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ciência

thomas s. kuhn A ESTRUTURA D A S REVOLUÇÕES CIENTÍFICAS

thomas s. kuhn A ESTRUTURA D A S REVOLUÇÕES CIENTÍFICAS

Coleção Dirigida

Debates por J. Guinsburg

Equipe Garcia.

de

realização: Kyoto

Tradução: Miyashiro;

Beatriz

Vianna

Boeira e W.

Nelson

Boeira; Adriana

Revisão:

Alice

Produção:

Ricardo

Neves e

Título

do

original

inglês:

The

Structure
©

of Scientific
1962, 1970 by

Revolutions
The University of Chicago

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5*

edição

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reservados em

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portuguesa à A. 3025

E D I T O R A

PERSPECTIVA

Brigadeiro Luís Antônio, (011) 885-8388 885-6878

01401-000 - São Telefone: Fax: 1998 (011)

P a u l o — SP — Brasil

SUMARIO Prefácio Introdução: Um Papel para a História 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 9 19

A R o t a para a Ciência Normal 29 A Natureza da Ciência Normal 43 A Ciência Normal c o m o Resolução de Q u e bra-Cabeças 57 A Prioridade dos Paradigmas 67 A Anomalia e a Emergência das Descobertas Científicas 77 As Crises e a Emergência das Teorias Científicas 93 A Resposta à Crise 107

10. 12. 11. Os paradigmas como a constelação dos compromissos de grupo 3. incomensurabilidade e revoluções 6. 9. A natureza da ciência 125 145 173 183 201 217 219 225 232 237 244 251 254 . Os paradigmas e a estrutura da comunidade 2. Exemplares. A Natureza e a Necessidade das Revoluções Científicas As Revoluções C o m o Mudanças de Concepção de Mundo A Invisibilidade das Revoluções A Resolução de Revoluções O Progresso através de Revoluções Posfácio — 1 9 6 9 : 1. Conhecimento tácito e intuição 5.g. Revoluções e relativismo 7. Os paradigmas como exemplos compartilhados 4.

P a r a m i n h a c o m p l e t a surpresa. U m envolvimento afortun a d o com um curso experimental da universidade. p r o p o r c i o n o u . Naquele tempo eu era um estud a n t e de pós-graduação em Física Teórica tendo já e m vista m i n h a dissertação. .m e a primeira exposição à História da Ciência. que a p r e s e n t a v a a c i ê n c i a física p a r a o s n a o . esta exposição a t e o r i a s e p r á t i c a s científicas a n t i q u a d a s m i n o u r a d i c a l mente algumas das minhas concepções básicas a respeito da natureza da ciência e das razões de seu sucesso i n c o m u m .PREFACIO O ensaio a seguir é o p r i m e i r o relatório c o m p l e t o publicado sobre um projeto concebido originalmente há quase quinze anos.c i e n t i s t a s .

1 9 3 0 ) . E m b o ra eu questione cada vez mais algumas de suas interpretações históricas particulares. t r a d u ç ã o d e K a t e L o e w e n b e r g ( N o v a Y o r k . T o d a v i a . Continuei a estudar especialmente os escritos de Alexandre Koyré e encontrei pela primeira vez os de É m i le Meyerson. este ensaio é a primeira de minhas publicações na qual essas preocupações iniciais s ã o d o m i n a n t e s . E m p a r t e e s t e e n s a i o é u m a tentativa de explicar a m i m m e s m o e a amigos c o m o me aconteceu ter sido lançado da ciência p a r a a sua história. É M I L E M E Y E R S O N . Mais c l a r a m e n t e d o q u e m u i t o s o u t r o s e r u d i t o s r e c e n t e s . 1 9 3 0 ) . a transição para um novo c a m p o de e s t u d o s t e r i a s i d o b e m m a i s difícil e p o d e r i a n ã o s e t e r r e a l i z a d o . e Newton.E u retirara essas concepções e m p a r t e d o p r ó p r i o treino científico e em p a r t e de um antigo interesse r e creativo n a Filosofia d a Ciência. Exerceram influência especial: ALEXANDRE K O Y R É . esse g r u p o mostrou o q u e era pensar cientificamente. Slahl. Les dactrines chimiaues en France du début du XVII* à la fin du XVIII* siècle (Paris. seus trabalhos. junta1 1 . . tais n o ç õ e s n ã o s e a d a p t a v a m à s exigências d o e m p r e e n d i m e n t o a p r e s e n t a d o pelo estudo histórico. essas noções foram e são f u n d a m e n t a i s p a r a m u i t a s discussões científicas. ldentity and Reality. g r a d u a l m e n t e . R o m a . A N N E L I E S E M A I E R . Jahrhundert ( " S t u d i e n zur N a t u r p h i l o s o p h i e der Spãtscholastik". E m vista disso parecia valer a p e n a perseguir detalhadam e n t e suas carências de verossimilhança. 1 9 3 9 ) . 1 9 4 9 ) . Etudes Galilérnnes ( 3 v . . 1923). M i n h a primeira oportunidade de aprofundar algum a s d a s idéias expostas a seguir foi-me proporcionada por três anos c o m o Júnior Fellow da Society of F e l l o w s d a U n i v e r s i d a d e d e H a r v a r d . P a r i s . u m a m u d a n ç a da Física p a r a a História da Ciência e a partir daí. quaisquer q u e fossem sua utilidade pedagógica e sua plausibilidade abstrata. n u m a é p o c a e m q u e o s c â n o n e s d o p e n s a m e n t o científico e r a m m u i t o diferentes dos atualmente e m voga. S e m esse p e r í o do de liberdade. Die Vorlãr/er G ali leis tm 14. de p r o b l e m a s históricos relativamente simples às p r e o c u p a ç õ e s mais filosóficas q u e i n i c i a l m e n t e m e h a v i a m l e v a d o à H i s t ó r i a . D e a l g u m a m a n e i r a . H Ê L E N E M E T Z G E R . Hélène Metzger e Anneliese Maier. P a r t e d o m e u t e m p o d u r a n t e esses a n o s foi d e v o t a d a à H i s t ó r i a d a C i ê n c i a p r o p r i a m e n t e d i t a . Boerhaave et la doctrlne chimlque ( P a r i s . O resultado foi u m a m u d a n ç a d r á s t i c a n o s m e u s p l a n o s p r o f i s s i o nais. C o m exceção de alguns artigos.

W h o r f a c e r c a d o efeito d a l i n g u a g e m s o b r e a s c o n c e p ções de m u n d o . E s t e é o tipo de exploração ao acaso q u e a Society of Fellows permite. 1 9 3 0 ) e L. C o n t u d o . L. . Quine apresentou suas conc e p ç õ e s e m " T w o D o g m a s o f E m p i r i c i s m " .m e n t e c o m o Great Chain of Being de A.c a b e ç a s filosóficos d a d i s t i n ç ã o a n a l í t i co-sintética. um c o n v i t e p a r a fazer c o n f e r ê n c i a s p a r a o L o w e l l I n s t i t u te de Boston proporcionou-me a primeira oportunida2 3 2. r e i m p r e s s o n a s u a o b r a From a Logical Point of Vieiv ( C a m b r i d g e . CARKOLL em Language. Quine franqueou-me o acess o a o s q u e b r a . um ensaio q u e antecipa muitas de minhas próprias idéias. m u i t o d o m e u t e m p o d u r a n t e esses a n o s foi g a s t o e x p l o r a n d o c a m p o s s e m r e l a ç ã o a p a r e n t e c o m a História da Ciência. 1946). U m a nota de rodapé. t r a d u ç ã o de M a r j o r i e G a b a i n ( L o n d r e s . Francis X. S u a i m p o r tância é secundária somente quando comparada com os materiais provenientes de fontes primárias. A p e n a s através dela eu poderia ter e n c o n t r a d o a monografia quase desconhecida de L u d w i k F l e c k . encontrada ao acaso. E m b o r a os leitores e n c o n t r e m p o u c a s referências a qualquer desses trabalhos ou conversas. porque apresentavam conceitos e processos que t a m b é m provêm diretamente da História da Ciência: The ChtUTs Conceptian of Causality. O. D e s d e então o s escritos d e W h o r f foram reunidos por J O H N B . 2 0 . outro introduziu-me às especulações de B.4 6 . O. Durante meu último ano como Júnior Fellow. Sutton.m e ler t e x t o s d e P s i cologia da P e r c e p ç ã o e em especial os psicólogos da Gestalt. devo a eles m a i s d o q u e m e s e r i a p o s s í v e l r e c o n s t r u i r o u avaliar neste m o m e n t o . 1 9 5 3 ) p p . juntamente com u m a observação de o u t r o Júnior Fellow. M a s s . 3 . . D o i s conjuntos de investigações de Piaget foram particularmente importantes. Thought and Reality -— Selected Writings of Beniamin Lee Whorf ( N o v a Y o r k . conduziu-me às experiências por meio das quais Jean Piaget iluminou os vários m u n d o s da criança em crescimento e o processo de transição de u m p a r a o u t r o . O trabalho de Fleck. foram decisivos na formação de m i n h a concepção do q u e p o d e ser a h i s t ó r i a d a s i d é i a s científicas. 1935). (Basiléia. Entstehung und Entwicklung einer wissenschaftlichen Tatsache. L o v e j o y . V. m a s nos quais a pesquisa atual revela p r o b l e m a s similares aos q u e a História vinha trazendo à minha atenção.es notions de mouvement et de vitesse chez Venfant (Paris. fez-me c o m p r e e n d e r q u e essas idéias p o d i a m necessitar d e u m a colocação n o âmbito d a Sociologia d a C o m u n i d a d e Científica. 1956). U m c o l e g a f e z . W.

A i n d a m a i s i m p o r t a n t e foi p a s s a r o a n o n u m a c o m u n i d a d e c o m p o s t a p r e d o m i n a n t e m e n t e de cientistas sociais. A o fazer isso. O u t r o s e x a m i n a m a maneira pela qual as bases experimentais de u m a nova teoria são acumuladas e assimiladas por h o m e n s c o m p r o m e t i d o s c o m u m a teoria m a i s antiga. V á r i o s deles t r a tam do papel decisivo d e s e m p e n h a d o por u m a ou outra m e t a f í s i c a n a p e s q u i s a científica c r i a d o r a . C o n t u d o . deixando-me p o u c o t e m p o p a r a u m a articulaç ã o explícita d a s idéias que me h a v i a m levado a esse c a m p o d e estudos. E s s e c o n t a t o c o n f r o n t o u . O e s t á g i o final d o d e s e n v o l v i m e n t o d e s t e e n s a i o começou c o m um convite para passar o ano de 1 9 5 8 . Do convite resultou u m a série d e oito conferências públicas sobre " A B u s c a d a T e o r i a F í s i c a " (The Quest for Physical Theory). Os problemas d e ensino d e u m a disciplina que e u n u n c a estudara sistematicamente ocuparam-me por quase u m a década. incompatível c o m aquela. A l é m disso são apresentados outros vínculos do m e s m o tipo. t a n t o acerca da viabilidade das minhas concepções. entre os quais eu fora treinado. O s m e s m o s p r o b l e m a s e a m e s m a o r i e n t a ç ã o d ã o unidade à maioria dos estudos predominantemente históricos e aparentemente diversos que publiquei desde o fim de m i n h a bolsa de pesquisa. relativos às diferenças entre essas c o m u n i d a d e s e as d o s cientistas ligados às ciências naturais. q u e ainda estava em desenvolvimento. F i q u e i especialmente impressionado com o n ú m e r o e a extensão dos desacordos expressos existentes entre os cien- . c o m o a respeito das técnicas apropriadas a sua comunicação eficaz. M a i s u m a v e z tive a o p o r t u n i d a d e d e d i rigir t o d a m i n h a a t e n ç ã o a o s p r o b l e m a s d i s c u t i d o s a d i a n t e . a f o r t u n a d a m e n t e . a p r e sentadas em m a r ç o de 1 9 5 1 .d e p a r a testar m i n h a c o n c e p ç ã o d e ciência.m e c o m p r o b l e m a s que n ã o antecipara. essas i d é i a s d e m o n s t r a r a m ser u m a f o n t e d e o r i e n t a ç ã o i m p l í cita e de estruturação de problemas p a r a grande parte d e m i n h a s a u l a s m a i s a v a n ç a d a s . P o r isso d e v o a g r a d e c e r a m e u s alunos pelas lições inestimáveis. esses estudos descrevem o tipo de desenvolvimento que adiante chamarei de "emergência" de u m a teoria ou descoberta nova. No a n o seguinte comecei a lecionar História da Ciência propriamente dita.1 9 5 9 n o C e n t e r for A d v a n c e d S t u d i e s i n t h e B e h a v i o r a l S c i e n c e s .

m a s algumas palavras d e v e m ser ditas a r e s p e i t o d a f o r m a q u e ele m a n t e v e a t r a v é s d a s r e visões. este t r a b a l h o p e r m a n e c e antes u m ensaio d o que o livro de amplas p r o p o r ç õ e s que o assunto acab a r á exigindo. chamo de "paradigmas". desde então. A n t e s de terminar e revisar extensamente u m a primeira versão. durante algum tempo. Considero "par a d i g m a s " a s r e a l i z a ç õ e s científicas u n i v e r s a l m e n t e r e conhecidas que. E s t o u e m dívida p a r a c o m eles. Os e d i t o r e s d e s t a o b r a p i o n e i ra primeiramente solicitaram-me o ensaio. E contudo. . da Física. a prática da Astronomia. por ter-me dado o estímulo necessário e ter-me aconselhado sobre o manuscrito resultante.tistas s o c i a i s n o q u e d i z r e s p e i t o à n a t u r e z a d o s m é t o d o s e p r o b l e m a s científicos l e g í t i m o s . um esboço p r e liminar deste ensaio emergiu rapidamente. O caráter esquemático desta primeira apresentaç ã o n ã o precisa ser necessariamente u m a desvantagem. as limitações de espaç o d a Encyclopedia t o r n a r a m n e c e s s á r i o a p r e s e n t a r m i nhas concepções numa forma extremamente condensada e esquemática. E m b o r a acontecimentos subseqüentes t e n h a m r e l a x a d o u m t a n t o essas restrições. por exemplo. A t e n t a t i v a de d e s c o b r i r a f o n t e dessa diferença levou-me ao reconhecimento do papel d e s e m p e n h a d o n a p e s q u i s a científica p o r a q u i l o q u e . T a n t o a H i s tória c o m o meus conhecimentos fizeram-me duvidar de q u e os praticantes das ciências naturais p o s s u a m respostas mais firmes ou m a i s p e r m a n e n t e s p a r a tais questões do q u e seus colegas d a s ciências sociais. de algum modo. da Química ou da Biologia normalmente n ã o evocam as controvérsias sobre fundamentos que atualmente parecem endêmicas entre. Q u a n d o esta p e ç a d o m e u quebra-cabeça encaixou no seu lugar. C o n t u d o . torn a n d o possível u m a publicação independente simultânea. fornecem problemas e soluções modelares para u m a comunidade de praticantes d e u m a ciência. particularmente com Charles Morris. depois m a n t i v e r a m . eu pensava q u e o manuscrito aparec e r i a e x c l u s i v a m e n t e c o m o u m v o l u m e d a Encyclopedia of Unijied Science. <• N ã o é necessário recontar aqui a história subseqüente desse esboço.m e f i r m e m e n t e l i g a d o a u m c o m p r o m i s s o e finalmente esperaram com extraordinário tato e paciência p o r u m resultado. psicól o g o s ou s o c i ó l o g o s .

Ao contrário. m i n h a distinção entre os períodos pré e pós-paradigmáticos no desenvolvimento da ciência é d e m a s i a d o esquemática. necessitamos estudar detalhadamente o m o d o pelo qual as anomalias ou violações de expectativa atraem a crescente atenção de u m a comun i d a d e científica. Por exemplo. e x i s t e m circunstâncias. O u a i n d a : se t e n h o r a z ã o ao afirmar q u e c a d a revolução científica a l t e r a a p e r s p e c t i v a h i s t ó r i c a d a c o m u n i d a d e q u e a experimenta. M i n h a decisão de o c u p a r . A evidência histórica disponível é muito m a i o r d o q u e o e s p a ç o q u e tive p a r a e x p l o r á .m e aqui e x c l u s i v a m e n t e c o m a ú l t i m a foi p a r c i a l m e n t e b a s e a d a na intenção de a u m e n t a r a coerência deste ensaio e parcialmente na minha competência atual.já q u e m e u objetivo fundamental é instar u m a m u d a n ça na percepção e avaliação de d a d o s familiares.l a . A par disso. e m b o r a eu pense que são raras. a c o n c e p ç ã o de ciência desenvolvida aqui sugere a fecundidade potencial de u m a quantidade de novas espécies de pesquisa. é guiada por a l g o m u i t o s e m e l h a n t e a u m p a r a d i g m a . b e m c o m o a m a n e i r a p e l a q u a l o fracasso repetido na tentativa de ajustar u m a a n o m a lia p o d e i n d u z i r à e m e r g ê n c i a d e u m a c r i s e . C a d a u m a d a s escolas. Um desses efeitos — u m a a l t e r a ç ã o n a d i s t r i b u i ç ã o d a l i t e r a tura técnica citada nas notas de r o d a p é d o s relatórios de pesquisa — deve ser e s t u d a d o c o m o um índice possível d a o c o r r ê n c i a d e r e v o l u ç õ e s . cuja competição caracteriza o primeiro desses períodos. M a s e s t a f o r m a t a m b é m p o s s u i d e s v a n t a g e n s e e s s a s p o d e m justificar q u e e u i l u s t r e . os tipos de ampliação em alcance e p r o fundidade q u e mais tarde espero incluir n u m a versão mais extensa. nas quais dois p a r a d i g m a s p o d e m coexistir pacificamente nos p e - . A necessidade de u m a c o n d e n s a ç ã o r á p i d a forç o u . Por exemplo. os leitores p r e p a r a d o s p o r suas p r ó p r i a s p e s quisas p a r a a espécie de reorientação advogada aqui p o d e r ã o achar a forma do ensaio mais sugestiva e mais fácil d e a s s i m i l a r . d e s de o começo.m e igualmente a a b a n d o n a r a discussão de um b o m número de problemas importantes. e n t ã o esta m u d a n ç a de perspectiva d e veria afetar a estrutura d a s publicações de pesquisa e dos manuais do período pós-revolucionário. tanto históricas c o m o sociológic a s . A l é m disso a evidência p r o v é m tanto da história da Biologia c o m o da Física.

p p . 1. S a d i C a r n o t a n d t h e C a g n a r d E n g i n e . O n d e d e m o n s t r e i ceticismo. Penso que a consid e r a ç ã o explícita de exemplos desse tipo n ã o modificaria as teses principais desenvolvidas neste ensaio..riodos pós-paradigmáticos. p p . em Archlves Internationales d'hts4aire des sciences. "Engmeering P r e c e d e m for the W o r k of Sadi Carnot". 4 E p o r fim o q u e t a l v e z seja o m a i s i m p o r t a n t e : as limitações de espaço afetaram drasticamente m e u trat a m e n t o d a s i m p l i c a ç õ e s filosóficas d a c o n c e p ç ã o d e eiência historicamente orientada que é apresentada neste ensaio. A simples posse de um par a d i g m a n ã o é u m c r i t é r i o suficiente p a r a a t r a n s i ç ã o de desenvolvimento discutida no Cap. Contudo. e m Criticai Problems in the History of Science. Outros efeitos de condições externas intelectuais e e c o n ô m i c a s estão ilustradas em m e u s trabalhos: "Conservat i o n o f E n e r g y a s a n E x a m p l e o f S i m u l t a n e o u s D i s c o v e r y " . c o m exceção de breves notas laterais. Marshall Clagett (Madison. econômicas e intelectuais e x t e r n a s n o d e s e n v o l v i m e n t o d a s c i ê n c i a s .7 1 . este esteve mais freqüentemente dirigido a u m a a t i t u d e filosófica d o q u e a q u a l q u e r d e s u a s expressões plenamente articuladas./ d a r a transformar u m a simples anomalia n u m a fonte de crise aguda. Ists. 122-32 e 2 7 0 . Wisconsin. . fatores externos é de menor importância apenas em relação aos problemas discutidos neste ensaio.5 1 . Esses s ã o discutidos em T. M a s s . P e n s o q u e estarão e r r a d o s . ra pela qual condições exteriores às ciências p o d e m influenciar o q u a d r o de alternativas disponíveis à q u e l e q u e p r o c u r a a c a b a r c o m u m a crise p r o p o n d o u m a ou outra reforma revolucionária. m a s e s t e e n s a i o n ã o foi p r o j e t a d o p a r a c o n 4. Em conseqüência disso. 1 9 5 9 ) . 567-74 < 1 9 6 1 ) . L I I . eu n a d a disse a respeito do papel do a v a n ç o tecnológico ou d a s condições sociais. ed. T a i s implicações certamente existem e tentei tanto apontar c o m o d o c u m e n t a r as principais. c o n s i d e r o q u e o p a p e l d e s e m p e n h a d o pelos. abstive-me em geral da discussão d e t a l h a d a d a s v á r i a s p o s i ç õ e s a s s u m i d a s p o r filósofos c o n t e m p o r â n e o s no tocante a esses assuntos. . The Copernican Revolution: Planetary Astronomy in the Development oi Western Thought (Cambridge. XIII ( 1 9 6 0 ) .~A n ã o é p r e c i s o ir a l é m de C o p é r n i c o e do c a l e n d á r i o / p a r a descobrir que as condições externas p o d e m aju. 321-56. m a s certamente adicionaria u m a dimensão analítica prim o r d i a l p a r a a c o m p r e e n s ã o d o a v a n ç o científico. S. KtiHN. p p . ao fazer isso. 2 4 7 . p p . M a s . P o r t a n t o . O m e s m o exemplo ilustraria a m a n e i . Mais importante ainda. alguns dos que conhecem e t r a b a l h a m a partir de alguma dessas posições articuladas poderão achar que n ã o compreendi suas posições. 1 9 5 7 ) .

q u e m e s m o u m a m e mória falha n u n c a suprimirá inteiramente. u m filósofo p r e o c u p a d o principalmente com a Ética e a Estética. L e o n a r d K. n u m a é p o c a o u noutra. ele t e m sido generoso c o m suas idéias. C o n t u d o . c o m o qual lecionei durante cinco anos o curso historicamente orientado que o Dr. tanto p a r a c o m os trabalhos especializados. seu lugar c o m o caixa de ressonância criadora foi a s s u m i d o p o r S t a n l e y C a v e l l . depois de minha partida de C a m bridge. foi u m c o l a b o r a d o r a i n d a m a i s a t i v o d u rante os a n o s em q u e minhas idéias c o m e ç a r a m a t o m a r f o r m a . N a s h . C o n a n t i n i c i a r a . P a r a m i m foi u m a f o n t e d e c o n s t a n t e e s t í m u l o e e n c o r a j a m e n t o o f a t o d e C a v e l l . m e u c o l e g a e m B e r k e l e y . N a s páginas seguintes procurarei desembaraçar-me do restante dessa dívida através de citações. ter chegado a conclusões tão absolutamente congruentes c o m a s m i n h a s . Os fragmentos autobiográficos q u e a b r e m este prefácio servem p a r a dar testemunho daquilo q u e r e conheço como minha dívida principal. c o m o p a r a c o m as instituições q u e me ajudaram a dar forma ao m e u pensam e n t o . Foi James B. D e s d e q u e e s s e p r o c e s s o c o m e ç o u .vencê-los. M u i to t e m p o passou desde q u e as idéias deste ensaio c o m e ç a r a m a t o m a r f o r m a . foi a ú n i c a p e s s o a c o m . N a s c i r c u n s tâncias presentes t e n h o q u e me restringir àquelas p o u c a s i n f l u ê n c i a s m a i s significativas. críticas e t e m p o — inclusive o t e m p o n e c e s s á r i o p a r a l e r e s u g e r i r m u d a n ç a s importantes na primeira versão de m e u manuscrito. u m a lista d e t o d o s q u e p o d e m . Conant. contudo. e n c o n t r a r alguns sinais d e s u a influência nestas páginas seria quase t ã o extensa q u a n t o a lista d e m e u s a m i g o s e c o n h e c i d o s . justificadamente. então presidente da Universidade de Harvard. A l é m d i s s o . q u e m primeiro me introduziu na História da Ciência e desse m o d o iniciou a transformação de minha concepção da natureza do progress o científico. U m a tentativa dessa o r d e m teria exigido um livro b e m mais extenso e de tipo muito diferente. n a d a d o q u e foi d i t o a c i m a o u a b a i x o f a r á m a i s do q u e sugerir o n ú m e r o e a natureza de m i n h a s obrigações pessoais p a r a c o m muitos indivíduos cujas sugestões ou críticas s u s t e n t a r a m e dirigiram m e u d e senvolvimento intelectual. Felizmente. S u a a u s ê n c i a foi m u i t o s e n t i d a d u r a n t e o s últimos estágios d o desenvolvimento d e concepções.

C a d a um deles t a m b é m contribuiu c o m ingredientes intelectuais p a r a m e u trabalho.l h e s . K . fizeram algo mais importante.m e e x t r e m a m e n te úteis. Pierre Noyes do Lawrence R a diation Laboratory e m e u aluno. Penso q u e me p e r d o a r ã o se n o m e a r apenas q u a t r o .a q u a l fui c a p a z d e e x p l o r a r m i n h a s i d é i a s a t r a v é s d e sentenças incompletas. John L. Qualquer um que tenha lutado com um projeto c o m o este reconhecerá o q u e isto lhes c u s t o u e v e n t u a l m e n t e . T . que trabalhou em estreita colaboração comigo na preparaç ã o d e u m a v e r s ã o final p a r a a p u b l i c a ç ã o . S. m a s n ã o t e n h o razões p a r a acreditar (e t e n h o algumas p a r a d u v i d a r ) d e q u e n e m eles n e m o s outros mencionados acima aprovem o manuscrito resultante na totalidade. Califórnia Fevereiro 1962 . Berkeley. H. e s p o s a e filhos p r e c i s a m s e r d e u m t i p o b a s t a n t e d i f e r e n t e . T o d a s a s suas sugestões ou reservas p a r e c e r a m . Heilbron. M a s em graus variados. m u i t o s o u t r o s amigos auxiliaram na sua reformulação. N ã o sei c o m o a g r a d e c e r . Esse m o d o de comunicação atesta u m a compreensão que o capacitou a indicar-me c o m o ultrapassar ou contornar vários obstáculos importantes que encontrei durante a preparação de m e u primeiro manuscrito. cujas contribuiç õ e s d e m o n s t r a r a m ser a s m a i s d e c i s i v a s e d e m a i s longo alcance: Paul K. D e i x a r a m q u e m i n h a d e v o ç ã o fosse l e v a d a a d i a n t e e a t é m e s m o a encorajaram. Feyerabend de Berkeley. D e p o i s q u e e s t a v e r s ã o foi e s b o ç a d a . Ernest Nagel de Columbia. através d e maneiras q u e p r o vavelmente sou o último a reconhecer. M e u s a g r a d e c i m e n t o s finais a m e u s p a i s .

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m a i s recenf t e m e n t e . o o b j e t i v o d e t a i s l i v r o s é i n e v i t a v e l m e n t e p e r s u a s i v o e p e d a g ó g i c o . poderia produzir u m a transformação decisiva n a imagem d e ciência que atualmente nos domina.INTRODUÇÃO: UM PAPEL PARA A HISTÓRIA S e a H i s t ó r i a fosse v i s t a c o m o u m r e p o s i t ó r i o p a ra algo mais do que anedotas ou cronologias. n o s m a n u a i s q u e c a d a n o v a g e r a ç ã o utiliza jl_para a p r e n d e r s e u ofício. M e s m o os p r ó í prios cientistas têm h a u r i d o essa i m a g e m principal\ m e n t e n o e s t u d o d a s r e a l i z a ç õ e s científicas a c a b a d a s . um conceito de ciência deles haurido terá tantas p r o b a b i lidades de assemelhar-se ao empreendimento que os produziu c o m o a imagem de u m a cultura nacional obti- . tal c o m o estão registradas n o s clássicos e. C o n t u d o .

C o n t u d o . mitos e superstições q u e inibiram a acumulação mais rápida dos elementos const i t u i n t e s d o m o d e r n o t e x t o científico. D e u m l a d o deve d e t e r m i n a r q u a n d o e por q u e m c a d a fato. Seu objetivo é esboçar um conceito de ciência bastante diverso que p o d e emergir d o s registros históricos da p r ó p r i a atividade de pesquisa. cionados.d a através d e u m folheto turístico o u u m m a n u a l d e l í n g u a s . P o r e x e m p l o . Se a c i ê n c i a é a r e u n i ã o de f a t o s . pretados c o m o se afirmassem q u e os métodos científicos s ã o s i m p l e s m e n t e a q u e l e s i l u s t r a d o s p e l a s t é c n i •i cas de m a n i p u l a ç ã o e m p r e g a d a s na coleta de d a d o s de j m a n u a i s . C o m q u a s e igual r e g u l a r i d a d e . E s t e e n s a i o t e n t a m o s t r a r q u e esses l i v r o s n o s t ê m e n g a n a d o em aspectos fundamentais.s e o p r o . o historiad o r p a r e c e e n t ã o ter d u a s t a r e f a s p r i n c i p a i s . isoladamente ou em combinação. O d e s e n v o l v i m e n t o t o r n a . leis e t e o r i a s d e s c r i t a s e m s u a s p á g i n a s . deve descrever e explicar os a m o n t o a d o s de erros. cesso g r a d a t i v o através do qual esses itens f o r a m a d i . empenharam-se em contribuir c o m u m o u o u t r o e l e m e n t o p a r a essa const e l a ç ã o específica. De outro lado. esses t e x t o s f r e qüentemente parecem implicar que o conteúdo da ciência é exemplificado de maneira ímpar pelas observaç õ e s .. ao estoque sempre crescente que constitui o conhecimento e a técn i c a científicos. j u n t a m e n t e c o m as operações lógicas utilii zadas ao relacionar esses d a d o s às generalizações t e ó \ r i c a s desses manuais. O resultado t e m sido um c o n ceito de ciência com implicações profundas no q u e diz respeito à sua natureza e desenvolvimento. t e o r i a s e m é t o d o s reunidos nos textos atuais. E a H i s t ó r i a da C i ê n c i a t o r n a . o s m e s m o s l i v r o s t ê m s i d o i n t e r . esse n o v o c o n c e i t o n ã o s u r g i r á se c o n t i n u a r m o s a p r o c u r a r e perscrutar os dados históricos sobretudo p a r a responder a questões postas pelo estereótipo a-histórico extraíd o d o s t e x t o s científicos.. e n t ã o os cientistas s ã o homens que.s e a disciplina q u e registra t a n t o esses a u m e n t o s sucessivos c o m o os obstáculos que inibiram sua a c u m u l a ç ã o ^ P r e o c u p a d o c o m o d e s e n v o l v i m e n t o científico. c o m ou sem sucesso. t e o r i a o u lei científica c o n t e m p o r â n e a foi d e s c o b e r t a ou inventada. m e s m o s e p a r t i r m o s d a H i s t ó r i a . M u i t a p e s q u i s a foi d i r i g i d a p a r a esses fins e a l g u m a a i n d a é^} .

D a d a s essas alternativas. q u e m o s t r a as dificuldades p a r a isolar invenções e descobertas individuais. O r e s u l t a d o de t o d a s e s s a s d ú v i d a s e d i f i c u l d a d e s foi u m a r e v o l u ç ã o h i s t o r i o g r á f i c a n o e s t u d o d a c i ê n cia. simplesm e n t e p o r q u e foram descartadas. S i m u l t a n e a m e n t e . S e .l h a t o r n a difícil c o n c e b e r o d e s e n v o l v i m e n t o científico como um processo de acréscimo. Quanto mais cuidadosamente estudam. T a l v e z a ciência n ã o se (desenvolva pela a c u m u l a ç ã o de descobertas e inveni ções individuais. alguns historiadores estão e n c o n t r a n d o mais e mais dificuldades p a r a preencher as funções q u e lhes são prescritas pelo conceito de desenvolvimento-por-acumulação. a q u í m i c a flogística ou a t e r m o dinâmica calórica. as concepções de natureza outrora corr e n t e s n ã o e r a m n e m m e n o s científicas. nos últimos anos. S e e s s a s c r e n ç a s o b s o l e t a s d e v e m ser c h a m a d a s d e m i t o s . elas d e v e m ser c h a m a d a s d e c i ê n c i a s . a din â m i c a a r i s t o t é l i c a . esta esco.C o n t u d o . n e m m e n o s o p r o d u t o da idiossincrasia do q u e as atualmente em v o g a . e n t ã o a ciência inclui conjuntos de crenças totalmente i n c o m patíveis c o m as q u e hoje m a n t e m o s . tanto mais certos tornam-se de que. e m b o r a essa revolução ainda esteja em seus primeiros estágios. Os historiadores da ciência. Teorias obsoletas n ã o s ã o acientíficas e m princípio. e n t ã o o s m i t o s p o d e m ser p r o d u z i d o s p e l o s m e s m o s tipos de métodos e mantidos pelas mesmas razões q u e h o j e c o n d u z e m a o c o n h e c i m e n t o científico. C o m o cronistas de um processo de aumento. C o n t u d o . descobrem que a pesquis a a d i c i o n a l t o r n a m a i s difícil ( e n ã o m a i s f á c i l ) r e s p o n d e r a p e r g u n t a s c o m o : q u a n d o foi d e s c o b e r t o o o x i g ê n i o ? q u e m foi o p r i m e i r o a c o n c e b e r a c o n s e r v a ç ã o da energia? C a d a vez mais. c o m o um todo. digamos. p o r o u t r o l a d o . A mesma pesquisa histórica. alguns deles suspeit a m d e q u e esses simplesmente n ã o são o s tipos d e questões a s e r e m l e v a n t a d a s . o historiador deve escolher a última. gradual- . esses m e s m o s historiadores confrontam-se c o m dificuldades crescentes p a r a distinguir o c o m p o n e n t e "científico" das observações e crenças passadas d a q u i l o q u e seus predecessores r o t u l a r a m p r o n t a m e n t e de " e r r o " e "superstição". dá m a r g e m a p r o fundas dúvidas a respeito do processo cumulativo que se e m p r e g o u p a r a pensar c o m o teriam se f o r m a d o essas contribuições individuais à ciência.

p o r acidentes de sua investigação e por sua própria formação individual. u m a única conclusão substantiva para várias espécies d e q u e s t õ e s c i e n t í f i c a s . Q u e aspectos da ciência revelar-se-ão c o m o proeminentes no desenrolar desse esforço? Em primeiro lugar. cujo m e l h o r e x e m p l o talvez sejam os escritos de A l e x a n d r e K o y r é . a ciência n ã o p a r e c e em a b s o l u t o ser o m e s m o e m p r e e n d i m e n t o q u e foi d i s c u t i d o pelos escritores da tradição historiográfica mais antig a .mente e muitas vezes sem se a p e r c e b e r e m c o m p l e t a mente de q u e o estavam fazendo. a partir de sua própria época. isto é . s e u s p r o f e s s o r e s . eles p r o c u r a m a p r e sentar a integridade histórica daquela ciência. d e s c o n h e c e essas á r e a s . m a s antes pela relação entre as concepções de Galileu e aquelas partilhadas por seu grup o . esses e s t u d o s h i s t ó r i cos sugerem a possibilidade de u m a nova imagem da c i ê n c i a . p o r si só. insistem em e s t u d a r as o p i n i õ e s d e s s e g r u p o e de o u t r o s s i m i l a r e s a partir da perspectiva — usualmente muito diversa daquela da ciência m o d e r n a — q u e dá a essas opiniões o m á x i m o de c o e r ê n c i a i n t e r n a e a m a i o r a d e q u a ç ã o possível à natureza. m a s s a b e c o m o p r o c e d e r cientificamente. as conclusões p a r t i c u l a r e s a q u e ele c h e g a r s e r ã o p r o v a v e l m e n t e d e t e r minadas por sua experiência prévia em outras áreas. Vista através d a s obras q u e daí resultaram. ao m e n o s na o r d e m de apresentação. de desenvolvimento p a r a as ciências. Em vez de procurar as c o n tribuições p e r m a n e n t e s de u m a ciência mais antiga p a r a n o s s a p e r s p e c t i v a p r i v i l e g i a d a . A l é m disso. E s t e e n s a i o visa d e l i n e a r e s s a i m a g e m a o t o r nar explícitas algumas d a s implicações da n o v a historiografia. E n t r e essas possibilidades legítimas. P o r exemplo. A q u e l e q u e . está a insuficiência d a s d i r e t r i z e s m e t o d o l ó g i c a s p a r a d i t a r e m . t e n d o s i d o instruído p a r a e x a m i n a r fenômenos elétricos ou q u í m i c o s . c o n t e m p o r â n e o s e s u c e s sores imediatos nas ciências. P e l o m e n o s i m p l i c i t a m e n t e . p o d e atingir de m o d o legítimo q u a l quer u m a dentre muitas conclusões incompatíveis. P o r exemplo. q u e crenças a resp e i t o d a s e s t r e l a s ele t r a z p a r a o e s t u d o d a Q u í m i c a . freqüentemente não-cumulativas. perguntam n ã o pela relação entre as concepções de Galileu e as da ciência m o d e r n a . c o m e ç a r a m a se colocar novas espécies de questões e a traçar linhas d i ferentes.

/ A p e s q u i s a eficaz r a r a m e n t e c o m e ç a a n t e s q u e u m a c o m u n i d a d e científica p e n s e t e r a d q u i rido respostas seguras para perguntas c o m o : quais são as entidades fundamentais q u e c o m p õ e m o universo? c o m o interagem essas entidades u m a s c o m as outras e c o m os sentidos? q u e questões p o d e m ser legitimament e feitas a r e s p e i t o d e t a i s e n t i d a d e s e q u e t é c n i c a s p o d e m ser e m p r e g a d a s n a busca d e s o l u ç õ e s ? / A o m e n o s nas ciências plenamente desenvolvidas. C o n t u d o . 1 q u e os primeiros estágios do desenvolvimento da maioria das ciências têm-se caracterizado pela contínua competição entre diversas concepções de natureza distintas. respostas ( o u substitutos integrais p a r a as respostas) a questões co- . cada u m a delas parcialmente derivada e todas apenas aproximadamente compatíveis com os d i t a m e s d a o b s e r v a ç ã o e d o m é t o d o científico. esse elemento d e arbitrariedade n ã o indic a q u e a l g u m g r u p o p o s s a p r a t i c a r s e u ofício s e m u m conjunto d a d o de crenças recebidas. observação e a experiência p o d e m e d e v e m restringir drasticamente a extensão das crenças admissíveis. h a v e r e m o s d e o b s e r v a r n o C a p . c o m p o s t o de acidentes pessoais e históricos. p e l o m e n o s para o indivíduo e ocasionalmente para a comunidade ^ científica. quais ele escolhe p a r a executar em primeiro lugar? Q u a i s a s p e c t o s d o f e n ô m e n o c o m p l e x o q u e daf r e s u l t a o impressionam c o m o particularmente relevantes para u m a elucidação da natureza das transformações químicas ou das afinidades elétricas? Respostas a questões c o m o essas são freqüentemente determinantes essenciais p a r a o d e s e n v o l v i m e n t o científico. \ P o r e x e m p l o . M a s n ã o p o d e m . E n e m torna m e nos cheia de conseqüências a constelação particular com a qual o grupo está realmente comprometido n u m > d a d o m o m e n t o .j O q u e d i f e r e n c i o u e s s a s v á r i a s e s c o l a s n ã o foi u m o u o u t r o i n s u c e s s o d o m é t o d o — t o d a s e l a s e r a m "científicas"— mas aquilo que chamaremos a inçpmensurabilidade de suas maneiras de ver o m u n d o e nele praticar a ciência.é da eletricidade? Dentre muitas experiências relevantes. p o r s i s ó . é s e m p r e um ingrediente f o r m a d o r das c r e n ç a s e s p o s a d a s p o r u m a c o m u n i d a d e científica espe^cífica n u m a d e t e r m i n a d a é p o c a . p o r q u e d e o u t r o m o d o n ã o haveria ciência. d e t e r m i n a r u m c o n j u n t o específico d e s e m e l h a n t e s c r e n ç a s J U m e l e m e n t o a p a rentemente arbitrário.

n a m e d i d a e m q u e esses c o m p r o m i s s o s r e \têm um elemento de arbitrariedade. n ã o f u n ciona segundo a maneira antecipada. no seu desenvolvimento posterior. essas respostas chegam a exerc e r u m a i n f l u ê n c i a p r o f u n d a s o b r e o e s p í r i t o científic o . A c i ê n c i a n o r m a l . revelando u m a j a n o m a l i a q u e n ã o p o d e ser a j u s t a d a à s e x p e c t a t i v a s \ profissionais.n o s a d a r c o n t a t a n t o d a eficiência p e c u l i a r d a a t i vidade de pesquisa normal. qualquer q u e seja o e l e m e n t o d e a r b i t r a r i e d a d e c o n t i d o n a s s u a s o r i gens históricas e. Ao e x a m i n a r a ciência n o r m a l nos C a p s .m o essas estão firmemente engastadas n a iniciação p r o fissional q u e p r e p a r a e a u t o r i z a o e s t u d a n t e p a r a a p r á t i c a científica.d e t a l h a d a m e n t e n o s C a p s . a ciência n o r m a l freqüentemente sup r i m e novidades fundamentais. N ã o obstante. c o m o da direção na qual essa prossegue em qualquer m o m e n t o considerado. P o r exemplo. q u e d e v e r i a ser r e s o l v i d o p o r m e i o de regras e p r o c e d i m e n t o s conhecidos. é b a s e a d a no presi s u p o s t o de q u e a c o m u n i d a d e científica s a b e c o m o é o Ikmundo. ocasionalmente. O f a t o d e a s r e s p o s t a s p o d e r e m t e r esse p a p e l a u x i l i a . G r a n d e p a r t e d o s u c e s s o d o e m p r e e n d i m e n t o [deriva da disposição da c o m u n i d a d e p a r a defender esse Ypressuposto — c o m c u s t o s c o n s i d e r á v e i s . 3 e 4. projetada e c o n s t r u í d a p a r a fins d e p e s q u i s a n o r m a l . A l g u m a s v e z e s u m p r o b l e m a c o m u m . 5. \ atividade na qual a maioria d o s cientistas e m p r e g a i n e I vitavelmente quase t o d o seu t e m p o . s e n e c e s s á . D e s t a e . rio. p o r q u e estas subvertem necessariamente seus compromissos básicos. 2. a própria nature*za d a p e s q u i s a n o r m a l a s s e g u r a q u e a n o v i d a d e n ã o (será s u p r i m i d a p o r m u i t o t e m p o . E m outras ocasiões. resiste ao ataI q u e violento e reiterado dos m e m b r o s mais hábeis do g r u p o e m cuja á r e a d e c o m p e t ê n c i a ele o c o r r e . b u s c a remos d e s c r e v e r e s s a f o r m a d e p e s q u i s a como u m a tent a t i v a v i g o r o s a e d e v o t a d a de f o r ç a r a n a t u r e z a a e s q u e m a s conceituais fornecidos pela e d u c a ç ã o profissional. u m a peça de equipamento. N ó s perguntaremos simultaneamente se a pesquisa p o deria ter seguimento sem tais esquemas. No entanto este elemento de arbitrariedade está p r e s e n t e e t e m t a m b é m u m efeito i m p o r t a n t e n o d e s e n v o l v i m e n t o c i e n t í f i c o . n ã o obstante esforços repetidos. 6 e 7. E s s e efeito s e r á e x a m i n a d o . U m a v e z q u e e s s a e d u c a ç ã o é a o m e s m o t e m p o rígida e rigorosa.

8 e 9. u m a tese fundamental deste ensaio é q u e essas c a r a c t e r í s t i c a s p o d e m ser i g u a l m e n t e r e c u p e r a d a s a t r a - .' | d o s d e r e v o l u ç õ e s científicas o s e p i s ó d i o s e x t r a o r d i n á \ rios nos quais ocorre essa alteração de c o m p r o m i s s o ^ p r o f i s s i o n a i s . n o p a s s a d o . são d e n o m i n a .Ide o u t r a s m a n e i r a s . Mais claramente i q u e muitos outros. Tais características aparecem c o m particular clareza no estudo das revoluções newtoniana e química. Neste ensaio. nos ocuparemos repetidam e n t e c o m o s m o m e n t o s decisivos essenciais d o d e s e n v o l v i m e n t o científico a s s o c i a d o a o s n o m e s d e C o p é r \ nico. C o m o conseqüência. Lavoisier e Einstein. c o n s t i t u i t o d a s a s r e v o l u ç õ e s científicas.s e s e \ g u i d a m e n t e . a p r e s e n t a n d o . E q u a n d o i s t o o c o r r e — i s t o é. p e l o m e n o s n o > q u e c o n c e r n e à h i s t ó r i a d a s c i ê n c i a s físicas. A s r e v o l u ç õ e s científicas s ã o o s c o m p l e ^ m e n t o s d e s i n t e g r a d o r e s da t r a d i ç ã o à q u a l a a t i v i d a d e da ciência n o r m a l está ligada. c a d a um desses e p i s ó d i o s p r o d u z i u u m a a l t e r a ç ã o n o s p r o b l e m a s à d i s p o s i ç ã o d o e s c r u t í n i o científico e n o s p a d r õ e s p e los quais a profissão d e t e r m i n a v a o q u e deveria ser considerado c o m o u m problema o u c o m o u m a solução de problema legítimo. P o r isso. 'i— O s e x e m p l o s m a i s ó b v i o s d e r e v o l u ç õ e s científicas são aqueles episódios famosos do desenvolvimento científico q u e .o s c o m o u m a transformação d o m u n d o n o interior d o qual e r a r e a l i z a d o o t r a b a l h o científico. são características definidoras das revoluções científicas. a u m a nova base i p a r a a prática da ciência. T a i s m u d a n ç a s . f o r a m f r e q ü e n t e m e n t e r o tulados de revoluções. esses episódios exibem aquilo q u e . C a d a u m i d e l e s f o r ç o u a c o m u n i d a d e a r e j e i t a r a t e o r i a científic a anteriormente aceita e m favor d e u m a o u t r a incomi patível c o m aquela. q u a n d o os / m e m b r o s d a profissão n ã o p o d e m m a i s esquivar-se das í anomalias q u e subvertem a tradição existente da p r á \ t i c a científica — e n t ã o c o m e ç a m as i n v e s t i g a ç õ e s j extraordinárias q u e finalmente c o n d u z e m a profissão a / u m novo conjunto de compromissos. a c i ê n c i a n o r m a l d e s o r i e n t a . j u n t a mente com as controvérsias que quase sempre as acomp a n h a m . o n d e p e l a p r i m e i r a v e z a n a t u r e z a d a s r e v o l u ç õ e s científicas é diretamente examinada. C o n t u d o . Newton. Precisaremos descrever as m a n e i r a s pelas quais c a d a um desses episódios transf o r m o u a i m a g i n a ç ã o científica. nos C a p s .

q u e afetaram u m grupo profissional b e m m a i s reduzido do que as de Einstein. Os c o m p r o m i s s o s q u e g o v e r n a m a ciência n o r m a l especificam n ã o a p e n a s as espécies de entidades q u e o u n i verso contém. impelidos p o r seu v o c a bulário. p o r m a i s p a r t i c u l a r q u e seja s e u â m b i t o d e a p l i c a ç ã o . a nova teoria implica u m a m u d a n ç a nas reg r a s q u e g o v e r n a v a m a p r á t i c a a n t e r i o r da-ciê-ncia n o r niaL_ P o r isso. modific a d o a rede de teorias c o m as quais lida c o m o m u n d o . P a r a e s s e s homens. implicitamente. É p o r isso q u e u m a descoberta inesperada n ã o possui u m a importância sim- . É p o r isso q u e u m a n o v a t e o r i a .s u c e s s o . lAs equações de Maxwell. foram consideradas t ã o r e v o l u c i o n á r i a s c o m o e s t a s e c o m o tal e n c o n t r a r a m resistência. vêem c o m o um evento isolado. n u n c a o u q u a se nunca é um m e r o incremento ao que já é conhecido. exceto talvez no interior de u m a única trad i ç ã o d a p r á t i c a científica n o r m a l . segue-se que u m a descoberta c o m o a do oxigênio ou do raio X n ã o adiciona apenas mais um item à p o p u l a ç ã o do m u n d o do cientista. alterado sua c o n c e p ç ã o a iespeito de entidades com as quais estava de há muito familiarizada e. a invenção de novas teorias evoca a m e s m a resposta p o r p a r t e de alguns especialistas q u e v ê e m sua á r e a " d e c o m p e t ê n c i a infringida p o r e s s a s t e o r i a s . m a s também. no decorrer desse processo. Esse é o efeito final d a d e s c o b e r t a — m a s s o m e n t e d e p o i s d a c o m u n i d a d e profissional ter reavaliado os p r o c e d i m e n tos experimentais tradicionais. Esse p r o cesso intrinsecamente revolucionário raramente é c o m pletado por um único h o m e m e nunca de um dia para o outro. Regularmente e de m a n e i r a apropriada. Sua assimilação requer a reconstrução da teoria precedente e a reavaliação dos fatos anteriores. a n o v a t e o r i a r e p e r c u t e i n e v i t a v e l m e n t e —"sobre m u i t o s t r a b a l h o s científicos j á c o n c l u í d o s c o m .vés d o e s t u d o d e m u i t o s o u t r o s e p i s ó d i o s q u e n ã o f o ram tão obviamente revolucionários. Invenções de novas teorias n ã o são os únicos acont e c i m e n t o s científicos q u e t ê m u m i m p a c t o r e v o l u c i o n á r i o sobre os especialistas do setor em q u e o c o r r e m . ao qual. E m b o r a este p o n t o exija u m a discussão prolongada. N ã o é de admirar q u e os historiadores t e n h a m e n c o n t r a d o dificuldades para d a t a r com precisão este processo p r o l o n g a d o . aquelas q u e n ã o contém. T e o r i a e f a t o científicos n ã o s ã o c a t e g o r i c a m e n t e separáveis.

A competição entre segmentos da c o m u n i d a d e científica é o ú n i c o p r o c e s s o h i s t ó r i c o q u e realmente resulta na rejeição de u m a teoria ou na adoção de outra. 12 perguntará como o d e s e n v o l v i m e n t o a t r a v é s d e r e v o l u ç õ e s p o d e ser c o m patível c o m o caráter aparentemente ímpar do progress o científico. A discussão precedente indica c o m o serão desenvolvidas as noções complem e n t a r e s d e c i ê n c i a n o r m a l e r e v o l u ç ã o científica n o s nove capítulos imediatamente seguintes. Ao discutir a tradição do manual. Esta concepção ampliada da natureza das revoluç õ e s científicas é d e l i n e a d a n a s p á g i n a s s e g u i n t e s . 11 descreve a c o m p e t i ç ã o revolucionária entre os defensores d a v e l h a t r a d i ç ã o científica n o r m a l e o s p a r t i d á r i o s d a nova. Sem d ú v i d a alguns leitores já se terão p e r g u n t a d o se um estudo histórico poderá produzir o tipo de transformação conceituai que é visado aqui. a s s u n t o q u e r e q u e r m u i t a e x p l o r a ç ã o e estudo adicionais.plesmente fatual. as . Dizemos muito freqüentemente que a História é u m a disciplina p u r a m e n t e descritiva. N ã o obstante. o C a p . p o r e x e m p l o . P a r a m i m . d e v e r i a s u b s t i tuir d e a l g u m m o d o o s p r o c e d i m e n t o s d e falsificação ou confirmação q u e a nossa i m a g e m usual de ciência t o r n o u familiares. e s t e e n s a i o n ã o f o r n e c e r á m a i s do que os c o n t o r n o s principais de u m a resposta a essa questão. Finalmente. o C a p . continuarei a falar a t é m e s m o d e d e s c o b e r t a s c o m o s e n d o r e v o l u c i o n á r i a s . o q u e faz a c o n c e p ç ã o a m p l i a d a t ã o i m p o r t a n t e é p r e c i s a m e n t e a p o s s i b i l i d a d e de r e l a c i o n a r a e s t r u t u r a d e tais d e s c o b e r t a s c o m . O resto do ensaio tenta equacionar as três questões centrais q u e sobram. Desse m o d o o capítulo examina o processo que. sugerindo q u e isso n ã o p o d e ser a d e q u a d a m e n t e r e a l i z a d o d e s s a m a neira. C o n t u d o . Um arsenal inteiro de dicotomias está disponível. T o d a v i a . N ã o há d ú v i d a de q u e esta a m p l i a ç ã o força o sentido costumeiro da concepção. Tal resposta depende das características da c o m u n i d a d e científica. O m u n d o do cientista é t a n t o qualitativamente transformado como quantitativamente enriquecido pelas novidades fundamentais de fatos ou teorias. O C a p . aquela da revolução copernicana. n u m a t e o r i a d a i n v e s t i g a ç ã o científica. 10 e x a m i n a p o r q u e a s r e v o l u ç õ e s científicas t ê m s i d o t ã o dificilmente reconhecidas c o m o tais.

muitas de m i n h a s generalizações dizem respeito à sociologia ou à psicologia social dos cientistas. q u e seriam anteriores à análise do conhecimento científico. dificilmente p o deria estar mais consciente de sua importância e força. Em vez de serem distinções lógicas ou metodológicas elementares. A i n d a assim. tenham algo importante a nos dizer.a s a o m e s m o escrutínio que é regularmente aplicado a teorias e m outros c a m p o s . pelo menos algumas das minhas conclusões pertencem tradicionalmente à Lógica ou à Epistemologia. algumas vezes. P o d e até m e s m o parecer que. A l é m disso. a o s q u a i s p o d e m o s exigir a a p l i c a ç ã o d a s t e o r i a s s o b r e o conhecimento? . normativas. a c e i t o e a s s i m i l a d o . m u i t a s d a s m i n h a s tentativas de aplicál a s . E s s a circularidade n ã o as invalida de forma alguma. P o d e algo mais do que profunda confusão estar indicado nesta mescla de diversas áreas e interesses? T e n d o .m e formado intelectualmente a partir dessas e de outras distinções semelhantes. E x a m i nar-se-ia e n t ã o a aplicação dessas distinções aos d a d o s q u e elas p r e t e n d e m e l u c i d a r . e l a s p a r e c e m a g o r a ser p a r t e s d e u m c o n j u n t o tradicional de respostas substantivas às próprias quest õ e s a p a r t i r d a s q u a i s elas f o r a m e l a b o r a d a s . às s i t u a ç õ e s r e a i s n a s q u a i s o c o n h e c i m e n t o é o b t i d o . Ainda suponho que. esse conteúdo p r e c i s a ser d e s c o b e r t o a t r a v é s d a o b s e r v a ç ã o . P a r a q u e elas t e n h a m c o m o conteúdo mais do que puras abstrações.teses sugeridas acima s ã o freqüentemente interpretativas e. T o d a v i a . s u j e i t a . fê-las parecer extraordinariamente problemáticas. M a s torn a . a o fazer i s s o . eu tenha violado a m u i t o influente distinção c o n t e m p o r â n e a e n t r e o " c o n t e x t o da d e s c o b e r t a " e o " c o n t e x t o da j u s tificação". adequadamente reelaboradas. no parágrafo anterior.a s p a r t e d e u m a t e o r i a e . m e s m o grosso modo. Por muitos anos tomei-as c o m o sendo a própria natureza do conhecimento. C o m o p o d e r i a a H i s t ó r i a d a C i ê n c i a d e i x a r d e ser u m a f o n t e d e f e n ô m e n o s .

ilustram muitas (ou todas) as suas aplicações b e m sucedidas e c o m p a r a m essas aplicações c o m observações e experiências exemplares.1 . hoje em dia essas realizações s ã o r e l a t a d a s p e l o s m a n u a i s científicos e l e m e n t a r e s e a v a n ç a d o s . \ " c i ê n c i a n o r m a l " significa a p e s q u i sa firmemente baseada em u m a ou mais realizações' científicas p a s s a d a s . A ROTA PARA A CIÊNCIA NORMAL N e s t e e n s a i o . U m a vez q u e tais livros se t o r n a r a m populares n o c o m e ç o d o século X I X ( e mes- . E s s a s r e a l i z a ç õ e s s ã o r e c o n h e c i d a s d u r a n t e a l g u m t e m p o p o r a l g u m a c o m u n i d a d e científica e s p e c í f i c a c o m o p r o p o r c i o n a n d o o s f u n d a m e n t o s p a r a sua prática posterior. f E m b o r a r a r a m e n t e na sua f o r m a original. T a i s livros e x p õ e m o c o r p o da teoria aceita.

muitos dos quais bem mais especializados do q u e os indicados acima. "Óptica Corpuscular" ( o u "Óptica O n d u l a t ó r i a " ) . os Principia e a Óptica de N e w t o n . S ã o e s s a s t r a d i ç õ e s que o historiador descreve com rubricas c o m o : "Astronomia Ptolomaica" (ou "Copernicana"). D a q u i por diante deverei referir-me às realizações q u e p a r t i l h a m essas d u a s características c o m o " p a r a digmas". c o m o n o caso d a s ciências a m a durecidas h á p o u c o ) . um termo estreitamente relacionado c o m "ciência n o r m a l " . sua prática subseqüente raramente irá provocar desacordo declarado k .s e a h o m e n s que a p r e n d e r a m as bases de seu c a m p o de e s t u d o a partir dos mesmos modelos concretos. a f a s t a n d o . Simultaneamente. e assim por diante.o s d e o u t r a s f o r m a s d e a t i v i d a d e científica dissimilares.s o b r e pontos fundamentais. O estudo dos paradigmas. é o q u e p r e p a r a basicamente o estudante p a r a ser m e m b r o da c o m u n i d a d e científica d e t e r m i n a d a n a q u a l a t u a r á m a i s i^tarde. p a r a definir implicitamente os p r o b l e m a s e m é t o d o s legítimos de um c a m p o de pesquisa p a r a as gerações posteriores de p r a t i c a n t e s da ciência. t e o r i a . a o m e s m o t e m p o . lei. suas realizações eram suficientemente abertas p a r a deixar t o d a a espécie de problemas p a r a serem resolvidos pelo g r u p o redefinid o d e praticantes d a ciência. por algum tempo. Suas realizações foram suficientemente sem precedentes p a r a a t r a i r u m g r u p o d u r a d o u r o d e p a r t i d á r i o s . muitos dos clássicos famosos d a c i ê n c i a d e s e m p e n h a m u m a f u n ç ã o s i m i l a r . A Física d e A r i s t ó t e l e s . a Eletricidade de F r a n k l i n . E s s e c o m p r o m e t i m e n t o e o c o n s e n s o aparente que p r o d u z são pré-requisitos p a r a a ciência . a Química de L a v o i s i e r e a Geologia de L y e l l — e s s e s e muitos outros trabalhos serviram. U m a v e z q u e ali o e s t u d a n t e r e ú n e . "Dinâmica Aristotélica" (ou "Newtoniana").m o mais recentemente. o Almagesto de P t o l o m e u . P u d e r a m fazer isso p o r q u e p a r t i l h a v a m d u a s características essenciais. C o m a escolha do t e r m o pretendo sugerir q u e alguns exemplos aceitos na prática científica r e a l — e x e m p l o s q u e i n c l u e m . a p l i c a ç ã o e i n s t r u m e n t a ç ã o — p r o p o r c i o n a m modelos dos quais b r o t a m as tradições coerentes e e s p e c í f i c a s d a p e s q u i s a científica. H o m e n s cuja pesquisa está i baseada em paradigmas compartilhados estão comproij m e t i d o s c o m as m e s m a s r e g r a s e p a d r õ e s p a r a a p r á h t i c a científica.

no C a p . provavelmente encontrará alguma variante m e n o r de um p a d r ã o ilustrado aqui a partir da História da Óptica Física. esta caracterização da luz mal tem meio século. esses dois conceitos r e lacionados s e r ã o esclarecidos indicando-se a possibilid a d e d e u m a e s p é c i e d e p e s q u i s a científica s e m p a r a digmas ou pelo menos sem aqueles de tipo tão inequívoco e obrigatório c o m o os n o m e a d o s acima. c o n - . Se o h i s t o r i a d o r s e g u e . p a r a a g ê n e s e e a c o n t i n u a ç ã o de u m a tradição de pesquisa d e t e r m i n a d a . d e s d e a o r i g e m . as respostas a estas quest õ e s e o u t r a s s i m i l a r e s d e m o n s t r a r ã o ser b á s i c a s p a r a a c o m p r e e n s ã o . é anterior aos v á r i o s c o n c e i t o s .n o r m a l . c o m o u m lugar de c o m p r o m e t i m e n t o profissional. i s t o é. c o m o do conceito associado de p a r a d i g m a . a p i s t a do c o n h e c i m e n t o científicp d e q u a l q u e r g r u p o s e l e c i o n a do de fenômenos interligados. P o r q u e a r e a l i z a ç ã o científica. ou melhor. tanto da ciência normal. de acordo c o m as caracterizações m a t e m á t i c a s m a i s elaboradas a partir d a s quais é derivada esta verbalização usual. Einstein e outros no com e ç o deste século. esta discussão mais abstrata vai depender da exposição prévia de exemplos da ciência n o r m a l ou de p a r a d i g m a s em atividade. Os m a n u a i s atuais de Física ensinam ao estudante que a luz é c o m p o s t a de fótons. isto é. u m a u n i d a d e q u e n ã o p o d e ser t o t a l m e n t e r e d u z i d a a c o m p o n e n t e s a t ô m i c o s lógicos que p o d e r i a m funcionar em seu lugar? Q u a n d o as encontrarmos. A aquisição de um p a r a d i g m a e do tipo de pesquisa mais esot é r i c o q u e ele p e r m i t e é u m s i n a l d e m a t u r i d a d e n o d e s e n v o l v i m e n t o d e q u a l q u e r c a m p o científico q u e s e queira considerar. Antes de ter sido desenvolvida por Planck. t e o r i a s e p o n t o s d e v i s t a q u e d e l a p o d e m ser a b s t r a í d o s ? E m q u e s e n t i d o o p a r a d i g m a partilhado é u m a unidade fundamental para o estudo d o d e s e n v o l v i m e n t o científico. ^ Será necessário acrescentar mais sobre as razões da introdução do conceito de paradigma. leis. A pesquisa é realizada de a c o r d o c o m este ensinamento. os textos de Física ensinavam que a luz era um m o v i m e n t o ondulatório transversal. entidades quântico-imecânicas q u e exibem algumas características de ondas e outras de partículas. 4. u m a vez que n e s t e e n s a i o ele s u b s t i t u i r á u m a v a r i e d a d e d e n o ç õ e s f a m i l i a r e s . C o n t u d o . M a i s especificamente. C o n t u d o .

P R I E S T L E Y . Joseph. U m grupo considerava a luz c o m o sendo composta de partículas que emanav a m dos corpos materiais. p u b l i c a d o s no início do s é c u l o X I X . . (Londres. Naquela époc a o s físicos p r o c u r a v a m p r o v a s d a p r e s s ã o e x e r c i d a p e l a s p a r t í c u l a s d e l u z a o colidir c o m o s c o r p o s s ó l i d o s .I V . Outras observações eram exam i n a d a s a t r a v é s d e e l a b o r a ç ã o a d hoc o u p e r m a n e c i a m c o m o p r o b l e m a s especiais p a r a a pesquisa posterior. Essas transformações de paradigmas da Óptica F í s i c a s ã o r e v o l u ç õ e s científicas e a t r a n s i ç ã o s u c e s s i v a de um paradigma a outro. tradução de Jean Taton. A l é m d i s s o . N e n h u m período entre a a n t i g ü i d a d e r e m o t a e o f i m do s é c u l o X V I I e x i b i u u m a ú n i c a c o n c e p ç ã o d a n a t u r e z a d a l u z q u e fosse g e ralmente aceita. todas estas escolas fizeram c o n t r i b u i ç õ e s significativas a o c o r p o d e c o n c e i t o s . o p a r a d i g m a p a r a e s t e c a m p o d e e s t u d o s foi p r o p o r c i o n a d o p e l a Óptica d e N e w t o n . No entanto. o conjunto particular de fenômenos ópticos q u e sua própria teoria podia explicar melhor. a q u a l e n s i n a v a q u e a l u z era composta de corpúsculos de matéria. 2. E m vez disso havia u m b o m n ú m e r o de escolas e subescolas em competição. Em épocas diferentes. a maioria d a s quais esposava u m a ou outra variante das teorias de Epicuro. um o u t r o ainda explicava a luz em termos de u m a interação do meio com u m a emanação do olho. Aristóteles o u Platão. este n ã o é o p a d r ã o usual _do p e r í o d o anterior aos t r a b a l h o s de N e w t o n . é o p a d r ã o usual de desenvolvimento da ciência amadurecida. V a s c o . f e 1 2 1. C a d a u m a delas enfatizava. C a p s . 1772) pp. Histoire de la lumière. a l g o q u e n ã o foi feito p e l o s p r i m e i r o s t e ó r i c o s d a concepção ondulatória. c o m o observações paradigmáticas. ( P a r i s . 1 9 5 6 ) . e haviam outras combinações e modificações além dessas. fe este contraste q u e nos interessa aqui. D u r a n t e o século X V I I I . C a d a u m a das escolas retirava forças de s u a relação c o m a l g u m a metafísica determinada. p a r a outro.c e p ç ã o q u e em última análise derivava d o s escritos ópticos de Y o u n g e Fresnel. por meio de u m a revoluç ã o . R O N C H . era a modificaç ã o do m e i o que intervinha entre o c o r p o e o olho. I . The Hislory and Presenl State of Discoveries Relaling to Vision Light and Colours. 385-90. a t e o r i a o n d u l a t ó r i a n ã o foi a p r i m e i r a d a s c o n c e p ç õ e s a ser a c e i t a p e l o s p r a t i c a n tes da ciência óptica.

q u e exclua os m e m b r o s mais criadores dessas várias escolas. N ã o havia qualquer conjunto-padrão d e m é todos ou de fenômenos q u e todos os estudiosos da Ó p t i c a se s e n t i s s e m f o r ç a d o s a e m p r e g a r e e x p l i c a r . F r a n k l i n e outros. Nollet. e s t e n ã o é o p a d r ã o d e d e senvolvimento que a Óptica Física adquiriu depois de N e w t o n e n e m aquele q u e outras ciências da natureza t o r n a r a m familiar hoje em dia. excluirá igualmente seus sucessores m o d e r n o s . Nestas circunstâncias o diálogo dos livros resultantes era freqüentemente dirigido aos m e m b r o s das outras e s c o l a s t a n t o c o m o à n a t u r e z a . C o n t u d o . Desaguliers. H o j e e m d i a esse p a d r ã o é familiar a n u m e r o s o s c a m p o s de estudos criadores e n ã o é incompatível com invenções e descobert a s significativas.c o r p u s c u l a r q u e o r i e n t a v a a p e s q u i s a científica d a é p o c a . P o r n ã o ser o b r i g a d o a a s s u m i r u m c o r p o q u a l q u e r d e c r e n ç a s c o m u n s . Watson. G r a y . ^ A história da pesquisa elétrica na primeira m e tade d o século X V I I I proporciona u m exemplo mais concreto e melhor conhecido da maneira c o m o u m a ciência se desenvolve antes de adquirir seu primeiro paradigma universalmente aceito. Du F a y . o r e s u l t a d o l í q u i d o d e s u a s a t i v i d a d e s foi a l g o m e n o s q u e c i ê n c i a . qualquer u m q u e examine u m a amostra da Óptica Física anterior a N e w t o n p o derá perfeitamente concluir que. e m b o r a os estudiosos d e s s a á r e a f o s s e m c i e n t i s t a s . e r a m t o d o s c o m p o n e n t e s d e t e o r i a s científicas r e a i s . Esses h o m e n s e r a m cientistas. A escolha das observações e experiênc i a s q u e s u s t e n t a v a m tal r e c o n s t r u ç ã o e r a r e l a t i v a m e n t e livre. A l é m d i s s o .n ô m e n o s e técnicas d o s quais N e w t o n extraiu o primeiro paradigma quase uniformemente aceito na Óptica Física. T o d o s seus numerosos conceitos de eletricidade tinham algo em c o m u m — e r a m parcialmente derivados de u m a o u o u t r a v e r s ã o d a filosofia m e c â n i c o . h o m e n s c o m o H a u k s b e e . Q u a l q u e r definição do cientista. teorias que tinham sido parcialmente extraídas de exper i ê n c i a s e o b s e r v a ç õ e s e q u e d e t e r m i n a r a m em p a r t e a e s c o l h a e a i n t e r p r e t a ç ã o de p r o b l e m a s a d i c i o n a i s . C o n t u d o . D u r a n t e aquele período houve quase tantas concepções sobre a natureza da eletricidade c o m o experimentadores importantes nesse c a m p o . c a d a autor de Óptica Física sentia-se forçado a construir n o v a m e n t e seu c a m p o de estudos desde os fundamentos.

C a p s . Mass. ( N a realidade este g r u p o é e x t r e m a m e n t e p e q u e n o — m e s m o a teoria de F r a n k l i n n u n c a explicou completamente a repulsão m ú t u a de dois corpos c a r r e g a d o s n e g a t i v a m e n t e . pode-se encontrar u m a apresentação de certo m o d o mais extensa e mais precisa do surgimento do paradigma de Franklin em " T h e F u n c t i o n of D o g m a in Scientific Research" de T H O M A S S. 9-15. K U H N . E m 3 Concept of Electric Charge: Electricity from the GreeJcs to Coulomb ("Harvard Case Histories in Experimental Science". Somente através dos trabalhos de F r a n k l i n e de seus sucessores imediatos surgiu u m a teoria c a p a z d e d a r c o n t a .. Esse g r u p o t e n d i a a t r a t a r a r e p u l s ã o c o m o u m efeito s e c u n d á r i o devido a alguma espécie de rebote mecânico. d e a p r o x i m a d a m e n t e t o d o s esses efeitos. Cambridge. g r u p o q u e tendia a falar da eletricidade mais c o m o um "fluido" que podia circular através de condutores do que como um "eflúvio" que emanasse de n ã o . Estou em dívida c o m um trabalho ainda não publicado de m e u aluno John L. C o n t u d o . Crombie (ed. 3 DUANE ROLLEB & DUANB H . B. Um primeiro grupo de teorias. O u t r o s "eletricistas" (o t e r m o é d e les m e s m o ) c o n s i d e r a v a m a a t r a ç ã o e a r e p u l s ã o c o m o manifestações igualmente elementares da eletricidade e modificaram suas teorias e pesquisas de acordo com tal c o n c e p ç ã o . Ltd. C. c o m q u a s e igual facil i d a d e . Case 8. Entretanto. D . The Development of the . jul.). 1954). 1 9 5 6 ) . University of Oxford. ) M a s estes t i v e r a m t a n t a d i ficuldade c o m o o primeiro grupo p a r a explicar simult a n e a m e n t e q u a l q u e r c o i s a q u e n ã o fosse o s efeitos m a i s s i m p l e s d a c o n d u ç ã o .X I I . COHEN. Franklin and Newton: An Inquiry into Speculative Newtonian Experimentai Science and Franklin's Work in Electricity as an Example Thereof ( F i l a d é l f i a . que será publicado por H e i n e m a n n Educational B o o k s . suas teorias n ã o tinham mais do q u e u m a semelhança de família. P o r s e u t u r n o . ROLLEB. e m b o r a todas as experiências fossem elétricas e a maioria d o s experimentadores lessem os trabalhos uns dos outros. Symposíum on the History of Science. considerava a atração e a geração por fricção c o m o os fenômenos elétricos fundamentais. esse g r u p o t i n h a dific u l d a d e p a r a r e c o n c i l i a r s u a t e o r i a c o m n u m e r o s o s efeitos de atração e repulsão. Tendia igualmente a postergar por tanto tempo q u a n t o p o s s í v e l t a n t o a d i s c u s s ã o c o m o a p e s q u i s a sist e m á t i c a s o b r e o n o v o efeito d e s c o b e r t o p o r G r a y — a c o n d u ç ã o elétrica. esses efeitos p r o porcionaram um ponto de partida p a r a um terceiro grupo. publicado em A. V I I . seguindo a prática do século X V I I . e I. 1961.c o n d u t o r e s . Heilbron no que diz respeito a alguns detalhes analíticos do parágrafo seguinte. Enquanto se aguarda sua publicação.enfrentados pela pesquisa.

por e x e m p l o . mais alguns dos dados mais e s o t é r i c o s p r o c e d e n t e s d e ofícios e s t a b e l e c i d o s . Newton ou F r a n k l i n ) . da Química antes de Boyle e B o e r h a a v e e da Geologia Histórica antes de H u t t o n — e m b o r a isso envolva de minha parte o emprego continuado de simp l i f i c a ç õ e s infelizes q u e r o t u l a m u m e x t e n s o e p i s ó d i o histórico c o m um único nome. as primeiras col e t a s d e f a t o s s e a p r o x i m a m m u i t o m a i s cie u m a a t i v i dade ao acaso do que daquelas que o desenvolvimento subseqüente da ciência torna familiar. A s o m a de fatos r e s u l t a n t e s c o n t é m a q u e l e s acessíveis à o b s e r v a ç ã o e à experimentação casuais. P e r m a n e c e em aberto a questão a respeito de q u e áreas da ciência social já a d q u i r i r a m tais p a r a d i g m a s . e t a m b é m aquelas. A l é m disso. na ausência de u m a razão para p r o c u r a f alguma forma d e i n f o r m a ç ã o m a i s r e c ô n d i t a . A tecnologia d e s e m p e n h o u m u i t a s vezes um papel vi- . c o m o a M e d i c i n a . a c o l e t a inicial d e fatos é usualmente restrita à riqueza de d a d o s q u e estão p r o n t a m e n t e a nossa disposição. C o n t u d o . o e s t u d o do calor antes de Black.\~ Vista d i s s o e s s a t e o r i a p o d i a e de f a t o r e a l m e n t e p r o porcionou um paradigma c o m u m para a pesquisa de ! u m a g e r a ç ã o s u b s e q ü e n t e de "eletricistas". q u e surgiu da divisão e c o m b i n a ç ã o de especialidades já amadurecidas. C o m o conseqüência disso. S u g i r o q u e d e s a c o r d o s fund a m e n t a i s de tipo similar caracterizaram. Na ausência de um paradigma ou de algum c a n d i d a t o a p a r a d i g m a . as situações esboçadas acima s ã o h i s t o r i c a m e n t e t í p i c a s . a M e t a l u r g i a e a c o n f e c ç ã o de c a l e n d á r i o s . Em partes da Biologia — por exemplo. todos os fatos q u e possivelmente são pertinentes ao desenvolvimento de determinada ciência t ê m a probabilidade de parecerem igualmente relevantes. a História sugere igualmente algumas razões para as dificuldades encontradas ao longo desse caminho. A História sugere q u e a estrada p a r a um consenso estável na pesquisa é e x t r a o r d i n a r i a m e n t e á r d u a . um tanto arbitrariamente escolhido (por exemplo. nas quais os primeiros p a r a d i g m a s estáveis d a t a m da pré-história. c o m o a Bioquímica. o estudo do movimento antes de Aristóteles e da Estática antes de A r q u i m e d e s . no estudo da hereditariedade — os primeiros p a r a d i g m a s universalm e n t e aceitos são ainda mais recentes. „ Excluindo áreas c o m o a Matemática e a Astronomia.

as histórias naturais just a p õ e m freqüentemente descrições como as mencionadas acima como outras de. a H i s t ó r i a N a t u r a l t í p i ca omite c o m freqüência de seus relatos imensamente circunstanciais e x a t a m e n t e aqueles detalhes q u e cientistas p o s t e r i o r e s c o n s i d e r a r ã o f o n t e s d e i l u m i n a ç õ e s importantes. B A C O N . Ciovanni Marliani and Late Medieval Physics (Nova York. algumas das quais recônditas. pp. j á q u e o s ofícios são u m a fonte facilmente acessível de fatos q u e n ã o p o d e r i a m ter sido descobertos casualmente. LO aparecimento do trabalho mencionado na última dessas citações é que os efeitos repulsivos foram reconhecidos c o m o inequivocamente elétricos. d a m i n e r a ç ã o e a s s i m p o r d i a n t e . D . A l é m do mais. P a r a u m a a p r e s e n t a ç ã o parcial da história inicial dessa estranha observação.. 22. o a q u e c i m e n t o por m i s t u r a ) . Apenas muito ocasionalmente. Din â m i c a e Ó p t i c a G e o m é t r i c a a n t i g a s . V.-. op. 2 3 5 . ROLLER & ROILER. visto q u e q u a l q u e r d e s c r i ç ã o t e m q u e ser p a r c i a l . J. q u a l q u e r pessoa que examinar. 6 . c o m o no caso da Estática. C o m p a r e . q u e hoje em dia não temos condição alguma de confirmar. 28 e 4 3 . EUis e D .s e o e s b o ç o d e u m a h i s t ó r i a n a t u r a l d o c a l o r n o Novum Organum de B A C O N . digamos. atraído por um bastão de vidro coberto de borrac h a . D e c e r t o m o d o h e s i t a . E s s e efeito p a r e c i a m e c â nico e n ã o elétrico. H e a t h ( N o v a Y o r k . 3 3 7 . d o v e n t o . é r e p e l i d o n o v a m e n t e . os escritos enciclopédicos de Plínio ou as Histórias Naturais de Bacon. d i z : " A á g u a l i g e i r a m e n t e m o r n a g e l a m a i s r a p i d a m e n t e d o q u e a t o t a l m e n t e fria*'. fatos c o l e t a d o s c o m tão pouca orientação por parte de teorias preestabele4 3 6 4 . por exemplo. R . As "histórias" baconianas do calor.s e e m c h a m a r d e científica a literatura resultante. Por exemplo. ver M A R S H A L L C L A GETT. p p . 14. ed. estão repletas de informações. Cap. Spedding. op. quase nenhuma das primeiras "histórias" da eletricidade m e n c i o n a m que o farelo. cit. p p 1 7 9 . 1 8 6 9 ) . L . cit.tal n o s u r g i m e n t o d e n o v a s c i ê n c i a s . d a c o r .2 0 3 ) . É m b o r * esta espécie de coleta de fatos tenha sido essencial p a r a a o r i g e m d e m u i t a s c i ê n c i a s significativas. A l é m disso. M a s j u s t a p õ e m fatos. Somente depois . q u e mais t a r d e d e m o n s t r a r ã o ser r e v e l a d o r e s ( p o r e x e m p l o . VIII de The Works of Francls Bacon.. c o m outros (o calor dos m o n t e s de estéreo) que continuarão demasiado complexos para serem integrados na t e o r i a . visto que o coletor de dados casual raramente possui o t e m p o ou os instrumentos p a r a ser crítico. aquecimento por antiperístase ( o u por esfriamento). I V . 1941). d e s c o b r i r á q u e ela p r o d u z u m a s i t u a ç ã o d e p e r p l e x i d a d e . 5 .

N e n h u m a H i s t ó r i a N a t u r a l p o d e ser i n t e r p r e t a d a n a ausência de pelo m e n o s algum c o r p o implícito de crenças metodológicas e teóricas interligadas que permita a s e l e ç ã o . 51-54. em geral seu d e s a p a r e c i m e n t o é caus a d o pelo triunfo de u m a d a s escolas pré-paradigmáticas. E n t r e t a n t o . Se esse c o r p o de c r e n ças já n ã o está implícito na coleção de fatos — q u a n d o então temos à disposição mais do que "meros fatos" — p r e c i s a ser s u p r i d o e x t e r n a m e n t e . pelo m e n o s p o r dois investigadores n o início d a d é c a d a de 1 7 4 0 . h o m e n s diferentes confrontados c o m a m e s ma g a m a de fenômenos — m a s em geral n ã o c o m os m e s m o s f e n ô m e n o s p a r t i c u l a r e s — os d e s c r e v a m e i n t e r pretem de maneiras diversas. N ã o é de admirar q u e nos primeiros estágios do desenvolvimento de q u a l q u e r ciência. Q u a s e desde o começo de suas pesquisas elétricas. É surpreendente (e talvez t a m b é m único. a qual. t a l v e z p o r u m a metafísica em voga. d a d a a proporção em que ocorrem) q u e t a i s d i v e r g ê n c i a s iniciais p o s s a m e m g r a n d e p a r t e desaparecer nas áreas q u e c h a m a m o s ciência. por outra ciência ou por um acidente pessoal e histórico. A l é m disso. Os e l e t r i c i s t a s q u e c o n s i d e r a v a m a eletricidade um fluido. m u i t o s d e l e s c o n c e b e r a m a idéia de e n g a r r a f a r o fluido e l é t r i c o . a v a l i a ç ã o e a c r í t i c a .cidas falam c o m suficiente clareza p a r a permitir o surgimento de um primeiro paradigma. u m artifício q u e n u n c a p o d e r i a ter s i d o d e s c o b e r t o p o r a l g u é m q u e explorasse a natureza fortuitamente ou ao acaso. • As escolas características dos primeiros estágios do desenvolvimento de u m a ciência criam essa situação. devido a suas próprias crenças e preconceitos característicos. Op. enfatizava apenas alguma parte especial do conjunto de informações d e m a s i a d o n u m e r o s o e i n c o a t i v o .LER & ROLLER. e s t e artifício foi d e s e n v o l v i d o i n d e p e n d e n t e m e n t e . As divergências realmente desaparecem ^em grau considerável e então. Franklin estava especialmente interes7 7. e p o r isso d a v a m u m a ênfase especial à c o n d u ç ã o . pp. . de u m a vez por todas. clt. C o n d u z i d o s por essa crença. que m a l e mal p o d i a d a r c o n t a d a c o n h e c i d a m u l t i p l i c i d a d e d e efeitos de a t r a ç ã o e r e p u l s ã o . aparentemente. O f r u t o i m e d i a t o de s e u s e s f o r ç o s foi a G a r r a f a d e L e y d e n . ROL. p r o p o r c i o n a m um exemplo típico excelente.

5 4 8 . Em 1 7 5 9 . T a n t o a a c u m u l a ç ã o d e f a t o s c o m o a articulação da teoria tornaram-se atividades a l t a m e n t e o r i e n t a d a s . Robert Symmer propôs u m a versão dessa teoria q u e envolvia dois fluidos e por muitos anos os eletricistas estiveram divididos a respeito da questão de se a eletricidade compunha-se de um ou dois fluidos. E s t e sug e r i a as e x p e r i ê n c i a s q u e v a l e r i a m a p e n a ser feitas e as q u e n ã o t i n h a m interesse. Deve-se notar que a aceitação da teoria de Franklin n ã o terminou c o m todo o debate. E n t r e t a n t o . em conseqüência. Os eletricistas. 331-543. M a s os debates sobre este assunto apenas confirmaram o que foi dito a c i m a a respeito da m a n e i r a c o m o u m a realização universalmente aceita u n e a profissão. o p a r a d i g m a d e F r a n k l i n fez m a i s t a r d e p o r t o d o o g r u p o d o s eletricistas.5 5 4 ) . m a s n ã o p r e c i s a ( e d e f a t o isso n u n c a a c o n t e c e ) e x p l i c a r t o d o s o s f a t o s c o m o s q u a i s p o d e ser c o n frontada. Livre da p r e o c u p a ç ã o c o m todo e qualquer fenômeno elét r i c o . O caso mais gados negativamente.s e b e m mais detalhadamente de fenômenos selecionados.s a d o em explicar aquele estranho e. e m p a r t e p o r q u e o fim d o d e b a t e e n t r e a s e s c o l a s d e u u m fim à r e i t e r a ç ã o c o n s t a n t e d e f u n d a m e n t o s e em parte p o r q u e a confiança de estar no c a m i n h o certo encorajou os cientistas a e m p r e e n d e r trabalhos de um tipo mais preciso. concluíram rapidamente que nenhum teste experimental poderia distinguir as duas versões da teoria e portanto d a s e r a m equivalentes. p p . A q u i l o q u e a t e o r i a d o f l u i d o e l é t r i c o fez p e l o s u b g r u p o q u e a d e f e n d e u . por serem dirigidas a m a nifestações de eletricidade secundárias ou m u i t o c o m plexas..5 4 6 .4 9 4 e 9. o g r u p o u n i f i c a d o d o s eletricistas p ô d e o c u p a r .. p p . ambas escolas puderam realmente explorar todos os b e n e f í c i o s o f e r e c i d o s p e l a t e o r i a d e F r a n k l i n (Ibld. O sucesso na explicação p r o p o r c i o n o u o a r g u m e n t o m a i s efetivo p a r a a t r a n s f o r m a ç ã o d e s u a t e o r i a e m p a r a d i g m a . a p e s a r d e e s t e ser ainda incapaz de explicar todos os casos conhecidos d e r e p u l s ã o e l é t r i c a . O r e n d i m e n t o e a eficiência da pesquisa elétrica aumentaram correspondentemente. cit. problemático era a A esse respeito ver m ú t u a repulsão de c o r p o s carreC O H E N . 4 9 1 . op. o p a r a d i g m a realizou esta tarefa b e m m a i s eficientemente do q u e a teoria do fluido elét r i c o . projetando e q u i p a m e n t o s especiais p a r a a tarefa e e m pregando-os mais sistemática e obstinadamente do q u e j a m a i s f o r a feito a n t e s . P a r a ser a c e i t a c o m o p a r a d i g m a . u m a teoria deve parecer melhor que suas competidor a s . . proporcionando provas p a r a u m a versão societária d o agudo dito metodológico de Francis Bacon: "A ver8 9 8. esotérico e extenuante. e m b o r a c o n t i n u a s s e m divididos a esse respeito. D e p o i s disso. 5 4 3 . tão revelador aparelho.

