i ceticismo. Mais importante ainda. p p . c o n s i d e r o q u e o p a p e l d e s e m p e n h a d o pelos. ao fazer isso. S. M a s s . Wisconsin. KtiHN. S a d i C a r n o t a n d t h e C a g n a r d E n g i n e . P e n s o q u e estarão e r r a d o s . ed. Contudo. . Esses s ã o discutidos em T. fatores externos é de menor importância apenas em relação aos problemas discutidos neste ensaio. M a s . alguns dos que conhecem e t r a b a l h a m a partir de alguma dessas posições articuladas poderão achar que n ã o compreendi suas posições. Marshall Clagett (Madison. 4 E p o r fim o q u e t a l v e z seja o m a i s i m p o r t a n t e : as limitações de espaço afetaram drasticamente m e u trat a m e n t o d a s i m p l i c a ç õ e s filosóficas d a c o n c e p ç ã o d e eiência historicamente orientada que é apresentada neste ensaio.~A n ã o é p r e c i s o ir a l é m de C o p é r n i c o e do c a l e n d á r i o / p a r a descobrir que as condições externas p o d e m aju. 1.riodos pós-paradigmáticos. A simples posse de um par a d i g m a n ã o é u m c r i t é r i o suficiente p a r a a t r a n s i ç ã o de desenvolvimento discutida no Cap. T a i s implicações certamente existem e tentei tanto apontar c o m o d o c u m e n t a r as principais.7 1 . Ists./ d a r a transformar u m a simples anomalia n u m a fonte de crise aguda. 1 9 5 9 ) . XIII ( 1 9 6 0 ) . . L I I . eu n a d a disse a respeito do papel do a v a n ç o tecnológico ou d a s condições sociais. abstive-me em geral da discussão d e t a l h a d a d a s v á r i a s p o s i ç õ e s a s s u m i d a s p o r filósofos c o n t e m p o r â n e o s no tocante a esses assuntos. m a s certamente adicionaria u m a dimensão analítica prim o r d i a l p a r a a c o m p r e e n s ã o d o a v a n ç o científico. P o r t a n t o . c o m exceção de breves notas laterais. ra pela qual condições exteriores às ciências p o d e m influenciar o q u a d r o de alternativas disponíveis à q u e l e q u e p r o c u r a a c a b a r c o m u m a crise p r o p o n d o u m a ou outra reforma revolucionária. 122-32 e 2 7 0 . O m e s m o exemplo ilustraria a m a n e i . 567-74 < 1 9 6 1 ) .

L e o n a r d K. Foi James B. D e s d e q u e e s s e p r o c e s s o c o m e ç o u . Conant. Os fragmentos autobiográficos q u e a b r e m este prefácio servem p a r a dar testemunho daquilo q u e r e conheço como minha dívida principal. contudo. foi a ú n i c a p e s s o a c o m . seu lugar c o m o caixa de ressonância criadora foi a s s u m i d o p o r S t a n l e y C a v e l l . U m a tentativa dessa o r d e m teria exigido um livro b e m mais extenso e de tipo muito diferente. M u i to t e m p o passou desde q u e as idéias deste ensaio c o m e ç a r a m a t o m a r f o r m a . S u a a u s ê n c i a foi m u i t o s e n t i d a d u r a n t e o s últimos estágios d o desenvolvimento d e concepções. u m filósofo p r e o c u p a d o principalmente com a Ética e a Estética. u m a lista d e t o d o s q u e p o d e m . P a r a m i m foi u m a f o n t e d e c o n s t a n t e e s t í m u l o e e n c o r a j a m e n t o o f a t o d e C a v e l l . m e u c o l e g a e m B e r k e l e y . n a d a d o q u e foi d i t o a c i m a o u a b a i x o f a r á m a i s do q u e sugerir o n ú m e r o e a natureza de m i n h a s obrigações pessoais p a r a c o m muitos indivíduos cujas sugestões ou críticas s u s t e n t a r a m e dirigiram m e u d e senvolvimento intelectual. ter chegado a conclusões tão absolutamente congruentes c o m a s m i n h a s . N a s páginas seguintes procurarei desembaraçar-me do restante dessa dívida através de citações. n u m a é p o c a o u noutra. q u e m primeiro me introduziu na História da Ciência e desse m o d o iniciou a transformação de minha concepção da natureza do progress o científico. foi u m c o l a b o r a d o r a i n d a m a i s a t i v o d u rante os a n o s em q u e minhas idéias c o m e ç a r a m a t o m a r f o r m a . tanto p a r a c o m os trabalhos especializados. N a s c i r c u n s tâncias presentes t e n h o q u e me restringir àquelas p o u c a s i n f l u ê n c i a s m a i s significativas. depois de minha partida de C a m bridge. q u e m e s m o u m a m e mória falha n u n c a suprimirá inteiramente. ele t e m sido generoso c o m suas idéias. c o m o p a r a c o m as instituições q u e me ajudaram a dar forma ao m e u pensam e n t o .vencê-los. críticas e t e m p o — inclusive o t e m p o n e c e s s á r i o p a r a l e r e s u g e r i r m u d a n ç a s importantes na primeira versão de m e u manuscrito. C o n t u d o . A l é m d i s s o . Felizmente. justificadamente. c o m o qual lecionei durante cinco anos o curso historicamente orientado que o Dr. C o n a n t i n i c i a r a . então presidente da Universidade de Harvard. N a s h . e n c o n t r a r alguns sinais d e s u a influência nestas páginas seria quase t ã o extensa q u a n t o a lista d e m e u s a m i g o s e c o n h e c i d o s .

Pierre Noyes do Lawrence R a diation Laboratory e m e u aluno. cujas contribuiç õ e s d e m o n s t r a r a m ser a s m a i s d e c i s i v a s e d e m a i s longo alcance: Paul K. Berkeley. John L. T o d a s a s suas sugestões ou reservas p a r e c e r a m . através d e maneiras q u e p r o vavelmente sou o último a reconhecer. Esse m o d o de comunicação atesta u m a compreensão que o capacitou a indicar-me c o m o ultrapassar ou contornar vários obstáculos importantes que encontrei durante a preparação de m e u primeiro manuscrito. D e i x a r a m q u e m i n h a d e v o ç ã o fosse l e v a d a a d i a n t e e a t é m e s m o a encorajaram. que trabalhou em estreita colaboração comigo na preparaç ã o d e u m a v e r s ã o final p a r a a p u b l i c a ç ã o . m u i t o s o u t r o s amigos auxiliaram na sua reformulação. H. M a s em graus variados. Ernest Nagel de Columbia. Heilbron.a q u a l fui c a p a z d e e x p l o r a r m i n h a s i d é i a s a t r a v é s d e sentenças incompletas. N ã o sei c o m o a g r a d e c e r . C a d a um deles t a m b é m contribuiu c o m ingredientes intelectuais p a r a m e u trabalho. K . S. T . Feyerabend de Berkeley. e s p o s a e filhos p r e c i s a m s e r d e u m t i p o b a s t a n t e d i f e r e n t e . Qualquer um que tenha lutado com um projeto c o m o este reconhecerá o q u e isto lhes c u s t o u e v e n t u a l m e n t e . D e p o i s q u e e s t a v e r s ã o foi e s b o ç a d a . fizeram algo mais importante. M e u s a g r a d e c i m e n t o s finais a m e u s p a i s . m a s n ã o t e n h o razões p a r a acreditar (e t e n h o algumas p a r a d u v i d a r ) d e q u e n e m eles n e m o s outros mencionados acima aprovem o manuscrito resultante na totalidade. Penso q u e me p e r d o a r ã o se n o m e a r apenas q u a t r o .l h e s . Califórnia Fevereiro 1962 .m e e x t r e m a m e n te úteis.

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tal c o m o estão registradas n o s clássicos e. o o b j e t i v o d e t a i s l i v r o s é i n e v i t a v e l m e n t e p e r s u a s i v o e p e d a g ó g i c o . n o s m a n u a i s q u e c a d a n o v a g e r a ç ã o utiliza jl_para a p r e n d e r s e u ofício.INTRODUÇÃO: UM PAPEL PARA A HISTÓRIA S e a H i s t ó r i a fosse v i s t a c o m o u m r e p o s i t ó r i o p a ra algo mais do que anedotas ou cronologias. poderia produzir u m a transformação decisiva n a imagem d e ciência que atualmente nos domina. m a i s recenf t e m e n t e . um conceito de ciência deles haurido terá tantas p r o b a b i lidades de assemelhar-se ao empreendimento que os produziu c o m o a imagem de u m a cultura nacional obti- . C o n t u d o . M e s m o os p r ó í prios cientistas têm h a u r i d o essa i m a g e m principal\ m e n t e n o e s t u d o d a s r e a l i z a ç õ e s científicas a c a b a d a s .

leis e t e o r i a s d e s c r i t a s e m s u a s p á g i n a s . esse n o v o c o n c e i t o n ã o s u r g i r á se c o n t i n u a r m o s a p r o c u r a r e perscrutar os dados históricos sobretudo p a r a responder a questões postas pelo estereótipo a-histórico extraíd o d o s t e x t o s científicos.. o historiad o r p a r e c e e n t ã o ter d u a s t a r e f a s p r i n c i p a i s . O resultado t e m sido um c o n ceito de ciência com implicações profundas no q u e diz respeito à sua natureza e desenvolvimento. M u i t a p e s q u i s a foi d i r i g i d a p a r a esses fins e a l g u m a a i n d a é^} . pretados c o m o se afirmassem q u e os métodos científicos s ã o s i m p l e s m e n t e a q u e l e s i l u s t r a d o s p e l a s t é c n i •i cas de m a n i p u l a ç ã o e m p r e g a d a s na coleta de d a d o s de j m a n u a i s . esses t e x t o s f r e qüentemente parecem implicar que o conteúdo da ciência é exemplificado de maneira ímpar pelas observaç õ e s .s e a disciplina q u e registra t a n t o esses a u m e n t o s sucessivos c o m o os obstáculos que inibiram sua a c u m u l a ç ã o ^ P r e o c u p a d o c o m o d e s e n v o l v i m e n t o científico. deve descrever e explicar os a m o n t o a d o s de erros. De outro lado. C o n t u d o . ao estoque sempre crescente que constitui o conhecimento e a técn i c a científicos. D e u m l a d o deve d e t e r m i n a r q u a n d o e por q u e m c a d a fato. m e s m o s e p a r t i r m o s d a H i s t ó r i a . mitos e superstições q u e inibiram a acumulação mais rápida dos elementos const i t u i n t e s d o m o d e r n o t e x t o científico. j u n t a m e n t e c o m as operações lógicas utilii zadas ao relacionar esses d a d o s às generalizações t e ó \ r i c a s desses manuais. isoladamente ou em combinação.. O d e s e n v o l v i m e n t o t o r n a . t e o r i a s e m é t o d o s reunidos nos textos atuais. Seu objetivo é esboçar um conceito de ciência bastante diverso que p o d e emergir d o s registros históricos da p r ó p r i a atividade de pesquisa. cionados.s e o p r o . e n t ã o os cientistas s ã o homens que. E a H i s t ó r i a da C i ê n c i a t o r n a . cesso g r a d a t i v o através do qual esses itens f o r a m a d i . empenharam-se em contribuir c o m u m o u o u t r o e l e m e n t o p a r a essa const e l a ç ã o específica.d a através d e u m folheto turístico o u u m m a n u a l d e l í n g u a s . Se a c i ê n c i a é a r e u n i ã o de f a t o s . t e o r i a o u lei científica c o n t e m p o r â n e a foi d e s c o b e r t a ou inventada. E s t e e n s a i o t e n t a m o s t r a r q u e esses l i v r o s n o s t ê m e n g a n a d o em aspectos fundamentais. C o m q u a s e igual r e g u l a r i d a d e . P o r e x e m p l o . o s m e s m o s l i v r o s t ê m s i d o i n t e r . c o m ou sem sucesso.

dá m a r g e m a p r o fundas dúvidas a respeito do processo cumulativo que se e m p r e g o u p a r a pensar c o m o teriam se f o r m a d o essas contribuições individuais à ciência. S e . nos últimos anos. S i m u l t a n e a m e n t e . n e m m e n o s o p r o d u t o da idiossincrasia do q u e as atualmente em v o g a . alguns deles suspeit a m d e q u e esses simplesmente n ã o são o s tipos d e questões a s e r e m l e v a n t a d a s . Quanto mais cuidadosamente estudam. O r e s u l t a d o de t o d a s e s s a s d ú v i d a s e d i f i c u l d a d e s foi u m a r e v o l u ç ã o h i s t o r i o g r á f i c a n o e s t u d o d a c i ê n cia. esses m e s m o s historiadores confrontam-se c o m dificuldades crescentes p a r a distinguir o c o m p o n e n t e "científico" das observações e crenças passadas d a q u i l o q u e seus predecessores r o t u l a r a m p r o n t a m e n t e de " e r r o " e "superstição". C o n t u d o . gradual- . o historiador deve escolher a última. Os historiadores da ciência. C o m o cronistas de um processo de aumento. p o r o u t r o l a d o . e m b o r a essa revolução ainda esteja em seus primeiros estágios. tanto mais certos tornam-se de que. Teorias obsoletas n ã o s ã o acientíficas e m princípio.l h a t o r n a difícil c o n c e b e r o d e s e n v o l v i m e n t o científico como um processo de acréscimo. S e e s s a s c r e n ç a s o b s o l e t a s d e v e m ser c h a m a d a s d e m i t o s . simplesm e n t e p o r q u e foram descartadas. as concepções de natureza outrora corr e n t e s n ã o e r a m n e m m e n o s científicas. alguns historiadores estão e n c o n t r a n d o mais e mais dificuldades p a r a preencher as funções q u e lhes são prescritas pelo conceito de desenvolvimento-por-acumulação. q u e m o s t r a as dificuldades p a r a isolar invenções e descobertas individuais. esta esco. D a d a s essas alternativas. e n t ã o o s m i t o s p o d e m ser p r o d u z i d o s p e l o s m e s m o s tipos de métodos e mantidos pelas mesmas razões q u e h o j e c o n d u z e m a o c o n h e c i m e n t o científico. T a l v e z a ciência n ã o se (desenvolva pela a c u m u l a ç ã o de descobertas e inveni ções individuais. c o m o um todo. digamos. descobrem que a pesquis a a d i c i o n a l t o r n a m a i s difícil ( e n ã o m a i s f á c i l ) r e s p o n d e r a p e r g u n t a s c o m o : q u a n d o foi d e s c o b e r t o o o x i g ê n i o ? q u e m foi o p r i m e i r o a c o n c e b e r a c o n s e r v a ç ã o da energia? C a d a vez mais. e n t ã o a ciência inclui conjuntos de crenças totalmente i n c o m patíveis c o m as q u e hoje m a n t e m o s . a q u í m i c a flogística ou a t e r m o dinâmica calórica. A mesma pesquisa histórica. elas d e v e m ser c h a m a d a s d e c i ê n c i a s . a din â m i c a a r i s t o t é l i c a .C o n t u d o .

t e n d o s i d o instruído p a r a e x a m i n a r fenômenos elétricos ou q u í m i c o s . de desenvolvimento p a r a as ciências. Q u e aspectos da ciência revelar-se-ão c o m o proeminentes no desenrolar desse esforço? Em primeiro lugar. p o r si só. a partir de sua própria época. ao m e n o s na o r d e m de apresentação. c o m e ç a r a m a se colocar novas espécies de questões e a traçar linhas d i ferentes. insistem em e s t u d a r as o p i n i õ e s d e s s e g r u p o e de o u t r o s s i m i l a r e s a partir da perspectiva — usualmente muito diversa daquela da ciência m o d e r n a — q u e dá a essas opiniões o m á x i m o de c o e r ê n c i a i n t e r n a e a m a i o r a d e q u a ç ã o possível à natureza. E n t r e essas possibilidades legítimas. m a s s a b e c o m o p r o c e d e r cientificamente.mente e muitas vezes sem se a p e r c e b e r e m c o m p l e t a mente de q u e o estavam fazendo. perguntam n ã o pela relação entre as concepções de Galileu e as da ciência m o d e r n a . A l é m disso. Vista através d a s obras q u e daí resultaram. esses e s t u d o s h i s t ó r i cos sugerem a possibilidade de u m a nova imagem da c i ê n c i a . m a s antes pela relação entre as concepções de Galileu e aquelas partilhadas por seu grup o . E s t e e n s a i o visa d e l i n e a r e s s a i m a g e m a o t o r nar explícitas algumas d a s implicações da n o v a historiografia. P o r exemplo. Em vez de procurar as c o n tribuições p e r m a n e n t e s de u m a ciência mais antiga p a r a n o s s a p e r s p e c t i v a p r i v i l e g i a d a . c o n t e m p o r â n e o s e s u c e s sores imediatos nas ciências. as conclusões p a r t i c u l a r e s a q u e ele c h e g a r s e r ã o p r o v a v e l m e n t e d e t e r minadas por sua experiência prévia em outras áreas. u m a única conclusão substantiva para várias espécies d e q u e s t õ e s c i e n t í f i c a s . freqüentemente não-cumulativas. s e u s p r o f e s s o r e s . p o r acidentes de sua investigação e por sua própria formação individual. está a insuficiência d a s d i r e t r i z e s m e t o d o l ó g i c a s p a r a d i t a r e m . cujo m e l h o r e x e m p l o talvez sejam os escritos de A l e x a n d r e K o y r é . P e l o m e n o s i m p l i c i t a m e n t e . eles p r o c u r a m a p r e sentar a integridade histórica daquela ciência. a ciência n ã o p a r e c e em a b s o l u t o ser o m e s m o e m p r e e n d i m e n t o q u e foi d i s c u t i d o pelos escritores da tradição historiográfica mais antig a . p o d e atingir de m o d o legítimo q u a l quer u m a dentre muitas conclusões incompatíveis. isto é . A q u e l e q u e . d e s c o n h e c e essas á r e a s . q u e crenças a resp e i t o d a s e s t r e l a s ele t r a z p a r a o e s t u d o d a Q u í m i c a . P o r exemplo.

\ P o r e x e m p l o . M a s n ã o p o d e m . quais ele escolhe p a r a executar em primeiro lugar? Q u a i s a s p e c t o s d o f e n ô m e n o c o m p l e x o q u e daf r e s u l t a o impressionam c o m o particularmente relevantes para u m a elucidação da natureza das transformações químicas ou das afinidades elétricas? Respostas a questões c o m o essas são freqüentemente determinantes essenciais p a r a o d e s e n v o l v i m e n t o científico. é s e m p r e um ingrediente f o r m a d o r das c r e n ç a s e s p o s a d a s p o r u m a c o m u n i d a d e científica espe^cífica n u m a d e t e r m i n a d a é p o c a . observação e a experiência p o d e m e d e v e m restringir drasticamente a extensão das crenças admissíveis.j O q u e d i f e r e n c i o u e s s a s v á r i a s e s c o l a s n ã o foi u m o u o u t r o i n s u c e s s o d o m é t o d o — t o d a s e l a s e r a m "científicas"— mas aquilo que chamaremos a inçpmensurabilidade de suas maneiras de ver o m u n d o e nele praticar a ciência. / A p e s q u i s a eficaz r a r a m e n t e c o m e ç a a n t e s q u e u m a c o m u n i d a d e científica p e n s e t e r a d q u i rido respostas seguras para perguntas c o m o : quais são as entidades fundamentais q u e c o m p õ e m o universo? c o m o interagem essas entidades u m a s c o m as outras e c o m os sentidos? q u e questões p o d e m ser legitimament e feitas a r e s p e i t o d e t a i s e n t i d a d e s e q u e t é c n i c a s p o d e m ser e m p r e g a d a s n a busca d e s o l u ç õ e s ? / A o m e n o s nas ciências plenamente desenvolvidas. p e l o m e n o s para o indivíduo e ocasionalmente para a comunidade ^ científica.é da eletricidade? Dentre muitas experiências relevantes. E n e m torna m e nos cheia de conseqüências a constelação particular com a qual o grupo está realmente comprometido n u m > d a d o m o m e n t o . respostas ( o u substitutos integrais p a r a as respostas) a questões co- . cada u m a delas parcialmente derivada e todas apenas aproximadamente compatíveis com os d i t a m e s d a o b s e r v a ç ã o e d o m é t o d o científico. c o m p o s t o de acidentes pessoais e históricos. p o r q u e d e o u t r o m o d o n ã o haveria ciência. esse elemento d e arbitrariedade n ã o indic a q u e a l g u m g r u p o p o s s a p r a t i c a r s e u ofício s e m u m conjunto d a d o de crenças recebidas. d e t e r m i n a r u m c o n j u n t o específico d e s e m e l h a n t e s c r e n ç a s J U m e l e m e n t o a p a rentemente arbitrário. 1 q u e os primeiros estágios do desenvolvimento da maioria das ciências têm-se caracterizado pela contínua competição entre diversas concepções de natureza distintas. C o n t u d o . h a v e r e m o s d e o b s e r v a r n o C a p . p o r s i s ó .

No entanto este elemento de arbitrariedade está p r e s e n t e e t e m t a m b é m u m efeito i m p o r t a n t e n o d e s e n v o l v i m e n t o c i e n t í f i c o . n ã o obstante esforços repetidos. b u s c a remos d e s c r e v e r e s s a f o r m a d e p e s q u i s a como u m a tent a t i v a v i g o r o s a e d e v o t a d a de f o r ç a r a n a t u r e z a a e s q u e m a s conceituais fornecidos pela e d u c a ç ã o profissional. a própria nature*za d a p e s q u i s a n o r m a l a s s e g u r a q u e a n o v i d a d e n ã o (será s u p r i m i d a p o r m u i t o t e m p o .m o essas estão firmemente engastadas n a iniciação p r o fissional q u e p r e p a r a e a u t o r i z a o e s t u d a n t e p a r a a p r á t i c a científica. revelando u m a j a n o m a l i a q u e n ã o p o d e ser a j u s t a d a à s e x p e c t a t i v a s \ profissionais. N ã o obstante. P o r exemplo. U m a v e z q u e e s s a e d u c a ç ã o é a o m e s m o t e m p o rígida e rigorosa. \ atividade na qual a maioria d o s cientistas e m p r e g a i n e I vitavelmente quase t o d o seu t e m p o . D e s t a e . rio. 3 e 4. n ã o f u n ciona segundo a maneira antecipada. c o m o da direção na qual essa prossegue em qualquer m o m e n t o considerado. u m a peça de equipamento. a ciência n o r m a l freqüentemente sup r i m e novidades fundamentais. G r a n d e p a r t e d o s u c e s s o d o e m p r e e n d i m e n t o [deriva da disposição da c o m u n i d a d e p a r a defender esse Ypressuposto — c o m c u s t o s c o n s i d e r á v e i s . 6 e 7. q u e d e v e r i a ser r e s o l v i d o p o r m e i o de regras e p r o c e d i m e n t o s conhecidos. 2. A c i ê n c i a n o r m a l .n o s a d a r c o n t a t a n t o d a eficiência p e c u l i a r d a a t i vidade de pesquisa normal. 5. resiste ao ataI q u e violento e reiterado dos m e m b r o s mais hábeis do g r u p o e m cuja á r e a d e c o m p e t ê n c i a ele o c o r r e . é b a s e a d a no presi s u p o s t o de q u e a c o m u n i d a d e científica s a b e c o m o é o Ikmundo. O f a t o d e a s r e s p o s t a s p o d e r e m t e r esse p a p e l a u x i l i a . Ao e x a m i n a r a ciência n o r m a l nos C a p s . no seu desenvolvimento posterior. E m outras ocasiões.d e t a l h a d a m e n t e n o s C a p s . n a m e d i d a e m q u e esses c o m p r o m i s s o s r e \têm um elemento de arbitrariedade. essas respostas chegam a exerc e r u m a i n f l u ê n c i a p r o f u n d a s o b r e o e s p í r i t o científic o . N ó s perguntaremos simultaneamente se a pesquisa p o deria ter seguimento sem tais esquemas. p o r q u e estas subvertem necessariamente seus compromissos básicos. qualquer q u e seja o e l e m e n t o d e a r b i t r a r i e d a d e c o n t i d o n a s s u a s o r i gens históricas e. E s s e efeito s e r á e x a m i n a d o . s e n e c e s s á . A l g u m a s v e z e s u m p r o b l e m a c o m u m . projetada e c o n s t r u í d a p a r a fins d e p e s q u i s a n o r m a l . ocasionalmente.

P o r isso.o s c o m o u m a transformação d o m u n d o n o interior d o qual e r a r e a l i z a d o o t r a b a l h o científico. f o r a m f r e q ü e n t e m e n t e r o tulados de revoluções. Lavoisier e Einstein. nos ocuparemos repetidam e n t e c o m o s m o m e n t o s decisivos essenciais d o d e s e n v o l v i m e n t o científico a s s o c i a d o a o s n o m e s d e C o p é r \ nico. 8 e 9. Tais características aparecem c o m particular clareza no estudo das revoluções newtoniana e química. Precisaremos descrever as m a n e i r a s pelas quais c a d a um desses episódios transf o r m o u a i m a g i n a ç ã o científica. E q u a n d o i s t o o c o r r e — i s t o é. nos C a p s . j u n t a mente com as controvérsias que quase sempre as acomp a n h a m . são d e n o m i n a .' | d o s d e r e v o l u ç õ e s científicas o s e p i s ó d i o s e x t r a o r d i n á \ rios nos quais ocorre essa alteração de c o m p r o m i s s o ^ p r o f i s s i o n a i s . C a d a u m i d e l e s f o r ç o u a c o m u n i d a d e a r e j e i t a r a t e o r i a científic a anteriormente aceita e m favor d e u m a o u t r a incomi patível c o m aquela. c o n s t i t u i t o d a s a s r e v o l u ç õ e s científicas. são características definidoras das revoluções científicas. Mais claramente i q u e muitos outros. a p r e s e n t a n d o . c a d a um desses e p i s ó d i o s p r o d u z i u u m a a l t e r a ç ã o n o s p r o b l e m a s à d i s p o s i ç ã o d o e s c r u t í n i o científico e n o s p a d r õ e s p e los quais a profissão d e t e r m i n a v a o q u e deveria ser considerado c o m o u m problema o u c o m o u m a solução de problema legítimo. esses episódios exibem aquilo q u e .s e s e \ g u i d a m e n t e . Newton. C o m o conseqüência. C o n t u d o . A s r e v o l u ç õ e s científicas s ã o o s c o m p l e ^ m e n t o s d e s i n t e g r a d o r e s da t r a d i ç ã o à q u a l a a t i v i d a d e da ciência n o r m a l está ligada.Ide o u t r a s m a n e i r a s . q u a n d o os / m e m b r o s d a profissão n ã o p o d e m m a i s esquivar-se das í anomalias q u e subvertem a tradição existente da p r á \ t i c a científica — e n t ã o c o m e ç a m as i n v e s t i g a ç õ e s j extraordinárias q u e finalmente c o n d u z e m a profissão a / u m novo conjunto de compromissos. o n d e p e l a p r i m e i r a v e z a n a t u r e z a d a s r e v o l u ç õ e s científicas é diretamente examinada. a u m a nova base i p a r a a prática da ciência. u m a tese fundamental deste ensaio é q u e essas c a r a c t e r í s t i c a s p o d e m ser i g u a l m e n t e r e c u p e r a d a s a t r a - . a c i ê n c i a n o r m a l d e s o r i e n t a . p e l o m e n o s n o > q u e c o n c e r n e à h i s t ó r i a d a s c i ê n c i a s físicas. Neste ensaio. 'i— O s e x e m p l o s m a i s ó b v i o s d e r e v o l u ç õ e s científicas são aqueles episódios famosos do desenvolvimento científico q u e . n o p a s s a d o . T a i s m u d a n ç a s .

a n o v a t e o r i a r e p e r c u t e i n e v i t a v e l m e n t e —"sobre m u i t o s t r a b a l h o s científicos j á c o n c l u í d o s c o m . modific a d o a rede de teorias c o m as quais lida c o m o m u n d o . m a s também. foram consideradas t ã o r e v o l u c i o n á r i a s c o m o e s t a s e c o m o tal e n c o n t r a r a m resistência. E m b o r a este p o n t o exija u m a discussão prolongada. Esse p r o cesso intrinsecamente revolucionário raramente é c o m pletado por um único h o m e m e nunca de um dia para o outro. É p o r isso q u e u m a descoberta inesperada n ã o possui u m a importância sim- . p o r m a i s p a r t i c u l a r q u e seja s e u â m b i t o d e a p l i c a ç ã o . vêem c o m o um evento isolado. N ã o é de admirar q u e os historiadores t e n h a m e n c o n t r a d o dificuldades para d a t a r com precisão este processo p r o l o n g a d o . P a r a e s s e s homens. lAs equações de Maxwell. Esse é o efeito final d a d e s c o b e r t a — m a s s o m e n t e d e p o i s d a c o m u n i d a d e profissional ter reavaliado os p r o c e d i m e n tos experimentais tradicionais. impelidos p o r seu v o c a bulário. a invenção de novas teorias evoca a m e s m a resposta p o r p a r t e de alguns especialistas q u e v ê e m sua á r e a " d e c o m p e t ê n c i a infringida p o r e s s a s t e o r i a s . q u e afetaram u m grupo profissional b e m m a i s reduzido do que as de Einstein. É p o r isso q u e u m a n o v a t e o r i a . Invenções de novas teorias n ã o são os únicos acont e c i m e n t o s científicos q u e t ê m u m i m p a c t o r e v o l u c i o n á r i o sobre os especialistas do setor em q u e o c o r r e m . Sua assimilação requer a reconstrução da teoria precedente e a reavaliação dos fatos anteriores. exceto talvez no interior de u m a única trad i ç ã o d a p r á t i c a científica n o r m a l .vés d o e s t u d o d e m u i t o s o u t r o s e p i s ó d i o s q u e n ã o f o ram tão obviamente revolucionários. no decorrer desse processo. alterado sua c o n c e p ç ã o a iespeito de entidades com as quais estava de há muito familiarizada e. n u n c a o u q u a se nunca é um m e r o incremento ao que já é conhecido. Os c o m p r o m i s s o s q u e g o v e r n a m a ciência n o r m a l especificam n ã o a p e n a s as espécies de entidades q u e o u n i verso contém. aquelas q u e n ã o contém. Regularmente e de m a n e i r a apropriada. segue-se que u m a descoberta c o m o a do oxigênio ou do raio X n ã o adiciona apenas mais um item à p o p u l a ç ã o do m u n d o do cientista. ao qual. T e o r i a e f a t o científicos n ã o s ã o c a t e g o r i c a m e n t e separáveis. a nova teoria implica u m a m u d a n ç a nas reg r a s q u e g o v e r n a v a m a p r á t i c a a n t e r i o r da-ciê-ncia n o r niaL_ P o r isso.s u c e s s o . implicitamente.

e s t e e n s a i o n ã o f o r n e c e r á m a i s do que os c o n t o r n o s principais de u m a resposta a essa questão. 11 descreve a c o m p e t i ç ã o revolucionária entre os defensores d a v e l h a t r a d i ç ã o científica n o r m a l e o s p a r t i d á r i o s d a nova. O m u n d o do cientista é t a n t o qualitativamente transformado como quantitativamente enriquecido pelas novidades fundamentais de fatos ou teorias. Tal resposta depende das características da c o m u n i d a d e científica. o C a p . Finalmente. O resto do ensaio tenta equacionar as três questões centrais q u e sobram. a s s u n t o q u e r e q u e r m u i t a e x p l o r a ç ã o e estudo adicionais. A competição entre segmentos da c o m u n i d a d e científica é o ú n i c o p r o c e s s o h i s t ó r i c o q u e realmente resulta na rejeição de u m a teoria ou na adoção de outra. Desse m o d o o capítulo examina o processo que. T o d a v i a . N ã o há d ú v i d a de q u e esta a m p l i a ç ã o força o sentido costumeiro da concepção. 10 e x a m i n a p o r q u e a s r e v o l u ç õ e s científicas t ê m s i d o t ã o dificilmente reconhecidas c o m o tais. Dizemos muito freqüentemente que a História é u m a disciplina p u r a m e n t e descritiva. p o r e x e m p l o . Ao discutir a tradição do manual. A discussão precedente indica c o m o serão desenvolvidas as noções complem e n t a r e s d e c i ê n c i a n o r m a l e r e v o l u ç ã o científica n o s nove capítulos imediatamente seguintes. as . d e v e r i a s u b s t i tuir d e a l g u m m o d o o s p r o c e d i m e n t o s d e falsificação ou confirmação q u e a nossa i m a g e m usual de ciência t o r n o u familiares. continuarei a falar a t é m e s m o d e d e s c o b e r t a s c o m o s e n d o r e v o l u c i o n á r i a s . N ã o obstante. aquela da revolução copernicana. n u m a t e o r i a d a i n v e s t i g a ç ã o científica.plesmente fatual. Sem d ú v i d a alguns leitores já se terão p e r g u n t a d o se um estudo histórico poderá produzir o tipo de transformação conceituai que é visado aqui. o C a p . C o n t u d o . sugerindo q u e isso n ã o p o d e ser a d e q u a d a m e n t e r e a l i z a d o d e s s a m a neira. O C a p . o q u e faz a c o n c e p ç ã o a m p l i a d a t ã o i m p o r t a n t e é p r e c i s a m e n t e a p o s s i b i l i d a d e de r e l a c i o n a r a e s t r u t u r a d e tais d e s c o b e r t a s c o m . Um arsenal inteiro de dicotomias está disponível. 12 perguntará como o d e s e n v o l v i m e n t o a t r a v é s d e r e v o l u ç õ e s p o d e ser c o m patível c o m o caráter aparentemente ímpar do progress o científico. Esta concepção ampliada da natureza das revoluç õ e s científicas é d e l i n e a d a n a s p á g i n a s s e g u i n t e s . P a r a m i m .

A i n d a assim. às s i t u a ç õ e s r e a i s n a s q u a i s o c o n h e c i m e n t o é o b t i d o .a s a o m e s m o escrutínio que é regularmente aplicado a teorias e m outros c a m p o s . esse conteúdo p r e c i s a ser d e s c o b e r t o a t r a v é s d a o b s e r v a ç ã o . P a r a q u e elas t e n h a m c o m o conteúdo mais do que puras abstrações. pelo menos algumas das minhas conclusões pertencem tradicionalmente à Lógica ou à Epistemologia. m e s m o grosso modo. tenham algo importante a nos dizer.a s p a r t e d e u m a t e o r i a e . s u j e i t a . adequadamente reelaboradas. P o d e algo mais do que profunda confusão estar indicado nesta mescla de diversas áreas e interesses? T e n d o .teses sugeridas acima s ã o freqüentemente interpretativas e. e l a s p a r e c e m a g o r a ser p a r t e s d e u m c o n j u n t o tradicional de respostas substantivas às próprias quest õ e s a p a r t i r d a s q u a i s elas f o r a m e l a b o r a d a s . no parágrafo anterior. a o fazer i s s o . E x a m i nar-se-ia e n t ã o a aplicação dessas distinções aos d a d o s q u e elas p r e t e n d e m e l u c i d a r . C o m o p o d e r i a a H i s t ó r i a d a C i ê n c i a d e i x a r d e ser u m a f o n t e d e f e n ô m e n o s . E s s a circularidade n ã o as invalida de forma alguma. T o d a v i a . Em vez de serem distinções lógicas ou metodológicas elementares. muitas de m i n h a s generalizações dizem respeito à sociologia ou à psicologia social dos cientistas. a c e i t o e a s s i m i l a d o . algumas vezes. q u e seriam anteriores à análise do conhecimento científico. normativas. M a s torn a . eu tenha violado a m u i t o influente distinção c o n t e m p o r â n e a e n t r e o " c o n t e x t o da d e s c o b e r t a " e o " c o n t e x t o da j u s tificação".m e formado intelectualmente a partir dessas e de outras distinções semelhantes. P o d e até m e s m o parecer que. A l é m disso. Ainda suponho que. dificilmente p o deria estar mais consciente de sua importância e força. Por muitos anos tomei-as c o m o sendo a própria natureza do conhecimento. fê-las parecer extraordinariamente problemáticas. a o s q u a i s p o d e m o s exigir a a p l i c a ç ã o d a s t e o r i a s s o b r e o conhecimento? . m u i t a s d a s m i n h a s tentativas de aplicál a s .

hoje em dia essas realizações s ã o r e l a t a d a s p e l o s m a n u a i s científicos e l e m e n t a r e s e a v a n ç a d o s . ilustram muitas (ou todas) as suas aplicações b e m sucedidas e c o m p a r a m essas aplicações c o m observações e experiências exemplares. T a i s livros e x p õ e m o c o r p o da teoria aceita. U m a vez q u e tais livros se t o r n a r a m populares n o c o m e ç o d o século X I X ( e mes- . A ROTA PARA A CIÊNCIA NORMAL N e s t e e n s a i o . \ " c i ê n c i a n o r m a l " significa a p e s q u i sa firmemente baseada em u m a ou mais realizações' científicas p a s s a d a s . f E m b o r a r a r a m e n t e na sua f o r m a original.1 . E s s a s r e a l i z a ç õ e s s ã o r e c o n h e c i d a s d u r a n t e a l g u m t e m p o p o r a l g u m a c o m u n i d a d e científica e s p e c í f i c a c o m o p r o p o r c i o n a n d o o s f u n d a m e n t o s p a r a sua prática posterior.

muitos dos quais bem mais especializados do q u e os indicados acima. a o m e s m o t e m p o . muitos dos clássicos famosos d a c i ê n c i a d e s e m p e n h a m u m a f u n ç ã o s i m i l a r .o s d e o u t r a s f o r m a s d e a t i v i d a d e científica dissimilares.m o mais recentemente. por algum tempo. os Principia e a Óptica de N e w t o n . a Eletricidade de F r a n k l i n . D a q u i por diante deverei referir-me às realizações q u e p a r t i l h a m essas d u a s características c o m o " p a r a digmas". E s s e c o m p r o m e t i m e n t o e o c o n s e n s o aparente que p r o d u z são pré-requisitos p a r a a ciência . P u d e r a m fazer isso p o r q u e p a r t i l h a v a m d u a s características essenciais. suas realizações eram suficientemente abertas p a r a deixar t o d a a espécie de problemas p a r a serem resolvidos pelo g r u p o redefinid o d e praticantes d a ciência. U m a v e z q u e ali o e s t u d a n t e r e ú n e . "Óptica Corpuscular" ( o u "Óptica O n d u l a t ó r i a " ) .s o b r e pontos fundamentais. Suas realizações foram suficientemente sem precedentes p a r a a t r a i r u m g r u p o d u r a d o u r o d e p a r t i d á r i o s . "Dinâmica Aristotélica" (ou "Newtoniana"). sua prática subseqüente raramente irá provocar desacordo declarado k . c o m o n o caso d a s ciências a m a durecidas h á p o u c o ) . é o q u e p r e p a r a basicamente o estudante p a r a ser m e m b r o da c o m u n i d a d e científica d e t e r m i n a d a n a q u a l a t u a r á m a i s i^tarde. a Química de L a v o i s i e r e a Geologia de L y e l l — e s s e s e muitos outros trabalhos serviram. O estudo dos paradigmas. a p l i c a ç ã o e i n s t r u m e n t a ç ã o — p r o p o r c i o n a m modelos dos quais b r o t a m as tradições coerentes e e s p e c í f i c a s d a p e s q u i s a científica. H o m e n s cuja pesquisa está i baseada em paradigmas compartilhados estão comproij m e t i d o s c o m as m e s m a s r e g r a s e p a d r õ e s p a r a a p r á h t i c a científica. um termo estreitamente relacionado c o m "ciência n o r m a l " . Simultaneamente. a f a s t a n d o . o Almagesto de P t o l o m e u .s e a h o m e n s que a p r e n d e r a m as bases de seu c a m p o de e s t u d o a partir dos mesmos modelos concretos. A Física d e A r i s t ó t e l e s . t e o r i a . C o m a escolha do t e r m o pretendo sugerir q u e alguns exemplos aceitos na prática científica r e a l — e x e m p l o s q u e i n c l u e m . p a r a definir implicitamente os p r o b l e m a s e m é t o d o s legítimos de um c a m p o de pesquisa p a r a as gerações posteriores de p r a t i c a n t e s da ciência. S ã o e s s a s t r a d i ç õ e s que o historiador descreve com rubricas c o m o : "Astronomia Ptolomaica" (ou "Copernicana"). e assim por diante. lei.

c o m o u m lugar de c o m p r o m e t i m e n t o profissional. Se o h i s t o r i a d o r s e g u e . é anterior aos v á r i o s c o n c e i t o s . esses dois conceitos r e lacionados s e r ã o esclarecidos indicando-se a possibilid a d e d e u m a e s p é c i e d e p e s q u i s a científica s e m p a r a digmas ou pelo menos sem aqueles de tipo tão inequívoco e obrigatório c o m o os n o m e a d o s acima.n o r m a l . no C a p . as respostas a estas quest õ e s e o u t r a s s i m i l a r e s d e m o n s t r a r ã o ser b á s i c a s p a r a a c o m p r e e n s ã o . Os m a n u a i s atuais de Física ensinam ao estudante que a luz é c o m p o s t a de fótons. M a i s especificamente. tanto da ciência normal. u m a vez que n e s t e e n s a i o ele s u b s t i t u i r á u m a v a r i e d a d e d e n o ç õ e s f a m i l i a r e s . C o n t u d o . de acordo c o m as caracterizações m a t e m á t i c a s m a i s elaboradas a partir d a s quais é derivada esta verbalização usual. ou melhor. provavelmente encontrará alguma variante m e n o r de um p a d r ã o ilustrado aqui a partir da História da Óptica Física. c o n - . i s t o é. os textos de Física ensinavam que a luz era um m o v i m e n t o ondulatório transversal. C o n t u d o . a p i s t a do c o n h e c i m e n t o científicp d e q u a l q u e r g r u p o s e l e c i o n a do de fenômenos interligados. c o m o do conceito associado de p a r a d i g m a . esta discussão mais abstrata vai depender da exposição prévia de exemplos da ciência n o r m a l ou de p a r a d i g m a s em atividade. t e o r i a s e p o n t o s d e v i s t a q u e d e l a p o d e m ser a b s t r a í d o s ? E m q u e s e n t i d o o p a r a d i g m a partilhado é u m a unidade fundamental para o estudo d o d e s e n v o l v i m e n t o científico. u m a u n i d a d e q u e n ã o p o d e ser t o t a l m e n t e r e d u z i d a a c o m p o n e n t e s a t ô m i c o s lógicos que p o d e r i a m funcionar em seu lugar? Q u a n d o as encontrarmos. A pesquisa é realizada de a c o r d o c o m este ensinamento. isto é. P o r q u e a r e a l i z a ç ã o científica. d e s d e a o r i g e m . entidades quântico-imecânicas q u e exibem algumas características de ondas e outras de partículas. Antes de ter sido desenvolvida por Planck. p a r a a g ê n e s e e a c o n t i n u a ç ã o de u m a tradição de pesquisa d e t e r m i n a d a . esta caracterização da luz mal tem meio século. A aquisição de um p a r a d i g m a e do tipo de pesquisa mais esot é r i c o q u e ele p e r m i t e é u m s i n a l d e m a t u r i d a d e n o d e s e n v o l v i m e n t o d e q u a l q u e r c a m p o científico q u e s e queira considerar. leis. ^ Será necessário acrescentar mais sobre as razões da introdução do conceito de paradigma. Einstein e outros no com e ç o deste século. 4.

I . e haviam outras combinações e modificações além dessas. a l g o q u e n ã o foi feito p e l o s p r i m e i r o s t e ó r i c o s d a concepção ondulatória. No entanto. Naquela époc a o s físicos p r o c u r a v a m p r o v a s d a p r e s s ã o e x e r c i d a p e l a s p a r t í c u l a s d e l u z a o colidir c o m o s c o r p o s s ó l i d o s . um o u t r o ainda explicava a luz em termos de u m a interação do meio com u m a emanação do olho. ( P a r i s . The Hislory and Presenl State of Discoveries Relaling to Vision Light and Colours. por meio de u m a revoluç ã o . fe este contraste q u e nos interessa aqui. 385-90.I V . U m grupo considerava a luz c o m o sendo composta de partículas que emanav a m dos corpos materiais. tradução de Jean Taton. D u r a n t e o século X V I I I . este n ã o é o p a d r ã o usual _do p e r í o d o anterior aos t r a b a l h o s de N e w t o n . o conjunto particular de fenômenos ópticos q u e sua própria teoria podia explicar melhor. A l é m d i s s o .c e p ç ã o q u e em última análise derivava d o s escritos ópticos de Y o u n g e Fresnel. 1 9 5 6 ) . p a r a outro. P R I E S T L E Y . c o m o observações paradigmáticas. . C a d a u m a das escolas retirava forças de s u a relação c o m a l g u m a metafísica determinada. a t e o r i a o n d u l a t ó r i a n ã o foi a p r i m e i r a d a s c o n c e p ç õ e s a ser a c e i t a p e l o s p r a t i c a n tes da ciência óptica. p u b l i c a d o s no início do s é c u l o X I X . Em épocas diferentes. era a modificaç ã o do m e i o que intervinha entre o c o r p o e o olho. C a p s . f e 1 2 1. N e n h u m período entre a a n t i g ü i d a d e r e m o t a e o f i m do s é c u l o X V I I e x i b i u u m a ú n i c a c o n c e p ç ã o d a n a t u r e z a d a l u z q u e fosse g e ralmente aceita. todas estas escolas fizeram c o n t r i b u i ç õ e s significativas a o c o r p o d e c o n c e i t o s . Outras observações eram exam i n a d a s a t r a v é s d e e l a b o r a ç ã o a d hoc o u p e r m a n e c i a m c o m o p r o b l e m a s especiais p a r a a pesquisa posterior. R O N C H . 2. Joseph. E m vez disso havia u m b o m n ú m e r o de escolas e subescolas em competição. a q u a l e n s i n a v a q u e a l u z era composta de corpúsculos de matéria. a maioria d a s quais esposava u m a ou outra variante das teorias de Epicuro. C a d a u m a delas enfatizava. o p a r a d i g m a p a r a e s t e c a m p o d e e s t u d o s foi p r o p o r c i o n a d o p e l a Óptica d e N e w t o n . V a s c o . 1772) pp. é o p a d r ã o usual de desenvolvimento da ciência amadurecida. Essas transformações de paradigmas da Óptica F í s i c a s ã o r e v o l u ç õ e s científicas e a t r a n s i ç ã o s u c e s s i v a de um paradigma a outro. Aristóteles o u Platão. Histoire de la lumière. (Londres.

^ A história da pesquisa elétrica na primeira m e tade d o século X V I I I proporciona u m exemplo mais concreto e melhor conhecido da maneira c o m o u m a ciência se desenvolve antes de adquirir seu primeiro paradigma universalmente aceito. Watson. e m b o r a os estudiosos d e s s a á r e a f o s s e m c i e n t i s t a s . c a d a autor de Óptica Física sentia-se forçado a construir n o v a m e n t e seu c a m p o de estudos desde os fundamentos. Du F a y . e s t e n ã o é o p a d r ã o d e d e senvolvimento que a Óptica Física adquiriu depois de N e w t o n e n e m aquele q u e outras ciências da natureza t o r n a r a m familiar hoje em dia. G r a y . D u r a n t e aquele período houve quase tantas concepções sobre a natureza da eletricidade c o m o experimentadores importantes nesse c a m p o . h o m e n s c o m o H a u k s b e e . C o n t u d o . A escolha das observações e experiênc i a s q u e s u s t e n t a v a m tal r e c o n s t r u ç ã o e r a r e l a t i v a m e n t e livre. qualquer u m q u e examine u m a amostra da Óptica Física anterior a N e w t o n p o derá perfeitamente concluir que. T o d o s seus numerosos conceitos de eletricidade tinham algo em c o m u m — e r a m parcialmente derivados de u m a o u o u t r a v e r s ã o d a filosofia m e c â n i c o . Q u a l q u e r definição do cientista. excluirá igualmente seus sucessores m o d e r n o s . P o r n ã o ser o b r i g a d o a a s s u m i r u m c o r p o q u a l q u e r d e c r e n ç a s c o m u n s .n ô m e n o s e técnicas d o s quais N e w t o n extraiu o primeiro paradigma quase uniformemente aceito na Óptica Física. e r a m t o d o s c o m p o n e n t e s d e t e o r i a s científicas r e a i s . q u e exclua os m e m b r o s mais criadores dessas várias escolas. Desaguliers. Esses h o m e n s e r a m cientistas.c o r p u s c u l a r q u e o r i e n t a v a a p e s q u i s a científica d a é p o c a . o r e s u l t a d o l í q u i d o d e s u a s a t i v i d a d e s foi a l g o m e n o s q u e c i ê n c i a . N ã o havia qualquer conjunto-padrão d e m é todos ou de fenômenos q u e todos os estudiosos da Ó p t i c a se s e n t i s s e m f o r ç a d o s a e m p r e g a r e e x p l i c a r . Nollet. teorias que tinham sido parcialmente extraídas de exper i ê n c i a s e o b s e r v a ç õ e s e q u e d e t e r m i n a r a m em p a r t e a e s c o l h a e a i n t e r p r e t a ç ã o de p r o b l e m a s a d i c i o n a i s . Nestas circunstâncias o diálogo dos livros resultantes era freqüentemente dirigido aos m e m b r o s das outras e s c o l a s t a n t o c o m o à n a t u r e z a . C o n t u d o . A l é m d i s s o . F r a n k l i n e outros. H o j e e m d i a esse p a d r ã o é familiar a n u m e r o s o s c a m p o s de estudos criadores e n ã o é incompatível com invenções e descobert a s significativas.

Tendia igualmente a postergar por tanto tempo q u a n t o p o s s í v e l t a n t o a d i s c u s s ã o c o m o a p e s q u i s a sist e m á t i c a s o b r e o n o v o efeito d e s c o b e r t o p o r G r a y — a c o n d u ç ã o elétrica. E m 3 Concept of Electric Charge: Electricity from the GreeJcs to Coulomb ("Harvard Case Histories in Experimental Science". considerava a atração e a geração por fricção c o m o os fenômenos elétricos fundamentais. publicado em A. COHEN. 9-15.c o n d u t o r e s . C a p s . seguindo a prática do século X V I I . Symposíum on the History of Science. e I. Somente através dos trabalhos de F r a n k l i n e de seus sucessores imediatos surgiu u m a teoria c a p a z d e d a r c o n t a . suas teorias n ã o tinham mais do q u e u m a semelhança de família. ROLLEB. Ltd. esse g r u p o t i n h a dific u l d a d e p a r a r e c o n c i l i a r s u a t e o r i a c o m n u m e r o s o s efeitos de atração e repulsão. Enquanto se aguarda sua publicação. que será publicado por H e i n e m a n n Educational B o o k s . esses efeitos p r o porcionaram um ponto de partida p a r a um terceiro grupo. pode-se encontrar u m a apresentação de certo m o d o mais extensa e mais precisa do surgimento do paradigma de Franklin em " T h e F u n c t i o n of D o g m a in Scientific Research" de T H O M A S S. e m b o r a todas as experiências fossem elétricas e a maioria d o s experimentadores lessem os trabalhos uns dos outros. Esse g r u p o t e n d i a a t r a t a r a r e p u l s ã o c o m o u m efeito s e c u n d á r i o devido a alguma espécie de rebote mecânico. C. D . Mass. Entretanto. 1954). ( N a realidade este g r u p o é e x t r e m a m e n t e p e q u e n o — m e s m o a teoria de F r a n k l i n n u n c a explicou completamente a repulsão m ú t u a de dois corpos c a r r e g a d o s n e g a t i v a m e n t e . O u t r o s "eletricistas" (o t e r m o é d e les m e s m o ) c o n s i d e r a v a m a a t r a ç ã o e a r e p u l s ã o c o m o manifestações igualmente elementares da eletricidade e modificaram suas teorias e pesquisas de acordo com tal c o n c e p ç ã o .enfrentados pela pesquisa. g r u p o q u e tendia a falar da eletricidade mais c o m o um "fluido" que podia circular através de condutores do que como um "eflúvio" que emanasse de n ã o . jul. Case 8. Um primeiro grupo de teorias..X I I . Crombie (ed. c o m q u a s e igual facil i d a d e . d e a p r o x i m a d a m e n t e t o d o s esses efeitos. ) M a s estes t i v e r a m t a n t a d i ficuldade c o m o o primeiro grupo p a r a explicar simult a n e a m e n t e q u a l q u e r c o i s a q u e n ã o fosse o s efeitos m a i s s i m p l e s d a c o n d u ç ã o . Estou em dívida c o m um trabalho ainda não publicado de m e u aluno John L. P o r s e u t u r n o . Heilbron no que diz respeito a alguns detalhes analíticos do parágrafo seguinte.). V I I . 1 9 5 6 ) . The Development of the . Cambridge. Franklin and Newton: An Inquiry into Speculative Newtonian Experimentai Science and Franklin's Work in Electricity as an Example Thereof ( F i l a d é l f i a . B. C o n t u d o . 3 DUANE ROLLEB & DUANB H . K U H N . University of Oxford. 1961.

as primeiras col e t a s d e f a t o s s e a p r o x i m a m m u i t o m a i s cie u m a a t i v i dade ao acaso do que daquelas que o desenvolvimento subseqüente da ciência torna familiar. Newton ou F r a n k l i n ) . a História sugere igualmente algumas razões para as dificuldades encontradas ao longo desse caminho. a c o l e t a inicial d e fatos é usualmente restrita à riqueza de d a d o s q u e estão p r o n t a m e n t e a nossa disposição. S u g i r o q u e d e s a c o r d o s fund a m e n t a i s de tipo similar caracterizaram. C o m o conseqüência disso. Em partes da Biologia — por exemplo. nas quais os primeiros p a r a d i g m a s estáveis d a t a m da pré-história. Na ausência de um paradigma ou de algum c a n d i d a t o a p a r a d i g m a . „ Excluindo áreas c o m o a Matemática e a Astronomia. a M e t a l u r g i a e a c o n f e c ç ã o de c a l e n d á r i o s . e t a m b é m aquelas. P e r m a n e c e em aberto a questão a respeito de q u e áreas da ciência social já a d q u i r i r a m tais p a r a d i g m a s . A l é m disso. no estudo da hereditariedade — os primeiros p a r a d i g m a s universalm e n t e aceitos são ainda mais recentes. o e s t u d o do calor antes de Black. as situações esboçadas acima s ã o h i s t o r i c a m e n t e t í p i c a s . por e x e m p l o . da Química antes de Boyle e B o e r h a a v e e da Geologia Histórica antes de H u t t o n — e m b o r a isso envolva de minha parte o emprego continuado de simp l i f i c a ç õ e s infelizes q u e r o t u l a m u m e x t e n s o e p i s ó d i o histórico c o m um único nome. c o m o a M e d i c i n a . na ausência de u m a razão para p r o c u r a f alguma forma d e i n f o r m a ç ã o m a i s r e c ô n d i t a . q u e surgiu da divisão e c o m b i n a ç ã o de especialidades já amadurecidas. mais alguns dos dados mais e s o t é r i c o s p r o c e d e n t e s d e ofícios e s t a b e l e c i d o s . A tecnologia d e s e m p e n h o u m u i t a s vezes um papel vi- . c o m o a Bioquímica. um tanto arbitrariamente escolhido (por exemplo. o estudo do movimento antes de Aristóteles e da Estática antes de A r q u i m e d e s . todos os fatos q u e possivelmente são pertinentes ao desenvolvimento de determinada ciência t ê m a probabilidade de parecerem igualmente relevantes. A História sugere q u e a estrada p a r a um consenso estável na pesquisa é e x t r a o r d i n a r i a m e n t e á r d u a .\~ Vista d i s s o e s s a t e o r i a p o d i a e de f a t o r e a l m e n t e p r o porcionou um paradigma c o m u m para a pesquisa de ! u m a g e r a ç ã o s u b s e q ü e n t e de "eletricistas". C o n t u d o . A s o m a de fatos r e s u l t a n t e s c o n t é m a q u e l e s acessíveis à o b s e r v a ç ã o e à experimentação casuais.

d a c o r . R . d a m i n e r a ç ã o e a s s i m p o r d i a n t e . quase nenhuma das primeiras "histórias" da eletricidade m e n c i o n a m que o farelo. estão repletas de informações. digamos.-. p p 1 7 9 . j á q u e o s ofícios são u m a fonte facilmente acessível de fatos q u e n ã o p o d e r i a m ter sido descobertos casualmente. V. p p .s e e m c h a m a r d e científica a literatura resultante. 14. Apenas muito ocasionalmente. ver M A R S H A L L C L A GETT. visto q u e q u a l q u e r d e s c r i ç ã o t e m q u e ser p a r c i a l . É m b o r * esta espécie de coleta de fatos tenha sido essencial p a r a a o r i g e m d e m u i t a s c i ê n c i a s significativas. L .2 0 3 ) . 28 e 4 3 . E s s e efeito p a r e c i a m e c â nico e n ã o elétrico. A l é m do mais. 22. P a r a u m a a p r e s e n t a ç ã o parcial da história inicial dessa estranha observação. 3 3 7 . por exemplo. 1941). J. 6 . A l é m disso. Din â m i c a e Ó p t i c a G e o m é t r i c a a n t i g a s . d e s c o b r i r á q u e ela p r o d u z u m a s i t u a ç ã o d e p e r p l e x i d a d e . q u e hoje em dia não temos condição alguma de confirmar. cit. Cap. D . a H i s t ó r i a N a t u r a l t í p i ca omite c o m freqüência de seus relatos imensamente circunstanciais e x a t a m e n t e aqueles detalhes q u e cientistas p o s t e r i o r e s c o n s i d e r a r ã o f o n t e s d e i l u m i n a ç õ e s importantes. ed. op. LO aparecimento do trabalho mencionado na última dessas citações é que os efeitos repulsivos foram reconhecidos c o m o inequivocamente elétricos. 1 8 6 9 ) . visto que o coletor de dados casual raramente possui o t e m p o ou os instrumentos p a r a ser crítico. c o m o no caso da Estática.s e o e s b o ç o d e u m a h i s t ó r i a n a t u r a l d o c a l o r n o Novum Organum de B A C O N . 5 . B A C O N . C o m p a r e . M a s j u s t a p õ e m fatos. As "histórias" baconianas do calor. as histórias naturais just a p õ e m freqüentemente descrições como as mencionadas acima como outras de. aquecimento por antiperístase ( o u por esfriamento). q u a l q u e r pessoa que examinar. d i z : " A á g u a l i g e i r a m e n t e m o r n a g e l a m a i s r a p i d a m e n t e d o q u e a t o t a l m e n t e fria*'. d o v e n t o .tal n o s u r g i m e n t o d e n o v a s c i ê n c i a s . VIII de The Works of Francls Bacon. ROLLER & ROILER. atraído por um bastão de vidro coberto de borrac h a . EUis e D . cit. c o m outros (o calor dos m o n t e s de estéreo) que continuarão demasiado complexos para serem integrados na t e o r i a . Por exemplo. 2 3 5 . os escritos enciclopédicos de Plínio ou as Histórias Naturais de Bacon. Spedding. algumas das quais recônditas. H e a t h ( N o v a Y o r k . q u e mais t a r d e d e m o n s t r a r ã o ser r e v e l a d o r e s ( p o r e x e m p l o . I V . D e c e r t o m o d o h e s i t a . Ciovanni Marliani and Late Medieval Physics (Nova York... o a q u e c i m e n t o por m i s t u r a ) . op. é r e p e l i d o n o v a m e n t e . pp. fatos c o l e t a d o s c o m tão pouca orientação por parte de teorias preestabele4 3 6 4 . Somente depois .

por outra ciência ou por um acidente pessoal e histórico. e s t e artifício foi d e s e n v o l v i d o i n d e p e n d e n t e m e n t e . p r o p o r c i o n a m um exemplo típico excelente. e p o r isso d a v a m u m a ênfase especial à c o n d u ç ã o . Os e l e t r i c i s t a s q u e c o n s i d e r a v a m a eletricidade um fluido. d a d a a proporção em que ocorrem) q u e t a i s d i v e r g ê n c i a s iniciais p o s s a m e m g r a n d e p a r t e desaparecer nas áreas q u e c h a m a m o s ciência. Op. h o m e n s diferentes confrontados c o m a m e s ma g a m a de fenômenos — m a s em geral n ã o c o m os m e s m o s f e n ô m e n o s p a r t i c u l a r e s — os d e s c r e v a m e i n t e r pretem de maneiras diversas. Franklin estava especialmente interes7 7. . A l é m disso.cidas falam c o m suficiente clareza p a r a permitir o surgimento de um primeiro paradigma. Se esse c o r p o de c r e n ças já n ã o está implícito na coleção de fatos — q u a n d o então temos à disposição mais do que "meros fatos" — p r e c i s a ser s u p r i d o e x t e r n a m e n t e . m u i t o s d e l e s c o n c e b e r a m a idéia de e n g a r r a f a r o fluido e l é t r i c o . O f r u t o i m e d i a t o de s e u s e s f o r ç o s foi a G a r r a f a d e L e y d e n . • As escolas características dos primeiros estágios do desenvolvimento de u m a ciência criam essa situação. clt. N ã o é de admirar q u e nos primeiros estágios do desenvolvimento de q u a l q u e r ciência. t a l v e z p o r u m a metafísica em voga. pelo m e n o s p o r dois investigadores n o início d a d é c a d a de 1 7 4 0 . N e n h u m a H i s t ó r i a N a t u r a l p o d e ser i n t e r p r e t a d a n a ausência de pelo m e n o s algum c o r p o implícito de crenças metodológicas e teóricas interligadas que permita a s e l e ç ã o . pp. É surpreendente (e talvez t a m b é m único. Q u a s e desde o começo de suas pesquisas elétricas.LER & ROLLER. devido a suas próprias crenças e preconceitos característicos. enfatizava apenas alguma parte especial do conjunto de informações d e m a s i a d o n u m e r o s o e i n c o a t i v o . aparentemente. E n t r e t a n t o . As divergências realmente desaparecem ^em grau considerável e então. u m artifício q u e n u n c a p o d e r i a ter s i d o d e s c o b e r t o p o r a l g u é m q u e explorasse a natureza fortuitamente ou ao acaso. a v a l i a ç ã o e a c r í t i c a . C o n d u z i d o s por essa crença. ROL. em geral seu d e s a p a r e c i m e n t o é caus a d o pelo triunfo de u m a d a s escolas pré-paradigmáticas. que m a l e mal p o d i a d a r c o n t a d a c o n h e c i d a m u l t i p l i c i d a d e d e efeitos de a t r a ç ã o e r e p u l s ã o . 51-54. a qual. de u m a vez por todas.

.4 9 4 e 9. E n t r e t a n t o . 4 9 1 . concluíram rapidamente que nenhum teste experimental poderia distinguir as duas versões da teoria e portanto d a s e r a m equivalentes. cit. 331-543. e m b o r a c o n t i n u a s s e m divididos a esse respeito. tão revelador aparelho.5 4 6 . projetando e q u i p a m e n t o s especiais p a r a a tarefa e e m pregando-os mais sistemática e obstinadamente do q u e j a m a i s f o r a feito a n t e s . Robert Symmer propôs u m a versão dessa teoria q u e envolvia dois fluidos e por muitos anos os eletricistas estiveram divididos a respeito da questão de se a eletricidade compunha-se de um ou dois fluidos. Em 1 7 5 9 . Deve-se notar que a aceitação da teoria de Franklin n ã o terminou c o m todo o debate. E s t e sug e r i a as e x p e r i ê n c i a s q u e v a l e r i a m a p e n a ser feitas e as q u e n ã o t i n h a m interesse. p p . Livre da p r e o c u p a ç ã o c o m todo e qualquer fenômeno elét r i c o .s a d o em explicar aquele estranho e. m a s n ã o p r e c i s a ( e d e f a t o isso n u n c a a c o n t e c e ) e x p l i c a r t o d o s o s f a t o s c o m o s q u a i s p o d e ser c o n frontada. A q u i l o q u e a t e o r i a d o f l u i d o e l é t r i c o fez p e l o s u b g r u p o q u e a d e f e n d e u .. o g r u p o u n i f i c a d o d o s eletricistas p ô d e o c u p a r . proporcionando provas p a r a u m a versão societária d o agudo dito metodológico de Francis Bacon: "A ver8 9 8. em conseqüência. por serem dirigidas a m a nifestações de eletricidade secundárias ou m u i t o c o m plexas. Os eletricistas. p p . esotérico e extenuante. P a r a ser a c e i t a c o m o p a r a d i g m a . 5 4 8 . M a s os debates sobre este assunto apenas confirmaram o que foi dito a c i m a a respeito da m a n e i r a c o m o u m a realização universalmente aceita u n e a profissão.s e b e m mais detalhadamente de fenômenos selecionados. a p e s a r d e e s t e ser ainda incapaz de explicar todos os casos conhecidos d e r e p u l s ã o e l é t r i c a . O caso mais gados negativamente. . problemático era a A esse respeito ver m ú t u a repulsão de c o r p o s carreC O H E N . o p a r a d i g m a realizou esta tarefa b e m m a i s eficientemente do q u e a teoria do fluido elét r i c o . op. e m p a r t e p o r q u e o fim d o d e b a t e e n t r e a s e s c o l a s d e u u m fim à r e i t e r a ç ã o c o n s t a n t e d e f u n d a m e n t o s e em parte p o r q u e a confiança de estar no c a m i n h o certo encorajou os cientistas a e m p r e e n d e r trabalhos de um tipo mais preciso. T a n t o a a c u m u l a ç ã o d e f a t o s c o m o a articulação da teoria tornaram-se atividades a l t a m e n t e o r i e n t a d a s . u m a teoria deve parecer melhor que suas competidor a s . D e p o i s disso. 5 4 3 .5 5 4 ) . O sucesso na explicação p r o p o r c i o n o u o a r g u m e n t o m a i s efetivo p a r a a t r a n s f o r m a ç ã o d e s u a t e o r i a e m p a r a d i g m a . o p a r a d i g m a d e F r a n k l i n fez m a i s t a r d e p o r t o d o o g r u p o d o s eletricistas. O r e n d i m e n t o e a eficiência da pesquisa elétrica aumentaram correspondentemente. ambas escolas puderam realmente explorar todos os b e n e f í c i o s o f e r e c i d o s p e l a t e o r i a d e F r a n k l i n (Ibld.

BACON. Ou pensemos na continuação. p. 323-338. E s s a tradição é discutida por C H A R L E S C. 2 5 5 . 210. durante o fim do século X V I I I e c o m e ç o do X I X . Seu desaparecimento é em parte causado pela conversão de seus adeptos ao novo paradigma. Aqueles q u e n ã o desejam o u n ã o s ã o c a p a z e s d e a c o m o d a r s e u t r a b a l h o a ele t ê m que proceder isoladamente ou unir-se a algum g r u p o . XI. W i s c o n s i n . p o r e x e m p l o . pp. Consideremos. XXXVII (1956). e d . A história da eletricidade proporciona um excelente exemplo que p o d e r i a ser d u p l i c a d o a partir das carreiras de Priestley. algumas vezes é simplesmente a recepção d e u m paradigma q u e transforma n u m a profissão o u pelo m e n o s n u m a disciplina u m g r u p o q u e anteriorm e n t e interessava-se p e l o estudo da natureza. g u a n d o . o " T h e F o r m a t i o n o f L a m a r c k ' s E v o l u t i o n a r y T h e o r y " . — seu discípulo e a l u n o m a i s i m e d i a t o " ( M A X F A R R A N D ( e d . u m i n d i v í d u o o u g r u p o p r o d u z u m a síntese c a p a z d e a t r a i r a maioria d o s praticantes de ciência da geração seguinte. a T e c n o l o g i a e o D i r e i t o . e m Archives internam tionales d'htstoire des sclences. são simplesmente excluídos da profissão e seus trabalhos são ignorados^ O n o v o p a r a d i g m a implica u m a definição nova e mais rígida do c a m p o de estudos.d a d e surge mais facilmente do erro do q u e da confusão". tais pessoas t ê m freqüentemente p e r m a n e c i d o e m d e p a r t a m e n t o s d e Filosofia. o c a s o da Astrologia. cit. pela primeira vez n o desenvolvimento d e u m a ciência d a natureza. 384-86). M a s sempre existem alguns que se aferram a u m a ou outra das concepções mais antigas. G I L I . 1 9 5 9 ) . d o s q u a i s t ê m b r o t a d o tantas ciências especiais.8 9 . que era o m a i s influente d o s eletricistas e u r o p e u s n a m e t a d e d o s é c u l o . N a s ciências ( e m b o r a n ã o em c a m p o s c o m o a Medicina. M a i s interessante é o fato de escolas inteiras terem sobrevivido isoladas da ciência profissional. No próximo capítulo examinaremos a natureza dessa pesquisa precisamente orientada ou baseada em paradigma. Beniamin Franklin's Memoirs [Berkeley. a f u n d a ç ã o de s o c i e d a d e s de e s p e c i a l i s t a s e a reivindicação de um lugar especial nos currículos de 1 0 1 1 10. Frankíin assinala q u e Nollet. q u e t ê m a s u a raison d'être n u m a necessidade social e x t e r i o r ) a criação de jornais espec i a l i z a d o s . de u m a tradição anteriormente respeitada de Q u í m i c a •'romântica". pp. que fora u m a parte integral da A s t r o n o m i a . " v i v e u o b a s t a n t e p a r a c h e g a r a ser o último m e m b r o de sua seita. as escolas mais antigas c o m e ç a m a desaparecer gradualmente. Kelvin e o u t r o s . em Criticai Problems in the History oi Science. ) . I S P I E e m " T h e Encyclopédie a n d t h e J a c o b i n P h t l o s o p h y o f S c i e n c e : A S t u d y in I d e a s a n d C o n s e q u e n c e s " . m a s antes indicaremos brevemente c o m o a emergência de um p a r a d i g m a afeta a estrutura do grup o q u e atua nesse c a m p o . M a r s h a l l C l a g e t t ( M a d i s o n . 1949]. B. Califórnia. Op. p p . C o m o s u g e r e m essas indicações. c o m a e x c e ç ã o do Sr. . H i s t o r i c a m e n t e .

De u m a maneira regular. É somente naquelas áreas em que o livro. q u e e r a m d i r i g i d o s a t o dos o s possíveis interessados n o objeto d e e s t u d o d o c a m p o e x a m i n a d o . c o m ou sem o artigo. . s e u s relatórios de pesquisa c o m e ç a r ã o a m u d a r . nos seus trabalhos mais importantes. s o m e n t e n o s primeiros estágios do desenvolvim e n t o das ciências.estudo. h o m e n s q u e certamente c o n h e c e m o p a r a d i g m a partilhado e q u e d e m o n s t r a m ser os únicos c a p a z e s de ler os e s c r i t o s a eles e n d e r e ç a d o s . n ã o tem mais necessidade. seguindo tipos de evolução q u e t ê m sido muito p o u c o estudados. o cientista criador p o d e começar' suas pesquisa onde o -manual a interrompe e desse m o d o concentrar-se exclusivamente nos aspectos m a i s sutis e e s o t é r i c o s d o s f e n ô m e n o s n a t u r a i s q u e p r e o c u p a m o g r u p o . H o j e em dia os livros científicos são g e r a l m e n t e ou manuais o u reflexões retrospectivas sobre u m o u o u t r o a s p e c t o d a v i d a científica. mantém-se c o m o um veículo p a r a a . ( Q u a n d o u m cientista p o d e considerar um p a r a d i g m a c o m o certo. E m v e z d i s s o . . N a m e d i d a e m q u e fizer i s s o . a p a r e c e r ã o s o b a forma de artigos breves. o livro possuía a m e s m a relação c o m a realização profissional q u e ainda conserva em outras áreas abertas à criativid a d e . q u a n do a parafernália de especializações adquiriu prestígio p r ó p r i o . Isso p o d e ser deixado p a r a os autores de m a n u a i s . durante o período q u e vai desde o desenvolvimento de um p a d r ã o institucional de esp e c i a l i z a ç ã o científica a t é a é p o c a m a i s r e c e n t e . O c i e n t i s t a q u e e s c r e v e u m livro t e m mais p r o b a b i l i d a d e s de ver sua r e p u t a ç ã o comprometida do que aumentada. m a s cujos r e s u l t a d o s finais m o d e r n o s s ã o ó b v i o s p a r a todos e opressivos para muitos. h á século e meio atrás. d a d o o m a n u a l . _^ A d e f i n i ç ã o m a i s e s t r i t a d e g r u p o científico t e m outras conseqüências. têm geralmente estado associadas c o m o m o mento em que um g r u p o aceita pela primeira vez um p a r a d i g m a ú n i c o . anteriores ao p a r a d i g m a . Suas pesquisas já n ã o s e r ã o h a b i t u a l m e n t e i n c o r p o r a d a s a l i v r o s c o m o Experiências. dirigidos apenas aos colegas de profissão. sobre a Eletricidade de F r a n k l i n ou a Origem das Espécies de D a r w i n . P e l o m e n o s foi isso q u e o c o r r e u . / M a s . de tentar construir seu c a m p o de estudos c o m e ç a n d o pelos primeiros princípios e justificando o uso de c a d a conceito introduzido.

c o m u n i c a ç ã o das pesquisas q u e as linhas de profissionalização permanecem ainda muito tenuemente traçad a s . S o m e n t e n e s s e s .casos p o d e o l e i g o e s p e r a r m a n t e r se a p a r d o s progressos realizados f a z e n d o a leitura d o s relatórios originais d o s especialistas. T a n t o n a M a temática c o m o na Astronomia, já na Antigüidade os r e l a t ó r i o s d e p e s q u i s a s d e i x a r a m d e ser inteligíveis p a r a u m auditório d o t a d o d e cultura geral. N a D i n â m i c a , a p e s q u i s a t o r n o u - s e i g u a l m e n t e e s o t é r i c a n o s fins d a I d a d e M é d i a , r e c a p t u r a n d o sua inteligibilidade mais generalizada apenas por um breve período, d u r a n t e o início d o século X V I I , q u a n d o u m novo paradigma substituiu o q u e havia guiado a pesquisa medieval. rA pesq u i s a e l é t r i c a c o m e ç o u a exigir u m a t r a d u ç ã o p a r a l e i g o s n o fim d o s é c u l o X V I I I . M u i t o s o u t r o s c a m p o s d a c i ê n c i a física d e i x a r a m d e ser acessíveis n o s é c u l o X I X . D u r a n t e esses m e s m o s dois séculos transições similares p o d e m ser identificadas nas diferentes áreas d a s ciências biológicas. P o d e m muito b e m estar ocorrendo hoje, em d e t e r m i n a d o s setores d a s ciências sociais. E m bora se tenha tornado costumeiro (e certamente aprop r i a d o ) l a m e n t a r o h i a t o c a d a vez m a i o r q u e s e p a r a o cientista profissional de seus colegas de o u t r a s disciplinas, pouca atenção tem sido prestada à relação essencial entre aquele hiato e os mecanismos intrínsecos a o p r o g r e s s o científico. Desde a Antigüidade um campo de estudos após o o u t r o t e m c r u z a d o a divisa entre o q u e o historiador p o d e r i a c h a m a r de sua pré-história c o m o ciência e sua história p r o p r i a m e n t e dita. Essas transições à maturid a d e raramente têm sido tão repentinas ou tão inequívocas c o m o minha discussão necessariamente esquemática p o d e ter d a d o a entender. M a s t a m p o u c o f o r a m h i s t o r i c a m e n t e g r a d u a i s , isto é , c o e x t e n s i v a s c o m o desenvolvimento total dos campos de estudo em que ocorreram. Os que escreveram sobre a eletricidade durante as primeiras décadas do século X V I I I possuíam m u i t o mais informações sobre os fenômenos elétricos q u e seus predecessores d o século X V I . P o u c o s fenôm e n o s elétricos foram acrescentados a seus conhecim e n t o s d u r a n t e o meio século posterior a 1 7 4 0 . Apesar disso, em pontos importantes, a distância parece maior entre os trabalhos sobre a eletricidade de Cavendish, C o u l o m b e Volta (produzidos nas três últimas décadas

do século X V I I I ) e os de Gray, Du F a y e m e s m o F r a n k l i n ( i n í c i o d o m e s m o s é c u l o ) , d o q u e e n t r e esses ú l t i mos e os do século X V I . Em algum m o m e n t o entre 1 7 4 0 e 1 7 8 0 , os eletricistas t o r n a r a m - s e capazes d e , pela primeira vez, dar por estabelecidos os fundamentos de seu c a m p o de estudo. D a í p a r a a frente orientaram-se para problemas mais recônditos e concretos e passaram cada vez mais a relatar os resultados de seus t r a b a l h o s em artigos e n d e r e ç a d o s a outros eletricistas, a o invés d e e m livros endereçados a o m u n d o instruído em geral. A l c a n ç a r a m , c o m o grupo, o que fora obtido p e l o s a s t r ô n o m o s n a A n t i g ü i d a d e , ;pelos e s t u d a n t e s d o movimento na I d a d e Média, pela Óptica Física no século X V I I e pela Geologia Histórica nos princípios do século X I X . E l a b o r a r a m um paradigma capaz de orient a r a s p e s q u i s a s d e t o d o o g r u p o . ÍSe n ã o s e t e m o poder de considerar os eventos retrospectivamente, torn a - s e difícil e n c o n t r a r o u t r o c r i t é r i o q u e r e v e l e t ã o c l a ramente que um c a m p o de estudos tornou-se u m a ciência.J
1 2

12. Os desenvolvimentos posteriores a Franklin incluem um aumento enorme na sensibilidade dos detectores de carga, as primeiras técnicas dignas de confiança e largamente difundidas para medir as cargas, a e v o lução do conceito de capacidade e sua relação c o m a n o ç ã o de tensão elétrica, q u e fora recentemente refinada e ainda a quantificação da força eletrostática. C o m respeito a todos esses pontos, consulte-se R O L L E R &
ROLLER,

Science,

tion

of

op.

(Leipzig,

I

Electric

cit.,

pp.

1884),

(1936),

Parte I, Caps. III-IV.

pp.

Charges

66-81;

66-100;

in

W .

e

the

C.

WALKER,

EDMUND

Eighteenth

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HOPPE,

Century",

Detection

Gesc/iichte

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Annals

Estima-

Eletrizitã\

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2.

A NATUREZA DA CIÊNCIA N O R M A L

Q u a l é então a natureza dessa pesquisa mais especializada e esotérica permitida pela aceitação de um paradigma único por parte de um grupo? Se o parad i g m a r e p r e s e n t a u m t r a b a l h o q u e foi c o m p l e t a d o d e u m a vez por todas, que outros problemas deixa para s e r e m r e s o l v i d o s p e l o g r u p o p o r ele u n i f i c a d o ? E s s a s questões parecerão ainda mais urgentes se observarmos u m aspecto n o q u a l o s t e r m o s utilizados até a q u i podem,., ser enganadores. No seu uso estabelecido, um p a r a - 1 d i g m a é um m o d e l o ou p a d r ã o aceitos. E s t e aspecto ) d e s e u s i g n i f i c a d o p e r m i t i u - m e , n a falta d e t e r m o m e lhor, servir-me dele aqui. M a s d e n t r o e m p o u c o ficará claro que o sentido de " m o d e l o " ou " p a d r ã o " não é

o m e s m o q u e o h a b i t u a l m e n t e e m p r e g a d o na definição d e " p a r a d i g m a " . P o r e x e m p l o , n a G r a m á t i c a , "amo, amas, amat" é um p a r a d i g m a p o r q u e a p r e s e n t a um p a d r ã o a ser u s a d o n a c o n j u g a ç ã o d e u m g r a n d e n ú m e r o de outros verbos latinos — p a r a produzir, entre o u t r o s , "laudo, laudas, laudat". N e s t a a p l i c a ç ã o c o s t u m e i r a , o p a r a d i g m a f u n c i o n a ao p e r m i t i r a r e p r o d u ç ã o de exemplos, cada um dos quais poderia, em princípio, substituir aquele. P o r o u t r o lado, na ciência, um p a r a d i g m a r a r a m e n t e é suscetível de r e p r o d u ç ã o . T a l c o m o u m a decisão judicial aceita no direito costumeiro, o p a r a d i g m a é um o b j e t o a ser m e l h o r a r t i c u l a d o e p r e cisado em condições novas ou mais rigorosas. P a r a q u e s e c o m p r e e n d a c o m o isso é p o s s í v e l , d e v e m o s r e c o n h e c e r q u e u m p a r a d i g m a p o d e ser m u i t o l i m i tado, tanto no âmbito c o m o na precisão, q u a n d o de sua primeira aparição. Os paradigmas adquirem seu status p o r q u e s ã o m a i s b e m s u c e d i d o s q u e s e u s c o m petidores na resolução de alguns problemas q u e o grup o d e c i e n t i s t a s r e c o n h e c e c o m o g r a v e s . C o n t u d o , ser b e m s u c e d i d o n ã o significa n e m ser t o t a l m e n t e b e m s u cedido com um único problema, nem notavelmente b e m sucedido c o m um g r a n d e n ú m e r o . De início, o suc e s s o de um p a r a d i g m a — seja a a n á l i s e a r i s t o t é l i c a do movimento, os cálculos ptolomaicos das posições planetárias, o e m p r e g o da b a l a n ç a p o r Lavoisier ou a matematização do c a m p o eletromagnético por Maxwell — é, em grande parte, u m a promessa de sucesso q u e p o d e ser d e s c o b e r t a e m e x e m p l o s s e l e c i o n a d o s e a i n d a incompletos. A ciência n o r m a l consiste na atualização dessa promessa, atualização q u e se o b t é m ampliando-se o c o n h e c i m e n t o daqueles fatos q u e o p a r a d i g m a a p r e senta c o m o particularmente relevantes, aumentando-se a c o r r e l a ç ã o e n t r e esses fatos e a s p r e d i ç õ e s d o p a r a digma e articúlando-se ainda mais o próprio paradigma. Poucos dos que não trabalham realmente com u m a ciência amadurecida dão-se conta de q u a n t o trabalho de limpeza desse tipo resta por fazer d e p o i s do estabelecimento do p a r a d i g m a ou de q u ã o fascinante é a e x e c u ç ã o d e s s e t r a b a l h o . E s s e s p o n t o s p r e c i s a m ser b e m compreendidos. A maioria dos cientistas, d u r a n t e toda a sua carreira, ocupa-se c o m operações de limpeza. E l a s constituem o q u e c h a m o de ciência n o r m a l . E x a m i n a d o d e p e r t o , seja h i s t o r i c a m e n t e , seja n o l a b o -

[

r a t ó r i o c o n t e m p o r â n e o , esse e m p r e e n d i m e n t o p a r e c e ser u m a tentativa de forçar a natureza a encaixar-se d e n t r o dos limites preestabelecidos e relativamente inflexíveis f o r n e c i d o s p e l o p a r a d i g m a . A c i ê n c i a n o r m a l n ã o t e m c o m o objetivo trazer à tona n o v a s espécies de fenômeno; na verdade, aqueles que n ã o se ajustam aos limites d o p a r a d i g m a freqüentemente n e m s ã o vistos. O s cientistas t a m b é m n ã o estão constantemente p r o curando inventar novas teorias; freqüentemente mostram-se intolerantes c o m aquelas inventadas por out r o s . E m v e z d i s s o , a p e s q u i s a científica n o r m a l e s t á dirigida p a r a a articulação daqueles fenômenos e teorias já fornecidos pelo p a r a d i g m a . T a l v e z essas características sejam defeitos. As áreas investigadas pela ciência n o r m a l são certamente m i n ú s c u l a s ; ela r e s t r i n g e d r a s t i c a m e n t e a v i s ã o d o c i e n tista. M a s essas restrições, nascidas da confiança no p a r a d i g m a , revelaram-se essenciais p a r a o desenvolvim e n t o d a c i ê n c i a . A o c o n c e n t r a r a a t e n ç ã o n u m a faixa de problemas relativamente esotéricos, o p a r a d i g m a força os cientistas a investigar a l g u m a parcela da n a tureza com u m a profundidade e de u m a maneira tão d e t a l h a d a que de o u t r o m o d o seriam inimagináveis. E a ciência n o r m a l possui um m e c a n i s m o interno q u e assegura o relaxamento das restrições que limitam a pesquisa, toda vez que o p a r a d i g m a do qual derivam deixa de funcionar efetivamente. Nessa altura os cientistas com e ç a m a c o m p o r t a r - s e de m a n e i r a d i f e r e n t e e a n a t u reza dos problemas de pesquisa m u d a . No intervalo, ent r e t a n t o , d u r a n t e o q u a l o p a r a d i g m a foi b e m s u c e d i d o , os m e m b r o s da profissão terão resolvido problemas q u e m a l p o d e r i a m t e r i m a g i n a d o e cuja s o l u ç ã o n u n c a t e r i a m empreendido sem o comprometimento com o paradigma. E pelo m e n o s parte dessas realizações sempre d e m o n s t r a ser p e r m a n e n t e . P a r a mostrar mais claramente o que entendemos por pesquisa normal ou baseada em paradigma, tentarei a g o r a classificar e i l u s t r a r o s p r o b l e m a s q u e c o n s t i t u e m essencialmente a ciência normal. Por conveniência, adio o e s t u d o da atividade teórica e c o m e ç o c o m a coleta de f a t o s , isto é , c o m a s e x p e r i ê n c i a s e o b s e r v a ç õ e s d e s c r i 1

I. BARBER, B e m a r d . Resistance by Scientists to Science, C X X X I V , p p . 5 9 6 - 6 0 2 (1961).

Scientific

Discovery.

condutividades elétricas e potenciais de c o n t a t o . mas pela precisão.tas nas revistas técnicas. L a w r e n c e . o que m o tiva o cientista a perseguir essa escolha até u m a c o n clusão?. U m a s e g u n d a classe usual. p o r é m mais restrita. na F í s i c a — as g r a v i d a d e s e as compressibilidades específicas dos materiais. Ao empregá-los na resolução de p r o b l e m a s . M u i t a s vezes. segurança e alcance dos m é todos que desenvolveram visando à redeterminação de c a t e g o r i a d e fatos a n t e r i o r m e n t e c o n h e c i d a . s e u m p a r a d i g m a o s a s s e g u r a r d a i m p o r tância dos fatos q u e pesquisam. na Q u í m i c a — os p e sos d e c o m p o s i ç ã o e c o m b i n a ç ã o . d a d o q u e a m a i o r i a d a s o b s e r v a ç õ e s científicas c o n somem muito tempo. alguns cientistas adquiriram grandes reputações. e s s a s d e t e r m i n a ç õ e s significativas d e fatos i n c l u í r a m : na A s t r o n o m i a — a p o s i ç ã o e m a g n i tude d a s estrelas. n u m a variedade maior de situações. n ã o p o r causa da novidade de suas descobertas. p o n t o s d e e b u l i ç ã o e a a c i d e z d a s s o l u ç õ e s . P e n s o *que e x i s t e m a p e n a s t r ê s f o c o s n o r m a i s p a r a a i n v e s t i g a ç ã o científica d o s fatos e eles n ã o s ã o n e m sempre n e m p e r m a n e n t e m e n t e distintos. De que aspectos da natureza tratam geralm e n t e esses r e l a t ó r i o s ? O q u e d e t e r m i n a s u a s e s c o l h a s ? E . d e fatos a s e r e m d e t e r m i n a d o s d i z r e s p e i t o à q u e l e s f e n ô m e - . O. De T y c h o B r a h e até E. a c o n s t r u ç ã o e o a p e r f e i ç o a m e n t o d e s ses aparelhos exigiram talentos de p r i m e i r a o r d e m . a l é m de muito t e m p o e um respaldo financeiro considerável. N u m a é p o c a o u n o u t r a . Os síncrotrons e os radiotelescópios são apenas os e x e m plos mais recentes de até o n d e os investigadores estão d i s p o s t o s a ir. através das quais os cientistas informam seus colegas d o s resultados de suas pesquisas em curso. os p e r í o d o s d a s eclipses d a s estrelas d u p l a s e d o s p l a n e t a s . t e m o s a q u e l a classe d e f a t o s q u e o p a r a d i g m a m o s t r o u ser p a r t i c u l a r m e n t e r e v e l a d o r a d a n a t u r e z a d a s coisas. As tentativas de a u m e n t a r a acuidade e e x t e n s ã o d e n o s s o c o n h e c i m e n t o s o b r e esses f a t o s o c u p a m u m a f r a ç ã o significativa d e l i t e r a t u r a d a c i ê n cia experimental e da observação. c o m p l e xos aparelhos especiais t ê m sido projetados p a r a tais fins. E m primeiro l u g a r . as f ó r m u l a s e s t r u t u r a i s e as a t i v i dades ópticas. equipamento e dinheiro. c o m p r i m e n tos de o n d a e intensidades espectrais. A i n v e n ç ã o . o paradigma tornou-os merecedores de u m a determinação mais precisa.

