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John Perkins

Confesiones
de un gángster
económico
La cara oculta
del imperialismo americano

T E N D E N C I A S
Argentina - Chile - C o l o m b i a - E s p a ñ a
Estados Unidos - México - U r u g u a y - Venezuela
Título original: Confessions of an Economic Hit Man
First published by B e r r e t t - K o e h l e r Publishers, Inc.,
San F r a n c i s c o , C A , U S A . All R i g h t s Reserved
T r a d u c c i ó n : J o s é A n t o n i o B r a v o Alfonso
Directora d e T e n d e n c i a s : N u r i a Almiron
Proyecto editorial: E d i t r e n d s

R e s e r v a d o s t o d o s los d e r e c h o s . Q u e d a ri-
g u r o s a m e n t e p r o h i b i d a , sin la autorización
escrita de los titulares del copyright, bajo
las sanciones establecidas en las leyes, la re-
p r o d u c c i ó n parcial o total de esta o b r a p o r
cualquier m e d i o o p r o c e d i m i e n t o , inclui-
d o s la reprografla y el tratamiento informá-
tico, así c o m o la distribución de ejemplares
mediante alquiler o p r é s t a m o público.

C o p y r i g h t © 2 0 0 4 by J o h n Perkins
© de la traducción 2 0 0 5 ¿y J o s é A n t o n i o Bravo Alfonso
© 2 0 0 5 by E d i c i o n e s U r a n o , S. A.
Aribau, 1 4 2 , pral. - 0 8 0 3 6 B a r c e l o n a
www.edicionesurano .com

ISBN: 84-934642-0-1
D e p ó s i t o legal: B . 4 2 . 1 7 5 - 2 0 0 5

Fotocomposición: Ediciones U r a n o , S. A.

I m p r e s o p o r R o m a n y á Valls, S. A. - Verdaguer, 1 - 0 8 7 6 0 C a p e l l a d e s ( B a r c e l o n a )

I m p r e s o en E s p a ñ a - Printed in Spain
A mis progenitores, Ruth Moodyy Jason Perkins,
que me enseñaron acerca de la vida y del amor
y me infundieron el coraje que me ha permitido
escribir este libro.
i
índice

Prefacio 11

Prólogo 21

P R I M E R A PARTE: 1963-1971

1. Nace un gángster económico 31


2. «Para toda la vida» 43
3 . Indonesia: lecciones d e g a n g s t e r i s m o e c o n ó m i c o .... 53
4. Salvar a una nación del c o m u n i s m o , 57
5 . C ó m o vendí m i alma 63

S E G U N D A PARTE: 1971-1975

6. Mi papel de inquisidor 73
7. La civilización a p r u e b a 79
8 . U n J e s ú s diferente 85
9. U n a o p o r t u n i d a d en la vida 91
1 0 . Presidente y h é r o e de P a n a m á 99
1 1 . Piratas en la z o n a del Canal 105
1 2 . S o l d a d o s y prostitutas 109
1 3 . C o n v e r s a c i o n e s con el General 115
1 4 . C o m i e n z a un n u e v o y siniestro p e r í o d o
de la historia e c o n ó m i c a 123
1 5 . Arabia S a u d í y el c a s o del b l a n q u e o de d i n e r o 129
1 6 . E j e r c i e n d o de p r o x e n e t a y financiando
a O s a m a bin L a d e n 145

9
T E R C E R A PARTE: 1975-1981

1 7 . L a s n e g o c i a c i o n e s del Canal d e P a n a m á
y Graham Greene 155
18. Irán y su R e y de Reyes 165
19. Confesiones de un hombre torturado 171
2 0 . L a caída d e u n rey 177
2 1 . C o l o m b i a , l a clave d e L a t i n o a m é r i c a 181
2 2 . L a república americana contra e l imperio global 187
2 3 . Un curriculum engañoso 195
2 4 . E l presidente d e E c u a d o r contra las g r a n d e s
petroleras 207
2 5 . Mi marcha 213

C U A R T A PARTE: D E 1981 A L P R E S E N T E

2 6 . E c u a d o r : m u e r e u n presidente 223
2 7 . P a n a m á : m u e r e o t r o presidente 229
2 8 . E n r o n , G e o r g e W. B u s h y mi c o m p a ñ í a eléctrica 233
29. Acepto un soborno 241
3 0 . E s t a d o s U n i d o s invade P a n a m á 249
3 1 . U n fracaso del g a n g s t e r i s m o e c o n ó m i c o e n Iraq 261
3 2 . El 11 de s e p t i e m b r e y las consecuencias s o b r e
mi persona 271
3 3 . V e n e z u e l a salvada p o r S a d d a m 281
34. Retorno a Ecuador 289
3 5 . Levantando el barniz 301

Epílogo 313

C r o n o l o g í a p e r s o n a l d e J o h n Perkins 319

Notas 323

Sobre el autor 337

índice temático 339

10
Prefacio

Los gángsteres económicos ( E c o n o m i c H i t M e n , EHM) son pro-


fesionales generosamente pagados que estafan billones de dólares
a países de todo el mundo. Canalizan el dinero del Banco Mun-
dial, de la Agencia Internacional para el Desarrollo (USAID)
y de otras organizaciones internacionales de «ayuda» hacia las
arcas de las grandes corporaciones y los bolsillos del puñado de
familias ricas que controla los recursos naturales del planeta.
Entre sus instrumentos figuran los dictámenes financieros frau-
dulentos, las elecciones amañadas, los sobornos, las extorsiones,
las trampas sexuales y el asesinato. Ese juego es tan antiguo como
los imperios, pero adquiere nuevas y terroríficas dimensiones en
nuestra era de laglobalización.
To lo sé bien, porque yo he sido un gángster económico.

E n 1 9 8 2 escribí estas líneas c o m o c o m i e n z o d e u n libro cuyo títu-


lo de t r a b a j o era Conscience of an Economic Hit Man. Lo d e d i c a b a
a los presidentes de d o s países, a d o s h o m b r e s q u e fueron clientes
m í o s , r e s p e t a d o s y c onside r ados p o r mí c o m o espíritus afines: Jai-
me R o í d o s , presidente de E c u a d o r , y Ornar T o r r i j o s , presidente de
P a n a m á . A m b o s habían fallecido recientemente e n aquellos m o -
m e n t o s . S u s aviones se estrellaron, p e r o no se trató de ningún ac-
cidente sino de asesinatos m o t i v a d o s por la o p o s i c i ó n de a m b o s a
la cofradía de dirigentes empresariales, g u b e r n a m e n t a l e s y finan-
cieros q u e p e r s i g u e u n imperio mundial. N o s o t r o s , los g á n g s t e r e s
e c o n ó m i c o s , no c o n s e g u i m o s d o b l e g a r a R o í d o s y T o r r i j o s , y p o r
e s o fue preciso q u e intervinieran los o t r o s tipos de g á n g s t e r e s , los

11
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

chacales p a t r o c i n a d o s p o r la C Í A q u e siempre e s t a b a n p e g a d o s a
nuestras espaldas.
Me convencieron de no escribir ese libro. D u r a n t e los veinte
a ñ o s siguientes lo e m p e c é en cuatro ocasiones m á s . En cada u n a de
ellas, mi decisión estuvo influida p o r hechos c o n t e m p o r á n e o s de la
política internacional: la invasión de P a n a m á p o r E s t a d o s U n i d o s
en 1 9 8 9 , la primera g u e r r a del G o l f o , el c o n a t o de invasión de S o -
malia y la irrupción de O s a m a bin L a d e n . En t o d a s ellas, a m e n a z a s
o s o b o r n o s me i n d u j e r o n a a b a n d o n a r l o .
E n 2 0 0 3 , e l presidente d e una i m p o r t a n t e editorial p r o p i e d a d
d e u n a p o d e r o s a multinacional leyó u n b o r r a d o r d e l o q u e l u e g o
ha r e s u l t a d o ser Confesiones de un gángster económico. Lo calificó
de « r e l a t o fascinante q u e d e b í a ser c o n t a d o » . A continuación sacu-
d i ó la c a b e z a c o n u n a sonrisa triste, y me dijo q u e los ejecutivos de
la oficina central p o n d r í a n objeciones y q u e no p o d í a arriesgarse a
publicarlo. M e a c o n s e j ó q u e l o reescribiera e n f o r m a d e novela.
« P o d r í a m o s lanzarte c o m o novelista, a lo J o h n L e C a r r é o G r a h a m
Greene.»
P e r o esto no es u n a novela. Es el relato real de mi vida. O t r o
editor m á s v a l e r o s o , y no perteneciente a n i n g u n a multinacional,
a c e p t ó a y u d a r m e a contarlo.
E s t a historia debe ser c o n t a d a . Vivimos en u n a é p o c a de crisis
terribles, y de o p o r t u n i d a d e s t r e m e n d a s . La historia de este parti-
cular g á n g s t e r es la historia de c ó m o h e m o s l l e g a d o a d o n d e esta-
m o s y p o r q u é n o s e n f r e n t a m o s actualmente a u n a crisis q u e p a r e -
ce insuperable. Y hay q u e contarlo p o r q u e n e c e s i t a m o s e n t e n d e r
n u e s t r o s errores del p a s a d o si q u e r e m o s hallarnos en situación de
a p r o v e c h a r las o p o r t u n i d a d e s futuras. P o r q u e h a n o c u r r i d o cosas
c o m o el 1 1 - S y la s e g u n d a g u e r r a en Iraq. P o r q u e a d e m á s de las
tres mil p e r s o n a s q u e m u r i e r o n a m a n o s de los terroristas el 11
d e s e p t i e m b r e d e 2 0 0 1 , otras veinticuatro mil m u r i e r o n ese día d e
h a m b r e y de o t r a s secuelas de la miseria. O m e j o r d i c h o , t o d o s los
días m u e r e n veinticuatro mil p e r s o n a s q u e n o encuentran c o n q u é
1
a l i m e n t a r s e . Y lo m á s i m p o r t a n t e , esta historia hay q u e contarla
p o r q u e hoy, p o r p r i m e r a vez en la historia, existe un país c a p a z de
cambiar t o d o e s o m e d i a n t e sus recursos, su d i n e r o y su p o d e r . Es

12
Prefacio

el país en d o n d e nací y al q u e he servido c o m o g á n g s t e r e c o n ó m i -


c o : E s t a d o s U n i d o s d e América del N o r t e .
¿ Q u é es lo q u e finalmente me convenció a i g n o r a r las a m e n a -
zas y los intentos de s o b o r n o ?
L a r e s p u e s t a breve e s q u e t e n g o una hija, J e s s i c a , licenciada
universitaria y e m a n c i p a d a . Y q u e , r e c i e n t e m e n t e , al c o m e n t a r l e
q u e e s t a b a c o n s i d e r a n d o la publicación de este libro y participar-
le mis temores al respecto, me contestó: « N o te preocupes, papá.
S i van p o r ti, y o continuaré d o n d e l o hayas d e j a d o . A u n q u e s ó l o
sea p o r los nietos q u e e s p e r o d a r t e a l g ú n d í a » . E s a e s l a r e s p u e s t a
breve.
La versión c o m p l e t a tiene q u e ver c o n mi dedicación al país en
q u e me he criado y mi a m o r a los ideales p r o c l a m a d o s p o r sus p a -
dres f u n d a d o r e s . T a m b i é n c o n l o q u e c o n s i d e r o m i d e b e r para c o n
la república americana q u e hoy p r o m e t e «la vida, la libertad y la
b ú s q u e d a de la felicidad» para t o d o s , en t o d a s partes. Y, p o r últi-
m o , tiene q u e ver c o n m i decisión — t o m a d a d e s p u é s del 1 1 - S —
d e n o q u e d a r m e o c i o s o c o n t e m p l a n d o c ó m o los g á n g s t e r e s eco-
n ó m i c o s t r a n s f o r m a n esa república e n u n i m p e r i o g l o b a l . H e aquí
la sinopsis de la versión c o m p l e t a q u e se hallará desarrollada, en
carne y h u e s o , a lo l a r g o de los capítulos siguientes.
E s t e e s u n relato real. L o h e vivido m i n u t o a m i n u t o . L o s
p a i s a j e s , las p e r s o n a s , las conversaciones y los s e n t i m i e n t o s q u e
d e s c r i b o h a n f o r m a d o parte de mi vida. Es mi biografía y, sin e m -
b a r g o , d e b o situarla e n e l c o n t e x t o m á s a m p l i o de los aconteci-
m i e n t o s m u n d i a l e s q u e han c o n f i g u r a d o n u e s t r a historia, q u e n o s
han llevado a d o n d e e s t a m o s hoy, y q u e c o n f o r m a n los c i m i e n t o s
del f u t u r o d e n u e s t r o s hijos. H e p r o c u r a d o l a m á x i m a e x a c t i t u d
en la descripción de esas experiencias, g e n t e s y c o n v e r s a c i o n e s .
C u a n d o c o m e n t o h e c h o s históricos o r e c o n s t r u y o mis conversa-
ciones c o n otras p e r s o n a s , h e utilizado diversos i n s t r u m e n t o s : d o -
c u m e n t o s p u b l i c a d o s , registros y n o t a s p e r s o n a l e s , r e c u e r d o s
m í o s y de o t r o s participantes, los cinco b o r r a d o r e s e m p e z a d o s en
o t r o s t i e m p o s y las narraciones históricas de o t r o s a u t o r e s , c o n
preferencia para los recién p u b l i c a d o s y q u e revelan i n f o r m a c i o -
nes antes clasificadas o no disponibles p o r o t r o s m o t i v o s . En las

13
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

n o t a s finales d o y las referencias p a r a el lector i n t e r e s a d o q u e d e -


see p r o f u n d i z a r en estos t e m a s .
Mi e d i t o r me p r e g u n t ó si realmente nos referíamos a n o s o t r o s
m i s m o s l l a m á n d o n o s g á n g s t e r e s e c o n ó m i c o s . L e c o n t e s t é q u e sí,
a u n q u e u s á b a m o s m á s a m e n u d o las iniciales E H M . E n efecto,
el primer día de 1 9 7 1 q u e e m p e c é a trabajar c o n mi instructora,
C l a u d i n e , ésta m e dijo: « L a misión q u e t e n g o a s i g n a d a e s hacer d e
ti un economic hit man. Y q u e nadie se entere de tu actividad... ni
siquiera tu m u j e r » . Y l u e g o a ñ a d i ó , p o n i é n d o s e seria: « C u a n d o
u n o entra en e s t o , entra para t o d a la v i d a » .
M á s a d e l a n t e , casi n u n c a volvió a m e n c i o n a r la expresión
c o m p l e t a . E r a m o s , sencillamente, u n o s E H M .
El c o m e t i d o de C l a u d i n e es un e j e m p l o fascinante de la m a n i -
p u l a c i ó n s u b y a c e n t e al n e g o c i o en el q u e me había i n c o r p o r a d o .
E r a bella e inteligente, y s u m a m e n t e eficaz. D e t e c t ó mis p u n t o s
débiles y s u p o explotarlos en su beneficio. Su t r a b a j o y la habilidad
con q u e lo realizaba ejemplifican la m e n t a l i d a d sutil de q u i e n e s
m a n e j a n los hilos de este sistema.
C l a u d i n e no t u v o p e l o s en la l e n g u a a la h o r a de d e s c r i b i r m e
l o q u e i b a n a exigir d e mí. « T u t r a b a j o — d i j o — consistirá e n es-
timular a líderes de t o d o s los países para q u e entren a f o r m a r par-
te de la e x t e n s a r e d q u e p r o m o c i o n a los intereses c o m e r c i a l e s de
E s t a d o s U n i d o s e n t o d o e l m u n d o . E n ú l t i m o t é r m i n o e s o s líde-
res a c a b a n a t r a p a d o s en la telaraña del e n d e u d a m i e n t o , lo q u e n o s
g a r a n t i z a su lealtad. P o d e m o s recurrir a ellos s i e m p r e q u e los
n e c e s i t e m o s p a r a satisfacer nuestras necesidades políticas, e c o n ó -
micas o militares. A c a m b i o , ellos c o n s o l i d a n su p o s i c i ó n política
p o r q u e traen a sus países c o m p l e j o s industriales, centrales g e n e r a -
d o r a s de e n e r g í a y a e r o p u e r t o s . Y los p r o p i e t a r i o s de las e m p r e s a s
e s t a d o u n i d e n s e s de ingeniería y c o n s t r u c c i ó n se hacen i n m e n s a -
m e n t e ricos.
H o y v e m o s los e s t r a g o s resultantes de este sistema. Ejecutivos
de las c o m p a ñ í a s estadounidenses m á s respetadas q u e contratan
p o r s u e l d o s casi de esclavos la m a n o de o b r a q u e explotan b a j o con-
diciones i n h u m a n a s en los talleres de Asia. E m p r e s a s petroleras q u e
arrojan d e s p r e o c u p a d a m e n t e sus toxinas a los ríos de la selva tropi-

14
Prefacio

cal, e n v e n e n a n d o adrede a h u m a n o s , animales y plantas, y p e r p e -


t r a n d o g e n o c i d i o s contra las culturas ancestrales. L a b o r a t o r i o s far-
macéuticos q u e niegan a millones de africanos infectados por el
V I H los m e d i c a m e n t o s q u e podrían salvarlos. E n E s t a d o s U n i d o s
m i s m o , d o c e millones de familias no saben lo q u e van a c o m e r m a -
2
ñ a n a . El n e g o c i o de la energía ha d a d o lugar a una E n r o n . El ne-
g o c i o de las auditorías ha d a d o lugar a u n a A n d e r s e n . La quinta
parte de la población mundial residente en los países más ricos te-
nía en 1 9 6 0 treinta veces más ingresos q u e otra quinta p a r t e , los
p o b l a d o r e s de los países más p o b r e s . P e r o en 1 9 9 5 la p r o p o r c i ó n
3
era d e 7 4 : 1 . E s t a d o s U n i d o s gasta más d e 8 7 . 0 0 0 millones d e d ó -
lares en la g u e r r a de I r a q , c u a n d o N a c i o n e s U n i d a s estima q u e c o n
m e n o s de la mitad bastaría para proporcionar a g u a p o t a b l e , dieta
a d e c u a d a , servicios de salud y educación elemental a t o d o s los ha-
4
bitantes del p l a n e t a .
¡Y n o s p r e g u n t a m o s p o r q u é nos atacan los terroristas!
A l g u n o s preferirían achacar nuestros p r o b l e m a s actuales a u n a
conspiración o r g a n i z a d a . Ya me gustaría q u e fuese tan sencillo. A
los c o n s p i r a d o r e s se les p u e d e capturar y llevar ante los tribunales.
P e r o este sistema n u e s t r o l o impulsa a l g o m u c h o m á s p e l i g r o s o
q u e u n a conspiración. L o impulsa, n o u n p e q u e ñ o g r u p o d e h o m -
b r e s , sino u n c o n c e p t o q u e h a sido a d m i t i d o c o m o v e r d a d sagra-
d a : q u e t o d o crecimiento e c o n ó m i c o e s siempre beneficioso p a r a
la h u m a n i d a d y q u e , a mayor crecimiento, m á s se generalizarán sus
beneficios. E s t a creencia tiene también un corolario: q u e los suje-
tos m á s hábiles en atizar el f u e g o del crecimiento e c o n ó m i c o m e -
recen alabanzas y r e c o m p e n s a s , mientras q u e los nacidos al m a r -
g e n q u e d a n disponibles para ser e x p l o t a d o s .
E s u n c o n c e p t o e r r ó n e o , naturalmente. S a b e m o s q u e e n m u -
c h o s países el crecimiento e c o n ó m i c o s ó l o beneficia a un r e d u c i d o
estrato de la p o b l a c i ó n , y q u e de h e c h o p u e d e r e d u n d a r en unas
circunstancias c a d a vez m á s desesperadas p a r a la mayoría. V i e n e a
intensificar este efecto el corolario m e n c i o n a d o , de q u e los líderes
industriales q u e impulsan este sistema m e r e c e n disfrutar de u n a
consideración especial. Creencia q u e está en el f o n d o de m u c h o s
de n u e s t r o s p r o b l e m a s actuales y tal vez es el m o t i v o de q u e a b u n -

15
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

den t a n t o las teorías conspirativas. C u a n d o se r e c o m p e n s a la codi-


cia h u m a n a , ésta se convierte en un p o d e r o s o i n d u c t o r de c o r r u p -
ción. Si el c o n s u m o v o r a z de los recursos del planeta está c o n s i d e -
r a d o a l g o i n t o c a b l e , si e n s e ñ a m o s a nuestros hijos a e m u l a r a las
p e r s o n a s c o n estas vidas desequilibradas y si definimos a g r a n d e s
sectores de la p o b l a c i ó n c o m o s u b d i t o s de u n a élite minoritaria,
e s t a m o s i n v o c a n d o c a l a m i d a d e s . Y éstas no t a r d a n en caer s o b r e
nuestras c a b e z a s .
En su afán de p r o g r e s a r hacia el imperio m u n d i a l , e m p r e s a s ,
b a n c a y g o b i e r n o s ( l l a m a d o s en adelante, colectivamente, la corpo-
ratocracia) utilizan su p o d e r í o financiero y político para asegurar-
se de q u e las escuelas, las empresas y los m e d i o s de c o m u n i c a c i ó n
a p o y e n t a n t o e l c o n c e p t o c o m o s u corolario n o m e n o s falaz. N o s
han llevado a un p u n t o en q u e nuestra cultura global ha p a s a d o a
ser una m a q u i n a r i a m o n s t r u o s a q u e exige u n c o n s u m o e x p o n e n -
cial de c o m b u s t i b l e y m a n t e n i m i e n t o , hasta el e x t r e m o q u e a c a b a -
rá p o r devorar t o d o s los recursos disponibles y finalmente no ten-
drá m á s r e m e d i o q u e devorarse a sí m i s m a .
La corporatocracia no es una conspiración, a u n q u e sus m i e m -
bros sí suscriben valores y objetivos c o m u n e s . U n a de las funciones
de la corporatocracia estriba en perpetuar, extender y fortalecer el
sistema c o n t i n u a m e n t e . L a s vidas de los «triunfadores» y sus privi-
legios — s u s m a n s i o n e s , sus yates, sus jets p r i v a d o s — , se nos ofre-
cen c o m o e j e m p l o s sugestivos para q u e t o d o s n o s o t r o s s i g a m o s
c o n s u m i e n d o , c o n s u m i e n d o y c o n s u m i e n d o . Se aprovechan t o d a s
las o p o r t u n i d a d e s para convencernos de q u e t e n e m o s el d e b e r cívi-
co de adquirir artículos, y de q u e saquear el planeta es b u e n o para
la e c o n o m í a y p o r tanto conviene a nuestros intereses superiores.
Para servir a este sistema, se p a g a u n o s salarios exorbitantes a suje-
tos c o m o y o . Si n o s o t r o s t i t u b e a m o s , entra en acción un tipo de
g á n g s t e r m á s funesto, el chacal. Y si el chacal fracasa, el t r a b a j o pasa
a m a n o s de los militares.
E s t e libro es la c o n f e s i ó n de un h o m b r e q u e , en la é p o c a en
q u e fui E H M , f o r m a b a p a r t e d e u n g r u p o relativamente reduci-
d o . E s t e t i p o d e p r o f e s i ó n e s hoy m á s a b u n d a n t e . S u s i n t e g r a n -
tes o s t e n t a n títulos m á s e u f e m í s t i c o s y pululan p o r los pasillos de

16
Prefacio

M o n s a n t o , G e n e r a l Electric, N i k e , G e n e r a l M o t o r s , W a l - M a r t y
casi t o d a s las d e m á s g r a n d e s c o r p o r a c i o n e s del m u n d o . E n ver-
dad, Confesiones de un gángster económico es su historia t a n t o
c o m o la mía.
Y también es la historia de E s t a d o s U n i d o s , del primer imperio
auténticamente planetario. El p a s a d o nos ha e n s e ñ a d o q u e , o cam-
b i a m o s de r u m b o , o t e n e m o s garantizado un final trágico. L o s im-
perios nunca perduran. T o d o s han a c a b a d o m u y mal. T o d o s han
d e s t r u i d o culturas en su carrera hacia una d o m i n a c i ó n mayor, y to-
d o s han caído a su vez. N i n g ú n país o g r u p o de países p u e d e pros-
perar a la larga explotando a los d e m á s .
E s t e libro ha s i d o escrito para hacernos recapacitar y cambiar.
E s t o y c o n v e n c i d o d e q u e , c u a n d o u n n ú m e r o suficiente d e n o s o -
tros c o b r e conciencia d e c ó m o e s t a m o s s i e n d o e x p l o t a d o s p o r l a
m a q u i n a r i a e c o n ó m i c a q u e genera un apetito insaciable de recur-
sos del planeta —y crea sistemas p r o m o t o r e s de la esclavitud—, no
s e g u i r e m o s t o l e r á n d o l o . E n t o n c e s nos r e p l a n t e a r e m o s n u e s t r o pa-
pel en un m u n d o en q u e u n o s p o c o s n a d a n en la r i q u e z a y la g r a n
mayoría se a h o g a en la miseria, la c o n t a m i n a c i ó n y la violencia. Y
n o s c o m p r o m e t e r e m o s a e m p r e n d e r un viraje q u e n o s lleve a la
c o m p a s i ó n , la d e m o c r a c i a y la justicia social p a r a t o d o s .
A d m i t i r q u e t e n e m o s un p r o b l e m a es el primer p a s o para s o -
lucionarlo. C o n f e s a r q u e h e m o s p e c a d o es el c o m i e n z o de la re-
d e n c i ó n . Q u e sirva este libro, p u e s , para e m p e z a r a salvarnos, p a r a
inspirarnos nuevos niveles de entrega e incitarnos a realizar n u e s -
t r o s u e ñ o de u n a s o c i e d a d justa y decente.

N u n c a se habría escrito este libro sin las m u c h a s p e r s o n a s cuyas vi-


d a s he c o m p a r t i d o y q u e se describen en las p á g i n a s siguientes. L e s
a g r a d e z c o las experiencias y sus enseñanzas.
C o n i n d e p e n d e n c i a de ello, d o y las gracias a los q u e me ani-
m a r o n a salir del l i m b o y c o n t a r mi historia: S t e p h a n Rechtschaf-
fen, Bill y L y n n e T w i s t , A n n K e m p , A r t R o f f e y y las m u c h a s
p e r s o n a s q u e p a r t i c i p a r o n en las giras y los g r u p o s de t r a b a j o
d e D r e a m C h a n g e , especialmente mis c o l a b o r a d o r e s E v e B r u c e ,

17
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

L y n R o b e r t s - H e r r i c k y M a r y T e n d a l l , así c o m o a mi increíble es-


p o s a y c o m p a ñ e r a d u r a n t e veinticinco a ñ o s , Winifred, y a mi hija
Jessica.
Q u e d o en deuda con muchos hombres y mujeres que aporta-
ron revelaciones e información personales s o b r e la b a n c a interna-
cional, las multinacionales y las interioridades políticas de distintos
países: gracias especialmente a Michael B e n - E l i , Sabrina B o l o g n i ,
J u a n Gabriel C a r r a s c o , J a m i e G r a n t , Paul S h a w y o t r o s cuyos n o m -
bres r e c u e r d o p e r o prefieren permanecer en el a n o n i m a t o .
U n a v e z c o n c l u i d o el original, Steven Piersanti, f u n d a d o r de
la editorial B e r r e t t - K o e h l e r y brillante jefe de r e d a c c i ó n , no s ó l o
t u v o el valor de aceptarlo sino q u e me a y u d ó a revisarlo u n a y otra
v e z , invirtiendo en ello incontable n ú m e r o de horas. D e c l a r o mi
p r o f u n d a g r a t i t u d a Steven así c o m o a Richard Perl, q u i e n me lo
p r e s e n t ó , y t a m b i é n a N o v a B r o w n , R a n d i Fiat, Alien J o n e s , Chris
L e e , Jennifer L i s s , L a u r i e P e l l o u c h o u d y Jenny Williams, q u e leye-
r o n y criticaron el original. A D a v i d K o r t e n , q u e a d e m á s de leerlo
y criticarlo me h i z o p a s a r p o r el a r o hasta satisfacer sus exigentes y
excelentes criterios. A Paul F e d o r k o , mi a g e n t e . A Valerie Brews-
ter, q u e ha realizado el d i s e ñ o gráfico del libro. Y a T o d d M a n z a ,
mi c o r r e c t o r final, m a e s t r o de la palabra y gran filósofo.
Especial g r a t i t u d m e r e c e n Jeevan S i v a s u b r a m a n i a n , director
g e r e n t e de B e r r e t t - K o e h l e r , y K e n L u p o f f , Rick Wilson, M a r í a J e -
sús A g u i l ó , Pat A n d e r s o n , M a r i n a C o o k , Michael Crowley, R o b i n
D o n o v a n , Kristen F r a n t z , Tiffany L e e , Catherine L e n g r o n n e ,
D i a n n a Platner y el r e s t o del personal de B K , d o n d e la g e n t e c o m -
p r e n d e la n e c e s i d a d de a u m e n t a r la conciencia social y trabaja in-
c e s a n t e m e n t e p a r a hacer d e este m u n d o u n l u g a r mejor.
T a m b i é n d e b o m a n i f e s t a r m i a g r a d e c i m i e n t o a t o d o s los
hombres y mujeres que trabajaron conmigo en M A I N , descono-
c i e n d o q u e s u s funciones c o n t r i b u í a n a la tarea de los E H M y a
c o n f i g u r a r el i m p e r i o g l o b a l . S o b r e t o d o , a los q u e t r a b a j a r o n di-
r e c t a m e n t e a m i s ó r d e n e s , me a c o m p a ñ a r o n a r e m o t o s países y
c o m p a r t i e r o n c o n m i g o m u c h o s m o m e n t o s valiosos. Y t a m b i é n a
E h u d S p e r l i n g y sus c o l a b o r a d o r e s d e Inner T r a d i t i o n s I n t e r n a -
tional, q u e e d i t a r o n m i s o b r a s anteriores s o b r e c u l t u r a s i n d í g e n a s

18
Prefacio

y c h a m a n i s m o y s o n , a d e m á s , b u e n o s a m i g o s q u e me a y u d a r o n a
c o n v e r t i r m e en autor.
Q u e d o eternamente a g r a d e c i d o a los h o m b r e s y m u j e r e s q u e
me a d m i t i e r o n en sus h o g a r e s de las selvas, los desiertos y las m o n -
tañas, en las chabolas a orillas de los canales de Yakarta y en los
arrabales insalubres de incontables ciudades de t o d o el m u n d o .
Q u e c o m p a r t i e r o n c o n m i g o sus alimentos y sus vidas, y q u e han
s i d o mi m a y o r fuente de inspiración.

J o h n Perkins
Agosto de 2004

19
Prólogo

La capital del E c u a d o r , Q u i t o , se extiende a lo l a r g o de un valle


volcánico en los A n d e s , a más de d o s mil o c h o c i e n t o s m e t r o s de al-
titud. L o s habitantes de esta c i u d a d , f u n d a d a m u c h o antes de la
llegada de C o l ó n a las Américas, están a c o s t u m b r a d o s a ver la nie-
ve en las c u m b r e s q u e los r o d e a n , y eso q u e viven p o c o s kilóme-
tros al sur del ecuador.
La c i u d a d de Shell, avanzadilla fronteriza y p u e s t o militar r o -
t u r a d o en la A m a z o n i a ecuatoriana para servir a los intereses de la
petrolera c u y o n o m b r e ostenta, está casi d o s mil quinientos m e -
tros m á s baja q u e Q u i t o . Hirviente de actividad, la habitan s o b r e
t o d o s o l d a d o s , o b r e r o s del petróleo e indígenas de las tribus shuar
y q u e c h u a q u e trabajan para aquéllos c o m o p e o n e s y prostitutas.
Viajar de una ciudad a otra obliga a recorrer u n a carretera tan
t o r t u o s a c o m o impresionante. L a s gentes d e estos lugares dicen
q u e d u r a n t e el trayecto se pasa p o r las cuatro estaciones del a ñ o en
el m i s m o día.
A u n q u e h e c o n d u c i d o m u c h a s veces p o r esa carretera, n u n c a
m e c a n s o d e sus e s p e c t a c u l a r e s paisajes. A u n l a d o , e l r o q u e d a l
d e s n u d o , s a l p i c a d o p o r cascadas t o r r e n t o s a s y e s p e s u r a s de b r o -
meliáceas. A l o t r o , u n d e s p e ñ a d e r o q u e d e s c i e n d e a b r u p t a m e n t e
h a s t a el a b i s m o p o r cuyo f o n d o corre el río P a s t a z a , un afluente
del A m a z o n a s q u e serpentea A n d e s a b a j o . S u s a g u a s p r o v i e n e n d e
los glaciares del C o t o p a x i , u n o de los volcanes activos m á s altos
del planeta c o n s i d e r a d o una d e i d a d en tiempos de los I n c a s , y van
a volcarse en el o c é a n o Atlántico, a u n o s cinco mil k i l ó m e t r o s de
distancia.

