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02- A Grande Síntese - Pietro Ubaldi (Volume Revisado e Formatado em PDF para iPad_Tablet_e-Reader)

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02 - - A Grande Síntese (Volume Revisado e Formatado em PDF para iPad_Tablet_e-Reader) - Segundo Volume da Obra de Pietro Ubaldi - A GRANDE SÍNTESE oferece solução plausível a todos os problemas do universo - desde a estrutura do átomo e a composição química da vida, até os métodos de ascensão mística; desde a Relatividade e a gênese do Cosmos, até as mais novas questões religiosas e sociais e os mistérios da psique humana (...). A nota chave do livro é a ascensão espiritual.
02 - - A Grande Síntese (Volume Revisado e Formatado em PDF para iPad_Tablet_e-Reader) - Segundo Volume da Obra de Pietro Ubaldi - A GRANDE SÍNTESE oferece solução plausível a todos os problemas do universo - desde a estrutura do átomo e a composição química da vida, até os métodos de ascensão mística; desde a Relatividade e a gênese do Cosmos, até as mais novas questões religiosas e sociais e os mistérios da psique humana (...). A nota chave do livro é a ascensão espiritual.

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Entendemos a guerra como um momento do fenômeno da evolução da for-
ça para a justiça, por meio do direito; como uma fase da ascensão coletiva.
Disse-vos mais atrás que, num mundo todo armado contra si mesmo, só existe
uma defesa extrema: o abandono de todas as armas. Essa frase pode parecer
um absurdo, portanto é necessário explicá-la. Mostrei-vos, então, o mais ele-
vado grau a ser atingido pelo homem através de graduais aproximações. Mas,
assim como nos caminhos da evolução individual, o esforço para alcançá-lo
precisa ser integral, introduzindo na vida dos povos o máximo de disciplina
suportável. Infelizmente, nas coletividades mais involuídas, o uso da força
pode constituir uma necessidade, especialmente de defesa, a fim de impedir a
explosão do mal. Nos primeiros níveis, as civilizações não podem surgir senão
cercadas por uma barreira de violência que as proteja da própria violência,
caso no qual uma defesa ampla e previdente pode implicar também uma ofen-
siva. Hoje, porém, o mundo possui vários focos acesos de civilização, enquan-
to a zona de barbarismo cada vez menos necessita e justifica um regime de
violência. Assim como, no direito interno, os impulsos da vida conduzem a um
progresso da força à justiça, eles também trazem, com sua atuação no direito
internacional, um progresso da guerra para a paz, disciplinando forças e coor-
denando energias. Desse modo, a evolução produz, mesmo neste caso particu-
lar da força, um progressivo cerceamento da guerra, tendendo a eliminá-la. Os
absolutismos pacifistas, idealizados e isolados, ainda são hoje utopia como
realização, embora neles já brilhe, como tendência e objetivo, o ideal das aspi-
rações humanas, para cuja realização tanto se luta.
Hoje, os armamentos são uma dura necessidade, o que atesta, com demasi-
ada evidência, o estado selvagem do homem atual
. Tendo em vista a fase atual
de inconsciência coletiva da humanidade, esse mal é necessário. Uma vez que
a arma do vizinho, guiada por uma psicologia de estrito egoísmo, está erguida
e pronta para golpear, não é possível depor as armas, pois, neste caso, elas
constituem indispensável condição de vida. É necessário que os povos se co-
nheçam, tocando entre si – tal como acontece com os indivíduos na formação
do direito privado – seus respectivos círculos de liberdade individual, pois
assim aprendem a respeitar-se e a coexistir, cedendo espaço aos direitos alhei-
os e, com isso, garantindo lugar para os seus, a fim de aderir à unidade coletiva
da humanidade, num estado de consciência coletiva superior. Não existe hoje

