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Maquinas e Ferramentas Torno Fresadora Furadeira

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  • 1. Introdução
  • 2. Torneamento
  • 2.1. Definição
  • 2.2. Máquina Torno
  • 2.3. Ferramenta para tornear
  • 3. Fresagem ou Fresamento
  • 3.1. Definição
  • 3.2. Máquina Fresadora
  • 3.3. Ferramenta para fresar
  • 4. Furação
  • 4.1. Definição
  • 4.2. Máquina Furadeira
  • 4.3. Ferramenta para furar
  • 5. Referências

Máquinas e Ferramentas

Prof. Flávio Palma

Blumenau / 2005

2 SUMÀRIO

1. Introdução.....................................................................................................................3 2. Torneamento................................................................................................................5 2.1. Definição.........................................................................................................5 2.2. Máquina Torno................................................................................................7 2.3. Ferramenta para tornear...............................................................................17 3. Fresagem ou Fresamento..........................................................................................18 3.1. Definição.......................................................................................................18 3.2. Máquina Fresadora.......................................................................................19 3.3. Ferramenta para fresar.................................................................................34 4. Furação.......................................................................................................................40 4.1. Definição.......................................................................................................40 4.2. Máquina Furadeira........................................................................................40 4.3. Ferramenta para furar...................................................................................45 5. Referências.................................................................................................................51

Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas

Agosto/2005

3 1. Introdução

Todos os conjuntos mecânicos que nos cercam são formados por uma porção de peças: eixos, anéis, discos, rodas, engrenagens, juntas suportes, parafusos, carcaças... Para que essas peças sirvam às necessidades para as quais foram fabricadas, elas devem ter exatidão de medidas e um determinado acabamento em sua superfície. A maioria dos livros sobre processos de fabricação diz que é possível fabricar essas peças de dois modos: sem produção de cavacos, como nos processos metalúrgicos (fundição, laminação, trefilação etc.), e com produção de cavacos, o que caracteriza todos os processos de usinagem.

COM PRODUÇÃO DE CAVACO

Figura 1: Processos de fabricação [5]

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4 Na maioria dos casos, as peças fabricadas por fundição ou forjamento necessitam de alguma operação posterior de usinagem. O que acontece é que geralmente essas peças apresentam superfícies grosseiras que precisam de melhor acabamento. Além disso, elas também deixam de apresentar saliências, reentrâncias, furos com rosca e outras características que só podem ser obtidas por meio da produção de cavacos, ou seja, da usinagem. Isso inclui ainda as peças que, por questão de produtividade e custos, não podem ser produzidas por processos de fabricação convencional. Assim, podemos dizer que a usinagem é todo o processo pelo qual a forma de uma peça é modificada pela remoção progressiva de cavacos ou aparas de material metálico ou não-metálico. Ela permite:

acabamento de peças fundidas ou conformadas, fornecendo melhor aspecto e dimensões com maior grau de exatidão;

• •

possibilidade de abertura de furos, roscas, rebaixos etc; custo mais baixo porque possibilita a produção de grandes quantidades de peças;

fabricação de somente uma peça com qualquer formato a partir de um bloco de material metálico ou não-metálico. Logo, a usinagem é uma enorme família de operações, tais como: torneamento,

aplainamento, furação, fresagem, serramento, roscamento, retificação, brunimento, polimento, afiação, limagem, brochamento, mandrilamento, lapidação etc. Essas operações são realizadas manualmente ou por uma grande variedade de máquinas-ferramenta que empregam as mais variadas ferramentas.

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5 2. Torneamento 2.1. Definição O processo que se baseia no movimento da peça em torno de seu próprio eixo chama-se torneamento. O torneamento é uma operação de usinagem que permite trabalhar peças cilíndricas movidas por um movimento uniforme de rotação em torno de um eixo fixo.

Figura 2: Movimentos do torneamento [5] O torneamento, como todos os trabalhos executados com máquinas-ferramenta, acontece mediante a retirada progressiva do cavaco da peça trabalhada. O cavaco é cortado por uma ferramenta de um só gume cortante, que deve ter uma dureza superior à do material a ser cortado. No torneamento, a ferramenta penetra na peça, cujo movimento rotativo ao redor de seu eixo permite o corte contínuo e regular do material. A força necessária para retirar o cavaco é feita sobre a peça, enquanto a ferramenta, firmemente presa ao porta-ferramenta, contrabalança a reação dessa força. Para realizar o torneamento, são necessários três movimentos relativos entra a peça e a ferramenta. São eles:

Movimento de corte: é o movimento principal que permite cortar o material. O movimento é rotativo e realizado pela peça.

Movimento de avanço: é o movimento que desloca a ferramenta ao longo da superfície da peça.

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também é possível furar. Variando os movimentos. alargar. (c) Roscar superfícies externas e internas.6 • Movimento de penetração: é o movimento que determina a profundidade de corte ao empurrar a ferramenta em direção ao interior da peça e assim regular a profundidade do passe e a espessura do cavaco. (b) Tornear superfícies cônicas externas e internas. recartilhar. a posição e o formato da ferramenta. (d) Perfilar superfícies. roscar com machos e cossinetes. mediante o uso de acessórios próprios para a máquinaferramenta. Além dessas operações. Figura 3: Operações de torneamento [5] Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . é possível realizar uma grande variedade de operações: (a) Tornear superfícies externas e internas.