21
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

En 2 0 0 3 salí de Q u i t o en un t o d o t e r r e n o S u b a r u y enfilé ha-


cia Shell p r o v i s t o de una misión m u y distinta de cualquiera de las
a c e p t a d a s p o r mí c o n anterioridad. I b a a tratar de p o n e r fin a una
g u e r r a q u e yo m i s m o había c o n t r i b u i d o a desencadenar. C o m o en
tantos o t r o s c a s o s cuya responsabilidad h e m o s d e asumir n o s o t r o s
los E H M , esa g u e r r a era prácticamente d e s c o n o c i d a fuera del país
d o n d e tenía lugar. Yo iba a reunirme con los shuar, los q u e c h u a y
sus vecinos los achuar, los z a p a r o y los shiwiar; tribus decididas a
impedir q u e nuestras c o m p a ñ í a s petroleras siguieran d e s t r u y e n d o
sus h o g a r e s , sus familias y sus tierras, a u n q u e ello significase p o n e r
en p e l i g r o sus vidas. Para ellos estaba en j u e g o la supervivencia de
sus hijos y de sus culturas, mientras q u e para n o s o t r o s era cuestión
de p o d e r , de d i n e r o y de recursos naturales. E s e es u n o de los m u -
chos a s p e c t o s de la lucha por el d o m i n i o del m u n d o , del s u e ñ o de
1
u n o s h o m b r e s c o d i c i o s o s e n b u s c a del imperio g l o b a l .
C o n s t r u i r el i m p e r i o global es lo q u e se n o s da m e j o r a los
E H M . S o m o s u n a élite d e h o m b r e s y mujeres q u e utilizamos las
o r g a n i z a c i o n e s financieras internacionales para fomentar c o n d i c i o -
nes p o r c u y o efecto otras naciones q u e d a n s o m e t i d a s a la c o r p o r a -
tocracia q u e dirigen nuestras g r a n d e s e m p r e s a s , n u e s t r o g o b i e r n o
y n u e s t r o s b a n c o s . Al igual q u e n u e s t r o s semejantes de la M a f i a ,
los E H M c o n c e d e m o s favores. E s t o s a d o p t a n l a a p a r i e n c i a d e
créditos d e s t i n a d o s a desarrollar infraestructuras: centrales g e n e r a -
d o r a s de electricidad, carreteras, p u e r t o s , a e r o p u e r t o s o p a r q u e s
industriales. U n a de las condiciones de estos empréstitos es q u e los
p r o y e c t o s y la c o n s t r u c c i ó n d e b e n correr a c a r g o de c o m p a ñ í a s de
n u e s t r o país. Y el r e s u l t a d o es q u e , en realidad, la m a y o r p a r t e del
d i n e r o n u n c a sale d e E s t a d o s U n i d o s . E n esencia, sencillamente s e
transfiere d e s d e los e m p o r i o s bancarios de W a s h i n g t o n a las cons-
tructoras de N u e v a York, H o u s t o n o San Francisco.
Pese al h e c h o de q u e el dinero regresa casi enseguida a las cor-
poraciones q u e forman parte de la corporatocracia acreedora, el país
destinatario q u e d a o b l i g a d o a reembolsarlo íntegramente, el princi-
pal más los intereses. Si el E H M ha trabajado bien, esa d e u d a será
tan g r a n d e q u e el d e u d o r se declarará insolvente al c a b o de p o c o s
años y será incapaz de pagar. C u a n d o esto ocurre, n o s o t r o s , lo mis-

22
Prólogo

mo q u e la Mafia, reclamamos nuestra parte del n e g o c i o . Lo cual


c o m p r e n d e , a m e n u d o , una o varias de las consecuencias siguientes:
v o t o s cautivos en Naciones U n i d a s , establecimiento de bases milita-
res o acceso a recursos preciosos c o m o el petróleo y el canal de Pa-
n a m á . El d e u d o r sigue debiéndonos el dinero, por supuesto... y
o t r o país más q u e d a añadido a nuestro imperio global.
Mientras conducía de Q u i t o a Shell en mi c o c h e , en aquel día
s o l e a d o de 2 0 0 3 , mi m e m o r i a retrocedió treinta y cinco a ñ o s , a la
primera vez q u e vi esa parte del m u n d o . H a b í a leído q u e E c u a d o r ,
pese a su extensión relativamente m o d e s t a de 2 8 5 . 0 0 0 kilómetros
c u a d r a d o s , tiene más de treinta volcanes activos, m á s del 15 p o r
ciento de las especies de aves q u e hay en la T i e r r a y miles de espe-
cies vegetales todavía pendientes de clasificación. A d e m á s , es un
país multicultural, d o n d e los habitantes q u e hablan lenguas indíge-
nas s o n casi tantos c o m o los q u e hablan español. A mí me pareció
fascinante y, d e s d e l u e g o , exótico; p e r o , s o b r e t o d o , las palabras
q u e a c u d i e r o n a mi mente en aquel entonces fueron puro, intacto e
inocente.
M u c h o h a c a m b i a d o e n estos treinta a ñ o s .
En 1 9 6 8 , é p o c a de mi primera visita, la T e x a c o a c a b a b a de
descubrir p e t r ó l e o en la A m a z o n i a ecuatoriana. H o y el c r u d o re-
presenta casi la mitad de las exportaciones del país. El o l e o d u c t o
transandino c o n s t r u i d o p o c o después de mi primera visita ha d e -
r r a m a d o d e s d e entonces más de m e d i o millón de barriles s o b r e la
frágil selva tropical: más del d o b l e de lo q u e s u p u s o el vertido del
2
Exxon Valdez. En la actualidad, un n u e v o o l e o d u c t o de quinien-
tos k i l ó m e t r o s , y 1 . 3 0 0 millones de dólares de coste, c o n s t r u i d o
p o r u n c o n s o r c i o p a t r o c i n a d o p o r los E H M , p r o m e t e convertir
E c u a d o r en u n o de los diez primeros p r o v e e d o r e s mundiales de
3
crudo de Estados U n i d o s . S e han talado superficies inmensas
de selva, los g u a c a m a y o s y los jaguares prácticamente se han extin-
g u i d o , tres culturas indígenas ecuatorianas han sido llevadas al bor-
de de la desaparición, y varios ríos antes cristalinos se han conver-
t i d o en vertederos.
D u r a n t e ese m i s m o período, las culturas indígenas e m p e z a r o n
su lucha de resistencia. El 7 de mayo de 2 0 0 3 , p o r e j e m p l o , un g r u -

23
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

po de a b o g a d o s estadounidenses presentó, en representación de


m á s de treinta mil indígenas ecuatorianos, una d e m a n d a contra
C h e v r o n T e x a c o C o r p p o r una cuantía de 1.000 millones de dólares.
El escrito afirma q u e de 1 9 7 1 a 1 9 9 2 la petrolera gigante d e r r a m ó
en ríos y charcas más de 18 millones de litros diarios de efluentes tó-
xicos — e s decir, a g u a s contaminadas con petróleo, metales p e s a d o s
y c a r c i n ó g e n o s — y q u e la compañía d e j ó a sus espaldas casi 3 5 0 p o -
z o s a cielo abierto llenos de contaminantes q u e siguen m a t a n d o a
4
humanos y animales.
A través de las ventanillas de mi t o d o t e r r e n o p o d í a ver g r a n d e s
b a n c o s de niebla p r o c e d e n t e s de la selva q u e r e m o n t a b a n las q u e -
bradas del Pastaza. Yo llevaba la camisa e m p a p a d a de s u d o r y el
e s t ó m a g o e m p e z a b a a revolvérseme, pero la causa no era sólo el in-
t e n s o calor tropical y el serpenteo incesante de la carretera. E m p e -
z a b a a p a g a r mi tributo, c o n o c i e n d o el papel d e s e m p e ñ a d o p o r mi
en la d e s t r u c c i ó n de aquel bello país. P o r q u e d e b i d o a la acción de
mis colegas E H M y mía, E c u a d o r está hoy m u c h o p e o r d e l o q u e
estaba antes de introducir allí las maravillas de la ciencia e c o n ó m i -
ca, la banca y la ingeniería m o d e r n a s . D e s d e 1 9 7 0 y d u r a n t e ese in-
tervalo l l a m a d o eufemísticamente el Boom del Petróleo, el índice
oficial de p o b r e z a p a s ó del 50 al 70 por ciento de la p o b l a c i ó n . El
d e s e m p l e o y el s u b e m p l e o a u m e n t a r o n del 15 al 70 p o r ciento, y la
d e u d a pública p a s ó de 2 4 0 millones de dólares a 1 6 . 0 0 0 millones.
Al m i s m o t i e m p o , la p r o p o r c i ó n de la renta nacional q u e reciben
los s e g m e n t o s m á s p o b r e s de la población decayó del 20 al 6 p o r
5
ciento.
E l c a s o d e E c u a d o r , p o r desgracia, n o e s excepcional. C a s i to-
d o s los países c o n g r e g a d o s p o r n o s o t r o s , los g á n g s t e r e s e c o n ó m i -
c o s , b a j o el p a r a g u a s del imperio g l o b a l han c o r r i d o u n a suerte pa-
6
r e c i d a . L a d e u d a del Tercer M u n d o s o b r e p a s a los 2 , 5 billones d e
dólares y su c o s t e — m á s de 3 7 5 . 0 0 0 millones de d ó l a r e s al a ñ o se-
g ú n d a t o s de 2 0 0 4 — e x c e d e el total de lo q u e g a s t a el Tercer
M u n d o en s a n i d a d y e d u c a c i ó n , y equivale a veinte veces t o d a la
ayuda extranjera anual q u e reciben los países en vías de desarrollo.
M á s de la m i t a d de la p o b l a c i ó n m u n d i a l sobrevive c o n m e n o s de
d o s dólares al día p o r c a b e z a , m á s o m e n o s lo m i s m o q u e recibía

24
Prólogo

a c o m i e n z o s de la d é c a d a de 1 9 7 0 . Mientras t a n t o , en el Tercer
M u n d o el 1 p o r ciento de las familias m á s ricas a c u m u l a entre el 70
y el 90 p o r ciento de las fortunas privadas y del p a t r i m o n i o i n m o -
biliario de sus países (el porcentaje varía s e g ú n el país q u e conside-
7
remos).
L e v a n t é el pie del acelerador para entrar en las calles de B a ñ o s ,
h e r m o s o centro turístico f a m o s o p o r sus balnearios. L a s a g u a s ter-
males p r o c e d e n d e r í o s volcánicos s u b t e r r á n e o s q u e bajan del m u y
activo m o n t e T u n g u r a h g u a . L o s niños corrieron j u n t o a l S u b a r u
a g i t a n d o los b r a z o s y t r a t a n d o de v e n d e r n o s g o m a de mascar y ca-
r a m e l o s . L u e g o d e j a m o s B a ñ o s atrás. L a espectacular belleza del
p a n o r a m a d e s a p a r e c i ó de súbito c o n f o r m e salíamos del p a r a í s o y
e n t r á b a m o s en una versión m o d e r n a del Infierno de D a n t e .
S o b r e el río se alzaba un m o n s t r u o d e s c o m u n a l , u n a i n m e n s a
p a r e d gris d e h o r m i g ó n q u e d e s e n t o n a b a allí p o r c o m p l e t o . E r a
a l g o a b s o l u t a m e n t e antinatural e i n c o m p a t i b l e c o n el paisaje. A
mí, p o r s u p u e s t o , n o tenía p o r q u é s o r p r e n d e r m e s u presencia. S a -
bía q u e estaba allí, al acecho, c o m o si me esperase. La había visto
m u c h a s veces antes, y la había e l o g i a d o c o m o s í m b o l o de los g r a n -
d e s éxitos del g a n g s t e r i s m o e c o n ó m i c o . A u n así, se me p u s o la piel
de gallina.
E s a p a r e d tan horrorosa c o m o i n c o n g r u e n t e es el e m b a l s e q u e
contiene la fuerza i m p e t u o s a del río Pastaza y desvía sus a g u a s ha-
cia u n o s gigantescos túneles excavados en la m o n t a ñ a , para trans-
formar su energía en electricidad. Se trata de la planta hidroeléctri-
ca de A g o y a n . C o n su potencia de 1 5 6 m e g a v a t i o s , abastece a las
industrias q u e enriquecen a un p u ñ a d o de familias ecuatorianas y ha
sido fuente de inenarrables desgracias para los c a m p e s i n o s y los
p u e b l o s indígenas q u e viven a orillas del río. E s a central hidroeléc-
trica no es m á s q u e u n o de los m u c h o s proyectos desarrollados g r a -
cias a mis esfuerzos y los de otros gángsteres e c o n ó m i c o s . Y esos
p r o y e c t o s son la razón de q u e E c u a d o r forme hoy parte del i m p e -
rio g l o b a l , y el m o t i v o p o r el cual los shuar, los q u e c h u a y sus ami-
g o s a m e n a z a n con la guerra a nuestras c o m p a ñ í a s petroleras.
Gracias a estos proyectos, E c u a d o r está a g o b i a d o p o r la d e u -
da externa hasta tal p u n t o q u e se ve o b l i g a d o a dedicar u n a p r o -

25
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

p o r c i ó n exorbitante de su renta nacional a devolver los créditos, en


vez de e m p l e a r su capital en mejorar la suerte de sus millones de
c i u d a d a n o s q u e viven en la p o b r e z a extrema. El ú n i c o recurso q u e
E c u a d o r tiene p a r a cumplir sus o b l i g a c i o n e s c o n el extranjero es
la venta de sus selvas tropicales a las c o m p a ñ í a s petroleras. O m á s
e x a c t a m e n t e , u n a de las r a z o n e s por las q u e el g a n g s t e r i s m o eco-
n ó m i c o p u s o sus miras e n e l E c u a d o r , para e m p e z a r , fue q u e s e g ú n
a l g u n a s estimaciones el o c é a n o de p e t r ó l e o e n c e r r a d o en el s u b -
suelo de su r e g i ó n a m a z ó n i c a podría rivalizar c o n los yacimientos
8
de O r i e n t e P r ó x i m o . El imperio global reclama su p a r t e del ne-
g o c i o en f o r m a de concesiones de p r o s p e c c i ó n y explotación.
L a d e m a n d a c o b r ó especial urgencia d e s p u é s del 1 1 d e sep-
tiembre de 2 0 0 1 , c u a n d o Washington temió q u e se cerrasen las es-
pitas de Oriente P r ó x i m o . Para c o l m o , Venezuela, el tercer provee-
d o r de E s t a d o s U n i d o s , a c a b a b a de elegir a un presidente populista,
H u g o C h á v e z , q u e s e p r o n u n c i a b a enérgicamente e n contra d e l o
q u e él llamaba el imperialismo estadounidense, y a m e n a z a b a con
recortar los suministros de petróleo a E s t a d o s U n i d o s . L o s g á n g s -
teres e c o n ó m i c o s h a b í a m o s fracasado en Iraq y en Venezuela, p e r o
tuvimos éxito en E c u a d o r . En aquellos m o m e n t o s se trataba de or-
deñar la vaca hasta la última g o t a .
E l c a s o d e E c u a d o r e s típico d e entre los países q u e los E H M
han d o b l e g a d o política y e c o n ó m i c a m e n t e . D e c a d a 1 0 0 dólares
de c r u d o extraídos de las selvas ecuatorianas, las petroleras reciben
7 5 d ó l a r e s . Q u e d a n 2 5 dólares, p e r o tres d e c a d a c u a t r o d e éstos
van d e s t i n a d o s a saldar la d e u d a extranjera. U n a p a r t e del r e s t o cu-
bre los g a s t o s militares y g u b e r n a m e n t a l e s , lo q u e deja u n o s 2 , 5 0
dólares p a r a s a n i d a d , e d u c a c i ó n y p r o g r a m a s de asistencia social en
9
favor d e los p o b r e s . E s decir, q u e d e c a d a 1 0 0 dólares a r r a n c a d o s
a la A m a z o n i a , m e n o s de 3 dólares van a parar a los m á s necesita-
d o s — a q u e l l a s p e r s o n a s cuyas vidas se han visto p e r j u d i c a d a s por
los p a n t a n o s , las perforaciones y los o l e o d u c t o s , y q u e están m u -
riendo p o r falta de alimentos y de a g u a p o t a b l e .
T o d a s estas p e r s o n a s — m i l l o n e s e n E c u a d o r , miles d e millo-
nes e n t o d o e l m u n d o — s o n terroristas e n potencia. N o p o r q u e
crean en el c o m u n i s m o , ni en el a n a r q u i s m o , ni p o r q u e sean in-

26
Prólogo

trínsecamente perversas, sino p o r q u e están d e s e s p e r a d a s , sencilla-


m e n t e . Al c o n t e m p l a r la presa hidráulica me p r e g u n t é , tal c o m o
m e h a p a s a d o e n o t r o s m u c h o s lugares del m u n d o , c u á n d o p a s a -
rán a la acción esas personas; c o m o los c o l o n o s de N o r t e a m é r i c a
c o n t r a Inglaterra hacia la d é c a d a de 1 7 7 0 , o los criollos contra los
españoles a c o m i e n z o s del siglo XIX.
La sutileza de los constructores de este imperio m o d e r n o deja
en evidencia a los centuriones r o m a n o s , los conquistadores españo-
les y las potencias coloniales europeas de los siglos x v n i y xix. N o -
s o t r o s los E H M s o m o s hábiles. H e m o s a p r e n d i d o las enseñanzas d e
la historia. No llevamos espada al cinto. No u s a m o s armaduras ni
uniformes q u e nos diferencien de los d e m á s . En países c o m o E c u a -
dor, Nigeria e Indonesia v a m o s vestidos c o m o los maestros de es-
cuela o los tenderos locales. En Washington y París a d o p t a m o s el as-
p e c t o de los burócratas públicos y los b a n q u e r o s . P a r e c e m o s gente
m o d e s t a , normal. Inspeccionamos las obras de ingeniería y visita-
m o s las aldeas depauperadas. Profesamos el altruismo y h a c e m o s
declaraciones a los periódicos locales sobre los maravillosos proyec-
tos humanitarios a q u e nos dedicamos. D e s p l e g a m o s s o b r e las m e -
sas de reunión de las comisiones gubernamentales nuestras previsio-
nes contables y financieras y d a m o s lecciones en la H a r v a r d Business
S c h o o l sobre los milagros m a c r o e c o n ó m i c o s . S o m o s personajes p ú -
blicos, sin nada q u e ocultar. O por lo m e n o s nos p r e s e n t a m o s c o m o
tales y c o m o tales se nos acepta. Así funciona el sistema. Pocas veces
h a c e m o s nada ilegal, p o r q u e el sistema m i s m o está edificado sobre
el subterfugio. El sistema es legítimo por definición.
No o b s t a n t e (y ésa es una salvedad esencial), c u a n d o n o s o t r o s
fracasamos interviene otra especie m u c h o m á s siniestra, la q u e n o -
s o t r o s , los g á n g s t e r e s e c o n ó m i c o s , d e n o m i n a m o s chacales. E s o s sí
s o n é m u l o s m á s directos d e aquellos imperios históricos q u e h e
m e n c i o n a d o . L o s chacales siempre están ahí, a g a z a p a d o s entre las
s o m b r a s . C u a n d o ellos actúan, los jefes de E s t a d o caen, o tal vez
10
m u e r e n en « a c c i d e n t e s » v i o l e n t o s . Y si resulta q u e t a m b i é n fallan
los chacales, c o m o fallaron en Afganistán e I r a q , entonces resur-
g e n los a n t i g u o s m o d e l o s . C u a n d o los chacales fracasan, se envía a
la j u v e n t u d e s t a d o u n i d e n s e a matar y morir.

27
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

Mientras d e j a b a atrás el m o n s t r u o , la p a r e d m a s t o d ó n t i c a de
h o r m i g ó n gris q u e encarcela el río, noté de n u e v o el s u d o r q u e e m -
p a p a b a mis r o p a s y la angustia q u e me atenazaba el e s t ó m a g o . Me
dirigía hacia la selva para reunirme con los p u e b l o s indígenas deci-
d i d o s a luchar hasta el último h o m b r e para frenar a ese imperio q u e
yo había c o n t r i b u i d o a crear, y me invadían los r e m o r d i m i e n t o s .
¿ C ó m o era posible q u e se hubiese m e t i d o en tan sucios asun-
t o s u n chico d e p u e b l o , u n m u c h a c h o provinciano d e N e w H a m p s -
hire? m e p r e g u n t a b a .

28
PRIMERA
PARTE
1963-1971
r
1

Nace un gángster económico

T o d o e m p e z ó de forma bastante inocente. Yo fui hijo ú n i c o ,


n a c i d o en 1 9 4 5 de u n a familia de clase media. M i s p r o g e n i t o -
res, yanqiús de N u e v a Inglaterra c o n tres siglos de solera, eran
republicanos acérrimos q u e habían h e r e d a d o d e m u c h a s genera-
ciones de a n t e p a s a d o s puritanos sus actitudes moralizantes y estric-
tas. En sus respectivas familias, habían sido los p r i m e r o s en recibir
estudios superiores gracias a las becas. Mi m a d r e era profesora de
latín en un instituto. Mi p a d r e participó en la S e g u n d a G u e r r a
M u n d i a l c o m o teniente de navio al m a n d o de la d o t a c i ó n militar
d e u n o d e aquellos mercantes-cisterna altamente inflamables q u e
c r u z a b a n el Atlántico. El día que nací en H a n o v e r ( N e w H a m p s h i -
r e ) , él estaba en un hospital de Texas c u r á n d o s e u n a fractura de ca-
dera. C u a n d o lo conocí, yo había c u m p l i d o ya un a ñ o .
U n a vez d e vuelta a N e w H a m p s h i r e , c o n s i g u i ó plaza d e p r o -
fesor de i d i o m a s en T i l t o n S c h o o l , un internado para chicos de la
c o m a r c a . E l c a m p u s estaba o r g u l l o s a m e n t e — a l g u n o s dirían a r r o -
g a n t e m e n t e — e n c a r a m a d o e n l o alto d e una colina q u e d o m i n a b a
el p u e b l o de su m i s m o n o m b r e . E r a una institución exclusiva, q u e
s ó l o admitía u n o s cincuenta a l u m n o s en c a d a c u r s o d e s d e el g r a d o
n o v e n o hasta el d u o d é c i m o . La mayoría de los estudiantes eran
v a s t a g o s de familias adineradas de B u e n o s Aires, C a r a c a s , B o s t o n y
N u e v a York.
E n m i familia n o teníamos dinero, p e r o d e s d e l u e g o t a m p o c o
n o s c o n s i d e r á b a m o s p o b r e s . A u n q u e e l instituto p a g a b a m u y p o -

31
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

co a sus p r o f e s o r e s , t e n í a m o s cubiertas t o d a s nuestras necesidades


gratis: la c o m i d a , la vivienda, la calefacción, el a g u a y los trabaja-
d o r e s q u e s e g a b a n n u e s t r o césped y q u i t a b a n la nieve delante de
nuestra p u e r t a . D e s d e q u e cumplí cuatro años e m p e c é a c o m e r en
el c o m e d o r de la escuela elemental, hice de r e c o g e p e l o t a s p a r a los
e q u i p o s de fútbol q u e entrenaba mi p a d r e y repartí toallas en los
vestuarios.
Decir q u e los profesores y sus e s p o s a s se c o n s i d e r a b a n s u p e -
riores al resto de sus convecinos sería q u e d a r s e c o r t o . M i s p a d r e s
solían b r o m e a r d i c i e n d o q u e ellos eran los señores feudales y a m o s
de aquellos p a l u r d o s , es decir, de la gente de la p o b l a c i ó n . Yo sa-
bía q u e no lo decían del t o d o en b r o m a .
L o s a m i g o s q u e hice en el parvulario y en la escuela elemental
pertenecían a esa clase de los palurdos. Eran muy p o b r e s . S u s pa-
dres eran l a b r a d o r e s , leñadores y trabajadores del textil. Transpi-
raban hostilidad contra « e s o s señoritos de allá a r r i b a » . En corres-
p o n d e n c i a , y a su d e b i d o t i e m p o , mi padre y mi m a d r e quisieron
d i s u a d i r m e de tratar con las muchachas del p u e b l o , « p e n d o n e s » y
« z o r r a s » s e g ú n ellos. P e r o yo había c o m p a r t i d o lápices y c u a d e r n o s
con esas chicas d e s d e el primer g r a d o , y en el transcurso de los años
me e n a m o r é de tres de ellas: A n n , Priscilla y Judy. Me c o s t a b a c o m -
partir el p u n t o de vista de mis padres. No o b s t a n t e , me p l e g a b a a su
voluntad.
T o d o s los v e r a n o s p a s á b a m o s los tres meses de vacaciones de
mi p a d r e en u n a c a b a n a q u e c o n s t r u y ó mi a b u e l o en 1 9 2 1 a orillas
de un l a g o . E s t a b a r o d e a d a de b o s q u e , y por la n o c h e o í a m o s las
lechuzas y los p u m a s . No teníamos vecinos. Yo era el ú n i c o niño
en t o d o el e n t o r n o q u e se pudiese abarcar a pie. Al principio me
p a s a b a los días h a c i e n d o c o m o q u e los árboles eran caballeros de la
T a b l a R e d o n d a y d a m a s en a p u r o s , llamadas A n n , Priscilla o J u d y
( s e g ú n el a ñ o ) . Mi p a s i ó n , de e s o estaba yo c o n v e n c i d o , era tan
fuerte c o m o la de L a n z a r o t e p o r la reina G i n e b r a . . . y más secreta
todavía.
A los catorce o b t u v e u n a beca para estudiar en el T i l t o n . A
instancias de mis p a d r e s corté t o d o c o n t a c t o con la p o b l a c i ó n , y
nunca m á s vi a mis a n t i g u o s a m i g o s . C u a n d o mis n u e v o s c o m p a -

32
Nace un gángster económico

ñeros m a r c h a b a n de vacaciones a sus mansiones y a sus a p a r t a m e n -


tos de verano, yo me q u e d a b a solo en la colina. S u s novias acaba-
ban de ser presentadas en sociedad. Yo no tenía novia. No conocía
a ninguna chica q u e no fuese una « z o r r a » . H a b í a d e j a d o de tratar
con ellas, y ellas me olvidaron. Estaba solo y t r e m e n d a m e n t e frus-
trado.
M i s p a d r e s eran u n o s maestros de la manipulación. Me ase-
g u r a b a n q u e yo era un privilegiado p o r g o z a r de tan magnífica
o p o r t u n i d a d , y q u e algún día lo agradecería. E n c o n t r a r í a a la es-
p o s a perfecta, a la mujer c a p a z de satisfacer nuestras elevadas nor-
m a s m o r a l e s . Yo hervía p o r d e n t r o . N e c e s i t a b a c o m p a ñ í a femeni-
na y s e x o . No d e j a b a de pensar en las llamadas « z o r r a s » .
En vez de rebelarme, reprimí la rabia y expresé mi frustración
p r o c u r a n d o destacar en t o d o . Fui matrícula de honor, capitán de
d o s e q u i p o s deportivos del instituto y director del periódico estu-
diantil. E s t a b a decidido a darles una lección a aquellos pijos c o m -
p a ñ e r o s míos, y a volver las espaldas para siempre al Tilton. D u r a n -
te el último curso conseguí una beca c o m o deportista para B r o w n
y otra p o r calificaciones para Middlebury. Preferí B r o w n , s o b r e
t o d o p o r q u e me atraían m á s los deportes... y p o r q u e estaba ubica-
da en una ciudad. Mi m a d r e era licenciada por M i d d l e b u r y y mi pa-
dre se había s a c a d o allí su titulo de máster, así q u e ellos preferían
M i d d l e b u r y , y eso q u e B r o w n era una de las universidades privadas
de más prestigio.
—Y si te r o m p e s una pierna, entonces ¿qué? — m e p r e g u n t ó
mi p a d r e — . Es m e j o r aceptar la beca p o r calificaciones.
Y o m e resistía. A m i m o d o d e ver, M i d d l e b u r y n o era m á s
que una versión aumentada y corregida del instituto Tilton, sólo que
no estaba en la parte rural de N e w H a m p s h i r e sino en la parte r u -
ral de V e r m o n t . C i e r t o q u e era mixta, p e r o yo me vería p o b r e , y ri-
c o s a casi t o d o s los d e m á s . Por otra parte, hacía cuatro años q u e
n o t r a t a b a con c o m p a ñ e r a s del g é n e r o femenino. M e faltaba aplo-
m o , me sentía d e s c o l o c a d o y a v e r g o n z a d o . Le supliqué a p a p á q u e
me permitiera saltarme un a ñ o , o dejarlo. Q u e r í a m u d a r m e a B o s -
t o n , vivir la vida, c o n o c e r mujeres. El dijo q u e ni hablar. « ¿ C ó m o
haré creer q u e p r e p a r o para la universidad a los hijos de o t r o s , si

33
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

no soy c a p a z de hacer q u e se p o n g a a estudiar el m í o ? » , se p r e -


guntaba.
C o n el t i e m p o he c o m p r e n d i d o q u e la vida se c o m p o n e de u n a
serie de coincidencias. T o d o d e p e n d e de c ó m o r e a c c i o n a m o s a
ellas, de c ó m o ejercitamos eso q u e a l g u n o s llaman libre albedrío.
L a s o p c i o n e s q u e a d o p t a m o s d e n t r o d e los límites q u e nos i m p o -
nen los altibajos del destino determinan lo q u e s o m o s . En M i d d l e -
b u r y ocurrieron d o s coincidencias q u e tuvieron un p a p e l principal
en mi vida. La primera se presentó b a j o la forma de un iraní, hijo de
un general q u e era consejero privado del sha; la s e g u n d a fue una
h e r m o s a j o v e n q u e se llamaba A n n , lo m i s m o q u e mi í d o l o de la in-
fancia.
El p r i m e r o , a quien l l a m a r e m o s en adelante F a r h a d , había
s i d o futbolista profesional e n R o m a . E s t a b a d o t a d o d e u n a consti-
tución atlética, p e l o n e g r o e n s o r t i j a d o , o j o s g r a n d e s d e m i r a d a
a t e r c i o p e l a d a y u n o s m o d a l e s y un carisma q u e lo hacían irresisti-
ble p a r a las m u j e r e s . L o contrario d e m í e n m u c h o s a s p e c t o s . M e
esforcé m u c h o p o r c o n q u i s t a r su a m i s t a d , y él me e n s e ñ ó m u c h a s
cosas q u e m e fueron m u y útiles e n los años venideros. T a m b i é n
c o n o c í a A n n . A u n q u e salía en serio con un m u c h a c h o q u e iba a
otra universidad, en cierta m a n e r a me a d o p t ó . N u e s t r a relación
platónica fue el primer a m o r auténtico q u e yo había c o n o c i d o .
F a r h a d me a n i m ó a beber, a frecuentar las fiestas, a no hacer
c a s o d e mis p a d r e s . D e l i b e r a d a m e n t e había d e c i d i d o a b a n d o n a r
los e s t u d i o s , r o m p e r m e la pierna a c a d é m i c a p a r a rebatir el a r g u -
m e n t o de mi p a d r e . M i s calificaciones cayeron en p i c a d o y perdí la
b e c a . E n m i t a d del s e g u n d o a ñ o decidí dejar l a universidad. M i
p a d r e m e a m e n a z ó con e l r e p u d i o , mientras F a r h a d m e incitaba.
I r r u m p í en el d e s p a c h o del d e c a n o y me d e s p e d í de la institución.
F u e u n m o m e n t o crucial d e m i vida.
F a r h a d y yo celebramos en un bar de la ciudad mi última noche
d e universitario. U n granjero borracho, u n c o l o s o d e h o m b r e , s e
encaró c o n m i g o p o r q u e s e g ú n él estaba guiñándole el o j o a su es-
p o s a . Me levantó en vilo y me arrojó contra la pared. F a r h a d se in-
terpuso, sacó u n a navaja y le rajó la mejilla al campesino. L u e g o cru-
zó el local c o n m i g o a rastras y escapamos por una ventana para salir

34
Nace un gángster económico

a una cornisa de roca que se a s o m a b a al Otter Creek. S a l t a m o s , y si-


g u i e n d o por la orilla del río c o n s e g u i m o s regresar a la residencia.
La m a ñ a n a siguiente, c u a n d o me i n t e r r o g ó el servicio de or-
d e n , mentí y n e g u é tener ningún c o n o c i m i e n t o del incidente. P e r o
a F a r h a d lo expulsaron de t o d o s m o d o s . J u n t o s nos m u d a m o s a
Boston, donde compartimos un apartamento. Conseguí empleo en
las oficinas de u n o s periódicos de Hearst, Record American/Sun-
day Advertiser, d o n d e ingresé c o m o a d j u n t o al redactor jefe del
Sunday Advertiser.
M á s t a r d e , aquel m i s m o a ñ o d e 1 9 6 5 , varios d e mis a m i g o s d e
la redacción recibieron la tarjeta de reclutamiento. Para evitar un
d e s t i n o similar me matriculé en la Escuela de Administración de
E m p r e s a s d e B o s t o n . Para entonces Ann había r o t o con s u a n t i g u o
n o v i o y b a j a b a a m e n u d o desde M i d d l e b u r y para estar c o n m i g o .
A t e n c i ó n q u e d e s d e l u e g o mereció mi a g r a d e c i m i e n t o . Ella se li-
cenció en 1 9 6 7 , c u a n d o a mí todavía me faltaba un a ñ o para ter-
minar en la E A D E de B o s t o n , y se n e g ó r o t u n d a m e n t e a venirse a
vivir c o n m i g o antes de casarnos. Yo b r o m e a b a d i c i e n d o q u e e s t o
era un chantaje, y en efecto me sentí un p o c o e x t o r s i o n a d o p o r lo
q u e , s e g ú n me parecía, era una p r o l o n g a c i ó n de las arcaicas y m o -
jigatas n o r m a s morales de mis padres. P e r o lo p a s á b a m o s bien j u n -
t o s y yo d e s e a b a estarlo más, así q u e nos c a s a m o s .
El p a d r e de Ann era un ingeniero brillante q u e había p u e s t o a
p u n t o el sistema a u t o m á t i c o de navegación para u n a i m p o r t a n t e
categoría de misiles, lo q u e le valió un alto c a r g o en el D e p a r t a -
m e n t o Naval. Su m e j o r a m i g o , un h o m b r e al q u e A n n l l a m a b a tío
F r a n k ( n o era Frank, pero le llamaremos así en este l i b r o ) , era un
ejecutivo del m á x i m o nivel en la Agencia N a c i o n a l de S e g u r i d a d
{National Security Agency, N S A ) , el m e n o s c o n o c i d o y en m u c h o s
a s p e c t o s el más i m p o r t a n t e de los servicios de espionaje e s t a d o u -
nidenses.
P o c o después de nuestro matrimonio los militares me llamaron
para la revisión física, q u e pasé, de m o d o q u e me enfrentaba a la
perspectiva de ir destinado al Vietnam ima vez terminase los estu-
dios. La idea de pelear en el Sudeste asiático me desgarraba e m o -
cional m e n t e , a u n q u e la guerra siempre me ha fascinado. A mí me

35
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

a m a m a n t a r o n c o n las historias de mis antepasados de la época colo-


nial, entre los cuales figuran patriotas c o m o T h o m a s Paine y E t h a n
Alien, y había visitado en N u e v a Inglaterra y en el E s t a d o de N u e v a
York t o d o s los escenarios de las batallas que se recuerdan de las g u e -
rras del francés, contra los indios y de la Independencia contra los
ingleses. A decir verdad, c u a n d o intervinieron en el S u d e s t e asiático
las primeras unidades de fuerzas especiales del ejército estuve a pun-
to de alistarme. P e r o l u e g o fui c a m b i a n d o de opinión, a m e d i d a q u e
los m e d i o s de comunicación denunciaban las atrocidades y las con-
tradicciones de la política estadounidense. A m e n u d o me pregunta-
ba de parte de quién se habría c o l o c a d o Paine. E s t a b a s e g u r o de q u e
habría a b r a z a d o la causa de nuestro e n e m i g o el V i e t c o n g .
F u e tío F r a n k quien me sacó del a p u r o , al decirme q u e un e m -
p l e o en la N S A permitía solicitar p r ó r r o g a y aplazar la entrada en el
servicio militar. Gracias a su mediación fui entrevistado varias veces
en su agencia, incluida una p e n o s a j o r n a d a de interrogatorios b a j o
el detector de mentiras. A mí se me dijo q u e esas p r u e b a s servirían
con el fin de determinar mi idoneidad para ser reclutado y entrena-
d o p o r l a N S A . E n c a s o afirmativo suministrarían a d e m á s u n perfil
de mis p u n t o s fuertes y débiles, q u e serviría para planificar mi ca-
rrera. D a d a mi actitud en c u a n t o a la guerra de V i e t n a m , yo estaba
s e g u r o de no pasar las p r u e b a s .
C u a n d o m e l o p r e g u n t a r o n , confesé q u e e n m i c o n d i c i ó n d e
c i u d a d a n o leal a su país yo estaba en contra de la g u e r r a . Q u e d é
s o r p r e n d i d o c u a n d o los entrevistadores no insistieron en este p u n -
to y prefirieron i n t e r r o g a r m e s o b r e mi f o r m a c i ó n , mis actitudes
para con mis p a d r e s y las e m o c i o n e s q u e había s u s c i t a d o en mí el
h e c h o d e h a b e r m e criado c o m o u n puritano p o b r e entre m u c h o s
s e ñ o r i t o s ricos y hedonistas. E x p l o r a r o n t a m b i é n mi frustración
p o r la falta de m u j e r e s , de s e x o y de dinero en mi vida, así c o m o el
m u n d o de fantasías en q u e me había refugiado a consecuencia de
ello. T a m b i é n me e x t r a ñ ó la curiosidad q u e les m e r e c i ó mi rela-
ción c o n F a r h a d y el interés q u e suscitó mi v o l u n t a d de mentirle a
la policía del c a m p u s c o n tal de p r o t e g e r a mi a m i g o .
Al principio s u p u s e q u e t o d o s estos detalles les parecerían ne-
gativos y motivarían el r e c h a z o de mi c a n d i d a t u r a a entrar en la

36
Nace un gángster económico

N S A . P e r o las entrevistas, a pesar de ello, c o n t i n u a r o n . No fue has-


ta varios años m á s tarde c u a n d o c o m p r e n d í q u e , c o n a r r e g l o a los
criterios de la N S A , aquellos resultados negativos habían s i d o p o -
sitivos en realidad. Para la evaluación de ellos, no i m p o r t a b a t a n t o
la s u p u e s t a lealtad a mi país c o m o el c o n o c i m i e n t o de las frustra-
ciones de mi vida. El resentimiento contra mis p r o g e n i t o r e s , la o b -
sesión c o n las mujeres y el afán de d a r m e la g r a n vida eran los an-
z u e l o s d o n d e ellos p o d í a n prender su c e b o . Yo era seducible. Mi
d e t e r m i n a c i ó n de sobresalir en las clases y en los d e p o r t e s , la insu-
b o r d i n a c i ó n definitiva contra mi p a d r e , la c a p a c i d a d para avenirme
c o n p e r s o n a s extranjeras y la facilidad para mentirle a la policía res-
p o n d í a n precisamente a las cualidades q u e ellos b u s c a b a n . M á s
tarde s u p e t a m b i é n q u e el p a d r e de F a r h a d t r a b a j a b a para los ser-
vicios de inteligencia estadounidenses en Irán. Por t a n t o , mi amis-
tad c o n aquél d e b i ó constituir un p u n t o i m p o r t a n t e a mi favor.
A l g u n a s s e m a n a s d e s p u é s d e estas p r u e b a s e n l a N S A , s e m e
ofreció un e m p l e o para iniciar mi f o r m a c i ó n en el arte del espio-
n a j e . D e b í a i n c o r p o r a r m e tan p r o n t o c o m o recibiese e l d i p l o m a
d e l a E A D E , p a r a l o q u e m e faltaban varios m e s e s . N o o b s t a n t e ,
y c u a n d o a ú n no había a c e p t a d o oficialmente esta o f e r t a , o b e d e -
c i e n d o a un i m p u l s o me a p u n t é a un s e m i n a r i o q u e d a b a en la
U n i v e r s i d a d d e B o s t o n u n reclutador del P e a c e C o r p s ( C u e r p o
d e P a z ) . U n o d e los « g a n c h o s » q u e utilizaba era q u e e l i n g r e s o e n
e l P e a c e C o r p s , l o m i s m o q u e los e m p l e o s d e l a N S A , servía d e
p r e t e x t o p a r a p r o r r o g a r la i n c o r p o r a c i ó n a filas.
Mi decisión de participar en el s e m i n a r i o fue u n a de esas
coincidencias a las q u e no se atribuye i m p o r t a n c i a en su m o m e n -
t o , p e r o cuyas consecuencias c a m b i a n l u e g o l a vida d e u n a p e r s o -
na. El r e c l u t a d o r describió varios lugares del m u n d o especialmen-
te n e c e s i t a d o s de voluntarios. U n o de ellos era la selva a m a z ó n i c a ,
d o n d e , s e g ú n s e ñ a l ó , los p u e b l o s indígenas s e g u í a n viviendo casi
c o m o los nativos d e N o r t e a m é r i c a e n t i e m p o s d e l a llegada d e los
europeos.
Yo s i e m p r e había s o ñ a d o vivir c o m o los abnaki, los p o b l a d o -
res a b o r í g e n e s de N e w H a m p s h i r e en la é p o c a en q u e se estable-
cieron allí mis a n t e p a s a d o s . Sabía q u e llevaba en mis venas un p o c o

37
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

de s a n g r e abnaki, y d e s e a b a c o n o c e r las c o s t u m b r e s de aquellas


g e n t e s y la vida en los b o s q u e s q u e había sido tan familiar para
ellos. F u i a hablar con el reclutador d e s p u é s de su charla y le inte-
r r o g u é en c u a n t o a la posibilidad de ser d e s t i n a d o a la A m a z o n i a .
El me a s e g u r ó q u e hacían falta m u c h o s voluntarios para esa re-
g i ó n , y q u e p o d í a contar con una gran p r o b a b i l i d a d de ser admiti-
d o . L l a m é a tío Frank.
C o n n o p o c a s o r p r e s a p o r m i p a r t e , tío F r a n k m e a n i m ó a
c o n s i d e r a r esa p o s i b i l i d a d . E n plan confidencial m e dijo q u e des-
p u é s de la caída de H a n o i , q u e m u c h o s en p o s i c i o n e s similares a
la suya d a b a n p o r cierta en aquellos t i e m p o s , la A m a z o n i a iba a
p a s a r al p r i m e r p l a n o del interés.
« E s t á que rebosa de petróleo — d i j o — . Necesitaremos bue-
n o s a g e n t e s ahí, individuos q u e s e p a n e n t e n d e r a los n a t i v o s . » Me
a s e g u r ó q u e el servicio en el Peace C o r p s sería un e n t r e n a m i e n t o
excelente p a r a m í , y me instó a q u e p r o c u r a s e d o m i n a r c u a n t o an-
tes l a l e n g u a e s p a ñ o l a así c o m o varios dialectos i n d í g e n a s . « E s p o -
sible q u e a c a b e s al servicio de una c o m p a ñ í a privada, no del g o -
b i e r n o » , dijo c o n s o r n a .
E n a q u e l e n t o n c e s n o c o m p r e n d í l o q u e había q u e r i d o decir
c o n estas p a l a b r a s . E s t a b a s i e n d o a s c e n d i d o de espía a a g e n t e del
g a n g s t e r i s m o e c o n ó m i c o , a u n q u e aún n o h u b i e s e o í d o j a m á s esa
e x p r e s i ó n , y aún iba a tardar varios años m á s en oírla p o r p r i m e r a
v e z . D e s c o n o c í a p o r c o m p l e t o la existencia de cientos de h o m -
bres y m u j e r e s q u e , r e p a r t i d o s p o r t o d o el m u n d o , t r a b a j a b a n p o r
c u e n t a de c o n s u l t o r í a s y otras e m p r e s a s privadas, sin recibir nun-
ca ni un c e n t a v o de salario de n i n g u n a agencia g u b e r n a m e n t a l ,
p e r o s i r v i e n d o , no o b s t a n t e , a los intereses del i m p e r i o . Ni p o d í a
adivinar e n t o n c e s q u e hacia el fin del milenio iban a ser miles los
r e p r e s e n t a n t e s d e u n a nueva especie, d e n o m i n a d a m á s eufemísti-
c a m e n t e , y q u e yo iba a representar un papel s e ñ a l a d o en el creci-
m i e n t o d e s e m e j a n t e ejército.
A n n y yo s o l i c i t a m o s el i n g r e s o en el Peace C o r p s y ser desti-
n a d o s a la A m a z o n i a . C u a n d o nos llegó el aviso de i n c o r p o r a c i ó n ,
al principio sufrí un fuerte d e s e n g a ñ o . La carta decía q u e í b a m o s
d e s t i n a d o s al E c u a d o r .

