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ciência

thomas s. kuhn A ESTRUTURA D A S REVOLUÇÕES CIENTÍFICAS

thomas s. kuhn A ESTRUTURA D A S REVOLUÇÕES CIENTÍFICAS

Coleção Dirigida

Debates por J. Guinsburg

Equipe Garcia.

de

realização: Kyoto

Tradução: Miyashiro;

Beatriz

Vianna

Boeira e W.

Nelson

Boeira; Adriana

Revisão:

Alice

Produção:

Ricardo

Neves e

Título

do

original

inglês:

The

Structure
©

of Scientific
1962, 1970 by

Revolutions
The University of Chicago

Copyright

5*

edição

Direitos Av.

reservados em

língua S.

portuguesa à A. 3025

E D I T O R A

PERSPECTIVA

Brigadeiro Luís Antônio, (011) 885-8388 885-6878

01401-000 - São Telefone: Fax: 1998 (011)

P a u l o — SP — Brasil

SUMARIO Prefácio Introdução: Um Papel para a História 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 9 19

A R o t a para a Ciência Normal 29 A Natureza da Ciência Normal 43 A Ciência Normal c o m o Resolução de Q u e bra-Cabeças 57 A Prioridade dos Paradigmas 67 A Anomalia e a Emergência das Descobertas Científicas 77 As Crises e a Emergência das Teorias Científicas 93 A Resposta à Crise 107

Exemplares. Os paradigmas como exemplos compartilhados 4. 12. Revoluções e relativismo 7. 9. A natureza da ciência 125 145 173 183 201 217 219 225 232 237 244 251 254 . Os paradigmas e a estrutura da comunidade 2. Os paradigmas como a constelação dos compromissos de grupo 3. 11. incomensurabilidade e revoluções 6. A Natureza e a Necessidade das Revoluções Científicas As Revoluções C o m o Mudanças de Concepção de Mundo A Invisibilidade das Revoluções A Resolução de Revoluções O Progresso através de Revoluções Posfácio — 1 9 6 9 : 1.g. 10. Conhecimento tácito e intuição 5.

m e a primeira exposição à História da Ciência. Naquele tempo eu era um estud a n t e de pós-graduação em Física Teórica tendo já e m vista m i n h a dissertação.PREFACIO O ensaio a seguir é o p r i m e i r o relatório c o m p l e t o publicado sobre um projeto concebido originalmente há quase quinze anos.c i e n t i s t a s . esta exposição a t e o r i a s e p r á t i c a s científicas a n t i q u a d a s m i n o u r a d i c a l mente algumas das minhas concepções básicas a respeito da natureza da ciência e das razões de seu sucesso i n c o m u m . U m envolvimento afortun a d o com um curso experimental da universidade. p r o p o r c i o n o u . que a p r e s e n t a v a a c i ê n c i a física p a r a o s n a o . P a r a m i n h a c o m p l e t a surpresa. .

Slahl. T o d a v i a . ldentity and Reality. seus trabalhos. P a r t e d o m e u t e m p o d u r a n t e esses a n o s foi d e v o t a d a à H i s t ó r i a d a C i ê n c i a p r o p r i a m e n t e d i t a . este ensaio é a primeira de minhas publicações na qual essas preocupações iniciais s ã o d o m i n a n t e s . quaisquer q u e fossem sua utilidade pedagógica e sua plausibilidade abstrata. Continuei a estudar especialmente os escritos de Alexandre Koyré e encontrei pela primeira vez os de É m i le Meyerson. u m a m u d a n ç a da Física p a r a a História da Ciência e a partir daí. 1 9 3 9 ) . e Newton. a transição para um novo c a m p o de e s t u d o s t e r i a s i d o b e m m a i s difícil e p o d e r i a n ã o s e t e r r e a l i z a d o . g r a d u a l m e n t e . . n u m a é p o c a e m q u e o s c â n o n e s d o p e n s a m e n t o científico e r a m m u i t o diferentes dos atualmente e m voga. 1 9 4 9 ) . E m p a r t e e s t e e n s a i o é u m a tentativa de explicar a m i m m e s m o e a amigos c o m o me aconteceu ter sido lançado da ciência p a r a a sua história. Hélène Metzger e Anneliese Maier. S e m esse p e r í o do de liberdade. Mais c l a r a m e n t e d o q u e m u i t o s o u t r o s e r u d i t o s r e c e n t e s . Exerceram influência especial: ALEXANDRE K O Y R É . esse g r u p o mostrou o q u e era pensar cientificamente. Boerhaave et la doctrlne chimlque ( P a r i s . É M I L E M E Y E R S O N . Les dactrines chimiaues en France du début du XVII* à la fin du XVIII* siècle (Paris. C o m exceção de alguns artigos. 1 9 3 0 ) . t r a d u ç ã o d e K a t e L o e w e n b e r g ( N o v a Y o r k . 1923). 1 9 3 0 ) . A N N E L I E S E M A I E R . H Ê L E N E M E T Z G E R . P a r i s . Etudes Galilérnnes ( 3 v . D e a l g u m a m a n e i r a . E m vista disso parecia valer a p e n a perseguir detalhadam e n t e suas carências de verossimilhança. de p r o b l e m a s históricos relativamente simples às p r e o c u p a ç õ e s mais filosóficas q u e i n i c i a l m e n t e m e h a v i a m l e v a d o à H i s t ó r i a . M i n h a primeira oportunidade de aprofundar algum a s d a s idéias expostas a seguir foi-me proporcionada por três anos c o m o Júnior Fellow da Society of F e l l o w s d a U n i v e r s i d a d e d e H a r v a r d .E u retirara essas concepções e m p a r t e d o p r ó p r i o treino científico e em p a r t e de um antigo interesse r e creativo n a Filosofia d a Ciência. tais n o ç õ e s n ã o s e a d a p t a v a m à s exigências d o e m p r e e n d i m e n t o a p r e s e n t a d o pelo estudo histórico. junta1 1 . essas noções foram e são f u n d a m e n t a i s p a r a m u i t a s discussões científicas. E m b o ra eu questione cada vez mais algumas de suas interpretações históricas particulares. Die Vorlãr/er G ali leis tm 14. . Jahrhundert ( " S t u d i e n zur N a t u r p h i l o s o p h i e der Spãtscholastik". O resultado foi u m a m u d a n ç a d r á s t i c a n o s m e u s p l a n o s p r o f i s s i o nais. R o m a .

L o v e j o y . E s t e é o tipo de exploração ao acaso q u e a Society of Fellows permite. . Quine franqueou-me o acess o a o s q u e b r a .c a b e ç a s filosóficos d a d i s t i n ç ã o a n a l í t i co-sintética. 1935). conduziu-me às experiências por meio das quais Jean Piaget iluminou os vários m u n d o s da criança em crescimento e o processo de transição de u m p a r a o u t r o . 3 . Sutton. Entstehung und Entwicklung einer wissenschaftlichen Tatsache. 1946). 1 9 3 0 ) e L. U m c o l e g a f e z .es notions de mouvement et de vitesse chez Venfant (Paris. foram decisivos na formação de m i n h a concepção do q u e p o d e ser a h i s t ó r i a d a s i d é i a s científicas. S u a i m p o r tância é secundária somente quando comparada com os materiais provenientes de fontes primárias. um c o n v i t e p a r a fazer c o n f e r ê n c i a s p a r a o L o w e l l I n s t i t u te de Boston proporcionou-me a primeira oportunida2 3 2. 2 0 . U m a nota de rodapé. O trabalho de Fleck. Francis X. C o n t u d o . 1 9 5 3 ) p p . (Basiléia. Durante meu último ano como Júnior Fellow. 1956). W. r e i m p r e s s o n a s u a o b r a From a Logical Point of Vieiv ( C a m b r i d g e . CARKOLL em Language.4 6 . M a s s . encontrada ao acaso. m a s nos quais a pesquisa atual revela p r o b l e m a s similares aos q u e a História vinha trazendo à minha atenção. D o i s conjuntos de investigações de Piaget foram particularmente importantes. Quine apresentou suas conc e p ç õ e s e m " T w o D o g m a s o f E m p i r i c i s m " .m e n t e c o m o Great Chain of Being de A. O. devo a eles m a i s d o q u e m e s e r i a p o s s í v e l r e c o n s t r u i r o u avaliar neste m o m e n t o . outro introduziu-me às especulações de B. . porque apresentavam conceitos e processos que t a m b é m provêm diretamente da História da Ciência: The ChtUTs Conceptian of Causality. E m b o r a os leitores e n c o n t r e m p o u c a s referências a qualquer desses trabalhos ou conversas. D e s d e então o s escritos d e W h o r f foram reunidos por J O H N B . Thought and Reality -— Selected Writings of Beniamin Lee Whorf ( N o v a Y o r k . m u i t o d o m e u t e m p o d u r a n t e esses a n o s foi g a s t o e x p l o r a n d o c a m p o s s e m r e l a ç ã o a p a r e n t e c o m a História da Ciência. fez-me c o m p r e e n d e r q u e essas idéias p o d i a m necessitar d e u m a colocação n o âmbito d a Sociologia d a C o m u n i d a d e Científica. L. W h o r f a c e r c a d o efeito d a l i n g u a g e m s o b r e a s c o n c e p ções de m u n d o . um ensaio q u e antecipa muitas de minhas próprias idéias. O. t r a d u ç ã o de M a r j o r i e G a b a i n ( L o n d r e s . juntamente com u m a observação de o u t r o Júnior Fellow.m e ler t e x t o s d e P s i cologia da P e r c e p ç ã o e em especial os psicólogos da Gestalt. A p e n a s através dela eu poderia ter e n c o n t r a d o a monografia quase desconhecida de L u d w i k F l e c k . V.

No a n o seguinte comecei a lecionar História da Ciência propriamente dita. C o n t u d o . E s s e c o n t a t o c o n f r o n t o u . t a n t o acerca da viabilidade das minhas concepções. Os problemas d e ensino d e u m a disciplina que e u n u n c a estudara sistematicamente ocuparam-me por quase u m a década. incompatível c o m aquela. P o r isso d e v o a g r a d e c e r a m e u s alunos pelas lições inestimáveis. entre os quais eu fora treinado.m e c o m p r o b l e m a s que n ã o antecipara. essas i d é i a s d e m o n s t r a r a m ser u m a f o n t e d e o r i e n t a ç ã o i m p l í cita e de estruturação de problemas p a r a grande parte d e m i n h a s a u l a s m a i s a v a n ç a d a s . F i q u e i especialmente impressionado com o n ú m e r o e a extensão dos desacordos expressos existentes entre os cien- . esses estudos descrevem o tipo de desenvolvimento que adiante chamarei de "emergência" de u m a teoria ou descoberta nova. A l é m disso são apresentados outros vínculos do m e s m o tipo. c o m o a respeito das técnicas apropriadas a sua comunicação eficaz. q u e ainda estava em desenvolvimento. a p r e sentadas em m a r ç o de 1 9 5 1 . deixando-me p o u c o t e m p o p a r a u m a articulaç ã o explícita d a s idéias que me h a v i a m levado a esse c a m p o d e estudos. relativos às diferenças entre essas c o m u n i d a d e s e as d o s cientistas ligados às ciências naturais. O s m e s m o s p r o b l e m a s e a m e s m a o r i e n t a ç ã o d ã o unidade à maioria dos estudos predominantemente históricos e aparentemente diversos que publiquei desde o fim de m i n h a bolsa de pesquisa.1 9 5 9 n o C e n t e r for A d v a n c e d S t u d i e s i n t h e B e h a v i o r a l S c i e n c e s . O u t r o s e x a m i n a m a maneira pela qual as bases experimentais de u m a nova teoria são acumuladas e assimiladas por h o m e n s c o m p r o m e t i d o s c o m u m a teoria m a i s antiga. A o fazer isso. A i n d a m a i s i m p o r t a n t e foi p a s s a r o a n o n u m a c o m u n i d a d e c o m p o s t a p r e d o m i n a n t e m e n t e de cientistas sociais. V á r i o s deles t r a tam do papel decisivo d e s e m p e n h a d o por u m a ou outra m e t a f í s i c a n a p e s q u i s a científica c r i a d o r a . M a i s u m a v e z tive a o p o r t u n i d a d e d e d i rigir t o d a m i n h a a t e n ç ã o a o s p r o b l e m a s d i s c u t i d o s a d i a n t e .d e p a r a testar m i n h a c o n c e p ç ã o d e ciência. a f o r t u n a d a m e n t e . O e s t á g i o final d o d e s e n v o l v i m e n t o d e s t e e n s a i o começou c o m um convite para passar o ano de 1 9 5 8 . Do convite resultou u m a série d e oito conferências públicas sobre " A B u s c a d a T e o r i a F í s i c a " (The Quest for Physical Theory).

m a s algumas palavras d e v e m ser ditas a r e s p e i t o d a f o r m a q u e ele m a n t e v e a t r a v é s d a s r e visões. chamo de "paradigmas". por exemplo. torn a n d o possível u m a publicação independente simultânea. . de algum modo.tistas s o c i a i s n o q u e d i z r e s p e i t o à n a t u r e z a d o s m é t o d o s e p r o b l e m a s científicos l e g í t i m o s . as limitações de espaç o d a Encyclopedia t o r n a r a m n e c e s s á r i o a p r e s e n t a r m i nhas concepções numa forma extremamente condensada e esquemática. fornecem problemas e soluções modelares para u m a comunidade de praticantes d e u m a ciência.m e f i r m e m e n t e l i g a d o a u m c o m p r o m i s s o e finalmente esperaram com extraordinário tato e paciência p o r u m resultado. eu pensava q u e o manuscrito aparec e r i a e x c l u s i v a m e n t e c o m o u m v o l u m e d a Encyclopedia of Unijied Science. da Química ou da Biologia normalmente n ã o evocam as controvérsias sobre fundamentos que atualmente parecem endêmicas entre. O caráter esquemático desta primeira apresentaç ã o n ã o precisa ser necessariamente u m a desvantagem. particularmente com Charles Morris. durante algum tempo. um esboço p r e liminar deste ensaio emergiu rapidamente. A t e n t a t i v a de d e s c o b r i r a f o n t e dessa diferença levou-me ao reconhecimento do papel d e s e m p e n h a d o n a p e s q u i s a científica p o r a q u i l o q u e . por ter-me dado o estímulo necessário e ter-me aconselhado sobre o manuscrito resultante. Os e d i t o r e s d e s t a o b r a p i o n e i ra primeiramente solicitaram-me o ensaio. C o n t u d o . Considero "par a d i g m a s " a s r e a l i z a ç õ e s científicas u n i v e r s a l m e n t e r e conhecidas que. E s t o u e m dívida p a r a c o m eles. desde então. a prática da Astronomia. <• N ã o é necessário recontar aqui a história subseqüente desse esboço. Q u a n d o esta p e ç a d o m e u quebra-cabeça encaixou no seu lugar. A n t e s de terminar e revisar extensamente u m a primeira versão. T a n t o a H i s tória c o m o meus conhecimentos fizeram-me duvidar de q u e os praticantes das ciências naturais p o s s u a m respostas mais firmes ou m a i s p e r m a n e n t e s p a r a tais questões do q u e seus colegas d a s ciências sociais. E m b o r a acontecimentos subseqüentes t e n h a m r e l a x a d o u m t a n t o essas restrições. E contudo. psicól o g o s ou s o c i ó l o g o s . da Física. este t r a b a l h o p e r m a n e c e antes u m ensaio d o que o livro de amplas p r o p o r ç õ e s que o assunto acab a r á exigindo. depois m a n t i v e r a m .

é guiada por a l g o m u i t o s e m e l h a n t e a u m p a r a d i g m a . nas quais dois p a r a d i g m a s p o d e m coexistir pacificamente nos p e - . e x i s t e m circunstâncias. M i n h a decisão de o c u p a r . cuja competição caracteriza o primeiro desses períodos. m i n h a distinção entre os períodos pré e pós-paradigmáticos no desenvolvimento da ciência é d e m a s i a d o esquemática. O u a i n d a : se t e n h o r a z ã o ao afirmar q u e c a d a revolução científica a l t e r a a p e r s p e c t i v a h i s t ó r i c a d a c o m u n i d a d e q u e a experimenta. Por exemplo. Um desses efeitos — u m a a l t e r a ç ã o n a d i s t r i b u i ç ã o d a l i t e r a tura técnica citada nas notas de r o d a p é d o s relatórios de pesquisa — deve ser e s t u d a d o c o m o um índice possível d a o c o r r ê n c i a d e r e v o l u ç õ e s . a c o n c e p ç ã o de ciência desenvolvida aqui sugere a fecundidade potencial de u m a quantidade de novas espécies de pesquisa. e n t ã o esta m u d a n ç a de perspectiva d e veria afetar a estrutura d a s publicações de pesquisa e dos manuais do período pós-revolucionário. C a d a u m a d a s escolas. A evidência histórica disponível é muito m a i o r d o q u e o e s p a ç o q u e tive p a r a e x p l o r á . tanto históricas c o m o sociológic a s .já q u e m e u objetivo fundamental é instar u m a m u d a n ça na percepção e avaliação de d a d o s familiares. A necessidade de u m a c o n d e n s a ç ã o r á p i d a forç o u . Ao contrário. A par disso. Por exemplo. A l é m disso a evidência p r o v é m tanto da história da Biologia c o m o da Física. necessitamos estudar detalhadamente o m o d o pelo qual as anomalias ou violações de expectativa atraem a crescente atenção de u m a comun i d a d e científica. e m b o r a eu pense que são raras. M a s e s t a f o r m a t a m b é m p o s s u i d e s v a n t a g e n s e e s s a s p o d e m justificar q u e e u i l u s t r e .l a . d e s de o começo. os leitores p r e p a r a d o s p o r suas p r ó p r i a s p e s quisas p a r a a espécie de reorientação advogada aqui p o d e r ã o achar a forma do ensaio mais sugestiva e mais fácil d e a s s i m i l a r .m e aqui e x c l u s i v a m e n t e c o m a ú l t i m a foi p a r c i a l m e n t e b a s e a d a na intenção de a u m e n t a r a coerência deste ensaio e parcialmente na minha competência atual. os tipos de ampliação em alcance e p r o fundidade q u e mais tarde espero incluir n u m a versão mais extensa. b e m c o m o a m a n e i r a p e l a q u a l o fracasso repetido na tentativa de ajustar u m a a n o m a lia p o d e i n d u z i r à e m e r g ê n c i a d e u m a c r i s e .m e igualmente a a b a n d o n a r a discussão de um b o m número de problemas importantes.

ao fazer isso. O m e s m o exemplo ilustraria a m a n e i . M a s s . KtiHN. m a s certamente adicionaria u m a dimensão analítica prim o r d i a l p a r a a c o m p r e e n s ã o d o a v a n ç o científico. 567-74 < 1 9 6 1 ) . eu n a d a disse a respeito do papel do a v a n ç o tecnológico ou d a s condições sociais. Outros efeitos de condições externas intelectuais e e c o n ô m i c a s estão ilustradas em m e u s trabalhos: "Conservat i o n o f E n e r g y a s a n E x a m p l e o f S i m u l t a n e o u s D i s c o v e r y " . c o m exceção de breves notas laterais. 4 E p o r fim o q u e t a l v e z seja o m a i s i m p o r t a n t e : as limitações de espaço afetaram drasticamente m e u trat a m e n t o d a s i m p l i c a ç õ e s filosóficas d a c o n c e p ç ã o d e eiência historicamente orientada que é apresentada neste ensaio. 2 4 7 . p p .7 1 . Contudo. 321-56. P e n s o q u e estarão e r r a d o s . L I I . M a s . 122-32 e 2 7 0 . Marshall Clagett (Madison. 1 9 5 9 ) . fatores externos é de menor importância apenas em relação aos problemas discutidos neste ensaio. "Engmeering P r e c e d e m for the W o r k of Sadi Carnot"./ d a r a transformar u m a simples anomalia n u m a fonte de crise aguda.~A n ã o é p r e c i s o ir a l é m de C o p é r n i c o e do c a l e n d á r i o / p a r a descobrir que as condições externas p o d e m aju. econômicas e intelectuais e x t e r n a s n o d e s e n v o l v i m e n t o d a s c i ê n c i a s . P o r t a n t o . 1 9 5 7 ) . c o n s i d e r o q u e o p a p e l d e s e m p e n h a d o pelos. A simples posse de um par a d i g m a n ã o é u m c r i t é r i o suficiente p a r a a t r a n s i ç ã o de desenvolvimento discutida no Cap. alguns dos que conhecem e t r a b a l h a m a partir de alguma dessas posições articuladas poderão achar que n ã o compreendi suas posições. S a d i C a r n o t a n d t h e C a g n a r d E n g i n e . abstive-me em geral da discussão d e t a l h a d a d a s v á r i a s p o s i ç õ e s a s s u m i d a s p o r filósofos c o n t e m p o r â n e o s no tocante a esses assuntos.5 1 . . S. ed. 1. The Copernican Revolution: Planetary Astronomy in the Development oi Western Thought (Cambridge.. p p . Esses s ã o discutidos em T. e m Criticai Problems in the History of Science. m a s e s t e e n s a i o n ã o foi p r o j e t a d o p a r a c o n 4. O n d e d e m o n s t r e i ceticismo. Ists. p p . este esteve mais freqüentemente dirigido a u m a a t i t u d e filosófica d o q u e a q u a l q u e r d e s u a s expressões plenamente articuladas. p p . Mais importante ainda.riodos pós-paradigmáticos. Wisconsin. Penso que a consid e r a ç ã o explícita de exemplos desse tipo n ã o modificaria as teses principais desenvolvidas neste ensaio. ra pela qual condições exteriores às ciências p o d e m influenciar o q u a d r o de alternativas disponíveis à q u e l e q u e p r o c u r a a c a b a r c o m u m a crise p r o p o n d o u m a ou outra reforma revolucionária. em Archlves Internationales d'hts4aire des sciences. . XIII ( 1 9 6 0 ) . Em conseqüência disso. T a i s implicações certamente existem e tentei tanto apontar c o m o d o c u m e n t a r as principais.

S u a a u s ê n c i a foi m u i t o s e n t i d a d u r a n t e o s últimos estágios d o desenvolvimento d e concepções. C o n t u d o . u m a lista d e t o d o s q u e p o d e m . A l é m d i s s o . D e s d e q u e e s s e p r o c e s s o c o m e ç o u . c o m o p a r a c o m as instituições q u e me ajudaram a dar forma ao m e u pensam e n t o . N a s h . foi u m c o l a b o r a d o r a i n d a m a i s a t i v o d u rante os a n o s em q u e minhas idéias c o m e ç a r a m a t o m a r f o r m a . n u m a é p o c a o u noutra. tanto p a r a c o m os trabalhos especializados. foi a ú n i c a p e s s o a c o m . P a r a m i m foi u m a f o n t e d e c o n s t a n t e e s t í m u l o e e n c o r a j a m e n t o o f a t o d e C a v e l l . q u e m primeiro me introduziu na História da Ciência e desse m o d o iniciou a transformação de minha concepção da natureza do progress o científico. Conant. U m a tentativa dessa o r d e m teria exigido um livro b e m mais extenso e de tipo muito diferente. Os fragmentos autobiográficos q u e a b r e m este prefácio servem p a r a dar testemunho daquilo q u e r e conheço como minha dívida principal. críticas e t e m p o — inclusive o t e m p o n e c e s s á r i o p a r a l e r e s u g e r i r m u d a n ç a s importantes na primeira versão de m e u manuscrito. L e o n a r d K. depois de minha partida de C a m bridge. seu lugar c o m o caixa de ressonância criadora foi a s s u m i d o p o r S t a n l e y C a v e l l . justificadamente. u m filósofo p r e o c u p a d o principalmente com a Ética e a Estética. Felizmente. n a d a d o q u e foi d i t o a c i m a o u a b a i x o f a r á m a i s do q u e sugerir o n ú m e r o e a natureza de m i n h a s obrigações pessoais p a r a c o m muitos indivíduos cujas sugestões ou críticas s u s t e n t a r a m e dirigiram m e u d e senvolvimento intelectual. então presidente da Universidade de Harvard. Foi James B. contudo.vencê-los. q u e m e s m o u m a m e mória falha n u n c a suprimirá inteiramente. C o n a n t i n i c i a r a . e n c o n t r a r alguns sinais d e s u a influência nestas páginas seria quase t ã o extensa q u a n t o a lista d e m e u s a m i g o s e c o n h e c i d o s . N a s c i r c u n s tâncias presentes t e n h o q u e me restringir àquelas p o u c a s i n f l u ê n c i a s m a i s significativas. ele t e m sido generoso c o m suas idéias. c o m o qual lecionei durante cinco anos o curso historicamente orientado que o Dr. M u i to t e m p o passou desde q u e as idéias deste ensaio c o m e ç a r a m a t o m a r f o r m a . N a s páginas seguintes procurarei desembaraçar-me do restante dessa dívida através de citações. m e u c o l e g a e m B e r k e l e y . ter chegado a conclusões tão absolutamente congruentes c o m a s m i n h a s .

H. M e u s a g r a d e c i m e n t o s finais a m e u s p a i s . Esse m o d o de comunicação atesta u m a compreensão que o capacitou a indicar-me c o m o ultrapassar ou contornar vários obstáculos importantes que encontrei durante a preparação de m e u primeiro manuscrito. m a s n ã o t e n h o razões p a r a acreditar (e t e n h o algumas p a r a d u v i d a r ) d e q u e n e m eles n e m o s outros mencionados acima aprovem o manuscrito resultante na totalidade. Feyerabend de Berkeley. e s p o s a e filhos p r e c i s a m s e r d e u m t i p o b a s t a n t e d i f e r e n t e .a q u a l fui c a p a z d e e x p l o r a r m i n h a s i d é i a s a t r a v é s d e sentenças incompletas. N ã o sei c o m o a g r a d e c e r . S. fizeram algo mais importante. Penso q u e me p e r d o a r ã o se n o m e a r apenas q u a t r o .l h e s . cujas contribuiç õ e s d e m o n s t r a r a m ser a s m a i s d e c i s i v a s e d e m a i s longo alcance: Paul K.m e e x t r e m a m e n te úteis. Qualquer um que tenha lutado com um projeto c o m o este reconhecerá o q u e isto lhes c u s t o u e v e n t u a l m e n t e . Berkeley. Pierre Noyes do Lawrence R a diation Laboratory e m e u aluno. m u i t o s o u t r o s amigos auxiliaram na sua reformulação. através d e maneiras q u e p r o vavelmente sou o último a reconhecer. T o d a s a s suas sugestões ou reservas p a r e c e r a m . C a d a um deles t a m b é m contribuiu c o m ingredientes intelectuais p a r a m e u trabalho. John L. T . Ernest Nagel de Columbia. D e p o i s q u e e s t a v e r s ã o foi e s b o ç a d a . M a s em graus variados. Heilbron. D e i x a r a m q u e m i n h a d e v o ç ã o fosse l e v a d a a d i a n t e e a t é m e s m o a encorajaram. K . Califórnia Fevereiro 1962 . que trabalhou em estreita colaboração comigo na preparaç ã o d e u m a v e r s ã o final p a r a a p u b l i c a ç ã o .

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m a i s recenf t e m e n t e .INTRODUÇÃO: UM PAPEL PARA A HISTÓRIA S e a H i s t ó r i a fosse v i s t a c o m o u m r e p o s i t ó r i o p a ra algo mais do que anedotas ou cronologias. o o b j e t i v o d e t a i s l i v r o s é i n e v i t a v e l m e n t e p e r s u a s i v o e p e d a g ó g i c o . tal c o m o estão registradas n o s clássicos e. C o n t u d o . poderia produzir u m a transformação decisiva n a imagem d e ciência que atualmente nos domina. M e s m o os p r ó í prios cientistas têm h a u r i d o essa i m a g e m principal\ m e n t e n o e s t u d o d a s r e a l i z a ç õ e s científicas a c a b a d a s . n o s m a n u a i s q u e c a d a n o v a g e r a ç ã o utiliza jl_para a p r e n d e r s e u ofício. um conceito de ciência deles haurido terá tantas p r o b a b i lidades de assemelhar-se ao empreendimento que os produziu c o m o a imagem de u m a cultura nacional obti- .

cesso g r a d a t i v o através do qual esses itens f o r a m a d i . De outro lado. o s m e s m o s l i v r o s t ê m s i d o i n t e r . O resultado t e m sido um c o n ceito de ciência com implicações profundas no q u e diz respeito à sua natureza e desenvolvimento. o historiad o r p a r e c e e n t ã o ter d u a s t a r e f a s p r i n c i p a i s . P o r e x e m p l o . m e s m o s e p a r t i r m o s d a H i s t ó r i a . cionados. leis e t e o r i a s d e s c r i t a s e m s u a s p á g i n a s . Se a c i ê n c i a é a r e u n i ã o de f a t o s . deve descrever e explicar os a m o n t o a d o s de erros. ao estoque sempre crescente que constitui o conhecimento e a técn i c a científicos. pretados c o m o se afirmassem q u e os métodos científicos s ã o s i m p l e s m e n t e a q u e l e s i l u s t r a d o s p e l a s t é c n i •i cas de m a n i p u l a ç ã o e m p r e g a d a s na coleta de d a d o s de j m a n u a i s .s e a disciplina q u e registra t a n t o esses a u m e n t o s sucessivos c o m o os obstáculos que inibiram sua a c u m u l a ç ã o ^ P r e o c u p a d o c o m o d e s e n v o l v i m e n t o científico. e n t ã o os cientistas s ã o homens que.d a através d e u m folheto turístico o u u m m a n u a l d e l í n g u a s .. t e o r i a s e m é t o d o s reunidos nos textos atuais.s e o p r o . E s t e e n s a i o t e n t a m o s t r a r q u e esses l i v r o s n o s t ê m e n g a n a d o em aspectos fundamentais. t e o r i a o u lei científica c o n t e m p o r â n e a foi d e s c o b e r t a ou inventada. j u n t a m e n t e c o m as operações lógicas utilii zadas ao relacionar esses d a d o s às generalizações t e ó \ r i c a s desses manuais. D e u m l a d o deve d e t e r m i n a r q u a n d o e por q u e m c a d a fato. C o m q u a s e igual r e g u l a r i d a d e . C o n t u d o . isoladamente ou em combinação. esse n o v o c o n c e i t o n ã o s u r g i r á se c o n t i n u a r m o s a p r o c u r a r e perscrutar os dados históricos sobretudo p a r a responder a questões postas pelo estereótipo a-histórico extraíd o d o s t e x t o s científicos.. Seu objetivo é esboçar um conceito de ciência bastante diverso que p o d e emergir d o s registros históricos da p r ó p r i a atividade de pesquisa. c o m ou sem sucesso. esses t e x t o s f r e qüentemente parecem implicar que o conteúdo da ciência é exemplificado de maneira ímpar pelas observaç õ e s . M u i t a p e s q u i s a foi d i r i g i d a p a r a esses fins e a l g u m a a i n d a é^} . mitos e superstições q u e inibiram a acumulação mais rápida dos elementos const i t u i n t e s d o m o d e r n o t e x t o científico. empenharam-se em contribuir c o m u m o u o u t r o e l e m e n t o p a r a essa const e l a ç ã o específica. O d e s e n v o l v i m e n t o t o r n a . E a H i s t ó r i a da C i ê n c i a t o r n a .

e n t ã o o s m i t o s p o d e m ser p r o d u z i d o s p e l o s m e s m o s tipos de métodos e mantidos pelas mesmas razões q u e h o j e c o n d u z e m a o c o n h e c i m e n t o científico. descobrem que a pesquis a a d i c i o n a l t o r n a m a i s difícil ( e n ã o m a i s f á c i l ) r e s p o n d e r a p e r g u n t a s c o m o : q u a n d o foi d e s c o b e r t o o o x i g ê n i o ? q u e m foi o p r i m e i r o a c o n c e b e r a c o n s e r v a ç ã o da energia? C a d a vez mais. Quanto mais cuidadosamente estudam. O r e s u l t a d o de t o d a s e s s a s d ú v i d a s e d i f i c u l d a d e s foi u m a r e v o l u ç ã o h i s t o r i o g r á f i c a n o e s t u d o d a c i ê n cia. as concepções de natureza outrora corr e n t e s n ã o e r a m n e m m e n o s científicas. S e e s s a s c r e n ç a s o b s o l e t a s d e v e m ser c h a m a d a s d e m i t o s . a q u í m i c a flogística ou a t e r m o dinâmica calórica. e n t ã o a ciência inclui conjuntos de crenças totalmente i n c o m patíveis c o m as q u e hoje m a n t e m o s . esta esco. alguns historiadores estão e n c o n t r a n d o mais e mais dificuldades p a r a preencher as funções q u e lhes são prescritas pelo conceito de desenvolvimento-por-acumulação. T a l v e z a ciência n ã o se (desenvolva pela a c u m u l a ç ã o de descobertas e inveni ções individuais.l h a t o r n a difícil c o n c e b e r o d e s e n v o l v i m e n t o científico como um processo de acréscimo. n e m m e n o s o p r o d u t o da idiossincrasia do q u e as atualmente em v o g a . o historiador deve escolher a última. S e . Os historiadores da ciência. digamos. nos últimos anos. elas d e v e m ser c h a m a d a s d e c i ê n c i a s . gradual- . C o m o cronistas de um processo de aumento. dá m a r g e m a p r o fundas dúvidas a respeito do processo cumulativo que se e m p r e g o u p a r a pensar c o m o teriam se f o r m a d o essas contribuições individuais à ciência. q u e m o s t r a as dificuldades p a r a isolar invenções e descobertas individuais. tanto mais certos tornam-se de que. A mesma pesquisa histórica. a din â m i c a a r i s t o t é l i c a . C o n t u d o . D a d a s essas alternativas. Teorias obsoletas n ã o s ã o acientíficas e m princípio. alguns deles suspeit a m d e q u e esses simplesmente n ã o são o s tipos d e questões a s e r e m l e v a n t a d a s .C o n t u d o . esses m e s m o s historiadores confrontam-se c o m dificuldades crescentes p a r a distinguir o c o m p o n e n t e "científico" das observações e crenças passadas d a q u i l o q u e seus predecessores r o t u l a r a m p r o n t a m e n t e de " e r r o " e "superstição". p o r o u t r o l a d o . c o m o um todo. e m b o r a essa revolução ainda esteja em seus primeiros estágios. simplesm e n t e p o r q u e foram descartadas. S i m u l t a n e a m e n t e .

está a insuficiência d a s d i r e t r i z e s m e t o d o l ó g i c a s p a r a d i t a r e m . E n t r e essas possibilidades legítimas. as conclusões p a r t i c u l a r e s a q u e ele c h e g a r s e r ã o p r o v a v e l m e n t e d e t e r minadas por sua experiência prévia em outras áreas. A q u e l e q u e . perguntam n ã o pela relação entre as concepções de Galileu e as da ciência m o d e r n a . A l é m disso. s e u s p r o f e s s o r e s . t e n d o s i d o instruído p a r a e x a m i n a r fenômenos elétricos ou q u í m i c o s . eles p r o c u r a m a p r e sentar a integridade histórica daquela ciência. p o d e atingir de m o d o legítimo q u a l quer u m a dentre muitas conclusões incompatíveis. esses e s t u d o s h i s t ó r i cos sugerem a possibilidade de u m a nova imagem da c i ê n c i a . P o r exemplo. E s t e e n s a i o visa d e l i n e a r e s s a i m a g e m a o t o r nar explícitas algumas d a s implicações da n o v a historiografia.mente e muitas vezes sem se a p e r c e b e r e m c o m p l e t a mente de q u e o estavam fazendo. m a s antes pela relação entre as concepções de Galileu e aquelas partilhadas por seu grup o . Em vez de procurar as c o n tribuições p e r m a n e n t e s de u m a ciência mais antiga p a r a n o s s a p e r s p e c t i v a p r i v i l e g i a d a . a partir de sua própria época. d e s c o n h e c e essas á r e a s . a ciência n ã o p a r e c e em a b s o l u t o ser o m e s m o e m p r e e n d i m e n t o q u e foi d i s c u t i d o pelos escritores da tradição historiográfica mais antig a . c o m e ç a r a m a se colocar novas espécies de questões e a traçar linhas d i ferentes. Q u e aspectos da ciência revelar-se-ão c o m o proeminentes no desenrolar desse esforço? Em primeiro lugar. P o r exemplo. freqüentemente não-cumulativas. de desenvolvimento p a r a as ciências. q u e crenças a resp e i t o d a s e s t r e l a s ele t r a z p a r a o e s t u d o d a Q u í m i c a . u m a única conclusão substantiva para várias espécies d e q u e s t õ e s c i e n t í f i c a s . ao m e n o s na o r d e m de apresentação. cujo m e l h o r e x e m p l o talvez sejam os escritos de A l e x a n d r e K o y r é . P e l o m e n o s i m p l i c i t a m e n t e . Vista através d a s obras q u e daí resultaram. c o n t e m p o r â n e o s e s u c e s sores imediatos nas ciências. p o r acidentes de sua investigação e por sua própria formação individual. p o r si só. m a s s a b e c o m o p r o c e d e r cientificamente. insistem em e s t u d a r as o p i n i õ e s d e s s e g r u p o e de o u t r o s s i m i l a r e s a partir da perspectiva — usualmente muito diversa daquela da ciência m o d e r n a — q u e dá a essas opiniões o m á x i m o de c o e r ê n c i a i n t e r n a e a m a i o r a d e q u a ç ã o possível à natureza. isto é .

j O q u e d i f e r e n c i o u e s s a s v á r i a s e s c o l a s n ã o foi u m o u o u t r o i n s u c e s s o d o m é t o d o — t o d a s e l a s e r a m "científicas"— mas aquilo que chamaremos a inçpmensurabilidade de suas maneiras de ver o m u n d o e nele praticar a ciência.é da eletricidade? Dentre muitas experiências relevantes. \ P o r e x e m p l o . 1 q u e os primeiros estágios do desenvolvimento da maioria das ciências têm-se caracterizado pela contínua competição entre diversas concepções de natureza distintas. M a s n ã o p o d e m . p e l o m e n o s para o indivíduo e ocasionalmente para a comunidade ^ científica. E n e m torna m e nos cheia de conseqüências a constelação particular com a qual o grupo está realmente comprometido n u m > d a d o m o m e n t o . p o r q u e d e o u t r o m o d o n ã o haveria ciência. cada u m a delas parcialmente derivada e todas apenas aproximadamente compatíveis com os d i t a m e s d a o b s e r v a ç ã o e d o m é t o d o científico. c o m p o s t o de acidentes pessoais e históricos. esse elemento d e arbitrariedade n ã o indic a q u e a l g u m g r u p o p o s s a p r a t i c a r s e u ofício s e m u m conjunto d a d o de crenças recebidas. observação e a experiência p o d e m e d e v e m restringir drasticamente a extensão das crenças admissíveis. C o n t u d o . é s e m p r e um ingrediente f o r m a d o r das c r e n ç a s e s p o s a d a s p o r u m a c o m u n i d a d e científica espe^cífica n u m a d e t e r m i n a d a é p o c a . quais ele escolhe p a r a executar em primeiro lugar? Q u a i s a s p e c t o s d o f e n ô m e n o c o m p l e x o q u e daf r e s u l t a o impressionam c o m o particularmente relevantes para u m a elucidação da natureza das transformações químicas ou das afinidades elétricas? Respostas a questões c o m o essas são freqüentemente determinantes essenciais p a r a o d e s e n v o l v i m e n t o científico. d e t e r m i n a r u m c o n j u n t o específico d e s e m e l h a n t e s c r e n ç a s J U m e l e m e n t o a p a rentemente arbitrário. p o r s i s ó . h a v e r e m o s d e o b s e r v a r n o C a p . / A p e s q u i s a eficaz r a r a m e n t e c o m e ç a a n t e s q u e u m a c o m u n i d a d e científica p e n s e t e r a d q u i rido respostas seguras para perguntas c o m o : quais são as entidades fundamentais q u e c o m p õ e m o universo? c o m o interagem essas entidades u m a s c o m as outras e c o m os sentidos? q u e questões p o d e m ser legitimament e feitas a r e s p e i t o d e t a i s e n t i d a d e s e q u e t é c n i c a s p o d e m ser e m p r e g a d a s n a busca d e s o l u ç õ e s ? / A o m e n o s nas ciências plenamente desenvolvidas. respostas ( o u substitutos integrais p a r a as respostas) a questões co- .

é b a s e a d a no presi s u p o s t o de q u e a c o m u n i d a d e científica s a b e c o m o é o Ikmundo. U m a v e z q u e e s s a e d u c a ç ã o é a o m e s m o t e m p o rígida e rigorosa. essas respostas chegam a exerc e r u m a i n f l u ê n c i a p r o f u n d a s o b r e o e s p í r i t o científic o .m o essas estão firmemente engastadas n a iniciação p r o fissional q u e p r e p a r a e a u t o r i z a o e s t u d a n t e p a r a a p r á t i c a científica. resiste ao ataI q u e violento e reiterado dos m e m b r o s mais hábeis do g r u p o e m cuja á r e a d e c o m p e t ê n c i a ele o c o r r e . a própria nature*za d a p e s q u i s a n o r m a l a s s e g u r a q u e a n o v i d a d e n ã o (será s u p r i m i d a p o r m u i t o t e m p o . \ atividade na qual a maioria d o s cientistas e m p r e g a i n e I vitavelmente quase t o d o seu t e m p o . G r a n d e p a r t e d o s u c e s s o d o e m p r e e n d i m e n t o [deriva da disposição da c o m u n i d a d e p a r a defender esse Ypressuposto — c o m c u s t o s c o n s i d e r á v e i s . projetada e c o n s t r u í d a p a r a fins d e p e s q u i s a n o r m a l . qualquer q u e seja o e l e m e n t o d e a r b i t r a r i e d a d e c o n t i d o n a s s u a s o r i gens históricas e. No entanto este elemento de arbitrariedade está p r e s e n t e e t e m t a m b é m u m efeito i m p o r t a n t e n o d e s e n v o l v i m e n t o c i e n t í f i c o . N ã o obstante. revelando u m a j a n o m a l i a q u e n ã o p o d e ser a j u s t a d a à s e x p e c t a t i v a s \ profissionais. s e n e c e s s á . c o m o da direção na qual essa prossegue em qualquer m o m e n t o considerado.n o s a d a r c o n t a t a n t o d a eficiência p e c u l i a r d a a t i vidade de pesquisa normal. E m outras ocasiões. D e s t a e .d e t a l h a d a m e n t e n o s C a p s . A c i ê n c i a n o r m a l . 3 e 4. ocasionalmente. N ó s perguntaremos simultaneamente se a pesquisa p o deria ter seguimento sem tais esquemas. n a m e d i d a e m q u e esses c o m p r o m i s s o s r e \têm um elemento de arbitrariedade. n ã o f u n ciona segundo a maneira antecipada. Ao e x a m i n a r a ciência n o r m a l nos C a p s . b u s c a remos d e s c r e v e r e s s a f o r m a d e p e s q u i s a como u m a tent a t i v a v i g o r o s a e d e v o t a d a de f o r ç a r a n a t u r e z a a e s q u e m a s conceituais fornecidos pela e d u c a ç ã o profissional. A l g u m a s v e z e s u m p r o b l e m a c o m u m . p o r q u e estas subvertem necessariamente seus compromissos básicos. a ciência n o r m a l freqüentemente sup r i m e novidades fundamentais. q u e d e v e r i a ser r e s o l v i d o p o r m e i o de regras e p r o c e d i m e n t o s conhecidos. O f a t o d e a s r e s p o s t a s p o d e r e m t e r esse p a p e l a u x i l i a . rio. u m a peça de equipamento. P o r exemplo. 2. no seu desenvolvimento posterior. E s s e efeito s e r á e x a m i n a d o . n ã o obstante esforços repetidos. 5. 6 e 7.

Tais características aparecem c o m particular clareza no estudo das revoluções newtoniana e química. u m a tese fundamental deste ensaio é q u e essas c a r a c t e r í s t i c a s p o d e m ser i g u a l m e n t e r e c u p e r a d a s a t r a - . o n d e p e l a p r i m e i r a v e z a n a t u r e z a d a s r e v o l u ç õ e s científicas é diretamente examinada. esses episódios exibem aquilo q u e . E q u a n d o i s t o o c o r r e — i s t o é. p e l o m e n o s n o > q u e c o n c e r n e à h i s t ó r i a d a s c i ê n c i a s físicas. Mais claramente i q u e muitos outros. Neste ensaio. A s r e v o l u ç õ e s científicas s ã o o s c o m p l e ^ m e n t o s d e s i n t e g r a d o r e s da t r a d i ç ã o à q u a l a a t i v i d a d e da ciência n o r m a l está ligada. a u m a nova base i p a r a a prática da ciência. C a d a u m i d e l e s f o r ç o u a c o m u n i d a d e a r e j e i t a r a t e o r i a científic a anteriormente aceita e m favor d e u m a o u t r a incomi patível c o m aquela. P o r isso. 8 e 9. a p r e s e n t a n d o . nos ocuparemos repetidam e n t e c o m o s m o m e n t o s decisivos essenciais d o d e s e n v o l v i m e n t o científico a s s o c i a d o a o s n o m e s d e C o p é r \ nico. q u a n d o os / m e m b r o s d a profissão n ã o p o d e m m a i s esquivar-se das í anomalias q u e subvertem a tradição existente da p r á \ t i c a científica — e n t ã o c o m e ç a m as i n v e s t i g a ç õ e s j extraordinárias q u e finalmente c o n d u z e m a profissão a / u m novo conjunto de compromissos. são d e n o m i n a . n o p a s s a d o . f o r a m f r e q ü e n t e m e n t e r o tulados de revoluções. Newton.s e s e \ g u i d a m e n t e . Precisaremos descrever as m a n e i r a s pelas quais c a d a um desses episódios transf o r m o u a i m a g i n a ç ã o científica.' | d o s d e r e v o l u ç õ e s científicas o s e p i s ó d i o s e x t r a o r d i n á \ rios nos quais ocorre essa alteração de c o m p r o m i s s o ^ p r o f i s s i o n a i s . j u n t a mente com as controvérsias que quase sempre as acomp a n h a m . são características definidoras das revoluções científicas. Lavoisier e Einstein. T a i s m u d a n ç a s . 'i— O s e x e m p l o s m a i s ó b v i o s d e r e v o l u ç õ e s científicas são aqueles episódios famosos do desenvolvimento científico q u e . C o m o conseqüência. c o n s t i t u i t o d a s a s r e v o l u ç õ e s científicas. c a d a um desses e p i s ó d i o s p r o d u z i u u m a a l t e r a ç ã o n o s p r o b l e m a s à d i s p o s i ç ã o d o e s c r u t í n i o científico e n o s p a d r õ e s p e los quais a profissão d e t e r m i n a v a o q u e deveria ser considerado c o m o u m problema o u c o m o u m a solução de problema legítimo. C o n t u d o . a c i ê n c i a n o r m a l d e s o r i e n t a .o s c o m o u m a transformação d o m u n d o n o interior d o qual e r a r e a l i z a d o o t r a b a l h o científico. nos C a p s .Ide o u t r a s m a n e i r a s .

T e o r i a e f a t o científicos n ã o s ã o c a t e g o r i c a m e n t e separáveis. lAs equações de Maxwell. E m b o r a este p o n t o exija u m a discussão prolongada. Os c o m p r o m i s s o s q u e g o v e r n a m a ciência n o r m a l especificam n ã o a p e n a s as espécies de entidades q u e o u n i verso contém. implicitamente. N ã o é de admirar q u e os historiadores t e n h a m e n c o n t r a d o dificuldades para d a t a r com precisão este processo p r o l o n g a d o . Regularmente e de m a n e i r a apropriada. foram consideradas t ã o r e v o l u c i o n á r i a s c o m o e s t a s e c o m o tal e n c o n t r a r a m resistência. Sua assimilação requer a reconstrução da teoria precedente e a reavaliação dos fatos anteriores. a n o v a t e o r i a r e p e r c u t e i n e v i t a v e l m e n t e —"sobre m u i t o s t r a b a l h o s científicos j á c o n c l u í d o s c o m . q u e afetaram u m grupo profissional b e m m a i s reduzido do que as de Einstein. p o r m a i s p a r t i c u l a r q u e seja s e u â m b i t o d e a p l i c a ç ã o . no decorrer desse processo. exceto talvez no interior de u m a única trad i ç ã o d a p r á t i c a científica n o r m a l . P a r a e s s e s homens. segue-se que u m a descoberta c o m o a do oxigênio ou do raio X n ã o adiciona apenas mais um item à p o p u l a ç ã o do m u n d o do cientista. vêem c o m o um evento isolado. Esse é o efeito final d a d e s c o b e r t a — m a s s o m e n t e d e p o i s d a c o m u n i d a d e profissional ter reavaliado os p r o c e d i m e n tos experimentais tradicionais. modific a d o a rede de teorias c o m as quais lida c o m o m u n d o .s u c e s s o . n u n c a o u q u a se nunca é um m e r o incremento ao que já é conhecido. ao qual. É p o r isso q u e u m a descoberta inesperada n ã o possui u m a importância sim- .vés d o e s t u d o d e m u i t o s o u t r o s e p i s ó d i o s q u e n ã o f o ram tão obviamente revolucionários. alterado sua c o n c e p ç ã o a iespeito de entidades com as quais estava de há muito familiarizada e. a nova teoria implica u m a m u d a n ç a nas reg r a s q u e g o v e r n a v a m a p r á t i c a a n t e r i o r da-ciê-ncia n o r niaL_ P o r isso. m a s também. impelidos p o r seu v o c a bulário. Invenções de novas teorias n ã o são os únicos acont e c i m e n t o s científicos q u e t ê m u m i m p a c t o r e v o l u c i o n á r i o sobre os especialistas do setor em q u e o c o r r e m . aquelas q u e n ã o contém. É p o r isso q u e u m a n o v a t e o r i a . Esse p r o cesso intrinsecamente revolucionário raramente é c o m pletado por um único h o m e m e nunca de um dia para o outro. a invenção de novas teorias evoca a m e s m a resposta p o r p a r t e de alguns especialistas q u e v ê e m sua á r e a " d e c o m p e t ê n c i a infringida p o r e s s a s t e o r i a s .

Finalmente. n u m a t e o r i a d a i n v e s t i g a ç ã o científica. Desse m o d o o capítulo examina o processo que. Esta concepção ampliada da natureza das revoluç õ e s científicas é d e l i n e a d a n a s p á g i n a s s e g u i n t e s . o C a p .plesmente fatual. O C a p . a s s u n t o q u e r e q u e r m u i t a e x p l o r a ç ã o e estudo adicionais. o q u e faz a c o n c e p ç ã o a m p l i a d a t ã o i m p o r t a n t e é p r e c i s a m e n t e a p o s s i b i l i d a d e de r e l a c i o n a r a e s t r u t u r a d e tais d e s c o b e r t a s c o m . C o n t u d o . O resto do ensaio tenta equacionar as três questões centrais q u e sobram. sugerindo q u e isso n ã o p o d e ser a d e q u a d a m e n t e r e a l i z a d o d e s s a m a neira. 11 descreve a c o m p e t i ç ã o revolucionária entre os defensores d a v e l h a t r a d i ç ã o científica n o r m a l e o s p a r t i d á r i o s d a nova. Sem d ú v i d a alguns leitores já se terão p e r g u n t a d o se um estudo histórico poderá produzir o tipo de transformação conceituai que é visado aqui. A competição entre segmentos da c o m u n i d a d e científica é o ú n i c o p r o c e s s o h i s t ó r i c o q u e realmente resulta na rejeição de u m a teoria ou na adoção de outra. e s t e e n s a i o n ã o f o r n e c e r á m a i s do que os c o n t o r n o s principais de u m a resposta a essa questão. Um arsenal inteiro de dicotomias está disponível. as . N ã o há d ú v i d a de q u e esta a m p l i a ç ã o força o sentido costumeiro da concepção. N ã o obstante. Ao discutir a tradição do manual. Dizemos muito freqüentemente que a História é u m a disciplina p u r a m e n t e descritiva. aquela da revolução copernicana. 10 e x a m i n a p o r q u e a s r e v o l u ç õ e s científicas t ê m s i d o t ã o dificilmente reconhecidas c o m o tais. p o r e x e m p l o . T o d a v i a . d e v e r i a s u b s t i tuir d e a l g u m m o d o o s p r o c e d i m e n t o s d e falsificação ou confirmação q u e a nossa i m a g e m usual de ciência t o r n o u familiares. o C a p . continuarei a falar a t é m e s m o d e d e s c o b e r t a s c o m o s e n d o r e v o l u c i o n á r i a s . 12 perguntará como o d e s e n v o l v i m e n t o a t r a v é s d e r e v o l u ç õ e s p o d e ser c o m patível c o m o caráter aparentemente ímpar do progress o científico. O m u n d o do cientista é t a n t o qualitativamente transformado como quantitativamente enriquecido pelas novidades fundamentais de fatos ou teorias. P a r a m i m . Tal resposta depende das características da c o m u n i d a d e científica. A discussão precedente indica c o m o serão desenvolvidas as noções complem e n t a r e s d e c i ê n c i a n o r m a l e r e v o l u ç ã o científica n o s nove capítulos imediatamente seguintes.

muitas de m i n h a s generalizações dizem respeito à sociologia ou à psicologia social dos cientistas. às s i t u a ç õ e s r e a i s n a s q u a i s o c o n h e c i m e n t o é o b t i d o . algumas vezes. E s s a circularidade n ã o as invalida de forma alguma. Em vez de serem distinções lógicas ou metodológicas elementares. P a r a q u e elas t e n h a m c o m o conteúdo mais do que puras abstrações. no parágrafo anterior. a o s q u a i s p o d e m o s exigir a a p l i c a ç ã o d a s t e o r i a s s o b r e o conhecimento? . a o fazer i s s o . esse conteúdo p r e c i s a ser d e s c o b e r t o a t r a v é s d a o b s e r v a ç ã o .a s a o m e s m o escrutínio que é regularmente aplicado a teorias e m outros c a m p o s . T o d a v i a . a c e i t o e a s s i m i l a d o . M a s torn a .m e formado intelectualmente a partir dessas e de outras distinções semelhantes. E x a m i nar-se-ia e n t ã o a aplicação dessas distinções aos d a d o s q u e elas p r e t e n d e m e l u c i d a r . normativas. Ainda suponho que. eu tenha violado a m u i t o influente distinção c o n t e m p o r â n e a e n t r e o " c o n t e x t o da d e s c o b e r t a " e o " c o n t e x t o da j u s tificação". A l é m disso. Por muitos anos tomei-as c o m o sendo a própria natureza do conhecimento. C o m o p o d e r i a a H i s t ó r i a d a C i ê n c i a d e i x a r d e ser u m a f o n t e d e f e n ô m e n o s . A i n d a assim. e l a s p a r e c e m a g o r a ser p a r t e s d e u m c o n j u n t o tradicional de respostas substantivas às próprias quest õ e s a p a r t i r d a s q u a i s elas f o r a m e l a b o r a d a s . tenham algo importante a nos dizer. fê-las parecer extraordinariamente problemáticas. m u i t a s d a s m i n h a s tentativas de aplicál a s . dificilmente p o deria estar mais consciente de sua importância e força. m e s m o grosso modo. q u e seriam anteriores à análise do conhecimento científico. s u j e i t a . adequadamente reelaboradas. P o d e até m e s m o parecer que. P o d e algo mais do que profunda confusão estar indicado nesta mescla de diversas áreas e interesses? T e n d o .teses sugeridas acima s ã o freqüentemente interpretativas e. pelo menos algumas das minhas conclusões pertencem tradicionalmente à Lógica ou à Epistemologia.a s p a r t e d e u m a t e o r i a e .

T a i s livros e x p õ e m o c o r p o da teoria aceita.1 . U m a vez q u e tais livros se t o r n a r a m populares n o c o m e ç o d o século X I X ( e mes- . ilustram muitas (ou todas) as suas aplicações b e m sucedidas e c o m p a r a m essas aplicações c o m observações e experiências exemplares. A ROTA PARA A CIÊNCIA NORMAL N e s t e e n s a i o . hoje em dia essas realizações s ã o r e l a t a d a s p e l o s m a n u a i s científicos e l e m e n t a r e s e a v a n ç a d o s . E s s a s r e a l i z a ç õ e s s ã o r e c o n h e c i d a s d u r a n t e a l g u m t e m p o p o r a l g u m a c o m u n i d a d e científica e s p e c í f i c a c o m o p r o p o r c i o n a n d o o s f u n d a m e n t o s p a r a sua prática posterior. f E m b o r a r a r a m e n t e na sua f o r m a original. \ " c i ê n c i a n o r m a l " significa a p e s q u i sa firmemente baseada em u m a ou mais realizações' científicas p a s s a d a s .

s e a h o m e n s que a p r e n d e r a m as bases de seu c a m p o de e s t u d o a partir dos mesmos modelos concretos. sua prática subseqüente raramente irá provocar desacordo declarado k . H o m e n s cuja pesquisa está i baseada em paradigmas compartilhados estão comproij m e t i d o s c o m as m e s m a s r e g r a s e p a d r õ e s p a r a a p r á h t i c a científica. E s s e c o m p r o m e t i m e n t o e o c o n s e n s o aparente que p r o d u z são pré-requisitos p a r a a ciência . a f a s t a n d o . P u d e r a m fazer isso p o r q u e p a r t i l h a v a m d u a s características essenciais. muitos dos clássicos famosos d a c i ê n c i a d e s e m p e n h a m u m a f u n ç ã o s i m i l a r . O estudo dos paradigmas. e assim por diante. U m a v e z q u e ali o e s t u d a n t e r e ú n e . é o q u e p r e p a r a basicamente o estudante p a r a ser m e m b r o da c o m u n i d a d e científica d e t e r m i n a d a n a q u a l a t u a r á m a i s i^tarde. por algum tempo. Simultaneamente. t e o r i a . D a q u i por diante deverei referir-me às realizações q u e p a r t i l h a m essas d u a s características c o m o " p a r a digmas". Suas realizações foram suficientemente sem precedentes p a r a a t r a i r u m g r u p o d u r a d o u r o d e p a r t i d á r i o s . lei. "Óptica Corpuscular" ( o u "Óptica O n d u l a t ó r i a " ) .s o b r e pontos fundamentais. suas realizações eram suficientemente abertas p a r a deixar t o d a a espécie de problemas p a r a serem resolvidos pelo g r u p o redefinid o d e praticantes d a ciência. a Química de L a v o i s i e r e a Geologia de L y e l l — e s s e s e muitos outros trabalhos serviram. S ã o e s s a s t r a d i ç õ e s que o historiador descreve com rubricas c o m o : "Astronomia Ptolomaica" (ou "Copernicana"). muitos dos quais bem mais especializados do q u e os indicados acima. a Eletricidade de F r a n k l i n . o Almagesto de P t o l o m e u . a o m e s m o t e m p o .m o mais recentemente. a p l i c a ç ã o e i n s t r u m e n t a ç ã o — p r o p o r c i o n a m modelos dos quais b r o t a m as tradições coerentes e e s p e c í f i c a s d a p e s q u i s a científica. p a r a definir implicitamente os p r o b l e m a s e m é t o d o s legítimos de um c a m p o de pesquisa p a r a as gerações posteriores de p r a t i c a n t e s da ciência. um termo estreitamente relacionado c o m "ciência n o r m a l " . "Dinâmica Aristotélica" (ou "Newtoniana").o s d e o u t r a s f o r m a s d e a t i v i d a d e científica dissimilares. c o m o n o caso d a s ciências a m a durecidas h á p o u c o ) . A Física d e A r i s t ó t e l e s . C o m a escolha do t e r m o pretendo sugerir q u e alguns exemplos aceitos na prática científica r e a l — e x e m p l o s q u e i n c l u e m . os Principia e a Óptica de N e w t o n .

as respostas a estas quest õ e s e o u t r a s s i m i l a r e s d e m o n s t r a r ã o ser b á s i c a s p a r a a c o m p r e e n s ã o . M a i s especificamente. ^ Será necessário acrescentar mais sobre as razões da introdução do conceito de paradigma. é anterior aos v á r i o s c o n c e i t o s . d e s d e a o r i g e m . isto é. c o m o u m lugar de c o m p r o m e t i m e n t o profissional. A pesquisa é realizada de a c o r d o c o m este ensinamento. no C a p . a p i s t a do c o n h e c i m e n t o científicp d e q u a l q u e r g r u p o s e l e c i o n a do de fenômenos interligados. ou melhor. esta caracterização da luz mal tem meio século. p a r a a g ê n e s e e a c o n t i n u a ç ã o de u m a tradição de pesquisa d e t e r m i n a d a . esses dois conceitos r e lacionados s e r ã o esclarecidos indicando-se a possibilid a d e d e u m a e s p é c i e d e p e s q u i s a científica s e m p a r a digmas ou pelo menos sem aqueles de tipo tão inequívoco e obrigatório c o m o os n o m e a d o s acima. i s t o é. A aquisição de um p a r a d i g m a e do tipo de pesquisa mais esot é r i c o q u e ele p e r m i t e é u m s i n a l d e m a t u r i d a d e n o d e s e n v o l v i m e n t o d e q u a l q u e r c a m p o científico q u e s e queira considerar. Einstein e outros no com e ç o deste século. C o n t u d o . Os m a n u a i s atuais de Física ensinam ao estudante que a luz é c o m p o s t a de fótons. esta discussão mais abstrata vai depender da exposição prévia de exemplos da ciência n o r m a l ou de p a r a d i g m a s em atividade. tanto da ciência normal. C o n t u d o . entidades quântico-imecânicas q u e exibem algumas características de ondas e outras de partículas. Se o h i s t o r i a d o r s e g u e . t e o r i a s e p o n t o s d e v i s t a q u e d e l a p o d e m ser a b s t r a í d o s ? E m q u e s e n t i d o o p a r a d i g m a partilhado é u m a unidade fundamental para o estudo d o d e s e n v o l v i m e n t o científico. u m a vez que n e s t e e n s a i o ele s u b s t i t u i r á u m a v a r i e d a d e d e n o ç õ e s f a m i l i a r e s . de acordo c o m as caracterizações m a t e m á t i c a s m a i s elaboradas a partir d a s quais é derivada esta verbalização usual. provavelmente encontrará alguma variante m e n o r de um p a d r ã o ilustrado aqui a partir da História da Óptica Física. c o n - . os textos de Física ensinavam que a luz era um m o v i m e n t o ondulatório transversal. u m a u n i d a d e q u e n ã o p o d e ser t o t a l m e n t e r e d u z i d a a c o m p o n e n t e s a t ô m i c o s lógicos que p o d e r i a m funcionar em seu lugar? Q u a n d o as encontrarmos. 4. leis. Antes de ter sido desenvolvida por Planck. c o m o do conceito associado de p a r a d i g m a . P o r q u e a r e a l i z a ç ã o científica.n o r m a l .

Em épocas diferentes.c e p ç ã o q u e em última análise derivava d o s escritos ópticos de Y o u n g e Fresnel. e haviam outras combinações e modificações além dessas. ( P a r i s . R O N C H . a t e o r i a o n d u l a t ó r i a n ã o foi a p r i m e i r a d a s c o n c e p ç õ e s a ser a c e i t a p e l o s p r a t i c a n tes da ciência óptica. a l g o q u e n ã o foi feito p e l o s p r i m e i r o s t e ó r i c o s d a concepção ondulatória. Histoire de la lumière. Aristóteles o u Platão. P R I E S T L E Y . C a d a u m a das escolas retirava forças de s u a relação c o m a l g u m a metafísica determinada. o p a r a d i g m a p a r a e s t e c a m p o d e e s t u d o s foi p r o p o r c i o n a d o p e l a Óptica d e N e w t o n . No entanto. U m grupo considerava a luz c o m o sendo composta de partículas que emanav a m dos corpos materiais. (Londres. C a d a u m a delas enfatizava. p u b l i c a d o s no início do s é c u l o X I X . Outras observações eram exam i n a d a s a t r a v é s d e e l a b o r a ç ã o a d hoc o u p e r m a n e c i a m c o m o p r o b l e m a s especiais p a r a a pesquisa posterior. Essas transformações de paradigmas da Óptica F í s i c a s ã o r e v o l u ç õ e s científicas e a t r a n s i ç ã o s u c e s s i v a de um paradigma a outro. a maioria d a s quais esposava u m a ou outra variante das teorias de Epicuro. Joseph. . a q u a l e n s i n a v a q u e a l u z era composta de corpúsculos de matéria.I V . p a r a outro. tradução de Jean Taton. 1 9 5 6 ) . por meio de u m a revoluç ã o . c o m o observações paradigmáticas. 2. E m vez disso havia u m b o m n ú m e r o de escolas e subescolas em competição. todas estas escolas fizeram c o n t r i b u i ç õ e s significativas a o c o r p o d e c o n c e i t o s . este n ã o é o p a d r ã o usual _do p e r í o d o anterior aos t r a b a l h o s de N e w t o n . 385-90. D u r a n t e o século X V I I I . fe este contraste q u e nos interessa aqui. é o p a d r ã o usual de desenvolvimento da ciência amadurecida. N e n h u m período entre a a n t i g ü i d a d e r e m o t a e o f i m do s é c u l o X V I I e x i b i u u m a ú n i c a c o n c e p ç ã o d a n a t u r e z a d a l u z q u e fosse g e ralmente aceita. A l é m d i s s o . C a p s . o conjunto particular de fenômenos ópticos q u e sua própria teoria podia explicar melhor. V a s c o . f e 1 2 1. um o u t r o ainda explicava a luz em termos de u m a interação do meio com u m a emanação do olho. The Hislory and Presenl State of Discoveries Relaling to Vision Light and Colours. Naquela époc a o s físicos p r o c u r a v a m p r o v a s d a p r e s s ã o e x e r c i d a p e l a s p a r t í c u l a s d e l u z a o colidir c o m o s c o r p o s s ó l i d o s . I . 1772) pp. era a modificaç ã o do m e i o que intervinha entre o c o r p o e o olho.

G r a y . F r a n k l i n e outros. D u r a n t e aquele período houve quase tantas concepções sobre a natureza da eletricidade c o m o experimentadores importantes nesse c a m p o . Du F a y . excluirá igualmente seus sucessores m o d e r n o s . e r a m t o d o s c o m p o n e n t e s d e t e o r i a s científicas r e a i s . teorias que tinham sido parcialmente extraídas de exper i ê n c i a s e o b s e r v a ç õ e s e q u e d e t e r m i n a r a m em p a r t e a e s c o l h a e a i n t e r p r e t a ç ã o de p r o b l e m a s a d i c i o n a i s . h o m e n s c o m o H a u k s b e e . q u e exclua os m e m b r o s mais criadores dessas várias escolas. c a d a autor de Óptica Física sentia-se forçado a construir n o v a m e n t e seu c a m p o de estudos desde os fundamentos. o r e s u l t a d o l í q u i d o d e s u a s a t i v i d a d e s foi a l g o m e n o s q u e c i ê n c i a . H o j e e m d i a esse p a d r ã o é familiar a n u m e r o s o s c a m p o s de estudos criadores e n ã o é incompatível com invenções e descobert a s significativas. Q u a l q u e r definição do cientista. ^ A história da pesquisa elétrica na primeira m e tade d o século X V I I I proporciona u m exemplo mais concreto e melhor conhecido da maneira c o m o u m a ciência se desenvolve antes de adquirir seu primeiro paradigma universalmente aceito. A escolha das observações e experiênc i a s q u e s u s t e n t a v a m tal r e c o n s t r u ç ã o e r a r e l a t i v a m e n t e livre. e m b o r a os estudiosos d e s s a á r e a f o s s e m c i e n t i s t a s . Desaguliers. qualquer u m q u e examine u m a amostra da Óptica Física anterior a N e w t o n p o derá perfeitamente concluir que. P o r n ã o ser o b r i g a d o a a s s u m i r u m c o r p o q u a l q u e r d e c r e n ç a s c o m u n s .n ô m e n o s e técnicas d o s quais N e w t o n extraiu o primeiro paradigma quase uniformemente aceito na Óptica Física.c o r p u s c u l a r q u e o r i e n t a v a a p e s q u i s a científica d a é p o c a . Esses h o m e n s e r a m cientistas. T o d o s seus numerosos conceitos de eletricidade tinham algo em c o m u m — e r a m parcialmente derivados de u m a o u o u t r a v e r s ã o d a filosofia m e c â n i c o . Nollet. Nestas circunstâncias o diálogo dos livros resultantes era freqüentemente dirigido aos m e m b r o s das outras e s c o l a s t a n t o c o m o à n a t u r e z a . C o n t u d o . A l é m d i s s o . N ã o havia qualquer conjunto-padrão d e m é todos ou de fenômenos q u e todos os estudiosos da Ó p t i c a se s e n t i s s e m f o r ç a d o s a e m p r e g a r e e x p l i c a r . e s t e n ã o é o p a d r ã o d e d e senvolvimento que a Óptica Física adquiriu depois de N e w t o n e n e m aquele q u e outras ciências da natureza t o r n a r a m familiar hoje em dia. C o n t u d o . Watson.

Crombie (ed. ( N a realidade este g r u p o é e x t r e m a m e n t e p e q u e n o — m e s m o a teoria de F r a n k l i n n u n c a explicou completamente a repulsão m ú t u a de dois corpos c a r r e g a d o s n e g a t i v a m e n t e . 1954). P o r s e u t u r n o . Mass. que será publicado por H e i n e m a n n Educational B o o k s . Ltd. Heilbron no que diz respeito a alguns detalhes analíticos do parágrafo seguinte. Entretanto. publicado em A. Cambridge. O u t r o s "eletricistas" (o t e r m o é d e les m e s m o ) c o n s i d e r a v a m a a t r a ç ã o e a r e p u l s ã o c o m o manifestações igualmente elementares da eletricidade e modificaram suas teorias e pesquisas de acordo com tal c o n c e p ç ã o . V I I . 9-15. suas teorias n ã o tinham mais do q u e u m a semelhança de família.enfrentados pela pesquisa.). C o n t u d o .. Case 8. esse g r u p o t i n h a dific u l d a d e p a r a r e c o n c i l i a r s u a t e o r i a c o m n u m e r o s o s efeitos de atração e repulsão. Esse g r u p o t e n d i a a t r a t a r a r e p u l s ã o c o m o u m efeito s e c u n d á r i o devido a alguma espécie de rebote mecânico. C. COHEN. 3 DUANE ROLLEB & DUANB H . The Development of the .X I I . ) M a s estes t i v e r a m t a n t a d i ficuldade c o m o o primeiro grupo p a r a explicar simult a n e a m e n t e q u a l q u e r c o i s a q u e n ã o fosse o s efeitos m a i s s i m p l e s d a c o n d u ç ã o . 1 9 5 6 ) .c o n d u t o r e s . Tendia igualmente a postergar por tanto tempo q u a n t o p o s s í v e l t a n t o a d i s c u s s ã o c o m o a p e s q u i s a sist e m á t i c a s o b r e o n o v o efeito d e s c o b e r t o p o r G r a y — a c o n d u ç ã o elétrica. pode-se encontrar u m a apresentação de certo m o d o mais extensa e mais precisa do surgimento do paradigma de Franklin em " T h e F u n c t i o n of D o g m a in Scientific Research" de T H O M A S S. University of Oxford. e m b o r a todas as experiências fossem elétricas e a maioria d o s experimentadores lessem os trabalhos uns dos outros. g r u p o q u e tendia a falar da eletricidade mais c o m o um "fluido" que podia circular através de condutores do que como um "eflúvio" que emanasse de n ã o . C a p s . jul. 1961. Um primeiro grupo de teorias. K U H N . Enquanto se aguarda sua publicação. esses efeitos p r o porcionaram um ponto de partida p a r a um terceiro grupo. B. c o m q u a s e igual facil i d a d e . D . ROLLEB. e I. d e a p r o x i m a d a m e n t e t o d o s esses efeitos. Somente através dos trabalhos de F r a n k l i n e de seus sucessores imediatos surgiu u m a teoria c a p a z d e d a r c o n t a . considerava a atração e a geração por fricção c o m o os fenômenos elétricos fundamentais. Franklin and Newton: An Inquiry into Speculative Newtonian Experimentai Science and Franklin's Work in Electricity as an Example Thereof ( F i l a d é l f i a . Symposíum on the History of Science. E m 3 Concept of Electric Charge: Electricity from the GreeJcs to Coulomb ("Harvard Case Histories in Experimental Science". Estou em dívida c o m um trabalho ainda não publicado de m e u aluno John L. seguindo a prática do século X V I I .

a c o l e t a inicial d e fatos é usualmente restrita à riqueza de d a d o s q u e estão p r o n t a m e n t e a nossa disposição. Newton ou F r a n k l i n ) . todos os fatos q u e possivelmente são pertinentes ao desenvolvimento de determinada ciência t ê m a probabilidade de parecerem igualmente relevantes. Na ausência de um paradigma ou de algum c a n d i d a t o a p a r a d i g m a . as primeiras col e t a s d e f a t o s s e a p r o x i m a m m u i t o m a i s cie u m a a t i v i dade ao acaso do que daquelas que o desenvolvimento subseqüente da ciência torna familiar. C o n t u d o . A l é m disso. P e r m a n e c e em aberto a questão a respeito de q u e áreas da ciência social já a d q u i r i r a m tais p a r a d i g m a s . um tanto arbitrariamente escolhido (por exemplo. c o m o a Bioquímica. nas quais os primeiros p a r a d i g m a s estáveis d a t a m da pré-história. a M e t a l u r g i a e a c o n f e c ç ã o de c a l e n d á r i o s . por e x e m p l o . q u e surgiu da divisão e c o m b i n a ç ã o de especialidades já amadurecidas. o estudo do movimento antes de Aristóteles e da Estática antes de A r q u i m e d e s . S u g i r o q u e d e s a c o r d o s fund a m e n t a i s de tipo similar caracterizaram. mais alguns dos dados mais e s o t é r i c o s p r o c e d e n t e s d e ofícios e s t a b e l e c i d o s . na ausência de u m a razão para p r o c u r a f alguma forma d e i n f o r m a ç ã o m a i s r e c ô n d i t a . as situações esboçadas acima s ã o h i s t o r i c a m e n t e t í p i c a s . a História sugere igualmente algumas razões para as dificuldades encontradas ao longo desse caminho. no estudo da hereditariedade — os primeiros p a r a d i g m a s universalm e n t e aceitos são ainda mais recentes. A História sugere q u e a estrada p a r a um consenso estável na pesquisa é e x t r a o r d i n a r i a m e n t e á r d u a . A s o m a de fatos r e s u l t a n t e s c o n t é m a q u e l e s acessíveis à o b s e r v a ç ã o e à experimentação casuais. „ Excluindo áreas c o m o a Matemática e a Astronomia. C o m o conseqüência disso. A tecnologia d e s e m p e n h o u m u i t a s vezes um papel vi- . e t a m b é m aquelas. o e s t u d o do calor antes de Black.\~ Vista d i s s o e s s a t e o r i a p o d i a e de f a t o r e a l m e n t e p r o porcionou um paradigma c o m u m para a pesquisa de ! u m a g e r a ç ã o s u b s e q ü e n t e de "eletricistas". da Química antes de Boyle e B o e r h a a v e e da Geologia Histórica antes de H u t t o n — e m b o r a isso envolva de minha parte o emprego continuado de simp l i f i c a ç õ e s infelizes q u e r o t u l a m u m e x t e n s o e p i s ó d i o histórico c o m um único nome. c o m o a M e d i c i n a . Em partes da Biologia — por exemplo.

2 0 3 ) . d a m i n e r a ç ã o e a s s i m p o r d i a n t e . d i z : " A á g u a l i g e i r a m e n t e m o r n a g e l a m a i s r a p i d a m e n t e d o q u e a t o t a l m e n t e fria*'.-. É m b o r * esta espécie de coleta de fatos tenha sido essencial p a r a a o r i g e m d e m u i t a s c i ê n c i a s significativas. E s s e efeito p a r e c i a m e c â nico e n ã o elétrico. Apenas muito ocasionalmente. q u e hoje em dia não temos condição alguma de confirmar. por exemplo.. quase nenhuma das primeiras "histórias" da eletricidade m e n c i o n a m que o farelo. as histórias naturais just a p õ e m freqüentemente descrições como as mencionadas acima como outras de. EUis e D . H e a t h ( N o v a Y o r k . fatos c o l e t a d o s c o m tão pouca orientação por parte de teorias preestabele4 3 6 4 . ver M A R S H A L L C L A GETT. d e s c o b r i r á q u e ela p r o d u z u m a s i t u a ç ã o d e p e r p l e x i d a d e . j á q u e o s ofícios são u m a fonte facilmente acessível de fatos q u e n ã o p o d e r i a m ter sido descobertos casualmente. M a s j u s t a p õ e m fatos. LO aparecimento do trabalho mencionado na última dessas citações é que os efeitos repulsivos foram reconhecidos c o m o inequivocamente elétricos. VIII de The Works of Francls Bacon. pp. Ciovanni Marliani and Late Medieval Physics (Nova York. p p 1 7 9 . algumas das quais recônditas. A l é m do mais. J. estão repletas de informações. q u e mais t a r d e d e m o n s t r a r ã o ser r e v e l a d o r e s ( p o r e x e m p l o . D e c e r t o m o d o h e s i t a . op. Somente depois . atraído por um bastão de vidro coberto de borrac h a .. V. 28 e 4 3 . d o v e n t o . c o m o no caso da Estática. p p . o a q u e c i m e n t o por m i s t u r a ) . P a r a u m a a p r e s e n t a ç ã o parcial da história inicial dessa estranha observação. é r e p e l i d o n o v a m e n t e . D . ROLLER & ROILER. aquecimento por antiperístase ( o u por esfriamento). 22. C o m p a r e . Spedding. os escritos enciclopédicos de Plínio ou as Histórias Naturais de Bacon. d a c o r .s e e m c h a m a r d e científica a literatura resultante. 1 8 6 9 ) . 2 3 5 . As "histórias" baconianas do calor. ed. cit. 6 . Din â m i c a e Ó p t i c a G e o m é t r i c a a n t i g a s . 3 3 7 . Por exemplo. a H i s t ó r i a N a t u r a l t í p i ca omite c o m freqüência de seus relatos imensamente circunstanciais e x a t a m e n t e aqueles detalhes q u e cientistas p o s t e r i o r e s c o n s i d e r a r ã o f o n t e s d e i l u m i n a ç õ e s importantes. A l é m disso. 14. digamos. q u a l q u e r pessoa que examinar. I V . visto que o coletor de dados casual raramente possui o t e m p o ou os instrumentos p a r a ser crítico. cit. Cap. op. L .tal n o s u r g i m e n t o d e n o v a s c i ê n c i a s . R . 5 . B A C O N . visto q u e q u a l q u e r d e s c r i ç ã o t e m q u e ser p a r c i a l . 1941). c o m outros (o calor dos m o n t e s de estéreo) que continuarão demasiado complexos para serem integrados na t e o r i a .s e o e s b o ç o d e u m a h i s t ó r i a n a t u r a l d o c a l o r n o Novum Organum de B A C O N .

N e n h u m a H i s t ó r i a N a t u r a l p o d e ser i n t e r p r e t a d a n a ausência de pelo m e n o s algum c o r p o implícito de crenças metodológicas e teóricas interligadas que permita a s e l e ç ã o . O f r u t o i m e d i a t o de s e u s e s f o r ç o s foi a G a r r a f a d e L e y d e n . E n t r e t a n t o . É surpreendente (e talvez t a m b é m único. Os e l e t r i c i s t a s q u e c o n s i d e r a v a m a eletricidade um fluido. u m artifício q u e n u n c a p o d e r i a ter s i d o d e s c o b e r t o p o r a l g u é m q u e explorasse a natureza fortuitamente ou ao acaso. m u i t o s d e l e s c o n c e b e r a m a idéia de e n g a r r a f a r o fluido e l é t r i c o . ROL. As divergências realmente desaparecem ^em grau considerável e então. Se esse c o r p o de c r e n ças já n ã o está implícito na coleção de fatos — q u a n d o então temos à disposição mais do que "meros fatos" — p r e c i s a ser s u p r i d o e x t e r n a m e n t e . A l é m disso. pelo m e n o s p o r dois investigadores n o início d a d é c a d a de 1 7 4 0 . pp. que m a l e mal p o d i a d a r c o n t a d a c o n h e c i d a m u l t i p l i c i d a d e d e efeitos de a t r a ç ã o e r e p u l s ã o . e p o r isso d a v a m u m a ênfase especial à c o n d u ç ã o . enfatizava apenas alguma parte especial do conjunto de informações d e m a s i a d o n u m e r o s o e i n c o a t i v o . a qual. p r o p o r c i o n a m um exemplo típico excelente. devido a suas próprias crenças e preconceitos característicos. . t a l v e z p o r u m a metafísica em voga. d a d a a proporção em que ocorrem) q u e t a i s d i v e r g ê n c i a s iniciais p o s s a m e m g r a n d e p a r t e desaparecer nas áreas q u e c h a m a m o s ciência. aparentemente. por outra ciência ou por um acidente pessoal e histórico. e s t e artifício foi d e s e n v o l v i d o i n d e p e n d e n t e m e n t e . Q u a s e desde o começo de suas pesquisas elétricas. de u m a vez por todas. h o m e n s diferentes confrontados c o m a m e s ma g a m a de fenômenos — m a s em geral n ã o c o m os m e s m o s f e n ô m e n o s p a r t i c u l a r e s — os d e s c r e v a m e i n t e r pretem de maneiras diversas. 51-54. clt.cidas falam c o m suficiente clareza p a r a permitir o surgimento de um primeiro paradigma. Op. Franklin estava especialmente interes7 7. N ã o é de admirar q u e nos primeiros estágios do desenvolvimento de q u a l q u e r ciência. C o n d u z i d o s por essa crença.LER & ROLLER. em geral seu d e s a p a r e c i m e n t o é caus a d o pelo triunfo de u m a d a s escolas pré-paradigmáticas. • As escolas características dos primeiros estágios do desenvolvimento de u m a ciência criam essa situação. a v a l i a ç ã o e a c r í t i c a .

E s t e sug e r i a as e x p e r i ê n c i a s q u e v a l e r i a m a p e n a ser feitas e as q u e n ã o t i n h a m interesse. a p e s a r d e e s t e ser ainda incapaz de explicar todos os casos conhecidos d e r e p u l s ã o e l é t r i c a . p p . o p a r a d i g m a realizou esta tarefa b e m m a i s eficientemente do q u e a teoria do fluido elét r i c o .4 9 4 e 9. E n t r e t a n t o . esotérico e extenuante. proporcionando provas p a r a u m a versão societária d o agudo dito metodológico de Francis Bacon: "A ver8 9 8. . 331-543. Em 1 7 5 9 .5 4 6 . 4 9 1 . 5 4 8 . M a s os debates sobre este assunto apenas confirmaram o que foi dito a c i m a a respeito da m a n e i r a c o m o u m a realização universalmente aceita u n e a profissão. Deve-se notar que a aceitação da teoria de Franklin n ã o terminou c o m todo o debate. Robert Symmer propôs u m a versão dessa teoria q u e envolvia dois fluidos e por muitos anos os eletricistas estiveram divididos a respeito da questão de se a eletricidade compunha-se de um ou dois fluidos.s e b e m mais detalhadamente de fenômenos selecionados. p p . e m b o r a c o n t i n u a s s e m divididos a esse respeito. projetando e q u i p a m e n t o s especiais p a r a a tarefa e e m pregando-os mais sistemática e obstinadamente do q u e j a m a i s f o r a feito a n t e s . em conseqüência. o p a r a d i g m a d e F r a n k l i n fez m a i s t a r d e p o r t o d o o g r u p o d o s eletricistas. Livre da p r e o c u p a ç ã o c o m todo e qualquer fenômeno elét r i c o . O sucesso na explicação p r o p o r c i o n o u o a r g u m e n t o m a i s efetivo p a r a a t r a n s f o r m a ç ã o d e s u a t e o r i a e m p a r a d i g m a .. concluíram rapidamente que nenhum teste experimental poderia distinguir as duas versões da teoria e portanto d a s e r a m equivalentes. O r e n d i m e n t o e a eficiência da pesquisa elétrica aumentaram correspondentemente. T a n t o a a c u m u l a ç ã o d e f a t o s c o m o a articulação da teoria tornaram-se atividades a l t a m e n t e o r i e n t a d a s . op. Os eletricistas. problemático era a A esse respeito ver m ú t u a repulsão de c o r p o s carreC O H E N . u m a teoria deve parecer melhor que suas competidor a s . A q u i l o q u e a t e o r i a d o f l u i d o e l é t r i c o fez p e l o s u b g r u p o q u e a d e f e n d e u . O caso mais gados negativamente. ambas escolas puderam realmente explorar todos os b e n e f í c i o s o f e r e c i d o s p e l a t e o r i a d e F r a n k l i n (Ibld. tão revelador aparelho. o g r u p o u n i f i c a d o d o s eletricistas p ô d e o c u p a r .s a d o em explicar aquele estranho e.. cit. m a s n ã o p r e c i s a ( e d e f a t o isso n u n c a a c o n t e c e ) e x p l i c a r t o d o s o s f a t o s c o m o s q u a i s p o d e ser c o n frontada. por serem dirigidas a m a nifestações de eletricidade secundárias ou m u i t o c o m plexas. 5 4 3 . D e p o i s disso. P a r a ser a c e i t a c o m o p a r a d i g m a .5 5 4 ) . e m p a r t e p o r q u e o fim d o d e b a t e e n t r e a s e s c o l a s d e u u m fim à r e i t e r a ç ã o c o n s t a n t e d e f u n d a m e n t o s e em parte p o r q u e a confiança de estar no c a m i n h o certo encorajou os cientistas a e m p r e e n d e r trabalhos de um tipo mais preciso.

Ou pensemos na continuação. c o m a e x c e ç ã o do Sr. p. algumas vezes é simplesmente a recepção d e u m paradigma q u e transforma n u m a profissão o u pelo m e n o s n u m a disciplina u m g r u p o q u e anteriorm e n t e interessava-se p e l o estudo da natureza. H i s t o r i c a m e n t e . em Criticai Problems in the History oi Science. C o m o s u g e r e m essas indicações. I S P I E e m " T h e Encyclopédie a n d t h e J a c o b i n P h t l o s o p h y o f S c i e n c e : A S t u d y in I d e a s a n d C o n s e q u e n c e s " . No próximo capítulo examinaremos a natureza dessa pesquisa precisamente orientada ou baseada em paradigma. BACON. N a s ciências ( e m b o r a n ã o em c a m p o s c o m o a Medicina. G I L I . pp. 323-338. — seu discípulo e a l u n o m a i s i m e d i a t o " ( M A X F A R R A N D ( e d . XXXVII (1956). " v i v e u o b a s t a n t e p a r a c h e g a r a ser o último m e m b r o de sua seita. M a r s h a l l C l a g e t t ( M a d i s o n . m a s antes indicaremos brevemente c o m o a emergência de um p a r a d i g m a afeta a estrutura do grup o q u e atua nesse c a m p o . Frankíin assinala q u e Nollet. a f u n d a ç ã o de s o c i e d a d e s de e s p e c i a l i s t a s e a reivindicação de um lugar especial nos currículos de 1 0 1 1 10.8 9 . 2 5 5 . Seu desaparecimento é em parte causado pela conversão de seus adeptos ao novo paradigma. B. as escolas mais antigas c o m e ç a m a desaparecer gradualmente. XI. Kelvin e o u t r o s . ) . p o r e x e m p l o . são simplesmente excluídos da profissão e seus trabalhos são ignorados^ O n o v o p a r a d i g m a implica u m a definição nova e mais rígida do c a m p o de estudos. q u e t ê m a s u a raison d'être n u m a necessidade social e x t e r i o r ) a criação de jornais espec i a l i z a d o s . M a s sempre existem alguns que se aferram a u m a ou outra das concepções mais antigas. a T e c n o l o g i a e o D i r e i t o . E s s a tradição é discutida por C H A R L E S C. que fora u m a parte integral da A s t r o n o m i a . pela primeira vez n o desenvolvimento d e u m a ciência d a natureza. 1949]. que era o m a i s influente d o s eletricistas e u r o p e u s n a m e t a d e d o s é c u l o . Aqueles q u e n ã o desejam o u n ã o s ã o c a p a z e s d e a c o m o d a r s e u t r a b a l h o a ele t ê m que proceder isoladamente ou unir-se a algum g r u p o . A história da eletricidade proporciona um excelente exemplo que p o d e r i a ser d u p l i c a d o a partir das carreiras de Priestley. M a i s interessante é o fato de escolas inteiras terem sobrevivido isoladas da ciência profissional. Califórnia. Beniamin Franklin's Memoirs [Berkeley. u m i n d i v í d u o o u g r u p o p r o d u z u m a síntese c a p a z d e a t r a i r a maioria d o s praticantes de ciência da geração seguinte. de u m a tradição anteriormente respeitada de Q u í m i c a •'romântica". tais pessoas t ê m freqüentemente p e r m a n e c i d o e m d e p a r t a m e n t o s d e Filosofia. Op. W i s c o n s i n . d o s q u a i s t ê m b r o t a d o tantas ciências especiais. p p . o c a s o da Astrologia. . e m Archives internam tionales d'htstoire des sclences. Consideremos. cit. durante o fim do século X V I I I e c o m e ç o do X I X . pp. e d . 210. o " T h e F o r m a t i o n o f L a m a r c k ' s E v o l u t i o n a r y T h e o r y " .d a d e surge mais facilmente do erro do q u e da confusão". 1 9 5 9 ) . g u a n d o . 384-86).