redutores. Todos os tornos. inversores de marcha. engrenagem. cabeçote fixo e móvel.2. caixas de mudança de velocidade. caixa de câmbio. cabeçote móvel. Esse torno possui eixo e barramento horizontais e tem a capacidade de realizar todas as operações já citadas. (2) Sistema de transmissão de movimento do eixo: motor. carro porta-ferramenta. (4) Sistema de fixação da ferramenta: torre. etc. fusos. Máquina Torno O torno mais simples que existe é o torno universal. carro principal ou longitudinal e da peça: placas. são compostos as seguintes partes: (1) Corpo da máquina: barramento. (3) Sistemas de deslocamento da ferramenta e de movimentação da ferramenta em diferentes velocidades: engrenagens. Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . respeitando-se suas variações de dispositivos. polia. vara. carro transversal. (5) Comandos dos movimentos e das velocidades: manivelas e alavancas. ou dimensões exigidas em cada caso.7 2.

cabeçote fixo c .carro porta-ferramenta Figura 4: Torno universal [5] Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 .carro principal g .torre porta-ferramenta e .placa b .caixa de engrenagens d .8 a .carro transversal f .barramento h .cabeçote móvel i .

de formato cilíndrico ou hexagonal regular. (2) Para peças com formato de anel. a fixação é feita por meio da parte raiada interna das castanhas voltadas para o eixo da placa universal.9 Essas partes componentes são comuns a todos os tornos. Figura 5: Placa para torno [5] A peça é presa por meio de três castanhas. o tipo de comando: manual. por computador. por exemplo. Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . elas são presas por meio de um acessório chamado de placa universal de três castanhas. utiliza-se a parte raiada externa das castanhas. Quando as peças a serem torneadas são de pequenas dimensões. automáticos. por comando numérico ou por comando numérico computadorizado. as castanhas podem ser usadas de diferentes formas: (1) Para peças cilíndricas maciças como eixos. Nesse grupo enquadram-se os tornos revólver. etc. eletrônico. Cada castanha apresenta uma superfície raiada que melhora a capacidade de fixação da castanha em relação à peça. hidráulico. O que diferencia um dos outros é a capacidade de produção. se é automático ou não. apertadas simultaneamente com o auxílio de uma chave. Fixação da peça Para realizar o torneamento. é necessário que tanto a peça quanto a ferramenta estejam devidamente fixadas. De acordo com os tipos de peças a serem fixadas. copiadores.

Essa operação é uma das mais executadas no torno e tem a finalidade de produzir eixos e buchas ou preparar material para outras operações. Existe um tipo de ferramenta que permite facear em sentido contrário. as castanhas normais são substituídas por castanhas invertidas. Para isso. que é muito semelhante à operação anterior. pode-se executar o torneamento de superfície cilíndrica externa. consultando a tabela específica. fazer no material uma superfície plana perpendicular ao eixo do torno. • Execução do torneamento: Agosto/2005 Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas . do comprimento a ser torneado. a ferramenta deve ser deslocada até o comprimento desejado e a medição deve ser feita com o paquímetro. no material. de modo que se obtenha uma face de referência para as medidas que derivam dessa face. Essa operação chama-se facear: Essa operação de facear é realizada do centro para a periferia da peça. • Determinar a profundidade de corte: o ligar o torno e aproximar a ferramenta até marcar o início do corte no material. • • Regulagem do torno na rotação adequada. • Montagem da ferramenta no porta-ferramenta de modo que a ponta da ferramenta fique na altura do centro do torno. pois.10 (3) Para peças em forma de disco. zerar o anel graduado e fazer a ferramenta penetrar no material a uma profundidade suficiente para remover a casca do material. deixando livre um comprimento maior do que a parte que será torneada. Depois do faceamento. Operações de torneamento A primeira operação do torneamento é. Sua execução tem as seguintes etapas: • Fixação da peça. e centralizando bem o material. A marcação é feita acionando o torno e fazendo um risco de referência. o o deslocar a ferramenta para fora da peça. Marcação. É uma operação que consiste em dar um formato cilíndrico a um material em rotação submetido à ação de uma ferramenta de corte.

o repetir quantas vezes for necessário para atingir o diâmetro desejado. usa-se a broca e não uma ferramenta de corte. É fixado por meio de uma trava e movimentado por Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . É composto por: • • base: apóia-se no barramento e serve de apoio para o corpo. escarear. Pode ser deslocado lateralmente para permitir o alinhamento ou desalinhamento da contraponta. deslocar a ferramenta para fora da peça. O cabeçote móvel é a parte do torno que se desloca sobre o barramento. verificar o diâmetro obtido no rebaixo. corpo: suporta os mecanismos do cabeçote móvel. mandril ou outras ferramentas para furar. Cabeçote móvel Figura 6: Cabeçote móvel [5] Para operações de furar no torno. Para fixar a ferramenta para furar. escarear.11 o o o o o fazer um rebaixo inicial. usa-se o cabeçote móvel. alarcar e roscar. desligar a máquina. tornear completando o passe até o comprimento determinado pela marca (deve-se usar fluido de corte onde for necessário). • mangote: que aloja a contraponta. alargar ou roscar.

alargadores e machos. por exemplo.serve também de apoio para operações de rosqueamento manual. É um furo de preparação do material para operações posteriores de alargamento. Possui um anel graduado que permite controlar a pofundidade do furo. Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . torneamento e roscamento interno. Esse tipo de furo também é um passo prévio para se fazer um furo com broca comum.12 um eixo roscado acionado por um volante. • parafusos de fixação e deslocamento do cabeçote móvel. (2) fixar o mandril de haste cônica usado para prender brocas. (4) deslocar a contraponta lateralmente. escareadores. (3) suporte direto para ferramentas de corte de haste cônica como brocas e alargadores . O cabeçote móvel tem as seguintes funções: (1) de suporte à contraponta. destinada a apoiar uma das extremidades da peça a ser torneada. chamados de furos de centro. O torno permite a execução de furos para: • Abrir furos de forma de dimensões determinadas. para o torneamento de peças longas de pequena conicidade. em materiais que precisam ser trabalhados entre duas pontas ou entre a placa e a ponta. Figura 7: Furos de centro [5] • Fazer um furo cilíndrico por deslocamento de uma broca montada no cabeçote e com o material em rotação.