I. A History of Science. COWAN. S C H I F F . medições desse último f e n ô m e n o permanecem equívocas. Para u m a apresentação resumida e atualizada do problema. pp. A pp. 1 9 5 2 ) . C o m o veremos em breve. A Report on the N A S A C o n f e r e n c e o n E x p e r i m e n t a l T e s t s o f T h e o r i e s o f R e l a t i v i t y . V i t e s s e s relatives de la l u m i è r e d a n s l'air et dans r e a u . Palterns of Discovery (Cambridge. et al. O ú n i c o índice de verificação c o n h e c i d o de há m u i t o e ainda geralm e n t e a c e i t o é a precessão do p e r i é l i o de M e r c ú r i o . p o d e m ser d i r e t a m e n t e c o m p a r a d o s c o m a s predições da teoria do paradigma. o aparelho de Foucault para mostrar q u e a velocidade da luz é m a i o r no ar do q u e na á g u a . 100-102. 1958). M é t h o d e . . Confirmation. A t é agora n ã o mais d o q u e três dessas áreas são acessíveis à T e o r i a G e r a l d a R e l a t i v i d a d e d e E i n s t e i n .générale p o u r mesurer la vitesse de la lumière dans Tair et les m i l i e u x transparents. p p . pp. Physics 3 .nos q u e . p a r a f o r n e c e r a p r i m e i r a d e m o n s t r a ç ã o i n e q u í v o c a d a s e g u n d a lei d e N e w ton. ver M . Today. Talvez em breve tenhamos outros índices neste c a m p o atualmente ativo. u m p o n t o atualmente em discussão. m e s m o nas áreas o n d e a aplicação é possível. and Philorophy in the Eighteenth Cenlury ( 2 .. ed.1 0 5 . r a r a m e n t e enc o n t r a m o s á r e a s n a s q u a i s u m a t e o r i a científica p o d e ser diretamente comparada c o m a natureza. Science. CXXIV. XIV. e o m e s m o p a r e c e possível para a curvatura d a luz e m t o m o d o Sol. HANSON. XXX trino: (1850). . N o q u e t o c a aos telescópios d e paralaxe. of the Free Neu- .. especialmente se é expressa n u m a forma predominantemente m a t e m á tica. Londres. pp. . R. A m u d a n ç a para o v e r m e l h o no espectro de luz das estrelas distantes pode ser derivada de c o n s i d e r a ç õ e s m a i s elementares do q u e a relatividade geral.2 0 8 . A l é m disso. ou o gigantesco m e d i d o r de cintilações. e m b o r a freqüentemente sem muito interesse int r í n s e c o . 551-560. quando passamos dos problemas experimentais aos p r o b l e m a s teóricos da ciência n o r m a l . F o i possível. Q u a n t o aos dois ú l t i m o s tipos d e aparelhos especiais.. Technology. m a s adormecido de há muito. De qualquer m o d o . em Comptes rendus. N. e C. inventada pela primeira vez quase u m s é c u l o d e p o i s d o s Principia. ver A B R A H A M W O L F . projetado p a r a a exist ê n c i a do n e u t r i n o — esses a p a r e l h o s e s p e c i a i s e m u i t o s outros semelhantes ilustram o esforço e a engenhosid a d e imensos que foram necessários p a r a estabelecer um a c o r d o c a d a vez mais estreito entre a n a t u r e z a e a teoria. f r e q ü e n t e m e n t e r e q u e r a p r o x i m a ç õ e s t e ó r i c a s e i n s trumentais que limitam severamente a concordância a ser e s p e r a d a . ver L. A p e r f e i ç o a r o u e n c o n t r a r n o v a s á r e a s n a s q u a i s a c o n c o r d â n c i a p o s s a ser d e m o n s t r a d a c o l o c a u m d e s a f i o c o n s t a n t e à h a b i l i d a d e e à i m a g i n a ç ã o do o b servador e experimentador. a máquina de Atwood. E s t a tentativa de d e m o n s t r a r esse a c o r d o re2 3 2. 103-104 Detection (1956). 42-48 (1961). Jr. mais recentemente. Para a máquina d e A t w o o d . ver 2 0 7 . de VAcadémie des sciences. F O U C A U L T .. 1 0 3 . L. estabelecer um índice de verificação adicional: o deslocamento gravitacional da radiação de Mossbauer. Telescópios especiais p a r a demonstrar a paralaxe anual predita por Copérnico. L .

resolvendo algum a s de suas ambigüidades residuais e permitindo a sol u ç ã o d e p r o b l e m a s p a r a o s q u a i s ela a n t e r i o r m e n t e s ó tinha c h a m a d o a atenção. n o r m a l . E s s a classe revela-se a mais i m p o r t a n t e de todas e p a r a descrevê-la é necessário s u b dividi-la. a o b r a de N e w t o n indicava que a força entre d u a s unidades de massa a u m a u n i d a d e de distância seria a m e s ma p a r a todos os tipos de matéria. E d u r a n t e o século q u e se seguiu ao a p a r e c i m e n t o d o s Principia. na última década do século X V I I I . . C o n s i s t e n o t r a b a l h o e m p í r i c o e m p r e e n d i d o p a r a articular a teoria do paradigma. C a m bridge. e d . P o r e x e m p l o . M a s os problemas que N e w t o n examinava p o d i a m ser r e s o l v i d o s s e m n e m m e s m o e s t i m a r o t a m a n h o dessa atração. F r e q ü e n t e m e n t e a teoria do p a r a d i g m a está diretamente implicada no trabalho de concepção da apar e l h a g e m c a p a z d e r e s o l v e r o p r o b l e m a . d o n ú m e r o d e A v o g a d r o . d o coeficiente d e J o u l e . a l g u m a s d a s experiências que visam à articulação são orientadas para a d e t e r m i n a ç ã o de c o n s t a n t e s físicas. e m v i s t a d e s u a p o s i ç ã o c e n t r a l n a t e o r i a física. a constante da gravitação universal.presenta um segundo tipo de trabalho experimental normal que depende do paradigma de u m a maneira ainda mais óbvia do que o primeiro tipo m e n c i o n a d o . S e m o s Principia. H . N a s ciências m a i s m a t e m á t i c a s . A exist ê n c i a d e u m p a r a d i g m a c o l o c a o p r o b l e m a a ser r e s o l vido. Outros exemplos de trabalhos do mesmo tipo incluiriam determinações da unidade astronômica. J . Encyclopedia Brltannica ( 1 1 . ' P o u c o s desses c o m plexos esforços teriam sido concebidos e n e n h u m teria 4 4 . a s m e d i ç õ e s feitas c o m a m á q u i n a d e A t w o o d n ã o t e r i a m q u a l q u e r significado. 385-389. 1910-11). C r e i o q u e u m a terceira classe de experiências e o b servações esgota as atividades de coleta de fatos na ciência. t a m p o u c o foi a ú l t i m a . D e s d e e n t ã o . em todas as posições do universo. p o r e x e m p l o . A famosa determinação de C a vendish. a b u s c a d e v a l o r e s m a i s p r e c i s o s p a r a a constante gravitacional t e m sido objeto de repetidos esforços de n u m e r o s o s experimentadores de primeira qualidade. n i n g u é m i m a g i n o u u m a p a r e l h o c a p a z d e d e terminar essa constante. P[OYWTING] examina umas duas dúzias d e medidas d a constante gravitacional e f e t u a d a s entre 1741 e 1901 em " G r a v i t a t i o n a l C o n s t a n t a n d M e a n D e n s i t y o f t h e E a r t h " . e assim por d i a n t e . X I I . pp. de carga elétrica.

os esforços p a r a articular um p a r a d i g m a n ã o estão restritos à determinação de constantes univers a i s . 6 . ( A q u e l e s que anteriormente tinham m e d i d o forças elétricas c o m balanças de pratos comuns. D u a n e & R O I .s i d o r e a l i z a d o s e m u m a t e o r i a d o p a r a d i g m a p a r a definir o p r o b l e m a e g a r a n t i r a e x i s t ê n c i a de u m a s o l u ç ã o estável. . P o d e m . T a l v e z n ã o seja e v i d e n t e q u e u m p a r a d i g m a é u m p r é . D . R O L L B K . S p i e r s e A. . I . O sucesso de C o u l o m b d e p e n d e u d o f a t o d e ter c o n s t r u í d o u m a p a r e l h o e s p e c i a l p a r a medir a força entre cargas extremas. pp. c o m introdução e notas por F. C o n t u d o . v i s a r a leis q u a n t i t a t i v a s : a Lei de Boyle. Mass. Barry ( N o v a York. N a p . The Development o f the Concept of Electric Chame: Electrlcíty from the Greeks to Coulomb ("Harvard Case Histories in Experimental Science". e a f ó r m u l a de J o u l e . As experiências de Joule tamb é m p o d e r i a m ser u s a d a s p a r a i l u s t r a r c o m o leis q u a n titativas s u r g e m d a articulação d o p a r a d i g m a . p o r e x e m p l o . e t c . Para a transplantação dos conceitos de Hidrostática para a Pneum á t i c a . n ã o encontraram nen h u m a regularidade simples ou coerente. 66-80.) M a s essa concepção do aparelho dependeu do reconhecimento prévio d e q u e c a d a p a r t í c u l a d o fluido e l é t r i c o a t u a a d i s t â n c i a s o b r e t o d a s a s o u t r a s . Seu rápido desenvolvimento é apresentado n o s dois tratados principais. 1 6 4 e n c o n t r a m o s a introdução original d e Torricelli a o paralelismo ( " N ó s vivemos submergidos no fundo de um oceano do elemento ar"). As experiências de Boyle n ã o e r a m concebíveis (e se concebíveis teriam recebido u m a o u t r a interpretação ou m e s m o n e n h u m a ) até o m o m e n t o e m q u e o a r foi r e c o n h e c i d o c o m o u m f l u i d o e l é t r i c o a o q u a l p o d e r i a m ser a p l i c a d o s t o d o s o s e l a b o r a d o s conceitos de Hidrostática. B. O u v i m o s freq ü e n t e m e n t e dizer q u e elas são encontradas p o r m e i o do e x a m e d e medições e m p r e e n d i d a s sem o u t r o objetivo que a própria medida e sem compromissos teóricos. 1937). E r a a f o r ç a e n t r e tais p a r t í c u l a s — a ú n i c a f o r ç a q u e p o d i a . 1954). Cambridge. D u a n e H . H.r e q u i sito p a r a a d e s c o b e r t a d e leis c o m o e s s a s . H. D e fato: a r e l a ç ã o e n t r e p a r a d i g m a q u a l i t a t i v o e lei q u a n t i t a t i v a 5 6 5. M a s a história n ã o oferece n e n h u m respaldo para um m é t o d o tão excessivamente baconiano. E R . .. Case 8. que relaciona a pressão do gás ao volume. G. v e r The Physicaí Treatises of Pascal. t r a d u z i d o p o r I. ser c o n s i derada u m a simples função da distância — que C o u lomb estava b u s c a n d o . c o m s e g u r a n ç a . Spiers. q u e r e l a c i o n a o c a l o r p r o d u z i d o à r e s i s t ê n c i a e à corrente elétrica — todas estão nessa categoria. a L e i de C o u l o m b s o b r e a a t r a ç ã o e l é t r i c a .

p p . 1 6 1 . Muitas experiências foram realizadas p a r a elaborar essas várias possibilidades e distinguir entre elas. P o r e x e m p l o . de que outra maneira se poderia ter escolhido u m a experiência p a r a elucidá-lo? 7 8 7. K U H N . pp. todas essas experiências brotaram da teoria calórica enquanto paradigma e todas a e x p l o r a r a m no p l a n e j a m e n t o de e x p e r i ê n c i a s e na i n terpretação d o s r e s u l t a d o s . p o r fricção e p o r compressão ou absorção de um gás — e a cada um desses fenôm e n o s a teoria p o d i a ser aplicada de diversas maneiras. S . E existem várias outras explicações além dessas. se o v á c u o tivesse u m a c a p a c i d a d e térmica. Isis. e s s a s leis c o m freqüência têm sido corretamente adivinhadas c o m o auxflio d e u m p a r a d i g m a . F i n a l m e n t e . a n o s a n t e s q u e u m a p a r e l h o p o s s a ser p r o j e t a d o p a r a s u a d e t e r m i n a ç ã o e x perimental. . 8 . as aplicações do p a r a d i g m a da teoria calorífica referiamse ao aquecimento e resfriamento por meio de misturas e m u d a n ç a d e e s t a d o . o a q u e c i m e n t o por c o m p r e s s ã o p o d e r i a ser explicado c o m o sendo o resultado da mistura do gás c o m o v a z i o . Nesse caso experiências são necessárias p a r a permitir u m a escolha entre m o d o s alternativos de aplicação do paradigma à nova área de interessej Por exemplo.1 9 3 ( 1 9 6 1 ) . p o d e assemelhar-se à exploração e predomina especiatmente naqueles períodos e ciências q u e tratam mais dos aspectos qualitativos das regularidades da natureza do que dos quantitativos. M a s o c a l o r p o d i a ser l i b e r a d o o u absorvido de muitas outras maneiras — por exemplo. todas as experiências ulteriores nessa área foram determinadas pelo paradigma. existe u m a terceira espécie d e e x p e r i ê n c i a q u e visa à a r t i c u l a ç ã o d e u m p a r a d i g m a . por c o m b i n a ç ã o química. S. P a r a exemplos. d e s d e G a l i l e u .é t ã o g e r a l e t ã o e s t r e i t a q u e . K U H N . T . ver T. mais do que as anteriores. L I I . E s t a . X L I X . O u p o d e r i a ser d e v i d o a u m a m u d a n ç a n o c a l o r específico de gases s o b u m a p r e s s ã o variável. T h e C a l o r i c T h e o r y o f A d i a b a t i c C o m p r e s s i o n . U m a vez estabelecido o fenômeno do aquecimeno por compressão./Freq ü e n t e m e n t e u m p a r a d i g m a q u e foi d e s e n v o l v i d o p a r a um determinado conjunto de problemas é ambíguo na sua aplicação a outros fenômenos estreitamente relacionados. D a d o o fenômeno. T h e Function of Measurement in M o d e m P h y s i c a l S c i e n c e . 132-140 ( 1 9 5 8 ) . Isis.

Newton d e r i v a r a a s leis d o m o v i m e n t o p l a n e t á r i o d e K e p l e r e e x plicara t a m b é m alguns dos aspectos. m a s p o r q u e p o d e m ser v e r i f i c a d a s d i r e t a m e n t e a t r a v é s d e e x p e r i ê n c i a s . q u e deve ser r e l e g a d o a e n g e n h e i r o s o u t é c n i c o s . N e n h u m o u t r o t r a b a l h o c o n h e c i d o n a H i s t ó r i a d a C i ê n c i a p e r m i t i u simultaneamente u m a ampliação tão grande do âmbito e da precisão da pesquisa. e m b o r a ad hoc] f o r a c a p a z de derivar a Lei de Boyle e u m a fórmula importante p a r a a velocidade do som no ar. em geral os cientistas o s c o n s i d e r a m u m t r a b a l h o e n f a d o n h o . para o não-cientista. devem parecer quase idênticas: são manipulações da teoria. M a s esses p e r i ó d i c o s c o n t ê m n u m e r o s a s d i s cussões teóricas de problemas que. A necessidade de trabalho dessa espécie brota das dificuldades imensas que c o m freqüência são encontradas no estabelecimento de pontos de contato entre u m a t e o r i a e a n a t u r e z a . M u i t o s d e s s e s p r o b l e m a s n u n c a a p a r e c e m e m p e r i ó d i c o s científicos i m p o r t a n t e s . que pertencem aproximadamente à m e s m a classe que os da experimentação e da observação. derivara os resultados de algumas observações esparsas sobre os pêndulos e as m a r é s . Contudo. o n ú m e r o dessas aplicações . N o início d o século X V I I I . C o n t u d o . o s u c e s s o d a s d e m o n s t r a ç õ e s foi s u m a m e n t e impressionante. Possuíam t o d a s as razões possíveis p a r a fazê-lo. nos q u a i s a L u a n ã o o b e d e c i a a e s s a s leis. empreendidas n ã o p o r q u e as predições q u e delas resultam sejam intrinsecamente valiosas. a c o m p u t a ç ã o d a s características d a s lentes e a p r o d u ç ã o dç curvas de propagação das ondas de rádio são exemplos de p r o b l e m a s desse tipo. O e s t a b e l e c i m e n t o de c a l e n d á r i o s a s t r o n ô m i c o s . aqueles cientistas q u e t o m a v a m o s Principia p o r p a r a d i g m a a c e i t a r a m c o m o válida a totalidade de suas conclusões.V o l t e m o s agora aos p r o b l e m a s teóricos da ciência normal. dada a universalidade presumível das Leis de Newton. Seu objetivo é apresentar u m a nova aplicação do parad i g m a o u a u m e n t a r a p r e c i s ã o d e u m a a p l i c a ç ã o j á feita. D a d o o estado da ciência n a é p o c a . Ç o m auxílio de p r e s s u p o s t o s a d i c i o n a i s . já observados. U m a parte (embora pequena) do trabalho teórico normal consiste simplesmente em usar a teoria existente p a r a prever informações fatuais d o t a d a s de valor intrínseco. C o m relação aos céus. C o m r e l a ç ã o à terra. T a i s d i f i c u l d a d e s p o d e m ser s u c i n tamente ilustradas pela história da Dinâmica depois de N e w t o n .

E r r o r . T.3 6 e R e a c t i o n s o f t h e L a t e B a r o q u e M e c h a n i c s t o S u c c e s s . se comparadas c o m o que hoje em dia qualquer estudante graduado de Física p o d e obter c o m as m e s m a s leis. A Program toward Rediscovering the Ratlonal Mec h a n i c s of l h e Age of Reason. 3 . Finalmente. d'Alembert e muitos outros. a m á q u i n a de A t w o o d ou telescópios aperfeiçoados — foram necessários para obter os dados especiais exigidos pelas aplicações concretas do p a r a d i g m a de N e w t o n . Além disso. e n q u a n t o a p r o x i m a ç õ e s elas l i m i t a v a m q u e s e p o deria esperar entre as predições de N e w t o n e as experiências reais. a n d F a i l u r e I n N e w t o n ' s Principia. 9 Limitemos nossa atenção ao problema da precisão por um m o m e n t o .não era grande. T R U E S D E I X . pp. os p r o b l e m a s terrestres já estavam sendo atacados c o m grande sucesso c o m auxílio de um conjunto de técnicas b e m diferentes. X . Newton quase n ã o desenvolveu outras. XX (1967). L. C. Já ilustramos seu aspecto empírico. Do lado da teoria existiam dificuldades semelhantes para a obtenção de um acordo. a fim d e d a r u m a d e f i n i ç ã o ú n i c a do c o m p r i m e n t o do pêndulo. m a s durante algum t e m p o ninguém percebeu c o m o fazê-lo. A maioria de seus teorem a s t a m b é m i g n o r a r a m o efeito d a r e s i s t ê n c i a d o ar. De qualquer m o d o . a s p o u c a s a p l i c a ç õ e s d e N e w t o n n ã o f o r a m n e m m e s m o desenvolvidas c o m precisão. C b n j e c t u r e . 281-297 (1967). 42-65 Quarterly. a o a p l i c a r s u a s leis a o s p ê n d u l o s . Texas Newton*s Second L a w of Motion in the Eighteenth Century. The Reception em Archlves of . p o r e x e m p l o . intemationales d'hisloire des sciences. N ã o era de m o d o a l g u m claro c o m o se deveria adaptá-lo p a r a aplicações terrestres e em especial aos p r o b l e m a s do movim e n t o violento. HANKINS. I ( 1 9 6 0 ) . desenvolvidas originalmente por Galileu e H u y g h e n s e ampliadas no Continente europeu durante o século X V I I I p o r Bernoulli. p p . afora poucas exceções hipotéticas e preliminares. E q u i p a m e n t o s especializados — c o m o o a p a r e l h o de Cavendish. Essas e r a m a p r o x i m a ç õ e s físicas f u n d a m e n t a d a s . pp. N ã o o b s t a n t e isso. As m e s m a s dificuldades aparecem ainda mais claramente na aplicação astronômica da teoria de 9. N e w t o n foi f o r ç a d o a t r a t a r a b o l a d o p ê n d u l o c o m o u m a m a s s a p o n t u a l . Pres u m i v e l m e n t e e s s a s t é c n i c a s e as d o s Principia p o d e r i a m ser a p r e s e n t a d a s c o m o c a s o s e s p e c i a i s d e u m a f o r m u l a ção mais geral. em Archive for Hislory of lhe Exact Sciences. os Principia t i n h a m s i d o p l a n e j a d o s p a r a s e r e m a p l i c a d o s sobretudo a problemas de Mecânica Celeste. Por exemp l o .

. History pp. m a i s d o q u e satisfatório p a r a aqueles que o alcançaram. e WILLIAM 1847). Londres. 7 5 . somente se poderia esperar um acordo aprox i m a d o entre a teoria aplicada e a o b s e r v a ç ã o telescópica.N e w t o n . técnicas teóricas eram necessárias p a r a tratar dos movimentos simultâneos de mais de dois corpos que se a t r a e m m u t u a m e n t e e p a r a investigar a estabilidade d a s órbitas perturbadas. Problemas dessa natureza preocuparam muitos dos melhores matemáticos europeus durante o século X V I I I e o começo do X I X . n e n h u ma teoria podia apresentar resultados comparáveis. Simples observações telescópicas quantitativas indicam que os planetas não obedecem completamente às Leis de Kepler e de acordo c o m a teoria de N e w t o n n ã o d e v e r i a m obedecer. . 9 6 . rev. Laplace e Gauss. P a r a derivar essas leis.cil. M u i t a s d e s s a s figuras t r a b a l h a r a m simultaneamente p a r a desenvolver a Matemática necessária a aplicações que n e m m e s m o N e w t o n ou a Escola de Mecânica européia. L a grange. the Induaive Sciences (ed. 213-71. W H E W E L L . P o r exemplo.1 0 1 . haviam considerado. e v i d e n t e m e n t e . O a c o r d o o b t i d o foi. U m a vez q u e os planetas t a m b é m se atraem reciprocamente. na teoria ondulatória da luz. por exemplo. u m a imensa literatura e algumas técnicas matemáticas muito p o d e r o s a s p a r a a H i d r o d i n â m i c a e p a r a as c o r d a s vibratórias. Euler. essas limitações do acordo deixaram muitos problemas teóricos fascinantes para os sucessores de N e w t o n . Produziram. II. op. W O L F . N e n h u m d o s que questionaram a validez da o b r a de N e w ton o fizeram por causa do acordo limitado entre a experiência e a observação. sua contemporânea. Esses problemas de aplicação são responsáveis p o r a q u i l o q u e p r o v a v e l m e n t e é o t r a b a l h o científico mais brilhante e esgotante do século X V I I I . p p . todos consagraram alguns de seus trabalhos mais brilhantes a problemas q u e visavam aperfeiçoar a a d e q u a ç ã o entre o p a r a d i g m a de N e w t o n e a o b s e r v a ç ã o c e l e s t e . N ã o obstante isso. Outros e x e m p l o s p o d e r i a m ser d e s c o b e r t o s a t r a v é s d e u m e x a me do período pós-paradigmáliço no desenvolvimento da Termodinâmica.8 1 . na teo1 0 of 1 0 .. C o m exceç ã o feita d e a l g u n s p r o b l e m a s r e l a t i v o s à T e r r a . e x c e ç ã o feita d a q u e l a e n t r e os p l a n e t a s i n d i v i d u a i s e o Sol. N e w t o n foi f o r ç a d o a n e g l i g e n c i a r t o d a a a t r a ç ã o g r a v i t a c i o n a l .

Mais do que qualquer outra espécie de pesquisa normal. O s Principia. os problem a s a p r e s e n t a d o s p e l a a r t i c u l a ç ã o d o p a r a d i g m a s ã o si1 1 vros 11. D u r a n t e aqueles períodos em q u e o d e s e n v o l v i m e n t o científico é s o b r e t u d o q u a l i t a t i v o . a maior p a r t e do t r a b a l h o t e ó r i c o p e r t e n c e a e s s e t i p o . nem sempre se revelaram uma obra de fácil a p l i c a ç ã o . 1950). esses p r o b l e m a s s ã o d o m i n a n t e s . visam simplesmente à clarificação do p a r a d i g m a p o r m e i o d e s u a r e f o r m u l a ç ã o . J a c o b i e H e r t z n o s é c u l o X I X . a p a r e n t e m e n t e s e m r e l a ç ã o e n t r e si.) René. Histoire de la mécanigue. Reformulações similares de um paradigma ocorrer a m repetidamente em todas as ciências. p a r e c i a m u i t o m a i s p o d e roso p a r a muitas aplicações terrestres. Li- . v e r s ã o que seria a o m e s m o tempo mais uniforme e menos equívoca nas suas aplicações aos problemas recentemente elaborados pela Mecânica. Pelo m e n o s nas ciências mais matemáticas. e m p a r t e p o r q u e r e t i n h a a l g o d o d e s a jeitamento inevitável d e u m a primeira aventura. é a r b i t r á r i o classificar e s s a e s pécie de trabalho c o m o sendo empírico. Seja c o m o for. Ou s e j a : d e s e j a v a m e x i b i r as l i ç õ e s e x p l í c i t a s e i m p l í c i t a s d o s Principia e d a M e c â n i c a e u r o p é i a n u m a v e r s ã o logicamente mais coerente. DUOAS. e m p a r te p o r q u e u m a fração considerável de seu significado estava a p e n a s implícito nas suas aplicações. por exemplo. m a s a maioria delas produziu mais m u d a n ç a s substanciais no paradigm a d o q u e a s r e f o r m u l a ç õ e s d o s Principia c i t a d a s a c i ma. m u i t o s d o s m a i s b r i l h a n t e s físicos-matemáticos da E u r o p a esforçaram-se repetidamente p a r a reformular a teoria mecânica sob u m a forma equivalente. m a s lógica e esteticamente mais satisfatória.ria eletromagnética ou em qualquer outro r a m o da ciênc i a c u j a s leis f u n d a m e n t a i s s ã o t o t a l m e n t e q u a n t i t a t i v a s . tanto nas ciências mais quantitativas c o m o nas mais qualitativas. M e s m o nas ciências m a temáticas existem problemas teóricos relacionados c o m a articulação do paradigma. N a v e r d a d e . A l g u n s d o s p r o blemas. (Neuchâtel. u m c o n j u n t o d e t é c n i c a s d a E u r o p a . Tais transformações resultaram do trabalho empírico previamente descrito c o m o dirigido à articulação do p a r a d i g m a . P o r isso. IV-V. desde Euler e L a g r a n g e no século X V I I I até Hamilton. >M a s n e m sempre é assim.

A b a n d o n a r o p a r a d i g m a é d e i x a r de p r a t i c a r a c i ê n c i a q u e este d e fine. E s s a s t r ê s classes d e p r o b l e m a s — d e t e r m i n a ç ã o d o f a t o significativo. E m m u i t a s ciências. os exemplos apresentados anteriormente servirão igualmente bem neste caso. a maioria esmagadora dos problemas que ocupam os m e l h o r e s cientistas c o i n c i d e m c o m u m a d a s t r ê s c a t e g o r i a s delineadas acima. E m e r g e m apenas em ocasiões especiais. . antes de poder construir seu equip a m e n t o e utilizá-lo e m m e d i ç õ e s . S u a s m e d i ç õ e s t i v e r a m c o m o c o n seqüência um refinamento daquela teoria. O trabalho orientado por um paradigm a s ó p o d e ser c o n d u z i d o d e s s a m a n e i r a . a l i t e r a t u r a da ciência normal. São os pontos de apoio em torno dos q u a i s g i r a m a s r e v o l u ç õ e s científicas. t e v e q u e e m p r e g a r a teoria elétrica p a r a d e t e r m i n a r c o m o seu e q u i p a m e n t o d e v e r i a ser c o n s t r u í d o . a m a i o r p a r t e do trabalho n o r m a l é desse tipo.. tanto teórica c o m o empírica. h a r m o n i z a ç ã o d o s f a t o s c o m a t e o ria e a r t i c u l a ç ã o da t e o r i a -— e s g o t a m . geradas pelo a v a n ç o d a c i ê n c i a n o r m a l . Estav a m t r a b a l h a n d o t a n t o c o m fatos c o m o c o m t e o r i a s e seus trabalhos p r o d u z i r a m n ã o apenas novas informações. Certamente n ã o esgotam toda a literatura da ciência^Éxistem t a m b é m p r o b l e m a s e x t r a o r d i n á r i o s e b e m p o d e ser q u e s u a r e s o l u ç ã o seja o q u e t o r n a o e m p r e e n d i m e n t o c i e n tífico c o m o u m t o d o t ã o p a r t i c u l a r m e n t e v a l i o s o . c r e i o . P o r isso. obtido c o m a eliminação d a s ambigüidades que haviam sido retidas n a versão original q u e utilizavam. C o u l o m b .m u l t a n e a m e n t e teóricos e experimentais. Dito de outra maneira: os homens que conceberam as experiências p a r a distinguir entre as várias teorias do a q u e c i m e n t o por compressão foram geralmente os mesmos que haviam elaborado as versões a serem c o m p a r a d a s . m a s um p a r a d i g m a mais preciso. M a s os problemas extraordinários não surgem gratuitamente. D e s c o b r i r e m o s e m b r e v e q u e t a i s d e s e r ç õ e s r e a P m e n t e ocorrem. necessitamos de u m a visão mais p a n o r â m i c a d a s atividades da ciência normal q u e lhes p r e p a r a m o c a m i n h o . i n e v i t a v e l m e n t e . M a s a n t e s d e c o m e ç a r o estudo de tais revoluções.

.

c o m o no caso da medição de um comprimento de onda. aqueles que trabalhavam no problema do aquecimento por compressão não ignoravam que . seja n o d o s fenômenos. c o m freqüência. o q u a d r o típico de expectativas é apenas um pouco menos determinado. A CIÊNCIA N O R M A L COMO RESOLUÇÃO DE QUEBRA-CABEÇAS Talvez a característica mais impressionante dos problemas normais da pesquisa que acabamos de exam i n a r seja seu r e d u z i d o i n t e r e s s e e m p r o d u z i r g r a n d e s n o v i d a d e s . seja n o d o m í n i o d o s c o n c e i t o s . P o r sua vez. tudo é conhecido de antem ã o . A l g u m a s vezes.3. exceto o detalhe m a i s esotérico. Talvez as medições de Coulomb não precisassem ter sido ajustadas à Lei do Q u a d r a d o Inverso.

por exemplo. A p e n a s retrospectivamente. j á na posse de um paradigma posterior. C o n tudo. Ninguém consagra anos. o qual. aplicado ao problema da atração. E n t r e t a n t o . m a s s o b r e o c i e n t i s t a . P o r isso. essa resposta não basta p a r a explicar o entusiasmo e a d e v o ç ã o q u e os cientistas d e m o n s t r a m pelos p r o b l e m a s da pesquisa normal. c o n t i n u a v a m s e n d o simples f a t o s . É p o r isso t a m b é m q u e e s s e r e s u l t a d o n ã o s u r p r e e n d e u a n i n g u é m e vários c o n t e m p o r â n e o s de C o u l o m b f o r a m capazes de predizê^lo de a n t e m ã o . prestava-se pouca a t e n ç ã o a experiências q u e medissem a atração elétrica utilizando instrumentos c o m o a balança de pratos. m e s m o em casos desse tipo. Tais e x p e r i ê n c i a s n ã o p o d i a m ser e m p r e g a d a s p a r a a r t i c u l a r o p a r a d i g m a do qual derivavam. A t é m e s mo o projeto cujo objetivo é a articulação de um p a r a d i g m a n ã o v i s a p r o d u z i r u m a n o v i d a d e inesperada. ao desenvolvimento de espectrômetro mais preciso ou à . é que p o d e m o s ver as características dos f e n ô m e n o s elétricos q u e essas experiências nos a p r e s e n t a m / S e m dúvida alguma C o u l o m b e s e u s c o n t e m p o r â n e o s p o s s u í a m esse ú l t i m o p a r a d i g m a ou um outro. N o século X V I I I . fracasso q u e n ã o se reflete s o b r e a n a t u r e z a . É p o r isso q u e C o u l o m b foi c a p a z d e c o n c e b e r u m a p a r e l h o q u e p r o duziu resultados assimiláveis através de u m a articulação d o p a r a d i g m a . p e r m i t i a e s p e r a r o s m e s m o s r e s u l t a d o s . d e s p r o v i d o s d e relação e sem c o n e x ã o possível c o m o progresso contín u o d a pesquisa elétrica. M a s meslrio se o objetivo da ciência n o r m a l n ã o consiste em descobrir novidades substantivas de importância capital e se o fracasso em aproximar-se do result a d o a n t e c i p a d o é g e r a l m e n t e c o n s i d e r a d o c o m o u m fracasso pessoal do cientista — e n t ã o por q u e dedicar t a n t o ^ r a b a l h o a e s s e s p r o b l e m a s ? P a r t e d a r e s p o s t a j á foi a p r e sentada. por exemplo. Em geral.muitos outros resultados diferentes e r a m possíveis. Pelo m e n o s p a r a os cientistas. os resultados o b t i d o s p e l a p e s q u i s a n o r m a l s ã o significativos p o r q u e contribuem para aumentar o alcance e a precisão com o s q u a i s o p a r a d i g m a p o d e ser a p l i c a d o . o projeto cujo resultado n ã o "coincide c o m essa m a r g e m estreita de alternativas é considerado apenas u m a pesquisa fracassada. pois produziam resultados que n ã o eram n e m coerentes. a gama de resultados esperados (e portanto assimiláveis) é sempre p e q u e n a se c o m p a r a d a c o m as alternativas q u e a imaginação p o d e conceber. n e m simples.

O indivíduo que é b e m sucedido nessa tarefa prova que é um perito na resolução de quebra-cabeças. e m g e r a l . Resolver um problema da pesquisa n o r m a l é alcançar o antecipado de u m a novamaneiraj Isso requer a solução de todo o tipo de complexos quebra-cabeças instrumentais. O critério que estabelece a qualidade de um b o m q u e b r a .c a b e ç a indica.c a b e ç a constitui u m a p a r t e i m p o r t a n t e da m o t i v a ç ã o do cientista p a r a o trabalho. ser a n t e c i p a d o d e m a n e i r a t ã o d e t a l h a d a q u e o q u e fica p o r c o n h e c e r p e r d e t o d o o interesse. jigsatv puzzle. A c a b a m o s de mencionar um desses traços c o m u n s . pois n ã o são n a d a além da repetição de procedimentos empregados anteriormente. P r e c i s a m o s a g o r a isolar a s c a r a c t e r í s t i c a s q u e esses e x e m p l o s p a r t i l h a m c o m o s p r o b l e m a s d a c i ê n c i a normal. O s d a d o s q u e p o d e m ser alcançados por m e i o do cálculo de calendários ou por meio de medições suplementares realizadas com um i n s t r u m e n t o j á e x i s t e n t e s ã o . aquela categoria particular de problemas q u e servem p a r a testar nossa engenhosidade ou habilidade na resolução de problemas^ Os dicionários d ã o c o m o exemplo de quebra-cabeças as expressões "jogo de quebra-cabeça"* e "palavras cruz a d a s " . A palavra refere-se aos quebra-cabeças c o m p o s t o s p o r peças.c a b e ç a s " colocam em evidência vários d o s temas que adquiriram u m a importância crescente nas páginas precedentes. possuindo u m a e s o m e n t e u m a p o s i ç ã o a d e q u a d a n o t o d o a ser f o r m a d o ( N . a m a n e i r a de alcançar tal resultado permanece muito problemática. Essa rejeição p r o p o r c i o n a u m a pista p a r a e n t e n d e r m o s o fascínio exercido pelos p r o b l e m a s da pesquisa n o r m a l . no sentido corriqueiro em que empregamos o termo. C a d a u m a das peças é parte da figura desejada. .] Q u e b r a . Os termos "quebra-cabeça" e "solucionador de q u e b r a .c a b e ç a n a d a tem a ver c o m o fato de seu result a d o ser i n t r i n s e c a m e n t e i n t e r e s s a n t e o u i m p o r t a n t e . conceituais e m a temáticos. c o m as quais o jogador deve formar u m a figura qualquer. simplesmente pela import â n c i a d a i n f o r m a ç ã o a ser o b t i d a . d o T . ) . E m b o r a s e u r e s u l t a d o p o s s a . t ã o significativos c o m o o s o b t i d o s n o s c a s o s m e n c i o n a d o s a c i m a — m a s essas atividades são habitualmente menosprezad a s pelos cientistas. os problemas realmente importantes em geral * Em i n g l ê s . c o m f r e q ü ê n c i a .produção de u m a solução mais elaborada para o problema das cordas vibratórias. O desafio a p r e s e n t a d o pelo q u e b r a . A o contrário.

a d q u i r e i g u a l m e n t e u m c r i t é r i o p a r a a escolha de p r o b l e m a s q u e . Assim. Entretanto. Tais problemas p o d e m constituir-se numa distração para os cientistas. um paradigma pode até mesm o a f a s t a r u m a c o m u n i d a d e d a q u e l e s p r o b l e m a s sociais relevantes que n ã o são redutíveis à forma de quebra-cab e ç a . O valor intrínseco n ã o é critério p a r a um quebra-cabeça. N u m a l a r g a m e d i d a . U m a d a s razões pelas quais a ciência n o r m a l parece progredir t ã o r a p i d a m e n t e é a de q u e seus p r a ticantes concentram-se em problemas q u e somente a sua falta d e e n g e n h o p o d e i m p e d i r d e r e s o l v e r . m e s m o muitos dos q u e e r a m anteriormente aceitos. a o a d q u i rir u m p a r a d i g m a . U m h o m e m p o d e s e n t i r se atraído pela ciência por t o d o o tipo de razões. J á vimos q u e u m a c o m u n i d a d e científica. fato que é brilhantem e n t e ilustrado por diversas facetas d o b a c o n i s m o d o s é c u l o X V I I I e p o r a l g u m a s d a s c i ê n c i a s sociais c o n t e m p o r â n e a s . se os problemas da ciência n o r m a l são quebra-cabeças no sentido acima mencionado. e n q u a n t o o p a r a d i g m a for aceito. E n t r e . esses s ã o o s ú n i c o s p r o b l e m a s q u e a c o m u n i d a d e a d m i t i r á c o m o científicos ou encorajará seus m e m b r o s a resolver. P o d e m a i n d a ser r e j e i t a d o s c o m o d e m a s i a d o p r o b l e m á t i c o s p a r a m e r e c e r e m o dis-_ pêndio de tempo. Este n ã o é de forma alguma um quebra-cabeças no sentido usual do termo. T a l p r o b l e m a provavelmente colocará e m x e q u e ( e m b o r a isso possa n ã o a c o n t e c e r ) o m a i s e n g e n h o s o d o s h o m e n s e p o r isso n ã o p o d e servir c o m o teste p a r a d e t e r m i n a r a habilidade de resolver problemas. p o d e r e m o s considerar c o m o dotados de u m a sol u ç ã o p o s s í v e l . Já a cert e z a d e q u e este p o s s u i u m a s o l u ç ã o p o d e s e r c o n s i d e r a d o c o m o tal. C o n s i d e r e m o s u m j o g o d e q u e b r a . não precisamos m a i s p e r g u n t a r p o r q u e os cientistas os enfrent a m c o m tal p a i x ã o o u d e v o ç ã o .não são quebra-cabeças (veja-se o exemplo da cura do câncer ou o estabelecimento de uma paz d u r a d o u r a ) . p o i s n ã o p o d e m ser e n u n c i a d o s n o s t e r m o s c o m p a tíveis c o m o s i n s t r u m e n t o s e c o n c e i t o s p r o p o r c i o n a d o s pelo paradigma.c a b e ç a s cujas p e ç a s s ã o s e l e c i o n a d a s a o a c a s o e m d u a s c a i x a s contendo peças de jogos diferentes. em grande parte porque talvez n ã o t e n h a m n e n h u m a soluç ã o possível. O u t r o s p r o b l e mas. p a s s a m a ser r e j e i t a d o s c o m o m e t a f í s i c o s o u c o m o s e n d o p a r t e d e o u t r a d i s c i p l i n a .

\ c i t a ao t r a b a l h o é a c o n v i c ç ã o de q u e . Sobre esse assunto. por exemplo. no seu conjunto. c s d i f e r e n t e s c a m p o s d e e s p e c i a l i z a ç ã o n a d a m a i s ofer e c e m d o q u e e s s e t i p o d e d i f i c u l d a d e s / N e m p o r isso esses q u e b r a . pelo menos.. se for s u f i c i e n t e . Deve obedecer a regras que limitam t a n t o a natureza das soluções aceitáveis c o m o os passos necessários para obtê-las. \ s u a m o t i v a ç ã o p a s s a a ser b a s t a n t e d i v e r s a . M u i t o s d o s grandes espíritos científicos d e d i c a r a m t o d a s u a a t e n ç ã o p r o f i s s i o n a l a com—^ plexos p r o b l e m a s dessa natureza. Q u a l q u e r criança ou artista c o n t e m p o r â n e o p o d e r i a f a z e r isso. K. as frustrações induzidas pelo conflito entre o papel do indivíduo e o padrão global do desenvolvimento científico p o d e m ocasion a l m e n t e tornar-se sérias. t e £ r i t ó x Í Q S ^ i n s t a u r a o r d e m e testa crenças estabelecidas há m u i t o t e m p o . S o m e U n s o l v e d P r o b l e m s o f t h e S c i e n t t f i c C a r e e r . N ã o o b s t a n t e i s s o . C o n t u d o . existem boas razões para que motivos dessa natureza o atraiam e passem a guiá-lo. 104-112 (1954). a esperança de encontrar o r d e m e o impulso p a r a testar o conhecimento estabelecido.II. simplesmente "montar um q u a d r o " . 1. conseguirá solucionar um quebra-ca. 596-613 (1953). O q u e o i n .» o w ^ .e s s a s e s t ã o o d e s e j o de ser útil. A l é m disso. revela sua utilidade d e t e m p o s e m tempos-.! beca q u e n i n g u é m até e n t ã o resolveu ou. pp.j m e n t e habilidoso. Esses motivos e muitos outros t a m b é m auxiliam a determinação dos problemas particulares com os quais o cientista se envolverá posteriormente. n ã o basta a um problema possuir u m a solução assegurada. . American Scientist. do paralelismo entre os q u e b r a . Em muitas situações. o indivíduo e m p e n h a d o n u m p r o b l e ma de p e s q u i s a n o r m a l quase nunca está fazendo quaj^ quer dessas coisas. a e x c i t a ç ã o a d v i n d a da exploração de um novo território. e m b o r a ocasionalm e n t e p o s s a m levá-lo a u m a frustração. e s p a l h a n d o p e ç a s s e l e c i o n a d a s s o b r e um fundo neutro. O q u a d r o a s s i m p r o d u z i d o p o d e ser b e m m e l h o r ( e c e r t a m e n t e seria m a i s o r i g i n a l ) q u e a q u e l e c o n s t r u í d o a 1 J pp. O. U m a v e z e n g a j a d o em s e u t r a b a l h o . .c a b e ç a s p a s s a m a ser m e n o s f a s c i n a n t e s p a r a o s i n d i v í d u o s q u e a eles s e d e d i c a m c o m a p l i c a ç ã o . empreendim e n t o científico. n ã o resolveu tão b e m .UB1E.c a b e ç a s e os_ p r o b l e m a s d a c i ê n c i a n o r m a l . 1 C o n s i d e r e m o s a g o r a u m o u t r o a s p e c t o . P a r a ser c l a s s i f i c a d o c o m o " . ver L A W R E N C E S. X L I . e X1. m a i s difícil e revelador.a b r e . quebra-cabeça. c o m o se fossem formas abstratas. Solucionar um jogo de quebra-cabeça não é.

2 2.c a b e ç a s . e m muvhiieiitov E m e s m o d e p o i s de e s s a r e l a ç ã o t e r s i d o e s t a b e l e c i d a . E s s a s s ã o a l g u m a s d a s r e g r a s q u e governam a solução de jogos de quebra-cabeça. charadas. ' A n t e s " d e s e t o r n a r e m m e d i d a d e a l g u m a c o i s a . Se alguma indeterminação residual da teoria ou algum componente não-analisado de seu equipamento impedi-lo de completar sua demonstração. 4 d a c o n f e r ê n c i a d e C . alguém q u e deve mostrar (utilizando a teoria óptica p a r a analisar seu e q u i p a m e n t o ) q u e os n ú m e r o s obtidos coincidem c o m aqueles que a teoria prescreve p a r a os c o m primentos de onda. os índices m á ximos de dispersão de elétrons que mais tarde seriam vistos c o m o índices d o c o m p r i m e n t o d e o n d a d o s elétrons n ã o possuíam n e n h u m a significação aparente q u a n d o foram observados e registrados pela primeira v e z . J . Para um breve relato da evolução dessas experiências. ver a p. . ao contrário. m a s . e t c . foi necessário relacioná-los a ú r h ã teoria que predissesse o c o m p o r t a m e n t o o n d u l a t ó r i o d a m a t é r i a . tal q u a d r o n ã o s e r i a u m a s o l u ç ã o . 1938). o e q u i p a m e n t o teve q u e ser r e o r g a n i z a d o p a r a q u e o s r e s u l t a d o s e x p e r i m e n t a i s p u d e s s e m ser c o r r e l a c i o n a d o s sem equívocos c o m a teoria. . Se aceitarmos u m a utilização consideravelmente mais ampla do termo " r e g r a " — identificando-o event u a l m e n t e c o m " p o n t o d e vista estabelecido" o u " c o n c e p ç ã o p r é v i a " — e n t ã o os p r o b l e m a s acessíveis a u m a determinada tradição de pesquisa apresentam características m u i t o s i m i l a r e s à s d o s q u e b r a . problemas de xadrez. Ele n ã o é apenas um explorador ou medidor. P o r exemplo. N ã o obstante isso. Restrições similares concernentes às soluções admissíveis p a r a palavras cruzadas. p o d e m ser d e s c o b e r t a s f a c i l m e n t e . D A V I S S O N e m Les prix Nobel en 1937 ( E s t o c o l m o . E n q u a n t o essas condições n ã o f o r a m satisfeitas. . P a r a q u e isso a c o n t e ç a t o d a s a s p e ç a s d e v e m ser u t i l i z a d a s ( o l a d o liso d e v e ficar p a r a b a i x o ) e e n t r e l a ç a d a s d e tal m o d o q u e n ã o f i q u e m e s p a ços v a z i o s e n t r e e l a s .c a b e ç a . .partir d o q u e b r a . O i n d i v í d u o que constrói um instrumento p a r a determinar o comprimento de ondas ópticas não se deve contentar c o m u m e q u i p a m e n t o q u e n ã o faça mais d o q u e atribuir números a determinadas linhas espectrais. n e n h u m p r o b l e m a foi r e s o l v i d o . s e u s c o l e g a s p o d e r ã o p e r f e i t a m e n t e c o n c l u i r q u e ele n ã o mediu absolutamente nada.

101-05. especialmente pp. 1956). u m a i m p o r t â n c i a e q u i v a l e n t e — p a r a estabelecer o p r o b l e m a d o s pesos atômicos. E m vista disso. 4 . P o r exemp l o . o s e n u n c i a d o s e x p l í c i t o s d a s leis. os cientistas q u e t e n t a r a m deduzir o m o v i m e n t o o b s e r v a d o d a L u a p a r t i n d o d a s leis d o m o v i m e n t o d e N e w t o n fracassaram sistematicamente. e m 1 7 5 0 . I I . C o n t u d o . alguns deles sugeriram a substituição da Lei do Q u a d r a d o d a s D i s t â n c i a s p o r u m a lei q u e s e a f a s t a s s e dessa q u a n d o s e t r a t a s s e d e p e q u e n a s d i s t â n c i a s . Essa questão foi-me sugerida por W . a s leis d a s p r o p o r ç õ e s fixas e d e f i n i d a s t i v e r a m . B. 275-77. p p . a q u a n t i d a d e d e m a t é r i a foi u m a c a t e g o r i a a n t o l ó g i c a f u n d a m e n t a l p a r a o s físicos e a s f o r ç a s q u e atuam entre pedaços de matéria constituíram-se n u m dos tópicos dominantes para a pesquisa. 1 8 4 7 ) . tais e n u n c i a d o s auxiliam na f o r m u l a ç ã o de q u e b r a . Nessa situação. ver I. os 3 5 3 . Hagstrom. a s L e i s d e N e w t o n d e s e m p e n h a r a m tais f u n ç õ e s d u r a n t e os séculos X V I I I e X I X .Restrições semelhantes ligam as soluções admissíveis a o s p r o b l e m a s t e ó r i c o s . O estudo das tradições da ciência n o r m a l revela muitas outras regras adicionais. Q u a i s s ã o a s principais^ c a t e g o r i a s sob a s q u a i s p o d e m ser s u b s u m i d a s e s s a s r e g n í s v * A m a i s e v i d e n t e e p r o v a v e l m e n t e a m a i s c o e r c i t i v a p o d e ser exemplificada pelas generalizações q u e a c a b a m o s de m e n c i o n a r . . C O H E N . D u r a n t e t o d o o s é c u l o X V I I I .c a beças e na limitação d a s soluções aceitáveis. cujos trabalhos sobre a Sociologia da Ciência coincidem algumas vezes c o m os meus. Tais regras proporcion a m u m a quantidade de informações adicionais a respeito d o s c o m p r o m i s s o s q u e os cientistas derivam de s e u s p a r a d i g m a s .. definir u m n o v o quebra-cabeça e deixar sem solução o antigo. C a p . S o m e n t e u m a m o d i f i c a ç ã o n a s regras poderia ter oferecido u m a outra alternativa. Londres. An lnquiry into Speculative Ne-wtonian Experimental Science and Franklin's Work in Electricity as an Example Thereot (Filadélfia. History o i the Inductive Sciences. E n q u a n t o essa situação p e r d u r o u . Na Química. Franklin and Newton. fixar os resultados admissíveis das análises químicas e informar a o s q u í m i c o s o q u e e r a m os á t o m o s e as m o l é c u l a s . 5. C o m relação a esses aspectos do n e w t o n i s m o . E n q u a n t o s ã o r e c o n h e c i d o s . W H E W E L L . rev. c o n c e i t o s e t e o r i a s científicos. 255-57. fazer isso s e r i a m o d i f i c a r o p a r a d i g m a . u m d e l e s d e s c o b r i u c o m o s e p o d e r i a utilizá-las c o m s u c e s s o . W . d u r a n t e m u i t o t e m p o . 220-22. isto é . os cientistas preferiram m a n t e r as regras até q u e . O . (ed. V I I .

s ã o m e n o s d e p e n d e n t e s de fatores locais e t e m p o r á r i o s q u e os a n t e r i o r m e n t e m e n c i o n a d o s . t a n t o c o m o a s leis e teorias.c o m p o s t o s e as m i s t u r a s . Chemtstry 1923). J a m e s E . Helmholtz. o s q u a i s . P o r exemplo.' Seventeenth-Century slide (Paris. 112-15. Q u a n d o analisamos a descoberta dos raios X. 359-61. (Oxford. 6 5 . O s c o m p r o m i s s o s d e nível m a i s e l e v a d o ( d e c a r á ter q u a s e m e t a f í s i c o ) q u e o e s t u d o h i s t ó r i c o r e v e l a c o m tanta regularidade. p o r e x e m plo. 9. Science. Contudo. no século X I X . a m a i o r i a d o s físicos c o m e ç o u a p a r t i r d o pressuposto de que o Universo era composto por corpúsculos microscópicos e que todos os fenômenos natur a i s p o d e r i a m ser e x p l i c a d o s e m t e r m o s d a f o r m a . Esse conjunto de compromissos revelou possuir tanto d i m e n s õ e s metafísicas c o m o metodológicas.6 6 . MAME 1958). Durante o m e s m o século. encontrou grande resistênc i a p o r p a r t e d o s fisiologistas n o t o c a n t e à i d é i a d e q u e a e x p e r i m e n t a ç ã o física p u d e s s e t r a z e r e s c l a r e c i m e n t o s para seu c a m p o de estudos. 1 9 0 6 ) . M F I N H A I D . L e o . a curiosa história da cromatografia apresenta um outro e x e m p l o da persistência dos c o m p r o m i s s o s d o s cientistas c o m t i p o s d e i n s t r u m e n t o s . C X . H . N o p l a n o 6 7 8 9 6. As equações de Maxwell e a s leis d a T e r m o d i n â m i c a E s t a t í s t i c a p o s s u e m a t u a l m e n te a m e s m a i n f l u ê n c i a e d e s e m p e n h a m i d ê n t i c a f u n ç ã o . 9 . 7 . trad. pp. BOAS. u m a multidão de compromissos relativos a tipos de instrumentos preferidos e a maneiras adequadas p a r a utilizá-los. d e Francis A . pp. (Cambridge. Les dactrines chtmtques en France du début du XVII. Esse exemplo 4 discutido detalhadamente no fim do Cap. Hermann von Helmholtz. proporcionam as regras do jogo p a r a os cientistas. KÕNIGSBERGEK. pp. depois de 1 6 3 0 e especialmente após o a p a r e c i m e n t o d o s t r a b a l h o s i m e n s a m e n t e influentes d e D e s c a r t e s .* siicle Robert à Boyle la )in and du XVIII. encontramos razões para compromissos dessa natureza. regras dessa natureza não são as únicas e n e m m e s m o a variedade mais interessante d e n t r e as r e v e l a d a s p e l o e s t u d o h i s t ó r i c o N u m nível inferior ( o u m a i s c o n c r e t o ) q u e o d a s leis e t e o r i a s e x i s t e . M u d a n ç a s d e a t i t u d e s c o m r e l a ç ã o a o p a p e l d o fogo n a s a n á l i s e s q u í m i c a s t i v e r a m u m a i m p o r t â n c i a capital no desenvolvimento da Química do século X V I I . d o t a m a n h o do movimento e da interação corpusculares. embora n ã o sejam características imutáveis da ciência. C h r o m a t o g r a p h y : A P e r s p e c t i v e . 387-92 (1949). W e l b y . M E T Z G E R . . 8. pp.

5 4 1 ( 1 9 5 2 ) . E s s e c o m p r o m i s s o . T h e E s t a b l i s h m e n t o f t h e M e c h a n i c a l P h i l o s o p h y . P o r e x e m p l o . ver M A R I E B O A S . e x i s t e u m o u t r o c o n j u n t o d e c o m p r o m i s s o s o u a d e s õ e s s e m o s c^uais n e n h u m h o m e m p o d e ser c h a m a d o d e cientista. S. teóricas. esses d e v e m d e s a f i á . R o b e r t B o y l e a n d S t r u c t u r a l C h e m i s t r y in t h e S e v e n t e e n t h C e n t u r y . lsis. pp. aceitas pelos cientistas em todas as épocas. No que diz respeito a seus efeitos sobre a q u í m i c a de Boyle. i n d i c a v a c o m o d e v e r i a m ser a s leis definitivas e as e x p l i c a ç õ e s f u n d a m e n t a i s : leis d e v e m especificar o m o v i m e n t o e a interação corpusculares. ver T. . Sem dúvida alguma existem ainda outras regras desse gênero. metodológicas e inst r u m e n t a i s — é u m a d a s fontes p r i n c i p a i s da m e t á f o r a q u e relaciona à ciência n o r m a l à resolução de q u e b r a -cabeças. Se esse escrutínio revela bolsões de a p a r e n t e d e s o r d e m . 12-36 (1952). c o m o B o y l e . O q u e é ainda mais importante. I s t o p o r q u e . m a i s c l a r a m e n t e d o q u e q u a i s q u e r o u t r a s .m i n ú c i a empírica ( p o r si m e s m o ou através de colegas) algum aspecto da natureza. K U H N . 1 0 F i n a l m e n t e . 4 1 2 . o cientista d e v e p r e o c u p a r . u m q u í m i c o q u e .s e e m c o m p r e e n d e r o m u n d o e a m p l i a r a p r e c i s ã o e o a l c a n c e da o r d e m q u e l h e foi i m p o s t a . Esses compromissos proporcionam ao prati1 0 .HI.] A existência dessa sólida rede de compromissos ou adesões — conceituais. XL. prestava atenção especial àquelas reações que p o d i a m ser i n t e r p r e t a d a s c o m o t r a n s m u t a ç õ e s . indicava aos cientistas q u e espécies de entidades o Universo continha ou n ã o continha — n ã o havia nada além de matéria dotada de forma e em movimento. N o p l a n o m e t o d o l ó g i c o . a concepção corpuscular do Universo indicou aos cientistas um g r a n d e n ú m e r o de p r o b l e m a s q u e d e v e r i a m ser p e s q u i s a d o s . p p . P a r a a s teorias c o r p u s c u l a r e s e m geral.^' P o r e x e m p l o . n u m nível m a i s e l e v a d o . d a Ó p t i c a e d o calor. d e v e l e v á . a b r a ç o u a n o v a filosofia.l o a u m n o v o refinamento de suas técnicas de observação ou a u m a maior articulação de suas teorias. p o r s u a v e z .metafísico. a explicação deve reduzir qualquer fenômeno natural a u m a a ç ã o c o r p u s c u l a r r e g i d a p o r e s s a s leis. Oslris.l o a p e r s c r u t a r c o m grande. O u t r o s efeitos s i m i l a r e s d a t e o r i a c o r p u s c u l a r p o d e m ser o b s e r v a d o s n o e s t u d o d a M e c â n i c a . tais reações a p r e sentavam o processo de reorganização corpuscular que deve estar na base de toda transformação q u í m i c a . X .

"A ciência n o r m a l é u m a atividade altamente d e t e r m i n a d a . essas regras n ã o p o d e m p o r s i m e s m a s especificar t u d o a q u i l o q u e a p r á t i c a d e s s e s e s p e c i a l i s t a s t e m em c o m u m . derivam de paradigmas. permitindo-lhe assim concentrar-se c o m segurança nos p r o blemas esotéricos definidos p o r tais regras e pelos c o n h e cimentos existentes. Nessa situação. esse esclarecimento p o d e ser s i g n i f i c a t i v a m e n t e e n g a n a d o r . m a s os par a d i g m a s p o d e m dirigir a p e s q u i s a m e s m o n a a u s ê n c i a de regras. ao invés d a s n o ç õ e s d e r e g r a s . no início deste ensaio. .cante de u m a especialidade amadurecida regras que lhe revelam a natureza do m u n d o e de sua ciência. As regras. introduzi a noção de paradigmas compartilhados. Nesse e n o u t r o s aspectos. E m b o r a o b v i a mente existam regras às quais todos os praticantes de u m a e s p e c i a l i d a d e científica a d e r e m e m u m d e t e r m i n a d o m o m e n t o . encontrar a solução de um quebra-cabeça residual constitui um desafio pessoal p a r a o cientista. d e u m o u t r o p o n t o d e vista. p r e s s u p o s t o s e p o n t o s d e vistas c o m p a r t i l h a d o s c o m o sendo a fonte da coerência para as tradições da pesquisa normal. m a s n ã o p r e c i s a ser i n t e i r a m e n t e d e t e r m i n a d a p o r regras. segundo m i n h a sugestão. u m a discussão a respeito dos quebra-cabeças e regras permite e s c l a r e c e r a n a t u r e z a d a p r á t i c a científica n o r m a l . C o n t u d o . É p o r isso q u e .

Essas são os paradigmas da comunidade. A PRIORIDADE DOS PARADIGMAS P a r a descobrir a relação existente entre regras. conferências e exercícios de l a b o r a t ó r i o . A investigação histórica cuidadosa de u m a determinada especialidade n u m det e r m i n a d o m o m e n t o revela um conjunto de ilustrações recorrentes e quase padronizadas de diferentes teorias nas suas aplicações conceituais. instrumentais e na o b servação.. os m e m b r o s d a c o m u n i d a d e c o n s i d e r a d a a p r e n d e m seu ofí- . paradigmas e a ciência n o r m a l c o m e ç a r e m o s consider a n d o a m a n e i r a p e l a q u a l o h i s t o r i a d o r isola o s p o n t o s específicos d e c o m p r o m i s s o s q u e a c a b a m o s d e d e s c r e ver c o m o sendo regras aceitas. Ao estudá-los e utilizá-los na prática. revelados nos seus m a n u a i s .4.

se a coerência da t r a d i ç ã o de pesquisa d e v e ser entendida em termos de regras. um Maxwell ou um Einstein produziram u m a solução aparentemente duradoura para um grupo de problemas especialmente . terá tido um sucesso pelo menos parcial. c o m o mostra o capítulo anterior. explícitos ou implíc i t o s . N ã o há dúvida de q u e além disso o historiador descobrirá u m a área de p e n u m b r a ocupada por realizações c u j o status a i n d a e s t á e m d ú v i d a . Q u a s e certamente. empregando-os d e pois em suas pesquisas. contudo. é necessário determinar um terreno c o m u m n a área c o r r e s p o n d e n t e . Contudo. Enunciadas dessa m a neira ( o u em qualquer outra que o historiador possa i m a g i n a r ) . Í C o n t u d o . m a s h a b i t u a l m e n t e o núcleo dos problemas resolvidos e das técnicas será claro. a determinação de paradigmas compartilhados n ã o coincide c o m a determinação das regras c o m u n s ao g r u p o . teriam sido rejeitadas quase c e r t a m e n t e p o r ^alguns m e m b r o s d o g r u p o q u e ele e s t u d a . inclusive a l g u m a s d a s u t i l i z a d a s a c i m a c o m o i l u s t r a ç õ e s . N ã o o b s t a n t e . um Lavoisier. a busca de regras revelar-se-á ao m e s m o t e m p o m a i s difícil e m e n o s s a t i s f a t ó r i a d o q u e a busca de paradigmas.'Ao empreendê-la. o historiador deve comparar entre si os paradigmas da comunidade e em seguida compará-los com os relatórios de p e s q u i s a h a b i t u a i s d o g r u p o . E m vista disso. Apesar das ambigüidades ocasionais. os paradigm a s d e u m a c o m u n i d a d e científica a m a d u r e c i d a p o d e m ser determinados c o m relativa facilidade. parecerão um pouco forçadas. M a s . Algumas das generalizações que ele e m p r e g a r p a r a descrever a s crenças c o m u n s d a c o m u nidade n ã o a p r e s e n t a r ã o p r o b l e m a s . Q u e m quer que tenha tentado descrever ou analisar a evolução de u m a tradição científica p a r t i c u l a r t e r á n e c e s s a r i a m e n t e p r o c u r a d o esse g ê n e r o de princípios e regras aceitos. O u t r a s . Isto exige u m a segunda etapa. de natureza um tanto diferente. Cientistas p o d e m c o n cordar que um Newton. C o m isso o h i s t o r i a d o r v i s a descobrir q u e elementos isoláveis. a busca de um corpo de regras c a p a z de constituir u m a tradição determinada da ciência n o r m a l torna-se u m a -fonte d e f r u s t r a ç ã o p r o f u n d a e c o n t í n u a .cio. o reconhecimento dessa frustração torna possível diagnosticar sua origem. se sua experiência se assemelha c o m a minha. o s m e m b r o s d e s s a c o m u n i d a d e p o d e m t e r abstraído de seus paradigmas mais globais.

Isto é. M. 1 9 5 3 ) . 1 9 5 8 ) . será conveniente exam i n a r p r i m e i r a m e n t e a f o r m a em q u e a a r g u m e n t a ç ã o é apresentada. V e V I . | A falta de u m a interpretação padronizada ou de u m a redução a regras que goze de u n a n i m i d a d e n ã o impede que um p a r a d i g m a oriente a pesquisa. Geralmente a respond e m o s afirmando que sabemos. de G. d a d a a m a 1 2 1 . do c o n h e c i m e n t o adquirido através da prática e q u e n ã o p o d e ser articulado explicitamente. m a s n ã o d e p e n d e dela. p p . o q u e l i m i t a o c i e n t i s t a a u m a tradição específica da ciência n o r m a l ? O q u e p o d e significar a e x p r e s s ã o " i n s p e ç ã o d i r e t a d o s p a r a d i g m a s " ? Respostas parciais a questões desse tipo foram desenvolvidas p o r L u d w i g Wittgenstein. u m a folha ou um jogo. V e r s e u Personal Knotvledge ( C h i c a g o . p o d e m c o n c o r d a r n a identificação de um paradigma. embora n u m contexto b a s t a n t e d i v e r s o . 31-36. O primeiro resultado dessas afirmações é inevitavelmente o de levantar problemas.importantes e m e s m o assim discordar. Na verdade. a existência de um paradigma n e m m e s m o precisa implicar a existência de qualq u e r c o n j u n t o c o m p l e t o d e regras. p a r a utilizar t e r m o s c o m o " c a d e i r a " . " f o l h a " ou "jogo" de uma maneira inequívoca e sem provocar discussões? T a l questão é m u i t o antiga. trad. 2. o que é u m a cadeira. Philosophical Investigations. (Nova York. Q u e precisamos saber. algumas vezes sem estarem conscientes disso. . precisamos captar um determinado conjunto de atributos c o m u n s a todos os jogos (e somente aos jog o s ) . especialmente os C a p s . J á q u e esse c o n t e x t o é a o m e s m o t e m po mais elementar e mais familiar. I s t o é . E. sem entretanto entrar n u m acordo ( o u m e s m o t e n t a r o b t ê .* . Wittgenstein concluiu que. M K H A E L P O L A N Y I d e s e n v o l v e u b r i l h a n t e m e n t e u m t e m a m u i t o similar. Ludwig. isto é. Wittgenstein n ã o diz q u a s e n a d a a respeito do m u n d o que é necessário para sustentar o p r o c e d i m e n t o d e d e n o m i n a ç ã o inaming} q u e e l e d e l i n e i a . intuitiva ou conscientem e n t e . Contudo. C o n t u d o . WITTGENSTEIN. Na ausência de um c o r p o a d e q u a d o de r e g r a s . argumentando que muito do sucesso do cientista depende do " c o n h e c i m e n t o tácito". A n s c o m b e . P a r t e d a a r g u m e n t a ç ã o q u e se segue n ã o p o d e ser atribuída a ele. A ciência n o r m a l p o d e ser p a r c i a l m e n t e d e t e r m i n a d a através da inspeção direta dos paradigmas. perguntava Wittg e n s t e i n . a respeito das características abstratas específicas q u e t o r n a m essas soluções p e r m a n e n t e s . Esse processo é freqüentemente auxiliado pela formulação de regras e suposições.l o ) q u a n t o a u m a interpretação o u racionalização c o m p l e t a a r e s p e i t o d a q u e l e .

E m l u g a r disso. Algo semelhante pode valer para os vários problem a s e técnicas de pesquisa que surgem n u m a tradição específica d a c i ê n c i a n o r m a l . tal conjunto de características não é n e c e s s á r i o .c i e n tistas n ã o ^ n e c e s s i t a m d e u m c o n j u n t o c o m p l e t o d e r e gras^ A ~ c o e r ê n c Í a da~"tràüi\du de. S o m e n t e se as famílias q u e n o m e a m o s se superpusessem ou se mesclassem g r a d u a l m e n t e u m a s c o m as outras — isto é. n ã o existe n e n h u m conjunto d e c a r a c t e r í s t i c a s q u e seja s i m u l t a n e a m e n t e a p l i c á v e l a t o d o s os m e m b r o s da classe e s o m e n t e a eles. p a r a W i t t genstein. c a d e i r a s ou f o l h a s freqüentemente nos auxilie a a p r e n d e r a e m p r e g a r o term o c o r r e s p o n d e n t e . *• q u a n d o c o n f r o n t a d o s c o m u m a a t i v i d a d e p r e v i a m e n t e desconhecida. O q u e t ê m e m c o m u m n ã o é o f a t o de satisfazer as e x i g ê n c i a s de a l g u m c o n j u n t o de regras. A e x i s t ê n c i a de tal rede explica suficientemente o nosso sucesso na identificação da atividade ou objeto c o r r e s p o n d e n t e . s o m e n t e se n ã o h o u v e s s e m f a m í l i a s naturais — o n o s s o s u c e s s o e m identificar e n o m e a r p r o v a r i a q u e e x i s t e u m c o n j u n t o de c a r a c t e r í s t i c a s c o m u n s c o r r e s p o n d e n d o a j c a d a u m dos n o m e s d a s classes q u e e m p r e g a m o s .n e i r a p e l a q u a l u s a m o s a l i n g u a g e m e o t i p o de m u n d c ao qual a aplicamos.atu a r c i i L ^ s s i m ^ f l s . cadeiras e folhas são famílias naturais.s e n u m a o u n o u t r a p a r t e d o corpus científico q u e a comunidade em questão já reconhece como u m a de suas realizações confirmadas. p o d e m relacionar-se por semelhança ou modeland o . PgjL. cada u m a delas constituída por u m a rede de semelhanç a s q u e se s u p e r p õ e m e se e n t r e c r u z a m . que p o - . muitas vezes s e m c o n h e c e r o u p r e c i s a r c o n h e c e r q u a i s a s c a r a c t e r í s t i c a s q u e p r o p o r c i o n a r a m o status de p a r a d i g m a c o m u n i t á r i o a esses m o d e l o s .p e s q u i s a Tia q u a l p a r t i cípam n ã o precisa nem m e s m o implicar a existência de um corpo subjacente de regras e pressupostos. explícito ou passível de u m a descoberta c o m p l e t a — c o n j u n t o q u e dá à t r a d i ç ã o o seu c a r á t e r e a v s u a a u t o r i d a d e s o b r e o e s p í r i t o científico. E m s u m a . aplicamos o termo "jogo" porque o que estamos vendo possui u m a grande "semelhança de famíl i a " c o m u m a série d e a t i v i d a d e s q u e a p r e n d e m o s a n t e r i o r m e n t e a c h a m a r p o r esse n o m e . Em vez disso. Os cientistas t r a b a l h a m a p a r tir d e m o d e l o s a d q u i r i d o s a t r a v é s d a e d u c a ç ã o o u d a literatura a que são expostos posteriormente. jogos. E m b o r a a d i s c u s s ã o de alguns a t r i b u t o s -_ c o m u n s a um certo número de j o g o s .

o processo de aprendizado de u m a teoria depende do est u d o das aplicações. refere-se à g r a n d e d i f i c u l d a d e q u e e n c o n t r a mos para descobrir as regras que guiaram tradições específicas d a c i ê n c i a n o r m a l . A s e g u n d a . incluindo-se aí a prática na resol u ç ã o d e p r o b l e m a s . desde o início. pelo m e n o s intuitivamente. A t é aqui nossa análise t e m sido p u r a m e n t e teórica: os p a r a d i g m a s poderiam d e t e r m i n a r a c i ê n c i a n o r m a l s e m a i n t e r v e n ç ã o d e r e g r a s q u e p o d e m ser d e s c o b e r t a s . Se. D e p o i s d e a c e i t a . M a s esse fato pode indicar tão-somente que. onde são apresentados junt a m e n t e c o m suas aplicações e através delas. Ao contrário. n e m a resposta são consideradas relevantes p a r a suas pesquis a s . e s s a s a p l i cações ( o u m e s m o outras) a c o m p a n h a r ã o a teoria nos m a n u a i s o n d e o s f u t u r o s c i e n t i s t a s a p r e n d e r ã o s e u ofício. esses i n s t r u m e n t o s i n t e l e c t u a i s s ã o . baseia-se n a n a t u r e z a d a e d u c a ç ã o científica. o est u d i o s o d a d i n â m i c a n e w t o n i a n a d e s c o b r i r o significado . Tentarei agora aumentar t a n t o a sua clareza c o m o a sua importância. A e s t a a l t u r a d e v e r i a estar claro q u e os cientistas n u n c a a p r e n d e m conceitos. E m l u g a r d i s s o . eles c o n h e c e m a resposta. m a i s c o g e n t e s e mais completos que qualquer conjunto de regras para a p e s q u i s a q u e d e l e s p o s s a ser c l a r a m e n t e a b s t r a í d o . U m a n o v a teoria é sempre anunciada juntamente c o m suas aplicações a u m a determinada g a m a concreta de fenômenos n a t u r a i s . encontrados n u m a u n i d a d e histórica e pedagogicamente anterior. A p r i m e i r a d e l a s . indicando algumas das razões que temos para acreditar que os paradigmas realmente operam d e s s a m a n e i r a . O f a t o d e o s c i e n t i s t a s u s u a l m e n t e n ã o p e r g u n t a r e m ou debaterem a respeito do que faz c o m que u m problema o u u m a solução particular sejam considerados legítimos nos leva a supor q u e . da qual a primeira n ã o passa de um corolário. n e m a questão. A s aplicações n ã o estão l á simplesmente c o m o u m adorno ou m e s m o como documentação. q u e j á foi a m p l a m e n t e d i s c u t i d a . por exemplo. seja c o m l á p i s e p a p e l . sem elas n ã o p o d e r i a n e m m e s m o c a n d i d a t a r s e à a c e i t a ç ã o científica.d e r i a ser r e v e l a d o p o r i n v e s t i g a ç õ e s h i s t ó r i c a s o u filosóficas a d i c i o n a i s . E s s a d i f i c u l d a d e é a p r o x i m a d a m e n t e i d ê n t i c a à e n c o n t r a d a p e l o filósofo q u e t e n t a d e t e r m i n a r o q u e é c o m u m a t o d o s os j o g o s . leis e t e o r i a s d e u m a f o r m a a b s t r a t a e i s o l a d a m e n t e . O s p a r a d i g m a s p o d e m ser a n t e r i o r e s . s e j a c o m instrumentos n u m laboratório.

m e s m o a s s i m . A c i ê n c i a n o r m a l p o d e a v a n ç a r s e m ^ e g r a s s o m e n t e e n q u a n t o a c o m u n i d a d e científica r e l e vante aceitar sem questões as soluções de problemas específicas j á o b t i d a s . Esse processo de aprendizagem através de exercícios c o m p a p e l e l á p i s o u a t r a v é s d a p r á t i c a c o n t i n u a durante t o d o o processo de iniciação profissional. seus p r o b l e m a s e m é t o d o s legítimos. ao mesmo tempo em que diminui o número dos precedentes q u e p o d e r i a m o r i e n t a r s e u e s t u d o . E m b o r a muitos cientistas falem c o m facilidade e brilho a respeito das hipóteses individuais que subjazem n u m a determinada pesquisa em andamento. esses p r o b l e m a s c o n t i n u a m a m o l d a r .a s d i r e t a m e n t e ^ seja a t r a v é s ^de r e g r a s a b s t r a t a s . "massa". não estão em m e lhor situação que o leigo q u a n d o se trata de caracterizar as bases estabelecidas do seu c a m p o de estudos. "espaço" e "tempo". levada a c a b o independentemente. O p e r í o d o p r é .n o através de sua habilidade p a r a realizar pesquisas b e m sucedidas. É e x a t a m e n t e isso q u e o c o r r e .de termos como "força". E s s a s c o n s e q ü ê n c i a s d a e d u c a ç ã o científica p o s suem u m a recíproca que nos proporciona u m a terceira r a z ã o p a r a s u p o r m o s q u e jps p a r a d i g m a s o r i e n t a m a s p e s q u i s a s . em p a r t i c u l a r . a s r e g r a s d e v e r i a m a s s u m i r i m p o r t â n c i a e a falta de i n t e r e s s e q u e as c e r c a deveria desvanecer-se sempre que os paradigmas ou m o d e l o s p a r e ç a m i n s e g u r o s . os problemas a enfrentar tornam-se mais complexos. P o r c o n s e g u i n t e . Na medida em que o estudante progride de seu primeiro a n o d e e s t u d o s e m d i r e ç ã o à s u a tese d e d o u t o r a m e n t o . C o n t u d o . Se os cientistas c h e g a m a a p r e n d e r tais abstrações. Pode-se supor que em algum m o m e n t o de sua formação.p a r a d i g m á t i c o . será m e n o s p o r q u e utilizou as definições incompletas ( e m b o r a a l g u m a s v e z e s ú t e i s ) d o seu m a n u a l . M a s . d e m o n s t r a m .s e r i g o r o s a m e n t e d e a c o r d o c o m a s r e a l i z a ç õ e s científicas a n t e riores. e s s a h a b i l i d a d e p o d e ser e n t e n d i d a s e m r e c u r so às regras hipotéticas do jogo. seja m o d e l a n d o . o cientista a b s t r a i u i n t u i t i v a m e n t e a s r e g r a s d o j o g o p a r a s e u próprio uso — m a s temos poucas razões p a r a crer nisso. d o q u e p o r ter o b s e r v a d o e p a r t i c i p a d o da aplicação desses c o n ceitos à r e s o l u ç ã o d e p r o b l e m a s . é r e g u l a r mente m a r c a d o por debates freqüentes e profundos a . o m e s m o acontecendo com os problemas que n o r m a l m e n t e o o c u p a r ã o d u r a n t e s u a c a r r e i r a científica posterior.

cartesianos e leibnizianos acerca d a s n o r m a s legítimas p a r a a ciênc i a . A i n d a hoje existem cientistas q u e p o d e m r e cordar discussões semelhantes. 4 . Isis. a assimilação das Mecânicas d e G a l i l e u e N e w t o n o r i g i n o u u m a série d e d e b a t e s p a r ticularmente famosos entre os aristotélicos. ver PiERRE BKUNET. IV-V. Para os debates c o m os cartesianos e leibnizianos. II. v e r W A L T E R F . S o b r e a M e c â n i c a E s t a t í s t i c a . L'Introduction des théories de Newton en France au XVIII-» siècle (Paris. p p . enquanto os paradigmas permanecem seguros. XLV (1955). 38-55 ( 1 9 6 0 ) . pp. 3 4 5 6 3 . 24-27. No tocante à recepção obtida p e l o s trabalhos de M a x w e l l . Q u a n d o os cientistas n ã o estão de a c o r d o sobre a existência ou n ã o de soluções p a r a os problemas fundamentais de sua área de estudos. e MARÍE BOAS. v e r MAX P L A N C K . T H O M P S O N . O I L L I S P I E .respeito de métodos. PP329-95. 1 9 5 8 ) . 4 5 . v e r R E N É D U G A S . 1923). A. N o q u e d i z r e s p e i t o à M e c â n i c a Q u â n t i c a . e m James Cterck Maxwell: A Commemoration Volume. 146-49. La crise de la physique quantique (Paris. Les doutrines chimiques en France du début du XVII. KOYRÉ. engendradas pela teoria eletromagnética de Maxwell e pela Mecânica Estatística. A D o c u m e n t a r y History of the P r o b l e m of Fali from Kepler to N e w t o n . 1950). C . então a busca de regras adquire u m a função que não possui normalmente. K O Y R É . II. P a r a a G e o l o g i a . i r . P a r a u m a a m o s t r a d a luta contra o s aristotélicos.» ã Ia fin du XVIII. The Uniformitarian-Catastrophist Debate. 1 9 5 9 ) . Robert Boyle and Seventeenth-Century Chemistry. alguns dos quais continuam até h o j e . N o tocante à Química. 7 7 i e Life of William Thomson Baron Kelvin of Largs ( L o n d r e s . 1931). 1021-27. Caps. ver H . pp.6 5 e e s p e c i a l m e n t e p p .' siècle ( P a r i s . 1 9 5 7 ) .6 3 .' tricidade e mostramos como desempenharam um papel ainda mais importante no desenvolvimento da Química do século X V I I e na Geologia do século X I X . M a s s . problemas e padrões de solução legítimos — e m b o r a esses debates sirvam mais p a r a d e finir e s c o l a s d o q u e p a r a p r o d u z i r u m a c o r d o . LI pp. p p . Cap. Gênesis and Geology ( C a m b r i d g e . ocorrem periodicamente p o u c o antes e durante a s r e v o l u ç õ e s científicas — o s p e r í o d o s d u r a n t e o s q u a i s os paradigmas são primeiramente atacados e então m o dificados. 5 8 . La théorie physique au sens de Boltzmann et ses prolongements modemes (Neuchâtel. S I L V A N U S P . " M a x w e H * s I n f l u e n c e in G e r m a n y " . debates dessa natureza n ã o desaparecem de u m a vez p o r t o d a s c o m o s u r g i m e n t o do p a r a d i g m a . 1931). From the Closed World to the lnfinite Universe ( B a l t i m o r e . b e m antes disso. 206-19. E. . E m b o r a eles q u a s e n ã o e x i s t a m d u r a n t e o s p e r í o d o s d e c i ê n c i a normal. 1831-1931 (Cambridge. ver A . 158-84. 6 . C a p . J á a p r e sentamos algumas dessas discussões na Óptica e na Ele. Contudo. M E T Z O E R . ( C a m b r i d g e . 1 9 5 1 ) . A transição da mecânica n e w t o n i a n a p a r a a quântica evocou muitos debates a respeito da natureza e dos padrões da Física. e C . Transactions of the American Philosophical Society. 1910). CANNON. C a p . 5 . X I . v e r J E A N U L L M O . Além disso.

Ao contrário. a t é m e s m o a d e s c o b e r t a d e u m f e n ô m e n o n o v o e i n e s p e r a d o p o d e ser r e v o l u c i o n á r i a . por exemplo. d e s c r i t a s e m l i v r o s d e n a t u r e z a m u i t o distinta. Aqueles que trabalham em campos de estudo muito afastados. n a d a d o q u e foi a f i r m a d o a t é a g o ra opõe-se necessariamente a esta observação t ã o familiar. q u a n d o comparados c o m as regras e p r e s s u p o s t o s p a r t i l h a d o s p o r u m g r u p o científico. A i n trodução deste ensaio sugere a existência de revoluções grandes e pequenas. E n t r e t a n t o . A s r e g r a s e x p l í citas. c o m e ç a m seus e s t u d o s p o r l i v r o s e r e a l i z a ç õ e s científicas i d ê n t i c o s . M e s m o o s q u e . como pode u m a m u d a n ç a d e p a r a d i g m a afetar a p e n a s u m p e q u e n o s u b g r u p o ? O q u e foi d i t o a t é a q u i p a r e c e i m p l i c a r q u e a ciência normal é um empreendimento único.eles p o d e m f u n c i o n a r s e m q u e h a j a n e c e s s i d a d e d e um. a Astronomia e a Botânica Taxionômica. a c o r d o sobre as razões de seu e m p r e g o ou m e s m o sem qualquer tentativa de racionalização. e m g e r a l s ã o c o m u n s a u m g r u p o científico b a s t a n t e a m p l o . P a r a tais g r u p o s . P o d e m o s concluir este capítulo a p r e s e n t a n d o u m a quarta razão q u e nos permite atribuir u m a prioridade aos paradigmas. . Se a c i ê n c i a n o r m a l é t ã o r í g i d a e as c o m u n i d a d e s c i e n tíficas t ã o e s t r e i t a m e n t e e n t r e l a ç a d a s c o m o a e x p o s i ção precedente dá a entender. monolítico e u n i f i c a d o q u e d e v e persistir ou d e s a p a r e c e r . q u a n d o e x i s t e m . sem coerência entre suas p a r t e s . como. seja c o m o c o n j u n t o deles. O p r ó x i m o capítulo examinará alguns exemplos desse tipo de revolução — mas ainda não sabemos como se produzem. receb e m sua e d u c a ç ã o no contato c o m realizações científicas b a s t a n t e d i v e r s a s .— a l g o q u e n ã o p r e c i s a ocorrer com os paradigmas. p o d e m a d q u i r i r p a r a d i g m a s bastante diferentes no curso de sua especialização p r o fissional. se considerarmos todos seus c a m p o s . M a s é óbvio q u e a ciência r a r a m e n t e ( o u n u n c a ) procede dessa maneira. Freqüentemente. t r a b a l h a n d o n o m e s mo c a m p o de estudos ou em campos estreitamente rel a c i o n a d o s . a substituição de p a r a d i g m a s por r e g r a s d e v e r i a facilitar a c o m p r e e n s ã o d a d i v e r s i d a d e d e c a m p o s e e s p e c i a l i z a ç õ e s científicas. assemelha-se a u m a estrutura bastante instável. algumas afetando apenas os estudiosos de u m a subdivisão de um c a m p o de estudos. seja c o m a l g u m d e s e u s p a r a d i g m a s .

a p e n a s a l g u n s físicos e n t r a m em contato com os princípios básicos da Mecânica Quântica.Examinemos. A t u a l mente cada membro desse grupo aprende determinad a s leis ( p o r e x e m p l o . E m s u m a . sem serem coexistentes. e m b o r a a M e c â n i c a Q u â n t i c a ( o u a D i n â m i c a newtoniana ou a t e o r i a e l e t r o m a g n é t i c a ) seja u m p a r a d i g m a p a r a m u i t o s g r u p o s científicos. Conclui-se daí q u e . O significado q u e a M e c â n i c a Q u â n t i c a p o s s u i p a r a c a d a um deles depende d o s cursos freqüentados. A m b o s resp o n d e r a m sem hesitação. e a m a i o r p a r t e deles as e m p r e g a m em algum m o m e n t o de suas pesquisas ou tarefas didáticas. por exemplo.q u â n ticas seja r e v o l u c i o n á r i a p a r a t o d o s esses g r u p o s . O u t r o s estudam detalhadamente as aplicações paradigmáticas desses princípios à Química. P a r a o químico. m a s suas respostas não coincidiram. M a s n e m todos a p r e n d e m a s m e s m a s a p l i c a ç õ e s d e s s a s leis e p o r isso n ã o são afetados da m e s m a maneira pelas m u d a n ç a s na prática da Mecânica Quântica. No curso de sua e s p e c i a l i z a ç ã o p r o f i s s i o n a l . P o r isso p o d e d a r o r i g e m s i m u l t a n e a m e n t e a diversas tradições da ciência normal q u e coincidem parcialmente. q u e esperava aprender algo a respeito do que os c i e n t i s t a s c o n s i d e r a m ser a t e o r i a a t ô m i c a . P a r a o físico. U m i n v e s t i g a dor. a comunidade ampla e d i v e r s i f i c a d a c o n s t i t u í d a p o r t o d o s os físicos. U m a revolução p r o d u z i d a no interior de u m a dessas tradições n ã o se estenderá necessariamente às outras. P a r a o r e s t a n t e d o s e s p e c i a l i s t a s e p r a t i c a n t e s de o u t r a s c i ê n c i a s físicas esta m o d i f i c a ç ã o n ã o p r e c i s a n e c e s s a r i a m e n t e ser r e v o l u c i o n á r i a . u m a m o d i f i c a ç ã o q u e reflete a p e n a s u m a o u o u t r a a p l i c a ção do paradigma será revolucionária somente para os m e m b r o s de u m a subespecialidade profissional específica.^ ç ã o r e f o r ç a r á essa s é r i e d e a r g u m e n t o s . n ã o é o m e s m o p a r a d i g m a e m t o d o s esses c a s o s . dos textos lidos e dos periódicos estudados. a s d a M e c â n i c a Q u â n t i c a ) . p e r g u n t o u a um físico e a um q u í m i c o e m i n e n t e s se um ú n i c o á t o m o de hélio era ou n ã o u m a molécula. i o hélio não era u m a molécula p o r q u e n ã o a p r e s e n t a v a / . o á t o m o dc hélio era u m a m o l é c u l a p o r q u e se c o m p o r t a v a c o m o tal d e s d e o p o n . e m b o r a u m a m o d i f i c a ç ã o n a s leis m e c â n i c o . ainda outros à Física dos E s t a d o s Sólidos e assim por diante./ to de v i s t a da t e o r i a c i n é t i c a d o s g a s e s . U m a b r e v e i l u s t r a ç ã o d o s efeitos d a e s p e c i a l i z a .