XI. que fora u m a parte integral da A s t r o n o m i a . H i s t o r i c a m e n t e . a T e c n o l o g i a e o D i r e i t o . Op. Kelvin e o u t r o s . pp. são simplesmente excluídos da profissão e seus trabalhos são ignorados^ O n o v o p a r a d i g m a implica u m a definição nova e mais rígida do c a m p o de estudos. 1 9 5 9 ) . de u m a tradição anteriormente respeitada de Q u í m i c a •'romântica". No próximo capítulo examinaremos a natureza dessa pesquisa precisamente orientada ou baseada em paradigma. N a s ciências ( e m b o r a n ã o em c a m p o s c o m o a Medicina. Consideremos. M a i s interessante é o fato de escolas inteiras terem sobrevivido isoladas da ciência profissional. as escolas mais antigas c o m e ç a m a desaparecer gradualmente. d o s q u a i s t ê m b r o t a d o tantas ciências especiais. . Ou pensemos na continuação. " v i v e u o b a s t a n t e p a r a c h e g a r a ser o último m e m b r o de sua seita. 384-86). p. 323-338. o c a s o da Astrologia. Frankíin assinala q u e Nollet. cit. W i s c o n s i n . e d . algumas vezes é simplesmente a recepção d e u m paradigma q u e transforma n u m a profissão o u pelo m e n o s n u m a disciplina u m g r u p o q u e anteriorm e n t e interessava-se p e l o estudo da natureza. M a s sempre existem alguns que se aferram a u m a ou outra das concepções mais antigas.d a d e surge mais facilmente do erro do q u e da confusão". XXXVII (1956). B. pela primeira vez n o desenvolvimento d e u m a ciência d a natureza. em Criticai Problems in the History oi Science. A história da eletricidade proporciona um excelente exemplo que p o d e r i a ser d u p l i c a d o a partir das carreiras de Priestley. u m i n d i v í d u o o u g r u p o p r o d u z u m a síntese c a p a z d e a t r a i r a maioria d o s praticantes de ciência da geração seguinte. o " T h e F o r m a t i o n o f L a m a r c k ' s E v o l u t i o n a r y T h e o r y " . C o m o s u g e r e m essas indicações. — seu discípulo e a l u n o m a i s i m e d i a t o " ( M A X F A R R A N D ( e d . g u a n d o . Aqueles q u e n ã o desejam o u n ã o s ã o c a p a z e s d e a c o m o d a r s e u t r a b a l h o a ele t ê m que proceder isoladamente ou unir-se a algum g r u p o . Califórnia. M a r s h a l l C l a g e t t ( M a d i s o n . p p . que era o m a i s influente d o s eletricistas e u r o p e u s n a m e t a d e d o s é c u l o .8 9 . ) . I S P I E e m " T h e Encyclopédie a n d t h e J a c o b i n P h t l o s o p h y o f S c i e n c e : A S t u d y in I d e a s a n d C o n s e q u e n c e s " . 210. Beniamin Franklin's Memoirs [Berkeley. BACON. E s s a tradição é discutida por C H A R L E S C. G I L I . pp. Seu desaparecimento é em parte causado pela conversão de seus adeptos ao novo paradigma. a f u n d a ç ã o de s o c i e d a d e s de e s p e c i a l i s t a s e a reivindicação de um lugar especial nos currículos de 1 0 1 1 10. e m Archives internam tionales d'htstoire des sclences. durante o fim do século X V I I I e c o m e ç o do X I X . m a s antes indicaremos brevemente c o m o a emergência de um p a r a d i g m a afeta a estrutura do grup o q u e atua nesse c a m p o . q u e t ê m a s u a raison d'être n u m a necessidade social e x t e r i o r ) a criação de jornais espec i a l i z a d o s . 1949]. p o r e x e m p l o . c o m a e x c e ç ã o do Sr. tais pessoas t ê m freqüentemente p e r m a n e c i d o e m d e p a r t a m e n t o s d e Filosofia. 2 5 5 .

nos seus trabalhos mais importantes. c o m ou sem o artigo. o cientista criador p o d e começar' suas pesquisa onde o -manual a interrompe e desse m o d o concentrar-se exclusivamente nos aspectos m a i s sutis e e s o t é r i c o s d o s f e n ô m e n o s n a t u r a i s q u e p r e o c u p a m o g r u p o . sobre a Eletricidade de F r a n k l i n ou a Origem das Espécies de D a r w i n . h á século e meio atrás. de tentar construir seu c a m p o de estudos c o m e ç a n d o pelos primeiros princípios e justificando o uso de c a d a conceito introduzido. dirigidos apenas aos colegas de profissão. têm geralmente estado associadas c o m o m o mento em que um g r u p o aceita pela primeira vez um p a r a d i g m a ú n i c o . anteriores ao p a r a d i g m a . s e u s relatórios de pesquisa c o m e ç a r ã o a m u d a r . É somente naquelas áreas em que o livro. durante o período q u e vai desde o desenvolvimento de um p a d r ã o institucional de esp e c i a l i z a ç ã o científica a t é a é p o c a m a i s r e c e n t e . s o m e n t e n o s primeiros estágios do desenvolvim e n t o das ciências. . d a d o o m a n u a l . a p a r e c e r ã o s o b a forma de artigos breves. ( Q u a n d o u m cientista p o d e considerar um p a r a d i g m a c o m o certo. O c i e n t i s t a q u e e s c r e v e u m livro t e m mais p r o b a b i l i d a d e s de ver sua r e p u t a ç ã o comprometida do que aumentada. q u a n do a parafernália de especializações adquiriu prestígio p r ó p r i o . N a m e d i d a e m q u e fizer i s s o . Suas pesquisas já n ã o s e r ã o h a b i t u a l m e n t e i n c o r p o r a d a s a l i v r o s c o m o Experiências. mantém-se c o m o um veículo p a r a a . H o j e em dia os livros científicos são g e r a l m e n t e ou manuais o u reflexões retrospectivas sobre u m o u o u t r o a s p e c t o d a v i d a científica. E m v e z d i s s o . q u e e r a m d i r i g i d o s a t o dos o s possíveis interessados n o objeto d e e s t u d o d o c a m p o e x a m i n a d o . P e l o m e n o s foi isso q u e o c o r r e u . / M a s . h o m e n s q u e certamente c o n h e c e m o p a r a d i g m a partilhado e q u e d e m o n s t r a m ser os únicos c a p a z e s de ler os e s c r i t o s a eles e n d e r e ç a d o s . . m a s cujos r e s u l t a d o s finais m o d e r n o s s ã o ó b v i o s p a r a todos e opressivos para muitos. _^ A d e f i n i ç ã o m a i s e s t r i t a d e g r u p o científico t e m outras conseqüências.estudo. De u m a maneira regular. o livro possuía a m e s m a relação c o m a realização profissional q u e ainda conserva em outras áreas abertas à criativid a d e . n ã o tem mais necessidade. seguindo tipos de evolução q u e t ê m sido muito p o u c o estudados. Isso p o d e ser deixado p a r a os autores de m a n u a i s .

c o m u n i c a ç ã o das pesquisas q u e as linhas de profissionalização permanecem ainda muito tenuemente traçad a s . S o m e n t e n e s s e s .casos p o d e o l e i g o e s p e r a r m a n t e r se a p a r d o s progressos realizados f a z e n d o a leitura d o s relatórios originais d o s especialistas. T a n t o n a M a temática c o m o na Astronomia, já na Antigüidade os r e l a t ó r i o s d e p e s q u i s a s d e i x a r a m d e ser inteligíveis p a r a u m auditório d o t a d o d e cultura geral. N a D i n â m i c a , a p e s q u i s a t o r n o u - s e i g u a l m e n t e e s o t é r i c a n o s fins d a I d a d e M é d i a , r e c a p t u r a n d o sua inteligibilidade mais generalizada apenas por um breve período, d u r a n t e o início d o século X V I I , q u a n d o u m novo paradigma substituiu o q u e havia guiado a pesquisa medieval. rA pesq u i s a e l é t r i c a c o m e ç o u a exigir u m a t r a d u ç ã o p a r a l e i g o s n o fim d o s é c u l o X V I I I . M u i t o s o u t r o s c a m p o s d a c i ê n c i a física d e i x a r a m d e ser acessíveis n o s é c u l o X I X . D u r a n t e esses m e s m o s dois séculos transições similares p o d e m ser identificadas nas diferentes áreas d a s ciências biológicas. P o d e m muito b e m estar ocorrendo hoje, em d e t e r m i n a d o s setores d a s ciências sociais. E m bora se tenha tornado costumeiro (e certamente aprop r i a d o ) l a m e n t a r o h i a t o c a d a vez m a i o r q u e s e p a r a o cientista profissional de seus colegas de o u t r a s disciplinas, pouca atenção tem sido prestada à relação essencial entre aquele hiato e os mecanismos intrínsecos a o p r o g r e s s o científico. Desde a Antigüidade um campo de estudos após o o u t r o t e m c r u z a d o a divisa entre o q u e o historiador p o d e r i a c h a m a r de sua pré-história c o m o ciência e sua história p r o p r i a m e n t e dita. Essas transições à maturid a d e raramente têm sido tão repentinas ou tão inequívocas c o m o minha discussão necessariamente esquemática p o d e ter d a d o a entender. M a s t a m p o u c o f o r a m h i s t o r i c a m e n t e g r a d u a i s , isto é , c o e x t e n s i v a s c o m o desenvolvimento total dos campos de estudo em que ocorreram. Os que escreveram sobre a eletricidade durante as primeiras décadas do século X V I I I possuíam m u i t o mais informações sobre os fenômenos elétricos q u e seus predecessores d o século X V I . P o u c o s fenôm e n o s elétricos foram acrescentados a seus conhecim e n t o s d u r a n t e o meio século posterior a 1 7 4 0 . Apesar disso, em pontos importantes, a distância parece maior entre os trabalhos sobre a eletricidade de Cavendish, C o u l o m b e Volta (produzidos nas três últimas décadas

do século X V I I I ) e os de Gray, Du F a y e m e s m o F r a n k l i n ( i n í c i o d o m e s m o s é c u l o ) , d o q u e e n t r e esses ú l t i mos e os do século X V I . Em algum m o m e n t o entre 1 7 4 0 e 1 7 8 0 , os eletricistas t o r n a r a m - s e capazes d e , pela primeira vez, dar por estabelecidos os fundamentos de seu c a m p o de estudo. D a í p a r a a frente orientaram-se para problemas mais recônditos e concretos e passaram cada vez mais a relatar os resultados de seus t r a b a l h o s em artigos e n d e r e ç a d o s a outros eletricistas, a o invés d e e m livros endereçados a o m u n d o instruído em geral. A l c a n ç a r a m , c o m o grupo, o que fora obtido p e l o s a s t r ô n o m o s n a A n t i g ü i d a d e , ;pelos e s t u d a n t e s d o movimento na I d a d e Média, pela Óptica Física no século X V I I e pela Geologia Histórica nos princípios do século X I X . E l a b o r a r a m um paradigma capaz de orient a r a s p e s q u i s a s d e t o d o o g r u p o . ÍSe n ã o s e t e m o poder de considerar os eventos retrospectivamente, torn a - s e difícil e n c o n t r a r o u t r o c r i t é r i o q u e r e v e l e t ã o c l a ramente que um c a m p o de estudos tornou-se u m a ciência.J
1 2

12. Os desenvolvimentos posteriores a Franklin incluem um aumento enorme na sensibilidade dos detectores de carga, as primeiras técnicas dignas de confiança e largamente difundidas para medir as cargas, a e v o lução do conceito de capacidade e sua relação c o m a n o ç ã o de tensão elétrica, q u e fora recentemente refinada e ainda a quantificação da força eletrostática. C o m respeito a todos esses pontos, consulte-se R O L L E R &
ROLLER,

Science,

tion

of

op.

(Leipzig,

I

Electric

cit.,

pp.

1884),

(1936),

Parte I, Caps. III-IV.

pp.

Charges

66-81;

66-100;

in

W .

e

the

C.

WALKER,

EDMUND

Eighteenth

"The

HOPPE,

Century",

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Gesc/iichte

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Annals

Estima-

Eletrizitã\

oi

2.

A NATUREZA DA CIÊNCIA N O R M A L

Q u a l é então a natureza dessa pesquisa mais especializada e esotérica permitida pela aceitação de um paradigma único por parte de um grupo? Se o parad i g m a r e p r e s e n t a u m t r a b a l h o q u e foi c o m p l e t a d o d e u m a vez por todas, que outros problemas deixa para s e r e m r e s o l v i d o s p e l o g r u p o p o r ele u n i f i c a d o ? E s s a s questões parecerão ainda mais urgentes se observarmos u m aspecto n o q u a l o s t e r m o s utilizados até a q u i podem,., ser enganadores. No seu uso estabelecido, um p a r a - 1 d i g m a é um m o d e l o ou p a d r ã o aceitos. E s t e aspecto ) d e s e u s i g n i f i c a d o p e r m i t i u - m e , n a falta d e t e r m o m e lhor, servir-me dele aqui. M a s d e n t r o e m p o u c o ficará claro que o sentido de " m o d e l o " ou " p a d r ã o " não é

o m e s m o q u e o h a b i t u a l m e n t e e m p r e g a d o na definição d e " p a r a d i g m a " . P o r e x e m p l o , n a G r a m á t i c a , "amo, amas, amat" é um p a r a d i g m a p o r q u e a p r e s e n t a um p a d r ã o a ser u s a d o n a c o n j u g a ç ã o d e u m g r a n d e n ú m e r o de outros verbos latinos — p a r a produzir, entre o u t r o s , "laudo, laudas, laudat". N e s t a a p l i c a ç ã o c o s t u m e i r a , o p a r a d i g m a f u n c i o n a ao p e r m i t i r a r e p r o d u ç ã o de exemplos, cada um dos quais poderia, em princípio, substituir aquele. P o r o u t r o lado, na ciência, um p a r a d i g m a r a r a m e n t e é suscetível de r e p r o d u ç ã o . T a l c o m o u m a decisão judicial aceita no direito costumeiro, o p a r a d i g m a é um o b j e t o a ser m e l h o r a r t i c u l a d o e p r e cisado em condições novas ou mais rigorosas. P a r a q u e s e c o m p r e e n d a c o m o isso é p o s s í v e l , d e v e m o s r e c o n h e c e r q u e u m p a r a d i g m a p o d e ser m u i t o l i m i tado, tanto no âmbito c o m o na precisão, q u a n d o de sua primeira aparição. Os paradigmas adquirem seu status p o r q u e s ã o m a i s b e m s u c e d i d o s q u e s e u s c o m petidores na resolução de alguns problemas q u e o grup o d e c i e n t i s t a s r e c o n h e c e c o m o g r a v e s . C o n t u d o , ser b e m s u c e d i d o n ã o significa n e m ser t o t a l m e n t e b e m s u cedido com um único problema, nem notavelmente b e m sucedido c o m um g r a n d e n ú m e r o . De início, o suc e s s o de um p a r a d i g m a — seja a a n á l i s e a r i s t o t é l i c a do movimento, os cálculos ptolomaicos das posições planetárias, o e m p r e g o da b a l a n ç a p o r Lavoisier ou a matematização do c a m p o eletromagnético por Maxwell — é, em grande parte, u m a promessa de sucesso q u e p o d e ser d e s c o b e r t a e m e x e m p l o s s e l e c i o n a d o s e a i n d a incompletos. A ciência n o r m a l consiste na atualização dessa promessa, atualização q u e se o b t é m ampliando-se o c o n h e c i m e n t o daqueles fatos q u e o p a r a d i g m a a p r e senta c o m o particularmente relevantes, aumentando-se a c o r r e l a ç ã o e n t r e esses fatos e a s p r e d i ç õ e s d o p a r a digma e articúlando-se ainda mais o próprio paradigma. Poucos dos que não trabalham realmente com u m a ciência amadurecida dão-se conta de q u a n t o trabalho de limpeza desse tipo resta por fazer d e p o i s do estabelecimento do p a r a d i g m a ou de q u ã o fascinante é a e x e c u ç ã o d e s s e t r a b a l h o . E s s e s p o n t o s p r e c i s a m ser b e m compreendidos. A maioria dos cientistas, d u r a n t e toda a sua carreira, ocupa-se c o m operações de limpeza. E l a s constituem o q u e c h a m o de ciência n o r m a l . E x a m i n a d o d e p e r t o , seja h i s t o r i c a m e n t e , seja n o l a b o -

[

r a t ó r i o c o n t e m p o r â n e o , esse e m p r e e n d i m e n t o p a r e c e ser u m a tentativa de forçar a natureza a encaixar-se d e n t r o dos limites preestabelecidos e relativamente inflexíveis f o r n e c i d o s p e l o p a r a d i g m a . A c i ê n c i a n o r m a l n ã o t e m c o m o objetivo trazer à tona n o v a s espécies de fenômeno; na verdade, aqueles que n ã o se ajustam aos limites d o p a r a d i g m a freqüentemente n e m s ã o vistos. O s cientistas t a m b é m n ã o estão constantemente p r o curando inventar novas teorias; freqüentemente mostram-se intolerantes c o m aquelas inventadas por out r o s . E m v e z d i s s o , a p e s q u i s a científica n o r m a l e s t á dirigida p a r a a articulação daqueles fenômenos e teorias já fornecidos pelo p a r a d i g m a . T a l v e z essas características sejam defeitos. As áreas investigadas pela ciência n o r m a l são certamente m i n ú s c u l a s ; ela r e s t r i n g e d r a s t i c a m e n t e a v i s ã o d o c i e n tista. M a s essas restrições, nascidas da confiança no p a r a d i g m a , revelaram-se essenciais p a r a o desenvolvim e n t o d a c i ê n c i a . A o c o n c e n t r a r a a t e n ç ã o n u m a faixa de problemas relativamente esotéricos, o p a r a d i g m a força os cientistas a investigar a l g u m a parcela da n a tureza com u m a profundidade e de u m a maneira tão d e t a l h a d a que de o u t r o m o d o seriam inimagináveis. E a ciência n o r m a l possui um m e c a n i s m o interno q u e assegura o relaxamento das restrições que limitam a pesquisa, toda vez que o p a r a d i g m a do qual derivam deixa de funcionar efetivamente. Nessa altura os cientistas com e ç a m a c o m p o r t a r - s e de m a n e i r a d i f e r e n t e e a n a t u reza dos problemas de pesquisa m u d a . No intervalo, ent r e t a n t o , d u r a n t e o q u a l o p a r a d i g m a foi b e m s u c e d i d o , os m e m b r o s da profissão terão resolvido problemas q u e m a l p o d e r i a m t e r i m a g i n a d o e cuja s o l u ç ã o n u n c a t e r i a m empreendido sem o comprometimento com o paradigma. E pelo m e n o s parte dessas realizações sempre d e m o n s t r a ser p e r m a n e n t e . P a r a mostrar mais claramente o que entendemos por pesquisa normal ou baseada em paradigma, tentarei a g o r a classificar e i l u s t r a r o s p r o b l e m a s q u e c o n s t i t u e m essencialmente a ciência normal. Por conveniência, adio o e s t u d o da atividade teórica e c o m e ç o c o m a coleta de f a t o s , isto é , c o m a s e x p e r i ê n c i a s e o b s e r v a ç õ e s d e s c r i 1

I. BARBER, B e m a r d . Resistance by Scientists to Science, C X X X I V , p p . 5 9 6 - 6 0 2 (1961).

Scientific

Discovery.

N u m a é p o c a o u n o u t r a . a l é m de muito t e m p o e um respaldo financeiro considerável. Ao empregá-los na resolução de p r o b l e m a s . Os síncrotrons e os radiotelescópios são apenas os e x e m plos mais recentes de até o n d e os investigadores estão d i s p o s t o s a ir. d a d o q u e a m a i o r i a d a s o b s e r v a ç õ e s científicas c o n somem muito tempo. As tentativas de a u m e n t a r a acuidade e e x t e n s ã o d e n o s s o c o n h e c i m e n t o s o b r e esses f a t o s o c u p a m u m a f r a ç ã o significativa d e l i t e r a t u r a d a c i ê n cia experimental e da observação. A i n v e n ç ã o . através das quais os cientistas informam seus colegas d o s resultados de suas pesquisas em curso. s e u m p a r a d i g m a o s a s s e g u r a r d a i m p o r tância dos fatos q u e pesquisam. E m primeiro l u g a r . e s s a s d e t e r m i n a ç õ e s significativas d e fatos i n c l u í r a m : na A s t r o n o m i a — a p o s i ç ã o e m a g n i tude d a s estrelas. L a w r e n c e . p o r é m mais restrita. M u i t a s vezes. o paradigma tornou-os merecedores de u m a determinação mais precisa. as f ó r m u l a s e s t r u t u r a i s e as a t i v i dades ópticas. o que m o tiva o cientista a perseguir essa escolha até u m a c o n clusão?. U m a s e g u n d a classe usual. n u m a variedade maior de situações. alguns cientistas adquiriram grandes reputações.tas nas revistas técnicas. na Q u í m i c a — os p e sos d e c o m p o s i ç ã o e c o m b i n a ç ã o . segurança e alcance dos m é todos que desenvolveram visando à redeterminação de c a t e g o r i a d e fatos a n t e r i o r m e n t e c o n h e c i d a . os p e r í o d o s d a s eclipses d a s estrelas d u p l a s e d o s p l a n e t a s . O. P e n s o *que e x i s t e m a p e n a s t r ê s f o c o s n o r m a i s p a r a a i n v e s t i g a ç ã o científica d o s fatos e eles n ã o s ã o n e m sempre n e m p e r m a n e n t e m e n t e distintos. equipamento e dinheiro. c o m p r i m e n tos de o n d a e intensidades espectrais. a c o n s t r u ç ã o e o a p e r f e i ç o a m e n t o d e s ses aparelhos exigiram talentos de p r i m e i r a o r d e m . De T y c h o B r a h e até E. t e m o s a q u e l a classe d e f a t o s q u e o p a r a d i g m a m o s t r o u ser p a r t i c u l a r m e n t e r e v e l a d o r a d a n a t u r e z a d a s coisas. condutividades elétricas e potenciais de c o n t a t o . p o n t o s d e e b u l i ç ã o e a a c i d e z d a s s o l u ç õ e s . n ã o p o r causa da novidade de suas descobertas. De que aspectos da natureza tratam geralm e n t e esses r e l a t ó r i o s ? O q u e d e t e r m i n a s u a s e s c o l h a s ? E . mas pela precisão. na F í s i c a — as g r a v i d a d e s e as compressibilidades específicas dos materiais. d e fatos a s e r e m d e t e r m i n a d o s d i z r e s p e i t o à q u e l e s f e n ô m e - . c o m p l e xos aparelhos especiais t ê m sido projetados p a r a tais fins.

p o d e m ser d i r e t a m e n t e c o m p a r a d o s c o m a s predições da teoria do paradigma. A History of Science. ed. A pp.. pp.générale p o u r mesurer la vitesse de la lumière dans Tair et les m i l i e u x transparents. ver L. and Philorophy in the Eighteenth Cenlury ( 2 . XIV. Confirmation. especialmente se é expressa n u m a forma predominantemente m a t e m á tica.1 0 5 . O ú n i c o índice de verificação c o n h e c i d o de há m u i t o e ainda geralm e n t e a c e i t o é a precessão do p e r i é l i o de M e r c ú r i o . 551-560.nos q u e . u m p o n t o atualmente em discussão. 103-104 Detection (1956). V i t e s s e s relatives de la l u m i è r e d a n s l'air et dans r e a u . R. Talvez em breve tenhamos outros índices neste c a m p o atualmente ativo. F o i possível. mais recentemente.. 1 0 3 . pp. Science. Q u a n t o aos dois ú l t i m o s tipos d e aparelhos especiais. m a s adormecido de há muito. A m u d a n ç a para o v e r m e l h o no espectro de luz das estrelas distantes pode ser derivada de c o n s i d e r a ç õ e s m a i s elementares do q u e a relatividade geral. de VAcadémie des sciences. e m b o r a freqüentemente sem muito interesse int r í n s e c o . r a r a m e n t e enc o n t r a m o s á r e a s n a s q u a i s u m a t e o r i a científica p o d e ser diretamente comparada c o m a natureza. 1 9 5 2 ) . Physics 3 . Technology. Para u m a apresentação resumida e atualizada do problema. 100-102. medições desse último f e n ô m e n o permanecem equívocas. N. of the Free Neu- . HANSON. S C H I F F . o aparelho de Foucault para mostrar q u e a velocidade da luz é m a i o r no ar do q u e na á g u a . A l é m disso. Telescópios especiais p a r a demonstrar a paralaxe anual predita por Copérnico. em Comptes rendus. Para a máquina d e A t w o o d . inventada pela primeira vez quase u m s é c u l o d e p o i s d o s Principia. A t é agora n ã o mais d o q u e três dessas áreas são acessíveis à T e o r i a G e r a l d a R e l a t i v i d a d e d e E i n s t e i n . ver 2 0 7 . E s t a tentativa de d e m o n s t r a r esse a c o r d o re2 3 2. projetado p a r a a exist ê n c i a do n e u t r i n o — esses a p a r e l h o s e s p e c i a i s e m u i t o s outros semelhantes ilustram o esforço e a engenhosid a d e imensos que foram necessários p a r a estabelecer um a c o r d o c a d a vez mais estreito entre a n a t u r e z a e a teoria. ver A B R A H A M W O L F . A p e r f e i ç o a r o u e n c o n t r a r n o v a s á r e a s n a s q u a i s a c o n c o r d â n c i a p o s s a ser d e m o n s t r a d a c o l o c a u m d e s a f i o c o n s t a n t e à h a b i l i d a d e e à i m a g i n a ç ã o do o b servador e experimentador. XXX trino: (1850). CXXIV. . COWAN.2 0 8 . estabelecer um índice de verificação adicional: o deslocamento gravitacional da radiação de Mossbauer. f r e q ü e n t e m e n t e r e q u e r a p r o x i m a ç õ e s t e ó r i c a s e i n s trumentais que limitam severamente a concordância a ser e s p e r a d a . 42-48 (1961). quando passamos dos problemas experimentais aos p r o b l e m a s teóricos da ciência n o r m a l . Palterns of Discovery (Cambridge. C o m o veremos em breve. m e s m o nas áreas o n d e a aplicação é possível. I. . e C. p a r a f o r n e c e r a p r i m e i r a d e m o n s t r a ç ã o i n e q u í v o c a d a s e g u n d a lei d e N e w ton. a máquina de Atwood. N o q u e t o c a aos telescópios d e paralaxe. Jr. ver M . ou o gigantesco m e d i d o r de cintilações. e o m e s m o p a r e c e possível para a curvatura d a luz e m t o m o d o Sol. p p . Today.. et al. M é t h o d e . Londres. . L .. pp. F O U C A U L T . L. 1958). A Report on the N A S A C o n f e r e n c e o n E x p e r i m e n t a l T e s t s o f T h e o r i e s o f R e l a t i v i t y . De qualquer m o d o .

p o r e x e m p l o . resolvendo algum a s de suas ambigüidades residuais e permitindo a sol u ç ã o d e p r o b l e m a s p a r a o s q u a i s ela a n t e r i o r m e n t e s ó tinha c h a m a d o a atenção. 385-389. e assim por d i a n t e . A famosa determinação de C a vendish. pp. a constante da gravitação universal. d o n ú m e r o d e A v o g a d r o . e m v i s t a d e s u a p o s i ç ã o c e n t r a l n a t e o r i a física. S e m o s Principia. Outros exemplos de trabalhos do mesmo tipo incluiriam determinações da unidade astronômica. C a m bridge. a s m e d i ç õ e s feitas c o m a m á q u i n a d e A t w o o d n ã o t e r i a m q u a l q u e r significado. d o coeficiente d e J o u l e . a o b r a de N e w t o n indicava que a força entre d u a s unidades de massa a u m a u n i d a d e de distância seria a m e s ma p a r a todos os tipos de matéria. N a s ciências m a i s m a t e m á t i c a s . a b u s c a d e v a l o r e s m a i s p r e c i s o s p a r a a constante gravitacional t e m sido objeto de repetidos esforços de n u m e r o s o s experimentadores de primeira qualidade.presenta um segundo tipo de trabalho experimental normal que depende do paradigma de u m a maneira ainda mais óbvia do que o primeiro tipo m e n c i o n a d o . n i n g u é m i m a g i n o u u m a p a r e l h o c a p a z d e d e terminar essa constante. n o r m a l . D e s d e e n t ã o . P[OYWTING] examina umas duas dúzias d e medidas d a constante gravitacional e f e t u a d a s entre 1741 e 1901 em " G r a v i t a t i o n a l C o n s t a n t a n d M e a n D e n s i t y o f t h e E a r t h " . P o r e x e m p l o . e d . a l g u m a s d a s experiências que visam à articulação são orientadas para a d e t e r m i n a ç ã o de c o n s t a n t e s físicas. M a s os problemas que N e w t o n examinava p o d i a m ser r e s o l v i d o s s e m n e m m e s m o e s t i m a r o t a m a n h o dessa atração. em todas as posições do universo. C o n s i s t e n o t r a b a l h o e m p í r i c o e m p r e e n d i d o p a r a articular a teoria do paradigma. E s s a classe revela-se a mais i m p o r t a n t e de todas e p a r a descrevê-la é necessário s u b dividi-la. de carga elétrica. J . 1910-11). H . na última década do século X V I I I . C r e i o q u e u m a terceira classe de experiências e o b servações esgota as atividades de coleta de fatos na ciência. Encyclopedia Brltannica ( 1 1 . E d u r a n t e o século q u e se seguiu ao a p a r e c i m e n t o d o s Principia. ' P o u c o s desses c o m plexos esforços teriam sido concebidos e n e n h u m teria 4 4 . F r e q ü e n t e m e n t e a teoria do p a r a d i g m a está diretamente implicada no trabalho de concepção da apar e l h a g e m c a p a z d e r e s o l v e r o p r o b l e m a . t a m p o u c o foi a ú l t i m a . A exist ê n c i a d e u m p a r a d i g m a c o l o c a o p r o b l e m a a ser r e s o l vido. X I I . .

The Development o f the Concept of Electric Chame: Electrlcíty from the Greeks to Coulomb ("Harvard Case Histories in Experimental Science". Cambridge. . H. Seu rápido desenvolvimento é apresentado n o s dois tratados principais. . Mass. v i s a r a leis q u a n t i t a t i v a s : a Lei de Boyle. c o m introdução e notas por F. P o d e m . 1954). R O L L B K . 1 6 4 e n c o n t r a m o s a introdução original d e Torricelli a o paralelismo ( " N ó s vivemos submergidos no fundo de um oceano do elemento ar"). Case 8. D u a n e & R O I . Para a transplantação dos conceitos de Hidrostática para a Pneum á t i c a . As experiências de Joule tamb é m p o d e r i a m ser u s a d a s p a r a i l u s t r a r c o m o leis q u a n titativas s u r g e m d a articulação d o p a r a d i g m a . D . N a p . e t c . a L e i de C o u l o m b s o b r e a a t r a ç ã o e l é t r i c a .r e q u i sito p a r a a d e s c o b e r t a d e leis c o m o e s s a s . M a s a história n ã o oferece n e n h u m respaldo para um m é t o d o tão excessivamente baconiano. As experiências de Boyle n ã o e r a m concebíveis (e se concebíveis teriam recebido u m a o u t r a interpretação ou m e s m o n e n h u m a ) até o m o m e n t o e m q u e o a r foi r e c o n h e c i d o c o m o u m f l u i d o e l é t r i c o a o q u a l p o d e r i a m ser a p l i c a d o s t o d o s o s e l a b o r a d o s conceitos de Hidrostática. p o r e x e m p l o . S p i e r s e A. c o m s e g u r a n ç a . H. E r a a f o r ç a e n t r e tais p a r t í c u l a s — a ú n i c a f o r ç a q u e p o d i a . n ã o encontraram nen h u m a regularidade simples ou coerente.s i d o r e a l i z a d o s e m u m a t e o r i a d o p a r a d i g m a p a r a definir o p r o b l e m a e g a r a n t i r a e x i s t ê n c i a de u m a s o l u ç ã o estável. I . pp. t r a d u z i d o p o r I. E R . O sucesso de C o u l o m b d e p e n d e u d o f a t o d e ter c o n s t r u í d o u m a p a r e l h o e s p e c i a l p a r a medir a força entre cargas extremas. Barry ( N o v a York. Spiers. O u v i m o s freq ü e n t e m e n t e dizer q u e elas são encontradas p o r m e i o do e x a m e d e medições e m p r e e n d i d a s sem o u t r o objetivo que a própria medida e sem compromissos teóricos. ser c o n s i derada u m a simples função da distância — que C o u lomb estava b u s c a n d o . D u a n e H . D e fato: a r e l a ç ã o e n t r e p a r a d i g m a q u a l i t a t i v o e lei q u a n t i t a t i v a 5 6 5. q u e r e l a c i o n a o c a l o r p r o d u z i d o à r e s i s t ê n c i a e à corrente elétrica — todas estão nessa categoria.. v e r The Physicaí Treatises of Pascal. C o n t u d o . T a l v e z n ã o seja e v i d e n t e q u e u m p a r a d i g m a é u m p r é . 6 . ( A q u e l e s que anteriormente tinham m e d i d o forças elétricas c o m balanças de pratos comuns. G. e a f ó r m u l a de J o u l e . B. 66-80. . 1937).) M a s essa concepção do aparelho dependeu do reconhecimento prévio d e q u e c a d a p a r t í c u l a d o fluido e l é t r i c o a t u a a d i s t â n c i a s o b r e t o d a s a s o u t r a s . os esforços p a r a articular um p a r a d i g m a n ã o estão restritos à determinação de constantes univers a i s . que relaciona a pressão do gás ao volume.

S. d e s d e G a l i l e u . F i n a l m e n t e . o a q u e c i m e n t o por c o m p r e s s ã o p o d e r i a ser explicado c o m o sendo o resultado da mistura do gás c o m o v a z i o . as aplicações do p a r a d i g m a da teoria calorífica referiamse ao aquecimento e resfriamento por meio de misturas e m u d a n ç a d e e s t a d o . Isis. se o v á c u o tivesse u m a c a p a c i d a d e térmica.1 9 3 ( 1 9 6 1 ) . T h e C a l o r i c T h e o r y o f A d i a b a t i c C o m p r e s s i o n . L I I . p o r fricção e p o r compressão ou absorção de um gás — e a cada um desses fenôm e n o s a teoria p o d i a ser aplicada de diversas maneiras. S .é t ã o g e r a l e t ã o e s t r e i t a q u e . D a d o o fenômeno. existe u m a terceira espécie d e e x p e r i ê n c i a q u e visa à a r t i c u l a ç ã o d e u m p a r a d i g m a . todas as experiências ulteriores nessa área foram determinadas pelo paradigma./Freq ü e n t e m e n t e u m p a r a d i g m a q u e foi d e s e n v o l v i d o p a r a um determinado conjunto de problemas é ambíguo na sua aplicação a outros fenômenos estreitamente relacionados. p p . E s t a . 132-140 ( 1 9 5 8 ) . Isis. 1 6 1 . P o r e x e m p l o . de que outra maneira se poderia ter escolhido u m a experiência p a r a elucidá-lo? 7 8 7. T h e Function of Measurement in M o d e m P h y s i c a l S c i e n c e . por c o m b i n a ç ã o química. E existem várias outras explicações além dessas. e s s a s leis c o m freqüência têm sido corretamente adivinhadas c o m o auxflio d e u m p a r a d i g m a . U m a vez estabelecido o fenômeno do aquecimeno por compressão. 8 . a n o s a n t e s q u e u m a p a r e l h o p o s s a ser p r o j e t a d o p a r a s u a d e t e r m i n a ç ã o e x perimental. K U H N . T . pp. . todas essas experiências brotaram da teoria calórica enquanto paradigma e todas a e x p l o r a r a m no p l a n e j a m e n t o de e x p e r i ê n c i a s e na i n terpretação d o s r e s u l t a d o s . Muitas experiências foram realizadas p a r a elaborar essas várias possibilidades e distinguir entre elas. p o d e assemelhar-se à exploração e predomina especiatmente naqueles períodos e ciências q u e tratam mais dos aspectos qualitativos das regularidades da natureza do que dos quantitativos. Nesse caso experiências são necessárias p a r a permitir u m a escolha entre m o d o s alternativos de aplicação do paradigma à nova área de interessej Por exemplo. X L I X . mais do que as anteriores. P a r a exemplos. K U H N . O u p o d e r i a ser d e v i d o a u m a m u d a n ç a n o c a l o r específico de gases s o b u m a p r e s s ã o variável. M a s o c a l o r p o d i a ser l i b e r a d o o u absorvido de muitas outras maneiras — por exemplo. ver T.

o n ú m e r o dessas aplicações . Possuíam t o d a s as razões possíveis p a r a fazê-lo. para o não-cientista. U m a parte (embora pequena) do trabalho teórico normal consiste simplesmente em usar a teoria existente p a r a prever informações fatuais d o t a d a s de valor intrínseco. empreendidas n ã o p o r q u e as predições q u e delas resultam sejam intrinsecamente valiosas. Newton d e r i v a r a a s leis d o m o v i m e n t o p l a n e t á r i o d e K e p l e r e e x plicara t a m b é m alguns dos aspectos. que pertencem aproximadamente à m e s m a classe que os da experimentação e da observação.V o l t e m o s agora aos p r o b l e m a s teóricos da ciência normal. nos q u a i s a L u a n ã o o b e d e c i a a e s s a s leis. derivara os resultados de algumas observações esparsas sobre os pêndulos e as m a r é s . O e s t a b e l e c i m e n t o de c a l e n d á r i o s a s t r o n ô m i c o s . devem parecer quase idênticas: são manipulações da teoria. M u i t o s d e s s e s p r o b l e m a s n u n c a a p a r e c e m e m p e r i ó d i c o s científicos i m p o r t a n t e s . q u e deve ser r e l e g a d o a e n g e n h e i r o s o u t é c n i c o s . em geral os cientistas o s c o n s i d e r a m u m t r a b a l h o e n f a d o n h o . dada a universalidade presumível das Leis de Newton. T a i s d i f i c u l d a d e s p o d e m ser s u c i n tamente ilustradas pela história da Dinâmica depois de N e w t o n . A necessidade de trabalho dessa espécie brota das dificuldades imensas que c o m freqüência são encontradas no estabelecimento de pontos de contato entre u m a t e o r i a e a n a t u r e z a . C o m relação aos céus. N e n h u m o u t r o t r a b a l h o c o n h e c i d o n a H i s t ó r i a d a C i ê n c i a p e r m i t i u simultaneamente u m a ampliação tão grande do âmbito e da precisão da pesquisa. C o n t u d o . M a s esses p e r i ó d i c o s c o n t ê m n u m e r o s a s d i s cussões teóricas de problemas que. Ç o m auxílio de p r e s s u p o s t o s a d i c i o n a i s . e m b o r a ad hoc] f o r a c a p a z de derivar a Lei de Boyle e u m a fórmula importante p a r a a velocidade do som no ar. aqueles cientistas q u e t o m a v a m o s Principia p o r p a r a d i g m a a c e i t a r a m c o m o válida a totalidade de suas conclusões. já observados. Contudo. Seu objetivo é apresentar u m a nova aplicação do parad i g m a o u a u m e n t a r a p r e c i s ã o d e u m a a p l i c a ç ã o j á feita. m a s p o r q u e p o d e m ser v e r i f i c a d a s d i r e t a m e n t e a t r a v é s d e e x p e r i ê n c i a s . a c o m p u t a ç ã o d a s características d a s lentes e a p r o d u ç ã o dç curvas de propagação das ondas de rádio são exemplos de p r o b l e m a s desse tipo. D a d o o estado da ciência n a é p o c a . o s u c e s s o d a s d e m o n s t r a ç õ e s foi s u m a m e n t e impressionante. C o m r e l a ç ã o à terra. N o início d o século X V I I I .

E r r o r . N e w t o n foi f o r ç a d o a t r a t a r a b o l a d o p ê n d u l o c o m o u m a m a s s a p o n t u a l . T R U E S D E I X . De qualquer m o d o . Do lado da teoria existiam dificuldades semelhantes para a obtenção de um acordo. pp. pp. I ( 1 9 6 0 ) . Essas e r a m a p r o x i m a ç õ e s físicas f u n d a m e n t a d a s . Além disso. X . m a s durante algum t e m p o ninguém percebeu c o m o fazê-lo. afora poucas exceções hipotéticas e preliminares. T. p p . N ã o era de m o d o a l g u m claro c o m o se deveria adaptá-lo p a r a aplicações terrestres e em especial aos p r o b l e m a s do movim e n t o violento. a m á q u i n a de A t w o o d ou telescópios aperfeiçoados — foram necessários para obter os dados especiais exigidos pelas aplicações concretas do p a r a d i g m a de N e w t o n . p o r e x e m p l o . 42-65 Quarterly.não era grande. a fim d e d a r u m a d e f i n i ç ã o ú n i c a do c o m p r i m e n t o do pêndulo. Já ilustramos seu aspecto empírico. HANKINS. A Program toward Rediscovering the Ratlonal Mec h a n i c s of l h e Age of Reason. em Archive for Hislory of lhe Exact Sciences. Por exemp l o . Texas Newton*s Second L a w of Motion in the Eighteenth Century. os p r o b l e m a s terrestres já estavam sendo atacados c o m grande sucesso c o m auxílio de um conjunto de técnicas b e m diferentes. 281-297 (1967). a s p o u c a s a p l i c a ç õ e s d e N e w t o n n ã o f o r a m n e m m e s m o desenvolvidas c o m precisão. As m e s m a s dificuldades aparecem ainda mais claramente na aplicação astronômica da teoria de 9. N ã o o b s t a n t e isso. C. 9 Limitemos nossa atenção ao problema da precisão por um m o m e n t o . XX (1967). d'Alembert e muitos outros. L. The Reception em Archlves of . Newton quase n ã o desenvolveu outras. intemationales d'hisloire des sciences. Finalmente. desenvolvidas originalmente por Galileu e H u y g h e n s e ampliadas no Continente europeu durante o século X V I I I p o r Bernoulli. os Principia t i n h a m s i d o p l a n e j a d o s p a r a s e r e m a p l i c a d o s sobretudo a problemas de Mecânica Celeste. a n d F a i l u r e I n N e w t o n ' s Principia.3 6 e R e a c t i o n s o f t h e L a t e B a r o q u e M e c h a n i c s t o S u c c e s s . e n q u a n t o a p r o x i m a ç õ e s elas l i m i t a v a m q u e s e p o deria esperar entre as predições de N e w t o n e as experiências reais. a o a p l i c a r s u a s leis a o s p ê n d u l o s . E q u i p a m e n t o s especializados — c o m o o a p a r e l h o de Cavendish. C b n j e c t u r e . Pres u m i v e l m e n t e e s s a s t é c n i c a s e as d o s Principia p o d e r i a m ser a p r e s e n t a d a s c o m o c a s o s e s p e c i a i s d e u m a f o r m u l a ção mais geral. A maioria de seus teorem a s t a m b é m i g n o r a r a m o efeito d a r e s i s t ê n c i a d o ar. 3 . se comparadas c o m o que hoje em dia qualquer estudante graduado de Física p o d e obter c o m as m e s m a s leis.

m a i s d o q u e satisfatório p a r a aqueles que o alcançaram. M u i t a s d e s s a s figuras t r a b a l h a r a m simultaneamente p a r a desenvolver a Matemática necessária a aplicações que n e m m e s m o N e w t o n ou a Escola de Mecânica européia. na teo1 0 of 1 0 . W H E W E L L . Euler. Problemas dessa natureza preocuparam muitos dos melhores matemáticos europeus durante o século X V I I I e o começo do X I X . C o m exceç ã o feita d e a l g u n s p r o b l e m a s r e l a t i v o s à T e r r a . por exemplo. p p .. O a c o r d o o b t i d o foi. e WILLIAM 1847). Outros e x e m p l o s p o d e r i a m ser d e s c o b e r t o s a t r a v é s d e u m e x a me do período pós-paradigmáliço no desenvolvimento da Termodinâmica.. u m a imensa literatura e algumas técnicas matemáticas muito p o d e r o s a s p a r a a H i d r o d i n â m i c a e p a r a as c o r d a s vibratórias. haviam considerado. Laplace e Gauss. P a r a derivar essas leis. II. todos consagraram alguns de seus trabalhos mais brilhantes a problemas q u e visavam aperfeiçoar a a d e q u a ç ã o entre o p a r a d i g m a de N e w t o n e a o b s e r v a ç ã o c e l e s t e .cil. rev. op. 213-71. N ã o obstante isso. Londres. N e n h u m d o s que questionaram a validez da o b r a de N e w ton o fizeram por causa do acordo limitado entre a experiência e a observação. . e x c e ç ã o feita d a q u e l a e n t r e os p l a n e t a s i n d i v i d u a i s e o Sol. Simples observações telescópicas quantitativas indicam que os planetas não obedecem completamente às Leis de Kepler e de acordo c o m a teoria de N e w t o n n ã o d e v e r i a m obedecer. e v i d e n t e m e n t e . U m a vez q u e os planetas t a m b é m se atraem reciprocamente. Esses problemas de aplicação são responsáveis p o r a q u i l o q u e p r o v a v e l m e n t e é o t r a b a l h o científico mais brilhante e esgotante do século X V I I I . P o r exemplo. W O L F .8 1 . 7 5 . Produziram. the Induaive Sciences (ed. essas limitações do acordo deixaram muitos problemas teóricos fascinantes para os sucessores de N e w t o n . sua contemporânea. N e w t o n foi f o r ç a d o a n e g l i g e n c i a r t o d a a a t r a ç ã o g r a v i t a c i o n a l . somente se poderia esperar um acordo aprox i m a d o entre a teoria aplicada e a o b s e r v a ç ã o telescópica. L a grange. na teoria ondulatória da luz. técnicas teóricas eram necessárias p a r a tratar dos movimentos simultâneos de mais de dois corpos que se a t r a e m m u t u a m e n t e e p a r a investigar a estabilidade d a s órbitas perturbadas.N e w t o n . n e n h u ma teoria podia apresentar resultados comparáveis.1 0 1 . History pp. 9 6 .

m u i t o s d o s m a i s b r i l h a n t e s físicos-matemáticos da E u r o p a esforçaram-se repetidamente p a r a reformular a teoria mecânica sob u m a forma equivalente. Reformulações similares de um paradigma ocorrer a m repetidamente em todas as ciências. O s Principia. esses p r o b l e m a s s ã o d o m i n a n t e s . 1950). por exemplo. Tais transformações resultaram do trabalho empírico previamente descrito c o m o dirigido à articulação do p a r a d i g m a . p a r e c i a m u i t o m a i s p o d e roso p a r a muitas aplicações terrestres. a maior p a r t e do t r a b a l h o t e ó r i c o p e r t e n c e a e s s e t i p o . DUOAS. a p a r e n t e m e n t e s e m r e l a ç ã o e n t r e si. e m p a r te p o r q u e u m a fração considerável de seu significado estava a p e n a s implícito nas suas aplicações. Pelo m e n o s nas ciências mais matemáticas. visam simplesmente à clarificação do p a r a d i g m a p o r m e i o d e s u a r e f o r m u l a ç ã o . os problem a s a p r e s e n t a d o s p e l a a r t i c u l a ç ã o d o p a r a d i g m a s ã o si1 1 vros 11. m a s a maioria delas produziu mais m u d a n ç a s substanciais no paradigm a d o q u e a s r e f o r m u l a ç õ e s d o s Principia c i t a d a s a c i ma. e m p a r t e p o r q u e r e t i n h a a l g o d o d e s a jeitamento inevitável d e u m a primeira aventura. M e s m o nas ciências m a temáticas existem problemas teóricos relacionados c o m a articulação do paradigma.) René. J a c o b i e H e r t z n o s é c u l o X I X . Ou s e j a : d e s e j a v a m e x i b i r as l i ç õ e s e x p l í c i t a s e i m p l í c i t a s d o s Principia e d a M e c â n i c a e u r o p é i a n u m a v e r s ã o logicamente mais coerente. Seja c o m o for. Mais do que qualquer outra espécie de pesquisa normal. é a r b i t r á r i o classificar e s s a e s pécie de trabalho c o m o sendo empírico. IV-V. u m c o n j u n t o d e t é c n i c a s d a E u r o p a . tanto nas ciências mais quantitativas c o m o nas mais qualitativas. >M a s n e m sempre é assim. A l g u n s d o s p r o blemas. desde Euler e L a g r a n g e no século X V I I I até Hamilton. D u r a n t e aqueles períodos em q u e o d e s e n v o l v i m e n t o científico é s o b r e t u d o q u a l i t a t i v o . v e r s ã o que seria a o m e s m o tempo mais uniforme e menos equívoca nas suas aplicações aos problemas recentemente elaborados pela Mecânica. m a s lógica e esteticamente mais satisfatória. N a v e r d a d e . nem sempre se revelaram uma obra de fácil a p l i c a ç ã o . Histoire de la mécanigue. P o r isso. (Neuchâtel.ria eletromagnética ou em qualquer outro r a m o da ciênc i a c u j a s leis f u n d a m e n t a i s s ã o t o t a l m e n t e q u a n t i t a t i v a s . Li- .

S u a s m e d i ç õ e s t i v e r a m c o m o c o n seqüência um refinamento daquela teoria. Certamente n ã o esgotam toda a literatura da ciência^Éxistem t a m b é m p r o b l e m a s e x t r a o r d i n á r i o s e b e m p o d e ser q u e s u a r e s o l u ç ã o seja o q u e t o r n a o e m p r e e n d i m e n t o c i e n tífico c o m o u m t o d o t ã o p a r t i c u l a r m e n t e v a l i o s o .. obtido c o m a eliminação d a s ambigüidades que haviam sido retidas n a versão original q u e utilizavam. São os pontos de apoio em torno dos q u a i s g i r a m a s r e v o l u ç õ e s científicas. P o r isso. M a s a n t e s d e c o m e ç a r o estudo de tais revoluções. t e v e q u e e m p r e g a r a teoria elétrica p a r a d e t e r m i n a r c o m o seu e q u i p a m e n t o d e v e r i a ser c o n s t r u í d o . os exemplos apresentados anteriormente servirão igualmente bem neste caso. h a r m o n i z a ç ã o d o s f a t o s c o m a t e o ria e a r t i c u l a ç ã o da t e o r i a -— e s g o t a m . a m a i o r p a r t e do trabalho n o r m a l é desse tipo. E s s a s t r ê s classes d e p r o b l e m a s — d e t e r m i n a ç ã o d o f a t o significativo. i n e v i t a v e l m e n t e . geradas pelo a v a n ç o d a c i ê n c i a n o r m a l . O trabalho orientado por um paradigm a s ó p o d e ser c o n d u z i d o d e s s a m a n e i r a . a maioria esmagadora dos problemas que ocupam os m e l h o r e s cientistas c o i n c i d e m c o m u m a d a s t r ê s c a t e g o r i a s delineadas acima. m a s um p a r a d i g m a mais preciso. c r e i o .m u l t a n e a m e n t e teóricos e experimentais. . Estav a m t r a b a l h a n d o t a n t o c o m fatos c o m o c o m t e o r i a s e seus trabalhos p r o d u z i r a m n ã o apenas novas informações. D e s c o b r i r e m o s e m b r e v e q u e t a i s d e s e r ç õ e s r e a P m e n t e ocorrem. C o u l o m b . a l i t e r a t u r a da ciência normal. tanto teórica c o m o empírica. antes de poder construir seu equip a m e n t o e utilizá-lo e m m e d i ç õ e s . E m e r g e m apenas em ocasiões especiais. E m m u i t a s ciências. Dito de outra maneira: os homens que conceberam as experiências p a r a distinguir entre as várias teorias do a q u e c i m e n t o por compressão foram geralmente os mesmos que haviam elaborado as versões a serem c o m p a r a d a s . A b a n d o n a r o p a r a d i g m a é d e i x a r de p r a t i c a r a c i ê n c i a q u e este d e fine. M a s os problemas extraordinários não surgem gratuitamente. necessitamos de u m a visão mais p a n o r â m i c a d a s atividades da ciência normal q u e lhes p r e p a r a m o c a m i n h o .

.

c o m o no caso da medição de um comprimento de onda. Talvez as medições de Coulomb não precisassem ter sido ajustadas à Lei do Q u a d r a d o Inverso. aqueles que trabalhavam no problema do aquecimento por compressão não ignoravam que . A CIÊNCIA N O R M A L COMO RESOLUÇÃO DE QUEBRA-CABEÇAS Talvez a característica mais impressionante dos problemas normais da pesquisa que acabamos de exam i n a r seja seu r e d u z i d o i n t e r e s s e e m p r o d u z i r g r a n d e s n o v i d a d e s . tudo é conhecido de antem ã o .3. P o r sua vez. c o m freqüência. seja n o d o m í n i o d o s c o n c e i t o s . exceto o detalhe m a i s esotérico. A l g u m a s vezes. seja n o d o s fenômenos. o q u a d r o típico de expectativas é apenas um pouco menos determinado.

p e r m i t i a e s p e r a r o s m e s m o s r e s u l t a d o s . P o r isso. E n t r e t a n t o . por exemplo. é que p o d e m o s ver as características dos f e n ô m e n o s elétricos q u e essas experiências nos a p r e s e n t a m / S e m dúvida alguma C o u l o m b e s e u s c o n t e m p o r â n e o s p o s s u í a m esse ú l t i m o p a r a d i g m a ou um outro. Ninguém consagra anos. fracasso q u e n ã o se reflete s o b r e a n a t u r e z a . aplicado ao problema da atração. prestava-se pouca a t e n ç ã o a experiências q u e medissem a atração elétrica utilizando instrumentos c o m o a balança de pratos. C o n tudo. Em geral. j á na posse de um paradigma posterior. m a s s o b r e o c i e n t i s t a . o projeto cujo resultado n ã o "coincide c o m essa m a r g e m estreita de alternativas é considerado apenas u m a pesquisa fracassada. A t é m e s mo o projeto cujo objetivo é a articulação de um p a r a d i g m a n ã o v i s a p r o d u z i r u m a n o v i d a d e inesperada. a gama de resultados esperados (e portanto assimiláveis) é sempre p e q u e n a se c o m p a r a d a c o m as alternativas q u e a imaginação p o d e conceber. Pelo m e n o s p a r a os cientistas. É p o r isso q u e C o u l o m b foi c a p a z d e c o n c e b e r u m a p a r e l h o q u e p r o duziu resultados assimiláveis através de u m a articulação d o p a r a d i g m a . pois produziam resultados que n ã o eram n e m coerentes. d e s p r o v i d o s d e relação e sem c o n e x ã o possível c o m o progresso contín u o d a pesquisa elétrica. o qual. essa resposta não basta p a r a explicar o entusiasmo e a d e v o ç ã o q u e os cientistas d e m o n s t r a m pelos p r o b l e m a s da pesquisa normal. ao desenvolvimento de espectrômetro mais preciso ou à . É p o r isso t a m b é m q u e e s s e r e s u l t a d o n ã o s u r p r e e n d e u a n i n g u é m e vários c o n t e m p o r â n e o s de C o u l o m b f o r a m capazes de predizê^lo de a n t e m ã o . A p e n a s retrospectivamente. por exemplo. m e s m o em casos desse tipo. Tais e x p e r i ê n c i a s n ã o p o d i a m ser e m p r e g a d a s p a r a a r t i c u l a r o p a r a d i g m a do qual derivavam. os resultados o b t i d o s p e l a p e s q u i s a n o r m a l s ã o significativos p o r q u e contribuem para aumentar o alcance e a precisão com o s q u a i s o p a r a d i g m a p o d e ser a p l i c a d o .muitos outros resultados diferentes e r a m possíveis. c o n t i n u a v a m s e n d o simples f a t o s . N o século X V I I I . M a s meslrio se o objetivo da ciência n o r m a l n ã o consiste em descobrir novidades substantivas de importância capital e se o fracasso em aproximar-se do result a d o a n t e c i p a d o é g e r a l m e n t e c o n s i d e r a d o c o m o u m fracasso pessoal do cientista — e n t ã o por q u e dedicar t a n t o ^ r a b a l h o a e s s e s p r o b l e m a s ? P a r t e d a r e s p o s t a j á foi a p r e sentada. n e m simples.

pois n ã o são n a d a além da repetição de procedimentos empregados anteriormente. C a d a u m a das peças é parte da figura desejada. conceituais e m a temáticos.c a b e ç a indica.produção de u m a solução mais elaborada para o problema das cordas vibratórias. aquela categoria particular de problemas q u e servem p a r a testar nossa engenhosidade ou habilidade na resolução de problemas^ Os dicionários d ã o c o m o exemplo de quebra-cabeças as expressões "jogo de quebra-cabeça"* e "palavras cruz a d a s " . ser a n t e c i p a d o d e m a n e i r a t ã o d e t a l h a d a q u e o q u e fica p o r c o n h e c e r p e r d e t o d o o interesse. O desafio a p r e s e n t a d o pelo q u e b r a . d o T .] Q u e b r a . simplesmente pela import â n c i a d a i n f o r m a ç ã o a ser o b t i d a .c a b e ç a constitui u m a p a r t e i m p o r t a n t e da m o t i v a ç ã o do cientista p a r a o trabalho. c o m as quais o jogador deve formar u m a figura qualquer. t ã o significativos c o m o o s o b t i d o s n o s c a s o s m e n c i o n a d o s a c i m a — m a s essas atividades são habitualmente menosprezad a s pelos cientistas. Resolver um problema da pesquisa n o r m a l é alcançar o antecipado de u m a novamaneiraj Isso requer a solução de todo o tipo de complexos quebra-cabeças instrumentais. P r e c i s a m o s a g o r a isolar a s c a r a c t e r í s t i c a s q u e esses e x e m p l o s p a r t i l h a m c o m o s p r o b l e m a s d a c i ê n c i a normal. e m g e r a l . jigsatv puzzle. O s d a d o s q u e p o d e m ser alcançados por m e i o do cálculo de calendários ou por meio de medições suplementares realizadas com um i n s t r u m e n t o j á e x i s t e n t e s ã o . O critério que estabelece a qualidade de um b o m q u e b r a . no sentido corriqueiro em que empregamos o termo. ) . possuindo u m a e s o m e n t e u m a p o s i ç ã o a d e q u a d a n o t o d o a ser f o r m a d o ( N . Essa rejeição p r o p o r c i o n a u m a pista p a r a e n t e n d e r m o s o fascínio exercido pelos p r o b l e m a s da pesquisa n o r m a l . A palavra refere-se aos quebra-cabeças c o m p o s t o s p o r peças. a m a n e i r a de alcançar tal resultado permanece muito problemática. E m b o r a s e u r e s u l t a d o p o s s a . os problemas realmente importantes em geral * Em i n g l ê s . . c o m f r e q ü ê n c i a .c a b e ç a n a d a tem a ver c o m o fato de seu result a d o ser i n t r i n s e c a m e n t e i n t e r e s s a n t e o u i m p o r t a n t e . A c a b a m o s de mencionar um desses traços c o m u n s . O indivíduo que é b e m sucedido nessa tarefa prova que é um perito na resolução de quebra-cabeças.c a b e ç a s " colocam em evidência vários d o s temas que adquiriram u m a importância crescente nas páginas precedentes. Os termos "quebra-cabeça" e "solucionador de q u e b r a . A o contrário.

c a b e ç a s cujas p e ç a s s ã o s e l e c i o n a d a s a o a c a s o e m d u a s c a i x a s contendo peças de jogos diferentes. p a s s a m a ser r e j e i t a d o s c o m o m e t a f í s i c o s o u c o m o s e n d o p a r t e d e o u t r a d i s c i p l i n a . a d q u i r e i g u a l m e n t e u m c r i t é r i o p a r a a escolha de p r o b l e m a s q u e . um paradigma pode até mesm o a f a s t a r u m a c o m u n i d a d e d a q u e l e s p r o b l e m a s sociais relevantes que n ã o são redutíveis à forma de quebra-cab e ç a . U m h o m e m p o d e s e n t i r se atraído pela ciência por t o d o o tipo de razões. J á vimos q u e u m a c o m u n i d a d e científica. Tais problemas p o d e m constituir-se numa distração para os cientistas. Entretanto. Assim. O valor intrínseco n ã o é critério p a r a um quebra-cabeça. fato que é brilhantem e n t e ilustrado por diversas facetas d o b a c o n i s m o d o s é c u l o X V I I I e p o r a l g u m a s d a s c i ê n c i a s sociais c o n t e m p o r â n e a s . p o i s n ã o p o d e m ser e n u n c i a d o s n o s t e r m o s c o m p a tíveis c o m o s i n s t r u m e n t o s e c o n c e i t o s p r o p o r c i o n a d o s pelo paradigma. se os problemas da ciência n o r m a l são quebra-cabeças no sentido acima mencionado. não precisamos m a i s p e r g u n t a r p o r q u e os cientistas os enfrent a m c o m tal p a i x ã o o u d e v o ç ã o . U m a d a s razões pelas quais a ciência n o r m a l parece progredir t ã o r a p i d a m e n t e é a de q u e seus p r a ticantes concentram-se em problemas q u e somente a sua falta d e e n g e n h o p o d e i m p e d i r d e r e s o l v e r . O u t r o s p r o b l e mas. e n q u a n t o o p a r a d i g m a for aceito. E n t r e . Já a cert e z a d e q u e este p o s s u i u m a s o l u ç ã o p o d e s e r c o n s i d e r a d o c o m o tal. a o a d q u i rir u m p a r a d i g m a . C o n s i d e r e m o s u m j o g o d e q u e b r a .não são quebra-cabeças (veja-se o exemplo da cura do câncer ou o estabelecimento de uma paz d u r a d o u r a ) . P o d e m a i n d a ser r e j e i t a d o s c o m o d e m a s i a d o p r o b l e m á t i c o s p a r a m e r e c e r e m o dis-_ pêndio de tempo. Este n ã o é de forma alguma um quebra-cabeças no sentido usual do termo. esses s ã o o s ú n i c o s p r o b l e m a s q u e a c o m u n i d a d e a d m i t i r á c o m o científicos ou encorajará seus m e m b r o s a resolver. N u m a l a r g a m e d i d a . m e s m o muitos dos q u e e r a m anteriormente aceitos. p o d e r e m o s considerar c o m o dotados de u m a sol u ç ã o p o s s í v e l . em grande parte porque talvez n ã o t e n h a m n e n h u m a soluç ã o possível. T a l p r o b l e m a provavelmente colocará e m x e q u e ( e m b o r a isso possa n ã o a c o n t e c e r ) o m a i s e n g e n h o s o d o s h o m e n s e p o r isso n ã o p o d e servir c o m o teste p a r a d e t e r m i n a r a habilidade de resolver problemas.

a esperança de encontrar o r d e m e o impulso p a r a testar o conhecimento estabelecido. 1 C o n s i d e r e m o s a g o r a u m o u t r o a s p e c t o . n ã o resolveu tão b e m .» o w ^ . do paralelismo entre os q u e b r a . O q u a d r o a s s i m p r o d u z i d o p o d e ser b e m m e l h o r ( e c e r t a m e n t e seria m a i s o r i g i n a l ) q u e a q u e l e c o n s t r u í d o a 1 J pp.c a b e ç a s p a s s a m a ser m e n o s f a s c i n a n t e s p a r a o s i n d i v í d u o s q u e a eles s e d e d i c a m c o m a p l i c a ç ã o . o indivíduo e m p e n h a d o n u m p r o b l e ma de p e s q u i s a n o r m a l quase nunca está fazendo quaj^ quer dessas coisas. Q u a l q u e r criança ou artista c o n t e m p o r â n e o p o d e r i a f a z e r isso.e s s a s e s t ã o o d e s e j o de ser útil. Solucionar um jogo de quebra-cabeça não é. se for s u f i c i e n t e . c o m o se fossem formas abstratas. pp.\ c i t a ao t r a b a l h o é a c o n v i c ç ã o de q u e . pelo menos. a e x c i t a ç ã o a d v i n d a da exploração de um novo território. quebra-cabeça. as frustrações induzidas pelo conflito entre o papel do indivíduo e o padrão global do desenvolvimento científico p o d e m ocasion a l m e n t e tornar-se sérias. A l é m disso. X L I . existem boas razões para que motivos dessa natureza o atraiam e passem a guiá-lo. revela sua utilidade d e t e m p o s e m tempos-. m a i s difícil e revelador. U m a v e z e n g a j a d o em s e u t r a b a l h o . M u i t o s d o s grandes espíritos científicos d e d i c a r a m t o d a s u a a t e n ç ã o p r o f i s s i o n a l a com—^ plexos p r o b l e m a s dessa natureza. . n ã o basta a um problema possuir u m a solução assegurada. O q u e o i n .c a b e ç a s e os_ p r o b l e m a s d a c i ê n c i a n o r m a l . O. e m b o r a ocasionalm e n t e p o s s a m levá-lo a u m a frustração.UB1E.j m e n t e habilidoso. \ s u a m o t i v a ç ã o p a s s a a ser b a s t a n t e d i v e r s a . C o n t u d o . American Scientist.II. N ã o o b s t a n t e i s s o . . S o m e U n s o l v e d P r o b l e m s o f t h e S c i e n t t f i c C a r e e r . conseguirá solucionar um quebra-ca. P a r a ser c l a s s i f i c a d o c o m o " .a b r e . e X1.! beca q u e n i n g u é m até e n t ã o resolveu ou. c s d i f e r e n t e s c a m p o s d e e s p e c i a l i z a ç ã o n a d a m a i s ofer e c e m d o q u e e s s e t i p o d e d i f i c u l d a d e s / N e m p o r isso esses q u e b r a . simplesmente "montar um q u a d r o " . empreendim e n t o científico. K. 596-613 (1953). 104-112 (1954). e s p a l h a n d o p e ç a s s e l e c i o n a d a s s o b r e um fundo neutro. Em muitas situações. Deve obedecer a regras que limitam t a n t o a natureza das soluções aceitáveis c o m o os passos necessários para obtê-las. ver L A W R E N C E S. no seu conjunto. Sobre esse assunto.. t e £ r i t ó x Í Q S ^ i n s t a u r a o r d e m e testa crenças estabelecidas há m u i t o t e m p o . por exemplo. Esses motivos e muitos outros t a m b é m auxiliam a determinação dos problemas particulares com os quais o cientista se envolverá posteriormente. 1.

E s s a s s ã o a l g u m a s d a s r e g r a s q u e governam a solução de jogos de quebra-cabeça. . Se alguma indeterminação residual da teoria ou algum componente não-analisado de seu equipamento impedi-lo de completar sua demonstração. m a s . P a r a q u e isso a c o n t e ç a t o d a s a s p e ç a s d e v e m ser u t i l i z a d a s ( o l a d o liso d e v e ficar p a r a b a i x o ) e e n t r e l a ç a d a s d e tal m o d o q u e n ã o f i q u e m e s p a ços v a z i o s e n t r e e l a s . e m muvhiieiitov E m e s m o d e p o i s de e s s a r e l a ç ã o t e r s i d o e s t a b e l e c i d a . N ã o obstante isso. o e q u i p a m e n t o teve q u e ser r e o r g a n i z a d o p a r a q u e o s r e s u l t a d o s e x p e r i m e n t a i s p u d e s s e m ser c o r r e l a c i o n a d o s sem equívocos c o m a teoria. Restrições similares concernentes às soluções admissíveis p a r a palavras cruzadas. Para um breve relato da evolução dessas experiências. . J . O i n d i v í d u o que constrói um instrumento p a r a determinar o comprimento de ondas ópticas não se deve contentar c o m u m e q u i p a m e n t o q u e n ã o faça mais d o q u e atribuir números a determinadas linhas espectrais. 2 2. e t c . . ao contrário. D A V I S S O N e m Les prix Nobel en 1937 ( E s t o c o l m o . alguém q u e deve mostrar (utilizando a teoria óptica p a r a analisar seu e q u i p a m e n t o ) q u e os n ú m e r o s obtidos coincidem c o m aqueles que a teoria prescreve p a r a os c o m primentos de onda. os índices m á ximos de dispersão de elétrons que mais tarde seriam vistos c o m o índices d o c o m p r i m e n t o d e o n d a d o s elétrons n ã o possuíam n e n h u m a significação aparente q u a n d o foram observados e registrados pela primeira v e z . E n q u a n t o essas condições n ã o f o r a m satisfeitas. charadas. foi necessário relacioná-los a ú r h ã teoria que predissesse o c o m p o r t a m e n t o o n d u l a t ó r i o d a m a t é r i a . P o r exemplo. Ele n ã o é apenas um explorador ou medidor. tal q u a d r o n ã o s e r i a u m a s o l u ç ã o . . problemas de xadrez. Se aceitarmos u m a utilização consideravelmente mais ampla do termo " r e g r a " — identificando-o event u a l m e n t e c o m " p o n t o d e vista estabelecido" o u " c o n c e p ç ã o p r é v i a " — e n t ã o os p r o b l e m a s acessíveis a u m a determinada tradição de pesquisa apresentam características m u i t o s i m i l a r e s à s d o s q u e b r a . s e u s c o l e g a s p o d e r ã o p e r f e i t a m e n t e c o n c l u i r q u e ele n ã o mediu absolutamente nada. n e n h u m p r o b l e m a foi r e s o l v i d o .partir d o q u e b r a . p o d e m ser d e s c o b e r t a s f a c i l m e n t e .c a b e ç a s . 4 d a c o n f e r ê n c i a d e C . 1938). ver a p. ' A n t e s " d e s e t o r n a r e m m e d i d a d e a l g u m a c o i s a .c a b e ç a .

a q u a n t i d a d e d e m a t é r i a foi u m a c a t e g o r i a a n t o l ó g i c a f u n d a m e n t a l p a r a o s físicos e a s f o r ç a s q u e atuam entre pedaços de matéria constituíram-se n u m dos tópicos dominantes para a pesquisa. O estudo das tradições da ciência n o r m a l revela muitas outras regras adicionais. V I I . 1956). fixar os resultados admissíveis das análises químicas e informar a o s q u í m i c o s o q u e e r a m os á t o m o s e as m o l é c u l a s . Q u a i s s ã o a s principais^ c a t e g o r i a s sob a s q u a i s p o d e m ser s u b s u m i d a s e s s a s r e g n í s v * A m a i s e v i d e n t e e p r o v a v e l m e n t e a m a i s c o e r c i t i v a p o d e ser exemplificada pelas generalizações q u e a c a b a m o s de m e n c i o n a r . An lnquiry into Speculative Ne-wtonian Experimental Science and Franklin's Work in Electricity as an Example Thereot (Filadélfia. 5. C O H E N . (ed. os cientistas preferiram m a n t e r as regras até q u e . especialmente pp. isto é .Restrições semelhantes ligam as soluções admissíveis a o s p r o b l e m a s t e ó r i c o s . c o n c e i t o s e t e o r i a s científicos. Nessa situação. S o m e n t e u m a m o d i f i c a ç ã o n a s regras poderia ter oferecido u m a outra alternativa. I I . C o m relação a esses aspectos do n e w t o n i s m o . d u r a n t e m u i t o t e m p o . 275-77. C a p . u m d e l e s d e s c o b r i u c o m o s e p o d e r i a utilizá-las c o m s u c e s s o . 101-05. P o r exemp l o . tais e n u n c i a d o s auxiliam na f o r m u l a ç ã o de q u e b r a .. E n q u a n t o s ã o r e c o n h e c i d o s . E n q u a n t o essa situação p e r d u r o u . os 3 5 3 . History o i the Inductive Sciences. Tais regras proporcion a m u m a quantidade de informações adicionais a respeito d o s c o m p r o m i s s o s q u e os cientistas derivam de s e u s p a r a d i g m a s . C o n t u d o . Essa questão foi-me sugerida por W . u m a i m p o r t â n c i a e q u i v a l e n t e — p a r a estabelecer o p r o b l e m a d o s pesos atômicos. cujos trabalhos sobre a Sociologia da Ciência coincidem algumas vezes c o m os meus. rev. definir u m n o v o quebra-cabeça e deixar sem solução o antigo. W . O . alguns deles sugeriram a substituição da Lei do Q u a d r a d o d a s D i s t â n c i a s p o r u m a lei q u e s e a f a s t a s s e dessa q u a n d o s e t r a t a s s e d e p e q u e n a s d i s t â n c i a s . B. Na Química. Hagstrom. W H E W E L L . 1 8 4 7 ) .c a beças e na limitação d a s soluções aceitáveis. . D u r a n t e t o d o o s é c u l o X V I I I . 255-57. p p . a s L e i s d e N e w t o n d e s e m p e n h a r a m tais f u n ç õ e s d u r a n t e os séculos X V I I I e X I X . e m 1 7 5 0 . Franklin and Newton. Londres. 4 . E m vista disso. o s e n u n c i a d o s e x p l í c i t o s d a s leis. ver I. os cientistas q u e t e n t a r a m deduzir o m o v i m e n t o o b s e r v a d o d a L u a p a r t i n d o d a s leis d o m o v i m e n t o d e N e w t o n fracassaram sistematicamente. 220-22. fazer isso s e r i a m o d i f i c a r o p a r a d i g m a . a s leis d a s p r o p o r ç õ e s fixas e d e f i n i d a s t i v e r a m .

Science. J a m e s E . Esse exemplo 4 discutido detalhadamente no fim do Cap. L e o . Chemtstry 1923). O s c o m p r o m i s s o s d e nível m a i s e l e v a d o ( d e c a r á ter q u a s e m e t a f í s i c o ) q u e o e s t u d o h i s t ó r i c o r e v e l a c o m tanta regularidade. M u d a n ç a s d e a t i t u d e s c o m r e l a ç ã o a o p a p e l d o fogo n a s a n á l i s e s q u í m i c a s t i v e r a m u m a i m p o r t â n c i a capital no desenvolvimento da Química do século X V I I . M F I N H A I D . 1 9 0 6 ) . W e l b y . H . trad. a m a i o r i a d o s físicos c o m e ç o u a p a r t i r d o pressuposto de que o Universo era composto por corpúsculos microscópicos e que todos os fenômenos natur a i s p o d e r i a m ser e x p l i c a d o s e m t e r m o s d a f o r m a . 9 . MAME 1958). encontrou grande resistênc i a p o r p a r t e d o s fisiologistas n o t o c a n t e à i d é i a d e q u e a e x p e r i m e n t a ç ã o física p u d e s s e t r a z e r e s c l a r e c i m e n t o s para seu c a m p o de estudos. (Oxford. Les dactrines chtmtques en France du début du XVII.6 6 . P o r exemplo. 359-61. proporcionam as regras do jogo p a r a os cientistas. u m a multidão de compromissos relativos a tipos de instrumentos preferidos e a maneiras adequadas p a r a utilizá-los. embora n ã o sejam características imutáveis da ciência. KÕNIGSBERGEK. Hermann von Helmholtz. 112-15. . Durante o m e s m o século. regras dessa natureza não são as únicas e n e m m e s m o a variedade mais interessante d e n t r e as r e v e l a d a s p e l o e s t u d o h i s t ó r i c o N u m nível inferior ( o u m a i s c o n c r e t o ) q u e o d a s leis e t e o r i a s e x i s t e . C h r o m a t o g r a p h y : A P e r s p e c t i v e . d e Francis A . M E T Z G E R . no século X I X . p o r e x e m plo.' Seventeenth-Century slide (Paris. t a n t o c o m o a s leis e teorias. s ã o m e n o s d e p e n d e n t e s de fatores locais e t e m p o r á r i o s q u e os a n t e r i o r m e n t e m e n c i o n a d o s . pp. 6 5 . d o t a m a n h o do movimento e da interação corpusculares. Q u a n d o analisamos a descoberta dos raios X.c o m p o s t o s e as m i s t u r a s . Contudo. BOAS. pp. encontramos razões para compromissos dessa natureza. N o p l a n o 6 7 8 9 6. Esse conjunto de compromissos revelou possuir tanto d i m e n s õ e s metafísicas c o m o metodológicas. 7 . Helmholtz. a curiosa história da cromatografia apresenta um outro e x e m p l o da persistência dos c o m p r o m i s s o s d o s cientistas c o m t i p o s d e i n s t r u m e n t o s . pp. o s q u a i s .* siicle Robert à Boyle la )in and du XVIII. pp. C X . (Cambridge. depois de 1 6 3 0 e especialmente após o a p a r e c i m e n t o d o s t r a b a l h o s i m e n s a m e n t e influentes d e D e s c a r t e s . 387-92 (1949). 9. As equações de Maxwell e a s leis d a T e r m o d i n â m i c a E s t a t í s t i c a p o s s u e m a t u a l m e n te a m e s m a i n f l u ê n c i a e d e s e m p e n h a m i d ê n t i c a f u n ç ã o . 8.

.l o a u m n o v o refinamento de suas técnicas de observação ou a u m a maior articulação de suas teorias. n u m nível m a i s e l e v a d o . aceitas pelos cientistas em todas as épocas. m a i s c l a r a m e n t e d o q u e q u a i s q u e r o u t r a s .s e e m c o m p r e e n d e r o m u n d o e a m p l i a r a p r e c i s ã o e o a l c a n c e da o r d e m q u e l h e foi i m p o s t a . Sem dúvida alguma existem ainda outras regras desse gênero. XL.5 4 1 ( 1 9 5 2 ) . K U H N . X . indicava aos cientistas q u e espécies de entidades o Universo continha ou n ã o continha — n ã o havia nada além de matéria dotada de forma e em movimento. T h e E s t a b l i s h m e n t o f t h e M e c h a n i c a l P h i l o s o p h y . I s t o p o r q u e . ver M A R I E B O A S . Oslris. N o p l a n o m e t o d o l ó g i c o . esses d e v e m d e s a f i á . p o r s u a v e z .^' P o r e x e m p l o . p p . 4 1 2 . tais reações a p r e sentavam o processo de reorganização corpuscular que deve estar na base de toda transformação q u í m i c a . i n d i c a v a c o m o d e v e r i a m ser a s leis definitivas e as e x p l i c a ç õ e s f u n d a m e n t a i s : leis d e v e m especificar o m o v i m e n t o e a interação corpusculares.m i n ú c i a empírica ( p o r si m e s m o ou através de colegas) algum aspecto da natureza. u m q u í m i c o q u e . d e v e l e v á . e x i s t e u m o u t r o c o n j u n t o d e c o m p r o m i s s o s o u a d e s õ e s s e m o s c^uais n e n h u m h o m e m p o d e ser c h a m a d o d e cientista. metodológicas e inst r u m e n t a i s — é u m a d a s fontes p r i n c i p a i s da m e t á f o r a q u e relaciona à ciência n o r m a l à resolução de q u e b r a -cabeças. Esses compromissos proporcionam ao prati1 0 .l o a p e r s c r u t a r c o m grande. a b r a ç o u a n o v a filosofia. P o r e x e m p l o . P a r a a s teorias c o r p u s c u l a r e s e m geral. teóricas. prestava atenção especial àquelas reações que p o d i a m ser i n t e r p r e t a d a s c o m o t r a n s m u t a ç õ e s . a explicação deve reduzir qualquer fenômeno natural a u m a a ç ã o c o r p u s c u l a r r e g i d a p o r e s s a s leis. 12-36 (1952). No que diz respeito a seus efeitos sobre a q u í m i c a de Boyle.] A existência dessa sólida rede de compromissos ou adesões — conceituais. E s s e c o m p r o m i s s o . ver T. a concepção corpuscular do Universo indicou aos cientistas um g r a n d e n ú m e r o de p r o b l e m a s q u e d e v e r i a m ser p e s q u i s a d o s . 1 0 F i n a l m e n t e . lsis. Se esse escrutínio revela bolsões de a p a r e n t e d e s o r d e m .metafísico.HI. R o b e r t B o y l e a n d S t r u c t u r a l C h e m i s t r y in t h e S e v e n t e e n t h C e n t u r y . d a Ó p t i c a e d o calor. c o m o B o y l e . O u t r o s efeitos s i m i l a r e s d a t e o r i a c o r p u s c u l a r p o d e m ser o b s e r v a d o s n o e s t u d o d a M e c â n i c a . pp. O q u e é ainda mais importante. o cientista d e v e p r e o c u p a r . S.

introduzi a noção de paradigmas compartilhados. C o n t u d o . As regras. m a s os par a d i g m a s p o d e m dirigir a p e s q u i s a m e s m o n a a u s ê n c i a de regras. u m a discussão a respeito dos quebra-cabeças e regras permite e s c l a r e c e r a n a t u r e z a d a p r á t i c a científica n o r m a l . E m b o r a o b v i a mente existam regras às quais todos os praticantes de u m a e s p e c i a l i d a d e científica a d e r e m e m u m d e t e r m i n a d o m o m e n t o . d e u m o u t r o p o n t o d e vista. p r e s s u p o s t o s e p o n t o s d e vistas c o m p a r t i l h a d o s c o m o sendo a fonte da coerência para as tradições da pesquisa normal. esse esclarecimento p o d e ser s i g n i f i c a t i v a m e n t e e n g a n a d o r . ao invés d a s n o ç õ e s d e r e g r a s . . "A ciência n o r m a l é u m a atividade altamente d e t e r m i n a d a .cante de u m a especialidade amadurecida regras que lhe revelam a natureza do m u n d o e de sua ciência. essas regras n ã o p o d e m p o r s i m e s m a s especificar t u d o a q u i l o q u e a p r á t i c a d e s s e s e s p e c i a l i s t a s t e m em c o m u m . É p o r isso q u e . no início deste ensaio. encontrar a solução de um quebra-cabeça residual constitui um desafio pessoal p a r a o cientista. m a s n ã o p r e c i s a ser i n t e i r a m e n t e d e t e r m i n a d a p o r regras. derivam de paradigmas. Nesse e n o u t r o s aspectos. permitindo-lhe assim concentrar-se c o m segurança nos p r o blemas esotéricos definidos p o r tais regras e pelos c o n h e cimentos existentes. Nessa situação. segundo m i n h a sugestão.

. A PRIORIDADE DOS PARADIGMAS P a r a descobrir a relação existente entre regras. revelados nos seus m a n u a i s . conferências e exercícios de l a b o r a t ó r i o . Essas são os paradigmas da comunidade. instrumentais e na o b servação. Ao estudá-los e utilizá-los na prática.4. paradigmas e a ciência n o r m a l c o m e ç a r e m o s consider a n d o a m a n e i r a p e l a q u a l o h i s t o r i a d o r isola o s p o n t o s específicos d e c o m p r o m i s s o s q u e a c a b a m o s d e d e s c r e ver c o m o sendo regras aceitas. os m e m b r o s d a c o m u n i d a d e c o n s i d e r a d a a p r e n d e m seu ofí- . A investigação histórica cuidadosa de u m a determinada especialidade n u m det e r m i n a d o m o m e n t o revela um conjunto de ilustrações recorrentes e quase padronizadas de diferentes teorias nas suas aplicações conceituais.

m a s h a b i t u a l m e n t e o núcleo dos problemas resolvidos e das técnicas será claro. o reconhecimento dessa frustração torna possível diagnosticar sua origem. O u t r a s . se sua experiência se assemelha c o m a minha. um Maxwell ou um Einstein produziram u m a solução aparentemente duradoura para um grupo de problemas especialmente . a determinação de paradigmas compartilhados n ã o coincide c o m a determinação das regras c o m u n s ao g r u p o . Enunciadas dessa m a neira ( o u em qualquer outra que o historiador possa i m a g i n a r ) . N ã o há dúvida de q u e além disso o historiador descobrirá u m a área de p e n u m b r a ocupada por realizações c u j o status a i n d a e s t á e m d ú v i d a . E m vista disso. explícitos ou implíc i t o s . Isto exige u m a segunda etapa. Q u e m quer que tenha tentado descrever ou analisar a evolução de u m a tradição científica p a r t i c u l a r t e r á n e c e s s a r i a m e n t e p r o c u r a d o esse g ê n e r o de princípios e regras aceitos. M a s . um Lavoisier. empregando-os d e pois em suas pesquisas. N ã o o b s t a n t e . inclusive a l g u m a s d a s u t i l i z a d a s a c i m a c o m o i l u s t r a ç õ e s . a busca de regras revelar-se-á ao m e s m o t e m p o m a i s difícil e m e n o s s a t i s f a t ó r i a d o q u e a busca de paradigmas. terá tido um sucesso pelo menos parcial.cio. é necessário determinar um terreno c o m u m n a área c o r r e s p o n d e n t e . Q u a s e certamente.'Ao empreendê-la. a busca de um corpo de regras c a p a z de constituir u m a tradição determinada da ciência n o r m a l torna-se u m a -fonte d e f r u s t r a ç ã o p r o f u n d a e c o n t í n u a . c o m o mostra o capítulo anterior. Cientistas p o d e m c o n cordar que um Newton. teriam sido rejeitadas quase c e r t a m e n t e p o r ^alguns m e m b r o s d o g r u p o q u e ele e s t u d a . o s m e m b r o s d e s s a c o m u n i d a d e p o d e m t e r abstraído de seus paradigmas mais globais. contudo. os paradigm a s d e u m a c o m u n i d a d e científica a m a d u r e c i d a p o d e m ser determinados c o m relativa facilidade. o historiador deve comparar entre si os paradigmas da comunidade e em seguida compará-los com os relatórios de p e s q u i s a h a b i t u a i s d o g r u p o . se a coerência da t r a d i ç ã o de pesquisa d e v e ser entendida em termos de regras. de natureza um tanto diferente. C o m isso o h i s t o r i a d o r v i s a descobrir q u e elementos isoláveis. Í C o n t u d o . parecerão um pouco forçadas. Contudo. Algumas das generalizações que ele e m p r e g a r p a r a descrever a s crenças c o m u n s d a c o m u nidade n ã o a p r e s e n t a r ã o p r o b l e m a s . Apesar das ambigüidades ocasionais.

J á q u e esse c o n t e x t o é a o m e s m o t e m po mais elementar e mais familiar. Q u e precisamos saber. o q u e l i m i t a o c i e n t i s t a a u m a tradição específica da ciência n o r m a l ? O q u e p o d e significar a e x p r e s s ã o " i n s p e ç ã o d i r e t a d o s p a r a d i g m a s " ? Respostas parciais a questões desse tipo foram desenvolvidas p o r L u d w i g Wittgenstein. Philosophical Investigations. a respeito das características abstratas específicas q u e t o r n a m essas soluções p e r m a n e n t e s . algumas vezes sem estarem conscientes disso. C o n t u d o . 1 9 5 3 ) . p a r a utilizar t e r m o s c o m o " c a d e i r a " . m a s n ã o d e p e n d e dela.l o ) q u a n t o a u m a interpretação o u racionalização c o m p l e t a a r e s p e i t o d a q u e l e . M K H A E L P O L A N Y I d e s e n v o l v e u b r i l h a n t e m e n t e u m t e m a m u i t o similar. do c o n h e c i m e n t o adquirido através da prática e q u e n ã o p o d e ser articulado explicitamente. 31-36. sem entretanto entrar n u m acordo ( o u m e s m o t e n t a r o b t ê . Contudo. 1 9 5 8 ) . V e V I . Wittgenstein concluiu que. Isto é. I s t o é . A n s c o m b e . embora n u m contexto b a s t a n t e d i v e r s o . O primeiro resultado dessas afirmações é inevitavelmente o de levantar problemas. argumentando que muito do sucesso do cientista depende do " c o n h e c i m e n t o tácito". a existência de um paradigma n e m m e s m o precisa implicar a existência de qualq u e r c o n j u n t o c o m p l e t o d e regras. o que é u m a cadeira. WITTGENSTEIN. isto é. E. . u m a folha ou um jogo. M. Na verdade. p o d e m c o n c o r d a r n a identificação de um paradigma. | A falta de u m a interpretação padronizada ou de u m a redução a regras que goze de u n a n i m i d a d e n ã o impede que um p a r a d i g m a oriente a pesquisa. Wittgenstein n ã o diz q u a s e n a d a a respeito do m u n d o que é necessário para sustentar o p r o c e d i m e n t o d e d e n o m i n a ç ã o inaming} q u e e l e d e l i n e i a . perguntava Wittg e n s t e i n . d a d a a m a 1 2 1 . " f o l h a " ou "jogo" de uma maneira inequívoca e sem provocar discussões? T a l questão é m u i t o antiga. intuitiva ou conscientem e n t e . V e r s e u Personal Knotvledge ( C h i c a g o . p p . P a r t e d a a r g u m e n t a ç ã o q u e se segue n ã o p o d e ser atribuída a ele. 2. trad.importantes e m e s m o assim discordar. Na ausência de um c o r p o a d e q u a d o de r e g r a s . A ciência n o r m a l p o d e ser p a r c i a l m e n t e d e t e r m i n a d a através da inspeção direta dos paradigmas. especialmente os C a p s . Esse processo é freqüentemente auxiliado pela formulação de regras e suposições. Geralmente a respond e m o s afirmando que sabemos. precisamos captar um determinado conjunto de atributos c o m u n s a todos os jogos (e somente aos jog o s ) . (Nova York. Ludwig. de G.* . será conveniente exam i n a r p r i m e i r a m e n t e a f o r m a em q u e a a r g u m e n t a ç ã o é apresentada.

E m s u m a . Os cientistas t r a b a l h a m a p a r tir d e m o d e l o s a d q u i r i d o s a t r a v é s d a e d u c a ç ã o o u d a literatura a que são expostos posteriormente.s e n u m a o u n o u t r a p a r t e d o corpus científico q u e a comunidade em questão já reconhece como u m a de suas realizações confirmadas. E m b o r a a d i s c u s s ã o de alguns a t r i b u t o s -_ c o m u n s a um certo número de j o g o s . p o d e m relacionar-se por semelhança ou modeland o . tal conjunto de características não é n e c e s s á r i o . cada u m a delas constituída por u m a rede de semelhanç a s q u e se s u p e r p õ e m e se e n t r e c r u z a m . jogos. *• q u a n d o c o n f r o n t a d o s c o m u m a a t i v i d a d e p r e v i a m e n t e desconhecida. S o m e n t e se as famílias q u e n o m e a m o s se superpusessem ou se mesclassem g r a d u a l m e n t e u m a s c o m as outras — isto é. aplicamos o termo "jogo" porque o que estamos vendo possui u m a grande "semelhança de famíl i a " c o m u m a série d e a t i v i d a d e s q u e a p r e n d e m o s a n t e r i o r m e n t e a c h a m a r p o r esse n o m e .p e s q u i s a Tia q u a l p a r t i cípam n ã o precisa nem m e s m o implicar a existência de um corpo subjacente de regras e pressupostos. muitas vezes s e m c o n h e c e r o u p r e c i s a r c o n h e c e r q u a i s a s c a r a c t e r í s t i c a s q u e p r o p o r c i o n a r a m o status de p a r a d i g m a c o m u n i t á r i o a esses m o d e l o s . p a r a W i t t genstein. A e x i s t ê n c i a de tal rede explica suficientemente o nosso sucesso na identificação da atividade ou objeto c o r r e s p o n d e n t e . Em vez disso. n ã o existe n e n h u m conjunto d e c a r a c t e r í s t i c a s q u e seja s i m u l t a n e a m e n t e a p l i c á v e l a t o d o s os m e m b r o s da classe e s o m e n t e a eles. cadeiras e folhas são famílias naturais. O q u e t ê m e m c o m u m n ã o é o f a t o de satisfazer as e x i g ê n c i a s de a l g u m c o n j u n t o de regras.c i e n tistas n ã o ^ n e c e s s i t a m d e u m c o n j u n t o c o m p l e t o d e r e gras^ A ~ c o e r ê n c Í a da~"tràüi\du de. c a d e i r a s ou f o l h a s freqüentemente nos auxilie a a p r e n d e r a e m p r e g a r o term o c o r r e s p o n d e n t e .n e i r a p e l a q u a l u s a m o s a l i n g u a g e m e o t i p o de m u n d c ao qual a aplicamos. Algo semelhante pode valer para os vários problem a s e técnicas de pesquisa que surgem n u m a tradição específica d a c i ê n c i a n o r m a l . E m l u g a r disso. explícito ou passível de u m a descoberta c o m p l e t a — c o n j u n t o q u e dá à t r a d i ç ã o o seu c a r á t e r e a v s u a a u t o r i d a d e s o b r e o e s p í r i t o científico. PgjL. que p o - . s o m e n t e se n ã o h o u v e s s e m f a m í l i a s naturais — o n o s s o s u c e s s o e m identificar e n o m e a r p r o v a r i a q u e e x i s t e u m c o n j u n t o de c a r a c t e r í s t i c a s c o m u n s c o r r e s p o n d e n d o a j c a d a u m dos n o m e s d a s classes q u e e m p r e g a m o s .atu a r c i i L ^ s s i m ^ f l s .

O f a t o d e o s c i e n t i s t a s u s u a l m e n t e n ã o p e r g u n t a r e m ou debaterem a respeito do que faz c o m que u m problema o u u m a solução particular sejam considerados legítimos nos leva a supor q u e . desde o início. E s s a d i f i c u l d a d e é a p r o x i m a d a m e n t e i d ê n t i c a à e n c o n t r a d a p e l o filósofo q u e t e n t a d e t e r m i n a r o q u e é c o m u m a t o d o s os j o g o s . onde são apresentados junt a m e n t e c o m suas aplicações e através delas. A s e g u n d a . Ao contrário. Tentarei agora aumentar t a n t o a sua clareza c o m o a sua importância. M a s esse fato pode indicar tão-somente que. sem elas n ã o p o d e r i a n e m m e s m o c a n d i d a t a r s e à a c e i t a ç ã o científica. por exemplo. indicando algumas das razões que temos para acreditar que os paradigmas realmente operam d e s s a m a n e i r a . Se. eles c o n h e c e m a resposta. esses i n s t r u m e n t o s i n t e l e c t u a i s s ã o . da qual a primeira n ã o passa de um corolário. m a i s c o g e n t e s e mais completos que qualquer conjunto de regras para a p e s q u i s a q u e d e l e s p o s s a ser c l a r a m e n t e a b s t r a í d o .d e r i a ser r e v e l a d o p o r i n v e s t i g a ç õ e s h i s t ó r i c a s o u filosóficas a d i c i o n a i s . E m l u g a r d i s s o . D e p o i s d e a c e i t a . seja c o m l á p i s e p a p e l . baseia-se n a n a t u r e z a d a e d u c a ç ã o científica. A p r i m e i r a d e l a s . s e j a c o m instrumentos n u m laboratório. leis e t e o r i a s d e u m a f o r m a a b s t r a t a e i s o l a d a m e n t e . A s aplicações n ã o estão l á simplesmente c o m o u m adorno ou m e s m o como documentação. n e m a resposta são consideradas relevantes p a r a suas pesquis a s . o est u d i o s o d a d i n â m i c a n e w t o n i a n a d e s c o b r i r o significado . U m a n o v a teoria é sempre anunciada juntamente c o m suas aplicações a u m a determinada g a m a concreta de fenômenos n a t u r a i s . refere-se à g r a n d e d i f i c u l d a d e q u e e n c o n t r a mos para descobrir as regras que guiaram tradições específicas d a c i ê n c i a n o r m a l . O s p a r a d i g m a s p o d e m ser a n t e r i o r e s . incluindo-se aí a prática na resol u ç ã o d e p r o b l e m a s . e s s a s a p l i cações ( o u m e s m o outras) a c o m p a n h a r ã o a teoria nos m a n u a i s o n d e o s f u t u r o s c i e n t i s t a s a p r e n d e r ã o s e u ofício. pelo m e n o s intuitivamente. A t é aqui nossa análise t e m sido p u r a m e n t e teórica: os p a r a d i g m a s poderiam d e t e r m i n a r a c i ê n c i a n o r m a l s e m a i n t e r v e n ç ã o d e r e g r a s q u e p o d e m ser d e s c o b e r t a s . A e s t a a l t u r a d e v e r i a estar claro q u e os cientistas n u n c a a p r e n d e m conceitos. n e m a questão. q u e j á foi a m p l a m e n t e d i s c u t i d a . o processo de aprendizado de u m a teoria depende do est u d o das aplicações. encontrados n u m a u n i d a d e histórica e pedagogicamente anterior.

d e m o n s t r a m . Esse processo de aprendizagem através de exercícios c o m p a p e l e l á p i s o u a t r a v é s d a p r á t i c a c o n t i n u a durante t o d o o processo de iniciação profissional. E s s a s c o n s e q ü ê n c i a s d a e d u c a ç ã o científica p o s suem u m a recíproca que nos proporciona u m a terceira r a z ã o p a r a s u p o r m o s q u e jps p a r a d i g m a s o r i e n t a m a s p e s q u i s a s . E m b o r a muitos cientistas falem c o m facilidade e brilho a respeito das hipóteses individuais que subjazem n u m a determinada pesquisa em andamento. O p e r í o d o p r é . e s s a h a b i l i d a d e p o d e ser e n t e n d i d a s e m r e c u r so às regras hipotéticas do jogo.s e r i g o r o s a m e n t e d e a c o r d o c o m a s r e a l i z a ç õ e s científicas a n t e riores. será m e n o s p o r q u e utilizou as definições incompletas ( e m b o r a a l g u m a s v e z e s ú t e i s ) d o seu m a n u a l . o cientista a b s t r a i u i n t u i t i v a m e n t e a s r e g r a s d o j o g o p a r a s e u próprio uso — m a s temos poucas razões p a r a crer nisso. Pode-se supor que em algum m o m e n t o de sua formação.de termos como "força". seus p r o b l e m a s e m é t o d o s legítimos. esses p r o b l e m a s c o n t i n u a m a m o l d a r .n o através de sua habilidade p a r a realizar pesquisas b e m sucedidas. levada a c a b o independentemente. d o q u e p o r ter o b s e r v a d o e p a r t i c i p a d o da aplicação desses c o n ceitos à r e s o l u ç ã o d e p r o b l e m a s . ao mesmo tempo em que diminui o número dos precedentes q u e p o d e r i a m o r i e n t a r s e u e s t u d o . Se os cientistas c h e g a m a a p r e n d e r tais abstrações. é r e g u l a r mente m a r c a d o por debates freqüentes e profundos a .a s d i r e t a m e n t e ^ seja a t r a v é s ^de r e g r a s a b s t r a t a s . em p a r t i c u l a r . não estão em m e lhor situação que o leigo q u a n d o se trata de caracterizar as bases estabelecidas do seu c a m p o de estudos. "massa". É e x a t a m e n t e isso q u e o c o r r e . M a s . P o r c o n s e g u i n t e . o m e s m o acontecendo com os problemas que n o r m a l m e n t e o o c u p a r ã o d u r a n t e s u a c a r r e i r a científica posterior. a s r e g r a s d e v e r i a m a s s u m i r i m p o r t â n c i a e a falta de i n t e r e s s e q u e as c e r c a deveria desvanecer-se sempre que os paradigmas ou m o d e l o s p a r e ç a m i n s e g u r o s . seja m o d e l a n d o . C o n t u d o . m e s m o a s s i m . A c i ê n c i a n o r m a l p o d e a v a n ç a r s e m ^ e g r a s s o m e n t e e n q u a n t o a c o m u n i d a d e científica r e l e vante aceitar sem questões as soluções de problemas específicas j á o b t i d a s . Na medida em que o estudante progride de seu primeiro a n o d e e s t u d o s e m d i r e ç ã o à s u a tese d e d o u t o r a m e n t o .p a r a d i g m á t i c o . os problemas a enfrentar tornam-se mais complexos. "espaço" e "tempo".