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um verdadeiro e próprio direito internacional, sendo que as relações entre os
países ainda se encontram em estado caótico.
Também neste caso, o equilíbrio tende, pela lei do menor esforço, a se es-
tabelecer não em um pacifismo inerte e teórico, mas numa ordem internacio-
nal, cuja atuação representará uma tão grande vantagem social, que a consci-
ência coletiva, tão logo consiga compreendê-la, irá colocá-la em prática. Ho-
je, a humanidade vive uma fase de transição, na qual se compreende a utili-
dade da paz, mas ainda não se sabe superar a necessidade da guerra
. Entre
essas duas leis ela oscila, fazendo prevalecer uma ou outra, de acordo com a
maior ou menor força moral de que disponha. Entretanto surgirão sólidos
institutos jurídicos internacionais, hoje utópicos, que garantirão a vida e o
trabalho dos indivíduos coletivos (os Estados) da mesma forma que as insti-
tuições privadas têm disciplinado e garantido estas bases para o ser individu-
al. Em cada forma jurídica, a zona de justiça conquistada e a zona de força
ainda a ser superada
serão mais ou menos extensas, conforme o grau de evo-
lução atingido, deslocando constantemente sua proporção recíproca, que ex-
primirá o nível próprio daquela forma.
Todavia a força dos armamentos, mesmo subsistindo como necessidade e
preparação contra eventuais conflitos, deve sofrer uma limitação contínua,
para disciplinar seu emprego, não lhe sendo permitido existir por qualquer
outra razão que não seja constituir defesa da justiça. Ergue-se assim, como
uma primeira barreira, a enorme responsabilidade moral de um estado que
provoca uma guerra, sem justificá-la com uma real necessidade, da qual ele
tem de prestar contas ao mundo, que o observa. Eis delineado um primeiro
rudimento de ética jurídica, em que o sentido da responsabilidade e o peso
das consequências recaem sobre quem tem o poder de lançar a infernal má-
quina da guerra. Até há pouco tempo, os homens se matavam diariamente,
como fato normal. Quão mais difícil, porém, é hoje movimentar a máquina
dos exércitos, que se tornou complexa e gigantesca, em proporção às grandes
unidades estatais! As armas permanecem, mas seu uso torna-se tão mais dis-
ciplinado e excepcional, que, muitas vezes, sobrevivem somente como sím-
bolo decorativo. A guerra requer cada vez menos ferocidade e mais inteli-
gência, afastando-se do instinto sanguinário do selvagem. A disciplina é uma
conquista biológica que, do estado anárquico original, de rebelião contra tu-
do e contra todos, eleva o homem a um estado de coordenação de esforços e
de organização de trabalho.

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Assim a introdução do elemento justiça na utilização da força – que, sendo
cada vez mais reduzida, fica limitada apenas a uma fase de transição – permite
sua gradual libertação do mal, tornando-a em um meio de evolução e constru-
ção do bem. Cada vez mais se sente a necessidade de refrear a expressão da
força por meio de um conceito mais elevado, com uma alma mais nobre, que
lhe proporcione uma justificação para existir. Torna-se cada vez mais evidente
a necessidade moral e racional de tornar o uso da força aderente a um princípio
de justiça. Percebe-se sempre com maior clareza que sua maior potencialidade
reside justamente nesse imponderável, nesse mais profundo e elevado equilí-
brio, pelo qual são dominados e governados os equilíbrios da força material,
que, por essa razão, procura espontaneamente sua justificação numa finalidade
de paz, única base capaz de sustentá-la.
Assim como a dor e o mal contêm em si mesmos os impulsos para sua au-
toeliminação, a guerra também existe para engolir-se a si própria. O progressi-
vo caráter mortífero dos meios bélicos, preparado pelo progresso científico, irá
torná-los sempre mais desastrosos, sendo este seu maior poder destrutivo o
fator que eliminará as guerras, porquanto a crescente sensibilidade humana e
sua mais profunda consciência irão senti-las com horror e medo cada vez mai-
ores. Os organismos sociais obedecem sempre menos aos impulsos irrefletidos
do momento, e a ordem futura se prepara com visão abrangente e de longo
prazo. Além disso, existe a Lei, que intervém, impondo a dor como reação a
cada violação e obrigando assim, inapelavelmente, o homem a seguir a via da