S Ê N I O R .l h e s o q u e u m a molécula d e v e ser. T h e V e r n a c u l a r o f t h e l l a b o r a t o r y . O investigador era J A M E S K . P o d e m o s supor q u e a m b o s falavam da m e s m a partícula. pp. Sem dúvida alguma suas experiências tinham muito em c o m u m . Suas experiências na resolução de problemas indicar a m . c o m q u e m estou e m dívida por um relatório verbal. X X V . veremos q u ã o cheias de conseqüências p o d e m ser a s d i f e r e n ç a s d e p a r a d i g m a d e s s a n a t u r e z a . Philosophy o f Science. m a s a e n c a r a v a m a partir de suas respectivas formações e práticas de pesquisa. 163-168 (1958>. m a s neste caso n ã o indicaram o m e s m o resultado aos dois especialistas. . 7 7 . N a m e d i d a e m q u e a v a n ç a r m o s n a nossa análise. Alguns temas relacionados são examinados no s e u t r a b a l h o .u m espectro m o l e c u l a r .

fenômenos nov o s e i n s u s p e i t a d o s s ã o p e r i o d i c a m e n t e d e s c o b e r t o s pe— . atividade que consiste em solucionar quebra-cabeças. falta a q u i u m p r o d u t o c o m u m d o e m p r e e n d i m e n t o científico. C o n t u d o . A ciência n o r m a l n ã o se p r o p õ e descobrir novidad e s no terreno dos fatos ou da teoria. extremamente bem sucedido no que toca ao seu objetivo. n ã o as encontra. E m t o d o s esses a s p e c t o s . é um e m p r e e n d i m e n t o altamente cumulativo.5. q u a n d o é b e m sucedida. A ANOMALIA E A EMERGÊNCIA DAS DESCOBERTAS CIENTIFICAS A ciência n o r m a l . Entretanto. a ampliação contínua do alcance e d a p r e c i s ã o d o c o n h e c i m e n t o científico. ela s e a d e q u a c o m g r a n d e p r e c i s ã o à i m a g e m h a b i t u a l d o t r a b a l h o científico.

D e p o i s q u e elas se i n c o r p o r a r a m à c i ê n c i a . O e x a m e histór i c o n o s s u g e r e q u e o e m p r e e n d i m e n t o científico d e s e n v o l v e u u m a t é c n i c a p a r t i c u l a r m e n t e eficiente n a produção de surpresas dessa natureza. c i e n t i s t a s t ê m c o n s t a n t e m e n t e inventado teorias radicalmente novas. d o t a d o s d e u m a estrutura que reaparece regularmente. S u a a r t i f i c i a l i d a d e é u m a p i s t a i m p o r t a n t e p a r a várias das principais teses deste ensaio. A descob e r t a c o m e ç a c o m a c o n s c i ê n c i a d a a n o m a l i a . examinando em primeiro lugar descobertas ( o u novidades relativas a fatos). P r o duzidas inadvertidamente por um jogo realizado segundo um conjunto de regras. c o m o reconhecimento de q u e . A assimilarão d e u m n o v o t i p o d e f a t o e x i g e m a i s d o q u e u m a j u s t a m e n t o a d i t i v o d a t e o r i a . o e m p r e e n d i m e n t o científico n u n c a m a i s é o m e s m o — ao m e n o s p a r a os e s p e c i a l i s tas cujo c a m p o de estudo é afetado por essas novidades. sua assimilação requer a e l a b o r a ç ã o d e u m n o v o c o n j u n t o . . d e tal f o r m a q u e o a n ô m a l o se tenha convertido no esperado. A t é q u e tal a j u s t a m e n t o tenha sido c o m p l e t a d o — até que o cientista tenha a p r e n d i d o a ver a n a t u r e z a de um m o d o d i f e r e n t e — o n o v o fato n ã o será considerado c o m p l e t a m e n t e científico. m a s e p i s ó d i o s p r o l o n g a d o s . Essa distinção entre descoberta e invenção ou entre fato e teoria revelar-se-á em seguida excessivamente artificial. de alguma m a n e i r a . Se queremos conciliar essa característica da ciência n o r m a l c o m o que afirmamos anteriormente. isto é . p a r a então estudar as invenções ( o u novidades concernentes à t e o r i a ) . D e v e m o s a g o r a p e r g u n t a r c o m o p o d e m surgir tais mudanças. Esse trabalho somente se encerra q u a n d o a t e o r i a d o p a r a d i g m a for a j u s t a d a . No restante deste capítulo examinaremos descobertas escolhidas e descobriremos r a p i d a m e n t e que elas n ã o são eventos i s o l a d o s . a natureza violou as expectativas paradigmáticas que gov e r n a m a ciência normal.I a p e s q u i s a científica. Segue-se então u m a exploração mais ou menos ampla da área onde ocorreu a anomalia. Esse é o papel das n o v i d a d e s f u n d a m e n t a i s r e l a t i v a s a fatos e t e o r i a s . é preciso que a pesquis a o r i e n t a d a p o r u m p a r a d i g m a seja u m m e i o p a r t i c u l a r m e n t e eficaz d e i n d u z i r a m u d a n ç a s n e s s e s m e s mos paradigmas que a orientam.

ver A . Esse folheto. T h e H i s t o r i c a l Structure o f Scientific D i s c o v e r y . . . entretanto. p o r v o l t a de 1 7 7 0 .6 2 . J. Cambridge. The Eighteenth-Century Revolution in Science — the First Phase ( C a l c u t á . E s s e t r a b a l h o r e p r e s e n t a v a u m d o s itens d e u m a p r o l o n g a d a investigação n o r m a l acerca d o s " a r e s " liber a d o s por u m grande n ú m e r o d e substâncias sólidas. p. p p . N ã o teve p o r t a n t o qualquer influência sobre o m o d e l o histórico q u e mais nos p r e o c u p a aqui. 1962). o progresso da ciência n o r m a l p r e p a r o u o c a m i n h o p a r a u m a ruptura radical. . Case 2.. que inclui u m a e x p o s i ç ã o da c o n t r o v é r s i a s o b r e a prioridade. Sobre a discussão ainda clássica a respeito da descoberta do oxigênio. théoricien et expérimentateur (Paris. C a p . Mass. O seg u n d o p r e t e n d e n t e à d e s c o b e r t a foi o c i e n t i s t a e clér i g o b r i t â n i c o J o s e p h P r i e s t l e y . iniciou as pesquisas q u e o levariam ao oxigênio após os experimentos de 1 7 7 4 de Priestley. Science.1 9 5 8 . visto q u e s ó foi p u b l i c a d o d e p o i s d e a d e s c o b e r t a d o o x i g ê n i o ter s i d o a n u n c i a d a r e p e t i d a m e n t e e m o u t r o s l u gares. MELDRUM. C O N A N T . ver t a m b é m T . S. sem o saberem. C a p s . 2 . 1 9 5 7 . 1955). II e III. mais respirável". examinaremos um exemplo particularmente famoso: a descoberta do oxigênio. 1 2 3 1. Lavoisier. No início de 1 7 7 5 . C X X X V I . Lychnos. r e p r o d u z m u i t o s d o c u m e n t o s i m p o r t a n t e s . V . L a v o i s i e r . o terceiro pretendente. q u e r e c o l h e u o g á s lib e r a d o pelo oxido de mercúrio vermelho aquecido. B. A Lost Letter from Scheele to L a v o s i e r . Pelo m e n o s três sábios têm d i r e i t o a r e i v i n d i c á . sem alteração (exceto q u e ) . m u i t o útil. possivelmente devido a u m a sugestão desse último. identificou-o c o m o a r c o m u m d o t a d o d e u m a q u a n t i d a d e d e flogisto m e n o r d o q u e a u s u a l . p a r a u m a a v a l i a ç ã o d i f e r e n t e d o papel de Scheele. Nesse exemplo tirado da Química Pneumática. 1 9 3 0 ) . Ver. Um t r a b a l h o r e c e n t e e indispensável. p o d e m o s ignorar o seu t r a b a l h o . 23.P a r a vermos a q u e p o n t o as novidades fatuais e t e ó r i c a s e s t ã o e n t r e l a ç a d a s n a d e s c o b e r t a científica. 1950). W. p p . C o n t u d o . N. Para um relato m a i s c o m p l e t o e u m a bibliografia. é o d e M A U R I C E D A U M A S . surge mais puro. 3 . Em 1 7 7 4 .7 6 4 (junho. 1. Lavoisier escreveu q u e o gás obtido c o m o aquecimento do oxido vermelho de m e r c ú r i o era "o próprio ar. The Overthrow of the Phlogiston Theory: The Chemical Revolution of 1775-1789 ("Harvard Case Histories in Experimental Science".l a e a l é m d i s s o . 3 9 . U N O B O C K I U N D . v á r i o s o u t r o s q u í m i c o s d e v e m ter p r o d u z i d o a r e n r i quecido n u m recipiente de laboratório. Priestley identificou o gás assim produzido c o m o oxido nitroso. depois de novos testes. 7 6 0 . K U H N . Scheele é o primeiro cientista a q u e m p o d e m o s atribuir a preparação de u m a amostra relativamente pura do gás. O farmacêutico sueco C. inteiro. Em 1775.

descobriu primeiro o oxigênio? De qualquer maneira. A a l e g a ç ã o d e L a v o i s i e r p o d e ser m a i s c o n s i s t e n t e . s e n d o u m dos dois principais componentes da atmosfera — conc l u s ã o q u e P r i e s t l e y n u n c a foi c a p a z d e a c e i t a r . q u e o l e v o u a identificar o gás c o m o sendo "o próprio ar. u m a tentativa de resposta esclarecerá a natureza das descobertas.P o r volta de 1 7 7 7 . A d e s c o b e r t a n ã o é o t i p o de p r o c e s s o a r e s p e i t o do q u a l seja a p r o p r i a d o c o l o c a r t a i s q u e s t õ e s . n ã o p o d e m o s concedê-la a Lavoisier p o r s e u t r a b a l h o de 1 7 7 5 . A l é m do mais. O f a t o d e q u e e l a s s e j a m feitas — a p r i o r i d a d e da d e s c o b e r t a d o o x i g ê n i o foi m u i t a s v e z e s c o n t e s t a d a d e s d e 1 7 8 0 — é u m s i n t o m a d e q u e existe a l g o d e e r r a d o n a i m a g e m da ciência q u e concede à descoberta um papel tão fundamental. m a s apresenta os m e s m o s problemas. (se algum d e l e s ) . m a s i g u a l - . se P r i e s t l e y foi o d e s c o b r i d o r . isso f o r a f e i t o p o r t o d o s a q u e l e s q u e a l g u m a vez engarrafaram o ar atmosférico. q u a n d o o c o r r e u a d e s c o b e r t a ? E m 1 7 7 4 ele p e n s o u ter o b t i d o o x i d o n i t r o s o .l o . N ã o nos interessa absolutamente chegar a u m a decisão acerca de prioridades e datas. _ Esse modelo de descoberta levanta u m a questão q u e p o d e ser c o l o c a d a c o m r e l a ç ã o a t o d o s o s n o v o s fenômenos que chegam à consciência d o s cientistas. M a s a amostra de Priestley n ã o era p u r a e se segurar oxigênio i m p u r o nas m ã o s é d e s c o b r i . u m a substância q u e j á conhecia. Se recusarmos a palma a Priestley.s e no f a t o de ele t e r s i d o o p r i m e i r o a isolar u m g á s q u e m a i s t a r d e foi r e c o n h e c i d o c o m o u m e l e m e n t o distinto. a q u e s t ã o p o d e r i a ser c o l o c a d a m e s m o n o c a s o de um único pretendente à descoberta. Lavoisier concluiu que esse g á s c o n s t i t u í a u m a c a t e g o r i a e s p e c i a l . q u a n d o foi d e s c o b e r t o o o x i g ê n i o ? A p r e s e n t a d a d e s s e m o d o . A p r e t e n s ã o de P r i e s t l e y à d e s c o b e r t a do o x i g ê n i o b a s e i a . Examinemos nosso exemplo mais u m a v e z . Priestley ou Lavoisier. inteiro". que lev a r a m L a v o i s i e r n ã o s o m e n t e a ver o g á s . N ã o obstante. É preciso talvez esperar pelos trabalhos de 1776 e 1 7 7 7 . e m 1 7 7 5 identificou o g á s c o m o ar d e s f l o g i s t i z a d o — o q u e a i n d a n ã o é oxigênio e n e m m e s m o u m a espécie de gás m u i t o inesp e r a d a p a r a o s q u í m i c o s l i g a d o s à t e o r i a d o flogisto. q u e m . já que n ã o existem as respostas desejadas p a r a tais perguntas. provavelmente com a ajuda de u m a segunda sugestão de Priestley.

E n t r e t a n t o . I g n o r a n d o Scheele. 1935) e H. q u a l q u e r tentativa de datar a descoberta será' inevitavelmente arbitrária. O b v i a m e n t e necessitamos de novos conceitos e novo vocabulário para analisar eventos como a descob e r t a d o o x i g ê n i o . c o m o ver ou tocar. que se considerássemos o oxigênio c o m o sendo ar desflogistizado. N o t e . La cit. é enganad o r a . L a v o i s i e r insistiu q u e o o x i g ê n i o e r a " u m p r i n c í p i o de a c i d e z " a t ô m i c o e q u e o gás o x i g ê n i o se form a v a somente q u a n d o o "princípio" se unia ao calór i c o .. M a s d e n t r o d e s s e s limites o u o u t r o s s e m e l h a n t e s .s e t e n t a d o s a fazer essa a f i r m a ç ã o . . estão i n e s p e r a d a m e n t e ligados à descoberta. o p r i n c í p i o d e a c i d e z s ó foi b a n i d o d a Q u í m i c a depois de 1810. a p a r t i r d e 1 7 7 7 . a s u b s t â n c i a d o c a l o r . assimilável ao nosso conceito habitual ( e i g u a l m e n t e q u e s t i o n á v e l ) d e v i s ã o . q u e e n v o l v e o r e c o n h e c i m e n t o t a n t o d a existência de algo. insistiríamos sem hesitação q u e Priestley fora seu descobridor. op. então esta é um processo que exige t e m p o . de la matière chez Lavoisier. pois a d e s c o b e r t a de um n o v o tipo de fenômeno é necessariamente um acontecimento complex o . e n q u a n t o o calórico sobreviveu até 1 8 6 0 . A n t e s de qualquer u m a dessas datas o oxigênio tornara-se u m a substância química padrão. P o r isso s u p o m o s tão facilmente q u e descobrir. o fato e a assimilação à teoria. e m b o r a indubitavelmente correta. (Paris. D A U M A S . METZGER. p o d e m o s dizer c o m s e g u r a n ç a q u e o o x i g ê n i o n ã o foi d e s c o b e r t o antes de 1 7 7 4 e provavelmente t a m b é m diríamos que foi d e s c o b e r t o p o r v o l t a d e 1 7 7 7 o u p o u c o d e p o i s . p o r e x e m p l o . pois sugere q u e descobrir alguma coisa é um ato simples e único. j á q u e . M a s este últim o d a d o n u n c a p o d e ser f i x a d o e o p r i m e i r o f r e q ü e n temente t a m b é m não. c o m o de s u á natureza. N o e n t a n t o . m e s m o esse r e c o n h e c i m e n t o p o d e r i a ser c o n t e s t a d o . M a s se tanto a observação c o m o a conceitualização. VII. e m b o r a ainda n ã o soubéssemos exatamente quando.m e n t e o q u e o g á s e r a .d e s coberto". philosophie Cap. P o d e m o s e n t ã o dizer q u e o oxigênio ainda não fora descoberto em 1777? Alguns p o d e r ã o s e n t i r .s e . A_proposiçâo^__'^0 o x i g ê n i o f o i . S o m e n t e q u a n d o todas essas categorias conceituais relevantes estão pre4 4. d e v a s e r i n e q u i v o c a m e n t e a t r i b u í d o a um i n d i v í d u o e a u m m o m e n t o d e t e r m i n a d o n o t e m p o .

M a i s : c o n v e n c e u . N Y . . De fato. a resposta deve ser a f i r m a t i v a . c o m o a teoria da c o m b u s t ã o pelo oxigên i o . n u n c a teria parecido tão importante. o valor atribuído a um novo fenômeno (e portanto sobre seu descobridor) varia com nossa estimativa da dimensão da violação das previsões do p a r a d i g m a p e r p e t r a d a p o r este. o problema da prioridade ( d o qual partimos). se a descoberta do oxigênio n ã o tivesse e s t a d o i n t i m a m e n t e relacionada com a emergência de um novo paradigma para a Q u í mica.l h e a l g o q u e ele j á e s t a v a p r e p a r a d o p a r a descobrir: a natureza da substância q u e a c o m bustão subtrai da atmosfera. Lavoisier convenceu-se de q u e havia algo errado c o m a t e o r i a flogística. O relato mais autorizado sobre a origem do descontentamento de Lavoisier é o de H É N R Y G U E R I A C .p a r a d a s de a n t e m ã o (e nesse caso n ã o se trata de um novo tipo de fenômeno pode-se descobrir ao mesmo t e m p o . m a s . I n d i c o u . Registrara essas convicções n u m a n o t a lacrada depositada junto ao secretário da Academia Francesa em 1 7 7 2 . O t r a b a l h o sobre o oxigênio d e u f o r m a e estrutura mais precisas à impressão anterior de L a voisier de que h a v i a algo e r r a d o na teoria química c o r r e n t e . M u i t o antes de d e sempenhar qualquer papel na descoberta de um novo gás. pelo menos nesse caso. embora n ã o necessariamente prolongado. 1961). entretanto — p o i s i s t o t e r á i m p o r t â n c i a m a i s t a r d e — q u e a d e s c o b e r t a d o o x i g ê n i o n ã o foi e m s i m e s m a a c a u s a da m u d a n ç a na teoria química. a existência e a natureza d o q u e o c o r r e . Nesse caso. E s s a t e o r i a foi a p e d r a a n g u l a r d e u m a r e f o r m u l a ç ã o t ã o a m p l a d a Q u í m i c a q u e v e i o a ser c h a m a d a de Revolução Química. como em outros. Essa consciência prévia d a s d i f i c u l d a d e s d e v e t e r s i d o u m a p a r t e significativa 5 5. Poderemos igualmente afirmar q u e envolve u m a modificação no paradigma? A i n d a n ã o é possível d a r u m a resposta geral a essa questão.s e d e q u e corpos em combustão absorvem u m a parte da atmosfera. O q u e L a v o i s i e r a n u n c i o u e m s e u s t r a b a l h o s p o s t e r i o r e s a 1 7 7 7 n ã o foi t a n t o a d e s c o b e r t a do oxigênio. Observe-se. r á p i d a e f a c i l m e n t e . A d m i t a m o s agora que a descoberta envolve um processo de assimilação conceituai amplo. Lavoisier — the Crucial Year: The Backgrourtd and Origin of His First Experiments on Combustion in 1772 (Ithaca.

Dois outros exemplos b e m mais breves reforçarão o q u e a c a b a m o s de dizer. Physics. W . m a s a um agente d o t a d o de alguma semelhança com a luz. a descoberta de R o e n t g e n c o m e ç o u c o m o reconhecim e n t o d e q u e s u a t e l a b r i l h a v a q u a n d o n ã o d e v i a fa6. 1941). Historie Researches (Londres. o f a t o d e q u e e r a n e c e s s á r i o u m a revisão" i m p o r t a n t e n o p a r a d i g ma p a r a q u e se pudesse ver o q u e Lavoisier vira. PPPP- . Antes de anunciar sua descoberta. Investigações posteriores — q u e exigiram sete s e m a n a s febris. que a r a d i a ç ã o p r o j e t a v a s o m b r a s e q u e n ã o p o d i a ser d e s viada p o r u m ímã. escolhemos exemplos q u e são diferentes e n t r e s i e s i m u l t a n e a m e n t e d i v e r s o s d a d e s c o b e r t a do oxigênio. the Pioneer Science (Boston. S u a h i s t ó r i a c o m e ç a n o d i a e m q u e o físico R o e n t g e n interrompeu u m a investigação normal sobre os raios catódicos. 790-794 e 218-219. d u r a n t e as quais R o e n t g e n r a r a mente deixou o laboratório — indicaram que a causa do brilho provinha do tubo de raios catódicos. a t é o fim d e s u a v i d a . 6 M e s m o um r e s u m o tão sucinto revela semelhanças impressionantes c o m a descoberta do oxigênio: antes das experiências c o m o oxido vermelho de merc ú r i o . O primeiro. é um caso clássico de descoberta p o r acidente. nos permitirão passar de u m a elucidação da natureza das descobertas a u m a compreensão das circunstâncias sob as quais elas surgem na ciência. Roentgen convencera a s i p r ó p r i o q u e e s s e efeito n ã o s e d e v i a a o s r a i o s c a t ó dicos. ao notar que u m a tela de cianeto de platina e b á r i o . além d e muitas outras coisas.daquilo q u e permitiu a Lavoisier ver nas experiências s e m e l h a n t e s ^ à s „de P r i e s t l e y u m g á s q u e o p r ó p r i o P r i e s tley f o r a i n c a p a z d e p e r c e b e r . i n c a p a z d e v ê . I n v e r s a m e n t e . brilhava quando se produzia uma descarga. CHALMEIS. Ao m e s m o t e m p o . W . o dos raios X. Esse tipo de descoberta ocorre mais freqüentemente do que os padrões i m p e s s o a i s d o s r e l a t ó r i o s científicos n o s p e r m i t e m p e r c e b e r . 1949). T A Y L O R . N u m esforço para a p r e sentar as principais formas pelas quais as descobertas p o d e m ocorrer. L a v o i s i e r fizera e x p e r i ê n c i a s q u e n ã o p r o d u z i r a m o s r e s u l t a d o s p r e v i s t o s p e l o p a r a d i g m a flogístico.l o . L. colocada a certa distância de sua a p a relhagem protetora. deve t e r s i d o a r a z ã o p r i n c i p a l p a r a P r i e s t l e y ter p e r m a n e c i d o . T.

L o n d r e s . T . É i g u a l m e n t e ó b v i o que n ã o p o d e m o s d e s l o c a r o momento da descoberta para um determinado ponto da última s e m a n a de investigações — q u a n d o R o e n t gen estava explorando as propriedades da nova radiaç ã o que ele já descobrira. ( 2 . t a m b é m nesses dois c a s o s . a existência de p a r a l e l i s m o s significativos e n t r e a s d e s c o b e r t a s d o o x i gênio e d o s raios X é b e m m e n o s aparente. p . de um f e n ô m e n o p a r a o q u a l o p a r a d i g m a n ã o p r e p a r a r a o investigador — d e s e m p e n h o u um papel essencial na p r e p a r a ç ã o do c a m i n h o q u e permitiu a p e r c e p ç ã o da novidade. Sir W i l l i a m "rookes. Ao contrário da descoberta do oxigênio. a p e r c e p ç ã o d e q u e a l g o s a í r a e r r a d o foi a p e nas o prelúdio da descoberta.zê-lo. implicada em qualquer^ t r a n s t o r n o m a i s ó b v i o d a t e o r i a científica. tal c o m o a teoria do flogisto p r o i b i r a a i n t e r p r e t a ç ã o de L a v o i s i e r a r e s 7 7 . 1 9 5 1 ) . não no primeiro momento. n o t a 1 . n e m os raios X surgiram sem um processo ulterior de experimentação e assimilação. Em a m b o s os casos a p e r c e p ç ã o da a n o m a l i a — isto é. P o d e m o s somente dizer que os raios X surgiram em W ü r s b u r g entre 8 de n o v e m bro e 28 de dezembro de 1 8 9 5 . n ã o descobriu a b s o l u t a m e n t e n a d a .ntre m u i t a s e s p e c u l a ç õ e s e x i s t e n t e s . P o r exemplo. 3 5 8 . para sua posterior tristeza. I . N ã o h á d ú v i d a . A. M a s . (A teoria eletromagnética de M a x w e l l ainda n ã o fora aceita por todos e a teoria das partículas de raios catódicos er a u m a i. W H I T T A K E R . . History of the Theories of Aether and Electriclty. E . S i r G e o r g e T h o m p s o n nformou-me a respeito de u m a segunda quase-descoberta. N e m o oxigênio. P e l o m e n o s um o u t r o observador já vira esse brilho e. / E n t r e t a n t o . d u r a n t e u m a d é c a d a . E m q u e s e n t i d o p o d e . a dos raios X n ã o esteve. e d . _de _que o s p a r a d i g m a s a c e i t o s p o r R o e n t g e n e seus c o n t e m p o r â n e o s n ã o p o d e r i a m t e r sido usados para predizer os raios X. quando n ã o se perc e b e u s e n ã o u m a t e l a e m i t i n d o sinais l u m i n o s o s . alertado por placas fotográficas inexplicavelmente opacas.s e e n t ã o a f i r m a r q u e a a s s i m i l a ç ã o d e s s a descoberta tornou necessária u m a mudança de paradigma? Existem boas razões pára recusar essa m u d a n ç a . e n t r e t a n t o . ) M a s n e n h u m d e s ses p a r a d i g m a s p r o i b i a ( p e l o m e n o s e m a l g u m s e n t i do ó b v i o ) a existência de raios X. em q u e m o m e n t o da investigação de R o e n t g e n p o d e m o s dizer q u e os raios X foram realmente descobertos? De qualquer m o d o . estava gualmente no caminho da descoberta. n u m terceiro aspecto.

1 9 1 0 ) . N a p i o r d a s h i p ó t e s e s . estivessem implícitos em fenômenos anteriormente e x p l i c a d o s s e m r e f e r ê n c i a a eles. n e m controlado. Se o equipam e n t o de Roentgen produzira os raios X. A princípio L o r d e Kelvin considerou-os um embuste muito bem elaborad o . The Kelvin of Largs. Contudo. u m a variável relevante. Esse e m p r e e n d i m e n t o era u m projeto habitual n a ciência n o r m a l d a época. m a s t a m b é m c o m choque. (Londres. P o r q u e o s r a i o s X n ã o p u d e r a m ser a c e i t o s c o m o u m a n o v a f o r m a d e manifestação d e u m a classe b e m conhecida de fenômenos naturais? Por que n ã o foram recebidos da mesma maneira que. ainda estavam sendo buscados e encontrados novos elementos para preencher os lugares vazios na tabela periódica. 1 1 2 5 .peito do gás de Priestley. os raios X a b r i r a m u m novo c a m p o d e estudo. T a l v e z esses r a i o s . Lite of Xir p. T r a b a l h o s anteriormente concluídos. por exemplo. Silvanus P. o equip a m e n t o de raios catódicos era a m p l a m e n t e empregado em numerosos laboratórios europeus. Outros. no futuro diversos tipos de aparelhos muito familiares t e r i a m q u e ser p r o t e g i d o s p o r u m a c a p a d e c h u m b o . T H O M P S O N . Sem dúvida. embora não pudessem duvidar das provas apresentadas. II.o s s e m c o n s c i ê n c i a d i s s o . i n f r a v e r m e l h a e u l t r a v i o l e t a . t e r i a m q u e ser r e f e i t o s . q u e p o d e r i a m m u i t o b e m ter outras origens não-conhecid a s . o sucesso de u m a investigação era motivo para congratulações. ela v i o l a v a e x p e c t a t i vas p r o f u n d a m e n t e arraigadas. Wiliiam Thomson Baron . Ao contrário: a prática e a t e o r i a científicas a c e i t a s e m 1 8 9 5 a d m i t i a m d i v e r s a s f o r m a s de r a d i a ç ã o — visível. então muitos outros experimentadores deviam estar produzind o . p o i s os cientistas n ã o h a v i a m reconhecido. Na última década do século X I X . a descoberta de um elemento químico adicional? Na época de Roentgen. sentiram-se confundidos por ela. Creio q u e essas expectativas estavam implícitas no planejamento e na interpretação dos procedimentos de laboratório admitidos na época. relativos a proj e t o s d a c i ê n c i a n o r m a l . os raios X foram recebidos não só com surpresa. mas n ã o para surpresas. E m b o r a a e x i s t ê n c i a d o s r a i o s X n ã o estivesse i n t e r d i t a d a p e l a t e o r i a e s t a b e l e c i d a . M a s t a m 8 8. a m p l i a n d o assim o s domínios potenciais d a ciência n o r m a l .

conscientemente ou não. a decisão de empregar um determinado aparelho e empregá-lo d e u m m o d o específico baseia-se n o pressuposto d e que somente certos tipos de circunstâncias ocorrerão. à identificação tardia d a fissão d o u r â n i o .s e e s p e c i a l m e n t e difícil d e r e c o n h e c e r liga-se a o f a t o d e q u e o s p e s q u i s a d o r e s c o n s cientes do que se podia esperar do b o m b a r d e i o do u r â nio e s c o l h e r a m testes químicos que visavam descobrir principalmente quais eram os elementos do extremo su9 9. Priestley renunciou ao procedimento habitual e tentou misturar oxido nítrico em outras proporções. utilizando um teste-padrão para determinar "a boa qualidade do ar". cil. A experiência prévia a partir da q u a l fora engend r a d o esse p r o c e d i m e n t o assegurava-lhes q u e o resíduo. . n e garam a determinados tipos de instrumentação. o dir e i t o a esse t í t u l o . Seu compromisso aos procedim e n t o s d o teste o r i g i n a l — p r o c e d i m e n t o s s a n c i o n a d o s por muitas experiências anteriores — fora simultaneam e n t e um c o m p r o m i s s o c o m a não-existência de gases q u e p u d e s s e m s e c o m p o r t a r c o m o fizera o o x i g ê n i o . 18-20. pp. a m b o s e n c o n t r a r a m um resíduo que se aproximava de um volume e a partir desse d a d o identificaram o gás. Somente muito mais tarde (e em parte devido a um acidente). U m a d e s s a s ^ e x p e c t a t i v a s . Op. juntamente com o ar atmosférico. Priestley e Lavoisier. misturam dois volumes do seu gás c o m um volume de oxido nítrico.b é m modificaram (e esse é o p o n t o m a i s i m p o r t a n t e ) c a m p o s já existentes. Existem tanto expectativas instrumentais c o m o teóricas. faz p a r t e d a h i s t ó r i a d a descoberta tardia do oxigênio. Em resumo. No caso de q u a l q u e r o u t r o gás ( o u ar p o l u í d o ) . corresponderia a um v o l u m e . o v o l u m e seria maior. p o r e x e m p l o . C O N A N T . q u e anteriormente eram considerados paradigmáticos. N a s experiências c o m o oxigênio. P o d e r í a m o s multiplicar as ilustrações desse tipo fazendo referência. U m a d a s r a z õ e s p e l a s q u a i s e s s a r e a ç ã o n u c l e a r r e v e l o u . p o r e x e m p l o . No decorrer desse processo. sacudiram a mistura sob r e a á g u a e e n t ã o m e d i r a m o v o l u m e de r e s í d u o g a soso. que freqüentemente têm desempenhado um papel d e c i s i v o n o d e s e n v o l v i m e n t o científico.

Otto. .8 9 ( 1 9 4 0 ) . . Die Naturwissenschalten. . poderemos igualmente entender como a „ descoberta dos raios X pode ter aparecido c o m o um e s t r a n h o m u n d o n o v o p a r a muitos cientistas e assim participar t ã o efetivamente da crise q u e gerou a Física do século X X . P o d e ser que u m a série de estranhos acidentes torne nossos resultados enganadores" ( H A H N . . K. O criptônio. " ü b e r d e n N a c h w e i s u n d das V e r h a l t e n der bei B e s t r a h l u n g d e s U r a n m i t t e l s N e u t r o n e n e n t s t e h e n d e d E r d a l k a l i m e t a l l e " . a o s e g u i n t e relatório: " C o m o químicos. Levando-se em conta a freqüência c o m q u e tais c o m p r o m i s s o s instrumentais revelam-se enganadores. 15). 2 6 7 . XXVII (1939). referi-me anteriormente às descobertas de novos elementos químicos d u r a n t e a segunda m e t a d e do século X I X c o m o s e n d o resultado da ciência normal — obtido da maneira acima mencionada. La. o o u t r o p T o d u t o . Ce em vez de Ra. Fritz. a G a r r a f a de L e y d e n . estreitamente relacionados à F í s i c a . C o n s e qüentemente. O fracasso em separar esse bário do produto radioativo conduziu. Bell System Technical Journal. A p r i meira vista o t e r m o p o d e parecer p a r a d o x a l . deveria a ciência abandonar os testes e instrumentos propostos pelo p a r a d i g m a ? N ã o . Nuclear Fission. DARROW. Disso resultaria um m é t o d o de pesquisa inconce*-~ bível. e s t a m o s e m condições d e perceber u m sentido fund a m e n t a l no qual u m a descoberta c o m o a dos raios X exige u m a m u d a n ç a de p a r a d i g m a — e p o r t a n t o u m a m u d a n ç a nos procedimentos e expectativas — para u m a f r a ç ã o e s p e c i a l d a c o m u n i d a d e científica. n ã o p o d e m o s dar esse salto que contradiria todas as experiências prévias da Física Nuclear. p p . um dos dois principais produtos da fissão parece n ã o ter sido identificado por m e i o s q u í m i c o s s e n ã o depois da r e a ç ã o ter s i d o b e m c o m p r e e n d i d a .perior da tabela p e r i ó d i c a . T h . p o r q u e esse e l e m e n t o t e v e q u e ser a d í t a d o à s o l u ç ã o r a d i o a t i v a p a r a p r e c i p i t a r o e l e mento pesado que os químicos nucleares estavam buscando. _Grande p a r t e d o q u e foi d i t o a t é a g o r a s u g e r e q u e a s d e s c o bertas preditas pela teoria fazem parte da ciência norm a l e n ã o p r o d u z e m novos tipos de f a t o s . pertence a u m a classe que pode ser d e s c r i t a c o m o s e n d o i n d u z i d a p e l a t e o r i a . R e s t r i n g e m i n e v i t a v e l m e n t e o c a m p o f e n o m e n o l ó g i c o acessível e m q u a l q u e r m o m e n t o d a i n v e s t i g a ç ã o científica. e S T R A S S M A N . A c . M a s . X I X .' N o s s o ú l t i m o e x e m p l o d e d e s c o b e r t a científica. O b á r i o . Os p r o c e d i m e n t o s e a p l i c a ç õ e s do p a r a d i g m a s ã o t ã o n e c e s s á r i o s à c i ê n c i a c o m o as leis e t e o r i a s p a r a d i g m á t i c a s —— e t ê m os m e s m o s e f e i t o s . q u a s e f o i i d e n t i f i c a d o q u i m i c a m e n t e n a e t a p a final d a i n v e s t g a ç ã o . depois de a reação ter s i d o b e m i n v e s t i g a d a p o r q u a s e c i n c o a n o s . a modificar t o d o s os n o m e s do e s q u e m a ( d a r e a ç ã o ) precedente e a escrever Ba. esta investigação deveria conduzir-nos . c o m o " q u í m i c o s nuclares". M a s nem todas as teorias são teorias paradigmáticas. P o r e x e m plo. T a n t o os perío1 0 10. K. I s t o p o s to.

E n t r e t a n t o . O s eletricistas a i n d a precisavam aprender q u e a garrafa exigia u m a c a p a c o n d u t o r a ( t a n t o i n t e r n a c o m o e x t e r n a ) e q u e o f l u i d o n ã o fica a r m a z e n a d o no r e c i p i e n t e . N e n h u m a delas conseguiu organizar muito b e m toda a 5^yariedade d o s f e n ô m e n o s e l é t r i c o s . c o m p e t i a m e n t r e si. todas derivadas d e fen ô m e n o s r e l a t i v a m e n t e acessíveis. As primeiras tentativas de a r m a z e n a r o fluido elétrico s o m e n t e funcionaram p o r q u e os investigadores seguraram o recipiente nas m ã o s . c a p a z e s de i n d i c a r o c a m i n h o p a r a novas descobertas. Esse instrumento emergiu mais lentamente. t o d o s esses e x p e r i m e n t a d o r e s r e c e b e r a m u m forte c h o q u e e l é t r i c o . Essa c o n c e p ç ã o levou vários cientistas a t e n t a r e m engarrafar tal f l u i d o . T a m b é m n e s s e c a s o é i m p o s s í v e l p r e c i s a r o m o m e n t o da d e s c o berta. ao m e s m o t e m p o e m q u e p e r m a n e c i a m c o m o s pés n o solo. colocando-se essa última e m c o n t a t o c o m u m c o n d u t o r p r o veniente de um gerador eletrostático em atividade. Somente depois de a r t i c u l a r m o s e s t r e i t a m e n t e a e x p e r i ê n c i a e a t e o r i a experimental. essas primeiras experiências n ã o conduzir a m o s eletricistas à d e s c o b e r t a d a G a r r a f a d e L e y d e n . E s s e f r a c a s s o foi a fonte de d i v e r s a s d a s a n o m a l i a s q u e f o r n e c e r a m o p a n o de fundo p a r a a descoberta da Garrafa de Leyi d e n .d o s p r é . Muitas vezes. p o d e surgir a descoberta e a teoria conv e r t e r . os cientistas c o s t u m a m desenvolver m u i t a s teorias espec u l a t i v a s e d e s a r t i c u l a d a s . d e s c o b r i n d o a i n d a v á - . Ao retirar a garrafa da m á q u i n a e tocar a água ( o u um c o n d u t o r a ela l i g a d o ) c o m s u a m ã o l i v r e . E m lugar disso.s e em p a r a d i g m a . >. Q u a n d o o processo de d e s c o b r i m e n t o teve início. n ã o existia u m p a r a d i g m a ú n i c o p a r a a p e s q u i s a elétrica. a l é m d o s q u e e x a m i n a m o s a n t e r i o r m e n t e . U m a d a s e s c o l a s d e eletricistas q u e c o m p e t i a m entre si concebeu a eletricidade c o m o um fluido. diversas teorias. A descoberta da Garrafa de Leyden revela todos esses t r a ç o s . O instrumento q u e c h a m a m o s G a r r a f a d e L e y d e n surgiu e m a l g u m m o m e n t o d a s i n v e s t i g a ç õ e s e m q u e o s elet r i c i s t a s c o n s t a t a r a m esse f a t o .p a r a d i g m á t i c o s . E s s a o p e r a ç ã o c o n s i s t i a e m s e g u r a r n a s m ã o s um recipiente de vidro cheio de água. essa descoberta n ã o é exatamente a antecipada pela hipótese especulativa e experimental. c o m o d u r a n t e a s crises q u e c o n d u z e m a m u d a n ç a s em grande escala do p a r a d i g m a . entretanto.

A Paradigma. J. COHEN. . B .r i o s o u t r o s efeitos a n ô m a l o s . O último estágio é 1956). 400-406. A l é m d i s s o . Depois de cada apresentação. n u m a série de apresentações cuja d u r a ç ã o crescia gradualmente. Depois de um pequeno acréscimo no tempo de exposição. op. Em maior ou menor grau (oscilando n u m contín u o entre o resultado chocante e o resultado antecip a d o ) . Leo.. & POSTMAN. c o m o . S. N u m a e x p e r i ê n c i a p s i c o l ó g i c a q u e m e r e c e ser m e l h o r c o n h e cida fora de seu c a m p o original. p p . i n c l u e m : a c o n s c i ê n c i a p r é v i a da a n o m a l i a . por 12. por exemplo. No caso 1 1 . mas a l g u m a s t i n h a m sido modificadas. a p ó s s e r e m e x p ô s . cit. descrito pp. Essas características. Muitas das cartas eram normais.5 2 . 452-467 e 506W H I T T A K E R . perguntava-se a cada p a r t i c i p a n t e o q u e ele v i r a . a e m e r gência gradual e simultânea de um reconhecimento tanto no plano conceituai como nó plano da observaç ã o e a conseqüente m u d a n ç a das categorias e proced i m e n t o s paradigmáticos — m u d a n ç a muitas vezes a c o m p a n h a d a p o r resistência. a s e x p e r i ê n cias q u e p r o p i c i a r a m o surgimento desse aparelho (muitas das quais realizadas por F r a n k l i n ) e r a m exatamente aquelas que t o r n a r a m necessária a revisão drástica da teoria do fluido. C a d a seqüência experimental consistia em m o s t r a r u m a ú n i c a c a r t a a u m a ú n i c a p e s s o a . Franklin and Newton: An lnqulry into Speculative Newtonian Experimental Science and Franklin's Work in Electricíty as an Example Thereof (Filadélfia. p r o p o r c i o n a n d o assim o primeiro paradigma completo p a r a os fenômenos ligados à eletricidade. u m seis d e e s p a d a s v e r m e l h o e u m q u a t r o d e c o p a s preto. On the Perception of Incongruity: 385-386. A s e q ü ê n c i a t e r m i n a v a a p ó s d u a s identificações corretas sucessivas. 11 12 M e s m o nas exposições mais breves muitos indivíduos identificavam a maioria das cartas. E x i s t e m inclusive p r o vas de q u e essas m e s m a s características fazem parte da natureza do próprio processo perceptivo.' tos a elas d u r a n t e períodos curtos e experimentalmente controlados. Journal oj Personality.5 0 7 . B r u n e r e P o s t m a n p e d i r a m a sujeitos e x p e r i m e n t a i s p a r a q u e i d e n t i f i c a s s e m u m a série d e c a r t a s d e b a r a l h o . 5 0 . ver I. . 206-223 (1949). BRUNER. todos os entrevistados identificaram todas as cartas. as características c o m u n s aos três exemplos acima são traços de todas as descobertas das quais e m e í " g e m novos tipos de fenômenos. XVIII. pp. A respeito das várias etapas da evolução da Garrafa de Leyden.

C o m u m a exposição maior das cartas anômalas. essa experiência psicológica proporciona um esquema maravilhosamente simples e convinc e n t e d o p r o c e s s o d e d e s c o b e r t a científica. a m a i o r i a d o s e n t r e v i s t a d o s p a s s o u a fazer a i d e n tificação c o r r e t a s e m h e s i t a ç ã o . U m a exposição um pouco maior d e u m a r g e m a hesitações e confusões ainda maiores. até q u e . Sem qualquer consciência da anomalia. N ã o e s t o u seguro nem m e s m o a respeito do que é u m a carta de copas. já n ã o tinham dificuldade c o m as restantes. a novidade somente e m e r g e c o m dificuldade (dificul1 3 . e m b o r a con h e c e n d o de a n t e m ã o t o d o o a p a r e l h a m e n t o e a apresentação. n ã o obstante.das cartas normais. n e m s e é d e e s p a d a s o u c o p a s . ele era imediatamente adaptado a u m a das categorias conceituais p r e p a r a d a s pela experiência prévia. a l g u n s d i s s e r a m : i s t o é u m seis d e e s p a d a s . p . d e p o i s d e "repetir a e x p o s i ç ã o c o m d u a s o u t r ê s c a r t a s a n ô m a l a s . Idem. alguns entrevistados n ã o foram capazes de realizar a ^adaptação de suas categorias que era necessária. mas as cartas anômalas eram quase semp r e identificadas c o m o n o r m a i s . A l é m d i s s o . C o n t u d o . f r e n t e a o seis d e e s p a d a s v e r m e l h o . seja l á q u a l for. Os entrevistados que fracassaram nessas condições e x p e r i m e n t a v a m m u i t a s v e z e s u m a g r a n d e aflição. sentiu. J á n ã o sei s u a c o r . M e s m o c o m u m t e m p o m é d i o d e exposição q u a r e n t a vezes superior ao que era necessário para reconhecer as cartas n o r m a i s c o m exatidão. essas identificações e r a m geralmente corretas. profundo desconforto ao olhar as cartas anômalas. os entrevistados com e ç a r a m e n t ã o a hesitar e a demonstrar consciência d a a n o m a l i a . 2 1 8 . m a i s d e d e z p o r cento das cartas a n ô m a l a s n ã o f o r a m identificadas corretamente. finalmente. M e u colega Postman me afirma que. N a c i ê n c i a . Por exemplo. N ã o gostaríamos n e m m e s m o de dizer que os entrevistados viam algo diferente daquilo q u e identificavam. P o r e x e m p l o . assim c o m o na experiência c o m as cartas do baralho. U m d e l e s e x c l a m o u : " n ã o p o s s o fazer a d i s t i n ç ã o . . M e u D e u s ! " 1 3 Seja c o m o m e t á f o r a . m a s h á a l g o d e e r r a d o c o m ele — o p r e t o t e m u m contorno vermelho. seja p o r q u e reflita a n a t u reza da mente. o quatro de copas preto era tomado pelo quatro de espadas ou de copas. sem hesitação ou perplexidade aparentes. algumas vezes de m o d o repentin o . D e s t a v e z n e m p a r e c i a ser u m a c a r t a .

os resultados que conduzem às . P o r outro lado. admite-se h a b i t u a l m e n t e q u e o primeiro p a r a d i g m a explica c o m bastante sucesso a maior parte das observações e e x p e r i ê n c i a s f a c i l m e n t e acessíveis a o s p r a t i c a n t e s d a quela ciência. n e m sempre muito grande. E m conseqüência. a c i ê n cia n o r m a l c o n d u z a u m a i n f o r m a ç ã o d e t a l h a d a e a u m a p r e c i s ã o da i n t e g r a ç ã o e n t r e a o b s e r v a ç ã o e a t e o r i a q u e n ã o p o d e r i a ser a t i n g i d a d e o u t r a m a n e i r a . N o desenvolvimento d e qualquer ciência. A l é m d i s s o . G o s t a r i a a g o r a d e a s s i n a l a r q u e . essa profissionalização leva a u m a imensa restrição da v i s ã o do c i e n t i s t a e a u m a r e s i s t ê n c i a c o n s i d e r á v e l à m u d a n ç a de p a r a d i g m a .dade que se manifesta através de uma resistência) contra um p a n o de fundo fornecido pelas expectativas. Inicialmente experimentamos somente o que é habitual e previsto. Contudo. A ciência torna-se sempre mais rígida. o desenvolvimento de um vocabulário e técnicas esotéricas. Já insisti a n t e r i o r m e n t e s o b r e o f a t o d e q u e esse p r o c e s so (ou um muito semelhante) intervém na emergênc i a d e t o d a s a s n o v i d a d e s científicas f u n d a m e n t a i s . esse d e t a l h a m e n t o e p r e c i s ã o d a i n t e g r a ç ã o p o s s u e m um valor q u e transcende seu interesse intrínseco. Sem os instrum e n t o s e s p e c i a i s . Nesse m o m e n t o completa-se a descoberta. Essa consciência d a a n o m a l i a i n a u g u r a u m p e r í o d o n o q u a l a s c a tegorias conceituais são a d a p t a d a s até que o que inicialmente era considerado anômalo se converta no previsto. c o n s t r u í d o s s o b r e t u d o p a r a fins p r e viamente estabelecidos. ser t ã o eficaz p a r a p r o v o cá-las. n ã o o b s t a n t e . r e c o n h e c e n d o esse p r o cesso. Por um lado. u m a maior familiaridade dá origem à consciência de u m a anomalia ou p e r m i t e r e l a c i o n a r o f a t o a a l g o q u e a n t e r i o r mente não ocorreu conforme o previsto. dentro das áreas p a r a as q u a i s o p a r a d i g m a c h a m a a a t e n ç ã o do g r u p o . além de um refinamento de conceitos q u e se assemelham cada vez m e n o s com os protótipos habituais do senso c o m u m . p o d e m o s facilmente começar a perceber por que a ciência n o r m a l — um e m p r e e n d i m e n t o n ã o dirigido p a r a as n o v i d a d e s e q u e a p r i n c í p i o t e n d e a s u p r i m i l a s — p o d e . u m desenvolvimento posterior c o m u m e n t e requer a construção de um equipamento elaborado. m e s m o em circunstâncias nas quais mais tarde se observará u m a anomalia.

Quanto maiores forem a precisão e o alcanc e d e u m p a r a d i g m a . No processo n o r m a l de descoberta.novidades poderiam não ocorrer. u m a n o v i d a d e científica significativa e m e r g e simultaneamente em vários laboratórios é um índice da n a t u r e z a fortemente tradicional da ciência n o r m a l . conseqüentemente de u m a ocasião para a mudança de paradigma. é c a p a z de r e c o nhecer q u e algo saiu e r r a d o . sabendo com precisão o q u e d e v e r i a e s p e r a r . . M e s m o q u a n d o os instrumentos especializados existem. Ao assegurar que o paradigma n ã o será facilmente a b a n d o n a d o . O p r ó p r i o fato de q u e . A a n o m a l i a aparece somente contra o p a n o de fundo proporcionado pelo paradigma. até m e s m o a m u d a n ç a tem u m a utilidade que será mais a m p l a m e n t e explorada no próximo capítulo. freqüentem e n t e . t a n t o m a i s sensível e s t e s e r á c o mo indicador de anomalias é. a novidade normalmente emerge apenas para aquele que. b e m c o m o da forma completa c o m a qual essa atividade tradicional prepara o caminho para sua própria mudança. a resistência garante que os cientistas n ã o serão p e r t u r b a d o s sem razão. G a r a n te ainda que as anomalias que conduzem a u m a m u dança de paradigma afetarão profundamente os conhecimentos existentes.

AS CRISES E A E M E R G Ê N C I A D A S TEORIAS CIENTIFICAS T o d a s as descobertas examinadas no C a p . Depois da assimilação da descoberta. substituídos por outros. P r o c u r e i m o s t r a r q u e alte- . T a l a v a n ç o s o m e n t e foi p o s sível p o r q u e a l g u m a s c r e n ç a s o u p r o c e d i m e n t o s a n t e riormente aceitos foram descartados e. A l é m disso. tanto construtivas c o m o destrutivas. 5 causaram mudanças de paradigmas ou contribuíram para tanto. as m u d a n ç a s nas quais essas descobertas estiveram implicadas foram. simultaneamente.6. todas elas. os cientistas encontravam-se em condições de dar conta de um n ú m e r o maior de fenômenos ou explicar mais precisamente alguns dos fenômenos p r e v i a m e n t e c o n h e c i d o s .

1. p r o d u zidas pela teoria ondulatória da luz. tem seus atrativos. inevitavelmente ampliaremos nossa compreensão da natureza das descobertas. 16. C o m o p o d e m tais teorias b r o t a r d a ciência n o r m a l . seja um pré-requisito para todas as mudanças de teoria . a n e w t o niana. Já h a v í a m o s encontrado o oxigênio c o m o u m a descoberta.aceitáveis. P e n s o q u e a esse respeito a evidência histórica é totalmente inequívoca. coincidência não é identidade. u m a a t i v i d a d e q u e n ã o visa r e a l i z a r d e s c o b e r t a s e m e n o s ainda produzir teorias? Se a consciência da anomalia desempenha um papel na emergência de novos tipos de fenômenos. q u e L a v o i s i e r inventaria mais tarde. 1954). antes dos trabalhos de Copérnico. C o n t u d o . Neste capítulo começaremos a examinar m u d a n ç a s similares. Os tipos de descobertas examinados no último capítulo não for a m responsáveis — pelo menos não o foram isoladamente — pelas alterações de paradigma que se verificaram em revoluções c o m o a copernicana. (A s u g e s t ã o i n v i á v e l . t o t a l m e n t e a n t e c i p a d a s a n ã o ser e m s e u s d e t a l h e s . a s d e s c o bertas n ã o são as únicas fontes dessas m u d a n ç a s c o n s trutivas-destrutivas de paradigmas. A astronomia ptolomaica estava n u m a situação escandalosa. A p ó s termos a r g u m e n t a d o q u e nas ciências o fato e a teoria.) Ao nos ocuparmos da emergência de novas teorias. R. e m b o r a m a i s p r o f u n d a . 1500-1800. a descoberta e a invenção n ã o são categórica e p e r m a n e n t e m e n t e distintas. a química e a einsteiniana.rações desse tipo estão associadas c o m todas as descobertas realizadas pela ciência n o r m a l — exceção feita à q u e l a s n ã o s u r p r e e n d e n t e s . em breve o encontraremos como u m a invenção. As contribuições de Galileu ao 1 p. T a m p o u c o foram responsáveis pelas m u d a n ç a s de paradigma mais limitadas (já q u e mais exclusivamente profissionais). pela teoria dinâmica do calor ou pela teoria eletromagnética de M a x well. HAIL. . que resultam da invenção de novas teorias. A. s e g u n d o a q u a l P r i e s t l e y foi o p r i m e i r o a descobrir o o x i g ê n i o . The Scientific Revalulion. (Londres. p o d e m o s antecipar u m a coincidência entre este capítulo e o anterior. ning u é m deveria surpreender-se c o m o fato de q u e u m a c o n s c i ê n c i a s e m e l h a n t e . mas usualmente bem mais amplas. ^Ainda assim.

1 9 1 0 ) .. I. o efeito f o t o e l é t r i c o e a r a d i a ç ã o d e u m c o r p o n e g r o . o p t o l o m a i c o . (ed. S. 1847). Quando de sua elaboração. The Science of Mechanics in the Middle Ages History Electriclty. Comecemos examinando um caso particularmente famoso de m u d a n ç a de paradigma: o surgimento da astronomia copernicana. d u r a n t e o período de 2 0 0 a. ed. .2 8 1 .. 396-466. A teoria o n d u l a t ó r i a q u e s u b s t i t u i u a n e w t o n i a n a foi a n u n c i a d a e m meio a u m a preocupação cada vez maior com as anomalias presentes na relação entre a teoria de Newton e os efeitos de p o l a r i z a ç ã o e r e f r a ç ã o . Sobre Termodinâmica. WHEWELL. 1 9 5 8 ) . A T e r m o d i n â m i c a n a s c e u d a c o l i s ã o d e d u a s t e o r i a s físicas e x i s t e n tes n o s é c u l o X I X e a M e c â n i c a Q u â n t i c a d e d i v e r s a s dificuldades q u e r o d e a v a m os calores específicos. Loncfres. C o m o s e r i a d e e s p e r a r . 2 7 . Life of rVilliam Thomson Baron Kelvin of Largs ( L o n d r e s . A . T . I. C . L. Mass. rev. I e II. B. Partes II e I I I . 94-109. de H.C. v e r E . Para o prelúdio da teoria o n d u l a t ó r i a . especialmente no v. C a p s . Sciences ed. trad. pois exige a d e s t r u i ç ã o e m l a r g a e s c a l a d e p a r a d i g m a s e grandes alterações nos p r o b l e m a s e técnicas da ciência n o r m a l . 4 . W H J T T A K E R . A e m e r gência de novas teorias é geralmente precedida por um período de insegurança profissional pronunciada. K U H N . 2 6 6 . Londres. W. 3 . p p . Cohen (Cambridge.estudo do movimento estão estreitamente relacionadas c o m as dificuldades descobertas na teoria aristotélica pelos críticos escolásticos. o sistema p r e c e d e n t e . O fracasso d a s regras existentes é o prelúdio p a r a u m a busca de novas regras. e x c e t o n o d e N e w ton. pp. S o b r e a t e o r i a d o s Quanta. of the Inductive a I (2. pp.s e da d e s c o b e r t a de q u e n e n h u m a das teorias pré-paradigmáticas existentes explicava o c o m p r i m e n t o do espectro. essa i n s e g u r a n ç a é g e r a d a pelo fracasso constante dos quebra-cabeças da ciência n o r m a l em produzir os resultados esperados. MARSHALL CLAGETT. The Quantum Theory (Londres. pp. 1939). *'Newton's Optical Papers". Hatfield e H. 1 9 5 9 ) . P.4 5 . F R I T Z R B I C H E . A l é m d i s s o . v e r . A respeito d e N e w t o n . 1951). a 2 0 0 d . ver T . K O Y R É revela numerosos elem e n t o s m e d i e v a i s p r e s e n t e s n o p e n s a m e n t o d e G a l i l e u e m s e u s JÉtudes Galiléennes (Paris. A History of the Theories of Aether and 2 . I. S. ver SILVANUS THOMPSON. a consciência da anomalia persistira p o r tanto tempo e penetrara tão profundamente na comunidade científica q u e é p o s s í v e l d e s c r e v e r o s c a m p o s p o r e l a a f e t a d o s c o m o e m e s t a d o d e crise c r e s c e n t e . e II. foi a d m i r a v e l m e n t e b e m s u cedido na predição da m u d a n ç a de posição d a s estre2 3 4 (Madison. em Isaac Newton's Papers and Letters in Natural Philosophy. 1 9 2 2 ) . Brose. A n o v a teoria de N e w t o n s o b r e a l u z e a c o r o r i g i n o u . e m t o d o s esses c a s o s . W i s c .

5 Tais dificuldades só foram reconhecidas muito l e n t a m e n t e . p r o d u z i u . as predições de Ptolomeu eram tão boas c o m o as de Copérnico. E. no que concerne aos planetas. T a n t o c o m respeito às posições planetárias. P a r a numerosos sucessores de Ptolomeu. Afonso X p ô d e declarar que. a comunicação entre os astrônomos era r e s t r i t a . q u a n d o se trat a d e u m a t e o r i a científica.s e u m a c o n s ciência d a s dificuldades. dada a ausência da imprensa. os astrônomos conseguiam invariavelmente eliminá-la. teria recebido bons conselhos. ser a d m i r a v e l m e n t e b e m s u c e d i d a n ã o é a m e s m a c o i s a q u e ser t o t a l m e n t e b e m sucedida. . Caps. 1953). poderia observar que a complexidade da Astronomia estava a u m e n t a n d o mais rapidamente que sua precisão e que as discrepâncias corrigidas em um ponto provavelmente reapareceriam em outro. sustentou que n e n h u m sistema tão <2. L. M a s . forneceu p r o b l e m a s p a r a a pesquisa n o r m a l de seus sucessores do século X V I I I . a s p r e d i ç õ e s feitas pelo sistema de P t o l o m e u n u n c a se ajustaram perfeitamente às melhores observações disponíveis. N e n h u m o u t r o s i s t e m a a n t i g o s a í ra-se tão b e m : a astronomia ptolomaica é ainda hoje amplamente usada p a r a cálculos aproximados. colaborador de Copérnico. c o m o c o m r e l a ç ã o a o s e q u i n ó c i o s . D a d a u m a determinada discrepância. D u r a n t e algum tempo. p o i s a t r a d i ç ã o a s t r o n ô m i c a sofreu r e p e t i das intervenções externas e porque. Porém. D R E Y E R . u m a r e d u ç ã o dessas pequenas discrepâncias constituiu-se n u m dos principais problemas da pesquisa astronômica normal. from Thales Io Kepler. alguém que examinasse o resultado acabado do esforço de pesquisa normal de muitos astrônomos. J. c o m o decorrer do tempo. os astrônomos d i s p u n h a m d e t o d o s o s motivos p a r a supor q u e tais tentativas de aperfeiçoamento da teoria seriam tão b e m sucedidas c o m o as que haviam conduzido ao sistema de Ptolomeu. N o v a York.Ias e d o s p l a n e t a s . 5. M a s . a o fim e a o c a b o . A History of Astronomy ed. se D e u s o houvesse consultado ao criar o universo. recorrendo a alguma a d a p t a ç ã o especial do sistema ptolomaico de círculos compostos. XI e XII. P o r volta do século X I I I . N o século X V I . D o m e n i c o d a N o v a r a . do m e s m o m o d o que u m a tentativa semelhante para ajustar a observação do céu à teoria de N e w t o n .

ocorre pela primeira vez o fracasso. n e m so6. Mass.c o m p l i c a d o e i m p r e c i s o c o m o se t o r n a r a o p t o l o m a i c o p o d e r i a ser r e a l m e n t e a e x p r e s s ã o d a n a t u r e z a . T.. N o início d o sé-~ culo X V I .c a b e ç a s n ã o foi o ú n i c o i n g r e d i e n t e d a crise a s t r o n ô m i c a c o m a q u a l C o p é r n i c o s e confrontou. O p r ó p r i o C o p é r n i c o e s c r e v e u no p r e f á c i o do De Revolutionibus q u e a t r a d i ç ã o a s t r o n ô m i c a q u e h e r d a r a a c a b a r a c r i a n d o t ã o . A par disso. d e v i d o a u m a concentração da atenção. KUHN. p p . S. (Cambridge. b e m c o m o outros elementos históricos significativos. d a facilidade c o m q u e p o d e ser r e c o n h e c i d o e d a á r e a o n d e . Seu famoso prefácio fornece ainda hoje u m a d a s descrições clássicas d e u m e s t a d o d e crise. E s s e r e c o n h e c i m e n t o foi um pré-requisito p a r a a rejeição do p a r a d i g m a ptolom a i c o por parte de Copérnico e para sua busca de um substituto. Certamente o fracasso da atividade técnica normal d e r e s o l u ç ã o d e q u e b r a . N u m a ciência a m a d u r e c i d a — a A s t r o n o m i a a l c a n ç a r a esse e s t á g i o já na A n t i g ü i d a d e — fatores externos c o m o os acima citados possuem importância especial na determinação do m o m e n t o d o fracasso d o p a r a d i g m a . a a s c e n s ã o do n e o p l a t o n i s m o da R e n a s c e n ç a . The Copernican Revolution. Um estudo a m p l o discutiria igualmente a p r e s s ã o social p a r a a r e f o r m a do calendário. 6 E s c l a r e c i d o esse a s p e c t o n o t o c a n t e à r e v o l u ç ã o copernicana. N o s anos que se seguiram a 1 7 7 0 muitos fatores se c o m b i n a r a m p a r a g e r a r u m a crise n a Q u í m i c a . passemos a um segundo exemplo bastante d i f e r e n t e : a c r i s e q u e p r e c e d e u a e m e r g ê n c i a da teoria de Lavoisier sobre a c o m b u s t ã o do oxigênio. 135-143. . 1957). um n ú m e r o crescente dentre os melhores astrônomos europeus reconhecia que o paradigma astron ô m i c o estava fracassando nas aplicações a seus p r ó p r i o s p r o b l e m a s t r a d i c i o n a i s .s o m e n t e u m m o n s t r o . u m a explicaç ã o mais completa levaria em consideração a crítica m e d i e v a l a A r i s t ó t e l e s . E m b o r a sejam imensamente importantes. O s h i s toriadores n ã o estão inteiramente de acordo. pressão que tornou particularmente premente o problema da precessão d o s equinócios. M a s a i n d a a s s i m o f r a c a s s o t é c n i c o p e r m a n e c e r i a c o m o o cerne da crise. questões dessa natureza estão além d o s limites deste ensaio.

pp. 337-371. Scheele na verdade produziu o oxigênio. a c r e d i t a v a m na t e o r i a flogística e e m p r e g a v a m . pp. pp. Priestley e Scheele. existe muito material relevante disperso n a obra d e J . c o m algumas exceções t ã o equívocas q u e n ã o p o d e m ser consideradas c o m o e x c e ç õ e s — os q u í m i c o s c o n t i n u a r a m a a c r e d i tar que o ar era a única espécie de gás existente. pela primeira vez. q u e juntos desenvolveram diversas novas técnicas capazes de dist i n g u i r d i f e r e n t e s a m o s t r a s d e g a s e s .s e c a d a v e z m e n o s c a p a z d e ser u t i l i z a d a e m e x p e riências d e laboratório. (2. e A Short History of Chemistry. E m b o r a seu interesse principal s e volte para u m p e r í o d o u m p o u c o posterior. 2 7 A p ó s os trabalhos de Black. M a s . Londres. Historical Studies o n t h e Phlogiston Theory. E s s a p r o l i f e r a 8 7 .bre a natureza. pensava-se q u e d u a s amostras de gás e r a m diferentes apenas no tocante a suas impurezas. PARTINGTON. especialmente através de Cavendish. M a s dois fatores são aceitos c o m o sendo de primeira m a g n i t u d e : o n a s c i m e n t o da Q u í m i c a P n e u m á t i c a e a questão das relações de peso. e d . o r e s u l t a d o de s u a s e x p e r i ê n c i a s foi u m a v a r i e d a d e d e a m o s t r a s e p r o p r i e d a d e s d e g a s e s t ã o c o m p l e x a s q u e a t e o r i a d o flogisto r e v e l o u . II (1937). pp.n a muitas vezes no p l a n e j a m e n t o e na interpretação de suas experiências. n e m sobre a sua importância relativa. 1-58. f o r a m incapazes de aplicá-la de m a n e i r a coerente. a partir de 1 7 7 0 . Q u a n d o . T o d o s eles. E m b o r a n e n h u m desses químicos t e n h a sugerido q u e a teoria devia ser substituída. . 1951). d e B l a c k a S c h e e l e . A t é 1 7 5 6 . 73-85 90-120. A história do primeiro inicia n o s é c u l o X V I I c o m o d e s e n v o l v i m e n t o d a b o m ba de ar e sua utilização nas experiências químicas. 8 . 361-404. P A R T I N G T O N e D O U G L A S M C K I E . R. III (1938). q u a n d o J o s e p h B l a c k d e m o n s t r o u q u e o a r fixo ( C 0 ) p o d i a ser d i s t i n g u i d o c o m p r e c i s ã o d o a r n o r mal. R. J. (1939). utilizando aquela b o m b a e n u m e r o s o s artefatos pneumáticos. a investigação sobre os gases prosseguiu de forma rápida. Lavoisier iniciou suas exper i ê n c i a s c o m o ar. 337-71. através de u m a cadeia complexa de experiências destinadas a desflogistizar o c a l o r . h a v i a t a n t a s v e r s õ e s d a t e o r i a d o flogisto c o m o q u í m i c o s p n e u m á t i c o s . Anuais e IV of Science. 48-51. C o n t u d o . D u r a n t e o século seguinte. os químicos c o m e ç a r a m a c o m p r e e n d e r q u e o ar devia ser um ingrediente ativo nas reações químicas.

Essas conc l u s õ e s n ã o c o n d u z i r a m à r e j e i ç ã o d a t e o r i a flogística. o b t i d o mediante o aquecimento. tais respostas. D u r a n t e o século X V I I I . q u e u m m e t a l a q u e c i d o i n c o r p o r a alguns ingredientes da atmosfera. Os químicos descobriram um n ú m e r o sempre maior de casos nos quais o a u m e n t o de peso a c o m p a n h a v a o aquecimento. que inicialmente pareciam adequadas ao problema do a u m e n t o d e p e s o . continuou sendo um fenômeno isolado. Esse é um outro problema c o m u m a longa pré-história.ção de versões de u m a teoria é um sintoma m u i t o usual d e c r i s e . a m a d e i r a ) p e r d e m p e s o a o s e r e m a q u e c i d o s . Ao m e s m o tempo. a cor e a textura dos ingredientes.s e d i s s o . q u e p o d i a ser ajustada de muitas m a n e i r a s . A l é m disso. Talvez o flogisto tivesse p e s o n e g a t i v o . t o r n a r a m . a crescente i n d e t e r m i n a ç ã o e a utilidad e d e c r e s c e n t e d a t e o r i a flogística n ã o f o r a m a s ú n i c a s causas da crise c o m a qual Lavoisier se defrontou. M a s p a r a muit o s o u t r o s c i e n t i s t a s d a é p o c a essa c o n c l u s ã o p a r e c e u desnecessária. que tornou possível e d e s e j á v e l a r e t e n ç ã o d o s p r o d u t o s g a s o s o s d a s reações. tal c o m o h a v e r i a d e p r e d i z e r m a i s t a r d e a t e o r i a d o flogisto. A maior parte dos corpos naturais ( p o r exemplo. Pelo m e n o s alguns químicos do Islã sabiam q u e determinados metais g a n h a m peso q u a n d o aquecidos. Se as reações químicas p o d i a m alterar o volume. a assimilação gradual da teoria gravitacional de N e w t o n levou os químicos a i n s i s t i r e m e m q u e o a u m e n t o d e p e s o d e v e r i a significar um aumento na quantidade de matéria. E m seu p r e f á c i o . C o p é r n i c o q u e i x o u . o a u m e n t o de peso. E l e estava igualmente muito preocupado em encontrar u m a explicação para o aumento de peso que muitos corpos experimentam quando queimados ou aquecidos. p o r é m . por que n ã o p o d e r i a m a l t e r a r o p e s o ? O p e s o n e m s e m p r e foi considerado c o m o a medida da quantidade de matéria. M a s se o pro- . Isso deveu-se e m parte a o e m p r e g o cada vez maior d a balança c o m o instrumento-padrão da Química e em parte ao desenvolvimento da Química Pneumática. Havia ainda outras explicações. C o n t u d o . o u t a l v e z p a r t í c u l a s d e fogo ou de a l g u m a outra coisa entrassem no corpo a q u e c i d o a o m e s m o t e m p o e m q u e o flogisto o a b a n donava. diversos investigadores haviam concluído. No século X V I I . a partir d e s s e m e s m o f a t o .s e c a d a v e z m a i s difíceis de serem sustentadas.

L a voisier e n t r e g o u a s u a famosa nota selada ao secretár i o d a A c a d e m i a . T a l c o m o os primeiros copernicanos q u e cri9 t 1 0 9 . H . P a r a u m a apresentação clara da s i t u a ç ã o c o m relação a Lavoisier. u m p r o b l e m a . . foi l i d o n a A c a d e m i a F r a n c e s a n o início d e 1 7 7 2 . convertera-se n u m quebrac a b e ç a extraordinário e sem solução. "Sobre o Flogisto considerado c o m o u m a Substância Pesada e (analisad a ) em termos das Mudanças de Peso que provoca n o s C o r p o s a o s q u a i s s e u n e " . 35. C a d a v e z m a i s a s i n v e s t i g a ç õ e s p o r ele o r i e n t a d a s a s s e m e l h a v a m . A n t e s d e a n o t a ter s i d o e s c r i t a . O livro t o d o d o c u m e n t a a e v o l u ç ã o e o p r i m e i r o r e c o n h e c i m e n t o de u m a crise. G U E R L A C . Lavoisier — the Crucial Year ( T t h a c a . U m a d a s r a í z e s d e s s a c r i s e d a t a d o fim d o s é c u l o X V I I I . Y . 1 1 4 . Muitas versões d i f e r e n t e s d a t e o r i a flogística f o r a m e l a b o r a d a s p a r a responder ao problema. JAMMER. A l é m disso. 1 9 6 1 ) .1 2 4 . 1 0 . q u a s e conseguiram demonstrar que movimentos e posições absolutos n ã o tinham n e n h u m a função no sistema de N e w ton. q u e por muitos anos estivera no limiar da consciência dos químicos. Tal como os problemas da Química P n e u m á t i c a . ver p .blema do a u m e n t o de peso n ã o conduziu à rejeição d a t e o r i a d o flogisto. o p a radigma d a Química d o século X V I I I está p e r d e n d o g r a d u a l m e n t e s e u staíus í m p a r . foram b e m sucedidos ao sugerir o atrativo estético considerável q u e u m a c o n c e p ç ã o plen a m e n t e rei ativista d e e s p a ç o o u m o v i m e n t o t e r i a n o futuro.o u t r o efeito t í p i c o d a c r i s e . . Um deles. E s s e s filósofos. N o fim d a q u e l e a n o . p p . 1 9 5 4 ) . os relativos ao a u m e n t o de p e s o dificultaram ainda mais a c o m p r e e n s ã o do q u e seria a t e o r i a flogística. e m b o r a n u n c a t e n h a m sido c o m p l e t a m e n t e b e m sucedidos. e s t i m u l o u u m n ú m e r o c a d a v e z maior de estudos especiais nos quais esse p r o b l e m a tin h a grande importância. q u a n d o diversos estudiosos d a Filosofia d a N a t u r e z a e especialmente Leibniz. E x a m i n e m o s agora um terceiro e último exemplo — a c r i s e n a F í s i c a d o fim d o s é c u l o X I X — q u e a b r i u caminho p a r a a emergência da teoria da relatividade. Concepts of Space: The History of the Theories of Space in Physics. E m b o r a a i n d a fosse c o n s i d e r a d o e a c e i t o c o m o u m i n s t r u m e n t o d e t r a b a l h o útil. criticaram N e w t o n por ter m a n t i d o u m a versão atualizada d a c o n c e p ç ã o clássica do espaço absoluto. N . ( C a m b r i d g e .p a r a d i g m á t i c o — . Max.s e à s l e v a d a s a c a b o sob a direção de escolas competidoras do períod o p r é .

dest i n a d a s a e x p l i c a r o f r a c a s s o na o b s e r v a ç ã o do d e s l o c a m e n t o . d e m o l d e a p r o p o r c i o n a r i n f o r m a ç õ e s r e l e v a n t e s . Os problemas técnicos c o m os quais u m a teoria relativista do espaço teria de haver-se c o m e ç a r a m a aparecer na ciência n o r m a l c o m a aceitação da teoria ondulatória por volta de 1815. p p . Conseqüentemente. íncluding a Discussion Optical Phenomena. . apenas as aberrantes p r o m e t i a m a p r e s e n t a r suficiente e x a t i d ã o . C a d a u m a dessas articulações obteve sucesso no esforço de explicar n ã o só os resultados n e gativos da o b s e r v a ç ã o celeste. E m n e n h u m m o m e n t o relacionaram suas concepções com os problemas que se apresentavam quando da aplicação da teoria de N e w t o n à natureza. Se a luz é um m o v i m e n t o ondulatório que se p r o p a g a n u m é t e r m e c â n i c o g o v e r n a d o p e l a s leis d e N e w t o n . 6-20 e 320-322. suas c o n c e p ç õ e s d e s a p a r e c e r a m c o m eles. D e v i d o a isso.. D e n tre as observações celestes. i n c l u i n d o . D u r a n t e d é c a d a s . n ã o s o n h a v a m que a t r a n s i ç ã o p a r a u m s i s t e m a r e l a t i v i s t a p u d e s s e ter c o n s e qüências d o ponto d e vista d a observação. e m b o r a n ã o tenham p r o d u z i d o n e n h u m a crise antes d a última d é c a d a d o século. tal equipamento n ã o detectou n e n h u m deslocamento observável e em v i s t a d i s s o o p r o b l e m a foi t r a n s f e r i d o d o s e x p e r i m e n tadores e observadores p a r a os teóricos.. Aether and Matíer of the Influence of the Earth's Motion on bridge. m a s t a m b é m os das e x p e r i ê n c i a s t e r r e s t r e s . T o d a s essas articulações p r e s s u p u n h a m que u m c o r p o e m m o v i m e n t o a r r a s t a c o n s i g o a l g u m a s frações de éter. Joseph.s e aí a f a m o s a e x p e riência de Michelson e M o r l e y . Fresnel. Stokes e outros conc e b e r a m n u m e r o s a s articulações da teoria do éter.ticaram as provas apresentadas por Aristóteles no tocante à estabilidade da T e r r a . d u r a n t e a s p r i meiras décadas do século X V I I I . no século X I X . LARMOR. A i n d a n ã o havia con1 1 11. a d e tecção de deslocamentos no éter através da medição d a s a b e r r a ç õ e s foi r e c o n h e c i d a c o m o p r o b l e m a p a r a a p e s q u i s a n o r m a l . 1 9 0 0 ) . (Cam- . M u i t o e q u i p a m e n t o e s p e c i a l foi construído p a r a resolvê-lo. C o n t u d o . ressuscitando soment e n o final d o s é c u l o X I X j á e n t ã o d i s p o n d o d e u m a relação muito diversa c o m a prática da Física. então tanto a observação celeste c o m o as experiências terrestres tornam-se potencialmente capazes de detectar o d e s l o c a m e n t o através do éter.

E m conseqüência. ver seu próprio livro. t o d a u m a série d e observações a n t e riores. A l é m diss o . 1 8 9 6 ) .s e u m desafio p a r a M a x well e s e u s s u c e s s o r e s . A discussão de M a x w e l l relacionada c o m o c o m portamento eletromagnético dos corpos em movimento n ã o fez r e f e r ê n c i a à r e s i s t ê n c i a do é t e r e t o r n o u m u i t o difícil a i n t r o d u ç ã o d e tal n o ç ã o n a s u a t e o r i a . aqueles relativos a o m o v i m e n t o n o é t e r . isto é. da Cap. o s anos p o s t e r i o r e s a 1 8 9 0 t e s t e m u n h a r a m u m a l o n g a série d e tentativas. a crise tornou-se m a i s a g u d a no tocante aos p r o b l e m a s q u e a c a b a m o s de considerar. a teoria de M a x w e l l .s e i m e n s a m e n t e difícil d e ser p r o d u z i d a . Suas primeiras versões de u m a teoria da eletricidade e do magnetismo utilizaram expressamente as propriedades hipotéticas q u e ele . A respeito do papel op. P a r a a p o s i ç ã o final d e M A W X E Í L . no desenvolvimento da Mecânica. O próprio M a x well e r a um n e w t o n i a n o q u e acreditava q u e a luz e o eletromagnetismo em geral eram devidos a deslocamentos variáveis d a s partículas de um éter mecânico. T. Essas p r o p r i e d a d e s f o r a m r e t i r a d a s d a v e r s ã o final. A. 470. C a p . ver 13. n a p r á t i c a .s e a n ô m a l a s . ed. acabou produzindo u m a crise n o p a r a d i g m a d o qual e m e r g i r a . . t o r n a r a m . C o n t u d o . Oxford. R.. 1892). m a s Maxwell continuou acreditando que sua teoria eletromagnética era compatível c o m alguma articulação da concepção mecânica de Newton. cit. D o m e s m o m o d o q u e a p r o posta astronômica de Copérnico (apesar do otimismo d e seu a u t o r ) gerou u m a crise c a d a vez m a i o r nas t e o rias existentes sobre o m o v i m e n t o .flito. tanto experimentais c o m o teóricas. N a a u s ê n c i a de técnicas experimentais relevantes. apesar de sua origem newtoniana. A situação modificou-se somente com a aceitação gradual da teoria eletromagnética de Maxwell. Treatise on Electricity and Magnetism (3. Desenvolver u m a articulação a d e q u a d a t o r n o u . GLAZEBROOK. destinadas a detectar o d e s l o c a m e n t o através do éter. I X . Astronomia VII. K U H N . James Clerk Maxwell and Modem Physics ( L o n d r e s . nas d u a s últimas décadas do século X I X . c o m o a c o n tecera muitas vezes no curso do desenvolvimento científico. C o m o r e s u l t a d o . p. e x c e t o e n t r e a s v á r i a s a r t i c u l a ç õ e s . esse conflito n u n ca c h e g o u a aprofundar-se. para detectar o m o v i m e n t o relacionado c o m o éter e introdu1 2 1 3 1 2 .atribuía a esse meio. a a r t i c u l a ç ã o n e c e s s á r i a r e v e l o u .

a s p r i meiras tentativas foram m a l sucedidas. N o t e . no século I I I a. p o d e ser t ã o i n t e n s o . precisamente por não haver crise. os p r o blemas c o m os quais está relacionado o fracasso eram t o d o s d e urrí*tipo h á m u i t o i d e n t i f i c a d o .zir e s t e ú l t i m o n a t e o r i a d e M a x w e l l . 386-410 e II (Londres. em 1905. m a s n u n c a surpreendente. Em geral.C. Em cada um desses casos u m a nova teoria surgiu s o m e n t e a p ó s u m f r a c a s s o c a r a c t e r i z a d o n a ativid a d e n o r m a l d e resolução d e p r o b l e m a s . n e m os problemas. sobretudo os de L o r e n t z e Fitzgerald. E s t a última parece ser u m a r e s p o s t a d i r e t a à crise. o f r a c a s s o e a p r o l i f e r a ç ã o de t e o r i a s q u e os t o r n a m manifestos o c o r r e r a m u m a ou d u a s décadas antes d o e n u n c i a d o d a n o v a teoria.c a b e ç a s . Foi neste contexto histórico que. pp. . nem os quebra-cabeças cedem ao primeiro ataq u e . e m b o r a alguns analistas considerassem seus resultados equívocos. m a s t a m b é m estes t r o u x e r a m à t o n a novos q u e b r a . E m g e r a l . Op. Tais antecipações foram ignoradas. emergiu a teoria especial da relatividade de Einstein. O r e s u l t a d o final foi p r e c i s a m e n t e a q u e l a p r o l i f e r a ç ã o d e t e o r i a s q u e m o s t r a m o s ser c o n c o m i t a n te com as crises. A l é m disso. cit. q u a n d o a p a r e c e . e m c u j o c a s o f a t o r e s alheios à ciência d e s e m p e n h a r a m papel particularmente import a n t e . A p r á t i c a a n t e rior da ciência n o r m a l proporcionara toda sorte de razões p a r a considerá-los resolvidos ou q u a s e resolvidos. em um período no qual a ciência correspondente n ã o estava em crise. pelo menos parcialmente. F i n a l m e n t e esses e x e m p l o s p a r t i l h a m o u t r a c a r a c terística q u e p o d e r e f o r ç a r a i m p o r t â n c i a d o p a p e l d a c r i s e : a s o l u ç ã o p a r a c a d a u m d e l e s foi a n t e c i p a d a . Esses três e x e m p l o s são ( q u a s e ) inteiramente típicos. ***" 1 4 1 A única antecipação completa é igualmente a mais famosa: a de Copérnico p o r Aristarco. 1953). I. Os esforços teóricos p r o d u z i r a m u m a série d e pontos d e partida promissores.s e t a m b é m q u e . WHITTAKEH. Afirma-se freqüentemente q u e se a ciência grega 14. 27-40. o q u e a j u d a a e x p l i c a r p o r q u e o s e n t i d o de f r a c a s s o . e m b o r a isso possa n ã o ser igualmente típico. c o m e x c e ç ã o d e C o p é r n i c o . O f r a c a s s o c o m um n o v o tipo de p r o b l e m a é muitas vezes decepcionante. pp.

q u e serviam d e testes. 16. u m dos fatores que levou os astrônomos a Copérnico (e que não p o d e r i a t ê . que era muito mais razoável do que o h e liocêntrico. pp. T o d o o d e senvolvimento da astronomia ptolomaica. M e s m o a versão mais elaborada de C o p é r nico não era n e m mais simples n e m mais acurada do que o sistema de Ptolomeu. foi p o r n ã o disporem de contato com qualquer problema reconhec i d o p e l a p r á t i c a científica n o r m a l . 50. A l é m disso. E m tais circunstâncias. Op. A astron o m i a ptolomaica fracassara na resolução de seus p r o blemas. ocorrem nos séculos posteriores à proposta de Aristarco. Nossos outros dois exemplos n ã o proporcionam antecipações tão completas. H E R T H . Aristarchus of Samos: The Ancient Copemicus (Oxford. t a n t o seus triunfos.l o s c o n d u z i d o a A r i s t a r c o ) foi a c r i s e c a r a c terizada que fora responsável pela inovação. em g r a n d e parte. j Q u a n d o a s u g e s t ã o de A r i s t a r c o foi feita. O p r o l o n g a d o d e sinteresse d e m o n s t r a d o pelos cientistas d o s séculos X V I I I e X I X p a r a c o m os críticos relativistas de N e w ton tem sido. 1913). o s i s t e m a I geocêntrico. Mas . Parte II. chegara o m o m e n t o de dar u m a oportunidade a um competidor. 1 5 1 6 Os estudiosos da Filosofia da Ciência demonstraram repetidamente que mais de u m a construção teóri1 5 . a a s t r o n o m i a heliocêntrica p o d e r i a ter iniciado seu desenvolvimento dezoito séculos a n t e s . The Sleepyvalkers: A History of Man's Changing Vision of the Vniverse (Londres. c o m o v e r e m o s a d i a n t e .tivesse s i d o m e n o s d e d u t i v a e m e n o s d o m i n a d a p o r d o g m a s . n ã o forneciam. L . p . PARTINCTON. b a s e suficiente p a r a u m a e s c o l h a e n t r e essas teorias. cit. n ã o h a via razões óbvias p a r a levar as propostas de Aristarco a sério. 78-85. seguramente u m a das razões pelas quais as teorias da combustão por absorção da atmosfera — desenvolvidas no século X V I I p o r R e y . c o m o seus fracassos. H o o k e e M a y o w — n ã o c o n s e g u i r a m u m a a u d i ê n c i a s a t i s f a t ó r i a . 1959). Q u a n t o à o b r a d e A r i s t a r c o . As observações disponíveis. v e r T . . ver A R T H U R KOESTLER. isso e q ü i v a l e a i g n o r a r t o d o o c o n t e x t o h i s t ó r i c o . devido a um fracasso semelhante na confrontação c o m a prática da ciência normal. Para uma apresentação extremada da atitude tradicional c o m respeito ao desdém pela realização dc Aristarco. n ã o apresentava qualquer problema q u e j j p u d e s s e ser s o l u c i o n a d o p o r e s t e ú l t i m o . Entretanto.

A r a z ã o é clara. M a s e s s a i n v e n ç ã o de a l t e r n a t i v a s é p r e c i s a m e n t e o q u e os c i e n tistas r a r o e m p r e e n d e m .c a p o d e ser a p l i c a d a a u m c o n j u n t o d e d a d o s d e t e r m i n a d o . O significado das crises consiste exatam e n t e no fato de q u e i n d i c a m q u e é c h e g a d a a ocasião p a r a renovar os instrumentos. exceto d u r a n t e o p e r í o d o pré. E n q u a n t o o s i n s t r u m e n t o s p r o p o r c i o n a d o s p o r u m par a d i g m a continuam capazes de resolver os problemas q u e este define. Na m a n u fatura.s e a i n d a m a i s a t r a v é s d a u t i l i z a ç ã o confiante desses instrumentos. q u a l q u e r q u e seja o c a s o c o n s i d e r a d o . A H i s tória da Ciência indica que. sobretudo nos primeiros estágios d e desenvolvimento d e u m n o v o paradigma. . n ã o é m u i t o difícil i n v e n t a r t a i s a l t e r n a t i v a s . c o m o na ciência — a p r o d u ç ã o de novos instrumentos é u m a extravagância reservada p a r a as ocasiões q u e o exigem.p a r a d i g m á t i c o d o d e s e n v o l v i m e n t o d e s u a c i ê n c i a e err ocasiões muito especiais de sua evolução subseqüente. a ciência move-se c o m m a i o r rapidez e a p r o f u n d a .

.

se-. e s s a n o s s a g e n e r a - .7. e m b o r a . g u n d o o vocabulário da Filosofia da Ciência.. P o r o u t r a : n ã o t r a t a m as a n o m a l i a s c o m o ç o n t r a .c o n d i ç ã o necessária p a r a a emergência de n o v a s teorias e perg u n t e m o s e n t ã o c o m o o s cientistas r e s p o n d e m à s u a existência. Parte da resposta. não renunciam ao paradigma que ps conduziu à crise. A RESPOSTA A CRISE S u p o n h a m o s q u e a s crises são u m a p r é . p o d e ser d e s c o b e r t a o b s e r v a n d o . tão óbvio c o m o import a n t e . estas sej a m p r e c i s a m e n t e isso.• ra p o s s a m c o m e ç a r a p e r d e r s u a fé e a c o n s i d e r a r outras alternativas. E m p a r t e .e x e m p l o s d o p a r a d i g m a . E m b o .s e p r i m e i r a m e n te o q u e os cientistas jamais fazem. m e s m o q u a n d o se defrontam c o m anomalias prolongadas e graves.

e r a m . no . existe u m a segunda r a z ã o p a r a d u vidar de q u e os cientistas rejeitem p a r a d i g m a s simplesmente porque se defrontam com anomalias ou contra-exemplos.e x e m p l o s d e u m a teoria epistemológica atualmente admitida. será p o r q u e ajudam a admitir a emergência de u m a n o v a e diferente análise da ciência. delinearei o u t r a d a s principais teses deste ensaio. baseia-se sempre em algo mais do q u e essa c o m p a r a ç ã o da teoria com o m u n d o . isto é . a j u d a r a f o r m a ç ã o d e u m a crise o u . reforçar alguma já existente. M u i t a s d a s m o d i f i c a ç õ e s e especificações relevantes já estão presentes na literatura. pois os defensores desta farão o m e s m o q u e os cientistas fazem q u a n d o confrontados c o m a n o m a lias: conceberão n u m e r o s a s articulações e modificaç õ e s ad hoc de s u a t e o r i a . s o m e n t e é c o n s i d e r a d a inválida q u a n d o existe u m a alternativa disponível p a r a . mais exatamente. bem como s u a c o m p a r a ç ã o m ú t u a ^ P A p a r disso.lização é um fato histórico. a p ó s t e r a t i n g i d o o status de p a r a d i g m a .s e a o ^ e s t e r e ó t i p o m e t o d o l ó g i c o d a falsificação por meio da comparação direta com a natureza. s e esses c o n t r a . q u a n d o m u i t o . Port a n t o . E s s a o b s e r v a ç ã o n ã o significa q u e o s c i e n t i s t a s n ã o r e j e i t e m t e o r i a s científicas ou q u e a e x p e r i ê n c i a e a e x p e r i m e n t a ç ã o n ã o sejam essenciais a o processo d e r e j e i ç ã o . Ao apresentar essa segunda razão. b a s e a d a em exemplos c o mo os mencionados anteriormente e os que indicarem o s mais adiante. e l a s m e s m a s . As razões p a r a a d ú v i d a e s b o ç a d a s a c i m a e r a m p u r a m e n t e fat u a i s . N e n h u m processo descoberto até agora p e l o e s t u d o h i s t ó r i c o d o d e s e n v o l v i m e n t o científico a s s e m e l h a . Por si m e s m a s n ã o p o d e m e n ã o i r ã o falsificar e s s a t e o r i a filosófica. a fim de e l i m i n a r q u a l q u e r c o n f l i t o a p a r e n t e . C o m o tal. tais razões p o d e m . Decidir rejeitar um p a r a d i g m a é s e m p r e decidir s i m u l t a n e a m e n te a c e i t a r o u t r o e o j u í z o q u e c o n d u z a e s s a d e c i s ã o envolve a c o m p a r a ç ã o de a m b o s os paradigmas c o m a n a t u r e z a . se m e u a r g u m e n t o é correto. Isso já sugere o q u e o nosso e x a m e da rejeição de um paradigma revelará de u m a maneira m a i s c l a r a e c o m p l e t a : ! u m a t e o r i a científica.e x e m p l o s e p i s t e m o l ó g i c o s c o n s t i t u e m a l g o m a i s d o q u e u m a fonte d e i r r i t a ç ã o d e m e n o r importância. c o n t r a . m a s q u e — e e s t e s e r á um p o n t o c e n t r a l — o juízo que leva os cientistas a rejeitarem u m a teoria previamente aceita. substituí-la.