38
Nace un gángster económico

¡ N o , c a r a m b a ! , pensé. Yo había solicitado la A m a z o n i a , no


África.
Fui a buscar un atlas, para mirar d ó n d e q u e d a b a E c u a d o r . C u á l
no sería mi contrariedad al no localizarlo en el continente africano.
En el índice, sin e m b a r g o , descubrí q u e estaba en Latinoamérica. Y
en el m a p a p u d e ver la red fluvial q u e bajaba d e s d e los glaciares an-
d i n o s hasta el p o d e r o s o A m a z o n a s . Otras lecturas me a s e g u r a r o n
q u e las selvas ecuatorianas figuraban entre las m á s variadas y formi-
dables del m u n d o , y q u e sus pobladores indígenas c o n t i n u a b a n vi-
v i e n d o c o m o habían venido haciéndolo durante miles d e años. D e
m o d o que aceptamos.
A n n y yo p a s a m o s la instrucción p a r a el Peace C o r p s en el sur
d e California. E n s e p t i e m b r e d e 1 9 6 8 p a r t i m o s hacia E c u a d o r .
En la A m a z o n i a convivimos con los shuar, c u y o estilo de vida,
efectivamente, se a s e m e j a b a al de los a b o r í g e n e s de N o r t e a m é r i c a
en la é p o c a p r e c o l o m b i n a . T a m b i é n t r a b a j a m o s en los A n d e s c o n
los d e s c e n d i e n t e s d e los incas. E s t a b a y o d e s c u b r i e n d o u n aspec-
to del m u n d o cuya existencia ni siquiera s o s p e c h a b a . H a s t a en-
t o n c e s , los únicos latinoamericanos q u e yo había visto eran los
s e ñ o r i t o s ricos q u e asistían a las clases de mi p a d r e en el instituto.
D e s c u b r í q u e me caían bien aquellos nativos c a z a d o r e s y agricul-
t o r e s . Me sentía e x t r a ñ a m e n t e e m p a r e n t a d o c o n ellos, y p o r al-
g u n a r a z ó n me r e c o r d a b a n a los p u e b l e r i n o s q u e había d e j a d o en
mi país.
H a s t a el día q u e apareció en la pista de aterrizaje comarcal un
individuo en traje de c i u d a d . E r a Einar G r e v e , vicepresidente de la
C h a s . T . M a i n Inc. ( M A I N ) , cónsultoría internacional q u e practi-
c a b a u n a política empresarial de gran discreción. Por e n t o n c e s , es-
taba e n c a r g a d o de estudiar si el B a n c o M u n d i a l d e b í a prestar a
E c u a d o r y países limítrofes los miles de millones de dólares nece-
sarios p a r a la construcción de embalses hidroeléctricos y otras in-
fraestructuras. A d e m á s , Einar era coronel de la Reserva e s t a d o u n i -
dense.
Para e m p e z a r , se p u s o a h a b l a r m e de las ventajas de trabajar
p a r a u n a c o m p a ñ í a c o m o M A I N . C u a n d o m e n c i o n é q u e había
s i d o a d m i t i d o p o r la N S A antes de ingresar en el Peace C o r p s , y

39
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

q u e e s t a b a c o n s i d e r a n d o la posibilidad de i n c o r p o r a r m e a a q u é l l a ,
él p u s o en mi c o n o c i m i e n t o q u e a l g u n a s veces a c t u a b a de enlace
c o n l a N S A . M i e n t r a s l o decía, m e m i r a b a d e u n a m a n e r a q u e m e
h i z o s o s p e c h a r q u e venía c o n el e n c a r g o de evaluar mi c a p a c i d a d ,
entre o t r a s c o s a s . H o y creo q u e e s t a b a p o n i e n d o al día mi perfil
y, s o b r e t o d o , t r a t a n d o de calibrar mis a p t i t u d e s para sobrevivir
en u n o s e n t o r n o s q u e la m a y o r í a de mis c o m p a t r i o t a s j u z g a r í a n
hostiles.
P a s a m o s j u n t o s un par de días en el E c u a d o r y l u e g o s e g u i m o s
en c o n t a c t o p o r c o r r e o . El me había p e d i d o q u e le enviase infor-
m e s s o b r e las perspectivas e c o n ó m i c a s del país. Yo tenía u n a p e -
q u e ñ a m á q u i n a de escribir portátil y me g u s t a b a escribir, de m a -
nera q u e atendí s u petición con m u c h o g u s t o . E n e l p l a z o d e u n
a ñ o le envié a E i n a r unas quince cartas bastante extensas. En ellas
e s p e c u l a b a s o b r e el porvenir e c o n ó m i c o y político del E c u a d o r y
c o m e n t a b a la creciente intranquilidad de las c o m u n i d a d e s indíge-
nas enfrentadas a las c o m p a ñ í a s petroleras, a las agencias interna-
cionales de desarrollo y a otras tentativas de introducirlos en el
m u n d o m o d e r n o a u n q u e fuese a puntapiés.
C u a n d o n u e s t r a tournée c o n P e a c e C o r p s finalizó, E i n a r m e
invitó a u n a e n t r e v i s t a de e m p l e o en la s e d e central q u e tenía
M A I N e n B o s t o n . E n u n a c o n v e r s a c i ó n privada c o n m i g o s u b r a -
y ó q u e , s i bien e l n e g o c i o principal d e M A I N eran los p r o y e c t o s
d e i n g e n i e r í a , ú l t i m a m e n t e s u principal cliente, e l B a n c o M u n -
dial, venía i n d i c á n d o l e q u e c o n t r a t a s e a e c o n o m i s t a s a fin de
e l a b o r a r los p r o n ó s t i c o s e c o n ó m i c o s i n d i s p e n s a b l e s p a r a d e t e r -
m i n a r la v i a b i l i d a d y la m a g n i t u d de los m e n c i o n a d o s p r o y e c t o s .
Y m e c o n f e s ó q u e a n t e s d e hablar c o n m i g o h a b í a c o n t r a t a d o a
tres e c o n o m i s t a s m u y c u a l i f i c a d o s , d e c r e d e n c i a l e s i m p e c a b l e s :
d o s profesores y un licenciado. Pero habían fracasado miserable-
mente.
— N i n g u n o d e ellos e s t a b a e n c o n d i c i o n e s d e e l a b o r a r p r o -
yecciones e c o n ó m i c a s s o b r e países d o n d e no se c u e n t a con esta-
dísticas fiables — e x p l i c ó Einar.
A d e m á s , s i g u i ó d i c i e n d o , n i n g u n o d e ellos h a b í a a g u a n t a d o
hasta la fecha de expiración de sus c o n t r a t o s , cuyas c o n d i c i o n e s

40
Nace un gángster económico

incluían d e s p l a z a m i e n t o s a lejanas r e g i o n e s de países c o m o E c u a -


d o r , I n d o n e s i a , Irán y E g i p t o para entrevistar a los dirigentes lo-
cales e inspeccionar p e r s o n a l m e n t e las perspectivas de d e s a r r o l l o
e c o n ó m i c o . U n o d e ellos sufrió u n a crisis nerviosa e n una r e m o -
ta aldea p a n a m e ñ a . La policía del país t u v o q u e escoltarlo hasta el
a e r o p u e r t o y m e t e r l o en el avión de r e g r e s o a E s t a d o s U n i d o s .
— L a s cartas q u e enviaste me dieron a e n t e n d e r q u e no se te
caen los anillos y q u e sabes buscar d a t o s c u a n d o no están d i s p o -
nibles. Y d e s p u é s de ver tus c o n d i c i o n e s de vida en el E c u a d o r ,
c r e o q u e p o d r á s sobrevivir casi en cualquier p a r t e .
P o r ú l t i m o , m e c o n t ó q u e había d e s p e d i d o y a a u n o d e a q u e -
llos e c o n o m i s t a s , y q u e estaba d i s p u e s t o a hacer lo m i s m o c o n los
o t r o s d o s si yo a c e p t a b a su ofrecimiento.
Así fue c o m o , en enero de 1 9 7 1 , me vi c a n d i d a t o a un e m p l e o
de e c o n o m i s t a en M A I N . A c a b a b a de cumplir veintiséis a ñ o s , la
e d a d m á g i c a a la q u e ya no p o d í a alcanzarme la tarjeta de recluta-
m i e n t o . Lo consulté con A n n y su familia. Ellos me a n i m a r o n a
a c e p t a r l o , en lo q u e me pareció notar la influencia del tío F r a n k .
E n t o n c e s r e c o r d é su c o m e n t a r i o s o b r e la posibilidad de acabar tra-
b a j a n d o para una c o m p a ñ í a privada. S o b r e esto n u n c a s e c o m e n t ó
n a d a de m a n e r a explícita, p e r o tuve la convicción de q u e mi e m -
p l e o e n M A I N era consecuencia d e las disposiciones t o m a d a s p o r
tío F r a n k tres a ñ o s antes, s u m a n d o mis experiencias en E c u a d o r y
mi disposición para enviar informes s o b r e la situación e c o n ó m i c a
y política del país.
Sentí v é r t i g o d u r a n t e varias s e m a n a s y a n d a b a p o r ahí c o n el
e g o b a s t a n t e h e n c h i d o . Yo s ó l o tenía u n a licenciatura p o r la U n i -
v e r s i d a d de B o s t o n , p o c a cosa para ingresar en el servicio de es-
t u d i o s e c o n ó m i c o s d e tan e m p i n g o r o t a d a consultoría. M u c h o s e x
c o m p a ñ e r o s m í o s de B o s t o n r e c h a z a d o s p o r los militares y q u e
h a b í a n c o n t i n u a d o estudios hasta el máster y o t r o s títulos de ter-
cer ciclo se morirían de envidia c u a n d o lo supieran. Me veía a mí
m i s m o c o m o brillante a g e n t e secreto d e s t i n a d o e n países exóti-
c o s , a c o s t a d o en una t u m b o n a al l a d o de la piscina de mi hotel de
l u j o , el martini en la m a n o y r o d e a d o de espectaculares m u j e r e s
en bikini.

41
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

Eran sólo fantasías, pero más tarde hallé q u e contenían algún


elemento v e r d a d e r o . A u n q u e Einar m e había contratado c o m o eco-
nomista, p r o n t o descubrí q u e mi verdadera misión iba m u c h o m á s
allá, y se asemejaba m u c h o m á s a las de J a m e s B o n d de lo q u e pare-
cía a primera vista.

42
«Para toda la vida»

n términos legales podría decirse q u e M A I N era un c o t o ce-


A^J r r a d o . Apenas im 5 por ciento de sus d o s mil e m p l e a d o s , los
l l a m a d o s socios principales, tenían todas las acciones. Su posición
era m u y envidiada. No sólo m a n d a b a n sino q u e a d e m á s se llevaban
la m a y o r parte del pastel. Su actitud fundamental, la discreción.
P o r q u e trataban con jefes de E s t a d o y o t r o s altos dirigentes acos-
t u m b r a d o s a exigir de sus asesores, c o m o a b o g a d o s y psicoterapeu-
tas p o r e j e m p l o , el mayor respeto a las n o r m a s de la más estricta
confidencialidad. H a b l a r con la prensa era t a b ú . No se toleraba, y
p u n t o . C o m o resultado, casi nadie fuera de la e m p r e s a sabía quién
era M A I N , a diferencia de otras c o m p e t i d o r a s nuestras más conoci-
das c o m o Arthur D. Little, S t o n e & Webster, B r o w n & R o o t , H a -
lliburton y Bechtel.
He utilizado la palabra «competidoras» en sentido figurado,
p o r q u e M A I N e n realidad era j u g a d o r a ú n i c a e n s u p r o p i a liga.
L a m a y o r í a d e los profesionales c o n t r a t a d o s eran i n g e n i e r o s ,
pero no teníamos ninguna maquinaria ni construíamos nada, ni
q u e fliese u n b a r r a c ó n p a r a g u a r d a r t r a s t o s . M u c h o s e m p l e a d o s
e r a n e x oficiales, p e r o n o t e n í a m o s n i n g ú n c o n t r a t o c o n e l D e -
p a r t a m e n t o d e D e f e n s a n i n i n g ú n o t r o o r g a n i s m o d e los mili-
tares. E s t á b a m o s e n u n a r a m a comercial tan diferente d e las
n o r m a l e s , q u e m e c o s t ó varios meses averiguar d e q u é s e t r a t a b a .
S ó l o s a b í a q u e mi primer d e s t i n o real iba a ser I n d o n e s i a y q u e
formaría parte de un equipo de once h o m b r e s enviados a elabo-

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CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

rar un plan m a e s t r o de a p r o v i s i o n a m i e n t o e n e r g é t i c o p a r a la isla


de Java.
T a m b i é n me di cuenta de q u e Einar y los d e m á s q u e me co-
m e n t a b a n la misión a n d a b a n e m p e ñ a d o s en p e r s u a d i r m e de q u e la
e c o n o m í a de J a v a estaba en fase de r á p i d o crecimiento. Y q u e , si
q u e r í a perfilarme c o m o b u e n o b s e r v a d o r ( d i g n o d e ofrecerle u n
a s c e n s o , p o r t a n t o ) , mis proyecciones e c o n ó m i c a s debían d e m o s -
trar e s o p r e c i s a m e n t e .
« E s t á n q u e s e salen del m a p a » , g u s t a b a decir Eimar. A l z a b a
los d e d o s del papel s i m u l a n d o un vuelo p l a n e a d o y a g r e g a b a :
« ¡ U n a economía que va a despegar c o m o un pájaro!»
Einar salía a m e n u d o de viaje, pero sus ausencias solían durar
s ó l o d o s o tres días. N a d i e hablaba m u c h o de ello, ni parecía q u e
estuvieran enterados de a d o n d e iba. C u a n d o aparecía p o r los des-
p a c h o s , a m e n u d o me invitaba al suyo para t o m a r unos cafés y char-
lar. E n t o n c e s m e p r e g u n t a b a p o r A n n , p o r nuestro n u e v o aparta-
m e n t o o p o r el g a t o q u e nos h a b í a m o s traído de E c u a d o r . C u a n d o
e m p e c é a c o n o c e r l o un p o c o m á s , me animé a dirigirle p r e g u n t a s
s o b r e su t r a b a j o y s o b r e lo q u e se esperaba q u e yo hiciera en el m í o .
P e r o nunca recibí una contestación satisfactoria. E r a m a e s t r o en el
arte de desviar las conversaciones. U n a de esas veces me asestó una
mirada peculiar.
— N o tienes de qué preocuparte — d i j o — . Tenemos grandes
planes p a r a ti. El o t r o día estuve en W a s h i n g t o n y... — S e inte-
r r u m p i ó a sí m i s m o , c o n una sonrisa i n e s c r u t a b l e — . En cualquier
c a s o , y a s a b e s q u e t e n e m o s u n p r o y e c t o i m p o r t a n t e e n Kuwait.
S e r á p o c o antes d e q u e salgas para I n d o n e s i a . T e a c o n s e j o q u e
a p r o v e c h e s a l g o de tu t i e m p o para informarte acerca de Kuwait.
La biblioteca p ú b l i c a de B o s t o n es un sitio e s t u p e n d o para ello, y
p o d e m o s c o n s e g u i r t e pases para la del M I T y la de H a r v a r d .
E n c o n s e c u e n c i a , p a s é m u c h a s horas e n esas bibliotecas, s o b r e
t o d o en la p ú b l i c a de B o s t o n , pues q u e d a b a cerca de la oficina y
casi p e g a d a a mi a p a r t a m e n t o en B a c k Bay. Me familiaricé c o n K u -
wait y a d e m á s d e s c u b r í m u c h o s libros de estadística e c o n ó m i c a
p u b l i c a d o s p o r N a c i o n e s U n i d a s , e l F o n d o M o n e t a r i o Internacio-
nal y el B a n c o M u n d i a l . S a b i e n d o q u e se me exigiría la elaboración

44
« P a r a t o d a la v i d a »

de m o d e l o s e c o n o m é t r i c o s para I n d o n e s i a y J a v a , se me o c u r r i ó
q u e p o d r í a entrenarme p r e p a r a n d o u n o para K u w a i t .
Sin e m b a r g o , y o había e s t u d i a d o administración d e e m p r e s a s
y no e s t a b a p r e p a r a d o para realizar cálculos e c o n o m é t r i c o s , así q u e
d e d i q u é la m a y o r parte del t i e m p o a tratar de cubrir esa l a g u n a .
I n c l u s o me a p u n t é a un par de cursos s o b r e la cuestión. En este
p r o c e s o descubrí q u e las estadísticas p u e d e n manipularse y dar lu-
gar a u n a g a m a de conclusiones m u y amplia, incluyendo las q u e
c o r r o b o r e n las preferencias del analista.
M A I N era una corporación machista. E n 1 9 7 1 sólo e m p l e a b a
a c u a t r o mujeres en cargos profesionales. Sin e m b a r g o , tendrían
u n a s doscientas empleadas entre la dotación de secretarias persona-
les: u n a para c a d a vicepresidente y cada director de d e p a r t a m e n t o y
el e q u i p o de m e c a n ó g r a f a s a disposición de t o d o s n o s o t r o s , los de-
m á s . Yo estaba a c o s t u m b r a d o a esta discriminación de g é n e r o , p o r
lo q u e me sorprendió especialmente lo q u e sucedió cierto día en la
sala de lectura de la biblioteca pública.
U n a atractiva m o r e n a se acercó y fue a sentarse en el sillón de
enfrente. Se veía m u y sofisticada con su traje sastre verde. Al o b -
servarla mientras p r o c u r a b a hacerme el indiferente, o el disimula-
d o , m e p a r e c i ó a l g u n o s años mayor q u e y o . A l c a b o d e u n r a t o , sin
decir palabra, ella e m p u j ó hacia mí un libro a b i e r t o . C o n t e n í a u n a
tabla con información s o b r e Kuwait q u e yo h a b í a solicitado ante-
riormente, y u n a tarjeta de visita. El n o m b r e decía C l a u d i n e M a r -
tin y el c a r g o : « A s e s o r a especial en C h a s . T. M a i n , I n c . » Al levan-
tar los o j o s me t r o p e c é con la s e d u c t o r a m i r a d a de sus o j o s verdes.
Ella m e t e n d i ó l a m a n o . « T e n g o instrucciones d e ayudarte e n t u
p r e p a r a c i ó n » anunció. N o p o d í a creer q u e a q u e l l o m e estuviera
s u c e d i e n d o a mí.
A partir del día siguiente nos r e u n i m o s en el a p a r t a m e n t o q u e
C l a u d i n e tenía en B e a c o n Street, no lejos de las oficinas centrales
d e M A I N e n e l Prudential Center. E n nuestra primera h o r a d e diá-
l o g o me manifestó q u e mi posición era p o c o c o m ú n y exigía, en-
tre o t r a s c o s a s , la más estricta confidencialidad. Me explicó p o r
q u é n a d i e m e había d a d o u n a descripción d e m i p u e s t o d e t r a b a j o .
N a d i e estaba a u t o r i z a d o a hacerlo... excepto ella. Y p o r ú l t i m o me

45
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

aclaró q u e su misión consistía en hacer de mí un g á n g s t e r e c o n ó -


mico.
La e x p r e s i ó n e v o c a b a asociaciones de g a b a r d i n a s largas y re-
vólveres o c u l t o s . S e m e e s c a p ó una r i s a nerviosa, q u e m e d e j ó u n
p o c o a v e r g o n z a d o . Ella sonrió y me a s e g u r ó q u e el efecto h u m o -
rístico era u n o de los m o t i v o s de la elección del t é r m i n o . « Q u i é n
se lo va a t o m a r en s e r i o » , c o m e n t ó .
C o n f e s é mi total ignorancia en c u a n t o a las funciones de un
gángster económico.
— N o eres el único — r i ó ella—. S o m o s una especie rara y es-
t a m o s en un n e g o c i o sucio. N a d i e d e b e c o n o c e r tu actividad, ni si-
quiera tu mujer. —A continuación se p u s o seria y a g r e g ó — : Voy a
hablarte c o n plena f r a n q u e z a y voy a enseñarte t o d o lo q u e sé d u -
rante las s e m a n a s de q u e d i s p o n e m o s . D e s p u é s de e s o , te tocará a
ti decidir. Será u n a decisión definitiva. C u a n d o se entra en e s t o , se
entra p a r a t o d a la vida.
D e s p u é s de esta conversación casi nunca volvió a utilizar la ex-
presión c o m p l e t a de economic hit man. E r a m o s u n o s E H M y nada
más.
A h o r a s é una cosa q u e d e s c o n o c í a entonces: q u e C l a u d i n e
a p r o v e c h ó t o d a s mis d e b i l i d a d e s , r e c o g i d a s en el perfil de mi ca-
rácter t r a z a d o p o r la N S A . I g n o r o quién le c o m u n i c a r í a la in-
f o r m a c i ó n , si fue Einar, la N S A , el d e p a r t a m e n t o de p e r s o n a l de
M A I N o a l g u n a otra fuente. P e r o s u p o explotarla c o n maestría.
A p l i c ó u n a c o m b i n a c i ó n de s e d u c c i ó n física y m a n i p u l a c i ó n ver-
bal q u e parecía e x p r e s a m e n t e diseñada p a r a mí. Y sin e m b a r g o ,
l u e g o la he visto utilizada n u m e r o s a s veces en m u c h o s tipos dife-
rentes de n e g o c i a c i ó n , c u a n d o el envite es c u a n t i o s o y hay m u c h a
prisa p o r cerrar el lucrativo a c u e r d o . Ella s u p o d e s d e el primer
m o m e n t o q u e yo jamás pondría en peligro mi matrimonio con la
revelación d e u n a s actividades clandestinas q u e , s e g ú n d e j ó claro
c o n brutal f r a n q u e z a , me obligarían a s u m e r g i r m e en a g u a s m á s
bien t u r b i a s .
En c u a n t o a quién le p a g a b a su salario, en realidad no t e n g o
ni la m e n o r idea, a u n q u e t a m p o c o t e n g o razones p a r a d u d a r de
q u e fuese efectivamente M A I N , c o m o decía s u tarjeta. E n aquella

46
« P a r a t o d a la vida»

é p o c a yo era d e m a s i a d o i n g e n u o y m u y t í m i d o , y estaba d e m a -
s i a d o c o n f u s o para formular las p r e g u n t a s q u e hoy me parecen
obvias.
C l a u d i n e e n u m e r ó los d o s objetivos principales de mi t r a b a j o .
En primer lugar, yo debía justificar los g r a n d e s créditos interna-
cionales cuyo dinero regresaría canalizado hacia M A I N y otras
c o m p a ñ í a s e s t a d o u n i d e n s e s ( c o m o Bechtel, H a l l i b u r t o n , S t o n e &
Webster y B r o w n & R o o t ) en p a g o de g r a n d e s proyectos de inge-
niería y construcción. S e g u n d o , debía c o n s e g u i r la q u i e b r a de los
países q u e hubiesen recibido esos créditos ( a u n q u e no antes dé
q u e hubiesen p a g a d o a M A I N y a las d e m á s e m p r e s a s contratis-
tas e s t a d o u n i d e n s e s , c o m o es natural), a fin de dejarlos prisioneros
p a r a s i e m p r e de sus acreedores. Y así serían receptivos c u a n d o les
p i d i é r a m o s favores c o m o bases militares, sus v o t o s en N a c i o n e s
U n i d a s o el acceso a sus recursos naturales, c o m o el p e t r ó l e o y
otros.
Mi t r a b a j o , s i g u i ó explicando, consistiría en estudiar los países
y elaborar previsiones s o b r e los efectos de esas inversiones mul-
timillonarias en dólares. C o n c r e t a m e n t e , debía p r o d u c i r estudios
q u e anticipasen el r i t m o del desarrollo e c o n ó m i c o a veinte o vein-
ticinco años vista y q u e evaluasen el i m p a c t o de una serie de p r o -
yectos. Por ejemplo, si se t o m a b a la decisión de prestar 1.000 millo-
nes de dólares a un país para disuadir a sus dirigentes de alinearse
al l a d o de la U n i ó n Soviética, yo tendría q u e c o m p a r a r las venta-
jas de invertir dicha s u m a en centrales g e n e r a d o r e s de energía o en
u n a n u e v a r e d nacional de ferrocarriles, o en un sistema de teleco-
m u n i c a c i o n e s . O si las ó r d e n e s eran q u e se le c o n c e d i e s e al país la
o p o r t u n i d a d de d o t a r s e de un m o d e r n o sistema p ú b l i c o de sumi-
nistro eléctrico, yo d e b í a presentar cifras q u e d e m o s t r a s e n q u e di-
c h o sistema p r o d u c i r í a un desarrollo e c o n ó m i c o suficiente para
justificar la cuantía del empréstito. En t o d o s los c a s o s , el factor
crítico era el p r o d u c t o interior b r u t o ( P I B ) . G a n a b a el p r o y e c t o
q u e p r o d u j e s e el m a y o r crecimiento anual del P I B . Y c u a n d o fue-
se u n o s o l o el p r o y e c t o c o n s i d e r a d o , mis cifras d e m o s t r a r í a n q u e
su r e a l i z a c i ó n p r o d u c i r í a s u p e r i o r e s beneficios en t é r m i n o s del
PIB.

47
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

En c a d a u n o de estos proyectos, el a s p e c t o tácito era la inten-


ción de originar s u s t a n c i o s o s beneficios para las contratistas y ha-
cer m u y feliz al p u ñ a d o de las familias más ricas e influyentes del
país receptor. Al m i s m o t i e m p o , d i c h o país q u e d a b a s u m i d o en la
d e p e n d e n c i a financiera p o r m u c h o s a ñ o s , y cautiva la v o l u n t a d de
sus dirigentes políticos. Y así en t o d o el m u n d o : c u a n t o m á s g r a n -
des los créd i tos , mejor. La carga de la d e u d a privaría de atenciones
sanitarias, e d u c a c i ó n y o t r o s beneficios sociales a los c i u d a d a n o s
más p o b r e s , t a m b i é n d u r a n t e m u c h o s a ñ o s , p e r o eso n o s e t o m a -
ba en c o n s i d e r a c i ó n .
C l a u d i n e y yo d i s c u t i m o s con f r a n q u e z a la n a t u r a l e z a e n g a -
ñ o s a del P I B . P o r e j e m p l o , p u e d e reflejarse u n c r e c i m i e n t o del
P I B i n c l u s o c u a n d o éste a p r o v e c h e a una sola p e r s o n a , c o m o p o -
dría ser el c a s o del p r o p i e t a r i o ú n i c o de la e m p r e s a m o n o p o l i z a -
d o r a de un servicio p ú b l i c o , y a u n q u e la mayoría de la p o b l a c i ó n
q u e d e a g o b i a d a p o r el lastre de la d e u d a . L o s ricos se vuelven
c a d a vez m á s r i c o s , y los p o b r e s c a d a vez más p o b r e s . P e r o d e s d e
el p u n t o de vista estadístico, el r e s u l t a d o figura c o m o un p r o g r e -
so económico.
L o m i s m o q u e l a ciudadanía e s t a d o u n i d e n s e e n general, m u -
chos e m p l e a d o s d e M A I N creían q u e e s t á b a m o s h a c i e n d o favores
a los países d o n d e se construían las centrales eléctricas, las carrete-
ras y los p u e r t o s . N u e s t r a s escuelas y nuestros p e r i ó d i c o s n o s han
e n s e ñ a d o a percibir c o m o actos de a l t r u i s m o t o d o lo q u e h a c e m o s .
En los a ñ o s transcurridos he e s c u c h a d o m u c h a s veces c o m e n t a r i o s
c o m o el siguiente: « P u e s t o q u e no hacen más q u e salir a q u e m a r
nuestra b a n d e r a y a manifestarse delante de nuestra e m b a j a d a , ¿por
q u é no nos v a m o s de su c o n d e n a d o país y q u e se revuelquen en su
p r o p i a miseria?»
L a s p e r s o n a s q u e dicen cosas así, m u c h a s veces tienen diplo-
m a s q u e certifican su excelente e d u c a c i ó n . P e r o esas p e r s o n a s no
tienen ni idea de q u e e s t a b l e c e m o s e m b a j a d a s en t o d o s los países
del m u n d o para servir a nuestros intereses. Y é s t o s , d u r a n t e la se-
g u n d a m i t a d del siglo xx, se han c o n c r e t a d o en la m e t a m o r f o s i s de
la república e s t a d o u n i d e n s e en un imperio global. Pese a sus títu-
los, las p e r s o n a s aludidas son tan ignorantes c o m o a q u e l l o s colo-

48
« P a r a t o d a la v i d a »

n i z a d o r e s del siglo XVIII, c u a n d o creían a pies juntillas q u e los in-


dios q u e peleaban p o r defender sus tierras eran siervos del D i a b l o .
T r a n s c u r r i d o s a l g u n o s meses, yo viajaría a la isla de J a v a , per-
teneciente al E s t a d o indonesio y descrita en la é p o c a c o m o la par-
cela m á s s u p e r p o b l a d a del planeta. D i c h o sea de p a s o , I n d o n e s i a
era país p r o d u c t o r de petróleo, a d e m á s de m u s u l m á n y semillero
de actividades c o m u n i s t a s .
« E s la ficha siguiente del d o m i n ó d e s p u é s de V i e t n a m . Es p r e -
ciso q u e n o s g a n e m o s a los indonesios. Si ellos también se u n e n al
b l o q u e c o m u n i s t a , b u e n o . . . » , m e dijo u n a v e z C l a u d i n e c r u z á n -
d o s e la g a r g a n t a con el d e d o índice mientras sonreía d u l c e m e n t e .
« L i m i t é m o n o s a decir q u e debes presentar u n a proyección m u y
optimista s o b r e esa e c o n o m í a y de c ó m o p r o s p e r a r á u n a v e z q u e
estén construidas t o d a s esas centrales y líneas de distribución eléc-
trica. E s o p r o p o r c i o n a r á a U S A I D y a la banca internacional la jus-
tificación para los créditos. Tú recibirás una b u e n a r e m u n e r a c i ó n ,
p o r s u p u e s t o , y p o d r á s pasar a nuevos p r o y e c t o s en o t r o s lugares
exóticos. El m u n d o es tu carrito del s u p e r m e r c a d o . »
P e r o no d e j ó de advertirme q u e mi t r a b a j o iba a ser d u r o .
« L o s e x p e r t o s de los b a n c o s irán p o r ti. El t r a b a j o de ellos consis-
te en descubrir los fallos de tus proyecciones. Ellos q u e d a n bien
c u a n d o c o n s i g u e n hacerte q u e d a r m a l . »
C i e r t o día le recordé a Claudine q u e el e q u i p o q u e M A I N en-
viaría a Java estaba f o r m a d o por diez h o m b r e s a d e m á s de mí, y le
p r e g u n t é si t o d o s estaban recibiendo el m i s m o tipo de entrena-
m i e n t o . Ella m e a s e g u r ó q u e n o . « E l l o s s o n i n g e n i e r o s — d i j o — .
Proyectan las centrales, las líneas de transporte y de distribución,
así c o m o los p u e r t o s y las carreteras para traer el c o m b u s t i b l e . Tú
eres el q u e predice el futuro. De tus previsiones d e p e n d e el t a m a -
ño de los sistemas q u e ellos proyecten... y la m a g n i t u d de los cré-
ditos. Ya lo ves. Tú eres la clave.»
Al salir del a p a r t a m e n t o de Claudine s i e m p r e me p r e g u n t a b a
si estaría h a c i e n d o bien. En el fondo de mi c o r a z ó n s o s p e c h a b a
q u e n o . P e r o me asediaban las frustraciones de mi p a s a d o . Al p a -
recer, M A I N me ofrecía t o d o lo q u e siempre había e c h a d o en fal-
ta. A pesar de ello, no dejaba de p r e g u n t a r m e q u é habría d i c h o

49
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

T o m Paine. Por último me convencí de q u e aprendiendo m á s ,


a c u m u l a n d o experiencias, m á s tarde p o d r í a denunciarlo t o d o . L a
vieja justificación de « c o n o c e r el p e c a d o para c o m b a t i r l o m e j o r » .
C u a n d o le confié esta idea a C l a u d i n e , ella me dirigió una mi-
rada llena de perplejidad. « N o seas ridículo. U n a vez q u e has entra-
do ya no se p u e d e salir. D e b e s decidirlo tú antes de c o m p r o m e t e r t e
m á s a f o n d o . » L o entendí, p e r o l o q u e dijo m e e s p a n t ó . A l salir
anduve pensativo p o r C o m m o n w e a l t h Avenue y, después de doblar
p o r D a r t m o u t h Street, me persuadí de q u e yo sería la excepción.
U n a t a r d e , varios meses d e s p u é s , C l a u d i n e y yo e s t á b a m o s sen-
t a d o s j u n t o a la ventana viendo caer la nieve s o b r e B a c o n Street.
— F o r m a m o s p a r t e d e u n club r e d u c i d o y selecto — d i j o — .
S e n o s p a g a , y m u y bien p o r cierto, p a r a estafar miles d e millones
d e d ó l a r e s a m u c h o s países d e t o d o e l m u n d o . B u e n a p a r t e d e t u
t r a b a j o consistirá en estimular a los líderes de e s o s países p a r a q u e
e n t r e n a f o r m a r p a r t e de la extensa red q u e p r o m o c i o n a los inte-
reses c o m e r c i a l e s d e E s t a d o s U n i d o s . E n ú l t i m o t é r m i n o e s o s lí-
d e r e s a c a b a n a t r a p a d o s en la telaraña del e n d e u d a m i e n t o , lo q u e
n o s g a r a n t i z a su lealtad. P o d e m o s recurrir a ellos s i e m p r e q u e los
n e c e s i t e m o s p a r a satisfacer nuestras necesidades políticas, e c o n ó -
m i c a s o militares. A c a m b i o , ellos c o n s o l i d a n su p o s i c i ó n política
p o r q u e traen a sus países c o m p l e j o s industriales, centrales g e n e r a -
d o r a s de e n e r g í a y a e r o p u e r t o s . Y los p r o p i e t a r i o s de las e m p r e s a s
e s t a d o u n i d e n s e s de ingeniería y c o n s t r u c c i ó n se h a c e n i n m e n s a -
mente ricos.
E s a t a r d e , en el idílico ambiente del a p a r t a m e n t o de C l a u d i n e ,
d e s c a n s a n d o j u n t o a la ventana mientras la nieve se a r r e m o l i n a b a en
el exterior, c o n o c í la historia de la profesión en q u e me disponía a
ingresar. C l a u d i n e me r e c o r d ó c ó m o se han c o n s t r u i d o los impe-
rios de casi t o d a s las épocas: mediante el u s o de la fuerza militar, o
la a m e n a z a de usarla. P e r o después de la S e g u n d a G u e r r a M u n d i a l ,
c o n la e m e r g e n c i a de la U n i ó n Soviética y el espectro del holocaus-
to nuclear, la solución militar llegó a ser d e m a s i a d o peligrosa.
E l m o m e n t o decisivo s e p r o d u j o e n 1 9 5 1 c o n l a rebelión d e
I r á n c o n t r a u n a c o m p a ñ í a petrolera británica q u e e s t a b a esquil-
m a n d o los r e c u r s o s naturales del país y e x p l o t a n d o a su g e n t e . E s t a

50
« P a r a t o d a la v i d a »

c o m p a ñ í a fue la antecesora de British P e t r o l e u m , la actual BP. En


respuesta, un primer ministro iraní d e m o c r á t i c a m e n t e elegido y
m u y p o p u l a r (fue el Personaje del A ñ o de la revista Time en 1 9 5 1 ) ,
M o h a m m a d M o s a d d e q , nacionalizó t o d o s los yacimientos petrolí-
feros iraníes. L o s indignados ingleses solicitaron ayuda a sus aliados
de la S e g u n d a G u e r r a M u n d i a l , los estadounidenses. P e r o a m b o s
países temieron q u e unas represalias militares provocasen la reac-
ción soviética en favor de Irán.
P o r t a n t o , en vez de enviar la Infantería de M a r i n a , Washing-
ton d e s p a c h ó a K e r m i t Roosevelt, nieto de T h e o d o r e y a g e n t e de
l a C Í A . S U actuación fue brillante. C o n q u i s t ó m u c h a s v o l u n t a d e s
m e d i a n t e a m e n a z a s y s o b o r n o s . C o n estas c o m p l i c i d a d e s o r g a n i z ó
a l g a r a d a s callejeras y manifestaciones violentas, lo cual c r e ó la im-
presión d e q u e M o s a d d e q era u n ministro tan i m p o p u l a r c o m o
i n e p t o . Finalmente M o s a d d e q cayó (y p a s ó el resto de su vida en
arresto domiciliario). E l p r o - a m e r i c a n o M o h a m m a d R e z a S h a n s e
erigió en d i c t a d o r indiscutible. De esta m a n e r a , K e r m i t R o o s e v e l t
c r e ó el escenario para una nueva profesión, la m i s m a a cuyas filas
1
me disponía a s u m a r m e .
A d e m á s de reconfigurar t o d a la historia del O r i e n t e P r ó x i m o ,
la táctica de Roosevelt arrinconaba de u n a vez por t o d a s las viejas
estrategias de la construcción de imperios. T a m b i é n coincidió con
los p r i m e r o s experimentos de «acciones militares limitadas no nu-
cleares», d e cuya doctrina resultaron f i n a l m e n t e para E s t a d o s U n i -
d o s las humillaciones de C o r e a y V i e t n a m . En 1 9 6 8 , el a ñ o en q u e
fui entrevistado p o r la N S A , era ya evidente q u e si E s t a d o s U n i d o s
q u e r í a realizar el s u e ñ o de un imperio global (tal c o m o lo habían
p l a n t e a d o h o m b r e s c o m o los presidentes J o h n s o n y N i x o n ) , ten-
dría q u e recurrir a estrategias calcadas del e j e m p l o iraní s e n t a d o
p o r R o o s e v e l t . E r a la única manera de derrotar a los soviéticos sin
incurrir en el riesgo de una guerra nuclear.
Restaba un problema, no obstante. Kermit Roosevelt había
sido un agente de la C Í A . L a s consecuencias habrían p o d i d o ser fu-
nestas si lo hubiesen atrapado. El o r q u e s t ó la primera operación de
E s t a d o s U n i d o s para derribar a un g o b i e r n o extranjero. E r a p r o b a -
ble q u e se recurriese a este expediente m u c h a s veces m á s , p e r o in-

51
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

teresaba buscar un planteamiento q u e no implicase directamente a


W a shi n gton .
P o r fortuna para los estrategas, la década de 1 9 6 0 fue también
testigo de otra revolución: el a u g e de las corporaciones multinacio-
nales y de los o r g a n i s m o s internacionales c o m o el B a n c o M u n d i a l y
el F M I . E s t o s d e p e n d í a n para su financiación principalmente de E s -
t a d o s U n i d o s y de nuestros p r i m o s e u r o p e o s , t a m b i é n constructo-
res de imperios. Se desarrolló una relación simbiótica entre el g o -
b i e r n o , las e m p r e s a s y los o r g a n i s m o s internacionales.
En la é p o c a en que me matriculé en la E A D E de B o s t o n ,
la s o l u c i ó n al p r o b l e m a « R o o s e v e l t p e r c i b i d o c o m o a g e n t e de la
C Í A » e s t a b a y a bien d i s e ñ a d a . L a s agencias d e inteligencia esta-
d o u n i d e n s e s , entre ellas la N S A , identificarían a p o s i b l e s E H M y
estos p o d r í a n a c o n t i n u a c i ó n ser c o n t r a t a d o s p o r las multinacio-
nales. A los g á n g s t e r e s e c o n ó m i c o s j a m á s les pagaría n i n g ú n o r g a -
n i s m o p ú b l i c o , sino q u e serían asalariados del sector p r i v a d o . E n
c o n s e c u e n c i a , su t r a b a j o s u c i o , caso de resultar d e s c u b i e r t o , sería
a t r i b u i d o a la codicia de las e m p r e s a s , no a la política g u b e r n a -
mental. L a s c o m p a ñ í a s q u e los contratasen, a u n q u e p a g a d a s p o r
las agencias g u b e r n a m e n t a l e s y sus c o l a b o r a d o r e s necesarios de la
b a n c a internacional ( c o n dinero del c o n t r i b u y e n t e ) , no estaban
s o m e t i d a s a la fiscalización del C o n g r e s o ni a los criterios de la opi-
n i ó n pública. A d e m á s quedarían p r o t e g i d a s p o r u n e s c u d o legisla-
tivo c a d a vez m á s s ó l i d o , f o r m a d o por leyes s o b r e la p r o p i e d a d co-
mercial, el c o m e r c i o internacional y restrictivas de la libertad de
2
información.

