Coleção Fábulas Bíblicas Volume 1

ARGUMENTOS
RELIGIOSOS

IDIOTAS
Mitologia e Superstição Judaico-cristã

JL
jairoluis@inbox.lv
"É uma ficção absurda a afirmação de que
as igrejas são úteis. Elas não são nada mais
do que centros de propaganda de crenças
supersticiosas e doutrinas. Os membros da
Igreja têm o direito de acreditar e propagar
suas várias doutrinas. Mas eles devem pagar
todos os custos desta propaganda, incluindo
uma tributação justa para todos os bens da
igreja. "[E. Haldeman-Julius, "A Igreja é um
fardo, não um benefício, na vida social"]

3
Igreja/Religião = Pregação de mitos para
idiotas.

As histórias mitológicas semelhantes às da
Bíblia contam-se aos milhões; e apenas nos
mostram que todos os deuses são mitos e
que disto Deus/Jesus/Alá não têm como
escapar. Ou são mitos copiados, ideias
roubadas e adaptadas ou são mitos
inventados do zero, o que dá no mesmo.
Pertencem à imaginação humana e à
Mitografia, mitos e lendas dos povos
antigos. Não ao mundo real, mas ao reino da
fábula. É impossível argumentar contra o
caráter mitológico dos deuses cristãos. São
mitos e não há nada a fazer quanto a isto.
JL

4
A religião é um sistema para transformar
pessoas normais em idiotas que possam ser
explorados. Como a “fé” é uma aposta no
improvável, o crente precisa ser convencido
a apostar sempre no provável perdedor, ou
seja: o crente precisa perder sempre para a
“religião” ganhar sempre. É simplesmente
um jogo de cartas marcadas, onde o crente
precisa ser motivado a continuar apostando e
perdendo e o dono do bingo ganhando
sempre. O crente só vencerá quando perder
o vício; então terá sua mente de volta e o
“Bingo” irá à falência. JL

5
A religião precisa de
respeito para poder
desrespeitar todo mundo.
JL

6
Sumário
Introdução .............................................................................................15
1 - A espiritualidade humana tem sua origem nas estruturas cerebrais .........16

1 - Epilepsia do lobo temporal e o êxtase místico ...................................... 18
2 - Experiências de quase morte ................................................................. 20
3 - Os Xamãs ................................................................................................ 22
4 - A Antiguidade da experiência espiritual ................................................ 24
5 - A Espiritualidade do cérebro .................................................................. 26
6 - A Experiência espiritual ou mística como regressão ............................. 28
7 - Ingestão de substâncias enteógenas e a origem da religião ................ 29
8 - Conclusões .............................................................................................. 31
9 - Artigos relacionados ............................................................................... 33

2 - O que é o Cristianismo? .....................................................................34

1 - Jesus e a superstição da ferradura da sorte ......................................... 35
2 - Jesus e a superstição da oração ............................................................ 36
3 - A essência do cristianismo é a superstição ........................................... 38
4 - Uma pergunta impossível de responder ................................................ 39

3 - Ao crente da Mitologia Abrâmica..........................................................43
4 - Por que não sou agnóstico >>> ..........................................................45
5 - A farsa da inspiração divina ................................................................48
6 - A confusão da crença em Deus ............................................................53
7 - As religiões precisam de muitos ignorantes >>> ...................................61
8 - A ilusão religiosa >>> .......................................................................66
9 - O legado da religião >>> ...................................................................81
10 - Típicas Justificativas Religiosas Idiotas >>>........................................91

1 – Extrapolações ......................................................................................... 91
2 – Argumentos de conveniência................................................................. 92
3 - Tentativa de alegar um conhecimento superior sobre a bíblia, sem
demonstrar nada que justifique isso. .......................................................... 93
4 - Desespero ............................................................................................... 93
5 - Tática de distração ................................................................................. 94
7
6 - Criar explicações absurdas ..................................................................... 94
7 - Fugir da discussão alegando ser parte do antigo testamento .............. 95
8 - Associar longevidade com verdade ........................................................ 96
9 - Falei uma coisa tão idiota que ninguém se deu ao trabalho de refutar,
então ganhei o debate ................................................................................. 97
10 - Frases prontas ...................................................................................... 97
11 - Sobre deus, não sobre a bíblia. ........................................................... 98
12 - Referências aleatórias da bíblia ........................................................... 99
13 - Fazer-se de vítima cristã .................................................................... 100
14 - Se tem defeito então é verdade ........................................................ 101
15 - É questão de época ............................................................................ 101
16 - Pregar o amor de deus e, após derrota, afirmar que o contestador irá
ao inferno .................................................................................................... 102
17 - Erro de copista .................................................................................... 103
18 - Pieguice ............................................................................................... 104
19 - Não responder .................................................................................... 104
20 - Fazer-se de surdo ............................................................................... 106
21 - Precisa de fé para entender a bíblia .................................................. 106
22 - O fim está próximo ............................................................................. 107
23 - Você deve ter problemas ................................................................... 108
24 - Só a bíblia inteira................................................................................ 109
25 - “Porque Cristo te incomoda? ” ........................................................... 110
26 - Creio pela fé ........................................................................................ 111
27 - A bíblia é polêmica ............................................................................. 112
28 - Referências furadas ............................................................................ 113
29 - Falou “meu deus” na hora do apuro .................................................. 114
30 - Historinhas da carochinha .................................................................. 115
31 - Tu és arrogante .................................................................................. 115
32 - Blefar ................................................................................................... 116
33 - Tu és do mundo .................................................................................. 117
34 - Metáfora .............................................................................................. 118
35 - Eu era como você ............................................................................... 121
36 - Na dúvida, valem os dois ................................................................... 122

8
37 - Foi escrita por várias pessoas ............................................................ 123
38 - Foco no menos relevante ................................................................... 124
39 - Só Deus sabe ...................................................................................... 124
41 - Você tem curiosidade de deus ........................................................... 126
42 - Alucinações ......................................................................................... 127
43 - Age como eu, mas diferente .............................................................. 128
44 - Sem palavra feia junto com a palavra Deus ..................................... 130
45 - Com deus vale, sem ele não .............................................................. 131
46 – Livre-arbítrio ...................................................................................... 131
47 - Erros de tradução ............................................................................... 133
48 - Você vai para o inferno ...................................................................... 135
49 - Ausência de evidência não é evidência de ausência ......................... 135
50 - Na dúvida prefiro a lenda ................................................................... 136
51 - Para deus tudo é possível .................................................................. 137
52 - O testemunho dramalhão................................................................... 138
53 - Não elaborar o que disse.................................................................... 140
54 - Concordo, mas discordo ..................................................................... 141
55 - Ofender sua inteligência ..................................................................... 142
56 - Já respondi antes ................................................................................ 143
57 - Critérios aleatórios ............................................................................. 144
58 - Jamais admitir homofobia .................................................................. 145
59 - O que é você sem deus? .................................................................... 147
60 - Livro com mais cópias no mundo ...................................................... 149
61 - Ninguém é feliz sem Jesus ................................................................. 150
62 - Eu digo as besteiras, você procura as fontes .................................... 151
63 - Reflitam sobre isso ............................................................................. 152
64 - Vamos respeitar as lendas dos outros? ............................................. 153
65 - Milagres ............................................................................................... 153
66 - Esquizofrenia crônica .......................................................................... 154
67 - Olha a trave no seu olho .................................................................... 155
68 - Vocês fogem da verdade .................................................................... 156
69 - Quem és para compreender deus? .................................................... 157
70 - Por que deus não se manifesta? ........................................................ 158
9
71 - Por que os ateus pensam tanto em deus? ........................................ 158
72 - Deus é imaterial? ................................................................................ 158
73 - Conciliar ambiguidades ...................................................................... 159
74 - A moral objetiva é deus ..................................................................... 160
75 - Deus manda e desmanda, afinal criou tudo ...................................... 160
76 - Usar a frase pronta “não dê pérolas aos porcos” .............................. 161
77 - Cair na perdição.................................................................................. 162
78 - A ignorância vence conhecimento ..................................................... 163
79 - A NASA provou. .................................................................................. 164
80 - Jesus dividiu o calendário .................................................................. 165
Referências e Fontes: ................................................................................. 166

11 - Centenas de provas da existência de Deus >>> ................................ 167
12 - A grande desculpa dos crentes >>> ................................................ 181

1 - “A Interpretação Bíblica” ...................................................................... 182

13 - A grande mentira dos crentes. >>> ................................................. 186
14 - Perguntas idiotas de crentes aos ateus >>> ..................................... 193

1 - Como você pode ser moral sem crer em Deus?.................................. 194
2 - "Como a tua vida pode ter significado?" ............................................. 196
3 - "Por acaso não é preciso mais fé para ser ateu que para ser um
crente?" ....................................................................................................... 197
4 - “Por acaso o ateísmo não é só mais uma religião?” ........................... 198
5 - "Qual é o sentido dos grupos ateístas? ............................................... 199
6 - "Por que odeias a Deus?" ..................................................................... 200
7 - "Mas você já leu a Bíblia? ..................................................................... 201
8 - "E se estiver enganado?" ..................................................................... 202
9 - “Por que os ateus estão tão irritados?" ............................................... 203

15 - Por que os Ateus falam tanto em Deus? >>> .................................... 206

1 - Todos falam de coisas inexistentes em que acreditam....................... 207
2 - Os outros deuses também não existem .............................................. 208
3 - Existem áreas de estudo dedicadas a coisas inexistentes .................. 209
4 - Educação e aprendizagem.................................................................... 210

10
6 - As leis e Deus ....................................................................................... 212
7 - Sociedade e Deus ................................................................................. 213
8 - Benefícios e aprendizagem cristã ........................................................ 214
9 - Cumprimento da Bíblia ......................................................................... 215
10 - Diversão .............................................................................................. 216

16 - Por que os Ateus parecem crer? >>> ............................................... 220
17 - Doze conselhos para o cristão debater com ateus >>> ...................... 228

1. Nunca utilize a Bíblia como argumento. ............................................... 228
2. NÃO USE experiências pessoais ou sentimentos como argumentos. . 229
3. Nunca diga que ALGUM versículo "deve ser interpretado" ou "está fora
de contexto". .............................................................................................. 229
4. Nunca diga "A lei mosaica está abolida". .............................................. 230
5. Não use FLAVIO JOSEFO como prova da existência de Jesus. ............ 230
6. Não use o banal "argumento moral". .................................................... 231
7. Nunca diga: "Existem milhares de evidências da existência de
Deus". ......................................................................................................... 231
8. Não discuta: "Se não há Deus, então, quem nos criou? ...................... 232
9. Nunca diga "A evolução é apenas uma teoria" ou "A evolução não está
provada". .................................................................................................... 232
10. Não utilize uma "Aposta de Pascal" como um argumento. ................ 233
11. Não utilize louvores ou desejos de conversão para com o ateu. ....... 233
12. Nunca acusar os ateus de satânicos ou blasfemos. ........................... 234
Extra: Não utilize as frases:....................................................................... 234

18 - FALÁCIAS lógicas mais comuns na argumentação religiosa ................. 235
1 - Amigos CRENTES cristãos… não se provam as negações! .................. 235
2 - Falácias na Argumentação Religiosa ............................................... 239

1 - Deus existe porque o sinto em meu coração. ..................................... 241
2 - Deus existe porque o conheço e sei de muitos casos de enfermos
curados pela fé em Deus. .......................................................................... 241
3 - Deus existe porque a Bíblia diz que existe. ......................................... 243
4 - Deus existe. Quem senão ele criou a bela natureza que nos rodeia? 243
5 - Deus existe porque as profecias Bíblicas têm se cumprido. ............... 244

11
6 - Deus existe, porque senão de onde viemos? ...................................... 245
7 - Deus existe por que ninguém demonstrou que a Bíblia está errada. 245
8 - Deus existe porque senão para onde vamos ao morrer? ................... 245
9 - Deus existe, já que sem ele não saberíamos o que é bem e o que é
mal. ............................................................................................................. 247
10 - Deus existe porque preenche uma necessidade humana básica. .... 247
11 - Deus existe porque é o Deus mais antigo que se mantém até nossos
dias; e o cristianismo tem dois mil anos e ainda existe. .......................... 248
12 - Deus existe porque os ateus não têm moral e grandes assassinos
como Stalin foram ateus. ........................................................................... 248
13 - Deus existe, já que eu sei que você sendo ateu maltrata sua
mulher......................................................................................................... 248
14 - Deus existe porque tinha dor de cabeça, orei a Deus e a dor de
cabeça desapareceu. .................................................................................. 251
15 - Deus existe porque todas as pessoas que conheço acreditam nele. 251
16 - Deus existe porque a evolução não é válida e já se demonstrou que
tem muitos erros. ....................................................................................... 251
17 - Deus existe porque me curou (ou alguma outra pessoa) de uma
enfermidade incurável................................................................................ 252
18 - "Me curei de câncer." "Aleluia ao Senhor, Ele é teu curador." "Então
Ele curará outros que padecem de câncer?" "Bem... os caminhos de Deus
são misteriosos." ........................................................................................ 252
19 - Deus existe porque personagens como Newton, que era um grande
cientista, acreditava em Deus. .................................................................. 252
20 - Deus existe porque Jesus dividiu a história em antes e depois de
Cristo........................................................................................................... 253
21 - Deus existe porque há centenas de relíquias da época de Jesus, além
dos lugares onde ele esteve. ..................................................................... 253
22 - Deus existe, porque há muitas pessoas boas que acreditaram em
Deus como Newton, Galileu, Kant, Pasteur e muitos mais. ..................... 254
23 - Deus existe porque vemos ordem neste universo e a ordem não vem
do acaso...................................................................................................... 254
24 - Deus existe porque se o negas irás ao inferno. ................................ 255
25 - Deus existe porque eu sofri muito em minha vida e Deus me ajudou a
superar os problemas................................................................................. 255

12
26 - Deus existe porque milhões de pessoas acreditam nele, não podem
estar todas equivocadas. ........................................................................... 256
27 - Deus existe porque sem ele o mundo se encheria de violência,
maldade e caos........................................................................................... 256
28 - Deus existe porque tu não podes demonstrar que não existe. ........ 257
29 - "Os monges são mais propensos a possuir uma percepção do
significado da vida, já que renunciaram às distrações da riqueza." ........ 257
30 - Esta é a "FALÁCIA DA FALÁCIA" de argumentar que a proposição é
falsa porque foi apresentada como a conclusão de um raciocínio falacioso.
Pois raciocínios falaciosos podem chegar a conclusões verdadeiras. ...... 257
31 - Segundo Goebbels "uma mentira repetida mil vezes transforma-se
em verdade". .............................................................................................. 258
32 - "Nossa igreja é uma escolha melhor que as antigas como sistema de
fé, porque ela é mais moderna." ............................................................... 258
33 - "Digo apenas que milhares de pessoas acreditam no poder de Deus,
então deve haver algo nisso". ................................................................... 259

19 - Argumentos fajutos a favor de Deus ................................................ 260

1 - Deus das Lacunas (Deus sendo o “almoço grátis”) ............................ 260
2 - Ter fé numa coisa não a torna realidade ............................................. 262
3 - Argumento dos livros sagrados............................................................ 263
4 - Argumento dos lugares históricos........................................................ 263
5 - Revelações dos profetas ....................................................................... 263
6 - Testemunho pessoal, “abrir o coração” ............................................... 264
7 - A maioria das pessoas acredita em Deus ............................................ 264
8 - A evolução não iria favorecer uma falsa crença.................................. 265
9 - A parte de nosso cérebro ligada a Deus .............................................. 265
10 - Antigos “milagres” e histórias de ressurreições ................................ 266
11 - “Milagres” modernos de cura e ressurreição ..................................... 266
12 - “Céu” (Medo da Morte)....................................................................... 267
13 - Medo do Inferno ................................................................................. 269
14 - Aposta de Pascal ................................................................................. 270
15 - Culpando a vítima ............................................................................... 270
16 - O fim do mundo .................................................................................. 271
17 - Dificuldades da religião ...................................................................... 271

13
18 - Argumento do martírio: ..................................................................... 271
19 - Argumento do vexame ....................................................................... 272
20 - Falsas dicotomias................................................................................ 272
21 - Sentido da vida ................................................................................... 273
22 - Deus, assim como o amor, é inalcançável ........................................ 273
23 - Moral e ética ....................................................................................... 274
24 - Argumento da bondade e da beleza .................................................. 276
25 - Altruísmo ............................................................................................. 277
26 - Livre arbítrio ....................................................................................... 277
27 - Um ser perfeito tem necessariamente que existir ............................ 278
28 - Por que é mais provável que Algo exista do que Nada? ................... 279
29 - Argumento da Primeira Causa ........................................................... 279
30 - As “leis” do universo........................................................................... 280
31 - As coisas são exatamente do jeito que deveriam ser ....................... 281
32 - A Terra é exatamente do jeito que deveria ser ................................ 282
33 - Criacionismo / Design inteligente ...................................................... 283
34 - O universo ou a vida viola a segunda lei da
termodinâmica (entropia) .......................................................................... 285
Conclusão .................................................................................................... 286

20 - Fé religiosa - virtude ou embuste? ................................................... 287
21 - Idiotices de por cristãos inspirados por um deus idiota ....................... 292
22 - Mais bobagens do Cristianismo >>> ................................................ 315

Mais conteúdo recomendado ..................................................................... 326
Livros recomendados.................................................................................. 327
Referências e Fontes: ................................................................................. 337

14
Introdução

É impressionante o comportamento bizarro dos seres humanos
influenciados por este livro doentio e anacrônico chamado Bíblia
Sagrada, cujo anacronismo já começa pelo título, onde a única
razão para ser chamado de “sagrado” é porque alguém inventou
e há muita gente ignorante para crer nisso. Quando essas
criaturas crentes são confrontadas com as baboseiras de seu
amado livro, (geralmente nunca lidas) parecem esquecer que
pertencem ao gênero humano, pois adotam comportamentos
bizarros que envergonhariam muitos animais ditos “irracionais”.
Abandonam imediatamente o respeito próprio e a dignidade para
se orgulharem da defesa desta mentira descarada. E pobre
daquele que os chamar de mentirosos, que é o que realmente são.
Por que essas pessoas precisam jogar sua dignidade no lixo para
defender esta imundície e principalmente defender os parasitas
que vivem de pregar esse lixo, que na maioria das vezes nem
mesmo leram? Lavagem cerebral desde a infância? Burrice
genética? Doença mental generalizada? Delírio coletivo? Não
importa... Como bem disse o grande Robert Green Ingersoll em
“About the Holy Bible (1894)”:

“Alguém tinha que dizer a verdade sobre a Bíblia. Os padres não
ousariam, porque seriam expulsos de seus púlpitos. Professores
nas escolas não ousariam, porque assim perderiam seus salários.
Políticos não ousariam, eles seriam derrotados nas urnas. Editores
não ousariam, perderiam seus leitores. Comerciantes não
ousariam, perderiam seus clientes. Homens da alta sociedade não
ousariam, perderiam prestígio. Nem balconistas ousariam, eles
seriam dispensados. Então, decidi eu mesmo fazer isto”.

JL

15
1 - A espiritualidade humana tem sua origem nas
estruturas cerebrais

 Por que os crentes jamais conseguiram provar suas crenças
mitológicas?
 Porque são criações mentais.

Deus é um personagem de ficção como qualquer outro de
qualquer obra de ficção imaginada pelo cérebro. Ficção também é
tudo o que envolve qualquer tipo de espiritualidade como se fosse
conhecimento de ordem superior. Deus e todas as bobagens
espirituais das religiões são invenções fictícias do cérebro. Isto já
está mais que provado cientificamente.

Por Francisco J. Rubia1

Já é possível provocar artificialmente, por estimulação elétrica ou
magnética transcraneal, experiências místicas.

Nosso cérebro gera experiências “espirituais”, “religiosas”,
“numinosas”, “divinas” ou “transcendentais”, como

1
Francisco J. Rubia (Málaga, 1938) é catedrático da Facultad de Medicina da Universidade
Complutense de Madri, e também o foi da Universidade Ludwig Maximillian de Munique,
assim como Conselheiro Científico de dita Universidade. Estudou Medicina nas
Universidades Complutense e Düsseldorf da Alemanha. Foi Subdiretor do Hospital Ramón
e Cajal; e Diretor de seu Departamento de Investigação, Vicerreitor de Investigação da
Universidade Complutense de Madri e Diretor Geral de Investigação da Comunidade de
Madri.1 Durante vários anos foi membro do Comitê Executivo do European Medical
Research Council. Sua especialidade é a Fisiologia do Sistema Nervoso, campo no qual tem
tabalhado por mais de 40 anos, e no qual tem mais de 200 publicações. É Diretor do
Instituto Pluridisciplinar da Universidade Complutense de Madri, ocupa a cadeira nº 2 como
membro da Real Academia Nacional de Medicina e Vicepresidente da Academia Europeia
de Ciências e Artes com Sede em Salzburgo, assim como de sua Delegação espanhola.
16
demonstraram diversos estudos sobre a epilepsia do lobo
temporal, sobre as experiências próximas da morte ou sobre a
possibilidade de provocar artificialmente este tipo de experiências.
Este fato levanta a questão se a divisão antinômica que
costumamos fazer entre matéria e espírito é correta, pelo menos
em relação ao cérebro.

A palavra neuroespiritualidade quer dar a entender que nosso
cérebro gera experiências que foram tachadas de “espirituais”,
“religiosas”, “numinosas”, “divinas” ou “transcendentais”.

Estas experiências são produzidas quando se hiperativam
estruturas cerebrais pertencentes ao que se chama sistema
límbico2 ou cérebro emocional.

Embora este fato já fosse conhecido pelos efeitos da chamada
epilepsia do lóbulo temporal, efeitos que conheceremos em
seguida, hoje já está confirmado que as estruturas límbicas,
quando são ativadas quer por estimulação elétrica ou por
estimulação magnética transcraneal, são capazes de producir
estas experiências espirituais. Estes fatos têm muitas
consequências. Em primeiro lugar, levantam a questão sobre se
divisão antinômica que costumanos fazer entre matéria e espírito
é correta, pelo menos no que diz respeito ao cérebro. Por isso
chamei o cérebro de “espiriteria” que é uma contração entre
espírito e matéria.

O fato de que o cérebro possa produzir “espiritualidade” nos diz

2
Sistema Límbico - Na superfície medial do cérebro dos mamíferos, o sistema límbico é
a unidade responsável pelas emoções e comportamentos sociais. É uma região constituída
de neurônios, células que formam uma massa cinzenta denominada de lobo límbico.
17
que temos uma tendência inata à espiritualidade3, sobre a qual se
constrói todo o edifício das religiões. Espiritualidade é um conceito
mais amplo que religião, já que não existe religião sem
espiritualidade, mas sim espiritualidade sem religião, como é o
caso do budismo, do jainismo ou do taoísmo. Por isso, eu concluo
que temos uma tendência inata à espiritualidade gerada por
estruturas cerebrais, mas não uma tendência inata à religião,
como alguns autores sustetam, porque a religião é uma
construção social que consta de múltiplos fatores.

1 - Epilepsia do lobo temporal e o êxtase místico

Em patologia se conhece um caso de epilepsia que afeta só o lobo
temporal do cérebro. O lobo temporal é especialmente vulnerável
à hiperatividade das estruturas que alí se encontram e na qual
muitas células se ativan ao mesmo tempo provocando convulsões.
As crises costumam ser parciais simples ou parciais complexas.

As crises parciais simples são as que causam emoções intensas
como êxtase místico ou outro tipo de experiências religiosas ou
espirituais. As crises parciais complexas são aquelas nas quais o
paciente não é consciente de suas ações e realiza “automatismos”,
como mastigar sem razão, esfregar sua roupa ou coçar-se.

Em muitos casos estas crises não são acompanhadas de perda de
consciência, como ocorre nas crises generalizadas, quando a
hiperatividade se extende por outras partes do cérebro
provocando as convulsões conhecidas por todos.

Foi identificada uma síndrome, que é uma coleção de sintomas,

3
Capacidade do cérebro de inventar coisas irreais.
18
denominada síndrome de Gastaut-Geschwind pelos neurólogos
que a definiram, se caracteriza pelos seguientes síntomas:

 Trastornos da função sexual, geralmente hipossexualidade4
 Conversões religiosas súbitas
 Hiperreligiosidade5,
 Hipergrafia6,
 Preocupações filosóficas exageradas,
 Irritabilidade
 Viscosidade7.

Estes sintomas coincidem com muitos que foram descritos entre
os místicos de todas as religiões e se supõe que entre as pessoas
que provavelmente padeceram desta enfermidade se encontram
Teresa de Ahumada, também conhecida como Santa Teresa de
Jesus, que em sua biografia disse que esteve vários dias em coma
e quando despertou tinha a língua “feita em pedaços por mordê-
la”.
Também se supõe que Saulo de Tarso, Maomé, Joana D´Arc,
Santa Catarina de Gênova, Santa Catarina de Ricci, Santa

4
HIPOSSEXUALIDADE - Trata-se de uma deficiência ou ausência de pensamentos sexuais
ou relativos à atividade sexual.
5
HIPERRELIGIOSIDADE - a hiperreligiosidade no paciente epiléptico pode apresentar-se
como mero interesse aumentado por assuntos religiosos; pode haver também misticismo,
trocas de religiões, fanatismo religioso, idéias de paranormalidade e interesses cósmicos.
EX. O filósofo sueco Emanuel Swendenborg (1688-1772), conhecido como "Aristóteles
sueco", sofreu, aos 56 anos de idade, mudança radical em sua biografia. Catedrático de
Matemática na Universidade de Upsalla, abandonou seus interesses intelectuais, passando
a dizer que fazia parte do mundo espiritual, que podia conversar com anjos e chegou
mesmo a se autoproclamar o Messias. Não se sabe, nesse caso, se a transformação se
deveu à epilepsia ou à esquizofrenia (JOHNSON, 1994; WHITE, 1887).
6
HIPERGRAFIA – Necessidade compuslsiva de estar sempre escrevendo.
7
VISCOSIDADE - Aderência afetiva com tendência a ser perseverante, pesado e pegajoso
com pessoas, determinados hábitos ou coisas. Costuma ser acompanhada de um
pensamento pertinaz, com tendência a perseverar, pouco flexível e que gira continuamente
sobre si mesmo. Às vezes é seguida de uma explosão afetiva secundária ao estancamento
que finalmente termina por descarregar-se. É característico de epilépticos e lesionados
cerebrais.
19
Teresita, Joseph Smith, fundador da Igreja de Jesus Cristo dos
Santos dos Últimos Dias, a religião dos mormons, sofreram
também de epilepsia. Assim como outras pessoas conhecidas
como Dostoievsky, Vincent van Gogh ou Emanuel Swedenborg e
muitos outros.

Experimentos recentes realizados no Canadá têm mostrado que a
estimulação magnética transcraneal das estruturas límbicas do
lobo temporal podem produzir em sujeitos saudáveis experiências
da presença de outros seres ou experiências espirituais e
religiosas, nas quais os sujeitos dizem encontrar-se com seres
espirituais, mas sempre de sua própria religião, nunca de outras
religiões.

2 - Experiências de quase morte

Pessoas que estiveram muito próximo da morte ou clinicamente
mortas, seja por doença grave, acidente ou parada cardíaca e que
voltram à vida de maneira espontânea ou por manobras de
ressuscitação, relataram experiências muito parecidas com as que
nos referimos sobre a epilepsia do lobo temporal.

Estas são as seguintes: inefabilidade, ou a dificuldade de
expressá-las com palavras, sensações de paz, felicidade e bem-
aventurança, andar por um túnel escuro em cujo final há uma luz
branca brilhante, sentir-se fora do corpo, flutuando e observando-
se desde o alto, encontro com pessoas falecidas, figuras religiosas
ou seres espirituais e falar com eles, revisão de toda sua vida
como num filme rápido.

Todas estas características são muito similares às experiências
místicas, religiosas, numinosas, divinas ou trascendentais a que

20
me referi antes. Nelas se perde o sentido do tempo e do espaço e
a experiência é considerada mais intensamente real que a
realidade cotidiana, algo que está em relação com a hiperatividade
de uma estrutura do cérebro emocional chamada amídala, que é
a que dá sentido de realidade aos fatos ou estímulos que chegam
do entorno.

Todas estas experiências foram interpretadas nessas
circunstâncias, sobretudo nas experiências de sair fora do corpo,
como a alma tentando sair do corpo e voltando a ele quando o
perigo de morte já passou.

Entretanto, hoje se pode provocar essas experiências de maneira
experimental estimulando eletricamente uma parte do cortex
cerebral conhecida como giro angular8. Estes experimentos foram
realizados na Suiça, no laboratório de neurociência da Escola
Politécnica Federal de Lausanne, dirigido pelo neurólogo Olaf
Blanke.

As experiências próximas da morte ainda não estão explicadas em
sua totalidade, mas de maneira aproximativa. É de se supor que
a falta de oxigênio e a produção aumentada de anidrido de
carbono nessas circunstâncias limites fazem com que muitos
neurênios deixem de funcionar, especialmente os que possuem
um metabolismo mais elevado, que costumam ser neurônios
inibidores. Isto produz uma hiperatividade das estruturas

8 Giro angular é uma região do cérebro envolvida em inúmeros processos relacionados a
linguagem, processamento de números, cognição espacial, resgate de memórias, atenção
e a teoria da mente. Estimulação nessa área pode causar uma impressão de que se está
fora do próprio corpo, aparentando ser uma viagem astral.

21
vulneráveis do sistema límbico, que se encontram no lóbulo
temporal, gerando os sintomas que descrevemos.

As sensações de paz, tranquilidade e bem-aventurança são
produzidas porque em situações de estresse o cérebro, e que
maior estresse que estar à beira da morte, produz sustâncias
parecidas com a morfina, as chamadas endorfinas, que
normalmente são utilizadas como analgésicos em exercícios
musculares prolongados e exaustivos, que não poderíam ser
praticados devido à dor excessiva destes.

Daí vem o fenômeno dos corredores de maratona e outros atletas
de resistência permanecerem viciados nesses exercícios pelo
prazer que produzem.

Diante destes fatos, o que chamamos espiritualidade são
experiências nas quais determinadas estructuras de nosso cérebro
se encontram muito ativas. Em alguns casos estas experiências
foram chamadas de estados alterados de consciência, e nestes
estados o sujeito presumivelmente entra em contato com
supostos seres espirituais.

3 - Os Xamãs

Nas épocas humanas mais antigas, dos caçadores-colectores, nas
quais o ser humano viveu praticamente 99,9% de toda sua
história sobre o planeta (uns 150 a 200.000 anos), estes estados
alterados de consciência eram comuns entre os xamãs, espécie
de feiticeiros, curandeiros ou sacerdotes e guias espirituais da
comunidade.

22
Como diz o historiador romeno das religiões Mircea Eliade, o xamã
é especialista na técnica do êxtase. Mediante técnicas ativas,
como a dança ou a percussão de instrumentos como os tambores,
etc., o xamã entra em êxtase ou transe, no qual se comunica
presumivelmente com antepassados da comunidade ou seres
espirituais. O chamado voo do xamã, o realiza supostamente ao
céu ou desce aos infernos e na sua volta diz ser capaz de predizer
o futuro, saber onde se encontram os melhores lugares para caçar
e curar enfermidades, geralmente de carácter psicossomático.

Com técnicas passivas, o xamã também pode entrar em êxtase.
Estas técnicas costumam ser o isolamento sensorial, o jejum, a
meditação ou o sofrimento. Quando mediante estas técnicas,
sejam ativas ou passivas, o xamãa não consegue entrar nesse
estado alterado de consciência, então ingere drogas alucinógenas,
psicodélicas ou enteógenas. Esta última palavra significa
etimologicamente “deus gerado dentro de nós”. As sustâncias
ativas são alcalóides que são encontrados em fungos, plantas,
trepadeiras e arbustos, como a Amanita muscaria ou fungo mata-
moscas, o peyote mexicano, o fungo psilocybe ou a
ayahuasca. Todas estas sustâncias reagem quimicamente com
receptores encontrados em grande número nas estruturas
límbicas que já conhecemos produzindo sua hiperatividade.

Certamente que a busca por estas sustâncias não é exclusiva do
homem, mas muitos outros animais também buscan flores,
trepadeiras, plantas e fungos que contêm sustâncias enteógenas
para experimentar esses estados alterados de consciência,
antecipando-se assim aos drogados de nossas culturas. Ao longo
da história, o ser humano tem vivido sempre em dois mundos: o
mundo natural e o chamado mundo sobrenatural. O homem
sempre tem tentado evadir-se do mundo natural e buscar o
23
âmbito do que tem sido chamado de sobrenatural, no qual
pretensamente se reunia com deuses, demônios, antepassados ou
familiares falecidos.

Desde o ponto de vista neurocientífico, o âmbito do sobrenatural
não é um mundo que existe fora de nós mesmos, mas é um
produto, como grande parte do que consideramos realidade
exterior, da atividade de nosso cérebro.

Portanto, se dizemos que o mundo do sobrenatural é o mundo dos
espíritos, nós colidimos novamente com o conceito de "espírito"
que não deve ser uma hipótese científica, porque não pode ser
comprvado ou falseado, seguindo os critérios do filósofo austríaco
Karl Popper. Neste sentido, as chamadas experiências espirituais
precisariam ser nomedas de outra maneira, como por exemplo
“experiências supralímbicas”, levando em conta que podem ser
induzidas por estimulação do sistema límbico ou cérebro
emocional. O prefixo “supra” quer indicar que se tratam de
experiências supremas desde o ponto de vista subjetivo.

4 - A Antiguidade da experiência espiritual

A pergunta que se faz é quando o ser humano começou a ter
experiências espirituais. No Paleolítico Médio (entre 130.000 e
33.000 anos AC) e no Paleolítico Superior (entre 33.000 e 9.000
anos AC) foram encontradas tumbas nas quais os corpos estavam
acompanhados de ferramentas e implementos de caça, o que
aponta à crença em uma vida depois da morte. Ou seja,
considera-se que os “humanos arcaicos” - entre os quais figuram
o Homo heidelbergensis, o Homo rhodesiensis, o Homo

24
neanderthalensis e possivelmente o Homo antecessor descoberto
em Atapuerca – poderiam ter crenças espirituais.
Verificou-se, por exemplo, que em sepulturas do Homem de
Neanderthal, o falecido foi enterrado com chifres de cabra
colocados em círculo, vértebras de cervo, peles de animais,
instrumentos de pedra, ocre vermelho e diferentes tipos de flores.
Em outras sepulturas foram encontrados blocos de pedra sobre o
cadáver ou decapitações rituais que foram interpretadas como
crenças na possibilidade de que o espírito do morto pudesse voltar
para atormentar os vivos. Por esta razão, se deduz que as
crenças espirituais remontam a 100.000 anos, portnto, anteriores
ao hommem moderno ou Homem de CroMagnon, cuja antiguidade
remonta a 40.000 anos AC.

É possível que estas experiências sejam até mesmo anteriores aos
hominidios. Muitos animais, como dissemos antes, na busca de
alimentos naturais, ingeririam plantas ou fungos que contêm
substâncias enteógenas e poderian entrar em um êxtase parecido
ao dos humanos.

A alguns parecerá insólito e estranho que se pense na
possibilidade de que outros animais possam ter experiências
espirituais. É preciso dizer também que pensávamos que a
moralidade é uma faculdade exclusivamente humana, e cada vez
mais surgem provas que indicam que existem faculdades
precursoras da moralidade, assim como comportamentos que
podem ser considerados morais, em primatas não humanos e em
outros animais.

O neurólogo americano Kevin Nelson, em seu livro The Spiritual
Doorway (A entrada espiritual no cérebro), diz o seguinte: “O
místico não está além da linguagem em sentido neurológico. Está
antes da linguagem, residindo nas estruturas cerebrais arcaicas
25
que têm a ver com nossa sobrevivência darwiniana. Um forte
palpite é que as experiências místicas existiram muito antes de
que a linguagem chegasse à nossa espécie. Este é um
pensamento bastante surprendente, significa que outros animais
além dos seres humanos podem ter experimentado sentimentos
místicos”.

Os xamãs siberianos consumiam o cogumelo Amanita muscaria para
conseguirem estados alterados de consciência. Imagen: H. Krisp.

5 - A Espiritualidade do cérebro

Desde que passamos a ter o conhecimento de que o cérebro
produz espiritualidade surgem duas possibilidades:

26
1. A postura de crentes que podem argumentar
(falaciosamente ) que Deus colocou no cérebro humano
9

estruturas que permitem a experiência espiritual e o
contato com a divindade (algo jamais demonstrado).
2. Ou que estas são fruto da evolução, como o resto do
organismo, pelo processo de seleção natural, o que levaria
a questionar qual o valor de sobrevivência que teriam estas
estruturas.
3. Se as estruturas são fruto da evolução, o que parece óbvio,
ainda resta a possibilidade de que um design divino o tenha
tornado possível utilizando os mecanismos da evolução
para que o homem pudesse ter as experiências espirituais
e, dessa manera, poder se comunicar com os seres
espirituais (inventados pelo próprio cérebro).
4. Mas também é possível a postiura contrária, a saber, que
estas estruturas são as que têm gerado as crenças em
seres espirituais como um produto acessório de outras
funções ligadas ao cérebro emocional.

No segundo caso, a espiritualidade seria uma faculdade mental
como qualquer outra que se desenvolveu como resposta a uma
determinada pressão do meio ambiente. Se isto é válido para
todas as faculdades mentais, também é para as características
universais que os seres humanos têm usado para aumentar as
chances de sobrevivência do organismo, já que a natureza tende
a eliminar o supérfluo.

9 O DEUS DAS LACUNAS É A BASE DA ARGUMENTAÇÃO CRENTE: Deus das lacunas
é uma falácia lógica e uma versão teológica do argumento da ignorância. Caracteriza-se
por responder questões ainda sem solução com explicações, muitas vezes, sobrenaturais,
que não podem ser averiguadas. Sendo sobrenaturais as respostas para as questões em
aberto, provar-se-ia a existência de fatos que não podem ser entendidos pelo homem.
Nessa falácia, ignora-se a realidade e apela-se para uma explicação irracional.

27
Como acontece com todas as faculdades mentais, se necessita de
um entorno apropriado para que se desenvolvam. É o que ocorre
com a linguagem, a música ou a inteligência, para mencionar só
umas poucas. Disto vem o fato da existência de pessoas mais
espirituais que outras, dependendo de terem mais ou menos
desenvolvida esta faculdade; o entorno, isto é, a cultura e a
sociedade em que a pessoa se encontra, jogariam um papel
essencial em seu desenvolvimento. Por essa razão existem e
existiram indivíduos com uma grande espiritualidade (capacidade
de fantasiar), como por exemplo os fundadores de religiões, e
outros em que essa espiritualidade parece estar ausente.

Que esta faculdade depende da integridade de estruturas
cerebrais é mostrado pelo fato da diminuição da espiritualidade
em enfermos de Alzheimer, em autistas e também em alguns
casos de tumores ou lesões cerebrais diversas.

6 - A Experiência espiritual ou mística como regressão

Como antes dizia o neurólogo Kevin Nelson, com razão, as
estruturas límbicas responsáveis pelas experiências espirituais
são estruturas arcaicas, desde o ponto de vista da evolução.
Compartilhamos o sistema límbico com praticamente todos os
mamíferos e explica que podemos entender um ao outro através
de uma linguagem não-verbal com os nossos animais de
estimação.

Se as experiências espirituais, místicas ou numinosas dependem
destas estruturas, isto significaria que estas experiências supõem
uma regressão a um estado de consciência arcaico, como
supunha Sigmund Freud em sua obra “O Mal-estar na civilização”.

28
Para Freud, os sonhos, nos quais sabemos que domina o cérebro
emocional, são uma regressão, entendendo por regressão o
regresso da mente a um estado ou nível de funcionamento
anterior ao habitual. Neles o pensamento lógico e consciente fica
anulado, sendo sustituido pelo pensamento onírico, por uma
lógica pré-verbal, não-dualista, arcaica em suma.

Por isso, nos estados místicos uma característica é a inefabilidade,
ou seja, a dificuldade de expressar em palavras a experiência. San
Francisco de Sales dizia, por exemplo: “Neste estado, a alma é
como uma criança de peito, a fim de que o leite escorra para sua
boca sem que ele tenha sequer que mover os lábios”.

7 - Ingestão de substâncias enteógenas e a origem da
religião

Como já dissemos, a ingestão de plantas, fungos, trepadeiras e
flores com sustâncias enteógenas10 é mais antiga que a espécie
humana. Talves copiando aos animais, os seres humanos tenham
ingerido desde tempos imemoriais estas sustâncias, entrando no

Enteógeno (também chamado enteogênico (português brasileiro) ou enteogénico (português europeu))
é uma substância alteradora da consciência que induz ao estado xamânico ou de êxtase.
É um neologismo que vem do inglês entheogen ou entheogenic, tendo sido proposto em
1973 por investigadores, dentre os quais se pode citar Gordon Wasson (1898-1986).
Segundo Roberts, foi incluído no Dicionário Oxford de Inglês na lista de novas palavras
desde setembro de 2007, significando uma substância química, normalmente de origem
vegetal, que é ingerida para produzir um estado de consciência não ordinária para fins
religiosos ou espirituais. A palavra "enteógeno", que significa, literalmente, "manifestação
interior do divino", deriva de uma palavra grega obsoleta da mesma raiz da palavra
"entusiasmo" e que se refere à comunhão religiosa sob efeito de substâncias visionárias,
ataques de profecia e paixão erótica. Este termo foi proposto como uma forma elegante
de nomear estas substâncias, sem tachar pejorativamente costumes de outras culturas
(ver Medicina indígena).

29
que chamo uma segunda realidade ou uma “consciência límbica”,
descrita inumeráveis vezes pelos místicos de todas as religiões.

Sabemos, por exemplo, que as renas da Sibéria procuram o fungo
alucinógeno Amanita muscaria, conhecido como agário-das-
moscas ou mata-moscas (em Portugal também como rosalgar,
mata-bois ou frades-de-sapo), para ingeri-lo. Este fungo
cresce sob coníferas, faia e bétula. Também é procurado por
esquilos e moscas, daí o seu nome. No Canadá são os caribús que
também o ingerem. Muito provavelmente, os chamã siberianos
copiaram das renas, descobrindo assim as propriedades que lhes
permitiam acessar um estado alterado de consciência.

Outro fungo muito apreciado é o fungo Psilocybe semilanceata,
muito conhecido na cultura azteca que o chamava “fungo de Deus”
ou “carne dos deuses”. É ingerido por cães e cabras, mas também
foi encontrado no estômago de primatas não-humanos. Costuma
crescer nos escrementos de mamíferos. Pela descrição feita na
Bíblia sobre o maná, foi sugerido que poderia tratar-se do fungo
psilocybe.

Uma planta, conhecida como Peganum harmala, contiene la
sustancia activa harmalina, fortemente alucinógena. Esta planta
foi encontrada na frente das cavernas de Qumram, pátria dos
essênios, razão pela qual se supõe que estes místicos judeus que
viveram no deserto da Judeia desde o século II AC. e que foram
descobertos quando encontraram os Manuscritos do Mar Morto em
1947, podiam ter ingerido estas plantas psicoativas.

O antropólogo norteamericano Michael Winkelman disse que “a
associação em todo o mundo das sustâncias psicodélicas com as
orígens das tradições religiosas, junto com a capacidade dessas
sustâncias de producir experiências espirituais profundas, é um
30
importante apoio às hipóteses que sugerem que as tradições
religiosas podem ter surgido pelos efeitos profundos dessas
sustâncias sobre a consciência”.

Ao longo da história da humanidade, xamãs, místicos, monges,
profetas, poetas e literatos foram autênticos exploradores da
espiritualidade, penetrando por diversos meios no que é chamado
consciência límbica ou segunda realidade. Uma realidad produzida
pelo cérebro, como a imensa maioria do que chamamos realidade
exterior. Hoje sabemos que as cores, os odores, os gostos e os
tatos são atribuições do cérebro à informação que chega dos
órgãos dos sentidos, mas que não existem na natureza.

No antigo Israel, a “profecia inspirada” (por fungos?), que era
considerada como uma comunicação direta com a divindade,
jogou um papel importante. Figuras como Elias, Samuel ou Elisha
têm sido considerados xamãs. E o antropólogo inglês Brian Morris
opina que o xamã mais famoso da história foi Jesus de Nazaré. E
o mesmo opina Graham Hancock, sociólogo e escritor escocês,
não só pela natureza de Cristo, meio humano e meio divino, mas
pela provação da crucificação, morte e ressurreição.

E o estudioso das religiões Huston Smith opina que tanto Moisés
como Cristo, devido às austeridades como o jejum e o
esgotamento sofreram mudanças somáticas e teofanias
espetaculares (delírios mentais), com referência aos quarenta dias
de jejum de Moisés no monte Horebe e os quarenta dias de Cristo
no deserto, que se seguiram com a aparição de Satanás e as
tentações.

8 - Conclusões

31
1. Do esposto, cabe concluir que, dado que possuimos em
nosso cérebro estruturas que são capazes de gerar
espiritualidade, a consequência é que temos uma
predisposição genética à ela.
2. Que sobre esta espiritualidade cerebral se constroem as
religiões, um fato que se pode deduzir das experiências
profundamente espirituais que tiveram todos os fundadores
de religiões.
3. Que a espiritualidade é um conceito mais amplo que o de
religião, já que não existe religião sem espiritualidade, mas
sim espiritualidade sem religião, como dissemos no
princípio.
4. Que a experiência espiritual, religiosa, mística, numinosa,
divina o de trascendência é provavelmente anterior ao
aparecimento de nossa espécie sobre a Terra.
5. Que o que chamamos espiritualidade é o resultado da
atividade de determinadas estruturas cerebrais
pertencentes ao sistema límbico ou cérebro emocional.
6. Que se pode ter acesso às experiências espirituais mediante
técnicas ativas, como a dança ou a percussão de
instrumentos, como fazem os xamãs, mas também
mediante técnicas passivas como o isolamento, a fuga ao
deserto, a privação sensorial e de alimentos e bebidas, a
meditação, etc., como sempre fizeram todos os místicos e
anacoretas.
7. Que as drogas enteógenas permitem também o acesso a
estas experiências espirituais e religiosas e têm sido
utilizadas desde tempos imemoriais.
8. Que hoje é possível provocar artificialmente, por
estimulação elétrica ou magnética transcraneal, este tipo
de experiências.

32
9. Que o cérebro é capaz de gerar espiritualidade deveria
obrigar a uma revisão dos conceitos de materialismo e
espiritualidade.
10.Finalmente, eu proporia que a antítese espírito-matéria
fosse sustituida por espiritualidade religiosa e
espiritualidade não religiosa.

9 - Artigos relacionados

 DIVERSAS REGIÕES DO CÉREBRO SÃO RESPONSÁVEIS PELA
ESPIRITUALIDADE
 http://www.tendencias21.net/Diversas-regiones-del-cerebro-son-
responsables-de-la-espiritualidad_a11621.html
 A REVOLUÇÃO NEUROCIENTÍFICA MODIFICARÁ OS CONCEITOS DO EU
E DA REALIDADE
 http://www.tendencias21.net/La-revolucion-neurocientifica-modificara-
los-conceptos-del-yo-y-de-la-realidad_a7436.html
 UM ESTUDO VINCULA A RELIGIOSIDADE COM O LÓBULO TEMPORAL
DIREITO DO CÉREBRO
 http://www.tendencias21.net/Un-estudio-vincula-la-religiosidad-con-el-
lobulo-temporal-derecho-del-cerebro_a4561.html
 CRIAM O PRIMEIRO MAPA DO CÉREBRO MÍSTICO
 http://www.tendencias21.net/Crean-el-primer-mapa-del-cerebro-
mistico_a3760.html
 A NEUROCIÊNCIA PODE CONTRIBUIR À COMPRESNSÃO DA
ESPIRITUALIDADE HUMANA
 http://www.tendencias21.net/La-neurociencia-puede-contribuir-a-la-
comprension-de-la-espiritualidad-humana_a2083.html

Fonte:

Conferencia pronunciada por Francisco J. Rubia en Guadalajara el 7 de abril de
2013 em artigo publicado originalmente no blog Neurociencias de Tendencias21
e traduzido por JL
http://www.tendencias21.net/neurociencias/Neuroespiritualidad_a28.html

33
2 - O que é o Cristianismo?

É uma superstição bizarra, primitiva e engraçada que atribui
poderes mágicos ao cadáver de um judeu pregado em uma cruz.
Atualmente tornou-se uma fonte de piadas e diversão para ateus
e descrentes em todos os “quatro cantos do mundo”. As pessoas
crentes nesta superstição são enganadas pelos parasitas
religiosos com um deus invisível que é pai (mas jamais falou dele
no Antigo Testamento) do cadáver da cruz, além de ser ele
mesmo; que é onipotente, mas precisa de intermediários (os
religiosos, claro); que é onisciente, mas precisa constantemente
ser avisado - através de orações - dos problemas de sua própria
criação fracassada; e que criou um inimigo para si mesmo sem
saber: o Diabo. Mais engraçado impossível. É uma mistura de
superstição, paganismo, idolatria, fanatismo, mitos, mentiras e
muita babaquice para conseguir ser enganado com essas
bobagens.

34
1 - Jesus e a superstição da ferradura da sorte

Que o cristianismo é baseado em superstição não resta a menor
dúvida. Vamos imaginar a seguinte situação. Digamos que você
tem câncer. Você está deitado no hospital depois de uma rodada
de quimioterapia e você se sente terrível. Uma pessoa aparece em
sua sala com um sorriso brilhante no rosto e uma ferradura na
mão. Ele lhe diz: "Esta é uma incrível ferradura da sorte. Se você
tocar esta ferradura, vai curar seu câncer. Mas eu preciso lhe
cobrar R$ 100,00 para tocá-la”.

1. Você pagaria ao homem os R$ 100,00?
2. Claro que não.
3. Todos nós sabemos que tocar a ferradura terá efeito nulo
sobre o câncer.
4. A crença na ferradura da sorte é pura superstição.

É também muito fácil de provar cientificamente que a ferradura
não tem nenhum efeito sobre o câncer (ou qualquer outra coisa).
A forma como iria fazê-lo é simples: nós levaríamos 1.000
35
pacientes com câncer e os dividiríamos de forma aleatória em dois
grupos de 500. Deixaríamos 500 dos pacientes com câncer para
tocarem na ferradura da sorte e os outros 500 como duplo-cego.
Então poderíamos comparar as taxas de remissão de câncer entre
os dois grupos. O que iríamos encontrar seria zero beneficios da
ferradura. Não veríamos nenhuma diferença estatística entre as
taxas de remissão nos dois grupos de 500 pacientes.

2 - Jesus e a superstição da oração

Agora vamos imaginar outra situação. Você tem câncer, acabou
de sair de uma rodada de quimioterapia e você se sente terrível.
Desta vez, uma pessoa aparece na sua sala com um sorriso
brilhante no rosto e uma bíblia na mão. Ele lhe diz:

 "Há um ser chamado Jesus/Deus, que é o todo-poderoso,
onisciente e criador todo-amoroso do universo. Eu sou o
seu representante na terra. Se me permite orar a Deus em
seu nome, Deus vai curar seu câncer”.
36
Você concorda com a oração, o homem reza em cima de você por
10 minutos. Ele invoca todos os poderes de cura de Deus,
rogando-lhe, recitando versos das Escrituras e assim por diante.
Depois, quando ele está se preparando para sair, o homem diz,
"Oh, e a propósito, Deus diz que você deve 10% de dízimo de sua
renda para a igreja. Você consideraria fazer uma doação hoje"?

 A pergunta é:
 Existe alguma diferença entre os dois homens, será que a
oração tem qualquer efeito maior do que a ferradura?
 A resposta é: NÃO.
 A crença na oração é tão supersticiosa como a crença na
ferradura da sorte.

O mais fascinante é que podemos provar que a oração não tem
nenhum efeito exatamente da mesma maneira que nós podemos
provar que ferraduras não têm efeito. Tomamos 1.000 pacientes
com câncer. Oramos com 500 deles e deixamos os 500 outros em
paz. Então, olhamos para as taxas de remissão câncer de entre
os dois grupos. O que descobrimos é que as orações têm benefício
zero. Não veríamos nenhuma diferença estatística entre as taxas
de remissão nos dois grupos de 500 pacientes. Em outras
palavras, podemos provar que a crença na oração é pura
superstição. A crença no poder da oração não é diferente da
crença no poder da ferradura da sorte. Estes experimentos foram
realizados muitas vezes e eles sempre retornam os mesmos
resultados. Simplesmente, a oração não tem absolutamente
nenhum efeito sobre o resultado de qualquer evento. O "poder da
oração" é realmente "o poder da coincidência". Crença na oração
é pura superstição. A oração não tem absolutamente nenhum
efeito em cada experimento científico que realizamos, porque
Deus é imaginário.

37
3 - A essência do cristianismo é a superstição

Basta ler a definição de superstição em qualquer dicionário para
ter a certeza absoluta. Simplesmente não há o que discutir sobre
isso. O dicionário Michaelis define a palavra "superstição" desta
forma:

 su.pers.ti.ção
sf (lat superstitione) 1 Sentimento religioso excessivo ou
errôneo, que muitas vezes arrasta as pessoas ignorantes à
prática de atos indevidos e absurdos. 2 Crença errônea;
falsa ideia a respeito do sobrenatural. 3 Temor absurdo de
coisas imaginárias. 4 Opinião religiosa baseada em
preconceitos ou crendices. 5 Prática supersticiosa. 6
Presságio infundado ou vão que se tira de acidentes ou
circunstâncias meramente fortuitas. 7 Crendice,
preconceito. 8 Todo excesso de cuidado ou de exatidão em
qualquer matéria. 9 Dedicação exagerada ou não
justificada. [ref] (clique nos textos em azul para mais
detalhes).

38
4 - Uma pergunta impossível de responder

Se o cristianismo não é apenas pregação de superstições bobas
para idiotas, responda a pergunta:

1 - Qual é o cristianismo verdadeiro?

Uma mensagem verdadeira, supostamente vinda do suposto
criador do universo - se existisse tal ser fora do reino da fábula -
não se perderia em um labirinto de seitas contraditórias, que
jamais conseguiram e ainda não conseguem concordar
universalmente sobre qualquer mínimo detalhe de coisa alguma
em suas crenças mitológicas, todas mal copiadas dos “pagãos”
egípcios, gregos, romanos, persas, sumérios, babilônios, etc. E
39
não são pequenas diferenças, mas contradições brutais em seus
principais dogmas, pois umas negam a divindade de Cristo
enquanto outras afirmam; umas negam o Espírito Santo, outras
afirmam; umas negam a trindade, outras afirmam. Tem
cristianismo para todos os gostos, mas qual é o verdadeiro?
Nenhum, obviamente!