Essa operação é conhecida tamabém como broqueamento. polias. Com ela. contrapontas. As pontas e contrapontas são cones duplos retificados de aço temperado cujas extremidades se adaptam ao centro da peça a ser torneada para apoiá-la. Figura 9: Tornear interno [5] Acessórios para o torno O torno tem vários tipos de acessórios que ajudam a prender as peças de maior comprimento: pontas. A contraponta é apresentada em vários tipos: Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . pela ação de uma ferramenta deslocada paralelamente ao eixo do torno. lunetas fixas e móveis.13 Figura 8: Furar em torno [5] • Fazer um superfície interna. engrenagens e outras peças. obtém-se furos cilíndricos com diâmetros exatos em buchas. passante ou não. placas arrastadoras e arrastador.

transmitindo-lhe movimento de rotação. • de haste curva: é empregado com a placa com ranhura. Em todas as placas usa-se o arrastador que é firmemente preso à peça. A ponta é semelhante a contraponta fixa e é montada no eixo principal do torno por meio da placa arrastadora. As placas arrastadoras podem ser: com ranhura. Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 .14 • • ponta fixa. • ponta rebaixada: facilita o completo faceamento do topo. funcionando como órgão intermediário. Figura 10: Pontas para torno [5] A placa arrastadora é um acessório que transmite o movimento de rotação do eixo principal às peças que devem ser torneadas entre pontas. com pino ou placa de segurança. ponta rotativa: reduz o atrito entre a peça e a ponta. pois gira suavemente e suporta esforços radiais e axiais ou longitudinais. Figura 11: Placas arrastadoras [5] Os arrastadores podem ser de vários tipos: • de haste reta: mais empregado na placa com pino na placa com dispositivo de segurança.

Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . o apoio deve ser lubrificado.15 • com dois parafusos: indicado para suportar esforços em usinagem de passes profundos. Se a peça não puder ser torneada antes. sem esse tipo de suporta adicional. tornariam a usinagem inviável. por causa da vibração e flexão da peça devido ao grande vão entre os pontos. A luneta pode ser fixa ou móvel. Figura 12: Tipos de arrastador [5] A luneta é outro dos acessórios usados para prender peças de grande comprimento e finas que. Figura 13: Lunetas fixa e móvel [5] A luneta fixa é presa no barramento e possui três castanhas reguláveis por parafusos e a parte da peça que nela se apoia deve estar previamente torneada.

Figura 15: Luneta móvel [5] Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . pois está fixada no carro do torno.16 Figura 14: Luneta fixa [5] A luneta móvel geralmente possui duas castanhas. Ela apóia a peça durante todo o avanço da ferramenta.

17 2.3. Ferramenta para tornear Figura 16: Ferramenta de tornear – principais denominações [3] Figura 17: Ferramenta de tornear – principais ângulos [3] Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 .

O outro é movimento é da mesa da máquina. Quando o movimento da peça é no mesmo sentido de movimento do dente da fresa. É o chamado movimento discordante. É o movimento da mesa da máquina ou movimento de avanço que leva a peça até a fresa e torna possível a operção de usinagem. a fresa. Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . Fresagem ou Fresamento 3.1. feito por fresadoras e ferramentas especiais chamadas fresas. onde é fixada a peça a ser usinada. Definição A fresagem é um processo de usinagem mecânica. Um dos movimentos é o de rotação da ferramenta. realizados ao mesmo tempo.18 3. é chamado de movimento concordante (Figura 19). Na fresagem. Figura 18: Fresagem [5] O movimento de avanço pode levar a peça contra o movimento de giro do dente da fresa. a remoção do sobremetal da peça é feita pela combinação de dois movimentos.

3. Com o tempo e desgaste da máquina ocorre uma folga entre eles. No movimento discordante. destacando-se pela rapidez. é melhor o movimento discordante. Máquina Fresadora As máquinas fresadoras são classificadas. Em relação ao eixo-árvore são classificadas em horizontal (paralelo à mesa). geralmente. No movimento concordante a folga é empurrada pelo dente da fresa no mesmo sentido de deslocamento da mesa. vertical (perpendicular à mesa) e universal (com dois eixos-árvore: horizontal e vertical). de acordo com a posição do seu eixo-árvore (fixação da fresa) em relação à mesa de trabalho (fixação da peça). a mesa tem um movimento de avanço mais uniforme. Isto faz com que a mesa execute movimentos irregulares. Por isso.19 A maioria das fresadoras trabalham com o movimento de avanço da mesa baseado em uma porca e um parafuso. gerando um melhor acabamento da peça. A fresadora presta-se para usinar diversas superfícies planas. Quando a forma construtiva da mesa é através de porca e parafuso. pois a fresa é uma ferramenta multicortante. que prejudicam o acabamento da peça e podem até quebrar o dente da fresa. Basta observar o sentido de giro da fresa e fazer a peça avançar contra o dente da fresa. Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 .2. a folga não influi no deslocamento da mesa.

a qual trabalha com uma mesa e dois cabeçotes. movimento de coordenadas operado manualmente. • Fresadora CNC e as geradoras de engrenagens.20 Outros tipos de fresadoras são: • Fresadora copiadora. requerem atenção especial por disporem de tecnologia mais diferenciada para comando e operação.um cabeçote apalpador e outro de usinagem. • Fresadora pantográfica ou pantógrafo: permitem a cópia de um modelo. Figura 20: Máquina fresadora – Principais componentes [6] Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . permitem trabalhar detalhes mais difíceis de serem obtidos através da copiadora.