2 1 . 1 9 5 8 ) . Taylor (Salt L a k e City. ver F R A N K B A R R O N . dotada de u m a g e n e r a l i d a d e m u i t o d u v i d o s a . T. T h e P s y c h o l o g y o f Imagin a t i o n . por si mesmos. M a s creio q u e essa rejeição da ciência em favor de o u t r a o c u p a ç ã o é a ú n i c a e s p é c i e de r e j e i ç ã o de p a r a d i g m a a q u e .s e a p ó s seus trabalhos n u m ingrediente de u m a definição de c o m posto químico q u e n e n h u m a investigação experimental poderia. N ã o p o d e r i a m fazer isso e a i n d a a s s i m p e r m a n e c e r e m c i e n t i s t a s . em The Third ( Í 9 5 9 ) University of Ulah Research Conference on the Identification of Creative Scientific Talent. tem-se observado c o m freqüência que a Segunda Lei do Movimento de Newton. ser c a p a z e s d e viver e m u m m u n d o d e s o r d e n a d o — d e s c r e v i e m o u t r o t r a b a l h o essa necessidade c o m o " a t e n s ã o essencial" implícita na pesquisa científica. Scientific American. indubitavelmente alguns h o m e n s foram levados a a b a n d o n a r a ciência devido a sua inabilidade p a r a tolerar crises. 99-105. "The Essential Tension: Tradition and Innovation ln S c i e n t i f i c R e s e a r c h " . por si só. S.1 6 6 . 1958). 1 6 0 ( s e t . p . terns . 1959). R . os cientistas c r i a d o r e s p r e c i s a m . P o r exemplo. q u e n ã o p o d e ser refutado p o r observações. abalar. T a l c o m o os artistas. tais a n o m a l i a s n ã o m a i s p a r e c e r ã o ser simples fatos. Algo muito semelhante acont e c e r á c o m a g e n e r a l i z a ç ã o s e g u n d o a q u a l os c i e n t i s tas n ã o rejeitam paradigmas q u a n d o confrontados com a n o m a l i a s o u c o n t r a . p o r amplas q u e e s t a s s e j a m . 1 5 1 . enunciados de situações q u e de outro m o d o n ã o seriam concebíveis. p o d e m conduzir os contra-exemplos.interior da qual já n ã o s ã o u m a fonte de problemas. A l é m disso. se é possível aplicar aqui um p a d r ã o típico ( q u e será observado mais adiante nas revoluções c i e n t í f i c a s ) . que antes de Dalton era u m a descoberta experimental ocasional. 162-177. N o C a p . V e r e s p e c i a l m e n t e a d i s c u s s ã o c o n t i d a e m N . 9 v e r e m o s q u e a lei q u í m i c a relativa às proporções constantes.e x e m p l o s . P a r a u m f e n ô m e n o c o m p a r á v e l entre artistas. p o d e r ã o a s s e m e l h a r se a tautologias. A o invés disso. Patof Discovery (Cambridge. p p . t o r n o u . e s p . n o interior d e u m a n o v a t e o r i a d o c o n h e c i m e n t o científico. e m b o r a t e n h a c o n s u m i d o s é c u l o s d e difíceis p e s q u i s a s t e ó r i c a s e f a t u a i s a t é ser a l c a n ç a d a . C X C I X . 1 E m b o r a seja i m p r o v á v e l q u e a h i s t ó r i a registre seus n o m e s . H A H S O N . d e s e m p e n h a p a r a o s partidários da teoria newtoniana um papel m u i t o semelhante a um enunciado p u r a m e n t e lógico. Calvin W. 2. K U H N . pp. e m d e t e r m i n a d a s o c a s i õ e s . pp. ed.

d e tal m o d o q u e a c a b a p e r m i t i n d o a e m e r g ê n c i a d e um n o v o paradigma. a o p r o v o c a r u m a p r o l i f e ração de versões do paradigma. Excetuando-se os que são exclusivamente instrumentais.c a b e ç a resolvido c o m ê x i t o n a a r t i c u l a ç ã o d a t e o r i a flogística.e x e m p l o s . N ã o existe u m a l i n h a d i v i s ó r i a p r e cisa.U m a vez encontrado um primeiro p a r a d i g m a c o m o q u a l c o n c e b e r a n a t u r e z a . j á n ã o s e p o d e m a i s falar em pesquisa sem qualquer paradigma. n e m m e s m o a existência de u m a crise transforma por si mesma um quebra-cabeça em um c o n t r a . Rejeitar um paradigma sem simultaneamente substituí-lo por oütro~é r e j e i t a r a p r ó p r i a c i ê n c i a . O q u e d i f e r e n c i a a c i ê n c i a n o r m a l da c i ê n c i a em estado de crise? C e r t a m e n t e n ã o o fato de q u e a prim e i r a n ã o s e defronta c o m c o n t r a . P o d e . C o p é r n i c o considerou contra-exemplos o q u e a maioria dos demais seguidores de Ptolomeu vira c o m o quebra-cabeças relativos à a d e q u a ç ã o entre a observação e a teoria. existe s o m e n t e p o r q u e n e n h u m p a r a d i g m a a c e i t o c o m o b a s e p a r a a p e s q u i s a científica r e solve todos os seus p r o b l e m a s . Em vez disso.c a b e ç a s da c i ê n c i a n o r m a l .e x e m p l o s . Creio que existem apenas duas a l t e r n a t i v a s : o u b e m a s t e o r i a s científicas j a m a i s s e . I n e v i t a v e l m e n t e ele s e r á visto por seus colegas c o m o o "carpinteiro q u e culpa suas ferramentas pelo seu fracasso". d e m a n e i r a p e l o m e n o s i g u a l m e n t e eficaz. enfraquece as regras de resolução dos quebra-cabeças da ciência n o r m a l .s e . A o invés disso. Lavoisier considerou contra-exemplo ó que Priestley vira c o m o um q u e b r a . m a s n o h o m e m . E i n s t e i n viu c o m o c o n t r a .c a b e ç a p o d e ser v i s t o d e o u t r o â n g u l o : c o m o contra-exemplos e p o r t a n t o c o m o u m a fonte de crise. em pouco tempo deixaram de produzir quaisquer problemas relevantes para a pesquisa. A l é m disso. F i t z g e r a l d e outros haviam considerado como quebra-cabeças relativos à articulação d a s teorias de N e w t o n e M a x w e l l .e x e m p l o . o q u e c h a m a m o s a c i m a de q u e b r a . a c r i s e . a Óptica Geométrica).e x e m p l o s o q u e L o r e n t z . d e m o n s t r a r o m e s m o p o n t o de vista ao contrár i o : n ã o existe a l g o c o m o a p e s q u i s a s e m c o n t r a .s e instrumentos p a r a tarefas técnicas. Os raros p a r a d i g m a s que pareciam capazes disso (por exemplo. n ã o n o p a r a d i g m a . c a d a p r o b l e m a que a ciência n o r m a l consider a u m q u e b r a . E m v e z d i s s o . t o r n a r a m . E s s e a t o s e reflete.

a maneira pela qual a pedagogia da ciência complica a discussão de u m a teoria c o m observações sobre suas aplicações exemplares tem contribuído para reforçar u m a teoria da confirmação extraída p r e d o m i n a n t e m e n t e d e o u t r a s fontes. e n t ã o . N ã o existe a menor razão para semelhante acusação. A este caso.s e ( e d e v e fazê-lío constantemente) p a r a aproximar sempre mais a teoria e o s f a t o s . mas porque aprendê-las é parte do aprendizado do p a r a d i g m a que serve de base p a r a a p r á t i c a científica e m v i g o r . cuja simples existência supõe a validade do paradigma. A l é m disso. a q u e l e q u e l ê u m t e x t o científico f a c i l m e n t e p o d e r á c o n s i d e r a r as aplicações c o m o provas em favor da teoria. o p r ó p r i o fracasso dos textos em sugerir interpretações alternativas ou discutir p r o b l e m a s p a r a o s q u a i s o s cientistas n ã o c o n s e g u i r a m produzir soluções p a r a d i g m á t i c a s . c o n d e n a r i a m seus a u t o r e s c o m o s e n d o e x t r e m a m e n t e p a r c i a i s . aplica-se o p r o vérbio: " Q u e m culpa suas ferramentas é m a u carpinteiro". E m l u gar disso. que competência possuem eles? A s a p l i c a ç õ e s m e n c i o n a d a s n o s t e x t o s n ã o s ã o apresentadas como provas. ao menos.e x e m p l o . razões pelas quais devemos acreditar nela. O fracasso em alcançar u m a solução d e sacredita somente o cientista e n ã o a teoria. C o m o . M a s podemos. A c i ê n c i a n o r m a l e s f o r ç a . S e a s a p l i c a ç õ e s f o s sem apresentadas c o m o provas. Q u e alternativas. — r e t o r n a n d o à q u e s t ã o inicial — os cientistas r e s p o n d e m à consciência da existência de . p o r s u p e r f i c i a l q u e seja. M a s os e s t u d a n t e s de ciência aceitam as teorias p o r causa da a u t o r i d a d e do professor e dos textos e n ã o devido às provas. indic a r d u a s r a z õ e s p e l a s q u a i s a c i ê n c i a p a r e c e ter f o r n e cido um exemplo tão a d e q u a d o da generalização segundo a q u a l a v e r d a d e e a f a l s i d a d e s ã o d e t e r m i n a d a s de m o d o inequívoco pela confrontação do enunciado com o s f a t o s . o u b e m essas t e o rias se d e f r o n t a m c o n s t a n t e m e n t e c o m contra-exemplos. E s s a a t i v i d a d e p o d e ser v i s t a c o m o u m t e s t e o u u m a b u s c a d e c o n f i r m a ç ã o o u falsificação. D a d a u m a r a z ã o p a r a f a z ê .l o .d e f r o n t a m c o m u m c o n t r a . C o m o se poderia considerar essa situação diferentemente? Essa questão leva necessariamente à elucidaç ã o c r í t i c a e h i s t ó r i c a d a F i l o s o f i a e tais t ó p i c o s n ã o têm lugar neste ensaio. seu objeto consiste em resolver um q u e b r a cabeça. ainda mais do q u e ao anterior.

WHEWELL. 1847). ver T. especialmente q u a n d o existem muitos problem a s disponíveis em outros setores do c a m p o de estudos. P o r exemplo. p p . pp. M u i t o freqüentemente. A respeito da mudança secular n o periélio de Mercúrio. II (Londres. K U H N . u m a anom a l i a reconhecida e persistente n e m s e m p r e leva a u m a crise. (talvez p o r q u e a M a t e m á t i c a envolv i d a seja m a i s s i m p l e s o u d e u m t i p o f a m i l i a r . 151. o m o v i m e n t o predito p a r a o perigeu da L u a permaneceu equivalente à metade do movimento observad o . ver E .u m a a n o m a l i a na a d e q u a ç ã o e n t r e a t e o r i a e a n a t u r e z a ? O q u e a c a b a d e ser d i t o i n d i c a q u e m e s m o u m a discrepância inexplicavelmente maior que a experim e n t a d a em outras aplicações da teoria não precisa provocar nenhuma resposta muito profunda. N i n g u é m questionou seriamente a teoria n e w t o niana por causa das discrepâncias de há muito reconhecidas entre as predições daquela teoria e as velocidades do som e do movimento de Mercúrio. os cientistas estão dispostos a esperar. X L 1 V . S . a segunda desapareceu com a Teoria Geral da Relatividade. apareceram propostas ocasionais visando à m o d i f i c a ç ã o d a lei n e w t o n i a n a r e l a t i v a a o i n v e r s o d o q u a d r a d o d a s distâncias. History -of the Inductive Sciences. 220-221. Sempre existem algumas discrepâncias. A primeira dessas discrepâncias acabou sendo resolvida de m a neira inesperada pelas experiências sobre o calor. . II. Isis. M a s n i n g u é m levou tais p r o postas m u i t o a sério e na prática essa paciência c o m u m a i m p o r t a n t e anomalia d e m o n s t r o u ser justificada. Londres. W. A p a r e n t e m e n 3 4 3. pp. 136-137 (1958). Clairaut conseguiu mostrar que somente a Matemática utilizada na aplicação estava errada e q u e a t e o r i a n e w t o n i a n a p o d e r i a ser m a n t i d a i n a l t e r a d a . (ed. empreendidas com um objetivo b e m diverso. A History of the Theories of Aether and Electricity. N o tocante à velocidade d o som. já indicamos q u e d u r a n t e os sessenta anos que se seguiram aos cálculos originais de N e w ton. rev. a p ó s u m a crise q u e n ã o ajudara a criar. T . W H I T TAKEI. 1953). M e s m o nos casos em q u e n e m m e s m o erros simples p a r e c e m possíveis. Em 1750. T h e Caloric T h e o r y o f A d i a b a t i c C o m p r e s s i o n . E n q u a n t o o s m e l h o r e s físicos m a t e m á t i c o s d a E u r o pa continuavam a lutar sem êxito c o m essa conhecida discrepância. M e s m o as mais obstin a d a s a c a b a m c e d e n d o aos esforços d a prática n o r m a l . e m p r e gado com bons resultados em outras á r e a s ) . 4 . 179.

Ou. c o m o no caso da Química do século X V I I I . p o r essas r a z õ e s o u o u t r a s s i m i l a r e s . u m a anomalia sem importância fundamental aparente p o d e provocar u m a crise. P r o v a v e l m e n t e n ã o existe u m a r e s posta verdadeiramente geral p a r a essa pergunta. portanto. cedo ou tarde. Q u a n d o . a maioria. S e m p r e e x i s t e m d i f i c u l d a d e s e m q u a l q u e r p a r t e d a adequação entre o paradigma e a natureza. q u e u m a d a s f o n t e s d a crise c o m a q u a l se d e f r o n t o u C o p é r n i c o foi s i m p l e s m e n t e o espaço de tempo durante o qual os astrônomos lutaram sem sucesso para reduzir as discrepâncias residuais existentes no sistema de P t o l o m e u . d e v e ser a l g o m a i s d o q u e u m a s i m p l e s a n o m a lia. perguntar o que é que torna u m a anomalia digna de um escrutínio c o o r d e n a d o . E m geral. P u d e r a m ser consideradas c o m o contra-exemplos e m e s m o assim serem deixadas de lado para um exame posterior. O cientista q u e s e d e t é m p a r a e x a m i n a r c a d a u m a das anomalias q u e constata. p o r e x e m p l o .j Segue-se daí que p a r a u m a a n o m a l i a originar u m a c r i s e . A l g u m a s vezes u m a a n o m a l i a colocará claramente em q u e s t ã o as generalizações explícit a s e f u n d a m e n t a i s do p a r a d i g m a — t a l c o m o o p r o b l e m a da resistência do éter c o m relação aos que aceitavam a teoria de Maxwell. acaba sendo resolvida. Já i n d i c a m o s . caso as aplicações que ela inibe p o s s u a m u m a importância prática especial — neste exemplo p a r a a e l a b o r a ç ã o do calendário e p a r a a Astrologia. u m a a n o m a l i a p a r e c e ser a l g o m a i s d o q u e u m n o v o q u e - . c o m o no caso da revolução copernicana. O u . É de se presumir que ainda existam outras circunstâncias capazes de tornar u m a anomalia algo particularmente p r e m e n t e . Devemos. o desenvolvimento da ciência n o r m a l p o d e transformar em u m a fonte de crise u m a anomalia que anteriormente n ã o passava de um i n c ô m o d o : o problema das relações de peso adquir i u u m status m u i t o d i f e r e n t e a p ó s a e v o l u ç ã o d a s t é c nicas químico-pneumáticas. diversas dessas circunstâncias parecerão combinadas. r a r a m e n t e realizará algum trabalho importante. Os casos q u e j á e x a m i n a m o s s ã o c a r a c t e r í s t i c o s .te n e n h u m a das discrepâncias pareceu suficientemente fundamental para evocar o mal-estar que acompanha u m a crise. m a s m u i t o p o u c o descritivos. freqüentemente através de processos q u e n ã o p o d e r i a m ter sido p r e v i s t o s .

Um n ú m e r o cada vez m a i o r de cientistas eminentes do setor passa a dedicar-lhe u m a atenção sempre maior. os a t a q u e s e n v o l v e r ã o mais e mais algumas articulações menores do paradigma (ou mesmo algumas não tão inexpressivas). q u a n d o aguda. cada parte muitíssimo bem desenhada. com a c o n t í n u a r e s i s t ê n c i a . Copérnico queixou-se de que no seu t e m p o os a s t r ô n o m o s e r a m tão "incoerentes nessas investigações ( a s t r o n ô m i c a s ) .b r a . os pés. Os primeiros ataques contra o problema não-resolvido seguem b e m de perto as regras do paradigma. é a l g u m a s vezes r e conhecida pelos cientistas envolvidos. muitos cientistas p o d e m passar a consider a r s u a r e s o l u ç ã o c o m o o o b j e t o d e e s t u d o específico d e s u a d i s c i p l i n a . e m b o ra ainda exista um p a r a d i g m a . . a cabeça e outros m e m b r o s de imagens de diversos modelos. a s r e g r a s d a c i ê n c i a n o r m a l tornam-se sempre mais indistintas. mas s e m r e l a ç ã o c o m u m m e s m o c o r p o . é sinal d e q u e s e iniciou a t r a n s i ç ã o p a r a a crise e p a r a a c i ê n c i a e x t r a o r d i n á r i a .eram a c e i t a s p a s s a m a ser q u e s t i o n a d a s ^ T a l situação. N e n h u m a dessas articulações será igual. continua. mas. o . a s o l u ç ã o . U m a v e z q u e elas n ã o se adaptam u m a s às outras de forma alguma. Se a anomalia continua resistindo à análise (o q u e geralmente n ã o a c o n t e c e ) . . " C o m eles". A p r ó p r i a a n o m a l i a p a s s a a ser m a i s c o m u m e n t e "reconhecida c o m o tal pelos cientistas. que n ã o conseguiam explicar n e m m e s m o a duração constante das estações do ano". P a r a esses i n v e s t i g a d o r e s a disciplina n ã o parecerá mais a m e s m a de antes.c a b e ç a d a c i ê n c i a n o r m a l . "é c o m o se um artista reunisse as m ã o s . M e s mo soluções-padrão de problemas que anteriormente s. constata-se que poucos c i e n t i s t a s e s t a r ã o d e a c o r d o s o b r e q u a l seja e l e . c a d a u m a d e las será b e m sucedida. U m a fonte de m u d a n ç a s ainda mais i m p o r t a n t e é a natureza divergente das numerosas soluções parciais que a atenção concentrada tornou disponível. Parte dessa "aparência resulta pura e simplesmente da nova persp e c t i v a d e e n f o q u e a d o t a d a p e l o e s c r u t í n i o científico. m a s n e n h u m a tão b e m sucedij i a q u e p o s s a ser a c e i t a c o m o p a r a d i g m a p e l o g r u p o . A esta altura. Através dessa proliferação de articulações divergentes ( q u e serão c a d a vez mais freqüentemente descritas com o a d a p t a ç õ e s a d hoc).

A esse respeito. G o s t a r i a d e t e r . ela n ã o p r o p o r c i o n a a s o l u ç ã o p a r a a c h a r a d a . sobre o q u a l s e p u d e s s e c o n s t r u i r . e s c r e v e u a u m a m i g o : " N o m o m e n t o . ed. escreveu apenas que: "Foi c o m o s e o s o l o d e b a i x o d e n o s s o s p é s tivesse s i d o r e tirado. sem que n e n h u m fundamento firme. 25-26. W e i s s k o p f ( N o v a Y o r k . K U H N .m e t o r n a d o u m c o m e d i a n t e d e c i n e m a o u algo d o g ê n e r o e n u n c a ter o u v i d o falar d e F í s i c a " . De q u a l q u e r m o d o . Q u a i s s ã o esses efeitos? A p e n a s d o i s d e l e s p a r e c e m . Grande parte desse artigo descreve a crise que teve lugar na M e c â n i c a Quantica n o s a n o s anteriores a 1925. S e m d ú v i d a a l g u m a . M. 1 . A. Schi (Evanston. W o l f g a n g Pauli. ser u n i v e r s a i s . S. a pesquisa d o s períodos de crise assemelha-se m u i t o à pesquisa pré-paradigmática. e m Theoretical Physics i n the Tveentieth Century: A. 7. III.. R A L P H K R O N I G . pp. T^he Copernican Revoluíion (Cambridge. m a s o s efeitos d a crise n ã o d e p e n d e m inteiramente de sua aceitação consciente. 1949). E m o u t r a s ocasiões o p r o b l e m a resiste até m e s m o a novas abord a g e n s a p a r e n t e m e n t e radicais. E s s e t e s t e m u n h o é particularmente impressionante se contrastado c o m as palavras q u e Pauli pronunciou cinco m e ses d e p o i s : " O t i p o d e M e c â n i c a p r o p o s t a p o r H e i s e n b e r g d e v o l v e u . " E i n s t e i n . T a i s r e c o n h e c i m e n t o s explícitos de fracasso são e x t r a o r d i n a r i a m e n t e r a r o s . Fierz e V. T o d a s crises i n i c i a m c o m o o b s c u r e cimento de um p a r a d i g m a e o conseqüente relaxament o d a s r e g r a s q u e o r i e n t a m a p e s q u i s a n o r m a l . apesar d o desespero daqueles q u e o v i a m c o m o o fim d o p a r a d i g m a e x i s t e n t e . Nesse caso. estivesse à v i s t a " .resultado seria antes u m m o n s t r o q u e u m h o m e m . In: Albert Einstein: Philosopher-Scientist. 1 9 5 7 ) . "Autobiographicl Note". . l i m i t a d o p e l o e m p r e g o c o r r e n t e d e u m a linguagem menos rebuscada. p. E I N S T E I N . c o m a diferença de que no primeiro caso o p o n t o de divergência é m e n o r e m e n o s c l a r a m e n t e d e f i n i d o . ed. M a s s . "The Turning roint". 45. 6. a Física está mais u m a vez em terrível confusão. p . F. nos meses que precederam o artigo de Heisenberg que indicaria o c a m i n h o p a r a u m a nova Teoria d o s Quanta. P. Citado cm T. (As c r i s e s p o d e m t e r m i n a r de três maneiras. 1960). Memorial Volume to Wolfang Pauli. A l g u m a s vezes a ciência normal acaba revelando-se capaz de tratar do problema q u e p r o v o c a crise.m e a e s p e r a n ç a e a a l e g r i a de viver. os cientis5 6 7 as 5. m a s acredito que agora é possível avançar novamente". Albert. p a r a m i m é m u i t o difícil. 138. 22.

pp. Ou. b e m c o m o muitos de seus m é t o d o s e aplicações. m a s anteciparem o s a l g o d o q u e s e r á d i t o . digma e c o m u m a subseqüente batalha p o r sua aceitaç ã o j Este último m o d o de resolução será extensamente examinado nos últimos capítulos. 1300-I8OO. descreveu-o recentemente c o m o "tomar o reverso da medalha". O p r o b l e m a recebe e n t ã o um rótulo e é posto de l a d o p a r a ser resolvido p o r u m a futura g e r a ç ã o q u e d i s p o nha de instrumentos mais elaborados. Herbert. a fim d e c o m p l e t a r e s t a s o b s e r v a ç õ e s s o b r e a e v o l u ç ã o e a a n a t o m i a do e s t a d o de crise. 1949).I tas p o d e m concluir que n e n h u m a solução p a r a o p r o blema p o d e r á surgir no estado atual da área de estudo. 1-7. que p r i m e i r a m e n t e f o r a m vistas c o m o u m p á s s a r o . U m historiador perspicaz. de seus m é t o d o s e de seus objetivos. . H a verá igualmente u m a diferença decisiva no tocante aos modos de solucionar os problemas. finalmente. reconstrução q u e altera algumas das generalizações teóricas mais elementares do p a r a d i g m a . m a s e s t a b e l e c e n d o e n t r e eles u m n o v o s i s t e m a d e r e lações. o c a s o q u e m a i s n o s i n t e r e s s a : u m a crise p o d e t e r m i nar com a emergência de um novo candidato a p a r a . organizado a partir de um q u a d r o de referência d i f e r e n t e " . A transição de um p a r a d i g m a em crise p a r a um n o v o . D u r a n t e o período de transição haverá u m a grande coincidência ( e m b o r a nunca c o m p l e t a ) entre os p r o b l e m a s q u e p o d e m ser r e s o l v i d o s p e l o a n t i g o p a r a d i g m a e o s q u e p o d e m ser r e s o l v i d o s p e l o n o v o . (Londres. BUTTERFIELD. d o q u a l p o d e surgir u m a n o v a t r a d i ç ã o d e ciênc i a n o r m a l . e s t á l o n g e d e ser u m p r o c e s s o c u m u l a t i v o obtido através de u m a articulação do velho paradigma. observando u m caso clássico d e reorientação d a ciência p o r m u d a n ç a d e paradigma. É antes u m a reconstrução da área de estudos a partir de novos princípios. s ã o a g o r a vistas c o m o u m a n t í l o p e o u v i 8 8. os cientistas t e r ã o modificado a sua concepção da á r e a de estudos. Completada a transição. The Origins of Modern Science. processo que envolve "manipular o m e s m o conjunto de dados que anteriormente. O u t r o s q u e a t e n t a r a m p a r a e s s e a s p e c t o d o a v a n ç o científico e n f a t i z a r a m s u a s e m e l h a n ç a c o m u m a m u d a n ç a n a f o r m a (Gestalt) v i s u a l : a s m a r cas n o papel.

c o m o o sujeito da Gestalt. ainda mais do q u e a do historiador. i n f e l i z m e n t e . s o b r e t u d o p o r ser a t u a l m e n t e t ã o f a m i l i a r . A l é m d i s s o . é u m p r o t ó t i p o e l e m e n t a r útil p a r a o e x a m e d o q u e ocorre d u r a n t e u m a m u d a n ç a total d e paradigma. situada no interior de um universo de discurso t a m b é m diferente. a m u d a n ç a de forma perc e p t i v a {Gestalt}. É exatamente p o r q u e a emergência de u m a n o v a teoria r o m p e c o m u m a tradição d a prática científica e i n t r o d u z u m a n o v a d i r i g i d a p o r r e g r a s d i f e r e n tes. . ao discutirmos a emergência de desço-' bertas. N ã o obstante. A s u a n o t a l a c r a d a foi d e p o s i t a d a na A c a d e m i a Francesa menos de um ano depois do 9 1 9.v e r s a . C o m o é a pesquisa extraordinária? C o m o fazemos para que u m a anomalia s e a j u s t e à lei? C o m o p r o c e d e m o s c i e n t i s t a s q u a n d o se conscientizam de que há algo f u n d a m e n t a l m e n t e e r r a d o n o p a r a d i g m a . essa o b s e r vação n ã o é mais q u e um prelúdio à investigação do e s t a d o d e crise e . A s a n t e c i p a ç õ e s feitas a c i m a p o d e r ã o a u x i l i a r . Q^trabalho de Lavoisier fornece um exemp l o c a r a c t e r í s t i c o . ! F r e q ü e n t e m e n t e . a liberdade de passar repetidamente de u m a maneira de ver a outra. IIANSON. cit.c e . a s p e r g u n t a s à s q u a i s ela c o n d u z r e q u e r e m a competência do psicólogo. I. O s c i e n t i s t a s n ã o v ê e m u m a c o i s a como s e f o s s e o u t r a d i f e r e n te — eles s i m p l e s m e n t e a v ê e m .n o s a r e c o n h e c e r a crise c o m o um p r e l ú d i o a p r o p r i a d o à emergência de novas teorias. que tal emergência só tem p r o b a b i lidades de ocorrer q u a n d o se percebe que a tradição a n t e r i o r e q u i v o c o u . O q u e dizemos a seguir será necessariamente mais h i p o tético e incompleto do q u e o afirmado anteriormente. Op. T a l p a r a l e l o p o d e ser e n g a n o s o .s e g r a v e m e n t e . um n o v o p a r a d i g m a emerge — a o m e n o s e m b r i o n a r i a m e n t e — a n t e s q u e u m a crise esteja b e m desenvolvida ou t e n h a sido explicitamente reconhecida. C o n t u d o . e m u m nível p a r a o q u a l n ã o estão capacitados a trabalhar. Já e x a m i n a m o s a l g u n s dos problemas criados com a afirmação de que Priestley v i a o o x i g ê n i o c o m o a r d e s f l o g i s t i z a d o . devido às limitações de seu treinamento? Essas questões exigem investigações b e m mais amplas. o c i e n t i s t a n ã o r e t é m . especialmente após term o s e x a m i n a d o u m a versão em pequena escala do m e s mo processo. Cap. n ã o necessariamente históricas.

buscando descobrir precisamente onde e a t é q u e p o n t o e l a s p o d e m ser e m p r e g a d a s e f i c a z m e n Je na área de dificuldades. N e s s e esforço. s e m q u a l q u e r assistência d a q u e l e autor. em outros casos — c o m o por exemplo os de Copérnico. T a l crise teria p a s s a d o q u a s e d e s p e r c e bida se. de torná-la m a i s n í t i d a e t a l v e z m a i s s u g e s t i v a d o q u e e r a a o ser a p r e s e n t a d a em experiências cujo resultado pensava-se conhecer d e a n t e m ã o . realizando experiências simplesmente p a r a ver o q u e acontecerá. p r o c u r a n d o um efeito cuja . O que ocorreu entre a primeira percepção do problema e o reconhecimento de u m a alternativa disponível d e ve ter sido em g r a n d e p a r t e inconsciente. ^ Contudo. Confrontado com u m a anomalia reconhecidam e n t e fundamental. Q u a n d o as coisas se processam dessa maneira. na d é c a d a q u e se seguiu aos primeiros trabal h o s d e Y o u n g . Os primeiros informes de T h o m a s Y o u n g sobre a teoria ondulatória da luz apareceram n u m e s t á g i o b e m inicial d e u m a crise q u e s e d e s e n v o l via na Óptica. p r o c u r a r á aplicá-las mais vigorosamente do que nunca. E m p r i m e i r o lugar.primeiro estudo minucioso das relações de peso na teoria flogística e antes d a s publicações de Priestley ter e m revelado t o d a a extensão da crise existente na Q u í mica Pneumática. S i m u l t a n e a m e n t e o cientista buscará m o d o s de realçar a dificuldade. parecerá quase idêntico à n o s s a i m a g e m c o r r e n t e d o cientista. mais d o q u e e m qualquer outro m o m e n t o do desenvolvimento pré-paradigmático da ciência. captar a l g u m a s pistas sobre o q u e é a ciência extraordinária. E m casos c o m o esse. n ã o s e tivesse t r a n s f o r m a d o e m u m e s c â n d a l o científico internacional. o historiador pode. pelo menos. E m b o r a consciente de que as regras da ciência n o r m a l n ã o p o d e m estar totalm e n t e certas. Einstein e da teoria nuclear contemp o r â n e a — decorre um t e m p o considerável entre a primeira consciência do fracasso do p a r a d i g m a e a emergência de um novo. c o m freqüência. o primeiro esforço teórico do cientista será. pode-se apenas dizer que um fracasso m e n o r do p a r a d i g m a e o primeiro obscurecimento de suas regras p a r a a ciência n o r m a l f o r a m s u f i c i e n t e s p a r a i n d u z i r e m a l g u é m um novo m o d o de encarar seu c a m p o de estudos. isolá-la c o m m a i o r precisão e dar-lhe u m a estrutura. será freqüentemente visto c o m o u m h o m e m q u e p r o cura ao acaso.

4 .. L . E m geral o s cientistas n ã o p r e c i s a r a m o u m e s m o d e s e j a r a m ser filósofos. a hipótese radical de n ã o . em parte. . 1774-1775). Nova York.s e d o p a r a digma como modelo. Q u a n t o a P r i e s t l e y . Na medida em que o trabalho de pesq u i s a n o r m a l p o d e ser c o n d u z i d o u t i l i z a n d o . Ao mesmo t e m p o . P a r a u m r e l a t o <ío t r a b a l h o d e K e p l e r s o b r e M a r t e . E . d a d o q u e n e n h u m a e x p e r i ê n c i a p o d e ser c o n cebida s e m o apoio de a l g u m a espécie de teoria. DREYER. ed. se b e m sucedidas. Creio que é « o b r e t u d o nos períodos de crises reconhecidas q u e os cientistas se voltam p a r a a a n á l i s e filosófica c o m o u m m e i o p a r a r e s o l v e r a s c h a r a d a s d e sua á r e a d e estudos. o cientista e m c r i s e t e n t a r á c o n s t a n t e m e n t e g e r a r t e o r i a s especulativas que. A History of Astronomy from Thales to Kepler (2. p o s s a m ser a b a n d o n a d a s c o m r e l a t i v a facilidade. tentativas de localizar e definir a origem de um conjunto ainda difuso de anomalias. c o m freqüência (embora de nenhum modo geralmente). 1 9 5 3 ) . Inexatidões acidentais não impedem que a apresentação de Dreyer nos forneça o material de que necessitamos. e s p e c i a l m e n t e Experiments and Observations on Different Kinds of Air (Londres. pp. Mas provavelmente as melhores ilustrações encontram-se n a s pesquisas c o n t e m p o r â n e a s sobre a teoria de c a m p o e sob r e a s p a r t í c u l a s f u n d a m e n t a i s .c o n s e r v a ç ã o da p a r i d a d e teria sido sugerida ou t e s t a d a ? C o m o t a n t a s o u t r a s p e s q u i s a s físicas r e a l i z a d a s na d é c a d a passada. se as regras n ã o tivessem falhado de maneira evidente em algum ponto n ã o revelado.natureza n ã o pode imaginar com precisão. N ã o fosse a c r i s e q u e tornou necessário determinar até o n d e poderiam ir as regras da ciência n o r m a l . teria p a r e c i d o justificado o esforço exigido p a r a detectar o neutrino? Do m e s m o m o d o . as regras e pressupostos n ã o prec i s a m ser e x p l i c a d o s . v e r J .\ O relatório de Kepler sobre sua luta prolongada c o m o m o v i m e n t o de M a r t e e a descrição de Priestley sobre sua resposta à proliferação de novos gases forn e c e m exemplos clássicos de um tipo de pesquisa mais aleatório gerado pela consciência da anomalia. possam abrir o caminho para um novo paradigma e. N o C a p . a c i ê n c i a n o r m a l u s u a l m e n t e m a n t é m a filosofia c r i a d o r a a o a l c a n c e d a m ã o e p r o v a v e l m e n t e faz isso por boas razões. acomp a n h a d o por outro. b u s c a d o p e l a a n á l i s e filo1 0 1 0 . E s s e t i p o d e p e s q u i s a e x t r a o r d i n á r i a é . se mal sucedid a s . essas experiências foram. N a v e r d a d e . v e r s u a s p r ó p r i a s o b r a s . o b s e r v a m o s q u e o c o n j u n t o c o m p l e t o d a s r e g r a s . 380-393.

N ã o é por acaso q u e a e m e r g ê n c i a d a física n e w t o n i a n a n o s é c u l o X V I I e da Relatividade e da Mecânica Quântica no século XX f o r a m p r e c e d i d a s e a c o m p a n h a d a s p o r a n á l i s e s filosóficas fundamentais da tradição de pesquisa contemporân e a . ver R E M E DUGAS. a s crises f a z e m freqüentemente proliferar novas descobertas. | 2 . 1950). C o m o d e s e n v o l v i m e n t o — i s o l a d o ou c o n j u n t o — desses procedimentos extraordinários. Cohen. \ " Ã o c o n c e n t r a r a a t e n ç ã o científica s o b r e u m a área problemática bem delimitada e ao preparar a m e n t e científica p a r a o r e c o n h e c i m e n t o d a s a n o m a l i a s e x p e r i m e n t a i s p e l o q u e r e a l m e n t e s ã o . 419-443. e d . N e m é acidental o fato de em a m b o s os períodos a c h a m a d a experiência de pensamento ter d e s e m p e n h a d o u m papel t ã o crítico n o progresso d a pesquisa. Histoire de la mécanique (Neuchâtel. R . C o m referência a u m episódio s e m e l h a n t e n o s é c u l o X I X . pp. c o m o a da polarização por reflexão. a experiência de pensamento analítica q u e é tão i m p o r t a n t e n o s escritos de Galileu. v e r u m l i v r o a n t e r i o r d o m e s m o a u t o r . Einstein. B o h r e outros é perfeitamente calculada p a r a expor o antigo p a r a d i g m a ao conhecimento existente. Paris. I n : langes Alexandre Koyré. especialmente C a p .sófica. u m a outra coisa p o d e o c o r r e r . A l g u m a s dessas descobertas. (Malus. Para o contraponto filosófico que a c o m p a n h o u a M e c â n i c a do século X V I I . Taton e I. d e t a l f o r m a q u e a r a i z d a crise seja i s o l a d a c o m u m a clareza impossível de obter-se no l a b o r a t ó r i o . T . K U H N . e o o x i g ê n i o n ã o foi o ú n i c o g á s q u e o s q u í m i c o s c o n s c i e n tes d a a n o m a l i a d e s c o b r i r a m n o s t r a b a l h o s d e P r i e s t l e y . La mécanique a u XVII. B. " A Function for T h o u g h t Experiments". estava apenas iniciando seu ensaio sobre a dupla refração. 1 9 5 4 ) . As novas descobertas ópticas acumularam-se rapidamente p o u c o antes e d u r a n t e o surgimento da teoria o n d u latória da luz. I s s o n ã o q u e r dizer que a busca de pressupostos ( m e s m o os não-exist e n t e s ) n ã o p o s s a e v e n t u a l m e n t e ser u m a m a n e i r a eficaz de enfraquecer o domínio de u m a tradição sobre a m e n te e sugerir as bases p a r a u m a nova. X I .] Já indicam o s c o m o a c o n s c i ê n c i a de crise d i s t i n g u e e n t r e o t r a b a l h o de L a v o i s i e r s o b r e o o x i g ê n i o e o de P r i e s t l e y . autor da descoberta. resultaram de acidentes que se t o r n a m p r o v á v e i s q u a n d o existe u m t r a b a l h o c o n c e n trado na área problemática.» siècle (Neuchâtel. n ã o p r e c i s a n e m m e s m o existir. com o qual p e n s a v a conquistar o p r ê m i o da 1 1 1 2 1 1 . publicado Hermann. Mépor . S . C o m o mostrei em outros lugares.

1956). A l g u m a s vezes a forma do n o v o p a r a d i g m a prefigura-se na estrutura que a pesquisa extraordinária d e u à anomalia. h a v i a m sido assim i l a d o s a efeitos b e m c o n h e c i d o s .A c a d e m i a p a r a t r a b a l h o s s o b r e esse t e m a . Light and Colours (Londres. The History and Present State of Discoveries Relating to Vision. o n o v o p a r a d i g m a . ) O u t r a s descobertas. foram resultado de predições realizadas a partir de u m a nova hipótese. Histoire de la lumière ( P a r i s . como a do ponto luminoso no centro da sombra de um disco circular. cit. Outras ainda. n a mente d e u m h o m e m p r o f u n d a m e n t e i m e r s o n a crise. 498-520. 1772). Cap. No entant o . m a i s f r e q ü e n t e m e n t e tal e s t r u t u r a n ã o é p e r c e b i d a c o n s c i e n t e m e n t e d e a n t e m ã o .s e p e r feitamente q u e essa questão apresentava um desenvolvimento insatisfatório até aquele m o m e n t o . c o m o as cores de ranhuras e d e p l a c a s g r o s s a s e r a m efeitos q u e j á h a v i a m s i d o c o n s tatados muitas vezes e ocasionalmente mencionados. A pesquisa extraordinária deve ainda possuir out r o s efeitos e m a n i f e s t a ç õ e s . algumas vezes n o meio d a noite. ver V . do efeito fotoelétrico e d o s calores específicos. I OC. pp. Einstein escreveu que antes m e s m o de dispor de qualquer substituto para a Mecânica Clássica. A respeito das novas descobertas ópticas e m geral. EINSTEIN. a c o m p a n h a r a m a emergência da Mecânica Quântica. p o d i a perceber a inter-relação existente entre as c o n h e cidas anomalias da radiação de um corpo negro. v e r J . V I I . isso t a l v e z seja o suficiente. m a s n e s s a á r e a m a l c o m e ç a m o s a descobrir as questões q u e p r e c i s a m ser colocad a s . d e t a l m o d o q u e n ã o p o d i a m s e r vistos n a s u a n a t u r e z a r e a l . U m r e l a t o sim i l a r p o d e r i a ser feito s o b r e a s m ú l t i p l a s d e s c o b e r t a s que. . Q u a l seja a n a t u r e z a d e s s e e s t á g i o final — c o m o o i n d i v í d u o i n v e n t a ( o u descobre que inventou) u m a nova maneira de ordenar 1 3 14 13. emerge repentinamente. As o b servações anteriores devem bastar c o m o indicação da m a n e i r a pela q u a l as crises debilitam a rigidez d o s estereótipos e ao m e s m o t e m p o fornecem os d a d o s adicionais necessários p a r a u m a alteração f u n d a m e n t a l d e p a radigma. P R I E S T L E Y . S a b i a . Para u m a exp l i c a ç ã o a n t e r i o r d e u m d e s s e s e f e i t o s . A e s t a a l t u r a . o u u m a i n d i c a ç ã o suficiente p a r a p e r m i t i r u m a posterior articulação. 14. A o invés d i s s o . cujo sucesso ajudou a transformá-la em paradigma p a r a os trabalhos posteriores. a partir de 1 8 9 5 . m a s tal c o m o o oxigênio de Priestley. R O N C H I .

já agora coletados na sua totalidade — perm a n e c e r á i n e s c r u t á v e l a q u i e é p o s s í v e l q u e a s s i m seja p e r m a n e n t e m e n t e . T a l v e z n ã o fosse n e c e s s á r i o f a z e r essa o b s e r v a ç ã o . os h o m e n s q u e fazem essas invenções fundamentais são muito jovens ou estão há pouc o t e m p o n a á r e a d e estudos cujo p a r a d i g m a modificam. a generalização está a requerer u m a investigação sistemática. 1953]) fornece m u i t o s d a d o s úteis. T a l c i r c u l a r i d a d e p o d e ter i n c o m o d a d o p e l o m e n o s a l g u n s l e i t o r e s .n o r m a l " . u m a s p e c t o final e a p a r e n t e m e n t e e q u í v o c o d o c a m i n h o aberto pelo material apresentado nos três últimos capítulos. m a s seus estudos n ã o procuram distinguir aquelas contribuições que e n v o l v e m u m a reconceptualização de natureza fundamental. sendo p o u c o c o m p r o m e t i d o s c o m as regras tradicionais da ciência n o r m a l em r a z ã o d e s u a l i m i t a d a p r á t i c a científica a n t e r i o r . i n c ô m o d a o u n ã o . visto q u e tais h o m e n s . Essa generalização do papel da juventude nas pesquisas científicas fundamentais é t ã o c o m u m q u e chega a ser um clichê. N a p r á t i c a . t ê m g r a n d e s probabilidades d e perceber q u e tais regras n ã o mais definem alternativas viáveis e de conceber um o u v^tro c o n j u n t o q u e p o s s a s u b s t i t u í . N ã o se interrogam. I n d i q u e m o s apenas u m a coisa a esse respeito. M a i s importante ainda. A l é m disso.l a s . [Princeton. enunciamos numerosos critérios relativos ao fracasso na atividade da ciência normal. Q u a s e s e m p r e . Observe-se. sobre as circustâncias especiais — se e x i s t e m — que p o d e m a c o m p a n h a r a p r o d u t i v i d a d e r e l a t i v a m e n t e t a r d i a na c i ê n c i a s . ^ transição para um novo paradigma é u m a revol u ç ã o científica. C o n t u d o . Neste capítulo do ensaio e nos dois precedentes. entretanto. Confrontados c o m a n o m a l i a s o u c r i s e s . t e m a q u e e s t a m o s f i n a l m e n t e p r e p a r a dos para abordar diretamente. q u a n d o pela primeira vez introduziu-se o conceito de a n o m a l i a . critérios que n ã o d e p e n d e m d e forma alguma d o fato de u m a r e v o l u ç ã o seguir-se ou n ã o a esse fracasso. A t é o C a p . isso n ã o p r e c i s a v a t e r ocorrido. Lehman (Age and Achievement. e s s a c i r c u l a r i d a d e j á — n ã o está mais sem caracterização. o s c i e n t i s t a s t o m a m u m a atitude diferente c o m relação aos paradigmas 1 5 15. 5. n e n h u m desses termos p o d e r i a t e r significado o u t r a c o i s a a l é m d e " c i ê n c i a n ã o . •- .os dados. os t e r m o s " r e v o l u ç ã o " e "ciência extraordinária" p o d e m ter parecido equivalentes. igualmente. Não obstante. um olhar r á p i d o em q u a s e t o d a s as listas de contribuições fundamentais à teoria científica proporcionarão uma confirmação impressionista. E s t a m o s a p o n t o de descobrir que u m a circularidade semelhante é característica d a s teorias científicas. H a r v e y C.

a expressão de d e s c o n t e n t a m e n t o explícito. A n o ç ã o de ciência n o r m a l d e p e n d e mais da existência desses fatores do q u e da existência de revoluções. a disposição de tentar qualquer coisa. são sintomas de u m a transição da pesquisa normal para a extraordinária.'] .existentes. a n a t u r e z a de suas pesquisas transforma-se de forma correspondente. o r e c u r s o à F i l o s o f i a e ao d e b a t e s o b r e os f u n d a m e n t o s . C o m isso. A proliferação de articulações concorrentes.

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8. O q u e s ã o r e v o l u ç õ e s científicas e q u a l a s u a f u n ç ã o n o d e s e n v o l v i m e n t o científico? G r a n d e p a r t e d a r e s p o s t a a e s s a s q u e s t õ e s foi a n t e c i p a d a n o s c a p í t u l o s a n t e r i o r e s . a discussão precedente indicou que c o n s i d e r a m o s r e v o l u ç õ e s científicas a q u e l e s e p i s ó d i o s d e desenvolvimento não-cumulativo. nos quais um paradigma mais antigo é total ou parcialmente substituído por um novo. D e m o d o especial. Contudo. A NATUREZA E A NECESSIDADE DAS REVOLUÇÕES CIENTIFICAS Essas observações permitem-nos finalmente examin a r os p r o b l e m a s q u e d ã o o n o m e a este ensaio. incompatível c o m o anterior. J P o r f j u e ^ h a - . há m u i t o m a i s a ser d i t o e u m a p a r t e e s s e n c i a l p o d e ser introduzida através de mais u m a pergunta.

Çís r e v o l u ç õ e s p o l í t i c a s i n i c i a m . cuja exploração fora anteriormente dirigida pelo paradigma. por exemplo. é um pré-requisito p a r a a revoluçãçj. podem parecer etapas normais de um processo de desenvolvimento. c o m o o o x i g ê n i o o u o s r a i o s X . associadas c o m a assimilação de um n o v o tipo de fenômeno. o surgimento d o s raios X violou inevitavelm e n t e um p a r a d i g m a ao criar outro.s e c o m u m s e n t i m e n t o c r e s c e n t e . as revoluções científicas i n i c i a m . 4 .mar de revolução u m a mudança de paradigma? Face às grandes e essenciais diferenças que s e p a r a m o desenvolv i m e n t o p o l í t i c o d o científico. e m b o r a e s s e p a r a l e l i s m o evidentemente force a metáfora. É p o r isso q u e tais raios somente p o d e r i a m ter sido descobertos através da p e r c e p ç ã o d e q u e algo n ã o a n d a v a b e m n a pesquisa normal. C r o o k e s e Roentgen. tal c o m o as revoluções balcânicas no c o m e ç o d o século X X . O s astrônomos. q u e p o d e levar à crise. tais c o m o as q u e p o d e m o s atribuir a C o p é r n i c o e Lavoisier. a s r e v o l u ç õ e s científicas p r e c i s a m p a r e c e r r e volucionárias s o m e n t e p a r a aqueles cujos p a r a d i g m a s sejam afetados por elas. C o m o i n d i c a m o s n o final d o C a p . De forma muito semelhante. q u e p a r a l e l i s m o p o d e r á justificar a m e t á f o r a q u e e n c o n t r a r e v o l u ç õ e s e m a m b o s ? A esta altura um dos aspectos do paralelismo já d e v e ser visível. p o d i a m aceitar os raios X c o m o u m a simples adição ao conhecimento. M a s p a r a h o mens c o m o Kelvin. m a s t a m b é m p a r a as b e m m e n o s importantes. cujas pesquisas tratavam da teoria da radiação ou dos tubos de raios catódicos.s e c o m um sentimento crescente. c o m freqüência restrito a um segmento da c o m u n i d a d e política. Esse aspecto genético do paralelo entre o desenv o l v i m e n t o científico e o p o l í t i c o n ã o d e v e r i a d e i x a r .j A l é m d i s s o . P a r a observadores externos. t a m b é m seguidamente restrito a u m a pequena subdivisão da com u n i d a d e científica. d e q u e o p a r a d i g m a e x i s t e n t e d e i xou de funcionar a d e q u a d a m e n t e na exploração de um aspecto da natureza. de q u e as instituições existentes deixaram de responder a d e q u a d a m e n t e aos problemas postos por um meio que ajudaram em parte a criar. o s e n t i m e n t o d e f u n c i o n a m e n t o defeituoso. é válido n ã o apenas p a r a a s m u d a n ç a s i m p o r t a n t e s d e p a r a d i g m a . T a n t o no desenvolvimento p o l í t i c o c o m o n o científico. pois seus paradigmas n ã o f o r a m afetados pela existência d e u m a n o v a radiação.

a s o c i e d a d e e s t á d i v i d i d a em c a m p o s o u partidos e m competição. O restante deste ensaio visa d e m o n s t r a r que o estudo histórico da m u d a n ç a de paradigmas revela características muito semelhantes a essas. ao longo da evolução da ciência. n a m e d i d a e m q u e a crise se aprofunda. m u d a n ç a s essas proib i d a s p o r e s s a s m e s m a s instituições q u e s e q u e r m u d a r . C o n t u d o .s e sempre mais excentricamente n o interior dela. As revoluções políticas visam realizar m u d a n ç a s nas instituições políticas. p o r n ã o reconhecerem n e n h u m a estrutura s u p r a -institucional competente p a r a julgar diferenças revolucionárias. P o r discordarem q u a n t o à matriz institucional a partir d a q u a l a m u d a n ç a p o l í t i c a d e v e r á ser a t i n g i d a e a v a liada. do mesmo m o d o que atenua o papel dos paradigmas. E n t ã o . A e s t a a l t u r a . d o q u a l d e p e n d e o signific a d o do primeiro. é somente a crise q u e a t e n u a o p a p e l d a s instituições políticas. Conseqüentemente. Em n ú m e r o s crescentes os indivíduos alheiam-se cada vez mais da vida política e c o m p o r t a m . muitos desses indivíduos c o m prometem-se com algum projeto concreto para a reconstrução da sociedade de acordo com u m a nova estrutura i n s t i t u c i o n a l . nesse ínterim. a sociedade n ã o é integralmente govern a d a p o r n e n h u m a instituição. os recursos de natureza política fracassam. seu êxito requer o a b a n d o n o parcial d e u m conjunto d e instituições e m favor d e outro.maiores dúvidas. pois esses d e p e n d e m parcialmente d e u m p a r a d i g m a determinado e esse paradigma. a e s c o l h a e n t r e p a r a d i g m a s e m c o m p e t i ç ã o d e m o n s t r a ser u m a escolha entre m o d o s incompatíveis de vida comunitária. os partidos envolvidos em um conflito revolucionário d e v e m recorrer finalmente às técnicas de persuasão de massa. o o u t r o tentando estabelecer u m a nova. De início. E m b o r a a s revoluções t e n h a m tido u m p a p e l vital n a e v o l u ç ã o d a s instituições políticas. u m deles p r o c u r a n do defender a velha constelação institucional. esse p a p e l d e p e n d e do fato de aquelas s e r e m parcialmente eventos extrapolíticos e extra-institucionais. m a i s p r o f u n d o . que seguidamente incluem a força. E . ela n ã o é e n ã o p o d e ser d e t e r m i n a d a s i m p l e s m e n t e p e l o s p r o c e d i m e n t o s de avaliação característicos da ciência n o r m a l . o paralelo possui um segund o a s p e c t o . Q u a n d o ocorre essa p o larização. P o r ter esse caráter. por sua vez. T a l c o m o a escolha e n t r e d u a s instituições políticas e m c o m p e t i ç ã o . está .

A d m i t i n d o que a rejeição de paradigmas é um fato histórico. seja l ó g i c a . c h e g a n d o muitas vez e s a c o m p e l i r à s u a a c e i t a ç ã o . fornecer u m a mostra d e c o m o s e r á a p r á t i c a científica p a r a t o d o s a q u e l e s q u e adotarem a nova concepção da natureza. — c o m o n a s revoluções políticas — n ã o existe critério superior ao consentimento da comunidade relevante. do a r g u m e n t o c i r c u l a r e q ü i v a l e t ã o -somente ao da persuasão. é p r o v á v e l q u e p o n h a m o s e m d ú v i d a a capacidade de tais exemplos p a r a n o s p r o p o r cionarem informações essenciais sobre a natureza da ciência — e p o r t a n t o e x a m i n a r e m o s essa q u e s t ã o em primeiro lugar.s e t ã o . A s p r e m i s s a s e os valores partilhados pelas duas partes envolvidas em u m debate sobre p a r a d i g m a s n ã o s ã o suficientemente a m p l o s p a r a permitir isso. Q u a n d o os paradigmas participam — e d e v e m fazê-lo — de um d e b a t e sobre a escolha de um paradigma. seja q u a l for a s u a f o r ç a . Já indicamos. Naturalmente a circularidade resultante não torna esses a r g u m e n t o s e r r a d o s o u m e s m o ineficazes. Para os que recusam entrar n o círculo. tal rejeição ilumina algo mais do . P a r a d e s c o b r i r c o m o a s r e v o l u ç õ e s científicas s ã o p r o duzidas. o status. precisaremos examinar brevemente a natureza d a s diferenças que separam os proponentes de um p a r a d i g m a tradicional de seus sucessores revolucionários. C o l o c a r um paradigma como premissa n u m a discussão destinada a defendê-lo pode. contudo. C a d a g r u p o utiliza s e u p r ó p r i o p a r a d i g m a p a r a a r g u m e n t a r em favor desse m e s m o paradigma. teremos. seja p r o b a b i l i s t i c a m e n t e . P a r a d e s c o b r i r m o s p o r q u e esse p r o b l e m a d e e s c o l h a d e p a r a d i g m a n ã o p o d e j a m a i s ser r e s o l v i d o d e f o r m a i n e q u í v o c a e m p r e g a n d o .s o m e n t e a L ó g i c a e os experimentos. Essa mostra p o d e ser i m e n s a m e n t e persuasiva.em questão. que examinar n ã o apenas o impacto da natureza e da Lógica. M a i s do q u e a exist ê n c i a d e tais d i f e r e n ç a s . C o n t u d o . m a s igualmente as t é c n i c a s d e a r g u m e n t a ç ã o p e r s u a s i v a q u e s ã o eficazes n o interior dos grupos m u i t o especiais que constituem a c o m u n i d a d e d o s cientistas. portanto. T a l e x a m e é o o b j e t o p r i n c i p a l d e s t e c a p í t u l o e do s e guinte. numerosos exemplos de tais diferenças e n i n g u é m d u v i d a r á de q u e a história da ciência p o d e fornecer m u i t o s mais. seu papel é necessariamente circular. N a escolha d e u m p a r a d i g m a . n ã o obstante. esse a r g u m e n t o n ã o p o d e tornar-se imposit i v o .

a Óptica. que examina fenômenos subatômicos d e s c o n h e c i d o s a t é o s é c u l o XX — m a s . elas n ã o d e r i v a m d a estrutura lógica d o conhecim e n t o científico. S e fosse a s s i m . u m a n o v a teoria n ã o precisa entrar necessariamente e m conflito c o m qualquer de suas predecessoras. se existem tais r a zões. seja d e u m a n o v a t e o r i a c i e n tífica. A i n d a . sem modificar substancialmente n e n h u m a delas. e i s s o é signific a t i v o . em vez de substituir outros conhecimentos de tipo distinto e incompatível. N a evolução d a ciência. C e r t a m e n t e a ciência ( o u algum o u t r o empreendim e n t o talvez m e n o s eficaz) poderia ter-se desenvolvido dessa maneira totalmente cumulativa. os novos conhecimentos substituiriam a ignorância. P o d e m o s ainda conceber outras relações compatíveis e n t r e teorias velhas e novas e c a d a u m a dessas p o d e ser exemplificada pelo processo histórico através d o q u a l a c i ê n c i a d e s e n v o l v e u . a d e s c o berta de vida em alguma parte menos conhecida da galáxia n ã o teria esse efeito. a Eletricidade. n ã o e x a m i n a a p e n a s esses f e n ô m e n o s . E m princípio. seja d e u m n o v o t i p o d e f e n ô m e n o . capaz de integrar t o d o u m g r u p o d e teorias d e nível inferior. u m n o v o f e n ô m e n o p o d e r i a e m e r g i r s e m refletir-se d e s t r u t i v a m e n t e s o b r e a l g u m a s p e c t o d a p r á t i c a científica p a s s a d a . D o m e s m o m o d o . P o d e tratar exclusivamente de fenômenos antes desconhecidos. d e v a m exigir a r e j e i ç ã o d e u m p a r a d i g m a m a i s antigo? Observe-se p r i m e i r a m e n t e q u e . Atualmente. a Química. c o m o a teoria quântica. a teoria térmica e assim p o r diante. a n o v a t e o r i a p o d e r i a s e r s i m p l e s m e n t e d e u m nível m a i s elevado do que as anteriormente conhecidas.s e . N o v o s tipos de fenômenos simplesmente revelariam a o r d e m existente em algum aspecto da natureza onde esta ainda n ã o fora descoberta. a teoria da conservação da energia proporciona exatam e n t e esse tipo de vínculo e n t r e a D i n â m i c a . E m b o r a a d e s c o b e r t a d e v i d a n a L u a p o s s a t e r a t u a l m e n t e u m efeito destrutivo sobre os p a r a d i g m a s existentes ( a q u e l e s q u e fazem afirmações sobre a L u a que parecem incompatíveis c o m a e x i s t ê n c i a d e v i d a n a q u e l e s a t é l i t e ) . o d e senvolvimento científico seria g e n u i n a m e n t e cumulativo. Muitos acreditar a m q u e realmente ocorreu assim e a maioria ainda p a - .que a credulidade e a confusão humanas? Existem raz õ e s i n t r í n s e c a s p e l a s q u a i s a a s s i m i l a ç ã o .

No C a p . 9. C o n t u d o . que é c u m u l a t i v a . IO examinaremos o s ó l i d o a p o i o f o r n e c i d o a esse m e s m o e s q u e m a h i s t o r i o gráfico p e l a s t é c n i c a s d a eficaz p e d a g o g i a d a s c i ê n c i a s . o h o m e m q u e luta p a r a resolver um problema definido pelo conhecimento e pela técnica e x i s t e n t e s n ã o se l i m i t a s i m p l e s m e n t e a o l h a r à s u a v o l t a . n ã o antecipadas d e m o n s t r a ser u m a exceção quase inexistente à regra do desenvolvimento científico. m a s e m princípio improvável. existem crescentes razões p a r a p e r g u n t a r m o s s e é p o s s í v e l q u e e s t a seja u m a i m a g e m de ciência. a n o v a descoberta. isto é. Existem importantes razões p a r a tal crença. A novidade n ã o antecipada.rece supor q u e a a c u m u l a ç ã o é. pelo m e n o s . a a s s i m i lação de todas as novas teorias e de quase todos os novos tipos de fenômenos exigiram a destruição de um p a r a d i g m a anterior e um conseqüente conflito entre e s c o l a s r i v a i s d e p e n s a m e n t o científico. d e v e seu s u c e s s o à h a b i l i d a d e d o s c i e n t i s t a s p a r a selecionar regularmente fenômenos q u e p o d e m ser solucionados através de técnicas conceituais e instrumentais s e m e l h a n t e s à s j á e x i s t e n t e s . c a s o n ã o tivesse sido tão c o m u m e n t e distorcido pela idiossincrasia h u mana.p a r a d i g m á t i c o .) C o n t u d o . N ã o obstante. A pesquisa normal. T a l vez e l a seja u m a o u t r a e s p é c i e d e e m p r e e n d i m e n t o . Sabe o que quer alcançar. o ideal q u e o desenvolvimento histórico exibiria. p o d e f a c i l m e n t e inibir o d e s e n v o l v i m e n to científico. A q u e l e q u e l e v a a s é r i o o f a t o h i s t ó r i c o d e v e suspeitar de que a ciência n ã o tende ao ideal sugerido pela imagem que temos de seu caráter cumulativo. descobriremos q u ã o estreitamente entrelaçadas e s t ã o a c o n c e p ç ã o de c i ê n c i a c o m o a c u m u l a ç ã o e a e p i s temologia que considera o conhecimento c o m o u m a construção colocada diretamente pelo espírito sobre os dados brutos dos sentidos. A p ó s o p e r í o d o p r é . se a resistência de d e t e r m i n a d o s fatos nos leva tão longe. apesar da imensa plausibilidade dessa m e s m a i m a g e m ideal. concebe seus instrumentos e dirige seus pensamentos de a c o r d o c o m seus objetivos. ( É p o r isso q u e u m a p r e o c u p a ç ã o excessiva c o m p r o b l e m a s úteis. somente pode emergir na medida em que as antecipações . sem levar em consideração sua relação c o m os conhecimentos e as técn i c a s e x i s t e n t e s . No C a p . então u m a segunda inspeção no terreno já percorrido pode sugerir-nos que a aquisição cumulativa d e n o v i d a d e s é d e f a t o n ã o a p e n a s r a r a . A a q u i s i ç ã o c u m u lativa d e novidades.

A p e n a s esse último tipo de f e n ô m e n o faz surgir n o v a s teorias. Essa diferença n ã o poderia ocorrer se as d u a s teorias fossem logicamente compatíveis. em algum ponto. u m l u g a r fio c a m p o v i s u a l do cientista.sobre a natureza e os instrumentos do cientista d e m o n s trem estar equivocados. O s e x e m p l o s d e d e s c o b e r t a s através da destruição de paradigmas examinados no C a p . O p r i meiro tipo compreende os fenômenos já b e m expEcàaõs pelos paradigmas existentes. No processo de sua assimilação. Os cientistas dirigem a maior p a r t e de sua pesquisa a esses fenômenos. em princípio. c o m o no caso d a s t r ê s a n t e c i p a ç õ e s f a m o s a s d i s c u t i d a s a o final d o C a p . a importância da descoberta resultante será ela m e s m a proporcional à e x t e n s ã o e à t e n a c i d a d e da a n o m a l i a q u e a p r e n u n c i o u . mais t a r d e . N ã o existe n e n h u m a o u t r a m a n e i r a eficaz d e g e r a r d e s c o b e r t a s . visto q u e a natureza n ã o p r o p o r c i o n a n e n h u m a base p a r a u m a discriminação entre a s alternativas. O m e s m o a r g u m e n t o aplica-se a i n d a mais claramente à invenção de novas teorias. Freqüentemente. m a s tal p e s quisa visa antes à articulação d o s p a r a d i g m a s existentes d o q u e à i n v e n ç ã o d e n o v o s . a nova . 5 n ã o s ã o s i m p l e s a c i d e n t e s h i s t ó r i c o s . deve evidentemente haver um conflito entre o paradigma que revela u m a anomalia e aquele que. Q u a n d o o fazem. S o m e n t e q u a n d o esses e s forços de articulação fracassam é q u e os cientistas enc o n t r a m o terceiro tipo de f e n ô m e n o : as anomalias reconhecidas. m a s c u j o s d e t a l h e s s o m e n t e p o d e m ser e n t e n d i d o s a p ó s u m a maior articulação da teoria. permitir predições diferentes d a quelas derivadas de sua predecessora. então a nova teoria b e m sucedida deve. s o m e n t e três tipos de fenômenos a p r o p ó s i t o d o s q u a i s p o d e ser d e s e n v o l v i d a u m a n o v a t e o r i a . cujo traço característico é a sua recusa obstin a d a a serem assimiladas aos p a r a d i g m a s existentes. a s u b m e t e a u m a lei. M a s se novas teorias são c h a m a d a s p a r a resolver as anomalias presentes na relação entre u m a teoria existente e a natureza. Existem. as teorias resultantes r a r a m e n t e são aceitas. Nesse caso. Tais fenômenos r a r a m e n t e fornecem motivos ou um ponto de partida para a construção de u m a teoria. U m a seg u n d a classe de f e n ô m e n o s c o m p r e e n d e aqueles cuja natureza é indicada pelos paradigmas existentes. lugar esse d e t e r m i n a d o pela teoria. 6. Os paradigmas fornecem a todos os fenômenos ( e x c e ç ã o feita à s a n o m a l i a s ) .

não se desenvolveu historicamente sem a destruição de um p a r a d i g m a . O a r g u m e n t o m a i s sólido e m a i s conhecido em f a v o r d e s s a c o n c e p ç ã o r e s t r i t a d e t e o r i a científica e m e r g e em discussões sobre a r e l a ç ã o e n t r e a d i n â m i c a einsteiniana atual e as equações dinâmicas mais antigas q u e d e r i v a m d o s Principia d e N e w t o n . E m b o r a a inclusão lógica continue sendo u m a concepção admissível da relação e x i s t e n t e e n t r e t e o r i a s científicas s u c e s s i v a s . Ê difícil v e r c o m o n o v a s teorias p o d e r i a m surgir sem essas m u d a n ç a s destrutivas nas crenças sobre a natureza. no m e s m o sentido que a astronomia de Copérnico c o m relação à de P t o l o m e u : a teoria de Eins1 of 1. U n i c a m e n t e a p ó s a rejeição da teoria calórica é q u e ã conservação da energia p ô d e tornar-se parte da c i ê n c i a . pois a c o n c e p ç ã o acima desenvolv i d a s o b r e o a s s u n t o n ã o p o d e ser m a n t i d a . Thomson Baron Kelvin . I. n ã o é p l a u sível d o p o n t o d e v i s t a h i s t ó r i c o . restringiria o alcance e o sentido de u m a teoria admitida. e s t r e i t a m e n t e a s s o c i a d a c o m a s e t a p a s iniciais d o p o s i t i v i s m o l ó g i c o e n ã o r e j e i t a d a c a t e g o r i c a m e n t e pelos estágios posteriores da d o u t r i n a . ela emerg i u d e u m a c r i s e n a q u a l u m i n g r e d i e n t e _ e s s e n c i a l foi a incompatibilidade entre a d i n â m i c a n e w t o n i a n a e algum a s conseqüências da teoria calórica formuladas recentemente. Lije of William 266-281. de tal m o d o q u e ela n ã o p o d e r i a d e m o d o a l g u m c o n f l i t a r c o m qualquer teoria posterior q u e realizasse predições sobre a l g u n s d o s m e s m o s f e n ô m e n o s n a t u r a i s p o r ela c o n s i d e r a d o s . D o p o n t o d e v i s t a deste ensaio. Ao invés disso. (Londres. sem c o n flito c o m s u a s p r e d e c e s s o r a s . Silvanus 1 9 1 0 ) . E s s a i n t e r p r e t a ç ã o . S o m e n t e a p ó s ter feito p a r t e d a c i ê n c i a p o r algum t e m p o é que p ô d e adquirir a aparência de u m a teoria de um nível logicamente mais elevado. c a s o a i n terpretação contemporânea predominante sobre a natur e z a e a f u n ç ã o da t e o r i a científica seja a c e i t a .teoria deve ocupar o lugar da anterior. P. m a s hoje em dia infelizmente n ã o p o d e m o s fazer isso. M e s m o u m a teoria c o m o a da conservação da energia ( q u e atualmente p a r e c e ser u m a s u p e r e s t r u t u r a l ó g i c a r e l a c i o n a d a c o m a natureza apenas através de teorias independentemente estabelecidas). C r e i o que um século atrás teria sido possível interr o m p e r neste p o n t o o a r g u m e n t o em favor da necessid a d e de revoluções. essas d u a s teorias são fundamentalmente incompatíveis. THOMPSON Lares. pp.

Precisamos portanto examinar as objeções mais c o m u n s q u e lhe são dirigidas.t e i n s o m e n t e p o d e ser a c e i t a c a s o s e r e c o n h e ç a q u e N e w ton estava errado. as velocidades relativas d o s corpos considerados d e v e m ser p e q u e n a s em c o m p a r a ç ã o c o m a velocidade da luz. Atualmente essa concepção p e r m a nece minoritária. A teoria de Einstein pode ser utilizada p a r a mostrar que as p r e dições derivadas d a s equações de Newton serão tão boas c o m o nossos instrumentos de medida. A idéia central dessas objeções p o d e ser apresent a d a c o m o segue: a d i n â m i c a relativista n ã o poderia ter demonstrado o erro da dinâmica newtoniana. p. a p o i a d a p o r p r o v a s v á l i d a s . U m a vez que n ã o dispunham de prova p a r a tais alegações. pois esta ainda é empregada c o m grande sucesso pela maioria dos engenheiros e. a j u s t e z a d o e m p r e g o d e s s a t e o r i a m a i s a n t i g a p o d e ser d e m o n s t r a d a p e l a p r ó p r i a teoria q u e a substituiu em outras aplicações. em certas aplicações selecionadas. continua a m e s m a objeção. Science. A l é m d i s s o . isso s e d e v e s o m e n t e a o f a t o d e a l g u n s n e w tonianos terem sido incautos a p o n t o de alegar q u e a teoria de N e w t o n produzia resultados absolutamente precisos o u q u e e r a válida p a r a velocidades relativas m u i t o elevadas. . P o r exemplo. a s c o n s i d e r a ç õ e s d e P . Eliminando-se essas extravagâncias m e r a m e n t e h u m a n a s . Se a c i ê n c i a de E i n s t e i n p a r e c e t o r n a r falsa a d i n â m i c a d e N e w t o n . a t e o r i a n e w t o niana parece ser derivável da einsteiniana.o u t r a s . da qual é p o r t a n t o um caso especial. foi e m a l g u m m o m e n t o considerada c o m o tal. 298. a t e o r i a n e w t o n i a n a n u n c a foi d e s a f i a d a e n e m p o d e sê-lo. ao expressá-las traíram os padrões do p r o c e d i m e n t o científico. por m u i t o s físicos. em todas aquelas equações q u e satisfaçam u m p e q u e n o n ú m e r o de condições restritivas. Satisfeita e s s a c o n d i ç ã o e a l g u m a s . Einstein s o m e n t e pode ter d e m o n s t r a d o o erro daquelas alegações extravagantes atribuídas à teoria de N e w t o n — alegações q u e d e r e s t o n u n c a f o r a m p r o p r i a m e n t e p a r t e d a ciência. teoria n e n h u m a p o d e entrar e m conflito c o m u m d o s seus casos especiais. 2 2. p a r a q u e a teoria de N e w t o n nos forneça u m a b o a solução aproximada. P . W I E N E R e m Philosophy XXV (1958). Mas. of V e r . A t e o r i a n e w t o n i a n a c o n t i n u a a ser u m a t e o r i a v e r d a d e i r a m e n t e científica n a q u e l e s a s p e c t o s e m q u e . p o r e x e m p l o .

M a s p a r a que possamos salvar teorias dessa m a neira. Compare-se as conclusões alcançadas através de um tipo de análise muito diverso p o r R. 1 9 5 0 ) . t o d a v e z q u e tal p e s q u i s a e n t r e e m u m a área ou busque um grau de precisão para os quais a prática anterior da teoria n ã o ofereça precedentes. O relato mais c o m p l e t o e simpático das r e a l i z a ç õ e s d a t e o r i a d o f l o g i s t o a p a r e c e m n o l i v r o d e H . S e g u n d o essa teoria. o c i e n t i s t a fica p r o i b i d o d e a l e g a r q u e e s t á f a l a n d o "cientificamente" a respeito de qualquer fenômeno ainda n ã o o b s e r v a d o . e s t a n u n c a poderia ter sido contestada. Se tal l i m i t a ç ã o for l e v a d a u m p a s s o a d i a n t e ( e isso dificilment e p o d e ser e v i t a d o u m a v e z d a d o o p r i m e i r o p a s s o ) . J A M E S B . P o r e x e m p l o . Explicava igualmente a diminuição de v o l u m e quando a combustão ocorre n u m volume limitado de ar — o flogisto l i b e r a d o p e l a c o m b u s t ã o " e s t r a g a v a " a elasticidade do ar que o absorvia. pp. especialmente p. em algum m o m e n t o . A Short History of Chemistry ( 2 . esta restriç ã o p r o í b e q u e o cientista baseie sua p r ó p r i a pesquisa e m u m a t e o r i a . 85-88. 1930). U m a r g u m e n t o semel h a n t e s e r á suficiente p a r a d e f e n d e r q u a l q u e r t e o r i a q u e .. Se esses fossem os únicos fenômenos q u e os teóricos do flogisto p r e t e n d e s s e m e x p l i c a r m e d i a n t e s u a t e o r i a . Scienlific Explanalion (Cambridge. os metais s ã o t o d o s c o m p o s t o s p o r d i f e r e n t e s t e r r a s e l e m e n t a r e s c o m b i n a d a s c o m o flogisto e esse último. A p a r d i s s o . Newton. a t e o r i a flogística e x p l i cava diversas reações nas quais ácidos e r a m formados pela c o m b u s t ã o de substâncias c o m o o c a r b o n o e o e n xofre. p p . a t ã o d i f a m a d a t e o r i a d o flogisto o r d e n a v a g r a n d e n ú m e r o d e f e n ô m e n o s físicos e q u í m i cos. e J . F R . B . Tais proibições n ã o são excepcionais do p o n t o de vista lógico. 76. ed. . M e s m o n a s u a f o r m a atual. 50-87. Boerhaave et la doclrine chimique (Paris. do m e s m o m o d o que o fogo " e s t r a g a " a elasticidade de u m a m o l a de a ç o . 1951). Overthro-w of lhe Phlogiston Theory ( C a m b r i d g e .U m a v a r i a n t e d e s s e a r g u m e n t o é suficiente p a r a tornar imune ao ataque qualquer teoria jamais empreg a d a p o r u m g r u p o significativo d e c i e n t i s t a s c o m p e t e n t e s . 4. C O N A N T . B K A I T H W A I T E . R . 1 3 . c o m u m a todos os metais. M E T Z C . P A R T I N G T O N . Stahl. Explicava por que os corpos queimam — porque s ã o r i c o s e m flogisto — e p o r q u e o s m e t a i s p o s s u e m m u i t o m a i s p r o p r i e d a d e s e m c o m u m d o q u e seus m i n e rais. 1 9 5 3 ) . pp.1 6 . 4 3 3 . gera p r o p r i e d a d e s c o m u n s . Parte II. tenha tido êxito na aplicação a qualquer conjunto de fenômenos. Londres. suas g a m a s de aplicação d e v e r ã o restringir-se àqueles fenômenos e à precisão de observação de q u e t r a t a m as p r o v a s experimentais já disponíveis.

m a s a c e i t á - l a s s e r i a o fim d a p e s q u i s a q u e p e r m i t e à c i ê n c i a c o n t i n u a r a se d e s e n v o l v e r . A e s t a a l t u r a , e s s e p o n t o já é v i r t u a l m e n t e t a u t o l ó gico. Sem o compromisso c o m um p a r a d i g m a n ã o p o d e ria h a v e r ciência n o r m a l . A l é m disso, esse c o m p r o m i s s o d e v e estender-se a áreas e graus de precisão p a r a os quais n ã o existe n e n h u m precedente satisfatório. N ã o fosse a s s i m , o p a r a d i g m a n ã o p o d e r i a f o r n e c e r q u e b r a -cabeças q u e já n ã o tivessem sido resolvidos. A l é m do mais, n ã o é apenas a ciência n o r m a l q u e d e p e n d e do c o m p r o m e t i m e n t o c o m u m a paradigma. Se as teorias existentes o b r i g a m o cientista somente c o m relação às aplicações existentes, então n ã o p o d e h a v e r surpresas, a n o m a l i a s o u c r i s e s . M a s esses s ã o a p e n a s s i n a i s q u e a p o n t a m o c a m i n h o p a r a a ciência extraordinária. Se t o m a r m o s literalmente as restrições positivistas sobre a esfera de aplicabilidade de u m a teoria legítima, o m e c a n i s m o q u e i n d i c a à c o m u n i d a d e científica q u e p r o b l e m a s p o d e m levar a m u d a n ç a s fundamentais deve cessar seu funcionamento. Q u a n d o isso ocorre, a c o m u n i d a d e retorn a r á a algo m u i t o similar a seu estado p r é - p a r a d i g m á tico, situação na qual todos os m e m b r o s praticam ciência, m a s o p r o d u t o b r u t o de suas atividades assemelha-se m u i t o p o u c o à ciência. Será realmente surpreendente q u e o p r e ç o d e ú m a v a n ç o científico significativo sejaum compromisso q u e corre o risco de estar errado? , A i n d a mais i m p o r t a n t e é a existência de u m a lacun a lógica r e v e l a d o r a n o a r g u m e n t o positivista, q u e n o s reintroduzirá imediatamente na natureza da mudança revolucionária. A dinâmica newtoniana pode realmente s e r derivada da d i n â m i c a r e l a t i v i s t a ? A q u e se a s s e m e lharia essa derivação? Imaginemos u m conjunto d e p r o p o s i ç õ e s EM, Et, . . . E», q u e j u n t a s a b a r c a m as leis da teoria da relatividade. Essas proposições contêm variáveis e p a r â m e t r o s representando posição espacial, t e m p o , m a s s a em r e p o u s o , e t c . . . A partir deles, juntam e n t e c o m o a p a r a t o da Lógica e da M a t e m á t i c a , é possível deduzir t o d o um conjunto de novas proposiç õ e s , i n c l u s i v e a l g u m a s q u e p o d e m ser v e r i f i c a d a s a t r a vés da observação. Para demonstrar a adequação da dinâmica newtoniana c o m o u m caso especial, devemos adicionar aos Et proposições adicionais, tais c o m o ( V / C ) < < 1 , restringindo o âmbito dos parâmetros e variáveis. Esse conjunto ampliado de proposições é en2

tão manipulado de molde a produzir um novo conjunto Ni, N , • • - N , q u e na s u a f o r m a é i d ê n t i c o às leis de N e w t o n relativas ao m o v i m e n t o , à gravidade e assim p o r d i a n t e . D e s s e m o d o , sujeita a a l g u m a s c o n d i ç õ e s q u e a l i m i t a m , a d i n â m i c a n e w t o n i a n a foi a p a r e n t e m e n t e d e r i v a d a da einsteiniana. T o d a v i a tal derivação é espúria, ao m e n o s em um ponto. E m b o r a os Ni sejam um caso especial de m e c â n i c a r e l a t i v i s t a , eles n ã o s ã o a s leis d e N e w t o n . S e o são, estão reinterpretadas de u m a m a n e i r a q u e seria inconcebível antes dos trabalhos de Einstein. As variáveis e os p a r â m e t r o s q u e n o s E* e i n s t e i n i a n o s r e p r e s e n t a v a m posição espacial, tempo, massa, e t c . . . ainda ocorrem n o s Ni e c o n t i n u a m r e p r e s e n t a n d o o e s p a ç o , o t e m p o e a m a s s a e i n s t e i n i a n a . M a s o s r e f e r e n t e s físicos d e s s e s conceitos einsteinianos n ã o são de m o d o algum idênticos àqueles conceitos newtonianos que levam o m e s m o n o m e . (A m a s s a newtoniana é conservada; a einsteiniana é conversível c o m a energia. A p e n a s em baixas velocidades relativas p o d e m o s medi-las do m e s m o m o d o e m e s m o e n t ã o n ã o p o d e m ser consideradas idênticas.) A m e n o s q u e modifiquemos as definições d a s variáveis d o s Ni, a s p r o p o s i ç õ e s q u e d e r i v a m o s n ã o s ã o n e w t o n i a nas. Se as m u d a m o s , n ã o p o d e m o s realmente afirmar q u e derivamos a s leis d e N e w t o n , p e l o m e n o s n ã o n o sentido atualmente aceito para a expressão "derivar". Evidentemente o nosso argumento explicou por que as leis d e N e w t o n p a r e c i a m a p l i c á v e i s . A o f a z ê - l o , justificou, p o r exemplo, o motorista q u e age c o m o se vivesse e m u m u n i v e r s o n e w t o n i a n o . TJm a r g u m e n t o d a m e s m a e s p é c i e é u t i l i z a d o p a r a justificar o e n s i n o d e u m a a s t r o nomia centrada na Terra aos agrimensores. M a s o argum e n t o a i n d a n ã o alcançou os objetivos a q u e se p r o p u n h a , o u seja, n ã o d e m o n s t r o u q u e a s leis d e N e w t o n s ã o u m a c a s o limite das d e Einstein, pois n a derivação n ã o f o r a m a p e n a s a s f o r m a s d a s leis q u e m u d a r a m . T i v e m o s que alterar simultaneamente os elementos estruturais fundamentais que c o m p õ e m o universo ao qual se aplicam.
2 m

E s s a necessidade de modificar o sentido de conceitos estabelecidos e familiares é crucial p a r a o i m p a c t o r e v o l u c i o n á r i o d a t e o r i a d e E i n s t e i n . E m b o r a m a i s sutil que as mudanças do geocentrismo para o heliocentrismo, d o flogisto p a r a O o x i g ê n i o o u d o s c o r p ú s c u l o s p a r a a s

ondas, a transformação resultante n ã o é menos decididam e n t e destruidora p a r a um p a r a d i g m a previamente estab e l e c i d o . P o d e m o s m e s m o vir a c o n s i d e r á - l a c o m o u m protótipo para as reorientações revolucionárias nas ciências. Precisamente por n ã o envolver a introdução de o b jetos ou conceitos adicionais, a transição da mecânica newtoniana p a r a a einsteiniana ilustra c o m particular clar e z a a r e v o l u ç ã o científica c o m o s e n d o u m d e s l o c a m e n t o da rede conceituai através da qual os cientistas vêem o mundo. ' E s s a s o b s e r v a ç õ e s d e v e r i a m ser s u f i c i e n t e s p a r a i n d i c a r a q u i l o q u e , e m o u t r a a t m o s f e r a filosófica, p o d e r i a ser d a d o c o m o p r e s s u p o s t o . A m a i o r i a d a s d i f e r e n ç a s a p a r e n t e s e n t r e u m a t e o r i a científica d e s c a r t a d a e s u a sucessora são reais, pelo m e n o s p a r a os cientistas. E m b o r a u m a teoria obsoleta s e m p r e possa ser vista c o m o um caso especial de sua sucessora mais atualizada, deve ser t r a n s f o r m a d a p a r a q u e isso p o s s a o c o r r e r . E s s a t r a n s formação só pode ser empreendida dispondo-se das vantagens da visão retrospectiva, s o b a d i r e ç ã o explícita da teoria mais recente. A l é m disso, m e s m o q u e essa t r a n s f o r m a ç ã o fosse u m artifício l e g í t i m o , e m p r e g a d o p a r a interpretar a teoria mais antiga, o resultado de sua aplicação seria u m a teoria t ã o restrita q u e seria capaz a p e n a s de reafirmar o já conhecido. D e v i d o a sua economia, essa r e a p r e s e n t a ç ã o seria útil, m a s n ã o suficiente p a r a o r i e n t a r a p e s q u i s a . A c e i t e m o s p o r t a n t o c o m o p r e s s u p o s t o q u e a s difer e n ç a s entre p a r a d i g m a s sucessivos s ã o a o m e s m o t e m p o necessárias e irreconciliáveis. P o d e r e m o s precisar mais explicitamente q u e espécies de diferenças s ã o essas? O t i p o m a i s e v i d e n t e j á foi r e p e t i d a m e n t e i l u s t r a d o . P a r a digmas sucessivos nos ensinam coisas diferentes acerca da p o p u l a ç ã o do universo e sobre o c o m p o r t a m e n t o dessa população. Isto é, diferem q u a n t o a questões c o m o a e x i s t ê n c i a de p a r t í c u l a s s u b a t ô m i c a s , a m a t e r i a l i d a d e da luz e a conservação do calor ou da energia. Essas s ã o diferenças substantivas entre p a r a d i g m a s sucessivos e n ã o requerem maiores exemplos./Mas os paradigmas n ã o diferem s o m e n t e p o r sua substância, pois visam n ã o apenas à natureza, m a s t a m b é m à ciência q u e os p r o duziu. Eles são fonte de métodos, áreas problemáticas e p a d r õ e s de solução aceitos p o r q u a l q u e r c o m u n i d a d e científica a m a d u r e c i d a , e m q u a l q u e r é p o c a q u e c o n s i -

derarmosy' Conseqüentemente, a recepção de um novo paradigma requer c o m freqüência u m a redefinição da ciência correspondente. Alguns problemas antigos p o d e m ser transferidos p a r a outra ciência ou declarados absolutamente "não-científicos". Outros problemas anter i o r m e n t e t i d o s c o m o triviais o u n ã o - e x i s t e n t e s p o d e m converter-se, com um novo paradigma, nos arquétipos d a s r e a l i z a ç õ e s científicas i m p o r t a n t e s . À m e d i d a q u e o s problemas mudam, m u d a m também, seguidamente, os padrões q u e distinguem u m a verdadeira solução científica d e u m a s i m p l e s e s p e c u l a ç ã o m e t a f í s i c a , d e u m j o g o de palavras ou de u m a brincadeira matemática. A trad i ç ã o científica n o r m a l q u e e m e r g e d e u m a r e v o l u ç ã o científica é n ã o s o m e n t e i n c o m p a t í v e l , m a s m u i t a s v e zes verdadeiramente incomensurável c o m aquela q u e a precedeu. O impacto da obra de Newton sobre a tradição de p r á t i c a científica n o r m a l d o s é c u l o X V I I p r o p o r c i o n a u m e x e m p l o n o t á v e l d e s s e s efeitos sutis p r o v o c a d o s p e l a alteração de paradigma. Antes do nascimento de Newton, a "ciência n o v a " do século conseguira finalmente r e j e i t a r as e x p l i c a ç õ e s a r i s t o t é l i c a s e e s c o l á s t i c a s e x p r e s sas em termos das essências d o s corpos materiais. Afirm a r que u m a p e d r a cai p o r q u e sua " n a t u r e z a " á impulsiona na direção do centro do universo convertera-se em um simples jogo de palavras tautológjco — algo q u e n ã o fora anteriormente. A partir d a í t o d o o fluxo de percepções sensoriais, incluindo cor, gosto e m e s m o peso, seria explicado em termos de t a m a n h o , f o r m a e m o v i m e n t o dos corpúsculos elementares da matéria fundamental. A atribuição de outras qualidades aos átomos elementares era um recurso ao culto e p o r t a n t o fora dos limites da ciência. M o l i è r e c a p t o u c o m precisão esse novo espírito ao ridicularizar o médico q u e explicava a eficácia d o ó p i o c o m o s o p o r í f e r o a t r i b u i n d o - l h e u m a potência dormitiva. D u r a n t e a última m e t a d e do século X V I I I muitos cientistas preferiam dizer q u e a forma a r r e d o n d a d a das partículas de ópio permitia-lhes acalm a r os nervos sobre os quais se movimentavam.
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Em um período anterior, as explicações em termos de qualidades ocultas haviam sido u m a parte integrante
_ 5 . N o tocante a o C o r p u s c u l a r i s m o e m geral, ver M A R T E B O A S , T h e E s t a b l i s h m e n t o f t h e M e c h a n i c a l P h i l o s o p h y , Osiris, X, pp. 412-541 ( 1 9 5 2 ) . S o b r e o e f e i t o d a f o r m a d a s p a r t í c u l a s s o b r e o g o s t o , v e r ibtd., p. 483.