Todos os tipos de cristianismo não passam de pregação de lorotas
mitológicas para idiotas. E a “fé” não passa de uma espécie de
analfabetismo funcional, já que a grande maioria dos crentes
religiosos mal sabe escrever o próprio nome, todos iludidos com
a esperança de uma iluminação mágica sem estudar. E
completamente controlados - como robozinhos - pelos “idiotas
ilustrados”, os parasitas religiosos e suas igrejas.

Quando o parasita religioso diz que o crente precisa ter fé, ele na
realidade quer dizer que o crente precisa continuar sendo um
ignorante e - além de se orgulhar disso - deve tentar contaminar
outras pessoas com essa mesma doença, pois só assim será
possível enganá-lo com a pregação de seus mitos bobos como o

40
da serpente falante, da jumenta falante, do judeu magrelo que
caminhava sobre a água, machado de ferro flutuando, dragões,
unicórnios, gigantes de 24 dedos, super-herói que mata 120.000
em um dia ou outro que mata 800 com um só golpe de lança e
centenas de merdas semelhantes e muito engraçadas.

Cristãos comendo grama para se aproximar de Jesus, na igreja do Pastor
Lesego Daniel, no norte de Pretória.

A “Fé” (idiotice) é um instrumento de manipualção tão eficiente,
que basta um religioso qualquer mandar o crente comer grama,
que ele se joga de quatro e imediatamente começa a pastar feito
uma ovelha, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Alguém faria isso sem a fé ou sem estar louco? Tem diferença
entre fé e insanidade? Acho que não. Tem alguma dificuldade em
convencer “pessoas de fé” a matar em nome de sua fé? A história
e os noticiários atuais nos mostram que não.
41
Existem milhares de religiões com milhares de deuses, mas você,
crente da mitologia cristã, conseguiu encontrar a única verdadeira
com o único deus verdadeiro? Conta outra piada.

Conclusão: o cristianismo é uma bobagem.

42
3 - Ao crente da Mitologia Abrâmica.

Mitologia Abrâmica: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo.

Nem todos os crentes do mundo reunidos em oração conseguem
mover um grão de areia com a “fé”, uma montanha ou converter
um ateu PORQUE A FÉ É UMA FRAUDE RIDÍCULA. Jesus mentiu!
Da mesma forma, todas as orações realizadas por todos os
crentes que já existiram, jamais conseguiuram transformar
qualquer mentira religiosa em verdade. Religião sempre foi e
43
continua sendo SIMPLESMENTE MENTIRA e ainda não nasceu o
primeiro crente a derrubar esta verdade. Estranhamente as
orações jamais atendidas deveriam ser uma prova óbvia das
mentiras religiosas, mas no crente sem cérebro este fracasso
funciona como um gatilho para iniciar um processo de fabricação
de mentiras e desculpas idiotas, que se estenderá por toda a sua
miserável vida manipulada, numa tentativa desesperada de negar
o óbvio:

 Religião é basicamente mentira.
 Religiosos são parasitas mentirosos e crentes são palermas
ignorantes iludidos por eles.

44
4 - Por que não sou agnóstico >>>

Muitos “não-crentes” dizem ser agnósticos e não ateus. Não
acreditam que Deus exista, mas não estão seguros e então são
renitentes em declararem-se ateus. Uma atitude comum é dizer:
“Talvez haja algo aí fora. Afinal de contas, não conhecemos tudo”.

Qual a segurança necessária sobre a inexistência de Deus, que
devemos ter para nos autodenominarmos ateus? Obviamente,
não podemos estar 100% seguros de nada. Mas podemos estar
99,99999% seguros de um montão de coisas e isso é
normalmente suficiente para tomar as decisões diárias de nossa
vida.

45
Nós não podemos ter certeza de que não vamos cair e quebrar o
pescoço ao sair da cama de manhã, mas não ficamos na cama
para sempre por causa disso. Nós viajamos em carros e aviões,
onde as chances de sobrevivência não são 100%, mas próximo o
suficiente para fazê-lo. Nestes casos, fazemos uma análise de
risco-benefício e decidimos que o benefício justifica o risco.

Algumas coisas são para todo propósito prático, seguras. Se
saltarmos de uma janela do décimo andar, podemos estar
bastante seguros de que sofreremos um feio golpe, não pela
queda, como se diz, mas pela chegada. Agora bem, um avião com
um colchão amarrado na asa poderia passar na hora exata para
nos salvar. De novo, como se diz, “tudo é possível”. Mas este é
um exemplo do tipo de coisa possível com que aprendemos a não
contar.

Então qual é o limite entre o agnóstico e o ateu? Se traçarmos a
linha em 100% de certeza, então não restaria nenhum lugar para
os ateus. Neste caso, não haveria ateus nem em uma trincheira.
Entretanto, algumas pessoas se autodenominam ateus, incluindo
muitos que já passaram bom tempo em trincheiras. A palavra
deve significar algo para eles. Eu sugiro que os ateus são pessoas
que avaliaram as possibilidades, fizeram a análise de risco-
benefício e descobriram que a existência de Deus é tão improvável
que preferem viver suas vidas sem todo o lastro que qualquer
crença obriga você a carregar.

O lastro da crença é pesado. Não só se espera que desperdice
tempo e dinheiro à tua igreja, mas o mais importante, se espera
que mudes tua cabeça. E como já disse Dan Quayle, “perder a
cabeça é algo terrível”.

46
Quando você é um membro fiel de alguma religião, não é livre
para usar teu próprio julgamento sobre o que é melhor para ti,
para tua família e à sociedade. Pelo contrário, se espera que
transfira esse julgamento para outros que afirmam ter autoridade
sobrenatural. E além de não oferecerem nenhuma evidência para
apoiar o que dizem, exceto sua própria palavra, eles pedem que
você evite usar o seu próprio intelecto no processo.

Ao longo dos séculos, existiram muitas tentativas de provar o
embasamento racional das crenças sobrenaturais. Todas
falharam. Entretanto os pregadores ainda conseguem atrair
clientes com seus argumentos simplórios com ares de lógicos,
como: “Como poderia isso, o universo, a vida, a consciência,
terem surgido do nada?” Eles garantem a seus ouvintes que Deus
fez tudo.

 Mas considere o absurdo do argumento:
 algo não pode vir do nada, então deve vir de Deus... que
vem do nada.

As igrejas têm convencido a maioria da raça humana a acreditar
no inacreditável, dar crédito ao implausível, racionalizar o
irracional. Um ateu é alguém que não pode acreditar em algo que
não tem nenhuma base racional, que nada mais é do que uma
fantasia e um delírio arrastado desde a infância ignorante e
supersticiosa da raça humana.

Victor J. Stenger
Tradução de JL

47
5 - A farsa da inspiração divina

1 - Durante milhares de anos Deus não conseguiu inspirar
nenhum cristão e contar a verdade sobre o movimento da
Terra, do Sol e dos planetas? Muito suspeito esse deus.

“Afirmar que a terra gira em torno do sol é tão errôneo quanto
afirmar que Jesus não nasceu de uma virgem”.

Cardeal Bellarmino, 1615, durante o julgamento de Galileu.

“A doutrina de que a Terra não é o centro do universo, nem
imóvel, mas move-se inclusive com uma rotação diária, é

48
absurda, tanto filosoficamente como teologicamente falsa, e no
mínimo um erro de fé.”

Decisão da Igreja Católica contra Galileu Galilei, 1616.

“... Também chegou ao conhecimento desta congregação que a
doutrina de Pitágoras - que é falsa e totalmente contrária à
Sagrada Escritura – sobre o movimento da terra e da imobilidade
do sol, que também é ensinado por Nicolaus Copernicus em “De
Revolutionibus orbium coelestium”, e por Diego de Zuniga em
“Sobre Jó”, está agora se espalhando no exterior e sendo aceita
por muitos... Portanto, para que esta opinião não possa insinuar-
se em maior profundidade em detrimento da verdade católica, a
Sagrada Congregação decretou que a obra já referida de Nicolaus
Copernicus “De Revolutionibus Orbium”, e a de Diego Zuniga,
”Sobre Jó”, sejam suspensas até que sejam corrigidas”.

Decreto de condenação da obra de Copérnico, 05 de março de
1616.

2 - Parece que Deus inspirou a Santo Agostinho de que a
Terra tinha dois lados, o de cima e o de baixo... Ele também
parece ter faltado às aulas de medicina de Deus.

“É impossível que haja habitantes do outro lado da Terra, já que
nada é dito a esse respeito nas Escrituras sobre os descendentes
de Adão”.

Santo Agostinho

49
“Todas as doenças dos cristãos podem ser atribuídas aos
demônios. Eles atormentam principalmente os batizados há
pouco, até mesmo recém-nascidos sem culpa”.

Santo Agostinho

3 - O absoluto fracasso da inspiração divina sempre obrigou
a igreja a combater o conhecimento, a liberdade de crença
e pensamento, até que foi superada pelos fatos e não teve
mais opção senão aceitar.

“É totalmente ilícito exigir, defender ou conceder
incondicionalmente a liberdade de pensamento, expressão ou
culto, como se esta fosse um direito natural do homem”.

Encíclica do Papa Leão XIII.

“Tolerar igualmente todas as religiões… é o mesmo que ateísmo”.

Papa Leão XIII, “Immortale Dei”.

“Não é lícito ao Estado nem aos indivíduos ignorar as obrigações
religiosas ou tratar como iguais às demais religiões. ”

Papa Leão XIII, “A constituição cristã dos Estados”, 1885.

“Já se propôs que todas as religiões deveriam ser livres e seu culto
publicamente exercido. Nós católicos rejeitamos esta ideia como
contrária ao cânon da lei católica romana”.

Papa Pio VII, 1808.

50
“O estado (constituição dos EUA) não tem o direito de deixar que
cada um seja livre para professar e abraçar qualquer religião que
deseje”.

Papa Pio IX

“Mussolini: uma dádiva da Providência”.

Papa Pio XI

4 – Acredite na palavra da Igreja.

“Devemos estar sempre dispostos a acreditar em que o que nos
parece branco é na verdade preto se a hierarquia da Igreja assim
o decidir”.

Inácio de Loiola, fundador da Sociedade de Jesus (Jesuítas),
“Exercitia spiritualia”, 1541.

5 - O cristão/católico deve ser pobre, gostar e se conformar
com isso. Riqueza só para a Igreja.

“O sofrimento dos pobres é agradável a Deus e purifica o mundo”.

Madre Teresa de Calcutá

“Acho muito bonito que os pobres aceitem sua sorte, que a
compartilhem com a paixão de Cristo. O mundo se beneficia muito
do sofrimento dos pobres”.

51
Madre Teresa de Calcutá

6 - Proibir a circulação da verdade sempre foi o objetivo da
igreja e continua tentando em nossos dias.

“A liberdade de imprensa é um dos maiores males que ameaçam
a sociedade moderna”.

Cardeal Pedro Segura, New York Herald Tribune.

“Seria bom para a religião se muitos livros que parecem úteis
fossem destruídos. Quando não havia tantos livros nem tantas
discussões e disputas, a religião crescia mais rapidamente do que
tem feito desde então”.

Girolamo Savonarola, 1452-1498, frei dominicano.

7 - Quem ainda acredita nesta patuscada?

“Os papas, como Jesus, são concebidos por suas mães por
influência do Espírito Santo. Todos os papas são uma espécie de
homens-deus, com o propósito de serem os mais habilitados a
mediar entre Deus e a humanidade. Todos os poderes no Céu e
na Terra lhes são dados”.

Papa Estevão V, século 9.

52
6 - A confusão da crença em Deus

Teísmo, Deísmo e Panteísmo

A maioria dos crentes não sabe nem mesmo o tipo de crenças que
defende, pois existe uma série de modalidades de crenças que
costumam confundir o cristão (e o não-cristão) comum. Estes
conceitos se relacionam entre si, mas não significam a mesma
coisa. Muitas vezes a afirmação “Creio em Deus” não simboliza a
mesma forma de credo, pois do ponto de vista cristão não
possuem o mesmo significado ou o mesmo valor. Crer em Deus
para um panteísta não significa o mesmo que para um teísta, mas
em todos os casos “deus” é sempre um tapa-furo para o
desconhecido. Analisemos as definições e diferenças dos três
termos mais comuns.
53
Teísmo

O teísmo (do grego θεóς theos deus) designa toda concepção
filosófica que admite a existência de um Deus absoluto pessoal e
transcendente. (Deus providente, criador e conservador do
mundo).

 Teísmo Cristão
 Teísmo agnóstico
 Teísmo Aberto

Segundo Voltaire o Teísta reconhece um Deus criador,
infinitamente poderoso e considera suas criaturas como máquinas
admiráveis. Deus se dignou a estabelecer uma relação entre ele
e os homens, cuja relação os torna livre, capazes do bem e do
mal, e deu-lhes o “bom sentido”, que é o instinto do homem que
se baseia na lei natural. O teísmo não é religião, não é um sistema
de costumes, não têm rituais e não tem padres ou instituição. O
teísmo é apenas um nome para classificar a visão de que existem
ou não deuses. Algumas religiões são teístas, outras deístas,
panteístas, etc.

Podemos dividir o teísmo em:

 Monoteísmo: crença em um só Deus.
 Politeísmo: crença em vários deuses.
 Henoteísmo: crença em vários deuses, mas com um
superior a todos.

Em poucas palavras, amigo cristão, se você crê que só existe um
deus e é este deus quem criou tudo e provê tudo que existe;
transcendente e infinito… se você crê nisto é um Teísta. Todos os
seguidores da doutrina cristã são teístas. Se você se considera
cristão, sem dúvida é teísta.

54
Deísmo

Doutrina que reconhece um Deus como autor da natureza, porém
sem admitir revelação nem culto externo. Ou seja, Deus existe e
criou o universo físico, mas não interfere nele. Para o Deísta Deus
se revela indiretamente através das leis da natureza descritas
pelas ciências naturais. Os deístas tipicamente também tendem a
rechaçar os eventos sobrenaturais (milagres, profecias, etc.) e a
afirmar que Deus não interfere na vida dos humanos e nas leis do
universo. Por isso, eles costumam usar a analogia de Deus como
um relojoeiro. O que para as religiões organizadas são revelações
divinas e livros sagrados, a maioria dos deístas entende como
interpretações inventadas por outros seres humanos. Os deístas
creem que o maior dom divino à humanidade não é a religião, mas
a habilidade de raciocinar.

A base da doutrina Deísta é:

1- Crer em um Criador e Arquiteto inteligente do Universo.
2- Crer que este Criador-arquiteto está "fora" do Universo e
que não é uma parte de dito Universo.
3- Crer que após a criação do universo, Deus permanece à
margem dele permitindo-lhe desenvolver-se naturalmente
e sob as leis que ele mesmo criou e sem necessidade de
uma posterior intervenção.
4- Crer que Deus não produz milagres que desafiem as leis
físicas ou que intervenha de forma sobrenatural nos
assuntos humanos.
5- Crer que Deus não se revela ao ser humano através de
sacerdotes ou iluminados individuais, mas através da
natureza.
6- Crer que Deus não impõe morais rígidas preordenadas ou
códigos de conduta divinamente inspirados, mas que
espera que os seres humanos desenvolvam seus próprios
55
códigos de conduta para viver em harmonia entre si com
base na razão que ele lhes deu.
7- Muitos deístas creem em "outra vida" porque lhes parece
razoável, ainda que não haja provas científicas de que
exista.

Os deístas, em geral, rechaçam a religião organizada e os deuses
pessoais "revelados" argumentando que Deus é o criador do
mundo, mas que não intervém de forma alguma nos assuntos do
mundo, ainda que esta posição não seja estritamente parte da
filosofia deísta. Para eles, Deus se revela indiretamente através
das leis da natureza descritas pelas ciências naturais. O deísta não
necessariamente negará que alguém possa receber uma
revelação direta de Deus, mas essa revelação será válida só para
essa pessoa. Se alguém afirma que Deus se lhe há revelado, será
uma revelação de segunda mão e não haveria obrigação de lhe
seguir. Isto implica a possibilidade de que se esteja aberto às
diferentes religiões como manifestações diversas de uma mesma
realidade divina à que tende nossa natureza biológica, ainda que
não creia em nenhuma como "verdadeira" ou "totalmente
verdadeira".

Deístas famosos:

- Thomas Paine
- Voltaire
- Rousseau
- Montesquieu
- Sócrates
- Platão
- Aristóteles
- Benjamin Frankiln
- George Washington

56
Resumindo Amigo leitor: Sie você crê que Deus existe e que criou
o mundo, mas que atualmente não tem influência nem interação
direta com o mundo e com a humanidade, você é Deísta. Os
Deístas costumam crer na evolução Biológica e na origem do
universo através do Big Bang.

Panteísmo

(Composta do termo grego παν (pan), que significa todo, y θεός
(theos), que significa Deus; assim se forma uma palavra que
afirma: tudo é Deus) O panteísmo é uma doutrina filosófica
segundo a qual o Universo, a natureza e Deus são equivalentes.
A lei natural, a existência e o universo se representam por meio
do conceito teológico de "Deus". O panteísmo é a crença de que o
mundo e Deus são o mesmo, é mais uma crença filosófica que
religiosa. Cada criatura é um aspecto ou uma manifestação de
Deus, que é concebido como um ator divino que desempenha por
sua vez os inumeráveis papéis de humanos, animais, plantas,
estrelas e forças da natureza. Sua doutrina central é a de que o
universo é divino e a natureza é uma parte sagrada do divino. O
panteísmo é incompatível com a crença em um Deus pessoal,
disso alguns dizem que é uma expressão do ateísmo. O panteísmo
tende a negar a existência da realidade transcendente e de que
tudo que existe é imanente. Sustenta geralmente que o princípio
do mundo não é uma pessoa, mas que implica algo de natureza
impessoal. Há inumeráveis variantes de panteísmo.

Entre o panteísmo clássico e o naturalista existem muitas versões
diferentes do panteísmo, desde o pampsiquismo, que atribui
consciência à natureza como um todo, até o panteísmo acósmico,
que vê o universo como mera aparência, irreal em última
instância; e numa vasta gama que vai da corrente racional
neoplatônica, ou emanacionística, à corrente mística e intuitiva. O
panteísmo oriental acentua o caráter vivencialmente religioso:
57
toda a natureza está animada pelo alento divino, e por isso é como
se fosse o corpo da divindade, que como tal deve ser respeitada
e venerada. As doutrinas hinduísta e budista combinam os
diversos tipos de panteísmo em seus livros sagrados: no
Upanishad, no Bhagavad Gita e nos Vedas. Este último apresenta
a imagem da divindade como um mar, em que os seres são as
ondas que participam da totalidade.

Sistemas clássicos - A forma assumida pelo panteísmo clássico vê
no mundo simples emanação, revelação ou realização de Deus,
sem realidade própria independente, nem substância
permanente, que não sejam a própria substância e demais
atributos de Deus. Para os estoicos, o universo é o próprio Deus,
como qualidade de toda substância existente ou a existir, imortal
e não gerado, criador da ordem universal, que em si consuma
toda a realidade e a gera continuamente. Deus "impregna todo o
universo e toma vários nomes conforme as matérias diferentes
em que penetra". No século III da era cristã, o panteísmo assume
sua forma mais elaborada no neoplatonismo de Plotino. O mundo
emana necessariamente de Deus, tal como a luz emana
necessariamente de sua fonte. O ser gerado existe junto com o
gerador, dele não se separa e é meramente sua parte ou aspecto.

No século IX, no início da escolástica cristã, João Escoto Erígena
defendeu a ideia de que Deus seria super-substância, da qual
emana o universo, como substância simples, como manifestação
sua como teofania. Na Renascença, Giordano Bruno retomou as
ideias neoplatônicas e considerou Deus como natureza, como
causa e princípio do universo. Sistemas modernos -
Modernamente, foi Spinoza que concebeu a forma mais completa
e elaborada do panteísmo. Deus e a natureza são a mesma coisa,
mas enquanto Deus é naturante, a natureza é naturata (gerada).
O universo não só é a emanação e a manifestação de Deus, mas
é sua própria realização, na ordem de todas as coisas. Hegel
58
denominou o panteísmo de Spinoza de "acosmismo" (negação da
existência de um universo fora de Deus). Segundo ele, Spinoza
não confunde Deus com a natureza e com o universo finito, nem
considera Deus o universo. Pelo contrário, nega a realidade do
universo, vendo em Deus a única realidade. Na filosofia
contemporânea há exemplos de doutrinas panteístas e místicas,
ainda que em pensadores voltados para outros campos do
conhecimento, como Henri Bergson em “Les Deux sources de la
morale et de la religion” (1932; “As duas fontes da moral e da
religião”), embora tal panteísmo tenha sido negado por seus
intérpretes católicos. Outro exemplo é Alfred North Whitehead,
em “Process and Reality, an Essay in Cosmology” (1929; Processo
e realidade, um ensaio de cosmologia). Os críticos do panteísmo
acusam-no de ser uma espécie de ateísmo que nega a
pessoalidade de Deus, como anterior, superior e externo ao
próprio universo.

Algumas declarações e pensamentos Panteístas:

Quando nós afirmamos “O UNIVERSO É DIVINO” não falamos de
um ser sobrenatural. Falamos da maneira como nossos sentidos
e nossas emoções nos forçam a responder diante do poder e
mistério profundo que nos rodeia.

 O Panteísmo é uma religião que não sacrifica a razão.
 Não exige fé em coisas impossíveis, tão só na ciência e no
sentido comum.
 Não necessita nenhum guru, apenas seu próprio ser.

O panteísmo possivelmente conta com centenas de milhões entre
seus membros. A maioria dos Taoístas são panteístas, assim como
muitos Budistas Ocidentais, Japoneses e Chineses, pagãos,
animistas, seguidores de muitas religiões indígenas e
Universalistas Unitários. Os principais manuscritos do Hinduísmo

59
são panteístas. O filme "Avatar" se desenvolve em um ambiente
cujos habitantes possuem uma visão totalmente panteísta.

Panteístas Famosos:

Heráclito,
Giordano Bruno (Panteísta Ateu)
Baruch Spinoza
D. H. Lawrence
Stephen Hawking
Robinson Jeffers
Frank Lloyd Wright

Se para você Deus é a natureza, uma paisagem, o universo, a
imensidão do cosmos ou o maravilhoso da ciência ou do corpo
humano… Se Deus significa isto e muito mais para você e NÃO um
Deus criador, bondoso ou justiceiro, onisciente, onipotente e o
resto… Se acredita nisso, és um Panteísta.

60
7 - As religiões precisam de muitos ignorantes >>>

O que é um analfabeto científico?

Um analfabeto comum é alguém incapaz de interpretar o que diz
um texto impresso e que tampouco sabe escrever. Analogamente,
um analfabeto científico é incapaz de interpretar a realidade à
maneira científica sem recorrer a milagres, revelações, dogmas e
ao princípio da autoridade. Por exemplo, para explicar porque
existem estrelas, continentes ou pessoas, precisa apelar a
61
modelos criacionistas: Deus os criou em seis dias tal como
descreve o Gênesis bíblico. Não possui conceitos de evolução
cósmica nem biológica para explicá-lo à maneira científica.

Qual a diferença entre um analfabeto científico do Primeiro Mundo
e um do Terceiro Mundo?

O do Primeiro Mundo tem uma cultura compatível com a ciência.
Em casos de problemas sanitários, energéticos, de comunicação
ou bélicos, espera que seu governo e toda sua sociedade recorram
às suas universidades e centros de saber para tratar de encontrar
soluções. Se há uma crise de emprego, analisará as medidas
governamentais para promover emprego ou leis trabalhistas. Em
troca, o analfabeto científico do Terceiro Mundo irá fazer fila na
frente da Igreja de São Caetano porque a sua maneira de
interpretar a realidade aceita que este santo possa manejar as
variáveis industriais e econômicas para lhe conseguir trabalho.
Um analfabeto científico do Primeiro Mundo, que pode ser um
multimilionário, se teve um filho que morreu de leucemia ou tem
uma esposa que está ficando cega, faz doações em dinheiro para
uma fundação que promova e financie a investigação sobre a
leucemia e a cegueira. Já o analfabeto científico do Terceiro Mundo
irá fazer uma promessa à Virgem de Guadalupe (México) ou ao
Cristo de Chalma (México).

No epílogo de “A ciência como calamidade” afirma que “um povo
não é necessariamente dependente pelo fato de dever dinheiro,
mas quando não interpreta melhor que ninguém sua própria
realidade ou, pior ainda, quando é forçado a auto-interpretar-se
como convém ao dominador”. Poderia ampliar esta afirmação?

Se os que melhor interpretam a realidade japonesa não fossem os
japoneses, o Japão seria um país subdesenvolvido. Por exemplo,
62
os melhores egiptólogos não são egípcios, mas ingleses, franceses
e alemães. No ano passado o México, um país com mais de 100
milhões de habitantes, sofreu uma epidemia de gripe. Apesar de
ter excelentes virólogos, teve que preguntar aos canadenses que
cepa do vírus influenza os estava afetando (N1H1). Analogamente
teve que preguntar aos suíços que medicamento deveria tomar
(Tamiflú). Estados Unidos, Alemanha e Inglaterra não perguntam
à Argentina nem ao México como devem manejar sua economia.
Ao contrário, ordenam à Argentina e ao México, às vezes através
do FMI ou do Banco Mundial, como devem manejar a sua.

Por que a distribuição desigual da ciência tem nos colocado à beira
da extinção?

Hoje existem poucas coisas que se pode fazer e produzir sem
ciência e sem tecnologia. Os novos automóveis, relógios, aviões,
medicamentos e computadores são desenhados no Primeiro
Mundo. Só quando precisam de mão de obra, mas não resolver
teoremas matemáticos ou inventar circuitos, colocarão fábricas
para que os montem nos países do Terceiro Mundo. Isto faz com
que 90% do lucro da indústria da computação fique nas mãos do
Primeiro Mundo. Os países do Terceiro Mundo são então países
pobres que não podem ter leis sociais para manter a saúde pública
ou a aposentadoria de sua população. Instintivamente, os
habitantes do Terceiro Mundo recorrem à procriação. Um homem
de 28 anos, da Finlândia, que fique incapacitado para trabalhar,
sabe que o Estado o sustentará econômica e institucionalmente
pelo resto de seus dias. Enquanto uma pessoa do Terceiro Mundo
na mesma situação sabe que irá pedir esmolas, salvo se tiver uns
dez filhos: dois policiais, três empregadas domésticas, dois
pedreiros, um vendedor de bilhetes de loteria, um estacionador
de carros, etc. A população do Terceiro Mundo cresceu tanto que
corta bosques e florestas, seca e envenena rios e lagos, extingue
63
espécies e se lança a tentar a sorte de maneira ilegal no Primero
Mundo, onde é tratada como cachorro, caçada como criminosos,
não tem assistência médica, tem que suportar todo tipo de
humilhações, etc. Cidades como Amsterdã já são cidades com
maioria islâmica. Mediante uma reforma religiosa que quase
extinguiu o politeísmo católico de seus territórios há cinco ou seis
séculos, os países se transformaram no futuro Primeiro Mundo no
norte europeu. Mas agora com as massas de analfabetos
científicos ilegais, o obscurantismo católico reingressa no mundo
anglo-saxão, germânico, etc.

Por que crê que a religião continua sendo um modelo tão potente,
com tantos adeptos, para interpretar a realidade?

As religiões e a ciência não são mais que produtos evolutivos do
conhecimento e maneiras de interpretar a realidade. Já disse que
a maneira de interpretar a realidade baseada em modelos
religiosos recorre a divindades. Ao contrário dos que forjaram um
modelo mais moderno, eficaz e menos imoral de interpretar a
realidade, que é a maneira científica, possuem uma eficácia
muitíssimo maior para levar a cabo todas e cada uma das tarefas
que necessita cumprir uma sociedade moderna. Os povos do
Terceiro Mundo possuem duas dificuldades para ter acesso ao
modelo científico. A primeira é que não desenvolveram sua ciência
e nem uma cultura compatível com a ciência, o que poderíamos
chamar de “analfabetismo científico primário”. A segunda
poderíamos chamar de “analfabetismo científico induzido”, ou
seja, há entidades que se esforçam para que o Terceiro Mundo
não tenha acesso a modelos científicos e não religiosos. Citarei
dois tipos de analfabetismo científico induzido:

Para que continuem permitindo seus modelos arcaicos e suas
perversidades, as religiões institucionalizadas dependem da
64
existência de um número enorme de ignorantes. Portanto, estão
permanentemente tratando de infiltrar o seu aparato educativo
para propalar sua ignorância e preconceitos.

Também os países do Primeiro Mundo buscam promover o
analfabetismo científico do Terceiro Mundo, porque sua
supremacia depende de que eles e só eles tenham ciência e ela
lhes permita desfrutar do poder que esta outorga.

Marcelino Cereijido
Cientista e divulgador argentino
Fonte da entrevista:
La Capital.com (Domingo, 20 de fevereiro de 2011).

65
8 - A ilusão religiosa >>>

Antes de qualquer coisa é necessário que o amigo leitor crente
entenda de forma simples que religião não passa de ilusão. Ao
perceber isto tudo ficará mais claro.

1 - Entendendo a ilusão religiosa

Entenda porque você, crente, precisa inventar e usar desculpas
idiotas para encobrir a absoluta falta de apoio racional às sandices
de suas crenças insanas e idiotas. Vamos imaginar que eu lhe
conte a seguinte história:

1. Há um homem que mora no Polo Norte.

66
2. Ele mora lá com sua esposa e um monte de elfos.
3. Durante o ano, ele e os elfos fabricam brinquedos.
4. Então, na véspera de Natal, ele enche um saco com todos
os brinquedos.
5. Ele coloca esse saco em seu trenó.
6. Este trenó está atrelado a oito ou nove renas voadoras.
7. Então ele voa de casa em casa, pousando nos telhados de
cada uma.
8. Ele desce junto com seu saco pela chaminé.
9. Ele deixa brinquedos para as crianças que moram
nessas casas.
10. Ele sobe de volta pela chaminé, volta para seu trenó e voa
para a próxima casa.
11. Ele faz isso no mundo todo em uma única noite.
12. Então ele volta para o Polo Norte e o ciclo se repete no
próximo ano.

Esta, claro, é a história de Papai Noel.

Mas vamos dizer que eu sou um adulto e seu amigo, e eu revelo
para você que eu acredito que esta história é verdade. Eu acredito
nisso com todo o meu coração. E eu tento convencê-lo a acreditar
nessa história assim como eu.

O que você iria pensar de mim? Você pensaria que eu estou
enganado, e com razão.

Por que você acharia que eu estou enganado? Porque você sabe
que Papai Noel não existe. A história toda é apenas um conto de
fadas. Não importa o quanto eu fale sobre o Papai Noel, você não
vai acreditar que ele é real. Renas voadoras, por exemplo, são
devaneios. O dicionário define engano como “Falsa crença ou

67
ilusão, apesar de evidências em contrário”. Esta definição se
encaixa perfeitamente.

Já que você é meu amigo, você pode tentar me ajudar a perceber
que a minha crença no Papai Noel é uma ilusão. A maneira como
você tentaria me convencer disso seria fazendo algumas
perguntas. Você pode me dizer:

1. “Mas como o trenó pode carregar brinquedos suficientes
para o mundo inteiro? ” Eu diria que o trenó é mágico e tem
a habilidade inerente de fazer isso.
2. “Como Papai Noel entra nas casas ou nos apartamentos que
não possuem chaminé? ” Eu diria que Papai Noel pode fazer
chaminés aparecerem, como no filme “Meu Papai é Noel”.
3. “Como Papai Noel desce uma chaminé se ela estiver acesa?
” A roupa do Papai Noel é resistente a chamas e
autolimpante também.
4. “Por que os alarmes de segurança nunca detectam o Papai
Noel? ” Papai Noel é invisível aos sistemas de segurança.
5. “Como Papai Noel viaja rápido o suficiente para visitar todas
as crianças em uma noite? ” Papai Noel controla o tempo.
6. “Como Papai Noel sabe se uma criança foi boa ou má o ano
todo? ” Papai Noel é onisciente.
7. “Por que Papai Noel dá presentes melhores às crianças
ricas, mesmos quando estas foram más e nunca dá nenhum
para as crianças pobres? ” Não há como entender os
mistérios do Papai Noel porque somos meros mortais, mas
Papai Noel tem suas razões. Talvez, por exemplo, crianças
pobres não conseguiriam usar brinquedos eletrônicos
caros. Como elas poderiam arcar com as pilhas? Então
Papai Noel as poupa desse peso.

68
Estas são perguntas lógicas que você me fez. Eu respondi a todas
elas para você. Eu me pergunto então por que você não pode ver
o que eu vejo, e você se pergunta como eu posso ser tão maluco.
Por que você não se satisfez com minhas respostas? Por que ainda
acha que eu estou enganado? É porque minhas respostas não
fizeram mais do que confirmar seus cálculos. Minhas respostas
foram ridículas. Para responder às suas perguntas, eu inventei
completamente do nada, um trenó mágico, uma roupa
incombustível autolimpante, chaminés mágicas, controle do
tempo e invisibilidade mágica. Você não acredita em mim, pois
sabe que eu estou inventando todas essas coisas. As evidências
em contrário são volumosas.

Agora me deixe mostrar outro exemplo…

2 - Segundo exemplo

Imagine que eu te conto a seguinte história:

1. Uma noite, eu estava no meu quarto.
2. De repente, meu quarto fica extremamente brilhante.
3. A próxima coisa que eu percebo é que há um anjo no
meu quarto.
4. Ele me conta uma história magnífica.
5. Ele diz que há uma pilha de placas douradas enterradas ao
lado de uma colina em Nova Iorque.
6. Nessas placas estão os livros de uma raça perdida de um
povo judeu que habitava a América do Norte.
7. Essas placas estão escritas na língua nativa desse povo.
8. Um dia, esse anjo me levou até essas placas e me deixa
levá-las para casa.

69
9. Mesmo as placas estando numa língua estrangeira, o anjo
me ajuda a decifrá-las e a traduzi-las.
10. Então essas placas são levadas para o céu, sendo nunca
mais vistas.
11. Eu tenho o livro com a tradução das placas. Ele conta
histórias impressionantes — uma civilização inteira de
judeus vivendo nos Estados Unidos há 2.000 anos.
12. E Jesus ressuscitado visita essas pessoas!
13. Eu também mostrei essas placas douradas para certo
número de pessoas reais que são minhas testemunhas
oculares, e eu tenho assinaturas delas confirmando que, de
fato, viram e tocaram essas placas antes de serem levadas
para o céu.

Agora, o que você me diria sobre esta história? Mesmo que eu
tenha o livro, em português, que me conta a história dessa
civilização judaica perdida e mesmo que eu tenha atestados
assinados por testemunhas, o que você diria? Esta história parece
maluca, não?

Você poderia perguntar algumas questões óbvias. Por exemplo,
você poderia perguntar “Onde ficam as ruínas e os artefatos desse
povo judeu na América? ” O livro traduzido das placas fala sobre
milhões de judeus fazendo todo o tipo de coisas na América. Eles
tinham cavalos, gados, carruagens, armaduras e grandes cidades.
O que aconteceu com tudo isso? Eu simplesmente responderia que
está tudo lá, mas ainda não encontramos nada. “Nem mesmo uma
cidade? Ou uma roda de carruagem? Nem um elmo? ” Você
pergunta. Não, não encontramos nenhum sinal de evidência, mas
está tudo em algum lugar. Você faz dúzias de perguntas como
estas e eu respondo a todas elas.

70
A maioria das pessoas acharia que eu estou maluco se lhes
contasse esta história. Eles pensariam que não haveria placa
alguma, nem um anjo, e que eu teria escrito o livro eu mesmo. A
maioria das pessoas iriam ignorar as assinaturas — fazer pessoas
atestarem algo não prova nada. Eu poderia ter pagado às
testemunhas ou poderia tê-las inventado. A maioria das pessoas
rejeitaria minha história sem dúvida. O que é mais interessante é
que há milhões de pessoas que acreditam nesta história de um
anjo, das placas e da civilização judaica vivendo na América do
Norte há 2.000 anos. Esses milhões de pessoas são membros da
Igreja Mórmon, cuja matriz fica na cidade de Salt Lake, Utah. A
pessoa que contou esta incrível estória se chama Joseph Smith e
ele viveu nos Estados Unidos no começo do século XIX. Ele contou
esta história e anotou o que ele “traduziu das placas douradas” no
Livro de Mórmon.

Se você encontrar um mórmon e perguntar sobre esta história,
ele passará horas te contando sobre ela. Eles podem responder
cada uma das questões que você tiver. Ainda assim, quase toda
a população da Terra, que não é mórmon, pode ver com total
clareza que esta história é uma ilusão. Simples assim. Você e eu
sabemos com 100% de certeza que a história dos mórmons não
é nada diferente da história do Papai Noel. E estamos certos em
nossa posição, já que as evidências em contrário são volumosas.

3 - Terceiro exemplo

Imagine agora que eu lhe conte esta história:

1. Um homem estava sentado em uma caverna no seu canto.
2. Uma luz brilhante e intensa aparece.

71
3. Uma voz diz apenas uma palavra: “Leia! ” O homem sente
como se estivesse morrendo. Isto aconteceu várias vezes.
4. Então o homem pergunta “O que devo ler? ”.
5. A voz diz “Leia, em nome do Senhor que criou os humanos
de um coágulo”. Leia que seu Senhor é o Mais Generoso.
Ensinou através do cálamo. Ensinou ao homem o que este
não sabia.
6. O homem correu para casa, para junto de sua esposa.
7. Enquanto corria para casa, ele viu a face gigantesca de um
anjo no céu. O anjo disse que era um mensageiro de Deus.
O anjo também se identificou como sendo Gabriel.
8. Em casa, naquela noite, o anjo apareceu para o homem em
seus sonhos.
9. O anjo apareceu para este homem de novo e de novo.
Algumas vezes em sonhos, outras durante o dia como
sendo “revelações em seu coração”, algumas vezes
precedido por um ribombar de um sino em seus ouvidos
(fazendo com que os versos fluíssem de Gabriel
diretamente para o homem), e algumas vezes Gabriel
simplesmente aparecia em carne e osso. Escribas
escreviam tudo o que o homem dizia.
10. Então, numa noite após 11 anos do primeiro encontro,
Gabriel apareceu para o homem com um cavalo mágico. O
homem subiu no cavalo, e o cavalo o levou para Jerusalém.
Então o cavalo alado levou o homem às sete camadas do
paraíso. O homem foi capaz de ver o paraíso e falar com
pessoas nele. Então Gabriel o trouxe de volta para a Terra.
11. O homem provou que esteve mesmo em Jerusalém pelo
cavalo alado respondendo corretamente perguntas sobre os
prédios e pontos geográficos do local.
12. O homem continuou recebendo revelações de Gabriel por
23 anos, e então elas pararam. Todas as revelações foram
gravadas pelos escribas em um livro que existe até hoje.
72
O que achou desta história? Se você nunca a ouviu antes, achará
que não faz sentido algum, da mesma maneira que sentiu sobre
as histórias das placas de ouro e do Papai Noel. Você se sentiria
da mesma maneira quando lesse o livro que foi supostamente
transcrito por Gabriel, porque grande parte dele é obscura. Os
sonhos, o cavalo, o anjo, a ascensão, e as aparições de um anjo
em carne e osso — você ignoraria isso tudo porque é tudo ilusão.

Mas você precisa tomar cuidado. Esta história é à base da religião
muçulmana, praticada por mais de um bilhão de pessoas no
mundo todo. O homem é Maomé e o livro é o Corão (também
conhecido como Alcorão). Esta é a história sagrada da criação do
Corão e a revelação de Alá para a humanidade. Tirando o fato de
que um bilhão de muçulmanos professam algum nível de crença
nesta história, pessoas fora da fé muçulmana consideram-na uma
ilusão. Ninguém acredita nesta história porque ela é um conto de
fadas. Eles consideram o Corão um livro escrito por um homem e
nada mais. Um cavalo alado que voa para o paraíso? Isso não
existe — existe tanto quanto renas voadoras.

Se você é cristão, por favor, pare um momento agora e olhe
novamente as histórias dos muçulmanos e dos mórmons. Por que
é tão fácil ver essas estórias e perceber que são contos de fadas?
Como você sabe, com certeza absoluta, que mórmons e
muçulmanos estão enganados? Da mesma maneira que sabe que
Papai Noel não existe. Não há evidências de nenhuma dessas
histórias. Elas envolvem coisas mágicas como anjos e cavalos
alados, alucinações e sonhos. Cavalos não podem voar — nós
todos sabemos disso. E mesmo se pudesse, ele voaria para onde?
O vácuo do espaço? Ou o cavalo de alguma forma se
“desmaterializou” e então se “materializou” no céu? Se for isso,
então esses processos foram inventados também. Cada parte
destas histórias são ilusões. Todos nós sabemos disso. Um
73
observador imparcial pode ver como são impossíveis essas
histórias. Da mesma maneira, muçulmanos podem ver que os
mórmons estão enganados, mórmons podem ver que os
muçulmanos estão enganados e cristãos podem ver que ambos
estão enganados.

4 - Exemplo final

Agora me deixe contar uma última história:

1. Deus inseminou uma virgem chamada Maria, para poder
encarnar seu filho no nosso mundo.
2. Maria e seu marido, José, tiveram que viajar para Belém
para se cadastrarem para o censo. Lá, Maria deu à luz o
filho de Deus.
3. Deus pôs uma estrela no céu para guiar pessoas até o bebê.
4. Durante um sonho, Deus diz a José para pegar sua família
e ir para o Egito. Então Deus parou e assistiu enquanto
Herodes matava milhares e milhares de bebês em Israel na
tentativa de matar Jesus.
5. Como um homem, o filho de Deus alegou ser o próprio Deus
encarnado. “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida”,
ele disse.
6. Este homem fez muitos milagres. Ele curou um monte de
pessoas doentes. Ele transformou água em vinho. Esses
milagres provam que ele é Deus.
7. Mas um dia ele é sentenciado à morte e morto em
uma crucificação.
8. Seu corpo foi colocado em uma tumba.
9. Mas três dias depois, sua tumba estava vazia.
10. E então o homem, vivo mais uma vez, mas ainda com seus
ferimentos (para que quem duvidasse pudesse vê-los e
74
tocá-los), apareceu para muitas pessoas em
muitos lugares.
11. Então ele ascendeu ao paraíso e agora senta a direita de
Deus, seu pai todo-poderoso, para nunca mais ser visto.
12. Hoje você pode ter um relacionamento pessoal com o
Senhor Jesus. Você pode rezar para este homem e ele irá
atender suas preces. Ele irá curar doenças, resgatar de
emergências, ajudar a fazer negócios e decisões familiares
importantes, confortá-lo em épocas de sofrimento e
preocupação, etc.
13. Este homem também lhe dará a vida eterna, e se você for
bom, ele tem um lugar reservado no paraíso para depois
que você morrer.
14. A razão para que saibamos que isso tudo é verdade é
porque, depois que Jesus morreu quatro homens chamados
Marcos, Lucas e João escreveram fatos sobre sua vida. Seus
atestados escritos são a prova da veracidade desta estória.

Esta, claro, é a história de Jesus. Você acredita nesta história? Se
você é um cristão, você provavelmente acredita. Eu poderia lhe
fazer perguntas por horas e você iria me responder a cada uma
delas, da mesma maneira que eu respondi todas as do Papai Noel
que meu amigo perguntou na primeira história. Você não
consegue entender como alguém pode questioná-la, porque é
óbvio demais para você. Aqui está algo que eu gostaria que você
entendesse: os quatro bilhões de pessoas que não são cristãs
olham para esta história cristã da maneira exata que você olhou
para a história do Papai Noel, dos mórmons e dos muçulmanos.
Em outras palavras, há quatro bilhões de pessoas que estão fora
da bolha cristã, e elas podem ver a realidade claramente. O fato
é que a história cristã é apenas uma ilusão.

75
Como que quatro bilhões de não cristãos sabem, com certeza
absoluta, que a história cristã é uma ilusão? Porque a história
cristã é igual às outras histórias anteriores. Não há isso de
inseminação mágica, estrela mágica, sonhos mágicos, milagres
mágicos, ressurreição mágica, ascensão mágica, e assim por
diante. Pessoas fora da fé cristã olham para esta história e
percebem os seguintes fatos:

1. Os milagres supostamente “provam” que Jesus era Deus,
mas, previsivelmente, esses milagres não deixaram
nenhuma evidência tangível para examinarmos e
verificarmos cientificamente hoje. Eles todos envolvem
curas milagrosas e truques mágicos.
2. Jesus ressuscitou, mas, previsivelmente, ele não aparece
para ninguém hoje em dia.
3. Jesus ascendeu ao paraíso e responde às nossas preces,
mas, previsivelmente, quando rezamos para ele nada
acontece. Podemos analisar estatisticamente e perceber
que orações nunca são atendidas.
4. O livro onde Mateus, Marcos, Lucas e João dão seus
testemunhos existe, mas, previsivelmente, está repleto de
problemas e contradições.
5. E assim vai.

Em outras palavras, a história cristã é um conto de fadas, assim
como os outros três exemplos que examinamos.

Agora, olhe o que está acontecendo dentro da sua mente neste
exato momento. Eu estou usando evidências verificáveis e sólidas
para lhe mostrar que a história cristã é falsa. Entretanto, se você
é um cristão praticante, você pode provavelmente sentir a sua
“mente religiosa” se sobrepondo à sua mente racional e seu bom
senso. Por quê? Por que você é capaz de usar seu bom senso para

76
rejeitar as histórias do Papai Noel, dos mórmons e dos
muçulmanos, mas não a história cristã, que é
igualmente absurda? Tente, só por um momento, olhar para o
cristianismo com o mesmo nível de ceticismo que você usou nas
três histórias acima. Use seu bom senso para perguntar algumas
questões simples para si mesmo:

1. “Há alguma evidência física de que Jesus existiu? ” Não. Ele
se foi sem deixar nenhum traço. Seu corpo “ascendeu ao
paraíso”. Ele não escreveu nada. Nenhum de seus milagres
deixaram qualquer evidência permanente. Não há
literalmente nada.
2. “Há alguma razão para acreditar que Jesus fez mesmo
aqueles milagres, ou que ele ressuscitou, ou que ele
ascendeu ao paraíso? ” Não há razão nenhuma para se
acreditar nisso mais do que temos para acreditar que
Joseph Smith encontrou as placas douradas em Nova
Iorque, ou que Maomé montou um cavalo alado indo ao
paraíso. Provavelmente menos ainda, se levarmos em
conta que a história de Jesus se passou há 2.000 anos e a
de Joseph Smith se passou somente há 200.

Ninguém além de crianças pequenas acredita em Papai Noel.
Ninguém além dos mórmons acredita em Joseph Smith. Ninguém
além dos muçulmanos acredita em Maomé e Gabriel. Ninguém
além dos cristãos acredita em Jesus e sua divindade. Portanto, a
questão que eu deixo aqui para você é muito simples: Por que
humanos podem detectar contos de fadas com completa certeza
quando elas vêm de outras fés, mas não podem detectá-los
quando vêm da própria fé? Por que eles acreditam que seus
próprios contos de fadas estão certos enquanto tratam os outros
como absurdos? Por exemplo:

77
1. Cristãos sabem que quando os egípcios construíram
pirâmides gigantes e mumificaram os corpos dos faraós,
que aquilo foi uma completa perda de tempo — senão
cristãos construiriam pirâmides.
2. Cristãos sabem que quando os astecas arrancavam fora o
coração de uma virgem e comiam-no, não acontecia nada
— senão cristãos matariam virgens.
3. Cristãos sabem que quando os muçulmanos se viram para
Meca para rezar, que aquilo não faz sentido — senão
cristãos se virariam para Meca quando rezassem.
4. Cristãos sabem que quando os judeus evitam misturar
carne com leite e derivados, eles estão perdendo seu tempo
— senão o X-Burger não seria uma obsessão americana.

Ainda assim, quando cristãos olham para sua própria religião, eles
estão, por algum motivo, cegos. Por quê? E não, isto não tem
nada a ver com o fato da história cristã ser verdadeira. Sua mente
racional sabe disso com certeza, assim como quatro bilhões de
pessoas. Este livro, se você permitir, pode lhe mostrar por que;

5 - Uma experiência simples

Se você for um cristão que acredita no poder da oração, aqui
temos uma experiência simples que irá lhe mostrar algo
interessante sobre sua fé; tire uma moeda do seu bolso. Agora
reze sinceramente para Rá: “Querido Rá, todo-poderoso deus do
Sol, eu vou jogar esta moeda 50 vezes, e estou pedindo para que
a faça cair “coroa” todas as 50 vezes. Em nome de Rá e
peço amém. ”. Agora jogue a moeda. As chances são de que não
passe da quinta ou sexta jogada para que a moeda caia em “cara”.
O que isso significa? A maioria das pessoas iria concluir que Rá
não existe. Rezamos para Rá, e Rá não fez nada. Provamos que
78
Rá não existe (pelo menos no sentido de não atender orações)
usando análise estatística. Se jogarmos a moeda milhares de
vezes, rezando para Rá em cada uma delas, descobriremos que a
moeda cai em “cara” ou “coroa” com a mesma frequência de que
se nenhuma oração fosse feita. Mesmo que encontrássemos
milhares de seguidores fervorosos de Rá e pedíssemos para que
eles rezassem por nós, as moedas iriam cair aleatoriamente da
mesma maneira. Portanto, como pessoas racionais, concluímos
que Rá não existe e que quem acredita nele está enganado.

 Quero que tente fazer o mesmo experimento, mas desta
vez rezando para Jesus Cristo. Reze sinceramente para
ele como:

“Querido Jesus, eu sei que você existe e eu quero que você atenda
a minha oração como prometido na Bíblia. Eu vou jogar esta
simples moeda 50 vezes, e eu peço para que ela caia como “coroa”
todas essas 50 vezes. Em nome de Jesus eu rogo amém. ” Agora
comece a jogar a moeda. Novamente, não passará da quinta ou
sexta jogada para que ela caia “cara”. Se jogarmos a moeda
milhares de vezes, rezando para Jesus em cada uma delas,
veremos que as moedas caem aleatoriamente da mesma maneira
do que se jogássemos ao acaso. Não há duas leis de
probabilidades — uma para cristãos que rezam e outra para não
cristãos. Há somente uma lei de probabilidade porque as orações
não fazem efeito algum. Jesus não tem poder sobre nosso planeta,
não importa o quanto rezamos. Podemos provar isso usando
análises estatísticas. Se você acredita em Deus, veja o que está
acontecendo na sua mente agora. Os dados foram absolutamente
idênticos em ambos os experimentos. Com Rá, você analisou os
dados racionalmente e concluiu que Rá não existe. Mas com
Jesus… alguma coisa mais irá acontecer. Em sua mente, você já

79
está vindo com vários raciocínios para explicar por que Jesus não
atendeu suas preces:

1. Não é sua vontade.
2. Ele não tem tempo.
3. Eu não rezei direito.
4. Eu não mereço.
5. Eu não tenho fé suficiente.
6. Não posso testar o Senhor desta maneira.
7. Não faz parte do plano de Jesus para mim.
8. E assim vai indo…

Um dos raciocínios que você pode desenvolver é particularmente
interessante. Você pode dizer para si mesmo: “Bem, é claro que
Jesus não atendeu minha oração quando joguei a moeda, porque
é trivial demais. ” De onde veio esse raciocínio? Se você ler o que
Jesus diz na Bíblia sobre orações, verá que Jesus não diz nada
como “não ore por mim sobre jogos de ‘cara ou coroa’”. Jesus diz
claramente que vai atender suas preces, e não põe nenhuma
restrição sobre o que você pode pedir. Você inventou esse
raciocínio do nada. Você é um “expert” em criar raciocínios para
explicar Jesus. E o motivo é porque Jesus não atende suas
orações. A razão pela qual Jesus não atende suas orações é
porque Jesus e Deus não existem. A ilusão religiosa obriga o
crente a mentir descaradamente e a inventar desculpas idiotas
para justificar suas crenças em sandices ridículas, que rejeitaria
imediatamente se resolvesse se comportar da maneira racional
como o faz para todos os outros setores de sua vida real e prática.
Ao adoecer, por exemplo, procura o médico em vez de ficar em
casa orando ou ir à igreja buscar a cura. Fé é algo muito da boca
para fora, porque no fundo todo crente percebe
inconscientemente que não passa de pura ilusão.

80
9 - O legado da religião >>>

O que a religião tem nos dado?

O fanatismo

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Todas as grandes religiões monoteístas possuem a semente
endógena do fanatismo. A religião moderada é a mãe do
fanatismo religioso. A ideia trágica da celebração da religião está
em combinação com a ideia de possuir o direito de forçar a todos
os demais; tem sido a principal causa para a guerra, a morte e o
sofrimento humano durante séculos em nossa história e
desgraçadamente ainda o é hoje.

Os suicidas

Massacre de Jonestown - Documentário legendado.

Alguém já ouviu falar de terroristas suicidas ateus? Ou dos ferozes
partidários das leis de Kepler ou dos ensinamentos de Confúcio,
dos ferozes seguidores da filosofia de Aristóteles ou da Teoria da
Evolução de Darwin; ou viu estes voarem pelos ares em áreas
populosas para promover suas ideias? É necessária a religião para
convencer pessoas a se explodirem e a transeuntes inocentes em

82
pedaços e ao mesmo tempo crer que este ato é uma coisa boa
para defender suas ideias.

O martírio

A ideia de tirar sua única vida na Terra por causa de promessas
de uma duvidosa vida espiritual futura. Por estranho que pareça,
nunca são os líderes religiosos os que ansiosamente aproveitam
essa oportunidade de felicidade instantânea. Não, os dirigentes
sempre parecem desejar que outros experimentem essa alegria
do martírio.

A guerra e o genocídio

A guerra e o genocídio têm suas raízes nas diferenças religiosas.
A história nos oferece exemplos incontáveis e as diferenças
religiosas tristemente seguem sendo uma parte básica na
definição de muitos dos conflitos atuais.

A intolerância absoluta

A intolerância absoluta é particularmente forte nas religiões
monoteístas onde todos insistem na exclusividade religiosa.
Segundo eles só há um Deus e, portanto, todas as demais
religiões não são somente falsas, mas também devem ser
destruídas. “Porque quem não é contra nós, é por nós. ” (Marcos
9,40). A intolerância religiosa tem sido a razão dominante para a
guerra, o sofrimento e a morte durante milênios.

A Morte em nome de deuses fictícios

A ideia de que se você acredita em contos de fadas obtém uma
licença para punir, perseguir e queimar outras pessoas em nome
de uma divindade fictícia. Esta é a ideia fundamental para as
religiões abrâmicas e tem sido executada com alegria e paixão

83
pelos religiosos através da história. Infelizmente, a ideia ainda
está muito viva na mente dos crentes de hoje.