21 Principais acessórios Os principais acessórios utilizados em operações de fresamento relacionam-se à fixação da peça na mesa de trabalho. São elas: Figura 21: Parafusos e grampos de fixação [6] Figura 22: Calços [6] Figura 23: Cantoneiras de ângulo fixo ou ajustável [6] Figura 24: Morsas [6] Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 .

Normalmente se tratam de ferramentas relativamente grandes. O exemplo clássico é a instalação de uma morsa. Neste cone pode-se fixar um mandril ou uma ferramenta de haste cônica. apalpando o seu mordente fixo que deverá ficar paralelo ao movimento da mesa. utiliza-se um mandril Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . Há ferramentas de haste cônica que podem ser fixadas diretamente no cone de fixação do eixo-árvore. que possuem outra dimensão de cone. Após sua fixação na mesa deve-se fazer seu alinhamento. na mesa de trabalho da fresadora. Para fixar-se ferramentas menores. que pode ser Morse (menor esforço) ou ISO (maior fixação). Também é necessário verificar se não há cavacos que mantenham a morsa ligeiramente inclinada no plano paralelo ao chão. Para garantir a fixação utiliza-se uma haste roscada que atravessa a árvore. Como já foi mencionado. o eixo árvore possui em sua extremidade um cone e chavetas.22 Figura 25: Mesa divisora [6] Figura 26: Divisor universal e contraponto [6] É muito importante ressaltar que a instalação de alguns acessórios. As chavetas evitam o deslizamento. devem ser realizadas com muita atenção para evitar erros dimensionais na usinagem. com auxílio de um relógio comparador. Um outro conjunto de acessórios de grande importância está relacionado com a fixação das ferramentas.

Durante o rosqueamento a porca força a pinça a entrar na cavidade do mandril.23 adaptador. mas com ressalvas. Também é indicado para ferramentas de haste cilíndrica. pois a pressão não será suficiente. A primeira. A Figura 29 ilustra um mandril porta-pinça e dois modelos de pinça. Nesta mesma figura pode-se observar na ponta do mandril a rosca onde fixa-se a haste roscada. pode-se ter três tipos: universal (Jacobs). A segunda parte é denominada de porca. O mandril universal é muito utilizado em furadeiras manuais. como mostrado na Figura 27. possui uma cavidade que receberá a pinça. Figura 28: Mandril universal tipo Jacobs [6] O mandril porta-pinça possui modo de trabalho similar ao jacobs. Este mandril é composto de duas partes. Só podem ser fixadas ferramentas de haste cilíndrica e cujo esforço não seja elevado. A Figura 28 apresenta um mandril Jacobs. e é rosqueada no mandril. porta-pinça e porta-ferramenta. obriga a pinça a se fechar e fixar a ferramenta. mas permite uma força de fixação maior. Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . que é o mandril propriamente dito. e devido a forma cônica. mas também pode ser utilizado em fresadoras. A pinça é uma peça única com um furo central no diâmetro da haste a ser fixada e com diversos cortes longitudinais que lhe dão flexibilidade de fechar este furo em alguns décimos de milímetro. Esta cavidade possui uma superfície cônica de igual formato da pinça. Figura 27: Mandril adaptador para ferramentas de haste cônica [6] Com relação ao mandril.

A Figura 32 ilustra o mandril curto com chaveta transversal. Nestes casos o mandril possui chavetas. A Figura 30 apresenta alguns modelos de mandril. maior esforço de usinagem. e consequentemente. também denominado de eixo porta-fresa dehaste longa. Figura 30: Alguns modelos de mandril [6] A Figura 31 apresenta um mandril curto com chaveta longitudinal. Figura 31: Mandril porta-fresa curto com chaveta longitudinal [6] Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . A Figura 33 apresenta um mandril porta-fresa longo com chaveta longitudinal. que podem ser transversais (quando o mandril é curto) ou longitudinais. é necessário uma maior garantia de que não haja um deslizamento entre o mandril e a própria ferramenta.24 Figura 29: Mandril porta pinça e dois modelos de pinças [6] Para ferramentas de maior porte.

25 Figura 32: Mandril porta-fresa curto com chaveta transversal [6] Figura 33: Mandril porta-fresa longo com chaveta longitudinal [6] Fresando com aparelho divisor O aparelho divisor é um acessório utilizado na máquina fresadora para fazer divisões no movimento de giro da peça. uma das superfícies deve ser presa na placa do cabeçote divisor. tomada como referência. deve-se usar na outra extremidade um contraponta. deve ser furada no torno com uma broca de centro. rodas dentadas ou outros perfis que dificilmente poderiam ser obtidos de outra maneira. Ao fixar a peça.5 vezes o diâmetro da peça (D). A extremidade da peça a ser fixada pelo contraponta. Permite dessa forma. quando se quer fresar com precisão superfícies. que devem guardar uma distância angular igual à distância angular de uma outra superfície. Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . Caso o comprimento da peça (L) seja maior que 1. hexágonos. usinar quadrados. As divisões são muito mais úteis.

Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . Nas fresadoras.26 Figura 34: Aparelho divisor [5] Fresando engrenagens cilíndricas de dentes retos Existem máquinas especiais que são empregadas para produzir engrenagens. Figura 35: Fresagem de engrenagem de dentes retos [5] O módulo de uma engrenagem é o quociente entre o diâmetro primitivo e o número de dentes (Figura 36). as mesmas são fabricadas com fresas de perfil constante chamadas de fresa módulo.

