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Pietro Ubaldi - II Obra - III Trilogia (Volume Revisado e Formatado em PDF para Encadernação em Folha A4)

Pietro Ubaldi - II Obra - III Trilogia (Volume Revisado e Formatado em PDF para Encadernação em Folha A4)

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Terceira Trilogia da Segunda Obra de Pietro Ubaldi - Obra Brasileira
Formato A4 - coluna dupla (encadernação espiral)
Terceira Trilogia da Segunda Obra de Pietro Ubaldi - Obra Brasileira
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Uma aproximação mais exata, que explica melhor as ori-
gens do fenômeno da Queda. O problema da perfeição, li-
berdade e conhecimento da criatura no Sistema.

A encarnação e a paixão de Cristo não podem ser explicadas
senão em função do dualismo positivo e negativo entre S e AS,
involução e evolução, fenômenos que se constatam e se demons-
tram. Conforme explicamos acima, o que se costuma chamar de
Criação, não é a formação do S, mas sim a do nosso universo fí-
sico, resultado da queda do espírito na matéria, do S no AS. Cris-
to se inseriu plenamente neste fenômeno, no sentido de ter-se
proposto a corrigi-lo, impulsionando o homem para o S, através
da redenção. A obra de Cristo consiste em reerguer a humanida-
de para o Alto, endireitando tudo que foi emborcado pela queda,
para eliminar seus efeitos. A redenção é esta obra de salvamento.
Nos volumes antecedentes, a fim de não nos arredarmos de
nossa habitual positividade, apresentamos sob forma de hipóte-
se a nossa interpretação de ter a origem da Queda consistido na
revolta. Com efeito, tal revolta não é suscetível de provas, po-
dendo-se apenas deduzi-la das suas consequências, o único fato
por nós experimentável. Contudo esta é a única hipótese logi-
camente satisfatória, capaz de explicar o porquê daquelas con-
sequências. Ela explica muitos dos fatos com os quais nos de-
paramos, apresentando-se com um elevado grau de veridicida-
de, de modo que, se não quisermos aceitá-la, seremos forçados
a continuar mergulhados nas trevas do mistério.
Nestas explicações, temos de considerar que é difícil para
nós, seres humanos, imaginar o comportamento de seres consti-
tuídos apenas de pensamento abstrato, vivendo em outras di-
mensões, sem matéria e sem os respectivos meios sensórios.
Trata-se de um plano de existência extremamente afastado do
nosso, no espaço e no tempo, estando, por isso, fora do alcance
de nossas normais capacidades de controle. Nem mesmo as nos-
sas capacidades mentais nos permitem atingir o fundo do fenô-
meno. Cabe-nos reconhecer, então, que a nossa compreensão do
mesmo só pode ser feita por aproximações. Devemos, contudo,
admitir que ela é também progressiva em relação ao nosso grau
de evolução. Torna-se razoável, portanto, admitir que ela se de-
senvolva com o tempo e prepare para o amanhã uma interpreta-
ção mais avançada e perfeita. Eis que, também na sua relativi-
dade, cada interpretação tem a sua utilidade. É assim que, atraí-
dos agora pelo aprofundamento da missão do Cristo, voltamos
com mais maturidade ao assunto da Queda (já tratado no volume
O Sistema), para tentarmos dela uma aproximação ainda mais
exata. Reportemo-nos, então, às primeiras origens da criação, às
quais tudo, inclusive o fenômeno do Cristo, está ligado.
Deus é tudo. Nada pode existir além de Deus. Para criar,
Deus não podia deixar de recorrer à substancia de que Ele
era feito.

Com esta substância, Deus criou as criaturas, e assim nas-

ceu o S.

Inquirimos alhures acerca da admissão ou não de uma pri-
meira criação, considerando a possibilidade de ter Deus consti-
tuído eternamente o organismo do S. Mas, tendo ou não havido
tal criação, o S constitui o fato incontestável perante o qual nos
encontramos, qualquer que tenha sido sua origem.
Deus é livre e perfeito. Então a criatura, sendo da mesma
substância, também deve ser livre e perfeita.
O S é um organismo constituído de elementos hierarquica-

mente ordenados.

Cada ser é perfeito dentro dos limites da individualidade
que o constitui e define.

O princípio de Deus é afirmativo: “EU SOU”.

Os seres, enquanto elementos do Seu organismo, também

podem afirmar: “eu sou”, mas apenas dentro dos limites da sua

individualidade.

