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INTRODUÇÃO À OBRA “KARL MARX E FRIEDRICH ENGELS SOBRE O DIREITO E O ESTADO, OS JURISTAS E A JUSTIÇA”

Direito e Marxismo
EMIL ASTURIG VON MÜNCHEN
1[

O DIREITO ENQUANTO VONTADE DA CLASSE DOMINANTE ERIGIDA EM LEI, CUJO CONTEÚDO ESTÁ DADO NAS CONDIÇÕES MATERIAIS DE SUA PRÓPRIA VIDA HISTÓRICO-SOCIAL

A concepção dialético-materialista do Direito, tal como formulada por Marx e Engels, adquire incomparável amplitude científica ao investigar as forças propulsoras efetivas de todo o processo histórico-social, em seu próprio desenvolvimento físico e

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Cf. MARX, KARL HEINRICH. An Principatus Augusti Merito Inter Feliciores Reipublicae Romanae Aetates Numeretur? (O Principado de Augusto é Merecidamente Enumerado entre as Épocas mais Auspiciosas do Estado Romano? Redação em Língua Latina) (15 de Agosto de 1835), in : Marx und Engels Gesamtausgabe MEGA (Obras de Marx e Engels: Edição Completa MEGA), Seção I, Vol. I, Berlim : Dietz Verlag, 1975, pp. 440 e s. Anotação de Emil Asturig von München: O presente texto, traduzido agora para a língua portuguesa, foi redigido por Marx em Trier, por ocasião de seu exame de língua latina, prestado junto ao Ginásio Prussiano Friedrich-Wilhelm, cuja direção educacional era exercida por jesuítas. A primeira publicação desse texto em língua latina foi efetuada por GRÜNBERG, CARL. Marx als Abiturient (Marx como Estudante do Segundo Grau), in: Archiv für die Geschichte des Sozialismus und der Arbeiterbewegung (Arquivo para a História do Socialismo e do Movimento dos Trabalhadores), Ano XI, Leipzig, 1925, pp. 437 e s. A avaliação desse exame de Marx, realizada pelos Profs. Wyttenbach e Loers foi a seguinte: “Praeter ea, quae suis locis adnotavimus, et plura menda inprimis versus finem, et argumenti tractatione probataque in ea cognitione historiae, et Latinitatis studio in universum non contemnenda scriptura. Verum quam turpis litera !!!” No vernáculo : “Além daquilo que assinalamos, nos lugares respectivos, e dos diversos erros, sobretudo registrados ao fim da tratação dos argumentos, trata-se, em seu conjunto, de um trabalho respeitável, seja pelos comprovados conhecimentos da história, seja pelo esforço de expressar-se em bom latim. Mas, que letra vergonhosa !!!”

intelectual, material e superestrutural, contraditório e unitário em si mesmo, de modo a ser capaz de revelar nitidamente toda a interconexão e interrelação, todo o nexo e interação, existentes entre positividade e negatividade, ser e não ser, causas e efeitos, totalidade e componentes, movimento e transformação, processos de gênese, mutação e perecimento do Direito. Ao conceberem-no enquanto vontade da classe dominante erigida em lei, vontade essa cujo conteúdo está dado nas condições materiais de sua própria vida históricosocial, Marx e Engels lograram definí-lo de modo eminentemente lapidar enquanto elemento componente, i.e. parte integrante da superestrutura institucional e ideológica histórico-social, assenhorada e instrumentada pela classe dominante, indicando, assim, os critérios fundamentais que balizam sua devida compreensão, afastando-o inteiramente quer do voluntarismo quer do estatalismo jurídicos, propugnadores da suposta autonomia da vontade livre e da ilimitada capacidade espiritual seja dos seres humanos seja do Estado, na criação da lei por eles estabelecida. 2[4]3[5]

Ao destacarem ser o Direito a vontade da classe dominante erigida em lei, Marx e Engels indicam, nitidamente, surgir ele, em traços gerais, como um momento, i.e.

2[4]

Nesse sentido, vide MARX, KARL & ENGELS FRIEDRICH. Manifest der Kommunistischen Partei (Manifesto do Partido Comunista)(Dezembro 1847 – Janeiro de 1848) in : ibidem, Vol. IV, p. 462. 3[5] De modo categórico, é possível, exemplificativamente, encontrar, já no próprio Corpus Iuris Civilis, a raiz da propugnação ideológica quer do voluntarismo quer do estatalismo jurídico-autonomistas. Hermogenianus afirma, por exemplo, nas Pandectas: “Cum igitur hominum causa omne ius constitutum sit … “. No vernáculo: “Uma vez que o Direito é, portanto, criado por obra dos homens, …” Cf. CORPUS IURIS CIVILIS. Disgetae. Liber Primus. 1.5.0. De Statu Hominum, 1.5.2. Hermogenianus Libro Primo Iuris Epitomarum, in: Theodor Mommsen & Paul Krueger, Corpus Iuris Civilis, Vol. I, Hildesheim : Weidmann, 1988.