Caça às bruxas

Foi a uma religião que ocorreu a idéia da existência de "bruxas",
uma ilusão de que certas pessoas (principalmente mulheres)
podem fazer magia e feitiçaria. Como todos sabemos somente os
líderes religiosos estão autorizados a fazer essas coisas.

As cruzadas

Campanhas de guerras iniciadas e travadas principalmente por
motivos religiosos (ou seja, fictícios).

O Crime de ter uma crença diferente

A ideia de que se alguém tem um sistema de crenças diferentes,
ou o seu próprio critério de crença, este é um crime punível com
a morte. Acima de tudo, ter um amigo imaginário diferente no céu
é motivo suficiente para matá-los. Um toque divertido é que
cristãos e muçulmanos chamam-se de infiéis e dividem o mesmo
deus, que por sua vez é roubado dos judeus e que também são
infiéis aos seus olhos. Bem, se você é suficientemente religioso,
esses detalhes não são importantes, obviamente.

A inquisição

Formar uma grande organização, apenas para criminalizar,
perseguir, torturar e queimar a outros seres humanos por causa
das diferenças de opinião sobre como interpretar alguns textos
confusos e ambíguos da Idade do Bronze do Oriente Médio, é algo
que somente pessoas religiosas podem fazer.

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Embrutecimento da população

Manter a população na ignorância e fomentar o pensamento
supersticioso. O principal papel da religião na sociedade ao longo
dos séculos tem sido o de produzir uma população analfabeta
quando se trata de um pensamento crítico e, portanto,
receptáculo para qualquer tipo disparate científico e charlatanismo
médico. Uma população em que ideias cômico-supersticiosas e
infantis são levadas a sério prospera, graças à adoção e
doutrinação religiosa nas escolas públicas, mídia e na vida pública.

Enfraquecimento do desenvolvimento mental

A educação religiosa enfraquece o desenvolvimento mental de
crianças e adultos, resultando em um baixo desempenho

85
intelectual, o que facilita para tirar seu dinheiro e contribuir com
qualquer charlatão ou autoproclamado profeta e qualquer filosofia
maluca.

O conceito de heresia e de hereges

A ideia de ter outro ponto de vista sobre o que realmente pensa
seu amigo invisível de mentirinha é um crime que merece a pena
de morte.

O conceito de pecado

A ideia de dizer que você deve sempre se sentir culpado por ter
nascido, por ser humano. Você nasceu em pecado, e como um
pecador, e Deus está zangado com você, mas você pode ser mais

86
feliz se sofrer e ter uma vida miserável, ou melhor, fazendo com
que outras pessoas sofram em seu nome.

Combater o desenvolvimento da sociedade

Em todas as sociedades onde a religião conseguiu o poder político
utilizou todos os meios possíveis para lutar contra a produção
científica, social ou política de desenvolvimento que há melhorado
nossa compreensão da natureza ou tratar de dar às pessoas uma
vida melhor e mais longa. A imutabilidade dos dogmas das
religiões não pode ser questionada ou anulada. Qualquer
conhecimento ou descobrimento que seja suspeito de interferir
com os ensinos religiosos têm sido reprimidos e perseguidos. As
religiões se baseiam na fé cega e qualquer questionamento e
dúvidas são obras de Satanás e devem ser afastados.

A destruição do conhecimento

A destruição de enormes quantidades de escritos e conhecimentos
importantes dos filósofos “pagãos” da antiguidade. A Igreja
substituiu na antiguidade os avanços na matemática, filosofia,
medicina e ciências naturais, etc., com estudos confusos e
“conhecimentos” de tribos ignorantes da Idade do Bronze
sentados em suas tendas adivinhando como funciona o mundo ao
seu redor e como chegaram a existir. Muitas das nossas escolas e
universidades de hoje se desenvolveram de mosteiros "Escolares"
e sua maior parte baseada principalmente em estudos sobre as
Escrituras. Na realidade as escolas já existiam nos tempos
antigos, muito antes de o Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. O
sistema de transferência de conhecimentos de um professor a um
aluno é tão antigo quanto à própria humanidade. Depois que a
igreja chegou ao poder no século IV, o conteúdo e o valor desse
conhecimento se transformaram na maior parte em lixo até o

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Renascimento, quando a religião perde o seu monopólio sobre o
conhecimento.

A ideia de que bíblia contém a “verdade”.

A religião nos deu o pensamento de que um livro com confusos e
labirínticos escritos religiosos de escritores anônimos, compilado
e editado por desconhecidos editores religiosos através dos
séculos - contém a verdade suprema. Apesar do fato de que
qualquer afirmação feita por este livro, que possa ser
experimentada e testada, provou ser totalmente errada.

Confusão semântica

No jargão religioso contos de fadas religiosos são fatos históricos,
os mitos são verdadeiros, o preto é branco, a morte é a vida e o
ódio é o amor.

Nossos corpos e nossa sexualidade são sujos

Trouxe a ideia de que nossos corpos e nossa sexualidade natural
são algo ruim e sujo, algo demoníaco que deve ser combatido.
Você evidentemente, só se torna um homem saudável e bom
quando morre. Esta ideia estranha e ilógica da morte é comum
nos cultos e nas religiões abrâmicas.

Deus ama quem sofre

Pensar que a penitência, a dor, o sofrimento, a humilhação, a
submissão, a autodestruição e o asceticismo fazem com que seu
“Amoroso” Deus te ame mais. Punir a si mesmo para agradar ao
seu amigo invisível no céu, é geralmente classificado como um
distúrbio psiquiátrico grave, a não ser, claro, se feito em um
contexto religioso. Neste caso considera-se até mesmo uma coisa
divina.

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As mulheres são inferiores

Pensar que as mulheres são inferiores aos homens, e de valor
muito menor. É um conceito curioso, especialmente porque os
seres humanos como uma espécie não existiriam sem os dois
sexos. A ideia é a prova evidente de que as religiões abrâmicas
são os frutos de fantasias masculinas infantis e megalomaníacas,
fermentados durante gerações pelo baixo desempenho intelectual
do homem ingênuo (crentes). O porquê de muitas mulheres ainda
quererem fazer parte destas religiões patriarcais bizarras e
misóginas, é incompreensível.

Deus quer saber da sua privacidade

A noção de que o que os adultos fazem em suas habitações
privadas é de suma importância para Deus Porque isso é
importante para o ser mais alto não é totalmente claro. Se dois
seres humanos desejam encontrar prazer corporal juntos em seus
aposentos privados, parece que o Senhor Todo Poderoso, e muitos
de seus representantes na terra, ficam muito chateados e perdem
a cabeça. Que relevância e consequências tão graves pode ter um
comportamento altamente privado entre indivíduos adultos para
o Todo-Poderoso e seus representantes na terra não é algo
totalmente claro. As pessoas não nascidas são muito mais
importantes que as nascidas. É por isso que os fanáticos religiosos
se opõem ao aborto e podem matar os médicos e as mães em
nome de uma massa de células, que obviamente é uma
consequência direta do pecado original ou da proibição do Papa
ao uso de camisinhas.

A oração

A ideia absurda da oração, onde Deus deveria mudar as leis do
universo só para ti.

89
Clero

Aceitação de que algumas pessoas escolhidas, segundo eles
mesmos, são melhores para transmitir os pensamentos íntimos,
à vontade e opiniões de um fictício ser supremo, e ainda levar a
sério essas pessoas como adultos.

Hordas de doentes mentais

Uma grande quantidade de devotos religiosos que esperam a
morte e a chegada do fim do mundo.

A crença em fábulas deve ser normal

O fato de que pessoas adultas podem expressar ideias infantis e
completamente estranhas sobre espíritos e feitiços, e ainda serem
levados a sério e considerados como cidadãos responsáveis e pais.

A Destruição da inteligência infantil

Pensar que as crianças se beneficiam por ter suas mentes
contaminadas com ideias dementes que são desde muito tempo
refutado pela ciência.

Humor negro

No lado positivo, a religião tem sido uma fonte inesgotável de
ideias loucas, histórias bobas, engraçadas, cerimônias, feitiços e
hordas de ridícula superioridade moral; os crentes arrastando-se
pomposamente como cães assustados abusados pelo seu
proprietário imaginário no céu. Por essas bobagens nós
poderíamos estar rolando no chão de rir, não fossem por todos
aqueles milhões de vidas perdidas pelas cruzadas religiosas,
inquisições, guerras, tortura, etc., ao longo dos últimos dois
milênios, dando este rir um gosto ruim na boca.

90
10 - Típicas Justificativas Religiosas Idiotas >>>

Em qualquer tipo de debate, é mais do que necessário manter a
sobriedade nas afirmativas. Cair em falácias é muito fácil, mas
nem por isso devemos nos apegar a elas para sustentar o que
temos a dizer. Objetividade é a regra e deve-se ter em mente que
qualquer proposição deve ter conteúdo lógico e não um
amontoado de palavras absurdas. E são absurdos o que mais
vemos em debates quando o assunto é religião. Os “argumentos”
dos religiosos são repetitivos e irritantes. Sempre acabam caindo
nas mesmas falácias e desvios de assunto. Para facilitar os
debatedores, fiz uma relação das (pseudo) justificativas mais
usadas pelos religiosos (as quais não justificam nada).

1 – Extrapolações

Os religiosos buscam justificar suas crenças, apesar de todas as
provas em contrário, extrapolando o que está escrito na Bíblia,
buscando criar justificações que a própria Bíblia nunca alegou em
momento algum. Como por exemplo:

• Justificar Adão não ter morrido ao comer a maçã como
“morte espiritual”. Nada no texto indica isso;
• Justificar as contradições sobre relatos da morte de Judas
como “primeiro ele se enforcou depois Deus o matou”. Nada
na Bíblia indica essa ordem;
• Deus criou o mundo em sete dias explicado como “um dia
de Deus equivale a mil anos do homem”. Nada no texto
original justifica isso sobre a criação.

Comentário crentelho?

91
• Pare de ler aqui, pois esta afirmação não tem credibilidade.
Pois está escrito II Pedro 3:7-8: “7 - mas os céus e a terra
de agora, pela mesma palavra, têm sido guardados para o
fogo, sendo reservados para o dia do juízo e da perdição
dos homens ímpios. 8 - Mas vós, amados, não ignoreis uma
coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil
anos como um dia”.
• Infelizmente, o livro de Pedro é pseudo-epigráfico e é
Deuterocanônico. Ou seja, foi adicionado DEPOIS.
• Na Tanakh (bíblia hebraica) não existe este trecho. Nem
todas as bíblias trazem o livro de Pedro, pois é apócrifo.
• Se Jesus ressuscitou no terceiro dia, significa que é no
terceiro milênio?
• Sempre que a Bíblia diz “dia”, está se referindo a “1.000
anos” ou só quando “dia” parece muito absurdo, como no
caso da criação?

2 – Argumentos de conveniência

Esta entra em “quando um argumento justifica a proposição, usa-
se; quando não justifica, estranhamente é esquecido”. Por
exemplo:

• Um dia para Deus é mil anos para o homem é utilizado para
descrever a criação do mundo em 7 dias, a vinda do
Apocalipse, contudo esse “dia longo dia de Deus” nunca é
citado para justificar profecias divinas que foram cumpridas
imediatamente como a destruição de Sodoma e Gomorra,
o Dilúvio ou quaisquer outras profecias em que deus
haveria afirmado que aconteceria “em breve” e, segundo a
Bíblia, aconteceram;

92
• “Não julgueis para não ser julgado” é uma linha que
aparece e desaparece da Bíblia de forma extremamente
conveniente e muito estranha vinda da pessoa que “estaria
vindo julgar toda a Terra no Apocalipse” ou de um Deus que
constantemente rogava pragas, caos e destruição quando
contrariado no antigo testamento;

3 - Tentativa de alegar um conhecimento superior sobre a bíblia,
sem demonstrar nada que justifique isso.

Esta é basicamente na linha “vocês não compreendem a Bíblia”,
quando o religioso se encontra derrotado em termos de
argumento racional. É uma forma de evitar engolir o próprio
orgulho, admitir que está errado e tentar sair por cima. É parte do
orgulho religioso de “se eu vou na igreja, devo ser superior não
importa prova em contrário. Eu sei mais sobre o assunto que esses
ateus/agnósticos e estou certo”. Contudo esse comportamento de
negação geralmente vem após:

• O religioso não ter demonstrado um conhecimento
realmente aprofundado sobre a Bíblia ou capacidade de
refutar os argumentos sem utilizar as duas técnicas
descritas acima;
• Incapacidade de contra argumentar com bases puramente
lógicas aos erros e contradições apontados.

4 - Desespero

Esta é usada pelo religioso que começa a citar orações e linhas
aleatórias da Bíblia sem parar e busca jogar táticas de amedrontar
93
quem o contesta, ameaçando com Inferno ou algo do gênero,
como mortes agonizantes e sofrimentos intensos.

• Claro que esses argumentos não refutam em nenhum
momento o que foi alegado contra a Bíblia, mas religiosos
parecem acreditar que sim.

5 - Tática de distração

Também conhecida como falácia do “olha o avião”. Isso ocorre
quando os religiosos inventam histórias sobre as várias falhas
(que só existem na cabeça deles) do Evolucionismo, como se de
alguma forma tornasse o Criacionismo uma teoria menos furada.
Insistem nas besteiras, vindas de fontes vagas e duvidosas, como
“definir a idade de fósseis por radiação não é confiável”. Em que
isso torna o Criancionismo algo mais válido? Em nada.

• Não raramente essa técnica de distração se compõe de
pegar um detalhe mínimo da discussão que o
ateu/agnóstico alegou e buscar aumentá-lo fora de
proporção para evitar retornar à discussão maior, a qual ele
não tem como refutar.

6 - Criar explicações absurdas

Esta vem junto com o fato que para alguém acreditar no que está
escrito na Bíblia como fatos históricos, exige uma mente que
aceite acreditar em fatos sem sentido. Numa discussão sobre a
famigerada Arca de Noé, quando se faz perguntinhas simples
como: “Como Noé conseguiria o número de árvores suficientes
94
para construir uma arca de madeira gigante no meio do deserto?
” Ou então “Como Noé e sua família limpariam o esterco de todos
os animais diariamente? ”. As respostas costumam ser hilárias,
tais como:

• – Deus criou árvores no deserto (extrapolação, nada na
Bíblia diz isso).
• – O esterco dos animais não fedia, porque eles comiam
capim (alguém já viu esterco de um boi ou vaca não
feder?).

7 - Fugir da discussão alegando ser parte do antigo testamento

Aparentemente religiosos acreditam que, embora a Bíblia seja um
livro perfeito sem erros ou contradições (segundo a cegueira
deles), ela não tem necessidade de manter coerência entre o
Antigo e o Novo Testamento. A desculpa clássica está em “após
Jesus, tudo mudou’”. Mas, se é assim então de que valem os dez
mandamentos, por exemplo? Ou alegar que o homem paga pelo
pecado original se Jesus nos salvou?

• Mais uma vez a conveniência, pois em outras partes o
antigo testamento seria usado para comprovar algo, mas
negado para contrariar alguma outra afirmação absurda.
• E o fato de estar escrito que Jesus (supostamente) disse
que não veio para abolir a lei e os profetas, parece ser
ignorado nessa hora.

95
8 - Associar longevidade com verdade

Esta pertence ao argumento característico de “se a Bíblia está por
aí a tanto tempo como ela não seria verdade? ”. É um argumento
falso, obviamente, pois quantos livros estão por aí a tantos mil
anos? Todos os livros religiosos estão como os de Confúcio, o
Mahabarata, Ramayana, Zed Avesta, Corão etc. Alegar que um
seria verdadeiro por sua idade, defenderia todos os outros como
verdadeiros, mesmo que contrários à Bíblia.

As falhas principais neste pseudoargumento são:

• Isso é um ponto de vista ocidental, pois a Bíblia não teve
tanta relevância no oriente (ou por acaso os chineses,
japoneses, vietnamitas, mongóis, árabes, persas etc. a têm
como livro religioso?);
• Se você alega que um livro se torna real por causa de sua
longevidade, você pode usar esse argumento para qualquer
religião, indiferente dos valores que ela defenda. Quantas
religiões defendem valores sexistas, xenófobos,
homofóbicos e racistas (além da Bíblia, é claro)? Alguém
deveria segui-los sem questionar? É um argumento
Patético!
• A Bíblia FOI comprovada totalmente errada inúmeras vezes
por diferentes pensadores nas mais diferentes situações
possíveis. A questão nunca foi prová-la errada, mas
conseguir que essa informação atingisse a maioria da
população. Não raramente os meios de comunicação
evitam difundir informações ateístas por medo de perder
uma audiência, que prefere ouvir “verdades” simplistas que
não conduzam ao uso da razão. Enfim, para os meios de
comunicação, religiões significam mais dinheiro que
ateísmo...pelo menos por enquanto!
96
9 - Falei uma coisa tão idiota que ninguém se deu ao trabalho de
refutar, então ganhei o debate

Esse é o mais divertido! Também conhecido por ARGUMENTO DO
CANSAÇO, porque enche tanto o saco que o debatedor desiste do
debate. Aí o religioso fica com o peito estufado e diz aos quatro
ventos: “Você não rebateu meus argumentos (tolos), logo ganhei
o debate”.

• Ele pensa que aqueles que presenciaram o debate
realmente acreditaram!

10 - Frases prontas

Consiste no religioso ter frases que ele vai apresentar para
qualquer situação, indiferente se fazerem sentido com o que está
sendo dito ou não.

Os exemplos mais notórios costumam ser:

• “Texto sem contexto é pretexto”: ironicamente esta frase
sempre é utilizada fora do contexto da discussão. O
religioso também assume que, após ter dito essa frase, ela
terminaria a discussão por si própria e ele não precisaria
explicar qual o contexto ele acreditaria adequado à
referência;
• “Vocês não possuem a compreensão espiritual”: o
interessante é que este contexto que eles alegam possuir
não os abastece com argumentos convincentes. De uma
forma geral, essa frase não significa coisa alguma, porque
97
o religioso após tê-la dito no máximo vai apelar para
alguma forma de parágrafo sobre a grandiosidade de deus
(qualquer um que seja) e quão minúsculo é o ser humano
ou coisa do gênero que, de novo, não teria relação alguma
com a discussão;
• “O texto da Bíblia é loucura para os que não creem”: e é
tão difícil assim de imaginar o porquê? Isso é referência a I
Cor 1,18-31 e também nunca auxilia um debate de forma
alguma, nem contra nem a favor de nada, serve
exclusivamente para lembrar que você está lidando com
uma pessoa burra.

A lista de frases prontas deve beirar os milhares. Contudo, todas
acabam nesta definição final:

• Uma pessoa que realmente raciocinasse sobre o que está
falando não as utilizaria. Teria raciocinado com suas
próprias ideias e as formularia a partir de seu próprio
vocabulário coloquial.

11 - Sobre deus, não sobre a bíblia.

Confusão extremamente comum. O fato de alguém não acreditar
na Bíblia não significa de forma alguma que a referida pessoa não
acredita em um determinado deus. Ela não consegue ver como
um deus utilizaria um livro com contradições tão gritantes com
distância de poucas linhas, erros óbvios e cópias deslavadas de
outras mitologias. Ou porque um deus não enviaria um livro com
uma mensagem coerente e coesa, em que alguém visse um
sentido que unisse todas as histórias, em vez de uma colcha de
retalhos de contos que pregam morais completamente opostas,
quando não demonstra pura crueldade gratuita, homofobia,
98
sexismo e absurdos em níveis astronômicos. Como livro divino a
Bíblia simplesmente não seria o portfólio que demonstraria o
melhor lado dele como “deus do amor e da misericórdia”.
Normalmente a forma como religioso vai responder quando se
aponta isto, cai na justificativa número 3 (tentativa de alegar um
conhecimento superior).

Alegação cada vez mais comum entre cristãos: “Acredito em
Deus, não na Bíblia”.

12 - Referências aleatórias da bíblia

É difícil compreender 100% a motivação, mas às vezes no meio
de uma discussão, em vez do religioso responder ao que você está
falando, ele apresenta um versículo qualquer da Bíblia sem
relação nenhuma com o assunto. Aparentemente eles acreditam
que a pessoa irá “se deslumbrar com a beleza da escrita” e cessar
os argumentos, ou alguma outra estupidez deste gênero. Claro
que talvez isso funcionasse se a Bíblia tivesse algum trecho
realmente bem escrito; mas, ainda que tivesse, não teria refutado
o argumento apresentado. O nome disso é Transtorno de Déficit
de Atenção. É a incapacidade de seguir argumentos mais longos,
fazendo com que o dito religioso se perca no assunto e busque
reagir por reflexo através de uma citação qualquer da Bíblia.

• Não passa de outro sintoma de desespero diante da falta
de argumentos coerentes.

99
13 - Fazer-se de vítima cristã

• Quando não conseguem vencer os argumentos, então caem
no “estou sendo perseguido como Cristo e os primeiros
cristãos foram”. Entre outros blá blá blá.
• É a tentativa do apelo à chantagem emocional estilo “se
vocês continuarem falando isso, eu vou chorar”. Falácia do
apelo à misericórdia, seguida do apelo à multidão.

Normalmente isso surge quando a pessoa é forçada a encarar as
falhas de seus argumentos (se é que podemos chamar palavras
sem sentido de “argumentos”) ou precisa admitir que não possui
uma base tão elaborada quanto acreditava anteriormente. Algo
chocante, não é mesmo? Dependendo do nível de argumentação,
a pessoa vai apelar para isso no começo, meio ou no fim da
discussão (ou nos 3 tempos, o que é mais provável), dizendo para
si própria “estou sofrendo como Cristo sofreu pelo que acredito”.
Complexo de martírio cristão.

• Mas, como todas as outras justificativas anteriores,
também não invalida as falhas que existem no próprio texto
da Bíblia.
• A verdade é que nada disso invalidará as falhas apontadas,
porque elas simplesmente existem e estão lá. A choradeira
com certeza não fará com que deixem de existir. Trata-se
de um modo do religioso convencer mais a si mesmo que
tem razão, do que o cético que o pegou pelo pé em cada
tentativa de argumentação religiosa.

100
14 - Se tem defeito então é verdade

Os religiosos costumam muitas vezes alegar esta hipótese
ridícula, afirmando que se a Bíblia se contradiz, então ela não foi
forjada. Na verdade, é mais uma tentativa de criar explicações
quando o erro no texto é inegável. Uma explicação que, no fim
das contas, não explica nada. É uma tentativa de incorporar um
fato que faz sentido – como alegar mediante provas que a Bíblia
possui contradições, muitas vezes pela inclusão de várias
mitologias locais – com um que não faz o menor sentido, como
por exemplo: “‘por causa disso tudo o que nela está escrito é real”.
O religioso tenta assim, alterar o significado literal de palavras ou
juntar pensamentos que se opõem apenas para forçar uma
conclusão favorável a Bíblia de alguma forma.

• A questão é que só se chega a conclusões reais quando
você segue a ordem: pergunta, pesquisa e conclusão. E,
nesse caso, a ordem seria pervertida para “a conclusão tem
de ser de que a Bíblia é perfeita”, “não pergunte sobre a
hipótese de ela não ser” e “pesquise e aceite apenas as
fontes favoráveis a essa conclusão”.

15 - É questão de época

Argumento usado principalmente quando são mencionadas as
crueldades de deus no Antigo Testamento. Entra em cena o
mimimi de “é porque naquela época eles eram isso ou aquilo,
faziam isso ou aquilo”. Muito conveniente. A pessoa que afirma
isso não se toca de que apenas porque uma atitude era comum
naquela época, não significa que era correta ou que deva ser hoje.
Ou seja:

101
• Era comum ter escravos, então deus (também conhecido
como o Senhor dos Anéis Bíblico) permitia a escravidão.
• Era comum matar bebês de colo e rasgar barrigas de
mulheres grávidas, então deus mandava fazer isso.
• Era comum vender mulheres como se fossem objetos,
então deus permitia vender mulheres. E por aí vai.

Quem defende tal argumento não percebe o absurdo que está
dizendo. Deus neste caso não tem voz ativa. Quem escolhe o que
é certo e o que é errado são os homens, através do seu “costume
de época”. Se Deus simplesmente permite tais absurdos, ele
jamais pode ser um Deus de amor, que se importa com os seres
humanos.

Deus está permitindo, colaborando, aprovando e ordenando
atitudes repugnantes, que jamais deveriam ser aceitas por um
“deus de amor”. Se ele não perpetrou a ação, pelo menos foi
conivente abstendo-se. SENDO OMISSO.

16 - Pregar o amor de deus e, após derrota, afirmar que o
contestador irá ao inferno

Uma mistura da 4ª justificativa (desespero) com a 11ª justificativa
(sobre deus e não sobre a Bíblia).

• Após tentar convencer de que deus nos ama e sentir-se
frustrado com o fracasso religioso em converter-nos,
começa a lançar maldições e a tentar convencer-nos de que
o mesmo deus de amor é capaz de condenar ao inferno.

Pena que ateus e agnósticos não acreditam em inferno e essa
baboseira toda só serve para causar diversão.

102
17 - Erro de copista

Esse argumento é muito pouco usado, e somente por cristãos
mais sensatos, que admitem que a contradição é irrefutável, mas
que não passa de um “mero erro de copista”. Isto é, o tradutor se
confundiu e escreveu besteiras, mas que isso não invalida a
“beleza” do texto.

Com isso, eles dão a entender que um errinho de cópia não é nada
grave, que não interfere em nada na sua fé, e que não interessa
se Acazias tinha 22 ou 42 anos quando começou a reinar, ou se
ele começou a reinar no ano 12º ou 11º de Jorão ou outra penca
de erros numéricos flagrantes por toda a bíblia. Os copistas
deviam ser drogados ou precisavam de óculos!

Bem, este é um raciocínio que vale tanto quanto os outros, ou
seja, NADA!!

• Primeiro, porque não existem mais os originais (que
ninguém jamais teve noticia de que existiram) para se
comparar se realmente foi apenas um erro de copista. Eles
dizem isso para si mesmos, apenas para se convencerem
(como tantas vezes) de que não foi deus quem errou e sim
o homem. Porém não há evidências disso. Quem me
garante que no original também não estava o erro? Se é
que houve um original e não foi tudo invenção desde o
início.
• Segundo, esse tipo de contradição foi evidenciado somente
porque ela aparece em passagens diferentes que deveriam
contar a mesma história. Porém, quantas passagens da
Bíblia não podem ser comparadas? Se for permitido ao
copista errar, então quem me garante que ele não errou
em vários outros lugares, e sequer podemos descobrir?

103
• Terceiro, quem garante que os copistas erraram apenas em
números e datas? Por que não em fatos importantes do
cristianismo? Está claro que se deus não impediu que eles
errassem para pequenas coisas, por que não para grandes?
• Quarto, erros de copista são ainda mais evidentes se
analisados os manuscritos que ainda existem. Manuscritos
estes que sequer concordam entre si. Dependendo da
região que eles provêm, por exemplo, Alexandria ou
Esparta, diferem muito entre si. Ou então, da data em que
foram escritos.

Repare nas notas de rodapé das Bíblias modernas, e veja que há
muitos erros de copistas, bem mais do que imaginam. Qual é o
certo? Por exemplo, um manuscrito antigo, porém rasurado, ou
um sem tantas rasuras, porém mais novo?

• Erros de cópia abalam sim (e muito!) a credibilidade da
Bíblia.

18 - Pieguice

Essa é uma das táticas que me dá mais pena sobre quem a utiliza,
se eu fosse capaz de ter piedade por idiotas. Quando o crente não
consegue convencer alguém intelectualmente ele busca
convencer emocionalmente, utilizando o que eles consideram
“frases bonitas e conceitos que apenas quem é religioso
compreenderia”.

19 - Não responder

Essa deve ser com certeza absoluta, a mais irritante. Quando ao
invés de contra argumentar de alguma forma sobre o erro

104
apontado, o religioso apenas diz algo como “Jesus te ama”,
“porque você não aceita Deus” ou diversas variações do gênero.

 É o equivalente a alguém perguntar pelo almoço de
domingo e a pessoa responder sobre a invasão do Iraque.

O fato de alguém acreditar ou não em um deus qualquer não
significa de forma alguma que a pessoa não deveria ler a Bíblia
sob um ponto de vista crítico, inclusive para compreender melhor
o texto. Consequentemente, se alguém observa uma contradição
e a traz para discussão, por diferentes motivos, deveria muito
mais reafirmar seu interesse sobre o livro do que apenas aceitar
qualquer coisa escrita sem questionamento. Ao menos, em
princípio a pessoa estaria questionando e estudando para
aprofundar sua compreensão do texto e fundamentar sua fé.
Religiosos, contudo, parecem considerar que qualquer
interpretação que não termine por afirmar que “a Bíblia é um livro
maravilhoso e sem erros de nenhuma espécie” significa que a
pessoa deve odiar a deus, Jesus, o Espírito Santo, todas as igrejas
e que vai queimar no inferno por toda a eternidade, junto com os
homossexuais, drogados, assassinos, pedófilos e outros párias.
Sempre acreditam que estão “fazendo um favor” terminando com
uma dessas frases estúpidas depois de um texto sem nexo:

 – Vou orar por você! Ou: Estou orando por você! (Como se
signifique algo a quem não se interessa por isso)
 – Jesus te ama! (Para quem acredita cegamente que ele
existiu, vale muito. Já para os descrentes vale tanto quanto
uma fumada de cigarro podre…).
 – Como você pode odiar a Bíblia e Deus? (O que tem uma
coisa a ver com outra? Será que se precisa acreditar na
Bíblia para se crer em deus? Então judeus, muçulmanos,
hindus etc. são ateus, né?).

105
 – Eu acredito na Bíblia e sou feliz. E você? (Para ser feliz é
preciso acreditar nas baboseiras da Bíblia? Isso que eu
chamo de fé!)
 – A Bíblia fez muitos milagres na minha vida. Conheço um
caso (normalmente fictício) de alguém que se curou depois
que acreditou na Bíblia. (Tão tolo que sequer merece
comentários. Mostrar os laudos médicos que é bom, nem
pensar.)

20 - Fazer-se de surdo

Também conhecido como Tautologia, insistência em argumentos
comprovadamente errados, e uma tentativa do religioso de
enlouquecer a pessoa com quem ele conversa. Configura-se
quando você já provou de todas as formas possíveis que tais
argumentos são furados, contraditórios, pouco inteligentes e sem
sentido algum e mesmo assim o religioso insiste em repetir as
mesmas linhas do começo do diálogo. É o equivalente ao
comportamento Homer Simpson de “não importa o que você
argumente de todas as formas ele vai insistir nos mesmos pontos
já amplamente demonstrados errôneos”. Cai num conflito básico
com a mentalidade de fé cega, que aparenta não precisar de uma
base inteligente para suas afirmações e recusa-se ouvir ou
debater num nível realmente racional.

 No caso de se perder durante a discussão ou não conseguir
refutar ele apenas retorna ao argumento inicial achando
que isso daria um reset e invalidaria tudo que foi dito.

21 - Precisa de fé para entender a bíblia

Esse é mais um caso particular da 3ª justificativa (tentativa de
alegar um conhecimento superior). Um dos mais irritantes de

106
todos, pois eles se julgam dotados de uma espécie de
“conhecimento divino”, que deus lhes deu iluminação para
conseguir entender coisas que nós, descrentes, achamos
absurdas PORQUE SÃO REALMENTE ABSURDAS À TODA PROVA.
Para eles, se somos incapazes de entender é porque não temos
fé. Isso não faz nenhum sentido, pois deus supostamente não
deveria fazer acepção de pessoas (como a própria Bíblia afirma),
todos deveriam ser capazes de entender a Bíblia completamente,
aí sim, serem capazes de tomar a melhor decisão para a vida
delas.

 Se só os que têm fé podem entender a Bíblia, então ela se
torna inútil para a salvação das pessoas, pois ela não é
capaz de “dar fé” a ninguém, ESPECIALMENTE A QUEM NÃO
TEM. Os crentes muitas vezes caem em uma lógica circular:
“Você precisa entendê-la para ter fé, mas precisa de fé para
entendê-la”.

Além do mais, é fácil ver porque os que tem fé, dizem que
entendem a Bíblia. É fácil ver que se deus mandou matar bebês
de colo, um religioso vai simplesmente dizer: “Eu tenho fé que
Deus tomou a melhor decisão”. Pronto, a questão está
respondida, na opinião do religioso, e quem não tem fé é incapaz
de ver dessa forma. Isso acarreta numa irresponsabilidade. Joga-
se tudo nas costas de deus e fim.

22 - O fim está próximo

Esta também faz parte da justificativa nº 4 (desespero), contudo
nem sempre utilizada de forma apressada, vez por outra o crente
afirma de forma arrogante algo como: “vocês vão se ferrar por
causa disso e eu vou me dar bem. Huahahuahaahahaa”.

107
 Como todas as outras justificativas, evita se dirigir
diretamente ao problema apresentado com uma resposta
objetiva e busca desviar para uma tática de incutir medo.
Inclui-se nessa justificativa alegar fatos aleatórios de
desastres que estariam descritos nas escrituras. Como
nunca houve consenso algum sobre quais desastres
específicos seriam esses usando o mesmo argumento, um
religioso vai alegar que a bomba de Hiroshima, a invenção
do telefone, a guerra do Iraque, o tsunami, o Lula ter sido
eleito, o divórcio da Britney Spears, os cartões de crédito
estarem inserindo o número da besta na testa das pessoas
e muitas outras besteiras, como provas definitivas de que
o fim está próximo e quem insistir em apontar erros
evidentes e óbvios no texto bíblico vai pagar o preço por
não concordar em mentir como todo o resto dos religiosos
de que a Bíblia é inerrante.

23 - Você deve ter problemas

Mais uma no estilo: “Em vez de responder diretamente ao que
você demonstrou, vou tentar usar de apelo/chantagem
emocional”. Isso acontece quando o religioso simplesmente se
recusa completamente em se dirigir à questão apresentada e
passa a buscar “suas motivações emocionais”. Se alguém
afirmar: “não caberiam todos os animais do mundo na Arca de
Noé”, os animais simplesmente não caberiam, pois é fato. Em
geral o religioso vai tentar usar frases do gênero “pode nos falar
qual é o seu problema? ”, “por que você não aceita a Deus? ” Ou
algo idiota do gênero, enquanto faz suas melhores expressões de
sobrancelhas caídas para os cantos e olhares tipo: “pode falar”.
Claro que uma pessoa lúcida e inteligente apenas sentirá vontade
de falar: “estou conversando com um asno”. Isso entra na
mitologia religiosa de que “as pessoas apenas se sentem felizes
108
se estiverem indo na igreja como eu”. A necessidade do crente de
autoafirmação, se convencendo de estar fazendo a única coisa que
poderia fazer uma pessoa feliz: não se aprofundar
intelectualmente sobre nada e fugir de responder
intelectualmente quando alguma falha é apontada. Claro que essa
necessidade de autoafirmação também traz outras coisas, como a
semiconsciência de não estar se aprofundando racionalmente em
lidar com problemas não costuma levar as pessoas muito longe, a
infantilidade intelectual de buscar compreender todas as
diferenças de ideias em outras pessoas como consequência de
crises emocionais, evitar lidar com a questão: “mas eu sou
realmente tão mais feliz assim? ” A realidade é que felicidade de
verdade tem mais a ver com suprir necessidades emocionais
através de autoconhecimento e NÃO de evitar confrontá-las,
jogando-as para algum ponto no fundo de seu inconsciente, como
uma faxineira relapsa varrendo o lixo para debaixo do tapete.

 Pouco importa! Podem acreditar no que quiserem sobre a
vida da pessoa, mas as contradições estarão na Bíblia de
qualquer forma. Queiram ou não.

24 - Só a bíblia inteira

 É comum escutarmos essa asneira, ao criticarmos qualquer
coisa na Bíblia. A resposta típica é: “Por acaso você já leu
a Bíblia inteira para saber do que se trata? ”

Essa desculpa furada é no mínimo irônica, já que a maioria das
pessoas que a usa jamais leu a Bíblia inteira. Ou seja, partem do
pressuposto de que para elogiar a Bíblia, basta ler um versículo
só que lhe agrade, mas para criticá-la, tem que a ler toda. PARA
AZAR DELES OS ATEUS ESTUDAM A BÍBLIA INTEIRA! Além do
mais, qualquer um que realmente leu a Bíblia toda, nunca vai dizer

109
tal coisa, pois sabe que não é necessário ler a Bíblia toda para
comentar alguma passagem, basta usar uma simples Bíblia com
referências e pronto.

 Em resumo: Para não acreditar na Bíblia, basta lê-la
inteirinha.

25 - “Porque Cristo te incomoda? ”

 E lá vamos nós de novo. Mais uma justificativa que não se
dirige às contradições apontadas, mas buscando desviar
para alguma pieguice emocional, esta ainda mais
pobremente miserável: a ideia de que a pessoa não está
apresentando as falhas da Bíblia por elas simplesmente
existirem, mas por “estar resistindo à presença de Cristo”.

Este pseudo-argumento (assim como a justificativa nº 23) tende
a tirar proveito da pessoa realmente possuir algum problema
emocional que não consiga resolver por si própria. É baseado em
“nós sabemos que as contradições existem, mas vamos negar,
você vai estar aí sozinho falando essa verdade, mas você vai estar
sozinho. Mas se você passar a mentir e negar como nós estamos
fazendo você terá um grupo de suporte ao seu problema”. Isso
acaba gerando a famosa conversão de “perdidos para fanáticos
religiosos”. Em linhas gerais é uma forma de comprar a
colaboração da pessoa baseada em suas fragilidades emocionais,
uma vez dentro e apegada a esse grupo de suporte a pessoa vai
defender qualquer fanatismo possível relacionado. As igrejas se
baseiam excessivamente em explorar esse tipo de fiel como
“exemplar”. Contudo isso gera duas coisas:

• Primeiro, que os erros e as contradições da Bíblia
continuam lá, não mudou nada nesse sentido;

110
• Segundo, que os problemas emocionais com que a pessoa
lidava também continuam lá. Ela apenas partiu para uma
forma radical de fugir deles se escondendo no meio de um
grupo de suporte e por mais que esses problemas o
incomodem, mais fanática a pessoa se torna. Nisso entram
os religiosos com tendência gay e que se tornam
homofóbicos, temor da sexualidade feminina levando a
buscar reduzir direitos da mulher e qualquer busca, por
extensão, de exercer o controle em outras pessoas para
nunca precisar ver que sente medo em si mesmo, incluindo
o fato de que algumas pessoas não apenas não se
“incomodam com Cristo” como não sentem necessidade
nenhuma dele.

Obviamente, com pessoas mentalmente equilibradas, este
artifício não resulta em nada além de diversão à custa do crente.

26 - Creio pela fé

• Confusão amplamente espalhada e explorada entre
comunidades religiosas. A ideia de que quando alguém
aponta erros no texto da Bíblia, esta pessoa estará
recusando a deus.

Diante deste conceito, pessoas que se tornem emocionalmente
dependentes do grupo religioso para a convivência social, suporte
ou família, são sujeitas a não aceitar/admitir ou assumir erros no
texto da Bíblia, NÃO IMPORTA O QUANTO SEJAM ÓBVIOS. A linha
normalmente utilizada nesTe sentido é “creio pela fé”, a qual
simplesmente tem VALIDADE ZERO como resposta a uma
pergunta tipo: “como as plantas poderiam sobreviver se foram
criadas antes do Sol, segundo Gênesis? ” Isso em geral equivale
a dizer: “se declarar que não creio, vou perder status“, porque na

111
verdade a pergunta não tem relação qualquer com crença. É
apenas uma pergunta pertinente ao tema. Uma crença
aprofundada não negaria raciocínio e questionamentos, mas os
estimularia, porém em vez disso temos uma cultura da
necessidade de negação, onde qualquer pessoa que apontar uma
opinião divergente será “alguém que não acredita” e estará fadada
ao Inferno.

• Em geral este argumento leva o religioso a justificar sua fé
através dos benefícios sociais que a comunidade religiosa
lhe oferece, contudo não responde à questão apresentada.
• Afinal de contas: “Não me importa se antes você bebia sem
parar, usava drogas, se prostituía em bar gay, teve pai com
câncer ou o que seja. Apenas responda como as plantas
sobreviveriam se o Sol foi criado no dia seguinte! ”

27 - A bíblia é polêmica

No caso de não conseguir refutar argumentos contrários, a
tentativa de salvar a Bíblia de parecer meramente mal escrita está
em dizer que “ela é polêmica”. Por polêmica eles tentam alegar
que “provoca questões que nos fazem pensar”, para evitar
assumir que “só eu acho que ela diz algo relevante”.

• Algo seria polêmico se causasse choque, a Bíblia não causa
isso, causa apenas indignação e irritabilidade em ver
pessoas negando de qualquer maneira a possibilidade de
que esteja cheia de erros evidentes e contradições ridículas,
o que é inegável sob qualquer ângulo ou contexto.

112
28 - Referências furadas

Extremamente comum. Isto se configura quando durante uma
discussão o religioso vai apresentar suas referências para
embasar seus argumentos e demonstra fontes, para dizer o
mínimo, questionáveis e amplamente tendenciosas. Normalmente
acontece muito durante debates sobre a Arca de Noé e o dilúvio,
com fontes tipo “cristoevida.com”, “livro a santíssima trindade de
acordo com as irmãs carmelitas” ou alguma outra fonte risível.
Raramente alguém vai encontrar uma referência de uma fonte
internacionalmente reconhecida e imparcial favorável a algum
absurdo bíblico, pois atentaria contra a seriedade da própria
instituição, é ainda mais comum quando algum religioso encontra
alguma referência de alguma instituição mais reconhecida, ele
extrapola ou distorce o que foi alegado em favor do seu
argumento. Um exemplo típico está em discussões sobre a
possibilidade de que o dilúvio mencionado na Bíblia, Gilgamesh e
outras lendas locais fossem referentes a um possível dilúvio que
teria criado o mar negro. O religioso vai tentar descrever isso
como “prova que o dilúvio aconteceu como descrito na Bíblia e foi
global” (dependendo do grau de sanidade mental do defensor),
evitando tocar no assunto de que nada no texto alegaria ter sido
causado por uma chuva de 40 dias ou ser mundial. Ou que as
lendas sobre o dilúvio são gritantemente diferentes.

• Não raro são citados quaisquer livros de quaisquer autores,
conhecidos ou não, sérios ou piadas da comunidade
científica, contanto que ele suporte o que a Bíblia diz e
buscque reduzir a relevância de escritores muito mais
sérios e proeminentes sobre o assunto, como Darwin ou
Stephen Jay Gould, por exemplo.
• Inventar livros imaginários e autores que sequer existem,
como o tal Russel Norman Champlin, de quem nem a
113
editora dele no Brasil (Hagnos) conhece, é muito comum
também. Vale tudo para impor uma opinião, principalmente
o mau-caratismo e a desonestidade intelectual.

Mas, quando usamos a própria Bíblia para mostrar que alguns de
seus dogmas são insustentáveis pelo próprio livro que têm como
“sagrado” (ver Santíssima Trindade Desmascarada), os religiosos
também não aceitam. Logo, não é questão de se usar uma fonte
religiosa ou não. É questão da conveniência de usar o que
sustenta suas proposições, por mais absurdas e idiotas que
possam parecer.

29 - Falou “meu deus” na hora do apuro

• O típico argumento tão obviamente falso, quanto comum
entre religiosos.
• Existe esta lenda entre religiosos de que se uma pessoa
utilizar a expressão “meu deus” em alguma situação, esta
pessoa necessariamente estaria admitindo alguma crença
teísta, inclusive apesar do número quase infinito de crenças
teístas pelo mundo afora, esta expressão estaria sendo
utilizada exclusivamente em relação ao deus cristão.

E se alguém falasse “puta merda” ou “fodeu” isso seria confissão
de adorar um monte de esterco ou um ato sexual santificado? E
se a pessoa dissesse “diabo! ”, então ele seria satanista, embora
houvesse praticado cristianismo sua vida inteira? Isso sem falar
no uso das diversas expressões referentes aos órgãos sexuais. A
questão é que são simplesmente expressões cotidianas utilizadas
inconscientemente e, para tristeza dos religiosos que odeiam
admitir isso, o que uma pessoa realmente acredita é demonstrado
em seu comportamento cotidiano e na direção que dá à sua vida

114
e não a uma expressão genérica qualquer, utilizada em alguma
situação extrema ou inusitada.

30 - Historinhas da carochinha

Vez por outra você vai ouvir isso de algum religioso. No meio de
um debate ele vai interromper tudo para aparecer com uma
história genérica estilo:

• Um ateu estava numa palestra e um cara humilde comeu
metade de uma laranja e perguntou para o ateu se ele sabia
se a outra metade estava boa. O ateu respondeu “não sei”
e o religioso disse “e como você vai saber sobre o que você
não experimentou então? ”
• No meio religioso esse tipo de coisa é inexplicavelmente
visto como sabedoria ou profundidade; sabe-se lá porque.
Deve-se por falta de algo inteligente a dizer.

Todas essas historinhas são tão furadas que poderiam facilmente
ser invertidas contra o próprio religioso. Usando a mesma história
um ateu poderia alegar “você nunca experimentou não acreditar
em deus, então não pode saber sobre o que você não
experimentou”.

31 - Tu és arrogante

Fatalmente se o religioso perceber que não vai conseguir te
converter de forma alguma, ele vai lhe imputar alguma forma
caricata de defeito pessoal que te “impede de ver a glória do
senhor”. O mais normal costuma ser qualificar a pessoa como
arrogante e sem “a qualidade cristã da humildade”. Convém
apontar que a qualidade cristã da humildade inclui tentar
converter todo mundo à sua crença, como quem pensasse

115
diferente estivesse errado ou perdido. A questão é que o fato de
uma pessoa ter uma opinião diferente não a qualifica como
arrogante, se ela tiver um conhecimento mais consistente sobre o
que acredita realmente, não vai existir motivo algum para ela
mudar de opinião se não lhe for apresentado argumentos à
mesma altura e com o mesmo nível de profundidade. Isso não é
arrogância é apenas ser seguro de si, não implica na pessoa
desrespeitar crenças diferentes ou ser incapaz de se importar com
outros seres humanos. Qual sentido teria uma pessoa que estuda
a vida toda mudar de ideia com base num argumento falho e
ridículo como os de tipo religioso? Existe uma beleza e poesia na
simplicidade, verdade, contudo essa simplicidade necessita ter
profundidade, não ser simples pelo mero fato de pobreza de
ideias. Em geral isso acaba consolidando um conflito cultural entre
pessoas cultas e pessoas desinformadas, onde cada um vai ter
que definir um ao outro através de suas perspectivas pessoais
para justificar a si próprio seu estilo de vida diferentes. Talvez se
ambos estivessem vivendo no mesmo ambiente cultural fossem
bons amigos, mas nesta situação a comunicação mútua se torna
completamente truncada e incompreendida.

32 - Blefar

Esta caracteriza-se quando religioso responde com termos vagos,
tentando reduzir as alegações sem apresentar nenhum argumento
efetivo. Normalmente envolve frases como “não vou nem
responder sobre isso”, “ah, você acredita em qualquer coisa que
te dizem” (o fato deles acreditarem unicamente porque o pastor
disse é esquecido nesse momento), “existem provas irrefutáveis
sobre o assunto” (sem apresentar as provas, como sempre), “se
você duvida, procure ver se minhas afirmações são corretas”
(inversão do ônus da prova) e quaisquer outras linhas nesse estilo

116
que buscam apenas reduzir a relevância do que foi apresentado
sem apresentar nenhuma prova efetiva que o refute.

• A razão dessa tática é simples: ele não tem argumentos.
Logo ele vai tentar fazer o que foi dito não ser tomado como
sério, o que qualifica tal tática como blefe e “jogar sujo”.

A melhor forma de resposta a isso é pressionar para que o
religioso apresente as provas relativas ao que alega, quanto mais
que ele se mantiver nesse jogo buscando se esquivar, mais
evidente se torna que ele não tem argumento contrário nenhum.
Fatalmente o argumento apresentado vence o blefe do religioso
por não ter sido realmente refutado com evidências.

• O único resultado disso é ver o religioso passar vergonha
por ficar fugindo descaradamente; o que é deveras
engraçado.

33 - Tu és do mundo

Semelhante às justificativas anteriores sobre “necessita ser fiel
para compreender a Bíblia”, essa, contudo parte de uma premissa
mais separatista e radical. A que assume que religiosos e infiéis
não fazem parte do mesmo grupo de forma alguma e deveriam
ser mantidos separados. Talvez esse conceito funcionasse se eles
todos se isolassem para viver numa ilha e não fôssemos obrigados
a conviver uns com os outros, votar em políticos, decidir juntos
quem vai ser o presidente do país, enfim não houvessem questões
comuns à sociedade, que devem ser discutidas entre todas as
pessoas em termos de igualdade e busca de interesses comuns. E
dar dinheiro público para igreja não vai ser nenhum interesse
comum.

117
• Tal conceito também seria ainda mais funcional se eles não
seguissem uma cultura de “vamos converter e espalhar a
palavra de Cristo, mesmo contra a vontade”, ainda que as
outras pessoas não tenham interesse nenhum sobre o
assunto. Então baseado no “se você queimar minha casa
eu queimo a sua”, eles buscarem invadir fóruns de
discussão e blogs para pregar, berrar frases da Bíblia no
meio das ruas, fazer movimentos em prol da censura, moral
e bons costumes ou qualquer outra tentativa de invadir e
impor sua visão sobre a vida de pessoas de crenças
diferentes. Eles não estão cumprindo sua proposta
isolacionista. Fatalmente quanto mais eles invadem para
pregar a palavra, mais abrem margem para pessoas com
interesses contrários fazer o mesmo. Só que eles não
aceitam. E acabam partindo para os xingamentos e
ameaças logo de saída.
• Se religiosos querem acreditar que as pessoas fora de sua
igreja são completamente diferentes e perdidas, porque
então eles não os deixam em paz?
• Deveriam esquecer que existem e viver sua vida escondidos
nas igrejas sem incomodar ninguém.

Afinal, essas “pessoas do mundo” também acham que eles estão
desperdiçando suas vidas com castidade excessiva, falta de
experiência sexual, arrogância moralista, ignorância cavalar,
preconceitos generalizados contra “drogados e gays”, homofobia
e tantas outras coisas.

34 - Metáfora

Uma desculpa clássica e extremamente utilizada.

118
A justificativa preferida dos crentes e religiosos que pode
solucionar todas as perguntas e resolver todos os problemas sem
responder absolutamente nada.

• Se algo for literalmente ridículo a resposta seria: metáfora;
• Se for absurdo: metáfora;
• Sem sentido: metáfora;
• Idiota, tolo e esquisito: metáfora;
• Se for literal: metáfora também, só por via das dúvidas.

O termo é utilizado de forma tão amplamente abusiva e mecânica
como se estivessem apenas apertando o botão chamado “resposta
para que eu não precise pensar sobre o assunto”.

• A primeira coisa a ser notada:

Alegar algo como sendo “metáfora” não é uma resposta. Se
alguém alega tal pseudoresposta coloca-se na posição de ter de
esclarecer em que sentido isso seria uma metáfora e seu
significado não literal, ainda mais se o texto não indicar isso de
forma alguma. Ironicamente a maioria das pessoas que usa este
termo mal tem noção do que ele realmente significa e não seriam
capazes de fornecer tal explicação. O principal ponto nesse tipo
de argumento é nunca estabelecer de forma clara e objetiva o que
seria e porque seria metáfora ou literal, para que o religioso possa
sempre caminhar por uma linha nebulosa de argumentos que
nunca se definem concretamente, assim ele pode alegar algo
como metafórico ou literal de acordo com sua conveniência.
Dificilmente se conseguirá que o religioso usuário desta muleta de
argumento defina como reconhecer algo como metafórico ou
literal. Ao alegar algo como metafórico, o crente nunca define o
que a metáfora significa e parte logo para termos ainda mais
vagos como: “não se compreende a sabedoria divina”, “isso é

119
muito profundo”, “os desígnios de Deus são misteriosos”; mas
nunca esclarece coisa alguma.

• Normalmente, quando indagados, o “manual religioso de
fugas” ensina o seguinte:
• “Se alguém lhe apontar a definição de metáfora alegue que
você OBVIAMENTE sabe o que é metáfora e nunca utilizaria
o termo sem conhecê-lo. Se pedirem que dê exemplos
literários de metáforas para compreender sua definição,
fuja do assunto. ”
• Bom, se um religioso alega algo ser puramente metafórico,
ao mesmo tempo ele está definindo sua interpretação literal
como errônea, algo bastante ignorado.

Por isso, uma frase como “a criação do mundo em Gênesis é
metafórica” nunca fará sentido, nem quando citada por um
criacionista. A principal forma de derrubar este argumento é
apontar isso, pois força o religioso a definir sua posição sobre o
texto, não poucas vezes, como no exemplo de criacionistas, ele
vai ter de encarar entre escolher uma coisa e negar outra em favor
do argumento. E escolher uma definição é justa e precisamente o
que ele evitou desde o começo e o motivo de ter usado esta
desculpa furada.

• Os crentes e religiosos esquecem de que, a partir do
momento em que abandonam aquilo que está escrito, preto
no branco, e partem para outras explicações, eles próprios
acabam se tornando parte da “inspiração divina”. Isto lhes
dá o direito de adivinhar o que Deus pensa, o que Deus quis
dizer e o que Deus quer. Logo, surgem inúmeras
interpretações diferentes para um mesmo texto. E qualquer
justificativa é válida, desde que não seja a mais simples,
aquilo que está escrito ali, no papel.

120
• Por quê? Simplesmente porque se aceitar aquilo como está
escrito, literalmente, a crença irá por água abaixo.

35 - Eu era como você

Vez por outra vamos acabar nos deparando com as vítimas de
casos como os descritos na justificativa nº 25 (perdidos que se
salvaram) que partirão de frases como esta.É uma completa
presunção, pois enquanto crenças institucionalizadas como as
cristãs pregam uma forma de cultura e pensamento comum
(contra camisinha, contra sexo antes do casamento, contra gays,
etc), ateus e agnósticos não possuem uma instituição-núcleo que
direcione seus modos de pensar. Ateus e agnósticos são em
grande maioria movidos por pensamento independente. Não
fazem longas reuniões toda semana discutindo a inexistência
desse ou daquele deus. Em boa parte, os agnósticos e ateus estão
mais preocupados em cuidar de suas próprias vidas do que se
preocupar com o que um deus que poderia existir ou não, pensaria
sobre o assunto. E ainda assim isso não é algo que poderia ser
aplicado a todos, porque a diversidade de ideias se torna muito
maior quando as pessoas acreditam em algo com base em suas
experiências pessoais, ao contrário de igrejas que apelam ao
apego emocional generalizado. Enfim, não se sabe porque tal
religioso era ateu e deixou de ser, só se sabe que ateus e
agnósticos não têm nada a ver com isso. Se alguém era ateu
apenas porque teve problema da mulher que o deixou e ficou com
“raivinha de deus” até que a raiva passou (típico “ateu de fim-de-
semana”), isso seria completamente diferente da perspectiva de
um ateu de fato, além de ser arrogante e presunçoso esperar que
alguém que você nunca viu na vida e nem sabe nada sobre, seria
ateu ou agnóstico pelos mesmos motivos que você foi um dia. E,
pelo argumento inverso, que religiosos adoram esquecer, um ateu
poderia igualmente dizer “eu já fui religioso um dia como você”. E
121
daí? Ele deveria assumir que o religioso um dia iria ver a sabedoria
e voltar à luz da razão do ateísmo?