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d o t r a b a l h o científico p r o d u t i v o . N ã o o b s t a n t e , o n o v o compromisso do século X V I I c o m a explicação mecân i c o - c o r p u s c u l a r r e v e l o u - s e i m e n s a m e n t e frutífero p a r a diversas ciências, d e s e m b a r a ç a n d o - a s de p r o b l e m a s q u e h a v i a m desafiado as soluções c o m u m e n t e aceitas e sugerindo outras para substituí-los. E m D i n â m i c a , por e x e m p l o , a s t r ê s leis d o m o v i m e n t o d e N e w t o n s ã o m e n o s u m produto de novas experiências que da tentativa de reinterpretar observações b e m conhecidas em termos de movimentos e interações de corpúsculos neutros primários. E x a m i n e m o s a p e n a s u m e x e m p l o concreto. D a d o q u e o s c o r p ú s c u l o s p o d i a m agir u n s s o b r e o s o u t r o s a p e nas por contato, a concepção mecânico-corpuscular da n a t u r e z a d i r i g i u a a t e n ç ã o científica p a r a u m o b j e t o d e estudo absolutamente novo: a alteração do movimento de partículas por m e i o de colisões. Descartes anunciou o problema e forneceu sua primeira solução putativa. Huyghens, W r e n e Wallis foram mais adiante ainda, em parte p o r m e i o de experiências c o m pêndulos que colidiam, m a s principalmente através das b e m conhecidas características do m o v i m e n t o ao novo problema. N e w t o n i n t e g r o u esses r e s u l t a d o s e m s u a s leis d o m o v i m e n t o . A s " a ç õ e s " e " r e a ç õ e s " i g u a i s d a t e r c e i r a lei s ã o a s m u danças em quantidade de movimento experimentadas pelos dois corpos q u e entram em colisão. A m e s m a m u d a n ç a de movimento fornece a definição de força dinâm i c a i m p l í c i t a n a s e g u n d a lei. N e s s e c a s o , c o m o e m muitos outros d u r a n t e o século X V I I , o p a r a d i g m a corpuscular engendrou ao mesmo tempo um novo prob l e m a e grande parte de sua solução.
6

Todavia, embora grande parte da obra de Newton fosse d i r i g i d a a p r o b l e m a s e i n c o r p o r a s s e p a d r õ e s d e r i vados da concepção de m u n d o mecânico-corpuscular, o p a r a d i g m a q u e r e s u l t o u d e s u a o b r a t e v e c o m o efeito u m a nova mudança, parcialmente destrutiva, nos p r o b l e m a s e p a d r õ e s considerados legítimos p a r a a ciência. A gravidade, interpretada como u m a atração inata entre cada par de partículas de matéria, era u m a qualidade oculta no m e s m o sentido em q u e a antiga "tendência a cair" d o s escolásticos. P o r isso, e n q u a n t o o s p a d r õ e s d e c o n c e p ç ã o corpuscular p e r m a n e c e r a m em vigor, a b u s c a d e u m a e x p l i c a ç ã o m e c â n i c a d a g r a v i d a d e foi u m d o s
6 . D U O A S , R . La mécanique 177-185, 284-298, 345-356.

au

XVII'

siècle.

(Neuchãtel,

1954).

pp.

into Speculative Electricity as . disso resultando u m a autêntica reversão. P o r volta de 1 7 4 0 . a um p a d r ã o escolástico. Pela m e t a d e d o s é c u l o X V I I I tal i n t e r p r e t a ç ã o f o r a q u a s e u n i versalmente aceita. os eletricist a s p o d i a m falar d a " v i r t u d e " a t r a t i v a d o f l u i d o e l é t r i c o . C o n tudo n e n h u m a dessas concepções acabou triunfando. A m u d a n ç a resultante nos padrões e áreas problemáticas da Física teve. o fenômeno q u e atualmente c h a m a m o s de carga por ind u ç ã o p o d e ser r e c o n h e c i d o c o m o u m d e s e u s efeitos. fisicamente irredutíveis. Caps. tal c o m o a f o r m a . B. era atribuído à a ç ã o direta de " a t m o s f e r a s " ou a v a z a m e n t o s inevitáveis em q u a l q u e r l a b o r a t ó r i o elétrico. aceitaram gradualmente a concepção segundo a qual a gravidade era realmente inata. a p o s i ç ã o e o m o v i m e n t o . A única o p ç ã o a p a r e n t e e r a rejeitar a teoria n e w t o n i a n a p o r seu fracasso em explicar a grav i d a d e e e s s a a l t e r n a t i v a foi a m p l a m e n t e a d o t a d a . incapazes.s e . O importante corpo de literatura do século X V I I I sobre 7 7.s e a o r i d í c u l o q u e s a u d a r a o d o u t o r de Molière um século antes. C O H E N . o t a m a n h o . p o r s u a v e z . p o r e x e m p l o . amplas conseqüências. c o m o d e a c o m o d a r e s s a o b r a a o s p a d r õ e s d o século X V I I . (o q u e n ã o é a m e s m a coisa q u e um r e t r o c e s s o ) . Anteriormente. A D i n â m i c a e a Eletricidade t a m p o u c o f o r a m o s ú n i c o s c a m p o s científicos a f e t a d o s p e l a legitimação da procura de forças inatas da matéria.p r o b l e m a s m a i s difíceis p a r a o s q u e a c e i t a v a m o s Principia c o m o u m p a r a d i g m a . N e w t o n d e v o t o u m u i t a a t e n ç ã o a ele e m u i t o s d e s e u s s u c e s s o r e s d o s é c u l o X V I I I fizeram o m e s m o . s e m c o m isso e x p o r . Franklin and Newton: Newtonian Experimental Science and Franklin's an Example Thereoj. T. Atrações e repulsões inatas torn a r a m . a c h a v e d a análise de Franklin sobre a G a r r a f a de L e y d e n e desse m o d o para a emergência de um paradigma newtoniano p a r a a eletricidade. 1956). (Filadélfia. An Fnquiry Work in Vl-VII. t a n t o de praticar a ciência sem os Principia. p r o p r i e d a d e s p r i m á r i a s d a m a t é r i a . Os cientistas. q u a n d o u m a ação elétrica a distância tornou-se um objeto de estudo de pleno direito. mais u m a vez. A n o v a c o n c e p ç ã o d e efeitos i n d u t i v o s foi. Em particular. Os fenômenos elétricos p a s s a r a m a exibir c a d a vez mais u m a o r d e m diversa d a q u e l a q u e h a v i a m a p r e s e n t a d o q u a n d o c o n s i d e r a d o s c o m o efeit o s d e u m eflúvio m e c â n i c o q u e p o d i a a t u a r a p e n a s p o r contato. q u a n d o se chegava a observá-lo.

ver Sobre a Eletricidade. (Nova York. C o n c e b e r u m 8 9 8. X. u m a das tarefas reconhecidas da Química consistia em explicar as qualidades das substâncias químicas e as m u d a n ç a s experimentadas por essas substâncias d u r a n t e as reações. METZGER. c o n c e i t o s e e x plicações admissíveis. Outros exemplos dessas diferenças não-substantivas entre p a r a d i g m a s sucessivos p o d e m ser obtidos na história de qualquer ciência. Identity and Reality. cit. combustíveis e assim p o r diante. Clerk Maxwell partilhava com outros proponentes da teoria ondulatória da luz a convicção de q u e as ondas luminosas deviam p r o p a g a r . Quanto à Química. Cap. a o b r a posterior de Lavoisier e mais particularmente a de D a l ton seriam incompreensíveis.. outras metalinas. 9 .s e através d e u m éter material. As mudanças nos padrões científicos q u e g o v e r n a m o s p r o b l e m a s . E. MEYERSON. VIII-1X. No p r ó x i m o capítulo. Sem os dados e conceitos químicos desenvolvidos ao longo desse processo. Obteve-se algum sucesso n e s s e s e n t i d o . J á o b s e r v a m o s q u e o flogisto e x p l i c a v a por que os metais eram tão semelhantes e poderíamos ter desenvolvido um a r g u m e n t o similar p a r a os ácidos. p o d e m transformar u m a ciência. Caps. praticamente em quase todos os períodos de seu desenvolvimento. . C o m auxílio de um pequeno n ú m e r o de "princípios" elementares — entre os q u a i s o flogisto — o q u í m i c o d e v i a e x p l i c a r p o r q u e algumas substâncias são ácidas. U m outro e x e m p l o : n o século X I X . A n t e s d a revolução química. a reforma de Lavoisier acabou eliminando os " p r i n c í p i o s " químicos. Md. C o n t u d o . 1930).a f i n i d a d e s q u í m i c a s e séries d e r e p o s i ç ã o d e r i v a i g u a l mente desse aspecto supramecânico do newtonismo.. Químicos q u e acreditavam na existência dessas atrações diferenciais entre as diversas espécies químicas p r e p a r a r a m experiências ainda n ã o imaginadas e buscaram n o vas espécies de reações. privando desse m o d o a Química de parte de seu poder real e de muito de seu poder p o tencial de explicação. op. . chegarei m e s m o a sugerir um sentido no qual p o d e m transformar o m u n d o . Parte ver I. Contentemo-nos por enquanto c o m dois outros exemplos mais breves. Tornava-se necessária u m a m u d a n ç a n o s p a d r õ e s científicos p a r a c o m p e n s a r e s s a p e r da. D u r a n t e grande parte d o século X I X u m a teoria quím i c a n ã o era posta em questão por fracassar na tentativa de explicação das qualidades dos compostos.

Os cientistas já n ã o consider a v a m acientífico f a l a r d e u m " d e s l o c a m e n t o " e l é t r i c o . tal c o m o a de N e w t o n . E . foi u m n o v o c o n j u n t o d e p r o b l e m a s e p a d r õ e s científicos. 1 1 . n o c a s o . m a i s u m a v e z . A tentativa de explicar a gravidade. n ã o estava orientada para um problema intrinsecamente ilegítimo. Essas alterações características na concepção q u e a c o m u n i d a d e científica p o s s u i a r e s p e i t o d e s e u s p r o b l e m a s e p a d r õ e s l e g í t i m o s s e r i a m m e n o s significativas p a r a as teses deste ensaio se p u d é s s e m o s supor q u e representam sempre u m a passagem de um tipo metodológico inferior a um superior. ( L o n d r e s . Entretanto. 2 8 . Para u m a tentativa brilhante e totalmente atualizada de adaptar o desenvolvimento científico a esse leito de Procusto. N a s primeiras décadas do século X X . a a t i u d e d a c o m u n i d a d e científica c o m relação a ela m u d o u . p p . 1960). 1 9 5 3 ) .l o d o q u e j á p a r e c i a . u m d o s q u a i s . s e m m a i o r c o n v i c ç ã o — o q u e c e r t a m e n t e n ã o fora — e as tentativas de conceber tal m e i o etéreo f o r a m a b a n d o n a d a s . N ã o é d e s u r p r e e n d e r q u e alguns historiadores t e n h a m argumentado que a história d a ciência registra u m crescimento constante d a maturidade e do refinamento da concepção que o h o m e m possui a respeito da natureza da ciência. N e s s e c a s o . Todavia é a i n d a m a i s difícil d e f e n d e r o d e s e n v o l v i m e n t o c u m u l a t i v o d o s p r o b l e m a s e p a d r õ e s científicos d o q u e a a c u m u l a ç ã o de teorias. W H I T T A K M . m e s m o seus efeitos p a r e c e r i a m c u m u l a t i v o s . sem especificar o q u e estava sendo deslocado. N o i n í c i o . T .3 0 . History of the Theories of Aether and Electrlclty. . a insistência de M a x w e l l em defender a existência d e u m é t e r m a t e r i a l foi c o n s i d e r a d a m a i s e m a i s u m g e s t o pro forma. a teoria de M a x w e l l m o s t r o u q u e dificilmente p o d e r i a s e r d e i x a d a de l a d o e q u a n d o a l c a n ç o u o status d e p a r a d i g m a . G . a t e o r i a d e M a x w e l l foi a m p l a m e n t e rejeitada por essas razões.p a d r ã o p a r a muitos de seus c o n t e m p o r â n e o s mais competentes. t e v e m u i t o a ver c o m a emergência da teoria da relatividade. O result a d o . M a s . I I . sua própria teoria eletromagnética da luz n ã o dava absolutamente n e n h u m a explicação sobre um meio capaz de sustentar ondas luminosas e c e r t a m e n t e t o r n o u a i n d a m a i s difícil e x p l i c á . A. ver C. as 10 11 1 0 . G I L I J S P I E . The Edge of Obfectlvlty: An Essay In the History of Scientlfic tdeas (Princeton. embora proveitosamente abandonada pela maioria dos cientistas d o século X V I I I .m e i o m e c â n i c o c a p a z d e s u s t e n t a r tais o n d a s foi u m p r o b l e m a .

Antes disso. N e s s e papel. esse m a p a é t ã o essencial p a r a o d e senvolvimento c o n t í n u o da ciência c o m o a o b s e r v a ç ã o e a experiência. É provável que algum dia cheguem o s a s a b e r o q u e é um d e s l o c a m e n t o e l é t r i c o . Atualmente os químicos tentam. neste aspecto específico. A l é m d i s s o . . U m a v e z q u e a n a t u r e z a é m u i t o c o m p l e x a e v a r i a d a p a r a ser e x p l o r a d a ao acaso. Ôs exemplos precedentes. N ã o existem p a d r õ e s exteriores q u e p e r m i t a m u m j u l g a m e n t o científico d e s s a e s p é c i e . O e s p a ç o . E s s a i n f o r m a ç ã o fornece u m m a p a cujos detalhes s ã o elucid a d o s p e l a p e s q u i s a científica a m a d u r e c i d a . o estado de agregação e outras qualidades das substâncias utilizadas e p r o d u z i d a s n o s seus laboratórios. o desenvolvimento da Mecânica Quântica inverteu a proibição metodológica que teve sua origem na revolução química.objeções às forças inatas n ã o e r a m n e m inerentemente acientíficas. algumas de suas novas propriedades n ã o são m u i t o diferentes das outrora atribuídas ao éter. tal m u d a n ç a foi d e s d e e n tão invertida e p o d e r i a sê-lo n o v a m e n t e . os p a r a d i g m a s d e m o n s t r a m ser constitutivos da atividade científica. n a física c o n t e m p o r â n e a . P o r meio das teorias que encarnam. No século X X . C o n t u d o . ampliam nossa compreensão dos modos p e l o s q u a i s o s p a r a d i g m a s d ã o f o r m a à v i d a científica. n ã o é o substrato inerte e h o m o g ê n e o e m p r e g a d o t a n t o na teoria de N e w t o n c o m o na de Maxwell. m a s simplesmente u m a m u d a n ç a exigida pela adoção de um n o v o p a r a d i g m a . havíamos examinado especialmente o papel d o p a r a d i g m a c o m o v e í c u l o p a r a a t e o r i a científica. U m a inversão similar p o d e estar ocorrendo na teoria eletrom a g n é t i c a . s ã o t a m b é m c o n s t i t u t i v o s d a c i ê n c i a em outros aspectos que nos interessam nesse m o m e n t o . n e m u m a e l e v a ç ã o d e p a d r õ e s . c o m g r a n d e sucesso. E i n s t e i n foi b e m s u c e d i d o n a e x p l i c a ç ã o d a s a t r a ç õ e s g r a v i t a c i o n a i s e e s s a e x p l i c a ç ã o fez c o m q u e a c i ê n c i a voltasse a um conjunto de cânones e problemas que. O q u e o c o r r e u n ã o foi n e m u m a q u e d a . bem como as maneiras s e g u n d o as quais essas entidades se c o m p o r t a m . P o r sua vez. são mais p a r e c i d o s c o m os dos predecessores de N e w t o n do que c o m os de seus sucessores. explicar a cor. n e m m e t a f í s i c a s e m a l g u m s e n t i d o p e j o r a tivo. ele informa ao cientista q u e entidades a natureza contém ou não contém. ao d e s l o c a r e m a ênfase das funções cognitivas p a r a as funções normativas d o s paradigmas.

c a d a p a r a d i g m a revelar-se-á c a p a z d e satisfazer m a i s o u m e n o s ps critérios q u e dita p a r a si m e s m o e incapaz de satisfazer alguns d a q u e l e s ditados p o r seu o p o n e n t e . A t a l p o n t o — e i s t o é significativo. N o s argumentos parcialmente circulares que habitualmente resultam desses debates. c o m o das soluções propostas. A t é aqui argumentei tão-somente no sentido de q u e os p a r a d i g m a s s ã o parte constitutiva da ciência.Mais particularmente. os debates entre p a r a d i g m a s sempre envolvem a seguinte q u e s t ã o : q u a i s s ã o o s p r o b l e m a s q u e é m a i s significativo ter resolvido? T a l c o m o a questão d o s p a d r õ e s em competição. Entretanto. E s s a o b s e r v a ç ã o n o s faz r e t o r n a r a o p o n t o d e p a r tida deste capítulo. essa q u e s t ã o de valores s o m e n t e p o d e ser respondida em termos de critérios t o t a l m e n t e exteriores à ciência e é esse r e c u r s o a critérios externos q u e — mais obviamente que qualquer outra coisa — t o r n a revolucionários os debates entre paradigmas. o cientista a d quire ao m e s m o t e m p o u m a teoria. m a s t a m b é m algumas d a s indicações essenciais p a r a a elaboração d e m a p a s . Existem ainda outras razões para o caráter incompleto do contato lógico q u e sistematicamente carateriza o d e bate entre paradigmas. A o a p r e n d e r u m p a r a d i g m a . tanto os problemas. P o r exemplo. nossos exemplos mais recentes fornecem aos cientistas n ã o apenas u m m a p a . pois fornece nossa primeira indicaç ã o explícita da r a z ã o pela qual a escolha entre p a r a digmas competidores coloca comumente questões que v n ã o p o d e m ser resolvidas pelos critérios da ciência n o r í m a l . métodos e padrões científicos. visto q u e n e n h u m paradigma consegue resolver todos os problemas que define e p o s t o q u e n ã o existem dois p a r a d i g m a s q u e deixem sem solução exatamente os mesmos problemas. está em jogo algo mais fundamental q u e padrões e valores. P o r isso. elas inevitavelmente t r a v a r ã o um diálogo de surdos ao debaterem os méritos relativos dos respectivos paradigmas. ' . ocorr e m a l t e r a ç õ e s significativas n o s c r i t é r i o s q u e d e t e r m i n a m a legitimidade. D e s e j o a g o r a a p r e s e n t a r u m a d i m e n s ã o n a q u a l eles s ã o t a m b é m constitutivos da natureza. e m b o r a seja apenas p a r t e da questão — que q u a n d o duas escolas científicas d i s c o r d a m s o b r e o q u e é um p r o b l e m a e o q u e é u m a solução. q u e u s u a l m e n t e c o m p õ e m u m a m i s t u r a i n e x tricável. q u a n d o o s p a r a d i g m a s m u d a m .

olham para os mesmos pontos já examinados anter i o r m e n t e . c i e n tistas a d o t a m n o v o s i n s t r u m e n t o s e o r i e n t a m s e u o l h a r em n o v a s d i r e ç õ e s .9. G u i a d o s p o r u m n o v o p a r a d i g m a . E o q u e é a i n d a m a i s i m p o r t a n t e : d u r a n t e as revoluções. e m p r e g a n d o instrumentos familiares. os. Ê c o m o se a c o m u n i d a d e p r o f i s s i o n a l tivesse sido subitamente transportada para um novo planeta. os cientistas v ê e m coisas n o v a s e diferentes q u a n d o . q u a n d o m u d a m o s p a r a d i g m a s . . AS REVOLUÇÕES COMO MUDANÇAS DE CONCEPÇÃO DE MUNDO O historiador da ciência q u e e x a m i n a r as pesquisas do p a s s a d o a partir da perspectiva da historiografia cont e m p o r â n e a p o d e sentir-se tentado a p r o c l a m a r que. m u d a c o m eles o p r ó p r i o m u n d o .

fora do laboratório os afazeres cotidianos em geral continuam c o m o antes. e m b o r a usualm e n t e sejam mais graduais e q u a s e s e m p r e irreversíveis. p o d e remos ser tentados a dizer que. a q u i e ali. Esta é u m a o u t r a r a z ã o pela q u a l escolas g u i a d a s p o r p a r a digmas diferentes estão sempre em ligeiro desacordo. C o n s e q ü e n t e mente. o cartográfico vê a r e p r e s e n t a ç ã o de um terr e n o . Aquilo que antes da revolução aparece c o m o u m p a t o n o m u n d o d o cientista transforma-se p o s teriormente n u m coelho. o estudante vê linhas sobre o p a p e l . o físico um registro de eventos subnucleares q u e lhe são familiares. os cientistas r e a g e m a um m u n d o diferente. a c o m p a n h a m c o m u m e n t e o t r e i n a m e n t o científico. seja p e l a n a t u r e z a d o m e i o a m b i e n t e . Ao olhar u m a fotografia da c â m a r a de Wilson. ele é d e t e r m i n a d o c o n j u n t a m e n t e pelo m e i o a m b i e n t e e pela tradição específica de ciência n o r m a l n a q u a l o e s t u d a n t e foi t r e i n a d o . S o m e n t e após várias dessas transformações de visão é que o estudante se torna um habitante do m u n d o do cientista.o n d e objetos familiares s ã o vistos s o b u m a luz diferente e a eles se a p r e g a m o b j e t o s d e s c o n h e c i d o s . após u m a revolução. C e r t a m e n t e n ã o ocorre nada semelhante: não há transplante geográfico. i n comensurável com o que habitava anteriormente. C o n t u d o .l o . Depois de fazê. o m u n d o d e s u a s p e s q u i s a s p a r e c e r á . As b e m conhecidas demonstrações relativas a u m a a l t e r a ç ã o n a f o r m a (GestaW) v i s u a l d e m o n s t r a m ser m u i t o sugestivas. c o m o protótipos elementares p a r a essas transformações. q u a n d o a tradição científica n o r m a l m u d a . N ã o obstante. o e s t u d a n t e vê l i n h a s i n t e r r o m p i d a s e c o n f u s a s .s e a t r a v é s d o q u e v ê e m e f a z e m . v e n d o o q u e o cientista vê e r e s p o n d e n d o c o m o o cientista r e s p o n d e . a p e r c e p ç ã o q u e o c i e n t i s t a t e m d e s e u m e i o a m b i e n t e d e v e ser r e e d u c a d a — d e v e a p r e n d e r a v e r u m a n o v a f o r m a {Cestalt) e m a l g u m a s s i t u a ções c o m as quais já está familiarizado. seja p e l a c i ê n c i a . Transformações dessa natureza. em períodos de revolução. as mudanças de p a r a d i g m a realmente l e v a m os cientistas a ver o m u n d o definido por seus compromissos d e pesquisa d e u m a m a neira diferente. E m v e z d i s s o . este m u n d o no qual o e s t u d a n t e p e n e t r a n ã o está fixado de u m a vez p o r t o d a s . A o olhar u m a carta topográfica. . Aquele que antes via o exterior da caixa desde cima passa a ver seu interior desde baixo. Na medida em que seu único acesso a esse m u n d o d á .

Expectations and the Perception of Colour. STRAT- IV. a cor. depois que a experiência em curso forneceu as categorias adicionais indispensáveis. No c o m e ç o . 2 . ALBERT apresentação Introduction The mais atualizada é to Space Perception of Suggestion on the Relationship between Stimulus H . foram capazes de perceber todas as cartas anômalas na primeira inspeção suficientemente prolongada para permitir alguma identificação. através d e u m a exposição prolongada. percebidos de objetos apresentados experimentalmente t a m b é m varia c o m a experiência e o treino prévios do p a r t i c i p a n t e ^ Ao e x a m i n a r a rica litera1 TON. Uma A. A assimilação de um c a m p o visual anteriormente a n ô m a l o reagiu sobre o próprio c a m po e modificou-o. na sua forma mais usual. Para exemplos. A t é a p r e n d e r e m . e JEROME S. S e o sujeito d e u m a e x p e r i ê n c i a c o l o c a ó c u l o s d e proteção munidos de lentes que invertem as imagens. 1935). em geral após um período intermediário durante o q u a l a v i s ã o se e n c o n t r a s i m p l e s m e n t e c o n f u n d i d a . todo o seu c a m p o visual se altera. 341-360. M .Certamente. as experiências c o m a f o r m a v i s u a l i l u s t r a m t ã o . 5. O i s t a n c e . L X I V . e t c . HASTORF. X X I X . s e u a p a r a t o p e r c e p t i v o f u n c i o n a tal c o m o f o r a treinado p a r a funcionar na ausenta de óculos e o result a d o é u m a d e s o r i e n t a ç ã o e x t r e m a . 463-481 fornecida por HARVEY (Nova York. u m a i n t e n s a crise p e s s o a l . 195-217 (1950). 1 . American Journal of Psychology. a m a i o r p a r t e da qual provém do trabalho pioneiro do Instituto H a n o v e r . ver (1897). BRUNER.s o m e n t e a n a t u r e z a das transformações perceptivas. pp. As Vision experiências without Inversíon originais foram of the realizadas Retinal Image. S o b r e este p o n t o existe u m a rica literatura psicológica. o h o m e m a c o s t u m a d o às lentes invertidas experimentou u m a transformação revolucionária da visão. pp. T a n t o literal c o m o metaforicamente. discutida no C a p . Journal . L E O P O S T M A N e J O H N R O D R I C U E S . A partir daí. experimentaram u m a transformaç ã o b a s t a n t e similar. CARR. Todavia. que o universo continha cartas anômalas. M a s l o g o q u e o sujeito c o m e ç a a a p r e n d e r a lidar c o m seu n o v o m u n d o . os objetos são n o v a m e n t e vistos c o m o antes da utilização das lentes. 216-227 (1951). vê inicialmente o m u n d o todo de cabeça p a r a baixo. An 18-57. fÔutras experiências d e m o n s t r a m q u e o taman h o . viam tão-somente os tipos de cartas p a r a as quais suas experiências anteriores os haviam equipado. N a d a nos dizem sobre o papel dos paradigmas ou da experiência previamente assimilada a o processo d e percepção. O s sujeitos d a e x p e r i ê n c i a c o m c a r t a s a n ô m a l a s . pp. por GEORGE Psychological Revlew. pp. Size and Perceived Influence of Psychology.

n ã o p o d e m . Cap. P o d e até m e s m o acabar a p r e n d e n d o a ver essas linhas s e m ver qualquer u m a dessas figuras. somente pode haver o q u e William J a m e s c h a m o u de "confusão atordoante e intensa'^} v Nos últimos anos muitos dos interessados na história da ciência consideraram muito sugestivos os tipos de experiências acima descritos. utilizou demonstrações relacionadas c o m a forma visual p a r a elaborar algumas d a s m e s m a s conseqüências d a c r e n ç a científica c o m a s q u a i s m e p r e o c u p o a q u i . P a r a q u e u m e x e m p l o histórico possa fazer c o m q u e essas experiências psicológicas p a r e ç a m relevantes. R. N. I. ir além disso. Elas realmente apresentam características de perc e p ç ã o q u e poderiam ser c e n t r a i s p a r a o d e s e n v o l v i m e n to científico. 3 O sujeito d e u m a d e m o n s t r a ç ã o d a P s i c o l o g i a d a F o r m a sabe q u e sua percepção se modificou. é preciso primeiro que atentemos para os tipos de provas que p o d e m o s ou n ã o p o d e m o s esperar q u e a história nos forneça. a própria natureza dessas experiências torna impossível qualquer d e m o n s t r a ç ã o direta desse p o n t o . m a s às linhas contidas no papel q u e está o l h a n d o . no caso em questão. e n q u a n t o segura nas m ã o s o m e s m o livro ou p e d a ç o de papel. [Õ que um h o m e m vê depende tanto daquilo que ele o l h a c o m o d a q u i l o q u e s u a e x p e r i ê n c i a v i s u a l . A l é m disso. H a n s o n . s o m o s levados a suspeitar de q u e a l g u m a coisa semelhante a um paradigma é um pré-requisito para a própria percepção. especialmente. e m b o r a experiências psicológicas sejam sugestivas. N. m a s n ã o d e m o n s t r a m q u e a o b s e r v a ç ã o cuidadosa e controlada realizada pelo pesquisador científico p a r t i l h e d e a l g u m m o d o d e s s a s c a r a c t e r í s t i c a s . T o d a v i a . Na ausência de tal treino. Outros colegas indicaram repetidamente q u e a história da ciência teria um sentido mais claro e coerente se p u déssemos supor q u e os cientistas e x p e r i m e n t a m ocasionalmente alterações de percepção do tipo das acima descritas. R. HANSON. visto q u e ele p o d e alterá-la repetidamente. (Cambridge.t u r a d a q u a l esses e x e m p l o s f o r a m extraídos. Consciente de q u e n a d a m u d o u e m s e u m e i o a m b i e n t e . .c o n ceitual prévia o ensinou a ver. P o d e r á e n t ã o dizer ( a l g o q u e n ã o p o d e r i a t e r feito l e g i t i m a m e n t e a n t e s ) 3. 1958). Patterns of Discovery. ele d i r i g e s e m p r e mais a s u a a t e n ç ã o n ã o à figura ( p a t o ou c o e l h o ) .

tal c o m o em todas as experiências psicológicas similar e s . a eficácia d a d e m o n s t r a ç ã o d e p e n d e d a p o s s i b i l i d a de de p o d e r m o s analisá-la desse m o d o . o experimentador. tal autoridade tornar-se-ia a fonte de seus d a d o s e nesse caso o c o m p o r t a m e n t o de sua visão tornarse-ia u m a f o n t e d e p r o b l e m a s ( t a l c o m o o sujeito d a experiência p a r a o p s i c ó l o g o ) . m a s q u e as v ê a l t e r n a d a m e n t e como p a t o o u como c o e l h o . c o m a o b s e r v a ç ã o científica. A m e s m a espécie de p r o b l e m a s surgiria caso o cientista pudesse alterar seu c o m p o r t a m e n t o d o m e s m o m o d o q u e o sujeito d a s e x p e r i ê n cias c o m a forma visual. T a l locução implicaria afirmar que em um sentido determinado o sistema de Ptolomeu fora. O período d u r a n t e o qual a luz era considerada " a l g u m a s vezes c o m o u m a onda e o u t r a s c o m o u m a p a r t í c u l a " foi u m p e r í o d o d e c r i s e — um p e r í o d o d u r a n t e o q u a l algo n ã o vai b e m — e s o mente terminou com o desenvolvimento da Mecânica O n d u l a t ó r i a e c o m a c o m p r e e n s ã o de q u e a luz era entid a d e a u t ô n o m a . s e a s a l t e r a ç õ e s p e r c e p t i vas a c o m p a n h a m as mudanças de paradigma. a s i t u a ç ã o i n v e r t e . assegura-lhe que. p o r q u e u m a autorid a d e externa. Esse tipo de afirmação . Em ambos os casos.s e .q u e o q u e r e a l m e n t e vê s ã o essas linhas. n ã o poderemos extrair n e n h u m a conclusão c o m relação a possibilidades perceptivas alternadas. A menos q u e exista u m p a d r ã o exterior c o m relação a o q u a l u m a alter a ç ã o da visão possa ser demonstrada. O c i e n t i s t a n ã o p o d e a p e l a r p a r a algo q u e e s t e j a a q u é m o u a l é m d o q u e ele v ê c o m s e u s o l h o s e instrumentos. correto. m a s a g o r a vejo um satélite". n ã o o b s t a n t e o q u e t e n h a visto. e m certo m o m e n t o . n a s c i ê n c i a s . mas estava enganado". r e c o r r e n d o à qual se pudesse mostrar q u e sua visão se alterara. Se houvesse alguma autoridade superior. D o m e s mo m o d o . diferente tanto das ondas c o m o das part í c u l a s . o sujeito da experiência d a s cartas a n ô m a l a s s a b e ( o u . o convertido ao copernicismo n ã o diz " c o s t u m a v a ver um planeta. p o d e ser p e r s u a d i d o ) q u e sua percepção deve ter-se alterado. Ao olhar a L u a . P o r isso. m a i s p r e c i s a m e n t e . C o n t u d o . e s t a v a olhando d u r a n t e t o d o o t e m p o para um cinco de copas. u m convertido à n o v a astronomia diz: "antes eu acreditava q u e a L u a fosse u m p l a n e t a ( o u via a L u a c o m o u m p l a n e t a ) . não po d e m o s esperar q u e os cientistas confirmem essas m u danças diretamente. E m lugar disso.

cuja aparição fora o b s e r v a d a d e q u a n d o em q u a n d o d u r a n t e quase um século. um dos melhores observadores desse g r u p o viu a estrela por q u a t r o noites sucessivas. Em 1769. Herschel observou pela primeira vez o m e s m o objeto. p o r q u e . d e v e m ter sido o c u p a d a s p o r U r a n o nessa época. no m í n i m o . diversos a s t r ô n o m o s . ! D e v e m o s a n t e s b u s c a r p r o vas indiretas e c o m p o r t a m e n t a i s de que um cientista c o m um n o v o p a r a d i g m a vê de maneira diferente do que via anteriormente. A Concise History oi Astronomy. Retornemos então aos dados e perguntemos que tipos de transformações no m u n d o do cientista p o d e m ser d e s c o b e r t o s pelo historiador q u e acredita e m tais m u d a n ç a s . tal c o m o u m a c a r t a a n ô m a l a . foi c a p a z de notar um t a m a n h o aparente de disco q u e era. d e s u a p r ó p r i a f a b r i c a ç ã o . Esse exame revelou o movim e n t o de U r a n o entre as estrelas e por essa razão H e r s chel anunciou que vira um novo cometa! Somente vários m e s e s depois. D o i o . . O d e s c o b r i m e n t o d e U r a n o p o r Sir W i l l i a m Herschel fornece um primeiro exemplo que se aproxima muito d a experiência das cartas anômalas. s e m c o n t u d o p e r c e b e r o m o v i m e n t o q u e p o d e ria ter sugerido u m a outra identificação. entre 1 6 9 0 e 1 7 8 1 . (Londres. o m u n d o dos a s t r ô n o m o s profissionais passou a contar c o m um p l a n e t a a m a i s e várias estrelas a m e nos.s e n o p e r í o d o p o s t e r i o r à s r e v o l u ç õ e s científicas. t i n h a m visto u m a estrela e m p o sições q u e . se em geral disfarça u m a alteração da visão científica o u a l g u m a o u t r a t r a n s f o r m a ç ã o m e n t a l q u e t e n h a o m e s m o efeito. pois. n ã o m a i s s e a d a p t a v a à s 4 PP- 4. Q u a n d o . i n c o m u m p a r a estrelas. 1950). e m p r e g o u um telescópio aperfeiçoado.. após várias tentativas infrutíferas p a r a ajustar o m o v i m e n t o observado a u m a órbita de c o m e ta. doze anos mais tarde.r e p e t e . E m pelo m e nos dezessete ocasiões diferentes. passou a ser v i s t o d e f o r m a d i f e r e n t e d e p o i s d e 1 7 8 1 . Pcter. h o j e s u p o m o s . n ã o p o d e m o s e s p e r a r u m t e s t e m u n h o d i r e t o s o b r e essa a l t e r a ç ã o . é q u e Lexell sugeriu q u e p r o v a v e l m e n t e se tratava d e u m a ó r b i t a p l a n e t á r i a . Q u a n d o e s s a s u g e s t ã o foi aceita. 115-116. A l g o estava e r r a d o e e m v i s t a d i s s o ele p o s t e r g o u a i d e n t i f i c a ç ã o a t é r e a l i z a r um exame mais elaborado. P o r c a u s a d i s s o . U m c o r p o celeste. inclusive vários d o s m a i s eminentes observadores europeus.

cujas crenças cosmológicas n ã o excluíam m u d a n ç a s celestes. Science and Civittzalhm in China. Geschichíe der Astronomie (Munique. J o s e p h .categorias perceptivas (estrela ou c o m e t a ) fornecidas pelo p a r a d i g m a anteriormente em vigor. Note-se especialmente c o m o os relatos de W o l f dificultam a explicação dessas descobertas c o m o sendo u m a conseqüência da Lei de Bode. os astrônomos que estavam preparados para encontrar planetas adicionais f o r a m capazes de identificar vinte deles d u r a n t e os primeiros cinqüenta anos do século XLX. Igualmente. As m a n c h a s solares e u m a n o v a estrela n ã o f o r a m os únicos exemplos de m u d a n ç a a surgir nos céus da astronomia ocidental imediatamente após Copérnico. 5. pp. algumas das quais ainda menos equívocas que a anterior. ^Contudo. os chineses registraram de m a neira sistemática o aparecimento de m a n c h a s solares séculos antes de t e r e m sido vistas p o r Galileu e seus c o n t e m p o r â n e o s . E m b o r a as evidências sejam equívocas. u m a p ó s o outro. A história da Astronomia fornece muitos outros exemplos de m u d a n ç a s n a p e r c e p ç ã o científica q u e f o r a m i n d u z i d a s p o r p a radigmas. alguns t ã o s i m p l e s c o m o u m p e d a ç o d e fio d e l i n h a . 1959). 423-429. h a v i a m registrado o aparecimento de m u i t a s novas estrelas nos céus n u m a é p o ca muito anterior. pp. m e s m o sem contar com a ajuda do telescópio. P o r exemplo. III. N E E D H A M . não apresentavam o aumento anômalo que alertara Herschel. N ã o obstante. RUEOLPH WOLF. . a alteração de visão que permitiu aos astrônomos ver o planeta U r a n o n ã o parece ter afetado somente a percepção daquele objeto já observado anteriormente. que os cometas se movimentavam livremente através do espaço anteriormente reservado às estrelas e 5 6 513-515. Utilizando instrumentos tradicionais. o s a s t r ô n o m o s d o fim d o século X V I d e s c o b r i r a m . será possível conceber c o m o acidental o fato de q u e os astrônomos somente tenham c o m e ç a d o a ver m u d a n ç a s nos céus — q u e anteriorm e n t e e r a m imutáveis — d u r a n t e o m e i o século q u e se seguiu à apresentação do n o v o paradigma de Copérnico? Os chineses. 434-436. 6 . (CambTidse. 683-693. a pequena m u d a n ç a de paradigma forçada por Herschel provavelmente ajudou a preparar astrônomos para a descoberta rápida de numerosos planetas e asteróides após 1 8 0 l j D e v i d o a seu t a m a n h o pequeno. . 1877). Suas conseqüências tiveram um alcance b e m mais amplo. e m p r e g a n d o instrumentos-padrão.

m a s iniciarei i l u s t r a n d o s u a a p l i c a ç ã o n a p r á t i c a .planetas imutáveis. Voltemos a examinar por um instante ou dois n o s sos e x e m p l o s a n t e r i o r e s d a h i s t ó r i a d a e l e t r i c i d a d e . KUHN. <Cambridge. C o l o c a d o diante d o m e s m o a p a r e l h o . . os a s t r ô n o m o s p a s s a r a m a viver em um m u n d o diferente. u m observad o r m o d e r n o veria u m a repulsão eletrostática ( e n ã o u m a repulsão mecânica ou gravitacional). o s e l e t r i c i s t a s viam seguidamente partículas de palha serem repelidas ou caíram d o s corpos elétricos q u e as h a v i a m atraído. Os exemplos anteriores foram selecionados na A s t r o n o m i a . Se nos contentarmos c o m o emprego cotidiano do verbo "ver". poderemos rapidamente reconhecer que já encontramos muitos outros exemplos das alterações na perc e p ç ã o científica q u e a c o m p a n h a m a m u d a n ç a d e p a radigma. D u rante o século X V I I . S. pp. 206-209.. a r e p u l s ã o n ã o foi vista c o m o t a l a t é q u e o aparelho em larga escala de H a u k s b e e ampliasse grand e m e n t e s e u s efeitos. p o r q u e os relatórios referentes a observações celestes são freqüentemente a p r e s e n t a d o s e m u m vocabulário composto por termos de observação relativ a m e n t e p u r o s . The Copemican Revolution. T. com u m a única exceção universalment e igno-iada. P e l o m e n o s foi isso q u e o s o b s e r v a d o r e s d o s é c u l o X V I I a f i r m a r a m ter visto e n ã o temos razões p a r a duvidar mais de seus relatórios de percepção do que dos nossos. N ã o p r e c i s a m o s c o n t u d o insistir e m u m p a r a l e l i s m o i n t e g r a l e t e remos muito a ganhar caso relaxemos nossos padrões. A própria facilidade e rapidez c o m q u e o s a s t r ô n o m o s v i a m novas coisas a o o l h a r p a r a objet o s a n t i g o s c o m v e l h o s i n s t r u m e n t o s p o d e fazer c o m q u e nos sintamos tentados a afirmar que. Historicamente entretanto. 1957). após Copérnico. q u a n d o sua pesquisa era orientad a p o r u m a o u o u t r a t e o r i a d o s eflúvios. a r e p u l s ã o d e v i d a à e l e trificação por contato e r a tão-somente u m d o s muitos 7 7. O emprego mais amplo dos termos "percepç ã o " e " v i s ã o " requererá em breve u m a defesa explíc i t a . De qualquer m o d o . C o n t u d o . suas pesquisas desenvolveram-se c o m o s e isso tivesse o c o r r i d o . S o m e n t e e m tais relatórios p o d e m o s ter a esperança de encontrar algo semelhante a um paralelismo c o m p l e t o entre as observações d o s cientistas e as d o s sujeitos e x p e r i m e n t a i s d o s p s i c ó l o g o s . Mass.

e n q u a n t o outros mais foram observados p e la primeira vez. para o qual n e m a forma. L a v o i s i e r p a s s o u a v e r a n a t u r e z a de m a n e i r a diferente. As duas placas de metal c o m u m n ã o . O instrumento tornara-se um condensador. a repulsão tornou-se repentinamente a m a n i f e s t a ç ã o f u n d a m e n t a l d a e l e t r i f i c a ç ã o e foi e n t ã o q u e a a t r a ç ã o precisou ser explicada. o princípio de e c o n o m i a nos instará a dizer q u e . Mass. D u a n e & Concept of Electric Charge. Na pior das hipóteses. n e m o vidro da garrafa e r a m indispensáveis. teve q u e ver u m mineral c o m p o s t o o n d e Priestley e seus c o n t e m p o r â n e o s h a v i a m visto u m a terra elementar. 6 e a literatura sugerida p e l o t e x t o capítulo. Lavoisier viu oxigênio o n d e Priestley vira ar desflogistizado e outros não viram absolutamente nada. Contudo. Lavoisier passou a trabalhar e m u m m u n d o diferente..c o n d u t o r entre elas h a v i a m gradativamente se t o r n a d o o p r o t ó t i p o p a r a t o d a essa classe de a p a relhos. 21-29. as duas capas condutoras — u m a d a s quais n ã o fizera p a r t e d o i n s t r u m e n t o original — tornaram-se proeminentes. Os fenômenos e l é t r i c o s visíveis n o i n í c i o d o s é c u l o X V I I I e r a m m a i s sutis e m a i s v a r i a d o s q u e o s v i s t o s p e l o s o b s e r v a d o r e s do século X V I I . Lavoisier teve t a m b é m q u e modificar sua concepção a respeito de muitas outras substâncias familiares. Simult a n e a m e n t e . ao aprender a ver o oxigênio. O u t r o exemplo: após a assimilação do p a r a d i g m a d e F r a n k l i n . Alterações dessa espécie n ã o estão restritas à A s t r o n o m i a e à Eletricidade. R O L L E K . após ter descoberto o oxigênio. pp. V e j a . P o r m e i o de suas pesquisas (e n ã o através de u m a alteração da forma visual).s e a d i s c u s s ã o indicado na nota 9 daquele R O L L E R . D . c o m o atestam progressivamente tanto as discussões escritas c o m o as representações pictóricas. 8 9 8. Já indicamos algumas das transformações de visão similares que p o d e m ser extraídas da história da Química. Em lugar disso. houve ainda outras m u danças. .n o v o s efeitos d e r e p u l s ã o q u e H a u k s b e e vira. o eletricista q u e o l h a v a u m a G a r rafa de L e y d e n via algo diferente do q u e vira anteriormente. Além dessas. The Development of the (Cambridlge. devido à descoberta do o x i g ê n i o . P o r exemplo. D u a n e H . C o m o dissemos. Na impossibilidade de recorrermos a essa nat u r e z a fixa e h i p o t é t i c a q u e e l e " v i u d e m a n e i r a d i f e r e n t e " . 1954). no C a p . 9. o u t r o s efeitos i n d u t i v o s r e c e b e r a m n o v a s descrições.

Do p o n t o de vista descritivo. GALILEI. 1 6 2 . sem dúvida alguma.. T e n d o v i s t o este t a n t o .9 4 . p p . Galileo. 2 4 4 . b e m c o m o a favor da relação entre o p e s o v e r t i c a l e a v e l o c i d a d e final d o s m o v i m e n t o s d e s cendentes nos planos inclinados. Ibid. 1 1 . um corpo que por pouco n ã o conseguia repetir i n d e f i n i d a m e n t e o m e s m o m o v i m e n t o . concernlng trad. derivou das propriedades do p ê n d u l o seus únicos argumentos sólidos e completos a favor da independência do peso c o m relação à velocid a d e da q u e d a . a percepção aristotélica é t ã o a c u r a d a c o m o a de Galileu..1 6 6 . 10. Galileu o b s e r v o u a o m e s m o t e m p o o u t r a s propriedades do pêndulo e construiu muitas das partes m a i s significativas e o r i g i n a i s d e s u a n o v a d i n â m i c a a partir delas.8 1 . 9 1 . ao olhar o corpo oscilante viu um pêndulo. P o r exemplo. m a s a n t e s d i s s o n e c e s sitamos de mais um exemplo de seu u s o — neste caso derivado de u m a das partes mais conhecidas da obra de Galileu. 1 9 4 6 ) . Desde a Antigüidade r e m o t a muitas pessoas h a v i a m visto u m o u o u t r o objeto p e s a d o oscilando d e u m l a d o p a r a outro e m u m a corda o u corrente até c h e gar ao e s t a d o de r e p o u s o . P o r que ocorreu essa alteração de visão? P o r causa do gênio individual de Galileu. Galileu. p o r outro lado. II. Galileu viu todos esses f e n ô m e n o s n a t u r a i s d e u m a m a n e i r a d i f e r e n t e d a q u e l a p e l a q u a l t i n h a m s i d o vistos a n t e r i o r m e n t e . de Salvio. . (EvansCrew e A. Em vez disso. Dialogues 111. sua concepção do pêndulo levou-o a ver muito mais regularidade do q u e podemos atualmente descobrir no m e s m o f e n ô m e n o . P a r a os aristotélicos — q u e acreditavam que um corpo pesado é movido pela sua própria natureza de u m a posição mais elevada para u m a mais baixa. M a s note-se que neste caso o gênio n ã o se manifesta através de u m a observação mais a c u r a d a ou objetiva do c o r p o oscilante. somente poderia alcançar o repouso no p o n t o mais baixo de sua oscilação após um movimento tortuoso e um t e m p o considerável. Two New Sciences. onde alcança um estado de repouso natural — o corpo oscilante estava simplesmente caindo c o m dificuldade.D e n t r o em breve perguntarei sobre a possibilidade d e e v i t a r essa e s t r a n h a l o c u ç ã o . 8 0 . Q u a n d o este último informou q u e o período do p ê n d u l o era independente da amplitude da oscilação ( n o caso das amplitudes superiores a 9 0 ° ) . p p . o que parece estar envolvido aqui é a exploração por 10 1 1 lon. Preso pela corrente.

. implantado no corpo pelo propulsor q u e iniciou seu m o v i m e n t o . A o c o n t r á r i o . d e p o i s d i s s o o impetus d e s l o c a a c o r d a na direção oposta. Pelo menos no caso de Oresme (e quase certamente no de Galileu). O movimento continua n u m processo simétrico. ao q u e se sabe. a s e g u i r o impetus é c o n s u m i d o ao d e s l o c a r a c o r d a c o n t r a a r e s i s t ê n c i a de s u a t e n s ã o . implant a n d o u m impetus c r e s c e n t e a t é o p o n t o i n t e r m e d i á r i o do m o v i m e n t o . J o ã o d e B u ridan e N i c o l a u O r e s m e . A t é a invenção desse p a r a d i g m a escolástico n ã o havia p ê n dulos p a r a serem vistos pelos cientistas. Sua concepção é certamente muito próxima d a q u e l a utilizada por Galileu na sua abordagem do pêndulo. 1 2 Contudo. Mais tarde. (Madison. M. ou Lavoisier de Priestley? Esses h o m e n s r e a l m e n t e viram c o i s a s d i f e r e n t e s ao olhar para o m e s 12. 570. 1959). foram. CLAOETT. no m e s m o século. novamente contra a tensão da corda. análise q u e atualmente parece ter sido a primeira discussão do p ê n d u l o . precisamos realmente descrever c o m o u m a transformação da visão aquilo q u e separa Galileu de Aristóteles. que p o de prolongar-se indefinidamente. escolásticos do século XTV. m a s tão-som e n t e pedras oscilantes. a t e n são traz então a c o r d a p a r a a posição original. in the Mtddle Ages. The Science of Mechanics pp. foi treinado p a r a analisar o movimento em termos da teoria d o impetus. Galileu não recebeu u m a f o r m a ç ã o t o t a l m e n t e a r i s t o t é l i c a . W i s c . Os pêndulos nasceram graças a algo m u i t o similar a u m a alteração da forma visual induzida por paradigma. O r e s m e e s b o ç o u u m a análise similar d a p e d r a oscilante. 537-538. B u r i d a n descreve o m o v i m e n t o de u m a corda que vibra como um movimento no qual o impetus é i m p l a n t a d o p e l a p r i m e i r a v e z q u a n d o a c o r da é g o l p e a d a . os primeiros a ver n o s movimentos oscilatórios algo do que Galileu veria m a i s tarde nesses fenômenos. tratava-se de u m a concepção q u e se t o r n o u possível graças à transiç ã o d o p a r a d i g m a aristotélico original relativo a o m o v i m e n t o p a r a o p a r a d i g m a e s c o l á s t i c o d o impetus. u m p a r a d i g m a d o final d a I d a d e M é d i a q u e afirmava que o movimento contínuo de um corpo pesado é devido a um poder interno. q u e d e r a m à t e o r i a d o impetus a s s u a s f o r m u l a ç õ e s m a i s p e r feitas.parte de um gênio das possibilidades abertas por u m a alteração do paradigma medieval.

mas interpretaram suas observações de maneira diversa. q u a n d o Arist ó t e l e s e G a l i l e u o l h a r a m p a r a as p e d r a s o s c i l a n t e s . m a s já c o m e ç a r a m a sugerir quais serão algumas das características desse paradigma. pois evidentemente existe u m a o u t r a maneira b e m mais usual de descrever todos os exemplos históricos esboçados acima. profundamente consciente das dificuldades criadas pela afirmação de que. tal c o m o a da própria Dinâmica. produziu u m a compreensão fund a m e n t a l q u e t a l v e z n ã o p u d e s s e ser a l c a n ç a d a d e o u t r a maneira. Estou. d a Lingüística e m e s m o da História da Arte.mo tipo de objetos? H a v e r á algum sentido válido no q u a l possamos dizer q u e eles realizaram suas pesquisas em m u n d o s diferentes? Essas questões n ã o p o d e m mais ser postergadas. o . As pesquisas atuais q u e se d e senvolvem e m setores d a Filosofia. Esse p a r a d i g m a serviu tanto à Ciência c o m o à Filosofia.( Muitos leitores certam e n t e desejarão dizer q u e o q u e m u d a c o m o p a r a d i g m a é a p e n a s a interpretação q u e os cientistas d ã o às observações q u e estão. essa incapacidade para ajustar-se aos d a d o s torna-se cada Vez m a i s a p a r e n t e a t r a v é s d o e s t u d o h i s t ó r i c o d a c i ê n cia.] Direi desde logo que esta concepção muito corrent e d o q u e ocorre q u a n d o o s cientistas m u d a m sua m a neira de pensar a respeito de assuntos fundamentais n ã o p o d e ser n e m t o t a l m e n t e e r r ô n e a . Mas. até m e s m o o mais impressionante suc e s s o n o p a s s a d o n ã o g a r a n t e q u e a c r i s e p o s s a ser p o s tergada indefinidamente. a s s u n t o a o q u a l d e d i c a m o s n e c e s s a r i a m e n t e a m a i o r parte de nossa atenção neste ensaio. N e n h u m desses t e m a s p r o m o t o r e s d e crises p r o d u ziu a t é a g o r a u m a a l t e r n a t i v a v i á v e l p a r a o p a r a d i g m a epistemológico tradicional. c o m o o exemplo da dinâmica newtoniana t a m b é m indica. mas diferiram nas interpretações daquilo que tinham visto. de algum m o d o . convergem todas para a mesma sugestão: o paradigma tradicional está. elas m e s m a s . tanto Aristóteles c o m o Galileu viram pêndulos. D e n t r o dessa perspectiva. n e m ser u m s i m p l e s e n g a n o . Sua exploração. d a Psicologia. É antes u m a p a r t e essencial de um p a r a d i g m a iniciado p o r Descartes e desenvolvido na m e s m a época q u e a dinâmica newtoniana. equivocado. A l é m disso. c o m o Lavoisier viram oxigênio. por exemplo. t a n t o Priestley. fixadas de u m a vez p o r todas pela natureza do meio ambiente e pelo aparato perceptivo.

os dados n ã o são inequivocamente estáveis. Conseqüentemente. 'Às mesmas dificuldades estão presentes de u m a f o r m a a i n d a m a i s f u n d a m e n t a l n a s frases iniciais d e s t e capítulo: embora o m u n d o não mude com uma mudança de paradigma. ampliar e articular um p a r a d i g m a q u e já existe.» t o t a l m e n t e t r a n s f o r m a d o s e m m u i t o s d e s e u s detalhesj N e n h u m a dessas observações pretende indicar q u e os cientistas n ã o se caracterizam p o r interpretar observações e dados. Em primeiro lugar. n ã o obstante. M a s cada u m a dessas interpretações pressupôs um paradigma. c o m o p o d e r i a ser a s s i m . o cientista q u e abraça um n o v o p a r a d i g m a é c o m o o h o m e m que usa lentes inversoras. O C a p . Defrontado c o m a m e s m a constelação de objetos q u e a n t e s e t e n d o c o n s c i ê n c i a d i s s o . ' E m c a d a um deles. c o m o já vim o s . N ã o obstante. D a d o um para1 .p r i m e i r o viu u m a q u e d a violenta e o segundo um p ê n dulo. devido a um p a r a d i g m a aceito. o cientista sabia o que era um d a d o . o processo pelo qual o i n d i v í d u o ou a c o m u n i d a d e l e v a m a c a b o a t r a n s i ç ã o da queda violenta para o pêndulo ou do ar desf l o g i s t i z a d o p a r a o o x i g ê n i o n ã o se a s s e m e l h a à i n t e r p r e t a ç ã o . depois dela o cientista trabalha em u m m u n d o diferente. visa refinar. 2 forneceu muitos exemplos nos quais a interpretação desempenhou um papel central. os d a d o s q u e os cientistas coletam a partir desses diversos objetos s ã o .l o e q u e c o n c e i t o s e r a m relevantes p a r a sua interpretação. D e f a t o . Esses e x e m p l o s tipificam a maior ia e s m a g a d o r a das pesquis a s . estou convencido d e q u e d e v e m o s a p r e n d e r a compreender o sentido de p r o posições semelhantes a essa. um e m p r e e n d i m e n t o que. O q u e ocorre d u r a n t e u m a r e v o l u ç ã o científica n ã o é t o t a l m e n t e r e d u t í v e l a u m a r e i n t e r p r e t a ç ã o de d a d o s estáveis e individuais. P e l o contrário: Galileu interpretou as o b s e r v a ç õ e s s o b r e o p ê n d u l o . M u s s c h e n b r o e k aquelas relativas a u m a garrafa eletricamente carregada e Franklin as sobre u m condensador. diferentes em si mesmos. q u e instrumentos p o d i a m ser u s a d o s p a r a e s t a b e l e c ê . A i n d a mais importante. A r i s t ó t e l e s a s o b r e as p e d r a s q u e caem. Um p ê n d u l o n ã o é u m a p e d r a q u e cai e n e m o oxigênio é ar desflogistizado. d a d a a a u s ê n c i a d e d a d o s fixos p a r a o c i e n t i s t a i n t e r p r e t a r ? E m v e z de ser um intérprete. Essas eram partes da ciência normal. ele o s e n c o n t r a . c o m o veremos em breve.

E m b o r a tais intuições d e p e n d a m das experiências. The Psychology of Invention in the Mathematical Field (Princeton. E s s a s 13. d . Q u e dados foram c o locados ao alcance de c a d a um deles pela interação de seus diferentes p a r a d i g m a s e seu meio ambiente c o m u m ? Ao ver u m a q u e d a forçada. U m r e l a t o b e m m a i s c o m p l e t o . . Subconscient intuition et logique dans la recherche scienttfique (Conférence faite au Falais de la Découverte te 8 Décembre 1945 [ A l e n ç o n . 1949). s . as intuições r e ú n e m grandes porções dessas experiências e as transformam em um bloco de experiências q u e . a a l t u r a v e r t i c a l à q u a l e l a f o r a e l e v a da e o t e m p o n e c e s s á r i o p a r a a l c a n ç a r o r e p o u s o . a interpretação d o s d a d o s é essencial p a r a o empreendimento que o explora. e m b o r a restrito a i n o v a ç õ e s m a t e m á t i c a s . a partir daí. tanto a u t ô n o m a s c o m o congruentes. 7 . m a s por meio de um evento relativamente abrupto e não-estrut u r a d o semelhante a u m a alteração da f o r m a visual. pela p r i m e i r a vez. n ã o estão ligadas. os cientistas falam freqüentemente de " v e n das que caem dos olhos" ou de u m a "iluminação repentina" que " i n u n d a " um quebra-cabeça que antes era obscuro.d i g m a . Em lugar disso. Em lugar disso. encontra-se no livro do m e s m o autor. Galileu e o pêndulo. n e m f r a g m e n t a r i a m e n t e a itens específicos dessas experiências. obtidas através do antigo paradigma. será g r a d a t i v a m e n t e ligado ao novo paradigma e não ao velhoj 1 3 P a r a aprendermos mais a respeito do que podem ser essas diferenças. p p . r e t o r n e m o s p o r um m o m e n t o a Aristóteles. n e m lógica. a iluminação relevante vem d u r a n t e o s o n h o . d e m o d o a l g u m . a c i ê n c i a n o r m a l leva. c o m o seria o caso de u m a interpretação. Nesse caso. m a s n ã o corrigi-lo. ] > . Esse empreendimento interpretativo — e mostrar isso foi o e n c a r g o do p e n ú l t i m o p a r á g r a f o — p o d e s o m e n t e articular um paradigma. j E m outras ocasiões. c o m o já vimos. n ã o através da deliberação ou interpretação. E s s a s t e r m i n a m .8 . possibilitando q u e seus c o m p o n e n t e s sejam vistos de u m a n o v a m a n e i r a — a qual. a o fim e a o c a b o . o aristotélico mediria ( o u pelo m e n o s discutiria — o aristotélico r a r a m e n t e m e d i a ) o p e s o da p e d r a . a p e n a s a o r e c o n h e c i m e n t o de anomalias e crises. JPar a d i g m a s n ã o p o d e m . [JACQUES] HADAMARD. permite sua solução. ser c o r r i g i d o s pela ciência normal. N e n h u m dos sentidos habituais do t e r m o " i n t e r p r e t a ç ã o " ajusta-se a essas iluminações da intuição através das quais nasce um novo p a r a d i g m a .

A Function for Thought Experimenta. n ã o são precisamente exemplificadas pela natureza em nenhum lugar) eram. e O a J U i e o and Plato. u m a conseqüência da experiência imediata. seg u n d o a qual o p e r í o d o da bola do p ê n d u l o é inteiram e n t e independente da amplitude da oscilação. Galileu viu a p e d r a oscilante de forma absolutamente diversa. S e n ã o . u m a vez q u e os aristotélicos n ã o d e i x a r a m qualquer discussão sobre as p e d r a s oscilantes. I. de fato. Eludes Galiléennes ( P a r i s . P o d e r i a a p e n a s — e foi o q u e fez. D e v i d o a e s s a s crises e o u t r a s m u d a n ç a s i n t e l e c tuais. a interpretação dem o n s t r o u ser q u a s e d e s n e c e s s á r i a . T. T a l v e z o e x e m p l o seja d e m a s i a d a m e n t e f a n t a s i s t a . _ _. 440-428 .— e m a i s a r e s i s t ê n c i a do m e i o — e r a m as c a t e g o r i a s conceituais e m p r e g a d a s pela ciência aristotélica q u a n d o se tratava de examinar a q u e d a dos c o r p o s . q u a n d o se sabe q u e a ciência n o r m a l proveniente de Galileu teve que erradicar essa descoberta e que atualmente somos totalmente incapazes de documentá-la? Regularidades q u e n ã o p o d e r i a m ter existido p a r a u m aristotélico ( e que. p u b l i c a d o p o r H e r m a n n ( P a r i s ) em 1 9 6 3 . as regularidades semelhantes ao pêndulo e r a m q u a s e t o t a l m e n t e acessíveis à p r i m e i r a v i s t a . IV. 1 9 3 9 ) . A pesquis a n o r m a l p o r elas o r i e n t a d a n ã o p o d e r i a t e r p r o d u z i d o as leis q u e G a l i l e u d e s c o b r i u . p o r o u t r o c a m i n h o — l e v a r à série d e crises das quais emergiu a concepção galileiana da p e d r a oscil a n t e . f e n ô m e n o q u e no paradigma destes era extraordinariamente complexo. e d . T a t o n e I . C o h e n . K O Y R É . S. as m e s m a s diferenças de visão são evidentes. para um homem que via a p e d r a o s c i l a n t e d o m e s m o m o d o q u e G a l i l e u . Nesse caso. pp.i. a t e o r i a do impetus t o r n o u o m o v i m e n t o s i m é t r i c o e d u r a d o u r o . B . ele m e dia apenas o peso. D a d o s o s p a r a d i g m a s de Galileu. A . M a s os aristotélicos discutiram um caso mais simples. P o r i s s o . K r a m . Aristóteles via u m a m u d a n 1 4 1 5 1 4 . o raio. Ao contemplar a q u e d a de u m a pedra. Neste caso. In: Mélanges Alexandre Koyré. c o m o poderíamos explicar a descoberta de Galileu. Os trabalhos de A r q u i m e d e s sobre os corpos flutuantes t o r n a r a m o meio algo inessencial. Journal of the History of Ideas. R . 46-51. o das pedras que caem sem entraves incomuns. o deslocamento angular e o t e m p o p o r oscilação — precisamente os dados que p o d e r i a m ser i n t e r p r e t a d o s d e m o l d e a p r o d u z i r a s leis d e Galileu sobre o pêndulo.ie«> 1 5 . o n e o p l a t o n i s m o dirigiu a a t e n ç ã o de Galileu p a r a a f o r m a c i r c u l a r d o m o v i m e n t o .

p o r isso. a d i s t â n c i a até o p o n t o final. Oaliléennes. E>e m a n e i r a s i m i l a r . juntamente com muitas de suas conseqüências. Esses parâmetros conceituais servem de base e d ã o um sentido à maior p a r t e d e suas b e m conhecidas "leis d o m o v i m e n t o " . Eludes Op. K U H N . p o u c o depois de Galileu. 18. m a i s do q u e a q u e l a a partir do ponto de origem do movimento. q u a n d o examinad o s a p a r t i r d o p a r a d i g m a d o q u a l e s s a s c o n c e p ç õ e s faz i a m p a r t e .s e de s e u p o n t o d e p a r t i d a . In: xandre Koyré ( v e r n o t a 1 4 p a r a u m a c i t a ç ã o c o m p l e t a ) . IV. t a n t o a p e d r a q u e cai. c o m o p a r â m e t r o de distância relevante para qualquer instante no decorrer do movimento. mais do que um processo. elt. E s s e t e o r e m a foi m a i s u m e l e m e n t o n a r e d e d e n o v a s r e g u l a r i d a d e s . 17. p a r â m e t r o s esses q u e p r o d u z e m o q u e a t u a l m e n t e chamaríamos não de velocidade. o p a r â m e t r o r e l e v a n t e p a s s o u a s e r a distância a partir do. V i v e n d o em tal m u n d o . Galileu ainda p o d e ria. c o m o o p ê n d u l o . q u a n d o quisesse. os e s c o l á s t i c o s b i f u r c a r a m a n o ç ã o aristotélica d e velocidade e m conceitos q u e . IX. A l é m disso. a crítica escolástica modificou essa m a n e i r a de ver o m o v i m e n t o . A Function for Thought Experiments. CL. explicar p o r q u e Aristóteles vira o q ú e viu. A l é m d i s s o . se t o r n a r a m as nossas velocidades média è velocidade instantânea. Caps.AOETT. p o r s e r a p e d r a i m p u l s i o n a d a p o r s u a n a t u r e z a a a l c a n ç a r s e u p o n t o final d e r e p o u s o . U m a p e d r a m o v i d a pelo impetus r e c e b e m a i s e m a i s impetus ao a f a s t a r . Mas. VI pp. II. P o r conseguinte. o c o n t e ú d o imediato da expe1 6 1 7 1 8 16. mas de velocidade m é d i a . acessíveis a o g ê n i o . . G a lileu n ã o foi o p r i m e i r o a s u g e r i r q u e a s p e d r a s c a e m em movimento uniformemente acelerado. antes de realizar s u a s e x p e r i ê n c i a s c o m o p l a n o i n c l i n a d o . p a r a ele a s m e d i d a s relevantes d e u m m o v i m e n t o e r a m a distância total percorrida e o t e m p o total transcorrid o . e 7-11.ça de estado. em l u g a r da distância até o. E n t r e t a n t o . e m u m m u n d o c o n j u n t a mente determinado pela natureza e pelos paradigmas c o m os quais Galileu e seus c o n t e m p o r â n e o s h a v i a m sido educados. Aristóteles via. Mélanges Ale- KOYRÉ. ele desenvolvera seu t e o r e m a sobre este assunto. e m p a r t e d e v i d o a o p a r a d i g m a d o impetus e em parte d e v i d o a u m a d o u t r i n a c o n h e c i d a c o m o a latitude d a s formas. e x i b i a m a s leis q u e o s r e g e m q u a s e à p r i m e i r a v i s t a . N ã o obstante.

T a i s traços d e v e m obviamente m u d a r c o m os compromissos do cientista a paradigmas. talvez u m a linguagem ajustada às impressões de retina que servem de intermediário p a r a aquilo q u e o cientista vê. dos quais se acredita proceda a p e s q u i s a científica. N ã o são o que o cientista vê — pelo m e n o s até q u e s u a pesquisa se e n c o n tre b e m adiantada e sua atenção esteja focalizada —. são índices concretos p a r a os conteúdos d a s percepções mais elementares. Por exemplo. Ou talvez a análise deva distanciar-se ainda mais do imediatamente dado. c o m os traços perceptivos q u e um p a r a d i g m a destaca de m a n e i r a tão notável q u e eles revel a m suas regularidades quase à primeira vista. discutir as operações e medições concretas q u e os cientistas realizam em seus laboratórios. M a s a e x p e r i ê n c i a d o s s e n t i d o s é fixa e n e u t r a ? S e r ã o as teorias simples interpretações h u m a n a s de d e terminados dados? A perspectiva epistemológica que m a i s f r e q ü e n t e m e n t e g u i o u a filosofia o c i d e n t a l d u r a n t e três séculos impõe um "sim!" imediato e inequívoco. m a s interpretações diferentes d e d a d o s inequívocos. Na ausência de u m a alternativa já desdobrada. T a l v e z d e v ê s s e m o s d e i x a r d e l a d o a experiência imediata e. considero impossível a b a n d o n a r inteiramente essa perspectiva.r i ê n c i a d e G a l i l e u c o m a q u e d a d e p e d r a s n ã o foi o m e s m o da experiência realizada por Aristóteles. T o d a v i a ela j á n ã o f u n c i o n a e f e t i v a m e n t e e a s t e n t a t i v a s p a r a fazê-la funcionar p o r m e i o d a i n t r o d u ç ã o d e u m a linguagem de observação neutra parecem-me agora sem esperança. de u m a vez p a r a sempre — na qual o p ê n d u l o e a q u e d a violenta n ã o s ã o percepções diferentes. S o m e n t e p r o c e d e n d o de u m a dessas maneiras é que podemos ter a esperança de r e a v e r u m a r e g i ã o n a q u a l a e x p e r i ê n c i a seja n o v a m e n te estável. em vez disso. são selecionadas p a r a o . C o m o tais. As operações e medições q u e um cientista e m p r e e n d e e m u m laboratório n ã o são " o d a d o " d a experiência. pod e r i a ser l e v a d a a c a b o em t e r m o s de a l g u m a linguagem de observação neutra. m a s e s t ã o longe do que temos em mente quando falamos dos dados não-elaborados ou da experiência bruta. Por certo não está de m o d o algum claro que precisemos preocupar-nos tanto com a "experiência imed i a t a " — isto é. p r o p o r c i o n a d o s p e l a o b s e r v a ç ã o d e u m a p e d r a q u e oscila. mas "o coletado c o m dificuldade".

u m p a r a d i g m a . seja n a f o r m a d e u m a t e o r i a científica e m v i g o r . O pato-coelho mostra que dois h o m e n s c o m as m e s m a s impressões na retina p o d e m ver coisas diferentes. seja n a f o r m a d e a l g u ma fração do discurso cotidiano. D i s s o r e s u l t a q u e c i e n t i s t a s c o m p a r a d i g m a s diferentes e m p e n h a m . T a m p o u c o as operações relevantes p a r a a elucidação das propriedades do oxigênio são precisamente as mesmas que as requerid a s n a i n v e s t i g a ç ã o d a s c a r a c t e r í s t i c a s d o a r desflogistizado. A Psicologia fornece u m a grande q u a n t i d a d e de evidência no m e s m o sentido e as dúvidas q u e dela derivam a u m e n t a m ainda mais q u a n d o se considera a história das tentativas p a r a apresentar u m a linguagem de observaç ã o efetiva. E as tentativas que mais se a p r o x i m a r a m desse objetivo c o m partilham u m a característica q u e reforça vigorosamente d i v e r s a s d a s teses p r i n c i p a i s d e s t e e n s a i o . A o invés disso. talvez ainda se chegue a elaborar u m a . A s o p e r a ç õ e s e medições. Q u a n t o a u m a linguagem de observação pura.l ó g i c o s o u n ã o . E l a s p r e s s u p õ e m . as lentes inversoras m o s t r a m que dois h o m e n s c o m impressões de retina diferentes p o d e m ver a m e s m a coisa.p e r c e p - . M a s . As medições q u e d e v e m ser r e a l i z a d a s n o c a s o d e u m p ê n d u l o n ã o s ã o r e levantes no caso da q u e d a forçada. foi p a r c i a l m e n t e d e t e r m i n a d a p o r esse m e s m o p a r a d i g m a . A ciência n ã o se o c u p a c o m t o d a s a s m a n i f e s t a ç õ e s p o s s í v e i s n o l a b o r a t ó r i o . a experimentação psicológica m o d e r n a está f a z e n d o c o m q u e p r o l i f e r e m r a p i d a m e n t e fenômenos q u e essa teoria t e m grande dificuldade em tratar. n o s s a e s p e r a n ç a q u e isso o c o r r a a i n d a depende exclusivamente de u m a teoria da percepção e do espírito.s e em manipulações concretas de laboratório diferentes. tão-somente porq u e p a r e c e m oferecer u m a o p o r t u n i d a d e p a r a a elabor a ç ã o frutífera d e u m p a r a d i g m a a c e i t o .exame mais detido da pesquisa normal. p o r s u a v e z . três séculos a p ó s D e s c a r t e s . seleciona aquelas q u e são relevantes p a r a a justaposição de um paradigma com a experiência imediata. tentam então depurál o d e t o d o s o s seus t e r m o s n ã o . d e s d e o início. a q u a l . N e n h u m a d a s t e n t a t i v a s a t u a i s c o n s e g u i u até agora aproximar-se de u m a linguagem de objetos de p e r c e p ç ã o puros. P o r sua vez. aplicável de m a n e i r a geral. de maneira m u i t o mais clara do que a experiência imediata da qual em parte derivam. são determ i n a d a s por um p a r a d i g m a .

c o n d e n s a d o r e s e minerais c o m p o s t o s e outros corpos do m e s m o tipo. p p . já a n o ç ã o de casos "possíveis". t a n t o e m t e r m o s d e princípio c o m o na prática. providencia para que isso o c o r r a .5 . m a s p o d e r i a m ter e x i s t i d o . da profissão. finalmente. N e l s o n G o o d m a n insiste precisamente s o b r e e s s e p o n t o a o d e s c r e v e r o s o b j e t i v o s d o s e u Structure o f Appearance: " É a f o r t u n a d o q u e n a d a m a i s ( d o que os f e n ô m e n o s c o n h e c i d o s ) esteja em questão. É u m a s o r t e d e q u e n a d a m a i s _ e s t e i a e m questão. v e i o a ser h a b i t a d o p o r p l a n e t a s e p ê n d u l o s . ^ N ã o q u e r e m o s c o m isso sugerir q u e os p ê n d u l o s . E m alguns c a m p o s d o discurso esse esforço foi levado b e m longe. de casos que nao existem. p o d e m o s pelo m e n o s suspeitar d e q u e o s c i e n t i s t a s t ê m r a z ã o . A p a s s a g e m m e r e c e u m a c i t a ç ã o e x t e n s a : *'Se t o d o s o s i n d i v í d u o s ( e s o m e n t e e s s e s ) residentes d e W i l m i n g t o n e m 1947 q u e p e s a m e n t r e 175 e 180 l i b r a s t ê m c a b e l o s r u i v o s . casos que não existem. . A investigação filosófica ainda n ã o forneceu n e m sequer u m a pista d o q u e p o d e r i a ser u m a l i n g u a g e m c a p a z de realizar tal tarefa. e s t á l o n g e d e ser c l a r a " . . n ã o tem sentido . pois a noção de casos "possíveis". G O O D M A N . 4 . tanto as leituras de um m e d i d o r c o m o as impressões de retina s ã o construções elaboradas às quais a experiência s o m e n t e tem a c e s s o direto q u a n d o o cientista. A questão de saber se "pode ter h a v i d o " a l g u é m a q u e m s e a p l i c a u m d e s s e s p r e d i c a d o s . u m a vez que tenhamos determinado que tal i n d i v í d u o n a o e x i s t e . tendo em vista os objetivos especiais de sua investigação. e s t á l o n g e de ser clara". 1 9 Nessas circunstâncias. e n t ã o " o r e s i d e n t e d e W i l m i n g t o n e m 1 9 4 7 q u e t e m c a b e l o s r u i v o s " e " o r e s i d e n t e d e W i l m i n g t o n e m 1947 q u e p e s a e n t r e 175 e 180 l i b r a s " p o d e m ser r e u n i d o s n u m a d e f i n i ç ã o construída (constructional definition') . . sejam a única 1 9 . M a s s e u r e s u l t a d o é u m a l i n g u a g e m q u e — tal c o m o a q u e l a s e m p r e g a d a s n a s c i ê n c i a s — expressam inúmeras expectativas sobre a natureza e deix a m de funcionar no m o m e n t o em que essas expectativas s ã o violadas. The Structure oi Appearance ( C a m b r i d g e . M a s s . . contida no p a r a d i g m a . .. por e x e m p l o . d e v i d o à e x p e r i ê n c i a d a raça. 1 9 5 1 ) .tivos. . c o m resultados bastante fascinantes. N e n h u m a l i n g u a g e m limitada d e s s e m o d o a relatar u m mundo plenamente conhecido de antemão pode produzir m e r a s i n f o r m a ç õ e s n e u t r a s e o b j e t i v a s s o b r e " o d a do". N . . Está fora de dúvida q u e esforços desse tipo m e r e c e m ser l e v a d o s a d i a n t e . Comparadas c o m esses objetos da percepção. da cultura e. m a s p o d e r i a m ter existido. m a s n ã o o outro. q u a n d o tratam o oxigênio e os pêndulos (e talvez t a m b é m os átomos e elétrons) c o mo ingredientes fundamentais de sua experiência imediatar\0 m u n d o d o c i e n t i s t a .

A criança q u e t r a n s fere a a p l i c a ç ã o d a p a l a v r a " m a m ã e " d e t o d o s o s s e r e s h u m a n o s para todas as mulheres e então para a sua m ã e n ã o e s t á a p e n a s a p r e n d e n d o o q u e " m a m ã e " significa ou q u e m é a sua m ã e . elétricos ou d i n â m i c o s . n e m o leigo a p r e n d e m a ver o m u n d o g r a d u a l m e n t e ou item p o r item. Suas r e a ç õ e s . T u d o isso p a r e c e r á m a i s r a z o á v e l s e r e c o r d a r m o s mais u m a vez q u e . b e m c o m o algo sobre a m a n e i r a na qual todas as m u lheres. para a descoberta de um elemento transurânico adicional ou para captar a imagem de u m a nova casa — t a n t o o s c i e n t i s t a s c o m o o s leigos d e i x a m d e l a d o á r e a s inteiras do fluxo da experiência.coisa q u e um cientista p o d e r á ver ao olhar u m a p e d r a oscilante. o cond e n s a d o r em vez da Garrafa de L e y d e n ou o p ê n d u l o e m v e z d a q u e d a f o r ç a d a . a fim d e q u e essa expressão continuasse sendo c a p a z de estabelecer d i s t i n ç õ e s ú t e i s n u m m u n d o n o q u a l t o d o s o s c o r p o s c e l e s t e s e n ã o a p e n a s o Sol e s t a v a m s e n d o v i s t o s d e u m a m a n e i r a diversa d a q u e l a na qual h a v i a m sido vist o s a n t e r i o r m e n t e . e m p r i n c í p i o . ( J á observamos que m e m b r o s de outra c o m u n i d a d e científica p o d e r i a m v e r u m a q u e d a f o r ç a d a ) . c o m p o r t a m . A m e s m a c o i s a p o d e r i a ser d i t a a respeito de qualquer um dos nossos exemplos anteriores.s e em relação a ela. A alternativa n ã o é u m a hipotética visão "fixa". Q u e r e m o s sugerir q u e o cientista q u e olha p a r a a oscil a ç ã o d e u m a p e d r a n ã o p o d e ter n e n h u m a experiência q u e seja. e s t a v a m m u d a n d o o s i g n i f i c a d o d e " p l a n e t a " . E m l u g a r d i s s o . n e m o cientista. m a s a visão através de um paradigma que transforme a p e d r a oscilante em alguma o u t r a coisa. A n ã o ser q u a n d o t o d a s a s c a t e g o r i a s c o n c e i t u a i s e d e manipulação estão preparadas de antemão — por exemplo. expectativas e crenças — na v e r d a d e . Simultaneamente. está aprendendo algumas das diferenças entre h o m e n s e mulheres. exceto u m a . foi s o m e n t e u m a p a r t e d e u m a alteração integrada na visão que o cientista possuía de muitos fenômenos químicos. grande parte de seu m u n d o percebido — m u d a m de a c o r d o c o m esse a p r e n d i z a d o . P e l o m e s m o motivo. V e r o oxigênio em vez do ar desflogistizado. . o s c o p e r n i c a n o s q u e n e g a r a m a o Sol s e u t í t u l o t r a d i c i o n a l de "planeta" não estavam apenas aprendendo o que " p l a n e t a " significa o u o q u e e r a o S o l . m a i s e l e m e n t a r q u e a v i s ã o d e um pêndulo.

e m b o r a fragm e n t á r i o s . e m b o r a a n t e r i o r m e n t e ele o s possa ter e m p r e g a d o d e m a n e i r a d i f e r e n t e j E m conseqüência disso. v a m o s d a q u i para diante negligenciar as impressões da retina e restringir n o vamente nossa atenção às operações de laboratório que fornecem ao cientista índices concretos. O c i e n t i s t a o u filósofo. j á d e v e ser c a p a z d e r e c o n h e c e r u m p ê n d u l o q u a n d o o v ê . P o r isso. Pelo m e n o s n ã o poderia ter sido respondida d a m e s m a maneira. N u m certo sentido. porque já n ã o se trataria da mesma questão. após a revolução o cientista ainda está olhando p a r a o m e s m o m u n d o . a ciência pós-revolucionária invariavel- . A l é m disso. e m l u g a r d o p ê n d u l o ele visse u m a q u e d a f o r ç a d a . N ã o se aplicam exatamente os mesm o s t e s t e s p a r a o o x i g ê n i o e p a r a o ar d e s f l o g i s t i z a d o . m a s o v i s s e d a m e s m a maneira com que vê um diapasão ou u m a balança de vibração. A p ó s u m a r e v o l u ç ã o científica. S e .Os paradigmas determinam ao m e s m o tempo grandes áreas da experiência. e m b o r a elas sejam s e m p r e legítimas e em d e t e r m i n a d a s ocasiões e x t r a o r d i n a r i a m e n t e frutíferas. M a s m u d a n ç a s dessa espécie n u n c a são totais. E s e ele visse u m p ê n d u l o . as questões a respeito das impressões da retina ou sobre as conseqüências de determinadas manipulações de laboratório pressupõem um m u n d o já subdividido perceptual e conceitualmente de acordo com u m a certa maneira. é somente após a experiência ter sido d e terminada dessa maneira que pode começar a busca de u m a definição operacional ou de u m a linguagem de o b s e r v a ç ã o p u r a . jNão i m p o r t a o q u e o cientista possa e n t ã o ver. C o n t u d o . p a r a o q u e ele j á v i u . s u a q u e s t ã o n e m m e s m o p o d e r i a ter s i d o feita. U m a d a s m a n e i r a s p e l a s q u a i s tais o p e r a ç õ e s d e l a b o r a t ó r i o m u d a m j u n t a m e n t e c o m o s p a r a d i g m a s j á foi o b s e r v a d a r e p e t i d a s v e zes. m u i t a s m a n i p u l a ç õ e s e medições antigas tornam-se irrelevantes e são substituídas por outras. sua q u e s t ã o n ã o poderia ter sido respondida. tais questões são partes da ciência n o r m a l . grande p a r t e de sua linguagem e a maior parte de seus instrumentos de laboratório continuam s e n d o o s m e s m o s d e a n t e s . p o i s d e p e n d e m d a e x i s t ê n c i a d e u m p a r a digma e recebem respostas diferentes q u a n d o ocorre u m a mudança de paradigma. P a r a concluir este capítulo. q u e p e r g u n t a que medições ou impressões da retina fazem do pêndulo o q u e e l e é .

p r o d u z i r á r e s u l t a d o s c o n c r e t o s diferentes. q u e todas essas d u a s espécies d e m u d a n ç a o c o r r e m . Assim.s e n o á c i d o ( o u o sal n a á g u a ) p o r q u e a s p a r t í culas de ácido atraíam as da prata ( o u as partículas de água atraíam as de sal) mais fortemente do que as partículas desses solutos atraíam-se m u t u a m e n t e . (Paris. esta deve estar nas suas relaç õ e s c o m o p a r a d i g m a o u n o s seus r e s u l t a d o s c o n c r e t o s .m e n t e inclui m u i t a s d a s m e s m a s m a n i p u l a ç õ e s . Newton. A l é m disso. METZGER. l a r g a e algumas vezes frutiferamente utilizado na c o n c e p ç ã o e análise da e x p e r i m e n t a ç ã o q u í m i c a . . E x a m i n a n d o a o b r a d e D a l t o n e seus c o n t e m p o r â n e o s . E n t r e t a n t o . no seu n o v o p a p e l . 34-68. Um grande n ú m e r o de outros fenômenos era explicado da m e s m a m a n e i r a . a teoria da afinidade t r a ç o u os limites s e p a r a n d o a s m i s t u r a s físicas d o s c o m p o s t o s q u í m i c o s . desde a assimilação da obra de 2 0 20. u m a m a s s a iniforme de prata mantinha-se unida devido às forças de afinidade entre os corpúsculos de prata ( m e s m o depois de Lavoisier esses corpúsculos e r a m p e n sados c o m o sendo compostos de partículas ainda mais e l e m e n t a r e s ) . q u a n d o vinculada à natureza p o r m e i o de um p a r a d i g m a diferente. Boerhaave et la doctrine chimique. veremos q u e ocasionalmente a antiga m a n i p u l a ç ã o . r e a l i z a d a s c o m os mesmos instrumentos e descritas nos m e s mos termos empregados por sua predecessora pré-revolucionária. Ou ainda: o cobre dissolver-se-ia n u m a solução de p r a t a e precipitado de p r a t a p o r q u e a afinidade cobre-ácido e r a m a i o r q u e a a f i n i d a d e e n t r e o á c i d o e a p r a t a . D e n t r o dessa m e s m a teoria. p o d e tornar-se um índice p a r a um aspecto bastante diferente de u m a regularidade da natureza. com os quais e r a m constituídas t o d a s as espécies químicas. a prata diss o l v i a . d e s cobriremos que u m a e a m e s m a operação. os químicos europeus acreditavam quase universalmente que os átomos elementares. Sugiro agora. pp. se m a n t i n h a m unidos p o r forças de afinidade m ú t u a s . Se a l g u m a m u d a n ç a ocorreu c o m essas m a nipulações d u r a d o u r a s . de u m a maneira que. Stahl. 1930). H. com a introdução de um último exemplo. D u r a n t e grande p a r t e do século X V I I I e m e s m o no X I X . N o s é c u l o X V I I I . a t e o r i a d a afinidad e eletiva e r a u m p a r a d i g m a q u í m i c o a d m i r á v e l .

p p . o v i d r o . porque os processos que a c o m p u n h a m e r a m todos governados p o r forças da m e s m a espécie. t e r i a m b u s c a d o c r i t é r i o s q u e fizessem da solução um composto. ver L Í O N M D Theory ("Harvard Case Histories to Ex4 . O s químicos d o século X V I I I reconheciam duas espécies d e processos.1 2 9 . e n t ã o o gás m a i s p e s a d o . N o tocante a Dalton. A distinção mistura-composto 2 1 . 1 9 5 0 ) . Ibid. Dalton. A p r ó p r i a teoria da afinidade fora b e m confirmada. p o d e ter sido assim. C a m b r i d g e .2 1 .1 4 . efervescência ou alguma coisa d a m e s m a espécie. h a v i a a p e n a s m i s t u r a física. as partículas da mistura pudessem ser distinguidas a o l h o nu ou sep a r a d a s m e c a n i c a m e n t e .. p a r a o g r a n d e n ú m e r o de casos intermediários — o sal na á g u a . p o r exemplo. luz. The Atomlc-Motecular perimental Science". o o x i g ê n i o na a t m o s f e r a e a s s i m p o r d i a n t e — esses c r i t é r i o s g r o s seiros t i n h a m p o u c a utilidade. Os argumentos p a r a q u e se concebesse as soluções como c o m p o s t o s e r a m m u i t o fortes. M a s e s s e s e n t i d o n ã o é a q u e l e q u e faz d a s d e f i n i ç õ e s m e r a s comodidades convencionais.Dalton. o oxigênio e o nitrogênio fossem somente misturados e não combinad o s n a a t m o s f e r a . considerava-se q u e havia ocorrido a união química. . M e s m o se os químicos tivessem p r o c u r a d o descob r i r t a i s t e s t e s . q u e considerava a a t m o s f e r a u m a m i s t u r a . o o x i g ê n i o . M a s s . M a s . as mist u r a s n ã o e r a m p l e n a m e n t e distinguíveis d o s c o m p o s t o s através de testes operacionais e talvez n ã o pudessem sê-lo. E m u m certo sentido. No século X V I I I . Sal n a á g u a o u oxigênio n o nitrogênio e r a m exemplos de combinação química tão apropriados como a combinação produzida pela oxidação do cobre. A l é m disso. . a m a i o r i a d o s q u í m i c o s c o n c e b i a e s s a faixa i n t e r mediária c o m o sendo química. por o u t r o lado. n u n c a foi c a p a z d e e x p l i c a r satisfatoriamente p o r q u e o oxigênio n ã o se comportava dessa maneira. deveria depositar-se no fundo. deixou d e ser familiar. Se. a formação de um composto explicava a homogeneidade observ a d a n u m a solução. PP. Q u a n d o a mistura produzia calor. G u i a d o s p o r seu p a r a d i g m a . 2 1 Somos tentados a afirmar que os químicos que conc e b i a m as soluções c o m o compostos diferiam de seus a n t e c e s s o r e s s o m e n t e q u a n t o a u m a q u e s t ã o d e definição. Case 139-148. Se. a f u s ã o de m e t a i s . 1 2 4 . A assimilação de sua teoria atômica acabou criando u m a anomalia onde anteriormente não havia n e n h u m a . NASH.