. Obschieie Utchenie o Pravie (O Papel Revolucionário do Direito e o Estado. A seu ver. i. pp.4[6] Nesse preciso contexto. Stutchka entende pertencer o Direito à base real da sociedade. Revoliutsionnaia Rol’ Prava i Gosudarstva. lei e ideologia jurídica – perteceriam essas sim à superestrutura. porém.e. “ambas constituiriam relações volitivas”. então. 27 e s. 1924. esse jurista marxista defende ser efetivamente impossível realizar-se o movimento de produção e circulação de mercadorias sem fatos indissoluvelmente conexos com elementos jurídicos objetivos. tb. i. apenas posteriormente. KARL. 1931. 7 e s. forma jurídica no contrato. Vide PACHUKANIS. demonstram que esse é precisamente o seu traço específico que o diferencia de todos os demais segmentos da superestrutura histórico-social. que o Direito é vontade da classe dominante. Moscou : Gosudarstvienoie Iuriditcheskoe Izdatielstvo. Ao afirmarem. sendo que não é essa última que cria a troca. Berlim : Dietz Verlag. . EVGENII B. Vol. tanto as relações econômico-materiais como as relações jurídicas “oba iavliautsia volevymi otnosheniami”.e.um elemento. Vorwort zur Kritik der Politischen Ökonomie (Prefácio à Crítica da Economia Política)(Agosto de 1858 – Janeiro de 1859). i. 177 e 178. um componente. Quanto a Pachukanis. uma parte integrante da superestrutura históricosocial. Moscou : Izdatels’tvo Kommunistitcheskoi Akademii. a filosofia etc. casuística. Moscou : Izdatielstvo Nauka. imperativamente preceitualcoercitivo. Sbornik Statei 1917-1930 (13 Anos de Luta pela Teoria Marxista-Revolucionária do Direito. 13 Liet Borby za Revolutsiono-Marksistskuiu Teoriu Prava. 1. Entre os mais notáveis juristas marxistas. Nr. tal como a política. seu aspecto especificamente legal. No entanto. PIOTR. Compêndio de Artigos de 1917 a 1930). Materialistitcheskoie ili Idealistitcheskoie Ponimanie Prava? (Concepção Materialista ou Idealista do Direito?).e.ed. 54 e 57.e. Doutrina Geral do Direito)(1921). 1923. 1961. 4[6] Cf. IDEM. ser essa vontade elevada à condição de lei. MARX. pp. in : Piotr Stutchka. 1924. Obschaia Teoriia Prava i Marksizm (Teoria Geral do Direito e Marxismo). a relação fática que emerge através da e na própria troca recebe.. Nesse sentido. in : Pod Znamenem Marksizma (Sob a Bandeira do Marxismo). Marx e Engels não perdem jamais de vista o caráter formal do Direito. pp. tribunais e execução coercitiva de sentenças. 3a. in : ibidem. senão precisamente o contrário. pp. pp. contratos. leis. STUTCHKA. XIII. 154 e s. ao passo que suas pretensas formas abstratas – i. a religião. salientando. interpretação. no que concerne sua suposta “forma concreta”.

formalmente. Der Ursprung der Familie. . in: Marx und Engels Werke (Obras de Marx e Engels) (Maio 1884). assumidas por pessoas públicas e privadas. vide FRIEDRICH ENGELS. entendida essa última em sentido amplo. tal como atos normativos. des Privateigentums und des Staates (A Origem da Família. e decisórios. como manifestação volitiva da classe dominante que se erige em lei. Vol. passando a concebêlas precisamente como fatores em última instância condicionantes de todo processo da vida em sociedade. 1962. diferentemente de toda ideologia jurídica anterior.e. Tendo-se em conta o fato inconstestável de que o surgimento das sociedades de classes conduz inelutavelmente à emergência de antagonismos inconciliáveis havidos entre elas. o Direito apresenta-se. originários ou ordenadores. oriundos de órgãos e entidades do Estado por ela também disciplinados. Berlim. resolutivos ou sentenciadores. lei constitucional e ordinária. XXI. resulta ser evidente que o Direito nada pode representar sem o poder do Estado da classe economicamente mais forte que assegura coerção à aplicação ao seu sistema de leis. quando não exigido 5[7] Acerca do tema. os quais ameaçam destruir todo o organismo social em uma luta sem trégua. pp.5[7] Com efeito. subtraem as condições materiais de produção e apropriação reais de seu antigo status de elementos históricos dotados de importância desprezível ou secundária. lei positivamente estatuída e consuetudinariamente estabelecida. i. lei formal e material. expressamente previstas ou não proibidas por lei. como também formas de relações jurídicas. 165 e s.Porém. procedendo-se de modo tácito. da Propriedade Privada e do Estado).