— Y a l o ves — c o n c l u y ó C l a u d i n e — . N o s o m o s m á s q u e l a se-
g u n d a g e n e r a c i ó n , h e r e d e r o s de la tradición gloriosa q u e c o m e n -
zó c u a n d o tú estabas en el tercer a ñ o de la escuela elemental.

52
3

Indonesia: lecciones de
gangsterismo económico

A d e m á s de p r e p a r a r m e para mi nueva carrera, hice m u c h a s lec-


turas s o b r e Indonesia. « C u a n t o m á s sepas acerca d e u n país
antes de visitarlo, m á s fácil te resultará la t a r e a » , me había a c o n s e -
j a d o C l a u d i n e . Me lo t o m é a p e c h o .
C u a n d o C o l ó n z a r p ó e n 1 4 9 2 , l o q u e b u s c a b a era I n d o n e s i a ,
c o n o c i d a entonces c o m o las islas de las especias. En t o d a la é p o c a
colonial estuvieron consideradas u n t e s o r o m u c h o m á s i m p o r t a n -
te q u e las Américas. En especial J a v a , con sus ricas telas, sus fabu-
losas especias y sus o p u l e n t o s reinos, era la j o y a de la c o r o n a y el
escenario de violentas rivalidades entre los aventureros e s p a ñ o l e s ,
h o l a n d e s e s , p o r t u g u e s e s y británicos. H o l a n d a q u e d ó v e n c e d o r a
en 1 7 5 0 , p e r o si bien controlaron J a v a , los h o l a n d e s e s necesitaron
m á s de ciento cincuenta a ñ o s para llegar a d o m i n a r los confines del
archipiélago.
D u r a n t e la S e g u n d a G u e r r a M u n d i a l , los j a p o n e s e s invadie-
r o n I n d o n e s i a . P o c a resistencia p u d i e r o n ofrecer las g u a r n i c i o n e s
holandesas. De ello resultaron terribles p a d e c i m i e n t o s p a r a los in-
d o n e s i o s y en especial para los javaneses. D e s p u é s de la rendición
del J a p ó n s u r g i ó un líder carismático, S u k a r n o , q u e declaró la in-
d e p e n d e n c i a . T r a s cuatro años de hostilidades, los h o l a n d e s e s fi-
n a l m e n t e arriaron la bandera el 27 de d i c i e m b r e de 1 9 4 9 , y devol-
vieron la soberanía a un p u e b l o q u e no había c o n o c i d o o t r a c o s a

53
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

m á s q u e g u e r r a s y d o m i n a c i o n e s d u r a n t e m á s de tres siglos. S u -
k a r n o fue el primer presidente de la nueva república.
G o b e r n a r I n d o n e s i a , sin e m b a r g o , s e evidenció c o m o u n reto
m u c h o m á s difícil q u e derrotar a los holandeses. E s e archipiélago
de unas 1 7 . 5 0 0 islas, lejos de ser h o m o g é n e o , era un h e r v i d e r o de
tribalismos, culturas divergentes, d o c e n a s de i d i o m a s y dialectos y
g r u p o s étnicos q u e a l b e r g a b a n enemistades seculares. L o s conflic-
tos eran frecuentes y brutales, y S u k a r n o intervino c o n m a n o de
hierro. D i s o l v i ó el P a r l a m e n t o en 1 9 6 0 y se hizo n o m b r a r presi-
d e n t e vitalicio en 1 9 6 3 . Selló estrechas alianzas c o n los r e g í m e n e s
c o m u n i s t a s a c a m b i o de instructores y material militar. E n v i ó sus
t r o p a s p e r t r e c h a d a s p o r los rusos a la vecina Malasia en un intento
de e x t e n d e r el c o m u n i s m o p o r el S u d e s t e asiático y m e r e c e r así la
a p r o b a c i ó n de los líderes socialistas del planeta.
S u r g i ó la o p o s i c i ó n , y h u b o un g o l p e de E s t a d o en 1 9 6 5 . S u -
k a r n o se salvó de ser a s e s i n a d o sólo gracias a la astucia de su a m a n -
te. M u c h o s de sus altos m a n d o s militares y c o l a b o r a d o r e s m á s ín-
t i m o s tuvieron m e n o s suerte. La sucesión de los h e c h o s recuerda
la de Irán en 1 9 5 3 . En el desenlace final, se e c h ó la culpa de t o d o
al p a r t i d o c o m u n i s t a y en especial a sus facciones p r o c h i n a s . L a s
m a t a n z a s s u b s i g u i e n t e s , inducidas p o r los militares, hicieron de
trescientas mil a m e d i o millón de víctimas, s e g ú n estimaciones. El
líder de los g o l p i s t a s , el general S u h a r t o , a s u m i ó la presidencia en
1
1968.
En 1 9 7 1 el interés de E s t a d o s U n i d o s en alejar a I n d o n e s i a de
la órbita c o m u n i s t a era e n o r m e , p o r q u e el desenlace de la g u e r r a
de V i e t n a m e m p e z a b a a verse m u y incierto. El presidente N i x o n
había iniciado u na serie de retiradas de tropas en v e r a n o de 1 9 6 9
y E s t a d o s U n i d o s e m p e z a b a a a d o p t a r una estrategia nueva, de un
tipo m á s g l o b a l . El objetivo de dicha estrategia consistía en c o n -
trarrestar el « e f e c t o d o m i n ó » , es decir, evitar q u e los países fuesen
c a y e n d o u n o tras o t r o b a j o r e g í m e n e s c o m u n i s t a s . S e f i j a r o n las
p r i o r i d a d e s en un par de países, p e r o I n d o n e s i a era la clave. El p r o -
yecto de electrificación de M A I N era parte de un plan m á s a m p l i o
c o n el o b j e t o de a s e g u r a r el d o m i n i o e s t a d o u n i d e n s e en el S u d e s -
te asiático.

54
Indonesia: lecciones de g a n g s t e r i s m o e c o n ó m i c o

L a p r e m i s a d e l a política e x t e r i o r e s t a d o u n i d e n s e era q u e
S u h a r t o se pondría al servicio de Washington de la m i s m a manera
q u e el sha en Irán. A d e m á s , E s t a d o s U n i d o s confiaba en q u e aquel
país sirviera de m o d e l o para otros de la región. En p a r t e , Washing-
ton b a s a b a su estrategia en la suposición de q u e las ventajas logra-
das en I n d o n e s i a repercutirían positivamente s o b r e t o d o el m u n d o
islámico y particularmente en la explosiva región del Oriente P r ó -
x i m o . P o r si e s o no fuese incentivo suficiente, Indonesia tenía a d e -
m á s yacimientos de petróleo. No se conocía c o n exactitud ni el ta-
m a ñ o ni la calidad de sus reservas, p e r o los s i s m ó l o g o s de las
petroleras r e b o s a b a n o p t i m i s m o en cuanto a sus posibilidades.
M i e n t r a s e m p o l l a b a los libros de la biblioteca pública de B o s -
ton m i e n t u s i a s m o a u m e n t a b a . M i i m a g i n a c i ó n m e sugería u n a
vida de aventuras. C o m o e m p l e a d o de M A I N , iba a reemplazar el
e s p a r t a n o estilo de vida del Peace C o r p s por un tren m u c h o m á s
e s p l é n d i d o y l u j o s o . M i s ratos con C l a u d i n e habían significado ya
la realización de una de mis fantasías. Casi era d e m a s i a d o b u e n o
para ser cierto, y me sentí resarcido, al m e n o s en p a r t e , p o r mis
a ñ o s de encierro en el internado masculino.
Al m i s m o tiempo sucedían otras cosas en mi vida. A n n y yo es-
t á b a m o s cada vez más distanciados. S u p o n g o q u e d e b i ó darse
cuenta de q u e yo llevaba una d o b l e vida. Yo me justificaba ante mí
m i s m o a c u d i e n d o al resentimiento que había p r o v o c a d o el casarme
p o r obligación. A u n q u e ella siempre estuvo a mi l a d o y s o p o r t ó
c o n m i g o la aspereza de la misión del Peace C o r p s en E c u a d o r , para
mí A n n seguía representando la continuación de aquella p a u t a de
sumisión a las voluntades de mis padres. A h o r a q u e p a s o revista a
los acontecimientos estoy s e g u r o de q u e mi relación con Claudine
t a m b i é n tuvo m u c h o q u e ver, por s u p u e s t o . E s t o n o p o d í a men-
cionárselo a A n n , p e r o ella lo adivinaba. En cualquier c a s o , decidi-
m o s m u d a r n o s a apartamentos separados.
C i e r t o día de 1 9 7 1 — f a l t a b a m á s o m e n o s una s e m a n a para
la fecha de partida a I n d o n e s i a — , al llegar al p i s o de C l a u d i n e vi la
mesita de la sala p u e s t a con un s u r t i d o de canapés y q u e s o s varia-
d o s , y t a m b i é n u n a buena botella de Beaujolais. Ella me recibió
c o n u n brindis.

55
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

— L o has c o n s e g u i d o — d i j o con una sonrisa, q u e sin e m b a r -


go me pareció a l g o a m b i g u a — . Ya eres de los n u e s t r o s .
C h a r l a m o s a l e g r e m e n t e c o m o media hora. Y l u e g o , mientras
a p u r á b a m o s la botella, me dirigió una mirada q u e n u n c a le había
visto.
— J a m á s le hables a nadie de nuestros e n c u e n t r o s — d i j o con
v o z e n é r g i c a — . N u n c a te lo p e r d o n a r í a , y a d e m á s negaría h a b e r t e
c o n o c i d o a l g u n a vez.
D e s p u é s d e asestarme otra o j e a d a tan severa q u e p o r primera
v e z llegué a sentirme a m e n a z a d o , soltó una carcajada sarcástica y
agregó:
— S i m e n c i o n a r a s a l g o de esto, la vida podría llegar a p o n e r s e
p e l i g r o s a para ti.
Q u e d é petrificado. La sensación fue terrible. P e r o más tarde,
mientras r e g r e s a b a s o l o al Prudential Center, admiré la astucia del
p r o c e d i m i e n t o . De hecho, t o d a s nuestras entrevistas habían ocurri-
do en el a p a r t a m e n t o de ella. No existía ninguna p r u e b a de nuestra
relación, ni mediación alguna d e m o s t r a b l e por parte de nadie de
M A I N . P o r o t r o l a d o , tuve q u e reconocer q u e m e había h a b l a d o
c o n franqueza, sin tratar de torcer mi voluntad c o m o lo hicieron
mis p a d r e s c o n lo de Tilton y lo de Middlebury.

56
Salvar a una nación del comunismo

o tenía una visión idealizada de Indonesia, el país d o n d e iba a


vivir durante los p r ó x i m o s tres meses. En a l g u n o s de los libros
q u e había leído había visto fotos de bellas mujeres envueltas en sa-
rongs de l u m i n o s o s colores, exóticas bailarinas balinesas, chamanes
q u e escupían fuego y guerreros en sus largas canoas de troncos
a h u e c a d o s r e m a n d o p o r aguas de color esmeralda a los pies de vol-
canes c o r o n a d o s d e h u m o . M e sorprendió especialmente una serie
d e d i c a d a a los magníficos galeones de los infames piratas B u g i , con
sus impresionantes velas negras, que todavía surcaban las a g u a s del
archipiélago, y q u e en otros tiempos a t e m o r i z a r o n a los marineros
e u r o p e o s hasta tal p u n t o q u e , c u a n d o éstos r e g r e s a b a n a sus h o g a -
res y les t o c a b a reprender a sus hijos, solían decirles: «Si no te por-
tas bien llamaré a los piratas B u g i y vendrán p o r ti». ¡Ah! ¡ C ó m o
agitaban mi espíritu esas imágenes!
La historia y las leyendas del país p r e s e n t a b a n u n a galería de
personajes d e s c o m u n a l e s : dioses iracundos, d r a g o n e s d e K o m o d o ,
o p u l e n t o s sultanes tribales. L e y e n d a s ancestrales m u y anteriores al
n a c i m i e n t o de C r i s t o habían viajado a través de las cordilleras asiá-
ticas y los desiertos de Persia para cruzar el M e d i t e r r á n e o y q u e d a r
p r o f u n d a m e n t e g r a b a d a s en los repliegues más e s c o n d i d o s de
nuestra p s i c o l o g í a colectiva. H a s t a los n o m b r e s de aquellas fabu-
losas islas — J a v a , S u m a t r a , B o r n e o , las C é l e b e s — seducían a la
i m a g i n a c i ó n . E r a n tierras de misticismo, de leyenda y de erótica
belleza, el t e s o r o q u e C o l ó n b u s c ó y nunca p u d o alcanzar, la prin-

57
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

cesa d e s e a d a y j a m á s p o s e í d a por E s p a ñ a , p o r H o l a n d a , p o r los


p o r t u g u e s e s y los j a p o n e s e s . U n a fantasía y un s u e ñ o .
M i s expectativas eran elevadas, c o m o las de aquellos grandes
exploradores, s u p o n g o . Pero, al igual q u e C o l ó n , debí haber apren-
d i d o a m o d e r a r mis fantasías. Tal vez era de prever q u e el faro del
destino no siempre apunta a los horizontes q u e habíamos imagina-
d o . Indonesia ciertamente ofrecía tesoros, pero no era la cornucopia
de todas las riquezas que yo esperaba. En efecto, mis primeros días
bajo la tórrida atmósfera de su capital, Yakarta, en el verano de 1 9 7 1 ,
me reservaban muchas sorpresas.
C i e r t a m e n t e , l a belleza e s t a b a allí. M u j e r e s e s p l é n d i d a s q u e
vestían sarongs m u l t i c o l o r e s . J a r d i n e s e x h u b e r a n t e s , c a r g a d o s de
f l o r e s t r o p i c a l e s . E x ó t i c a s bailarinas balinesas. T r i c i c l o s p i n t a d o s
c o n escenas de vivos colores hasta en los r e s p a l d o s de los asientos,
d o n d e los p a s a j e r o s se arrellanaban de cara al h o m b r e q u e p i s a b a
los p e d a l e s . M a n s i o n e s de estilo colonial h o l a n d é s y m e z q u i t a s c o n
minaretes. P e r o la c i u d a d p r e s e n t a b a t a m b i é n su l a d o s ó r d i d o y
trágico. L e p r o s o s q u e alzaban m u ñ o n e s e n s a n g r e n t a d o s e n vez d e
m a n o s . M u c h a c h a s q u e vendían s u c u e r p o a c a m b i o d e u n a s m o -
n e d a s . L o s canales c o n s t r u i d o s p o r los holandeses, a n t a ñ o esplén-
d i d o s , c o n v e r t i d o s en cloacas a cielo abierto. B a r r a c a s de c a r t ó n
d o n d e vivían familias enteras s o b r e los vertederos q u e cubrían las
orillas de los ríos de a g u a s i n m u n d a s . B o c i n a z o s incesantes y h u -
m o s a p e s t o s o s . Lo bello y lo reo, lo elegante y lo vulgar, lo espiri-
tual y lo p r o f a n o . E s o era Yakarta, d o n d e los p e r f u m e s t e n t a d o r e s
del clavo y de la o r q u í d e a c o m p e t í a n con las m i a s m a s de aquellos
albañales.
S i n e m b a r g o , no era la primera vez q u e yo veía la p o b r e z a . Al-
g u n o s d e mis c o m p a ñ e r o s d e colegio e n N e w H a m p s h i r e vivían e n
barracas cubiertas de c a r t ó n a l q u i t r a n a d o y se p r e s e n t a b a n a clase
vistiendo c h a q u e t a s deshilacliadas y viejas zapatillas de tenis en
p l e n o invierno, con t e m p e r a t u r a s exteriores b a j o c e r o , los c u e r p o s
sin lavar q u e a p e s t a b a n a s u d o r rancio y a estiércol. En los A n d e s
había convivido con c a m p e s i n o s cuya dieta consistía casi exclusiva-
m e n t e de m a í z seco y p a t a t a s , y d o n d e a veces parecía q u e los re-
cién n a c i d o s tenían tantas p r o b a b i l i d a d e s de morir c o m o de llegar

58
Salvar a una nación del c o m u n i s m o

a cumplir su primer año. La p o b r e z a , p u e s , no me era d e s c o n o c i -


d a , p e r o no estaba p r e p a r a d o para lo de Yakarta.
N u e s t r o g r u p o se alojaba en el hotel m á s e l e g a n t e de la ciu-
d a d , p o r s u p u e s t o , q u e era e l I n t e r c o n t i n e n t a l I n d o n e s i a , p r o -
p i e d a d de la Pan American Airlines c o m o t o d o s los de la c a d e n a
I n t e r c o n t i n e n t a l , presente en t o d o el planeta. Allí, los extranje-
r o s ricos veían a t e n d i d o s t o d o s sus caprichos; en especial los eje-
cutivos de las c o m p a ñ í a s petroleras y las familias de éstos. La pri-
m e r a n o c h e de nuestra estancia, Charlie I l l i n g w o r t h , el director
de n u e s t r o p r o y e c t o , nos a g a s a j ó con una cena en el f a s t u o s o res-
t a u r a n t e del ático.
Charlie era entendido en temas bélicos; dedicaba la mayor par-
te de su t i e m p o libre a leer libros de historia y novelas históricas so-
bre grandes caudillos militares y batallas célebres. E r a el p a r a d i g m a
del estratega de tertulia, y partidario de la guerra de Vietnam. C o m o
de c o s t u m b r e , aquella noche vestía pantalón b o m b a c h o color caqui
y camisa también de color caqui, de m a n g a corta y con presillas en
los h o m b r o s al estilo militar.
D e s p u é s de d a r n o s la bienvenida encendió un p u r o . « P o r la
buena v i d a » , suspiró levantando la copa de c h a m p a g n e . « P o r la bue-
na v i d a » , le hicimos e c o , y las copas tintinearon.
R o d e a d o de volutas de h u m o , Charlie p a s e ó la m i r a d a p o r el
salón.
— E s t a r e m o s bien atendidos aquí — d i j o a c o m p a ñ a n d o las pa-
labras c o n varios c a b e z a z o s de satisfacción. L o s indonesios cuida-
rán de n o s o t r o s , y también los de nuestra e m b a j a d a . P e r o no olvi-
d e m o s q u e h e m o s venido con una misión q u e cumplir.
M i r ó u n p u ñ a d o d e f i c h a s q u e tenía delante.
— S í . E s t a m o s aquí a fin de desarrollar un plan m a e s t r o para la
electrificación de J a v a , el lugar m á s p o b l a d o del m u n d o . P e r o e s o
no es m á s q u e la p u n t a del iceberg.
S u expresión s e e n s o m b r e c i ó , m e r e c o r d ó a l actor G e o r g e C .
S c o t t en su papel de General P a t t o n , u n o de los héroes de Charlie.
— E s t a m o s aquí para salvar el país de las garras del c o m u n i s -
m o . Q u e n o e s p o c a cosa. C o m o saben u s t e d e s , I n d o n e s i a tiene
u n a historia larga y trágica. A h o r a , c u a n d o se disponía a entrar d e -

59
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

unitivamente en el siglo X X , se ha visto enfrentada a u n a nueva


p r u e b a . E s nuestra responsabilidad conseguir q u e I n d o n e s i a n o
siga los p a s o s de sus vecinos del n o r t e , V i e t n a m , C a m b o y a y L a o s .
E l s i s t e m a eléctrico i n t e g r a d o será u n e l e m e n t o clave. C o n e s o ,
m á s q u e c o n n i n g ú n o t r o factor, salvo l a p o s i b l e e x c e p c i ó n del
p e t r ó l e o , q u e d a r á a s e g u r a d a la presencia del capitalismo y de la de-
mocracia.
D e s p u é s de u n a p a u s a para inhalar del p u r o y barajar sus a n o -
taciones, p r o s i g u i ó :
— Y h a b l a n d o d e p e t r ó l e o . T o d o s s a b e m o s hasta q u é p u n t o l o
necesita n u e s t r o país. I n d o n e s i a p u e d e llegar a ser u n a aliada p o -
d e r o s a e n tal sentido. D e m a n e r a q u e , c u a n d o desarrollen ustedes
ese plan m a e s t r o , t e n g a n la b o n d a d de recordar lo q u e van a nece-
sitar la industria del p e t r ó l e o y las d e m á s q u e d e p e n d e n de ella, los
p u e r t o s , los o l e o d u c t o s , las c o n s t r u c t o r a s . D e b e p r o p o r c i o n á r s e l e s
lo q u e h a g a falta en t é r m i n o s de c o n s u m o eléctrico para los vein-
ticinco a ñ o s de vigencia de ese plan.
A l z ó los o j o s de sus fichas y se encaró directamente c o n m i g o
mientras c o n t i n u a b a diciendo:
— M á s vale exagerar", q u e q u e d a r n o s c o r t o s . No vaya a caer
s o b r e nuestras c a b e z a s la s a n g r e de los niños de I n d o n e s i a , o la
nuestra. No vayan a tener q u e vivir b a j o la h o z y el martillo, ¡o
b a j o la b a n d e r a roja de China!
A q u e l l a n o c h e , a c o s t a d o en mi c a m a a m u c h o s m e t r o s de al-
tura s o b r e la c i u d a d , entre la s e g u r i d a d y el lujo de u n a suite de
p r i m e r a clase, e v o q u é l a i m a g e n d e C l a u d i n e . M e desvelaban sus
discursos s o b r e la d e u d a externa. Intenté tranquilizarme r e c o r d a n -
do mis c u r s o s de teoría m a c r o e c o n ó m i c a en la escuela de adminis-
tración de e m p r e s a s . Al fin y al c a b o , me decía, estoy aquí p a r a
ayudar a I n d o n e s i a , para q u e salga de su e c o n o m í a medieval y pase
a o c u p a r su l u g a r en el m u n d o industrial m o d e r n o . P e r o yo sabía
q u e al a m a n e c e r , c u a n d o echase la primera o j e a d a d e s d e mi venta-
na, m á s allá de la opulencia de los jardines del hotel y de las pisci-
nas, p o d r í a ver los barrios de barracas q u e se extendían alrededor,
hasta m u c h o s k i l ó m e t r o s d e distancia. N o i g n o r a b a q u e ahí fuera
estaban m u r i e n d o m u c h o s niños p o r falta de a l i m e n t o y de a g u a

60
Salvar a una nación del c o m u n i s m o

p o t a b l e , y q u e t a n t o los m e n o r e s c o m o los adultos p a d e c í a n enfer-


m e d a d e s horribles y s o p o r t a b a n condiciones de vida i n h u m a n a s .
S e g u í d a n d o vueltas en mi c a m a sin pegar o j o . E r a innegable
q u e tanto Charlie c o m o los d e m á s m i e m b r o s del e q u i p o e s t á b a m o s
allí p o r motivos egoístas. P r o m o v í a m o s la política exterior de E s t a -
d o s U n i d o s y los intereses corporativos. N o s i m p u l s a b a la codicia y
no un s u p u e s t o d e s e o de mejorar las condiciones de vida de la gran
mayoría de los indonesios. U n a palabra acudió a mi mente: la cor-
poratocracia. No c o n s i g o recordar si la había e s c u c h a d o en a l g u n a
parte o la inventé yo m i s m o , pero me pareció perfecta para descri-
bir la nueva clase d o m i n a n t e q u e se había m e t i d o entre ceja y ceja
el afán de d o m i n a r el planeta.
E r a u n a cofradía d e u n o s p o c o s , e s t r e c h a m e n t e u n i d o s p o r
u n o s objetivos c o m u n e s . L o s m i e m b r o s d e esa cofradía p a s a b a n
c o n facilidad de los consejos de administración a los c a r g o s p ú -
blicos, y viceversa. Se me a n t o j a b a q u e el entonces presidente del
B a n c o M u n d i a l , R o b e r t M c N a m a r a , era e l e j e m p l o perfecto. H a -
bía p a s a d o de su p u e s t o de presidente de F o r d M o t o r C o m p a n y a
la secretaría de Defensa con los gabinetes de K e n n e d y y J o h n s o n ,
y en aquellos m o m e n t o s era la a u t o r i d a d m á x i m a de la institución
f i n a n c i e r a m á s p o d e r o s a del m u n d o .
C o m p r e n d í a t a m b i é n q u e mis profesores d e l a E A D E n o ha-
bían c a p t a d o la verdadera naturaleza de las m a g n i t u d e s m a c r o e c o -
n ó m i c a s . Q u e en m u c h o s casos, contribuir al crecimiento e c o n ó -
m i c o de un país s ó l o servía para enriquecer todavía m á s a los q u e
e s t a b a n en la cima de la pirámide, sin hacer n a d a p o r los de a b a j o
e x c e p t o e m p u j a r l o s más a b a j o todavía. En efecto, la p r o m o c i ó n
del capitalismo m u c h a s veces p r o d u c e un sistema p a r e c i d o a las s o -
ciedades feudales de la E d a d M e d i a . Si a l g u n o de mis profesores lo
sabía, n u n c a n o s lo c o n t ó , p r o b a b l e m e n t e p o r q u e las g r a n d e s e m -
presas y los h o m b r e s q u e las dirigen financian las universidades. Si
a q u e l l o s profesores nos hubieran e n s e ñ a d o la v e r d a d , sin d u d a les
habría c o s t a d o el e m p l e o , lo m i s m o q u e p o d í a n c o s t á r m e l o a mí
u n a s revelaciones p o r el estilo.
E s o s pensamientos me hicieron pasar en vela t o d a s las noches
q u e estuve en el H o t e l Intercontinental Indonesia. En el f o n d o ,

61
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

no tenía más a r g u m e n t o s para mi defensa q u e los de o r d e n perso-


nal: había l u c h a d o m u c h o para escapar d e aquel p u e b l o d e N e w
H a m p s h i r e , de aquella escuela y del servicio militar. M e d i a n t e una
c o m b i n a c i ó n de coincidencias y el trabajo a s i d u o , me había g a n a d o
u n a p o l t r o n a en la b u e n a vida. T a m b i é n me c o n s o l a b a d i c i é n d o m e
q u e mi actuación era correcta según las n o r m a s de mi p r o p i a cultu-
ra. E s t a b a en vías de convertirme en un analista e c o n ó m i c o presti-
g i o s o y r e s p e t a d o . H a c í a lo q u e la escuela de administración de e m -
presas n o s p r e p a r a b a para hacer. I b a a implementar un m o d e l o de
desarrollo s a n c i o n a d o p o r las mejores cabezas de los m e j o r e s equi-
p o s pensantes del m u n d o .
D e m a d r u g a d a , n o o b s t a n t e , m e consolaba m u c h a s veces con
u n a p r o m e s a : q u e algún día denunciaría la verdad. D e s p u é s de esto
me a d o r m e c í a leyendo una novela de L o u i s l'Amour s o b r e aventu-
ras de pistoleros del viejo O e s t e .
Cómo vendí mi alma

N u e s t r o e q u i p o de o n c e p e r s o n a s p a s ó seis días en Yakarta


p a r a registrarse en la e m b a j a d a , reunirse c o n varios funcio-
n a r i o s , o r g a n i z a r s e y descansar j u n t o a la piscina. Me s o r p r e n d i ó
la g r a n c a n t i d a d de e s t a d o u n i d e n s e s q u e vivían en el I n t e r c o n t i -
nental. Me g u s t a b a c o n t e m p l a r a las jóvenes y bellas e s p o s a s de
los ejecutivos de las petroleras y c o n s t r u c t o r a s e s t a d o u n i d e n s e s ,
q u e se p a s a b a n los días en la piscina y las n o c h e s c e n a n d o en la
m e d i a d o c e n a de elegantes restaurantes del hotel y de los alrede-
dores.
H a s t a q u e Charlie d i o la orden de trasladarnos a B a n d u n g ,
una c i u d a d de la región m o n t a ñ o s a . Allí el clima era m á s suave, la
p o b r e z a m e n o s visible y las distracciones m á s escasas. N o s aloja-
m o s en un p a r a d o r público l l a m a d o W i s m a , c o n g e r e n t e , cocine-
r o , j a r d i n e r o y d e m á s personal de servicio. C o n s t r u i d o durante la
é p o c a colonial h o l a n d e s a , el Wisma era un r e m a n s o . Tenía una te-
rraza espaciosa, con vistas a las grandes plantaciones de té q u e cu-
brían las suaves ondulaciones de las colinas y subían p o r las laderas
de los volcanes de J a v a , al f o n d o . A d e m á s del a l o j a m i e n t o se nos
suministraron o n c e t o d o t e r r e n o s T o y o t a , cada u n o c o n su chófer
y su intérprete. P o r último fuimos o b s e q u i a d o s c o n la inscripción
gratuita en el exclusivo B a n d u n g G o l f a n d R a c k e t C l u b e instala-
d o s en u n a suite de d e s p a c h o s perteneciente al cuartel general de
la P e r u s a h a a n U r a i i m Listrik N e g a r a ( P L N ) , la c o m p a ñ í a eléctrica
de titularidad pública.

63
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

Para mí, los p r i m e r o s días de estancia en B a n d u n g consistie-


r o n en una serie de entrevistas con Charlie y con H o w a r d Parker.
E r a éste un s e p t u a g e n a r i o j u b i l a d o , q u e había s i d o jefe de p r e -
visión d e c a r g a d e N e w E n g l a n d Electric S y s t e m . E n aquellos
m o m e n t o s era el responsable de pronosticar la cantidad de energía
y la c a p a c i d a d de g e n e r a c i ó n (la « c a r g a » ) q u e iba a necesitar la isla
de J a v a en el t r a n s c u r s o de los p r ó x i m o s veinticinco a ñ o s . A d e m á s ,
d e b í a d e s g l o s a r esas m a g n i t u d e s p o r regiones y p o r c i u d a d e s . Y
c o m o la d e m a n d a de electricidad g u a r d a una correlación estrecha
c o n el crecimiento e c o n ó m i c o , las previsiones de Parker d e p e n -
dían de mis proyecciones e c o n ó m i c a s . L o s d e m á s del e q u i p o ela-
borarían e n t o n c e s el plan m a e s t r o c o n arreglo a estos d a t o s , lo q u e
significaba ubicar y proyectar las centrales g e n e r a d o r a s , las líneas
de t r a n s p o r t e y distribución y los sistemas de t r a n s p o r t e del c o m -
bustible para abastecer las centrales, t o d o ello b a j o la c o n d i c i ó n de
satisfacer nuestras predicciones con la mayor eficiencia p o s i b l e .
D u r a n t e nuestras reuniones Charlie subrayaba sin cesar la i m p o r -
tancia de mi t r a b a j o , y me incordiaba con la necesidad de ser m u y
o p t i m i s t a en m i s proyecciones. C l a u d i n e tenía r a z ó n . Yo era la cla-
ve de t o d o el plan m a e s t r o .
— D e d i c a r e m o s nuestras primeras s e m a n a s aquí a recopilar los
d a t o s — e x p l i c ó Charlie.
E l , H o w a r d y y o o c u p á b a m o s u n o s g r a n d e s sillones d e m i m -
bre en el f a s t u o s o d e s p a c h o particular de Charlie. L a s p a r e d e s es-
t a b a n d e c o r a d a s con tapices de batik q u e representaban batallas de
la a n t i g u a e p o p e y a hindú del R a m a y a n a . Charlie exhalaba vahara-
das d e u n g r u e s o p u r o .
— L o s ingenieros van a reunir información detallada del siste-
ma eléctrico actual, de las capacidades p o r t u a r i a s , las carreteras, los
ferrocarriles y t o d o eso.
Y l u e g o , a p u n t á n d o m e con el p u r o , añadió:
— N e c e s i t a r e m o s q u e trabaje usted con r a p i d e z . A finales del
primer m e s H o w a r d necesitará p o d e r hacerse u n a idea bastante
exacta de la e n v e r g a d u r a de los m i l a g r o s e c o n ó m i c o s q u e se p r o -
ducirán c u a n d o c o n e c t e m o s la nueva red. A finales del s e g u n d o
m e s se necesitará un d e s g l o s e detallado p o r r e g i o n e s , y el ú l t i m o

64
C ó m o vendí m i alma

m e s a c a b a r e m o s de atar cabos sueltos. E s t o s plazos s o n críticos.