De u m a maneira regular.estudo. o cientista criador p o d e começar' suas pesquisa onde o -manual a interrompe e desse m o d o concentrar-se exclusivamente nos aspectos m a i s sutis e e s o t é r i c o s d o s f e n ô m e n o s n a t u r a i s q u e p r e o c u p a m o g r u p o . O c i e n t i s t a q u e e s c r e v e u m livro t e m mais p r o b a b i l i d a d e s de ver sua r e p u t a ç ã o comprometida do que aumentada. _^ A d e f i n i ç ã o m a i s e s t r i t a d e g r u p o científico t e m outras conseqüências. anteriores ao p a r a d i g m a . c o m ou sem o artigo. . h á século e meio atrás. sobre a Eletricidade de F r a n k l i n ou a Origem das Espécies de D a r w i n . / M a s . . mantém-se c o m o um veículo p a r a a . s e u s relatórios de pesquisa c o m e ç a r ã o a m u d a r . dirigidos apenas aos colegas de profissão. E m v e z d i s s o . de tentar construir seu c a m p o de estudos c o m e ç a n d o pelos primeiros princípios e justificando o uso de c a d a conceito introduzido. É somente naquelas áreas em que o livro. m a s cujos r e s u l t a d o s finais m o d e r n o s s ã o ó b v i o s p a r a todos e opressivos para muitos. nos seus trabalhos mais importantes. q u e e r a m d i r i g i d o s a t o dos o s possíveis interessados n o objeto d e e s t u d o d o c a m p o e x a m i n a d o . a p a r e c e r ã o s o b a forma de artigos breves. têm geralmente estado associadas c o m o m o mento em que um g r u p o aceita pela primeira vez um p a r a d i g m a ú n i c o . q u a n do a parafernália de especializações adquiriu prestígio p r ó p r i o . durante o período q u e vai desde o desenvolvimento de um p a d r ã o institucional de esp e c i a l i z a ç ã o científica a t é a é p o c a m a i s r e c e n t e . Suas pesquisas já n ã o s e r ã o h a b i t u a l m e n t e i n c o r p o r a d a s a l i v r o s c o m o Experiências. seguindo tipos de evolução q u e t ê m sido muito p o u c o estudados. d a d o o m a n u a l . N a m e d i d a e m q u e fizer i s s o . n ã o tem mais necessidade. o livro possuía a m e s m a relação c o m a realização profissional q u e ainda conserva em outras áreas abertas à criativid a d e . H o j e em dia os livros científicos são g e r a l m e n t e ou manuais o u reflexões retrospectivas sobre u m o u o u t r o a s p e c t o d a v i d a científica. ( Q u a n d o u m cientista p o d e considerar um p a r a d i g m a c o m o certo. P e l o m e n o s foi isso q u e o c o r r e u . h o m e n s q u e certamente c o n h e c e m o p a r a d i g m a partilhado e q u e d e m o n s t r a m ser os únicos c a p a z e s de ler os e s c r i t o s a eles e n d e r e ç a d o s . Isso p o d e ser deixado p a r a os autores de m a n u a i s . s o m e n t e n o s primeiros estágios do desenvolvim e n t o das ciências.

c o m u n i c a ç ã o das pesquisas q u e as linhas de profissionalização permanecem ainda muito tenuemente traçad a s . S o m e n t e n e s s e s .casos p o d e o l e i g o e s p e r a r m a n t e r se a p a r d o s progressos realizados f a z e n d o a leitura d o s relatórios originais d o s especialistas. T a n t o n a M a temática c o m o na Astronomia, já na Antigüidade os r e l a t ó r i o s d e p e s q u i s a s d e i x a r a m d e ser inteligíveis p a r a u m auditório d o t a d o d e cultura geral. N a D i n â m i c a , a p e s q u i s a t o r n o u - s e i g u a l m e n t e e s o t é r i c a n o s fins d a I d a d e M é d i a , r e c a p t u r a n d o sua inteligibilidade mais generalizada apenas por um breve período, d u r a n t e o início d o século X V I I , q u a n d o u m novo paradigma substituiu o q u e havia guiado a pesquisa medieval. rA pesq u i s a e l é t r i c a c o m e ç o u a exigir u m a t r a d u ç ã o p a r a l e i g o s n o fim d o s é c u l o X V I I I . M u i t o s o u t r o s c a m p o s d a c i ê n c i a física d e i x a r a m d e ser acessíveis n o s é c u l o X I X . D u r a n t e esses m e s m o s dois séculos transições similares p o d e m ser identificadas nas diferentes áreas d a s ciências biológicas. P o d e m muito b e m estar ocorrendo hoje, em d e t e r m i n a d o s setores d a s ciências sociais. E m bora se tenha tornado costumeiro (e certamente aprop r i a d o ) l a m e n t a r o h i a t o c a d a vez m a i o r q u e s e p a r a o cientista profissional de seus colegas de o u t r a s disciplinas, pouca atenção tem sido prestada à relação essencial entre aquele hiato e os mecanismos intrínsecos a o p r o g r e s s o científico. Desde a Antigüidade um campo de estudos após o o u t r o t e m c r u z a d o a divisa entre o q u e o historiador p o d e r i a c h a m a r de sua pré-história c o m o ciência e sua história p r o p r i a m e n t e dita. Essas transições à maturid a d e raramente têm sido tão repentinas ou tão inequívocas c o m o minha discussão necessariamente esquemática p o d e ter d a d o a entender. M a s t a m p o u c o f o r a m h i s t o r i c a m e n t e g r a d u a i s , isto é , c o e x t e n s i v a s c o m o desenvolvimento total dos campos de estudo em que ocorreram. Os que escreveram sobre a eletricidade durante as primeiras décadas do século X V I I I possuíam m u i t o mais informações sobre os fenômenos elétricos q u e seus predecessores d o século X V I . P o u c o s fenôm e n o s elétricos foram acrescentados a seus conhecim e n t o s d u r a n t e o meio século posterior a 1 7 4 0 . Apesar disso, em pontos importantes, a distância parece maior entre os trabalhos sobre a eletricidade de Cavendish, C o u l o m b e Volta (produzidos nas três últimas décadas

do século X V I I I ) e os de Gray, Du F a y e m e s m o F r a n k l i n ( i n í c i o d o m e s m o s é c u l o ) , d o q u e e n t r e esses ú l t i mos e os do século X V I . Em algum m o m e n t o entre 1 7 4 0 e 1 7 8 0 , os eletricistas t o r n a r a m - s e capazes d e , pela primeira vez, dar por estabelecidos os fundamentos de seu c a m p o de estudo. D a í p a r a a frente orientaram-se para problemas mais recônditos e concretos e passaram cada vez mais a relatar os resultados de seus t r a b a l h o s em artigos e n d e r e ç a d o s a outros eletricistas, a o invés d e e m livros endereçados a o m u n d o instruído em geral. A l c a n ç a r a m , c o m o grupo, o que fora obtido p e l o s a s t r ô n o m o s n a A n t i g ü i d a d e , ;pelos e s t u d a n t e s d o movimento na I d a d e Média, pela Óptica Física no século X V I I e pela Geologia Histórica nos princípios do século X I X . E l a b o r a r a m um paradigma capaz de orient a r a s p e s q u i s a s d e t o d o o g r u p o . ÍSe n ã o s e t e m o poder de considerar os eventos retrospectivamente, torn a - s e difícil e n c o n t r a r o u t r o c r i t é r i o q u e r e v e l e t ã o c l a ramente que um c a m p o de estudos tornou-se u m a ciência.J
1 2

12. Os desenvolvimentos posteriores a Franklin incluem um aumento enorme na sensibilidade dos detectores de carga, as primeiras técnicas dignas de confiança e largamente difundidas para medir as cargas, a e v o lução do conceito de capacidade e sua relação c o m a n o ç ã o de tensão elétrica, q u e fora recentemente refinada e ainda a quantificação da força eletrostática. C o m respeito a todos esses pontos, consulte-se R O L L E R &
ROLLER,

Science,

tion

of

op.

(Leipzig,

I

Electric

cit.,

pp.

1884),

(1936),

Parte I, Caps. III-IV.

pp.

Charges

66-81;

66-100;

in

W .

e

the

C.

WALKER,

EDMUND

Eighteenth

"The

HOPPE,

Century",

Detection

Gesc/iichte

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and

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Annals

Estima-

Eletrizitã\

oi

2.

A NATUREZA DA CIÊNCIA N O R M A L

Q u a l é então a natureza dessa pesquisa mais especializada e esotérica permitida pela aceitação de um paradigma único por parte de um grupo? Se o parad i g m a r e p r e s e n t a u m t r a b a l h o q u e foi c o m p l e t a d o d e u m a vez por todas, que outros problemas deixa para s e r e m r e s o l v i d o s p e l o g r u p o p o r ele u n i f i c a d o ? E s s a s questões parecerão ainda mais urgentes se observarmos u m aspecto n o q u a l o s t e r m o s utilizados até a q u i podem,., ser enganadores. No seu uso estabelecido, um p a r a - 1 d i g m a é um m o d e l o ou p a d r ã o aceitos. E s t e aspecto ) d e s e u s i g n i f i c a d o p e r m i t i u - m e , n a falta d e t e r m o m e lhor, servir-me dele aqui. M a s d e n t r o e m p o u c o ficará claro que o sentido de " m o d e l o " ou " p a d r ã o " não é

o m e s m o q u e o h a b i t u a l m e n t e e m p r e g a d o na definição d e " p a r a d i g m a " . P o r e x e m p l o , n a G r a m á t i c a , "amo, amas, amat" é um p a r a d i g m a p o r q u e a p r e s e n t a um p a d r ã o a ser u s a d o n a c o n j u g a ç ã o d e u m g r a n d e n ú m e r o de outros verbos latinos — p a r a produzir, entre o u t r o s , "laudo, laudas, laudat". N e s t a a p l i c a ç ã o c o s t u m e i r a , o p a r a d i g m a f u n c i o n a ao p e r m i t i r a r e p r o d u ç ã o de exemplos, cada um dos quais poderia, em princípio, substituir aquele. P o r o u t r o lado, na ciência, um p a r a d i g m a r a r a m e n t e é suscetível de r e p r o d u ç ã o . T a l c o m o u m a decisão judicial aceita no direito costumeiro, o p a r a d i g m a é um o b j e t o a ser m e l h o r a r t i c u l a d o e p r e cisado em condições novas ou mais rigorosas. P a r a q u e s e c o m p r e e n d a c o m o isso é p o s s í v e l , d e v e m o s r e c o n h e c e r q u e u m p a r a d i g m a p o d e ser m u i t o l i m i tado, tanto no âmbito c o m o na precisão, q u a n d o de sua primeira aparição. Os paradigmas adquirem seu status p o r q u e s ã o m a i s b e m s u c e d i d o s q u e s e u s c o m petidores na resolução de alguns problemas q u e o grup o d e c i e n t i s t a s r e c o n h e c e c o m o g r a v e s . C o n t u d o , ser b e m s u c e d i d o n ã o significa n e m ser t o t a l m e n t e b e m s u cedido com um único problema, nem notavelmente b e m sucedido c o m um g r a n d e n ú m e r o . De início, o suc e s s o de um p a r a d i g m a — seja a a n á l i s e a r i s t o t é l i c a do movimento, os cálculos ptolomaicos das posições planetárias, o e m p r e g o da b a l a n ç a p o r Lavoisier ou a matematização do c a m p o eletromagnético por Maxwell — é, em grande parte, u m a promessa de sucesso q u e p o d e ser d e s c o b e r t a e m e x e m p l o s s e l e c i o n a d o s e a i n d a incompletos. A ciência n o r m a l consiste na atualização dessa promessa, atualização q u e se o b t é m ampliando-se o c o n h e c i m e n t o daqueles fatos q u e o p a r a d i g m a a p r e senta c o m o particularmente relevantes, aumentando-se a c o r r e l a ç ã o e n t r e esses fatos e a s p r e d i ç õ e s d o p a r a digma e articúlando-se ainda mais o próprio paradigma. Poucos dos que não trabalham realmente com u m a ciência amadurecida dão-se conta de q u a n t o trabalho de limpeza desse tipo resta por fazer d e p o i s do estabelecimento do p a r a d i g m a ou de q u ã o fascinante é a e x e c u ç ã o d e s s e t r a b a l h o . E s s e s p o n t o s p r e c i s a m ser b e m compreendidos. A maioria dos cientistas, d u r a n t e toda a sua carreira, ocupa-se c o m operações de limpeza. E l a s constituem o q u e c h a m o de ciência n o r m a l . E x a m i n a d o d e p e r t o , seja h i s t o r i c a m e n t e , seja n o l a b o -

[

r a t ó r i o c o n t e m p o r â n e o , esse e m p r e e n d i m e n t o p a r e c e ser u m a tentativa de forçar a natureza a encaixar-se d e n t r o dos limites preestabelecidos e relativamente inflexíveis f o r n e c i d o s p e l o p a r a d i g m a . A c i ê n c i a n o r m a l n ã o t e m c o m o objetivo trazer à tona n o v a s espécies de fenômeno; na verdade, aqueles que n ã o se ajustam aos limites d o p a r a d i g m a freqüentemente n e m s ã o vistos. O s cientistas t a m b é m n ã o estão constantemente p r o curando inventar novas teorias; freqüentemente mostram-se intolerantes c o m aquelas inventadas por out r o s . E m v e z d i s s o , a p e s q u i s a científica n o r m a l e s t á dirigida p a r a a articulação daqueles fenômenos e teorias já fornecidos pelo p a r a d i g m a . T a l v e z essas características sejam defeitos. As áreas investigadas pela ciência n o r m a l são certamente m i n ú s c u l a s ; ela r e s t r i n g e d r a s t i c a m e n t e a v i s ã o d o c i e n tista. M a s essas restrições, nascidas da confiança no p a r a d i g m a , revelaram-se essenciais p a r a o desenvolvim e n t o d a c i ê n c i a . A o c o n c e n t r a r a a t e n ç ã o n u m a faixa de problemas relativamente esotéricos, o p a r a d i g m a força os cientistas a investigar a l g u m a parcela da n a tureza com u m a profundidade e de u m a maneira tão d e t a l h a d a que de o u t r o m o d o seriam inimagináveis. E a ciência n o r m a l possui um m e c a n i s m o interno q u e assegura o relaxamento das restrições que limitam a pesquisa, toda vez que o p a r a d i g m a do qual derivam deixa de funcionar efetivamente. Nessa altura os cientistas com e ç a m a c o m p o r t a r - s e de m a n e i r a d i f e r e n t e e a n a t u reza dos problemas de pesquisa m u d a . No intervalo, ent r e t a n t o , d u r a n t e o q u a l o p a r a d i g m a foi b e m s u c e d i d o , os m e m b r o s da profissão terão resolvido problemas q u e m a l p o d e r i a m t e r i m a g i n a d o e cuja s o l u ç ã o n u n c a t e r i a m empreendido sem o comprometimento com o paradigma. E pelo m e n o s parte dessas realizações sempre d e m o n s t r a ser p e r m a n e n t e . P a r a mostrar mais claramente o que entendemos por pesquisa normal ou baseada em paradigma, tentarei a g o r a classificar e i l u s t r a r o s p r o b l e m a s q u e c o n s t i t u e m essencialmente a ciência normal. Por conveniência, adio o e s t u d o da atividade teórica e c o m e ç o c o m a coleta de f a t o s , isto é , c o m a s e x p e r i ê n c i a s e o b s e r v a ç õ e s d e s c r i 1

I. BARBER, B e m a r d . Resistance by Scientists to Science, C X X X I V , p p . 5 9 6 - 6 0 2 (1961).

Scientific

Discovery.

n ã o p o r causa da novidade de suas descobertas. As tentativas de a u m e n t a r a acuidade e e x t e n s ã o d e n o s s o c o n h e c i m e n t o s o b r e esses f a t o s o c u p a m u m a f r a ç ã o significativa d e l i t e r a t u r a d a c i ê n cia experimental e da observação. equipamento e dinheiro. N u m a é p o c a o u n o u t r a . mas pela precisão. n u m a variedade maior de situações. M u i t a s vezes. alguns cientistas adquiriram grandes reputações. através das quais os cientistas informam seus colegas d o s resultados de suas pesquisas em curso. c o m p l e xos aparelhos especiais t ê m sido projetados p a r a tais fins. Ao empregá-los na resolução de p r o b l e m a s . A i n v e n ç ã o . t e m o s a q u e l a classe d e f a t o s q u e o p a r a d i g m a m o s t r o u ser p a r t i c u l a r m e n t e r e v e l a d o r a d a n a t u r e z a d a s coisas. as f ó r m u l a s e s t r u t u r a i s e as a t i v i dades ópticas. Os síncrotrons e os radiotelescópios são apenas os e x e m plos mais recentes de até o n d e os investigadores estão d i s p o s t o s a ir.tas nas revistas técnicas. p o r é m mais restrita. e s s a s d e t e r m i n a ç õ e s significativas d e fatos i n c l u í r a m : na A s t r o n o m i a — a p o s i ç ã o e m a g n i tude d a s estrelas. p o n t o s d e e b u l i ç ã o e a a c i d e z d a s s o l u ç õ e s . O. De T y c h o B r a h e até E. o paradigma tornou-os merecedores de u m a determinação mais precisa. P e n s o *que e x i s t e m a p e n a s t r ê s f o c o s n o r m a i s p a r a a i n v e s t i g a ç ã o científica d o s fatos e eles n ã o s ã o n e m sempre n e m p e r m a n e n t e m e n t e distintos. na F í s i c a — as g r a v i d a d e s e as compressibilidades específicas dos materiais. d e fatos a s e r e m d e t e r m i n a d o s d i z r e s p e i t o à q u e l e s f e n ô m e - . L a w r e n c e . segurança e alcance dos m é todos que desenvolveram visando à redeterminação de c a t e g o r i a d e fatos a n t e r i o r m e n t e c o n h e c i d a . a l é m de muito t e m p o e um respaldo financeiro considerável. a c o n s t r u ç ã o e o a p e r f e i ç o a m e n t o d e s ses aparelhos exigiram talentos de p r i m e i r a o r d e m . na Q u í m i c a — os p e sos d e c o m p o s i ç ã o e c o m b i n a ç ã o . s e u m p a r a d i g m a o s a s s e g u r a r d a i m p o r tância dos fatos q u e pesquisam. De que aspectos da natureza tratam geralm e n t e esses r e l a t ó r i o s ? O q u e d e t e r m i n a s u a s e s c o l h a s ? E . os p e r í o d o s d a s eclipses d a s estrelas d u p l a s e d o s p l a n e t a s . E m primeiro l u g a r . o que m o tiva o cientista a perseguir essa escolha até u m a c o n clusão?. condutividades elétricas e potenciais de c o n t a t o . d a d o q u e a m a i o r i a d a s o b s e r v a ç õ e s científicas c o n somem muito tempo. c o m p r i m e n tos de o n d a e intensidades espectrais. U m a s e g u n d a classe usual.

ver A B R A H A M W O L F . 1 9 5 2 ) . e C. estabelecer um índice de verificação adicional: o deslocamento gravitacional da radiação de Mossbauer. f r e q ü e n t e m e n t e r e q u e r a p r o x i m a ç õ e s t e ó r i c a s e i n s trumentais que limitam severamente a concordância a ser e s p e r a d a . of the Free Neu- . m e s m o nas áreas o n d e a aplicação é possível. F o i possível. projetado p a r a a exist ê n c i a do n e u t r i n o — esses a p a r e l h o s e s p e c i a i s e m u i t o s outros semelhantes ilustram o esforço e a engenhosid a d e imensos que foram necessários p a r a estabelecer um a c o r d o c a d a vez mais estreito entre a n a t u r e z a e a teoria. O ú n i c o índice de verificação c o n h e c i d o de há m u i t o e ainda geralm e n t e a c e i t o é a precessão do p e r i é l i o de M e r c ú r i o . 1958). L . and Philorophy in the Eighteenth Cenlury ( 2 . Technology. Science. . Para a máquina d e A t w o o d . N o q u e t o c a aos telescópios d e paralaxe. N. medições desse último f e n ô m e n o permanecem equívocas. I. Telescópios especiais p a r a demonstrar a paralaxe anual predita por Copérnico. pp. L. Q u a n t o aos dois ú l t i m o s tipos d e aparelhos especiais. de VAcadémie des sciences. R. Para u m a apresentação resumida e atualizada do problema. ver M . De qualquer m o d o .nos q u e . CXXIV. e o m e s m o p a r e c e possível para a curvatura d a luz e m t o m o d o Sol. XXX trino: (1850). pp.2 0 8 . C o m o veremos em breve. 1 0 3 . 551-560. Physics 3 . u m p o n t o atualmente em discussão.. o aparelho de Foucault para mostrar q u e a velocidade da luz é m a i o r no ar do q u e na á g u a . ou o gigantesco m e d i d o r de cintilações. 100-102. p a r a f o r n e c e r a p r i m e i r a d e m o n s t r a ç ã o i n e q u í v o c a d a s e g u n d a lei d e N e w ton. Confirmation. pp. quando passamos dos problemas experimentais aos p r o b l e m a s teóricos da ciência n o r m a l . Today..1 0 5 . p p . A pp. A p e r f e i ç o a r o u e n c o n t r a r n o v a s á r e a s n a s q u a i s a c o n c o r d â n c i a p o s s a ser d e m o n s t r a d a c o l o c a u m d e s a f i o c o n s t a n t e à h a b i l i d a d e e à i m a g i n a ç ã o do o b servador e experimentador. A t é agora n ã o mais d o q u e três dessas áreas são acessíveis à T e o r i a G e r a l d a R e l a t i v i d a d e d e E i n s t e i n . ver L.. XIV. 103-104 Detection (1956). F O U C A U L T . a máquina de Atwood. et al. COWAN. S C H I F F .. A m u d a n ç a para o v e r m e l h o no espectro de luz das estrelas distantes pode ser derivada de c o n s i d e r a ç õ e s m a i s elementares do q u e a relatividade geral. Jr. . e m b o r a freqüentemente sem muito interesse int r í n s e c o . A l é m disso. m a s adormecido de há muito. Londres. ver 2 0 7 . A History of Science. M é t h o d e . p o d e m ser d i r e t a m e n t e c o m p a r a d o s c o m a s predições da teoria do paradigma. Palterns of Discovery (Cambridge.générale p o u r mesurer la vitesse de la lumière dans Tair et les m i l i e u x transparents. 42-48 (1961). E s t a tentativa de d e m o n s t r a r esse a c o r d o re2 3 2. especialmente se é expressa n u m a forma predominantemente m a t e m á tica. r a r a m e n t e enc o n t r a m o s á r e a s n a s q u a i s u m a t e o r i a científica p o d e ser diretamente comparada c o m a natureza. Talvez em breve tenhamos outros índices neste c a m p o atualmente ativo. em Comptes rendus. HANSON. V i t e s s e s relatives de la l u m i è r e d a n s l'air et dans r e a u . . A Report on the N A S A C o n f e r e n c e o n E x p e r i m e n t a l T e s t s o f T h e o r i e s o f R e l a t i v i t y . mais recentemente. ed. inventada pela primeira vez quase u m s é c u l o d e p o i s d o s Principia.

H . em todas as posições do universo. C o n s i s t e n o t r a b a l h o e m p í r i c o e m p r e e n d i d o p a r a articular a teoria do paradigma. 1910-11). e d .presenta um segundo tipo de trabalho experimental normal que depende do paradigma de u m a maneira ainda mais óbvia do que o primeiro tipo m e n c i o n a d o . E s s a classe revela-se a mais i m p o r t a n t e de todas e p a r a descrevê-la é necessário s u b dividi-la. p o r e x e m p l o . resolvendo algum a s de suas ambigüidades residuais e permitindo a sol u ç ã o d e p r o b l e m a s p a r a o s q u a i s ela a n t e r i o r m e n t e s ó tinha c h a m a d o a atenção. e assim por d i a n t e . P o r e x e m p l o . na última década do século X V I I I . a b u s c a d e v a l o r e s m a i s p r e c i s o s p a r a a constante gravitacional t e m sido objeto de repetidos esforços de n u m e r o s o s experimentadores de primeira qualidade. A exist ê n c i a d e u m p a r a d i g m a c o l o c a o p r o b l e m a a ser r e s o l vido. a s m e d i ç õ e s feitas c o m a m á q u i n a d e A t w o o d n ã o t e r i a m q u a l q u e r significado. a constante da gravitação universal. J . Encyclopedia Brltannica ( 1 1 . de carga elétrica. ' P o u c o s desses c o m plexos esforços teriam sido concebidos e n e n h u m teria 4 4 . n o r m a l . d o coeficiente d e J o u l e . D e s d e e n t ã o . Outros exemplos de trabalhos do mesmo tipo incluiriam determinações da unidade astronômica. N a s ciências m a i s m a t e m á t i c a s . X I I . a o b r a de N e w t o n indicava que a força entre d u a s unidades de massa a u m a u n i d a d e de distância seria a m e s ma p a r a todos os tipos de matéria. A famosa determinação de C a vendish. F r e q ü e n t e m e n t e a teoria do p a r a d i g m a está diretamente implicada no trabalho de concepção da apar e l h a g e m c a p a z d e r e s o l v e r o p r o b l e m a . P[OYWTING] examina umas duas dúzias d e medidas d a constante gravitacional e f e t u a d a s entre 1741 e 1901 em " G r a v i t a t i o n a l C o n s t a n t a n d M e a n D e n s i t y o f t h e E a r t h " . n i n g u é m i m a g i n o u u m a p a r e l h o c a p a z d e d e terminar essa constante. C r e i o q u e u m a terceira classe de experiências e o b servações esgota as atividades de coleta de fatos na ciência. t a m p o u c o foi a ú l t i m a . M a s os problemas que N e w t o n examinava p o d i a m ser r e s o l v i d o s s e m n e m m e s m o e s t i m a r o t a m a n h o dessa atração. e m v i s t a d e s u a p o s i ç ã o c e n t r a l n a t e o r i a física. E d u r a n t e o século q u e se seguiu ao a p a r e c i m e n t o d o s Principia. 385-389. a l g u m a s d a s experiências que visam à articulação são orientadas para a d e t e r m i n a ç ã o de c o n s t a n t e s físicas. C a m bridge. . d o n ú m e r o d e A v o g a d r o . S e m o s Principia. pp.

e t c . H. S p i e r s e A. I . O sucesso de C o u l o m b d e p e n d e u d o f a t o d e ter c o n s t r u í d o u m a p a r e l h o e s p e c i a l p a r a medir a força entre cargas extremas. c o m introdução e notas por F. B. D u a n e & R O I . t r a d u z i d o p o r I. . que relaciona a pressão do gás ao volume. os esforços p a r a articular um p a r a d i g m a n ã o estão restritos à determinação de constantes univers a i s . C o n t u d o . E r a a f o r ç a e n t r e tais p a r t í c u l a s — a ú n i c a f o r ç a q u e p o d i a . 66-80. ser c o n s i derada u m a simples função da distância — que C o u lomb estava b u s c a n d o .) M a s essa concepção do aparelho dependeu do reconhecimento prévio d e q u e c a d a p a r t í c u l a d o fluido e l é t r i c o a t u a a d i s t â n c i a s o b r e t o d a s a s o u t r a s . 1937). 1954). e a f ó r m u l a de J o u l e . v e r The Physicaí Treatises of Pascal. As experiências de Joule tamb é m p o d e r i a m ser u s a d a s p a r a i l u s t r a r c o m o leis q u a n titativas s u r g e m d a articulação d o p a r a d i g m a . Spiers. pp. n ã o encontraram nen h u m a regularidade simples ou coerente. T a l v e z n ã o seja e v i d e n t e q u e u m p a r a d i g m a é u m p r é . . M a s a história n ã o oferece n e n h u m respaldo para um m é t o d o tão excessivamente baconiano.. O u v i m o s freq ü e n t e m e n t e dizer q u e elas são encontradas p o r m e i o do e x a m e d e medições e m p r e e n d i d a s sem o u t r o objetivo que a própria medida e sem compromissos teóricos. As experiências de Boyle n ã o e r a m concebíveis (e se concebíveis teriam recebido u m a o u t r a interpretação ou m e s m o n e n h u m a ) até o m o m e n t o e m q u e o a r foi r e c o n h e c i d o c o m o u m f l u i d o e l é t r i c o a o q u a l p o d e r i a m ser a p l i c a d o s t o d o s o s e l a b o r a d o s conceitos de Hidrostática. D e fato: a r e l a ç ã o e n t r e p a r a d i g m a q u a l i t a t i v o e lei q u a n t i t a t i v a 5 6 5. The Development o f the Concept of Electric Chame: Electrlcíty from the Greeks to Coulomb ("Harvard Case Histories in Experimental Science". P o d e m . R O L L B K . 6 . p o r e x e m p l o . Para a transplantação dos conceitos de Hidrostática para a Pneum á t i c a . Barry ( N o v a York. Mass. N a p . H. c o m s e g u r a n ç a . Case 8.s i d o r e a l i z a d o s e m u m a t e o r i a d o p a r a d i g m a p a r a definir o p r o b l e m a e g a r a n t i r a e x i s t ê n c i a de u m a s o l u ç ã o estável. D u a n e H . E R . a L e i de C o u l o m b s o b r e a a t r a ç ã o e l é t r i c a . ( A q u e l e s que anteriormente tinham m e d i d o forças elétricas c o m balanças de pratos comuns. Cambridge. . q u e r e l a c i o n a o c a l o r p r o d u z i d o à r e s i s t ê n c i a e à corrente elétrica — todas estão nessa categoria.r e q u i sito p a r a a d e s c o b e r t a d e leis c o m o e s s a s . v i s a r a leis q u a n t i t a t i v a s : a Lei de Boyle. 1 6 4 e n c o n t r a m o s a introdução original d e Torricelli a o paralelismo ( " N ó s vivemos submergidos no fundo de um oceano do elemento ar"). D . Seu rápido desenvolvimento é apresentado n o s dois tratados principais. G.

pp. S . de que outra maneira se poderia ter escolhido u m a experiência p a r a elucidá-lo? 7 8 7. L I I . Muitas experiências foram realizadas p a r a elaborar essas várias possibilidades e distinguir entre elas. 8 . P a r a exemplos. o a q u e c i m e n t o por c o m p r e s s ã o p o d e r i a ser explicado c o m o sendo o resultado da mistura do gás c o m o v a z i o . se o v á c u o tivesse u m a c a p a c i d a d e térmica. U m a vez estabelecido o fenômeno do aquecimeno por compressão. por c o m b i n a ç ã o química. todas as experiências ulteriores nessa área foram determinadas pelo paradigma. e s s a s leis c o m freqüência têm sido corretamente adivinhadas c o m o auxflio d e u m p a r a d i g m a . P o r e x e m p l o .é t ã o g e r a l e t ã o e s t r e i t a q u e . M a s o c a l o r p o d i a ser l i b e r a d o o u absorvido de muitas outras maneiras — por exemplo. K U H N ./Freq ü e n t e m e n t e u m p a r a d i g m a q u e foi d e s e n v o l v i d o p a r a um determinado conjunto de problemas é ambíguo na sua aplicação a outros fenômenos estreitamente relacionados. O u p o d e r i a ser d e v i d o a u m a m u d a n ç a n o c a l o r específico de gases s o b u m a p r e s s ã o variável. d e s d e G a l i l e u . a n o s a n t e s q u e u m a p a r e l h o p o s s a ser p r o j e t a d o p a r a s u a d e t e r m i n a ç ã o e x perimental. ver T. K U H N . 132-140 ( 1 9 5 8 ) . p o d e assemelhar-se à exploração e predomina especiatmente naqueles períodos e ciências q u e tratam mais dos aspectos qualitativos das regularidades da natureza do que dos quantitativos. . mais do que as anteriores.1 9 3 ( 1 9 6 1 ) . T h e Function of Measurement in M o d e m P h y s i c a l S c i e n c e . T h e C a l o r i c T h e o r y o f A d i a b a t i c C o m p r e s s i o n . p o r fricção e p o r compressão ou absorção de um gás — e a cada um desses fenôm e n o s a teoria p o d i a ser aplicada de diversas maneiras. D a d o o fenômeno. X L I X . 1 6 1 . E s t a . todas essas experiências brotaram da teoria calórica enquanto paradigma e todas a e x p l o r a r a m no p l a n e j a m e n t o de e x p e r i ê n c i a s e na i n terpretação d o s r e s u l t a d o s . S. Isis. Isis. p p . Nesse caso experiências são necessárias p a r a permitir u m a escolha entre m o d o s alternativos de aplicação do paradigma à nova área de interessej Por exemplo. as aplicações do p a r a d i g m a da teoria calorífica referiamse ao aquecimento e resfriamento por meio de misturas e m u d a n ç a d e e s t a d o . T . existe u m a terceira espécie d e e x p e r i ê n c i a q u e visa à a r t i c u l a ç ã o d e u m p a r a d i g m a . E existem várias outras explicações além dessas. F i n a l m e n t e .

Newton d e r i v a r a a s leis d o m o v i m e n t o p l a n e t á r i o d e K e p l e r e e x plicara t a m b é m alguns dos aspectos. aqueles cientistas q u e t o m a v a m o s Principia p o r p a r a d i g m a a c e i t a r a m c o m o válida a totalidade de suas conclusões. T a i s d i f i c u l d a d e s p o d e m ser s u c i n tamente ilustradas pela história da Dinâmica depois de N e w t o n . O e s t a b e l e c i m e n t o de c a l e n d á r i o s a s t r o n ô m i c o s . m a s p o r q u e p o d e m ser v e r i f i c a d a s d i r e t a m e n t e a t r a v é s d e e x p e r i ê n c i a s . C o n t u d o . C o m relação aos céus. a c o m p u t a ç ã o d a s características d a s lentes e a p r o d u ç ã o dç curvas de propagação das ondas de rádio são exemplos de p r o b l e m a s desse tipo. C o m r e l a ç ã o à terra. devem parecer quase idênticas: são manipulações da teoria. nos q u a i s a L u a n ã o o b e d e c i a a e s s a s leis. já observados. N o início d o século X V I I I . U m a parte (embora pequena) do trabalho teórico normal consiste simplesmente em usar a teoria existente p a r a prever informações fatuais d o t a d a s de valor intrínseco. e m b o r a ad hoc] f o r a c a p a z de derivar a Lei de Boyle e u m a fórmula importante p a r a a velocidade do som no ar. Ç o m auxílio de p r e s s u p o s t o s a d i c i o n a i s . em geral os cientistas o s c o n s i d e r a m u m t r a b a l h o e n f a d o n h o . para o não-cientista.V o l t e m o s agora aos p r o b l e m a s teóricos da ciência normal. Possuíam t o d a s as razões possíveis p a r a fazê-lo. M a s esses p e r i ó d i c o s c o n t ê m n u m e r o s a s d i s cussões teóricas de problemas que. dada a universalidade presumível das Leis de Newton. N e n h u m o u t r o t r a b a l h o c o n h e c i d o n a H i s t ó r i a d a C i ê n c i a p e r m i t i u simultaneamente u m a ampliação tão grande do âmbito e da precisão da pesquisa. derivara os resultados de algumas observações esparsas sobre os pêndulos e as m a r é s . A necessidade de trabalho dessa espécie brota das dificuldades imensas que c o m freqüência são encontradas no estabelecimento de pontos de contato entre u m a t e o r i a e a n a t u r e z a . q u e deve ser r e l e g a d o a e n g e n h e i r o s o u t é c n i c o s . D a d o o estado da ciência n a é p o c a . o n ú m e r o dessas aplicações . o s u c e s s o d a s d e m o n s t r a ç õ e s foi s u m a m e n t e impressionante. Seu objetivo é apresentar u m a nova aplicação do parad i g m a o u a u m e n t a r a p r e c i s ã o d e u m a a p l i c a ç ã o j á feita. M u i t o s d e s s e s p r o b l e m a s n u n c a a p a r e c e m e m p e r i ó d i c o s científicos i m p o r t a n t e s . empreendidas n ã o p o r q u e as predições q u e delas resultam sejam intrinsecamente valiosas. que pertencem aproximadamente à m e s m a classe que os da experimentação e da observação. Contudo.

As m e s m a s dificuldades aparecem ainda mais claramente na aplicação astronômica da teoria de 9. se comparadas c o m o que hoje em dia qualquer estudante graduado de Física p o d e obter c o m as m e s m a s leis. Essas e r a m a p r o x i m a ç õ e s físicas f u n d a m e n t a d a s . N ã o o b s t a n t e isso. m a s durante algum t e m p o ninguém percebeu c o m o fazê-lo. Finalmente. The Reception em Archlves of . C b n j e c t u r e . T. 42-65 Quarterly. Newton quase n ã o desenvolveu outras. T R U E S D E I X . 3 . p o r e x e m p l o . a o a p l i c a r s u a s leis a o s p ê n d u l o s . pp. Pres u m i v e l m e n t e e s s a s t é c n i c a s e as d o s Principia p o d e r i a m ser a p r e s e n t a d a s c o m o c a s o s e s p e c i a i s d e u m a f o r m u l a ção mais geral. a n d F a i l u r e I n N e w t o n ' s Principia. L. E q u i p a m e n t o s especializados — c o m o o a p a r e l h o de Cavendish. a s p o u c a s a p l i c a ç õ e s d e N e w t o n n ã o f o r a m n e m m e s m o desenvolvidas c o m precisão. d'Alembert e muitos outros. A maioria de seus teorem a s t a m b é m i g n o r a r a m o efeito d a r e s i s t ê n c i a d o ar. os p r o b l e m a s terrestres já estavam sendo atacados c o m grande sucesso c o m auxílio de um conjunto de técnicas b e m diferentes. p p . Texas Newton*s Second L a w of Motion in the Eighteenth Century. N e w t o n foi f o r ç a d o a t r a t a r a b o l a d o p ê n d u l o c o m o u m a m a s s a p o n t u a l . e n q u a n t o a p r o x i m a ç õ e s elas l i m i t a v a m q u e s e p o deria esperar entre as predições de N e w t o n e as experiências reais. Além disso. intemationales d'hisloire des sciences. XX (1967). Por exemp l o . C. A Program toward Rediscovering the Ratlonal Mec h a n i c s of l h e Age of Reason. De qualquer m o d o . 281-297 (1967). I ( 1 9 6 0 ) . pp. 9 Limitemos nossa atenção ao problema da precisão por um m o m e n t o . em Archive for Hislory of lhe Exact Sciences. HANKINS. X .não era grande. N ã o era de m o d o a l g u m claro c o m o se deveria adaptá-lo p a r a aplicações terrestres e em especial aos p r o b l e m a s do movim e n t o violento. E r r o r . Do lado da teoria existiam dificuldades semelhantes para a obtenção de um acordo.3 6 e R e a c t i o n s o f t h e L a t e B a r o q u e M e c h a n i c s t o S u c c e s s . a m á q u i n a de A t w o o d ou telescópios aperfeiçoados — foram necessários para obter os dados especiais exigidos pelas aplicações concretas do p a r a d i g m a de N e w t o n . afora poucas exceções hipotéticas e preliminares. desenvolvidas originalmente por Galileu e H u y g h e n s e ampliadas no Continente europeu durante o século X V I I I p o r Bernoulli. Já ilustramos seu aspecto empírico. a fim d e d a r u m a d e f i n i ç ã o ú n i c a do c o m p r i m e n t o do pêndulo. os Principia t i n h a m s i d o p l a n e j a d o s p a r a s e r e m a p l i c a d o s sobretudo a problemas de Mecânica Celeste.

M u i t a s d e s s a s figuras t r a b a l h a r a m simultaneamente p a r a desenvolver a Matemática necessária a aplicações que n e m m e s m o N e w t o n ou a Escola de Mecânica européia. Produziram.. . History pp. sua contemporânea. 7 5 . U m a vez q u e os planetas t a m b é m se atraem reciprocamente. Londres. e v i d e n t e m e n t e . e x c e ç ã o feita d a q u e l a e n t r e os p l a n e t a s i n d i v i d u a i s e o Sol. Problemas dessa natureza preocuparam muitos dos melhores matemáticos europeus durante o século X V I I I e o começo do X I X . Esses problemas de aplicação são responsáveis p o r a q u i l o q u e p r o v a v e l m e n t e é o t r a b a l h o científico mais brilhante e esgotante do século X V I I I . P o r exemplo. Euler. todos consagraram alguns de seus trabalhos mais brilhantes a problemas q u e visavam aperfeiçoar a a d e q u a ç ã o entre o p a r a d i g m a de N e w t o n e a o b s e r v a ç ã o c e l e s t e . N ã o obstante isso. W H E W E L L . N e w t o n foi f o r ç a d o a n e g l i g e n c i a r t o d a a a t r a ç ã o g r a v i t a c i o n a l .1 0 1 . C o m exceç ã o feita d e a l g u n s p r o b l e m a s r e l a t i v o s à T e r r a . Laplace e Gauss.8 1 . Outros e x e m p l o s p o d e r i a m ser d e s c o b e r t o s a t r a v é s d e u m e x a me do período pós-paradigmáliço no desenvolvimento da Termodinâmica. W O L F . P a r a derivar essas leis. somente se poderia esperar um acordo aprox i m a d o entre a teoria aplicada e a o b s e r v a ç ã o telescópica. O a c o r d o o b t i d o foi. 213-71. L a grange. haviam considerado.. p p . rev. m a i s d o q u e satisfatório p a r a aqueles que o alcançaram.cil. técnicas teóricas eram necessárias p a r a tratar dos movimentos simultâneos de mais de dois corpos que se a t r a e m m u t u a m e n t e e p a r a investigar a estabilidade d a s órbitas perturbadas. por exemplo. u m a imensa literatura e algumas técnicas matemáticas muito p o d e r o s a s p a r a a H i d r o d i n â m i c a e p a r a as c o r d a s vibratórias. op.N e w t o n . essas limitações do acordo deixaram muitos problemas teóricos fascinantes para os sucessores de N e w t o n . Simples observações telescópicas quantitativas indicam que os planetas não obedecem completamente às Leis de Kepler e de acordo c o m a teoria de N e w t o n n ã o d e v e r i a m obedecer. na teoria ondulatória da luz. 9 6 . na teo1 0 of 1 0 . n e n h u ma teoria podia apresentar resultados comparáveis. e WILLIAM 1847). the Induaive Sciences (ed. N e n h u m d o s que questionaram a validez da o b r a de N e w ton o fizeram por causa do acordo limitado entre a experiência e a observação. II.

esses p r o b l e m a s s ã o d o m i n a n t e s . >M a s n e m sempre é assim. Histoire de la mécanigue. m u i t o s d o s m a i s b r i l h a n t e s físicos-matemáticos da E u r o p a esforçaram-se repetidamente p a r a reformular a teoria mecânica sob u m a forma equivalente. O s Principia. desde Euler e L a g r a n g e no século X V I I I até Hamilton.ria eletromagnética ou em qualquer outro r a m o da ciênc i a c u j a s leis f u n d a m e n t a i s s ã o t o t a l m e n t e q u a n t i t a t i v a s . IV-V. A l g u n s d o s p r o blemas. P o r isso. v e r s ã o que seria a o m e s m o tempo mais uniforme e menos equívoca nas suas aplicações aos problemas recentemente elaborados pela Mecânica. M e s m o nas ciências m a temáticas existem problemas teóricos relacionados c o m a articulação do paradigma. u m c o n j u n t o d e t é c n i c a s d a E u r o p a . N a v e r d a d e . e m p a r te p o r q u e u m a fração considerável de seu significado estava a p e n a s implícito nas suas aplicações. DUOAS. J a c o b i e H e r t z n o s é c u l o X I X . Ou s e j a : d e s e j a v a m e x i b i r as l i ç õ e s e x p l í c i t a s e i m p l í c i t a s d o s Principia e d a M e c â n i c a e u r o p é i a n u m a v e r s ã o logicamente mais coerente. tanto nas ciências mais quantitativas c o m o nas mais qualitativas. m a s lógica e esteticamente mais satisfatória. Mais do que qualquer outra espécie de pesquisa normal. a p a r e n t e m e n t e s e m r e l a ç ã o e n t r e si. Reformulações similares de um paradigma ocorrer a m repetidamente em todas as ciências. (Neuchâtel. p a r e c i a m u i t o m a i s p o d e roso p a r a muitas aplicações terrestres. por exemplo. a maior p a r t e do t r a b a l h o t e ó r i c o p e r t e n c e a e s s e t i p o . Seja c o m o for. Pelo m e n o s nas ciências mais matemáticas. visam simplesmente à clarificação do p a r a d i g m a p o r m e i o d e s u a r e f o r m u l a ç ã o . é a r b i t r á r i o classificar e s s a e s pécie de trabalho c o m o sendo empírico. os problem a s a p r e s e n t a d o s p e l a a r t i c u l a ç ã o d o p a r a d i g m a s ã o si1 1 vros 11. D u r a n t e aqueles períodos em q u e o d e s e n v o l v i m e n t o científico é s o b r e t u d o q u a l i t a t i v o . e m p a r t e p o r q u e r e t i n h a a l g o d o d e s a jeitamento inevitável d e u m a primeira aventura. Tais transformações resultaram do trabalho empírico previamente descrito c o m o dirigido à articulação do p a r a d i g m a .) René. nem sempre se revelaram uma obra de fácil a p l i c a ç ã o . m a s a maioria delas produziu mais m u d a n ç a s substanciais no paradigm a d o q u e a s r e f o r m u l a ç õ e s d o s Principia c i t a d a s a c i ma. Li- . 1950).

Certamente n ã o esgotam toda a literatura da ciência^Éxistem t a m b é m p r o b l e m a s e x t r a o r d i n á r i o s e b e m p o d e ser q u e s u a r e s o l u ç ã o seja o q u e t o r n a o e m p r e e n d i m e n t o c i e n tífico c o m o u m t o d o t ã o p a r t i c u l a r m e n t e v a l i o s o . m a s um p a r a d i g m a mais preciso. i n e v i t a v e l m e n t e . antes de poder construir seu equip a m e n t o e utilizá-lo e m m e d i ç õ e s . E m e r g e m apenas em ocasiões especiais. os exemplos apresentados anteriormente servirão igualmente bem neste caso. h a r m o n i z a ç ã o d o s f a t o s c o m a t e o ria e a r t i c u l a ç ã o da t e o r i a -— e s g o t a m . a l i t e r a t u r a da ciência normal. P o r isso. E s s a s t r ê s classes d e p r o b l e m a s — d e t e r m i n a ç ã o d o f a t o significativo. . tanto teórica c o m o empírica. M a s os problemas extraordinários não surgem gratuitamente. necessitamos de u m a visão mais p a n o r â m i c a d a s atividades da ciência normal q u e lhes p r e p a r a m o c a m i n h o . S u a s m e d i ç õ e s t i v e r a m c o m o c o n seqüência um refinamento daquela teoria. A b a n d o n a r o p a r a d i g m a é d e i x a r de p r a t i c a r a c i ê n c i a q u e este d e fine. M a s a n t e s d e c o m e ç a r o estudo de tais revoluções. obtido c o m a eliminação d a s ambigüidades que haviam sido retidas n a versão original q u e utilizavam. geradas pelo a v a n ç o d a c i ê n c i a n o r m a l .m u l t a n e a m e n t e teóricos e experimentais. Dito de outra maneira: os homens que conceberam as experiências p a r a distinguir entre as várias teorias do a q u e c i m e n t o por compressão foram geralmente os mesmos que haviam elaborado as versões a serem c o m p a r a d a s . O trabalho orientado por um paradigm a s ó p o d e ser c o n d u z i d o d e s s a m a n e i r a . C o u l o m b . Estav a m t r a b a l h a n d o t a n t o c o m fatos c o m o c o m t e o r i a s e seus trabalhos p r o d u z i r a m n ã o apenas novas informações. D e s c o b r i r e m o s e m b r e v e q u e t a i s d e s e r ç õ e s r e a P m e n t e ocorrem. a m a i o r p a r t e do trabalho n o r m a l é desse tipo. t e v e q u e e m p r e g a r a teoria elétrica p a r a d e t e r m i n a r c o m o seu e q u i p a m e n t o d e v e r i a ser c o n s t r u í d o . a maioria esmagadora dos problemas que ocupam os m e l h o r e s cientistas c o i n c i d e m c o m u m a d a s t r ê s c a t e g o r i a s delineadas acima.. São os pontos de apoio em torno dos q u a i s g i r a m a s r e v o l u ç õ e s científicas. E m m u i t a s ciências. c r e i o .

.

seja n o d o m í n i o d o s c o n c e i t o s . A l g u m a s vezes.3. c o m o no caso da medição de um comprimento de onda. Talvez as medições de Coulomb não precisassem ter sido ajustadas à Lei do Q u a d r a d o Inverso. A CIÊNCIA N O R M A L COMO RESOLUÇÃO DE QUEBRA-CABEÇAS Talvez a característica mais impressionante dos problemas normais da pesquisa que acabamos de exam i n a r seja seu r e d u z i d o i n t e r e s s e e m p r o d u z i r g r a n d e s n o v i d a d e s . c o m freqüência. tudo é conhecido de antem ã o . P o r sua vez. aqueles que trabalhavam no problema do aquecimento por compressão não ignoravam que . o q u a d r o típico de expectativas é apenas um pouco menos determinado. exceto o detalhe m a i s esotérico. seja n o d o s fenômenos.

o projeto cujo resultado n ã o "coincide c o m essa m a r g e m estreita de alternativas é considerado apenas u m a pesquisa fracassada. É p o r isso t a m b é m q u e e s s e r e s u l t a d o n ã o s u r p r e e n d e u a n i n g u é m e vários c o n t e m p o r â n e o s de C o u l o m b f o r a m capazes de predizê^lo de a n t e m ã o . m e s m o em casos desse tipo. A p e n a s retrospectivamente. é que p o d e m o s ver as características dos f e n ô m e n o s elétricos q u e essas experiências nos a p r e s e n t a m / S e m dúvida alguma C o u l o m b e s e u s c o n t e m p o r â n e o s p o s s u í a m esse ú l t i m o p a r a d i g m a ou um outro. P o r isso. Tais e x p e r i ê n c i a s n ã o p o d i a m ser e m p r e g a d a s p a r a a r t i c u l a r o p a r a d i g m a do qual derivavam. M a s meslrio se o objetivo da ciência n o r m a l n ã o consiste em descobrir novidades substantivas de importância capital e se o fracasso em aproximar-se do result a d o a n t e c i p a d o é g e r a l m e n t e c o n s i d e r a d o c o m o u m fracasso pessoal do cientista — e n t ã o por q u e dedicar t a n t o ^ r a b a l h o a e s s e s p r o b l e m a s ? P a r t e d a r e s p o s t a j á foi a p r e sentada. ao desenvolvimento de espectrômetro mais preciso ou à . aplicado ao problema da atração. por exemplo. p e r m i t i a e s p e r a r o s m e s m o s r e s u l t a d o s . j á na posse de um paradigma posterior. E n t r e t a n t o . Em geral. A t é m e s mo o projeto cujo objetivo é a articulação de um p a r a d i g m a n ã o v i s a p r o d u z i r u m a n o v i d a d e inesperada. Pelo m e n o s p a r a os cientistas. pois produziam resultados que n ã o eram n e m coerentes. n e m simples. a gama de resultados esperados (e portanto assimiláveis) é sempre p e q u e n a se c o m p a r a d a c o m as alternativas q u e a imaginação p o d e conceber. essa resposta não basta p a r a explicar o entusiasmo e a d e v o ç ã o q u e os cientistas d e m o n s t r a m pelos p r o b l e m a s da pesquisa normal. d e s p r o v i d o s d e relação e sem c o n e x ã o possível c o m o progresso contín u o d a pesquisa elétrica. m a s s o b r e o c i e n t i s t a . por exemplo. prestava-se pouca a t e n ç ã o a experiências q u e medissem a atração elétrica utilizando instrumentos c o m o a balança de pratos. Ninguém consagra anos. É p o r isso q u e C o u l o m b foi c a p a z d e c o n c e b e r u m a p a r e l h o q u e p r o duziu resultados assimiláveis através de u m a articulação d o p a r a d i g m a . C o n tudo. c o n t i n u a v a m s e n d o simples f a t o s . N o século X V I I I .muitos outros resultados diferentes e r a m possíveis. os resultados o b t i d o s p e l a p e s q u i s a n o r m a l s ã o significativos p o r q u e contribuem para aumentar o alcance e a precisão com o s q u a i s o p a r a d i g m a p o d e ser a p l i c a d o . o qual. fracasso q u e n ã o se reflete s o b r e a n a t u r e z a .

simplesmente pela import â n c i a d a i n f o r m a ç ã o a ser o b t i d a . A c a b a m o s de mencionar um desses traços c o m u n s .c a b e ç a indica. e m g e r a l . os problemas realmente importantes em geral * Em i n g l ê s . ) . A o contrário.c a b e ç a n a d a tem a ver c o m o fato de seu result a d o ser i n t r i n s e c a m e n t e i n t e r e s s a n t e o u i m p o r t a n t e . aquela categoria particular de problemas q u e servem p a r a testar nossa engenhosidade ou habilidade na resolução de problemas^ Os dicionários d ã o c o m o exemplo de quebra-cabeças as expressões "jogo de quebra-cabeça"* e "palavras cruz a d a s " . O critério que estabelece a qualidade de um b o m q u e b r a . C a d a u m a das peças é parte da figura desejada. t ã o significativos c o m o o s o b t i d o s n o s c a s o s m e n c i o n a d o s a c i m a — m a s essas atividades são habitualmente menosprezad a s pelos cientistas.] Q u e b r a . c o m f r e q ü ê n c i a . . O s d a d o s q u e p o d e m ser alcançados por m e i o do cálculo de calendários ou por meio de medições suplementares realizadas com um i n s t r u m e n t o j á e x i s t e n t e s ã o . Resolver um problema da pesquisa n o r m a l é alcançar o antecipado de u m a novamaneiraj Isso requer a solução de todo o tipo de complexos quebra-cabeças instrumentais. ser a n t e c i p a d o d e m a n e i r a t ã o d e t a l h a d a q u e o q u e fica p o r c o n h e c e r p e r d e t o d o o interesse. E m b o r a s e u r e s u l t a d o p o s s a . Essa rejeição p r o p o r c i o n a u m a pista p a r a e n t e n d e r m o s o fascínio exercido pelos p r o b l e m a s da pesquisa n o r m a l . O indivíduo que é b e m sucedido nessa tarefa prova que é um perito na resolução de quebra-cabeças.c a b e ç a constitui u m a p a r t e i m p o r t a n t e da m o t i v a ç ã o do cientista p a r a o trabalho. a m a n e i r a de alcançar tal resultado permanece muito problemática.produção de u m a solução mais elaborada para o problema das cordas vibratórias. conceituais e m a temáticos.c a b e ç a s " colocam em evidência vários d o s temas que adquiriram u m a importância crescente nas páginas precedentes. jigsatv puzzle. possuindo u m a e s o m e n t e u m a p o s i ç ã o a d e q u a d a n o t o d o a ser f o r m a d o ( N . pois n ã o são n a d a além da repetição de procedimentos empregados anteriormente. Os termos "quebra-cabeça" e "solucionador de q u e b r a . no sentido corriqueiro em que empregamos o termo. c o m as quais o jogador deve formar u m a figura qualquer. O desafio a p r e s e n t a d o pelo q u e b r a . d o T . A palavra refere-se aos quebra-cabeças c o m p o s t o s p o r peças. P r e c i s a m o s a g o r a isolar a s c a r a c t e r í s t i c a s q u e esses e x e m p l o s p a r t i l h a m c o m o s p r o b l e m a s d a c i ê n c i a normal.

e n q u a n t o o p a r a d i g m a for aceito. a o a d q u i rir u m p a r a d i g m a . p a s s a m a ser r e j e i t a d o s c o m o m e t a f í s i c o s o u c o m o s e n d o p a r t e d e o u t r a d i s c i p l i n a . p o d e r e m o s considerar c o m o dotados de u m a sol u ç ã o p o s s í v e l . não precisamos m a i s p e r g u n t a r p o r q u e os cientistas os enfrent a m c o m tal p a i x ã o o u d e v o ç ã o . N u m a l a r g a m e d i d a .c a b e ç a s cujas p e ç a s s ã o s e l e c i o n a d a s a o a c a s o e m d u a s c a i x a s contendo peças de jogos diferentes. Tais problemas p o d e m constituir-se numa distração para os cientistas. Entretanto. esses s ã o o s ú n i c o s p r o b l e m a s q u e a c o m u n i d a d e a d m i t i r á c o m o científicos ou encorajará seus m e m b r o s a resolver. em grande parte porque talvez n ã o t e n h a m n e n h u m a soluç ã o possível. T a l p r o b l e m a provavelmente colocará e m x e q u e ( e m b o r a isso possa n ã o a c o n t e c e r ) o m a i s e n g e n h o s o d o s h o m e n s e p o r isso n ã o p o d e servir c o m o teste p a r a d e t e r m i n a r a habilidade de resolver problemas. Este n ã o é de forma alguma um quebra-cabeças no sentido usual do termo. p o i s n ã o p o d e m ser e n u n c i a d o s n o s t e r m o s c o m p a tíveis c o m o s i n s t r u m e n t o s e c o n c e i t o s p r o p o r c i o n a d o s pelo paradigma. Assim. m e s m o muitos dos q u e e r a m anteriormente aceitos. E n t r e . se os problemas da ciência n o r m a l são quebra-cabeças no sentido acima mencionado. O u t r o s p r o b l e mas. U m h o m e m p o d e s e n t i r se atraído pela ciência por t o d o o tipo de razões. J á vimos q u e u m a c o m u n i d a d e científica. P o d e m a i n d a ser r e j e i t a d o s c o m o d e m a s i a d o p r o b l e m á t i c o s p a r a m e r e c e r e m o dis-_ pêndio de tempo. O valor intrínseco n ã o é critério p a r a um quebra-cabeça. Já a cert e z a d e q u e este p o s s u i u m a s o l u ç ã o p o d e s e r c o n s i d e r a d o c o m o tal.não são quebra-cabeças (veja-se o exemplo da cura do câncer ou o estabelecimento de uma paz d u r a d o u r a ) . U m a d a s razões pelas quais a ciência n o r m a l parece progredir t ã o r a p i d a m e n t e é a de q u e seus p r a ticantes concentram-se em problemas q u e somente a sua falta d e e n g e n h o p o d e i m p e d i r d e r e s o l v e r . um paradigma pode até mesm o a f a s t a r u m a c o m u n i d a d e d a q u e l e s p r o b l e m a s sociais relevantes que n ã o são redutíveis à forma de quebra-cab e ç a . a d q u i r e i g u a l m e n t e u m c r i t é r i o p a r a a escolha de p r o b l e m a s q u e . C o n s i d e r e m o s u m j o g o d e q u e b r a . fato que é brilhantem e n t e ilustrado por diversas facetas d o b a c o n i s m o d o s é c u l o X V I I I e p o r a l g u m a s d a s c i ê n c i a s sociais c o n t e m p o r â n e a s .

no seu conjunto. o indivíduo e m p e n h a d o n u m p r o b l e ma de p e s q u i s a n o r m a l quase nunca está fazendo quaj^ quer dessas coisas. O q u a d r o a s s i m p r o d u z i d o p o d e ser b e m m e l h o r ( e c e r t a m e n t e seria m a i s o r i g i n a l ) q u e a q u e l e c o n s t r u í d o a 1 J pp. e s p a l h a n d o p e ç a s s e l e c i o n a d a s s o b r e um fundo neutro.e s s a s e s t ã o o d e s e j o de ser útil. simplesmente "montar um q u a d r o " . Q u a l q u e r criança ou artista c o n t e m p o r â n e o p o d e r i a f a z e r isso. c s d i f e r e n t e s c a m p o s d e e s p e c i a l i z a ç ã o n a d a m a i s ofer e c e m d o q u e e s s e t i p o d e d i f i c u l d a d e s / N e m p o r isso esses q u e b r a . \ s u a m o t i v a ç ã o p a s s a a ser b a s t a n t e d i v e r s a .c a b e ç a s p a s s a m a ser m e n o s f a s c i n a n t e s p a r a o s i n d i v í d u o s q u e a eles s e d e d i c a m c o m a p l i c a ç ã o .c a b e ç a s e os_ p r o b l e m a s d a c i ê n c i a n o r m a l . . m a i s difícil e revelador. a e x c i t a ç ã o a d v i n d a da exploração de um novo território. t e £ r i t ó x Í Q S ^ i n s t a u r a o r d e m e testa crenças estabelecidas há m u i t o t e m p o . se for s u f i c i e n t e .» o w ^ . empreendim e n t o científico.j m e n t e habilidoso. n ã o resolveu tão b e m . 104-112 (1954). K. c o m o se fossem formas abstratas. 1. . quebra-cabeça. conseguirá solucionar um quebra-ca. e X1. O q u e o i n . A l é m disso.a b r e . 596-613 (1953). X L I .. pelo menos.UB1E. ver L A W R E N C E S. do paralelismo entre os q u e b r a . American Scientist. as frustrações induzidas pelo conflito entre o papel do indivíduo e o padrão global do desenvolvimento científico p o d e m ocasion a l m e n t e tornar-se sérias. e m b o r a ocasionalm e n t e p o s s a m levá-lo a u m a frustração. a esperança de encontrar o r d e m e o impulso p a r a testar o conhecimento estabelecido. O. M u i t o s d o s grandes espíritos científicos d e d i c a r a m t o d a s u a a t e n ç ã o p r o f i s s i o n a l a com—^ plexos p r o b l e m a s dessa natureza.! beca q u e n i n g u é m até e n t ã o resolveu ou. N ã o o b s t a n t e i s s o . Em muitas situações. pp. Sobre esse assunto. n ã o basta a um problema possuir u m a solução assegurada.\ c i t a ao t r a b a l h o é a c o n v i c ç ã o de q u e . Solucionar um jogo de quebra-cabeça não é. Deve obedecer a regras que limitam t a n t o a natureza das soluções aceitáveis c o m o os passos necessários para obtê-las. revela sua utilidade d e t e m p o s e m tempos-. Esses motivos e muitos outros t a m b é m auxiliam a determinação dos problemas particulares com os quais o cientista se envolverá posteriormente. P a r a ser c l a s s i f i c a d o c o m o " . U m a v e z e n g a j a d o em s e u t r a b a l h o . existem boas razões para que motivos dessa natureza o atraiam e passem a guiá-lo. por exemplo. 1 C o n s i d e r e m o s a g o r a u m o u t r o a s p e c t o . C o n t u d o .II. S o m e U n s o l v e d P r o b l e m s o f t h e S c i e n t t f i c C a r e e r .

2 2. Restrições similares concernentes às soluções admissíveis p a r a palavras cruzadas. O i n d i v í d u o que constrói um instrumento p a r a determinar o comprimento de ondas ópticas não se deve contentar c o m u m e q u i p a m e n t o q u e n ã o faça mais d o q u e atribuir números a determinadas linhas espectrais. 1938). Ele n ã o é apenas um explorador ou medidor. N ã o obstante isso. Se alguma indeterminação residual da teoria ou algum componente não-analisado de seu equipamento impedi-lo de completar sua demonstração. n e n h u m p r o b l e m a foi r e s o l v i d o .partir d o q u e b r a . ver a p. e m muvhiieiitov E m e s m o d e p o i s de e s s a r e l a ç ã o t e r s i d o e s t a b e l e c i d a . J . s e u s c o l e g a s p o d e r ã o p e r f e i t a m e n t e c o n c l u i r q u e ele n ã o mediu absolutamente nada. P a r a q u e isso a c o n t e ç a t o d a s a s p e ç a s d e v e m ser u t i l i z a d a s ( o l a d o liso d e v e ficar p a r a b a i x o ) e e n t r e l a ç a d a s d e tal m o d o q u e n ã o f i q u e m e s p a ços v a z i o s e n t r e e l a s . alguém q u e deve mostrar (utilizando a teoria óptica p a r a analisar seu e q u i p a m e n t o ) q u e os n ú m e r o s obtidos coincidem c o m aqueles que a teoria prescreve p a r a os c o m primentos de onda. . P o r exemplo. E n q u a n t o essas condições n ã o f o r a m satisfeitas. problemas de xadrez. charadas. Se aceitarmos u m a utilização consideravelmente mais ampla do termo " r e g r a " — identificando-o event u a l m e n t e c o m " p o n t o d e vista estabelecido" o u " c o n c e p ç ã o p r é v i a " — e n t ã o os p r o b l e m a s acessíveis a u m a determinada tradição de pesquisa apresentam características m u i t o s i m i l a r e s à s d o s q u e b r a . ' A n t e s " d e s e t o r n a r e m m e d i d a d e a l g u m a c o i s a . o e q u i p a m e n t o teve q u e ser r e o r g a n i z a d o p a r a q u e o s r e s u l t a d o s e x p e r i m e n t a i s p u d e s s e m ser c o r r e l a c i o n a d o s sem equívocos c o m a teoria. ao contrário. foi necessário relacioná-los a ú r h ã teoria que predissesse o c o m p o r t a m e n t o o n d u l a t ó r i o d a m a t é r i a . m a s . tal q u a d r o n ã o s e r i a u m a s o l u ç ã o . . D A V I S S O N e m Les prix Nobel en 1937 ( E s t o c o l m o . E s s a s s ã o a l g u m a s d a s r e g r a s q u e governam a solução de jogos de quebra-cabeça. .c a b e ç a . Para um breve relato da evolução dessas experiências. p o d e m ser d e s c o b e r t a s f a c i l m e n t e .c a b e ç a s . e t c . 4 d a c o n f e r ê n c i a d e C . os índices m á ximos de dispersão de elétrons que mais tarde seriam vistos c o m o índices d o c o m p r i m e n t o d e o n d a d o s elétrons n ã o possuíam n e n h u m a significação aparente q u a n d o foram observados e registrados pela primeira v e z . .

C O H E N . 4 . cujos trabalhos sobre a Sociologia da Ciência coincidem algumas vezes c o m os meus. p p .. fazer isso s e r i a m o d i f i c a r o p a r a d i g m a . Na Química. V I I . O estudo das tradições da ciência n o r m a l revela muitas outras regras adicionais. Tais regras proporcion a m u m a quantidade de informações adicionais a respeito d o s c o m p r o m i s s o s q u e os cientistas derivam de s e u s p a r a d i g m a s . a s leis d a s p r o p o r ç õ e s fixas e d e f i n i d a s t i v e r a m . Nessa situação. Hagstrom. Londres. alguns deles sugeriram a substituição da Lei do Q u a d r a d o d a s D i s t â n c i a s p o r u m a lei q u e s e a f a s t a s s e dessa q u a n d o s e t r a t a s s e d e p e q u e n a s d i s t â n c i a s . 1956). O . o s e n u n c i a d o s e x p l í c i t o s d a s leis. ver I. Franklin and Newton. E n q u a n t o essa situação p e r d u r o u . W . 275-77. History o i the Inductive Sciences. B. a s L e i s d e N e w t o n d e s e m p e n h a r a m tais f u n ç õ e s d u r a n t e os séculos X V I I I e X I X . E m vista disso. 5. especialmente pp. P o r exemp l o . C a p . isto é . os 3 5 3 . a q u a n t i d a d e d e m a t é r i a foi u m a c a t e g o r i a a n t o l ó g i c a f u n d a m e n t a l p a r a o s físicos e a s f o r ç a s q u e atuam entre pedaços de matéria constituíram-se n u m dos tópicos dominantes para a pesquisa. I I . W H E W E L L . Essa questão foi-me sugerida por W . d u r a n t e m u i t o t e m p o . 101-05. tais e n u n c i a d o s auxiliam na f o r m u l a ç ã o de q u e b r a . u m d e l e s d e s c o b r i u c o m o s e p o d e r i a utilizá-las c o m s u c e s s o . fixar os resultados admissíveis das análises químicas e informar a o s q u í m i c o s o q u e e r a m os á t o m o s e as m o l é c u l a s . os cientistas q u e t e n t a r a m deduzir o m o v i m e n t o o b s e r v a d o d a L u a p a r t i n d o d a s leis d o m o v i m e n t o d e N e w t o n fracassaram sistematicamente. Q u a i s s ã o a s principais^ c a t e g o r i a s sob a s q u a i s p o d e m ser s u b s u m i d a s e s s a s r e g n í s v * A m a i s e v i d e n t e e p r o v a v e l m e n t e a m a i s c o e r c i t i v a p o d e ser exemplificada pelas generalizações q u e a c a b a m o s de m e n c i o n a r . S o m e n t e u m a m o d i f i c a ç ã o n a s regras poderia ter oferecido u m a outra alternativa. 220-22. C o m relação a esses aspectos do n e w t o n i s m o .Restrições semelhantes ligam as soluções admissíveis a o s p r o b l e m a s t e ó r i c o s . C o n t u d o . rev. u m a i m p o r t â n c i a e q u i v a l e n t e — p a r a estabelecer o p r o b l e m a d o s pesos atômicos. os cientistas preferiram m a n t e r as regras até q u e . c o n c e i t o s e t e o r i a s científicos. . D u r a n t e t o d o o s é c u l o X V I I I . (ed. 255-57. definir u m n o v o quebra-cabeça e deixar sem solução o antigo.c a beças e na limitação d a s soluções aceitáveis. An lnquiry into Speculative Ne-wtonian Experimental Science and Franklin's Work in Electricity as an Example Thereot (Filadélfia. E n q u a n t o s ã o r e c o n h e c i d o s . e m 1 7 5 0 . 1 8 4 7 ) .

Esse conjunto de compromissos revelou possuir tanto d i m e n s õ e s metafísicas c o m o metodológicas. 9. W e l b y . encontrou grande resistênc i a p o r p a r t e d o s fisiologistas n o t o c a n t e à i d é i a d e q u e a e x p e r i m e n t a ç ã o física p u d e s s e t r a z e r e s c l a r e c i m e n t o s para seu c a m p o de estudos. Hermann von Helmholtz. Science. proporcionam as regras do jogo p a r a os cientistas. (Cambridge. Les dactrines chtmtques en France du début du XVII. t a n t o c o m o a s leis e teorias. M E T Z G E R .c o m p o s t o s e as m i s t u r a s . M F I N H A I D . As equações de Maxwell e a s leis d a T e r m o d i n â m i c a E s t a t í s t i c a p o s s u e m a t u a l m e n te a m e s m a i n f l u ê n c i a e d e s e m p e n h a m i d ê n t i c a f u n ç ã o . pp. 8. pp. MAME 1958). a curiosa história da cromatografia apresenta um outro e x e m p l o da persistência dos c o m p r o m i s s o s d o s cientistas c o m t i p o s d e i n s t r u m e n t o s . u m a multidão de compromissos relativos a tipos de instrumentos preferidos e a maneiras adequadas p a r a utilizá-los. C h r o m a t o g r a p h y : A P e r s p e c t i v e . 7 . 112-15. o s q u a i s . Q u a n d o analisamos a descoberta dos raios X. 6 5 .' Seventeenth-Century slide (Paris.6 6 . d o t a m a n h o do movimento e da interação corpusculares. no século X I X . embora n ã o sejam características imutáveis da ciência. KÕNIGSBERGEK. encontramos razões para compromissos dessa natureza. Esse exemplo 4 discutido detalhadamente no fim do Cap. trad. M u d a n ç a s d e a t i t u d e s c o m r e l a ç ã o a o p a p e l d o fogo n a s a n á l i s e s q u í m i c a s t i v e r a m u m a i m p o r t â n c i a capital no desenvolvimento da Química do século X V I I . P o r exemplo. a m a i o r i a d o s físicos c o m e ç o u a p a r t i r d o pressuposto de que o Universo era composto por corpúsculos microscópicos e que todos os fenômenos natur a i s p o d e r i a m ser e x p l i c a d o s e m t e r m o s d a f o r m a . L e o .* siicle Robert à Boyle la )in and du XVIII. s ã o m e n o s d e p e n d e n t e s de fatores locais e t e m p o r á r i o s q u e os a n t e r i o r m e n t e m e n c i o n a d o s . p o r e x e m plo. O s c o m p r o m i s s o s d e nível m a i s e l e v a d o ( d e c a r á ter q u a s e m e t a f í s i c o ) q u e o e s t u d o h i s t ó r i c o r e v e l a c o m tanta regularidade. BOAS. J a m e s E . Chemtstry 1923). d e Francis A . 1 9 0 6 ) . C X . depois de 1 6 3 0 e especialmente após o a p a r e c i m e n t o d o s t r a b a l h o s i m e n s a m e n t e influentes d e D e s c a r t e s . N o p l a n o 6 7 8 9 6. (Oxford. Contudo. pp. Helmholtz. 387-92 (1949). 9 . regras dessa natureza não são as únicas e n e m m e s m o a variedade mais interessante d e n t r e as r e v e l a d a s p e l o e s t u d o h i s t ó r i c o N u m nível inferior ( o u m a i s c o n c r e t o ) q u e o d a s leis e t e o r i a s e x i s t e . pp. Durante o m e s m o século. H . 359-61. .

tais reações a p r e sentavam o processo de reorganização corpuscular que deve estar na base de toda transformação q u í m i c a . a explicação deve reduzir qualquer fenômeno natural a u m a a ç ã o c o r p u s c u l a r r e g i d a p o r e s s a s leis. c o m o B o y l e . prestava atenção especial àquelas reações que p o d i a m ser i n t e r p r e t a d a s c o m o t r a n s m u t a ç õ e s . Sem dúvida alguma existem ainda outras regras desse gênero.s e e m c o m p r e e n d e r o m u n d o e a m p l i a r a p r e c i s ã o e o a l c a n c e da o r d e m q u e l h e foi i m p o s t a . teóricas. lsis. d a Ó p t i c a e d o calor. a b r a ç o u a n o v a filosofia. Se esse escrutínio revela bolsões de a p a r e n t e d e s o r d e m . u m q u í m i c o q u e .HI.l o a u m n o v o refinamento de suas técnicas de observação ou a u m a maior articulação de suas teorias. i n d i c a v a c o m o d e v e r i a m ser a s leis definitivas e as e x p l i c a ç õ e s f u n d a m e n t a i s : leis d e v e m especificar o m o v i m e n t o e a interação corpusculares. metodológicas e inst r u m e n t a i s — é u m a d a s fontes p r i n c i p a i s da m e t á f o r a q u e relaciona à ciência n o r m a l à resolução de q u e b r a -cabeças. p o r s u a v e z . a concepção corpuscular do Universo indicou aos cientistas um g r a n d e n ú m e r o de p r o b l e m a s q u e d e v e r i a m ser p e s q u i s a d o s . P a r a a s teorias c o r p u s c u l a r e s e m geral. 12-36 (1952). o cientista d e v e p r e o c u p a r . 1 0 F i n a l m e n t e .metafísico. S.l o a p e r s c r u t a r c o m grande.^' P o r e x e m p l o . indicava aos cientistas q u e espécies de entidades o Universo continha ou n ã o continha — n ã o havia nada além de matéria dotada de forma e em movimento. ver T.5 4 1 ( 1 9 5 2 ) . Oslris.m i n ú c i a empírica ( p o r si m e s m o ou através de colegas) algum aspecto da natureza. d e v e l e v á . e x i s t e u m o u t r o c o n j u n t o d e c o m p r o m i s s o s o u a d e s õ e s s e m o s c^uais n e n h u m h o m e m p o d e ser c h a m a d o d e cientista. No que diz respeito a seus efeitos sobre a q u í m i c a de Boyle. m a i s c l a r a m e n t e d o q u e q u a i s q u e r o u t r a s . Esses compromissos proporcionam ao prati1 0 . n u m nível m a i s e l e v a d o . XL. O q u e é ainda mais importante. esses d e v e m d e s a f i á . R o b e r t B o y l e a n d S t r u c t u r a l C h e m i s t r y in t h e S e v e n t e e n t h C e n t u r y . K U H N . aceitas pelos cientistas em todas as épocas. P o r e x e m p l o . X . O u t r o s efeitos s i m i l a r e s d a t e o r i a c o r p u s c u l a r p o d e m ser o b s e r v a d o s n o e s t u d o d a M e c â n i c a . T h e E s t a b l i s h m e n t o f t h e M e c h a n i c a l P h i l o s o p h y . p p . I s t o p o r q u e . E s s e c o m p r o m i s s o . . N o p l a n o m e t o d o l ó g i c o . ver M A R I E B O A S . pp.] A existência dessa sólida rede de compromissos ou adesões — conceituais. 4 1 2 .

d e u m o u t r o p o n t o d e vista. ao invés d a s n o ç õ e s d e r e g r a s . As regras. esse esclarecimento p o d e ser s i g n i f i c a t i v a m e n t e e n g a n a d o r . . introduzi a noção de paradigmas compartilhados. p r e s s u p o s t o s e p o n t o s d e vistas c o m p a r t i l h a d o s c o m o sendo a fonte da coerência para as tradições da pesquisa normal.cante de u m a especialidade amadurecida regras que lhe revelam a natureza do m u n d o e de sua ciência. u m a discussão a respeito dos quebra-cabeças e regras permite e s c l a r e c e r a n a t u r e z a d a p r á t i c a científica n o r m a l . E m b o r a o b v i a mente existam regras às quais todos os praticantes de u m a e s p e c i a l i d a d e científica a d e r e m e m u m d e t e r m i n a d o m o m e n t o . essas regras n ã o p o d e m p o r s i m e s m a s especificar t u d o a q u i l o q u e a p r á t i c a d e s s e s e s p e c i a l i s t a s t e m em c o m u m . encontrar a solução de um quebra-cabeça residual constitui um desafio pessoal p a r a o cientista. permitindo-lhe assim concentrar-se c o m segurança nos p r o blemas esotéricos definidos p o r tais regras e pelos c o n h e cimentos existentes. m a s os par a d i g m a s p o d e m dirigir a p e s q u i s a m e s m o n a a u s ê n c i a de regras. C o n t u d o . "A ciência n o r m a l é u m a atividade altamente d e t e r m i n a d a . segundo m i n h a sugestão. Nesse e n o u t r o s aspectos. derivam de paradigmas. m a s n ã o p r e c i s a ser i n t e i r a m e n t e d e t e r m i n a d a p o r regras. no início deste ensaio. Nessa situação. É p o r isso q u e .

Essas são os paradigmas da comunidade. Ao estudá-los e utilizá-los na prática.. A investigação histórica cuidadosa de u m a determinada especialidade n u m det e r m i n a d o m o m e n t o revela um conjunto de ilustrações recorrentes e quase padronizadas de diferentes teorias nas suas aplicações conceituais. revelados nos seus m a n u a i s . A PRIORIDADE DOS PARADIGMAS P a r a descobrir a relação existente entre regras. os m e m b r o s d a c o m u n i d a d e c o n s i d e r a d a a p r e n d e m seu ofí- . paradigmas e a ciência n o r m a l c o m e ç a r e m o s consider a n d o a m a n e i r a p e l a q u a l o h i s t o r i a d o r isola o s p o n t o s específicos d e c o m p r o m i s s o s q u e a c a b a m o s d e d e s c r e ver c o m o sendo regras aceitas.4. instrumentais e na o b servação. conferências e exercícios de l a b o r a t ó r i o .

se a coerência da t r a d i ç ã o de pesquisa d e v e ser entendida em termos de regras. inclusive a l g u m a s d a s u t i l i z a d a s a c i m a c o m o i l u s t r a ç õ e s . os paradigm a s d e u m a c o m u n i d a d e científica a m a d u r e c i d a p o d e m ser determinados c o m relativa facilidade. a determinação de paradigmas compartilhados n ã o coincide c o m a determinação das regras c o m u n s ao g r u p o . C o m isso o h i s t o r i a d o r v i s a descobrir q u e elementos isoláveis. m a s h a b i t u a l m e n t e o núcleo dos problemas resolvidos e das técnicas será claro. o reconhecimento dessa frustração torna possível diagnosticar sua origem. a busca de um corpo de regras c a p a z de constituir u m a tradição determinada da ciência n o r m a l torna-se u m a -fonte d e f r u s t r a ç ã o p r o f u n d a e c o n t í n u a . de natureza um tanto diferente. empregando-os d e pois em suas pesquisas. contudo. Algumas das generalizações que ele e m p r e g a r p a r a descrever a s crenças c o m u n s d a c o m u nidade n ã o a p r e s e n t a r ã o p r o b l e m a s . explícitos ou implíc i t o s . um Maxwell ou um Einstein produziram u m a solução aparentemente duradoura para um grupo de problemas especialmente . N ã o há dúvida de q u e além disso o historiador descobrirá u m a área de p e n u m b r a ocupada por realizações c u j o status a i n d a e s t á e m d ú v i d a . a busca de regras revelar-se-á ao m e s m o t e m p o m a i s difícil e m e n o s s a t i s f a t ó r i a d o q u e a busca de paradigmas. Q u a s e certamente. é necessário determinar um terreno c o m u m n a área c o r r e s p o n d e n t e . Contudo. M a s . um Lavoisier. Cientistas p o d e m c o n cordar que um Newton. Í C o n t u d o . teriam sido rejeitadas quase c e r t a m e n t e p o r ^alguns m e m b r o s d o g r u p o q u e ele e s t u d a . Apesar das ambigüidades ocasionais. E m vista disso. O u t r a s .'Ao empreendê-la. o historiador deve comparar entre si os paradigmas da comunidade e em seguida compará-los com os relatórios de p e s q u i s a h a b i t u a i s d o g r u p o . c o m o mostra o capítulo anterior. se sua experiência se assemelha c o m a minha. Enunciadas dessa m a neira ( o u em qualquer outra que o historiador possa i m a g i n a r ) . parecerão um pouco forçadas. N ã o o b s t a n t e . terá tido um sucesso pelo menos parcial.cio. Q u e m quer que tenha tentado descrever ou analisar a evolução de u m a tradição científica p a r t i c u l a r t e r á n e c e s s a r i a m e n t e p r o c u r a d o esse g ê n e r o de princípios e regras aceitos. o s m e m b r o s d e s s a c o m u n i d a d e p o d e m t e r abstraído de seus paradigmas mais globais. Isto exige u m a segunda etapa.

l o ) q u a n t o a u m a interpretação o u racionalização c o m p l e t a a r e s p e i t o d a q u e l e . p p . WITTGENSTEIN. sem entretanto entrar n u m acordo ( o u m e s m o t e n t a r o b t ê . Ludwig. de G. a respeito das características abstratas específicas q u e t o r n a m essas soluções p e r m a n e n t e s . especialmente os C a p s . o que é u m a cadeira. perguntava Wittg e n s t e i n . algumas vezes sem estarem conscientes disso. 31-36. Wittgenstein concluiu que. isto é. V e V I . Philosophical Investigations. (Nova York.importantes e m e s m o assim discordar. será conveniente exam i n a r p r i m e i r a m e n t e a f o r m a em q u e a a r g u m e n t a ç ã o é apresentada. u m a folha ou um jogo. m a s n ã o d e p e n d e dela. Na verdade. " f o l h a " ou "jogo" de uma maneira inequívoca e sem provocar discussões? T a l questão é m u i t o antiga. intuitiva ou conscientem e n t e . | A falta de u m a interpretação padronizada ou de u m a redução a regras que goze de u n a n i m i d a d e n ã o impede que um p a r a d i g m a oriente a pesquisa. Isto é. M K H A E L P O L A N Y I d e s e n v o l v e u b r i l h a n t e m e n t e u m t e m a m u i t o similar. o q u e l i m i t a o c i e n t i s t a a u m a tradição específica da ciência n o r m a l ? O q u e p o d e significar a e x p r e s s ã o " i n s p e ç ã o d i r e t a d o s p a r a d i g m a s " ? Respostas parciais a questões desse tipo foram desenvolvidas p o r L u d w i g Wittgenstein. Geralmente a respond e m o s afirmando que sabemos. P a r t e d a a r g u m e n t a ç ã o q u e se segue n ã o p o d e ser atribuída a ele. trad. A ciência n o r m a l p o d e ser p a r c i a l m e n t e d e t e r m i n a d a através da inspeção direta dos paradigmas. Contudo. Q u e precisamos saber. V e r s e u Personal Knotvledge ( C h i c a g o . precisamos captar um determinado conjunto de atributos c o m u n s a todos os jogos (e somente aos jog o s ) . Esse processo é freqüentemente auxiliado pela formulação de regras e suposições. d a d a a m a 1 2 1 . M. Na ausência de um c o r p o a d e q u a d o de r e g r a s . embora n u m contexto b a s t a n t e d i v e r s o . p a r a utilizar t e r m o s c o m o " c a d e i r a " . C o n t u d o . A n s c o m b e . O primeiro resultado dessas afirmações é inevitavelmente o de levantar problemas. I s t o é . Wittgenstein n ã o diz q u a s e n a d a a respeito do m u n d o que é necessário para sustentar o p r o c e d i m e n t o d e d e n o m i n a ç ã o inaming} q u e e l e d e l i n e i a . do c o n h e c i m e n t o adquirido através da prática e q u e n ã o p o d e ser articulado explicitamente. p o d e m c o n c o r d a r n a identificação de um paradigma. 1 9 5 3 ) . argumentando que muito do sucesso do cientista depende do " c o n h e c i m e n t o tácito". . E. J á q u e esse c o n t e x t o é a o m e s m o t e m po mais elementar e mais familiar. a existência de um paradigma n e m m e s m o precisa implicar a existência de qualq u e r c o n j u n t o c o m p l e t o d e regras. 2. 1 9 5 8 ) .* .

n ã o existe n e n h u m conjunto d e c a r a c t e r í s t i c a s q u e seja s i m u l t a n e a m e n t e a p l i c á v e l a t o d o s os m e m b r o s da classe e s o m e n t e a eles. p a r a W i t t genstein.s e n u m a o u n o u t r a p a r t e d o corpus científico q u e a comunidade em questão já reconhece como u m a de suas realizações confirmadas. p o d e m relacionar-se por semelhança ou modeland o . S o m e n t e se as famílias q u e n o m e a m o s se superpusessem ou se mesclassem g r a d u a l m e n t e u m a s c o m as outras — isto é. explícito ou passível de u m a descoberta c o m p l e t a — c o n j u n t o q u e dá à t r a d i ç ã o o seu c a r á t e r e a v s u a a u t o r i d a d e s o b r e o e s p í r i t o científico.atu a r c i i L ^ s s i m ^ f l s . que p o - . s o m e n t e se n ã o h o u v e s s e m f a m í l i a s naturais — o n o s s o s u c e s s o e m identificar e n o m e a r p r o v a r i a q u e e x i s t e u m c o n j u n t o de c a r a c t e r í s t i c a s c o m u n s c o r r e s p o n d e n d o a j c a d a u m dos n o m e s d a s classes q u e e m p r e g a m o s .c i e n tistas n ã o ^ n e c e s s i t a m d e u m c o n j u n t o c o m p l e t o d e r e gras^ A ~ c o e r ê n c Í a da~"tràüi\du de. aplicamos o termo "jogo" porque o que estamos vendo possui u m a grande "semelhança de famíl i a " c o m u m a série d e a t i v i d a d e s q u e a p r e n d e m o s a n t e r i o r m e n t e a c h a m a r p o r esse n o m e .n e i r a p e l a q u a l u s a m o s a l i n g u a g e m e o t i p o de m u n d c ao qual a aplicamos. Os cientistas t r a b a l h a m a p a r tir d e m o d e l o s a d q u i r i d o s a t r a v é s d a e d u c a ç ã o o u d a literatura a que são expostos posteriormente. A e x i s t ê n c i a de tal rede explica suficientemente o nosso sucesso na identificação da atividade ou objeto c o r r e s p o n d e n t e . Em vez disso. c a d e i r a s ou f o l h a s freqüentemente nos auxilie a a p r e n d e r a e m p r e g a r o term o c o r r e s p o n d e n t e . cada u m a delas constituída por u m a rede de semelhanç a s q u e se s u p e r p õ e m e se e n t r e c r u z a m .p e s q u i s a Tia q u a l p a r t i cípam n ã o precisa nem m e s m o implicar a existência de um corpo subjacente de regras e pressupostos. E m b o r a a d i s c u s s ã o de alguns a t r i b u t o s -_ c o m u n s a um certo número de j o g o s . *• q u a n d o c o n f r o n t a d o s c o m u m a a t i v i d a d e p r e v i a m e n t e desconhecida. Algo semelhante pode valer para os vários problem a s e técnicas de pesquisa que surgem n u m a tradição específica d a c i ê n c i a n o r m a l . PgjL. tal conjunto de características não é n e c e s s á r i o . O q u e t ê m e m c o m u m n ã o é o f a t o de satisfazer as e x i g ê n c i a s de a l g u m c o n j u n t o de regras. E m s u m a . jogos. cadeiras e folhas são famílias naturais. muitas vezes s e m c o n h e c e r o u p r e c i s a r c o n h e c e r q u a i s a s c a r a c t e r í s t i c a s q u e p r o p o r c i o n a r a m o status de p a r a d i g m a c o m u n i t á r i o a esses m o d e l o s . E m l u g a r disso.

M a s esse fato pode indicar tão-somente que. encontrados n u m a u n i d a d e histórica e pedagogicamente anterior. pelo m e n o s intuitivamente. sem elas n ã o p o d e r i a n e m m e s m o c a n d i d a t a r s e à a c e i t a ç ã o científica. n e m a resposta são consideradas relevantes p a r a suas pesquis a s . o processo de aprendizado de u m a teoria depende do est u d o das aplicações.d e r i a ser r e v e l a d o p o r i n v e s t i g a ç õ e s h i s t ó r i c a s o u filosóficas a d i c i o n a i s . o est u d i o s o d a d i n â m i c a n e w t o n i a n a d e s c o b r i r o significado . da qual a primeira n ã o passa de um corolário. U m a n o v a teoria é sempre anunciada juntamente c o m suas aplicações a u m a determinada g a m a concreta de fenômenos n a t u r a i s . esses i n s t r u m e n t o s i n t e l e c t u a i s s ã o . s e j a c o m instrumentos n u m laboratório. A t é aqui nossa análise t e m sido p u r a m e n t e teórica: os p a r a d i g m a s poderiam d e t e r m i n a r a c i ê n c i a n o r m a l s e m a i n t e r v e n ç ã o d e r e g r a s q u e p o d e m ser d e s c o b e r t a s . O f a t o d e o s c i e n t i s t a s u s u a l m e n t e n ã o p e r g u n t a r e m ou debaterem a respeito do que faz c o m que u m problema o u u m a solução particular sejam considerados legítimos nos leva a supor q u e . eles c o n h e c e m a resposta. E s s a d i f i c u l d a d e é a p r o x i m a d a m e n t e i d ê n t i c a à e n c o n t r a d a p e l o filósofo q u e t e n t a d e t e r m i n a r o q u e é c o m u m a t o d o s os j o g o s . incluindo-se aí a prática na resol u ç ã o d e p r o b l e m a s . baseia-se n a n a t u r e z a d a e d u c a ç ã o científica. indicando algumas das razões que temos para acreditar que os paradigmas realmente operam d e s s a m a n e i r a . O s p a r a d i g m a s p o d e m ser a n t e r i o r e s . por exemplo. A p r i m e i r a d e l a s . A s aplicações n ã o estão l á simplesmente c o m o u m adorno ou m e s m o como documentação. n e m a questão. Tentarei agora aumentar t a n t o a sua clareza c o m o a sua importância. desde o início. q u e j á foi a m p l a m e n t e d i s c u t i d a . E m l u g a r d i s s o . onde são apresentados junt a m e n t e c o m suas aplicações e através delas. Ao contrário. seja c o m l á p i s e p a p e l . Se. leis e t e o r i a s d e u m a f o r m a a b s t r a t a e i s o l a d a m e n t e . refere-se à g r a n d e d i f i c u l d a d e q u e e n c o n t r a mos para descobrir as regras que guiaram tradições específicas d a c i ê n c i a n o r m a l . D e p o i s d e a c e i t a . A e s t a a l t u r a d e v e r i a estar claro q u e os cientistas n u n c a a p r e n d e m conceitos. m a i s c o g e n t e s e mais completos que qualquer conjunto de regras para a p e s q u i s a q u e d e l e s p o s s a ser c l a r a m e n t e a b s t r a í d o . e s s a s a p l i cações ( o u m e s m o outras) a c o m p a n h a r ã o a teoria nos m a n u a i s o n d e o s f u t u r o s c i e n t i s t a s a p r e n d e r ã o s e u ofício. A s e g u n d a .