XLV (1955). Para os debates c o m os cartesianos e leibnizianos. 1910). 3 4 5 6 3 . v e r W A L T E R F .respeito de métodos. A i n d a hoje existem cientistas q u e p o d e m r e cordar discussões semelhantes. e m James Cterck Maxwell: A Commemoration Volume. 1 9 5 8 ) . pp. p p . C a p . P a r a a G e o l o g i a . . M E T Z O E R . 158-84. La théorie physique au sens de Boltzmann et ses prolongements modemes (Neuchâtel. 5 8 . L'Introduction des théories de Newton en France au XVIII-» siècle (Paris. e MARÍE BOAS. S o b r e a M e c â n i c a E s t a t í s t i c a . Contudo. 1021-27. The Uniformitarian-Catastrophist Debate. Gênesis and Geology ( C a m b r i d g e . No tocante à recepção obtida p e l o s trabalhos de M a x w e l l . ocorrem periodicamente p o u c o antes e durante a s r e v o l u ç õ e s científicas — o s p e r í o d o s d u r a n t e o s q u a i s os paradigmas são primeiramente atacados e então m o dificados. i r . 7 7 i e Life of William Thomson Baron Kelvin of Largs ( L o n d r e s . M a s s . PP329-95. 1931). C a p . From the Closed World to the lnfinite Universe ( B a l t i m o r e . X I . p p . 6 . ( C a m b r i d g e . 146-49. v e r R E N É D U G A S . K O Y R É . Cap. N o q u e d i z r e s p e i t o à M e c â n i c a Q u â n t i c a . E m b o r a eles q u a s e n ã o e x i s t a m d u r a n t e o s p e r í o d o s d e c i ê n c i a normal. 4 5 . 206-19. " M a x w e H * s I n f l u e n c e in G e r m a n y " . A D o c u m e n t a r y History of the P r o b l e m of Fali from Kepler to N e w t o n . IV-V. Les doutrines chimiques en France du début du XVII. S I L V A N U S P . 5 . Além disso. 1 9 5 1 ) . T H O M P S O N . ver H . Transactions of the American Philosophical Society. ver PiERRE BKUNET. 38-55 ( 1 9 6 0 ) .» ã Ia fin du XVIII. alguns dos quais continuam até h o j e . 24-27. 1923). pp. Isis. b e m antes disso. 1931). 1 9 5 7 ) . ver A . debates dessa natureza n ã o desaparecem de u m a vez p o r t o d a s c o m o s u r g i m e n t o do p a r a d i g m a . A transição da mecânica n e w t o n i a n a p a r a a quântica evocou muitos debates a respeito da natureza e dos padrões da Física. enquanto os paradigmas permanecem seguros. 1 9 5 9 ) . v e r MAX P L A N C K . O I L L I S P I E . 4 . 1831-1931 (Cambridge.' tricidade e mostramos como desempenharam um papel ainda mais importante no desenvolvimento da Química do século X V I I e na Geologia do século X I X . LI pp. C . P a r a u m a a m o s t r a d a luta contra o s aristotélicos. A. Q u a n d o os cientistas n ã o estão de a c o r d o sobre a existência ou n ã o de soluções p a r a os problemas fundamentais de sua área de estudos. Caps. N o tocante à Química. II. engendradas pela teoria eletromagnética de Maxwell e pela Mecânica Estatística. La crise de la physique quantique (Paris. J á a p r e sentamos algumas dessas discussões na Óptica e na Ele. v e r J E A N U L L M O .6 5 e e s p e c i a l m e n t e p p . problemas e padrões de solução legítimos — e m b o r a esses debates sirvam mais p a r a d e finir e s c o l a s d o q u e p a r a p r o d u z i r u m a c o r d o . então a busca de regras adquire u m a função que não possui normalmente.6 3 . CANNON. Robert Boyle and Seventeenth-Century Chemistry. 1950). e C . II.' siècle ( P a r i s . KOYRÉ. a assimilação das Mecânicas d e G a l i l e u e N e w t o n o r i g i n o u u m a série d e d e b a t e s p a r ticularmente famosos entre os aristotélicos. E. cartesianos e leibnizianos acerca d a s n o r m a s legítimas p a r a a ciênc i a .

Se a c i ê n c i a n o r m a l é t ã o r í g i d a e as c o m u n i d a d e s c i e n tíficas t ã o e s t r e i t a m e n t e e n t r e l a ç a d a s c o m o a e x p o s i ção precedente dá a entender. M a s é óbvio q u e a ciência r a r a m e n t e ( o u n u n c a ) procede dessa maneira.— a l g o q u e n ã o p r e c i s a ocorrer com os paradigmas. como. seja c o m o c o n j u n t o deles. por exemplo. q u a n d o comparados c o m as regras e p r e s s u p o s t o s p a r t i l h a d o s p o r u m g r u p o científico. n a d a d o q u e foi a f i r m a d o a t é a g o ra opõe-se necessariamente a esta observação t ã o familiar. algumas afetando apenas os estudiosos de u m a subdivisão de um c a m p o de estudos. e m g e r a l s ã o c o m u n s a u m g r u p o científico b a s t a n t e a m p l o . seja c o m a l g u m d e s e u s p a r a d i g m a s . P o d e m o s concluir este capítulo a p r e s e n t a n d o u m a quarta razão q u e nos permite atribuir u m a prioridade aos paradigmas. assemelha-se a u m a estrutura bastante instável. como pode u m a m u d a n ç a d e p a r a d i g m a afetar a p e n a s u m p e q u e n o s u b g r u p o ? O q u e foi d i t o a t é a q u i p a r e c e i m p l i c a r q u e a ciência normal é um empreendimento único. Freqüentemente. q u a n d o e x i s t e m . a Astronomia e a Botânica Taxionômica. c o m e ç a m seus e s t u d o s p o r l i v r o s e r e a l i z a ç õ e s científicas i d ê n t i c o s . E n t r e t a n t o . O p r ó x i m o capítulo examinará alguns exemplos desse tipo de revolução — mas ainda não sabemos como se produzem.eles p o d e m f u n c i o n a r s e m q u e h a j a n e c e s s i d a d e d e um. se considerarmos todos seus c a m p o s . A i n trodução deste ensaio sugere a existência de revoluções grandes e pequenas. Aqueles que trabalham em campos de estudo muito afastados. P a r a tais g r u p o s . a t é m e s m o a d e s c o b e r t a d e u m f e n ô m e n o n o v o e i n e s p e r a d o p o d e ser r e v o l u c i o n á r i a . p o d e m a d q u i r i r p a r a d i g m a s bastante diferentes no curso de sua especialização p r o fissional. Ao contrário. d e s c r i t a s e m l i v r o s d e n a t u r e z a m u i t o distinta. . A s r e g r a s e x p l í citas. a substituição de p a r a d i g m a s por r e g r a s d e v e r i a facilitar a c o m p r e e n s ã o d a d i v e r s i d a d e d e c a m p o s e e s p e c i a l i z a ç õ e s científicas. receb e m sua e d u c a ç ã o no contato c o m realizações científicas b a s t a n t e d i v e r s a s . M e s m o o s q u e . monolítico e u n i f i c a d o q u e d e v e persistir ou d e s a p a r e c e r . sem coerência entre suas p a r t e s . t r a b a l h a n d o n o m e s mo c a m p o de estudos ou em campos estreitamente rel a c i o n a d o s . a c o r d o sobre as razões de seu e m p r e g o ou m e s m o sem qualquer tentativa de racionalização.

O u t r o s estudam detalhadamente as aplicações paradigmáticas desses princípios à Química. dos textos lidos e dos periódicos estudados.q u â n ticas seja r e v o l u c i o n á r i a p a r a t o d o s esses g r u p o s . o á t o m o dc hélio era u m a m o l é c u l a p o r q u e se c o m p o r t a v a c o m o tal d e s d e o p o n . Conclui-se daí q u e . por exemplo. m a s suas respostas não coincidiram. A t u a l mente cada membro desse grupo aprende determinad a s leis ( p o r e x e m p l o . U m a revolução p r o d u z i d a no interior de u m a dessas tradições n ã o se estenderá necessariamente às outras. P a r a o químico. U m a b r e v e i l u s t r a ç ã o d o s efeitos d a e s p e c i a l i z a . e m b o r a a M e c â n i c a Q u â n t i c a ( o u a D i n â m i c a newtoniana ou a t e o r i a e l e t r o m a g n é t i c a ) seja u m p a r a d i g m a p a r a m u i t o s g r u p o s científicos. sem serem coexistentes. u m a m o d i f i c a ç ã o q u e reflete a p e n a s u m a o u o u t r a a p l i c a ção do paradigma será revolucionária somente para os m e m b r o s de u m a subespecialidade profissional específica. M a s n e m todos a p r e n d e m a s m e s m a s a p l i c a ç õ e s d e s s a s leis e p o r isso n ã o são afetados da m e s m a maneira pelas m u d a n ç a s na prática da Mecânica Quântica. A m b o s resp o n d e r a m sem hesitação. a comunidade ampla e d i v e r s i f i c a d a c o n s t i t u í d a p o r t o d o s os físicos. O significado q u e a M e c â n i c a Q u â n t i c a p o s s u i p a r a c a d a um deles depende d o s cursos freqüentados. E m s u m a ./ to de v i s t a da t e o r i a c i n é t i c a d o s g a s e s . P a r a o físico. q u e esperava aprender algo a respeito do que os c i e n t i s t a s c o n s i d e r a m ser a t e o r i a a t ô m i c a . p e r g u n t o u a um físico e a um q u í m i c o e m i n e n t e s se um ú n i c o á t o m o de hélio era ou n ã o u m a molécula. No curso de sua e s p e c i a l i z a ç ã o p r o f i s s i o n a l . U m i n v e s t i g a dor. i o hélio não era u m a molécula p o r q u e n ã o a p r e s e n t a v a / . a p e n a s a l g u n s físicos e n t r a m em contato com os princípios básicos da Mecânica Quântica. P o r isso p o d e d a r o r i g e m s i m u l t a n e a m e n t e a diversas tradições da ciência normal q u e coincidem parcialmente. a s d a M e c â n i c a Q u â n t i c a ) . e m b o r a u m a m o d i f i c a ç ã o n a s leis m e c â n i c o . n ã o é o m e s m o p a r a d i g m a e m t o d o s esses c a s o s .Examinemos. P a r a o r e s t a n t e d o s e s p e c i a l i s t a s e p r a t i c a n t e s de o u t r a s c i ê n c i a s físicas esta m o d i f i c a ç ã o n ã o p r e c i s a n e c e s s a r i a m e n t e ser r e v o l u c i o n á r i a . ainda outros à Física dos E s t a d o s Sólidos e assim por diante. e a m a i o r p a r t e deles as e m p r e g a m em algum m o m e n t o de suas pesquisas ou tarefas didáticas.^ ç ã o r e f o r ç a r á essa s é r i e d e a r g u m e n t o s .

veremos q u ã o cheias de conseqüências p o d e m ser a s d i f e r e n ç a s d e p a r a d i g m a d e s s a n a t u r e z a . 7 7 . c o m q u e m estou e m dívida por um relatório verbal. Sem dúvida alguma suas experiências tinham muito em c o m u m . 163-168 (1958>. S Ê N I O R . Alguns temas relacionados são examinados no s e u t r a b a l h o . m a s neste caso n ã o indicaram o m e s m o resultado aos dois especialistas. . T h e V e r n a c u l a r o f t h e l l a b o r a t o r y . O investigador era J A M E S K .l h e s o q u e u m a molécula d e v e ser. Philosophy o f Science. Suas experiências na resolução de problemas indicar a m . pp.u m espectro m o l e c u l a r . P o d e m o s supor q u e a m b o s falavam da m e s m a partícula. X X V . N a m e d i d a e m q u e a v a n ç a r m o s n a nossa análise. m a s a e n c a r a v a m a partir de suas respectivas formações e práticas de pesquisa.

é um e m p r e e n d i m e n t o altamente cumulativo. q u a n d o é b e m sucedida. falta a q u i u m p r o d u t o c o m u m d o e m p r e e n d i m e n t o científico. a ampliação contínua do alcance e d a p r e c i s ã o d o c o n h e c i m e n t o científico. atividade que consiste em solucionar quebra-cabeças. n ã o as encontra. fenômenos nov o s e i n s u s p e i t a d o s s ã o p e r i o d i c a m e n t e d e s c o b e r t o s pe— . Entretanto. A ciência n o r m a l n ã o se p r o p õ e descobrir novidad e s no terreno dos fatos ou da teoria. A ANOMALIA E A EMERGÊNCIA DAS DESCOBERTAS CIENTIFICAS A ciência n o r m a l .5. C o n t u d o . E m t o d o s esses a s p e c t o s . extremamente bem sucedido no que toca ao seu objetivo. ela s e a d e q u a c o m g r a n d e p r e c i s ã o à i m a g e m h a b i t u a l d o t r a b a l h o científico.

a natureza violou as expectativas paradigmáticas que gov e r n a m a ciência normal. A descob e r t a c o m e ç a c o m a c o n s c i ê n c i a d a a n o m a l i a . o e m p r e e n d i m e n t o científico n u n c a m a i s é o m e s m o — ao m e n o s p a r a os e s p e c i a l i s tas cujo c a m p o de estudo é afetado por essas novidades. D e v e m o s a g o r a p e r g u n t a r c o m o p o d e m surgir tais mudanças. D e p o i s q u e elas se i n c o r p o r a r a m à c i ê n c i a . isto é . sua assimilação requer a e l a b o r a ç ã o d e u m n o v o c o n j u n t o . Segue-se então u m a exploração mais ou menos ampla da área onde ocorreu a anomalia. m a s e p i s ó d i o s p r o l o n g a d o s . p a r a então estudar as invenções ( o u novidades concernentes à t e o r i a ) . A t é q u e tal a j u s t a m e n t o tenha sido c o m p l e t a d o — até que o cientista tenha a p r e n d i d o a ver a n a t u r e z a de um m o d o d i f e r e n t e — o n o v o fato n ã o será considerado c o m p l e t a m e n t e científico. . Se queremos conciliar essa característica da ciência n o r m a l c o m o que afirmamos anteriormente. P r o duzidas inadvertidamente por um jogo realizado segundo um conjunto de regras. Essa distinção entre descoberta e invenção ou entre fato e teoria revelar-se-á em seguida excessivamente artificial. O e x a m e histór i c o n o s s u g e r e q u e o e m p r e e n d i m e n t o científico d e s e n v o l v e u u m a t é c n i c a p a r t i c u l a r m e n t e eficiente n a produção de surpresas dessa natureza. examinando em primeiro lugar descobertas ( o u novidades relativas a fatos). c o m o reconhecimento de q u e . de alguma m a n e i r a .I a p e s q u i s a científica. d e tal f o r m a q u e o a n ô m a l o se tenha convertido no esperado. c i e n t i s t a s t ê m c o n s t a n t e m e n t e inventado teorias radicalmente novas. No restante deste capítulo examinaremos descobertas escolhidas e descobriremos r a p i d a m e n t e que elas n ã o são eventos i s o l a d o s . d o t a d o s d e u m a estrutura que reaparece regularmente. A assimilarão d e u m n o v o t i p o d e f a t o e x i g e m a i s d o q u e u m a j u s t a m e n t o a d i t i v o d a t e o r i a . Esse trabalho somente se encerra q u a n d o a t e o r i a d o p a r a d i g m a for a j u s t a d a . S u a a r t i f i c i a l i d a d e é u m a p i s t a i m p o r t a n t e p a r a várias das principais teses deste ensaio. é preciso que a pesquis a o r i e n t a d a p o r u m p a r a d i g m a seja u m m e i o p a r t i c u l a r m e n t e eficaz d e i n d u z i r a m u d a n ç a s n e s s e s m e s mos paradigmas que a orientam. Esse é o papel das n o v i d a d e s f u n d a m e n t a i s r e l a t i v a s a fatos e t e o r i a s .

1. V . p a r a u m a a v a l i a ç ã o d i f e r e n t e d o papel de Scheele. possivelmente devido a u m a sugestão desse último. 1 2 3 1. U N O B O C K I U N D . r e p r o d u z m u i t o s d o c u m e n t o s i m p o r t a n t e s . MELDRUM. que inclui u m a e x p o s i ç ã o da c o n t r o v é r s i a s o b r e a prioridade. . ver A . Nesse exemplo tirado da Química Pneumática. C X X X V I . Um t r a b a l h o r e c e n t e e indispensável. Priestley identificou o gás assim produzido c o m o oxido nitroso. L a v o i s i e r . surge mais puro. Esse folheto. Lavoisier escreveu q u e o gás obtido c o m o aquecimento do oxido vermelho de m e r c ú r i o era "o próprio ar. C a p s . 2 . 7 6 0 . m u i t o útil. o terceiro pretendente. examinaremos um exemplo particularmente famoso: a descoberta do oxigênio. Para um relato m a i s c o m p l e t o e u m a bibliografia.l a e a l é m d i s s o . A Lost Letter from Scheele to L a v o s i e r . II e III. q u e r e c o l h e u o g á s lib e r a d o pelo oxido de mercúrio vermelho aquecido. Case 2. N. Pelo m e n o s três sábios têm d i r e i t o a r e i v i n d i c á . p p . Lavoisier. T h e H i s t o r i c a l Structure o f Scientific D i s c o v e r y . p. p p . iniciou as pesquisas q u e o levariam ao oxigênio após os experimentos de 1 7 7 4 de Priestley. o progresso da ciência n o r m a l p r e p a r o u o c a m i n h o p a r a u m a ruptura radical. W. mais respirável". 3 . p o d e m o s ignorar o seu t r a b a l h o . Mass.1 9 5 8 . C o n t u d o . entretanto.7 6 4 (junho. identificou-o c o m o a r c o m u m d o t a d o d e u m a q u a n t i d a d e d e flogisto m e n o r d o q u e a u s u a l . Sobre a discussão ainda clássica a respeito da descoberta do oxigênio. Lychnos. C a p . C O N A N T . Ver. Science. 23. Scheele é o primeiro cientista a q u e m p o d e m o s atribuir a preparação de u m a amostra relativamente pura do gás. depois de novos testes. B.. Em 1 7 7 4 . The Overthrow of the Phlogiston Theory: The Chemical Revolution of 1775-1789 ("Harvard Case Histories in Experimental Science". K U H N . S. 1950). O seg u n d o p r e t e n d e n t e à d e s c o b e r t a foi o c i e n t i s t a e clér i g o b r i t â n i c o J o s e p h P r i e s t l e y . sem o saberem. 3 9 . Cambridge. E s s e t r a b a l h o r e p r e s e n t a v a u m d o s itens d e u m a p r o l o n g a d a investigação n o r m a l acerca d o s " a r e s " liber a d o s por u m grande n ú m e r o d e substâncias sólidas. visto q u e s ó foi p u b l i c a d o d e p o i s d e a d e s c o b e r t a d o o x i g ê n i o ter s i d o a n u n c i a d a r e p e t i d a m e n t e e m o u t r o s l u gares.P a r a vermos a q u e p o n t o as novidades fatuais e t e ó r i c a s e s t ã o e n t r e l a ç a d a s n a d e s c o b e r t a científica. N ã o teve p o r t a n t o qualquer influência sobre o m o d e l o histórico q u e mais nos p r e o c u p a aqui. The Eighteenth-Century Revolution in Science — the First Phase ( C a l c u t á . é o d e M A U R I C E D A U M A S . . O farmacêutico sueco C. . 1 9 5 7 . sem alteração (exceto q u e ) . J. théoricien et expérimentateur (Paris. No início de 1 7 7 5 . 1 9 3 0 ) . Em 1775.6 2 . v á r i o s o u t r o s q u í m i c o s d e v e m ter p r o d u z i d o a r e n r i quecido n u m recipiente de laboratório. inteiro. 1955). p o r v o l t a de 1 7 7 0 . ver t a m b é m T . 1962).

l o . u m a substância q u e j á conhecia. q u e m . O f a t o d e q u e e l a s s e j a m feitas — a p r i o r i d a d e da d e s c o b e r t a d o o x i g ê n i o foi m u i t a s v e z e s c o n t e s t a d a d e s d e 1 7 8 0 — é u m s i n t o m a d e q u e existe a l g o d e e r r a d o n a i m a g e m da ciência q u e concede à descoberta um papel tão fundamental. n ã o p o d e m o s concedê-la a Lavoisier p o r s e u t r a b a l h o de 1 7 7 5 . A a l e g a ç ã o d e L a v o i s i e r p o d e ser m a i s c o n s i s t e n t e . m a s i g u a l - . _ Esse modelo de descoberta levanta u m a questão q u e p o d e ser c o l o c a d a c o m r e l a ç ã o a t o d o s o s n o v o s fenômenos que chegam à consciência d o s cientistas. Lavoisier concluiu que esse g á s c o n s t i t u í a u m a c a t e g o r i a e s p e c i a l . Se recusarmos a palma a Priestley. A d e s c o b e r t a n ã o é o t i p o de p r o c e s s o a r e s p e i t o do q u a l seja a p r o p r i a d o c o l o c a r t a i s q u e s t õ e s . e m 1 7 7 5 identificou o g á s c o m o ar d e s f l o g i s t i z a d o — o q u e a i n d a n ã o é oxigênio e n e m m e s m o u m a espécie de gás m u i t o inesp e r a d a p a r a o s q u í m i c o s l i g a d o s à t e o r i a d o flogisto. s e n d o u m dos dois principais componentes da atmosfera — conc l u s ã o q u e P r i e s t l e y n u n c a foi c a p a z d e a c e i t a r . a q u e s t ã o p o d e r i a ser c o l o c a d a m e s m o n o c a s o de um único pretendente à descoberta. Examinemos nosso exemplo mais u m a v e z . já que n ã o existem as respostas desejadas p a r a tais perguntas. N ã o obstante. M a s a amostra de Priestley n ã o era p u r a e se segurar oxigênio i m p u r o nas m ã o s é d e s c o b r i . u m a tentativa de resposta esclarecerá a natureza das descobertas. descobriu primeiro o oxigênio? De qualquer maneira. q u e o l e v o u a identificar o gás c o m o sendo "o próprio ar. (se algum d e l e s ) . m a s apresenta os m e s m o s problemas. A l é m do mais.P o r volta de 1 7 7 7 . A p r e t e n s ã o de P r i e s t l e y à d e s c o b e r t a do o x i g ê n i o b a s e i a .s e no f a t o de ele t e r s i d o o p r i m e i r o a isolar u m g á s q u e m a i s t a r d e foi r e c o n h e c i d o c o m o u m e l e m e n t o distinto. q u a n d o foi d e s c o b e r t o o o x i g ê n i o ? A p r e s e n t a d a d e s s e m o d o . É preciso talvez esperar pelos trabalhos de 1776 e 1 7 7 7 . se P r i e s t l e y foi o d e s c o b r i d o r . que lev a r a m L a v o i s i e r n ã o s o m e n t e a ver o g á s . inteiro". N ã o nos interessa absolutamente chegar a u m a decisão acerca de prioridades e datas. q u a n d o o c o r r e u a d e s c o b e r t a ? E m 1 7 7 4 ele p e n s o u ter o b t i d o o x i d o n i t r o s o . provavelmente com a ajuda de u m a segunda sugestão de Priestley. isso f o r a f e i t o p o r t o d o s a q u e l e s q u e a l g u m a vez engarrafaram o ar atmosférico. Priestley ou Lavoisier.

D A U M A S . p o r e x e m p l o . d e v a s e r i n e q u i v o c a m e n t e a t r i b u í d o a um i n d i v í d u o e a u m m o m e n t o d e t e r m i n a d o n o t e m p o . pois sugere q u e descobrir alguma coisa é um ato simples e único. METZGER. N o t e . estão i n e s p e r a d a m e n t e ligados à descoberta. c o m o de s u á natureza. 1935) e H. j á q u e . E n t r e t a n t o . VII.s e t e n t a d o s a fazer essa a f i r m a ç ã o . M a s d e n t r o d e s s e s limites o u o u t r o s s e m e l h a n t e s . de la matière chez Lavoisier. philosophie Cap. P o r isso s u p o m o s tão facilmente q u e descobrir. e n q u a n t o o calórico sobreviveu até 1 8 6 0 . é enganad o r a . A n t e s de qualquer u m a dessas datas o oxigênio tornara-se u m a substância química padrão. (Paris. I g n o r a n d o Scheele. L a v o i s i e r insistiu q u e o o x i g ê n i o e r a " u m p r i n c í p i o de a c i d e z " a t ô m i c o e q u e o gás o x i g ê n i o se form a v a somente q u a n d o o "princípio" se unia ao calór i c o .s e . . La cit. O b v i a m e n t e necessitamos de novos conceitos e novo vocabulário para analisar eventos como a descob e r t a d o o x i g ê n i o .d e s coberto". e m b o r a indubitavelmente correta. pois a d e s c o b e r t a de um n o v o tipo de fenômeno é necessariamente um acontecimento complex o .m e n t e o q u e o g á s e r a . M a s este últim o d a d o n u n c a p o d e ser f i x a d o e o p r i m e i r o f r e q ü e n temente t a m b é m não. e m b o r a ainda n ã o soubéssemos exatamente quando. o fato e a assimilação à teoria. que se considerássemos o oxigênio c o m o sendo ar desflogistizado. assimilável ao nosso conceito habitual ( e i g u a l m e n t e q u e s t i o n á v e l ) d e v i s ã o .. insistiríamos sem hesitação q u e Priestley fora seu descobridor. a p a r t i r d e 1 7 7 7 . N o e n t a n t o . q u e e n v o l v e o r e c o n h e c i m e n t o t a n t o d a existência de algo. q u a l q u e r tentativa de datar a descoberta será' inevitavelmente arbitrária. M a s se tanto a observação c o m o a conceitualização. c o m o ver ou tocar. p o d e m o s dizer c o m s e g u r a n ç a q u e o o x i g ê n i o n ã o foi d e s c o b e r t o antes de 1 7 7 4 e provavelmente t a m b é m diríamos que foi d e s c o b e r t o p o r v o l t a d e 1 7 7 7 o u p o u c o d e p o i s . A_proposiçâo^__'^0 o x i g ê n i o f o i . op. P o d e m o s e n t ã o dizer q u e o oxigênio ainda não fora descoberto em 1777? Alguns p o d e r ã o s e n t i r . o p r i n c í p i o d e a c i d e z s ó foi b a n i d o d a Q u í m i c a depois de 1810. a s u b s t â n c i a d o c a l o r . S o m e n t e q u a n d o todas essas categorias conceituais relevantes estão pre4 4. m e s m o esse r e c o n h e c i m e n t o p o d e r i a ser c o n t e s t a d o . então esta é um processo que exige t e m p o .

O relato mais autorizado sobre a origem do descontentamento de Lavoisier é o de H É N R Y G U E R I A C . 1961). O q u e L a v o i s i e r a n u n c i o u e m s e u s t r a b a l h o s p o s t e r i o r e s a 1 7 7 7 n ã o foi t a n t o a d e s c o b e r t a do oxigênio. Poderemos igualmente afirmar q u e envolve u m a modificação no paradigma? A i n d a n ã o é possível d a r u m a resposta geral a essa questão. E s s a t e o r i a foi a p e d r a a n g u l a r d e u m a r e f o r m u l a ç ã o t ã o a m p l a d a Q u í m i c a q u e v e i o a ser c h a m a d a de Revolução Química. I n d i c o u .l h e a l g o q u e ele j á e s t a v a p r e p a r a d o p a r a descobrir: a natureza da substância q u e a c o m bustão subtrai da atmosfera. A d m i t a m o s agora que a descoberta envolve um processo de assimilação conceituai amplo. embora n ã o necessariamente prolongado. De fato.s e d e q u e corpos em combustão absorvem u m a parte da atmosfera. o problema da prioridade ( d o qual partimos). Lavoisier — the Crucial Year: The Backgrourtd and Origin of His First Experiments on Combustion in 1772 (Ithaca. r á p i d a e f a c i l m e n t e . m a s . entretanto — p o i s i s t o t e r á i m p o r t â n c i a m a i s t a r d e — q u e a d e s c o b e r t a d o o x i g ê n i o n ã o foi e m s i m e s m a a c a u s a da m u d a n ç a na teoria química. . Observe-se. c o m o a teoria da c o m b u s t ã o pelo oxigên i o . Essa consciência prévia d a s d i f i c u l d a d e s d e v e t e r s i d o u m a p a r t e significativa 5 5. N Y . Registrara essas convicções n u m a n o t a lacrada depositada junto ao secretário da Academia Francesa em 1 7 7 2 . O t r a b a l h o sobre o oxigênio d e u f o r m a e estrutura mais precisas à impressão anterior de L a voisier de que h a v i a algo e r r a d o na teoria química c o r r e n t e . Nesse caso. como em outros.p a r a d a s de a n t e m ã o (e nesse caso n ã o se trata de um novo tipo de fenômeno pode-se descobrir ao mesmo t e m p o . pelo menos nesse caso. M u i t o antes de d e sempenhar qualquer papel na descoberta de um novo gás. o valor atribuído a um novo fenômeno (e portanto sobre seu descobridor) varia com nossa estimativa da dimensão da violação das previsões do p a r a d i g m a p e r p e t r a d a p o r este. a existência e a natureza d o q u e o c o r r e . Lavoisier convenceu-se de q u e havia algo errado c o m a t e o r i a flogística. se a descoberta do oxigênio n ã o tivesse e s t a d o i n t i m a m e n t e relacionada com a emergência de um novo paradigma para a Q u í mica. a resposta deve ser a f i r m a t i v a . n u n c a teria parecido tão importante. M a i s : c o n v e n c e u .

o dos raios X. que a r a d i a ç ã o p r o j e t a v a s o m b r a s e q u e n ã o p o d i a ser d e s viada p o r u m ímã. 6 M e s m o um r e s u m o tão sucinto revela semelhanças impressionantes c o m a descoberta do oxigênio: antes das experiências c o m o oxido vermelho de merc ú r i o . Esse tipo de descoberta ocorre mais freqüentemente do que os padrões i m p e s s o a i s d o s r e l a t ó r i o s científicos n o s p e r m i t e m p e r c e b e r . Dois outros exemplos b e m mais breves reforçarão o q u e a c a b a m o s de dizer. the Pioneer Science (Boston. d u r a n t e as quais R o e n t g e n r a r a mente deixou o laboratório — indicaram que a causa do brilho provinha do tubo de raios catódicos. L a v o i s i e r fizera e x p e r i ê n c i a s q u e n ã o p r o d u z i r a m o s r e s u l t a d o s p r e v i s t o s p e l o p a r a d i g m a flogístico. S u a h i s t ó r i a c o m e ç a n o d i a e m q u e o físico R o e n t g e n interrompeu u m a investigação normal sobre os raios catódicos. CHALMEIS. 1941). O primeiro. T A Y L O R . escolhemos exemplos q u e são diferentes e n t r e s i e s i m u l t a n e a m e n t e d i v e r s o s d a d e s c o b e r t a do oxigênio.l o . o f a t o d e q u e e r a n e c e s s á r i o u m a revisão" i m p o r t a n t e n o p a r a d i g ma p a r a q u e se pudesse ver o q u e Lavoisier vira. além d e muitas outras coisas. nos permitirão passar de u m a elucidação da natureza das descobertas a u m a compreensão das circunstâncias sob as quais elas surgem na ciência.daquilo q u e permitiu a Lavoisier ver nas experiências s e m e l h a n t e s ^ à s „de P r i e s t l e y u m g á s q u e o p r ó p r i o P r i e s tley f o r a i n c a p a z d e p e r c e b e r . I n v e r s a m e n t e . colocada a certa distância de sua a p a relhagem protetora. Antes de anunciar sua descoberta. N u m esforço para a p r e sentar as principais formas pelas quais as descobertas p o d e m ocorrer. brilhava quando se produzia uma descarga. é um caso clássico de descoberta p o r acidente. Roentgen convencera a s i p r ó p r i o q u e e s s e efeito n ã o s e d e v i a a o s r a i o s c a t ó dicos. ao notar que u m a tela de cianeto de platina e b á r i o . Ao m e s m o t e m p o . m a s a um agente d o t a d o de alguma semelhança com a luz. Investigações posteriores — q u e exigiram sete s e m a n a s febris. W . W . PPPP- . a descoberta de R o e n t g e n c o m e ç o u c o m o reconhecim e n t o d e q u e s u a t e l a b r i l h a v a q u a n d o n ã o d e v i a fa6. deve t e r s i d o a r a z ã o p r i n c i p a l p a r a P r i e s t l e y ter p e r m a n e c i d o . Physics. a t é o fim d e s u a v i d a . Historie Researches (Londres. i n c a p a z d e v ê . 1949). L. 790-794 e 218-219. T.

/ E n t r e t a n t o . e n t r e t a n t o . ) M a s n e n h u m d e s ses p a r a d i g m a s p r o i b i a ( p e l o m e n o s e m a l g u m s e n t i do ó b v i o ) a existência de raios X.ntre m u i t a s e s p e c u l a ç õ e s e x i s t e n t e s . implicada em qualquer^ t r a n s t o r n o m a i s ó b v i o d a t e o r i a científica. N e m o oxigênio. N ã o h á d ú v i d a . 3 5 8 . a existência de p a r a l e l i s m o s significativos e n t r e a s d e s c o b e r t a s d o o x i gênio e d o s raios X é b e m m e n o s aparente.s e e n t ã o a f i r m a r q u e a a s s i m i l a ç ã o d e s s a descoberta tornou necessária u m a mudança de paradigma? Existem boas razões pára recusar essa m u d a n ç a . para sua posterior tristeza.zê-lo. Em a m b o s os casos a p e r c e p ç ã o da a n o m a l i a — isto é. L o n d r e s . _de _que o s p a r a d i g m a s a c e i t o s p o r R o e n t g e n e seus c o n t e m p o r â n e o s n ã o p o d e r i a m t e r sido usados para predizer os raios X. p . (A teoria eletromagnética de M a x w e l l ainda n ã o fora aceita por todos e a teoria das partículas de raios catódicos er a u m a i. I . S i r G e o r g e T h o m p s o n nformou-me a respeito de u m a segunda quase-descoberta. E . d u r a n t e u m a d é c a d a . n e m os raios X surgiram sem um processo ulterior de experimentação e assimilação. de um f e n ô m e n o p a r a o q u a l o p a r a d i g m a n ã o p r e p a r a r a o investigador — d e s e m p e n h o u um papel essencial na p r e p a r a ç ã o do c a m i n h o q u e permitiu a p e r c e p ç ã o da novidade. P o r exemplo. 1 9 5 1 ) . P o d e m o s somente dizer que os raios X surgiram em W ü r s b u r g entre 8 de n o v e m bro e 28 de dezembro de 1 8 9 5 . A. n ã o descobriu a b s o l u t a m e n t e n a d a . E m q u e s e n t i d o p o d e . não no primeiro momento. t a m b é m nesses dois c a s o s . T . Sir W i l l i a m "rookes. a p e r c e p ç ã o d e q u e a l g o s a í r a e r r a d o foi a p e nas o prelúdio da descoberta. . M a s . ( 2 . n u m terceiro aspecto. a dos raios X n ã o esteve. quando n ã o se perc e b e u s e n ã o u m a t e l a e m i t i n d o sinais l u m i n o s o s . É i g u a l m e n t e ó b v i o que n ã o p o d e m o s d e s l o c a r o momento da descoberta para um determinado ponto da última s e m a n a de investigações — q u a n d o R o e n t gen estava explorando as propriedades da nova radiaç ã o que ele já descobrira. alertado por placas fotográficas inexplicavelmente opacas. History of the Theories of Aether and Electriclty. tal c o m o a teoria do flogisto p r o i b i r a a i n t e r p r e t a ç ã o de L a v o i s i e r a r e s 7 7 . W H I T T A K E R . n o t a 1 . estava gualmente no caminho da descoberta. e d . P e l o m e n o s um o u t r o observador já vira esse brilho e. em q u e m o m e n t o da investigação de R o e n t g e n p o d e m o s dizer q u e os raios X foram realmente descobertos? De qualquer m o d o . Ao contrário da descoberta do oxigênio.

Wiliiam Thomson Baron . p o i s os cientistas n ã o h a v i a m reconhecido. Outros. II. relativos a proj e t o s d a c i ê n c i a n o r m a l . a descoberta de um elemento químico adicional? Na época de Roentgen. (Londres. 1 9 1 0 ) . o equip a m e n t o de raios catódicos era a m p l a m e n t e empregado em numerosos laboratórios europeus. os raios X a b r i r a m u m novo c a m p o d e estudo. 1 1 2 5 . Na última década do século X I X . M a s t a m 8 8. Ao contrário: a prática e a t e o r i a científicas a c e i t a s e m 1 8 9 5 a d m i t i a m d i v e r s a s f o r m a s de r a d i a ç ã o — visível. os raios X foram recebidos não só com surpresa. sentiram-se confundidos por ela. T a l v e z esses r a i o s . A princípio L o r d e Kelvin considerou-os um embuste muito bem elaborad o . por exemplo. Contudo. m a s t a m b é m c o m choque. Se o equipam e n t o de Roentgen produzira os raios X. i n f r a v e r m e l h a e u l t r a v i o l e t a . o sucesso de u m a investigação era motivo para congratulações. embora não pudessem duvidar das provas apresentadas. Esse e m p r e e n d i m e n t o era u m projeto habitual n a ciência n o r m a l d a época. t e r i a m q u e ser r e f e i t o s . estivessem implícitos em fenômenos anteriormente e x p l i c a d o s s e m r e f e r ê n c i a a eles. E m b o r a a e x i s t ê n c i a d o s r a i o s X n ã o estivesse i n t e r d i t a d a p e l a t e o r i a e s t a b e l e c i d a . ainda estavam sendo buscados e encontrados novos elementos para preencher os lugares vazios na tabela periódica.o s s e m c o n s c i ê n c i a d i s s o . n e m controlado. Silvanus P. T r a b a l h o s anteriormente concluídos. então muitos outros experimentadores deviam estar produzind o . N a p i o r d a s h i p ó t e s e s . mas n ã o para surpresas. q u e p o d e r i a m m u i t o b e m ter outras origens não-conhecid a s . T H O M P S O N . Creio q u e essas expectativas estavam implícitas no planejamento e na interpretação dos procedimentos de laboratório admitidos na época. a m p l i a n d o assim o s domínios potenciais d a ciência n o r m a l . P o r q u e o s r a i o s X n ã o p u d e r a m ser a c e i t o s c o m o u m a n o v a f o r m a d e manifestação d e u m a classe b e m conhecida de fenômenos naturais? Por que n ã o foram recebidos da mesma maneira que. u m a variável relevante. Lite of Xir p. ela v i o l a v a e x p e c t a t i vas p r o f u n d a m e n t e arraigadas. The Kelvin of Largs. Sem dúvida.peito do gás de Priestley. no futuro diversos tipos de aparelhos muito familiares t e r i a m q u e ser p r o t e g i d o s p o r u m a c a p a d e c h u m b o .

Priestley renunciou ao procedimento habitual e tentou misturar oxido nítrico em outras proporções. P o d e r í a m o s multiplicar as ilustrações desse tipo fazendo referência. n e garam a determinados tipos de instrumentação. p o r e x e m p l o . Op. Somente muito mais tarde (e em parte devido a um acidente). conscientemente ou não. N a s experiências c o m o oxigênio. faz p a r t e d a h i s t ó r i a d a descoberta tardia do oxigênio. U m a d e s s a s ^ e x p e c t a t i v a s . Seu compromisso aos procedim e n t o s d o teste o r i g i n a l — p r o c e d i m e n t o s s a n c i o n a d o s por muitas experiências anteriores — fora simultaneam e n t e um c o m p r o m i s s o c o m a não-existência de gases q u e p u d e s s e m s e c o m p o r t a r c o m o fizera o o x i g ê n i o . que freqüentemente têm desempenhado um papel d e c i s i v o n o d e s e n v o l v i m e n t o científico. . p o r e x e m p l o . No decorrer desse processo. o v o l u m e seria maior. utilizando um teste-padrão para determinar "a boa qualidade do ar". o dir e i t o a esse t í t u l o . U m a d a s r a z õ e s p e l a s q u a i s e s s a r e a ç ã o n u c l e a r r e v e l o u . Em resumo. No caso de q u a l q u e r o u t r o gás ( o u ar p o l u í d o ) . à identificação tardia d a fissão d o u r â n i o . sacudiram a mistura sob r e a á g u a e e n t ã o m e d i r a m o v o l u m e de r e s í d u o g a soso. a m b o s e n c o n t r a r a m um resíduo que se aproximava de um volume e a partir desse d a d o identificaram o gás. q u e anteriormente eram considerados paradigmáticos. Existem tanto expectativas instrumentais c o m o teóricas.b é m modificaram (e esse é o p o n t o m a i s i m p o r t a n t e ) c a m p o s já existentes. Priestley e Lavoisier. 18-20. A experiência prévia a partir da q u a l fora engend r a d o esse p r o c e d i m e n t o assegurava-lhes q u e o resíduo. juntamente com o ar atmosférico. cil. C O N A N T .s e e s p e c i a l m e n t e difícil d e r e c o n h e c e r liga-se a o f a t o d e q u e o s p e s q u i s a d o r e s c o n s cientes do que se podia esperar do b o m b a r d e i o do u r â nio e s c o l h e r a m testes químicos que visavam descobrir principalmente quais eram os elementos do extremo su9 9. corresponderia a um v o l u m e . pp. a decisão de empregar um determinado aparelho e empregá-lo d e u m m o d o específico baseia-se n o pressuposto d e que somente certos tipos de circunstâncias ocorrerão. misturam dois volumes do seu gás c o m um volume de oxido nítrico.

2 6 7 . T a n t o os perío1 0 10. poderemos igualmente entender como a „ descoberta dos raios X pode ter aparecido c o m o um e s t r a n h o m u n d o n o v o p a r a muitos cientistas e assim participar t ã o efetivamente da crise q u e gerou a Física do século X X . a o s e g u i n t e relatório: " C o m o químicos. X I X . . Nuclear Fission. a G a r r a f a de L e y d e n . . Die Naturwissenschalten. O fracasso em separar esse bário do produto radioativo conduziu. " ü b e r d e n N a c h w e i s u n d das V e r h a l t e n der bei B e s t r a h l u n g d e s U r a n m i t t e l s N e u t r o n e n e n t s t e h e n d e d E r d a l k a l i m e t a l l e " . Fritz. T h . O b á r i o . um dos dois principais produtos da fissão parece n ã o ter sido identificado por m e i o s q u í m i c o s s e n ã o depois da r e a ç ã o ter s i d o b e m c o m p r e e n d i d a . pertence a u m a classe que pode ser d e s c r i t a c o m o s e n d o i n d u z i d a p e l a t e o r i a . . c o m o " q u í m i c o s nuclares". e s t a m o s e m condições d e perceber u m sentido fund a m e n t a l no qual u m a descoberta c o m o a dos raios X exige u m a m u d a n ç a de p a r a d i g m a — e p o r t a n t o u m a m u d a n ç a nos procedimentos e expectativas — para u m a f r a ç ã o e s p e c i a l d a c o m u n i d a d e científica. a modificar t o d o s os n o m e s do e s q u e m a ( d a r e a ç ã o ) precedente e a escrever Ba. q u a s e f o i i d e n t i f i c a d o q u i m i c a m e n t e n a e t a p a final d a i n v e s t g a ç ã o . XXVII (1939). K. P o r e x e m plo.8 9 ( 1 9 4 0 ) . A c .perior da tabela p e r i ó d i c a . Disso resultaria um m é t o d o de pesquisa inconce*-~ bível. Ce em vez de Ra. n ã o p o d e m o s dar esse salto que contradiria todas as experiências prévias da Física Nuclear. o o u t r o p T o d u t o . DARROW. C o n s e qüentemente. . p o r q u e esse e l e m e n t o t e v e q u e ser a d í t a d o à s o l u ç ã o r a d i o a t i v a p a r a p r e c i p i t a r o e l e mento pesado que os químicos nucleares estavam buscando. Otto. estreitamente relacionados à F í s i c a . Os p r o c e d i m e n t o s e a p l i c a ç õ e s do p a r a d i g m a s ã o t ã o n e c e s s á r i o s à c i ê n c i a c o m o as leis e t e o r i a s p a r a d i g m á t i c a s —— e t ê m os m e s m o s e f e i t o s . esta investigação deveria conduzir-nos . p p . deveria a ciência abandonar os testes e instrumentos propostos pelo p a r a d i g m a ? N ã o . M a s nem todas as teorias são teorias paradigmáticas. La. A p r i meira vista o t e r m o p o d e parecer p a r a d o x a l . e S T R A S S M A N . referi-me anteriormente às descobertas de novos elementos químicos d u r a n t e a segunda m e t a d e do século X I X c o m o s e n d o resultado da ciência normal — obtido da maneira acima mencionada. K. R e s t r i n g e m i n e v i t a v e l m e n t e o c a m p o f e n o m e n o l ó g i c o acessível e m q u a l q u e r m o m e n t o d a i n v e s t i g a ç ã o científica. O criptônio. P o d e ser que u m a série de estranhos acidentes torne nossos resultados enganadores" ( H A H N . 15). M a s . depois de a reação ter s i d o b e m i n v e s t i g a d a p o r q u a s e c i n c o a n o s . _Grande p a r t e d o q u e foi d i t o a t é a g o r a s u g e r e q u e a s d e s c o bertas preditas pela teoria fazem parte da ciência norm a l e n ã o p r o d u z e m novos tipos de f a t o s . Levando-se em conta a freqüência c o m q u e tais c o m p r o m i s s o s instrumentais revelam-se enganadores. Bell System Technical Journal. I s t o p o s to.' N o s s o ú l t i m o e x e m p l o d e d e s c o b e r t a científica.

colocando-se essa última e m c o n t a t o c o m u m c o n d u t o r p r o veniente de um gerador eletrostático em atividade.p a r a d i g m á t i c o s . ao m e s m o t e m p o e m q u e p e r m a n e c i a m c o m o s pés n o solo. essas primeiras experiências n ã o conduzir a m o s eletricistas à d e s c o b e r t a d a G a r r a f a d e L e y d e n . diversas teorias. os cientistas c o s t u m a m desenvolver m u i t a s teorias espec u l a t i v a s e d e s a r t i c u l a d a s . Q u a n d o o processo de d e s c o b r i m e n t o teve início. todas derivadas d e fen ô m e n o s r e l a t i v a m e n t e acessíveis. T a m b é m n e s s e c a s o é i m p o s s í v e l p r e c i s a r o m o m e n t o da d e s c o berta. E s s a o p e r a ç ã o c o n s i s t i a e m s e g u r a r n a s m ã o s um recipiente de vidro cheio de água. O s eletricistas a i n d a precisavam aprender q u e a garrafa exigia u m a c a p a c o n d u t o r a ( t a n t o i n t e r n a c o m o e x t e r n a ) e q u e o f l u i d o n ã o fica a r m a z e n a d o no r e c i p i e n t e . E n t r e t a n t o . Essa c o n c e p ç ã o levou vários cientistas a t e n t a r e m engarrafar tal f l u i d o . n ã o existia u m p a r a d i g m a ú n i c o p a r a a p e s q u i s a elétrica. O instrumento q u e c h a m a m o s G a r r a f a d e L e y d e n surgiu e m a l g u m m o m e n t o d a s i n v e s t i g a ç õ e s e m q u e o s elet r i c i s t a s c o n s t a t a r a m esse f a t o . essa descoberta n ã o é exatamente a antecipada pela hipótese especulativa e experimental. d e s c o b r i n d o a i n d a v á - . As primeiras tentativas de a r m a z e n a r o fluido elétrico s o m e n t e funcionaram p o r q u e os investigadores seguraram o recipiente nas m ã o s . A descoberta da Garrafa de Leyden revela todos esses t r a ç o s . U m a d a s e s c o l a s d e eletricistas q u e c o m p e t i a m entre si concebeu a eletricidade c o m o um fluido. E s s e f r a c a s s o foi a fonte de d i v e r s a s d a s a n o m a l i a s q u e f o r n e c e r a m o p a n o de fundo p a r a a descoberta da Garrafa de Leyi d e n . t o d o s esses e x p e r i m e n t a d o r e s r e c e b e r a m u m forte c h o q u e e l é t r i c o . E m lugar disso. p o d e surgir a descoberta e a teoria conv e r t e r . Somente depois de a r t i c u l a r m o s e s t r e i t a m e n t e a e x p e r i ê n c i a e a t e o r i a experimental. a l é m d o s q u e e x a m i n a m o s a n t e r i o r m e n t e . c a p a z e s de i n d i c a r o c a m i n h o p a r a novas descobertas. c o m p e t i a m e n t r e si. entretanto. c o m o d u r a n t e a s crises q u e c o n d u z e m a m u d a n ç a s em grande escala do p a r a d i g m a .s e em p a r a d i g m a . Esse instrumento emergiu mais lentamente. N e n h u m a delas conseguiu organizar muito b e m toda a 5^yariedade d o s f e n ô m e n o s e l é t r i c o s .d o s p r é . Muitas vezes. Ao retirar a garrafa da m á q u i n a e tocar a água ( o u um c o n d u t o r a ela l i g a d o ) c o m s u a m ã o l i v r e . >.

5 0 . B r u n e r e P o s t m a n p e d i r a m a sujeitos e x p e r i m e n t a i s p a r a q u e i d e n t i f i c a s s e m u m a série d e c a r t a s d e b a r a l h o . On the Perception of Incongruity: 385-386. Essas características. Franklin and Newton: An lnqulry into Speculative Newtonian Experimental Science and Franklin's Work in Electricíty as an Example Thereof (Filadélfia. A respeito das várias etapas da evolução da Garrafa de Leyden. 400-406. p r o p o r c i o n a n d o assim o primeiro paradigma completo p a r a os fenômenos ligados à eletricidade. a p ó s s e r e m e x p ô s . ver I. a s e x p e r i ê n cias q u e p r o p i c i a r a m o surgimento desse aparelho (muitas das quais realizadas por F r a n k l i n ) e r a m exatamente aquelas que t o r n a r a m necessária a revisão drástica da teoria do fluido. a e m e r gência gradual e simultânea de um reconhecimento tanto no plano conceituai como nó plano da observaç ã o e a conseqüente m u d a n ç a das categorias e proced i m e n t o s paradigmáticos — m u d a n ç a muitas vezes a c o m p a n h a d a p o r resistência. perguntava-se a cada p a r t i c i p a n t e o q u e ele v i r a .. Depois de um pequeno acréscimo no tempo de exposição. C a d a seqüência experimental consistia em m o s t r a r u m a ú n i c a c a r t a a u m a ú n i c a p e s s o a . A Paradigma. 206-223 (1949). p p . COHEN.5 0 7 . por 12. XVIII. mas a l g u m a s t i n h a m sido modificadas. . N u m a e x p e r i ê n c i a p s i c o l ó g i c a q u e m e r e c e ser m e l h o r c o n h e cida fora de seu c a m p o original. B . n u m a série de apresentações cuja d u r a ç ã o crescia gradualmente.' tos a elas d u r a n t e períodos curtos e experimentalmente controlados. S. BRUNER. as características c o m u n s aos três exemplos acima são traços de todas as descobertas das quais e m e í " g e m novos tipos de fenômenos. cit. u m seis d e e s p a d a s v e r m e l h o e u m q u a t r o d e c o p a s preto.5 2 . Depois de cada apresentação. A l é m d i s s o . descrito pp. J. 11 12 M e s m o nas exposições mais breves muitos indivíduos identificavam a maioria das cartas. O último estágio é 1956). Leo. No caso 1 1 . op. & POSTMAN. c o m o . i n c l u e m : a c o n s c i ê n c i a p r é v i a da a n o m a l i a . pp. todos os entrevistados identificaram todas as cartas. A s e q ü ê n c i a t e r m i n a v a a p ó s d u a s identificações corretas sucessivas. Muitas das cartas eram normais. Em maior ou menor grau (oscilando n u m contín u o entre o resultado chocante e o resultado antecip a d o ) . . 452-467 e 506W H I T T A K E R . E x i s t e m inclusive p r o vas de q u e essas m e s m a s características fazem parte da natureza do próprio processo perceptivo.r i o s o u t r o s efeitos a n ô m a l o s . Journal oj Personality. por exemplo.

M e s m o c o m u m t e m p o m é d i o d e exposição q u a r e n t a vezes superior ao que era necessário para reconhecer as cartas n o r m a i s c o m exatidão. J á n ã o sei s u a c o r . n ã o obstante. ele era imediatamente adaptado a u m a das categorias conceituais p r e p a r a d a s pela experiência prévia. d e p o i s d e "repetir a e x p o s i ç ã o c o m d u a s o u t r ê s c a r t a s a n ô m a l a s . assim c o m o na experiência c o m as cartas do baralho. a l g u n s d i s s e r a m : i s t o é u m seis d e e s p a d a s . algumas vezes de m o d o repentin o . C o m u m a exposição maior das cartas anômalas. N a c i ê n c i a . a m a i o r i a d o s e n t r e v i s t a d o s p a s s o u a fazer a i d e n tificação c o r r e t a s e m h e s i t a ç ã o . seja p o r q u e reflita a n a t u reza da mente. e m b o r a con h e c e n d o de a n t e m ã o t o d o o a p a r e l h a m e n t o e a apresentação. Os entrevistados que fracassaram nessas condições e x p e r i m e n t a v a m m u i t a s v e z e s u m a g r a n d e aflição. mas as cartas anômalas eram quase semp r e identificadas c o m o n o r m a i s . sem hesitação ou perplexidade aparentes. U m d e l e s e x c l a m o u : " n ã o p o s s o fazer a d i s t i n ç ã o . N ã o e s t o u seguro nem m e s m o a respeito do que é u m a carta de copas. a novidade somente e m e r g e c o m dificuldade (dificul1 3 . N ã o gostaríamos n e m m e s m o de dizer que os entrevistados viam algo diferente daquilo q u e identificavam. 2 1 8 . finalmente. Idem. C o n t u d o . sentiu.das cartas normais. D e s t a v e z n e m p a r e c i a ser u m a c a r t a . P o r e x e m p l o . M e u colega Postman me afirma que. f r e n t e a o seis d e e s p a d a s v e r m e l h o . Sem qualquer consciência da anomalia. essa experiência psicológica proporciona um esquema maravilhosamente simples e convinc e n t e d o p r o c e s s o d e d e s c o b e r t a científica. m a i s d e d e z p o r cento das cartas a n ô m a l a s n ã o f o r a m identificadas corretamente. até q u e . U m a exposição um pouco maior d e u m a r g e m a hesitações e confusões ainda maiores. . n e m s e é d e e s p a d a s o u c o p a s . profundo desconforto ao olhar as cartas anômalas. M e u D e u s ! " 1 3 Seja c o m o m e t á f o r a . p . m a s h á a l g o d e e r r a d o c o m ele — o p r e t o t e m u m contorno vermelho. A l é m d i s s o . o quatro de copas preto era tomado pelo quatro de espadas ou de copas. os entrevistados com e ç a r a m e n t ã o a hesitar e a demonstrar consciência d a a n o m a l i a . seja l á q u a l for. alguns entrevistados n ã o foram capazes de realizar a ^adaptação de suas categorias que era necessária. essas identificações e r a m geralmente corretas. Por exemplo. já n ã o tinham dificuldade c o m as restantes.

Essa consciência d a a n o m a l i a i n a u g u r a u m p e r í o d o n o q u a l a s c a tegorias conceituais são a d a p t a d a s até que o que inicialmente era considerado anômalo se converta no previsto. n ã o o b s t a n t e . a c i ê n cia n o r m a l c o n d u z a u m a i n f o r m a ç ã o d e t a l h a d a e a u m a p r e c i s ã o da i n t e g r a ç ã o e n t r e a o b s e r v a ç ã o e a t e o r i a q u e n ã o p o d e r i a ser a t i n g i d a d e o u t r a m a n e i r a . u m desenvolvimento posterior c o m u m e n t e requer a construção de um equipamento elaborado. dentro das áreas p a r a as q u a i s o p a r a d i g m a c h a m a a a t e n ç ã o do g r u p o . essa profissionalização leva a u m a imensa restrição da v i s ã o do c i e n t i s t a e a u m a r e s i s t ê n c i a c o n s i d e r á v e l à m u d a n ç a de p a r a d i g m a . P o r outro lado. c o n s t r u í d o s s o b r e t u d o p a r a fins p r e viamente estabelecidos. A l é m d i s s o . p o d e m o s facilmente começar a perceber por que a ciência n o r m a l — um e m p r e e n d i m e n t o n ã o dirigido p a r a as n o v i d a d e s e q u e a p r i n c í p i o t e n d e a s u p r i m i l a s — p o d e . A ciência torna-se sempre mais rígida. G o s t a r i a a g o r a d e a s s i n a l a r q u e . Sem os instrum e n t o s e s p e c i a i s .dade que se manifesta através de uma resistência) contra um p a n o de fundo fornecido pelas expectativas. Por um lado. r e c o n h e c e n d o esse p r o cesso. E m conseqüência. Nesse m o m e n t o completa-se a descoberta. Já insisti a n t e r i o r m e n t e s o b r e o f a t o d e q u e esse p r o c e s so (ou um muito semelhante) intervém na emergênc i a d e t o d a s a s n o v i d a d e s científicas f u n d a m e n t a i s . admite-se h a b i t u a l m e n t e q u e o primeiro p a r a d i g m a explica c o m bastante sucesso a maior parte das observações e e x p e r i ê n c i a s f a c i l m e n t e acessíveis a o s p r a t i c a n t e s d a quela ciência. esse d e t a l h a m e n t o e p r e c i s ã o d a i n t e g r a ç ã o p o s s u e m um valor q u e transcende seu interesse intrínseco. Inicialmente experimentamos somente o que é habitual e previsto. Contudo. os resultados que conduzem às . u m a maior familiaridade dá origem à consciência de u m a anomalia ou p e r m i t e r e l a c i o n a r o f a t o a a l g o q u e a n t e r i o r mente não ocorreu conforme o previsto. n e m sempre muito grande. o desenvolvimento de um vocabulário e técnicas esotéricas. além de um refinamento de conceitos q u e se assemelham cada vez m e n o s com os protótipos habituais do senso c o m u m . ser t ã o eficaz p a r a p r o v o cá-las. N o desenvolvimento d e qualquer ciência. m e s m o em circunstâncias nas quais mais tarde se observará u m a anomalia.

O p r ó p r i o fato de q u e . M e s m o q u a n d o os instrumentos especializados existem. até m e s m o a m u d a n ç a tem u m a utilidade que será mais a m p l a m e n t e explorada no próximo capítulo. freqüentem e n t e . a novidade normalmente emerge apenas para aquele que. t a n t o m a i s sensível e s t e s e r á c o mo indicador de anomalias é. sabendo com precisão o q u e d e v e r i a e s p e r a r . é c a p a z de r e c o nhecer q u e algo saiu e r r a d o . . G a r a n te ainda que as anomalias que conduzem a u m a m u dança de paradigma afetarão profundamente os conhecimentos existentes. conseqüentemente de u m a ocasião para a mudança de paradigma. Ao assegurar que o paradigma n ã o será facilmente a b a n d o n a d o . No processo n o r m a l de descoberta. Quanto maiores forem a precisão e o alcanc e d e u m p a r a d i g m a . a resistência garante que os cientistas n ã o serão p e r t u r b a d o s sem razão. A a n o m a l i a aparece somente contra o p a n o de fundo proporcionado pelo paradigma.novidades poderiam não ocorrer. b e m c o m o da forma completa c o m a qual essa atividade tradicional prepara o caminho para sua própria mudança. u m a n o v i d a d e científica significativa e m e r g e simultaneamente em vários laboratórios é um índice da n a t u r e z a fortemente tradicional da ciência n o r m a l .

6. Depois da assimilação da descoberta. P r o c u r e i m o s t r a r q u e alte- . 5 causaram mudanças de paradigmas ou contribuíram para tanto. simultaneamente. AS CRISES E A E M E R G Ê N C I A D A S TEORIAS CIENTIFICAS T o d a s as descobertas examinadas no C a p . A l é m disso. tanto construtivas c o m o destrutivas. T a l a v a n ç o s o m e n t e foi p o s sível p o r q u e a l g u m a s c r e n ç a s o u p r o c e d i m e n t o s a n t e riormente aceitos foram descartados e. os cientistas encontravam-se em condições de dar conta de um n ú m e r o maior de fenômenos ou explicar mais precisamente alguns dos fenômenos p r e v i a m e n t e c o n h e c i d o s . as m u d a n ç a s nas quais essas descobertas estiveram implicadas foram. todas elas. substituídos por outros.

A astronomia ptolomaica estava n u m a situação escandalosa. antes dos trabalhos de Copérnico. a química e a einsteiniana. T a m p o u c o foram responsáveis pelas m u d a n ç a s de paradigma mais limitadas (já q u e mais exclusivamente profissionais). tem seus atrativos. 1954). coincidência não é identidade. ning u é m deveria surpreender-se c o m o fato de q u e u m a c o n s c i ê n c i a s e m e l h a n t e . Os tipos de descobertas examinados no último capítulo não for a m responsáveis — pelo menos não o foram isoladamente — pelas alterações de paradigma que se verificaram em revoluções c o m o a copernicana. Neste capítulo começaremos a examinar m u d a n ç a s similares. The Scientific Revalulion. (A s u g e s t ã o i n v i á v e l . a s d e s c o bertas n ã o são as únicas fontes dessas m u d a n ç a s c o n s trutivas-destrutivas de paradigmas. pela teoria dinâmica do calor ou pela teoria eletromagnética de M a x well. ^Ainda assim. Já h a v í a m o s encontrado o oxigênio c o m o u m a descoberta. p r o d u zidas pela teoria ondulatória da luz.rações desse tipo estão associadas c o m todas as descobertas realizadas pela ciência n o r m a l — exceção feita à q u e l a s n ã o s u r p r e e n d e n t e s . t o t a l m e n t e a n t e c i p a d a s a n ã o ser e m s e u s d e t a l h e s .) Ao nos ocuparmos da emergência de novas teorias. 16. C o m o p o d e m tais teorias b r o t a r d a ciência n o r m a l . s e g u n d o a q u a l P r i e s t l e y foi o p r i m e i r o a descobrir o o x i g ê n i o . em breve o encontraremos como u m a invenção. seja um pré-requisito para todas as mudanças de teoria . p o d e m o s antecipar u m a coincidência entre este capítulo e o anterior. C o n t u d o . a n e w t o niana. que resultam da invenção de novas teorias. A. inevitavelmente ampliaremos nossa compreensão da natureza das descobertas. HAIL. q u e L a v o i s i e r inventaria mais tarde. (Londres.aceitáveis. P e n s o q u e a esse respeito a evidência histórica é totalmente inequívoca. a descoberta e a invenção n ã o são categórica e p e r m a n e n t e m e n t e distintas. mas usualmente bem mais amplas. R. u m a a t i v i d a d e q u e n ã o visa r e a l i z a r d e s c o b e r t a s e m e n o s ainda produzir teorias? Se a consciência da anomalia desempenha um papel na emergência de novos tipos de fenômenos. 1. 1500-1800. A p ó s termos a r g u m e n t a d o q u e nas ciências o fato e a teoria. . As contribuições de Galileu ao 1 p. e m b o r a m a i s p r o f u n d a .

W H J T T A K E R . Cohen (Cambridge. e m t o d o s esses c a s o s . A History of the Theories of Aether and 2 . 1 9 2 2 ) . pp. 3 . 4 . B. de H. P. ed. C . 396-466. Loncfres. The Science of Mechanics in the Middle Ages History Electriclty. of the Inductive a I (2. A T e r m o d i n â m i c a n a s c e u d a c o l i s ã o d e d u a s t e o r i a s físicas e x i s t e n tes n o s é c u l o X I X e a M e c â n i c a Q u â n t i c a d e d i v e r s a s dificuldades q u e r o d e a v a m os calores específicos. 1 9 1 0 ) . K U H N . O fracasso d a s regras existentes é o prelúdio p a r a u m a busca de novas regras. Partes II e I I I . d u r a n t e o período de 2 0 0 a. T . I. K O Y R É revela numerosos elem e n t o s m e d i e v a i s p r e s e n t e s n o p e n s a m e n t o d e G a l i l e u e m s e u s JÉtudes Galiléennes (Paris. A n o v a teoria de N e w t o n s o b r e a l u z e a c o r o r i g i n o u .. Quando de sua elaboração. especialmente no v. trad. S. 1939). Hatfield e H. ver T . 1847). S o b r e a t e o r i a d o s Quanta. essa i n s e g u r a n ç a é g e r a d a pelo fracasso constante dos quebra-cabeças da ciência n o r m a l em produzir os resultados esperados. A l é m d i s s o . C o m o s e r i a d e e s p e r a r . S. A respeito d e N e w t o n . p p . A teoria o n d u l a t ó r i a q u e s u b s t i t u i u a n e w t o n i a n a foi a n u n c i a d a e m meio a u m a preocupação cada vez maior com as anomalias presentes na relação entre a teoria de Newton e os efeitos de p o l a r i z a ç ã o e r e f r a ç ã o . 2 6 6 .2 8 1 . o sistema p r e c e d e n t e . I e II. a consciência da anomalia persistira p o r tanto tempo e penetrara tão profundamente na comunidade científica q u e é p o s s í v e l d e s c r e v e r o s c a m p o s p o r e l a a f e t a d o s c o m o e m e s t a d o d e crise c r e s c e n t e . o efeito f o t o e l é t r i c o e a r a d i a ç ã o d e u m c o r p o n e g r o . A e m e r gência de novas teorias é geralmente precedida por um período de insegurança profissional pronunciada.C. o p t o l o m a i c o . Sobre Termodinâmica. em Isaac Newton's Papers and Letters in Natural Philosophy. 1951). 94-109.s e da d e s c o b e r t a de q u e n e n h u m a das teorias pré-paradigmáticas existentes explicava o c o m p r i m e n t o do espectro. v e r . A . foi a d m i r a v e l m e n t e b e m s u cedido na predição da m u d a n ç a de posição d a s estre2 3 4 (Madison. pois exige a d e s t r u i ç ã o e m l a r g a e s c a l a d e p a r a d i g m a s e grandes alterações nos p r o b l e m a s e técnicas da ciência n o r m a l . *'Newton's Optical Papers".4 5 .estudo do movimento estão estreitamente relacionadas c o m as dificuldades descobertas na teoria aristotélica pelos críticos escolásticos. (ed. C a p s . W. Brose. v e r E . Sciences ed. e II. 1 9 5 8 ) . F R I T Z R B I C H E . I. Life of rVilliam Thomson Baron Kelvin of Largs ( L o n d r e s . L. Para o prelúdio da teoria o n d u l a t ó r i a . 2 7 . WHEWELL. 1 9 5 9 ) . rev. ver SILVANUS THOMPSON. Comecemos examinando um caso particularmente famoso de m u d a n ç a de paradigma: o surgimento da astronomia copernicana. W i s c . pp. Mass. e x c e t o n o d e N e w ton. .. pp. The Quantum Theory (Londres. Londres. MARSHALL CLAGETT. a 2 0 0 d . I.

D u r a n t e algum tempo. P a r a numerosos sucessores de Ptolomeu. a comunicação entre os astrônomos era r e s t r i t a . from Thales Io Kepler. os astrônomos d i s p u n h a m d e t o d o s o s motivos p a r a supor q u e tais tentativas de aperfeiçoamento da teoria seriam tão b e m sucedidas c o m o as que haviam conduzido ao sistema de Ptolomeu. N o século X V I . u m a r e d u ç ã o dessas pequenas discrepâncias constituiu-se n u m dos principais problemas da pesquisa astronômica normal. dada a ausência da imprensa. forneceu p r o b l e m a s p a r a a pesquisa n o r m a l de seus sucessores do século X V I I I . 1953). 5. as predições de Ptolomeu eram tão boas c o m o as de Copérnico. N o v a York. XI e XII. Porém. poderia observar que a complexidade da Astronomia estava a u m e n t a n d o mais rapidamente que sua precisão e que as discrepâncias corrigidas em um ponto provavelmente reapareceriam em outro. Afonso X p ô d e declarar que. alguém que examinasse o resultado acabado do esforço de pesquisa normal de muitos astrônomos. se D e u s o houvesse consultado ao criar o universo. c o m o c o m r e l a ç ã o a o s e q u i n ó c i o s . T a n t o c o m respeito às posições planetárias. os astrônomos conseguiam invariavelmente eliminá-la. J. a s p r e d i ç õ e s feitas pelo sistema de P t o l o m e u n u n c a se ajustaram perfeitamente às melhores observações disponíveis. . D a d a u m a determinada discrepância.Ias e d o s p l a n e t a s . a o fim e a o c a b o . q u a n d o se trat a d e u m a t e o r i a científica. c o m o decorrer do tempo. N e n h u m o u t r o s i s t e m a a n t i g o s a í ra-se tão b e m : a astronomia ptolomaica é ainda hoje amplamente usada p a r a cálculos aproximados. M a s . D R E Y E R . P o r volta do século X I I I . ser a d m i r a v e l m e n t e b e m s u c e d i d a n ã o é a m e s m a c o i s a q u e ser t o t a l m e n t e b e m sucedida. E. do m e s m o m o d o que u m a tentativa semelhante para ajustar a observação do céu à teoria de N e w t o n .s e u m a c o n s ciência d a s dificuldades. D o m e n i c o d a N o v a r a . teria recebido bons conselhos. colaborador de Copérnico. A History of Astronomy ed. p o i s a t r a d i ç ã o a s t r o n ô m i c a sofreu r e p e t i das intervenções externas e porque. L. M a s . 5 Tais dificuldades só foram reconhecidas muito l e n t a m e n t e . p r o d u z i u . recorrendo a alguma a d a p t a ç ã o especial do sistema ptolomaico de círculos compostos. Caps. sustentou que n e n h u m sistema tão <2. no que concerne aos planetas.

um n ú m e r o crescente dentre os melhores astrônomos europeus reconhecia que o paradigma astron ô m i c o estava fracassando nas aplicações a seus p r ó p r i o s p r o b l e m a s t r a d i c i o n a i s . p p . T.c a b e ç a s n ã o foi o ú n i c o i n g r e d i e n t e d a crise a s t r o n ô m i c a c o m a q u a l C o p é r n i c o s e confrontou. N u m a ciência a m a d u r e c i d a — a A s t r o n o m i a a l c a n ç a r a esse e s t á g i o já na A n t i g ü i d a d e — fatores externos c o m o os acima citados possuem importância especial na determinação do m o m e n t o d o fracasso d o p a r a d i g m a . Mass. d a facilidade c o m q u e p o d e ser r e c o n h e c i d o e d a á r e a o n d e . A par disso. b e m c o m o outros elementos históricos significativos. . 135-143. ocorre pela primeira vez o fracasso. 6 E s c l a r e c i d o esse a s p e c t o n o t o c a n t e à r e v o l u ç ã o copernicana. questões dessa natureza estão além d o s limites deste ensaio. KUHN.c o m p l i c a d o e i m p r e c i s o c o m o se t o r n a r a o p t o l o m a i c o p o d e r i a ser r e a l m e n t e a e x p r e s s ã o d a n a t u r e z a .. passemos a um segundo exemplo bastante d i f e r e n t e : a c r i s e q u e p r e c e d e u a e m e r g ê n c i a da teoria de Lavoisier sobre a c o m b u s t ã o do oxigênio. n e m so6. (Cambridge. S. N o início d o sé-~ culo X V I .s o m e n t e u m m o n s t r o . N o s anos que se seguiram a 1 7 7 0 muitos fatores se c o m b i n a r a m p a r a g e r a r u m a crise n a Q u í m i c a . d e v i d o a u m a concentração da atenção. 1957). M a s a i n d a a s s i m o f r a c a s s o t é c n i c o p e r m a n e c e r i a c o m o o cerne da crise. E m b o r a sejam imensamente importantes. Um estudo a m p l o discutiria igualmente a p r e s s ã o social p a r a a r e f o r m a do calendário. u m a explicaç ã o mais completa levaria em consideração a crítica m e d i e v a l a A r i s t ó t e l e s . pressão que tornou particularmente premente o problema da precessão d o s equinócios. Certamente o fracasso da atividade técnica normal d e r e s o l u ç ã o d e q u e b r a . O s h i s toriadores n ã o estão inteiramente de acordo. E s s e r e c o n h e c i m e n t o foi um pré-requisito p a r a a rejeição do p a r a d i g m a ptolom a i c o por parte de Copérnico e para sua busca de um substituto. Seu famoso prefácio fornece ainda hoje u m a d a s descrições clássicas d e u m e s t a d o d e crise. a a s c e n s ã o do n e o p l a t o n i s m o da R e n a s c e n ç a . The Copernican Revolution. O p r ó p r i o C o p é r n i c o e s c r e v e u no p r e f á c i o do De Revolutionibus q u e a t r a d i ç ã o a s t r o n ô m i c a q u e h e r d a r a a c a b a r a c r i a n d o t ã o .

n a muitas vezes no p l a n e j a m e n t o e na interpretação de suas experiências. utilizando aquela b o m b a e n u m e r o s o s artefatos pneumáticos. pensava-se q u e d u a s amostras de gás e r a m diferentes apenas no tocante a suas impurezas. a partir de 1 7 7 0 . a c r e d i t a v a m na t e o r i a flogística e e m p r e g a v a m . PARTINGTON. Historical Studies o n t h e Phlogiston Theory. E m b o r a seu interesse principal s e volte para u m p e r í o d o u m p o u c o posterior. d e B l a c k a S c h e e l e . q u e juntos desenvolveram diversas novas técnicas capazes de dist i n g u i r d i f e r e n t e s a m o s t r a s d e g a s e s . pela primeira vez. M a s . pp. 361-404. E m b o r a n e n h u m desses químicos t e n h a sugerido q u e a teoria devia ser substituída. 337-71. f o r a m incapazes de aplicá-la de m a n e i r a coerente. pp. Priestley e Scheele. 1-58. c o m algumas exceções t ã o equívocas q u e n ã o p o d e m ser consideradas c o m o e x c e ç õ e s — os q u í m i c o s c o n t i n u a r a m a a c r e d i tar que o ar era a única espécie de gás existente. 2 7 A p ó s os trabalhos de Black. e A Short History of Chemistry. R. A história do primeiro inicia n o s é c u l o X V I I c o m o d e s e n v o l v i m e n t o d a b o m ba de ar e sua utilização nas experiências químicas. A t é 1 7 5 6 . os químicos c o m e ç a r a m a c o m p r e e n d e r q u e o ar devia ser um ingrediente ativo nas reações químicas. Lavoisier iniciou suas exper i ê n c i a s c o m o ar. especialmente através de Cavendish. pp. E s s a p r o l i f e r a 8 7 . Q u a n d o . a investigação sobre os gases prosseguiu de forma rápida. pp. h a v i a t a n t a s v e r s õ e s d a t e o r i a d o flogisto c o m o q u í m i c o s p n e u m á t i c o s . III (1938). 337-371. R.bre a natureza. (1939). o r e s u l t a d o de s u a s e x p e r i ê n c i a s foi u m a v a r i e d a d e d e a m o s t r a s e p r o p r i e d a d e s d e g a s e s t ã o c o m p l e x a s q u e a t e o r i a d o flogisto r e v e l o u . T o d o s eles. 8 . M a s dois fatores são aceitos c o m o sendo de primeira m a g n i t u d e : o n a s c i m e n t o da Q u í m i c a P n e u m á t i c a e a questão das relações de peso. Scheele na verdade produziu o oxigênio.s e c a d a v e z m e n o s c a p a z d e ser u t i l i z a d a e m e x p e riências d e laboratório. existe muito material relevante disperso n a obra d e J . Anuais e IV of Science. e d . D u r a n t e o século seguinte. II (1937). C o n t u d o . (2. Londres. 48-51. . 1951). através de u m a cadeia complexa de experiências destinadas a desflogistizar o c a l o r . n e m sobre a sua importância relativa. 73-85 90-120. P A R T I N G T O N e D O U G L A S M C K I E . q u a n d o J o s e p h B l a c k d e m o n s t r o u q u e o a r fixo ( C 0 ) p o d i a ser d i s t i n g u i d o c o m p r e c i s ã o d o a r n o r mal. J.

M a s se o pro- . Isso deveu-se e m parte a o e m p r e g o cada vez maior d a balança c o m o instrumento-padrão da Química e em parte ao desenvolvimento da Química Pneumática. Pelo m e n o s alguns químicos do Islã sabiam q u e determinados metais g a n h a m peso q u a n d o aquecidos. a assimilação gradual da teoria gravitacional de N e w t o n levou os químicos a i n s i s t i r e m e m q u e o a u m e n t o d e p e s o d e v e r i a significar um aumento na quantidade de matéria. Esse é um outro problema c o m u m a longa pré-história. tais respostas. a cor e a textura dos ingredientes. a crescente i n d e t e r m i n a ç ã o e a utilidad e d e c r e s c e n t e d a t e o r i a flogística n ã o f o r a m a s ú n i c a s causas da crise c o m a qual Lavoisier se defrontou. o b t i d o mediante o aquecimento. D u r a n t e o século X V I I I . por que n ã o p o d e r i a m a l t e r a r o p e s o ? O p e s o n e m s e m p r e foi considerado c o m o a medida da quantidade de matéria.ção de versões de u m a teoria é um sintoma m u i t o usual d e c r i s e . Se as reações químicas p o d i a m alterar o volume. E l e estava igualmente muito preocupado em encontrar u m a explicação para o aumento de peso que muitos corpos experimentam quando queimados ou aquecidos. o a u m e n t o de peso. diversos investigadores haviam concluído. A maior parte dos corpos naturais ( p o r exemplo. p o r é m .s e d i s s o . t o r n a r a m . que inicialmente pareciam adequadas ao problema do a u m e n t o d e p e s o . A l é m disso. que tornou possível e d e s e j á v e l a r e t e n ç ã o d o s p r o d u t o s g a s o s o s d a s reações. No século X V I I .s e c a d a v e z m a i s difíceis de serem sustentadas. M a s p a r a muit o s o u t r o s c i e n t i s t a s d a é p o c a essa c o n c l u s ã o p a r e c e u desnecessária. Havia ainda outras explicações. Talvez o flogisto tivesse p e s o n e g a t i v o . C o n t u d o . q u e p o d i a ser ajustada de muitas m a n e i r a s . C o p é r n i c o q u e i x o u . a partir d e s s e m e s m o f a t o . E m seu p r e f á c i o . Essas conc l u s õ e s n ã o c o n d u z i r a m à r e j e i ç ã o d a t e o r i a flogística. Os químicos descobriram um n ú m e r o sempre maior de casos nos quais o a u m e n t o de peso a c o m p a n h a v a o aquecimento. q u e u m m e t a l a q u e c i d o i n c o r p o r a alguns ingredientes da atmosfera. o u t a l v e z p a r t í c u l a s d e fogo ou de a l g u m a outra coisa entrassem no corpo a q u e c i d o a o m e s m o t e m p o e m q u e o flogisto o a b a n donava. tal c o m o h a v e r i a d e p r e d i z e r m a i s t a r d e a t e o r i a d o flogisto. a m a d e i r a ) p e r d e m p e s o a o s e r e m a q u e c i d o s . Ao m e s m o tempo. continuou sendo um fenômeno isolado.

p p . U m a d a s r a í z e s d e s s a c r i s e d a t a d o fim d o s é c u l o X V I I I . ver p .p a r a d i g m á t i c o — . Concepts of Space: The History of the Theories of Space in Physics. E m b o r a a i n d a fosse c o n s i d e r a d o e a c e i t o c o m o u m i n s t r u m e n t o d e t r a b a l h o útil. 1 9 5 4 ) . N o fim d a q u e l e a n o . o p a radigma d a Química d o século X V I I I está p e r d e n d o g r a d u a l m e n t e s e u staíus í m p a r . A l é m disso. T a l c o m o os primeiros copernicanos q u e cri9 t 1 0 9 . foram b e m sucedidos ao sugerir o atrativo estético considerável q u e u m a c o n c e p ç ã o plen a m e n t e rei ativista d e e s p a ç o o u m o v i m e n t o t e r i a n o futuro. e s t i m u l o u u m n ú m e r o c a d a v e z maior de estudos especiais nos quais esse p r o b l e m a tin h a grande importância. JAMMER. foi l i d o n a A c a d e m i a F r a n c e s a n o início d e 1 7 7 2 .o u t r o efeito t í p i c o d a c r i s e . . Lavoisier — the Crucial Year ( T t h a c a . Y . P a r a u m a apresentação clara da s i t u a ç ã o c o m relação a Lavoisier. e m b o r a n u n c a t e n h a m sido c o m p l e t a m e n t e b e m sucedidos. . os relativos ao a u m e n t o de p e s o dificultaram ainda mais a c o m p r e e n s ã o do q u e seria a t e o r i a flogística. q u e por muitos anos estivera no limiar da consciência dos químicos. Um deles. C a d a v e z m a i s a s i n v e s t i g a ç õ e s p o r ele o r i e n t a d a s a s s e m e l h a v a m . 1 1 4 . L a voisier e n t r e g o u a s u a famosa nota selada ao secretár i o d a A c a d e m i a . criticaram N e w t o n por ter m a n t i d o u m a versão atualizada d a c o n c e p ç ã o clássica do espaço absoluto. 1 0 . A n t e s d e a n o t a ter s i d o e s c r i t a . q u a n d o diversos estudiosos d a Filosofia d a N a t u r e z a e especialmente Leibniz.blema do a u m e n t o de peso n ã o conduziu à rejeição d a t e o r i a d o flogisto. Muitas versões d i f e r e n t e s d a t e o r i a flogística f o r a m e l a b o r a d a s p a r a responder ao problema. u m p r o b l e m a . N . Tal como os problemas da Química P n e u m á t i c a . 35.s e à s l e v a d a s a c a b o sob a direção de escolas competidoras do períod o p r é . E s s e s filósofos.1 2 4 . O livro t o d o d o c u m e n t a a e v o l u ç ã o e o p r i m e i r o r e c o n h e c i m e n t o de u m a crise. Max. G U E R L A C . ( C a m b r i d g e . E x a m i n e m o s agora um terceiro e último exemplo — a c r i s e n a F í s i c a d o fim d o s é c u l o X I X — q u e a b r i u caminho p a r a a emergência da teoria da relatividade. q u a s e conseguiram demonstrar que movimentos e posições absolutos n ã o tinham n e n h u m a função no sistema de N e w ton. convertera-se n u m quebrac a b e ç a extraordinário e sem solução. H . 1 9 6 1 ) . "Sobre o Flogisto considerado c o m o u m a Substância Pesada e (analisad a ) em termos das Mudanças de Peso que provoca n o s C o r p o s a o s q u a i s s e u n e " .

Fresnel. Stokes e outros conc e b e r a m n u m e r o s a s articulações da teoria do éter.. tal equipamento n ã o detectou n e n h u m deslocamento observável e em v i s t a d i s s o o p r o b l e m a foi t r a n s f e r i d o d o s e x p e r i m e n tadores e observadores p a r a os teóricos. D u r a n t e d é c a d a s . (Cam- . no século X I X . T o d a s essas articulações p r e s s u p u n h a m que u m c o r p o e m m o v i m e n t o a r r a s t a c o n s i g o a l g u m a s frações de éter. i n c l u i n d o . íncluding a Discussion Optical Phenomena. LARMOR.. n ã o s o n h a v a m que a t r a n s i ç ã o p a r a u m s i s t e m a r e l a t i v i s t a p u d e s s e ter c o n s e qüências d o ponto d e vista d a observação. m a s t a m b é m os das e x p e r i ê n c i a s t e r r e s t r e s . p p .s e aí a f a m o s a e x p e riência de Michelson e M o r l e y . D e n tre as observações celestes. suas c o n c e p ç õ e s d e s a p a r e c e r a m c o m eles. 6-20 e 320-322. A i n d a n ã o havia con1 1 11. apenas as aberrantes p r o m e t i a m a p r e s e n t a r suficiente e x a t i d ã o . D e v i d o a isso. C a d a u m a dessas articulações obteve sucesso no esforço de explicar n ã o só os resultados n e gativos da o b s e r v a ç ã o celeste. Aether and Matíer of the Influence of the Earth's Motion on bridge. M u i t o e q u i p a m e n t o e s p e c i a l foi construído p a r a resolvê-lo. e m b o r a n ã o tenham p r o d u z i d o n e n h u m a crise antes d a última d é c a d a d o século. a d e tecção de deslocamentos no éter através da medição d a s a b e r r a ç õ e s foi r e c o n h e c i d a c o m o p r o b l e m a p a r a a p e s q u i s a n o r m a l . 1 9 0 0 ) . d u r a n t e a s p r i meiras décadas do século X V I I I . E m n e n h u m m o m e n t o relacionaram suas concepções com os problemas que se apresentavam quando da aplicação da teoria de N e w t o n à natureza. C o n t u d o .ticaram as provas apresentadas por Aristóteles no tocante à estabilidade da T e r r a . então tanto a observação celeste c o m o as experiências terrestres tornam-se potencialmente capazes de detectar o d e s l o c a m e n t o através do éter. . Joseph. dest i n a d a s a e x p l i c a r o f r a c a s s o na o b s e r v a ç ã o do d e s l o c a m e n t o . Os problemas técnicos c o m os quais u m a teoria relativista do espaço teria de haver-se c o m e ç a r a m a aparecer na ciência n o r m a l c o m a aceitação da teoria ondulatória por volta de 1815. Conseqüentemente. d e m o l d e a p r o p o r c i o n a r i n f o r m a ç õ e s r e l e v a n t e s . Se a luz é um m o v i m e n t o ondulatório que se p r o p a g a n u m é t e r m e c â n i c o g o v e r n a d o p e l a s leis d e N e w t o n . ressuscitando soment e n o final d o s é c u l o X I X j á e n t ã o d i s p o n d o d e u m a relação muito diversa c o m a prática da Física.

destinadas a detectar o d e s l o c a m e n t o através do éter. esse conflito n u n ca c h e g o u a aprofundar-se. 1892). cit. ver seu próprio livro. aqueles relativos a o m o v i m e n t o n o é t e r .s e a n ô m a l a s . isto é. apesar de sua origem newtoniana. O próprio M a x well e r a um n e w t o n i a n o q u e acreditava q u e a luz e o eletromagnetismo em geral eram devidos a deslocamentos variáveis d a s partículas de um éter mecânico. a a r t i c u l a ç ã o n e c e s s á r i a r e v e l o u . para detectar o m o v i m e n t o relacionado c o m o éter e introdu1 2 1 3 1 2 .atribuía a esse meio. K U H N . c o m o a c o n tecera muitas vezes no curso do desenvolvimento científico. tanto experimentais c o m o teóricas. I X . nas d u a s últimas décadas do século X I X . m a s Maxwell continuou acreditando que sua teoria eletromagnética era compatível c o m alguma articulação da concepção mecânica de Newton. A situação modificou-se somente com a aceitação gradual da teoria eletromagnética de Maxwell. 470. ver 13. a teoria de M a x w e l l . t o r n a r a m . acabou produzindo u m a crise n o p a r a d i g m a d o qual e m e r g i r a . T. e x c e t o e n t r e a s v á r i a s a r t i c u l a ç õ e s . p. James Clerk Maxwell and Modem Physics ( L o n d r e s . t o d a u m a série d e observações a n t e riores. Suas primeiras versões de u m a teoria da eletricidade e do magnetismo utilizaram expressamente as propriedades hipotéticas q u e ele . A. P a r a a p o s i ç ã o final d e M A W X E Í L . a crise tornou-se m a i s a g u d a no tocante aos p r o b l e m a s q u e a c a b a m o s de considerar. A respeito do papel op. N a a u s ê n c i a de técnicas experimentais relevantes. E m conseqüência. . Oxford. no desenvolvimento da Mecânica. Treatise on Electricity and Magnetism (3. ed. D o m e s m o m o d o q u e a p r o posta astronômica de Copérnico (apesar do otimismo d e seu a u t o r ) gerou u m a crise c a d a vez m a i o r nas t e o rias existentes sobre o m o v i m e n t o . C a p .s e i m e n s a m e n t e difícil d e ser p r o d u z i d a . Essas p r o p r i e d a d e s f o r a m r e t i r a d a s d a v e r s ã o final. Desenvolver u m a articulação a d e q u a d a t o r n o u . 1 8 9 6 ) . A l é m diss o . o s anos p o s t e r i o r e s a 1 8 9 0 t e s t e m u n h a r a m u m a l o n g a série d e tentativas. da Cap. Astronomia VII. GLAZEBROOK. R. n a p r á t i c a .. A discussão de M a x w e l l relacionada c o m o c o m portamento eletromagnético dos corpos em movimento n ã o fez r e f e r ê n c i a à r e s i s t ê n c i a do é t e r e t o r n o u m u i t o difícil a i n t r o d u ç ã o d e tal n o ç ã o n a s u a t e o r i a . C o m o r e s u l t a d o .flito. C o n t u d o .s e u m desafio p a r a M a x well e s e u s s u c e s s o r e s .