No entanto os seres que se rebelaram à ordem da Lei trans-
puseram tais limites e, por isso, de elementos do S (+) inverte-
ram-se em elementos do AS (–).
Isto foi possível porque o ser era livre, qualidade esta que
ele, por ser feito da Substância de Deus, jamais poderá perder.
Com o S, Deus não criou uma máquina automática com
funcionamento determinístico, mas sim um organismo de seres
livres como Ele. Não sendo possível suprimir a liberdade, não
se pode eliminar a possibilidade do erro. O S era feito de seres
livres, e não de autômatos.
Objeta-se que Deus é perfeito e, portanto, não podia criar
senão elementos perfeitos, impossibilitados de errar.
Respondemos, todavia, que um elemento fundamental da
perfeição é a liberdade. A perfeição não é mecânica e determi-
nística, não podendo ser obtida pela eliminação da liberdade,
com a criação de autômatos. A perfeição consiste em conceder
a liberdade a um ser consciente e responsável, que saiba livre-
mente autodirigir-se e aprender a reerguer-se, em caso de erro.
Confrontemos as duas perfeições: 1a

) Uma obra feita de
elementos automáticos, sem liberdade, que não erram porque
não possuem a liberdade de errar; 2a

) Uma obra feita de seres
livres, que, por isso, podem errar, mas que permanecem vincu-
lados à lei de Deus, sujeitos às suas sanções, mesmo dolorosas,
pelas quais são constrangidos a se redimir. Qual dessas duas
obras é mais perfeita?
É isso que se verifica no ciclo involutivo-evolutivo, onde a
perfeição maior de Deus se manifesta no poder curativo da do-
ença. Assim o fim da Queda se resolve com a reconstrução da
parte invertida do S e com a aquisição, por parte dos espíritos
rebeldes, de uma nova experiência, que elimina para sempre a
possibilidade de novos erros.
Perguntamos novamente, então, qual é a obra mais perfei-
ta: aquela que não se pode deteriorar, ou aquela que, mesmo
se deteriorando, possui em si os meios para voltar ao seu es-
tado de perfeição? A vida é imperfeita, porque está sujeita a
doenças e morte, ou é perfeita, porque sabe a cada momento
ressurgir das doenças e da morte? Estas não conseguem abso-
lutamente matar a vida, que permanece vitoriosa. Embora tal
condição possa parecer uma fraqueza da vida, é um elemento
fundamental para a sua contínua renovação, o que permite a
sua ascensão evolutiva.
Devemos, portanto, reconhecer que a Criação, mesmo con-
tendo a possibilidade de erros, é perfeita, pois o fator liberdade,
ao invés de diminuir, aumenta aquela perfeição.
Sendo a Queda um erro devido à ignorância, surge outra ob-
jeção, questionando-se como podia a criatura estar sujeita à ig-
norância, se ela era feita da substância de Deus, que é oniscien-
te? Ora, a criatura possuía o conhecimento, mas somente dentro
dos limites da sua própria individualidade. É necessário re-
cordar que ela, fazendo parte do organismo do Todo, regido por

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CRISTO

Pietro Ubaldi

uma ordem, constituía apenas um elemento hierarquicamente
fechado dentro dos confins estabelecidos pela disciplina da Lei.
É assim que o seu conhecimento não superava estes limites.
Além destes, aquele conhecimento terminava, havendo apenas
ignorância para o ser. Ora, onde há ignorância existe possibili-
dade de erro. Assim se explica a revolta. Os rebeldes não sabi-
am o que aconteceria como consequência de sua rebeldia. Eles
acreditavam que, aumentando a afirmação do seu “eu sou”, po-
deriam tornar-se maiores e mais poderosos. Não sabiam que,
pelo contrário, a Lei, sendo estruturada para reagir a qualquer
atentado contra a sua integridade, conduz cada tentativa de
crescer fora dos limites positivos a um emborcamento no nega-
tivo, dando origem ao dualismo e criando o AS. Os seres não
sabiam disso, razão pela qual se aventuraram na zona da sua
própria ignorância. Pelo fato de estarem no S, eles viam a Lei
somente na sua posição de ordem e obediência, e não no estado
de desordem que advém da desobediência, porque tal condição
não existe no S, desconhecendo eles a função da Lei contra a
violação. Tendo eles entrado numa zona de ignorância, incorre-