décision. i. greco-romana e semítico-aramaica. 248. através dos séculos. o poder do Estado – senhores aristrocráticos e patrícios escravistas. tal como relações obrigacionais e contratuais. no curso das diversas épocas progressivas das formações sócio-econômicas do mundo ocidental. decision. Volume I : O Processo de Produção do Capital)(1867). ibidem. ỏ νόμος. editum. Kritik der politischen Ökonomie. bill. ή έντολή. reponsa prudentium. vide IDEM. em suma : leis em sentido formal e material. p. rescriptum. as mais importantes formas jurídicas consubstanciadoras das manifestações de vontade das classes dominantes que emergiram vitoriosas e mantiveram. sentence. decree. vide MARX. ruling. . especialmente Parte I : Ware und Geld (Dinheiro e Mercadoria). Entscheidung. mandatum. especialmente Parte III : Die Produktion des absoluten Mehrwerts (A Produção da Mais-Valia Absoluta).que seja de modo expresso. essas últimas bilaterais e plurilaterais (contratos de sociedade) etc. em suas maãs. senhores feudais e eclesiásticos. in : ibidem. independemente de desenvolver-se segundo forma prescrita em lei ou nela não defesa. law. Capítulo II : Der Austauschprozeß (O Processo de Troca). mestres de corporação e burgueses dando conformação seja ao Direito da Antigüidade Escravista. decretum. lex.6[8] Assim. seja ao Direito Medieval do Servilismo Feudal. Acerca do contrato de trabalho enquanto forma da relação jurídica de compra e venda da força de trabalho no capitalismo. A fim de atingir os seus fins de exploração e dominação social materialmente condicionados. representam. Das Kapital. cada nova classe que assumiu o lugar da que dominava antes no 6[8] Particularmente no que respeita à natureza da relação juridical cuja forma é o contrato. ordonnance.e. pp. Capítulo VIII : Der Arbeitstag (A Jornada de Trabalho). enquanto mediação jurídico-formal da relação capitalista. XXIII. τò δικαíωμα. 99 e s. Vol. loi. 1 : Die Grenzen des Arbeitstags (Os Limites da Jornada de Trabalho). Band I : Der Produktionsprozeß des Kapitals (O Capital. Verordnung. KARL. seja ainda ao Direito Burguês de Extração da Mais-Valia mediante a Exploração Capitalista do Trabalho Assalariado. Crítica da Economia Política. senatusconsultum. Gesetz.

XX. Vol. mais ou menos persuasível da vontade da classe dominante. dado que o próprio legislador é partidário? O que significa um julgamento imparcial. dotado de caráter ideologicamente universal e impessoal. p. se a própria lei é parcial? 7[9] A esse respeito.2 : Über die Produktion des Bewußtseins (Sobre a Produção da Consciência). vide MARX. de todo o povo e de toda nação. imutáveis e. Acerca do Estado da classe dominante que se apresenta por si mesma como representante de toda a sociedade. Sendo assim. A Subversão da Ciência do Sr. 1962. vide ENGELS. em geral. imperativamente preceitual-coercitivo. foi obrigada a ideologicamente apresentar. Die deutsche Ideologie (A Ideologia Alemã)(1845 – 1846). sagrados de todos os membros da sociedade. julgamento apartidário e autonomia do processo judicial. a razão. o juízo e o julgamento comuns. Vol. os objetivos. supostamente veiculador das únicas convicções e idéias geralmente admissíveis. FRIEDRICH. in : Marx und Engels Werke (Obras de Marx e Engels). a lei consagrou-se. 47.7[9] Precisamente por demonstrar encontrar-se munido de plena compreensão acerca do importante significado da lei. pp. ao longo dos séculos. sua vontade dominante como se representasse efetivamente os interesses. III.quadro dessa ininterrupta seqüência jurídico-histórica. naturais. FRIEDRICH. Herrn Eugen Dühring’s Umwälzung der Wissenschaft (Anti-Dühring. até mesmo. ao destacar: “Que tipo de ilusão estúpida e complicada é. os valores. Anti-Dühring. Livro I. Eugênio Dühring) (Setembro 1876 – Junho 1878). in : ibidem. . é que Marx foi capaz de revelar corretamente qual o mistério jurídico supostamente indesvendável que envolve os malfadados conceitos de juiz apartidário.I. através de lei. como instrumento de positivação. 261 e s.A. Berlim. KARL & ENGELS. essa de um juiz apartidário.

