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CONCEITO DE LIMITES E DERIVADAS

Foi enquanto se dedicava ao estudo de algumas destas funções que Fermat deu conta das limitações do conceito clássico de reta tangente a uma curva como sendo aquela que encontrava a curva num único ponto. Tornou-se assim importante reformular tal conceito e encontrar um processo de traçar uma tangente a um gráfico num dado ponto - esta dificuldade ficou conhecida na História da Matemática como o “Problema da Tangente”. Estas idéias constituíram o embrião do conceito de derivada e levou Laplace a considerar Fermat “o verdadeiro inventor do Cálculo Diferencial”. Contudo, Fermat não dispunha de notação apropriada e o conceito de limite não estava ainda claramente definido. No séc. XVII Leibniz algebriza o Cálculo Infinitesimal, introduzindo os conceitos de variável, constante e parâmetro, bem como a notação dx e dy para designar a menor possível das diferenças em x e em y. Desta notação surge o nome do ramo da Matemática conhecido hoje como “Cálculo Diferencial”. A Teoria dos Limites, tópico introdutório é fundamental da Matemática Superior. Portanto, o que veremos, será uma introdução à Teoria dos Limites, dando ênfase principalmente ao cálculo de limites de funções, com base nas propriedades pertinentes. Matemático francês - Augustin Louis Cauchy – 1789/1857 foi, entre outros, um grande estudioso da Teoria dos Limites. Antes dele, Isaac Newton, inglês, 1642/1727 e Gottfried Wilhelm Leibniz, alemão, 1646/1716, já haviam desenvolvido o Cálculo Infinitesimal.

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DEFINIÇÃO Dada a função y = f(x), definida no intervalo real (a, b), dizemos que esta função f possui um limite finito L quando x tende para um valor x0, se para cada número positivo ε , por menor que seja, existe em correspondência um número positivo δ , tal que para |x - x0| <δ , se tenha |f(x) - L | <ε , para todo x ≠ x0 . Indicamos que L é o limite de uma função f( x ) quando x tende a x0 , através da simbologia abaixo: lim f(x) = Lx→ x0 Exemplo: Prove, usando a definição de limite vista acima, que: lim (x + 5) = 8 x→ 3. Temos no caso: f(x) = x + 5 x0 = 3L = 8. Com efeito, deveremos provar que dado um ε > 0 arbitrário, deveremos encontrar um δ > 0, tal que, para |x - 3| < δ , se tenha |(x + 5) - 8| < δ . Ora, |(x + 5) - 8| < δ é equivalente a x - 3 | < ε . Portanto, a desigualdade |x - 3| < δ , é verificada, e neste caso δ = δ. Concluímos então que 8 é o limite da função para x tendendo a 3 ( x δ 3) . O cálculo de limites pela definição, para funções mais elaboradas, é extremamente laborioso e de relativa complexidade. Assim é que, apresentaremos as propriedades básicas, sem demonstrá-las e, na seqüência, as utilizaremos para o cálculo de limites de funções. Antes, porém, valem as seguintes observações preliminares: a) É conveniente observar que a existência do limite de uma função, quando, x → x0 , não depende necessariamente que a função esteja definida no ponto x0 , pois quando calculamos um limite, consideramos os valores da função tão próximos quanto queiramos do ponto x0 , porém não coincidente com x0, ou seja, consideramos os valores da função na vizinhança do ponto x0 .Para exemplificar, consideremos o cálculo do limite da função abaixo, para x 3.