O p e r í o d o p r é . Pode-se supor que em algum m o m e n t o de sua formação. esses p r o b l e m a s c o n t i n u a m a m o l d a r . "massa". é r e g u l a r mente m a r c a d o por debates freqüentes e profundos a . É e x a t a m e n t e isso q u e o c o r r e .a s d i r e t a m e n t e ^ seja a t r a v é s ^de r e g r a s a b s t r a t a s . não estão em m e lhor situação que o leigo q u a n d o se trata de caracterizar as bases estabelecidas do seu c a m p o de estudos. e s s a h a b i l i d a d e p o d e ser e n t e n d i d a s e m r e c u r so às regras hipotéticas do jogo. M a s . ao mesmo tempo em que diminui o número dos precedentes q u e p o d e r i a m o r i e n t a r s e u e s t u d o . os problemas a enfrentar tornam-se mais complexos. seus p r o b l e m a s e m é t o d o s legítimos. levada a c a b o independentemente. Esse processo de aprendizagem através de exercícios c o m p a p e l e l á p i s o u a t r a v é s d a p r á t i c a c o n t i n u a durante t o d o o processo de iniciação profissional. d o q u e p o r ter o b s e r v a d o e p a r t i c i p a d o da aplicação desses c o n ceitos à r e s o l u ç ã o d e p r o b l e m a s . em p a r t i c u l a r . a s r e g r a s d e v e r i a m a s s u m i r i m p o r t â n c i a e a falta de i n t e r e s s e q u e as c e r c a deveria desvanecer-se sempre que os paradigmas ou m o d e l o s p a r e ç a m i n s e g u r o s . seja m o d e l a n d o .s e r i g o r o s a m e n t e d e a c o r d o c o m a s r e a l i z a ç õ e s científicas a n t e riores.de termos como "força". Na medida em que o estudante progride de seu primeiro a n o d e e s t u d o s e m d i r e ç ã o à s u a tese d e d o u t o r a m e n t o . m e s m o a s s i m . Se os cientistas c h e g a m a a p r e n d e r tais abstrações.p a r a d i g m á t i c o . será m e n o s p o r q u e utilizou as definições incompletas ( e m b o r a a l g u m a s v e z e s ú t e i s ) d o seu m a n u a l . E m b o r a muitos cientistas falem c o m facilidade e brilho a respeito das hipóteses individuais que subjazem n u m a determinada pesquisa em andamento. o cientista a b s t r a i u i n t u i t i v a m e n t e a s r e g r a s d o j o g o p a r a s e u próprio uso — m a s temos poucas razões p a r a crer nisso. A c i ê n c i a n o r m a l p o d e a v a n ç a r s e m ^ e g r a s s o m e n t e e n q u a n t o a c o m u n i d a d e científica r e l e vante aceitar sem questões as soluções de problemas específicas j á o b t i d a s . d e m o n s t r a m . C o n t u d o . "espaço" e "tempo". P o r c o n s e g u i n t e .n o através de sua habilidade p a r a realizar pesquisas b e m sucedidas. E s s a s c o n s e q ü ê n c i a s d a e d u c a ç ã o científica p o s suem u m a recíproca que nos proporciona u m a terceira r a z ã o p a r a s u p o r m o s q u e jps p a r a d i g m a s o r i e n t a m a s p e s q u i s a s . o m e s m o acontecendo com os problemas que n o r m a l m e n t e o o c u p a r ã o d u r a n t e s u a c a r r e i r a científica posterior.

XLV (1955). Cap. PP329-95. KOYRÉ. J á a p r e sentamos algumas dessas discussões na Óptica e na Ele. Isis. K O Y R É . Transactions of the American Philosophical Society. Les doutrines chimiques en France du début du XVII. 1 9 5 1 ) . Contudo. enquanto os paradigmas permanecem seguros. 1 9 5 8 ) . ver A . a assimilação das Mecânicas d e G a l i l e u e N e w t o n o r i g i n o u u m a série d e d e b a t e s p a r ticularmente famosos entre os aristotélicos. Robert Boyle and Seventeenth-Century Chemistry.' tricidade e mostramos como desempenharam um papel ainda mais importante no desenvolvimento da Química do século X V I I e na Geologia do século X I X . e m James Cterck Maxwell: A Commemoration Volume. v e r MAX P L A N C K . 24-27. cartesianos e leibnizianos acerca d a s n o r m a s legítimas p a r a a ciênc i a . 6 . 4 . 5 . ( C a m b r i d g e . então a busca de regras adquire u m a função que não possui normalmente. " M a x w e H * s I n f l u e n c e in G e r m a n y " . engendradas pela teoria eletromagnética de Maxwell e pela Mecânica Estatística. 1 9 5 7 ) . E m b o r a eles q u a s e n ã o e x i s t a m d u r a n t e o s p e r í o d o s d e c i ê n c i a normal. alguns dos quais continuam até h o j e . p p . II. . La théorie physique au sens de Boltzmann et ses prolongements modemes (Neuchâtel. v e r J E A N U L L M O . ver H . pp. 1 9 5 9 ) . 146-49. C a p . e MARÍE BOAS. ocorrem periodicamente p o u c o antes e durante a s r e v o l u ç õ e s científicas — o s p e r í o d o s d u r a n t e o s q u a i s os paradigmas são primeiramente atacados e então m o dificados. P a r a a G e o l o g i a . From the Closed World to the lnfinite Universe ( B a l t i m o r e . Q u a n d o os cientistas n ã o estão de a c o r d o sobre a existência ou n ã o de soluções p a r a os problemas fundamentais de sua área de estudos. i r . No tocante à recepção obtida p e l o s trabalhos de M a x w e l l .6 5 e e s p e c i a l m e n t e p p . 5 8 . C .respeito de métodos. 7 7 i e Life of William Thomson Baron Kelvin of Largs ( L o n d r e s . CANNON. 1831-1931 (Cambridge. N o tocante à Química.6 3 . 158-84. 1923). 206-19. A D o c u m e n t a r y History of the P r o b l e m of Fali from Kepler to N e w t o n . 4 5 . La crise de la physique quantique (Paris.' siècle ( P a r i s . X I . C a p . Para os debates c o m os cartesianos e leibnizianos. II. debates dessa natureza n ã o desaparecem de u m a vez p o r t o d a s c o m o s u r g i m e n t o do p a r a d i g m a . v e r W A L T E R F . Gênesis and Geology ( C a m b r i d g e . 3 4 5 6 3 . 1021-27. T H O M P S O N .» ã Ia fin du XVIII. pp. e C . M E T Z O E R . IV-V. problemas e padrões de solução legítimos — e m b o r a esses debates sirvam mais p a r a d e finir e s c o l a s d o q u e p a r a p r o d u z i r u m a c o r d o . Caps. L'Introduction des théories de Newton en France au XVIII-» siècle (Paris. 1910). M a s s . A transição da mecânica n e w t o n i a n a p a r a a quântica evocou muitos debates a respeito da natureza e dos padrões da Física. A. v e r R E N É D U G A S . LI pp. A i n d a hoje existem cientistas q u e p o d e m r e cordar discussões semelhantes. E. 1931). ver PiERRE BKUNET. Além disso. b e m antes disso. S I L V A N U S P . P a r a u m a a m o s t r a d a luta contra o s aristotélicos. O I L L I S P I E . p p . S o b r e a M e c â n i c a E s t a t í s t i c a . 38-55 ( 1 9 6 0 ) . The Uniformitarian-Catastrophist Debate. N o q u e d i z r e s p e i t o à M e c â n i c a Q u â n t i c a . 1950). 1931).

como pode u m a m u d a n ç a d e p a r a d i g m a afetar a p e n a s u m p e q u e n o s u b g r u p o ? O q u e foi d i t o a t é a q u i p a r e c e i m p l i c a r q u e a ciência normal é um empreendimento único. d e s c r i t a s e m l i v r o s d e n a t u r e z a m u i t o distinta. Se a c i ê n c i a n o r m a l é t ã o r í g i d a e as c o m u n i d a d e s c i e n tíficas t ã o e s t r e i t a m e n t e e n t r e l a ç a d a s c o m o a e x p o s i ção precedente dá a entender. q u a n d o e x i s t e m . A i n trodução deste ensaio sugere a existência de revoluções grandes e pequenas. monolítico e u n i f i c a d o q u e d e v e persistir ou d e s a p a r e c e r . seja c o m a l g u m d e s e u s p a r a d i g m a s . assemelha-se a u m a estrutura bastante instável. a substituição de p a r a d i g m a s por r e g r a s d e v e r i a facilitar a c o m p r e e n s ã o d a d i v e r s i d a d e d e c a m p o s e e s p e c i a l i z a ç õ e s científicas. t r a b a l h a n d o n o m e s mo c a m p o de estudos ou em campos estreitamente rel a c i o n a d o s . seja c o m o c o n j u n t o deles. M e s m o o s q u e . c o m e ç a m seus e s t u d o s p o r l i v r o s e r e a l i z a ç õ e s científicas i d ê n t i c o s . a Astronomia e a Botânica Taxionômica. M a s é óbvio q u e a ciência r a r a m e n t e ( o u n u n c a ) procede dessa maneira. se considerarmos todos seus c a m p o s . Aqueles que trabalham em campos de estudo muito afastados.eles p o d e m f u n c i o n a r s e m q u e h a j a n e c e s s i d a d e d e um. sem coerência entre suas p a r t e s . q u a n d o comparados c o m as regras e p r e s s u p o s t o s p a r t i l h a d o s p o r u m g r u p o científico. Freqüentemente. O p r ó x i m o capítulo examinará alguns exemplos desse tipo de revolução — mas ainda não sabemos como se produzem. A s r e g r a s e x p l í citas. por exemplo. e m g e r a l s ã o c o m u n s a u m g r u p o científico b a s t a n t e a m p l o . a t é m e s m o a d e s c o b e r t a d e u m f e n ô m e n o n o v o e i n e s p e r a d o p o d e ser r e v o l u c i o n á r i a . como. P a r a tais g r u p o s . n a d a d o q u e foi a f i r m a d o a t é a g o ra opõe-se necessariamente a esta observação t ã o familiar. Ao contrário. P o d e m o s concluir este capítulo a p r e s e n t a n d o u m a quarta razão q u e nos permite atribuir u m a prioridade aos paradigmas. algumas afetando apenas os estudiosos de u m a subdivisão de um c a m p o de estudos. p o d e m a d q u i r i r p a r a d i g m a s bastante diferentes no curso de sua especialização p r o fissional. a c o r d o sobre as razões de seu e m p r e g o ou m e s m o sem qualquer tentativa de racionalização. . E n t r e t a n t o .— a l g o q u e n ã o p r e c i s a ocorrer com os paradigmas. receb e m sua e d u c a ç ã o no contato c o m realizações científicas b a s t a n t e d i v e r s a s .

o á t o m o dc hélio era u m a m o l é c u l a p o r q u e se c o m p o r t a v a c o m o tal d e s d e o p o n . U m i n v e s t i g a dor. u m a m o d i f i c a ç ã o q u e reflete a p e n a s u m a o u o u t r a a p l i c a ção do paradigma será revolucionária somente para os m e m b r o s de u m a subespecialidade profissional específica. p e r g u n t o u a um físico e a um q u í m i c o e m i n e n t e s se um ú n i c o á t o m o de hélio era ou n ã o u m a molécula. n ã o é o m e s m o p a r a d i g m a e m t o d o s esses c a s o s . O significado q u e a M e c â n i c a Q u â n t i c a p o s s u i p a r a c a d a um deles depende d o s cursos freqüentados. e m b o r a a M e c â n i c a Q u â n t i c a ( o u a D i n â m i c a newtoniana ou a t e o r i a e l e t r o m a g n é t i c a ) seja u m p a r a d i g m a p a r a m u i t o s g r u p o s científicos. P a r a o r e s t a n t e d o s e s p e c i a l i s t a s e p r a t i c a n t e s de o u t r a s c i ê n c i a s físicas esta m o d i f i c a ç ã o n ã o p r e c i s a n e c e s s a r i a m e n t e ser r e v o l u c i o n á r i a . U m a b r e v e i l u s t r a ç ã o d o s efeitos d a e s p e c i a l i z a . q u e esperava aprender algo a respeito do que os c i e n t i s t a s c o n s i d e r a m ser a t e o r i a a t ô m i c a . ainda outros à Física dos E s t a d o s Sólidos e assim por diante. A m b o s resp o n d e r a m sem hesitação. P a r a o físico. Conclui-se daí q u e . E m s u m a . por exemplo. P a r a o químico. M a s n e m todos a p r e n d e m a s m e s m a s a p l i c a ç õ e s d e s s a s leis e p o r isso n ã o são afetados da m e s m a maneira pelas m u d a n ç a s na prática da Mecânica Quântica.Examinemos. P o r isso p o d e d a r o r i g e m s i m u l t a n e a m e n t e a diversas tradições da ciência normal q u e coincidem parcialmente./ to de v i s t a da t e o r i a c i n é t i c a d o s g a s e s . U m a revolução p r o d u z i d a no interior de u m a dessas tradições n ã o se estenderá necessariamente às outras. a p e n a s a l g u n s físicos e n t r a m em contato com os princípios básicos da Mecânica Quântica. e m b o r a u m a m o d i f i c a ç ã o n a s leis m e c â n i c o . m a s suas respostas não coincidiram. i o hélio não era u m a molécula p o r q u e n ã o a p r e s e n t a v a / . e a m a i o r p a r t e deles as e m p r e g a m em algum m o m e n t o de suas pesquisas ou tarefas didáticas.q u â n ticas seja r e v o l u c i o n á r i a p a r a t o d o s esses g r u p o s . O u t r o s estudam detalhadamente as aplicações paradigmáticas desses princípios à Química.^ ç ã o r e f o r ç a r á essa s é r i e d e a r g u m e n t o s . a comunidade ampla e d i v e r s i f i c a d a c o n s t i t u í d a p o r t o d o s os físicos. No curso de sua e s p e c i a l i z a ç ã o p r o f i s s i o n a l . A t u a l mente cada membro desse grupo aprende determinad a s leis ( p o r e x e m p l o . dos textos lidos e dos periódicos estudados. a s d a M e c â n i c a Q u â n t i c a ) . sem serem coexistentes.

O investigador era J A M E S K . S Ê N I O R .l h e s o q u e u m a molécula d e v e ser. veremos q u ã o cheias de conseqüências p o d e m ser a s d i f e r e n ç a s d e p a r a d i g m a d e s s a n a t u r e z a . m a s neste caso n ã o indicaram o m e s m o resultado aos dois especialistas. c o m q u e m estou e m dívida por um relatório verbal. . Alguns temas relacionados são examinados no s e u t r a b a l h o . pp. Sem dúvida alguma suas experiências tinham muito em c o m u m . Suas experiências na resolução de problemas indicar a m . T h e V e r n a c u l a r o f t h e l l a b o r a t o r y . Philosophy o f Science. 7 7 . P o d e m o s supor q u e a m b o s falavam da m e s m a partícula. N a m e d i d a e m q u e a v a n ç a r m o s n a nossa análise. m a s a e n c a r a v a m a partir de suas respectivas formações e práticas de pesquisa. 163-168 (1958>. X X V .u m espectro m o l e c u l a r .

5. A ciência n o r m a l n ã o se p r o p õ e descobrir novidad e s no terreno dos fatos ou da teoria. ela s e a d e q u a c o m g r a n d e p r e c i s ã o à i m a g e m h a b i t u a l d o t r a b a l h o científico. C o n t u d o . Entretanto. E m t o d o s esses a s p e c t o s . a ampliação contínua do alcance e d a p r e c i s ã o d o c o n h e c i m e n t o científico. extremamente bem sucedido no que toca ao seu objetivo. q u a n d o é b e m sucedida. atividade que consiste em solucionar quebra-cabeças. n ã o as encontra. A ANOMALIA E A EMERGÊNCIA DAS DESCOBERTAS CIENTIFICAS A ciência n o r m a l . falta a q u i u m p r o d u t o c o m u m d o e m p r e e n d i m e n t o científico. fenômenos nov o s e i n s u s p e i t a d o s s ã o p e r i o d i c a m e n t e d e s c o b e r t o s pe— . é um e m p r e e n d i m e n t o altamente cumulativo.

p a r a então estudar as invenções ( o u novidades concernentes à t e o r i a ) . A descob e r t a c o m e ç a c o m a c o n s c i ê n c i a d a a n o m a l i a . No restante deste capítulo examinaremos descobertas escolhidas e descobriremos r a p i d a m e n t e que elas n ã o são eventos i s o l a d o s . de alguma m a n e i r a . examinando em primeiro lugar descobertas ( o u novidades relativas a fatos). isto é . é preciso que a pesquis a o r i e n t a d a p o r u m p a r a d i g m a seja u m m e i o p a r t i c u l a r m e n t e eficaz d e i n d u z i r a m u d a n ç a s n e s s e s m e s mos paradigmas que a orientam. d o t a d o s d e u m a estrutura que reaparece regularmente. d e tal f o r m a q u e o a n ô m a l o se tenha convertido no esperado. D e v e m o s a g o r a p e r g u n t a r c o m o p o d e m surgir tais mudanças. Esse trabalho somente se encerra q u a n d o a t e o r i a d o p a r a d i g m a for a j u s t a d a . c o m o reconhecimento de q u e . sua assimilação requer a e l a b o r a ç ã o d e u m n o v o c o n j u n t o . S u a a r t i f i c i a l i d a d e é u m a p i s t a i m p o r t a n t e p a r a várias das principais teses deste ensaio. A t é q u e tal a j u s t a m e n t o tenha sido c o m p l e t a d o — até que o cientista tenha a p r e n d i d o a ver a n a t u r e z a de um m o d o d i f e r e n t e — o n o v o fato n ã o será considerado c o m p l e t a m e n t e científico. O e x a m e histór i c o n o s s u g e r e q u e o e m p r e e n d i m e n t o científico d e s e n v o l v e u u m a t é c n i c a p a r t i c u l a r m e n t e eficiente n a produção de surpresas dessa natureza. Essa distinção entre descoberta e invenção ou entre fato e teoria revelar-se-á em seguida excessivamente artificial. o e m p r e e n d i m e n t o científico n u n c a m a i s é o m e s m o — ao m e n o s p a r a os e s p e c i a l i s tas cujo c a m p o de estudo é afetado por essas novidades. . A assimilarão d e u m n o v o t i p o d e f a t o e x i g e m a i s d o q u e u m a j u s t a m e n t o a d i t i v o d a t e o r i a . P r o duzidas inadvertidamente por um jogo realizado segundo um conjunto de regras. m a s e p i s ó d i o s p r o l o n g a d o s .I a p e s q u i s a científica. D e p o i s q u e elas se i n c o r p o r a r a m à c i ê n c i a . Se queremos conciliar essa característica da ciência n o r m a l c o m o que afirmamos anteriormente. Segue-se então u m a exploração mais ou menos ampla da área onde ocorreu a anomalia. a natureza violou as expectativas paradigmáticas que gov e r n a m a ciência normal. c i e n t i s t a s t ê m c o n s t a n t e m e n t e inventado teorias radicalmente novas. Esse é o papel das n o v i d a d e s f u n d a m e n t a i s r e l a t i v a s a fatos e t e o r i a s .

7 6 0 . Um t r a b a l h o r e c e n t e e indispensável. Lavoisier. 2 . Sobre a discussão ainda clássica a respeito da descoberta do oxigênio. 1 2 3 1. A Lost Letter from Scheele to L a v o s i e r . O farmacêutico sueco C. 1 9 5 7 . entretanto. C a p s . Mass. W. p p . Para um relato m a i s c o m p l e t o e u m a bibliografia. que inclui u m a e x p o s i ç ã o da c o n t r o v é r s i a s o b r e a prioridade. II e III. ver A . O seg u n d o p r e t e n d e n t e à d e s c o b e r t a foi o c i e n t i s t a e clér i g o b r i t â n i c o J o s e p h P r i e s t l e y . p. T h e H i s t o r i c a l Structure o f Scientific D i s c o v e r y . B. The Eighteenth-Century Revolution in Science — the First Phase ( C a l c u t á . v á r i o s o u t r o s q u í m i c o s d e v e m ter p r o d u z i d o a r e n r i quecido n u m recipiente de laboratório. 1. Em 1 7 7 4 .l a e a l é m d i s s o . C X X X V I . Nesse exemplo tirado da Química Pneumática. J. N. depois de novos testes. Case 2. Pelo m e n o s três sábios têm d i r e i t o a r e i v i n d i c á . surge mais puro. U N O B O C K I U N D . visto q u e s ó foi p u b l i c a d o d e p o i s d e a d e s c o b e r t a d o o x i g ê n i o ter s i d o a n u n c i a d a r e p e t i d a m e n t e e m o u t r o s l u gares. 1962). o progresso da ciência n o r m a l p r e p a r o u o c a m i n h o p a r a u m a ruptura radical. é o d e M A U R I C E D A U M A S . p o d e m o s ignorar o seu t r a b a l h o . 1955). ver t a m b é m T . théoricien et expérimentateur (Paris. The Overthrow of the Phlogiston Theory: The Chemical Revolution of 1775-1789 ("Harvard Case Histories in Experimental Science".1 9 5 8 . sem o saberem. S. 1 9 3 0 ) . MELDRUM. Em 1775..7 6 4 (junho. Lavoisier escreveu q u e o gás obtido c o m o aquecimento do oxido vermelho de m e r c ú r i o era "o próprio ar. p o r v o l t a de 1 7 7 0 . . 3 . 23. 3 9 . m u i t o útil. inteiro.6 2 . sem alteração (exceto q u e ) . identificou-o c o m o a r c o m u m d o t a d o d e u m a q u a n t i d a d e d e flogisto m e n o r d o q u e a u s u a l . K U H N . iniciou as pesquisas q u e o levariam ao oxigênio após os experimentos de 1 7 7 4 de Priestley. N ã o teve p o r t a n t o qualquer influência sobre o m o d e l o histórico q u e mais nos p r e o c u p a aqui. Lychnos. Cambridge. Esse folheto. Scheele é o primeiro cientista a q u e m p o d e m o s atribuir a preparação de u m a amostra relativamente pura do gás. p p . No início de 1 7 7 5 . Science. L a v o i s i e r . r e p r o d u z m u i t o s d o c u m e n t o s i m p o r t a n t e s . . examinaremos um exemplo particularmente famoso: a descoberta do oxigênio. q u e r e c o l h e u o g á s lib e r a d o pelo oxido de mercúrio vermelho aquecido. E s s e t r a b a l h o r e p r e s e n t a v a u m d o s itens d e u m a p r o l o n g a d a investigação n o r m a l acerca d o s " a r e s " liber a d o s por u m grande n ú m e r o d e substâncias sólidas. 1950). p a r a u m a a v a l i a ç ã o d i f e r e n t e d o papel de Scheele. C a p . . Ver. C O N A N T . o terceiro pretendente.P a r a vermos a q u e p o n t o as novidades fatuais e t e ó r i c a s e s t ã o e n t r e l a ç a d a s n a d e s c o b e r t a científica. C o n t u d o . Priestley identificou o gás assim produzido c o m o oxido nitroso. V . possivelmente devido a u m a sugestão desse último. mais respirável".

N ã o nos interessa absolutamente chegar a u m a decisão acerca de prioridades e datas. descobriu primeiro o oxigênio? De qualquer maneira. (se algum d e l e s ) .P o r volta de 1 7 7 7 . u m a tentativa de resposta esclarecerá a natureza das descobertas. n ã o p o d e m o s concedê-la a Lavoisier p o r s e u t r a b a l h o de 1 7 7 5 . m a s apresenta os m e s m o s problemas. É preciso talvez esperar pelos trabalhos de 1776 e 1 7 7 7 . isso f o r a f e i t o p o r t o d o s a q u e l e s q u e a l g u m a vez engarrafaram o ar atmosférico. a q u e s t ã o p o d e r i a ser c o l o c a d a m e s m o n o c a s o de um único pretendente à descoberta. N ã o obstante. q u a n d o foi d e s c o b e r t o o o x i g ê n i o ? A p r e s e n t a d a d e s s e m o d o . A p r e t e n s ã o de P r i e s t l e y à d e s c o b e r t a do o x i g ê n i o b a s e i a . Priestley ou Lavoisier. _ Esse modelo de descoberta levanta u m a questão q u e p o d e ser c o l o c a d a c o m r e l a ç ã o a t o d o s o s n o v o s fenômenos que chegam à consciência d o s cientistas. u m a substância q u e j á conhecia. que lev a r a m L a v o i s i e r n ã o s o m e n t e a ver o g á s .l o . provavelmente com a ajuda de u m a segunda sugestão de Priestley. e m 1 7 7 5 identificou o g á s c o m o ar d e s f l o g i s t i z a d o — o q u e a i n d a n ã o é oxigênio e n e m m e s m o u m a espécie de gás m u i t o inesp e r a d a p a r a o s q u í m i c o s l i g a d o s à t e o r i a d o flogisto.s e no f a t o de ele t e r s i d o o p r i m e i r o a isolar u m g á s q u e m a i s t a r d e foi r e c o n h e c i d o c o m o u m e l e m e n t o distinto. q u e o l e v o u a identificar o gás c o m o sendo "o próprio ar. m a s i g u a l - . O f a t o d e q u e e l a s s e j a m feitas — a p r i o r i d a d e da d e s c o b e r t a d o o x i g ê n i o foi m u i t a s v e z e s c o n t e s t a d a d e s d e 1 7 8 0 — é u m s i n t o m a d e q u e existe a l g o d e e r r a d o n a i m a g e m da ciência q u e concede à descoberta um papel tão fundamental. inteiro". A a l e g a ç ã o d e L a v o i s i e r p o d e ser m a i s c o n s i s t e n t e . A l é m do mais. Lavoisier concluiu que esse g á s c o n s t i t u í a u m a c a t e g o r i a e s p e c i a l . se P r i e s t l e y foi o d e s c o b r i d o r . q u e m . q u a n d o o c o r r e u a d e s c o b e r t a ? E m 1 7 7 4 ele p e n s o u ter o b t i d o o x i d o n i t r o s o . já que n ã o existem as respostas desejadas p a r a tais perguntas. M a s a amostra de Priestley n ã o era p u r a e se segurar oxigênio i m p u r o nas m ã o s é d e s c o b r i . A d e s c o b e r t a n ã o é o t i p o de p r o c e s s o a r e s p e i t o do q u a l seja a p r o p r i a d o c o l o c a r t a i s q u e s t õ e s . Examinemos nosso exemplo mais u m a v e z . s e n d o u m dos dois principais componentes da atmosfera — conc l u s ã o q u e P r i e s t l e y n u n c a foi c a p a z d e a c e i t a r . Se recusarmos a palma a Priestley.

e m b o r a ainda n ã o soubéssemos exatamente quando. VII.m e n t e o q u e o g á s e r a . q u e e n v o l v e o r e c o n h e c i m e n t o t a n t o d a existência de algo. M a s este últim o d a d o n u n c a p o d e ser f i x a d o e o p r i m e i r o f r e q ü e n temente t a m b é m não. E n t r e t a n t o . N o t e . d e v a s e r i n e q u i v o c a m e n t e a t r i b u í d o a um i n d i v í d u o e a u m m o m e n t o d e t e r m i n a d o n o t e m p o .s e . p o d e m o s dizer c o m s e g u r a n ç a q u e o o x i g ê n i o n ã o foi d e s c o b e r t o antes de 1 7 7 4 e provavelmente t a m b é m diríamos que foi d e s c o b e r t o p o r v o l t a d e 1 7 7 7 o u p o u c o d e p o i s . q u a l q u e r tentativa de datar a descoberta será' inevitavelmente arbitrária. 1935) e H. S o m e n t e q u a n d o todas essas categorias conceituais relevantes estão pre4 4. e n q u a n t o o calórico sobreviveu até 1 8 6 0 . D A U M A S . METZGER. I g n o r a n d o Scheele. P o r isso s u p o m o s tão facilmente q u e descobrir. é enganad o r a . estão i n e s p e r a d a m e n t e ligados à descoberta. M a s se tanto a observação c o m o a conceitualização. então esta é um processo que exige t e m p o . o p r i n c í p i o d e a c i d e z s ó foi b a n i d o d a Q u í m i c a depois de 1810. L a v o i s i e r insistiu q u e o o x i g ê n i o e r a " u m p r i n c í p i o de a c i d e z " a t ô m i c o e q u e o gás o x i g ê n i o se form a v a somente q u a n d o o "princípio" se unia ao calór i c o . a p a r t i r d e 1 7 7 7 . La cit. insistiríamos sem hesitação q u e Priestley fora seu descobridor. A_proposiçâo^__'^0 o x i g ê n i o f o i . op. que se considerássemos o oxigênio c o m o sendo ar desflogistizado. e m b o r a indubitavelmente correta. (Paris. de la matière chez Lavoisier. N o e n t a n t o . pois sugere q u e descobrir alguma coisa é um ato simples e único. M a s d e n t r o d e s s e s limites o u o u t r o s s e m e l h a n t e s . A n t e s de qualquer u m a dessas datas o oxigênio tornara-se u m a substância química padrão. c o m o ver ou tocar. j á q u e .d e s coberto".s e t e n t a d o s a fazer essa a f i r m a ç ã o . o fato e a assimilação à teoria. assimilável ao nosso conceito habitual ( e i g u a l m e n t e q u e s t i o n á v e l ) d e v i s ã o . . a s u b s t â n c i a d o c a l o r . pois a d e s c o b e r t a de um n o v o tipo de fenômeno é necessariamente um acontecimento complex o . c o m o de s u á natureza. P o d e m o s e n t ã o dizer q u e o oxigênio ainda não fora descoberto em 1777? Alguns p o d e r ã o s e n t i r . p o r e x e m p l o . m e s m o esse r e c o n h e c i m e n t o p o d e r i a ser c o n t e s t a d o . O b v i a m e n t e necessitamos de novos conceitos e novo vocabulário para analisar eventos como a descob e r t a d o o x i g ê n i o .. philosophie Cap.

O t r a b a l h o sobre o oxigênio d e u f o r m a e estrutura mais precisas à impressão anterior de L a voisier de que h a v i a algo e r r a d o na teoria química c o r r e n t e . o valor atribuído a um novo fenômeno (e portanto sobre seu descobridor) varia com nossa estimativa da dimensão da violação das previsões do p a r a d i g m a p e r p e t r a d a p o r este. Lavoisier — the Crucial Year: The Backgrourtd and Origin of His First Experiments on Combustion in 1772 (Ithaca. a existência e a natureza d o q u e o c o r r e .p a r a d a s de a n t e m ã o (e nesse caso n ã o se trata de um novo tipo de fenômeno pode-se descobrir ao mesmo t e m p o . De fato.s e d e q u e corpos em combustão absorvem u m a parte da atmosfera. 1961). como em outros. M a i s : c o n v e n c e u . embora n ã o necessariamente prolongado. n u n c a teria parecido tão importante. Essa consciência prévia d a s d i f i c u l d a d e s d e v e t e r s i d o u m a p a r t e significativa 5 5. o problema da prioridade ( d o qual partimos). E s s a t e o r i a foi a p e d r a a n g u l a r d e u m a r e f o r m u l a ç ã o t ã o a m p l a d a Q u í m i c a q u e v e i o a ser c h a m a d a de Revolução Química. O q u e L a v o i s i e r a n u n c i o u e m s e u s t r a b a l h o s p o s t e r i o r e s a 1 7 7 7 n ã o foi t a n t o a d e s c o b e r t a do oxigênio. Observe-se. Lavoisier convenceu-se de q u e havia algo errado c o m a t e o r i a flogística.l h e a l g o q u e ele j á e s t a v a p r e p a r a d o p a r a descobrir: a natureza da substância q u e a c o m bustão subtrai da atmosfera. se a descoberta do oxigênio n ã o tivesse e s t a d o i n t i m a m e n t e relacionada com a emergência de um novo paradigma para a Q u í mica. A d m i t a m o s agora que a descoberta envolve um processo de assimilação conceituai amplo. r á p i d a e f a c i l m e n t e . entretanto — p o i s i s t o t e r á i m p o r t â n c i a m a i s t a r d e — q u e a d e s c o b e r t a d o o x i g ê n i o n ã o foi e m s i m e s m a a c a u s a da m u d a n ç a na teoria química. c o m o a teoria da c o m b u s t ã o pelo oxigên i o . Nesse caso. . a resposta deve ser a f i r m a t i v a . I n d i c o u . M u i t o antes de d e sempenhar qualquer papel na descoberta de um novo gás. Registrara essas convicções n u m a n o t a lacrada depositada junto ao secretário da Academia Francesa em 1 7 7 2 . pelo menos nesse caso. O relato mais autorizado sobre a origem do descontentamento de Lavoisier é o de H É N R Y G U E R I A C . Poderemos igualmente afirmar q u e envolve u m a modificação no paradigma? A i n d a n ã o é possível d a r u m a resposta geral a essa questão. m a s . N Y .

L a v o i s i e r fizera e x p e r i ê n c i a s q u e n ã o p r o d u z i r a m o s r e s u l t a d o s p r e v i s t o s p e l o p a r a d i g m a flogístico. L. Esse tipo de descoberta ocorre mais freqüentemente do que os padrões i m p e s s o a i s d o s r e l a t ó r i o s científicos n o s p e r m i t e m p e r c e b e r . 6 M e s m o um r e s u m o tão sucinto revela semelhanças impressionantes c o m a descoberta do oxigênio: antes das experiências c o m o oxido vermelho de merc ú r i o . colocada a certa distância de sua a p a relhagem protetora. deve t e r s i d o a r a z ã o p r i n c i p a l p a r a P r i e s t l e y ter p e r m a n e c i d o . the Pioneer Science (Boston. é um caso clássico de descoberta p o r acidente. 1949). d u r a n t e as quais R o e n t g e n r a r a mente deixou o laboratório — indicaram que a causa do brilho provinha do tubo de raios catódicos. Ao m e s m o t e m p o . brilhava quando se produzia uma descarga. a descoberta de R o e n t g e n c o m e ç o u c o m o reconhecim e n t o d e q u e s u a t e l a b r i l h a v a q u a n d o n ã o d e v i a fa6. ao notar que u m a tela de cianeto de platina e b á r i o . Historie Researches (Londres. a t é o fim d e s u a v i d a . além d e muitas outras coisas. T. S u a h i s t ó r i a c o m e ç a n o d i a e m q u e o físico R o e n t g e n interrompeu u m a investigação normal sobre os raios catódicos. m a s a um agente d o t a d o de alguma semelhança com a luz.daquilo q u e permitiu a Lavoisier ver nas experiências s e m e l h a n t e s ^ à s „de P r i e s t l e y u m g á s q u e o p r ó p r i o P r i e s tley f o r a i n c a p a z d e p e r c e b e r . o f a t o d e q u e e r a n e c e s s á r i o u m a revisão" i m p o r t a n t e n o p a r a d i g ma p a r a q u e se pudesse ver o q u e Lavoisier vira. 790-794 e 218-219. PPPP- . O primeiro. 1941). T A Y L O R . N u m esforço para a p r e sentar as principais formas pelas quais as descobertas p o d e m ocorrer. escolhemos exemplos q u e são diferentes e n t r e s i e s i m u l t a n e a m e n t e d i v e r s o s d a d e s c o b e r t a do oxigênio. que a r a d i a ç ã o p r o j e t a v a s o m b r a s e q u e n ã o p o d i a ser d e s viada p o r u m ímã. I n v e r s a m e n t e . Dois outros exemplos b e m mais breves reforçarão o q u e a c a b a m o s de dizer. Investigações posteriores — q u e exigiram sete s e m a n a s febris. Roentgen convencera a s i p r ó p r i o q u e e s s e efeito n ã o s e d e v i a a o s r a i o s c a t ó dicos. Antes de anunciar sua descoberta. W . W . Physics. CHALMEIS. i n c a p a z d e v ê . nos permitirão passar de u m a elucidação da natureza das descobertas a u m a compreensão das circunstâncias sob as quais elas surgem na ciência. o dos raios X.l o .

de um f e n ô m e n o p a r a o q u a l o p a r a d i g m a n ã o p r e p a r a r a o investigador — d e s e m p e n h o u um papel essencial na p r e p a r a ç ã o do c a m i n h o q u e permitiu a p e r c e p ç ã o da novidade. a dos raios X n ã o esteve. quando n ã o se perc e b e u s e n ã o u m a t e l a e m i t i n d o sinais l u m i n o s o s . T . L o n d r e s . A. 1 9 5 1 ) . e d . n ã o descobriu a b s o l u t a m e n t e n a d a . n u m terceiro aspecto. n o t a 1 . ) M a s n e n h u m d e s ses p a r a d i g m a s p r o i b i a ( p e l o m e n o s e m a l g u m s e n t i do ó b v i o ) a existência de raios X. para sua posterior tristeza. Em a m b o s os casos a p e r c e p ç ã o da a n o m a l i a — isto é. ( 2 . t a m b é m nesses dois c a s o s . . S i r G e o r g e T h o m p s o n nformou-me a respeito de u m a segunda quase-descoberta. Sir W i l l i a m "rookes. (A teoria eletromagnética de M a x w e l l ainda n ã o fora aceita por todos e a teoria das partículas de raios catódicos er a u m a i. tal c o m o a teoria do flogisto p r o i b i r a a i n t e r p r e t a ç ã o de L a v o i s i e r a r e s 7 7 . / E n t r e t a n t o .zê-lo. P o d e m o s somente dizer que os raios X surgiram em W ü r s b u r g entre 8 de n o v e m bro e 28 de dezembro de 1 8 9 5 .ntre m u i t a s e s p e c u l a ç õ e s e x i s t e n t e s . E m q u e s e n t i d o p o d e . History of the Theories of Aether and Electriclty. I . estava gualmente no caminho da descoberta. a existência de p a r a l e l i s m o s significativos e n t r e a s d e s c o b e r t a s d o o x i gênio e d o s raios X é b e m m e n o s aparente. E . W H I T T A K E R . Ao contrário da descoberta do oxigênio. e n t r e t a n t o . p . d u r a n t e u m a d é c a d a . em q u e m o m e n t o da investigação de R o e n t g e n p o d e m o s dizer q u e os raios X foram realmente descobertos? De qualquer m o d o . N ã o h á d ú v i d a . _de _que o s p a r a d i g m a s a c e i t o s p o r R o e n t g e n e seus c o n t e m p o r â n e o s n ã o p o d e r i a m t e r sido usados para predizer os raios X. N e m o oxigênio. M a s . É i g u a l m e n t e ó b v i o que n ã o p o d e m o s d e s l o c a r o momento da descoberta para um determinado ponto da última s e m a n a de investigações — q u a n d o R o e n t gen estava explorando as propriedades da nova radiaç ã o que ele já descobrira. 3 5 8 . alertado por placas fotográficas inexplicavelmente opacas.s e e n t ã o a f i r m a r q u e a a s s i m i l a ç ã o d e s s a descoberta tornou necessária u m a mudança de paradigma? Existem boas razões pára recusar essa m u d a n ç a . não no primeiro momento. implicada em qualquer^ t r a n s t o r n o m a i s ó b v i o d a t e o r i a científica. P o r exemplo. a p e r c e p ç ã o d e q u e a l g o s a í r a e r r a d o foi a p e nas o prelúdio da descoberta. n e m os raios X surgiram sem um processo ulterior de experimentação e assimilação. P e l o m e n o s um o u t r o observador já vira esse brilho e.

T a l v e z esses r a i o s . Na última década do século X I X . A princípio L o r d e Kelvin considerou-os um embuste muito bem elaborad o . q u e p o d e r i a m m u i t o b e m ter outras origens não-conhecid a s . sentiram-se confundidos por ela. E m b o r a a e x i s t ê n c i a d o s r a i o s X n ã o estivesse i n t e r d i t a d a p e l a t e o r i a e s t a b e l e c i d a . no futuro diversos tipos de aparelhos muito familiares t e r i a m q u e ser p r o t e g i d o s p o r u m a c a p a d e c h u m b o . por exemplo. Contudo. T r a b a l h o s anteriormente concluídos. n e m controlado. ela v i o l a v a e x p e c t a t i vas p r o f u n d a m e n t e arraigadas. Se o equipam e n t o de Roentgen produzira os raios X. Sem dúvida. Esse e m p r e e n d i m e n t o era u m projeto habitual n a ciência n o r m a l d a época. II. 1 9 1 0 ) . mas n ã o para surpresas. P o r q u e o s r a i o s X n ã o p u d e r a m ser a c e i t o s c o m o u m a n o v a f o r m a d e manifestação d e u m a classe b e m conhecida de fenômenos naturais? Por que n ã o foram recebidos da mesma maneira que. Lite of Xir p. estivessem implícitos em fenômenos anteriormente e x p l i c a d o s s e m r e f e r ê n c i a a eles. Outros. Wiliiam Thomson Baron . N a p i o r d a s h i p ó t e s e s .peito do gás de Priestley. ainda estavam sendo buscados e encontrados novos elementos para preencher os lugares vazios na tabela periódica. relativos a proj e t o s d a c i ê n c i a n o r m a l . p o i s os cientistas n ã o h a v i a m reconhecido. os raios X a b r i r a m u m novo c a m p o d e estudo. (Londres. embora não pudessem duvidar das provas apresentadas. t e r i a m q u e ser r e f e i t o s . m a s t a m b é m c o m choque. a m p l i a n d o assim o s domínios potenciais d a ciência n o r m a l . então muitos outros experimentadores deviam estar produzind o .o s s e m c o n s c i ê n c i a d i s s o . a descoberta de um elemento químico adicional? Na época de Roentgen. T H O M P S O N . i n f r a v e r m e l h a e u l t r a v i o l e t a . os raios X foram recebidos não só com surpresa. o sucesso de u m a investigação era motivo para congratulações. Creio q u e essas expectativas estavam implícitas no planejamento e na interpretação dos procedimentos de laboratório admitidos na época. Ao contrário: a prática e a t e o r i a científicas a c e i t a s e m 1 8 9 5 a d m i t i a m d i v e r s a s f o r m a s de r a d i a ç ã o — visível. The Kelvin of Largs. u m a variável relevante. o equip a m e n t o de raios catódicos era a m p l a m e n t e empregado em numerosos laboratórios europeus. 1 1 2 5 . Silvanus P. M a s t a m 8 8.

N a s experiências c o m o oxigênio. utilizando um teste-padrão para determinar "a boa qualidade do ar". pp. que freqüentemente têm desempenhado um papel d e c i s i v o n o d e s e n v o l v i m e n t o científico. Priestley renunciou ao procedimento habitual e tentou misturar oxido nítrico em outras proporções. . C O N A N T . misturam dois volumes do seu gás c o m um volume de oxido nítrico. No decorrer desse processo. Existem tanto expectativas instrumentais c o m o teóricas. juntamente com o ar atmosférico. corresponderia a um v o l u m e . a decisão de empregar um determinado aparelho e empregá-lo d e u m m o d o específico baseia-se n o pressuposto d e que somente certos tipos de circunstâncias ocorrerão. cil. Em resumo. Seu compromisso aos procedim e n t o s d o teste o r i g i n a l — p r o c e d i m e n t o s s a n c i o n a d o s por muitas experiências anteriores — fora simultaneam e n t e um c o m p r o m i s s o c o m a não-existência de gases q u e p u d e s s e m s e c o m p o r t a r c o m o fizera o o x i g ê n i o . faz p a r t e d a h i s t ó r i a d a descoberta tardia do oxigênio. conscientemente ou não. U m a d a s r a z õ e s p e l a s q u a i s e s s a r e a ç ã o n u c l e a r r e v e l o u . P o d e r í a m o s multiplicar as ilustrações desse tipo fazendo referência. No caso de q u a l q u e r o u t r o gás ( o u ar p o l u í d o ) . Somente muito mais tarde (e em parte devido a um acidente). p o r e x e m p l o .b é m modificaram (e esse é o p o n t o m a i s i m p o r t a n t e ) c a m p o s já existentes. à identificação tardia d a fissão d o u r â n i o .s e e s p e c i a l m e n t e difícil d e r e c o n h e c e r liga-se a o f a t o d e q u e o s p e s q u i s a d o r e s c o n s cientes do que se podia esperar do b o m b a r d e i o do u r â nio e s c o l h e r a m testes químicos que visavam descobrir principalmente quais eram os elementos do extremo su9 9. Priestley e Lavoisier. Op. A experiência prévia a partir da q u a l fora engend r a d o esse p r o c e d i m e n t o assegurava-lhes q u e o resíduo. p o r e x e m p l o . sacudiram a mistura sob r e a á g u a e e n t ã o m e d i r a m o v o l u m e de r e s í d u o g a soso. 18-20. a m b o s e n c o n t r a r a m um resíduo que se aproximava de um volume e a partir desse d a d o identificaram o gás. U m a d e s s a s ^ e x p e c t a t i v a s . o dir e i t o a esse t í t u l o . n e garam a determinados tipos de instrumentação. o v o l u m e seria maior. q u e anteriormente eram considerados paradigmáticos.

um dos dois principais produtos da fissão parece n ã o ter sido identificado por m e i o s q u í m i c o s s e n ã o depois da r e a ç ã o ter s i d o b e m c o m p r e e n d i d a . a G a r r a f a de L e y d e n . n ã o p o d e m o s dar esse salto que contradiria todas as experiências prévias da Física Nuclear. p o r q u e esse e l e m e n t o t e v e q u e ser a d í t a d o à s o l u ç ã o r a d i o a t i v a p a r a p r e c i p i t a r o e l e mento pesado que os químicos nucleares estavam buscando. poderemos igualmente entender como a „ descoberta dos raios X pode ter aparecido c o m o um e s t r a n h o m u n d o n o v o p a r a muitos cientistas e assim participar t ã o efetivamente da crise q u e gerou a Física do século X X . XXVII (1939). . estreitamente relacionados à F í s i c a .8 9 ( 1 9 4 0 ) . Ce em vez de Ra. M a s . P o r e x e m plo. O b á r i o . pertence a u m a classe que pode ser d e s c r i t a c o m o s e n d o i n d u z i d a p e l a t e o r i a . p p . R e s t r i n g e m i n e v i t a v e l m e n t e o c a m p o f e n o m e n o l ó g i c o acessível e m q u a l q u e r m o m e n t o d a i n v e s t i g a ç ã o científica. T a n t o os perío1 0 10. " ü b e r d e n N a c h w e i s u n d das V e r h a l t e n der bei B e s t r a h l u n g d e s U r a n m i t t e l s N e u t r o n e n e n t s t e h e n d e d E r d a l k a l i m e t a l l e " . Bell System Technical Journal. P o d e ser que u m a série de estranhos acidentes torne nossos resultados enganadores" ( H A H N . q u a s e f o i i d e n t i f i c a d o q u i m i c a m e n t e n a e t a p a final d a i n v e s t g a ç ã o . _Grande p a r t e d o q u e foi d i t o a t é a g o r a s u g e r e q u e a s d e s c o bertas preditas pela teoria fazem parte da ciência norm a l e n ã o p r o d u z e m novos tipos de f a t o s . Die Naturwissenschalten. M a s nem todas as teorias são teorias paradigmáticas. a modificar t o d o s os n o m e s do e s q u e m a ( d a r e a ç ã o ) precedente e a escrever Ba. Fritz. Levando-se em conta a freqüência c o m q u e tais c o m p r o m i s s o s instrumentais revelam-se enganadores. o o u t r o p T o d u t o . K. O fracasso em separar esse bário do produto radioativo conduziu. A c . C o n s e qüentemente. deveria a ciência abandonar os testes e instrumentos propostos pelo p a r a d i g m a ? N ã o . e s t a m o s e m condições d e perceber u m sentido fund a m e n t a l no qual u m a descoberta c o m o a dos raios X exige u m a m u d a n ç a de p a r a d i g m a — e p o r t a n t o u m a m u d a n ç a nos procedimentos e expectativas — para u m a f r a ç ã o e s p e c i a l d a c o m u n i d a d e científica. I s t o p o s to. 2 6 7 .' N o s s o ú l t i m o e x e m p l o d e d e s c o b e r t a científica. O criptônio. A p r i meira vista o t e r m o p o d e parecer p a r a d o x a l . Os p r o c e d i m e n t o s e a p l i c a ç õ e s do p a r a d i g m a s ã o t ã o n e c e s s á r i o s à c i ê n c i a c o m o as leis e t e o r i a s p a r a d i g m á t i c a s —— e t ê m os m e s m o s e f e i t o s . K. c o m o " q u í m i c o s nuclares". Disso resultaria um m é t o d o de pesquisa inconce*-~ bível. La. . T h . . Otto. X I X . esta investigação deveria conduzir-nos . Nuclear Fission. a o s e g u i n t e relatório: " C o m o químicos. 15). depois de a reação ter s i d o b e m i n v e s t i g a d a p o r q u a s e c i n c o a n o s . referi-me anteriormente às descobertas de novos elementos químicos d u r a n t e a segunda m e t a d e do século X I X c o m o s e n d o resultado da ciência normal — obtido da maneira acima mencionada. e S T R A S S M A N .perior da tabela p e r i ó d i c a . . DARROW.

Esse instrumento emergiu mais lentamente. n ã o existia u m p a r a d i g m a ú n i c o p a r a a p e s q u i s a elétrica. essa descoberta n ã o é exatamente a antecipada pela hipótese especulativa e experimental. T a m b é m n e s s e c a s o é i m p o s s í v e l p r e c i s a r o m o m e n t o da d e s c o berta.s e em p a r a d i g m a . >. c a p a z e s de i n d i c a r o c a m i n h o p a r a novas descobertas.d o s p r é . O instrumento q u e c h a m a m o s G a r r a f a d e L e y d e n surgiu e m a l g u m m o m e n t o d a s i n v e s t i g a ç õ e s e m q u e o s elet r i c i s t a s c o n s t a t a r a m esse f a t o . A descoberta da Garrafa de Leyden revela todos esses t r a ç o s . E s s a o p e r a ç ã o c o n s i s t i a e m s e g u r a r n a s m ã o s um recipiente de vidro cheio de água. entretanto. essas primeiras experiências n ã o conduzir a m o s eletricistas à d e s c o b e r t a d a G a r r a f a d e L e y d e n . O s eletricistas a i n d a precisavam aprender q u e a garrafa exigia u m a c a p a c o n d u t o r a ( t a n t o i n t e r n a c o m o e x t e r n a ) e q u e o f l u i d o n ã o fica a r m a z e n a d o no r e c i p i e n t e . todas derivadas d e fen ô m e n o s r e l a t i v a m e n t e acessíveis. Somente depois de a r t i c u l a r m o s e s t r e i t a m e n t e a e x p e r i ê n c i a e a t e o r i a experimental. c o m p e t i a m e n t r e si. E n t r e t a n t o . E m lugar disso. U m a d a s e s c o l a s d e eletricistas q u e c o m p e t i a m entre si concebeu a eletricidade c o m o um fluido. ao m e s m o t e m p o e m q u e p e r m a n e c i a m c o m o s pés n o solo. Muitas vezes. E s s e f r a c a s s o foi a fonte de d i v e r s a s d a s a n o m a l i a s q u e f o r n e c e r a m o p a n o de fundo p a r a a descoberta da Garrafa de Leyi d e n . As primeiras tentativas de a r m a z e n a r o fluido elétrico s o m e n t e funcionaram p o r q u e os investigadores seguraram o recipiente nas m ã o s . diversas teorias.p a r a d i g m á t i c o s . Q u a n d o o processo de d e s c o b r i m e n t o teve início. Ao retirar a garrafa da m á q u i n a e tocar a água ( o u um c o n d u t o r a ela l i g a d o ) c o m s u a m ã o l i v r e . p o d e surgir a descoberta e a teoria conv e r t e r . t o d o s esses e x p e r i m e n t a d o r e s r e c e b e r a m u m forte c h o q u e e l é t r i c o . d e s c o b r i n d o a i n d a v á - . os cientistas c o s t u m a m desenvolver m u i t a s teorias espec u l a t i v a s e d e s a r t i c u l a d a s . c o m o d u r a n t e a s crises q u e c o n d u z e m a m u d a n ç a s em grande escala do p a r a d i g m a . a l é m d o s q u e e x a m i n a m o s a n t e r i o r m e n t e . N e n h u m a delas conseguiu organizar muito b e m toda a 5^yariedade d o s f e n ô m e n o s e l é t r i c o s . colocando-se essa última e m c o n t a t o c o m u m c o n d u t o r p r o veniente de um gerador eletrostático em atividade. Essa c o n c e p ç ã o levou vários cientistas a t e n t a r e m engarrafar tal f l u i d o .

J. Depois de um pequeno acréscimo no tempo de exposição. 206-223 (1949). perguntava-se a cada p a r t i c i p a n t e o q u e ele v i r a . mas a l g u m a s t i n h a m sido modificadas. . Em maior ou menor grau (oscilando n u m contín u o entre o resultado chocante e o resultado antecip a d o ) . C a d a seqüência experimental consistia em m o s t r a r u m a ú n i c a c a r t a a u m a ú n i c a p e s s o a . 11 12 M e s m o nas exposições mais breves muitos indivíduos identificavam a maioria das cartas. E x i s t e m inclusive p r o vas de q u e essas m e s m a s características fazem parte da natureza do próprio processo perceptivo. Muitas das cartas eram normais. B r u n e r e P o s t m a n p e d i r a m a sujeitos e x p e r i m e n t a i s p a r a q u e i d e n t i f i c a s s e m u m a série d e c a r t a s d e b a r a l h o . u m seis d e e s p a d a s v e r m e l h o e u m q u a t r o d e c o p a s preto. n u m a série de apresentações cuja d u r a ç ã o crescia gradualmente.r i o s o u t r o s efeitos a n ô m a l o s . c o m o . A s e q ü ê n c i a t e r m i n a v a a p ó s d u a s identificações corretas sucessivas. . p p . Journal oj Personality. p r o p o r c i o n a n d o assim o primeiro paradigma completo p a r a os fenômenos ligados à eletricidade. B . A l é m d i s s o . as características c o m u n s aos três exemplos acima são traços de todas as descobertas das quais e m e í " g e m novos tipos de fenômenos.5 0 7 . a p ó s s e r e m e x p ô s . Essas características. pp. A respeito das várias etapas da evolução da Garrafa de Leyden. A Paradigma. S.5 2 . a s e x p e r i ê n cias q u e p r o p i c i a r a m o surgimento desse aparelho (muitas das quais realizadas por F r a n k l i n ) e r a m exatamente aquelas que t o r n a r a m necessária a revisão drástica da teoria do fluido. a e m e r gência gradual e simultânea de um reconhecimento tanto no plano conceituai como nó plano da observaç ã o e a conseqüente m u d a n ç a das categorias e proced i m e n t o s paradigmáticos — m u d a n ç a muitas vezes a c o m p a n h a d a p o r resistência. por 12. XVIII. por exemplo. 400-406. On the Perception of Incongruity: 385-386. i n c l u e m : a c o n s c i ê n c i a p r é v i a da a n o m a l i a . N u m a e x p e r i ê n c i a p s i c o l ó g i c a q u e m e r e c e ser m e l h o r c o n h e cida fora de seu c a m p o original. Franklin and Newton: An lnqulry into Speculative Newtonian Experimental Science and Franklin's Work in Electricíty as an Example Thereof (Filadélfia. Depois de cada apresentação. ver I. cit. 5 0 .' tos a elas d u r a n t e períodos curtos e experimentalmente controlados. COHEN. todos os entrevistados identificaram todas as cartas. 452-467 e 506W H I T T A K E R . No caso 1 1 . descrito pp. Leo.. BRUNER. op. O último estágio é 1956). & POSTMAN.

essas identificações e r a m geralmente corretas. p . M e u colega Postman me afirma que. n e m s e é d e e s p a d a s o u c o p a s . . A l é m d i s s o . e m b o r a con h e c e n d o de a n t e m ã o t o d o o a p a r e l h a m e n t o e a apresentação. M e s m o c o m u m t e m p o m é d i o d e exposição q u a r e n t a vezes superior ao que era necessário para reconhecer as cartas n o r m a i s c o m exatidão. N ã o e s t o u seguro nem m e s m o a respeito do que é u m a carta de copas. assim c o m o na experiência c o m as cartas do baralho. J á n ã o sei s u a c o r . d e p o i s d e "repetir a e x p o s i ç ã o c o m d u a s o u t r ê s c a r t a s a n ô m a l a s . U m a exposição um pouco maior d e u m a r g e m a hesitações e confusões ainda maiores. Idem. sem hesitação ou perplexidade aparentes. C o n t u d o . seja p o r q u e reflita a n a t u reza da mente. D e s t a v e z n e m p a r e c i a ser u m a c a r t a . P o r e x e m p l o . até q u e . profundo desconforto ao olhar as cartas anômalas. U m d e l e s e x c l a m o u : " n ã o p o s s o fazer a d i s t i n ç ã o . m a i s d e d e z p o r cento das cartas a n ô m a l a s n ã o f o r a m identificadas corretamente. alguns entrevistados n ã o foram capazes de realizar a ^adaptação de suas categorias que era necessária. finalmente. Por exemplo. 2 1 8 . a m a i o r i a d o s e n t r e v i s t a d o s p a s s o u a fazer a i d e n tificação c o r r e t a s e m h e s i t a ç ã o . Os entrevistados que fracassaram nessas condições e x p e r i m e n t a v a m m u i t a s v e z e s u m a g r a n d e aflição. sentiu. algumas vezes de m o d o repentin o . já n ã o tinham dificuldade c o m as restantes. C o m u m a exposição maior das cartas anômalas. N ã o gostaríamos n e m m e s m o de dizer que os entrevistados viam algo diferente daquilo q u e identificavam. o quatro de copas preto era tomado pelo quatro de espadas ou de copas. os entrevistados com e ç a r a m e n t ã o a hesitar e a demonstrar consciência d a a n o m a l i a . essa experiência psicológica proporciona um esquema maravilhosamente simples e convinc e n t e d o p r o c e s s o d e d e s c o b e r t a científica. m a s h á a l g o d e e r r a d o c o m ele — o p r e t o t e m u m contorno vermelho. N a c i ê n c i a . a l g u n s d i s s e r a m : i s t o é u m seis d e e s p a d a s . ele era imediatamente adaptado a u m a das categorias conceituais p r e p a r a d a s pela experiência prévia. n ã o obstante.das cartas normais. f r e n t e a o seis d e e s p a d a s v e r m e l h o . Sem qualquer consciência da anomalia. a novidade somente e m e r g e c o m dificuldade (dificul1 3 . mas as cartas anômalas eram quase semp r e identificadas c o m o n o r m a i s . seja l á q u a l for. M e u D e u s ! " 1 3 Seja c o m o m e t á f o r a .

admite-se h a b i t u a l m e n t e q u e o primeiro p a r a d i g m a explica c o m bastante sucesso a maior parte das observações e e x p e r i ê n c i a s f a c i l m e n t e acessíveis a o s p r a t i c a n t e s d a quela ciência. m e s m o em circunstâncias nas quais mais tarde se observará u m a anomalia. r e c o n h e c e n d o esse p r o cesso. N o desenvolvimento d e qualquer ciência. Por um lado. p o d e m o s facilmente começar a perceber por que a ciência n o r m a l — um e m p r e e n d i m e n t o n ã o dirigido p a r a as n o v i d a d e s e q u e a p r i n c í p i o t e n d e a s u p r i m i l a s — p o d e . essa profissionalização leva a u m a imensa restrição da v i s ã o do c i e n t i s t a e a u m a r e s i s t ê n c i a c o n s i d e r á v e l à m u d a n ç a de p a r a d i g m a . Essa consciência d a a n o m a l i a i n a u g u r a u m p e r í o d o n o q u a l a s c a tegorias conceituais são a d a p t a d a s até que o que inicialmente era considerado anômalo se converta no previsto. ser t ã o eficaz p a r a p r o v o cá-las. Inicialmente experimentamos somente o que é habitual e previsto. esse d e t a l h a m e n t o e p r e c i s ã o d a i n t e g r a ç ã o p o s s u e m um valor q u e transcende seu interesse intrínseco. dentro das áreas p a r a as q u a i s o p a r a d i g m a c h a m a a a t e n ç ã o do g r u p o . E m conseqüência. n e m sempre muito grande. A l é m d i s s o . além de um refinamento de conceitos q u e se assemelham cada vez m e n o s com os protótipos habituais do senso c o m u m . P o r outro lado. A ciência torna-se sempre mais rígida. os resultados que conduzem às . Já insisti a n t e r i o r m e n t e s o b r e o f a t o d e q u e esse p r o c e s so (ou um muito semelhante) intervém na emergênc i a d e t o d a s a s n o v i d a d e s científicas f u n d a m e n t a i s . u m a maior familiaridade dá origem à consciência de u m a anomalia ou p e r m i t e r e l a c i o n a r o f a t o a a l g o q u e a n t e r i o r mente não ocorreu conforme o previsto. Nesse m o m e n t o completa-se a descoberta. Contudo. n ã o o b s t a n t e . G o s t a r i a a g o r a d e a s s i n a l a r q u e . u m desenvolvimento posterior c o m u m e n t e requer a construção de um equipamento elaborado. a c i ê n cia n o r m a l c o n d u z a u m a i n f o r m a ç ã o d e t a l h a d a e a u m a p r e c i s ã o da i n t e g r a ç ã o e n t r e a o b s e r v a ç ã o e a t e o r i a q u e n ã o p o d e r i a ser a t i n g i d a d e o u t r a m a n e i r a . Sem os instrum e n t o s e s p e c i a i s . c o n s t r u í d o s s o b r e t u d o p a r a fins p r e viamente estabelecidos. o desenvolvimento de um vocabulário e técnicas esotéricas.dade que se manifesta através de uma resistência) contra um p a n o de fundo fornecido pelas expectativas.

O p r ó p r i o fato de q u e . A a n o m a l i a aparece somente contra o p a n o de fundo proporcionado pelo paradigma. Ao assegurar que o paradigma n ã o será facilmente a b a n d o n a d o . No processo n o r m a l de descoberta. a resistência garante que os cientistas n ã o serão p e r t u r b a d o s sem razão. é c a p a z de r e c o nhecer q u e algo saiu e r r a d o . a novidade normalmente emerge apenas para aquele que. Quanto maiores forem a precisão e o alcanc e d e u m p a r a d i g m a . u m a n o v i d a d e científica significativa e m e r g e simultaneamente em vários laboratórios é um índice da n a t u r e z a fortemente tradicional da ciência n o r m a l . conseqüentemente de u m a ocasião para a mudança de paradigma. t a n t o m a i s sensível e s t e s e r á c o mo indicador de anomalias é. M e s m o q u a n d o os instrumentos especializados existem. sabendo com precisão o q u e d e v e r i a e s p e r a r . b e m c o m o da forma completa c o m a qual essa atividade tradicional prepara o caminho para sua própria mudança. até m e s m o a m u d a n ç a tem u m a utilidade que será mais a m p l a m e n t e explorada no próximo capítulo.novidades poderiam não ocorrer. G a r a n te ainda que as anomalias que conduzem a u m a m u dança de paradigma afetarão profundamente os conhecimentos existentes. freqüentem e n t e . .

as m u d a n ç a s nas quais essas descobertas estiveram implicadas foram. AS CRISES E A E M E R G Ê N C I A D A S TEORIAS CIENTIFICAS T o d a s as descobertas examinadas no C a p . Depois da assimilação da descoberta. todas elas. P r o c u r e i m o s t r a r q u e alte- . T a l a v a n ç o s o m e n t e foi p o s sível p o r q u e a l g u m a s c r e n ç a s o u p r o c e d i m e n t o s a n t e riormente aceitos foram descartados e. simultaneamente. os cientistas encontravam-se em condições de dar conta de um n ú m e r o maior de fenômenos ou explicar mais precisamente alguns dos fenômenos p r e v i a m e n t e c o n h e c i d o s . tanto construtivas c o m o destrutivas.6. substituídos por outros. A l é m disso. 5 causaram mudanças de paradigmas ou contribuíram para tanto.

a n e w t o niana. 1954). mas usualmente bem mais amplas. t o t a l m e n t e a n t e c i p a d a s a n ã o ser e m s e u s d e t a l h e s . R. q u e L a v o i s i e r inventaria mais tarde. A. 1. s e g u n d o a q u a l P r i e s t l e y foi o p r i m e i r o a descobrir o o x i g ê n i o . pela teoria dinâmica do calor ou pela teoria eletromagnética de M a x well. C o m o p o d e m tais teorias b r o t a r d a ciência n o r m a l . 16. e m b o r a m a i s p r o f u n d a . a s d e s c o bertas n ã o são as únicas fontes dessas m u d a n ç a s c o n s trutivas-destrutivas de paradigmas. (A s u g e s t ã o i n v i á v e l . (Londres. coincidência não é identidade. inevitavelmente ampliaremos nossa compreensão da natureza das descobertas. em breve o encontraremos como u m a invenção. a química e a einsteiniana. P e n s o q u e a esse respeito a evidência histórica é totalmente inequívoca. A astronomia ptolomaica estava n u m a situação escandalosa.rações desse tipo estão associadas c o m todas as descobertas realizadas pela ciência n o r m a l — exceção feita à q u e l a s n ã o s u r p r e e n d e n t e s . A p ó s termos a r g u m e n t a d o q u e nas ciências o fato e a teoria. Neste capítulo começaremos a examinar m u d a n ç a s similares. p r o d u zidas pela teoria ondulatória da luz.) Ao nos ocuparmos da emergência de novas teorias. ning u é m deveria surpreender-se c o m o fato de q u e u m a c o n s c i ê n c i a s e m e l h a n t e . u m a a t i v i d a d e q u e n ã o visa r e a l i z a r d e s c o b e r t a s e m e n o s ainda produzir teorias? Se a consciência da anomalia desempenha um papel na emergência de novos tipos de fenômenos. a descoberta e a invenção n ã o são categórica e p e r m a n e n t e m e n t e distintas. C o n t u d o . As contribuições de Galileu ao 1 p. HAIL. Os tipos de descobertas examinados no último capítulo não for a m responsáveis — pelo menos não o foram isoladamente — pelas alterações de paradigma que se verificaram em revoluções c o m o a copernicana. ^Ainda assim. 1500-1800.aceitáveis. The Scientific Revalulion. seja um pré-requisito para todas as mudanças de teoria . tem seus atrativos. p o d e m o s antecipar u m a coincidência entre este capítulo e o anterior. . antes dos trabalhos de Copérnico. que resultam da invenção de novas teorias. T a m p o u c o foram responsáveis pelas m u d a n ç a s de paradigma mais limitadas (já q u e mais exclusivamente profissionais). Já h a v í a m o s encontrado o oxigênio c o m o u m a descoberta.

*'Newton's Optical Papers". L. Quando de sua elaboração. a consciência da anomalia persistira p o r tanto tempo e penetrara tão profundamente na comunidade científica q u e é p o s s í v e l d e s c r e v e r o s c a m p o s p o r e l a a f e t a d o s c o m o e m e s t a d o d e crise c r e s c e n t e . A l é m d i s s o . 1 9 2 2 ) . I. 1939). W. a 2 0 0 d .2 8 1 . A n o v a teoria de N e w t o n s o b r e a l u z e a c o r o r i g i n o u . especialmente no v. S. The Science of Mechanics in the Middle Ages History Electriclty. Loncfres. 1951). d u r a n t e o período de 2 0 0 a. 94-109.estudo do movimento estão estreitamente relacionadas c o m as dificuldades descobertas na teoria aristotélica pelos críticos escolásticos. p p . A T e r m o d i n â m i c a n a s c e u d a c o l i s ã o d e d u a s t e o r i a s físicas e x i s t e n tes n o s é c u l o X I X e a M e c â n i c a Q u â n t i c a d e d i v e r s a s dificuldades q u e r o d e a v a m os calores específicos. A teoria o n d u l a t ó r i a q u e s u b s t i t u i u a n e w t o n i a n a foi a n u n c i a d a e m meio a u m a preocupação cada vez maior com as anomalias presentes na relação entre a teoria de Newton e os efeitos de p o l a r i z a ç ã o e r e f r a ç ã o . Para o prelúdio da teoria o n d u l a t ó r i a . S. MARSHALL CLAGETT. Life of rVilliam Thomson Baron Kelvin of Largs ( L o n d r e s . o sistema p r e c e d e n t e . Comecemos examinando um caso particularmente famoso de m u d a n ç a de paradigma: o surgimento da astronomia copernicana. 2 7 . I.s e da d e s c o b e r t a de q u e n e n h u m a das teorias pré-paradigmáticas existentes explicava o c o m p r i m e n t o do espectro.. pp. T . S o b r e a t e o r i a d o s Quanta. e II. pp. W H J T T A K E R . v e r . WHEWELL. C o m o s e r i a d e e s p e r a r . A . A e m e r gência de novas teorias é geralmente precedida por um período de insegurança profissional pronunciada. I. P. pp. I e II. em Isaac Newton's Papers and Letters in Natural Philosophy. 1847).. 4 . A respeito d e N e w t o n . ver T . o p t o l o m a i c o . e m t o d o s esses c a s o s . pois exige a d e s t r u i ç ã o e m l a r g a e s c a l a d e p a r a d i g m a s e grandes alterações nos p r o b l e m a s e técnicas da ciência n o r m a l . C . foi a d m i r a v e l m e n t e b e m s u cedido na predição da m u d a n ç a de posição d a s estre2 3 4 (Madison. 1 9 5 9 ) . Sobre Termodinâmica. Brose. K U H N . 396-466. 3 . ed. C a p s .4 5 . Cohen (Cambridge. . F R I T Z R B I C H E . 1 9 1 0 ) . of the Inductive a I (2. (ed. B. o efeito f o t o e l é t r i c o e a r a d i a ç ã o d e u m c o r p o n e g r o . Partes II e I I I . ver SILVANUS THOMPSON. v e r E . O fracasso d a s regras existentes é o prelúdio p a r a u m a busca de novas regras. essa i n s e g u r a n ç a é g e r a d a pelo fracasso constante dos quebra-cabeças da ciência n o r m a l em produzir os resultados esperados. 1 9 5 8 ) . Londres. K O Y R É revela numerosos elem e n t o s m e d i e v a i s p r e s e n t e s n o p e n s a m e n t o d e G a l i l e u e m s e u s JÉtudes Galiléennes (Paris. e x c e t o n o d e N e w ton. A History of the Theories of Aether and 2 . The Quantum Theory (Londres. Mass. 2 6 6 . Hatfield e H. Sciences ed.C. de H. rev. W i s c . trad.

N o v a York. ser a d m i r a v e l m e n t e b e m s u c e d i d a n ã o é a m e s m a c o i s a q u e ser t o t a l m e n t e b e m sucedida. E. N e n h u m o u t r o s i s t e m a a n t i g o s a í ra-se tão b e m : a astronomia ptolomaica é ainda hoje amplamente usada p a r a cálculos aproximados. P o r volta do século X I I I . q u a n d o se trat a d e u m a t e o r i a científica. a o fim e a o c a b o . L. D a d a u m a determinada discrepância.Ias e d o s p l a n e t a s . recorrendo a alguma a d a p t a ç ã o especial do sistema ptolomaico de círculos compostos. N o século X V I . se D e u s o houvesse consultado ao criar o universo. alguém que examinasse o resultado acabado do esforço de pesquisa normal de muitos astrônomos. a s p r e d i ç õ e s feitas pelo sistema de P t o l o m e u n u n c a se ajustaram perfeitamente às melhores observações disponíveis. Caps. 5. P a r a numerosos sucessores de Ptolomeu. as predições de Ptolomeu eram tão boas c o m o as de Copérnico. sustentou que n e n h u m sistema tão <2. 1953). colaborador de Copérnico. do m e s m o m o d o que u m a tentativa semelhante para ajustar a observação do céu à teoria de N e w t o n . . D R E Y E R . from Thales Io Kepler. no que concerne aos planetas. D o m e n i c o d a N o v a r a . teria recebido bons conselhos. A History of Astronomy ed. 5 Tais dificuldades só foram reconhecidas muito l e n t a m e n t e . p r o d u z i u . dada a ausência da imprensa. XI e XII. poderia observar que a complexidade da Astronomia estava a u m e n t a n d o mais rapidamente que sua precisão e que as discrepâncias corrigidas em um ponto provavelmente reapareceriam em outro. Porém. os astrônomos d i s p u n h a m d e t o d o s o s motivos p a r a supor q u e tais tentativas de aperfeiçoamento da teoria seriam tão b e m sucedidas c o m o as que haviam conduzido ao sistema de Ptolomeu. M a s . Afonso X p ô d e declarar que. p o i s a t r a d i ç ã o a s t r o n ô m i c a sofreu r e p e t i das intervenções externas e porque. T a n t o c o m respeito às posições planetárias. os astrônomos conseguiam invariavelmente eliminá-la.s e u m a c o n s ciência d a s dificuldades. a comunicação entre os astrônomos era r e s t r i t a . u m a r e d u ç ã o dessas pequenas discrepâncias constituiu-se n u m dos principais problemas da pesquisa astronômica normal. forneceu p r o b l e m a s p a r a a pesquisa n o r m a l de seus sucessores do século X V I I I . D u r a n t e algum tempo. J. M a s . c o m o c o m r e l a ç ã o a o s e q u i n ó c i o s . c o m o decorrer do tempo.

Mass. u m a explicaç ã o mais completa levaria em consideração a crítica m e d i e v a l a A r i s t ó t e l e s . . Certamente o fracasso da atividade técnica normal d e r e s o l u ç ã o d e q u e b r a . KUHN. Seu famoso prefácio fornece ainda hoje u m a d a s descrições clássicas d e u m e s t a d o d e crise. pressão que tornou particularmente premente o problema da precessão d o s equinócios. 135-143.s o m e n t e u m m o n s t r o . A par disso. a a s c e n s ã o do n e o p l a t o n i s m o da R e n a s c e n ç a . Um estudo a m p l o discutiria igualmente a p r e s s ã o social p a r a a r e f o r m a do calendário. (Cambridge. 1957). b e m c o m o outros elementos históricos significativos. questões dessa natureza estão além d o s limites deste ensaio. d a facilidade c o m q u e p o d e ser r e c o n h e c i d o e d a á r e a o n d e . N o início d o sé-~ culo X V I . The Copernican Revolution. um n ú m e r o crescente dentre os melhores astrônomos europeus reconhecia que o paradigma astron ô m i c o estava fracassando nas aplicações a seus p r ó p r i o s p r o b l e m a s t r a d i c i o n a i s . M a s a i n d a a s s i m o f r a c a s s o t é c n i c o p e r m a n e c e r i a c o m o o cerne da crise.c a b e ç a s n ã o foi o ú n i c o i n g r e d i e n t e d a crise a s t r o n ô m i c a c o m a q u a l C o p é r n i c o s e confrontou. n e m so6. N o s anos que se seguiram a 1 7 7 0 muitos fatores se c o m b i n a r a m p a r a g e r a r u m a crise n a Q u í m i c a . d e v i d o a u m a concentração da atenção. O p r ó p r i o C o p é r n i c o e s c r e v e u no p r e f á c i o do De Revolutionibus q u e a t r a d i ç ã o a s t r o n ô m i c a q u e h e r d a r a a c a b a r a c r i a n d o t ã o . T. O s h i s toriadores n ã o estão inteiramente de acordo. passemos a um segundo exemplo bastante d i f e r e n t e : a c r i s e q u e p r e c e d e u a e m e r g ê n c i a da teoria de Lavoisier sobre a c o m b u s t ã o do oxigênio. N u m a ciência a m a d u r e c i d a — a A s t r o n o m i a a l c a n ç a r a esse e s t á g i o já na A n t i g ü i d a d e — fatores externos c o m o os acima citados possuem importância especial na determinação do m o m e n t o d o fracasso d o p a r a d i g m a . 6 E s c l a r e c i d o esse a s p e c t o n o t o c a n t e à r e v o l u ç ã o copernicana. ocorre pela primeira vez o fracasso.c o m p l i c a d o e i m p r e c i s o c o m o se t o r n a r a o p t o l o m a i c o p o d e r i a ser r e a l m e n t e a e x p r e s s ã o d a n a t u r e z a . p p . E m b o r a sejam imensamente importantes. E s s e r e c o n h e c i m e n t o foi um pré-requisito p a r a a rejeição do p a r a d i g m a ptolom a i c o por parte de Copérnico e para sua busca de um substituto. S..

C o n t u d o . II (1937). 73-85 90-120. pp. Londres. pp. utilizando aquela b o m b a e n u m e r o s o s artefatos pneumáticos. q u e juntos desenvolveram diversas novas técnicas capazes de dist i n g u i r d i f e r e n t e s a m o s t r a s d e g a s e s . Q u a n d o . Historical Studies o n t h e Phlogiston Theory. c o m algumas exceções t ã o equívocas q u e n ã o p o d e m ser consideradas c o m o e x c e ç õ e s — os q u í m i c o s c o n t i n u a r a m a a c r e d i tar que o ar era a única espécie de gás existente. pp. Lavoisier iniciou suas exper i ê n c i a s c o m o ar. 48-51. a investigação sobre os gases prosseguiu de forma rápida. T o d o s eles. A história do primeiro inicia n o s é c u l o X V I I c o m o d e s e n v o l v i m e n t o d a b o m ba de ar e sua utilização nas experiências químicas. 2 7 A p ó s os trabalhos de Black. P A R T I N G T O N e D O U G L A S M C K I E . E s s a p r o l i f e r a 8 7 . III (1938). R. . pp. através de u m a cadeia complexa de experiências destinadas a desflogistizar o c a l o r . n e m sobre a sua importância relativa. q u a n d o J o s e p h B l a c k d e m o n s t r o u q u e o a r fixo ( C 0 ) p o d i a ser d i s t i n g u i d o c o m p r e c i s ã o d o a r n o r mal. e A Short History of Chemistry. a partir de 1 7 7 0 . o r e s u l t a d o de s u a s e x p e r i ê n c i a s foi u m a v a r i e d a d e d e a m o s t r a s e p r o p r i e d a d e s d e g a s e s t ã o c o m p l e x a s q u e a t e o r i a d o flogisto r e v e l o u . 337-371. 361-404. M a s . os químicos c o m e ç a r a m a c o m p r e e n d e r q u e o ar devia ser um ingrediente ativo nas reações químicas.s e c a d a v e z m e n o s c a p a z d e ser u t i l i z a d a e m e x p e riências d e laboratório. Priestley e Scheele. PARTINGTON. Anuais e IV of Science. R. h a v i a t a n t a s v e r s õ e s d a t e o r i a d o flogisto c o m o q u í m i c o s p n e u m á t i c o s . 8 . E m b o r a n e n h u m desses químicos t e n h a sugerido q u e a teoria devia ser substituída. E m b o r a seu interesse principal s e volte para u m p e r í o d o u m p o u c o posterior.n a muitas vezes no p l a n e j a m e n t o e na interpretação de suas experiências. 337-71. e d . M a s dois fatores são aceitos c o m o sendo de primeira m a g n i t u d e : o n a s c i m e n t o da Q u í m i c a P n e u m á t i c a e a questão das relações de peso. a c r e d i t a v a m na t e o r i a flogística e e m p r e g a v a m . existe muito material relevante disperso n a obra d e J . A t é 1 7 5 6 . especialmente através de Cavendish. pela primeira vez.bre a natureza. pensava-se q u e d u a s amostras de gás e r a m diferentes apenas no tocante a suas impurezas. 1-58. (1939). Scheele na verdade produziu o oxigênio. D u r a n t e o século seguinte. d e B l a c k a S c h e e l e . 1951). J. (2. f o r a m incapazes de aplicá-la de m a n e i r a coerente.

M a s p a r a muit o s o u t r o s c i e n t i s t a s d a é p o c a essa c o n c l u s ã o p a r e c e u desnecessária. Talvez o flogisto tivesse p e s o n e g a t i v o . tal c o m o h a v e r i a d e p r e d i z e r m a i s t a r d e a t e o r i a d o flogisto. continuou sendo um fenômeno isolado. D u r a n t e o século X V I I I . Esse é um outro problema c o m u m a longa pré-história. diversos investigadores haviam concluído. o u t a l v e z p a r t í c u l a s d e fogo ou de a l g u m a outra coisa entrassem no corpo a q u e c i d o a o m e s m o t e m p o e m q u e o flogisto o a b a n donava. No século X V I I . a partir d e s s e m e s m o f a t o . M a s se o pro- . C o p é r n i c o q u e i x o u . por que n ã o p o d e r i a m a l t e r a r o p e s o ? O p e s o n e m s e m p r e foi considerado c o m o a medida da quantidade de matéria. p o r é m . o b t i d o mediante o aquecimento. Pelo m e n o s alguns químicos do Islã sabiam q u e determinados metais g a n h a m peso q u a n d o aquecidos. Os químicos descobriram um n ú m e r o sempre maior de casos nos quais o a u m e n t o de peso a c o m p a n h a v a o aquecimento. q u e u m m e t a l a q u e c i d o i n c o r p o r a alguns ingredientes da atmosfera. que inicialmente pareciam adequadas ao problema do a u m e n t o d e p e s o . Se as reações químicas p o d i a m alterar o volume. E m seu p r e f á c i o . que tornou possível e d e s e j á v e l a r e t e n ç ã o d o s p r o d u t o s g a s o s o s d a s reações. a assimilação gradual da teoria gravitacional de N e w t o n levou os químicos a i n s i s t i r e m e m q u e o a u m e n t o d e p e s o d e v e r i a significar um aumento na quantidade de matéria.s e c a d a v e z m a i s difíceis de serem sustentadas. a cor e a textura dos ingredientes. Ao m e s m o tempo. a m a d e i r a ) p e r d e m p e s o a o s e r e m a q u e c i d o s . t o r n a r a m . Havia ainda outras explicações.s e d i s s o . q u e p o d i a ser ajustada de muitas m a n e i r a s . C o n t u d o . tais respostas. o a u m e n t o de peso.ção de versões de u m a teoria é um sintoma m u i t o usual d e c r i s e . a crescente i n d e t e r m i n a ç ã o e a utilidad e d e c r e s c e n t e d a t e o r i a flogística n ã o f o r a m a s ú n i c a s causas da crise c o m a qual Lavoisier se defrontou. Essas conc l u s õ e s n ã o c o n d u z i r a m à r e j e i ç ã o d a t e o r i a flogística. A maior parte dos corpos naturais ( p o r exemplo. A l é m disso. E l e estava igualmente muito preocupado em encontrar u m a explicação para o aumento de peso que muitos corpos experimentam quando queimados ou aquecidos. Isso deveu-se e m parte a o e m p r e g o cada vez maior d a balança c o m o instrumento-padrão da Química e em parte ao desenvolvimento da Química Pneumática.

H . C a d a v e z m a i s a s i n v e s t i g a ç õ e s p o r ele o r i e n t a d a s a s s e m e l h a v a m . foram b e m sucedidos ao sugerir o atrativo estético considerável q u e u m a c o n c e p ç ã o plen a m e n t e rei ativista d e e s p a ç o o u m o v i m e n t o t e r i a n o futuro. o p a radigma d a Química d o século X V I I I está p e r d e n d o g r a d u a l m e n t e s e u staíus í m p a r . q u a s e conseguiram demonstrar que movimentos e posições absolutos n ã o tinham n e n h u m a função no sistema de N e w ton.p a r a d i g m á t i c o — . Concepts of Space: The History of the Theories of Space in Physics. ( C a m b r i d g e . p p . Um deles.1 2 4 . JAMMER. A l é m disso. 1 1 4 . convertera-se n u m quebrac a b e ç a extraordinário e sem solução. Tal como os problemas da Química P n e u m á t i c a . foi l i d o n a A c a d e m i a F r a n c e s a n o início d e 1 7 7 2 . os relativos ao a u m e n t o de p e s o dificultaram ainda mais a c o m p r e e n s ã o do q u e seria a t e o r i a flogística. . E x a m i n e m o s agora um terceiro e último exemplo — a c r i s e n a F í s i c a d o fim d o s é c u l o X I X — q u e a b r i u caminho p a r a a emergência da teoria da relatividade. N . Max. 1 9 5 4 ) . q u a n d o diversos estudiosos d a Filosofia d a N a t u r e z a e especialmente Leibniz. T a l c o m o os primeiros copernicanos q u e cri9 t 1 0 9 . L a voisier e n t r e g o u a s u a famosa nota selada ao secretár i o d a A c a d e m i a . 35. .s e à s l e v a d a s a c a b o sob a direção de escolas competidoras do períod o p r é .blema do a u m e n t o de peso n ã o conduziu à rejeição d a t e o r i a d o flogisto. e s t i m u l o u u m n ú m e r o c a d a v e z maior de estudos especiais nos quais esse p r o b l e m a tin h a grande importância. 1 9 6 1 ) .o u t r o efeito t í p i c o d a c r i s e . N o fim d a q u e l e a n o . criticaram N e w t o n por ter m a n t i d o u m a versão atualizada d a c o n c e p ç ã o clássica do espaço absoluto. q u e por muitos anos estivera no limiar da consciência dos químicos. ver p . 1 0 . Lavoisier — the Crucial Year ( T t h a c a . Muitas versões d i f e r e n t e s d a t e o r i a flogística f o r a m e l a b o r a d a s p a r a responder ao problema. A n t e s d e a n o t a ter s i d o e s c r i t a . u m p r o b l e m a . E m b o r a a i n d a fosse c o n s i d e r a d o e a c e i t o c o m o u m i n s t r u m e n t o d e t r a b a l h o útil. e m b o r a n u n c a t e n h a m sido c o m p l e t a m e n t e b e m sucedidos. "Sobre o Flogisto considerado c o m o u m a Substância Pesada e (analisad a ) em termos das Mudanças de Peso que provoca n o s C o r p o s a o s q u a i s s e u n e " . P a r a u m a apresentação clara da s i t u a ç ã o c o m relação a Lavoisier. O livro t o d o d o c u m e n t a a e v o l u ç ã o e o p r i m e i r o r e c o n h e c i m e n t o de u m a crise. Y . G U E R L A C . U m a d a s r a í z e s d e s s a c r i s e d a t a d o fim d o s é c u l o X V I I I . E s s e s filósofos.

T o d a s essas articulações p r e s s u p u n h a m que u m c o r p o e m m o v i m e n t o a r r a s t a c o n s i g o a l g u m a s frações de éter. então tanto a observação celeste c o m o as experiências terrestres tornam-se potencialmente capazes de detectar o d e s l o c a m e n t o através do éter. M u i t o e q u i p a m e n t o e s p e c i a l foi construído p a r a resolvê-lo. LARMOR. d u r a n t e a s p r i meiras décadas do século X V I I I . Fresnel. D u r a n t e d é c a d a s .ticaram as provas apresentadas por Aristóteles no tocante à estabilidade da T e r r a . D e n tre as observações celestes. (Cam- . p p . 1 9 0 0 ) . no século X I X . 6-20 e 320-322. tal equipamento n ã o detectou n e n h u m deslocamento observável e em v i s t a d i s s o o p r o b l e m a foi t r a n s f e r i d o d o s e x p e r i m e n tadores e observadores p a r a os teóricos. suas c o n c e p ç õ e s d e s a p a r e c e r a m c o m eles. C a d a u m a dessas articulações obteve sucesso no esforço de explicar n ã o só os resultados n e gativos da o b s e r v a ç ã o celeste. n ã o s o n h a v a m que a t r a n s i ç ã o p a r a u m s i s t e m a r e l a t i v i s t a p u d e s s e ter c o n s e qüências d o ponto d e vista d a observação. e m b o r a n ã o tenham p r o d u z i d o n e n h u m a crise antes d a última d é c a d a d o século. Os problemas técnicos c o m os quais u m a teoria relativista do espaço teria de haver-se c o m e ç a r a m a aparecer na ciência n o r m a l c o m a aceitação da teoria ondulatória por volta de 1815. m a s t a m b é m os das e x p e r i ê n c i a s t e r r e s t r e s .. . dest i n a d a s a e x p l i c a r o f r a c a s s o na o b s e r v a ç ã o do d e s l o c a m e n t o . Conseqüentemente.s e aí a f a m o s a e x p e riência de Michelson e M o r l e y .. Se a luz é um m o v i m e n t o ondulatório que se p r o p a g a n u m é t e r m e c â n i c o g o v e r n a d o p e l a s leis d e N e w t o n . íncluding a Discussion Optical Phenomena. d e m o l d e a p r o p o r c i o n a r i n f o r m a ç õ e s r e l e v a n t e s . apenas as aberrantes p r o m e t i a m a p r e s e n t a r suficiente e x a t i d ã o . A i n d a n ã o havia con1 1 11. Joseph. ressuscitando soment e n o final d o s é c u l o X I X j á e n t ã o d i s p o n d o d e u m a relação muito diversa c o m a prática da Física. C o n t u d o . Aether and Matíer of the Influence of the Earth's Motion on bridge. Stokes e outros conc e b e r a m n u m e r o s a s articulações da teoria do éter. i n c l u i n d o . D e v i d o a isso. a d e tecção de deslocamentos no éter através da medição d a s a b e r r a ç õ e s foi r e c o n h e c i d a c o m o p r o b l e m a p a r a a p e s q u i s a n o r m a l . E m n e n h u m m o m e n t o relacionaram suas concepções com os problemas que se apresentavam quando da aplicação da teoria de N e w t o n à natureza.

1 8 9 6 ) . R.s e a n ô m a l a s . destinadas a detectar o d e s l o c a m e n t o através do éter. A situação modificou-se somente com a aceitação gradual da teoria eletromagnética de Maxwell. a a r t i c u l a ç ã o n e c e s s á r i a r e v e l o u . p. no desenvolvimento da Mecânica. E m conseqüência. nas d u a s últimas décadas do século X I X . A l é m diss o . da Cap. apesar de sua origem newtoniana.atribuía a esse meio.s e i m e n s a m e n t e difícil d e ser p r o d u z i d a . A discussão de M a x w e l l relacionada c o m o c o m portamento eletromagnético dos corpos em movimento n ã o fez r e f e r ê n c i a à r e s i s t ê n c i a do é t e r e t o r n o u m u i t o difícil a i n t r o d u ç ã o d e tal n o ç ã o n a s u a t e o r i a . C a p . a crise tornou-se m a i s a g u d a no tocante aos p r o b l e m a s q u e a c a b a m o s de considerar. isto é. C o n t u d o . ed. Treatise on Electricity and Magnetism (3. 470. 1892). acabou produzindo u m a crise n o p a r a d i g m a d o qual e m e r g i r a . Essas p r o p r i e d a d e s f o r a m r e t i r a d a s d a v e r s ã o final. c o m o a c o n tecera muitas vezes no curso do desenvolvimento científico. James Clerk Maxwell and Modem Physics ( L o n d r e s . aqueles relativos a o m o v i m e n t o n o é t e r . para detectar o m o v i m e n t o relacionado c o m o éter e introdu1 2 1 3 1 2 . O próprio M a x well e r a um n e w t o n i a n o q u e acreditava q u e a luz e o eletromagnetismo em geral eram devidos a deslocamentos variáveis d a s partículas de um éter mecânico.. m a s Maxwell continuou acreditando que sua teoria eletromagnética era compatível c o m alguma articulação da concepção mecânica de Newton. a teoria de M a x w e l l . e x c e t o e n t r e a s v á r i a s a r t i c u l a ç õ e s . cit. t o d a u m a série d e observações a n t e riores. I X . . A. GLAZEBROOK. ver 13. t o r n a r a m . N a a u s ê n c i a de técnicas experimentais relevantes. ver seu próprio livro.s e u m desafio p a r a M a x well e s e u s s u c e s s o r e s .flito. Oxford. P a r a a p o s i ç ã o final d e M A W X E Í L . Desenvolver u m a articulação a d e q u a d a t o r n o u . Suas primeiras versões de u m a teoria da eletricidade e do magnetismo utilizaram expressamente as propriedades hipotéticas q u e ele . K U H N . o s anos p o s t e r i o r e s a 1 8 9 0 t e s t e m u n h a r a m u m a l o n g a série d e tentativas. T. D o m e s m o m o d o q u e a p r o posta astronômica de Copérnico (apesar do otimismo d e seu a u t o r ) gerou u m a crise c a d a vez m a i o r nas t e o rias existentes sobre o m o v i m e n t o . Astronomia VII. C o m o r e s u l t a d o . n a p r á t i c a . tanto experimentais c o m o teóricas. esse conflito n u n ca c h e g o u a aprofundar-se. A respeito do papel op.