36 - Na dúvida, valem os dois

Muito usada em conjunto com a justificativa nº 34 (metáfora),
essa desculpa é mais usada em contradições, de forma a se
acreditar que ambas as passagens são verdade.

• Por exemplo: Judas se enforcou ou se atirou de um
precipício?
• Resposta: Os dois. Ele se enforcou em uma árvore na beira
de um precipício galho quebrou e ele caiu.

Ou:

• Foi Judas ou os sacerdotes que compraram o campo do
oleiro?
• Os dois. O dinheiro era de Judas, mas os sacerdotes
compraram.

Essa justificativa pode chegar a absurdos imensos, a ponto de
requerer um grande esforço mental para compreender como
passagens diferentes podem significar a mesma coisa.

• Foi Deus ou Satanás quem tentou Davi a numerar o povo?
• Os dois. Satanás o tentou, e Deus o permitiu.

Ou seja, usa a tática da negação para “justificar” (apenas na
mente do religioso, é claro) qualquer contradição. Afirma assim (
na cabeça vazia deles) que não há contradição alguma, apenas
uma história mal contada. Só que não explicam por que a palavra
de Deus tem tantas histórias mal contadas. Não explicam como é
possível tantas pessoas divergirem tanto sobre assuntos tão
122
simples. Pois se ambas as hipóteses ocorreram, o que impediria
de ambos os autores contarem a mesma coisa? Ainda mais com
“inspiração divina”? Isto mais parece uma daquelas mentiras mal
contadas, quando a pessoa é pega em um deslize, contradizendo-
se, nega a todo custo que tudo era mentira e tenta “remendar” a
história para parecer verídica. É exatamente este o caso com a
Bíblia.

37 - Foi escrita por várias pessoas

Semelhante à justificativa nº 15 (questão de época), porém em
vez de baseada na desculpa de costumes está baseada em
pessoas diferentes. Esse argumento poderia justificar algo se não
alegassem que a Bíblia é um livro perfeito e inspirado por Deus.
Para justificar essa afirmação então não podem existir desculpas
como esta: o livro TEM que ser perfeito ou a afirmação é inválida.
O principal problema deste argumento é que admite a
contradição, mas não a inerrância da Bíblia, também assume um
ponto secundário: A Bíblia não é totalmente coerente por ter sido
escrita por pessoas sem relação alguma de cultura, época,
costumes e compreensão. Esse argumento inconscientemente
admite a Bíblia como uma colcha de retalhos de várias histórias
reunidas sem muita relação entre si, além de uma declaração
genérica sobre um único deus. Então teremos os trechos sobre
esse deus ser bondoso, ou ele exigir sacrifícios, ou destruir a terra
porque de repente se decepcionou, pregar leis e mandar
desobedecê-las em seguida e por aí vai.

• Inevitavelmente, sob um ponto de vista coerente, este
argumento funciona mais contra a Bíblia ser um livro
perfeito do que a favor.

123
38 - Foco no menos relevante

Esta é comum, não apenas em discussões com religiosos, mas em
discussões com qualquer pessoa que não consegue compreender
o tema geral que está sendo discutido (resumindo: idiotas), e
busca se apegar aos detalhes dentro de seu limite de
compreensão. Em geral os menos relevantes; é o equivalente a
uma pessoa que não compreende nada de ciência ouvindo alguém
explicar sobre física quântica e se o cientista citar a palavra
“galinha” a pessoa começa a tentar falar sobre a granja que
visitou.

Com religiosos funciona da seguinte forma:

• Você apresenta um monte de argumentos que apontam
para fatos inquestionáveis de erros da Bíblia, de repente
eles vão focar em algum exemplo mínimo que você disse,
sem refutar o argumento principal. Por exemplo “como você
pode falar tal coisa se você foi numa festa de natal? ”

Normalmente costuma ser um argumento facilmente refutado
pois já é baseado no fato do religioso não ter compreendido
absolutamente nada do que foi dito, mas se eles tiverem a
oportunidade, eles estenderiam toda a discussão a um tema
paralelo completamente irrelevante e fugiria da contradição
apontada.

39 - Só Deus sabe

Essa desculpa é usada quando eles não fazem a mínima ideia do
porque Deus tomou certas atitudes. Só que ao invés de admitir
isso, eles respondem que “só deus sabe”, que deus faz o que é
melhor para todos e que “seus caminhos são misteriosos”. E por

124
mais ridícula, ou cruel, ou injusta seja a atitude de deus, ele
continua sábio e bom, porque “ele sabe tudo”. Curiosamente, os
religiosos “esquecem” as passagens em que deus pergunta onde
Adão estava, da surpresa de deus por ver que o Homem se tornara
mau, tendo que mandar o dilúvio e sequer imaginava que era o
Capeta que o fora visitar na estorinha de Jó. Também é negação,
porque eles se negam a aceitar a realidade, porém é aliada a uma
grande quantidade de cegueira, que os impossibilita de ver o
quanto são antagônicas as atitudes deste suposto deus que sabe
tudo e corriqueiramente esquece coisas básicas, sendo onisciente.

40 - Não é um livro científico

Extremamente comum sempre que se apontam falhas grotescas
e absurdos científicos no texto. Muito difícil qualificar isso como
um argumento sério quando essa frase é utilizada de forma tão
contraditória. A Bíblia não é um livro para ser interpretado de
forma literal, direta e científica quando, alega que insetos têm
quatro patas. CONTUDO, ela pode ser literal quando (por mero
acaso) alegar algo vago e ambíguo, que anos mais tarde seria
comprovado cientificamente; então ela pode ser vista de forma
científica. Cai na constante ideia de “se fala algo a favor é válido,
não importa quão confiável seja a fonte, se falar contra ainda que
seja definitivamente comprovado não deveria ser válido”. De
forma geral esse argumento sempre aparece quando o absurdo
alegado é inquestionavelmente estúpido como, por exemplo:
serpentes comem pó (Gênesis 3:14), ouro enferruja (Tiago 5:2)
ou a Terra é sustentada por colunas (1 Samuel 2:8). Ao ouvir
essas provas, o religioso vai apresentar seu sorriso de canto de
lábio como “já sei a resposta para isso: a Bíblia não é um livro
científico”. Cai em parte na crença de “para o Senhor tudo é
possível, não importa quão sem sentido ou sem provas seja”.
Também no fato de uma interpretação errônea sobre o estudo
125
científico, o qual não se esforça em provar que a Bíblia está certa
ou errada, mas em meramente raciocinar sobre o conhecimento
apreendido por observação através de pesquisa e estudos. Como
alguém poderia compreender gravidade se evitasse raciocinar de
forma racional sobre o assunto ou ver que “as coisas costumam
cair para baixo e não para cima”. Esses estudos nunca visaram
denegrir a Bíblia, mas a observação da natureza apenas
demonstrou que muitas coisas ditas nela estavam erradas o que
não deveria ser surpresa para ninguém, pois boa parte dos
princípios conhecidos hoje provieram de mais de mil anos após o
texto da Bíblia ter sido escrito. Afinal de contas temos de convir
que – “ainda que para Deus tudo fosse possível” – se fôssemos
seguir as sábias palavras do texto bíblico sobre o assunto, quando
enviamos astronautas para a Lua teríamos de ter tido cuidado com
o céu, já que ele é como um espelho fundido (Jó 37:18), sinal que
a nave poderia bater nele; nos preocupar com as estrelas, não
cometas ou meteoritos, que pudessem de repente cair na Terra
(Mateus 24:29, Marcos 13:25, Apocalipse 6:13 e Apocalipse
12:4); estar seguro que a Terra não se move (Crônicas 16:30,
Salmos 93:1, 96:10 e 104:5), logo a nave poderia fazer o retorno
em linha reta sem se preocupar em sair do Texas e cair no
Moçambique e tomar cuidado no caminho de volta para não bater
por acidente em alguma das colunas que sustentam a Terra e
derrubar o planeta inteiro (1 Samuel 2:08). Ainda que para Deus
tudo fosse possível, acho que seria mais fácil para ele se
simplesmente mantivesse as coisas como são do que alterar tudo
que existe, apenas para bater com algo que foi escrito errado na
Bíblia.

41 - Você tem curiosidade de deus

Mais um no nível do nonsense irritante! Após ter esclarecido erros
e bobagens diversas da Bíblia na forma mais clara, objetiva e
126
sucinta o religioso, ao invés de admiti-los, alega “você questiona
por ter curiosidade de Deus”. Isso parte no fato que o religioso
provavelmente não entendeu (ou sequer ouviu) uma linha do que
você disse e apenas se manteve na posição defensiva, alegando
para si mesmo “ele fala tudo isso por estar resistindo e ter
curiosidade ao senhor”, o que já parte de buscar encontrar
interpretações que não existem no que você está dizendo, sem
prestar atenção nas palavras que estão saindo da sua boca. Mas,
se fossem prestar atenção no que você diz, eles acabariam tendo
de admitir ao menos uma parte como verdade. Para fugir disso,
criam-se essas explicações decoradas e sem embasamento
nenhum (e que não explicam nada), pois afinal: nem sempre
quem desdenha quer comprar.

42 - Alucinações

Semelhante à justificativa nº 22 (o fim está próximo), essa
configura quando o religioso busca criar associações fictícias de
fatos do mundo real com provas definitivas da existência de Deus.

Eis os casos mais notórios:

• Alegar que o final dos Beatles e John Lennon ter recebido 5
tiros de Mark Chapman foi devido à sua alegação que “os
Beatles eram mais populares que Cristo” (e pior que eram
mesmo). Talvez alguns fãs religiosos não gostassem de
ouvir tal comentário e parassem de seguir os Beatles.
Contudo, seria melhor acreditar que se John Lennon sofreu
alguma punição divina, seu nome seria Yoko Ono, a qual
esteve muito mais relacionada aos motivos reais do fim da
banda. Sobre Mark Chapman… Porque ninguém alega que
quando João Paulo II levou um tiro também seria punição
divina? Curioso, não é mesmo?

127
• Outra interessante é aquela em que o finado Cazuza teria
(supostamente) puxado um baseadão num show, soltado a
fumaça e ter dito: “Aí, Jesus! Essa é para você”. E, por
causa disso, contraiu AIDS e… bem, o resto é história.
Totalmente ficcional. Nunca se apresentou ninguém que
estava lá, mas tem muita gente que conhece “alguém” que
esteve lá e presenciou. De qualquer forma, tem um bocado
de gente que acredita em Deus que contraiu doenças
graves. Serão todos eles maconheiros e ateus?

Em geral, isso se configura no religioso buscar associar qualquer
tragédia relacionada à uma personalidade popular às suas crenças
ateístas ou agnósticas. Ao mesmo tempo, se a celebridade em
questão for à missa todo domingo e algo horrível acontecer será
descrito como tragédia horrível, e que todos orem por seu bem-
estar e houver um culpado para isso ele deveria estar aliado ao
diabo ou prestes a pagar um preço terrível da ira divina. Não
passam de alucinações; tentativas desesperadas de encontrar
“pelo em ovo” e assustar as pessoas sobre a censura divina e sua
punição quando desobedecida. E como em todos os outros casos
de lendas urbanas como essas, cada pessoa vai descrever a
história de formas completamente diferentes, sem nunca atingir
um consenso sobre a versão definitiva do assunto. Logo, o final
dos Beatles seria por que John Lennon disse isso, talvez o tiro de
Mark Chapman ou ele parecer tão ridículo naquelas fotos pelado
com Yoko Ono… tudo, nesse tipo de delírio, consequência de ele
ter expressado livremente sua opinião sincera sobre o assunto.

43 - Age como eu, mas diferente

Isso vem quando o religioso assume que ateísmo seria alguma
forma de religião ou culto e que os ateus estariam seguindo
alguma forma de pastor. Na verdade, isso configura uma forma
128
do religioso descrever a situação na única forma que ele
compreende: sem que as pessoas desenvolvam ideias próprias.
Aparentemente a idéia de uma pessoa chegar a conclusões por si
própria, sem estar seguindo algum pastor ou líder, aparenta ser
alienígena à sua noção de mundo e, consequentemente, o
religioso vai tentar associar a perspectiva agnóstica/ateia num
paralelo à sua própria: “Se eles acreditam em ateísmo, eles
devem ter um pregador e devem todos pensar semelhante”.

O principal erro disso está em:

• Ateísmo e agnosticismo não possuem uma ordem
institucionalizada. O que cria a uniformidade de
pensamento está em quando um número muito grande de
pessoas está seguindo uma única pessoa como “guia
espiritual” ou relativo do gênero. Isso gera um pensamento
institucionalizado que busca reduzir as diferenças de ideias
entre as pessoas em prol de controle. Não muito diferente
de qualquer outra instituição movida por dinheiro e
interesses como corporações, as religiões
institucionalizadas contam na ausência de discórdia dentro
de seu grupo representativo e na difamação do grupo
concorrente.

Isso não se aplica ao ateísmo, por não apresentar uma forma de
“Vaticano”, um grande líder ateu que fala pelas massas ou
equivalente.

• O pensamento (tanto do ateu quanto do agnóstico) é
anarquista e descentralizado, o que o torna mais rico em
diversidade de ideias. E, enfim, porque alguém deveria ter
alguma forma de líder falando como as pessoas deveriam
pensar sobre esse ou aquele assunto? Principalmente sobre

129
conceitos espirituais tão abstratos, subjetivos e pessoais?
Conceitos que os ateus e agnósticos repudiam.

Houve algum caso na história da humanidade em que isso não
terminou representando uma pessoa manipulando a ingenuidade
de um grande grupo de pessoas que tinham preguiça de formar
ideias por si próprias?

44 - Sem palavra feia junto com a palavra Deus

Isso vem de quando o religioso não pode admitir uma palavra feia
e o deus dele na mesma frase. Em geral, chegando a contrariar o
que ele próprio acabou de alegar. Por exemplo:

• – Deus envia ao inferno quem não segue as leis divinas!!
– Se ele pune com tormento eterno então ele é cruel e
ditador.
– NÃO, ELE NÃO É!!!

A questão é que esse tipo de comportamento não tem nenhuma
motivação e/ou argumentos, além de pura teimosia infantil e
tentativa de dar voltas de retórica. Honestamente, no exemplo
seria o lógico alegar que por quaisquer fossem os motivos, o
tormento eterno seria uma punição no mínimo cruel para pecados
que poderiam ser tão irrelevantes como “não fez jejum”. Contudo
assumir a ideia de deus e uma palavra de conotação negativa
juntos deve ser eliminada não importa quão impossível seja
logicamente. Qualquer afirmação que se faz sobre qualquer coisa
sempre vai possuir alguma conotação negativa sobre algum
aspecto. “O dia está lindo” também traria consigo “para saber que
o dia está lindo você precisa ter conhecido dias horríveis”. Se Deus
é bom, você precisa saber quando Deus é cruel igualmente para
ter como avaliar suas ações e dar sentido ao que você alega.

130
45 - Com deus vale, sem ele não

Esse tipo de argumento tendencioso sempre se baseia em “aceito
se é a meu favor, mas se for contra mim não aceito”. Basicamente
está em aceitar alguma técnica absurda em prol do cristianismo
como “doutrinar desde a infância para seguir o que acredito”, mas
alegar que o mesmo seria errado se fosse “doutrinar desde a
infância para seguir algo que não acredito”.

• Seria correto educar crianças ao cristianismo, mas errado
educá-las ao ateísmo ou agnosticismo;
• Correto tentar converter homossexuais ao
heterossexualismo, mas errado homossexuais fazerem o
inverso;

O princípio básico desse pensamento tendencioso é que por mais
absurdo e insensível seja o que defendem sempre será alegado
“superior” sobre algo, que poderia inclusive utilizar técnicas mais
razoáveis, caso dirigisse à outra direção. Enquanto argumento
racional é igualmente duvidoso e injusto, pois parte de um
princípio unilateral do “eu posso e você não”, o que exclui a
igualdade de credo. Enfim, esse argumento exclui a qualidade dos
meios utilizados defendendo os fins se favoráveis ao cristianismo.

46 – Livre-arbítrio

Extremamente comum. Esta desculpa sempre é usada para
responder a pergunta: “mas como Deus deixou acontecer algo tão
horrível e não fez nada? ”

• Inclui alegar que “tal pessoa escolheu tal caminho para o
mal”. Ou seja, infere a culpa na própria pessoa/vítima,
isentando o deus bonzinho de qualquer culpa por inação ou

131
consciência premeditada (a qual ele teria, devido à sua
onisciência).

A principal falha desse argumento (óbvia para qualquer outra
pessoa, exceto o fiel que a defende) é que respeitar livre-arbítrio
impõe que se aceite receber um “não”, sem punir a pessoa por
isso (afinal, devido à onisciência, Deus já sabia qual seria a
resposta). E então, esse deus diz que se você não seguir o que
ele diz, recebe punição e tortura eternas. Tão medieval e atrasado
é esse comportamento, que se tornou característico de ditaduras,
sejam obviamente fascistas cristãos tentando dizer que “não, isso
é demonstrar amor divino”. Em geral me lembra como o finado
Saddam Hussein ameaçava com uma arma quem dissesse que ele
não era um grande presidente.

• Outra falha desse argumento são passagens da Bíblia em
que é claramente alegado que Deus teria predestinado os
escolhidos ao Céus. Logo, “predestinado significa as
pessoas não teriam escolha de qualquer forma”.
Algumas das passagens notórias nesse sentido:

Efésios 01:05 – E nos predestinou para filhos de adoção por
Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua
vontade.

II Tessalonicenses 02:13 – Mas devemos sempre dar graças a
Deus por vós, irmãos amados do SENHOR, por vos ter Deus
elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do
Espírito, e fé da verdade.

Marcos 13:20 – E, se o Senhor não abreviasse aqueles dias,
nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos eleitos que
escolheu, abreviou aqueles dias.

132
Onde a primeira desculpa tenta defender através da “culpa da
vítima”, nessa segunda a culpa nem seria dela, mas do Deus que
a predestinou a tomar tais atitudes. Experimentem jogar essas
referências para um religioso e veja alguém ter um ataque de
histeria e argumentos furados. O que não deixa de ser engraçado.
Acontece principalmente quando percebem que o argumento que
acreditavam inquestionável não funcionou, mas tentam
tenazmente sustentá-lo até o fim dos tempos. Mesmo sendo
insustentável.

47 - Erros de tradução

Esta conta com achar alguma versão da Bíblia (dessas revisadas
e atualizadas) que busca esconder a contradição da versão
anterior omitindo e alterando o texto para algo mais conveniente,
algo extremamente comum nas Bíblias em português.

Um exemplo típico:

Efésios 01:05 – Nos predestinou para filhos de adoção por Jesus
Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade.
(Versão João Ferreira de Almeida Atualizada)

Mas devido à óbvia contradição com trechos que defendem o “livre
arbítrio” de os homens escolherem seguir a deus em vez de
descerem ao inferno (o que não é livre arbítrio, mas chantagem)
uma dessas versões ‘atualizadas’ alterou para:

Efésios 01:05 – Deus já havia resolvido que nos tornaria seus
filhos, por meio de Jesus Cristo, pois este era seu prazer e
vontade. (Versão Nova Tradução na Linguagem de Hoje – NTLH)

133
O que é apenas uma enrolação, porque o significado continua o
mesmo. Afinal, o tradutor não pode alterar o sentido do texto (não
de maneira descarada, mas com alteração em cima de alteração
a igreja vai fazendo exatamente isso).

A principal falha desse tipo de argumento é contar
especificamente com uma versão traduzida para o português de
acordo com a audiência brasileira, mas se você checar um site
como Bible Gateway, onde você encontra 50 versões da Bíblia em
35 línguas diferentes você encontra:

King James (inglês)
Ephesians 1
5 Having predestinated us

Louis Segond (francês)
Éphésiens 1
5 nous ayant prédestinés

Reina Valeria - 1995 (espanhol)
Efesios 1
5 Por su amor, nos predestinó

La Nuova Diodatti (italiano)
Efesini 1
5 avendoci predestinati

Vulgata latina
1:5 qui praedestinavit

Grego original
1:5 ????????? ???? ??? ????????? ??? ????? ??????? ??? ?????
???? ??? ???????? ??? ????????? ?????

134
1:5 proorisas hmas eis uioqesian dia ihsou cristou eis auton kata
thn eudokian tou qelhmatos autou

????????? = proorizo = Having predestinated = tendo
predestinado

Traduções convenientes são apenas mentirosas e muito mais
comuns entre traduções brasileiras pelo visto.

48 - Você vai para o inferno

A utilização desse argumento é proporcional à falta de cultura do
religioso e é uma extensão da justificativa nº 4 (desespero).
Inquestionavelmente, um argumento utilizado por uma pessoa
sem argumentos favoráveis à Bíblia na discussão. Em primeiro
lugar, porque isso não responde nada quando você aponta alguma
das várias contradições e erros óbvios da Bíblia (se Noé era santo
como ele encheu a cara e saiu andando pelado? Gênesis 9:21), e
apenas busca assustar quem fez a pergunta e distrair. Mas de uma
forma tola e ingênua, porque uma pessoa cética que não acredita
em céu e muito menos em inferno. Como, então, isso poderia
funcionar? A segunda contradição é ser um argumento de
vingança. Algo no estilo: “você vai ver, Deus te pega lá fora”.
Atenta contra a (suposta) “compaixão cristã e amor ao inimigo”,
quando eles querem mais é ver o inimigo se ferrando no inferno
(embora neguem). Enfim de todos, é o argumento mais bobo,
risível e difícil de levar a sério. E se um religioso ler isso vai apenas
repetir que iremos para o inferno mesmo…

49 - Ausência de evidência não é evidência de ausência

Quem nunca escutou essa? Geralmente usada quando a existência
de Cristo é contestada. É um caso particular da justificativa nº 10

135
(frases prontas). Ou seja, a pessoa fala essa frase, e acha que a
discussão acaba aí. Não passa de uma forma de convencer mais
a si mesmo do que ao cético à sua frente. Significa basicamente
que, só porque não existem evidências que tal fato ocorreu, não
quer dizer que não ocorreu. Essa falácia camuflada de lógica pode
até enganar os mais incautos, pois à primeira vista ela até faz um
certo sentido. Porém, apenas no mundo da religião as coisas
funcionam nessa maneira. Na Ciência, a ausência de evidência
não significa nada, logo, tal fenômeno não existe. Na
paleontologia, química, física, biologia, botânica etc., a ausência
de evidência não leva à conclusão de que tal espécie existe. Na
criminologia, a ausência de evidência não leva ninguém à cadeia.
É por isso que existem as paródias religiosas do Monstro
Espaguete Voador, Unicórnio Rosa Invisível, o Grande Coelho
Atrasado entre muitas outras. Porque não existem evidências de
que elas não existem. Logo, pode-se inventar qualquer coisa.
Como elas usam o mesmo argumento falacioso da ausência de
evidência, elas são tão válidas quanto Jesus Cristo. Talvez até
mais verossímeis.

50 - Na dúvida prefiro a lenda

Muitas vezes o religioso diz: “Se você está certo, então morremos
e não perdemos nada. Mas, se eu estou certo, então eu ganho
uma recompensa no céu, e você não. Logo, prefiro arriscar na
segunda possibilidade” (ver A Aposta de Pascal). Os anais da
psicologia explicam isso. Nesse caso, os religiosos admitem que
acreditam em algo mais por medo, do que por qualquer outra
coisa. Medo da morte, do inferno, ou de perder a recompensa
divina. Albert Einstein já dizia: “Se somos bons apenas por medo
de uma punição ou por uma recompensa, então de fato somos
mesmo um grupo bem desprezível”. E ele era teísta. Os religiosos
apenas esquecem dos critérios para escolher em que acreditar.
136
Pois vai que judaísmo é o correto. Ou então o islamismo. Ou o
hinduísmo. Eles escolheram o cristianismo apenas por ser mais
popular ou imposição da família ou ainda qualquer outro motivo
inócuo, mas nada garante que ele seja mesmo a verdade que
tanto procuram. Então, eles preferem viver na ilusão, na fantasia,
na sua zona de conforto. Uma vez na zona de conforto, é muito
difícil tirá-los de lá, porque é algo doloroso para eles.
Ironicamente, nesses momentos em que admitem ter medo, é
quando há as maiores chances de atingirem a razão, e se
libertarem da fantasia. Como os terapeutas dizem, admitir o
problema é o primeiro passo a cura. O medo faz coisas incríveis
com o ser humano. Infelizmente, a maioria das pessoas preferem
evitar a dor, do que buscar o prazer. Se apenas não deixassem o
medo dominá-los, seria o primeiro passo para a razão.

51 - Para deus tudo é possível

Essa é usada quando o religioso realmente não quer pensar sobre
o assunto e apela para a resposta mais intelectualmente
preguiçosa: “Não vou considerar os dados contrários ao que estou
defendendo vou apenas assumir que Deus pode fazer qualquer
coisa porque tenho fé e fé exige aceitar o poder infinito de Deus”.
Isso é bem preguiçoso, não é mesmo? Ao invés de considerar os
argumentos contrários e pesar o quanto de embasamento eles
trazem apenas os ignora. É no estilo “papai sabe tudo”, não existe
limites para o que ele pode fazer ainda que tudo mais indique que
existem. Numa discussão sobre outro assunto esse argumento
funcionaria da seguinte forma:

• – Seu pai tem uma renda de um salário mínimo e está
empilhado de contas para pagar, ele não pode te comprar
e criar um pônei só porque você quer ou ele vai falir.

137
• – Sim, ele pode tudo, nada é impossível para ele. Você que
não acredita.

Digamos que tal pai acaba-se comprando um pônei, apenas para
satisfazer tal peste e falisse como a primeira pessoa alegou. Bom,
esse tipo de argumento funciona da mesma forma. Muito usado
em discussões sempre que algo completamente absurdo é
alegado na Bíblia, como Deus parar o Sol no meio do céu (apesar
de ser a Terra quem se move), inundar o mundo inteiro por
motivos pífios e tantos outros atos entre o nonsense, o ridículo e
o infame. A pessoa vai defender que Deus alteraria TODAS as leis
da física (que supostamente ele teria criado), todos os dados
históricos sobre o assunto, tudo que poderia comprovar que aquilo
nunca aconteceu ou seria possível, pelo mero motivo de mostrar
que pode – por mais inconveniente e desnecessário que tal coisa
fosse. Por esse argumento, Deus seria um mero exibicionista para
os profetas, ele iria parar o Sol no meio do céu indiferente a todas
as consequências para o resto da Via Láctea e catástrofes naturais
que pudesse causar apenas para fazer o profeta ver uma
sombrinha parada. Não seria muito mais fácil ele ter mandado
uma carta? Não parece que um ser onisciente e superpoderoso
tivesse coisas mais importantes com que se preocupar, além de
se exibir para profetas de meia tigela?

52 - O testemunho dramalhão

Em geral, algo aparentado ter saído de uma novela mexicana, que
deveria ser acompanhado com alguma trilha sonora brega ao
fundo, o testemunho dramalhão compõe-se pelo religioso
simplesmente do nada, sem ter nenhuma relação com o que foi
dito ou está sendo discutido, começa a contar alguma experiência
pessoal a qual ele acredita ser uma prova definitiva para ele que
Deus existe. Em princípio apontar algumas da inúmeras falhas da
138
Bíblia não significa que a pessoa necessariamente não acredita
que deus existe (há muitas religiões que não creem na Bíblia, mas
nem por isso deixam de acreditar no deus delas), apenas que não
concorda com a visão cristã sobre ou está simplesmente
admitindo erros óbvios, contudo nem todos conseguem ter o
refinamento de perceber esse nuance. Acreditam que se
convencer que Deus existe, a contradição vai deixar de existir e
apelam para o que acreditam ser “a prova definitiva”. Algumas
pessoas normais poderiam contar isso de forma natural, mas não
esse estilo de religioso. Nesse estilo a atuação dramática, o
exagero aos detalhes ridículos e a ênfase orgástica do momento
em que se convencem é essencial. A intensidade emocional
denuncia perturbadoramente um caráter sexual mal resolvido
nessa “relação com Deus”, que não aparenta de forma alguma
com uma revelação espiritual ou insight; na verdade, o
comportamento desvairado mais denuncia a pessoa ter se tornado
perturbada pela experiência que mais resolvida e iluminada.
Enfim, em geral a historinha começa com uma descrição da
“época em que eu não tinha fé”, normalmente relacionada com
uma época em que a pessoa possuía alguma forma de problema
afetivo/financeiro/tragédia ou desgraça do gênero (e para
completar o quadro, andava com a cabeça cheia de laquê e com
300kg de maquiagem, como as vilãs mexicanas). Segue para o
momento da “prova” e finalmente (trilha sonora do Superman) o
momento da ênfase orgástica (na internet normalmente esse
momento sempre é descrito com letras maiúsculas como berreiro
de gata no cio). Essas histórias em geral são loooooooongas,
praticamente intermináveis e totalmente inócuas. No final dessa
novela repleta de baboseiras, o tal “depoente” espera ter
convencido alguém de alguma coisa. Mas, em geral, ele
convenceu de: “Este religioso tem problemas emocionais mal
resolvidos e decidiu fugir deles usando a religião”. Essa história,
de um ponto de vista mais lúcido, poderia ser visto de forma um
139
pouco menos exagerada e desesperada como: “Essa pessoa
estava desesperada por alguma forma de suporte emocional e se
apegou a alguma história da própria cabeça, interpretou algum
fato que aconteceu como queria (ou fora induzida a isso) e agora
sente a necessidade de repetir constantemente, não para
convencer os outros da existência de Deus, como ela alega, mas
para convencer a si própria”. Uma pessoa segura do que acredita
não precisa convencer os outros ou se sentir ameaçada por
crenças diferentes. Ela pouco se importa com isso. Muito menos
necessita se apegar tanto a uma história que poderia ser
facilmente discutida como, “mas e se você interpretou errado o
que aconteceu ou apenas viu o que você quis ver, não
necessariamente o que aconteceu? ” No meio religioso tais
histórias são vistas como “exemplos de fé” por suas características
novelísticas que alimentam as necessidades sexuais/emocionais
que conduzem alguns a irem à igreja. Assim como alguns assistem
novela das oito, religiosos trocam esses testemunhos entre si, e
tanto novelas quanto esses testemunhos furados, não trazem
crescimento espiritual ou intelectual para ninguém, só espetáculos
de entretenimento mesmo. Tanto uma coisa quanto outra
(novelas e testemunhos-dramalhões) são vistos por pessoas
sensatas com um risinho no canto da boca e um sentimento de
pena.

53 - Não elaborar o que disse

Isso caracteriza um comportamento geral do religioso médio.
Após alegar alguma dessas justificativas expostas aqui, ele não
elabora o que quis dizer. Acredita que apenas por falar tal coisa a
discussão sobre o assunto acabou. Geralmente após algumas das
frases típicas, como por exemplo:

140
• – Tal frase é metáfora (estranhamente, nunca diz metáfora
do que ou o que significa);
• – Texto sem contexto é pretexto (não explica qual
acreditaria ser o contexto correto, se é que efetivamente o
sabe);
• – Livre arbítrio (não explica porque Deus permitiu que tal
coisa acontecesse, mas puniu Sodoma e Gomorra, inundou
o mundo e tantas outras partes da Bíblia que alega Deus
ter agido diretamente);
• – A Bíblia não é livro científico (mas não explica então que
forma de lógica a Bíblia segue ou porque a ciência não
deveria ser aplicada ao trecho em discussão).

De uma forma geral, isso apenas denuncia seriamente que o
religioso não tem profundidade real ou argumento mais elaborado
sobre o que acredita. Ele apenas acredita que dizendo tais frases
a discussão termina e demonstra, na verdade, não saber mais
nada sobre o assunto além das frases decoradas que não
envolveram nenhum raciocínio pessoal sobre o assunto. O
denuncia como uma pessoa que está apenas repetindo frases de
forma mecânica sem compreender o que elas significariam ou
implicam.

54 - Concordo, mas discordo

Não passa de pura embromação. Esse se configura quando no
meio de uma discussão, de repente o religioso utiliza argumentos
semelhantes (para não dizer os mesmos) que você está usando,
mas tentando alegar que eles fazem a Bíblia inerrante. Como
parece que a maioria dos religiosos não conhecem muitas partes
da Bíblia além da Criação, o Dilúvio e os Evangelhos. Elas
costumam ser muito usadas nesses três. No caso do Dilúvio você
pode argumentar a possibilidade de ter havido um dilúvio
141
regional. O religioso vai afirmar que isso comprova que a Bíblia
“falou a verdade”. Mas ela não disse isso, ela disse ser um dilúvio
no mundo todo que cobriu até as montanhas mais altas, ainda na
possibilidade de um dilúvio local seria uma situação
extremamente diferente da descrita na Bíblia. Logo, de qualquer
forma, a Bíblia teria mentido, exagerado, distorcido o fato e não
seria inerrante (ver os comentários no Dilúvio Desmascarado). Ao
apontar isso, ao invés de admitir, o religioso vai desencavar mais
provas da possibilidade de um dilúvio local em vez de responder
sobre a diferença entre o descrito e o possível. Normalmente esse
tipo de discussão irritantemente se conduz a duas pessoas falando
exatamente a mesma coisa, mas o religioso buscando negar as
conclusões óbvias (a Bíblia não descreveu isso) com os fatos que
provam ele estar errado. Demonstra uma forma de bloqueio em
não se permitir chegar às conclusões que as provas indicam, como
descobrir o assassino, mas não querer admitir isso para si próprio.
A solução acaba sendo essa negação de ter todas as pistas, mas
não querer ver a respostas que sabota o processo de raciocínio
lógico do próprio religioso.

55 - Ofender sua inteligência

Esse realmente se encontra entre um comportamento comum e
irritante. Por mais que você demonstre quão furados são os
argumentos do religioso, ele tentar falar como “você não
compreendeu o que eu disse” com um ar de superioridade,
embora na verdade ele não tenha evidentemente provado coisa
nenhuma. Para alguém de fora, poderia inclusive ser bem óbvio
que ele perdeu a discussão, contudo ele nunca poderia admitir
isso, e insiste e insiste e insiste. E não parará de te encher até
você cometer um homicídio. Essa é a característica arrogância
cristã: “eu estou certo, perdoa-os, Pai, pois não sabem o que
fazem”. Na verdade, é uma forma de mau-caratismo intelectual
142
(ou mentira da grossa mesmo) e demonstra a clara barreira entre
a pessoa e a realidade, pois ainda que perca ela não pode admitir
por um misto de arrogância, orgulho e aberta ignorância (além de
estupidez) para com o que esteja além de sua estreita visão de
mundo. Normalmente, tal religioso pode até saber que perdeu o
debate e não provou nada, mas ainda tentará fazer a pose que
saiu por cima para manter aparências. É mais ou menos como os
políticos corruptos costumam fazer. Conta que não será
denunciada a falsidade de sua postura e que poderá sair pela
tangente. Em geral a tática de ataque direto costuma ser a mais
efetiva apontando todos os pontos que a pessoa não defendeu,
exigindo respostas objetivas sobre o assunto sem desvios ou
ataques pessoais.

56 - Já respondi antes

Esse é um misto de embromação e mentira descarada. Ao entrar
numa discussão, o religioso alega que “já respondeu antes”, sem
nunca demonstrar quando fora esse “antes” que continha a
resposta. A pseudo-argumentação que o religioso tenta fazer é
que a resposta estaria incluída em algum comentário anterior
como “tal passagem da Bíblia que citei fala sobre isso”, mas ele
nunca vai demonstrar especificamente porque estaria incluída, se
nada indica isso. Dependendo do religioso, ele vai alegar uma
coisa qualquer que ele citou como “tal link”, “tal trecho” etc., mas,
ao ler, uma pessoa normal não consegue ver relação nenhuma
entre aquilo e o que está sendo discutido por mais que o religioso
insista na relação. Uma tática interessante, já que ele espera que
você não vá verificar. Interessante, mas idiota. Pois fatalmente
um cético COM CERTEZA irá verificar. Na verdade, se houvesse
uma relação, o religioso não diria apenas “está lá. Você que vá
procurar”, ele demonstraria como a pergunta foi respondida. Se
ele realmente acredita haver alguma resposta, deveria utilizá-la
143
como argumento, mas ele nunca efetivamente responde apenas
diz: “está lá, vá checar você”. Inversão do ônus da prova. Falácia
clássica. Isso quando alegam estar em algum lugar, não apenas
dizem ter respondido sem ter dito quando, onde, como ou porquê.

ISSO É UMA MENTIRA!!!

Uma pessoa que possui argumentos bem construídos e
embasados pode expressá-los claramente, e não vai ficar jogando
linhas vagas como essa. Linhas vagas é coisa de quem não sabe
do que está falando.

57 - Critérios aleatórios

Inconscientemente muito comum entre religiosos. Demonstra
uma ingenuidade (e muitas vezes completa ignorância) literária
por parte de muitos religiosos, de não conseguirem fazer uma
visão geral sobre a Bíblia e criar um critério definido para julgá-la
em geral. Ao invés disso, tratam cada trecho como não fossem
parte de uma única obra coerente – “plano de Deus” – como
alegam, buscando validar alguns trechos úteis e reduzir a
relevância de outros conforme sua conveniência. Isso demonstra
uma pessoa que não tem um ponto de vista geral sobre o livro na
verdade, pois não consegue apreender todas as informações que
retira dele numa forma uníssona. Necessita alterar seus critérios
de julgamento para cada parte assim poderá utilizar os trechos
que importam como “inspirados por deus” e outros que não como
“não tão significantes”. Contudo a própria Bíblia em nenhum
momento disse ela própria que tal trecho era menos importante
que o outro. O exemplo mais típico disso são os trechos utilizados
para disseminar homofobia como Romanos 1:26-28 – Por isso
Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas
mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E,

144
semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da
mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os
outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em
si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. E, como eles
não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os
entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não
convêm; Porém o critério de dizer esse trecho ser tão relevante
também deveria ser aplicado a outros trechos, como por exemplo,
os trechos da Bíblia que suportam escravidão. Mateus 24:50-51 –
Virá o senhor daquele servo, num dia em que não o espera, e
numa hora de que não sabe, e cortá-lo-á pelo meio, e lhe dará a
sua parte com os hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes.
“Não há nada na Bíblia proibindo a escravidão, apenas a
organizando. Podemos concluir que ela não é imoral” – Rev.
Alexander Campbell. Fosse ser honesto, o religioso deveria
assumir que se homossexualismo é errado, segundo a Bíblia, ao
mesmo tempo ela não alega escravidão o ser, logo assume-se
como algo certo; e como o “dono” teria o direito de puni-lo.
Honestidade intelectual e um critério uniforme sobre o livro inteiro
exigiria isso. Contudo, o religioso tenta alterar e inventar histórias
para evitar cair na arapuca que o próprio texto da Bíblia o coloca
tratando como fossem partes de livros completamente diferentes.
Por acidente, eles estão admitindo a falta de coerência da Bíblia
ao se verem forçados a alterar seus critérios de acordo com sua
conveniência. Na verdade, eles só estariam usando trechos da
Bíblia que convém para justificar seus próprios preconceitos
pessoais, e isso fica mais do que claro nas argumentações
religiosas.

58 - Jamais admitir homofobia

Homofobia costuma ser algo extremamente comum entre
cristãos, isso inclui entre piadas, comentários perniciosos sobre,
145
negar direitos iguais aos de casais heterossexuais, buscar
“convertê-los à heterossexualidade”, através de um processo
doentio de tortura mental por culpa e repressão e promover
encontros para “curar” do que os religiosos consideram uma
doença. Em forma geral homossexuais costumam ser vistos como
alguma forma de perversão sexual. Obviamente uma visão
asquerosa sobre outro ser humano, principalmente por partir de
discursos tão abertamente preconceituosos. Negar os direitos
civis de casais homossexuais é tratado como “fosse algo óbvio que
eles não devem ter”. Inclusive ao ponto de não se poder citar o
termo homossexualidade sem ouvir looongos e tediantes
discursos preconceituosos sobre o assunto, porque alguns se
sentem realmente incomodados sobre isso (tendência
homossexual reprimida talvez?). Ainda com todas essas gritantes
atitudes homofóbicas, o religioso típico nunca vai admiti-las como
homofóbicas. A desculpa mais típica é: “tenho amigo gay”. Se for
seu amigo, porque então nega ele ter os mesmos direitos civis de
qualquer outro casal? Neste tipo de diálogo, em geral, o religioso
vai buscar usar a Bíblia inteira se puder para alegar “não ser
natural”, inventar diálogos surreais sobre biologia sem base
nenhuma etc. Para isso, a ciência serve muito bem. Mas, quando
se fala do comportamento homossexual de muitas espécies
selvagens, o discurso muda de novo. O motivo na verdade é bem
simples de entender: Uma pessoa só se torna homofóbica quando
não é sexualmente resolvida. Estamos falando de uma instituição
que descobriu muito cedo que deveria expandir seu número de
fiéis através do conceito de “família cristã”. Pai, mãe e filhos, filhos
estes que crescem, formam outra família (cristã, é claro) e mais
religiosos para o mundo. Mais preconceituosos. E maior
dominação das igrejas. Enfim, para a igreja, a homossexualidade
representa um risco a seus propósitos de proliferação de fiéis para
adquirir mais poder através de “famílias cristãs”. Para os religiosos
a homossexualidade representa uma liberdade que a eles não
146
pode ser permitida; pois se contrariassem a vontade da igreja,
estariam diante de um “efeito dominó”, em que todas as outras
repressões sexuais da igreja cairiam juntas como:

• Sexo somente depois do casamento
• Nada de divórcio e nem pensar em segundo casamento
(tido agora como uma “praga” por Bento XVI).
• Sem masturbação.
• Sexo anal? Piorou!!!

Entre muitas outras coisas.

O que sinceramente deveriam cair mesmo porque, por mais que
a igreja e religiosos gostem ou deixem de gostar, sempre vai
existir toda a listinha acima descrita, e as tentativa de traçar
linhas sobre como deveria ser o comportamento sexual das
pessoas nunca funcionou em nenhum outro lugar além do papel
mesmo. E a tentativa de reprimi-las SEMPRE gerou crueldades,
injustiça, intolerância e nunca nada de bom à história da
humanidade. Não que alguma vez a religião mostrou-se justa,
tolerante, benevolente e extremamente bondosa. Afinal de
contas, o que está aí para cristãos serem contra homossexuais?
Cristo (caso tenha existido) não negava sexo com mulheres,
andava com 12 homens e foi entregue por um beijo de um de seus
apóstolos. Pelo menos, não há nada no Novo Testamento
relatando o contrário.

59 - O que é você sem deus?

Frase típica entre os religiosos que acreditam significar muita
coisa: “Deus sem você ainda é deus e você sem deus o que você
é? ”

147
L I V R E!

Um ateu/agnóstico vai formar suas ideias baseadas em sua
percepção e experiências pessoais sobre a realidade que vive, não
buscar encaixar a realidade a histórias mitológicas, que na
verdade nem foram feitas para a realidade contemporânea que
vivemos. Eles pensarão sem se preocupar com limites e coisas
que não deveria pensar sobre ou restringir sua visão de mundo.
Um ateu não acredita em nenhuma divindade. Logo, ele não sente
necessidade de crer nisso para conduzir sua vida. Ele apenas vive
a vida e dá um “que se dane” às divindades nas quais ele não
acredita. Um agnóstico não vê necessidade de refletir como sua
vida será melhor ou pior se um deus qualquer existir. Sua filosofia
implica que ele não conseguirá entender toda a essência de uma
divindade (seja ela qual for). No máximo, é um observador do
comportamento humano no que tange às religiões. Tanto para
um, quanto para outro, seria perda de tempo dedicar-se a
reflexões sobre sua própria existência perante a crença num ser
tido como superior que, mediante as pregações, só sabe
perseguir, matar, escravizar, chacinar e esmagar qualquer um
que não o aceite. Se um ateu/agnóstico fizer algo bom, será
porque se importa com o seu semelhante e não por medo de
“queimar no inferno” (algo sem sentido para os dois). Eles não
irão se obrigar a converter outros a acreditarem no mesmo que
eles, para nunca ter de admitir as falhas do que acreditam. Eles
aceitam que outros tenham crenças diferentes das suas, baseados
em suas experiências de vida, mas não que essa crença alheia lhe
seja imposta.

É a regra do viva e deixe viver.

No fim das contas, sem a ideia de um deus te olhando para cada
coisa que você faz, você se torna mais responsável por seus

148
próprios atos, ao invés de atribuí-lo a “entidades” como deuses,
demônios ou coisas do gênero, para nunca desenvolver sua
autocrítica.

• Deus sem você é nada, você sem ele é você mesmo.

60 - Livro com mais cópias no mundo

Argumento barato usado aleatoriamente em discussões ainda que
não tenha nada a ver com o tema do debate (como sempre).
Assim como a justificativa nº 8 (associar longevidade com
verdade), essa se baseia em buscar associar qualidades à Bíblia
que não validam de forma alguma o que ela alega. Uma extensão
de “quantidade vale mais que qualidade”.

As falhas desse argumento:

• Não existem contagens de quantas cópias da Bíblia foram
impressas desde a época de Gutemberg até hoje, porque
nunca houve contagem. Existe uma estimativa de 1816 até
1975 seria entre 3 a 6 bilhões de cópias pela Bible Society.
Outros livros de destaque entre mais impressos do mundo
são o Corão, quotações de Mao Tsé tung (dito estar nas
mãos de todo chinês adulto entre 66 a 71), Guinness Book
of Records entre outros.

Mas esses citados pessoalmente não teriam um milímetro de valor
acima de algum livro de poesias do Drummond ou de contos do
Borges os quais com certeza teriam números muito menos
impressionantes de cópias. Isso sem falar em Shakespeare,
Camões, Homero, Maquiavel, Voltaire e por aí afora.

149
• As versões mudam conforme os interesses. As “Novas
Traduções da Linguagem de Hoje” acabam diferindo muito.
A Bíblia usada pelos protestantes é diferente da Bíblia usada
pela Igreja Católica. Logo, teria que ser computado em
separado, o que reduziria essa quantidade alegada. A não
ser que possamos contar num único grupo todos os livros
de culinária do mundo e eleger a “Dona Benta” a maior
porta-voz das “Verdades Celestes Alimentícias” …
• Muitas coisas são consumidas em massa, indiferente à ser
algo bem ou mal escrito. De forma geral trabalhos mais
elaborados literariamente que exigem uma bagagem
cultural mais rica se tornam naturalmente elitistas, pois boa
parte da população não tem “refinamento literário” como
uma prioridade em suas vidas. Nada de errado com não
terem, trabalham, tem mais o que fazer, mas é apenas um
fato que pode tornar o julgamento da qualidade
questionável quando baseada exclusivamente no número
de vendas.

Afinal vamos ver quantas bombas fizeram sucesso nos últimos
anos: filmes do Rambo, bandas de pagode, Britney Spears, Paris
Hilton, Sílvio Santos, Gugu, Lair Ribeiro, Xuxa, Faustão, Dan
Brown, novelas da Globo etc, etc e etc. Todos no topo da lista de
sucessos. Alegar que um livro está correto por ser o que mais
vende implica o critério de algo ser bom ou mau a partir do seu
sucesso. Por consequência implica que a Bíblia é tão correta
quanto o vídeo pornô da Paris Hilton que também tem cópias pelo
mundo todo.

61 - Ninguém é feliz sem Jesus

Boa parte da necessidade de autoafirmação do religioso baseia-se
em “eu sou mais feliz que alguém que não crê”. Na realidade, por
150
extensão essa crença os conduz a tentar justificar um monte de
formas de censura como “os jornais não deveriam mostrar tanta
desgraça” (ainda que seja realidade), “não se deveria falar
palavrão na TV” (não conheço ninguém que reze um terço depois
de dar uma topada com um dedão tendo unha encravada), “cenas
de sexo são um absurdo” (mas, quando elas aparecem, todos eles
ficam grudados na tela babando) e todas as outras formas de
expressão que poderiam potencialmente retirar o religioso de uma
visão positivista do mundo. Para se acreditar “ser mais feliz” é
renegada a informação negativa, conduzindo à ignorância e
imaturidade. O principal problema disso é que não justifica a
crença em si, não vai esconder as contradições, erros e
esquisitices da Bíblia, que simplesmente sempre vão existir
indiferente à crença. Na verdade, suborna os fiéis com a promessa
de não questione para ser feliz, ao mesmo tempo que busca
amedrontar os fiéis que “você deixará de ser feliz se questionar”.
Se uma promessa vã não funciona, partem para a ameaça.
Entretanto, ninguém precisa da Bíblia para ser feliz, ou qualquer
crença religiosa na verdade, pois a felicidade está muito mais para
algo que se conquista através de esforço e dedicação que
simplesmente buscar negar que existem coisas erradas sem
nunca as resolver. Lutar por felicidade pessoal é mais importante
que fé, pois uma pessoa feliz causa menos danos que alguém
fugindo da realidade.

62 - Eu digo as besteiras, você procura as fontes

Esse argumento é usado por religiosos como maneira de se
esquivar quando falam alguma bobagem pseudo-científica. Por
exemplo:

151
• Religioso: Ora, já foi provado que o dilúvio existiu e existem
milhares de provas documentais. Saiu na National
Geographic, no Canal Discovery, e no History Channel.
• Cético: Engraçado. Sou assinante desses serviços e nunca
vi. Mostre-me uma prova sobre o que você está falando.
• Religioso: Ah, não. Se você está interessado em ver,
procura que você acha.

Ou seja, é um misto de preguiça com deslealdade, na esperança
de desobrigá-lo a admitir que falou uma bobagem. Uma falácia
chamada “inversão do ônus da prova”. Cabe aos debatedores
insistirem para ele colocar as fontes.

63 - Reflitam sobre isso

Uma introdução ou término para alguma asneira colossal. Nesse
tipo de início de frase, a ideia do religioso é “quebrar o padrão do
que está sendo discutido, trazendo uma nova visão mais profunda
sobre o assunto”. Naturalmente, tal visão deveria ser
apresentada, elaborada e talvez convencer os outros ou não. Mas
com a tática do “reflitam sobre isso”, o religioso já está querendo
dizer que o que foi, ou está para ser dito é profundo de alguma
forma e merecia mais atenção. Não importa quão irrelevante ou
óbvio o que foi dito pareça aos outros. Como se assume algo antes
de ver a reação dos outros, caracteriza arrogância porque em
geral o que segue é bem ridículo e medíocre. Costuma ser algo
como alegar uma forma de visão que foge completamente do
tema discutido para falar de alguma outra coisa, como “tal
exemplo de milagre”, “a bela visão de passagem tal”, “a
profundidade do sei-lá-o-que” etc. Sempre fugindo do tema ou
tenta superestimar a qualidade do argumento apresentado. Afinal,
ninguém aqui está procurando guru, só ouvir outros pontos de

152
vista sobre o assunto. Quando alguém disser “reflita sobre” se
prepare que lá vem asneira.

64 - Vamos respeitar as lendas dos outros?

Vez por outra aparece um religioso pedindo “respeito a Deus”, que
com “Deus não se brinca”, e ficam indignados quando dizemos
que Deus é um sádico, manipulador, cruel, omisso, conivente,
etc., porém se esquecem que estamos falando de uma abstração,
uma ideia. Qual o problema de se ofender uma ideia? Se
dissermos que a ideia da Terra Oca é ridícula, ela ficaria ofendida?
Deveríamos respeitar um produto da imaginação de alguém?
Vamos respeitar os vampiros, os lobisomens, os duendes, os sacis
etc. porque, você sabe, com eles não se brinca… Essa desculpa é
logo seguida por várias outras, como se fazer de vítima,
desespero, etc. É infundada, pois não está se ofendendo uma
pessoa. Não é um ad hominem. E se Deus ficou ofendido, ele que
se manifeste e diga por si próprio. Como ele não se manifesta,
assume-se que ou ele não existe, ou ele não ficou ofendido.

65 - Milagres

Muitas vezes o religioso abandona o tema do debate e usa essa
(e as outras desculpas) como falácia do espantalho e do apelo à
ignorância. Ou seja, no desespero de querer convencer alguém,
parte para os misteriosos milagres que ninguém explica. Em
primeiro lugar, só porque não há uma explicação ainda, não
significa que foi obra divina. Isso é básico no guia de falácias.
Mesmo assim, os tais milagres são facilmente explicados quando
se leva em conta o “efeito placebo”. Antes de um medicamento
novo ser lançado no mercado, é obrigatório por lei a estudar o
efeito placebo. Ou seja, o remédio é dado para metade dos
voluntários, e a outra metade recebe pílulas de farinha. O que
153
acontece é que algumas pessoas têm tanta fé, no que quer que
seja, em Deus, em Jesus, em Buda, em algum santo, em si
mesmas, enfim, em qualquer coisa, que elas, achando que estão
tomando o remédio verdadeiro, se curam com as pílulas de
farinha! Elas até apresentam sintomas dos efeitos colaterais,
como náuseas, tonturas, inclusive irritações na pele e alergias! Ou
seja, uma sugestão mental proporcionou uma “cura milagrosa”. E
não são doenças banais não. Há casos documentados de tumores
que regrediram com os placebos. Enfim, o que a igreja representa
nesses milagres é justamente isso, o mecanismo de defesa é
ativado no cérebro, que pode causar uma cura milagrosa, por
causa da vontade de viver do paciente. Existem outras explicações
perfeitamente possíveis. Por exemplo, um milagre muitas vezes é
esquecido depois de um tempo, e os sintomas acabam voltando.
Mas a história do “milagre” permanece. Outra, os milagres atuais
dificilmente passam de dores de estômago, gastrites, dores de
cabeça, etc, que podem muito bem ser curadas pelo efeito
placebo. Agora, fazer cegos enxergarem, aleijados caminhares, e
surdos ouvirem, isso ninguém faz… Para finalizar, existem pessoas
que rezam em hospitais. Se eventualmente uma pessoa ou outra
se curar, não invalida o fato de que várias outras morreram,
mesmo recebendo as mesmas orações.