C. m a s n u n c a surpreendente. WHITTAKEH. a s p r i meiras tentativas foram m a l sucedidas. pelo menos parcialmente. N o t e . pp. emergiu a teoria especial da relatividade de Einstein. A l é m disso. e m b o r a alguns analistas considerassem seus resultados equívocos. o q u e a j u d a a e x p l i c a r p o r q u e o s e n t i d o de f r a c a s s o . Os esforços teóricos p r o d u z i r a m u m a série d e pontos d e partida promissores. Em cada um desses casos u m a nova teoria surgiu s o m e n t e a p ó s u m f r a c a s s o c a r a c t e r i z a d o n a ativid a d e n o r m a l d e resolução d e p r o b l e m a s . O r e s u l t a d o final foi p r e c i s a m e n t e a q u e l a p r o l i f e r a ç ã o d e t e o r i a s q u e m o s t r a m o s ser c o n c o m i t a n te com as crises. no século I I I a. q u a n d o a p a r e c e . Tais antecipações foram ignoradas. A p r á t i c a a n t e rior da ciência n o r m a l proporcionara toda sorte de razões p a r a considerá-los resolvidos ou q u a s e resolvidos. cit. 386-410 e II (Londres. e m b o r a isso possa n ã o ser igualmente típico. . pp. 27-40. e m c u j o c a s o f a t o r e s alheios à ciência d e s e m p e n h a r a m papel particularmente import a n t e . p o d e ser t ã o i n t e n s o . O f r a c a s s o c o m um n o v o tipo de p r o b l e m a é muitas vezes decepcionante.c a b e ç a s . Esses três e x e m p l o s são ( q u a s e ) inteiramente típicos. nem os quebra-cabeças cedem ao primeiro ataq u e . n e m os problemas. em um período no qual a ciência correspondente n ã o estava em crise. E s t a última parece ser u m a r e s p o s t a d i r e t a à crise. Op. os p r o blemas c o m os quais está relacionado o fracasso eram t o d o s d e urrí*tipo h á m u i t o i d e n t i f i c a d o . I.s e t a m b é m q u e .zir e s t e ú l t i m o n a t e o r i a d e M a x w e l l . Afirma-se freqüentemente q u e se a ciência grega 14. ***" 1 4 1 A única antecipação completa é igualmente a mais famosa: a de Copérnico p o r Aristarco. c o m e x c e ç ã o d e C o p é r n i c o . sobretudo os de L o r e n t z e Fitzgerald. o f r a c a s s o e a p r o l i f e r a ç ã o de t e o r i a s q u e os t o r n a m manifestos o c o r r e r a m u m a ou d u a s décadas antes d o e n u n c i a d o d a n o v a teoria. Em geral. m a s t a m b é m estes t r o u x e r a m à t o n a novos q u e b r a . E m g e r a l . F i n a l m e n t e esses e x e m p l o s p a r t i l h a m o u t r a c a r a c terística q u e p o d e r e f o r ç a r a i m p o r t â n c i a d o p a p e l d a c r i s e : a s o l u ç ã o p a r a c a d a u m d e l e s foi a n t e c i p a d a . em 1905. 1953). precisamente por não haver crise. Foi neste contexto histórico que.

j Q u a n d o a s u g e s t ã o de A r i s t a r c o foi feita. n ã o h a via razões óbvias p a r a levar as propostas de Aristarco a sério. o s i s t e m a I geocêntrico. As observações disponíveis. em g r a n d e parte. Nossos outros dois exemplos n ã o proporcionam antecipações tão completas. u m dos fatores que levou os astrônomos a Copérnico (e que não p o d e r i a t ê . Op. b a s e suficiente p a r a u m a e s c o l h a e n t r e essas teorias. foi p o r n ã o disporem de contato com qualquer problema reconhec i d o p e l a p r á t i c a científica n o r m a l . cit. seguramente u m a das razões pelas quais as teorias da combustão por absorção da atmosfera — desenvolvidas no século X V I I p o r R e y . . Entretanto. Aristarchus of Samos: The Ancient Copemicus (Oxford.tivesse s i d o m e n o s d e d u t i v a e m e n o s d o m i n a d a p o r d o g m a s . v e r T . H o o k e e M a y o w — n ã o c o n s e g u i r a m u m a a u d i ê n c i a s a t i s f a t ó r i a . Q u a n t o à o b r a d e A r i s t a r c o . que era muito mais razoável do que o h e liocêntrico. 1 5 1 6 Os estudiosos da Filosofia da Ciência demonstraram repetidamente que mais de u m a construção teóri1 5 . H E R T H . Mas . c o m o v e r e m o s a d i a n t e . Parte II. 50. isso e q ü i v a l e a i g n o r a r t o d o o c o n t e x t o h i s t ó r i c o . E m tais circunstâncias. A astron o m i a ptolomaica fracassara na resolução de seus p r o blemas. A l é m disso. O p r o l o n g a d o d e sinteresse d e m o n s t r a d o pelos cientistas d o s séculos X V I I I e X I X p a r a c o m os críticos relativistas de N e w ton tem sido. ocorrem nos séculos posteriores à proposta de Aristarco. 78-85. PARTINCTON. L . 1959). n ã o apresentava qualquer problema q u e j j p u d e s s e ser s o l u c i o n a d o p o r e s t e ú l t i m o . n ã o forneciam. a a s t r o n o m i a heliocêntrica p o d e r i a ter iniciado seu desenvolvimento dezoito séculos a n t e s . 16. 1913). The Sleepyvalkers: A History of Man's Changing Vision of the Vniverse (Londres. t a n t o seus triunfos. M e s m o a versão mais elaborada de C o p é r nico não era n e m mais simples n e m mais acurada do que o sistema de Ptolomeu. ver A R T H U R KOESTLER.l o s c o n d u z i d o a A r i s t a r c o ) foi a c r i s e c a r a c terizada que fora responsável pela inovação. p . devido a um fracasso semelhante na confrontação c o m a prática da ciência normal. c o m o seus fracassos. T o d o o d e senvolvimento da astronomia ptolomaica. Para uma apresentação extremada da atitude tradicional c o m respeito ao desdém pela realização dc Aristarco. q u e serviam d e testes. chegara o m o m e n t o de dar u m a oportunidade a um competidor. pp.

s e a i n d a m a i s a t r a v é s d a u t i l i z a ç ã o confiante desses instrumentos. q u a l q u e r q u e seja o c a s o c o n s i d e r a d o . exceto d u r a n t e o p e r í o d o pré.p a r a d i g m á t i c o d o d e s e n v o l v i m e n t o d e s u a c i ê n c i a e err ocasiões muito especiais de sua evolução subseqüente. n ã o é m u i t o difícil i n v e n t a r t a i s a l t e r n a t i v a s . M a s e s s a i n v e n ç ã o de a l t e r n a t i v a s é p r e c i s a m e n t e o q u e os c i e n tistas r a r o e m p r e e n d e m . A H i s tória da Ciência indica que. Na m a n u fatura.c a p o d e ser a p l i c a d a a u m c o n j u n t o d e d a d o s d e t e r m i n a d o . E n q u a n t o o s i n s t r u m e n t o s p r o p o r c i o n a d o s p o r u m par a d i g m a continuam capazes de resolver os problemas q u e este define. a ciência move-se c o m m a i o r rapidez e a p r o f u n d a . sobretudo nos primeiros estágios d e desenvolvimento d e u m n o v o paradigma. A r a z ã o é clara. c o m o na ciência — a p r o d u ç ã o de novos instrumentos é u m a extravagância reservada p a r a as ocasiões q u e o exigem. O significado das crises consiste exatam e n t e no fato de q u e i n d i c a m q u e é c h e g a d a a ocasião p a r a renovar os instrumentos. .

.

se-. E m p a r t e . p o d e ser d e s c o b e r t a o b s e r v a n d o .. m e s m o q u a n d o se defrontam c o m anomalias prolongadas e graves. Parte da resposta. não renunciam ao paradigma que ps conduziu à crise.e x e m p l o s d o p a r a d i g m a . A RESPOSTA A CRISE S u p o n h a m o s q u e a s crises são u m a p r é . P o r o u t r a : n ã o t r a t a m as a n o m a l i a s c o m o ç o n t r a . E m b o .• ra p o s s a m c o m e ç a r a p e r d e r s u a fé e a c o n s i d e r a r outras alternativas. e s s a n o s s a g e n e r a - .c o n d i ç ã o necessária p a r a a emergência de n o v a s teorias e perg u n t e m o s e n t ã o c o m o o s cientistas r e s p o n d e m à s u a existência.7. g u n d o o vocabulário da Filosofia da Ciência. e m b o r a . estas sej a m p r e c i s a m e n t e isso.s e p r i m e i r a m e n te o q u e os cientistas jamais fazem. tão óbvio c o m o import a n t e .

bem como s u a c o m p a r a ç ã o m ú t u a ^ P A p a r disso. s e esses c o n t r a . Decidir rejeitar um p a r a d i g m a é s e m p r e decidir s i m u l t a n e a m e n te a c e i t a r o u t r o e o j u í z o q u e c o n d u z a e s s a d e c i s ã o envolve a c o m p a r a ç ã o de a m b o s os paradigmas c o m a n a t u r e z a .s e a o ^ e s t e r e ó t i p o m e t o d o l ó g i c o d a falsificação por meio da comparação direta com a natureza. e r a m .e x e m p l o s d e u m a teoria epistemológica atualmente admitida. a p ó s t e r a t i n g i d o o status de p a r a d i g m a . pois os defensores desta farão o m e s m o q u e os cientistas fazem q u a n d o confrontados c o m a n o m a lias: conceberão n u m e r o s a s articulações e modificaç õ e s ad hoc de s u a t e o r i a . Ao apresentar essa segunda razão. a j u d a r a f o r m a ç ã o d e u m a crise o u . delinearei o u t r a d a s principais teses deste ensaio. existe u m a segunda r a z ã o p a r a d u vidar de q u e os cientistas rejeitem p a r a d i g m a s simplesmente porque se defrontam com anomalias ou contra-exemplos. C o m o tal. se m e u a r g u m e n t o é correto. m a s q u e — e e s t e s e r á um p o n t o c e n t r a l — o juízo que leva os cientistas a rejeitarem u m a teoria previamente aceita. mais exatamente. substituí-la. Isso já sugere o q u e o nosso e x a m e da rejeição de um paradigma revelará de u m a maneira m a i s c l a r a e c o m p l e t a : ! u m a t e o r i a científica. tais razões p o d e m . E s s a o b s e r v a ç ã o n ã o significa q u e o s c i e n t i s t a s n ã o r e j e i t e m t e o r i a s científicas ou q u e a e x p e r i ê n c i a e a e x p e r i m e n t a ç ã o n ã o sejam essenciais a o processo d e r e j e i ç ã o . c o n t r a . Por si m e s m a s n ã o p o d e m e n ã o i r ã o falsificar e s s a t e o r i a filosófica. As razões p a r a a d ú v i d a e s b o ç a d a s a c i m a e r a m p u r a m e n t e fat u a i s . será p o r q u e ajudam a admitir a emergência de u m a n o v a e diferente análise da ciência.lização é um fato histórico. a fim de e l i m i n a r q u a l q u e r c o n f l i t o a p a r e n t e . e l a s m e s m a s . Port a n t o . b a s e a d a em exemplos c o mo os mencionados anteriormente e os que indicarem o s mais adiante. isto é . reforçar alguma já existente. baseia-se sempre em algo mais do q u e essa c o m p a r a ç ã o da teoria com o m u n d o . s o m e n t e é c o n s i d e r a d a inválida q u a n d o existe u m a alternativa disponível p a r a . no . N e n h u m processo descoberto até agora p e l o e s t u d o h i s t ó r i c o d o d e s e n v o l v i m e n t o científico a s s e m e l h a . M u i t a s d a s m o d i f i c a ç õ e s e especificações relevantes já estão presentes na literatura. q u a n d o m u i t o .e x e m p l o s e p i s t e m o l ó g i c o s c o n s t i t u e m a l g o m a i s d o q u e u m a fonte d e i r r i t a ç ã o d e m e n o r importância.

por si só. q u e n ã o p o d e ser refutado p o r observações. que antes de Dalton era u m a descoberta experimental ocasional. p p . T a l c o m o os artistas. t o r n o u . 1 5 1 . Patof Discovery (Cambridge. K U H N . R . M a s creio q u e essa rejeição da ciência em favor de o u t r a o c u p a ç ã o é a ú n i c a e s p é c i e de r e j e i ç ã o de p a r a d i g m a a q u e .1 6 6 . T h e P s y c h o l o g y o f Imagin a t i o n . dotada de u m a g e n e r a l i d a d e m u i t o d u v i d o s a . e m d e t e r m i n a d a s o c a s i õ e s . 1 6 0 ( s e t . 1958). N o C a p . ed. T. e m b o r a t e n h a c o n s u m i d o s é c u l o s d e difíceis p e s q u i s a s t e ó r i c a s e f a t u a i s a t é ser a l c a n ç a d a . 9 v e r e m o s q u e a lei q u í m i c a relativa às proporções constantes. n o interior d e u m a n o v a t e o r i a d o c o n h e c i m e n t o científico. A o invés disso. terns .interior da qual já n ã o s ã o u m a fonte de problemas. 1959). p . 1 E m b o r a seja i m p r o v á v e l q u e a h i s t ó r i a registre seus n o m e s . 99-105. tem-se observado c o m freqüência que a Segunda Lei do Movimento de Newton. 2 1 . Calvin W. V e r e s p e c i a l m e n t e a d i s c u s s ã o c o n t i d a e m N . 162-177. abalar. p o d e r ã o a s s e m e l h a r se a tautologias. indubitavelmente alguns h o m e n s foram levados a a b a n d o n a r a ciência devido a sua inabilidade p a r a tolerar crises. em The Third ( Í 9 5 9 ) University of Ulah Research Conference on the Identification of Creative Scientific Talent. tais a n o m a l i a s n ã o m a i s p a r e c e r ã o ser simples fatos. p o r amplas q u e e s t a s s e j a m . P a r a u m f e n ô m e n o c o m p a r á v e l entre artistas. pp. p o d e m conduzir os contra-exemplos. N ã o p o d e r i a m fazer isso e a i n d a a s s i m p e r m a n e c e r e m c i e n t i s t a s . Taylor (Salt L a k e City. ser c a p a z e s d e viver e m u m m u n d o d e s o r d e n a d o — d e s c r e v i e m o u t r o t r a b a l h o essa necessidade c o m o " a t e n s ã o essencial" implícita na pesquisa científica. S. pp.e x e m p l o s . H A H S O N . C X C I X . os cientistas c r i a d o r e s p r e c i s a m . "The Essential Tension: Tradition and Innovation ln S c i e n t i f i c R e s e a r c h " . e s p . se é possível aplicar aqui um p a d r ã o típico ( q u e será observado mais adiante nas revoluções c i e n t í f i c a s ) . 2. enunciados de situações q u e de outro m o d o n ã o seriam concebíveis. P o r exemplo. 1 9 5 8 ) . por si mesmos. ver F R A N K B A R R O N . A l é m disso. Scientific American.s e a p ó s seus trabalhos n u m ingrediente de u m a definição de c o m posto químico q u e n e n h u m a investigação experimental poderia. d e s e m p e n h a p a r a o s partidários da teoria newtoniana um papel m u i t o semelhante a um enunciado p u r a m e n t e lógico. Algo muito semelhante acont e c e r á c o m a g e n e r a l i z a ç ã o s e g u n d o a q u a l os c i e n t i s tas n ã o rejeitam paradigmas q u a n d o confrontados com a n o m a l i a s o u c o n t r a .

existe s o m e n t e p o r q u e n e n h u m p a r a d i g m a a c e i t o c o m o b a s e p a r a a p e s q u i s a científica r e solve todos os seus p r o b l e m a s .e x e m p l o s o q u e L o r e n t z .s e . E m v e z d i s s o . m a s n o h o m e m . a Óptica Geométrica). em pouco tempo deixaram de produzir quaisquer problemas relevantes para a pesquisa. Em vez disso. n ã o n o p a r a d i g m a . F i t z g e r a l d e outros haviam considerado como quebra-cabeças relativos à articulação d a s teorias de N e w t o n e M a x w e l l . d e m o n s t r a r o m e s m o p o n t o de vista ao contrár i o : n ã o existe a l g o c o m o a p e s q u i s a s e m c o n t r a . Os raros p a r a d i g m a s que pareciam capazes disso (por exemplo.e x e m p l o s . Creio que existem apenas duas a l t e r n a t i v a s : o u b e m a s t e o r i a s científicas j a m a i s s e . a c r i s e . n e m m e s m o a existência de u m a crise transforma por si mesma um quebra-cabeça em um c o n t r a . Lavoisier considerou contra-exemplo ó que Priestley vira c o m o um q u e b r a . I n e v i t a v e l m e n t e ele s e r á visto por seus colegas c o m o o "carpinteiro q u e culpa suas ferramentas pelo seu fracasso".s e instrumentos p a r a tarefas técnicas. N ã o existe u m a l i n h a d i v i s ó r i a p r e cisa. a o p r o v o c a r u m a p r o l i f e ração de versões do paradigma.c a b e ç a p o d e ser v i s t o d e o u t r o â n g u l o : c o m o contra-exemplos e p o r t a n t o c o m o u m a fonte de crise. d e m a n e i r a p e l o m e n o s i g u a l m e n t e eficaz. c a d a p r o b l e m a que a ciência n o r m a l consider a u m q u e b r a . d e tal m o d o q u e a c a b a p e r m i t i n d o a e m e r g ê n c i a d e um n o v o paradigma. P o d e .c a b e ç a s da c i ê n c i a n o r m a l .e x e m p l o . j á n ã o s e p o d e m a i s falar em pesquisa sem qualquer paradigma.U m a vez encontrado um primeiro p a r a d i g m a c o m o q u a l c o n c e b e r a n a t u r e z a . E s s e a t o s e reflete. C o p é r n i c o considerou contra-exemplos o q u e a maioria dos demais seguidores de Ptolomeu vira c o m o quebra-cabeças relativos à a d e q u a ç ã o entre a observação e a teoria. A l é m disso. E i n s t e i n viu c o m o c o n t r a . t o r n a r a m .c a b e ç a resolvido c o m ê x i t o n a a r t i c u l a ç ã o d a t e o r i a flogística. Rejeitar um paradigma sem simultaneamente substituí-lo por oütro~é r e j e i t a r a p r ó p r i a c i ê n c i a . Excetuando-se os que são exclusivamente instrumentais. A o invés disso. o q u e c h a m a m o s a c i m a de q u e b r a . O q u e d i f e r e n c i a a c i ê n c i a n o r m a l da c i ê n c i a em estado de crise? C e r t a m e n t e n ã o o fato de q u e a prim e i r a n ã o s e defronta c o m c o n t r a .e x e m p l o s . enfraquece as regras de resolução dos quebra-cabeças da ciência n o r m a l .

E s s a a t i v i d a d e p o d e ser v i s t a c o m o u m t e s t e o u u m a b u s c a d e c o n f i r m a ç ã o o u falsificação.d e f r o n t a m c o m u m c o n t r a . cuja simples existência supõe a validade do paradigma. a q u e l e q u e l ê u m t e x t o científico f a c i l m e n t e p o d e r á c o n s i d e r a r as aplicações c o m o provas em favor da teoria. Q u e alternativas. que competência possuem eles? A s a p l i c a ç õ e s m e n c i o n a d a s n o s t e x t o s n ã o s ã o apresentadas como provas. o u b e m essas t e o rias se d e f r o n t a m c o n s t a n t e m e n t e c o m contra-exemplos. M a s podemos. A c i ê n c i a n o r m a l e s f o r ç a . mas porque aprendê-las é parte do aprendizado do p a r a d i g m a que serve de base p a r a a p r á t i c a científica e m v i g o r . indic a r d u a s r a z õ e s p e l a s q u a i s a c i ê n c i a p a r e c e ter f o r n e cido um exemplo tão a d e q u a d o da generalização segundo a q u a l a v e r d a d e e a f a l s i d a d e s ã o d e t e r m i n a d a s de m o d o inequívoco pela confrontação do enunciado com o s f a t o s . A este caso. seu objeto consiste em resolver um q u e b r a cabeça. C o m o . e n t ã o . S e a s a p l i c a ç õ e s f o s sem apresentadas c o m o provas. a maneira pela qual a pedagogia da ciência complica a discussão de u m a teoria c o m observações sobre suas aplicações exemplares tem contribuído para reforçar u m a teoria da confirmação extraída p r e d o m i n a n t e m e n t e d e o u t r a s fontes.l o . M a s os e s t u d a n t e s de ciência aceitam as teorias p o r causa da a u t o r i d a d e do professor e dos textos e n ã o devido às provas. C o m o se poderia considerar essa situação diferentemente? Essa questão leva necessariamente à elucidaç ã o c r í t i c a e h i s t ó r i c a d a F i l o s o f i a e tais t ó p i c o s n ã o têm lugar neste ensaio. A l é m disso. o p r ó p r i o fracasso dos textos em sugerir interpretações alternativas ou discutir p r o b l e m a s p a r a o s q u a i s o s cientistas n ã o c o n s e g u i r a m produzir soluções p a r a d i g m á t i c a s . ainda mais do q u e ao anterior. — r e t o r n a n d o à q u e s t ã o inicial — os cientistas r e s p o n d e m à consciência da existência de . D a d a u m a r a z ã o p a r a f a z ê . O fracasso em alcançar u m a solução d e sacredita somente o cientista e n ã o a teoria.s e ( e d e v e fazê-lío constantemente) p a r a aproximar sempre mais a teoria e o s f a t o s . razões pelas quais devemos acreditar nela. c o n d e n a r i a m seus a u t o r e s c o m o s e n d o e x t r e m a m e n t e p a r c i a i s . E m l u gar disso. p o r s u p e r f i c i a l q u e seja. aplica-se o p r o vérbio: " Q u e m culpa suas ferramentas é m a u carpinteiro".e x e m p l o . N ã o existe a menor razão para semelhante acusação. ao menos.

os cientistas estão dispostos a esperar. 151. (talvez p o r q u e a M a t e m á t i c a envolv i d a seja m a i s s i m p l e s o u d e u m t i p o f a m i l i a r . ver E . o m o v i m e n t o predito p a r a o perigeu da L u a permaneceu equivalente à metade do movimento observad o . 4 . Isis. History -of the Inductive Sciences. a segunda desapareceu com a Teoria Geral da Relatividade. empreendidas com um objetivo b e m diverso. 1847). A respeito da mudança secular n o periélio de Mercúrio. já indicamos q u e d u r a n t e os sessenta anos que se seguiram aos cálculos originais de N e w ton. 1953). A History of the Theories of Aether and Electricity. ver T. p p . apareceram propostas ocasionais visando à m o d i f i c a ç ã o d a lei n e w t o n i a n a r e l a t i v a a o i n v e r s o d o q u a d r a d o d a s distâncias. K U H N . pp. 179. Em 1750. T . X L 1 V . E n q u a n t o o s m e l h o r e s físicos m a t e m á t i c o s d a E u r o pa continuavam a lutar sem êxito c o m essa conhecida discrepância. rev. especialmente q u a n d o existem muitos problem a s disponíveis em outros setores do c a m p o de estudos. II (Londres. WHEWELL. M e s m o nos casos em q u e n e m m e s m o erros simples p a r e c e m possíveis. 220-221. S . A p a r e n t e m e n 3 4 3. N i n g u é m questionou seriamente a teoria n e w t o niana por causa das discrepâncias de há muito reconhecidas entre as predições daquela teoria e as velocidades do som e do movimento de Mercúrio. A primeira dessas discrepâncias acabou sendo resolvida de m a neira inesperada pelas experiências sobre o calor. (ed. Clairaut conseguiu mostrar que somente a Matemática utilizada na aplicação estava errada e q u e a t e o r i a n e w t o n i a n a p o d e r i a ser m a n t i d a i n a l t e r a d a . W. P o r exemplo. . M e s m o as mais obstin a d a s a c a b a m c e d e n d o aos esforços d a prática n o r m a l . a p ó s u m a crise q u e n ã o ajudara a criar. Sempre existem algumas discrepâncias. N o tocante à velocidade d o som. T h e Caloric T h e o r y o f A d i a b a t i c C o m p r e s s i o n .u m a a n o m a l i a na a d e q u a ç ã o e n t r e a t e o r i a e a n a t u r e z a ? O q u e a c a b a d e ser d i t o i n d i c a q u e m e s m o u m a discrepância inexplicavelmente maior que a experim e n t a d a em outras aplicações da teoria não precisa provocar nenhuma resposta muito profunda. 136-137 (1958). pp. e m p r e gado com bons resultados em outras á r e a s ) . M u i t o freqüentemente. W H I T TAKEI. Londres. u m a anom a l i a reconhecida e persistente n e m s e m p r e leva a u m a crise. II. M a s n i n g u é m levou tais p r o postas m u i t o a sério e na prática essa paciência c o m u m a i m p o r t a n t e anomalia d e m o n s t r o u ser justificada.

P u d e r a m ser consideradas c o m o contra-exemplos e m e s m o assim serem deixadas de lado para um exame posterior. p o r e x e m p l o . o desenvolvimento da ciência n o r m a l p o d e transformar em u m a fonte de crise u m a anomalia que anteriormente n ã o passava de um i n c ô m o d o : o problema das relações de peso adquir i u u m status m u i t o d i f e r e n t e a p ó s a e v o l u ç ã o d a s t é c nicas químico-pneumáticas.te n e n h u m a das discrepâncias pareceu suficientemente fundamental para evocar o mal-estar que acompanha u m a crise. portanto. c o m o no caso da Química do século X V I I I . diversas dessas circunstâncias parecerão combinadas. u m a anomalia sem importância fundamental aparente p o d e provocar u m a crise. perguntar o que é que torna u m a anomalia digna de um escrutínio c o o r d e n a d o . d e v e ser a l g o m a i s d o q u e u m a s i m p l e s a n o m a lia. m a s m u i t o p o u c o descritivos. Os casos q u e j á e x a m i n a m o s s ã o c a r a c t e r í s t i c o s . E m geral. p o r essas r a z õ e s o u o u t r a s s i m i l a r e s . u m a a n o m a l i a p a r e c e ser a l g o m a i s d o q u e u m n o v o q u e - . freqüentemente através de processos q u e n ã o p o d e r i a m ter sido p r e v i s t o s . Ou. A l g u m a s vezes u m a a n o m a l i a colocará claramente em q u e s t ã o as generalizações explícit a s e f u n d a m e n t a i s do p a r a d i g m a — t a l c o m o o p r o b l e m a da resistência do éter c o m relação aos que aceitavam a teoria de Maxwell. c o m o no caso da revolução copernicana. caso as aplicações que ela inibe p o s s u a m u m a importância prática especial — neste exemplo p a r a a e l a b o r a ç ã o do calendário e p a r a a Astrologia. O cientista q u e s e d e t é m p a r a e x a m i n a r c a d a u m a das anomalias q u e constata. P r o v a v e l m e n t e n ã o existe u m a r e s posta verdadeiramente geral p a r a essa pergunta. acaba sendo resolvida. Devemos. Já i n d i c a m o s . cedo ou tarde. r a r a m e n t e realizará algum trabalho importante. É de se presumir que ainda existam outras circunstâncias capazes de tornar u m a anomalia algo particularmente p r e m e n t e . q u e u m a d a s f o n t e s d a crise c o m a q u a l se d e f r o n t o u C o p é r n i c o foi s i m p l e s m e n t e o espaço de tempo durante o qual os astrônomos lutaram sem sucesso para reduzir as discrepâncias residuais existentes no sistema de P t o l o m e u . a maioria. Q u a n d o . S e m p r e e x i s t e m d i f i c u l d a d e s e m q u a l q u e r p a r t e d a adequação entre o paradigma e a natureza.j Segue-se daí que p a r a u m a a n o m a l i a originar u m a c r i s e . O u .

Um n ú m e r o cada vez m a i o r de cientistas eminentes do setor passa a dedicar-lhe u m a atenção sempre maior.eram a c e i t a s p a s s a m a ser q u e s t i o n a d a s ^ T a l situação. mas s e m r e l a ç ã o c o m u m m e s m o c o r p o . a s r e g r a s d a c i ê n c i a n o r m a l tornam-se sempre mais indistintas. a cabeça e outros m e m b r o s de imagens de diversos modelos. com a c o n t í n u a r e s i s t ê n c i a . é sinal d e q u e s e iniciou a t r a n s i ç ã o p a r a a crise e p a r a a c i ê n c i a e x t r a o r d i n á r i a . U m a v e z q u e elas n ã o se adaptam u m a s às outras de forma alguma. que n ã o conseguiam explicar n e m m e s m o a duração constante das estações do ano". U m a fonte de m u d a n ç a s ainda mais i m p o r t a n t e é a natureza divergente das numerosas soluções parciais que a atenção concentrada tornou disponível. " C o m eles". . mas. Copérnico queixou-se de que no seu t e m p o os a s t r ô n o m o s e r a m tão "incoerentes nessas investigações ( a s t r o n ô m i c a s ) . P a r a esses i n v e s t i g a d o r e s a disciplina n ã o parecerá mais a m e s m a de antes. a s o l u ç ã o . . constata-se que poucos c i e n t i s t a s e s t a r ã o d e a c o r d o s o b r e q u a l seja e l e . os pés. A esta altura. q u a n d o aguda.b r a . Se a anomalia continua resistindo à análise (o q u e geralmente n ã o a c o n t e c e ) .c a b e ç a d a c i ê n c i a n o r m a l . M e s mo soluções-padrão de problemas que anteriormente s. m a s n e n h u m a tão b e m sucedij i a q u e p o s s a ser a c e i t a c o m o p a r a d i g m a p e l o g r u p o . "é c o m o se um artista reunisse as m ã o s . A p r ó p r i a a n o m a l i a p a s s a a ser m a i s c o m u m e n t e "reconhecida c o m o tal pelos cientistas. c a d a u m a d e las será b e m sucedida. os a t a q u e s e n v o l v e r ã o mais e mais algumas articulações menores do paradigma (ou mesmo algumas não tão inexpressivas). e m b o ra ainda exista um p a r a d i g m a . cada parte muitíssimo bem desenhada. muitos cientistas p o d e m passar a consider a r s u a r e s o l u ç ã o c o m o o o b j e t o d e e s t u d o específico d e s u a d i s c i p l i n a . Através dessa proliferação de articulações divergentes ( q u e serão c a d a vez mais freqüentemente descritas com o a d a p t a ç õ e s a d hoc). N e n h u m a dessas articulações será igual. Os primeiros ataques contra o problema não-resolvido seguem b e m de perto as regras do paradigma. Parte dessa "aparência resulta pura e simplesmente da nova persp e c t i v a d e e n f o q u e a d o t a d a p e l o e s c r u t í n i o científico. é a l g u m a s vezes r e conhecida pelos cientistas envolvidos. continua. o .

W e i s s k o p f ( N o v a Y o r k . e m Theoretical Physics i n the Tveentieth Century: A. "Autobiographicl Note". ed. os cientis5 6 7 as 5. III. nos meses que precederam o artigo de Heisenberg que indicaria o c a m i n h o p a r a u m a nova Teoria d o s Quanta. 45. R A L P H K R O N I G . W o l f g a n g Pauli. Memorial Volume to Wolfang Pauli. p. 1 9 5 7 ) . 6. A. 138. sobre o q u a l s e p u d e s s e c o n s t r u i r . ela n ã o p r o p o r c i o n a a s o l u ç ã o p a r a a c h a r a d a . T a i s r e c o n h e c i m e n t o s explícitos de fracasso são e x t r a o r d i n a r i a m e n t e r a r o s . m a s o s efeitos d a crise n ã o d e p e n d e m inteiramente de sua aceitação consciente. G o s t a r i a d e t e r . K U H N . De q u a l q u e r m o d o . M. sem que n e n h u m fundamento firme. S. ser u n i v e r s a i s . A esse respeito. 1 . c o m a diferença de que no primeiro caso o p o n t o de divergência é m e n o r e m e n o s c l a r a m e n t e d e f i n i d o . Schi (Evanston. In: Albert Einstein: Philosopher-Scientist. a pesquisa d o s períodos de crise assemelha-se m u i t o à pesquisa pré-paradigmática. 25-26. Nesse caso. m a s acredito que agora é possível avançar novamente". . S e m d ú v i d a a l g u m a . Albert. Q u a i s s ã o esses efeitos? A p e n a s d o i s d e l e s p a r e c e m . Fierz e V. E m o u t r a s ocasiões o p r o b l e m a resiste até m e s m o a novas abord a g e n s a p a r e n t e m e n t e radicais. apesar d o desespero daqueles q u e o v i a m c o m o o fim d o p a r a d i g m a e x i s t e n t e . T o d a s crises i n i c i a m c o m o o b s c u r e cimento de um p a r a d i g m a e o conseqüente relaxament o d a s r e g r a s q u e o r i e n t a m a p e s q u i s a n o r m a l . Citado cm T. 1949). " E i n s t e i n .. e s c r e v e u a u m a m i g o : " N o m o m e n t o . F. 7. T^he Copernican Revoluíion (Cambridge.resultado seria antes u m m o n s t r o q u e u m h o m e m . M a s s . 22. p a r a m i m é m u i t o difícil. l i m i t a d o p e l o e m p r e g o c o r r e n t e d e u m a linguagem menos rebuscada. "The Turning roint".m e a e s p e r a n ç a e a a l e g r i a de viver. a Física está mais u m a vez em terrível confusão. A l g u m a s vezes a ciência normal acaba revelando-se capaz de tratar do problema q u e p r o v o c a crise. estivesse à v i s t a " .m e t o r n a d o u m c o m e d i a n t e d e c i n e m a o u algo d o g ê n e r o e n u n c a ter o u v i d o falar d e F í s i c a " . E I N S T E I N . ed. E s s e t e s t e m u n h o é particularmente impressionante se contrastado c o m as palavras q u e Pauli pronunciou cinco m e ses d e p o i s : " O t i p o d e M e c â n i c a p r o p o s t a p o r H e i s e n b e r g d e v o l v e u . P. Grande parte desse artigo descreve a crise que teve lugar na M e c â n i c a Quantica n o s a n o s anteriores a 1925. escreveu apenas que: "Foi c o m o s e o s o l o d e b a i x o d e n o s s o s p é s tivesse s i d o r e tirado. 1960). p . pp. (As c r i s e s p o d e m t e r m i n a r de três maneiras.

O p r o b l e m a recebe e n t ã o um rótulo e é posto de l a d o p a r a ser resolvido p o r u m a futura g e r a ç ã o q u e d i s p o nha de instrumentos mais elaborados. digma e c o m u m a subseqüente batalha p o r sua aceitaç ã o j Este último m o d o de resolução será extensamente examinado nos últimos capítulos. Completada a transição. que p r i m e i r a m e n t e f o r a m vistas c o m o u m p á s s a r o . finalmente. U m historiador perspicaz. descreveu-o recentemente c o m o "tomar o reverso da medalha". A transição de um p a r a d i g m a em crise p a r a um n o v o . o c a s o q u e m a i s n o s i n t e r e s s a : u m a crise p o d e t e r m i nar com a emergência de um novo candidato a p a r a . O u t r o s q u e a t e n t a r a m p a r a e s s e a s p e c t o d o a v a n ç o científico e n f a t i z a r a m s u a s e m e l h a n ç a c o m u m a m u d a n ç a n a f o r m a (Gestalt) v i s u a l : a s m a r cas n o papel. . de seus m é t o d o s e de seus objetivos. m a s e s t a b e l e c e n d o e n t r e eles u m n o v o s i s t e m a d e r e lações. 1949). D u r a n t e o período de transição haverá u m a grande coincidência ( e m b o r a nunca c o m p l e t a ) entre os p r o b l e m a s q u e p o d e m ser r e s o l v i d o s p e l o a n t i g o p a r a d i g m a e o s q u e p o d e m ser r e s o l v i d o s p e l o n o v o . BUTTERFIELD. H a verá igualmente u m a diferença decisiva no tocante aos modos de solucionar os problemas. 1300-I8OO. Herbert.I tas p o d e m concluir que n e n h u m a solução p a r a o p r o blema p o d e r á surgir no estado atual da área de estudo. The Origins of Modern Science. observando u m caso clássico d e reorientação d a ciência p o r m u d a n ç a d e paradigma. os cientistas t e r ã o modificado a sua concepção da á r e a de estudos. a fim d e c o m p l e t a r e s t a s o b s e r v a ç õ e s s o b r e a e v o l u ç ã o e a a n a t o m i a do e s t a d o de crise. e s t á l o n g e d e ser u m p r o c e s s o c u m u l a t i v o obtido através de u m a articulação do velho paradigma. Ou. m a s anteciparem o s a l g o d o q u e s e r á d i t o . organizado a partir de um q u a d r o de referência d i f e r e n t e " . s ã o a g o r a vistas c o m o u m a n t í l o p e o u v i 8 8. 1-7. d o q u a l p o d e surgir u m a n o v a t r a d i ç ã o d e ciênc i a n o r m a l . É antes u m a reconstrução da área de estudos a partir de novos princípios. reconstrução q u e altera algumas das generalizações teóricas mais elementares do p a r a d i g m a . (Londres. b e m c o m o muitos de seus m é t o d o s e aplicações. pp. processo que envolve "manipular o m e s m o conjunto de dados que anteriormente.

ainda mais do q u e a do historiador. Já e x a m i n a m o s a l g u n s dos problemas criados com a afirmação de que Priestley v i a o o x i g ê n i o c o m o a r d e s f l o g i s t i z a d o . um n o v o p a r a d i g m a emerge — a o m e n o s e m b r i o n a r i a m e n t e — a n t e s q u e u m a crise esteja b e m desenvolvida ou t e n h a sido explicitamente reconhecida. a m u d a n ç a de forma perc e p t i v a {Gestalt}. c o m o o sujeito da Gestalt. ! F r e q ü e n t e m e n t e . n ã o necessariamente históricas. Cap. ao discutirmos a emergência de desço-' bertas.c e . A s u a n o t a l a c r a d a foi d e p o s i t a d a na A c a d e m i a Francesa menos de um ano depois do 9 1 9. a liberdade de passar repetidamente de u m a maneira de ver a outra. N ã o obstante. A l é m d i s s o . I. IIANSON.s e g r a v e m e n t e . Q^trabalho de Lavoisier fornece um exemp l o c a r a c t e r í s t i c o . T a l p a r a l e l o p o d e ser e n g a n o s o . Op. é u m p r o t ó t i p o e l e m e n t a r útil p a r a o e x a m e d o q u e ocorre d u r a n t e u m a m u d a n ç a total d e paradigma. C o m o é a pesquisa extraordinária? C o m o fazemos para que u m a anomalia s e a j u s t e à lei? C o m o p r o c e d e m o s c i e n t i s t a s q u a n d o se conscientizam de que há algo f u n d a m e n t a l m e n t e e r r a d o n o p a r a d i g m a .n o s a r e c o n h e c e r a crise c o m o um p r e l ú d i o a p r o p r i a d o à emergência de novas teorias. essa o b s e r vação n ã o é mais q u e um prelúdio à investigação do e s t a d o d e crise e . devido às limitações de seu treinamento? Essas questões exigem investigações b e m mais amplas. . a s p e r g u n t a s à s q u a i s ela c o n d u z r e q u e r e m a competência do psicólogo. i n f e l i z m e n t e . o c i e n t i s t a n ã o r e t é m . C o n t u d o . O s c i e n t i s t a s n ã o v ê e m u m a c o i s a como s e f o s s e o u t r a d i f e r e n te — eles s i m p l e s m e n t e a v ê e m . que tal emergência só tem p r o b a b i lidades de ocorrer q u a n d o se percebe que a tradição a n t e r i o r e q u i v o c o u . cit. situada no interior de um universo de discurso t a m b é m diferente. A s a n t e c i p a ç õ e s feitas a c i m a p o d e r ã o a u x i l i a r . especialmente após term o s e x a m i n a d o u m a versão em pequena escala do m e s mo processo. O q u e dizemos a seguir será necessariamente mais h i p o tético e incompleto do q u e o afirmado anteriormente.v e r s a . s o b r e t u d o p o r ser a t u a l m e n t e t ã o f a m i l i a r . É exatamente p o r q u e a emergência de u m a n o v a teoria r o m p e c o m u m a tradição d a prática científica e i n t r o d u z u m a n o v a d i r i g i d a p o r r e g r a s d i f e r e n tes. e m u m nível p a r a o q u a l n ã o estão capacitados a trabalhar.

Q u a n d o as coisas se processam dessa maneira. E m casos c o m o esse. pode-se apenas dizer que um fracasso m e n o r do p a r a d i g m a e o primeiro obscurecimento de suas regras p a r a a ciência n o r m a l f o r a m s u f i c i e n t e s p a r a i n d u z i r e m a l g u é m um novo m o d o de encarar seu c a m p o de estudos. E m b o r a consciente de que as regras da ciência n o r m a l n ã o p o d e m estar totalm e n t e certas. n ã o s e tivesse t r a n s f o r m a d o e m u m e s c â n d a l o científico internacional.primeiro estudo minucioso das relações de peso na teoria flogística e antes d a s publicações de Priestley ter e m revelado t o d a a extensão da crise existente na Q u í mica Pneumática. Einstein e da teoria nuclear contemp o r â n e a — decorre um t e m p o considerável entre a primeira consciência do fracasso do p a r a d i g m a e a emergência de um novo. s e m q u a l q u e r assistência d a q u e l e autor. p r o c u r a n d o um efeito cuja . o primeiro esforço teórico do cientista será. pelo menos. de torná-la m a i s n í t i d a e t a l v e z m a i s s u g e s t i v a d o q u e e r a a o ser a p r e s e n t a d a em experiências cujo resultado pensava-se conhecer d e a n t e m ã o . mais d o q u e e m qualquer outro m o m e n t o do desenvolvimento pré-paradigmático da ciência. buscando descobrir precisamente onde e a t é q u e p o n t o e l a s p o d e m ser e m p r e g a d a s e f i c a z m e n Je na área de dificuldades. N e s s e esforço. em outros casos — c o m o por exemplo os de Copérnico. E m p r i m e i r o lugar. realizando experiências simplesmente p a r a ver o q u e acontecerá. parecerá quase idêntico à n o s s a i m a g e m c o r r e n t e d o cientista. será freqüentemente visto c o m o u m h o m e m q u e p r o cura ao acaso. Confrontado com u m a anomalia reconhecidam e n t e fundamental. S i m u l t a n e a m e n t e o cientista buscará m o d o s de realçar a dificuldade. captar a l g u m a s pistas sobre o q u e é a ciência extraordinária. O que ocorreu entre a primeira percepção do problema e o reconhecimento de u m a alternativa disponível d e ve ter sido em g r a n d e p a r t e inconsciente. c o m freqüência. o historiador pode. p r o c u r a r á aplicá-las mais vigorosamente do que nunca. na d é c a d a q u e se seguiu aos primeiros trabal h o s d e Y o u n g . Os primeiros informes de T h o m a s Y o u n g sobre a teoria ondulatória da luz apareceram n u m e s t á g i o b e m inicial d e u m a crise q u e s e d e s e n v o l via na Óptica. ^ Contudo. isolá-la c o m m a i o r precisão e dar-lhe u m a estrutura. T a l crise teria p a s s a d o q u a s e d e s p e r c e bida se.

d a d o q u e n e n h u m a e x p e r i ê n c i a p o d e ser c o n cebida s e m o apoio de a l g u m a espécie de teoria. o b s e r v a m o s q u e o c o n j u n t o c o m p l e t o d a s r e g r a s . tentativas de localizar e definir a origem de um conjunto ainda difuso de anomalias. essas experiências foram. e s p e c i a l m e n t e Experiments and Observations on Different Kinds of Air (Londres. ed. se mal sucedid a s . .\ O relatório de Kepler sobre sua luta prolongada c o m o m o v i m e n t o de M a r t e e a descrição de Priestley sobre sua resposta à proliferação de novos gases forn e c e m exemplos clássicos de um tipo de pesquisa mais aleatório gerado pela consciência da anomalia. Creio que é « o b r e t u d o nos períodos de crises reconhecidas q u e os cientistas se voltam p a r a a a n á l i s e filosófica c o m o u m m e i o p a r a r e s o l v e r a s c h a r a d a s d e sua á r e a d e estudos. Na medida em que o trabalho de pesq u i s a n o r m a l p o d e ser c o n d u z i d o u t i l i z a n d o . a c i ê n c i a n o r m a l u s u a l m e n t e m a n t é m a filosofia c r i a d o r a a o a l c a n c e d a m ã o e p r o v a v e l m e n t e faz isso por boas razões. A History of Astronomy from Thales to Kepler (2.natureza n ã o pode imaginar com precisão. N ã o fosse a c r i s e q u e tornou necessário determinar até o n d e poderiam ir as regras da ciência n o r m a l . a hipótese radical de n ã o . pp. Ao mesmo t e m p o . 380-393. N a v e r d a d e . E m geral o s cientistas n ã o p r e c i s a r a m o u m e s m o d e s e j a r a m ser filósofos. p o s s a m ser a b a n d o n a d a s c o m r e l a t i v a facilidade. Q u a n t o a P r i e s t l e y .s e d o p a r a digma como modelo. L . N o C a p . 4 . Mas provavelmente as melhores ilustrações encontram-se n a s pesquisas c o n t e m p o r â n e a s sobre a teoria de c a m p o e sob r e a s p a r t í c u l a s f u n d a m e n t a i s . 1 9 5 3 ) . Nova York.c o n s e r v a ç ã o da p a r i d a d e teria sido sugerida ou t e s t a d a ? C o m o t a n t a s o u t r a s p e s q u i s a s físicas r e a l i z a d a s na d é c a d a passada. E s s e t i p o d e p e s q u i s a e x t r a o r d i n á r i a é . 1774-1775). acomp a n h a d o por outro. possam abrir o caminho para um novo paradigma e. Inexatidões acidentais não impedem que a apresentação de Dreyer nos forneça o material de que necessitamos. v e r s u a s p r ó p r i a s o b r a s . P a r a u m r e l a t o <ío t r a b a l h o d e K e p l e r s o b r e M a r t e . b u s c a d o p e l a a n á l i s e filo1 0 1 0 . em parte. E . se as regras n ã o tivessem falhado de maneira evidente em algum ponto n ã o revelado.. teria p a r e c i d o justificado o esforço exigido p a r a detectar o neutrino? Do m e s m o m o d o . c o m freqüência (embora de nenhum modo geralmente). se b e m sucedidas. as regras e pressupostos n ã o prec i s a m ser e x p l i c a d o s . DREYER. v e r J . o cientista e m c r i s e t e n t a r á c o n s t a n t e m e n t e g e r a r t e o r i a s especulativas que.

B o h r e outros é perfeitamente calculada p a r a expor o antigo p a r a d i g m a ao conhecimento existente. Taton e I. C o m o mostrei em outros lugares. e o o x i g ê n i o n ã o foi o ú n i c o g á s q u e o s q u í m i c o s c o n s c i e n tes d a a n o m a l i a d e s c o b r i r a m n o s t r a b a l h o s d e P r i e s t l e y . a experiência de pensamento analítica q u e é tão i m p o r t a n t e n o s escritos de Galileu. C o m referência a u m episódio s e m e l h a n t e n o s é c u l o X I X . As novas descobertas ópticas acumularam-se rapidamente p o u c o antes e d u r a n t e o surgimento da teoria o n d u latória da luz. u m a outra coisa p o d e o c o r r e r . La mécanique a u XVII. I n : langes Alexandre Koyré. ver R E M E DUGAS. com o qual p e n s a v a conquistar o p r ê m i o da 1 1 1 2 1 1 . K U H N . 419-443. R . Histoire de la mécanique (Neuchâtel. Para o contraponto filosófico que a c o m p a n h o u a M e c â n i c a do século X V I I . (Malus. N ã o é por acaso q u e a e m e r g ê n c i a d a física n e w t o n i a n a n o s é c u l o X V I I e da Relatividade e da Mecânica Quântica no século XX f o r a m p r e c e d i d a s e a c o m p a n h a d a s p o r a n á l i s e s filosóficas fundamentais da tradição de pesquisa contemporân e a . c o m o a da polarização por reflexão. estava apenas iniciando seu ensaio sobre a dupla refração. a s crises f a z e m freqüentemente proliferar novas descobertas. X I . B. n ã o p r e c i s a n e m m e s m o existir. \ " Ã o c o n c e n t r a r a a t e n ç ã o científica s o b r e u m a área problemática bem delimitada e ao preparar a m e n t e científica p a r a o r e c o n h e c i m e n t o d a s a n o m a l i a s e x p e r i m e n t a i s p e l o q u e r e a l m e n t e s ã o . e d . I s s o n ã o q u e r dizer que a busca de pressupostos ( m e s m o os não-exist e n t e s ) n ã o p o s s a e v e n t u a l m e n t e ser u m a m a n e i r a eficaz de enfraquecer o domínio de u m a tradição sobre a m e n te e sugerir as bases p a r a u m a nova. C o m o d e s e n v o l v i m e n t o — i s o l a d o ou c o n j u n t o — desses procedimentos extraordinários. Paris. A l g u m a s dessas descobertas. v e r u m l i v r o a n t e r i o r d o m e s m o a u t o r . Cohen. " A Function for T h o u g h t Experiments". pp.] Já indicam o s c o m o a c o n s c i ê n c i a de crise d i s t i n g u e e n t r e o t r a b a l h o de L a v o i s i e r s o b r e o o x i g ê n i o e o de P r i e s t l e y . autor da descoberta. S . N e m é acidental o fato de em a m b o s os períodos a c h a m a d a experiência de pensamento ter d e s e m p e n h a d o u m papel t ã o crítico n o progresso d a pesquisa.» siècle (Neuchâtel. Mépor . d e t a l f o r m a q u e a r a i z d a crise seja i s o l a d a c o m u m a clareza impossível de obter-se no l a b o r a t ó r i o . publicado Hermann. | 2 . 1 9 5 4 ) . T . 1950). resultaram de acidentes que se t o r n a m p r o v á v e i s q u a n d o existe u m t r a b a l h o c o n c e n trado na área problemática.sófica. Einstein. especialmente C a p .

s e p e r feitamente q u e essa questão apresentava um desenvolvimento insatisfatório até aquele m o m e n t o . cit. emerge repentinamente. 1772). d e t a l m o d o q u e n ã o p o d i a m s e r vistos n a s u a n a t u r e z a r e a l . A pesquisa extraordinária deve ainda possuir out r o s efeitos e m a n i f e s t a ç õ e s . Q u a l seja a n a t u r e z a d e s s e e s t á g i o final — c o m o o i n d i v í d u o i n v e n t a ( o u descobre que inventou) u m a nova maneira de ordenar 1 3 14 13. m a i s f r e q ü e n t e m e n t e tal e s t r u t u r a n ã o é p e r c e b i d a c o n s c i e n t e m e n t e d e a n t e m ã o . m a s tal c o m o o oxigênio de Priestley. A o invés d i s s o . como a do ponto luminoso no centro da sombra de um disco circular. EINSTEIN. 1956). Cap. Para u m a exp l i c a ç ã o a n t e r i o r d e u m d e s s e s e f e i t o s . o u u m a i n d i c a ç ã o suficiente p a r a p e r m i t i r u m a posterior articulação. v e r J . pp. Outras ainda. P R I E S T L E Y . c o m o as cores de ranhuras e d e p l a c a s g r o s s a s e r a m efeitos q u e j á h a v i a m s i d o c o n s tatados muitas vezes e ocasionalmente mencionados. p o d i a perceber a inter-relação existente entre as c o n h e cidas anomalias da radiação de um corpo negro. R O N C H I . As o b servações anteriores devem bastar c o m o indicação da m a n e i r a pela q u a l as crises debilitam a rigidez d o s estereótipos e ao m e s m o t e m p o fornecem os d a d o s adicionais necessários p a r a u m a alteração f u n d a m e n t a l d e p a radigma. The History and Present State of Discoveries Relating to Vision. Light and Colours (Londres. m a s n e s s a á r e a m a l c o m e ç a m o s a descobrir as questões q u e p r e c i s a m ser colocad a s . Einstein escreveu que antes m e s m o de dispor de qualquer substituto para a Mecânica Clássica. U m r e l a t o sim i l a r p o d e r i a ser feito s o b r e a s m ú l t i p l a s d e s c o b e r t a s que. V I I . h a v i a m sido assim i l a d o s a efeitos b e m c o n h e c i d o s . 14. n a mente d e u m h o m e m p r o f u n d a m e n t e i m e r s o n a crise. a partir de 1 8 9 5 . A respeito das novas descobertas ópticas e m geral. ver V . foram resultado de predições realizadas a partir de u m a nova hipótese. I OC. a c o m p a n h a r a m a emergência da Mecânica Quântica. cujo sucesso ajudou a transformá-la em paradigma p a r a os trabalhos posteriores. A e s t a a l t u r a . 498-520. .A c a d e m i a p a r a t r a b a l h o s s o b r e esse t e m a . do efeito fotoelétrico e d o s calores específicos. Histoire de la lumière ( P a r i s . isso t a l v e z seja o suficiente. ) O u t r a s descobertas. algumas vezes n o meio d a noite. A l g u m a s vezes a forma do n o v o p a r a d i g m a prefigura-se na estrutura que a pesquisa extraordinária d e u à anomalia. No entant o . o n o v o p a r a d i g m a . S a b i a .

i n c ô m o d a o u n ã o . isso n ã o p r e c i s a v a t e r ocorrido. •- . [Princeton. N ã o se interrogam. 5. Lehman (Age and Achievement. o s c i e n t i s t a s t o m a m u m a atitude diferente c o m relação aos paradigmas 1 5 15. visto q u e tais h o m e n s . Neste capítulo do ensaio e nos dois precedentes. H a r v e y C. u m a s p e c t o final e a p a r e n t e m e n t e e q u í v o c o d o c a m i n h o aberto pelo material apresentado nos três últimos capítulos. sendo p o u c o c o m p r o m e t i d o s c o m as regras tradicionais da ciência n o r m a l em r a z ã o d e s u a l i m i t a d a p r á t i c a científica a n t e r i o r . A t é o C a p .l a s . os t e r m o s " r e v o l u ç ã o " e "ciência extraordinária" p o d e m ter parecido equivalentes. enunciamos numerosos critérios relativos ao fracasso na atividade da ciência normal. Confrontados c o m a n o m a l i a s o u c r i s e s . ^ transição para um novo paradigma é u m a revol u ç ã o científica. m a s seus estudos n ã o procuram distinguir aquelas contribuições que e n v o l v e m u m a reconceptualização de natureza fundamental. n e n h u m desses termos p o d e r i a t e r significado o u t r a c o i s a a l é m d e " c i ê n c i a n ã o . os h o m e n s q u e fazem essas invenções fundamentais são muito jovens ou estão há pouc o t e m p o n a á r e a d e estudos cujo p a r a d i g m a modificam. E s t a m o s a p o n t o de descobrir que u m a circularidade semelhante é característica d a s teorias científicas. Q u a s e s e m p r e . sobre as circustâncias especiais — se e x i s t e m — que p o d e m a c o m p a n h a r a p r o d u t i v i d a d e r e l a t i v a m e n t e t a r d i a na c i ê n c i a s . a generalização está a requerer u m a investigação sistemática. 1953]) fornece m u i t o s d a d o s úteis. t ê m g r a n d e s probabilidades d e perceber q u e tais regras n ã o mais definem alternativas viáveis e de conceber um o u v^tro c o n j u n t o q u e p o s s a s u b s t i t u í . C o n t u d o . t e m a q u e e s t a m o s f i n a l m e n t e p r e p a r a dos para abordar diretamente. Essa generalização do papel da juventude nas pesquisas científicas fundamentais é t ã o c o m u m q u e chega a ser um clichê. Não obstante. um olhar r á p i d o em q u a s e t o d a s as listas de contribuições fundamentais à teoria científica proporcionarão uma confirmação impressionista.n o r m a l " . N a p r á t i c a . já agora coletados na sua totalidade — perm a n e c e r á i n e s c r u t á v e l a q u i e é p o s s í v e l q u e a s s i m seja p e r m a n e n t e m e n t e . e s s a c i r c u l a r i d a d e j á — n ã o está mais sem caracterização. critérios que n ã o d e p e n d e m d e forma alguma d o fato de u m a r e v o l u ç ã o seguir-se ou n ã o a esse fracasso. igualmente. entretanto. T a l c i r c u l a r i d a d e p o d e ter i n c o m o d a d o p e l o m e n o s a l g u n s l e i t o r e s . M a i s importante ainda. T a l v e z n ã o fosse n e c e s s á r i o f a z e r essa o b s e r v a ç ã o .os dados. q u a n d o pela primeira vez introduziu-se o conceito de a n o m a l i a . Observe-se. I n d i q u e m o s apenas u m a coisa a esse respeito. A l é m disso.

são sintomas de u m a transição da pesquisa normal para a extraordinária. A proliferação de articulações concorrentes.existentes.'] . C o m isso. A n o ç ã o de ciência n o r m a l d e p e n d e mais da existência desses fatores do q u e da existência de revoluções. a disposição de tentar qualquer coisa. a n a t u r e z a de suas pesquisas transforma-se de forma correspondente. a expressão de d e s c o n t e n t a m e n t o explícito. o r e c u r s o à F i l o s o f i a e ao d e b a t e s o b r e os f u n d a m e n t o s .

.

D e m o d o especial. há m u i t o m a i s a ser d i t o e u m a p a r t e e s s e n c i a l p o d e ser introduzida através de mais u m a pergunta. Contudo. J P o r f j u e ^ h a - . A NATUREZA E A NECESSIDADE DAS REVOLUÇÕES CIENTIFICAS Essas observações permitem-nos finalmente examin a r os p r o b l e m a s q u e d ã o o n o m e a este ensaio. a discussão precedente indicou que c o n s i d e r a m o s r e v o l u ç õ e s científicas a q u e l e s e p i s ó d i o s d e desenvolvimento não-cumulativo. incompatível c o m o anterior. nos quais um paradigma mais antigo é total ou parcialmente substituído por um novo.8. O q u e s ã o r e v o l u ç õ e s científicas e q u a l a s u a f u n ç ã o n o d e s e n v o l v i m e n t o científico? G r a n d e p a r t e d a r e s p o s t a a e s s a s q u e s t õ e s foi a n t e c i p a d a n o s c a p í t u l o s a n t e r i o r e s .

q u e p o d e levar à crise. Çís r e v o l u ç õ e s p o l í t i c a s i n i c i a m . c o m freqüência restrito a um segmento da c o m u n i d a d e política. e m b o r a e s s e p a r a l e l i s m o evidentemente force a metáfora. o surgimento d o s raios X violou inevitavelm e n t e um p a r a d i g m a ao criar outro. as revoluções científicas i n i c i a m . associadas c o m a assimilação de um n o v o tipo de fenômeno. p o d i a m aceitar os raios X c o m o u m a simples adição ao conhecimento.mar de revolução u m a mudança de paradigma? Face às grandes e essenciais diferenças que s e p a r a m o desenvolv i m e n t o p o l í t i c o d o científico.s e c o m u m s e n t i m e n t o c r e s c e n t e . tais c o m o as q u e p o d e m o s atribuir a C o p é r n i c o e Lavoisier. por exemplo. cuja exploração fora anteriormente dirigida pelo paradigma. P a r a observadores externos. de q u e as instituições existentes deixaram de responder a d e q u a d a m e n t e aos problemas postos por um meio que ajudaram em parte a criar. a s r e v o l u ç õ e s científicas p r e c i s a m p a r e c e r r e volucionárias s o m e n t e p a r a aqueles cujos p a r a d i g m a s sejam afetados por elas. c o m o o o x i g ê n i o o u o s r a i o s X . pois seus paradigmas n ã o f o r a m afetados pela existência d e u m a n o v a radiação. 4 . É p o r isso q u e tais raios somente p o d e r i a m ter sido descobertos através da p e r c e p ç ã o d e q u e algo n ã o a n d a v a b e m n a pesquisa normal. De forma muito semelhante. é um pré-requisito p a r a a revoluçãçj. C r o o k e s e Roentgen. M a s p a r a h o mens c o m o Kelvin. tal c o m o as revoluções balcânicas no c o m e ç o d o século X X . é válido n ã o apenas p a r a a s m u d a n ç a s i m p o r t a n t e s d e p a r a d i g m a . q u e p a r a l e l i s m o p o d e r á justificar a m e t á f o r a q u e e n c o n t r a r e v o l u ç õ e s e m a m b o s ? A esta altura um dos aspectos do paralelismo já d e v e ser visível. Esse aspecto genético do paralelo entre o desenv o l v i m e n t o científico e o p o l í t i c o n ã o d e v e r i a d e i x a r . d e q u e o p a r a d i g m a e x i s t e n t e d e i xou de funcionar a d e q u a d a m e n t e na exploração de um aspecto da natureza. C o m o i n d i c a m o s n o final d o C a p . t a m b é m seguidamente restrito a u m a pequena subdivisão da com u n i d a d e científica. podem parecer etapas normais de um processo de desenvolvimento.s e c o m um sentimento crescente. o s e n t i m e n t o d e f u n c i o n a m e n t o defeituoso.j A l é m d i s s o . m a s t a m b é m p a r a as b e m m e n o s importantes. T a n t o no desenvolvimento p o l í t i c o c o m o n o científico. cujas pesquisas tratavam da teoria da radiação ou dos tubos de raios catódicos. O s astrônomos.

ela n ã o é e n ã o p o d e ser d e t e r m i n a d a s i m p l e s m e n t e p e l o s p r o c e d i m e n t o s de avaliação característicos da ciência n o r m a l . P o r ter esse caráter. os recursos de natureza política fracassam. por sua vez. a e s c o l h a e n t r e p a r a d i g m a s e m c o m p e t i ç ã o d e m o n s t r a ser u m a escolha entre m o d o s incompatíveis de vida comunitária. P o r discordarem q u a n t o à matriz institucional a partir d a q u a l a m u d a n ç a p o l í t i c a d e v e r á ser a t i n g i d a e a v a liada. muitos desses indivíduos c o m prometem-se com algum projeto concreto para a reconstrução da sociedade de acordo com u m a nova estrutura i n s t i t u c i o n a l . o o u t r o tentando estabelecer u m a nova. A e s t a a l t u r a . C o n t u d o . Conseqüentemente. n a m e d i d a e m q u e a crise se aprofunda. seu êxito requer o a b a n d o n o parcial d e u m conjunto d e instituições e m favor d e outro. De início. As revoluções políticas visam realizar m u d a n ç a s nas instituições políticas. nesse ínterim. os partidos envolvidos em um conflito revolucionário d e v e m recorrer finalmente às técnicas de persuasão de massa. ao longo da evolução da ciência. d o q u a l d e p e n d e o signific a d o do primeiro. Q u a n d o ocorre essa p o larização. u m deles p r o c u r a n do defender a velha constelação institucional. é somente a crise q u e a t e n u a o p a p e l d a s instituições políticas. O restante deste ensaio visa d e m o n s t r a r que o estudo histórico da m u d a n ç a de paradigmas revela características muito semelhantes a essas. esse p a p e l d e p e n d e do fato de aquelas s e r e m parcialmente eventos extrapolíticos e extra-institucionais. E . está . o paralelo possui um segund o a s p e c t o . m u d a n ç a s essas proib i d a s p o r e s s a s m e s m a s instituições q u e s e q u e r m u d a r . que seguidamente incluem a força. do mesmo m o d o que atenua o papel dos paradigmas.s e sempre mais excentricamente n o interior dela. E n t ã o . a sociedade n ã o é integralmente govern a d a p o r n e n h u m a instituição. Em n ú m e r o s crescentes os indivíduos alheiam-se cada vez mais da vida política e c o m p o r t a m . T a l c o m o a escolha e n t r e d u a s instituições políticas e m c o m p e t i ç ã o . E m b o r a a s revoluções t e n h a m tido u m p a p e l vital n a e v o l u ç ã o d a s instituições políticas. p o r n ã o reconhecerem n e n h u m a estrutura s u p r a -institucional competente p a r a julgar diferenças revolucionárias. m a i s p r o f u n d o .maiores dúvidas. a s o c i e d a d e e s t á d i v i d i d a em c a m p o s o u partidos e m competição. pois esses d e p e n d e m parcialmente d e u m p a r a d i g m a determinado e esse paradigma.

é p r o v á v e l q u e p o n h a m o s e m d ú v i d a a capacidade de tais exemplos p a r a n o s p r o p o r cionarem informações essenciais sobre a natureza da ciência — e p o r t a n t o e x a m i n a r e m o s essa q u e s t ã o em primeiro lugar. numerosos exemplos de tais diferenças e n i n g u é m d u v i d a r á de q u e a história da ciência p o d e fornecer m u i t o s mais. seu papel é necessariamente circular.em questão. Já indicamos. — c o m o n a s revoluções políticas — n ã o existe critério superior ao consentimento da comunidade relevante. P a r a d e s c o b r i r c o m o a s r e v o l u ç õ e s científicas s ã o p r o duzidas. do a r g u m e n t o c i r c u l a r e q ü i v a l e t ã o -somente ao da persuasão. seja p r o b a b i l i s t i c a m e n t e . A d m i t i n d o que a rejeição de paradigmas é um fato histórico. Q u a n d o os paradigmas participam — e d e v e m fazê-lo — de um d e b a t e sobre a escolha de um paradigma. esse a r g u m e n t o n ã o p o d e tornar-se imposit i v o . T a l e x a m e é o o b j e t o p r i n c i p a l d e s t e c a p í t u l o e do s e guinte. o status. n ã o obstante. c h e g a n d o muitas vez e s a c o m p e l i r à s u a a c e i t a ç ã o . C a d a g r u p o utiliza s e u p r ó p r i o p a r a d i g m a p a r a a r g u m e n t a r em favor desse m e s m o paradigma. seja q u a l for a s u a f o r ç a . fornecer u m a mostra d e c o m o s e r á a p r á t i c a científica p a r a t o d o s a q u e l e s q u e adotarem a nova concepção da natureza. que examinar n ã o apenas o impacto da natureza e da Lógica. teremos. M a i s do q u e a exist ê n c i a d e tais d i f e r e n ç a s . C o l o c a r um paradigma como premissa n u m a discussão destinada a defendê-lo pode. C o n t u d o . Essa mostra p o d e ser i m e n s a m e n t e persuasiva. portanto. m a s igualmente as t é c n i c a s d e a r g u m e n t a ç ã o p e r s u a s i v a q u e s ã o eficazes n o interior dos grupos m u i t o especiais que constituem a c o m u n i d a d e d o s cientistas.s e t ã o . contudo. precisaremos examinar brevemente a natureza d a s diferenças que separam os proponentes de um p a r a d i g m a tradicional de seus sucessores revolucionários. Para os que recusam entrar n o círculo. P a r a d e s c o b r i r m o s p o r q u e esse p r o b l e m a d e e s c o l h a d e p a r a d i g m a n ã o p o d e j a m a i s ser r e s o l v i d o d e f o r m a i n e q u í v o c a e m p r e g a n d o .s o m e n t e a L ó g i c a e os experimentos. Naturalmente a circularidade resultante não torna esses a r g u m e n t o s e r r a d o s o u m e s m o ineficazes. N a escolha d e u m p a r a d i g m a . A s p r e m i s s a s e os valores partilhados pelas duas partes envolvidas em u m debate sobre p a r a d i g m a s n ã o s ã o suficientemente a m p l o s p a r a permitir isso. seja l ó g i c a . tal rejeição ilumina algo mais do .

Atualmente. D o m e s m o m o d o . o d e senvolvimento científico seria g e n u i n a m e n t e cumulativo. capaz de integrar t o d o u m g r u p o d e teorias d e nível inferior. se existem tais r a zões. d e v a m exigir a r e j e i ç ã o d e u m p a r a d i g m a m a i s antigo? Observe-se p r i m e i r a m e n t e q u e . seja d e u m a n o v a t e o r i a c i e n tífica. P o d e m o s ainda conceber outras relações compatíveis e n t r e teorias velhas e novas e c a d a u m a dessas p o d e ser exemplificada pelo processo histórico através d o q u a l a c i ê n c i a d e s e n v o l v e u . sem modificar substancialmente n e n h u m a delas. que examina fenômenos subatômicos d e s c o n h e c i d o s a t é o s é c u l o XX — m a s . A i n d a . a teoria térmica e assim p o r diante. E m b o r a a d e s c o b e r t a d e v i d a n a L u a p o s s a t e r a t u a l m e n t e u m efeito destrutivo sobre os p a r a d i g m a s existentes ( a q u e l e s q u e fazem afirmações sobre a L u a que parecem incompatíveis c o m a e x i s t ê n c i a d e v i d a n a q u e l e s a t é l i t e ) . a Eletricidade. elas n ã o d e r i v a m d a estrutura lógica d o conhecim e n t o científico. Muitos acreditar a m q u e realmente ocorreu assim e a maioria ainda p a - . C e r t a m e n t e a ciência ( o u algum o u t r o empreendim e n t o talvez m e n o s eficaz) poderia ter-se desenvolvido dessa maneira totalmente cumulativa. a n o v a t e o r i a p o d e r i a s e r s i m p l e s m e n t e d e u m nível m a i s elevado do que as anteriormente conhecidas. os novos conhecimentos substituiriam a ignorância. a d e s c o berta de vida em alguma parte menos conhecida da galáxia n ã o teria esse efeito.que a credulidade e a confusão humanas? Existem raz õ e s i n t r í n s e c a s p e l a s q u a i s a a s s i m i l a ç ã o . S e fosse a s s i m . N o v o s tipos de fenômenos simplesmente revelariam a o r d e m existente em algum aspecto da natureza onde esta ainda n ã o fora descoberta. N a evolução d a ciência. u m a n o v a teoria n ã o precisa entrar necessariamente e m conflito c o m qualquer de suas predecessoras. a Química.s e . a teoria da conservação da energia proporciona exatam e n t e esse tipo de vínculo e n t r e a D i n â m i c a . seja d e u m n o v o t i p o d e f e n ô m e n o . em vez de substituir outros conhecimentos de tipo distinto e incompatível. E m princípio. u m n o v o f e n ô m e n o p o d e r i a e m e r g i r s e m refletir-se d e s t r u t i v a m e n t e s o b r e a l g u m a s p e c t o d a p r á t i c a científica p a s s a d a . e i s s o é signific a t i v o . P o d e tratar exclusivamente de fenômenos antes desconhecidos. n ã o e x a m i n a a p e n a s esses f e n ô m e n o s . a Óptica. c o m o a teoria quântica.

A novidade n ã o antecipada. descobriremos q u ã o estreitamente entrelaçadas e s t ã o a c o n c e p ç ã o de c i ê n c i a c o m o a c u m u l a ç ã o e a e p i s temologia que considera o conhecimento c o m o u m a construção colocada diretamente pelo espírito sobre os dados brutos dos sentidos. pelo m e n o s . sem levar em consideração sua relação c o m os conhecimentos e as técn i c a s e x i s t e n t e s . se a resistência de d e t e r m i n a d o s fatos nos leva tão longe. ( É p o r isso q u e u m a p r e o c u p a ç ã o excessiva c o m p r o b l e m a s úteis. Existem importantes razões p a r a tal crença. d e v e seu s u c e s s o à h a b i l i d a d e d o s c i e n t i s t a s p a r a selecionar regularmente fenômenos q u e p o d e m ser solucionados através de técnicas conceituais e instrumentais s e m e l h a n t e s à s j á e x i s t e n t e s . c a s o n ã o tivesse sido tão c o m u m e n t e distorcido pela idiossincrasia h u mana.) C o n t u d o . Sabe o que quer alcançar. concebe seus instrumentos e dirige seus pensamentos de a c o r d o c o m seus objetivos. a n o v a descoberta. isto é. m a s e m princípio improvável. então u m a segunda inspeção no terreno já percorrido pode sugerir-nos que a aquisição cumulativa d e n o v i d a d e s é d e f a t o n ã o a p e n a s r a r a .rece supor q u e a a c u m u l a ç ã o é. A p ó s o p e r í o d o p r é . o h o m e m q u e luta p a r a resolver um problema definido pelo conhecimento e pela técnica e x i s t e n t e s n ã o se l i m i t a s i m p l e s m e n t e a o l h a r à s u a v o l t a . A a q u i s i ç ã o c u m u lativa d e novidades.p a r a d i g m á t i c o . a a s s i m i lação de todas as novas teorias e de quase todos os novos tipos de fenômenos exigiram a destruição de um p a r a d i g m a anterior e um conseqüente conflito entre e s c o l a s r i v a i s d e p e n s a m e n t o científico. que é c u m u l a t i v a . IO examinaremos o s ó l i d o a p o i o f o r n e c i d o a esse m e s m o e s q u e m a h i s t o r i o gráfico p e l a s t é c n i c a s d a eficaz p e d a g o g i a d a s c i ê n c i a s . A q u e l e q u e l e v a a s é r i o o f a t o h i s t ó r i c o d e v e suspeitar de que a ciência n ã o tende ao ideal sugerido pela imagem que temos de seu caráter cumulativo. T a l vez e l a seja u m a o u t r a e s p é c i e d e e m p r e e n d i m e n t o . p o d e f a c i l m e n t e inibir o d e s e n v o l v i m e n to científico. somente pode emergir na medida em que as antecipações . N ã o obstante. 9. C o n t u d o . No C a p . A pesquisa normal. n ã o antecipadas d e m o n s t r a ser u m a exceção quase inexistente à regra do desenvolvimento científico. apesar da imensa plausibilidade dessa m e s m a i m a g e m ideal. o ideal q u e o desenvolvimento histórico exibiria. existem crescentes razões p a r a p e r g u n t a r m o s s e é p o s s í v e l q u e e s t a seja u m a i m a g e m de ciência. No C a p .

mais t a r d e . Os paradigmas fornecem a todos os fenômenos ( e x c e ç ã o feita à s a n o m a l i a s ) . 6. lugar esse d e t e r m i n a d o pela teoria. 5 n ã o s ã o s i m p l e s a c i d e n t e s h i s t ó r i c o s . m a s tal p e s quisa visa antes à articulação d o s p a r a d i g m a s existentes d o q u e à i n v e n ç ã o d e n o v o s . então a nova teoria b e m sucedida deve. a nova . as teorias resultantes r a r a m e n t e são aceitas. u m l u g a r fio c a m p o v i s u a l do cientista. cujo traço característico é a sua recusa obstin a d a a serem assimiladas aos p a r a d i g m a s existentes. a s u b m e t e a u m a lei. deve evidentemente haver um conflito entre o paradigma que revela u m a anomalia e aquele que. Q u a n d o o fazem. permitir predições diferentes d a quelas derivadas de sua predecessora. s o m e n t e três tipos de fenômenos a p r o p ó s i t o d o s q u a i s p o d e ser d e s e n v o l v i d a u m a n o v a t e o r i a . em princípio. Tais fenômenos r a r a m e n t e fornecem motivos ou um ponto de partida para a construção de u m a teoria. O s e x e m p l o s d e d e s c o b e r t a s através da destruição de paradigmas examinados no C a p . Existem. Essa diferença n ã o poderia ocorrer se as d u a s teorias fossem logicamente compatíveis. S o m e n t e q u a n d o esses e s forços de articulação fracassam é q u e os cientistas enc o n t r a m o terceiro tipo de f e n ô m e n o : as anomalias reconhecidas. M a s se novas teorias são c h a m a d a s p a r a resolver as anomalias presentes na relação entre u m a teoria existente e a natureza. c o m o no caso d a s t r ê s a n t e c i p a ç õ e s f a m o s a s d i s c u t i d a s a o final d o C a p .sobre a natureza e os instrumentos do cientista d e m o n s trem estar equivocados. O p r i meiro tipo compreende os fenômenos já b e m expEcàaõs pelos paradigmas existentes. No processo de sua assimilação. U m a seg u n d a classe de f e n ô m e n o s c o m p r e e n d e aqueles cuja natureza é indicada pelos paradigmas existentes. Os cientistas dirigem a maior p a r t e de sua pesquisa a esses fenômenos. Nesse caso. m a s c u j o s d e t a l h e s s o m e n t e p o d e m ser e n t e n d i d o s a p ó s u m a maior articulação da teoria. Freqüentemente. N ã o existe n e n h u m a o u t r a m a n e i r a eficaz d e g e r a r d e s c o b e r t a s . a importância da descoberta resultante será ela m e s m a proporcional à e x t e n s ã o e à t e n a c i d a d e da a n o m a l i a q u e a p r e n u n c i o u . O m e s m o a r g u m e n t o aplica-se a i n d a mais claramente à invenção de novas teorias. em algum ponto. A p e n a s esse último tipo de f e n ô m e n o faz surgir n o v a s teorias. visto q u e a natureza n ã o p r o p o r c i o n a n e n h u m a base p a r a u m a discriminação entre a s alternativas.

m a s hoje em dia infelizmente n ã o p o d e m o s fazer isso. Lije of William 266-281. e s t r e i t a m e n t e a s s o c i a d a c o m a s e t a p a s iniciais d o p o s i t i v i s m o l ó g i c o e n ã o r e j e i t a d a c a t e g o r i c a m e n t e pelos estágios posteriores da d o u t r i n a . restringiria o alcance e o sentido de u m a teoria admitida. sem c o n flito c o m s u a s p r e d e c e s s o r a s . E m b o r a a inclusão lógica continue sendo u m a concepção admissível da relação e x i s t e n t e e n t r e t e o r i a s científicas s u c e s s i v a s . P. ela emerg i u d e u m a c r i s e n a q u a l u m i n g r e d i e n t e _ e s s e n c i a l foi a incompatibilidade entre a d i n â m i c a n e w t o n i a n a e algum a s conseqüências da teoria calórica formuladas recentemente. essas d u a s teorias são fundamentalmente incompatíveis. de tal m o d o q u e ela n ã o p o d e r i a d e m o d o a l g u m c o n f l i t a r c o m qualquer teoria posterior q u e realizasse predições sobre a l g u n s d o s m e s m o s f e n ô m e n o s n a t u r a i s p o r ela c o n s i d e r a d o s . O a r g u m e n t o m a i s sólido e m a i s conhecido em f a v o r d e s s a c o n c e p ç ã o r e s t r i t a d e t e o r i a científica e m e r g e em discussões sobre a r e l a ç ã o e n t r e a d i n â m i c a einsteiniana atual e as equações dinâmicas mais antigas q u e d e r i v a m d o s Principia d e N e w t o n . não se desenvolveu historicamente sem a destruição de um p a r a d i g m a . Silvanus 1 9 1 0 ) . E s s a i n t e r p r e t a ç ã o . C r e i o que um século atrás teria sido possível interr o m p e r neste p o n t o o a r g u m e n t o em favor da necessid a d e de revoluções. Thomson Baron Kelvin . c a s o a i n terpretação contemporânea predominante sobre a natur e z a e a f u n ç ã o da t e o r i a científica seja a c e i t a . n ã o é p l a u sível d o p o n t o d e v i s t a h i s t ó r i c o . (Londres. THOMPSON Lares. S o m e n t e a p ó s ter feito p a r t e d a c i ê n c i a p o r algum t e m p o é que p ô d e adquirir a aparência de u m a teoria de um nível logicamente mais elevado. U n i c a m e n t e a p ó s a rejeição da teoria calórica é q u e ã conservação da energia p ô d e tornar-se parte da c i ê n c i a . no m e s m o sentido que a astronomia de Copérnico c o m relação à de P t o l o m e u : a teoria de Eins1 of 1. Ao invés disso. M e s m o u m a teoria c o m o a da conservação da energia ( q u e atualmente p a r e c e ser u m a s u p e r e s t r u t u r a l ó g i c a r e l a c i o n a d a c o m a natureza apenas através de teorias independentemente estabelecidas). pois a c o n c e p ç ã o acima desenvolv i d a s o b r e o a s s u n t o n ã o p o d e ser m a n t i d a . Ê difícil v e r c o m o n o v a s teorias p o d e r i a m surgir sem essas m u d a n ç a s destrutivas nas crenças sobre a natureza. D o p o n t o d e v i s t a deste ensaio. I.teoria deve ocupar o lugar da anterior. pp.

Precisamos portanto examinar as objeções mais c o m u n s q u e lhe são dirigidas. foi e m a l g u m m o m e n t o considerada c o m o tal. p o r e x e m p l o . Satisfeita e s s a c o n d i ç ã o e a l g u m a s . p. pois esta ainda é empregada c o m grande sucesso pela maioria dos engenheiros e.t e i n s o m e n t e p o d e ser a c e i t a c a s o s e r e c o n h e ç a q u e N e w ton estava errado. continua a m e s m a objeção. Mas. a t e o r i a n e w t o niana parece ser derivável da einsteiniana. A idéia central dessas objeções p o d e ser apresent a d a c o m o segue: a d i n â m i c a relativista n ã o poderia ter demonstrado o erro da dinâmica newtoniana. p a r a q u e a teoria de N e w t o n nos forneça u m a b o a solução aproximada. Se a c i ê n c i a de E i n s t e i n p a r e c e t o r n a r falsa a d i n â m i c a d e N e w t o n . por m u i t o s físicos. ao expressá-las traíram os padrões do p r o c e d i m e n t o científico. da qual é p o r t a n t o um caso especial. A teoria de Einstein pode ser utilizada p a r a mostrar que as p r e dições derivadas d a s equações de Newton serão tão boas c o m o nossos instrumentos de medida. isso s e d e v e s o m e n t e a o f a t o d e a l g u n s n e w tonianos terem sido incautos a p o n t o de alegar q u e a teoria de N e w t o n produzia resultados absolutamente precisos o u q u e e r a válida p a r a velocidades relativas m u i t o elevadas. teoria n e n h u m a p o d e entrar e m conflito c o m u m d o s seus casos especiais. A l é m d i s s o . a s c o n s i d e r a ç õ e s d e P . Atualmente essa concepção p e r m a nece minoritária. 2 2. A t e o r i a n e w t o n i a n a c o n t i n u a a ser u m a t e o r i a v e r d a d e i r a m e n t e científica n a q u e l e s a s p e c t o s e m q u e . of V e r . a j u s t e z a d o e m p r e g o d e s s a t e o r i a m a i s a n t i g a p o d e ser d e m o n s t r a d a p e l a p r ó p r i a teoria q u e a substituiu em outras aplicações. Science. a p o i a d a p o r p r o v a s v á l i d a s . . em certas aplicações selecionadas. P . 298.o u t r a s . Eliminando-se essas extravagâncias m e r a m e n t e h u m a n a s . Einstein s o m e n t e pode ter d e m o n s t r a d o o erro daquelas alegações extravagantes atribuídas à teoria de N e w t o n — alegações q u e d e r e s t o n u n c a f o r a m p r o p r i a m e n t e p a r t e d a ciência. em todas aquelas equações q u e satisfaçam u m p e q u e n o n ú m e r o de condições restritivas. U m a vez que n ã o dispunham de prova p a r a tais alegações. as velocidades relativas d o s corpos considerados d e v e m ser p e q u e n a s em c o m p a r a ç ã o c o m a velocidade da luz. a t e o r i a n e w t o n i a n a n u n c a foi d e s a f i a d a e n e m p o d e sê-lo. W I E N E R e m Philosophy XXV (1958). P o r exemplo.