N o t e . Foi neste contexto histórico que. em um período no qual a ciência correspondente n ã o estava em crise. c o m e x c e ç ã o d e C o p é r n i c o . A l é m disso.c a b e ç a s .s e t a m b é m q u e . precisamente por não haver crise. e m c u j o c a s o f a t o r e s alheios à ciência d e s e m p e n h a r a m papel particularmente import a n t e . Em cada um desses casos u m a nova teoria surgiu s o m e n t e a p ó s u m f r a c a s s o c a r a c t e r i z a d o n a ativid a d e n o r m a l d e resolução d e p r o b l e m a s . A p r á t i c a a n t e rior da ciência n o r m a l proporcionara toda sorte de razões p a r a considerá-los resolvidos ou q u a s e resolvidos. e m b o r a isso possa n ã o ser igualmente típico.C. n e m os problemas. ***" 1 4 1 A única antecipação completa é igualmente a mais famosa: a de Copérnico p o r Aristarco. m a s t a m b é m estes t r o u x e r a m à t o n a novos q u e b r a . Afirma-se freqüentemente q u e se a ciência grega 14. a s p r i meiras tentativas foram m a l sucedidas. no século I I I a.zir e s t e ú l t i m o n a t e o r i a d e M a x w e l l . I. O r e s u l t a d o final foi p r e c i s a m e n t e a q u e l a p r o l i f e r a ç ã o d e t e o r i a s q u e m o s t r a m o s ser c o n c o m i t a n te com as crises. O f r a c a s s o c o m um n o v o tipo de p r o b l e m a é muitas vezes decepcionante. 27-40. emergiu a teoria especial da relatividade de Einstein. o q u e a j u d a a e x p l i c a r p o r q u e o s e n t i d o de f r a c a s s o . Em geral. Op. Esses três e x e m p l o s são ( q u a s e ) inteiramente típicos. pp. em 1905. E s t a última parece ser u m a r e s p o s t a d i r e t a à crise. m a s n u n c a surpreendente. 386-410 e II (Londres. cit. nem os quebra-cabeças cedem ao primeiro ataq u e . p o d e ser t ã o i n t e n s o . q u a n d o a p a r e c e . sobretudo os de L o r e n t z e Fitzgerald. F i n a l m e n t e esses e x e m p l o s p a r t i l h a m o u t r a c a r a c terística q u e p o d e r e f o r ç a r a i m p o r t â n c i a d o p a p e l d a c r i s e : a s o l u ç ã o p a r a c a d a u m d e l e s foi a n t e c i p a d a . Tais antecipações foram ignoradas. pelo menos parcialmente. e m b o r a alguns analistas considerassem seus resultados equívocos. WHITTAKEH. E m g e r a l . . pp. os p r o blemas c o m os quais está relacionado o fracasso eram t o d o s d e urrí*tipo h á m u i t o i d e n t i f i c a d o . Os esforços teóricos p r o d u z i r a m u m a série d e pontos d e partida promissores. o f r a c a s s o e a p r o l i f e r a ç ã o de t e o r i a s q u e os t o r n a m manifestos o c o r r e r a m u m a ou d u a s décadas antes d o e n u n c i a d o d a n o v a teoria. 1953).

v e r T . pp. A l é m disso. ocorrem nos séculos posteriores à proposta de Aristarco. j Q u a n d o a s u g e s t ã o de A r i s t a r c o foi feita. ver A R T H U R KOESTLER. 16. em g r a n d e parte. t a n t o seus triunfos.tivesse s i d o m e n o s d e d u t i v a e m e n o s d o m i n a d a p o r d o g m a s . b a s e suficiente p a r a u m a e s c o l h a e n t r e essas teorias. cit. Parte II. q u e serviam d e testes. The Sleepyvalkers: A History of Man's Changing Vision of the Vniverse (Londres. Nossos outros dois exemplos n ã o proporcionam antecipações tão completas. u m dos fatores que levou os astrônomos a Copérnico (e que não p o d e r i a t ê . Op. PARTINCTON. foi p o r n ã o disporem de contato com qualquer problema reconhec i d o p e l a p r á t i c a científica n o r m a l . n ã o h a via razões óbvias p a r a levar as propostas de Aristarco a sério. As observações disponíveis. A astron o m i a ptolomaica fracassara na resolução de seus p r o blemas. E m tais circunstâncias. M e s m o a versão mais elaborada de C o p é r nico não era n e m mais simples n e m mais acurada do que o sistema de Ptolomeu. que era muito mais razoável do que o h e liocêntrico. devido a um fracasso semelhante na confrontação c o m a prática da ciência normal. isso e q ü i v a l e a i g n o r a r t o d o o c o n t e x t o h i s t ó r i c o . chegara o m o m e n t o de dar u m a oportunidade a um competidor. 50. T o d o o d e senvolvimento da astronomia ptolomaica. n ã o apresentava qualquer problema q u e j j p u d e s s e ser s o l u c i o n a d o p o r e s t e ú l t i m o . O p r o l o n g a d o d e sinteresse d e m o n s t r a d o pelos cientistas d o s séculos X V I I I e X I X p a r a c o m os críticos relativistas de N e w ton tem sido. L . Q u a n t o à o b r a d e A r i s t a r c o . a a s t r o n o m i a heliocêntrica p o d e r i a ter iniciado seu desenvolvimento dezoito séculos a n t e s . H o o k e e M a y o w — n ã o c o n s e g u i r a m u m a a u d i ê n c i a s a t i s f a t ó r i a . Entretanto. p . H E R T H . c o m o seus fracassos. 1913). seguramente u m a das razões pelas quais as teorias da combustão por absorção da atmosfera — desenvolvidas no século X V I I p o r R e y . c o m o v e r e m o s a d i a n t e . 78-85. 1 5 1 6 Os estudiosos da Filosofia da Ciência demonstraram repetidamente que mais de u m a construção teóri1 5 . n ã o forneciam. Para uma apresentação extremada da atitude tradicional c o m respeito ao desdém pela realização dc Aristarco. Mas . o s i s t e m a I geocêntrico.l o s c o n d u z i d o a A r i s t a r c o ) foi a c r i s e c a r a c terizada que fora responsável pela inovação. . 1959). Aristarchus of Samos: The Ancient Copemicus (Oxford.

c a p o d e ser a p l i c a d a a u m c o n j u n t o d e d a d o s d e t e r m i n a d o . a ciência move-se c o m m a i o r rapidez e a p r o f u n d a . A H i s tória da Ciência indica que. . Na m a n u fatura. E n q u a n t o o s i n s t r u m e n t o s p r o p o r c i o n a d o s p o r u m par a d i g m a continuam capazes de resolver os problemas q u e este define. exceto d u r a n t e o p e r í o d o pré. n ã o é m u i t o difícil i n v e n t a r t a i s a l t e r n a t i v a s . M a s e s s a i n v e n ç ã o de a l t e r n a t i v a s é p r e c i s a m e n t e o q u e os c i e n tistas r a r o e m p r e e n d e m . O significado das crises consiste exatam e n t e no fato de q u e i n d i c a m q u e é c h e g a d a a ocasião p a r a renovar os instrumentos. A r a z ã o é clara.s e a i n d a m a i s a t r a v é s d a u t i l i z a ç ã o confiante desses instrumentos.p a r a d i g m á t i c o d o d e s e n v o l v i m e n t o d e s u a c i ê n c i a e err ocasiões muito especiais de sua evolução subseqüente. c o m o na ciência — a p r o d u ç ã o de novos instrumentos é u m a extravagância reservada p a r a as ocasiões q u e o exigem. sobretudo nos primeiros estágios d e desenvolvimento d e u m n o v o paradigma. q u a l q u e r q u e seja o c a s o c o n s i d e r a d o .

.

p o d e ser d e s c o b e r t a o b s e r v a n d o . se-. E m p a r t e . A RESPOSTA A CRISE S u p o n h a m o s q u e a s crises são u m a p r é . não renunciam ao paradigma que ps conduziu à crise.c o n d i ç ã o necessária p a r a a emergência de n o v a s teorias e perg u n t e m o s e n t ã o c o m o o s cientistas r e s p o n d e m à s u a existência. E m b o . e s s a n o s s a g e n e r a - . tão óbvio c o m o import a n t e . Parte da resposta.s e p r i m e i r a m e n te o q u e os cientistas jamais fazem..e x e m p l o s d o p a r a d i g m a . m e s m o q u a n d o se defrontam c o m anomalias prolongadas e graves. P o r o u t r a : n ã o t r a t a m as a n o m a l i a s c o m o ç o n t r a . e m b o r a . g u n d o o vocabulário da Filosofia da Ciência.• ra p o s s a m c o m e ç a r a p e r d e r s u a fé e a c o n s i d e r a r outras alternativas. estas sej a m p r e c i s a m e n t e isso.7.

c o n t r a . s e esses c o n t r a . a j u d a r a f o r m a ç ã o d e u m a crise o u . q u a n d o m u i t o . E s s a o b s e r v a ç ã o n ã o significa q u e o s c i e n t i s t a s n ã o r e j e i t e m t e o r i a s científicas ou q u e a e x p e r i ê n c i a e a e x p e r i m e n t a ç ã o n ã o sejam essenciais a o processo d e r e j e i ç ã o . delinearei o u t r a d a s principais teses deste ensaio. a p ó s t e r a t i n g i d o o status de p a r a d i g m a . se m e u a r g u m e n t o é correto.lização é um fato histórico. C o m o tal.e x e m p l o s e p i s t e m o l ó g i c o s c o n s t i t u e m a l g o m a i s d o q u e u m a fonte d e i r r i t a ç ã o d e m e n o r importância. m a s q u e — e e s t e s e r á um p o n t o c e n t r a l — o juízo que leva os cientistas a rejeitarem u m a teoria previamente aceita. s o m e n t e é c o n s i d e r a d a inválida q u a n d o existe u m a alternativa disponível p a r a . Por si m e s m a s n ã o p o d e m e n ã o i r ã o falsificar e s s a t e o r i a filosófica. N e n h u m processo descoberto até agora p e l o e s t u d o h i s t ó r i c o d o d e s e n v o l v i m e n t o científico a s s e m e l h a . no . tais razões p o d e m . Isso já sugere o q u e o nosso e x a m e da rejeição de um paradigma revelará de u m a maneira m a i s c l a r a e c o m p l e t a : ! u m a t e o r i a científica. será p o r q u e ajudam a admitir a emergência de u m a n o v a e diferente análise da ciência. bem como s u a c o m p a r a ç ã o m ú t u a ^ P A p a r disso. As razões p a r a a d ú v i d a e s b o ç a d a s a c i m a e r a m p u r a m e n t e fat u a i s . M u i t a s d a s m o d i f i c a ç õ e s e especificações relevantes já estão presentes na literatura. substituí-la. e l a s m e s m a s . reforçar alguma já existente.e x e m p l o s d e u m a teoria epistemológica atualmente admitida. Ao apresentar essa segunda razão. mais exatamente. pois os defensores desta farão o m e s m o q u e os cientistas fazem q u a n d o confrontados c o m a n o m a lias: conceberão n u m e r o s a s articulações e modificaç õ e s ad hoc de s u a t e o r i a . Port a n t o . e r a m . existe u m a segunda r a z ã o p a r a d u vidar de q u e os cientistas rejeitem p a r a d i g m a s simplesmente porque se defrontam com anomalias ou contra-exemplos. isto é . Decidir rejeitar um p a r a d i g m a é s e m p r e decidir s i m u l t a n e a m e n te a c e i t a r o u t r o e o j u í z o q u e c o n d u z a e s s a d e c i s ã o envolve a c o m p a r a ç ã o de a m b o s os paradigmas c o m a n a t u r e z a .s e a o ^ e s t e r e ó t i p o m e t o d o l ó g i c o d a falsificação por meio da comparação direta com a natureza. a fim de e l i m i n a r q u a l q u e r c o n f l i t o a p a r e n t e . baseia-se sempre em algo mais do q u e essa c o m p a r a ç ã o da teoria com o m u n d o . b a s e a d a em exemplos c o mo os mencionados anteriormente e os que indicarem o s mais adiante.

q u e n ã o p o d e ser refutado p o r observações. ed. Scientific American. p o d e r ã o a s s e m e l h a r se a tautologias. "The Essential Tension: Tradition and Innovation ln S c i e n t i f i c R e s e a r c h " . p p . 2. H A H S O N . d e s e m p e n h a p a r a o s partidários da teoria newtoniana um papel m u i t o semelhante a um enunciado p u r a m e n t e lógico. terns .interior da qual já n ã o s ã o u m a fonte de problemas.s e a p ó s seus trabalhos n u m ingrediente de u m a definição de c o m posto químico q u e n e n h u m a investigação experimental poderia. T a l c o m o os artistas. 1 9 5 8 ) .1 6 6 . e m b o r a t e n h a c o n s u m i d o s é c u l o s d e difíceis p e s q u i s a s t e ó r i c a s e f a t u a i s a t é ser a l c a n ç a d a . 1 5 1 . K U H N . indubitavelmente alguns h o m e n s foram levados a a b a n d o n a r a ciência devido a sua inabilidade p a r a tolerar crises. 1959). ser c a p a z e s d e viver e m u m m u n d o d e s o r d e n a d o — d e s c r e v i e m o u t r o t r a b a l h o essa necessidade c o m o " a t e n s ã o essencial" implícita na pesquisa científica. tais a n o m a l i a s n ã o m a i s p a r e c e r ã o ser simples fatos. pp. S. ver F R A N K B A R R O N . por si mesmos. e s p . Algo muito semelhante acont e c e r á c o m a g e n e r a l i z a ç ã o s e g u n d o a q u a l os c i e n t i s tas n ã o rejeitam paradigmas q u a n d o confrontados com a n o m a l i a s o u c o n t r a . dotada de u m a g e n e r a l i d a d e m u i t o d u v i d o s a . R . se é possível aplicar aqui um p a d r ã o típico ( q u e será observado mais adiante nas revoluções c i e n t í f i c a s ) . que antes de Dalton era u m a descoberta experimental ocasional. p o d e m conduzir os contra-exemplos. Taylor (Salt L a k e City. N ã o p o d e r i a m fazer isso e a i n d a a s s i m p e r m a n e c e r e m c i e n t i s t a s . P a r a u m f e n ô m e n o c o m p a r á v e l entre artistas. 1958). 9 v e r e m o s q u e a lei q u í m i c a relativa às proporções constantes. os cientistas c r i a d o r e s p r e c i s a m . N o C a p . C X C I X . n o interior d e u m a n o v a t e o r i a d o c o n h e c i m e n t o científico. V e r e s p e c i a l m e n t e a d i s c u s s ã o c o n t i d a e m N . 1 E m b o r a seja i m p r o v á v e l q u e a h i s t ó r i a registre seus n o m e s . Patof Discovery (Cambridge. pp. enunciados de situações q u e de outro m o d o n ã o seriam concebíveis. P o r exemplo. 1 6 0 ( s e t . abalar. em The Third ( Í 9 5 9 ) University of Ulah Research Conference on the Identification of Creative Scientific Talent. T.e x e m p l o s . tem-se observado c o m freqüência que a Segunda Lei do Movimento de Newton. A l é m disso. t o r n o u . e m d e t e r m i n a d a s o c a s i õ e s . 162-177. p . p o r amplas q u e e s t a s s e j a m . 2 1 . A o invés disso. T h e P s y c h o l o g y o f Imagin a t i o n . por si só. Calvin W. M a s creio q u e essa rejeição da ciência em favor de o u t r a o c u p a ç ã o é a ú n i c a e s p é c i e de r e j e i ç ã o de p a r a d i g m a a q u e . 99-105.

A l é m disso. Creio que existem apenas duas a l t e r n a t i v a s : o u b e m a s t e o r i a s científicas j a m a i s s e . enfraquece as regras de resolução dos quebra-cabeças da ciência n o r m a l . Lavoisier considerou contra-exemplo ó que Priestley vira c o m o um q u e b r a . m a s n o h o m e m . n e m m e s m o a existência de u m a crise transforma por si mesma um quebra-cabeça em um c o n t r a . d e m o n s t r a r o m e s m o p o n t o de vista ao contrár i o : n ã o existe a l g o c o m o a p e s q u i s a s e m c o n t r a . E m v e z d i s s o . Rejeitar um paradigma sem simultaneamente substituí-lo por oütro~é r e j e i t a r a p r ó p r i a c i ê n c i a .c a b e ç a p o d e ser v i s t o d e o u t r o â n g u l o : c o m o contra-exemplos e p o r t a n t o c o m o u m a fonte de crise. Os raros p a r a d i g m a s que pareciam capazes disso (por exemplo.e x e m p l o s o q u e L o r e n t z . P o d e .U m a vez encontrado um primeiro p a r a d i g m a c o m o q u a l c o n c e b e r a n a t u r e z a . o q u e c h a m a m o s a c i m a de q u e b r a . t o r n a r a m . O q u e d i f e r e n c i a a c i ê n c i a n o r m a l da c i ê n c i a em estado de crise? C e r t a m e n t e n ã o o fato de q u e a prim e i r a n ã o s e defronta c o m c o n t r a . N ã o existe u m a l i n h a d i v i s ó r i a p r e cisa. j á n ã o s e p o d e m a i s falar em pesquisa sem qualquer paradigma. c a d a p r o b l e m a que a ciência n o r m a l consider a u m q u e b r a .e x e m p l o .e x e m p l o s . existe s o m e n t e p o r q u e n e n h u m p a r a d i g m a a c e i t o c o m o b a s e p a r a a p e s q u i s a científica r e solve todos os seus p r o b l e m a s . E i n s t e i n viu c o m o c o n t r a . a c r i s e . n ã o n o p a r a d i g m a .s e .c a b e ç a s da c i ê n c i a n o r m a l . Em vez disso.c a b e ç a resolvido c o m ê x i t o n a a r t i c u l a ç ã o d a t e o r i a flogística. em pouco tempo deixaram de produzir quaisquer problemas relevantes para a pesquisa. d e m a n e i r a p e l o m e n o s i g u a l m e n t e eficaz. E s s e a t o s e reflete. F i t z g e r a l d e outros haviam considerado como quebra-cabeças relativos à articulação d a s teorias de N e w t o n e M a x w e l l . I n e v i t a v e l m e n t e ele s e r á visto por seus colegas c o m o o "carpinteiro q u e culpa suas ferramentas pelo seu fracasso". A o invés disso. a Óptica Geométrica).e x e m p l o s . d e tal m o d o q u e a c a b a p e r m i t i n d o a e m e r g ê n c i a d e um n o v o paradigma.s e instrumentos p a r a tarefas técnicas. a o p r o v o c a r u m a p r o l i f e ração de versões do paradigma. C o p é r n i c o considerou contra-exemplos o q u e a maioria dos demais seguidores de Ptolomeu vira c o m o quebra-cabeças relativos à a d e q u a ç ã o entre a observação e a teoria. Excetuando-se os que são exclusivamente instrumentais.

E m l u gar disso. cuja simples existência supõe a validade do paradigma. a q u e l e q u e l ê u m t e x t o científico f a c i l m e n t e p o d e r á c o n s i d e r a r as aplicações c o m o provas em favor da teoria. indic a r d u a s r a z õ e s p e l a s q u a i s a c i ê n c i a p a r e c e ter f o r n e cido um exemplo tão a d e q u a d o da generalização segundo a q u a l a v e r d a d e e a f a l s i d a d e s ã o d e t e r m i n a d a s de m o d o inequívoco pela confrontação do enunciado com o s f a t o s . seu objeto consiste em resolver um q u e b r a cabeça. c o n d e n a r i a m seus a u t o r e s c o m o s e n d o e x t r e m a m e n t e p a r c i a i s . razões pelas quais devemos acreditar nela.d e f r o n t a m c o m u m c o n t r a . A l é m disso.l o . Q u e alternativas.e x e m p l o . O fracasso em alcançar u m a solução d e sacredita somente o cientista e n ã o a teoria. e n t ã o . N ã o existe a menor razão para semelhante acusação. S e a s a p l i c a ç õ e s f o s sem apresentadas c o m o provas. o u b e m essas t e o rias se d e f r o n t a m c o n s t a n t e m e n t e c o m contra-exemplos. mas porque aprendê-las é parte do aprendizado do p a r a d i g m a que serve de base p a r a a p r á t i c a científica e m v i g o r . que competência possuem eles? A s a p l i c a ç õ e s m e n c i o n a d a s n o s t e x t o s n ã o s ã o apresentadas como provas.s e ( e d e v e fazê-lío constantemente) p a r a aproximar sempre mais a teoria e o s f a t o s . A este caso. ao menos. ainda mais do q u e ao anterior. M a s os e s t u d a n t e s de ciência aceitam as teorias p o r causa da a u t o r i d a d e do professor e dos textos e n ã o devido às provas. A c i ê n c i a n o r m a l e s f o r ç a . C o m o . D a d a u m a r a z ã o p a r a f a z ê . — r e t o r n a n d o à q u e s t ã o inicial — os cientistas r e s p o n d e m à consciência da existência de . M a s podemos. C o m o se poderia considerar essa situação diferentemente? Essa questão leva necessariamente à elucidaç ã o c r í t i c a e h i s t ó r i c a d a F i l o s o f i a e tais t ó p i c o s n ã o têm lugar neste ensaio. aplica-se o p r o vérbio: " Q u e m culpa suas ferramentas é m a u carpinteiro". o p r ó p r i o fracasso dos textos em sugerir interpretações alternativas ou discutir p r o b l e m a s p a r a o s q u a i s o s cientistas n ã o c o n s e g u i r a m produzir soluções p a r a d i g m á t i c a s . a maneira pela qual a pedagogia da ciência complica a discussão de u m a teoria c o m observações sobre suas aplicações exemplares tem contribuído para reforçar u m a teoria da confirmação extraída p r e d o m i n a n t e m e n t e d e o u t r a s fontes. E s s a a t i v i d a d e p o d e ser v i s t a c o m o u m t e s t e o u u m a b u s c a d e c o n f i r m a ç ã o o u falsificação. p o r s u p e r f i c i a l q u e seja.

M u i t o freqüentemente. pp. II. X L 1 V .u m a a n o m a l i a na a d e q u a ç ã o e n t r e a t e o r i a e a n a t u r e z a ? O q u e a c a b a d e ser d i t o i n d i c a q u e m e s m o u m a discrepância inexplicavelmente maior que a experim e n t a d a em outras aplicações da teoria não precisa provocar nenhuma resposta muito profunda. A respeito da mudança secular n o periélio de Mercúrio. . Clairaut conseguiu mostrar que somente a Matemática utilizada na aplicação estava errada e q u e a t e o r i a n e w t o n i a n a p o d e r i a ser m a n t i d a i n a l t e r a d a . N i n g u é m questionou seriamente a teoria n e w t o niana por causa das discrepâncias de há muito reconhecidas entre as predições daquela teoria e as velocidades do som e do movimento de Mercúrio. M e s m o nos casos em q u e n e m m e s m o erros simples p a r e c e m possíveis. 151. Londres. K U H N . ver E . rev. a segunda desapareceu com a Teoria Geral da Relatividade. 136-137 (1958). A primeira dessas discrepâncias acabou sendo resolvida de m a neira inesperada pelas experiências sobre o calor. p p . o m o v i m e n t o predito p a r a o perigeu da L u a permaneceu equivalente à metade do movimento observad o . (talvez p o r q u e a M a t e m á t i c a envolv i d a seja m a i s s i m p l e s o u d e u m t i p o f a m i l i a r . empreendidas com um objetivo b e m diverso. W. History -of the Inductive Sciences. a p ó s u m a crise q u e n ã o ajudara a criar. 4 . P o r exemplo. M e s m o as mais obstin a d a s a c a b a m c e d e n d o aos esforços d a prática n o r m a l . (ed. 1847). apareceram propostas ocasionais visando à m o d i f i c a ç ã o d a lei n e w t o n i a n a r e l a t i v a a o i n v e r s o d o q u a d r a d o d a s distâncias. T . especialmente q u a n d o existem muitos problem a s disponíveis em outros setores do c a m p o de estudos. WHEWELL. Em 1750. já indicamos q u e d u r a n t e os sessenta anos que se seguiram aos cálculos originais de N e w ton. ver T. e m p r e gado com bons resultados em outras á r e a s ) . T h e Caloric T h e o r y o f A d i a b a t i c C o m p r e s s i o n . os cientistas estão dispostos a esperar. Sempre existem algumas discrepâncias. pp. A History of the Theories of Aether and Electricity. W H I T TAKEI. 220-221. N o tocante à velocidade d o som. II (Londres. S . Isis. A p a r e n t e m e n 3 4 3. u m a anom a l i a reconhecida e persistente n e m s e m p r e leva a u m a crise. E n q u a n t o o s m e l h o r e s físicos m a t e m á t i c o s d a E u r o pa continuavam a lutar sem êxito c o m essa conhecida discrepância. 1953). 179. M a s n i n g u é m levou tais p r o postas m u i t o a sério e na prática essa paciência c o m u m a i m p o r t a n t e anomalia d e m o n s t r o u ser justificada.

c o m o no caso da Química do século X V I I I .te n e n h u m a das discrepâncias pareceu suficientemente fundamental para evocar o mal-estar que acompanha u m a crise. P r o v a v e l m e n t e n ã o existe u m a r e s posta verdadeiramente geral p a r a essa pergunta. portanto. r a r a m e n t e realizará algum trabalho importante. O u . Devemos. S e m p r e e x i s t e m d i f i c u l d a d e s e m q u a l q u e r p a r t e d a adequação entre o paradigma e a natureza. u m a anomalia sem importância fundamental aparente p o d e provocar u m a crise. A l g u m a s vezes u m a a n o m a l i a colocará claramente em q u e s t ã o as generalizações explícit a s e f u n d a m e n t a i s do p a r a d i g m a — t a l c o m o o p r o b l e m a da resistência do éter c o m relação aos que aceitavam a teoria de Maxwell. Já i n d i c a m o s . cedo ou tarde. u m a a n o m a l i a p a r e c e ser a l g o m a i s d o q u e u m n o v o q u e - . caso as aplicações que ela inibe p o s s u a m u m a importância prática especial — neste exemplo p a r a a e l a b o r a ç ã o do calendário e p a r a a Astrologia. a maioria. Q u a n d o . E m geral. m a s m u i t o p o u c o descritivos. q u e u m a d a s f o n t e s d a crise c o m a q u a l se d e f r o n t o u C o p é r n i c o foi s i m p l e s m e n t e o espaço de tempo durante o qual os astrônomos lutaram sem sucesso para reduzir as discrepâncias residuais existentes no sistema de P t o l o m e u . diversas dessas circunstâncias parecerão combinadas.j Segue-se daí que p a r a u m a a n o m a l i a originar u m a c r i s e . acaba sendo resolvida. Ou. O cientista q u e s e d e t é m p a r a e x a m i n a r c a d a u m a das anomalias q u e constata. freqüentemente através de processos q u e n ã o p o d e r i a m ter sido p r e v i s t o s . É de se presumir que ainda existam outras circunstâncias capazes de tornar u m a anomalia algo particularmente p r e m e n t e . p o r essas r a z õ e s o u o u t r a s s i m i l a r e s . o desenvolvimento da ciência n o r m a l p o d e transformar em u m a fonte de crise u m a anomalia que anteriormente n ã o passava de um i n c ô m o d o : o problema das relações de peso adquir i u u m status m u i t o d i f e r e n t e a p ó s a e v o l u ç ã o d a s t é c nicas químico-pneumáticas. perguntar o que é que torna u m a anomalia digna de um escrutínio c o o r d e n a d o . P u d e r a m ser consideradas c o m o contra-exemplos e m e s m o assim serem deixadas de lado para um exame posterior. p o r e x e m p l o . d e v e ser a l g o m a i s d o q u e u m a s i m p l e s a n o m a lia. c o m o no caso da revolução copernicana. Os casos q u e j á e x a m i n a m o s s ã o c a r a c t e r í s t i c o s .

mas s e m r e l a ç ã o c o m u m m e s m o c o r p o . continua. "é c o m o se um artista reunisse as m ã o s . que n ã o conseguiam explicar n e m m e s m o a duração constante das estações do ano". Um n ú m e r o cada vez m a i o r de cientistas eminentes do setor passa a dedicar-lhe u m a atenção sempre maior. cada parte muitíssimo bem desenhada. " C o m eles". é sinal d e q u e s e iniciou a t r a n s i ç ã o p a r a a crise e p a r a a c i ê n c i a e x t r a o r d i n á r i a . a s r e g r a s d a c i ê n c i a n o r m a l tornam-se sempre mais indistintas.eram a c e i t a s p a s s a m a ser q u e s t i o n a d a s ^ T a l situação. Parte dessa "aparência resulta pura e simplesmente da nova persp e c t i v a d e e n f o q u e a d o t a d a p e l o e s c r u t í n i o científico. U m a v e z q u e elas n ã o se adaptam u m a s às outras de forma alguma. com a c o n t í n u a r e s i s t ê n c i a . os pés. Copérnico queixou-se de que no seu t e m p o os a s t r ô n o m o s e r a m tão "incoerentes nessas investigações ( a s t r o n ô m i c a s ) . é a l g u m a s vezes r e conhecida pelos cientistas envolvidos. o . P a r a esses i n v e s t i g a d o r e s a disciplina n ã o parecerá mais a m e s m a de antes. a cabeça e outros m e m b r o s de imagens de diversos modelos. e m b o ra ainda exista um p a r a d i g m a . . Os primeiros ataques contra o problema não-resolvido seguem b e m de perto as regras do paradigma. q u a n d o aguda. N e n h u m a dessas articulações será igual. M e s mo soluções-padrão de problemas que anteriormente s. os a t a q u e s e n v o l v e r ã o mais e mais algumas articulações menores do paradigma (ou mesmo algumas não tão inexpressivas). a s o l u ç ã o . muitos cientistas p o d e m passar a consider a r s u a r e s o l u ç ã o c o m o o o b j e t o d e e s t u d o específico d e s u a d i s c i p l i n a . c a d a u m a d e las será b e m sucedida. U m a fonte de m u d a n ç a s ainda mais i m p o r t a n t e é a natureza divergente das numerosas soluções parciais que a atenção concentrada tornou disponível. mas. A p r ó p r i a a n o m a l i a p a s s a a ser m a i s c o m u m e n t e "reconhecida c o m o tal pelos cientistas. A esta altura.c a b e ç a d a c i ê n c i a n o r m a l .b r a . m a s n e n h u m a tão b e m sucedij i a q u e p o s s a ser a c e i t a c o m o p a r a d i g m a p e l o g r u p o . Se a anomalia continua resistindo à análise (o q u e geralmente n ã o a c o n t e c e ) . Através dessa proliferação de articulações divergentes ( q u e serão c a d a vez mais freqüentemente descritas com o a d a p t a ç õ e s a d hoc). constata-se que poucos c i e n t i s t a s e s t a r ã o d e a c o r d o s o b r e q u a l seja e l e . .

K U H N . l i m i t a d o p e l o e m p r e g o c o r r e n t e d e u m a linguagem menos rebuscada.m e t o r n a d o u m c o m e d i a n t e d e c i n e m a o u algo d o g ê n e r o e n u n c a ter o u v i d o falar d e F í s i c a " . S. "The Turning roint". A l g u m a s vezes a ciência normal acaba revelando-se capaz de tratar do problema q u e p r o v o c a crise. Grande parte desse artigo descreve a crise que teve lugar na M e c â n i c a Quantica n o s a n o s anteriores a 1925. " E i n s t e i n . 7. W e i s s k o p f ( N o v a Y o r k . p a r a m i m é m u i t o difícil. m a s acredito que agora é possível avançar novamente".m e a e s p e r a n ç a e a a l e g r i a de viver. 1949). "Autobiographicl Note". ser u n i v e r s a i s . 25-26. G o s t a r i a d e t e r . E m o u t r a s ocasiões o p r o b l e m a resiste até m e s m o a novas abord a g e n s a p a r e n t e m e n t e radicais. (As c r i s e s p o d e m t e r m i n a r de três maneiras. c o m a diferença de que no primeiro caso o p o n t o de divergência é m e n o r e m e n o s c l a r a m e n t e d e f i n i d o . os cientis5 6 7 as 5. sem que n e n h u m fundamento firme. Schi (Evanston.. Citado cm T. W o l f g a n g Pauli. e m Theoretical Physics i n the Tveentieth Century: A. S e m d ú v i d a a l g u m a . F. Albert. ed. De q u a l q u e r m o d o . p . nos meses que precederam o artigo de Heisenberg que indicaria o c a m i n h o p a r a u m a nova Teoria d o s Quanta. m a s o s efeitos d a crise n ã o d e p e n d e m inteiramente de sua aceitação consciente. e s c r e v e u a u m a m i g o : " N o m o m e n t o . Q u a i s s ã o esses efeitos? A p e n a s d o i s d e l e s p a r e c e m . 22. sobre o q u a l s e p u d e s s e c o n s t r u i r . ela n ã o p r o p o r c i o n a a s o l u ç ã o p a r a a c h a r a d a . 45. R A L P H K R O N I G . M. P. T o d a s crises i n i c i a m c o m o o b s c u r e cimento de um p a r a d i g m a e o conseqüente relaxament o d a s r e g r a s q u e o r i e n t a m a p e s q u i s a n o r m a l . 1 9 5 7 ) . M a s s . E I N S T E I N . A. . Nesse caso. III. estivesse à v i s t a " . T^he Copernican Revoluíion (Cambridge. p. escreveu apenas que: "Foi c o m o s e o s o l o d e b a i x o d e n o s s o s p é s tivesse s i d o r e tirado. apesar d o desespero daqueles q u e o v i a m c o m o o fim d o p a r a d i g m a e x i s t e n t e . 6. a pesquisa d o s períodos de crise assemelha-se m u i t o à pesquisa pré-paradigmática. a Física está mais u m a vez em terrível confusão. Memorial Volume to Wolfang Pauli. pp. 1 . 1960). 138.resultado seria antes u m m o n s t r o q u e u m h o m e m . A esse respeito. In: Albert Einstein: Philosopher-Scientist. ed. Fierz e V. T a i s r e c o n h e c i m e n t o s explícitos de fracasso são e x t r a o r d i n a r i a m e n t e r a r o s . E s s e t e s t e m u n h o é particularmente impressionante se contrastado c o m as palavras q u e Pauli pronunciou cinco m e ses d e p o i s : " O t i p o d e M e c â n i c a p r o p o s t a p o r H e i s e n b e r g d e v o l v e u .

digma e c o m u m a subseqüente batalha p o r sua aceitaç ã o j Este último m o d o de resolução será extensamente examinado nos últimos capítulos. descreveu-o recentemente c o m o "tomar o reverso da medalha". b e m c o m o muitos de seus m é t o d o s e aplicações. É antes u m a reconstrução da área de estudos a partir de novos princípios. d o q u a l p o d e surgir u m a n o v a t r a d i ç ã o d e ciênc i a n o r m a l .I tas p o d e m concluir que n e n h u m a solução p a r a o p r o blema p o d e r á surgir no estado atual da área de estudo. BUTTERFIELD. pp. 1949). os cientistas t e r ã o modificado a sua concepção da á r e a de estudos. observando u m caso clássico d e reorientação d a ciência p o r m u d a n ç a d e paradigma. m a s anteciparem o s a l g o d o q u e s e r á d i t o . 1300-I8OO. (Londres. m a s e s t a b e l e c e n d o e n t r e eles u m n o v o s i s t e m a d e r e lações. U m historiador perspicaz. Completada a transição. que p r i m e i r a m e n t e f o r a m vistas c o m o u m p á s s a r o . Ou. s ã o a g o r a vistas c o m o u m a n t í l o p e o u v i 8 8. reconstrução q u e altera algumas das generalizações teóricas mais elementares do p a r a d i g m a . e s t á l o n g e d e ser u m p r o c e s s o c u m u l a t i v o obtido através de u m a articulação do velho paradigma. D u r a n t e o período de transição haverá u m a grande coincidência ( e m b o r a nunca c o m p l e t a ) entre os p r o b l e m a s q u e p o d e m ser r e s o l v i d o s p e l o a n t i g o p a r a d i g m a e o s q u e p o d e m ser r e s o l v i d o s p e l o n o v o . Herbert. 1-7. o c a s o q u e m a i s n o s i n t e r e s s a : u m a crise p o d e t e r m i nar com a emergência de um novo candidato a p a r a . O p r o b l e m a recebe e n t ã o um rótulo e é posto de l a d o p a r a ser resolvido p o r u m a futura g e r a ç ã o q u e d i s p o nha de instrumentos mais elaborados. H a verá igualmente u m a diferença decisiva no tocante aos modos de solucionar os problemas. a fim d e c o m p l e t a r e s t a s o b s e r v a ç õ e s s o b r e a e v o l u ç ã o e a a n a t o m i a do e s t a d o de crise. . organizado a partir de um q u a d r o de referência d i f e r e n t e " . O u t r o s q u e a t e n t a r a m p a r a e s s e a s p e c t o d o a v a n ç o científico e n f a t i z a r a m s u a s e m e l h a n ç a c o m u m a m u d a n ç a n a f o r m a (Gestalt) v i s u a l : a s m a r cas n o papel. de seus m é t o d o s e de seus objetivos. finalmente. processo que envolve "manipular o m e s m o conjunto de dados que anteriormente. The Origins of Modern Science. A transição de um p a r a d i g m a em crise p a r a um n o v o .

A s a n t e c i p a ç õ e s feitas a c i m a p o d e r ã o a u x i l i a r . I. e m u m nível p a r a o q u a l n ã o estão capacitados a trabalhar. A s u a n o t a l a c r a d a foi d e p o s i t a d a na A c a d e m i a Francesa menos de um ano depois do 9 1 9. situada no interior de um universo de discurso t a m b é m diferente. C o m o é a pesquisa extraordinária? C o m o fazemos para que u m a anomalia s e a j u s t e à lei? C o m o p r o c e d e m o s c i e n t i s t a s q u a n d o se conscientizam de que há algo f u n d a m e n t a l m e n t e e r r a d o n o p a r a d i g m a . i n f e l i z m e n t e . IIANSON. a liberdade de passar repetidamente de u m a maneira de ver a outra.s e g r a v e m e n t e . a m u d a n ç a de forma perc e p t i v a {Gestalt}. T a l p a r a l e l o p o d e ser e n g a n o s o . . ainda mais do q u e a do historiador. devido às limitações de seu treinamento? Essas questões exigem investigações b e m mais amplas. Já e x a m i n a m o s a l g u n s dos problemas criados com a afirmação de que Priestley v i a o o x i g ê n i o c o m o a r d e s f l o g i s t i z a d o . cit. Q^trabalho de Lavoisier fornece um exemp l o c a r a c t e r í s t i c o .c e . é u m p r o t ó t i p o e l e m e n t a r útil p a r a o e x a m e d o q u e ocorre d u r a n t e u m a m u d a n ç a total d e paradigma. N ã o obstante. Op. A l é m d i s s o . ! F r e q ü e n t e m e n t e . o c i e n t i s t a n ã o r e t é m .n o s a r e c o n h e c e r a crise c o m o um p r e l ú d i o a p r o p r i a d o à emergência de novas teorias. n ã o necessariamente históricas. a s p e r g u n t a s à s q u a i s ela c o n d u z r e q u e r e m a competência do psicólogo.v e r s a . s o b r e t u d o p o r ser a t u a l m e n t e t ã o f a m i l i a r . O s c i e n t i s t a s n ã o v ê e m u m a c o i s a como s e f o s s e o u t r a d i f e r e n te — eles s i m p l e s m e n t e a v ê e m . Cap. que tal emergência só tem p r o b a b i lidades de ocorrer q u a n d o se percebe que a tradição a n t e r i o r e q u i v o c o u . É exatamente p o r q u e a emergência de u m a n o v a teoria r o m p e c o m u m a tradição d a prática científica e i n t r o d u z u m a n o v a d i r i g i d a p o r r e g r a s d i f e r e n tes. c o m o o sujeito da Gestalt. ao discutirmos a emergência de desço-' bertas. essa o b s e r vação n ã o é mais q u e um prelúdio à investigação do e s t a d o d e crise e . um n o v o p a r a d i g m a emerge — a o m e n o s e m b r i o n a r i a m e n t e — a n t e s q u e u m a crise esteja b e m desenvolvida ou t e n h a sido explicitamente reconhecida. O q u e dizemos a seguir será necessariamente mais h i p o tético e incompleto do q u e o afirmado anteriormente. especialmente após term o s e x a m i n a d o u m a versão em pequena escala do m e s mo processo. C o n t u d o .

c o m freqüência. realizando experiências simplesmente p a r a ver o q u e acontecerá. S i m u l t a n e a m e n t e o cientista buscará m o d o s de realçar a dificuldade. Confrontado com u m a anomalia reconhecidam e n t e fundamental. n ã o s e tivesse t r a n s f o r m a d o e m u m e s c â n d a l o científico internacional. T a l crise teria p a s s a d o q u a s e d e s p e r c e bida se. pode-se apenas dizer que um fracasso m e n o r do p a r a d i g m a e o primeiro obscurecimento de suas regras p a r a a ciência n o r m a l f o r a m s u f i c i e n t e s p a r a i n d u z i r e m a l g u é m um novo m o d o de encarar seu c a m p o de estudos. ^ Contudo. E m b o r a consciente de que as regras da ciência n o r m a l n ã o p o d e m estar totalm e n t e certas. mais d o q u e e m qualquer outro m o m e n t o do desenvolvimento pré-paradigmático da ciência. buscando descobrir precisamente onde e a t é q u e p o n t o e l a s p o d e m ser e m p r e g a d a s e f i c a z m e n Je na área de dificuldades. parecerá quase idêntico à n o s s a i m a g e m c o r r e n t e d o cientista. O que ocorreu entre a primeira percepção do problema e o reconhecimento de u m a alternativa disponível d e ve ter sido em g r a n d e p a r t e inconsciente. pelo menos. captar a l g u m a s pistas sobre o q u e é a ciência extraordinária. p r o c u r a r á aplicá-las mais vigorosamente do que nunca. o historiador pode. Os primeiros informes de T h o m a s Y o u n g sobre a teoria ondulatória da luz apareceram n u m e s t á g i o b e m inicial d e u m a crise q u e s e d e s e n v o l via na Óptica. será freqüentemente visto c o m o u m h o m e m q u e p r o cura ao acaso. na d é c a d a q u e se seguiu aos primeiros trabal h o s d e Y o u n g .primeiro estudo minucioso das relações de peso na teoria flogística e antes d a s publicações de Priestley ter e m revelado t o d a a extensão da crise existente na Q u í mica Pneumática. em outros casos — c o m o por exemplo os de Copérnico. s e m q u a l q u e r assistência d a q u e l e autor. o primeiro esforço teórico do cientista será. N e s s e esforço. Einstein e da teoria nuclear contemp o r â n e a — decorre um t e m p o considerável entre a primeira consciência do fracasso do p a r a d i g m a e a emergência de um novo. E m casos c o m o esse. de torná-la m a i s n í t i d a e t a l v e z m a i s s u g e s t i v a d o q u e e r a a o ser a p r e s e n t a d a em experiências cujo resultado pensava-se conhecer d e a n t e m ã o . Q u a n d o as coisas se processam dessa maneira. E m p r i m e i r o lugar. p r o c u r a n d o um efeito cuja . isolá-la c o m m a i o r precisão e dar-lhe u m a estrutura.

acomp a n h a d o por outro. v e r J . tentativas de localizar e definir a origem de um conjunto ainda difuso de anomalias. e s p e c i a l m e n t e Experiments and Observations on Different Kinds of Air (Londres. se as regras n ã o tivessem falhado de maneira evidente em algum ponto n ã o revelado. DREYER. E . o cientista e m c r i s e t e n t a r á c o n s t a n t e m e n t e g e r a r t e o r i a s especulativas que. as regras e pressupostos n ã o prec i s a m ser e x p l i c a d o s . Inexatidões acidentais não impedem que a apresentação de Dreyer nos forneça o material de que necessitamos. P a r a u m r e l a t o <ío t r a b a l h o d e K e p l e r s o b r e M a r t e .\ O relatório de Kepler sobre sua luta prolongada c o m o m o v i m e n t o de M a r t e e a descrição de Priestley sobre sua resposta à proliferação de novos gases forn e c e m exemplos clássicos de um tipo de pesquisa mais aleatório gerado pela consciência da anomalia.. N a v e r d a d e . A History of Astronomy from Thales to Kepler (2. o b s e r v a m o s q u e o c o n j u n t o c o m p l e t o d a s r e g r a s . 380-393. possam abrir o caminho para um novo paradigma e. Q u a n t o a P r i e s t l e y . essas experiências foram. . teria p a r e c i d o justificado o esforço exigido p a r a detectar o neutrino? Do m e s m o m o d o . a c i ê n c i a n o r m a l u s u a l m e n t e m a n t é m a filosofia c r i a d o r a a o a l c a n c e d a m ã o e p r o v a v e l m e n t e faz isso por boas razões. se mal sucedid a s . 4 . 1 9 5 3 ) . c o m freqüência (embora de nenhum modo geralmente).s e d o p a r a digma como modelo. se b e m sucedidas. a hipótese radical de n ã o . p o s s a m ser a b a n d o n a d a s c o m r e l a t i v a facilidade. Creio que é « o b r e t u d o nos períodos de crises reconhecidas q u e os cientistas se voltam p a r a a a n á l i s e filosófica c o m o u m m e i o p a r a r e s o l v e r a s c h a r a d a s d e sua á r e a d e estudos. b u s c a d o p e l a a n á l i s e filo1 0 1 0 . E m geral o s cientistas n ã o p r e c i s a r a m o u m e s m o d e s e j a r a m ser filósofos. N o C a p . v e r s u a s p r ó p r i a s o b r a s . em parte. Mas provavelmente as melhores ilustrações encontram-se n a s pesquisas c o n t e m p o r â n e a s sobre a teoria de c a m p o e sob r e a s p a r t í c u l a s f u n d a m e n t a i s . 1774-1775). E s s e t i p o d e p e s q u i s a e x t r a o r d i n á r i a é . L . d a d o q u e n e n h u m a e x p e r i ê n c i a p o d e ser c o n cebida s e m o apoio de a l g u m a espécie de teoria. Na medida em que o trabalho de pesq u i s a n o r m a l p o d e ser c o n d u z i d o u t i l i z a n d o . Ao mesmo t e m p o .natureza n ã o pode imaginar com precisão.c o n s e r v a ç ã o da p a r i d a d e teria sido sugerida ou t e s t a d a ? C o m o t a n t a s o u t r a s p e s q u i s a s físicas r e a l i z a d a s na d é c a d a passada. Nova York. N ã o fosse a c r i s e q u e tornou necessário determinar até o n d e poderiam ir as regras da ciência n o r m a l . pp. ed.

v e r u m l i v r o a n t e r i o r d o m e s m o a u t o r . c o m o a da polarização por reflexão. La mécanique a u XVII. I n : langes Alexandre Koyré. Paris. N e m é acidental o fato de em a m b o s os períodos a c h a m a d a experiência de pensamento ter d e s e m p e n h a d o u m papel t ã o crítico n o progresso d a pesquisa. T . n ã o p r e c i s a n e m m e s m o existir. resultaram de acidentes que se t o r n a m p r o v á v e i s q u a n d o existe u m t r a b a l h o c o n c e n trado na área problemática. C o m o mostrei em outros lugares. u m a outra coisa p o d e o c o r r e r . X I . N ã o é por acaso q u e a e m e r g ê n c i a d a física n e w t o n i a n a n o s é c u l o X V I I e da Relatividade e da Mecânica Quântica no século XX f o r a m p r e c e d i d a s e a c o m p a n h a d a s p o r a n á l i s e s filosóficas fundamentais da tradição de pesquisa contemporân e a . B o h r e outros é perfeitamente calculada p a r a expor o antigo p a r a d i g m a ao conhecimento existente.] Já indicam o s c o m o a c o n s c i ê n c i a de crise d i s t i n g u e e n t r e o t r a b a l h o de L a v o i s i e r s o b r e o o x i g ê n i o e o de P r i e s t l e y . Einstein. As novas descobertas ópticas acumularam-se rapidamente p o u c o antes e d u r a n t e o surgimento da teoria o n d u latória da luz. 1 9 5 4 ) . A l g u m a s dessas descobertas. K U H N . especialmente C a p . R . a s crises f a z e m freqüentemente proliferar novas descobertas. I s s o n ã o q u e r dizer que a busca de pressupostos ( m e s m o os não-exist e n t e s ) n ã o p o s s a e v e n t u a l m e n t e ser u m a m a n e i r a eficaz de enfraquecer o domínio de u m a tradição sobre a m e n te e sugerir as bases p a r a u m a nova. Cohen. publicado Hermann. Para o contraponto filosófico que a c o m p a n h o u a M e c â n i c a do século X V I I . C o m referência a u m episódio s e m e l h a n t e n o s é c u l o X I X . a experiência de pensamento analítica q u e é tão i m p o r t a n t e n o s escritos de Galileu. autor da descoberta. e d . " A Function for T h o u g h t Experiments". ver R E M E DUGAS. B. d e t a l f o r m a q u e a r a i z d a crise seja i s o l a d a c o m u m a clareza impossível de obter-se no l a b o r a t ó r i o .» siècle (Neuchâtel. \ " Ã o c o n c e n t r a r a a t e n ç ã o científica s o b r e u m a área problemática bem delimitada e ao preparar a m e n t e científica p a r a o r e c o n h e c i m e n t o d a s a n o m a l i a s e x p e r i m e n t a i s p e l o q u e r e a l m e n t e s ã o . (Malus. 419-443. Histoire de la mécanique (Neuchâtel. Mépor . estava apenas iniciando seu ensaio sobre a dupla refração. | 2 . Taton e I. S . com o qual p e n s a v a conquistar o p r ê m i o da 1 1 1 2 1 1 . pp.sófica. C o m o d e s e n v o l v i m e n t o — i s o l a d o ou c o n j u n t o — desses procedimentos extraordinários. e o o x i g ê n i o n ã o foi o ú n i c o g á s q u e o s q u í m i c o s c o n s c i e n tes d a a n o m a l i a d e s c o b r i r a m n o s t r a b a l h o s d e P r i e s t l e y . 1950).

m a s tal c o m o o oxigênio de Priestley. v e r J . emerge repentinamente. No entant o . m a s n e s s a á r e a m a l c o m e ç a m o s a descobrir as questões q u e p r e c i s a m ser colocad a s . isso t a l v e z seja o suficiente. ver V . a partir de 1 8 9 5 . pp. As o b servações anteriores devem bastar c o m o indicação da m a n e i r a pela q u a l as crises debilitam a rigidez d o s estereótipos e ao m e s m o t e m p o fornecem os d a d o s adicionais necessários p a r a u m a alteração f u n d a m e n t a l d e p a radigma. Cap. p o d i a perceber a inter-relação existente entre as c o n h e cidas anomalias da radiação de um corpo negro. . R O N C H I . The History and Present State of Discoveries Relating to Vision. ) O u t r a s descobertas. o u u m a i n d i c a ç ã o suficiente p a r a p e r m i t i r u m a posterior articulação. a c o m p a n h a r a m a emergência da Mecânica Quântica. A respeito das novas descobertas ópticas e m geral. 1956). c o m o as cores de ranhuras e d e p l a c a s g r o s s a s e r a m efeitos q u e j á h a v i a m s i d o c o n s tatados muitas vezes e ocasionalmente mencionados. A e s t a a l t u r a . 498-520. foram resultado de predições realizadas a partir de u m a nova hipótese. cit. A o invés d i s s o . 14. U m r e l a t o sim i l a r p o d e r i a ser feito s o b r e a s m ú l t i p l a s d e s c o b e r t a s que. V I I . S a b i a . cujo sucesso ajudou a transformá-la em paradigma p a r a os trabalhos posteriores.A c a d e m i a p a r a t r a b a l h o s s o b r e esse t e m a . como a do ponto luminoso no centro da sombra de um disco circular. EINSTEIN. Einstein escreveu que antes m e s m o de dispor de qualquer substituto para a Mecânica Clássica.s e p e r feitamente q u e essa questão apresentava um desenvolvimento insatisfatório até aquele m o m e n t o . I OC. m a i s f r e q ü e n t e m e n t e tal e s t r u t u r a n ã o é p e r c e b i d a c o n s c i e n t e m e n t e d e a n t e m ã o . algumas vezes n o meio d a noite. do efeito fotoelétrico e d o s calores específicos. 1772). o n o v o p a r a d i g m a . A pesquisa extraordinária deve ainda possuir out r o s efeitos e m a n i f e s t a ç õ e s . Outras ainda. Q u a l seja a n a t u r e z a d e s s e e s t á g i o final — c o m o o i n d i v í d u o i n v e n t a ( o u descobre que inventou) u m a nova maneira de ordenar 1 3 14 13. Para u m a exp l i c a ç ã o a n t e r i o r d e u m d e s s e s e f e i t o s . P R I E S T L E Y . A l g u m a s vezes a forma do n o v o p a r a d i g m a prefigura-se na estrutura que a pesquisa extraordinária d e u à anomalia. d e t a l m o d o q u e n ã o p o d i a m s e r vistos n a s u a n a t u r e z a r e a l . h a v i a m sido assim i l a d o s a efeitos b e m c o n h e c i d o s . Histoire de la lumière ( P a r i s . n a mente d e u m h o m e m p r o f u n d a m e n t e i m e r s o n a crise. Light and Colours (Londres.

A t é o C a p . já agora coletados na sua totalidade — perm a n e c e r á i n e s c r u t á v e l a q u i e é p o s s í v e l q u e a s s i m seja p e r m a n e n t e m e n t e . ^ transição para um novo paradigma é u m a revol u ç ã o científica. 1953]) fornece m u i t o s d a d o s úteis. N a p r á t i c a . Observe-se. a generalização está a requerer u m a investigação sistemática. A l é m disso. t ê m g r a n d e s probabilidades d e perceber q u e tais regras n ã o mais definem alternativas viáveis e de conceber um o u v^tro c o n j u n t o q u e p o s s a s u b s t i t u í . e s s a c i r c u l a r i d a d e j á — n ã o está mais sem caracterização. T a l c i r c u l a r i d a d e p o d e ter i n c o m o d a d o p e l o m e n o s a l g u n s l e i t o r e s . Neste capítulo do ensaio e nos dois precedentes. Não obstante. t e m a q u e e s t a m o s f i n a l m e n t e p r e p a r a dos para abordar diretamente. [Princeton. Lehman (Age and Achievement. u m a s p e c t o final e a p a r e n t e m e n t e e q u í v o c o d o c a m i n h o aberto pelo material apresentado nos três últimos capítulos. i n c ô m o d a o u n ã o . critérios que n ã o d e p e n d e m d e forma alguma d o fato de u m a r e v o l u ç ã o seguir-se ou n ã o a esse fracasso.os dados. igualmente. M a i s importante ainda. C o n t u d o . visto q u e tais h o m e n s . Q u a s e s e m p r e . q u a n d o pela primeira vez introduziu-se o conceito de a n o m a l i a . N ã o se interrogam. os h o m e n s q u e fazem essas invenções fundamentais são muito jovens ou estão há pouc o t e m p o n a á r e a d e estudos cujo p a r a d i g m a modificam. Essa generalização do papel da juventude nas pesquisas científicas fundamentais é t ã o c o m u m q u e chega a ser um clichê. m a s seus estudos n ã o procuram distinguir aquelas contribuições que e n v o l v e m u m a reconceptualização de natureza fundamental. sobre as circustâncias especiais — se e x i s t e m — que p o d e m a c o m p a n h a r a p r o d u t i v i d a d e r e l a t i v a m e n t e t a r d i a na c i ê n c i a s . 5. o s c i e n t i s t a s t o m a m u m a atitude diferente c o m relação aos paradigmas 1 5 15. Confrontados c o m a n o m a l i a s o u c r i s e s .n o r m a l " . um olhar r á p i d o em q u a s e t o d a s as listas de contribuições fundamentais à teoria científica proporcionarão uma confirmação impressionista. sendo p o u c o c o m p r o m e t i d o s c o m as regras tradicionais da ciência n o r m a l em r a z ã o d e s u a l i m i t a d a p r á t i c a científica a n t e r i o r . T a l v e z n ã o fosse n e c e s s á r i o f a z e r essa o b s e r v a ç ã o . os t e r m o s " r e v o l u ç ã o " e "ciência extraordinária" p o d e m ter parecido equivalentes. I n d i q u e m o s apenas u m a coisa a esse respeito. H a r v e y C. entretanto. isso n ã o p r e c i s a v a t e r ocorrido. n e n h u m desses termos p o d e r i a t e r significado o u t r a c o i s a a l é m d e " c i ê n c i a n ã o . enunciamos numerosos critérios relativos ao fracasso na atividade da ciência normal. •- .l a s . E s t a m o s a p o n t o de descobrir que u m a circularidade semelhante é característica d a s teorias científicas.

são sintomas de u m a transição da pesquisa normal para a extraordinária. a disposição de tentar qualquer coisa. a expressão de d e s c o n t e n t a m e n t o explícito. o r e c u r s o à F i l o s o f i a e ao d e b a t e s o b r e os f u n d a m e n t o s . a n a t u r e z a de suas pesquisas transforma-se de forma correspondente. A n o ç ã o de ciência n o r m a l d e p e n d e mais da existência desses fatores do q u e da existência de revoluções.existentes. C o m isso. A proliferação de articulações concorrentes.'] .

.

Contudo. nos quais um paradigma mais antigo é total ou parcialmente substituído por um novo. J P o r f j u e ^ h a - . a discussão precedente indicou que c o n s i d e r a m o s r e v o l u ç õ e s científicas a q u e l e s e p i s ó d i o s d e desenvolvimento não-cumulativo.8. O q u e s ã o r e v o l u ç õ e s científicas e q u a l a s u a f u n ç ã o n o d e s e n v o l v i m e n t o científico? G r a n d e p a r t e d a r e s p o s t a a e s s a s q u e s t õ e s foi a n t e c i p a d a n o s c a p í t u l o s a n t e r i o r e s . A NATUREZA E A NECESSIDADE DAS REVOLUÇÕES CIENTIFICAS Essas observações permitem-nos finalmente examin a r os p r o b l e m a s q u e d ã o o n o m e a este ensaio. incompatível c o m o anterior. há m u i t o m a i s a ser d i t o e u m a p a r t e e s s e n c i a l p o d e ser introduzida através de mais u m a pergunta. D e m o d o especial.

t a m b é m seguidamente restrito a u m a pequena subdivisão da com u n i d a d e científica. q u e p a r a l e l i s m o p o d e r á justificar a m e t á f o r a q u e e n c o n t r a r e v o l u ç õ e s e m a m b o s ? A esta altura um dos aspectos do paralelismo já d e v e ser visível. p o d i a m aceitar os raios X c o m o u m a simples adição ao conhecimento.mar de revolução u m a mudança de paradigma? Face às grandes e essenciais diferenças que s e p a r a m o desenvolv i m e n t o p o l í t i c o d o científico. e m b o r a e s s e p a r a l e l i s m o evidentemente force a metáfora. cujas pesquisas tratavam da teoria da radiação ou dos tubos de raios catódicos. C r o o k e s e Roentgen. Esse aspecto genético do paralelo entre o desenv o l v i m e n t o científico e o p o l í t i c o n ã o d e v e r i a d e i x a r . tal c o m o as revoluções balcânicas no c o m e ç o d o século X X . por exemplo.s e c o m um sentimento crescente. associadas c o m a assimilação de um n o v o tipo de fenômeno. pois seus paradigmas n ã o f o r a m afetados pela existência d e u m a n o v a radiação. C o m o i n d i c a m o s n o final d o C a p . É p o r isso q u e tais raios somente p o d e r i a m ter sido descobertos através da p e r c e p ç ã o d e q u e algo n ã o a n d a v a b e m n a pesquisa normal. é um pré-requisito p a r a a revoluçãçj. O s astrônomos. m a s t a m b é m p a r a as b e m m e n o s importantes. o s e n t i m e n t o d e f u n c i o n a m e n t o defeituoso. 4 .j A l é m d i s s o . de q u e as instituições existentes deixaram de responder a d e q u a d a m e n t e aos problemas postos por um meio que ajudaram em parte a criar. cuja exploração fora anteriormente dirigida pelo paradigma. q u e p o d e levar à crise. podem parecer etapas normais de um processo de desenvolvimento. as revoluções científicas i n i c i a m . c o m o o o x i g ê n i o o u o s r a i o s X . o surgimento d o s raios X violou inevitavelm e n t e um p a r a d i g m a ao criar outro. M a s p a r a h o mens c o m o Kelvin.s e c o m u m s e n t i m e n t o c r e s c e n t e . é válido n ã o apenas p a r a a s m u d a n ç a s i m p o r t a n t e s d e p a r a d i g m a . P a r a observadores externos. De forma muito semelhante. c o m freqüência restrito a um segmento da c o m u n i d a d e política. d e q u e o p a r a d i g m a e x i s t e n t e d e i xou de funcionar a d e q u a d a m e n t e na exploração de um aspecto da natureza. Çís r e v o l u ç õ e s p o l í t i c a s i n i c i a m . a s r e v o l u ç õ e s científicas p r e c i s a m p a r e c e r r e volucionárias s o m e n t e p a r a aqueles cujos p a r a d i g m a s sejam afetados por elas. tais c o m o as q u e p o d e m o s atribuir a C o p é r n i c o e Lavoisier. T a n t o no desenvolvimento p o l í t i c o c o m o n o científico.

n a m e d i d a e m q u e a crise se aprofunda. ao longo da evolução da ciência. De início. esse p a p e l d e p e n d e do fato de aquelas s e r e m parcialmente eventos extrapolíticos e extra-institucionais. o paralelo possui um segund o a s p e c t o . a e s c o l h a e n t r e p a r a d i g m a s e m c o m p e t i ç ã o d e m o n s t r a ser u m a escolha entre m o d o s incompatíveis de vida comunitária. por sua vez. nesse ínterim. p o r n ã o reconhecerem n e n h u m a estrutura s u p r a -institucional competente p a r a julgar diferenças revolucionárias.s e sempre mais excentricamente n o interior dela.maiores dúvidas. E . os recursos de natureza política fracassam. O restante deste ensaio visa d e m o n s t r a r que o estudo histórico da m u d a n ç a de paradigmas revela características muito semelhantes a essas. a sociedade n ã o é integralmente govern a d a p o r n e n h u m a instituição. T a l c o m o a escolha e n t r e d u a s instituições políticas e m c o m p e t i ç ã o . seu êxito requer o a b a n d o n o parcial d e u m conjunto d e instituições e m favor d e outro. que seguidamente incluem a força. u m deles p r o c u r a n do defender a velha constelação institucional. Q u a n d o ocorre essa p o larização. E n t ã o . os partidos envolvidos em um conflito revolucionário d e v e m recorrer finalmente às técnicas de persuasão de massa. ela n ã o é e n ã o p o d e ser d e t e r m i n a d a s i m p l e s m e n t e p e l o s p r o c e d i m e n t o s de avaliação característicos da ciência n o r m a l . do mesmo m o d o que atenua o papel dos paradigmas. Em n ú m e r o s crescentes os indivíduos alheiam-se cada vez mais da vida política e c o m p o r t a m . o o u t r o tentando estabelecer u m a nova. C o n t u d o . a s o c i e d a d e e s t á d i v i d i d a em c a m p o s o u partidos e m competição. Conseqüentemente. P o r discordarem q u a n t o à matriz institucional a partir d a q u a l a m u d a n ç a p o l í t i c a d e v e r á ser a t i n g i d a e a v a liada. está . As revoluções políticas visam realizar m u d a n ç a s nas instituições políticas. é somente a crise q u e a t e n u a o p a p e l d a s instituições políticas. d o q u a l d e p e n d e o signific a d o do primeiro. m u d a n ç a s essas proib i d a s p o r e s s a s m e s m a s instituições q u e s e q u e r m u d a r . A e s t a a l t u r a . m a i s p r o f u n d o . P o r ter esse caráter. pois esses d e p e n d e m parcialmente d e u m p a r a d i g m a determinado e esse paradigma. E m b o r a a s revoluções t e n h a m tido u m p a p e l vital n a e v o l u ç ã o d a s instituições políticas. muitos desses indivíduos c o m prometem-se com algum projeto concreto para a reconstrução da sociedade de acordo com u m a nova estrutura i n s t i t u c i o n a l .

— c o m o n a s revoluções políticas — n ã o existe critério superior ao consentimento da comunidade relevante. C a d a g r u p o utiliza s e u p r ó p r i o p a r a d i g m a p a r a a r g u m e n t a r em favor desse m e s m o paradigma. Q u a n d o os paradigmas participam — e d e v e m fazê-lo — de um d e b a t e sobre a escolha de um paradigma.em questão. do a r g u m e n t o c i r c u l a r e q ü i v a l e t ã o -somente ao da persuasão. seja p r o b a b i l i s t i c a m e n t e . C o n t u d o . numerosos exemplos de tais diferenças e n i n g u é m d u v i d a r á de q u e a história da ciência p o d e fornecer m u i t o s mais. contudo. fornecer u m a mostra d e c o m o s e r á a p r á t i c a científica p a r a t o d o s a q u e l e s q u e adotarem a nova concepção da natureza. N a escolha d e u m p a r a d i g m a . P a r a d e s c o b r i r c o m o a s r e v o l u ç õ e s científicas s ã o p r o duzidas. precisaremos examinar brevemente a natureza d a s diferenças que separam os proponentes de um p a r a d i g m a tradicional de seus sucessores revolucionários. seja l ó g i c a . seu papel é necessariamente circular. C o l o c a r um paradigma como premissa n u m a discussão destinada a defendê-lo pode. que examinar n ã o apenas o impacto da natureza e da Lógica. n ã o obstante. Para os que recusam entrar n o círculo. é p r o v á v e l q u e p o n h a m o s e m d ú v i d a a capacidade de tais exemplos p a r a n o s p r o p o r cionarem informações essenciais sobre a natureza da ciência — e p o r t a n t o e x a m i n a r e m o s essa q u e s t ã o em primeiro lugar. esse a r g u m e n t o n ã o p o d e tornar-se imposit i v o . M a i s do q u e a exist ê n c i a d e tais d i f e r e n ç a s . c h e g a n d o muitas vez e s a c o m p e l i r à s u a a c e i t a ç ã o . A s p r e m i s s a s e os valores partilhados pelas duas partes envolvidas em u m debate sobre p a r a d i g m a s n ã o s ã o suficientemente a m p l o s p a r a permitir isso. m a s igualmente as t é c n i c a s d e a r g u m e n t a ç ã o p e r s u a s i v a q u e s ã o eficazes n o interior dos grupos m u i t o especiais que constituem a c o m u n i d a d e d o s cientistas. Naturalmente a circularidade resultante não torna esses a r g u m e n t o s e r r a d o s o u m e s m o ineficazes. P a r a d e s c o b r i r m o s p o r q u e esse p r o b l e m a d e e s c o l h a d e p a r a d i g m a n ã o p o d e j a m a i s ser r e s o l v i d o d e f o r m a i n e q u í v o c a e m p r e g a n d o . Essa mostra p o d e ser i m e n s a m e n t e persuasiva. A d m i t i n d o que a rejeição de paradigmas é um fato histórico. o status. tal rejeição ilumina algo mais do .s e t ã o . teremos. portanto.s o m e n t e a L ó g i c a e os experimentos. T a l e x a m e é o o b j e t o p r i n c i p a l d e s t e c a p í t u l o e do s e guinte. seja q u a l for a s u a f o r ç a . Já indicamos.

u m a n o v a teoria n ã o precisa entrar necessariamente e m conflito c o m qualquer de suas predecessoras. e i s s o é signific a t i v o . N o v o s tipos de fenômenos simplesmente revelariam a o r d e m existente em algum aspecto da natureza onde esta ainda n ã o fora descoberta. D o m e s m o m o d o . u m n o v o f e n ô m e n o p o d e r i a e m e r g i r s e m refletir-se d e s t r u t i v a m e n t e s o b r e a l g u m a s p e c t o d a p r á t i c a científica p a s s a d a . a d e s c o berta de vida em alguma parte menos conhecida da galáxia n ã o teria esse efeito. capaz de integrar t o d o u m g r u p o d e teorias d e nível inferior. a teoria térmica e assim p o r diante. o d e senvolvimento científico seria g e n u i n a m e n t e cumulativo. a Eletricidade. N a evolução d a ciência. P o d e tratar exclusivamente de fenômenos antes desconhecidos. c o m o a teoria quântica. E m princípio. seja d e u m a n o v a t e o r i a c i e n tífica. C e r t a m e n t e a ciência ( o u algum o u t r o empreendim e n t o talvez m e n o s eficaz) poderia ter-se desenvolvido dessa maneira totalmente cumulativa. d e v a m exigir a r e j e i ç ã o d e u m p a r a d i g m a m a i s antigo? Observe-se p r i m e i r a m e n t e q u e .que a credulidade e a confusão humanas? Existem raz õ e s i n t r í n s e c a s p e l a s q u a i s a a s s i m i l a ç ã o . a n o v a t e o r i a p o d e r i a s e r s i m p l e s m e n t e d e u m nível m a i s elevado do que as anteriormente conhecidas. a Óptica. Muitos acreditar a m q u e realmente ocorreu assim e a maioria ainda p a - . em vez de substituir outros conhecimentos de tipo distinto e incompatível. n ã o e x a m i n a a p e n a s esses f e n ô m e n o s . E m b o r a a d e s c o b e r t a d e v i d a n a L u a p o s s a t e r a t u a l m e n t e u m efeito destrutivo sobre os p a r a d i g m a s existentes ( a q u e l e s q u e fazem afirmações sobre a L u a que parecem incompatíveis c o m a e x i s t ê n c i a d e v i d a n a q u e l e s a t é l i t e ) . a teoria da conservação da energia proporciona exatam e n t e esse tipo de vínculo e n t r e a D i n â m i c a . P o d e m o s ainda conceber outras relações compatíveis e n t r e teorias velhas e novas e c a d a u m a dessas p o d e ser exemplificada pelo processo histórico através d o q u a l a c i ê n c i a d e s e n v o l v e u . que examina fenômenos subatômicos d e s c o n h e c i d o s a t é o s é c u l o XX — m a s . os novos conhecimentos substituiriam a ignorância. se existem tais r a zões.s e . seja d e u m n o v o t i p o d e f e n ô m e n o . a Química. elas n ã o d e r i v a m d a estrutura lógica d o conhecim e n t o científico. S e fosse a s s i m . A i n d a . Atualmente. sem modificar substancialmente n e n h u m a delas.

descobriremos q u ã o estreitamente entrelaçadas e s t ã o a c o n c e p ç ã o de c i ê n c i a c o m o a c u m u l a ç ã o e a e p i s temologia que considera o conhecimento c o m o u m a construção colocada diretamente pelo espírito sobre os dados brutos dos sentidos. C o n t u d o . isto é. A pesquisa normal. somente pode emergir na medida em que as antecipações . que é c u m u l a t i v a . concebe seus instrumentos e dirige seus pensamentos de a c o r d o c o m seus objetivos. Existem importantes razões p a r a tal crença. d e v e seu s u c e s s o à h a b i l i d a d e d o s c i e n t i s t a s p a r a selecionar regularmente fenômenos q u e p o d e m ser solucionados através de técnicas conceituais e instrumentais s e m e l h a n t e s à s j á e x i s t e n t e s . A novidade n ã o antecipada. T a l vez e l a seja u m a o u t r a e s p é c i e d e e m p r e e n d i m e n t o .rece supor q u e a a c u m u l a ç ã o é. a n o v a descoberta. IO examinaremos o s ó l i d o a p o i o f o r n e c i d o a esse m e s m o e s q u e m a h i s t o r i o gráfico p e l a s t é c n i c a s d a eficaz p e d a g o g i a d a s c i ê n c i a s . n ã o antecipadas d e m o n s t r a ser u m a exceção quase inexistente à regra do desenvolvimento científico. No C a p . A p ó s o p e r í o d o p r é . p o d e f a c i l m e n t e inibir o d e s e n v o l v i m e n to científico. existem crescentes razões p a r a p e r g u n t a r m o s s e é p o s s í v e l q u e e s t a seja u m a i m a g e m de ciência. pelo m e n o s . Sabe o que quer alcançar. se a resistência de d e t e r m i n a d o s fatos nos leva tão longe.p a r a d i g m á t i c o . o ideal q u e o desenvolvimento histórico exibiria.) C o n t u d o . o h o m e m q u e luta p a r a resolver um problema definido pelo conhecimento e pela técnica e x i s t e n t e s n ã o se l i m i t a s i m p l e s m e n t e a o l h a r à s u a v o l t a . N ã o obstante. a a s s i m i lação de todas as novas teorias e de quase todos os novos tipos de fenômenos exigiram a destruição de um p a r a d i g m a anterior e um conseqüente conflito entre e s c o l a s r i v a i s d e p e n s a m e n t o científico. No C a p . c a s o n ã o tivesse sido tão c o m u m e n t e distorcido pela idiossincrasia h u mana. A a q u i s i ç ã o c u m u lativa d e novidades. então u m a segunda inspeção no terreno já percorrido pode sugerir-nos que a aquisição cumulativa d e n o v i d a d e s é d e f a t o n ã o a p e n a s r a r a . sem levar em consideração sua relação c o m os conhecimentos e as técn i c a s e x i s t e n t e s . apesar da imensa plausibilidade dessa m e s m a i m a g e m ideal. A q u e l e q u e l e v a a s é r i o o f a t o h i s t ó r i c o d e v e suspeitar de que a ciência n ã o tende ao ideal sugerido pela imagem que temos de seu caráter cumulativo. ( É p o r isso q u e u m a p r e o c u p a ç ã o excessiva c o m p r o b l e m a s úteis. 9. m a s e m princípio improvável.

Essa diferença n ã o poderia ocorrer se as d u a s teorias fossem logicamente compatíveis. a s u b m e t e a u m a lei. O m e s m o a r g u m e n t o aplica-se a i n d a mais claramente à invenção de novas teorias. Freqüentemente. s o m e n t e três tipos de fenômenos a p r o p ó s i t o d o s q u a i s p o d e ser d e s e n v o l v i d a u m a n o v a t e o r i a . em algum ponto. em princípio. visto q u e a natureza n ã o p r o p o r c i o n a n e n h u m a base p a r a u m a discriminação entre a s alternativas. a importância da descoberta resultante será ela m e s m a proporcional à e x t e n s ã o e à t e n a c i d a d e da a n o m a l i a q u e a p r e n u n c i o u . 6. u m l u g a r fio c a m p o v i s u a l do cientista. M a s se novas teorias são c h a m a d a s p a r a resolver as anomalias presentes na relação entre u m a teoria existente e a natureza. lugar esse d e t e r m i n a d o pela teoria. Existem. mais t a r d e .sobre a natureza e os instrumentos do cientista d e m o n s trem estar equivocados. Os paradigmas fornecem a todos os fenômenos ( e x c e ç ã o feita à s a n o m a l i a s ) . O p r i meiro tipo compreende os fenômenos já b e m expEcàaõs pelos paradigmas existentes. Os cientistas dirigem a maior p a r t e de sua pesquisa a esses fenômenos. N ã o existe n e n h u m a o u t r a m a n e i r a eficaz d e g e r a r d e s c o b e r t a s . No processo de sua assimilação. m a s tal p e s quisa visa antes à articulação d o s p a r a d i g m a s existentes d o q u e à i n v e n ç ã o d e n o v o s . m a s c u j o s d e t a l h e s s o m e n t e p o d e m ser e n t e n d i d o s a p ó s u m a maior articulação da teoria. Nesse caso. a nova . O s e x e m p l o s d e d e s c o b e r t a s através da destruição de paradigmas examinados no C a p . Q u a n d o o fazem. S o m e n t e q u a n d o esses e s forços de articulação fracassam é q u e os cientistas enc o n t r a m o terceiro tipo de f e n ô m e n o : as anomalias reconhecidas. deve evidentemente haver um conflito entre o paradigma que revela u m a anomalia e aquele que. as teorias resultantes r a r a m e n t e são aceitas. U m a seg u n d a classe de f e n ô m e n o s c o m p r e e n d e aqueles cuja natureza é indicada pelos paradigmas existentes. 5 n ã o s ã o s i m p l e s a c i d e n t e s h i s t ó r i c o s . permitir predições diferentes d a quelas derivadas de sua predecessora. Tais fenômenos r a r a m e n t e fornecem motivos ou um ponto de partida para a construção de u m a teoria. cujo traço característico é a sua recusa obstin a d a a serem assimiladas aos p a r a d i g m a s existentes. A p e n a s esse último tipo de f e n ô m e n o faz surgir n o v a s teorias. c o m o no caso d a s t r ê s a n t e c i p a ç õ e s f a m o s a s d i s c u t i d a s a o final d o C a p . então a nova teoria b e m sucedida deve.

U n i c a m e n t e a p ó s a rejeição da teoria calórica é q u e ã conservação da energia p ô d e tornar-se parte da c i ê n c i a . Thomson Baron Kelvin . O a r g u m e n t o m a i s sólido e m a i s conhecido em f a v o r d e s s a c o n c e p ç ã o r e s t r i t a d e t e o r i a científica e m e r g e em discussões sobre a r e l a ç ã o e n t r e a d i n â m i c a einsteiniana atual e as equações dinâmicas mais antigas q u e d e r i v a m d o s Principia d e N e w t o n . Lije of William 266-281. não se desenvolveu historicamente sem a destruição de um p a r a d i g m a . S o m e n t e a p ó s ter feito p a r t e d a c i ê n c i a p o r algum t e m p o é que p ô d e adquirir a aparência de u m a teoria de um nível logicamente mais elevado. THOMPSON Lares. (Londres. M e s m o u m a teoria c o m o a da conservação da energia ( q u e atualmente p a r e c e ser u m a s u p e r e s t r u t u r a l ó g i c a r e l a c i o n a d a c o m a natureza apenas através de teorias independentemente estabelecidas). pp. essas d u a s teorias são fundamentalmente incompatíveis. D o p o n t o d e v i s t a deste ensaio. de tal m o d o q u e ela n ã o p o d e r i a d e m o d o a l g u m c o n f l i t a r c o m qualquer teoria posterior q u e realizasse predições sobre a l g u n s d o s m e s m o s f e n ô m e n o s n a t u r a i s p o r ela c o n s i d e r a d o s . n ã o é p l a u sível d o p o n t o d e v i s t a h i s t ó r i c o . C r e i o que um século atrás teria sido possível interr o m p e r neste p o n t o o a r g u m e n t o em favor da necessid a d e de revoluções. Ao invés disso. sem c o n flito c o m s u a s p r e d e c e s s o r a s . Silvanus 1 9 1 0 ) . m a s hoje em dia infelizmente n ã o p o d e m o s fazer isso. no m e s m o sentido que a astronomia de Copérnico c o m relação à de P t o l o m e u : a teoria de Eins1 of 1. P. c a s o a i n terpretação contemporânea predominante sobre a natur e z a e a f u n ç ã o da t e o r i a científica seja a c e i t a .teoria deve ocupar o lugar da anterior. pois a c o n c e p ç ã o acima desenvolv i d a s o b r e o a s s u n t o n ã o p o d e ser m a n t i d a . I. ela emerg i u d e u m a c r i s e n a q u a l u m i n g r e d i e n t e _ e s s e n c i a l foi a incompatibilidade entre a d i n â m i c a n e w t o n i a n a e algum a s conseqüências da teoria calórica formuladas recentemente. E m b o r a a inclusão lógica continue sendo u m a concepção admissível da relação e x i s t e n t e e n t r e t e o r i a s científicas s u c e s s i v a s . E s s a i n t e r p r e t a ç ã o . Ê difícil v e r c o m o n o v a s teorias p o d e r i a m surgir sem essas m u d a n ç a s destrutivas nas crenças sobre a natureza. restringiria o alcance e o sentido de u m a teoria admitida. e s t r e i t a m e n t e a s s o c i a d a c o m a s e t a p a s iniciais d o p o s i t i v i s m o l ó g i c o e n ã o r e j e i t a d a c a t e g o r i c a m e n t e pelos estágios posteriores da d o u t r i n a .

por m u i t o s físicos. p. teoria n e n h u m a p o d e entrar e m conflito c o m u m d o s seus casos especiais. 2 2. of V e r . p a r a q u e a teoria de N e w t o n nos forneça u m a b o a solução aproximada. A teoria de Einstein pode ser utilizada p a r a mostrar que as p r e dições derivadas d a s equações de Newton serão tão boas c o m o nossos instrumentos de medida. Atualmente essa concepção p e r m a nece minoritária. a p o i a d a p o r p r o v a s v á l i d a s . P . ao expressá-las traíram os padrões do p r o c e d i m e n t o científico. U m a vez que n ã o dispunham de prova p a r a tais alegações. continua a m e s m a objeção. Mas. a t e o r i a n e w t o n i a n a n u n c a foi d e s a f i a d a e n e m p o d e sê-lo. .o u t r a s . Precisamos portanto examinar as objeções mais c o m u n s q u e lhe são dirigidas. a j u s t e z a d o e m p r e g o d e s s a t e o r i a m a i s a n t i g a p o d e ser d e m o n s t r a d a p e l a p r ó p r i a teoria q u e a substituiu em outras aplicações. W I E N E R e m Philosophy XXV (1958). p o r e x e m p l o . a t e o r i a n e w t o niana parece ser derivável da einsteiniana. Satisfeita e s s a c o n d i ç ã o e a l g u m a s . P o r exemplo. Science. Se a c i ê n c i a de E i n s t e i n p a r e c e t o r n a r falsa a d i n â m i c a d e N e w t o n . da qual é p o r t a n t o um caso especial. isso s e d e v e s o m e n t e a o f a t o d e a l g u n s n e w tonianos terem sido incautos a p o n t o de alegar q u e a teoria de N e w t o n produzia resultados absolutamente precisos o u q u e e r a válida p a r a velocidades relativas m u i t o elevadas. foi e m a l g u m m o m e n t o considerada c o m o tal. Einstein s o m e n t e pode ter d e m o n s t r a d o o erro daquelas alegações extravagantes atribuídas à teoria de N e w t o n — alegações q u e d e r e s t o n u n c a f o r a m p r o p r i a m e n t e p a r t e d a ciência. as velocidades relativas d o s corpos considerados d e v e m ser p e q u e n a s em c o m p a r a ç ã o c o m a velocidade da luz. A l é m d i s s o . a s c o n s i d e r a ç õ e s d e P . em todas aquelas equações q u e satisfaçam u m p e q u e n o n ú m e r o de condições restritivas. pois esta ainda é empregada c o m grande sucesso pela maioria dos engenheiros e. em certas aplicações selecionadas. Eliminando-se essas extravagâncias m e r a m e n t e h u m a n a s . A idéia central dessas objeções p o d e ser apresent a d a c o m o segue: a d i n â m i c a relativista n ã o poderia ter demonstrado o erro da dinâmica newtoniana.t e i n s o m e n t e p o d e ser a c e i t a c a s o s e r e c o n h e ç a q u e N e w ton estava errado. 298. A t e o r i a n e w t o n i a n a c o n t i n u a a ser u m a t e o r i a v e r d a d e i r a m e n t e científica n a q u e l e s a s p e c t o s e m q u e .