mais ou menos abrangente que. então. dialético-idealista ou eclético-dualista -. sagrando-se. a forma. . I.e. Por um Renano)(1° de Novembro de 1842). MARX. enfim. p. uma legislação. esquecendo-se da descendência do Direito a partir das condições materiais da vida e da luta travada entre as classes sociais antagônicas. ”8[10] Após o surgimento das sociedades de classe e a agudização subseqüente de suas insolúveis contradições sociais. a partir do “conceito de vontade”. tanto mais distancia e autonomiza sua própria forma de expressão do modo segundo o qual se expressam as condições materiais de vida social. A lei antecipou o conteúdo. regra costumeira. construído de modo metafísico. Extraindo-se a justificação da existência da lei e da legislação a partir de fundamentos intrínsecos ao próprio sistema jurídico . essa bagatela formal não possui. apenas aplicá-la desconsideradamente.p. senão como sistemas que encontram sua 8[10] Cf. havidas efetivamente na época histórica a que correspondem. a passo e passo. ex. Debatten über das Holzdiebstahlsgesetz.O juiz pode formular a parcialidade da lei apenas de maneira puritana. pois. quanto mais intrincada e emaranhada se torna. o método teórico-abstrato de comparação de sistemas jurídicos de diferentes povos e diferentes tempos entre si . Vol. a lei. i. nenhum valor autônomo. KARL. em um sistema de leis. constitui-se.não como moldagens formais de relações materiais paradoxalmente determinadas. Se o processo judicial nada é senão uma forma despida de conteúdo. Von einen Rheinländer (Debates acerca da Lei sobre o Furto de Madeira. A imparcialidade é. in : ibidem. de início. 145. não o conteúdo do julgamento.

1961. Vol. a concepção dialético-materialista do Direito demonstra que esse último enquanto momento integrante da superestrutura social é composto não apenas por instituições jurídicas. correspondentes a cada período das lutas de classes reais. desdrobando-se conscientemente. interesses e objetivos. as brilhantes considerações de ENGELS. tal como leis. juntamente com ele. categorias e doutrinas. de uma Ciência do Direito da classe dominante. valores e razões. vide. FRIEDRICH. especialmente Dritter Abschnitt : Nachtrag über Proudhon und die Wohnungsfrage Nr. concepções e conceitos jurídico-dogmáticos. efetivamente travadas ao longo do curso histórico-social. tal como teorias. Berlim : Dietz Verlag. o aspecto de que essa vontade da classe dominante erigida em lei é capaz de. A função cumprida por essa superestrutural essencialmente ideológica – em cujo contexto forma-se a ideologia da Ciência do Direito da classe dominante. geradora de um estamento próprio de profissionais do Direito e. p. Zur Wohnungsfrage (Acerca da Questão da Habitaçao)(Junho de 1872 – Fevereiro de 1873). XVIII. surge e consolida-se a necessidade de uma nova divisão do trabalho social. juízos e julgamentos.fundamentação em si e por si mesmos -. entidades. voltados a assegurar sistematicamente o processo de dominação de classe. in : Marx und Engels Werke (Obras de Marx e Engels). sujeitos por elas regulados. gerar conceitos. adicionalmente. Precisamente por essa razão. . doutrinas.9[11] O realce do caráter formal do Direito na concepção de Marx e Engels permite ressaltar. é elucidada por Marx e Engels da seguinte forma: 9[11] Acerca do tema. senão ainda por uma específica forma de representação espiritual jurídico-ideológica. II(Terceira Parte : Suplemento acerca de Proudhon e a Questão da Habitação Nr. órgãos. 277. II).

desde que deixa de ser necessário representar um interesse particular como sendo o interesse geral ou de representar o “Universal” como dominante. cessa.A.“As idéias da classe dominante são também as idéias dominantes de cada época ou. quando a dominação de classe em geral deixa de ser a forma do regime social. suas contradições.e. colhidas em forma de idéia e. de maneira que. Livro I. A classe que dispõe dos meios de produção material dispõe. desde logo. i. ao mesmo tempo. saltos e irrupções 10[12] Cf. dos meios de produção intelectual. As idéias dominantes não são mais do que a expressão ideal das relações materiais dominantes. por conseguinte. são a expressão das relações que fazem de uma classe a classe dominante. as idéias daqueles a quem são recusados os meios de produção intelectual estão. o que equivale dizer que são as idéias da sua dominação. em média. são as relações materiais dominantes. III. FRIEDRICH.I. MARX. . suas enérgicas mudanças quantitativas e qualitativas. KARL & ENGELS. Toda a ilusão que consista em acreditar que a dominação de uma classe determinada é apenas a dominação de certas idéias. por si mesma. suas ásperas marchas e contramarchas. submetidas a essa classe dominante. seus bruscos avanços e recuos. Vol.”10[12] XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Atento às características decisivas desse complexo processo histórico-jurídico. Die deutsche Ideologie (A Ideologia Alemã)(1845 – 1846). em outras palavras. in : ibidem.2 : Über die Produktion des Bewußtseins (Sobre a Produção da Consciência). 46 e s. p. naturalmente. a classe que é a potência material dominante da sociedade é também a potência espiritual dominante.