justiça: “Quem usar da espada pela espada perecerá”. Acima da força dos

exércitos, transparece cada vez mais evidente esta outra, mais sutil, de uma
vontade suprema que conduz tudo para a ordem e, assim, esmaga o mais forte.
Há uma força mais elevada, à qual a outra obedece. Então, quando aparece a
mão de Deus e as forças da vida se insurgem para dominar o rebelde, os mais
poderosos exércitos se precipitam. A história também está regulada por esses
equilíbrios mais profundos, os quais se erguem e se impõem com uma força
mais poderosa que todas as forças humanas. De nada vale o poder material, se
ele, em sua base, estiver maculado por essa fraqueza substancial. O arbítrio
humano do mal é cerceado pela Lei dentro dos limites inexoráveis do bem.
Mesmo na fase atual, a força, para obter seu rendimento, tem de harmonizar-se
com esses impulsos maiores de justiça, somente podendo produzir resultados
estáveis quando empregada como meio para reconstrução da ordem.

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Como podeis observar, não falo de formas nem de métodos, mas vou sem-
pre à raiz dos fenômenos. Falo de maturação de forças biológicas. Não consi-
dero os homens, mas as leis que os movimentam
; não permaneço nos efeitos,
mas penetro nas causas. Ao mesmo tempo, também levo em conta a natureza
humana tal como ela é atualmente, bem como a lei que impera neste seu nível.
Se a guerra existe no mundo, é porque ela corresponde ao instinto da maioria,
constituindo a forma atual da seleção biológica e atuando como uma função
automática de equilíbrio demográfico . O homem normal é feito para a guerra
(seleção); a mulher, para a maternidade (conservação). Enquanto vos mover-
des neste ciclo e a guerra persistir na alma egoísta do mundo, as relações inter-
nacionais serão baseadas na força e a quantidade será necessária como meio de
vida e de grandeza. Lembrai-vos, porém, que a quantidade jamais poderá criar
a qualidade. O valor supremo do homem não consiste em abandonar-se irres-
ponsavelmente à função animal de procriar, mas sim em enfrentar, de forma
consciente e responsável, a função moral de educar. Se não for assim, a quan-
tidade degrada a raça. Será possível, então, existir sempre o mesmo círculo
vicioso, onde o aumento do número leva à guerra e a guerra, destruindo, leva à
diminuição do número? Será possível que as duas grandes forças, virilidade e
maternidade, fiquem fechadas num eterno ciclo de autodestruição?
Ao contrário, esse ciclo abre-se em ascensões graduais, progredindo para a
sublimação desses instintos. Num nível mais alto, o homem é feito para o tra-
balho, para a criação material e espiritual, para o domínio sobre a natureza e
sobre si mesmo, enquanto a mulher é feita para o sacrifício e a formação de
almas. Esta é a meta substancial.
Embora, em vosso nível humano, a guerra seja um meio proporcional à
vossa baixa forma de evolução e sua abolição constitua uma utopia, ela só po-
de ser aceita como um mal transitório, ainda que hoje necessário; como um
meio que leva a um bem mais elevado; como holocausto do bárbaro presente,
que se enfraquece pelo atrito, para a construção de um futuro mais radioso.
Para dar um conteúdo de justiça à guerra, não basta uma superprodução popu-
lacional concentrada em estreitos limites de alguma parte do globo terrestre,
condição na qual ela constitui apenas um choque de forças demográficas. É
preciso dar à guerra um conteúdo ideal de civilização e, assim, transformando-
a em instrumento de bem, tornar suportável esse mal. Desta forma, a guerra se
nobilita com heroísmos, anima-se pela espiritualidade, idealiza-se pelos martí-
rios. Elevando-se a guerra a esse nível, a ferocidade do sangue derramado