A partir do ponto de contato para transmissão entre o par de engrenagens. o chamado ângulo de pressão. pelo perfil da fresa módulo. Nesse ponto determina-se.27 Figura 36: Engrenagem de dentes retos [5] As dimensões de uma engrenagem são parametrizadas (dependentes) do módulo. é traçado o diâmetro primitivo de cada engrenagem. Em geral esse ângulo de pressão é 20° (Figura 37). Figura 37: Ângulo de pressão [5] Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 .

obtida a partir do torno estão corretas são as seguintes: dp = m × Z dp: diâmetro primitivo de = dp + 2 × m de: diâmetro externo b=8×m h = 2. têm forma de disco e os dentes são paralelos ao cubo da engrenagem. Para tanto.28 Em geral. para conferir se peça. Os parâmetros. há a possibilidade de um maior número de divisões. faz-se o cálculo do número de furos que o disco deve ter. o módulo e o número de dentes das engrenagens a serem usinadas. conforme a necessidade de projeto essas características são previamente determinada e encomendadas para a fabricação.166 × m b: comprimento do dente h: altura do dente O próximo passo é montar e preparar o cabeçote divisor. O operador da fresadora deve ser informado. Através da expressão abaixo determina-se essa divisão indireta: n = ( RD / Z ) RD = relação do divisor Z = número de divisões a efetuar Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . através do desenho. As engrenagens cilíndricas de dentes retos. essa nomenclatura deve-se ao sistema de transmissão de movimento do manípulo para a árvore. Através da divisão indireta.

120:1.29 Figura 38: Divisor universal [5] A relação do divisor é de 40:1 .60:1 . e dísponível é 40:1. RD=40. A mais utilizada. Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 .80:1 .

faz-se uma simplificação da equação 15/25 = 3/5 procurando uma circunferência cuja quantidade de furos seja múltiplo do denominador. Dessa forma está feita a seleção do diâmetro com a quantidade de furos para a usinagem da engrenagem desejada. deve-se escolher a o maior valor.30 Como resultado obtido. Tabela 1: Disco divisor [5] DISCO DIVISOR 1 15 16 17 18 19 20 2 21 23 27 29 31 33 3 37 39 41 43 47 49 Tabela 2: Engrenagens com módulo <= 10 [5] ENGRENAGENS COM m <= 10 Fresa Módulo 1 2 3 4 5 6 7 8 Número de dentes da engrenagem 12 e 13 14 e 16 17 e 20 21 e 25 26 e 34 35 e 54 55 e 134 >135 e cremalheira Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . tem-se que é preciso dar uma volta e mais 15 furos em um disco de 25 furos. Não existindo disco com circunferência de 25 furos.

faz-se necessário conhecer os parâmetros geométricos de uma hélice. Esses parâmetros iniciais são: ângulo de inclinação (β). passo normal (pn).31 Tabela 3: Engrenagens com módulo > 10 [5] ENGRENAGENS COM m > 10 Fresa Módulo 1 1 1/2 2 2 1/2 3 3 1/2 4 4 1/2 5 5 1/2 6 6 1/2 7 7 1/2 8 Número de dentes da engrenagem 12 13 14 15 e 16 17 e 18 19 e 20 21 e 22 23 e 25 26 e 29 30 e 34 35 e 41 42 e 54 55 e 79 80 e 134 > 135 Fresando engrenagens cilíndricas de dentes helicoidais Para a fresagem de engrenagens cilíndricas de dentes helicoidais. Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . passo frontal (pf) e passo da hélice (ph).

Figura 40: Inclinação da mesa [5] Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . com o movimento da mesa para fabricação da hélice. cujo cabeçote fixa-se o disco da engrenagem a ser usinada.32 A expressão para o cálculo do passo da hélice: Figura 39: Passo da hélice [5] Deve-se fazer a seleção de um conjunto de engrenagens para obter o movimento sincronizado entre o aparelho divisor.

será usado o número de dentes imaginários (Zi): A coleção de engrenagens. para manter o mesmo procedimento para a usinagem de engrenagens cilíndricas de dentes retos. A escolha da fresa módulo será. Entretanto. a partir da tabela relacionando o número de dentes da engrenagem a ser usinada. mais comumente utilizadas nas fresadoras são: 25 – 30 – 40 – 50 – 55 – 60 – 70 – 80 – 90 – 100 – 127 Figura 41: Engrenages do divisor [5] Cálculo do módulo frontal (mf): Cálculo do diâmetro primitivo (dp): Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 .33 Determina-se o chamado passo constante da fresadora (pc). conhecendo-se antecipadamente a relação do divisor (RD) e o passo do fuso da mesa (pF). com o seu respectivo módulo.

superfícies côncavas e convexas ou gerar engrenagens. reduzindo o desgaste da ferramenta. a qual apresenta uma vantagem em relação a outros tipos de ferramentas de corte. pois os dentes que não estão trabalhando estão sendo resfriados. Fresas de perfil constante Utilizadas para abrir canais. ou seja. a partir dessa expressão o módulo da engrenagem será designado como módulo normal (mn): Cálculo da altura do dente (h): Cálculo da largura da engrenagem (b): 3. menores de 700 N/mm2 de resistência à tração. A quantidade de dentes entre as fresas deve-se a capacidade de conseguir usinar materiais mais resistentes. N e H: • A fresa tipo W é empregada para usinagem de materiais não ferrosos de baixa dureza: alumínio. • A fresa tipo N. recomendada para usinar materiais quebradiços ou duros. elas são classificadas em tipos: W. empregada para materiais de dureza média. Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 .34 Cálculo do diâmetro externo (de). • A fresa tipo H. com mais de 700 N/mm2. bronze e plástico.3. Ferramenta para fresar É a ferramenta empregada pela fresadora. Conforme o ângulo de cunha das fresas.

tais como rasgos prismáticos e encaixes tipo rab-de-andorinha. A primeira delas seria quanto a forma geral. As fresas podem ser classificadas de várias maneiras. A Figura 42 apresenta fresas cilíndricas. abrir rasgos e canais. As ferramentas mais estreitas são também chamadas de fresas de disco. empregam pastilhas de metal duro fixadas por parafusos . Figura 42: Fresas cilíndricas [6] Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . enquanto as ferramentas que possuem haste própria são denominadas de fresas de haste ou fresas de topo (lado direito da Figura 42). As fresas podem ser cilíndricas.35 Fresas planas Empregadas para trabalhar superfícies planas. Fresas para desbaste Utilizadas para desbaste de grande quantidade de material de uma peça. Fresas para rasgos Para rasgos de chaveta. cônicas ou ainda de forma. ranhura reta ou em perfil T. Fresas dentes postiços Mais conhecidas como cabeçotes de fresamento. Fresas angulares Utilizadas para usinagem de perfis em ângulo. pinos ou garras de fácil substituição.