FRIEDRICH. na França. i. 492.12[14] 11[13] Acerca do tema.e. vieram a constituir os elementos decisivos de um dos mais egrégios princípios formais do Direito Burguês : a igualdade perante a lei. no século XVII. Engels destacou propriamente que a bandeira religiosa havia tremido. emergiu. a nova visão do mundo totalmente purificada de elementos teológicos. 1961.e. a prevalência da forma eqüivalente da troca de mercadorias. in: Marx und Engels Werke (Obras de Marx e Engels). em cujo contexto histórico esse último tornou-se a visão clássica do mundo capitalista-burguês. seja de matiz monoteísta eclesiástico-medieval. Berlim. ibidem. onde a supremacia da apropriação privada dos meios de produção e de troca. i. (redação final de Karl Kautsky). IDEM. o Direito encontrou-se profundamente envolvido por uma maquilagem essencialmente mística. o predomínio das relações contratuais. pp. . 12[14] Nesse sentido. seja de índole plurideísta greco-romana. : a visão jurídica do mundo. na Inglaterra. XXI. sendo que. a qual haveria de se tornar a visão da burguesia por excelência. das operações de crédito e dos mais variados mecanismos mercantis-concorrenciais em toda a sua plenitude. Juristensozialismus (O Socialismo dos Juristas)(Outubro de 1886). pela última vez. Apenas a partir da ascensão da nova visão do mundo operou-se a plena secularização do Direito. logo cinqüenta anos depois. 492 e 493.11[13] Até então. vide ENGELS. p. Vol.violentas que nada tem de comum com a concepção jheringiana de “contínua evolução do Direito”. ao longo de uma série de séculos da história da humanidade que antecederam a tomada revolucionária do poder do Estado pela burguesia ascendente no século XVIII.

KARL. em um contexto histórico-social em que princípio e prática se agridem mutuamente. Morgans Forschungen (A Origem da Família. como Direito formal da igualdade –. 13 e s. nos processos de luta travados em contextos históricos precedentes. Der Ursprung der Familie. mantido igualmente nas mãos da classe social que emergiu vitoriosa em face das classes profligadas. Kritik des Gothaer Programms (Crítica do Programa de Gotha) (Abril e Maio de 1875). procura assegurar imperativamente seja declarado. um padrão de medida igual . pois. Em Conexão com as Investigações de Lewis H. XIX. p. des Privateigentums und des Staats. ENGELS. diremos com Engels : 13[15] Nesse sentido. XXI. vide. pp. Vol. por encontrar-se condicionado conteudisticamente pelo processo histórico-social de exploração das classes oprimidas.. executado e aplicado o Direito da classe dominante à exploração das classes despossuídas é precisamente o Estado. 14[16] Acerca do tema. pressupõe. vide MARX. é. 1961. FRIEDRICH. 105 e s.ex. . Berlim : Dietz Verlag. Direito da desigualdade de classes desiguais. por excelência. in : Marx und Engels Werke (Obras de Marx e Engels).surgindo. principiologicamente. a consagração e aplicação por princípio de uma padrão igual de medida.13[15] O aparato institucional que. Vol.14[16] Assim. O Direito da classe dominante que sanciona. a vontade da classe dominante erigida em lei. na prática. Morgan) (Março – Maio de 1884). válido para todos os cidadãos do Estado. in : ibidem. Im Anschluss an Lewis H.Com efeito. ainda sob o aspecto formal. da Propriedade Privada e do Estado. pp.

pp. resulta ser bom. XVIII. FRIEDRICH. logo torna-se lei. 277. ENGELS. muito primitivo. II(Terceira Parte : Suplemento acerca de Proudhon e a Questão da Habitação Nr. de distribuição e de troca dos produtos. 1961. cujo efeito – seja bom ou ruim -. Berlim : Dietz Verlag. colocadas a serviço do capitalista e instrumentadas por sua vontade dominante. 15[17] Cf. 3. porque é necessário .que todas as diferentes funções na sociedade burguesa pressupõem-se reciprocamente . surgem necessariamente órgãos incumbidos de sua manutenção – o poder público. cuidando-se para que o elemento singular submeta-se às condições gerais de produção e de troca. que se repetem diariamente. enquanto partes indispensáveis da superestrutura das profissões ideológicas. Com a lei. II). in : Marx und Engels Werke (Obras de Marx e Engels). Essa regra. Vol.que os antagonismos na produção material tornam necessária uma superestrutura de profissões ideológicas.”15[17] Examinando. o Estado. a função profissional dos juristas e juízes.que todas as funções são colocadas a serviço do capitalista.“Em um certo nível de desenvolvimento. especialmente Dritter Abschnitt : Nachtrag über Proudhon und die Wohnungsfrage Nr. . bem como de tantos outros trabalhadores espirituais. funcionários públicos e militares. 2. além disso. Marx conclui : “1. Zur Wohnungsfrage (Acerca da Questão da Habitaçao)(Junho de 1872 – Fevereiro de 1873). de início costumeira. da sociedade surge a necessidade de subsumir sob uma regra comum os atos de produção. desembocando no seu bem .