Observe que para x = 3, a função não é definida. Entretanto, lembrando que x2 - 9 = (x + 3) (x - 3), substituindo e simplificando, a função fica igual a f(x) = x + 3, cujo limite para x δ 3 é igual a 6, obtido pela substituição direta de x por 3. b) o limite de uma função y = f(x), quando x → x0, pode inclusive, não existir, mesmo a função estando definida neste ponto x0 , ou seja , existindo f(x0).

dizemos que temos um limite à direita da função. o infinitamente grande. lim ( u + v + w + . então este será o limite da função quando x → x0. P4 . porém existirá o limite de f(x) quando x → x0 .o limite de um produto é igual ao produto dos limites. lim v P3 . Se x tende para x 0. se lim v ≠ 0.. diremos que a função f(x) é Contínua no ponto x0 . para valores imediatamente inferiores a x0. P2 . e existir o limite da função f(x) para x → x0 e este limite coincidir com o valor da função no ponto x0. ou x → x0 .. lim k.. É conveniente salientar que.5 c) ocorrerão casos nos quais a função f(x) não está definida no ponto x0. é igual à soma dos limites de cada função.o limite de um quociente de funções. lim f Observações: No cálculo de limites. Pode-se demonstrar que se esses limites à direita e à esquerda forem iguais. Se x tende para x0. é igual ao quociente dos limites. lim (u .. PROPRIEDADES OPERATÓRIAS DOS LIMITES P1 . f = k. e) já vimos à definição do limite de uma função f(x) quando x tende a x0. . que representam quantidades de módulo infinitamente grande.o limite de um soma de funções. ) = lim u + lim v + lim w + . lim (u / v) = lim u / lim v . d) nos casos em que a função f(x) estiver definida no ponto x 0 . envolvendo os símbolos de mais infinito ( + ∞ ) e menos infinito ( .sendo k uma constante e f uma função. para valores imediatamente superiores a x0. serão consideradas as igualdades simbólicas. v) = lim u . dizemos que temos um limite à esquerda da função. a seguir.∞ ).

uma tendência de uma variável.∞ . (+ ∞ ) = + ∞ (+ ∞ ) .∞ ) = . ∞ / ∞ = nada se pode afirmar inicialmente. sim. Dado b ∈ R .∞ (+ ∞ ) + (. a) lim (2x + 3) = 2. sem limite. Na realidade. No cálculo de limites de funções. Os principais símbolos de indeterminação são: ∞-∞ ∞. portanto.∞ .∞ ) = nada se pode afirmar inicialmente. É uma indeterminação. o que significa que.0 ∞/∞ ∞0 0/0 1∞ 1. O símbolo ∞ . teremos as seguintes igualdades simbólicas: b + (+∞ ) = + ∞ b+(-∞)=-∞ (+ ∞) + (+ ∞ ) = + ∞ (. (+ ∞ ) . os símbolos + ∞ e .∞ Cálculos de alguns limites imediatos. para encontrarmos o valor do limite.conjunto dos números reais. usando as técnicas algébricas. não representam números reais. não podendo ser aplicadas a eles. teremos que levantar a indeterminação.∞ ) + (. É uma indeterminação. 0 = nada se pode afirmar inicialmente. ou seja: a variável aumenta ou diminui. as técnicas usuais de cálculo algébrico.6 não é um número e. é muito comum chegarmos a expressões indeterminadas. é dito um símbolo de indeterminação.5 + 3 = 13 x→ 5 .

Apresentarei cinco limites fundamentais e estratégicos.1 = 7 x→ 4 LIMITES FUNDAMENTAIS A técnica de cálculo de limites consiste na maioria das vezes.0001 = 0.5)] = 5 x→ 4 e) lim [(x + 3) (x .0001 = 0.3)] = (4 + 3) (4 -3) = 7. o valor de senx será igual a sen 0.4 .99999 ≈ caracterizando-se aí. Efetuando-se o quociente. as soluções procuradas. Quanto mais próximo de zero for o arco x. digamos x = 0.00009999 (obtido numa calculadora científica).4 + 3) / (2. Exemplo: 1. em conduzir a questão até que se possa aplicar os limites fundamentais.5)] = [(3. mais o quociente (senx) / x se aproximará da unidade.0001 rad. . facilitando assim.7 b) lim (x2 + x) = (+ ∞ )2 + (+∞ ) = + ∞ + ∞ = + ∞ x→ + ∞ c) lim (4 + x3) = 4 + 23 = 4 + 8 = 12 x→ 2 d) lim [(3x + 3) / (2x . vem: senx / x = 0. cuja medida seja próxima de zero.00009999 / 0. PRIMEIRO LIMITE FUNDAMENTAL: O LIMITE TRIGONOMÊTRICO Intuitivamente isto pode ser percebido da seguinte forma: seja x um arco em radianos. a noção intuitiva de limite de uma função. Nestas condições. para a solução de problemas.