N o e n t a n t o n e n h u m q u í m i c o fez u s o d e s s a s r e g u l a r i d a d e s . as regularidades adicion a i s a t u a l m e n t e a b a r c a d a s p e l a lei d o s e q u i v a l e n t e s q u í m i c o s . .e x e m p l o s ó b v i o s . 2 2 23 Essa era a situação q u e prevalecia q u a n d o J o h n D a l i o n e m p r e e n d e u as investigações q u e a c a b a r a m le2 2 . M a s . Mais especificamente. A o final d o s é c u l o X V I I I e r a a m p l a m e n t e s a b i d o q u e alguns c o m p o s t o s c o n t i n h a m c o m u m e n t e p r o p o r ç õ e s fixas. n u m f a m o s o d e b a t e e n t r e os q u í m i c o s f r a n c e s e s P r o u s t e B e r t h o l l e t . p p . enquanto a Química era concebida dessa m a n e i r a . n e n h u m a quantidade de experiências químicas poderia t e r p r o d u z i d o p o r s i m e s m a a lei d a s p r o p o r ç õ e s fixas. O p r i m e i r o sustentava que todas as reações químicas ocorriam seg u n d o p r o p o r ç õ e s fixas. Proust via apenas u m a mistura física. e m b o r a n ã o fosse a n t e r i o r à e x p e r i ê n c i a a c u mulada da Química como um todo. enquanto as soluções permaneceram c o m o compostos. os dois m a n t i v e r a m um diálogo de surdos e o debat e foi t o t a l m e n t e i n c o n c l u s i v o . para algumas categorias de reações. 1951). In: Manchester Memoirs.s e e x p l í c i t a a o final d o s é c u l o . O químico alemão Richter chegou mesmo a notar. D a d o s os c o n t r a . q u a s e a t é o fim d o século. A Short History oi Chemistry. T h e Development of the A t o m i c Theory: (1) Berthollefs Doctrine of Variable Proportions. M E L D R U M . e x c e t o e m r e c e i t a s e . n e n h u m a generalização era possível sem o a b a n d o n o da teoria da afinidade e u m a reconceptualização dos limites d o s d o m í n i o s d a Q u í m i c a . N e m experiências. P A R T L N G T O N . O n d e P e r t h o l l e t v i a u m composto que podia variar segundo proporções. correspondentes ao peso de seus componentes. N ã o obstante. A m b o s reuniram evidências experimentais impressionantes em favor de sua c o n c e p ç ã o . A . 1-16. Os dois cientistas divergiam tão fundamentalmente c o m o Galileu e Aristóteles. p p . J. 161-163. c o m o o v i d r o e o sal na á g u a . o s f e n ô m e n o s q u í m i c o s e x e m p l i f i c a v a m leis diferentes daquelas q u e emergiram após a assimilação do n o v o paradigma de Dalton. e d . ( 2 . L I V ( 1 9 1 0 ) . o segundo n e g a v a q u e isso ocorresse. L o n d r e s . N . E s s a c o n c l u s ã o t o r n o u . 2 3 . R .fazia p a r t e d e s e u p a r a d i g m a — p a r t e d a m a n e i r a c o m o o s q u í m i c o s c o n c e b i a m t o d o seu c a m p o d e p e s q u i s a s — e c o m o tal e l a e r a a n t e r i o r a q u a l q u e r t e s t e de l a b o r a t ó r i o . . n e m u m a m u d a n ç a n a s c o n v e n ç õ e s d e d e f i n i ç ã o p o d e r i a m ser relevantes p a r a essa questão. n e n h u m deles p e n s o u em generalizá-las.

v a n d o à sua famosa teoria atômica p a r a a Química. a h o m o g e n e i d a d e q u e fora o b s e r v a d a nas soluções era u m p r o b l e m a . XL. após a aceitação destes.VII. 24 É desnecessário dizer que as conclusões de D a l t o n foram amplamente atacadas ao serem anunciadas pela p r i m e i r a v e z . s o b r e t u d o . os átomos somente poderiam combinar-se n u m a proporção de um para um ou em alguma outra p r o p o r ç ã o de simples números inteiros. 24. m a s u m p r o b l e m a q u e ele p e n s a v a p o d e r r e s o l v e r c a s o p u d e s s e determinar os t a m a n h o s e os pesos relativos d a s várias partículas atômicas nas suas misturas experimentais. n u m princípio constitutivo q u e n e n h u m conjunto isolado de medições químicas poderia ter p e r t u r b a d o . tornou-se. P o r i s s o . B e r t h o l l e t . M a s até os últimos estágios dessas investigações. pp. Dalton a b o r d o u esses p r o b l e m a s c o m u m p a r a d i g m a d i f e r e n t e d a q u e l e e m p r e g a d o pelos químicos seus contemporâneos. qualquer reação na qual os ingredientes n ã o entrassem e m p r o p o r ç õ e s fixas n ã o e r a . . Dalton's Chemical Atoroic Theory. P a r a Dalton. Em parte porque fora treinado n u m a especialidade diferente e em parte devido a seu próprio trabalho nessa especialidade. ipso jacto. s u p o n d o desde o início que. Em conseqüência daquilo q u e t a l v e z seja o n o s s o e x e m p l o m a i s c o m p l e t o d e u m a r e v o l u ç ã o científica. n o q u a l a s f o r ç a s d e a f i n i d a d e n ã o d e s e m p e n h a v a m n e n h u m p a p e l . n u n c a foi c o n v e n Isis. no âmbito restrito das reações q u e considerava químicas. p a r a ele. E r a um meteorologista investigando o que p a r a e l e e r a m o s p r o b l e m a s físicos d a a b s o r ç ã o d e g a s e s p e l a água e da água pela atmosfera. NASH L. m a s t a m b é m fez d a lei das proporções constantes u m a tautologia. T h e Origin of 101-116 C1956). a s m e s m a s m a n i p u l a ç õ e s q u í m i c a s assumiram u m a relação com a generalização química muito diversa daquela q u e anteriormente tinham. u m p r o c e s s o p u r a m e n t e q u í m i c o . D a l t o n n ã o era um químico e n e m estava interessado em Química.l h e d e t e r m i n a r o s t a m a n h o s e o s p e s o s d a s p a r t í c u l a s e l e m e n t a r e s . M a i s particularmente. F o i p a r a determinar esses t a m a n h o s e pesos q u e D a l t o n se voltou finalmente p a r a a Química. concebeu a mistura de gases ou a a b s o r ç ã o d e u m g á s p e l a á g u a c o m o u m p r o c e s s o físico. Esse pressup o s t o inicial p e r m i t i u . U m a lei q u e a s e x p e r i ê n c i a s n ã o poderiam ter estabelecido antes dos trabalhos de Dalton. K .

M E L D R U M . M a s para a maior parte dos químic o s .cido. T h e D e v e l o p m e n t of the A t o m i c T h e o r y : ( 6 ) R e c e p t i o n A c c o r d e d t o t h e T h e o r y A d v o c a t e d b y D a l t o n . carbono. os químicos p a s s a r a m a viver em um m u n d o no qual as reações químicas se c o m p o r t a v a m de m a n e i r a b e m divers a d o q u e t i n h a m feito a n t e r i o r m e n t e . n ã o era preciso convencê-lo. o paradigma de Dalton t o r n o u p o s s í v e l a a s s i m i l a ç ã o da o b r a de R i c h t e r e a percepção de sua a m p l a generalidade. (1911). na F r a n ç a e na Grã-Bretanha. Isso ocorreu n a análise d e m u i t a s reações b e m conhecidas. o n o v o p a r a d i g m a d e D a l t o n d e m o n s t r o u ser c o n v i n c e n t e o n d e o d e P r o u s t n ã o o f o r a .i a o u c o m 1.s e . mas u m a nova maneira de praticar a Química (ele p r ó p r i o c h a m o u . 6 pesos de oxigênio. e n t ã o u m r e e x a m e d o s d a d o s químicos existentes deveria revelar tanto exemplos de proporções múlt i p l a s c o m o d e p r o p o r ç õ e s fixas. Q u a n d o Dalton consultou pela primeira vez a literatura química em busca de dados que corroborassem sua t e o r i a física. N . c o m as quais os cientistas n u n c a h a v i a m s o n h a d o antes. q u e se revelou t ã o frutífera q u e s o m e n t e alguns químicos mais velhos. por exemplo. saltou à vista u m a p r o p o r ç ã o d e 2 : 1 .a d e " n o v o s i s t e m a d e filosofia q u í m i c a " ) . continham 56 por cento e 72 por cento de oxigênio p o r peso. O q u e os químicos t o m a r a m d e D a l t o n n ã o f o r a m n o v a s leis e x p e r i m e n t a i s . O s q u í m i c o s d e i x a r a m de escrever q u e os dois óxidos de. e n c o n t r o u a l g u n s r e g i s t r o s d e r e a ç õ e s q u e 2 5 . A . pp. A l é m disso. Q u a n d o os resultados das antigas m a nipulações foram c o m p u t a d o s dessa maneira. LV. A q u i e ali. Em conseqüência disso. o s á t o m o s somente p o d i a m c o m b i n a r .3 o u c o m 2 . o s p r ó prios dados numéricos da Química c o m e ç a r a m a m u d a r . I n : Manchester Memoirs.s e quimicamente segundo proporções simples de n ú m e r o s inteiros. 1-10. ocorria u m a o u t r a m u d a n ç a t í p i c a e m u i t o i m p o r t a n t e . as quais tiveram como resultado novas regularidades. especialmente as de Gay-Lussac sobre a combinação de volumes. Sugeriu t a m b é m novas experiências. p o r e x e m p l o . Se. em lugar disso. Considerando-se a natureza da questão. . b e m c o m o n a d e algum a s reações novas. foram capazes de opor-se a ela. p a s s a r a m a escrever que um p e s o d e c a r b o n o c o m b i n a r . 2 5 E n q u a n t o t u d o isso se passava. v i s t o ter i m p l i c a ções muito mais amplas e mais importantes do que um critério p a r a distinguir u m a mistura d e u m composto.

m e s m o a p ó s a a c e i t a ç ã o d a t e o r i a . p . m a s d i f i c i l m e n t e p o d e r i a ter d e i x a d o de encontrar outras que não se ajustavam. Os próprios dados haviam m u d a d o . as medições do próprio Proust sobre os dois óxidos de cobre indicaram u m a p r o p o r ç ã o de peso de oxigênio de 1 . 4 7 : 1 . M a s é difícil f a z e r c o m q u e a n a t u r e z a s e a j u s t e a u m p a r a d i g m a . Por exemplo. os químicos n ã o poderiam simplesmente aceitar a teoria de D a l t o n c o m base n a s evidências existentes. " b e r t h o l l e f s r > o c t r i n e o f V a r i a b l e P r o p o r t i o n s . A h i s t ó r i a d e t a l h a d a das mudanças graduais nas medições da composição química e dos pesos a t ô m i c o s ainda_ e s t á p o r s e r e s c r i t a .s e a ela. Em lugar disso. eles a i n d a t i n h a m q u e f o r ç a r a n a t u r e z a e c o n f o r m a r . v e r M E L D R U M . p r o c e s s o q u e no caso envolveu quase toda uma outra geração. até m e s m o a p e r c e n t a g e m d e c o m p o s i ç ã o d e c o m p o s t o s b e m c o n h e c i d o s p a s s o u a ser d i f e r e n t e . Manchester Memoirs. . L I V ( 1 9 1 0 ) .c a b e ças da ciência n o r m a l constituem t a m a n h o desafio e as medições realizadas sem a orientação de um paradigma r a r a m e n t e levam a a l g u m a conclusão. m a s P A R T I N G T O N . _ 8 . j á q u e u m a grande parte destas ainda era negativa. e P r o u s t é p r e c i s a m e n t e o h o m e m do q u a l p o d e r í a m o s esperar que chegasse à proporção de D a l t o n . 2 6 26. Ele era um excelente experimentador e sua concepção da relação entre misturas e compostos era muito próxima da d e D a l t o n .s e a j u s t a v a m a e l a . a p ó s u m a r e v o lução. É p o r isso q u e o s q u e b r a . Este é o último dos s e n t i d o s n o q u a l d e s e j a m o s dizer q u e . e m l u g a r d o s 2 : 1 exigidos p e l a t e o r i a a t ô m i c a . P o r isso. Quando isto foi feito.f f o r n e c e muitas indicações úteis. os cientistas t r a b a l h a m em um m u n d o diferente. Q u a n t o a P r o u s t . op cit.

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10. são habitualmente consideradas. a n t e s d e fazê-lo. m a s c o m o a d i ç õ e s a o c o n h e c i m e n t o científico. A INVISIBILIDADE DAS REVOLUÇÕES Ainda nos resta perguntar como terminam as rev o l u ç õ e s científicas. T e n t e i até aqui descrever as revoluções através de ilustrações: tais exemplos p o d e m multiplicarse ad nauseatn. q u e foram selecionadas por sua familiaridade. P o d e r se-ia considerar q u a l q u e r ilustração s u p l e m e n t a r a p a r tir dessa perspectiva e é provável q u e o e x e m p l o resultasse ineficaz. p a r e ce necessário realizar u m a última tentativa no sentido d e r e f o r ç a r a c o n v i c ç ã o d o leitor q u a n t o à s u a e x i s t ê n cia e natureza. n ã o como revoluções. M a s é c l a r o q u e a m a i o r p a r t e d a s i l u s trações. C r e i o q u e existem excelentes razões p a r a . N o e n t a n t o .

Para preencher sua função n ã o é necessário que proporcionem informações autênticas a respeito do m o d o p e l o qual essas bases foram inicialmente reconhecidas e posteriormente adotadas pela profissão. talvez. Grande parte da i m a g e m q u e cientistas e leigos têm da atividade científica criadora p r o v é m de u m a fonte autoritária q u e disfarça s i s t e m a t i c a m e n t e — em parte d e v i do a r a z õ e s f u n c i o n a i s i m p o r t a n t e s — a e x i s t ê n c i a e o significado das revoluções científicas. penso sobretudo nos principais manuais científicos. Q u a n d o falo de fonte de autoridade. E m b o r a um tratamento m a i s c o m p l e t o d e v e s s e necessariamente lidar c o m as dist i n ç õ e s m u i t o reais e n t r e e s s e s três g ê n e r o s . A l é m disso. existem até m e s m o boas razões para que sejam sistematicamente enganadores nesses assuntos. . além da prática da pesquisa —• possuem u m a coisa em c o m u m . E s s a s três categorias — até r e c e n t e m e n t e n ã o dispúnhamos de outras fontes importantes de informaç ã o sobre a ciência. analisa a estrutura lógica desse c o r p o c o m p l e t o de c o n h e c i m e n t o s científicos. d a d o s e teorias e m u i t o freq ü e n t e m e n t e ao c o n j u n t o particular de paradigmas aceitos pela c o m u n i d a d e científica na é p o c a em que esses textos foram escritos. S o m e n t e após o reconhecimento e a análise dessa autoridade é que poderemos esperar que os exemplos históricos passem a ser p l e n a m e n t e efetivos. da Teologia. s u a s s e m e lhanças são o que mais nos interessam aqui.que as revoluções sejam quase totalmente invisíveis. E a F i l o sofia da Ciência. a análise aqui exigida c o m e ç a r á a indicar um d o s aspectos q u e m a i s c l a r a m e n t e distingue o trabalho científico de qualquer outro e m p r e e n d i m e n t o criador. Os próprios m a n u a i s pretendem c o m u n i c a r o v o c a b u l á r i o e a sintaxe de u m a l i n g u a g e m científica contemporânea. sobretudo aquela do m u n d o de língua inglesa. c o m exceção. juntamente c o m os textos de divulgação e obras filosóficas m o l d a d a s naqueles. Referem-se a um corpo já articulado de p r o b l e m a s . e m b o r a este p o n t o s ó p o s s a ser c o m p l e t a m e n t e d e s e n v o l v i d o n a c o n c l u s ã o deste ensaio. As obras de divulgação tentam descrever essas m e s m a s aplicações n u m a linguagem m a i s p r ó x i m a da utilizada na vida cotidiana. P e l o m e n o s no c a s o dos manuais. T o d a s elas r e g i s t r a m o resultado e s t á v e l d a s r e v o l u ç õ e s p a s s a d a s e desse m o d o p õ e m em evidência as bases da tradição corrente da ciência normal.

N o c a p í t u l o final d e s t e ensaio. o s c o n h e c i m e n t o s científicos d o s p r o fissionais. j a m a i s existiu. m a s t a m b é m a própria existência d a s r e v o l u ç õ e s q u e o s p r o d u z i r a m . os manuais começam truncando a c o m p r e e n s ã o do cientista a respeito da história de sua p r ó p r i a disciplina e em seguida fornecem um substituto p a r a aquilo que eliminaram.No C a p . u m a vez reescritos. É característica dos m a n u a i s científicos c o n t e r e m a p e n a s u m p o u c o d e h i s t ó r i a . da qual os cientistas sent e m . seja. vamos simplesmente assumir que. C o n t u d o . c o m o a c o n t e c e m a i s freqüentemente. o sentido histórico do cientista ativo ou do leitor não-especializado em literatura de m a n u a l englobará somente os resultados mais recentes das revoluções ocorridas e m seu c a m p o d e interesse. n u m a extensão sem precedentes e m o u t r a s á r e a s . d e v e m ser parcial ou totalmente reescritos toda vez q u e a linguagem. dissimulam inevitavelmente n ã o só o papel d e s e m p e n h a d o . a estrutura dos problemas ou as n o r m a s da ciência n o r m a l s e m o d i f i q u e m . p r e c i s a m ser r e e s c r i t o s i m e d i a t a m e n t e a p ó s c a d a r e v o l u ç ã o científica e . Deste m o d o . e s t ã o b a s e a d o s n o s m a n u a i s e em alguns outros tipos de literatura deles derivada. P o r r a z õ e s a o m e s mo t e m p o óbvias e m u i t o funcionais. E m s u m a . sendo os manuais veículos pedagógicos destinados a perpetuar a ciência n o r m a l . em referências dispersas aos grandes h e róis de u m a época anterior. a tradição derivada dos manuais. b e m c o m o o s d o s leigos. os manuais científicos ( e m u i t a s d a s a n t i g a s h i s t ó r i a s d a c i ê n c i a ) r e f e rem-se somente àquelas partes do trabalho de antigos c i e n t i s t a s q u e p o d e m f a c i l m e n t e ser c o n s i d e r a d a s c o m o contribuições ao e n u n c i a d o e à solução d o s p r o b l e m a s apresentados pelo paradigma dos manuais. Através dessas referências. s e j a u m c a p í t u l o i n t r o d u t ó r i o . A m e n o s q u e t e nha experimentado pessoalmente u m a revolução durante sua vida. 1 observamos que u m a confiança crescente nos m a n u a i s ou seus equivalentes era invariavelmente concomitante com a emergência do primeiro paradigma e m q u a l q u e r d o m í n i o d a c i ê n c i a .s e p a r t i c i p a n t e s . tanto os estudantes c o m o os profissionais sentem-se p a r ticipando de u m a longa tradição histórica. Entretanto. a r g u m e n t a r e m o s q u e a d o m i n a ç ã o de u m a ciência a m a d u r e c i d a por tais textos estabelece u m a diferenç a significativa e n t r e o s e u p a d r ã o d e d e s e n v o l v i m e n t o e aquele de outras disciplinas. Em parte por . No m o m e n t o .

t e n d ê n c i a que chega a afetar m e s m o os cientistas q u e . em vez de e s q u e c e r esses h e r ó i s . n ã o conseg u i r i a m a i s d o q u e c o n c e d e r u m status artificial à i d i o s sincrasia. os cientistas de épocas anteriores são implicitamente representados c o m o se tivessem t r a b a l h a d o s o b r e o m e s m o c o n j u n t o d e p r o b l e m a s fixos e u t i l i z a d o o m e s m o c o n j u n t o d e c â n o n e s e s t á v e i s que a revolução mais recente em teoria e metodologia c i e n t í f i c a fez p a r e c e r científicos. exceto d u r a n t e as crises e as r e voluções. ou a u m e n t a r a i m p o r tância dos detalhes históricos apresentados. a ciência a p a r e ç a . N ã o é d e a d m i r a r q u e os m a n u a i s e as tradições históricas neles implícitas ten h a m q u e ser r e e s c r i t a s a p ó s c a d a r e v o l u ç ã o científica. c o m o s e n d o basicamente cumulativa. ao ser reescrita. Do m e s m o m o d o . C o n t u d o . Multiplicar os detalhes históricos sobre o presente ou o p a s s a d o da ciência. Felizmente. em parte p o r q u e os resultados d a p e s q u i s a científica n ã o r e v e l a m n e n h u m a d e p e n d ê n cia óbvia c o m relação ao contexto histórico da pesquisa e em p a r t e p o r q u e .h i s t ó r i c o d a c o m u n i d a d e científica a o escrever: " A ciência q u e hesita e m esquecer seus fundadores está perdida". n ã o é de admirar q u e . visto que as ciências. c o m o outros e m p r e e n d i m e n t o s profissionais. P o r q u e h o n r a r o q u e os m e l h o r e s e m a i s persistentes esforços da ciência t o r n a r a m possível descartar? A depreciação d o s fatos históricos está profunda e provavelmente funcion a l m e n t e e n r a i z a d a n a i d e o l o g i a d a p r o f i s s ã o científica. Whitehead n ã o estava absolutamente correto. necessitam de seus heróis e xeverenciam suas m e m ó r i a s . W h i t e h e a d c a p t o u o e s p í r i t o a . M a s os cientistas s ã o mais afetados pela t e n t a ç ã o de reescrever a história. P o r certo os cientistas n ã o são o único g r u p o q u e tende a ver o passado de sua disciplina c o m o um desenvolvimento linear em direção ao p o n t o de vista privilegiado do presente. o s c i e n t i s t a s t ê m e s q u e c i d o o u r e visado somente seus trabalhos. ao erro e à confusão h u m a n o s .seleção e em p a r t e p o r distorção. a m e s m a profissão que atribui o mais alto valor possível a d e t a l h e s f a t u a i s d e o u t r a s e s p é c i e s . a posição c o n t e m p o r â n e a do cientista parece m u i t o segura. D i s s o resulta u m a tendência persistente a fazer c o m q u e a História da Ciência p a r e ç a linear e cumulativa. A tentação de escrever a histór i a p a s s a d a a p a r t i r do p r e s e n t e é g e n e r a l i z a d a e p e r e ne. m a i s u m a vez.

p r e c i s a m e n t e n a q u e l e s p r o b l e m a s q u í m i c o s referentes às p r o p o r ç õ e s de combinação. Crew e A. F o i isto q u e D a l t o n fez. de Salvio (Evanston. 101-16 2 . o r e s u l t a d o foi u m a r e o r i e n t a ç ã o n o m o d o d e c o n c e b e r a Química. Sir Isaac Newton'* Matkematical Principies of Natural Philosophy and His System of the World ( B e r k e l e y . d e s d e m u i t o c e d o . pp.VII. L. S o b r e essa o b s e r v a ç ã o d e N e w t o n . K. Sua discussão a respeito da queda dos corpos r a r a m e n t e alude a forças e m u i t o m e n o s a u m a força gravitacional uniforme q u e causasse a queda dos c o r p o s . 1946). n ã o antes q u e seu p r ó p r i o t r a b a l h o criador estivesse q u a s e totalmente c o m p l e t a d o . M a s Galileu n ã o afirmou nada desse gênero. esses p r o b l e m a s parecem ter-lhe ocorrido juntamente com suas soluções e. 1 9 4 6 ) . Ao atribuir a Galileu a resposta a u m a questão que os paradigmas de Galileu não permitiam c o l o c a r . pp. O q u e t o d o s o s r e l a t o s d e D a l t o n o m i t e m s ã o o s efeitos r e v o lucionários resultantes da aplicação da Química a um conjunto de questões e conceitos anteriormente restritos à Física e à Meteorologia. E s s a p a s s a g e m d e v e s e r c o m p a r a d a c o m a d i s c u s s ã o d e G A L I L E U n o s s e u s Dialogues concerning Two New Sciences. XL. reorientação q u e ensinou aos químicos c o m o colocar novas questões e retirar conclusões novas de d a dos antigos.examinam retrospectivamente suas próprias pesquisas. M a s é j u s t a m e n t e e s s a m u d a n ç a n a f o r m u l a ç ã o d e perguntas e respostas que dá conta. NASH. . N a r e a l i d a d e . 2 1 . De fato. p . ver F L O H I A N C A J O R I ( e d . Illinois. trad. Isis. H. m e s m o assim. ) . da transição da Dinâmica aristotélica p a r a a de Galileu e da de Galileu p a r a a de N e w t o n . b e m c o m o nas respostas que estavam dispostos a admitir. 154-76. Ao disfarçar essas m u d a n ç a s . os três informes incompatíveis de Dalton sobre o desenvolvimento do seu a t o m i s m o químico d ã o a i m p r e s s ã o d e q u e ele e s t a v a i n t e r e s s a d o . C a l i f ó r n i a . The Origins (1956). Um outro exemplo: N e w t o n escreveu que Galileu descobrira q u e a força constante da gravidade p r o d u z um movimento proporcional ao quadrado do tempo. of Dalton's Chemical A t o m i o Theory. o teorema cinemático de Galileu realmente t o m a essa forma q u a n d o inserido na matriz dos próprios conceitos dinâmicos d e N e w t o n . o r e l a t o d e N e w t o n e s c o n d e o efeito d e u m a pequena mas revolucionária reformulação nas questões que os cientistas c o l o c a v a m a respeito do m o v i m e n t o . cuja posterior sol u ç ã o o t o r n a r i a f a m o s o . b e m mais do que as novas descobertas empíricas. a tendência 1 2 1. Por exemplo.

E n q u a n t o pedagogia. Mas. Muitos dos quebra-cabeças da ciência n o r m a l contemp o r â n e a p a s s a r a m a existir s o m e n t e d e p o i s d a r e v o l u ç ã o científica m a i s r e c e n t e . a disposição do material q u e a i n d a p e r m a n e c e visível n o s t e x t o s científicos i m p l i c a u m p r o c e s s o q u e . E não foram apenas os problemas que m u - . s e r e a l m e n t e existisse. as quais. e x a m i n a m a s v á r i a s e x p e r i ê n c i a s . P o u c o s d e l e s r e m o n t a m a o início histórico da disciplina na qual a p a r e c e m atualmente. constituem a coleção m o d e r n a dos conhecimentos técnicos. existem grandes possibilidades de q u e essa técnica cause a seguinte impressão: a ciência alcançou seu estado atual através de u m a série de descobertas e invenções individuais.dos m a n u a i s a t o r n a r e m linear o desenvolvimento da ciência acaba escondendo o processo q u e está na raiz d o s e p i s ó d i o s m a i s significativos d o d e s e n v o l v i m e n t o científico. O m a n u a l sugere q u e os cientistas p r o c u r a m realizar. p o r visar e m familiarizar r a p i d a m e n t e o estudante c o m o q u e a c o m u n i d a d e científica c o n t e m p o r â n e a j u l g a c o n h e c e r . os começos de u m a reconstrução histórica que é regul a r m e n t e c o m p l e t a d a p o r t e x t o s científicos p ó s .h i s t ó r i c a d o s e s c r i t o s científicos e c o m a s d i s t o r ç õ e s ocasionais ou sistemáticas examinadas acima. cada um no contexto de u m a revolução determinada. As gerações anteriores ocuparam-se c o m seus próprios p r o blemas. c o m seus próprios instrumentos e cânones de resolução. leis o u t e o r i a s a o c a u d a l d e i n f o r m a ç õ e s p r o p o r c i o n a d o p e l o m a n u a l científico c o n t e m p o r â n e o . o s o b j e t i v o s p a r t i c u l a r e s presentes nos paradigmas atuais. leis e t e o rias da ciência n o r m a l em vigor t ã o isolada e sucessiv a m e n t e q u a n t o possível. quando combinada c o m a atmosfera geralmente a . Os m a n u a i s . conceitos. Os exemplos precedentes colocam em evidência.r e v o l u cipnários. N u m processo freqüent e m e n t e c o m p a r a d o à a d i ç ã o d e tijolos a u m a c o n s t r u ç ã o . d e s d e os primeiros e m p r e e n d i m e n t o s científicos. Essas distorções tornam as revoluções invisíveis. essa t é c nica de a p r e s e n t a ç ã o está acima de q u a l q u e r crítica. n e g a r i a t o d a e q u a l q u e r função às revoluções. os cientistas j u n t a r a m um a um os fatos. M a s nessa reconstrução está envolvido algo mais do q u e a multiplicação de distorções históricas semelhantes às ilustradas acima. M a s n ã o é assim q u e u m a ciência se desenvolve. u m a vez reunidas. c o n c e i t o s .

esses problemas t ê m t a m b é m relação c o m aquilo q u e tais textos a p r e s e n t a m c o m o teorias. segundo os manuais.digma dos manuais adapta à natureza. foram gradualmente descobertos. Um último exemplo poderá esclarecer esta explicação sobre o impacto da apresentação do manual sob r e n o s s a i m a g e m d o d e s e n v o l v i m e n t o científico. mas iuua a reue ac laius e icunas que o paia- . q u e os químicos poderiam ter descoberto através d e e x p e r i ê n c i a s r e a l i z a d a s e m q u a l q u e r u m d o s m u n d o s e m q u e r e a l i z a r a m suas p e s q u i s a s ? O u é a n t e s u m e l e m e n t o — e c o m o tal i n d u b i t á v e l — de um n o v o t e c i d o d e fatos e t e o r i a q u e D a l t o n a d a p t o u a e x p e r i ê n cia q u í m i c a a n t e r i o r . resultando de u m a reformulação rev o l u c i o n á r i a d a t r a d i ç ã o científica a n t e r i o r — u m a t r a d i ç ã o na q u a l a r e l a ç ã o e n t r e o c i e n t i s t a e a n a t u r e z a . q u í m i c o d o s é c u l o X V I I . A referência a Boyle auxilia o neófito a p e r c e b e r que a Q u í mica iniciou c o m as j^_lf nimidas. mas somente transformando a informação previam e n t e acessível e m f a t o s q u e a b s o l u t a m e n t e n ã o e x i s t i a m p a r a o p a r a d i g m a p r e c e d e n t e .s e a o s f a tos". I s s o significa q u e a s teorias t a m b é m n ã o evoluem gradualmente. q u a n d o essa n o ç ã o é introduzida. mediada pelo conhecimento. além disso. N ã o h á d ú v i d a d e q u e essas t e o r i a s " a j u s t a m . Em vez disso. T o d o s os textos elementares de Química d e v e m discutir o conceito de elemento químico. M a s . Quase sempre. sua origem é atribuída a Robert B o y l e . t r a n s f o r m a n d o . ajustando-se a fatos q u e sempre estiveram à nossa disposição. e m c u j o Sceptical Chymist o leitor a t e n t o e n c o n t r a r á u m a d e f i n i ç ã o d e " e l e m e n t o " bastante próxima da utilizada atualmente. diz-lhe q u e u m a das tarefas tradjeionais do cientista é invena Ciaram. não era exatamente a mesma. obviamente. surgem ao m e s m o t e m p o q u e os fatos aos quais se ajustam.a n o c u r s o d o p r o cesso? A aceleração constante p r o d u z i d a p o r u m a força constante é um fato q u e os estudantes de D i n â m i c a p e s q u i s a m d e s d e o i n í c i o da disciplina? Ou é a r e s p o s t a a u m a q u e s t ã o q u e a p a r e c e u pela primeira vez no interior d a t e o r i a d e N e w t o n e que e s t a t e o r i a p o d e r e s p o n d e r utilizando-se do corpo de informações disponíveis antes da formulação da questão? C o l o c a m o s e s s a s q u e s t õ e s a p r o p ó s i t o d e fatos q u e . Por exemplo: a constância da c o m p o s i ç ã o é um simples fato da experiência.

C o n t u d o . A l é m disso. Segundo Boyle ( q u e estava absolutamente c e r t o ) . Sem dúvida esse e r r o é trivial.tar conceitos desse tipo. Os c o n c e i t o s científicos q u e e x p r e s s a m s ó o b t ê m u m significado pleno q u a n d o relacionados. através de Lavoisier. T . 2 6 . K U H K . X L I I I . dentro de um texto ou apresentação sistemática. M a s não inventaram a noção e nem m o dificaram a fórmula verbal q u e serve c o m o sua definição. ilustra u m a vez m a i s o e x e m p l o d e e r r o h i s t ó r i c o q u e faz c o m q u e e s p e cialista e leigos se i l u d a m a r e s p e i t o da n a t u r e z a do e m p r e e n d i m e n t o científico. até os textos m o d e r n o s . Definições verbais c o m o a de Boyle t ê m p o u c o c o n t e ú d o científico q u a n d o c o n s i d e r a d a s e m s i m e s m a s . a fim d e d a r a e s s e s c o n c e i t o s n o v o s s i g n i f i c a d o s n o c o n texto de sua obra. e n q u a n t o história. R o b e r t B o y l e and Structural Chemistry i n the S e v e n t e e n t h C e n t u r y . 3 Q u a l foi e n t ã o o p a p e l h i s t ó r i c o d e B o y l e n a q u e l a parte de seu trabalho que contém a famosa "definição"? 3 . a versão q u e o m a n u a l apresenta da contribuição de Boyle está totalmente equivocada. T a n t o Boyle c o m o Lavoisier modificaram e m a s p e c t o s i m p o r t a n t e s o significado q u í m i c o d a n o ç ã o de "elemento". i s s o n ã o significa q u e a c i ê n c i a t e n h a possuído o conceito de elemento desde a Antigüid a d e . C o m o vimos. m a s mais precisamente instrumentos pedagógicos. a p r o c e d i m e n t o s de m a n i p u l a ç ã o e a a p l i c a ç õ e s do paradigma.o c o m o fim ú n i c o d e a r g u m e n t a r q u e n ã o existia t a l c o i s a c h a m a d a e l e m e n t o q u í m i c o . O q u e n ã o é trivial é a i m a g e m de ciência f o m e n t a d a q u a n d o esse tipo de e r r o é articulado e então integrado na estrutura técnica do texto. N ã o obstante. . Segue-se daí q u e conceitos c o m o o de elem e n t o dificilmente p o d e m ser inventados independentem e n t e de um contexto. Boyle a p r e s e n t o u . r a r a m e n t e precisam ser inventados. d a d o o contexto. n e m Einstein teve q u e inventar ou m e s m o redefinir explicitamente " e s p a ç o " e " t e m p o " . Isis. A definição de Boyle r e m o n t a pelo m e n o s a A r i s tóteles e se projeta. sua "definição" de um elemento não passava de u m a paráfrase de um conceito químico tradicional.2 9 ( 1 9 5 2 ) . t ã o trivial c o m o q u a l q u e r o u t r a i n t e r p r e t a ç ã o e r r ô n e a de d a d o s . a outros conceitos científicos. posto q u e já estão à disposição. N ã o s ã o especificações lógicas e completas de sentido. S . p p .

MABIE BOAS.B o y l e foi o l í d e r d e u m a r e v o l u ç ã o científica q u e . e m v á r i a s p a s s a g e n s . incluindo a q u e teve seu cent r o e m L a v o i s i e r . a o m o d i f i c a r a r e l a ç ã o do " e l e m e n t o " c o m a t e o r i a e a m a n i p u l a ç ã o químicas. o c u p a . M a i s d o q u e q u a l q u e r outro aspecto da ciência. M a s Boyle p r o p o r ciona um exemplo típico tanto do processo envolvido e m cada u m desses estágios c o m o d o q u e ocorre c o m esse processo q u a n d o o c o n h e c i m e n t o existente é incorp o r a d o a u m m a n u a l científico. t r a n s f o r m o u essa n o ç ã o n u m instrum e n t o b a s t a n t e d i v e r s o d o q u e f o r a a t é ali.s e . 1 9 5 8 ) . f o r a m n e c e s s á r i a s p a r a d a r a esse c o n ceito sua forma e função m o d e r n a s . . em seu Robert Boyle and Seventeenth-Century Çhes/ry ( C a m b r i d g e . esta forma pedagógica determ i n o u nossa i m a g e m a respeito da natureza da ciência e do p a p e l d e s e m p e n h a d o pela d e s c o b e r t a e pela invenç ã o no seu progresso. O u t r a s revoluções. 4 4. N e s s e p r o cesso modificou tanto a Química c o m o o m u n d o do quím i c o . c o m a s p o s i t i v a s ntribuições de B o y l e para a evolução do conceito de um elemento ímico.

.

aparece inicialmente a mente de um ou mais i n d i v í d u o s . Sua habilid a d e p a r a fazer e s s a t r a n s i ç ã o ê f a c i l i t a d a p o r d u a s circunstâncias estranhas à maioria dos m e m b r o s de sua . E l e s s e r v e m d e b a s e p a r a u m a n o v a t r a d i ç ã o de ciência n o r m a l . Q u a l é o processo pelo qual um n o v o candidato a p a r a d i g m a substitui seu antecessor? Q u a l q u e r n o v a interp r e t a ç ã o d a n a t u r e z a . A RESOLUÇÃO DE REVOLUÇÕES Os manuais q u e estivemos discutindo são p r o d u zidos somente a partir dos resultados de u m a revoluç ã o científica. S ã o eles os p r i m e i r o s a a p r e n d e r a v e r a ciência e o m u n d o de u m a nova maneira. seja ela u m a d e s c o b e r t a o u u m a teoria.11. Ao examinarmos a questão de sua estrutura omitimos obviamente um problema.

"Por isso. Na ciência.c a beças — em simplesmente comparar um único paradigma c o m a natureza. A l é m disso. tiveram sua atenção concent r a d a sobre p r o b l e m a s q u e p r o v o c a m crises. feitas p e l o e n x a d r i s t a o u p e l o c i e n tista. o t e s t e d e u m p a r a d i g m a ocorre somente depois que o fracasso persistente na resolução de um quebra-cabeça importante dá origem a u m a crise. m e s m o então. t e n t a v á r i o s movimentos alternativos na busca de u m a solução. N a m e d i d a e m q u e s e d e d i c a à c i ê n c i a n o r m a l . c o n frontado c o m um problema estabelecido e tendo a sua f r e n t e (física o u m e n t a l m e n t e ) o t a b u l e i r o . o p e s q u i s a d o r é um s o l u c i o n a d o r de quebra-cabeças e n ã o alguém q u e testa paradigmas. a situação de teste n ã o consiste n u n c a — c o m o é o c a s o da resolução de q u e b r a . S ã o possíveis somente e n q u a n t o o p r ó p r i o p a r a d i g m a é d a d o c o m o p r e s s u p o s t o . lerii-" bremo-nos de que essas são as únicas reconstruções que o h i s t o r i a d o r p o d e f o r n e c e r à s i n v e s t i g a ç õ e s d o filósofo a r e s p e i t o d o s t e s t e s . 5 E x a m i n a d a de forma m a i s detalhada.profissão. o teste representa p a r t e d a c o m p e t i ç ã o e n t r e d o i s p a r a d i g m a s rivais q u e l u t a m p e l a a d e s ã o d a c o m u n i d a d e científica.o s m e nos profundamente q u e seus contemporâneos à concepç ã o de m u n d o e às regras estabelecidas pelo velho par a d i g m a . t e s t a m a s i m e s m a s e n ã o a s r e g r a s d o j o g o . a o fazer i s s o ele n ã o e s t á t e s t a n d o o paradigma. Invariavelmente. ocorre somente depois que o sentimento de crise evocar um c a n d i d a t o alternativo a paradigma. Essas t e n t a t i v a s d e a c e r t o . v e r i f i c a ç õ e s e falsificações de t e o r i a s científicas e s t a b e l e c i d a s . A s s e m e l h a . E . d u r a n t e a b u s c a d a s o l u ç ã o p a r a u m quebra-cabeça determinado.s e m a i s a o e n x a d r i s t a q u e . C o m o c o n s e g u e m e o q u e d e v e m fazer p a r a converter todos os m e m b r o s de sua profissão à sua m a n e i r a de v e r a c i ê n c i a e o m u n d o ? O q u e l e v a um g r u p o a abandonar u m a tradição de pesquisa normal por outra? P a r a p e r c e b e r a p r e m ê n c i a d e s s a s q u e s t õ e s . testar diversas abordagens alternativas. Ao invés disso. E m b o r a ele p o s s a . N ã o e x i s t e m m u i t o s filósofos d a c i ê n c i a q u e b u s q u e m c r i t é r i o s . essa formulação apresenta paralelos inesperados e provavelmente significativos c o m d u a s d a s m a i s p o p u l a r e s t e o r i a s filosóficas c o n t e m p o r â n e a s s o b r e a v e r i f i c a ç ã o . rejeitando as q u e n ã o p r o d u z e m o result a d o d e s e j a d o . são habitualmente t ã o jovens ou tão novos na área e m c r i s e q u e a p r á t i c a científica c o m p r o m e t e u .

P a r a responder a essa q u e s t ã o . v e r F . todas as teorias de verificação probabilísticas r e c o r r e m a u m a ou outra das linguagens de observação puras ou neutras discutidas n o C a p . ela n ã o terá acesso a todas as experiências ou teorias possíveis. tal c o n s t r u ç ã o é n e c e s s á r i a p a r a a c o m p u t a ç ã o d e p r o b a b i l i d a d e s específicas. Para um breve e s b o ç o das principais maneiras de abordar t e o r i a s d e v e r i f i c a ç ã o p r o b a b i l í s t i c a s . R N E S T N A G E L . m a s é difícil p e r c e b e r c o m o p o s s a s e r o b t i d a . m a s p e l a s u a p r o b a b i l i d a d e . da c o m p a r a ç ã o entre teorias e evidências m u i to difundidas. ela indica u m a das direções pelas quais deverão avançar as futuras discussões sobre o p r o b l e m a da verificação. as teorias e observações em questão estão s e m p r e estreitamente relacionadas a outras já existentes. M u i t o provavelmente. Essa escolha é a m e l h o r possível. U m a teoria probabilística requer q u e c o m p a r e m o s a t e o r i a científica e m e x a m e c o m t o das as outras teorias imagináveis que se adaptem ao m e s m o conjunto d e d a d o s observados. E s s a insistência em c o m p a r a r teorias caracteriza igualm e n t e a situação histórica na qual u m a nova teoria é aceita. n ã o s e a t e o r i a foi v e r i f i c a d a . 9 . n ã o p o d e h a v e r n e n h u m sistem a d e l i n g u a g e m o u d e c o n c e i t o s q u e seja científica o u e m p i r i c a m e n t e n e u t r o . C o m t a l l i m i t a ç ã o . as teorias probabilísticas dissimulam a situação de verificação t a n t o q u a n t o a iluminam.a b s o l u t o s p a r a a v e r i f i c a ç ã o d e t e o r i a s científicas. E m b o r a essa situação d e p e n d a efetivamente. Entretanto. I. 6 da International Encyclopedia Vnified Science. conforme insistem. A verificação é c o m o a seleção natural: escolhe a mais viável entre as alternativas existentes em u m a situação histórica determinada. P e r c e b e n d o q u e n e n h u m a teoria p o d e ser s u b m e t i d a a t o d o s o s t e s t e s r e l e v a n t e s possíveis. p e r g u n t a m . as of of . Conseqüentemente. u m a escola importante é levada a c o m p a r a r a habilidade das diferentes teorias p a r a explicar a evidência disponível. pp. nas suas formas mais usuais. Principies lhe Theory of Probability. U m a outra exige a construção imaginária de todos os testes que poss a m ser concebidos p a r a testar determinada teoriaii' A p a r e n t e m e n t e . q u a n d o existem o u t r a s alternativas o u d a d o s d e 1. S e . d a d a a evidência existente. 60-75. e n t ã o a c o n s t r u ç ã o de testes e teorias alternativas deverá derivar-se de alguma tradição b a s e a d a e m u m p a r a d i g m a . v. n. c o m o j á a r g u m e n t a m o s . a b s o l u t a s o u r e l a t i v a s .

d u v i d o m u i t o d e q u e essas últimas existam. (Nova York. enfatiza a i m p o r t â n c i a da fals i f i c a ç ã o . The Logic especialmente Caps. então os seguidores de P o p p e r necessitam de algum critério d e " i m p r o b a b i l i d a d e " o u d e " g r a u d e falsificação". Ao invés disso. é q u a s e c e r t o q u e e n c o n t r a r ã o a m e s m a cadeia de dificuldades que perseguiu os advogados das diversas teorias de verificação probabilísticas. se somente um grave fracasso da tent a t i v a d e a d e q u a ç ã o justifica a r e j e i ç ã o d e u m a t e o r i a . Ao contrário: é precisamente a adequação incompleta e imperfeita entre a teoria e os dados q u e define. M a s a falsificação. as experiências a n ô m a l a s n ã o p o d e m ser identificadas c o m a s e x p e r i ê n c i a s d e falsificação. POPPER. pois não dispomos de instrumentos q u e p o s s a m ser e m p r e g a d o s n a p r o c u r a d e r e s p o s t a s . A o e l a b o r a r tal c r i t é r i o . C o m o já enfatizamos repetidas vezes. A experiência a n ô m a l a de P o p p e r é i m p o r t a n t e p a r a a ciência p o r q u e gera competidores p a r a um paradigma e x i s t e n t e . torna inevitável a rejeição de u m a teoria estab e l e c i d a . P o r outro lado.I V . of Scienlific Discovery. N a v e r d a d e . 1939). 2 M u i t a s d a s d i f i c u l d a d e s p r e c e d e n t e s p o d e m ser evitadas através do r e c o n h e c i m e n t o do fato de que essas duas concepções vigentes (e opostas) a respeito da lógica s u b j a c e n t e à i n v e s t i g a ç ã o científica t e n t a r a m c o m primir em um só dois processos m u i t o separados. d o t e s t e q u e . a o e v o c a r e m crises. e m b o r a c e r t a m e n t e o c o r 2. I . n e n h u m a teoria resolve todos os quebra-cabeças c o m os quais se defronta em u m d a d o m o m e n t o . e x p e r i ê n c i a s q u e . O p a p e l q u e P o p p e r a t r i b u i à falsificação a s s e melha-se m u i t o ao q u e este ensaio confere às experiênc i a s a n ô m a l a s . . p r e p a r a m c a m i n h o para u m a nova teoria. em qualquer m o m e n t o . P o r sua vez. U m a a b o r d a g e m m u i t o d i f e r e n t e d e t o d o esse c o n j u n t o d e p r o b l e m a s foi d e s e n v o l v i d a p o r K a r l P o p p e r . q u e nega a existência de qualquer p r o c e d i m e n t o de verificação. t o d a s a s t e o r i a s d e v e r i a m ser s e m p r e r e j e i t a d a s . K. N ã o obstante. m u i tos d o s q u e b r a . R. e m v i s t a d e s e u r e s u l t a d o negativo. isto é . a s soluções e n c o n t r a das n e m sempre são perfeitas.c a b e ç a s q u e c a r a c t e r i z a m a c i ê n c i a n o r mal. isto é .o u t r a e s p é c i e ? T a l q u e s t ã o n ã o p o d e ser c o l o c a d a d e maneira produtiva. Se t o d o e qualquer fracasso na tentativa de a d a p t a r t e o r i a e d a d o s fosse m o t i v o p a r a a r e j e i ç ã o d e t e o r i a s .

a emerg ê n c i a d e u m a a n o m a l i a o u d e u m e x e m p l o q u e leve à falsificação. a q u e m e l h o r se a d e q u a v a aos fatos. faz c o m q u e a t a r e f a d e e s c o l h e r e n t r e p a r a d i g m a s p a r e ç a m a i s fácil e m a i s familiar do q u e realmente é. n e m a de Lavoisier c o n c o r dassem precisamente c o m as observações existentes. m e s m o q u e e m p e q u e n a escala. A l é m disso. t e m p o u c o sentido sugerir q u e a verificação c o n siste e m e s t a b e l e c e r o a c o r d o d o f a t o c o m a t e o r i a . n e m a teoria de Priestley. d e u m p r o c e s s o s u b s e q ü e n t e e s e p a r a d o . e n t r e t a n t o . P o r e x e m p l o . N ã o p o d e m o s dar u m a resposta mais precisa q u e essa à questão que pergunta se e em que medida u m a teoria individual se a d e q u a aos fatos. T a l c o - . t a i s c o n d i ç õ e s n u n c a s ã o c o m p l e t a m e n t e satisfeitas.s e . a c o m p e t i ç ã o e n t r e p a r a d i g m a s p o d e r i a ser r e s o l v i d a d e u m a f o r m a m a i s o u m e n o s r o tineira. n a r e a l i d a d e . das duas. C r e i o q u e e s s a f o r m u l a ç ã o e m d o i s níveis tem a virtude de possuir u m a grande verossimilhança. Ao m e n o s para o historiador. p o d e n d o igualmente capacitar-nos a começar a explicar o p a p e l do a c o r d o ( o u d e s a c o r d o ) e n t r e o fato e a t e o ria no processo de verificação. A q u e l e s q u e p r o p õ e m o s p a r a digmas em competição estão sempre em desentendimento. é nesse p r o c e s s o c o n j u n t o de v e r i f i c a ç ã o e falsificação q u e a c o m p a r a ç ã o probabilística d a s teorias d e s e m p e n h a u m p a pel c e n t r a l . N e n h u m a d a s partes aceitará todos os pressupostos não-empíricos de q u e o adversário necessita p a r a defender sua posição. visto consistir no triunfo de um n o v o p a r a d i g m a sobre um anterior. M a s . T o d a s a s t e o r i a s h i s t o r i c a m e n t e significativas c o n c o r d a r a m c o m o s fatos. F a z muito sentido perguntar qual das d u a s teorias existentes que estão em c o m p e t i ç ã o a d e q u a .s e melhor a o s f a t o s . q u e b e m p o d e r i a ser c h a m a d o de verificação. ou simplesmente devido. Se houvesse apenas um conj u n t o d e p r o b l e m a s científicos. T r a t a . n ã o aparece com. E s s a f o r m u l a ç ã o . e m b o r a . M a s questões semelhantes p o d e m ser feitas q u a n d o t e o r i a s s ã o t o m a d a s e m c o n junto ou m e s m o aos pares. u m ú n i c o m u n d o n o q u a l ocupar-se deles e um único conjunto de padrões científicos p a r a s u a s o l u ç ã o . empregando-se algum processo c o m o o de contar o n ú m e r o de problemas resolvidos por cada um deles.ra. m a s somente d e u m a f o r m a relativa. p o u cos c o n t e m p o r â n e o s hesitaram por mais d e u m a d é c a d a p a r a concluir que a teoria de Lavoisier era. a o c o n t r á r i o .

a o c o n t r á r i o d a s t e o r i a s d e Aristóteles e D e s c a r t e s .l a s b r e v e m e n te. q u e s t õ e s r e l a t i v a s à s qualidades das substâncias químicas foram novamente i n c o r p o r a d a s à c i ê n c i a . a teoria química de Lavoisier. impedia os químicos de perguntarem por que os metais eram tão semelhantes entre si. E n t r e t a n t o . p r é e p ó s . p o n t o p r e c i s a m o s a p e n a s r e c a p i t u l á . U m a teoria d o m o v i m e n t o deve explicar a causa das forças de atração entre partículas de m a t é r i a ou simplesmente indicar a existência d e tais f o r ç a s ? A d i n â m i c a d e N e w t o n foi a m p l a m e n t e r e j e i t a d a p o r q u e . a Teoria Geral da Relatividade poderia orgul h o s a m e n t e a f i r m a r ter r e s o l v i d o e s s a q u e s t ã o . forçados a um diálogo de surdos. tal c o m o a t r a n s i ç ã o a o d e N e w t o n . mais tarde.mo Proust e Berthollet. N o s é c u l o X X . C o l e t i v a m e n t e . E m b o r a cada um d e l e s p o s s a ter a e s p e r a n ç a de c o n v e r t e r o a d v e r s á r i o à s u a m a n e i r a de v e r a c i ê n c i a e a s e u s p r o b l e m a s . algo mais do que a incomensurabilidad e d o s p a d r õ e s científicos está e n v o l v i d o a q u i . s i g n i f i c a r a não a p e nas a p e r d a de u m a pergunta permissível. m a s t a m b é m a de u m a solução já obtida. a p r i m e i r a a l t e r n a t i v a foi b a n i d a d a c i ê n c i a . i m p l i c a v a a e s c o l h a da s e g u n d a a l t e r n a t i v a . n e n h u m dos dois p o d e ter a esperança de d e m o n s t r a r sua posição. q u e s t ã o e s s a q u e a Q u í m i c a F l o g í s t i c a p e r g u n t a r a e r e s p o n d e r a . q u a n d o de sua discussão sobre a composição dos compostos químicos serão. A competição entre paradigmas n ã o é o t i p o d e b a t a l h a q u e p o s s a ser r e s o l v i d o p o r meio d e provas. nesjte. Em primeiro lugar. q u a n d o a t e o r i a d e N e w t o n foi aceita. essa p e r d a n ã o foi p e r m a n e n t e . Já vimos várias razões pelas quais os proponentes de paradigmas competidores fracassam necessariamente n a tentativa d e estabelecer u m contato completo entre s e u s p o n t o s d e vista d i v e r g e n t e s . A t r a n s i ç ã o ao p a r a d i g m a de L a v o i s i e r . tal c o m o disseminada no século X I X .r e v o l u c i o n á r i a s . P o r c o n s e g u i n t e . essas razões foram descritas c o m o a incomensurabilidade das t r a d i ç õ e s científicas n o r m a i s . C o n t u d o . até certo ponto. D o m e s mo m o d o . j u n t a m e n t e c o m a l g u m a s de suas respostas. D a d o . Entretanto. S e u s p a d r õ e s científicos o u s u a s d e f i n i ç õ e s d e ciência n ã o são o s m e s m o s . os proponentes de p a r a d i g m a s c o m p e t i d o r e s d i s c o r d a m s e g u i d a m e n t e q u a n t o à lista d e problemas que qualquer candidato a paradigma deve res o l v e r .

homogêneo. isotrópico e não afetado p e l a p r e s e n ç a d a m a t é r i a . conceitos e experiências antigos estabelecem novas relações entre sL O r e s u l t a d o i n e v i t á v e l é o q u e d e v e m o s c h a m a r . 1 9 4 7 ) . que o paradigma tradicional já empregara. a física n e w toniana n ã o teria produzido resultados. aqueles que c h a m a r a m Copérnico de louc o p o r q u e este p r o c l a m o u q u e a T e r r a s e m o v i a . e t c . a força. físicos e filósofos q u e t e n t a r a m d e s e n v o l v e r u m a versão euclidiana da teoria de Einstein. Somente os que haviam experimentado juntos (ou deixado de experimentar) essa transformação seriam capazes de descobrir precisamente quais seus pontos d e a c o r d o o u d e sacordo. . a inovação de Copérnico n ã o consistiu simplesmente em movimentar a Terra. . C a p . O q u e anteriormente se entendia p o r espaço e r a algo necessariamente plano. A propósito das reações de leigos ao conceito de espaço curvo. incorpor a m comumente grande parte do vocabulário e dos aparatos. teve q u e ser alterada e n o v a m e n t e rearticulada em termos do conjunto da natureza. e m b o r a o t e r m o n ã o seja b e m p r e c i s o . q u e necessariamente modificava o sentido das expressões " T e r r a " e 3 3. o t e m p o . M a s raramente util i z a m esses e l e m e n t o s e m p r e s t a d o s d e u m a m a n e i r a t r a dicional. termos. t o d a a teia c o n c e i t u a i c u j o s fios s ã o o e s p a ç o . Einstein and the Untverse. t r a d u z i d o e e d i t a d o p o r G. P a r a levar a cab o a t r a n s i ç ã o a o u n i v e r s o d e E i n s t e i n . A c o m u n i c a ç ã o através da linha divisória r e volucionária é inevitavelmente parcial. a m a t é r i a . P e l o m e n o s . tanto conceituais como de manipulação. A respeito de a l g u m a s tentativas feitas para preservar as conquistas da relatividade geral n o c o n t e x t o d e u m e s p a ç o e u c l i d i a n o . . p p . E r a antes u m a maneira completamente nova de encarar os p r o b l e m a s da Física e da Astronomia. I X . d e u m m a l .que os novos paradigmas nascem dos antigos. Kusalca ( N o v a Y o r k . t a l t e r r a n ã o p o d i a m o ver-se. Consideremos. por exemplo. N ã o fosse a s s i m . R o s e n e S. Do m e s m o m o d o .I P P F U N K . v e r C . nem pouco. 1 9 2 2 ) . t r a d . O s leigos q u e z o m b a v a m da Teoria Geral da Relatividade de Einstein p o r q u e o e s p a ç o n ã o p o d e r i a ser " c u r v o " — p o i s n ã o e r a esse tipo de coisa — n ã o estavam simplesmente errados ou enganados. Parte do q u e e n t e n d i a m pela expressão " T e r r a " referia-se a u m a p o s i ç ã o fixa. v e r P H U . his Life and Times.e n t e n d i d o e n t r e a s d u a s e s c o l a s c o m p e t i d o r a s . N O K D M A N N . nem completamente errados. Einstein. M c C a b e ( N o v a Y o r k . 142-146. Tampouco estavam errados os mat e m á t i c o s . J . N ã o estavam. D e n t r o do novo paradigma.

são os cientistas levados a realizar essa transposição? P a r t e da resposta é q u e freqüentem e n t e n ã o são levados a realizá-la de m o d o algum. que são visualizadas m a n t e n d o r e l a ç õ e s d i f e r e n t e s e n t r e si. 5 . É p o r i s s o q u e u m a lei. M a x . o c o n c e i t o d e Terra em movimento era u m a loucura. Um dos temas centrais do livro t e m a ver c o m a extensão em que o heliocentrismo era mais do q u e u m a questão puramente astronômica. pode. Em um sentido que sou incapaz de explicar melhor. Concepts o i Space. misturas. 4 5 C o m o . T a l c o m o a m u d a n ç a d a f o r m a (Gestalt) v i s u a l . S . M a s s . S e m tais m o d i f i c a ç õ e s . . Precisamente por tratar-se de u m a transição entre incomensuráveis. p o r i m p o s i ç ã o da Lógica e de experiências neutras. parecer intuitivamente óbvia a o u t r ç j É p o r isso. E m u m caso. então. . 1 9 5 7 ) . as soluções são compostos. u m d o s g r u p o s d e v e e x p e r i m e n t a r a c o n versão que estivemos c h a m a n d o de alteração de paradigma. ( C a m b r i d g e . o o u t r o . t a n t o D e s c a r t e s c o m o Huyghens puderam compreender que a questão d o m o v i m e n t o d a T e r r a n ã o possuía c o n t e ú d o científico. A m b o s o l h a m p a r a o m u n d o e o que olham n ã o mudou. o s d o i s g r u p o s d e c i e n t i s tas v ê e m coisas diferentes q u a n d o o l h a m d e u m m e s m o p o n t o p a r a a m e s m a d i r e ç ã o . Esses exemplos a p o n t a m p a r a o terceiro e mais fundamental aspecto da incomensurabilidade dos paradigm a s em competição. a transição entre paradigmas em comp e t i ç ã o n ã o p o d e ser feita p a s s o a p a s s o . 1 9 5 4 ) . M a s s . O 4 . Caps. Por outro lado." m o v i m e n t o " . K U H N . feitas e e n t e n d i d a s e s s a s m o d i f i c a ç õ e s . a t r a n s i ç ã o d e v e o c o r rer subitamente ( e m b o r a n ã o necessariamente n u m instante) ou então não ocorre jamais. T . The Copernican Revolution ( C a m b r i d i g e . M a s em algumas áreas vêem coisas diferentes. igualmente. III. I s s o n ã o significa q u e possam ver o que lhes aprouver. o outro pêndulos q u e repetem seus movimentos sem cessar. os proponentes dos paradigmas comp e t i d o r e s p r a t i c a m s e u s ofícios e m m u n d o s d i f e r e n t e s . e m u m a m a t r i z c u r v a . 118-124. q u e p a r a u m g r u p o n ã o p o d e n e m m e s m o s e r d e monstrada.^Por e x e r c e r e m s u a p r o fissão e m m u n d o s d i f e r e n t e s . q u e antes de poder esperar o estabelecimento de u m a comunicação p l e n a e n t r e si. . Um encontra-se inserido n u m a matriz de espaço plana. ocasionalmente. J A M M E R . IV e V I I . Um contém corpos que caem lentamente. no outro. p p .

PLANCK. eu a r g u m e n t a r i a q u e em tais assuntos. q u e s e r ã o c a p a z e s d e examinar ambos os lados da questão com imparcialid a d e " . L o r d e Kelvin a teoria eletromagnética e assim p o r diante. n e m s e m p r e p o d e m admitir seus erros. Franklin and Newton: An Inquiry into Speculative Newtonian Experimental Science and Franklin's Work in Electricity as an Example Thereof. convencer naturalistas e x p e r i m e n t a d o s cujas m e n t e s estão o c u p a d a s p o r u m a m u l t i d ã o de fatos. N o v a Y o r k . . 1956). N o p a s s a d o f o r a m seguidamente considerados como indicadores de que os cientistas. On the Orígin of Species. n u m a passagem particularmente perspicaz. 295-296. 33-34. 1 8 8 9 ) . 7 8 Esses e outros fatos do m e s m o g ê n e r o s ã o d e m a siadamente conhecidos p a r a necessitarem de maior ênfase. especialmente no Continente europeu. de forma alguma. i n g l e s a . . C h a r l e s . c o n f o r m e a 6. M a x Planck. As dificuldades da conversão foram freqüentemente indicadas pelos próprios cientistas. M a s n e c e s s i t a m d e r e a v a l i a ç ã o . 1 9 4 9 ) . (Filadélfia. . 93-94. m a s p o r q u e seus oponentes finalmente m o r r e m e u m a n o v a geração cresce familiarizada c o m ela". senão mais de meio século depois do a p a r e c i m e n t o d o s Principia* P r i e s t l e y n u n c a a c e i t o u a teoria do oxigênio. . (ed. A o b r a de N e w t o n não alcançou aceitação geral. B. pp. F . I. (Nova Y o r k . escreveu: " E m b o r a esteja p l e n a m e n t e convencido d a verdade das concepções apresentadas neste v o l u m e . . m e s m o q u a n d o defrontados c o m p r o vas rigorosas. À t r a n s f e r ê n c i a de a d e s ã o de um p a r a d i g m a a o u t r o é u m a experiência d e c o n v e r s ã o q u e n ã o p o d e ser forçada. 7. especialmente por p a r t e daqueles cujas carreiras produtivas c o m p r o m e teu-os c o m u m a tradição mais antiga d a ciência n o r m a l . e d . Ao invés disso. p p . A resistência de t o d a u m a vida. Max. n ã o espero. sendo apenas h u m a n o s . desde um p o n t o de vista d i a m e t r a l m e n t e o p o s t o ao m e u . p p . n e m erro estão em questão. n ã o é u m a v i o l a ç ã o d o s p a d r õ e s científicos. n e m prova. o b s e r v o u t r i s t e m e n t e q u e " u m a n o v a v e r d a d e científica n ã o t r i u n f a c o n v e n c e n d o seus o p o n e n t e s e fazendo c o m q u e vejam a luz. II. m a s 6. concebidos através d o s anos. .c o p e r n i c i s m o fez p o u c o s a d e p t o s d u r a n t e q u a s e u m s é culo. trad. após a morte de Copérnico. Darwin. G a y n o r . Scientific Autobiography and Other Papers. 8. ao passar em revista a sua carreira no s e u Scientific Autobiography. ( M a s ) encaro c o m confiança o futuro — os n a t u r a listas j o v e n s q u e e s t ã o s u r g i n d o . D A K W I N . C O H E N . autorizada. .

m a s e x a t a m e n t e p o r q u e eles o são. a s c o m u n i d a d e s científicas s e g u i d a m e n t e t ê m sido convertidas a novos p a r a d i g m a s .s e c o m o r e s u l t a d o d e s s e e x a me p a r a sugerir q u e a p e r g u n t a acerca da n a t u r e z a do a r g u m e n t o científico — q u a n d o e n v o l v e a p e r s u a s ã o e . p o s s a m resistir indefinidam e n t e . explorando o alcance potenc i a l e a p r e c i s ã o do v e l h o p a r a d i g m a e e n t ã o i s o l a n d o a d i f i c u l d a d e cujo e s t u d o p e r m i t e a e m e r g ê n c i a d e u m novo paradigma! C o n t u d o . (E somente através da ciência n o r m a l q u e a c o m u n i d a d e profissional de cientistas obtém sucesso. M a s é t a m b é m algo mais. primeiro. O c o r r e r ã o algumas conversões de c a d a vez. p r e c i s a m e n t e p o r q u e se r e f e r e a t é c n i cas de p e r s u a s ã o ou a a r g u m e n t o s e c o n t r a . o q u e j á foi d i t o c o m b i n a . essas conversões n ã o o c o r r e m apesar de os cient i s t a s s e r e m h u m a n o s .a r g u m e n t o s em u m a situação onde n ã o pode haver provas. T e r e m o s q u e n o s c o n t e n t a r c o m um e x a m e muito parcial e impressionista.u m í n d i c e d a p r ó p r i a n a t u r e z a d a p e s q u i s a científica. A f o n t e d e s s a r e s i s t ê n c i a é a c e r t e z a de q u e o p a r a d i g m a antigo acabará resolvendo todos os seus problemas e q u e a n a t u r e z a p o d e ser e n q u a d r a d a n a e s t r u t u r a p r o porcionada pelo modelo paradigmático^ Inevitavelment e . a maioria deles p o d e ser atingida de u m a m a n e i ra ou outra. E m b o r a algum a s v e z e s seja n e c e s s á r i o u m a g e r a ç ã o p a r a q u e a m u d a n ç a s e r e a l i z e . Precisamos p o r t a n t o perguntar c o m o se p r o d u z a conversão e c o mo se r e s i s t e a e l a . especialmente os mais velhos e mais experientes. e m p e r í o d o s d e r e v o l u ç ã o . A l é m disso. afirmar q u e a resistência é inevitável e l e g í t i m a e q u e a m u d a n ç a d e p a r a d i g m a n ã o p o d e ser justificada através de p r o v a s n ã o é afirmar q u e n ã o existem a r g u m e n t o s relevantes ou q u e os cientistas n ã o p o d e m ser persuadidos a m u d a r de idéia. Q u e espécie d e resposta p o d e m o s esperar? N o s s a q u e s t ã o é n o v a . todos os m e m bros da profissão passarão a orientar-se por um único — m a s já a g o r a diferente — p a r a d i g m a . fi essa m e s m a certeza q u e t o r n a possível a ciência n o r m a l ou solucion a d o r a de quebra-cabeças. t a l c e r t e z a p a r e c e ser o b s t i n a ç ã o e t e i m o s i a e em a l g u n s c a s o s c h e g a r e a l m e n t e a sê-lo. E m b o r a alguns cientistas. até que. morrendo os últimos opositores. exigindo precisamente p o r isso u m a espécie de e s t u d o q u e ainda n ã o foi e m p r e e n d i d o . A l é m disso.

N o v a Y o r k . a m a i s eficaz de t o d a s . A d i o c o n t u d o esse problem a a t é o c a p í t u l o f i n a l e e n q u a n t o isso e x a m i n a r e i a l g u n s dos tipos de argumentos que se revelam particularmente eficazes n a s b a t a l h a s r e l a c i o n a d a s c o m m u d a n ç a s d e p a radigmas. 44-49. S T R U T T . T a i s p r o b l e m a s . o trabalho foi aceito c o m muitas desculpas. p p . p. John William Strutt. .s e c o m freqüência inúteis. mas c o m o tipo de c o m u n i d a d e q u e c e d o ou t a r d e se re-form a c o m o u m único g r u p o . Em última instância. J. 1924). N o s s a p r e o c u p a ç ã o n ã o será com os argumentos que realmente convertem um ou outro indivíduo. 9 10 Provavelmente a alegação isolada mais c o m u m e n t e apresentada pelos defensores de um n o v o p a r a d i g m a é a de q u e são capazes de resolver os p r o b l e m a s que cond u z i r a m o antigo p a r a d i g m a a u m a crise. 1 0 . já c o m a reputação estabelecida. (ed. p o r exemplo. BURTT.s e inteir a m e n t e fora da esfera a p a r e n t e da ciência. ver A. A respeito do papel da reputação. M e s m o a n a cionalidade ou a r e p u t a ç ã o prévia do inovador e seus mestres p o d e m d e s e m p e n h a r algumas vezes um papel significativo. C o pérnico. S e u n o m e foi o m i t i d o i n a d v e r t i d a m e n t e q u a n d o o artigo foi e n v i a d o p e l a primeira vez e o trabalho foi rejeitado c o m o sendo obra de um "amante d e p a r a d o x o s " (paradoxer~). precisam o s a p r e n d e r a c o l o c a r e s s a q u e s t ã o d e m a n e i r a diferente. 2 2 8 .s e q u e o p a r a d i g m a e n f r e n t a p r o b l e m a s n o s e t o r n o q u a l tal a l e g a ç ã o é feita. O u t r o s cientistas d e p e n d e m d e i d i o s s i n c r a s i a s d e n a t u r e z a a u t o b i o gráfica ou relativas a sua personalidade. E .. portanto. Algumas dessas raz õ e s — p o r e x e m p l o . j á c o m o n o m e d o a u t o r . The Metaphysical Foundations of Modem Physical Science rev. Cientistas individuais a b r a ç a m um novo paradigma por toda u m a sorte de razões e normalmente por várias delas ao m e s m o tempo. alegava ter resolvido o proble9. foram explorados r e p e t i d a m e n t e e a s t e n t a t i v a s p a r a r e m o v ê . 4th Baron R a y l e i g h . Sobre o papel da adoração do Sol no p e n s a m e n t o de Kepler. consideremos o seguinte: Lorde Rayleigh. S a b e . 1 9 3 2 ) . R. P o u c o d e p o i s . nesses casos. "Experiências cruciais" — aquelas capazes de discriminar de forma particularmente nítida entre dois paradigmas — foram reconhecidas e atestadas antes m e s m o da invenção do novo paradigma.n ã o a p r o v a — n ã o p o d e ter u m a r e s p o s t a ú n i c a o u uniforme.l o s r e v e l a r a m . Third Baron Rayleigh ( N o v a York. Q u a n d o p o d e ser feita l e g i t i m a m e n t e . a a d o r a ç ã o do Sol q u e a j u d o u a fazer d e K e p l e r u m c o p e r n i c a n o — e n c o n t r a m . e s s a a l e g a ç ã o é . apresentou um trabalho a British A s s o c i a t i o n tratando d e alguns p a r a d o x o s d a E l e t r o d i n â m i c a . s e g u i d a m e n t e .

dos' Quantum Theory (Londres. Caps. A superioridade quantitativa das T^bitlae rudolphinae d e K e p l e r s o b r e t o d a s a s c o m p u d a i s c o m base n a teoria p t o l o m a i c a foi u m fator i m p o r tit«s na conversão de astrônomos ao copernicismo. a teoria de C o p é r n i c o n ã o ^ a m a i s precisa q u e a de P t o l o m e u e n ã o c o n d u z i u i m e W a m e n t e a n e n h u m aperfeiçoamento do calendário. T . V I .I X . < o contribuirá a b s o l u t a m e n t e para a r e s o l u ç ã o d o s pro"'femas q u e p r o v o c a r a m c r i s e . c a s o o n o v o p a r a d i g m a apresente u m a preg ã o quantitativa n o t a v e l m e n t e superior à d e seu c o m p e t i d o r mais antigo. m o do átomo de Bohr. Alegações dessa natureza têm grande probabilida~S c3e êxito. a a l e g a ç ã o de ter r e s o l v i d o os p r o b l e m a s IHe p r o v o c a m crises raras v e z e s é suficiente p o r si m e s a . L a v o i s i e r ter r e s o l v i d o o s p r o b l e a s da identidade dos gases e das relações de peso e ^ ' n s t e i n ter t o r n a d o a E l e t r o d i n â m i c a c o m p a t í v e l c o m n a . ciência reelaborada d o m o v i m e n t o . A propósito ^ outros exemplos citados neste parágrafo.s e c i ê n c i a física c o m o u m t o d o . N e s t e s é c u l o .s e necessário buscar evidências em outros setores da e a de estudos — o q u e . no p e r í o d o i m e d i a t o a s u a prif e i r a a p a r i ç ã o . Na v e r d a d e . O c e . N e w t o n ter r e c o n c i l i a d o a M e c â n i c a T e r s t « " e c o m a C e l e s t e . A b r i a ondulatória da luz. de qualquer forma. eram invar^Hvelmente qualitativas. t a t a s u s u e C C i t o a c r 1 1 C o n t u d o . e m b o r a . a prá"^a m a i s livre q u e c a r a c t e r i z a a p e s q u i s a e x t r a o r d i n á r i a Produzirá um c a n d i d a t o a paradigma que. R E I C H E . t o m a n d o . persuadiram rapidamente muiS cientistas a adotar essas teorias.d e h á m u i t o irritante. S o b r e os p r o b l e m a s c r i a d o s p e l a T e o r i a d o s Quanta. é realim a r t e m v a e i s a n a n a a r u 1 1 . ver as referências anteriores ^e c a p í t u l o . o i m p r e s s i o n a n t e * i t o quantitativo tanto d a L e i d a R a d i a ç ã o d e Planck. e m b o r a razoáveis. A l g u m a s v e z e s . q u e era u m a d a s principais c a u s d a crise existente n a Óptica. que. n ã o foi t ã o b e m s u c e d i d a c o m o s u a ril corpuscular n a resolução d o problema relativo aos ^ i t o s de polarização. m r c m U 1 a. 1922). Q u a n d o i s s o o c o r r e . relativo à e x t e n s ã o d o a n o c a l e n d á r i o . t o r . inicialmente. n e m s e m p r e p o d e ser l e g i t i m a m e n t e F*resentada. v e r F . a m b a s c o n t r i b u i ç õ e s i a s s e m muito mais problemas do que soluções. s s o de N e w t o n na predição de observações astronômicas q u a n t i t a t i v a s f o i p r o v a v e l m e n t e a r a z ã o i s o l a rnais importante para o triunfo de sua teoria sobre a s competidoras. A l é m disso. I I .

z a d o com freqüência. p p . por exemplo.. p a r e c e n ã o ter a n t e c i p a d o q u e a T e o r i a G e r a l da R e l a tividade haveria de explicar com precisão a bem conhecida anomalia no m o v i m e n t o do periélio de M e r c ú r i o . L o n d r e s . p . a s fases d e V ê n u s e u m n ú m e r o i m e n s o d e e s t r e las d e c u j a e x i s t ê n c i a n ã o s e s u s p e i t a v a . foram conq u i s t a d o s p a r a a n o v a t e o r i a p o r tais o b s e r v a ç õ e s . A. No tocante! à reação de Einstein ao constatar o acordo perfeito entre as p r e d i c õ e s da teoria e o m o v i m e n t o observado do periélio de Mercúrio. T . A resistência oposta pelos cientistas franceses ruiu subitamente e de maneira quase completa q u a n d o Fresnel conseguiu demonstrar a existência de um p o n t o b r a n c o n o c e n t r o d a s o m b r a projetada p o r u m disco circ u l a r . por e x e m p l o .1 8 0 . Albert Einstein. sessenta anos após a sua m o r t e .2 2 5 . V e r ibid. Argumentos dessa natureza revelam-se particularmente persuasivos. q u a n d o . c a s o o n o v o p a r a d i g m a permita a predição de fenômenos totalmente insuspeitados pela prática orientada pelo p a r a d i g m a anterior. N o c a s o da teoria ondulatória. p. A teoria de Copérnico. Op. devido a seu impacto e p o r q u e .s e d e u m efeito q u e n e m m e s m o F r e s n e l a n t e c i p a r a .a s t r ô n o m o s . K u H N . m a s q u e P o i s s o n . 1 9 5 1 ) . Einstein. ) . I I ( 1 9 5 3 ) . Philoscipher-Scientist ( E v a n s t o n . 101. 1 4 . n ã o estavam "incluídos" na teoria desde o início. evidentemente. . I . sugeria que o s p l a n e t a s d e v e r i a m ser c o m o a T e r r a . 2 1 9 . o telescópio exibiu repentinamente as m o n t a n h a s d a L u a . especialmente entre os n ã o . E m conseqüência disso. haja ou não contribuição. T o d o s o s a r g u m e n t o s e m favor d e u m n o v o p a r a d i g m a discutidos até agora estão baseados na c o m 1 2 1 3 1 4 1 2 . q u e V ê n u s d e v e r i a a p r e s e n t a r fases e q u e o U n i v e r s o n e c e s s a r i a m e n t e seria m u i t o m a i o r d o q u e a t é e n t ã o s e s u p u n h a . 1 3 . a r g u m e n t o s p a r t i c u l a r m e n t e p e r s u a sivos p o d e m ser d e s e n v o l v i d o s . W H I T T A K E R . cit. 1 5 1 . Algumas v e z e s e s s a f o r ç a e x t r a p o d e ser e x p l o r a d a . 1 0 8 . d e m o n s t r a r a ser u m a conseqüência necessária. . c o m r e l a ç ã o a o d e s e n v o l v i m e n t o da relatividade geral. t e n d o experimentado u m a sensação d e triunfo q u a n d o isso o c o r r e u . da teoria do primeiro. S C H I L P P ( e d . E . 111. ver a carta citada em P. m e s m o q u e o fenômeno em questão tenha sido observado m u i t o antes da teoria que o explica. N e s ses o u t r o s s e t o r e s . u m a d a s principais fontes de conversão profissional teve um caráter a i n d a mais d r a mático.. ainda que absurda. A History of the Theories of Aether and Electricity ( 2 . 1 9 4 9 ) . p p . e d . n u m e r o s o s a d e p tos. d e início u m d e s e u s o p o nentes. T r a t a v a .

Para que se perceba a razão da importância dessas considerações de natureza mais estética e subjetiv a . p o n t o este q u e P r i e s t l e y utilizou c o m g r a n d e s u c e s s o n o seu c o n t r a . por raz õ e s q u e e x a m i n a r e m o s d e n t r o e m b r e v e . s u a t e o r i a d e f o r m a a l g u m a p o d i a fazer f r e n t e a o s p r o blemas apresentados pela proliferação de novos gases. O s exemplos precedentes não deveriam deixar dúvidas q u a n t o à origem de sua imensa atração.a t a q u e . \ P r o v a v e l m e n t e t a i s a r g u m e n t o s s ã o m e n o s eficazes íias c i ê n c i a s d o q u e n a M a t e m á t i c a . m u i t o dificilmente resolve mais do que alguns dos problemas com os q u a i s se d e f r o n t a e a m a i o r i a d e s s a s s o l u ç õ e s e s t á longe de ser perfeita. i n t e i r o " . C a s o s c o m o o d o p o n t o b r a n c o de Fresnel s ã o e x t r e m a m e n t e raros. a m a i o r p a r t e d a c o m u n i d a d e científica j á t e r á sido p e r s u a d i d a p o r outros meios. S e esses c i e n t i s t a s n u n c a tivessem aceito rapidamente o n o v o p a r a d i g m a p o r r a z õ e s i n d i v i d u a i s . A t é q u e sua a t r a ç ã o estética possa ser p l e n a m e n t e desenv o l v i d a . a teoria c o p e r n i c a n a praticamente não aperfeiçoou as predições sobre as posições p l a n e t á r i a s feitas p o r P t o l o m e u . Refiro-me a o s a r g u m e n t o s . eles n ã o s ã o a r g u m e n t o s q u e forcem adesões individuais ou coletiv a s . Q u a n d o L a v o i sier c o n c e b e u o o x i g ê n i o c o m o " o p r ó p r i o ar. ao sentimento do que é a p r o p r i a d o ou e s t é t i c o — a n o v a t e o r i a é " m a i s c l a ra". "mais adequada" ou "mais simples" que a anter i o r . E m b o r a seguidamente a t r a i a m apen a s a l g u n s c i e n t i s t a s p a r a a n o v a t e o r i a . M a s . "Felizmente e x i s t e a i n d a u m a o u t r a e s p é c i e d e c o n sideração q u e p o d e levar os cientistas à rejeição de u m velho p a r a d i g m a e m favor d e u m n o v o . Q u a n d o um novo candidato a par a d i g m a é p r o p o s t o p e l a p r i m e i r a v e z . r a r a s vezes c o m p l e t a m e n t e e x p l i c i t a dos. a i m p o r t â n c i a das considerações estéticas p o d e algumas vezes ser decisiva. N ã o obstante. no indivíduo. A s p r i m e i r a s versões da maioria d o s paradigmas são grosseiras. r e c o r d e m o s o q u e está e n v o l v i d o e m u m d e b a t e entre paradigmas. este n u n c a t e r i a s e d e s e n v o l v i do suficientemente p a r a atrair a adesão da c o m u n i d a d e científica c o m o u m t o d o .paração entre a habilidade dos competidores para resolver p r o b l e m a s . A t é Kepler. que apelam. Em geral é so- . P a r a os cientistas. o t r i u n f o final d e s t a p o d e d e p e n d e r d e s s e s p o u c o s . tais a r g u m e n t o s s ã o c o m u m e n t e o s m a i s significativos e p e r s u a s i v o s .

. R . ( 1 9 3 9 ) . 1 9 5 3 ) . N ã o há dúvidas de q u e trata de alguns problem a s e revela algumas novas regularidades. Geschichte der Chemie. a comb u s t ã o do hidrogênio representava um forte argument o e m f a v o r d a t e o r i a flogística e c o n t r a a t e o r i a d e Lavoisier. a teoria do oxigênio ainda n ã o era capaz de explicar a p r e p a r a ç ã o de um gás c o m bustível a partir do carbono. A p ó s seu triunfo. os defensores da teoria e d o s procedimentos tradicionais p o d e m quase sempre a p o n t a r problem a s q u e seu n o v o rival n ã o resolveu. A History oi Astronomy from Thales to Kepler ( 2 . q u e os a r g u m e n t o s a p a r e n t e m e n t e decisivos — o p ê n d u l o de Foucault para d e m o n s t r a r a rotação da T e r r a ou a experiência de Fizeau p a r a mostrar q u e a luz se m o vimenta mais rapidamente no ar do que na água — são desenvolvidos. M a s p r o vavelmente o p a r a d i g m a mais antigo p o d e ser reartic u l a d o p a r a e n f r e n t a r esses d e s a f i o s d a m e s m a f o r m a que já enfrentou outros anteriormente. Historical Studies of the Phlogiston T h e o r y . M C K I E . e m Annals o i Science. 294-296. após o desenvolvimento. T a n t o o sistema astronômico geocêntrico de Tycho Brahe. c o m o a s ú l t i m a s v e r s õ e s d a t e o r i a flogística f o r a m r e s p o s t a s aos desafios a p r e s e n t a d o s por um n o v o c a n d i d a t o a paradigma e ambas foram bastante b e m sucedidas. K O P P . P A R T I N G T O N e D . III. P A R T I N G T O N . (Braunschweig. Londres. ed. que era inteiramente equivalente ao d e C o p é r n i c o n o p l a n o g e o m é t r i c o . a s i t u a ç ã o é b e m diversa. A Short History oi Chemistry (2. 1 3 4 . Produzi-los é p a r t e da tarefa da ciência normal. v e r H . Habitualmente os opositores de um novo p a radigma podem alegar legitimamente q u e m e s m o na á r e a em crise ele é p o u c o s u p e r i o r a s e u r i v a l t r a d i cional. Durante o desenvolvimento do debate. A respeito das últimas versões da Teoria do Flogisto e seu sucesso. e m b o r a n ã o sej a m absolutamente p r o b l e m a s na c o n c e p ç ã o desse últim o . 3 5 9 . 1845). Q u a n t o a o m o n ó x i d o d e c a r b o n o . N o q u e d i z r e s p e i t o a o p r o b l e m a a p r e s e n t a d o p e l o h i d r o g ê n i o . Até a descoberta da composição da água. A l é m disso. p . R . . Mesmo na área da 1 5 1 6 1 5 . 16. v e r J . D R E Y E R . L . Tais argumentos d e s e m p e n h a m seu papel n ã o na ciência normal. fenômeno q u e os defens o r e s d a t e o r i a flogística a p o n t a v a m c o m o u m a p o i o importante para sua c o n c e p ç ã o . N o v a Y o r k . I V . 1 1 3 . e d .1 4 9 . Sobre o sistema de Brahe. .mente muito mais tarde. m a s nos textos revolucionários. pp. ver J . 1 9 5 1 ) . a aceitação e a e x p l o r a ç ã o do n o v o p a r a d i g m a . p p . v e r J . p p . q u a n d o tais t e x t o s a i n d a n ã o f o r a m e s c r i t o s .3 7 1 . E .

e m b o - . com freqüência a balança penderá decisivamente para a tradição. Ao invés disso.crise. U m a d e c i s ã o d e s s e t i p o s ó p o d e ser feita c o m b a s e n a fé. J u n t e . as ciências experimentariam muito poucas revoluções de import â n c i a .s e a q u i u m a d e c i s ã o e n t r e m a n e i r a s a l t e r n a t i v a s de p r a t i c a r a c i ê n c i a e n e s s a s c i r cunstâncias a decisão deve basear-se mais nas promessas f u t u r a s d o q u e n a s r e a l i z a ç õ e s p a s s a d a s .a r g u m e n t o s g e r a d o s por aquilo que acima chamamos de incomensurabilid a d e d o s paradigmas e as ciências p o d e r i a m n ã o exper i m e n t a r r e v o l u ç õ e s d e espécie a l g u m a . precisa ter fé na capacidad e d o novo p a r a d i g m a p a r a resolver o s grandes p r o blemas c o m que se defronta. R e q u e r . que examinassem tão-somente sua habilidade relativa p a r a resolver problemas.l a p o r o u t r a . C i e n t i s t a s q u e n ã o a e x p e r i m e n t a r a m r a r a m e n t e r e n u n c i a r ã o às sólidas evidências da resolução de p r o b l e m a s p a r a seguir algo q u e f a c i l m e n t e se r e v e l a um e n g o d o e vir a ser a m p l a m e n t e c o n s i d e r a d o c o m o t a l . por boas razões. Copérnico destruiu u m a explicação do m o v i m e n t o terrestre aceita há m u i t o . É i g u a l m e n t e n e c e s s á r i o q u e e x i s t a u m a b a s e p a r a a f é n o c a n d i d a t o específico e s c o l h i d o . n e n h u m dos competidores p o d e alegar condições p a r a resolvêlos c o m p l e t a m e n t e . \ M a s s o m e n t e a crise n ã o é suficiente.a r g u m e n t o p o d e a l g u m a s v e z e s ser b a s t a n t e g r a n d e . e m b o r a sejam.s e a isso os c o n t r a . C o m relação a muitos desses problemas. 4 E s s a é u m a d a s r a z õ e s p e l a s q u a i s u m a crise a n t e r i o r d e m o n s t r a ser t ã o i m p o r t a n t e . M a s os debates entre paradigmas não tratam realmente da habilidade relativa para resolver problemas. Dito de outra forma. O h o m e m q u e a d o t a u m n o v o p a r a d i g m a n o s e s t á g i o s iniciais d e seu desenvolvimento freqüentemente adota-o desprez a n d o a evidência fornecida pela resolução de problem a s . Em suma: se um novo candidato a parad i g m a tivesse q u e ser j u l g a d o d e s d e o início p o r p e s soas práticas. sem c o n t u d o s u b s t i t u í . N e w t o n fez o m e s m o c o m u m a explicação mais antiga da gravidade. E fora d o s e tor problemático. sabendo apenas que o paradigma anterior fracassou em alguns deles. a questão é saber q u e p a r a d i g m a deverá orientar no futuro as pesquisas sobre problem a s . expressos nesses term o s . Lavoisier c o m a s p r o p r i e d a d e s c o m u n s d o s m e t a i s e a s s i m por diante. o equilíbrio entre a r g u m e n t o e c o n t r a .

r a n ã o p r e c i s e ser. A o c o n t r á r i o . artigos e livros baseados no p a r a d i g m a m u l t i p l i c a r . / N o início o n o v o c a n d i d a t o a p a r a d i g m a p o d e r á ter p o u c o s a d e p t o s e e m d e t e r m i n a d a s o c a s i õ e s o s m o tivos d e s t e s p o d e r ã o ser c o n s i d e r a d o s s u s p e i t o s . atração essa q u e p o u c a s p e s s o a s e s t r a n h a s à M a t e m á t i c a f o r a m c a p a z e s d e sentir. n ã o s ã o i n d i v i d u a l m e n t e decisivos. Mais que u m a conversão de um único grupo. s e o p a r a d i g m a estiver d e s t i n a d o a v e n c e r s u a l u t a . m u i t o p o u c o s desertam u m a tradição somente por essas razões. os novos paradigmas triunfem por meio de a l g u m a estética m í s t i c a . N a m e d i d a e m q u e esse p r o c e s s o a v a n ç a . " M a i s cíen- . s e eles s ã o c o m p e t e n t e s . enganados. M e s m o esses a r g u m e n t o s . n e m c o r r e t a . q u e o d e s e n v o l v e r ã o a t é o p o n t o em q u e a r g u m e n t o s o b j e tivos p o s s a m ser p r o d u z i d o s e m u l t i p l i c a d o s . N ã o o b s t a n t e . O n ú m e r o de experiências. N ã o q u e r e m o s c o m isso s u g e r i r q u e . q u a n d o s u r g e m . o que ocorre é u m a crescente alteração na distribuição de adesões profissionais. N e m a teoria astronômica de Copérnico. explorando suas possibilidades c m o s t r a n d o o q u e seria pertencer a u m a c o m u n i d a d e guiada p o r ele. D e v e h a v e r a l g o q u e p e l o m e n o s faça a l g u n s cientistas s e n tirem que a nova p r o p o s t a está no c a m i n h o certo e cm alguns casos s o m e n t e considerações estéticas pessoais e i n a r t i c u l a d a s p o d e m r e a l i z a r isso.s e . H o m e n s f o r a m convertidos p o r essas considerações em épocas nas quais a maioria dos argumentos técnicos apontava n o u tra direção. M e s m o hoje a teoria geral de Einstein atrai adeptos principalmente p o r razões estéticas.á g r a d u a l m e n t e . n o fim d a s contas. M u i t o s cientistas serão convertidos e a exploração do novo paradigma prosseguirá. Visto que os cientistas são h o m e n s razoáveis. M a s n ã o existe u m ú n i c o a r g u m e n t o que possa ou deva persuadi-los todos. n e m r a c i o n a l . o n ú m e r o e a força de s e u s a r g u m e n t o s p e r s u a s i v o s a u m e n tará. um ou o u t r o argumento acabará persuadind o m u i t o s d e l e s . M a s para que o paradigma possa triunfar é n e c e s s á r i o q u e ele c o n q u i s t e a l g u n s a d e p t o s iniciais. Os que assim procedem foram. nem a teoria da matéria de De Broglie possuíam muit o s o u t r o s a t r a t i v o s significativos q u a n d o f o r a m a p r e sentadas. c o m freqüência. a p e r f e i ç o a r ã o o p a radigma. instrumentos.

por exemplo — q u e n ã o foram razoáveis ao resistirem p o r tanto tempo. até q u e restem apenas alguns poucos opositores mais velhos. a d o t a r ã o a n o v a m a n e i r a de praticar a ciência n o r m a l . convencidos da fecundidade da n o v a concepção. Q u a n d o m u i t o ele p o d e r á q u e r e r d i z e r q u e o h o m e m q u e c o n t i n u a a resistir a p ó s a c o n v e r s ã o de t o d a a s u a p r o f i s s ã o d e i x o u ipso jacto de ser u m c i e n t i s t a . E m b o r a o historiador sempre possa encontrar h o m e n s — Priestley. E m e s m o estes n ã o p o d e m o s dizer q u e estejam errados.s e ilógic a o u acientífica. . n ã o e n c o n t r a r á u m p o n t o o n d e a r e s i s t ê n c i a t o r n a .tistas.