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transforma-se em apoteose de sacrifício, porque, então, já não mais se luta pelo
egoísmo ou pelos despojos, mas por uma fé que paira no alto. A guerra, nesta
condição, atinge sua mais alta meta de formação da alma coletiva e torna-se
imolação de si mesma no altar da pátria, sendo denominada santa.
O homem pensa que manda, no entanto obedece sempre, constrangido pelo
instinto à vontade da Lei. Instituições, leis e todas as manifestações sociais não
são substância, mas sim forma, constituindo a veste exterior de forças biológi-
cas. Os verdadeiros responsáveis, mais ou menos iludidos ou guiados, são os
povos, que suportam, como é justo, o peso da própria involução. Os chefes
apenas transmitem comandos, que não seriam compreendidos nem obedecidos
se não correspondessem a uma ordem mais profunda, que a todos domina. Eles
são escolhidos e elevados a seus postos tão-somente enquanto sentem, expri-
mem e obedecem os instintos da coletividade. Os grandes líderes foram mera-
mente expoentes que personificaram a verdade do momento e executaram essa
função coletiva, pois a Lei não abandona jamais os destinos dos povos ao arbí-
trio de um homem. Não confundais a forma com a substância, que deveis habi-
tuar-vos a ver nos fenômenos históricos. Em cada manifestação, pesquisai
sempre a ação sutil e substancial dos impulsos biológicos, que fazem de povos
e de chefes um organismo único, dirigido para metas idênticas.
Entretanto, à proporção que a evolução ergue o homem cada vez mais para
longe de suas origens animais, também eleva sua forma de luta. Aos três tipos
de homens que estudamos, correspondem os três métodos de combater, que
lembram os três níveis da substância: γ, β, α. Assim temos: luta material, na
qual ocorre a supremacia brutal do mais forte, mesmo que ilícita e injusta; luta
nervosa e volitiva
, na qual existe a supremacia do poder da vontade, dos meios
mecânicos e econômicos, mesmo que isto não constitua convicção nem vonta-
de; luta espiritual, na qual o dinamismo físico-muscular e volitivo-nervoso, é
dominado pela supremacia espiritual e conceptual, propriedade do super-
homem, cuja luta, fundamentada na justiça, mobiliza o dinamismo das forças
cósmicas. Neste sentido, ele é o mais poderoso, embora humanamente inerme.
Lembrai-vos, porém, que, no alto, o arbítrio se anula e a desordem é rechaçada
para baixo. Ah! Se soubésseis quanta harmonia reina nos planos mais elevados!
Sei muito bem que o homem de hoje só se eleva até ao segundo tipo de luta,
sendo arriscado pedir-lhe antecipações imaturas e precipitadas do futuro. Exis-
te uma lei de estabilidade no desenvolvimento do que é novo, sendo impres-
cindível secundá-la. Para se abandonar o velho, é preciso antes ter criado o

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novo. Depor os instintos de luta, mesmo na sua forma mais baixa, pode signi-
ficar, para os povos de hoje, fraqueza e decadência. É necessário, antes, fazê-
los superar a atual fase evolutiva, ensinando-lhes a conquistar instintos mais
elevados. Como sempre, é preciso transformar o homem antes dos sistemas, a
substância antes da forma, começando por alcançar a consciência da responsa-
bilidade que o uso da força implica. O progresso não reside na renúncia à força
– que pode ser fraqueza de impotentes – mas sim no domínio da força, que
constitui consciência dos poderosos.
Deduz-se de tudo isso o quanto é impraticável, apesar das afirmações dos
idealismos teóricos, um programa imediato de paz universal, se antes não se
souber determinar as condições biológicas necessárias à sua manutenção. A
paz universal será obtida, mas deveis ter em mente que ela representa a cons-
trução de um imenso edifício. Para atingir o triunfo mais elevado, é indispen-
sável, antes, amadurecer todas as conquistas que o condicionam. Só então essa
paz não será utopia, porque o mundo e sua alma estarão transformados e ama-
durecidos. Os atuais idealismos pacifistas, que exprimem esta grande aspiração
e indicam o seu caminho, são, biologicamente, conceitos recém-nascidos, pou-
co solidificados nos instintos, constituindo equilíbrios menos estabilizados,
portanto prestes a cair ao primeiro choque. Todas as construções ideais, mes-
mo se codificadas, estão expostas a esse perigo de uma degradação que, à pri-
meira sacudidela, reconduz os novos equilíbrios, por demais delicados, para
níveis mais baixos, onde as estabilidades são mais simples, porém mais resis-
tentes. Sempre pronto a ressurgir, tão logo desabe a superestrutura, está o subs-
trato biológico das necessidades animais, para onde retrocede o equilíbrio mui-
to arriscado, a fim de garantir a vida.
A escada da ascensão não se sobe senão degrau por degrau, solidificando
antes as bases. Nada de fáceis voos pindáricos nem barulheiras retóricas. Para
que a paz não seja utopia, mas sim um trabalho de aproximação áspero, tenaz e
prático, é necessário, antes, o amadurecimento das condições biológicas e psí-
quicas. Já é muito ter o homem visto e compreendido, pela primeira vez na
história do mundo, o absurdo lógico, moral e utilitário da guerra. Esse absurdo
torna-se cada vez mais evidente, sendo a necessidade de repará-lo cada vez
mais urgente. Concomitantemente, o progressivo aumento do morticínio cau-
sado pelos armamentos e o crescente peso econômico das guerras despertarão
o interesse coletivo, que se rebelará contra tantos desperdícios. Aterrorizado
pela possibilidade de destruições incalculáveis, o mundo se armará concorde-