Se tal l i m i t a ç ã o for l e v a d a u m p a s s o a d i a n t e ( e isso dificilment e p o d e ser e v i t a d o u m a v e z d a d o o p r i m e i r o p a s s o ) . os metais s ã o t o d o s c o m p o s t o s p o r d i f e r e n t e s t e r r a s e l e m e n t a r e s c o m b i n a d a s c o m o flogisto e esse último. U m a r g u m e n t o semel h a n t e s e r á suficiente p a r a d e f e n d e r q u a l q u e r t e o r i a q u e . C O N A N T . pp. Compare-se as conclusões alcançadas através de um tipo de análise muito diverso p o r R. O relato mais c o m p l e t o e simpático das r e a l i z a ç õ e s d a t e o r i a d o f l o g i s t o a p a r e c e m n o l i v r o d e H . 1 9 5 3 ) . tenha tido êxito na aplicação a qualquer conjunto de fenômenos. M a s p a r a que possamos salvar teorias dessa m a neira. 1951). e J . M e s m o n a s u a f o r m a atual. Newton. ed. B K A I T H W A I T E .. S e g u n d o essa teoria. o c i e n t i s t a fica p r o i b i d o d e a l e g a r q u e e s t á f a l a n d o "cientificamente" a respeito de qualquer fenômeno ainda n ã o o b s e r v a d o . 1 3 . em algum m o m e n t o . c o m u m a todos os metais. . J A M E S B . 1 9 5 0 ) . do m e s m o m o d o que o fogo " e s t r a g a " a elasticidade de u m a m o l a de a ç o . A p a r d i s s o . suas g a m a s de aplicação d e v e r ã o restringir-se àqueles fenômenos e à precisão de observação de q u e t r a t a m as p r o v a s experimentais já disponíveis. Stahl. a t ã o d i f a m a d a t e o r i a d o flogisto o r d e n a v a g r a n d e n ú m e r o d e f e n ô m e n o s físicos e q u í m i cos. 1930). Boerhaave et la doclrine chimique (Paris. 4 3 3 . p p . e s t a n u n c a poderia ter sido contestada. Explicava igualmente a diminuição de v o l u m e quando a combustão ocorre n u m volume limitado de ar — o flogisto l i b e r a d o p e l a c o m b u s t ã o " e s t r a g a v a " a elasticidade do ar que o absorvia. Parte II. M E T Z C . Londres. Se esses fossem os únicos fenômenos q u e os teóricos do flogisto p r e t e n d e s s e m e x p l i c a r m e d i a n t e s u a t e o r i a . Explicava por que os corpos queimam — porque s ã o r i c o s e m flogisto — e p o r q u e o s m e t a i s p o s s u e m m u i t o m a i s p r o p r i e d a d e s e m c o m u m d o q u e seus m i n e rais. esta restriç ã o p r o í b e q u e o cientista baseie sua p r ó p r i a pesquisa e m u m a t e o r i a . especialmente p. 50-87. Overthro-w of lhe Phlogiston Theory ( C a m b r i d g e . 4. P A R T I N G T O N .U m a v a r i a n t e d e s s e a r g u m e n t o é suficiente p a r a tornar imune ao ataque qualquer teoria jamais empreg a d a p o r u m g r u p o significativo d e c i e n t i s t a s c o m p e t e n t e s . P o r e x e m p l o . A Short History of Chemistry ( 2 . Scienlific Explanalion (Cambridge. t o d a v e z q u e tal p e s q u i s a e n t r e e m u m a área ou busque um grau de precisão para os quais a prática anterior da teoria n ã o ofereça precedentes. a t e o r i a flogística e x p l i cava diversas reações nas quais ácidos e r a m formados pela c o m b u s t ã o de substâncias c o m o o c a r b o n o e o e n xofre. 76. 85-88.1 6 . B . gera p r o p r i e d a d e s c o m u n s . R . F R . Tais proibições n ã o são excepcionais do p o n t o de vista lógico. pp.

m a s a c e i t á - l a s s e r i a o fim d a p e s q u i s a q u e p e r m i t e à c i ê n c i a c o n t i n u a r a se d e s e n v o l v e r . A e s t a a l t u r a , e s s e p o n t o já é v i r t u a l m e n t e t a u t o l ó gico. Sem o compromisso c o m um p a r a d i g m a n ã o p o d e ria h a v e r ciência n o r m a l . A l é m disso, esse c o m p r o m i s s o d e v e estender-se a áreas e graus de precisão p a r a os quais n ã o existe n e n h u m precedente satisfatório. N ã o fosse a s s i m , o p a r a d i g m a n ã o p o d e r i a f o r n e c e r q u e b r a -cabeças q u e já n ã o tivessem sido resolvidos. A l é m do mais, n ã o é apenas a ciência n o r m a l q u e d e p e n d e do c o m p r o m e t i m e n t o c o m u m a paradigma. Se as teorias existentes o b r i g a m o cientista somente c o m relação às aplicações existentes, então n ã o p o d e h a v e r surpresas, a n o m a l i a s o u c r i s e s . M a s esses s ã o a p e n a s s i n a i s q u e a p o n t a m o c a m i n h o p a r a a ciência extraordinária. Se t o m a r m o s literalmente as restrições positivistas sobre a esfera de aplicabilidade de u m a teoria legítima, o m e c a n i s m o q u e i n d i c a à c o m u n i d a d e científica q u e p r o b l e m a s p o d e m levar a m u d a n ç a s fundamentais deve cessar seu funcionamento. Q u a n d o isso ocorre, a c o m u n i d a d e retorn a r á a algo m u i t o similar a seu estado p r é - p a r a d i g m á tico, situação na qual todos os m e m b r o s praticam ciência, m a s o p r o d u t o b r u t o de suas atividades assemelha-se m u i t o p o u c o à ciência. Será realmente surpreendente q u e o p r e ç o d e ú m a v a n ç o científico significativo sejaum compromisso q u e corre o risco de estar errado? , A i n d a mais i m p o r t a n t e é a existência de u m a lacun a lógica r e v e l a d o r a n o a r g u m e n t o positivista, q u e n o s reintroduzirá imediatamente na natureza da mudança revolucionária. A dinâmica newtoniana pode realmente s e r derivada da d i n â m i c a r e l a t i v i s t a ? A q u e se a s s e m e lharia essa derivação? Imaginemos u m conjunto d e p r o p o s i ç õ e s EM, Et, . . . E», q u e j u n t a s a b a r c a m as leis da teoria da relatividade. Essas proposições contêm variáveis e p a r â m e t r o s representando posição espacial, t e m p o , m a s s a em r e p o u s o , e t c . . . A partir deles, juntam e n t e c o m o a p a r a t o da Lógica e da M a t e m á t i c a , é possível deduzir t o d o um conjunto de novas proposiç õ e s , i n c l u s i v e a l g u m a s q u e p o d e m ser v e r i f i c a d a s a t r a vés da observação. Para demonstrar a adequação da dinâmica newtoniana c o m o u m caso especial, devemos adicionar aos Et proposições adicionais, tais c o m o ( V / C ) < < 1 , restringindo o âmbito dos parâmetros e variáveis. Esse conjunto ampliado de proposições é en2

tão manipulado de molde a produzir um novo conjunto Ni, N , • • - N , q u e na s u a f o r m a é i d ê n t i c o às leis de N e w t o n relativas ao m o v i m e n t o , à gravidade e assim p o r d i a n t e . D e s s e m o d o , sujeita a a l g u m a s c o n d i ç õ e s q u e a l i m i t a m , a d i n â m i c a n e w t o n i a n a foi a p a r e n t e m e n t e d e r i v a d a da einsteiniana. T o d a v i a tal derivação é espúria, ao m e n o s em um ponto. E m b o r a os Ni sejam um caso especial de m e c â n i c a r e l a t i v i s t a , eles n ã o s ã o a s leis d e N e w t o n . S e o são, estão reinterpretadas de u m a m a n e i r a q u e seria inconcebível antes dos trabalhos de Einstein. As variáveis e os p a r â m e t r o s q u e n o s E* e i n s t e i n i a n o s r e p r e s e n t a v a m posição espacial, tempo, massa, e t c . . . ainda ocorrem n o s Ni e c o n t i n u a m r e p r e s e n t a n d o o e s p a ç o , o t e m p o e a m a s s a e i n s t e i n i a n a . M a s o s r e f e r e n t e s físicos d e s s e s conceitos einsteinianos n ã o são de m o d o algum idênticos àqueles conceitos newtonianos que levam o m e s m o n o m e . (A m a s s a newtoniana é conservada; a einsteiniana é conversível c o m a energia. A p e n a s em baixas velocidades relativas p o d e m o s medi-las do m e s m o m o d o e m e s m o e n t ã o n ã o p o d e m ser consideradas idênticas.) A m e n o s q u e modifiquemos as definições d a s variáveis d o s Ni, a s p r o p o s i ç õ e s q u e d e r i v a m o s n ã o s ã o n e w t o n i a nas. Se as m u d a m o s , n ã o p o d e m o s realmente afirmar q u e derivamos a s leis d e N e w t o n , p e l o m e n o s n ã o n o sentido atualmente aceito para a expressão "derivar". Evidentemente o nosso argumento explicou por que as leis d e N e w t o n p a r e c i a m a p l i c á v e i s . A o f a z ê - l o , justificou, p o r exemplo, o motorista q u e age c o m o se vivesse e m u m u n i v e r s o n e w t o n i a n o . TJm a r g u m e n t o d a m e s m a e s p é c i e é u t i l i z a d o p a r a justificar o e n s i n o d e u m a a s t r o nomia centrada na Terra aos agrimensores. M a s o argum e n t o a i n d a n ã o alcançou os objetivos a q u e se p r o p u n h a , o u seja, n ã o d e m o n s t r o u q u e a s leis d e N e w t o n s ã o u m a c a s o limite das d e Einstein, pois n a derivação n ã o f o r a m a p e n a s a s f o r m a s d a s leis q u e m u d a r a m . T i v e m o s que alterar simultaneamente os elementos estruturais fundamentais que c o m p õ e m o universo ao qual se aplicam.
2 m

E s s a necessidade de modificar o sentido de conceitos estabelecidos e familiares é crucial p a r a o i m p a c t o r e v o l u c i o n á r i o d a t e o r i a d e E i n s t e i n . E m b o r a m a i s sutil que as mudanças do geocentrismo para o heliocentrismo, d o flogisto p a r a O o x i g ê n i o o u d o s c o r p ú s c u l o s p a r a a s

ondas, a transformação resultante n ã o é menos decididam e n t e destruidora p a r a um p a r a d i g m a previamente estab e l e c i d o . P o d e m o s m e s m o vir a c o n s i d e r á - l a c o m o u m protótipo para as reorientações revolucionárias nas ciências. Precisamente por n ã o envolver a introdução de o b jetos ou conceitos adicionais, a transição da mecânica newtoniana p a r a a einsteiniana ilustra c o m particular clar e z a a r e v o l u ç ã o científica c o m o s e n d o u m d e s l o c a m e n t o da rede conceituai através da qual os cientistas vêem o mundo. ' E s s a s o b s e r v a ç õ e s d e v e r i a m ser s u f i c i e n t e s p a r a i n d i c a r a q u i l o q u e , e m o u t r a a t m o s f e r a filosófica, p o d e r i a ser d a d o c o m o p r e s s u p o s t o . A m a i o r i a d a s d i f e r e n ç a s a p a r e n t e s e n t r e u m a t e o r i a científica d e s c a r t a d a e s u a sucessora são reais, pelo m e n o s p a r a os cientistas. E m b o r a u m a teoria obsoleta s e m p r e possa ser vista c o m o um caso especial de sua sucessora mais atualizada, deve ser t r a n s f o r m a d a p a r a q u e isso p o s s a o c o r r e r . E s s a t r a n s formação só pode ser empreendida dispondo-se das vantagens da visão retrospectiva, s o b a d i r e ç ã o explícita da teoria mais recente. A l é m disso, m e s m o q u e essa t r a n s f o r m a ç ã o fosse u m artifício l e g í t i m o , e m p r e g a d o p a r a interpretar a teoria mais antiga, o resultado de sua aplicação seria u m a teoria t ã o restrita q u e seria capaz a p e n a s de reafirmar o já conhecido. D e v i d o a sua economia, essa r e a p r e s e n t a ç ã o seria útil, m a s n ã o suficiente p a r a o r i e n t a r a p e s q u i s a . A c e i t e m o s p o r t a n t o c o m o p r e s s u p o s t o q u e a s difer e n ç a s entre p a r a d i g m a s sucessivos s ã o a o m e s m o t e m p o necessárias e irreconciliáveis. P o d e r e m o s precisar mais explicitamente q u e espécies de diferenças s ã o essas? O t i p o m a i s e v i d e n t e j á foi r e p e t i d a m e n t e i l u s t r a d o . P a r a digmas sucessivos nos ensinam coisas diferentes acerca da p o p u l a ç ã o do universo e sobre o c o m p o r t a m e n t o dessa população. Isto é, diferem q u a n t o a questões c o m o a e x i s t ê n c i a de p a r t í c u l a s s u b a t ô m i c a s , a m a t e r i a l i d a d e da luz e a conservação do calor ou da energia. Essas s ã o diferenças substantivas entre p a r a d i g m a s sucessivos e n ã o requerem maiores exemplos./Mas os paradigmas n ã o diferem s o m e n t e p o r sua substância, pois visam n ã o apenas à natureza, m a s t a m b é m à ciência q u e os p r o duziu. Eles são fonte de métodos, áreas problemáticas e p a d r õ e s de solução aceitos p o r q u a l q u e r c o m u n i d a d e científica a m a d u r e c i d a , e m q u a l q u e r é p o c a q u e c o n s i -

derarmosy' Conseqüentemente, a recepção de um novo paradigma requer c o m freqüência u m a redefinição da ciência correspondente. Alguns problemas antigos p o d e m ser transferidos p a r a outra ciência ou declarados absolutamente "não-científicos". Outros problemas anter i o r m e n t e t i d o s c o m o triviais o u n ã o - e x i s t e n t e s p o d e m converter-se, com um novo paradigma, nos arquétipos d a s r e a l i z a ç õ e s científicas i m p o r t a n t e s . À m e d i d a q u e o s problemas mudam, m u d a m também, seguidamente, os padrões q u e distinguem u m a verdadeira solução científica d e u m a s i m p l e s e s p e c u l a ç ã o m e t a f í s i c a , d e u m j o g o de palavras ou de u m a brincadeira matemática. A trad i ç ã o científica n o r m a l q u e e m e r g e d e u m a r e v o l u ç ã o científica é n ã o s o m e n t e i n c o m p a t í v e l , m a s m u i t a s v e zes verdadeiramente incomensurável c o m aquela q u e a precedeu. O impacto da obra de Newton sobre a tradição de p r á t i c a científica n o r m a l d o s é c u l o X V I I p r o p o r c i o n a u m e x e m p l o n o t á v e l d e s s e s efeitos sutis p r o v o c a d o s p e l a alteração de paradigma. Antes do nascimento de Newton, a "ciência n o v a " do século conseguira finalmente r e j e i t a r as e x p l i c a ç õ e s a r i s t o t é l i c a s e e s c o l á s t i c a s e x p r e s sas em termos das essências d o s corpos materiais. Afirm a r que u m a p e d r a cai p o r q u e sua " n a t u r e z a " á impulsiona na direção do centro do universo convertera-se em um simples jogo de palavras tautológjco — algo q u e n ã o fora anteriormente. A partir d a í t o d o o fluxo de percepções sensoriais, incluindo cor, gosto e m e s m o peso, seria explicado em termos de t a m a n h o , f o r m a e m o v i m e n t o dos corpúsculos elementares da matéria fundamental. A atribuição de outras qualidades aos átomos elementares era um recurso ao culto e p o r t a n t o fora dos limites da ciência. M o l i è r e c a p t o u c o m precisão esse novo espírito ao ridicularizar o médico q u e explicava a eficácia d o ó p i o c o m o s o p o r í f e r o a t r i b u i n d o - l h e u m a potência dormitiva. D u r a n t e a última m e t a d e do século X V I I I muitos cientistas preferiam dizer q u e a forma a r r e d o n d a d a das partículas de ópio permitia-lhes acalm a r os nervos sobre os quais se movimentavam.
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Em um período anterior, as explicações em termos de qualidades ocultas haviam sido u m a parte integrante
_ 5 . N o tocante a o C o r p u s c u l a r i s m o e m geral, ver M A R T E B O A S , T h e E s t a b l i s h m e n t o f t h e M e c h a n i c a l P h i l o s o p h y , Osiris, X, pp. 412-541 ( 1 9 5 2 ) . S o b r e o e f e i t o d a f o r m a d a s p a r t í c u l a s s o b r e o g o s t o , v e r ibtd., p. 483.

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d o t r a b a l h o científico p r o d u t i v o . N ã o o b s t a n t e , o n o v o compromisso do século X V I I c o m a explicação mecân i c o - c o r p u s c u l a r r e v e l o u - s e i m e n s a m e n t e frutífero p a r a diversas ciências, d e s e m b a r a ç a n d o - a s de p r o b l e m a s q u e h a v i a m desafiado as soluções c o m u m e n t e aceitas e sugerindo outras para substituí-los. E m D i n â m i c a , por e x e m p l o , a s t r ê s leis d o m o v i m e n t o d e N e w t o n s ã o m e n o s u m produto de novas experiências que da tentativa de reinterpretar observações b e m conhecidas em termos de movimentos e interações de corpúsculos neutros primários. E x a m i n e m o s a p e n a s u m e x e m p l o concreto. D a d o q u e o s c o r p ú s c u l o s p o d i a m agir u n s s o b r e o s o u t r o s a p e nas por contato, a concepção mecânico-corpuscular da n a t u r e z a d i r i g i u a a t e n ç ã o científica p a r a u m o b j e t o d e estudo absolutamente novo: a alteração do movimento de partículas por m e i o de colisões. Descartes anunciou o problema e forneceu sua primeira solução putativa. Huyghens, W r e n e Wallis foram mais adiante ainda, em parte p o r m e i o de experiências c o m pêndulos que colidiam, m a s principalmente através das b e m conhecidas características do m o v i m e n t o ao novo problema. N e w t o n i n t e g r o u esses r e s u l t a d o s e m s u a s leis d o m o v i m e n t o . A s " a ç õ e s " e " r e a ç õ e s " i g u a i s d a t e r c e i r a lei s ã o a s m u danças em quantidade de movimento experimentadas pelos dois corpos q u e entram em colisão. A m e s m a m u d a n ç a de movimento fornece a definição de força dinâm i c a i m p l í c i t a n a s e g u n d a lei. N e s s e c a s o , c o m o e m muitos outros d u r a n t e o século X V I I , o p a r a d i g m a corpuscular engendrou ao mesmo tempo um novo prob l e m a e grande parte de sua solução.
6

Todavia, embora grande parte da obra de Newton fosse d i r i g i d a a p r o b l e m a s e i n c o r p o r a s s e p a d r õ e s d e r i vados da concepção de m u n d o mecânico-corpuscular, o p a r a d i g m a q u e r e s u l t o u d e s u a o b r a t e v e c o m o efeito u m a nova mudança, parcialmente destrutiva, nos p r o b l e m a s e p a d r õ e s considerados legítimos p a r a a ciência. A gravidade, interpretada como u m a atração inata entre cada par de partículas de matéria, era u m a qualidade oculta no m e s m o sentido em q u e a antiga "tendência a cair" d o s escolásticos. P o r isso, e n q u a n t o o s p a d r õ e s d e c o n c e p ç ã o corpuscular p e r m a n e c e r a m em vigor, a b u s c a d e u m a e x p l i c a ç ã o m e c â n i c a d a g r a v i d a d e foi u m d o s
6 . D U O A S , R . La mécanique 177-185, 284-298, 345-356.

au

XVII'

siècle.

(Neuchãtel,

1954).

pp.

incapazes. a p o s i ç ã o e o m o v i m e n t o . tal c o m o a f o r m a . An Fnquiry Work in Vl-VII. Pela m e t a d e d o s é c u l o X V I I I tal i n t e r p r e t a ç ã o f o r a q u a s e u n i versalmente aceita. o t a m a n h o . s e m c o m isso e x p o r . c o m o d e a c o m o d a r e s s a o b r a a o s p a d r õ e s d o século X V I I . t a n t o de praticar a ciência sem os Principia. (Filadélfia. (o q u e n ã o é a m e s m a coisa q u e um r e t r o c e s s o ) . disso resultando u m a autêntica reversão. aceitaram gradualmente a concepção segundo a qual a gravidade era realmente inata. A única o p ç ã o a p a r e n t e e r a rejeitar a teoria n e w t o n i a n a p o r seu fracasso em explicar a grav i d a d e e e s s a a l t e r n a t i v a foi a m p l a m e n t e a d o t a d a . N e w t o n d e v o t o u m u i t a a t e n ç ã o a ele e m u i t o s d e s e u s s u c e s s o r e s d o s é c u l o X V I I I fizeram o m e s m o . A D i n â m i c a e a Eletricidade t a m p o u c o f o r a m o s ú n i c o s c a m p o s científicos a f e t a d o s p e l a legitimação da procura de forças inatas da matéria. Os cientistas. era atribuído à a ç ã o direta de " a t m o s f e r a s " ou a v a z a m e n t o s inevitáveis em q u a l q u e r l a b o r a t ó r i o elétrico. mais u m a vez. p r o p r i e d a d e s p r i m á r i a s d a m a t é r i a .p r o b l e m a s m a i s difíceis p a r a o s q u e a c e i t a v a m o s Principia c o m o u m p a r a d i g m a .s e . Os fenômenos elétricos p a s s a r a m a exibir c a d a vez mais u m a o r d e m diversa d a q u e l a q u e h a v i a m a p r e s e n t a d o q u a n d o c o n s i d e r a d o s c o m o efeit o s d e u m eflúvio m e c â n i c o q u e p o d i a a t u a r a p e n a s p o r contato. Caps. C O H E N . p o r e x e m p l o . A n o v a c o n c e p ç ã o d e efeitos i n d u t i v o s foi. B. C o n tudo n e n h u m a dessas concepções acabou triunfando. 1956). T. amplas conseqüências. os eletricist a s p o d i a m falar d a " v i r t u d e " a t r a t i v a d o f l u i d o e l é t r i c o . into Speculative Electricity as . Anteriormente. P o r volta de 1 7 4 0 . q u a n d o se chegava a observá-lo. A m u d a n ç a resultante nos padrões e áreas problemáticas da Física teve. fisicamente irredutíveis. q u a n d o u m a ação elétrica a distância tornou-se um objeto de estudo de pleno direito. Franklin and Newton: Newtonian Experimental Science and Franklin's an Example Thereoj. o fenômeno q u e atualmente c h a m a m o s de carga por ind u ç ã o p o d e ser r e c o n h e c i d o c o m o u m d e s e u s efeitos. Atrações e repulsões inatas torn a r a m . O importante corpo de literatura do século X V I I I sobre 7 7. Em particular. a c h a v e d a análise de Franklin sobre a G a r r a f a de L e y d e n e desse m o d o para a emergência de um paradigma newtoniano p a r a a eletricidade. a um p a d r ã o escolástico.s e a o r i d í c u l o q u e s a u d a r a o d o u t o r de Molière um século antes. p o r s u a v e z .

Contentemo-nos por enquanto c o m dois outros exemplos mais breves. 1930). D u r a n t e grande parte d o século X I X u m a teoria quím i c a n ã o era posta em questão por fracassar na tentativa de explicação das qualidades dos compostos. op. 9 . Sem os dados e conceitos químicos desenvolvidos ao longo desse processo.. Tornava-se necessária u m a m u d a n ç a n o s p a d r õ e s científicos p a r a c o m p e n s a r e s s a p e r da. MEYERSON. C o m auxílio de um pequeno n ú m e r o de "princípios" elementares — entre os q u a i s o flogisto — o q u í m i c o d e v i a e x p l i c a r p o r q u e algumas substâncias são ácidas. A n t e s d a revolução química. a reforma de Lavoisier acabou eliminando os " p r i n c í p i o s " químicos. a o b r a posterior de Lavoisier e mais particularmente a de D a l ton seriam incompreensíveis. c o n c e i t o s e e x plicações admissíveis. Quanto à Química. Químicos q u e acreditavam na existência dessas atrações diferenciais entre as diversas espécies químicas p r e p a r a r a m experiências ainda n ã o imaginadas e buscaram n o vas espécies de reações. outras metalinas. .. J á o b s e r v a m o s q u e o flogisto e x p l i c a v a por que os metais eram tão semelhantes e poderíamos ter desenvolvido um a r g u m e n t o similar p a r a os ácidos. E. C o n t u d o . METZGER. Md. ver Sobre a Eletricidade. No p r ó x i m o capítulo. Identity and Reality. praticamente em quase todos os períodos de seu desenvolvimento. (Nova York. Parte ver I. As mudanças nos padrões científicos q u e g o v e r n a m o s p r o b l e m a s . VIII-1X. Cap. combustíveis e assim p o r diante.s e através d e u m éter material. chegarei m e s m o a sugerir um sentido no qual p o d e m transformar o m u n d o .a f i n i d a d e s q u í m i c a s e séries d e r e p o s i ç ã o d e r i v a i g u a l mente desse aspecto supramecânico do newtonismo. Outros exemplos dessas diferenças não-substantivas entre p a r a d i g m a s sucessivos p o d e m ser obtidos na história de qualquer ciência. privando desse m o d o a Química de parte de seu poder real e de muito de seu poder p o tencial de explicação. C o n c e b e r u m 8 9 8. cit. Caps. p o d e m transformar u m a ciência. . U m outro e x e m p l o : n o século X I X . Clerk Maxwell partilhava com outros proponentes da teoria ondulatória da luz a convicção de q u e as ondas luminosas deviam p r o p a g a r . u m a das tarefas reconhecidas da Química consistia em explicar as qualidades das substâncias químicas e as m u d a n ç a s experimentadas por essas substâncias d u r a n t e as reações. Obteve-se algum sucesso n e s s e s e n t i d o . X.

Todavia é a i n d a m a i s difícil d e f e n d e r o d e s e n v o l v i m e n t o c u m u l a t i v o d o s p r o b l e m a s e p a d r õ e s científicos d o q u e a a c u m u l a ç ã o de teorias. sem especificar o q u e estava sendo deslocado. N a s primeiras décadas do século X X . 2 8 . O result a d o . Os cientistas já n ã o consider a v a m acientífico f a l a r d e u m " d e s l o c a m e n t o " e l é t r i c o . u m d o s q u a i s . m a i s u m a v e z . History of the Theories of Aether and Electrlclty. 1960). foi u m n o v o c o n j u n t o d e p r o b l e m a s e p a d r õ e s científicos. a insistência de M a x w e l l em defender a existência d e u m é t e r m a t e r i a l foi c o n s i d e r a d a m a i s e m a i s u m g e s t o pro forma. M a s .m e i o m e c â n i c o c a p a z d e s u s t e n t a r tais o n d a s foi u m p r o b l e m a . as 10 11 1 0 . I I . m e s m o seus efeitos p a r e c e r i a m c u m u l a t i v o s . G . a a t i u d e d a c o m u n i d a d e científica c o m relação a ela m u d o u . A. T . 1 1 . N e s s e c a s o . 1 9 5 3 ) . sua própria teoria eletromagnética da luz n ã o dava absolutamente n e n h u m a explicação sobre um meio capaz de sustentar ondas luminosas e c e r t a m e n t e t o r n o u a i n d a m a i s difícil e x p l i c á . n ã o estava orientada para um problema intrinsecamente ilegítimo. p p .3 0 . The Edge of Obfectlvlty: An Essay In the History of Scientlfic tdeas (Princeton. W H I T T A K M . E . .p a d r ã o p a r a muitos de seus c o n t e m p o r â n e o s mais competentes. Essas alterações características na concepção q u e a c o m u n i d a d e científica p o s s u i a r e s p e i t o d e s e u s p r o b l e m a s e p a d r õ e s l e g í t i m o s s e r i a m m e n o s significativas p a r a as teses deste ensaio se p u d é s s e m o s supor q u e representam sempre u m a passagem de um tipo metodológico inferior a um superior. a t e o r i a d e M a x w e l l foi a m p l a m e n t e rejeitada por essas razões. s e m m a i o r c o n v i c ç ã o — o q u e c e r t a m e n t e n ã o fora — e as tentativas de conceber tal m e i o etéreo f o r a m a b a n d o n a d a s . a teoria de M a x w e l l m o s t r o u q u e dificilmente p o d e r i a s e r d e i x a d a de l a d o e q u a n d o a l c a n ç o u o status d e p a r a d i g m a . N o i n í c i o . tal c o m o a de N e w t o n . G I L I J S P I E . t e v e m u i t o a ver c o m a emergência da teoria da relatividade. embora proveitosamente abandonada pela maioria dos cientistas d o século X V I I I . Entretanto. n o c a s o . ver C. A tentativa de explicar a gravidade. N ã o é d e s u r p r e e n d e r q u e alguns historiadores t e n h a m argumentado que a história d a ciência registra u m crescimento constante d a maturidade e do refinamento da concepção que o h o m e m possui a respeito da natureza da ciência. ( L o n d r e s . Para u m a tentativa brilhante e totalmente atualizada de adaptar o desenvolvimento científico a esse leito de Procusto.l o d o q u e j á p a r e c i a .

neste aspecto específico. esse m a p a é t ã o essencial p a r a o d e senvolvimento c o n t í n u o da ciência c o m o a o b s e r v a ç ã o e a experiência. o desenvolvimento da Mecânica Quântica inverteu a proibição metodológica que teve sua origem na revolução química. bem como as maneiras s e g u n d o as quais essas entidades se c o m p o r t a m . E i n s t e i n foi b e m s u c e d i d o n a e x p l i c a ç ã o d a s a t r a ç õ e s g r a v i t a c i o n a i s e e s s a e x p l i c a ç ã o fez c o m q u e a c i ê n c i a voltasse a um conjunto de cânones e problemas que. Atualmente os químicos tentam. ao d e s l o c a r e m a ênfase das funções cognitivas p a r a as funções normativas d o s paradigmas. m a s simplesmente u m a m u d a n ç a exigida pela adoção de um n o v o p a r a d i g m a . havíamos examinado especialmente o papel d o p a r a d i g m a c o m o v e í c u l o p a r a a t e o r i a científica. explicar a cor. são mais p a r e c i d o s c o m os dos predecessores de N e w t o n do que c o m os de seus sucessores. U m a inversão similar p o d e estar ocorrendo na teoria eletrom a g n é t i c a . P o r sua vez. Ôs exemplos precedentes. n a física c o n t e m p o r â n e a . P o r meio das teorias que encarnam. tal m u d a n ç a foi d e s d e e n tão invertida e p o d e r i a sê-lo n o v a m e n t e . A l é m d i s s o . s ã o t a m b é m c o n s t i t u t i v o s d a c i ê n c i a em outros aspectos que nos interessam nesse m o m e n t o . É provável que algum dia cheguem o s a s a b e r o q u e é um d e s l o c a m e n t o e l é t r i c o . n ã o é o substrato inerte e h o m o g ê n e o e m p r e g a d o t a n t o na teoria de N e w t o n c o m o na de Maxwell. Antes disso. No século X X . algumas de suas novas propriedades n ã o são m u i t o diferentes das outrora atribuídas ao éter. O e s p a ç o . N e s s e papel. U m a v e z q u e a n a t u r e z a é m u i t o c o m p l e x a e v a r i a d a p a r a ser e x p l o r a d a ao acaso. . O q u e o c o r r e u n ã o foi n e m u m a q u e d a . ele informa ao cientista q u e entidades a natureza contém ou não contém. ampliam nossa compreensão dos modos p e l o s q u a i s o s p a r a d i g m a s d ã o f o r m a à v i d a científica. os p a r a d i g m a s d e m o n s t r a m ser constitutivos da atividade científica. n e m m e t a f í s i c a s e m a l g u m s e n t i d o p e j o r a tivo. E s s a i n f o r m a ç ã o fornece u m m a p a cujos detalhes s ã o elucid a d o s p e l a p e s q u i s a científica a m a d u r e c i d a . C o n t u d o . N ã o existem p a d r õ e s exteriores q u e p e r m i t a m u m j u l g a m e n t o científico d e s s a e s p é c i e . n e m u m a e l e v a ç ã o d e p a d r õ e s . o estado de agregação e outras qualidades das substâncias utilizadas e p r o d u z i d a s n o s seus laboratórios. c o m g r a n d e sucesso.objeções às forças inatas n ã o e r a m n e m inerentemente acientíficas.

Entretanto. elas inevitavelmente t r a v a r ã o um diálogo de surdos ao debaterem os méritos relativos dos respectivos paradigmas. N o s argumentos parcialmente circulares que habitualmente resultam desses debates. ' . A t é aqui argumentei tão-somente no sentido de q u e os p a r a d i g m a s s ã o parte constitutiva da ciência. A o a p r e n d e r u m p a r a d i g m a .Mais particularmente. e m b o r a seja apenas p a r t e da questão — que q u a n d o duas escolas científicas d i s c o r d a m s o b r e o q u e é um p r o b l e m a e o q u e é u m a solução. métodos e padrões científicos. Existem ainda outras razões para o caráter incompleto do contato lógico q u e sistematicamente carateriza o d e bate entre paradigmas. c o m o das soluções propostas. o cientista a d quire ao m e s m o t e m p o u m a teoria. visto q u e n e n h u m paradigma consegue resolver todos os problemas que define e p o s t o q u e n ã o existem dois p a r a d i g m a s q u e deixem sem solução exatamente os mesmos problemas. m a s t a m b é m algumas d a s indicações essenciais p a r a a elaboração d e m a p a s . q u a n d o o s p a r a d i g m a s m u d a m . está em jogo algo mais fundamental q u e padrões e valores. essa q u e s t ã o de valores s o m e n t e p o d e ser respondida em termos de critérios t o t a l m e n t e exteriores à ciência e é esse r e c u r s o a critérios externos q u e — mais obviamente que qualquer outra coisa — t o r n a revolucionários os debates entre paradigmas. c a d a p a r a d i g m a revelar-se-á c a p a z d e satisfazer m a i s o u m e n o s ps critérios q u e dita p a r a si m e s m o e incapaz de satisfazer alguns d a q u e l e s ditados p o r seu o p o n e n t e . P o r isso. ocorr e m a l t e r a ç õ e s significativas n o s c r i t é r i o s q u e d e t e r m i n a m a legitimidade. tanto os problemas. E s s a o b s e r v a ç ã o n o s faz r e t o r n a r a o p o n t o d e p a r tida deste capítulo. os debates entre p a r a d i g m a s sempre envolvem a seguinte q u e s t ã o : q u a i s s ã o o s p r o b l e m a s q u e é m a i s significativo ter resolvido? T a l c o m o a questão d o s p a d r õ e s em competição. nossos exemplos mais recentes fornecem aos cientistas n ã o apenas u m m a p a . A t a l p o n t o — e i s t o é significativo. q u e u s u a l m e n t e c o m p õ e m u m a m i s t u r a i n e x tricável. P o r exemplo. pois fornece nossa primeira indicaç ã o explícita da r a z ã o pela qual a escolha entre p a r a digmas competidores coloca comumente questões que v n ã o p o d e m ser resolvidas pelos critérios da ciência n o r í m a l . D e s e j o a g o r a a p r e s e n t a r u m a d i m e n s ã o n a q u a l eles s ã o t a m b é m constitutivos da natureza.

E o q u e é a i n d a m a i s i m p o r t a n t e : d u r a n t e as revoluções. q u a n d o m u d a m o s p a r a d i g m a s . . c i e n tistas a d o t a m n o v o s i n s t r u m e n t o s e o r i e n t a m s e u o l h a r em n o v a s d i r e ç õ e s . os. m u d a c o m eles o p r ó p r i o m u n d o . olham para os mesmos pontos já examinados anter i o r m e n t e . e m p r e g a n d o instrumentos familiares.9. AS REVOLUÇÕES COMO MUDANÇAS DE CONCEPÇÃO DE MUNDO O historiador da ciência q u e e x a m i n a r as pesquisas do p a s s a d o a partir da perspectiva da historiografia cont e m p o r â n e a p o d e sentir-se tentado a p r o c l a m a r que. Ê c o m o se a c o m u n i d a d e p r o f i s s i o n a l tivesse sido subitamente transportada para um novo planeta. G u i a d o s p o r u m n o v o p a r a d i g m a . os cientistas v ê e m coisas n o v a s e diferentes q u a n d o .

C e r t a m e n t e n ã o ocorre nada semelhante: não há transplante geográfico. S o m e n t e após várias dessas transformações de visão é que o estudante se torna um habitante do m u n d o do cientista. C o n t u d o . seja p e l a n a t u r e z a d o m e i o a m b i e n t e . Ao olhar u m a fotografia da c â m a r a de Wilson. A o olhar u m a carta topográfica. Aquilo que antes da revolução aparece c o m o u m p a t o n o m u n d o d o cientista transforma-se p o s teriormente n u m coelho. este m u n d o no qual o e s t u d a n t e p e n e t r a n ã o está fixado de u m a vez p o r t o d a s . p o d e remos ser tentados a dizer que.s e a t r a v é s d o q u e v ê e m e f a z e m . e m b o r a usualm e n t e sejam mais graduais e q u a s e s e m p r e irreversíveis. C o n s e q ü e n t e mente. Transformações dessa natureza. as mudanças de p a r a d i g m a realmente l e v a m os cientistas a ver o m u n d o definido por seus compromissos d e pesquisa d e u m a m a neira diferente. a p e r c e p ç ã o q u e o c i e n t i s t a t e m d e s e u m e i o a m b i e n t e d e v e ser r e e d u c a d a — d e v e a p r e n d e r a v e r u m a n o v a f o r m a {Cestalt) e m a l g u m a s s i t u a ções c o m as quais já está familiarizado. o estudante vê linhas sobre o p a p e l . c o m o protótipos elementares p a r a essas transformações. q u a n d o a tradição científica n o r m a l m u d a . o físico um registro de eventos subnucleares q u e lhe são familiares. o e s t u d a n t e vê l i n h a s i n t e r r o m p i d a s e c o n f u s a s . Aquele que antes via o exterior da caixa desde cima passa a ver seu interior desde baixo. E m v e z d i s s o . o cartográfico vê a r e p r e s e n t a ç ã o de um terr e n o . ele é d e t e r m i n a d o c o n j u n t a m e n t e pelo m e i o a m b i e n t e e pela tradição específica de ciência n o r m a l n a q u a l o e s t u d a n t e foi t r e i n a d o . Depois de fazê. o m u n d o d e s u a s p e s q u i s a s p a r e c e r á . i n comensurável com o que habitava anteriormente. a c o m p a n h a m c o m u m e n t e o t r e i n a m e n t o científico. após u m a revolução. Na medida em que seu único acesso a esse m u n d o d á . fora do laboratório os afazeres cotidianos em geral continuam c o m o antes. v e n d o o q u e o cientista vê e r e s p o n d e n d o c o m o o cientista r e s p o n d e . . a q u i e ali.l o . Esta é u m a o u t r a r a z ã o pela q u a l escolas g u i a d a s p o r p a r a digmas diferentes estão sempre em ligeiro desacordo. N ã o obstante. As b e m conhecidas demonstrações relativas a u m a a l t e r a ç ã o n a f o r m a (GestaW) v i s u a l d e m o n s t r a m ser m u i t o sugestivas.o n d e objetos familiares s ã o vistos s o b u m a luz diferente e a eles se a p r e g a m o b j e t o s d e s c o n h e c i d o s . em períodos de revolução. os cientistas r e a g e m a um m u n d o diferente. seja p e l a c i ê n c i a .

1 . ALBERT apresentação Introduction The mais atualizada é to Space Perception of Suggestion on the Relationship between Stimulus H . O s sujeitos d a e x p e r i ê n c i a c o m c a r t a s a n ô m a l a s . pp. A partir daí. as experiências c o m a f o r m a v i s u a l i l u s t r a m t ã o . Expectations and the Perception of Colour. Size and Perceived Influence of Psychology. o h o m e m a c o s t u m a d o às lentes invertidas experimentou u m a transformação revolucionária da visão. discutida no C a p . L X I V . S o b r e este p o n t o existe u m a rica literatura psicológica. por GEORGE Psychological Revlew. que o universo continha cartas anômalas. pp. HASTORF. pp. fÔutras experiências d e m o n s t r a m q u e o taman h o . experimentaram u m a transformaç ã o b a s t a n t e similar. foram capazes de perceber todas as cartas anômalas na primeira inspeção suficientemente prolongada para permitir alguma identificação. a cor. em geral após um período intermediário durante o q u a l a v i s ã o se e n c o n t r a s i m p l e s m e n t e c o n f u n d i d a . pp. L E O P O S T M A N e J O H N R O D R I C U E S . Uma A. 1935). vê inicialmente o m u n d o todo de cabeça p a r a baixo. A t é a p r e n d e r e m . os objetos são n o v a m e n t e vistos c o m o antes da utilização das lentes. ver (1897). X X I X . s e u a p a r a t o p e r c e p t i v o f u n c i o n a tal c o m o f o r a treinado p a r a funcionar na ausenta de óculos e o result a d o é u m a d e s o r i e n t a ç ã o e x t r e m a . e t c . 2 . STRAT- IV. todo o seu c a m p o visual se altera. u m a i n t e n s a crise p e s s o a l . M a s l o g o q u e o sujeito c o m e ç a a a p r e n d e r a lidar c o m seu n o v o m u n d o . a m a i o r p a r t e da qual provém do trabalho pioneiro do Instituto H a n o v e r . e JEROME S. Todavia. S e o sujeito d e u m a e x p e r i ê n c i a c o l o c a ó c u l o s d e proteção munidos de lentes que invertem as imagens. através d e u m a exposição prolongada.s o m e n t e a n a t u r e z a das transformações perceptivas. 5. An 18-57. Journal . 216-227 (1951). viam tão-somente os tipos de cartas p a r a as quais suas experiências anteriores os haviam equipado. No c o m e ç o . depois que a experiência em curso forneceu as categorias adicionais indispensáveis.Certamente. M . 195-217 (1950). Para exemplos. A assimilação de um c a m p o visual anteriormente a n ô m a l o reagiu sobre o próprio c a m po e modificou-o. American Journal of Psychology. BRUNER. As Vision experiências without Inversíon originais foram of the realizadas Retinal Image. O i s t a n c e . percebidos de objetos apresentados experimentalmente t a m b é m varia c o m a experiência e o treino prévios do p a r t i c i p a n t e ^ Ao e x a m i n a r a rica litera1 TON. N a d a nos dizem sobre o papel dos paradigmas ou da experiência previamente assimilada a o processo d e percepção. na sua forma mais usual. 341-360. T a n t o literal c o m o metaforicamente. CARR. 463-481 fornecida por HARVEY (Nova York.

c o n ceitual prévia o ensinou a ver. m a s n ã o d e m o n s t r a m q u e a o b s e r v a ç ã o cuidadosa e controlada realizada pelo pesquisador científico p a r t i l h e d e a l g u m m o d o d e s s a s c a r a c t e r í s t i c a s . N. Na ausência de tal treino. H a n s o n . é preciso primeiro que atentemos para os tipos de provas que p o d e m o s ou n ã o p o d e m o s esperar q u e a história nos forneça. e m b o r a experiências psicológicas sejam sugestivas. Cap. a própria natureza dessas experiências torna impossível qualquer d e m o n s t r a ç ã o direta desse p o n t o . R. P o d e r á e n t ã o dizer ( a l g o q u e n ã o p o d e r i a t e r feito l e g i t i m a m e n t e a n t e s ) 3. A l é m disso. m a s às linhas contidas no papel q u e está o l h a n d o . ir além disso. (Cambridge. n ã o p o d e m . HANSON. P a r a q u e u m e x e m p l o histórico possa fazer c o m q u e essas experiências psicológicas p a r e ç a m relevantes. Elas realmente apresentam características de perc e p ç ã o q u e poderiam ser c e n t r a i s p a r a o d e s e n v o l v i m e n to científico. no caso em questão. utilizou demonstrações relacionadas c o m a forma visual p a r a elaborar algumas d a s m e s m a s conseqüências d a c r e n ç a científica c o m a s q u a i s m e p r e o c u p o a q u i .t u r a d a q u a l esses e x e m p l o s f o r a m extraídos. ele d i r i g e s e m p r e mais a s u a a t e n ç ã o n ã o à figura ( p a t o ou c o e l h o ) . especialmente. P o d e até m e s m o acabar a p r e n d e n d o a ver essas linhas s e m ver qualquer u m a dessas figuras. e n q u a n t o segura nas m ã o s o m e s m o livro ou p e d a ç o de papel. Outros colegas indicaram repetidamente q u e a história da ciência teria um sentido mais claro e coerente se p u déssemos supor q u e os cientistas e x p e r i m e n t a m ocasionalmente alterações de percepção do tipo das acima descritas. R. [Õ que um h o m e m vê depende tanto daquilo que ele o l h a c o m o d a q u i l o q u e s u a e x p e r i ê n c i a v i s u a l . I. . 1958). Consciente de q u e n a d a m u d o u e m s e u m e i o a m b i e n t e . Patterns of Discovery. 3 O sujeito d e u m a d e m o n s t r a ç ã o d a P s i c o l o g i a d a F o r m a sabe q u e sua percepção se modificou. T o d a v i a . s o m o s levados a suspeitar de q u e a l g u m a coisa semelhante a um paradigma é um pré-requisito para a própria percepção. somente pode haver o q u e William J a m e s c h a m o u de "confusão atordoante e intensa'^} v Nos últimos anos muitos dos interessados na história da ciência consideraram muito sugestivos os tipos de experiências acima descritos. visto q u e ele p o d e alterá-la repetidamente. N.

tal c o m o em todas as experiências psicológicas similar e s . O período d u r a n t e o qual a luz era considerada " a l g u m a s vezes c o m o u m a onda e o u t r a s c o m o u m a p a r t í c u l a " foi u m p e r í o d o d e c r i s e — um p e r í o d o d u r a n t e o q u a l algo n ã o vai b e m — e s o mente terminou com o desenvolvimento da Mecânica O n d u l a t ó r i a e c o m a c o m p r e e n s ã o de q u e a luz era entid a d e a u t ô n o m a . c o m a o b s e r v a ç ã o científica.q u e o q u e r e a l m e n t e vê s ã o essas linhas. diferente tanto das ondas c o m o das part í c u l a s . m a s a g o r a vejo um satélite". Se houvesse alguma autoridade superior. n a s c i ê n c i a s . C o n t u d o . e m certo m o m e n t o . assegura-lhe que. o experimentador. não po d e m o s esperar q u e os cientistas confirmem essas m u danças diretamente. a eficácia d a d e m o n s t r a ç ã o d e p e n d e d a p o s s i b i l i d a de de p o d e r m o s analisá-la desse m o d o . mas estava enganado". E m lugar disso. Esse tipo de afirmação . Ao olhar a L u a . u m convertido à n o v a astronomia diz: "antes eu acreditava q u e a L u a fosse u m p l a n e t a ( o u via a L u a c o m o u m p l a n e t a ) . n ã o poderemos extrair n e n h u m a conclusão c o m relação a possibilidades perceptivas alternadas. Em ambos os casos. p o r q u e u m a autorid a d e externa. p o d e ser p e r s u a d i d o ) q u e sua percepção deve ter-se alterado. r e c o r r e n d o à qual se pudesse mostrar q u e sua visão se alterara.s e . m a i s p r e c i s a m e n t e . correto. o convertido ao copernicismo n ã o diz " c o s t u m a v a ver um planeta. P o r isso. O c i e n t i s t a n ã o p o d e a p e l a r p a r a algo q u e e s t e j a a q u é m o u a l é m d o q u e ele v ê c o m s e u s o l h o s e instrumentos. m a s q u e as v ê a l t e r n a d a m e n t e como p a t o o u como c o e l h o . T a l locução implicaria afirmar que em um sentido determinado o sistema de Ptolomeu fora. A m e s m a espécie de p r o b l e m a s surgiria caso o cientista pudesse alterar seu c o m p o r t a m e n t o d o m e s m o m o d o q u e o sujeito d a s e x p e r i ê n cias c o m a forma visual. o sujeito da experiência d a s cartas a n ô m a l a s s a b e ( o u . a s i t u a ç ã o i n v e r t e . e s t a v a olhando d u r a n t e t o d o o t e m p o para um cinco de copas. s e a s a l t e r a ç õ e s p e r c e p t i vas a c o m p a n h a m as mudanças de paradigma. n ã o o b s t a n t e o q u e t e n h a visto. A menos q u e exista u m p a d r ã o exterior c o m relação a o q u a l u m a alter a ç ã o da visão possa ser demonstrada. D o m e s mo m o d o . tal autoridade tornar-se-ia a fonte de seus d a d o s e nesse caso o c o m p o r t a m e n t o de sua visão tornarse-ia u m a f o n t e d e p r o b l e m a s ( t a l c o m o o sujeito d a experiência p a r a o p s i c ó l o g o ) .

Q u a n d o . (Londres. no m í n i m o . D o i o .r e p e t e . Q u a n d o e s s a s u g e s t ã o foi aceita. Esse exame revelou o movim e n t o de U r a n o entre as estrelas e por essa razão H e r s chel anunciou que vira um novo cometa! Somente vários m e s e s depois. n ã o m a i s s e a d a p t a v a à s 4 PP- 4. é q u e Lexell sugeriu q u e p r o v a v e l m e n t e se tratava d e u m a ó r b i t a p l a n e t á r i a . O d e s c o b r i m e n t o d e U r a n o p o r Sir W i l l i a m Herschel fornece um primeiro exemplo que se aproxima muito d a experiência das cartas anômalas.. foi c a p a z de notar um t a m a n h o aparente de disco q u e era. U m c o r p o celeste. P o r c a u s a d i s s o . um dos melhores observadores desse g r u p o viu a estrela por q u a t r o noites sucessivas. n ã o p o d e m o s e s p e r a r u m t e s t e m u n h o d i r e t o s o b r e essa a l t e r a ç ã o . Em 1769. 115-116. Retornemos então aos dados e perguntemos que tipos de transformações no m u n d o do cientista p o d e m ser d e s c o b e r t o s pelo historiador q u e acredita e m tais m u d a n ç a s . 1950). . d e v e m ter sido o c u p a d a s p o r U r a n o nessa época. p o r q u e . inclusive vários d o s m a i s eminentes observadores europeus. se em geral disfarça u m a alteração da visão científica o u a l g u m a o u t r a t r a n s f o r m a ç ã o m e n t a l q u e t e n h a o m e s m o efeito. entre 1 6 9 0 e 1 7 8 1 . E m pelo m e nos dezessete ocasiões diferentes. d e s u a p r ó p r i a f a b r i c a ç ã o . s e m c o n t u d o p e r c e b e r o m o v i m e n t o q u e p o d e ria ter sugerido u m a outra identificação. i n c o m u m p a r a estrelas. A l g o estava e r r a d o e e m v i s t a d i s s o ele p o s t e r g o u a i d e n t i f i c a ç ã o a t é r e a l i z a r um exame mais elaborado. Herschel observou pela primeira vez o m e s m o objeto. tal c o m o u m a c a r t a a n ô m a l a . cuja aparição fora o b s e r v a d a d e q u a n d o em q u a n d o d u r a n t e quase um século. A Concise History oi Astronomy. doze anos mais tarde. o m u n d o dos a s t r ô n o m o s profissionais passou a contar c o m um p l a n e t a a m a i s e várias estrelas a m e nos. ! D e v e m o s a n t e s b u s c a r p r o vas indiretas e c o m p o r t a m e n t a i s de que um cientista c o m um n o v o p a r a d i g m a vê de maneira diferente do que via anteriormente. pois. após várias tentativas infrutíferas p a r a ajustar o m o v i m e n t o observado a u m a órbita de c o m e ta. t i n h a m visto u m a estrela e m p o sições q u e .s e n o p e r í o d o p o s t e r i o r à s r e v o l u ç õ e s científicas. Pcter. diversos a s t r ô n o m o s . e m p r e g o u um telescópio aperfeiçoado. h o j e s u p o m o s . passou a ser v i s t o d e f o r m a d i f e r e n t e d e p o i s d e 1 7 8 1 .

u m a p ó s o outro. As m a n c h a s solares e u m a n o v a estrela n ã o f o r a m os únicos exemplos de m u d a n ç a a surgir nos céus da astronomia ocidental imediatamente após Copérnico. ^Contudo. 683-693. 434-436. . . será possível conceber c o m o acidental o fato de q u e os astrônomos somente tenham c o m e ç a d o a ver m u d a n ç a s nos céus — q u e anteriorm e n t e e r a m imutáveis — d u r a n t e o m e i o século q u e se seguiu à apresentação do n o v o paradigma de Copérnico? Os chineses. que os cometas se movimentavam livremente através do espaço anteriormente reservado às estrelas e 5 6 513-515. a alteração de visão que permitiu aos astrônomos ver o planeta U r a n o n ã o parece ter afetado somente a percepção daquele objeto já observado anteriormente. alguns t ã o s i m p l e s c o m o u m p e d a ç o d e fio d e l i n h a . pp. os chineses registraram de m a neira sistemática o aparecimento de m a n c h a s solares séculos antes de t e r e m sido vistas p o r Galileu e seus c o n t e m p o r â n e o s . cujas crenças cosmológicas n ã o excluíam m u d a n ç a s celestes. N E E D H A M . Note-se especialmente c o m o os relatos de W o l f dificultam a explicação dessas descobertas c o m o sendo u m a conseqüência da Lei de Bode. A história da Astronomia fornece muitos outros exemplos de m u d a n ç a s n a p e r c e p ç ã o científica q u e f o r a m i n d u z i d a s p o r p a radigmas. m e s m o sem contar com a ajuda do telescópio. (CambTidse. algumas das quais ainda menos equívocas que a anterior. Geschichíe der Astronomie (Munique. o s a s t r ô n o m o s d o fim d o século X V I d e s c o b r i r a m . E m b o r a as evidências sejam equívocas. 1959). não apresentavam o aumento anômalo que alertara Herschel. 1877). 423-429. pp. P o r exemplo. J o s e p h . Igualmente.categorias perceptivas (estrela ou c o m e t a ) fornecidas pelo p a r a d i g m a anteriormente em vigor. 5. h a v i a m registrado o aparecimento de m u i t a s novas estrelas nos céus n u m a é p o ca muito anterior. os astrônomos que estavam preparados para encontrar planetas adicionais f o r a m capazes de identificar vinte deles d u r a n t e os primeiros cinqüenta anos do século XLX. III. RUEOLPH WOLF. Suas conseqüências tiveram um alcance b e m mais amplo. Science and Civittzalhm in China. N ã o obstante. e m p r e g a n d o instrumentos-padrão. 6 . a pequena m u d a n ç a de paradigma forçada por Herschel provavelmente ajudou a preparar astrônomos para a descoberta rápida de numerosos planetas e asteróides após 1 8 0 l j D e v i d o a seu t a m a n h o pequeno. Utilizando instrumentos tradicionais.

S. a r e p u l s ã o n ã o foi vista c o m o t a l a t é q u e o aparelho em larga escala de H a u k s b e e ampliasse grand e m e n t e s e u s efeitos. Voltemos a examinar por um instante ou dois n o s sos e x e m p l o s a n t e r i o r e s d a h i s t ó r i a d a e l e t r i c i d a d e . pp. KUHN. T. 206-209. Historicamente entretanto. suas pesquisas desenvolveram-se c o m o s e isso tivesse o c o r r i d o . P e l o m e n o s foi isso q u e o s o b s e r v a d o r e s d o s é c u l o X V I I a f i r m a r a m ter visto e n ã o temos razões p a r a duvidar mais de seus relatórios de percepção do que dos nossos. Os exemplos anteriores foram selecionados na A s t r o n o m i a . Mass.planetas imutáveis. os a s t r ô n o m o s p a s s a r a m a viver em um m u n d o diferente. p o r q u e os relatórios referentes a observações celestes são freqüentemente a p r e s e n t a d o s e m u m vocabulário composto por termos de observação relativ a m e n t e p u r o s . C o n t u d o .. C o l o c a d o diante d o m e s m o a p a r e l h o . m a s iniciarei i l u s t r a n d o s u a a p l i c a ç ã o n a p r á t i c a . A própria facilidade e rapidez c o m q u e o s a s t r ô n o m o s v i a m novas coisas a o o l h a r p a r a objet o s a n t i g o s c o m v e l h o s i n s t r u m e n t o s p o d e fazer c o m q u e nos sintamos tentados a afirmar que. N ã o p r e c i s a m o s c o n t u d o insistir e m u m p a r a l e l i s m o i n t e g r a l e t e remos muito a ganhar caso relaxemos nossos padrões. u m observad o r m o d e r n o veria u m a repulsão eletrostática ( e n ã o u m a repulsão mecânica ou gravitacional). De qualquer m o d o . a r e p u l s ã o d e v i d a à e l e trificação por contato e r a tão-somente u m d o s muitos 7 7. com u m a única exceção universalment e igno-iada. The Copemican Revolution. S o m e n t e e m tais relatórios p o d e m o s ter a esperança de encontrar algo semelhante a um paralelismo c o m p l e t o entre as observações d o s cientistas e as d o s sujeitos e x p e r i m e n t a i s d o s p s i c ó l o g o s . D u rante o século X V I I . poderemos rapidamente reconhecer que já encontramos muitos outros exemplos das alterações na perc e p ç ã o científica q u e a c o m p a n h a m a m u d a n ç a d e p a radigma. o s e l e t r i c i s t a s viam seguidamente partículas de palha serem repelidas ou caíram d o s corpos elétricos q u e as h a v i a m atraído. O emprego mais amplo dos termos "percepç ã o " e " v i s ã o " requererá em breve u m a defesa explíc i t a . 1957). <Cambridge. q u a n d o sua pesquisa era orientad a p o r u m a o u o u t r a t e o r i a d o s eflúvios. . após Copérnico. Se nos contentarmos c o m o emprego cotidiano do verbo "ver".

P o r exemplo. pp. 8 9 8. Mass. Em lugar disso. Lavoisier teve t a m b é m q u e modificar sua concepção a respeito de muitas outras substâncias familiares. C o m o dissemos. Alterações dessa espécie n ã o estão restritas à A s t r o n o m i a e à Eletricidade. The Development of the (Cambridlge. 6 e a literatura sugerida p e l o t e x t o capítulo.. após ter descoberto o oxigênio. devido à descoberta do o x i g ê n i o . Lavoisier passou a trabalhar e m u m m u n d o diferente. O u t r o exemplo: após a assimilação do p a r a d i g m a d e F r a n k l i n . as duas capas condutoras — u m a d a s quais n ã o fizera p a r t e d o i n s t r u m e n t o original — tornaram-se proeminentes. As duas placas de metal c o m u m n ã o . no C a p . 9. O instrumento tornara-se um condensador. houve ainda outras m u danças. Já indicamos algumas das transformações de visão similares que p o d e m ser extraídas da história da Química. e n q u a n t o outros mais foram observados p e la primeira vez. o u t r o s efeitos i n d u t i v o s r e c e b e r a m n o v a s descrições. V e j a . . ao aprender a ver o oxigênio. D u a n e H . R O L L E K .c o n d u t o r entre elas h a v i a m gradativamente se t o r n a d o o p r o t ó t i p o p a r a t o d a essa classe de a p a relhos. Os fenômenos e l é t r i c o s visíveis n o i n í c i o d o s é c u l o X V I I I e r a m m a i s sutis e m a i s v a r i a d o s q u e o s v i s t o s p e l o s o b s e r v a d o r e s do século X V I I . L a v o i s i e r p a s s o u a v e r a n a t u r e z a de m a n e i r a diferente. o eletricista q u e o l h a v a u m a G a r rafa de L e y d e n via algo diferente do q u e vira anteriormente. 21-29. a repulsão tornou-se repentinamente a m a n i f e s t a ç ã o f u n d a m e n t a l d a e l e t r i f i c a ç ã o e foi e n t ã o q u e a a t r a ç ã o precisou ser explicada. Contudo. D u a n e & Concept of Electric Charge. Além dessas. c o m o atestam progressivamente tanto as discussões escritas c o m o as representações pictóricas. Simult a n e a m e n t e . 1954). para o qual n e m a forma. o princípio de e c o n o m i a nos instará a dizer q u e .s e a d i s c u s s ã o indicado na nota 9 daquele R O L L E R .n o v o s efeitos d e r e p u l s ã o q u e H a u k s b e e vira. Na impossibilidade de recorrermos a essa nat u r e z a fixa e h i p o t é t i c a q u e e l e " v i u d e m a n e i r a d i f e r e n t e " . Lavoisier viu oxigênio o n d e Priestley vira ar desflogistizado e outros não viram absolutamente nada. n e m o vidro da garrafa e r a m indispensáveis. Na pior das hipóteses. D . teve q u e ver u m mineral c o m p o s t o o n d e Priestley e seus c o n t e m p o r â n e o s h a v i a m visto u m a terra elementar. P o r m e i o de suas pesquisas (e n ã o através de u m a alteração da forma visual).

o que parece estar envolvido aqui é a exploração por 10 1 1 lon.9 4 . Galileo. Galileu viu todos esses f e n ô m e n o s n a t u r a i s d e u m a m a n e i r a d i f e r e n t e d a q u e l a p e l a q u a l t i n h a m s i d o vistos a n t e r i o r m e n t e . p o r outro lado. p p . Galileu.8 1 . Ibid. II. b e m c o m o a favor da relação entre o p e s o v e r t i c a l e a v e l o c i d a d e final d o s m o v i m e n t o s d e s cendentes nos planos inclinados. onde alcança um estado de repouso natural — o corpo oscilante estava simplesmente caindo c o m dificuldade. Do p o n t o de vista descritivo. P a r a os aristotélicos — q u e acreditavam que um corpo pesado é movido pela sua própria natureza de u m a posição mais elevada para u m a mais baixa. . m a s a n t e s d i s s o n e c e s sitamos de mais um exemplo de seu u s o — neste caso derivado de u m a das partes mais conhecidas da obra de Galileu. Dialogues 111. concernlng trad. Two New Sciences. (EvansCrew e A. de Salvio. 1 9 4 6 ) . Q u a n d o este último informou q u e o período do p ê n d u l o era independente da amplitude da oscilação ( n o caso das amplitudes superiores a 9 0 ° ) . M a s note-se que neste caso o gênio n ã o se manifesta através de u m a observação mais a c u r a d a ou objetiva do c o r p o oscilante. a percepção aristotélica é t ã o a c u r a d a c o m o a de Galileu. sem dúvida alguma. derivou das propriedades do p ê n d u l o seus únicos argumentos sólidos e completos a favor da independência do peso c o m relação à velocid a d e da q u e d a . P o r que ocorreu essa alteração de visão? P o r causa do gênio individual de Galileu. Em vez disso. 1 6 2 . 1 1 . Desde a Antigüidade r e m o t a muitas pessoas h a v i a m visto u m o u o u t r o objeto p e s a d o oscilando d e u m l a d o p a r a outro e m u m a corda o u corrente até c h e gar ao e s t a d o de r e p o u s o . um corpo que por pouco n ã o conseguia repetir i n d e f i n i d a m e n t e o m e s m o m o v i m e n t o . sua concepção do pêndulo levou-o a ver muito mais regularidade do q u e podemos atualmente descobrir no m e s m o f e n ô m e n o . ao olhar o corpo oscilante viu um pêndulo. 10. Galileu o b s e r v o u a o m e s m o t e m p o o u t r a s propriedades do pêndulo e construiu muitas das partes m a i s significativas e o r i g i n a i s d e s u a n o v a d i n â m i c a a partir delas. 8 0 . P o r exemplo. 9 1 . T e n d o v i s t o este t a n t o . GALILEI. Preso pela corrente.. 2 4 4 .D e n t r o em breve perguntarei sobre a possibilidade d e e v i t a r essa e s t r a n h a l o c u ç ã o .1 6 6 .. somente poderia alcançar o repouso no p o n t o mais baixo de sua oscilação após um movimento tortuoso e um t e m p o considerável. p p .

novamente contra a tensão da corda. 537-538. a s e g u i r o impetus é c o n s u m i d o ao d e s l o c a r a c o r d a c o n t r a a r e s i s t ê n c i a de s u a t e n s ã o . foi treinado p a r a analisar o movimento em termos da teoria d o impetus. A t é a invenção desse p a r a d i g m a escolástico n ã o havia p ê n dulos p a r a serem vistos pelos cientistas. u m p a r a d i g m a d o final d a I d a d e M é d i a q u e afirmava que o movimento contínuo de um corpo pesado é devido a um poder interno. Mais tarde. B u r i d a n descreve o m o v i m e n t o de u m a corda que vibra como um movimento no qual o impetus é i m p l a n t a d o p e l a p r i m e i r a v e z q u a n d o a c o r da é g o l p e a d a . 1959). W i s c . 570. no m e s m o século. J o ã o d e B u ridan e N i c o l a u O r e s m e . ao q u e se sabe. Sua concepção é certamente muito próxima d a q u e l a utilizada por Galileu na sua abordagem do pêndulo. análise q u e atualmente parece ter sido a primeira discussão do p ê n d u l o . foram. O r e s m e e s b o ç o u u m a análise similar d a p e d r a oscilante. precisamos realmente descrever c o m o u m a transformação da visão aquilo q u e separa Galileu de Aristóteles. The Science of Mechanics pp.parte de um gênio das possibilidades abertas por u m a alteração do paradigma medieval. Os pêndulos nasceram graças a algo m u i t o similar a u m a alteração da forma visual induzida por paradigma. O movimento continua n u m processo simétrico. . ou Lavoisier de Priestley? Esses h o m e n s r e a l m e n t e viram c o i s a s d i f e r e n t e s ao olhar para o m e s 12. in the Mtddle Ages. 1 2 Contudo. a t e n são traz então a c o r d a p a r a a posição original. Pelo menos no caso de Oresme (e quase certamente no de Galileu). m a s tão-som e n t e pedras oscilantes. q u e d e r a m à t e o r i a d o impetus a s s u a s f o r m u l a ç õ e s m a i s p e r feitas. tratava-se de u m a concepção q u e se t o r n o u possível graças à transiç ã o d o p a r a d i g m a aristotélico original relativo a o m o v i m e n t o p a r a o p a r a d i g m a e s c o l á s t i c o d o impetus. escolásticos do século XTV. A o c o n t r á r i o . Galileu não recebeu u m a f o r m a ç ã o t o t a l m e n t e a r i s t o t é l i c a . os primeiros a ver n o s movimentos oscilatórios algo do que Galileu veria m a i s tarde nesses fenômenos. M. que p o de prolongar-se indefinidamente. implant a n d o u m impetus c r e s c e n t e a t é o p o n t o i n t e r m e d i á r i o do m o v i m e n t o . CLAOETT. implantado no corpo pelo propulsor q u e iniciou seu m o v i m e n t o . d e p o i s d i s s o o impetus d e s l o c a a c o r d a na direção oposta. (Madison.

Estou. As pesquisas atuais q u e se d e senvolvem e m setores d a Filosofia. elas m e s m a s . de algum m o d o . Esse p a r a d i g m a serviu tanto à Ciência c o m o à Filosofia. N e n h u m desses t e m a s p r o m o t o r e s d e crises p r o d u ziu a t é a g o r a u m a a l t e r n a t i v a v i á v e l p a r a o p a r a d i g m a epistemológico tradicional.] Direi desde logo que esta concepção muito corrent e d o q u e ocorre q u a n d o o s cientistas m u d a m sua m a neira de pensar a respeito de assuntos fundamentais n ã o p o d e ser n e m t o t a l m e n t e e r r ô n e a . c o m o Lavoisier viram oxigênio. por exemplo. c o m o o exemplo da dinâmica newtoniana t a m b é m indica. Mas. A l é m disso. profundamente consciente das dificuldades criadas pela afirmação de que. t a n t o Priestley. Sua exploração. pois evidentemente existe u m a o u t r a maneira b e m mais usual de descrever todos os exemplos históricos esboçados acima. n e m ser u m s i m p l e s e n g a n o . a s s u n t o a o q u a l d e d i c a m o s n e c e s s a r i a m e n t e a m a i o r parte de nossa atenção neste ensaio. convergem todas para a mesma sugestão: o paradigma tradicional está. É antes u m a p a r t e essencial de um p a r a d i g m a iniciado p o r Descartes e desenvolvido na m e s m a época q u e a dinâmica newtoniana. d a Psicologia.mo tipo de objetos? H a v e r á algum sentido válido no q u a l possamos dizer q u e eles realizaram suas pesquisas em m u n d o s diferentes? Essas questões n ã o p o d e m mais ser postergadas. tal c o m o a da própria Dinâmica. mas diferiram nas interpretações daquilo que tinham visto. D e n t r o dessa perspectiva. fixadas de u m a vez p o r todas pela natureza do meio ambiente e pelo aparato perceptivo. q u a n d o Arist ó t e l e s e G a l i l e u o l h a r a m p a r a as p e d r a s o s c i l a n t e s . equivocado. d a Lingüística e m e s m o da História da Arte. mas interpretaram suas observações de maneira diversa. produziu u m a compreensão fund a m e n t a l q u e t a l v e z n ã o p u d e s s e ser a l c a n ç a d a d e o u t r a maneira.( Muitos leitores certam e n t e desejarão dizer q u e o q u e m u d a c o m o p a r a d i g m a é a p e n a s a interpretação q u e os cientistas d ã o às observações q u e estão. essa incapacidade para ajustar-se aos d a d o s torna-se cada Vez m a i s a p a r e n t e a t r a v é s d o e s t u d o h i s t ó r i c o d a c i ê n cia. até m e s m o o mais impressionante suc e s s o n o p a s s a d o n ã o g a r a n t e q u e a c r i s e p o s s a ser p o s tergada indefinidamente. o . tanto Aristóteles c o m o Galileu viram pêndulos. m a s já c o m e ç a r a m a sugerir quais serão algumas das características desse paradigma.

M a s cada u m a dessas interpretações pressupôs um paradigma. Esses e x e m p l o s tipificam a maior ia e s m a g a d o r a das pesquis a s . Em primeiro lugar. Um p ê n d u l o n ã o é u m a p e d r a q u e cai e n e m o oxigênio é ar desflogistizado. A i n d a mais importante. ' E m c a d a um deles. Defrontado c o m a m e s m a constelação de objetos q u e a n t e s e t e n d o c o n s c i ê n c i a d i s s o . c o m o veremos em breve. os d a d o s q u e os cientistas coletam a partir desses diversos objetos s ã o . um e m p r e e n d i m e n t o que. N ã o obstante. ele o s e n c o n t r a .l o e q u e c o n c e i t o s e r a m relevantes p a r a sua interpretação.p r i m e i r o viu u m a q u e d a violenta e o segundo um p ê n dulo. o processo pelo qual o i n d i v í d u o ou a c o m u n i d a d e l e v a m a c a b o a t r a n s i ç ã o da queda violenta para o pêndulo ou do ar desf l o g i s t i z a d o p a r a o o x i g ê n i o n ã o se a s s e m e l h a à i n t e r p r e t a ç ã o . M u s s c h e n b r o e k aquelas relativas a u m a garrafa eletricamente carregada e Franklin as sobre u m condensador. visa refinar.» t o t a l m e n t e t r a n s f o r m a d o s e m m u i t o s d e s e u s detalhesj N e n h u m a dessas observações pretende indicar q u e os cientistas n ã o se caracterizam p o r interpretar observações e dados. devido a um p a r a d i g m a aceito. q u e instrumentos p o d i a m ser u s a d o s p a r a e s t a b e l e c ê . O q u e ocorre d u r a n t e u m a r e v o l u ç ã o científica n ã o é t o t a l m e n t e r e d u t í v e l a u m a r e i n t e r p r e t a ç ã o de d a d o s estáveis e individuais. 'Às mesmas dificuldades estão presentes de u m a f o r m a a i n d a m a i s f u n d a m e n t a l n a s frases iniciais d e s t e capítulo: embora o m u n d o não mude com uma mudança de paradigma. c o m o já vim o s . Essas eram partes da ciência normal. diferentes em si mesmos. O C a p . n ã o obstante. P e l o contrário: Galileu interpretou as o b s e r v a ç õ e s s o b r e o p ê n d u l o . D e f a t o . ampliar e articular um p a r a d i g m a q u e já existe. o cientista q u e abraça um n o v o p a r a d i g m a é c o m o o h o m e m que usa lentes inversoras. A r i s t ó t e l e s a s o b r e as p e d r a s q u e caem. o cientista sabia o que era um d a d o . 2 forneceu muitos exemplos nos quais a interpretação desempenhou um papel central. c o m o p o d e r i a ser a s s i m . d a d a a a u s ê n c i a d e d a d o s fixos p a r a o c i e n t i s t a i n t e r p r e t a r ? E m v e z de ser um intérprete. D a d o um para1 . depois dela o cientista trabalha em u m m u n d o diferente. Conseqüentemente. estou convencido d e q u e d e v e m o s a p r e n d e r a compreender o sentido de p r o posições semelhantes a essa. os dados n ã o são inequivocamente estáveis.

E s s a s 13.d i g m a . Galileu e o pêndulo. Subconscient intuition et logique dans la recherche scienttfique (Conférence faite au Falais de la Découverte te 8 Décembre 1945 [ A l e n ç o n . e m b o r a restrito a i n o v a ç õ e s m a t e m á t i c a s . Nesse caso. ] > . a iluminação relevante vem d u r a n t e o s o n h o . d . 1949). as intuições r e ú n e m grandes porções dessas experiências e as transformam em um bloco de experiências q u e . The Psychology of Invention in the Mathematical Field (Princeton. encontra-se no livro do m e s m o autor. o aristotélico mediria ( o u pelo m e n o s discutiria — o aristotélico r a r a m e n t e m e d i a ) o p e s o da p e d r a . E m b o r a tais intuições d e p e n d a m das experiências. n ã o estão ligadas. E s s a s t e r m i n a m . a a l t u r a v e r t i c a l à q u a l e l a f o r a e l e v a da e o t e m p o n e c e s s á r i o p a r a a l c a n ç a r o r e p o u s o . N e n h u m dos sentidos habituais do t e r m o " i n t e r p r e t a ç ã o " ajusta-se a essas iluminações da intuição através das quais nasce um novo p a r a d i g m a . r e t o r n e m o s p o r um m o m e n t o a Aristóteles. n e m lógica. tanto a u t ô n o m a s c o m o congruentes. a interpretação d o s d a d o s é essencial p a r a o empreendimento que o explora. a c i ê n c i a n o r m a l leva. m a s por meio de um evento relativamente abrupto e não-estrut u r a d o semelhante a u m a alteração da f o r m a visual. U m r e l a t o b e m m a i s c o m p l e t o . pela p r i m e i r a vez. j E m outras ocasiões. Q u e dados foram c o locados ao alcance de c a d a um deles pela interação de seus diferentes p a r a d i g m a s e seu meio ambiente c o m u m ? Ao ver u m a q u e d a forçada. s . Em lugar disso. possibilitando q u e seus c o m p o n e n t e s sejam vistos de u m a n o v a m a n e i r a — a qual. [JACQUES] HADAMARD. os cientistas falam freqüentemente de " v e n das que caem dos olhos" ou de u m a "iluminação repentina" que " i n u n d a " um quebra-cabeça que antes era obscuro. p p . a partir daí. Em lugar disso. d e m o d o a l g u m . c o m o seria o caso de u m a interpretação. . 7 . a p e n a s a o r e c o n h e c i m e n t o de anomalias e crises. n e m f r a g m e n t a r i a m e n t e a itens específicos dessas experiências. m a s n ã o corrigi-lo. JPar a d i g m a s n ã o p o d e m . Esse empreendimento interpretativo — e mostrar isso foi o e n c a r g o do p e n ú l t i m o p a r á g r a f o — p o d e s o m e n t e articular um paradigma. a o fim e a o c a b o . permite sua solução. obtidas através do antigo paradigma. será g r a d a t i v a m e n t e ligado ao novo paradigma e não ao velhoj 1 3 P a r a aprendermos mais a respeito do que podem ser essas diferenças. ser c o r r i g i d o s pela ciência normal.8 . n ã o através da deliberação ou interpretação. c o m o já vimos.

para um homem que via a p e d r a o s c i l a n t e d o m e s m o m o d o q u e G a l i l e u . e O a J U i e o and Plato. D a d o s o s p a r a d i g m a s de Galileu. T a l v e z o e x e m p l o seja d e m a s i a d a m e n t e f a n t a s i s t a . Nesse caso. I. u m a conseqüência da experiência imediata. 1 9 3 9 ) . seg u n d o a qual o p e r í o d o da bola do p ê n d u l o é inteiram e n t e independente da amplitude da oscilação. A Function for Thought Experimenta.— e m a i s a r e s i s t ê n c i a do m e i o — e r a m as c a t e g o r i a s conceituais e m p r e g a d a s pela ciência aristotélica q u a n d o se tratava de examinar a q u e d a dos c o r p o s . p o r o u t r o c a m i n h o — l e v a r à série d e crises das quais emergiu a concepção galileiana da p e d r a oscil a n t e . de fato. K O Y R É . a interpretação dem o n s t r o u ser q u a s e d e s n e c e s s á r i a . P o r i s s o . T. 440-428 . D e v i d o a e s s a s crises e o u t r a s m u d a n ç a s i n t e l e c tuais. Eludes Galiléennes ( P a r i s . Neste caso. q u a n d o se sabe q u e a ciência n o r m a l proveniente de Galileu teve que erradicar essa descoberta e que atualmente somos totalmente incapazes de documentá-la? Regularidades q u e n ã o p o d e r i a m ter existido p a r a u m aristotélico ( e que. In: Mélanges Alexandre Koyré. a t e o r i a do impetus t o r n o u o m o v i m e n t o s i m é t r i c o e d u r a d o u r o . Galileu viu a p e d r a oscilante de forma absolutamente diversa. e d . o n e o p l a t o n i s m o dirigiu a a t e n ç ã o de Galileu p a r a a f o r m a c i r c u l a r d o m o v i m e n t o . P o d e r i a a p e n a s — e foi o q u e fez. Journal of the History of Ideas. Ao contemplar a q u e d a de u m a pedra. A pesquis a n o r m a l p o r elas o r i e n t a d a n ã o p o d e r i a t e r p r o d u z i d o as leis q u e G a l i l e u d e s c o b r i u . B . pp. as m e s m a s diferenças de visão são evidentes. u m a vez q u e os aristotélicos n ã o d e i x a r a m qualquer discussão sobre as p e d r a s oscilantes. o raio. ele m e dia apenas o peso. Os trabalhos de A r q u i m e d e s sobre os corpos flutuantes t o r n a r a m o meio algo inessencial. K r a m . n ã o são precisamente exemplificadas pela natureza em nenhum lugar) eram. Aristóteles via u m a m u d a n 1 4 1 5 1 4 . _ _. M a s os aristotélicos discutiram um caso mais simples. IV.i. o das pedras que caem sem entraves incomuns. A . c o m o poderíamos explicar a descoberta de Galileu. C o h e n .ie«> 1 5 . as regularidades semelhantes ao pêndulo e r a m q u a s e t o t a l m e n t e acessíveis à p r i m e i r a v i s t a . o deslocamento angular e o t e m p o p o r oscilação — precisamente os dados que p o d e r i a m ser i n t e r p r e t a d o s d e m o l d e a p r o d u z i r a s leis d e Galileu sobre o pêndulo. f e n ô m e n o q u e no paradigma destes era extraordinariamente complexo. R . p u b l i c a d o p o r H e r m a n n ( P a r i s ) em 1 9 6 3 . 46-51. T a t o n e I . S. S e n ã o .

antes de realizar s u a s e x p e r i ê n c i a s c o m o p l a n o i n c l i n a d o . In: xandre Koyré ( v e r n o t a 1 4 p a r a u m a c i t a ç ã o c o m p l e t a ) . e m u m m u n d o c o n j u n t a mente determinado pela natureza e pelos paradigmas c o m os quais Galileu e seus c o n t e m p o r â n e o s h a v i a m sido educados. G a lileu n ã o foi o p r i m e i r o a s u g e r i r q u e a s p e d r a s c a e m em movimento uniformemente acelerado. mas de velocidade m é d i a . E s s e t e o r e m a foi m a i s u m e l e m e n t o n a r e d e d e n o v a s r e g u l a r i d a d e s . CL.s e de s e u p o n t o d e p a r t i d a . II. IX. A l é m d i s s o . p o u c o depois de Galileu. a crítica escolástica modificou essa m a n e i r a de ver o m o v i m e n t o . Esses parâmetros conceituais servem de base e d ã o um sentido à maior p a r t e d e suas b e m conhecidas "leis d o m o v i m e n t o " . P o r conseguinte. a d i s t â n c i a até o p o n t o final. t a n t o a p e d r a q u e cai. c o m o p a r â m e t r o de distância relevante para qualquer instante no decorrer do movimento. p o r s e r a p e d r a i m p u l s i o n a d a p o r s u a n a t u r e z a a a l c a n ç a r s e u p o n t o final d e r e p o u s o . e m p a r t e d e v i d o a o p a r a d i g m a d o impetus e em parte d e v i d o a u m a d o u t r i n a c o n h e c i d a c o m o a latitude d a s formas. os e s c o l á s t i c o s b i f u r c a r a m a n o ç ã o aristotélica d e velocidade e m conceitos q u e . p a r â m e t r o s esses q u e p r o d u z e m o q u e a t u a l m e n t e chamaríamos não de velocidade. Aristóteles via. IV. juntamente com muitas de suas conseqüências. mais do que um processo. o c o n t e ú d o imediato da expe1 6 1 7 1 8 16. m a i s do q u e a q u e l a a partir do ponto de origem do movimento. Mas. 18. K U H N . Galileu ainda p o d e ria. Eludes Op. VI pp. E>e m a n e i r a s i m i l a r . q u a n d o quisesse. o p a r â m e t r o r e l e v a n t e p a s s o u a s e r a distância a partir do. explicar p o r q u e Aristóteles vira o q ú e viu. V i v e n d o em tal m u n d o . p o r isso.AOETT. E n t r e t a n t o . se t o r n a r a m as nossas velocidades média è velocidade instantânea. .ça de estado. elt. Mélanges Ale- KOYRÉ. ele desenvolvera seu t e o r e m a sobre este assunto. em l u g a r da distância até o. q u a n d o examinad o s a p a r t i r d o p a r a d i g m a d o q u a l e s s a s c o n c e p ç õ e s faz i a m p a r t e . U m a p e d r a m o v i d a pelo impetus r e c e b e m a i s e m a i s impetus ao a f a s t a r . N ã o obstante. A l é m disso. e 7-11. c o m o o p ê n d u l o . A Function for Thought Experiments. Caps. p a r a ele a s m e d i d a s relevantes d e u m m o v i m e n t o e r a m a distância total percorrida e o t e m p o total transcorrid o . Oaliléennes. e x i b i a m a s leis q u e o s r e g e m q u a s e à p r i m e i r a v i s t a . acessíveis a o g ê n i o . 17.

C o m o tais. são selecionadas p a r a o . de u m a vez p a r a sempre — na qual o p ê n d u l o e a q u e d a violenta n ã o s ã o percepções diferentes. pod e r i a ser l e v a d a a c a b o em t e r m o s de a l g u m a linguagem de observação neutra. T a i s traços d e v e m obviamente m u d a r c o m os compromissos do cientista a paradigmas.r i ê n c i a d e G a l i l e u c o m a q u e d a d e p e d r a s n ã o foi o m e s m o da experiência realizada por Aristóteles. N ã o são o que o cientista vê — pelo m e n o s até q u e s u a pesquisa se e n c o n tre b e m adiantada e sua atenção esteja focalizada —. Por certo não está de m o d o algum claro que precisemos preocupar-nos tanto com a "experiência imed i a t a " — isto é. Por exemplo. T a l v e z d e v ê s s e m o s d e i x a r d e l a d o a experiência imediata e. considero impossível a b a n d o n a r inteiramente essa perspectiva. S o m e n t e p r o c e d e n d o de u m a dessas maneiras é que podemos ter a esperança de r e a v e r u m a r e g i ã o n a q u a l a e x p e r i ê n c i a seja n o v a m e n te estável. são índices concretos p a r a os conteúdos d a s percepções mais elementares. m a s e s t ã o longe do que temos em mente quando falamos dos dados não-elaborados ou da experiência bruta. Na ausência de u m a alternativa já desdobrada. p r o p o r c i o n a d o s p e l a o b s e r v a ç ã o d e u m a p e d r a q u e oscila. talvez u m a linguagem ajustada às impressões de retina que servem de intermediário p a r a aquilo q u e o cientista vê. m a s interpretações diferentes d e d a d o s inequívocos. em vez disso. dos quais se acredita proceda a p e s q u i s a científica. As operações e medições q u e um cientista e m p r e e n d e e m u m laboratório n ã o são " o d a d o " d a experiência. T o d a v i a ela j á n ã o f u n c i o n a e f e t i v a m e n t e e a s t e n t a t i v a s p a r a fazê-la funcionar p o r m e i o d a i n t r o d u ç ã o d e u m a linguagem de observação neutra parecem-me agora sem esperança. M a s a e x p e r i ê n c i a d o s s e n t i d o s é fixa e n e u t r a ? S e r ã o as teorias simples interpretações h u m a n a s de d e terminados dados? A perspectiva epistemológica que m a i s f r e q ü e n t e m e n t e g u i o u a filosofia o c i d e n t a l d u r a n t e três séculos impõe um "sim!" imediato e inequívoco. discutir as operações e medições concretas q u e os cientistas realizam em seus laboratórios. Ou talvez a análise deva distanciar-se ainda mais do imediatamente dado. c o m os traços perceptivos q u e um p a r a d i g m a destaca de m a n e i r a tão notável q u e eles revel a m suas regularidades quase à primeira vista. mas "o coletado c o m dificuldade".

A o invés disso.l ó g i c o s o u n ã o . D i s s o r e s u l t a q u e c i e n t i s t a s c o m p a r a d i g m a s diferentes e m p e n h a m . E as tentativas que mais se a p r o x i m a r a m desse objetivo c o m partilham u m a característica q u e reforça vigorosamente d i v e r s a s d a s teses p r i n c i p a i s d e s t e e n s a i o .exame mais detido da pesquisa normal. três séculos a p ó s D e s c a r t e s . seja n a f o r m a d e u m a t e o r i a científica e m v i g o r . a experimentação psicológica m o d e r n a está f a z e n d o c o m q u e p r o l i f e r e m r a p i d a m e n t e fenômenos q u e essa teoria t e m grande dificuldade em tratar.s e em manipulações concretas de laboratório diferentes. A ciência n ã o se o c u p a c o m t o d a s a s m a n i f e s t a ç õ e s p o s s í v e i s n o l a b o r a t ó r i o . A s o p e r a ç õ e s e medições. As medições q u e d e v e m ser r e a l i z a d a s n o c a s o d e u m p ê n d u l o n ã o s ã o r e levantes no caso da q u e d a forçada. u m p a r a d i g m a . foi p a r c i a l m e n t e d e t e r m i n a d a p o r esse m e s m o p a r a d i g m a .p e r c e p - . a q u a l . tentam então depurál o d e t o d o s o s seus t e r m o s n ã o . aplicável de m a n e i r a geral. seja n a f o r m a d e a l g u ma fração do discurso cotidiano. A Psicologia fornece u m a grande q u a n t i d a d e de evidência no m e s m o sentido e as dúvidas q u e dela derivam a u m e n t a m ainda mais q u a n d o se considera a história das tentativas p a r a apresentar u m a linguagem de observaç ã o efetiva. Q u a n t o a u m a linguagem de observação pura. n o s s a e s p e r a n ç a q u e isso o c o r r a a i n d a depende exclusivamente de u m a teoria da percepção e do espírito. E l a s p r e s s u p õ e m . p o r s u a v e z . N e n h u m a d a s t e n t a t i v a s a t u a i s c o n s e g u i u até agora aproximar-se de u m a linguagem de objetos de p e r c e p ç ã o puros. de maneira m u i t o mais clara do que a experiência imediata da qual em parte derivam. P o r sua vez. seleciona aquelas q u e são relevantes p a r a a justaposição de um paradigma com a experiência imediata. tão-somente porq u e p a r e c e m oferecer u m a o p o r t u n i d a d e p a r a a elabor a ç ã o frutífera d e u m p a r a d i g m a a c e i t o . são determ i n a d a s por um p a r a d i g m a . T a m p o u c o as operações relevantes p a r a a elucidação das propriedades do oxigênio são precisamente as mesmas que as requerid a s n a i n v e s t i g a ç ã o d a s c a r a c t e r í s t i c a s d o a r desflogistizado. O pato-coelho mostra que dois h o m e n s c o m as m e s m a s impressões na retina p o d e m ver coisas diferentes. as lentes inversoras m o s t r a m que dois h o m e n s c o m impressões de retina diferentes p o d e m ver a m e s m a coisa. talvez ainda se chegue a elaborar u m a . M a s . d e s d e o início.

e n t ã o " o r e s i d e n t e d e W i l m i n g t o n e m 1 9 4 7 q u e t e m c a b e l o s r u i v o s " e " o r e s i d e n t e d e W i l m i n g t o n e m 1947 q u e p e s a e n t r e 175 e 180 l i b r a s " p o d e m ser r e u n i d o s n u m a d e f i n i ç ã o construída (constructional definition') . M a s s . G O O D M A N . c o n d e n s a d o r e s e minerais c o m p o s t o s e outros corpos do m e s m o tipo. casos que não existem. e s t á l o n g e d e ser c l a r a " .5 . da profissão. A questão de saber se "pode ter h a v i d o " a l g u é m a q u e m s e a p l i c a u m d e s s e s p r e d i c a d o s . p p . já a n o ç ã o de casos "possíveis". 4 . providencia para que isso o c o r r a . m a s n ã o o outro. finalmente. tendo em vista os objetivos especiais de sua investigação. n ã o tem sentido . . de casos que nao existem. M a s s e u r e s u l t a d o é u m a l i n g u a g e m q u e — tal c o m o a q u e l a s e m p r e g a d a s n a s c i ê n c i a s — expressam inúmeras expectativas sobre a natureza e deix a m de funcionar no m o m e n t o em que essas expectativas s ã o violadas. Comparadas c o m esses objetos da percepção. da cultura e. sejam a única 1 9 . E m alguns c a m p o s d o discurso esse esforço foi levado b e m longe. N . . contida no p a r a d i g m a . A investigação filosófica ainda n ã o forneceu n e m sequer u m a pista d o q u e p o d e r i a ser u m a l i n g u a g e m c a p a z de realizar tal tarefa. p o d e m o s pelo m e n o s suspeitar d e q u e o s c i e n t i s t a s t ê m r a z ã o . 1 9 Nessas circunstâncias. tanto as leituras de um m e d i d o r c o m o as impressões de retina s ã o construções elaboradas às quais a experiência s o m e n t e tem a c e s s o direto q u a n d o o cientista. v e i o a ser h a b i t a d o p o r p l a n e t a s e p ê n d u l o s . m a s p o d e r i a m ter e x i s t i d o . c o m resultados bastante fascinantes. pois a noção de casos "possíveis". q u a n d o tratam o oxigênio e os pêndulos (e talvez t a m b é m os átomos e elétrons) c o mo ingredientes fundamentais de sua experiência imediatar\0 m u n d o d o c i e n t i s t a . 1 9 5 1 ) . N e l s o n G o o d m a n insiste precisamente s o b r e e s s e p o n t o a o d e s c r e v e r o s o b j e t i v o s d o s e u Structure o f Appearance: " É a f o r t u n a d o q u e n a d a m a i s ( d o que os f e n ô m e n o s c o n h e c i d o s ) esteja em questão. ^ N ã o q u e r e m o s c o m isso sugerir q u e os p ê n d u l o s . A p a s s a g e m m e r e c e u m a c i t a ç ã o e x t e n s a : *'Se t o d o s o s i n d i v í d u o s ( e s o m e n t e e s s e s ) residentes d e W i l m i n g t o n e m 1947 q u e p e s a m e n t r e 175 e 180 l i b r a s t ê m c a b e l o s r u i v o s . N e n h u m a l i n g u a g e m limitada d e s s e m o d o a relatar u m mundo plenamente conhecido de antemão pode produzir m e r a s i n f o r m a ç õ e s n e u t r a s e o b j e t i v a s s o b r e " o d a do". . Está fora de dúvida q u e esforços desse tipo m e r e c e m ser l e v a d o s a d i a n t e . .tivos.. . e s t á l o n g e de ser clara". u m a vez que tenhamos determinado que tal i n d i v í d u o n a o e x i s t e . d e v i d o à e x p e r i ê n c i a d a raça. t a n t o e m t e r m o s d e princípio c o m o na prática. m a s p o d e r i a m ter existido. por e x e m p l o . The Structure oi Appearance ( C a m b r i d g e . . É u m a s o r t e d e q u e n a d a m a i s _ e s t e i a e m questão. .

e s t a v a m m u d a n d o o s i g n i f i c a d o d e " p l a n e t a " . m a s a visão através de um paradigma que transforme a p e d r a oscilante em alguma o u t r a coisa. para a descoberta de um elemento transurânico adicional ou para captar a imagem de u m a nova casa — t a n t o o s c i e n t i s t a s c o m o o s leigos d e i x a m d e l a d o á r e a s inteiras do fluxo da experiência.coisa q u e um cientista p o d e r á ver ao olhar u m a p e d r a oscilante. A n ã o ser q u a n d o t o d a s a s c a t e g o r i a s c o n c e i t u a i s e d e manipulação estão preparadas de antemão — por exemplo. o s c o p e r n i c a n o s q u e n e g a r a m a o Sol s e u t í t u l o t r a d i c i o n a l de "planeta" não estavam apenas aprendendo o que " p l a n e t a " significa o u o q u e e r a o S o l . A m e s m a c o i s a p o d e r i a ser d i t a a respeito de qualquer um dos nossos exemplos anteriores. está aprendendo algumas das diferenças entre h o m e n s e mulheres. foi s o m e n t e u m a p a r t e d e u m a alteração integrada na visão que o cientista possuía de muitos fenômenos químicos. e m p r i n c í p i o . a fim d e q u e essa expressão continuasse sendo c a p a z de estabelecer d i s t i n ç õ e s ú t e i s n u m m u n d o n o q u a l t o d o s o s c o r p o s c e l e s t e s e n ã o a p e n a s o Sol e s t a v a m s e n d o v i s t o s d e u m a m a n e i r a diversa d a q u e l a na qual h a v i a m sido vist o s a n t e r i o r m e n t e . elétricos ou d i n â m i c o s . T u d o isso p a r e c e r á m a i s r a z o á v e l s e r e c o r d a r m o s mais u m a vez q u e . o cond e n s a d o r em vez da Garrafa de L e y d e n ou o p ê n d u l o e m v e z d a q u e d a f o r ç a d a . A alternativa n ã o é u m a hipotética visão "fixa". ( J á observamos que m e m b r o s de outra c o m u n i d a d e científica p o d e r i a m v e r u m a q u e d a f o r ç a d a ) . expectativas e crenças — na v e r d a d e . exceto u m a . c o m p o r t a m . E m l u g a r d i s s o . . b e m c o m o algo sobre a m a n e i r a na qual todas as m u lheres. Suas r e a ç õ e s . Simultaneamente. n e m o leigo a p r e n d e m a ver o m u n d o g r a d u a l m e n t e ou item p o r item. Q u e r e m o s sugerir q u e o cientista q u e olha p a r a a oscil a ç ã o d e u m a p e d r a n ã o p o d e ter n e n h u m a experiência q u e seja. n e m o cientista. V e r o oxigênio em vez do ar desflogistizado. m a i s e l e m e n t a r q u e a v i s ã o d e um pêndulo. A criança q u e t r a n s fere a a p l i c a ç ã o d a p a l a v r a " m a m ã e " d e t o d o s o s s e r e s h u m a n o s para todas as mulheres e então para a sua m ã e n ã o e s t á a p e n a s a p r e n d e n d o o q u e " m a m ã e " significa ou q u e m é a sua m ã e . grande parte de seu m u n d o percebido — m u d a m de a c o r d o c o m esse a p r e n d i z a d o . P e l o m e s m o motivo.s e em relação a ela.

a ciência pós-revolucionária invariavel- . porque já n ã o se trataria da mesma questão. p a r a o q u e ele j á v i u . A l é m disso. m u i t a s m a n i p u l a ç õ e s e medições antigas tornam-se irrelevantes e são substituídas por outras. e m b o r a a n t e r i o r m e n t e ele o s possa ter e m p r e g a d o d e m a n e i r a d i f e r e n t e j E m conseqüência disso. sua q u e s t ã o n ã o poderia ter sido respondida. e m b o r a elas sejam s e m p r e legítimas e em d e t e r m i n a d a s ocasiões e x t r a o r d i n a r i a m e n t e frutíferas. C o n t u d o . j á d e v e ser c a p a z d e r e c o n h e c e r u m p ê n d u l o q u a n d o o v ê . O c i e n t i s t a o u filósofo. s u a q u e s t ã o n e m m e s m o p o d e r i a ter s i d o feita. P o r isso. A p ó s u m a r e v o l u ç ã o científica. v a m o s d a q u i para diante negligenciar as impressões da retina e restringir n o vamente nossa atenção às operações de laboratório que fornecem ao cientista índices concretos. é somente após a experiência ter sido d e terminada dessa maneira que pode começar a busca de u m a definição operacional ou de u m a linguagem de o b s e r v a ç ã o p u r a . m a s o v i s s e d a m e s m a maneira com que vê um diapasão ou u m a balança de vibração. jNão i m p o r t a o q u e o cientista possa e n t ã o ver. Pelo m e n o s n ã o poderia ter sido respondida d a m e s m a maneira. S e . após a revolução o cientista ainda está olhando p a r a o m e s m o m u n d o . as questões a respeito das impressões da retina ou sobre as conseqüências de determinadas manipulações de laboratório pressupõem um m u n d o já subdividido perceptual e conceitualmente de acordo com u m a certa maneira. E s e ele visse u m p ê n d u l o . q u e p e r g u n t a que medições ou impressões da retina fazem do pêndulo o q u e e l e é . tais questões são partes da ciência n o r m a l . P a r a concluir este capítulo. N u m certo sentido. e m l u g a r d o p ê n d u l o ele visse u m a q u e d a f o r ç a d a . N ã o se aplicam exatamente os mesm o s t e s t e s p a r a o o x i g ê n i o e p a r a o ar d e s f l o g i s t i z a d o . p o i s d e p e n d e m d a e x i s t ê n c i a d e u m p a r a digma e recebem respostas diferentes q u a n d o ocorre u m a mudança de paradigma. U m a d a s m a n e i r a s p e l a s q u a i s tais o p e r a ç õ e s d e l a b o r a t ó r i o m u d a m j u n t a m e n t e c o m o s p a r a d i g m a s j á foi o b s e r v a d a r e p e t i d a s v e zes. M a s m u d a n ç a s dessa espécie n u n c a são totais. grande p a r t e de sua linguagem e a maior parte de seus instrumentos de laboratório continuam s e n d o o s m e s m o s d e a n t e s .Os paradigmas determinam ao m e s m o tempo grandes áreas da experiência. e m b o r a fragm e n t á r i o s .