cujo valor aproximado é e ≈ 2. de modo a cairmos num limite fundamental. colocando 5x = u.8 Uma mudança de variável..... Verifique também que ao multiplicarmos numerador e denominador da função dada por 5. Usamos também a propriedade P4.. SEGUNDO LIMITE FUNDAMENTAL: LIMITE EXPONENCIAL Onde e é a base do sistema de logaritmos nigerianos.........x→ 0 . a expressão não se altera.7182818.. Exemplo: TERCEIRO LIMITE FUNDAMENTAL: CONSEQUÊNCIA DO ANTERIOR Exemplo: Observe o cálculo do limite abaixo: lim (1 + x)5/x = lim [(1 + x)1/x]5 = e5 x→ 0 ..

definida num intervalo de números reais. QUINTO LIMITE FUNDAMENTAL DERIVADA DE UMA FUNÇÃO Y = F(X) NUM PONTO X=X0. que representa o gráfico de uma função y = f(x). . Considere a figura abaixo.9 QUARTO LIMITE FUNDAMENTAL: OUTRO LIMITE EXPONENCIAL Para a > 0.

restringindo nesta primeira abordagem. denominado razão incremental da função: y = f(x).sen(x) y ' = sec2 (x) y ' = u' + v' y' = u'. lembrando que a derivada de uma função y = f(x) pode ser indicada pelos símbolos y ‘. além das derivadas da soma. ou seja: Assim.v' .1 y ' = a x . A seguir. f ' (x) ou dy/dx.x n . e é representada por f ' (x0) . quando x varia de x0 para x0 + ∆ x0 : Define-se a derivada da função y = f(x) no ponto x = x0. uma tabela contendo as derivadas de algumas das principais funções elementares. FUNÇÃO y = k . produto e quociente de duas funções. k = constante y = k. ln a Y'=ex y ' = cos(x) y ' = . podemos definir o seguinte quociente.v + u. 1# a > 0 y=ex y = sen(x) y = cos(x) y = tg(x) y=u+v y = u. quando ∆ x0 tende a zero. a oito funções elementares básicas.10 Observando a figura.v DERIVADA y'=0 y'=k y' = 1 y ' = n. como sendo o limite da razão incremental acima.x y=x y = xn y = a x .

que forma um ângulo β Ora. é igual numericamente à tangente do ângulo β . o ponto Q no gráfico acima. como sabemos da Trigonometria. no ponto x = x0. Nota: a derivada de uma função y = f(x). A derivada de uma função y = f(x) num ponto x = x0 coincide numericamente com o valor da tangente trigonométrica do ângulo formado pela tangente geométrica à curva representativa de y = f(x). neste caso. Esta conclusão será muito utilizada no futuro.u.tende ao valor do ângulo β . Assim.80m de altura. y0 / ∆ x0 representa a derivada da função y = f(x) no ponto x0. e. o quociente ∆ Quando ∆ x0 ∆ 0 . Podemos escrever então: f '(x0) = tgβ . posicionada embaixo da lâmpada. com qual velocidade se desloca à extremidade de sua sombra projetada na rua? Considere a figura a seguir: . Mas. caminhar afastando-se da lâmpada a uma velocidade de 5m/s. pode ser representada também pelos símbolos: y ' ou dy/dx. onde P é o vértice do ângulo.v . Observe que quando ∆ x0 → 0 . NOTA: Uma lâmpada de um poste de iluminação pública está situada a uma altura de 6m. Se uma pessoa de 1.v') / v2 Onde u = u(x) e v = v(x) são funções deriváveis no ponto x. Conclusão importante: y0 / ∆ x0 representa .. tende a coincidir com o ponto P da mesma figura.v0 y' = (u'.11 y=u/v. não é difícil concluir que a derivada da função y = f(x) no ponto x = x 0 . quando ∆ x0 → 0 . tende ao ângulo β . a tangente do ângulo SPQ = α . já vimos que o quociente ∆ com o eixo horizontal (eixo das abscissas). o ângulo SPQ = α . o ângulo SPQ = α . definindo a reta r .