tendo suas raízes nas condições de vida material de épocas históricas determinadas.4. senão ainda investigaram com profundidade o aspecto eminententemente conteudístico que. KARL. ”16[18] Marx e Engels debruçaram-se detidamente não apenas sobre o aspecto volitivosuperestrutural e jurídico-formal do Direito. que elas são apresentadas enquanto produtores diretos de riqueza material e falsamente comprovadas. in : ibidem. ser compreendido a partir de si mesmas nem tão pouco ser explicado por meio do pseudo-desenvolvimento geral do espírito humano. 1961.17[19] Já destacamos que a concepção dialético-materialista do Direito sustenta que a vontade da classe dominante erigida em lei possui seu conteúdo nas condições materiais de sua própria vida histórico-social. o condiciona. então. Vol. pp. Berlim : Dietz Verlag. Marx salientou. in : ibidem. formulada por Karl Marx da seguinte forma: 16[18] Cf. as relações do Direito – como as formas do Estado . 8. que. p. MARX. precisamente. Berlim : Dietz Verlag. KARL. em última instância. Vorwort zur Kritik der Politischen Ökonomie (Prefácio à Crítica da Economia Política)(Agosto de 1858 – Janeiro de 1859). O ensinamento lapidar de imenso significado para a compreensão do Direito emergente dessa afirmação é. que mesmo as produções espirtuais mais elevadas devem ser apenas reconhecidas e desculpadas em face do burguês.não podem. Nesse contexto. 1961. 145 e 259. . com efeito. Vol. XIII. MARX. XXVI/1. 17[19] Cf. Theorien über den Mehrwert (Teorias da Mais-Valia) (1863).

Vol. vide acerca do tema ENGELS. pela divisão do trabalho espiritual. por relações econômico-materiais. pp. realizado sobre uma área geográfica e um meio externo definidos. in : ibidem. Marx e Engels comprovam que. determinadas. Brief an Heinz Starkenburg (Carta a Heinz Starkenburg)(25 de Janeiro de 1894). Vol. necessárias. incorporando os vestígios históricos efetivamente transmitidos por fases anteriores de desenvolvimento das forças produtivas materiais. p. pressupõe a existência de uma certa divisão social do trabalho.19[21] Em um dado momento histórico-social. XIX. Kritik des Gothaer Programms (Crítica do Programa de Gotha) (Abril e Maio de 1875). independentes do alvedrio dos homens e correspondentes a um certo nível de desenvolvimento das forças produtivas. XL. FRIEDRICH. a partir desse. a simples necessidade de produção de bens e de troca de produtos. . 17 e s. conduzindo à cisão de toda a sociedade em classes sociais antagônicas e inconciliavelmente hostis. MARX.“O Direito não pode ser nunca mais elevado do que a formação econômica e o desenvolvimento sócio-cultural que é por ela condicionado. 21. in : ibidem. após a dissolução das sociedades nômades-tribais e aguçadas as crescentes contradições sociais produzidas pela divisão do trabalho corporal e.”18[20] Marx e Engels esclarecem que o modo segundo o qual os membros de uma sociedade produzem os meios de sua vida social e trocam entre o si os produtos gerados é constituído. em seu fundamento. incluída no interior dessas mesmas relações. KARL. o conjunto das relações materiais de produção é necessariamente o elemento 18[20] Cf. 19[21] De modo esclarecedor.

travadas ora aberta. MARX. por consegüinte. surge o Direito enquanto elemento histórico superestrutural. pp. decisivamente. travada visando à exploração econômica e à dominação das classes subjulgadas. KARL & ENGELS FRIEDRICH. jurídico e cultural em geral. IV. Vol.formador da estrutura real-econômica que confere sustentação a todas as relações sociais superestruturais de dominação e.20[22] Já essas mesmas classes sociais são sempre produtos das relações e contradições econômico-materiais da produção e troca de uma determinada época histórica. 20[22] Cf. sendo assenhorado e instrumentado pela classe dominante em sua luta sem quartel. 462. a política. . em última instância. dotado de instituições jurídicas e forma ideologicamente específica de consciência social. Manifest der Kommunistischen Partei (Manifesto do Partido Comunista)(Dezembro 1847 – Janeiro de 1848) in : ibidem. que a história de todas as sociedades existentes até os nossos dias – com exceção das sociedades primitivas . Tendo em precisa conta que é o modo de produção e reprodução social da vida material o fator que. então. ora acobertadamente. conduzindo sempre ou à transformação revolucionária de todo corpo social ou à decadência comum das classes em luta. Precisamente nesse contexto. o Estado etc.em que vivemos é a história das lutas de classes sociais. condiciona todo o processo de vida político. Marx e Engels realçam os elementos superestruturais. Estabelecidos esses aspectos analíticos fundamentais de sua análise social. o Direito. ambos puderam concluir.