Neste segundo caso podem ser classificadas como simétricas (ângulos iguais) ou biangulares (ângulos diferentes).36 As fresas cônicas ou angulares podem possuir apenas um ângulo. como as fresas para encaixes tipo cauda-de-andorinha. Figura 44: Fresa para perfil convexo. ou possuir dois ângulos. A Figura 44 ilustra algumas fresas de forma. Alguns autores classificam as fresas cônicas como fresas de forma. e são denominadas fresas especiais. Figura 43: Fresa cauda-de-andorinha e fresa biangular simétrica [6] As fresas de forma possuem o perfil de seus dentes afiados para gerar superfícies especiais tais como dentes de engrenagens (fresa módulo). ou são encomendadas em empresas especializadas em ferramentas. enquanto as biangulares não. As fresas especiais normalmente são fabricadas pela própria empresa que as utiliza. superfícies côncavas ou convexas. no setor denominado de ferramentaria. côncavo. A Figura 43 ilustra estas ferramentas. raios de concordância e outras formas específicas de cada caso. dentes de engrenagens e especiais [6] Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . Normalmente as fresas para cauda-de-andorinha possuem haste incorporada.

Tem-se as fresas de corte à direita (horário) e as fresas de corte à esquerda (anti-horário). helicoidais ou bihelicoidais. uma ferramenta que possui um dente afiado em um sentido e o dente seguinte afiado no sentido inverso. ou seja. pois trata do sentido de giro da ferramenta. Figura 46: Montagem bihelicoidal [6] Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . como mostra a Figura 45. normalmente. ser fixadas tanto em um sentido como em outro. Os dentes helicoidais tem como vantagem uma menor vibração durante a usinagem. o corte é mais suave pois o dente não atinge a peça de uma só vez como acontece com os dentes retos. Obviamente esta classificação só se emprega em fresas fixas de haste fixa. Os dentes helicoidais geram uma força axial. e para compensar esta força pode-se recorrer a uma fresa bihelicoidal. As fresas que não possuem haste podem. observado do lado do acionamento (de cima para baixo). mas com hélices invertidas. Quanto aos dentes estes podem ser retos. ou seja. como na Figura 46. Figura 45: Fresas de dentes retos. helicoidal e bihelicoidal [6] Mas fresas bihelicoidais só são possíveis em espessuras relativamente pequenas e com ângulos reduzidos de hélice. Para possibilitar usinagem de grandes superfícies sem o efeito da força axial deve-se recorrer a uma montagem de duas fresas de mesmo diâmetro e número de dentes.37 Quanto ao sentido de corte a classificação é simples.

como aço rápido ou metal duro. fresa de dentes postiços e detalhe da fixação da pastilha [6] As fresas também podem ser classificadas quanto às faces de corte ( o número de superfícies com afiação) e que definem em que direção a ferramenta pode avançar. dois e três cortes. metal duro. A Figura 47 apresenta exemplos destas fresas. As mais comuns são as de aço rápido e metal duro. se poderá executar uma fresagem tangencial (eixo paralelo à peça) e/ou uma fresagem frontal (eixo perpendicular à peça). A diferença é que os dentes de aço rápido. Figura 47: Fresa calçada. Finalmente há as fresas com dentes postiços que são similares as fresas calçadas. são de um material mais nobre. diamante ou cerâmicos podem ser trocados em caso de quebra ou desgaste. soldados ao corpo. ou seja. A fresa de um corte possui em uma de suas faces e em sua superfície cilíndrica. A Figura 48 ilustra uma fresa de dois cortes. onde toda a ferramenta é construída de um mesmo material. Figura 48: Fresa de dois cortes e os sentidos em que pode usinar [6] Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . Uma fresa de três cortes possui afiação nas duas faces e também na superfície cilíndrica. Tem-se fresas de um.38 Quanto à construção pode-se classificar as fresas como inteririças. Há também a fresa calçada onde o corpo da ferramenta é de um material mais simples e os gumes de corte.

Figura 50: Fresas de haste (cônica e cilíndrica) e de chaveta (transversal e longitudinal) [6] Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . Além disto os dentes deverão ter um ângulo de cunha maior para lhes conferir maior resistência. remova uma quantidade significativa de material. em uma volta. =81º e =4º) são indicadas para materiais duros. como os aços acima de 700N/mm2. As fresas do tipo H ( =4º. Em uma fresa para materiais de alta dureza cada dente remove pouco material. Isto permite colocar menos dentes na ferramenta. Quanto a fixação pode-se ter fresas de haste cilíndrica ou cônica e fresas para mandril com chaveta longitudinal ou transversal. como os aços até 700N/mm2. A Figura 49 apresenta uma comparação entre estas fresas. =57º e =25º) indicada para materiais de baixa dureza como alumínio. o que significa possuir um ângulo de cunha menor. O tipo N ( =7º. A Figura 50 apresenta algumas delas. Figura 49: Tipos de fresas [6] Observa-se que fresas para materiais mais macios podem ter dentes menos resistentes. bronze e plásticos.39 Quanto a aplicação as fresas são classificadas em tipo W ( =8º. Desta forma é necessário que a fresa possua muitos dentes que. =73º e =10º) é indicada para materiais de média dureza.