66 - Esquizofrenia crônica

Incrível como os religiosos esperam convencer alguém assim. Eles
alegam que são capazes de conversar com Deus. E o pior: Deus
responde! Interessante, não é? Seria curioso investigar mais a
fundo esses casos, perguntando qual é o timbre da voz de Deus,
ou se é voz de homem ou de mulher, etc., mas muito cuidado,
pois pessoas que ouvem vozes podem ficar violentas quando
contrariadas. A não ser, é claro, que seja charlatanismo puro e
simples. Ouvir vozes é obviamente inválido como argumento, pois
154
se trata de uma experiência pessoal, portanto passível del ser
falseada. Gostaria apenas de saber qual o motivo de o fez ser um
“escolhido” de Deus, para escutar a sua voz, enquanto
99,99999% da população não teve tanta sorte. Mesmo os líderes
religiosos. E ainda dizem que Deus não faz acepção de pessoas…

67 - Olha a trave no seu olho

Essa justificativa é usada quando o religioso se sente encurralado
com seus argumentos, e resolve apontar os erros nas religiões
dos outros, e até na Ciência, de forma a tentar minimizar os erros
da Bíblia (nem que ele tenha que inventar esses erros).

Por exemplo:

• – A Bíblia é machista sim, mas o islamismo é muito mais
machista
• – É claro que o criacionismo é verdadeiro. A ciência não é
capaz de responder de onde viemos.
• – A Bíblia é cruel sim, mas Hitler fez muito pior e ele era
ateu (apesar de ter recebido ajuda de Pio XI).

Por incrível que pareça, esses exemplos acima foram tirados de
discussões reais. Fica claro que eles sequer sabem do que estão
falando. E mesmo que fosse verdade, isso não diminui de maneira
nenhuma os erros da Bíblia e do cristianismo. Um erro jamais
justificará outro.

A não ser na visão bíblica, é claro.

155
68 - Vocês fogem da verdade

Numa crise de auto-justificação, quando o religioso perde alguma
forma de debate, ou é evidente e esmagadoramente refutado, ele
acaba alegando isso, como se fosse uma verdade definitiva.
Curiosamente, como em muitas outras coisas ditas por religiosos,
ele nunca esclarece qual “verdade” seria essa. A bem dizer essa
“verdade” parece significar que você deveria ir a uma igreja
repetir frases com um grupo todo domingo de forma mecânica,
sem raciocinar sobre seus significados, assumir que a Bíblia possui
uma mensagem extremamente relevante, embora não exista
motivo para ela ser algo mais relevante à sociedade
contemporânea que pensadores muito mais recentes e de
pensamento muito mais elaborado etc. Enfim, assume que
qualquer pessoa com um ponto de vista diferente de ser um
religioso “não está ouvindo a verdade”. É um argumento tão auto-
propagandístico – e sem nenhuma base de suporte – que fica
difícil de levar a sério. Evidentemente a palavra “verdade” está
sendo usada aleatoriamente quando a pessoa não foi capaz de
justificá-la através de argumentos sólidos. Desse modo, qualquer
um pode dizer “você está fugindo da verdade” quando alguém
discorda da sua opinião. Agora, a forma como você prova sua
opinião ser mais próxima de “verdade” quando apresenta motivos,
evidências e razões pelos quais ela seria. Senão, nós temos
alguém defendendo peixes voarem no sertão e quando você diz
ser absurdo, ela sai te olhando torto “você foge da verdade”. A
alienação não conhece fronteiras. O conceito de verdade, embora
subjetivo e amplamente discutido em filosofia, no contexto dessa
justificativa está sendo utilizado apenas como uma palavra
aleatória, e não um conceito real e embasado.

156
69 - Quem és para compreender deus?

Nessa justificativa o religioso apela para reduzir a raça humana
inteira como fosse incapaz de compreender os panos de alguém
superior com conhecimento ilimitado e acima de todos nós
juntos… Bom, todo esse glamour do poder divino, sua onipotência
e tudo o mais pode parecer muito bonito no papel, mas esse
argumento tem um efeito colateral bem nocivo ao que o religioso
está buscando te convencer: “Se ele é tanto que eu nunca vou
conseguir compreender, porque eu deveria me importar então? ”
A descrição de um deus completamente fora dos padrões de vida
humana que conhecemos o torna inválido, pois julgamos a
existência a partir de nossa perspectiva de vida e do que temos
como importante e valioso. Isso é o que a raça humana tem para
analisar e compreender a vida, consequentemente e,
principalmente, nesse caso os valores não deveriam ser alterados
por motivos que não são explicados de forma alguma. Ou seja, se
alguém ordena o extermínio de pessoas do mundo inteiro, como
no dilúvio e apocalipse, isso ainda caracteriza um ato de crueldade
imperdoável para o que damos valor. Se existem “motivos que
não somos capazes de compreender”, bom, eles não nos
importam nada se o que compreendemos é ver uma pilha de
cadáveres de conhecidos, amigos e família, além de termos de
contar e enterrar corpos depois da “TPM divina”. Nós podemos não
compreender deus, segundo os religiosos fazem crer, mas
compreendemos o que é certo ou errado. Compreendemos que
crueldades como essas são extremamente desnecessárias e se um
deus as exige, então nós não precisamos desse deus. Esse
argumento torna Deus, não só inútil, mas perverso e digno de
desprezo para qualquer pessoa com um mínimo de bom senso.

157
70 - Por que deus não se manifesta?

Religiosos: Ora Deus não se manifesta porque Moisés viu. Quando
ele viu as costas de Deus, ficou todo maluco…

• Ou então: Porque se virmos Deus, todos nós seremos
esmagados…
• Ou ainda: Não preciso vê-lo. Eu acredito que ele existe e
isso me basta.
• Para terminar: Você é um incrédulo e vai arder no Inferno,
amém!

71 - Por que os ateus pensam tanto em deus?

Quando já acabaram os argumentos, toca menosprezar os ateus
(para eles, qualquer um que não siga a fé deles, é ateu. Mesmo
agnósticos membros de outras religiões etc). Na verdade, é um
apelo à misericórdia. Fazem-se de coitadinhos e pretendem com
isso desviar o assunto. Pena que é um subterfúgio tolo e ridículo.
Ninguém precisa se interessar por genocídios para estudar e
compreender a mente de psicopatas.

72 - Deus é imaterial?

Os religiosos quando questionados sobre como é possível que
Deus se autocriou ou que ele esteja em todos os lugares, ou que
ele seja “omni-tudo” (só nos cabe usar essa expressão para
designar as coisas que deus é, mediante os religiosos), os
religiosos dizem que Deus é imaterial, por isso não respeitas as
leis físicas… Engraçado né? Ele não é material, mas faz “coisas”
materiais. Sem nexo algum. Ou ainda: cria leis que ele mesmo
viola, no melhor estilo “faça o que eu digo, mas não faça o que eu
faço”. E disso, está repleto na Bíblia. O mais engraçado é que os

158
religiosos refutam a Evolução (sem argumentos, como sempre)
porque dizem que é impossível alguma coisa ter surgido do nada,
afinal tudo tem que ter um começo… Ainda assim, dizem de peito
cheio que Deus veio do nada. Ou para os mais “distraídos” dizem
que Deus sempre existiu, mas se esquecem que tinham dito que
tudo tem que ter um começo. Eita paradoxo…

73 - Conciliar ambiguidades

Esse consiste na base do pensamento cristão, e que sustenta
alguém seguir a Bíblia: “Conciliar ambiguidades opostas”. Buscar
conciliar a ideia de um deus bondoso contra a lista de crimes
contra humanidade que ele comete durante a Bíblia, que vai desde
dilúvio e extermínio de toda a raça humana por Noé, até o
extermínio de milhões, conforme descrito no Apocalipse. Em
qualquer outra situação qualquer pessoa, inclusive cristãos,
alegaria tais crimes como imperdoáveis. Contudo quando
aplicados a Deus” toda forma de argumento para defendê-lo
aparece. Como, digamos, um advogado dos nazistas no
julgamento de Nuremberg faria. As tentativas de defesa (que
nunca passam da tentativa) normalmente se baseiam em buscar
evitar que as pessoas tenham uma visão completa da cena
descrita (pois se alguém imagina crianças mortas, dificilmente
imagina uma pessoa boa por trás disso) para prender o leitor em
detalhes históricos irrelevantes, desculpas esfarrapadas ou
qualquer outra coisa que distraia o leitor de assumir o óbvio: Isso
não apenas é cruel como imperdoável.

Exemplos claros de atrocidades ordenadas por deus na Bíblia
temos:

I Samuel 15:2-3 – Eu me recordei do que fez Amaleque a Israel;
como se lhe opôs no caminho, quando subia do Egito. Vai, pois,

159
agora e fere a Amaleque; e destrói totalmente a tudo o que tiver,
e não lhe perdoes; porém matarás desde o homem até à mulher,
desde os meninos até aos de peito, desde os bois até às ovelhas,
e desde os camelos até aos jumentos. ”

Números 31 e Oseias 13 também não são contos de fadas com
final feliz. Fariam até mesmo Hannibal Lecter ter pesadelos. Este
deus eles defendem como “bondoso”.

74 - A moral objetiva é deus

Deus serve para nos manter na linha, mas é através do medo! Se
errar, vai para o Inferno e se portarem bem (tradução: se
escravizarem-se moralmente) vão para o Céu… Mais interesseiro
por parte dos religiosos impossível! E depois são os ateus e
agnósticos que responsáveis por essas desgraças que vemos
diariamente Afinal, ateus/agnósticos, com sua falta de fé,
insultam Deus e este se vinga em todo mundo. Mas,
convenientemente, “esquecem” que as maiores atrocidades foram
feitas em nome de Deus, basta ler os livros de história. Entre uma
moral objetiva que é estranha (mata e faz vida segundo a Bíblia,
como quer e bem entende) é preferível a moral subjetiva dos
homens que não se diz infalível, mas tenta ser…

75 - Deus manda e desmanda, afinal criou tudo

É muito comum os religiosos aparecerem com desculpas toscas
como esta:

Deus elegeu de antemão algumas pessoas, as quais irá
efetivamente salvar, ao longo da história. Os demais foram
(igualmente de antemão) destinados à condenação eterna. Isso é
justo porque:

160
1) Ele é o criador do Universo e também dos seres
humanos. Assim pode fazer o que quiser.
2) Ele detém uma lei moral a partir da qual tudo é
justificado como certo ou errado, justo ou injusto.

É um completo equívoco e disparate supor que o homem possa
questionar qualquer ação divina, partindo do seu código pessoal
de ética subjetivo (e pervertido pelo pecado). Então, Deus criou
tudo e pode fazer o que lhe apetecer, quer matar? Mata! Quer
criar? Cria! Para depois matar de novo, óbvio. E não deve nada a
ninguém, afinal ele é Deus e nós não somos nada. Isso é
mentalidade de um Deus (um ser que alegam ser onisciente)?
Para os religiosos sim. E ainda dizem que é justo. Mas analisando
isso, teremos um sério probleminha nas mãos dos religiosos.
Afinal, isso contraria o livre arbítrio. Mas um religioso em média
não pensa, e associam o livre arbítrio com a seleção que Deus já
fez antes de nascermos. Isso é possível? Na mente de um religioso
sim. Também quem lê a Bíblia e viaja com as histórias de Adão e
Eva, Arca de Noé, Criação do mundo em seis dias. Bem, é só mais
uma bobagem a mais e não fará diferença no final das contas.

76 - Usar a frase pronta “não dê pérolas aos porcos”

Quando o religioso em uma discussão disser isso, pode ter certeza
que na verdade ele quer dizer: Eu não tenho argumentos bons
para poder te refutar, e seu eu tentar refuta-lo com a Bíblia não
conseguirei respostas e verei que a Bíblia tem falhas, mas o meu
orgulho me impede dar o braço a torcer, se eu fizer isso e admitir
a minha derrota serei taxado como incompetente perante os
membros da minha igreja, e estarei dando a vitória para Satanás
(que na verdade é o argumentador). Isso é muito comum nas
comunidades religiosos, pois não aguentam a humilhação causada

161
por pessoas que pensam e sabem que a ciência desmente a Bíblia
totalmente.

77 - Cair na perdição

Característico de inseguranças pessoais do próprio religioso. Esse
é extremamente repetido, mas o que significa é o seguinte: “Se
eu sair da igreja é o que EU faria”. Admite ter interesse nessa
“perdição” de cair em festa, drogas e bebida, mas precisa de uma
trava para se segurar. Só se pode julgar a partir de experiência
pessoal, se uma pessoa acredita que a igreja é a única forma de
manter autocontrole eles não estão defendendo existência de um
deus qualquer, mas uma imposição de comportamento, a base da
propaganda fascista. Bem, a realidade é que nem todo mundo
precisa dessa trava, isso não tem relação com crenças, mas com
ser pessoalmente responsável. Ser religioso, ateu, agnóstico é
irrelevante pois existem casos extremos em todos os lados. Essa
justificativa se baseia em chantagem emocional e buscar afetar o
senso de segurança da pessoa (ver justificativa nº 25: Porque
Cristo te incomoda?). Na realidade, se você precisa de religião
para não fazer besteira é porque você QUER fazer e
eventualmente vai fazer na primeira oportunidade (e depois
alegar que estava sob domínio do demônio). Irá buscar reter algo
por tanto tempo, que o acúmulo torna a explosão muito mais
intensa do que fosse feito aos poucos casualmente e de forma
relativamente equilibrada. É um motivo que pode levar a uma
tentativa de justificar comportamentos doentios como pedofilia,
pastores usando drogas e os casos característicos de igrejas que
se baseiam no princípio de “quero fazer, mas não vou deixar que
saibam”. A mentira mútua em que tantas igrejas se baseiam.
Existe tanto uso de drogas, homossexualismo e perversão sexual
na comunidade religiosa, como em qualquer outra. Não se altera
a natureza humana. Eles apenas negam e escondem com
162
hipocrisia. Outras comunidades assumem e lidam com as
questões envolvidas de forma mais racional, razoável e
equilibrada sem o senso de culpa desnecessário. Afinal, quem
acha que um religioso berrando nas ruas que “deus o livrou das
drogas” parece algo muito equilibrado?

78 - A ignorância vence conhecimento

Um conflito característico de discussões com religiosos está em
que boa parte dos casos, quando eles tentam refutar dados
científicos, eles demonstram total desconhecimento sobre Ciência.
Isso em linhas gerais, claro que existem cientistas cristãos.
Ciência não exclui religião nenhuma (apesar do que tentam
propagar); ela apenas apresenta fatos que inviabilizam esta ou
aquela historinha sem pé nem cabeça. Isso significa que uma
religião acabaria? Deus precisa de fatos absurdos para poder
existir? O consenso no meio de igrejas é que o conhecimento
contrário às alegações bíblicas não é “o verdadeiro”. Qual a base
para alegar que tal conhecimento é mesmo válido dentro dos
parâmetros e bases do que foi alegado? Em geral nenhuma. Se
visto em profundidade, os argumentos contrários à afirmações
como “a Bíblia não foi copiada de outras mitologias” tem muita
pouca base real no que alega ou, para não dizer 100% dos casos,
uma base muito menos pesquisada e/ou intelectualmente honesta
sobre o assunto. Ainda assim, tais argumentos sem base são
tratados como se devessem ter a mesma validade e peso. Como
o trabalho do primeiro grau devesse ficar ao lado da tese de
mestrado. Essa falta de senso crítico demonstra mais uma defesa
da própria ignorância sobre o assunto que busca aprender
realmente sobre o que se está falando. A ausência de assumir os
diferentes níveis de argumentos entre mais ou menos embasados,
busca tornar a todos supérfluos e esconder o que faz mais sentido.
Dessa forma, um ignorante não precisa se admitir como errado
163
(coitadinho dele, vamos seguir essa bobagem que ele está
defendendo e abandonar todo o conhecimento que a humanidade
desenvolveu nos últimos dez mil anos). Em vez de elevar quem
está no nível básico, busca rebaixar quem está no nível mais
adiantado. Isso soa como buscar evoluir de alguma forma?

79 - A NASA provou.

Religiosos formam uma raça engraçada. Nunca aceitam nada do
que a Ciência diz, mas quando é para tentar refutar alguma coisa,
aparecem logo com “A NASA provou! ” Isso é de uma estupidez
sem limites, pois a NASA (National Aeronautics and Space
Administration) cuida apenas do que seu nome refere:
Aeronáutica e Espaço.

 A NASA provou a história fake de Josué, através de um dia
perdido.
 Cientistas da NASA provaram que o Sudário de Turim é
verdadeiro.
 A NASA contatou as aparições da Virgem Maria
 A NASA mostrou que Jesus existiu, conforme os
Evangelhos…

NASA isso… NASA aquilo…

A NASA comprou que o Universo expande. Isso os idiotas
religiosos falam? Não! A NASA estuda como as estrelas surgem e
sobre a datação do Sistema Solar em muito, mas muito mais que
os aproximados 5700 anos que os religiosos instem que a Terra
possui. Os religiosos dizem isso? Não, né? A NASA é uma grande
entidade científica e já refutou muitas bobagens que os tolos
religiosos insistem em pregar nos cultos. Ela acabou se tornando
um modo deles fazerem valer suas crendices, mostrando total

164
ignorância científica sobre a natureza da instituição. Claro que de
ignorantes não se pode esperar muita coisa.

80 - Jesus dividiu o calendário

Uma das desculpas mais estúpidas. Para princípio de conversa,
Jesus não fez nada porque não existiu. E mesmo que tivesse
existido, não faria diferença. O calendário gregoriano (que é
utilizado na maior parte do mundo e em todos os países
ocidentais) foi promulgado pelo Papa Gregório XIII a 24 de
fevereiro do ano 1582 para substituir o calendário Juliano. A
determinação do ano corrente se dá teoricamente quando Jesus
Jóquei de Jegue teria nascido. Este ano foi calculado por um
camarada chamado Dionísio Pequeno em 525 E.C. (Era Comum)
e instituído pelo Papa João I. O mais curioso é que se for tomar
as narrativas bíblicas como base, Jesus teria nascido 6 anos antes
do ano I EC. Ou seja, Jesus (caso tivesse existido) não seria
165
provado pelo calendário, já que erraram brutalmente quando ele
nasceu (será que ele nasceu antes dele aparecer no mundo?) e,
de qualquer forma, pouco importa. Foi uma determinação papal
em 1582 e usada até hoje em países cristãos. Ora, e o Calendário
Chinês? E o Muçulmano? E o Hebraico? Calendário é o que não
falta. Cada um com sua forma de contagem. Calendários não
provam nada. Se provarem, então TODOS os cristãos terão que
aceitar os santos da Igreja Católica e os deuses gregos e romanos.

Referências e Fontes:
http://pt.wikipedia.org
www.ceticismo.net

166
11 - Centenas de provas da existência de Deus >>>

Na página Ateístas de Silicón Valley, se propuseram recompilar
todos os argumentos que os crentes têm usado e usam na hora
de defender a existêencia de seu deus imaginário. Ainda que os
consideremos como piada, são usados constantemente pelos
crentes na hora de debater com ateus e céticos, como se fossem
argumentos sérios para se levar em conta em vez de rir deles.

Anteriormente: “Mais de trezentas provas da existência de Deus”.
Originalmente adaptado de um fórum de Internet Infidels.

Ateístas de Silicón Valley

Tradução JL

167
1. Argumento Trascendental Ou Pressuposicionalista (I)
(1) Se a razão existe, Deus existe
(2) A razão existe
(3) Logo, Deus existe
2. Argumento Cosmológico Ou Da Primeira Causa (I)
(1) Se afirmo que algo deve ter uma causa, é porque tem uma
causa
(2) Afirmo que o universo deve ter uma causa
(3) Portanto o universo tem uma causa
(4) Logo, Deus existe
3. Argumento Ontológico
(1) Defino que Deus é X
(2) Como posso conceber X, X deve existir
(3) Logo, Deus existe
4. Argumento Ontológico (Ii)
(1) Posso conceber um Deus perfeito
(2) Uma das qualidades da perfeição é a existência
(3) Logo, Deus existe
5. Argumento Ontológico Modal
(1) Deus é necessário ou desnecessário
(2) Deus não é desnecessário, logo Deus deve ser necessário
(3) Logo, Deus existe
6. Argumento Teleológico
(1) Olhe o mundo/o universo/uma jirafa, não são complexos?
(2) Só Deus pode tê-los feito tão complexos
(3) Logo, Deus existe
7. Argumento Da Beleza Ou Do Desenho/Teleológico
(1) Olhe uma criança, um por do Sol ou uma flor, não são
belíssimos?
(2) Só Deus pode tê-los feito tão belos
(3) Logo, Deus existe
8. Argumento Do Milagre (I)
(1) Minha tia tinha câncer
(2) Os médicos lhe aplicaram tratamentos terriveis
(3) Minha tia rezou a Deus e agora não tem câncer
(4) Logo, Deus existe

168
9. Argumento Moral (I)
(1) A pessoa X, um conhecido ateu, era moralmente inferior a
todos nós
(2) Logo, Deus existe
10. Argumento Moral (Ii)
(1) Quando eu era joven molestava, bebía, fumava, jogava,
abusava de crianças, roubava, assassinava, era um verdadeiro
bastardo
(2) Tudo isso mudou quando virei religioso
(3) Logo, Deus existe
11. Argumento Da Criação Ou Da Incredulidade Pessoal (I)
(1) Se a evolução é falsa, o criacionismo é verdadeiro e,
portanto, deus existe
(2) A evolução não pode ser verdadeira porque me falta a
capacidade intelectual para compreendê-la e aceitá-la também
me deixa desconfortável
(3) Logo, Deus existe
12. Argumento Do Medo
(1) Se não existe Deus, deixaremos de existir ao morrer
(2) Isso me assusta
(3) Logo, Deus existe
13. Argumento Da Biblia
(1) [Passagem arbitrária do Antigo Testamento]
(2) [Passagem arbitrária do Novo Testamento]
(3) Logo, Deus existe
14. Argumento Da Inteligencia
(1) Olha, eu não vejo nenhum sentido tentar explicar o
problema para vocês ateus estúpidos, é muito complicado para
vocês entenderem. Deus existe, queiram ou não
(2) Logo, Dios existe
15. Argumento Da Falta De Inteligencia
(1) Ok, não pretendo ser tão inteligente quanto vocês crianças,
realmente vocês lêem muito. Mas eu leio a Bíblia, e nada que
possam dizer vai convencer-me de que Deus não existe. Eu
sinto isso em meu coração e você também sentiria se deixasse
Deus entrar em sua vida. "Porque Deus amou o mundo de tal

169
maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele
que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. ” João 3:16
(2) Logo, Deus existe
16. Argumento Da Crençia
(1) Se Deus existe, devería crer nele
(2) Crio em Deus
(3) Logo, Deus existe
17. Argumento Da Intimidação
(1) Vês esta enorme Fogueira?
(2) Logo, Deus existe
18. Argumento Parental
(1) Minha mãe e meu pai me disseram que Deus existe
(2) Logo, Deus existe
19. Argumento Dos Números
(1) Milhões e milhões de pessoas crem em Deus
(2) Portanto não podem estar equivocadas
(3) Logo, Deus existe
20. Argumento Do Absurdo
(1) Maranatha!
(2) Logo, Deus existe
21. Argumento Da Economía
(1) Deus existe, filhos da puta
(2) Logo, Deus existe
22. Argumento De Boatwright
(1) Hahahaha!
(2) Logo, Deus existe
23. Argumento De Dore
(1) Esqueci de tomar minhas pílulas
(2) Portanto sou Jesus Cristo
(3) Logo, Deus existe
24. Argumento Do Guitarrista
(1) Eric Clapton é Deus
(2) Logo, Deus existe
25. Argumento Da Autoridade Da Internet
(1) Há um site na web que prova a existencia de Deus

170
(2) Esta é a URL
(3) Logo, Deus existe
26. Argumento Da Incompreensibilidade
(1) Flabble glurk zoom boink blubba snurgleschnortz ping!
(2) Nada foi refutado (1)
(3) Logo, Deus existe
27. Argumento Do Evangelista Americano
(1) Pregar a todo mundo que Deus existe me fez imensamente
rico
(2) Logo, Deus existe
28. Argumento De Mitchell
(1) O Deus dos cristãos existe
(2) Portanto todos os pontos de vista que não assumem a
existencia do Deus cristão são falsos e incompreensiveis
(3) Logo, Deus existe
29. Argumento Da Cegueira (I)
(1) Os ateus são cegos espirituais
(2) Logo, Deus existe
30. Argumento Da Cegueira (Ii)
(1) Deus é amor
(2) O amor é cego
(3) Stevie Wonderés cego
(4) Stevie Wonder é Deus
(5) Logo, Deus existe
31. Argumento Da Falibilidade
(1) O raciocinio humano é inerentemente difuso
(2) Portanto não há uma forma razoável de desafiar uma
proposição
(3) Proponho que Deus existe
(4) Logo, Deus existe
32. Argumento Do Arrogante
(1) Deus existe
(2) Não me importa uma merda se acreditas ou não, tenho mais
o que fazer que perder tempo contigo, sua anta
(3) Logo, Deus existe

171
33. Argumento Do Mega-Arrogante
(1) Foda-se
(2) Logo, Deus existe
34. Argumento Da Manifestação
(1) Se giras a cabeça e te moves um pouco, poderás ver a
imagem de um velho com barba sobre tua torrada
(2) Logo, Deus existe

35. Argumento Do Guloso
(1) Minha torradeira é Deus
(2) Logo, Deus existe
36. Argumento Da Devastação Incompleta
(1) Um avião caiu matando 143 passageiros e a tripulação
(2) Sobreviveu apenas uma criança com apenas queimaduras
de terceiro grau
(3) Logo, Deus existe
37. Argumento Dos Mundos Possíveis
(1) Se tudo fosse diferente, tudo seria diferente
(2) Isso seria mau
(3) Logo, Deus existe
38. Argumento do desejo
(1) Creio em Deus, creio em Deus, creio, creio, creio, creio em

172
Deus
(2) Logo, Deus existe
39. Argumento Da Não Crençia
(1) A maioria da população mundial não cre no cristianismo
(2) Isso é justo o que o Diabo pretendia
(3) Logo, Deus existe
40. Argumento Da Experiencia Após A Morte
(1) A pessoa X era um ateu e morreu
(2) Agora se deu conta de seu erro
(3) Logo, Deus existe
41. Argumento Da Mensagem Emocional
(1) Deus te ama
(2) Como pode ser tão insensível para não crer nele?
(3) Logo, Deus existe
42. Argumento Da Mensagem Do Sacrificio
(1) Deus morreu por teus pecados
(2) Logo, Deus existe
43. Argumento Do Falar Em Línguas
(1) Ves essa persona na igreja balbuciando incoerencias?
(2) Assim é como se revela a sabedoria infinita
(3) Logo, Deus existe
44. Argumento De Oprah
(1) O espírito humano existe
(2) Logo, Deus existe
45. Argumento De Oprah (Ii)
(1) Veja este video
(2) Como pode alguém ver isto e não crer em Deus?
(3) Logo, Deus existe
46. Argumento Calvinista Ou De Tertuliano
(1) Se Deus existe, então me deixará ver como te tortura
eternamente
(2) Gosto bastante da ideia.
(3) Logo, Deus existe
47. Argumento Da Louça
(1) Os pratos não saem por aí dando ordens ao oleiro
(2) Logo, Deus existe

173
48. Argumento Da Produção Em Massa
(1) Alguém desenhou a boneca Barbie
(2) Se a boneca Barbie foi desenhada, também o foram as
árvores
(3) Logo, Deus existe
49. Argumento Do Paroquialismo
(1) Deus está em todas as partes
(2) Ninguém foi em todos os lugares, então nós não podemos
provar que não estava em nenhum deles
(3) Logo, Deus existe
50. Argumento Da Caixa Alta
(1) DEUS EXISTE, VÁ SE ACOSTUMANDO
(2) Logo, Deus existe
51. Argumento Do Retorno Infinito Ou Da Primeira Causa (II)
(1) Pergunte a um ateu o que causou o Big Bang
(2) Independentemente da respuesta, pergunte como sabe
(3) Continue até que o ateu admita não saber a respostas a
uma de tuas perguntas
(4) Tu ganhas!
(5) Logo, Deus existe
52. Argumento Da Incredulidade
(1) Como podería Deus não existir,seu inútil?
(2) Logo, Deus existe
53. Argumento Da Historia
(1) A Biblia é verdadeira
(2) Porque a Biblia relata fatos históricos
(3) logo, Deus existe
54. Argumento Da Resurreição
(1) A prova de que deus existe tu encontrarás no dia em que
ressuscites da tumba
(2) Logo, Deus existe
55. Argumento Da Biogénesis
(1) De onde veio Adão, então?
(2) Logo, Deus existe
56. Argumento Do Carisma
(1) Um monte de gente muito boa acredita em Deus durante

174
toda a sua vida.
(2) Logo, Deus existe
57. Argumento Da Solidão
(1) Os cristãos dizem que Jesús é seu melhor amigo
(2) Estou só, necessito de um melhor amigo
(3) Logo, Deus existe
58. Argumento Da Discussão
(1) Deus existe.
(2) [contra-argumento do ateu]
(3) Sim, ele faz.
(4) [contra-argumento do ateu]
(5) Sim, ele faz!
(6) [contra-argumento do ateu]
(7) SIM, ELE FAZ!
(8) [Ateu desiste e vai embora]
(9) Logo, Deus existe.
59. Argumento Da Interpretação Criativa
(1) O que sentes ao olhar um recém-nascido
(2) O amor de uma mãe por seu filho
(3) Essa voz que permanece em teu coração
(4) O potencial da raça humana para superar as dificuldades
(5) Um por de sol
(6) O sabor de um refresco em um dia de calor
(7) Logo, Deus existe
60. Argumento Da Insegurança
(1) Há muito tempo estamos discutindo para estabelecer que os
ateus são uns idiotas que fazem o nosso divertimento
(1.5) Na verdade, nós temos feito isso esperando curar a nossa
própria insegurança quanto ao teísmo, mas não há possibilidade
de jamais admitirmos isso
(2) Logo os ateus são idiotas para a gente rir
(3) Logo, Deus existe
61. Argumento Da Superioridade
(1) Se Deus não existe, sou um ser inferior, já que no sou
especial em nenhum sentido cósmico

175
(2) Mas sou superior, porque sou cristão
(3) Logo, Deus existe
62. Argumento Da Moral Absoluta
(1) Se existem padrões morais absolutos, então Deus existe.
(2) Os ateus dizem que não existem padrões morais absolutos.
(3) Mas isso é porque não querem admitir que são pecadores
(4) Logo, há padrões morais absolutos.
(5) Logo, Deus existe
63. Argumento Da Necessidade
(1) Os ateus dizem que não precisam de deus
(2) o que só vem demonstrar que precisamos de Deus.
(3) Logo, Deus existe
64. Argumento Da Lógica Oculta (I)
(1) Intelectualmente, sei que a existencia de Deus é impossível
ou muito improvável
(2) No entanto, é necessário parecer intelectual e carismático
aos meus colegas apologistas da religião
(3) Logo devo fingir que (1) é falso
(4) Logo, Deus existe
65. Argumento Da Lógica Oculta (Ii)
(1) Os ateus dizem que Deus não existe.
(2) No entanto, é necessário parecer intelectual e carismático
aos seus colegas apologistas do ateísmo.
(3) Mas eles não me enganam!
(4) Logo, Deus existe.
66. Argumento Da Indulgencia
(1) Ateus gostam de pensar que eles podem controlar suas
emoções.
(2) Mas eles são ateus, por isso não podem.
(3) Por isso eles precisam de indulgência diante de qualquer
possível sentimento para não se sentirem como se cometessem
pecados
(4) Isso só mostra que precisam de Deus em suas vidas
(4) Logo, Deus existe
67. Argumento Do Odio
(1) Alguns ateus odeiam Cristãos e o Cristianismo.

176
(2) É por isso que eles não acreditam em Deus.
(3) Não são patéticos?
(4) Logo, Deus existe.
68. Argumento De Quentin Smith
(1) Quentin Smith disse que Deus não existe
(2) Mas Deus existe.
(3) Portanto, Quentin Smith não pode ser aceito como um
especialista no assunto, porque está errado.
(4) Logo, Deus existe
69. Argumento Dos Espíritos Malignos
(1) Acabo de contatar um espírito maligno
(2) Logo, Deus existe
70. Argumento De Kent Hovind
(1) Eu não quero trabalhar para viver.
(2) Não quero pagar impostos
(3) Posso conseguir algunos fundamentalistas igênuos para me
enviar dinheiro
(4) Posso utilizar a isenção de impostos da religião para
conseguir tudo que desejo.
(5) Logo, Deus existe
71. Argumento Do Desafio De Kent Hovind
(1) Kent Hovind oferece 250.000 dólares - que podem ou não
existir - a qualquer um que demonstre a evolução - definida
como uma origen natural e sem causa da vida no universo -
sem dúvida razoável – ou seja, com 100% de certeza, sem
outras possibilidades – diante de um comitê neutro - com
membros escolhidos pelo proprio Hovind - e de acordo com
critério determinado - cuidadosamente definido de maneira que
não haja forma alguna de enfrentar-se o desafío.
(2) Nenhum ateu se apresentou ao desafio.
(3) Logo, Deus existe
72. Argumento Da Loucura
(1) Nenhuma pessoa em sã consciência poderia ter pensado o
Cristianismo.
(2) Portanto, deve ser verdadeiro
(3) Logo, Deus existe.

177
73. Argumento Do Cansaço (Reduzido)
(1) Você concorda com a proposição trivial X?
(2) Ateo: é claro.
(3) E quanto a proposição levemente modificada X’?
(4) Ateo: Hum, não muito.
(5) Dado que estamos de acordo, e com Y? É verdadeira?
(6) Ateu: Não, na verdade eu não concordo com X '
(7) Bem, com a verdade já claramente estabelecida,
seguramente que estás de acordo que Z também é verdadeira.
(8) Ateu: Não. Até agora só concordo com X! Até onde é que
isto vai, afinal?
(9) Eu estou contente que todos concordamos.....(…)
(37) Assim, utilizamos as proposiçõesX, X’, Y, Y’, Z, Z’, P, P’, Q
e Q’ para chegar ao ponto R,o qual é obviamente válido, de
acordo?
(38) Ateo: Como disse antes, até agora só concordo com X, Até
onde é que isto vai, afinal?(…)
(81) Assim se conclui que as proposições L”, L”’ e J estão
corretas, de acordo?
(82) Ateo: NÃO CONCORDO COM NADA DEPOIS DE X (…)
(177) ...e segue que as proposições HRV, SHQ” e BTU’ são
também obviamente verdadeiras, de acordo?
(178) [O ateu desiste, visivelmente exausto]
(179) Logo, Deus existe
74. Argumento De Mr. Goodsalt (Da Dúvida Geral)
(1) Pergunta à população ateia: [Pergunta aleatoria e estúpida]
(2) Sua resposta está incorreta
(3) Logo, Deus existe
75. Argumento Peacock Da Originalidade
(1) Eu escrevi isso para mostrar a existência de Deus
(2) [Cole-se um texto pirateado de William Lane Craig]
(3) Logo, Deus existe
76. Argumento Peacock Do Vocabulario Limitado
(1) Usas muitas palavras complexas
(2) Portanto espera que eu não entenda sua refutação às

178
minhas premissas.
(3) Logo, Deus existe
77. Argumento Peacock Da Memoria Selectiva
(1) [Cristão faz uma pergunta estúpida]
(2) [Ateo contesta diligentemente]
(3) [Pausa]
(4) [Cristão repete a pergunta]
(5) [Ateo repete a resposta]
(6) [Pausa]
(7) [Cristão volta a repetir a pergunta]
(8) [Ateo volta a repetir a resposta]
(9) [Pausa]
(10) Cristão: Não entendestes a minha pergunta!
(11) Logo, Deus existe.
78. Argumento Da Economía Divina
(1) As nações cristãs protestantes são as mais ricas
(2) Logo, Deus existe
79. Argumento Da Saude Mental
(1) Tenho experiências religiosas que não se explicam a menos
que eu esteja louco ou Deus não exista.
(2) Logo, Deus existe
80. Argumento Da Longevidade Institucional
(1) A igreja católica romana está por aqui desde há muito
tempo
(2) Logo, Deus existe
81. Argumento Da Inevitabilidade
(1) Tenho provas de que Deus existe
(2) Não vou perder meu tempo te explicando, porque como é
ateu, vai negá-la de qualquer forma.
(3) Logo, Deus existe
82. Argumento Da Matrix
(1) Não podemos provar que não vivemos em um mundo como
o de Matrix
(2) Portanto, não podemos conhecer a realidad
(3) E se a realidade é contingente, então tudo é possivel
(4) Logo, Deu existe

179
83. Argumento Da Subjetividade
(1) Tudo é subjetivo
(2) Nenhuma prova subjetiva pode ser superior a outra prova
subjetiva
(3) Baseando-me em minha opinião subjetiva, tua opinião de
que Deus é subjetivo também é subjetiva e, portanto, falsa
(4) Logo, Deus existe objetivamente!

83 DE 666 ...

180
12 - A grande desculpa dos crentes >>>

Imagem G1

Como é fácil notar que religião é ilusão e tudo em não passa de
trollagem de idiotas, é necessário fabricar continuamente
desculpas para manter a idiotice dos idiotas. Felizmente todas elas
viraram piadas e restaram apenas duas, que são as mais usadas
quando o crente palerma ou o parasita religioso é encurralado em

181
suas sandices. São elas a “interpretação bíblica” e os “caminhos
misteriosos de Deus”.

A Bíblia é a pedra de tropeço do cristianismo. Quando todas as
pessoas perceberem o que ela realmente é, um livro imprestável,
uma coletânea de jornal velho primitivo, sem autoria conhecida
para nenhuma de suas partes e cheio de costumes primitivos de
povos primitivos, o cristianismo estará extinto. Por isso o
desespero em convencer os ignorantes de que nele há alguma
coisa de origem misteriosa ou divina e que só os crentes e
religiosos conseguem perceber, mas nenhum jamais conseguiu ou
consegue mostrar.

1 - “A Interpretação Bíblica”

Conversamos com algum crente, citamos alguns dos numerosos
versículos bíblicos incoerentes ou aberrantes que abundam na
Bíblia e esperamos desenvolver uma conversa argumentativa de
182
qualidade, mas na maioria das vezes nos deparamos com a
clássica resposta crente-cristã: “você deve interpretar o versículo”
ou então "A Bíblia precisa de interpretação" ou "Você está usando
fora do contexto". Esta é a resposta típica que fecha todas as vias
racionais possíveis, porque não importa a opinião do
argumentador, a resposta será, invariavelmente, que deve ser
interpretado de outra forma.

 Vejamos certos detalhes:

Quando o crente cristão diz que se deve interpretar a Bíblia, a que
especificamente ele está se referindo? Por exemplo, a Bíblia tem
várias direções narrativas, uma delas são os eventos específicos,
os quais são situações pontuais em que o escritor bíblico narra um
evento ou uma história particular, como "a crucificação de Jesus"
ou "O Dilúvio Universal"... Por que certos cristãos dizem que a
crucificação é um fato literal e o dilúvio não? O que torna um fato
literal e outro não? Você, caro leitor cristão certamente já passou
por isso, certo? Claro que você nunca disse que a crucificação deve
ser "interpretada", ou que não deve ser tomada literalmente, mas
certamente você já disse que os cadáveres ambulantes que
saíram das tumbas quando Jesus morreu ou o Dilúvio Universal
são algumas dessas coisas "simbólicas ou interpretativas."

 Exemplos não faltam.

Conheço muitos crentes que opinam que a criação do universo em
seis dias é uma dessas coisas que se deve “Interpretar” e que não
deve ser tomada como literal. Por quê? Em nenhum momento o
escritor insinua que o fato está sob interpretação pessoal. Claro,
dizem que a criação não é literal porque é SIMPLESMENTE
IRRACIONAL. Simples assim!

Você já percebeu que os crentes cristãos dizem que se deve
"interpretar" somente os eventos mais implausíveis e que vão
183
contra a ciência e a razão? Os cristãos só tomam como fatos
literais os eventos cientificamente prováveis e possíveis, o resto é
considerado simbólico ou mal interpretado. Eu sei que muitos
cristãos acreditam que a criação do universo em seis dias é uma
das coisas que temos de "interpretar" e não ser tomada como
literal. Por quê? Em nenhum momento o escritor sugere que o
evento está sob a interpretação pessoal. Claro, dizem que a
criação não é literal porque é simplesmente irracional. É simples
assim. Quanto mais absurdo e ilógico seja o versículo, mais
“interpretação bíblica” necessitará. Com os mandamentos e leis
bíblicas não é diferente. O Antigo Testamento está cheio de leis e
estatutos verdadeiramente absurdos. O exemplo clássico é o livro
do "Levítico". Pouquíssimos cristãos têm em conta as leis do
Levítico (só quando lhes convém como as Testemunhas de Jeová
na questão do sangue), na verdade Levítico produz uma espécie
de "alergia" para muitos cristãos. Agora, se você se dignou a ler
algo do levítico, verá que em muitas ocasiões o próprio Deus diz
que esses estatutos são "perpétuos e eternos", isto é, eles não
devem ser abolidos ou descartados. Como você explica isso amigo
cristão? Como você se atreve a dizer que essas leis estão abolidas
ou necessitam de interpretação quando o próprio Deus disse que
eles eram eternos e perpétuos? Vamos cair na mesma coisa: só
são interpretáveis os mandamentos que vão contra a moral, a
virtude, ou simplesmente são bárbaros e arcaicos. Por que os
crentes não dizem que a frase "Amar ao próximo como a ti
mesmo" precisa ser interpretada e que não é literal? Acho que
eles só gostam de "interpretar" os versos que os incomoda e
contradizem sua crença particular. As ordens diretas de Deus não
deveriam ser “interpretadas”. A enorme quantidade de religiões
ou divisões cristãs se deve precisamente a isso: cada uma dessas
religiões dá à Bíblia uma interpretação diferente. Mas como
sabemos qual é a interpretação verdadeira? Qual é a interpretação
que Deus aprovaria? Imaginam o crente ao chegar ao Juízo Final
184
e Deus ou quem quer que vá avaliá-los dizer: "sinto muito
interpretastes mal este versículo". Seria uma situação muito
interessante. Eu nunca conseguia entender, mesmo quando era
um cristão devoto, por que se Deus é perfeito e soberanamente
inteligente, permitiu que seu livro sagrado fosse escrito com
tantas ambiguidades e simbolismos? Por acaso Deus não sabia
que esses problemas poderiam acontecer? Por que não fez a Bíblia
mais direta e sem tanta enrolação? ... Ok ok, eu sei o que você
está pensando... "os caminhos de Deus são misteriosos".
Portanto, amigo cristão, a partir de agora quando você ler suas
frases da Bíblia como "Deus é amor" ou "Ama o teu próximo",
pergunte a si mesmo: estou interpretando isso direito?

185
13 - A grande mentira dos crentes. >>>

1 - “Os Caminhos de Deus são Misteriosos”

Amigos crentes cristãos, eu entendo como é difícil ficar sem
argumentos sólidos para rebater uma proposta. A mim já
aconteceu muitas vezes, admito que seja versado em centenas de
campos do conhecimento humano, mas é incontável a quantidade
de coisas que desconheço. Por isso quando me encontro com
argumentos dos quais não tenho a mínima noção, não me custa
dizer “Não sei.” Ninguém deve ter vergonha de dizer “não sei”.
Por exemplo: quando me perguntam: “Que acontece após a
morte?” ... Devo admitir que não sei! Claro que eu poderia ter a
minha opinião particular a respeito, porém devo deixar claro que
são apenas especulações de minha parte. Uma das vantagens de
186
dizer “não sei” é que ao aceitar e admitir a carência de um
conhecimento específico, instintivamente se trata de investigar
para encontrar uma resposta que preencha esse vazio,
acarretando como consequência o aumento do conhecimento e do
nível cultural pessoal. Deve deixar claro que em minhas
numerosas conversas com crentes cristãos, muito poucas vezes
eu escuto esse esquivo “não sei”, quase sempre preferem expor
um argumento especulativo ou uma opinião pessoal como
verdade absoluta. Por exemplo, com a mesma pergunta: “Que
acontece após a morte?” O crente via responder quase que
imediatamente e com a maior tranquilidade “Ao morrer, segundo
a bíblia a alma... blá blá blá”, ocorre praticamente o mesmo com
qualquer outro assunto sobre o qual uma pessoa comum
expressaria seu desconhecimento. Para o crente todas as
perguntas possuem resposta em Deus e na Bíblia. Para os crentes
o importante em uma conversa com um ateu é nunca admitir que
desconheça algo, muito menos ficar calado. Isso seria sinal de
desconhecimento, falta de fé, blasfêmia e outras tantas coisas
imorais que com certeza Deus castigaria com uma passagem
direta para o inferno. Portanto quando o crente cristão se encontra
em uma situação onde não tem argumentos sólidos para
responder a um ateu ou simplesmente é muito arriscado
especular, solta a frase que resolve todas as perguntas e deixa a
fé intacta:

“OS CAMINHOS DE DEUS SÃO MISTERIOSOS.”

Claro que esta é a frase clássica, mas há muitas outras que se
repetem de forma constante quando a razão abandona o
desafortunado crente cristão:

 “Nossa mente é muita limitada para conhecer Deus.”
 “Quem somos nós para julgar Deus.”

187
 “Deus sabe com faz as coisas, nós não podemos ter acesso
a esse conhecimento”
 “É impossível conhecer a Deus.”

Certamente o colega ateu que lê essas palavras sabe a que me
refiro especificamente. Estas frases são a porta de fuga quando
os crentes cristãos se vêm acuados pelos argumentos de um ateu.
Muitos ateus ao escutarem essas palavras por parte dos crentes
as interpretam como sinal de vitória ou de ignorância e sabemos
que a conversa terminou e que o cristão recorreu à sua última
tábua de salvação. Amigo crente, quantas vezes utilizou uma
dessas desculpas esfarrapadas?

 Porém isto é verdade?
 “Os caminhos de Deus são misteriosos e é impossível
conhecer a mente de deus?”
 Em absoluto!

De fato esta é uma grande falácia que é repetida uma vez após
outra e que os crentes utilizam para se sentirem menos culpados
por duvidar e desconhecer certos temas. Deus não é e nem
deveria ser um mistério insondável para a mente humana. Por
quê? Porque Deus deixou muito claro sua natureza e suas
características em um livro que você amigo crente ALEGA
conhecer muito bem, a Bíblia. A Bíblia é (supostamente) inspirada
por Deus, portanto assume-se que a mente e o pensamento de
deus estão plasmados ali.

 QUER CONHECER A DEUS?
 FÁCIL, LEIA A BÍBLIA.

A Bíblia nos mostra claramente as características e qualidades de
Deus. Graças à Bíblia sabemos que Deus é onipotente, onisciente,
onipresente, sábio, justo, amoroso e, sobretudo perfeito. A Bíblia
é muito clara ao mostrar-nos como Deus é até nos mínimos
188
detalhes. Com a leitura de suas páginas podemos nos inteirar do
caráter e da personalidade de Deus, como Ele reage diante de
certas situações, como pensa, como atua etc. Isto se de fato, a
Bíblia é um reflexo do que é Deus.

 Amigo crente, como você pensa em obedecer e agradar ao
seu deus, se declara que é impossível conhecê-lo?
 Que bela contradição não é mesmo?

Por isso jamais acreditarei quando um crente me diz: “deves
confiar em Deus cegamente, ele sabe o que faz.” Em termos
práticos nenhum crente tem essa fé cega que tanto alegam. Não
é fé cega, já que se pode conhecer muito bem Deus através da
Bíblia para que essa cegueira se transforme numa visão límpida e
clara de Deus. PARA ISSO TEM A BÍBLIA. Nenhum crente se
entrega completamente e de olhos fechados à vontade de Deus,
já que conhecem muito bem a esse Deus para saber como serão
julgados e como atuaria em certas situações. Essa famosa “fé
cega” só seria certa e verdadeira se o crente desconhecesse tudo
sobre Deus, se não tivesse a mínima ideia do que e de como é
esse Deus, só assim poderia falar de algum tipo de cegueira ou
confiança plena. Portanto, e já aceitando que Deus se deu a
conhecer muito bem através desse "livrito" chamado Bíblia,
vejamos de novo essa já não tão efetiva desculpa que usam os
crentes quando se vem entre a espada e a parede:

 “Os caminhos de Deus são misteriosos.”
 Falso.

Não são misteriosos. Os caminhos de Deus se pode conhecer de
forma muito clara ao ler a Bíblia. Porque não tem sentido que o
crente cumprisse tudo o que Deus lhe disse em seu livro e ao
morrer e estar em frente a Ele ouvir: SINTO MUITO, VOCÊ VAI
PARA O INFERNO... MEUS CAMINHOS SÃO MISTERIOSOS. Neste

189
caso a Bíblia não teria nenhum valor e seria preferível jamais lê-
la e aceitar a verdade de que Deus é um mistério insondável.

 “Nossa mente é muito limitada para conhecer Deus.”
 Falso.

Podemos conhecer a Deus claramente pelo que Ele diz sobre si
mesmo na Bíblia. Sabemos de sobra que Deus é um ser dual, que
às vezes se comporta como um sanguinário e inclemente
assassino e em outras como uma pomba inocente. Não é que “não
podemos conhecer Deus”, mas que a mente de Deus, tal como
190
nos conta a Bíblia, é muito desvairada. E dizer que não podemos
“conhecê-lo” é tratar de buscar desculpas para justificar sua
distorcida personalidade.

“Quem somos nós para julgar a Deus? Quem somos?”

Bem, segundo ele somos seus filhos. E sim, o podemos julgar já
que ele nos deixou na Bíblia regras morais para o comportamento
correto. O ato de aceitar que Deus pode transgredir as leis e
recomendações que ele mesmo nos deu, seria cair num estado de
caos e anarquia total. Não podemos aceitar um comportamento
inferior de Deus comparado com o nosso. Se Deus disse “não
matar” ele mesmo deveria dar o exemplo.

Segundo Deus seria: “Faça o que digo não o que faço”.

Deus nos deixou um conjunto de leis a cumprir e SIM, podemos
julgá-lo segundo suas próprias leis. O curioso disso é que um
comportamento como o que exibe deus, onde ele está imune às
leis que ele mesmo impõe seria inaceitável para nós, por exemplo,
no caso de nossos governantes e presidentes, mas o aceitaríamos
de um ser que se auto define como perfeito.

 “Deus sabe por que faz as coisas e nós não podemos
ter esse conhecimento.”
 Falso.

É uma repetição do anterior. Como já dissemos, nós os humildes
seres humanos podem conhecer perfeitamente como e porque
Deus faz as coisas através da sua palavra plasmada na Bíblia.

 “É impossível conhecer a Deus.”
 Falso.

Claro que podemos conhecer a Deus! É como se eu e você
dialogássemos:
191
Crente – É impossível conhecer a Deus.
Ateu – mas Deus é todo poderoso?
Crente – Sim.
Ateu – Eu posso vê-lo?
Crente – Não, deus é invisível.
Ateu – Ele é bom?
Crente – Sim, muito bom, O melhor.
Ateu – Pois então, parece que conheces muito bem a esse deus,
porque fica repetindo que “É impossível conhecer a Deus?”

Isso é como se eu dissesse a você:

Pessoa 1 – Deves adorar a Amon-Rá.
Pessoa 2 – Amon-Rá? Quem é esse?
Pessoa 1 – O único deus verdadeiro.
Pessoa 2 – Mas eu não o conheço, preciso conhecer mais sobre
ele para saber a quem adoro. Jamais adoraria algo sem saber o
que é.

Entendeu o ponto agora amigo crente? Absolutamente ninguém
adoraria ou obedeceria alguém sem ter algum conhecimento
sobre ele. Isso de “fé cega” é uma falácia que os crentes repetem
como se fosse uma virtude, que em termos práticos ninguém
sensato obedeceria. Agora que já sabe amigo crente cristão, NÃO
utilize mais essas frases já que estaria mentindo e se
contradizendo. Quando em uma conversa você chegue a um ponto
onde sua capacidade e seu conhecimento não possam elaborar
uma resposta coerente e sensata, é preferível dizer: “não sei” ou
“preciso investigar e estudar mais” e engolir o orgulho de querer
saber tudo simplesmente porque Deus e sua Bíblia são “perfeitos
e iluminados”.

192
14 - Perguntas idiotas de crentes aos ateus >>>

Algumas perguntas que poderiam ofender os ateus, mas que
apenas revelam a ignorância e a idiotice de quem as faz.

Todos os grupos marginalizados pela sociedade possuem alguma
pergunta ou perguntas que costumam ouvir rotineiramente e que
193
os pode fazer sair correndo; perguntas que contêm insultos,
fanatismo ou desrespeito em seu conteúdo. Às vezes as perguntas
são feitas com sinceridade, com a ignorância sincera das supostas
ofensas que há por trás delas. Mas às vezes a pergunta é feita de
forma passivo-agressiva ... "Só estou perguntando".

Mas algumas não é conveniente perguntar. Não são perguntas que
animam a investigação e o discurso verdadeiro; são perguntas
que fecham as mentes em vez de abrir. Mesmo que com essa
intenção. E a maioria das pessoas que se preocupam com a
intolerância, a marginalização e justiça social (ou que
simplesmente se preocupam com a boa educação e os bons
costumes), nunca fazem este tipo de perguntas.

Aqui há nove perguntas que o crente não deve fazer aos ateus
para não pagar mico.

1 - Como você pode ser moral sem crer em Deus?

Os ateus são morais pelas mesmas razões que os crentes: Porque
possuem compaixão e sentido de justiça. Os seres humanos são
animais sociais e como os outros animais sociais, desenvolvem
alguns valores morais fundamentais em seu cérebro: A
preocupação pela justiça, a lealdade e com o prejuízo dos outros.
Se você é um crente das mitologias religiosas e você não acredita
que estas são as mesmas razões pelas quais os crentes são
morais; pergunte-se o seguinte:

 Se você pudesse provar hoje com 100% de certeza
que não existem deuses e que não há outra vida
depois desta, de repente começaria a roubar,
assassinar e colocar fogo em casas?
 E se não: por que não o faria?
194
Seja o que for que o impeça de fazer essas coisas, é o mesmo que
impede os ateus de fazê-las. E faça-se esta outra pergunta:

 Se você aceita algumas partes de seu livro “sagrado”
e rejeita outras, com base no que está fazendo isso?

Qualquer que seja a parte de ti que te diz que a lapidação
(apedrejamento) de adúlteros é absurda, mas que ajudar os
pobres é bom; Que plantar duas colheitas de diferentes cultivos
no mesmo campo NÃO é um problema, mas dar falso testemunho
é incorreto; que a escravidão é imoral, mas que é uma boa ideia
amar teu próximo como a ti mesmo... isso é o mesmo que diz aos
ateus o que é certo e errado. As pessoas são boas porque
possuem uma compreensão inata dos pilares fundamentais da
moral: o entendimento de que o importante para outras pessoas,
nos importa muito também a nós mesmos; e que não há nenhuma
razão objetiva para agir como se alguns de nós fossem mais
importantes que outros. E essa percepção é correta da mesma
forma para crentes e ateus. Se não fosse, você estaria matando
seus parentes e vizinhos de outras crenças, que é uma ordem do
seu deus, ou seja: você tem mais moral que seu próprio deus.