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mente apenas contra quem, querendo perturbar a ordem, arrisque a destruição
da civilização. Então a força sobreviverá somente como instrumento de justiça,
passando a ser um fator de ordem, e não mais de desordem.
Esse mesmo reconhecimento de direitos e deveres já atingido nas relações
entre cidadãos terá de ser alcançado também nas relações entre povos. O di-
reito internacional
está ainda em seus primeiros alicerces. Como podem ser
lícitos o homicídio e o furto na guerra, quando, dentro do país, são proibidos
pelas leis? Isto demonstra que as relações entre povos ainda esperam um di-
reito que as discipline, pois ainda estão no estado caótico da violência, na
fase sublegal. A ética internacional é apenas recém-nascida, pois o eu maior
coletivo, que é a consciência nacional, encontra-se na fase embrionária e ain-
da deve conquistar sua respectiva moral, com a qual venha exprimir a lei das
coordenações nacionais. Com pouco tempo de existência, os organismos es-
tatais estão apenas formados e ainda não sabem reordenar-se como células
componentes do mais amplo organismo da humanidade. Assim como o indi-
víduo no estado de bárbaro, as nações também têm apenas a força, e não a
lei, para defender suas vidas. As nações são indivíduos isolados que, no má-
ximo, buscam agrupar-se em alianças, a fim de formar maiorias e, assim,
obter proteção e equilíbrio de forças. Os povos vivem fora da lei e fora da
ética, cuja criação será o trabalho das gerações futuras.
Com o progresso, as forças da ordem se unirão contra as forças da desor-
dem; os povos rebeldes serão cercados e isolados, assim como dentro do país
cerca-se e isola-se o delinquente, que representa um perigo social. Do embate
de tantas guerras nascerá uma nova ética internacional, que a dor e o sangue
ensinarão a gerar através de aperfeiçoamentos contínuos, pois a finalidade da
luta e seu único resultado duradouro é a evolução dos conceitos diretores e a
conquista de uma consciência coletiva mundial. Se já custou tanto esforço e
tanta dor a construção do instinto da convivência social entre indivíduos, quan-
to maior esforço e dor não custará a construção desse instinto, muito mais com-
plexo, de convivência internacional! Por isso nenhuma guerra acontece em vão;
os povos se chocam para se conhecerem e se compreenderem; agridem-se, mas,
através dos choques alternados entre vencedores e vencidos, aprendem a reco-
nhecer, de todas as partes, o direito que qualquer povo tem à vida, não o direito
de simplesmente sobreviver, dominado e oprimido, mas sim de viver coordena-
do na unidade maior para a qual todos convergem: a humanidade.

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O instinto das massas se transformará em dinamismos igualmente viris,
porém mais elevados, direcionados para produtividades mais benéficas e mo-
rais. Outras batalhas incruentas aguardam o homem na formação de coalizões
para defender as conquistas do espírito contra quaisquer atentados de degra-
dação da estrutura social. Outras lutas, não de armas nem de povos, serão as
do amanhã: lutas de ideias, a guerra santa do trabalho, a virilidade do dever,
o esforço da construção de consciências. Os grandes inimigos serão o desco-
nhecido, as forças da natureza, os baixos instintos a serem superados. O
grande trabalho consistirá na direção das leis da vida e da ascensão humana.
Somente assim, emergindo da eliminação da desordem, o homem conquistará
nova potencialidade na ordem. Então, os mais fortes, os melhores, serão os
mais justos. Da soma de tantos impulsos produtivos emergirão povos supre-
mamente fortes e vitoriosos.

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