V a m o s a p o n e r n o s m a n o s a la o b r a y a colaborar e s t r e c h a m e n t e , de
m a n e r a q u e antes de salir del país t e n g a m o s la s e g u r i d a d de haber
r e u n i d o t o d a la información necesaria. Mi lema es: « T o d o s en casa
p a r a el D í a de A c c i ó n de G r a c i a s » . No v a m o s a volver aquí.
H o w a r d a p a r e n t a b a ser un abuelete cordial y a m a b l e , p e r o no
tardé en d a r m e cuenta de q u e era un viejo a m a r g a d o , d e s e n g a ñ a -
do de la vida. N u n c a consiguió llegar a la c u m b r e en N e w E n g l a n d
Electric S y s t e m , y p o r e s o estaba lleno de resentimiento. « M e p o s -
t e r g a r o n p o r q u e no quise avenirme a la política de la c o m p a ñ í a »
me repitió varias veces. J u b i l a d o a la fuerza, e incapaz de convivir
en casa c o n su mujer, a c e p t ó el t r a b a j o de asesor para M A I N .
A q u é l l a era su s e g u n d a misión, y t a n t o Einar c o m o Charlie me ha-
bían a d v e r t i d o q u e desconfiase d e él. L o describían c o n t é r m i n o s
c o m o obstinado, ruin y vengativo.
E n realidad H o w a r d fue u n o d e mis m e j o r e s m a e s t r o s , a u n q u e
yo no supiera verlo así por aquel entonces. El no recibió el tipo de
e n t r e n a m i e n t o q u e Claudine me había d i s p e n s a d o a mí. S u p u s e
q u e lo consideraban d e m a s i a d o viejo, o tal vez d e m a s i a d o t o z u d o .
O q u i z á lo e m p l e a b a n sólo provisionalmente, hasta q u e consiguie-
ran fichar a o t r o m á s flexible, c o m o y o , y q u e trabajase c o n plena
dedicación. En t o d o caso, desde el p u n t o de vista de ellos aquel
h o m b r e era un p r o b l e m a . H o w a r d había e n t e n d i d o c o n claridad la
situación y el papel q u e se le asignaba, y estaba d e c i d i d o a no ser un
p e ó n de esa partida. T o d o s los adjetivos q u e u s a b a n Einar y C h a r -
lie p a r a describirle eran a p r o p i a d o s , p e r o su obstinación derivaba,
al m e n o s en p a r t e , de la decisión personal de no ser un títere. No
c r e o q u e n u n c a hubiese o í d o el término g á n g s t e r e c o n ó m i c o , p e r o
sabía q u e pretendían utilizarle para p r o m o v e r u n a forma de i m p e -
rialismo con la q u e él no estaba de a c u e r d o .
D e s p u é s d e u n a d e nuestras reuniones c o n Charlie, m e llevó
a p a r t e . U s a b a a u d í f o n o , y se p u s o a manipular el d i m i n u t o cajetín
q u e llevaba d e b a j o de la camisa y q u e servía para regular el volu-
men.
— Q u e q u e d e entre n o s o t r o s — e m p e z ó H o w a r d e n v o z baja.
E s t á b a m o s de pie j u n t o a la ventana del d e s p a c h o q u e c o m p a r t í a -

65
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

m o s , c o n t e m p l a n d o el canal de a g u a s estancadas q u e s e r p e n t e a b a
cerca del edificio d e l a P L N . U n a m u j e r joven s e b a ñ a b a e n a q u e -
llas a g u a s pestilentes. P r o c u r a b a mantener u n s i m u l a c r o d e p u d o r
c i ñ é n d o s e un saronjj alrededor del c u e r p o d e s n u d o — . Quieren
c o n v e n c e r t e de q u e la e c o n o m í a de este país va a subir c o m o un
c o h e t e — d i j o — . E s e Charlie n o tiene escrúpulos. N o p e r m i t a s q u e
te influya.
Al oír estas palabras me d i o un vuelco el e s t ó m a g o y sentí d e -
seos de llevarle la contraria y d e m o s t r a r q u e Charlie tenía r a z ó n .
Mi carrera d e p e n d í a de tener c o n t e n t o s a mis jefes en M A I N .
— S i n d u d a esta e c o n o m í a va a explotar — d i j e sin apartar los
o j o s de la b a ñ i s t a — . No tienes m á s q u e mirar a tu alrededor.
— C o n q u e ésas t e n e m o s — m u r m u r ó , creo q u e sin prestar
atención a la e s c e n a — . Así q u e estás c o n ellos.
U n m o v i m i e n t o j u n t o a l canal distrajo m i atención. U n t i p o
de e d a d m a d u r a se acercó a la orilla, se b a j ó los p a n t a l o n e s y se
a g a c h ó p a r a cumplir c o n las exigencias de la naturaleza. La bañis-
ta lo vio p e r o no dio m u e s t r a s de inmutarse y siguió b a ñ á n d o s e .
Me aparté de la ventana y me encaré c o n H o w a r d .
— N o soy n i n g ú n n o v a t o — d i j e — . P o d r é parecerte j o v e n ,
p e r o a c a b o de regresar d e s p u é s de pasar tres a ñ o s en S u r a m é r i c a .
H e visto l o q u e p u e d e ocurrir c u a n d o s e d e s c u b r e p e t r ó l e o . L a s
c o s a s c a m b i a n m u y deprisa.
— ¡ A h ! Y o t a m p o c o soy n i n g ú n n o v a t o — s e b u r l ó él—. H e
d a d o m u c h a s vueltas p o r ahí, m u c h a c h o , y voy a decirte u n a cosa.
M e i m p o r t a n u n c o m i n o tus descubrimientos d e p e t r ó l e o y t o d o
e s o . L l e v o t o d a l a vida p r o n o s t i c a n d o cargas d e electricidad. D u -
rante la D e p r e s i ó n y la S e g u n d a G u e r r a M u n d i a l , en é p o c a s de alza
y en é p o c a s de baja. He visto lo q u e s u p u s o para B o s t o n el llama-
d o « M i l a g r o d e M a s s a c h u s e t t s » d e l a R u t a 1 2 8 . Y p u e d o afirmar
q u e la c a r g a eléctrica n u n c a creció m á s de un siete a nueve p o r
ciento anual d u r a n t e un p e r í o d o sostenido. Ni siquiera en los m e -
j o r e s tiempos. Un seis p o r ciento sería la cifra m á s r a z o n a b l e .
M e q u e d é m i r á n d o l e . E n p a r t e s o s p e c h a b a q u e tenía r a z ó n .
P e r o me hallaba a la defensiva y sentí la necesidad de persuadirle,
p o r q u e m i p r o p i a conciencia m e r e c l a m a b a u n a justificación.

66
C ó m o vendí m i alma

— E s t o n o e s B o s t o n , H o w a r d . E n este país l a g e n t e n o había


t e n i d o electricidad hasta hoy. L a s cosas son diferentes aquí.
El g i r ó s o b r e sus talones e hizo un a d e m á n , c o m o para barrer
mis a r g u m e n t o s .
— A d e l a n t e — g r u ñ ó — . S i g u e v e n d i é n d o m e l a m o t o . M e im-
p o r t a un c o m i n o lo q u e digas. — S a c ó el sillón de detrás de su es-
critorio y se d e j ó caer en él antes de c o n t i n u a r — : Yo haré mi p r o -
nóstico de la d e m a n d a eléctrica b a s á n d o m e en lo q u e c r e o , no en
n i n g ú n e s t u d i o e c o n ó m i c o de vuestra cocina —y t o m ó un lápiz y
se p u s o a g a r a b a t e a r en un bloc.
E r a u n desafío q u e y o n o podía pasar por alto. M e planté d e -
lante de su escritorio.
— V a s a q u e d a r c o m o un necio si yo p r e s e n t o lo q u e t o d o el
m u n d o espera, un boom c o m o el de la fiebre del o r o de California,
y tú presentas un crecimiento de la d e m a n d a eléctrica c o m p a r a d o
c o n el de B o s t o n en la d é c a d a de 1 9 6 0 .
G o l p e ó el escritorio con el lápiz y me lanzó u n a o j e a d a furi-
bunda.
— ¡ F a l t a de escrúpulos! ¡ E s o es lo q u e es! T ú . . . t o d o s v o s o -
t r o s . . . — s e corrigió con un aspaviento q u e a b a r c a b a la totalidad
de los d e s p a c h o s — , habéis vendido el alma al d i a b l o . Estáis en esto
p o r la pasta y n a d a m á s . Y ahora... — f o r z ó una m u e c a y se llevó la
m a n o b a j o la c a m i s a — . ¡Ahora d e s c o n e c t o mi a u d í f o n o y me vuel-
vo a mi trabajo!
Yo t e m b l a b a de pies a cabeza. Salí de e s t a m p i d a y enfilé hacia
el d e s p a c h o de Charlie. A m e d i o c a m i n o , sin e m b a r g o , me detuve
lleno de i n c e r t i d u m b r e . Volví sobre mis p a s o s y continué escaleras
a b a j o para salir a la luz vespertina. La bañista a c a b a b a de salir del
canal c i ñ é n d o s e el saronjj y el h o m b r e había d e s a p a r e c i d o . U n o s
chicos c h a p o t e a b a n en el canal chillando y e c h á n d o s e a g u a . U n a
vieja, s u m e r g i d a hasta las rodillas, se cepillaba los dientes, y otra se
d e d i c a b a a hacer la colada.
Sentí un n u d o en la garganta. Me senté s o b r e una losa rota de
h o r m i g ó n , p r o c u r a n d o no hacer caso de la pestilencia del canal.
M i e n t r a s intentaba contener las lágrimas, m e p r e g u n t é p o r q u é m e
sentía tan a b a t i d o .

67
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

Estáis en esto por la pasta. L a s palabras de H o w a r d r e s o n a b a n


en mi c a b e z a . H a b í a p u e s t o el d e d o en la llaga.
L o s chicos siguieron b a ñ á n d o s e y c o r t a n d o el aire c o n sus ri-
sas estridentes. ¿ Q u é hacer?, me p r e g u n t é . ¿Llegaría yo a vivir al-
g u n a vez tan d e s p r e o c u p a d o c o m o aquellos m u c h a c h o s ? L a s du-
das me a t o r m e n t a b a n mientras c o n t e m p l a b a la feliz inocencia de
sus j u e g o s , al parecer inconscientes del riesgo q u e corrían b a ñ á n -
d o s e en aquellas a g u a s fétidas. A p a r e c i ó un anciano e n c o r v a d o q u e
se a p o y a b a en su g a r r o t e . Al ver a los chicos d e t u v o su p a s e o p o r la
orilla del canal y sonrió con su b o c a d e s d e n t a d a .
Q u i z á debería confiarme a H o w a r d , pensé. J u n t o s , tal v e z p o -
d r í a m o s alcanzar u n a solución. Al instante me sentí aliviado. R e c o -
gí un g u i j a r r o y lo lancé al canal. Al disiparse la agitación del a g u a ,
sin e m b a r g o , se extinguió también mi o p t i m i s m o . S a b í a q u e era
imposible. H o w a r d era u n viejo a m a r g a d o . C o m o n o tenía y a nin-
g u n a o p o r t u n i d a d de p r o m o c i ó n , para q u é iba a dar su b r a z o a tor-
cer. En c a m b i o yo era joven, estaba e m p e z a n d o y d e s d e l u e g o no
tenía n i n g u n a intención de acabar c o m o él.
Mientras c o n t e m p l a b a el maloliente canal e v o q u é u n a vez más
las i m á g e n e s del instituto en la colina, allá en N e w H a m p s h i r e , d o n -
de pasé los veranos a solas mientras los d e m á s asistían invitados a los
bailes de las chicas q u e se presentaban en sociedad. P o c o a p o c o fui
c o m p r e n d i e n d o q u e , una vez m á s , no tenía a nadie en quien confiar.
A q u e l l a n o c h e , t u m b a d o en la c a m a , permanecí l a r g o r a t o re-
c o r d a n d o a las p e r s o n a s q u e habían intervenido en mi vida. H o -
w a r d , Charlie, C l a u d i n e , A n n , Einar, el tío Frank. Me p r e g u n t a b a
q u é habría s i d o de mí si no las hubiese c o n o c i d o . U n a c o s a era se-
g u r a : q u e n o m e hallaría e n Indonesia. T a m b i é n m e i n t e r r o g a b a
acerca d e m i f u t u r o . ¿ A d ó n d e m e llevaría t o d o aquello? M e d i t é
s o b r e la decisión q u e se me planteaba. S e g ú n había d e j a d o bien
claro C h a r l i e , se e s p e r a b a q u e H o w a r d y yo p l a n t e á s e m o s un cre-
cimiento anual del 1 7 p o r ciento c o m o m í n i m o . ¿ Q u é tipo d e p r o -
n ó s t i c o i b a a presentar yo?
D e s ú b i t o s e m e o c u r r i ó una idea q u e m e tranquilizó. ¡ C ó m o
n o s e m e h a b í a o c u r r i d o antes! L a decisión n o era d e m i i n c u m -
bencia. ¿ N o había dicho H o w a r d q u e haría lo q u e él considerase

68
C ó m o vendí m i alma

j u s t o , c o n independencia de mis conclusiones? Yo p o d í a c o m p l a -


cer a mis jefes p r e s e n t a n d o un crecimiento e c o n ó m i c o elevado, y
él decidiría lo q u e le pareciese. Mi trabajo no tendría n i n g u n a in-
fluencia en el plan m a e s t r o . T o d o el m u n d o hacía hincapié en la
i m p o r t a n c i a de mi función, p e r o estaban e q u i v o c a d o s . Sentí q u e
se d e s p r e n d í a de mis h o m b r o s un p e s o e n o r m e , y me q u e d é p r o -
fundamente dormido.
P o c o s días m á s tarde, H o w a r d cayó e n f e r m o de una grave in-
fección. Lo llevamos de urgencias al hospital de la misión católica.
L o s m é d i c o s le recetaron fármacos p e r o r e c o m e n d a r o n su evacua-
ción i n m e d i a t a a E s t a d o s U n i d o s . El nos a s e g u r ó q u e tenía ya t o -
d o s los d a t o s necesarios y q u e completaría el e s t u d i o de cargas en
B o s t o n . S u s palabras de d e s p e d i d a para mí fueron u n a repetición
de su anterior advertencia.
« N o hay necesidad d e maquillar los n ú m e r o s — d i j o — . D i l o
q u e quieras s o b r e los milagros del desarrollo e c o n ó m i c o , p e r o yo
no voy a ser cómplice de esa estafa.»

69
f

L
SEGUNDA
PARTE
1971-1975
6

Mi papel de inquisidor

S e g ú n nuestros contratos con las autoridades indonesias, el Asian


D e v e l o p m e n t B a n k y U S A I D , una persona de nuestro e q u i p o
debía inspeccionar los principales núcleos habitados de la región
abarcada por el plan maestro. Fui n o m b r a d o para encargarme de
esta misión. C o m o dijo Charlie: « H a s sobrevivido en la A m a z o n i a ,
así q u e ya sabes c ó m o arreglártelas entre insectos, serpientes y a g u a
no p o t a b l e » .
J u n t o a mi chófer y un intérprete visité m u c h o s lugares esplén-
d i d o s y me alojé en sitios bastante lúgubres. H a b l é con los h o m b r e s
de n e g o c i o s y los dirigentes políticos locales y escuché sus opiniones
s o b r e las perspectivas de desarrollo e c o n ó m i c o . No o b s t a n t e , me
pareció notar una cierta reticencia a compartir información conmi-
g o . E r a c o m o si les intimidase mi presencia. Por n o r m a me decían
q u e tenían que consultarlo con sus jefes, con las agencias de la ad-
ministración o con los despachos centrales de sus empresas en Ya-
karta. L l e g u é a sospechar si existía algún tipo de conspiración de si-
lencio contra mí.
E s t o s d e s p l a z a m i e n t o s solían ser b r e v e s , d e d o s o tres días
c o m o mucho. Entre uno y otro yo regresaba al Wisma de Ban-
d u n g . L a m u j e r q u e l o r e g e n t a b a tenía u n h i j o a l g u n o s a ñ o s
m á s j o v e n q u e y o . S e l l a m a b a R a s m o n , p e r o t o d o e l m u n d o ex-
c e p t o s u m a d r e l e l l a m a b a Rasy. E s t u d i a b a ciencias e c o n ó m i c a s
en la u n i v e r s i d a d local y no t a r d ó en m a n i f e s t a r i n t e r é s p o r mi
trabajo. Intuí que tarde o temprano acabaría p i d i é n d o m e un

73
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

empleo. Al m i s m o tiempo e m p e z ó a enseñarme el indonesio


bahasa.
La creación de un i d i o m a fácil de aprender había sido la pri-
m e r a p r e o c u p a c i ó n del presidente S u k a r n o c u a n d o c o n s i g u i ó li-
brar a I n d o n e s i a de los holandeses. En ese archipiélago se h a b l a n
1
m á s de 3 5 0 l e n g u a s y dialectos; S u k a r n o c o m p r e n d i ó q u e su país
necesitaba un l e n g u a j e c o m ú n a fin de unificar a los p o b l a d o r e s de
las n u m e r o s a s islas y culturas. Para ello c o n t r a t ó a un e q u i p o in-
ternacional de lingüistas, y el indonesio bahasa fue el r e s u l t a d o ,
c o n m u y b u e n a f o r t u n a , p o r cierto. B a s a d o en el m a l a y o , evitaba
b u e n a p a r t e de las c o n j u g a c i o n e s , los verbos irregulares y otras
c o m p l i c a c i o n e s características de m u c h a s l e n g u a s naturales. A co-
m i e n z o s de la d é c a d a de 1 9 7 0 lo h a b l a b a la mayoría de los i n d o -
nesios, a u n q u e estos seguían e m p l e a n d o el javanés y los d e m á s dia-
lectos locales d e n t r o de sus respectivas c o m u n i d a d e s . Rasy era un
m a e s t r o e s t u p e n d o , c o n gran sentido del h u m o r , y c o m p a r a d o c o n
el shuar, o incluso el español, el estudio del bahasa resultaba fácil.
R a s y tenía un c i c l o m o t o r y se e m p e ñ ó en m o s t r a r m e su ciu-
d a d y su g e n t e . « V o y a enseñarte un a s p e c t o de I n d o n e s i a q u e
todavía no has v i s t o » , me p r o m e t i ó una t a r d e , i n v i t á n d o m e a m o n -
tar detrás de él en su m á q u i n a .
P a s a m o s p o r teatrillos d e s o m b r a s , o r q u e s t a s d e i n s t r u m e n t o s
tradicionales, e s c u p e f u e g o s , malabaristas y b u h o n e r o s q u e vendían
t o d a clase d e artículos, d e s d e música americana d e c o n t r a b a n d o
hasta las m á s curiosas artesanías indígenas. P o r fin a t e r r i z a m o s en
u n a m i n ú s c u l a cafetería p o b l a d a de h o m b r e s y m u j e r e s j ó v e n e s
cuya i n d u m e n t a r i a , s o m b r e r o s y p e i n a d o habrían q u e d a d o perfec-
tos en un recital de los Beatles a fines de la d é c a d a de 1 9 6 0 . P e r o
t o d o s ellos eran i n c o n f u n d i b l e m e n t e indonesios. R a s y m e presen-
tó a un g r u p o q u e o c u p a b a una de las m e s a s , y q u e n o s h i z o un
hueco.
T o d o s h a b l a b a n inglés c o n mayor o m e n o r soltura, p e r o a g r a -
d e c i e r o n y e l o g i a r o n mis esfuerzos p o r e x p r e s a r m e en bahasa.
A b o r d a n d o e l t e m a c o n franqueza m e p r e g u n t a r o n p o r q u é los
e s t a d o u n i d e n s e s n u n c a se t o m a b a n la molestia de a p r e n d e r su
i d i o m a . N o s u p e q u é contestar. N i c o n s e g u í a explicarme p o r q u é

74
M i papel d e inquisidor

era yo el único americano o e u r o p e o en aquella p a r t e de la c i u d a d ,


c u a n d o p u l u l a b a n tantos de ellos en el G o l f a n d R a c k e t C l u b , los
restaurantes finos, los cines y los s u p e r m e r c a d o s de lujo.
E s a n o c h e la recordaré t o d a la vida. Rasy y sus a m i g o s me tra-
t a r o n c o m o a u n o de los suyos. E x p e r i m e n t é u n a sensación de eu-
foria al hallarme allí c o m p a r t i e n d o su c i u d a d , su c o m i d a y su m ú -
sica, a s p i r a n d o el h u m o de los cigarrillos de clavo y o t r o s a r o m a s
característicos de sus vidas, b r o m e a n d o y r i e n d o con ellos. E r a
c o m o volver al Peace C o r p s y me p r e g u n t é q u é me había h e c h o
q u e r e r viajar en primera clase y alejarme de p e r s o n a s c o m o a q u é -
llas. C o n f o r m e avanzaba la velada e m p e z a r o n a tirarme de la len-
g u a , d e s e o s o s de c o n o c e r mis opiniones s o b r e su país y s o b r e la
g u e r r a q u e e s t á b a m o s h a c i e n d o e n V i e t n a m . T o d o s s e manifesta-
r o n escandalizados por lo q u e llamaban « u n a invasión ilegal» y
m u y aliviados al c o m p r o b a r q u e yo c o m p a r t í a sus p u n t o s de vista.
C u a n d o r e g r e s a m o s era tarde y el p a r a d o r e s t a b a a oscuras. Le
agradecí efusivamente a Rasy q u e me hubiese invitado a su m u n d o
y él me d i o las gracias p o r haber h a b l a d o c o n f r a n q u e z a a sus ami-
g o s . P r o m e t i m o s repetirlo en otra o c a s i ó n , n o s d e s p e d i m o s con
un a b r a z o y nos e n c a m i n a m o s a nuestras respectivas habitaciones.
E s t a experiencia con Rasy d e s p e r t ó mi interés p o r pasar m á s
t i e m p o lejos d e mis colegas d e M A I N . L a m a ñ a n a siguiente tenía
prevista u n a reunión c o n Charlie. Le conté mis dificultades para
o b t e n e r información de los dirigentes locales. A d e m á s , m u c h a s de
las estadísticas q u e yo necesitaba para desarrollar las predicciones
e c o n ó m i c a s se encontraban sólo en los d e s p a c h o s oficiales de Ya-
karta. E n consecuencia, a m b o s convinimos q u e y o d e b í a pasar e n
la capital una o d o s semanas.
Charlie me e x p r e s ó su pesar por verme o b l i g a d o a a b a n d o n a r
B a n d u n g para s u m e r g i r m e en el b o c h o r n o de la m e t r ó p o l i y yo
fingí aceptarlo de mala g a n a . En mi fuero interno, sin e m b a r g o ,
a g u a r d a b a con impaciencia la o p o r t u n i d a d de pasar a l g ú n t i e m p o
a solas, explorar Yakarta y alojarme en el elegante hotel I n t e r c o n -
tinental Indonesia. P e r o c u a n d o llegué a Yakarta descubrí q u e
a h o r a l o c o n t e m p l a b a t o d o desde una perspectiva diferente. L a ve-
lada en c o m p a ñ í a de Rasy y los jóvenes i n d o n e s i o s , así c o m o mis

75
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

viajes p o r el país, me habían c a m b i a d o . P o r otra p a r t e , t a m b i é n


veía b a j o u n a luz diferente a mis c o m p a t r i o t a s . L a s j ó v e n e s ameri-
canas m e parecían m e n o s atractivas. L a valla metálica q u e r o d e a b a
el recinto de la piscina y las rejas de hierro en las ventanas de las
plantas inferiores a h o r a c o b r a b a n para mí un a s p e c t o o m i n o s o ,
c u a n d o antes apenas había r e p a r a d o en ellas. La c o m i d a de los lu-
j o s o s restaurantes del hotel e m p e z ó a p a r e c e r m e insípida.
Y otra cosa m á s . D u r a n t e mis reuniones con los dirigentes p o -
líticos y empresariales había o b s e r v a d o algunos detalles sutiles del
trato q u e me dispensaban. Detalles a los q u e no había c o n c e d i d o
i m p o r t a n c i a al principio, p e r o q u e ahora veía c o m o indicios de q u e
les m o l e s t a b a mi presencia. P o r ejemplo, c u a n d o u n o de ellos me
p r e s e n t a b a a o t r o , solía utilizar palabras en bahasa q u e s e g ú n mi
diccionario se traducían p o r inquisidor e interrogador. Preferí ocul-
tarles mi c o n o c i m i e n t o del i d i o m a (incluso mi intérprete estaba
convencido de q u e yo s ó l o sabía recitar un par de frases convencio-
nales) y me c o m p r é un b u e n diccionario bahasa-inglés, q u e consul-
taba con frecuencia tan p r o n t o c o m o salía de las reuniones.
P e n s é si a q u e l l o s apelativos serían coincidencias i d i o m á t i c a s o
interpretaciones mías e q u i v o c a d a s de las acepciones del dicciona-
rio. Intenté p e r s u a d i r m e de q u e era esto último. P e r o , c u a n t o m á s
t i e m p o p a s a b a r e u n i d o c o n aquellas gentes, m á s m e convencía d e
q u e yo era para ellas un intruso, a u n q u e hubiesen r e c i b i d o ó r d e -
nes superiores de c o o p e r a r c o n m i g o y no tuviesen m á s r e m e d i o
q u e s o p o r t a r m e . Yo no sabía si esas ó r d e n e s p r o c e d í a n de algún
funcionario del g o b i e r n o , de un b a n q u e r o , de un general o de la
e m b a j a d a e s t a d o u n i d e n s e . S ó l o sabía q u e , p o r m u c h o q u e m e re-
cibiesen en sus d e s p a c h o s , me ofreciesen té y contestasen cortes-
m e n t e a mis p r e g u n t a s , en el f o n d o q u e d a b a una s o m b r a de resig-
nación y de rencor.
E m p e z a b a a d u d a r t a m b i é n de sus contestaciones a mis pre-
g u n t a s y de la validez de sus d a t o s . Por e j e m p l o , yo n u n c a p o d í a
p r e s e n t a r m e p o r las b u e n a s e n los d e s p a c h o s c o n m i i n t é r p r e t e .
E r a o b l i g a d o c o n c e r t a r cita previa. L o cual, e n sí, n o c o n s t i t u í a
n i n g ú n h e c h o e x t r a ñ o , a u n q u e implicase para mí u n a s p é r d i d a s de
t i e m p o e n o r m e s . C o m o los teléfonos casi n u n c a f u n c i o n a b a n , era

76
Mi papel de inquisidor

p r e c i s o lanzarse a la caótica circulación de aquel laberinto de ca-


lles, cuyo t r a z a d o era tan c o m p l i c a d o q u e a veces t a r d á b a m o s una
hora en llegar a u n o s edificios situados a m e n o s de un k i l ó m e t r o
de distancia. Y u n a vez allí, nos o b l i g a b a n a c u m p l i m e n t a r irnos
i m p r e s o s . Al c a b o de un rato, a lo mejor hacía acto de presencia
u n secretario, q u i e n , s o n r i e n d o e d u c a d a m e n t e — s i e m p r e con esa
sonrisa cortés tan característica de los j a v a n e s e s — me p r e g u n t a b a
q u é tipo de información venía a solicitar. Y, al final me d a b a n día y
h o r a para la entrevista.
Invariablemente, esa fecha q u e d a b a para varios días m á s tarde
y, c u a n d o p o r fin l o g r a b a hacerme recibir, se limitaban a entregar-
me u n a carpeta con materiales p r e p a r a d o s de a n t e m a n o . L o s in-
dustriales me c o m u n i c a b a n sus p r o g r a m a c i o n e s a c i n c o y d i e z
años. L o s b a n q u e r o s ofrecían gráficos y tablas. Y los funcionarios
oficiales tenían listas de los proyectos a p u n t o de e m e r g e r de las ofi-
cinas técnicas para convertirse en m o t o r e s del crecimiento e c o n ó -
m i c o . T o d o lo q u e transmitían esos capitanes de la industria y de la
a u t o r i d a d pública, y t o d o lo q u e manifestaban d u r a n t e las entrevis-
tas, tendía a indicar q u e Java se disponía a a b o r d a r el boom posible-
m e n t e m á s g r a n d e q u e ninguna e c o n o m í a hubiese c o n o c i d o antes.
N a d i e , ni u n o s o l o , cuestionó nunca esa premisa ni me ofreció nin-
g u n a información de s i g n o negativo.
M i e n t r a s r e g r e s a b a a B a n d u n g , sin e m b a r g o , yo iba lleno de
d u d a s en c u a n t o a estas experiencias, en cuyo t r a s f o n d o se adivina-
ba a l g o m u y inquietante. E r a c o m o si t o d o lo q u e e s t á b a m o s ha-
c i e n d o en I n d o n e s i a fuese una especie de j u e g o sin relación con la
realidad. M á s bien c o m o una partida de p ó q u e r , las cartas ocultas
y t o d o s d e s c o n f i a n d o de las informaciones q u e i n t e r c a m b i á b a m o s .
P e r o ésta era una partida a m u e r t e , pues de sus resultados iban a
d e p e n d e r millones de vidas durante los p r ó x i m o s decenios.

77
f
7

La civilización a prueba

Q uiero q u e c o n o z c a s a un dalang — a n u n c i ó Rasy, radian-


t e — . Y a sabes, los f a m o s o s t i t i r i t e r o s indonesios. — E r a
evidente s u satisfacción por tenerme d e n u e v o e n B a n d u n g — . E s t a
n o c h e da una función m u y i m p o r t a n t e en el barrio.
M e llevó con s u c i c l o m o t o r p o r partes d e l a c i u d a d q u e n o
sabía ni q u e existieran, atravesando barriadas de kampong, casas
tradicionales de J a v a q u e parecían t e m p l o s en miniatura p e r o en
versión p o b r e , c o n cubiertas de teja. Allí no se veían las espléndi-
d a s m a n s i o n e s coloniales holandesas ni los edificios de oficinas a
los q u e y o e s t a b a a c o s t u m b r a d o . L a p o b l a c i ó n era visiblemente
h u m i l d e p e r o lo llevaba con gran d i g n i d a d . Vestían sarongs es-
t a m p a d o s en batik, deshilachados p e r o l i m p i o s , blusas de vivos
c o l o r e s y s o m b r e r o s a n c h o s de paja. En t o d a s p a r t e s f u i m o s reci-
b i d o s c o n sonrisas y cordialidad. C u a n d o n o s d e t u v i m o s , los ni-
ñ o s a c u d i e r o n c o r r i e n d o a t o c a r m e y a palpar la tela de mis va-
q u e r o s . U n a chiquilla me p r e n d i ó en el cabello u n a fragante flor
de frangipani.
E s t a c i o n a m o s la motocicleta cerca de un t e a t r o al aire libre
d o n d e se habían c o n g r e g a d o ya varios centenares de p e r s o n a s ,
u n a s de pie y otras sentadas en sillas p l e g a b l e s . El cielo c o m p l e t a -
m e n t e d e s p e j a d o a u g u r a b a una noche e s p l é n d i d a . A u n q u e está-
b a m o s en el c e n t r o de la c i u d a d vieja de B a n d u n g , no h a b í a a l u m -
b r a d o p ú b l i c o y las estrellas titilaban s o b r e nuestras c a b e z a s . En el
aire flotaban a r o m a s de c a c a h u e t e , de clavo, de h o g u e r a s de leña.

79
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

R a s y d e s a p a r e c i ó e n t r e la m u l t i t u d y r e g r e s ó e n s e g u i d a ,
a c o m p a ñ a d o d e m u c h o s d e los jóvenes q u e m e había p r e s e n t a d o
en la cafetería. Me invitaron a té caliente con galletas y sate, q u e
son b o c a d i t o s de carne frita en aceite de cacahuete. D e b í p o n e r
cara de perplejidad al verlos, p o r q u e una de las jóvenes a p u n t ó con
el d e d o a un f o g ó n p e q u e ñ o : « C a r n e m u y fresca — r i ó — . Recién
hecha».
E n t o n c e s c o m e n z ó la m ú s i c a , la m á g i c a y alucinante m e l o d í a
del ¿amelan, un i n s t r u m e n t o cuyo s o n i d o recuerda las c a m p a n a s
de los t e m p l o s .
— E l dalang toca t o d a la música él solo — s u s u r r ó R a s y — .
T a m b i é n m u e v e t o d o s los m u ñ e c o s y c o m p o n e t o d a s las voces en
varios i d i o m a s . I r e m o s t r a d u c i é n d o t e l o q u e d i g a .
F u e u n a representación n o t a b l e , en la q u e se c o m b i n a r o n las
leyendas tradicionales con los acontecimientos de actualidad. M á s
tarde me enteré de q u e el dalang es un c h a m á n q u e a c t ú a en esta-
do de trance. Tenía m á s de un centenar de títeres y h a b l a b a p o r
c a d a u n o d e ellos c o n v o z diferente. F u e una n o c h e inolvidable
para mí, q u e ha ejercido u n a influencia p e r d u r a b l e en t o d a mi vida.
D e s p u é s de recitar una selección de textos clásicos del a n t i g u o
R a m a y a n a , el dalang s a c ó un m u ñ e c o q u e era R i c h a r d N i x o n , c o n
la inconfundible nariz en pico de p a t o y los mofletes. El presiden-
te de E s t a d o s U n i d o s iba vestido de T í o S a m , con el c h a q u é y el
s o m b r e r o de c o p a a rayas y estrellas c o m o la b a n d e r a nacional. Le
d a b a la réplica o t r o m u ñ e c o , éste luciendo un traje de rayadillo fi-
nanciero. E n u n a m a n o llevaba u n cesto d e c o r a d o c o n e l s í m b o l o
del d ó l a r y en la otra e m p u ñ a b a una b a n d e r a a m e r i c a n a , con la q u e
d a b a viento a N i x o n c o m o un criado a b a n i c a n d o a su a m o .
D e t r á s d e estos d o s personajes apareció u n m a p a d e O r i e n t e
P r ó x i m o y E x t r e m o O r i e n t e . L o s distintos países e s t a b a n c o l g a d o s
de g a n c h o s en sus posiciones. N i x o n se acercó e n s e g u i d a al m a p a ,
d e s e n g a n c h ó V i e t n a m y se lo llevó a la b o c a . En s e g u i d a se p u s o a
gritar y lo q u e dijo me fue t r a d u c i d o c o m o : « E s t á a m a r g o ! ¡Puaf!
¡Ya t e n e m o s suficiente!», y lo a r r o j ó al cesto.
A c o n t i n u a c i ó n file h a c i e n d o lo m i s m o con o t r o s países. Para
s o r p r e s a mía, sin e m b a r g o , n o c o n t i n u ó con las d e m á s naciones

80
La civilización a p r u e b a

asiáticas s e g ú n la «teoría del d o m i n ó » . Lo hacía con los del Orien-


te P r ó x i m o , c o m o Palestina, Kuwait, Arabia S a u d í , I r a q , Siria e
Irán. L u e g o c o n t i n u ó con Pakistán y Afganistán. C a d a v e z , el m u -
ñ e c o de N i x o n gritaba algún epíteto antes de arrojar el país al ces-
t o . Y t o d a s esas veces, sus gritos eran i m p r o p e r i o s anti-islámicos:
«perros musulmanes», «engendros de M o h a m m e d » y «demonios
islámicos».
La multitud e m p e z a b a a soliviantarse y la tensión crecía cada
vez q u e o t r o país iba a parar al cesto. La g e n t e , p o r lo visto, no sa-
bía si reír, a s o m b r a r s e o m o n t a r en cólera. A veces parecía q u e los
escandalizaban las palabras del titiritero. E m p e c é a p r e o c u p a r m e .
En m e d i o de aquella multitud, mi aspecto y estatura llamaban la
atención, y pensé q u e la indignación p o p u l a r p o d r í a volverse con-
tra mí. E n t o n c e s N i x o n dijo una c o s a q u e me p u s o los pelos de
p u n t a c u a n d o Rasy me la t r a d u j o .
— E s t e se lo d a r e m o s al B a n c o M u n d i a l . V e a m o s si se p u e d e
sacar u n p o c o d e dinero d e Indonesia.
D e s c o l g ó I n d o n e s i a del m a p a y se acercó al cesto para a r r o -
jarla t a m b i é n , p e r o en ese preciso instante saltó a escena un n u e v o
p r o t a g o n i s t a . R e p r e s e n t a b a a un indonesio en camisa de batik y
p a n t a l ó n caqui de s o l d a d o . Llevaba un parche con su n o m b r e cla-
r a m e n t e legible.
— E s u n político p o p u l a r aquí e n B a n d u n g — e x p l i c ó Rasy.
El m u ñ e c o se interpuso entre N i x o n y el h o m b r e del cesto, y
alzó la m a n o .
— ¡ A l t o ! — g r i t ó — . ¡Indonesia es un país s o b e r a n o !
La m u l t i t u d r o m p i ó en un aplauso. E n t o n c e s el h o m b r e del
cesto e n a r b o l ó la bandera a m o d o de lanza y atravesó con ella al in-
d o n e s i o , q u e trastabilló y falleció m u y d r a m á t i c a m e n t e . El p ú b l i c o
p r o r r u m p i ó en a b u c h e o s , imprecaciones y gritos, a g i t a n d o los p u -
ños a l z a d o s al aire. N i x o n y el h o m b r e del cesto se q u e d a r o n mi-
r á n d o n o s , impasibles, hicieron sendas reverencias y a b a n d o n a r o n
el escenario.
— C r e o q u e será m e j o r q u e me vaya —le dije a Rasy. El me r o -
d e ó los h o m b r o s c o n el b r a z o en un g e s t o p r o t e c t o r — . T r a n q u i l o
— d i j o — . N o v a contra t i personalmente.

81
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

Y o n o e s t a b a tan s e g u r o . C u a n d o nos h u b i m o s p u e s t o a b u e n
r e c a u d o en la cafetería, Rasy y los d e m á s me a s e g u r a r o n q u e no es-
taban i n f o r m a d o s de q u e iba a haber un c o r t o satírico N i x o n - B a n -
co Mundial.
— N u n c a se sabe p o r d ó n d e van a salir esos titiriteros — d i j o
u n o d e los j ó v e n e s .
Cavilé en v o z alta si se habría m o n t a d o e x p r e s a m e n t e p a r a mí.
U n o de ellos rió y c o m e n t ó q u e yo tenía un c o n c e p t o m u y eleva-
d o d e m í m i s m o . « T í p i c a m e n t e a m e r i c a n o » , dijo d á n d o m e unas
p a l m a d i t a s en la espalda.
— L o s i n d o n e s i o s s o m o s gente m u y politizada — d i j o o t r o
q u e e s t a b a s e n t a d o detrás d e m í — . ¿Es q u e e n N o r t e a m é r i c a n o
t i e n e n e s p e c t á c u l o s c o m o éste?
E n f r e n t e , u n a m u j e r m u y bella, estudiante de l e n g u a inglesa
en la universidad, se inclinó hacia mí y me p r e g u n t ó :
— ¿ E s v e r d a d q u e usted trabaja para e l B a n c o M u n d i a l ?
Le dije q u e actualmente era e m p l e a d o del Asian D e v e l o p m e n t
B a n k y de la U S A I D , la A g e n c i a e s t a d o u n i d e n s e p a r a el desarrollo
internacional.
— P e r o ¿no son lo m i s m o ? —y sin a g u a r d a r respuesta, prosi-
g u i ó — : ¿ N o s o n c o m o l a función q u e h e m o s visto esta noche?
¿ N o es cierto q u e el g o b i e r n o de usted mira a I n d o n e s i a y a o t r o s
países c o m o u n cesto de...? — S e d e t u v o b u s c a n d o l a p a l a b r a .
— ¿ U n cesto d e uvas? — o f r e c i ó u n o d e sus a m i g o s .
— E x a c t o . Un c e s t o de uvas. Puedes e s c o g e r este r a c i m o y este
o t r o . M e q u e d o c o n Inglaterra. A C h i n a , m e l a c o m o . I n d o n e s i a ,
no la q u i e r o .
— P e r o no sin llevarse antes t o d o el p e t r ó l e o — r e m a c h ó otra
mujer.
Intenté d e f e n d e r m e , p e r o era m u c h a tarea para mí s o l o . Q u i s e
a l a b a r m e por haber e n t r a d o en aquel barrio y p o r haber c o n t e m -
p l a d o t o d a la función sin protestar contra su anti-americanismo,
q u e a d e m á s p o d í a h a b e r m e t o m a d o c o m o una ofensa personal.
Q u i s e q u e apreciaran lo q u e yo había hecho, q u e supieran q u e yo
era el único de t o d o mi e q u i p o q u e se había m o l e s t a d o en aprender
bahasa y d e s e a b a c o n o c e r su cultura, y señalar q u e había sido el úni-

82
La civilización a p r u e b a

co extranjero presente en la fruición. Pero decidí q u e sería m e j o r no


m e n c i o n a r nada de eso. E r a preferible cambiar de conversación.
L e s p r e g u n t é p o r q u é , en opinión de ellos, el dalang se había fija-
do en los países islámicos, con excepción de V i e t n a m .
L a bella estudiante d e inglés soltó u n a carcajada.
— ¡ P o r q u e ése es el plan!
— V i e t n a m n o e s más q u e una m a n i o b r a d e diversión —inter-
vino u n o d e los h o m b r e s — . C o m o H o l a n d a l o fue para los nazis.
Un p e l d a ñ o de la escalada.
— E l blanco real es el m u n d o m u s u l m á n — c o n t i n u ó la mujer.
Pensé q u e no p o d í a dejarlo pasar sin réplica.
— S i n d u d a n o creerán ustedes q u e E s t a d o s U n i d o s v a contra
el islam — p r o t e s t é .
— A h ¿no? — p r e g u n t ó ella—. ¿ Y d e s d e c u á n d o n o e s así? N o
tiene m á s q u e leer a u n o de sus p r o p i o s historiadores. El británico
T o y n b e e . Allá p o r los a ñ o s cincuenta, él p r e d i j o q u e la auténtica
g u e r r a del p r ó x i m o siglo no estaría entre c o m u n i s t a s y capitalistas,
sino entre cristianos y m u s u l m a n e s .
— ¿ A r n o l d T o y n b e e dijo eso? — p r e g u n t é c o n a s o m b r o .
— S í . L e a u s t e d El juicio a la civilización y El mundo y el Occi-
dente.
— P e r o ¿por q u é iba a producirse tal a n i m o s i d a d entre musul-
m a n e s y cristianos? — p l a n t e é .
C a m b i a r o n miradas e n t o r n o a la m e s a . C o m o si les costase
creer q u e alguien friese c a p a z de formular u n a p r e g u n t a tan tonta.
— P o r q u e Occidente... — e m p e z ó muy despacio, c o m o quien
habla a un interlocutor a l g o lento de e n t e n d i m i e n t o , o d u r o de
o í d o — , y en especial su líder, E s t a d o s U n i d o s , está d e c i d i d o a
a p o d e r a r s e del m u n d o , a convertirse en el i m p e r i o m á s g r a n d e de
la historia. Ya se halla m u y cerca de c o n s e g u i r l o . La U n i ó n Sovié-
tica es la única q u e se lo i m p i d e , p e r o los soviéticos van a d u r a r
p o c o . T o y n b e e s u p o verlo. N o tienen n i n g u n a religión, n i n g u n a
fe, n i n g u n a sustancia m á s allá de su i d e o l o g í a . La historia d e -
m u e s t r a q u e la fe, lo espiritual, la creencia en un p o d e r superior,
es esencial. N o s o t r o s los m u s u l m a n e s la t e n e m o s . T e n e m o s de
e s o m á s q u e nadie en el m u n d o , incluso m á s q u e los cristianos.