Por que não deve fazer esta pergunta?

Porque é uma pergunta incrivelmente insultante. Ser moral,
preocupar-se pelos demais e ter compaixão por eles, é uma parte
fundamental do ser humano. A pergunta expressa o desconcerto
que sentem alguns crentes ao considerarem que poderíamos nos
preocupar pelos demais sem crer em um criador imaginário e que
essa preocupação é um assunto completamente humano.

195
E pior ... Esta pergunta também é um grande insulto para os
crentes religiosos. Está basicamente dizendo que a única
razão pela qual os crentes são morais é o medo do castigo
e o desejo de recompensa. É como dizer que os crentes não
agem por compaixão, ou sentido de justiça. É como dizer que a
moralidade cristã é infantil e os outros são os piores.

2 - "Como a tua vida pode ter significado?"

Perguntam às vezes: "Não te sentes triste ou desesperado?" Ou
também: "Se tu não crês em Deus ou no céu, por que não te
suicidas?"

Os ateus encontram significado e alegria nas mesmas coisas onde
todo ele mundo encontra. Nas coisas importantes: na família, na
amizade, no trabalho, na natureza, na arte, na aprendizagem, no
amor e também nas pequenas coisas. A A única diferença é que,
primeiro, os crentes acrescentam: "Meu Deus, me faz feliz e me
dá um bom presente depois da morte" e, em suas listas, muitas
vezes colocar isso nos primeiros lugares: E em segundo lugar, os
crentes acham que o "sentido da vida" é dado por seu deus ou
deuses, enquanto os ateus criam seus próprios significados e
estão dispostos e serem realmente felizes em aceitar essa
responsabilidade.

Realmente, para muitos ateus, o fato da vida ser finita aumenta
ainda mais o seu significado. Quando eliminamos o "agradar a um
Deus que temos boas razões para pensar que não existe" da nossa
lista de "coisas com sentido", damos muito mais atenção para o
resto. Quando aceitamos que a vida realmente chegará ao fim,

196
estamos muito mais motivados para fazer com que cada momento
dela seja importante.

Por que não deve fazer esta pergunta?

Experimentar o significado e o valor da vida está profundamente
arraigado no ser humano. Quando trata os ateus como se
estivessem mortos interiormente, simplesmente porque não
acreditam em um criador imaginário sobrenatural, os está
tratando como se não fossem plenamente humanos. Por favor,
não o faça.

3 - "Por acaso não é preciso mais fé para ser ateu que para
ser um crente?"

Não. Esta pergunta assume que o ateísmo tem “100% de certeza
de que Deus não existe, sem vontade de questioná-lo e sem lugar
para dúvidas". Para a maioria dos ateus, "ateísmo" significa
simplesmente "estar razoavelmente seguro de que não existem
deuses", ou, "chegamos a uma conclusão provisória, com base
nas provas que temos visto e nos argumentos que temos
considerado, que não existem Deuses". Não podemos estar 100%
seguros de que não existem deuses. Assim como não podemos
estar 100% seguros de que não existem unicórnios tampouco.
Mas estamos o suficientemente seguros. Não crer em unicórnios
não exige nenhuma "fé", assim como não crer em Deus.

Por que não deve fazer esta pergunta?

197
A suposição por trás desta pergunta é a de que os ateus não
tiveram a preocupação de pensar sobre o próprio ateísmo. E essa
suposição é uma ignorância e um insulto. A maioria dos ateus
examinou a questão da existência ou inexistência de Deus com
muito cuidado. A grande maioria foi crente e doutrinado em
alguma corrente religiosa, e abandonar essa religião imposta
trouxe consigo uma enorme quantidade de buscas de respostas.
Inclusive aqueles educados como não-crentes, foram criados em
uma sociedade que está cheia de religião. É necessário uma boa
quantidade de perguntas e pensamentos para rejeitar a ideia em
que quase todo mundo que te rodeia acredita.

E quando o crente faz esta pergunta revela também a estreiteza
de sua própria mente. Está demostrando que não se pode
conceber a possibilidade de que alguém possa chegar à uma
conclusão sobre a religião baseada na evidência, na razão e nas
ideias que parecem mais propensas a serem verdade, em lugar
da "fé", que é a aceitação de simples suposições como verdades
absolutas e inquestionáveis só porque algum parasita religioso o
convenceu disso.

4 - “Por acaso o ateísmo não é só mais uma religião?”

Não. A menos que esteja definindo a "religião" como: "Qualquer
conclusão a que chegam as pessoas sobre o mundo", ou como
"uma comunidade organizada em torno de uma ideia
compartilhada"... então não.

Se sua definição de "religião" inclui o Ateísmo, então também tem
que incluir: a Anistia Internacional, o heliocentrismo, a aceitação
da teoria da evolução, o fã clube de Justin Bieber, o Partido

198
Democrata dos EUA, etc. Por uma definição útil da palavra
"religião", o Ateísmo não é uma religião.

Por que não deve fazer esta pergunta?

Praticamente pelo mesmo motivo que a anterior (#3). Chamando
o ateísmo de religião, assume que é um axioma aceito por fé, não
uma conclusão baseada no pensamento e na evidência. E isto
mostra que o crente não está disposto ou não é capaz de
considerar a possibilidade de que alguém não só pode ter uma
opinião diferente sobre sua religião, mas que chegou a essa
conclusão de uma maneira diferente.

5 - "Qual é o sentido dos grupos ateístas?

Como se pode ter uma comunidade e um movimento sobre algo
que não acreditas?"

Os ateus têm seus grupos, comunidades e movimentos pelas
mesmas razões que todos o fazem. Os seres humanos são animais
sociais. É bom passar o tempo com outras pessoas que
compartem nossos interesses e valores. Nos agrada trabalhar com
outras pessoas nos objetivos que temos em comum. E mais,
quando os ateus expõem publicamente seu ateísmo, muitos
perdem os amigos e famílias ou possuem relações tensas e
dolorosas com eles. Os ateus criam comunidades para que
possam ser honestos sobre o que pensam e também para não
estarem sós.

199
Por que não deve fazer esta pergunta?

Se trata de um enigma total tipo: "malditos se fazem, malditos se
não fazem". Os ateus se encontram o tempo todo sobre o ataque
de que “tratam de convencer as pessoas de que a religião é cruel,
ou inútil, ou ambos, assim também sobre o apoio social que ocorre
nas instituições religiosas”. Então, quando os ateus não criam
comunidades para substituir as que as pessoas perdem quando
saem da religião; nos dizem o ridículo que é isto. (Ou então dizem:
"Vê? O ateísmo é uma religião".

6 - "Por que odeias a Deus?"

Ou, "Você não está simplesmente irritado com Deus?"

Os ateus não estão irritados com Deus porque não acreditam na
existência de Deus. Não estão irritados com Deus mais do que
estão com o Papai Noel.

Por que não deve fazer esta pergunta?

Esta pergunta não só nega a nossa natureza humana, como nega
nossa própria existência. Se supõe que os ateus não existem na
verdade, que a falta de crença não é sincera, é um tipo de trauma
emocional ou uma rebeldia de adolescente imaturo, que nem
sequer é realmente uma não-crença.

Esta pergunta revela a estreiteza verdadeiramente obtusa do
crente. Demonstra que nem sequer é capaz de considerar a
200
possibilidade de que possa estar equivocado: que sequer é capaz
de conceber que alguém possa ver o mundo de maneira diferente
da sua. Esta pergunta, além de enfurecer os ateus, faz com que
vejam o crente como um completo idiota.

7 - "Mas você já leu a Bíblia?

Já ouviu falar do milagre “X”? Já ouviu minha história sobre minha
experiência religiosa pessoal?

Provavelmente. Pois essas histórias são praticamente cópias umas
das outras e existem aos milhões pela internet. Os ateus estão
geralmente melhor informados sobre a religião que a maioria dos
crentes religiosos. Estamos melhor informados sobre os princípios
da maioria das religiões específicas que os crentes dessas
religiões. Para muitos ateus, sentar-se e ler a Bíblia (ou o texto
“sagrado” da religião que criaram) é exatamente o que lhes
colocou no caminho do ateísmo; ou o que colocou o último prego
no caixão da religião.

Por que não deve fazer esta pergunta?

Como às vezes perguntam por aí: "Já ouviu falar de Jesus?” ...
Não, na verdade eu nasci embaixo de uma maldita pedra.

É que na verdade você não tem noção de como a religião é uma
força dominante na sociedade. Na maior parte do mundo, a
religião é impossível de ignorar. Se impregna na vida social, na
vida econômica, na vida cultural, na vida política como merda na
sola do sapato. Estamos rodeados por ela. A ideia de que os ateus

201
de alguma maneira poderiam ter chegado à idade adulta sem ser
conscientes da Bíblia, de histórias sobre supostos milagres ou de
histórias sobre as experiências religiosas pessoais ... é risível. Ou
... Seria risível se não fosse tão irritante.

8 - "E se estiver enganado?"

Às vezes perguntam: "Por acaso não é lógico crer em Deus? Se
você crê e está equivocado, nada de terrível acontece, mas se não
crês e te equivocas, poderia ir ao inferno!"

E se você estiver enganado com Alá? Ou Vishnu? Ou Zeus? E se
estiver enganado com o Deus iracundo que odeia os gays, ou o
Deus de amor que odeia os homofóbicos? E se você estiver
enganado sobre se Deus quer comemorar o dia de repouso no
sábado ou no domingo? E se estiver enganado e Deus realmente
se preocupa sobre tua forma de comer toucinho? Como disse
Homer Simpson, "O que acontece se escolhemos a religião errada
e a cada semana estamos irritando Deus mais e mais?"

Por que não deve fazer esta pergunta?

Há muitas coisas erradas com essa pergunta, ela tem até nome,
chama-se “a aposta de Pascal”, mas vamos nos limitar a duas que
não apenas são logicamente absurdas, mas que insultam a
inteligência e a integridade tanto de ateus e de crentes:

É realmente tão ignorante sobre existência de outras religiões
diferentes da sua? É sério que nunca te ocorreu que quando

202
"aposta" na existência de seu Deus, há milhares e milhares de
outros deuses, sobre cuja existência está apostando contra?

Como podem pensar que os ateus têm tão pouca integridade?
Será que acreditam que vamos crer falsamente em Deus ... não
só por nossas famílias e comunidades a fim de não ser condenado
ao isolamento, mas em nossas próprias mentes? É sério que crês
que vamos deliberadamente contra nós mesmos, fingindo crer em
algo que na realidade não cremos que seja certo? Jura que
acreditas que vamos escolher que algo sobre o mundo é ou não
verdade baseados unicamente no que seria mais conveniente? ...
E mesmo assim, você realmente acha que Deus poderia aceitar
esta fraude? Você realmente acha que Deus quer que seus
seguidores tenham uma versão hipócrita de sua crença, egoísta,
tipo "eu cubro todos os meus lados"?

9 - “Por que os ateus estão tão irritados?"

Nem todos os ateus estão irritados com a religião e aqueles que
estão com raiva, não estão em um estado constante de ira. Mas,
sim, muitos ateus estão irritados com a religião, e estamos com
raiva porque vemos o terrível dano que a religião está fazendo.
Estamos com raiva pelos danos que está fazendo aos ateus ... e
estamos preocupados pelos danos causados a outros crentes. Não
só achamos que a religião é um erro, mas também achamos que
faz muito mais mal do que bem. E isso nos irrita.

Por que não deve fazer esta pergunta?

203
Esta pergunta pressupõe que os ateus estão irritados porque há
algo mal neles. Imaginam que os ateus estão irritados porque
estão amargurados, são egoístas, queixosos, infelizes, porque
falta alegria e sentido em suas vidas, porque possuem um
alfineteiro em forma de Deus nos corações. As pessoas que
perguntam isto parece que nunca consideraram a possibilidade de
que os ateus estão irritados porque possuem razões legítimas
para estarem irritados.

Esta visão equivocada da legitimidade da ira dos ateus faz duas
coisas. Trata os ateus como defeituosos e incompletos e desarma
o poder dessa ira. (Ou ao menos tenta). A ira é uma força
motivadora muito poderosa e tem sido uma força impulsora
importante para cada movimento de mudança social na história.
E quando tentam descartar ou trivializar a ira dos ateus, estão
essencialmente, tentando tomar esse poder.

As pessoas que fazem esta pergunta não parecem dar-se conta
de até que ponto o ateu dirige sua ira, não apenas contra o dano
causado aos ateus, mas ao dano feito aos crentes. Uma grande
quantidade da ira dos ateus sobre a religião tem por objetivo a
opressão, a brutalidade e a miséria criada pela religião, não na
vida dos ateus, mas na vida dos próprios crentes. A ira dos ateus
sobre a religião vem da compaixão, de um sentido de justiça, de
uma viva consciência do dano terrível que ocorre no mundo e de
uma motivação que impulsiona a fazer algo a respeito. Os ateus
não estão irritados porque há algo de mal neles, mas porque há
algo de justo com eles. E é justo reconhecer como uma das
maiores fortalezas dos ateus, uma de suas mais poderosas forças
motivadoras e um dos sinais mais claros de sua decência, e não
como um sinal de que são defeituosos.

A lista de perguntas idiotas que o crente não deve fazer aos ateus
não termina aqui.
204
Poderíamos seguir...

 "Como podem não crer em nada?"
 "O ateísmo não elimina o mistério da vida?"
 "Apesar de você não crer, não deveria criar seus filhos
com a religião?"
 "Podes provar que Deus não existe?"
 "Ocorreu algo terrível com você que o afastou da
religião?"
 "Está fazendo isso só por rebeldia?"
 "Por acaso faz isso só porque não quer obedecer as regras
de Deus?"
 "Se és ateu, por que comemora o Natal e gasta dinheiro
com “Deus seja louvado” escrito nele, etc.?"
 "Já tentou crer sinceramente?"
 "Não podes ver que Deus está em todas as partes e ao
teu redor?"
 "Adoras a Satanás?"
 "O ateísmo não é terrivelmente arrogante?"
 "Por que não podes conceber algo maior que tu?"
 "Por que te importa o que os demais creem?"

Se você - crente - entende porque todas as nove perguntas
respondidas são ofensivas e desumanizantes, espero (na
realidade não tenho muita esperança) que entenda porque as
demais também são.

205
15 - Por que os Ateus falam tanto em Deus? >>>

Uma das acusações que os crentes mais fazem aos ateus e
descrentes quando são encurralados em discussões, é perguntar
por que dedicamos tanto tempo e esforços em falar, discutir e
escrever sobre Deus, se não acreditamos nele.

Em qualquer discussão virtual onde ficam sem argumentos, usam
como saída pedante muitas variações deste mesmo tema, tais
como:

 Se você fala tanto de Deus, isso significa que ele existe.
 Não entendo como alguém cria um Blog/site sobre algo em
que não acredita.
 Por que fala tanto de Deus e Jesus se afirma que não
existem?

206
 Esses Ateus sim que são idiotas... Não creem em Deus e
passam falando dele.
 Se não acredita na Bíblia, por que a lê tanto?

Mas... Isso é verdade? Não temos nós sensatez ao falar de algo
em que não acreditamos? Ou será que não se deve falar sobre o
que não se acredita?

Vamos dar uma olhada em 10 razões que justificam não só falar
de Deus, Jesus, Bíblia e Religiões, mas que apoiam os constantes
debates e ataques que fazemos contra essas crenças absurdas e
ao mesmo tempo muito engraçadas.

1 - Todos falam de coisas inexistentes em que acreditam

207
O próprio crente que fala estas asneiras, certamente em
numerosas ocasiões já conversou ou discutiu sobre coisas em que
não acredita que existam. Todos nós fazemos isso
constantemente no dia-a-dia e não somos julgados por isso.
Porque seria diferente com os ateus ao falar de Deus?

Por exemplo, quem não conversou ou discutiu sobre filmes, livros,
séries de TV, novelas, contos e histórias, desenhos animados
(comics), games. E em termos gerais quase nenhum dos
personagens e histórias destes é real. Muitos gostam de falar de
fantasmas, zumbis, extraterrestres, etc., mas NÃO EXISTEM! Isso
faz com que seja proibido falar sobre eles? NÃO!

 Por que seria proibido falar dos seres fictícios e inexistentes
chamados deuses?

Se você é contra os que falam e discutem sobre coisas que não
existem (deuses), pode começar a reclamar de todos os
escritores, diretores e autores dessas histórias fictícias, já que na
prática não existem. Inclusive pode começar a censurar a si
mesmo, pois certamente vive falando de coisas que não existem.

Com que moral você reclama dos que perdem tempo com seres
inexistentes quando vai ao cinema ver “Batman”, “The Avengers”
ou “A Paixão de Cristo”? Todos fictícios!

2 - Os outros deuses também não existem

Ao que parece o crente cristão só reclama contra quem fala de
seu deus inexistente. Deveria reclamar também dos milhões de
pessoas que adoram algum deus diferente do seu, que para eles
é falso e também não existe.

208
Existem centenas de milhões de pessoas no mundo e através da
história da humanidade que dedicaram horas de estudo e
discussão a outros deuses como Alá, Odin, Osiris, Ganesha, Thor,
Mitra, etc. Se o seu problema é “falar de seres inexistentes”, pois
que comece sua cruzada para que o resto da humanidade, que
não crê no seu deus (israelita), deixe de escrever livros, abrir
Blogs, fazer conferências e reuniões sobre seus deuses
particulares. Porque (segundo seu ponto de vista) estão tão
errados quanto os Ateus quando argumentam contra o deus em
que você crê.

3 - Existem áreas de estudo dedicadas a coisas
inexistentes

O crente cristão precisa saber que existem até disciplinas
acadêmicas e cursos universitários que se dedicam
exclusivamente a estudar, analisar e discutir seres que nem ele
mesmo crê que existam É o típico exemplo da Mitologia, que se
dedica ao estudo de relatos culturais sobre seres e histórias
inexistentes. Tanto é assim que a palavra “mitologia” vem do
termo grego “Mithos” (μῦθος), que significa “Fábula”. Recordemos
que um “Mitômano” é o termo que se utiliza para descrever aos
mentirosos compulsivos.

Podemos concluir que o estudo da “Mitologia” se baseia em seres
inexistentes. Por isso não deveriam publicar livros? Ou ser curso
em universidades? Ou ter documentários na TV? Se você nunca
negaria isto aos que se dedicam à Mitologia, por que o faz com os
ateus?

Também existem outras áreas investigativas que se baseiam em
coisas falsas e inexistentes e não vejo os cristãos reclamando e
209
pedindo-lhes que deixem de seguir com seus estudos: Ufologia,
Astrologia, criptozoologia, parapsicologia e toda uma ampla gama
de “Pseudociências” que pululam por aí. Inclusive em Psicologia e
Psiquiatria se fala em muitas ocasiões de seres inexistentes e
situações inverossímeis.

Portanto, o crente cristão deve dirigir a todas elas o mesmo tipo
de reclamação.

4 - Educação e aprendizagem

Falar, discutir e debater sobre seres ou coisas inexistentes não é
tempo perdido. Sempre há uma aprendizagem implícita e
crescimento pessoal.

210
Eu não creio em Extraterrestres; mas gosto de falar, discutir e
imaginar como seria seu metabolismo, seus meios de transporte,
as consequências de sua possível existência, etc. e me ocorre o
mesmo com o resto dos deuses e figuras fictícias da história da
humanidade. Eu não acredito que Zeus e seus irmãos mitológicos,
mas gosto da Mitologia grega! Isso me torna absurdo ou
incoerente? Conheço muitos “crentes em Deus” que estudam
Mitologia. Por acaso devem deixar de estudar?

Tudo, absolutamente tudo do que falamos ou discutimos deixa um
rastro de conhecimento e informação aproveitável. Muitas vezes
não é de forma prática, mas sempre nos faz crescer como
pessoas. E isso não tem preço.

5 - Quando o inexistente se torna um problema

Esta é a razão mais importante e a que justifica o fato de
passarmos muitas horas na frente do computador publicando e
211
debatendo com crentes: Lamentavelmente a crença em Deus e as
religiões são um grave problema para a humanidade.

É precisamente por isso que nos esforçamos em informar e
desmentir tudo relacionado com esse deus imaginário, pois já se
demonstrou que é perigoso e nos afeta negativamente de forma
direta.

Se os crentes adorassem seus deuses de forma privada e pessoal,
não haveria problema e os deixaríamos em seus delírios. Há
pessoas que creem em chupa-cabras ou em ETs e não nos
preocupamos em refutá-los. Mas quando essas crenças absurdas
deixam de ser pessoais e tratam de impô-las a todos (muitas
vezes à força e até com assassinatos como na inquisição), então
é problema nosso.

O crente cristão não crê em Alá ou no Islã, mas certamente NÃO
permanece indiferente e em silêncio diante dos ataques
extremistas de alguns membros fanáticos dessa crença (também
abrâmica) contra quem não tem a mesma crença deles.
Seguramente os crentes cristãos discutem, falam e polemizam
sobre este problema, mesmo que não creiam em Alá (que significa
Deus). Procure ver do ponto de vista dos ateus e compreenderá
melhor. FALAMOS TANTO DE DEUS, PORQUE COISAS NEGATIVAS
E PREJUDICIAIS A TODOS DEVEM SER DISCUTIDAS, ATACADS E
REJEITADAS, EXISTÃO OU NÃO.

6 - As leis e Deus

Os ateus e todas as pessoas em geral deveriam ter conhecimentos
básicos da Bíblia e de Deus; já que grande parte das leis ditadas
pelos governos possui (lamentavelmente) uma base bíblica ou
religiosa.
212
Educação escolar, proibição de matrimônios do mesmo sexo,
parentelas, castigos e penas judiciais, dias feriados, movimentos
políticos e incluso ataques e guerras contra outras nações têm em
muitas ocasiões um transfundo e base religiosa. (Quem não
recorda com tristeza quando George W. Bush justificou o ataque
ao Iraque porque cumpria os mandamentos de Deus?).

Inclusive podemos observar como muitos departamentos
governamentais de várias nações “cristãs” possuem em sua
entrada algum monumento ou placa com os “10
Mandamentos” recordando-nos que as "Leis e
Deus" estão necessariamente unidos.

Devemos falar de Deus e Religião já que os governos nos obrigam
a isso ao incluir de maneira indiscriminada em nossas leis a seres
invisíveis e recomendações de livros caducos e obsoletos.

7 - Sociedade e Deus

Não são apenas as leis que possuem uma influência direta de
Deus/Bíblia/Religião. Nosso comportamento social está em grande
medida influenciado e baseado na religião.

Imagine 90% da população sendo doutrinada desde criança com
a existência de um deus que dita leis, normas e comportamentos.
Evidentemente que muito dessa obscura aprendizagem se reflete
na maneira de agir das pessoas dia-a-dia. Desde o ódio contra a
homossexualidade até maneira de vestir, comer e falar possui
influência religiosa. Logo, exigir que os Ateus não falem de Deus
e religião é francamente absurdo.

213
As pessoas se comportam pensando que têm um amigo invisível
ao seu lado. Tantas pessoas pensando dessa forma insana deve
ser motivo de preocupação e franca discussão.

8 - Benefícios e aprendizagem cristã

O crente cristão que critica os ateus por falarem de seus deuses
imaginários deveria perceber que isso lhes é muito conveniente.
Por quê? Porque, segundo eles próprios, sua fé é fortalecida.
Muitos crentes cristãos se apressam em alardear que são gratos
aos ateus por tornarem pública a sua descrença e a rejeição ao
seu deus e à sua religião, pois vêm isso como uma “prova de fé”
(claro que sabemos que é pura falta de argumentos) e seus
conhecimentos saem ganhando.
214
Sejamos francos, lamentavelmente a maioria dos cristãos possui
ideias bastante desordenadas e confusas sobre sua própria
religião e seu deus, o que é alarmante para os próprios cristãos,
mas graças aos milhares de sites produzidos por ateus, seus
conhecimentos têm aumentado bastante na área religiosa e
bíblica. Estão aprendendo com os ateus. Por isso em vez de
reclamar porque passamos falando de Deus, deveriam ser gratos
por contribuirmos para aumentar sua fé (seja o que isso for) e os
conhecimentos da sua própria religião neolítica. Mas não precisa
agradecer, fazemos isso com muito prazer.

9 - Cumprimento da Bíblia

215
O crente cristão também deve recordar que o próprio apóstolo
Pedro lhe ordenou que devia debater e justificar sua fé diante de
quem lhe exija, ou seja, diante dos ateus.

1Pedro 3:15 (Bíblia NVI)
Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai
sempre preparados para responder com mansidão e temor a
qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós,

1Pedro 3:15 (Bíblia Almeida Atualizada)
Antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor; e estai
sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo
aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós;

Portanto, não só deve debater, justificar e analisar as perguntas
e questionamentos que lhe fazem os ateus, mas deve ser manso
e jamais agressivo, como parece esquecer a maioria dos cristãos
que entra em páginas e blogs ateístas.

Por isso o crente deve dar graças aos ateus que criam páginas
polêmicas e de ataque ao cristianismo, pois elas são para deixar
claro que não cremos e não temos a mínima intenção de crer nas
mesmas asneiras em que crê e por quais razões acreditamos que
sua crença é perigosa.

Graças aos ateus você pode cumprir a palavra do seu deus,
portanto, responda sempre com mansidão e temor.

De nada!

10 - Diversão

216
Caro crente cristão, não nos diga que falar de deuses mitológicos
invisíveis que nos manipulam e nos ordenam coisas absurdamente
incoerentes não é divertido!

Não nos tire a diversão!

Se isso de deuses, livros velhos e religiões mitológicas não
causassem tanto dano, morte e destruição, seria um motivo de
risos e diversão absoluta.

Peça tudo, menos que não falemos da Bíblia! Com essas histórias
de burras falantes, peixes que levam pessoas na barriga, gente
que se transforma em sal, cobras falantes, porcos voadores,
planetas paralisados, trombetas assassinas, prepúcios cortados
por todos os lados, zumbis caminhando pelas ruas... OMG! Se
tudo isto não é motivo para conversas divertidíssimas, não sei o
que seria.

217
É impossível deixar de falar (e de rir muito) com tudo isso!

Como é fácil ver, há muitas razões que justificam os ateus
estarem sempre falando de deuses, mas a principal razão é que
“Todos somos livres para expressar nossas opiniões”, já

218
que os amáveis cristãos não podem mais queimar os hereges em
fogueiras.

Assim como você é livre para dizer que acredita em
deuses/fantasmas/anjos, temos o mesmo direito de negar a
crença nessas asneiras.

Pouco menos de 10% da população do mundo é incrédula. O resto
crê em algum tipo de divindade mágica. Estamos literalmente
rodeados de pessoas que creem em fantasmas e que estes se
relacionam diariamente conosco (apesar desses bilhões de
crentes jamais terem conseguido provar suas afirmações). Pedir-
nos que não falemos nada diante de toda essa sandice coletiva é
algo francamente alienante, discriminatório e ridículo. Os crentes
usam cruzes, espadas, igrejas, catedrais, sermões, missas,
batismos, guerras, ameaças, infernos, etc. para promover e
proteger sua crença. Estamos em uma clara desvantagem
numérica e de recursos.

Nós só temos a nossa opinião e desejo de comunicar.

1. Além disso, você deve lembrar que seu Deus tem uma
característica muito especial: é todo-poderoso.
2. Então se deseja que os ateus se calem, esperaremos que o
próprio Deus nos diga, NÃO VOCÊ.
3. Isso significa que até Deus fazer isso, o crente terá que usar
muito 1 Pedro 3:15.

219
16 - Por que os Ateus parecem crer? >>>

Existe outra pergunta/desculpa usada com bastante frequência
pelos adoradores do invisível, a de que os ateus são contraditórios
e no fundo parecem crer em algo ou esboçar algum tipo de fé.

Dizem coisas como:

1. - “Os Ateus são contraditórios: primeiro dizem que Não
creem em Deus, logo depois dizem que Deus é mau ou que
comete absurdos. Por acaso isto não é admitir que Deus
existe?"

220
2. - “O blasfemo autor do “Blog/site/artigo” afirma não crer
na existência de Jesus e depois diz que Jesus cometeu erros
ou que não é uma boa pessoa”.

Mas é certo isso? Somos por acaso contraditórios ao citar
argumentos contra a existência de Deus e ao mesmo tempo
enumerar seus erros e atrocidades?

Evidentemente que NÃO. Por isso o crente deve compreender o
mecanismo de argumentação que costumamos utilizar para
expressar nossas razões de não-crença e oposição às religiões e
crenças.

O que significa "crer"?

É importante esclarecer significado da palavra "crer" em assuntos
de fé e religião; e desta maneira deixar bem claro o porquê dos
Ateus NÃO crerem em deuses, profetas, anjos e em todo tipo de
fantasias divinas esquisitas.

"Crer" (Existência de algo).

Dicionário Aurélio Dicionário RAE
CRER CREER

v. tr. (Del lat. credĕre).
1. Dar fé a; acreditar.
2. Ter para si; julgar, supor. - tr. Ter por certo algo que o
entendimento não alcança ou que não
v. intr. está comprovado ou demostrado.
1. Ter fé religiosa. - tr. Dar firme apoio às verdades
2. Dar fé a; acreditar. reveladas por Deus.
3. Ter para si; julgar, supor. - tr. Pensar, julgar, suspeitar algo ou
estar persuadido dele.
v. pron. - tr. Ter algo por verossímil ou
221
1. Julgar-se; confiar-se. provável. U. t. c. prnl.
2. Ter fé religiosa. - tr. crer em Deus.

CREER

"creer"

- tr. Dar consentimento, apoio ou
confiança a alguém.
- prnl. Dar crédito a alguém.

Em todos estes casos quando se utiliza a palavra “Crer” se refere
à “Crença ou existência certa de algo”.

Por exemplo:

1. - "NÃO creio em fantasmas", o que significaria: "Não creio
que os fantasmas existam".
2. – “Não creio em Duendes, monstros, ovnis, etc.”, significa
que não se crê na existência real e literal destas coisas.
3. – “Não creio em Deus” = “Não creio que Deus exista”.

Quando nós dizemos “Não creio em Deus”, nos baseamos neste
ponto.

"Crer" (Confiança em algo ou alguém).

Também se utiliza a palavra "crer" quando não confiamos ou não
nos fiamos de algo ou de alguém especificamente. Isto não tem
nada a ver com a existência do objeto ao qual nos referimos.

RAE:

222
"creer"
- tr. Dar consentimento, apoio ou confiança a alguém.
- prnl. Dar crédito a alguém.

Por exemplo:

- “Por que não crês em mim?”
- Não é uma pergunta se crê em nossa existência física; pelo
contrário, a questão é se infere confiança ou segurança em nós.

- “Não creio na acupuntura.”
- Não significa que não cremos que a acupuntura não existe, mas
que não cremos que funcione.

- “Não creio em ti”.
- Significa: “No confio em ti”.

- “Não creio em Deus”.
- Quando os Ateus dizem isto, significa que embora pudesse
exisitr um ser como "Deus", não é um ser que inspira confiança.

Deus como ente inexistente e pouco confiável.

Os ateus possuem vários mecanismos para negar e questionar
coisas como Deus, personagens e histórias bíblicas, fé e religião.

 - Argumentos contra a existência de Deus, Jesus,
personagens Bíblicos e histórias Bíblicas:

Neste caso oferecemos argumentação lógica e racional do porque
estes elementos são seguramente inexistentes e só pertencem ao
mundo da mitologia e da fantasia. Não nos referimos às suas
questionáveis ações ou características absurdas que rodeiam suas

223
atividades; simplesmente se existem ou não. Geralmente são
utilizados argumentos científicos, lógicos e históricos para propor
a descrença.

 - Argumentos contra as ações reprováveis e as
características absurdas que rodeiam a suposta existência
destes elementos:

Neste caso preciso é quando analisamos e negamos o
comportamento e desenvolvimento destes seres baseados no que
a Bíblia nos diz e no que se crê popularmente sobre eles.

Aqui é quando se afirma que:

 “SE DEUS EXISTISSE, NÃO TERIA SENTIDO CRER
(CONFIAR) NO QUE SE DIZ SOBRE ELE”.

Neste caso assumimos o ponto de vista do crente.

O típico exemplo é a Mitologia. Nem nós e nem o crente cristão,
cremos em Zeus e poderíamos argumentar muito contra a
existência do resto dos Deuses Olímpicos. Mas também
poderíamos gastar horas discutido o fato de que se Zeus tivesse
existido, como fez para que Cronos regurgitasse seus irmãos ou
sobre como estes sobreviveram estes dentro do organismo do
ancestral Deus. Ao analisar ou negar este fato específico da vida
de Zeus, não estamos afirmando que "cremos na existência de
Zeus", mas que se existisse, há muitos problemas nas histórias
que contam sobre ele. Vejamos alguns exemplos práticos sobre
estes dois casos:

Deus.

 - Não creio em Deus. (Existência):

224
Não há evidência de sua existência. Toda coisa que exista no
universo deve ser medível e quantificável de alguma maneira. A
ausência dos outros deuses nega o deus judaico-cristão, etc.

 - Não creio em Deus. (Confiança):

Deus é um assassino desalmado. Suas ações contradizem suas
qualidades. Misógino. Cruel. Promove a escravidão e o racismo. É
incompetente em controlar a maldade, etc.... (Tudo isto no
suposto caso de Deus existir).

Personagens e histórias Bíblicas: Noé, Dilúvio e a Arca.

 - Não creio em Noé, no dilúvio ou na Arca (Existência):

Não há evidências históricas. É simples cópia de mitos anteriores.
Não há qualquer evidência geológica de um dilúvio universal. Etc..

 - Não creio em Noé, no dilúvio ou na Arca (Confiança):

Noé e seus filhos tinham mais de 400 anos ao fabricar a arca. É
um completo absurdo meter dois (ou sete) animais de cada
espécie na arca. É impossível alimentá-los. Ao baixar a água, toda
a vegetação estaria morta. A morte de crianças no dilúvio reflete
a crueldade de Deus, etc. (tudo isto no suposto caso de que Noé,
Dilúvio e a Arca tivessem existido).

Jesus.

 - Não creio em Jesus (existência):

Não há evidências históricas confiáveis; e as que existem, estão
manipuladas. Não existem fontes originais dos evangelhos e são

225
visivelmente manipulados e “corrigidos” constantemente através
dos anos e interesses religiosos. As ações sobrenaturais de Jesus
não têm apoio na ciência.

 - Não creio em Jesus (confiança):

Jesus não é um personagem modelo a seguir. Incoerências e
absurdos em seu comportamento. Contradições entre os
evangelhos. Moralidade questionável. Estes são apenas simples e
superficiais exemplos. Se pode fazer o mesmo com quase todos
os personagens e situações bíblicas.

Outros exemplos da vida cotidiana.

Esta dicotomia do termo "crer" também se aplica em casos não
relacionados com a religião; e certamente, qualquer crente já a
utilizou em muitas ocasiões.

O clássico exemplo são os filmes e as histórias literárias. Podemos
questionar situações, personagens e citar absurdos e contradições
em obras de ficção onde sabemos que os personagens NÃO
existem:

Porque Maggie, Bart e Liza Simpson não crescem? Por que Vito
Corleone não morre depois de ser baleado? O que aconteceu com
Libby e por que o "humo negro" pôde morrer? Como demônios
pedem chover flores amarelas no funeral de José Arcadio
Buendía? Por que as calças do Hulk não se rasgam quando ele se
transforma? ... Etc.

Estes banais exemplos nos demonstram que podemos negar,
discutir e citar defeitos em personagens e histórias nas quais NÃO
cremos que existam; E NEM POR ISSO SERMOS INCOERENTES.

226
Agora o crente sabe que quando um ateu lhe diz que não crê em
Deus e depois diz que Deus é um ser mau; se refere ao segundo
caso (e desde o ponto de vista crente), que mesmo que Deus
existisse, existem muitas razões para não crer ou confiar nele.

Isso deixa uma dificílima tarefa ao crente: Primeiro, demonstrar
que Deus existe realmente de forma inequívoca, e uma vez que o
consiga fazê-lo, deve explicar todas as contradições, erros,
incoerências, farsas, absurdos, mentiras, crueldades, injustiças e
anacronismos que seu Deus parece possuir.

É um difícil, senão impossível, trabalho que o crente tem pela
frente. E considerando o fracasso retumbante de todos os crentes
anteriores, o resultado é bastante previsível.

Boa Sorte!

Baseado nos Textos originais de Noé Molina.
Tradução JL.

227
17 - Doze conselhos para o cristão debater com ateus >>>

1. Nunca utilize a Bíblia como argumento.

Esta é a principal coisa que deve tomar cuidado com os não-
crentes, nunca usar versos bíblicos para apoiar seu argumento. O
ateu não acredita na Bíblia. Claro, você pode fazer uma boa
discussão sobre a própria Bíblia, pois muitos ateus geralmente
dominam o seu conteúdo muito melhor que a maioria dos cristãos.
Mas lembre-se, a Bíblia não é argumento e muito menos prova.

228
2. NÃO USE experiências pessoais ou sentimentos como
argumentos.

Dizer "Deus existe porque eu sinto que em meu coração “não é
um argumento, apenas um teste válido para você”. Também
dizem coisas como "Eu sei por experiência que Deus existe" que
eu responderia: "Os muçulmanos sabem por experiência que Deus
existe", você vê, não é um argumento legítimo. Outras palavras
que eles dizem é "uma família foi curada por Deus e pelo poder
da oração”, isto não é prova, porque o ateu argumenta que foi a
medicina e não a oração o curou. Neste caso, a frase cai em um
problema profundo e controverso, porque se você diz isso, você
deve mostrar evidência clara de que foi Deus e a oração que
curaram essa pessoa e não um fator externo. Lembrem-se
crentes, esses argumentos como "os sentimentos pessoais" só
servem para convencer os outros crentes, mas nunca são
suficientes para um ateu. A maioria dos ateus se baseia em testes
e provas.

3. Nunca diga que ALGUM versículo "deve ser interpretado" ou
"está fora de contexto".

Tente não dizer isso, porque o ateu invariavelmente responderá
em seguida, que todos os versículos da Bíblia e as coisas que você
não gosta ou são simplesmente irracionais devem "ser
interpretadas." Esse tipo de argumento convenceria apenas um
cristão que se sente desconfortável com um versículo da Bíblia e
quer desesperadamente uma desculpa para continuar a acreditar
nas atrocidades dela. Isso é “A grande desculpa dos crentes”.

229
4. Nunca diga "A lei mosaica está abolida".

Esta é uma resposta muito comum quando se fala sobre as leis e
os estatutos do Antigo Testamento. O Antigo Testamento está
cheio de mandamentos e estatutos hediondos e cruéis e que não
contribuem em nada para a imagem do "bom Deus". Se você
responder ao seu parceiro Ateu que estes estatutos e
mandamentos foram abolidos ou que só eram válidos para a
época, é certo que exigirão uma explicação sua sobre a
imutabilidade de Deus. O ateu dirá que, se Deus é imutável e é
amor, então os mandamentos são válidos. E eu sei por experiência
que o crente comum demora um pouco para entender as
características de Deus em toda sua magnitude. Lembre-se
também que os 10 (ou mais) Mandamentos de Deus (Êxodo 20)
não podem ser abolidos ou interpretados em um contexto
histórico. E se acrescentarmos que o próprio Deus diz em várias
ocasiões no livro de Levítico, que esses estatutos são
"perpétuos", significa que não expiram e não podem ser
abolidos. Qualquer “nova lei” ou “novo pacto” é
seguramente uma fraude posterior.

5. Não use FLAVIO JOSEFO como prova da existência de Jesus.

Este é outro erro frequentemente utilizado pela maioria dos
crentes quando discute a existência histórica de Jesus. Sério
amigo crente, você realmente acha que os ateus não sabem ou
que não tenham estudado Josefo? Josefo é argumento mais do
que refutado (a explicação correta é bastante extensa). Por isso
apelo a Josefo, como base para afirmar a historicidade de Jesus é
um erro grave. Além disso, se Jesus existiu e foi tão grande,
famoso e maravilhoso como dizem, as provas de sua existência
devem ser abundantes e sem fraudes; desnecessário será dizer
230
que não é assim. Sem falar que Josefo cita mais de uma dúzia de
“Jesuses” em suas obras e que – para piorar – as cópias mais
recentes da obra de Josefo são do século X, ou seja, cópias de
cópias de cópias ... bem ao estilo de todos os livros bíblicos.

6. Não use o banal "argumento moral".

Nunca levante a seguinte frase: "Se Deus não existisse, tudo seria
ruim", este é o famoso "argumento moral" e não representa
evidência suficientemente decente para apoiar a existência de
Deus. Você tem que perceber que se essa teoria fosse verdadeira,
todos os outros países do mundo onde as pessoas não acreditam
em Deus seriam o mal e a vida nesses países seria uma catástrofe.
De fato, em alguns casos, ocorre o oposto. Por exemplo, em
países islâmicos as pessoas adoram um Deus diferente para o
mesmo argumento: "Eu espero que você não acredite que todos
os muçulmanos do mundo inteiro, que não adoram "Deus", são
pessoas más”.

7. Nunca diga: "Existem milhares de evidências da existência de
Deus".

Nunca diga isso, porque quase imediatamente a resposta do ateu
é: "Então mostre", coisa que para você será impossível sem cair
numa falácia ou erro. Para ateus, as "provas" de Deus devem ser
mensuráveis, quantificáveis e razoáveis. Pense amigo cristão, se
a prova da existência de Deus fosse tão clara como você diz, então
não existiria ateu. Seríamos todos crentes. Em todos meus anos
de palestras e debates com pessoas, eu nunca vi uma "prova clara
e irrefutável “de Deus.

231
8. Não discuta: "Se não há Deus, então, quem nos criou?

Esta frase é um clássico. É a famosa falácia da ignorância.
Aparentemente, quando um crente ignora ou não sabe alguma
coisa, a única resposta que explica é Deus. Ou seja, "Como nós
não sabemos de onde e como nós viemos, é certo que foi Deus."
Por que deve haver um "Quem? nessa eterna questão da nossa
origem. Pelo contrário, é mais coerente argumentar “Como fomos
criados” e não “quem nos criou”. Não é necessária a presença de
um ser inteligente por trás de tudo. Felizmente, a ciência nos deu
respostas para muitas destas questões e então, temos que ter
paciência. Fiel Amigo tente não dar uma conotação divina para
tudo que é desconhecido. Lembre-se que no passado, quando não
sabíamos sobre o raio, achávamos que era de Deus, hoje nós
temos uma explicação científica e racional e que não há nada de
sobrenatural nisso. Pense sobre isso quando você está tentando
explicar um tema que desconhece.

9. Nunca diga "A evolução é apenas uma teoria" ou "A evolução
não está provada".

Felizmente nem todos os cristãos pensam assim, há muitos
cristãos sensatos que voluntariamente aceitam a evolução, que é
sem dúvida um grande avanço, mas – infelizmente - ainda
existem centenas de fiéis (a maioria protestante), que insistem
em acreditar que a evolução não ocorreu e que literalmente
descendem de Adão e Eva e que o mundo foi criado em seis dias.
Lembre-se que em biologia a "teoria" não é o mesmo que em
outras áreas do conhecimento. Uma teoria em termos biológicos
é o máximo de comprovabilidade que existe. A teoria da evolução
é a mais aceita entre a maioria dos cientistas, que explica como o
homem se tornou o que é hoje. Além disso, tente não confundir a
232
"Evolução" com as teorias da origem do universo ou a origem da
vida que são questões diferentes, mas relacionadas. Claro, você
pode discutir os erros, lacunas, inconsistências em alguns pontos
da teoria da evolução, mas isso significa apenas que há aspectos
que ainda são estudados e analisados. Lembre-se que se houver
outra solução para a questão “Como chegamos aqui?”, a evolução
é a certeza de termos uma resposta científica e não divina. Um
cientista sério não vai dizer que foi Deus e que a criação do
Gênesis é a resposta para esse mistério.

10. Não utilize uma "Aposta de Pascal" como um argumento.

Claro que você, amigo crente cristão, mesmo que não conheça a
"Aposta de Pascal", tem usado em várias ocasiões. É esta
declaração: "Não acreditar em Deus é tolice, porque se Deus não
existe, não há problema, mas se Deus existe, você vai para o
inferno. Por isso, é mais seguro acreditar”. Esse argumento já foi
analisado e refutado há muito tempo pelos ateus.

11. Não utilize louvores ou desejos de conversão para com o ateu.

Este tipo de resposta mecânica aparece frequentemente quando
o crente está sem argumentos sólidos ou se sente acuado. Solta
a resposta "Eu te digo que só Deus amou tanto o mundo que
enviou seu filho... essa é a resposta que você precisa." Amigo
crente, nunca, nunca use louvores ou palavras de
arrependimento, para o ateu a sua reputação será muito menor
se você o fizer. E se você não sabe alguma coisa ou não sabe a
resposta, não há nada de errado em dizer "não sei”.

233
12. Nunca acusar os ateus de satânicos ou blasfemos.

Fazer isso seria contraditório. O ateu não acredita em Satã ou
algum ser diabólico, para nós a figura do Diabo é tão fantasiosa
como o seu deus ou qualquer outro ser imaginário literário,
portanto, chamar de Satânicos não nos afeta em nada. Insultar
ou acusar o ateu de "blasfêmia", não vai favorecê-lo em nada,
para o ateu não é blasfêmia e pecado não acreditar em deus. Isso
é um problema apenas para você que acredita nele.

Extra: Não utilize as frases:

"Os caminhos de Deus são misteriosos" ou "A mente humana não
consegue entender a mente divina".

Esta é a resposta mais comum quando o crente não tem uma
resposta razoável para qualquer contato por parte dos ateus.
Desnecessário dizer que essas frases são interpretadas pelo ateu
como: "EU NÃO TENHO IDEIA DO QUE VOCÊ DIZ" ou "DEUS PODE
FAZER O QUE ELE QUER." Essas respostas são geralmente vistas
pelos ateus como um sinal de vitória e o ateu conservador as vê
como um sinal de ignorância. É preferível um argumento
desconhecido que diz "Não sei" ou "eu vou estudar o assunto",
desta forma a sua reputação fica (pelo menos por agora)
preservada. Nas próximas páginas esperamos que você entenda
melhor. Veja no Índice: “A grande mentira dos crentes”.

234
18 - FALÁCIAS lógicas mais comuns na argumentação
religiosa

1 - Amigos CRENTES cristãos… não se provam as negações!

Em uma conversa entre cristãos e ateus às vezes costuma surgir
o tema de “provar as negações” em algum diálogo do tipo:

 - Cristão: Deus existe!
 - Ateu: Demonstre, mostre alguma evidência.
 - Cristão: Não… Tu é quem deve dar-me evidências
de que Deus não existe.

235
Para começar a analizar isto vejamos um exemplo paralelo, mas
com uma pequena diferença:

 - Pessoa: Os unicórnios existem.
 - Cristão: Impossível … Demonstre que os unicórnios
existem!
 - Pessoa: Não, demonstra-me tu que os unicórnios
não existem.

Pode substituir a palavra unicórnio por qualquer ser ou coisa cuja
existência seja pouco provável: Alá, Ganesha, duendes, Nessie,
os Smurfs, etc.). Como é fácil notar, não é lógico provar as
negações, já que em essência o que afirma a existência de algo é
quem deve prova-la. Isto é simples sentido comum.

E é neste tema onde os crentes entram em uma série de
contradições verdadeiramente descomunais. Eles acreditam em
algo para o qual não há nenhuma evidência e necessitam
(exigem) argumentos que provem a não-existência disso, para
que possam considerar a alternativa. Existem infinidades de
argumentos lógicos válidos que os farão dar-se conta das
contradições e dos gigantescos furos que existem em suas crenças
e na sua lógica.

Não é possível então, provar que Deus não existe. Mas se vamos
basear toda nossa vida como se existisse, então alguém tem que
demonstrar. E isto corresponde a quem afirma sua existência e
baseia sua vida nessa existência.

Sigamos com o exemplo do Unicórnio. Podemos provar a não-
existência dos unicórnios? Vejamos, poderíamos verificar todos os
lugares da terra, até debaixo das folhas. E incluso verificar no
fundo do mar (para o caso dos unicórnios serem parentes dos
cavalos marinhos) e se nenhum for encontrado, ainda assim não
é prova de que não existem, pois comprovamos que não existem
236
unicórnios na terra, mas pode ser que existam em algum outro
planeta ou nos confins do universo. Como podem ver, as negações
são impossíveis de provar e a pessoa que exija uma prova deste
tipo é ilógica e irracional; sem nenhum sentido comum.

Na prática, todos vivemos supondo que os unicórnios não existem.
Claro, poderiam existir, mas a possibilidade é mínima, então na
prática assumimos que são inexistentes, já que tampouco se
relacionam conosco de nenhuma maneira comprovável.
Sensatamente não passamos a vida toda assumindo que os
unicórnios existem, nem adorando-os, nem rezando para eles,
nem fazendo nada relacionado com eles. Mas com outros seres
em teoria inexistentes (Deus por exemplo) isso é feito de forma
descarada.

 Os ateus supõem que Deus não existe.
 (Não podem provar).
 Os crentes supõem que Deus existe
 (Não podem provar)
 Logo, Deus é uma simples suposição.

Uma afirmação, sem provas não és aceita como verdade. Essa é
a posição padrão. A posição que define o que é o pensamento
crítico. O pensamento crítico significa não crer nas coisas que são
ditas a menos que existam provas que sejam evidentes e com
segurança. E sem o pensamento crítico, a lógica e a ciência se
desmoronam, este é o único tipo de pensamento produtivo com
que a humanidade progrediu. Rejeitar o pensamento crítico é
retroceder e abraçar o pensamento da Idade Média.

Se podem provar as negações?

Se analisarmos isso com mais detalhe, depende da natureza da
declaração negativa que se está fazendo. Vejamos algumas

237
declarações negativas que podem mostrar isso de forma bastante
simples:

 Quatro não é igual a três.
 Os antigos Gregos não viam televisão.
 O tigre de Bengala não é nativo da América do Norte.

Evidentemente, é possível demonstrar uma declaração negativa.
O verdadeiro problema aqui é claramente o carácter positivo da
declaração a refutar. Quando uma pessoa afirma que Deus existe,
não especifica as características de Deus, ou seja: Deus é
pequeno? Grande? Azul? Vermelho? E onde está? Obviamente que
não é possível demonstrar que Deus não existe, se "Deus" é uma
coisa que não tem definição, sem qualidades e sem localização.
Na realidade, se pode provar quase qualquer tipo de negação que
se possa imaginar, com exceção da (Adivinhem!) não existência
de seres místicos. Obviamente que não se pode provar que Deus
não existe porque ninguém sabe o que Deus é.

 Por que o crente crê que algo é real, quando não há nada
que indique isso?
 Por que o crente vive sua vida baseado em uma suposição
sem a mínima evidência?
 Idiotice natural?

Fontes consultadas:
http://www.diosesimaginario.com/index.php/2009/probando-negativos/
http://graveyardofthegods.com/articles/cantprovenegative.html

238
2 - Falácias na Argumentação Religiosa

É importante observar que o simples fato de alguém cometer uma
falácia não invalida toda a sua argumentação. Ninguém pode
dizer: "Li um livro de Rousseau, mas ele cometeu uma falácia,
então todo o seu pensamento deve estar errado". A falácia
239
invalida imediatamente o argumento no qual ela ocorre, o que
significa que só esse argumento específico será descartado da
argumentação, mas pode haver outros argumentos que tenham
sucesso.

Por exemplo, se alguém diz:

 "O fogo é quente e sei disso por dois motivos: 1. ele é
vermelho; e 2. medi sua temperatura com um
termômetro".
 Neste exemplo, foi de fato comprovado que o fogo é quente
por meio da premissa 2. A premissa 1 deve ser descartada
como falaciosa, mas a argumentação não está de todo
destruída.

Há várias armadilhas para evitar na construção de um raciocínio
dedutivo, que são conhecidas como falácias. Na linguagem
cotidiana, chamamos de falácias a vários tipos de crenças
errôneas. Mas na lógica, o termo tem um significado mais preciso.
A falácia é um defeito técnico que faz com que o raciocínio não
seja válido ou confiável. As falácias são comuns nas discussões
entre ateus e cristãos já que os últimos costuma recorrer a elas
muitas vezes, de forma voluntária ou involuntaria.
Note que se pode criticar mais do que apenas a confiabilidade do
raciocínio. Os argumentos são quase sempre apresentados com
um propósito específico em mente. E a intenção do raciocínio
também pode ser alvo de críticas. Os argumentos que contém
falácias são descritos como falaciosos. Às vezes, eles parecem
válidos e convincentes e apenas uma inspeção cuidadosa revela a
falha lógica.

240
1 - Deus existe porque o sinto em meu coração.

1. Falácia: NON SEQUITUR
2. Existência de Deus não depende de sentimentos pessoais.
São dois pontos muito diferentes.
3. Non sequitur é uma expressão latina (em português "NÃO
SE SEGUE") que designa a falácia lógica na qual a conclusão
não decorre das premissas. Em um non sequitur, a
conclusão pode ser verdadeira ou falsa, mas o argumento
é falacioso porque há falta de conexão entre a premissa
inicial e a conclusão. Existem diversas variações de non
sequitur, e outras falácias lógicas se originam dele, tais
como a afirmação do consequente e a negação do
antecedente.

2 - Deus existe porque o conheço e sei de muitos casos de
enfermos curados pela fé em Deus.