vem: Daí.20)t Portanto.t e estará no ponto B.14t Ora. Pela semelhança dos triângulos BAS e OLS. vem imediatamente que: . ela terá percorrido a distância d = 5. .80. y = 7.20y = 30t y = (30/4. a velocidade v do ponto S será a derivada dy/dt. Seja y esta distância.80y = 30t 4.y 6y – 30t = 1. Como a luz se propaga em linha reta. estará no ponto S. poderão escrever: Substituindo os valores.14t. fica: 6(y – 5t) = 1. a ponta da sombra da pessoa.80y 6y – 1. ou seja: Como y = 7.12 Supondo que a pessoa partiu do ponto O a uma velocidade de 5m/s. depois de t segundos.

NOTA: Um tanque tem a forma de um cilindro circular reto de raio da base r = 5m e altura h = 10m.R2. que entra no tanque com uma vazão de 25 m3/h.14 m/s.x (1) A vazão de 25 m3/h é justamente a derivada dV/dt. Derivando a expressão (1) em relação à x.52. No tempo t = 0.x = 25.π . é óbvio que poderemos escrever: V = π .h Sendo x o nível da água no tanque. a velocidade do ponto extremo da sombra é igual a 7. vem imediatamente: dV/dx = 25π Derivando a expressão (1) em relação a t. Com qual velocidade o nível da água sobe? Depois de quanto tempo o tanque estará cheio? Considere a figura a seguir: Já sabemos que o volume de um cilindro reto de raio da base R e altura h é dado pela fórmula V = π .13 Portanto. vem: . o tanque começa a ser cheio com água.

tem-se: dL/dX = RMa – CMa = A equação (6.0-Px . exatamente dx/dt.Px tem-se: dL/dX = RMa .0) Como na equação (6. dY/dX .4h = 31h + 0.1) (6.3) (6. a velocidade v com que o nível da água sobe é. v = 0.0 dL/dX = Py . Portanto. X Em que Py = preço do produto (constante). EXEMPLO: DE COMO É USADOS LIMITE E DERIVADO NUNHAM EMPRESA FLORESTAL A maximização do lucro (L) ocorre quando a diferença entre a receita total (RT) e os custos totais (CT) são máximos. dY/dX + Y. O tempo que levará para encher o tanque será então: T = 10m / 0. o nível da água sobe a uma razão de 0. . Substituindo os valores conhecidos. Y – Px. de onde tiramos v = 1/π m/h ou aproximadamente. Derivando a função de lucro em relação á do fator variável tem-se: dL/dX = Py.Px dL/dX = Py . 60min T = 31 horas e 24 minutos.4h = 31h + 0. e Px = preço do fator (constante).0) Py . O lucro máximo é determinado no ponto em que a inclinação da função de lucro é igual a zero (primeira derivada = 0 e segunda derivada < 0). PFMa (receita marginal) e Px = CMa (custo marginal).1) pode ser escrita da seguinte forma: RMa = CMa = 0 ou RMa = CMa ou (6.14 Ora. tem-se: L = RT – CT L = Py.318 metros por hora. PFMa .318 m/h = 31. Matematicamente.v.4. vem finalmente: 25 = 25π . dX/dX +.CMa Igualando a primeira derivada a zero.318 m/h.