Vol. determinando. porém.21[23] Assim. Berlim : Dietz Verlag. XXXVII. Berlim : Dietz Verlag. 1961. sobretudo nos Estados Burgueses contemporâneos. in : Marx und Engels Werke (Obras de Marx e Engels). 96 e s. até mesmo sua forma. . de modo a conduzirem à sua crise e destruição. ENGELS. XXXIX. de modo preponderante. Vol. ressaltando devidamente o aspecto condicionador dos meios de produção e reprodução da vida material. ENGELS. a concepção marxista-engelsiana do Direito entende.22[24] Sem dúvida. FRIEDRICH. que o Direito – interrelacionando-se com outros elementos superestruturais das relações de dominação – exerce um importante efeito colateral e ativo sobre o transcurso histórico das lutas de classe – ainda que não seja o decisivo -. explorando suas contradições em benefício do fortalecimento das forças proletárias. pp. ainda que apenas dentro de certos limites. Brief an Franz Mehring (Carta a Franz Mehring)(14 de Julho de 1893). pp. modificando-a. 462 e s. que. efetivamente. Brief an Joseph Bloch (Carta a Joseph Bloch)(21 e 22 de Setembro de 1890). aos juristas marxistas a perspectiva de operarem revolucionariamente com o Direito Burguês. interrelacionem-se e interajam com a base histórico-real. por constituir inequivocamente elemento da dominação burguesa-capitalista. o Direito não se constitui enquanto tosca e rudimentar expressão superestrutural da dominação capitalista. 22[24] Cf. essa postura analítica abre. senão tende a interceder enquanto sistema por si mesmo 21[23] Cf. Convém destacar.todos eles condicionados. em muitos casos. 1961. FRIEDRICH. in : Marx und Engels Werke (Obras de Marx e Engels). precisamente.

anteriormente. tendendo à determinação de um ponto de equilíbrio entre esses dois valores. instrumentada pelo poder coativo do Estado (von Ihering 1884/443). E. é mister destacar-se o disparate alardeado pelos ardentes defensores da “contínua evolução do Direito”. moderno. as conceituações de Jhering para balizar seu próprio pensamento jurídico-burguês conservador. Brief an Conrad Schmidt (Carta a Conrad Schmidt)(27 de Outubro de 1890). exposto no Nono Prefácio de seu “Der Besitzwille (A Vontade de Posse)” de 1889. Grau dedica toda a abertura de seu trabalho à seguinte advertência ético-moral de Jhering. vide. in : Marx und Engels Werke (Obras de Marx e Engels). nomeado pelo Governo de Frente-Popular de Lula. GRAU. com base na qual pretende que exista uma “contínua evolução” do Direito : “Podemos dizer o Direito é um instrumento de organização social : sistema de normas (princípios) que ordena – para o fim de assegurá-la – a preservação das condições de existência do homem em sociedade (forma que visa a assegurar as condições de vida da sociedade. 20 e exórdio de abertura do livro. Berlim : Dietz Verlag. o Direito pretende proteger e assegurar a liberdade de agir do indivíduo. 23[25] Sem embargo. incansavelmente.mais ou menos coerente. Grau revela-se. em evidente alusão ao método de Jhering. praticamente em todas as suas obras. porém. 1991. Certo é. 20. Eis sua definição extremamente estática de Direito. Cf. apoiada inteiramente em Jhering. . São Paulo. tão decantada por juristas jheringianos. 488-495. que serve de consigna maior para suas reflexões jurídicas cético-subjetivistas: “Para que possamos servir-nos sem perigo de uma teoria é necessário que. p. Vol. ENGELS. p. com a qual opera alienadamente. que cita. 24[26] No cenário das letras jurídicas brasileiras. ele demarca as áreas da liberdade e do interesse coletivo. as tímidas posições burguesas-reformistas do novo Ministro do Supremo Tribunal Federal.” Se Eros Grau compreendeu efetivamente o sentido e o significado da doutrina do Direito de Jhering. Assim. é questionável. sobretudo. F. R. subordinando-a ao interesse coletivo. 1961. como sendo um fervoroso discípulo da ideologia jurídica de Jhering que pretende apresentar como capaz de conceber o Direito “em contínua evolução. impregnado de stalinismo frentepopulista. EROS R. XXXVII. que não se contradiz trivialmente e nem revela seus fundamentos internos mais paradoxais de maneira manifestamente ostensiva.” Declarando-se seguidor de uma “concepção realista do Direito”. tenhamos perdido completamente a fé nela (von Ihering)”. GRAU. ibidem.24[26] democrático-liberais e frente-populistas do Direito Burguês 23[25] Cf. A Ordem Econômica na Constituição de 1988 : Interpretação e Crítica. pp.