Será focada a atenção apenas na obtenção de furos através de brocas.1. Definição Na área de usinagem metal-mecânica existem diversas formas de se obter furos em peças. eletroerosão. Furação 4. ilustradas pela Figura 51. Também se pode ter uma mesa onde se fixa e movimenta-se a peça. ou simplesmente furadeiras.40 4. Máquina Furadeira As máquinas de furar. pois é o meio mais largamente utilizado na indústria. As partes principais de uma furadeira variam de acordo com a sua estrutura. Para uma furadeira de coluna podem-se destacar partes. fundição. consistem basicamente de uma árvore. Esta árvore pode deslizar na direção de seu eixo. Pode-se destacar os seguintes meios: puncionamento. 4. que gira com velocidades determinadas. serra copo. baixo custo envolvido e também a simplicidade de operação. forjamento. Figura 51: Furadeira vertical [6] Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 .2. onde se fixa a ferramenta. devido à sua versatilidade. oxiacetileno e por meio de brocas.

para fixação de ferramentas de haste cilíndrica.41 Normalmente na extremidade inferior da árvore de trabalho há um furo cônico (cone Morse ou ISO). Figura 53: Retirada de mandril ou ferramenta do cone Morse [6] A variedade de detalhes em furadeiras é bastante grande. como o mostrado pela Figura 52. Há equipamentos que dispõem de inversão de rotação e avanço sincronizado. que é uma das carcterísticas importantes da máquina. Algumas máquinas possuem avanço automático com limitadores de profundidade. a retirada de uma ferramenta ou de um mandril porta ferramenta é feita por meio de uma cunha introduzida em uma ranhura existente na árvore. que permitem execução de roscas com machos. Neste cone podem-se fixar diretamente ferramentas de haste cônica ou um mandril universal tipo Jacobs. como na Figura 53. Outras máquinas possuem mesa giratória. Figura 52: Mandril universal tipo Jacobs [6] Como a fixação em cone Morse ocorre por força de pressão. Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 .

42 Tipos de furadeiras Podem-se classificar as furadeiras de diversas maneiras. de bancada. O braço possui movimento vertical na coluna. Ao contrário do que possa parecer as furadeiras sensitivas possuem grande aplicação no meio industrial. Um carro com o sistema de acionamento da árvore principal movimenta-se pelo braço para posicionar a ferramenta. Figura 54: Furadeira de bancada e furadeira radial [6] Enquanto as furadeiras de bancada são utilizadas em pequenos serviços. Também é comum deixar um fosso em um dos lados da máquina de modo a permitir trabalhar peças grandes. que permite trabalhar em uma peça enquanto se está fixando outra. que é feito manualmente na maioria das vezes. A furadeira de bancada e a furadeira radial podem ser observadas na Figura 54. Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . normalmente através de um motor. Quanto ao tipo de máquina pode-se classificar como: portátil. O braço também possui movimento de giro em torno da coluna. é a mais encontrada em oficinas de manutenção e de produção sob encomenda devido a sua versatilidade. A furadeira radial pode possuir mais de uma mesa. Quanto ao sistema de avanço pode-se classificar como manual (ou sensitiva) ou automática (elétrico ou hidráulico). A furadeira de coluna apresenta pela Figura 51. como pode ser observado pela comparação das figuras. A furadeira de bancada é bastante similar à furadeira de coluna. as furadeiras radiais são empregadas na furação de grandes peças. de coluna. radial e horizontal.

dois tipos distintos de acordo com o motor. Podem-se ter máquinas onde cada árvore possui seu próprio motor. à direita. O outro caso é quando as árvores compartilham de um mesmo motor. Figura 55: Furadeira gêmea [6] No caso de furadeiras de múltiplas árvores podem-se ter. basicamente. como mostra a Figura 56 à esquerda. Este caso é ilustrado pela Figura 56. Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . quando possuem apenas uma árvore. gêmea como na Figura 55.43 Quanto ao número de árvore podem-se classificar as furadeiras como: simples. que possui duas árvores e múltipla quando possui três ou mais árvores.

rebaixar etc. Figura 57: Dispositivos de fixação [6] Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . morsas. como mostra a Figura 57. grampos. Dispositivos de sujeição de peças Os dispositivos de fixação depeças utilizados nas furadeiras são similares. Pode ser ajustadas para executar as várias etapas de um furo. e ter sua própria velocidade de rotação. blocos e gabaritos. em seqüência. Também podem ser ajustadas para efetuar diversos furos em uma só operação. mesmo no fosso da radial não poderiam ser trabalhadas. escarear. Utilizase cantoneiras. como furar. alargar. Em algumas destas máquinas pode-se ajustar cada árvore livremente. indicadas para executar furos em peças de grandes dimensões que. dentro de seus limites.44 Figura 56: Furadeiras de múltiplas árvores [6] As furadeiras múltiplas são as máquinas utilizadas nas linhas de produção pois aceleram a fabricação. As furadeiras horizontais tem campo de atuação similar ao das furadeiras radiais. e muitas vezes os mesmos. utilizados nas fresadoras. ou seja.