83
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

Así q u e e s t a m o s a la e s p e r a , mientras t a n t o n o s h a c e m o s c a d a v e z
m á s fuertes.
— N o s t o m a r e m o s n u e s t r o t i e m p o — i n t e r v i n o o t r o — , y lue-
g o a t a c a r e m o s c o m o l a serpiente.
— ¡ Q u é idea m á s horrible! — e x c l a m é sin p o d e r contener-
m e — . ¿ Q u é p o d e m o s hacer para c a m b i a r esto?
La e s t u d i a n t e de inglés me m i r ó a los o j o s .
— D e j a r d e ser tan codiciosos. Y tan egoístas — d i j o — . C o m -
p r e n d e r q u e hay a l g o más en el m u n d o q u e vuestros rascacielos y
vuestras tiendas de l u j o . La gente se m u e r e de h a m b r e y v o s o t r o s
s ó l o os p r e o c u p á i s de q u e no falte c o m b u s t i b l e para vuestros co-
ches. L o s niños se m u e r e n de s e d mientras v o s o t r o s buscáis las úl-
timas m o d a s en las revistas. L a s naciones, c o m o la nuestra, se están
h u n d i e n d o en la miseria, p e r o vue str o p u e b l o no escucha los gri-
t o s p i d i e n d o auxilio. No escucháis a quienes intentan c o n t a r o s es-
tas c o s a s . L o s llamáis radicales, o c o m u n i s t a s . Sería preciso q u e
abrierais los c o r a z o n e s a los p o b r e s y d e s a m p a r a d o s , en vez de e m -
pujarlos hacia u n a p o b r e z a y una s e r v i d u m b r e m á s g r a n d e s t o d a -
vía. N o o s q u e d a m u c h o t i e m p o . S i n o c a m b i á i s , estáis a c a b a d o s .
P o c o s días m á s t a r d e , el p o p u l a r político de B a n d u n g , cuyo
m u ñ e c o se había r e b e l a d o contra N i x o n y había s i d o atravesado
c o n un a lanza p o r el h o m b r e del c e s t o , m u r i ó a t r o p e l l a d o p o r un
c o n d u c t o r q u e se dio a la fuga.

84
8

Un Jesús diferente

E l r e c u e r d o de a q u e l dalang me p e r s e g u í a . Y lo m i s m o las
p a l a b r a s de la bella estudiante de inglés. E s a n o c h e e B a n -
d u n g me c a t a p u l t ó a un p l a n o n u e v o del p e n s a m i e n t o y del
s e n t i m i e n t o . A u n q u e n o sería e x a c t o decir q u e antes h u b i e s e ig-
n o r a d o las i m p l i c a c i o n e s d e l o q u e e s t á b a m o s h a c i e n d o e n I n d o -
nesia, p o r lo general yo c o n s e g u í a t r a n q u i l i z a r m e a p e l a n d o al ra-
c i o c i n i o , a los p r e c e d e n t e s históricos, al i m p e r a t i v o b i o l ó g i c o .
J u s t i f i c a b a n u e s t r a intervención c o m o u n a s p e c t o d e l a c o n d i c i ó n
h u m a n a y me p e r s u a d í a de q u e Einar, C h a r l i e y los d e m á s o b r á -
b a m o s , s e n c i l l a m e n t e , c o m o s i e m p r e l o han h e c h o los h o m b r e s :
a t e n d i e n d o a las n e c e s i d a d e s p r o p i a s así c o m o a las de n u e s t r a s
familias.
P e r o mi discusión con aquellos jóvenes i n d o n e s i o s me había
o b l i g a d o a ver o t r o aspecto de la cuestión. M i r a n d o a través de los
o j o s d e ellos, m e d a b a cuenta d e q u e u n p l a n t e a m i e n t o e g o í s t a
en política exterior no sirve ni p r o t e g e a las generaciones futuras en
n i n g u n a p a r t e . E s u n a p o s t u r a tan m i o p e c o m o los informes anua-
les de las e m p r e s a s y las estrategias electorales de los políticos q u e
definen esa política exterior.
M i e n t r a s t a n t o , resultaba ser cierto q u e la b ú s q u e d a de d a t o s
para mis proyecciones e c o n ó m i c a s me imponía frecuentes visitas a
Yakarta. De este m o d o c o n t a b a con m u c h o s ratos a solas para ca-
vilar s o b r e estas cuestiones y escribir mis reflexiones en un diario.
C a m i n a b a p o r las calles de la ciudad r e p a r t i e n d o m o n e d a s a los

85
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

m e n d i g o s y t r a t a n d o de entablar conversación con l e p r o s o s , p r o s -


titutas y p i l l u d o s callejeros.
Al m i s m o tiempo, meditaba sobre la naturaleza de la ayuda
exterior y c o n s i d e r a b a el papel legítimo q u e los países desarrolla-
d o s (los PD en la j e r g a del B a n c o M u n d i a l ) p o d í a n ejercer para
contribuir a paliar el atraso y la miseria de los países m e n o s desa-
rrollados (los P M D ) . E m p e z a b a a plantearme c u á n d o es auténtica
la a y u d a y c u á n d o no es más q u e codicia e interés egoísta. O m e -
j o r d i c h o , e m p e z a b a a d u d a r de q u e tal ayuda fuese a l g u n a v e z al-
truista. Y si no lo era, me p r e g u n t a b a , ¿qué hacer para c a m b i a r esa
situación? Sin d u d a los países c o m o el m í o estaban o b l i g a d o s a ha-
cer a l g o decisivo para ayudar a los enfermos y los h a m b r i e n t o s del
planeta, p e r o yo estaba bastante s e g u r o de q u e ése no solía ser el
móvil principal de nuestra intervención.
C o n lo q u e r e t o r n á b a m o s a la cuestión principal: si la finali-
d a d de la a y u d a exterior era el imperialismo, ¿tan m a l o era eso?
C o n frecuencia envidiaba a h o m b r e s c o m o Charlie, tan convenci-
d o s d e l a b o n d a d d e n u e s t r o sistema q u e a n d a b a n e m p e ñ a d o s e n
i m p o n é r s e l o al resto del m u n d o . D a d a la limitación de los recursos
del planeta, me parecía d u d o s o q u e t o d a la p o b l a c i ó n m u n d i a l p u -
diese alcanzar el o p u l e n t o nivel de vida de E s t a d o s U n i d o s . ¡Si in-
cluso este país tiene a millones de sus c i u d a d a n o s en c o n d i c i o n e s
d e p o b r e z a ! A d e m á s , n o q u e d a b a del t o d o claro para m í q u e las
g e n t e s de otras naciones quisieran realmente vivir c o m o n o s o t r o s .
N u e s t r a s estadísticas s o b r e violencia, d e p r e s i o n e s , t o x i c o m a n í a s ,
divorcios y delincuencia indicaban q u e pese a ser u n a de las socie-
d a d e s m á s ricas de la historia, tal v e z é r a m o s t a m b i é n una de las
m e n o s felices. ¿Para q u é iban a desear imitarnos las demás?
Tal vez C l a u d i n e me lo había advertido. Ya no estaba m u y se-
g u r o d e l o q u e ella había tratado d e explicarme. E n cualquier c a s o ,
y discusiones intelectuales a p a r t e , para mí resultaba d o l o r o s a m e n -
te claro q u e mis días de inocencia habían t e r m i n a d o . Escribí en mi
diario:

¿Se p u e d e ser inocente en E s t a d o s U n i d o s ? Es v e r d a d q u e


quienes o c u p a n la cúspide de la pirámide e c o n ó m i c a cosechan

86
U n J e s ú s diferente

g r a n d e s ganancias, p e r o millones d e n o s o t r o s , los d e m á s , d e -


p e n d e m o s directa o indirectamente de la explotación de los
países m e n o s desarrollados. L o s recursos y la m a n o de o b r a
barata q u e utilizan casi todas nuestras e m p r e s a s provienen de
lugares c o m o I n d o n e s i a , que apenas reciben n a d a a c a m b i o .
L o s créditos de la ayuda exterior son la garantía de q u e sus hi-
j o s y nietos seguirán siendo rehenes nuestros. T e n d r á n q u e
permitir el s a q u e o de sus recursos naturales p o r nuestras e m -
presas y seguirán privándose de e d u c a c i ó n , sanidad y d e m á s
servicios sociales, simplemente para p a g a r n o s la d e u d a . En esa
f ó r m u l a no interviene el h e c h o de q u e nuestras c o m p a ñ í a s ha-
yan r e c i b i d o ya la m a y o r parte del p a g o p o r la construcción de
esas centrales g e n e r a d o r a s , esos a e r o p u e r t o s y esos c o m p l e -
j o s industriales. Q u e la mayoría de los e s t a d o u n i d e n s e s d e s c o -
n o z c a n estas realidades, ;es excusa suficiente? D e s i n f o r m a d o s
y mal i n f o r m a d o s a d r e d e , sí, p e r o . . . ¿inocentes?

P o r s u p u e s t o , yo tenía q u e enfrentarme al h e c h o de ser u n o


de los d e d i c a d o s activamente a informar mal.
El c o n c e p t o de una guerra santa mundial era inquietante, p e r o
c u a n t o m á s lo p e n s a b a más me convencía de su posibilidad. Sin em-
b a r g o , me parecía q u e , caso de producirse la yihad, ésta no sería
t a n t o d e m u s u l m a n e s contra cristianos c o m o d e los P M D contra
los P D , quizá con el m u n d o islámico en funciones de avanzadilla.
N o s o t r o s los PD é r a m o s los usuarios de los recursos, y los P M D
eran los p r o v e e d o r e s . Es decir, el retorno del sistema mercantil co-
lonial, y t o d o dispuesto en favor de los q u e tuviesen el p o d e r y p o -
cos recursos naturales, a fin de explotar a los q u e tenían recursos
p e r o no el poder.
N o traía c o n m i g o ningún ejemplar d e los libros d e T o y n b e e ,
p e r o sabía de historia lo necesario para entender q u e c u a n d o la ex-
plotación de los p r o v e e d o r e s se p r o l o n g a , éstos acaban p o r r e b e -
larse. No tenía m á s q u e fijarme en T o m Paine y nuestra g u e r r a de
independencia. R e c o r d é q u e los británicos justificaban el c o b r o
de tributos a r g u m e n t a n d o q u e Inglaterra p r o p o r c i o n a b a a y u d a a
las colonias, en f o r m a de protección militar frente a los franceses y

87
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

los indios. P e r o los c o l o n o s interpretaron la situación de una ma-


nera m u y diferente.
Lo q u e Paine ofreció a sus c o m p a t r i o t a s en su brillante pan-
fleto Sentido común era lo m i s m o q u e habían d i c h o mis a m i g o s in-
d o n e s i o s : un espíritu, una idea, la fe en la justicia de un p o d e r su-
perior y u n a religión de la libertad y la i g u a l d a d d i a m e t r a l m e n t e
o p u e s t a a la m o n a r q u í a inglesa y su elitista sistema de clases. L o s
m u s u l m a n e s ofrecían a l g o similar: la fe en un p o d e r superior y la
creencia de q u e los países desarrollados no tenían d e r e c h o a s u b -
y u g a r y explotar a los d e m á s países del m u n d o . C o m o aquellos mi-
nutemen de la colonia (voluntarios para formar en m e n o s de un
m i n u t o c u a n d o se diese la v o z de a l a r m a ) , los m u s u l m a n e s estaban
d i s p u e s t o s a luchar p o r sus derechos. Y n o s o t r o s , lo m i s m o q u e los
británicos en 1 7 7 0 , calificábamos sus acciones de a t e n t a d o s terro-
ristas. M á s q u e n u n c a , parecía cierto aquello de q u e la historia se
repite.
M e p r e g u n t a b a q u é clase d e m u n d o t e n d r í a m o s s i E s t a d o s
U n i d o s y sus aliados hubiesen d e d i c a d o el dinero q u e g a s t a r o n en
g u e r r a s coloniales, c o m o la de V i e t n a m , a erradicar el h a m b r e o a
facilitar e d u c a c i ó n y servicios básicos de sanidad a t o d o s , incluidos
los n u e s t r o s . Me p r e g u n t é c ó m o se verían afectadas las g e n e r a c i o -
nes del f u t u r o si n o s d e d i c á s e m o s a eliminar las causas de la mise-
ria y a p r o t e g e r los acuíferos, los b o s q u e s y las c o m a r c a s naturales
q u e a d e m á s d e p r o p o r c i o n a r n o s a g u a p o t a b l e y aire p u r o a p o r t a n
otras c o s a s q u e alimentan el espíritu t a n t o c o m o el c u e r p o . Yo no
p o d í a creer q u e nuestros p a d r e s f u n d a d o r e s h u b i e s e n p r o p u e s t o
q u e el d e r e c h o a la vida, a la libertad y a la b ú s q u e d a de la felicidad
existiera s ó l o p a r a los e s t a d o u n i d e n s e s . En consecuencia, ¿por q u é
i m p u l s á b a m o s a h o r a estrategias tendentes a implantar valores im-
perialistas, c o m o los q u e ellos habían c o m b a t i d o ?
D u r a n t e m i última n o c h e e n I n d o n e s i a m e d e s p e r t ó u n a p e -
sadilla. Me senté en la c a m a y encendí la luz. Tenía la sensación de
no estar s o l o en la habitación. Miré a mi a l r e d e d o r c o n t e m p l a n d o
el c o n o c i d o mobiliario del H o t e l I n t e r c o n t i n e n t a l , sus tapices de
batik, los m u ñ e c o s articulados del teatro de s o m b r a s c o l g a d o s en
m a r c o s . E n t o n c e s r e c o r d é l o q u e a c a b a b a d e soñar.

88
U n J e s ú s diferente

Me había visto en presencia de Jesucristo. Parecía el m i s m o


con quien yo hablaba todas las noches c u a n d o era niño para con-
fiarle mis p e n s a m i e n t o s después de recitar las oraciones de rigor.
E x c e p t o q u e el Jesús de mi infancia era r u b i o y de piel blanca, y
éste tenía el pelo ensortijado y la tez oscura. I n c l i n á n d o s e , c a r g ó
a l g o s o b r e sus espaldas. Pero no era la c r u z , sino un eje de a u t o -
móvil. U n a de las llantas sobresalía por encima de su c a b e z a a m a -
nera de aureola de metal. Por su frente r o d a b a n g o t a s de g r a s a , en
vez de s a n g r e . Al incorporarse me miró cara a cara, y dijo:
— S i yo regresara hoy, me verías de otra m a n e r a —y al pre-
guntarle p o r q u é , a g r e g ó — : P o r q u e e l m u n d o h a c a m b i a d o .
El d e s p e r t a d o r me informó de q u e faltaba p o c o para el a m a n e -
cer. C o n s c i e n t e de q u e no conseguiría volver a conciliar el s u e ñ o ,
me vestí, bajé con el ascensor a la recepción, q u e estaba desierta, y
salí al jardín c o n t i g u o a la piscina. La noche era de luna llena y las
o r q u í d e a s p e r f u m a b a n el aire. Me senté en una t u m b o n a y me pre-
g u n t é q u é estaba haciendo allí y c ó m o las coincidencias de la vida
me habían llevado p o r ese camino. ¿Por q u é Indonesia? Mi vida ha-
bía c a m b i a d o , p e r o aún no sabía hasta q u é p u n t o .

A mi r e g r e s o , Ann y yo coincidimos en París para intentar u n a re-


conciliación. Pero incluso durante aquellas vacaciones francesas se-
g u i m o s p e l e á n d o n o s . A u n q u e h u b o m u c h o s m o m e n t o s especiales
y h e r m o s o s , creo q u e a m b o s a c a b a m o s p o r c o m p r e n d e r q u e los lar-
g o s años de cólera y resentimiento eran un o b s t á c u l o insalvable. E s -
taban a d e m á s las muchas cosas q u e yo no p o d í a contar. La única
persona con quien podía compartir mis impresiones era Claudine
y p e n s a b a en ella constantemente. Ann y yo aterrizamos en el bos-
toniano a e r o p u e r t o de L o g a n y el taxi nos llevó a nuestros aparta-
m e n t o s separados de Back Bay.

89
Una oportunidad en la vida

L a verdadera prueba de Indonesia me a g u a r d a b a en el cuartel ge-


neral de M A I N . Acudí al edificio Prudential Center a primera
hora de la mañana. Mientras esperaba el ascensor j u n t o con docenas
de e m p l e a d o s , me enteré de que M a c Hall, el enigmático y o c t o g e -
nario presidente y consejero delegado de M A I N , había n o m b r a d o a
Einar presidente de la oficina de Portland ( O r e g ó n ) . En consecuen-
cia, yo pasaba a rendir cuentas oficialmente a B r u n o Z a m b o t t i .
A B r u n o le llamaban «el z o r r o p l a t e a d o » p o r el color de sus
cabellos y p o r su p r o d i g i o s a habilidad para eliminar a cualquier ri-
val q u e se atreviese a desafiarle. De aspecto p u l c r o y atildado cual
C a r y G r a n t , tenía gran elocuencia y d o s títulos superiores en inge-
niería y administración de empresas. E n t e n d í a de cálculos e c o n o -
métricos y era vicepresidente de la división de g e n e r a c i ó n eléctrica
de M A I N , c o n lo q u e recaía bajo su responsabilidad la m a y o r par-
te de n u e s t r o s p r o y e c t o s internacionales. E r a t a m b i é n el candida-
to p r e d e s t i n a d o a o c u p a r la presidencia de la c o r p o r a c i ó n c u a n d o
s e jubilase s u anciano m e n t o r Jake D a u b e r . C o m o l a mayoría d e
los e m p l e a d o s de M A I N , a B r u n o Z a m b o t t i yo le tenía p á n i c o y
un respeto reverencial.
P o c o antes de la hora del a l m u e r z o me llamó a su d e s p a c h o .
D e s p u é s d e u n cordial d i á l o g o acerca d e I n d o n e s i a m e dijo una
cosa q u e casi me hizo saltar del asiento.
—Voy a despedir a H o w a r d Parker. No es necesario entrar en
detalles, excepto que ese h o m b r e ha perdido el sentido de la reali-

91
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

d a d . — S o n r e í a con desconcertante satisfacción, sin e m b a r g o , mien-


tras repicaba c o n el índice en un m o n t ó n de papeles q u e tenía sobre
el escritorio—. El o c h o por ciento anual, ¡figúrate! E s a ha sido su
previsión de carga. ¡Para un país con el potencial de Indonesia!
La sonrisa se desvaneció mientras me miraba a los o j o s .
— C h a r l i e Illingworth m e h a dicho q u e t u proyección e c o n ó -
mica c u m p l e los objetivos y justificará un crecimiento de la carga
entre el diecisiete y el veinte por ciento. ¿Es cierto eso?
Le a s e g u r é q u e lo era.
El se p u s o en pie y me tendió la m a n o .
— T e felicito. A c a b a s d e ganar u n ascenso.
Lo o p o r t u n o tal vez habría sido salir y celebrarlo en un b u e n
restaurante c o n los c o m p a ñ e r o s de M A I N . . . o siquiera fuese a
solas. P e r o y o s ó l o p e n s a b a e n C l a u d i n e . M e m o r í a d e g a n a s d e
contarle lo del ascenso así c o m o t o d a s mis aventuras en I n d o n e s i a .
Ella me había a d v e r t i d o q u e nunca la llamase d e s d e el extranjero,
y yo me había a b s t e n i d o de hacerlo. C o n no p o c a c o n t r a r i e d a d p o r
mi p a r t e , a h o r a d e s c u b r í a q u e su teléfono estaba d e s c o n e c t a d o y
sin n i n g ú n m e n s a j e de continuidad q u e indicase un n u e v o n ú m e -
ro. Salí a buscarla.
S u a p a r t a m e n t o estaba o c u p a d o p o r u n a pareja joven. A u n -
q u e era m e d i o d í a , me pareció q u e los había s a c a d o de la c a m a . Vi-
siblemente m o l e s t o s , dijeron no saber nada de C l a u d i n e . F u i a ha-
blar con la a g e n c i a inmobiliaria h a c i é n d o m e pasar p o r un p r i m o de
ella. S e g ú n los archivos, el a p a r t a m e n t o nunca estuvo a l q u i l a d o a
n o m b r e d e n i n g u n a C l a u d i n e . E l inquilino anterior había s i d o u n
h o m b r e q u e prefirió mantenerse en el a n o n i m a t o . R e g r e s é al P r u -
dential Center. E n e l d e p a r t a m e n t o d e personal d e M A I N t a m p o -
co c o n s t a b a el n o m b r e . Lo q u e sí reconocieron fue q u e tenían un
fichero de « a s e s o r e s especiales», p e r o yo no estaba a u t o r i z a d o a
consultarlo.
P o r la tarde me sentí a g o t a d o y e m o c i o n a l m e n t e e x h a u s t o .
Para c o l m o , e m p e z a b a a acusar los efectos de un fuerte jet lag. En
m i solitario a p a r t a m e n t o m e sentí d e s e s p e r a d a m e n t e a b a n d o n a d o .
El a s c e n s o no significaba n i n g ú n aliciente para mí. P e o r a ú n , lo
q u e significaba era q u e yo estaba d i s p u e s t o a v e n d e r m e .

92
U n a o p o r t u n i d a d en la vida

M e arrojé s o b r e l a c a m a , a b r u m a d o p o r l a desesperación.
C l a u d i n e me había utilizado y l u e g o se había d e s h e c h o de mí. D e -
cidí silenciar mis e m o c i o n e s para no permitir q u e se a p o d e r a s e de
mí la angustia. T u m b a d o en la c a m a me q u e d é c o n t e m p l a n d o las
p a r e d e s d e s n u d a s durante l o q u e m e parecieron horas.
Al fin c o n s e g u í rehacerme. P o n i é n d o m e en pie, vacié de un
t r a g o u n a cerveza y r o m p í la botella contra la m e s a . A continua-
ción me a s o m é afuera. Me pareció verla q u e salía de u n a bocacalle
lejana y c a m i n a b a hacia mí. Me precipité hacia la p u e r t a , p e r o en-
s e g u i d a r e g r e s é otra vez a la ventana para a s e g u r a r m e . La m u j e r es-
t a b a m á s cerca. E r a atractiva y sus andares me r e c o r d a b a n los de
C l a u d i n e , p e r o no era ella. El c o r a z ó n me dio un vuelco y mis sen-
timientos p a s a r o n de la cólera y el d e s p e c h o al m i e d o .
P o r un instante p a s ó ante mis o j o s la i m a g e n de C l a u d i n e d e -
r r u m b á n d o s e , cayendo bajo una lluvia de balas, asesinada. S a c u d í
la c a b e z a , me t o m é un Valium y seguí b e b i e n d o hasta q u e d a r dor-
mido.
A la m a ñ a n a siguiente, una llamada del d e p a r t a m e n t o de per-
sonal d e M A I N m e d e s p e r t ó d e m i estupor. E l jefe, Paul M o r m i -
n o , m e a s e g u r ó q u e c o m p r e n d í a m i necesidad d e descansar, p e r o
q u e no dejara de p a s a r m e p o r el d e s p a c h o aquella m i s m a t a r d e .
— S o n buenas noticias. L o m e j o r para rehacerse d e l a travesía,
—dijo.
O b e d e c í y me enteré de q u e B r u n o había c u m p l i d o s o b r a d a -
m e n t e s u palabra. N o m e colocaban e n e l p u e s t o d e H o w a r d , sino
q u e me ascendían a e c o n o m i s t a jefe y me d a b a n un a u m e n t o de
s u e l d o . E s o m e levantó u n p o c o e l á n i m o .
Me t o m é la tarde libre y fui a pasear a orillas del río Charles
con u n a botella de cerveza en la m a n o . Me senté a c o n t e m p l a r las
regatas mientras c o m b a t í a los efectos c o m b i n a d o s del jet la¿[ y de
la resaca. Me convencí de q u e C l a u d i n e se había limitado a hacer
su t r a b a j o y l u e g o había p a s a d o al siguiente. Ella siempre hacía
hincapié en la necesidad del secreto. Me llamaría ella. M o r m i n o te-
nía r a z ó n . La fatiga de la travesía —y la a n s i e d a d — se disiparon.
D u r a n t e las s e m a n a s siguientes p r o c u r é no pensar en C l a u d i -
ne. Me d e d i q u é a escribir mi dictamen s o b r e la e c o n o m í a i n d o n e -

93
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

sia, así c o m o a corregir los p r o n ó s t i c o s de H o w a r d . H a s t a dejar en


l i m p i o el tipo de e s t u d i o q u e mis jefes querían ver: un crecimiento
m e d i o del 19 p o r ciento en la d e m a n d a eléctrica anual d u r a n t e los
p r i m e r o s d o c e a ñ o s , a contar desde la puesta en m a r c h a del n u e v o
sistema, cüsminuyendo p o c o a p o c o hasta el 17 p o r ciento d u r a n -
te los o c h o a ñ o s siguientes, y m a n t e n i é n d o s e finalmente en un cre-
cimiento del 15 por ciento d u r a n t e los últimos cinco a ñ o s , de los
veinticinco q u e c o n t e m p l a b a la previsión.
P r e s e n t é mis c o n c l u s i o n e s en u n a reunión formal c o n las
a g e n c i a s financieras internacionales e n c a r g a d a s de los c r é d i t o s .
S u s e q u i p o s de e x p e r t o s me i n t e r r o g a r o n l a r g a m e n t e y sin c o n -
t e m p l a c i o n e s . Para e n t o n c e s mis e m o c i o n e s se habían c o n v e r t i d o
e n u n a especie d e d e t e r m i n a c i ó n o b s t i n a d a , n o m u y diferente d e
la r e b e l d í a q u e me inflamaba en mis t i e m p o s de instituto. Sin e m -
bargo, el recuerdo de Claudine nunca me abandonaba. C u a n d o
un e c o n o m i s t a j o v e n e impertinente del Asian D e v e l o p m e n t B a n k
d e s e o s o de destacar delante de sus jefes me acribilló a p r e g u n t a s
d u r a n t e t o d a u n a t a r d e , r e c o r d é e l c o n s e j o q u e m u c h o s m e s e s an-
tes m e h a b í a d a d o C l a u d i n e , s e n t a d o s los d o s e n s u a p a r t a m e n t o
de B e a c o n S t r e e t . « ¿ Q u i é n es c a p a z de prever el f u t u r o a veinti-
c i n c o a ñ o s vista? — h a b í a p r e g u n t a d o — . T u s c o n j e t u r a s valen tan-
t o c o m o las d e ellos. S ó l o e s cuestión d e tener confianza e n u n o
mismo.»
Así p u e s , me convencí a mí m i s m o de q u e era un e x p e r t o . R e -
c o r d é q u e tenía m á s experiencia de la vida en los países m e n o s d e -
s a r r o l l a d o s q u e m u c h o s d e los presentes, a l g u n o s d e los cuales m e
d o b l a b a n en e d a d , r e u n i d o s para j u z g a r mi t r a b a j o . Yo había esta-
do en la A m a z o n i a y había visitado lugares de Java p o r d o n d e ellos
ni siquiera se atreverían a pasar. H a b í a asistido a un par de cursillos
a c e l e r a d o s , o r i e n t a d o s a enseñar nociones de cálculo e c o n o m é t r i -
co a los ejecutivos. Me consideraba m i e m b r o de la nueva genera-
ción de j ó v e n e s p r o d i g i o fanáticos de la estadística y e n a m o r a d o s
de la e c o n o m e t r í a , é m u l o s de M c N a m a r a , el altanero presidente
del B a n c o M u n d i a l , ex presidente de F o r d M o t o r C o m p a n y y
ex secretario de D e f e n s a en t i e m p o s de Kennedy. E s e fue un h o m -
bre q u e se labró su reputación con los n ú m e r o s , con la teoría de

94
U n a o p o r t u n i d a d en la vida

las p r o b a b i l i d a d e s , con los m o d e l o s m a t e m á t i c o s , y — s o s p e c h a b a


y o — c o n u n a elevadísima opinión de sí m i s m o .
T r a t é de imitar a M c N a m a r a y a B r u n o , mi jefe, a d o p t a n d o al-
g u n o s giros de expresión del primero y los andares jactanciosos del
s e g u n d o , c o n el maletín c o l g a d o balanceándose a mi p a s o . A h o r a
q u e lo r e c u e r d o , me a d m i r o de mi propia osadía. A decir v e r d a d ,
mis c o n o c i m i e n t o s eran m u y limitados. L o q u e m e faltaba e n cuan-
to a formación y práctica lo suplí a base de audacia.
Y salió bien. A su d e b i d o t i e m p o , el g r u p o de e x p e r t o s p u s o
su sello de «visto b u e n o » a mis informes.
D u r a n t e los m e s e s siguientes asistí a r e u n i o n e s en T e h e r á n ,
C a r a c a s , G u a t e m a l a , L o n d r e s , Viena y W a s h i n g t o n . Fui presenta-
do a personajes f a m o s o s c o m o el sha de Irán, los ex presidentes de
varios países y el m i s m o R o b e r t M c N a m a r a en p e r s o n a . Al igual
q u e m i instituto, era u n m u n d o exclusivamente m a s c u l i n o . M e
s o r p r e n d i ó c o m p r o b a r c ó m o afectaban a las actitudes de otras per-
s o n a s para c o n m i g o tanto mi nuevo título c o m o el r u m o r de mis
triunfos recientes ante las instituciones financieras internacionales.
Al principio, todas estas atenciones se me subieron a la cabeza.
E m p e c é a creerme un m a g o Merlín cuya varita m á g i c a agitada so-
bre un país haría brotar la luz eléctrica y desplegarse las industrias
c o m o otras tantas flores. M á s tarde me d e s e n g a ñ é , y desconfiaba de
mis p r o p i o s motivos tanto c o m o de los de t o d a s las personas q u e
me r o d e a b a n . Me parecía q u e ni las licenciaturas ni o t r o s títulos
más s o n o r o s calificaban a nadie para c o m p r e n d e r la condición la-
mentable de un leproso q u e vive al l a d o de ima cloaca en Yakarta;
y d u d a b a de q u e la habilidad para manipular estadísticas implica-
se n i n g u n a capacidad para ver el futuro. C u a n t o más conocía a las
personas responsables de las decisiones q u e determinaban la mar-
cha del m u n d o , m á s crecía mi escepticismo en c u a n t o a su capaci-
d a d y sus intenciones. Y c u a n d o los veía cerca de mí, sentados a
las mesas de reunión, me costaba un gran esfuerzo disimular mi
cólera.
C o n el tiempo, no o b s t a n t e , t a m b i é n esta m a n e r a de ver las
c o s a s c a m b i ó . P u d e c o m p r e n d e r q u e l a mayoría d e a q u e l l o s h o m -
bres se hallaban c o n v e n c i d o s de estar h a c i e n d o lo b u e n o y lo j u s -

95
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

t o . Lo m i s m o q u e C h a r l i e , creían q u e el c o m u n i s m o y el terroris-
mo eran fuerzas del M a l , no las previsibles reacciones frente a
decisiones t o m a d a s p o r ellos m i s m o s o p o r sus a n t e c e s o r e s . Y se
c o n s i d e r a b a n en el d e b e r de c o n s e g u i r la c o n v e r s i ó n de t o d o el
planeta al c a p i t a l i s m o , p o r o b l i g a c i ó n ante sus países, ante sus hi-
j o s y n i e t o s y ante D i o s . A d e m á s creían en el principio de la s u -
pervivencia de los m á s a p t o s : ya q u e ellos habían t e n i d o la b u e n a
s u e r t e de n a c e r en el s e n o de una clase privilegiada, y no en u n a
b a r r a c a de c a r t o n e s , debían transmitir esa herencia a sus d e s c e n -
dientes.
Yo d u d a b a de considerar a tales personas v e r d a d e r o s conspira-
d o r e s o s i m p l e m e n t e m i e m b r o s de u n a cofradía q u e m a q u i n a b a el
p r o p ó s i t o d e d o m i n a r e l m u n d o . M á s tarde m e d i o p o r c o m p a r a r -
los con los a m o s de las plantaciones sureñas de antes de la g u e r r a
civil. Serían, p o r consiguiente, irnos h o m b r e s unidos p o r unas
creencias c o m u n e s y u n o s intereses c o m p a r t i d o s , sin necesidad de
p r e s u p o n e r ningún g r u p o exclusivo q u e se reuniese en recónditas
m a d r i g u e r a s p a r a tramar sus siniestros planes. E s o s latifundistas au-
tócratas habían crecido r o d e a d o s de sirvientas y de esclavos, y se les
había e d u c a d o en la creencia de q u e tenían d e r e c h o a ello p o r naci-
m i e n t o . E incluso se creían o b l i g a d o s a hacerse responsables de los
« p a g a n o s » y convertirlos a la religión y al m o d o de vida de los
a m o s . A u n q u e aborreciesen la esclavitud desde el p u n t o de vista fi-
losófico, s i g u i e n d o a T h o m a s Jefferson p o d í a n justificarla c o m o ne-
cesidad, cuyo d e s m o r o n a m i e n t o habría d e s e n c a d e n a d o el caos eco-
n ó m i c o y social. L o s dirigentes de las oligarquías m o d e r n a s , o lo
q u e yo e m p e z a b a a llamar la corporatocracia, parecían encajar en
ese m o l d e .
Al m i s m o tiempo e m p e z a b a a plantearme quién se beneficia
c o n la g u e r r a y la p r o d u c c i ó n en masa de a r m a m e n t o , la c o n s t r u c -
ción de g r a n d e s presas y la destrucción del m e d i o a m b i e n t e y de
las culturas indígenas. ¿A quién beneficia la m u e r t e de cientos
de miles de seres h u m a n o s p o r inanición, p o r beber a g u a s c o n t a -
m i n a d a s , p o r e n f e r m e d a d e s curables en otras latitudes?, me pre-
g u n t a b a . P o c o a p o c o fui c o m p r e n d i e n d o q u e , a la larga, e s o no
beneficia a nadie p e r o , a c o r t o p l a z o , sí parecía beneficiar a los q u e

96
U n a o p o r t u n i d a d en la vida

o c u p a b a n la cúspide de la pirámide, c o m o mis jefes y yo. Al m e n o s


materialmente.
P e r o esto planteaba otras m u c h a s p r e g u n t a s . ¿Por q u é persis-
te tal situación? ¿Por q u é ha sido tolerada t a n t o tiempo? ¿Reside la
respuesta s i m p l e m e n t e en el viejo principio de «la r a z ó n de la fuer-
za»? ¿ L o s q u e tienen el p o d e r perpetúan el sistema?
Aducir q u e la situación se a p o y a b a en el m e r o u s o de la fuer-
za no me parecía suficiente. A u n q u e la p r o p o s i c i ó n de q u e los
fuertes se alzan con la r a z ó n explica m u c h a s c o s a s , yo intuía la p r e -
sencia de o t r o factor más decisivo. R e c o r d é a un profesor de teo-
ría e c o n ó m i c a de mis t i e m p o s en la E A D E , h o m b r e o r i u n d o del
n o r t e de la India q u e solía tratar los temas de la limitación de re-
c u r s o s , la necesidad h u m a n a del p r o g r e s o y los orígenes del escla-
v i s m o c o m o sistema. S e g ú n aquel profesor, t o d o s los sistemas ca-
pitalistas q u e han tenido éxito se han b a s a d o en jerarquías con u n a
c a d e n a d e m a n d o rígida, e n d o n d e u n g r u p o r e d u c i d o c o n t r o l a b a
d e s d e la c u m b r e los estratos sucesivos de s u b o r d i n a d o s , hasta lle-
g a r a la g r a n masa de los trabajadores, m a n o de o b r a cautiva en el
s e n t i d o e c o n ó m i c o del término. Finalmente, llegué a la conclusión
de q u e a p o y a m o s este sistema p o r q u e la c o r p o r a t o c r a c i a n o s ha
c o n v e n c i d o de q u e D i o s nos o t o r g a el d e r e c h o a situar a a l g u n o s
de los nuestros en la cima de esa pirámide capitalista y a e x p o r t a r
nuestro sistema al resto del m u n d o .
N o h e m o s s i d o los p r i m e r o s , por s u p u e s t o . L a lista d e los an-
tecedentes se retrotrae a los a n t i g u o s imperios del n o r t e de África,
de Oriente P r ó x i m o y de Asia; y continúa con los persas, los grie-
g o s , los r o m a n o s , los c r u z a d o s cristianos y t o d o s los e u r o p e o s
c o n s t r u c t o r e s de imperios de la é p o c a p o s c o l o m b i n a . E s e afán im-
perialista ftie y continúa siendo la causa de b u e n a parte de las g u e -
rras, la c o n t a m i n a c i ó n , las h a m b r u n a s , la desaparición de especies
y los g e n o c i d i o s . Y, d e s d e siempre, ha c o b r a d o un severo tributo a
la conciencia y al bienestar de los c i u d a d a n o s , ha c o n t r i b u i d o al
malestar social y ha d a d o lugar a una situación en la q u e las cultu-
ras m á s prósperas de la historia de la h u m a n i d a d se hallan afectadas
p o r los índices más elevados de suicidios, t o x i c o m a n í a s y delitos
violentos.