12. d e m a n e i ra t ã o elaborada q u a n t o era possível neste ensaio. colocou a o m e s mo t e m p o um p r o b l e m a especial: por q u e o empreend i m e n t o científico p r o g r i d e r e g u l a r m e n t e utilizando m e i o s q u e a A r t e . essas páginas n ã o p o d e m p r o p o r c i o n a r u m a conclusão. O PROGRESSO ATRAVÉS DE REVOLUÇÕES N a s páginas precedentes apresentei u m a descrição e s q u e m á t i c a d o desenvolvimento científico. Se essa descrição c a p t o u a estrutura essencial d a evolução contínua d a ciência. E n t r e t a n t o . a T e o r i a Política ou a Filosofia n ã o p o d e m empregar? P o r que será o progresso um pré-requisito reservado q u a s e exclusivamente p a r a a ativid a d e q u e c h a m a m o s ciência? As respostas mai usuais p a r a essa questão foram recusadas no corpo deste .

alguns a r g u m e n t a m q u e a Psicologia é u m a ciência p o r q u e p o s s u i tais e tais c a r a c t e r í s t i c a s . como as seguintes: por q u e minha área de estudos não progride do m e s m o m o d o que a Física? Q u e m u d a n ças de técnica. para aquelas áreas que progrid e m de u m a maneira óbvia. Percebe-se imediatamente que parte da questão é inteiramente semântica. Provavelmente estão sendo colocadas outras perguntas. em grande medida. O u t r o s . despertam-se grandes paixões.s e isso c l a r a m e n t e n o s d e b a t e s r e correntes sobre a cientificidade de u m a ou o u t r a ciência social c o n t e m p o r â n e a . Deve-se isso a o f a t o d e o s e c o n o m i s t a s s a b e r e m o q u e é c i ê n c i a ? Ou será que estão de acordo a respeito da E c o n o m i a ? . p o r q u e os a r t i s t a s e os c i e n t i s t a s d a s c i ê n cias d a n a t u r e z a n ã o s e p r e o c u p a m c o m a d e f i n i ç ã o do termo? S o m o s inevitavelmente levados a suspeitar de que está em jogo algo mais fundamental. P o r exemplo. T a i s debates a p r e s e n t a m p a ralelos c o m os períodos pré-paradigmáticos em áreas q u e a t u a l m e n t e s ã o r o t u l a d a s d e científicas s e m h e s i tação. O objeto ostensivo dessas discussões consiste n u m a definição desse t e r m o vexatório. a r g u m e n t a m q u e tais características s ã o desn e c e s s á r i a s o u n ã o s ã o suficientes p a r a c o n v e r t e r esse c a m p o de estudos n u m a ciência. m a s somente quando os grupos que atualmente duvidam d e s e u status c h e g a s s e m a u m c o n s e n s o s o b r e s u a s r e a l i z a ç õ e s p a s s a d a s e p r e s e n t e s . m é t o d o ou ideologia fariam c o m que progredisse? E n t r e t a n t o . P o r e x e m p l o . Se vale o precedente das ciências naturais. M u i t a s vezes investe-se g r a n d e q u a n t i d a d e d e energia n u m a discussão desse gênero. Mais do que em qualquer o u t r o l u g a r . t a l v e z seja significativo q u e o s e c o n o m i s t a s d i s c u t a m m e n o s s o b r e a cientificidade de seu c a m p o de e s t u d o do q u e profissionais de outras áreas da ciência social. essas n ã o s ã o p e r g u n t a s q u e possam ser respondidas através de um acordo sobre definições. tais q u e s t õ e s n ã o d e i x a r i a m d e ser u m a f o n t e d e p r e o c u p a ç õ e s c a s o fosse e n c o n t r a d a u m a d e f i n i ç ã o . a o contrário. T e m o s que concluí-lo perguntando se é possível e n c o n t r a r r e s p o s t a s s u b s t i t u t i v a s . sem que o o b s e r v a d o r e x t e r n o s a i b a p o r q u ê .ensaio. U m a definição d e ciência possui tal importância? P o d e u m a definiç ã o indicar-nos se um h o m e m é ou n ã o um cientista? Se é a s s i m . O t e r m o ciência está reservado. n o t a .

An and lllusion: A Study in lhe Psychology oi Piclorial Represenlation. reconhecer q u e t e n d e m o s a c o n s i d e r a r c o m o científica q u a l q u e r área de estudos que apresente um progresso marcante. tanto na Antigüidade c o m o nos primeiros tempos da Europ a M o d e r n a . Clagett (Madison. U m a separação categórica entre a ciência e a arte surgiu somente mais tarde. embir a j á n ã o seja s i m p l e s m e n t e s e m â n t i c a . p p . 2 . parte das nossas dificuldades p a r a perceber as diferenças p r o fundas que separam a ciência e a tecnologia. M. h a v i a m t o r n a d o possível representações s e m p r e mais perfeitas da natureza. 33-65. em Criticai Problems in the History oi Science. " T h e R o l e o f A r t i n t h e Scientific Renaissance". A l é m disso. m a s n ã o a resolver n o s sa dificuldade atual. (Nova York. tal c o m o a pintura e a escultura.s e então que o o b j e t i v o do a r t i s t a e r a a r e p r e s e n t a ç ã o . do e s c o r ç o ao claro-escuro. C r í t i c o s e historiadores. Wisconsin. G O M B R I C H E . H. F o i som e n t e q u a n d o essas d u a s últimas disciplinas renunciar a m d e m o d o inequívoco fazer d a r e p r e s e n t a ç ã o seu objetivo último e c o m e ç a r a m n o v a m e n t e a aprender c o m modelos primitivos que a separação atual adquiriu toda sua profundidade. passava livremente de um c a m p o para outro. n ã o se estabelecia u m a c l i v a g e m m u i t o g r a n d e e n t r e a s c i ê n c i a s e as artes. e G r O R C i o D E S A N T H . I . A N A . 1960). M e s m o hoje em dia. 9 7 . P e r m a n e c e ainda o p r o b l e m a de compreender por q u e o progresso é u m a característica notável em um empreendimento conduzido com as técnicas e os objetivos que descrevemos neste ensaio. q u e t a m b é m e r a m considerados c o m o passíveis d e aperfeiçoamento. 11-12. . o termo " a r t e " continuou a ser aplicado tanto à tecnologia c o m o ao artesanato. P o r muitos séculos. L e o n a r d o . p . p o d e auxiliar a exposição das conexões inextricáveis entre nossas noções de ciência e progresso. devem e s t a r r e l a c i o n a d a s c o m o f a t o d e o p r o g r e s s o ser u m atributo óbvio dos dois c a m p o s .. T a l pergunta possui diversos aspectos e teremos q u e 1 2 1. M a s nesse período e especialmente d u r a n t e a Renascença.Essa afirmação possui u m a recíproca que. E. pp. c o m o Plínio e Vasari. registravam c o m v e n e r a ç ã o a série de invenções q u e . ed. entre muitos outros. 1959). a P i n t u r a foi c o n s i d e r a d a c o m o a disciplina cumulativa p o r excelência. C o n t u d o . ajuda-nos apenas a esclarecer. S u p u n h a . m e s m o após a interrupção desse intercâmbio contínuo. Ibid.

examinando-se a questão a partir de u m a única c o m u n i d a d e . O u t r a s áreas de criatividade apresentam progressos do m e s m o g ê n e r o . Entretanto. Se. C o m o p o d e r i a s e r d e o u t r a forma? Por exemplo.e x a m i n a r c a d a u m d e l e s s e p a r a d a m e n t e . a r g u m e n t a q u e a Filosofia n ã o progrediu. Deve-se antes à existência de escolas competidoras. de um lado. tanto os críticos c o m o os historiadores registraram o p r o gresso do grupo. R a r a m e n t e c o m u n i d a d e s científicas d i f e r e n t e s i n v e s t i g a m o s m e s m o s p r o b l e m a s . m a s que. os grupos partilham vários dos principais paradigmas. com exceção do último. n ã o é u m a a d i ç ã o à s realizações coletivas d o g r u p o . q u e aparentemente era u n i d o . P r e c i s a m o s a p r e n d e r a r e c o n h e c e r c o m o c a u s a s o q u e e m g e r a l t e m o s c o n s i d e r a d o c o m o efeitos. é um êxito criador. por exemplo. de outro. a c a b a m o s de ilustrar um aspecto dessa redundância. de cientistas ou não-cientistas. o resultado do trabalho criador b e m suc e d i d o é o p r o g r e s s o . Q u e m . acabamos de observar que enquanto os artistas tiveram c o m o objetivo a representação. O t e ó l o g o q u e a r t i c u l a o d o g m a ou o filósofo q u e aperfeiçoa os imperativos kantianos contribuem p a r a o progresso. Na realidade. a solução dependerá da inversão de nossa concepção normal das relações e n t r e a a t i v i d a d e científica e a c o m u n i d a d e q u e a p r a tica. E m tais c a s o s excepcionais. é u m a ciêricia p o r que progride? Perguntemos agora por que um empreendimento c o m o a ciência n o r m a l deve progredir. cada u m a d a s quais questiona constantemente os fundamentos alheios. c o m e ç a n d o por recordar algumas de suas características mais salientes. E m t o d o s esses aspectos. Normalmente. ainda que apenas p a r a o do grupo que compartilha de suas premissas. sublinha o fato de q u e ainda existam aris- . c o mo fazem muitos. N e n h u m a escola criadora reconhece u m a categoria de trabalho que. as expressões " p r o g r e s s o científico" e m e s m o "objetividade científica" p o d e r ã o p a r e cer redundantes. duvidamos de que áreas não-científicas r e a l i z e m p r o g r e s s o s . S e p u d e r m o s fazer isso. Um c a m p o de estudos p r o g r i d e p o r q u e é u m a c i ê n c i a o u . isso n ã o s e d e v e a o f a t o d e q u e escolas individuais n ã o progridam. os m e m b r o s de u m a comunidade científica a m a d u r e c i d a t r a b a l h a m a p a r t i r d e u m ú n i c o p a radigma ou conjunto de paradigmas estreitamente rel a c i o n a d o s .

q u a n d o mais u m a vez os princípios fund a m e n t a i s de u m a disciplina são questionados. no q u e diz respeito à ciência normal. O C a p . Em suma. permite a seus . ainda que expresso de m a neira mais m o d e r a d a . tal c o m o a c o n h e c e m o s . Assim. torn a b e m m a i s fácil p e r c e b e r o p r o g r e s s o d e u m a c o m u n i d a d e científica n o r m a l . B o h r e outros contra a d e m o n s t r a ç ã o probabilística dominante na Mecânica Quântica./ D u r a n t e o período pré-paradigmático. caso um ou outro d o s paradigmas alheios sejam a d o t a d o s . Um sentimento semelhante. a n ã o ser n o i n t e r i o r d a s e s c o l a s . q u a n d o temos u m a multiplicidade de escolas e m c o m p e t i ç ã o .s e m u i t o difícil e n c o n t r a r p r o v a s d e p r o g r e s s o . u m a v e z l i b e r a d a d a n e c e s s i d a d e d e r e e x a m i n a r c o n s t a n t e m e n t e seus f u n d a m e n t o s em vista da aceitação de um paradigma comum. Por exemplo. r e p e tem-se as dúvidas sobre a própria possibilidade de p r o gresso contínuo. mas a ausência.totélicos e n ã o q u e o aristotelismo t e n h a e s t a g n a d o . m a s os resultad o s de seu e m p r e e n d i m e n t o n ã o se acrescentam à ciência. E n t r e t a n t o . parece estar na base da oposiç ã o de Einstein. C o n t u d o . d u r a n t e tais períodos. Os que se o p u n h a m à Química de Lavoisier sustentavam q u e a rejeição d o s " p r i n c í p i o s " químicos em favor d o s elementos estudados no laboratório eqüivalia à rejeição das explicações químicas estabelecidas por parte d a queles que se refugiariam n u m a simples nomenclatura. parte da resposta p a r a o problema do progresso está no olho do espectador. t o r n a . de escolas c o m p e t i d o r a s q u e q u e s t i o n e m m u t u a m e n t e seus objetivos e critérios. a c o m u n i d a d e científica e s t á i m p o s s i b i l i t a d a d e c o n c e b e r o s f r u t o s d e seu trabalho de outra maneira. VO progresso científico n ã o difere daquele obtido em outras áreas. Os q u e rejeitavam as teorias de N e w t o n d e c l a r a v a m q u e sua confiança nas forças inatas faria a ciência voltar à I d a d e d a s Trevas. 1 descreveu esse p e r í o d o c o m o s e n d o aquele no qual os indivíduos p r a t i c a m a ciência. na m a i o r p a r t e dos casos. C o n t u d o . já observamos que a comunidade científica. isto é s o m e n t e parte da resposta e de m o d o algum a parte mais importante. tais d ú v i d a s a respeito do progresso t a m b é m surgem nas ciências. o progresso parece óbvio e assegurado somente d u r a n t e aqueles períodos em q u e p r e d o m i n a a ciência n o r m a l . D u r a n t e os períodos r e volucionários.

o contraste entre os cientistas ligados às ciências da nat u r e z a e m u i t o s c i e n t i s t a s sociais é i n s t r u t i v o . N ã o obstante. de muitos médicos e da maioria dos t e ó l o g o s . a insulação da com u n i d a d e científica f r e n t e à s o c i e d a d e p e r m i t e a c a d a cientista concentrar sua a t e n ç ã o sobre os p r o b l e m a s que ele se julga c o m p e t e n t e p a r a resolver. M a i s : n ã o está obrigado a escolher um p r o b l e m a sem levar em consideração os instrumentos disponíveis p a r a resolvê-lo. o c i e n t i s t a n ã o e s t á o b r i g a d o a e s c o l h e r um p r o b l e m a s o m e n t e p o r q u e este necessita de u m a soluç ã o urgente. E s s a diferença gera u m a série d e conseqüências. T a l i s o l a m e n t o n u n c a foi c o m pleto — estamos discutindo questões de grau. Desse p o n t o de vista. Os últim o s t e n d e m f r e q ü e n t e m e n t e — e os p r i m e i r o s q u a s e n u n c a — a defender sua escolha de um objeto de pesq u i s a — p o r e x e m p l o . frente às exigências d o s não-especialist a s e d a v i d a c o t i d i a n a . e l e p o d e p r e s s u p o r u m c o n j u n t o específico de critérios. e m b o r a p o s s a m estar m e n o s preocupados c o m a aprovação c o m o tal.membros concentrarem-se exclusivamente nos fenômen o s m a i s e s o t é r i c o s e sutis q u e l h e s i n t e r e s s a m . o s efeitos d a d i s c r i m i n a ç ã o r a cial o u a s c a u s a s d o ciclo e c o n ô m i c o — p r i n c i p a l m e n - . isso a u m e n t a t a n t o a c o m p e t ê n c i a c o m o a eficácia c o m a s q u a i s o g r u p o c o m o u m t o d o r e s o l ve novos p r o b l e m a s . Mais importante ainda. Ao contrário do engenheiro. audiência q u e partilha de seus valores e c r e n ç a s . O mais esotérico d o s poetas e o mais abstrato dos teólogos estão muito mais preocupad o s do q u e o cientista c o m a a p r o v a ç ã o de seus trab a l h o s criadores p o r p a r t e d o s leigos. O cientista n ã o necessita preocupar-se c o m o q u e p e n s a r á o u t r o g r u p o ou escola. Alguns desses aspectos são conseqüência d e u m i s o l a m e n t o s e m p a r a l e l o d a s c o m u n i d a d e s científicas a m a d u r e c i d a s . P o d e r á p o r t a n t o resolver um problema e passar ao seguinte mais rapidamente do que os que trabalham para um grupo mais heterodoxo. I n e v i t a v e l m e n t e . em n e n h u m a o u t r a c o m u n i d a d e profissional o trab a l h o criador individual é endereçado a outros m e m b r o s d a p r o f i s s ã o ( e p o r eles a v a l i a d o ) d e u m a m a neira tão exclusiva. U m a vez q u e o cientista t r a b a l h a apenas p a r a u m a audiência de colegas. O u t r o s aspectos da vida profiss i o n a l científica a u m e n t a m a i n d a m a i s e s s a eficácia m u i t o especial.

t e e m termos d a i m p o r t â n c i a social d e u m a solução. Em vista disso, qual dos dois grupos nos permite esperar u m a solução mais rápida dos problemas? O s efeitos d a i n s u l a ç ã o f r e n t e à s o c i e d a d e g l o b a l são largamente intensificados por u m a outra caracter í s t i c a d a c o m u n i d a d e científica p r o f i s s i o n a l — a n a tureza d e seu aprendizado. N a Música, nas Artes G r á ficas e na L i t e r a t u r a , o p r o f i s s i o n a l a d q u i r e s u a e d u cação ao ser exposto aos trabalhos de outros artistas, especialmente àqueles de épocas anteriores. Manuais, com exceção dos compêndios ou manuais introdutórios à s o b r a s originais, d e s e m p e n h a m u m p a p e l apenas sec u n d á r i o . / E m História, Filosofia e nas Ciências Sociais, a literatura dos m a n u a i s adquire u m a significação mais importante. Mas, m e s m o nessas áreas, os cursos universitários introdutórios utilizam leituras paralelas das fontes originais, algumas s o b r e os "clássicos" da disciplina, outras relacionadas c o m os relatórios de pesquisas m a i s recentes q u e os profissionais do setor escrev e r a m p a r a seus colegas. Resulta assim q u e o estud a n t e de c a d a u m a dessas disciplinas é c o n s t a n t e m e n te posto a par da imensa variedade de problemas que os m e m b r o s de seu futuro grupo t e n t a r ã o resolver c o m o correr do tempo. M a i s importante ainda, ele tem c o n s t a n t e m e n t e frente a si n u m e r o s a s soluções p a r a tais p r o b l e m a s , conflitantes e incomensuráveís — soluções que, em última instância, ele terá q u e avaliar por si mesmo. C o m p a r e m o s essa situação c o m a d a s ciências da natureza contemporâneas. Nessas áreas o estudante fia-se p r i n c i p a l m e n t e n o s m a n u a i s , a t é i n i c i a r s u a p r ó pria pesquisa, no terceiro ou quarto ano de trabalho g r a d u a d o . M u i t o s c u r r í c u l o s científicos n e m s e q u e r exigem q u e os alunos de pós-graduação leiam livros q u e n ã o foram escritos especialmente p a r a estudantes. Os poucos que exigem leituras suplementares de m o n o g r a f i a s e a r t i g o s d e p e s q u i s a , r e s t r i n g e m tais t a r e f a s aos cursos mais avançados, e as leituras q u e desenvolv e m os assuntos tratados nos manuais. Até os últimos estágios d a e d u c a ç ã o d e u m cientista, o s m a n u a i s subst i t u e m s i s t e m a t i c a m e n t e a l i t e r a t u r a científica d a q u a l derivam. D a d a a confiança em seus paradigmas, q u e t o r n a essa técnica educacional possível, p o u c o s cientistas g o s t a r i a m d e m o d i f i c á - l a . P o r q u e d e v e r i a o e s t u -

d a n t e d e Física ler, p o r exemplo, a s o b r a s d e N e w t o n , F a r a d a y , Einstein ou Schrõdinger, se t u d o q u e ele n e cessita saber acerca desses trabalhos está recapitulado de u m a f o r m a m a i s breve, mais precisa e m a i s sistem á t i c a em diversos m a n u a i s atualizados? ^ S e m q u e r e r d e f e n d e r o s e x c e s s o s a q u e l e v o u esse tipo de educação em determinadas ocasiões, n ã o se p o d e d e i x a r d e r e c o n h e c e r q u e , e m g e r a l , ele foi i m e n s a m e n t e eficaz. T r a t a - s e c e r t a m e n t e d e u m a e d u c a ç ã o rígida e estreita, mais do q u e qualquer outra, provavelm e n t e — c o m a possível exceção da teologia ortodoxa. M a s p a r a o t r a b a l h o científico n o r m a l , p a r a a r e s o l u ç ã o d e q u e b r a - c a b e ç a s a p a r t i r d e u m a t r a d i ç ã o defin i d a pelos m a n u a i s , o cientista está e q u i p a d o de form a q u a s e perfeita. A l é m disso, está b e m e q u i p a d o p a r a u m a o u t r a tarefa — a p r o d u ç ã o d e c r i s e s significativas p o r intermédio d a ciência n o r m a l . Q u a n d o tais crises surgem, o cientista n ã o está, b e m entendido, t ã o b e m p r e p a r a d o . E m b o r a a s crises p r o l o n g a d a s p r o v a velmente dêem m a r g e m a práticas educacionais menos r í g i d a s , o t r e i n o científico n ã o é p l a n e j a d o p a r a p r o duzir alguém capaz de descobrir facilmente u m a nova a b o r d a g e m p a r a o s problemas existentes. M a s e n q u a n to houver alguém com um novo candidato a paradigma — em geral proposta de um jovem ou de um nov a t o no c a m p o — os inconvenientes da rigidez atingirão somente o indivíduo isolado. Q u a n d o se dispõe de u m a geração p a r a realizar a modificação, a rigidez individual pode ser compatível c o m u m a comunidade capaz de trocar de paradigma q u a n d o a situação o exigir. M a i s e s p e c i f i c a m e n t e , p o d e ser c o m p a t í v e l s e essa m e s m a rigidez for c a p a z de fornecer à c o m u n i d a d e u m indicador sensível d e q u e algo vai m a l . •Desse m o d o , n o s e u e s t a d o n o r m a l , a c o m u n i d a d e científica é u m i n s t r u m e n t o i m e n s a m e n t e eficiente p a r a resolver problemas ou quebra-cabeças definidos p o r seu p a r a d i g m a . A l é m do mais, a resolução desses, p r o b l e m a s deve levar inevitavelmente ao progresso.! E s s e p o n t o n ã o é p r o b l e m á t i c o . C o n t u d o , isso s e r v e apenas p a r a ressaltar o segundo aspecto da questão do progresso nas ciências. E x a m i n e m o - l o , perguntando pelo progresso alcançado através da ciência extraordinária. Aparentemente o progresso acompanha, na totalidade d o s casos, as revoluções científicas. P o r q u ê ?

A i n d a u m a vez poderíamos aprender m u i t o perguntando q u e outro resultado u m a revolução poderia ter. As revoluções terminam c o m a vitória total de um dos d o i s c a m p o s r i v a i s . A l g u m a v e z o g r u p o v e n c e d o r afirm a r á q u e o resultado de sua vitória n ã o corresponde a um p r o g r e s s o autêntico? I s s o eqüivaleria a admitir que o grupo vencedor estava e r r a d o e seus oponentes certos. Pelo menos p a r a a facção vitoriosa, o resultado de u m a revolução deve ser o progresso. A l é m disso, esta dispõe de u m a posição excelente p a r a assegurar q u e certos m e m b r o s de sua futura c o m u n i d a d e julg u e m a história p a s s a d a desde o m e s m o p o n t o de vista. O C a p . 10 descreveu detalhadamente as técnicas que asseguram a consecução desse objetivo. A i n d a há p o u c o e x a m i n a m o s u m a s p e c t o d a v i d a científica p r o f i s sional estreitamente relacionado c o m esse p o n t o . / Q u a n d o a c o m u n i d a d e científica r e p u d i a u m a n t i g o p a r a d i g m a , renuncia simultaneamente à m a i o r i a dos livros e a r t i g o s q u e o c o r p o r i f í c a m , d e i x a n d o de c o n s i d e r á - l o s c o m o o b j e t o a d e q u a d o a o e s c r u t í n i o científico. / A e d u c a ç ã o científica n ã o p o s s u i a l g o e q u i v a l e n t e a o m u s e u de arte ou a biblioteca de clássicos. D a í decorre, em alguns casos, u m a distorção drástica da percepção q u e o cientista possui do p a s s a d o de sua disciplina. M a i s do q u e os estudiosos de outras áreas criadoras, o cient i s t a v ê esse p a s s a d o c o m o a l g o q u e s e e n c a m i n h a , e m linha reta, p a r a a perspectiva atual da disciplina. Em s u m a , vê o passado da disciplina c o m o orientado p a r a o progresso. N ã o terá outra alternativa enquanto perm a n e c e r l i g a d o à a t i v i d a d e científica. Tais considerações sugerirão, inevitavelmente, q u e o m e m b r o d e u m a c o m u n i d a d e científica a m a d u r e c i d a é , c o m o o p e r s o n a g e m t í p i c o d o l i v r o 1984 d e O r w e l l , a vítima de u m a história reescrita pelos poderes constit u í d o s — s u g e s t ã o aliás n ã o t o t a l m e n t e i n a d e q u a d a . U m b a l a n ç o d a s r e v o l u ç õ e s científicas r e v e l a a e x i s tência t a n t o de p e r d a s c o m o de g a n h o s e os cientistas t e n d e m a ser p a r t i c u l a r m e n t e c e g o s p a r a a s p r i m e i r a s .
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3. Os historiadores da ciência encontram seguidamente esse gênero de cegueira s o b u m a forma particularmente surpreendente. Entre os diversos grupos de estudantes, o c o m p o s t o por aqueles dotados de form a ç ã o cientifica 6 o q u e m a i s gratifica o professor. M a s 6 t a m b é m o m a i s frustrante n o início d o trabalho. J á que o s estudantes d e ciência "sabem quais s ã o as respostas certas", torna-se particularmente difícil f a z ê - l o s analisar u m a c i ê n c i a m a i s antiga a partir d o s p r e s s u p o s t o s desta.
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Por outro lado, n e n h u m a explicação do progresso ger a d o p o r revoluções p o d e ser interrompida neste p o n to. Isso seria subentender que nas ciências o poder cria o direito — formulação q u e n ã o seria inteiramente equivocada se n ã o suprimisse a natureza do progresso e da autoridade por meio dos quais se escolhe entre paradigmas. Se somente a autoridade (e especialmente a a u t o r i d a d e n ã o - p r o f i s s i o n a l ) fosse o á r b i t r o d o s debates sobre paradigmas, daí ainda poderia resultar u m a r e v o l u ç ã o , m a s n ã o u m a r e v o l u ç ã o cientifica. A própria existência da ciência depende da delegação do poder de escolha entre paradigmas a m e m b r o s de um tipo especial d e c o m u n i d a d e . Q u ã o especial essa c o m u n i d a d e precisa ser p a r a q u e a ciência possa sobreviver e c r e s c e r verifica-se p e l a f r a g i l i d a d e d o c o n t r o le q u e a H u m a n i d a d e p o s s u i s o b r e o e m p r e e n d i m e n t o científico. C a d a u m a d a s civilizações a r e s p e i t o d a s quais temos informações possuía u m a tecnologia, u m a a r t e , u m a r e l i g i ã o , u m s i s t e m a p o l í t i c o , leis e a s s i m p o r d i a n t e . E m m u i t o s c a s o s , e s s a s f a c e t a s d a civilização eram tão desenvolvidas c o m o as nossas. M a s a p e n a s a s civilizações q u e d e s c e n d e m d a G r é c i a h e lênica possuíram algo mais do q u e u m a ciência rudim e n t a r . A m a s s a d o s c o n h e c i m e n t o s científicos e x i s tentes é um p r o d u t o europeu, gerado nos últimos quat r o séculos. N e n h u m a o u t r a civilização o u é p o c a m a n teve essas c o m u n i d a d e s m u i t o especiais d a s quais p r o v ê m a p r o d u t i v i d a d e científica. Q u a i s s ã o a s c a r a c t e r í s t i c a s e s s e n c i a i s d e tais c o m u n i d a d e s ? O b v i a m e n t e , elas r e q u e r e m m u i t o m a i s estudo do que o existente. Nesse terreno, somente são possíveis as generalizações exploratórias. N ã o obstante, diversos requisitos necessários p a r a tornar-se m e m b r o d e u m g r u p o científico p r o f i s s i o n a l d e v e m e s t a r perfeitamente claros a esta altura. P o r exemplo, o cientista p r e c i s a e s t a r p r e o c u p a d o c o m a r e s o l u ç ã o d e p r o blemas relativos a o c o m p o r t a m e n t o d a natureza. A l é m d i s s o , e m b o r a e s s a s u a p r e o c u p a ç ã o p o s s a ter u m a amplitude global, os problemas nos quais trabalha dev e m ser p r o b l e m a s d e d e t a l h e . M a i s i m p o r t a n t e a i n d a , a s s o l u ç õ e s q u e o s a t i s f a z e m n ã o p o d e m ser m e r a m e n t e p e s s o a i s , m a s d e v e m ser a c e i t a s p o r m u i t o s . C o n t u d o , o g r u p o q u e a s p a r t i l h a n ã o p o d e ser e x t r a í d o a o acaso da sociedade global. Ele é, ao contrário, a co

m u n i d a d e b e m definida f o r m a d a pelos colegas profiss i o n a i s d o c i e n t i s t a . U m a d a s leis m a i s fortes, a i n d a q u e n ã o e s c r i t a , d a v i d a científica é a p r o i b i ç ã o d e a p e l a r a chefes de E s t a d o ou ao p o v o em geral, q u a n do está em jogo um assunto relativo à ciência. O rec o n h e c i m e n t o d a existência d e u m g r u p o profissional competente e sua aceitação c o m o árbitro exclusivo das realizações profissionais possui outras implicações. Os m e m b r o s do grupo, enquanto indivíduos e em virtude d e s e u t r e i n o e e x p e r i ê n c i a c o m u n s , d e v e m ser v i s t o s c o m o os únicos conhecedores das regras do jogo ou de algum critério equivalente p a r a julgamentos inequívocos. D u v i d a r da existência de tais critérios c o m u n s de avaliação seria admitir a existência de p a d r õ e s incompatíveis entre si p a r a a avaliação das realizações científicas. T a l a d m i s s ã o t r a r i a i n e v i t a v e l m e n t e à b a i l a a q u e s t ã o de se a v e r d a d e a l c a n ç a d a pelas ciências p o d e ser u n a . E s s a p e q u e n a lista d e c a r a c t e r í s t i c a s c o m u n s à s c o m u n i d a d e s científicas foi i n t e i r a m e n t e r e t i r a d a d a p r á t i c a d a c i ê n c i a n o r m a l , tal c o m o e r a r e q u e r i d o . O cientista é originalmente treinado p a r a realizar semelhante atividade. Observe-se, entretanto, q u e a despeit o d e s u a c o n c i s ã o , a lista p e r m i t e d i s t i n g u i r tais c o m u n i d a d e s de todos os outros grupos profissionais. Note-se ainda que a despeito de sua origem na ciência n o r m a l , a lista e x p l i c a m u i t a s d a s c a r a c t e r í s t i c a s e s p e ciais d a s r e s p o s t a s d a c o m u n i d a d e científica d u r a n t e revoluções (e especialmente durante debates sobre o p a r a d i g m a ) . J á observamos que u m g r u p o dessa n a tureza deve necessariamente considerar a m u d a n ç a de paradigma c o m o u m progresso. E m aspectos importantes, a m a n e i r a de perceber c o n t é m em si — p o d e m o s agora admitir — sua autoconfirmação. A comun i d a d e científica é u m i n s t r u m e n t o e x t r e m a m e n t e eficaz para maximizar o número e a precisão dos problemas resolvidos por intermédio da m u d a n ç a de p a radigma. U m a vez que o problema da unidade do empreend i m e n t o científico e s t á s o l u c i o n a d o e v i s t o q u e o g r u p o sabe perfeitamente quais os problemas já esclarecidos, p o u c o s c i e n t i s t a s p o d e r ã o ser f a c i l m e n t e p e r s u a d i d o s a a d o t a r um p o n t o de vista que r e a b r a muitos problem a s já resolvidos. Antes de mais n a d a é preciso q u e

o n o v o candidato deve p a recer capaz de solucionar algum problema extraordinário. Q u a n d o o faz. A novidade em si m e s m a não é um desiderato d a s ciências. p o d e n ã o desenvolver-se em termos de a m p l i t u d e . C o m o resultado. m e s m o n o s c a s o s e m q u e isso o c o r re e um n o v o candidato a p a r a d i g m a aparece. A l é m d i s s o . No decorrer desse p r o cesso. sempre permitem a solução concreta de problemas adicionaisj N a o q u e r e m o s c o m isso s u g e r i r q u e a h a b i l i d a d e p a r a resolver problemas constitua a única base ou u m a base inequívoca para a escolha de paradigmas. A l é m disso. c o m u m e n t e a revolução diminui o âmbito dos interesses profissionais da c o m u n i d a d e . jContudo. e s s a a m p l i t u d e m a n i f e s t a . a u m e n t a seu g r a u de especialização e atenua sua comunicação c o m o u t r o s g r u p o s .s e principalmente através da proliferação de especialidad e s científicas e n ã o a t r a v é s d o â m b i t o d e u m a ú n i c a especialidade. Todavia. A l é m disso. apesar dessas e de outras per- . C o m freqüência alguns problemas antigos precisarão ser a b a n d o n a d o s .a n a t u r e z a solape a segurança profissional. p r e s e r v a m geralment e . t a n t o científicos c o m o leigos. fazendo c o m que as explicações anteriores p a r e ç a m problemát i c a s . ^ m primeiro lugar. o q u e a s r e a l i z a ç õ e s científicas passadas p o s s u e m de mais concreto. e m l a r g a m e d i d a . embora novos paradigmas raramente (ou mesmo nunca) possuam todas as potencialidades de seus predecessores. conquistada pela ciência c o m o auxílio dos p a r a d i g m a s anteriores. Já apontamos muitas razões q u e . reconhecido c o m o tal pela c o m u n i d a d e e q u e n ã o p o s s a ser analisado d e n e n h u m a o u t r a m a n e i r a . Em segundo. a c o m u n i d a d e sofrerá p e r d a s .impossibilitam a existência de um critério desse tipo.1 E m b o ra certamente a ciência se desenvolva em termos de profundidade. tal c o m o em outras áreas da criatividade h u mana. o novo paradigma deve garantir a preservação de u m a parte relativamente grande da cap a c i d a d e objetiva de resolver problemas. os cientistas relutarão em adotá-lo a m e n o s q u e sejam c o n vencidos que duas condições primordiais foram preenchidas. sugerimos que u m a c o m u n i d a d e d e e s p e c i a l i s t a s científicos f a r á t o d o o p o s sível p a r a a s s e g u r a r o c r e s c i m e n t o c o n t í n u o d o s d a d o s coletados q u e está em condições de examinar de maneira precisa e detalhada.

a o m e s m o t e m p o . talvez t e n h a m o s q u e a b a n d o n a r a n o ç ã o . Talvez indiquem q u e o p r o g r e s s o científico n ã o é e x a t a m e n t e o q u e a c r e d i t á v a m o s q u e fosse. P a r a ser mais preciso. Se existe p o s sibilidade de fornecer tal garantia. a n a t u r e z a de tais grupos fornece u m a garantia virtual de q u e tanto a relação dos problemas resolvidos pela ciência. explícita ou implícita. m o s tram que algum tipo de progresso inevitavelmente car a c t e r i z a r á o e m p r e e n d i m e n t o científico e n q u a n t o t a l atividade sobreviver. Nessas ocasiões. segundo a qual as m u d a n ç a s de p a r a d i g m a levam os cientistas e os q u e c o m eles a p r e n d e m a u m a proximidade sempre maior da verdade. apareceu tão-somente c o m o u m a fonte de convicção do cientista q u e afirma a impossibilidade da coexistência entre regras incompatíveis p a r a o exercício da ciência — exceto d u r a n t e as revoluções. n ã o é necessário h a ver progresso de o u t r a espécie. E s t a m o s muito acostumados a ver a ciência com o u m e m p r e e n d i m e n t o que s e aproxima cada vez mais de um objetivo estabelecido de a n t e m ã o pela natureza. Inevitavelmente. Poderia haver m e l h o r c r i t é r i o d o q u e a d e c i s ã o d e u m g r u p o científico? Os últimos parágrafos indicam em que direções creio se deva buscar u m a solução mais refinada p a r a o p r o b l e m a do progresso nas ciências. M a s tal objetivo é necessário? N ã o p o d e r e m o s explicar t a n t o a existência da ciência c o m o seu sucesso a partir da evolução do estado dos conhecimentos . ela será p r o p o r c i o nada pela natureza da comunidade. Já é t e m p o de indicar que até as últimas páginas deste ensaio. a tarefa principal da profissão consiste em eliminar todos os conjuntos de regras. N a s ciências. salvo um único. M a s n a d a d o q u e foi o u s e r á d i t o t r a n s f o r m a . tal l a c u n a terá p e r t u r b a d o muitos leitores. o t e r m o " v e r d a d e " só havia aparecido n u m a citação de Francis Bacon. M a s . O processo de desenvolvimento descrito neste ensaio é um p r o c e s s o de e v o l u ç ã o a partir de um i n í c i o p r i m i t i v o — processo cujos estágios sucessivos caracterizam-se p o r u m a compreensão sempre mais refinada e detalhada d a n a t u r e z a . M e s m o nesse caso. c o m o a precisão das soluções individuais de p r o b l e m a s a u m e n t a r ã o c a d a vez mais.d a s experimentadas pelas c o m u n i d a d e s individuais.o n u m p r o c e s s o de e v o l u ç ã o em direção a a l g o .

C a d a novo estágio do desenvolvimento d a evolução era u m a realização mais perfeita de um plano presente desde o início. presentes talvez na m e n t e divina. e s s a n ã o foi. A q u e s t ã o s e e s c l a r e c e m e l h o r s e r e c o nhecemos que a transposição conceituai aqui recomendada aproxima-se muito daquela empreendida pelo Ocidente há apenas um século. Isto p o r q u e . E I S E L E Y . e r a m pensadas c o m o existentes desde a primeira criação da vida. T a l dificuldade brotava de u m a idéia m u i to chegada às do próprio Darwin. S p e n c e r e d o s Naturphilosophen a l e m ã e s — c o n s i d e r a v a m a e v o l u ç ã o um p r o c e s so orientado p a r a um objetivo. tenha e n c o n t r a d o resistência. 1958).da comunidade em um d a d o momento? Será realment e útil c o n c e b e r a e x i s t ê n c i a d e u m a e x p l i c a ç ã o c o m pleta. Em 1859. n e m a possível descendência do h o m e m a partir do m a c a c o . As provas apontando para a evolução do h o m e m haviam sido a c u m u l a d a s p o r d é c a d a s e a idéia de e v o lu ç ã o já fora a m p l a m e n t e disseminada. a m a i o r d a s dificuldades e n c o n t r a d a s pelos darwinistas. d i v e r s o s p r o b l e m a s aflitivos p o d e r ã o d e s a parecer nesse processo. em a m b o s os c a s o s .V . o p r o b l e m a da indução deve estar situado em algum p o n t o desse labirinto. o p r i n c i p a l o b s t á c u l o p a r a a t r a n s p o s i ç ã o e r a o m e s m o . C h a m b e r s . objetiva e verdadeira da natureza. 4 4. Essa idéia ou plano fornecera a direção e o impulso para todo o processo de evolução. A "idéia" de h o m e m . Loren. II. t>arwin's Discovered It. (Nova York. q u a n d o Darwin publicou pela primeira vez sua teoria da evolução pela seleção natural. E m b o r a a evolução. d e forma alguma. julgando as r e a l i z a ç õ e s científicas d e a c o r d o c o m s u a c a p a c i d a d e p a r a nos aproximar daquele objetivo último? Se p u d e r m o s aprender a substituir a evolução-a-partir-doque-sabemos pela evolução-em-direção-ao-que-querem o s . especialmente p o r p a r t e d e m u i t o s g r u p o s r e l i g i o s o s .s a b e r . I V . Todas as bem con h e c i d a s t e o r i a s e v o l u c i o n i s t a s p r é . P o r exemplo. como tal. A i n d a n ã o p o s s o especificar d e t a l h a d a m e n t e a s conseqüências dessa concepção alternativa do progress o científico. a m a i o r p r e o c u p a ç ã o de muitos profissionais n ã o e r a n e m a n o ç ã o de m u d a n ç a d a s espécies.d a r w i n i a n a s — as d e L a m a r c k . Century: Evolution and C a p s . b e m c o m o as da flora e fauna c o n t e m p o r â n e a s . the Men Who .

a abolição dessa espécie de evoluç ã o t e l e o l ó g i c a foi a m a i s significativa e a m e n o s a c e i tável d a s s u g e s t õ e s de D a r w i n . O p r o c e s s o q u e o C a p .P a r a muitos. m a s regular. a seleção natural.3 8 3 . M a s s . 2 9 5 . tais termos adquiriram subitamente um caráter contraditório. resultando de simples c o m petição entre organismos q u e lutam pela sobrevivência. "desenvolvimento" e "progresso" na ausência de um objetivo especificado? P a r a m u i t a s pessoas. . o p e r a n d o em um meio ambiente d a d o e c o m os organismos reais disponíveis. M a s c o m referência a o s a s s u n t o s t r a t a d o s n e s t e c a p í t u l o final e l a é q u a s e p e r f e i t a .3 0 6 . A Origem das Espécies n ã o reconheceu n e n h u m objetivo posto d e a n t e m ã o por D e u s ou pela natureza. T o d o esse p r o c e s s o p o d e t e r o c o r r i d o . l&io1888 ( C a m b r i d g e . mais articulados e m u i t o m a i s especializados. 11 d e s c r e v e c o m o a resolução das revoluções corresponde à seleção pelo conflito da m a n e i r a m a i s a d e q u a d a de praticar a ciência — seleção realizada no interior da c o m u n i d a d e científica. Ao invés disso. 3 5 5 . v e r A . O r e s u l t a d o final d e u m a s e q ü ê n c i a d e t a i s seleções revolucionárias. s A analogia que relaciona a evolução dos organism o s c o m a e v o l u ç ã o d a s idéias científicas p o d e facilm e n t e ser levada longe demais. é o conjunto de instrumentos n o t a velmente ajustados q u e c h a m a m o s de conhecimento científico m o d e r n o . de organismos mais elaborados. p p . A c r e n ç a de q u e a seleção natural. teria produzido h o m e m com animais e plantas super i o r e s e r a o a s p e c t o m a i s difícil e m a i s p e r t u r b a d o r da t e o r i a d e D a r w i n . . c o m o n o c a s o d a 5. E s t á g i o s s u c e s s i v o s d e s s e p r o c e s so de desenvolvimento são marcados por um aumento d e a r t i c u l a ç ã o e e s p e c i a l i z a ç ã o d o s a b e r científico. Para um relato particularmente penetrante da luta de um eminente d a r w i n i s t a c o m e s s e p r o b l e m a . Asa Cray. Mesmo órgãos tão maravilhosamente adaptados c o m o a m ã o e o olho h u m a n o s — órgãos cuja estrutura fornecera no passado argumentos poderosos em f a v o r d a e x i s t ê n c i a d e u m artífice s u p r e m o e d e u m plano prévio — eram produtos de um processo que a v a n ç a v a c o m r e g u l a r i d a d e desde u m i n í c i o p r i m i t i v o . s e m c o n t u d o dirigir-se a n e n h u m o b j e t i v o . 1 9 5 9 ) . O q u e p o d e r i a m significar " e v o l u ção". separadas p o r períodos de pesquisa n o r m a l . era a responsável pelo surgimento gradual. H U N T E B D U P K E E .

Q u e car a c t e r í s t i c a s d e v e m ser e s s a s ? N e s s e p o n t o d o e n s a i o não estamos mais próximos da resposta do que quando o i n i c i a m o s . N ã o é a p e n a s a c o m u n i d a d e científica q u e d e v e s e r a l g o e s p e c i a l . inatingível e m outros d o m í n i o s ? P o r q u e tal c o n s e n s o há de resistir a u m a mudança de paradigma após outra? E por que u m a m u d a n ç a de paradigma haveria de produzir invariavelmente um instrumento mais perfeito do q u e aqueles a n t e r i o r m e n t e c o n h e c i d o s ? T a i s q u e s t õ e s . sentirá. é t ã o antigo c o m o a própria ciência e p e r m a n e c e sem resposta. e n t r e t a n t o .s e n e l a o h o m e m . A o c o n t r á r i o . M a s n ã o precisamos respondê-lo aqui. p a r a q u e a c i ê n c i a seja p o s s í v e l ? P o r q u e a c o m u n i d a d e científica h a v e r i a d e ser c a p a z d e alcançar u m consenso estável. U m a vez q u e essa n o ç ã o é igualmente compatível c o m a observ a ç ã o r i g o r o s a d a v i d a científica. n ã o obstante. . M a s . d a qual c a d a estágio d o desenvolvim e n t o científico s e r i a u m e x e m p l a r m a i s a p r i m o r a d o . Q u e m quer q u e tenha seguido a discussão até aqui. Qualquer c o n c e p ç ã o da natureza compatível c o m o crescim e n t o da ciência é compatível c o m a n o ç ã o evolucionária de ciência desenvolvida neste ensaio. estão tão em a b e r t o c o m o no início deste ensaio. s e m u m a v e r d a d e científica p e r m a n e n temente fixada. já foram respondidas — de um ponto d e vista d e t e r m i n a d o . O m u n d o d o q u a l e s s a c o m u n i d a d e faz parte t a m b é m possui características especiais. c r i a d o p o r e s t e e n s a i o .evolução biológica. c o m e x c e ção da primeira. a necessidade de perguntar p o r q u e o processo evolucionário haveria de ser b e m s u c e d i d o . sem o benefício de um objetivo p r e e s t a b e l e c i d o . e x i s t e m f o r t e s a r g u mentos p a r a empregá-la nas tentativas de resolver a multidão de problemas que ainda perduram. E s s e p r o b l e m a — O q u e d e v e ser o m u n d o p a r a que o h o m e m possa conhecê-lo? — n ã o foi. i n c l u i n d o . vistas d e o u t r a perspectiva. C o m o d e v e ser a n a t u r e z a .

Q u a n t o a o f u n d a m e n t a l . Este posfácio foi originalmente preparado p o r sugestão d o D r . graças às reações d o s críticos e ao m e u t r a b a l h o adicional. Já q u e s o u o r e s p o n s á v e l p o r a l g u n s d e s s e s m a l . pela paciência c o m que esperou sua realização e pela perm i s s ã o p a r a incluir o resultado n a e d i ç ã o e m l í n g u a inglesa. S o u grato a ele pela idéia.POSFACIO 1 — 1969 E s t e l i v r o foi p u b l i c a d o p e l a p r i m e i r a v e z h á q u a se sete a n o s . para ser incluído na sua tradução japonesa deste livro. Shigeru N a k a y a m a da Universidade de Tóquio. m a s agora reconheço a s p e c t o s d e m i n h a f o r m u l a ç ã o inicial q u e c r i a r a m d i ficuldades e mal-entendidos gratuitos.e n t e n d i d o s . . m e u antigo aluno e amigo. Nesse intervalo. s u a eli1 . m e u p o n t o d e vista p e r m a nece quase sem modificações. passei a c o m p r e e n d e r m e l h o r n u m e r o s a s questões q u e ele coloca.

L X X I I I . e m I M R E LAKATOS e A W N MUSGRAVE (eds. Philosophical Review.).desligar e s s e c o n c e i t o d a n o ç ã o d e c o m u n i d a d e científica. Illinois. N ã o procurei. radigmas examinando o comportamento dos membros da comunidade científica previamente determinada. E m seguida considerarei o que ocorre q u a n d o se busca pa. pp. p r o p o r e i a c o n v e n i ê n ç i a _ d e . denota um tipW^?e. "etc i _ .s e é m t o r n o d o conceito d e p a r a d i g m a . Da. . Outras indicações p o d e m ser encontradas em dois ensaios recentes d e minha autoria: "Reflection o n M y Critics". Um desses erros é a descrição d o p a p e l d o s Principia d e N e w t o n n o d e s e n v o l v i m e n t o d a M e c â n i c a do século X V I I I q u e aparece n a s p p .S 4 . 1970 ou 1971). O primeiro sentido do termo. além de duas passagens que continham erros isoláveis.' De outro. 1 1 5 . ver: M A R G A R E T M A S T E R M A N . p a r t i l h a d a s p e l o s m e m b r o s de u m a comunidade determinada. S 1 . D e u m l a d o . o item 3 é devotado aos paradigmas e n q u a n t o realizações passadas dotadas de natureza exemplar.m i n a ç ã o m e possibilita conquistar u m terreno q u e servirá de base para u m a nova versão do livro. é o o b j e t o do i t e m 2. No primeiro item q u e s e g u e . Percebe-se r a p i d a m e n t e q u e na m a i o r p a r t e do livro o t e r m o " p a r a d i g m a " é u s a d o em d o i s sentidos diferent e s . As rei2 3 4 i j 2. p o d e m substituir regras explícitas \ c o m o base para a solução dos restantes quebra-cabeças i da ciência normal. 383-94 (1964). i n d i c a r e i cò^ m o i s s o p o d e ser feito e d i s c u t i r e i a l g u m a s c o n s e q ü ê n cias significativas d a s e p a r a ç ã o a n a l í t i c a r e s u l t a n t e . T h e S t r u c t u r e of Scientific Revolutions. 3. Criticism and the GroM/th of Knowledge (Cambridge. P e l o m e n o s filosoficamente.qui p a r a frente citarei o primeiro desses ensaios c o m o "Reflections" e o v o l u m e no q u a l a p a r e c e c o m o o Grcrwrh of Knowledge.7 0 ) . para esta edição. Muitas das dificuldades-chave do m e u texto original a g r u p a m . Nesse meio t e m p o acolho c o m agrado a possibilidade de e s b o ç a r as revisões necessárias._e emento dessa"^pStH^^T^㣠_sc<lu£Õ^_3con=° c r e i á s . o s e g u n d o ensaio aparecerá c o m o "Second Thoughts".de_ quebra-cabe_çãs* qu^T e m p r e g a d a s " c o m o m o delos ou exemplos.).. Restringi-me a corrigir alguns erros tipográficos. este s e g u n d o sentido de " p a r a d i g m a " é o mais profundo d o s dois. O o u t r o refere-se à resposta às crises. 1 . tecer c o m e n t á r i o s a respeito de algumas críticas m a i s freqüentes e sugerir as direções nas quais m e u próprio pensamento se desenvolve atualmente. e m Growth o f Knowledge. The Structure of Scientlfic Theories (Urbana. 4 . i n d i c a t o d a a _canstelação_de c r e n ç a s . e "Second Thoughts on Paradigms". . P a r a u m a crítica particularmente cogente da minha apresentação inicial d o s p a r a d i g m a s . Começarei minha discussão por aí. que ' c h a m a r e m o s de s o c i o l ó g i c o . valfófe^s^ " t é c n i c a s . n a p . " T h e N a t u r e of a P a r a d i g m " . e D U L E Y S K A P E R E . reescrever sistematicamente o livro. em PATRICK S U P P E S (ed. .

Ç L i t e m 5 a p l i c a esse a r g u m e n t o ^ o _ p r q b l e m a da escolha entre duas teorias i n c o m p a t í v e i s . a c i ê n c i a n u m e m p r e e n d i m e n t o subjetivo e irracional. O s e g u n d o c o m e ç a p e r g u n t a n d o s e m i n h a a r g u m e n t a ç ã o r e a l m e n t e sofre. n ã o obstante. Os paradigmas e a estrutura da comunidade ^ O termo "paradigma" aparece nas primeiras pág i n a s do l i v r o e a s u a f o r m a de a p a r e c i m e n t o é i n t r i n secamente circular. m a s esta circularidade é u m a fonte de dificuldades reais. ser parafraseado em t e r m o s de regras e critérios. d e u m a confusão entre o descritivo e o n o r m a t i v o .v i n d i c a ç õ e s q u e fiz e m seu n o m e s ã o a p r i n c i p a l f o n t e das controvérsias e mal-entendidos q u e o livro evocou. instamòs~~á~que" os h o m e n s que defendem pontos de vista n ã o comparáveis sejam pensados c o m o m e m b r o s de diferentes comunidades de linguagem e que analisemos seus problemas de comunicações como problemas de tradução. N u m a b r e v e c o n c l u s ã o . Um paradigma é aquilo que os membros de u m a comunidade partilham e. As c o m u n i d a d e s p o d e m e d e v e m ser i s o l a d a s s e m r e c u r s o p r é v i o a o s p a r a d i g m a s . E m b o r a tal c o n h e c i m e n t o n ã o possa. conclui c o m observações sumárias a respeito de um tópico merecedor de um ensaio em separado: a extensão na qual as t e s e s p r i n c i p a i s d o l i v r o p o d e m ser l e g i t i m a m e n t e a p l i cadas a outros c a m p o s além da ciência. O p r i m e i r o d e l e s argumenta que termos como "subjetivo" e "intuitivo" n ã o p o d e m ser a d e q u a d a m e n t e a p l i c a d o s a o s c o m p o nentes do conhecimento que descrevi c o m o tacitamente inseridos em exemplos partilhados. O p r i m e i r o e x a m i n a a a c u s a ç ã o de q u e a c o n c e p ç ã o de ciência desenvolvida neste livro é totalmente relativista. e m s e g u i d a esses p o d e m s e r d e s c o b e r t o s a t r a - . N e m tooãs as~circularidades s ã o v i c i a d a s C á o " finaf d e s t e p o s f á c i o d e f e n d e r e i u m argumento de estrutura similar). testado pelo t e m p o e em algum s e n t i d o . u m a c o m u n i d a d e científica c o n s i s t e e m h o m e n s q u e partilham um paradjgrna. e s p e c i a l m e n t e a a c u s a ç ã o de q u e t r a n s f o r m o . Tais temas s e r ã o c o n s i d e r a d o s n o s i t e n s 4 e 5. p a s s í v e l d e c o r r e ç ã o . 1 . inversament e . sem modificação essencial. c o m o t e m s i d o d i t o . é sistemático. Três a s s u n t o s r e s i d u a i s s ã o d i s c u t i d o s n o s i t e n s finais 6 e 7.

e O. XXI. um tópico que recentemente se tornou um assunto importante para a pesquisa sociológica e que os historiadores da ciência também estão começando a levar a sério. Normalmente as fronteiras dessa literatura-padrão marcam os limites de um objeto de estudo científico e em geral _cada comunidade possui um objeto de estudo prõ^ 5 visíble College. 1011-18(1966). Em lugar de apresentar os resultados da investigação preliminar. Social Networks among Biological Scientists (Dissertação de doutorado. Scientific de B. Caps. J. "Egfe_J^*^ESübrnetídôs" a uma inicia^-ção profissional e a uma_ eduçaçãa__siraüafes. iniciaria com uma discussão da estrutura comunitária da ciência. D .vés do (escrutínio^ do comportamento dos membros de uma comunidade dada. in 1965). pp. PKICE e The D . permitam-me articular sucintamente a noção intuitiva de comunidade que subjaz em grande parte dos primeiros capítulos deste livro. 1966) e "The Micro-Structure of an Invisible College: T h e Phage G r o u p " ( c o m u n i c a ç ã o apresentada na reunião anual da A m e r i c a n Sociological Association. pressuporei aqui que serão encontradas formas mais sistemáticas para a sua identificação. 1968). mas algumas delas se encontram à nossa disposição e outras certamente serão desenvolvidas. Neste processo absorveram a mesma literatura técnica e dela retiraram muitas das mesmas lições. Universidade de Harvard. Boston. 5. »f* De acordo com essa concepção. sociólogos e um certo número de historiadores da ciência. sugerem que as técnicas empíricas exigidas para a exploração desse tópico não são comuns. BEAVEB. American Soclologlcal Revlew. Atualmente essa noção é amplamente partilhada por cientistas. uma comunidade Jcientífica é f o r m a d a pelos praticantes de uma especiâ/líêfãde científica. XXXIV. DIAHA C J U N E . A maioria dos cientistas em atividade responde imediatamente a perguntas sobre suas filiações comunitárias. 335-52 (1969). pp. an In- . Communlty Collaboration (Nova York. numa extensão sem paralelos na maioria das outras disciplinas. N. American Psychologist. muitos dos quais ainda não publicados. V. Se este livro estivesse sendo reescrito. Social Structure in a G r o u p of Scientists: A T e s t of the "Invisible College" Hypothesis. IV W. Os resultados preliminares. C. certos de que a responsabilidade pelas várias especialidades atuais está distribuída entre grupos com um número de membros pelo menos aproximadamente determinado. HAGSTROM. MUU-INS. Portanto.

P a r a t o m a r u m e x e m p l o c o n t e m p o r â n e o : c o m o se isolaria o grupo bacteriófago antes d e s e u r e c o n h e c i m e n t o público? P a r a isso d e v e r í a m o s valer-nos da assistência a conferências especiais. z o ó l o g o s e o u t r o s s i m i l a r e s . ler periódicos espec i a l i z a d o s s ã o g e r a l m e n t e c o n d i ç õ e s m a i s d o q u e suficientes. Possuir a mais alta titulação.prio. A c o m u n i d a d e m a j s ^ g l o b í d é c o m p o s t a p o r todos os cientistas ligados às ciências^da naTOrêzã. M a s s ã o b e m m a i s r a r a s aqui do que em outras áreas. q u í m i c o s . talvez entre esses. a c o m u n i c a ç ã o profissional entre grupos é a l g u m a s vezes á r d u a . P a r a esses a g r u p a m e n t o s m a i o r e s . da distribuição de esboços de manuscritos e de provas p a r a a publicação e sobretudo das redes formais e informais de c o m u n i c a ç ã o . q u e a b o r d a m o m e s m o o b j e t o científico a ._. Técnicas similares nos permitirão isolar tamb é m os principais subgrupos: químicos orgânicos (e. estão sempre em compet i ç ã o e n a m a i o r i a d a s v e z e s essas c o m p e t i ç õ e s t e r m i n a m rapidamente. físicos d e e s t a d o s s ó l i d o s e d e e n e r g i a d e a l t a intensidade. E m u m n í v e l i m e d i a t a m e n t e inferior. e v o c a r d e s a c o r d o s significativos e previamente insuspeitados. a s t r ô n o m o s . r a d i o a s t r ô n o m o s e assim p o r diante. q u e incluem o treino de seus sucessores. "partir d e p o n t o s d e v i s t a incomj»atíxeis. Freqüentemente resulta em mal-entendidos e pode. Os p r o b l e m a s e m p í r i c o s e m e r g e m a p e n a s n o nível i m e d i a t a m e n t e inferior. o p e r t e n c e n t e a u m a comunidade é rapidamente estabelecido. isto é . se n e l a p e r s i s t i r m o s . o s p r i n cipais g r u p o s científicos p r o f i s s i o n a i s s ã o c o m u n i d a d e s : físicos. U m a vez q u e a atenção dé diferentes c o m u n i d a d e s científicas e s t á f o c a l i z a d a s o b r e a s s u n t o s d i s t i n t o s . c o m u n i d a d e s . participar de sociedades profissionais. No interior_de tais g r u p o s a c o m u n i c a ç ã o é r e l a t i v a m e n t e a m p l a j e j o s j u l g a m e j j t o s p r o f i s s i o n a i s relativamente u n â n i m e s . Nesse sentido as comunidades p o d e m certamente e x i s t i r em m u i t o s n í v e i s . exceto n o s casos limites. inclusive daquelas descobertas na c o r r e s p o n d ê n c i a dos cientistas e nas liga- . H á escolas nas ciências. os químicos especializados em p r o t e í n a s ) . O resultado disso é q u e os m e m b r o s d e u m a c o m u n i d a d e científica v ê e m a s i p r ó p r i o s e são vistos pelos outros c o m o os únicos responsáveis pela perseguição d e u m conjunto d e objetivos c o m u n s .

diversas escolas c o m p e t e m pelo d o m í n i o d e u m c a m p o de estudos d e t e r m i n a d o . N e t w o r k s o f S c i e n t i f i c P a p e r s . p p . X V I . i rmri t j g o n rt rn o p ó s . A natureza dessa transição à maturidade merece u m a discussão mais ampla do que a recebida neste 6 t mei [ 6. C o m p a r i s o n o f the Results o f Bibliographic Coupling and Analytic Subject I n d e x í n g . especialmente os mais capazes. O m a i s s u r p r e e n d e n t e d e s s e s ^ternas é p r o v a v e l 5 t e ^ ^ q u i l p _ _ f l u e „ c h a m e i de'" a t r a n s i ç ã o do p e r í o d o prr_jjariM. 223-33 ( 1 9 6 5 ) . cJ m e s m o o c o r r e c o m o t r a b a l h o de um g r u p o . E m geral o s cientistas individuais. Antes de ela ocorrer. vale a p e n a m e n c i o n a r u m à série de tem a s q u e exigem"referência a p e n a s à e s t r u t u r a _ c o m u nitária. E U O E N E GARFIELD. muitos d o s aspectos da ciência descritos nas p á g i n a s p r e c e d e n t e s d i f i c i l m e n t e p o d e m ser e n t e n d i d o s . A s u n i d a d e s q u e este livro a p r e s e n t o u c o m o p r o d u t o r a s e legitimadoras do c o n h e c i m e n t o científico são c o m u n i d a d e s desse tipo. o n ú m e r o d e e s c o l a s é g r a n d e m e n t e r e d u z i d o — em geral p a r a u m a única. M . M a i s tarde. 1 9 6 4 ) . q u e s o m e n t e inicia q u a n do seus m e m b r o s estão seguros a respeito dos fundam e n t o s de seu c a m p o de estudos. S e m u m a referência à natureza desses elementos c o m p a r tilhados. C I L . d e u m n ú m e r o significativamente menor. no rasto de algum a r e a l i z a ç ã o científica n o t á v e l . simultaneamente ou em sucessão. D . p p .C ã b e ç a s . ocasionalmente. T e n h o p a r a m i m q u e esta tarefa p o d e s e r e s e r á feita. e m b o ra n ã o sejam apresentados de forma independente no m e u texto original.p a r a d i g m á t i c o d u r a n t e o d e s e n v o l v i m e n t o d ê * ü m c a m p o cieritfllcõ. . K E S S L E R . C o m e ç a e n t ã o u m t i p o m a i s eficiente d e p r á t i c a c i e n tífica. Os paradigmas são algo c o m p a r t i l h a d o pelos m e m b r o s d e tais c o m u n i d a d e s . P o r i s s o antes d e passarmos aos p a r a d i g m a s . p o d e r e m o s produzir c o m u n i d a d e s de talvez cem m e m b r o s e.ções entre citações. p e l o m e n o s n o t o c a n t e a o p e r í o do c o n t e m p o r â n e o e épocas históricas mais recentes. The Use of Citation Data in Writlng the History of Science (Filadélfia: I n s t i t u t e of S c i e n t i f i c I n f o r m a t i o n . M . E s s a p r á t i c a é g e r a l m e n t e e s o t é r i c a e o r i e n t a d a p a r a a~ SOiüção^^tte^ q u ü j l J . pertencerão a diversos desses grupos. 1. Science. American Documentatton. P R I C E . D e u m p o n t o d e vista típico. 510-15 ( 1 9 6 5 ) . E s t a t r a n s i ç ã o está esboçada no C a p . J . M a s Outros a s p e c t o s p o d e m s e r c o m p r e e n d i d o s .

N ã o havia. n e n h u m a c o m u n i d a d e de cientistas ligados à Física antes da m e tade d o século X I X . c o m p a r t i l h a m os tipos de elementos q u e rotulei coletivamente de " u m paradigma". proporciona pistas p a r a sua solução e garante o sucesso do praticante realmente inteligente.livro. por exemplo. incluindo as escolas do período " p r é . O que m u d a com a trans i ç ã o à m a t u r i d a d e n ã o é a p r e s e n ç a dè um* p a r a d i g m a . O s m e m b r o s d e t o d a s a s c o m u n i d a d e s científicas. A única interpretação alternativa que m e u texto p a r e c e permitir é a de q u e t o d o s esses objetos t e n h a m pertencido à c o m u n i d a d e da Física. à jdentjficação biunívoca^jnrpHcita neste. c o m o tem sido repetidamente a p o n t a d o por m e u s colegas de História da Ciência.eritre. S o m e n t e aqueles q u e retiram encorajamento da constatação de que seu c a m p o de estudo ( o u escola) possui paradigma e s t ã o aptos a perceber que algo i m p o r t a n t e é sacrificado nessa m u d a n ç a . 0 5 . identificações desse tipo n ã o r e sistem a um exame. digamos. m a s a n t e s a s ú t i n a t q c e z a . P r o c e d i r e p e t i d a mente c o m o ^ s e . ^ U m s e g u n d o t e m a . O q u e h o j e é o b j e t o de estudo de u m a única e ampla comunidade. "Óptica Física". especialmente p o r parte daqueles interessados no d e s e n v o l v i m e n t o d a s c i ê n c i a s sociais c o n t e m p o r â n e a s . diz respejto. livro. m a i s impjorjante ( p e l o m e n o s p a r a os h i s t o r i a d o r e s ) . a t u a l m e n t e e u consideraria muitos d o s atributos de u m a ciência d e s e n v o l v i d a ( q u e a c i m a associei à o b t e n ç ã o d e u m p a radigma) como conseqüências da aquisição de um tipo d e p a r a d i g m a q u e identifica o s q u e b r a . Indicar que a transição não precisa (atualmente penso que n ã o deveria) estar associada com a primeira aquis i ç ã o d e u m p a r a d i g m a p o d e ser útil a e s s a d i s c u s s ã o . e s t u d o c i e n t í ü c .p a r a d i g m á t i c o " . SpmênTe d ê r x n s TJâ~trãns*ÍÇSõ~ é p o s s í v è f á ' p e s q u i s a n o r m a l o r i e n t a d a " jfJarâ^ã r e s o l u ç ã o d e q u e b r a . E i n vista" d i s s o .c a b e ç a s .„çjyruinidades^científicas ê ^ E y e t o s j d e .c a b e ç a s d e s a f i a dores. t e n d o e n t ã o sido f o r m a d a pela fusão de partes de d u a s c o m u n i d a d e s anteriormente s e p a r a d a s : a da M a t e m á t i c a e da Filosofia da N a t u reza (physique expérimentale). no passado era distribuído entre diversas comunidades. "Eletricid a d e " e " C a l o r " devessem indicar c o m u n i d a d e s científicas p o r q u e n o m e i a m o b j e t o s d e e s t u d o s p a r a a p e s quisa. C o n t u d o . P a r a descobri-las e analisá-las é preciso p r i m e i r o deslindar .

d e especialistas. proporciona um exemplo adequado. da existência dos á t o m o s . E o q u e é m a i s i m p o r t a n t e : a t e o r i a da m a t é ria n ã o é o tipo de tópico sob de qual devem concordar necessariamente os membros de u m a comunidade dada. deve começar pela localização do g r u p o ou grupos responsáveis. proporção múltipla e pesos de combinação — tenham se tornado propriedade c o m u m e m r a z ã o d a t e o r i a a t ô m i c a d e D a l t o n . e r a m i n s t r u m e n t o s p a r a u m grande n ú m e r o . Newton.a e s t r u t u r a m u t á v e l d a s c o m u n i d a d e s científicas a t r a vés^rj5sr"tÇmpòs. um certo número de comentadores usou a teoria da matéria p a r a sugerir q u e exagero drasticam e n t e a u n a n i m i d a d e d o s cientistas n o q u e t o c a à s u a fidelidade a um paradigma. A n e c e s s i d a d e d o a c o r d o d e p e n d e d o q u e faz e s s a c o m u n i d a d e . A l g u n s leitores deste livro c o n c l u í r a m q u e m i n h a p r e o c u p a ç ã o se orienta principal ou exclusivamente p a r a as grandes revoluções. A l g u m a s vezes m e m b r o s d e ' diferentes c o m u n i d a d e s escolhem i n s t r u m e n t o s d i f e r e n t e s e c r i t i c a m a s e s c o l h a s feitas p o r o u t r o s . A c r e d i t o q u e outras dificuldades e mal-entendidos s e r ã o dissolvidos d a m e s m a m a n e i r a . como as associadas aos n o m e s de Copérnico. Concordo com a descrição. foi p e r f e i t a m e n te possível aos químicos. A Química. na primeira m e t a d e do século X I X ._jja_ jciêncía. mas n ã o pens o q u e seja u m e x e m p l o e m c o n t r á r i o . Q u a n d o a a n á l i s e d o d e s e n v o l v i m e n t o científico é e x a m i n a d a a p a r t i r d e s s a p e r s p e c t i v a . e m p r i m e i r o lugaf^ n ã o u m o b j e t o d e e s t u d o . basear seu trabalho nesses instrumentos e discordar. algumas vezes veemente. depois desse acontecimento. ü m p a r a d i g m a g o v e r n a . Q u a l q u e r e s t u d o de pesquisas orientadas por paradigma ou que levam à destruição de paradigma. E m l u g a r d i s s o . Por exemplo. essas teorias e r a m tópicos de d e b a t e e desacordo contínuos. Isso se deve em p a r t e aos exemplos q u e escolhi e em parte à m i n h a imprecisão a respeito da natureza e t a m a n h o das c o - . teorias da matéria n ã o eram terr i t ó r i o específico o u o b j e t o d e e s t u d o d e q u a l q u e r c o m u n i d a d e científica. D a r w i n ou Einstein. F a z e m notar q u e até b e m p o u c o . m a s u m grupo"" d e " p r a ticantes. E m b o r a muitos dos instrumentos fundamentais da comunidade — proporção constante. P e l o m e n o s a t é p o r volta de 1 9 2 0 . v á r i a s dificuld a d e s q u e foram alvo de críticas p o d e m desaparecer.

É igualm e n t e possível q u e as revoluções sejam induzidas através de outras maneiras. estreitamente relacionada c o m a p r e c e d e n t e . Os paradigmas como missos de grupo a constelação dos compro- Voltemos agora aos paradigmas e perguntemos o q u e p o d e m ser. M a s n ã o n e c e s s i t a ser u m a g r a n d e m u d a n ç a .munidades relevantes. c a p a z de assegurar que a rigidez da ciência n o r m a l n ã o p e r m a n e c e r á p a r a sempre sem desafio. proporcionando um mecanismo de autocorreção. e n q u a n t o oposta às m u d a n ç a s cumulativas. Novos instrumentos com o o m i c r o s c ó p i o e l e t r ô n i c o o u n o v a s leis c o m o a s d e M a x w e l l p o d e m ser d e s e n v o l v i d a s n u m a e s p e c i a l i d a d e . n e m precisa parecer revolucionária para os pesquisadores que não participam da comunidade — comunid a d e c o m p o s t a talvez de m e n o s de vinte e cinco pessoas. p o d e facilitar a c o m p r e e n s ã o d e s s a m u d a n ç a . a l g u m a s v e z e s . C o n t u d o . U m a última alteração. que a m u d a n ç a revolucionária precisa t a n t o ser entendida. e n q u a n t o a sua assimilação p r o v o c a u m a crise em outra. E s t e é o p o n t o m a i s o b s c u r o e m a i s . JPara mim.r e q u i s i t o e s s e n c i a l p a r a a s r e v o l u ç õ e s . 2. Finalmente. Diversos críticos p u s e r a m em d ú v i d a se as crises ( c o n s c i ê n c i a c o m u m d e q u e a l g o s a i u e r r a d o ) precedem as revoluções tão invariavelmente c o m o dei a entender no m e u texto original. n e n h u m a ! parte importante da minha argumentação depende da e x i s t ê n c i a d e crises c o m o u m p r é . p r e c i s a m a p e n a s ser o p r e l ú d i o c o s tumeiro. Contudo. muito p o u c o reconhecida ou discutida na literatura da Filosofia da Ciência. É precisamente p o r q u e este tipo de m u d a n ç a . um delineamento mais c l a r o d a estirutura c o m u n i t á r i a d e v e r i a f o r t a l e c e r a impressão bastante diferente que procurei criar. ocorre t ã o regularmente nessa escala reduzida. u m a revolução é u m a espécie de m u d a n ç a envolv e n d o um certo tipo de reconstrução dos compromissos d e g r u p o . e m b o r a p e n s e que isso r a r a m e n t e ocorre. sofre e m c o n s e qüência disso u m a revolução. gostaria de assinalar um p o n to obscurecido pela ausência de u m a discussão adeq u a d a da estrutura comunitária: as crises n ã o são n e cessariamente geradas pelo trabalho da comunidade q u e a s e x p e r i m e n t a e .

o outro sentido s e r á c o n s i d e r a d a no p r ó x i m o . p e r m a n e c e r i a m dois usos m u i t o distintos d o termo. " m a t r i z " p o r q u e é composta de elementos ordenados de várias espécies. ao contrário' daquele a ser discutido mais adianta .conc l u i u q u e o t e r m o é u t i l i z a d o <èm p e l o m e n o s „ y i n t e e d u a s m a n e j r j i ^ dffg£ l .. valeria a p e n a p e r g u n t a r : d e n t r e o que é partilhado p o r seus m e m b r o s .Atualmente p e n s o <jue á maioria dessas diferenças é devida a ihcongrüenciãs} esfílístícas^Xpor e x e m p l o : a l g u m a s vezes as Leis de í í e w t o n s ã o u m p a f à c l l g m ã . o q u e explica a r e l a t i v a a b u n d â n c i a de c o m u n i c a ç ã o p r o f i s s i o n a l e a r e l a t i v a "ÜffaTíimidadé 2 g f h i T p r a m e n T i ^ p r o f i R s i n p ^ ? M e u " texto < 5 i g í n a l permite responder a essa pergunta: u m p a r a d i g m a o u um-T?o]jtfrrrito--d^ nesse sentido. l^eitò e s s e t r a b a l h o editorial. O P T n p r e g ç i mais global_é o assunto deste item. T o d o s ou quase todos os objetos de compromisso g r u p á f ^ Ü ^ j n ê u T e ^ ^ t ^ g r í ã i ^ como paradigmas.ffriõl O s próprios c i e n t i s t a s ~ d i r i a m q u e p a r t i l h a m d e u m a t e o r i a o u d& u m c o n j u n t o d e t e o r i a s . clt. conota u m a estrutura b e m mais limitada e m n a t u r e z a e a l c a n c e d o q u e a e x i g i d a a q u i . c a d a u m d e l e s e x i g i n d o u m a d e t e r m i n a ç ã o m a i s pormenorizada. q u e d e v e m ser distinguidos. p r e p a r o u um índice analítico parcial "e. MASTBKMAN. evitaremos confusão adotando um outro. . em ainda outras. Contudo. ' " CiT res7 x 1 A p ó s isolar u m a c o m u n i d a d e p a r t i c u l a r d e e s p e cialistas através de técnicas semelhantes às q u e a c a b a m o s de discutir. p ^ a d i g f n S 5 c a s ) e pod e m s e r e l i m i n a d a s " COffl T e l a t l v â ^ ^ m t í a d e . Op. A t é quej o t e r m o p o s s a ser l i b e r a d o d e s u a s i m p l i c a ç õ e s a t u a i s . que partilha da minha convicção de que o " par a d i g m a " n o m e i a o s e l e m e n t o s filosóficos c e n t r a i s jdeste livro.i m p o r t a n t e d e m e u texto original. partes de paradigma ou paradygmâti-f Q J e r m f y 7. E u ficaria satisfeito s e esteí último t e r m o pudesse ser n o v a m e n t e utilizado n o s e n 4 tido que estamos discutindo. _ p a r a d l g m a . « A inãnrrYnr. s u g i r o " m a t r i z d i s c i p l i n a r " : " d i s ciplinar" p o r q u e se refere a u m a posse c o m u m aos praticantes d e u m a disciplina particular. P a r a os nossos p r o p ó s i t o s a t u a i s . e f n ~ õ u t r a s . oü. t a l c o m o é e m p r e g a d o p r e s e n t e m e n t e n a Filosofia! da Ciência. o termo "teo-| r i a " . U m a leitora simpatizante. ? . pjrrfès"' d é _ u m paradigma.

H = Ri . c o m o n o c a s o d a L e i d e J o u l e . em geral rigorosam e n t e d i s t i n g u i d a d a p r i m e i r a n a s a n á l i s e s d o s filósofos da c i ê n c i a .y.z). Contudo. o s m e m b r o s _ _ d o g r u p o n ã o t e r i a m p o n t o s ^ j d e jipoio p a r a a a p l i c a ç ã o d a s poderosas técnicas de m a n i p u l a ç ã o lógica e m a t e mática no seu trabalho de resolução de enigmas. R e I. empregadas sem discussão o u d i s s e n s ã o p e l o s m e m b r o s d o g r u p o . o s m e m b r o s d a c o m u n i d a d e já s a b i a m o q u e s i g n i f i c a v a m H.c o s . S e n ã o f o s s e m e x p r e s sões g e r a l m e n t e a c e i t a s c o m o e s s a s . esses elementos n ã o ' s e r ã o discutidos c o m o se constituíssem u m a única peça. Q u a n d o essa lei foi d e s c o b e r t a . as generalizações simbólicas prestam-se simultan e a m e n t e a u m a s e g u n d a função. em geral o p o d e r de u m a ciência parece aumentar c o m o TlTimerçi d e gêrleralizaçoes s i m b ó l i c a s " q u e o s _ p r a t i ç a n tes tem ao'seu dlspõfT" Tais g e n e r a l i z a ç õ e s a s s e m e l h a m . N ã o procurarei apresentar a q u i u m a lista e x a u s t i v a . m a s m u i t a s v e z e s n ã o p o s s u e m a p e n a s essa f u n ç ã o p a r a o s m e m b r o s d o g r u p o .L e n z . o o n s l i l u e m ^ s a rrj^Uriz„djsç|r^injr^e--cojg m a m u m t o d o . q u e p o d e m ser facilmente expressas n u m a forma lógica c o m o C * ) ( y ) ( z ) <f> (x. c o m o indicam as discussões anteriores deste livro. da corrente e da resistênc i a que a n t e r i o r m e n t e i g n o r a v a m . Rotularei de "generalizações simbólicas" um tipo importante de componente do paradigma.s e a leis d a n a t u r e z a . f u n c i o n a n d o e m " c o n j u n t g . m a i s f r e q ü e n temente. O u t r a s v e z e s s ã o e x p r e s s a s e m p a lavras: "os elementos combinam-se n u m a proporção constante aos seus p e s o s " ou "a u m a ação correspond e uma r e a ç ã o i g u a l e c o n t r á r i a " . Da m e s m a m a n e i r a q u e / = ma ou p T 1 . A l g u m a s vezes são e n c o n t r a d a s a i n d a sob a f o r m a s i m b ó l i c a : / = ma o u / = V/R. P o r é m . Tenho em mente aquelas expressões. e s s a s generalizações lhes disseram alguma coisa a respeito do c o m p o r t a m e n t o do calor. m a s a i n d i c a ç ã o d o s p r i n c i pais tipos de Componentes de u m a matriz disciplinar esclarecerá a natureza da minha presente abordagem e preparará a próxima questão. F a l o dos c o m p o n e n t e s formais ou facilmente formalizáveis da matriz disciplinar. P o r c e r t o isso p o d e o c o r r e r . E m b o ra o e x e m p l o da t a x o n o m i a sugira q u e a ciência norm a l p o d e avançar c o m poucas dessas expressões.

A l é m disso. O q u e fez E i n s t e i n : m o s t r o u q u e a s i m u l t a n e i d a d e e r a r e lativa ou alterou a própria n o ç ã o de simultaneidade? Estavam pura e simplesmente errados aqueles que viam um p a r a d o x o na expressão "relatividade na simultaneidade"? Consideremos um segundo çomr>onente^a jnatriz~ d i s c i p l i n a r . todas as revoluções envolvem o a b a n d o n o de generalizações cuja força era parcialmente tautológica. da Lei de Joule-Lenz. p o r e x e m plo. Se e s s e s d o i s t e r m o s c o n t i n u a s s e m a ter o m e s m o sentido q u e antes. Em outro c o n t e x t o esses p o n t o s m e r e c i a m u m a a n á l i s e d e t a l h a da. No m o m e n t o suspeito de que. I (1969). pp. to Ohtn'8 Law. q u e s ã o t a u t ò l o g i a s . o equil í b r i o e n t r e s u a s f o r ç a s legislativas e d e f i n i t ó r i a s — que são inseparáveis — m u d a c o m o t e m p o . as g e n e r a l i z a ç õ e s s i m b ó l i c a s f u n c i o n a m em p a r t e c o m o leis e e m p a r t e s c o m o d e f i n i ç õ e s d e a l g u n s dos símbolos que elas e m p r e g a m . m a T n â o ãs^HjTinicões. as moléculas 8 8 . B R O W N . 536-47 Resistance (1963). á " a c e i t a ç ã o d a L e i d e Ó h m exigiu. em Histórica! Studies in the Physical Sciences. u m a redefinição dos t e r m o s " c o r r e n t e " e " r e s i s t ê n c i a " . já que a natureza de um compromisso com u m a lei é m u i t o d i f e r e n t e d o c o m p r o m i s s o c o m u m a d e f i n i ç ã o . eu descrever i a tais c o m p r o m i s s o s c o m o c r e n ç a s e m d e t e r m i n a d o s modelos e expandiria a categoria " m o d e l o s " de m o d o a incluir t a m b é m a v a r i e d a d e relativamente heurística: o c i r c u i t o e l é t r i c o p o d e ser e n c a r a d o c o m o u m s i s t e m a hidrodinâmico em estado de equilíbrio. Provavelmente essa situação é típica. C o m f r e q ü ê n c i a a s leis podjsm s e r j * r a d u a l m e n t e c o r r i g i d a s . a Lei de O h m n ã o p o deria estar certa. a r e s p e i t o d o quaT m u l t a c o i s a foi d i t a n ó \ j m e u texto original sob rubricas c o m o " p a r a c ^ g m a s ineta. T e n h o / é m m e n f é ' c o r n ^ o r m S o s c o l e t i v o s c o m c r e n ç a s comõT o calor é a energia cinética das partes constituintes d o s corpos. Journal pp. F o i exatamente por isso q u e provocou u m a onosição t ã o violenta.n físicas". o u " p a r t e s m e t a f í s i c a s d o s p a r a d i g m a s " . 61-103 o/ Physics. Se agora reescrevesse este livro./ = V/R. T h e Electric Current in Early Nineteenth-Century French Physics.s e e m : T . e MORTON XXI. todos os fenômenos perceptivos são devidos à interação de átomos qualitativamente neutros no vaz i o o u . entre outras coisas. American . e n t r e outras coisas. a o contrário. ã m a t é r i a e à f o r ç a ou a o s c a m p o s . P o r exemplo. TJma a p r e s e n t a ç ã o d e p a r t e s s i g n i f i c a t i v a s d e s s e e p i s ó d i o e n c o n t r a . M . a l t e r n a t i v a m e n t e . SCHAGRIN.

E m b o r a n u n c a d e i x e m d e t e r eficácia.. Já indiquei anteriormente que a condição de membro n u m a comunid a d e de cientistas d u r a n t e a primeira m e t a d e do século X I X n ã o pressupunha a crença nos átomos. p r e d i ç õ e s q u a n t i t a t i v a s s ã o preferíveis à s q u a l i t a t i v a s . C o n t u d o .s o l u c i o n a d o s e a ~ a v a l i a r ã impT^rtârir-^ ç\e-. partilhados por diferentes c o m u n i d a d e s d o q u ê a s g e n e r a l i z a ç õ e s s i m b ó l i c a s <5u m o d e l o s r "Contribuem bastante para proporcionar aos especja|istas__em_ c i ê n c i a s d a n a t u r e z a u m s e n t i m e n t o de p ^ E t e h ç ê r s r n a* u m a c o m u n i d a d e glõEaí. existem t a m b é m val o r e s q u e d e v e m ser u s a d o s p a r a j u l g a r t e o r i a s c o m p l e t a s : estes p r e c i s a m . todos os modelos p o s s u e m funções similares. yale dizer. E n t r e outras coisas. escolher entre maneiras incompatíveis de praticar s u a disciplina. mais tarde. a i m p o r t â n c i a p a r t i c u l a r dos valores aparece q u a n d o os m e m b r o s de u m a c o m u n i d a d e d e t e r m i n a d a p r e c i s a m identificar u m a c r i s e ou.d e u m gás c o m p o r t a m . q u e o s m e m b r o s d e c o m u n i d a d e s científicas n ã o precisam partilhar nem m e s m o modelos heurísticos. quando possível.c a b e ç a s n ã o . e assim por diante. p a d a " u m ~ d e l e s .s e c o m o pequeninas bolas d e bilhar elásticas movendo-se ao acaso. e m b o r a usualmente o façam. d e v e m ser simples. O t e r c e i r o g r u p o d e e l e m e n t o s d a m a t r i z disciplinar que descreverei é constituído por valores. p e r m i t i r à formulação de quebra-cabeças e de soluções. Desse m o d o auxiliam a d e t e r m i n a r õ q u e será aceito c o m o u m a explicação o u c o m o u m a soluç ã o de quebra-cabeça e. compatíveis c o m outras teorias disseminadas no momento. líJítes 'de m a i s n a d a . d e v e ser r e s p e i t a d a r e g u l a r m e n t e n u m a á r e a d a d a . d o t a d a s de coerência Interna filj^ãuayeis. (Atualmente penso i . E m b o r a a intensidade do compromisso do grupo com determinados princípios varie — acarretando conseqüências importantes — ao longo de um espectro que abrange desde modelos heurísticos até ontológicos. e n t r e t a n t o . ajudam a estab e l e c e r g lista d o s q u e b r a . fornecem ao grupo as analogias ou metáforas_preferidas ou permjssíveis. inversamente. N o t e . Em geral s ã o mais amplamente. q u a l q u e r q u e seja a m a r g e m d e e r r o p e r m i s sível. P r o v a v e l m e n t e os valores a o s quais os cientistas aderem c o m m a i s intensidade s ã o aqueles que dizem respeito a predições: devem ser a c u r a d a s .s e .