É uma broca curta e de diâmetro relativamente grande. Figura 58: Partes de uma broca helicoidal [6] Os tipos de brocas mais comuns são: broca cilíndrica.3. Sua alta rigidez impede que ocorra uma flambagem e que o furo seja executado fora do local correto. Nos gabaritos os furos são de aço endurecido e podem ser substituídos quando desgastados. Os elementos de uma broca estão destacados na Figura 58. Sua função é a de iniciar o furo de uma peça. Possuem de 2 até 4 arestas de corte e sulcos helicoidais por onde corre o cavaco. 4. ou seja. sendo o ângulo de 120º o mais comum de se encontrar. o uso comum de gabaritos de furação. como a da Figura 58. broca calçada com pastilha e broca múltipla.45 Destaca-se. fazer um pequeno furo para que a ponta da broca não se desloque-se da posição. broca de centro. Ferramenta para furar As brocas são as ferramentas de abertura de furos. que tem a finalidade de guiar a broca e garantir a precisão/repetibilidade das coordenadas dos furos. O ângulo da ponta varia de 90º à 150º de acordo com a dureza do material a furar. no caso de furadeiras. Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . A broca de centro tem sua aparência representada pela Figura 59.

entre 10 e 100 vezes o seu diâmetro. que tem um único fio cortante. Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 .46 Figura 59: Broca de centro [6] As brocas calçadas com pastilhas são indicadas para furação de materiais de maior dureza e/ou para obter-se rendimentos superiores. A Figura 62 ilustra essa broca. A Figura 60 apresenta a aparência deste tipo de broca onde é possível perceber que as pastilhas são soldadas ao corpo. Figura 61: Brocas com dentes postiços [6] As brocas canhão. Figura 60: Broca calçada [6] Similares às brocas calçadas há as brocas com pastilhas intercambiáveis. devido a rapidez e simplicidade em se manter a afiação do gume cortante. A Figura 61 apresenta dois exemplos desta ferramenta. são indicadas para execução de furos profundos. largamente utilizadas em altas produções e em máquinas CNC.

47 Figura 62: Brocas canhão [6] As brocas múltiplas são especialmente afiadas para executar furos complexos em apenas uma operação. Essa ferramenta permite a usinagem de furos relativamente profundos em um único aprofundamento. As possibilidades são muito grandes. Como pode ser observado na Figura 63. evitando o superaquecimento da ferramenta e auxiliando na remoção do cavaco. Figura 63: Brocas com furos para refrigeração [6] Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . Como podese observar na Figura 64 o refrigerante é enviado diretamente para a região de formação do cavaco. Sua aplicação é voltada para grandes produções onde o custo de preparação de brocas especiais acaba se diluindo na execução de grandes lotes em tempo mais reduzidos. Figura 63: Brocas múltiplas [6] Também deve-se citar as brocas com furos para fluído refrigerante.

A Figura 65 (ao centro) ilustra este ângulo. e pode ser observado na Figura 65 (à direita). O ângulo de ponta (•) corresponde ao ângulo formado pelos gumes da broca. são: dimensão. Esta broca remove apenas um anel de material e a cápsula resultante pode até ser utilizada como matéria prima. Figura 64: Brocas anular [6] Características geométricas das brocas As características de uma broca. que permitem executar furos de grandes diâmetros com menor geração de cavaco. de folga e de ponta). Quanto mais duro o material menor deve ser o ângulo. O ângulo de incidência ou ângulo de folga (•) tem a função de reduzir o atrito entre a broca e a peça e facilitar sua penetração no material. Quanto mais duro p material menor deve ser o ângulo de incidência. Este ângulo também é determinado pela dureza do material que será usinado. Este ângulo também deve ser determinado de acordo com o material da peça a ser furada. Deve ser determinado de acordo com o material a ser usinado.48 Existem também as brocas anulares. que pode ser observado pela Figura 65 (à esquerda). que devem ter o mesmo comprimento. O ângulo de hélice (•) auxilia no desprendimento do cavaco. material e os ângulos (de hélice. além de sua forma. variando entre 6º e 15º. como na Figura 64. Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 .

como as fresas. A Tabela 5 apresenta maiores detalhes.49 Figura 65: Ângulos característicos de uma broca [6] De uma maneira geral as brocas. Tabela 5: Broca tipo N Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . N e W. tenazes e/ou que produzem cavaco curto (descontínuo). são classificadas como H. As brocas do tipo H são indicadas para materiais duros. A Tabela 4 destaca suas características. Tabela 4: Broca tipo H As brocas tipo N são indicadas para materiais de tenacidade e dureza normais (medianos).

Na furação de chapas finas tem-se frequentemente duas dificuldades: furos não redondos e muitas rebarbas. Tabela 6: Broca tipo W Quando uma broca comum não proporciona um rendimento satisfatório em um trabalho específico e a quantidade de furos não justifica a compra de uma broca especial. tornando-o mais obtuso e melhorando os resultados na furação de materiais duros. Figura 66: Alteração em brocas tipo N [6] Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . A reafiação da broca para que fique com um ângulo bastante obtuso reduz grandemente estes problemas (Figura 66 centro). Para a usinagem de ferro fundido recomenda-se utilizar uma broca com ângulo de 118º com a parte externa dos gumes (cerca de 1/3 do comprimento) afiados com cerca de 90º (Figura 66 à direita).50 As brocas tipo W são indicadas para materiais macios e/ou que produzem cavaco longo. como aços de alto carbono (Figura 66 à esquerda). Pode-se modificar o ângulo da ponta. pode-se fazer algumas modificações nas brocas tipo N e obter resultados melhores. A Tabela 6 destaca maiores informações.

Tecnologia da Usinagem com Ferramentas de Corte de Geometria Definida – Parte I. (1993) Florianópolis.br www. Rolf Bertrand. (1977) São Paulo.51 5. Artliber. Anselmo Eduardo.br Flávio Palma – Máquinas e Ferramentas Agosto/2005 . Walter Lindolfo. Edgard Blücher.pucrs. Dino. [5] [6] www. Referências [1] Diniz. Caspar Erich. 4a ed. 3ª ed. Francisco Carlos.iem. Usinagem dos Metais. [4] Stemmer. (2003) São Paulo. [2] Ferraresi. Coppini. Editora da UFSC. Marcondes. (2002) Florianópolis. Ferramentas de Corte I. Weingaertner. [3] Schroeter.em. Tecnologia da Usinagem dos Materiais. Editora da UFSC.efei. Nivaldo Lemos.

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