ram em erro. Foi assim que, para querer crescer como “eu sou”,
acabaram por se emborcar no “eu não-sou”, decaindo no AS,
onde a liberdade se tornou escravidão, a vida se tornou morte e
cada qualidade se inverteu no seu contrário.
Podemos imaginar que tenha acontecido algo semelhante ao
processo de desenvolvimento em nosso organismo das células
do câncer. Estas querem viver como células rebeldes, permane-
cendo fora da ordem e da disciplina do organismo sadio (S). De
fato, elas se multiplicam ao negativo (AS), em sentido antivital,
movendo-se para a morte.
Agora que estamos no AS, não nos é dado usar como ponto
de partida e de referência para a reconstrução da completa li-
berdade, perfeição e conhecimento senão a sua posição negati-
va – a única que possuímos – na forma de escravidão, imperfei-
ção e ignorância. É assim que não temos outro meio para con-
ceber a qualidade positiva do S, a não ser referindo-nos às qua-
lidades negativas, próprias do AS, operando sobre elas um en-
direitamento ao positivo, capaz de corrigir a inversão ao nega-
tivo verificada com a Queda.
Uma última observação para maior esclarecimento do fenô-
meno da Queda. O S é um organismo baseado na ordem e na
disciplina. O ser devia dar prova de respeitá-lo e assim, confor-
me a justiça, tornar-se merecedor de permanecer feliz na eterni-
dade. Eis que já existia potencialmente no S uma prova de com-
preensão, obediência e fidelidade, através da qual a criatura de-
veria demonstrar, como era indispensável, que sabia viver como
ser livre, mas responsável, na disciplina em que se baseava a or-
ganicidade do S. Esta prova foi superada pelos elementos obedi-
entes, com a sua adesão à Lei, na qual permaneceram enquadra-
dos, e está sendo superada agora pelos elementos rebeldes, que
deverão, para isso, percorrer todo o ciclo involução-evolução.
Deste modo, no final, os dois tipos serão vitoriosos, merecendo
e adquirindo com isso o direito de se tornarem cidadãos do S.
Na Criação, portanto, estava incluída a possibilidade de uma
queda, tanto que, quando esta se verificou, a Lei não foi tomada
de surpresa, mas, pelo contrário, entrou imediatamente em fun-
cionamento com o novo sentido, mostrando com isso ter previs-
to tudo. De fato, como se estivesse seguindo um plano pré-
ordenado, a Lei, tão logo o fenômeno se iniciou, canalizou-o no
ciclo involutivo-evolutivo, disciplinando-o também, para poder
assim levar o ser à salvação, com o retorno ao S. Eis que na
unidade do S havia a possibilidade do dualismo, cisão que ago-
ra devemos sanar e reabsorver, retornando à unidade. Que a
evolução avança nesta direção é provado pela sua técnica cons-
trutiva de unidades coletivas e sua tendência a conduzir tudo ao
estado orgânico. Mas eis que nem sequer a revolta teve o poder
de afastar o ser do domínio de Deus, porque ela não destruiu a
ordem, mas apenas a emborcou numa ordem de tipo oposto, à

qual o AS está sujeito, embora em posição invertida ao negati-
vo. Com efeito, o AS não é senão um caos submisso à Lei, uma
desordem dirigida pela ordem de Deus.
Concluindo, não quisemos oferecer da Queda uma teoria
definitiva, mas apenas uma hipótese capaz de explicar os fatos
insofismáveis que temos em mãos. Essa é a melhor explicação
que conseguimos até aqui. Ela não cria e não destrói nada, nada
subtraindo ou acrescentando aos fatos. Se não quisermos aceitá-
la, aqueles fatos permanecem, porém sem explicação.
Em outras palavras, não pretendemos esgotar o assunto, mas
apenas esclarecer com mais exatidão o fenômeno da Queda,
procurando tornar mais satisfatória a nossa compreensão das
suas origens. Esforçamo-nos em dar-lhe, na forma mental do
homem de hoje, a representação (acreditamos) mais provável e
aceitável, sem pretendermos que ela seja a definitiva, porém
conscientes de haver superado as velhas representações mitoló-
gicas, hoje inaceitáveis, e de ter dado assim mais um passo para
nos aproximarmos da verdade. Ora, o mundo caminha e ama-
nhã saberá mais, sempre mais. Contudo, se bem que mais em
baixo, os predecessores exploram um caminho útil, preparando
com ele este progresso, ao qual, de outra maneira, faltaria o in-
dispensável ponto de apoio para o novo salto.

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