25[27] Não descurando da importância das reformas para o desdobrar das lutas revolucionárias dos trabalhadores e das massas miseráveis e sacrificadas pela hediondez do capital. gradativamente mutável. Brief an Conrad Schmidt (Carta a Conrad Schmidt)(27 de Outubro de 1890). 493. ser expressão do modo de produção e reprodução social da vida material que.e. vagarosamente cambiante. precisamente quando a coerção das inesperadas exasperações advindas das lutas de classes sociais golpeia. as profundas contradições resultantes da tradução direta em princípios jurídicos das relações econômico-materias de exploração e dominação capitalistas. abruptamente e sem interrupção. examinado em seu conteúdo. FRIEDRICH. sem violências comprometadoras. exercidas pelo domínio público sobre o domínio privado capitalista .Com efeito. prostrada em seu leito de morte. em última instância. Berlim : Dietz Verlag. Vol. p. 25[27] Passim ENGELS. tornadas então ainda mais agravadas. esses incorrigíveis candidatos a reformistas da dominação capitalista. 1961. não perdendo de vista o fato de esse último. . enredando-o novamente nas velhas contradições insolúveis. além disso. XXXVII. esse mesmo sistema. a concepção dialético-materialista do Direito salienta resolutamente a força decisiva que possuem os movimentos revolucionários e as lutas acesas de classes para as transformações no domínio do Direito. legal e doutrinariamente. fingir e suprimir. procuram sempre dissimular. na busca da produção de um sistema de Direito aparentemente harmônico. pretendidamente democrático e universal -. in : Marx und Engels Werke (Obras de Marx e Engels).

o condiciona e estabelece os limites a que correspondem o desenvolvimento cultural geral da sociedade. . KARL. MARX. da seguinte forma. sabendo. Volume I : O Processo de Produção do Capital)(1867). então. Zwangsgesetzliche Beschränkung der Arbeitszeit. eliminar resolutamente de sua concepção jurídica todos os resquícios de positivismo ou naturalismo jurídicos. A Legislação Fabril Inglesa de 1833-1864). especialmente Parte III : Die Produktion des absoluten Mehrwerts (A Produção da Mais-Valia Absoluta). 6 : Der Kampf um den Normalarbeitstag. Limitação Legalmente Coercitiva da Jornada de Trabalho. ao denunciarem a representação interessada que a classe dominante elabora acerca do Direito. ao mesmo tempo. Die englische Fabrikgesetzgebung von 1833-1864 (A Luta pela Jornada Normal de Trabalho. apresentando-o como fundando em leis naturais e racionais eternas : “Vossas idéias são produtos das relações burguesas de produção e de propriedade. Capítulo VIII : Der Arbeitstag (A Jornada de Trabalho).26[28] Dirigindo-se diretamente aos representantes burgueses de todos os matizes políticos e seus ideólogos mais servis. transitórias no curso da produção. tal como vosso Direito é apenas a vontade de vossa classe erigida em lei. o caráter de apoderamento e instrumentalização do Direito pela vontade da classe dominante. enquanto elemento histórico superestrutural. uma vontade cujo conteúdo está dado nas condições materiais de vida de vossa classe. Marx e Engels elucidaram. pp. Band I : Der Produktionsprozeß des Kapitals (O Capital. Crítica da Economia Política. A representação interessada segundo a qual tranformais vossas relações de produção e de propriedade de relações históricas. 26[28] Cf. Das Kapital. 294 e s. Kritik der politischen Ökonomie.

a circunavegação da África. IV. IDEM. acarreta manifestas e inopinadas mudanças nos ordenamentos jurídicos nacionais e internacionais dos países envolvidos. obviamente situado em novos patamares históricos. ao combinar-se com profundas crises institucionais dos poderes de Estado. compartilhais com todas as classes dominantes perecidas. o imperialismo capitalista. avança sobre os Estados burgueses mais atrasados em ofensiva desenfreada. já em época avançada da agonia mortal do capitalismo. buscando adequá-los sempre ao 27[29] Cf. com o claro objetivo de reduzí-los – estes que já vieram a gozar de relativa independência – a verdadeiras colônias. ibidem. assistimos ao surgimento de um novo terreno de dimensão mundial explorado pela burguesia ascendente. Vol.. in : ebenda. aguçando enormemente a exploração do proletariado de todo mundo. No dealbar do século XXI. colonizador e recolonizador.”27[29] Se tivermos em devida conta as ponderações de Marx e Engels de que. desde o descobrimento e a colonização das Américas. a realidade histórica das relações materiais capitalistas dos últimos séculos veio demonstrar sua inevitável propensão a atingir características imperialistas. Esse processo que está muito distante de ser um fenômeno pacífico e racionalmente evolutivo. a abertura e exploração dos mercados chinês e asiático-oriental etc. no quadro de um inequívoco processo recolonização. p. 477. em cujo contexto o Direito passou a ser crescentemente assenhorado e instrumentalizado pelos interesses materiais do imperialismo capitalista.em leis naturais e racionais eternas. .

htm 28[30] Acerca do tema. . Piotr Stutchka.de/KMFEDireitoCapa. Direito de Classe e Revolução Socialista. mais detalhadamente. exercidas pelo capitalismo imperialista em sua nova fase existencial. SÉRGIO. Dezembro de 2001. Nr. Comentários. 4.28[30] http://www.scientific-socialism. vide. AMÉRICO / OLIVEIRA. in: Revista Marxismo Vivo.mister de instrumentalizar e assegurar o maior grau de exploração econômica e dominação institucional de todo mundo. ADERSON / GOMES. BUSSINGER.