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CONTEÚDO

PROFº: JOANA VIEIRA


02 Níveis de linguagem – Linguagem Culta
A Certeza de Vencer GE110308

→ Fique de olho no programa! Relativamente, a linguagem coloquial apresenta


limitações vocabulares incapazes para a comunicação do
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conhecimento filosófico, científico, artístico, etc. Possui,


* Reconhecer o emprego adequado de itens entretanto, maior liberdade de expressão, sobretudo, no
lexicais, considerando os diferentes níveis de
que se refere à gramática normativa. Desenvolvendo-se
linguagem.
livre e indisciplinadamente e, não raro, isola-se em falares
* Reconhecer o emprego adequado de relações
sintáticas (regência, concordância, colocação
típicos regionais e em gírias. O Modernismo efetivou a
pronominal), considerando os diferentes níveis de apologia da linguagem cotidiana como melhor veículo de
linguagem. expressão literária, por sua velocidade, espontaneidade e
* Reconhecer o emprego adequado de palavras dinamismo, condenando a linguagem culta.
quanto a sua configuração morfofonológica, Resultado de complexa evolução histórica, as
considerando os diferentes níveis de linguagem. línguas caracterizam-se por um conjunto de tendências
que se diversificam a partir de vários fatores. A
diversidade étnica que nos caracteriza desde a nossa
Linguagem culta: origem, nos fez diferentes e, conseqüentemente a nossa
língua também passou (e passa) por um processo
A expressão "norma culta" é empregada pelos ininterrupto de mutações, o que a deixa ainda mais
lingüistas brasileiros para designar o conjunto de fascinante e diversificada, pois cada região possui
variedades lingüísticas efetivamente faladas, na vida características próprias, singulares na sua forma de
cotidiana, pelos falantes cultos, sendo assim classificados comunicação, incorporando palavras a um universo
os cidadãos nascidos e criados em zona urbana e com vocabular de variabilidade imensurável, particularmente, à
grau de instrução superior completo. Esses dois critérios língua coloquial, seja pela introdução de neologismos, por
foram estabelecidos, no início da década de 1970, pelo empréstimos, adaptações, regionalismos ou pela
grande projeto de pesquisa batizado de NURC (Norma revitalização de arcaísmos.
Urbana Culta) que revelou que existe uma profunda
distância entre aquilo que os brasileiros cultos realmente O QUE É CERTO OU ERRADO NA LÍNGUA PORTUGUESA?
falam (e até escrevem) e o modelo de língua "certa"
idealizada que aparece descrito e prescrito nas Não devemos pensar na língua como algo que se
gramáticas normativas. A esse modelo de língua "certa", polariza entre o "certo" e o "errado". Visto que existem
distante da realidade dos usos, os lingüistas dão o nome vários níveis de fala, o conceito do que é "certo" ou
de "norma-padrão". "errado" em língua deve ser considerado sob esse
A norma culta é utilizada pelas classes prisma. Na verdade, devemos falar em linguagem
intelectualizadas da sociedade. É a variante de maior adequada. Tome-se como parâmetro a vestimenta. Qual
prestígio e aquela ensinada nas escolas. Sua sintaxe é seria a roupa "certa": terno e gravata, ou camiseta,
mais complexa, seu vocabulário mais amplo e há nela sandália e bermuda? Evidentemente, você vai dizer que
uma absoluta obediência à gramática normativa e à depende da situação: numa festa de gala, deveremos
língua dos escritores clássicos. Opõe-se à linguagem usar o terno e a gravata. Já, jogando bola com amigos na
coloquial que é utilizada pelas pessoas que fazem uso de praia, estaremos utilizando bermuda e camiseta. Veja que
um nível menos formal, mais cotidiano. não existe a roupa "certa", existe, isto sim, o traje
adequado. Poderíamos dizer que "errado" seria
Pronominais comparecer a uma festa de gala vestido de camiseta e
bermuda.
Dê-me um cigarro Com a linguagem não é diferente. Não devemos
Diz a gramática pensar na língua como algo que se polariza entre o
Do professor e do aluno "certo" e o "errado". Temos de pensar a linguagem sob o
E do mulato sabido prisma da adequação.
Mas o bom negro e o bom branco Numa situação de caráter informal, como num bate-papo
Da Nação Brasileira descontraído entre amigos, é "certo", isto é, é adequado
Dizem todos os dias que se utilize a língua de maneira espontânea, em seu
Deixa disso camarada nível coloquial, portanto. Já numa situação formal, como
Me dá um cigarro
Vício na fala
num discurso de formatura, por exemplo, não seria
"certo", isto é, não seria adequado utilizar-se a língua em
De Pau-Brasil Para dizerem milho dizem mio sua forma coloquial. Tal situação exige não somente uma
Para melhor dizem mió
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vestimenta, mas também uma linguagem adequada.