1 6 . M a s p a r a que possamos salvar teorias dessa m a neira. A Short History of Chemistry ( 2 . tenha tido êxito na aplicação a qualquer conjunto de fenômenos. t o d a v e z q u e tal p e s q u i s a e n t r e e m u m a área ou busque um grau de precisão para os quais a prática anterior da teoria n ã o ofereça precedentes. Stahl. Explicava igualmente a diminuição de v o l u m e quando a combustão ocorre n u m volume limitado de ar — o flogisto l i b e r a d o p e l a c o m b u s t ã o " e s t r a g a v a " a elasticidade do ar que o absorvia. S e g u n d o essa teoria. 1 9 5 3 ) .U m a v a r i a n t e d e s s e a r g u m e n t o é suficiente p a r a tornar imune ao ataque qualquer teoria jamais empreg a d a p o r u m g r u p o significativo d e c i e n t i s t a s c o m p e t e n t e s . Explicava por que os corpos queimam — porque s ã o r i c o s e m flogisto — e p o r q u e o s m e t a i s p o s s u e m m u i t o m a i s p r o p r i e d a d e s e m c o m u m d o q u e seus m i n e rais. 4 3 3 . 1 3 . Scienlific Explanalion (Cambridge. Newton. pp. F R . o c i e n t i s t a fica p r o i b i d o d e a l e g a r q u e e s t á f a l a n d o "cientificamente" a respeito de qualquer fenômeno ainda n ã o o b s e r v a d o . p p . Boerhaave et la doclrine chimique (Paris. suas g a m a s de aplicação d e v e r ã o restringir-se àqueles fenômenos e à precisão de observação de q u e t r a t a m as p r o v a s experimentais já disponíveis. 76. R . a t ã o d i f a m a d a t e o r i a d o flogisto o r d e n a v a g r a n d e n ú m e r o d e f e n ô m e n o s físicos e q u í m i cos. Londres. 4. O relato mais c o m p l e t o e simpático das r e a l i z a ç õ e s d a t e o r i a d o f l o g i s t o a p a r e c e m n o l i v r o d e H . U m a r g u m e n t o semel h a n t e s e r á suficiente p a r a d e f e n d e r q u a l q u e r t e o r i a q u e . B K A I T H W A I T E . ed. esta restriç ã o p r o í b e q u e o cientista baseie sua p r ó p r i a pesquisa e m u m a t e o r i a . C O N A N T . P o r e x e m p l o . M E T Z C . especialmente p. 1951). J A M E S B . 50-87. Overthro-w of lhe Phlogiston Theory ( C a m b r i d g e . A p a r d i s s o . 1 9 5 0 ) . Parte II. a t e o r i a flogística e x p l i cava diversas reações nas quais ácidos e r a m formados pela c o m b u s t ã o de substâncias c o m o o c a r b o n o e o e n xofre. e J . c o m u m a todos os metais. P A R T I N G T O N . os metais s ã o t o d o s c o m p o s t o s p o r d i f e r e n t e s t e r r a s e l e m e n t a r e s c o m b i n a d a s c o m o flogisto e esse último. pp. Compare-se as conclusões alcançadas através de um tipo de análise muito diverso p o r R. Tais proibições n ã o são excepcionais do p o n t o de vista lógico. em algum m o m e n t o . e s t a n u n c a poderia ter sido contestada. M e s m o n a s u a f o r m a atual. 1930).. gera p r o p r i e d a d e s c o m u n s . . Se esses fossem os únicos fenômenos q u e os teóricos do flogisto p r e t e n d e s s e m e x p l i c a r m e d i a n t e s u a t e o r i a . do m e s m o m o d o que o fogo " e s t r a g a " a elasticidade de u m a m o l a de a ç o . Se tal l i m i t a ç ã o for l e v a d a u m p a s s o a d i a n t e ( e isso dificilment e p o d e ser e v i t a d o u m a v e z d a d o o p r i m e i r o p a s s o ) . 85-88. B .

m a s a c e i t á - l a s s e r i a o fim d a p e s q u i s a q u e p e r m i t e à c i ê n c i a c o n t i n u a r a se d e s e n v o l v e r . A e s t a a l t u r a , e s s e p o n t o já é v i r t u a l m e n t e t a u t o l ó gico. Sem o compromisso c o m um p a r a d i g m a n ã o p o d e ria h a v e r ciência n o r m a l . A l é m disso, esse c o m p r o m i s s o d e v e estender-se a áreas e graus de precisão p a r a os quais n ã o existe n e n h u m precedente satisfatório. N ã o fosse a s s i m , o p a r a d i g m a n ã o p o d e r i a f o r n e c e r q u e b r a -cabeças q u e já n ã o tivessem sido resolvidos. A l é m do mais, n ã o é apenas a ciência n o r m a l q u e d e p e n d e do c o m p r o m e t i m e n t o c o m u m a paradigma. Se as teorias existentes o b r i g a m o cientista somente c o m relação às aplicações existentes, então n ã o p o d e h a v e r surpresas, a n o m a l i a s o u c r i s e s . M a s esses s ã o a p e n a s s i n a i s q u e a p o n t a m o c a m i n h o p a r a a ciência extraordinária. Se t o m a r m o s literalmente as restrições positivistas sobre a esfera de aplicabilidade de u m a teoria legítima, o m e c a n i s m o q u e i n d i c a à c o m u n i d a d e científica q u e p r o b l e m a s p o d e m levar a m u d a n ç a s fundamentais deve cessar seu funcionamento. Q u a n d o isso ocorre, a c o m u n i d a d e retorn a r á a algo m u i t o similar a seu estado p r é - p a r a d i g m á tico, situação na qual todos os m e m b r o s praticam ciência, m a s o p r o d u t o b r u t o de suas atividades assemelha-se m u i t o p o u c o à ciência. Será realmente surpreendente q u e o p r e ç o d e ú m a v a n ç o científico significativo sejaum compromisso q u e corre o risco de estar errado? , A i n d a mais i m p o r t a n t e é a existência de u m a lacun a lógica r e v e l a d o r a n o a r g u m e n t o positivista, q u e n o s reintroduzirá imediatamente na natureza da mudança revolucionária. A dinâmica newtoniana pode realmente s e r derivada da d i n â m i c a r e l a t i v i s t a ? A q u e se a s s e m e lharia essa derivação? Imaginemos u m conjunto d e p r o p o s i ç õ e s EM, Et, . . . E», q u e j u n t a s a b a r c a m as leis da teoria da relatividade. Essas proposições contêm variáveis e p a r â m e t r o s representando posição espacial, t e m p o , m a s s a em r e p o u s o , e t c . . . A partir deles, juntam e n t e c o m o a p a r a t o da Lógica e da M a t e m á t i c a , é possível deduzir t o d o um conjunto de novas proposiç õ e s , i n c l u s i v e a l g u m a s q u e p o d e m ser v e r i f i c a d a s a t r a vés da observação. Para demonstrar a adequação da dinâmica newtoniana c o m o u m caso especial, devemos adicionar aos Et proposições adicionais, tais c o m o ( V / C ) < < 1 , restringindo o âmbito dos parâmetros e variáveis. Esse conjunto ampliado de proposições é en2

tão manipulado de molde a produzir um novo conjunto Ni, N , • • - N , q u e na s u a f o r m a é i d ê n t i c o às leis de N e w t o n relativas ao m o v i m e n t o , à gravidade e assim p o r d i a n t e . D e s s e m o d o , sujeita a a l g u m a s c o n d i ç õ e s q u e a l i m i t a m , a d i n â m i c a n e w t o n i a n a foi a p a r e n t e m e n t e d e r i v a d a da einsteiniana. T o d a v i a tal derivação é espúria, ao m e n o s em um ponto. E m b o r a os Ni sejam um caso especial de m e c â n i c a r e l a t i v i s t a , eles n ã o s ã o a s leis d e N e w t o n . S e o são, estão reinterpretadas de u m a m a n e i r a q u e seria inconcebível antes dos trabalhos de Einstein. As variáveis e os p a r â m e t r o s q u e n o s E* e i n s t e i n i a n o s r e p r e s e n t a v a m posição espacial, tempo, massa, e t c . . . ainda ocorrem n o s Ni e c o n t i n u a m r e p r e s e n t a n d o o e s p a ç o , o t e m p o e a m a s s a e i n s t e i n i a n a . M a s o s r e f e r e n t e s físicos d e s s e s conceitos einsteinianos n ã o são de m o d o algum idênticos àqueles conceitos newtonianos que levam o m e s m o n o m e . (A m a s s a newtoniana é conservada; a einsteiniana é conversível c o m a energia. A p e n a s em baixas velocidades relativas p o d e m o s medi-las do m e s m o m o d o e m e s m o e n t ã o n ã o p o d e m ser consideradas idênticas.) A m e n o s q u e modifiquemos as definições d a s variáveis d o s Ni, a s p r o p o s i ç õ e s q u e d e r i v a m o s n ã o s ã o n e w t o n i a nas. Se as m u d a m o s , n ã o p o d e m o s realmente afirmar q u e derivamos a s leis d e N e w t o n , p e l o m e n o s n ã o n o sentido atualmente aceito para a expressão "derivar". Evidentemente o nosso argumento explicou por que as leis d e N e w t o n p a r e c i a m a p l i c á v e i s . A o f a z ê - l o , justificou, p o r exemplo, o motorista q u e age c o m o se vivesse e m u m u n i v e r s o n e w t o n i a n o . TJm a r g u m e n t o d a m e s m a e s p é c i e é u t i l i z a d o p a r a justificar o e n s i n o d e u m a a s t r o nomia centrada na Terra aos agrimensores. M a s o argum e n t o a i n d a n ã o alcançou os objetivos a q u e se p r o p u n h a , o u seja, n ã o d e m o n s t r o u q u e a s leis d e N e w t o n s ã o u m a c a s o limite das d e Einstein, pois n a derivação n ã o f o r a m a p e n a s a s f o r m a s d a s leis q u e m u d a r a m . T i v e m o s que alterar simultaneamente os elementos estruturais fundamentais que c o m p õ e m o universo ao qual se aplicam.
2 m

E s s a necessidade de modificar o sentido de conceitos estabelecidos e familiares é crucial p a r a o i m p a c t o r e v o l u c i o n á r i o d a t e o r i a d e E i n s t e i n . E m b o r a m a i s sutil que as mudanças do geocentrismo para o heliocentrismo, d o flogisto p a r a O o x i g ê n i o o u d o s c o r p ú s c u l o s p a r a a s

ondas, a transformação resultante n ã o é menos decididam e n t e destruidora p a r a um p a r a d i g m a previamente estab e l e c i d o . P o d e m o s m e s m o vir a c o n s i d e r á - l a c o m o u m protótipo para as reorientações revolucionárias nas ciências. Precisamente por n ã o envolver a introdução de o b jetos ou conceitos adicionais, a transição da mecânica newtoniana p a r a a einsteiniana ilustra c o m particular clar e z a a r e v o l u ç ã o científica c o m o s e n d o u m d e s l o c a m e n t o da rede conceituai através da qual os cientistas vêem o mundo. ' E s s a s o b s e r v a ç õ e s d e v e r i a m ser s u f i c i e n t e s p a r a i n d i c a r a q u i l o q u e , e m o u t r a a t m o s f e r a filosófica, p o d e r i a ser d a d o c o m o p r e s s u p o s t o . A m a i o r i a d a s d i f e r e n ç a s a p a r e n t e s e n t r e u m a t e o r i a científica d e s c a r t a d a e s u a sucessora são reais, pelo m e n o s p a r a os cientistas. E m b o r a u m a teoria obsoleta s e m p r e possa ser vista c o m o um caso especial de sua sucessora mais atualizada, deve ser t r a n s f o r m a d a p a r a q u e isso p o s s a o c o r r e r . E s s a t r a n s formação só pode ser empreendida dispondo-se das vantagens da visão retrospectiva, s o b a d i r e ç ã o explícita da teoria mais recente. A l é m disso, m e s m o q u e essa t r a n s f o r m a ç ã o fosse u m artifício l e g í t i m o , e m p r e g a d o p a r a interpretar a teoria mais antiga, o resultado de sua aplicação seria u m a teoria t ã o restrita q u e seria capaz a p e n a s de reafirmar o já conhecido. D e v i d o a sua economia, essa r e a p r e s e n t a ç ã o seria útil, m a s n ã o suficiente p a r a o r i e n t a r a p e s q u i s a . A c e i t e m o s p o r t a n t o c o m o p r e s s u p o s t o q u e a s difer e n ç a s entre p a r a d i g m a s sucessivos s ã o a o m e s m o t e m p o necessárias e irreconciliáveis. P o d e r e m o s precisar mais explicitamente q u e espécies de diferenças s ã o essas? O t i p o m a i s e v i d e n t e j á foi r e p e t i d a m e n t e i l u s t r a d o . P a r a digmas sucessivos nos ensinam coisas diferentes acerca da p o p u l a ç ã o do universo e sobre o c o m p o r t a m e n t o dessa população. Isto é, diferem q u a n t o a questões c o m o a e x i s t ê n c i a de p a r t í c u l a s s u b a t ô m i c a s , a m a t e r i a l i d a d e da luz e a conservação do calor ou da energia. Essas s ã o diferenças substantivas entre p a r a d i g m a s sucessivos e n ã o requerem maiores exemplos./Mas os paradigmas n ã o diferem s o m e n t e p o r sua substância, pois visam n ã o apenas à natureza, m a s t a m b é m à ciência q u e os p r o duziu. Eles são fonte de métodos, áreas problemáticas e p a d r õ e s de solução aceitos p o r q u a l q u e r c o m u n i d a d e científica a m a d u r e c i d a , e m q u a l q u e r é p o c a q u e c o n s i -

derarmosy' Conseqüentemente, a recepção de um novo paradigma requer c o m freqüência u m a redefinição da ciência correspondente. Alguns problemas antigos p o d e m ser transferidos p a r a outra ciência ou declarados absolutamente "não-científicos". Outros problemas anter i o r m e n t e t i d o s c o m o triviais o u n ã o - e x i s t e n t e s p o d e m converter-se, com um novo paradigma, nos arquétipos d a s r e a l i z a ç õ e s científicas i m p o r t a n t e s . À m e d i d a q u e o s problemas mudam, m u d a m também, seguidamente, os padrões q u e distinguem u m a verdadeira solução científica d e u m a s i m p l e s e s p e c u l a ç ã o m e t a f í s i c a , d e u m j o g o de palavras ou de u m a brincadeira matemática. A trad i ç ã o científica n o r m a l q u e e m e r g e d e u m a r e v o l u ç ã o científica é n ã o s o m e n t e i n c o m p a t í v e l , m a s m u i t a s v e zes verdadeiramente incomensurável c o m aquela q u e a precedeu. O impacto da obra de Newton sobre a tradição de p r á t i c a científica n o r m a l d o s é c u l o X V I I p r o p o r c i o n a u m e x e m p l o n o t á v e l d e s s e s efeitos sutis p r o v o c a d o s p e l a alteração de paradigma. Antes do nascimento de Newton, a "ciência n o v a " do século conseguira finalmente r e j e i t a r as e x p l i c a ç õ e s a r i s t o t é l i c a s e e s c o l á s t i c a s e x p r e s sas em termos das essências d o s corpos materiais. Afirm a r que u m a p e d r a cai p o r q u e sua " n a t u r e z a " á impulsiona na direção do centro do universo convertera-se em um simples jogo de palavras tautológjco — algo q u e n ã o fora anteriormente. A partir d a í t o d o o fluxo de percepções sensoriais, incluindo cor, gosto e m e s m o peso, seria explicado em termos de t a m a n h o , f o r m a e m o v i m e n t o dos corpúsculos elementares da matéria fundamental. A atribuição de outras qualidades aos átomos elementares era um recurso ao culto e p o r t a n t o fora dos limites da ciência. M o l i è r e c a p t o u c o m precisão esse novo espírito ao ridicularizar o médico q u e explicava a eficácia d o ó p i o c o m o s o p o r í f e r o a t r i b u i n d o - l h e u m a potência dormitiva. D u r a n t e a última m e t a d e do século X V I I I muitos cientistas preferiam dizer q u e a forma a r r e d o n d a d a das partículas de ópio permitia-lhes acalm a r os nervos sobre os quais se movimentavam.
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Em um período anterior, as explicações em termos de qualidades ocultas haviam sido u m a parte integrante
_ 5 . N o tocante a o C o r p u s c u l a r i s m o e m geral, ver M A R T E B O A S , T h e E s t a b l i s h m e n t o f t h e M e c h a n i c a l P h i l o s o p h y , Osiris, X, pp. 412-541 ( 1 9 5 2 ) . S o b r e o e f e i t o d a f o r m a d a s p a r t í c u l a s s o b r e o g o s t o , v e r ibtd., p. 483.

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d o t r a b a l h o científico p r o d u t i v o . N ã o o b s t a n t e , o n o v o compromisso do século X V I I c o m a explicação mecân i c o - c o r p u s c u l a r r e v e l o u - s e i m e n s a m e n t e frutífero p a r a diversas ciências, d e s e m b a r a ç a n d o - a s de p r o b l e m a s q u e h a v i a m desafiado as soluções c o m u m e n t e aceitas e sugerindo outras para substituí-los. E m D i n â m i c a , por e x e m p l o , a s t r ê s leis d o m o v i m e n t o d e N e w t o n s ã o m e n o s u m produto de novas experiências que da tentativa de reinterpretar observações b e m conhecidas em termos de movimentos e interações de corpúsculos neutros primários. E x a m i n e m o s a p e n a s u m e x e m p l o concreto. D a d o q u e o s c o r p ú s c u l o s p o d i a m agir u n s s o b r e o s o u t r o s a p e nas por contato, a concepção mecânico-corpuscular da n a t u r e z a d i r i g i u a a t e n ç ã o científica p a r a u m o b j e t o d e estudo absolutamente novo: a alteração do movimento de partículas por m e i o de colisões. Descartes anunciou o problema e forneceu sua primeira solução putativa. Huyghens, W r e n e Wallis foram mais adiante ainda, em parte p o r m e i o de experiências c o m pêndulos que colidiam, m a s principalmente através das b e m conhecidas características do m o v i m e n t o ao novo problema. N e w t o n i n t e g r o u esses r e s u l t a d o s e m s u a s leis d o m o v i m e n t o . A s " a ç õ e s " e " r e a ç õ e s " i g u a i s d a t e r c e i r a lei s ã o a s m u danças em quantidade de movimento experimentadas pelos dois corpos q u e entram em colisão. A m e s m a m u d a n ç a de movimento fornece a definição de força dinâm i c a i m p l í c i t a n a s e g u n d a lei. N e s s e c a s o , c o m o e m muitos outros d u r a n t e o século X V I I , o p a r a d i g m a corpuscular engendrou ao mesmo tempo um novo prob l e m a e grande parte de sua solução.
6

Todavia, embora grande parte da obra de Newton fosse d i r i g i d a a p r o b l e m a s e i n c o r p o r a s s e p a d r õ e s d e r i vados da concepção de m u n d o mecânico-corpuscular, o p a r a d i g m a q u e r e s u l t o u d e s u a o b r a t e v e c o m o efeito u m a nova mudança, parcialmente destrutiva, nos p r o b l e m a s e p a d r õ e s considerados legítimos p a r a a ciência. A gravidade, interpretada como u m a atração inata entre cada par de partículas de matéria, era u m a qualidade oculta no m e s m o sentido em q u e a antiga "tendência a cair" d o s escolásticos. P o r isso, e n q u a n t o o s p a d r õ e s d e c o n c e p ç ã o corpuscular p e r m a n e c e r a m em vigor, a b u s c a d e u m a e x p l i c a ç ã o m e c â n i c a d a g r a v i d a d e foi u m d o s
6 . D U O A S , R . La mécanique 177-185, 284-298, 345-356.

au

XVII'

siècle.

(Neuchãtel,

1954).

pp.

q u a n d o se chegava a observá-lo. A m u d a n ç a resultante nos padrões e áreas problemáticas da Física teve. q u a n d o u m a ação elétrica a distância tornou-se um objeto de estudo de pleno direito. a c h a v e d a análise de Franklin sobre a G a r r a f a de L e y d e n e desse m o d o para a emergência de um paradigma newtoniano p a r a a eletricidade. mais u m a vez. incapazes. 1956). T. C o n tudo n e n h u m a dessas concepções acabou triunfando. Os fenômenos elétricos p a s s a r a m a exibir c a d a vez mais u m a o r d e m diversa d a q u e l a q u e h a v i a m a p r e s e n t a d o q u a n d o c o n s i d e r a d o s c o m o efeit o s d e u m eflúvio m e c â n i c o q u e p o d i a a t u a r a p e n a s p o r contato. O importante corpo de literatura do século X V I I I sobre 7 7. p r o p r i e d a d e s p r i m á r i a s d a m a t é r i a . Franklin and Newton: Newtonian Experimental Science and Franklin's an Example Thereoj. aceitaram gradualmente a concepção segundo a qual a gravidade era realmente inata. p o r e x e m p l o . Pela m e t a d e d o s é c u l o X V I I I tal i n t e r p r e t a ç ã o f o r a q u a s e u n i versalmente aceita. P o r volta de 1 7 4 0 . Atrações e repulsões inatas torn a r a m . Em particular. An Fnquiry Work in Vl-VII. (Filadélfia. amplas conseqüências. p o r s u a v e z . a p o s i ç ã o e o m o v i m e n t o . c o m o d e a c o m o d a r e s s a o b r a a o s p a d r õ e s d o século X V I I . C O H E N . A única o p ç ã o a p a r e n t e e r a rejeitar a teoria n e w t o n i a n a p o r seu fracasso em explicar a grav i d a d e e e s s a a l t e r n a t i v a foi a m p l a m e n t e a d o t a d a . B. (o q u e n ã o é a m e s m a coisa q u e um r e t r o c e s s o ) . Caps. fisicamente irredutíveis.s e a o r i d í c u l o q u e s a u d a r a o d o u t o r de Molière um século antes. s e m c o m isso e x p o r . o t a m a n h o .p r o b l e m a s m a i s difíceis p a r a o s q u e a c e i t a v a m o s Principia c o m o u m p a r a d i g m a . N e w t o n d e v o t o u m u i t a a t e n ç ã o a ele e m u i t o s d e s e u s s u c e s s o r e s d o s é c u l o X V I I I fizeram o m e s m o . Anteriormente. Os cientistas. A n o v a c o n c e p ç ã o d e efeitos i n d u t i v o s foi. tal c o m o a f o r m a . o fenômeno q u e atualmente c h a m a m o s de carga por ind u ç ã o p o d e ser r e c o n h e c i d o c o m o u m d e s e u s efeitos.s e . into Speculative Electricity as . os eletricist a s p o d i a m falar d a " v i r t u d e " a t r a t i v a d o f l u i d o e l é t r i c o . a um p a d r ã o escolástico. A D i n â m i c a e a Eletricidade t a m p o u c o f o r a m o s ú n i c o s c a m p o s científicos a f e t a d o s p e l a legitimação da procura de forças inatas da matéria. disso resultando u m a autêntica reversão. t a n t o de praticar a ciência sem os Principia. era atribuído à a ç ã o direta de " a t m o s f e r a s " ou a v a z a m e n t o s inevitáveis em q u a l q u e r l a b o r a t ó r i o elétrico.

Parte ver I. ver Sobre a Eletricidade. Sem os dados e conceitos químicos desenvolvidos ao longo desse processo. Identity and Reality. VIII-1X. Outros exemplos dessas diferenças não-substantivas entre p a r a d i g m a s sucessivos p o d e m ser obtidos na história de qualquer ciência. C o n c e b e r u m 8 9 8. As mudanças nos padrões científicos q u e g o v e r n a m o s p r o b l e m a s . u m a das tarefas reconhecidas da Química consistia em explicar as qualidades das substâncias químicas e as m u d a n ç a s experimentadas por essas substâncias d u r a n t e as reações. op. Md. C o m auxílio de um pequeno n ú m e r o de "princípios" elementares — entre os q u a i s o flogisto — o q u í m i c o d e v i a e x p l i c a r p o r q u e algumas substâncias são ácidas. Cap. Obteve-se algum sucesso n e s s e s e n t i d o . Tornava-se necessária u m a m u d a n ç a n o s p a d r õ e s científicos p a r a c o m p e n s a r e s s a p e r da. J á o b s e r v a m o s q u e o flogisto e x p l i c a v a por que os metais eram tão semelhantes e poderíamos ter desenvolvido um a r g u m e n t o similar p a r a os ácidos. Quanto à Química. Caps. A n t e s d a revolução química. Químicos q u e acreditavam na existência dessas atrações diferenciais entre as diversas espécies químicas p r e p a r a r a m experiências ainda n ã o imaginadas e buscaram n o vas espécies de reações. X. 9 . privando desse m o d o a Química de parte de seu poder real e de muito de seu poder p o tencial de explicação. a o b r a posterior de Lavoisier e mais particularmente a de D a l ton seriam incompreensíveis. METZGER. p o d e m transformar u m a ciência. D u r a n t e grande parte d o século X I X u m a teoria quím i c a n ã o era posta em questão por fracassar na tentativa de explicação das qualidades dos compostos. a reforma de Lavoisier acabou eliminando os " p r i n c í p i o s " químicos. 1930). outras metalinas. C o n t u d o .a f i n i d a d e s q u í m i c a s e séries d e r e p o s i ç ã o d e r i v a i g u a l mente desse aspecto supramecânico do newtonismo. . E. praticamente em quase todos os períodos de seu desenvolvimento. No p r ó x i m o capítulo. (Nova York. U m outro e x e m p l o : n o século X I X . Contentemo-nos por enquanto c o m dois outros exemplos mais breves. combustíveis e assim p o r diante. ..s e através d e u m éter material. Clerk Maxwell partilhava com outros proponentes da teoria ondulatória da luz a convicção de q u e as ondas luminosas deviam p r o p a g a r . MEYERSON. cit. c o n c e i t o s e e x plicações admissíveis.. chegarei m e s m o a sugerir um sentido no qual p o d e m transformar o m u n d o .

History of the Theories of Aether and Electrlclty. N ã o é d e s u r p r e e n d e r q u e alguns historiadores t e n h a m argumentado que a história d a ciência registra u m crescimento constante d a maturidade e do refinamento da concepção que o h o m e m possui a respeito da natureza da ciência. Todavia é a i n d a m a i s difícil d e f e n d e r o d e s e n v o l v i m e n t o c u m u l a t i v o d o s p r o b l e m a s e p a d r õ e s científicos d o q u e a a c u m u l a ç ã o de teorias. s e m m a i o r c o n v i c ç ã o — o q u e c e r t a m e n t e n ã o fora — e as tentativas de conceber tal m e i o etéreo f o r a m a b a n d o n a d a s . ver C. I I . Essas alterações características na concepção q u e a c o m u n i d a d e científica p o s s u i a r e s p e i t o d e s e u s p r o b l e m a s e p a d r õ e s l e g í t i m o s s e r i a m m e n o s significativas p a r a as teses deste ensaio se p u d é s s e m o s supor q u e representam sempre u m a passagem de um tipo metodológico inferior a um superior. n ã o estava orientada para um problema intrinsecamente ilegítimo. t e v e m u i t o a ver c o m a emergência da teoria da relatividade. 2 8 . ( L o n d r e s . G . sua própria teoria eletromagnética da luz n ã o dava absolutamente n e n h u m a explicação sobre um meio capaz de sustentar ondas luminosas e c e r t a m e n t e t o r n o u a i n d a m a i s difícil e x p l i c á . p p . a t e o r i a d e M a x w e l l foi a m p l a m e n t e rejeitada por essas razões. m e s m o seus efeitos p a r e c e r i a m c u m u l a t i v o s . W H I T T A K M . G I L I J S P I E . T . as 10 11 1 0 . a teoria de M a x w e l l m o s t r o u q u e dificilmente p o d e r i a s e r d e i x a d a de l a d o e q u a n d o a l c a n ç o u o status d e p a r a d i g m a . . N e s s e c a s o . a a t i u d e d a c o m u n i d a d e científica c o m relação a ela m u d o u . embora proveitosamente abandonada pela maioria dos cientistas d o século X V I I I . A tentativa de explicar a gravidade. sem especificar o q u e estava sendo deslocado. N o i n í c i o .3 0 . A. 1960). N a s primeiras décadas do século X X . 1 1 .l o d o q u e j á p a r e c i a . Entretanto. a insistência de M a x w e l l em defender a existência d e u m é t e r m a t e r i a l foi c o n s i d e r a d a m a i s e m a i s u m g e s t o pro forma.m e i o m e c â n i c o c a p a z d e s u s t e n t a r tais o n d a s foi u m p r o b l e m a . n o c a s o . Para u m a tentativa brilhante e totalmente atualizada de adaptar o desenvolvimento científico a esse leito de Procusto. 1 9 5 3 ) . Os cientistas já n ã o consider a v a m acientífico f a l a r d e u m " d e s l o c a m e n t o " e l é t r i c o . O result a d o . foi u m n o v o c o n j u n t o d e p r o b l e m a s e p a d r õ e s científicos. tal c o m o a de N e w t o n . E . m a i s u m a v e z . u m d o s q u a i s . M a s .p a d r ã o p a r a muitos de seus c o n t e m p o r â n e o s mais competentes. The Edge of Obfectlvlty: An Essay In the History of Scientlfic tdeas (Princeton.

A l é m d i s s o . ao d e s l o c a r e m a ênfase das funções cognitivas p a r a as funções normativas d o s paradigmas. U m a v e z q u e a n a t u r e z a é m u i t o c o m p l e x a e v a r i a d a p a r a ser e x p l o r a d a ao acaso. o desenvolvimento da Mecânica Quântica inverteu a proibição metodológica que teve sua origem na revolução química. E i n s t e i n foi b e m s u c e d i d o n a e x p l i c a ç ã o d a s a t r a ç õ e s g r a v i t a c i o n a i s e e s s a e x p l i c a ç ã o fez c o m q u e a c i ê n c i a voltasse a um conjunto de cânones e problemas que. n ã o é o substrato inerte e h o m o g ê n e o e m p r e g a d o t a n t o na teoria de N e w t o n c o m o na de Maxwell. Ôs exemplos precedentes. bem como as maneiras s e g u n d o as quais essas entidades se c o m p o r t a m . esse m a p a é t ã o essencial p a r a o d e senvolvimento c o n t í n u o da ciência c o m o a o b s e r v a ç ã o e a experiência. No século X X .objeções às forças inatas n ã o e r a m n e m inerentemente acientíficas. O q u e o c o r r e u n ã o foi n e m u m a q u e d a . c o m g r a n d e sucesso. E s s a i n f o r m a ç ã o fornece u m m a p a cujos detalhes s ã o elucid a d o s p e l a p e s q u i s a científica a m a d u r e c i d a . n a física c o n t e m p o r â n e a . s ã o t a m b é m c o n s t i t u t i v o s d a c i ê n c i a em outros aspectos que nos interessam nesse m o m e n t o . Atualmente os químicos tentam. n e m u m a e l e v a ç ã o d e p a d r õ e s . É provável que algum dia cheguem o s a s a b e r o q u e é um d e s l o c a m e n t o e l é t r i c o . neste aspecto específico. havíamos examinado especialmente o papel d o p a r a d i g m a c o m o v e í c u l o p a r a a t e o r i a científica. O e s p a ç o . Antes disso. . U m a inversão similar p o d e estar ocorrendo na teoria eletrom a g n é t i c a . o estado de agregação e outras qualidades das substâncias utilizadas e p r o d u z i d a s n o s seus laboratórios. N e s s e papel. explicar a cor. n e m m e t a f í s i c a s e m a l g u m s e n t i d o p e j o r a tivo. ampliam nossa compreensão dos modos p e l o s q u a i s o s p a r a d i g m a s d ã o f o r m a à v i d a científica. P o r sua vez. tal m u d a n ç a foi d e s d e e n tão invertida e p o d e r i a sê-lo n o v a m e n t e . são mais p a r e c i d o s c o m os dos predecessores de N e w t o n do que c o m os de seus sucessores. algumas de suas novas propriedades n ã o são m u i t o diferentes das outrora atribuídas ao éter. os p a r a d i g m a s d e m o n s t r a m ser constitutivos da atividade científica. C o n t u d o . m a s simplesmente u m a m u d a n ç a exigida pela adoção de um n o v o p a r a d i g m a . P o r meio das teorias que encarnam. ele informa ao cientista q u e entidades a natureza contém ou não contém. N ã o existem p a d r õ e s exteriores q u e p e r m i t a m u m j u l g a m e n t o científico d e s s a e s p é c i e .

E s s a o b s e r v a ç ã o n o s faz r e t o r n a r a o p o n t o d e p a r tida deste capítulo. e m b o r a seja apenas p a r t e da questão — que q u a n d o duas escolas científicas d i s c o r d a m s o b r e o q u e é um p r o b l e m a e o q u e é u m a solução. visto q u e n e n h u m paradigma consegue resolver todos os problemas que define e p o s t o q u e n ã o existem dois p a r a d i g m a s q u e deixem sem solução exatamente os mesmos problemas. métodos e padrões científicos. A t é aqui argumentei tão-somente no sentido de q u e os p a r a d i g m a s s ã o parte constitutiva da ciência. P o r isso. pois fornece nossa primeira indicaç ã o explícita da r a z ã o pela qual a escolha entre p a r a digmas competidores coloca comumente questões que v n ã o p o d e m ser resolvidas pelos critérios da ciência n o r í m a l . D e s e j o a g o r a a p r e s e n t a r u m a d i m e n s ã o n a q u a l eles s ã o t a m b é m constitutivos da natureza. Entretanto. N o s argumentos parcialmente circulares que habitualmente resultam desses debates. Existem ainda outras razões para o caráter incompleto do contato lógico q u e sistematicamente carateriza o d e bate entre paradigmas. tanto os problemas. nossos exemplos mais recentes fornecem aos cientistas n ã o apenas u m m a p a . P o r exemplo. q u e u s u a l m e n t e c o m p õ e m u m a m i s t u r a i n e x tricável. o cientista a d quire ao m e s m o t e m p o u m a teoria. m a s t a m b é m algumas d a s indicações essenciais p a r a a elaboração d e m a p a s . essa q u e s t ã o de valores s o m e n t e p o d e ser respondida em termos de critérios t o t a l m e n t e exteriores à ciência e é esse r e c u r s o a critérios externos q u e — mais obviamente que qualquer outra coisa — t o r n a revolucionários os debates entre paradigmas. ' . elas inevitavelmente t r a v a r ã o um diálogo de surdos ao debaterem os méritos relativos dos respectivos paradigmas. q u a n d o o s p a r a d i g m a s m u d a m . está em jogo algo mais fundamental q u e padrões e valores. os debates entre p a r a d i g m a s sempre envolvem a seguinte q u e s t ã o : q u a i s s ã o o s p r o b l e m a s q u e é m a i s significativo ter resolvido? T a l c o m o a questão d o s p a d r õ e s em competição. c o m o das soluções propostas. ocorr e m a l t e r a ç õ e s significativas n o s c r i t é r i o s q u e d e t e r m i n a m a legitimidade. c a d a p a r a d i g m a revelar-se-á c a p a z d e satisfazer m a i s o u m e n o s ps critérios q u e dita p a r a si m e s m o e incapaz de satisfazer alguns d a q u e l e s ditados p o r seu o p o n e n t e .Mais particularmente. A o a p r e n d e r u m p a r a d i g m a . A t a l p o n t o — e i s t o é significativo.

9. G u i a d o s p o r u m n o v o p a r a d i g m a . os. m u d a c o m eles o p r ó p r i o m u n d o . olham para os mesmos pontos já examinados anter i o r m e n t e . os cientistas v ê e m coisas n o v a s e diferentes q u a n d o . AS REVOLUÇÕES COMO MUDANÇAS DE CONCEPÇÃO DE MUNDO O historiador da ciência q u e e x a m i n a r as pesquisas do p a s s a d o a partir da perspectiva da historiografia cont e m p o r â n e a p o d e sentir-se tentado a p r o c l a m a r que. Ê c o m o se a c o m u n i d a d e p r o f i s s i o n a l tivesse sido subitamente transportada para um novo planeta. c i e n tistas a d o t a m n o v o s i n s t r u m e n t o s e o r i e n t a m s e u o l h a r em n o v a s d i r e ç õ e s . . e m p r e g a n d o instrumentos familiares. E o q u e é a i n d a m a i s i m p o r t a n t e : d u r a n t e as revoluções. q u a n d o m u d a m o s p a r a d i g m a s .

v e n d o o q u e o cientista vê e r e s p o n d e n d o c o m o o cientista r e s p o n d e . o e s t u d a n t e vê l i n h a s i n t e r r o m p i d a s e c o n f u s a s . S o m e n t e após várias dessas transformações de visão é que o estudante se torna um habitante do m u n d o do cientista. Ao olhar u m a fotografia da c â m a r a de Wilson. q u a n d o a tradição científica n o r m a l m u d a . o cartográfico vê a r e p r e s e n t a ç ã o de um terr e n o . Esta é u m a o u t r a r a z ã o pela q u a l escolas g u i a d a s p o r p a r a digmas diferentes estão sempre em ligeiro desacordo. . o físico um registro de eventos subnucleares q u e lhe são familiares.l o . ele é d e t e r m i n a d o c o n j u n t a m e n t e pelo m e i o a m b i e n t e e pela tradição específica de ciência n o r m a l n a q u a l o e s t u d a n t e foi t r e i n a d o . Aquele que antes via o exterior da caixa desde cima passa a ver seu interior desde baixo. as mudanças de p a r a d i g m a realmente l e v a m os cientistas a ver o m u n d o definido por seus compromissos d e pesquisa d e u m a m a neira diferente. seja p e l a n a t u r e z a d o m e i o a m b i e n t e . Transformações dessa natureza. após u m a revolução. Depois de fazê. este m u n d o no qual o e s t u d a n t e p e n e t r a n ã o está fixado de u m a vez p o r t o d a s . o estudante vê linhas sobre o p a p e l . fora do laboratório os afazeres cotidianos em geral continuam c o m o antes. Aquilo que antes da revolução aparece c o m o u m p a t o n o m u n d o d o cientista transforma-se p o s teriormente n u m coelho. c o m o protótipos elementares p a r a essas transformações. em períodos de revolução. A o olhar u m a carta topográfica. p o d e remos ser tentados a dizer que. o m u n d o d e s u a s p e s q u i s a s p a r e c e r á . C o n s e q ü e n t e mente.o n d e objetos familiares s ã o vistos s o b u m a luz diferente e a eles se a p r e g a m o b j e t o s d e s c o n h e c i d o s .s e a t r a v é s d o q u e v ê e m e f a z e m . a c o m p a n h a m c o m u m e n t e o t r e i n a m e n t o científico. C e r t a m e n t e n ã o ocorre nada semelhante: não há transplante geográfico. e m b o r a usualm e n t e sejam mais graduais e q u a s e s e m p r e irreversíveis. E m v e z d i s s o . As b e m conhecidas demonstrações relativas a u m a a l t e r a ç ã o n a f o r m a (GestaW) v i s u a l d e m o n s t r a m ser m u i t o sugestivas. Na medida em que seu único acesso a esse m u n d o d á . a q u i e ali. N ã o obstante. i n comensurável com o que habitava anteriormente. a p e r c e p ç ã o q u e o c i e n t i s t a t e m d e s e u m e i o a m b i e n t e d e v e ser r e e d u c a d a — d e v e a p r e n d e r a v e r u m a n o v a f o r m a {Cestalt) e m a l g u m a s s i t u a ções c o m as quais já está familiarizado. C o n t u d o . os cientistas r e a g e m a um m u n d o diferente. seja p e l a c i ê n c i a .

1935). 463-481 fornecida por HARVEY (Nova York.s o m e n t e a n a t u r e z a das transformações perceptivas. O i s t a n c e . fÔutras experiências d e m o n s t r a m q u e o taman h o . Todavia. 216-227 (1951). as experiências c o m a f o r m a v i s u a l i l u s t r a m t ã o . 1 . todo o seu c a m p o visual se altera. ALBERT apresentação Introduction The mais atualizada é to Space Perception of Suggestion on the Relationship between Stimulus H . BRUNER. e t c . American Journal of Psychology. o h o m e m a c o s t u m a d o às lentes invertidas experimentou u m a transformação revolucionária da visão. a cor. através d e u m a exposição prolongada. An 18-57. CARR. A assimilação de um c a m p o visual anteriormente a n ô m a l o reagiu sobre o próprio c a m po e modificou-o. pp. percebidos de objetos apresentados experimentalmente t a m b é m varia c o m a experiência e o treino prévios do p a r t i c i p a n t e ^ Ao e x a m i n a r a rica litera1 TON. M a s l o g o q u e o sujeito c o m e ç a a a p r e n d e r a lidar c o m seu n o v o m u n d o . e JEROME S. pp. X X I X . na sua forma mais usual. L X I V . STRAT- IV. os objetos são n o v a m e n t e vistos c o m o antes da utilização das lentes. u m a i n t e n s a crise p e s s o a l . a m a i o r p a r t e da qual provém do trabalho pioneiro do Instituto H a n o v e r . O s sujeitos d a e x p e r i ê n c i a c o m c a r t a s a n ô m a l a s . As Vision experiências without Inversíon originais foram of the realizadas Retinal Image. Uma A. No c o m e ç o . 2 . vê inicialmente o m u n d o todo de cabeça p a r a baixo. experimentaram u m a transformaç ã o b a s t a n t e similar. S o b r e este p o n t o existe u m a rica literatura psicológica. por GEORGE Psychological Revlew. M . L E O P O S T M A N e J O H N R O D R I C U E S .Certamente. discutida no C a p . Expectations and the Perception of Colour. T a n t o literal c o m o metaforicamente. que o universo continha cartas anômalas. s e u a p a r a t o p e r c e p t i v o f u n c i o n a tal c o m o f o r a treinado p a r a funcionar na ausenta de óculos e o result a d o é u m a d e s o r i e n t a ç ã o e x t r e m a . HASTORF. depois que a experiência em curso forneceu as categorias adicionais indispensáveis. ver (1897). Journal . viam tão-somente os tipos de cartas p a r a as quais suas experiências anteriores os haviam equipado. 341-360. A t é a p r e n d e r e m . pp. em geral após um período intermediário durante o q u a l a v i s ã o se e n c o n t r a s i m p l e s m e n t e c o n f u n d i d a . pp. Para exemplos. 195-217 (1950). 5. N a d a nos dizem sobre o papel dos paradigmas ou da experiência previamente assimilada a o processo d e percepção. foram capazes de perceber todas as cartas anômalas na primeira inspeção suficientemente prolongada para permitir alguma identificação. S e o sujeito d e u m a e x p e r i ê n c i a c o l o c a ó c u l o s d e proteção munidos de lentes que invertem as imagens. Size and Perceived Influence of Psychology. A partir daí.

Elas realmente apresentam características de perc e p ç ã o q u e poderiam ser c e n t r a i s p a r a o d e s e n v o l v i m e n to científico. T o d a v i a . (Cambridge. A l é m disso. Na ausência de tal treino. R. P a r a q u e u m e x e m p l o histórico possa fazer c o m q u e essas experiências psicológicas p a r e ç a m relevantes. 1958). R. P o d e r á e n t ã o dizer ( a l g o q u e n ã o p o d e r i a t e r feito l e g i t i m a m e n t e a n t e s ) 3. Consciente de q u e n a d a m u d o u e m s e u m e i o a m b i e n t e . a própria natureza dessas experiências torna impossível qualquer d e m o n s t r a ç ã o direta desse p o n t o . HANSON. é preciso primeiro que atentemos para os tipos de provas que p o d e m o s ou n ã o p o d e m o s esperar q u e a história nos forneça. m a s às linhas contidas no papel q u e está o l h a n d o .c o n ceitual prévia o ensinou a ver. Patterns of Discovery. m a s n ã o d e m o n s t r a m q u e a o b s e r v a ç ã o cuidadosa e controlada realizada pelo pesquisador científico p a r t i l h e d e a l g u m m o d o d e s s a s c a r a c t e r í s t i c a s . ir além disso. n ã o p o d e m . s o m o s levados a suspeitar de q u e a l g u m a coisa semelhante a um paradigma é um pré-requisito para a própria percepção. N. P o d e até m e s m o acabar a p r e n d e n d o a ver essas linhas s e m ver qualquer u m a dessas figuras.t u r a d a q u a l esses e x e m p l o s f o r a m extraídos. no caso em questão. ele d i r i g e s e m p r e mais a s u a a t e n ç ã o n ã o à figura ( p a t o ou c o e l h o ) . especialmente. N. e n q u a n t o segura nas m ã o s o m e s m o livro ou p e d a ç o de papel. somente pode haver o q u e William J a m e s c h a m o u de "confusão atordoante e intensa'^} v Nos últimos anos muitos dos interessados na história da ciência consideraram muito sugestivos os tipos de experiências acima descritos. . e m b o r a experiências psicológicas sejam sugestivas. 3 O sujeito d e u m a d e m o n s t r a ç ã o d a P s i c o l o g i a d a F o r m a sabe q u e sua percepção se modificou. H a n s o n . [Õ que um h o m e m vê depende tanto daquilo que ele o l h a c o m o d a q u i l o q u e s u a e x p e r i ê n c i a v i s u a l . Cap. utilizou demonstrações relacionadas c o m a forma visual p a r a elaborar algumas d a s m e s m a s conseqüências d a c r e n ç a científica c o m a s q u a i s m e p r e o c u p o a q u i . Outros colegas indicaram repetidamente q u e a história da ciência teria um sentido mais claro e coerente se p u déssemos supor q u e os cientistas e x p e r i m e n t a m ocasionalmente alterações de percepção do tipo das acima descritas. I. visto q u e ele p o d e alterá-la repetidamente.

A m e s m a espécie de p r o b l e m a s surgiria caso o cientista pudesse alterar seu c o m p o r t a m e n t o d o m e s m o m o d o q u e o sujeito d a s e x p e r i ê n cias c o m a forma visual. a eficácia d a d e m o n s t r a ç ã o d e p e n d e d a p o s s i b i l i d a de de p o d e r m o s analisá-la desse m o d o . e m certo m o m e n t o . tal autoridade tornar-se-ia a fonte de seus d a d o s e nesse caso o c o m p o r t a m e n t o de sua visão tornarse-ia u m a f o n t e d e p r o b l e m a s ( t a l c o m o o sujeito d a experiência p a r a o p s i c ó l o g o ) . tal c o m o em todas as experiências psicológicas similar e s . o convertido ao copernicismo n ã o diz " c o s t u m a v a ver um planeta. Esse tipo de afirmação . O período d u r a n t e o qual a luz era considerada " a l g u m a s vezes c o m o u m a onda e o u t r a s c o m o u m a p a r t í c u l a " foi u m p e r í o d o d e c r i s e — um p e r í o d o d u r a n t e o q u a l algo n ã o vai b e m — e s o mente terminou com o desenvolvimento da Mecânica O n d u l a t ó r i a e c o m a c o m p r e e n s ã o de q u e a luz era entid a d e a u t ô n o m a . o experimentador. mas estava enganado". p o r q u e u m a autorid a d e externa. T a l locução implicaria afirmar que em um sentido determinado o sistema de Ptolomeu fora. assegura-lhe que.q u e o q u e r e a l m e n t e vê s ã o essas linhas. s e a s a l t e r a ç õ e s p e r c e p t i vas a c o m p a n h a m as mudanças de paradigma. r e c o r r e n d o à qual se pudesse mostrar q u e sua visão se alterara. Se houvesse alguma autoridade superior. diferente tanto das ondas c o m o das part í c u l a s . u m convertido à n o v a astronomia diz: "antes eu acreditava q u e a L u a fosse u m p l a n e t a ( o u via a L u a c o m o u m p l a n e t a ) . P o r isso. D o m e s mo m o d o . m a s a g o r a vejo um satélite". m a i s p r e c i s a m e n t e . e s t a v a olhando d u r a n t e t o d o o t e m p o para um cinco de copas. Ao olhar a L u a . o sujeito da experiência d a s cartas a n ô m a l a s s a b e ( o u . n ã o o b s t a n t e o q u e t e n h a visto. p o d e ser p e r s u a d i d o ) q u e sua percepção deve ter-se alterado. n a s c i ê n c i a s . O c i e n t i s t a n ã o p o d e a p e l a r p a r a algo q u e e s t e j a a q u é m o u a l é m d o q u e ele v ê c o m s e u s o l h o s e instrumentos. m a s q u e as v ê a l t e r n a d a m e n t e como p a t o o u como c o e l h o . correto. C o n t u d o . n ã o poderemos extrair n e n h u m a conclusão c o m relação a possibilidades perceptivas alternadas. c o m a o b s e r v a ç ã o científica.s e . A menos q u e exista u m p a d r ã o exterior c o m relação a o q u a l u m a alter a ç ã o da visão possa ser demonstrada. a s i t u a ç ã o i n v e r t e . E m lugar disso. não po d e m o s esperar q u e os cientistas confirmem essas m u danças diretamente. Em ambos os casos.

h o j e s u p o m o s . cuja aparição fora o b s e r v a d a d e q u a n d o em q u a n d o d u r a n t e quase um século. Q u a n d o e s s a s u g e s t ã o foi aceita. t i n h a m visto u m a estrela e m p o sições q u e . d e s u a p r ó p r i a f a b r i c a ç ã o . se em geral disfarça u m a alteração da visão científica o u a l g u m a o u t r a t r a n s f o r m a ç ã o m e n t a l q u e t e n h a o m e s m o efeito.. . Q u a n d o . passou a ser v i s t o d e f o r m a d i f e r e n t e d e p o i s d e 1 7 8 1 . P o r c a u s a d i s s o . ! D e v e m o s a n t e s b u s c a r p r o vas indiretas e c o m p o r t a m e n t a i s de que um cientista c o m um n o v o p a r a d i g m a vê de maneira diferente do que via anteriormente. o m u n d o dos a s t r ô n o m o s profissionais passou a contar c o m um p l a n e t a a m a i s e várias estrelas a m e nos. s e m c o n t u d o p e r c e b e r o m o v i m e n t o q u e p o d e ria ter sugerido u m a outra identificação. O d e s c o b r i m e n t o d e U r a n o p o r Sir W i l l i a m Herschel fornece um primeiro exemplo que se aproxima muito d a experiência das cartas anômalas. D o i o . (Londres. Pcter. é q u e Lexell sugeriu q u e p r o v a v e l m e n t e se tratava d e u m a ó r b i t a p l a n e t á r i a .r e p e t e . A l g o estava e r r a d o e e m v i s t a d i s s o ele p o s t e r g o u a i d e n t i f i c a ç ã o a t é r e a l i z a r um exame mais elaborado. p o r q u e . após várias tentativas infrutíferas p a r a ajustar o m o v i m e n t o observado a u m a órbita de c o m e ta. U m c o r p o celeste. entre 1 6 9 0 e 1 7 8 1 . n ã o m a i s s e a d a p t a v a à s 4 PP- 4. tal c o m o u m a c a r t a a n ô m a l a . pois. 115-116. d e v e m ter sido o c u p a d a s p o r U r a n o nessa época. A Concise History oi Astronomy. i n c o m u m p a r a estrelas. n ã o p o d e m o s e s p e r a r u m t e s t e m u n h o d i r e t o s o b r e essa a l t e r a ç ã o . inclusive vários d o s m a i s eminentes observadores europeus. diversos a s t r ô n o m o s . doze anos mais tarde. Herschel observou pela primeira vez o m e s m o objeto. no m í n i m o . 1950). Esse exame revelou o movim e n t o de U r a n o entre as estrelas e por essa razão H e r s chel anunciou que vira um novo cometa! Somente vários m e s e s depois. e m p r e g o u um telescópio aperfeiçoado. Em 1769. um dos melhores observadores desse g r u p o viu a estrela por q u a t r o noites sucessivas. Retornemos então aos dados e perguntemos que tipos de transformações no m u n d o do cientista p o d e m ser d e s c o b e r t o s pelo historiador q u e acredita e m tais m u d a n ç a s .s e n o p e r í o d o p o s t e r i o r à s r e v o l u ç õ e s científicas. E m pelo m e nos dezessete ocasiões diferentes. foi c a p a z de notar um t a m a n h o aparente de disco q u e era.

pp. a alteração de visão que permitiu aos astrônomos ver o planeta U r a n o n ã o parece ter afetado somente a percepção daquele objeto já observado anteriormente. u m a p ó s o outro. os chineses registraram de m a neira sistemática o aparecimento de m a n c h a s solares séculos antes de t e r e m sido vistas p o r Galileu e seus c o n t e m p o r â n e o s . RUEOLPH WOLF. 434-436. As m a n c h a s solares e u m a n o v a estrela n ã o f o r a m os únicos exemplos de m u d a n ç a a surgir nos céus da astronomia ocidental imediatamente após Copérnico. .categorias perceptivas (estrela ou c o m e t a ) fornecidas pelo p a r a d i g m a anteriormente em vigor. h a v i a m registrado o aparecimento de m u i t a s novas estrelas nos céus n u m a é p o ca muito anterior. Igualmente. m e s m o sem contar com a ajuda do telescópio. N E E D H A M . E m b o r a as evidências sejam equívocas. (CambTidse. III. Geschichíe der Astronomie (Munique. 5. A história da Astronomia fornece muitos outros exemplos de m u d a n ç a s n a p e r c e p ç ã o científica q u e f o r a m i n d u z i d a s p o r p a radigmas. que os cometas se movimentavam livremente através do espaço anteriormente reservado às estrelas e 5 6 513-515. os astrônomos que estavam preparados para encontrar planetas adicionais f o r a m capazes de identificar vinte deles d u r a n t e os primeiros cinqüenta anos do século XLX. algumas das quais ainda menos equívocas que a anterior. Science and Civittzalhm in China. Suas conseqüências tiveram um alcance b e m mais amplo. não apresentavam o aumento anômalo que alertara Herschel. 6 . N ã o obstante. 1959). e m p r e g a n d o instrumentos-padrão. Note-se especialmente c o m o os relatos de W o l f dificultam a explicação dessas descobertas c o m o sendo u m a conseqüência da Lei de Bode. 1877). a pequena m u d a n ç a de paradigma forçada por Herschel provavelmente ajudou a preparar astrônomos para a descoberta rápida de numerosos planetas e asteróides após 1 8 0 l j D e v i d o a seu t a m a n h o pequeno. ^Contudo. J o s e p h . cujas crenças cosmológicas n ã o excluíam m u d a n ç a s celestes. pp. P o r exemplo. 683-693. . o s a s t r ô n o m o s d o fim d o século X V I d e s c o b r i r a m . será possível conceber c o m o acidental o fato de q u e os astrônomos somente tenham c o m e ç a d o a ver m u d a n ç a s nos céus — q u e anteriorm e n t e e r a m imutáveis — d u r a n t e o m e i o século q u e se seguiu à apresentação do n o v o paradigma de Copérnico? Os chineses. Utilizando instrumentos tradicionais. alguns t ã o s i m p l e s c o m o u m p e d a ç o d e fio d e l i n h a . 423-429.

os a s t r ô n o m o s p a s s a r a m a viver em um m u n d o diferente. Mass. The Copemican Revolution. após Copérnico. <Cambridge. m a s iniciarei i l u s t r a n d o s u a a p l i c a ç ã o n a p r á t i c a . N ã o p r e c i s a m o s c o n t u d o insistir e m u m p a r a l e l i s m o i n t e g r a l e t e remos muito a ganhar caso relaxemos nossos padrões. a r e p u l s ã o d e v i d a à e l e trificação por contato e r a tão-somente u m d o s muitos 7 7. Se nos contentarmos c o m o emprego cotidiano do verbo "ver". suas pesquisas desenvolveram-se c o m o s e isso tivesse o c o r r i d o . q u a n d o sua pesquisa era orientad a p o r u m a o u o u t r a t e o r i a d o s eflúvios. De qualquer m o d o . S. S o m e n t e e m tais relatórios p o d e m o s ter a esperança de encontrar algo semelhante a um paralelismo c o m p l e t o entre as observações d o s cientistas e as d o s sujeitos e x p e r i m e n t a i s d o s p s i c ó l o g o s . C o n t u d o . 1957). P e l o m e n o s foi isso q u e o s o b s e r v a d o r e s d o s é c u l o X V I I a f i r m a r a m ter visto e n ã o temos razões p a r a duvidar mais de seus relatórios de percepção do que dos nossos. Os exemplos anteriores foram selecionados na A s t r o n o m i a . o s e l e t r i c i s t a s viam seguidamente partículas de palha serem repelidas ou caíram d o s corpos elétricos q u e as h a v i a m atraído.planetas imutáveis. KUHN.. a r e p u l s ã o n ã o foi vista c o m o t a l a t é q u e o aparelho em larga escala de H a u k s b e e ampliasse grand e m e n t e s e u s efeitos. Historicamente entretanto. poderemos rapidamente reconhecer que já encontramos muitos outros exemplos das alterações na perc e p ç ã o científica q u e a c o m p a n h a m a m u d a n ç a d e p a radigma. com u m a única exceção universalment e igno-iada. p o r q u e os relatórios referentes a observações celestes são freqüentemente a p r e s e n t a d o s e m u m vocabulário composto por termos de observação relativ a m e n t e p u r o s . A própria facilidade e rapidez c o m q u e o s a s t r ô n o m o s v i a m novas coisas a o o l h a r p a r a objet o s a n t i g o s c o m v e l h o s i n s t r u m e n t o s p o d e fazer c o m q u e nos sintamos tentados a afirmar que. pp. D u rante o século X V I I . u m observad o r m o d e r n o veria u m a repulsão eletrostática ( e n ã o u m a repulsão mecânica ou gravitacional). Voltemos a examinar por um instante ou dois n o s sos e x e m p l o s a n t e r i o r e s d a h i s t ó r i a d a e l e t r i c i d a d e . O emprego mais amplo dos termos "percepç ã o " e " v i s ã o " requererá em breve u m a defesa explíc i t a . T. 206-209. C o l o c a d o diante d o m e s m o a p a r e l h o . .

V e j a . o u t r o s efeitos i n d u t i v o s r e c e b e r a m n o v a s descrições. a repulsão tornou-se repentinamente a m a n i f e s t a ç ã o f u n d a m e n t a l d a e l e t r i f i c a ç ã o e foi e n t ã o q u e a a t r a ç ã o precisou ser explicada. as duas capas condutoras — u m a d a s quais n ã o fizera p a r t e d o i n s t r u m e n t o original — tornaram-se proeminentes. R O L L E K .c o n d u t o r entre elas h a v i a m gradativamente se t o r n a d o o p r o t ó t i p o p a r a t o d a essa classe de a p a relhos. Simult a n e a m e n t e . o eletricista q u e o l h a v a u m a G a r rafa de L e y d e n via algo diferente do q u e vira anteriormente. ao aprender a ver o oxigênio. O instrumento tornara-se um condensador. Além dessas. Contudo.. D u a n e H . pp. D u a n e & Concept of Electric Charge. n e m o vidro da garrafa e r a m indispensáveis. c o m o atestam progressivamente tanto as discussões escritas c o m o as representações pictóricas. P o r exemplo. e n q u a n t o outros mais foram observados p e la primeira vez. Mass. As duas placas de metal c o m u m n ã o . 9. Na impossibilidade de recorrermos a essa nat u r e z a fixa e h i p o t é t i c a q u e e l e " v i u d e m a n e i r a d i f e r e n t e " . O u t r o exemplo: após a assimilação do p a r a d i g m a d e F r a n k l i n . D . devido à descoberta do o x i g ê n i o . no C a p . Em lugar disso. Lavoisier passou a trabalhar e m u m m u n d o diferente. P o r m e i o de suas pesquisas (e n ã o através de u m a alteração da forma visual).s e a d i s c u s s ã o indicado na nota 9 daquele R O L L E R . o princípio de e c o n o m i a nos instará a dizer q u e .n o v o s efeitos d e r e p u l s ã o q u e H a u k s b e e vira. Os fenômenos e l é t r i c o s visíveis n o i n í c i o d o s é c u l o X V I I I e r a m m a i s sutis e m a i s v a r i a d o s q u e o s v i s t o s p e l o s o b s e r v a d o r e s do século X V I I . 6 e a literatura sugerida p e l o t e x t o capítulo. Já indicamos algumas das transformações de visão similares que p o d e m ser extraídas da história da Química. 21-29. L a v o i s i e r p a s s o u a v e r a n a t u r e z a de m a n e i r a diferente. Na pior das hipóteses. 1954). Alterações dessa espécie n ã o estão restritas à A s t r o n o m i a e à Eletricidade. . Lavoisier viu oxigênio o n d e Priestley vira ar desflogistizado e outros não viram absolutamente nada. The Development of the (Cambridlge. 8 9 8. houve ainda outras m u danças. para o qual n e m a forma. teve q u e ver u m mineral c o m p o s t o o n d e Priestley e seus c o n t e m p o r â n e o s h a v i a m visto u m a terra elementar. Lavoisier teve t a m b é m q u e modificar sua concepção a respeito de muitas outras substâncias familiares. C o m o dissemos. após ter descoberto o oxigênio.

II. m a s a n t e s d i s s o n e c e s sitamos de mais um exemplo de seu u s o — neste caso derivado de u m a das partes mais conhecidas da obra de Galileu.8 1 . Dialogues 111. derivou das propriedades do p ê n d u l o seus únicos argumentos sólidos e completos a favor da independência do peso c o m relação à velocid a d e da q u e d a .1 6 6 . Desde a Antigüidade r e m o t a muitas pessoas h a v i a m visto u m o u o u t r o objeto p e s a d o oscilando d e u m l a d o p a r a outro e m u m a corda o u corrente até c h e gar ao e s t a d o de r e p o u s o .. GALILEI. Two New Sciences. 8 0 . Galileu. M a s note-se que neste caso o gênio n ã o se manifesta através de u m a observação mais a c u r a d a ou objetiva do c o r p o oscilante. Q u a n d o este último informou q u e o período do p ê n d u l o era independente da amplitude da oscilação ( n o caso das amplitudes superiores a 9 0 ° ) . P o r que ocorreu essa alteração de visão? P o r causa do gênio individual de Galileu. T e n d o v i s t o este t a n t o . p p . onde alcança um estado de repouso natural — o corpo oscilante estava simplesmente caindo c o m dificuldade. Galileo. 10. concernlng trad. b e m c o m o a favor da relação entre o p e s o v e r t i c a l e a v e l o c i d a d e final d o s m o v i m e n t o s d e s cendentes nos planos inclinados. Galileu o b s e r v o u a o m e s m o t e m p o o u t r a s propriedades do pêndulo e construiu muitas das partes m a i s significativas e o r i g i n a i s d e s u a n o v a d i n â m i c a a partir delas. 1 6 2 . o que parece estar envolvido aqui é a exploração por 10 1 1 lon.D e n t r o em breve perguntarei sobre a possibilidade d e e v i t a r essa e s t r a n h a l o c u ç ã o . Em vez disso. 2 4 4 . Preso pela corrente. P o r exemplo. ao olhar o corpo oscilante viu um pêndulo. sem dúvida alguma. p o r outro lado. p p . Ibid.9 4 . somente poderia alcançar o repouso no p o n t o mais baixo de sua oscilação após um movimento tortuoso e um t e m p o considerável. P a r a os aristotélicos — q u e acreditavam que um corpo pesado é movido pela sua própria natureza de u m a posição mais elevada para u m a mais baixa. sua concepção do pêndulo levou-o a ver muito mais regularidade do q u e podemos atualmente descobrir no m e s m o f e n ô m e n o . (EvansCrew e A. a percepção aristotélica é t ã o a c u r a d a c o m o a de Galileu. um corpo que por pouco n ã o conseguia repetir i n d e f i n i d a m e n t e o m e s m o m o v i m e n t o . Galileu viu todos esses f e n ô m e n o s n a t u r a i s d e u m a m a n e i r a d i f e r e n t e d a q u e l a p e l a q u a l t i n h a m s i d o vistos a n t e r i o r m e n t e . 9 1 .. . 1 9 4 6 ) . 1 1 . de Salvio. Do p o n t o de vista descritivo.

1 2 Contudo. 570. O r e s m e e s b o ç o u u m a análise similar d a p e d r a oscilante. a s e g u i r o impetus é c o n s u m i d o ao d e s l o c a r a c o r d a c o n t r a a r e s i s t ê n c i a de s u a t e n s ã o . m a s tão-som e n t e pedras oscilantes. análise q u e atualmente parece ter sido a primeira discussão do p ê n d u l o . que p o de prolongar-se indefinidamente.parte de um gênio das possibilidades abertas por u m a alteração do paradigma medieval. q u e d e r a m à t e o r i a d o impetus a s s u a s f o r m u l a ç õ e s m a i s p e r feitas. a t e n são traz então a c o r d a p a r a a posição original. 1959). J o ã o d e B u ridan e N i c o l a u O r e s m e . foram. M. implant a n d o u m impetus c r e s c e n t e a t é o p o n t o i n t e r m e d i á r i o do m o v i m e n t o . Galileu não recebeu u m a f o r m a ç ã o t o t a l m e n t e a r i s t o t é l i c a . . precisamos realmente descrever c o m o u m a transformação da visão aquilo q u e separa Galileu de Aristóteles. foi treinado p a r a analisar o movimento em termos da teoria d o impetus. d e p o i s d i s s o o impetus d e s l o c a a c o r d a na direção oposta. Mais tarde. Pelo menos no caso de Oresme (e quase certamente no de Galileu). tratava-se de u m a concepção q u e se t o r n o u possível graças à transiç ã o d o p a r a d i g m a aristotélico original relativo a o m o v i m e n t o p a r a o p a r a d i g m a e s c o l á s t i c o d o impetus. implantado no corpo pelo propulsor q u e iniciou seu m o v i m e n t o . Sua concepção é certamente muito próxima d a q u e l a utilizada por Galileu na sua abordagem do pêndulo. The Science of Mechanics pp. (Madison. novamente contra a tensão da corda. A t é a invenção desse p a r a d i g m a escolástico n ã o havia p ê n dulos p a r a serem vistos pelos cientistas. CLAOETT. A o c o n t r á r i o . Os pêndulos nasceram graças a algo m u i t o similar a u m a alteração da forma visual induzida por paradigma. 537-538. ao q u e se sabe. u m p a r a d i g m a d o final d a I d a d e M é d i a q u e afirmava que o movimento contínuo de um corpo pesado é devido a um poder interno. os primeiros a ver n o s movimentos oscilatórios algo do que Galileu veria m a i s tarde nesses fenômenos. in the Mtddle Ages. no m e s m o século. W i s c . O movimento continua n u m processo simétrico. ou Lavoisier de Priestley? Esses h o m e n s r e a l m e n t e viram c o i s a s d i f e r e n t e s ao olhar para o m e s 12. B u r i d a n descreve o m o v i m e n t o de u m a corda que vibra como um movimento no qual o impetus é i m p l a n t a d o p e l a p r i m e i r a v e z q u a n d o a c o r da é g o l p e a d a . escolásticos do século XTV.

D e n t r o dessa perspectiva. É antes u m a p a r t e essencial de um p a r a d i g m a iniciado p o r Descartes e desenvolvido na m e s m a época q u e a dinâmica newtoniana. fixadas de u m a vez p o r todas pela natureza do meio ambiente e pelo aparato perceptivo. convergem todas para a mesma sugestão: o paradigma tradicional está. d a Psicologia. essa incapacidade para ajustar-se aos d a d o s torna-se cada Vez m a i s a p a r e n t e a t r a v é s d o e s t u d o h i s t ó r i c o d a c i ê n cia. Sua exploração. até m e s m o o mais impressionante suc e s s o n o p a s s a d o n ã o g a r a n t e q u e a c r i s e p o s s a ser p o s tergada indefinidamente. mas interpretaram suas observações de maneira diversa. c o m o Lavoisier viram oxigênio. n e m ser u m s i m p l e s e n g a n o . o . Mas. q u a n d o Arist ó t e l e s e G a l i l e u o l h a r a m p a r a as p e d r a s o s c i l a n t e s . N e n h u m desses t e m a s p r o m o t o r e s d e crises p r o d u ziu a t é a g o r a u m a a l t e r n a t i v a v i á v e l p a r a o p a r a d i g m a epistemológico tradicional. Estou. c o m o o exemplo da dinâmica newtoniana t a m b é m indica.( Muitos leitores certam e n t e desejarão dizer q u e o q u e m u d a c o m o p a r a d i g m a é a p e n a s a interpretação q u e os cientistas d ã o às observações q u e estão. Esse p a r a d i g m a serviu tanto à Ciência c o m o à Filosofia. equivocado. As pesquisas atuais q u e se d e senvolvem e m setores d a Filosofia. pois evidentemente existe u m a o u t r a maneira b e m mais usual de descrever todos os exemplos históricos esboçados acima. m a s já c o m e ç a r a m a sugerir quais serão algumas das características desse paradigma. produziu u m a compreensão fund a m e n t a l q u e t a l v e z n ã o p u d e s s e ser a l c a n ç a d a d e o u t r a maneira. t a n t o Priestley. a s s u n t o a o q u a l d e d i c a m o s n e c e s s a r i a m e n t e a m a i o r parte de nossa atenção neste ensaio. tanto Aristóteles c o m o Galileu viram pêndulos. A l é m disso. tal c o m o a da própria Dinâmica. mas diferiram nas interpretações daquilo que tinham visto. elas m e s m a s . de algum m o d o . d a Lingüística e m e s m o da História da Arte.] Direi desde logo que esta concepção muito corrent e d o q u e ocorre q u a n d o o s cientistas m u d a m sua m a neira de pensar a respeito de assuntos fundamentais n ã o p o d e ser n e m t o t a l m e n t e e r r ô n e a .mo tipo de objetos? H a v e r á algum sentido válido no q u a l possamos dizer q u e eles realizaram suas pesquisas em m u n d o s diferentes? Essas questões n ã o p o d e m mais ser postergadas. por exemplo. profundamente consciente das dificuldades criadas pela afirmação de que.

D e f a t o . D a d o um para1 . Um p ê n d u l o n ã o é u m a p e d r a q u e cai e n e m o oxigênio é ar desflogistizado. c o m o p o d e r i a ser a s s i m . c o m o já vim o s . Defrontado c o m a m e s m a constelação de objetos q u e a n t e s e t e n d o c o n s c i ê n c i a d i s s o . A i n d a mais importante. os dados n ã o são inequivocamente estáveis. Essas eram partes da ciência normal. Esses e x e m p l o s tipificam a maior ia e s m a g a d o r a das pesquis a s . ele o s e n c o n t r a . P e l o contrário: Galileu interpretou as o b s e r v a ç õ e s s o b r e o p ê n d u l o . depois dela o cientista trabalha em u m m u n d o diferente. n ã o obstante. M u s s c h e n b r o e k aquelas relativas a u m a garrafa eletricamente carregada e Franklin as sobre u m condensador. A r i s t ó t e l e s a s o b r e as p e d r a s q u e caem. Conseqüentemente. visa refinar. N ã o obstante. um e m p r e e n d i m e n t o que. estou convencido d e q u e d e v e m o s a p r e n d e r a compreender o sentido de p r o posições semelhantes a essa. o processo pelo qual o i n d i v í d u o ou a c o m u n i d a d e l e v a m a c a b o a t r a n s i ç ã o da queda violenta para o pêndulo ou do ar desf l o g i s t i z a d o p a r a o o x i g ê n i o n ã o se a s s e m e l h a à i n t e r p r e t a ç ã o . 2 forneceu muitos exemplos nos quais a interpretação desempenhou um papel central. q u e instrumentos p o d i a m ser u s a d o s p a r a e s t a b e l e c ê . d a d a a a u s ê n c i a d e d a d o s fixos p a r a o c i e n t i s t a i n t e r p r e t a r ? E m v e z de ser um intérprete. O q u e ocorre d u r a n t e u m a r e v o l u ç ã o científica n ã o é t o t a l m e n t e r e d u t í v e l a u m a r e i n t e r p r e t a ç ã o de d a d o s estáveis e individuais. O C a p . ampliar e articular um p a r a d i g m a q u e já existe.l o e q u e c o n c e i t o s e r a m relevantes p a r a sua interpretação. o cientista sabia o que era um d a d o .» t o t a l m e n t e t r a n s f o r m a d o s e m m u i t o s d e s e u s detalhesj N e n h u m a dessas observações pretende indicar q u e os cientistas n ã o se caracterizam p o r interpretar observações e dados. diferentes em si mesmos. Em primeiro lugar. ' E m c a d a um deles. os d a d o s q u e os cientistas coletam a partir desses diversos objetos s ã o . 'Às mesmas dificuldades estão presentes de u m a f o r m a a i n d a m a i s f u n d a m e n t a l n a s frases iniciais d e s t e capítulo: embora o m u n d o não mude com uma mudança de paradigma.p r i m e i r o viu u m a q u e d a violenta e o segundo um p ê n dulo. o cientista q u e abraça um n o v o p a r a d i g m a é c o m o o h o m e m que usa lentes inversoras. M a s cada u m a dessas interpretações pressupôs um paradigma. c o m o veremos em breve. devido a um p a r a d i g m a aceito.

p p . encontra-se no livro do m e s m o autor. [JACQUES] HADAMARD. JPar a d i g m a s n ã o p o d e m . E s s a s t e r m i n a m . ser c o r r i g i d o s pela ciência normal. d e m o d o a l g u m . pela p r i m e i r a vez. n e m f r a g m e n t a r i a m e n t e a itens específicos dessas experiências. Em lugar disso. Em lugar disso. a iluminação relevante vem d u r a n t e o s o n h o . Subconscient intuition et logique dans la recherche scienttfique (Conférence faite au Falais de la Découverte te 8 Décembre 1945 [ A l e n ç o n . e m b o r a restrito a i n o v a ç õ e s m a t e m á t i c a s . a partir daí. n ã o estão ligadas. c o m o já vimos. os cientistas falam freqüentemente de " v e n das que caem dos olhos" ou de u m a "iluminação repentina" que " i n u n d a " um quebra-cabeça que antes era obscuro. o aristotélico mediria ( o u pelo m e n o s discutiria — o aristotélico r a r a m e n t e m e d i a ) o p e s o da p e d r a . s . permite sua solução. as intuições r e ú n e m grandes porções dessas experiências e as transformam em um bloco de experiências q u e . Q u e dados foram c o locados ao alcance de c a d a um deles pela interação de seus diferentes p a r a d i g m a s e seu meio ambiente c o m u m ? Ao ver u m a q u e d a forçada. Galileu e o pêndulo. a interpretação d o s d a d o s é essencial p a r a o empreendimento que o explora. E m b o r a tais intuições d e p e n d a m das experiências. j E m outras ocasiões.d i g m a . E s s a s 13. n e m lógica. 1949). obtidas através do antigo paradigma. N e n h u m dos sentidos habituais do t e r m o " i n t e r p r e t a ç ã o " ajusta-se a essas iluminações da intuição através das quais nasce um novo p a r a d i g m a . possibilitando q u e seus c o m p o n e n t e s sejam vistos de u m a n o v a m a n e i r a — a qual. n ã o através da deliberação ou interpretação. 7 . a c i ê n c i a n o r m a l leva. ] > . tanto a u t ô n o m a s c o m o congruentes. a a l t u r a v e r t i c a l à q u a l e l a f o r a e l e v a da e o t e m p o n e c e s s á r i o p a r a a l c a n ç a r o r e p o u s o . d . r e t o r n e m o s p o r um m o m e n t o a Aristóteles. a p e n a s a o r e c o n h e c i m e n t o de anomalias e crises. The Psychology of Invention in the Mathematical Field (Princeton. Nesse caso. .8 . c o m o seria o caso de u m a interpretação. Esse empreendimento interpretativo — e mostrar isso foi o e n c a r g o do p e n ú l t i m o p a r á g r a f o — p o d e s o m e n t e articular um paradigma. a o fim e a o c a b o . será g r a d a t i v a m e n t e ligado ao novo paradigma e não ao velhoj 1 3 P a r a aprendermos mais a respeito do que podem ser essas diferenças. U m r e l a t o b e m m a i s c o m p l e t o . m a s por meio de um evento relativamente abrupto e não-estrut u r a d o semelhante a u m a alteração da f o r m a visual. m a s n ã o corrigi-lo.

P o d e r i a a p e n a s — e foi o q u e fez. q u a n d o se sabe q u e a ciência n o r m a l proveniente de Galileu teve que erradicar essa descoberta e que atualmente somos totalmente incapazes de documentá-la? Regularidades q u e n ã o p o d e r i a m ter existido p a r a u m aristotélico ( e que. e d . pp. Galileu viu a p e d r a oscilante de forma absolutamente diversa. 440-428 . 46-51. de fato. p o r o u t r o c a m i n h o — l e v a r à série d e crises das quais emergiu a concepção galileiana da p e d r a oscil a n t e .— e m a i s a r e s i s t ê n c i a do m e i o — e r a m as c a t e g o r i a s conceituais e m p r e g a d a s pela ciência aristotélica q u a n d o se tratava de examinar a q u e d a dos c o r p o s . o n e o p l a t o n i s m o dirigiu a a t e n ç ã o de Galileu p a r a a f o r m a c i r c u l a r d o m o v i m e n t o . R . p u b l i c a d o p o r H e r m a n n ( P a r i s ) em 1 9 6 3 . u m a vez q u e os aristotélicos n ã o d e i x a r a m qualquer discussão sobre as p e d r a s oscilantes. Ao contemplar a q u e d a de u m a pedra. T. Eludes Galiléennes ( P a r i s . Neste caso. P o r i s s o . A . K O Y R É . IV. ele m e dia apenas o peso. seg u n d o a qual o p e r í o d o da bola do p ê n d u l o é inteiram e n t e independente da amplitude da oscilação. I. T a l v e z o e x e m p l o seja d e m a s i a d a m e n t e f a n t a s i s t a . A pesquis a n o r m a l p o r elas o r i e n t a d a n ã o p o d e r i a t e r p r o d u z i d o as leis q u e G a l i l e u d e s c o b r i u . as m e s m a s diferenças de visão são evidentes. Aristóteles via u m a m u d a n 1 4 1 5 1 4 . T a t o n e I . f e n ô m e n o q u e no paradigma destes era extraordinariamente complexo. c o m o poderíamos explicar a descoberta de Galileu. o deslocamento angular e o t e m p o p o r oscilação — precisamente os dados que p o d e r i a m ser i n t e r p r e t a d o s d e m o l d e a p r o d u z i r a s leis d e Galileu sobre o pêndulo.i. a interpretação dem o n s t r o u ser q u a s e d e s n e c e s s á r i a .ie«> 1 5 . o raio. K r a m . 1 9 3 9 ) . Nesse caso. Journal of the History of Ideas. S. as regularidades semelhantes ao pêndulo e r a m q u a s e t o t a l m e n t e acessíveis à p r i m e i r a v i s t a . B . u m a conseqüência da experiência imediata. n ã o são precisamente exemplificadas pela natureza em nenhum lugar) eram. a t e o r i a do impetus t o r n o u o m o v i m e n t o s i m é t r i c o e d u r a d o u r o . In: Mélanges Alexandre Koyré. C o h e n . A Function for Thought Experimenta. e O a J U i e o and Plato. para um homem que via a p e d r a o s c i l a n t e d o m e s m o m o d o q u e G a l i l e u . _ _. S e n ã o . M a s os aristotélicos discutiram um caso mais simples. D e v i d o a e s s a s crises e o u t r a s m u d a n ç a s i n t e l e c tuais. D a d o s o s p a r a d i g m a s de Galileu. Os trabalhos de A r q u i m e d e s sobre os corpos flutuantes t o r n a r a m o meio algo inessencial. o das pedras que caem sem entraves incomuns.

a crítica escolástica modificou essa m a n e i r a de ver o m o v i m e n t o . Mas. Eludes Op. p a r a ele a s m e d i d a s relevantes d e u m m o v i m e n t o e r a m a distância total percorrida e o t e m p o total transcorrid o . Oaliléennes. A Function for Thought Experiments. em l u g a r da distância até o. explicar p o r q u e Aristóteles vira o q ú e viu. p o u c o depois de Galileu. p o r isso. IX. t a n t o a p e d r a q u e cai. o c o n t e ú d o imediato da expe1 6 1 7 1 8 16. 17. E n t r e t a n t o . CL. 18. c o m o o p ê n d u l o . e 7-11. A l é m disso. e m p a r t e d e v i d o a o p a r a d i g m a d o impetus e em parte d e v i d o a u m a d o u t r i n a c o n h e c i d a c o m o a latitude d a s formas. N ã o obstante. q u a n d o quisesse. p a r â m e t r o s esses q u e p r o d u z e m o q u e a t u a l m e n t e chamaríamos não de velocidade. . In: xandre Koyré ( v e r n o t a 1 4 p a r a u m a c i t a ç ã o c o m p l e t a ) . ele desenvolvera seu t e o r e m a sobre este assunto.s e de s e u p o n t o d e p a r t i d a . e m u m m u n d o c o n j u n t a mente determinado pela natureza e pelos paradigmas c o m os quais Galileu e seus c o n t e m p o r â n e o s h a v i a m sido educados. acessíveis a o g ê n i o .ça de estado. mas de velocidade m é d i a . q u a n d o examinad o s a p a r t i r d o p a r a d i g m a d o q u a l e s s a s c o n c e p ç õ e s faz i a m p a r t e . U m a p e d r a m o v i d a pelo impetus r e c e b e m a i s e m a i s impetus ao a f a s t a r . V i v e n d o em tal m u n d o . G a lileu n ã o foi o p r i m e i r o a s u g e r i r q u e a s p e d r a s c a e m em movimento uniformemente acelerado. p o r s e r a p e d r a i m p u l s i o n a d a p o r s u a n a t u r e z a a a l c a n ç a r s e u p o n t o final d e r e p o u s o . m a i s do q u e a q u e l a a partir do ponto de origem do movimento. o p a r â m e t r o r e l e v a n t e p a s s o u a s e r a distância a partir do. E s s e t e o r e m a foi m a i s u m e l e m e n t o n a r e d e d e n o v a s r e g u l a r i d a d e s . Esses parâmetros conceituais servem de base e d ã o um sentido à maior p a r t e d e suas b e m conhecidas "leis d o m o v i m e n t o " . IV. elt. A l é m d i s s o . VI pp. mais do que um processo. Caps. juntamente com muitas de suas conseqüências. Aristóteles via. K U H N . c o m o p a r â m e t r o de distância relevante para qualquer instante no decorrer do movimento. os e s c o l á s t i c o s b i f u r c a r a m a n o ç ã o aristotélica d e velocidade e m conceitos q u e . E>e m a n e i r a s i m i l a r . a d i s t â n c i a até o p o n t o final. se t o r n a r a m as nossas velocidades média è velocidade instantânea. Mélanges Ale- KOYRÉ. Galileu ainda p o d e ria. P o r conseguinte. II. e x i b i a m a s leis q u e o s r e g e m q u a s e à p r i m e i r a v i s t a . antes de realizar s u a s e x p e r i ê n c i a s c o m o p l a n o i n c l i n a d o .AOETT.

pod e r i a ser l e v a d a a c a b o em t e r m o s de a l g u m a linguagem de observação neutra.r i ê n c i a d e G a l i l e u c o m a q u e d a d e p e d r a s n ã o foi o m e s m o da experiência realizada por Aristóteles. Por certo não está de m o d o algum claro que precisemos preocupar-nos tanto com a "experiência imed i a t a " — isto é. T a l v e z d e v ê s s e m o s d e i x a r d e l a d o a experiência imediata e. m a s e s t ã o longe do que temos em mente quando falamos dos dados não-elaborados ou da experiência bruta. C o m o tais. de u m a vez p a r a sempre — na qual o p ê n d u l o e a q u e d a violenta n ã o s ã o percepções diferentes. M a s a e x p e r i ê n c i a d o s s e n t i d o s é fixa e n e u t r a ? S e r ã o as teorias simples interpretações h u m a n a s de d e terminados dados? A perspectiva epistemológica que m a i s f r e q ü e n t e m e n t e g u i o u a filosofia o c i d e n t a l d u r a n t e três séculos impõe um "sim!" imediato e inequívoco. T o d a v i a ela j á n ã o f u n c i o n a e f e t i v a m e n t e e a s t e n t a t i v a s p a r a fazê-la funcionar p o r m e i o d a i n t r o d u ç ã o d e u m a linguagem de observação neutra parecem-me agora sem esperança. Ou talvez a análise deva distanciar-se ainda mais do imediatamente dado. mas "o coletado c o m dificuldade". As operações e medições q u e um cientista e m p r e e n d e e m u m laboratório n ã o são " o d a d o " d a experiência. T a i s traços d e v e m obviamente m u d a r c o m os compromissos do cientista a paradigmas. em vez disso. são índices concretos p a r a os conteúdos d a s percepções mais elementares. Na ausência de u m a alternativa já desdobrada. c o m os traços perceptivos q u e um p a r a d i g m a destaca de m a n e i r a tão notável q u e eles revel a m suas regularidades quase à primeira vista. S o m e n t e p r o c e d e n d o de u m a dessas maneiras é que podemos ter a esperança de r e a v e r u m a r e g i ã o n a q u a l a e x p e r i ê n c i a seja n o v a m e n te estável. são selecionadas p a r a o . m a s interpretações diferentes d e d a d o s inequívocos. Por exemplo. N ã o são o que o cientista vê — pelo m e n o s até q u e s u a pesquisa se e n c o n tre b e m adiantada e sua atenção esteja focalizada —. discutir as operações e medições concretas q u e os cientistas realizam em seus laboratórios. talvez u m a linguagem ajustada às impressões de retina que servem de intermediário p a r a aquilo q u e o cientista vê. p r o p o r c i o n a d o s p e l a o b s e r v a ç ã o d e u m a p e d r a q u e oscila. dos quais se acredita proceda a p e s q u i s a científica. considero impossível a b a n d o n a r inteiramente essa perspectiva.

p e r c e p - . as lentes inversoras m o s t r a m que dois h o m e n s c o m impressões de retina diferentes p o d e m ver a m e s m a coisa. aplicável de m a n e i r a geral. A Psicologia fornece u m a grande q u a n t i d a d e de evidência no m e s m o sentido e as dúvidas q u e dela derivam a u m e n t a m ainda mais q u a n d o se considera a história das tentativas p a r a apresentar u m a linguagem de observaç ã o efetiva. u m p a r a d i g m a . P o r sua vez. Q u a n t o a u m a linguagem de observação pura. seleciona aquelas q u e são relevantes p a r a a justaposição de um paradigma com a experiência imediata.s e em manipulações concretas de laboratório diferentes. foi p a r c i a l m e n t e d e t e r m i n a d a p o r esse m e s m o p a r a d i g m a . As medições q u e d e v e m ser r e a l i z a d a s n o c a s o d e u m p ê n d u l o n ã o s ã o r e levantes no caso da q u e d a forçada. A o invés disso. talvez ainda se chegue a elaborar u m a . T a m p o u c o as operações relevantes p a r a a elucidação das propriedades do oxigênio são precisamente as mesmas que as requerid a s n a i n v e s t i g a ç ã o d a s c a r a c t e r í s t i c a s d o a r desflogistizado. M a s .l ó g i c o s o u n ã o . seja n a f o r m a d e a l g u ma fração do discurso cotidiano.exame mais detido da pesquisa normal. p o r s u a v e z . A ciência n ã o se o c u p a c o m t o d a s a s m a n i f e s t a ç õ e s p o s s í v e i s n o l a b o r a t ó r i o . seja n a f o r m a d e u m a t e o r i a científica e m v i g o r . três séculos a p ó s D e s c a r t e s . n o s s a e s p e r a n ç a q u e isso o c o r r a a i n d a depende exclusivamente de u m a teoria da percepção e do espírito. a q u a l . E l a s p r e s s u p õ e m . a experimentação psicológica m o d e r n a está f a z e n d o c o m q u e p r o l i f e r e m r a p i d a m e n t e fenômenos q u e essa teoria t e m grande dificuldade em tratar. N e n h u m a d a s t e n t a t i v a s a t u a i s c o n s e g u i u até agora aproximar-se de u m a linguagem de objetos de p e r c e p ç ã o puros. tão-somente porq u e p a r e c e m oferecer u m a o p o r t u n i d a d e p a r a a elabor a ç ã o frutífera d e u m p a r a d i g m a a c e i t o . E as tentativas que mais se a p r o x i m a r a m desse objetivo c o m partilham u m a característica q u e reforça vigorosamente d i v e r s a s d a s teses p r i n c i p a i s d e s t e e n s a i o . tentam então depurál o d e t o d o s o s seus t e r m o s n ã o . d e s d e o início. D i s s o r e s u l t a q u e c i e n t i s t a s c o m p a r a d i g m a s diferentes e m p e n h a m . são determ i n a d a s por um p a r a d i g m a . A s o p e r a ç õ e s e medições. O pato-coelho mostra que dois h o m e n s c o m as m e s m a s impressões na retina p o d e m ver coisas diferentes. de maneira m u i t o mais clara do que a experiência imediata da qual em parte derivam.

por e x e m p l o . e s t á l o n g e d e ser c l a r a " . . N . sejam a única 1 9 . . providencia para que isso o c o r r a . u m a vez que tenhamos determinado que tal i n d i v í d u o n a o e x i s t e . t a n t o e m t e r m o s d e princípio c o m o na prática.. casos que não existem. d e v i d o à e x p e r i ê n c i a d a raça. . de casos que nao existem. M a s s e u r e s u l t a d o é u m a l i n g u a g e m q u e — tal c o m o a q u e l a s e m p r e g a d a s n a s c i ê n c i a s — expressam inúmeras expectativas sobre a natureza e deix a m de funcionar no m o m e n t o em que essas expectativas s ã o violadas. The Structure oi Appearance ( C a m b r i d g e . pois a noção de casos "possíveis". N e l s o n G o o d m a n insiste precisamente s o b r e e s s e p o n t o a o d e s c r e v e r o s o b j e t i v o s d o s e u Structure o f Appearance: " É a f o r t u n a d o q u e n a d a m a i s ( d o que os f e n ô m e n o s c o n h e c i d o s ) esteja em questão. A investigação filosófica ainda n ã o forneceu n e m sequer u m a pista d o q u e p o d e r i a ser u m a l i n g u a g e m c a p a z de realizar tal tarefa. contida no p a r a d i g m a . tanto as leituras de um m e d i d o r c o m o as impressões de retina s ã o construções elaboradas às quais a experiência s o m e n t e tem a c e s s o direto q u a n d o o cientista. A p a s s a g e m m e r e c e u m a c i t a ç ã o e x t e n s a : *'Se t o d o s o s i n d i v í d u o s ( e s o m e n t e e s s e s ) residentes d e W i l m i n g t o n e m 1947 q u e p e s a m e n t r e 175 e 180 l i b r a s t ê m c a b e l o s r u i v o s . c o n d e n s a d o r e s e minerais c o m p o s t o s e outros corpos do m e s m o tipo. da cultura e. m a s p o d e r i a m ter existido. . É u m a s o r t e d e q u e n a d a m a i s _ e s t e i a e m questão. m a s n ã o o outro.tivos. q u a n d o tratam o oxigênio e os pêndulos (e talvez t a m b é m os átomos e elétrons) c o mo ingredientes fundamentais de sua experiência imediatar\0 m u n d o d o c i e n t i s t a . . m a s p o d e r i a m ter e x i s t i d o . Está fora de dúvida q u e esforços desse tipo m e r e c e m ser l e v a d o s a d i a n t e . Comparadas c o m esses objetos da percepção. M a s s . p p . n ã o tem sentido . já a n o ç ã o de casos "possíveis". 1 9 Nessas circunstâncias. p o d e m o s pelo m e n o s suspeitar d e q u e o s c i e n t i s t a s t ê m r a z ã o . tendo em vista os objetivos especiais de sua investigação. A questão de saber se "pode ter h a v i d o " a l g u é m a q u e m s e a p l i c a u m d e s s e s p r e d i c a d o s . da profissão. e n t ã o " o r e s i d e n t e d e W i l m i n g t o n e m 1 9 4 7 q u e t e m c a b e l o s r u i v o s " e " o r e s i d e n t e d e W i l m i n g t o n e m 1947 q u e p e s a e n t r e 175 e 180 l i b r a s " p o d e m ser r e u n i d o s n u m a d e f i n i ç ã o construída (constructional definition') . ^ N ã o q u e r e m o s c o m isso sugerir q u e os p ê n d u l o s . E m alguns c a m p o s d o discurso esse esforço foi levado b e m longe. 4 . v e i o a ser h a b i t a d o p o r p l a n e t a s e p ê n d u l o s . N e n h u m a l i n g u a g e m limitada d e s s e m o d o a relatar u m mundo plenamente conhecido de antemão pode produzir m e r a s i n f o r m a ç õ e s n e u t r a s e o b j e t i v a s s o b r e " o d a do".5 . finalmente. e s t á l o n g e de ser clara". . 1 9 5 1 ) . G O O D M A N . c o m resultados bastante fascinantes. .

expectativas e crenças — na v e r d a d e . T u d o isso p a r e c e r á m a i s r a z o á v e l s e r e c o r d a r m o s mais u m a vez q u e . E m l u g a r d i s s o . e m p r i n c í p i o . e s t a v a m m u d a n d o o s i g n i f i c a d o d e " p l a n e t a " . . c o m p o r t a m . A n ã o ser q u a n d o t o d a s a s c a t e g o r i a s c o n c e i t u a i s e d e manipulação estão preparadas de antemão — por exemplo. m a i s e l e m e n t a r q u e a v i s ã o d e um pêndulo. o s c o p e r n i c a n o s q u e n e g a r a m a o Sol s e u t í t u l o t r a d i c i o n a l de "planeta" não estavam apenas aprendendo o que " p l a n e t a " significa o u o q u e e r a o S o l . V e r o oxigênio em vez do ar desflogistizado. P e l o m e s m o motivo. foi s o m e n t e u m a p a r t e d e u m a alteração integrada na visão que o cientista possuía de muitos fenômenos químicos. n e m o cientista. n e m o leigo a p r e n d e m a ver o m u n d o g r a d u a l m e n t e ou item p o r item. grande parte de seu m u n d o percebido — m u d a m de a c o r d o c o m esse a p r e n d i z a d o . m a s a visão através de um paradigma que transforme a p e d r a oscilante em alguma o u t r a coisa. elétricos ou d i n â m i c o s .s e em relação a ela. A m e s m a c o i s a p o d e r i a ser d i t a a respeito de qualquer um dos nossos exemplos anteriores. A alternativa n ã o é u m a hipotética visão "fixa". a fim d e q u e essa expressão continuasse sendo c a p a z de estabelecer d i s t i n ç õ e s ú t e i s n u m m u n d o n o q u a l t o d o s o s c o r p o s c e l e s t e s e n ã o a p e n a s o Sol e s t a v a m s e n d o v i s t o s d e u m a m a n e i r a diversa d a q u e l a na qual h a v i a m sido vist o s a n t e r i o r m e n t e .coisa q u e um cientista p o d e r á ver ao olhar u m a p e d r a oscilante. está aprendendo algumas das diferenças entre h o m e n s e mulheres. Suas r e a ç õ e s . A criança q u e t r a n s fere a a p l i c a ç ã o d a p a l a v r a " m a m ã e " d e t o d o s o s s e r e s h u m a n o s para todas as mulheres e então para a sua m ã e n ã o e s t á a p e n a s a p r e n d e n d o o q u e " m a m ã e " significa ou q u e m é a sua m ã e . exceto u m a . o cond e n s a d o r em vez da Garrafa de L e y d e n ou o p ê n d u l o e m v e z d a q u e d a f o r ç a d a . para a descoberta de um elemento transurânico adicional ou para captar a imagem de u m a nova casa — t a n t o o s c i e n t i s t a s c o m o o s leigos d e i x a m d e l a d o á r e a s inteiras do fluxo da experiência. Simultaneamente. Q u e r e m o s sugerir q u e o cientista q u e olha p a r a a oscil a ç ã o d e u m a p e d r a n ã o p o d e ter n e n h u m a experiência q u e seja. ( J á observamos que m e m b r o s de outra c o m u n i d a d e científica p o d e r i a m v e r u m a q u e d a f o r ç a d a ) . b e m c o m o algo sobre a m a n e i r a na qual todas as m u lheres.