1. Falácia: EVIDÊNCIA ANEDÓTICA.
2. Uma das falácias mais simples é a de depender ou confiar
em uma evidência anedótica. Por exemplo:
3. "Há evidências abundantes de que Deus existe e de que
está fazendo milagres hoje em dia. Na semana passada li
sobre uma menina que estava morrendo de câncer. Toda a
sua família foi ao templo, orou por ela e ela se curou."
4. É muito válido usar a experiência pessoal para ilustrar um
ponto, mas essas anedotas não provam realmente nada a
ninguém. Um amigo seu pode dizer que viu Elvis no
supermercado, mas aqueles que não tiveram a mesma
experiência exigiriam mais que a evidência anedótica para

241
convencer-se. A evidência anedótica pode ser muito
poderosa e impressionante especialmente se a audiência
quer acreditar. Esta é parte da explicação das lendas
urbanas. Histórias que são comprovadamente falsas têm
circulado como anedotas por anos. As experiências pessoais
muitas vezes não são confiáveis. É como se um conhecido
seu dissesse que viu o Elvis no supermercado. Este tipo de
evidência só é efetiva se o interlocutor está disposto a
aceitá-la.
5. Evidência anedótica, ou evidência anedotal refere-se a
uma evidência informal na forma de anedota (CONTO,
EPISÓDIO, derivado do grego anékdota, significando
'coisas não publicadas'), ou DE "OUVIR FALAR". Quando
utilizado em propaganda ou promoção de um produto,
serviço ou ideia, A EVIDÊNCIA ANEDÓTICA É CHAMADA DE
TESTEMUNHO e é banida em algumas juridições norte-
americanas. Também pode ser usada em contexto legal
para certos testemunhos. O termo é geralmente utilizado
em contraste com evidência científica, especialmente na
medicina baseada em evidências, que é uma evidência
formal. A evidência anedótica freqüentemente não é
considerada científica pois raramente pode ser analisada
segundo o método científico. O mau uso de evidências
anedóticas como evidências formais é considerada uma
falácia (erro de argumentação lógica).Outro problema
relacionado ao uso de evidência anedotal é que, mesmo que
real, não leva em consideração dados estatísticos, que
poderiam evidenciar se a ocorrência estaria ou não dentro
da variação prevista. A psicologia demonstrou que as
pessoas tendem a se lembrar com mais facilidade de
exemplos notáveis do que os ordinários, levando à falsa
impressão de que estes ocorrem em uma freqüência mais
alta do que a real. É por isso que casinos geralmente
242
procuram chamar a atenção para os poucos que estão
ganhando, pois levam à falsa impressão de que a
probabilidade de ganhar é maior. Do mesmo modo, apesar
dos acidentes aéreos serem muito mais raros do que os
automobilísticos, não é incomum pessoas acharem que são
muito comuns.

3 - Deus existe porque a Bíblia diz que existe.

1. Falácia: CIRCULUS IN DEMONSTRANDO
2. É o célebre “ARGUMENTO CIRCULAR”, onde a premissa é a
própria conclusão. Neste caso geralmente se completa
assim: “DEUS EXISTE PORQUE A BÍBLIA DIZ QUE EXISTE;
E A BÍBLIA É VERDADEIRA PORQUE FOI ESCRITA POR
DEUS”.
3. Definição circular. Definir um termo usando o próprio termo
que está sendo definido. Ex.: A Bíblia é a palavra de Deus
porque foi inspirada por Deus.A circularidade consiste em
repetir a premissa na conclusão.

4 - Deus existe. Quem senão ele criou a bela natureza que
nos rodeia?

1. Falácia: DO APELO À NATUREZA.
2. Esta falácia comum relaciona de forma errônea uma
afirmação com a natureza circundante.
3. Um apelo à natureza é um tipo de argumento que
depende de uma certa compreensão da natureza como
base de raciocínio do argumento. Apelar à natureza em um
243
argumento é argumentar a partir de uma ou mais
premissas implicadas pelo conceito de natureza. A
expressão "apelar à natureza" pode referir-se a um
argumento individual ou a um conjunto de argumentos que
envolve certos entendimentos ou opiniões sobre a
natureza.
4. Falácia: Reificação ou hipóstase
5. Neste caso o conceito é demasiado abstrato e complexo
(Profecias). Converter uma ideia abstrata em uma coisa
concreta. Falácia lógica que consiste em tratar um conceito
abstracto como uma coisa concreta. Por exemplo: “O Mal
não existe porque nunca ninguém mo mostrou e nem nunca
o vi.”

5 - Deus existe porque as profecias Bíblicas têm se
cumprido.

1. Falácia: PETIÇÃO DE PRINCÍPIO
2. Esta falácia ocorre quando as duas afirmações são
controvertidas e muito discutíveis: a existência de Deus e
a veracidade das profecias.
3. A expressão latina petitio principii ("petição de princípio")
é uma retórica falaciosa que consiste em afirmar uma tese
que se pretende demonstrar verdadeira na conclusão do
argumento, já partindo do princípio que essa mesma
conclusão seja verdadeira em uma das premissas.Também
transformar a conclusão numa premissa é um petitio
principii. Exemplo: A BÍBLIA DIZ A VERDADE POIS É A
PALAVRA DE DEUS. (petitio principii 1). E A BÍBLIA É A
PALAVRA DE DEUS POIS A BÍBLIA DIZ A VERDADE (petitio
principii 2). E A BÍBLIA EXISTE PORQUE É A PALAVRA DE
244
DEUS. E A PALAVRA DE DEUS EXISTE PORQUE É A
VERDADE (petitio principii 3). E A VERDADE EXISTE
PORQUE É A PALAVRA DE DEUS. E A PALAVRA DE DEUS
EXISTE PORQUE DEUS EXISTE (petitio principii 4). E DEUS
EXISTE PORQUE ESTÁ ESCRITO NA BÍBLIA. E A BÍBLIA É A
PALAVRA DE DEUS, POIS ISSO É DITO NA BÍBLIA (petitio
principi 5).(nesse caso a falácia ocorreu várias vezes, uma
dando suporte à outra, mas sempre colocando conclusões
nas premissas, de tal forma que nunca se demostra como
válida conclusão alguma, apenas se faz um rodízio de
afirmações não provadas onde uma supostamente estaria
suportando a outra, porém como nenhuma dessas
conclusões foi demonstrada como válida, logicamente
nenhuma das premissas também é válida - pois se fez das
premissas as conclusões. Então, nesse caso, como as
premissas são também as próprias conclusões, percebe-se
que nenhuma das conclusões [que também foram usadas
como premissas] foi demonstrada como válida).
4. Falácia: Reificação ou hipóstase
5. Neste caso o conceito é demasiado abstrato e complexo
(Profecias). Converter uma ideia abstrata em uma coisa
concreta. Falácia lógica que consiste em tratar um conceito
abstracto como uma coisa concreta. Por exemplo: “O Mal
não existe porque nunca ninguém mo mostrou e nem nunca
o vi.”

6 - Deus existe, porque senão de onde viemos?

7 - Deus existe por que ninguém demonstrou que a Bíblia
está errada.

8 - Deus existe porque senão para onde vamos ao morrer?

245
1. Falácia: APELO À IGNORÂNCIA
2. Tentar provar algo a partir da ignorância quanto à sua
validade. Ex.: Ninguém conseguiu provar que Deus existe,
logo ele não existe. Ou o contrário. Ex.: Ninguém conseguiu
provar que Deus não existe, logo ele existe.
3. A expressão latina argumentum ad ignorantiam
("argumento da ignorância"), conhecido também como
apelo à ignorância, é uma falácia lógica que tenta provar
que algo é falso ou verdadeiro a partir de uma ignorância
anterior sobre o assunto. É um tipo de falso dilema, já que
assume que, ou todas as premissas são verdadeiras ou
todas elas serão falsas.
4. Argumentum ad ignorantiam significa "ARGUMENTO DA
IGNORÂNCIA". Esta falácia ocorre quando se diz que algo
deve ser verdadeiro simplesmente porque não se provou a
sua falsidade. Ou, de maneira equivalente, quando se
afirma que algo é falso porque não se provou sua
veracidade.
5. NOTE-SE QUE ISTO NÃO É O MESMO QUE ASSUMIR QUE
ALGO É FALSO ATÉ QUE SE DEMONSTRE QUE É
VERDADEIRO. Na lei, por exemplo, se assume a inocência
de alguém até que se demonstre sua culpa.)
6. Aqui há um par de exemplos:"É claro que a Bíblia está
certa. Ninguém pode provar o contrário".
7. "É claro que não existe telepatia e outros fenômenos
psíquicos. Ninguém mostrou nenhuma evidência de que
eles existem".
8. Na investigação científica, se sabe que um evento pode
produzir certas evidências de sua ocorrência e que a
ausência dessa evidência se pode usar validamente para
inferir que dito evento não ocorreu. Entretanto, não o prova
com certeza.

246
9. Por exemplo: "Uma inundação como a Bíblia descreve
necessitaria da presença de um enorme volume de água na
terra e ela não tem nem um décimo dessa água, mesmo
contando a água congelada nos polos. Portanto, tal
inundação não ocorreu".
10.É claro que é possível que algum processo desconhecido
tenha removido a água. A Ciência, então, exigirá uma teoria
provável e plausível para explicar o seu desaparecimento.
Ainda assim, a história da ciência está cheia de más
predições. Em 1893, a Real Academia de Ciências da
Inglaterra foi persuadida por Sir Robert Ball de que "a
comunicação com o planeta Marte era fisicamente
impossível, porque seria necessário uma bandeira do
tamanho da Irlanda, o que tornaria impossível fazê-la
flamejar."

9 - Deus existe, já que sem ele não saberíamos o que é bem
e o que é mal.

1. Falácia: NEGAÇÃO DO ANTECEDENTE.
2. Raciocínio que partindo de uma condicional (Deus existe) e
negando o primeiro (sem ele), que é o antecedente, se
conclui a negação, que é a consequência (um mundo
perverso). Ex: Se Deus não existe, não há conhecimento
do bem e do mal.

10 - Deus existe porque preenche uma necessidade
humana básica.

247
1. Falácia: ANFIBOLOGIA.
2. É o apelo à ambiguidade. Esta afirmação é muito ambígua
e imprecisa para ser correta. A anfibologia ocorre quando
as premissas usadas em um raciocínio são ambíguas devido
a uma formulação descuidada ou gramaticalmente
incorreta.

11 - Deus existe porque é o Deus mais antigo que se
mantém até nossos dias; e o cristianismo tem dois mil anos
e ainda existe.

1. Falácia: ARGUMENTUM AD ANTIQUITATEM.
2. É a famosa e popular falácia que APELA À ANTIGUIDADE de
algo para considerá-la correta. Equivale a dizer “A
astrologia é verdadeira porque tem milhares de anos de
antiguidade”. O APELO À ANTIGUIDADE é a falácia de
declarar que algo é correto ou bom simplesmente porque é
antigo ou porque "sempre foi assim". O oposto ao
Argumentum ad novitatem.
3. "Por milhares de anos os cristão têm acreditado em Jesus
Cristo. O cristianismo deve ser sincero e verdadeiro para
ter perdurado tanto, mesmo diante da perseguição".

12 - Deus existe porque os ateus não têm moral e grandes
assassinos como Stalin foram ateus.

13 - Deus existe, já que eu sei que você sendo ateu maltrata
sua mulher.

248
 Falácia: Argumentum ad hominem
 O ATAQUE À PESSOA é o tipo de falácia que desacredita
uma postura só porque um dos que dizem comparti-la é
uma comprovada má pessoa. É exatamente o mesmo que
um ateu colocar como prova da inexistência de Deus
personagens crentes como Hitler ou Torquemada. Nenhum
cristão aceitaria isto, já que diriam que eles não
representam o cristianismo que professam. E Stalin na
verdade reergueu o catolicismo ortodoxo.
 Significa literalmente "argumento dirigido ao homem",
ATACAR A PESSOA E NÃO O ARGUMENTO. Existem duas
variedades. A primeira é a forma abusiva. Se você se recusa
a aceitar uma afirmação e justifica sua rejeição criticando a
pessoa que fez tal afirmação, então você é culpado de um
argumentum ad hominem abusivo.
 Por exemplo:"Você diz que os ateus podem ser pessoas de
moral. Entretanto, acontece que eu sei que você abandonou
sua esposa e filhos."
 Isto é uma falácia porque a verdade de uma asserção não
depende das virtudes da pessoa que a afirma. Uma forma
menos óbvia de argumentum ad hominem é a de recusar
uma proposição baseando-se no fato de que também foi
afirmada por alguma outra personalidade facilmente
criticável.
 Por exemplo:"E o que sugere que façamos, que fechemos
a Igreja? Hitler e Stalin estariam de acordo com você."
 Uma segunda forma de argumentum ad hominem é tratar
de persuadir alguém a aceitar uma afirmação que você fez,
referindo-se a circunstâncias particulares dessa pessoa. Por
exemplo:
 "... portanto, é perfeitamente aceitável matar animais para
a alimentação. Espero que não o discuta, porque lhe vejo
feliz com seus sapatos de couro."
249
 Isto se conhece como argumentum ad hominem
circunstancial. A falácia também se pode usar como
desculpa para recusar uma conclusão particular.
 Por exemplo:"Claro que você dirá que a ação afirmativa é
ruim. Você é branco."
 Esta forma em particular de argumentum ad hominem, na
qual se alega que alguém está racionalizando uma
conclusão por motivos egoístas, se conhece também como
"envenenar o poço".
 Nem sempre é inválido referir-se às circunstâncias de um
indivíduo que faz uma declaração. Se uma pessoa é um
conhecido mentiroso, este fato reduzirá sua credibilidade,
mas não provará entretanto, que seu testemunho seja falso
neste caso. Tampouco alterará a confiabilidade de qualquer
raciocínio lógico que faça.
 Falácia: Inversão do acidente ou generalização
precipitada.
 Por um caso isolado e pouco frequente, se generaliza o
resto da população com as características indesejadas
(Stalin).
 Falácia: Afirmação do consequente.
 Esta falácia é um argumento da forma "A implica B, B é
verdadeiro, logo A é verdadeiro".
 Exemplo:"Se o universo foi criado por um ser sobrenatural,
veríamos ordem e organização em tudo. E vemos ordem,
não aleatoriedade; então é claro que o universo teve um
criador”. ISTO É O CONTRÁRIO DA NEGAÇÃO DO
ANTECEDENTE.
 É o equivalente lógico a assumir a verdade necessária de
que o contrário também o é. Exemplo: “Se estou dormindo
tenho os olhos fechados, então se tenho os olhos fechados
devo estar dormindo”, ao mudar a frase não significa que o
segundo seja certo. Neste caso: Stalin era ateu e era
250
imoral; o contrário (que todo ateu é imoral como Stalin)
não é correto.

14 - Deus existe porque tinha dor de cabeça, orei a Deus e
a dor de cabeça desapareceu.

 Falácia: Non causa pro causa
 A FALÁCIA DA CAUSA QUESTIONÁVEL. Neste caso, a causa
(oração) não foi inequivocamente demonstrada como
determinante do evento (desaparecimento da dor de
cabeça).

15 - Deus existe porque todas as pessoas que conheço
acreditam nele.

 Falácia: Generalização precipitada
 Neste caso a amostra foi falsamente considerada como a
típica de uma população da qual foi tomada. Exemplo:
Alguém pode dizer “Todo mundo gostou do filme” sem
mencionar que “todo mundo” foi ele e três de seus
companheiros.

16 - Deus existe porque a evolução não é válida e já se
demonstrou que tem muitos erros.

1. Falácia: FALSO DILEMA OU BIFURCAÇÃO

251
2. Este argumento falacioso só considera como possíveis duas
alternativas, ignorando outras prováveis soluções do
problema. Neste caso Criacionismo ou Evolucionismo.
3. Falácia: AD IGNORANTIAM
4. O APELO À IGNORÂNCIA. Neste caso, quem faz a afirmação
pode ignorar ou não conhecer totalmente o que significa
uma das conclusões (Evolução).

17 - Deus existe porque me curou (ou alguma outra
pessoa) de uma enfermidade incurável.

18 - "Me curei de câncer." "Aleluia ao Senhor, Ele é teu
curador." "Então Ele curará outros que padecem de
câncer?" "Bem... os caminhos de Deus são misteriosos."

1. Falácia: AD HOC
2. Esta falácia se aplica a um evento que nem sempre se aplica
em outras situações. Por exemplo. Se fosse demonstrado
inequivocamente que Deus curou você ou outra pessoa
qualquer de câncer ... Isso significa que Deus curará
qualquer outra pessoa? Evidentemente não.
3. A falácia Ad hoc consiste em dar uma explicação depois de
um fato que não se aplica a outras situações.
Frequentemente esta explicação Ad hoc estará construída
para ser vista como um raciocínio.

19 - Deus existe porque personagens como Newton, que
era um grande cientista, acreditava em Deus.

1. Falácia: ARGUMENTUM AD VERECUENDIAM.
252
2. O APELO À AUTORIDADE é uma premissa baseada na
autoridade de um personagem que a apoia. Embora esta
falácia possa ser eventualmente correta, na maioria dos
casos o personagem não tem autoridade suficiente na área
em que se faz a afirmação, mas se destaca notavelmente
em outra. Por exemplo, levar a sério a opinião política de
um atleta consagrado.
3. Falácia: AFIRMAÇÃO DO CONSEQUENTE.
4. É o mesmo caso visto mais acima com Stalin. Porque
Newton era virtuoso e acreditava que Deus existia; não
significa que Deus exista porque alguém como Newton
acreditava nele.

20 - Deus existe porque Jesus dividiu a história em antes e
depois de Cristo.

1. Falácia: CUM HOC ERGO PROPTER HOC
2. Se assume que porque dois eventos ocorrem ao mesmo
tempo, estão relacionados. Neste caso em particular, bem
sabemos que a divisão de AC e DC foi atribuída no século
VI e não foi aceita de maneira geral na Europa até o século
XI.

21 - Deus existe porque há centenas de relíquias da época
de Jesus, além dos lugares onde ele esteve.

3. Falácia: PETITIO PRINCIPII
4. Esta falácia, PETIÇÃO DE PRINCÍPIO, ocorre quando as
afirmações são controvertidas e muito discutíveis. Neste
253
caso em particular são três afirmações bastante incertas: a
existência de Deus, a existência do Jesus histórico e a
veracidade das relíquias sagradas.

22 - Deus existe, porque há muitas pessoas boas que
acreditaram em Deus como Newton, Galileu, Kant, Pasteur
e muitos mais.

5. Falácia: GENERALIZAÇÃO PRECIPITADA.
6. É uma falácia que ocorre quando o tamanho de uma
amostra apresentada é pequeno demais para sustentar
uma generalização: Neste caso: Não é porque estes
personagens tenham sido exemplares que significa que o
resto dos crentes o sejam e, por consequência, Deus exista.

23 - Deus existe porque vemos ordem neste universo e a
ordem não vem do acaso.

7. Falácia: AFIRMAÇÃO DO CONSEQUENTE.
8. Se aplica quando uma afirmação (A) é correta e se conclui
falaciosamente que a seguinte também é (B). Além disso,
para tornar esta afirmação correta é necessário demonstrar
várias coisas: que o universo foi inequivocamente criado
por Deus, que o conceito de ordem é como o definimos e
que a influência do acaso é tão determinante como se
afirma.

254
24 - Deus existe porque se o negas irás ao inferno.

1. Falácia: ARGUMENTUM AD BACULUM.
2. O APELO À FORÇA ocorre quando se recorre à força ou às
ameaças para apoiar um ponto. Equivale a dizer “Os mais
poderosos tem razão”. Esta falácia do APELO À FORÇA
ocorre quando alguém apela à força (ou ameaça dela) para
pressionar e fazer aceitar uma conclusão. Esta falácia é
normalmente usada por políticos e pode ser facilmente
resumida como "o poder faz com que seja correto". A
ameaça não tem que vir necessariamente da pessoa com
quem se discute.
3. Por exemplo:"... certamente, há provas suficientes da
veracidade da Bíblia. Aqueles que se recusam a aceitar a
verdade arderão no inferno".
4. "... de qualquer modo, conheço teu endereço e número de
telefone. Te falei que tenho licença para portar armas?"

25 - Deus existe porque eu sofri muito em minha vida e
Deus me ajudou a superar os problemas.

1. Falácia: ARGUMENTUM AD MISERICORDIAM
2. É a famosa falácia do apelo à misericórdia. Nos incita a
aceitar uma premissa baseando-se na simpatia por alguém
que sofreu muito.
3. Exemplo: "Eu não matei meus pais com um machado.
Favor, não me condenem, eu já estou sofrendo muito sendo
um órfão."

255
26 - Deus existe porque milhões de pessoas acreditam
nele, não podem estar todas equivocadas.

1. Falácia: ARGUMENTUM AD POPULUM
2. APELO AO POVO. É uma premissa falaciosa baseada na
aceitação de argumento só porque é aceita por um grande
número de pessoas. Também conhecido como APELO AO
POVO OU À POPULARIDADE. Se comete esta falácia quando
se tenta ganhar a aceitação de uma afirmação apelando a
um grupo grande de gente. Frequentemente este tipo de
falácia se caracteriza por usar uma linguagem emotiva.
3. Por exemplo:"Por milhares de anos as pessoas têm
acreditado em Jesus e na Bíblia. Essa crença tem tido um
grande impacto em suas vidas. Que evidência mais
necessita de que Jesus é o filho de Deus? Você está
tentando me dizer que todas essas pessoas são tolas e
enganadas?".

27 - Deus existe porque sem ele o mundo se encheria de
violência, maldade e caos.

1. Falácia: LADEIRA ESCORREGADIA.
2. Esta falácia afirma falsamente que se um evento ocorre (a
não existência de Deus) outros eventos lastimáveis e
perigoso ocorrerão irremediavelmente. Não há provas de
que estes eventos terríveis sejam causados pelo primeiro
evento.

256
28 - Deus existe porque tu não podes demonstrar que não
existe.

1. Falácia: INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
2. É uma das mais utilizadas pelos cristãos. Neste caso cabe
ao cristão demostrar inequivocamente que Deus existe, já
que é ele quem faz a afirmação.

29 - "Os monges são mais propensos a possuir uma
percepção do significado da vida, já que renunciaram às
distrações da riqueza."

1. Falácia: ARGUMENTUM AD LAZARUM.
2. O APELO À POBREZA é a falácia de assumir que os pobres
são mais íntegros e virtuosos que os ricos. Esta falácia é
oposta a do Argumentum ad crumenam.

30 - Esta é a "FALÁCIA DA FALÁCIA" de argumentar que a
proposição é falsa porque foi apresentada como a
conclusão de um raciocínio falacioso. Pois raciocínios
falaciosos podem chegar a conclusões verdadeiras.

1. Falácia: ARGUMENTUM AD LOGICAM
2. "Tomemos a fração 16/64. Agora, cancelando o seis de
cima com o de baixo temos que 16/64 = 1/4."
3. "Um momento! Não se pode cancelar os “seis” sem mais
nem menos!"

257
4. "Ah, então o que queres me dizer é que 16/64 não é igual
a 1/4, Verdade?"

31 - Segundo Goebbels "uma mentira repetida mil vezes
transforma-se em verdade".

1. Falácia: ARGUMENTUM AD NAUSEAM,
2. Falácia usada corriqueiramente em todas as igrejas cristãs
de ontem e de hoje; e que funciona maravilhosamente bem
para gravar de maneira profunda na mente dos crentes as
mentiras mitológicas que são a base do cristianismo.
3. "ARGUMENTAÇÃO ATÉ PROVOCAR NÁUSEA". Esta é a
crença incorreta de que é mais fácil que uma afirmação seja
verdadeira ou aceita como tal, quanto mais vezes seja
ouvida. O argumentum ad nauseam é o que emprega a
REPETIÇÃO CONSTANTE, dizendo a mesma coisa
repetidamente até que dê náuseas de tanto escutá-la.

32 - "Nossa igreja é uma escolha melhor que as antigas
como sistema de fé, porque ela é mais moderna."

1. Falácia: ARGUMENTUM AD NOVITATEM
2. É o oposto do argumentum ad antiquitatem (APELO À
ANTIGUIDADE); é a falácia do APELO À NOVIDADE, de
afirmar que algo é melhor ou mais correto simplesmente
por que é mais novo. Argumento usado para validar muitas
igrejas recém-fundadas.

258
33 - "Digo apenas que milhares de pessoas acreditam no
poder de Deus, então deve haver algo nisso".

1. Falácia: ARGUMENTUM AD NUMERUM
2. Esta falácia, do APELO À QUANTIDADE, está relacionada
com a do argumentum ad populum. Consiste em afirmar
que quanto mais gente apoie ou creia em uma proposição,
mais possibilidades de ser verdadeira possui.
3. Por exemplo: Exemplo: "A grande maioria das pessoas
neste país crê que a fé em Jesus Cristo possui um efeito
notável de prevenir e impedir delitos. Sugerir que não é
assim diante tanta evidência é ridículo."

259
19 - Argumentos fajutos a favor de Deus

O Ateísmo - a ausência de crença
em deuses - se baseia na falta de
evidências de que os deuses
pregados pelos crentes existam,
falta de motivos para crer em
deuses e nas dificuldades e
contradições geradas pelo
conceito de deus. No entanto, o
ateísmo permanece uma hipótese,
sujeita a mudanças se
argumentos teístas
convincentes surgirem. A seguir,
apresentamos alguns dos
argumentos que ateus
examinaram e algumas das razões
pelas quais os rejeitaram.

1 - Deus das Lacunas (Deus sendo o “almoço grátis”)

A maioria das “provas” de que deuses existem se baseia, pelo
menos em parte, no argumento do Deus das lacunas. Este
argumento diz que se nós não temos a resposta para alguma
coisa, então “Foi Deus”. “Deus” se torna a explicação padrão,
mesmo sem evidências.

 Mas será que dizer que “Foi Deus” é realmente
uma resposta?

260
 NÃO. ISSO NÃO É RESPOSTA.

William Dembski, defensor do “Design Inteligente”, publicou um
livro chamado “Não existe almoço grátis”. Entretanto, Deus é o
“almoço grátis” derradeiro. Consideremos isto:

1. Não sabemos do que deuses são compostos.
2. Não sabemos quais são os atributos dos deuses.
3. Não sabemos quantos deuses existem.
4. Não sabemos onde estão os deuses.
5. Não sabemos de onde vêm os deuses ou, visto de outra
forma, como é possível que eles sempre tenham existido.
6. Não sabemos de que modo os deuses criam ou modificam
as coisas.
7. Não sabemos o que é o “sobrenatural” e nem de que forma
ele consegue interagir com o mundo natural.

Em outras palavras, não sabemos absolutamente nada sobre
deuses — e, no entanto, um monte de gente atribui um monte de
coisas a um ou mais deuses. Portanto, dizer que “foi Deus” é
responder a uma pergunta com outra pergunta. Não traz
nenhuma informação e apenas complica ainda mais a
pergunta original. O argumento do Deus das lacunas afirma que
não apenas nós não temos uma resposta não-sobrenatural hoje,
mas que nós nunca descobriremos uma resposta não-
sobrenatural no futuro porque uma resposta não-sobrenatural não
é possível. Assim, para contestar um argumento “Deus das
lacunas”, temos apenas que mostrar que é possível imaginar uma
resposta não-sobrenatural. Por exemplo: abrimos uma porta e
vemos um gato dormindo num canto. Fechamos a porta, abrimos
de novo 5 minutos depois e notamos que o gato agora está
dormindo no outro canto. Uma pessoa diz “Deus moveu o gato
sem acordá-lo” (mas não prova). Outra diz “É bem possível que o

261
gato tenha acordado, andado até o outro canto e dormido de
novo”. Deste modo, embora ninguém tenha visto o que realmente
aconteceu, o argumento “Deus das lacunas” foi descartado pela
possibilidade de se explicar o fenômeno sem apelar para
causas sobrenaturais.

2 - Ter fé numa coisa não a torna realidade

O fato é que ninguém nem ao menos sabe se é possível existirem
deuses. Só porque conseguimos imaginar alguma coisa, não
significa que ela seja possível. Por exemplo, podemos nos
imaginar atravessando paredes sólidas, mas isto não quer dizer
que vamos conseguir. Assim, só porque conseguimos imaginar um
deus, não significa que ele tenha que existir. Como não há provas
quanto à existência de nenhum deus, um crente típico tem que
presumir a existência de pelo menos nove coisas até chegar ao
deus em que ele acredita. São nove passos separados porque um
passo não implica no passo seguinte.

1. O primeiro passo é acreditar na existência de um
mundo sobrenatural.
2. O segundo passo, que existam seres de algum tipo
nesse mundo.
3. O terceiro, que estes seres sejam conscientes.
4. O quarto, que pelo menos um destes seres seja eterno.
5. O quinto, que este ser seja capaz de criar alguma coisa
do nada.
6. O sexto, que este ser seja capaz de interferir no universo
depois de criá-lo (ex. milagres).
7. O sétimo, oitavo e nono, que este ser seja onisciente,
onipotente e infinitamente amoroso.

262
Se, ainda por cima, as pessoas quiserem acreditar no deus de uma
religião específica, então passos adicionais são necessários. Desta
forma, quando falamos em deuses, não temos absolutamente
nenhuma ideia do que estamos falando e ainda temos que assumir
a existência de 9 coisas diferentes para chegarmos ao deus em
que a maioria das pessoas acredita.

3 - Argumento dos livros sagrados

1. Só porque algo está escrito, não significa que é verdade.
2. Isto é válido para a Bíblia, para o Corão e para qualquer
outro livro dito sagrado.
3. Tentar provar a existência do deus de um livro sagrado
usando o próprio livro sagrado como “evidência” é
argumentação circular.

Quem acredita no livro sagrado de uma religião, em geral rejeita
os livros sagrados das outras religiões.

4 - Argumento dos lugares históricos

Este argumento afirma que, se personagens e lugares históricos
são mencionados em lendas antigas, então tudo o mais nessas
lendas, incluindo descrições de acontecimentos sobrenaturais,
tem que ser verdade. Se este argumento for válido, então tudo o
que está na Ilíada, incluindo as intervenções dos antigos deuses
gregos, deve ser verdade.

5 - Revelações dos profetas

Todas as religiões afirmam terem sido reveladas, em geral por
meio de pessoas denominadas “profetas”. Mas como saber se uma
“revelação” é realmente uma “mensagem de Deus” e não
263
uma alucinação ou uma simples mentira? Uma revelação é uma
experiência pessoal. Mesmo se uma revelação realmente vier de
um deus, não há como provar. As pessoas de uma religião em
geral não acreditam nas revelações das outras religiões. Essas
revelações muitas vezes se contradizem, portanto, com base em
que poderemos determinar qual das revelações é a verdadeira?

6 - Testemunho pessoal, “abrir o coração”

Isto acontece quando é você mesmo que recebe a revelação ou
sente que um deus realmente existe. Você pode até ser sincero e
pode ser até que um deus realmente exista, mas sentimentos não
provam nada, nem para você e nem para os outros. Não adianta
pedir aos ateus que “abram seus corações e aceitem Jesus” (ou
qualquer outro deus). Se nós abandonássemos nosso ceticismo,
talvez até sentíssemos alguma inspiração, mas isto seria apenas
uma experiência emocional e não teríamos como saber se um
deus estaria realmente falando conosco ou se estaríamos
apenas sofrendo alucinações.

7 - A maioria das pessoas acredita em Deus

É verdade que ao longo da história, a maioria das pessoas
acreditou em pelo menos um deus. Entretanto, popularidade não
transforma nada em verdade. Afinal, a maioria das pessoas
acreditava que a Terra era o centro do universo. O número de
ateus no mundo está aumentando, atualmente. Talvez um dia a
maioria das pessoas seja ateia. Por exemplo, a maioria dos
cientistas nos EUA já é ateia. Entretanto, assim como no caso da
religião, a popularidade crescente do ateísmo não prova que ele
é verdade. É bem possível que já haja mais ateus do que crentes
na Inglaterra, na França e em outros países. Será que isto quer
dizer que Deus existe em toda parte exceto nestes países?
264
8 - A evolução não iria favorecer uma falsa crença

Será que a evolução favoreceria uma espécie incapaz de perceber
a realidade? Ou uma espécie sujeita a alucinações? Se não, então
deve haver um deus, segundo este argumento. Entretanto, a
evolução não favorece o que é verdade. A evolução favorece o que
é útil. Ninguém discorda de que a religião e a crença em deuses
foram úteis em alguns casos. “Deus”, assim como Papai Noel,
pode ser usado para fazer as pessoas se comportarem em troca
de uma recompensa. “Deus” também pode ser usado para
justificar atos condenáveis que beneficiam seu grupo, como os
homens-bomba islâmicos e as Cruzadas. “Deus” pode diminuir seu
medo da morte. Entretanto, na era das armas nucleares, o perigo
da crença em deuses supera em muito seus benefícios.

9 - A parte de nosso cérebro ligada a Deus

Alguns religiosos argumentam que deve haver um deus, caso
contrário, para que teríamos uma parte de nosso cérebro que
“reconhece” um deus? Que outra utilidade esta função
cerebral teria? Entretanto, a imaginação é importante para nossa
sobrevivência. Podemos imaginar muitas coisas que não são
verdade. É um subproduto de nossa capacidade de imaginar
coisas que podem ser verdade. Na verdade, os cientistas estão
estudando, de um ponto de vista biológico, por que alguns têm
crenças religiosas e outros não. Eles já identificaram substâncias
em nosso cérebro que podem nos fazer ter experiências religiosas.
A dopamina, por exemplo, tende a nos fazer “ver” coisas que
não existem. Um novo campo científico, a neuroteologia, estuda
a religião e o cérebro e já identificou que a parte do cérebro
conhecida como lobo temporal pode gerar experiências religiosas.
Outra parte do cérebro, que controla o sentimento de
individualidade, pode ser conscientemente desligada durante a
265
meditação, dando a essa pessoa (que perde a noção do limite
onde ela termina e onde começa o mundo externo a ela) um
sentimento de “fusão” ou “unidade” com o universo.

10 - Antigos “milagres” e histórias de ressurreições

Muitas religiões têm histórias de milagres. Assim como os que
acreditam numa religião são céticos quanto aos milagres das
outras, os ateus são céticos quanto a todas as histórias
de milagres. Eventos extraordinários podem ser exagerados com
o tempo e se tornarem lendas milagrosas. Bons mágicos fazem
coisas que parecem milagres. As coisas podem ser mal avaliadas
e mal interpretadas. Muitas coisas que pareciam milagres no
mundo antigo, hoje são facilmente explicadas. Quanto às
ressurreições, os ateus não acham que histórias de gente que
ressuscitou dos mortos sejam convincentes. Há muitas lendas
assim na literatura antiga e, mais uma vez, a maioria dos
religiosos rejeita as histórias de ressurreição das outras religiões.
Muitas religiões afirmam que seus deuses realizaram milagres
óbvios e espetaculares há milhares de anos.

1. Por que os milagres não mais acontecem?
2. Os deuses ficaram tímidos?
3. Ou foi o progresso da ciência?

11 - “Milagres” modernos de cura e ressurreição

“Milagres” de cura nos dias atuais são um bom exemplo do “Deus
das lacunas”. Alguém se cura de uma forma que a ciência não
consegue explicar? Claro, “foi Deus”. Deus nunca precisa provar
nada. As pessoas sempre assumem de que o mérito seja dele. O
problema deste argumento é que ele parte do princípio de que
sabemos tudo sobre o corpo humano e temos condição de
266
descartar uma explicação científica. Entretanto, o fato é que nosso
conhecimento médico é limitado. Por que nunca vemos um
verdadeiro milagre, como braços amputados se
regenerando instantaneamente? Foram feitos diversos estudos
sobre o efeito das orações no caso de pacientes que não sabiam
se alguém estava orando por eles ou não, e não se constatou
nenhuma influência das orações sobre a cura.

E fica a pergunta:

 Afinal, por que temos que implorar a um deus onipotente e
infinitamente amoroso para que nos cure de doenças e dos
efeitos de acidentes naturais que ele mesmo causou?
 É o Problema do Mal: se Deus é todo-poderoso e
infinitamente amoroso, por que existe o mal, para início
de conversa?

No mundo de hoje, as histórias de ressurreição sempre parecem
acontecer em países atrasados, em condições não controladas por
cientistas. Por outro lado, por que nunca houve ressurreições de
pessoas que morreram em hospitais modernos, conectadas a
máquinas que indicaram quando as mortes ocorreram?

12 - “Céu” (Medo da Morte)

Nem ateus nem religiosos gostam do fato de que vamos todos
morrer. Entretanto, este medo não prova que há uma vida após a
morte — prova apenas que nós gostaríamos que houvesse. Só que
desejos não se tornam automaticamente realidade. Não há
evidências de que um deus exista, nem de que ele tenha criado
algum lugar para irmos depois da morte. Não há nenhuma
explicação sobre o que é esse lugar, onde ele está ou como foi
que um deus o criou do nada. Não há evidências sobre almas,

267
nada sobre a composição de uma alma e nenhuma explicação
sobre como uma alma não-material surgiu em um corpo material
ou, alternativamente, sobre quando e como um deus faz surgir
uma alma num corpo. Se um óvulo humano fertilizado tem uma
alma, o que acontece quando ele se divide para formar gêmeos?

 Cada um fica com meia alma?
 Ou havia duas almas no óvulo fertilizado original?
 E quando acontece o contrário, ou seja, quando dois óvulos
fertilizados se fundem em um único ser humano (uma
“quimera”)?
 Essa pessoa terá duas almas?
 Ou havia duas meias almas que se fundiram?

Se um bebê de uma semana morre, que tipo de pensamentos ele
terá na outra vida? Os pensamentos de um bebê de uma semana?

 Ou os de um adulto?
 Se este for o caso, como será possível?
 De onde virão estes pensamentos adultos e quais serão?

Não há motivos para se acreditar que nossa consciência sobrevive
à morte de nosso cérebro. A mente não é algo separado do corpo.

Por exemplo:

 Conhecemos as substâncias químicas responsáveis pelo
sentimento do amor.
 As drogas podem alterar nosso humor e assim mudar
nossos pensamentos.
 Danos físicos ao nosso cérebro podem mudar nossa
personalidade e nossos pensamentos.

268
 Adquirir uma nova habilidade, que envolve pensar, pode
mudar fisicamente a estrutura do nosso cérebro.

Algumas pessoas ficam com a doença de Alzheimer no fim de suas
vidas. O dano a seus cérebros é irreversível e pode ser detectado
por tomógrafos. Essas pessoas perdem a capacidade de pensar,
mas continuam vivas. Será que seu pensamento retorna logo após
a sua morte, na forma de uma “alma”? Se as pessoas tivessem
que escolher entre um deus e uma vida após a morte, a maioria
escolheria a segunda vida e esqueceria Deus. Elas só escolhem
acreditar em Deus porque é o único jeito que elas conhecem de
realizar seus desejos de uma vida após a morte.

13 - Medo do Inferno

Para os ateus, a ideia de inferno parece uma enganação — uma
tentativa de levar as pessoas a acreditarem pelo medo naquilo
que elas não conseguem acreditar pela razão e pelas evidências.
O único jeito de encarar isto “logicamente” é encontrar a religião
que lhe pune mais duramente pela descrença e então acreditar
nela. Ótimo, você terá se livrado do pior castigo que existe — mas
só se esta for a “verdadeira” religião. Por outro lado, se ela (e sua
punição) não forem verdadeiras — se a religião que ficou em
segundo ou terceiro lugar quanto a dureza da punição for a
verdadeira religião — então você não se salvou de nada.

 Então, qual inferno, de qual religião, é o verdadeiro?

Sem evidências, jamais saberemos. Mesmo entre cristãos há pelo
menos 3 infernos diferentes. Na versão tradicional, sua “alma”
queimará eternamente. Uma segunda versão diz que um deus de
amor não seria tão cruel, portanto sua “alma” apenas deixará
de existir. Uma terceira versão diz que o céu não é um lugar físico,

269
mas apenas a condição de estar para sempre separado de Deus.
Acontece que os ateus já estão separados de Deus e vivem sem
problemas, portanto esta ameaça não faz sentido para eles.

 Além disso, como é possível ficar separado de um deus que,
supostamente, está em toda a parte – é onipresente?

14 - Aposta de Pascal

Em resumo, a aposta de Pascal diz que temos tudo a ganhar (uma
eternidade no céu) e nada a perder se acreditarmos em um deus.
Por outro lado, a descrença pode levar-nos a perder o céu e ir
para o inferno. Já vimos que o céu é apenas uma coisa que
desejamos que exista e que o inferno é uma enganação, portanto
vamos examinar a questão da fé. A aposta de Pascal assume que
uma pessoa possa se forçar a acreditar em alguma coisa. Isto não
funciona, pelo menos não para um ateu. Portanto ateus teriam
que fingir que têm fé. Só que, de acordo com a maioria das
definições de Deus, ele perceberia nossa mentira interesseira.
Será que ele nos recompensaria mesmo assim? A aposta de Pascal
também diz que você “não perde nada” por acreditar. Um ateu
discordaria. Ao acreditar em Deus sob essas condições, você
estaria reconhecendo que está disposto a acreditar em algumas
coisas pela fé. Em outras palavras, você estaria aceitando
abandonar as evidências como seu padrão para julgar a realidade.
Vista desta forma, a fé já não parece tão interessante, não é?

15 - Culpando a vítima

Muitas religiões castigam as pessoas por não acreditar.
Entretanto, crença exige fé e pessoas como os ateus são
incapazes de ter fé. Suas mentes requerem evidências.

270
 Assim, devemos punir os ateus por não acreditarem que
“Deus” não é uma coisa evidente?

16 - O fim do mundo

Assim como no caso do Inferno, esta ideia parece aos ateus servir
apenas para induzir as pessoas a acreditarem por medo naquilo
em que elas não conseguem acreditar pela razão e
pelas evidências. Ao longo dos séculos, houveram muitas
profecias sobre o fim do mundo. Se sua fé se baseia nisto,
pergunte a você mesmo: por quanto tempo você está disposto a
esperar — quanto tempo será necessário para você se convencer
de que o mundo não vai acabar?

17 - Dificuldades da religião

Já se argumentou que as religiões exigem tantos sacrifícios que
as pessoas jamais as seguiriam se um deus não existisse.
Entretanto, pelo contrário, é a crença em um deus que motiva as
pessoas. Um deus não precisa existir para que isto aconteça. As
dificuldades podem até servir como ritual de admissão numa seita,
como um meio de se tornar um dos “escolhidos”. Afinal de contas,
se soubéssemos que todos seriam salvos, por que nos daríamos
ao trabalho de seguir uma religião? Além disto, a recompensa que
a maioria das religiões promete em troca da obediência — um céu
— compensa em muito a maioria das dificuldades impostas
por elas.

18 - Argumento do martírio:

Dizem os crentes que ninguém morreria por uma mentira. Eles
ignoram o fato de que as pessoas podem ser enganadas (ainda
que com a melhor das intenções) quanto à veracidade de
271
uma religião. A maioria dos grupos que incentivam o martírio
promete uma grande recompensa no “céu”, portanto os
seguidores não acham que perder a vida seja um sacrifício
tão grande.

1. Será que o fato de que os terroristas que jogaram os aviões
no WTC estavam dispostos a morrer por sua fé faz do
islamismo a verdadeira religião?
2. E o que pensar de cultos como o Heaven’s Gate, cujos
seguidores cometeram suicídio em 1997 acreditando que
suas “almas” iriam para uma nave espacial que
acompanhava um cometa e onde Jesus os esperava?

19 - Argumento do vexame

Alguns crentes argumentam que seu livro sagrado contém
passagens que são embaraçosas para sua fé, que essas passagens
e as descrições de eventos sobrenaturais devem ser verdadeiras,
caso contrário não teriam sido incluídas no livro. Um exemplo
clássico na Bíblia é o relato da covardia dos discípulos depois que
Jesus foi preso. Entretanto, neste caso e em outros, momentos
embaraçosos podem ser incluídos numa história de ficção para
criar um clima dramático e tornar o triunfo final do herói
muito maior. Apenas faz parte da trama da fábula.

20 - Falsas dicotomias

Isto acontece quando se cria uma falsa escolha entre “isto ou
aquilo” embora, na verdade, haja outras possibilidades. Os
cristãos conhecem bem esta: “Ou Jesus estava louco ou ele era
Deus. Como Jesus disse coisas sábias, então ele não estava louco,
portanto ele deve ser Deus, conforme ele disse que era”. (Só que

272
não há uma letra que possa ser atribuída a Jesus, logo ele nunca
disse nada)

Acontece que estas não são as únicas duas opções.

1. Há uma terceira: “sim, ele disse coisas sábias, mas, ainda
assim, estava iludido quando disse que era Deus”.
2. E há uma quarta: “Jesus talvez não tenha dito nada do que
lhe é atribuído na Bíblia. Talvez tenham sido os escritores
da Bíblia que disseram que ele disse aquelas coisas sábias.
E talvez ele nunca tenha afirmado ser um deus e foram os
escritores que o transformaram em deus”.
3. Uma quinta possibilidade, bem mais plausível, é que Jesus
seja inteiramente um personagem de ficção e que tudo
tenha sido inventado pelos autores.

21 - Sentido da vida

Este argumento diz que, sem a crença em um deus, a vida não
teria sentido. Mesmo que isso fosse verdade, apenas provaria que
nós queremos que um deus exista para dar sentido s nossas vidas
e não porque realmente queremos um deus.

 Mas o fato de que ateus encontram sentido para suas vidas
sem acreditar em deuses mostra que essa crença não
é necessária.

22 - Deus, assim como o amor, é inalcançável

O amor não é inalcançável. Nós definimos “amor” tanto como um
tipo de sentimento e como algo que é demonstrado através
de ações. O amor, ao contrário de Deus, é uma coisa física.
Conhecemos as reações químicas no cérebro que provocam o

273
sentimento de amor. Além disto, o amor depende da estrutura
cerebral. Uma pessoa lobotomizada ou com certos tipos de danos
cerebrais torna-se incapaz de sentir amor. Além disto, se o amor
não fosse físico, não ficaria confinado aos nossos cérebros físicos.
Nós poderíamos ser capazes de detectar alguma entidade ou força
chamada “amor” flutuando no ar.

23 - Moral e ética

É a ideia segundo a qual não temos motivos para a moralidade se
não houver um deus. Entretanto, já havia códigos morais bem
antes da Bíblia: o Código de Hamurabi, por exemplo.

Em Eutífron, um dos diálogos de Platão, Sócrates pergunta a um
homem chamado Eutifro se alguma coisa é boa apenas porque
Deus diz que é ou se Deus diz que uma coisa é boa porque ela
tem bondade intrínseca.

1. Se algo é bom porque Deus diz que é, então Deus pode
mudar de ideia sobre o que é bom. A moral “divina” não
seria uma coisa absoluta.
2. Se Deus diz que uma coisa é boa por causa da bondade
intrínseca desta coisa, então nós poderíamos encontrar
essa bondade intrínseca nós mesmos, sem precisar da
crença em Deus.

Os cristãos nem mesmo conseguem entrar em acordo entre si
quando se fala em masturbação, sexo antes do casamento,
homossexualidade, divórcio, anticoncepcionais, aborto, pesquisa
com células tronco, eutanásia e pena de morte. Os cristãos
rejeitam algumas das leis morais da Bíblia, como matar crianças
desobedientes ou pessoas que trabalham no sábado.

274
1. Portanto, os cristãos interpretam a Bíblia segundo seus
próprios conceitos de moralidade, rejeitando os
mandamentos que não consideram éticos e ignorando a
moral de Deus.
2. A verdade é que a maioria das pessoas ignora as coisas que
não são éticas em seus livros sagrados e se concentram nos
bons conselhos.
3. Em outras palavras, os teístas definem sua própria ética da
mesma forma que os ateus fazem.

Até mesmo os animais respeitam uns aos outros e têm um senso
de justiça. Já encontramos a parte de nosso cérebro responsável
pelos sentimentos de simpatia e empatia — os “neurônios
espelhos” — que formam a base de grande parte de nossa ética.
A moralidade é algo que se desenvolveu por sermos criaturas
sociais. Baseia-se nas vantagens egoístas que obtemos ao
cooperarmos com outros e em suas consequências. Ajudar ao
próximo é um ato egoísta que nos traz recompensas
evolucionárias. Nós também julgamos as ações pelas suas
consequências, através de tentativa e erro. A melhor fórmula que
desenvolvemos é a de permitir o máximo de liberdade a alguém,
contanto que não fira outra pessoa ou afete a sua liberdade. Esta
concepção moral é a que cria o máximo de felicidade e
prosperidade para uma sociedade, e a que beneficia o maior
número de pessoas (o maior bem para o maior número). Esta
visão inclui a proteção dos direitos das minorias, já que de certa
forma somos todos pertencentes a alguma delas. Já que não há
evidência de que algum deus exista, não temos como atribuir a
moralidade a um deus.

 Portanto, muito mais que servir como guia moral, a religião
pode ser usada para justificar qualquer atitude. Basta
alegar que “Deus me disse para fazer isto”. A melhor
275
maneira de refutar este argumento é descartar totalmente
o conceito de deus.

Mesmo que deuses não existam, há quem ache que a crença neles
ajuda muitas pessoas a se comportarem, como se ele fosse um
policial invisível. Como disse o presidente George W. Bush, “Deus
está o tempo todo pesquisando nosso coração e nossa mente. Ele
é assim como Papai Noel. Ele sabe se você foi bom ou se foi mal”
(08 de Abril de 2007, Páscoa, Fort Hood, Texas).

 Queremos realmente basear nossa ética nisso?

Um sistema decente de ética não precisa do sobrenatural para se
justificar. Entretanto, a crença no sobrenatural já foi usada – e
ainda é - para justificar muitas coisas sem ética, como a
Inquisição, a perseguição s Bruxas de Salém, o preconceito contra
os gays, o ataque ao WTC, etc.

Estudo recente revela que crianças têm sentido de justiça antes
dos dois anos. (Em inglês)

24 - Argumento da bondade e da beleza

Alguns religiosos alegam que sem um deus não haveria nem
bondade nem beleza no mundo. Entretanto, bondade e beleza são
definidas em termos humanos. Se o ambiente da Terra fosse tão
inóspito que a vida não pudesse se desenvolver, nós não
estaríamos aqui para discutir o assunto. Portanto, há coisas no
ambiente que são favoráveis à existência da vida e nós somos
naturalmente atraídos para elas. Nossa sobrevivência
depende delas. No caso da arte, nós somos naturalmente atraídos
por imagens, formas e cores que nos lembram essas coisas.

276
Entretanto, há várias formas de arte, como o cubismo e o
surrealismo, que algumas pessoas apreciam e outras detestam.

25 - Altruísmo

Às vezes, as pessoas dizem que, sem um deus, não haveria
altruísmo e que a evolução só favorece o comportamento egoísta.
Entretanto, podemos dizer que não existe altruísmo e que as
pessoas sempre fazem o que elas querem. Se só houver escolhas
ruins, elas escolhem aquela que elas detestam menos. Nossas
escolhas se baseiam naquilo que nos dá (aos nossos genes) a
melhor chance de sobreviver, o que inclui melhorar nossa
reputação na sociedade. “Altruísmo” para com membros da
família beneficia gente que compartilha nossos genes. “Altruísmo”
para com amigos beneficia gente que um dia poderá retribuir
o favor. Até mesmo o “altruísmo” para com estranhos tem a ver
com a evolução. É um comportamento que surgiu primeiro em
tribos pequenas, onde todos se conheciam e uma boa reputação
aumentava as chances de sobrevivência do indivíduo. Agora já
está entranhado em nosso cérebro como um modo geral
de conduta.

Cientistas alemães encontram o “gene do altruísmo”. (em
espanhol)
O ser humano é altruísta e cooperativo por natureza. (Em
espanhol)

26 - Livre arbítrio

Dizem que não teríamos livre arbítrio sem Deus, que viveríamos
num universo determinístico de causa e efeito e que seríamos
meros robôs. Na verdade, temos muito menos livre arbítrio do que
277
a maioria das pessoas pensam. Nosso condicionamento (nosso
desejo biológico de sobreviver e prosperar, combinado com
nossas experiências) torna certas “escolhas” muito mais prováveis
do que outras. De que modo poderíamos explicar nossa
capacidade, em muitos casos, de prever o comportamento
das pessoas? Experiências já mostraram que nosso cérebro
“decide” agir antes que nós tenhamos consciência disto! Alguns
até dizem que nosso único livre arbítrio é a capacidade de vetar
conscientemente as ações que nosso cérebro sugere. A maioria
dos ateus não tem nenhum problema em admitir que o livre
arbítrio possa ser uma ilusão.

 Este assunto também leva a um paradoxo: se o deus que
nos criou conhece o futuro, como nós podemos ter
livre arbítrio?

No fim das contas, se nós gostamos da nossa vida, o que importa
se temos ou não livre arbítrio? Será que não é apenas nosso ego
— nossa saudável autoestima que contribui para a sobrevivência
— que foi condicionado a acreditar em que um livre arbítrio
verdadeiro é melhor que um livre arbítrio imaginário?

A liberdade é uma ficção cerebral. (Em espanhol)

27 - Um ser perfeito tem necessariamente que existir

Este argumento, conhecido como o argumento ontológico, foi
criado há uns 1.000 anos por Anselmo de Cantuária.

Ele nos pede que imaginemos o mais grandioso ou mais perfeito
ser possível. Esta é a concepção de Deus para a maioria das
pessoas. Em seguida, ele nos diz que é mais grandioso ou mais
perfeito para algo existir do que não existir. Portanto, este ser

278
(Deus) necessariamente tem que existir. Mas este argumento não
leva em conta se é possível que um ser perfeito exista. Ele
também parte do princípio de que aquilo que imaginamos passa a
existir. Nem tudo o que conseguimos imaginar é possível. Vamos
aplicar esta lógica a um assunto diferente. Imagine um perfeito
arranha-céu. Ele permaneceria intacto se terroristas jogassem
aviões contra ele. Entretanto, nenhum arranha-céu pode resistir
a um ataque desses sem, pelo menos, algum dano. Mas isto
contraria nossa premissa de que o arranha-céu tem que ser
perfeito, portanto é necessário que exista um arranha-
céu indestrutível.

28 - Por que é mais provável que Algo exista do que Nada?

Este argumento assume que, sem um deus, não esperaríamos que
alguma coisa existisse. Entretanto, não temos a mínima ideia da
probabilidade estatística de Algo existir versus Nada. Em física,
sistemas simétricos tendem a ser instáveis. Eles tendem a
degenerar em sistemas assimétricos. Ora, o Nada — a ausência
de tudo — é perfeitamente simétrico, portanto altamente instável.
Portanto Algo é mais estável que Nada, portanto deve ser mais
provável que Algo exista do que Nada.

Podemos também perguntar, dentro da mesma lógica:

1. “Por que é mais provável que exista um deus do que ele
não exista?”.
2. Ou ainda “Quem criou esse deus?”

29 - Argumento da Primeira Causa

Este argumento afirma que vivemos num universo de causa e
efeito. Segundo esta lógica, é impossível que esta sequência de

279
causas continue infinitamente para trás. Em algum ponto, a coisa
tem que parar. Nesse ponto, é preciso haver uma Primeira Causa
que não resulte, ela própria, de nenhuma outra causa. Esta
Primeira Causa Não Causada, segundo dizem, é Deus. O universo
em que vivemos agora “começou” há uns 13,7 bilhões de anos.
Não sabemos se o universo já existia antes de alguma outra forma
nem se havia energia/matéria/gravidade/etc. (um
mundo natural).

1. Não sabemos se o mundo natural teve um começo ou se
sempre existiu de algum jeito.
2. Se tiver um começo, não sabemos se um deus é a única
origem possível.
3. Não sabemos se um deus pode ser uma causa incausada.
4. O que causou Deus?

Partículas virtuais aparecem e desaparecem subitamente o tempo
todo. A física quântica mostra que pode haver eventos
não causados.

30 - As “leis” do universo

De onde vieram as “leis” do universo?

1. Uma “lei” da física não passa de uma coisa que acontece de
forma regular.
2. É a descrição de um fenômeno existente.
3. Não é algo decretado por um tribunal celeste.