Oswald Andrade
Para pior pió (Ernani Terra).
Para telha dizem teia É um mito, portanto, a pretensa possibilidade de
Para telhado dizem teiado comunicação igualitária em todos os níveis. Isso é uma
E vão fazendo telhados idealização. Todas as línguas apresentam variantes: o
inglês, o alemão, o francês, etc. também as línguas
antigas tinham variações. O português e outras línguas
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românticas provêm de uma variedade do latim. O Em rigor, ninguém comete erro em língua, exceto nos
chamado latim vulgar, muito diferente do latim culto. casos de ortografia. O que normalmente se comete são
Alem disso, as línguas mudam. O português moderno é transgressões da norma culta. De fato, aquele que, num
muito distinto do português clássico. Se fossemos aceitar momento íntimo do discurso, diz: “Ninguém deixou ele
a idéia de estaticidade das línguas, deveríamos dizer que falar”, não comete propriamente erro; na verdade,
o português inteiro é um erro e, portanto, deveríamos transgride a norma culta. No recesso do lar, na fala entre
voltar a falar latim. Ademais, se o português provêm do amigos, parentes, namorados, etc., portanto, são
latim vulgar, poder-se-ia afirmar que ele esta todo errado. consideradas perfeitamente normais construções do tipo:
A variação é inerente ás línguas, porque as Eu não vi ela hoje.
sociedades são divididas em grupos: há os mais jovens e Ninguém deixou ele falar.
os mais velhos, os que habitam numa região ou noutra, Deixe eu ver isso!
os que têm esta ou aquela profissão, os que são de uma Eu te amo, sim, mas não abuse!
classe social e assim por diante. O uso de determinada Não assisti o filme nem vou assisti-lo.
variedade lingüística serve para marcar a inclusão num Eu não a vi hoje.
desses grupos, dá uma identidade para seus membros. Ninguém o deixou falar.
Aprendemos a distinguir a variação. Quando alguém Deixe-me ver isso!
começa a falar sabemos se é do interior de São Paulo, Eu te amo, sim, mas não abuses!
gaúcho, carioca ou português. Sabemos que certas Não assisti ao filme nem vou assistir a ele.
expressões pertence à fala dos mais jovens, que (Luiz Antonio Sacconi )

determinadas formas se usa em situação informal, mas


não em ocasiões formais. Saber uma língua é conhecer TEXTO PARA ANÁLISE:
variedades. Um bom falante é “poliglota” em sua própria
língua. Saber português não é aprender regras que só Não é que é o tal português!
existem numa língua artificial usada pela escola. As O astro luminoso já se ocultava no paralelo
variantes não são feias ou bonitas, erradas ou certas, quando freei os pés para examinar o prognóstico
deselegantes ou elegantes; são simplesmente diferentes. engastado no tapume:
Como as línguas são variáveis, elas mudam. “Nosso “Necessita-se com expressiva urgência de pessoas
homem simples do campo” tem dificuldade de comunicar- dotadas de magnífica índole; empossados de esmeros;
se nos diferentes níveis do português, não por causa da diplomados de plausíveis e inquestionáveis dons na
variação e da mudança lingüística, mas porque lhe foi labuta diária exposta por este estabelecimento;
barrado o acesso a escola ou porque, neste país, se conhecimento prático e teórico em inglês e espanhol;
oferece um ensino de baixa qualidade às classes direcionamento em métodos tecnológicos para manuseio
trabalhadoras e porque não se lhes oferece a de computador (inclusive, internet); incubência em
oportunidade de participar da vida cultural das camadas relações exteriores e que esteja engajado no
dominantes da população. entendimento de políticas globalizantes, na economia de
(FIORIN,José Luiz. In: Atas do primeiro congresso Nacional da cunho neolíberal em fusões dos grandes
ABRALIN.excertos.) empreendimentos empresariais e internacionais. Os
candidatos, enquadrados nos requisitos acima citados,
O conceito de erro em língua direcionem-se ao escritório ao lado munidos dos
respectivos comprovantes”.
Abandonar o conceito de certo e errado na Sendo o único a esperar naquela enorme sala,
linguagem e adotar o de “adequação”: a língua permite assustei- me com os cutucões de um Senhor trajado de
muitas variantes e é importante saber se adequar ao matuto gesticulando como quem me confundira com os
contexto. Os termos certo e errado carregam juízo de respeitados doutores do estrangeiro.
valor e imbutem preconceito. Por tudo isso, temos a - Patrão. Escuta seu gringo! Cê me entende?
tendência a nos rebelar sempre que vemos ou ouvimos Sabe o qui é qui é? Faz tempo qui to percurando o
alguma coisa que vá contra o que um dia aprendemos entendimento daqueles dizeres, mas num discubri nem
como certo. um tíquinho de nada. Tá tudo no ingrês! Será que dava
É importante lembrarmos que a normatização da pra vossa excelência decifrar pra eu.
linguagem corresponde, em geral, ao jogo do certo ou Vestido de vergonha. Completamente tonto (meu
errado. Assim sendo, a norma é a regra daquilo que pode ar aquela altura já era quase extinto) e, totalmente preso
ou não ser usado na língua oral ou escrita. O perigo é ao olhar melancólico daquele homem, sai meio que
transformar o conhecimento destas regras num cambaleando do referido recinto. De lá, fui direto ao
mecanismo para discriminar os que não as dominam. prédio onde lecionavam-se diversas línguas. E dificil foi
A norma é a marca do chamado padrão culto da explicar à recepcionista o curso no qual iria escrever-me.
língua, que é apenas uma das variantes lingüísticas. O Mais tarde, depois de muito raciocínio e discussões,
professor André Valente, em "A Linguagem Nossa de finalmente descobri que aquele ignorante e ingénuo
Cada Dia", afirma: "Não há, em essência, variante senhor estava mesmo era falando o português. E foram
lingüística que seja superior a outras. Existe, sim, a que mais dois anos até que eu aprendesse a diversidade e o
tem mais força e prestígio, a variante dos detentores do meu próprio idioma.
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poder: da elite (econômica, política ou intelectual)." E adispois de pegá aquele mardito diproma.
Ficava horas e horas batendo pernas esperando o
Estou preocupado. (norma culta) caipirão aparecer pra mode nois bater um papo sobre
Tô preocupado. (língua popular) quarquer coisa porreta lá das roças.
Tô grilado. (gíria, limite da língua popular) (Professora Joana)

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