97
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

S o b r e estas cuestiones reflexionaba a s i d u a m e n t e , p e r o p r o c u -


r a n d o evitar la consideración de mi p r o p i o papel en t o d o ello. T r a -
t a b a d e v e r m e a m í m i s m o n o c o m o u n g á n g s t e r e c o n ó m i c o sino
c o m o un e c o n o m i s t a jefe. ¡ S o n a b a tan legítimo!, y si necesitaba al-
g u n a confirmación no tenía m á s q u e mirar las liquidaciones de mi
s u e l d o : t o d a s provenían de M A I N , una c o r p o r a c i ó n privada. A mí
no me daban un céntimo ni la N S A ni ningún otro organismo pú-
blico. Y de este m o d o me tranquilizaba. Casi.
U n a t a r d e , B r u n o me llamó a su d e s p a c h o . Me invitó a sen-
t a r m e , se c o l o c ó al l a d o de mi sillón y me dio una p a l m a d a en el
hombro.
— H a h e c h o u s t e d u n t r a b a j o excelente — r o n r o n e ó — . Para
d e m o s t r a r l e q u e lo a p r e c i a m o s , v a m o s a darle la g r a n o p o r t u n i d a d
d e s u vida. L o q u e m u c h o s h o m b r e s q u e l e d o b l a n a u s t e d e n e d a d
no han conseguido nunca.

98
10

Presidente y héroe de Panamá

A terricé en el a e r o p u e r t o internacional T o c u m e n de P a n a m á
una noche de abril de 1 9 7 2 , en pleno a g u a c e r o tropical. C o m -
partí el taxi con varios ejecutivos m á s , s e g ú n era c o s t u m b r e en
aquellos tiempos, y c o m o hablaba español me senté delante, al lado
del conductor. Me q u e d é a b s o r t o mirando al frente. A través de la
cortina de lluvia, los faros del vehículo iluminaron una valla con el
retrato de un h o m b r e de agradables facciones, cejas p o b l a d a s y o j o s
brillantes. Llevaba un s o m b r e r o de ala ancha y levantada gallarda-
m e n t e a un lado. Lo conocía. E r a Ornar Torrijos, el héroe del Pa-
namá moderno.
H a b í a p r e p a r a d o este viaje a mi m a n e r a a c o s t u m b r a d a , visi-
t a n d o la sala de lectura de la biblioteca pública de B o s t o n . No ig-
n o r a b a q u e una de las razones de la p o p u l a r i d a d de T o r r i j o s entre
los suyos era su firme defensa tanto de la a u t o d e t e r m i n a c i ó n de
P a n a m á c o m o de la reivindicación de la soberanía s o b r e el C a n a l .
E s t a b a d e c i d i d o a evitar q u e su país, b a j o su l i d e r a z g o , incurriera
de n u e v o en los i g n o m i n i o s o s errores de su historia p a s a d a .
Panamá formaba parte de C o l o m b i a c u a n d o el ingeniero
francés F e r d i n a n d de L e s s e p s , q u e había dirigido la construcción
del canal de S u e z , decidió abrir a través del i s t m o c e n t r o a m e r i c a n o
u n a vía para enlazar los o c é a n o s Atlántico y Pacífico. Iniciadas las
o b r a s en 1 8 8 1 , el d e s c o m u n a l esfuerzo del francés sufrió una lar-
ga serie de catástrofes. H a s t a q u e , en 1 8 8 9 , el p r o y e c t o a c a b ó en
la q u i e b r a financiera. P e r o le inspiró un s u e ñ o a T h e o d o r e R o o s e -

99
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

velt. A c o m i e n z o s del siglo X X , E s t a d o s U n i d o s e x i g i ó q u e C o -


l o m b i a f i r m a s e u n t r a t a d o q u e p o n í a e l i s t m o e n m a n o s d e u n con-
sorcio n o r t e a m e r i c a n o . L o s c o l o m b i a n o s s e n e g a r o n .
En 1 9 0 3 , el presidente R o o s e v e l t envió a la z o n a el a c o r a z a d o
Nashville. L o s s o l d a d o s estadounidenses d e s e m b a r c a r o n , se a p o d e -
raron de un p o p u l a r c o m a n d a n t e de la milicia, al q u e d i e r o n m u e r -
te, y declararon la independencia de P a n a m á . Q u e d ó i n s t a u r a d o un
g o b i e r n o títere y firmado el primer T r a t a d o del C a n a l . Establecía
u n a z o n a e s t a d o u n i d e n s e a a m b o s lados del t r a z a d o , legalizaba la
intervención militar e s t a d o u n i d e n s e y cedía prácticamente a Was-
h i n g t o n el control s o b r e la recién constituida nación « i n d e p e n -
diente».
L o m á s c u r i o s o e s q u e e l t r a t a d o l o f i r m a r o n H a y , secretario
de E s t a d o , y un ingeniero francés, Philippe Bunau-Varilla, q u e ha-
bía s i d o m i e m b r o del e q u i p o inicial, sin intervención de n i n g ú n
p a n a m e ñ o . E n esencia, P a n a m á s e i n d e p e n d i z ó d e C o l o m b i a e n
beneficio d e E s t a d o s U n i d o s , e n u n a c u e r d o r u b r i c a d o p o r u n es-
t a d o u n i d e n s e y un francés. Un c o m i e n z o profético, si lo m i r a m o s
1
retrospectivamente.
Durante más de un siglo, Panamá estuvo regido por una
oligarquía de familias ricas fuertemente vinculadas a W a s h i n g t o n .
E r a n dictadores de extrema derecha q u e t o m a b a n t o d a s las disposi-
ciones necesarias p a r a garantizar q u e su país fomentase los intereses
de E s t a d o s U n i d o s . Similares en esto a la mayoría de los dictadores
latinoamericanos aliados de Washington, los dirigentes de P a n a m á
entendieron q u e los intereses de E s t a d o s U n i d o s incluían la repre-
sión de cualquier m o v i m i e n t o populista q u e oliese a socialismo.
T a m b i é n p r e s t a r o n a p o y o a la C Í A y la N S A para sus actividades an-
ticomunistas en t o d o el hemisferio y ayudaron a las g r a n d e s c o m -
pañías e s t a d o u n i d e n s e s c o m o la S t a n d a r d Oil de Rockefeller y la
U n i t e d F r u i t C o m p a n y (más tarde adquirida p o r G e o r g e H . W .
B u s h ) . E v i d e n t e m e n t e , esos g o b i e r n o s no creían q u e favoreciese a
los intereses de E s t a d o s U n i d o s n i n g u n a m e j o r a del nivel de vida
de sus c i u d a d a n o s , q u e vivían en u n a miseria e s p a n t o s a o trabaja-
ban prácticamente c o m o esclavos en las g r a n d e s empresas y planta-
ciones.

100
Presidente y héroe de P a n a m á

L a s familias dirigentes p a n a m e ñ a s recibieron una b u e n a re-


c o m p e n s a p o r s u colaboración. Para defenderlas, E s t a d o s U n i d o s
intervino militarmente una d o c e n a de veces entre la declaración de
i n d e p e n d e n c i a del país y 1 9 6 8 . P e r o en esta fecha, y mientras yo
e s t a b a todavía en E c u a d o r c o m o voluntario del Peace C o r p s , el
r u m b o d e l a historia p a n a m e ñ a c a m b i ó d e p r o n t o . U n g o l p e d e
E s t a d o d e r r i b ó a Arnulfb Arias, el ú l t i m o de a q u e l linaje de dicta-
d o r e s , y Ornar T o r r i j o s , a u n q u e no había p a r t i c i p a d o activamente
2
en el g o l p e , llegó a la jefatura del E s t a d o .
T o r r i j o s e s t a b a m u y bien c o n s i d e r a d o entre las clases m e d i a s e
inferiores d e P a n a m á . E r a o r i u n d o d e S a n t i a g o d e V e r a g u a s , d o n -
d e sus p a d r e s fueron maestros d e escuela. H i z o u n a rápida carrera
en las filas de la G u a r d i a Nacional, la principal institución militar
del país, q u e durante l a d é c a d a d e 1 9 6 0 c o n t ó con u n a p o y o cada
v e z m á s d e c i d i d o entre las clases p o b r e s . T o r r i j o s tenia fama de es-
cuchar a los d e s p o s e í d o s . Visitaba las calles de las barriadas de cha-
b o l a s , celebraba mítines en s u b u r b i o s d o n d e n i n g ú n político se
atrevía a entrar, trataba de dar trabajo a los d e s e m p l e a d o s y c o n
frecuencia s o c o r r i ó con sus p r o p i o s y limitados recursos a familias
3
g o l p e a d a s p o r la e n f e r m e d a d o las c a t á s t r o f e s .
Su a m o r a la vida y su c o m p a s i ó n c o n la g e n t e t r a s p a s a r o n
las fronteras de P a n a m á . P o r iniciativa de T o r r i j o s , el país se c o n -
virtió en r e f u g i o de p e r s e g u i d o s y c o n c e d i ó asilo a los exiliados
d e los d o s b a n d o s del e s p e c t r o p o l í t i c o , d e s d e i z q u i e r d i s t a s d e l a
o p o s i c i ó n chilena c o n t r a P i n o c h e t hasta p r ó f u g o s d e l a guerrilla
anticastrista. M u c h o s lo c o n s i d e r a b a n un a g e n t e de la p a z y esa
p e r c e p c i ó n le valió los e l o g i o s de t o d o el h e m i s f e r i o . T a m b i é n
a d q u i r i ó p r e s t i g i o c o m o d i r i g e n t e c a p a z d e salvar las diferencias
q u e d e s t r o z a b a n a t a n t o s o t r o s países l a t i n o a m e r i c a n o s , c o m o
H o n d u r a s , Guatemala, El Salvador, Nicaragua, C u b a , C o l o m -
b i a , P e r ú , A r g e n t i n a , Chile y Paraguay. S u p e q u e ñ o país d e d o s
m i l l o n e s d e h a b i t a n t e s p a s a b a p o r ser u n m o d e l o d e r e f o r m a
social y u n a inspiración p a r a líderes tan d i v e r s o s c o m o los diri-
gentes obreros que tramaban el desmembramiento de la U n i ó n
S o v i é t i c a y los militantes islámicos c o m o el libio M o a m m a r al-
4
Gaddafi.

101
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

A q u e l l a primera noche en P a n a m á , d e t e n i d o s frente al semá-


f o r o y m i r a n d o más allá de las ruidosas escobillas del limpiaparabri-
sas, me i m p r e s i o n ó el h o m b r e q u e sonreía d e s d e el cartel: a p u e s t o ,
carismático y valeroso. Por las horas p a s a d a s en la biblioteca yo sa-
bía q u e había h e c h o h o n o r a sus convicciones. P o r primera vez en
su historia, P a n a m á no era un E s t a d o títere de W a s h i n g t o n ni de
nadie. T o r r i j o s nunca cedió a las tentaciones ofrecidas p o r M o s c ú o
Pekín. C r e í a en la reforma social y en ayudar a los nacidos en la p o -
b r e z a , p e r o no era partidario del c o m u n i s m o . A diferencia de C a s -
tro, estaba d e c i d i d o a independizarse de la tutela e s t a d o u n i d e n s e
sin entrar en alianzas con los e n e m i g o s de E s t a d o s U n i d o s .
En algún periódico de la hemeroteca me había t r o p e z a d o con
un artículo q u e elogiaba a Torrijos c o m o el h o m b r e q u e cambiaría
la historia de las Américas invirtiendo la tradicional tendencia a la
h e g e m o n í a estadounidense. En cuanto a ésta, el autor situaba sus
orígenes en la d o c m n a del « D e s t i n o Manifiesto». Es decir, la creen-
cia — m u y difundida hacia 1 8 4 0 entre los e s t a d o u n i d e n s e s — de q u e
la c o n q u i s t a de las tierras norteamericanas obedecía a un designio
divino. E r a D i o s , p o r tanto, y no el h o m b r e , quien había dispuesto
el exterminio de los indios, de los b o s q u e s y de los bisontes, la de-
secación de los p a n t a n o s , la canalización de los ríos y la imposición
de un sistema e c o n ó m i c o q u e requería la explotación incesante del
trabajo y de los recursos naturales.
E s t e artículo me llevó a u n a serie de reflexiones s o b r e las acti-
t u d e s de mi país frente al m u n d o . La doctrina M o n r o e de 1 8 2 3 ,
así llamada p o r su atribución al presidente J a m e s M o n r o e , se apli-
có a la generalización del D e s t i n o Manifiesto en las d é c a d a s de
1 8 5 0 y 1 8 6 0 , al afirmar q u e E s t a d o s U n i d o s disfrutaba de u n a j u -
risdicción especial s o b r e t o d o el hemisferio, q u e incluía el d e r e c h o
a invadir cualquier país de C e n t r o a m é r i c a o S u r a m é r i c a q u e no se
plegase a la política e s t a d o u n i d e n s e . T e d d y R o o s e v e l t i n v o c ó la
doctrina M o n r o e para justificar la intervención e s t a d o u n i d e n s e en
la R e p ú b l i c a D o m i n i c a n a , y l u e g o en Venezuela y d u r a n t e la «libe-
r a c i ó n » de P a n a m á c o n respecto a C o l o m b i a . Y t o d a u n a serie de
s u c e s o r e s , en especial Taft, Wilson y Franklin R o o s e v e l t , utilizaron
el m i s m o a r g u m e n t o en a p o y o de la expansión de las actividades

102
Presidente y h é r o e de P a n a m á

p a n a m e r i c a n a s de Washington hasta el final de la S e g u n d a G u e r r a


M u n d i a l . D u r a n t e la s e g u n d a mitad del siglo xx se a c u d i ó a la
a m e n a z a c o m u n i s t a para justificar u n a nueva generalización del
c o n c e p t o e incluir a países c o m o V i e t n a m e I n d o n e s i a .
P e r o ahora, p o r lo q u e parecía, un h o m b r e e s t o r b a b a las in-
tenciones de Washington. Yo sabía q u e no era el p r i m e r o , al haber-
le p r e c e d i d o o t r o s dirigentes c o m o C a s t r o y Allende, p e r o sólo T o -
rrijos lo intentaba sin acogerse a la ideología c o m u n i s t a y sin decir
q u e su m o v i m i e n t o fuese una revolución. Lo único q u e estaba di-
c i e n d o era q u e P a n a m á tenía sus derechos, en particular la sobera-
nía s o b r e sus gentes, s o b r e sus tierras y s o b r e la o b r a hidráulica q u e
dividía a éstas en d o s . Y estos derechos eran tan válidos y de origen
tan s a g r a d o c o m o los q u e pudiese pretender E s t a d o s U n i d o s .
Torrijos p r o t e s t a b a también contra la presencia de la E s c u e l a
de las Américas y del centro de instrucción para la guerra tropical
del C o m a n d o Sur, a m b o s instalados en la z o n a del C a n a l . D u r a n t e
a ñ o s , y p o r invitación de los militares estadounidenses, los d i c t a d o -
res y los presidentes de Latinoamérica enviaron a sus hijos así c o m o
a la oficialidad de sus ejércitos para que se formasen en dichos cen-
tros, los m á s grandes y los mejor e q u i p a d o s fuera del territorio de
E s t a d o s U n i d o s . Allí no sólo aprendieron tácticas militares, sino
t a m b i é n técnicas de interrogatorio y de lucha clandestina q u e les
servirían para c o m b a t i r el c o m u n i s m o y p r o t e g e r sus propias fortu-
nas así c o m o las de las compañías petroleras y otras corporaciones
privadas. La asistencia p r o p o r c i o n a b a a d e m á s la o p o r t u n i d a d de re-
lacionarse c o n los altos m a n d o s estadounidenses.
E r a n unas instituciones odiadas por los latinoamericanos, ex-
c e p t o p o r la minoría adinerada q u e se beneficiaba de ellas. Se sabía
q u e allí recibían entrenamiento los e s c u a d r o n e s de la m u e r t e ul-
traderechistas y los t o r t u r a d o r e s q u e habían i m p l a n t a d o regímenes
totalitarios e n t a n t o s países. T o r r i j o s d e j ó bien s e n t a d o q u e n o
d e s e a b a tener tales centros de entrenamiento en P a n a m á . . . y q u e
c o n s i d e r a b a incluida en sus fronteras la z o n a del C a n a l .
Al observar al a p u e s t o general del cartel y leer el texto i m p r e -
so b a j o su cara — « E l ideal de Ornar es la libertad, y no se ha in-
v e n t a d o el misil c a p a z de matar un i d e a l » — , sentí un escalofrío.

103
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

T u v e el p r e s e n t i m i e n t o de q u e la historia de P a n a m á d u r a n t e el si-
g l o XX no iba a terminar tan p r o n t o y de q u e le e s p e r a b a n a T o r r i -
jos t i e m p o s difíciles y tal vez trágicos.
Mientras la t o r m e n t a tropical a z o t a b a el parabrisas, el s e m á f o -
ro se p u s o en verde y n u e s t r o c o n d u c t o r urgió c o n el claxon al co-
che q u e t e n í a m o s delante. Me p u s e a reflexionar s o b r e mi p r o p i a si-
tuación. Se me enviaba a P a n a m á para cerrar el a c u e r d o de lo q u e
representaría el primer plan m a e s t r o de desarrollo v e r d a d e r a m e n t e
i n t e g r a d o q u e hubiese realizado M A I N . El plan sentaría las bases
p a r a q u e el B a n c o M u n d i a l , el B a n c o Interamericano de D e s a r r o l l o
y U S A I D invirtiesen miles de millones de dólares en los sectores
energético, del transporte y agrícola de ese p e q u e ñ o p e r o crucial
país. Y t o d o esto, naturalmente, era un subterfugio para e n d e u d a r
a P a n a m á p o r los siglos de los siglos y restablecer su c o n d i c i ó n de
títere.
M i e n t r a s el taxi a v a n z a b a a través de la o s c u r i d a d sentí un
fuerte r e m o r d i m i e n t o , p e r o me apresuré a reprimirlo. <Qué me
i m p o r t a b a ? Yo me había e m p l e a d o a f o n d o en J a v a , h a b í a v e n d i d o
mi a l m a , y a h o r a se p r e s e n t a b a la gran o p o r t u n i d a d de mi vida. P o -
día h a c e r m e rico, f a m o s o e influyente de una sola t a c a d a .

104
Piratas en la zona del Canal

A l día siguiente, las autoridades p a n a m e ñ a s me enviaron un


guía. Se llamaba Fidel y simpaticé al instante con él. E r a alto,
d e l g a d o y se veía q u e estaba o r g u l l o s o de su país. Su t a t a r a b u e l o
había c o m b a t i d o al l a d o de Bolívar p o r la independencia frente a
E s p a ñ a . Yo le conté q u e era descendiente de T o m Paine y me c o m -
plació enterarme de q u e Fidel había leído Sentido común en espa-
ñol. H a b l a b a inglés, p e r o c u a n d o d e s c u b r i ó q u e y o h a b l a b a s u
i d i o m a c o n facilidad se m o s t r ó m u y e m o c i o n a d o .
— M u c h o s c o m p a t r i o t a s suyos pasan años aquí y n u n c a se han
m o l e s t a d o e n aprenderlo — c o m e n t ó .
Fidel me llevó de p a s e o a un barrio de la c i u d a d q u e reflejaba
una p r o s p e r i d a d impresionante. D i j o q u e s e llamaba N e w P a n a m á .
M i e n t r a s c o n t e m p l á b a m o s los m o d e r n o s rascacielos de vidrio y
acero, me explicó q u e P a n a m á tenía más b a n c o s internacionales
q u e ningún o t r o país al sur del R í o G r a n d e .
— A m e n u d o nos llaman l a S u i z a d e las Américas — d i j o — .
H a c e m o s m u y p o c a s p r e g u n t a s a nuestros clientes.
M á s t a r d e , al atardecer y mientras el sol iba c a y e n d o hacia el
Pacífico, salimos a u n a avenida q u e seguía la curva de la bahía. Se
veía una larga fila de barcos anclados. Le p r e g u n t é a Fidel si esta-
ban t e n i e n d o a l g u n a dificultad con el canal.
— S i e m p r e están así — r i ó él—. H a c e n cola e s p e r a n d o su tur-
n o . La m i t a d de ellos van a J a p ó n o regresan de allí. M á s q u e a E s -
tados Unidos.

105
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

L e confesé q u e e s o era u n a n o v e d a d para mí.


— N o me sorprende —contestó—. Los norteamericanos no
prestan m u c h a atención al resto del m u n d o .
D e t u v o el c o c h e j u n t o a un h e r m o s o p a r q u e d o n d e se veían
unas ruinas antiguas recubiertas de buganvillas. S e g ú n la placa, per-
tenecían a un fuerte q u e se construyó para defender la c i u d a d con-
tra las incursiones de los piratas ingleses. U n a familia se disponía a
a c o m o d a r s e para cenar al aire libre: la m a d r e , el p a d r e , el niño y la
niña, y un h o m b r e anciano q u e sería el a b u e l o de los p e q u e ñ o s . De
s ú b i t o envidié la tranquilidad q u e expresaban aquellas cinco perso-
nas. C u a n d o p a s a m o s , la pareja sonrió, s a l u d ó c o n la m a n o y nos
d i o los b u e n o s días en inglés. L e s p r e g u n t é si eran turistas y ellos
soltaron u n a carcajada. El m a r i d o se acercó.
— S o y de la tercera generación de habitantes de la Z o n a
— a n u n c i ó c o n o r g u l l o — . M i a b u e l o llegó aquí tres a ñ o s d e s p u é s
de su i n a u g u r a c i ó n . C o n d u c í a las muías q u e entonces servían para
r e m o l c a r los b a r c o s p o r las esclusas.
A p u n t ó c o n u n a d e m á n a l viejo, q u e a n d a b a o c u p a d o c o n los
niños y p o n i e n d o la m e s a d e s p l e g a b l e .
— P a p á era ingeniero y yo he s e g u i d o sus p a s o s .
La m u j e r fue a ayudar al s u e g r o y a los niños. A espaldas de
ellos, el sol r o z a b a ya las a g u a s azules. E r a una escena de idílica be-
lleza, c o m o u n c u a d r o d e M o n e t . L e p r e g u n t é a l h o m b r e s i eran
ciudadanos estadounidenses.
El me m i r ó c o n aire de incredulidad.
— ¡ C l a r o ! L a Z o n a del C a n a l e s territorio e s t a d o u n i d e n s e .
El chico se acercó a decirle q u e la cena estaba servida.
— ; É 1 será la cuarta generación?
Mi interlocutor j u n t ó las m a n o s c o m o en oración y las levan-
tó hacia el cielo.
— T o d o s los días le r e z o al S e ñ o r para q u e le c o n c e d a esa
o p o r t u n i d a d . E s maravilloso vivir e n l a Z o n a . — L u e g o b a j ó l a v o z ,
m i r a n d o fijamente a F i d e l — . C o n f í o en q u e l o g r e m o s m a n t e n e r -
n o s a q u í o t r o s cincuenta a ñ o s . E s e d é s p o t a d e T o r r i j o s está m e -
t i e n d o m u c h o j a l e o . E s u n individuo p e l i g r o s o .
O b e d e c i e n d o a un i m p u l s o repentino, le contesté en español:

106
Piratas en la z o n a del C a n a l

—Adiós. Q u e lo pasen bien usted y su familia, y q u e a p r e n d a n


m u c h o de la cultura p a n a m e ñ a .
El h o m b r e frunció el ceño.
— N o h a b l o el i d i o m a de esa gente — d i j o , tras lo cual me vol-
vió la espalda y fue a reunirse con su familia y su cena.
Fidel se acercó y r o d e á n d o m e los h o m b r o s con el b r a z o , dijo:
—Gracias.
Al r e g r e s o , Fidel se metió en una barriada q u e describió c o m o
«barrio bajo».
— N o es el peor q u e t e n e m o s , p e r o servirá para q u e se h a g a
u n a idea.
Barracones de m a d e r a y charcos de a g u a s estancadas flanquea-
ban las calles. Aquellas frágiles viviendas parecían barcas varadas en
un cenagal. El olor a a g u a s c o r r o m p i d a s y a p o d r e d u m b r e invadió
el habitáculo del coche, al q u e seguía una patulea de crios barrigo-
nes. C u a n d o nos detuvimos se c o n g r e g a r o n a mi lado l l a m á n d o m e
tío y m e n d i g a n d o unas m o n e d a s . Me acorde de Yakarta.
H a b í a p i n t a d a s en m u c h a s p a r e d e s . A l g u n a s eran los habitua-
les c o r a z o n e s flechados y con las iniciales de las p a r e j a s , p e r o la
m a y o r í a eran p r o c l a m a s q u e manifestaban o d i o c o n t r a E s t a d o s
U n i d o s : « G r i n g o s f u e r a » , « N o sigan j o d i e n d o e n n u e s t r o C a n a l » ,
«Tío Sam negrero», «Nixon: Panamá no es Vietnam». Pero uno
q u e me heló la s a n g r e decía: « M o r i r p o r la libertad es el c a m i n o
de Cristo».
— A h o r a v e r e m o s el o t r o lado — d i j o F i d e l — . Yo t e n g o pase
oficial y u s t e d es c i u d a d a n o americano, así q u e p o d e m o s entrar.
E n t r a m o s en la z o n a del Canal b a j o un cielo de color m a g e n -
ta. A u n q u e iba advertido, no fue suficiente. La opulencia del lugar
era increíble: g r a n d e s edificios blancos, céspedes p r i m o r o s a m e n t e
s e g a d o s , casas espléndidas, c a m p o s de golf, c o m e r c i o s , salas de
cine.
— L o s d a t o s a la vista — a n u n c i ó — . A q u í t o d o es p r o p i e d a d
e s t a d o u n i d e n s e . T o d o s los comercios, los s u p e r m e r c a d o s , las bar-
berías, los salones de belleza, los restaurantes, t o d o s están e x e m p -
tos de las leyes y los i m p u e s t o s de P a n a m á . H a y siete c a m p o s de
g o l f de dieciocho hoyos, estafetas de correos estadounidenses

107
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

d o n d e h a g a n falta, j u z g a d o s y escuelas e s t a d o u n i d e n s e s . Es un país


d e n t r o d e o t r o país.
— ¡ M e n u d a afrenta!
Fidel m e m i r ó f i j a m e n t e , c o m o para calibrar m i sinceridad.
— S í — a d m i t i ó — . E s una palabra bastante a d e c u a d a . Ahí fue-
ra — d i j o a p u n t a n d o con un a d e m á n hacia la c i u d a d — , la renta per
capita no alcanza los mil dólares al a ñ o y el índice de p a r o es del
treinta p o r ciento. P o r s u p u e s t o , en la barriada q u e a c a b a m o s de
visitar nadie llega a esos mil dólares, y casi nadie tiene t r a b a j o .
— ¿ Y q u é se hace al respecto?
Se volvió hacia mí con u n a mirada entre furiosa y triste.
— ¿ Q u é p o d e m o s hacer? — m e n e ó l a c a b e z a — . N o l o sé, p e r o
p u e d o decir u n a cosa: Torrijos lo intenta. C r e o q u e va a ser fatal
p a r a él, p e r o está h a c i e n d o t o d o l o q u e p u e d e . E s u n h o m b r e ca-
p a z de dar la vida l u c h a n d o p o r su p u e b l o .
M i e n t r a s salíamos de la z o n a del C a n a l , Fidel me dijo s o n -
riendo:
— ¿ L e g u s t a bailar? —y sin esperar mi contestación, a g r e g ó — :
V a m o s a cenar, y l u e g o le enseñaré otra cara de P a n a m á .

108
12
a

Soldados y prostitutas

espués de un j u g o s o bistec y una cerveza fresca, salimos del


restaurante y enfilamos p o r una calle q u e estaba a o s c u r a s .
Fidel me advirtió q u e nunca me aventurase a pie p o r aquellos lu-
gares.
— S i vuelve p o r aquí, h a g a q u e el taxi vaya a recogerle a la
p u e r t a del restaurante.
A p u n t ó c o n el d e d o y a g r e g ó :
— A h í , al o t r o l a d o de la verja, está la z o n a del C a n a l .
S i g u i ó c o n d u c i e n d o hasta q u e vimos un solar lleno de coches.
C u a n d o vio u n a plaza libre hizo la m a n i o b r a . Un viejo se acercaba
c o j e a n d o . Fidel se a p e ó y le p a l m e ó la espalda. L u e g o p a s ó la m a n o
p o r el p a r a c h o q u e s de su coche.
— C u í d a l a bien q u e es mi novia — d i j o al tiempo q u e d a b a
p r o p i n a al vigilante.
A la salida del terreno c a m i n a m o s u n o s p a s o s y de s ú b i t o n o s
hallamos en u n a calle i n u n d a d a de luces de n e ó n . D o s chicos pa-
saron c o r r i e n d o , a p u n t á n d o s e con palos y h a c i e n d o el r u i d o de
u n o s f i n g i d o s disparos. U n o d e ellos s e d i o d e bruces c o n Fidel. L a
c a b e z a del m u c h a c h o apenas le llegaba a la cadera. El chico se hizo
atrás.
— P e r d ó n , señor — j a d e ó e n español.
Fidel a p o y ó a m b a s m a n o s s o b r e los h o m b r o s del crío.
— N o h a s i d o n a d a , h o m b r e — d i j o — . P e r o d i m e , ¿ a quién es-
tabais disparando?

109
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

El o t r o m u c h a c h o se acercó y r o d e ó los h o m b r o s del p r i m e r o


c o n el b r a z o , en un g e s t o protector.
— E s m i h e r m a n o — e x p l i c ó — . L o siento.
— N o m e h a h e c h o d a ñ o . E s t a b a p r e g u n t á n d o l e q u e a quién
disparabais. M e parece q u e y o también h e j u g a d o a e s o .
L o s d o s h e r m a n o s se miraron y el m a y o r sonrió.
— E l es el general g r i n g o de la z o n a del C a n a l . Q u e r í a forzar
a n u e s t r a m a d r e y yo lo estoy m a n d a n d o de vuelta a d o n d e d e b e
estar.
— ¿ Y d ó n d e d e b e estar? — p r e g u n t ó Fidel m i r á n d o m e d e
reojo.
— E n s u país, e n E s t a d o s U n i d o s .
— ¿ V u e s t r a m a d r e trabaja aquí?
— A h í enfrente. — A m b o s señalaron c o n o r g u l l o u n o d e los
n e o n e s de la calle—. Es camarera.
— A n d a n d o p u e s — c o n c l u y ó Fidel d á n d o l e u n a m o n e d a a
c a d a u n o — . P e r o c o n c u i d a d o . N o o s alejéis d e las luces.
— N o , señor. Gracias, señor —salieron c o r r i e n d o .
M i e n t r a s e c h á b a m o s a andar de n u e v o , Fidel me explicó q u e
las m u j e r e s p a n a m e ñ a s tenían p r o h i b i d o p o r ley el ejercicio de la
p r o s t i t u c i ó n . « P u e d e n ser camareras y bailarinas, p e r o no c o m e r -
ciar c o n su c u e r p o . E s o se lo d e j a m o s a las i m p o r t a d a s . »
E n t r a m o s en el establecimiento y fuimos a b o f e t e a d o s p o r u n a
canción p o p u l a r n o r t e a m e r i c a n a p u e s t a a t o d o v o l u m e n . C u a n d o
mis o j o s y o í d o s se h u b i e r o n a c o m o d a d o a aquel a m b i e n t e , vi u n a
pareja de hercúleos s o l d a d o s e s t a d o u n i d e n s e s j u n t o a la p u e r t a .
Policía militar, s e g ú n los brazaletes q u e o s t e n t a b a n .
Fidel me c o n d u j o hacia el bar y entonces vi el escenario. S o -
bre u n a tarima bailaban tres jóvenes c o m p l e t a m e n t e d e s n u d a s , ex-
c e p t o p o r q u e llevaba un g o r r i t o de m a r i n e r o , b o i n a verde la o t r a y
l a tercera u n s o m b r e r o v a q u e r o . Tenían u n o s c u e r p o s espectacula-
res y reían. La coreografía representaba una especie de j u e g o entre
ellas, o tal vez un a c o m p e t i c i ó n . P o r la música, el baile y el escena-
rio se creería q u e e s t á b a m o s en una discoteca de B o s t o n , salvo el
detalle d e q u e iban d e s n u d a s .
N o s a b r i m o s p a s o entre u n g r u p o d e m u c h a c h o s q u e habla-

110
S o l d a d o s y prostitutas

b a n en inglés. A u n q u e t o d o s vestían camiseta y p a n t a l ó n t e j a n o , el


c o r t e de pelo militar los delataba. Eran s o l d a d o s de la base de la
Zona.
Fidel t o c ó en el h o m b r o a una camarera. Ella se volvió y se le
escapó un chillido de júbilo. E n s e g u i d a le echó los b r a z o s al cuello.
El g r u p o c o n t e m p l a b a atentamente la escena. L o s chicos cambia-
ron miradas de desaprobación. Me pregunté si considerarían q u e el
D e s t i n o Manifiesto incluía a aquella p a n a m e ñ a . Ella n o s c o n d u j o a
un rincón y c o m o p o r arte de m a g i a lo a m u e b l ó c o n u n a mesita y
d o s sillas.
U n a vez s e n t a d o s , Fidel c a m b i ó saludos en español con nues-
tros d o s vecinos de mesa. E s t o s , a diferencia de los militares, lleva-
ban camisas e s t a m p a d a s de m a n g a corta y pantalones de faena m u -
grientos. L a camarera regresó con d o s botellines d e cerveza B a l b o a
y, c u a n d o giró s o b r e sus talones, Fidel le dio u n a p a l m a d a en la nal-
g a . Ella se volvió sonriendo y le lanzó un beso. Miré a mi alrededor
y q u e d é m u y aliviado al c o m p r o b a r q u e los jóvenes del bar ya no
n o s p r e s t a b a n atención y estaban otra vez pendientes de las baila-
rinas.
L a mayoría d e los p a r r o q u i a n o s eran s o l d a d o s a n g l ó f o n o s ,
p e r o t a m b i é n los había p a n a m e ñ o s . Visiblemente, p o r q u e sus ca-
bellos no habrían p a s a d o la revista ni u s a b a n camiseta ni p a n t a l ó n
v a q u e r o . A l g u n o s de ellos estaban s e n t a d o s a las m e s a s y o t r o s re-
c o s t a d o s contra las paredes. T o d o s parecían hallarse m u y alerta,
c o m o p e r r o s pastores q u e g u a r d a n s u r e b a ñ o d e ovejas.
L a s m u j e r e s revoloteaban entre las m e s a s . Se m o v í a n constan-
t e m e n t e , se sentaban s o b r e las rodillas de los h o m b r e s , llamaban a
gritos a las camareras, bailaban, c a n t a b a n , salían p o r t u r n o s al es-
t r a d o . Vestían faldas ceñidas, camisetas, v a q u e r o s , vestidos ceñi-
d o s . L o s z a p a t o s , con tacón de a g u j a . U n a de ellas lucía un vesti-
do de é p o c a victoriana, con velo y t o d o , y otra s ó l o llevaba un
bikini. E v i d e n t e m e n t e , sólo las m e j o r parecidas p o d í a n sobrevivir
allí. Me a s o m b r é de q u e hubiese tantas inmigrantes y p e n s é q u e
sería m u c h a la desesperación q u e las e m p u j a b a .
— ¿ T o d a s s o n de o t r o s países? —le grité a Fidel para d o m i n a r
el estrépito de la música.