De acordo com o físico, astrônomo e professor Victor Stenger: “É
crença geral que as “Leis da Física” são exteriores Física. Elas são
concebidas como sendo impostas ao universo de fora para dentro
ou fazendo parte de sua estrutura lógica. As descobertas recentes

280
da física contestam isto. As “leis” básicas da física são construções
matemáticas que tentam descrever a realidade de forma objetiva.
As leis da física são exatamente como seria de se esperar se
viessem do nada.

31 - As coisas são exatamente do jeito que deveriam ser

Alguns crentes argumentam que é preciso que os valores das seis
constantes físicas do universo (que controlam coisas como a força
da gravidade) estejam dentro de uma faixa limitada para que a
vida seja possível. Portanto, como isto não pode ter acontecido
“por acidente”, deve ser obra de um deus. Mais uma vez, este é
um argumento do tipo “Deus das lacunas”. Além disto, ele
pressupõe que conhecemos tudo a respeito de astrofísica — um
campo em que novas descobertas são feitas quase todos os dias.
Talvez venhamos a descobrir que nosso universo não seja tão
“ajustado”, afinal de contas. Outra possibilidade é que existam
múltiplos universos — separadamente ou como “bolhas” dentro
de um universo maior. Cada um desses universos poderia ter suas
próprias leis da física. Se houver um número suficientemente
grande de universos, aumentam as chances de que pelo menos
um deles venha a produzir vida. Sabemos que é possível que pelo
menos um universo exista — nós vivemos nele. Se existe um, por
que não vários? Por outro lado, não temos evidências quanto a
existência de nenhum deus. Pois então vamos dar uma olhada na
definição mais comum de um deus: eterno, onisciente, onipotente
e infinitamente amoroso. Poderia Deus ser de algum outro modo
que não fosse exatamente este que ele é? Embora haja alguma
margem de tolerância nas condições que permitem existir vida no
universo,

1. Tradicionalmente as condições para a existência de Deus
não variam.
281
2. Portanto, nosso universo com um deus tradicional é
logicamente mais implausível que nosso universo sem um
deus.
3. Ele tem que atender a requisitos muito mais restritos.
4. Claro que ainda podemos perguntar: quem ou o que
definiu Deus?

Se o universo foi criado especificamente com o objetivo de abrigar
a raça humana, então o enorme tamanho do universo (a maior
parte dele hostil vida) e os bilhões de anos que se passaram até
que os humanos surgissem mostram que ele é ridículo e é um
enorme desperdício — não é o que se poderia esperar de um deus.

32 - A Terra é exatamente do jeito que deveria ser

Alguns crentes argumentam que a Terra está justamente no ponto
do sistema solar (nem muito quente nem muito frio etc.) que
permite que a vida exista. Além disto, ela tem exatamente os
elementos necessários (carbono, oxigênio etc.). Essas pessoas
afirmam que isto não poderia ter acontecido “por acidente”,
portanto deve haver um deus que cuidou desses detalhes. Este é
mais um argumento “Deus das lacunas”. Mas há uma refutação
ainda melhor. Se a Terra fosse o único planeta no universo, então
seria notável que suas condições fossem “exatamente as
necessárias”. Entretanto, a maioria dos religiosos admite que há
milhares, se não milhões, de outros planetas no universo. O nosso
sistema solar tem oito. Portanto, aumentam muito as chances de
que pelo menos um deles tenha as condições para produzir algum
tipo de vida. Podemos imaginar criaturas púrpuras com 4 olhos e
respirando dióxido de carbono em outro planeta, muito religiosas,
que também cometam o erro de achar que o planeta deles foi
especialmente criado para que eles existissem e que há um deus
criador sua semelhança.
282
1. Por que os demais planetas, com o Marte, não possuem
vida?
2. Deus acertou nas condições da Terra por puro acaso?

33 - Criacionismo / Design inteligente

É a ideia, segundo a qual, se não podemos explicar alguma coisa
sobre a vida, então “foi Deus” (Deus das lacunas).

Entretanto, se o Gênesis ou qualquer mito religioso de criação
similar for verdade, então praticamente todos os campos da
ciência estarão errados. Não apenas a biologia como também a
química, física, arqueologia, astronomia e ainda suas
subdisciplinas como embriologia e genética. Na verdade,
poderíamos jogar fora todo o método científico. Os criacionistas
as vezes fazem uma distinção entre “micro” e “macro” evolução
— ou seja, eles aceitam que há mudanças dentro de uma espécie,
mas não aceitam que uma espécie se transforme em outra. Mas
quais são os mecanismos da microevolução? Eles são: mutação,
seleção natural e herança. E quais são os mecanismos da
macroevolução? Exatamente os mesmos: mutação, seleção
natural e herança. A única diferença é o tempo necessário.

 Será que alguns genes dizem a si mesmos: “Hmmm, é
melhor eu não mudar muito, senão alguns religiosos vão
ficar aborrecidos”?

A evolução é a melhor explicação e a única explicação para a qual
há evidências: para a idade dos fósseis, para a progressão dos
fósseis, para as semelhanças genéticas, para as semelhanças
estruturais e para os fósseis transicionais. Sim, há fósseis
transicionais. Por exemplo, nós temos uma boa sequência de
fósseis para espécies que vão desde os mamíferos terrestres até

283
a baleia, incluindo o basilosaurus, uma baleia primitiva que
conservou pequenas pernas traseiras que não tinham função.
Ainda hoje, as baleias mantêm os ossos do quadril.

Alguns criacionistas afirmam que essas pernas traseiras atrofiadas
talvez fossem úteis para o acasalamento, portanto o basilosaurus
seria uma espécie criada totalmente em separado e não uma
transição. Mas, se essas pernas traseiras eram tão úteis, por
que desapareceram? Na verdade, as cobras também têm ossos
do quadril e às vezes nascem cobras com pernas vestigiais,
provando que elas evoluíram de ancestrais répteis que tinham
pernas traseiras. Na China, foram encontrados muitos fósseis
meio répteis/meio pássaros, provando a transição. Recentemente
se descobriu o fóssil do tiktaalik, que ajudou a preencher uma
lacuna entre os peixes e os anfíbios. Foi encontrado no Canadá,
exatamente no local e na camada geológica prevista
pela evolução. Por outro lado, se um deus perfeito tivesse criado
a vida, nós esperaríamos dele um serviço melhor. Não
esperaríamos que 99% de todas as espécies que já existiram se
extinguissem. Como disse o biólogo evolucionista Kenneth R.
Miller, que é cristão: “se Deus propositalmente projetou 30
espécies de cavalos que mais tarde desapareceram, então Deus
é, antes de mais nada, um incompetente. Ele não consegue fazer
direito da primeira vez.” (“Educators debate ‘intelligent design’”,
por Richard N. Ostling, Star Tribune — 23/março/2002, p.B9).
Francis Collins, diretor do Projeto Genoma Humano, evangélico,
disse: “O Design Inteligente apresenta o Todo Poderoso como um
criador trapalhão, que tem que intervir de tempos em tempos para
consertar os problemas de seu plano inicial para criar a
complexidade da vida” (“A linguagem de Deus”, pág. 193-194).

Não deveríamos esperar defeitos de nascença se a vida foi criada
por um deus perfeito. Não deveríamos esperar um “design burro”
284
tal como uma próstata que incha e estrangula o canal urinário, já
que teria sido tão simples passar o canal por fora da próstata.

 Deus é um designer incompetente ou relaxado?

Se Deus criou toda a vida ao longo de uma semana, então, mesmo
com um suposto dilúvio universal, deveríamos encontrar os
fósseis totalmente misturados nas camadas geológicas.

 Não é o que acontece.

Também temos a contradição de que Deus é a favor da vida, mas
permite o aborto espontâneo. De um terço à metade dos óvulos
fecundados sofre aborto espontâneo, muitas vezes antes mesmo
de a mulher perceber que está grávida.

 Se um deus projetou o sistema reprodutivo humano, isto
faz dele o maior dos abortistas.

Podemos então concluir que a evolução científica nos fornece
respostas, enquanto que o criacionismo religioso e o “design
inteligente” só geram mais perguntas.

34 - O universo ou a vida viola a segunda lei da
termodinâmica (entropia)

A segunda lei da termodinâmica (entropia) afirma que, num
sistema fechado, as coisas tendem a uma desordem cada vez
maior. Alguns crentes argumentam que, já que o universo e a vida
são tão organizados, um deus tem que existir para poder violar
esta lei. Entretanto, o universo não viola a segunda lei da
termodinâmica. O universo teve início com o máximo grau de
desordem possível para seu tamanho. A partir daí, com sua

285
expansão, mais desordem se tornou possível e, de fato, é o que
está ocorrendo. Apesar do fato de que a desordem como um todo
está aumentando no sistema chamado universo, é possível um
aumento de ordem em subsistemas, tais como galáxias, sistemas
solares e é possível a vida — desde que, na totalidade do universo,
a desordem esteja aumentando. Se um deus criou o universo,
deveríamos esperar um início ordenado, não caótico. O fato de
que o universo começou com o máximo de desordem significa que
não foi um deus que o criou, já que uma criação proposital teria
pelo menos alguma ordem. Também se verifica que a energia
gravitacional negativa do universo cancela exatamente a energia
positiva representada pela massa, de forma que o total da energia
no universo é zero, que é o que seria de se esperar de um universo
que veio do Nada por meios naturais. Entretanto, se um deus
estivesse envolvido, seria de se esperar que ele tivesse adicionado
energia ao universo. Não há evidência disto. É interessante como
os teístas se agarram segunda lei da termodinâmica em seus
esforços para provar a existência de seu deus, mas ignoram
totalmente a primeira lei — que diz que a matéria/energia não
pode ser nem criada nem destruída — o que refutaria totalmente
a existência do deus deles como um ser que pode criar algo
do nada.

Conclusão

Pessoas religiosas têm o difícil, senão impossível, encargo de
provar que algum deus existe, sem falar que a religião deles, entre
todas, é a verdadeira. Se alguma das religiões tivesse evidências
objetivas, será que as pessoas não correriam todas para aderir a
ela, à “verdadeira” religião? Em vez disto, o que vemos é que as
pessoas tendem a acreditar, em graus diferentes, na religião que
lhes foi transmitida. Ou então são ateias. Fernando Silva.

286
20 - Fé religiosa - virtude ou embuste?

Frequentemente tomado como um vago sinônimo de confiança,
esperança ou optimismo, o termo fé reveste-se dum significado
singular quando é usado no contexto religioso. Os crentes
referem-se orgulhosamente à sua fé no sagrado como algo de
muito valioso e em termos que sugerem reverência e entrega. A
fé é, para eles, essencial à sua condição de humanos. Mais do que
uma convicção, é algo misterioso que, dizem, os coloca em
contato íntimo com a divindade. Ter fé é uma virtude. Não a ter,
quase que equivale a um vazio existencial. Aparentemente, a fé é
mais do que uma mera crença. Contudo, se há alguma diferença
entre ambas, esta resulta fundamentalmente da natureza do
objeto da fé, bem como da resposta que suscita da parte do
crente.

287
1. A FÉ EXIBE A FORÇA DA CONVICÇÃO DO CONHECIMENTO,
MAS NÃO É CONHECIMENTO.
2. SEGUNDO O FILOSOFO BRITÂNICO A.C. GRAYLING, O
CONHECIMENTO É VERIFICADO PELOS FATOS E DEPENDE
DA EXISTÊNCIA DE UMA RELAÇÃO ADEQUADA ENTRE A
MENTE E O MUNDO; AO CONTRÁRIO, A FÉ EXISTE APENAS
NA MENTE, NÃO SE BASEANDO EM NADA DO QUE EXISTE
NO MUNDO.

Assim, sendo subjetiva e autossustentável, a fé permite que
acreditemos em qualquer coisa, mesmo no maior dos absurdos:

 Que a grama é azul, que sou Napoleão reencarnado ou que
estarei, depois da morte, na presença de um judeu
crucificado há dois milênios. A imaginação é o limite para
aquilo em que nos permitimos acreditar pela fé.

O termo fé provém do latim fides (lealdade) e corresponde, na
acepção religiosa, à fidelidade a crenças que não se questionam.
Segundo uma definição comum, a fé é “a adesão aos dogmas de
uma doutrina religiosa”. Por outras palavras, CONSISTE NA
ACEITAÇÃO DE PROPOSIÇÕES DADAS COMO VERDADEIRAS,
UNICAMENTE COM BASE EM ARGUMENTOS DE AUTORIDADE.

Contrariamente a todas as outras crenças que temos sobre o
mundo, as questões de fé são tenazmente consideradas
irrefutáveis e não passíveis de revisão. Isso implica, portanto, a
suspensão de todo pensamento crítico, constituindo, pois, uma
perspectiva declaradamente contrária ao debate saudável e à
busca do conhecimento. Em lugar disso a fé celebra a paixão pela
obediência e pela submissão.

288
Dada à imensa falibilidade humana, justificar cuidadosamente as
nossas crenças estando dispostos a revê-las e a abandoná-las é
parte integrante do que é ser racional. NESSE SENTIDO, É
EVIDENTE QUE A FÉ NÃO É RACIONAL.

Ao legitimar a crença mesmo mediante informação contrária, A FÉ
É, NA VERDADE, A NEGAÇÃO DA RAZÃO. Nas palavras do
especialista bíblico Bart Ehrman, quando alguém de fé crê que um
deus onipotente e sumamente bom ouve as suas orações e as
atende, e esse mesmo alguém vive num mundo onde uma criança
morre de subnutrição a cada cinco segundos sem que esse deus
interceda em seu favor, então é evidente que a razão desse crente
foi subjugada à sua fé.

Com frequência, as crenças mantidas pela fé são justificadas por
uma convicção que se diz ser íntima, endógena e transcendente.
Porém, na realidade, a adesão a essas crenças acontece por
razões bem mais prosaicas: NA PRÁTICA, RESUME-SE À ADOÇÃO
DAS CRENÇAS RELIGIOSAS DOMINANTES. A razão de peso que
determina que certos crentes tenham fé no deus da Bíblia e não
num deus com a forma de um elefante azul ou no Juju da
montanha, prende-se normalmente com o fato desses crentes
terem nascido num ponto particular do globo – no fundo, um mero
acidente geográfico na sua existência.

Curiosamente, essas pessoas são capazes de aceitar sem
pestanejar crenças mirabolantes como o milagre da
transubstanciação e a existência de entidades espirituais a que
chamam anjos e demônios, mas não creem com a mesma
convicção no banquete celestial que os muçulmanos esperam no
paraíso e muito menos acreditam numa realidade que inclua
unicórnios e dragões sem que antes lhes apresentemos razões
científicas para tal. Com que justificação acredita em algumas

289
coisas mais do que em outras, quando todas se mostram
igualmente improváveis? ARBITRARIEDADE E PERVERSÃO DE
TODA A COERÊNCIA LÓGICA SÃO CLARAMENTE TRAÇOS
ESSENCIAIS DA FÉ.

Não, definitivamente a fé não é uma virtude nem um estado de
graça, como muitos pensam. É APENAS A ESCOLHA FÁCIL DA
CRENÇA CONFORTÁVEL E APAZIGUADORA DOS MEDOS. Sem o
mínimo de indícios verificáveis, não há razão para acreditar para
além da própria vontade de acreditar. Como observou sabiamente
o pensador Pat Condell, a fé não exige qualquer esforço e,
portanto, só pode ser a mais superficial das experiências
cognitivas.

Fazemos parte de uma cultura que elevou a fé religiosa ao lugar
mais alto da hierarquia das virtudes humanas. Alguém que crê
que uma peregrinação a Fátima pode resolver os seus problemas
de saúde, tem automaticamente maior consideração do que
aquele que acredita nos poderes ocultos da bruxaria ou nos efeitos
proporcionados pelos “hologramas quânticos” das pulseiras Power
Balance. O que é, exatamente, que torna uma crença mais
respeitável do que as outras? E por que não tentar resolver os
problemas dirigindo orações ao Monstro do Esparguete Voador, a
divindade principal do Pastafarianismo? Como nos diz o filósofo
Sam Harris, “a única razão pela qual uma das opções constitui um
passaporte direto para uma instituição psiquiátrica e as outras
não, é porque algumas convicções são partilhadas por um grande
número de pessoas há demasiado tempo”. Claro que todos têm
todo o direito de abraçar as imposturas que bem entendermos,
contanto que não ponhamos a vida de ninguém em perigo (o que,
tratando-se de fé religiosa, nem sempre é garantido). Se a religião
permanecesse uma questão dentro de si mesma, uma neurose do
foro privado de cada um, pouco haveria a objetar quanto a ela. O
290
problema é que a aceitação cega com que se acolhem artigos de
fé inofensivos é a mesma que se concede às doutrinas da Igreja
relativas a assuntos muito concretos da sociedade e do mundo.
Tacitamente e sem muito questionar, os crentes reconhecem no
clero autoridade competente para deliberar sobre assuntos da
moral e da ética, aprovando, por conseguinte as doutrinas
retrógradas e preconceituosas que deles emanam sobre matérias
tão importantes como, por exemplo, a sexualidade, o aborto e a
eutanásia. Eles próprios vão incutindo naqueles que lhes estão
mais próximos, posições dogmáticas sobre estes e outros
assuntos, desencorajando assim as mentes a uma reflexão franca
e puramente racional sobre estas e outras questões tão
importantes.

Rui Janeiro

291
21 - Idiotices de por cristãos inspirados por um deus idiota

É nas toneladas de bobagens ditas pelos líderes cristãos famosos
nos últimos dois milênios, que podemos ter a certeza da mentira
da inspiração divina e da grande merda que é o cristianismo. Não
se aproveita uma única frase ou palavra para nada.

“Encontramos muitos livros… e já que eles continham apenas
superstições e falsidades do Diabo nós queimamos todos eles”.

292
Bispo Católico Diego de Landa, após queimar livros de valor
incalculável contendo a história e a ciência Maia, Julho de
1562.

“Afirmar que a terra gira em torno do sol é tão errôneo quanto
afirmar que Jesus não nasceu de uma virgem”.

Cardeal Bellarmino, 1615, durante o julgamento de Galileu.

“Acredito hoje que estou agindo de acordo com o Criador Todo-
Poderoso. Ao repelir os Judeus estou lutando pelo trabalho do
Senhor”.
Adolf Hitler, Discurso, Reichstag, 1936.

“A Razão deveria ser destruída em todos os cristãos. Ela é o
maior inimigo da Fé”.

Martinho Lutero

“Quem quer que se diga cristão deve arrancar os olhos de sua
razão”.
Martinho Lutero

“A fé deve sufocar toda a razão, o senso comum e o
entendimento”.
Martinho Lutero

293
“As pessoas deram ouvidos a um astrólogo novato (Copérnico)
que lutou para provar que a terra é que gira, não os céus ou o
firmamento, o sol e a lua… Este louco quer contrariar toda a
ciência da astronomia. MAS AS SAGRADAS ESCRITURAS NOS
DIZEM (Josué 10:13) QUE JOSUÉ ORDENOU QUE O SOL
PARASSE E NÃO A TERRA”.
Martinho Lutero em um de seus “Table Talks”, 1539.

“Suas sinagogas… deveriam ser queimadas” “Suas casas
deveriam ser demolidas e eles deveriam ser amontoados sob
um único teto ou num estábulo, como ciganos, para que eles
entendam que não passam de prisioneiros miseráveis” “Seus
Talmudes e livros de orações deveriam lhes ser tomados” “Seus
rabinos deveriam ser proibidos de ensinar, sob pena de morte”
“Os judeus devem pagar por terem recusado Cristo e seu
evangelho; não merecem a liberdade e sim a servidão”.
Martinho Lutero

“Do mesmo modo, devemos nos submeter à autoridade do
príncipe. Se ele abusa ou faz mal uso dela, não devemos odiá-
lo, buscar vingança ou punição. A obediência é devida em nome
de Deus, pois a autoridade é o representante de Deus. Por mais
que eles tributem e exijam, devemos obedecer e suportar com
paciência”.
Martinho Lutero, sermão “Tributo a César”.

“As palavras e atos de Deus são bem claros: as mulheres foram
feitas para serem esposas ou prostitutas”.

Martinho Lutero, “Works 12.94″.
294
“O pecado não pode nos separar de Cristo, mesmo que
cometamos adultério cem vezes por dia e outros tantos
assassinatos”.

Martinho Lutero, carta a Melanchton, 01/agosto/1521.

“Deus não salva pecadores fictícios. Seja um pecador e peque
vigorosamente… Nem por um instante pense que esta vida é a
morada da justiça. O pecado deve ser cometido”.

Martinho Lutero

“Quanto aos plebeus, é preciso ser duro com eles e cuidar para
que façam seu trabalho; que, sob ameaça da espada e da lei,
eles cumpram com seus deveres religiosos, assim como você
acorrenta os animais selvagens”.

Martinho Lutero

“Os loucos, aleijados, cegos e mudos são homens em quem os
demônios fizeram sua morada. Os médicos que curam estas
enfermidades como se tivessem causas naturais são idiotas
ignorantes”.

Martinho Lutero

295
“Não há maior defeito numa mulher que o desejar ser
inteligente”.

Martinho Lutero

“Se os camponeses se rebelam abertamente, eles estão agindo
contra a lei de Deus. Todos os que puderem devem espancá-
los, derrubá-los e matá-los… pois não há nada mais venenoso
ou prejudicial ou demoníaco que um rebelde. É exatamente
como matar um cachorro louco”.

Martinho Lutero

“É impossível para o cristão e para a verdadeira igreja subsistir
sem derramar sangue, pois seu adversário, o Diabo, é assassino
e mentiroso. A igreja cresce e progride através do sangue: ela
está banhada em sangue”.

Martinho Lutero, Table Talk no. 1571, 1569.

“Vejam como são débeis e pouco saudáveis as mulheres
estéreis. As que foram abençoadas com muitos filhos são mais
saudáveis, limpas e alegres. Mas se eventualmente se esgotam
e morrem, não importa. Que morram dando à luz, pois para isto
existem”.

Martinho Lutero, “Works”.

296
“Não percam tempo com os hereges; podem ser condenados
sem serem ouvidos. E, enquanto queimam na estaca, os fiéis
devem destruir a raiz da erva daninha e lavar suas mãos no
sangue dos bispos e do papa, que é o demônio disfarçado”.

Martinho Lutero

“Quem se atreveria a colocar a autoridade de Copérnico acima
da do Espírito Santo?”

João Calvino

“Podemos estar certos de que Deus não teria jamais permitido
que crianças fossem mortas se elas já não estivessem
condenadas e predestinadas à morte eterna”.

João Calvino, racionalizando o assassinato de crianças no
Antigo Testamento.

“É melhor ser escravo no Brasil e salvar sua alma que viver livre
na África e perdê-la”.

Sermão do Padre Antônio Vieira aos escravos.

“Não há nada na Bíblia proibindo a escravidão, apenas a
organizando. Podemos concluir que ela não é imoral”.

Rev. Alexander Campbell

297
“Aquele que recebe a graça celestial da fé livra-se da
inquietação da curiosidade”.

Concílio de Trento

“Não sabes que és uma Eva? O castigo de Deus sobre teu sexo
está vivo nesta era. A culpa também necessariamente
permanece viva. Tu és a porta do demônio; és aquela que
quebrou o selo da árvore proibida, a primeira desertora da lei
divina. És aquela que convenceu aquele a quem o diabo não
conseguiu atacar. Facilmente destruíste o homem, imagem de
Deus. Por causa de tua deserção, o Filho de Deus teve que
morrer”.

Tertuliano, pai da Igreja, que viveu no norte da África no
século III, em “De Culta Feminarum”, 1.1.

“Ah, que cena magnífica! Como eu vou rir e ser feliz e exultar
quando eu vir esses filósofos tão sábios, que ensinam que os
deuses são indiferentes e que os homens não têm alma,
assando e torrando diante de seus discípulos no inferno”.

Tertuliano, “De Spectaculis”.

“Existe outro tipo de tentação, mais perigosa ainda. Essa é a
doença da curiosidade (…) É ela que nos leva a tentar descobrir
os segredos da natureza, aqueles segredos que estão além da
nossa compreensão, que não nos podem trazer nada e que os
homens não devem desejar aprender (…) Nessa imensa selva,
298
cheia de armadilhas e perigos, em que tenho me afastado, e me
mantido longe desses espinhos. No meio de todas essas coisas
que flutuam incessantemente à minha volta no dia a dia, nada
jamais me surpreende, e eu nunca sou tomado por um desejo
genuíno de estudá-las (…) Eu não sonho mais com as estrelas”.

Santo Agostinho, Bispo de Hipona e Pai da Igreja.

“O bom cristão deve permanecer alerta contra os matemáticos
e todos aqueles que fazem profecias vazias. Existe o perigo de
que os matemáticos tenham feito uma aliança com o demônio
para obscurecer o espírito e confinar o homem às amarras do
Inferno”.

Santo Agostinho de Hipona.

“É impossível que haja habitantes do outro lado da Terra, já que
nada é dito a esse respeito nas Escrituras sobre os descendentes
de Adão”.

Santo Agostinho

Afirmavam os hereges donatistas que o homem é livre para
acreditar ou não e que Jesus jamais empregou a violência.
Contra eles afirmou Santo Agostinho: “Não faz parte da tarefa
de um pastor, quando as ovelhas se afastam do rebanho [...]
trazê-las de volta ao rebanho de seu dono quando este as tiver
encontrado, pelo medo ou até mesmo pela dor do açoite, se elas
derem sinais de resistência?”. Ou ainda: “Claro que é melhor (e
isso ninguém nega) que os homens deveriam ser levados a
299
adorar Deus através do ensinamento do que por medo de
punição ou da dor. Mas isto não implica, porque o primeiro
método produz os melhores homens, em que os que não se
submetem a ele devam ser negligenciados. Pois muitos viram
vantagem (como nós já provamos e provamos diariamente pela
experiência) em ser primeiro compelidos pelo medo ou pela dor
de modo que mais tarde possam ser influenciados pelo
ensinamento e transformem em atos o que aprenderam por
palavras”.
Santo Agostinho, 417, “Tratado sobre a correção dos
Donatistas”.

“Ora, uma serva ou uma escrava nunca tem muitos senhores,
mas um senhor tem muitas escravas. Assim, nunca ouvimos
dizer que mulheres santas tivessem servido a vários maridos e
sim que muitas serviram a um só marido… Isso não é
contraditório à natureza do casamento”.

Santo Agostinho

“Mulheres não deveriam ser educadas ou ensinadas de nenhum
modo. Deveriam, na verdade, ser segregadas já que são causa
de horrendas e involuntárias ereções em santos homens”.

Santo Agostinho

“É Eva, a tentadora, que devemos ver em toda mulher… Não
consigo ver que utilidade a mulher tem para o homem, tirando
a função de ter filhos”.

300
Santo Agostinho

“Todas as doenças dos cristãos podem ser atribuídas aos
demônios. Eles atormentam principalmente os batizados há
pouco, até mesmo recém-nascidos sem culpa”.

Santo Agostinho

“A causa primordial da escravidão é o pecado… Esta servidão,
expiação do pecado, encontra seu lugar pela lei que manda
preservar a ordem natural e proíbe perturbá-la… Por isso, o
Apóstolo recomenda que os escravos se submetam a seus
senhores”.

Santo Agostinho, Cidade de Deus.

“Para que os santos possam desfrutar de sua beatitude e da
graça de Deus mais abundantemente, lhes é permitido ver o
sofrimento dos condenados no inferno”.

São Tomás de Aquino, 1225-1274, Compêndio de Teologia.

“Pois é muito mais grave corromper a fé, da qual vem a vida da
alma, que falsificar dinheiro, pelo qual a vida temporal é
sustentada. Logo, se falsificadores e outros malfeitores são
imediata e justamente executados pelos príncipes temporais,
com muito mais justiça podem ser hereges, assim que
denunciados, não apenas excomungados mas também mortos”.

301
São Tomás de Aquino, Compêndio de Teologia.

“A mulher está em sujeição por causa das leis da natureza, mas
é uma escrava somente pelas leis da circunstância… A mulher
está submetida ao homem pela fraqueza de seu espírito e de
seu corpo… é um ser incompleto, um tipo de homem imperfeito
[...] A mulher é defeituosa e bastarda, pois o princípio ativo da
semente masculina tende à produção de homens gerados à sua
perfeita semelhança. A geração de uma mulher resulta de
defeitos no princípio ativo”.

São Tomás de Aquino, Compêndio de Teologia.

“Por seu pecado, os hereges merecem não apenas ser
separados da Igreja, pela excomunhão, mas também do
mundo, pela morte”.

São Tomás de Aquino

“É totalmente ilícito exigir, defender ou conceder
incondicionalmente a liberdade de pensamento, expressão ou
culto, como se esta fosse um direito natural do homem”.

Encíclica do Papa Leão XIII.

“Tolerar igualmente todas as religiões… é o mesmo que
ateísmo”.

Papa Leão XIII, “Immortale Dei”.
302
“Não é lícito ao Estado nem aos indivíduos ignorar as obrigações
religiosas ou tratar como iguais às demais religiões”

Papa Leão XIII, “A constituição cristã dos Estados”, 1885.

“Desprezar uma autoridade legitimamente constituída, não
importando quem a exerça, é rebelar-se contra a vontade de
Deus”.

Papa Leão XIII

O papa Leão XII, em 1829, proibiu o uso da vacina contra a
varíola: “Quem quer que recorra à vacina deixa de ser um filho
de Deus. Não se pode mexer no equilíbrio do corpo humano”.

Devemos estar sempre dispostos a acreditar em que o que nos
parece branco é na verdade preto se a hierarquia da Igreja
assim o decidir”.

Inácio de Loiola, fundador da Sociedade de Jesus (Jesuítas),
“Exercitia spiritualia”, 1541.

“Abraçar uma mulher é como abraçar um saco de esterco”.

São Odo de Cluny, monge beneditino, 1030-1097.

303
“O homem, mas não a mulher, é feito à imagem de Deus. Daí
resulta claramente que as mulheres devem estar submetidas a
seus maridos e devem ser como escravas”.

Graciano, especialista em direito canônico (séc. 12).

Santo Antonino, arcebispo de Florença no final do séc. XV, diz
que as “imundas regras” são simplesmente o espelho de uma
“alma imunda”.

Santo Antonino, arcebispo de Florença.

“Quando uma mulher pensa sozinha, ela pensa maldades”.

“A mulher é uma mentirosa por natureza… Ela é uma inimiga
insidiosa e secreta”.

“Elas são mais fracas de espírito e corpo… As mulheres são,
intelectualmente, como crianças… As mulheres têm memória
mais fraca e é um vício natural nelas não serem disciplinadas,
mas obedecerem a seus próprios impulsos sem noção do que é
apropriado”.

“Se uma mulher se atreve a curar sem ter estudado, ela é
uma bruxa e deve morrer”. (Quando um homem curava, era
pelo poder de Deus ou dos santos; quando uma mulher
curava, era obra do diabo).

“Ninguém causa maior dano à fé católica do que as parteiras”.
(Porque conheciam métodos de parto sem dor, o que
304
contrariava o mandamento de Deus de que as mulheres
deveriam dar à luz com dor; se não doesse, o diabo estava
agindo).

“E convém observar que houve uma falha na formação da
primeira mulher, por ter sido ela criada a partir de uma costela
recurva, ou seja, uma costela do peito, cuja curvatura é, por
assim dizer, contrária à retidão do homem. E como, em
virtude dessa falha, a mulher é animal imperfeito, sempre
decepciona e mente”.

Malleus Maleficarum, encomendado pelo Papa Inocêncio VIII,
publicado em 1486 e usado durante 250 anos, inclusive pelos
protestantes.

“Usem contra os hereges a espada espiritual da excomunhão
e, se isto não for suficiente, usem a espada material”.

Papa Inocêncio III, 1161-1216.

“Se é bom não tocar uma mulher, então é ruim tocar uma
mulher sempre e em todos os casos”.

São Jerônimo, teólogo romano, Epístola 48.14.

“Para preservar a castidade, é indispensável manter o
estômago vazio e roncando e os pulmões febris”.

São Jerônimo

305
“A virgindade santa é melhor que a castidade conjugal. Uma
mãe terá um lugar inferior ao da filha no Reino dos Céus
porque ela foi casada e a filha é virgem. Mas se tua mãe foi
sempre humilde e não orgulhosa, haverá algum tipo de lugar
para ela, mas não para ti”.

São Jerônimo

“A mulher é uma ferramenta de Satã e um caminho para o
inferno”.

São Jerônimo

“No templo de Salomão, andamos com sangue até o joelho e
mesmo até os estribos dos cavalos, pelo justo e maravilhoso
julgamento de Deus”.

Clérigo Raimundus de Agiles, comemorando o massacre dos
habitantes de Jerusalém pela Primeira Cruzada em 1099.

“As Escrituras, no Velho e no Novo Testamento, me garantem
que eu posso manter escravos em cativeiro”.

Rev. Thomas Witherspoon, presbiteriano, do Alabama.

“A mulher que realmente está tomada pelo Espírito Santo
desejará ser totalmente submissa a seu marido… Esta é uma

306
mulher verdadeiramente liberada. Submissão é o desígnio de
Deus para as mulheres”.

Beverly LaHaye, “The Spirit-controlled woman”

“Vacinas são uma violação direta da aliança perpétua que
Deus fez com Noé depois do Dilúvio [...] Vacinas nunca
salvaram vidas humanas. Não evitam a varíola”.

“The Golden Age”, publicado pelas Testemunhas de Jeová.

“O sangue de uma pessoa é na realidade a própria pessoa.
[...] Os venenos devidos aos hábitos pessoais, ao que come e
ao que bebe… os venenos que produzem os impulsos de
cometer suicídio, assassinar ou roubar, estão no sangue. A
insanidade moral, as perversões sexuais, a repressão, os
complexos de inferioridade e os delitos: estes com frequência
se produzem depois de transfusões de sangue”.

“Torre de Vigia”, publicação das Testemunhas de Jeová.

“O pecado é a verdadeira causa de todos os terremotos”.

John Wesley, 1703-1791, fundador da Igreja Metodista.

“Ou dá ou desce”.

Bispo Edir Macedo

307
“Quem não paga dízimo, está roubando de Deus”.

Bispo Edir Macedo

“Quando crente tá gastando dinheiro com remédios e médicos,
ele está fora da brecha e sob o jugo de satanás. O dinheiro
que tal crente gasta em remédios é o que deveria ser dado na
igreja e investir na obra de Deus”.

R.R. Soares

“Crente doente é o mesmo que crente endemoniado”.

R.R. Soares

“Fé e medicina, andam em direção opostas”.
R.R. Soares

“As mulheres têm bebês e os homens provêm a sua
subsistência. Se isto não lhe agrada, discuta com Deus”.

Phyllis Schlafly, executiva bem sucedida, candidata a um cargo
público.

“O sofrimento dos pobres é agradável a Deus e purifica o
mundo”.

308
Madre Teresa de Calcutá

“Ela é apenas uma retribuição justa para a conduta sexual
imprópria”.

Madre Teresa, sobre a AIDS.

“Acho muito bonito que os pobres aceitem sua sorte, que a
compartilhem com a paixão de Cristo. O mundo se beneficia
muito do sofrimento dos pobres”.

Madre Teresa de Calcutá

“A superpopulação não é um problema, é a vontade de Deus”.

Madre Teresa de Calcutá

“A AIDS é a justa ira de Deus contra os homossexuais. Opor-
se a ela é como se um israelita pulasse no Mar Vermelho para
salvar os soldados do faraó que estavam se afogando [...] A
AIDS não é apenas a punição de Deus aos homossexuais; ela
é a punição de Deus contra a sociedade que os tolera”.

Reverendo Jerry Falwell

“Céu e Terra, centro e circunferência, foram criados juntos, no
mesmo instante, e as nuvens cheias de água [...] Isto

309
aconteceu e o homem foi criado pela Trindade no dia 23 de
outubro de 4004 AC, às nove da manhã”.

John Lightfoot, vice-chanceler da Universidade de Cambridge,
1859.

“Os cananeus eram muito maus. Adoravam ídolos em lugar do
verdadeiro Deus, sacrificavam suas crianças, praticavam o
homossexualismo, bestialismo e adultério. Deus mandou que
os israelitas os matassem todos, homens, mulheres e crianças.
Isto parece terrível e cruel. Mas vamos imaginar que houvesse
2.000, 10.000 deles. Se deixados vivos, eles se reproduziriam
e em 50 ou 100 anos seriam 100.000, 1 milhão e todos eles
teriam que ir para o inferno. Mas Deus, em seu amor, levou-os
enquanto eram poucos para não ter que levar muitos depois”.

Pat Robertson, no programa de TV “The 700 Club”, em
06/maio/1985.

“Sei que às mulheres dói ouvir isto, mas, quando se casam,
estão aceitando a liderança de um homem, seu marido. Cristo
é a cabeça do lar e o homem é a cabeça da mulher. Assim são
as coisas, ponto final”.

Pat Robertson, 11/09/1992.

“O feminismo não busca direitos iguais para as mulheres. É
um movimento político socialista e anti-familiar, que encoraja
as mulheres a deixar seus maridos, matar suas crianças,

310
praticar bruxaria, destruir o capitalismo e se tornarem
lésbicas”.

Pat Robertson

“O direito a ter escravos está claramente estabelecido nas
Escrituras Sagradas, tanto por preceito como pelo exemplo”.

Rev. R. Furman, D.D., Batista

“A única maneira com a qual podemos determinar a verdadeira
idade da terra é com Deus nos dizendo qual é. E já que Ele nos
disse, muito claramente, nas Escrituras Sagradas que ela tem
alguns milhares de anos de idade, e não mais, isso deve
colocar um ponto final em todas as perguntas básicas sobre a
cronologia terrestre”.

Henry Morris, Presidente do Instituto de Pesquisa da Criação,
1974.

“A pergunta tem que ser feita: é crime tomar o nome de Deus
em vão? Quando alguém ofende seus pais, merece
inquestionavelmente a pena de morte (Ex. 21:17). O filho ou
filha está sob a autoridade legal da família. Ofender a Deus
(blasfemar) é um crime comparável e, portanto também
merece a pena capital (Lev. 24:16)”

Gary North, “The Sinai Strategy: Econonomics and the Ten
Commandments”, 1986

311
“Se a vida fosse encontrada em outro planeta, ela também
teria sido contaminada pelo pecado original e necessitaria ser
salva”.

Piero Coda, professor de teologia em Roma, em declaração ao
Vaticano, segundo a “Ecumenical News International”.

“A liberdade de imprensa é um dos maiores males que
ameaçam a sociedade moderna”.

Cardeal Pedro Segura, New York Herald Tribune.

“Seria bom para a religião se muitos livros que parecem úteis
fossem destruídos. Quando não havia tantos livros nem tantas
discussões e disputas, a religião crescia mais rapidamente do
que tem feito desde então”.

Girolamo Savonarola, 1452-1498, frei dominicano.

“Extermínio total dos infiéis – ou conversão definitiva”.

São Bernardo de Clairvaux

“O cristão se glorifica na morte de um pagão, porque por ela
Cristo mesmo é glorificado”.

São Bernardo de Clairvaux

312
“Já se propôs que todas as religiões deveriam ser livres e seu
culto publicamente exercido. Nós católicos rejeitamos esta
ideia como contrária ao cânon da lei católica romana”.

Papa Pio VII, 1808.

“O estado (constituição dos EUA) não tem o direito de deixar
que cada um seja livre para professar e abraçar qualquer
religião que deseje”.

Papa Pio IX

“Mussolini: uma dádiva da Providência”.

Papa Pio XI

“Os papas, como Jesus, são concebidos por suas mães por
influência do Espírito Santo. Todos os papas são uma espécie
de homens-deus, com o propósito de serem os mais
habilitados a mediar entre Deus e a humanidade. Todos os
poderes no Céu e na Terra lhes são dados”.

Papa Estevão V, século 9.

“Pela autoridade da presente carta, Nós ordenamos que todo e
cada judeu de ambos os sexos em Nosso domínio temporal e
em todas as cidades, terras, lugares e baronatos sujeitos a
eles deve deixar sua terra no espaço de três meses a partir da
publicação da presente carta. Devem ser despojados de suas
313
propriedades e processados de acordo com a lei. Eles devem
tornar-se servos da Igreja Romana e sujeitar-se à servidão
perpétua. E a dita Igreja deve ter sobre eles os mesmos
direitos que outros domínios têm sobre seus escravos e
servos”.

Papa Pio V, 1567, bula Romanus Pontifex, VII, 741.

“Nós [...] concedemos livre e ampla licença ao rei Afonso para
invadir, perseguir, capturar, derrotar e submeter todos os
sarracenos e quaisquer pagãos e outros inimigos de Cristo
onde quer que estejam e seus reinos [...] e propriedades e
reduzi-los à escravidão perpétua e tomar para si e seus
sucessores seus reinos [...] e propriedades”.

Bula Romanus Pontifex, Papa Nicolau V, 08 de janeiro de
1455.

Basicamente, se você pegar qualquer coisa dita por qualquer
religioso de qualquer época, não vai ser muito diferente de
merda.

314
22 - Mais bobagens do Cristianismo >>>

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Livros recomendados

570 páginas 317 páginas 198 páginas
Originally published as a
Mentiras Fundamentais da Com grande rigor histórico pamphlet in 1853, and
Igreja Católica é uma e acadêmico Fernando expanded to book length in
análise profunda da Bíblia, Vallejo desmascara uma fé 1858, The Two Babylons
que permite conhecer o dogmática que durante seeks to demonstrate a
que se deixou escrito, em 1700 anos tem derramado connection between the
que circunstâncias, quem o o sangue de homens e ancient Babylonian
escreveu, quando e, acima animais invocando a mystery religions and
de tudo, como tem sido enteléquia de Deus ou a practices of the Roman
pervertido ao longo dos estranha mistura de mitos Catholic Church. Often
séculos. Este livro de Pepe orientais que chamamos de controversial, yet always
Rodriguez serve para que Cristo, cuja existência real engaging, The Two
crentes e não crentes ninguém conseguiu Babylons comes from an
encontrem as respostas demonstrar. Uma obra que era when disciplines such
que sempre buscaram e desmistifica e quebra os as archeology and
posaam ter a última pilares de uma instituição anthropology were in their
palavra. É uma das tão arraigada em nosso infancy, and represents an
melhores coleções de mundo atual. early attempt to synthesize
dados sobre a formação many of the findings of
mitológica do cristianismo Entrevista com o autor these areas and Biblical
no Ocidente. Um a um, AQUI. truth.
magistralmente, o autor
revela aspectos mais
questionáveis da fé
judaico-cristã.

327
600 páginas 600 páginas 312 páginas

“Dois informadíssimos volumes de Karlheinz Deschner "Su visión de la historia de
sobre a política dos Papas no século XX, uma obra la Iglesia no sólo no es
surpreendentemente silenciada peols mesmos meios de reverencial, sino que, por
comunicação que tanta atenção dedicaram ao livro de usar una expresión
João Paulo II sobre como cruzar o umbral da esperança a familiar, ‘no deja títere con
força de fé e obediência. Eu sei que não está na moda cabeza’. Su sarcasmo y su
julgar a religião por seus efeitos históricos recentes, mordaz ironía serían
exceto no caso do fundamentalismo islâmico, mas alguns gratuitos si no fuese porque
exercícios de memória a este respeito são essenciais para van de la mano del dato
a compreensão do surgimento de algumas elocuente y del argumento
monstruosidades políticas ocorridas no século XX e outras racional. La chispa de su
tão atuais como as que ocorrem na ex-Jugoslávia ou no estilo se nutre, por lo
País Basco”. demás, de la mejor
Fernando Savater. El País, 17 de junho de 1995. tradición volteriana."
“Este segundo volume, como o primeiro, nos oferece uma Fernando Savater. El País,
ampla e sólida informação sobre esse período da história 20 de mayo de 1990
da Igreja na sua transição de uma marcada atitude de
condescendência com regimes totalitários conservadores
até uma postura de necessária acomodação aos sistemas
democráticos dos vencedores ocidentais na Segunda
Guerra Mundial”.

Gonzalo Puente Ojea. El Mundo, 22 de outubro de 1995.

Ler online volume 1 e volume 2 (espanhol). Para comprar
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328
136 páginas 480 páginas 304 páginas
De una manera didáctica, “Se bem que o cristianismo "En temas candentes como
el profesor Karl Deschner esteja hoje à beira da los del control demográfico,
nos ofrece una visión crítica bancarrota espiritual, el uso de anticonceptivos,
de la doctrina de la Iglesia segue impregnando ainda la ordenación sacerdotal de
católica y de sus trasfondos decisivamente nossa moral las mujeres y el celibato de
históricos. Desde la misma sexual, e as limitações los sacerdotes, la iglesia
existencia de Jesús, hasta formais de nossa vida sigue anclada en el pasado
la polémica transmisión de erótica continuam sendo y bloqueada en su rigidez
los Evangelios, la basicamente as mesmas dogmática. ¿Por qué esa
instauración y significación que nos séculos XV ou V, na obstinación que atenta
de los sacramentos o la época de Lutero ou de contra la dignidad y la
supuesta infalibilidad del Santo Agostinho. E isso nos libertad de millones de
Papa. afeta a todos no mundo personas? El Anticatecismo
Todos estos asuntos son ocidental, inclusive aos não ayuda eficazmente a hallar
estudiados, puestos en cristãos ou aos anticristãos. respuesta a esa pregunta.
duda y expuestas las Pois o que alguns pastores Confluyen en esta obra dos
conclusiones en una obra nômadas de cabras personalidades de vocación
de rigor que, traducida a pensaram há dois mil e ilustradora y del máximo
numerosos idiomas, ha quinhentos anos, continua relieve en lo que, desde
venido a cuestionar los determinando os códigos Voltaire, casi constituye un
orígenes, métodos y oficiais desde a Europa até Género literario propio: la
razones de una de las a América; subsiste uma crítica de la iglesia y de
instituciones más conexão tangível entre as todo dogmatismo
poderosas del mundo: la ideas sobre a sexualidade obsesivamente
Iglesia católica. dos profetas <salvífico>.
veterotestamentarios ou de
Paulo e os processos penais
por conduta desonesta em
Roma, Paris ou Nova York.”
Karlheinz Deschner.

329
1 – (365 pg) Los 2 - (294 pg) La época 3 - (297 pg) De la
orígenes, desde el patrística y la querella de Oriente hasta
paleocristianismo hasta consolidación del el final del periodo
el final de la era primado de Roma justiniano
constantiniana

4 - (263 pg) La Iglesia 5 - (250 pg) La Iglesia 6 - (263 pg) Alta Edad
antigua: Falsificaciones y antigua: Lucha contra los Media: El siglo de los
engaños paganos y ocupaciones merovingios
del poder

330
7 - (201 pg) Alta Edad 8 - (282 pg) Siglo IX: 9 - (282 pg) Siglo X:
Media: El auge de la Desde Luis el Piadoso Desde las invasiones
dinastía carolingia hasta las primeras luchas normandas hasta la
contra los sarracenos muerte de Otón III
Sua obra mais ambiciosa, a “História
Criminal do Cristianismo”, projetada em
princípio a dez volumes, dos quais se
publicaram nove até o presente e não se
descarta que se amplie o projeto. Trata-
se da mais rigorosa e implacável
exposição jamais escrita contra as formas
empregadas pelos cristãos, ao largo dos
séculos, para a conquista e conservação
do poder.
Em 1971 Deschner foi convocado por uma corte em Nuremberg acusado
de difamar a Igreja. Ganhou o processo com uma sólida argumentação,
mas aquela instituição reagiu rodeando suas obras com um muro de
silêncio que não se rompeu definitivamente até os anos oitenta, quando
as obras de Deschner começaram a ser publicadas fora da Alemanha
(Polônia, Suíça, Itália e Espanha, principalmente).

331
414 páginas 639 páginas
LA BIBLIA DESENTERRADA EL PAPA DE HITLER: LA VERDADERA
HISTORIA DE PIO XII
Israel Finkelstein es un arqueólogo y
académico israelita, director del ¿Fue Pío XII indiferente al sufrimiento
instituto de arqueología de la del pueblo judío? ¿Tuvo alguna
Universidad de Tel Aviv y co- responsabilidad en el ascenso del
responsable de las excavaciones en nazismo? ¿Cómo explicar que firmara
Mejido (25 estratos arqueológicos, 7000 un Concordato con Hitler?
años de historia) al norte de Israel. Se Preguntas como éstas comenzaron a
le debe igualmente importantes formularse al finalizar la Segunda
contribuciones a los recientes datos Guerra Mundial, tiñendo con la
arqueológicos sobre los primeros sospecha al Sumo Pontífice. A fin de
israelitas en tierra de Palestina responder a estos interrogantes, y con
(excavaciones de 1990) utilizando un el deseo de limpiar la imagen de
método que utiliza la estadística ( Eugenio Pacelli, el historiador católico
exploración de toda la superficie a gran John Cornwell decidió investigar a
escala de la cual se extraen todas las fondo su figura.
signos de vida, luego se data y se
cartografía por fecha) que permitió el
descubrimiento de la sedentarización de El profesor Cornwell plantea unas
los primeros israelitas sobre las altas acusaciones acerca del papel de la
tierras de Cisjordania. Iglesia en los acontecimientos más
terribles del siglo, incluso de la historia
humana, extremadamente difíciles de
Es un libro que es necesario conocer. refutar.

332
513 páginas 326 páginas 480 páginas

En esta obra se describe Santos e pecadores: Jesús de Nazaret, su
a algunos de los hombres história dos papas é um posible descendencia y el
que ocuparon el cargo de
livro que em nenhum papel de sus discípulos
papa. Entre los papas
hubo un gran número de momento soa están de plena
hombres casados, pretensioso. O subtítulo é actualidad. Llega así la
algunos de los cuales explicado pelo autor no publicación de El puzzle
renunciaron a sus prefácio, que afirma não de Jesús, que aporta un
esposas e hijos a cambio ter tido a intenção de punto de vista diferente y
del cargo papal. Muchos soar absoluto. Não é a polémico sobre su figura.
eran hijos de sacerdotes,
história dos papas, mas Earl Doherty, el autor, es
obispos y papas. Algunos
eran bastardos, uno era sim, uma de suas un estudioso que se ha
viudo, otro un ex esclavo, histórias. Vale dizer que o dedicado durante
varios eran asesinos, livro originou-se de uma décadas a investigar los
otros incrédulos, algunos série para a televisão, testimonios acerca de la
eran ermitaños, algunos mas em nenhum vida de Jesús,
herejes, sadistas y momento soa incompleto profundizando hasta las
sodomitas; muchos se
ou deixa lacunas. últimas consecuencias...
convirtieron en papas
comprando el papado que a mucha gente le
(simonía), y continuaron gustaría no tener que
durante sus días leer. Kevin Quinter es un
vendiendo objetos escritor de ficción
sagrados para forrarse histórica al que proponen
con el dinero, al menos
escribir un bestseller
uno era adorador de
Satanás, algunos fueron sobre la vida de Jesús de
padres de hijos Nazaret.
ilegítimos, algunos eran
fornicarios y adúlteros en
gran escala...

333
576 páginas 380 páginas 38 páginas

First published in 1976, La Biblia con fuentes An Atheist Classic! This
Paul Johnson's reveladas (2003) es un masterpiece, by the
exceptional study of libro del erudito bíblico brilliant atheist Marshall
Christianity has been Richard Elliott Friedman Gauvin is full of direct
loved and widely hailed que se ocupa del proceso 'counter-dictions',
for its intensive research, por el cual los cinco libros historical evidence and
writing, and magnitude. de la Torá (Pentateuco) testimony that, not only
In a highly readable llegaron a ser escritos. casts doubt, but shatters
companion to books on Friedman sigue las cuatro the myth that there was,
faith and history, the fuentes del modelo de la indeed, a 'Jesus Christ',
scholar and author hipótesis documentaria as Christians assert.
Johnson has illuminated pero se diferencia
the Christian world and significativamente del
its fascinating history in a modelo S de Julius
way that no other has. Wellhausen en varios
aspectos.

334
391 páginas

PEDERASTIA EM LA IGLESIA CATÓLICA Robert Ambelain, aunque defensor de
la historicidad de un Jesús de carne y
En este libro, los abusos sexuales a hueso, amplia en estas líneas la
menores, cometidos por el clero o por descripción que hace en anteriores
cualquier otro, son tratados como entregas de esta trilogía ( Jesús o El
"delitos", no como "pecados", ya que en Secreto Mortal de los Templarios y Los
todos los ordenamientos jurídicos Secretos del Gólgota) de un Jesús para
democráticos del mundo se tipifican nada acorde con la descripción oficial
como un delito penal las conductas de la iglesia sino a uno rebelde: un
sexuales con menores a las que nos zelote con aspiraciones a monarca que
vamos a referir. Y comete también un fue mitificado e inventado, tal y como
delito todo aquel que, de forma se conoce actualmente, por Paulo,
consciente y activa, encubre u ordena quién, según Ambelain, desconocía las
encubrir esos comportamientos leyes judaicas y dicha religión, y quien
deplorables. además usó todos los arquetipos de las
Usar como objeto sexual a un menor, ya religiones que sí conocía y en las que
sea mediante la violencia, el engaño, la alguna vez creyó (las griegas, romanas
astucia o la seducción, supone, ante y persas) arropándose en los
todo y por encima de cualquier otra conocimientos sobre judaísmo de
opinión, un delito. Y si bien es cierto personas como Filón para crear a ese
que, además, el hecho puede verse personaje. Este extrajo de cada religión
como un "pecado" -según el término aquello que atraería a las masas para
católico-, jamás puede ser lícito, ni así poder centralizar su nueva religión
honesto, ni admisible abordarlo sólo en sí mismo como cabeza visible de una
como un "pecado" al tiempo que se jerarquía eclesiástica totalmente nueva
ignora conscientemente su naturaleza que no hacía frente directo al imperio
básica de delito, tal como hace la Iglesia pero si a quienes oprimían al pueblo
católica, tanto desde el ordenamiento valiéndose de la posición que les había
jurídico interno que le es propio, como concedido dicho imperio (el consejo
desde la praxis cotidiana de sus judío).
prelados.

335
A Bíblia Desenterrada – Documentário (Espanhol)
OS PATRIARCAS – 1 OS REIS – 2

O ÊXODO – 3 O LIVRO - 4

A Bíblia Desenterrada – Documentário (Inglês)
The Patriarchs – 1 The Exodus – 2

The Kings – 3 The book – 4

336
Referências e Fontes:

Este sinal (>>>) é o Link direto para fonte online ou em outro idioma.

Bíblia Sagrada, diversas edições
http://ateismoparacristianos.blogspot.com/
http://www.ateoyagnostico.com/
Bíblia Sagrada
About the Holy Bible by Robert Green Ingersoll (1894)
http://www.joaodefreitas.com.br/religiao.htm
http://pt.wikipedia.org
www.ceticismo.net

337

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