Ou ainda: o cobre dissolver-se-ia n u m a solução de p r a t a e precipitado de p r a t a p o r q u e a afinidade cobre-ácido e r a m a i o r q u e a a f i n i d a d e e n t r e o á c i d o e a p r a t a . Newton. de u m a maneira que. se m a n t i n h a m unidos p o r forças de afinidade m ú t u a s . q u a n d o vinculada à natureza p o r m e i o de um p a r a d i g m a diferente. esta deve estar nas suas relaç õ e s c o m o p a r a d i g m a o u n o s seus r e s u l t a d o s c o n c r e t o s . METZGER. r e a l i z a d a s c o m os mesmos instrumentos e descritas nos m e s mos termos empregados por sua predecessora pré-revolucionária. . Um grande n ú m e r o de outros fenômenos era explicado da m e s m a m a n e i r a . d e s cobriremos que u m a e a m e s m a operação. 34-68. veremos q u e ocasionalmente a antiga m a n i p u l a ç ã o . Stahl. 1930). D u r a n t e grande p a r t e do século X V I I I e m e s m o no X I X . Boerhaave et la doctrine chimique. (Paris. p r o d u z i r á r e s u l t a d o s c o n c r e t o s diferentes.m e n t e inclui m u i t a s d a s m e s m a s m a n i p u l a ç õ e s . os químicos europeus acreditavam quase universalmente que os átomos elementares. com a introdução de um último exemplo. a prata diss o l v i a . p o d e tornar-se um índice p a r a um aspecto bastante diferente de u m a regularidade da natureza. H. u m a m a s s a iniforme de prata mantinha-se unida devido às forças de afinidade entre os corpúsculos de prata ( m e s m o depois de Lavoisier esses corpúsculos e r a m p e n sados c o m o sendo compostos de partículas ainda mais e l e m e n t a r e s ) . Assim. E n t r e t a n t o . Se a l g u m a m u d a n ç a ocorreu c o m essas m a nipulações d u r a d o u r a s . A l é m disso. a teoria da afinidade t r a ç o u os limites s e p a r a n d o a s m i s t u r a s físicas d o s c o m p o s t o s q u í m i c o s . pp. com os quais e r a m constituídas t o d a s as espécies químicas. Sugiro agora.s e n o á c i d o ( o u o sal n a á g u a ) p o r q u e a s p a r t í culas de ácido atraíam as da prata ( o u as partículas de água atraíam as de sal) mais fortemente do que as partículas desses solutos atraíam-se m u t u a m e n t e . N o s é c u l o X V I I I . a t e o r i a d a afinidad e eletiva e r a u m p a r a d i g m a q u í m i c o a d m i r á v e l . q u e todas essas d u a s espécies d e m u d a n ç a o c o r r e m . E x a m i n a n d o a o b r a d e D a l t o n e seus c o n t e m p o r â n e o s . l a r g a e algumas vezes frutiferamente utilizado na c o n c e p ç ã o e análise da e x p e r i m e n t a ç ã o q u í m i c a . desde a assimilação da obra de 2 0 20. no seu n o v o p a p e l . D e n t r o dessa m e s m a teoria.

. M a s e s s e s e n t i d o n ã o é a q u e l e q u e faz d a s d e f i n i ç õ e s m e r a s comodidades convencionais. por o u t r o lado. A p r ó p r i a teoria da afinidade fora b e m confirmada. t e r i a m b u s c a d o c r i t é r i o s q u e fizessem da solução um composto. a f u s ã o de m e t a i s . n u n c a foi c a p a z d e e x p l i c a r satisfatoriamente p o r q u e o oxigênio n ã o se comportava dessa maneira. Se. 1 2 4 . p o r exemplo. A l é m disso. p a r a o g r a n d e n ú m e r o de casos intermediários — o sal na á g u a . as mist u r a s n ã o e r a m p l e n a m e n t e distinguíveis d o s c o m p o s t o s através de testes operacionais e talvez n ã o pudessem sê-lo. Ibid. 2 1 Somos tentados a afirmar que os químicos que conc e b i a m as soluções c o m o compostos diferiam de seus a n t e c e s s o r e s s o m e n t e q u a n t o a u m a q u e s t ã o d e definição. deixou d e ser familiar.1 2 9 . o o x i g ê n i o . E m u m certo sentido. considerava-se q u e havia ocorrido a união química. No século X V I I I . A distinção mistura-composto 2 1 . deveria depositar-se no fundo. Os argumentos p a r a q u e se concebesse as soluções como c o m p o s t o s e r a m m u i t o fortes. A assimilação de sua teoria atômica acabou criando u m a anomalia onde anteriormente não havia n e n h u m a . a formação de um composto explicava a homogeneidade observ a d a n u m a solução. .2 1 . . The Atomlc-Motecular perimental Science". N o tocante a Dalton. Sal n a á g u a o u oxigênio n o nitrogênio e r a m exemplos de combinação química tão apropriados como a combinação produzida pela oxidação do cobre. efervescência ou alguma coisa d a m e s m a espécie. Q u a n d o a mistura produzia calor. p p . as partículas da mistura pudessem ser distinguidas a o l h o nu ou sep a r a d a s m e c a n i c a m e n t e . a m a i o r i a d o s q u í m i c o s c o n c e b i a e s s a faixa i n t e r mediária c o m o sendo química. Se. O s químicos d o século X V I I I reconheciam duas espécies d e processos. q u e considerava a a t m o s f e r a u m a m i s t u r a . M a s . 1 9 5 0 ) . luz. o oxigênio e o nitrogênio fossem somente misturados e não combinad o s n a a t m o s f e r a .1 4 . Case 139-148. o v i d r o . h a v i a a p e n a s m i s t u r a física. Dalton. M a s s . p o d e ter sido assim. NASH. ver L Í O N M D Theory ("Harvard Case Histories to Ex4 . C a m b r i d g e . G u i a d o s p o r seu p a r a d i g m a . o o x i g ê n i o na a t m o s f e r a e a s s i m p o r d i a n t e — esses c r i t é r i o s g r o s seiros t i n h a m p o u c a utilidade.Dalton. PP. e n t ã o o gás m a i s p e s a d o . M e s m o se os químicos tivessem p r o c u r a d o descob r i r t a i s t e s t e s . porque os processos que a c o m p u n h a m e r a m todos governados p o r forças da m e s m a espécie.

M E L D R U M . A Short History oi Chemistry. p p . as regularidades adicion a i s a t u a l m e n t e a b a r c a d a s p e l a lei d o s e q u i v a l e n t e s q u í m i c o s .s e e x p l í c i t a a o final d o s é c u l o . A m b o s reuniram evidências experimentais impressionantes em favor de sua c o n c e p ç ã o . .e x e m p l o s ó b v i o s . J. 1951). 2 2 23 Essa era a situação q u e prevalecia q u a n d o J o h n D a l i o n e m p r e e n d e u as investigações q u e a c a b a r a m le2 2 . O p r i m e i r o sustentava que todas as reações químicas ocorriam seg u n d o p r o p o r ç õ e s fixas. N . os dois m a n t i v e r a m um diálogo de surdos e o debat e foi t o t a l m e n t e i n c o n c l u s i v o . A . para algumas categorias de reações. 1-16. e d . Proust via apenas u m a mistura física. N e m experiências. q u a s e a t é o fim d o século. n u m f a m o s o d e b a t e e n t r e os q u í m i c o s f r a n c e s e s P r o u s t e B e r t h o l l e t . enquanto as soluções permaneceram c o m o compostos. n e n h u m a quantidade de experiências químicas poderia t e r p r o d u z i d o p o r s i m e s m a a lei d a s p r o p o r ç õ e s fixas. p p . D a d o s os c o n t r a . ( 2 . 2 3 . n e n h u m deles p e n s o u em generalizá-las. T h e Development of the A t o m i c Theory: (1) Berthollefs Doctrine of Variable Proportions. O n d e P e r t h o l l e t v i a u m composto que podia variar segundo proporções. n e m u m a m u d a n ç a n a s c o n v e n ç õ e s d e d e f i n i ç ã o p o d e r i a m ser relevantes p a r a essa questão. P A R T L N G T O N . c o m o o v i d r o e o sal na á g u a . o segundo n e g a v a q u e isso ocorresse. Mais especificamente. 161-163. N ã o obstante. M a s . A o final d o s é c u l o X V I I I e r a a m p l a m e n t e s a b i d o q u e alguns c o m p o s t o s c o n t i n h a m c o m u m e n t e p r o p o r ç õ e s fixas. L o n d r e s . E s s a c o n c l u s ã o t o r n o u . n e n h u m a generalização era possível sem o a b a n d o n o da teoria da afinidade e u m a reconceptualização dos limites d o s d o m í n i o s d a Q u í m i c a . correspondentes ao peso de seus componentes. enquanto a Química era concebida dessa m a n e i r a . o s f e n ô m e n o s q u í m i c o s e x e m p l i f i c a v a m leis diferentes daquelas q u e emergiram após a assimilação do n o v o paradigma de Dalton. Os dois cientistas divergiam tão fundamentalmente c o m o Galileu e Aristóteles. L I V ( 1 9 1 0 ) . In: Manchester Memoirs. e x c e t o e m r e c e i t a s e . . e m b o r a n ã o fosse a n t e r i o r à e x p e r i ê n c i a a c u mulada da Química como um todo. O químico alemão Richter chegou mesmo a notar. N o e n t a n t o n e n h u m q u í m i c o fez u s o d e s s a s r e g u l a r i d a d e s . R .fazia p a r t e d e s e u p a r a d i g m a — p a r t e d a m a n e i r a c o m o o s q u í m i c o s c o n c e b i a m t o d o seu c a m p o d e p e s q u i s a s — e c o m o tal e l a e r a a n t e r i o r a q u a l q u e r t e s t e de l a b o r a t ó r i o .

Dalton a b o r d o u esses p r o b l e m a s c o m u m p a r a d i g m a d i f e r e n t e d a q u e l e e m p r e g a d o pelos químicos seus contemporâneos. s o b r e t u d o . tornou-se. m a s t a m b é m fez d a lei das proporções constantes u m a tautologia. XL. Em conseqüência daquilo q u e t a l v e z seja o n o s s o e x e m p l o m a i s c o m p l e t o d e u m a r e v o l u ç ã o científica. E r a um meteorologista investigando o que p a r a e l e e r a m o s p r o b l e m a s físicos d a a b s o r ç ã o d e g a s e s p e l a água e da água pela atmosfera. 24. T h e Origin of 101-116 C1956). qualquer reação na qual os ingredientes n ã o entrassem e m p r o p o r ç õ e s fixas n ã o e r a . Dalton's Chemical Atoroic Theory. P o r i s s o . a h o m o g e n e i d a d e q u e fora o b s e r v a d a nas soluções era u m p r o b l e m a . concebeu a mistura de gases ou a a b s o r ç ã o d e u m g á s p e l a á g u a c o m o u m p r o c e s s o físico. os átomos somente poderiam combinar-se n u m a proporção de um para um ou em alguma outra p r o p o r ç ã o de simples números inteiros. pp. . U m a lei q u e a s e x p e r i ê n c i a s n ã o poderiam ter estabelecido antes dos trabalhos de Dalton. u m p r o c e s s o p u r a m e n t e q u í m i c o . s u p o n d o desde o início que. NASH L. F o i p a r a determinar esses t a m a n h o s e pesos q u e D a l t o n se voltou finalmente p a r a a Química. 24 É desnecessário dizer que as conclusões de D a l t o n foram amplamente atacadas ao serem anunciadas pela p r i m e i r a v e z . a s m e s m a s m a n i p u l a ç õ e s q u í m i c a s assumiram u m a relação com a generalização química muito diversa daquela q u e anteriormente tinham. ipso jacto. m a s u m p r o b l e m a q u e ele p e n s a v a p o d e r r e s o l v e r c a s o p u d e s s e determinar os t a m a n h o s e os pesos relativos d a s várias partículas atômicas nas suas misturas experimentais. n u m princípio constitutivo q u e n e n h u m conjunto isolado de medições químicas poderia ter p e r t u r b a d o . no âmbito restrito das reações q u e considerava químicas. Esse pressup o s t o inicial p e r m i t i u . após a aceitação destes.v a n d o à sua famosa teoria atômica p a r a a Química. B e r t h o l l e t . M a i s particularmente.VII. p a r a ele. P a r a Dalton. M a s até os últimos estágios dessas investigações. Em parte porque fora treinado n u m a especialidade diferente e em parte devido a seu próprio trabalho nessa especialidade. D a l t o n n ã o era um químico e n e m estava interessado em Química. n o q u a l a s f o r ç a s d e a f i n i d a d e n ã o d e s e m p e n h a v a m n e n h u m p a p e l . n u n c a foi c o n v e n Isis.l h e d e t e r m i n a r o s t a m a n h o s e o s p e s o s d a s p a r t í c u l a s e l e m e n t a r e s . K .

O s q u í m i c o s d e i x a r a m de escrever q u e os dois óxidos de. Se. continham 56 por cento e 72 por cento de oxigênio p o r peso. O q u e os químicos t o m a r a m d e D a l t o n n ã o f o r a m n o v a s leis e x p e r i m e n t a i s . p o r e x e m p l o . A . 1-10. A l é m disso. Sugeriu t a m b é m novas experiências. em lugar disso. T h e D e v e l o p m e n t of the A t o m i c T h e o r y : ( 6 ) R e c e p t i o n A c c o r d e d t o t h e T h e o r y A d v o c a t e d b y D a l t o n . carbono. pp. 6 pesos de oxigênio. LV. mas u m a nova maneira de praticar a Química (ele p r ó p r i o c h a m o u . b e m c o m o n a d e algum a s reações novas. Q u a n d o Dalton consultou pela primeira vez a literatura química em busca de dados que corroborassem sua t e o r i a física.3 o u c o m 2 . especialmente as de Gay-Lussac sobre a combinação de volumes. as quais tiveram como resultado novas regularidades.a d e " n o v o s i s t e m a d e filosofia q u í m i c a " ) . n ã o era preciso convencê-lo. q u e se revelou t ã o frutífera q u e s o m e n t e alguns químicos mais velhos. o s á t o m o s somente p o d i a m c o m b i n a r . ocorria u m a o u t r a m u d a n ç a t í p i c a e m u i t o i m p o r t a n t e . N . .s e quimicamente segundo proporções simples de n ú m e r o s inteiros. os químicos p a s s a r a m a viver em um m u n d o no qual as reações químicas se c o m p o r t a v a m de m a n e i r a b e m divers a d o q u e t i n h a m feito a n t e r i o r m e n t e . Em conseqüência disso. p a s s a r a m a escrever que um p e s o d e c a r b o n o c o m b i n a r . A q u i e ali. I n : Manchester Memoirs. o paradigma de Dalton t o r n o u p o s s í v e l a a s s i m i l a ç ã o da o b r a de R i c h t e r e a percepção de sua a m p l a generalidade. e n t ã o u m r e e x a m e d o s d a d o s químicos existentes deveria revelar tanto exemplos de proporções múlt i p l a s c o m o d e p r o p o r ç õ e s fixas. o n o v o p a r a d i g m a d e D a l t o n d e m o n s t r o u ser c o n v i n c e n t e o n d e o d e P r o u s t n ã o o f o r a . (1911).s e . v i s t o ter i m p l i c a ções muito mais amplas e mais importantes do que um critério p a r a distinguir u m a mistura d e u m composto. na F r a n ç a e na Grã-Bretanha. Q u a n d o os resultados das antigas m a nipulações foram c o m p u t a d o s dessa maneira. o s p r ó prios dados numéricos da Química c o m e ç a r a m a m u d a r . foram capazes de opor-se a ela. saltou à vista u m a p r o p o r ç ã o d e 2 : 1 . 2 5 E n q u a n t o t u d o isso se passava. M a s para a maior parte dos químic o s .i a o u c o m 1. Considerando-se a natureza da questão. e n c o n t r o u a l g u n s r e g i s t r o s d e r e a ç õ e s q u e 2 5 . Isso ocorreu n a análise d e m u i t a s reações b e m conhecidas. por exemplo.cido. M E L D R U M . c o m as quais os cientistas n u n c a h a v i a m s o n h a d o antes.

até m e s m o a p e r c e n t a g e m d e c o m p o s i ç ã o d e c o m p o s t o s b e m c o n h e c i d o s p a s s o u a ser d i f e r e n t e . M a s é difícil f a z e r c o m q u e a n a t u r e z a s e a j u s t e a u m p a r a d i g m a .c a b e ças da ciência n o r m a l constituem t a m a n h o desafio e as medições realizadas sem a orientação de um paradigma r a r a m e n t e levam a a l g u m a conclusão. A h i s t ó r i a d e t a l h a d a das mudanças graduais nas medições da composição química e dos pesos a t ô m i c o s ainda_ e s t á p o r s e r e s c r i t a . m e s m o a p ó s a a c e i t a ç ã o d a t e o r i a .f f o r n e c e muitas indicações úteis. 4 7 : 1 . Manchester Memoirs. v e r M E L D R U M . . os químicos n ã o poderiam simplesmente aceitar a teoria de D a l t o n c o m base n a s evidências existentes. _ 8 . os cientistas t r a b a l h a m em um m u n d o diferente. " b e r t h o l l e f s r > o c t r i n e o f V a r i a b l e P r o p o r t i o n s . m a s d i f i c i l m e n t e p o d e r i a ter d e i x a d o de encontrar outras que não se ajustavam. L I V ( 1 9 1 0 ) .s e a j u s t a v a m a e l a . as medições do próprio Proust sobre os dois óxidos de cobre indicaram u m a p r o p o r ç ã o de peso de oxigênio de 1 . eles a i n d a t i n h a m q u e f o r ç a r a n a t u r e z a e c o n f o r m a r . p r o c e s s o q u e no caso envolveu quase toda uma outra geração. e m l u g a r d o s 2 : 1 exigidos p e l a t e o r i a a t ô m i c a . Ele era um excelente experimentador e sua concepção da relação entre misturas e compostos era muito próxima da d e D a l t o n . e P r o u s t é p r e c i s a m e n t e o h o m e m do q u a l p o d e r í a m o s esperar que chegasse à proporção de D a l t o n . P o r isso. Q u a n t o a P r o u s t . m a s P A R T I N G T O N . a p ó s u m a r e v o lução. É p o r isso q u e o s q u e b r a . Por exemplo. op cit. Este é o último dos s e n t i d o s n o q u a l d e s e j a m o s dizer q u e . Em lugar disso. 2 6 26. j á q u e u m a grande parte destas ainda era negativa.s e a ela. Quando isto foi feito. Os próprios dados haviam m u d a d o . p .

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a n t e s d e fazê-lo. C r e i o q u e existem excelentes razões p a r a . p a r e ce necessário realizar u m a última tentativa no sentido d e r e f o r ç a r a c o n v i c ç ã o d o leitor q u a n t o à s u a e x i s t ê n cia e natureza. n ã o como revoluções. A INVISIBILIDADE DAS REVOLUÇÕES Ainda nos resta perguntar como terminam as rev o l u ç õ e s científicas. M a s é c l a r o q u e a m a i o r p a r t e d a s i l u s trações. m a s c o m o a d i ç õ e s a o c o n h e c i m e n t o científico. P o d e r se-ia considerar q u a l q u e r ilustração s u p l e m e n t a r a p a r tir dessa perspectiva e é provável q u e o e x e m p l o resultasse ineficaz. T e n t e i até aqui descrever as revoluções através de ilustrações: tais exemplos p o d e m multiplicarse ad nauseatn. q u e foram selecionadas por sua familiaridade. são habitualmente consideradas. N o e n t a n t o .10.

Grande parte da i m a g e m q u e cientistas e leigos têm da atividade científica criadora p r o v é m de u m a fonte autoritária q u e disfarça s i s t e m a t i c a m e n t e — em parte d e v i do a r a z õ e s f u n c i o n a i s i m p o r t a n t e s — a e x i s t ê n c i a e o significado das revoluções científicas. juntamente c o m os textos de divulgação e obras filosóficas m o l d a d a s naqueles. a análise aqui exigida c o m e ç a r á a indicar um d o s aspectos q u e m a i s c l a r a m e n t e distingue o trabalho científico de qualquer outro e m p r e e n d i m e n t o criador. penso sobretudo nos principais manuais científicos. da Teologia. analisa a estrutura lógica desse c o r p o c o m p l e t o de c o n h e c i m e n t o s científicos. T o d a s elas r e g i s t r a m o resultado e s t á v e l d a s r e v o l u ç õ e s p a s s a d a s e desse m o d o p õ e m em evidência as bases da tradição corrente da ciência normal. . d a d o s e teorias e m u i t o freq ü e n t e m e n t e ao c o n j u n t o particular de paradigmas aceitos pela c o m u n i d a d e científica na é p o c a em que esses textos foram escritos. c o m exceção. P e l o m e n o s no c a s o dos manuais. além da prática da pesquisa —• possuem u m a coisa em c o m u m . Os próprios m a n u a i s pretendem c o m u n i c a r o v o c a b u l á r i o e a sintaxe de u m a l i n g u a g e m científica contemporânea. E a F i l o sofia da Ciência. e m b o r a este p o n t o s ó p o s s a ser c o m p l e t a m e n t e d e s e n v o l v i d o n a c o n c l u s ã o deste ensaio. Para preencher sua função n ã o é necessário que proporcionem informações autênticas a respeito do m o d o p e l o qual essas bases foram inicialmente reconhecidas e posteriormente adotadas pela profissão. As obras de divulgação tentam descrever essas m e s m a s aplicações n u m a linguagem m a i s p r ó x i m a da utilizada na vida cotidiana. sobretudo aquela do m u n d o de língua inglesa. s u a s s e m e lhanças são o que mais nos interessam aqui. Q u a n d o falo de fonte de autoridade. E s s a s três categorias — até r e c e n t e m e n t e n ã o dispúnhamos de outras fontes importantes de informaç ã o sobre a ciência.que as revoluções sejam quase totalmente invisíveis. E m b o r a um tratamento m a i s c o m p l e t o d e v e s s e necessariamente lidar c o m as dist i n ç õ e s m u i t o reais e n t r e e s s e s três g ê n e r o s . existem até m e s m o boas razões para que sejam sistematicamente enganadores nesses assuntos. S o m e n t e após o reconhecimento e a análise dessa autoridade é que poderemos esperar que os exemplos históricos passem a ser p l e n a m e n t e efetivos. Referem-se a um corpo já articulado de p r o b l e m a s . A l é m disso. talvez.

da qual os cientistas sent e m . os manuais científicos ( e m u i t a s d a s a n t i g a s h i s t ó r i a s d a c i ê n c i a ) r e f e rem-se somente àquelas partes do trabalho de antigos c i e n t i s t a s q u e p o d e m f a c i l m e n t e ser c o n s i d e r a d a s c o m o contribuições ao e n u n c i a d o e à solução d o s p r o b l e m a s apresentados pelo paradigma dos manuais. a r g u m e n t a r e m o s q u e a d o m i n a ç ã o de u m a ciência a m a d u r e c i d a por tais textos estabelece u m a diferenç a significativa e n t r e o s e u p a d r ã o d e d e s e n v o l v i m e n t o e aquele de outras disciplinas. C o n t u d o . em referências dispersas aos grandes h e róis de u m a época anterior. o sentido histórico do cientista ativo ou do leitor não-especializado em literatura de m a n u a l englobará somente os resultados mais recentes das revoluções ocorridas e m seu c a m p o d e interesse. N o c a p í t u l o final d e s t e ensaio. a estrutura dos problemas ou as n o r m a s da ciência n o r m a l s e m o d i f i q u e m .s e p a r t i c i p a n t e s . o s c o n h e c i m e n t o s científicos d o s p r o fissionais. os manuais começam truncando a c o m p r e e n s ã o do cientista a respeito da história de sua p r ó p r i a disciplina e em seguida fornecem um substituto p a r a aquilo que eliminaram. sendo os manuais veículos pedagógicos destinados a perpetuar a ciência n o r m a l . d e v e m ser parcial ou totalmente reescritos toda vez q u e a linguagem. Entretanto. No m o m e n t o .No C a p . E m s u m a . c o m o a c o n t e c e m a i s freqüentemente. Deste m o d o . a tradição derivada dos manuais. 1 observamos que u m a confiança crescente nos m a n u a i s ou seus equivalentes era invariavelmente concomitante com a emergência do primeiro paradigma e m q u a l q u e r d o m í n i o d a c i ê n c i a . seja. dissimulam inevitavelmente n ã o só o papel d e s e m p e n h a d o . j a m a i s existiu. vamos simplesmente assumir que. tanto os estudantes c o m o os profissionais sentem-se p a r ticipando de u m a longa tradição histórica. s e j a u m c a p í t u l o i n t r o d u t ó r i o . b e m c o m o o s d o s leigos. u m a vez reescritos. Em parte por . Através dessas referências. e s t ã o b a s e a d o s n o s m a n u a i s e em alguns outros tipos de literatura deles derivada. A m e n o s q u e t e nha experimentado pessoalmente u m a revolução durante sua vida. p r e c i s a m ser r e e s c r i t o s i m e d i a t a m e n t e a p ó s c a d a r e v o l u ç ã o científica e . P o r r a z õ e s a o m e s mo t e m p o óbvias e m u i t o funcionais. n u m a extensão sem precedentes e m o u t r a s á r e a s . É característica dos m a n u a i s científicos c o n t e r e m a p e n a s u m p o u c o d e h i s t ó r i a . m a s t a m b é m a própria existência d a s r e v o l u ç õ e s q u e o s p r o d u z i r a m .

c o m o outros e m p r e e n d i m e n t o s profissionais. exceto d u r a n t e as crises e as r e voluções. Multiplicar os detalhes históricos sobre o presente ou o p a s s a d o da ciência. M a s os cientistas s ã o mais afetados pela t e n t a ç ã o de reescrever a história. D i s s o resulta u m a tendência persistente a fazer c o m q u e a História da Ciência p a r e ç a linear e cumulativa. m a i s u m a vez. a posição c o n t e m p o r â n e a do cientista parece m u i t o segura. P o r certo os cientistas n ã o são o único g r u p o q u e tende a ver o passado de sua disciplina c o m o um desenvolvimento linear em direção ao p o n t o de vista privilegiado do presente. os cientistas de épocas anteriores são implicitamente representados c o m o se tivessem t r a b a l h a d o s o b r e o m e s m o c o n j u n t o d e p r o b l e m a s fixos e u t i l i z a d o o m e s m o c o n j u n t o d e c â n o n e s e s t á v e i s que a revolução mais recente em teoria e metodologia c i e n t í f i c a fez p a r e c e r científicos. n ã o é de admirar q u e . Felizmente. visto que as ciências. C o n t u d o . em vez de e s q u e c e r esses h e r ó i s . ou a u m e n t a r a i m p o r tância dos detalhes históricos apresentados. P o r q u e h o n r a r o q u e os m e l h o r e s e m a i s persistentes esforços da ciência t o r n a r a m possível descartar? A depreciação d o s fatos históricos está profunda e provavelmente funcion a l m e n t e e n r a i z a d a n a i d e o l o g i a d a p r o f i s s ã o científica. ao erro e à confusão h u m a n o s .h i s t ó r i c o d a c o m u n i d a d e científica a o escrever: " A ciência q u e hesita e m esquecer seus fundadores está perdida". N ã o é d e a d m i r a r q u e os m a n u a i s e as tradições históricas neles implícitas ten h a m q u e ser r e e s c r i t a s a p ó s c a d a r e v o l u ç ã o científica. Do m e s m o m o d o . Whitehead n ã o estava absolutamente correto. n ã o conseg u i r i a m a i s d o q u e c o n c e d e r u m status artificial à i d i o s sincrasia. a ciência a p a r e ç a . t e n d ê n c i a que chega a afetar m e s m o os cientistas q u e . c o m o s e n d o basicamente cumulativa. em parte p o r q u e os resultados d a p e s q u i s a científica n ã o r e v e l a m n e n h u m a d e p e n d ê n cia óbvia c o m relação ao contexto histórico da pesquisa e em p a r t e p o r q u e . o s c i e n t i s t a s t ê m e s q u e c i d o o u r e visado somente seus trabalhos.seleção e em p a r t e p o r distorção. A tentação de escrever a histór i a p a s s a d a a p a r t i r do p r e s e n t e é g e n e r a l i z a d a e p e r e ne. W h i t e h e a d c a p t o u o e s p í r i t o a . ao ser reescrita. a m e s m a profissão que atribui o mais alto valor possível a d e t a l h e s f a t u a i s d e o u t r a s e s p é c i e s . necessitam de seus heróis e xeverenciam suas m e m ó r i a s .

d e s d e m u i t o c e d o . Ao atribuir a Galileu a resposta a u m a questão que os paradigmas de Galileu não permitiam c o l o c a r . H. De fato. Por exemplo. . M a s é j u s t a m e n t e e s s a m u d a n ç a n a f o r m u l a ç ã o d e perguntas e respostas que dá conta. da transição da Dinâmica aristotélica p a r a a de Galileu e da de Galileu p a r a a de N e w t o n . 154-76. ver F L O H I A N C A J O R I ( e d . Um outro exemplo: N e w t o n escreveu que Galileu descobrira q u e a força constante da gravidade p r o d u z um movimento proporcional ao quadrado do tempo. b e m mais do que as novas descobertas empíricas. pp. o teorema cinemático de Galileu realmente t o m a essa forma q u a n d o inserido na matriz dos próprios conceitos dinâmicos d e N e w t o n . p r e c i s a m e n t e n a q u e l e s p r o b l e m a s q u í m i c o s referentes às p r o p o r ç õ e s de combinação. a tendência 1 2 1. XL. cuja posterior sol u ç ã o o t o r n a r i a f a m o s o . N a r e a l i d a d e . pp. esses p r o b l e m a s parecem ter-lhe ocorrido juntamente com suas soluções e. K. F o i isto q u e D a l t o n fez. Ao disfarçar essas m u d a n ç a s . of Dalton's Chemical A t o m i o Theory. 1946). S o b r e essa o b s e r v a ç ã o d e N e w t o n . o r e s u l t a d o foi u m a r e o r i e n t a ç ã o n o m o d o d e c o n c e b e r a Química. p . os três informes incompatíveis de Dalton sobre o desenvolvimento do seu a t o m i s m o químico d ã o a i m p r e s s ã o d e q u e ele e s t a v a i n t e r e s s a d o . de Salvio (Evanston. trad. The Origins (1956). Crew e A. ) . L. Sua discussão a respeito da queda dos corpos r a r a m e n t e alude a forças e m u i t o m e n o s a u m a força gravitacional uniforme q u e causasse a queda dos c o r p o s . b e m c o m o nas respostas que estavam dispostos a admitir. NASH. E s s a p a s s a g e m d e v e s e r c o m p a r a d a c o m a d i s c u s s ã o d e G A L I L E U n o s s e u s Dialogues concerning Two New Sciences. 2 1 .VII. M a s Galileu n ã o afirmou nada desse gênero. C a l i f ó r n i a . O q u e t o d o s o s r e l a t o s d e D a l t o n o m i t e m s ã o o s efeitos r e v o lucionários resultantes da aplicação da Química a um conjunto de questões e conceitos anteriormente restritos à Física e à Meteorologia. n ã o antes q u e seu p r ó p r i o t r a b a l h o criador estivesse q u a s e totalmente c o m p l e t a d o . m e s m o assim. Isis.examinam retrospectivamente suas próprias pesquisas. o r e l a t o d e N e w t o n e s c o n d e o efeito d e u m a pequena mas revolucionária reformulação nas questões que os cientistas c o l o c a v a m a respeito do m o v i m e n t o . 1 9 4 6 ) . 101-16 2 . reorientação q u e ensinou aos químicos c o m o colocar novas questões e retirar conclusões novas de d a dos antigos. Illinois. Sir Isaac Newton'* Matkematical Principies of Natural Philosophy and His System of the World ( B e r k e l e y .

e x a m i n a m a s v á r i a s e x p e r i ê n c i a s . leis e t e o rias da ciência n o r m a l em vigor t ã o isolada e sucessiv a m e n t e q u a n t o possível. leis o u t e o r i a s a o c a u d a l d e i n f o r m a ç õ e s p r o p o r c i o n a d o p e l o m a n u a l científico c o n t e m p o r â n e o .h i s t ó r i c a d o s e s c r i t o s científicos e c o m a s d i s t o r ç õ e s ocasionais ou sistemáticas examinadas acima. u m a vez reunidas. E não foram apenas os problemas que m u - . constituem a coleção m o d e r n a dos conhecimentos técnicos. p o r visar e m familiarizar r a p i d a m e n t e o estudante c o m o q u e a c o m u n i d a d e científica c o n t e m p o r â n e a j u l g a c o n h e c e r . As gerações anteriores ocuparam-se c o m seus próprios p r o blemas. conceitos. os cientistas j u n t a r a m um a um os fatos. N u m processo freqüent e m e n t e c o m p a r a d o à a d i ç ã o d e tijolos a u m a c o n s t r u ç ã o . Muitos dos quebra-cabeças da ciência n o r m a l contemp o r â n e a p a s s a r a m a existir s o m e n t e d e p o i s d a r e v o l u ç ã o científica m a i s r e c e n t e . quando combinada c o m a atmosfera geralmente a . M a s n ã o é assim q u e u m a ciência se desenvolve. existem grandes possibilidades de q u e essa técnica cause a seguinte impressão: a ciência alcançou seu estado atual através de u m a série de descobertas e invenções individuais. M a s nessa reconstrução está envolvido algo mais do q u e a multiplicação de distorções históricas semelhantes às ilustradas acima. Os m a n u a i s . c o m seus próprios instrumentos e cânones de resolução.dos m a n u a i s a t o r n a r e m linear o desenvolvimento da ciência acaba escondendo o processo q u e está na raiz d o s e p i s ó d i o s m a i s significativos d o d e s e n v o l v i m e n t o científico. n e g a r i a t o d a e q u a l q u e r função às revoluções. Mas. as quais. P o u c o s d e l e s r e m o n t a m a o início histórico da disciplina na qual a p a r e c e m atualmente. c o n c e i t o s . essa t é c nica de a p r e s e n t a ç ã o está acima de q u a l q u e r crítica. os começos de u m a reconstrução histórica que é regul a r m e n t e c o m p l e t a d a p o r t e x t o s científicos p ó s . o s o b j e t i v o s p a r t i c u l a r e s presentes nos paradigmas atuais. Os exemplos precedentes colocam em evidência. a disposição do material q u e a i n d a p e r m a n e c e visível n o s t e x t o s científicos i m p l i c a u m p r o c e s s o q u e . d e s d e os primeiros e m p r e e n d i m e n t o s científicos.r e v o l u cipnários. O m a n u a l sugere q u e os cientistas p r o c u r a m realizar. E n q u a n t o pedagogia. s e r e a l m e n t e existisse. Essas distorções tornam as revoluções invisíveis. cada um no contexto de u m a revolução determinada.

surgem ao m e s m o t e m p o q u e os fatos aos quais se ajustam.a n o c u r s o d o p r o cesso? A aceleração constante p r o d u z i d a p o r u m a força constante é um fato q u e os estudantes de D i n â m i c a p e s q u i s a m d e s d e o i n í c i o da disciplina? Ou é a r e s p o s t a a u m a q u e s t ã o q u e a p a r e c e u pela primeira vez no interior d a t e o r i a d e N e w t o n e que e s t a t e o r i a p o d e r e s p o n d e r utilizando-se do corpo de informações disponíveis antes da formulação da questão? C o l o c a m o s e s s a s q u e s t õ e s a p r o p ó s i t o d e fatos q u e . Por exemplo: a constância da c o m p o s i ç ã o é um simples fato da experiência. N ã o h á d ú v i d a d e q u e essas t e o r i a s " a j u s t a m . além disso. mas somente transformando a informação previam e n t e acessível e m f a t o s q u e a b s o l u t a m e n t e n ã o e x i s t i a m p a r a o p a r a d i g m a p r e c e d e n t e . Em vez disso. M a s . não era exatamente a mesma. ajustando-se a fatos q u e sempre estiveram à nossa disposição. q u í m i c o d o s é c u l o X V I I . foram gradualmente descobertos. mas iuua a reue ac laius e icunas que o paia- . A referência a Boyle auxilia o neófito a p e r c e b e r que a Q u í mica iniciou c o m as j^_lf nimidas. Um último exemplo poderá esclarecer esta explicação sobre o impacto da apresentação do manual sob r e n o s s a i m a g e m d o d e s e n v o l v i m e n t o científico. Quase sempre. t r a n s f o r m a n d o . segundo os manuais.digma dos manuais adapta à natureza. resultando de u m a reformulação rev o l u c i o n á r i a d a t r a d i ç ã o científica a n t e r i o r — u m a t r a d i ç ã o na q u a l a r e l a ç ã o e n t r e o c i e n t i s t a e a n a t u r e z a . mediada pelo conhecimento. e m c u j o Sceptical Chymist o leitor a t e n t o e n c o n t r a r á u m a d e f i n i ç ã o d e " e l e m e n t o " bastante próxima da utilizada atualmente. sua origem é atribuída a Robert B o y l e . q u a n d o essa n o ç ã o é introduzida. q u e os químicos poderiam ter descoberto através d e e x p e r i ê n c i a s r e a l i z a d a s e m q u a l q u e r u m d o s m u n d o s e m q u e r e a l i z a r a m suas p e s q u i s a s ? O u é a n t e s u m e l e m e n t o — e c o m o tal i n d u b i t á v e l — de um n o v o t e c i d o d e fatos e t e o r i a q u e D a l t o n a d a p t o u a e x p e r i ê n cia q u í m i c a a n t e r i o r . esses problemas t ê m t a m b é m relação c o m aquilo q u e tais textos a p r e s e n t a m c o m o teorias.s e a o s f a tos". diz-lhe q u e u m a das tarefas tradjeionais do cientista é invena Ciaram. T o d o s os textos elementares de Química d e v e m discutir o conceito de elemento químico. obviamente. I s s o significa q u e a s teorias t a m b é m n ã o evoluem gradualmente.

d a d o o contexto. M a s não inventaram a noção e nem m o dificaram a fórmula verbal q u e serve c o m o sua definição. sua "definição" de um elemento não passava de u m a paráfrase de um conceito químico tradicional. ilustra u m a vez m a i s o e x e m p l o d e e r r o h i s t ó r i c o q u e faz c o m q u e e s p e cialista e leigos se i l u d a m a r e s p e i t o da n a t u r e z a do e m p r e e n d i m e n t o científico. Isis. a outros conceitos científicos. N ã o obstante. A definição de Boyle r e m o n t a pelo m e n o s a A r i s tóteles e se projeta.o c o m o fim ú n i c o d e a r g u m e n t a r q u e n ã o existia t a l c o i s a c h a m a d a e l e m e n t o q u í m i c o . posto q u e já estão à disposição. R o b e r t B o y l e and Structural Chemistry i n the S e v e n t e e n t h C e n t u r y . e n q u a n t o história. 3 Q u a l foi e n t ã o o p a p e l h i s t ó r i c o d e B o y l e n a q u e l a parte de seu trabalho que contém a famosa "definição"? 3 . C o n t u d o .2 9 ( 1 9 5 2 ) . S . X L I I I . K U H K . a fim d e d a r a e s s e s c o n c e i t o s n o v o s s i g n i f i c a d o s n o c o n texto de sua obra. dentro de um texto ou apresentação sistemática. N ã o s ã o especificações lógicas e completas de sentido. Segue-se daí q u e conceitos c o m o o de elem e n t o dificilmente p o d e m ser inventados independentem e n t e de um contexto. i s s o n ã o significa q u e a c i ê n c i a t e n h a possuído o conceito de elemento desde a Antigüid a d e . Boyle a p r e s e n t o u . 2 6 . Os c o n c e i t o s científicos q u e e x p r e s s a m s ó o b t ê m u m significado pleno q u a n d o relacionados. Definições verbais c o m o a de Boyle t ê m p o u c o c o n t e ú d o científico q u a n d o c o n s i d e r a d a s e m s i m e s m a s . Sem dúvida esse e r r o é trivial. r a r a m e n t e precisam ser inventados. O q u e n ã o é trivial é a i m a g e m de ciência f o m e n t a d a q u a n d o esse tipo de e r r o é articulado e então integrado na estrutura técnica do texto. Segundo Boyle ( q u e estava absolutamente c e r t o ) . T . a versão q u e o m a n u a l apresenta da contribuição de Boyle está totalmente equivocada. t ã o trivial c o m o q u a l q u e r o u t r a i n t e r p r e t a ç ã o e r r ô n e a de d a d o s . n e m Einstein teve q u e inventar ou m e s m o redefinir explicitamente " e s p a ç o " e " t e m p o " .tar conceitos desse tipo. através de Lavoisier. a p r o c e d i m e n t o s de m a n i p u l a ç ã o e a a p l i c a ç õ e s do paradigma. T a n t o Boyle c o m o Lavoisier modificaram e m a s p e c t o s i m p o r t a n t e s o significado q u í m i c o d a n o ç ã o de "elemento". p p . até os textos m o d e r n o s . C o m o vimos. . m a s mais precisamente instrumentos pedagógicos. A l é m disso.

em seu Robert Boyle and Seventeenth-Century Çhes/ry ( C a m b r i d g e . a o m o d i f i c a r a r e l a ç ã o do " e l e m e n t o " c o m a t e o r i a e a m a n i p u l a ç ã o químicas. f o r a m n e c e s s á r i a s p a r a d a r a esse c o n ceito sua forma e função m o d e r n a s . incluindo a q u e teve seu cent r o e m L a v o i s i e r . MABIE BOAS. esta forma pedagógica determ i n o u nossa i m a g e m a respeito da natureza da ciência e do p a p e l d e s e m p e n h a d o pela d e s c o b e r t a e pela invenç ã o no seu progresso. N e s s e p r o cesso modificou tanto a Química c o m o o m u n d o do quím i c o . M a i s d o q u e q u a l q u e r outro aspecto da ciência. M a s Boyle p r o p o r ciona um exemplo típico tanto do processo envolvido e m cada u m desses estágios c o m o d o q u e ocorre c o m esse processo q u a n d o o c o n h e c i m e n t o existente é incorp o r a d o a u m m a n u a l científico. . 1 9 5 8 ) .s e . o c u p a .B o y l e foi o l í d e r d e u m a r e v o l u ç ã o científica q u e . c o m a s p o s i t i v a s ntribuições de B o y l e para a evolução do conceito de um elemento ímico. t r a n s f o r m o u essa n o ç ã o n u m instrum e n t o b a s t a n t e d i v e r s o d o q u e f o r a a t é ali. e m v á r i a s p a s s a g e n s . O u t r a s revoluções. 4 4.

.

11. A RESOLUÇÃO DE REVOLUÇÕES Os manuais q u e estivemos discutindo são p r o d u zidos somente a partir dos resultados de u m a revoluç ã o científica. aparece inicialmente a mente de um ou mais i n d i v í d u o s . seja ela u m a d e s c o b e r t a o u u m a teoria. S ã o eles os p r i m e i r o s a a p r e n d e r a v e r a ciência e o m u n d o de u m a nova maneira. Q u a l é o processo pelo qual um n o v o candidato a p a r a d i g m a substitui seu antecessor? Q u a l q u e r n o v a interp r e t a ç ã o d a n a t u r e z a . Sua habilid a d e p a r a fazer e s s a t r a n s i ç ã o ê f a c i l i t a d a p o r d u a s circunstâncias estranhas à maioria dos m e m b r o s de sua . Ao examinarmos a questão de sua estrutura omitimos obviamente um problema. E l e s s e r v e m d e b a s e p a r a u m a n o v a t r a d i ç ã o de ciência n o r m a l .

testar diversas abordagens alternativas. v e r i f i c a ç õ e s e falsificações de t e o r i a s científicas e s t a b e l e c i d a s . m e s m o então. t e s t a m a s i m e s m a s e n ã o a s r e g r a s d o j o g o . feitas p e l o e n x a d r i s t a o u p e l o c i e n tista. t e n t a v á r i o s movimentos alternativos na busca de u m a solução.profissão. C o m o c o n s e g u e m e o q u e d e v e m fazer p a r a converter todos os m e m b r o s de sua profissão à sua m a n e i r a de v e r a c i ê n c i a e o m u n d o ? O q u e l e v a um g r u p o a abandonar u m a tradição de pesquisa normal por outra? P a r a p e r c e b e r a p r e m ê n c i a d e s s a s q u e s t õ e s . c o n frontado c o m um problema estabelecido e tendo a sua f r e n t e (física o u m e n t a l m e n t e ) o t a b u l e i r o . Invariavelmente. essa formulação apresenta paralelos inesperados e provavelmente significativos c o m d u a s d a s m a i s p o p u l a r e s t e o r i a s filosóficas c o n t e m p o r â n e a s s o b r e a v e r i f i c a ç ã o . o t e s t e d e u m p a r a d i g m a ocorre somente depois que o fracasso persistente na resolução de um quebra-cabeça importante dá origem a u m a crise. tiveram sua atenção concent r a d a sobre p r o b l e m a s q u e p r o v o c a m crises. A s s e m e l h a . N a m e d i d a e m q u e s e d e d i c a à c i ê n c i a n o r m a l . A l é m disso. o teste representa p a r t e d a c o m p e t i ç ã o e n t r e d o i s p a r a d i g m a s rivais q u e l u t a m p e l a a d e s ã o d a c o m u n i d a d e científica. o p e s q u i s a d o r é um s o l u c i o n a d o r de quebra-cabeças e n ã o alguém q u e testa paradigmas. E . a o fazer i s s o ele n ã o e s t á t e s t a n d o o paradigma. 5 E x a m i n a d a de forma m a i s detalhada.s e m a i s a o e n x a d r i s t a q u e . d u r a n t e a b u s c a d a s o l u ç ã o p a r a u m quebra-cabeça determinado. N ã o e x i s t e m m u i t o s filósofos d a c i ê n c i a q u e b u s q u e m c r i t é r i o s . rejeitando as q u e n ã o p r o d u z e m o result a d o d e s e j a d o . Ao invés disso. Na ciência. são habitualmente t ã o jovens ou tão novos na área e m c r i s e q u e a p r á t i c a científica c o m p r o m e t e u . E m b o r a ele p o s s a .c a beças — em simplesmente comparar um único paradigma c o m a natureza. Essas t e n t a t i v a s d e a c e r t o . "Por isso.o s m e nos profundamente q u e seus contemporâneos à concepç ã o de m u n d o e às regras estabelecidas pelo velho par a d i g m a . lerii-" bremo-nos de que essas são as únicas reconstruções que o h i s t o r i a d o r p o d e f o r n e c e r à s i n v e s t i g a ç õ e s d o filósofo a r e s p e i t o d o s t e s t e s . a situação de teste n ã o consiste n u n c a — c o m o é o c a s o da resolução de q u e b r a . S ã o possíveis somente e n q u a n t o o p r ó p r i o p a r a d i g m a é d a d o c o m o p r e s s u p o s t o . ocorre somente depois que o sentimento de crise evocar um c a n d i d a t o alternativo a paradigma.

v e r F . as of of . I. a b s o l u t a s o u r e l a t i v a s . q u a n d o existem o u t r a s alternativas o u d a d o s d e 1. U m a outra exige a construção imaginária de todos os testes que poss a m ser concebidos p a r a testar determinada teoriaii' A p a r e n t e m e n t e . m a s é difícil p e r c e b e r c o m o p o s s a s e r o b t i d a . e n t ã o a c o n s t r u ç ã o de testes e teorias alternativas deverá derivar-se de alguma tradição b a s e a d a e m u m p a r a d i g m a . 60-75. ela n ã o terá acesso a todas as experiências ou teorias possíveis. m a s p e l a s u a p r o b a b i l i d a d e . Para um breve e s b o ç o das principais maneiras de abordar t e o r i a s d e v e r i f i c a ç ã o p r o b a b i l í s t i c a s . n ã o p o d e h a v e r n e n h u m sistem a d e l i n g u a g e m o u d e c o n c e i t o s q u e seja científica o u e m p i r i c a m e n t e n e u t r o . U m a teoria probabilística requer q u e c o m p a r e m o s a t e o r i a científica e m e x a m e c o m t o das as outras teorias imagináveis que se adaptem ao m e s m o conjunto d e d a d o s observados. P a r a responder a essa q u e s t ã o . M u i t o provavelmente. todas as teorias de verificação probabilísticas r e c o r r e m a u m a ou outra das linguagens de observação puras ou neutras discutidas n o C a p . Essa escolha é a m e l h o r possível. p e r g u n t a m . n.a b s o l u t o s p a r a a v e r i f i c a ç ã o d e t e o r i a s científicas. P e r c e b e n d o q u e n e n h u m a teoria p o d e ser s u b m e t i d a a t o d o s o s t e s t e s r e l e v a n t e s possíveis. ela indica u m a das direções pelas quais deverão avançar as futuras discussões sobre o p r o b l e m a da verificação. A verificação é c o m o a seleção natural: escolhe a mais viável entre as alternativas existentes em u m a situação histórica determinada. tal c o n s t r u ç ã o é n e c e s s á r i a p a r a a c o m p u t a ç ã o d e p r o b a b i l i d a d e s específicas. S e . as teorias e observações em questão estão s e m p r e estreitamente relacionadas a outras já existentes. Principies lhe Theory of Probability. v. 9 . Entretanto. E m b o r a essa situação d e p e n d a efetivamente. n ã o s e a t e o r i a foi v e r i f i c a d a . conforme insistem. da c o m p a r a ç ã o entre teorias e evidências m u i to difundidas. u m a escola importante é levada a c o m p a r a r a habilidade das diferentes teorias p a r a explicar a evidência disponível. pp. c o m o j á a r g u m e n t a m o s . d a d a a evidência existente. as teorias probabilísticas dissimulam a situação de verificação t a n t o q u a n t o a iluminam. 6 da International Encyclopedia Vnified Science. nas suas formas mais usuais. C o m t a l l i m i t a ç ã o . E s s a insistência em c o m p a r a r teorias caracteriza igualm e n t e a situação histórica na qual u m a nova teoria é aceita. R N E S T N A G E L . Conseqüentemente.

e m b o r a c e r t a m e n t e o c o r 2. isto é . 2 M u i t a s d a s d i f i c u l d a d e s p r e c e d e n t e s p o d e m ser evitadas através do r e c o n h e c i m e n t o do fato de que essas duas concepções vigentes (e opostas) a respeito da lógica s u b j a c e n t e à i n v e s t i g a ç ã o científica t e n t a r a m c o m primir em um só dois processos m u i t o separados. (Nova York. U m a a b o r d a g e m m u i t o d i f e r e n t e d e t o d o esse c o n j u n t o d e p r o b l e m a s foi d e s e n v o l v i d a p o r K a r l P o p p e r . The Logic especialmente Caps.c a b e ç a s q u e c a r a c t e r i z a m a c i ê n c i a n o r mal. Se t o d o e qualquer fracasso na tentativa de a d a p t a r t e o r i a e d a d o s fosse m o t i v o p a r a a r e j e i ç ã o d e t e o r i a s . A experiência a n ô m a l a de P o p p e r é i m p o r t a n t e p a r a a ciência p o r q u e gera competidores p a r a um paradigma e x i s t e n t e . torna inevitável a rejeição de u m a teoria estab e l e c i d a . enfatiza a i m p o r t â n c i a da fals i f i c a ç ã o . C o m o já enfatizamos repetidas vezes. então os seguidores de P o p p e r necessitam de algum critério d e " i m p r o b a b i l i d a d e " o u d e " g r a u d e falsificação". a s soluções e n c o n t r a das n e m sempre são perfeitas. em qualquer m o m e n t o . a o e v o c a r e m crises.o u t r a e s p é c i e ? T a l q u e s t ã o n ã o p o d e ser c o l o c a d a d e maneira produtiva. e m v i s t a d e s e u r e s u l t a d o negativo. P o r outro lado. N ã o obstante. n e n h u m a teoria resolve todos os quebra-cabeças c o m os quais se defronta em u m d a d o m o m e n t o . 1939). é q u a s e c e r t o q u e e n c o n t r a r ã o a m e s m a cadeia de dificuldades que perseguiu os advogados das diversas teorias de verificação probabilísticas. of Scienlific Discovery. A o e l a b o r a r tal c r i t é r i o . q u e nega a existência de qualquer p r o c e d i m e n t o de verificação. M a s a falsificação. POPPER. t o d a s a s t e o r i a s d e v e r i a m ser s e m p r e r e j e i t a d a s . d u v i d o m u i t o d e q u e essas últimas existam.I V . se somente um grave fracasso da tent a t i v a d e a d e q u a ç ã o justifica a r e j e i ç ã o d e u m a t e o r i a . I . isto é . p r e p a r a m c a m i n h o para u m a nova teoria. d o t e s t e q u e . m u i tos d o s q u e b r a . K. P o r sua vez. Ao contrário: é precisamente a adequação incompleta e imperfeita entre a teoria e os dados q u e define. N a v e r d a d e . Ao invés disso. as experiências a n ô m a l a s n ã o p o d e m ser identificadas c o m a s e x p e r i ê n c i a s d e falsificação. pois não dispomos de instrumentos q u e p o s s a m ser e m p r e g a d o s n a p r o c u r a d e r e s p o s t a s . O p a p e l q u e P o p p e r a t r i b u i à falsificação a s s e melha-se m u i t o ao q u e este ensaio confere às experiênc i a s a n ô m a l a s . . e x p e r i ê n c i a s q u e . R.

A q u e l e s q u e p r o p õ e m o s p a r a digmas em competição estão sempre em desentendimento. e n t r e t a n t o . a q u e m e l h o r se a d e q u a v a aos fatos. T a l c o - . q u e b e m p o d e r i a ser c h a m a d o de verificação. empregando-se algum processo c o m o o de contar o n ú m e r o de problemas resolvidos por cada um deles. n a r e a l i d a d e . M a s questões semelhantes p o d e m ser feitas q u a n d o t e o r i a s s ã o t o m a d a s e m c o n junto ou m e s m o aos pares. a emerg ê n c i a d e u m a a n o m a l i a o u d e u m e x e m p l o q u e leve à falsificação. T r a t a .s e melhor a o s f a t o s .ra. a c o m p e t i ç ã o e n t r e p a r a d i g m a s p o d e r i a ser r e s o l v i d a d e u m a f o r m a m a i s o u m e n o s r o tineira. P o r e x e m p l o . Ao m e n o s para o historiador. Se houvesse apenas um conj u n t o d e p r o b l e m a s científicos. p o u cos c o n t e m p o r â n e o s hesitaram por mais d e u m a d é c a d a p a r a concluir que a teoria de Lavoisier era. n e m a de Lavoisier c o n c o r dassem precisamente c o m as observações existentes. N ã o p o d e m o s dar u m a resposta mais precisa q u e essa à questão que pergunta se e em que medida u m a teoria individual se a d e q u a aos fatos. é nesse p r o c e s s o c o n j u n t o de v e r i f i c a ç ã o e falsificação q u e a c o m p a r a ç ã o probabilística d a s teorias d e s e m p e n h a u m p a pel c e n t r a l . u m ú n i c o m u n d o n o q u a l ocupar-se deles e um único conjunto de padrões científicos p a r a s u a s o l u ç ã o . p o d e n d o igualmente capacitar-nos a começar a explicar o p a p e l do a c o r d o ( o u d e s a c o r d o ) e n t r e o fato e a t e o ria no processo de verificação. E s s a f o r m u l a ç ã o . N e n h u m a d a s partes aceitará todos os pressupostos não-empíricos de q u e o adversário necessita p a r a defender sua posição. T o d a s a s t e o r i a s h i s t o r i c a m e n t e significativas c o n c o r d a r a m c o m o s fatos. visto consistir no triunfo de um n o v o p a r a d i g m a sobre um anterior. faz c o m q u e a t a r e f a d e e s c o l h e r e n t r e p a r a d i g m a s p a r e ç a m a i s fácil e m a i s familiar do q u e realmente é. C r e i o q u e e s s a f o r m u l a ç ã o e m d o i s níveis tem a virtude de possuir u m a grande verossimilhança. das duas. a o c o n t r á r i o . n e m a teoria de Priestley. d e u m p r o c e s s o s u b s e q ü e n t e e s e p a r a d o . A l é m disso. m a s somente d e u m a f o r m a relativa. F a z muito sentido perguntar qual das d u a s teorias existentes que estão em c o m p e t i ç ã o a d e q u a .s e . e m b o r a . m e s m o q u e e m p e q u e n a escala. ou simplesmente devido. n ã o aparece com. t e m p o u c o sentido sugerir q u e a verificação c o n siste e m e s t a b e l e c e r o a c o r d o d o f a t o c o m a t e o r i a . M a s . t a i s c o n d i ç õ e s n u n c a s ã o c o m p l e t a m e n t e satisfeitas.

A competição entre paradigmas n ã o é o t i p o d e b a t a l h a q u e p o s s a ser r e s o l v i d o p o r meio d e provas. E n t r e t a n t o . C o l e t i v a m e n t e . nesjte. até certo ponto. n e n h u m dos dois p o d e ter a esperança de d e m o n s t r a r sua posição.mo Proust e Berthollet.r e v o l u c i o n á r i a s . E m b o r a cada um d e l e s p o s s a ter a e s p e r a n ç a de c o n v e r t e r o a d v e r s á r i o à s u a m a n e i r a de v e r a c i ê n c i a e a s e u s p r o b l e m a s . D a d o . a Teoria Geral da Relatividade poderia orgul h o s a m e n t e a f i r m a r ter r e s o l v i d o e s s a q u e s t ã o . i m p l i c a v a a e s c o l h a da s e g u n d a a l t e r n a t i v a . q u a n d o a t e o r i a d e N e w t o n foi aceita. tal c o m o disseminada no século X I X . forçados a um diálogo de surdos. P o r c o n s e g u i n t e . U m a teoria d o m o v i m e n t o deve explicar a causa das forças de atração entre partículas de m a t é r i a ou simplesmente indicar a existência d e tais f o r ç a s ? A d i n â m i c a d e N e w t o n foi a m p l a m e n t e r e j e i t a d a p o r q u e .l a s b r e v e m e n te. N o s é c u l o X X . Já vimos várias razões pelas quais os proponentes de paradigmas competidores fracassam necessariamente n a tentativa d e estabelecer u m contato completo entre s e u s p o n t o s d e vista d i v e r g e n t e s . impedia os químicos de perguntarem por que os metais eram tão semelhantes entre si. essa p e r d a n ã o foi p e r m a n e n t e . m a s t a m b é m a de u m a solução já obtida. p o n t o p r e c i s a m o s a p e n a s r e c a p i t u l á . tal c o m o a t r a n s i ç ã o a o d e N e w t o n . A t r a n s i ç ã o ao p a r a d i g m a de L a v o i s i e r . Em primeiro lugar. j u n t a m e n t e c o m a l g u m a s de suas respostas. algo mais do que a incomensurabilidad e d o s p a d r õ e s científicos está e n v o l v i d o a q u i . D o m e s mo m o d o . q u e s t õ e s r e l a t i v a s à s qualidades das substâncias químicas foram novamente i n c o r p o r a d a s à c i ê n c i a . C o n t u d o . Entretanto. a teoria química de Lavoisier. p r é e p ó s . os proponentes de p a r a d i g m a s c o m p e t i d o r e s d i s c o r d a m s e g u i d a m e n t e q u a n t o à lista d e problemas que qualquer candidato a paradigma deve res o l v e r . s i g n i f i c a r a não a p e nas a p e r d a de u m a pergunta permissível. mais tarde. a p r i m e i r a a l t e r n a t i v a foi b a n i d a d a c i ê n c i a . q u e s t ã o e s s a q u e a Q u í m i c a F l o g í s t i c a p e r g u n t a r a e r e s p o n d e r a . a o c o n t r á r i o d a s t e o r i a s d e Aristóteles e D e s c a r t e s . S e u s p a d r õ e s científicos o u s u a s d e f i n i ç õ e s d e ciência n ã o são o s m e s m o s . essas razões foram descritas c o m o a incomensurabilidade das t r a d i ç õ e s científicas n o r m a i s . q u a n d o de sua discussão sobre a composição dos compostos químicos serão.

his Life and Times. tanto conceituais como de manipulação. P a r a levar a cab o a t r a n s i ç ã o a o u n i v e r s o d e E i n s t e i n . termos.e n t e n d i d o e n t r e a s d u a s e s c o l a s c o m p e t i d o r a s . v e r P H U . t r a d u z i d o e e d i t a d o p o r G. E r a antes u m a maneira completamente nova de encarar os p r o b l e m a s da Física e da Astronomia. O s leigos q u e z o m b a v a m da Teoria Geral da Relatividade de Einstein p o r q u e o e s p a ç o n ã o p o d e r i a ser " c u r v o " — p o i s n ã o e r a esse tipo de coisa — n ã o estavam simplesmente errados ou enganados. d e u m m a l . Parte do q u e e n t e n d i a m pela expressão " T e r r a " referia-se a u m a p o s i ç ã o fixa. incorpor a m comumente grande parte do vocabulário e dos aparatos. o t e m p o . O q u e anteriormente se entendia p o r espaço e r a algo necessariamente plano. Consideremos. q u e necessariamente modificava o sentido das expressões " T e r r a " e 3 3. P e l o m e n o s . Kusalca ( N o v a Y o r k . aqueles que c h a m a r a m Copérnico de louc o p o r q u e este p r o c l a m o u q u e a T e r r a s e m o v i a . nem pouco.I P P F U N K . Tampouco estavam errados os mat e m á t i c o s . isotrópico e não afetado p e l a p r e s e n ç a d a m a t é r i a . C a p . Do m e s m o m o d o . Einstein. J . a m a t é r i a . v e r C . a inovação de Copérnico n ã o consistiu simplesmente em movimentar a Terra. e m b o r a o t e r m o n ã o seja b e m p r e c i s o . 1 9 2 2 ) . t o d a a teia c o n c e i t u a i c u j o s fios s ã o o e s p a ç o . Somente os que haviam experimentado juntos (ou deixado de experimentar) essa transformação seriam capazes de descobrir precisamente quais seus pontos d e a c o r d o o u d e sacordo. . t a l t e r r a n ã o p o d i a m o ver-se. 142-146. Einstein and the Untverse. . conceitos e experiências antigos estabelecem novas relações entre sL O r e s u l t a d o i n e v i t á v e l é o q u e d e v e m o s c h a m a r .que os novos paradigmas nascem dos antigos. M a s raramente util i z a m esses e l e m e n t o s e m p r e s t a d o s d e u m a m a n e i r a t r a dicional. a força. N O K D M A N N . nem completamente errados. a física n e w toniana n ã o teria produzido resultados. físicos e filósofos q u e t e n t a r a m d e s e n v o l v e r u m a versão euclidiana da teoria de Einstein. t r a d . 1 9 4 7 ) . I X . teve q u e ser alterada e n o v a m e n t e rearticulada em termos do conjunto da natureza. que o paradigma tradicional já empregara. p p . N ã o estavam. A propósito das reações de leigos ao conceito de espaço curvo. por exemplo. . M c C a b e ( N o v a Y o r k . R o s e n e S. e t c . D e n t r o do novo paradigma. A respeito de a l g u m a s tentativas feitas para preservar as conquistas da relatividade geral n o c o n t e x t o d e u m e s p a ç o e u c l i d i a n o . homogêneo. A c o m u n i c a ç ã o através da linha divisória r e volucionária é inevitavelmente parcial. N ã o fosse a s s i m .

misturas. J A M M E R . E m u m caso. e m u m a m a t r i z c u r v a . O 4 . os proponentes dos paradigmas comp e t i d o r e s p r a t i c a m s e u s ofícios e m m u n d o s d i f e r e n t e s . T a l c o m o a m u d a n ç a d a f o r m a (Gestalt) v i s u a l . q u e p a r a u m g r u p o n ã o p o d e n e m m e s m o s e r d e monstrada. IV e V I I . a t r a n s i ç ã o d e v e o c o r rer subitamente ( e m b o r a n ã o necessariamente n u m instante) ou então não ocorre jamais. no outro. ( C a m b r i d g e . 1 9 5 4 ) . Precisamente por tratar-se de u m a transição entre incomensuráveis. q u e antes de poder esperar o estabelecimento de u m a comunicação p l e n a e n t r e si. S e m tais m o d i f i c a ç õ e s . feitas e e n t e n d i d a s e s s a s m o d i f i c a ç õ e s . pode. que são visualizadas m a n t e n d o r e l a ç õ e s d i f e r e n t e s e n t r e si. . p p . t a n t o D e s c a r t e s c o m o Huyghens puderam compreender que a questão d o m o v i m e n t o d a T e r r a n ã o possuía c o n t e ú d o científico. É p o r i s s o q u e u m a lei. 4 5 C o m o . então. . u m d o s g r u p o s d e v e e x p e r i m e n t a r a c o n versão que estivemos c h a m a n d o de alteração de paradigma. The Copernican Revolution ( C a m b r i d i g e . Em um sentido que sou incapaz de explicar melhor. I s s o n ã o significa q u e possam ver o que lhes aprouver. S . Esses exemplos a p o n t a m p a r a o terceiro e mais fundamental aspecto da incomensurabilidade dos paradigm a s em competição. 5 . T . as soluções são compostos. o outro pêndulos q u e repetem seus movimentos sem cessar. Por outro lado. ocasionalmente. 1 9 5 7 ) . K U H N . o c o n c e i t o d e Terra em movimento era u m a loucura. igualmente. são os cientistas levados a realizar essa transposição? P a r t e da resposta é q u e freqüentem e n t e n ã o são levados a realizá-la de m o d o algum. parecer intuitivamente óbvia a o u t r ç j É p o r isso. M a x . p o r i m p o s i ç ã o da Lógica e de experiências neutras. A m b o s o l h a m p a r a o m u n d o e o que olham n ã o mudou. M a s s . Um dos temas centrais do livro t e m a ver c o m a extensão em que o heliocentrismo era mais do q u e u m a questão puramente astronômica.^Por e x e r c e r e m s u a p r o fissão e m m u n d o s d i f e r e n t e s . Um encontra-se inserido n u m a matriz de espaço plana. a transição entre paradigmas em comp e t i ç ã o n ã o p o d e ser feita p a s s o a p a s s o ." m o v i m e n t o " . Um contém corpos que caem lentamente. M a s em algumas áreas vêem coisas diferentes. . 118-124. III. o o u t r o . Caps. Concepts o i Space. M a s s . o s d o i s g r u p o s d e c i e n t i s tas v ê e m coisas diferentes q u a n d o o l h a m d e u m m e s m o p o n t o p a r a a m e s m a d i r e ç ã o .

n ã o é u m a v i o l a ç ã o d o s p a d r õ e s científicos. Scientific Autobiography and Other Papers. n e m prova. n u m a passagem particularmente perspicaz. especialmente no Continente europeu. 1 8 8 9 ) . On the Orígin of Species. Ao invés disso. . Franklin and Newton: An Inquiry into Speculative Newtonian Experimental Science and Franklin's Work in Electricity as an Example Thereof. n ã o espero. senão mais de meio século depois do a p a r e c i m e n t o d o s Principia* P r i e s t l e y n u n c a a c e i t o u a teoria do oxigênio. q u e s e r ã o c a p a z e s d e examinar ambos os lados da questão com imparcialid a d e " . I. 1 9 4 9 ) . c o n f o r m e a 6. desde um p o n t o de vista d i a m e t r a l m e n t e o p o s t o ao m e u . (Nova Y o r k . . ao passar em revista a sua carreira no s e u Scientific Autobiography. autorizada. 33-34. À t r a n s f e r ê n c i a de a d e s ã o de um p a r a d i g m a a o u t r o é u m a experiência d e c o n v e r s ã o q u e n ã o p o d e ser forçada. 7. concebidos através d o s anos. de forma alguma. n e m s e m p r e p o d e m admitir seus erros. escreveu: " E m b o r a esteja p l e n a m e n t e convencido d a verdade das concepções apresentadas neste v o l u m e . m a s p o r q u e seus oponentes finalmente m o r r e m e u m a n o v a geração cresce familiarizada c o m ela". M a s n e c e s s i t a m d e r e a v a l i a ç ã o . C O H E N . i n g l e s a . 93-94. 7 8 Esses e outros fatos do m e s m o g ê n e r o s ã o d e m a siadamente conhecidos p a r a necessitarem de maior ênfase. pp. Darwin. II. após a morte de Copérnico. (ed. o b s e r v o u t r i s t e m e n t e q u e " u m a n o v a v e r d a d e científica n ã o t r i u n f a c o n v e n c e n d o seus o p o n e n t e s e fazendo c o m q u e vejam a luz. . M a x Planck. N o v a Y o r k . . G a y n o r . A resistência de t o d a u m a vida. eu a r g u m e n t a r i a q u e em tais assuntos. p p . As dificuldades da conversão foram freqüentemente indicadas pelos próprios cientistas. Max. 1956). (Filadélfia. especialmente por p a r t e daqueles cujas carreiras produtivas c o m p r o m e teu-os c o m u m a tradição mais antiga d a ciência n o r m a l . PLANCK. p p . C h a r l e s . e d . . sendo apenas h u m a n o s . trad. B. 295-296. L o r d e Kelvin a teoria eletromagnética e assim p o r diante. A o b r a de N e w t o n não alcançou aceitação geral. F . N o p a s s a d o f o r a m seguidamente considerados como indicadores de que os cientistas. convencer naturalistas e x p e r i m e n t a d o s cujas m e n t e s estão o c u p a d a s p o r u m a m u l t i d ã o de fatos. . m a s 6. 8.c o p e r n i c i s m o fez p o u c o s a d e p t o s d u r a n t e q u a s e u m s é culo. . m e s m o q u a n d o defrontados c o m p r o vas rigorosas. n e m erro estão em questão. D A K W I N . ( M a s ) encaro c o m confiança o futuro — os n a t u r a listas j o v e n s q u e e s t ã o s u r g i n d o .

p o s s a m resistir indefinidam e n t e . A l é m disso. até que. morrendo os últimos opositores. E m b o r a algum a s v e z e s seja n e c e s s á r i o u m a g e r a ç ã o p a r a q u e a m u d a n ç a s e r e a l i z e .u m í n d i c e d a p r ó p r i a n a t u r e z a d a p e s q u i s a científica. Q u e espécie d e resposta p o d e m o s esperar? N o s s a q u e s t ã o é n o v a .s e c o m o r e s u l t a d o d e s s e e x a me p a r a sugerir q u e a p e r g u n t a acerca da n a t u r e z a do a r g u m e n t o científico — q u a n d o e n v o l v e a p e r s u a s ã o e . e m p e r í o d o s d e r e v o l u ç ã o . exigindo precisamente p o r isso u m a espécie de e s t u d o q u e ainda n ã o foi e m p r e e n d i d o . A f o n t e d e s s a r e s i s t ê n c i a é a c e r t e z a de q u e o p a r a d i g m a antigo acabará resolvendo todos os seus problemas e q u e a n a t u r e z a p o d e ser e n q u a d r a d a n a e s t r u t u r a p r o porcionada pelo modelo paradigmático^ Inevitavelment e . m a s e x a t a m e n t e p o r q u e eles o são. Precisamos p o r t a n t o perguntar c o m o se p r o d u z a conversão e c o mo se r e s i s t e a e l a . fi essa m e s m a certeza q u e t o r n a possível a ciência n o r m a l ou solucion a d o r a de quebra-cabeças. o q u e j á foi d i t o c o m b i n a . afirmar q u e a resistência é inevitável e l e g í t i m a e q u e a m u d a n ç a d e p a r a d i g m a n ã o p o d e ser justificada através de p r o v a s n ã o é afirmar q u e n ã o existem a r g u m e n t o s relevantes ou q u e os cientistas n ã o p o d e m ser persuadidos a m u d a r de idéia. E m b o r a alguns cientistas. especialmente os mais velhos e mais experientes.a r g u m e n t o s em u m a situação onde n ã o pode haver provas. A l é m disso. p r e c i s a m e n t e p o r q u e se r e f e r e a t é c n i cas de p e r s u a s ã o ou a a r g u m e n t o s e c o n t r a . t a l c e r t e z a p a r e c e ser o b s t i n a ç ã o e t e i m o s i a e em a l g u n s c a s o s c h e g a r e a l m e n t e a sê-lo. primeiro. explorando o alcance potenc i a l e a p r e c i s ã o do v e l h o p a r a d i g m a e e n t ã o i s o l a n d o a d i f i c u l d a d e cujo e s t u d o p e r m i t e a e m e r g ê n c i a d e u m novo paradigma! C o n t u d o . T e r e m o s q u e n o s c o n t e n t a r c o m um e x a m e muito parcial e impressionista. essas conversões n ã o o c o r r e m apesar de os cient i s t a s s e r e m h u m a n o s . todos os m e m bros da profissão passarão a orientar-se por um único — m a s já a g o r a diferente — p a r a d i g m a . O c o r r e r ã o algumas conversões de c a d a vez. a s c o m u n i d a d e s científicas s e g u i d a m e n t e t ê m sido convertidas a novos p a r a d i g m a s . a maioria deles p o d e ser atingida de u m a m a n e i ra ou outra. M a s é t a m b é m algo mais. (E somente através da ciência n o r m a l q u e a c o m u n i d a d e profissional de cientistas obtém sucesso.

e s s a a l e g a ç ã o é . BURTT. "Experiências cruciais" — aquelas capazes de discriminar de forma particularmente nítida entre dois paradigmas — foram reconhecidas e atestadas antes m e s m o da invenção do novo paradigma. o trabalho foi aceito c o m muitas desculpas. p p . já c o m a reputação estabelecida. Third Baron Rayleigh ( N o v a York. Q u a n d o p o d e ser feita l e g i t i m a m e n t e .l o s r e v e l a r a m . Em última instância. A respeito do papel da reputação. apresentou um trabalho a British A s s o c i a t i o n tratando d e alguns p a r a d o x o s d a E l e t r o d i n â m i c a . a a d o r a ç ã o do Sol q u e a j u d o u a fazer d e K e p l e r u m c o p e r n i c a n o — e n c o n t r a m . R. P o u c o d e p o i s . J. foram explorados r e p e t i d a m e n t e e a s t e n t a t i v a s p a r a r e m o v ê .. Cientistas individuais a b r a ç a m um novo paradigma por toda u m a sorte de razões e normalmente por várias delas ao m e s m o tempo. alegava ter resolvido o proble9.s e c o m freqüência inúteis. nesses casos. S a b e . ver A. s e g u i d a m e n t e . John William Strutt. E . j á c o m o n o m e d o a u t o r . mas c o m o tipo de c o m u n i d a d e q u e c e d o ou t a r d e se re-form a c o m o u m único g r u p o . Sobre o papel da adoração do Sol no p e n s a m e n t o de Kepler. Algumas dessas raz õ e s — p o r e x e m p l o . . T a i s p r o b l e m a s . 2 2 8 .s e q u e o p a r a d i g m a e n f r e n t a p r o b l e m a s n o s e t o r n o q u a l tal a l e g a ç ã o é feita. 1924). The Metaphysical Foundations of Modem Physical Science rev. 1 0 . N o s s a p r e o c u p a ç ã o n ã o será com os argumentos que realmente convertem um ou outro indivíduo. portanto.s e inteir a m e n t e fora da esfera a p a r e n t e da ciência. a m a i s eficaz de t o d a s . A d i o c o n t u d o esse problem a a t é o c a p í t u l o f i n a l e e n q u a n t o isso e x a m i n a r e i a l g u n s dos tipos de argumentos que se revelam particularmente eficazes n a s b a t a l h a s r e l a c i o n a d a s c o m m u d a n ç a s d e p a radigmas. 9 10 Provavelmente a alegação isolada mais c o m u m e n t e apresentada pelos defensores de um n o v o p a r a d i g m a é a de q u e são capazes de resolver os p r o b l e m a s que cond u z i r a m o antigo p a r a d i g m a a u m a crise. p o r exemplo. N o v a Y o r k . (ed. M e s m o a n a cionalidade ou a r e p u t a ç ã o prévia do inovador e seus mestres p o d e m d e s e m p e n h a r algumas vezes um papel significativo. p. S T R U T T . 1 9 3 2 ) . C o pérnico. O u t r o s cientistas d e p e n d e m d e i d i o s s i n c r a s i a s d e n a t u r e z a a u t o b i o gráfica ou relativas a sua personalidade. precisam o s a p r e n d e r a c o l o c a r e s s a q u e s t ã o d e m a n e i r a diferente.n ã o a p r o v a — n ã o p o d e ter u m a r e s p o s t a ú n i c a o u uniforme. S e u n o m e foi o m i t i d o i n a d v e r t i d a m e n t e q u a n d o o artigo foi e n v i a d o p e l a primeira vez e o trabalho foi rejeitado c o m o sendo obra de um "amante d e p a r a d o x o s " (paradoxer~). 44-49. 4th Baron R a y l e i g h . consideremos o seguinte: Lorde Rayleigh.

1922). que. V I . n e m s e m p r e p o d e ser l e g i t i m a m e n t e F*resentada. o i m p r e s s i o n a n t e * i t o quantitativo tanto d a L e i d a R a d i a ç ã o d e Planck. de qualquer forma. no p e r í o d o i m e d i a t o a s u a prif e i r a a p a r i ç ã o . < o contribuirá a b s o l u t a m e n t e para a r e s o l u ç ã o d o s pro"'femas q u e p r o v o c a r a m c r i s e . a a l e g a ç ã o de ter r e s o l v i d o os p r o b l e m a s IHe p r o v o c a m crises raras v e z e s é suficiente p o r si m e s a . A superioridade quantitativa das T^bitlae rudolphinae d e K e p l e r s o b r e t o d a s a s c o m p u d a i s c o m base n a teoria p t o l o m a i c a foi u m fator i m p o r tit«s na conversão de astrônomos ao copernicismo. S o b r e os p r o b l e m a s c r i a d o s p e l a T e o r i a d o s Quanta. Alegações dessa natureza têm grande probabilida~S c3e êxito. q u e era u m a d a s principais c a u s d a crise existente n a Óptica. t o m a n d o . c a s o o n o v o p a r a d i g m a apresente u m a preg ã o quantitativa n o t a v e l m e n t e superior à d e seu c o m p e t i d o r mais antigo. O c e . persuadiram rapidamente muiS cientistas a adotar essas teorias. n ã o foi t ã o b e m s u c e d i d a c o m o s u a ril corpuscular n a resolução d o problema relativo aos ^ i t o s de polarização. t o r . T . é realim a r t e m v a e i s a n a n a a r u 1 1 . m r c m U 1 a. m o do átomo de Bohr. Caps. R E I C H E . I I . t a t a s u s u e C C i t o a c r 1 1 C o n t u d o .s e c i ê n c i a física c o m o u m t o d o .s e necessário buscar evidências em outros setores da e a de estudos — o q u e . a prá"^a m a i s livre q u e c a r a c t e r i z a a p e s q u i s a e x t r a o r d i n á r i a Produzirá um c a n d i d a t o a paradigma que. dos' Quantum Theory (Londres. s s o de N e w t o n na predição de observações astronômicas q u a n t i t a t i v a s f o i p r o v a v e l m e n t e a r a z ã o i s o l a rnais importante para o triunfo de sua teoria sobre a s competidoras.I X . a m b a s c o n t r i b u i ç õ e s i a s s e m muito mais problemas do que soluções. N e s t e s é c u l o . A b r i a ondulatória da luz. inicialmente. ciência reelaborada d o m o v i m e n t o . N e w t o n ter r e c o n c i l i a d o a M e c â n i c a T e r s t « " e c o m a C e l e s t e . A l é m disso. relativo à e x t e n s ã o d o a n o c a l e n d á r i o . e m b o r a . A propósito ^ outros exemplos citados neste parágrafo. v e r F . A l g u m a s v e z e s . ver as referências anteriores ^e c a p í t u l o . e m b o r a razoáveis.d e h á m u i t o irritante. eram invar^Hvelmente qualitativas. Q u a n d o i s s o o c o r r e . Na v e r d a d e . L a v o i s i e r ter r e s o l v i d o o s p r o b l e a s da identidade dos gases e das relações de peso e ^ ' n s t e i n ter t o r n a d o a E l e t r o d i n â m i c a c o m p a t í v e l c o m n a . a teoria de C o p é r n i c o n ã o ^ a m a i s precisa q u e a de P t o l o m e u e n ã o c o n d u z i u i m e W a m e n t e a n e n h u m aperfeiçoamento do calendário.

A resistência oposta pelos cientistas franceses ruiu subitamente e de maneira quase completa q u a n d o Fresnel conseguiu demonstrar a existência de um p o n t o b r a n c o n o c e n t r o d a s o m b r a projetada p o r u m disco circ u l a r . sugeria que o s p l a n e t a s d e v e r i a m ser c o m o a T e r r a . No tocante! à reação de Einstein ao constatar o acordo perfeito entre as p r e d i c õ e s da teoria e o m o v i m e n t o observado do periélio de Mercúrio. por e x e m p l o . q u e V ê n u s d e v e r i a a p r e s e n t a r fases e q u e o U n i v e r s o n e c e s s a r i a m e n t e seria m u i t o m a i o r d o q u e a t é e n t ã o s e s u p u n h a . 2 1 9 . L o n d r e s . p p . . 111. c o m r e l a ç ã o a o d e s e n v o l v i m e n t o da relatividade geral. Einstein.. I I ( 1 9 5 3 ) . 1 5 1 . 1 3 . evidentemente. 101. V e r ibid. 1 9 4 9 ) . t e n d o experimentado u m a sensação d e triunfo q u a n d o isso o c o r r e u . m a s q u e P o i s s o n . c a s o o n o v o p a r a d i g m a permita a predição de fenômenos totalmente insuspeitados pela prática orientada pelo p a r a d i g m a anterior. K u H N . cit. p p . I . E . ) . p . W H I T T A K E R . T o d o s o s a r g u m e n t o s e m favor d e u m n o v o p a r a d i g m a discutidos até agora estão baseados na c o m 1 2 1 3 1 4 1 2 . n u m e r o s o s a d e p tos. m e s m o q u e o fenômeno em questão tenha sido observado m u i t o antes da teoria que o explica. 1 4 . N o c a s o da teoria ondulatória. e d . . 1 9 5 1 ) . da teoria do primeiro. A History of the Theories of Aether and Electricity ( 2 . sessenta anos após a sua m o r t e . n ã o estavam "incluídos" na teoria desde o início. a r g u m e n t o s p a r t i c u l a r m e n t e p e r s u a sivos p o d e m ser d e s e n v o l v i d o s . por exemplo. foram conq u i s t a d o s p a r a a n o v a t e o r i a p o r tais o b s e r v a ç õ e s . haja ou não contribuição.a s t r ô n o m o s ..s e d e u m efeito q u e n e m m e s m o F r e s n e l a n t e c i p a r a .2 2 5 . p.1 8 0 . o telescópio exibiu repentinamente as m o n t a n h a s d a L u a . A. E m conseqüência disso. ver a carta citada em P. Argumentos dessa natureza revelam-se particularmente persuasivos. u m a d a s principais fontes de conversão profissional teve um caráter a i n d a mais d r a mático. p a r e c e n ã o ter a n t e c i p a d o q u e a T e o r i a G e r a l da R e l a tividade haveria de explicar com precisão a bem conhecida anomalia no m o v i m e n t o do periélio de M e r c ú r i o . q u a n d o . T r a t a v a . d e início u m d e s e u s o p o nentes. Philoscipher-Scientist ( E v a n s t o n . a s fases d e V ê n u s e u m n ú m e r o i m e n s o d e e s t r e las d e c u j a e x i s t ê n c i a n ã o s e s u s p e i t a v a . Op. devido a seu impacto e p o r q u e . S C H I L P P ( e d . 1 0 8 . Albert Einstein.z a d o com freqüência. A teoria de Copérnico. ainda que absurda. T . Algumas v e z e s e s s a f o r ç a e x t r a p o d e ser e x p l o r a d a . d e m o n s t r a r a ser u m a conseqüência necessária. N e s ses o u t r o s s e t o r e s . especialmente entre os n ã o .

s u a t e o r i a d e f o r m a a l g u m a p o d i a fazer f r e n t e a o s p r o blemas apresentados pela proliferação de novos gases. i n t e i r o " . a m a i o r p a r t e d a c o m u n i d a d e científica j á t e r á sido p e r s u a d i d a p o r outros meios. por raz õ e s q u e e x a m i n a r e m o s d e n t r o e m b r e v e . A t é q u e sua a t r a ç ã o estética possa ser p l e n a m e n t e desenv o l v i d a .a t a q u e . A s p r i m e i r a s versões da maioria d o s paradigmas são grosseiras. Refiro-me a o s a r g u m e n t o s . M a s . O s exemplos precedentes não deveriam deixar dúvidas q u a n t o à origem de sua imensa atração. Em geral é so- . r a r a s vezes c o m p l e t a m e n t e e x p l i c i t a dos.paração entre a habilidade dos competidores para resolver p r o b l e m a s . r e c o r d e m o s o q u e está e n v o l v i d o e m u m d e b a t e entre paradigmas. P a r a os cientistas. "mais adequada" ou "mais simples" que a anter i o r . Q u a n d o L a v o i sier c o n c e b e u o o x i g ê n i o c o m o " o p r ó p r i o ar. a i m p o r t â n c i a das considerações estéticas p o d e algumas vezes ser decisiva. que apelam. \ P r o v a v e l m e n t e t a i s a r g u m e n t o s s ã o m e n o s eficazes íias c i ê n c i a s d o q u e n a M a t e m á t i c a . tais a r g u m e n t o s s ã o c o m u m e n t e o s m a i s significativos e p e r s u a s i v o s . p o n t o este q u e P r i e s t l e y utilizou c o m g r a n d e s u c e s s o n o seu c o n t r a . o t r i u n f o final d e s t a p o d e d e p e n d e r d e s s e s p o u c o s . eles n ã o s ã o a r g u m e n t o s q u e forcem adesões individuais ou coletiv a s . E m b o r a seguidamente a t r a i a m apen a s a l g u n s c i e n t i s t a s p a r a a n o v a t e o r i a . N ã o obstante. Q u a n d o um novo candidato a par a d i g m a é p r o p o s t o p e l a p r i m e i r a v e z . C a s o s c o m o o d o p o n t o b r a n c o de Fresnel s ã o e x t r e m a m e n t e raros. Para que se perceba a razão da importância dessas considerações de natureza mais estética e subjetiv a . a teoria c o p e r n i c a n a praticamente não aperfeiçoou as predições sobre as posições p l a n e t á r i a s feitas p o r P t o l o m e u . S e esses c i e n t i s t a s n u n c a tivessem aceito rapidamente o n o v o p a r a d i g m a p o r r a z õ e s i n d i v i d u a i s . ao sentimento do que é a p r o p r i a d o ou e s t é t i c o — a n o v a t e o r i a é " m a i s c l a ra". m u i t o dificilmente resolve mais do que alguns dos problemas com os q u a i s se d e f r o n t a e a m a i o r i a d e s s a s s o l u ç õ e s e s t á longe de ser perfeita. este n u n c a t e r i a s e d e s e n v o l v i do suficientemente p a r a atrair a adesão da c o m u n i d a d e científica c o m o u m t o d o . "Felizmente e x i s t e a i n d a u m a o u t r a e s p é c i e d e c o n sideração q u e p o d e levar os cientistas à rejeição de u m velho p a r a d i g m a e m favor d e u m n o v o . no indivíduo. A t é Kepler.