0 3. (6. significa que os coeficientes angulares m (x) tendem a um valor fixo.2 3.0 2. O quadro abaixo ilustra a maximização de lucro da empresa florestal onde o custo marginal do fator.00 e o preço do produto (Py) igual a US$ 2.15 VPFMa = Px Em que VPFMa = valor do produto físico marginal.0 1.0 2. das retas secantes a G (f) por (x. que é o coeficiente angular da reta tangente e que chamaremos derivada de f em a. f (x)) e (a.3) e (6. é igual a US$ 2. ou preço do fator (Px1).5 3. X1 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Y 1 3 6 10 15 19 22 24 25 25 PFMe 1. Se a reta limite de nossas considerações preliminares existir e não for vertical. Na definição precisa.1 3.8 2. a seguir.00.4) Admitindo-se que a segunda derivada da função de lucro seja menor que zero. também chamados declividades.5 PFMa 1 2 3 4 5 4 3 2 1 0 CMa (Px1) 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 VPFMa 2 4 6 8 10 8 6 4 2 0 CT 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 RT 2 6 12 20 30 38 44 48 50 50 Lucro 0 2 6 12 20 26 30 32 32 * 30 *Ponto em que o lucro é máximo DEFINIÇÃO DE DERIVADA E REGRA DE DERIVAÇÃO Tomemos os coeficientes angulares. o ponto a é ponto de: e também ponto de acumulação de A. as equações (6.4) determinam que o lucro será máximo quando o retorno obtido ao produzir uma unidade a mais do produto for igual ao custo para produzir essa unidade a mais. m (a). m (x) = (f (x) – f (a))/(x – a).5 2. f (a)). .

lembrando que A denota o conjunto dos pontos de acumulação de A.1. . Sendo y = f (x). No seu tempo a formalização do conceito de limite não havia sido atingida e o uso dessa notação pode ser explicado da seguinte forma: O acréscimo da variável x Produz um acréscimo da variável y. o valor f' (a) é chamado derivada de f em a. Definição 3. Há várias notações para a derivada.2) Neste caso. impomos. se existir (3.16 Isto é. as seguintes são algumas das mais comuns: O termo diferenciável é sinônimo de derivável e também será usado de agora em diante com a mesma liberdade com que passaremos de uma para qualquer outra das notações acima. A notação dy/dx é devida a Leibnitz.1 Consideremos uma função o limite e A função f é derivável em a.

A notação de Leibnitz permanece e notará que ela é útil sendo. v (t0): = s (t0). a velocidade v(t0) num instante t0 é a derivada de s em t0. também se usa para a derivada de y = f (t) a notação .1. atribuída a Newton. b).1.17 . mas o quociente entre dy e dx. b = f (a). em muitas circunstâncias. a função f' que associa a cada a derivada f'(x) de f no ponto x. ao se tornarem infinitamente pequenos esses acréscimos passavam a ser denotados por dx e dy. e operavam-se com eles formalmente como com dois números quaisquer. respectivamente. A razão Transformava-se em dy/dx e este símbolo não representava um nem outro.1 . G (f). a reta tangente ao gráfico. A idéia é que. devem ser julgados no contexto de sua época. A despeito desses argumentos não ter uma clara fundamentação lógica. onde s é uma função diferenciável da variável tempo t. É a notação mais conveniente quando f é diferenciável em um conjunto A e se considera a função derivada em A. Exemplo 3. Isto é. como acontece hoje.2 Sendo y = f (x) derivável em a.a).b = f (a)(x . Após as considerações feitas até aqui é natural colocar: Definição 3. A notação f' (x) é atribuída a Lagrange. é a reta dada por: y . em (a. a mais sugestiva. Se a equação horária de um movimento retilíneo é x = s (t). isto é. Quando a variável independente representa o tempo e é indicada por t.

18 (1) Se.3) De fato. no ponto (2. passando pelo ponto (a. na definição de derivada.4) é: y – 4 = 4(x – 2).1) fica em qualquer ponto a. (2) Se f (x) = x2. (3. é dada por y – b = m (x-a) Chega-se à equação (3. neste caso. tem-se: Antes de provarmos esse fato. o limite (1. De fato. convém observar que.3). então f (x) = 0. a derivada de x2 no ponto x = 2 é igual a 4.b).1) pode ser escrito na forma: O que será feito com muita freqüência daqui a diante. então f' (a) = 2a. Usando agora o fato de que a equação da reta de coeficiente angular m. aplicando o desenvolvimento do binômio obtemos: . De fato. (3) A reta tangente à parábola y = x2. Retomando o nosso exemplo. se f é uma função diferenciável em um ponto a. (4) Generalizando o item (2). o limite (1.

temos um caso particular importante dessa fórmula: (x) = 1. a derivada da função identidade é 1. De fato. Entretanto. Isto é. a partir da definição de derivada. A fórmula neste caso faz sentido apenas para: uma vez que a expressão 00 não é definida. que (x) = 1. pode verificar diretamente. (5) . usando o Primeiro Limite Fundamental para justificar a penúltima e a última linha da seguinte cadeia de igualdades. tem: (6) Deve-se encarregar da demonstração desse fato. .19 Para n = 1. inclusive no ponto x = 0.