A p ó s u m a r e v o l u ç ã o científica. as questões a respeito das impressões da retina ou sobre as conseqüências de determinadas manipulações de laboratório pressupõem um m u n d o já subdividido perceptual e conceitualmente de acordo com u m a certa maneira. e m l u g a r d o p ê n d u l o ele visse u m a q u e d a f o r ç a d a . p a r a o q u e ele j á v i u . O c i e n t i s t a o u filósofo. C o n t u d o . s u a q u e s t ã o n e m m e s m o p o d e r i a ter s i d o feita. tais questões são partes da ciência n o r m a l . m a s o v i s s e d a m e s m a maneira com que vê um diapasão ou u m a balança de vibração. N ã o se aplicam exatamente os mesm o s t e s t e s p a r a o o x i g ê n i o e p a r a o ar d e s f l o g i s t i z a d o . N u m certo sentido. p o i s d e p e n d e m d a e x i s t ê n c i a d e u m p a r a digma e recebem respostas diferentes q u a n d o ocorre u m a mudança de paradigma. jNão i m p o r t a o q u e o cientista possa e n t ã o ver. e m b o r a a n t e r i o r m e n t e ele o s possa ter e m p r e g a d o d e m a n e i r a d i f e r e n t e j E m conseqüência disso. m u i t a s m a n i p u l a ç õ e s e medições antigas tornam-se irrelevantes e são substituídas por outras. Pelo m e n o s n ã o poderia ter sido respondida d a m e s m a maneira. P o r isso. E s e ele visse u m p ê n d u l o . j á d e v e ser c a p a z d e r e c o n h e c e r u m p ê n d u l o q u a n d o o v ê . P a r a concluir este capítulo. v a m o s d a q u i para diante negligenciar as impressões da retina e restringir n o vamente nossa atenção às operações de laboratório que fornecem ao cientista índices concretos. porque já n ã o se trataria da mesma questão. U m a d a s m a n e i r a s p e l a s q u a i s tais o p e r a ç õ e s d e l a b o r a t ó r i o m u d a m j u n t a m e n t e c o m o s p a r a d i g m a s j á foi o b s e r v a d a r e p e t i d a s v e zes. a ciência pós-revolucionária invariavel- . A l é m disso. é somente após a experiência ter sido d e terminada dessa maneira que pode começar a busca de u m a definição operacional ou de u m a linguagem de o b s e r v a ç ã o p u r a .Os paradigmas determinam ao m e s m o tempo grandes áreas da experiência. após a revolução o cientista ainda está olhando p a r a o m e s m o m u n d o . S e . sua q u e s t ã o n ã o poderia ter sido respondida. q u e p e r g u n t a que medições ou impressões da retina fazem do pêndulo o q u e e l e é . grande p a r t e de sua linguagem e a maior parte de seus instrumentos de laboratório continuam s e n d o o s m e s m o s d e a n t e s . M a s m u d a n ç a s dessa espécie n u n c a são totais. e m b o r a elas sejam s e m p r e legítimas e em d e t e r m i n a d a s ocasiões e x t r a o r d i n a r i a m e n t e frutíferas. e m b o r a fragm e n t á r i o s .

os químicos europeus acreditavam quase universalmente que os átomos elementares. com os quais e r a m constituídas t o d a s as espécies químicas. D u r a n t e grande p a r t e do século X V I I I e m e s m o no X I X . Um grande n ú m e r o de outros fenômenos era explicado da m e s m a m a n e i r a . D e n t r o dessa m e s m a teoria. 34-68. (Paris. desde a assimilação da obra de 2 0 20. com a introdução de um último exemplo.m e n t e inclui m u i t a s d a s m e s m a s m a n i p u l a ç õ e s . N o s é c u l o X V I I I . H. q u a n d o vinculada à natureza p o r m e i o de um p a r a d i g m a diferente. veremos q u e ocasionalmente a antiga m a n i p u l a ç ã o . esta deve estar nas suas relaç õ e s c o m o p a r a d i g m a o u n o s seus r e s u l t a d o s c o n c r e t o s . a prata diss o l v i a . Stahl. . se m a n t i n h a m unidos p o r forças de afinidade m ú t u a s . u m a m a s s a iniforme de prata mantinha-se unida devido às forças de afinidade entre os corpúsculos de prata ( m e s m o depois de Lavoisier esses corpúsculos e r a m p e n sados c o m o sendo compostos de partículas ainda mais e l e m e n t a r e s ) . E x a m i n a n d o a o b r a d e D a l t o n e seus c o n t e m p o r â n e o s . Boerhaave et la doctrine chimique. l a r g a e algumas vezes frutiferamente utilizado na c o n c e p ç ã o e análise da e x p e r i m e n t a ç ã o q u í m i c a . p r o d u z i r á r e s u l t a d o s c o n c r e t o s diferentes. Sugiro agora. Se a l g u m a m u d a n ç a ocorreu c o m essas m a nipulações d u r a d o u r a s . q u e todas essas d u a s espécies d e m u d a n ç a o c o r r e m . no seu n o v o p a p e l . de u m a maneira que. E n t r e t a n t o . r e a l i z a d a s c o m os mesmos instrumentos e descritas nos m e s mos termos empregados por sua predecessora pré-revolucionária.s e n o á c i d o ( o u o sal n a á g u a ) p o r q u e a s p a r t í culas de ácido atraíam as da prata ( o u as partículas de água atraíam as de sal) mais fortemente do que as partículas desses solutos atraíam-se m u t u a m e n t e . Ou ainda: o cobre dissolver-se-ia n u m a solução de p r a t a e precipitado de p r a t a p o r q u e a afinidade cobre-ácido e r a m a i o r q u e a a f i n i d a d e e n t r e o á c i d o e a p r a t a . a teoria da afinidade t r a ç o u os limites s e p a r a n d o a s m i s t u r a s físicas d o s c o m p o s t o s q u í m i c o s . p o d e tornar-se um índice p a r a um aspecto bastante diferente de u m a regularidade da natureza. Newton. a t e o r i a d a afinidad e eletiva e r a u m p a r a d i g m a q u í m i c o a d m i r á v e l . METZGER. A l é m disso. pp. Assim. d e s cobriremos que u m a e a m e s m a operação. 1930).

o o x i g ê n i o na a t m o s f e r a e a s s i m p o r d i a n t e — esses c r i t é r i o s g r o s seiros t i n h a m p o u c a utilidade. Os argumentos p a r a q u e se concebesse as soluções como c o m p o s t o s e r a m m u i t o fortes. por o u t r o lado. as partículas da mistura pudessem ser distinguidas a o l h o nu ou sep a r a d a s m e c a n i c a m e n t e . O s químicos d o século X V I I I reconheciam duas espécies d e processos. luz. q u e considerava a a t m o s f e r a u m a m i s t u r a . 1 9 5 0 ) . Ibid. Dalton. p a r a o g r a n d e n ú m e r o de casos intermediários — o sal na á g u a . A l é m disso. e n t ã o o gás m a i s p e s a d o . a formação de um composto explicava a homogeneidade observ a d a n u m a solução. . M a s . t e r i a m b u s c a d o c r i t é r i o s q u e fizessem da solução um composto. NASH. G u i a d o s p o r seu p a r a d i g m a . M e s m o se os químicos tivessem p r o c u r a d o descob r i r t a i s t e s t e s . 2 1 Somos tentados a afirmar que os químicos que conc e b i a m as soluções c o m o compostos diferiam de seus a n t e c e s s o r e s s o m e n t e q u a n t o a u m a q u e s t ã o d e definição. Se.Dalton. PP. o v i d r o . Se. A p r ó p r i a teoria da afinidade fora b e m confirmada. p o r exemplo. C a m b r i d g e . Sal n a á g u a o u oxigênio n o nitrogênio e r a m exemplos de combinação química tão apropriados como a combinação produzida pela oxidação do cobre. deixou d e ser familiar. as mist u r a s n ã o e r a m p l e n a m e n t e distinguíveis d o s c o m p o s t o s através de testes operacionais e talvez n ã o pudessem sê-lo. Q u a n d o a mistura produzia calor. a f u s ã o de m e t a i s . M a s s .1 4 . o oxigênio e o nitrogênio fossem somente misturados e não combinad o s n a a t m o s f e r a . N o tocante a Dalton. p o d e ter sido assim. Case 139-148. No século X V I I I . p p . ver L Í O N M D Theory ("Harvard Case Histories to Ex4 . The Atomlc-Motecular perimental Science". h a v i a a p e n a s m i s t u r a física. o o x i g ê n i o . porque os processos que a c o m p u n h a m e r a m todos governados p o r forças da m e s m a espécie. 1 2 4 ..2 1 . efervescência ou alguma coisa d a m e s m a espécie. deveria depositar-se no fundo. a m a i o r i a d o s q u í m i c o s c o n c e b i a e s s a faixa i n t e r mediária c o m o sendo química. A assimilação de sua teoria atômica acabou criando u m a anomalia onde anteriormente não havia n e n h u m a . M a s e s s e s e n t i d o n ã o é a q u e l e q u e faz d a s d e f i n i ç õ e s m e r a s comodidades convencionais. E m u m certo sentido. A distinção mistura-composto 2 1 . n u n c a foi c a p a z d e e x p l i c a r satisfatoriamente p o r q u e o oxigênio n ã o se comportava dessa maneira.1 2 9 . considerava-se q u e havia ocorrido a união química. .

A m b o s reuniram evidências experimentais impressionantes em favor de sua c o n c e p ç ã o . L I V ( 1 9 1 0 ) .fazia p a r t e d e s e u p a r a d i g m a — p a r t e d a m a n e i r a c o m o o s q u í m i c o s c o n c e b i a m t o d o seu c a m p o d e p e s q u i s a s — e c o m o tal e l a e r a a n t e r i o r a q u a l q u e r t e s t e de l a b o r a t ó r i o . T h e Development of the A t o m i c Theory: (1) Berthollefs Doctrine of Variable Proportions. Proust via apenas u m a mistura física. . e m b o r a n ã o fosse a n t e r i o r à e x p e r i ê n c i a a c u mulada da Química como um todo. E s s a c o n c l u s ã o t o r n o u . D a d o s os c o n t r a . J. q u a s e a t é o fim d o século. p p . O n d e P e r t h o l l e t v i a u m composto que podia variar segundo proporções. para algumas categorias de reações.s e e x p l í c i t a a o final d o s é c u l o . enquanto as soluções permaneceram c o m o compostos. 161-163. n e n h u m deles p e n s o u em generalizá-las. O químico alemão Richter chegou mesmo a notar. e x c e t o e m r e c e i t a s e . p p . In: Manchester Memoirs. . 2 3 . P A R T L N G T O N . ( 2 . o segundo n e g a v a q u e isso ocorresse. A . N o e n t a n t o n e n h u m q u í m i c o fez u s o d e s s a s r e g u l a r i d a d e s . M E L D R U M . N e m experiências. as regularidades adicion a i s a t u a l m e n t e a b a r c a d a s p e l a lei d o s e q u i v a l e n t e s q u í m i c o s .e x e m p l o s ó b v i o s . correspondentes ao peso de seus componentes. R . enquanto a Química era concebida dessa m a n e i r a . c o m o o v i d r o e o sal na á g u a . 2 2 23 Essa era a situação q u e prevalecia q u a n d o J o h n D a l i o n e m p r e e n d e u as investigações q u e a c a b a r a m le2 2 . 1-16. os dois m a n t i v e r a m um diálogo de surdos e o debat e foi t o t a l m e n t e i n c o n c l u s i v o . o s f e n ô m e n o s q u í m i c o s e x e m p l i f i c a v a m leis diferentes daquelas q u e emergiram após a assimilação do n o v o paradigma de Dalton. n e n h u m a generalização era possível sem o a b a n d o n o da teoria da afinidade e u m a reconceptualização dos limites d o s d o m í n i o s d a Q u í m i c a . L o n d r e s . Os dois cientistas divergiam tão fundamentalmente c o m o Galileu e Aristóteles. n e n h u m a quantidade de experiências químicas poderia t e r p r o d u z i d o p o r s i m e s m a a lei d a s p r o p o r ç õ e s fixas. n e m u m a m u d a n ç a n a s c o n v e n ç õ e s d e d e f i n i ç ã o p o d e r i a m ser relevantes p a r a essa questão. N . O p r i m e i r o sustentava que todas as reações químicas ocorriam seg u n d o p r o p o r ç õ e s fixas. 1951). A Short History oi Chemistry. M a s . n u m f a m o s o d e b a t e e n t r e os q u í m i c o s f r a n c e s e s P r o u s t e B e r t h o l l e t . A o final d o s é c u l o X V I I I e r a a m p l a m e n t e s a b i d o q u e alguns c o m p o s t o s c o n t i n h a m c o m u m e n t e p r o p o r ç õ e s fixas. N ã o obstante. Mais especificamente. e d .

os átomos somente poderiam combinar-se n u m a proporção de um para um ou em alguma outra p r o p o r ç ã o de simples números inteiros. Em conseqüência daquilo q u e t a l v e z seja o n o s s o e x e m p l o m a i s c o m p l e t o d e u m a r e v o l u ç ã o científica. E r a um meteorologista investigando o que p a r a e l e e r a m o s p r o b l e m a s físicos d a a b s o r ç ã o d e g a s e s p e l a água e da água pela atmosfera. 24 É desnecessário dizer que as conclusões de D a l t o n foram amplamente atacadas ao serem anunciadas pela p r i m e i r a v e z . tornou-se. pp. B e r t h o l l e t . Dalton's Chemical Atoroic Theory. no âmbito restrito das reações q u e considerava químicas. Esse pressup o s t o inicial p e r m i t i u . M a i s particularmente. u m p r o c e s s o p u r a m e n t e q u í m i c o . p a r a ele. s o b r e t u d o . concebeu a mistura de gases ou a a b s o r ç ã o d e u m g á s p e l a á g u a c o m o u m p r o c e s s o físico. n u n c a foi c o n v e n Isis. M a s até os últimos estágios dessas investigações. 24. Em parte porque fora treinado n u m a especialidade diferente e em parte devido a seu próprio trabalho nessa especialidade. ipso jacto. m a s u m p r o b l e m a q u e ele p e n s a v a p o d e r r e s o l v e r c a s o p u d e s s e determinar os t a m a n h o s e os pesos relativos d a s várias partículas atômicas nas suas misturas experimentais. s u p o n d o desde o início que. após a aceitação destes. Dalton a b o r d o u esses p r o b l e m a s c o m u m p a r a d i g m a d i f e r e n t e d a q u e l e e m p r e g a d o pelos químicos seus contemporâneos. F o i p a r a determinar esses t a m a n h o s e pesos q u e D a l t o n se voltou finalmente p a r a a Química. T h e Origin of 101-116 C1956). XL. n o q u a l a s f o r ç a s d e a f i n i d a d e n ã o d e s e m p e n h a v a m n e n h u m p a p e l .VII. qualquer reação na qual os ingredientes n ã o entrassem e m p r o p o r ç õ e s fixas n ã o e r a .l h e d e t e r m i n a r o s t a m a n h o s e o s p e s o s d a s p a r t í c u l a s e l e m e n t a r e s . P a r a Dalton. a s m e s m a s m a n i p u l a ç õ e s q u í m i c a s assumiram u m a relação com a generalização química muito diversa daquela q u e anteriormente tinham. P o r i s s o . n u m princípio constitutivo q u e n e n h u m conjunto isolado de medições químicas poderia ter p e r t u r b a d o .v a n d o à sua famosa teoria atômica p a r a a Química. m a s t a m b é m fez d a lei das proporções constantes u m a tautologia. D a l t o n n ã o era um químico e n e m estava interessado em Química. K . NASH L. . a h o m o g e n e i d a d e q u e fora o b s e r v a d a nas soluções era u m p r o b l e m a . U m a lei q u e a s e x p e r i ê n c i a s n ã o poderiam ter estabelecido antes dos trabalhos de Dalton.

e n t ã o u m r e e x a m e d o s d a d o s químicos existentes deveria revelar tanto exemplos de proporções múlt i p l a s c o m o d e p r o p o r ç õ e s fixas.a d e " n o v o s i s t e m a d e filosofia q u í m i c a " ) . A .i a o u c o m 1. 2 5 E n q u a n t o t u d o isso se passava. o n o v o p a r a d i g m a d e D a l t o n d e m o n s t r o u ser c o n v i n c e n t e o n d e o d e P r o u s t n ã o o f o r a . p a s s a r a m a escrever que um p e s o d e c a r b o n o c o m b i n a r . c o m as quais os cientistas n u n c a h a v i a m s o n h a d o antes. carbono. pp. T h e D e v e l o p m e n t of the A t o m i c T h e o r y : ( 6 ) R e c e p t i o n A c c o r d e d t o t h e T h e o r y A d v o c a t e d b y D a l t o n . n ã o era preciso convencê-lo. o s á t o m o s somente p o d i a m c o m b i n a r .cido. os químicos p a s s a r a m a viver em um m u n d o no qual as reações químicas se c o m p o r t a v a m de m a n e i r a b e m divers a d o q u e t i n h a m feito a n t e r i o r m e n t e . A l é m disso. M a s para a maior parte dos químic o s .s e . 6 pesos de oxigênio. Q u a n d o os resultados das antigas m a nipulações foram c o m p u t a d o s dessa maneira. q u e se revelou t ã o frutífera q u e s o m e n t e alguns químicos mais velhos. Se. saltou à vista u m a p r o p o r ç ã o d e 2 : 1 . continham 56 por cento e 72 por cento de oxigênio p o r peso. Sugeriu t a m b é m novas experiências. o s p r ó prios dados numéricos da Química c o m e ç a r a m a m u d a r . v i s t o ter i m p l i c a ções muito mais amplas e mais importantes do que um critério p a r a distinguir u m a mistura d e u m composto.3 o u c o m 2 . . Em conseqüência disso. Q u a n d o Dalton consultou pela primeira vez a literatura química em busca de dados que corroborassem sua t e o r i a física.s e quimicamente segundo proporções simples de n ú m e r o s inteiros. M E L D R U M . o paradigma de Dalton t o r n o u p o s s í v e l a a s s i m i l a ç ã o da o b r a de R i c h t e r e a percepção de sua a m p l a generalidade. por exemplo. O s q u í m i c o s d e i x a r a m de escrever q u e os dois óxidos de. b e m c o m o n a d e algum a s reações novas. 1-10. Isso ocorreu n a análise d e m u i t a s reações b e m conhecidas. e n c o n t r o u a l g u n s r e g i s t r o s d e r e a ç õ e s q u e 2 5 . I n : Manchester Memoirs. na F r a n ç a e na Grã-Bretanha. LV. foram capazes de opor-se a ela. ocorria u m a o u t r a m u d a n ç a t í p i c a e m u i t o i m p o r t a n t e . especialmente as de Gay-Lussac sobre a combinação de volumes. as quais tiveram como resultado novas regularidades. Considerando-se a natureza da questão. O q u e os químicos t o m a r a m d e D a l t o n n ã o f o r a m n o v a s leis e x p e r i m e n t a i s . p o r e x e m p l o . (1911). N . em lugar disso. mas u m a nova maneira de praticar a Química (ele p r ó p r i o c h a m o u . A q u i e ali.

m e s m o a p ó s a a c e i t a ç ã o d a t e o r i a . 4 7 : 1 . os químicos n ã o poderiam simplesmente aceitar a teoria de D a l t o n c o m base n a s evidências existentes. Quando isto foi feito. m a s P A R T I N G T O N . _ 8 . Manchester Memoirs. Em lugar disso.s e a j u s t a v a m a e l a .s e a ela. m a s d i f i c i l m e n t e p o d e r i a ter d e i x a d o de encontrar outras que não se ajustavam. A h i s t ó r i a d e t a l h a d a das mudanças graduais nas medições da composição química e dos pesos a t ô m i c o s ainda_ e s t á p o r s e r e s c r i t a . Q u a n t o a P r o u s t . v e r M E L D R U M . Os próprios dados haviam m u d a d o . e m l u g a r d o s 2 : 1 exigidos p e l a t e o r i a a t ô m i c a . a p ó s u m a r e v o lução. . Este é o último dos s e n t i d o s n o q u a l d e s e j a m o s dizer q u e . p r o c e s s o q u e no caso envolveu quase toda uma outra geração. É p o r isso q u e o s q u e b r a . L I V ( 1 9 1 0 ) . Ele era um excelente experimentador e sua concepção da relação entre misturas e compostos era muito próxima da d e D a l t o n . e P r o u s t é p r e c i s a m e n t e o h o m e m do q u a l p o d e r í a m o s esperar que chegasse à proporção de D a l t o n .f f o r n e c e muitas indicações úteis. as medições do próprio Proust sobre os dois óxidos de cobre indicaram u m a p r o p o r ç ã o de peso de oxigênio de 1 . 2 6 26. " b e r t h o l l e f s r > o c t r i n e o f V a r i a b l e P r o p o r t i o n s . Por exemplo. P o r isso. até m e s m o a p e r c e n t a g e m d e c o m p o s i ç ã o d e c o m p o s t o s b e m c o n h e c i d o s p a s s o u a ser d i f e r e n t e . j á q u e u m a grande parte destas ainda era negativa. M a s é difícil f a z e r c o m q u e a n a t u r e z a s e a j u s t e a u m p a r a d i g m a . op cit.c a b e ças da ciência n o r m a l constituem t a m a n h o desafio e as medições realizadas sem a orientação de um paradigma r a r a m e n t e levam a a l g u m a conclusão. eles a i n d a t i n h a m q u e f o r ç a r a n a t u r e z a e c o n f o r m a r . p . os cientistas t r a b a l h a m em um m u n d o diferente.

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10. são habitualmente consideradas. m a s c o m o a d i ç õ e s a o c o n h e c i m e n t o científico. a n t e s d e fazê-lo. A INVISIBILIDADE DAS REVOLUÇÕES Ainda nos resta perguntar como terminam as rev o l u ç õ e s científicas. M a s é c l a r o q u e a m a i o r p a r t e d a s i l u s trações. T e n t e i até aqui descrever as revoluções através de ilustrações: tais exemplos p o d e m multiplicarse ad nauseatn. p a r e ce necessário realizar u m a última tentativa no sentido d e r e f o r ç a r a c o n v i c ç ã o d o leitor q u a n t o à s u a e x i s t ê n cia e natureza. N o e n t a n t o . P o d e r se-ia considerar q u a l q u e r ilustração s u p l e m e n t a r a p a r tir dessa perspectiva e é provável q u e o e x e m p l o resultasse ineficaz. n ã o como revoluções. C r e i o q u e existem excelentes razões p a r a . q u e foram selecionadas por sua familiaridade.

juntamente c o m os textos de divulgação e obras filosóficas m o l d a d a s naqueles. As obras de divulgação tentam descrever essas m e s m a s aplicações n u m a linguagem m a i s p r ó x i m a da utilizada na vida cotidiana. S o m e n t e após o reconhecimento e a análise dessa autoridade é que poderemos esperar que os exemplos históricos passem a ser p l e n a m e n t e efetivos. Os próprios m a n u a i s pretendem c o m u n i c a r o v o c a b u l á r i o e a sintaxe de u m a l i n g u a g e m científica contemporânea. Para preencher sua função n ã o é necessário que proporcionem informações autênticas a respeito do m o d o p e l o qual essas bases foram inicialmente reconhecidas e posteriormente adotadas pela profissão. existem até m e s m o boas razões para que sejam sistematicamente enganadores nesses assuntos. sobretudo aquela do m u n d o de língua inglesa. da Teologia. Q u a n d o falo de fonte de autoridade. e m b o r a este p o n t o s ó p o s s a ser c o m p l e t a m e n t e d e s e n v o l v i d o n a c o n c l u s ã o deste ensaio. A l é m disso. c o m exceção. analisa a estrutura lógica desse c o r p o c o m p l e t o de c o n h e c i m e n t o s científicos. Grande parte da i m a g e m q u e cientistas e leigos têm da atividade científica criadora p r o v é m de u m a fonte autoritária q u e disfarça s i s t e m a t i c a m e n t e — em parte d e v i do a r a z õ e s f u n c i o n a i s i m p o r t a n t e s — a e x i s t ê n c i a e o significado das revoluções científicas. . T o d a s elas r e g i s t r a m o resultado e s t á v e l d a s r e v o l u ç õ e s p a s s a d a s e desse m o d o p õ e m em evidência as bases da tradição corrente da ciência normal. s u a s s e m e lhanças são o que mais nos interessam aqui. a análise aqui exigida c o m e ç a r á a indicar um d o s aspectos q u e m a i s c l a r a m e n t e distingue o trabalho científico de qualquer outro e m p r e e n d i m e n t o criador. d a d o s e teorias e m u i t o freq ü e n t e m e n t e ao c o n j u n t o particular de paradigmas aceitos pela c o m u n i d a d e científica na é p o c a em que esses textos foram escritos. além da prática da pesquisa —• possuem u m a coisa em c o m u m . penso sobretudo nos principais manuais científicos. P e l o m e n o s no c a s o dos manuais.que as revoluções sejam quase totalmente invisíveis. talvez. E m b o r a um tratamento m a i s c o m p l e t o d e v e s s e necessariamente lidar c o m as dist i n ç õ e s m u i t o reais e n t r e e s s e s três g ê n e r o s . E s s a s três categorias — até r e c e n t e m e n t e n ã o dispúnhamos de outras fontes importantes de informaç ã o sobre a ciência. E a F i l o sofia da Ciência. Referem-se a um corpo já articulado de p r o b l e m a s .

o sentido histórico do cientista ativo ou do leitor não-especializado em literatura de m a n u a l englobará somente os resultados mais recentes das revoluções ocorridas e m seu c a m p o d e interesse. n u m a extensão sem precedentes e m o u t r a s á r e a s . No m o m e n t o .No C a p . N o c a p í t u l o final d e s t e ensaio. c o m o a c o n t e c e m a i s freqüentemente. Em parte por . E m s u m a . o s c o n h e c i m e n t o s científicos d o s p r o fissionais. u m a vez reescritos. C o n t u d o . Através dessas referências. sendo os manuais veículos pedagógicos destinados a perpetuar a ciência n o r m a l . da qual os cientistas sent e m . tanto os estudantes c o m o os profissionais sentem-se p a r ticipando de u m a longa tradição histórica.s e p a r t i c i p a n t e s . dissimulam inevitavelmente n ã o só o papel d e s e m p e n h a d o . p r e c i s a m ser r e e s c r i t o s i m e d i a t a m e n t e a p ó s c a d a r e v o l u ç ã o científica e . a estrutura dos problemas ou as n o r m a s da ciência n o r m a l s e m o d i f i q u e m . seja. Deste m o d o . os manuais científicos ( e m u i t a s d a s a n t i g a s h i s t ó r i a s d a c i ê n c i a ) r e f e rem-se somente àquelas partes do trabalho de antigos c i e n t i s t a s q u e p o d e m f a c i l m e n t e ser c o n s i d e r a d a s c o m o contribuições ao e n u n c i a d o e à solução d o s p r o b l e m a s apresentados pelo paradigma dos manuais. m a s t a m b é m a própria existência d a s r e v o l u ç õ e s q u e o s p r o d u z i r a m . P o r r a z õ e s a o m e s mo t e m p o óbvias e m u i t o funcionais. Entretanto. os manuais começam truncando a c o m p r e e n s ã o do cientista a respeito da história de sua p r ó p r i a disciplina e em seguida fornecem um substituto p a r a aquilo que eliminaram. d e v e m ser parcial ou totalmente reescritos toda vez q u e a linguagem. a r g u m e n t a r e m o s q u e a d o m i n a ç ã o de u m a ciência a m a d u r e c i d a por tais textos estabelece u m a diferenç a significativa e n t r e o s e u p a d r ã o d e d e s e n v o l v i m e n t o e aquele de outras disciplinas. a tradição derivada dos manuais. A m e n o s q u e t e nha experimentado pessoalmente u m a revolução durante sua vida. É característica dos m a n u a i s científicos c o n t e r e m a p e n a s u m p o u c o d e h i s t ó r i a . s e j a u m c a p í t u l o i n t r o d u t ó r i o . e s t ã o b a s e a d o s n o s m a n u a i s e em alguns outros tipos de literatura deles derivada. vamos simplesmente assumir que. b e m c o m o o s d o s leigos. em referências dispersas aos grandes h e róis de u m a época anterior. j a m a i s existiu. 1 observamos que u m a confiança crescente nos m a n u a i s ou seus equivalentes era invariavelmente concomitante com a emergência do primeiro paradigma e m q u a l q u e r d o m í n i o d a c i ê n c i a .

N ã o é d e a d m i r a r q u e os m a n u a i s e as tradições históricas neles implícitas ten h a m q u e ser r e e s c r i t a s a p ó s c a d a r e v o l u ç ã o científica. P o r certo os cientistas n ã o são o único g r u p o q u e tende a ver o passado de sua disciplina c o m o um desenvolvimento linear em direção ao p o n t o de vista privilegiado do presente. Felizmente. em vez de e s q u e c e r esses h e r ó i s . M a s os cientistas s ã o mais afetados pela t e n t a ç ã o de reescrever a história. ao erro e à confusão h u m a n o s . visto que as ciências. P o r q u e h o n r a r o q u e os m e l h o r e s e m a i s persistentes esforços da ciência t o r n a r a m possível descartar? A depreciação d o s fatos históricos está profunda e provavelmente funcion a l m e n t e e n r a i z a d a n a i d e o l o g i a d a p r o f i s s ã o científica. o s c i e n t i s t a s t ê m e s q u e c i d o o u r e visado somente seus trabalhos. Whitehead n ã o estava absolutamente correto. exceto d u r a n t e as crises e as r e voluções. t e n d ê n c i a que chega a afetar m e s m o os cientistas q u e . c o m o s e n d o basicamente cumulativa. n ã o conseg u i r i a m a i s d o q u e c o n c e d e r u m status artificial à i d i o s sincrasia. Do m e s m o m o d o . Multiplicar os detalhes históricos sobre o presente ou o p a s s a d o da ciência. n ã o é de admirar q u e . ou a u m e n t a r a i m p o r tância dos detalhes históricos apresentados.h i s t ó r i c o d a c o m u n i d a d e científica a o escrever: " A ciência q u e hesita e m esquecer seus fundadores está perdida". m a i s u m a vez. C o n t u d o . a m e s m a profissão que atribui o mais alto valor possível a d e t a l h e s f a t u a i s d e o u t r a s e s p é c i e s . ao ser reescrita. c o m o outros e m p r e e n d i m e n t o s profissionais.seleção e em p a r t e p o r distorção. a posição c o n t e m p o r â n e a do cientista parece m u i t o segura. necessitam de seus heróis e xeverenciam suas m e m ó r i a s . os cientistas de épocas anteriores são implicitamente representados c o m o se tivessem t r a b a l h a d o s o b r e o m e s m o c o n j u n t o d e p r o b l e m a s fixos e u t i l i z a d o o m e s m o c o n j u n t o d e c â n o n e s e s t á v e i s que a revolução mais recente em teoria e metodologia c i e n t í f i c a fez p a r e c e r científicos. em parte p o r q u e os resultados d a p e s q u i s a científica n ã o r e v e l a m n e n h u m a d e p e n d ê n cia óbvia c o m relação ao contexto histórico da pesquisa e em p a r t e p o r q u e . a ciência a p a r e ç a . W h i t e h e a d c a p t o u o e s p í r i t o a . D i s s o resulta u m a tendência persistente a fazer c o m q u e a História da Ciência p a r e ç a linear e cumulativa. A tentação de escrever a histór i a p a s s a d a a p a r t i r do p r e s e n t e é g e n e r a l i z a d a e p e r e ne.

Ao atribuir a Galileu a resposta a u m a questão que os paradigmas de Galileu não permitiam c o l o c a r . Crew e A.examinam retrospectivamente suas próprias pesquisas. pp. Isis. The Origins (1956). Sir Isaac Newton'* Matkematical Principies of Natural Philosophy and His System of the World ( B e r k e l e y . 1 9 4 6 ) . d e s d e m u i t o c e d o . Ao disfarçar essas m u d a n ç a s . ) . K.VII. p . Sua discussão a respeito da queda dos corpos r a r a m e n t e alude a forças e m u i t o m e n o s a u m a força gravitacional uniforme q u e causasse a queda dos c o r p o s . N a r e a l i d a d e . de Salvio (Evanston. b e m mais do que as novas descobertas empíricas. Por exemplo. cuja posterior sol u ç ã o o t o r n a r i a f a m o s o . o r e s u l t a d o foi u m a r e o r i e n t a ç ã o n o m o d o d e c o n c e b e r a Química. 2 1 . F o i isto q u e D a l t o n fez. p r e c i s a m e n t e n a q u e l e s p r o b l e m a s q u í m i c o s referentes às p r o p o r ç õ e s de combinação. esses p r o b l e m a s parecem ter-lhe ocorrido juntamente com suas soluções e. m e s m o assim. o r e l a t o d e N e w t o n e s c o n d e o efeito d e u m a pequena mas revolucionária reformulação nas questões que os cientistas c o l o c a v a m a respeito do m o v i m e n t o . of Dalton's Chemical A t o m i o Theory. n ã o antes q u e seu p r ó p r i o t r a b a l h o criador estivesse q u a s e totalmente c o m p l e t a d o . E s s a p a s s a g e m d e v e s e r c o m p a r a d a c o m a d i s c u s s ã o d e G A L I L E U n o s s e u s Dialogues concerning Two New Sciences. ver F L O H I A N C A J O R I ( e d . C a l i f ó r n i a . S o b r e essa o b s e r v a ç ã o d e N e w t o n . 101-16 2 . NASH. o teorema cinemático de Galileu realmente t o m a essa forma q u a n d o inserido na matriz dos próprios conceitos dinâmicos d e N e w t o n . os três informes incompatíveis de Dalton sobre o desenvolvimento do seu a t o m i s m o químico d ã o a i m p r e s s ã o d e q u e ele e s t a v a i n t e r e s s a d o . . M a s Galileu n ã o afirmou nada desse gênero. De fato. trad. XL. Um outro exemplo: N e w t o n escreveu que Galileu descobrira q u e a força constante da gravidade p r o d u z um movimento proporcional ao quadrado do tempo. O q u e t o d o s o s r e l a t o s d e D a l t o n o m i t e m s ã o o s efeitos r e v o lucionários resultantes da aplicação da Química a um conjunto de questões e conceitos anteriormente restritos à Física e à Meteorologia. reorientação q u e ensinou aos químicos c o m o colocar novas questões e retirar conclusões novas de d a dos antigos. da transição da Dinâmica aristotélica p a r a a de Galileu e da de Galileu p a r a a de N e w t o n . b e m c o m o nas respostas que estavam dispostos a admitir. Illinois. 1946). H. M a s é j u s t a m e n t e e s s a m u d a n ç a n a f o r m u l a ç ã o d e perguntas e respostas que dá conta. 154-76. a tendência 1 2 1. L. pp.

quando combinada c o m a atmosfera geralmente a . as quais. c o m seus próprios instrumentos e cânones de resolução. M a s n ã o é assim q u e u m a ciência se desenvolve. Mas. n e g a r i a t o d a e q u a l q u e r função às revoluções. Essas distorções tornam as revoluções invisíveis. existem grandes possibilidades de q u e essa técnica cause a seguinte impressão: a ciência alcançou seu estado atual através de u m a série de descobertas e invenções individuais.r e v o l u cipnários.h i s t ó r i c a d o s e s c r i t o s científicos e c o m a s d i s t o r ç õ e s ocasionais ou sistemáticas examinadas acima. c o n c e i t o s . leis o u t e o r i a s a o c a u d a l d e i n f o r m a ç õ e s p r o p o r c i o n a d o p e l o m a n u a l científico c o n t e m p o r â n e o . cada um no contexto de u m a revolução determinada.dos m a n u a i s a t o r n a r e m linear o desenvolvimento da ciência acaba escondendo o processo q u e está na raiz d o s e p i s ó d i o s m a i s significativos d o d e s e n v o l v i m e n t o científico. E n q u a n t o pedagogia. E não foram apenas os problemas que m u - . conceitos. Os m a n u a i s . a disposição do material q u e a i n d a p e r m a n e c e visível n o s t e x t o s científicos i m p l i c a u m p r o c e s s o q u e . M a s nessa reconstrução está envolvido algo mais do q u e a multiplicação de distorções históricas semelhantes às ilustradas acima. e x a m i n a m a s v á r i a s e x p e r i ê n c i a s . P o u c o s d e l e s r e m o n t a m a o início histórico da disciplina na qual a p a r e c e m atualmente. O m a n u a l sugere q u e os cientistas p r o c u r a m realizar. os começos de u m a reconstrução histórica que é regul a r m e n t e c o m p l e t a d a p o r t e x t o s científicos p ó s . p o r visar e m familiarizar r a p i d a m e n t e o estudante c o m o q u e a c o m u n i d a d e científica c o n t e m p o r â n e a j u l g a c o n h e c e r . leis e t e o rias da ciência n o r m a l em vigor t ã o isolada e sucessiv a m e n t e q u a n t o possível. N u m processo freqüent e m e n t e c o m p a r a d o à a d i ç ã o d e tijolos a u m a c o n s t r u ç ã o . os cientistas j u n t a r a m um a um os fatos. s e r e a l m e n t e existisse. Muitos dos quebra-cabeças da ciência n o r m a l contemp o r â n e a p a s s a r a m a existir s o m e n t e d e p o i s d a r e v o l u ç ã o científica m a i s r e c e n t e . u m a vez reunidas. d e s d e os primeiros e m p r e e n d i m e n t o s científicos. o s o b j e t i v o s p a r t i c u l a r e s presentes nos paradigmas atuais. constituem a coleção m o d e r n a dos conhecimentos técnicos. Os exemplos precedentes colocam em evidência. essa t é c nica de a p r e s e n t a ç ã o está acima de q u a l q u e r crítica. As gerações anteriores ocuparam-se c o m seus próprios p r o blemas.

Quase sempre. mas somente transformando a informação previam e n t e acessível e m f a t o s q u e a b s o l u t a m e n t e n ã o e x i s t i a m p a r a o p a r a d i g m a p r e c e d e n t e .s e a o s f a tos". foram gradualmente descobertos. A referência a Boyle auxilia o neófito a p e r c e b e r que a Q u í mica iniciou c o m as j^_lf nimidas. N ã o h á d ú v i d a d e q u e essas t e o r i a s " a j u s t a m . Um último exemplo poderá esclarecer esta explicação sobre o impacto da apresentação do manual sob r e n o s s a i m a g e m d o d e s e n v o l v i m e n t o científico. além disso. ajustando-se a fatos q u e sempre estiveram à nossa disposição. e m c u j o Sceptical Chymist o leitor a t e n t o e n c o n t r a r á u m a d e f i n i ç ã o d e " e l e m e n t o " bastante próxima da utilizada atualmente.digma dos manuais adapta à natureza. mas iuua a reue ac laius e icunas que o paia- . M a s . obviamente. q u a n d o essa n o ç ã o é introduzida. t r a n s f o r m a n d o . resultando de u m a reformulação rev o l u c i o n á r i a d a t r a d i ç ã o científica a n t e r i o r — u m a t r a d i ç ã o na q u a l a r e l a ç ã o e n t r e o c i e n t i s t a e a n a t u r e z a . q u í m i c o d o s é c u l o X V I I . Por exemplo: a constância da c o m p o s i ç ã o é um simples fato da experiência. segundo os manuais. não era exatamente a mesma. Em vez disso. mediada pelo conhecimento. I s s o significa q u e a s teorias t a m b é m n ã o evoluem gradualmente. esses problemas t ê m t a m b é m relação c o m aquilo q u e tais textos a p r e s e n t a m c o m o teorias. q u e os químicos poderiam ter descoberto através d e e x p e r i ê n c i a s r e a l i z a d a s e m q u a l q u e r u m d o s m u n d o s e m q u e r e a l i z a r a m suas p e s q u i s a s ? O u é a n t e s u m e l e m e n t o — e c o m o tal i n d u b i t á v e l — de um n o v o t e c i d o d e fatos e t e o r i a q u e D a l t o n a d a p t o u a e x p e r i ê n cia q u í m i c a a n t e r i o r . surgem ao m e s m o t e m p o q u e os fatos aos quais se ajustam. T o d o s os textos elementares de Química d e v e m discutir o conceito de elemento químico.a n o c u r s o d o p r o cesso? A aceleração constante p r o d u z i d a p o r u m a força constante é um fato q u e os estudantes de D i n â m i c a p e s q u i s a m d e s d e o i n í c i o da disciplina? Ou é a r e s p o s t a a u m a q u e s t ã o q u e a p a r e c e u pela primeira vez no interior d a t e o r i a d e N e w t o n e que e s t a t e o r i a p o d e r e s p o n d e r utilizando-se do corpo de informações disponíveis antes da formulação da questão? C o l o c a m o s e s s a s q u e s t õ e s a p r o p ó s i t o d e fatos q u e . sua origem é atribuída a Robert B o y l e . diz-lhe q u e u m a das tarefas tradjeionais do cientista é invena Ciaram.

t ã o trivial c o m o q u a l q u e r o u t r a i n t e r p r e t a ç ã o e r r ô n e a de d a d o s . até os textos m o d e r n o s . Definições verbais c o m o a de Boyle t ê m p o u c o c o n t e ú d o científico q u a n d o c o n s i d e r a d a s e m s i m e s m a s . r a r a m e n t e precisam ser inventados.o c o m o fim ú n i c o d e a r g u m e n t a r q u e n ã o existia t a l c o i s a c h a m a d a e l e m e n t o q u í m i c o . i s s o n ã o significa q u e a c i ê n c i a t e n h a possuído o conceito de elemento desde a Antigüid a d e . através de Lavoisier. 3 Q u a l foi e n t ã o o p a p e l h i s t ó r i c o d e B o y l e n a q u e l a parte de seu trabalho que contém a famosa "definição"? 3 . n e m Einstein teve q u e inventar ou m e s m o redefinir explicitamente " e s p a ç o " e " t e m p o " . a outros conceitos científicos. ilustra u m a vez m a i s o e x e m p l o d e e r r o h i s t ó r i c o q u e faz c o m q u e e s p e cialista e leigos se i l u d a m a r e s p e i t o da n a t u r e z a do e m p r e e n d i m e n t o científico. d a d o o contexto. . e n q u a n t o história. 2 6 . posto q u e já estão à disposição. R o b e r t B o y l e and Structural Chemistry i n the S e v e n t e e n t h C e n t u r y . a p r o c e d i m e n t o s de m a n i p u l a ç ã o e a a p l i c a ç õ e s do paradigma. Sem dúvida esse e r r o é trivial. A l é m disso. Os c o n c e i t o s científicos q u e e x p r e s s a m s ó o b t ê m u m significado pleno q u a n d o relacionados.tar conceitos desse tipo. S . sua "definição" de um elemento não passava de u m a paráfrase de um conceito químico tradicional. M a s não inventaram a noção e nem m o dificaram a fórmula verbal q u e serve c o m o sua definição. C o n t u d o . K U H K . a fim d e d a r a e s s e s c o n c e i t o s n o v o s s i g n i f i c a d o s n o c o n texto de sua obra.2 9 ( 1 9 5 2 ) . Boyle a p r e s e n t o u . p p . m a s mais precisamente instrumentos pedagógicos. Isis. X L I I I . A definição de Boyle r e m o n t a pelo m e n o s a A r i s tóteles e se projeta. dentro de um texto ou apresentação sistemática. T . Segundo Boyle ( q u e estava absolutamente c e r t o ) . Segue-se daí q u e conceitos c o m o o de elem e n t o dificilmente p o d e m ser inventados independentem e n t e de um contexto. N ã o obstante. C o m o vimos. T a n t o Boyle c o m o Lavoisier modificaram e m a s p e c t o s i m p o r t a n t e s o significado q u í m i c o d a n o ç ã o de "elemento". N ã o s ã o especificações lógicas e completas de sentido. a versão q u e o m a n u a l apresenta da contribuição de Boyle está totalmente equivocada. O q u e n ã o é trivial é a i m a g e m de ciência f o m e n t a d a q u a n d o esse tipo de e r r o é articulado e então integrado na estrutura técnica do texto.

o c u p a . M a s Boyle p r o p o r ciona um exemplo típico tanto do processo envolvido e m cada u m desses estágios c o m o d o q u e ocorre c o m esse processo q u a n d o o c o n h e c i m e n t o existente é incorp o r a d o a u m m a n u a l científico. esta forma pedagógica determ i n o u nossa i m a g e m a respeito da natureza da ciência e do p a p e l d e s e m p e n h a d o pela d e s c o b e r t a e pela invenç ã o no seu progresso. t r a n s f o r m o u essa n o ç ã o n u m instrum e n t o b a s t a n t e d i v e r s o d o q u e f o r a a t é ali. 1 9 5 8 ) .s e . M a i s d o q u e q u a l q u e r outro aspecto da ciência. f o r a m n e c e s s á r i a s p a r a d a r a esse c o n ceito sua forma e função m o d e r n a s . a o m o d i f i c a r a r e l a ç ã o do " e l e m e n t o " c o m a t e o r i a e a m a n i p u l a ç ã o químicas. em seu Robert Boyle and Seventeenth-Century Çhes/ry ( C a m b r i d g e . e m v á r i a s p a s s a g e n s .B o y l e foi o l í d e r d e u m a r e v o l u ç ã o científica q u e . 4 4. N e s s e p r o cesso modificou tanto a Química c o m o o m u n d o do quím i c o . O u t r a s revoluções. c o m a s p o s i t i v a s ntribuições de B o y l e para a evolução do conceito de um elemento ímico. . incluindo a q u e teve seu cent r o e m L a v o i s i e r . MABIE BOAS.

.

Sua habilid a d e p a r a fazer e s s a t r a n s i ç ã o ê f a c i l i t a d a p o r d u a s circunstâncias estranhas à maioria dos m e m b r o s de sua . aparece inicialmente a mente de um ou mais i n d i v í d u o s . E l e s s e r v e m d e b a s e p a r a u m a n o v a t r a d i ç ã o de ciência n o r m a l .11. Q u a l é o processo pelo qual um n o v o candidato a p a r a d i g m a substitui seu antecessor? Q u a l q u e r n o v a interp r e t a ç ã o d a n a t u r e z a . Ao examinarmos a questão de sua estrutura omitimos obviamente um problema. S ã o eles os p r i m e i r o s a a p r e n d e r a v e r a ciência e o m u n d o de u m a nova maneira. seja ela u m a d e s c o b e r t a o u u m a teoria. A RESOLUÇÃO DE REVOLUÇÕES Os manuais q u e estivemos discutindo são p r o d u zidos somente a partir dos resultados de u m a revoluç ã o científica.

m e s m o então. Invariavelmente. são habitualmente t ã o jovens ou tão novos na área e m c r i s e q u e a p r á t i c a científica c o m p r o m e t e u . C o m o c o n s e g u e m e o q u e d e v e m fazer p a r a converter todos os m e m b r o s de sua profissão à sua m a n e i r a de v e r a c i ê n c i a e o m u n d o ? O q u e l e v a um g r u p o a abandonar u m a tradição de pesquisa normal por outra? P a r a p e r c e b e r a p r e m ê n c i a d e s s a s q u e s t õ e s . E m b o r a ele p o s s a . tiveram sua atenção concent r a d a sobre p r o b l e m a s q u e p r o v o c a m crises. a o fazer i s s o ele n ã o e s t á t e s t a n d o o paradigma. lerii-" bremo-nos de que essas são as únicas reconstruções que o h i s t o r i a d o r p o d e f o r n e c e r à s i n v e s t i g a ç õ e s d o filósofo a r e s p e i t o d o s t e s t e s . ocorre somente depois que o sentimento de crise evocar um c a n d i d a t o alternativo a paradigma.c a beças — em simplesmente comparar um único paradigma c o m a natureza.s e m a i s a o e n x a d r i s t a q u e . E . N a m e d i d a e m q u e s e d e d i c a à c i ê n c i a n o r m a l . N ã o e x i s t e m m u i t o s filósofos d a c i ê n c i a q u e b u s q u e m c r i t é r i o s . essa formulação apresenta paralelos inesperados e provavelmente significativos c o m d u a s d a s m a i s p o p u l a r e s t e o r i a s filosóficas c o n t e m p o r â n e a s s o b r e a v e r i f i c a ç ã o . v e r i f i c a ç õ e s e falsificações de t e o r i a s científicas e s t a b e l e c i d a s .o s m e nos profundamente q u e seus contemporâneos à concepç ã o de m u n d o e às regras estabelecidas pelo velho par a d i g m a . 5 E x a m i n a d a de forma m a i s detalhada. A l é m disso. A s s e m e l h a . feitas p e l o e n x a d r i s t a o u p e l o c i e n tista. o teste representa p a r t e d a c o m p e t i ç ã o e n t r e d o i s p a r a d i g m a s rivais q u e l u t a m p e l a a d e s ã o d a c o m u n i d a d e científica. a situação de teste n ã o consiste n u n c a — c o m o é o c a s o da resolução de q u e b r a . t e n t a v á r i o s movimentos alternativos na busca de u m a solução. "Por isso. rejeitando as q u e n ã o p r o d u z e m o result a d o d e s e j a d o . o t e s t e d e u m p a r a d i g m a ocorre somente depois que o fracasso persistente na resolução de um quebra-cabeça importante dá origem a u m a crise. Na ciência. o p e s q u i s a d o r é um s o l u c i o n a d o r de quebra-cabeças e n ã o alguém q u e testa paradigmas. t e s t a m a s i m e s m a s e n ã o a s r e g r a s d o j o g o . Essas t e n t a t i v a s d e a c e r t o . Ao invés disso. testar diversas abordagens alternativas. d u r a n t e a b u s c a d a s o l u ç ã o p a r a u m quebra-cabeça determinado. c o n frontado c o m um problema estabelecido e tendo a sua f r e n t e (física o u m e n t a l m e n t e ) o t a b u l e i r o . S ã o possíveis somente e n q u a n t o o p r ó p r i o p a r a d i g m a é d a d o c o m o p r e s s u p o s t o .profissão.

tal c o n s t r u ç ã o é n e c e s s á r i a p a r a a c o m p u t a ç ã o d e p r o b a b i l i d a d e s específicas. as of of . v e r F . c o m o j á a r g u m e n t a m o s . as teorias probabilísticas dissimulam a situação de verificação t a n t o q u a n t o a iluminam. d a d a a evidência existente. ela n ã o terá acesso a todas as experiências ou teorias possíveis. R N E S T N A G E L .a b s o l u t o s p a r a a v e r i f i c a ç ã o d e t e o r i a s científicas. P e r c e b e n d o q u e n e n h u m a teoria p o d e ser s u b m e t i d a a t o d o s o s t e s t e s r e l e v a n t e s possíveis. 9 . S e . M u i t o provavelmente. as teorias e observações em questão estão s e m p r e estreitamente relacionadas a outras já existentes. pp. Para um breve e s b o ç o das principais maneiras de abordar t e o r i a s d e v e r i f i c a ç ã o p r o b a b i l í s t i c a s . C o m t a l l i m i t a ç ã o . ela indica u m a das direções pelas quais deverão avançar as futuras discussões sobre o p r o b l e m a da verificação. q u a n d o existem o u t r a s alternativas o u d a d o s d e 1. U m a outra exige a construção imaginária de todos os testes que poss a m ser concebidos p a r a testar determinada teoriaii' A p a r e n t e m e n t e . n. da c o m p a r a ç ã o entre teorias e evidências m u i to difundidas. Entretanto. U m a teoria probabilística requer q u e c o m p a r e m o s a t e o r i a científica e m e x a m e c o m t o das as outras teorias imagináveis que se adaptem ao m e s m o conjunto d e d a d o s observados. a b s o l u t a s o u r e l a t i v a s . n ã o p o d e h a v e r n e n h u m sistem a d e l i n g u a g e m o u d e c o n c e i t o s q u e seja científica o u e m p i r i c a m e n t e n e u t r o . n ã o s e a t e o r i a foi v e r i f i c a d a . e n t ã o a c o n s t r u ç ã o de testes e teorias alternativas deverá derivar-se de alguma tradição b a s e a d a e m u m p a r a d i g m a . E s s a insistência em c o m p a r a r teorias caracteriza igualm e n t e a situação histórica na qual u m a nova teoria é aceita. todas as teorias de verificação probabilísticas r e c o r r e m a u m a ou outra das linguagens de observação puras ou neutras discutidas n o C a p . Conseqüentemente. Principies lhe Theory of Probability. conforme insistem. 6 da International Encyclopedia Vnified Science. m a s é difícil p e r c e b e r c o m o p o s s a s e r o b t i d a . I. E m b o r a essa situação d e p e n d a efetivamente. v. A verificação é c o m o a seleção natural: escolhe a mais viável entre as alternativas existentes em u m a situação histórica determinada. nas suas formas mais usuais. m a s p e l a s u a p r o b a b i l i d a d e . p e r g u n t a m . u m a escola importante é levada a c o m p a r a r a habilidade das diferentes teorias p a r a explicar a evidência disponível. 60-75. Essa escolha é a m e l h o r possível. P a r a responder a essa q u e s t ã o .

1939).c a b e ç a s q u e c a r a c t e r i z a m a c i ê n c i a n o r mal. A o e l a b o r a r tal c r i t é r i o . K. Ao contrário: é precisamente a adequação incompleta e imperfeita entre a teoria e os dados q u e define. C o m o já enfatizamos repetidas vezes. e m b o r a c e r t a m e n t e o c o r 2. pois não dispomos de instrumentos q u e p o s s a m ser e m p r e g a d o s n a p r o c u r a d e r e s p o s t a s . Se t o d o e qualquer fracasso na tentativa de a d a p t a r t e o r i a e d a d o s fosse m o t i v o p a r a a r e j e i ç ã o d e t e o r i a s . se somente um grave fracasso da tent a t i v a d e a d e q u a ç ã o justifica a r e j e i ç ã o d e u m a t e o r i a . (Nova York. A experiência a n ô m a l a de P o p p e r é i m p o r t a n t e p a r a a ciência p o r q u e gera competidores p a r a um paradigma e x i s t e n t e . I . n e n h u m a teoria resolve todos os quebra-cabeças c o m os quais se defronta em u m d a d o m o m e n t o . a o e v o c a r e m crises. Ao invés disso. R. N a v e r d a d e . . P o r sua vez. então os seguidores de P o p p e r necessitam de algum critério d e " i m p r o b a b i l i d a d e " o u d e " g r a u d e falsificação". t o d a s a s t e o r i a s d e v e r i a m ser s e m p r e r e j e i t a d a s . e x p e r i ê n c i a s q u e . isto é . U m a a b o r d a g e m m u i t o d i f e r e n t e d e t o d o esse c o n j u n t o d e p r o b l e m a s foi d e s e n v o l v i d a p o r K a r l P o p p e r . POPPER. of Scienlific Discovery. N ã o obstante. m u i tos d o s q u e b r a . as experiências a n ô m a l a s n ã o p o d e m ser identificadas c o m a s e x p e r i ê n c i a s d e falsificação. The Logic especialmente Caps. 2 M u i t a s d a s d i f i c u l d a d e s p r e c e d e n t e s p o d e m ser evitadas através do r e c o n h e c i m e n t o do fato de que essas duas concepções vigentes (e opostas) a respeito da lógica s u b j a c e n t e à i n v e s t i g a ç ã o científica t e n t a r a m c o m primir em um só dois processos m u i t o separados. e m v i s t a d e s e u r e s u l t a d o negativo. isto é . a s soluções e n c o n t r a das n e m sempre são perfeitas. torna inevitável a rejeição de u m a teoria estab e l e c i d a . em qualquer m o m e n t o .o u t r a e s p é c i e ? T a l q u e s t ã o n ã o p o d e ser c o l o c a d a d e maneira produtiva. enfatiza a i m p o r t â n c i a da fals i f i c a ç ã o . d o t e s t e q u e .I V . d u v i d o m u i t o d e q u e essas últimas existam. p r e p a r a m c a m i n h o para u m a nova teoria. q u e nega a existência de qualquer p r o c e d i m e n t o de verificação. M a s a falsificação. P o r outro lado. é q u a s e c e r t o q u e e n c o n t r a r ã o a m e s m a cadeia de dificuldades que perseguiu os advogados das diversas teorias de verificação probabilísticas. O p a p e l q u e P o p p e r a t r i b u i à falsificação a s s e melha-se m u i t o ao q u e este ensaio confere às experiênc i a s a n ô m a l a s .

d e u m p r o c e s s o s u b s e q ü e n t e e s e p a r a d o . a c o m p e t i ç ã o e n t r e p a r a d i g m a s p o d e r i a ser r e s o l v i d a d e u m a f o r m a m a i s o u m e n o s r o tineira. p o d e n d o igualmente capacitar-nos a começar a explicar o p a p e l do a c o r d o ( o u d e s a c o r d o ) e n t r e o fato e a t e o ria no processo de verificação. visto consistir no triunfo de um n o v o p a r a d i g m a sobre um anterior. p o u cos c o n t e m p o r â n e o s hesitaram por mais d e u m a d é c a d a p a r a concluir que a teoria de Lavoisier era. n ã o aparece com. C r e i o q u e e s s a f o r m u l a ç ã o e m d o i s níveis tem a virtude de possuir u m a grande verossimilhança. P o r e x e m p l o . e m b o r a . a emerg ê n c i a d e u m a a n o m a l i a o u d e u m e x e m p l o q u e leve à falsificação. n e m a de Lavoisier c o n c o r dassem precisamente c o m as observações existentes. m a s somente d e u m a f o r m a relativa.s e melhor a o s f a t o s . u m ú n i c o m u n d o n o q u a l ocupar-se deles e um único conjunto de padrões científicos p a r a s u a s o l u ç ã o .s e . Ao m e n o s para o historiador. N ã o p o d e m o s dar u m a resposta mais precisa q u e essa à questão que pergunta se e em que medida u m a teoria individual se a d e q u a aos fatos. Se houvesse apenas um conj u n t o d e p r o b l e m a s científicos. a o c o n t r á r i o . T a l c o - . F a z muito sentido perguntar qual das d u a s teorias existentes que estão em c o m p e t i ç ã o a d e q u a . n e m a teoria de Priestley. t e m p o u c o sentido sugerir q u e a verificação c o n siste e m e s t a b e l e c e r o a c o r d o d o f a t o c o m a t e o r i a . e n t r e t a n t o . a q u e m e l h o r se a d e q u a v a aos fatos. m e s m o q u e e m p e q u e n a escala. ou simplesmente devido. q u e b e m p o d e r i a ser c h a m a d o de verificação. n a r e a l i d a d e .ra. M a s . T r a t a . é nesse p r o c e s s o c o n j u n t o de v e r i f i c a ç ã o e falsificação q u e a c o m p a r a ç ã o probabilística d a s teorias d e s e m p e n h a u m p a pel c e n t r a l . A q u e l e s q u e p r o p õ e m o s p a r a digmas em competição estão sempre em desentendimento. empregando-se algum processo c o m o o de contar o n ú m e r o de problemas resolvidos por cada um deles. E s s a f o r m u l a ç ã o . t a i s c o n d i ç õ e s n u n c a s ã o c o m p l e t a m e n t e satisfeitas. T o d a s a s t e o r i a s h i s t o r i c a m e n t e significativas c o n c o r d a r a m c o m o s fatos. M a s questões semelhantes p o d e m ser feitas q u a n d o t e o r i a s s ã o t o m a d a s e m c o n junto ou m e s m o aos pares. faz c o m q u e a t a r e f a d e e s c o l h e r e n t r e p a r a d i g m a s p a r e ç a m a i s fácil e m a i s familiar do q u e realmente é. N e n h u m a d a s partes aceitará todos os pressupostos não-empíricos de q u e o adversário necessita p a r a defender sua posição. das duas. A l é m disso.

essas razões foram descritas c o m o a incomensurabilidade das t r a d i ç õ e s científicas n o r m a i s . algo mais do que a incomensurabilidad e d o s p a d r õ e s científicos está e n v o l v i d o a q u i . tal c o m o a t r a n s i ç ã o a o d e N e w t o n . m a s t a m b é m a de u m a solução já obtida. a o c o n t r á r i o d a s t e o r i a s d e Aristóteles e D e s c a r t e s . E m b o r a cada um d e l e s p o s s a ter a e s p e r a n ç a de c o n v e r t e r o a d v e r s á r i o à s u a m a n e i r a de v e r a c i ê n c i a e a s e u s p r o b l e m a s . N o s é c u l o X X . q u e s t ã o e s s a q u e a Q u í m i c a F l o g í s t i c a p e r g u n t a r a e r e s p o n d e r a . forçados a um diálogo de surdos. C o l e t i v a m e n t e . até certo ponto. C o n t u d o . q u e s t õ e s r e l a t i v a s à s qualidades das substâncias químicas foram novamente i n c o r p o r a d a s à c i ê n c i a . p o n t o p r e c i s a m o s a p e n a s r e c a p i t u l á . a p r i m e i r a a l t e r n a t i v a foi b a n i d a d a c i ê n c i a . D a d o . a teoria química de Lavoisier. a Teoria Geral da Relatividade poderia orgul h o s a m e n t e a f i r m a r ter r e s o l v i d o e s s a q u e s t ã o . os proponentes de p a r a d i g m a s c o m p e t i d o r e s d i s c o r d a m s e g u i d a m e n t e q u a n t o à lista d e problemas que qualquer candidato a paradigma deve res o l v e r . i m p l i c a v a a e s c o l h a da s e g u n d a a l t e r n a t i v a . A t r a n s i ç ã o ao p a r a d i g m a de L a v o i s i e r . D o m e s mo m o d o . impedia os químicos de perguntarem por que os metais eram tão semelhantes entre si. q u a n d o a t e o r i a d e N e w t o n foi aceita. E n t r e t a n t o .r e v o l u c i o n á r i a s . tal c o m o disseminada no século X I X . U m a teoria d o m o v i m e n t o deve explicar a causa das forças de atração entre partículas de m a t é r i a ou simplesmente indicar a existência d e tais f o r ç a s ? A d i n â m i c a d e N e w t o n foi a m p l a m e n t e r e j e i t a d a p o r q u e . Em primeiro lugar.l a s b r e v e m e n te.mo Proust e Berthollet. n e n h u m dos dois p o d e ter a esperança de d e m o n s t r a r sua posição. essa p e r d a n ã o foi p e r m a n e n t e . A competição entre paradigmas n ã o é o t i p o d e b a t a l h a q u e p o s s a ser r e s o l v i d o p o r meio d e provas. nesjte. j u n t a m e n t e c o m a l g u m a s de suas respostas. S e u s p a d r õ e s científicos o u s u a s d e f i n i ç õ e s d e ciência n ã o são o s m e s m o s . Entretanto. P o r c o n s e g u i n t e . s i g n i f i c a r a não a p e nas a p e r d a de u m a pergunta permissível. p r é e p ó s . mais tarde. Já vimos várias razões pelas quais os proponentes de paradigmas competidores fracassam necessariamente n a tentativa d e estabelecer u m contato completo entre s e u s p o n t o s d e vista d i v e r g e n t e s . q u a n d o de sua discussão sobre a composição dos compostos químicos serão.

Tampouco estavam errados os mat e m á t i c o s . Parte do q u e e n t e n d i a m pela expressão " T e r r a " referia-se a u m a p o s i ç ã o fixa. 142-146. Einstein and the Untverse. por exemplo. P a r a levar a cab o a t r a n s i ç ã o a o u n i v e r s o d e E i n s t e i n . Kusalca ( N o v a Y o r k .que os novos paradigmas nascem dos antigos. termos. J . 1 9 4 7 ) . O s leigos q u e z o m b a v a m da Teoria Geral da Relatividade de Einstein p o r q u e o e s p a ç o n ã o p o d e r i a ser " c u r v o " — p o i s n ã o e r a esse tipo de coisa — n ã o estavam simplesmente errados ou enganados. O q u e anteriormente se entendia p o r espaço e r a algo necessariamente plano. N ã o estavam. e t c . teve q u e ser alterada e n o v a m e n t e rearticulada em termos do conjunto da natureza. incorpor a m comumente grande parte do vocabulário e dos aparatos. nem completamente errados. isotrópico e não afetado p e l a p r e s e n ç a d a m a t é r i a . e m b o r a o t e r m o n ã o seja b e m p r e c i s o . 1 9 2 2 ) . his Life and Times. t r a d . Somente os que haviam experimentado juntos (ou deixado de experimentar) essa transformação seriam capazes de descobrir precisamente quais seus pontos d e a c o r d o o u d e sacordo. . R o s e n e S. p p . t r a d u z i d o e e d i t a d o p o r G. t o d a a teia c o n c e i t u a i c u j o s fios s ã o o e s p a ç o . físicos e filósofos q u e t e n t a r a m d e s e n v o l v e r u m a versão euclidiana da teoria de Einstein. A respeito de a l g u m a s tentativas feitas para preservar as conquistas da relatividade geral n o c o n t e x t o d e u m e s p a ç o e u c l i d i a n o . d e u m m a l . v e r C . Consideremos. C a p . N O K D M A N N .e n t e n d i d o e n t r e a s d u a s e s c o l a s c o m p e t i d o r a s . E r a antes u m a maneira completamente nova de encarar os p r o b l e m a s da Física e da Astronomia. . tanto conceituais como de manipulação. N ã o fosse a s s i m . a força. o t e m p o . I X . homogêneo. a física n e w toniana n ã o teria produzido resultados. Einstein. . Do m e s m o m o d o . nem pouco. conceitos e experiências antigos estabelecem novas relações entre sL O r e s u l t a d o i n e v i t á v e l é o q u e d e v e m o s c h a m a r . a inovação de Copérnico n ã o consistiu simplesmente em movimentar a Terra. que o paradigma tradicional já empregara. P e l o m e n o s . M c C a b e ( N o v a Y o r k . v e r P H U . M a s raramente util i z a m esses e l e m e n t o s e m p r e s t a d o s d e u m a m a n e i r a t r a dicional. t a l t e r r a n ã o p o d i a m o ver-se.I P P F U N K . aqueles que c h a m a r a m Copérnico de louc o p o r q u e este p r o c l a m o u q u e a T e r r a s e m o v i a . A propósito das reações de leigos ao conceito de espaço curvo. a m a t é r i a . A c o m u n i c a ç ã o através da linha divisória r e volucionária é inevitavelmente parcial. D e n t r o do novo paradigma. q u e necessariamente modificava o sentido das expressões " T e r r a " e 3 3.

T . a transição entre paradigmas em comp e t i ç ã o n ã o p o d e ser feita p a s s o a p a s s o . J A M M E R . The Copernican Revolution ( C a m b r i d i g e . as soluções são compostos. ( C a m b r i d g e . S . 1 9 5 4 ) . p o r i m p o s i ç ã o da Lógica e de experiências neutras. M a s s . III. ocasionalmente. Precisamente por tratar-se de u m a transição entre incomensuráveis. q u e p a r a u m g r u p o n ã o p o d e n e m m e s m o s e r d e monstrada. o s d o i s g r u p o s d e c i e n t i s tas v ê e m coisas diferentes q u a n d o o l h a m d e u m m e s m o p o n t o p a r a a m e s m a d i r e ç ã o . 4 5 C o m o . M a s s . IV e V I I . feitas e e n t e n d i d a s e s s a s m o d i f i c a ç õ e s . pode. O 4 . M a x . q u e antes de poder esperar o estabelecimento de u m a comunicação p l e n a e n t r e si. Um contém corpos que caem lentamente. 5 . K U H N . então. o o u t r o . Por outro lado. p p ." m o v i m e n t o " . M a s em algumas áreas vêem coisas diferentes. É p o r i s s o q u e u m a lei. que são visualizadas m a n t e n d o r e l a ç õ e s d i f e r e n t e s e n t r e si. . Um dos temas centrais do livro t e m a ver c o m a extensão em que o heliocentrismo era mais do q u e u m a questão puramente astronômica. o c o n c e i t o d e Terra em movimento era u m a loucura. e m u m a m a t r i z c u r v a . A m b o s o l h a m p a r a o m u n d o e o que olham n ã o mudou. u m d o s g r u p o s d e v e e x p e r i m e n t a r a c o n versão que estivemos c h a m a n d o de alteração de paradigma. são os cientistas levados a realizar essa transposição? P a r t e da resposta é q u e freqüentem e n t e n ã o são levados a realizá-la de m o d o algum. . T a l c o m o a m u d a n ç a d a f o r m a (Gestalt) v i s u a l .^Por e x e r c e r e m s u a p r o fissão e m m u n d o s d i f e r e n t e s . Em um sentido que sou incapaz de explicar melhor. 118-124. I s s o n ã o significa q u e possam ver o que lhes aprouver. o outro pêndulos q u e repetem seus movimentos sem cessar. 1 9 5 7 ) . Um encontra-se inserido n u m a matriz de espaço plana. . os proponentes dos paradigmas comp e t i d o r e s p r a t i c a m s e u s ofícios e m m u n d o s d i f e r e n t e s . misturas. Esses exemplos a p o n t a m p a r a o terceiro e mais fundamental aspecto da incomensurabilidade dos paradigm a s em competição. E m u m caso. parecer intuitivamente óbvia a o u t r ç j É p o r isso. no outro. igualmente. S e m tais m o d i f i c a ç õ e s . Caps. t a n t o D e s c a r t e s c o m o Huyghens puderam compreender que a questão d o m o v i m e n t o d a T e r r a n ã o possuía c o n t e ú d o científico. Concepts o i Space. a t r a n s i ç ã o d e v e o c o r rer subitamente ( e m b o r a n ã o necessariamente n u m instante) ou então não ocorre jamais.

33-34. (Nova Y o r k . . 1956). escreveu: " E m b o r a esteja p l e n a m e n t e convencido d a verdade das concepções apresentadas neste v o l u m e . M a s n e c e s s i t a m d e r e a v a l i a ç ã o . (Filadélfia. 93-94. . A resistência de t o d a u m a vida. I. senão mais de meio século depois do a p a r e c i m e n t o d o s Principia* P r i e s t l e y n u n c a a c e i t o u a teoria do oxigênio. Scientific Autobiography and Other Papers. c o n f o r m e a 6.c o p e r n i c i s m o fez p o u c o s a d e p t o s d u r a n t e q u a s e u m s é culo. D A K W I N . n e m s e m p r e p o d e m admitir seus erros. . On the Orígin of Species. ao passar em revista a sua carreira no s e u Scientific Autobiography. 1 9 4 9 ) . e d . 1 8 8 9 ) . As dificuldades da conversão foram freqüentemente indicadas pelos próprios cientistas. n u m a passagem particularmente perspicaz. G a y n o r . autorizada. m a s 6. 7 8 Esses e outros fatos do m e s m o g ê n e r o s ã o d e m a siadamente conhecidos p a r a necessitarem de maior ênfase. N o v a Y o r k . p p . o b s e r v o u t r i s t e m e n t e q u e " u m a n o v a v e r d a d e científica n ã o t r i u n f a c o n v e n c e n d o seus o p o n e n t e s e fazendo c o m q u e vejam a luz. F . m e s m o q u a n d o defrontados c o m p r o vas rigorosas. 295-296. n ã o espero. . especialmente por p a r t e daqueles cujas carreiras produtivas c o m p r o m e teu-os c o m u m a tradição mais antiga d a ciência n o r m a l . 8. C h a r l e s . Franklin and Newton: An Inquiry into Speculative Newtonian Experimental Science and Franklin's Work in Electricity as an Example Thereof. i n g l e s a . q u e s e r ã o c a p a z e s d e examinar ambos os lados da questão com imparcialid a d e " . n e m prova. . n e m erro estão em questão. M a x Planck. Max. II. n ã o é u m a v i o l a ç ã o d o s p a d r õ e s científicos. ( M a s ) encaro c o m confiança o futuro — os n a t u r a listas j o v e n s q u e e s t ã o s u r g i n d o . B. desde um p o n t o de vista d i a m e t r a l m e n t e o p o s t o ao m e u . de forma alguma. p p . C O H E N . concebidos através d o s anos. sendo apenas h u m a n o s . convencer naturalistas e x p e r i m e n t a d o s cujas m e n t e s estão o c u p a d a s p o r u m a m u l t i d ã o de fatos. . L o r d e Kelvin a teoria eletromagnética e assim p o r diante. pp. À t r a n s f e r ê n c i a de a d e s ã o de um p a r a d i g m a a o u t r o é u m a experiência d e c o n v e r s ã o q u e n ã o p o d e ser forçada. Darwin. . Ao invés disso. eu a r g u m e n t a r i a q u e em tais assuntos. após a morte de Copérnico. A o b r a de N e w t o n não alcançou aceitação geral. 7. m a s p o r q u e seus oponentes finalmente m o r r e m e u m a n o v a geração cresce familiarizada c o m ela". N o p a s s a d o f o r a m seguidamente considerados como indicadores de que os cientistas. especialmente no Continente europeu. PLANCK. (ed. trad.

até que.u m í n d i c e d a p r ó p r i a n a t u r e z a d a p e s q u i s a científica. (E somente através da ciência n o r m a l q u e a c o m u n i d a d e profissional de cientistas obtém sucesso. M a s é t a m b é m algo mais. t a l c e r t e z a p a r e c e ser o b s t i n a ç ã o e t e i m o s i a e em a l g u n s c a s o s c h e g a r e a l m e n t e a sê-lo. especialmente os mais velhos e mais experientes. m a s e x a t a m e n t e p o r q u e eles o são. T e r e m o s q u e n o s c o n t e n t a r c o m um e x a m e muito parcial e impressionista. p o s s a m resistir indefinidam e n t e . e m p e r í o d o s d e r e v o l u ç ã o .a r g u m e n t o s em u m a situação onde n ã o pode haver provas. A f o n t e d e s s a r e s i s t ê n c i a é a c e r t e z a de q u e o p a r a d i g m a antigo acabará resolvendo todos os seus problemas e q u e a n a t u r e z a p o d e ser e n q u a d r a d a n a e s t r u t u r a p r o porcionada pelo modelo paradigmático^ Inevitavelment e . todos os m e m bros da profissão passarão a orientar-se por um único — m a s já a g o r a diferente — p a r a d i g m a . A l é m disso. E m b o r a alguns cientistas.s e c o m o r e s u l t a d o d e s s e e x a me p a r a sugerir q u e a p e r g u n t a acerca da n a t u r e z a do a r g u m e n t o científico — q u a n d o e n v o l v e a p e r s u a s ã o e . explorando o alcance potenc i a l e a p r e c i s ã o do v e l h o p a r a d i g m a e e n t ã o i s o l a n d o a d i f i c u l d a d e cujo e s t u d o p e r m i t e a e m e r g ê n c i a d e u m novo paradigma! C o n t u d o . p r e c i s a m e n t e p o r q u e se r e f e r e a t é c n i cas de p e r s u a s ã o ou a a r g u m e n t o s e c o n t r a . afirmar q u e a resistência é inevitável e l e g í t i m a e q u e a m u d a n ç a d e p a r a d i g m a n ã o p o d e ser justificada através de p r o v a s n ã o é afirmar q u e n ã o existem a r g u m e n t o s relevantes ou q u e os cientistas n ã o p o d e m ser persuadidos a m u d a r de idéia. primeiro. O c o r r e r ã o algumas conversões de c a d a vez. Q u e espécie d e resposta p o d e m o s esperar? N o s s a q u e s t ã o é n o v a . a maioria deles p o d e ser atingida de u m a m a n e i ra ou outra. morrendo os últimos opositores. E m b o r a algum a s v e z e s seja n e c e s s á r i o u m a g e r a ç ã o p a r a q u e a m u d a n ç a s e r e a l i z e . fi essa m e s m a certeza q u e t o r n a possível a ciência n o r m a l ou solucion a d o r a de quebra-cabeças. essas conversões n ã o o c o r r e m apesar de os cient i s t a s s e r e m h u m a n o s . Precisamos p o r t a n t o perguntar c o m o se p r o d u z a conversão e c o mo se r e s i s t e a e l a . A l é m disso. o q u e j á foi d i t o c o m b i n a . a s c o m u n i d a d e s científicas s e g u i d a m e n t e t ê m sido convertidas a novos p a r a d i g m a s . exigindo precisamente p o r isso u m a espécie de e s t u d o q u e ainda n ã o foi e m p r e e n d i d o .

ver A. Em última instância. j á c o m o n o m e d o a u t o r . (ed. a m a i s eficaz de t o d a s . consideremos o seguinte: Lorde Rayleigh.n ã o a p r o v a — n ã o p o d e ter u m a r e s p o s t a ú n i c a o u uniforme. S a b e . E . precisam o s a p r e n d e r a c o l o c a r e s s a q u e s t ã o d e m a n e i r a diferente.. p p . Cientistas individuais a b r a ç a m um novo paradigma por toda u m a sorte de razões e normalmente por várias delas ao m e s m o tempo. R. N o s s a p r e o c u p a ç ã o n ã o será com os argumentos que realmente convertem um ou outro indivíduo. Q u a n d o p o d e ser feita l e g i t i m a m e n t e . M e s m o a n a cionalidade ou a r e p u t a ç ã o prévia do inovador e seus mestres p o d e m d e s e m p e n h a r algumas vezes um papel significativo. C o pérnico. a a d o r a ç ã o do Sol q u e a j u d o u a fazer d e K e p l e r u m c o p e r n i c a n o — e n c o n t r a m . 2 2 8 . Third Baron Rayleigh ( N o v a York.s e c o m freqüência inúteis. p o r exemplo. Algumas dessas raz õ e s — p o r e x e m p l o . Sobre o papel da adoração do Sol no p e n s a m e n t o de Kepler. N o v a Y o r k . apresentou um trabalho a British A s s o c i a t i o n tratando d e alguns p a r a d o x o s d a E l e t r o d i n â m i c a . mas c o m o tipo de c o m u n i d a d e q u e c e d o ou t a r d e se re-form a c o m o u m único g r u p o . p. The Metaphysical Foundations of Modem Physical Science rev.s e inteir a m e n t e fora da esfera a p a r e n t e da ciência. BURTT. s e g u i d a m e n t e . A d i o c o n t u d o esse problem a a t é o c a p í t u l o f i n a l e e n q u a n t o isso e x a m i n a r e i a l g u n s dos tipos de argumentos que se revelam particularmente eficazes n a s b a t a l h a s r e l a c i o n a d a s c o m m u d a n ç a s d e p a radigmas. 9 10 Provavelmente a alegação isolada mais c o m u m e n t e apresentada pelos defensores de um n o v o p a r a d i g m a é a de q u e são capazes de resolver os p r o b l e m a s que cond u z i r a m o antigo p a r a d i g m a a u m a crise. 1924). S e u n o m e foi o m i t i d o i n a d v e r t i d a m e n t e q u a n d o o artigo foi e n v i a d o p e l a primeira vez e o trabalho foi rejeitado c o m o sendo obra de um "amante d e p a r a d o x o s " (paradoxer~). o trabalho foi aceito c o m muitas desculpas. e s s a a l e g a ç ã o é . J. John William Strutt. .s e q u e o p a r a d i g m a e n f r e n t a p r o b l e m a s n o s e t o r n o q u a l tal a l e g a ç ã o é feita. "Experiências cruciais" — aquelas capazes de discriminar de forma particularmente nítida entre dois paradigmas — foram reconhecidas e atestadas antes m e s m o da invenção do novo paradigma. T a i s p r o b l e m a s . 1 0 . nesses casos. A respeito do papel da reputação. foram explorados r e p e t i d a m e n t e e a s t e n t a t i v a s p a r a r e m o v ê .l o s r e v e l a r a m . já c o m a reputação estabelecida. alegava ter resolvido o proble9. S T R U T T . 1 9 3 2 ) . 4th Baron R a y l e i g h . O u t r o s cientistas d e p e n d e m d e i d i o s s i n c r a s i a s d e n a t u r e z a a u t o b i o gráfica ou relativas a sua personalidade. P o u c o d e p o i s . 44-49. portanto.

R E I C H E . S o b r e os p r o b l e m a s c r i a d o s p e l a T e o r i a d o s Quanta. t o r . 1922). c a s o o n o v o p a r a d i g m a apresente u m a preg ã o quantitativa n o t a v e l m e n t e superior à d e seu c o m p e t i d o r mais antigo. m r c m U 1 a. ciência reelaborada d o m o v i m e n t o . I I . < o contribuirá a b s o l u t a m e n t e para a r e s o l u ç ã o d o s pro"'femas q u e p r o v o c a r a m c r i s e . eram invar^Hvelmente qualitativas.I X .s e necessário buscar evidências em outros setores da e a de estudos — o q u e . A superioridade quantitativa das T^bitlae rudolphinae d e K e p l e r s o b r e t o d a s a s c o m p u d a i s c o m base n a teoria p t o l o m a i c a foi u m fator i m p o r tit«s na conversão de astrônomos ao copernicismo. de qualquer forma. Caps. O c e . n e m s e m p r e p o d e ser l e g i t i m a m e n t e F*resentada. inicialmente. A l g u m a s v e z e s . é realim a r t e m v a e i s a n a n a a r u 1 1 . persuadiram rapidamente muiS cientistas a adotar essas teorias. A l é m disso. A b r i a ondulatória da luz. ver as referências anteriores ^e c a p í t u l o . T . e m b o r a . N e w t o n ter r e c o n c i l i a d o a M e c â n i c a T e r s t « " e c o m a C e l e s t e . A propósito ^ outros exemplos citados neste parágrafo. Alegações dessa natureza têm grande probabilida~S c3e êxito. Na v e r d a d e . n ã o foi t ã o b e m s u c e d i d a c o m o s u a ril corpuscular n a resolução d o problema relativo aos ^ i t o s de polarização. Q u a n d o i s s o o c o r r e . q u e era u m a d a s principais c a u s d a crise existente n a Óptica. V I .s e c i ê n c i a física c o m o u m t o d o . que. no p e r í o d o i m e d i a t o a s u a prif e i r a a p a r i ç ã o . dos' Quantum Theory (Londres. relativo à e x t e n s ã o d o a n o c a l e n d á r i o . s s o de N e w t o n na predição de observações astronômicas q u a n t i t a t i v a s f o i p r o v a v e l m e n t e a r a z ã o i s o l a rnais importante para o triunfo de sua teoria sobre a s competidoras. L a v o i s i e r ter r e s o l v i d o o s p r o b l e a s da identidade dos gases e das relações de peso e ^ ' n s t e i n ter t o r n a d o a E l e t r o d i n â m i c a c o m p a t í v e l c o m n a . e m b o r a razoáveis. o i m p r e s s i o n a n t e * i t o quantitativo tanto d a L e i d a R a d i a ç ã o d e Planck. a m b a s c o n t r i b u i ç õ e s i a s s e m muito mais problemas do que soluções. m o do átomo de Bohr. t o m a n d o . a teoria de C o p é r n i c o n ã o ^ a m a i s precisa q u e a de P t o l o m e u e n ã o c o n d u z i u i m e W a m e n t e a n e n h u m aperfeiçoamento do calendário.d e h á m u i t o irritante. a a l e g a ç ã o de ter r e s o l v i d o os p r o b l e m a s IHe p r o v o c a m crises raras v e z e s é suficiente p o r si m e s a . t a t a s u s u e C C i t o a c r 1 1 C o n t u d o . N e s t e s é c u l o . v e r F . a prá"^a m a i s livre q u e c a r a c t e r i z a a p e s q u i s a e x t r a o r d i n á r i a Produzirá um c a n d i d a t o a paradigma que.

ver a carta citada em P. Algumas v e z e s e s s a f o r ç a e x t r a p o d e ser e x p l o r a d a . 111. Op. 1 4 . A teoria de Copérnico. N e s ses o u t r o s s e t o r e s . a s fases d e V ê n u s e u m n ú m e r o i m e n s o d e e s t r e las d e c u j a e x i s t ê n c i a n ã o s e s u s p e i t a v a . d e início u m d e s e u s o p o nentes. e d . Argumentos dessa natureza revelam-se particularmente persuasivos. d e m o n s t r a r a ser u m a conseqüência necessária. . I I ( 1 9 5 3 ) . S C H I L P P ( e d . Albert Einstein.. p a r e c e n ã o ter a n t e c i p a d o q u e a T e o r i a G e r a l da R e l a tividade haveria de explicar com precisão a bem conhecida anomalia no m o v i m e n t o do periélio de M e r c ú r i o . p. N o c a s o da teoria ondulatória. por exemplo. c o m r e l a ç ã o a o d e s e n v o l v i m e n t o da relatividade geral. p . 101. u m a d a s principais fontes de conversão profissional teve um caráter a i n d a mais d r a mático. p p . . A History of the Theories of Aether and Electricity ( 2 .z a d o com freqüência. q u e V ê n u s d e v e r i a a p r e s e n t a r fases e q u e o U n i v e r s o n e c e s s a r i a m e n t e seria m u i t o m a i o r d o q u e a t é e n t ã o s e s u p u n h a . haja ou não contribuição. 1 9 5 1 ) . E . Philoscipher-Scientist ( E v a n s t o n . 2 1 9 . T o d o s o s a r g u m e n t o s e m favor d e u m n o v o p a r a d i g m a discutidos até agora estão baseados na c o m 1 2 1 3 1 4 1 2 . devido a seu impacto e p o r q u e . foram conq u i s t a d o s p a r a a n o v a t e o r i a p o r tais o b s e r v a ç õ e s .. V e r ibid. evidentemente. m e s m o q u e o fenômeno em questão tenha sido observado m u i t o antes da teoria que o explica.2 2 5 . n ã o estavam "incluídos" na teoria desde o início. A resistência oposta pelos cientistas franceses ruiu subitamente e de maneira quase completa q u a n d o Fresnel conseguiu demonstrar a existência de um p o n t o b r a n c o n o c e n t r o d a s o m b r a projetada p o r u m disco circ u l a r . I . ainda que absurda. n u m e r o s o s a d e p tos. 1 3 . 1 9 4 9 ) . T r a t a v a . Einstein. 1 5 1 . q u a n d o . por e x e m p l o . a r g u m e n t o s p a r t i c u l a r m e n t e p e r s u a sivos p o d e m ser d e s e n v o l v i d o s . o telescópio exibiu repentinamente as m o n t a n h a s d a L u a . A. da teoria do primeiro.s e d e u m efeito q u e n e m m e s m o F r e s n e l a n t e c i p a r a . cit. ) .1 8 0 . c a s o o n o v o p a r a d i g m a permita a predição de fenômenos totalmente insuspeitados pela prática orientada pelo p a r a d i g m a anterior. E m conseqüência disso.a s t r ô n o m o s . sugeria que o s p l a n e t a s d e v e r i a m ser c o m o a T e r r a . p p . No tocante! à reação de Einstein ao constatar o acordo perfeito entre as p r e d i c õ e s da teoria e o m o v i m e n t o observado do periélio de Mercúrio. t e n d o experimentado u m a sensação d e triunfo q u a n d o isso o c o r r e u . K u H N . T . L o n d r e s . especialmente entre os n ã o . W H I T T A K E R . 1 0 8 . sessenta anos após a sua m o r t e . m a s q u e P o i s s o n .

por raz õ e s q u e e x a m i n a r e m o s d e n t r o e m b r e v e . S e esses c i e n t i s t a s n u n c a tivessem aceito rapidamente o n o v o p a r a d i g m a p o r r a z õ e s i n d i v i d u a i s . r e c o r d e m o s o q u e está e n v o l v i d o e m u m d e b a t e entre paradigmas. p o n t o este q u e P r i e s t l e y utilizou c o m g r a n d e s u c e s s o n o seu c o n t r a . tais a r g u m e n t o s s ã o c o m u m e n t e o s m a i s significativos e p e r s u a s i v o s . Em geral é so- . r a r a s vezes c o m p l e t a m e n t e e x p l i c i t a dos.paração entre a habilidade dos competidores para resolver p r o b l e m a s . o t r i u n f o final d e s t a p o d e d e p e n d e r d e s s e s p o u c o s . s u a t e o r i a d e f o r m a a l g u m a p o d i a fazer f r e n t e a o s p r o blemas apresentados pela proliferação de novos gases. C a s o s c o m o o d o p o n t o b r a n c o de Fresnel s ã o e x t r e m a m e n t e raros. E m b o r a seguidamente a t r a i a m apen a s a l g u n s c i e n t i s t a s p a r a a n o v a t e o r i a . A s p r i m e i r a s versões da maioria d o s paradigmas são grosseiras. Q u a n d o um novo candidato a par a d i g m a é p r o p o s t o p e l a p r i m e i r a v e z . N ã o obstante. Q u a n d o L a v o i sier c o n c e b e u o o x i g ê n i o c o m o " o p r ó p r i o ar. que apelam. m u i t o dificilmente resolve mais do que alguns dos problemas com os q u a i s se d e f r o n t a e a m a i o r i a d e s s a s s o l u ç õ e s e s t á longe de ser perfeita. a teoria c o p e r n i c a n a praticamente não aperfeiçoou as predições sobre as posições p l a n e t á r i a s feitas p o r P t o l o m e u . "mais adequada" ou "mais simples" que a anter i o r . A t é q u e sua a t r a ç ã o estética possa ser p l e n a m e n t e desenv o l v i d a . \ P r o v a v e l m e n t e t a i s a r g u m e n t o s s ã o m e n o s eficazes íias c i ê n c i a s d o q u e n a M a t e m á t i c a . a m a i o r p a r t e d a c o m u n i d a d e científica j á t e r á sido p e r s u a d i d a p o r outros meios. i n t e i r o " . no indivíduo. eles n ã o s ã o a r g u m e n t o s q u e forcem adesões individuais ou coletiv a s . "Felizmente e x i s t e a i n d a u m a o u t r a e s p é c i e d e c o n sideração q u e p o d e levar os cientistas à rejeição de u m velho p a r a d i g m a e m favor d e u m n o v o .a t a q u e . A t é Kepler. P a r a os cientistas. O s exemplos precedentes não deveriam deixar dúvidas q u a n t o à origem de sua imensa atração. M a s . a i m p o r t â n c i a das considerações estéticas p o d e algumas vezes ser decisiva. Para que se perceba a razão da importância dessas considerações de natureza mais estética e subjetiv a . ao sentimento do que é a p r o p r i a d o ou e s t é t i c o — a n o v a t e o r i a é " m a i s c l a ra". este n u n c a t e r i a s e d e s e n v o l v i do suficientemente p a r a atrair a adesão da c o m u n i d a d e científica c o m o u m t o d o . Refiro-me a o s a r g u m e n t o s .

mente muito mais tarde. A p ó s seu triunfo. R . p p . M C K I E . Geschichte der Chemie. que era inteiramente equivalente ao d e C o p é r n i c o n o p l a n o g e o m é t r i c o . os defensores da teoria e d o s procedimentos tradicionais p o d e m quase sempre a p o n t a r problem a s q u e seu n o v o rival n ã o resolveu. . A l é m disso. Londres. a comb u s t ã o do hidrogênio representava um forte argument o e m f a v o r d a t e o r i a flogística e c o n t r a a t e o r i a d e Lavoisier. N o v a Y o r k . ed. fenômeno q u e os defens o r e s d a t e o r i a flogística a p o n t a v a m c o m o u m a p o i o importante para sua c o n c e p ç ã o . ( 1 9 3 9 ) . e m Annals o i Science. D R E Y E R . ver J . 1 9 5 1 ) . A Short History oi Chemistry (2. Habitualmente os opositores de um novo p a radigma podem alegar legitimamente q u e m e s m o na á r e a em crise ele é p o u c o s u p e r i o r a s e u r i v a l t r a d i cional. A History oi Astronomy from Thales to Kepler ( 2 . R . Tais argumentos d e s e m p e n h a m seu papel n ã o na ciência normal. a s i t u a ç ã o é b e m diversa. Até a descoberta da composição da água. 1845). I V . a aceitação e a e x p l o r a ç ã o do n o v o p a r a d i g m a . pp. p . N o q u e d i z r e s p e i t o a o p r o b l e m a a p r e s e n t a d o p e l o h i d r o g ê n i o . v e r J . 294-296. Durante o desenvolvimento do debate. 3 5 9 . P A R T I N G T O N e D . 1 3 4 . III. 1 9 5 3 ) . após o desenvolvimento. L .1 4 9 . 1 1 3 . a teoria do oxigênio ainda n ã o era capaz de explicar a p r e p a r a ç ã o de um gás c o m bustível a partir do carbono. Historical Studies of the Phlogiston T h e o r y . Q u a n t o a o m o n ó x i d o d e c a r b o n o . Mesmo na área da 1 5 1 6 1 5 . E . v e r H .3 7 1 . Produzi-los é p a r t e da tarefa da ciência normal. e d . . q u e os a r g u m e n t o s a p a r e n t e m e n t e decisivos — o p ê n d u l o de Foucault para d e m o n s t r a r a rotação da T e r r a ou a experiência de Fizeau p a r a mostrar q u e a luz se m o vimenta mais rapidamente no ar do que na água — são desenvolvidos. A respeito das últimas versões da Teoria do Flogisto e seu sucesso. m a s nos textos revolucionários. v e r J . K O P P . p p .. M a s p r o vavelmente o p a r a d i g m a mais antigo p o d e ser reartic u l a d o p a r a e n f r e n t a r esses d e s a f i o s d a m e s m a f o r m a que já enfrentou outros anteriormente. e m b o r a n ã o sej a m absolutamente p r o b l e m a s na c o n c e p ç ã o desse últim o . N ã o há dúvidas de q u e trata de alguns problem a s e revela algumas novas regularidades. P A R T I N G T O N . T a n t o o sistema astronômico geocêntrico de Tycho Brahe. (Braunschweig. c o m o a s ú l t i m a s v e r s õ e s d a t e o r i a flogística f o r a m r e s p o s t a s aos desafios a p r e s e n t a d o s por um n o v o c a n d i d a t o a paradigma e ambas foram bastante b e m sucedidas. Sobre o sistema de Brahe. q u a n d o tais t e x t o s a i n d a n ã o f o r a m e s c r i t o s . 16.

a questão é saber q u e p a r a d i g m a deverá orientar no futuro as pesquisas sobre problem a s . e m b o - . R e q u e r .l a p o r o u t r a .s e a isso os c o n t r a . e m b o r a sejam. com freqüência a balança penderá decisivamente para a tradição. expressos nesses term o s . que examinassem tão-somente sua habilidade relativa p a r a resolver problemas. C o m relação a muitos desses problemas. sabendo apenas que o paradigma anterior fracassou em alguns deles. O h o m e m q u e a d o t a u m n o v o p a r a d i g m a n o s e s t á g i o s iniciais d e seu desenvolvimento freqüentemente adota-o desprez a n d o a evidência fornecida pela resolução de problem a s . C i e n t i s t a s q u e n ã o a e x p e r i m e n t a r a m r a r a m e n t e r e n u n c i a r ã o às sólidas evidências da resolução de p r o b l e m a s p a r a seguir algo q u e f a c i l m e n t e se r e v e l a um e n g o d o e vir a ser a m p l a m e n t e c o n s i d e r a d o c o m o t a l . Lavoisier c o m a s p r o p r i e d a d e s c o m u n s d o s m e t a i s e a s s i m por diante. Em suma: se um novo candidato a parad i g m a tivesse q u e ser j u l g a d o d e s d e o início p o r p e s soas práticas. o equilíbrio entre a r g u m e n t o e c o n t r a . Ao invés disso. n e n h u m dos competidores p o d e alegar condições p a r a resolvêlos c o m p l e t a m e n t e . J u n t e . precisa ter fé na capacidad e d o novo p a r a d i g m a p a r a resolver o s grandes p r o blemas c o m que se defronta.a r g u m e n t o p o d e a l g u m a s v e z e s ser b a s t a n t e g r a n d e . E fora d o s e tor problemático. M a s os debates entre paradigmas não tratam realmente da habilidade relativa para resolver problemas. U m a d e c i s ã o d e s s e t i p o s ó p o d e ser feita c o m b a s e n a fé. as ciências experimentariam muito poucas revoluções de import â n c i a . 4 E s s a é u m a d a s r a z õ e s p e l a s q u a i s u m a crise a n t e r i o r d e m o n s t r a ser t ã o i m p o r t a n t e . N e w t o n fez o m e s m o c o m u m a explicação mais antiga da gravidade. sem c o n t u d o s u b s t i t u í . \ M a s s o m e n t e a crise n ã o é suficiente. Copérnico destruiu u m a explicação do m o v i m e n t o terrestre aceita há m u i t o . É i g u a l m e n t e n e c e s s á r i o q u e e x i s t a u m a b a s e p a r a a f é n o c a n d i d a t o específico e s c o l h i d o .crise. Dito de outra forma. por boas razões.s e a q u i u m a d e c i s ã o e n t r e m a n e i r a s a l t e r n a t i v a s de p r a t i c a r a c i ê n c i a e n e s s a s c i r cunstâncias a decisão deve basear-se mais nas promessas f u t u r a s d o q u e n a s r e a l i z a ç õ e s p a s s a d a s .a r g u m e n t o s g e r a d o s por aquilo que acima chamamos de incomensurabilid a d e d o s paradigmas e as ciências p o d e r i a m n ã o exper i m e n t a r r e v o l u ç õ e s d e espécie a l g u m a .