. 1845). 16. A Short History oi Chemistry (2. Q u a n t o a o m o n ó x i d o d e c a r b o n o . 1 1 3 . (Braunschweig. e m Annals o i Science. I V . T a n t o o sistema astronômico geocêntrico de Tycho Brahe. e d . R . Tais argumentos d e s e m p e n h a m seu papel n ã o na ciência normal. 294-296. R . ed. Geschichte der Chemie. q u e os a r g u m e n t o s a p a r e n t e m e n t e decisivos — o p ê n d u l o de Foucault para d e m o n s t r a r a rotação da T e r r a ou a experiência de Fizeau p a r a mostrar q u e a luz se m o vimenta mais rapidamente no ar do que na água — são desenvolvidos.3 7 1 . c o m o a s ú l t i m a s v e r s õ e s d a t e o r i a flogística f o r a m r e s p o s t a s aos desafios a p r e s e n t a d o s por um n o v o c a n d i d a t o a paradigma e ambas foram bastante b e m sucedidas. N o q u e d i z r e s p e i t o a o p r o b l e m a a p r e s e n t a d o p e l o h i d r o g ê n i o . M a s p r o vavelmente o p a r a d i g m a mais antigo p o d e ser reartic u l a d o p a r a e n f r e n t a r esses d e s a f i o s d a m e s m a f o r m a que já enfrentou outros anteriormente. Londres. m a s nos textos revolucionários. D R E Y E R . 1 9 5 1 ) . Habitualmente os opositores de um novo p a radigma podem alegar legitimamente q u e m e s m o na á r e a em crise ele é p o u c o s u p e r i o r a s e u r i v a l t r a d i cional. pp.1 4 9 . Mesmo na área da 1 5 1 6 1 5 .mente muito mais tarde. ( 1 9 3 9 ) . que era inteiramente equivalente ao d e C o p é r n i c o n o p l a n o g e o m é t r i c o . M C K I E . A History oi Astronomy from Thales to Kepler ( 2 . v e r H . a teoria do oxigênio ainda n ã o era capaz de explicar a p r e p a r a ç ã o de um gás c o m bustível a partir do carbono. . N o v a Y o r k . 1 3 4 . os defensores da teoria e d o s procedimentos tradicionais p o d e m quase sempre a p o n t a r problem a s q u e seu n o v o rival n ã o resolveu. Historical Studies of the Phlogiston T h e o r y . P A R T I N G T O N . a s i t u a ç ã o é b e m diversa. A respeito das últimas versões da Teoria do Flogisto e seu sucesso. fenômeno q u e os defens o r e s d a t e o r i a flogística a p o n t a v a m c o m o u m a p o i o importante para sua c o n c e p ç ã o . v e r J . 3 5 9 . K O P P . p . Até a descoberta da composição da água. a comb u s t ã o do hidrogênio representava um forte argument o e m f a v o r d a t e o r i a flogística e c o n t r a a t e o r i a d e Lavoisier.. v e r J . Produzi-los é p a r t e da tarefa da ciência normal. E . A l é m disso. III. a aceitação e a e x p l o r a ç ã o do n o v o p a r a d i g m a . e m b o r a n ã o sej a m absolutamente p r o b l e m a s na c o n c e p ç ã o desse últim o . Sobre o sistema de Brahe. após o desenvolvimento. q u a n d o tais t e x t o s a i n d a n ã o f o r a m e s c r i t o s . 1 9 5 3 ) . p p . P A R T I N G T O N e D . N ã o há dúvidas de q u e trata de alguns problem a s e revela algumas novas regularidades. L . Durante o desenvolvimento do debate. p p . ver J . A p ó s seu triunfo.

J u n t e .l a p o r o u t r a . M a s os debates entre paradigmas não tratam realmente da habilidade relativa para resolver problemas. Copérnico destruiu u m a explicação do m o v i m e n t o terrestre aceita há m u i t o .crise. C i e n t i s t a s q u e n ã o a e x p e r i m e n t a r a m r a r a m e n t e r e n u n c i a r ã o às sólidas evidências da resolução de p r o b l e m a s p a r a seguir algo q u e f a c i l m e n t e se r e v e l a um e n g o d o e vir a ser a m p l a m e n t e c o n s i d e r a d o c o m o t a l . \ M a s s o m e n t e a crise n ã o é suficiente. 4 E s s a é u m a d a s r a z õ e s p e l a s q u a i s u m a crise a n t e r i o r d e m o n s t r a ser t ã o i m p o r t a n t e . R e q u e r .a r g u m e n t o s g e r a d o s por aquilo que acima chamamos de incomensurabilid a d e d o s paradigmas e as ciências p o d e r i a m n ã o exper i m e n t a r r e v o l u ç õ e s d e espécie a l g u m a . É i g u a l m e n t e n e c e s s á r i o q u e e x i s t a u m a b a s e p a r a a f é n o c a n d i d a t o específico e s c o l h i d o . C o m relação a muitos desses problemas. Dito de outra forma. expressos nesses term o s . as ciências experimentariam muito poucas revoluções de import â n c i a . N e w t o n fez o m e s m o c o m u m a explicação mais antiga da gravidade. O h o m e m q u e a d o t a u m n o v o p a r a d i g m a n o s e s t á g i o s iniciais d e seu desenvolvimento freqüentemente adota-o desprez a n d o a evidência fornecida pela resolução de problem a s . e m b o - . sabendo apenas que o paradigma anterior fracassou em alguns deles. que examinassem tão-somente sua habilidade relativa p a r a resolver problemas.s e a q u i u m a d e c i s ã o e n t r e m a n e i r a s a l t e r n a t i v a s de p r a t i c a r a c i ê n c i a e n e s s a s c i r cunstâncias a decisão deve basear-se mais nas promessas f u t u r a s d o q u e n a s r e a l i z a ç õ e s p a s s a d a s .a r g u m e n t o p o d e a l g u m a s v e z e s ser b a s t a n t e g r a n d e . E fora d o s e tor problemático. e m b o r a sejam. Em suma: se um novo candidato a parad i g m a tivesse q u e ser j u l g a d o d e s d e o início p o r p e s soas práticas. Lavoisier c o m a s p r o p r i e d a d e s c o m u n s d o s m e t a i s e a s s i m por diante. U m a d e c i s ã o d e s s e t i p o s ó p o d e ser feita c o m b a s e n a fé. com freqüência a balança penderá decisivamente para a tradição. precisa ter fé na capacidad e d o novo p a r a d i g m a p a r a resolver o s grandes p r o blemas c o m que se defronta. a questão é saber q u e p a r a d i g m a deverá orientar no futuro as pesquisas sobre problem a s . por boas razões.s e a isso os c o n t r a . n e n h u m dos competidores p o d e alegar condições p a r a resolvêlos c o m p l e t a m e n t e . sem c o n t u d o s u b s t i t u í . o equilíbrio entre a r g u m e n t o e c o n t r a . Ao invés disso.

m u i t o p o u c o s desertam u m a tradição somente por essas razões. o que ocorre é u m a crescente alteração na distribuição de adesões profissionais. q u e o d e s e n v o l v e r ã o a t é o p o n t o em q u e a r g u m e n t o s o b j e tivos p o s s a m ser p r o d u z i d o s e m u l t i p l i c a d o s . explorando suas possibilidades c m o s t r a n d o o q u e seria pertencer a u m a c o m u n i d a d e guiada p o r ele. enganados. H o m e n s f o r a m convertidos p o r essas considerações em épocas nas quais a maioria dos argumentos técnicos apontava n o u tra direção. c o m freqüência. a p e r f e i ç o a r ã o o p a radigma. os novos paradigmas triunfem por meio de a l g u m a estética m í s t i c a . A o c o n t r á r i o . n ã o s ã o i n d i v i d u a l m e n t e decisivos. D e v e h a v e r a l g o q u e p e l o m e n o s faça a l g u n s cientistas s e n tirem que a nova p r o p o s t a está no c a m i n h o certo e cm alguns casos s o m e n t e considerações estéticas pessoais e i n a r t i c u l a d a s p o d e m r e a l i z a r isso.r a n ã o p r e c i s e ser. Visto que os cientistas são h o m e n s razoáveis. M e s m o esses a r g u m e n t o s .s e . artigos e livros baseados no p a r a d i g m a m u l t i p l i c a r . O n ú m e r o de experiências. N a m e d i d a e m q u e esse p r o c e s s o a v a n ç a . o n ú m e r o e a força de s e u s a r g u m e n t o s p e r s u a s i v o s a u m e n tará. um ou o u t r o argumento acabará persuadind o m u i t o s d e l e s .á g r a d u a l m e n t e . M a s n ã o existe u m ú n i c o a r g u m e n t o que possa ou deva persuadi-los todos. q u a n d o s u r g e m . atração essa q u e p o u c a s p e s s o a s e s t r a n h a s à M a t e m á t i c a f o r a m c a p a z e s d e sentir. M a s para que o paradigma possa triunfar é n e c e s s á r i o q u e ele c o n q u i s t e a l g u n s a d e p t o s iniciais. s e o p a r a d i g m a estiver d e s t i n a d o a v e n c e r s u a l u t a . instrumentos. / N o início o n o v o c a n d i d a t o a p a r a d i g m a p o d e r á ter p o u c o s a d e p t o s e e m d e t e r m i n a d a s o c a s i õ e s o s m o tivos d e s t e s p o d e r ã o ser c o n s i d e r a d o s s u s p e i t o s . n e m r a c i o n a l . s e eles s ã o c o m p e t e n t e s . n e m c o r r e t a . n o fim d a s contas. N ã o q u e r e m o s c o m isso s u g e r i r q u e . " M a i s cíen- . nem a teoria da matéria de De Broglie possuíam muit o s o u t r o s a t r a t i v o s significativos q u a n d o f o r a m a p r e sentadas. Os que assim procedem foram. M u i t o s cientistas serão convertidos e a exploração do novo paradigma prosseguirá. N e m a teoria astronômica de Copérnico. Mais que u m a conversão de um único grupo. N ã o o b s t a n t e . M e s m o hoje a teoria geral de Einstein atrai adeptos principalmente p o r razões estéticas.

convencidos da fecundidade da n o v a concepção. E m e s m o estes n ã o p o d e m o s dizer q u e estejam errados. n ã o e n c o n t r a r á u m p o n t o o n d e a r e s i s t ê n c i a t o r n a . Q u a n d o m u i t o ele p o d e r á q u e r e r d i z e r q u e o h o m e m q u e c o n t i n u a a resistir a p ó s a c o n v e r s ã o de t o d a a s u a p r o f i s s ã o d e i x o u ipso jacto de ser u m c i e n t i s t a . .s e ilógic a o u acientífica.tistas. por exemplo — q u e n ã o foram razoáveis ao resistirem p o r tanto tempo. a d o t a r ã o a n o v a m a n e i r a de praticar a ciência n o r m a l . até q u e restem apenas alguns poucos opositores mais velhos. E m b o r a o historiador sempre possa encontrar h o m e n s — Priestley.

Se essa descrição c a p t o u a estrutura essencial d a evolução contínua d a ciência. E n t r e t a n t o . essas páginas n ã o p o d e m p r o p o r c i o n a r u m a conclusão. a T e o r i a Política ou a Filosofia n ã o p o d e m empregar? P o r que será o progresso um pré-requisito reservado q u a s e exclusivamente p a r a a ativid a d e q u e c h a m a m o s ciência? As respostas mai usuais p a r a essa questão foram recusadas no corpo deste .12. d e m a n e i ra t ã o elaborada q u a n t o era possível neste ensaio. O PROGRESSO ATRAVÉS DE REVOLUÇÕES N a s páginas precedentes apresentei u m a descrição e s q u e m á t i c a d o desenvolvimento científico. colocou a o m e s mo t e m p o um p r o b l e m a especial: por q u e o empreend i m e n t o científico p r o g r i d e r e g u l a r m e n t e utilizando m e i o s q u e a A r t e .

M u i t a s vezes investe-se g r a n d e q u a n t i d a d e d e energia n u m a discussão desse gênero. para aquelas áreas que progrid e m de u m a maneira óbvia. como as seguintes: por q u e minha área de estudos não progride do m e s m o m o d o que a Física? Q u e m u d a n ças de técnica. despertam-se grandes paixões. P o r e x e m p l o .s e isso c l a r a m e n t e n o s d e b a t e s r e correntes sobre a cientificidade de u m a ou o u t r a ciência social c o n t e m p o r â n e a . m é t o d o ou ideologia fariam c o m que progredisse? E n t r e t a n t o . n o t a . alguns a r g u m e n t a m q u e a Psicologia é u m a ciência p o r q u e p o s s u i tais e tais c a r a c t e r í s t i c a s . p o r q u e os a r t i s t a s e os c i e n t i s t a s d a s c i ê n cias d a n a t u r e z a n ã o s e p r e o c u p a m c o m a d e f i n i ç ã o do termo? S o m o s inevitavelmente levados a suspeitar de que está em jogo algo mais fundamental.ensaio. essas n ã o s ã o p e r g u n t a s q u e possam ser respondidas através de um acordo sobre definições. Percebe-se imediatamente que parte da questão é inteiramente semântica. O t e r m o ciência está reservado. t a l v e z seja significativo q u e o s e c o n o m i s t a s d i s c u t a m m e n o s s o b r e a cientificidade de seu c a m p o de e s t u d o do q u e profissionais de outras áreas da ciência social. Mais do que em qualquer o u t r o l u g a r . Deve-se isso a o f a t o d e o s e c o n o m i s t a s s a b e r e m o q u e é c i ê n c i a ? Ou será que estão de acordo a respeito da E c o n o m i a ? . T a i s debates a p r e s e n t a m p a ralelos c o m os períodos pré-paradigmáticos em áreas q u e a t u a l m e n t e s ã o r o t u l a d a s d e científicas s e m h e s i tação. Se vale o precedente das ciências naturais. Provavelmente estão sendo colocadas outras perguntas. a r g u m e n t a m q u e tais características s ã o desn e c e s s á r i a s o u n ã o s ã o suficientes p a r a c o n v e r t e r esse c a m p o de estudos n u m a ciência. em grande medida. O objeto ostensivo dessas discussões consiste n u m a definição desse t e r m o vexatório. P o r exemplo. sem que o o b s e r v a d o r e x t e r n o s a i b a p o r q u ê . m a s somente quando os grupos que atualmente duvidam d e s e u status c h e g a s s e m a u m c o n s e n s o s o b r e s u a s r e a l i z a ç õ e s p a s s a d a s e p r e s e n t e s . O u t r o s . U m a definição d e ciência possui tal importância? P o d e u m a definiç ã o indicar-nos se um h o m e m é ou n ã o um cientista? Se é a s s i m . a o contrário. T e m o s que concluí-lo perguntando se é possível e n c o n t r a r r e s p o s t a s s u b s t i t u t i v a s . tais q u e s t õ e s n ã o d e i x a r i a m d e ser u m a f o n t e d e p r e o c u p a ç õ e s c a s o fosse e n c o n t r a d a u m a d e f i n i ç ã o .

G O M B R I C H E . a P i n t u r a foi c o n s i d e r a d a c o m o a disciplina cumulativa p o r excelência. M a s nesse período e especialmente d u r a n t e a Renascença. n ã o se estabelecia u m a c l i v a g e m m u i t o g r a n d e e n t r e a s c i ê n c i a s e as artes. parte das nossas dificuldades p a r a perceber as diferenças p r o fundas que separam a ciência e a tecnologia. h a v i a m t o r n a d o possível representações s e m p r e mais perfeitas da natureza. reconhecer q u e t e n d e m o s a c o n s i d e r a r c o m o científica q u a l q u e r área de estudos que apresente um progresso marcante. q u e t a m b é m e r a m considerados c o m o passíveis d e aperfeiçoamento. p o d e auxiliar a exposição das conexões inextricáveis entre nossas noções de ciência e progresso. C o n t u d o . 33-65. m e s m o após a interrupção desse intercâmbio contínuo.s e então que o o b j e t i v o do a r t i s t a e r a a r e p r e s e n t a ç ã o . m a s n ã o a resolver n o s sa dificuldade atual. em Criticai Problems in the History oi Science. devem e s t a r r e l a c i o n a d a s c o m o f a t o d e o p r o g r e s s o ser u m atributo óbvio dos dois c a m p o s . ed. embir a j á n ã o seja s i m p l e s m e n t e s e m â n t i c a . P o r muitos séculos. 2 . o termo " a r t e " continuou a ser aplicado tanto à tecnologia c o m o ao artesanato. F o i som e n t e q u a n d o essas d u a s últimas disciplinas renunciar a m d e m o d o inequívoco fazer d a r e p r e s e n t a ç ã o seu objetivo último e c o m e ç a r a m n o v a m e n t e a aprender c o m modelos primitivos que a separação atual adquiriu toda sua profundidade. Clagett (Madison. do e s c o r ç o ao claro-escuro. c o m o Plínio e Vasari. C r í t i c o s e historiadores. Wisconsin. e G r O R C i o D E S A N T H . 1959). M e s m o hoje em dia. 1960). " T h e R o l e o f A r t i n t h e Scientific Renaissance". H. U m a separação categórica entre a ciência e a arte surgiu somente mais tarde.. An and lllusion: A Study in lhe Psychology oi Piclorial Represenlation. p p . tal c o m o a pintura e a escultura. 11-12. E. A N A . pp. (Nova York. 9 7 . registravam c o m v e n e r a ç ã o a série de invenções q u e . p . . T a l pergunta possui diversos aspectos e teremos q u e 1 2 1.Essa afirmação possui u m a recíproca que. A l é m disso. P e r m a n e c e ainda o p r o b l e m a de compreender por q u e o progresso é u m a característica notável em um empreendimento conduzido com as técnicas e os objetivos que descrevemos neste ensaio. L e o n a r d o . Ibid. entre muitos outros. I . passava livremente de um c a m p o para outro. S u p u n h a . tanto na Antigüidade c o m o nos primeiros tempos da Europ a M o d e r n a . ajuda-nos apenas a esclarecer. M.

isso n ã o s e d e v e a o f a t o d e q u e escolas individuais n ã o progridam. Um c a m p o de estudos p r o g r i d e p o r q u e é u m a c i ê n c i a o u . os grupos partilham vários dos principais paradigmas. c o m e ç a n d o por recordar algumas de suas características mais salientes. é u m a ciêricia p o r que progride? Perguntemos agora por que um empreendimento c o m o a ciência n o r m a l deve progredir. de um lado. os m e m b r o s de u m a comunidade científica a m a d u r e c i d a t r a b a l h a m a p a r t i r d e u m ú n i c o p a radigma ou conjunto de paradigmas estreitamente rel a c i o n a d o s . Q u e m . a c a b a m o s de ilustrar um aspecto dessa redundância. O u t r a s áreas de criatividade apresentam progressos do m e s m o g ê n e r o . por exemplo. de outro. examinando-se a questão a partir de u m a única c o m u n i d a d e . P r e c i s a m o s a p r e n d e r a r e c o n h e c e r c o m o c a u s a s o q u e e m g e r a l t e m o s c o n s i d e r a d o c o m o efeitos. duvidamos de que áreas não-científicas r e a l i z e m p r o g r e s s o s . E m tais c a s o s excepcionais. a r g u m e n t a q u e a Filosofia n ã o progrediu. o resultado do trabalho criador b e m suc e d i d o é o p r o g r e s s o . cada u m a d a s quais questiona constantemente os fundamentos alheios. as expressões " p r o g r e s s o científico" e m e s m o "objetividade científica" p o d e r ã o p a r e cer redundantes. de cientistas ou não-cientistas. ainda que apenas p a r a o do grupo que compartilha de suas premissas. a solução dependerá da inversão de nossa concepção normal das relações e n t r e a a t i v i d a d e científica e a c o m u n i d a d e q u e a p r a tica. O t e ó l o g o q u e a r t i c u l a o d o g m a ou o filósofo q u e aperfeiçoa os imperativos kantianos contribuem p a r a o progresso. R a r a m e n t e c o m u n i d a d e s científicas d i f e r e n t e s i n v e s t i g a m o s m e s m o s p r o b l e m a s . sublinha o fato de q u e ainda existam aris- . C o m o p o d e r i a s e r d e o u t r a forma? Por exemplo. m a s que. Normalmente. com exceção do último. acabamos de observar que enquanto os artistas tiveram c o m o objetivo a representação. Deve-se antes à existência de escolas competidoras. E m t o d o s esses aspectos. Se. Entretanto. tanto os críticos c o m o os historiadores registraram o p r o gresso do grupo. n ã o é u m a a d i ç ã o à s realizações coletivas d o g r u p o . N e n h u m a escola criadora reconhece u m a categoria de trabalho que.e x a m i n a r c a d a u m d e l e s s e p a r a d a m e n t e . S e p u d e r m o s fazer isso. c o mo fazem muitos. é um êxito criador. Na realidade. q u e aparentemente era u n i d o .

mas a ausência. tais d ú v i d a s a respeito do progresso t a m b é m surgem nas ciências. caso um ou outro d o s paradigmas alheios sejam a d o t a d o s . tal c o m o a c o n h e c e m o s . C o n t u d o . m a s os resultad o s de seu e m p r e e n d i m e n t o n ã o se acrescentam à ciência. permite a seus . q u a n d o temos u m a multiplicidade de escolas e m c o m p e t i ç ã o . torn a b e m m a i s fácil p e r c e b e r o p r o g r e s s o d e u m a c o m u n i d a d e científica n o r m a l . t o r n a . 1 descreveu esse p e r í o d o c o m o s e n d o aquele no qual os indivíduos p r a t i c a m a ciência. D u r a n t e os períodos r e volucionários. VO progresso científico n ã o difere daquele obtido em outras áreas. o progresso parece óbvio e assegurado somente d u r a n t e aqueles períodos em q u e p r e d o m i n a a ciência n o r m a l . Os q u e rejeitavam as teorias de N e w t o n d e c l a r a v a m q u e sua confiança nas forças inatas faria a ciência voltar à I d a d e d a s Trevas. u m a v e z l i b e r a d a d a n e c e s s i d a d e d e r e e x a m i n a r c o n s t a n t e m e n t e seus f u n d a m e n t o s em vista da aceitação de um paradigma comum. B o h r e outros contra a d e m o n s t r a ç ã o probabilística dominante na Mecânica Quântica. q u a n d o mais u m a vez os princípios fund a m e n t a i s de u m a disciplina são questionados.totélicos e n ã o q u e o aristotelismo t e n h a e s t a g n a d o . de escolas c o m p e t i d o r a s q u e q u e s t i o n e m m u t u a m e n t e seus objetivos e critérios. isto é s o m e n t e parte da resposta e de m o d o algum a parte mais importante./ D u r a n t e o período pré-paradigmático. ainda que expresso de m a neira mais m o d e r a d a .s e m u i t o difícil e n c o n t r a r p r o v a s d e p r o g r e s s o . parte da resposta p a r a o problema do progresso está no olho do espectador. d u r a n t e tais períodos. O C a p . Os que se o p u n h a m à Química de Lavoisier sustentavam q u e a rejeição d o s " p r i n c í p i o s " químicos em favor d o s elementos estudados no laboratório eqüivalia à rejeição das explicações químicas estabelecidas por parte d a queles que se refugiariam n u m a simples nomenclatura. Assim. a c o m u n i d a d e científica e s t á i m p o s s i b i l i t a d a d e c o n c e b e r o s f r u t o s d e seu trabalho de outra maneira. Um sentimento semelhante. Em suma. E n t r e t a n t o . r e p e tem-se as dúvidas sobre a própria possibilidade de p r o gresso contínuo. na m a i o r p a r t e dos casos. no q u e diz respeito à ciência normal. C o n t u d o . parece estar na base da oposiç ã o de Einstein. já observamos que a comunidade científica. Por exemplo. a n ã o ser n o i n t e r i o r d a s e s c o l a s .

Ao contrário do engenheiro. o s efeitos d a d i s c r i m i n a ç ã o r a cial o u a s c a u s a s d o ciclo e c o n ô m i c o — p r i n c i p a l m e n - .membros concentrarem-se exclusivamente nos fenômen o s m a i s e s o t é r i c o s e sutis q u e l h e s i n t e r e s s a m . Os últim o s t e n d e m f r e q ü e n t e m e n t e — e os p r i m e i r o s q u a s e n u n c a — a defender sua escolha de um objeto de pesq u i s a — p o r e x e m p l o . o c i e n t i s t a n ã o e s t á o b r i g a d o a e s c o l h e r um p r o b l e m a s o m e n t e p o r q u e este necessita de u m a soluç ã o urgente. e m b o r a p o s s a m estar m e n o s preocupados c o m a aprovação c o m o tal. a insulação da com u n i d a d e científica f r e n t e à s o c i e d a d e p e r m i t e a c a d a cientista concentrar sua a t e n ç ã o sobre os p r o b l e m a s que ele se julga c o m p e t e n t e p a r a resolver. P o d e r á p o r t a n t o resolver um problema e passar ao seguinte mais rapidamente do que os que trabalham para um grupo mais heterodoxo. Mais importante ainda. Desse p o n t o de vista. audiência q u e partilha de seus valores e c r e n ç a s . U m a vez q u e o cientista t r a b a l h a apenas p a r a u m a audiência de colegas. isso a u m e n t a t a n t o a c o m p e t ê n c i a c o m o a eficácia c o m a s q u a i s o g r u p o c o m o u m t o d o r e s o l ve novos p r o b l e m a s . frente às exigências d o s não-especialist a s e d a v i d a c o t i d i a n a . T a l i s o l a m e n t o n u n c a foi c o m pleto — estamos discutindo questões de grau. O mais esotérico d o s poetas e o mais abstrato dos teólogos estão muito mais preocupad o s do q u e o cientista c o m a a p r o v a ç ã o de seus trab a l h o s criadores p o r p a r t e d o s leigos. e l e p o d e p r e s s u p o r u m c o n j u n t o específico de critérios. N ã o obstante. M a i s : n ã o está obrigado a escolher um p r o b l e m a sem levar em consideração os instrumentos disponíveis p a r a resolvê-lo. O u t r o s aspectos da vida profiss i o n a l científica a u m e n t a m a i n d a m a i s e s s a eficácia m u i t o especial. de muitos médicos e da maioria dos t e ó l o g o s . o contraste entre os cientistas ligados às ciências da nat u r e z a e m u i t o s c i e n t i s t a s sociais é i n s t r u t i v o . I n e v i t a v e l m e n t e . em n e n h u m a o u t r a c o m u n i d a d e profissional o trab a l h o criador individual é endereçado a outros m e m b r o s d a p r o f i s s ã o ( e p o r eles a v a l i a d o ) d e u m a m a neira tão exclusiva. O cientista n ã o necessita preocupar-se c o m o q u e p e n s a r á o u t r o g r u p o ou escola. E s s a diferença gera u m a série d e conseqüências. Alguns desses aspectos são conseqüência d e u m i s o l a m e n t o s e m p a r a l e l o d a s c o m u n i d a d e s científicas a m a d u r e c i d a s .

t e e m termos d a i m p o r t â n c i a social d e u m a solução. Em vista disso, qual dos dois grupos nos permite esperar u m a solução mais rápida dos problemas? O s efeitos d a i n s u l a ç ã o f r e n t e à s o c i e d a d e g l o b a l são largamente intensificados por u m a outra caracter í s t i c a d a c o m u n i d a d e científica p r o f i s s i o n a l — a n a tureza d e seu aprendizado. N a Música, nas Artes G r á ficas e na L i t e r a t u r a , o p r o f i s s i o n a l a d q u i r e s u a e d u cação ao ser exposto aos trabalhos de outros artistas, especialmente àqueles de épocas anteriores. Manuais, com exceção dos compêndios ou manuais introdutórios à s o b r a s originais, d e s e m p e n h a m u m p a p e l apenas sec u n d á r i o . / E m História, Filosofia e nas Ciências Sociais, a literatura dos m a n u a i s adquire u m a significação mais importante. Mas, m e s m o nessas áreas, os cursos universitários introdutórios utilizam leituras paralelas das fontes originais, algumas s o b r e os "clássicos" da disciplina, outras relacionadas c o m os relatórios de pesquisas m a i s recentes q u e os profissionais do setor escrev e r a m p a r a seus colegas. Resulta assim q u e o estud a n t e de c a d a u m a dessas disciplinas é c o n s t a n t e m e n te posto a par da imensa variedade de problemas que os m e m b r o s de seu futuro grupo t e n t a r ã o resolver c o m o correr do tempo. M a i s importante ainda, ele tem c o n s t a n t e m e n t e frente a si n u m e r o s a s soluções p a r a tais p r o b l e m a s , conflitantes e incomensuráveís — soluções que, em última instância, ele terá q u e avaliar por si mesmo. C o m p a r e m o s essa situação c o m a d a s ciências da natureza contemporâneas. Nessas áreas o estudante fia-se p r i n c i p a l m e n t e n o s m a n u a i s , a t é i n i c i a r s u a p r ó pria pesquisa, no terceiro ou quarto ano de trabalho g r a d u a d o . M u i t o s c u r r í c u l o s científicos n e m s e q u e r exigem q u e os alunos de pós-graduação leiam livros q u e n ã o foram escritos especialmente p a r a estudantes. Os poucos que exigem leituras suplementares de m o n o g r a f i a s e a r t i g o s d e p e s q u i s a , r e s t r i n g e m tais t a r e f a s aos cursos mais avançados, e as leituras q u e desenvolv e m os assuntos tratados nos manuais. Até os últimos estágios d a e d u c a ç ã o d e u m cientista, o s m a n u a i s subst i t u e m s i s t e m a t i c a m e n t e a l i t e r a t u r a científica d a q u a l derivam. D a d a a confiança em seus paradigmas, q u e t o r n a essa técnica educacional possível, p o u c o s cientistas g o s t a r i a m d e m o d i f i c á - l a . P o r q u e d e v e r i a o e s t u -

d a n t e d e Física ler, p o r exemplo, a s o b r a s d e N e w t o n , F a r a d a y , Einstein ou Schrõdinger, se t u d o q u e ele n e cessita saber acerca desses trabalhos está recapitulado de u m a f o r m a m a i s breve, mais precisa e m a i s sistem á t i c a em diversos m a n u a i s atualizados? ^ S e m q u e r e r d e f e n d e r o s e x c e s s o s a q u e l e v o u esse tipo de educação em determinadas ocasiões, n ã o se p o d e d e i x a r d e r e c o n h e c e r q u e , e m g e r a l , ele foi i m e n s a m e n t e eficaz. T r a t a - s e c e r t a m e n t e d e u m a e d u c a ç ã o rígida e estreita, mais do q u e qualquer outra, provavelm e n t e — c o m a possível exceção da teologia ortodoxa. M a s p a r a o t r a b a l h o científico n o r m a l , p a r a a r e s o l u ç ã o d e q u e b r a - c a b e ç a s a p a r t i r d e u m a t r a d i ç ã o defin i d a pelos m a n u a i s , o cientista está e q u i p a d o de form a q u a s e perfeita. A l é m disso, está b e m e q u i p a d o p a r a u m a o u t r a tarefa — a p r o d u ç ã o d e c r i s e s significativas p o r intermédio d a ciência n o r m a l . Q u a n d o tais crises surgem, o cientista n ã o está, b e m entendido, t ã o b e m p r e p a r a d o . E m b o r a a s crises p r o l o n g a d a s p r o v a velmente dêem m a r g e m a práticas educacionais menos r í g i d a s , o t r e i n o científico n ã o é p l a n e j a d o p a r a p r o duzir alguém capaz de descobrir facilmente u m a nova a b o r d a g e m p a r a o s problemas existentes. M a s e n q u a n to houver alguém com um novo candidato a paradigma — em geral proposta de um jovem ou de um nov a t o no c a m p o — os inconvenientes da rigidez atingirão somente o indivíduo isolado. Q u a n d o se dispõe de u m a geração p a r a realizar a modificação, a rigidez individual pode ser compatível c o m u m a comunidade capaz de trocar de paradigma q u a n d o a situação o exigir. M a i s e s p e c i f i c a m e n t e , p o d e ser c o m p a t í v e l s e essa m e s m a rigidez for c a p a z de fornecer à c o m u n i d a d e u m indicador sensível d e q u e algo vai m a l . •Desse m o d o , n o s e u e s t a d o n o r m a l , a c o m u n i d a d e científica é u m i n s t r u m e n t o i m e n s a m e n t e eficiente p a r a resolver problemas ou quebra-cabeças definidos p o r seu p a r a d i g m a . A l é m do mais, a resolução desses, p r o b l e m a s deve levar inevitavelmente ao progresso.! E s s e p o n t o n ã o é p r o b l e m á t i c o . C o n t u d o , isso s e r v e apenas p a r a ressaltar o segundo aspecto da questão do progresso nas ciências. E x a m i n e m o - l o , perguntando pelo progresso alcançado através da ciência extraordinária. Aparentemente o progresso acompanha, na totalidade d o s casos, as revoluções científicas. P o r q u ê ?

A i n d a u m a vez poderíamos aprender m u i t o perguntando q u e outro resultado u m a revolução poderia ter. As revoluções terminam c o m a vitória total de um dos d o i s c a m p o s r i v a i s . A l g u m a v e z o g r u p o v e n c e d o r afirm a r á q u e o resultado de sua vitória n ã o corresponde a um p r o g r e s s o autêntico? I s s o eqüivaleria a admitir que o grupo vencedor estava e r r a d o e seus oponentes certos. Pelo menos p a r a a facção vitoriosa, o resultado de u m a revolução deve ser o progresso. A l é m disso, esta dispõe de u m a posição excelente p a r a assegurar q u e certos m e m b r o s de sua futura c o m u n i d a d e julg u e m a história p a s s a d a desde o m e s m o p o n t o de vista. O C a p . 10 descreveu detalhadamente as técnicas que asseguram a consecução desse objetivo. A i n d a há p o u c o e x a m i n a m o s u m a s p e c t o d a v i d a científica p r o f i s sional estreitamente relacionado c o m esse p o n t o . / Q u a n d o a c o m u n i d a d e científica r e p u d i a u m a n t i g o p a r a d i g m a , renuncia simultaneamente à m a i o r i a dos livros e a r t i g o s q u e o c o r p o r i f í c a m , d e i x a n d o de c o n s i d e r á - l o s c o m o o b j e t o a d e q u a d o a o e s c r u t í n i o científico. / A e d u c a ç ã o científica n ã o p o s s u i a l g o e q u i v a l e n t e a o m u s e u de arte ou a biblioteca de clássicos. D a í decorre, em alguns casos, u m a distorção drástica da percepção q u e o cientista possui do p a s s a d o de sua disciplina. M a i s do q u e os estudiosos de outras áreas criadoras, o cient i s t a v ê esse p a s s a d o c o m o a l g o q u e s e e n c a m i n h a , e m linha reta, p a r a a perspectiva atual da disciplina. Em s u m a , vê o passado da disciplina c o m o orientado p a r a o progresso. N ã o terá outra alternativa enquanto perm a n e c e r l i g a d o à a t i v i d a d e científica. Tais considerações sugerirão, inevitavelmente, q u e o m e m b r o d e u m a c o m u n i d a d e científica a m a d u r e c i d a é , c o m o o p e r s o n a g e m t í p i c o d o l i v r o 1984 d e O r w e l l , a vítima de u m a história reescrita pelos poderes constit u í d o s — s u g e s t ã o aliás n ã o t o t a l m e n t e i n a d e q u a d a . U m b a l a n ç o d a s r e v o l u ç õ e s científicas r e v e l a a e x i s tência t a n t o de p e r d a s c o m o de g a n h o s e os cientistas t e n d e m a ser p a r t i c u l a r m e n t e c e g o s p a r a a s p r i m e i r a s .
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3. Os historiadores da ciência encontram seguidamente esse gênero de cegueira s o b u m a forma particularmente surpreendente. Entre os diversos grupos de estudantes, o c o m p o s t o por aqueles dotados de form a ç ã o cientifica 6 o q u e m a i s gratifica o professor. M a s 6 t a m b é m o m a i s frustrante n o início d o trabalho. J á que o s estudantes d e ciência "sabem quais s ã o as respostas certas", torna-se particularmente difícil f a z ê - l o s analisar u m a c i ê n c i a m a i s antiga a partir d o s p r e s s u p o s t o s desta.
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Por outro lado, n e n h u m a explicação do progresso ger a d o p o r revoluções p o d e ser interrompida neste p o n to. Isso seria subentender que nas ciências o poder cria o direito — formulação q u e n ã o seria inteiramente equivocada se n ã o suprimisse a natureza do progresso e da autoridade por meio dos quais se escolhe entre paradigmas. Se somente a autoridade (e especialmente a a u t o r i d a d e n ã o - p r o f i s s i o n a l ) fosse o á r b i t r o d o s debates sobre paradigmas, daí ainda poderia resultar u m a r e v o l u ç ã o , m a s n ã o u m a r e v o l u ç ã o cientifica. A própria existência da ciência depende da delegação do poder de escolha entre paradigmas a m e m b r o s de um tipo especial d e c o m u n i d a d e . Q u ã o especial essa c o m u n i d a d e precisa ser p a r a q u e a ciência possa sobreviver e c r e s c e r verifica-se p e l a f r a g i l i d a d e d o c o n t r o le q u e a H u m a n i d a d e p o s s u i s o b r e o e m p r e e n d i m e n t o científico. C a d a u m a d a s civilizações a r e s p e i t o d a s quais temos informações possuía u m a tecnologia, u m a a r t e , u m a r e l i g i ã o , u m s i s t e m a p o l í t i c o , leis e a s s i m p o r d i a n t e . E m m u i t o s c a s o s , e s s a s f a c e t a s d a civilização eram tão desenvolvidas c o m o as nossas. M a s a p e n a s a s civilizações q u e d e s c e n d e m d a G r é c i a h e lênica possuíram algo mais do q u e u m a ciência rudim e n t a r . A m a s s a d o s c o n h e c i m e n t o s científicos e x i s tentes é um p r o d u t o europeu, gerado nos últimos quat r o séculos. N e n h u m a o u t r a civilização o u é p o c a m a n teve essas c o m u n i d a d e s m u i t o especiais d a s quais p r o v ê m a p r o d u t i v i d a d e científica. Q u a i s s ã o a s c a r a c t e r í s t i c a s e s s e n c i a i s d e tais c o m u n i d a d e s ? O b v i a m e n t e , elas r e q u e r e m m u i t o m a i s estudo do que o existente. Nesse terreno, somente são possíveis as generalizações exploratórias. N ã o obstante, diversos requisitos necessários p a r a tornar-se m e m b r o d e u m g r u p o científico p r o f i s s i o n a l d e v e m e s t a r perfeitamente claros a esta altura. P o r exemplo, o cientista p r e c i s a e s t a r p r e o c u p a d o c o m a r e s o l u ç ã o d e p r o blemas relativos a o c o m p o r t a m e n t o d a natureza. A l é m d i s s o , e m b o r a e s s a s u a p r e o c u p a ç ã o p o s s a ter u m a amplitude global, os problemas nos quais trabalha dev e m ser p r o b l e m a s d e d e t a l h e . M a i s i m p o r t a n t e a i n d a , a s s o l u ç õ e s q u e o s a t i s f a z e m n ã o p o d e m ser m e r a m e n t e p e s s o a i s , m a s d e v e m ser a c e i t a s p o r m u i t o s . C o n t u d o , o g r u p o q u e a s p a r t i l h a n ã o p o d e ser e x t r a í d o a o acaso da sociedade global. Ele é, ao contrário, a co

m u n i d a d e b e m definida f o r m a d a pelos colegas profiss i o n a i s d o c i e n t i s t a . U m a d a s leis m a i s fortes, a i n d a q u e n ã o e s c r i t a , d a v i d a científica é a p r o i b i ç ã o d e a p e l a r a chefes de E s t a d o ou ao p o v o em geral, q u a n do está em jogo um assunto relativo à ciência. O rec o n h e c i m e n t o d a existência d e u m g r u p o profissional competente e sua aceitação c o m o árbitro exclusivo das realizações profissionais possui outras implicações. Os m e m b r o s do grupo, enquanto indivíduos e em virtude d e s e u t r e i n o e e x p e r i ê n c i a c o m u n s , d e v e m ser v i s t o s c o m o os únicos conhecedores das regras do jogo ou de algum critério equivalente p a r a julgamentos inequívocos. D u v i d a r da existência de tais critérios c o m u n s de avaliação seria admitir a existência de p a d r õ e s incompatíveis entre si p a r a a avaliação das realizações científicas. T a l a d m i s s ã o t r a r i a i n e v i t a v e l m e n t e à b a i l a a q u e s t ã o de se a v e r d a d e a l c a n ç a d a pelas ciências p o d e ser u n a . E s s a p e q u e n a lista d e c a r a c t e r í s t i c a s c o m u n s à s c o m u n i d a d e s científicas foi i n t e i r a m e n t e r e t i r a d a d a p r á t i c a d a c i ê n c i a n o r m a l , tal c o m o e r a r e q u e r i d o . O cientista é originalmente treinado p a r a realizar semelhante atividade. Observe-se, entretanto, q u e a despeit o d e s u a c o n c i s ã o , a lista p e r m i t e d i s t i n g u i r tais c o m u n i d a d e s de todos os outros grupos profissionais. Note-se ainda que a despeito de sua origem na ciência n o r m a l , a lista e x p l i c a m u i t a s d a s c a r a c t e r í s t i c a s e s p e ciais d a s r e s p o s t a s d a c o m u n i d a d e científica d u r a n t e revoluções (e especialmente durante debates sobre o p a r a d i g m a ) . J á observamos que u m g r u p o dessa n a tureza deve necessariamente considerar a m u d a n ç a de paradigma c o m o u m progresso. E m aspectos importantes, a m a n e i r a de perceber c o n t é m em si — p o d e m o s agora admitir — sua autoconfirmação. A comun i d a d e científica é u m i n s t r u m e n t o e x t r e m a m e n t e eficaz para maximizar o número e a precisão dos problemas resolvidos por intermédio da m u d a n ç a de p a radigma. U m a vez que o problema da unidade do empreend i m e n t o científico e s t á s o l u c i o n a d o e v i s t o q u e o g r u p o sabe perfeitamente quais os problemas já esclarecidos, p o u c o s c i e n t i s t a s p o d e r ã o ser f a c i l m e n t e p e r s u a d i d o s a a d o t a r um p o n t o de vista que r e a b r a muitos problem a s já resolvidos. Antes de mais n a d a é preciso q u e

Todavia.1 E m b o ra certamente a ciência se desenvolva em termos de profundidade. sugerimos que u m a c o m u n i d a d e d e e s p e c i a l i s t a s científicos f a r á t o d o o p o s sível p a r a a s s e g u r a r o c r e s c i m e n t o c o n t í n u o d o s d a d o s coletados q u e está em condições de examinar de maneira precisa e detalhada. apesar dessas e de outras per- . o q u e a s r e a l i z a ç õ e s científicas passadas p o s s u e m de mais concreto. o novo paradigma deve garantir a preservação de u m a parte relativamente grande da cap a c i d a d e objetiva de resolver problemas.impossibilitam a existência de um critério desse tipo. o n o v o candidato deve p a recer capaz de solucionar algum problema extraordinário. sempre permitem a solução concreta de problemas adicionaisj N a o q u e r e m o s c o m isso s u g e r i r q u e a h a b i l i d a d e p a r a resolver problemas constitua a única base ou u m a base inequívoca para a escolha de paradigmas. p r e s e r v a m geralment e . Em segundo. m e s m o n o s c a s o s e m q u e isso o c o r re e um n o v o candidato a p a r a d i g m a aparece. C o m o resultado. c o m u m e n t e a revolução diminui o âmbito dos interesses profissionais da c o m u n i d a d e .a n a t u r e z a solape a segurança profissional. embora novos paradigmas raramente (ou mesmo nunca) possuam todas as potencialidades de seus predecessores. fazendo c o m que as explicações anteriores p a r e ç a m problemát i c a s . e m l a r g a m e d i d a . reconhecido c o m o tal pela c o m u n i d a d e e q u e n ã o p o s s a ser analisado d e n e n h u m a o u t r a m a n e i r a . No decorrer desse p r o cesso. tal c o m o em outras áreas da criatividade h u mana. os cientistas relutarão em adotá-lo a m e n o s q u e sejam c o n vencidos que duas condições primordiais foram preenchidas. A novidade em si m e s m a não é um desiderato d a s ciências. Já apontamos muitas razões q u e . a u m e n t a seu g r a u de especialização e atenua sua comunicação c o m o u t r o s g r u p o s . p o d e n ã o desenvolver-se em termos de a m p l i t u d e . t a n t o científicos c o m o leigos. a c o m u n i d a d e sofrerá p e r d a s . conquistada pela ciência c o m o auxílio dos p a r a d i g m a s anteriores. e s s a a m p l i t u d e m a n i f e s t a . A l é m disso. ^ m primeiro lugar. A l é m disso. A l é m d i s s o . C o m freqüência alguns problemas antigos precisarão ser a b a n d o n a d o s . jContudo.s e principalmente através da proliferação de especialidad e s científicas e n ã o a t r a v é s d o â m b i t o d e u m a ú n i c a especialidade. Q u a n d o o faz.

talvez t e n h a m o s q u e a b a n d o n a r a n o ç ã o . a o m e s m o t e m p o . salvo um único. M e s m o nesse caso. P a r a ser mais preciso. O processo de desenvolvimento descrito neste ensaio é um p r o c e s s o de e v o l u ç ã o a partir de um i n í c i o p r i m i t i v o — processo cujos estágios sucessivos caracterizam-se p o r u m a compreensão sempre mais refinada e detalhada d a n a t u r e z a . a n a t u r e z a de tais grupos fornece u m a garantia virtual de q u e tanto a relação dos problemas resolvidos pela ciência. Se existe p o s sibilidade de fornecer tal garantia. Inevitavelmente. Poderia haver m e l h o r c r i t é r i o d o q u e a d e c i s ã o d e u m g r u p o científico? Os últimos parágrafos indicam em que direções creio se deva buscar u m a solução mais refinada p a r a o p r o b l e m a do progresso nas ciências. a tarefa principal da profissão consiste em eliminar todos os conjuntos de regras. n ã o é necessário h a ver progresso de o u t r a espécie. N a s ciências. o t e r m o " v e r d a d e " só havia aparecido n u m a citação de Francis Bacon.o n u m p r o c e s s o de e v o l u ç ã o em direção a a l g o . M a s . M a s tal objetivo é necessário? N ã o p o d e r e m o s explicar t a n t o a existência da ciência c o m o seu sucesso a partir da evolução do estado dos conhecimentos . Nessas ocasiões. Talvez indiquem q u e o p r o g r e s s o científico n ã o é e x a t a m e n t e o q u e a c r e d i t á v a m o s q u e fosse. explícita ou implícita. apareceu tão-somente c o m o u m a fonte de convicção do cientista q u e afirma a impossibilidade da coexistência entre regras incompatíveis p a r a o exercício da ciência — exceto d u r a n t e as revoluções. Já é t e m p o de indicar que até as últimas páginas deste ensaio. c o m o a precisão das soluções individuais de p r o b l e m a s a u m e n t a r ã o c a d a vez mais. m o s tram que algum tipo de progresso inevitavelmente car a c t e r i z a r á o e m p r e e n d i m e n t o científico e n q u a n t o t a l atividade sobreviver. ela será p r o p o r c i o nada pela natureza da comunidade.d a s experimentadas pelas c o m u n i d a d e s individuais. M a s n a d a d o q u e foi o u s e r á d i t o t r a n s f o r m a . segundo a qual as m u d a n ç a s de p a r a d i g m a levam os cientistas e os q u e c o m eles a p r e n d e m a u m a proximidade sempre maior da verdade. tal l a c u n a terá p e r t u r b a d o muitos leitores. E s t a m o s muito acostumados a ver a ciência com o u m e m p r e e n d i m e n t o que s e aproxima cada vez mais de um objetivo estabelecido de a n t e m ã o pela natureza.

o p r o b l e m a da indução deve estar situado em algum p o n t o desse labirinto. e s s a n ã o foi.s a b e r . Essa idéia ou plano fornecera a direção e o impulso para todo o processo de evolução. julgando as r e a l i z a ç õ e s científicas d e a c o r d o c o m s u a c a p a c i d a d e p a r a nos aproximar daquele objetivo último? Se p u d e r m o s aprender a substituir a evolução-a-partir-doque-sabemos pela evolução-em-direção-ao-que-querem o s . A "idéia" de h o m e m . e r a m pensadas c o m o existentes desde a primeira criação da vida. t>arwin's Discovered It.V . I V . 4 4. S p e n c e r e d o s Naturphilosophen a l e m ã e s — c o n s i d e r a v a m a e v o l u ç ã o um p r o c e s so orientado p a r a um objetivo. E m b o r a a evolução. As provas apontando para a evolução do h o m e m haviam sido a c u m u l a d a s p o r d é c a d a s e a idéia de e v o lu ç ã o já fora a m p l a m e n t e disseminada. A q u e s t ã o s e e s c l a r e c e m e l h o r s e r e c o nhecemos que a transposição conceituai aqui recomendada aproxima-se muito daquela empreendida pelo Ocidente há apenas um século. Loren. q u a n d o Darwin publicou pela primeira vez sua teoria da evolução pela seleção natural. a m a i o r p r e o c u p a ç ã o de muitos profissionais n ã o e r a n e m a n o ç ã o de m u d a n ç a d a s espécies. 1958). Century: Evolution and C a p s . d i v e r s o s p r o b l e m a s aflitivos p o d e r ã o d e s a parecer nesse processo. n e m a possível descendência do h o m e m a partir do m a c a c o . Em 1859. T a l dificuldade brotava de u m a idéia m u i to chegada às do próprio Darwin. the Men Who . tenha e n c o n t r a d o resistência. em a m b o s os c a s o s . o p r i n c i p a l o b s t á c u l o p a r a a t r a n s p o s i ç ã o e r a o m e s m o .da comunidade em um d a d o momento? Será realment e útil c o n c e b e r a e x i s t ê n c i a d e u m a e x p l i c a ç ã o c o m pleta. d e forma alguma. b e m c o m o as da flora e fauna c o n t e m p o r â n e a s . P o r exemplo. (Nova York. II.d a r w i n i a n a s — as d e L a m a r c k . a m a i o r d a s dificuldades e n c o n t r a d a s pelos darwinistas. Todas as bem con h e c i d a s t e o r i a s e v o l u c i o n i s t a s p r é . objetiva e verdadeira da natureza. C a d a novo estágio do desenvolvimento d a evolução era u m a realização mais perfeita de um plano presente desde o início. C h a m b e r s . Isto p o r q u e . A i n d a n ã o p o s s o especificar d e t a l h a d a m e n t e a s conseqüências dessa concepção alternativa do progress o científico. E I S E L E Y . especialmente p o r p a r t e d e m u i t o s g r u p o s r e l i g i o s o s . presentes talvez na m e n t e divina. como tal.

11 d e s c r e v e c o m o a resolução das revoluções corresponde à seleção pelo conflito da m a n e i r a m a i s a d e q u a d a de praticar a ciência — seleção realizada no interior da c o m u n i d a d e científica. A Origem das Espécies n ã o reconheceu n e n h u m objetivo posto d e a n t e m ã o por D e u s ou pela natureza. v e r A .3 8 3 . s e m c o n t u d o dirigir-se a n e n h u m o b j e t i v o . a seleção natural. T o d o esse p r o c e s s o p o d e t e r o c o r r i d o . H U N T E B D U P K E E . resultando de simples c o m petição entre organismos q u e lutam pela sobrevivência. Mesmo órgãos tão maravilhosamente adaptados c o m o a m ã o e o olho h u m a n o s — órgãos cuja estrutura fornecera no passado argumentos poderosos em f a v o r d a e x i s t ê n c i a d e u m artífice s u p r e m o e d e u m plano prévio — eram produtos de um processo que a v a n ç a v a c o m r e g u l a r i d a d e desde u m i n í c i o p r i m i t i v o . O p r o c e s s o q u e o C a p . O q u e p o d e r i a m significar " e v o l u ção". m a s regular. teria produzido h o m e m com animais e plantas super i o r e s e r a o a s p e c t o m a i s difícil e m a i s p e r t u r b a d o r da t e o r i a d e D a r w i n . a abolição dessa espécie de evoluç ã o t e l e o l ó g i c a foi a m a i s significativa e a m e n o s a c e i tável d a s s u g e s t õ e s de D a r w i n . l&io1888 ( C a m b r i d g e . Asa Cray. M a s s . s A analogia que relaciona a evolução dos organism o s c o m a e v o l u ç ã o d a s idéias científicas p o d e facilm e n t e ser levada longe demais. tais termos adquiriram subitamente um caráter contraditório. A c r e n ç a de q u e a seleção natural. p p . é o conjunto de instrumentos n o t a velmente ajustados q u e c h a m a m o s de conhecimento científico m o d e r n o . Para um relato particularmente penetrante da luta de um eminente d a r w i n i s t a c o m e s s e p r o b l e m a . separadas p o r períodos de pesquisa n o r m a l . c o m o n o c a s o d a 5. . o p e r a n d o em um meio ambiente d a d o e c o m os organismos reais disponíveis. O r e s u l t a d o final d e u m a s e q ü ê n c i a d e t a i s seleções revolucionárias. E s t á g i o s s u c e s s i v o s d e s s e p r o c e s so de desenvolvimento são marcados por um aumento d e a r t i c u l a ç ã o e e s p e c i a l i z a ç ã o d o s a b e r científico. Ao invés disso. 3 5 5 . . M a s c o m referência a o s a s s u n t o s t r a t a d o s n e s t e c a p í t u l o final e l a é q u a s e p e r f e i t a . 2 9 5 . "desenvolvimento" e "progresso" na ausência de um objetivo especificado? P a r a m u i t a s pessoas.3 0 6 . era a responsável pelo surgimento gradual.P a r a muitos. 1 9 5 9 ) . de organismos mais elaborados. mais articulados e m u i t o m a i s especializados.

já foram respondidas — de um ponto d e vista d e t e r m i n a d o . s e m u m a v e r d a d e científica p e r m a n e n temente fixada. c r i a d o p o r e s t e e n s a i o . n ã o obstante. sem o benefício de um objetivo p r e e s t a b e l e c i d o . E s s e p r o b l e m a — O q u e d e v e ser o m u n d o p a r a que o h o m e m possa conhecê-lo? — n ã o foi. a necessidade de perguntar p o r q u e o processo evolucionário haveria de ser b e m s u c e d i d o . p a r a q u e a c i ê n c i a seja p o s s í v e l ? P o r q u e a c o m u n i d a d e científica h a v e r i a d e ser c a p a z d e alcançar u m consenso estável. estão tão em a b e r t o c o m o no início deste ensaio. . é t ã o antigo c o m o a própria ciência e p e r m a n e c e sem resposta. inatingível e m outros d o m í n i o s ? P o r q u e tal c o n s e n s o há de resistir a u m a mudança de paradigma após outra? E por que u m a m u d a n ç a de paradigma haveria de produzir invariavelmente um instrumento mais perfeito do q u e aqueles a n t e r i o r m e n t e c o n h e c i d o s ? T a i s q u e s t õ e s . Qualquer c o n c e p ç ã o da natureza compatível c o m o crescim e n t o da ciência é compatível c o m a n o ç ã o evolucionária de ciência desenvolvida neste ensaio. A o c o n t r á r i o . vistas d e o u t r a perspectiva. Q u e m quer q u e tenha seguido a discussão até aqui. c o m e x c e ção da primeira. O m u n d o d o q u a l e s s a c o m u n i d a d e faz parte t a m b é m possui características especiais. d a qual c a d a estágio d o desenvolvim e n t o científico s e r i a u m e x e m p l a r m a i s a p r i m o r a d o . i n c l u i n d o . M a s . N ã o é a p e n a s a c o m u n i d a d e científica q u e d e v e s e r a l g o e s p e c i a l . M a s n ã o precisamos respondê-lo aqui. Q u e car a c t e r í s t i c a s d e v e m ser e s s a s ? N e s s e p o n t o d o e n s a i o não estamos mais próximos da resposta do que quando o i n i c i a m o s . sentirá. e x i s t e m f o r t e s a r g u mentos p a r a empregá-la nas tentativas de resolver a multidão de problemas que ainda perduram. e n t r e t a n t o . U m a vez q u e essa n o ç ã o é igualmente compatível c o m a observ a ç ã o r i g o r o s a d a v i d a científica.s e n e l a o h o m e m .evolução biológica. C o m o d e v e ser a n a t u r e z a .

e n t e n d i d o s . m e u p o n t o d e vista p e r m a nece quase sem modificações. passei a c o m p r e e n d e r m e l h o r n u m e r o s a s questões q u e ele coloca. Shigeru N a k a y a m a da Universidade de Tóquio. m a s agora reconheço a s p e c t o s d e m i n h a f o r m u l a ç ã o inicial q u e c r i a r a m d i ficuldades e mal-entendidos gratuitos. Já q u e s o u o r e s p o n s á v e l p o r a l g u n s d e s s e s m a l . Q u a n t o a o f u n d a m e n t a l . m e u antigo aluno e amigo. para ser incluído na sua tradução japonesa deste livro. graças às reações d o s críticos e ao m e u t r a b a l h o adicional. Nesse intervalo. S o u grato a ele pela idéia. pela paciência c o m que esperou sua realização e pela perm i s s ã o p a r a incluir o resultado n a e d i ç ã o e m l í n g u a inglesa. Este posfácio foi originalmente preparado p o r sugestão d o D r . s u a eli1 .POSFACIO 1 — 1969 E s t e l i v r o foi p u b l i c a d o p e l a p r i m e i r a v e z h á q u a se sete a n o s . .

valfófe^s^ " t é c n i c a s . . L X X I I I . Outras indicações p o d e m ser encontradas em dois ensaios recentes d e minha autoria: "Reflection o n M y Critics". Percebe-se r a p i d a m e n t e q u e na m a i o r p a r t e do livro o t e r m o " p a r a d i g m a " é u s a d o em d o i s sentidos diferent e s . As rei2 3 4 i j 2. pp. além de duas passagens que continham erros isoláveis. Illinois. 383-94 (1964). para esta edição. e D U L E Y S K A P E R E . Da. O primeiro sentido do termo. é o o b j e t o do i t e m 2.de_ quebra-cabe_çãs* qu^T e m p r e g a d a s " c o m o m o delos ou exemplos. e m Growth o f Knowledge.7 0 ) . em PATRICK S U P P E S (ed.qui p a r a frente citarei o primeiro desses ensaios c o m o "Reflections" e o v o l u m e no q u a l a p a r e c e c o m o o Grcrwrh of Knowledge. que ' c h a m a r e m o s de s o c i o l ó g i c o . 1 .' De outro. 3. ver: M A R G A R E T M A S T E R M A N . reescrever sistematicamente o livro. . e "Second Thoughts on Paradigms". o item 3 é devotado aos paradigmas e n q u a n t o realizações passadas dotadas de natureza exemplar. 4 .). N ã o procurei.s e é m t o r n o d o conceito d e p a r a d i g m a . 1970 ou 1971).. " T h e N a t u r e of a P a r a d i g m " . T h e S t r u c t u r e of Scientific Revolutions. D e u m l a d o . Philosophical Review. E m seguida considerarei o que ocorre q u a n d o se busca pa. "etc i _ . i n d i c a r e i cò^ m o i s s o p o d e ser feito e d i s c u t i r e i a l g u m a s c o n s e q ü ê n cias significativas d a s e p a r a ç ã o a n a l í t i c a r e s u l t a n t e . Restringi-me a corrigir alguns erros tipográficos. Criticism and the GroM/th of Knowledge (Cambridge. Nesse meio t e m p o acolho c o m agrado a possibilidade de e s b o ç a r as revisões necessárias. e m I M R E LAKATOS e A W N MUSGRAVE (eds. n a p . i n d i c a t o d a a _canstelação_de c r e n ç a s . No primeiro item q u e s e g u e . tecer c o m e n t á r i o s a respeito de algumas críticas m a i s freqüentes e sugerir as direções nas quais m e u próprio pensamento se desenvolve atualmente. Muitas das dificuldades-chave do m e u texto original a g r u p a m . o s e g u n d o ensaio aparecerá c o m o "Second Thoughts". Um desses erros é a descrição d o p a p e l d o s Principia d e N e w t o n n o d e s e n v o l v i m e n t o d a M e c â n i c a do século X V I I I q u e aparece n a s p p . denota um tipW^?e. .).m i n a ç ã o m e possibilita conquistar u m terreno q u e servirá de base para u m a nova versão do livro.desligar e s s e c o n c e i t o d a n o ç ã o d e c o m u n i d a d e científica. radigmas examinando o comportamento dos membros da comunidade científica previamente determinada.S 4 . O o u t r o refere-se à resposta às crises. p r o p o r e i a c o n v e n i ê n ç i a _ d e . p o d e m substituir regras explícitas \ c o m o base para a solução dos restantes quebra-cabeças i da ciência normal. P e l o m e n o s filosoficamente. 1 1 5 . The Structure of Scientlfic Theories (Urbana. p a r t i l h a d a s p e l o s m e m b r o s de u m a comunidade determinada. Começarei minha discussão por aí. este s e g u n d o sentido de " p a r a d i g m a " é o mais profundo d o s dois. P a r a u m a crítica particularmente cogente da minha apresentação inicial d o s p a r a d i g m a s . S 1 ._e emento dessa"^pStH^^T^㣠_sc<lu£Õ^_3con=° c r e i á s .

n ã o obstante. instamòs~~á~que" os h o m e n s que defendem pontos de vista n ã o comparáveis sejam pensados c o m o m e m b r o s de diferentes comunidades de linguagem e que analisemos seus problemas de comunicações como problemas de tradução. d e u m a confusão entre o descritivo e o n o r m a t i v o . u m a c o m u n i d a d e científica c o n s i s t e e m h o m e n s q u e partilham um paradjgrna. O s e g u n d o c o m e ç a p e r g u n t a n d o s e m i n h a a r g u m e n t a ç ã o r e a l m e n t e sofre. As c o m u n i d a d e s p o d e m e d e v e m ser i s o l a d a s s e m r e c u r s o p r é v i o a o s p a r a d i g m a s . inversament e . e s p e c i a l m e n t e a a c u s a ç ã o de q u e t r a n s f o r m o .v i n d i c a ç õ e s q u e fiz e m seu n o m e s ã o a p r i n c i p a l f o n t e das controvérsias e mal-entendidos q u e o livro evocou. O p r i m e i r o e x a m i n a a a c u s a ç ã o de q u e a c o n c e p ç ã o de ciência desenvolvida neste livro é totalmente relativista. 1 . ser parafraseado em t e r m o s de regras e critérios. Três a s s u n t o s r e s i d u a i s s ã o d i s c u t i d o s n o s i t e n s finais 6 e 7. conclui c o m observações sumárias a respeito de um tópico merecedor de um ensaio em separado: a extensão na qual as t e s e s p r i n c i p a i s d o l i v r o p o d e m ser l e g i t i m a m e n t e a p l i cadas a outros c a m p o s além da ciência. E m b o r a tal c o n h e c i m e n t o n ã o possa. Ç L i t e m 5 a p l i c a esse a r g u m e n t o ^ o _ p r q b l e m a da escolha entre duas teorias i n c o m p a t í v e i s . c o m o t e m s i d o d i t o . é sistemático. Os paradigmas e a estrutura da comunidade ^ O termo "paradigma" aparece nas primeiras pág i n a s do l i v r o e a s u a f o r m a de a p a r e c i m e n t o é i n t r i n secamente circular. testado pelo t e m p o e em algum s e n t i d o . m a s esta circularidade é u m a fonte de dificuldades reais. sem modificação essencial. Um paradigma é aquilo que os membros de u m a comunidade partilham e. e m s e g u i d a esses p o d e m s e r d e s c o b e r t o s a t r a - . O p r i m e i r o d e l e s argumenta que termos como "subjetivo" e "intuitivo" n ã o p o d e m ser a d e q u a d a m e n t e a p l i c a d o s a o s c o m p o nentes do conhecimento que descrevi c o m o tacitamente inseridos em exemplos partilhados. N u m a b r e v e c o n c l u s ã o . Tais temas s e r ã o c o n s i d e r a d o s n o s i t e n s 4 e 5. a c i ê n c i a n u m e m p r e e n d i m e n t o subjetivo e irracional. p a s s í v e l d e c o r r e ç ã o . N e m tooãs as~circularidades s ã o v i c i a d a s C á o " finaf d e s t e p o s f á c i o d e f e n d e r e i u m argumento de estrutura similar).

Communlty Collaboration (Nova York. C. Boston. BEAVEB. numa extensão sem paralelos na maioria das outras disciplinas. sociólogos e um certo número de historiadores da ciência. MUU-INS. XXI. HAGSTROM. certos de que a responsabilidade pelas várias especialidades atuais está distribuída entre grupos com um número de membros pelo menos aproximadamente determinado. A maioria dos cientistas em atividade responde imediatamente a perguntas sobre suas filiações comunitárias. Neste processo absorveram a mesma literatura técnica e dela retiraram muitas das mesmas lições. »f* De acordo com essa concepção. um tópico que recentemente se tornou um assunto importante para a pesquisa sociológica e que os historiadores da ciência também estão começando a levar a sério. 1011-18(1966). iniciaria com uma discussão da estrutura comunitária da ciência. an In- . Social Structure in a G r o u p of Scientists: A T e s t of the "Invisible College" Hypothesis. Normalmente as fronteiras dessa literatura-padrão marcam os limites de um objeto de estudo científico e em geral _cada comunidade possui um objeto de estudo prõ^ 5 visíble College. uma comunidade Jcientífica é f o r m a d a pelos praticantes de uma especiâ/líêfãde científica. mas algumas delas se encontram à nossa disposição e outras certamente serão desenvolvidas. 335-52 (1969). V. DIAHA C J U N E . in 1965). American Psychologist. Universidade de Harvard. Portanto. 1966) e "The Micro-Structure of an Invisible College: T h e Phage G r o u p " ( c o m u n i c a ç ã o apresentada na reunião anual da A m e r i c a n Sociological Association.vés do (escrutínio^ do comportamento dos membros de uma comunidade dada. "Egfe_J^*^ESübrnetídôs" a uma inicia^-ção profissional e a uma_ eduçaçãa__siraüafes. e O. muitos dos quais ainda não publicados. J. PKICE e The D . American Soclologlcal Revlew. N. XXXIV. sugerem que as técnicas empíricas exigidas para a exploração desse tópico não são comuns. Caps. pressuporei aqui que serão encontradas formas mais sistemáticas para a sua identificação. D . Se este livro estivesse sendo reescrito. Atualmente essa noção é amplamente partilhada por cientistas. Os resultados preliminares. pp. pp. 5. permitam-me articular sucintamente a noção intuitiva de comunidade que subjaz em grande parte dos primeiros capítulos deste livro. Social Networks among Biological Scientists (Dissertação de doutorado. 1968). IV W. Scientific de B. Em lugar de apresentar os resultados da investigação preliminar.

ler periódicos espec i a l i z a d o s s ã o g e r a l m e n t e c o n d i ç õ e s m a i s d o q u e suficientes. No interior_de tais g r u p o s a c o m u n i c a ç ã o é r e l a t i v a m e n t e a m p l a j e j o s j u l g a m e j j t o s p r o f i s s i o n a i s relativamente u n â n i m e s . Os p r o b l e m a s e m p í r i c o s e m e r g e m a p e n a s n o nível i m e d i a t a m e n t e inferior. q u e incluem o treino de seus sucessores. talvez entre esses.prio. físicos d e e s t a d o s s ó l i d o s e d e e n e r g i a d e a l t a intensidade. inclusive daquelas descobertas na c o r r e s p o n d ê n c i a dos cientistas e nas liga- . U m a vez q u e a atenção dé diferentes c o m u n i d a d e s científicas e s t á f o c a l i z a d a s o b r e a s s u n t o s d i s t i n t o s . E m u m n í v e l i m e d i a t a m e n t e inferior. da distribuição de esboços de manuscritos e de provas p a r a a publicação e sobretudo das redes formais e informais de c o m u n i c a ç ã o . a s t r ô n o m o s . os químicos especializados em p r o t e í n a s ) . H á escolas nas ciências. z o ó l o g o s e o u t r o s s i m i l a r e s . se n e l a p e r s i s t i r m o s . P a r a esses a g r u p a m e n t o s m a i o r e s . Possuir a mais alta titulação. Técnicas similares nos permitirão isolar tamb é m os principais subgrupos: químicos orgânicos (e. o p e r t e n c e n t e a u m a comunidade é rapidamente estabelecido. q u e a b o r d a m o m e s m o o b j e t o científico a . o s p r i n cipais g r u p o s científicos p r o f i s s i o n a i s s ã o c o m u n i d a d e s : físicos. estão sempre em compet i ç ã o e n a m a i o r i a d a s v e z e s essas c o m p e t i ç õ e s t e r m i n a m rapidamente. e v o c a r d e s a c o r d o s significativos e previamente insuspeitados. A c o m u n i d a d e m a j s ^ g l o b í d é c o m p o s t a p o r todos os cientistas ligados às ciências^da naTOrêzã. Freqüentemente resulta em mal-entendidos e pode. isto é . exceto n o s casos limites. O resultado disso é q u e os m e m b r o s d e u m a c o m u n i d a d e científica v ê e m a s i p r ó p r i o s e são vistos pelos outros c o m o os únicos responsáveis pela perseguição d e u m conjunto d e objetivos c o m u n s . P a r a t o m a r u m e x e m p l o c o n t e m p o r â n e o : c o m o se isolaria o grupo bacteriófago antes d e s e u r e c o n h e c i m e n t o público? P a r a isso d e v e r í a m o s valer-nos da assistência a conferências especiais. "partir d e p o n t o s d e v i s t a incomj»atíxeis. M a s s ã o b e m m a i s r a r a s aqui do que em outras áreas. participar de sociedades profissionais._. Nesse sentido as comunidades p o d e m certamente e x i s t i r em m u i t o s n í v e i s . r a d i o a s t r ô n o m o s e assim p o r diante. q u í m i c o s . c o m u n i d a d e s . a c o m u n i c a ç ã o profissional entre grupos é a l g u m a s vezes á r d u a .

P R I C E . o n ú m e r o d e e s c o l a s é g r a n d e m e n t e r e d u z i d o — em geral p a r a u m a única. p e l o m e n o s n o t o c a n t e a o p e r í o do c o n t e m p o r â n e o e épocas históricas mais recentes. no rasto de algum a r e a l i z a ç ã o científica n o t á v e l . 223-33 ( 1 9 6 5 ) . M .ções entre citações. T e n h o p a r a m i m q u e esta tarefa p o d e s e r e s e r á feita. C o m e ç a e n t ã o u m t i p o m a i s eficiente d e p r á t i c a c i e n tífica. D e u m p o n t o d e vista típico. E m geral o s cientistas individuais. q u e s o m e n t e inicia q u a n do seus m e m b r o s estão seguros a respeito dos fundam e n t o s de seu c a m p o de estudos. M . A natureza dessa transição à maturidade merece u m a discussão mais ampla do que a recebida neste 6 t mei [ 6. K E S S L E R . pertencerão a diversos desses grupos. O m a i s s u r p r e e n d e n t e d e s s e s ^ternas é p r o v a v e l 5 t e ^ ^ q u i l p _ _ f l u e „ c h a m e i de'" a t r a n s i ç ã o do p e r í o d o prr_jjariM. E U O E N E GARFIELD.C ã b e ç a s . d e u m n ú m e r o significativamente menor.p a r a d i g m á t i c o d u r a n t e o d e s e n v o l v i m e n t o d ê * ü m c a m p o cieritfllcõ. D . X V I . C I L . E s t a t r a n s i ç ã o está esboçada no C a p . A s u n i d a d e s q u e este livro a p r e s e n t o u c o m o p r o d u t o r a s e legitimadoras do c o n h e c i m e n t o científico são c o m u n i d a d e s desse tipo. Science. p p . p p . M a i s tarde. i rmri t j g o n rt rn o p ó s . S e m u m a referência à natureza desses elementos c o m p a r tilhados. E s s a p r á t i c a é g e r a l m e n t e e s o t é r i c a e o r i e n t a d a p a r a a~ SOiüção^^tte^ q u ü j l J . 1 9 6 4 ) . P o r i s s o antes d e passarmos aos p a r a d i g m a s . Os paradigmas são algo c o m p a r t i l h a d o pelos m e m b r o s d e tais c o m u n i d a d e s . C o m p a r i s o n o f the Results o f Bibliographic Coupling and Analytic Subject I n d e x í n g . N e t w o r k s o f S c i e n t i f i c P a p e r s . vale a p e n a m e n c i o n a r u m à série de tem a s q u e exigem"referência a p e n a s à e s t r u t u r a _ c o m u nitária. American Documentatton. especialmente os mais capazes. p o d e r e m o s produzir c o m u n i d a d e s de talvez cem m e m b r o s e. 1. ocasionalmente. e m b o ra n ã o sejam apresentados de forma independente no m e u texto original. J . simultaneamente ou em sucessão. Antes de ela ocorrer. diversas escolas c o m p e t e m pelo d o m í n i o d e u m c a m p o de estudos d e t e r m i n a d o . 510-15 ( 1 9 6 5 ) . The Use of Citation Data in Writlng the History of Science (Filadélfia: I n s t i t u t e of S c i e n t i f i c I n f o r m a t i o n . muitos d o s aspectos da ciência descritos nas p á g i n a s p r e c e d e n t e s d i f i c i l m e n t e p o d e m ser e n t e n d i d o s . M a s Outros a s p e c t o s p o d e m s e r c o m p r e e n d i d o s . . cJ m e s m o o c o r r e c o m o t r a b a l h o de um g r u p o .

diz respejto. e s t u d o c i e n t í ü c . proporciona pistas p a r a sua solução e garante o sucesso do praticante realmente inteligente.livro. por exemplo.c a b e ç a s d e s a f i a dores. SpmênTe d ê r x n s TJâ~trãns*ÍÇSõ~ é p o s s í v è f á ' p e s q u i s a n o r m a l o r i e n t a d a " jfJarâ^ã r e s o l u ç ã o d e q u e b r a . c o m p a r t i l h a m os tipos de elementos q u e rotulei coletivamente de " u m paradigma". O que m u d a com a trans i ç ã o à m a t u r i d a d e n ã o é a p r e s e n ç a dè um* p a r a d i g m a . t e n d o e n t ã o sido f o r m a d a pela fusão de partes de d u a s c o m u n i d a d e s anteriormente s e p a r a d a s : a da M a t e m á t i c a e da Filosofia da N a t u reza (physique expérimentale). identificações desse tipo n ã o r e sistem a um exame. P r o c e d i r e p e t i d a mente c o m o ^ s e . O q u e h o j e é o b j e t o de estudo de u m a única e ampla comunidade. digamos. P a r a descobri-las e analisá-las é preciso p r i m e i r o deslindar .eritre. incluindo as escolas do período " p r é . a t u a l m e n t e e u consideraria muitos d o s atributos de u m a ciência d e s e n v o l v i d a ( q u e a c i m a associei à o b t e n ç ã o d e u m p a radigma) como conseqüências da aquisição de um tipo d e p a r a d i g m a q u e identifica o s q u e b r a . 0 5 . O s m e m b r o s d e t o d a s a s c o m u n i d a d e s científicas.c a b e ç a s . à jdentjficação biunívoca^jnrpHcita neste. Indicar que a transição não precisa (atualmente penso que n ã o deveria) estar associada com a primeira aquis i ç ã o d e u m p a r a d i g m a p o d e ser útil a e s s a d i s c u s s ã o . C o n t u d o . ^ U m s e g u n d o t e m a . A única interpretação alternativa que m e u texto p a r e c e permitir é a de q u e t o d o s esses objetos t e n h a m pertencido à c o m u n i d a d e da Física. c o m o tem sido repetidamente a p o n t a d o por m e u s colegas de História da Ciência. "Óptica Física". n e n h u m a c o m u n i d a d e de cientistas ligados à Física antes da m e tade d o século X I X . especialmente p o r parte daqueles interessados no d e s e n v o l v i m e n t o d a s c i ê n c i a s sociais c o n t e m p o r â n e a s . S o m e n t e aqueles q u e retiram encorajamento da constatação de que seu c a m p o de estudo ( o u escola) possui paradigma e s t ã o aptos a perceber que algo i m p o r t a n t e é sacrificado nessa m u d a n ç a . m a i s impjorjante ( p e l o m e n o s p a r a os h i s t o r i a d o r e s ) . "Eletricid a d e " e " C a l o r " devessem indicar c o m u n i d a d e s científicas p o r q u e n o m e i a m o b j e t o s d e e s t u d o s p a r a a p e s quisa. m a s a n t e s a s ú t i n a t q c e z a . N ã o havia. E i n vista" d i s s o .p a r a d i g m á t i c o " . livro.„çjyruinidades^científicas ê ^ E y e t o s j d e . no passado era distribuído entre diversas comunidades.

proporciona um exemplo adequado. A n e c e s s i d a d e d o a c o r d o d e p e n d e d o q u e faz e s s a c o m u n i d a d e . Concordo com a descrição. A c r e d i t o q u e outras dificuldades e mal-entendidos s e r ã o dissolvidos d a m e s m a m a n e i r a . v á r i a s dificuld a d e s q u e foram alvo de críticas p o d e m desaparecer. algumas vezes veemente. P e l o m e n o s a t é p o r volta de 1 9 2 0 . na primeira m e t a d e do século X I X . A l g u n s leitores deste livro c o n c l u í r a m q u e m i n h a p r e o c u p a ç ã o se orienta principal ou exclusivamente p a r a as grandes revoluções. Newton. E o q u e é m a i s i m p o r t a n t e : a t e o r i a da m a t é ria n ã o é o tipo de tópico sob de qual devem concordar necessariamente os membros de u m a comunidade dada. basear seu trabalho nesses instrumentos e discordar. Q u a n d o a a n á l i s e d o d e s e n v o l v i m e n t o científico é e x a m i n a d a a p a r t i r d e s s a p e r s p e c t i v a . deve começar pela localização do g r u p o ou grupos responsáveis. e r a m i n s t r u m e n t o s p a r a u m grande n ú m e r o . A Química. proporção múltipla e pesos de combinação — tenham se tornado propriedade c o m u m e m r a z ã o d a t e o r i a a t ô m i c a d e D a l t o n . teorias da matéria n ã o eram terr i t ó r i o específico o u o b j e t o d e e s t u d o d e q u a l q u e r c o m u n i d a d e científica. A l g u m a s vezes m e m b r o s d e ' diferentes c o m u n i d a d e s escolhem i n s t r u m e n t o s d i f e r e n t e s e c r i t i c a m a s e s c o l h a s feitas p o r o u t r o s . e m p r i m e i r o lugaf^ n ã o u m o b j e t o d e e s t u d o . E m b o r a muitos dos instrumentos fundamentais da comunidade — proporção constante. como as associadas aos n o m e s de Copérnico. depois desse acontecimento. mas n ã o pens o q u e seja u m e x e m p l o e m c o n t r á r i o .a e s t r u t u r a m u t á v e l d a s c o m u n i d a d e s científicas a t r a vés^rj5sr"tÇmpòs. m a s u m grupo"" d e " p r a ticantes. ü m p a r a d i g m a g o v e r n a . foi p e r f e i t a m e n te possível aos químicos. da existência dos á t o m o s . F a z e m notar q u e até b e m p o u c o . D a r w i n ou Einstein. Q u a l q u e r e s t u d o de pesquisas orientadas por paradigma ou que levam à destruição de paradigma. Por exemplo. Isso se deve em p a r t e aos exemplos q u e escolhi e em parte à m i n h a imprecisão a respeito da natureza e t a m a n h o das c o - .d e especialistas._jja_ jciêncía. um certo número de comentadores usou a teoria da matéria p a r a sugerir q u e exagero drasticam e n t e a u n a n i m i d a d e d o s cientistas n o q u e t o c a à s u a fidelidade a um paradigma. E m l u g a r d i s s o . essas teorias e r a m tópicos de d e b a t e e desacordo contínuos.

sofre e m c o n s e qüência disso u m a revolução. Novos instrumentos com o o m i c r o s c ó p i o e l e t r ô n i c o o u n o v a s leis c o m o a s d e M a x w e l l p o d e m ser d e s e n v o l v i d a s n u m a e s p e c i a l i d a d e . p r e c i s a m a p e n a s ser o p r e l ú d i o c o s tumeiro. JPara mim. que a m u d a n ç a revolucionária precisa t a n t o ser entendida. n e m precisa parecer revolucionária para os pesquisadores que não participam da comunidade — comunid a d e c o m p o s t a talvez de m e n o s de vinte e cinco pessoas. É igualm e n t e possível q u e as revoluções sejam induzidas através de outras maneiras. muito p o u c o reconhecida ou discutida na literatura da Filosofia da Ciência. M a s n ã o n e c e s s i t a ser u m a g r a n d e m u d a n ç a .munidades relevantes. e m b o r a p e n s e que isso r a r a m e n t e ocorre. 2. p o d e facilitar a c o m p r e e n s ã o d e s s a m u d a n ç a . Contudo. a l g u m a s v e z e s .r e q u i s i t o e s s e n c i a l p a r a a s r e v o l u ç õ e s . e n q u a n t o a sua assimilação p r o v o c a u m a crise em outra. c a p a z de assegurar que a rigidez da ciência n o r m a l n ã o p e r m a n e c e r á p a r a sempre sem desafio. proporcionando um mecanismo de autocorreção. n e n h u m a ! parte importante da minha argumentação depende da e x i s t ê n c i a d e crises c o m o u m p r é . Diversos críticos p u s e r a m em d ú v i d a se as crises ( c o n s c i ê n c i a c o m u m d e q u e a l g o s a i u e r r a d o ) precedem as revoluções tão invariavelmente c o m o dei a entender no m e u texto original. e n q u a n t o oposta às m u d a n ç a s cumulativas. estreitamente relacionada c o m a p r e c e d e n t e . Os paradigmas como missos de grupo a constelação dos compro- Voltemos agora aos paradigmas e perguntemos o q u e p o d e m ser. Finalmente. É precisamente p o r q u e este tipo de m u d a n ç a . ocorre t ã o regularmente nessa escala reduzida. U m a última alteração. E s t e é o p o n t o m a i s o b s c u r o e m a i s . C o n t u d o . gostaria de assinalar um p o n to obscurecido pela ausência de u m a discussão adeq u a d a da estrutura comunitária: as crises n ã o são n e cessariamente geradas pelo trabalho da comunidade q u e a s e x p e r i m e n t a e . u m a revolução é u m a espécie de m u d a n ç a envolv e n d o um certo tipo de reconstrução dos compromissos d e g r u p o . um delineamento mais c l a r o d a estirutura c o m u n i t á r i a d e v e r i a f o r t a l e c e r a impressão bastante diferente que procurei criar.

e f n ~ õ u t r a s . l^eitò e s s e t r a b a l h o editorial. p e r m a n e c e r i a m dois usos m u i t o distintos d o termo. partes de paradigma ou paradygmâti-f Q J e r m f y 7. ? . em ainda outras. conota u m a estrutura b e m mais limitada e m n a t u r e z a e a l c a n c e d o q u e a e x i g i d a a q u i . . pjrrfès"' d é _ u m paradigma. evitaremos confusão adotando um outro. O P T n p r e g ç i mais global_é o assunto deste item. que partilha da minha convicção de que o " par a d i g m a " n o m e i a o s e l e m e n t o s filosóficos c e n t r a i s jdeste livro. clt. T o d o s ou quase todos os objetos de compromisso g r u p á f ^ Ü ^ j n ê u T e ^ ^ t ^ g r í ã i ^ como paradigmas. valeria a p e n a p e r g u n t a r : d e n t r e o que é partilhado p o r seus m e m b r o s . o q u e explica a r e l a t i v a a b u n d â n c i a de c o m u n i c a ç ã o p r o f i s s i o n a l e a r e l a t i v a "ÜffaTíimidadé 2 g f h i T p r a m e n T i ^ p r o f i R s i n p ^ ? M e u " texto < 5 i g í n a l permite responder a essa pergunta: u m p a r a d i g m a o u um-T?o]jtfrrrito--d^ nesse sentido. o outro sentido s e r á c o n s i d e r a d a no p r ó x i m o . _ p a r a d l g m a . MASTBKMAN. ' " CiT res7 x 1 A p ó s isolar u m a c o m u n i d a d e p a r t i c u l a r d e e s p e cialistas através de técnicas semelhantes às q u e a c a b a m o s de discutir.. oü. U m a leitora simpatizante.i m p o r t a n t e d e m e u texto original. o termo "teo-| r i a " . A t é quej o t e r m o p o s s a ser l i b e r a d o d e s u a s i m p l i c a ç õ e s a t u a i s . Contudo. s u g i r o " m a t r i z d i s c i p l i n a r " : " d i s ciplinar" p o r q u e se refere a u m a posse c o m u m aos praticantes d e u m a disciplina particular. Op. P a r a os nossos p r o p ó s i t o s a t u a i s . p r e p a r o u um índice analítico parcial "e. c a d a u m d e l e s e x i g i n d o u m a d e t e r m i n a ç ã o m a i s pormenorizada. « A inãnrrYnr. t a l c o m o é e m p r e g a d o p r e s e n t e m e n t e n a Filosofia! da Ciência. E u ficaria satisfeito s e esteí último t e r m o pudesse ser n o v a m e n t e utilizado n o s e n 4 tido que estamos discutindo.Atualmente p e n s o <jue á maioria dessas diferenças é devida a ihcongrüenciãs} esfílístícas^Xpor e x e m p l o : a l g u m a s vezes as Leis de í í e w t o n s ã o u m p a f à c l l g m ã . q u e d e v e m ser distinguidos. " m a t r i z " p o r q u e é composta de elementos ordenados de várias espécies.conc l u i u q u e o t e r m o é u t i l i z a d o <èm p e l o m e n o s „ y i n t e e d u a s m a n e j r j i ^ dffg£ l . ao contrário' daquele a ser discutido mais adianta . p ^ a d i g f n S 5 c a s ) e pod e m s e r e l i m i n a d a s " COffl T e l a t l v â ^ ^ m t í a d e .ffriõl O s próprios c i e n t i s t a s ~ d i r i a m q u e p a r t i l h a m d e u m a t e o r i a o u d& u m c o n j u n t o d e t e o r i a s .