1.1 Se uma função f é derivável em um ponto a. é o caso quando f é diferenciável em a. Se tivermos A = B. então f é contínua em a.20 Definição 3. as funções: . e somente se. . Proposição 3.1. de fato. Prova.1.1 dizendo que toda função descontínua num ponto a é não diferenciável em a.3 Se a função: e derivável em cada ponto de um conjunto diz-se que f é derivável (ou diferenciável) em B. A seguinte proposição e os próximos dois exemplos ajudam a entender como deve ser uma função não diferenciável. diremos simplesmente que f é derivável. Note que f é contínua em a se. pois: Como estou interessado em entender como é uma função não diferenciável num ponto. posso reformular a Proposição 3. Assim. são exemplos de funções diferenciáveis. Este. e y = xn.

ser diferenciável é ser contínua e mais alguma coisa. portanto. De fato.1. Exemplo 3. os conceitos de diferenciabilidade e continuidade seriam equivalentes e poderíamos ficar com apenas um deles). nos pontos Deixamos ao leitor.2) e lembrando as propriedades desses limites temos: Seja a um ponto do domínio de uma função f e também ponto de acumulação lateral desse domínio. usando o mesmo raciocínio do Exemplo 3. e x2 < x4.5) logo.1. suas derivadas laterais existem e coincidem. respectivamente. será que toda função contínua em a é diferenciável nesse ponto? A resposta é negativa (como era de se esperar. A não diferenciabilidade em a=1 é conseqüência da propriedade que enunciamos acima a respeito das derivadas laterais. Os exemplos seguintes mostram funções contínuas e não diferenciáveis em um ponto. A função: é contínua. De fato. assume valores distintos: (3.2 A função f (x) = |x| é contínua.4) e (3. pois em caso afirmativo. e somente se. neste caso. São denotadas por f (0 -) e f' (0 +). mas não diferenciável. para – 1 < x < 1. o limite (3.3.1? Ou seja. Exemplo 3. como x4 < x2.21 A pergunta agora é: vale a recíproca da Proposição 3. Considerando limites laterais em (3.1. deixando-o à esquerda e à direita. As funções diferenciavam formam. mas não diferenciável. como exercício.1. uma classe mais seleta. f é diferenciável em a se. As expressões (3.4) (3. não existe f' (0). derivada à esquerda e derivada à direita de f em 0.2) em a = 0. para x > 1. Neste caso.5) são chamadas. obtemos: . a verificação da continuidade de f. calculado à esquerda e à direita.2. f' (a) = f (a-) = f (a +). no ponto a = 0.

enquanto que. Observando essa figura. o gráfico de uma função diferenciável tem um aspecto suave. Por isso deixamos essa tarefa a seu encargo como exercício. grosso modo. são pontos onde não existe reta tangente ao gráfico. os pontos onde o gráfico apresenta uma quina. embora tenhamos continuidade da função nesses pontos. como o gráfico de f (x) = x3 ou das funções ou .1. “uma situação de não concordância”. .1.3. O gráfico acima representa a função do Exemplo 3.22 . bem como o gráfico de f (x) = |x|. estas são situações típicas de não diferenciabilidade. Além das descontinuidades. por exemplo.1. não anguloso. e refletindo um pouco sobre uma possível recíproca da Proposição 3.1. inclusive o de explorar o fato de ser f uma função par. O dispondo de mais de um recurso para verificar a não diferenciabilidade em a = . Numa linguagem intuitiva. o concluiremos que ela é inviável.

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