" M a i s cíen- . M a s para que o paradigma possa triunfar é n e c e s s á r i o q u e ele c o n q u i s t e a l g u n s a d e p t o s iniciais.r a n ã o p r e c i s e ser. O n ú m e r o de experiências. explorando suas possibilidades c m o s t r a n d o o q u e seria pertencer a u m a c o m u n i d a d e guiada p o r ele. enganados. instrumentos. o que ocorre é u m a crescente alteração na distribuição de adesões profissionais. Mais que u m a conversão de um único grupo. um ou o u t r o argumento acabará persuadind o m u i t o s d e l e s . s e o p a r a d i g m a estiver d e s t i n a d o a v e n c e r s u a l u t a . M a s n ã o existe u m ú n i c o a r g u m e n t o que possa ou deva persuadi-los todos. nem a teoria da matéria de De Broglie possuíam muit o s o u t r o s a t r a t i v o s significativos q u a n d o f o r a m a p r e sentadas. D e v e h a v e r a l g o q u e p e l o m e n o s faça a l g u n s cientistas s e n tirem que a nova p r o p o s t a está no c a m i n h o certo e cm alguns casos s o m e n t e considerações estéticas pessoais e i n a r t i c u l a d a s p o d e m r e a l i z a r isso. c o m freqüência. N ã o q u e r e m o s c o m isso s u g e r i r q u e . q u a n d o s u r g e m . q u e o d e s e n v o l v e r ã o a t é o p o n t o em q u e a r g u m e n t o s o b j e tivos p o s s a m ser p r o d u z i d o s e m u l t i p l i c a d o s . N e m a teoria astronômica de Copérnico. N a m e d i d a e m q u e esse p r o c e s s o a v a n ç a . s e eles s ã o c o m p e t e n t e s . M e s m o hoje a teoria geral de Einstein atrai adeptos principalmente p o r razões estéticas. os novos paradigmas triunfem por meio de a l g u m a estética m í s t i c a . M u i t o s cientistas serão convertidos e a exploração do novo paradigma prosseguirá. M e s m o esses a r g u m e n t o s . m u i t o p o u c o s desertam u m a tradição somente por essas razões. N ã o o b s t a n t e .á g r a d u a l m e n t e . Os que assim procedem foram. atração essa q u e p o u c a s p e s s o a s e s t r a n h a s à M a t e m á t i c a f o r a m c a p a z e s d e sentir.s e . A o c o n t r á r i o . / N o início o n o v o c a n d i d a t o a p a r a d i g m a p o d e r á ter p o u c o s a d e p t o s e e m d e t e r m i n a d a s o c a s i õ e s o s m o tivos d e s t e s p o d e r ã o ser c o n s i d e r a d o s s u s p e i t o s . n e m c o r r e t a . Visto que os cientistas são h o m e n s razoáveis. n ã o s ã o i n d i v i d u a l m e n t e decisivos. artigos e livros baseados no p a r a d i g m a m u l t i p l i c a r . n o fim d a s contas. H o m e n s f o r a m convertidos p o r essas considerações em épocas nas quais a maioria dos argumentos técnicos apontava n o u tra direção. n e m r a c i o n a l . o n ú m e r o e a força de s e u s a r g u m e n t o s p e r s u a s i v o s a u m e n tará. a p e r f e i ç o a r ã o o p a radigma.

por exemplo — q u e n ã o foram razoáveis ao resistirem p o r tanto tempo. E m e s m o estes n ã o p o d e m o s dizer q u e estejam errados.s e ilógic a o u acientífica. convencidos da fecundidade da n o v a concepção. até q u e restem apenas alguns poucos opositores mais velhos. a d o t a r ã o a n o v a m a n e i r a de praticar a ciência n o r m a l . Q u a n d o m u i t o ele p o d e r á q u e r e r d i z e r q u e o h o m e m q u e c o n t i n u a a resistir a p ó s a c o n v e r s ã o de t o d a a s u a p r o f i s s ã o d e i x o u ipso jacto de ser u m c i e n t i s t a . E m b o r a o historiador sempre possa encontrar h o m e n s — Priestley. n ã o e n c o n t r a r á u m p o n t o o n d e a r e s i s t ê n c i a t o r n a . .tistas.

Se essa descrição c a p t o u a estrutura essencial d a evolução contínua d a ciência.12. O PROGRESSO ATRAVÉS DE REVOLUÇÕES N a s páginas precedentes apresentei u m a descrição e s q u e m á t i c a d o desenvolvimento científico. colocou a o m e s mo t e m p o um p r o b l e m a especial: por q u e o empreend i m e n t o científico p r o g r i d e r e g u l a r m e n t e utilizando m e i o s q u e a A r t e . essas páginas n ã o p o d e m p r o p o r c i o n a r u m a conclusão. a T e o r i a Política ou a Filosofia n ã o p o d e m empregar? P o r que será o progresso um pré-requisito reservado q u a s e exclusivamente p a r a a ativid a d e q u e c h a m a m o s ciência? As respostas mai usuais p a r a essa questão foram recusadas no corpo deste . E n t r e t a n t o . d e m a n e i ra t ã o elaborada q u a n t o era possível neste ensaio.

m é t o d o ou ideologia fariam c o m que progredisse? E n t r e t a n t o . essas n ã o s ã o p e r g u n t a s q u e possam ser respondidas através de um acordo sobre definições. a o contrário. P o r exemplo. T a i s debates a p r e s e n t a m p a ralelos c o m os períodos pré-paradigmáticos em áreas q u e a t u a l m e n t e s ã o r o t u l a d a s d e científicas s e m h e s i tação. O u t r o s . p o r q u e os a r t i s t a s e os c i e n t i s t a s d a s c i ê n cias d a n a t u r e z a n ã o s e p r e o c u p a m c o m a d e f i n i ç ã o do termo? S o m o s inevitavelmente levados a suspeitar de que está em jogo algo mais fundamental. sem que o o b s e r v a d o r e x t e r n o s a i b a p o r q u ê . em grande medida. U m a definição d e ciência possui tal importância? P o d e u m a definiç ã o indicar-nos se um h o m e m é ou n ã o um cientista? Se é a s s i m . Provavelmente estão sendo colocadas outras perguntas.s e isso c l a r a m e n t e n o s d e b a t e s r e correntes sobre a cientificidade de u m a ou o u t r a ciência social c o n t e m p o r â n e a . Se vale o precedente das ciências naturais. para aquelas áreas que progrid e m de u m a maneira óbvia. P o r e x e m p l o . M u i t a s vezes investe-se g r a n d e q u a n t i d a d e d e energia n u m a discussão desse gênero. n o t a . m a s somente quando os grupos que atualmente duvidam d e s e u status c h e g a s s e m a u m c o n s e n s o s o b r e s u a s r e a l i z a ç õ e s p a s s a d a s e p r e s e n t e s . tais q u e s t õ e s n ã o d e i x a r i a m d e ser u m a f o n t e d e p r e o c u p a ç õ e s c a s o fosse e n c o n t r a d a u m a d e f i n i ç ã o . a r g u m e n t a m q u e tais características s ã o desn e c e s s á r i a s o u n ã o s ã o suficientes p a r a c o n v e r t e r esse c a m p o de estudos n u m a ciência. alguns a r g u m e n t a m q u e a Psicologia é u m a ciência p o r q u e p o s s u i tais e tais c a r a c t e r í s t i c a s . como as seguintes: por q u e minha área de estudos não progride do m e s m o m o d o que a Física? Q u e m u d a n ças de técnica. t a l v e z seja significativo q u e o s e c o n o m i s t a s d i s c u t a m m e n o s s o b r e a cientificidade de seu c a m p o de e s t u d o do q u e profissionais de outras áreas da ciência social. despertam-se grandes paixões. Percebe-se imediatamente que parte da questão é inteiramente semântica. Deve-se isso a o f a t o d e o s e c o n o m i s t a s s a b e r e m o q u e é c i ê n c i a ? Ou será que estão de acordo a respeito da E c o n o m i a ? . Mais do que em qualquer o u t r o l u g a r . T e m o s que concluí-lo perguntando se é possível e n c o n t r a r r e s p o s t a s s u b s t i t u t i v a s . O t e r m o ciência está reservado.ensaio. O objeto ostensivo dessas discussões consiste n u m a definição desse t e r m o vexatório.

tanto na Antigüidade c o m o nos primeiros tempos da Europ a M o d e r n a . M e s m o hoje em dia. p . M a s nesse período e especialmente d u r a n t e a Renascença. m a s n ã o a resolver n o s sa dificuldade atual. 9 7 . em Criticai Problems in the History oi Science. passava livremente de um c a m p o para outro. 1960). L e o n a r d o . a P i n t u r a foi c o n s i d e r a d a c o m o a disciplina cumulativa p o r excelência. T a l pergunta possui diversos aspectos e teremos q u e 1 2 1. . pp. C o n t u d o . H.. ed. Wisconsin. C r í t i c o s e historiadores. Ibid. do e s c o r ç o ao claro-escuro. entre muitos outros. m e s m o após a interrupção desse intercâmbio contínuo. M. parte das nossas dificuldades p a r a perceber as diferenças p r o fundas que separam a ciência e a tecnologia. o termo " a r t e " continuou a ser aplicado tanto à tecnologia c o m o ao artesanato. q u e t a m b é m e r a m considerados c o m o passíveis d e aperfeiçoamento. 2 . h a v i a m t o r n a d o possível representações s e m p r e mais perfeitas da natureza. registravam c o m v e n e r a ç ã o a série de invenções q u e . ajuda-nos apenas a esclarecer. U m a separação categórica entre a ciência e a arte surgiu somente mais tarde. c o m o Plínio e Vasari. P e r m a n e c e ainda o p r o b l e m a de compreender por q u e o progresso é u m a característica notável em um empreendimento conduzido com as técnicas e os objetivos que descrevemos neste ensaio. p p . I . A l é m disso.s e então que o o b j e t i v o do a r t i s t a e r a a r e p r e s e n t a ç ã o . reconhecer q u e t e n d e m o s a c o n s i d e r a r c o m o científica q u a l q u e r área de estudos que apresente um progresso marcante. p o d e auxiliar a exposição das conexões inextricáveis entre nossas noções de ciência e progresso. S u p u n h a . An and lllusion: A Study in lhe Psychology oi Piclorial Represenlation. n ã o se estabelecia u m a c l i v a g e m m u i t o g r a n d e e n t r e a s c i ê n c i a s e as artes. Clagett (Madison. 1959). (Nova York. 33-65. " T h e R o l e o f A r t i n t h e Scientific Renaissance". A N A .Essa afirmação possui u m a recíproca que. F o i som e n t e q u a n d o essas d u a s últimas disciplinas renunciar a m d e m o d o inequívoco fazer d a r e p r e s e n t a ç ã o seu objetivo último e c o m e ç a r a m n o v a m e n t e a aprender c o m modelos primitivos que a separação atual adquiriu toda sua profundidade. e G r O R C i o D E S A N T H . E. devem e s t a r r e l a c i o n a d a s c o m o f a t o d e o p r o g r e s s o ser u m atributo óbvio dos dois c a m p o s . tal c o m o a pintura e a escultura. 11-12. embir a j á n ã o seja s i m p l e s m e n t e s e m â n t i c a . G O M B R I C H E . P o r muitos séculos.

S e p u d e r m o s fazer isso. E m t o d o s esses aspectos. Deve-se antes à existência de escolas competidoras. ainda que apenas p a r a o do grupo que compartilha de suas premissas. cada u m a d a s quais questiona constantemente os fundamentos alheios. Um c a m p o de estudos p r o g r i d e p o r q u e é u m a c i ê n c i a o u . com exceção do último. P r e c i s a m o s a p r e n d e r a r e c o n h e c e r c o m o c a u s a s o q u e e m g e r a l t e m o s c o n s i d e r a d o c o m o efeitos. Entretanto. examinando-se a questão a partir de u m a única c o m u n i d a d e . a c a b a m o s de ilustrar um aspecto dessa redundância. de outro. O t e ó l o g o q u e a r t i c u l a o d o g m a ou o filósofo q u e aperfeiçoa os imperativos kantianos contribuem p a r a o progresso. isso n ã o s e d e v e a o f a t o d e q u e escolas individuais n ã o progridam. O u t r a s áreas de criatividade apresentam progressos do m e s m o g ê n e r o . é u m a ciêricia p o r que progride? Perguntemos agora por que um empreendimento c o m o a ciência n o r m a l deve progredir. C o m o p o d e r i a s e r d e o u t r a forma? Por exemplo. acabamos de observar que enquanto os artistas tiveram c o m o objetivo a representação. é um êxito criador.e x a m i n a r c a d a u m d e l e s s e p a r a d a m e n t e . tanto os críticos c o m o os historiadores registraram o p r o gresso do grupo. Se. q u e aparentemente era u n i d o . os grupos partilham vários dos principais paradigmas. as expressões " p r o g r e s s o científico" e m e s m o "objetividade científica" p o d e r ã o p a r e cer redundantes. m a s que. c o m e ç a n d o por recordar algumas de suas características mais salientes. Q u e m . R a r a m e n t e c o m u n i d a d e s científicas d i f e r e n t e s i n v e s t i g a m o s m e s m o s p r o b l e m a s . de um lado. de cientistas ou não-cientistas. a r g u m e n t a q u e a Filosofia n ã o progrediu. c o mo fazem muitos. N e n h u m a escola criadora reconhece u m a categoria de trabalho que. sublinha o fato de q u e ainda existam aris- . Normalmente. a solução dependerá da inversão de nossa concepção normal das relações e n t r e a a t i v i d a d e científica e a c o m u n i d a d e q u e a p r a tica. os m e m b r o s de u m a comunidade científica a m a d u r e c i d a t r a b a l h a m a p a r t i r d e u m ú n i c o p a radigma ou conjunto de paradigmas estreitamente rel a c i o n a d o s . E m tais c a s o s excepcionais. o resultado do trabalho criador b e m suc e d i d o é o p r o g r e s s o . duvidamos de que áreas não-científicas r e a l i z e m p r o g r e s s o s . n ã o é u m a a d i ç ã o à s realizações coletivas d o g r u p o . por exemplo. Na realidade.

s e m u i t o difícil e n c o n t r a r p r o v a s d e p r o g r e s s o . C o n t u d o . parece estar na base da oposiç ã o de Einstein. a c o m u n i d a d e científica e s t á i m p o s s i b i l i t a d a d e c o n c e b e r o s f r u t o s d e seu trabalho de outra maneira. Por exemplo. t o r n a . isto é s o m e n t e parte da resposta e de m o d o algum a parte mais importante. Um sentimento semelhante. ainda que expresso de m a neira mais m o d e r a d a . r e p e tem-se as dúvidas sobre a própria possibilidade de p r o gresso contínuo. u m a v e z l i b e r a d a d a n e c e s s i d a d e d e r e e x a m i n a r c o n s t a n t e m e n t e seus f u n d a m e n t o s em vista da aceitação de um paradigma comum.totélicos e n ã o q u e o aristotelismo t e n h a e s t a g n a d o . VO progresso científico n ã o difere daquele obtido em outras áreas. Em suma. de escolas c o m p e t i d o r a s q u e q u e s t i o n e m m u t u a m e n t e seus objetivos e critérios. a n ã o ser n o i n t e r i o r d a s e s c o l a s . Assim. no q u e diz respeito à ciência normal./ D u r a n t e o período pré-paradigmático. E n t r e t a n t o . d u r a n t e tais períodos. tais d ú v i d a s a respeito do progresso t a m b é m surgem nas ciências. mas a ausência. B o h r e outros contra a d e m o n s t r a ç ã o probabilística dominante na Mecânica Quântica. já observamos que a comunidade científica. torn a b e m m a i s fácil p e r c e b e r o p r o g r e s s o d e u m a c o m u n i d a d e científica n o r m a l . parte da resposta p a r a o problema do progresso está no olho do espectador. Os que se o p u n h a m à Química de Lavoisier sustentavam q u e a rejeição d o s " p r i n c í p i o s " químicos em favor d o s elementos estudados no laboratório eqüivalia à rejeição das explicações químicas estabelecidas por parte d a queles que se refugiariam n u m a simples nomenclatura. Os q u e rejeitavam as teorias de N e w t o n d e c l a r a v a m q u e sua confiança nas forças inatas faria a ciência voltar à I d a d e d a s Trevas. tal c o m o a c o n h e c e m o s . q u a n d o mais u m a vez os princípios fund a m e n t a i s de u m a disciplina são questionados. caso um ou outro d o s paradigmas alheios sejam a d o t a d o s . permite a seus . 1 descreveu esse p e r í o d o c o m o s e n d o aquele no qual os indivíduos p r a t i c a m a ciência. C o n t u d o . O C a p . D u r a n t e os períodos r e volucionários. na m a i o r p a r t e dos casos. m a s os resultad o s de seu e m p r e e n d i m e n t o n ã o se acrescentam à ciência. o progresso parece óbvio e assegurado somente d u r a n t e aqueles períodos em q u e p r e d o m i n a a ciência n o r m a l . q u a n d o temos u m a multiplicidade de escolas e m c o m p e t i ç ã o .

E s s a diferença gera u m a série d e conseqüências. isso a u m e n t a t a n t o a c o m p e t ê n c i a c o m o a eficácia c o m a s q u a i s o g r u p o c o m o u m t o d o r e s o l ve novos p r o b l e m a s . frente às exigências d o s não-especialist a s e d a v i d a c o t i d i a n a . O cientista n ã o necessita preocupar-se c o m o q u e p e n s a r á o u t r o g r u p o ou escola. Ao contrário do engenheiro. Mais importante ainda. Os últim o s t e n d e m f r e q ü e n t e m e n t e — e os p r i m e i r o s q u a s e n u n c a — a defender sua escolha de um objeto de pesq u i s a — p o r e x e m p l o . U m a vez q u e o cientista t r a b a l h a apenas p a r a u m a audiência de colegas. I n e v i t a v e l m e n t e . O mais esotérico d o s poetas e o mais abstrato dos teólogos estão muito mais preocupad o s do q u e o cientista c o m a a p r o v a ç ã o de seus trab a l h o s criadores p o r p a r t e d o s leigos. e l e p o d e p r e s s u p o r u m c o n j u n t o específico de critérios. a insulação da com u n i d a d e científica f r e n t e à s o c i e d a d e p e r m i t e a c a d a cientista concentrar sua a t e n ç ã o sobre os p r o b l e m a s que ele se julga c o m p e t e n t e p a r a resolver. e m b o r a p o s s a m estar m e n o s preocupados c o m a aprovação c o m o tal. P o d e r á p o r t a n t o resolver um problema e passar ao seguinte mais rapidamente do que os que trabalham para um grupo mais heterodoxo. o contraste entre os cientistas ligados às ciências da nat u r e z a e m u i t o s c i e n t i s t a s sociais é i n s t r u t i v o . o s efeitos d a d i s c r i m i n a ç ã o r a cial o u a s c a u s a s d o ciclo e c o n ô m i c o — p r i n c i p a l m e n - . de muitos médicos e da maioria dos t e ó l o g o s . Desse p o n t o de vista. audiência q u e partilha de seus valores e c r e n ç a s .membros concentrarem-se exclusivamente nos fenômen o s m a i s e s o t é r i c o s e sutis q u e l h e s i n t e r e s s a m . O u t r o s aspectos da vida profiss i o n a l científica a u m e n t a m a i n d a m a i s e s s a eficácia m u i t o especial. T a l i s o l a m e n t o n u n c a foi c o m pleto — estamos discutindo questões de grau. Alguns desses aspectos são conseqüência d e u m i s o l a m e n t o s e m p a r a l e l o d a s c o m u n i d a d e s científicas a m a d u r e c i d a s . N ã o obstante. o c i e n t i s t a n ã o e s t á o b r i g a d o a e s c o l h e r um p r o b l e m a s o m e n t e p o r q u e este necessita de u m a soluç ã o urgente. em n e n h u m a o u t r a c o m u n i d a d e profissional o trab a l h o criador individual é endereçado a outros m e m b r o s d a p r o f i s s ã o ( e p o r eles a v a l i a d o ) d e u m a m a neira tão exclusiva. M a i s : n ã o está obrigado a escolher um p r o b l e m a sem levar em consideração os instrumentos disponíveis p a r a resolvê-lo.

t e e m termos d a i m p o r t â n c i a social d e u m a solução. Em vista disso, qual dos dois grupos nos permite esperar u m a solução mais rápida dos problemas? O s efeitos d a i n s u l a ç ã o f r e n t e à s o c i e d a d e g l o b a l são largamente intensificados por u m a outra caracter í s t i c a d a c o m u n i d a d e científica p r o f i s s i o n a l — a n a tureza d e seu aprendizado. N a Música, nas Artes G r á ficas e na L i t e r a t u r a , o p r o f i s s i o n a l a d q u i r e s u a e d u cação ao ser exposto aos trabalhos de outros artistas, especialmente àqueles de épocas anteriores. Manuais, com exceção dos compêndios ou manuais introdutórios à s o b r a s originais, d e s e m p e n h a m u m p a p e l apenas sec u n d á r i o . / E m História, Filosofia e nas Ciências Sociais, a literatura dos m a n u a i s adquire u m a significação mais importante. Mas, m e s m o nessas áreas, os cursos universitários introdutórios utilizam leituras paralelas das fontes originais, algumas s o b r e os "clássicos" da disciplina, outras relacionadas c o m os relatórios de pesquisas m a i s recentes q u e os profissionais do setor escrev e r a m p a r a seus colegas. Resulta assim q u e o estud a n t e de c a d a u m a dessas disciplinas é c o n s t a n t e m e n te posto a par da imensa variedade de problemas que os m e m b r o s de seu futuro grupo t e n t a r ã o resolver c o m o correr do tempo. M a i s importante ainda, ele tem c o n s t a n t e m e n t e frente a si n u m e r o s a s soluções p a r a tais p r o b l e m a s , conflitantes e incomensuráveís — soluções que, em última instância, ele terá q u e avaliar por si mesmo. C o m p a r e m o s essa situação c o m a d a s ciências da natureza contemporâneas. Nessas áreas o estudante fia-se p r i n c i p a l m e n t e n o s m a n u a i s , a t é i n i c i a r s u a p r ó pria pesquisa, no terceiro ou quarto ano de trabalho g r a d u a d o . M u i t o s c u r r í c u l o s científicos n e m s e q u e r exigem q u e os alunos de pós-graduação leiam livros q u e n ã o foram escritos especialmente p a r a estudantes. Os poucos que exigem leituras suplementares de m o n o g r a f i a s e a r t i g o s d e p e s q u i s a , r e s t r i n g e m tais t a r e f a s aos cursos mais avançados, e as leituras q u e desenvolv e m os assuntos tratados nos manuais. Até os últimos estágios d a e d u c a ç ã o d e u m cientista, o s m a n u a i s subst i t u e m s i s t e m a t i c a m e n t e a l i t e r a t u r a científica d a q u a l derivam. D a d a a confiança em seus paradigmas, q u e t o r n a essa técnica educacional possível, p o u c o s cientistas g o s t a r i a m d e m o d i f i c á - l a . P o r q u e d e v e r i a o e s t u -

d a n t e d e Física ler, p o r exemplo, a s o b r a s d e N e w t o n , F a r a d a y , Einstein ou Schrõdinger, se t u d o q u e ele n e cessita saber acerca desses trabalhos está recapitulado de u m a f o r m a m a i s breve, mais precisa e m a i s sistem á t i c a em diversos m a n u a i s atualizados? ^ S e m q u e r e r d e f e n d e r o s e x c e s s o s a q u e l e v o u esse tipo de educação em determinadas ocasiões, n ã o se p o d e d e i x a r d e r e c o n h e c e r q u e , e m g e r a l , ele foi i m e n s a m e n t e eficaz. T r a t a - s e c e r t a m e n t e d e u m a e d u c a ç ã o rígida e estreita, mais do q u e qualquer outra, provavelm e n t e — c o m a possível exceção da teologia ortodoxa. M a s p a r a o t r a b a l h o científico n o r m a l , p a r a a r e s o l u ç ã o d e q u e b r a - c a b e ç a s a p a r t i r d e u m a t r a d i ç ã o defin i d a pelos m a n u a i s , o cientista está e q u i p a d o de form a q u a s e perfeita. A l é m disso, está b e m e q u i p a d o p a r a u m a o u t r a tarefa — a p r o d u ç ã o d e c r i s e s significativas p o r intermédio d a ciência n o r m a l . Q u a n d o tais crises surgem, o cientista n ã o está, b e m entendido, t ã o b e m p r e p a r a d o . E m b o r a a s crises p r o l o n g a d a s p r o v a velmente dêem m a r g e m a práticas educacionais menos r í g i d a s , o t r e i n o científico n ã o é p l a n e j a d o p a r a p r o duzir alguém capaz de descobrir facilmente u m a nova a b o r d a g e m p a r a o s problemas existentes. M a s e n q u a n to houver alguém com um novo candidato a paradigma — em geral proposta de um jovem ou de um nov a t o no c a m p o — os inconvenientes da rigidez atingirão somente o indivíduo isolado. Q u a n d o se dispõe de u m a geração p a r a realizar a modificação, a rigidez individual pode ser compatível c o m u m a comunidade capaz de trocar de paradigma q u a n d o a situação o exigir. M a i s e s p e c i f i c a m e n t e , p o d e ser c o m p a t í v e l s e essa m e s m a rigidez for c a p a z de fornecer à c o m u n i d a d e u m indicador sensível d e q u e algo vai m a l . •Desse m o d o , n o s e u e s t a d o n o r m a l , a c o m u n i d a d e científica é u m i n s t r u m e n t o i m e n s a m e n t e eficiente p a r a resolver problemas ou quebra-cabeças definidos p o r seu p a r a d i g m a . A l é m do mais, a resolução desses, p r o b l e m a s deve levar inevitavelmente ao progresso.! E s s e p o n t o n ã o é p r o b l e m á t i c o . C o n t u d o , isso s e r v e apenas p a r a ressaltar o segundo aspecto da questão do progresso nas ciências. E x a m i n e m o - l o , perguntando pelo progresso alcançado através da ciência extraordinária. Aparentemente o progresso acompanha, na totalidade d o s casos, as revoluções científicas. P o r q u ê ?

A i n d a u m a vez poderíamos aprender m u i t o perguntando q u e outro resultado u m a revolução poderia ter. As revoluções terminam c o m a vitória total de um dos d o i s c a m p o s r i v a i s . A l g u m a v e z o g r u p o v e n c e d o r afirm a r á q u e o resultado de sua vitória n ã o corresponde a um p r o g r e s s o autêntico? I s s o eqüivaleria a admitir que o grupo vencedor estava e r r a d o e seus oponentes certos. Pelo menos p a r a a facção vitoriosa, o resultado de u m a revolução deve ser o progresso. A l é m disso, esta dispõe de u m a posição excelente p a r a assegurar q u e certos m e m b r o s de sua futura c o m u n i d a d e julg u e m a história p a s s a d a desde o m e s m o p o n t o de vista. O C a p . 10 descreveu detalhadamente as técnicas que asseguram a consecução desse objetivo. A i n d a há p o u c o e x a m i n a m o s u m a s p e c t o d a v i d a científica p r o f i s sional estreitamente relacionado c o m esse p o n t o . / Q u a n d o a c o m u n i d a d e científica r e p u d i a u m a n t i g o p a r a d i g m a , renuncia simultaneamente à m a i o r i a dos livros e a r t i g o s q u e o c o r p o r i f í c a m , d e i x a n d o de c o n s i d e r á - l o s c o m o o b j e t o a d e q u a d o a o e s c r u t í n i o científico. / A e d u c a ç ã o científica n ã o p o s s u i a l g o e q u i v a l e n t e a o m u s e u de arte ou a biblioteca de clássicos. D a í decorre, em alguns casos, u m a distorção drástica da percepção q u e o cientista possui do p a s s a d o de sua disciplina. M a i s do q u e os estudiosos de outras áreas criadoras, o cient i s t a v ê esse p a s s a d o c o m o a l g o q u e s e e n c a m i n h a , e m linha reta, p a r a a perspectiva atual da disciplina. Em s u m a , vê o passado da disciplina c o m o orientado p a r a o progresso. N ã o terá outra alternativa enquanto perm a n e c e r l i g a d o à a t i v i d a d e científica. Tais considerações sugerirão, inevitavelmente, q u e o m e m b r o d e u m a c o m u n i d a d e científica a m a d u r e c i d a é , c o m o o p e r s o n a g e m t í p i c o d o l i v r o 1984 d e O r w e l l , a vítima de u m a história reescrita pelos poderes constit u í d o s — s u g e s t ã o aliás n ã o t o t a l m e n t e i n a d e q u a d a . U m b a l a n ç o d a s r e v o l u ç õ e s científicas r e v e l a a e x i s tência t a n t o de p e r d a s c o m o de g a n h o s e os cientistas t e n d e m a ser p a r t i c u l a r m e n t e c e g o s p a r a a s p r i m e i r a s .
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3. Os historiadores da ciência encontram seguidamente esse gênero de cegueira s o b u m a forma particularmente surpreendente. Entre os diversos grupos de estudantes, o c o m p o s t o por aqueles dotados de form a ç ã o cientifica 6 o q u e m a i s gratifica o professor. M a s 6 t a m b é m o m a i s frustrante n o início d o trabalho. J á que o s estudantes d e ciência "sabem quais s ã o as respostas certas", torna-se particularmente difícil f a z ê - l o s analisar u m a c i ê n c i a m a i s antiga a partir d o s p r e s s u p o s t o s desta.
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Por outro lado, n e n h u m a explicação do progresso ger a d o p o r revoluções p o d e ser interrompida neste p o n to. Isso seria subentender que nas ciências o poder cria o direito — formulação q u e n ã o seria inteiramente equivocada se n ã o suprimisse a natureza do progresso e da autoridade por meio dos quais se escolhe entre paradigmas. Se somente a autoridade (e especialmente a a u t o r i d a d e n ã o - p r o f i s s i o n a l ) fosse o á r b i t r o d o s debates sobre paradigmas, daí ainda poderia resultar u m a r e v o l u ç ã o , m a s n ã o u m a r e v o l u ç ã o cientifica. A própria existência da ciência depende da delegação do poder de escolha entre paradigmas a m e m b r o s de um tipo especial d e c o m u n i d a d e . Q u ã o especial essa c o m u n i d a d e precisa ser p a r a q u e a ciência possa sobreviver e c r e s c e r verifica-se p e l a f r a g i l i d a d e d o c o n t r o le q u e a H u m a n i d a d e p o s s u i s o b r e o e m p r e e n d i m e n t o científico. C a d a u m a d a s civilizações a r e s p e i t o d a s quais temos informações possuía u m a tecnologia, u m a a r t e , u m a r e l i g i ã o , u m s i s t e m a p o l í t i c o , leis e a s s i m p o r d i a n t e . E m m u i t o s c a s o s , e s s a s f a c e t a s d a civilização eram tão desenvolvidas c o m o as nossas. M a s a p e n a s a s civilizações q u e d e s c e n d e m d a G r é c i a h e lênica possuíram algo mais do q u e u m a ciência rudim e n t a r . A m a s s a d o s c o n h e c i m e n t o s científicos e x i s tentes é um p r o d u t o europeu, gerado nos últimos quat r o séculos. N e n h u m a o u t r a civilização o u é p o c a m a n teve essas c o m u n i d a d e s m u i t o especiais d a s quais p r o v ê m a p r o d u t i v i d a d e científica. Q u a i s s ã o a s c a r a c t e r í s t i c a s e s s e n c i a i s d e tais c o m u n i d a d e s ? O b v i a m e n t e , elas r e q u e r e m m u i t o m a i s estudo do que o existente. Nesse terreno, somente são possíveis as generalizações exploratórias. N ã o obstante, diversos requisitos necessários p a r a tornar-se m e m b r o d e u m g r u p o científico p r o f i s s i o n a l d e v e m e s t a r perfeitamente claros a esta altura. P o r exemplo, o cientista p r e c i s a e s t a r p r e o c u p a d o c o m a r e s o l u ç ã o d e p r o blemas relativos a o c o m p o r t a m e n t o d a natureza. A l é m d i s s o , e m b o r a e s s a s u a p r e o c u p a ç ã o p o s s a ter u m a amplitude global, os problemas nos quais trabalha dev e m ser p r o b l e m a s d e d e t a l h e . M a i s i m p o r t a n t e a i n d a , a s s o l u ç õ e s q u e o s a t i s f a z e m n ã o p o d e m ser m e r a m e n t e p e s s o a i s , m a s d e v e m ser a c e i t a s p o r m u i t o s . C o n t u d o , o g r u p o q u e a s p a r t i l h a n ã o p o d e ser e x t r a í d o a o acaso da sociedade global. Ele é, ao contrário, a co

m u n i d a d e b e m definida f o r m a d a pelos colegas profiss i o n a i s d o c i e n t i s t a . U m a d a s leis m a i s fortes, a i n d a q u e n ã o e s c r i t a , d a v i d a científica é a p r o i b i ç ã o d e a p e l a r a chefes de E s t a d o ou ao p o v o em geral, q u a n do está em jogo um assunto relativo à ciência. O rec o n h e c i m e n t o d a existência d e u m g r u p o profissional competente e sua aceitação c o m o árbitro exclusivo das realizações profissionais possui outras implicações. Os m e m b r o s do grupo, enquanto indivíduos e em virtude d e s e u t r e i n o e e x p e r i ê n c i a c o m u n s , d e v e m ser v i s t o s c o m o os únicos conhecedores das regras do jogo ou de algum critério equivalente p a r a julgamentos inequívocos. D u v i d a r da existência de tais critérios c o m u n s de avaliação seria admitir a existência de p a d r õ e s incompatíveis entre si p a r a a avaliação das realizações científicas. T a l a d m i s s ã o t r a r i a i n e v i t a v e l m e n t e à b a i l a a q u e s t ã o de se a v e r d a d e a l c a n ç a d a pelas ciências p o d e ser u n a . E s s a p e q u e n a lista d e c a r a c t e r í s t i c a s c o m u n s à s c o m u n i d a d e s científicas foi i n t e i r a m e n t e r e t i r a d a d a p r á t i c a d a c i ê n c i a n o r m a l , tal c o m o e r a r e q u e r i d o . O cientista é originalmente treinado p a r a realizar semelhante atividade. Observe-se, entretanto, q u e a despeit o d e s u a c o n c i s ã o , a lista p e r m i t e d i s t i n g u i r tais c o m u n i d a d e s de todos os outros grupos profissionais. Note-se ainda que a despeito de sua origem na ciência n o r m a l , a lista e x p l i c a m u i t a s d a s c a r a c t e r í s t i c a s e s p e ciais d a s r e s p o s t a s d a c o m u n i d a d e científica d u r a n t e revoluções (e especialmente durante debates sobre o p a r a d i g m a ) . J á observamos que u m g r u p o dessa n a tureza deve necessariamente considerar a m u d a n ç a de paradigma c o m o u m progresso. E m aspectos importantes, a m a n e i r a de perceber c o n t é m em si — p o d e m o s agora admitir — sua autoconfirmação. A comun i d a d e científica é u m i n s t r u m e n t o e x t r e m a m e n t e eficaz para maximizar o número e a precisão dos problemas resolvidos por intermédio da m u d a n ç a de p a radigma. U m a vez que o problema da unidade do empreend i m e n t o científico e s t á s o l u c i o n a d o e v i s t o q u e o g r u p o sabe perfeitamente quais os problemas já esclarecidos, p o u c o s c i e n t i s t a s p o d e r ã o ser f a c i l m e n t e p e r s u a d i d o s a a d o t a r um p o n t o de vista que r e a b r a muitos problem a s já resolvidos. Antes de mais n a d a é preciso q u e

sempre permitem a solução concreta de problemas adicionaisj N a o q u e r e m o s c o m isso s u g e r i r q u e a h a b i l i d a d e p a r a resolver problemas constitua a única base ou u m a base inequívoca para a escolha de paradigmas. a u m e n t a seu g r a u de especialização e atenua sua comunicação c o m o u t r o s g r u p o s . os cientistas relutarão em adotá-lo a m e n o s q u e sejam c o n vencidos que duas condições primordiais foram preenchidas. m e s m o n o s c a s o s e m q u e isso o c o r re e um n o v o candidato a p a r a d i g m a aparece. A l é m disso. c o m u m e n t e a revolução diminui o âmbito dos interesses profissionais da c o m u n i d a d e . fazendo c o m que as explicações anteriores p a r e ç a m problemát i c a s . sugerimos que u m a c o m u n i d a d e d e e s p e c i a l i s t a s científicos f a r á t o d o o p o s sível p a r a a s s e g u r a r o c r e s c i m e n t o c o n t í n u o d o s d a d o s coletados q u e está em condições de examinar de maneira precisa e detalhada. a c o m u n i d a d e sofrerá p e r d a s . No decorrer desse p r o cesso. A novidade em si m e s m a não é um desiderato d a s ciências. reconhecido c o m o tal pela c o m u n i d a d e e q u e n ã o p o s s a ser analisado d e n e n h u m a o u t r a m a n e i r a . C o m o resultado. o n o v o candidato deve p a recer capaz de solucionar algum problema extraordinário. Todavia. p o d e n ã o desenvolver-se em termos de a m p l i t u d e . A l é m d i s s o . t a n t o científicos c o m o leigos. embora novos paradigmas raramente (ou mesmo nunca) possuam todas as potencialidades de seus predecessores. e m l a r g a m e d i d a .1 E m b o ra certamente a ciência se desenvolva em termos de profundidade. o novo paradigma deve garantir a preservação de u m a parte relativamente grande da cap a c i d a d e objetiva de resolver problemas.s e principalmente através da proliferação de especialidad e s científicas e n ã o a t r a v é s d o â m b i t o d e u m a ú n i c a especialidade. ^ m primeiro lugar. e s s a a m p l i t u d e m a n i f e s t a . Em segundo. Já apontamos muitas razões q u e . apesar dessas e de outras per- . conquistada pela ciência c o m o auxílio dos p a r a d i g m a s anteriores. p r e s e r v a m geralment e . tal c o m o em outras áreas da criatividade h u mana. jContudo. o q u e a s r e a l i z a ç õ e s científicas passadas p o s s u e m de mais concreto.impossibilitam a existência de um critério desse tipo. A l é m disso. C o m freqüência alguns problemas antigos precisarão ser a b a n d o n a d o s . Q u a n d o o faz.a n a t u r e z a solape a segurança profissional.

a o m e s m o t e m p o . o t e r m o " v e r d a d e " só havia aparecido n u m a citação de Francis Bacon. M a s n a d a d o q u e foi o u s e r á d i t o t r a n s f o r m a . M a s .o n u m p r o c e s s o de e v o l u ç ã o em direção a a l g o .d a s experimentadas pelas c o m u n i d a d e s individuais. Já é t e m p o de indicar que até as últimas páginas deste ensaio. tal l a c u n a terá p e r t u r b a d o muitos leitores. talvez t e n h a m o s q u e a b a n d o n a r a n o ç ã o . M a s tal objetivo é necessário? N ã o p o d e r e m o s explicar t a n t o a existência da ciência c o m o seu sucesso a partir da evolução do estado dos conhecimentos . N a s ciências. O processo de desenvolvimento descrito neste ensaio é um p r o c e s s o de e v o l u ç ã o a partir de um i n í c i o p r i m i t i v o — processo cujos estágios sucessivos caracterizam-se p o r u m a compreensão sempre mais refinada e detalhada d a n a t u r e z a . m o s tram que algum tipo de progresso inevitavelmente car a c t e r i z a r á o e m p r e e n d i m e n t o científico e n q u a n t o t a l atividade sobreviver. segundo a qual as m u d a n ç a s de p a r a d i g m a levam os cientistas e os q u e c o m eles a p r e n d e m a u m a proximidade sempre maior da verdade. c o m o a precisão das soluções individuais de p r o b l e m a s a u m e n t a r ã o c a d a vez mais. Se existe p o s sibilidade de fornecer tal garantia. E s t a m o s muito acostumados a ver a ciência com o u m e m p r e e n d i m e n t o que s e aproxima cada vez mais de um objetivo estabelecido de a n t e m ã o pela natureza. Inevitavelmente. apareceu tão-somente c o m o u m a fonte de convicção do cientista q u e afirma a impossibilidade da coexistência entre regras incompatíveis p a r a o exercício da ciência — exceto d u r a n t e as revoluções. Talvez indiquem q u e o p r o g r e s s o científico n ã o é e x a t a m e n t e o q u e a c r e d i t á v a m o s q u e fosse. salvo um único. a tarefa principal da profissão consiste em eliminar todos os conjuntos de regras. Nessas ocasiões. P a r a ser mais preciso. explícita ou implícita. n ã o é necessário h a ver progresso de o u t r a espécie. ela será p r o p o r c i o nada pela natureza da comunidade. a n a t u r e z a de tais grupos fornece u m a garantia virtual de q u e tanto a relação dos problemas resolvidos pela ciência. M e s m o nesse caso. Poderia haver m e l h o r c r i t é r i o d o q u e a d e c i s ã o d e u m g r u p o científico? Os últimos parágrafos indicam em que direções creio se deva buscar u m a solução mais refinada p a r a o p r o b l e m a do progresso nas ciências.

Isto p o r q u e . tenha e n c o n t r a d o resistência. objetiva e verdadeira da natureza. como tal. 4 4. T a l dificuldade brotava de u m a idéia m u i to chegada às do próprio Darwin. A "idéia" de h o m e m . a m a i o r d a s dificuldades e n c o n t r a d a s pelos darwinistas.da comunidade em um d a d o momento? Será realment e útil c o n c e b e r a e x i s t ê n c i a d e u m a e x p l i c a ç ã o c o m pleta. Century: Evolution and C a p s . 1958). d i v e r s o s p r o b l e m a s aflitivos p o d e r ã o d e s a parecer nesse processo. julgando as r e a l i z a ç õ e s científicas d e a c o r d o c o m s u a c a p a c i d a d e p a r a nos aproximar daquele objetivo último? Se p u d e r m o s aprender a substituir a evolução-a-partir-doque-sabemos pela evolução-em-direção-ao-que-querem o s . E I S E L E Y . C h a m b e r s . q u a n d o Darwin publicou pela primeira vez sua teoria da evolução pela seleção natural. e s s a n ã o foi. presentes talvez na m e n t e divina. d e forma alguma. P o r exemplo. C a d a novo estágio do desenvolvimento d a evolução era u m a realização mais perfeita de um plano presente desde o início. (Nova York. Loren. t>arwin's Discovered It. Em 1859. II. especialmente p o r p a r t e d e m u i t o s g r u p o s r e l i g i o s o s . S p e n c e r e d o s Naturphilosophen a l e m ã e s — c o n s i d e r a v a m a e v o l u ç ã o um p r o c e s so orientado p a r a um objetivo. the Men Who . o p r o b l e m a da indução deve estar situado em algum p o n t o desse labirinto. I V . o p r i n c i p a l o b s t á c u l o p a r a a t r a n s p o s i ç ã o e r a o m e s m o . b e m c o m o as da flora e fauna c o n t e m p o r â n e a s .V . em a m b o s os c a s o s . e r a m pensadas c o m o existentes desde a primeira criação da vida. A q u e s t ã o s e e s c l a r e c e m e l h o r s e r e c o nhecemos que a transposição conceituai aqui recomendada aproxima-se muito daquela empreendida pelo Ocidente há apenas um século. As provas apontando para a evolução do h o m e m haviam sido a c u m u l a d a s p o r d é c a d a s e a idéia de e v o lu ç ã o já fora a m p l a m e n t e disseminada. A i n d a n ã o p o s s o especificar d e t a l h a d a m e n t e a s conseqüências dessa concepção alternativa do progress o científico. Todas as bem con h e c i d a s t e o r i a s e v o l u c i o n i s t a s p r é . E m b o r a a evolução. Essa idéia ou plano fornecera a direção e o impulso para todo o processo de evolução.s a b e r . n e m a possível descendência do h o m e m a partir do m a c a c o .d a r w i n i a n a s — as d e L a m a r c k . a m a i o r p r e o c u p a ç ã o de muitos profissionais n ã o e r a n e m a n o ç ã o de m u d a n ç a d a s espécies.

3 0 6 . mais articulados e m u i t o m a i s especializados.P a r a muitos. tais termos adquiriram subitamente um caráter contraditório. Asa Cray. O q u e p o d e r i a m significar " e v o l u ção". "desenvolvimento" e "progresso" na ausência de um objetivo especificado? P a r a m u i t a s pessoas. T o d o esse p r o c e s s o p o d e t e r o c o r r i d o .3 8 3 . p p . M a s c o m referência a o s a s s u n t o s t r a t a d o s n e s t e c a p í t u l o final e l a é q u a s e p e r f e i t a . v e r A . A Origem das Espécies n ã o reconheceu n e n h u m objetivo posto d e a n t e m ã o por D e u s ou pela natureza. a abolição dessa espécie de evoluç ã o t e l e o l ó g i c a foi a m a i s significativa e a m e n o s a c e i tável d a s s u g e s t õ e s de D a r w i n . 2 9 5 . 11 d e s c r e v e c o m o a resolução das revoluções corresponde à seleção pelo conflito da m a n e i r a m a i s a d e q u a d a de praticar a ciência — seleção realizada no interior da c o m u n i d a d e científica. é o conjunto de instrumentos n o t a velmente ajustados q u e c h a m a m o s de conhecimento científico m o d e r n o . s e m c o n t u d o dirigir-se a n e n h u m o b j e t i v o . de organismos mais elaborados. a seleção natural. separadas p o r períodos de pesquisa n o r m a l . O p r o c e s s o q u e o C a p . E s t á g i o s s u c e s s i v o s d e s s e p r o c e s so de desenvolvimento são marcados por um aumento d e a r t i c u l a ç ã o e e s p e c i a l i z a ç ã o d o s a b e r científico. Ao invés disso. M a s s . l&io1888 ( C a m b r i d g e . era a responsável pelo surgimento gradual. . A c r e n ç a de q u e a seleção natural. H U N T E B D U P K E E . s A analogia que relaciona a evolução dos organism o s c o m a e v o l u ç ã o d a s idéias científicas p o d e facilm e n t e ser levada longe demais. Para um relato particularmente penetrante da luta de um eminente d a r w i n i s t a c o m e s s e p r o b l e m a . 1 9 5 9 ) . teria produzido h o m e m com animais e plantas super i o r e s e r a o a s p e c t o m a i s difícil e m a i s p e r t u r b a d o r da t e o r i a d e D a r w i n . . O r e s u l t a d o final d e u m a s e q ü ê n c i a d e t a i s seleções revolucionárias. c o m o n o c a s o d a 5. m a s regular. o p e r a n d o em um meio ambiente d a d o e c o m os organismos reais disponíveis. Mesmo órgãos tão maravilhosamente adaptados c o m o a m ã o e o olho h u m a n o s — órgãos cuja estrutura fornecera no passado argumentos poderosos em f a v o r d a e x i s t ê n c i a d e u m artífice s u p r e m o e d e u m plano prévio — eram produtos de um processo que a v a n ç a v a c o m r e g u l a r i d a d e desde u m i n í c i o p r i m i t i v o . resultando de simples c o m petição entre organismos q u e lutam pela sobrevivência. 3 5 5 .

c r i a d o p o r e s t e e n s a i o . s e m u m a v e r d a d e científica p e r m a n e n temente fixada. Q u e m quer q u e tenha seguido a discussão até aqui. n ã o obstante. N ã o é a p e n a s a c o m u n i d a d e científica q u e d e v e s e r a l g o e s p e c i a l . já foram respondidas — de um ponto d e vista d e t e r m i n a d o . U m a vez q u e essa n o ç ã o é igualmente compatível c o m a observ a ç ã o r i g o r o s a d a v i d a científica. C o m o d e v e ser a n a t u r e z a . e n t r e t a n t o . d a qual c a d a estágio d o desenvolvim e n t o científico s e r i a u m e x e m p l a r m a i s a p r i m o r a d o . . vistas d e o u t r a perspectiva. Q u e car a c t e r í s t i c a s d e v e m ser e s s a s ? N e s s e p o n t o d o e n s a i o não estamos mais próximos da resposta do que quando o i n i c i a m o s . i n c l u i n d o . c o m e x c e ção da primeira.evolução biológica.s e n e l a o h o m e m . O m u n d o d o q u a l e s s a c o m u n i d a d e faz parte t a m b é m possui características especiais. é t ã o antigo c o m o a própria ciência e p e r m a n e c e sem resposta. M a s n ã o precisamos respondê-lo aqui. M a s . A o c o n t r á r i o . p a r a q u e a c i ê n c i a seja p o s s í v e l ? P o r q u e a c o m u n i d a d e científica h a v e r i a d e ser c a p a z d e alcançar u m consenso estável. inatingível e m outros d o m í n i o s ? P o r q u e tal c o n s e n s o há de resistir a u m a mudança de paradigma após outra? E por que u m a m u d a n ç a de paradigma haveria de produzir invariavelmente um instrumento mais perfeito do q u e aqueles a n t e r i o r m e n t e c o n h e c i d o s ? T a i s q u e s t õ e s . sentirá. e x i s t e m f o r t e s a r g u mentos p a r a empregá-la nas tentativas de resolver a multidão de problemas que ainda perduram. E s s e p r o b l e m a — O q u e d e v e ser o m u n d o p a r a que o h o m e m possa conhecê-lo? — n ã o foi. sem o benefício de um objetivo p r e e s t a b e l e c i d o . a necessidade de perguntar p o r q u e o processo evolucionário haveria de ser b e m s u c e d i d o . estão tão em a b e r t o c o m o no início deste ensaio. Qualquer c o n c e p ç ã o da natureza compatível c o m o crescim e n t o da ciência é compatível c o m a n o ç ã o evolucionária de ciência desenvolvida neste ensaio.

m e u p o n t o d e vista p e r m a nece quase sem modificações. graças às reações d o s críticos e ao m e u t r a b a l h o adicional. s u a eli1 . m e u antigo aluno e amigo.POSFACIO 1 — 1969 E s t e l i v r o foi p u b l i c a d o p e l a p r i m e i r a v e z h á q u a se sete a n o s . Este posfácio foi originalmente preparado p o r sugestão d o D r . pela paciência c o m que esperou sua realização e pela perm i s s ã o p a r a incluir o resultado n a e d i ç ã o e m l í n g u a inglesa.e n t e n d i d o s . Já q u e s o u o r e s p o n s á v e l p o r a l g u n s d e s s e s m a l . Q u a n t o a o f u n d a m e n t a l . Shigeru N a k a y a m a da Universidade de Tóquio. para ser incluído na sua tradução japonesa deste livro. Nesse intervalo. m a s agora reconheço a s p e c t o s d e m i n h a f o r m u l a ç ã o inicial q u e c r i a r a m d i ficuldades e mal-entendidos gratuitos. passei a c o m p r e e n d e r m e l h o r n u m e r o s a s questões q u e ele coloca. . S o u grato a ele pela idéia.

para esta edição.de_ quebra-cabe_çãs* qu^T e m p r e g a d a s " c o m o m o delos ou exemplos. i n d i c a t o d a a _canstelação_de c r e n ç a s . " T h e N a t u r e of a P a r a d i g m " . Philosophical Review. pp. e m I M R E LAKATOS e A W N MUSGRAVE (eds. 1 1 5 . valfófe^s^ " t é c n i c a s . em PATRICK S U P P E S (ed. Muitas das dificuldades-chave do m e u texto original a g r u p a m . Illinois. As rei2 3 4 i j 2. 383-94 (1964). e D U L E Y S K A P E R E .. D e u m l a d o . além de duas passagens que continham erros isoláveis. . o s e g u n d o ensaio aparecerá c o m o "Second Thoughts"._e emento dessa"^pStH^^T^㣠_sc<lu£Õ^_3con=° c r e i á s . ver: M A R G A R E T M A S T E R M A N . P a r a u m a crítica particularmente cogente da minha apresentação inicial d o s p a r a d i g m a s .). L X X I I I . Da. 4 . E m seguida considerarei o que ocorre q u a n d o se busca pa. Outras indicações p o d e m ser encontradas em dois ensaios recentes d e minha autoria: "Reflection o n M y Critics". O primeiro sentido do termo. e "Second Thoughts on Paradigms". O o u t r o refere-se à resposta às crises. o item 3 é devotado aos paradigmas e n q u a n t o realizações passadas dotadas de natureza exemplar. . The Structure of Scientlfic Theories (Urbana. . 1970 ou 1971). Restringi-me a corrigir alguns erros tipográficos. reescrever sistematicamente o livro. p r o p o r e i a c o n v e n i ê n ç i a _ d e . i n d i c a r e i cò^ m o i s s o p o d e ser feito e d i s c u t i r e i a l g u m a s c o n s e q ü ê n cias significativas d a s e p a r a ç ã o a n a l í t i c a r e s u l t a n t e . 1 . p a r t i l h a d a s p e l o s m e m b r o s de u m a comunidade determinada. Percebe-se r a p i d a m e n t e q u e na m a i o r p a r t e do livro o t e r m o " p a r a d i g m a " é u s a d o em d o i s sentidos diferent e s . tecer c o m e n t á r i o s a respeito de algumas críticas m a i s freqüentes e sugerir as direções nas quais m e u próprio pensamento se desenvolve atualmente. S 1 .' De outro. 3. No primeiro item q u e s e g u e . P e l o m e n o s filosoficamente. Criticism and the GroM/th of Knowledge (Cambridge.qui p a r a frente citarei o primeiro desses ensaios c o m o "Reflections" e o v o l u m e no q u a l a p a r e c e c o m o o Grcrwrh of Knowledge. é o o b j e t o do i t e m 2. p o d e m substituir regras explícitas \ c o m o base para a solução dos restantes quebra-cabeças i da ciência normal.m i n a ç ã o m e possibilita conquistar u m terreno q u e servirá de base para u m a nova versão do livro. que ' c h a m a r e m o s de s o c i o l ó g i c o . Começarei minha discussão por aí. denota um tipW^?e.desligar e s s e c o n c e i t o d a n o ç ã o d e c o m u n i d a d e científica. n a p .S 4 . Nesse meio t e m p o acolho c o m agrado a possibilidade de e s b o ç a r as revisões necessárias.7 0 ) .). radigmas examinando o comportamento dos membros da comunidade científica previamente determinada. N ã o procurei. Um desses erros é a descrição d o p a p e l d o s Principia d e N e w t o n n o d e s e n v o l v i m e n t o d a M e c â n i c a do século X V I I I q u e aparece n a s p p . este s e g u n d o sentido de " p a r a d i g m a " é o mais profundo d o s dois. "etc i _ . T h e S t r u c t u r e of Scientific Revolutions. e m Growth o f Knowledge.s e é m t o r n o d o conceito d e p a r a d i g m a .

Três a s s u n t o s r e s i d u a i s s ã o d i s c u t i d o s n o s i t e n s finais 6 e 7. N e m tooãs as~circularidades s ã o v i c i a d a s C á o " finaf d e s t e p o s f á c i o d e f e n d e r e i u m argumento de estrutura similar). d e u m a confusão entre o descritivo e o n o r m a t i v o . p a s s í v e l d e c o r r e ç ã o . m a s esta circularidade é u m a fonte de dificuldades reais. O s e g u n d o c o m e ç a p e r g u n t a n d o s e m i n h a a r g u m e n t a ç ã o r e a l m e n t e sofre. Tais temas s e r ã o c o n s i d e r a d o s n o s i t e n s 4 e 5. Ç L i t e m 5 a p l i c a esse a r g u m e n t o ^ o _ p r q b l e m a da escolha entre duas teorias i n c o m p a t í v e i s . O p r i m e i r o d e l e s argumenta que termos como "subjetivo" e "intuitivo" n ã o p o d e m ser a d e q u a d a m e n t e a p l i c a d o s a o s c o m p o nentes do conhecimento que descrevi c o m o tacitamente inseridos em exemplos partilhados. conclui c o m observações sumárias a respeito de um tópico merecedor de um ensaio em separado: a extensão na qual as t e s e s p r i n c i p a i s d o l i v r o p o d e m ser l e g i t i m a m e n t e a p l i cadas a outros c a m p o s além da ciência. instamòs~~á~que" os h o m e n s que defendem pontos de vista n ã o comparáveis sejam pensados c o m o m e m b r o s de diferentes comunidades de linguagem e que analisemos seus problemas de comunicações como problemas de tradução. Um paradigma é aquilo que os membros de u m a comunidade partilham e. As c o m u n i d a d e s p o d e m e d e v e m ser i s o l a d a s s e m r e c u r s o p r é v i o a o s p a r a d i g m a s . n ã o obstante. e m s e g u i d a esses p o d e m s e r d e s c o b e r t o s a t r a - . 1 . O p r i m e i r o e x a m i n a a a c u s a ç ã o de q u e a c o n c e p ç ã o de ciência desenvolvida neste livro é totalmente relativista. c o m o t e m s i d o d i t o . E m b o r a tal c o n h e c i m e n t o n ã o possa. inversament e . ser parafraseado em t e r m o s de regras e critérios.v i n d i c a ç õ e s q u e fiz e m seu n o m e s ã o a p r i n c i p a l f o n t e das controvérsias e mal-entendidos q u e o livro evocou. testado pelo t e m p o e em algum s e n t i d o . e s p e c i a l m e n t e a a c u s a ç ã o de q u e t r a n s f o r m o . N u m a b r e v e c o n c l u s ã o . a c i ê n c i a n u m e m p r e e n d i m e n t o subjetivo e irracional. u m a c o m u n i d a d e científica c o n s i s t e e m h o m e n s q u e partilham um paradjgrna. sem modificação essencial. é sistemático. Os paradigmas e a estrutura da comunidade ^ O termo "paradigma" aparece nas primeiras pág i n a s do l i v r o e a s u a f o r m a de a p a r e c i m e n t o é i n t r i n secamente circular.

Os resultados preliminares. Boston. 1968). muitos dos quais ainda não publicados. pp. pp. American Psychologist. BEAVEB. »f* De acordo com essa concepção. V. certos de que a responsabilidade pelas várias especialidades atuais está distribuída entre grupos com um número de membros pelo menos aproximadamente determinado. IV W. DIAHA C J U N E . Atualmente essa noção é amplamente partilhada por cientistas. iniciaria com uma discussão da estrutura comunitária da ciência. A maioria dos cientistas em atividade responde imediatamente a perguntas sobre suas filiações comunitárias. in 1965).vés do (escrutínio^ do comportamento dos membros de uma comunidade dada. D . Em lugar de apresentar os resultados da investigação preliminar. Social Structure in a G r o u p of Scientists: A T e s t of the "Invisible College" Hypothesis. um tópico que recentemente se tornou um assunto importante para a pesquisa sociológica e que os historiadores da ciência também estão começando a levar a sério. sociólogos e um certo número de historiadores da ciência. XXI. e O. Neste processo absorveram a mesma literatura técnica e dela retiraram muitas das mesmas lições. an In- . American Soclologlcal Revlew. Social Networks among Biological Scientists (Dissertação de doutorado. Portanto. mas algumas delas se encontram à nossa disposição e outras certamente serão desenvolvidas. 1011-18(1966). "Egfe_J^*^ESübrnetídôs" a uma inicia^-ção profissional e a uma_ eduçaçãa__siraüafes. C. pressuporei aqui que serão encontradas formas mais sistemáticas para a sua identificação. Se este livro estivesse sendo reescrito. N. sugerem que as técnicas empíricas exigidas para a exploração desse tópico não são comuns. Scientific de B. PKICE e The D . J. Communlty Collaboration (Nova York. permitam-me articular sucintamente a noção intuitiva de comunidade que subjaz em grande parte dos primeiros capítulos deste livro. MUU-INS. HAGSTROM. Universidade de Harvard. uma comunidade Jcientífica é f o r m a d a pelos praticantes de uma especiâ/líêfãde científica. 1966) e "The Micro-Structure of an Invisible College: T h e Phage G r o u p " ( c o m u n i c a ç ã o apresentada na reunião anual da A m e r i c a n Sociological Association. Caps. Normalmente as fronteiras dessa literatura-padrão marcam os limites de um objeto de estudo científico e em geral _cada comunidade possui um objeto de estudo prõ^ 5 visíble College. 5. XXXIV. 335-52 (1969). numa extensão sem paralelos na maioria das outras disciplinas.

Nesse sentido as comunidades p o d e m certamente e x i s t i r em m u i t o s n í v e i s . O resultado disso é q u e os m e m b r o s d e u m a c o m u n i d a d e científica v ê e m a s i p r ó p r i o s e são vistos pelos outros c o m o os únicos responsáveis pela perseguição d e u m conjunto d e objetivos c o m u n s . q u e incluem o treino de seus sucessores. ler periódicos espec i a l i z a d o s s ã o g e r a l m e n t e c o n d i ç õ e s m a i s d o q u e suficientes. inclusive daquelas descobertas na c o r r e s p o n d ê n c i a dos cientistas e nas liga- . U m a vez q u e a atenção dé diferentes c o m u n i d a d e s científicas e s t á f o c a l i z a d a s o b r e a s s u n t o s d i s t i n t o s . H á escolas nas ciências. o p e r t e n c e n t e a u m a comunidade é rapidamente estabelecido. c o m u n i d a d e s . a s t r ô n o m o s . Técnicas similares nos permitirão isolar tamb é m os principais subgrupos: químicos orgânicos (e. isto é . se n e l a p e r s i s t i r m o s . E m u m n í v e l i m e d i a t a m e n t e inferior. físicos d e e s t a d o s s ó l i d o s e d e e n e r g i a d e a l t a intensidade.prio. participar de sociedades profissionais._. Freqüentemente resulta em mal-entendidos e pode. e v o c a r d e s a c o r d o s significativos e previamente insuspeitados. exceto n o s casos limites. q u e a b o r d a m o m e s m o o b j e t o científico a . P a r a t o m a r u m e x e m p l o c o n t e m p o r â n e o : c o m o se isolaria o grupo bacteriófago antes d e s e u r e c o n h e c i m e n t o público? P a r a isso d e v e r í a m o s valer-nos da assistência a conferências especiais. os químicos especializados em p r o t e í n a s ) . a c o m u n i c a ç ã o profissional entre grupos é a l g u m a s vezes á r d u a . estão sempre em compet i ç ã o e n a m a i o r i a d a s v e z e s essas c o m p e t i ç õ e s t e r m i n a m rapidamente. P a r a esses a g r u p a m e n t o s m a i o r e s . "partir d e p o n t o s d e v i s t a incomj»atíxeis. da distribuição de esboços de manuscritos e de provas p a r a a publicação e sobretudo das redes formais e informais de c o m u n i c a ç ã o . A c o m u n i d a d e m a j s ^ g l o b í d é c o m p o s t a p o r todos os cientistas ligados às ciências^da naTOrêzã. Os p r o b l e m a s e m p í r i c o s e m e r g e m a p e n a s n o nível i m e d i a t a m e n t e inferior. M a s s ã o b e m m a i s r a r a s aqui do que em outras áreas. r a d i o a s t r ô n o m o s e assim p o r diante. No interior_de tais g r u p o s a c o m u n i c a ç ã o é r e l a t i v a m e n t e a m p l a j e j o s j u l g a m e j j t o s p r o f i s s i o n a i s relativamente u n â n i m e s . q u í m i c o s . z o ó l o g o s e o u t r o s s i m i l a r e s . talvez entre esses. o s p r i n cipais g r u p o s científicos p r o f i s s i o n a i s s ã o c o m u n i d a d e s : físicos. Possuir a mais alta titulação.

M . E m geral o s cientistas individuais. S e m u m a referência à natureza desses elementos c o m p a r tilhados. D . E s t a t r a n s i ç ã o está esboçada no C a p . pertencerão a diversos desses grupos. ocasionalmente. E s s a p r á t i c a é g e r a l m e n t e e s o t é r i c a e o r i e n t a d a p a r a a~ SOiüção^^tte^ q u ü j l J . Science. simultaneamente ou em sucessão. p p . especialmente os mais capazes.C ã b e ç a s . 1. o n ú m e r o d e e s c o l a s é g r a n d e m e n t e r e d u z i d o — em geral p a r a u m a única. p o d e r e m o s produzir c o m u n i d a d e s de talvez cem m e m b r o s e. cJ m e s m o o c o r r e c o m o t r a b a l h o de um g r u p o . American Documentatton. . D e u m p o n t o d e vista típico. X V I . 1 9 6 4 ) . 510-15 ( 1 9 6 5 ) . E U O E N E GARFIELD. 223-33 ( 1 9 6 5 ) . d e u m n ú m e r o significativamente menor. P o r i s s o antes d e passarmos aos p a r a d i g m a s . diversas escolas c o m p e t e m pelo d o m í n i o d e u m c a m p o de estudos d e t e r m i n a d o . C o m e ç a e n t ã o u m t i p o m a i s eficiente d e p r á t i c a c i e n tífica. Os paradigmas são algo c o m p a r t i l h a d o pelos m e m b r o s d e tais c o m u n i d a d e s . K E S S L E R . O m a i s s u r p r e e n d e n t e d e s s e s ^ternas é p r o v a v e l 5 t e ^ ^ q u i l p _ _ f l u e „ c h a m e i de'" a t r a n s i ç ã o do p e r í o d o prr_jjariM. M a i s tarde. muitos d o s aspectos da ciência descritos nas p á g i n a s p r e c e d e n t e s d i f i c i l m e n t e p o d e m ser e n t e n d i d o s .p a r a d i g m á t i c o d u r a n t e o d e s e n v o l v i m e n t o d ê * ü m c a m p o cieritfllcõ. C o m p a r i s o n o f the Results o f Bibliographic Coupling and Analytic Subject I n d e x í n g . p e l o m e n o s n o t o c a n t e a o p e r í o do c o n t e m p o r â n e o e épocas históricas mais recentes. no rasto de algum a r e a l i z a ç ã o científica n o t á v e l . Antes de ela ocorrer. T e n h o p a r a m i m q u e esta tarefa p o d e s e r e s e r á feita. q u e s o m e n t e inicia q u a n do seus m e m b r o s estão seguros a respeito dos fundam e n t o s de seu c a m p o de estudos. J . M a s Outros a s p e c t o s p o d e m s e r c o m p r e e n d i d o s . P R I C E . i rmri t j g o n rt rn o p ó s . N e t w o r k s o f S c i e n t i f i c P a p e r s . p p . A s u n i d a d e s q u e este livro a p r e s e n t o u c o m o p r o d u t o r a s e legitimadoras do c o n h e c i m e n t o científico são c o m u n i d a d e s desse tipo. C I L . The Use of Citation Data in Writlng the History of Science (Filadélfia: I n s t i t u t e of S c i e n t i f i c I n f o r m a t i o n .ções entre citações. e m b o ra n ã o sejam apresentados de forma independente no m e u texto original. vale a p e n a m e n c i o n a r u m à série de tem a s q u e exigem"referência a p e n a s à e s t r u t u r a _ c o m u nitária. A natureza dessa transição à maturidade merece u m a discussão mais ampla do que a recebida neste 6 t mei [ 6. M .

incluindo as escolas do período " p r é .eritre. identificações desse tipo n ã o r e sistem a um exame. proporciona pistas p a r a sua solução e garante o sucesso do praticante realmente inteligente. digamos.livro. C o n t u d o . c o m o tem sido repetidamente a p o n t a d o por m e u s colegas de História da Ciência.c a b e ç a s d e s a f i a dores. e s t u d o c i e n t í ü c . diz respejto. A única interpretação alternativa que m e u texto p a r e c e permitir é a de q u e t o d o s esses objetos t e n h a m pertencido à c o m u n i d a d e da Física. SpmênTe d ê r x n s TJâ~trãns*ÍÇSõ~ é p o s s í v è f á ' p e s q u i s a n o r m a l o r i e n t a d a " jfJarâ^ã r e s o l u ç ã o d e q u e b r a . por exemplo. c o m p a r t i l h a m os tipos de elementos q u e rotulei coletivamente de " u m paradigma". n e n h u m a c o m u n i d a d e de cientistas ligados à Física antes da m e tade d o século X I X . 0 5 . ^ U m s e g u n d o t e m a .c a b e ç a s .p a r a d i g m á t i c o " . a t u a l m e n t e e u consideraria muitos d o s atributos de u m a ciência d e s e n v o l v i d a ( q u e a c i m a associei à o b t e n ç ã o d e u m p a radigma) como conseqüências da aquisição de um tipo d e p a r a d i g m a q u e identifica o s q u e b r a . E i n vista" d i s s o . "Eletricid a d e " e " C a l o r " devessem indicar c o m u n i d a d e s científicas p o r q u e n o m e i a m o b j e t o s d e e s t u d o s p a r a a p e s quisa. à jdentjficação biunívoca^jnrpHcita neste. livro. "Óptica Física". t e n d o e n t ã o sido f o r m a d a pela fusão de partes de d u a s c o m u n i d a d e s anteriormente s e p a r a d a s : a da M a t e m á t i c a e da Filosofia da N a t u reza (physique expérimentale). P r o c e d i r e p e t i d a mente c o m o ^ s e . S o m e n t e aqueles q u e retiram encorajamento da constatação de que seu c a m p o de estudo ( o u escola) possui paradigma e s t ã o aptos a perceber que algo i m p o r t a n t e é sacrificado nessa m u d a n ç a . m a i s impjorjante ( p e l o m e n o s p a r a os h i s t o r i a d o r e s ) . O s m e m b r o s d e t o d a s a s c o m u n i d a d e s científicas. m a s a n t e s a s ú t i n a t q c e z a . Indicar que a transição não precisa (atualmente penso que n ã o deveria) estar associada com a primeira aquis i ç ã o d e u m p a r a d i g m a p o d e ser útil a e s s a d i s c u s s ã o .„çjyruinidades^científicas ê ^ E y e t o s j d e . especialmente p o r parte daqueles interessados no d e s e n v o l v i m e n t o d a s c i ê n c i a s sociais c o n t e m p o r â n e a s . no passado era distribuído entre diversas comunidades. P a r a descobri-las e analisá-las é preciso p r i m e i r o deslindar . O que m u d a com a trans i ç ã o à m a t u r i d a d e n ã o é a p r e s e n ç a dè um* p a r a d i g m a . N ã o havia. O q u e h o j e é o b j e t o de estudo de u m a única e ampla comunidade.

Newton. essas teorias e r a m tópicos de d e b a t e e desacordo contínuos. Por exemplo. A c r e d i t o q u e outras dificuldades e mal-entendidos s e r ã o dissolvidos d a m e s m a m a n e i r a . A Química. mas n ã o pens o q u e seja u m e x e m p l o e m c o n t r á r i o . Q u a l q u e r e s t u d o de pesquisas orientadas por paradigma ou que levam à destruição de paradigma. A l g u n s leitores deste livro c o n c l u í r a m q u e m i n h a p r e o c u p a ç ã o se orienta principal ou exclusivamente p a r a as grandes revoluções. D a r w i n ou Einstein. F a z e m notar q u e até b e m p o u c o . teorias da matéria n ã o eram terr i t ó r i o específico o u o b j e t o d e e s t u d o d e q u a l q u e r c o m u n i d a d e científica. basear seu trabalho nesses instrumentos e discordar. ü m p a r a d i g m a g o v e r n a . A n e c e s s i d a d e d o a c o r d o d e p e n d e d o q u e faz e s s a c o m u n i d a d e . A l g u m a s vezes m e m b r o s d e ' diferentes c o m u n i d a d e s escolhem i n s t r u m e n t o s d i f e r e n t e s e c r i t i c a m a s e s c o l h a s feitas p o r o u t r o s . e r a m i n s t r u m e n t o s p a r a u m grande n ú m e r o . proporção múltipla e pesos de combinação — tenham se tornado propriedade c o m u m e m r a z ã o d a t e o r i a a t ô m i c a d e D a l t o n . e m p r i m e i r o lugaf^ n ã o u m o b j e t o d e e s t u d o . da existência dos á t o m o s . como as associadas aos n o m e s de Copérnico. deve começar pela localização do g r u p o ou grupos responsáveis. algumas vezes veemente. m a s u m grupo"" d e " p r a ticantes. E o q u e é m a i s i m p o r t a n t e : a t e o r i a da m a t é ria n ã o é o tipo de tópico sob de qual devem concordar necessariamente os membros de u m a comunidade dada._jja_ jciêncía.d e especialistas. E m l u g a r d i s s o . E m b o r a muitos dos instrumentos fundamentais da comunidade — proporção constante. foi p e r f e i t a m e n te possível aos químicos. Concordo com a descrição. Q u a n d o a a n á l i s e d o d e s e n v o l v i m e n t o científico é e x a m i n a d a a p a r t i r d e s s a p e r s p e c t i v a . um certo número de comentadores usou a teoria da matéria p a r a sugerir q u e exagero drasticam e n t e a u n a n i m i d a d e d o s cientistas n o q u e t o c a à s u a fidelidade a um paradigma. Isso se deve em p a r t e aos exemplos q u e escolhi e em parte à m i n h a imprecisão a respeito da natureza e t a m a n h o das c o - . proporciona um exemplo adequado.a e s t r u t u r a m u t á v e l d a s c o m u n i d a d e s científicas a t r a vés^rj5sr"tÇmpòs. na primeira m e t a d e do século X I X . depois desse acontecimento. P e l o m e n o s a t é p o r volta de 1 9 2 0 . v á r i a s dificuld a d e s q u e foram alvo de críticas p o d e m desaparecer.

r e q u i s i t o e s s e n c i a l p a r a a s r e v o l u ç õ e s . n e n h u m a ! parte importante da minha argumentação depende da e x i s t ê n c i a d e crises c o m o u m p r é . n e m precisa parecer revolucionária para os pesquisadores que não participam da comunidade — comunid a d e c o m p o s t a talvez de m e n o s de vinte e cinco pessoas. gostaria de assinalar um p o n to obscurecido pela ausência de u m a discussão adeq u a d a da estrutura comunitária: as crises n ã o são n e cessariamente geradas pelo trabalho da comunidade q u e a s e x p e r i m e n t a e . Diversos críticos p u s e r a m em d ú v i d a se as crises ( c o n s c i ê n c i a c o m u m d e q u e a l g o s a i u e r r a d o ) precedem as revoluções tão invariavelmente c o m o dei a entender no m e u texto original. Finalmente. estreitamente relacionada c o m a p r e c e d e n t e . c a p a z de assegurar que a rigidez da ciência n o r m a l n ã o p e r m a n e c e r á p a r a sempre sem desafio. proporcionando um mecanismo de autocorreção. 2. É precisamente p o r q u e este tipo de m u d a n ç a . a l g u m a s v e z e s . É igualm e n t e possível q u e as revoluções sejam induzidas através de outras maneiras. U m a última alteração. p r e c i s a m a p e n a s ser o p r e l ú d i o c o s tumeiro. u m a revolução é u m a espécie de m u d a n ç a envolv e n d o um certo tipo de reconstrução dos compromissos d e g r u p o . Contudo. C o n t u d o .munidades relevantes. e n q u a n t o a sua assimilação p r o v o c a u m a crise em outra. E s t e é o p o n t o m a i s o b s c u r o e m a i s . M a s n ã o n e c e s s i t a ser u m a g r a n d e m u d a n ç a . JPara mim. ocorre t ã o regularmente nessa escala reduzida. sofre e m c o n s e qüência disso u m a revolução. Novos instrumentos com o o m i c r o s c ó p i o e l e t r ô n i c o o u n o v a s leis c o m o a s d e M a x w e l l p o d e m ser d e s e n v o l v i d a s n u m a e s p e c i a l i d a d e . Os paradigmas como missos de grupo a constelação dos compro- Voltemos agora aos paradigmas e perguntemos o q u e p o d e m ser. muito p o u c o reconhecida ou discutida na literatura da Filosofia da Ciência. e n q u a n t o oposta às m u d a n ç a s cumulativas. um delineamento mais c l a r o d a estirutura c o m u n i t á r i a d e v e r i a f o r t a l e c e r a impressão bastante diferente que procurei criar. que a m u d a n ç a revolucionária precisa t a n t o ser entendida. p o d e facilitar a c o m p r e e n s ã o d e s s a m u d a n ç a . e m b o r a p e n s e que isso r a r a m e n t e ocorre.

c a d a u m d e l e s e x i g i n d o u m a d e t e r m i n a ç ã o m a i s pormenorizada. partes de paradigma ou paradygmâti-f Q J e r m f y 7. A t é quej o t e r m o p o s s a ser l i b e r a d o d e s u a s i m p l i c a ç õ e s a t u a i s . o outro sentido s e r á c o n s i d e r a d a no p r ó x i m o . T o d o s ou quase todos os objetos de compromisso g r u p á f ^ Ü ^ j n ê u T e ^ ^ t ^ g r í ã i ^ como paradigmas. em ainda outras. valeria a p e n a p e r g u n t a r : d e n t r e o que é partilhado p o r seus m e m b r o s . . o q u e explica a r e l a t i v a a b u n d â n c i a de c o m u n i c a ç ã o p r o f i s s i o n a l e a r e l a t i v a "ÜffaTíimidadé 2 g f h i T p r a m e n T i ^ p r o f i R s i n p ^ ? M e u " texto < 5 i g í n a l permite responder a essa pergunta: u m p a r a d i g m a o u um-T?o]jtfrrrito--d^ nesse sentido. clt.. p r e p a r o u um índice analítico parcial "e. pjrrfès"' d é _ u m paradigma. t a l c o m o é e m p r e g a d o p r e s e n t e m e n t e n a Filosofia! da Ciência. ao contrário' daquele a ser discutido mais adianta . Contudo. s u g i r o " m a t r i z d i s c i p l i n a r " : " d i s ciplinar" p o r q u e se refere a u m a posse c o m u m aos praticantes d e u m a disciplina particular. p e r m a n e c e r i a m dois usos m u i t o distintos d o termo. conota u m a estrutura b e m mais limitada e m n a t u r e z a e a l c a n c e d o q u e a e x i g i d a a q u i . l^eitò e s s e t r a b a l h o editorial. que partilha da minha convicção de que o " par a d i g m a " n o m e i a o s e l e m e n t o s filosóficos c e n t r a i s jdeste livro. E u ficaria satisfeito s e esteí último t e r m o pudesse ser n o v a m e n t e utilizado n o s e n 4 tido que estamos discutindo. ? . e f n ~ õ u t r a s . q u e d e v e m ser distinguidos. _ p a r a d l g m a .conc l u i u q u e o t e r m o é u t i l i z a d o <èm p e l o m e n o s „ y i n t e e d u a s m a n e j r j i ^ dffg£ l . Op. MASTBKMAN. « A inãnrrYnr. o termo "teo-| r i a " .ffriõl O s próprios c i e n t i s t a s ~ d i r i a m q u e p a r t i l h a m d e u m a t e o r i a o u d& u m c o n j u n t o d e t e o r i a s . oü. evitaremos confusão adotando um outro. ' " CiT res7 x 1 A p ó s isolar u m a c o m u n i d a d e p a r t i c u l a r d e e s p e cialistas através de técnicas semelhantes às q u e a c a b a m o s de discutir. O P T n p r e g ç i mais global_é o assunto deste item. " m a t r i z " p o r q u e é composta de elementos ordenados de várias espécies. p ^ a d i g f n S 5 c a s ) e pod e m s e r e l i m i n a d a s " COffl T e l a t l v â ^ ^ m t í a d e .Atualmente p e n s o <jue á maioria dessas diferenças é devida a ihcongrüenciãs} esfílístícas^Xpor e x e m p l o : a l g u m a s vezes as Leis de í í e w t o n s ã o u m p a f à c l l g m ã . P a r a os nossos p r o p ó s i t o s a t u a i s .i m p o r t a n t e d e m e u texto original. U m a leitora simpatizante.

R e I. H = Ri . m a s m u i t a s v e z e s n ã o p o s s u e m a p e n a s essa f u n ç ã o p a r a o s m e m b r o s d o g r u p o . m a s a i n d i c a ç ã o d o s p r i n c i pais tipos de Componentes de u m a matriz disciplinar esclarecerá a natureza da minha presente abordagem e preparará a próxima questão. f u n c i o n a n d o e m " c o n j u n t g .c o s . P o r c e r t o isso p o d e o c o r r e r . E m b o ra o e x e m p l o da t a x o n o m i a sugira q u e a ciência norm a l p o d e avançar c o m poucas dessas expressões. q u e p o d e m ser facilmente expressas n u m a forma lógica c o m o C * ) ( y ) ( z ) <f> (x. o s m e m b r o s d a c o m u n i d a d e já s a b i a m o q u e s i g n i f i c a v a m H. Contudo.y. S e n ã o f o s s e m e x p r e s sões g e r a l m e n t e a c e i t a s c o m o e s s a s . e s s a s generalizações lhes disseram alguma coisa a respeito do c o m p o r t a m e n t o do calor.L e n z . Da m e s m a m a n e i r a q u e / = ma ou p T 1 . Tenho em mente aquelas expressões. Q u a n d o essa lei foi d e s c o b e r t a . o s m e m b r o s _ _ d o g r u p o n ã o t e r i a m p o n t o s ^ j d e jipoio p a r a a a p l i c a ç ã o d a s poderosas técnicas de m a n i p u l a ç ã o lógica e m a t e mática no seu trabalho de resolução de enigmas. o o n s l i l u e m ^ s a rrj^Uriz„djsç|r^injr^e--cojg m a m u m t o d o . A l g u m a s vezes são e n c o n t r a d a s a i n d a sob a f o r m a s i m b ó l i c a : / = ma o u / = V/R. empregadas sem discussão o u d i s s e n s ã o p e l o s m e m b r o s d o g r u p o . F a l o dos c o m p o n e n t e s formais ou facilmente formalizáveis da matriz disciplinar. em geral rigorosam e n t e d i s t i n g u i d a d a p r i m e i r a n a s a n á l i s e s d o s filósofos da c i ê n c i a .s e a leis d a n a t u r e z a . as generalizações simbólicas prestam-se simultan e a m e n t e a u m a s e g u n d a função. em geral o p o d e r de u m a ciência parece aumentar c o m o TlTimerçi d e gêrleralizaçoes s i m b ó l i c a s " q u e o s _ p r a t i ç a n tes tem ao'seu dlspõfT" Tais g e n e r a l i z a ç õ e s a s s e m e l h a m . c o m o indicam as discussões anteriores deste livro. N ã o procurarei apresentar a q u i u m a lista e x a u s t i v a .z). esses elementos n ã o ' s e r ã o discutidos c o m o se constituíssem u m a única peça. c o m o n o c a s o d a L e i d e J o u l e . P o r é m . Rotularei de "generalizações simbólicas" um tipo importante de componente do paradigma. m a i s f r e q ü e n temente. O u t r a s v e z e s s ã o e x p r e s s a s e m p a lavras: "os elementos combinam-se n u m a proporção constante aos seus p e s o s " ou "a u m a ação correspond e uma r e a ç ã o i g u a l e c o n t r á r i a " . da corrente e da resistênc i a que a n t e r i o r m e n t e i g n o r a v a m .