Q u a n d o essa lei foi d e s c o b e r t a . em geral rigorosam e n t e d i s t i n g u i d a d a p r i m e i r a n a s a n á l i s e s d o s filósofos da c i ê n c i a . R e I. S e n ã o f o s s e m e x p r e s sões g e r a l m e n t e a c e i t a s c o m o e s s a s . esses elementos n ã o ' s e r ã o discutidos c o m o se constituíssem u m a única peça. Rotularei de "generalizações simbólicas" um tipo importante de componente do paradigma. f u n c i o n a n d o e m " c o n j u n t g .s e a leis d a n a t u r e z a . A l g u m a s vezes são e n c o n t r a d a s a i n d a sob a f o r m a s i m b ó l i c a : / = ma o u / = V/R. da corrente e da resistênc i a que a n t e r i o r m e n t e i g n o r a v a m . o o n s l i l u e m ^ s a rrj^Uriz„djsç|r^injr^e--cojg m a m u m t o d o . em geral o p o d e r de u m a ciência parece aumentar c o m o TlTimerçi d e gêrleralizaçoes s i m b ó l i c a s " q u e o s _ p r a t i ç a n tes tem ao'seu dlspõfT" Tais g e n e r a l i z a ç õ e s a s s e m e l h a m . P o r c e r t o isso p o d e o c o r r e r . m a s a i n d i c a ç ã o d o s p r i n c i pais tipos de Componentes de u m a matriz disciplinar esclarecerá a natureza da minha presente abordagem e preparará a próxima questão. e s s a s generalizações lhes disseram alguma coisa a respeito do c o m p o r t a m e n t o do calor. P o r é m . as generalizações simbólicas prestam-se simultan e a m e n t e a u m a s e g u n d a função. c o m o indicam as discussões anteriores deste livro. m a s m u i t a s v e z e s n ã o p o s s u e m a p e n a s essa f u n ç ã o p a r a o s m e m b r o s d o g r u p o . o s m e m b r o s d a c o m u n i d a d e já s a b i a m o q u e s i g n i f i c a v a m H. Contudo. N ã o procurarei apresentar a q u i u m a lista e x a u s t i v a . o s m e m b r o s _ _ d o g r u p o n ã o t e r i a m p o n t o s ^ j d e jipoio p a r a a a p l i c a ç ã o d a s poderosas técnicas de m a n i p u l a ç ã o lógica e m a t e mática no seu trabalho de resolução de enigmas.c o s . empregadas sem discussão o u d i s s e n s ã o p e l o s m e m b r o s d o g r u p o . Da m e s m a m a n e i r a q u e / = ma ou p T 1 .L e n z . m a i s f r e q ü e n temente. q u e p o d e m ser facilmente expressas n u m a forma lógica c o m o C * ) ( y ) ( z ) <f> (x. c o m o n o c a s o d a L e i d e J o u l e . H = Ri .z). F a l o dos c o m p o n e n t e s formais ou facilmente formalizáveis da matriz disciplinar. O u t r a s v e z e s s ã o e x p r e s s a s e m p a lavras: "os elementos combinam-se n u m a proporção constante aos seus p e s o s " ou "a u m a ação correspond e uma r e a ç ã o i g u a l e c o n t r á r i a " . Tenho em mente aquelas expressões. E m b o ra o e x e m p l o da t a x o n o m i a sugira q u e a ciência norm a l p o d e avançar c o m poucas dessas expressões.y.

da Lei de Joule-Lenz. o u " p a r t e s m e t a f í s i c a s d o s p a r a d i g m a s " . SCHAGRIN. a r e s p e i t o d o quaT m u l t a c o i s a foi d i t a n ó \ j m e u texto original sob rubricas c o m o " p a r a c ^ g m a s ineta. TJma a p r e s e n t a ç ã o d e p a r t e s s i g n i f i c a t i v a s d e s s e e p i s ó d i o e n c o n t r a . I (1969). O q u e fez E i n s t e i n : m o s t r o u q u e a s i m u l t a n e i d a d e e r a r e lativa ou alterou a própria n o ç ã o de simultaneidade? Estavam pura e simplesmente errados aqueles que viam um p a r a d o x o na expressão "relatividade na simultaneidade"? Consideremos um segundo çomr>onente^a jnatriz~ d i s c i p l i n a r . F o i exatamente por isso q u e provocou u m a onosição t ã o violenta. 61-103 o/ Physics. ã m a t é r i a e à f o r ç a ou a o s c a m p o s . Se agora reescrevesse este livro. American . Em outro c o n t e x t o esses p o n t o s m e r e c i a m u m a a n á l i s e d e t a l h a da.n físicas". em Histórica! Studies in the Physical Sciences. u m a redefinição dos t e r m o s " c o r r e n t e " e " r e s i s t ê n c i a " . m a T n â o ãs^HjTinicões. as moléculas 8 8 . T h e Electric Current in Early Nineteenth-Century French Physics. pp. Provavelmente essa situação é típica./ = V/R. p o r e x e m plo. A l é m disso. Journal pp. a l t e r n a t i v a m e n t e . B R O W N . o equil í b r i o e n t r e s u a s f o r ç a s legislativas e d e f i n i t ó r i a s — que são inseparáveis — m u d a c o m o t e m p o . C o m f r e q ü ê n c i a a s leis podjsm s e r j * r a d u a l m e n t e c o r r i g i d a s . todas as revoluções envolvem o a b a n d o n o de generalizações cuja força era parcialmente tautológica. já que a natureza de um compromisso com u m a lei é m u i t o d i f e r e n t e d o c o m p r o m i s s o c o m u m a d e f i n i ç ã o . todos os fenômenos perceptivos são devidos à interação de átomos qualitativamente neutros no vaz i o o u . á " a c e i t a ç ã o d a L e i d e Ó h m exigiu. No m o m e n t o suspeito de que. T e n h o / é m m e n f é ' c o r n ^ o r m S o s c o l e t i v o s c o m c r e n ç a s comõT o calor é a energia cinética das partes constituintes d o s corpos.s e e m : T . P o r exemplo. a o contrário. to Ohtn'8 Law. 536-47 Resistance (1963). e n t r e outras coisas. eu descrever i a tais c o m p r o m i s s o s c o m o c r e n ç a s e m d e t e r m i n a d o s modelos e expandiria a categoria " m o d e l o s " de m o d o a incluir t a m b é m a v a r i e d a d e relativamente heurística: o c i r c u i t o e l é t r i c o p o d e ser e n c a r a d o c o m o u m s i s t e m a hidrodinâmico em estado de equilíbrio. a Lei de O h m n ã o p o deria estar certa. M . as g e n e r a l i z a ç õ e s s i m b ó l i c a s f u n c i o n a m em p a r t e c o m o leis e e m p a r t e s c o m o d e f i n i ç õ e s d e a l g u n s dos símbolos que elas e m p r e g a m . Se e s s e s d o i s t e r m o s c o n t i n u a s s e m a ter o m e s m o sentido q u e antes. e MORTON XXI. entre outras coisas. q u e s ã o t a u t ò l o g i a s .

compatíveis c o m outras teorias disseminadas no momento. (Atualmente penso i .s e c o m o pequeninas bolas d e bilhar elásticas movendo-se ao acaso.s o l u c i o n a d o s e a ~ a v a l i a r ã impT^rtârir-^ ç\e-. partilhados por diferentes c o m u n i d a d e s d o q u ê a s g e n e r a l i z a ç õ e s s i m b ó l i c a s <5u m o d e l o s r "Contribuem bastante para proporcionar aos especja|istas__em_ c i ê n c i a s d a n a t u r e z a u m s e n t i m e n t o de p ^ E t e h ç ê r s r n a* u m a c o m u n i d a d e glõEaí. E m b o r a n u n c a d e i x e m d e t e r eficácia. e m b o r a usualmente o façam. N o t e . p a d a " u m ~ d e l e s . todos os modelos p o s s u e m funções similares. escolher entre maneiras incompatíveis de praticar s u a disciplina. C o n t u d o . existem t a m b é m val o r e s q u e d e v e m ser u s a d o s p a r a j u l g a r t e o r i a s c o m p l e t a s : estes p r e c i s a m . p e r m i t i r à formulação de quebra-cabeças e de soluções. O t e r c e i r o g r u p o d e e l e m e n t o s d a m a t r i z disciplinar que descreverei é constituído por valores. a i m p o r t â n c i a p a r t i c u l a r dos valores aparece q u a n d o os m e m b r o s de u m a c o m u n i d a d e d e t e r m i n a d a p r e c i s a m identificar u m a c r i s e ou. Já indiquei anteriormente que a condição de membro n u m a comunid a d e de cientistas d u r a n t e a primeira m e t a d e do século X I X n ã o pressupunha a crença nos átomos. mais tarde.s e . E n t r e outras coisas.d e u m gás c o m p o r t a m . quando possível. fornecem ao grupo as analogias ou metáforas_preferidas ou permjssíveis. P r o v a v e l m e n t e os valores a o s quais os cientistas aderem c o m m a i s intensidade s ã o aqueles que dizem respeito a predições: devem ser a c u r a d a s . yale dizer.c a b e ç a s n ã o . q u e o s m e m b r o s d e c o m u n i d a d e s científicas n ã o precisam partilhar nem m e s m o modelos heurísticos. d e v e ser r e s p e i t a d a r e g u l a r m e n t e n u m a á r e a d a d a . p r e d i ç õ e s q u a n t i t a t i v a s s ã o preferíveis à s q u a l i t a t i v a s . inversamente. Desse m o d o auxiliam a d e t e r m i n a r õ q u e será aceito c o m o u m a explicação o u c o m o u m a soluç ã o de quebra-cabeça e. ajudam a estab e l e c e r g lista d o s q u e b r a . E m b o r a a intensidade do compromisso do grupo com determinados princípios varie — acarretando conseqüências importantes — ao longo de um espectro que abrange desde modelos heurísticos até ontológicos. e n t r e t a n t o .. e assim por diante. líJítes 'de m a i s n a d a . d e v e m ser simples. q u a l q u e r q u e seja a m a r g e m d e e r r o p e r m i s sível. d o t a d a s de coerência Interna filj^ãuayeis. Em geral s ã o mais amplamente.

a v e l h a T e o r i a d o s Quanta nos proporciona um exemplo. plausibilidade e assim por diante.) Exigiam ainda o u t r a s e s p é c i e s d e v a l o r e s — . d q x . ditariam c o m freqüência escolhas diferentes. Julgamento quanto à acuidade s ã o relativamente. a l g u m a s _ v e z e s a a p l i c a ç ã o _ d o s j v a l o r e s é c o n s i d e r a v e l m e n t e afetada^ p e l o s t r a ç o s da p e r s o n a l i d a d e i n d i v i d u a l e _peTã b i o g r a f i a q u e d i f e r e n c i a os rnemb"?os__doagrupo. valores diferentes. p o r q u e insisto sobre o fato de que aquilo que os cient i s t a s p a r t i l h a m n ã o é suficiente p a r a i m p o r u m a c o r do uniforme no caso de assuntos c o m o a escolha de duas teorias concorrentes ou a distinção entre u m a ano1 . Sou ocasionalmente acusado^ de glorificar a s u b j e t i v i d a d e e m e s m o a i r r a c i o n a l i d a d e . p a r a B o h r e outros n ã o p a s s a v a d e u m a dificuldade passível d e resolução através dos meios normais. estáveis de u m a época a outra e de um m e m b r o a outro em um g r u p o determinado. coerência interna. U m a teoria p o d e ser mais acurada. Entretanto. Ainda mais importante é n o t a r q u e nas situações o n d e valores d e v e m ser aplicados. um aspecto dos valores partilhados requer u m a m e n ç ã o especial. julgamentos de simplicidade. a p o n t o d e t o r n a r impossível a prática da teoria normal. variam e n o r m e m e n t e de indivíduo p a r a indivíduo. e m b o r a n ã o inteiramente. considerados isoladamente. P a r á m u i t o s leitores. u m a v e z m a i s .. M a s . O s valores. s o c i a l ? — m a s a s o o u a i d c r a ç ú e s d p i ü s C n t a d à s a c i m a d e v e m ser suficientes p a r a tornar compreensível o q u e t e n h o em m e n t e . Aquilo q u e p a r a Einstein era u m a incongruência insup o r t á v e l n a v e l h a T e o r i a d o s Quanta.q u e u m a fraqueza do m e u texto original está na p o u c a atenção prestada a valores como a coerência interna e e x t e r n a a o c o n s i d e r a r f o n t e s d e crises e f a t o r e s q u e d e t e r m i n a m a escolha de u m a teoria. a q u i . a c i ê n c i a d e v e o u n a ò ^ d S v e ter u m a u t i l i d a d e . Em suma. essa característica d o e m p r e go dos valores partilhados apareceu c o m o a m a i o r fraqueza da minha posição. m a s m e n o s coerente ou plausível q u e o u t r a . . embora os valores sejam a m p l a m e n t e compartilhados pelos cient i s t a s e e s t e c o m p r o m i s s o seja a o m e s m o t e m p o p r o f u n d o e c o n s t i t u t i v o da c i ê n c i a . p o d e m ser c o m p a r t i l h a d o s p o r h o m e n s q u e d i v e r g e m q u a n t o à sua aplicação. '"•frrpp ". n u m grau maior do q u e os outros elementos da matriz disciplinar.

7. o s v a l o r e s c o m p a r t i l h a d o s p o d e m ser d e t e r minantes centrais d o c o m p o r t a m e n t o d e grupo. aceitando riscos elevados. grande parte das novas t e o r i a s p r o p o s t a s d e m o n s t r a m e f e t i v a m e n t e ser falsas. ninguém reagisse às anomalias ou teorias novas. ( N o v a York. Ver especialmente: DUDLEY SHAPERE. Se todos os membros de uma comunidade respondess e m a c a d a a n o m a l i a c o m o se esta fosse u m a fonte de crise ou abraçassem c a d a nova teoria apresentada p o r u m c o l e g a . pp. Em assuntos dessa natureza. Ver a discussão no início do Cap. E s t a é talvez a m a n e i r a q u e a c o m u n i d a d e encontra p a r a dist r i b u i r os r i s c o s e a s s e g u r a r o s u c e s s o do s e u e m p r e e n dimento a longo prazo. M a s essa r e a ç ã o ignora duas características apresentadas pelos julgamentos de valor em todos os c a m p o s de estudo. F o i este c o m p o n e n t e dos compromissos 9 1 0 9. a v a r i a b i lidade individual no e m p r e g o de valores compartilhad o s p o d e ter funções essenciais p a r a a ciência. I S R A E L S C H E F F L E R . acima./ graficamente. Science and Subfectl1 9 6 7 ) e o s e n s a i o s de Sír K A R L P O P P E R e I M R E L A U T O S Knowledge. S e g u n d o . Gro-wth of 1 9 6 6 ) . n ã o h a v e r i a p r o b l e m a s filosóficos especiais a r e s p e i t o da T e o r i a d o s Valores ou da Estética.malia c o m u m e u m a p r o v o c a d o r a de crise. m e s m o q u a n d o seus m e m b r o s n ã o o s e m p r e g a m d a m e s m a m a n e i r a . em III viry (Pittsburgh. Imaginemos o que aconteceria nas ciências se a coerência interna deixass e d e ser u m v a l o r f u n d a m e n t a l . a c i ê n c i a d e i x a r i a d e existir. m a s o p a d r ã o de desenvolvimento das artes plásticas m u d o u drasticamente q u a n d o e s s e v a l o r foi a b a n d o n a d o . p o r o u t r o lado. A m a i o r parte d a s anomalias é solucionada por meios normais. o controle da e s c o l h a i n d i v i d u a l p o d e s e r feito a n t e s p e l o s v a l o r e s partilhados do q u e pelas regras partilhadas. 41-85. P r i m e i r o . S e . Voltemos agora a um quarto tipo de elemento presente na matriz disciplinar (existem outros que n ã o discutirei a q u i ) . 10. em Mind and Cosmos: Essays in Contemporary Science and Pkilosophy. T h e U n i v e r s i t y o f P i t t s b u r g h S e r i e s i n P h i l o s o p h y o f S c i e n c e . haveria poucas ou n e n h u m a revolução. Os pont o s a o s q u a i s o s v a l o r e s d e v e m ser a p l i c a d o s s ã o t a m b é m invariavelmente aqueles nos quais um risco deve ser enfrentado. . "Meaning and Scientific Change". N e s t e c a s o o t e r m o " p a r a d i g m a " seria t o t a l m e n t e a p r o p r i a d o .) N e m todos pintaram da mesma maneira durante os períodos nos quais a represent a ç ã o era o valor primário. t a n t o filológica c o m o a u t o b i o . ( S e n ã o fosse a s s i m .

s u b s t i t u í . na m e dida em q u e seu treino se desenvolve. seja n o s l a b o r a t ó r i o s . as diferenças entre conjuntos de exemplares apresentam a estrutura comunitária da ciência. os problemas são forne- . as^soluções concretas de problemas que os estudantes e n c o n t r a m d e s d e o i n í c i o d è s u a e d u c a ç ã o científica.atrayés de exemplos. somente suas aplicações mais elementares são c o m u n s aos dois grupos. e x a m e s o u n o fim d o s c a p í t u l o s d o s m a n u a i s científicos. Em vista disso os exemplos exigirão mais atenç ã o do que os outros c o m p o n e n t e s da matriz disciplin a r . d e v e m s e r s o m a d o s a esses e x e m p l o s p a r t i l h a d o s p e l o m e n o s a l g u m a s d a s soluções técnicas de problemas encontráveis nas p u blicações periódicas q u e os cientistas e n c o n t r a m d u r a n t e suas carreiras c o m o investigadores. as generalizações simbólicas são cada vez mais exemplificadas atrav é s d e d i f e r e n t e s e x e m p l a r e s . P o r e x e m p l o . c o m o devem realizar seu trabalho. d a s órbitas de K e p l e r .e i a q u i p o r "p. o c a lorímetro e a ponte de Wheatstone.l o .xemplares" C o m essa expressão quero indicar. porque se pensa que servem apenas para p ô r em prática o q u e o estudante já sabe. antes de mais n a d a . A t é a g o r a o s filósofos d a c i ê n c i a n ã o t ê m . E m b o r a o s físicos d e estados sólidos e os da teoria d o s c a m p o s compartil h e m a E q u a ç ã o de Schrõdinger.deste livro. e m geral. já que o termo assumiu u m a v i d a p r ó p r i a .comuns do g r u p o q u e primeiro me levaram à escolha dessa palavra. Contudo. Afirma-se q u e ele n ã o p o d e r e s o l v e r n e n h u m p r o b l e m a a n t e s d e ter aprendido a teoria e algumas regras que indicam c o m o a p l i c á . t o d o s _ o s _ f í s i c p s c o m e ç a r a aprend e n d o „oj^rnesm.J Q O v o _ _ e m e n o s c o m p r e e n d i d o .Qs e x e m p l a r e s ^ p r o b l e m a s c o m o o d o plano"^S3^Sfei. C o n t u d o . discutido os problemas encontrados por um estud a n t e n o s t e x t o s científicos o u n o s s e u s t r a b a l h o s d e laboratório. 3. Tajs jjqluçôes indicam^. e o u s o dè i n s t r u m e n t o s c o m o o v e r n i e r . C o n t u d o . Os paradigmas como exemplos compartilhados O paradigma enquanto exemplo compartilhado é o elemento central daquilo que atualmente me parece s e r o a s p e c t o m a i s . O c o n h e c i m e n t o científico e s t á f u n d a d o na teoria e nas regras. 30 p ê n d u l o . M a i s d o q u e o s outros lTpos~de c o m p o n e n t e s da matriz disciplinar. cônico.l a .

c o n f r o n t a d o s c o m u m a determinada situação experimental. C o m o a p r e n d e r a m . reverto brevemente às generalizações simbólicas. / = ma t o r n a . o s e s t u d a n t e s d e v e m a p r e n d e r algo q u e é a i n d a mais c o m p l i c a d o q u e isso. Na verdade. a s leis e t e o r i a s a n t e r i o r m e n t e aprendidas feriam p o u c o c o n t e ú d o empírico. n ã o terá. N ã o é e x a t o afirmar q u e as m a n i p u l a ç õ e s lógicas e m a t e m á t i c a s a p l i c a m . modifica-se a generalização simbólica à qual se aplicam essas manipulações.cidos para que se alcance destreza daquelas. A Segunda Lei de Newton é um exemplo amplamente part i l h a d o . M a s p o de-se perguntar em q u e m o m e n t o e c o m q u e meios c h e g a r a m a isto. O s o c i ó l o g o ou o l i n g ü i s t a q u e d e s c o b r e q u e a e x p r e s são correspondente é expressa e recebida sem problem a s pelos m e m b r o s d e u m a d a d a comunidade. resolver problemas é aprender coisas r e l e v a n t e s a r e s p e i t o d a n a t u r e z a . sem muita investigação adicional. a selecionar forças.s e mg = m-f .s e d i r e t a m e n t e à f ó r m u l a / — ma. e s s a e x p r e s s ã o d e m o n s t r a ser u m e s b o ç o o u e s q u e m a d e lei. N a a u s ê n c i a d e t a i s e x e m p l a r e s . Para tornar compreensível o que tenho em mente. aprendido grand e c o i s a a r e s p e i t o d o q u e significam t a n t o a e x p r e s são c o m o seus t e r m o s o u c o m o o s cientistas relacion a m essa expressão à natureza. O estudante q u e r e solveu muitos p r o b l e m a s p o d e apenas ter a m p l i a d o sua facilidade p a r a resolver outros m a i s . g e r a l m e n t e e x p r e s s o s o b a f o r m a : / = ma. N ã o há dúvida de que estão de acordo em larga medida. massas e acelerações relevantes? N a prática. Todavia. Q u a n d o e x a m i n a d a . e m b o r a esse aspecto d a situação n u n c a o u q u a s e n u n c a seja n o t a d o . pois de outro m o d o o desacordo apareceria rapidamente nas suas conversações subseqüentes. M a s . n o início e p o r algum tempo. tentei a r g u m e n t a r q u e esta localização do c o n t e ú d o cognitivo da ciência está errada. o fato de q u e eles a a c e i t e m s e m p e r g u n t a s e a u t i l i z e m c o m o um ponto de partida para a introdução de manipulaç õ e s l ó g i c a s e m a t e m á t i c a s n ã o significa q u e e l e s c o n c o r d e m q u a n t o a o seu sentido o u sua aplicação. No caso (Ps da q u e d a livre. À m e d i d a q u e o e s t u d a n t e e o cientista praticante p a s s a m de u m a situação p r o blemática a outra. no dt 2 .

k S! = k (s — S i + d ) . t a n t o aos estudantes. Os primeiros relatam sistematicamente que l e r a m d o início a o f i m u m c a p í t u l o d e s e u m a n u a l .Gestalt. i n f o r m a n d o ao estudante q u e similaridades procurar. m a s n ã o obstante e n c o n t r a m dificuldades p a r a resolver muitos dos p r o b l e m a s q u e e n c o n t r a m n o fim d o capítulo. u m a m a n e i r a d e e n c a r a r s e u p r o b l e m a como s e fosse u m p r o b l e m a q u e j á e n c o n t r o u antes. U m a vez percebida a semelhança e apreendida a analogia entre dois ou mais problemas distintos. e n q u a n t o a p r e n d e a identificar f o r ç a s . dt e p a r a situações mais complexas. M u i t o freqüentemente será u m a vers ã o p a r a a qual a n t e r i o r m e n t e ele n ã o encontrou um e q u i v a l e n t e l i t e r a l . transforma-se e m mg senO : — ml cP6 2 p a r a u m p a r d e oscilações h a r m ô n i c a s e m a ç ã o recíproca transmuta-se em duas equações. / — ma f u n c i o n o u c o m o um i n s t r u m e n t o . T a l habil i d a d e m e p a r e c e ser o q u e d e m a i s e s s e n c i a l u m e s t u m. o estudante p o d e estabelecer relações entre os símbolos e aplicá-los à natureza segundo maneiras que já tenham demonst r a d o s u a eficácia a n t e r i o r m e n t e . sinal i z a n d o o c o n t e x t o (. c o m o aos historiadores d a ciência. C o m u m e n te essas dificuldades se dissipam da m e s m a maneira. t o m a a i n d a o u t r a s f o r m a s . o estudante aprende ao m e s m o t e m p o a elab o r a r a v e r s ã o a p r o p r i a d a de / = ma.c a s o d o p ê n d u l o simples. d i g a m o s . compreenderam-no perfeitamente. m a s s a s e a c e l e r a ç õ e s n u m a v a r i e d a d e d e s i t u a ç õ e s físicas j a m a i s e n c o n t r a d a s a n t e riormente. d e n t r o do q u a l a s i t u a ç ã o deve ser examinada. O e s t u d a n t e d e s c o b r e . Dessa aplicação resulta a h a bilidade p a r a ver a semelhança entre u m a variedade de s i t u a ç õ e s . c o m ou s e m assistência de seu i n s t r u t o r . c u j o p a r e n t e s c o c o m / = ma é a i n d a m a i s difícil d e d e s c o b r i r . t 2 2 2 dt . O e s b o ç o d e lei. C o m o a p r e n d e u a f a z e r isso? U m f e n ô m e n o familiar. c o m o o giroscópio. q u e p e r m i t i r á inter-relacioná-las. C o n t u d o . cP Sl . a primeira das q u a i s p o d e ser f o r m u l a d a c o m o -). t o d a s e l a s s u b m e t i d a s à f ó r m u l a / = ma ou qualquer outra generalização simbólica. p o d e nos fornecer u m a pista.

Nesse m e i o t e m p o . Depois de resolver um certo n ú m e r o de problem a s ( n ú m e r o q u e p o d e variar g r a n d e m e n t e d e indivíd u o p a r a i n d i v í d u o ) . m a s s e u c e n t r o d e gravidade coletivo elevar-se-ia q u a n d o cada u m desses pontos alcançassem sua altura máxima. i m a g i n a n d o q u e o corpo desse último. n a d a mais era do que um conjunto de pêndulos pontuais galileanos e q u e as ligações entre esses p o d e r i a m ser i n s t a n t a n e a m e n t e desfeitas e m q u a l q u e r m o m e n t o d a oscilação. A p r e n d e u t a m b é m a v e r e s t a sit u a ç ã o e x p e r i m e n t a l c o m o s e fosse s i m i l a r à d o p ê n d u lo com massa pontual para u m a bola do pêndulo. a o r e s o l v e r p r o b l e m a s e x e m p l a r e s . assimilou u m a maneira de ver testada pelo t e m po e aceita pelo g r u p o . seja c o m lápis e p a p e l . o c e n t r o d e g r a v i d a de coletivo n ã o ultrapassaria a altura a partir da qual o centro de gravidade do pêndulo real c o m e ç a r a a cair. tal c o m o n o p ê n d u l o d e G a l i l e u .a s a p a r t i r d o m e s m o c o n t e x t o (Gestaltj q u e o s o u t r o s m e m b r o s d o seu g r u p o d e e s p e c i a l i s t a s . seja n u m l a b o r a t ó r i o b e m p l a n e jado.o s de ácòrdío c o m ^ o l u c ^ e ^ ã n r e r i o r e s . E m s e g u i d a i m a g i n e mos que cada partícula de água se move separadamente p a r a cima até a altitude m á x i m a q u e lhe é possível alcançar com a velocidade adquirida durante aquele ! . os pêndulos pontuais i n d i v i d u a i s p o d e r i a m oscilar l i v r e m e n t e . e n c a r a n d o .d a n t e a d q u i r e . Daniel Bernoulli conseguiu aproximar o fluxo d e á g u a a t r a v é s d e u m orifício e o p ê n d u l o d e Huyghens. J á n ã o s ã o mais as m e s m a s situações q u e encontrou no início de seu treinamento c o m o cientista. ? O papel das relações de similaridade adquiridas revela-se claramente t a m b é m na história da ciência. Qs cientistas resolvem quebra-cabeças m p d e l a n d o . Determina-se o abaixamento do centro de gravidade da água no tanque e no jato durante um i n t e r v a l o d e t e m p o infinitésimo. considerado na sua extensão. A partir daí H u y g h e n s resolveu o problema do centro d e o s c i l a ç ã o d e u m p ê n d u l o físico. Desfeitas as ligações. f r e q ü e n t e m e n t e c o m t ã Í ^ a e t B ! g o ^ í n i m o _ _ a generaTizâções^lTmbóTlgâsT* G á f i l é u ' d e s c o b r i u q u e "uma' bola qriiaSs^c*'r^iãria o um p l a n o i n c l i n a d o a d q u i r e v e l o c i d a d e suficiente p a r a v o l t a r à m e s m a altura vertical n u m segundo plano inclinado c o m q u a l q u e r aclive. M a s . Finalmente. o estudante passa a conceber as situações q u e o confrontam c o m o um cientista.

a l g u m a c o i s a a r e s p e i t o d a s situações q u e se apresentam ou n ã o na natureza. 1738). E. 135-36. 238-58 (1967). Seção III. descobriu-se r a p i d a m e n t e a velocidade do fluxo. 186-193 e D A N I E L ÍERNOULLI. foi c o m u m e n t e e x p r e s s a d a s e g u i n te forma: "A descida real iguala a subida potencial". ver C L I F F O R D T R U E S D E L L . A History of Mechanics. comnentarii opus academicum (Estrasburgo.intervalo. juntamente com exem1 1 1 1 . Esse gênero de aprendizado n ã o se adquire exclusivamente através de meios verbais. O s t r ê s p r o b l e m a s d o e x e m p l o ( t o d o s eles e x e m p l a r e s p a r a o s mecânicos do século X V I I I ) empregam apenas u m a lei d a n a t u r e z a . i s t o é. A elevação do centro de gravidade d a s p a r :ículas i n d i v i d u a i s d e v e e n t ã o i g u a l a r o a b a i x a m e n t o do centro de gravidade da água no tanque e no jato. . p o d e m ter dito a um h o m e m que n ã o conhecia n e m m e s m o esses p r o b l e m a s . C o n h e c i d a c o m o o P r i n c í p i o d a vis viva ( f o r ç a v i v a ) . q u e vinha s e n d o procurada há muito t e m p o . Hydrodynamica. v e r R E N É D U G A S . sive de veribus et motibus fluidorum. partir dessa concepção do problema. Conjecture. A p r o p ó s i t o do e x e m p l o . R. rad. Texas Quarterly. A a p l i c a ç ã o q u e B e r n o u l l i fez d e s s a lei d e v e r i a s u g e r i r q u ã o p l e n a de conseqüências ela era. c o m o objetos para a aplicação do m e s m o esboço de lei o u lei científica. A. a n t e s d a lei. o e n u n c i a d o v e r b a l d a lei. Esse exemplo deveria começar a tornar claro o que q u e r o dizer q u a n d o falo e m a p r e n d e r p o r m e i o de p r o b l e m a s a v e r s i t u a ç õ e s c o m o s e m e l h a n t e s . é v i r tualmente impotente. Para comireender o grau de d e s e n v o l v i m e n t o alcançado pela Mecânica durante i primeira metade do século X V I I I . M a d d o x ( N e u c h â t e l . A o m e s m o t e m p o m o s t r a p o r q u e m e refiro a o relevante c o n h e c i m e n t o d a natureza q u e se adquire ao compreender a relação de semelhança. Isto corresponde a a p r e n d e r . obtido modelando-se u m a solução Je problema sobre outra. Error a n d Failure i n N e w t o n ' s 'rincipia. X. Apresentemo-lo a um estudante c o n t e m p o r â n e o de Física. t o m a d o e m s i m e s m o . e m b o r a todas b e m conhecidas. I m a g i n e m o s em seguida o que essas palavras. ao contrário. p p . Ocorre. 1 9 5 5 ) . pp. Reactions of i-ate l a r o q u e M e c h a n i c s t o Success. J. q u a n d o alguém aprende as palavras. q u e conhece as palavras e é capaz de resolver todos esses p r o b l e m a s q u e atualm e n t e e m p r e g a meios diferentes. P a r a ele a g e n e r a l i z a ç ã o s o m e n t e p o d e r i a c o m e ç a r a f u n c i o n a r q u a n d o fosse c a paz de reconhecer "descidas reais" e "subidas potenciais" c o m o ingredientes da natureza. c o n t u d o . conhecimento q u e s e e n c a r n a n u m a m a n e i r a d e ver a s s i t u a ç õ e s físicas e n ã o e m leis o u r e g r a s .

pios concretos de c o m o funcionam na prática; a natureza e as palavras são aprendidas simultaneamente. P e d i n d o e m p r e s t a d a m a i s u m a v e z a útil e x p r e s s ã o d e Michael Polanyi: desse processo resulta um "conhecimento tácito", conhecimento que se aprende fazendo ciência e n ã o simplesmente adquirindo regras p a r a fazê-la. 4. Conhecimento tácito e intuição

E s s a r e f e r ê n c i a ao c o n h e c i m e n t o t á c i t o e a rejeição concomitante de regras circunscreve um outro prob l e m a que tem p r e o c u p a d o muitos de m e u s críticos e que parece motivar as acusações de subjetivismo e irracionalidade. Alguns leitores tiveram a impressão de q u e eu tentava assentar a ciência em intuições individ u a i s n ã o - a n a l i s á v e i s e n ã o s o b r e a L ó g i c a e as leis. M a s esta interpretação perde-se em dois pontos essenciais. P r i m e i r o , essas intuições n ã o s ã o individuais — se é que estou falando de intuições. São antes possessões testadas e compartilhadas pelos m e m b r o s de um grupo b e m sucedido. O novato adquire-as através do treinamento, c o m o p a r t e d e sua p r e p a r a ç ã o p a r a tornar-se m e m b r o do grupo. Segundo, elas n ã o são, em princípio, impossíveis de analisar. Ao contrário, estou presentemente trabalhando com um programa de comp u t a d o r p l a n e j a d o p a r a investigar suas propriedades e m u m nível elementar. N a d a direi a respeito desse p r o g r a m a a q u i , m a s o simples fato de o m e n c i o n a r deveria esclarecer m e u a r g u m e n t o c e n t r a l . Q u a n d o falo d e c o n h e c i m e n t o b a seado em exemplares partilhados, n ã o estou me refer i n d o a u m a forma de conhecimento m e n o s sistemática ou m e n o s analisável q u e o c o n h e c i m e n t o b a s e a d o em r e g r a s , leis o u c r i t é r i o s d e i d e n t i f i c a ç ã o . E m v e z d i s s o , tenho em mente u m a forma de conhecimento que pode ser interpretada e r r o n e a m e n t e , se a reconstruirmos em termos de regras que primeiramente são abstraídas de exemplares e q u e a partir daí passam a substituí-los. D i t o d e o u t r o m o d o : q u a n d o falo e m a d q u i r i r a p a r tir d e e x e m p l a r e s a c a p a c i d a d e d e r e c o n h e c e r q u e u m a
1 2

meu

1 2 . A l g u m a informação sobre ensaio "Second Thoughts".

esse

assunto

pode

ser

encontrada

no

situação d a d a se assemelha ( o u não se assemelha) a situações anteriormente encontradas, n ã o estou apeland o p a r a u m p r o c e s s o q u e n ã o p o d e ser t o t a l m e n t e e x p l i cado em termos de mecanismos neurocerebrais. Sustento, ao contrário, q u e tal explicação, d a d a a sua n a tureza, n ã o será c a p a z de responder à pergunta: "Semelhante em relação a quê?" Essa questão pede u m a regra — nesse caso, os critérios através d o s quais situações particulares são agrupadas em conjuntos semelhantes. Reivindico q u e neste caso é necessário r e sistir à t e n t a ç ã o d e p r o c u r a r o s c r i t é r i o s ( o u p e l o m e nos um conjunto de critérios). Contudo, não me opon h o a sistemas, m a s apenas a algumas de suas formas particulares. P a r a dar p e s o à m i n h a afirmação, farei u m a b r e ve digressão. Atualmente parece-me óbvio o q u e digo a seguir, m a s o recurso constante em m e u texto origin a l a frases c o m o " o m u n d o t r a n s f o r m a - s e " s u g e r e q u e n e m s e m p r e foi a s s i m . S e d u a s p e s s o a s e s t ã o n o m e s m o lugar e olham fixamente na m e s m a direção, d e vemos concluir, sob p e n a de solipsismo, q u e r e c e b e m e s t í m u l o s m u i t o s e m e l h a n t e s . ( S e a m b a s p u d e s s e m fixar seus olhos no m e s m o local, os estímulos seriam idênticos.) M a s as pessoas n ã o vêem os estímulos; nosso c o n h e c i m e n t o a r e s p e i t o d e l e s é a l t a m e n t e t e ó r i c o e abstrato. Em lugar de estímulos, temos sensações e n a d a nos obriga a supor q u e as sensações dos nossos dois espectadores s ã o u m a e a m e s m a . ( O s céticos p o deriam relembrar q u e a cegueira c o m relação a cores nunca fora percebida até sua descrição por J o h n Dalton em 1794.) Pelo contrário: muitos processos nervosos t ê m lugar entre o recebimento de um estímulo e a consciência de u m a sensação. E n t r e as poucas coisas q u e s a b e m o s a esse respeito e s t ã o : estímulos m u i to diferentes p o d e m produzir a m e s m a sensação; o m e s m o estímulo p o d e produzir sensações m u i t o diferentes; e, finalmente, o c a m i n h o que leva do estímulo à sensação é parcialmente determinado pela educação. Indivíduos criados em sociedades diferentes c o m p o r tam-se, em algumas ocasiões, c o m o se vissem coisas diferentes. Se n ã o fôssemos tentados a estabelecer u m a relação biunívoca entre estímulo e sensação, poderíamos a d m i t i r q u e tais i n d i v í d u o s r e a l m e n t e v ê e m c o i s a s diferentes.

N o t e - s e q u e d o i s g r u p o s cujos m e m b r o s t ê m s i s t e maticamente sensações diferentes ao captar os mesmos e s t í m u l o s , v i v e m , em certo sentido, em m u n d o s d i f e rentes. Postulamos a existência de estímulos p a r a e x plicar nossas percepções do m u n d o e postulamos sua imutabilidade p a r a evitar tanto o solipsismò individual c o m o o social. N ã o t e n h o a m e n o r r e s e r v a q u a n t o a q u a l q u e r desses postulados. M a s n o s s o m u n d o é p o voado, em primeiro lugar, n ã o pelos estímulos, m a s p e l o s o b j e t o s d e n o s s a s s e n s a ç õ e s e esses n ã o p r e c i s a m ser o s m e s m o s d e i n d i v í d u o p a r a i n d i v í d u o , d e g r u p o p a r a grupo. Evidentemente, na m e d i d a em que os indivíduos pertencem ao mesmo grupo e portanto compartil h a m a educação, a língua, a experiência e a cultura, temos boas razões p a r a supor q u e suas sensações são a s m e s m a s . S e n ã o fosse a s s i m , c o m o p o d e r í a m o s c o m p r e e n d e r a p l e n i t u d e de s u a c o m u n i c a ç ã o e o c a r á t e r c o letivo de suas respostas comportamentais ao meio a m b i e n t e ? É p r e c i s o q u e v e j a m as c o i s a s e p r o c e s s e m os e s t í m u l o s d e u m a m a n e i r a q u a s e i g u a l . M a s o n d e existe a d i f e r e n c i a ç ã o e a e s p e c i a l i z a ç ã o de g r u p o s , n ã o d i s pomos de nenhuma prova semelhante com relação à imutabilidade das sensações. Suspeito de q u e um m e r o paroquialismo nos faz supor q u e o trajeto d o s estímulos às sensações é o m e s m o p a r a os m e m b r o s de todos os grupos. V o l t a n d o a o s e x e m p l a r e s e às r e g r a s , eis o q u e t e n h o t e n t a d o sugerir, s e b e m que d e u m a forma preliminar: u m a das técnicas fundamentais pelas quais os m e m b r o s de um grupo (trata-se de toda cultura ou de u m s u b g r u p o d e especialistas q u e atua n o seu interior) a p r e n d e m a ver as m e s m a s coisas q u a n d o confrontados c o m os m e s m o s estímulos consiste na apresentação de exemplos de situações q u e seus predecessores no g r u p o já a p r e n d e r a m a ver c o m o semelhantes entre si ou diferentes de outros gêneros de situações. Essas situações semelhantes p o d e m ser apresentações sensoriais sucessivas do m e s m o indivíduo — p o r e x e m p l o , da m ã e , q u e é f i n a l m e n t e r e c o n h e c i d a à p r i m e i r a v i s t a c o m o ela m e s ma e c o m o diferente do pai ou da irmã. P o d e m ser a p r e s e n t a ç õ e s d e m e m b r o s d e famílias n a t u r a i s , d i g a m o s , c i s n e s d e u m l a d o e g a n s o s d e o u t r o . O u p o d e m ser, n o caso d o s m e m b r o s de grupos mais especializados, exemplos de situações de tipo newtoniano, isto é, situações

que têm em c o m u m o fato de estarem submetidas a u m a v e r s ã o da f o r m a s i m b ó l i c a / = ma e q u e s ã o d i f e r e n tes daquelas situações às quais se aplicam, por exemplo, o s e s b o ç o s d e leis d a Ó p t i c a . A d m i t a m o s p o r e n q u a n t o q u e a l g u m a coisa desse tipo realmente ocorre. D e v e m o s dizer que o que se o b t é m a p a r t i r de e x e m p l a r e s s ã o r e g r a s e a h a b i l i d a d e p a r a aplicá-las? Essa descrição é tentadora, p o r q u e o ato de ver u m a situação a partir de sua semelhança c o m o u t r a s a n t e r i o r m e n t e e n c o n t r a d a s d e v e ser o r e s u l t a d o de um processo neurológico, totalmente governado por leis físicas e q u í m i c a s . N e s s e s e n t i d o , o r e c o n h e c i m e n t o da semelhança deve, u m a vez q u e a p r e n d a m o s a fazê-lo, ser t ã o a b s o l u t a m e n t e s i s t e m á t i c o q u a n t o a s b a t i d a s d e nosso coração. M a s este m e s m o paralelo sugere q u e o r e c o n h e c i m e n t o p o d e ser i n v o l u n t á r i o , e n v o l v e n d o u m processo sobre o qual não temos controle. Neste caso, n ã o é a d e q u a d o concebê-lo c o m o algo que p o d e m o s m a nejar através da aplicação de regras e critérios. F a l a r nesses termos implica ter acesso a outras alternativas — p o d e r í a m o s , por exemplo, ter desobedecido a u m a regra ou aplicado mal um critério, ou ainda experimentado u m a n o v a m a n e i r a d e v e r . E s s a s p a r e c e m - m e ser p r e c i s a m e n t e o g ê n e r o d e c o i s a s q u e n ã o p o d e m o s fazer. Ou, mais precisamente, essas são as coisas q u e n ã o p o d e m o s fazer antes d e t e r m o s tido u m a sensação, percebido algo. E n t ã o o que fazemos freqüentemente é b u s c a r critérios e utilizá-los. P o d e m o s em seguida e m p e nhar-nos na interpretação, um processo deliberativo através do qual escolhemos entre alternativas — algo q u e n ã o p o d e m o s fazer q u a n d o s e t r a t a d a p r ó p r i a p e r c e p ç ã o . P o r e x e m p l o , t a l v e z exista a l g o e s t r a n h o n o q u e vimos (recorde-se as cartas de baralho anômalas). Ao dobrar u m a esquina, vemos nossa m ã e entrando n u m a loja d o c e n t r o d a c i d a d e , n u m h o r á r i o e m q u e a s u p ú n h a m o s em casa. Refletindo sobre o que vimos, exclam a m o s repentinamente: " N ã o era m i n h a m ã e , pois ela t e m c a b e l o r u i v o " . A o e n t r a r n a loja, v e m o s n o v a m e n t e a mulher e não conseguimos compreender como pude1 3

1 3 . N i j h a v e r i a n e c e s s i d a d e d e insistir n e s s e p o n t o s e t o d a s a s leis f o s s e m c o m o as de N e w t o n e todas as regras c o m o as d o s D e z M a n d a m e n t o s . N e s s e c a s o , a e x p r e s s ã o " d e s o b e d e c e r u m a lei" n â o teria s e n t i d o e a rejeição de regras n ã o daria a impressão de implicar um p r o c e s s o não-governado por _ u m a lei. Infelizmente, leis de tráfego e p r o d u t o s similares da legislação p o d e m ser desobedecidos, o que facilita a confusão.

mos tomá-la por nossa mãe. Ou então vemos as penas da c a u d a de u m a ave aquática alimentando-se de alguma coisa no leito de u m a piscina rasa. É um cisne ou u m ganso? E x a m i n a m o s nossa visão, c o m p a r a n d o essas p e n a s d e c a u d a c o m a s d o s cisnes e g a n s o s q u e j á v i m o s anteriormente. Ou talvez, sendo cientistas primitivos, q u e i r a m o s simplesmente conhecer alguma característica geral (por exemplo, a brancura dos cisnes) dos m e m bros de u m a família natural q u e já conseguimos reconhecer c o m facilidade./Aqui, refletimos mais u m a vez sobre o que percebemos previamente, buscando o que o s m e m b r o s d e u m a d e t e r m i n a d a família t ê m e m comum. T o d o s esses p r o c e s s o s s ã o d e l i b e r a d o s e n e l e s p r o c u r a m o s e d e s e n v o l v e m o s r e g r a s e c r i t é r i o s . I s t o é, t e n t a m o s interpretar as sensações que estão à nossa disposição p a r a podermos analisar o que o d a d o é para n ó s . / N ã o o b s t a n t e f a ç a m o s isso, o s p r o c e s s o s e n v o l v i d o s d e v e m , e m ú l t i m a i n s t â n c i a , ser n e u r o l ó g i c o s . S ã o p o r i s s o g o v e r n a d o s p e l a s m e s m a s leis físico-químicas q u e dirigem tanto a m ã o c o m o nossos batimentos cardíacos. M a s o fato de q u e o sistema obedeça às m e s m a s leis n o s t r ê s c a s o s n ã o n o s p e r m i t e s u p o r q u e n o s s o a p a relho neurológico está p r o g r a m a d o p a r a operar da mesma maneira na interpretação e na percepção ou mesmo nos nossos batimentos cardíacos. Neste livro v e n h o me o p o n d o à tentativa, tradicional desde Descartes, mas n ã o antes dele, de analisar a percepção c o m o um processo interpretativo, c o m o u m a versão inconsciente do que fazemos depois de termos percebido. O q u e torna a integridade da percepção digna de ê n f a s e é , c e r t a m e n t e , o fato d e q u e t a n t a e x p e r i ê n c i a p a s s a d a esteja e n c a r n a d a n o a p a r e l h o neurológico q u e transforma os estímulos em sensações. Um mecanismo perceptivo adequadamente programado possui u m a valor de sobrevivência. Dizer que os m e m b r o s de diferentes grupos p o d e m ter percepções diferentes q u a n d o confrontados c o m os mesmos estímulos n ã o implica afirmar q u e p o d e m ter quaisquer percepções. E m muitos meio a m bientes, um g r u p o incapaz de distinguir lobos de cachorros n ã o jioderia sobreviver. A t u a l m e n t e um g r u p o de físicos n u c l e a r e s s e r i a i n c a p a z d e s o b r e v i v e r c o m o g r u p o científico c a s o fosse i n c a p a z d e r e c o n h e c e r o s t r a ç o s d e p a r t í c u l a s alfa e e l é t r o n s . É e x a t a m e n t e p o r q u e t ã o p o u -

u m a hipótese a respeito da visão q u e deveria ser s u b m e tida a investigação experimental. Aquilo q u e constitui o processo neurológico que transforma estímulos em sensações possui as seguintes características: foi t r a n s m i t i d o p e l a e d u c a ç ã o . Na ausência dessa última. o conhecimento baseado no trajeto estímulo-resposta permanece tácito. e s t á sujeito a m o d i f i c a ç õ e s t a n t o a t r a v é s d a e d u c a ç ã o posterior c o m o pela descoberta de desajustamentos com a natureza. Contudo. E m b o r a t u d o isso n ã o t e n h a s e n ã o u m v a l o r p r e l i m i n a r e n ã o n e c e s s i t e ser c o r r i g i d o e m t o d o s o s s e u s d e t a l h e s . e l é t r o n s e c a m p o s . n o m í n i m o . nas páginas precedentes e especialmente no Cap. exatamente porq u e essas m a n e i r a s de ver foram selecionadas p o r seu sucesso ao longo de um determinado período histórico. e finalmente. o q u e a c a b a m o s d e dizer a r e s p e i t o d a s e n s a ç ã o d e v e s e r t o m a d o e m s e u s e n t i d o literal. Essas são as características do conhecim e n t o e explicam por que uso o termo. d e m o n s t r o u s e r . 9. porque está faltando u m a o u t r a característica. N ã o temos acesso direto ao q u e conhecemos.c a s m a n e i r a s d e v e r n o s p e r m i t i r ã o fazer isso q u e a s q u e resistem aos testes do e m p r e g o grupai são dignas de serem transmitidas de geração a geração. Do m e s m o m o d o . É . d e v e m o s falar d a e x p e r i ê n c i a e d o c o n h e c i m e n t o baseados no trajeto estímulo-resposta. m a s a agulha de um a m p e r í m e t r o ou galvanômetro. e m b o r a provavelmente n ã o a u m a verificação direta. M a s é um uso estranho. tal c o m o n o c o r p o d o l i v r o . m a s s i m suas trajetórias o u bolhas d e vapor n u m a c â m a r a b a r o m é t r i c a ( c â m a r a d e W i l s o n ) . mais efetivo q u e seus competidores históricos n u m meio ambiente de um g r u p o . a t r a v é s de tentativas. T a l v e z " c o n h e c i m e n t o " seja u m a p a l a v r a i n a d e quada. N ã o vemos a s c o r r e n t e s elétricas. M a s falar aqui da sensação e da visão t a m b é m serve a funções metafóricas. m a s há muitas razões para empregá-la. n e m regras ou generalizações c o m as quais expressar esse conhecim e n t o . procedi repetidamente como se realmente percebêssemos entidades teóricas c o m o correntes. N ã o vemos e l é t r o n s . A s r e g r a s q u e p o d e r i a m n o s f o r n e c e r esse a c e s s o d e v e r i a m referir-se a o s estímulos e n ã o às sensações e só p o d e m o s conhecer os estímulos utilizando u m a teoria elaborada. c o m o se a p r e n d ê s s e m o s a fazer isso através do exame de exemplares e c o m o se t a m b é m nesses c a s o s fosse e q u i v o c a d o s u b s t i t u i r o t e m a d a v i s ã o .

m a s ao olhar u m a c â m a r a barométrica ele não vê (aqui literalmente) gotas d'água. será suficiente para identificar as correntes. m e s m o quando n ã o houver um conjunto de regras que especifique as c o n d i ç õ e s necessárias e suficientes para sua identificação. p o d e r í a m o s ser c o m p e l i d o s a introduzir um critério específico para distingui-los. c r i t é r i o s q u e ele i n t e r p r e t a c o m o índices da presença das partículas correspondent e s . que p o d e variar consideravelmente de caso para c a s o . U m a observação semelhante p o d e ser feita c o m relação a entidades não-observáveis. . D a d o u m c o n j u n t o d e c o n d i ç õ e s necessárias e suficientes para a identificação de u m a entidade teórica. Existem d i f e r e n ç a s c o r r e s p o n d e n t e s n a m a n e i r a c o m q u e ele p r o cessa os estímulos q u e lhe chegam dos instrumentos. Essa última observação sugere um corolário plausível que p o d e ser m a i s i m p o r t a n t e . então u m p e q u e n o n ú m e r o d e critérios. C o n t u d o . A l o n g o p r a z o p r e c i s a r á ser e l i m i n a d a e m f a v o r d e u m a f o r m a m a i s literal d e d i s c u r s o . as seguintes observações p o u c o explícitas p o d e m servir de guia. s u a s e n s a ç ã o t a l v e z seja a m e s m a d o l e i g o . 1 4 1 4 . E s s a s t r a j e t ó r i a s s ã o . m a s e s s e t r a j e t o n ã o s ó é m a i s c u r t o . depois do processamento neurológico. a observação cuidadosa. A possibilidade de um reconhecim e n t o imediato dos m e m b r o s de famílias naturais depende da existência. Se. a análise e a interpretação ( o u ainda a intervenção de u m a autoridade e x t e r n a ) são exigidas. essa entidade p o d e ser eliminada da ontologia de u m a teoria através da substituição. Se u m a teoria física n ã o admite a existência d e n a d a a l é m d a corrente elétrica. na ausência de tais regras. A visão de p e q u e n a s gotas d'água ou de u m a agulha contra u m a escala n u m é r i c a é u m a experiência p e r c e p t i v a p r i m i t i v a p a r a q u a l q u e r u m q u e n ã o esteja f a miliarizado c o m as câmaras barométricas e amperímetros. m a s as trajetórias dos elét r o n s . essas entidades n ã o s ã o elimináveis. M a s a p o s i ç ã o daquele q u e conhece esses instrumentos e teve muitas experiências de seu u s o é bastante diferente. c o m o é difer e n t e d a q u e l e feito p e l o h o m e m q u e interpreta a s p e quenas gotas d'água. s e q u i s e r e m . Em lugar disso tentarei brevemente r e forçá-la. houvesse um continuum p e r c e p t i v o d a s c l a s s e s d e a v e s a q u á t i c a s q u e f o s s e m d e g a n s o s até cisnes. A o o l h a r o v a p o r d e s u a r e s p i r a ç ã o n u m a m a n h ã fria d e i n v e r n o . de espaços perceptivos vazios entre as famílias a serem discriminadas. m a s n e m o espaço disponível. A metáfora q u e permite transferir " v i s ã o " p a r a contextos desse tipo d i f i c i l m e n t e p o d e servir d e b a s e p a r a t a i s r e i v i n d i c a ç õ e s . d a s p a r t í c u l a s alfa e a s s i m p o r d i a n t e . O programa de c o m p u t a d o r acima referido começa a s u g e r i r m a n e i r a s p e l a s q u a i s isso p o d e ser feito.pelo t e m a d o s critérios e da interpretação. S e n d o assim. a teoria exige sua existência. n e m a extensão de minha c o m p r e e n s ã o atual do t e m a permitem q u e eu elimine aqui essa m e t á f o r a . antes q u e se possa chegar a conc l u s õ e s s o b r e os e l é t r o n s e as c o r r e n t e s . P a r a os leitores de " S e c o n d Thoughts". por exemplo.

Exemplares. ele d e v e e x a m i n a r t o d a a d i s p o s i ç ã o d o s fios i n t e r n o s e e x t e r n o s . p o r o u t r o lado. P a r a interpretá-la. experimentá-los c o m baterias e ímãs e assim por diante. a posição da agulha n ã o é critério de coisa algum a . em vez disso. incomensurabilidade e revoluções O q u e a c a b a m o s de dizer fornece u m a base p a r a o esclarecimento de mais um aspecto deste livro: minhas observações sobre a incomensurabilidade e suas conseqüências p a r a os cientistas q u e d e b a t e m sobre a escolha entre teorias s u c e s s i v a s . Já q u e os vocabulários c o m os quais discutem tais situações consistem predominantemente dos mesmos termos. . Conseqüentemente. m a s a p e n a s d o valor d a c o r r e n t e . P a r a interpretá-la. V "Reflections". e VI Os das pontos seguintes são tratados com mais detalhe nos Caps. S o m e n t e o s filósofos s e e q u i v o c a r a m s e 15 is. T a n t o n o sentido metafórico c o m o n o sentido literal d o termo "visão". 9 e 11 q u e as partes q u e intervém em tais d e b a t e s inevitavelmente vêem de m a n e i r a distinta certas situações experimentais ou de observação a q u e a m b a s t ê m acesso. a superiorid a d e d e u m a t e o r i a s o b r e o u t r a n ã o p o d e ser d e m o n s t r a d a através de u m a discussão. na necessidade de cada partido tentar convencer através d a p e r s u a s ã o .Consideremos ainda o cientista q u e inspeciona um amperímetro para determinar o n ú m e r o que a agulha está indicando. a s p a r t e s d e v e m e s t a r v i n c u l a n d o estes t e r m o s d e m o d o diferente à natureza — o que torna sua comunicação inevitalmente parcial. Sua sensação é provavelmente a m e s m a d e u m a leigo. M a s ele viu o a m p e rímetro (ainda aqui c o m freqüência de forma literal) no contexto do circuito total e sabe a l g u m a coisa a respeito de sua estrutura interna. P a r a ele a posição da a g u l h a é u m c r i t é r i o . Insisti. exceto de si m e s m o .^5. necessita apenas determinar em q u e escala o medidor deve ser lido. . Os dois processos n ã o s ã o o m e s m o e o que a percepção deixa para a interpretação completar depende drasticamente da natureza e da extensão da f o r m a ç ã o e da experiência prévias. a interpretação começa onde a percepç ã o termina. A r g u m e n t e i n o s C a p s . P a r a o leigo. e s p e c i a l m e n t e s e esse ú l t i m o j á l e u o u t r o s tipos de medidores anteriormente.

afirmaram que acredito no s e g u i n t e : os defensores de teorias incomensuráveis n ã o p o d e m a b s o l u t a m e n t e comunicar-se entre si. E n e m m e s m o implica afirmar que as razões p a r a a escolha sejam diferentes daquelas c o m u m e n t e e n u m e r a d a s p e l o s filósofos d a c i ê n c i a : e x a t i d ã o s i m p l i c i d a d e . a t e o r i a d e v e s e r escolhida p o r razões q u e são. as partes c o m p r o m e t i d a s no d e b a t e p o d e m refazer seus p a s s o s um a um e conferi-los c o m as estipulações p r é v i a s . n u m debate sobre a escolha de teor i a s n ã o c a b e r e c o r r e r a boas r a z õ e s . . acima. O q u e estou tentando demonstrar é a l g o m u i t o s i m p l e s . d e h á m u i t o f a m i l i a r à Filosofia d a Ciência. as premissas e regras de inferência estão estipuladas d e s d e o início. fecundidade e outros semelhantes. a l g u m a espécie de apercepção mística é responsável pela decisão a q u e se chega. Alguns deles. e igualmente o ensaio TOULIN em Growth of Knowledge. A o final d e s s e p r o c e s s o . p e s soais e subjetivas. S e h á u m d e s a c o r d o s o b r e a s c o n c l u s õ e s . entretanto. N a d a n e s s a t e s e r e l a t i v a m e n t e f a m i l i a r i m p l i c a afirm a r que n ã o existam boas razões p a r a deixar-se persuadir ou q u e essas razões n ã o sejam decisivas p a r a o grup o . queremos s u g e r i r q u e tais r a z õ e s f u n c i o n a m c o m o v a l o r e s e p o r t a n t o p o d e m ser a p l i c a d o s d e m a n e i r a s d i v e r s a s . Nessas últimas. S o mente se ambos descobrem que diferem quanto ao sentido ou aplicação das regras estipuladas e que seu acord o p r é v i o n ã o f o r n e c e b a s e suficiente p a r a u m a p r o v a . conseqüentemente. violando u m a regra previamente aceita.riamente sobre a intenção dessa parte de m i n h a argumentação. Consideremos primeiramente minhas observações a respeito da prova. em última instância. STEPKAN V e r os trabalhos citados na nota 9. Os debates sobre a escolha de teorias n ã o p o d e m ser expressos n u m a forma q u e se assemelhe totalm e n t e a provas matemáticas ou lógicas. Esse debate é sobre premissas e recorre à persuasão c o m o um prelúdio à possibilidade de prova. u m o u o u t r o d e v e r e c o nhecer que cometeu um erro. A p ó s esse r e c o n h e c i m e n t o n ã o são aceit o s r e c u r s o s e a p r o v a d o o p o n e n t e d e v e ser a c e i t a . Mais do q u e q u a l q u e r o u t r a parte do livro. somente então é que o debate continua segundo a forma q u e t o m a i n e v i t a v e l m e n t e d u r a n t e a s r e v o l u ç õ e s científicas. as passagens em q u e se b a s e i a m essas interpretações equivocadas estão na origem das acusações de irracionalidade. Contudo. i n d i v i 1 6 de 16.

n ã o p r e cisamos deslindar os detalhes biográficos e de personalidade que levam cada indivíduo a u m a escolha partic u l a r . d i s c o r d a m sobre a importância relativa da fecundidade e. Nesse sentido. da importância de se chegar a u m a escolha — então n e n h u m d e l e s p o d e ser a c u s a d o d e e r r o . e m b o r a esse t ó p i c o seja f a s c i n a n t e . Tais conjuntos são primitivos no sentido de q u e o a g r u p a m e n t o é efetuado sem que se responda à pergunta: "Similares c o m relação a q u ê ? " Assim. P o r exemplo. tal p r e c i s ã o t o m e a f o r m a que passo a descrever. digamos. P a r a c o m p r e e n d e r a especificidade d o desenvolvimento d a ciência.dual e coletivamente. Esse processo é persuasivo. um aspecto central de qualquer revolução reside no fato de q u e algumas das relações . utilizam o m e s m o v o c a b u l á r i o p a r a discuti-la. se dois h o m e n s disc o r d a m a respeito da fecundidade relativa de suas teorias. ou. m e s m o quando aplicado adequadamente. deve necessariamente conduzir cada membro de um grupo a u m a mesma decisão. Se n ã o p o d e m n e m se comunicar como poderão persuadir um ao outro? Até mesmo u m a resposta preliminar a essa questão requer u m a precisão maior a respeito da natureza da dificuldade. c o n c o r d a n d o a esse respeito. N ã o e x i s t e m algoritmos neutros p a r a a escolha de u m a teoria. precisamos entender a maneira pela qual um conjunto determinado de valores compartilhados entra em interação com as experiências particulares c o m u n s a u m a com u n i d a d e de especialistas. E n e n h u m d e l e s e s t á p r o c e d e n d o d e m a n e i r a acientífica. adquirida através de exemplares. Eles falam a partir daquilo que chamei de pontos de vista incomensuráveis. A prática da ciência normal depende da habilidade. por aqueles q u e estão de acordo q u a n t o à sua validade. de tal m o d o q u e a m a i o r parte do grupo acabe por considerar q u e um conjunto de argumentos é mais decisivo q u e o u t r o . S u p o n h o q u e . E n t r e t a n t o . p e l o m e n o s e m p a r t e . Dois homens que percebem a m e s m a situação de maneira diversa e que. p a r a agrupar objetos e situações em conjuntos semelhantes. N e n h u m procedimento sistemático de decisão. mas apresenta um problema mais profundo. n ã o obstante isso. devem estar e m p r e g a n d o as palavras de m o d o diferente. pode-se dizer q u e q u e m t o m a a d e c i s ã o efetiva é a n t e s a c o m u n i d a d e d o s e s p e c i a l i s t a s do que seus m e m b r o s individuais.

m a s surgirão e agrupar-se-ão mais densamente em torno dos fenômenos dos quais depende basicamente a escolha da teoria. ou 'planeta'. n a L u a . . P o r isso n ã o é s u r p r e e n d e n t e q u e . os que participam de u m a interrupção da comunicação n ã o p o d e m dizer: "utilizei a palavra 'elemento' ( o u 'mistura'. Visto que a maior p a r t e dos objetos c o n t i n u a a ser a g r u p a d a . utilizada p o r todos da m e s m a maneira e adeq u a d a p a r a o e n u n c i a d o de suas teorias ou m e s m o d a s c o n s e q ü ê n c i a s e m p í r i c a s d e s s a s t e o r i a s . n a q u e d a livre e n o s m o v i m e n t o p l a n e t á r i o s a p e n d u l a r e s a n t e s e d e p o i s d e G a l i l e u . N ã o p o d e m recorrer a u m a linguagem neutra.v e r s a . Objetos q u e antes estavam agrupados no m e s m o conjunto passam a agrupar-se em c o n j u n t o s d i f e r e n t e s e v i c e . a transferência de um subconjunto é. os n o m e s dos grupos são em geral c o n servados. de ordinário. N ã o obstante. o u n o s s a i s . n ã o o b s t a n t e . da acid e z e d a c o m b i n a ç ã o física e q u í m i c a . P e n s e m o s n o Sol. m e s m o q u a n d o e m c o n j u n t o s alterados. parte de u m a modificação fundamental na rede de inter-relações que os une. podem descobrir-se repentinamente reagindo ao m e s m o estímulo através de generalizações e descrições incompatíveis. n a s fusões d e metais e na mistura de enxofre e limalha de ferro antes e depois de Dalton. d o i s h o m e n s q u e a t é ali p a r e ciam compreender-se perfeitamente d u r a n t e suas conversações. A transferência de metais de um conjunto de compostos para um conjunto d e elementos d e s e m p e n h o u u m p a p e l essencial no surgimento de u m a nova teoria da combustão. E m p o u c o t e m p o essas modificações tinham se espalhado p o r toda a Q u í m i c a . reflete-se n e l a s . Essas dificuldades n ã o serão sentidas n e m m e s m o e m t o d a s a s á r e a s d e s e u s d i s c u r s o s científicos. n ã o s ã o m e r a m e n t e lingüísticos e n ã o p o d e m ser r e s o l v i d o s s i m p l e s m e n t e a t r a v é s d a e s t i p u l a ç ã o d a s definições d o s t e r m o s p r o b l e m á t i c o s . U m a v e z q u e as palavras em t o r n o das quais se cristalizam as dificuldades foram parcialmente apreendidas a partir da aplicação direta de exemplares. P a r t e d a s diferenças é anterior à utilização das linguagens. mas. ou 'movimento livre') na forma estabelecida pelos seguintes critérios". em M a r t e e na T e r r a antes e depois de C o p é r n i c o .de similaridade m u d a m . q u a n d o e s s a s r e d i s t r i b u i ç õ e s o c o r r e m . Tais problemas. e m b o r a apareçam incialmente na c o m u n i c a ç ã o .

p o d e m e m s e g u i d a recorrer aos vocabulários cotidianos q u e lhes são c o m u n s . A l é m disso. e m D E L H Y M E S ( e d . M a s as técnicas exigidas p a r a isso n ã o s ã o n e m s i m p l e s . Caps. T o m a n d o c o m o objeto de estudo as diferenças encontradas n o s d i s c u r s o s n o i n t e r i o r d o s g r u p o s o u e n t r e esses. d e W . e N o v a York. d e v e r i a m ser c a p a z e s d e d e s c o b r i r m u i t a c o i s a a r e s p e i t o da m a n e i r a c o m o diferem. . O m e s m o se dá c o m seus aparelhos neurológicos.T o d a v i a . Os estímulos q u e encontram são os mesmos. focos d e p r o b l e m a s para as discussões intergrupais. 90-97. usadas sem p r o b l e m a s no int e r i o r d e c a d a c o m u n i d a d e . Language and Culture in Society (Nova York. ) . N I D A . . "Linguistics and E t h n o l o g y i n T r a n s l a t i o n P r o b l e m s " . n e m c o n f o r t á v e i s . pp. o s interlocutores p o d e m tentar primeiramente descobrir os termos e as locuções que. D a d o q u e p o s s u e m t a n t o e m c o m u m . já q u e partilham u m a história c o m u m . S o b r e esse último ponto. 1960). n ã o importa q u ã o diferentemente programados. c o m exceção de um setor da experiência reduzido. n ã o o b s t a n t e . ver E. 1964). aqueles q u e e x p e r i m e n t a m tais dificuldades de c o m u n i c a ç ã o d e v e m possuir algum recurso alternativo. ) D e p o i s d e i s o l a r tais á r e a s d e dific u l d a d e n a c o m u n i c a ç ã o científica. A fonte já clássica para a maioria d o s aspectos relevantes da t r a d u ç ã o é Word and Object. V . A. O . Em suma. compartilham tanto seu cotidiano c o m o a maior parte de sua linguagem e m u n d o científicos. n u m e s f o r ç o p a r a e l u c i d a r a i n d a m a i s seus p r o blemas. Mas Quine parece supor que dois h o m e n s q u e r e c e b e m o m e s m o e s t í m u l o d e v e m ter a m e s m a s e n s a ç ã o e portanto t e m p o u c o a dizer a respeito do grau em que o tradutor deve ser c a p a z d e descrever o m u n d o a o q u a l s e a p l i c a a l i n g u a g e m q u e e s t á traduzida. m a s da mais alta importância. o q u e resta aos interlocutores q u e n ã o se c o m p r e e n d e m m u t u a m e n t e é reconhecerem-se uns aos outros c o m o m e m b r o s de diferentes c o m u n i d a d e s de linguagem e a partir daí tornarem-se t r a d u t o r e s . O s cientistas r a r a m e n t e as reconhecem exatamente pelo que são e r a r a m e n t e as utilizam por mais t e m p o do que o necessário p a r a realizar u m a conversão ou convencerem-se a s i m e s m o s d e q u e ela n ã o s e r á o b t i d a . Q U I N E ( C a m b r i d g e . s ã o . salvo no passado imediato. Em conseqüência. I e I I . e n e m m e s m o p a r t e d o arsenal habitual d o cientista. (Locuções q u e n ã o a p r e s e n t a m t a i s d i f i c u l d a d e s p o d e m ser t r a d u z i d a s h o m o f o n a m e n t e . M a s s . C a d a um pode tentar descobrir o que o outro veria e diria q u a n d o confrontado com um estímulo p a r a 1 7 1 7 . até m e s m o suas p r o g r a m a ç õ e s n e u r o l ó g i c a s d e v e m ser a p r o x i m a d a m e n t e a s m e s m a s .

simultaneamente. n ã o n e c e s s i t a ser a c o m p a n h a d a ou seguida pela conversão. os r e s u l t a d o s d a s p e s q u i s a s q u e p o d e m ser v e r b a l i z a d o s dessa forma crescem provavelmente em número. é evidentemente correto. Essa reação ocorre mais facilmente entre os q u e a c a b a m de ingressar na profissão. s e e l a o é . q u a n d o levada adiante. Na ausência d e s s a ú l t i m a . A tradução. M a s m e s m o a p e r s u a s ã o n ã o necessita s e r b e m s u c e d i d a e . Penso que persuadir alguém é convencê-lo de que n o s s o p o n t o d e v i s t a é s u p e r i o r e p o r isso d e v e s u p l a n t a r o seu. É isto q u e o h i s t o r i a d o r d a c i ê n c i a faz r e g u l a r m e n t e ( o u d e v e r i a f a z e r ) q u a n d o e x a m i n a t e o r i a s científicas a n t i q u a d a s . tais resultados já serão decisivos. b e m c o m o suas conseqüências e. Se o n o v o p o n t o de vista p e r d u r a p o r algum t e m p o e continua a d a r frutos. C a d a um terá aprendido a traduzir para sua própria linguagem a teoria do outro. Eles p o d e r ã o d i z e r : n ã o sei c o m o o s a d e p t o s d o n o v o p o n t o d e v i s t a tiveram êxito. m a s preciso aprender. começar a prever bastante b e m o comportamento recíproco. m u i t a s e x p l i c a ç õ e s e e n u n c i a d o s d e p r o b l e m a s endossados pelos m e m b r o s d e u m g r u p o científico s e r ã o o p a c o s p a r a o s m e m b r o s d e o u t r o g r u p o . M a s cada comunidade de linguagem pode produzir habitualmente. Se conseguirem refrear suficientemente suas tendências p a r a explicar o c o m p o r t a m e n t o anômalo c o m o a conseqüência d e s i m p l e s e r r o o u l o u c u r a . Essas duas experiências n ã o são a m e s m a coisa. porque ainda n ã o adquiriram o vocabulário e os compromissos especiais de qualquer um d o s . a i n d a n ã o p o d e m ser e x p l i c a d o s p e l a o u t r a c o m u n i d a d e em seus p r ó p r i o s t e r m o s . O c a s i o n a l m e n t e chega-se a esse r e s u l t a d o sem recorrer a n a d a semelhante à s u m a tradução. é um instrum e n t o potente de persuasão e conversão.o qual sua própria resposta verbal seria diferente. alguns resultados de pesquisa c o n c r e t o s q u e . p o d e r ã o . pois permite aos participantes de u m a c o m u n i c a ç ã o interrompida experimentarem vicariamente alguma coisa dos méritos e defeitos recíprocos. desde o início. e m b o r a p o s s a m ser d e s c r i t o s e m frases compreendidas da m e s m a m a n e i r a pelos dois grupos. c o m o t e m p o . o que quer q u e estejam fazendo. a descrever na sua linguag e m o m u n d o a o q u a l e s s a t e o r i a s e a p l i c a . A p e n a s recentemente reconheci essa distinção importante em toda sua extensão. P a r a alguns.

E n t r e os indivíduos admitidos na profissão. que anteriormente lhes parecia opaco. Contudo. n u m determinado m o m e n t o do processo de aprendizagem da tradução. à medida que a t r a d u ç ã o avança. Em lugar disso. o indivíduo descobre q u e ocorreu a t r a n s i ç ã o . existem sempre contra-argumentos disponíveis e n ã o existem regras q u e prescrevam c o m o se deve estabelecer o equilíbrio entre as partes. poucos serão persuadidos sem que se recorra às comparações mais amplas permitidas pela tradução. essa transição n ã o é d a q u e l a s q u e p o s s a m ser feitas o u n ã o a t r a v é s d e deliberações e escolhas. colocando-se no lugar do opositor.s e n e c e s s á r i a u m a obstinação cega p a r a continuar resistindo. tal c o m o m u i t o s q u e . muitos resultados adicionais d a pesquisa p o d e m s e r traduzidos d a l i n g u a g e m d e u m a c o m u n i d a d e p a r a a de outra. alguns m e m b r o s de c a d a comunidade p o d e m começar a compreender. conduzida sem recorrer ao t e r m o "element o " ) . Nesse caso um segundo aspecto da tradução. de l o n g a d a t a familiar a lingüistas e historiadores. assume u m a importância crucial. descobrir q u e se está p e n s a n d o e trabalhando — e não simplesmente traduzindo — u m a língua q u e antes era estranha. p e l o m e n o s até o último estágio da evolução d o s p o n t o s de vista opostos. A l é m disso. e n c o n t r a m a Teoria da Relatividade ou a M e c â n i c a Quântica . q u e ele d e s l i z o u p a r a a n o v a l i n g u a g e m s e m t e r t o m a d o q u a l q u e r d e c i s ã o a esse r e s p e i t o . os argumentos enunciáveis no vocabulário utilizado da m e s m a maneira por ambos os grupos h a b i t u a l m e n t e n ã o são decisivos. Traduzir u m a teoria ou visão de m u n d o na sua p r ó p r i a linguagem n ã o é fazê-la sua. P a r a isso é n e c e s s á r i o u t i l i z a r e s s a l í n g u a c o m o s e fosse nossa língua m a t e r n a . N ã o obstante. E m b o r a o preço desse t i p o d e t r a d u ç ã o seja f r e q ü e n t e m e n t e s e n t e n ç a s m u i t o longas e complexas (recorde-se a controvérsia Proust-Berthollet. na medida em que os argumentos se a c u m u l a m e desafio após desafio é e n f r e n t a d o c o m ê x i t o . p o r e x e m p l o . De qualquer m o d o . t o r n a . podia parecer u m a explicação p a r a os membros do p r u p o oposto. de q u e m o d o um enunciado. O u a i n d a : o i n d i v í d u o . Contudo.grupos. P a r a a maioria das p e s s o a s a t r a d u ç ã o é um p r o c e s s o a m e a ç a d o r e c o m p l e t a m e n t e estranho à ciência normal. por melhores razões que se tenha p a r a desejar proceder desse m o d o . P o r certo a disponibilidade de tais técnicas n ã o garante a persuasão.

d e q u a l q u e r m o d o . Revoluções e relativismo 18 U m a conseqüência de posição recém-delineada irritou especialmente muitos de meus críticos.somente na metade de suas carreiras. q u e a m b o s os g r u p o s p o d e m estar certos. M a s . e l e p o d e utilizar a n o v a teoria. Seu t r a b a l h o será parasitário c o m relação ao desses últim o s . n e m as boas razões.l o e de s e n t i r . 6. Reconhecer esse paralelismo sugere. a tradução p o d e fornecer pontos de partida para a reprogramação neurológica que. m a s o fará c o m o um forast e i r o n u m l u g a r e s t r a n h o : a a l t e r n a t i v a l h e s e r á acessível apenas p o r q u e já é utilizada pelos naturais do lugar. Os defensores de teorias diferentes são c o m o m e m b r o s de c o m u nidades de cultura e linguagem diferentes. Eles c o n s i d e r a m relativista m i n h a perspectiva. emb o r a seja inescrutável a esta altura. A experiência de conversão q u e comparei a u m a m u d a n ç a d e p e r s p e c t i v a (Gestalt) p e r m a n e c e . Boas razões em favor da escolha p r o p o r c i o n a m motivos para a convers ã o e o clima no qual ela tem maiores probabilidades de ocorrer. p o r t a n t o .s e à v o n t a d e no m u n d o q u e este a j u d a a c o n s t i t u i r . e s t á l o n g e d e u m simples r e l a t i v i s 1 8 . particularmente na forma em q u e está desenvolvida no último capitulo deste livro. q u a n d o a p l i c a d a à c i ê n c i a . N ã o o b s t a n t e . M a s . E s s a p o s i ç ã o é relativista.l o e . e POPPEK em . "Structure Growth of Knowíedge. no cerne do processo revolucionário. m a s a c o n v e r s ã o q u e e s t a e s c o l h a r e q u e r p a r a s e r eficaz l h e e s c a p a . em certo sentido. M i n h a s observações sobre a t r a d u ç ã o iluminam as razões que levam à acusação. I n t e l e c t u a l m e n t e t a l h o m e m fez s u a e s c o l h a . ela p o d e n ã o s ê . n e m a tradução constituem a conversão e é este processo q u e d e v e m o s explicar p a r a que se possa entender um tipo fundament a l d e m u d a n ç a científica. of Scientific Revolutions". SHAPEBE. p o i s l h e falta a c o n s t e l a ç ã o d e d i s p o s i ç õ e s m e n t a i s q u e os futuros m e m b r o s da c o m u n i d a d e irão adquirir através da educação. A l é m disso. d e v e estar subjacente à conversão. descobre-se totalm e n t e p e r s u a d i d o p e l o n o v o p o n t o d e vista e n o e n t a n t o é i n c a p a z de i n t e r n a l i z á . q u a n d o aplicada à cultura e seu desenvolvimento.

escolhendo-as em pontos n ã o muito p r ó x i m o s d e s u a o r i g e m . S e isso p o d e ser r e a l i z a d o . Se tomássemos quaisquer dessas d u a s teorias. em todos os casos. demarcaria u m a sucessão de teorias relacionadas por sua descendência. d e v e r i a ser fácil o r g a n i z a r u m a lista d e c r i t é r i o s q u e p e r m i t i r i a m a u m o b s e r v a d o r i n d e p e n d e n t e distinguir. a teoria mais antiga da teoria mais recente. E s s a s a i n d a n ã o s ã o a s listas e x i g i d a s . Ãs teorias científicas m a i s r e c e n t e s s ã o m e l h o r e s q u e a s m a i s a n t i - . M a s o c o m p o r t a m e n t o de u m a c o m u n i d a d e q u e torna tal valor preeminente será muito diverso daquela que não procede dessa forma. m a s n ã o t e n h o d ú v i d a s d e q u e p o d e m s e r c o m p l e t a d a s . U m a ú n i ca linha. tal c o m o o ^ b i o l ó g i c o . a p e s a r d i s s o . o equilíbrio e n t r e o o b j e t o de e s t u d o c o t i d i a n o e o e s o t é r i c o . diferir q u a n t o a o s j u l g a m e n t o s q u e extraem de seu e m p r e g o . o n ú m e r o d e diferentes p r o b l e m a s resolvidos. Acredito q u e o alto valor o u t o r g a d o n a s ciências à habilidade de resolver quebra-cabeças possui as conseqüências seguintes. e m b o r a t a m b é m s e j a m d e t e r m i n a n t e s i m p o r t a n t e s d a v i d a científica. a habilid a d e d e m o n s t r a d a p a r a formular e resolver quebra-cabeças apresentados pela natureza é. t o m a d o s c o m o u m g r u p o ou em grupos. E n t r e os critérios mais úteis e n c o n t r a r í a m o s : a exatidão nas predições. os praticantes d a s ciências desenvolvidas-são fundamentalmente indivíduos capazes de resolver quebra-cabeças. e n t ã o o d e s e n v o l v i m e n t o científico. Dois indivíduos que a possuam p o d e m . o c r i t é r i o d o m i n a n t e p a r a m u i t o s m e m b r o s d e u m g r u p o científico. a habilidade p a r a resolver quebra-cabeças revela-se equívoca na aplicação. E m b o r a os valores aos quais se apeguem em períodos de escolha de teoria derivam igualmente de outros aspectos de seu trabalho. V a l o r e s c o m o a simplicidade. Imaginemos u m a árvore representando a evolução e o d e s e n v o l v i m e n t o d a s e s p e c i a l i d a d e s científicas m o dernas a partir de suas origens c o m u n s digamos. é um processo unidirecional e irreversível. na F i losofia d a N a t u r e z a p r i m i t i v a e n o a r t e s a n a t o . no caso de um conflito d e v a l o r e s . alcance e compatibilidade seriam menos ú t e i s p a r a tal p r o p ó s i t o . A r g u m e n t e i q u e . especialmente no caso das predições quantitativas. C o m o q u a l q u e r v a l o r .mo — n u m aspecto q u e m e u s críticos n ã o foram c a p a zes d e perceber. traçada desde o tronco até a p o n t a de algum galho no alto.

de a l g u m m o d o . ou predições concretas derivadas de u m a t e o r i a . e s t o u i m p r e s s i o n a d o c o m a f a l t a d e plausibilidade d e s s a c o n c e p ç ã o . p o r exemplo. m a s antes à s u a o n t o l o g i a . m a s t a m b é m p o r q u e . I n v e r s a m e n t e . no que toca à resolução de quebra-cabeças nos contextos freqüentemente diferentes aos quais são aplicad a s . A l é m d i s s o . s e e s t a p o s i ç ã o é relativista. t a n t o e n t r e filósofos d a c i ê n c i a c o m o leigos. apresenta um visão mais exata do q u e é realmente a natureza. . a o a j u s t e e n t r e as e n t i d a d e s c o m as q u a i s a t e o r i a p o v o a a n a t u reza e o q u e "está realmente aí". a n o ç ã o d e u m a j u s t e e n t r e a ontologia de u m a t e o r i a e s u a c o n t r a p a r tida " r e a l " na natureza parece-me ilusória p o r princípio. M a s n ã o p e r c e b o . \ N ã o t e n h o d ú v i d a s . P a r e c e . esta posição revela-se desprovida de um elem e n t o e s s e n c i a l . a d e s c r i ç ã o p a r e c e . isto é . c o m o u m historiador. n e s s a sucessão. T a l v e z exista alguma o u t r a m a n e i r a d e s a l v a r a n o ç ã o de " v e r d a d e " para a aplicação a teorias completas. u m a d i r e ç ã o c o e r e n t e d e d e s e n v o l v i m e n t o ontológico. m a s e s t a n ã o s e r á c a p a z d e r e a l i z a r isso.s e n ã o à s s o l u ç õ e s d e quebra-cabeças. A p a r e n t e m e n t e gen e r a l i z a ç õ e s d e s s e tipo r e f e r e m . a T e o r i a G e r a l d a Relatividade d e E i n s t e i n e s t á m a i s p r ó x i m a d a t e o r i a d e Aristóteles d o q u e q u a l q u e r u m a d a s d u a s e s t á d a d e Newton. A o c o n t r á r i o : e m a l g u n s a s p e c t o s importantes. E m g e r a l u m a t e o r i a científica é c o n s i d e r a d a superior a suas predecessoras n ã o apenas p o r q u e é um instrumento mais a d e q u a d o p a r a descobrir e resolver quebra-cabeças. n ã o vejo p o r q u e falte ao r e l a tivista q u a l q u e r coisa necessária p a r a a e x p l i c a ç ã o da n a t u r e z a e d o desenvolvimento d a s c i ê n c i a s . se comparada com a concepção de p r o g r e s s o d o m i n a n t e . embora de maneira alguma em todos.m e q u e n ã o existe m a n e i r a d e r e c o n s t r u i r e x p r e s s õ e s c o m o " r e a l m e n t e a í " s e m auxílio d e u m a t e o r i a .gas. E m b o r a a t e n t a ç ã o d e d e s c r e v e r e s s a p o s i ç ã o como relativista seja c o m p r e e n s í v e l . d e q u e a M e c â n i c a d e N e w t o n a p e r f e i ç o o u a de Aristóteles e de q u e a M e c â n i c a d e E i n s t e i n aperfeiçoou a d e N e w t o n e n q u a n t o i n s t r u m e n t o p a r a a resolução d e q u e b r a . E s s a n ã o é u m a posição relativista e revela em q u e s e n t i d o s o u u m c r e n t e c o n v i c t o d o p r o g r e s s o científico^ Contudo. Ouvimos freqüentemente dizer que teorias sucessivas se desenvolvem sempre mais perto da verdade ou se a p r o x i m a m mais e mais desta.c a b e ç a s .m e equivocada.

Minhas generalizações descri19 2 0 19.v e r s a . Para FEYERABEKD um em entre muitos of exemplos possíveis. 1969). Grcnvth 20. ver o ensaio de P.' Esse teorema tornou-se u m a etiqueta na prática e já n ã o é mais respeitado por t o d a a parte. A l g u n s leitores d e m e u texto original o b s e r v a r a m q u e eu passo repetidamente do descritivo ao normativo e v i c e .s e c o m o prescreve a teoria. r e a l m e n t e c o m p o r t a m . Musl We Mean What We Say? (Nova York. CAVElX. M a s n ã o é necessário recorrer às sutilezas da Filosofia da Linguagem contemporânea para precisar o que me pareceu confuso a respeito desse aspecto da m i n h a p o sição. Knowledge. I n v e r s a m e n t e . A natureza da Ciência Concluo c o m u m a breve discussão das duas reações f r e q ü e n t e s ao m e u t e x t o o r i g i n a l . totalmente correta. a segunda favorável. E m b o r a n ã o haja n e n h u m a relação e n t r e e s s a s r e a ç õ e s o u c o m o q u e foi d i t o a t é a q u i . K. e n e n h u m a . ela p r o p o r c i o n a u m a base l e g í t i m a p a r a o u s o d o s "o q u e p o d e r i a s e r " (should) e " o q u e d e v e s e r " (ought~). Cap. A l g u n s críticos alegam que estou confundindo descrição com prescrição. e s t a t r a n s i ç ã o é p a r t i c u l a r m e n t e c l a r a em passagens que c o m e ç a m c o m " M a s n ã o é isto q u e os cientistas f a z e m " e t e r m i n a m afirmando q u e os cientistas n ã o d e v e m p r o c e d e r assim. a p r i m e i r a c r í t i c a . A s páginas precedentes apresentam u m ponto d e vista ou u m a teoria sobre a natureza da ciência e. O "é" e o "deve" n ã o e s t ã o sempre tão completamente separados como pareciam. viol a n d o d e s s a f o r m a o t e o r e m a filosófico t r a d i c i o n a l m e n t e r e s p e i t a d o : O "é" n ã o i m p l i c a o "deve'''. Stanley.s e p a r a q u e s e u e m p r e e n d i m e n t o seja b e m s u c e d i d o . cujos m é t o d o s foram desenvolvidos e selecion a d o s em vista de seu sucesso.7 . no m e u entender. a m b a s t ê m s i d o s u f i c i e n t e m e n t e f r e q ü e n t e s p a r a exigir p e l o menos alguma resposta. Diversos filósofos c o n t e m p o r â n e o s d e s c o b r i r a m c o n t e x t o s i m p o r tantes nos quais o n o r m a t i v o e o descritivo estão inextricavelmenfe m i s t u r ad os. E m b o r a e s s a t e o r i a n ã o n e c e s s i t e ser m a i s correta q u e qualquer outra. I. a t e o r i a t e m c o n s e q ü ê n c i a s no que toca à m a n e i r a pela qual os cientistas d e v e m c o m p o r t a r . u m a d a s r a z õ e s p a r a q u e se t o m e a t e o r i a a s é r i o é a de q u e os cientistas. . c o m o o u t r a s filosofias d a c i ê n c i a .

m a s a p e s a r d i s s o fiquei s u r p r e e n d i d o c o m suas reações. suas teses p o s s u e m indubitavelmente u m a l a r g a a p l i c a ç ã o . por exemplo. N ã o penso que a circularidade desse argumento seja viciosa. Suspeito. A periodização em termos de r u p turas revolucionárias em estilo. m a s p o r q u e c o n s i d e r a r a m s u a s teses principais aplicáveis a m u i t o s outros c a m p o s . p o i s e s s a s t e s e s foram tomadas de empréstimo a outras áreas. S e t i v e u m a a t i t u d e o r i g i n a l f r e n t e a esses c o n c e i t o s .s e s e a s p i n t u r a s p u d e s s e m ser v i s t a s como modeladas umas nas outras. enquanto em outras concepções da natureza elas constituem um c o m p o r t a m e n t o anômalo. M i n h a resposta a um último tipo de reação a este l i v r o d e v e ser d e n a t u r e z a d i v e r s a . isso se deve s o b r e t u d o ao fato de tê-los aplicado às ciências. em lugar de produ- . c o m o um exemplar. áreas que geralmente foram consideradas c o m o dotadas de um desenvolvimento peculiar. das Artes. U m a c o m p a r a ç ã o deste posfácio c o m o texto original p o d e sugerir q u e a teoria c o n t i n u o u a d e s e m p e n h a r esse p a p e l . N e n h u m ponto de vista estritamente circular proporciona tal orientação. Na m e d i d a em q u e o livro retrata o d e s e n v o l v i m e n t o científico c o m o u m a s u c e s s ã o d e p e ríodos ligados à tradição e pontuados p o r rupturas n ã o -cumulativas. A s c o n s e q ü ê n c i a s d o p o n t o d e v i s t a e s t u dado não são esgotadas pelas observações sobre as quais r e p o u s a v a n o início. da Música. Pode-se conceber a noção de paradigma c o m o u m a realização concreta.tivas s ã o provas d a teoria precisamente p o r q u e f o r a m derivadas dela. E d e v e r i a ser a s s i m . Historiadores da Literatura. c o n s t a t e i q u e p a r t e s d a t e o r i a q u e ele a p r e s e n t a s ã o u m i n s t r u m e n t o útil p a r a a e x p l o r a ç ã o d o c o m p o r t a m e n t o e d e s e n v o l v i m e n t o científico. a segunda contribuição deste livro. P e r c e b o o q u e q u e r e m dizer e n ã o gostaria de desencorajar suas tentativas de ampliar e s t a p e r s p e c t i v a . V á r i o s d a q u e l e s q u e retiraram algum prazer da leitura do livro reagiram a s s i m n ã o p o r q u e ele i l u m i n a a n a t u r e z a d a c i ê n c i a . de que algumas das dificuldades n o t ó r i a s e n v o l v e n d o a n o ç ã o d e estilo n a s A r t e s p o d e r i a m d e s v a n e c e r . M e s m o antes d a p r i m e i r a publicaç ã o d e s t e l i v r o . do Desenvolvimento Político e de muitas outras atividades h u m a n a s descrevem seus objetos de e s t u d o dessa m a n e i r a desde muito tempo. gosto e na estrutura institucional t ê m estado entre seus instrumentos habituais.

.s e o u n ã o d e u m g r u p o científico? Q u a l é o p r o c e s s o e q u a i s s ã o as e t a p a s da s o c i a l i z a ç ã o de u m g r u p o ? Quais são o s objetivos coletivos d e u m grup o . individuais ou coletivos. C o n t u d o .zidas em conformidade c o m alguns cânones abstratos de estilo. N ã o p o d e ser i n t e i r a m e n t e falso a f i r m a r . " C o m m e n t [on the Relations of Science and Art]". T e m o s ainda m u i t o a aprender sobre todas essas c a r a c t e r í s t i c a s d a c i ê n c i a . p o r e x e m p l o . b e m c o m o p a r a u m a d i s c u s s ã o m a i s a m p l a do que é particular às ciências. progridem de u m a maneira diversa da de outras áreas de estudo. pelo m e n o s depois de um certo p o n t o de seu desenvolvimento. S. s o b r e o c a r á t e r de o b j e t i v o q u e p o s s u i a r e s o lução de quebra-cabeças e acerca do sistema de valores q u e o g r u p o científico a p r e s e n t a e m p e r í o d o s d e crise e decisão. c o m o devo dizer agora. à relativa carência de escolas competidoras nas ciências desenvolvidas. d a s quais n e n h u m a é exclusiva da ciência. 403-412. C o m o se escolhe u m a c o m u n i d a d e d e t e r m i n a d a e c o m o se é aceito p o r ela. K U H N . que não se apresentou de maneira tão visível p a r a m u i t o s d e s e u s l e i t o r e s . p o r e x e m p l o . t r a t e . O u p e n s e m o s n o vamente a respeito da natureza peculiar da educação científica. O livro isola o u t r a s características semelhantes. n ã o obstante o que o prog r e s s o p o s s a ser e m s i m e s m o . E m b o r a o d e s e n v o l v i m e n t o científico p o s s a a s s e m e l h a r . U m d o s o b j e t i v o s d e s t e l i v r o foi e x a m i n a r t a i s d i f e r e n ç a s e c o m e ç a r a e x plicá-las. pp. Comparative Studies in Philosophy and History. L e m b r e m o s t a m b é m minhas observações a respeito do grau em que os membros de u m a comunid a d e científica c o n s t i t u e m a ú n i c a a u d i ê n c i a e os ú n i c o s juizes d o t r a b a l h o dessa c o m u n i d a d e . q u e as ciências. possui t a m b é m diferenças notáveis. ele tolera? 21 21^. ver T. Consideremos. X I (1969). A r e s p e i t o d e s s e p o n t o . a ênfase reiterada concedida acima à ausência ou. este livro visava t a m b é m apresentar u m a outra proposição. Iniciei este p o s f á c i o e n f a t i z a n do a necessidade de estudar-se a e s t r u t u r a c o m u n i t á r i a da ciência e terminarei sublinhando a necessidade de um estudo similar (e acima de t u d o c o m p a r a t i v o ) das comunidades correspondentes em outras áreas.s e a o d e o u t r o s d o mínios muito mais estreitamente do que o freqüentemente suposto. m a s que no c o n j u n t o d i s t i n g u e m a a t i v i d a d e científica. q u e desvios.

precisamos conhecer as características essenciais d o s grupos q u e o criam e o utilizam. c o m o a l i n g u a g e m . . é i n t r i n s e c a m e n t e a propriedade comum de um grupo ou então não é nada. O c o n h e c i m e n t o científico. m a s n ã o existe o u t r a á r e a q u e n e c e s s i t e d e t a n t o t r a b a l h o c o m o essa.C o m o é controlada a aberração inadmissível? U m a comp r e e n s ã o mais a m p l a da ciência d e p e n d e r á igualmente d e o u t r a s e s p é c i e s d e q u e s t õ e s . P a r a entendê-lo.

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Max Born e outros (D009) T E O R I A E R E A L I D A D E . Kuhn (D115) FÍSICA E FILOSOFIA .V I S T A S .) ( L S C ) .Gita K.CIÊNCIA NA PERSPECTIVA P R O B L E M A S DA FÍSICA M O D E R N A . Guinsburg e José Luiz Goldfarb (orgs.Mario Bunge (D072) A E S T R U T U R A D A S R E V O L U Ç Õ E S CIENTÍFICAS .Abraham Moles (E003) M Á R I O S C H E N B E R G : E N T R E .Thomas S.Mario Bunge ( D Í 6 5 ) A C R I A Ç Ã O CIENTÍFICA .

de f o r m a o e de circunstâncias e q u e as l e v a r a m . para as de explica unido o polivalente. i n c o m u m . n ã o s i m S. 9 H7-88527''l30 1 IIIIIIII 85-273-0111-3 1 I4I' d e b a t e s . e r u p ç ã o é a de c o m p r o m i s s o s do p a p e l de d o s e dessa na Um d o s aspectos m a i s interesa n á l i s e desses da m o m e n t o s crise s a n t e s fatores Estrutura do Revoluções Científicas científico e exteriores Ciência t r a n s f o r m a ç ã o ISBN p e n s a m e n t o prática correspondente. q u e l e v a m n o v o s d a d o s pelas c o m o gnosiológicos.n o ao e s t u d o Trajetória seu caráter d o g m a s História e a p r e o c u p a ç õ e s certa filosófica. s a m e n t o de em científico. definidas desintegração q u e se de forçando c o m u n i d a d e profissionais baseia A r e f o r m u l a r o c o n j u n t o ciência. M ú l t i p l a s áreas.P r ó x i m o Vicente l a n ç a m e n t o P a u l a A r a ú j o A Bela Época do C i n e m a Brasileiro T h o m a s As natureza sintetiza exatas A u t o r . d e s d e as a g u d a s análises. a ver o progresso da Ciência p e n - tanto c o m o c o m o gradativo p r o c e s s o contraditório m a r c a d o revoluções n u m a a s ã o do a tradicional ligados das prática disciplina. revoluções o a d o m o m e n t o até h u m a n a s . c o n v e r g e m a c ú m u l o Tais ela a à questic u m c o n s a g r a d o s . K u h n iniciou sua carreira universitária da q u e este c o m o livro físico de teórico.