) Exigiam ainda o u t r a s e s p é c i e s d e v a l o r e s — . a q u i . a c i ê n c i a d e v e o u n a ò ^ d S v e ter u m a u t i l i d a d e . u m a v e z m a i s . Ainda mais importante é n o t a r q u e nas situações o n d e valores d e v e m ser aplicados. O s valores. p a r a B o h r e outros n ã o p a s s a v a d e u m a dificuldade passível d e resolução através dos meios normais. p o r q u e insisto sobre o fato de que aquilo que os cient i s t a s p a r t i l h a m n ã o é suficiente p a r a i m p o r u m a c o r do uniforme no caso de assuntos c o m o a escolha de duas teorias concorrentes ou a distinção entre u m a ano1 . a p o n t o d e t o r n a r impossível a prática da teoria normal. embora os valores sejam a m p l a m e n t e compartilhados pelos cient i s t a s e e s t e c o m p r o m i s s o seja a o m e s m o t e m p o p r o f u n d o e c o n s t i t u t i v o da c i ê n c i a . p o d e m ser c o m p a r t i l h a d o s p o r h o m e n s q u e d i v e r g e m q u a n t o à sua aplicação. Entretanto.q u e u m a fraqueza do m e u texto original está na p o u c a atenção prestada a valores como a coerência interna e e x t e r n a a o c o n s i d e r a r f o n t e s d e crises e f a t o r e s q u e d e t e r m i n a m a escolha de u m a teoria. M a s . considerados isoladamente. variam e n o r m e m e n t e de indivíduo p a r a indivíduo. valores diferentes. s o c i a l ? — m a s a s o o u a i d c r a ç ú e s d p i ü s C n t a d à s a c i m a d e v e m ser suficientes p a r a tornar compreensível o q u e t e n h o em m e n t e . a v e l h a T e o r i a d o s Quanta nos proporciona um exemplo. m a s m e n o s coerente ou plausível q u e o u t r a . essa característica d o e m p r e go dos valores partilhados apareceu c o m o a m a i o r fraqueza da minha posição. . U m a teoria p o d e ser mais acurada. Julgamento quanto à acuidade s ã o relativamente. um aspecto dos valores partilhados requer u m a m e n ç ã o especial. estáveis de u m a época a outra e de um m e m b r o a outro em um g r u p o determinado. Sou ocasionalmente acusado^ de glorificar a s u b j e t i v i d a d e e m e s m o a i r r a c i o n a l i d a d e . Em suma. P a r á m u i t o s leitores. Aquilo q u e p a r a Einstein era u m a incongruência insup o r t á v e l n a v e l h a T e o r i a d o s Quanta. a l g u m a s _ v e z e s a a p l i c a ç ã o _ d o s j v a l o r e s é c o n s i d e r a v e l m e n t e afetada^ p e l o s t r a ç o s da p e r s o n a l i d a d e i n d i v i d u a l e _peTã b i o g r a f i a q u e d i f e r e n c i a os rnemb"?os__doagrupo. e m b o r a n ã o inteiramente. plausibilidade e assim por diante. d q x . coerência interna.. '"•frrpp ". ditariam c o m freqüência escolhas diferentes. julgamentos de simplicidade. n u m grau maior do q u e os outros elementos da matriz disciplinar.

haveria poucas ou n e n h u m a revolução. ( S e n ã o fosse a s s i m . em III viry (Pittsburgh./ graficamente.malia c o m u m e u m a p r o v o c a d o r a de crise. Voltemos agora a um quarto tipo de elemento presente na matriz disciplinar (existem outros que n ã o discutirei a q u i ) . 7. m e s m o q u a n d o seus m e m b r o s n ã o o s e m p r e g a m d a m e s m a m a n e i r a . "Meaning and Scientific Change". 10. S e g u n d o . F o i este c o m p o n e n t e dos compromissos 9 1 0 9. S e . Ver especialmente: DUDLEY SHAPERE. acima. a c i ê n c i a d e i x a r i a d e existir. em Mind and Cosmos: Essays in Contemporary Science and Pkilosophy. E s t a é talvez a m a n e i r a q u e a c o m u n i d a d e encontra p a r a dist r i b u i r os r i s c o s e a s s e g u r a r o s u c e s s o do s e u e m p r e e n dimento a longo prazo. Se todos os membros de uma comunidade respondess e m a c a d a a n o m a l i a c o m o se esta fosse u m a fonte de crise ou abraçassem c a d a nova teoria apresentada p o r u m c o l e g a . 41-85. I S R A E L S C H E F F L E R .) N e m todos pintaram da mesma maneira durante os períodos nos quais a represent a ç ã o era o valor primário. o s v a l o r e s c o m p a r t i l h a d o s p o d e m ser d e t e r minantes centrais d o c o m p o r t a m e n t o d e grupo. A m a i o r parte d a s anomalias é solucionada por meios normais. Imaginemos o que aconteceria nas ciências se a coerência interna deixass e d e ser u m v a l o r f u n d a m e n t a l . ( N o v a York. P r i m e i r o . Ver a discussão no início do Cap. . Science and Subfectl1 9 6 7 ) e o s e n s a i o s de Sír K A R L P O P P E R e I M R E L A U T O S Knowledge. n ã o h a v e r i a p r o b l e m a s filosóficos especiais a r e s p e i t o da T e o r i a d o s Valores ou da Estética. t a n t o filológica c o m o a u t o b i o . grande parte das novas t e o r i a s p r o p o s t a s d e m o n s t r a m e f e t i v a m e n t e ser falsas. p o r o u t r o lado. m a s o p a d r ã o de desenvolvimento das artes plásticas m u d o u drasticamente q u a n d o e s s e v a l o r foi a b a n d o n a d o . aceitando riscos elevados. pp. M a s essa r e a ç ã o ignora duas características apresentadas pelos julgamentos de valor em todos os c a m p o s de estudo. Os pont o s a o s q u a i s o s v a l o r e s d e v e m ser a p l i c a d o s s ã o t a m b é m invariavelmente aqueles nos quais um risco deve ser enfrentado. ninguém reagisse às anomalias ou teorias novas. o controle da e s c o l h a i n d i v i d u a l p o d e s e r feito a n t e s p e l o s v a l o r e s partilhados do q u e pelas regras partilhadas. Em assuntos dessa natureza. T h e U n i v e r s i t y o f P i t t s b u r g h S e r i e s i n P h i l o s o p h y o f S c i e n c e . N e s t e c a s o o t e r m o " p a r a d i g m a " seria t o t a l m e n t e a p r o p r i a d o . a v a r i a b i lidade individual no e m p r e g o de valores compartilhad o s p o d e ter funções essenciais p a r a a ciência. Gro-wth of 1 9 6 6 ) .

comuns do g r u p o q u e primeiro me levaram à escolha dessa palavra. os problemas são forne- . s u b s t i t u í . c o m o devem realizar seu trabalho. t o d o s _ o s _ f í s i c p s c o m e ç a r a aprend e n d o „oj^rnesm. seja n o s l a b o r a t ó r i o s . d e v e m s e r s o m a d o s a esses e x e m p l o s p a r t i l h a d o s p e l o m e n o s a l g u m a s d a s soluções técnicas de problemas encontráveis nas p u blicações periódicas q u e os cientistas e n c o n t r a m d u r a n t e suas carreiras c o m o investigadores. C o n t u d o . porque se pensa que servem apenas para p ô r em prática o q u e o estudante já sabe. discutido os problemas encontrados por um estud a n t e n o s t e x t o s científicos o u n o s s e u s t r a b a l h o s d e laboratório.e i a q u i p o r "p. antes de mais n a d a . as generalizações simbólicas são cada vez mais exemplificadas atrav é s d e d i f e r e n t e s e x e m p l a r e s . O c o n h e c i m e n t o científico e s t á f u n d a d o na teoria e nas regras. 3. A t é a g o r a o s filósofos d a c i ê n c i a n ã o t ê m .l o . as diferenças entre conjuntos de exemplares apresentam a estrutura comunitária da ciência. e m geral. o c a lorímetro e a ponte de Wheatstone. e o u s o dè i n s t r u m e n t o s c o m o o v e r n i e r . M a i s d o q u e o s outros lTpos~de c o m p o n e n t e s da matriz disciplinar.xemplares" C o m essa expressão quero indicar. P o r e x e m p l o . e x a m e s o u n o fim d o s c a p í t u l o s d o s m a n u a i s científicos. cônico. somente suas aplicações mais elementares são c o m u n s aos dois grupos. Em vista disso os exemplos exigirão mais atenç ã o do que os outros c o m p o n e n t e s da matriz disciplin a r . já que o termo assumiu u m a v i d a p r ó p r i a . Tajs jjqluçôes indicam^. Os paradigmas como exemplos compartilhados O paradigma enquanto exemplo compartilhado é o elemento central daquilo que atualmente me parece s e r o a s p e c t o m a i s . as^soluções concretas de problemas que os estudantes e n c o n t r a m d e s d e o i n í c i o d è s u a e d u c a ç ã o científica. na m e dida em q u e seu treino se desenvolve.deste livro. C o n t u d o . Afirma-se q u e ele n ã o p o d e r e s o l v e r n e n h u m p r o b l e m a a n t e s d e ter aprendido a teoria e algumas regras que indicam c o m o a p l i c á . E m b o r a o s físicos d e estados sólidos e os da teoria d o s c a m p o s compartil h e m a E q u a ç ã o de Schrõdinger. 30 p ê n d u l o .atrayés de exemplos.l a . Contudo. d a s órbitas de K e p l e r .Qs e x e m p l a r e s ^ p r o b l e m a s c o m o o d o plano"^S3^Sfei.J Q O v o _ _ e m e n o s c o m p r e e n d i d o .

e m b o r a esse aspecto d a situação n u n c a o u q u a s e n u n c a seja n o t a d o . reverto brevemente às generalizações simbólicas. À m e d i d a q u e o e s t u d a n t e e o cientista praticante p a s s a m de u m a situação p r o blemática a outra. N a a u s ê n c i a d e t a i s e x e m p l a r e s . O estudante q u e r e solveu muitos p r o b l e m a s p o d e apenas ter a m p l i a d o sua facilidade p a r a resolver outros m a i s . o s e s t u d a n t e s d e v e m a p r e n d e r algo q u e é a i n d a mais c o m p l i c a d o q u e isso. M a s p o de-se perguntar em q u e m o m e n t o e c o m q u e meios c h e g a r a m a isto. sem muita investigação adicional. O s o c i ó l o g o ou o l i n g ü i s t a q u e d e s c o b r e q u e a e x p r e s são correspondente é expressa e recebida sem problem a s pelos m e m b r o s d e u m a d a d a comunidade.s e d i r e t a m e n t e à f ó r m u l a / — ma. o fato de q u e eles a a c e i t e m s e m p e r g u n t a s e a u t i l i z e m c o m o um ponto de partida para a introdução de manipulaç õ e s l ó g i c a s e m a t e m á t i c a s n ã o significa q u e e l e s c o n c o r d e m q u a n t o a o seu sentido o u sua aplicação. modifica-se a generalização simbólica à qual se aplicam essas manipulações. Para tornar compreensível o que tenho em mente. massas e acelerações relevantes? N a prática. A Segunda Lei de Newton é um exemplo amplamente part i l h a d o . / = ma t o r n a . n ã o terá. pois de outro m o d o o desacordo apareceria rapidamente nas suas conversações subseqüentes. Q u a n d o e x a m i n a d a . a s leis e t e o r i a s a n t e r i o r m e n t e aprendidas feriam p o u c o c o n t e ú d o empírico. Todavia. Na verdade. No caso (Ps da q u e d a livre.cidos para que se alcance destreza daquelas. N ã o é e x a t o afirmar q u e as m a n i p u l a ç õ e s lógicas e m a t e m á t i c a s a p l i c a m .s e mg = m-f . e s s a e x p r e s s ã o d e m o n s t r a ser u m e s b o ç o o u e s q u e m a d e lei. tentei a r g u m e n t a r q u e esta localização do c o n t e ú d o cognitivo da ciência está errada. a selecionar forças. c o n f r o n t a d o s c o m u m a determinada situação experimental. C o m o a p r e n d e r a m . n o início e p o r algum tempo. resolver problemas é aprender coisas r e l e v a n t e s a r e s p e i t o d a n a t u r e z a . N ã o há dúvida de que estão de acordo em larga medida. g e r a l m e n t e e x p r e s s o s o b a f o r m a : / = ma. M a s . no dt 2 . aprendido grand e c o i s a a r e s p e i t o d o q u e significam t a n t o a e x p r e s são c o m o seus t e r m o s o u c o m o o s cientistas relacion a m essa expressão à natureza.

C o m o a p r e n d e u a f a z e r isso? U m f e n ô m e n o familiar. dt e p a r a situações mais complexas. u m a m a n e i r a d e e n c a r a r s e u p r o b l e m a como s e fosse u m p r o b l e m a q u e j á e n c o n t r o u antes. i n f o r m a n d o ao estudante q u e similaridades procurar. T a l habil i d a d e m e p a r e c e ser o q u e d e m a i s e s s e n c i a l u m e s t u m. m a s n ã o obstante e n c o n t r a m dificuldades p a r a resolver muitos dos p r o b l e m a s q u e e n c o n t r a m n o fim d o capítulo. p o d e nos fornecer u m a pista. d i g a m o s . sinal i z a n d o o c o n t e x t o (. O e s t u d a n t e d e s c o b r e . C o n t u d o . compreenderam-no perfeitamente.k S! = k (s — S i + d ) . M u i t o freqüentemente será u m a vers ã o p a r a a qual a n t e r i o r m e n t e ele n ã o encontrou um e q u i v a l e n t e l i t e r a l . c o m o o giroscópio. c o m ou s e m assistência de seu i n s t r u t o r . m a s s a s e a c e l e r a ç õ e s n u m a v a r i e d a d e d e s i t u a ç õ e s físicas j a m a i s e n c o n t r a d a s a n t e riormente. t 2 2 2 dt . e n q u a n t o a p r e n d e a identificar f o r ç a s . C o m u m e n te essas dificuldades se dissipam da m e s m a maneira. q u e p e r m i t i r á inter-relacioná-las. cP Sl . U m a vez percebida a semelhança e apreendida a analogia entre dois ou mais problemas distintos. Os primeiros relatam sistematicamente que l e r a m d o início a o f i m u m c a p í t u l o d e s e u m a n u a l . d e n t r o do q u a l a s i t u a ç ã o deve ser examinada. c o m o aos historiadores d a ciência.c a s o d o p ê n d u l o simples. Dessa aplicação resulta a h a bilidade p a r a ver a semelhança entre u m a variedade de s i t u a ç õ e s . t o d a s e l a s s u b m e t i d a s à f ó r m u l a / = ma ou qualquer outra generalização simbólica. o estudante p o d e estabelecer relações entre os símbolos e aplicá-los à natureza segundo maneiras que já tenham demonst r a d o s u a eficácia a n t e r i o r m e n t e . O e s b o ç o d e lei. t a n t o aos estudantes. c u j o p a r e n t e s c o c o m / = ma é a i n d a m a i s difícil d e d e s c o b r i r . transforma-se e m mg senO : — ml cP6 2 p a r a u m p a r d e oscilações h a r m ô n i c a s e m a ç ã o recíproca transmuta-se em duas equações. a primeira das q u a i s p o d e ser f o r m u l a d a c o m o -). / — ma f u n c i o n o u c o m o um i n s t r u m e n t o .Gestalt. t o m a a i n d a o u t r a s f o r m a s . o estudante aprende ao m e s m o t e m p o a elab o r a r a v e r s ã o a p r o p r i a d a de / = ma.

considerado na sua extensão.a s a p a r t i r d o m e s m o c o n t e x t o (Gestaltj q u e o s o u t r o s m e m b r o s d o seu g r u p o d e e s p e c i a l i s t a s . ? O papel das relações de similaridade adquiridas revela-se claramente t a m b é m na história da ciência. e n c a r a n d o . f r e q ü e n t e m e n t e c o m t ã Í ^ a e t B ! g o ^ í n i m o _ _ a generaTizâções^lTmbóTlgâsT* G á f i l é u ' d e s c o b r i u q u e "uma' bola qriiaSs^c*'r^iãria o um p l a n o i n c l i n a d o a d q u i r e v e l o c i d a d e suficiente p a r a v o l t a r à m e s m a altura vertical n u m segundo plano inclinado c o m q u a l q u e r aclive. o c e n t r o d e g r a v i d a de coletivo n ã o ultrapassaria a altura a partir da qual o centro de gravidade do pêndulo real c o m e ç a r a a cair. Nesse m e i o t e m p o . i m a g i n a n d o q u e o corpo desse último.d a n t e a d q u i r e . Qs cientistas resolvem quebra-cabeças m p d e l a n d o . J á n ã o s ã o mais as m e s m a s situações q u e encontrou no início de seu treinamento c o m o cientista. os pêndulos pontuais i n d i v i d u a i s p o d e r i a m oscilar l i v r e m e n t e . seja c o m lápis e p a p e l . Finalmente. Desfeitas as ligações. assimilou u m a maneira de ver testada pelo t e m po e aceita pelo g r u p o . m a s s e u c e n t r o d e gravidade coletivo elevar-se-ia q u a n d o cada u m desses pontos alcançassem sua altura máxima. n a d a mais era do que um conjunto de pêndulos pontuais galileanos e q u e as ligações entre esses p o d e r i a m ser i n s t a n t a n e a m e n t e desfeitas e m q u a l q u e r m o m e n t o d a oscilação. M a s . seja n u m l a b o r a t ó r i o b e m p l a n e jado. A p r e n d e u t a m b é m a v e r e s t a sit u a ç ã o e x p e r i m e n t a l c o m o s e fosse s i m i l a r à d o p ê n d u lo com massa pontual para u m a bola do pêndulo. o estudante passa a conceber as situações q u e o confrontam c o m o um cientista. Daniel Bernoulli conseguiu aproximar o fluxo d e á g u a a t r a v é s d e u m orifício e o p ê n d u l o d e Huyghens. tal c o m o n o p ê n d u l o d e G a l i l e u . Depois de resolver um certo n ú m e r o de problem a s ( n ú m e r o q u e p o d e variar g r a n d e m e n t e d e indivíd u o p a r a i n d i v í d u o ) . A partir daí H u y g h e n s resolveu o problema do centro d e o s c i l a ç ã o d e u m p ê n d u l o físico. Determina-se o abaixamento do centro de gravidade da água no tanque e no jato durante um i n t e r v a l o d e t e m p o infinitésimo. a o r e s o l v e r p r o b l e m a s e x e m p l a r e s . E m s e g u i d a i m a g i n e mos que cada partícula de água se move separadamente p a r a cima até a altitude m á x i m a q u e lhe é possível alcançar com a velocidade adquirida durante aquele ! .o s de ácòrdío c o m ^ o l u c ^ e ^ ã n r e r i o r e s .

q u e vinha s e n d o procurada há muito t e m p o . ver C L I F F O R D T R U E S D E L L . A elevação do centro de gravidade d a s p a r :ículas i n d i v i d u a i s d e v e e n t ã o i g u a l a r o a b a i x a m e n t o do centro de gravidade da água no tanque e no jato. Error a n d Failure i n N e w t o n ' s 'rincipia. t o m a d o e m s i m e s m o . descobriu-se r a p i d a m e n t e a velocidade do fluxo. e m b o r a todas b e m conhecidas. 1 9 5 5 ) . partir dessa concepção do problema. A p r o p ó s i t o do e x e m p l o . obtido modelando-se u m a solução Je problema sobre outra. A. comnentarii opus academicum (Estrasburgo. Esse exemplo deveria começar a tornar claro o que q u e r o dizer q u a n d o falo e m a p r e n d e r p o r m e i o de p r o b l e m a s a v e r s i t u a ç õ e s c o m o s e m e l h a n t e s . a n t e s d a lei. ao contrário. . Isto corresponde a a p r e n d e r . 135-36. é v i r tualmente impotente. c o m o objetos para a aplicação do m e s m o esboço de lei o u lei científica. Esse gênero de aprendizado n ã o se adquire exclusivamente através de meios verbais. foi c o m u m e n t e e x p r e s s a d a s e g u i n te forma: "A descida real iguala a subida potencial".intervalo. I m a g i n e m o s em seguida o que essas palavras. J. sive de veribus et motibus fluidorum. o e n u n c i a d o v e r b a l d a lei. Seção III. q u a n d o alguém aprende as palavras. i s t o é. M a d d o x ( N e u c h â t e l . c o n t u d o . 238-58 (1967). Apresentemo-lo a um estudante c o n t e m p o r â n e o de Física. p o d e m ter dito a um h o m e m que n ã o conhecia n e m m e s m o esses p r o b l e m a s . 1738). A o m e s m o t e m p o m o s t r a p o r q u e m e refiro a o relevante c o n h e c i m e n t o d a natureza q u e se adquire ao compreender a relação de semelhança. Texas Quarterly. v e r R E N É D U G A S . conhecimento q u e s e e n c a r n a n u m a m a n e i r a d e ver a s s i t u a ç õ e s físicas e n ã o e m leis o u r e g r a s . p p . P a r a ele a g e n e r a l i z a ç ã o s o m e n t e p o d e r i a c o m e ç a r a f u n c i o n a r q u a n d o fosse c a paz de reconhecer "descidas reais" e "subidas potenciais" c o m o ingredientes da natureza. A a p l i c a ç ã o q u e B e r n o u l l i fez d e s s a lei d e v e r i a s u g e r i r q u ã o p l e n a de conseqüências ela era. Hydrodynamica. O s t r ê s p r o b l e m a s d o e x e m p l o ( t o d o s eles e x e m p l a r e s p a r a o s mecânicos do século X V I I I ) empregam apenas u m a lei d a n a t u r e z a . X. q u e conhece as palavras e é capaz de resolver todos esses p r o b l e m a s q u e atualm e n t e e m p r e g a meios diferentes. R. Ocorre. juntamente com exem1 1 1 1 . rad. C o n h e c i d a c o m o o P r i n c í p i o d a vis viva ( f o r ç a v i v a ) . 186-193 e D A N I E L ÍERNOULLI. pp. E. Conjecture. Para comireender o grau de d e s e n v o l v i m e n t o alcançado pela Mecânica durante i primeira metade do século X V I I I . a l g u m a c o i s a a r e s p e i t o d a s situações q u e se apresentam ou n ã o na natureza. A History of Mechanics. Reactions of i-ate l a r o q u e M e c h a n i c s t o Success.

pios concretos de c o m o funcionam na prática; a natureza e as palavras são aprendidas simultaneamente. P e d i n d o e m p r e s t a d a m a i s u m a v e z a útil e x p r e s s ã o d e Michael Polanyi: desse processo resulta um "conhecimento tácito", conhecimento que se aprende fazendo ciência e n ã o simplesmente adquirindo regras p a r a fazê-la. 4. Conhecimento tácito e intuição

E s s a r e f e r ê n c i a ao c o n h e c i m e n t o t á c i t o e a rejeição concomitante de regras circunscreve um outro prob l e m a que tem p r e o c u p a d o muitos de m e u s críticos e que parece motivar as acusações de subjetivismo e irracionalidade. Alguns leitores tiveram a impressão de q u e eu tentava assentar a ciência em intuições individ u a i s n ã o - a n a l i s á v e i s e n ã o s o b r e a L ó g i c a e as leis. M a s esta interpretação perde-se em dois pontos essenciais. P r i m e i r o , essas intuições n ã o s ã o individuais — se é que estou falando de intuições. São antes possessões testadas e compartilhadas pelos m e m b r o s de um grupo b e m sucedido. O novato adquire-as através do treinamento, c o m o p a r t e d e sua p r e p a r a ç ã o p a r a tornar-se m e m b r o do grupo. Segundo, elas n ã o são, em princípio, impossíveis de analisar. Ao contrário, estou presentemente trabalhando com um programa de comp u t a d o r p l a n e j a d o p a r a investigar suas propriedades e m u m nível elementar. N a d a direi a respeito desse p r o g r a m a a q u i , m a s o simples fato de o m e n c i o n a r deveria esclarecer m e u a r g u m e n t o c e n t r a l . Q u a n d o falo d e c o n h e c i m e n t o b a seado em exemplares partilhados, n ã o estou me refer i n d o a u m a forma de conhecimento m e n o s sistemática ou m e n o s analisável q u e o c o n h e c i m e n t o b a s e a d o em r e g r a s , leis o u c r i t é r i o s d e i d e n t i f i c a ç ã o . E m v e z d i s s o , tenho em mente u m a forma de conhecimento que pode ser interpretada e r r o n e a m e n t e , se a reconstruirmos em termos de regras que primeiramente são abstraídas de exemplares e q u e a partir daí passam a substituí-los. D i t o d e o u t r o m o d o : q u a n d o falo e m a d q u i r i r a p a r tir d e e x e m p l a r e s a c a p a c i d a d e d e r e c o n h e c e r q u e u m a
1 2

meu

1 2 . A l g u m a informação sobre ensaio "Second Thoughts".

esse

assunto

pode

ser

encontrada

no

situação d a d a se assemelha ( o u não se assemelha) a situações anteriormente encontradas, n ã o estou apeland o p a r a u m p r o c e s s o q u e n ã o p o d e ser t o t a l m e n t e e x p l i cado em termos de mecanismos neurocerebrais. Sustento, ao contrário, q u e tal explicação, d a d a a sua n a tureza, n ã o será c a p a z de responder à pergunta: "Semelhante em relação a quê?" Essa questão pede u m a regra — nesse caso, os critérios através d o s quais situações particulares são agrupadas em conjuntos semelhantes. Reivindico q u e neste caso é necessário r e sistir à t e n t a ç ã o d e p r o c u r a r o s c r i t é r i o s ( o u p e l o m e nos um conjunto de critérios). Contudo, não me opon h o a sistemas, m a s apenas a algumas de suas formas particulares. P a r a dar p e s o à m i n h a afirmação, farei u m a b r e ve digressão. Atualmente parece-me óbvio o q u e digo a seguir, m a s o recurso constante em m e u texto origin a l a frases c o m o " o m u n d o t r a n s f o r m a - s e " s u g e r e q u e n e m s e m p r e foi a s s i m . S e d u a s p e s s o a s e s t ã o n o m e s m o lugar e olham fixamente na m e s m a direção, d e vemos concluir, sob p e n a de solipsismo, q u e r e c e b e m e s t í m u l o s m u i t o s e m e l h a n t e s . ( S e a m b a s p u d e s s e m fixar seus olhos no m e s m o local, os estímulos seriam idênticos.) M a s as pessoas n ã o vêem os estímulos; nosso c o n h e c i m e n t o a r e s p e i t o d e l e s é a l t a m e n t e t e ó r i c o e abstrato. Em lugar de estímulos, temos sensações e n a d a nos obriga a supor q u e as sensações dos nossos dois espectadores s ã o u m a e a m e s m a . ( O s céticos p o deriam relembrar q u e a cegueira c o m relação a cores nunca fora percebida até sua descrição por J o h n Dalton em 1794.) Pelo contrário: muitos processos nervosos t ê m lugar entre o recebimento de um estímulo e a consciência de u m a sensação. E n t r e as poucas coisas q u e s a b e m o s a esse respeito e s t ã o : estímulos m u i to diferentes p o d e m produzir a m e s m a sensação; o m e s m o estímulo p o d e produzir sensações m u i t o diferentes; e, finalmente, o c a m i n h o que leva do estímulo à sensação é parcialmente determinado pela educação. Indivíduos criados em sociedades diferentes c o m p o r tam-se, em algumas ocasiões, c o m o se vissem coisas diferentes. Se n ã o fôssemos tentados a estabelecer u m a relação biunívoca entre estímulo e sensação, poderíamos a d m i t i r q u e tais i n d i v í d u o s r e a l m e n t e v ê e m c o i s a s diferentes.

N o t e - s e q u e d o i s g r u p o s cujos m e m b r o s t ê m s i s t e maticamente sensações diferentes ao captar os mesmos e s t í m u l o s , v i v e m , em certo sentido, em m u n d o s d i f e rentes. Postulamos a existência de estímulos p a r a e x plicar nossas percepções do m u n d o e postulamos sua imutabilidade p a r a evitar tanto o solipsismò individual c o m o o social. N ã o t e n h o a m e n o r r e s e r v a q u a n t o a q u a l q u e r desses postulados. M a s n o s s o m u n d o é p o voado, em primeiro lugar, n ã o pelos estímulos, m a s p e l o s o b j e t o s d e n o s s a s s e n s a ç õ e s e esses n ã o p r e c i s a m ser o s m e s m o s d e i n d i v í d u o p a r a i n d i v í d u o , d e g r u p o p a r a grupo. Evidentemente, na m e d i d a em que os indivíduos pertencem ao mesmo grupo e portanto compartil h a m a educação, a língua, a experiência e a cultura, temos boas razões p a r a supor q u e suas sensações são a s m e s m a s . S e n ã o fosse a s s i m , c o m o p o d e r í a m o s c o m p r e e n d e r a p l e n i t u d e de s u a c o m u n i c a ç ã o e o c a r á t e r c o letivo de suas respostas comportamentais ao meio a m b i e n t e ? É p r e c i s o q u e v e j a m as c o i s a s e p r o c e s s e m os e s t í m u l o s d e u m a m a n e i r a q u a s e i g u a l . M a s o n d e existe a d i f e r e n c i a ç ã o e a e s p e c i a l i z a ç ã o de g r u p o s , n ã o d i s pomos de nenhuma prova semelhante com relação à imutabilidade das sensações. Suspeito de q u e um m e r o paroquialismo nos faz supor q u e o trajeto d o s estímulos às sensações é o m e s m o p a r a os m e m b r o s de todos os grupos. V o l t a n d o a o s e x e m p l a r e s e às r e g r a s , eis o q u e t e n h o t e n t a d o sugerir, s e b e m que d e u m a forma preliminar: u m a das técnicas fundamentais pelas quais os m e m b r o s de um grupo (trata-se de toda cultura ou de u m s u b g r u p o d e especialistas q u e atua n o seu interior) a p r e n d e m a ver as m e s m a s coisas q u a n d o confrontados c o m os m e s m o s estímulos consiste na apresentação de exemplos de situações q u e seus predecessores no g r u p o já a p r e n d e r a m a ver c o m o semelhantes entre si ou diferentes de outros gêneros de situações. Essas situações semelhantes p o d e m ser apresentações sensoriais sucessivas do m e s m o indivíduo — p o r e x e m p l o , da m ã e , q u e é f i n a l m e n t e r e c o n h e c i d a à p r i m e i r a v i s t a c o m o ela m e s ma e c o m o diferente do pai ou da irmã. P o d e m ser a p r e s e n t a ç õ e s d e m e m b r o s d e famílias n a t u r a i s , d i g a m o s , c i s n e s d e u m l a d o e g a n s o s d e o u t r o . O u p o d e m ser, n o caso d o s m e m b r o s de grupos mais especializados, exemplos de situações de tipo newtoniano, isto é, situações

que têm em c o m u m o fato de estarem submetidas a u m a v e r s ã o da f o r m a s i m b ó l i c a / = ma e q u e s ã o d i f e r e n tes daquelas situações às quais se aplicam, por exemplo, o s e s b o ç o s d e leis d a Ó p t i c a . A d m i t a m o s p o r e n q u a n t o q u e a l g u m a coisa desse tipo realmente ocorre. D e v e m o s dizer que o que se o b t é m a p a r t i r de e x e m p l a r e s s ã o r e g r a s e a h a b i l i d a d e p a r a aplicá-las? Essa descrição é tentadora, p o r q u e o ato de ver u m a situação a partir de sua semelhança c o m o u t r a s a n t e r i o r m e n t e e n c o n t r a d a s d e v e ser o r e s u l t a d o de um processo neurológico, totalmente governado por leis físicas e q u í m i c a s . N e s s e s e n t i d o , o r e c o n h e c i m e n t o da semelhança deve, u m a vez q u e a p r e n d a m o s a fazê-lo, ser t ã o a b s o l u t a m e n t e s i s t e m á t i c o q u a n t o a s b a t i d a s d e nosso coração. M a s este m e s m o paralelo sugere q u e o r e c o n h e c i m e n t o p o d e ser i n v o l u n t á r i o , e n v o l v e n d o u m processo sobre o qual não temos controle. Neste caso, n ã o é a d e q u a d o concebê-lo c o m o algo que p o d e m o s m a nejar através da aplicação de regras e critérios. F a l a r nesses termos implica ter acesso a outras alternativas — p o d e r í a m o s , por exemplo, ter desobedecido a u m a regra ou aplicado mal um critério, ou ainda experimentado u m a n o v a m a n e i r a d e v e r . E s s a s p a r e c e m - m e ser p r e c i s a m e n t e o g ê n e r o d e c o i s a s q u e n ã o p o d e m o s fazer. Ou, mais precisamente, essas são as coisas q u e n ã o p o d e m o s fazer antes d e t e r m o s tido u m a sensação, percebido algo. E n t ã o o que fazemos freqüentemente é b u s c a r critérios e utilizá-los. P o d e m o s em seguida e m p e nhar-nos na interpretação, um processo deliberativo através do qual escolhemos entre alternativas — algo q u e n ã o p o d e m o s fazer q u a n d o s e t r a t a d a p r ó p r i a p e r c e p ç ã o . P o r e x e m p l o , t a l v e z exista a l g o e s t r a n h o n o q u e vimos (recorde-se as cartas de baralho anômalas). Ao dobrar u m a esquina, vemos nossa m ã e entrando n u m a loja d o c e n t r o d a c i d a d e , n u m h o r á r i o e m q u e a s u p ú n h a m o s em casa. Refletindo sobre o que vimos, exclam a m o s repentinamente: " N ã o era m i n h a m ã e , pois ela t e m c a b e l o r u i v o " . A o e n t r a r n a loja, v e m o s n o v a m e n t e a mulher e não conseguimos compreender como pude1 3

1 3 . N i j h a v e r i a n e c e s s i d a d e d e insistir n e s s e p o n t o s e t o d a s a s leis f o s s e m c o m o as de N e w t o n e todas as regras c o m o as d o s D e z M a n d a m e n t o s . N e s s e c a s o , a e x p r e s s ã o " d e s o b e d e c e r u m a lei" n â o teria s e n t i d o e a rejeição de regras n ã o daria a impressão de implicar um p r o c e s s o não-governado por _ u m a lei. Infelizmente, leis de tráfego e p r o d u t o s similares da legislação p o d e m ser desobedecidos, o que facilita a confusão.

mos tomá-la por nossa mãe. Ou então vemos as penas da c a u d a de u m a ave aquática alimentando-se de alguma coisa no leito de u m a piscina rasa. É um cisne ou u m ganso? E x a m i n a m o s nossa visão, c o m p a r a n d o essas p e n a s d e c a u d a c o m a s d o s cisnes e g a n s o s q u e j á v i m o s anteriormente. Ou talvez, sendo cientistas primitivos, q u e i r a m o s simplesmente conhecer alguma característica geral (por exemplo, a brancura dos cisnes) dos m e m bros de u m a família natural q u e já conseguimos reconhecer c o m facilidade./Aqui, refletimos mais u m a vez sobre o que percebemos previamente, buscando o que o s m e m b r o s d e u m a d e t e r m i n a d a família t ê m e m comum. T o d o s esses p r o c e s s o s s ã o d e l i b e r a d o s e n e l e s p r o c u r a m o s e d e s e n v o l v e m o s r e g r a s e c r i t é r i o s . I s t o é, t e n t a m o s interpretar as sensações que estão à nossa disposição p a r a podermos analisar o que o d a d o é para n ó s . / N ã o o b s t a n t e f a ç a m o s isso, o s p r o c e s s o s e n v o l v i d o s d e v e m , e m ú l t i m a i n s t â n c i a , ser n e u r o l ó g i c o s . S ã o p o r i s s o g o v e r n a d o s p e l a s m e s m a s leis físico-químicas q u e dirigem tanto a m ã o c o m o nossos batimentos cardíacos. M a s o fato de q u e o sistema obedeça às m e s m a s leis n o s t r ê s c a s o s n ã o n o s p e r m i t e s u p o r q u e n o s s o a p a relho neurológico está p r o g r a m a d o p a r a operar da mesma maneira na interpretação e na percepção ou mesmo nos nossos batimentos cardíacos. Neste livro v e n h o me o p o n d o à tentativa, tradicional desde Descartes, mas n ã o antes dele, de analisar a percepção c o m o um processo interpretativo, c o m o u m a versão inconsciente do que fazemos depois de termos percebido. O q u e torna a integridade da percepção digna de ê n f a s e é , c e r t a m e n t e , o fato d e q u e t a n t a e x p e r i ê n c i a p a s s a d a esteja e n c a r n a d a n o a p a r e l h o neurológico q u e transforma os estímulos em sensações. Um mecanismo perceptivo adequadamente programado possui u m a valor de sobrevivência. Dizer que os m e m b r o s de diferentes grupos p o d e m ter percepções diferentes q u a n d o confrontados c o m os mesmos estímulos n ã o implica afirmar q u e p o d e m ter quaisquer percepções. E m muitos meio a m bientes, um g r u p o incapaz de distinguir lobos de cachorros n ã o jioderia sobreviver. A t u a l m e n t e um g r u p o de físicos n u c l e a r e s s e r i a i n c a p a z d e s o b r e v i v e r c o m o g r u p o científico c a s o fosse i n c a p a z d e r e c o n h e c e r o s t r a ç o s d e p a r t í c u l a s alfa e e l é t r o n s . É e x a t a m e n t e p o r q u e t ã o p o u -

N ã o vemos a s c o r r e n t e s elétricas. Contudo. procedi repetidamente como se realmente percebêssemos entidades teóricas c o m o correntes. porque está faltando u m a o u t r a característica. Essas são as características do conhecim e n t o e explicam por que uso o termo. tal c o m o n o c o r p o d o l i v r o . o conhecimento baseado no trajeto estímulo-resposta permanece tácito. e s t á sujeito a m o d i f i c a ç õ e s t a n t o a t r a v é s d a e d u c a ç ã o posterior c o m o pela descoberta de desajustamentos com a natureza. m a s a agulha de um a m p e r í m e t r o ou galvanômetro. d e m o n s t r o u s e r . Do m e s m o m o d o . É . n e m regras ou generalizações c o m as quais expressar esse conhecim e n t o . m a s há muitas razões para empregá-la. e m b o r a provavelmente n ã o a u m a verificação direta. m a s s i m suas trajetórias o u bolhas d e vapor n u m a c â m a r a b a r o m é t r i c a ( c â m a r a d e W i l s o n ) . Aquilo q u e constitui o processo neurológico que transforma estímulos em sensações possui as seguintes características: foi t r a n s m i t i d o p e l a e d u c a ç ã o . e finalmente.c a s m a n e i r a s d e v e r n o s p e r m i t i r ã o fazer isso q u e a s q u e resistem aos testes do e m p r e g o grupai são dignas de serem transmitidas de geração a geração. u m a hipótese a respeito da visão q u e deveria ser s u b m e tida a investigação experimental. M a s falar aqui da sensação e da visão t a m b é m serve a funções metafóricas. A s r e g r a s q u e p o d e r i a m n o s f o r n e c e r esse a c e s s o d e v e r i a m referir-se a o s estímulos e n ã o às sensações e só p o d e m o s conhecer os estímulos utilizando u m a teoria elaborada. M a s é um uso estranho. E m b o r a t u d o isso n ã o t e n h a s e n ã o u m v a l o r p r e l i m i n a r e n ã o n e c e s s i t e ser c o r r i g i d o e m t o d o s o s s e u s d e t a l h e s . N ã o temos acesso direto ao q u e conhecemos. N ã o vemos e l é t r o n s . exatamente porq u e essas m a n e i r a s de ver foram selecionadas p o r seu sucesso ao longo de um determinado período histórico. T a l v e z " c o n h e c i m e n t o " seja u m a p a l a v r a i n a d e quada. c o m o se a p r e n d ê s s e m o s a fazer isso através do exame de exemplares e c o m o se t a m b é m nesses c a s o s fosse e q u i v o c a d o s u b s t i t u i r o t e m a d a v i s ã o . Na ausência dessa última. 9. o q u e a c a b a m o s d e dizer a r e s p e i t o d a s e n s a ç ã o d e v e s e r t o m a d o e m s e u s e n t i d o literal. n o m í n i m o . d e v e m o s falar d a e x p e r i ê n c i a e d o c o n h e c i m e n t o baseados no trajeto estímulo-resposta. mais efetivo q u e seus competidores históricos n u m meio ambiente de um g r u p o . nas páginas precedentes e especialmente no Cap. e l é t r o n s e c a m p o s . a t r a v é s de tentativas.

D a d o u m c o n j u n t o d e c o n d i ç õ e s necessárias e suficientes para a identificação de u m a entidade teórica. s e q u i s e r e m . que p o d e variar consideravelmente de caso para c a s o . essa entidade p o d e ser eliminada da ontologia de u m a teoria através da substituição.pelo t e m a d o s critérios e da interpretação. E s s a s t r a j e t ó r i a s s ã o . c o m o é difer e n t e d a q u e l e feito p e l o h o m e m q u e interpreta a s p e quenas gotas d'água. d a s p a r t í c u l a s alfa e a s s i m p o r d i a n t e . m a s e s s e t r a j e t o n ã o s ó é m a i s c u r t o . O programa de c o m p u t a d o r acima referido começa a s u g e r i r m a n e i r a s p e l a s q u a i s isso p o d e ser feito. na ausência de tais regras. depois do processamento neurológico. houvesse um continuum p e r c e p t i v o d a s c l a s s e s d e a v e s a q u á t i c a s q u e f o s s e m d e g a n s o s até cisnes. 1 4 1 4 . Se u m a teoria física n ã o admite a existência d e n a d a a l é m d a corrente elétrica. C o n t u d o . A possibilidade de um reconhecim e n t o imediato dos m e m b r o s de famílias naturais depende da existência. A l o n g o p r a z o p r e c i s a r á ser e l i m i n a d a e m f a v o r d e u m a f o r m a m a i s literal d e d i s c u r s o . m a s ao olhar u m a c â m a r a barométrica ele não vê (aqui literalmente) gotas d'água. . Essa última observação sugere um corolário plausível que p o d e ser m a i s i m p o r t a n t e . m a s as trajetórias dos elét r o n s . A visão de p e q u e n a s gotas d'água ou de u m a agulha contra u m a escala n u m é r i c a é u m a experiência p e r c e p t i v a p r i m i t i v a p a r a q u a l q u e r u m q u e n ã o esteja f a miliarizado c o m as câmaras barométricas e amperímetros. A metáfora q u e permite transferir " v i s ã o " p a r a contextos desse tipo d i f i c i l m e n t e p o d e servir d e b a s e p a r a t a i s r e i v i n d i c a ç õ e s . antes q u e se possa chegar a conc l u s õ e s s o b r e os e l é t r o n s e as c o r r e n t e s . Se. m e s m o quando n ã o houver um conjunto de regras que especifique as c o n d i ç õ e s necessárias e suficientes para sua identificação. de espaços perceptivos vazios entre as famílias a serem discriminadas. será suficiente para identificar as correntes. Em lugar disso tentarei brevemente r e forçá-la. então u m p e q u e n o n ú m e r o d e critérios. essas entidades n ã o s ã o elimináveis. a análise e a interpretação ( o u ainda a intervenção de u m a autoridade e x t e r n a ) são exigidas. c r i t é r i o s q u e ele i n t e r p r e t a c o m o índices da presença das partículas correspondent e s . A o o l h a r o v a p o r d e s u a r e s p i r a ç ã o n u m a m a n h ã fria d e i n v e r n o . n e m a extensão de minha c o m p r e e n s ã o atual do t e m a permitem q u e eu elimine aqui essa m e t á f o r a . M a s a p o s i ç ã o daquele q u e conhece esses instrumentos e teve muitas experiências de seu u s o é bastante diferente. U m a observação semelhante p o d e ser feita c o m relação a entidades não-observáveis. a teoria exige sua existência. a observação cuidadosa. por exemplo. Existem d i f e r e n ç a s c o r r e s p o n d e n t e s n a m a n e i r a c o m q u e ele p r o cessa os estímulos q u e lhe chegam dos instrumentos. S e n d o assim. as seguintes observações p o u c o explícitas p o d e m servir de guia. P a r a os leitores de " S e c o n d Thoughts". p o d e r í a m o s ser c o m p e l i d o s a introduzir um critério específico para distingui-los. m a s n e m o espaço disponível. s u a s e n s a ç ã o t a l v e z seja a m e s m a d o l e i g o .

Os dois processos n ã o s ã o o m e s m o e o que a percepção deixa para a interpretação completar depende drasticamente da natureza e da extensão da f o r m a ç ã o e da experiência prévias. Sua sensação é provavelmente a m e s m a d e u m a leigo. Já q u e os vocabulários c o m os quais discutem tais situações consistem predominantemente dos mesmos termos. necessita apenas determinar em q u e escala o medidor deve ser lido. exceto de si m e s m o . Insisti. P a r a interpretá-la. a s p a r t e s d e v e m e s t a r v i n c u l a n d o estes t e r m o s d e m o d o diferente à natureza — o que torna sua comunicação inevitalmente parcial. P a r a o leigo.^5. experimentá-los c o m baterias e ímãs e assim por diante. na necessidade de cada partido tentar convencer através d a p e r s u a s ã o . e VI Os das pontos seguintes são tratados com mais detalhe nos Caps. a superiorid a d e d e u m a t e o r i a s o b r e o u t r a n ã o p o d e ser d e m o n s t r a d a através de u m a discussão. incomensurabilidade e revoluções O q u e a c a b a m o s de dizer fornece u m a base p a r a o esclarecimento de mais um aspecto deste livro: minhas observações sobre a incomensurabilidade e suas conseqüências p a r a os cientistas q u e d e b a t e m sobre a escolha entre teorias s u c e s s i v a s . T a n t o n o sentido metafórico c o m o n o sentido literal d o termo "visão". a interpretação começa onde a percepç ã o termina. e s p e c i a l m e n t e s e esse ú l t i m o j á l e u o u t r o s tipos de medidores anteriormente. S o m e n t e o s filósofos s e e q u i v o c a r a m s e 15 is. . P a r a ele a posição da a g u l h a é u m c r i t é r i o . Exemplares. p o r o u t r o lado. P a r a interpretá-la. em vez disso. a posição da agulha n ã o é critério de coisa algum a . A r g u m e n t e i n o s C a p s . 9 e 11 q u e as partes q u e intervém em tais d e b a t e s inevitavelmente vêem de m a n e i r a distinta certas situações experimentais ou de observação a q u e a m b a s t ê m acesso. V "Reflections". ele d e v e e x a m i n a r t o d a a d i s p o s i ç ã o d o s fios i n t e r n o s e e x t e r n o s . . m a s a p e n a s d o valor d a c o r r e n t e . M a s ele viu o a m p e rímetro (ainda aqui c o m freqüência de forma literal) no contexto do circuito total e sabe a l g u m a coisa a respeito de sua estrutura interna. Conseqüentemente.Consideremos ainda o cientista q u e inspeciona um amperímetro para determinar o n ú m e r o que a agulha está indicando.

as passagens em q u e se b a s e i a m essas interpretações equivocadas estão na origem das acusações de irracionalidade. as partes c o m p r o m e t i d a s no d e b a t e p o d e m refazer seus p a s s o s um a um e conferi-los c o m as estipulações p r é v i a s . A o final d e s s e p r o c e s s o .riamente sobre a intenção dessa parte de m i n h a argumentação. O q u e estou tentando demonstrar é a l g o m u i t o s i m p l e s . S e h á u m d e s a c o r d o s o b r e a s c o n c l u s õ e s . Contudo. A p ó s esse r e c o n h e c i m e n t o n ã o são aceit o s r e c u r s o s e a p r o v a d o o p o n e n t e d e v e ser a c e i t a . somente então é que o debate continua segundo a forma q u e t o m a i n e v i t a v e l m e n t e d u r a n t e a s r e v o l u ç õ e s científicas. E n e m m e s m o implica afirmar que as razões p a r a a escolha sejam diferentes daquelas c o m u m e n t e e n u m e r a d a s p e l o s filósofos d a c i ê n c i a : e x a t i d ã o s i m p l i c i d a d e . acima. e igualmente o ensaio TOULIN em Growth of Knowledge. Nessas últimas. violando u m a regra previamente aceita. entretanto. a t e o r i a d e v e s e r escolhida p o r razões q u e são. u m o u o u t r o d e v e r e c o nhecer que cometeu um erro. Consideremos primeiramente minhas observações a respeito da prova. a l g u m a espécie de apercepção mística é responsável pela decisão a q u e se chega. STEPKAN V e r os trabalhos citados na nota 9. fecundidade e outros semelhantes. Esse debate é sobre premissas e recorre à persuasão c o m o um prelúdio à possibilidade de prova. conseqüentemente. i n d i v i 1 6 de 16. N a d a n e s s a t e s e r e l a t i v a m e n t e f a m i l i a r i m p l i c a afirm a r que n ã o existam boas razões p a r a deixar-se persuadir ou q u e essas razões n ã o sejam decisivas p a r a o grup o . Alguns deles. queremos s u g e r i r q u e tais r a z õ e s f u n c i o n a m c o m o v a l o r e s e p o r t a n t o p o d e m ser a p l i c a d o s d e m a n e i r a s d i v e r s a s . p e s soais e subjetivas. Os debates sobre a escolha de teorias n ã o p o d e m ser expressos n u m a forma q u e se assemelhe totalm e n t e a provas matemáticas ou lógicas. n u m debate sobre a escolha de teor i a s n ã o c a b e r e c o r r e r a boas r a z õ e s . d e h á m u i t o f a m i l i a r à Filosofia d a Ciência. afirmaram que acredito no s e g u i n t e : os defensores de teorias incomensuráveis n ã o p o d e m a b s o l u t a m e n t e comunicar-se entre si. as premissas e regras de inferência estão estipuladas d e s d e o início. em última instância. . S o mente se ambos descobrem que diferem quanto ao sentido ou aplicação das regras estipuladas e que seu acord o p r é v i o n ã o f o r n e c e b a s e suficiente p a r a u m a p r o v a . Mais do q u e q u a l q u e r o u t r a parte do livro.

d i s c o r d a m sobre a importância relativa da fecundidade e. por aqueles q u e estão de acordo q u a n t o à sua validade. P a r a c o m p r e e n d e r a especificidade d o desenvolvimento d a ciência. Esse processo é persuasivo. A prática da ciência normal depende da habilidade. devem estar e m p r e g a n d o as palavras de m o d o diferente. Tais conjuntos são primitivos no sentido de q u e o a g r u p a m e n t o é efetuado sem que se responda à pergunta: "Similares c o m relação a q u ê ? " Assim. pode-se dizer q u e q u e m t o m a a d e c i s ã o efetiva é a n t e s a c o m u n i d a d e d o s e s p e c i a l i s t a s do que seus m e m b r o s individuais. P o r exemplo. E n e n h u m d e l e s e s t á p r o c e d e n d o d e m a n e i r a acientífica. Se n ã o p o d e m n e m se comunicar como poderão persuadir um ao outro? Até mesmo u m a resposta preliminar a essa questão requer u m a precisão maior a respeito da natureza da dificuldade. ou. precisamos entender a maneira pela qual um conjunto determinado de valores compartilhados entra em interação com as experiências particulares c o m u n s a u m a com u n i d a d e de especialistas. n ã o p r e cisamos deslindar os detalhes biográficos e de personalidade que levam cada indivíduo a u m a escolha partic u l a r . S u p o n h o q u e . p a r a agrupar objetos e situações em conjuntos semelhantes. se dois h o m e n s disc o r d a m a respeito da fecundidade relativa de suas teorias. c o n c o r d a n d o a esse respeito. um aspecto central de qualquer revolução reside no fato de q u e algumas das relações . utilizam o m e s m o v o c a b u l á r i o p a r a discuti-la. Eles falam a partir daquilo que chamei de pontos de vista incomensuráveis. n ã o obstante isso. m e s m o quando aplicado adequadamente. deve necessariamente conduzir cada membro de um grupo a u m a mesma decisão. E n t r e t a n t o . e m b o r a esse t ó p i c o seja f a s c i n a n t e . de tal m o d o q u e a m a i o r parte do grupo acabe por considerar q u e um conjunto de argumentos é mais decisivo q u e o u t r o . Dois homens que percebem a m e s m a situação de maneira diversa e que. N e n h u m procedimento sistemático de decisão. adquirida através de exemplares. digamos. Nesse sentido. tal p r e c i s ã o t o m e a f o r m a que passo a descrever.dual e coletivamente. mas apresenta um problema mais profundo. N ã o e x i s t e m algoritmos neutros p a r a a escolha de u m a teoria. da importância de se chegar a u m a escolha — então n e n h u m d e l e s p o d e ser a c u s a d o d e e r r o . p e l o m e n o s e m p a r t e .

N ã o p o d e m recorrer a u m a linguagem neutra. P a r t e d a s diferenças é anterior à utilização das linguagens. n a q u e d a livre e n o s m o v i m e n t o p l a n e t á r i o s a p e n d u l a r e s a n t e s e d e p o i s d e G a l i l e u . ou 'movimento livre') na forma estabelecida pelos seguintes critérios". E m p o u c o t e m p o essas modificações tinham se espalhado p o r toda a Q u í m i c a . . podem descobrir-se repentinamente reagindo ao m e s m o estímulo através de generalizações e descrições incompatíveis. da acid e z e d a c o m b i n a ç ã o física e q u í m i c a . utilizada p o r todos da m e s m a maneira e adeq u a d a p a r a o e n u n c i a d o de suas teorias ou m e s m o d a s c o n s e q ü ê n c i a s e m p í r i c a s d e s s a s t e o r i a s . ou 'planeta'.v e r s a . U m a v e z q u e as palavras em t o r n o das quais se cristalizam as dificuldades foram parcialmente apreendidas a partir da aplicação direta de exemplares. reflete-se n e l a s . parte de u m a modificação fundamental na rede de inter-relações que os une. os que participam de u m a interrupção da comunicação n ã o p o d e m dizer: "utilizei a palavra 'elemento' ( o u 'mistura'. m e s m o q u a n d o e m c o n j u n t o s alterados.de similaridade m u d a m . n ã o o b s t a n t e . N ã o obstante. Essas dificuldades n ã o serão sentidas n e m m e s m o e m t o d a s a s á r e a s d e s e u s d i s c u r s o s científicos. em M a r t e e na T e r r a antes e depois de C o p é r n i c o . A transferência de metais de um conjunto de compostos para um conjunto d e elementos d e s e m p e n h o u u m p a p e l essencial no surgimento de u m a nova teoria da combustão. P o r isso n ã o é s u r p r e e n d e n t e q u e . n a s fusões d e metais e na mistura de enxofre e limalha de ferro antes e depois de Dalton. Tais problemas. P e n s e m o s n o Sol. o u n o s s a i s . n a L u a . d o i s h o m e n s q u e a t é ali p a r e ciam compreender-se perfeitamente d u r a n t e suas conversações. n ã o s ã o m e r a m e n t e lingüísticos e n ã o p o d e m ser r e s o l v i d o s s i m p l e s m e n t e a t r a v é s d a e s t i p u l a ç ã o d a s definições d o s t e r m o s p r o b l e m á t i c o s . q u a n d o e s s a s r e d i s t r i b u i ç õ e s o c o r r e m . os n o m e s dos grupos são em geral c o n servados. m a s surgirão e agrupar-se-ão mais densamente em torno dos fenômenos dos quais depende basicamente a escolha da teoria. Visto que a maior p a r t e dos objetos c o n t i n u a a ser a g r u p a d a . a transferência de um subconjunto é. e m b o r a apareçam incialmente na c o m u n i c a ç ã o . Objetos q u e antes estavam agrupados no m e s m o conjunto passam a agrupar-se em c o n j u n t o s d i f e r e n t e s e v i c e . mas. de ordinário.

n u m e s f o r ç o p a r a e l u c i d a r a i n d a m a i s seus p r o blemas. V . 1960). ) D e p o i s d e i s o l a r tais á r e a s d e dific u l d a d e n a c o m u n i c a ç ã o científica. O s cientistas r a r a m e n t e as reconhecem exatamente pelo que são e r a r a m e n t e as utilizam por mais t e m p o do que o necessário p a r a realizar u m a conversão ou convencerem-se a s i m e s m o s d e q u e ela n ã o s e r á o b t i d a . D a d o q u e p o s s u e m t a n t o e m c o m u m . n ã o importa q u ã o diferentemente programados. T o m a n d o c o m o objeto de estudo as diferenças encontradas n o s d i s c u r s o s n o i n t e r i o r d o s g r u p o s o u e n t r e esses. A fonte já clássica para a maioria d o s aspectos relevantes da t r a d u ç ã o é Word and Object. ) . e m D E L H Y M E S ( e d . M a s s . . o s interlocutores p o d e m tentar primeiramente descobrir os termos e as locuções que. o q u e resta aos interlocutores q u e n ã o se c o m p r e e n d e m m u t u a m e n t e é reconhecerem-se uns aos outros c o m o m e m b r o s de diferentes c o m u n i d a d e s de linguagem e a partir daí tornarem-se t r a d u t o r e s . Os estímulos q u e encontram são os mesmos. I e I I . . salvo no passado imediato. Em conseqüência. Caps. Language and Culture in Society (Nova York. Mas Quine parece supor que dois h o m e n s q u e r e c e b e m o m e s m o e s t í m u l o d e v e m ter a m e s m a s e n s a ç ã o e portanto t e m p o u c o a dizer a respeito do grau em que o tradutor deve ser c a p a z d e descrever o m u n d o a o q u a l s e a p l i c a a l i n g u a g e m q u e e s t á traduzida. C a d a um pode tentar descobrir o que o outro veria e diria q u a n d o confrontado com um estímulo p a r a 1 7 1 7 . já q u e partilham u m a história c o m u m . (Locuções q u e n ã o a p r e s e n t a m t a i s d i f i c u l d a d e s p o d e m ser t r a d u z i d a s h o m o f o n a m e n t e . m a s da mais alta importância. focos d e p r o b l e m a s para as discussões intergrupais. N I D A . d e v e r i a m ser c a p a z e s d e d e s c o b r i r m u i t a c o i s a a r e s p e i t o da m a n e i r a c o m o diferem. e N o v a York. M a s as técnicas exigidas p a r a isso n ã o s ã o n e m s i m p l e s . A l é m disso. aqueles q u e e x p e r i m e n t a m tais dificuldades de c o m u n i c a ç ã o d e v e m possuir algum recurso alternativo. O m e s m o se dá c o m seus aparelhos neurológicos. A. até m e s m o suas p r o g r a m a ç õ e s n e u r o l ó g i c a s d e v e m ser a p r o x i m a d a m e n t e a s m e s m a s . "Linguistics and E t h n o l o g y i n T r a n s l a t i o n P r o b l e m s " . s ã o . e n e m m e s m o p a r t e d o arsenal habitual d o cientista. 90-97. n ã o o b s t a n t e . d e W . c o m exceção de um setor da experiência reduzido. p o d e m e m s e g u i d a recorrer aos vocabulários cotidianos q u e lhes são c o m u n s . n e m c o n f o r t á v e i s . 1964). ver E. pp. Q U I N E ( C a m b r i d g e . Em suma. compartilham tanto seu cotidiano c o m o a maior parte de sua linguagem e m u n d o científicos.T o d a v i a . usadas sem p r o b l e m a s no int e r i o r d e c a d a c o m u n i d a d e . O . S o b r e esse último ponto.

Essa reação ocorre mais facilmente entre os q u e a c a b a m de ingressar na profissão. C a d a um terá aprendido a traduzir para sua própria linguagem a teoria do outro. Na ausência d e s s a ú l t i m a . Essas duas experiências n ã o são a m e s m a coisa. Se o n o v o p o n t o de vista p e r d u r a p o r algum t e m p o e continua a d a r frutos. a descrever na sua linguag e m o m u n d o a o q u a l e s s a t e o r i a s e a p l i c a . Eles p o d e r ã o d i z e r : n ã o sei c o m o o s a d e p t o s d o n o v o p o n t o d e v i s t a tiveram êxito.o qual sua própria resposta verbal seria diferente. porque ainda n ã o adquiriram o vocabulário e os compromissos especiais de qualquer um d o s . é evidentemente correto. tais resultados já serão decisivos. s e e l a o é . A p e n a s recentemente reconheci essa distinção importante em toda sua extensão. n ã o n e c e s s i t a ser a c o m p a n h a d a ou seguida pela conversão. b e m c o m o suas conseqüências e. os r e s u l t a d o s d a s p e s q u i s a s q u e p o d e m ser v e r b a l i z a d o s dessa forma crescem provavelmente em número. m u i t a s e x p l i c a ç õ e s e e n u n c i a d o s d e p r o b l e m a s endossados pelos m e m b r o s d e u m g r u p o científico s e r ã o o p a c o s p a r a o s m e m b r o s d e o u t r o g r u p o . p o d e r ã o . simultaneamente. M a s cada comunidade de linguagem pode produzir habitualmente. começar a prever bastante b e m o comportamento recíproco. O c a s i o n a l m e n t e chega-se a esse r e s u l t a d o sem recorrer a n a d a semelhante à s u m a tradução. A tradução. o que quer q u e estejam fazendo. Penso que persuadir alguém é convencê-lo de que n o s s o p o n t o d e v i s t a é s u p e r i o r e p o r isso d e v e s u p l a n t a r o seu. é um instrum e n t o potente de persuasão e conversão. m a s preciso aprender. Se conseguirem refrear suficientemente suas tendências p a r a explicar o c o m p o r t a m e n t o anômalo c o m o a conseqüência d e s i m p l e s e r r o o u l o u c u r a . e m b o r a p o s s a m ser d e s c r i t o s e m frases compreendidas da m e s m a m a n e i r a pelos dois grupos. a i n d a n ã o p o d e m ser e x p l i c a d o s p e l a o u t r a c o m u n i d a d e em seus p r ó p r i o s t e r m o s . c o m o t e m p o . M a s m e s m o a p e r s u a s ã o n ã o necessita s e r b e m s u c e d i d a e . P a r a alguns. alguns resultados de pesquisa c o n c r e t o s q u e . desde o início. pois permite aos participantes de u m a c o m u n i c a ç ã o interrompida experimentarem vicariamente alguma coisa dos méritos e defeitos recíprocos. É isto q u e o h i s t o r i a d o r d a c i ê n c i a faz r e g u l a r m e n t e ( o u d e v e r i a f a z e r ) q u a n d o e x a m i n a t e o r i a s científicas a n t i q u a d a s . q u a n d o levada adiante.

existem sempre contra-argumentos disponíveis e n ã o existem regras q u e prescrevam c o m o se deve estabelecer o equilíbrio entre as partes. E m b o r a o preço desse t i p o d e t r a d u ç ã o seja f r e q ü e n t e m e n t e s e n t e n ç a s m u i t o longas e complexas (recorde-se a controvérsia Proust-Berthollet. poucos serão persuadidos sem que se recorra às comparações mais amplas permitidas pela tradução. t o r n a . e n c o n t r a m a Teoria da Relatividade ou a M e c â n i c a Quântica . P a r a a maioria das p e s s o a s a t r a d u ç ã o é um p r o c e s s o a m e a ç a d o r e c o m p l e t a m e n t e estranho à ciência normal. de q u e m o d o um enunciado. tal c o m o m u i t o s q u e . colocando-se no lugar do opositor. assume u m a importância crucial. muitos resultados adicionais d a pesquisa p o d e m s e r traduzidos d a l i n g u a g e m d e u m a c o m u n i d a d e p a r a a de outra. à medida que a t r a d u ç ã o avança. n u m determinado m o m e n t o do processo de aprendizagem da tradução. de l o n g a d a t a familiar a lingüistas e historiadores. Nesse caso um segundo aspecto da tradução. Traduzir u m a teoria ou visão de m u n d o na sua p r ó p r i a linguagem n ã o é fazê-la sua. na medida em que os argumentos se a c u m u l a m e desafio após desafio é e n f r e n t a d o c o m ê x i t o . p o r e x e m p l o . P o r certo a disponibilidade de tais técnicas n ã o garante a persuasão. q u e ele d e s l i z o u p a r a a n o v a l i n g u a g e m s e m t e r t o m a d o q u a l q u e r d e c i s ã o a esse r e s p e i t o . os argumentos enunciáveis no vocabulário utilizado da m e s m a maneira por ambos os grupos h a b i t u a l m e n t e n ã o são decisivos. podia parecer u m a explicação p a r a os membros do p r u p o oposto.grupos. o indivíduo descobre q u e ocorreu a t r a n s i ç ã o . Contudo. E n t r e os indivíduos admitidos na profissão. A l é m disso. O u a i n d a : o i n d i v í d u o . p e l o m e n o s até o último estágio da evolução d o s p o n t o s de vista opostos. por melhores razões que se tenha p a r a desejar proceder desse m o d o . Em lugar disso. N ã o obstante. que anteriormente lhes parecia opaco.s e n e c e s s á r i a u m a obstinação cega p a r a continuar resistindo. conduzida sem recorrer ao t e r m o "element o " ) . Contudo. essa transição n ã o é d a q u e l a s q u e p o s s a m ser feitas o u n ã o a t r a v é s d e deliberações e escolhas. descobrir q u e se está p e n s a n d o e trabalhando — e não simplesmente traduzindo — u m a língua q u e antes era estranha. P a r a isso é n e c e s s á r i o u t i l i z a r e s s a l í n g u a c o m o s e fosse nossa língua m a t e r n a . De qualquer m o d o . alguns m e m b r o s de c a d a comunidade p o d e m começar a compreender.

Revoluções e relativismo 18 U m a conseqüência de posição recém-delineada irritou especialmente muitos de meus críticos. emb o r a seja inescrutável a esta altura. e POPPEK em . M i n h a s observações sobre a t r a d u ç ã o iluminam as razões que levam à acusação. Seu t r a b a l h o será parasitário c o m relação ao desses últim o s .l o e . Reconhecer esse paralelismo sugere. ela p o d e n ã o s ê . SHAPEBE. m a s o fará c o m o um forast e i r o n u m l u g a r e s t r a n h o : a a l t e r n a t i v a l h e s e r á acessível apenas p o r q u e já é utilizada pelos naturais do lugar. a tradução p o d e fornecer pontos de partida para a reprogramação neurológica que. q u a n d o a p l i c a d a à c i ê n c i a . p o i s l h e falta a c o n s t e l a ç ã o d e d i s p o s i ç õ e s m e n t a i s q u e os futuros m e m b r o s da c o m u n i d a d e irão adquirir através da educação. Os defensores de teorias diferentes são c o m o m e m b r o s de c o m u nidades de cultura e linguagem diferentes. Eles c o n s i d e r a m relativista m i n h a perspectiva. n e m a tradução constituem a conversão e é este processo q u e d e v e m o s explicar p a r a que se possa entender um tipo fundament a l d e m u d a n ç a científica. q u a n d o aplicada à cultura e seu desenvolvimento. M a s . A experiência de conversão q u e comparei a u m a m u d a n ç a d e p e r s p e c t i v a (Gestalt) p e r m a n e c e . e s t á l o n g e d e u m simples r e l a t i v i s 1 8 . M a s . N ã o o b s t a n t e .s e à v o n t a d e no m u n d o q u e este a j u d a a c o n s t i t u i r . p o r t a n t o .somente na metade de suas carreiras. d e q u a l q u e r m o d o . particularmente na forma em q u e está desenvolvida no último capitulo deste livro. n e m as boas razões. E s s a p o s i ç ã o é relativista. q u e a m b o s os g r u p o s p o d e m estar certos. e l e p o d e utilizar a n o v a teoria. of Scientific Revolutions". em certo sentido. 6. Boas razões em favor da escolha p r o p o r c i o n a m motivos para a convers ã o e o clima no qual ela tem maiores probabilidades de ocorrer.l o e de s e n t i r . A l é m disso. no cerne do processo revolucionário. "Structure Growth of Knowíedge. m a s a c o n v e r s ã o q u e e s t a e s c o l h a r e q u e r p a r a s e r eficaz l h e e s c a p a . d e v e estar subjacente à conversão. I n t e l e c t u a l m e n t e t a l h o m e m fez s u a e s c o l h a . descobre-se totalm e n t e p e r s u a d i d o p e l o n o v o p o n t o d e vista e n o e n t a n t o é i n c a p a z de i n t e r n a l i z á .

E m b o r a os valores aos quais se apeguem em períodos de escolha de teoria derivam igualmente de outros aspectos de seu trabalho. V a l o r e s c o m o a simplicidade. alcance e compatibilidade seriam menos ú t e i s p a r a tal p r o p ó s i t o . o n ú m e r o d e diferentes p r o b l e m a s resolvidos. na F i losofia d a N a t u r e z a p r i m i t i v a e n o a r t e s a n a t o .mo — n u m aspecto q u e m e u s críticos n ã o foram c a p a zes d e perceber. escolhendo-as em pontos n ã o muito p r ó x i m o s d e s u a o r i g e m . E n t r e os critérios mais úteis e n c o n t r a r í a m o s : a exatidão nas predições. d e v e r i a ser fácil o r g a n i z a r u m a lista d e c r i t é r i o s q u e p e r m i t i r i a m a u m o b s e r v a d o r i n d e p e n d e n t e distinguir. C o m o q u a l q u e r v a l o r . Ãs teorias científicas m a i s r e c e n t e s s ã o m e l h o r e s q u e a s m a i s a n t i - . e m b o r a t a m b é m s e j a m d e t e r m i n a n t e s i m p o r t a n t e s d a v i d a científica. e n t ã o o d e s e n v o l v i m e n t o científico. no caso de um conflito d e v a l o r e s . t o m a d o s c o m o u m g r u p o ou em grupos. em todos os casos. m a s n ã o t e n h o d ú v i d a s d e q u e p o d e m s e r c o m p l e t a d a s . S e isso p o d e ser r e a l i z a d o . a habilid a d e d e m o n s t r a d a p a r a formular e resolver quebra-cabeças apresentados pela natureza é. U m a ú n i ca linha. o equilíbrio e n t r e o o b j e t o de e s t u d o c o t i d i a n o e o e s o t é r i c o . Se tomássemos quaisquer dessas d u a s teorias. E s s a s a i n d a n ã o s ã o a s listas e x i g i d a s . Dois indivíduos que a possuam p o d e m . o c r i t é r i o d o m i n a n t e p a r a m u i t o s m e m b r o s d e u m g r u p o científico. diferir q u a n t o a o s j u l g a m e n t o s q u e extraem de seu e m p r e g o . a habilidade p a r a resolver quebra-cabeças revela-se equívoca na aplicação. M a s o c o m p o r t a m e n t o de u m a c o m u n i d a d e q u e torna tal valor preeminente será muito diverso daquela que não procede dessa forma. traçada desde o tronco até a p o n t a de algum galho no alto. tal c o m o o ^ b i o l ó g i c o . é um processo unidirecional e irreversível. Imaginemos u m a árvore representando a evolução e o d e s e n v o l v i m e n t o d a s e s p e c i a l i d a d e s científicas m o dernas a partir de suas origens c o m u n s digamos. a p e s a r d i s s o . demarcaria u m a sucessão de teorias relacionadas por sua descendência. Acredito q u e o alto valor o u t o r g a d o n a s ciências à habilidade de resolver quebra-cabeças possui as conseqüências seguintes. especialmente no caso das predições quantitativas. os praticantes d a s ciências desenvolvidas-são fundamentalmente indivíduos capazes de resolver quebra-cabeças. a teoria mais antiga da teoria mais recente. A r g u m e n t e i q u e .

A o c o n t r á r i o : e m a l g u n s a s p e c t o s importantes. de a l g u m m o d o .m e equivocada. embora de maneira alguma em todos. n e s s a sucessão.gas. T a l v e z exista alguma o u t r a m a n e i r a d e s a l v a r a n o ç ã o de " v e r d a d e " para a aplicação a teorias completas.c a b e ç a s . m a s e s t a n ã o s e r á c a p a z d e r e a l i z a r isso. M a s n ã o p e r c e b o . ou predições concretas derivadas de u m a t e o r i a . d e q u e a M e c â n i c a d e N e w t o n a p e r f e i ç o o u a de Aristóteles e de q u e a M e c â n i c a d e E i n s t e i n aperfeiçoou a d e N e w t o n e n q u a n t o i n s t r u m e n t o p a r a a resolução d e q u e b r a . E m g e r a l u m a t e o r i a científica é c o n s i d e r a d a superior a suas predecessoras n ã o apenas p o r q u e é um instrumento mais a d e q u a d o p a r a descobrir e resolver quebra-cabeças. m a s antes à s u a o n t o l o g i a . E s s a n ã o é u m a posição relativista e revela em q u e s e n t i d o s o u u m c r e n t e c o n v i c t o d o p r o g r e s s o científico^ Contudo. I n v e r s a m e n t e . a o a j u s t e e n t r e as e n t i d a d e s c o m as q u a i s a t e o r i a p o v o a a n a t u reza e o q u e "está realmente aí". s e e s t a p o s i ç ã o é relativista. c o m o u m historiador. Ouvimos freqüentemente dizer que teorias sucessivas se desenvolvem sempre mais perto da verdade ou se a p r o x i m a m mais e mais desta. a n o ç ã o d e u m a j u s t e e n t r e a ontologia de u m a t e o r i a e s u a c o n t r a p a r tida " r e a l " na natureza parece-me ilusória p o r princípio. n ã o vejo p o r q u e falte ao r e l a tivista q u a l q u e r coisa necessária p a r a a e x p l i c a ç ã o da n a t u r e z a e d o desenvolvimento d a s c i ê n c i a s . P a r e c e . a d e s c r i ç ã o p a r e c e . A p a r e n t e m e n t e gen e r a l i z a ç õ e s d e s s e tipo r e f e r e m . . A l é m d i s s o . se comparada com a concepção de p r o g r e s s o d o m i n a n t e . a T e o r i a G e r a l d a Relatividade d e E i n s t e i n e s t á m a i s p r ó x i m a d a t e o r i a d e Aristóteles d o q u e q u a l q u e r u m a d a s d u a s e s t á d a d e Newton. p o r exemplo. m a s t a m b é m p o r q u e . u m a d i r e ç ã o c o e r e n t e d e d e s e n v o l v i m e n t o ontológico.m e q u e n ã o existe m a n e i r a d e r e c o n s t r u i r e x p r e s s õ e s c o m o " r e a l m e n t e a í " s e m auxílio d e u m a t e o r i a . apresenta um visão mais exata do q u e é realmente a natureza. no que toca à resolução de quebra-cabeças nos contextos freqüentemente diferentes aos quais são aplicad a s . t a n t o e n t r e filósofos d a c i ê n c i a c o m o leigos. e s t o u i m p r e s s i o n a d o c o m a f a l t a d e plausibilidade d e s s a c o n c e p ç ã o .s e n ã o à s s o l u ç õ e s d e quebra-cabeças. E m b o r a a t e n t a ç ã o d e d e s c r e v e r e s s a p o s i ç ã o como relativista seja c o m p r e e n s í v e l . isto é . \ N ã o t e n h o d ú v i d a s . esta posição revela-se desprovida de um elem e n t o e s s e n c i a l .

cujos m é t o d o s foram desenvolvidos e selecion a d o s em vista de seu sucesso. viol a n d o d e s s a f o r m a o t e o r e m a filosófico t r a d i c i o n a l m e n t e r e s p e i t a d o : O "é" n ã o i m p l i c a o "deve'''. Knowledge. ela p r o p o r c i o n a u m a base l e g í t i m a p a r a o u s o d o s "o q u e p o d e r i a s e r " (should) e " o q u e d e v e s e r " (ought~).s e c o m o prescreve a teoria. Minhas generalizações descri19 2 0 19. 1969). A l g u n s leitores d e m e u texto original o b s e r v a r a m q u e eu passo repetidamente do descritivo ao normativo e v i c e . a t e o r i a t e m c o n s e q ü ê n c i a s no que toca à m a n e i r a pela qual os cientistas d e v e m c o m p o r t a r . I n v e r s a m e n t e . O "é" e o "deve" n ã o e s t ã o sempre tão completamente separados como pareciam. e n e n h u m a . A s páginas precedentes apresentam u m ponto d e vista ou u m a teoria sobre a natureza da ciência e. Para FEYERABEKD um em entre muitos of exemplos possíveis. E m b o r a e s s a t e o r i a n ã o n e c e s s i t e ser m a i s correta q u e qualquer outra. CAVElX. c o m o o u t r a s filosofias d a c i ê n c i a . e s t a t r a n s i ç ã o é p a r t i c u l a r m e n t e c l a r a em passagens que c o m e ç a m c o m " M a s n ã o é isto q u e os cientistas f a z e m " e t e r m i n a m afirmando q u e os cientistas n ã o d e v e m p r o c e d e r assim. A l g u n s críticos alegam que estou confundindo descrição com prescrição.s e p a r a q u e s e u e m p r e e n d i m e n t o seja b e m s u c e d i d o . . u m a d a s r a z õ e s p a r a q u e se t o m e a t e o r i a a s é r i o é a de q u e os cientistas. I. ver o ensaio de P. E m b o r a n ã o haja n e n h u m a relação e n t r e e s s a s r e a ç õ e s o u c o m o q u e foi d i t o a t é a q u i .v e r s a . a p r i m e i r a c r í t i c a . a segunda favorável. no m e u entender. r e a l m e n t e c o m p o r t a m . A natureza da Ciência Concluo c o m u m a breve discussão das duas reações f r e q ü e n t e s ao m e u t e x t o o r i g i n a l .' Esse teorema tornou-se u m a etiqueta na prática e já n ã o é mais respeitado por t o d a a parte. Grcnvth 20. a m b a s t ê m s i d o s u f i c i e n t e m e n t e f r e q ü e n t e s p a r a exigir p e l o menos alguma resposta. Diversos filósofos c o n t e m p o r â n e o s d e s c o b r i r a m c o n t e x t o s i m p o r tantes nos quais o n o r m a t i v o e o descritivo estão inextricavelmenfe m i s t u r ad os. totalmente correta. Cap.7 . Stanley. Musl We Mean What We Say? (Nova York. K. M a s n ã o é necessário recorrer às sutilezas da Filosofia da Linguagem contemporânea para precisar o que me pareceu confuso a respeito desse aspecto da m i n h a p o sição.

m a s a p e s a r d i s s o fiquei s u r p r e e n d i d o c o m suas reações. c o m o um exemplar. S e t i v e u m a a t i t u d e o r i g i n a l f r e n t e a esses c o n c e i t o s . M i n h a resposta a um último tipo de reação a este l i v r o d e v e ser d e n a t u r e z a d i v e r s a . N e n h u m ponto de vista estritamente circular proporciona tal orientação. m a s p o r q u e c o n s i d e r a r a m s u a s teses principais aplicáveis a m u i t o s outros c a m p o s . a segunda contribuição deste livro.tivas s ã o provas d a teoria precisamente p o r q u e f o r a m derivadas dela. p o i s e s s a s t e s e s foram tomadas de empréstimo a outras áreas. da Música. áreas que geralmente foram consideradas c o m o dotadas de um desenvolvimento peculiar. N ã o penso que a circularidade desse argumento seja viciosa. V á r i o s d a q u e l e s q u e retiraram algum prazer da leitura do livro reagiram a s s i m n ã o p o r q u e ele i l u m i n a a n a t u r e z a d a c i ê n c i a . Pode-se conceber a noção de paradigma c o m o u m a realização concreta. M e s m o antes d a p r i m e i r a publicaç ã o d e s t e l i v r o . c o n s t a t e i q u e p a r t e s d a t e o r i a q u e ele a p r e s e n t a s ã o u m i n s t r u m e n t o útil p a r a a e x p l o r a ç ã o d o c o m p o r t a m e n t o e d e s e n v o l v i m e n t o científico. P e r c e b o o q u e q u e r e m dizer e n ã o gostaria de desencorajar suas tentativas de ampliar e s t a p e r s p e c t i v a .s e s e a s p i n t u r a s p u d e s s e m ser v i s t a s como modeladas umas nas outras. U m a c o m p a r a ç ã o deste posfácio c o m o texto original p o d e sugerir q u e a teoria c o n t i n u o u a d e s e m p e n h a r esse p a p e l . Suspeito. E d e v e r i a ser a s s i m . enquanto em outras concepções da natureza elas constituem um c o m p o r t a m e n t o anômalo. suas teses p o s s u e m indubitavelmente u m a l a r g a a p l i c a ç ã o . em lugar de produ- . A s c o n s e q ü ê n c i a s d o p o n t o d e v i s t a e s t u dado não são esgotadas pelas observações sobre as quais r e p o u s a v a n o início. de que algumas das dificuldades n o t ó r i a s e n v o l v e n d o a n o ç ã o d e estilo n a s A r t e s p o d e r i a m d e s v a n e c e r . do Desenvolvimento Político e de muitas outras atividades h u m a n a s descrevem seus objetos de e s t u d o dessa m a n e i r a desde muito tempo. Na m e d i d a em q u e o livro retrata o d e s e n v o l v i m e n t o científico c o m o u m a s u c e s s ã o d e p e ríodos ligados à tradição e pontuados p o r rupturas n ã o -cumulativas. gosto e na estrutura institucional t ê m estado entre seus instrumentos habituais. Historiadores da Literatura. isso se deve s o b r e t u d o ao fato de tê-los aplicado às ciências. A periodização em termos de r u p turas revolucionárias em estilo. das Artes. por exemplo.

L e m b r e m o s t a m b é m minhas observações a respeito do grau em que os membros de u m a comunid a d e científica c o n s t i t u e m a ú n i c a a u d i ê n c i a e os ú n i c o s juizes d o t r a b a l h o dessa c o m u n i d a d e . m a s que no c o n j u n t o d i s t i n g u e m a a t i v i d a d e científica. individuais ou coletivos. este livro visava t a m b é m apresentar u m a outra proposição. Iniciei este p o s f á c i o e n f a t i z a n do a necessidade de estudar-se a e s t r u t u r a c o m u n i t á r i a da ciência e terminarei sublinhando a necessidade de um estudo similar (e acima de t u d o c o m p a r a t i v o ) das comunidades correspondentes em outras áreas. A r e s p e i t o d e s s e p o n t o . p o r e x e m p l o . E m b o r a o d e s e n v o l v i m e n t o científico p o s s a a s s e m e l h a r . ver T. N ã o p o d e ser i n t e i r a m e n t e falso a f i r m a r . possui t a m b é m diferenças notáveis. " C o m m e n t [on the Relations of Science and Art]". à relativa carência de escolas competidoras nas ciências desenvolvidas. ele tolera? 21 21^. b e m c o m o p a r a u m a d i s c u s s ã o m a i s a m p l a do que é particular às ciências. s o b r e o c a r á t e r de o b j e t i v o q u e p o s s u i a r e s o lução de quebra-cabeças e acerca do sistema de valores q u e o g r u p o científico a p r e s e n t a e m p e r í o d o s d e crise e decisão. c o m o devo dizer agora. O u p e n s e m o s n o vamente a respeito da natureza peculiar da educação científica. n ã o obstante o que o prog r e s s o p o s s a ser e m s i m e s m o . C o n t u d o .zidas em conformidade c o m alguns cânones abstratos de estilo. U m d o s o b j e t i v o s d e s t e l i v r o foi e x a m i n a r t a i s d i f e r e n ç a s e c o m e ç a r a e x plicá-las. p o r e x e m p l o . C o m o se escolhe u m a c o m u n i d a d e d e t e r m i n a d a e c o m o se é aceito p o r ela. Comparative Studies in Philosophy and History. pelo m e n o s depois de um certo p o n t o de seu desenvolvimento.s e o u n ã o d e u m g r u p o científico? Q u a l é o p r o c e s s o e q u a i s s ã o as e t a p a s da s o c i a l i z a ç ã o de u m g r u p o ? Quais são o s objetivos coletivos d e u m grup o . a ênfase reiterada concedida acima à ausência ou. X I (1969). O livro isola o u t r a s características semelhantes.s e a o d e o u t r o s d o mínios muito mais estreitamente do que o freqüentemente suposto. q u e desvios. t r a t e . progridem de u m a maneira diversa da de outras áreas de estudo. pp. . que não se apresentou de maneira tão visível p a r a m u i t o s d e s e u s l e i t o r e s . Consideremos. T e m o s ainda m u i t o a aprender sobre todas essas c a r a c t e r í s t i c a s d a c i ê n c i a . K U H N . 403-412. q u e as ciências. S. d a s quais n e n h u m a é exclusiva da ciência.

O c o n h e c i m e n t o científico. m a s n ã o existe o u t r a á r e a q u e n e c e s s i t e d e t a n t o t r a b a l h o c o m o essa. c o m o a l i n g u a g e m . P a r a entendê-lo.C o m o é controlada a aberração inadmissível? U m a comp r e e n s ã o mais a m p l a da ciência d e p e n d e r á igualmente d e o u t r a s e s p é c i e s d e q u e s t õ e s . precisamos conhecer as características essenciais d o s grupos q u e o criam e o utilizam. é i n t r i n s e c a m e n t e a propriedade comum de um grupo ou então não é nada. .

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Max Born e outros (D009) T E O R I A E R E A L I D A D E . Kuhn (D115) FÍSICA E FILOSOFIA .Gita K.Mario Bunge (D072) A E S T R U T U R A D A S R E V O L U Ç Õ E S CIENTÍFICAS .CIÊNCIA NA PERSPECTIVA P R O B L E M A S DA FÍSICA M O D E R N A .Thomas S.) ( L S C ) .Abraham Moles (E003) M Á R I O S C H E N B E R G : E N T R E .V I S T A S .Mario Bunge ( D Í 6 5 ) A C R I A Ç Ã O CIENTÍFICA . Guinsburg e José Luiz Goldfarb (orgs.

revoluções o a d o m o m e n t o até h u m a n a s . n ã o s i m S. para as de explica unido o polivalente. definidas desintegração q u e se de forçando c o m u n i d a d e profissionais baseia A r e f o r m u l a r o c o n j u n t o ciência.n o ao e s t u d o Trajetória seu caráter d o g m a s História e a p r e o c u p a ç õ e s certa filosófica. e r u p ç ã o é a de c o m p r o m i s s o s do p a p e l de d o s e dessa na Um d o s aspectos m a i s interesa n á l i s e desses da m o m e n t o s crise s a n t e s fatores Estrutura do Revoluções Científicas científico e exteriores Ciência t r a n s f o r m a ç ã o ISBN p e n s a m e n t o prática correspondente. de f o r m a o e de circunstâncias e q u e as l e v a r a m . M ú l t i p l a s áreas. 9 H7-88527''l30 1 IIIIIIII 85-273-0111-3 1 I4I' d e b a t e s . K u h n iniciou sua carreira universitária da q u e este c o m o livro físico de teórico.P r ó x i m o Vicente l a n ç a m e n t o P a u l a A r a ú j o A Bela Época do C i n e m a Brasileiro T h o m a s As natureza sintetiza exatas A u t o r . s a m e n t o de em científico. a ver o progresso da Ciência p e n - tanto c o m o c o m o gradativo p r o c e s s o contraditório m a r c a d o revoluções n u m a a s ã o do a tradicional ligados das prática disciplina. q u e l e v a m n o v o s d a d o s pelas c o m o gnosiológicos. i n c o m u m . c o n v e r g e m a c ú m u l o Tais ela a à questic u m c o n s a g r a d o s . d e s d e as a g u d a s análises.

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