ã m a t é r i a e à f o r ç a ou a o s c a m p o s . entre outras coisas. todas as revoluções envolvem o a b a n d o n o de generalizações cuja força era parcialmente tautológica. Provavelmente essa situação é típica. B R O W N . 536-47 Resistance (1963). já que a natureza de um compromisso com u m a lei é m u i t o d i f e r e n t e d o c o m p r o m i s s o c o m u m a d e f i n i ç ã o .n físicas". á " a c e i t a ç ã o d a L e i d e Ó h m exigiu. eu descrever i a tais c o m p r o m i s s o s c o m o c r e n ç a s e m d e t e r m i n a d o s modelos e expandiria a categoria " m o d e l o s " de m o d o a incluir t a m b é m a v a r i e d a d e relativamente heurística: o c i r c u i t o e l é t r i c o p o d e ser e n c a r a d o c o m o u m s i s t e m a hidrodinâmico em estado de equilíbrio. o u " p a r t e s m e t a f í s i c a s d o s p a r a d i g m a s " . T h e Electric Current in Early Nineteenth-Century French Physics. TJma a p r e s e n t a ç ã o d e p a r t e s s i g n i f i c a t i v a s d e s s e e p i s ó d i o e n c o n t r a . q u e s ã o t a u t ò l o g i a s .s e e m : T . No m o m e n t o suspeito de que. I (1969). em Histórica! Studies in the Physical Sciences. u m a redefinição dos t e r m o s " c o r r e n t e " e " r e s i s t ê n c i a " . pp. P o r exemplo. SCHAGRIN. C o m f r e q ü ê n c i a a s leis podjsm s e r j * r a d u a l m e n t e c o r r i g i d a s . e MORTON XXI. American . F o i exatamente por isso q u e provocou u m a onosição t ã o violenta. o equil í b r i o e n t r e s u a s f o r ç a s legislativas e d e f i n i t ó r i a s — que são inseparáveis — m u d a c o m o t e m p o . Em outro c o n t e x t o esses p o n t o s m e r e c i a m u m a a n á l i s e d e t a l h a da. T e n h o / é m m e n f é ' c o r n ^ o r m S o s c o l e t i v o s c o m c r e n ç a s comõT o calor é a energia cinética das partes constituintes d o s corpos. Se e s s e s d o i s t e r m o s c o n t i n u a s s e m a ter o m e s m o sentido q u e antes. Se agora reescrevesse este livro. e n t r e outras coisas. a l t e r n a t i v a m e n t e . a o contrário. a r e s p e i t o d o quaT m u l t a c o i s a foi d i t a n ó \ j m e u texto original sob rubricas c o m o " p a r a c ^ g m a s ineta. m a T n â o ãs^HjTinicões. as g e n e r a l i z a ç õ e s s i m b ó l i c a s f u n c i o n a m em p a r t e c o m o leis e e m p a r t e s c o m o d e f i n i ç õ e s d e a l g u n s dos símbolos que elas e m p r e g a m . p o r e x e m plo. da Lei de Joule-Lenz. A l é m disso. O q u e fez E i n s t e i n : m o s t r o u q u e a s i m u l t a n e i d a d e e r a r e lativa ou alterou a própria n o ç ã o de simultaneidade? Estavam pura e simplesmente errados aqueles que viam um p a r a d o x o na expressão "relatividade na simultaneidade"? Consideremos um segundo çomr>onente^a jnatriz~ d i s c i p l i n a r . to Ohtn'8 Law. a Lei de O h m n ã o p o deria estar certa. M ./ = V/R. Journal pp. 61-103 o/ Physics. todos os fenômenos perceptivos são devidos à interação de átomos qualitativamente neutros no vaz i o o u . as moléculas 8 8 .

e n t r e t a n t o . q u a l q u e r q u e seja a m a r g e m d e e r r o p e r m i s sível. e m b o r a usualmente o façam. escolher entre maneiras incompatíveis de praticar s u a disciplina. existem t a m b é m val o r e s q u e d e v e m ser u s a d o s p a r a j u l g a r t e o r i a s c o m p l e t a s : estes p r e c i s a m . Em geral s ã o mais amplamente. compatíveis c o m outras teorias disseminadas no momento.s o l u c i o n a d o s e a ~ a v a l i a r ã impT^rtârir-^ ç\e-. (Atualmente penso i .. E m b o r a a intensidade do compromisso do grupo com determinados princípios varie — acarretando conseqüências importantes — ao longo de um espectro que abrange desde modelos heurísticos até ontológicos. inversamente. P r o v a v e l m e n t e os valores a o s quais os cientistas aderem c o m m a i s intensidade s ã o aqueles que dizem respeito a predições: devem ser a c u r a d a s . p r e d i ç õ e s q u a n t i t a t i v a s s ã o preferíveis à s q u a l i t a t i v a s . líJítes 'de m a i s n a d a . e assim por diante.s e . p a d a " u m ~ d e l e s . a i m p o r t â n c i a p a r t i c u l a r dos valores aparece q u a n d o os m e m b r o s de u m a c o m u n i d a d e d e t e r m i n a d a p r e c i s a m identificar u m a c r i s e ou. E m b o r a n u n c a d e i x e m d e t e r eficácia.d e u m gás c o m p o r t a m . fornecem ao grupo as analogias ou metáforas_preferidas ou permjssíveis. p e r m i t i r à formulação de quebra-cabeças e de soluções. yale dizer. todos os modelos p o s s u e m funções similares. d e v e m ser simples. ajudam a estab e l e c e r g lista d o s q u e b r a . d e v e ser r e s p e i t a d a r e g u l a r m e n t e n u m a á r e a d a d a . mais tarde. d o t a d a s de coerência Interna filj^ãuayeis. partilhados por diferentes c o m u n i d a d e s d o q u ê a s g e n e r a l i z a ç õ e s s i m b ó l i c a s <5u m o d e l o s r "Contribuem bastante para proporcionar aos especja|istas__em_ c i ê n c i a s d a n a t u r e z a u m s e n t i m e n t o de p ^ E t e h ç ê r s r n a* u m a c o m u n i d a d e glõEaí. Já indiquei anteriormente que a condição de membro n u m a comunid a d e de cientistas d u r a n t e a primeira m e t a d e do século X I X n ã o pressupunha a crença nos átomos. E n t r e outras coisas. N o t e .c a b e ç a s n ã o . O t e r c e i r o g r u p o d e e l e m e n t o s d a m a t r i z disciplinar que descreverei é constituído por valores. quando possível. Desse m o d o auxiliam a d e t e r m i n a r õ q u e será aceito c o m o u m a explicação o u c o m o u m a soluç ã o de quebra-cabeça e. C o n t u d o .s e c o m o pequeninas bolas d e bilhar elásticas movendo-se ao acaso. q u e o s m e m b r o s d e c o m u n i d a d e s científicas n ã o precisam partilhar nem m e s m o modelos heurísticos.

estáveis de u m a época a outra e de um m e m b r o a outro em um g r u p o determinado. U m a teoria p o d e ser mais acurada. p o d e m ser c o m p a r t i l h a d o s p o r h o m e n s q u e d i v e r g e m q u a n t o à sua aplicação. Ainda mais importante é n o t a r q u e nas situações o n d e valores d e v e m ser aplicados. considerados isoladamente. a l g u m a s _ v e z e s a a p l i c a ç ã o _ d o s j v a l o r e s é c o n s i d e r a v e l m e n t e afetada^ p e l o s t r a ç o s da p e r s o n a l i d a d e i n d i v i d u a l e _peTã b i o g r a f i a q u e d i f e r e n c i a os rnemb"?os__doagrupo. a p o n t o d e t o r n a r impossível a prática da teoria normal. embora os valores sejam a m p l a m e n t e compartilhados pelos cient i s t a s e e s t e c o m p r o m i s s o seja a o m e s m o t e m p o p r o f u n d o e c o n s t i t u t i v o da c i ê n c i a . a c i ê n c i a d e v e o u n a ò ^ d S v e ter u m a u t i l i d a d e . u m a v e z m a i s . e m b o r a n ã o inteiramente.) Exigiam ainda o u t r a s e s p é c i e s d e v a l o r e s — . a v e l h a T e o r i a d o s Quanta nos proporciona um exemplo. coerência interna. Entretanto. Em suma.q u e u m a fraqueza do m e u texto original está na p o u c a atenção prestada a valores como a coerência interna e e x t e r n a a o c o n s i d e r a r f o n t e s d e crises e f a t o r e s q u e d e t e r m i n a m a escolha de u m a teoria. p a r a B o h r e outros n ã o p a s s a v a d e u m a dificuldade passível d e resolução através dos meios normais. Julgamento quanto à acuidade s ã o relativamente. julgamentos de simplicidade. n u m grau maior do q u e os outros elementos da matriz disciplinar. um aspecto dos valores partilhados requer u m a m e n ç ã o especial.. Aquilo q u e p a r a Einstein era u m a incongruência insup o r t á v e l n a v e l h a T e o r i a d o s Quanta. P a r á m u i t o s leitores. '"•frrpp ". d q x . variam e n o r m e m e n t e de indivíduo p a r a indivíduo. m a s m e n o s coerente ou plausível q u e o u t r a . . ditariam c o m freqüência escolhas diferentes. a q u i . M a s . valores diferentes. p o r q u e insisto sobre o fato de que aquilo que os cient i s t a s p a r t i l h a m n ã o é suficiente p a r a i m p o r u m a c o r do uniforme no caso de assuntos c o m o a escolha de duas teorias concorrentes ou a distinção entre u m a ano1 . Sou ocasionalmente acusado^ de glorificar a s u b j e t i v i d a d e e m e s m o a i r r a c i o n a l i d a d e . essa característica d o e m p r e go dos valores partilhados apareceu c o m o a m a i o r fraqueza da minha posição. plausibilidade e assim por diante. O s valores. s o c i a l ? — m a s a s o o u a i d c r a ç ú e s d p i ü s C n t a d à s a c i m a d e v e m ser suficientes p a r a tornar compreensível o q u e t e n h o em m e n t e .

/ graficamente. m e s m o q u a n d o seus m e m b r o s n ã o o s e m p r e g a m d a m e s m a m a n e i r a . Voltemos agora a um quarto tipo de elemento presente na matriz disciplinar (existem outros que n ã o discutirei a q u i ) . S e . "Meaning and Scientific Change". o s v a l o r e s c o m p a r t i l h a d o s p o d e m ser d e t e r minantes centrais d o c o m p o r t a m e n t o d e grupo. m a s o p a d r ã o de desenvolvimento das artes plásticas m u d o u drasticamente q u a n d o e s s e v a l o r foi a b a n d o n a d o . Gro-wth of 1 9 6 6 ) . I S R A E L S C H E F F L E R . em Mind and Cosmos: Essays in Contemporary Science and Pkilosophy. 7. a v a r i a b i lidade individual no e m p r e g o de valores compartilhad o s p o d e ter funções essenciais p a r a a ciência. Em assuntos dessa natureza. pp. T h e U n i v e r s i t y o f P i t t s b u r g h S e r i e s i n P h i l o s o p h y o f S c i e n c e . 41-85. Ver a discussão no início do Cap. S e g u n d o . haveria poucas ou n e n h u m a revolução. E s t a é talvez a m a n e i r a q u e a c o m u n i d a d e encontra p a r a dist r i b u i r os r i s c o s e a s s e g u r a r o s u c e s s o do s e u e m p r e e n dimento a longo prazo.malia c o m u m e u m a p r o v o c a d o r a de crise. acima. 10. t a n t o filológica c o m o a u t o b i o . ( S e n ã o fosse a s s i m . F o i este c o m p o n e n t e dos compromissos 9 1 0 9.) N e m todos pintaram da mesma maneira durante os períodos nos quais a represent a ç ã o era o valor primário. a c i ê n c i a d e i x a r i a d e existir. A m a i o r parte d a s anomalias é solucionada por meios normais. . Imaginemos o que aconteceria nas ciências se a coerência interna deixass e d e ser u m v a l o r f u n d a m e n t a l . Se todos os membros de uma comunidade respondess e m a c a d a a n o m a l i a c o m o se esta fosse u m a fonte de crise ou abraçassem c a d a nova teoria apresentada p o r u m c o l e g a . Science and Subfectl1 9 6 7 ) e o s e n s a i o s de Sír K A R L P O P P E R e I M R E L A U T O S Knowledge. Ver especialmente: DUDLEY SHAPERE. o controle da e s c o l h a i n d i v i d u a l p o d e s e r feito a n t e s p e l o s v a l o r e s partilhados do q u e pelas regras partilhadas. n ã o h a v e r i a p r o b l e m a s filosóficos especiais a r e s p e i t o da T e o r i a d o s Valores ou da Estética. N e s t e c a s o o t e r m o " p a r a d i g m a " seria t o t a l m e n t e a p r o p r i a d o . ( N o v a York. aceitando riscos elevados. em III viry (Pittsburgh. p o r o u t r o lado. P r i m e i r o . ninguém reagisse às anomalias ou teorias novas. Os pont o s a o s q u a i s o s v a l o r e s d e v e m ser a p l i c a d o s s ã o t a m b é m invariavelmente aqueles nos quais um risco deve ser enfrentado. M a s essa r e a ç ã o ignora duas características apresentadas pelos julgamentos de valor em todos os c a m p o s de estudo. grande parte das novas t e o r i a s p r o p o s t a s d e m o n s t r a m e f e t i v a m e n t e ser falsas.

Afirma-se q u e ele n ã o p o d e r e s o l v e r n e n h u m p r o b l e m a a n t e s d e ter aprendido a teoria e algumas regras que indicam c o m o a p l i c á . discutido os problemas encontrados por um estud a n t e n o s t e x t o s científicos o u n o s s e u s t r a b a l h o s d e laboratório. E m b o r a o s físicos d e estados sólidos e os da teoria d o s c a m p o s compartil h e m a E q u a ç ã o de Schrõdinger. cônico. 30 p ê n d u l o . e x a m e s o u n o fim d o s c a p í t u l o s d o s m a n u a i s científicos.deste livro.xemplares" C o m essa expressão quero indicar. A t é a g o r a o s filósofos d a c i ê n c i a n ã o t ê m . Tajs jjqluçôes indicam^. s u b s t i t u í .l o . O c o n h e c i m e n t o científico e s t á f u n d a d o na teoria e nas regras. porque se pensa que servem apenas para p ô r em prática o q u e o estudante já sabe.comuns do g r u p o q u e primeiro me levaram à escolha dessa palavra. P o r e x e m p l o . antes de mais n a d a . d e v e m s e r s o m a d o s a esses e x e m p l o s p a r t i l h a d o s p e l o m e n o s a l g u m a s d a s soluções técnicas de problemas encontráveis nas p u blicações periódicas q u e os cientistas e n c o n t r a m d u r a n t e suas carreiras c o m o investigadores.atrayés de exemplos. 3. na m e dida em q u e seu treino se desenvolve. e m geral. as generalizações simbólicas são cada vez mais exemplificadas atrav é s d e d i f e r e n t e s e x e m p l a r e s .e i a q u i p o r "p. e o u s o dè i n s t r u m e n t o s c o m o o v e r n i e r .J Q O v o _ _ e m e n o s c o m p r e e n d i d o . seja n o s l a b o r a t ó r i o s . c o m o devem realizar seu trabalho. Em vista disso os exemplos exigirão mais atenç ã o do que os outros c o m p o n e n t e s da matriz disciplin a r . d a s órbitas de K e p l e r . C o n t u d o . já que o termo assumiu u m a v i d a p r ó p r i a . Os paradigmas como exemplos compartilhados O paradigma enquanto exemplo compartilhado é o elemento central daquilo que atualmente me parece s e r o a s p e c t o m a i s . as^soluções concretas de problemas que os estudantes e n c o n t r a m d e s d e o i n í c i o d è s u a e d u c a ç ã o científica. t o d o s _ o s _ f í s i c p s c o m e ç a r a aprend e n d o „oj^rnesm.Qs e x e m p l a r e s ^ p r o b l e m a s c o m o o d o plano"^S3^Sfei. o c a lorímetro e a ponte de Wheatstone. M a i s d o q u e o s outros lTpos~de c o m p o n e n t e s da matriz disciplinar. C o n t u d o . os problemas são forne- .l a . as diferenças entre conjuntos de exemplares apresentam a estrutura comunitária da ciência. Contudo. somente suas aplicações mais elementares são c o m u n s aos dois grupos.

s e mg = m-f . No caso (Ps da q u e d a livre. n o início e p o r algum tempo. e s s a e x p r e s s ã o d e m o n s t r a ser u m e s b o ç o o u e s q u e m a d e lei. resolver problemas é aprender coisas r e l e v a n t e s a r e s p e i t o d a n a t u r e z a . M a s p o de-se perguntar em q u e m o m e n t o e c o m q u e meios c h e g a r a m a isto. O s o c i ó l o g o ou o l i n g ü i s t a q u e d e s c o b r e q u e a e x p r e s são correspondente é expressa e recebida sem problem a s pelos m e m b r o s d e u m a d a d a comunidade. N ã o é e x a t o afirmar q u e as m a n i p u l a ç õ e s lógicas e m a t e m á t i c a s a p l i c a m . M a s . aprendido grand e c o i s a a r e s p e i t o d o q u e significam t a n t o a e x p r e s são c o m o seus t e r m o s o u c o m o o s cientistas relacion a m essa expressão à natureza. C o m o a p r e n d e r a m . O estudante q u e r e solveu muitos p r o b l e m a s p o d e apenas ter a m p l i a d o sua facilidade p a r a resolver outros m a i s .s e d i r e t a m e n t e à f ó r m u l a / — ma. o fato de q u e eles a a c e i t e m s e m p e r g u n t a s e a u t i l i z e m c o m o um ponto de partida para a introdução de manipulaç õ e s l ó g i c a s e m a t e m á t i c a s n ã o significa q u e e l e s c o n c o r d e m q u a n t o a o seu sentido o u sua aplicação. o s e s t u d a n t e s d e v e m a p r e n d e r algo q u e é a i n d a mais c o m p l i c a d o q u e isso. c o n f r o n t a d o s c o m u m a determinada situação experimental. N a a u s ê n c i a d e t a i s e x e m p l a r e s . Para tornar compreensível o que tenho em mente. modifica-se a generalização simbólica à qual se aplicam essas manipulações. a s leis e t e o r i a s a n t e r i o r m e n t e aprendidas feriam p o u c o c o n t e ú d o empírico. À m e d i d a q u e o e s t u d a n t e e o cientista praticante p a s s a m de u m a situação p r o blemática a outra. no dt 2 . N ã o há dúvida de que estão de acordo em larga medida. / = ma t o r n a . n ã o terá. sem muita investigação adicional. g e r a l m e n t e e x p r e s s o s o b a f o r m a : / = ma. a selecionar forças. e m b o r a esse aspecto d a situação n u n c a o u q u a s e n u n c a seja n o t a d o .cidos para que se alcance destreza daquelas. A Segunda Lei de Newton é um exemplo amplamente part i l h a d o . tentei a r g u m e n t a r q u e esta localização do c o n t e ú d o cognitivo da ciência está errada. massas e acelerações relevantes? N a prática. reverto brevemente às generalizações simbólicas. pois de outro m o d o o desacordo apareceria rapidamente nas suas conversações subseqüentes. Q u a n d o e x a m i n a d a . Na verdade. Todavia.

/ — ma f u n c i o n o u c o m o um i n s t r u m e n t o . u m a m a n e i r a d e e n c a r a r s e u p r o b l e m a como s e fosse u m p r o b l e m a q u e j á e n c o n t r o u antes. c o m o aos historiadores d a ciência. p o d e nos fornecer u m a pista. compreenderam-no perfeitamente. transforma-se e m mg senO : — ml cP6 2 p a r a u m p a r d e oscilações h a r m ô n i c a s e m a ç ã o recíproca transmuta-se em duas equações.c a s o d o p ê n d u l o simples. c o m ou s e m assistência de seu i n s t r u t o r . t o m a a i n d a o u t r a s f o r m a s . O e s b o ç o d e lei. c o m o o giroscópio. U m a vez percebida a semelhança e apreendida a analogia entre dois ou mais problemas distintos. o estudante aprende ao m e s m o t e m p o a elab o r a r a v e r s ã o a p r o p r i a d a de / = ma. O e s t u d a n t e d e s c o b r e . C o m u m e n te essas dificuldades se dissipam da m e s m a maneira. m a s n ã o obstante e n c o n t r a m dificuldades p a r a resolver muitos dos p r o b l e m a s q u e e n c o n t r a m n o fim d o capítulo. m a s s a s e a c e l e r a ç õ e s n u m a v a r i e d a d e d e s i t u a ç õ e s físicas j a m a i s e n c o n t r a d a s a n t e riormente. Dessa aplicação resulta a h a bilidade p a r a ver a semelhança entre u m a variedade de s i t u a ç õ e s . T a l habil i d a d e m e p a r e c e ser o q u e d e m a i s e s s e n c i a l u m e s t u m. t a n t o aos estudantes. Os primeiros relatam sistematicamente que l e r a m d o início a o f i m u m c a p í t u l o d e s e u m a n u a l . cP Sl . sinal i z a n d o o c o n t e x t o (. o estudante p o d e estabelecer relações entre os símbolos e aplicá-los à natureza segundo maneiras que já tenham demonst r a d o s u a eficácia a n t e r i o r m e n t e . e n q u a n t o a p r e n d e a identificar f o r ç a s . dt e p a r a situações mais complexas. C o m o a p r e n d e u a f a z e r isso? U m f e n ô m e n o familiar. a primeira das q u a i s p o d e ser f o r m u l a d a c o m o -). t o d a s e l a s s u b m e t i d a s à f ó r m u l a / = ma ou qualquer outra generalização simbólica. q u e p e r m i t i r á inter-relacioná-las. i n f o r m a n d o ao estudante q u e similaridades procurar. d i g a m o s . M u i t o freqüentemente será u m a vers ã o p a r a a qual a n t e r i o r m e n t e ele n ã o encontrou um e q u i v a l e n t e l i t e r a l . t 2 2 2 dt . C o n t u d o . c u j o p a r e n t e s c o c o m / = ma é a i n d a m a i s difícil d e d e s c o b r i r .Gestalt.k S! = k (s — S i + d ) . d e n t r o do q u a l a s i t u a ç ã o deve ser examinada.

i m a g i n a n d o q u e o corpo desse último. E m s e g u i d a i m a g i n e mos que cada partícula de água se move separadamente p a r a cima até a altitude m á x i m a q u e lhe é possível alcançar com a velocidade adquirida durante aquele ! . m a s s e u c e n t r o d e gravidade coletivo elevar-se-ia q u a n d o cada u m desses pontos alcançassem sua altura máxima. tal c o m o n o p ê n d u l o d e G a l i l e u .d a n t e a d q u i r e . o estudante passa a conceber as situações q u e o confrontam c o m o um cientista. J á n ã o s ã o mais as m e s m a s situações q u e encontrou no início de seu treinamento c o m o cientista. ? O papel das relações de similaridade adquiridas revela-se claramente t a m b é m na história da ciência. Depois de resolver um certo n ú m e r o de problem a s ( n ú m e r o q u e p o d e variar g r a n d e m e n t e d e indivíd u o p a r a i n d i v í d u o ) . f r e q ü e n t e m e n t e c o m t ã Í ^ a e t B ! g o ^ í n i m o _ _ a generaTizâções^lTmbóTlgâsT* G á f i l é u ' d e s c o b r i u q u e "uma' bola qriiaSs^c*'r^iãria o um p l a n o i n c l i n a d o a d q u i r e v e l o c i d a d e suficiente p a r a v o l t a r à m e s m a altura vertical n u m segundo plano inclinado c o m q u a l q u e r aclive. e n c a r a n d o .o s de ácòrdío c o m ^ o l u c ^ e ^ ã n r e r i o r e s . Nesse m e i o t e m p o . Determina-se o abaixamento do centro de gravidade da água no tanque e no jato durante um i n t e r v a l o d e t e m p o infinitésimo. A p r e n d e u t a m b é m a v e r e s t a sit u a ç ã o e x p e r i m e n t a l c o m o s e fosse s i m i l a r à d o p ê n d u lo com massa pontual para u m a bola do pêndulo.a s a p a r t i r d o m e s m o c o n t e x t o (Gestaltj q u e o s o u t r o s m e m b r o s d o seu g r u p o d e e s p e c i a l i s t a s . a o r e s o l v e r p r o b l e m a s e x e m p l a r e s . M a s . seja c o m lápis e p a p e l . Desfeitas as ligações. Daniel Bernoulli conseguiu aproximar o fluxo d e á g u a a t r a v é s d e u m orifício e o p ê n d u l o d e Huyghens. o c e n t r o d e g r a v i d a de coletivo n ã o ultrapassaria a altura a partir da qual o centro de gravidade do pêndulo real c o m e ç a r a a cair. assimilou u m a maneira de ver testada pelo t e m po e aceita pelo g r u p o . Finalmente. n a d a mais era do que um conjunto de pêndulos pontuais galileanos e q u e as ligações entre esses p o d e r i a m ser i n s t a n t a n e a m e n t e desfeitas e m q u a l q u e r m o m e n t o d a oscilação. A partir daí H u y g h e n s resolveu o problema do centro d e o s c i l a ç ã o d e u m p ê n d u l o físico. seja n u m l a b o r a t ó r i o b e m p l a n e jado. considerado na sua extensão. Qs cientistas resolvem quebra-cabeças m p d e l a n d o . os pêndulos pontuais i n d i v i d u a i s p o d e r i a m oscilar l i v r e m e n t e .

obtido modelando-se u m a solução Je problema sobre outra. M a d d o x ( N e u c h â t e l . I m a g i n e m o s em seguida o que essas palavras. P a r a ele a g e n e r a l i z a ç ã o s o m e n t e p o d e r i a c o m e ç a r a f u n c i o n a r q u a n d o fosse c a paz de reconhecer "descidas reais" e "subidas potenciais" c o m o ingredientes da natureza. pp. Isto corresponde a a p r e n d e r . v e r R E N É D U G A S . c o m o objetos para a aplicação do m e s m o esboço de lei o u lei científica. Error a n d Failure i n N e w t o n ' s 'rincipia. i s t o é. X. ao contrário. A a p l i c a ç ã o q u e B e r n o u l l i fez d e s s a lei d e v e r i a s u g e r i r q u ã o p l e n a de conseqüências ela era. O s t r ê s p r o b l e m a s d o e x e m p l o ( t o d o s eles e x e m p l a r e s p a r a o s mecânicos do século X V I I I ) empregam apenas u m a lei d a n a t u r e z a . R. Conjecture. A History of Mechanics. q u a n d o alguém aprende as palavras. ver C L I F F O R D T R U E S D E L L . sive de veribus et motibus fluidorum. A elevação do centro de gravidade d a s p a r :ículas i n d i v i d u a i s d e v e e n t ã o i g u a l a r o a b a i x a m e n t o do centro de gravidade da água no tanque e no jato. q u e conhece as palavras e é capaz de resolver todos esses p r o b l e m a s q u e atualm e n t e e m p r e g a meios diferentes. comnentarii opus academicum (Estrasburgo. Esse gênero de aprendizado n ã o se adquire exclusivamente através de meios verbais. A. 1 9 5 5 ) . 135-36. A p r o p ó s i t o do e x e m p l o . q u e vinha s e n d o procurada há muito t e m p o . Apresentemo-lo a um estudante c o n t e m p o r â n e o de Física. p o d e m ter dito a um h o m e m que n ã o conhecia n e m m e s m o esses p r o b l e m a s . 186-193 e D A N I E L ÍERNOULLI. Hydrodynamica. rad. juntamente com exem1 1 1 1 . a n t e s d a lei.intervalo. . e m b o r a todas b e m conhecidas. p p . J. E. conhecimento q u e s e e n c a r n a n u m a m a n e i r a d e ver a s s i t u a ç õ e s físicas e n ã o e m leis o u r e g r a s . c o n t u d o . é v i r tualmente impotente. a l g u m a c o i s a a r e s p e i t o d a s situações q u e se apresentam ou n ã o na natureza. C o n h e c i d a c o m o o P r i n c í p i o d a vis viva ( f o r ç a v i v a ) . 238-58 (1967). partir dessa concepção do problema. descobriu-se r a p i d a m e n t e a velocidade do fluxo. Para comireender o grau de d e s e n v o l v i m e n t o alcançado pela Mecânica durante i primeira metade do século X V I I I . Esse exemplo deveria começar a tornar claro o que q u e r o dizer q u a n d o falo e m a p r e n d e r p o r m e i o de p r o b l e m a s a v e r s i t u a ç õ e s c o m o s e m e l h a n t e s . t o m a d o e m s i m e s m o . Ocorre. Reactions of i-ate l a r o q u e M e c h a n i c s t o Success. Texas Quarterly. A o m e s m o t e m p o m o s t r a p o r q u e m e refiro a o relevante c o n h e c i m e n t o d a natureza q u e se adquire ao compreender a relação de semelhança. foi c o m u m e n t e e x p r e s s a d a s e g u i n te forma: "A descida real iguala a subida potencial". Seção III. 1738). o e n u n c i a d o v e r b a l d a lei.

pios concretos de c o m o funcionam na prática; a natureza e as palavras são aprendidas simultaneamente. P e d i n d o e m p r e s t a d a m a i s u m a v e z a útil e x p r e s s ã o d e Michael Polanyi: desse processo resulta um "conhecimento tácito", conhecimento que se aprende fazendo ciência e n ã o simplesmente adquirindo regras p a r a fazê-la. 4. Conhecimento tácito e intuição

E s s a r e f e r ê n c i a ao c o n h e c i m e n t o t á c i t o e a rejeição concomitante de regras circunscreve um outro prob l e m a que tem p r e o c u p a d o muitos de m e u s críticos e que parece motivar as acusações de subjetivismo e irracionalidade. Alguns leitores tiveram a impressão de q u e eu tentava assentar a ciência em intuições individ u a i s n ã o - a n a l i s á v e i s e n ã o s o b r e a L ó g i c a e as leis. M a s esta interpretação perde-se em dois pontos essenciais. P r i m e i r o , essas intuições n ã o s ã o individuais — se é que estou falando de intuições. São antes possessões testadas e compartilhadas pelos m e m b r o s de um grupo b e m sucedido. O novato adquire-as através do treinamento, c o m o p a r t e d e sua p r e p a r a ç ã o p a r a tornar-se m e m b r o do grupo. Segundo, elas n ã o são, em princípio, impossíveis de analisar. Ao contrário, estou presentemente trabalhando com um programa de comp u t a d o r p l a n e j a d o p a r a investigar suas propriedades e m u m nível elementar. N a d a direi a respeito desse p r o g r a m a a q u i , m a s o simples fato de o m e n c i o n a r deveria esclarecer m e u a r g u m e n t o c e n t r a l . Q u a n d o falo d e c o n h e c i m e n t o b a seado em exemplares partilhados, n ã o estou me refer i n d o a u m a forma de conhecimento m e n o s sistemática ou m e n o s analisável q u e o c o n h e c i m e n t o b a s e a d o em r e g r a s , leis o u c r i t é r i o s d e i d e n t i f i c a ç ã o . E m v e z d i s s o , tenho em mente u m a forma de conhecimento que pode ser interpretada e r r o n e a m e n t e , se a reconstruirmos em termos de regras que primeiramente são abstraídas de exemplares e q u e a partir daí passam a substituí-los. D i t o d e o u t r o m o d o : q u a n d o falo e m a d q u i r i r a p a r tir d e e x e m p l a r e s a c a p a c i d a d e d e r e c o n h e c e r q u e u m a
1 2

meu

1 2 . A l g u m a informação sobre ensaio "Second Thoughts".

esse

assunto

pode

ser

encontrada

no

situação d a d a se assemelha ( o u não se assemelha) a situações anteriormente encontradas, n ã o estou apeland o p a r a u m p r o c e s s o q u e n ã o p o d e ser t o t a l m e n t e e x p l i cado em termos de mecanismos neurocerebrais. Sustento, ao contrário, q u e tal explicação, d a d a a sua n a tureza, n ã o será c a p a z de responder à pergunta: "Semelhante em relação a quê?" Essa questão pede u m a regra — nesse caso, os critérios através d o s quais situações particulares são agrupadas em conjuntos semelhantes. Reivindico q u e neste caso é necessário r e sistir à t e n t a ç ã o d e p r o c u r a r o s c r i t é r i o s ( o u p e l o m e nos um conjunto de critérios). Contudo, não me opon h o a sistemas, m a s apenas a algumas de suas formas particulares. P a r a dar p e s o à m i n h a afirmação, farei u m a b r e ve digressão. Atualmente parece-me óbvio o q u e digo a seguir, m a s o recurso constante em m e u texto origin a l a frases c o m o " o m u n d o t r a n s f o r m a - s e " s u g e r e q u e n e m s e m p r e foi a s s i m . S e d u a s p e s s o a s e s t ã o n o m e s m o lugar e olham fixamente na m e s m a direção, d e vemos concluir, sob p e n a de solipsismo, q u e r e c e b e m e s t í m u l o s m u i t o s e m e l h a n t e s . ( S e a m b a s p u d e s s e m fixar seus olhos no m e s m o local, os estímulos seriam idênticos.) M a s as pessoas n ã o vêem os estímulos; nosso c o n h e c i m e n t o a r e s p e i t o d e l e s é a l t a m e n t e t e ó r i c o e abstrato. Em lugar de estímulos, temos sensações e n a d a nos obriga a supor q u e as sensações dos nossos dois espectadores s ã o u m a e a m e s m a . ( O s céticos p o deriam relembrar q u e a cegueira c o m relação a cores nunca fora percebida até sua descrição por J o h n Dalton em 1794.) Pelo contrário: muitos processos nervosos t ê m lugar entre o recebimento de um estímulo e a consciência de u m a sensação. E n t r e as poucas coisas q u e s a b e m o s a esse respeito e s t ã o : estímulos m u i to diferentes p o d e m produzir a m e s m a sensação; o m e s m o estímulo p o d e produzir sensações m u i t o diferentes; e, finalmente, o c a m i n h o que leva do estímulo à sensação é parcialmente determinado pela educação. Indivíduos criados em sociedades diferentes c o m p o r tam-se, em algumas ocasiões, c o m o se vissem coisas diferentes. Se n ã o fôssemos tentados a estabelecer u m a relação biunívoca entre estímulo e sensação, poderíamos a d m i t i r q u e tais i n d i v í d u o s r e a l m e n t e v ê e m c o i s a s diferentes.

N o t e - s e q u e d o i s g r u p o s cujos m e m b r o s t ê m s i s t e maticamente sensações diferentes ao captar os mesmos e s t í m u l o s , v i v e m , em certo sentido, em m u n d o s d i f e rentes. Postulamos a existência de estímulos p a r a e x plicar nossas percepções do m u n d o e postulamos sua imutabilidade p a r a evitar tanto o solipsismò individual c o m o o social. N ã o t e n h o a m e n o r r e s e r v a q u a n t o a q u a l q u e r desses postulados. M a s n o s s o m u n d o é p o voado, em primeiro lugar, n ã o pelos estímulos, m a s p e l o s o b j e t o s d e n o s s a s s e n s a ç õ e s e esses n ã o p r e c i s a m ser o s m e s m o s d e i n d i v í d u o p a r a i n d i v í d u o , d e g r u p o p a r a grupo. Evidentemente, na m e d i d a em que os indivíduos pertencem ao mesmo grupo e portanto compartil h a m a educação, a língua, a experiência e a cultura, temos boas razões p a r a supor q u e suas sensações são a s m e s m a s . S e n ã o fosse a s s i m , c o m o p o d e r í a m o s c o m p r e e n d e r a p l e n i t u d e de s u a c o m u n i c a ç ã o e o c a r á t e r c o letivo de suas respostas comportamentais ao meio a m b i e n t e ? É p r e c i s o q u e v e j a m as c o i s a s e p r o c e s s e m os e s t í m u l o s d e u m a m a n e i r a q u a s e i g u a l . M a s o n d e existe a d i f e r e n c i a ç ã o e a e s p e c i a l i z a ç ã o de g r u p o s , n ã o d i s pomos de nenhuma prova semelhante com relação à imutabilidade das sensações. Suspeito de q u e um m e r o paroquialismo nos faz supor q u e o trajeto d o s estímulos às sensações é o m e s m o p a r a os m e m b r o s de todos os grupos. V o l t a n d o a o s e x e m p l a r e s e às r e g r a s , eis o q u e t e n h o t e n t a d o sugerir, s e b e m que d e u m a forma preliminar: u m a das técnicas fundamentais pelas quais os m e m b r o s de um grupo (trata-se de toda cultura ou de u m s u b g r u p o d e especialistas q u e atua n o seu interior) a p r e n d e m a ver as m e s m a s coisas q u a n d o confrontados c o m os m e s m o s estímulos consiste na apresentação de exemplos de situações q u e seus predecessores no g r u p o já a p r e n d e r a m a ver c o m o semelhantes entre si ou diferentes de outros gêneros de situações. Essas situações semelhantes p o d e m ser apresentações sensoriais sucessivas do m e s m o indivíduo — p o r e x e m p l o , da m ã e , q u e é f i n a l m e n t e r e c o n h e c i d a à p r i m e i r a v i s t a c o m o ela m e s ma e c o m o diferente do pai ou da irmã. P o d e m ser a p r e s e n t a ç õ e s d e m e m b r o s d e famílias n a t u r a i s , d i g a m o s , c i s n e s d e u m l a d o e g a n s o s d e o u t r o . O u p o d e m ser, n o caso d o s m e m b r o s de grupos mais especializados, exemplos de situações de tipo newtoniano, isto é, situações

que têm em c o m u m o fato de estarem submetidas a u m a v e r s ã o da f o r m a s i m b ó l i c a / = ma e q u e s ã o d i f e r e n tes daquelas situações às quais se aplicam, por exemplo, o s e s b o ç o s d e leis d a Ó p t i c a . A d m i t a m o s p o r e n q u a n t o q u e a l g u m a coisa desse tipo realmente ocorre. D e v e m o s dizer que o que se o b t é m a p a r t i r de e x e m p l a r e s s ã o r e g r a s e a h a b i l i d a d e p a r a aplicá-las? Essa descrição é tentadora, p o r q u e o ato de ver u m a situação a partir de sua semelhança c o m o u t r a s a n t e r i o r m e n t e e n c o n t r a d a s d e v e ser o r e s u l t a d o de um processo neurológico, totalmente governado por leis físicas e q u í m i c a s . N e s s e s e n t i d o , o r e c o n h e c i m e n t o da semelhança deve, u m a vez q u e a p r e n d a m o s a fazê-lo, ser t ã o a b s o l u t a m e n t e s i s t e m á t i c o q u a n t o a s b a t i d a s d e nosso coração. M a s este m e s m o paralelo sugere q u e o r e c o n h e c i m e n t o p o d e ser i n v o l u n t á r i o , e n v o l v e n d o u m processo sobre o qual não temos controle. Neste caso, n ã o é a d e q u a d o concebê-lo c o m o algo que p o d e m o s m a nejar através da aplicação de regras e critérios. F a l a r nesses termos implica ter acesso a outras alternativas — p o d e r í a m o s , por exemplo, ter desobedecido a u m a regra ou aplicado mal um critério, ou ainda experimentado u m a n o v a m a n e i r a d e v e r . E s s a s p a r e c e m - m e ser p r e c i s a m e n t e o g ê n e r o d e c o i s a s q u e n ã o p o d e m o s fazer. Ou, mais precisamente, essas são as coisas q u e n ã o p o d e m o s fazer antes d e t e r m o s tido u m a sensação, percebido algo. E n t ã o o que fazemos freqüentemente é b u s c a r critérios e utilizá-los. P o d e m o s em seguida e m p e nhar-nos na interpretação, um processo deliberativo através do qual escolhemos entre alternativas — algo q u e n ã o p o d e m o s fazer q u a n d o s e t r a t a d a p r ó p r i a p e r c e p ç ã o . P o r e x e m p l o , t a l v e z exista a l g o e s t r a n h o n o q u e vimos (recorde-se as cartas de baralho anômalas). Ao dobrar u m a esquina, vemos nossa m ã e entrando n u m a loja d o c e n t r o d a c i d a d e , n u m h o r á r i o e m q u e a s u p ú n h a m o s em casa. Refletindo sobre o que vimos, exclam a m o s repentinamente: " N ã o era m i n h a m ã e , pois ela t e m c a b e l o r u i v o " . A o e n t r a r n a loja, v e m o s n o v a m e n t e a mulher e não conseguimos compreender como pude1 3

1 3 . N i j h a v e r i a n e c e s s i d a d e d e insistir n e s s e p o n t o s e t o d a s a s leis f o s s e m c o m o as de N e w t o n e todas as regras c o m o as d o s D e z M a n d a m e n t o s . N e s s e c a s o , a e x p r e s s ã o " d e s o b e d e c e r u m a lei" n â o teria s e n t i d o e a rejeição de regras n ã o daria a impressão de implicar um p r o c e s s o não-governado por _ u m a lei. Infelizmente, leis de tráfego e p r o d u t o s similares da legislação p o d e m ser desobedecidos, o que facilita a confusão.

mos tomá-la por nossa mãe. Ou então vemos as penas da c a u d a de u m a ave aquática alimentando-se de alguma coisa no leito de u m a piscina rasa. É um cisne ou u m ganso? E x a m i n a m o s nossa visão, c o m p a r a n d o essas p e n a s d e c a u d a c o m a s d o s cisnes e g a n s o s q u e j á v i m o s anteriormente. Ou talvez, sendo cientistas primitivos, q u e i r a m o s simplesmente conhecer alguma característica geral (por exemplo, a brancura dos cisnes) dos m e m bros de u m a família natural q u e já conseguimos reconhecer c o m facilidade./Aqui, refletimos mais u m a vez sobre o que percebemos previamente, buscando o que o s m e m b r o s d e u m a d e t e r m i n a d a família t ê m e m comum. T o d o s esses p r o c e s s o s s ã o d e l i b e r a d o s e n e l e s p r o c u r a m o s e d e s e n v o l v e m o s r e g r a s e c r i t é r i o s . I s t o é, t e n t a m o s interpretar as sensações que estão à nossa disposição p a r a podermos analisar o que o d a d o é para n ó s . / N ã o o b s t a n t e f a ç a m o s isso, o s p r o c e s s o s e n v o l v i d o s d e v e m , e m ú l t i m a i n s t â n c i a , ser n e u r o l ó g i c o s . S ã o p o r i s s o g o v e r n a d o s p e l a s m e s m a s leis físico-químicas q u e dirigem tanto a m ã o c o m o nossos batimentos cardíacos. M a s o fato de q u e o sistema obedeça às m e s m a s leis n o s t r ê s c a s o s n ã o n o s p e r m i t e s u p o r q u e n o s s o a p a relho neurológico está p r o g r a m a d o p a r a operar da mesma maneira na interpretação e na percepção ou mesmo nos nossos batimentos cardíacos. Neste livro v e n h o me o p o n d o à tentativa, tradicional desde Descartes, mas n ã o antes dele, de analisar a percepção c o m o um processo interpretativo, c o m o u m a versão inconsciente do que fazemos depois de termos percebido. O q u e torna a integridade da percepção digna de ê n f a s e é , c e r t a m e n t e , o fato d e q u e t a n t a e x p e r i ê n c i a p a s s a d a esteja e n c a r n a d a n o a p a r e l h o neurológico q u e transforma os estímulos em sensações. Um mecanismo perceptivo adequadamente programado possui u m a valor de sobrevivência. Dizer que os m e m b r o s de diferentes grupos p o d e m ter percepções diferentes q u a n d o confrontados c o m os mesmos estímulos n ã o implica afirmar q u e p o d e m ter quaisquer percepções. E m muitos meio a m bientes, um g r u p o incapaz de distinguir lobos de cachorros n ã o jioderia sobreviver. A t u a l m e n t e um g r u p o de físicos n u c l e a r e s s e r i a i n c a p a z d e s o b r e v i v e r c o m o g r u p o científico c a s o fosse i n c a p a z d e r e c o n h e c e r o s t r a ç o s d e p a r t í c u l a s alfa e e l é t r o n s . É e x a t a m e n t e p o r q u e t ã o p o u -

m a s s i m suas trajetórias o u bolhas d e vapor n u m a c â m a r a b a r o m é t r i c a ( c â m a r a d e W i l s o n ) . n e m regras ou generalizações c o m as quais expressar esse conhecim e n t o . tal c o m o n o c o r p o d o l i v r o . mais efetivo q u e seus competidores históricos n u m meio ambiente de um g r u p o . m a s a agulha de um a m p e r í m e t r o ou galvanômetro. T a l v e z " c o n h e c i m e n t o " seja u m a p a l a v r a i n a d e quada. exatamente porq u e essas m a n e i r a s de ver foram selecionadas p o r seu sucesso ao longo de um determinado período histórico. e finalmente.c a s m a n e i r a s d e v e r n o s p e r m i t i r ã o fazer isso q u e a s q u e resistem aos testes do e m p r e g o grupai são dignas de serem transmitidas de geração a geração. u m a hipótese a respeito da visão q u e deveria ser s u b m e tida a investigação experimental. e l é t r o n s e c a m p o s . o conhecimento baseado no trajeto estímulo-resposta permanece tácito. M a s é um uso estranho. m a s há muitas razões para empregá-la. nas páginas precedentes e especialmente no Cap. e s t á sujeito a m o d i f i c a ç õ e s t a n t o a t r a v é s d a e d u c a ç ã o posterior c o m o pela descoberta de desajustamentos com a natureza. É . Do m e s m o m o d o . d e v e m o s falar d a e x p e r i ê n c i a e d o c o n h e c i m e n t o baseados no trajeto estímulo-resposta. N ã o vemos e l é t r o n s . N ã o temos acesso direto ao q u e conhecemos. d e m o n s t r o u s e r . E m b o r a t u d o isso n ã o t e n h a s e n ã o u m v a l o r p r e l i m i n a r e n ã o n e c e s s i t e ser c o r r i g i d o e m t o d o s o s s e u s d e t a l h e s . procedi repetidamente como se realmente percebêssemos entidades teóricas c o m o correntes. porque está faltando u m a o u t r a característica. Essas são as características do conhecim e n t o e explicam por que uso o termo. n o m í n i m o . Contudo. 9. a t r a v é s de tentativas. Aquilo q u e constitui o processo neurológico que transforma estímulos em sensações possui as seguintes características: foi t r a n s m i t i d o p e l a e d u c a ç ã o . c o m o se a p r e n d ê s s e m o s a fazer isso através do exame de exemplares e c o m o se t a m b é m nesses c a s o s fosse e q u i v o c a d o s u b s t i t u i r o t e m a d a v i s ã o . Na ausência dessa última. M a s falar aqui da sensação e da visão t a m b é m serve a funções metafóricas. N ã o vemos a s c o r r e n t e s elétricas. A s r e g r a s q u e p o d e r i a m n o s f o r n e c e r esse a c e s s o d e v e r i a m referir-se a o s estímulos e n ã o às sensações e só p o d e m o s conhecer os estímulos utilizando u m a teoria elaborada. e m b o r a provavelmente n ã o a u m a verificação direta. o q u e a c a b a m o s d e dizer a r e s p e i t o d a s e n s a ç ã o d e v e s e r t o m a d o e m s e u s e n t i d o literal.

A o o l h a r o v a p o r d e s u a r e s p i r a ç ã o n u m a m a n h ã fria d e i n v e r n o . essa entidade p o d e ser eliminada da ontologia de u m a teoria através da substituição. a análise e a interpretação ( o u ainda a intervenção de u m a autoridade e x t e r n a ) são exigidas. c o m o é difer e n t e d a q u e l e feito p e l o h o m e m q u e interpreta a s p e quenas gotas d'água. m a s n e m o espaço disponível. m a s e s s e t r a j e t o n ã o s ó é m a i s c u r t o . Em lugar disso tentarei brevemente r e forçá-la. de espaços perceptivos vazios entre as famílias a serem discriminadas. D a d o u m c o n j u n t o d e c o n d i ç õ e s necessárias e suficientes para a identificação de u m a entidade teórica. depois do processamento neurológico. M a s a p o s i ç ã o daquele q u e conhece esses instrumentos e teve muitas experiências de seu u s o é bastante diferente. m a s ao olhar u m a c â m a r a barométrica ele não vê (aqui literalmente) gotas d'água. que p o d e variar consideravelmente de caso para c a s o . n e m a extensão de minha c o m p r e e n s ã o atual do t e m a permitem q u e eu elimine aqui essa m e t á f o r a . C o n t u d o . por exemplo. P a r a os leitores de " S e c o n d Thoughts". m e s m o quando n ã o houver um conjunto de regras que especifique as c o n d i ç õ e s necessárias e suficientes para sua identificação. então u m p e q u e n o n ú m e r o d e critérios. houvesse um continuum p e r c e p t i v o d a s c l a s s e s d e a v e s a q u á t i c a s q u e f o s s e m d e g a n s o s até cisnes. Se. essas entidades n ã o s ã o elimináveis. m a s as trajetórias dos elét r o n s . c r i t é r i o s q u e ele i n t e r p r e t a c o m o índices da presença das partículas correspondent e s . A visão de p e q u e n a s gotas d'água ou de u m a agulha contra u m a escala n u m é r i c a é u m a experiência p e r c e p t i v a p r i m i t i v a p a r a q u a l q u e r u m q u e n ã o esteja f a miliarizado c o m as câmaras barométricas e amperímetros. p o d e r í a m o s ser c o m p e l i d o s a introduzir um critério específico para distingui-los. A metáfora q u e permite transferir " v i s ã o " p a r a contextos desse tipo d i f i c i l m e n t e p o d e servir d e b a s e p a r a t a i s r e i v i n d i c a ç õ e s . na ausência de tais regras. 1 4 1 4 . a observação cuidadosa. A l o n g o p r a z o p r e c i s a r á ser e l i m i n a d a e m f a v o r d e u m a f o r m a m a i s literal d e d i s c u r s o . será suficiente para identificar as correntes. Essa última observação sugere um corolário plausível que p o d e ser m a i s i m p o r t a n t e . E s s a s t r a j e t ó r i a s s ã o . s e q u i s e r e m . U m a observação semelhante p o d e ser feita c o m relação a entidades não-observáveis. d a s p a r t í c u l a s alfa e a s s i m p o r d i a n t e . s u a s e n s a ç ã o t a l v e z seja a m e s m a d o l e i g o . S e n d o assim. Existem d i f e r e n ç a s c o r r e s p o n d e n t e s n a m a n e i r a c o m q u e ele p r o cessa os estímulos q u e lhe chegam dos instrumentos.pelo t e m a d o s critérios e da interpretação. O programa de c o m p u t a d o r acima referido começa a s u g e r i r m a n e i r a s p e l a s q u a i s isso p o d e ser feito. A possibilidade de um reconhecim e n t o imediato dos m e m b r o s de famílias naturais depende da existência. a teoria exige sua existência. Se u m a teoria física n ã o admite a existência d e n a d a a l é m d a corrente elétrica. as seguintes observações p o u c o explícitas p o d e m servir de guia. . antes q u e se possa chegar a conc l u s õ e s s o b r e os e l é t r o n s e as c o r r e n t e s .

m a s a p e n a s d o valor d a c o r r e n t e . . Insisti. A r g u m e n t e i n o s C a p s . experimentá-los c o m baterias e ímãs e assim por diante. incomensurabilidade e revoluções O q u e a c a b a m o s de dizer fornece u m a base p a r a o esclarecimento de mais um aspecto deste livro: minhas observações sobre a incomensurabilidade e suas conseqüências p a r a os cientistas q u e d e b a t e m sobre a escolha entre teorias s u c e s s i v a s . P a r a interpretá-la. e VI Os das pontos seguintes são tratados com mais detalhe nos Caps. e s p e c i a l m e n t e s e esse ú l t i m o j á l e u o u t r o s tipos de medidores anteriormente. a s p a r t e s d e v e m e s t a r v i n c u l a n d o estes t e r m o s d e m o d o diferente à natureza — o que torna sua comunicação inevitalmente parcial. Os dois processos n ã o s ã o o m e s m o e o que a percepção deixa para a interpretação completar depende drasticamente da natureza e da extensão da f o r m a ç ã o e da experiência prévias. exceto de si m e s m o . M a s ele viu o a m p e rímetro (ainda aqui c o m freqüência de forma literal) no contexto do circuito total e sabe a l g u m a coisa a respeito de sua estrutura interna. Já q u e os vocabulários c o m os quais discutem tais situações consistem predominantemente dos mesmos termos. P a r a interpretá-la. P a r a o leigo. Conseqüentemente. Exemplares. p o r o u t r o lado. P a r a ele a posição da a g u l h a é u m c r i t é r i o . T a n t o n o sentido metafórico c o m o n o sentido literal d o termo "visão".^5. S o m e n t e o s filósofos s e e q u i v o c a r a m s e 15 is. necessita apenas determinar em q u e escala o medidor deve ser lido. a interpretação começa onde a percepç ã o termina. em vez disso. ele d e v e e x a m i n a r t o d a a d i s p o s i ç ã o d o s fios i n t e r n o s e e x t e r n o s . . a posição da agulha n ã o é critério de coisa algum a . Sua sensação é provavelmente a m e s m a d e u m a leigo. 9 e 11 q u e as partes q u e intervém em tais d e b a t e s inevitavelmente vêem de m a n e i r a distinta certas situações experimentais ou de observação a q u e a m b a s t ê m acesso. V "Reflections".Consideremos ainda o cientista q u e inspeciona um amperímetro para determinar o n ú m e r o que a agulha está indicando. na necessidade de cada partido tentar convencer através d a p e r s u a s ã o . a superiorid a d e d e u m a t e o r i a s o b r e o u t r a n ã o p o d e ser d e m o n s t r a d a através de u m a discussão.

a l g u m a espécie de apercepção mística é responsável pela decisão a q u e se chega. Consideremos primeiramente minhas observações a respeito da prova. STEPKAN V e r os trabalhos citados na nota 9. S e h á u m d e s a c o r d o s o b r e a s c o n c l u s õ e s . Alguns deles. n u m debate sobre a escolha de teor i a s n ã o c a b e r e c o r r e r a boas r a z õ e s . violando u m a regra previamente aceita. E n e m m e s m o implica afirmar que as razões p a r a a escolha sejam diferentes daquelas c o m u m e n t e e n u m e r a d a s p e l o s filósofos d a c i ê n c i a : e x a t i d ã o s i m p l i c i d a d e . acima. . queremos s u g e r i r q u e tais r a z õ e s f u n c i o n a m c o m o v a l o r e s e p o r t a n t o p o d e m ser a p l i c a d o s d e m a n e i r a s d i v e r s a s . conseqüentemente. as passagens em q u e se b a s e i a m essas interpretações equivocadas estão na origem das acusações de irracionalidade. d e h á m u i t o f a m i l i a r à Filosofia d a Ciência. A o final d e s s e p r o c e s s o . i n d i v i 1 6 de 16.riamente sobre a intenção dessa parte de m i n h a argumentação. S o mente se ambos descobrem que diferem quanto ao sentido ou aplicação das regras estipuladas e que seu acord o p r é v i o n ã o f o r n e c e b a s e suficiente p a r a u m a p r o v a . Os debates sobre a escolha de teorias n ã o p o d e m ser expressos n u m a forma q u e se assemelhe totalm e n t e a provas matemáticas ou lógicas. Contudo. A p ó s esse r e c o n h e c i m e n t o n ã o são aceit o s r e c u r s o s e a p r o v a d o o p o n e n t e d e v e ser a c e i t a . N a d a n e s s a t e s e r e l a t i v a m e n t e f a m i l i a r i m p l i c a afirm a r que n ã o existam boas razões p a r a deixar-se persuadir ou q u e essas razões n ã o sejam decisivas p a r a o grup o . p e s soais e subjetivas. e igualmente o ensaio TOULIN em Growth of Knowledge. Esse debate é sobre premissas e recorre à persuasão c o m o um prelúdio à possibilidade de prova. a t e o r i a d e v e s e r escolhida p o r razões q u e são. Mais do q u e q u a l q u e r o u t r a parte do livro. em última instância. O q u e estou tentando demonstrar é a l g o m u i t o s i m p l e s . as premissas e regras de inferência estão estipuladas d e s d e o início. Nessas últimas. somente então é que o debate continua segundo a forma q u e t o m a i n e v i t a v e l m e n t e d u r a n t e a s r e v o l u ç õ e s científicas. u m o u o u t r o d e v e r e c o nhecer que cometeu um erro. entretanto. fecundidade e outros semelhantes. afirmaram que acredito no s e g u i n t e : os defensores de teorias incomensuráveis n ã o p o d e m a b s o l u t a m e n t e comunicar-se entre si. as partes c o m p r o m e t i d a s no d e b a t e p o d e m refazer seus p a s s o s um a um e conferi-los c o m as estipulações p r é v i a s .

N e n h u m procedimento sistemático de decisão. d i s c o r d a m sobre a importância relativa da fecundidade e.dual e coletivamente. Tais conjuntos são primitivos no sentido de q u e o a g r u p a m e n t o é efetuado sem que se responda à pergunta: "Similares c o m relação a q u ê ? " Assim. devem estar e m p r e g a n d o as palavras de m o d o diferente. digamos. utilizam o m e s m o v o c a b u l á r i o p a r a discuti-la. deve necessariamente conduzir cada membro de um grupo a u m a mesma decisão. P a r a c o m p r e e n d e r a especificidade d o desenvolvimento d a ciência. um aspecto central de qualquer revolução reside no fato de q u e algumas das relações . S u p o n h o q u e . Se n ã o p o d e m n e m se comunicar como poderão persuadir um ao outro? Até mesmo u m a resposta preliminar a essa questão requer u m a precisão maior a respeito da natureza da dificuldade. E n t r e t a n t o . n ã o p r e cisamos deslindar os detalhes biográficos e de personalidade que levam cada indivíduo a u m a escolha partic u l a r . de tal m o d o q u e a m a i o r parte do grupo acabe por considerar q u e um conjunto de argumentos é mais decisivo q u e o u t r o . precisamos entender a maneira pela qual um conjunto determinado de valores compartilhados entra em interação com as experiências particulares c o m u n s a u m a com u n i d a d e de especialistas. da importância de se chegar a u m a escolha — então n e n h u m d e l e s p o d e ser a c u s a d o d e e r r o . Eles falam a partir daquilo que chamei de pontos de vista incomensuráveis. E n e n h u m d e l e s e s t á p r o c e d e n d o d e m a n e i r a acientífica. Esse processo é persuasivo. N ã o e x i s t e m algoritmos neutros p a r a a escolha de u m a teoria. A prática da ciência normal depende da habilidade. p e l o m e n o s e m p a r t e . P o r exemplo. mas apresenta um problema mais profundo. tal p r e c i s ã o t o m e a f o r m a que passo a descrever. Dois homens que percebem a m e s m a situação de maneira diversa e que. m e s m o quando aplicado adequadamente. adquirida através de exemplares. e m b o r a esse t ó p i c o seja f a s c i n a n t e . p a r a agrupar objetos e situações em conjuntos semelhantes. se dois h o m e n s disc o r d a m a respeito da fecundidade relativa de suas teorias. Nesse sentido. ou. n ã o obstante isso. pode-se dizer q u e q u e m t o m a a d e c i s ã o efetiva é a n t e s a c o m u n i d a d e d o s e s p e c i a l i s t a s do que seus m e m b r o s individuais. por aqueles q u e estão de acordo q u a n t o à sua validade. c o n c o r d a n d o a esse respeito.

A transferência de metais de um conjunto de compostos para um conjunto d e elementos d e s e m p e n h o u u m p a p e l essencial no surgimento de u m a nova teoria da combustão. Essas dificuldades n ã o serão sentidas n e m m e s m o e m t o d a s a s á r e a s d e s e u s d i s c u r s o s científicos. Tais problemas. n a s fusões d e metais e na mistura de enxofre e limalha de ferro antes e depois de Dalton. n ã o s ã o m e r a m e n t e lingüísticos e n ã o p o d e m ser r e s o l v i d o s s i m p l e s m e n t e a t r a v é s d a e s t i p u l a ç ã o d a s definições d o s t e r m o s p r o b l e m á t i c o s . N ã o obstante. d o i s h o m e n s q u e a t é ali p a r e ciam compreender-se perfeitamente d u r a n t e suas conversações. em M a r t e e na T e r r a antes e depois de C o p é r n i c o .de similaridade m u d a m . utilizada p o r todos da m e s m a maneira e adeq u a d a p a r a o e n u n c i a d o de suas teorias ou m e s m o d a s c o n s e q ü ê n c i a s e m p í r i c a s d e s s a s t e o r i a s . os que participam de u m a interrupção da comunicação n ã o p o d e m dizer: "utilizei a palavra 'elemento' ( o u 'mistura'. P a r t e d a s diferenças é anterior à utilização das linguagens. o u n o s s a i s . . E m p o u c o t e m p o essas modificações tinham se espalhado p o r toda a Q u í m i c a .v e r s a . e m b o r a apareçam incialmente na c o m u n i c a ç ã o . ou 'movimento livre') na forma estabelecida pelos seguintes critérios". n ã o o b s t a n t e . mas. Visto que a maior p a r t e dos objetos c o n t i n u a a ser a g r u p a d a . ou 'planeta'. P e n s e m o s n o Sol. de ordinário. da acid e z e d a c o m b i n a ç ã o física e q u í m i c a . os n o m e s dos grupos são em geral c o n servados. n a L u a . n a q u e d a livre e n o s m o v i m e n t o p l a n e t á r i o s a p e n d u l a r e s a n t e s e d e p o i s d e G a l i l e u . m e s m o q u a n d o e m c o n j u n t o s alterados. m a s surgirão e agrupar-se-ão mais densamente em torno dos fenômenos dos quais depende basicamente a escolha da teoria. P o r isso n ã o é s u r p r e e n d e n t e q u e . a transferência de um subconjunto é. reflete-se n e l a s . U m a v e z q u e as palavras em t o r n o das quais se cristalizam as dificuldades foram parcialmente apreendidas a partir da aplicação direta de exemplares. q u a n d o e s s a s r e d i s t r i b u i ç õ e s o c o r r e m . Objetos q u e antes estavam agrupados no m e s m o conjunto passam a agrupar-se em c o n j u n t o s d i f e r e n t e s e v i c e . podem descobrir-se repentinamente reagindo ao m e s m o estímulo através de generalizações e descrições incompatíveis. parte de u m a modificação fundamental na rede de inter-relações que os une. N ã o p o d e m recorrer a u m a linguagem neutra.

o s interlocutores p o d e m tentar primeiramente descobrir os termos e as locuções que. n e m c o n f o r t á v e i s . ) D e p o i s d e i s o l a r tais á r e a s d e dific u l d a d e n a c o m u n i c a ç ã o científica. compartilham tanto seu cotidiano c o m o a maior parte de sua linguagem e m u n d o científicos. n u m e s f o r ç o p a r a e l u c i d a r a i n d a m a i s seus p r o blemas. O s cientistas r a r a m e n t e as reconhecem exatamente pelo que são e r a r a m e n t e as utilizam por mais t e m p o do que o necessário p a r a realizar u m a conversão ou convencerem-se a s i m e s m o s d e q u e ela n ã o s e r á o b t i d a . m a s da mais alta importância. n ã o o b s t a n t e . s ã o . Em suma. Language and Culture in Society (Nova York. A fonte já clássica para a maioria d o s aspectos relevantes da t r a d u ç ã o é Word and Object. Caps. d e W . já q u e partilham u m a história c o m u m . Mas Quine parece supor que dois h o m e n s q u e r e c e b e m o m e s m o e s t í m u l o d e v e m ter a m e s m a s e n s a ç ã o e portanto t e m p o u c o a dizer a respeito do grau em que o tradutor deve ser c a p a z d e descrever o m u n d o a o q u a l s e a p l i c a a l i n g u a g e m q u e e s t á traduzida. T o m a n d o c o m o objeto de estudo as diferenças encontradas n o s d i s c u r s o s n o i n t e r i o r d o s g r u p o s o u e n t r e esses. focos d e p r o b l e m a s para as discussões intergrupais. ver E. O . . 90-97. d e v e r i a m ser c a p a z e s d e d e s c o b r i r m u i t a c o i s a a r e s p e i t o da m a n e i r a c o m o diferem. . O m e s m o se dá c o m seus aparelhos neurológicos. até m e s m o suas p r o g r a m a ç õ e s n e u r o l ó g i c a s d e v e m ser a p r o x i m a d a m e n t e a s m e s m a s . e n e m m e s m o p a r t e d o arsenal habitual d o cientista. c o m exceção de um setor da experiência reduzido. M a s as técnicas exigidas p a r a isso n ã o s ã o n e m s i m p l e s . 1964). o q u e resta aos interlocutores q u e n ã o se c o m p r e e n d e m m u t u a m e n t e é reconhecerem-se uns aos outros c o m o m e m b r o s de diferentes c o m u n i d a d e s de linguagem e a partir daí tornarem-se t r a d u t o r e s . (Locuções q u e n ã o a p r e s e n t a m t a i s d i f i c u l d a d e s p o d e m ser t r a d u z i d a s h o m o f o n a m e n t e . Q U I N E ( C a m b r i d g e . Em conseqüência. I e I I . usadas sem p r o b l e m a s no int e r i o r d e c a d a c o m u n i d a d e . e N o v a York. A l é m disso. pp. N I D A . e m D E L H Y M E S ( e d . aqueles q u e e x p e r i m e n t a m tais dificuldades de c o m u n i c a ç ã o d e v e m possuir algum recurso alternativo. Os estímulos q u e encontram são os mesmos. C a d a um pode tentar descobrir o que o outro veria e diria q u a n d o confrontado com um estímulo p a r a 1 7 1 7 . "Linguistics and E t h n o l o g y i n T r a n s l a t i o n P r o b l e m s " . n ã o importa q u ã o diferentemente programados.T o d a v i a . p o d e m e m s e g u i d a recorrer aos vocabulários cotidianos q u e lhes são c o m u n s . S o b r e esse último ponto. 1960). A. D a d o q u e p o s s u e m t a n t o e m c o m u m . V . salvo no passado imediato. M a s s . ) .

A p e n a s recentemente reconheci essa distinção importante em toda sua extensão. q u a n d o levada adiante. p o d e r ã o .o qual sua própria resposta verbal seria diferente. n ã o n e c e s s i t a ser a c o m p a n h a d a ou seguida pela conversão. e m b o r a p o s s a m ser d e s c r i t o s e m frases compreendidas da m e s m a m a n e i r a pelos dois grupos. é evidentemente correto. Penso que persuadir alguém é convencê-lo de que n o s s o p o n t o d e v i s t a é s u p e r i o r e p o r isso d e v e s u p l a n t a r o seu. é um instrum e n t o potente de persuasão e conversão. começar a prever bastante b e m o comportamento recíproco. a i n d a n ã o p o d e m ser e x p l i c a d o s p e l a o u t r a c o m u n i d a d e em seus p r ó p r i o s t e r m o s . s e e l a o é . O c a s i o n a l m e n t e chega-se a esse r e s u l t a d o sem recorrer a n a d a semelhante à s u m a tradução. Essas duas experiências n ã o são a m e s m a coisa. Eles p o d e r ã o d i z e r : n ã o sei c o m o o s a d e p t o s d o n o v o p o n t o d e v i s t a tiveram êxito. A tradução. Na ausência d e s s a ú l t i m a . Se o n o v o p o n t o de vista p e r d u r a p o r algum t e m p o e continua a d a r frutos. É isto q u e o h i s t o r i a d o r d a c i ê n c i a faz r e g u l a r m e n t e ( o u d e v e r i a f a z e r ) q u a n d o e x a m i n a t e o r i a s científicas a n t i q u a d a s . alguns resultados de pesquisa c o n c r e t o s q u e . m u i t a s e x p l i c a ç õ e s e e n u n c i a d o s d e p r o b l e m a s endossados pelos m e m b r o s d e u m g r u p o científico s e r ã o o p a c o s p a r a o s m e m b r o s d e o u t r o g r u p o . M a s m e s m o a p e r s u a s ã o n ã o necessita s e r b e m s u c e d i d a e . P a r a alguns. m a s preciso aprender. porque ainda n ã o adquiriram o vocabulário e os compromissos especiais de qualquer um d o s . c o m o t e m p o . desde o início. Essa reação ocorre mais facilmente entre os q u e a c a b a m de ingressar na profissão. os r e s u l t a d o s d a s p e s q u i s a s q u e p o d e m ser v e r b a l i z a d o s dessa forma crescem provavelmente em número. M a s cada comunidade de linguagem pode produzir habitualmente. tais resultados já serão decisivos. C a d a um terá aprendido a traduzir para sua própria linguagem a teoria do outro. b e m c o m o suas conseqüências e. Se conseguirem refrear suficientemente suas tendências p a r a explicar o c o m p o r t a m e n t o anômalo c o m o a conseqüência d e s i m p l e s e r r o o u l o u c u r a . simultaneamente. pois permite aos participantes de u m a c o m u n i c a ç ã o interrompida experimentarem vicariamente alguma coisa dos méritos e defeitos recíprocos. a descrever na sua linguag e m o m u n d o a o q u a l e s s a t e o r i a s e a p l i c a . o que quer q u e estejam fazendo.

existem sempre contra-argumentos disponíveis e n ã o existem regras q u e prescrevam c o m o se deve estabelecer o equilíbrio entre as partes. Nesse caso um segundo aspecto da tradução. n u m determinado m o m e n t o do processo de aprendizagem da tradução. q u e ele d e s l i z o u p a r a a n o v a l i n g u a g e m s e m t e r t o m a d o q u a l q u e r d e c i s ã o a esse r e s p e i t o . alguns m e m b r o s de c a d a comunidade p o d e m começar a compreender. E n t r e os indivíduos admitidos na profissão.grupos. de l o n g a d a t a familiar a lingüistas e historiadores. que anteriormente lhes parecia opaco. de q u e m o d o um enunciado. essa transição n ã o é d a q u e l a s q u e p o s s a m ser feitas o u n ã o a t r a v é s d e deliberações e escolhas. Traduzir u m a teoria ou visão de m u n d o na sua p r ó p r i a linguagem n ã o é fazê-la sua. P a r a isso é n e c e s s á r i o u t i l i z a r e s s a l í n g u a c o m o s e fosse nossa língua m a t e r n a . t o r n a . podia parecer u m a explicação p a r a os membros do p r u p o oposto. assume u m a importância crucial. Contudo. na medida em que os argumentos se a c u m u l a m e desafio após desafio é e n f r e n t a d o c o m ê x i t o . Contudo. à medida que a t r a d u ç ã o avança. tal c o m o m u i t o s q u e . descobrir q u e se está p e n s a n d o e trabalhando — e não simplesmente traduzindo — u m a língua q u e antes era estranha. muitos resultados adicionais d a pesquisa p o d e m s e r traduzidos d a l i n g u a g e m d e u m a c o m u n i d a d e p a r a a de outra. E m b o r a o preço desse t i p o d e t r a d u ç ã o seja f r e q ü e n t e m e n t e s e n t e n ç a s m u i t o longas e complexas (recorde-se a controvérsia Proust-Berthollet. A l é m disso. e n c o n t r a m a Teoria da Relatividade ou a M e c â n i c a Quântica . Em lugar disso. p o r e x e m p l o . P a r a a maioria das p e s s o a s a t r a d u ç ã o é um p r o c e s s o a m e a ç a d o r e c o m p l e t a m e n t e estranho à ciência normal. o indivíduo descobre q u e ocorreu a t r a n s i ç ã o . P o r certo a disponibilidade de tais técnicas n ã o garante a persuasão.s e n e c e s s á r i a u m a obstinação cega p a r a continuar resistindo. De qualquer m o d o . N ã o obstante. colocando-se no lugar do opositor. poucos serão persuadidos sem que se recorra às comparações mais amplas permitidas pela tradução. conduzida sem recorrer ao t e r m o "element o " ) . p e l o m e n o s até o último estágio da evolução d o s p o n t o s de vista opostos. por melhores razões que se tenha p a r a desejar proceder desse m o d o . O u a i n d a : o i n d i v í d u o . os argumentos enunciáveis no vocabulário utilizado da m e s m a maneira por ambos os grupos h a b i t u a l m e n t e n ã o são decisivos.

d e v e estar subjacente à conversão. M a s .s e à v o n t a d e no m u n d o q u e este a j u d a a c o n s t i t u i r . Eles c o n s i d e r a m relativista m i n h a perspectiva. SHAPEBE. a tradução p o d e fornecer pontos de partida para a reprogramação neurológica que. A l é m disso.l o e de s e n t i r . descobre-se totalm e n t e p e r s u a d i d o p e l o n o v o p o n t o d e vista e n o e n t a n t o é i n c a p a z de i n t e r n a l i z á . I n t e l e c t u a l m e n t e t a l h o m e m fez s u a e s c o l h a . m a s a c o n v e r s ã o q u e e s t a e s c o l h a r e q u e r p a r a s e r eficaz l h e e s c a p a . e s t á l o n g e d e u m simples r e l a t i v i s 1 8 . M i n h a s observações sobre a t r a d u ç ã o iluminam as razões que levam à acusação. em certo sentido.somente na metade de suas carreiras. ela p o d e n ã o s ê . p o r t a n t o . Os defensores de teorias diferentes são c o m o m e m b r o s de c o m u nidades de cultura e linguagem diferentes.l o e . no cerne do processo revolucionário. p o i s l h e falta a c o n s t e l a ç ã o d e d i s p o s i ç õ e s m e n t a i s q u e os futuros m e m b r o s da c o m u n i d a d e irão adquirir através da educação. m a s o fará c o m o um forast e i r o n u m l u g a r e s t r a n h o : a a l t e r n a t i v a l h e s e r á acessível apenas p o r q u e já é utilizada pelos naturais do lugar. e l e p o d e utilizar a n o v a teoria. q u e a m b o s os g r u p o s p o d e m estar certos. e POPPEK em . M a s . n e m a tradução constituem a conversão e é este processo q u e d e v e m o s explicar p a r a que se possa entender um tipo fundament a l d e m u d a n ç a científica. q u a n d o a p l i c a d a à c i ê n c i a . Seu t r a b a l h o será parasitário c o m relação ao desses últim o s . Reconhecer esse paralelismo sugere. Boas razões em favor da escolha p r o p o r c i o n a m motivos para a convers ã o e o clima no qual ela tem maiores probabilidades de ocorrer. of Scientific Revolutions". "Structure Growth of Knowíedge. particularmente na forma em q u e está desenvolvida no último capitulo deste livro. A experiência de conversão q u e comparei a u m a m u d a n ç a d e p e r s p e c t i v a (Gestalt) p e r m a n e c e . N ã o o b s t a n t e . E s s a p o s i ç ã o é relativista. emb o r a seja inescrutável a esta altura. Revoluções e relativismo 18 U m a conseqüência de posição recém-delineada irritou especialmente muitos de meus críticos. d e q u a l q u e r m o d o . n e m as boas razões. q u a n d o aplicada à cultura e seu desenvolvimento. 6.

V a l o r e s c o m o a simplicidade. Se tomássemos quaisquer dessas d u a s teorias. Dois indivíduos que a possuam p o d e m . diferir q u a n t o a o s j u l g a m e n t o s q u e extraem de seu e m p r e g o . a habilidade p a r a resolver quebra-cabeças revela-se equívoca na aplicação. M a s o c o m p o r t a m e n t o de u m a c o m u n i d a d e q u e torna tal valor preeminente será muito diverso daquela que não procede dessa forma. no caso de um conflito d e v a l o r e s . m a s n ã o t e n h o d ú v i d a s d e q u e p o d e m s e r c o m p l e t a d a s . alcance e compatibilidade seriam menos ú t e i s p a r a tal p r o p ó s i t o . o n ú m e r o d e diferentes p r o b l e m a s resolvidos. e n t ã o o d e s e n v o l v i m e n t o científico. escolhendo-as em pontos n ã o muito p r ó x i m o s d e s u a o r i g e m . Ãs teorias científicas m a i s r e c e n t e s s ã o m e l h o r e s q u e a s m a i s a n t i - . é um processo unidirecional e irreversível. o c r i t é r i o d o m i n a n t e p a r a m u i t o s m e m b r o s d e u m g r u p o científico. E n t r e os critérios mais úteis e n c o n t r a r í a m o s : a exatidão nas predições. os praticantes d a s ciências desenvolvidas-são fundamentalmente indivíduos capazes de resolver quebra-cabeças. traçada desde o tronco até a p o n t a de algum galho no alto. tal c o m o o ^ b i o l ó g i c o . U m a ú n i ca linha. demarcaria u m a sucessão de teorias relacionadas por sua descendência. S e isso p o d e ser r e a l i z a d o . d e v e r i a ser fácil o r g a n i z a r u m a lista d e c r i t é r i o s q u e p e r m i t i r i a m a u m o b s e r v a d o r i n d e p e n d e n t e distinguir. E m b o r a os valores aos quais se apeguem em períodos de escolha de teoria derivam igualmente de outros aspectos de seu trabalho. a teoria mais antiga da teoria mais recente. C o m o q u a l q u e r v a l o r . a habilid a d e d e m o n s t r a d a p a r a formular e resolver quebra-cabeças apresentados pela natureza é. E s s a s a i n d a n ã o s ã o a s listas e x i g i d a s .mo — n u m aspecto q u e m e u s críticos n ã o foram c a p a zes d e perceber. o equilíbrio e n t r e o o b j e t o de e s t u d o c o t i d i a n o e o e s o t é r i c o . a p e s a r d i s s o . e m b o r a t a m b é m s e j a m d e t e r m i n a n t e s i m p o r t a n t e s d a v i d a científica. Acredito q u e o alto valor o u t o r g a d o n a s ciências à habilidade de resolver quebra-cabeças possui as conseqüências seguintes. na F i losofia d a N a t u r e z a p r i m i t i v a e n o a r t e s a n a t o . A r g u m e n t e i q u e . especialmente no caso das predições quantitativas. Imaginemos u m a árvore representando a evolução e o d e s e n v o l v i m e n t o d a s e s p e c i a l i d a d e s científicas m o dernas a partir de suas origens c o m u n s digamos. t o m a d o s c o m o u m g r u p o ou em grupos. em todos os casos.

A o c o n t r á r i o : e m a l g u n s a s p e c t o s importantes. M a s n ã o p e r c e b o . esta posição revela-se desprovida de um elem e n t o e s s e n c i a l . n ã o vejo p o r q u e falte ao r e l a tivista q u a l q u e r coisa necessária p a r a a e x p l i c a ç ã o da n a t u r e z a e d o desenvolvimento d a s c i ê n c i a s . \ N ã o t e n h o d ú v i d a s . embora de maneira alguma em todos. c o m o u m historiador. p o r exemplo. T a l v e z exista alguma o u t r a m a n e i r a d e s a l v a r a n o ç ã o de " v e r d a d e " para a aplicação a teorias completas. no que toca à resolução de quebra-cabeças nos contextos freqüentemente diferentes aos quais são aplicad a s . P a r e c e . m a s antes à s u a o n t o l o g i a . E m b o r a a t e n t a ç ã o d e d e s c r e v e r e s s a p o s i ç ã o como relativista seja c o m p r e e n s í v e l . d e q u e a M e c â n i c a d e N e w t o n a p e r f e i ç o o u a de Aristóteles e de q u e a M e c â n i c a d e E i n s t e i n aperfeiçoou a d e N e w t o n e n q u a n t o i n s t r u m e n t o p a r a a resolução d e q u e b r a . m a s t a m b é m p o r q u e . . n e s s a sucessão. isto é . E m g e r a l u m a t e o r i a científica é c o n s i d e r a d a superior a suas predecessoras n ã o apenas p o r q u e é um instrumento mais a d e q u a d o p a r a descobrir e resolver quebra-cabeças. ou predições concretas derivadas de u m a t e o r i a . u m a d i r e ç ã o c o e r e n t e d e d e s e n v o l v i m e n t o ontológico. Ouvimos freqüentemente dizer que teorias sucessivas se desenvolvem sempre mais perto da verdade ou se a p r o x i m a m mais e mais desta. E s s a n ã o é u m a posição relativista e revela em q u e s e n t i d o s o u u m c r e n t e c o n v i c t o d o p r o g r e s s o científico^ Contudo. a T e o r i a G e r a l d a Relatividade d e E i n s t e i n e s t á m a i s p r ó x i m a d a t e o r i a d e Aristóteles d o q u e q u a l q u e r u m a d a s d u a s e s t á d a d e Newton.gas.c a b e ç a s . e s t o u i m p r e s s i o n a d o c o m a f a l t a d e plausibilidade d e s s a c o n c e p ç ã o . I n v e r s a m e n t e . A p a r e n t e m e n t e gen e r a l i z a ç õ e s d e s s e tipo r e f e r e m . a n o ç ã o d e u m a j u s t e e n t r e a ontologia de u m a t e o r i a e s u a c o n t r a p a r tida " r e a l " na natureza parece-me ilusória p o r princípio.m e q u e n ã o existe m a n e i r a d e r e c o n s t r u i r e x p r e s s õ e s c o m o " r e a l m e n t e a í " s e m auxílio d e u m a t e o r i a . t a n t o e n t r e filósofos d a c i ê n c i a c o m o leigos. a o a j u s t e e n t r e as e n t i d a d e s c o m as q u a i s a t e o r i a p o v o a a n a t u reza e o q u e "está realmente aí". apresenta um visão mais exata do q u e é realmente a natureza. A l é m d i s s o .m e equivocada. de a l g u m m o d o . s e e s t a p o s i ç ã o é relativista. se comparada com a concepção de p r o g r e s s o d o m i n a n t e . a d e s c r i ç ã o p a r e c e . m a s e s t a n ã o s e r á c a p a z d e r e a l i z a r isso.s e n ã o à s s o l u ç õ e s d e quebra-cabeças.

r e a l m e n t e c o m p o r t a m . e n e n h u m a . K. no m e u entender. Grcnvth 20. cujos m é t o d o s foram desenvolvidos e selecion a d o s em vista de seu sucesso. I n v e r s a m e n t e . 1969). M a s n ã o é necessário recorrer às sutilezas da Filosofia da Linguagem contemporânea para precisar o que me pareceu confuso a respeito desse aspecto da m i n h a p o sição.s e p a r a q u e s e u e m p r e e n d i m e n t o seja b e m s u c e d i d o . totalmente correta. O "é" e o "deve" n ã o e s t ã o sempre tão completamente separados como pareciam. a p r i m e i r a c r í t i c a . A natureza da Ciência Concluo c o m u m a breve discussão das duas reações f r e q ü e n t e s ao m e u t e x t o o r i g i n a l . CAVElX. ver o ensaio de P.' Esse teorema tornou-se u m a etiqueta na prática e já n ã o é mais respeitado por t o d a a parte. A l g u n s leitores d e m e u texto original o b s e r v a r a m q u e eu passo repetidamente do descritivo ao normativo e v i c e . c o m o o u t r a s filosofias d a c i ê n c i a .v e r s a . A l g u n s críticos alegam que estou confundindo descrição com prescrição. e s t a t r a n s i ç ã o é p a r t i c u l a r m e n t e c l a r a em passagens que c o m e ç a m c o m " M a s n ã o é isto q u e os cientistas f a z e m " e t e r m i n a m afirmando q u e os cientistas n ã o d e v e m p r o c e d e r assim. . Musl We Mean What We Say? (Nova York. Stanley. Cap. a m b a s t ê m s i d o s u f i c i e n t e m e n t e f r e q ü e n t e s p a r a exigir p e l o menos alguma resposta. a t e o r i a t e m c o n s e q ü ê n c i a s no que toca à m a n e i r a pela qual os cientistas d e v e m c o m p o r t a r . u m a d a s r a z õ e s p a r a q u e se t o m e a t e o r i a a s é r i o é a de q u e os cientistas. I.7 . A s páginas precedentes apresentam u m ponto d e vista ou u m a teoria sobre a natureza da ciência e. E m b o r a n ã o haja n e n h u m a relação e n t r e e s s a s r e a ç õ e s o u c o m o q u e foi d i t o a t é a q u i . viol a n d o d e s s a f o r m a o t e o r e m a filosófico t r a d i c i o n a l m e n t e r e s p e i t a d o : O "é" n ã o i m p l i c a o "deve'''. Minhas generalizações descri19 2 0 19. Para FEYERABEKD um em entre muitos of exemplos possíveis. Knowledge. ela p r o p o r c i o n a u m a base l e g í t i m a p a r a o u s o d o s "o q u e p o d e r i a s e r " (should) e " o q u e d e v e s e r " (ought~).s e c o m o prescreve a teoria. Diversos filósofos c o n t e m p o r â n e o s d e s c o b r i r a m c o n t e x t o s i m p o r tantes nos quais o n o r m a t i v o e o descritivo estão inextricavelmenfe m i s t u r ad os. a segunda favorável. E m b o r a e s s a t e o r i a n ã o n e c e s s i t e ser m a i s correta q u e qualquer outra.

isso se deve s o b r e t u d o ao fato de tê-los aplicado às ciências. da Música. por exemplo. N ã o penso que a circularidade desse argumento seja viciosa. A periodização em termos de r u p turas revolucionárias em estilo. A s c o n s e q ü ê n c i a s d o p o n t o d e v i s t a e s t u dado não são esgotadas pelas observações sobre as quais r e p o u s a v a n o início. Historiadores da Literatura. P e r c e b o o q u e q u e r e m dizer e n ã o gostaria de desencorajar suas tentativas de ampliar e s t a p e r s p e c t i v a . m a s a p e s a r d i s s o fiquei s u r p r e e n d i d o c o m suas reações.tivas s ã o provas d a teoria precisamente p o r q u e f o r a m derivadas dela. c o m o um exemplar. em lugar de produ- . suas teses p o s s u e m indubitavelmente u m a l a r g a a p l i c a ç ã o . S e t i v e u m a a t i t u d e o r i g i n a l f r e n t e a esses c o n c e i t o s . Suspeito. E d e v e r i a ser a s s i m . M i n h a resposta a um último tipo de reação a este l i v r o d e v e ser d e n a t u r e z a d i v e r s a . U m a c o m p a r a ç ã o deste posfácio c o m o texto original p o d e sugerir q u e a teoria c o n t i n u o u a d e s e m p e n h a r esse p a p e l . m a s p o r q u e c o n s i d e r a r a m s u a s teses principais aplicáveis a m u i t o s outros c a m p o s .s e s e a s p i n t u r a s p u d e s s e m ser v i s t a s como modeladas umas nas outras. a segunda contribuição deste livro. enquanto em outras concepções da natureza elas constituem um c o m p o r t a m e n t o anômalo. V á r i o s d a q u e l e s q u e retiraram algum prazer da leitura do livro reagiram a s s i m n ã o p o r q u e ele i l u m i n a a n a t u r e z a d a c i ê n c i a . áreas que geralmente foram consideradas c o m o dotadas de um desenvolvimento peculiar. do Desenvolvimento Político e de muitas outras atividades h u m a n a s descrevem seus objetos de e s t u d o dessa m a n e i r a desde muito tempo. c o n s t a t e i q u e p a r t e s d a t e o r i a q u e ele a p r e s e n t a s ã o u m i n s t r u m e n t o útil p a r a a e x p l o r a ç ã o d o c o m p o r t a m e n t o e d e s e n v o l v i m e n t o científico. M e s m o antes d a p r i m e i r a publicaç ã o d e s t e l i v r o . das Artes. Pode-se conceber a noção de paradigma c o m o u m a realização concreta. p o i s e s s a s t e s e s foram tomadas de empréstimo a outras áreas. de que algumas das dificuldades n o t ó r i a s e n v o l v e n d o a n o ç ã o d e estilo n a s A r t e s p o d e r i a m d e s v a n e c e r . gosto e na estrutura institucional t ê m estado entre seus instrumentos habituais. Na m e d i d a em q u e o livro retrata o d e s e n v o l v i m e n t o científico c o m o u m a s u c e s s ã o d e p e ríodos ligados à tradição e pontuados p o r rupturas n ã o -cumulativas. N e n h u m ponto de vista estritamente circular proporciona tal orientação.

s e o u n ã o d e u m g r u p o científico? Q u a l é o p r o c e s s o e q u a i s s ã o as e t a p a s da s o c i a l i z a ç ã o de u m g r u p o ? Quais são o s objetivos coletivos d e u m grup o . E m b o r a o d e s e n v o l v i m e n t o científico p o s s a a s s e m e l h a r . X I (1969). ele tolera? 21 21^. b e m c o m o p a r a u m a d i s c u s s ã o m a i s a m p l a do que é particular às ciências. n ã o obstante o que o prog r e s s o p o s s a ser e m s i m e s m o . p o r e x e m p l o . a ênfase reiterada concedida acima à ausência ou. à relativa carência de escolas competidoras nas ciências desenvolvidas. T e m o s ainda m u i t o a aprender sobre todas essas c a r a c t e r í s t i c a s d a c i ê n c i a . . que não se apresentou de maneira tão visível p a r a m u i t o s d e s e u s l e i t o r e s . ver T. " C o m m e n t [on the Relations of Science and Art]". possui t a m b é m diferenças notáveis. L e m b r e m o s t a m b é m minhas observações a respeito do grau em que os membros de u m a comunid a d e científica c o n s t i t u e m a ú n i c a a u d i ê n c i a e os ú n i c o s juizes d o t r a b a l h o dessa c o m u n i d a d e .zidas em conformidade c o m alguns cânones abstratos de estilo. C o m o se escolhe u m a c o m u n i d a d e d e t e r m i n a d a e c o m o se é aceito p o r ela. A r e s p e i t o d e s s e p o n t o . Comparative Studies in Philosophy and History. O livro isola o u t r a s características semelhantes. Consideremos. d a s quais n e n h u m a é exclusiva da ciência. U m d o s o b j e t i v o s d e s t e l i v r o foi e x a m i n a r t a i s d i f e r e n ç a s e c o m e ç a r a e x plicá-las. 403-412. q u e as ciências. c o m o devo dizer agora. pp. m a s que no c o n j u n t o d i s t i n g u e m a a t i v i d a d e científica. C o n t u d o . t r a t e . s o b r e o c a r á t e r de o b j e t i v o q u e p o s s u i a r e s o lução de quebra-cabeças e acerca do sistema de valores q u e o g r u p o científico a p r e s e n t a e m p e r í o d o s d e crise e decisão. S. O u p e n s e m o s n o vamente a respeito da natureza peculiar da educação científica. individuais ou coletivos. pelo m e n o s depois de um certo p o n t o de seu desenvolvimento. este livro visava t a m b é m apresentar u m a outra proposição. progridem de u m a maneira diversa da de outras áreas de estudo. p o r e x e m p l o . q u e desvios. N ã o p o d e ser i n t e i r a m e n t e falso a f i r m a r .s e a o d e o u t r o s d o mínios muito mais estreitamente do que o freqüentemente suposto. K U H N . Iniciei este p o s f á c i o e n f a t i z a n do a necessidade de estudar-se a e s t r u t u r a c o m u n i t á r i a da ciência e terminarei sublinhando a necessidade de um estudo similar (e acima de t u d o c o m p a r a t i v o ) das comunidades correspondentes em outras áreas.

m a s n ã o existe o u t r a á r e a q u e n e c e s s i t e d e t a n t o t r a b a l h o c o m o essa. precisamos conhecer as características essenciais d o s grupos q u e o criam e o utilizam. é i n t r i n s e c a m e n t e a propriedade comum de um grupo ou então não é nada. P a r a entendê-lo. c o m o a l i n g u a g e m . . O c o n h e c i m e n t o científico.C o m o é controlada a aberração inadmissível? U m a comp r e e n s ã o mais a m p l a da ciência d e p e n d e r á igualmente d e o u t r a s e s p é c i e s d e q u e s t õ e s .

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Thomas S.CIÊNCIA NA PERSPECTIVA P R O B L E M A S DA FÍSICA M O D E R N A .Mario Bunge (D072) A E S T R U T U R A D A S R E V O L U Ç Õ E S CIENTÍFICAS .Mario Bunge ( D Í 6 5 ) A C R I A Ç Ã O CIENTÍFICA .) ( L S C ) . Kuhn (D115) FÍSICA E FILOSOFIA .V I S T A S .Max Born e outros (D009) T E O R I A E R E A L I D A D E .Abraham Moles (E003) M Á R I O S C H E N B E R G : E N T R E .Gita K. Guinsburg e José Luiz Goldfarb (orgs.

n ã o s i m S. e r u p ç ã o é a de c o m p r o m i s s o s do p a p e l de d o s e dessa na Um d o s aspectos m a i s interesa n á l i s e desses da m o m e n t o s crise s a n t e s fatores Estrutura do Revoluções Científicas científico e exteriores Ciência t r a n s f o r m a ç ã o ISBN p e n s a m e n t o prática correspondente. q u e l e v a m n o v o s d a d o s pelas c o m o gnosiológicos. d e s d e as a g u d a s análises. M ú l t i p l a s áreas. de f o r m a o e de circunstâncias e q u e as l e v a r a m . para as de explica unido o polivalente. K u h n iniciou sua carreira universitária da q u e este c o m o livro físico de teórico.P r ó x i m o Vicente l a n ç a m e n t o P a u l a A r a ú j o A Bela Época do C i n e m a Brasileiro T h o m a s As natureza sintetiza exatas A u t o r . a ver o progresso da Ciência p e n - tanto c o m o c o m o gradativo p r o c e s s o contraditório m a r c a d o revoluções n u m a a s ã o do a tradicional ligados das prática disciplina.n o ao e s t u d o Trajetória seu caráter d o g m a s História e a p r e o c u p a ç õ e s certa filosófica. i n c o m u m . c o n v e r g e m a c ú m u l o Tais ela a à questic u m c o n s a g r a d o s . definidas desintegração q u e se de forçando c o m u n i d a d e profissionais baseia A r e f o r m u l a r o c o n j u n t o ciência. revoluções o a d o m o m e n t o até h u m a n a s . s a m e n t o de em científico. 9 H7-88527''l30 1 IIIIIIII 85-273-0111-3 1 I4I' d e b a t e s .