111
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

Él asintió.
— E x c e p t o . . . — S e ñ a l ó con un a d e m á n a las c a m a r e r a s — . Ellas
son panameñas.
— ¿ D e q u é países?
— D e H o n d u r a s , E l Salvador, N i c a r a g u a y G u a t e m a l a .
—Vecinos.
— N o del t o d o . C o s t a Rica y C o l o m b i a son nuestros vecinos
más próximos.
La c a m a r e r a q u e n o s había p u e s t o la m e s a se acercó a sentar-
se en las rodillas de Fidel. El le p a s ó la m a n o por la espalda.
— C l a r i s a — d i j o — . Dile a mi a m i g o n o r t e a m e r i c a n o p o r q u é
se m a r c h a n de sus países — a g r e g ó señalando el escenario. T r e s
nuevas bailarinas r e c o g í a n los s o m b r e r o s de las tres primeras, q u e
saltaron a b a j o y e m p e z a r o n a vestirse. E m p e z ó a s o n a r una música
salsera y las recién llegadas c o m e n z a r o n a bailar y a d e s p r e n d e r s e
de sus p r e n d a s .
Clarisa m e b r i n d ó s u m a n o derecha.
— E n c a n t a d a . —Y d i c h o esto, se p u s o en pie y r e c o g i ó los b o -
tellines—. En c u a n t o a lo q u e ha dicho Fidel, esas chicas vienen
a q u í h u y e n d o de los a b u s o s . Voy a traer otras d o s B a l b o a s .
C u a n d o ella se alejó, me volví hacia Fidel y dije:
— ¡ A n d a ! V i e n e n aquí p o r los dólares d e E s t a d o s U n i d o s .
— C i e r t o , p e r o ¿por q u é hay tantas de los países d o n d e m a n -
d a n d i c t a d o r e s fascistas?
Volví la m i r a d a hacia el escenario. L a s tres reían y se a r r o j a b a n
la g o r r a de m a r i n e r o c o m o si fuese una pelota. Me encaré de nue-
v o c o n Fidel.
— ¿ S e g u r o q u e n o m e t o m a s e l pelo?
— N o — r e p l i c ó él m u y s e r i o — . Ya me gustaría q u e fuese así.
M u c h a s de estas chicas han p e r d i d o a sus familias, p a d r e s , h e r m a -
n o s , m a r i d o s , novios. S a b e n lo q u e es la tortura y la m u e r t e . Bailar
y prostituirse no les parece tan m a l o . A q u í se g a n a m u c h o d i n e r o ,
y l u e g o e m p r e n d e n otra vida, p o n e n una tiendecita, abren una ca-
fetería...
U n a agitación cerca del bar le i n t e r r u m p i ó . Vi q u e una c a m a -
rera a m e n a z a b a c o n el p u ñ o a u n o de los s o l d a d o s . E s t e le atrapó

112
S o l d a d o s y prostitutas

la m u ñ e c a al vuelo y e m p e z ó a retorcérsela. Ella gritó y cayó de r o -


dillas. El rió y gritó a sus c o m p a ñ e r o s unas palabras q u e no p u d e
entender. T o d o s reían. Ella intentó golpearle c o n la m a n o libre. El
s o l d a d o le retorció la otra con más fuerza y el r o s t r o de la m u j e r se
contrajo de dolor.
L o s PM seguían a p o s t a d o s j u n t o a la p u e r t a , c o n t e m p l a n d o la
escena con tranquilidad. Fidel se p u s o en pie de un salto y e m p e -
zó a caminar hacia el bar. U n o de nuestros vecinos de m e s a alzó
una m a n o para disuadirle.
— T r a n q u i l o , h e r m a n o — d i j o — . E n r i q u e s e hará c a r g o .
Un p a n a m e ñ o alto y d e l g a d o salió de la trastienda, al l a d o del
e s t r a d o . C o n movimientos felinos, se a b a l a n z ó s o b r e el s o l d a d o
sin pensárselo d o s veces. C o n una m a n o lo a g a r r ó p o r la g a r g a n t a
y con la otra le echó a la cara el a g u a de un v a s o . La camarera es-
c a p ó . Varios de los p a n a m e ñ o s q u e antes h a r a g a n e a b a n a p o y a d o s
de espaldas contra las paredes f o r m a r o n un semicírculo p r o t e c t o r
a l r e d e d o r de quien obviamente era el e n c a r g a d o de echar a los al-
b o r o t a d o r e s . E s t e levantó en vilo al s o l d a d o a c o r r a l á n d o l o contra
la barra, y le dijo a l g o q u e no p u d e oír. L u e g o alzó la v o z y habló
en inglés, c o n v o z fuerte para q u e le entendieran t o d o s pese a la
música:
— ¡ E h , tíos! A q u í las camareras no se t o c a n , y las otras, s ó l o
d e s p u é s d e haber p a g a d o .
E n t o n c e s entraron en acción los d o s policías militares, q u e se
acercaron al g r u p o de p a n a m e ñ o s y anunciaron:
— N o s l o llevamos, E n r i q u e .
El a l u d i d o d e j ó q u e los pies del s o l d a d o tocaran el suelo y lo
s o l t ó , no sin darle un último apretón al cuello q u e le o b l i g ó a echar
la c a b e z a atrás con una exclamación de dolor.
— ¿ H a s e n t e n d i d o l o q u e dije?
Se oyó un gruñido sofocado.
— B i e n . — E m p u j ó a l s o l d a d o hacia los d o s policías—. S a c a d -
lo de aquí.

113
13

Conversaciones con el General

L a invitación me llegó de m a n e r a t o t a l m e n t e inesperada. U n a


m a ñ a n a , d u r a n t e aquella visita mía d e 1 9 7 2 , e s t a b a s e n t a d o
en el d e s p a c h o q u e me habían a s i g n a d o en el I n s t i t u t o de R e c u r -
sos H i d r á u l i c o s y Electrificación p a n a m e ñ o , c o m p a ñ í a de titulari-
d a d pública. E s t u d i a b a una hoja con estadísticas c u a n d o u n h o m -
bre l l a m ó g o l p e a n d o discretamente en el m a r c o de la p u e r t a , q u e
tenía abierta. Lo invité a pasar, felicitándome p o r la o p o r t u n i d a d
de eludir d u r a n t e un rato la lectura de cifras. El se p r e s e n t ó c o m o
el chófer del general y anunció q u e tenía o r d e n de llevarme a u n a
de las residencias de su jefe.
U n a h o r a m á s tarde m e hallaba s e n t a d o ante u n a mesita d e
c e n t r o . F r e n t e a mí, el general Ornar T o r r i j o s . Vestía de m o d o in-
formal, en típico estilo p a n a m e ñ o : p a n t a l ó n militar caqui y cami-
sa de m a n g a c o r t a azul claro con un fino d i b u j o v e r d e . E r a alto,
atlético y bien p a r e c i d o . Su conversación era de u n a c a m p e c h a n í a
insólita en un h o m b r e con tan altas r e s p o n s a b i l i d a d e s . Un rizo de
cabello o s c u r o le caía s o b r e la a b u l t a d a frente.
Me p r e g u n t ó acerca de mis recientes viajes p o r I n d o n e s i a ,
G u a t e m a l a e Irán. L o s tres países le fascinaban. P e r o su curiosidad
se centraba s o b r e t o d o en el s o b e r a n o iraní, el sha M o h a m m a d
R e z a Pahlevi, e n t r o n i z a d o en 1 9 4 1 c u a n d o los británicos y los s o -
1
viéticos derribaron a su padre acusándole de c o l a b o r a r c o n H i t l e r .
— ¿ Q u é l e parece? — m e p r e g u n t ó T o r r i j o s — . ¡Participar e n
un plan para d e s t r o n a r a su p r o p i o p a d r e !

115
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

El jefe de E s t a d o p a n a m e ñ o estaba bien i n f o r m a d o en cuan-


to a la historia de aquel lejano país. C o m e n t a m o s c ó m o se volvie-
r o n las t o r n a s e n c o n t r a del sha e n 1 9 5 1 , c u a n d o s u p r o p i o p r i m e r
m i n i s t r o , M o h a m m a d M o s a d d e q , le o b l i g ó a exiliarse. T o r r i j o s ,
c o m o casi t o d o el m u n d o , sabía q u e fue la C Í A q u i e n le c o l g ó al
primer m i n i s t r o la etiqueta de c o m u n i s t a para intervenir l u e g o y
restablecer al sha en el t r o n o . En c a m b i o , no sabía, o al m e n o s no
m e n c i o n ó la p a r t e q u e me había c o n t a d o C l a u d i n e , c o n las bri-
llantes m a n i o b r a s d e K e r m i t R o o s e v e l t q u e i n a u g u r a r o n u n a nue-
va era de i m p e r i a l i s m o . Es decir, la yesca q u e e n c e n d i ó la confla-
g r a c i ó n imperial m u n d i a l .
— C u a n d o lo reinstauraron — c o n t i n u ó T o r r i j o s — , el sha lan-
zó u n a revolucionaria serie de p r o g r a m a s d e s t i n a d o s a desarrollar
el sector industrial y colocar a Irán en la era m o d e r n a .
L e p r e g u n t é c ó m o sabía t a n t o acerca d e Irán.
— H e p r o c u r a d o e n t e r a r m e — d i j o él—. N o t e n g o u n a g r a n
o p i n i ó n del sha en lo político... me refiero a lo de derribar a su
p r o p i o p a d r e y aceptar el papel de títere de la C Í A . . . p e r o p a r e c e
q u e está h a c i e n d o c o s a s positivas p a r a su país. A lo m e j o r p o d r é
a p r e n d e r a l g o de él, si sobrevive.
— ¿ L o pone en duda?
—Tiene poderosos enemigos.
— Y u n a g u a r d i a personal q u e f i g u r a entre las m e j o r e s del
mundo.
T o r r i j o s m e dirigió una m i r a d a s a r d ó n i c a .
— S u policía secreta, la S A V A K , tiene fama de ser un h a t a j o
de s á d i c o s sin conciencia. No es la m e j o r m a n e r a de hacer a m i g o s .
N o durará mucho.
H i z o u n a p a u s a y alzó los o j o s al cielo antes de continuar:
— ¿ G u a r d i a s d e corps? Y o t a m b i é n los t e n g o — y con u n a d e -
m á n hacia la p u e r t a , a g r e g ó — : ¿ C r e e q u e me salvarían la vida si el
país de u s t e d decidiese librarse de mí?
Le p r e g u n t é si lo c o n s i d e r a b a una posibilidad real. El a l z ó las
cejas, lo q u e me h i z o notar la n e c e d a d de mi p r e g u n t a .
— T e n e m o s e l C a n a l . E s o e s incluso más i m p o r t a n t e q u e Ar-
b e n z y la U n i t e d F r u i t C o m p a n y .

116
C o n v e r s a c i o n e s con el General

C o m o había leído s o b r e G u a t e m a l a , entendí la alusión. Polí-


t i c a m e n t e , la U n i t e d F r u i t C o m p a n y venía a ser p a r a a q u e l país lo
m i s m o q u e el C a n a l para P a n a m á . F u n d a d a a finales del siglo xix,
la U n i t e d F r u i t no t a r d ó en convertirse en u n a de las influencias
m á s p o d e r o s a s de A m é r i c a Central. A c o m i e n z o s de la d é c a d a de
1 9 5 0 fue e l e g i d o presidente d e G u a t e m a l a u n c a n d i d a t o r e f o r m a -
d o r , J a c o b o A r b e n z . E s t o s comicios fueron e l o g i a d o s e n t o d o e l
hemisferio c o m o m o d e l o d e votación d e m o c r á t i c a . E n l a é p o c a ,
u n a minoría del 3 p o r ciento de los g u a t e m a l t e c o s era propietaria
del 70 p o r ciento de las tierras del país. A r b e n z p r o m e t i ó rescatar
de la inanición a los p o b r e s y, d e s p u é s de salir e l e g i d o , p u s o en
m a r c h a u n a m p l i o p r o g r a m a d e reforma agraria.
— L a s clases bajas y medias d e t o d a L a t i n o a m é r i c a a p l a u d i e -
r o n a A r b e n z — c o n t i n u ó T o r r i j o s — . Para mí p e r s o n a l m e n t e , fue
u n o d e mis h é r o e s . P e r o t a m b i é n nos d a b a m u c h o m i e d o . S a b í a -
m o s q u e los de la U n i t e d Fruit eran contrarios a esas m e d i d a s ,
p u e s t o q u e ellos m i s m o s figuraban entre los latifundistas m á s ri-
c o s y m á s o p r e s o r e s . T a m b i é n poseían g r a n d e s plantaciones en
C o l o m b i a , C o s t a Rica, C u b a , Jamaica, Nicaragua, Santo D o m i n -
g o y , a q u í , e n P a n a m á . N o era cuestión d e permitir q u e A r b e n z
c o n t a g i a s e sus ideas a los d e m á s .
Y o c o n o c í a e l resto: U n i t e d F r u i t l a n z ó u n a g r a n c a m p a ñ a d e
relaciones p ú b l i c a s en E s t a d o s U n i d o s para p e r s u a d i r a la o p i n i ó n
p ú b l i c a y al C o n g r e s o de q u e A r b e n z f o r m a b a p a r t e de u n a tra-
ma c o m u n i s t a y de q u e G u a t e m a l a iba a convertirse en un país sa-
télite d e los soviéticos. E n 1 9 5 4 , l a C Í A o r q u e s t ó e l g o l p e . Avia-
d o r e s de E s t a d o s U n i d o s b o m b a r d e a r o n la capital y A r b e n z , el
p r e s i d e n t e d e m o c r á t i c a m e n t e e l e g i d o , fue r e e m p l a z a d o p o r el ul-
t r a d e r e c h i s t a c o r o n e l C a r l o s Castillo A r m a s , un d i c t a d o r sin es-
crúpulos.
L o s n u e v o s g o b e r n a n t e s se lo debían t o d o a la U n i t e d F r u i t .
Y d e m o s t r a r o n su a g r a d e c i m i e n t o a n u l a n d o las d i s p o s i c i o n e s de
la r e f o r m a agraria y s u p r i m i e n d o los i m p u e s t o s s o b r e intereses y
d i v i d e n d o s p a g a d e r o s a los inversores extranjeros. A b o l i e r o n el
v o t o secreto y encarcelaron a miles de disidentes. No se p o d í a cri-
ticar a Castillo sin ser p e r s e g u i d o . L o s historiadores atribuyen la

117
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

violencia y el t e r r o r i s m o q u e asolaron G u a t e m a l a durante casi t o d o


el r e s t o del s i g l o a los efectos de la alianza n a d a secreta entre la
U n i t e d F r u i t , la C Í A y el ejército g u a t e m a l t e c o b a j o el r é g i m e n de
2
su coronel dictador. Torrijos continuó:
— A r b e n z fue l i q u i d a d o c o m o político y t a m b i é n c o m o per-
sona. — H i z o una pausa, frunciendo el ceño—. ¿ C ó m o pudieron
u s t e d e s creerse las patrañas de la C Í A ? A mí no me echarán tan fá-
c i l m e n t e . A q u í los militares s o n d e los m í o s . N o h a b r á elimina-
ción política. — S o n r i ó — . ¡ L a C Í A n o t e n d r á m á s r e m e d i o q u e
asesinarme!
G u a r d a m o s u n breve silencio, c a d a u n o s u m i d o e n sus p r o -
pios p e n s a m i e n t o s . T o r r i j o s fue el p r i m e r o en hablar.
— ¿ S a b e u s t e d d e quién e s l a U n i t e d Fruit? — p r e g u n t ó .
— D e Z a p a t a Oil, l a c o m p a ñ í a d e G e o r g e B u s h . . . n u e s t r o
e m b a j a d o r ante N a c i o n e s U n i d a s .
— U n p e r s o n a j e a m b i c i o s o . — S e inclinó hacia m í y , b a j a n d o
la v o z , d i j o — : A h o r a voy contra sus c o m p i n c h e s de la Bechtel.
T u v e un s o b r e s a l t o . La Bechtel era la c o m p a ñ í a de ingeniería
m á s p o d e r o s a del m u n d o , y había c o l a b o r a d o en m u c h o s proyec-
tos con M A I N . En el caso del plan m a e s t r o p a r a P a n a m á , yo la
creía u n a de nuestras principales c o m p e t i d o r a s .
— ¿ A q u é s e refiere usted?
— E s t a m o s e s t u d i a n d o la c o n s t r u c c i ó n de un n u e v o canal a
nivel del mar. Sin esclusas. P o d r í a n pasar los b a r c o s de los m a y o -
res tonelajes. A los j a p o n e s e s tal v e z les interesaría financiarlo.
— S o n los principales clientes del C a n a l .
— E x a c t o . P o r s u p u e s t o , si ellos p o n e n el d i n e r o , ellos serán
los a d j u d i c a t a r i o s de la o b r a .
F u e u n a revelación súbita para mí.
—Y la Bechtel se q u e d a al m a r g e n .
— L a o b r a d e ingeniería m á s g r a n d e d e l a historia reciente
—y p r o s i g u i ó — : el p r e s i d e n t e de Bechtel es G e o r g e S h u l t z , el se-
cretario del T e s o r o de N i x o n . Ya i m a g i n a r á u s t e d la influencia q u e
tiene, a d e m á s d e s u n o t o r i o mal g e n i o . L a Bechtel está a t i b o r r a d a
de amiguetes de N i x o n , de F o r d y de Bush. Me han dicho q u e la
familia Bechtel m a n e j a los entresijos del p a r t i d o r e p u b l i c a n o .

118
C o n v e r s a c i o n e s c o n el General

L a conversación e m p e z a b a a c r e a r m e u n a gran i n c o m o d i d a d .
Yo era u n o de los d e d i c a d o s a p e r p e t u a r el sistema q u e él a b o r r e -
cía t a n t o , y e s t a b a s e g u r o de q u e lo sabía. S e g ú n t o d a s las apa-
riencias, m i e n c a r g o d e persuadirle para q u e aceptase créditos
internacionales a c a m b i o de contratar a g a b i n e t e s de ingeniería y
c o n s t r u c t o r a s e s t a d o u n i d e n s e s a c a b a b a d e chocar c o n u n m u r o
infranqueable. D e c i d í atacar de frente.
— G e n e r a l — p r e g u n t é — , ¿para q u é m e h a m a n d a d o llamar?
M i r ó el reloj y sonrió.
— S í , e s h o r a d e o c u p a r n o s d e l o n u e s t r o . P a n a m á necesita s u
a y u d a . Yo la necesito.
— ¿ M i ayuda? — p r e g u n t é , s o r p r e n d i d o — . ¿ E n q u é p u e d o
ayudarles?
— V a m o s a recuperar e l C a n a l . Pero con e s o n o b a s t a . — S e
arrellanó e n s u sillón—. E s preciso q u e s i r v a m o s d e m o d e l o . D e -
bemos demostrar que nos preocupan nuestros pobres y demos-
trar, al m i s m o tiempo, sin lugar a d u d a s , q u e la decisión de g a n a r
n u e s t r a i n d e p e n d e n c i a no viene dictada p o r R u s i a ni p o r C h i n a ni
p o r C u b a . Q u e e l m u n d o vea q u e P a n a m á e s u n país r a z o n a b l e ,
q u e no e s t a m o s contra E s t a d o s U n i d o s sino a favor de los d e r e -
chos d e los p o b r e s .
C r u z ó las piernas y p r o s i g u i ó :
— P a r a c o n s e g u i r l o hay q u e construir u n a base e c o n ó m i c a
q u e n o t e n g a p a r a n g ó n e n este hemisferio. E l e c t r i c i d a d , sí, p e r o
electricidad q u e llegue hasta los m á s h u m i l d e s , s u b v e n c i o n a d a . Y
lo m i s m o p a r a el transporte y las c o m u n i c a c i o n e s , y s o b r e t o d o
p a r a la agricultura. E s o requiere dinero. El d i n e r o de u s t e d e s , del
B a n c o M u n d i a l y del B a n c o I n t e r a m e r i c a n o de D e s a r r o l l o .
U n a vez m á s se inclinó hacia mí para m i r a r m e fijamente.
— T e n g o e n t e n d i d o q u e su e m p r e s a necesita m á s t r a b a j o y
suele c o n s e g u i r l o inflando las dimensiones de los proyectos: carre-
teras m á s anchas, centrales g e n e r a d o r a s más p o t e n t e s , p u e r t o s con
m á s c a p a c i d a d . P e r o esta vez será diferente. U s t e d me da lo q u e le
conviene a mi p u e b l o , y yo les doy t o d o el t r a b a j o q u e quieran.
A q u e l l a p r o p u e s t a t o t a l m e n t e inesperada me s o r p r e n d i ó y
m e excitó. C i e r t a m e n t e contradecía t o d o l o q u e y o h a b í a a p r e n -

119
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

d i d o e n M A I N . Sin d u d a , sabía q u e e l j u e g o d e l a a y u d a exterior


era u n a estafa... no p o d í a dejar de s a b e r l o . C o n s i s t í a en hacerle
rico a él y e n c a d e n a r a su país con el e n d e u d a m i e n t o . De m a n e r a
q u e los p a n a m e ñ o s q u e d a r í a n a t a d o s para s i e m p r e a E s t a d o s U n i -
d o s y a la c o r p o r a t o c r a c i a . T o d o ello p a r a q u e L a t i n o a m é r i c a no
se saliera de la s e n d a del D e s t i n o Manifiesto y siguiera s o m e t i d a
p a r a s i e m p r e a W a s h i n g t o n y a Wall Street. Yo no p o d í a d u d a r de
q u e e s t a b a al t a n t o de q u e el sistema se b a s a b a en el p o s t u l a d o
de q u e t o d o s los p o d e r o s o s son corruptibles, y de q u e su decisión de
n o a p r o v e c h a r s e p e r s o n a l m e n t e sería c o n t e m p l a d a c o m o u n peli-
g r o , una n u e v a «línea d e f i c h a s d e d o m i n ó » q u e tal v e z iniciaría
u n a r e a c c i ó n en c a d e n a susceptible de derribar t o d o el s i s t e m a .
Al o t r o l a d o de la mesita estaba yo c o n t e m p l a n d o a un h o m -
bre q u e d e s d e l u e g o había c o m p r e n d i d o q u e la p o s e s i ó n del C a n a l
le d a b a u n a p o s i c i ó n de fuerza m u y especial y única, p e r o especial-
m e n t e precaria al m i s m o t i e m p o . D e b í a m a n i o b r a r c o n c u i d a d o .
Se había significado ya c o m o líder entre los líderes de los países
m e n o s d e s a r r o l l a d o s . Si estaba d e c i d i d o a m a n t e n e r su posición,
c o m o su héroe A r b e n z , el m u n d o entero sería testigo. ¿Cuál iba a
ser la reacción del sistema? O, más c o n c r e t a m e n t e , ¿cuál iba a ser
la reacción del g o b i e r n o estadounidense? L o s h é r o e s difuntos
a b u n d a n d e m a s i a d o en la historia de L a t i n o a m é r i c a .
Al m i s m o tiempo me d a b a cuenta de q u e las palabras de aquel
h o m b r e p o n í a n en tela de juicio t o d a s mis autojustificaciones. E s e
h o m b r e tendría sus defectos personales, p e r o no era n i n g ú n pira-
ta. N o era c o m o aquellos H e n r y M o r g a n y Francis D r a k e , aventu-
reros de capa y e s p a d a q u e legitimaban sus acciones de filibusteros
con las p a t e n t e s de c o r s o q u e les concedían los s o b e r a n o s ingleses.
El retrato de la valla publicitaria todavía no se había c o n v e r t i d o en
o t r o de esos típicos e n g a ñ o s de la política: « E l ideal de Ornar es la
libertad, y no se ha inventado el misil c a p a z de matar un i d e a l » .
¿Acaso T o m Paine n o había escrito a l g o parecido?
L o cual, sin e m b a r g o , m e suscitaba a l g u n a s d u d a s . E s a d m i -
sible q u e los ideales no m u e r e n , p e r o ¿y las p e r s o n a s q u e l o s sus-
tentan? C h e , A r b e n z , Allende. Y otra p r e g u n t a : ¿ c ó m o reacciona-
ría yo si T o r r i j o s r e s u l t a b a p r e c i p i t a d o al papel de mártir?

120
C o n v e r s a c i o n e s con el General

C u a n d o nos d e s p e d i m o s , q u e d ó e n t e n d i d o entre a m b o s q u e
M A I N c o n s e g u i r í a el c o n t r a t o del plan m a e s t r o y q u e yo me en-
cargaría de lograr q u e resultase de a c u e r d o con los d e s i g n i o s de
Torrijos.

121
14

Comienza un nuevo y siniestro


período de la historia económica

E n t a n t o q u e e c o n o m i s t a jefe yo e s t a b a al frente de un d e p a r -
t a m e n t o de M A I N y era el r e s p o n s a b l e de los e s t u d i o s q u e
s e r e a l i z a b a n e n t o d o s los l u g a r e s del m u n d o . P e r o t a m b i é n s e
e s p e r a b a de mí q u e estuviese al corriente de las n u e v a s t e n d e n c i a s
y teorías de la ciencia e c o n ó m i c a . El c o m i e n z o de la d é c a d a de
1 9 7 0 fue u n a é p o c a d e g r a n d e s c a m b i o s e n l a e c o n o m í a interna-
cional.
D u r a n t e la década de 1 9 6 0 , varios países se unieron para for-
mar la O P E P , organización de países p r o d u c t o r e s de p e t r ó l e o , q u e
fue en gran m e d i d a una reacción contra el p o d e r de las grandes re-
finerías. T a m b i é n Irán fue un factor en eso. El sha debía su t r o n o y
tal vez su vida a la intervención clandestina de E s t a d o s U n i d o s q u e
a c a b ó c o n M o s a d d e q . Sin e m b a r g o , o quizá d e b i d o precisamente a
ello, el sha tenía a g u d a conciencia de q u e p o d í a n volverse las tornas
contra él, otra vez y en cualquier m o m e n t o . L o s dirigentes de o t r o s
países ricos en petróleo compartían esa convicción y la paranoia
consiguiente. T a m b i é n sabían q u e las principales c o m p a ñ í a s p e t r o -
leras internacionales, conocidas c o m o «las Siete H e r m a n a s » , cola-
b o r a b a n para mantener bajos los niveles de precios del c r u d o y, p o r
t a n t o , lo q u e ellas p a g a b a n a los países p r o d u c t o r e s , para cosechar
así beneficios extraordinarios. La O P E P se o r g a n i z ó con el fin de
dar la réplica.

123
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

T o d o s estos factores confluyeron a c o m i e n z o s de la d é c a d a de


1 9 7 0 , c u a n d o la O P E P humilló a los gigantes industriales. M e -
diante u n a serie de acciones concertadas, simbolizadas por el e m -
b a r g o de 1 9 7 3 , cuyo e m b l e m a más visible fueron las largas colas de
coches ante las gasolineras estadounidenses, a m e n a z a r o n c o n una
catástrofe e c o n ó m i c a peor q u e la G r a n D e p r e s i ó n . El g o l p e a p u n -
taba directamente al sistema e c o n ó m i c o del m u n d o d e s a r r o l l a d o y
era de u n a m a g n i t u d q u e p o c a s personas e m p e z a b a n a c o m p r e n d e r
p o r aquel entonces.
La crisis del petróleo no p o d í a llegar en p e o r m o m e n t o para
E s t a d o s U n i d o s . La nación estaba confusa, desmoralizada y llena de
d u d a s , abatida p o r la d e r r o t a en la guerra de V i e t n a m y con un pre-
sidente q u e estaba a p u n t o de dimitir. L o s p r o b l e m a s de N i x o n no
se confinaban al S u d e s t e asiático y al escándalo del Watergate. H a -
bía a c c e d i d o al p o d e r en un m o m e n t o q u e , c o n t e m p l a d o retros-
pectivamente, parecería a m u c h o s el umbral de una nueva é p o c a de
la política y la e c o n o m í a mundiales. En aquellos días se hubiera di-
c h o q u e los « p e q u e ñ o s » iban a prevalecer, si c o n t á b a m o s entre ellos
a los países de la O P E P .
E s t o s a c o n t e c i m i e n t o s mundiales a mí me fascinaban. Yo vivía
de la c o r p o r a t o c r a c i a , p e r o en mi fuero interno a l g ú n repliegue se-
c r e t o se a l e g r a b a al ver c ó m o había alguien q u e ponía a raya a mis
a m o s . S u p o n g o q u e e s o calmaba u n p o c o mis r e m o r d i m i e n t o s .
I m a g i n a b a el fantasma de T o m Paine a p l a u d i e n d o entre bastidores
a los de la O P E P .
A h o r a bien, en el m o m e n t o en q u e se p r o d u j o el e m b a r g o
n i n g u n o de n o s o t r o s p o d í a tener una idea c o m p l e t a de sus reper-
cusiones. T e n í a m o s nuestras teorías, d e s d e l u e g o , p e r o n o v e í a m o s
lo q u e ha q u e d a d o bien claro en el tiempo transcurrido d e s d e en-
tonces. A h o r a , a posteriori, o b s e r v a m o s q u e d e s p u é s de la crisis los
índices de crecimiento e c o n ó m i c o q u e d a r o n r e d u c i d o s a la m i t a d ,
e n c o m p a r a c i ó n c o n los p r o m e d i o s d e las d é c a d a s d e l 9 5 0 y l 9 6 0 ,
y q u e se enfrentaban a presiones inflacionistas m u c h o m á s inten-
sas. A d e m á s , el m e n g u a d o crecimiento había c a m b i a d o estructu-
ralmente, en el s e n t i d o de q u e apenas creaba p u e s t o s de t r a b a j o , y
el d e s e m p l e o se había d i s p a r a d o . Para c o l m o , el sistema m o n e t a r i o

124
Comienza un nuevo y siniestro período de la historia económica

internacional había recibido un d u r o g o l p e . En esencia, se h u n d i ó


la red de los tipos de c a m b i o fijos establecida d e s d e el fin de la S e -
gunda Guerra Mundial.
En esa é p o c a me reunía a m e n u d o con los a m i g o s para discu-
tir estas cuestiones durante el almuerzo, o alrededor de unas cerve-
zas al final de la jornada. Algunas de esas personas trabajaban a mis
órdenes. Mi e q u i p o c o m p r e n d í a a algunos h o m b r e s y mujeres m u y
hábiles, jóvenes por lo general y librepensadores en su mayor p a r t e ,
al m e n o s s e g ú n los criterios convencionales. O t r o s eran ejecutivos
de prestigiosos gabinetes bostonianos y profesores de la universi-
d a d . U n o de ellos era consejero de un congresista del E s t a d o . E r a n
reuniones informales, algunas veces reducidas a d o s interlocutores
y otras, con u n a d o c e n a de tertulianos, p e r o siempre animadas y vo-
ciferantes.
Al recordar aquellas discusiones me a v e r g ü e n z o un p o c o del
sentimiento de superioridad q u e me invadía. Yo sabía m u c h a s co-
sas q u e no p o d í a decir. Mis a m i g o s p r e s u m í a n a veces de sus cre-
denciales: sus relaciones d e n t r o del m u n d o político local o el de
W a s h i n g t o n , sus cátedras y sus títulos. Yo replicaba p o n i é n d o m e
en mi papel de e c o n o m i s t a jefe de una consultoría i m p o r t a n t e , de
a l g u i e n q u e viajaba e n primera clase p o r t o d o e l m u n d o . P e r o
no p o d í a m e n c i o n a r mis entrevistas cara a cara c o n h o m b r e s c o m o
T o r r i j o s , o lo q u e sabía sobre nuestra m a n e r a de manipular a los
países de t o d o s los continentes. E s t o era u n a fuente de a r r o g a n c i a
interior, p e r o también de frustración.
C u a n d o h a b l á b a m o s del p o d e r de «los p e q u e ñ o s » , me veía
o b l i g a d o a ejercer gran d o m i n i o sobre mí m i s m o . Yo sabía lo q u e
ellos no tenían m o d o de saber. Q u e la corporatocracia, su b a n d a de
gángsteres e c o n ó m i c o s y los chacales a g a z a p a d o s detrás nunca per-
mitirían q u e los p e q u e ñ o s tomasen el m a n d o de los asuntos. Basta-
ba c o n fijarse en los ejemplos de A r b e n z y M o s a d d e q y en o t r o caso
más reciente, éste de 1 9 7 3 : la caída de Salvador Allende, el presi-
dente d e m o c r á t i c a m e n t e elegido por los chilenos. A mi m o d o de
ver, el d o m i n i o o m n í m o d o del imperio global de h e c h o estaba re-
f o r z á n d o s e , pese a la O P E P . . . o con la ayuda de la O P E P , c o m o ya
s o s p e c h a b a entonces, p e r o no p u d e confirmarlo sino m á s t a r d e .

125
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

N u e s t r a s conversaciones giraban a m e n u d o a l r e d e d o r de las


s e m e j a n z a s q u e e n c o n t r á b a m o s entre los c o m i e n z o s d e d o s déca-
d a s , la de 1 9 7 0 y la de 1 9 3 0 . E s t a significó una i m p o r t a n t e divi-
soria en la e c o n o m í a internacional y en las maneras de estudiarla,
analizarla e interpretarla. La d é c a d a de 1 9 3 0 a b r i ó las p u e r t a s a la
teoría e c o n ó m i c a keynesiana y a la idea de q u e las administracio-
nes d e b e n d e s e m p e ñ a r un papel principal c o m o o r i e n t a d o r a s de
los m e r c a d o s y suministradoras de servicios; p o r e j e m p l o la sani-
d a d , el s u b s i d i o de d e s e m p l e o y otras formas de p r o v i d e n c i a social.
N o s a l e j á b a m o s d e los s u p u e s t o s tradicionales s o b r e a u t o r r e g u l a -
ción de los m e r c a d o s y mínima intervención de los o r g a n i s m o s
públicos.
La D e p r e s i ó n d i o lugar al N e w Deal. L a s disposiciones políti-
cas p r o m o v i e r o n la regulación e c o n ó m i c a , el i n t e r v e n c i o n i s m o de
las a u t o r i d a d e s financieras y el u s o g e n e r a l i z a d o de los i n s t r u m e n -
tos fiscales. T a n t o la D e p r e s i ó n c o m o la S e g u n d a G u e r r a M u n d i a l
c o n d u j e r o n a d e m á s a la creación de organizaciones c o m o el B a n -
co M u n d i a l , el F o n d o M o n e t a r i o Internacional y el A c u e r d o G e -
neral s o b r e Aranceles y C o m e r c i o ( G A T T , General Agreement on
Tariffs and Trade). La de 1 9 6 0 fue una d é c a d a crucial de este p e -
r í o d o y para el p a s o de la e c o n o m í a neoclásica a la keynesiana. E s o
o c u r r i ó b a j o las administraciones K e n n e d y y J o h n s o n , y d e b i d o
f u n d a m e n t a l m e n t e a la influencia de un s o l o h o m b r e , R o b e r t
McNamara.
M c N a m a r a era un visitante a s i d u o de nuestra tertulia... in ab-
sentia, p o r s u p u e s t o . T o d o s c o n o c í a m o s su m e t e ó r i c o a s c e n s o a
la celebridad, de director de planificación y análisis financiero en
F o r d M o t o r C o m p a n y e n 1 9 4 9 a presidente d e l a F o r d e n 1 9 6 0 ,
el p r i m e r o no perteneciente a la familia F o r d en esa c o m p a ñ í a .
P o c o d e s p u é s d e e s t o , K e n n e d y l o n o m b r ó secretario d e D e f e n s a .
M c N a m a r a s e m o s t r ó m u y partidario d e los p l a n t e a m i e n t o s
keynesianos en la administración e i n t r o d u j o m o d e l o s m a t e m á t i -
c o s y e n f o q u e s estadísticos para determinar la d o t a c i ó n de t r o p a s ,
la asignación de f o n d o s y otras estrategias en V i e t n a m . Su p o s t u -
l a d o del « l i d e r a z g o a g r e s i v o » hizo n u m e r o s o s partidarios t a n t o
entre los g e s t o r e s de la cosa pública c o m o entre los ejecutivos e m -

126
C o m i e n z a un nuevo y siniestro período de la historia económica

presariales. F u e el f u n d a m e n t o de un n u e v o m é t o d o filosófico de
e n s e ñ a n z a de la gestión en las mayores escuelas de ciencias e m p r e -
sariales del país y, con el t i e m p o , e n g e n d r ó t o d a u n a nueva raza de
gerentes y directores generales destinados a formar la avanzadilla
1
del i m p e r i o g l o b a l .
M i e n t r a s discutíamos los acontecimientos mundiales alrede-
d o r de nuestra m e s a , nos fascinaba en especial el papel de M c N a -
m a r a c o m o presidente del B a n c o M u n d i a l , c a r g o q u e a c e p t ó p o c o
d e s p u é s de dejar la secretaría de Defensa. M u c h o s de mis a m i g o s
d e s t a c a b a n q u e c o n esto se convertía en el s í m b o l o de lo q u e m u -
chos llamaron p o r aquel entonces «el c o m p l e j o militar-industrial».
H a b í a o c u p a d o el c a r g o m á x i m o en una gran c o r p o r a c i ó n , en un
g a b i n e t e ministerial y ahora en el b a n c o más p o d e r o s o del m u n d o .
A m u c h o s les h o r r o r i z a b a tan obvia infracción al principio de se-
paración de p o d e r e s ; entre ellos, yo era quizás el único q u e no se
sorprendía lo m á s m í n i m o .
En la actualidad, c o n s i d e r o q u e la c o n t r i b u c i ó n m á s g r a n d e e
históricamente más siniestra de M c N a m a r a fue desvirtuar el B a n -
co M u n d i a l hasta convertirlo en agente del i m p e r i o g l o b a l a u n a
escala n u n c a vista con anterioridad. A d e m á s s e n t ó un p r e c e d e n t e .
Su c a p a c i d a d para saltarse los c o m p a r t i m i e n t o s entre los sectores
primordiales de la corporatocracia fue perfeccionada p o r sus suce-
sores. G e o r g e S h u l t z , por e j e m p l o , fue secretario del T e s o r o y p r e -
sidente del C o n s e j o d e Política E c o n ó m i c a b a j o N i x o n , l u e g o pre-
sidente de la Bechtel y s e g u i d a m e n t e secretario de E s t a d o b a j o
R e a g a n . D e s p u é s de vicepresidente y m i e m b r o del c o n s e j o de ad-
ministración de Bechtel, C a s p a r Weinberger fue secretario de D e -
fensa c o n R e a g a n . El director de la C Í A en tiempos de J o h n s o n ,
q u e fue R i c h a r d H e l m s , recibió l u e g o de N i x o n el n o m b r a m i e n t o
de e m b a j a d o r en Irán. Richard Cheney ha s i d o secretario de D e -
fensa b a j o G e o r g e H. W. B u s h , presidente de la H a l l i b u r t o n y vi-
cepresidente de E s t a d o s U n i d o s con G e o r g e W. B u s h . E incluso
u n presidente d e E s t a d o s U n i d o s , e l citado G e o r g e H . W . B u s h ,
e m p e z ó c o m o f u n d a d o r d e Z a p a t a P e t r o l e u m C o r p . , ejerció c o m o
e m b a j a d o r ante N a c i o n e s U n i d a s bajo los presidentes N i x o n y
F o r d y fue n o m b r a d o director de la C Í A p o r F o r d .

127
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

Al r e c o r d a r esa é p o c a me s o r p r e n d e todavía la i n g e n u i d a d q u e
la caracterizaba. En m u c h o s aspectos é r a m o s todavía prisioneros
de la idea tradicional de la construcción de imperios. K e r m i t R o o -
sevelt n o s había m o s t r a d o un c a m i n o mejor, c u a n d o d e r r i b ó a un
d e m ó c r a t a iraní para reemplazarlo p o r un rey d e s p ó t i c o . N o s o t r o s
los g á n g s t e r e s e c o n ó m i c o s l l e g a m o s a cubrir m u c h o s de n u e s t r o s
objetivos en lugares c o m o I n d o n e s i a y E c u a d o r . Y, sin e m b a r g o ,
V i e t n a m fue un e j e m p l o a s o m b r o s o de lo fácil q u e p o d í a ser vol-
ver a caer en las viejas rutinas.
El país m i e m b r o principal de la O P E P , Arabia S a u d í , vino a
cambiar t o d o eso.

128
15

Arabia Saudí y el caso


del blanqueo de dinero

n 1 9 7 4 , un diplomático de Arabia S a u d í me m o s t r ó unas fo-


1 J tografías de R i a d , la capital de su país. En una de las fotos se
veía un r e b a ñ o de cabras que h u r g a b a entre m o n t o n e s de desper-
dicios al l a d o de unas oficinas públicas. C u a n d o p r e g u n t é al diplo-
m á t i c o , su respuesta me escandalizó. D i j o q u e las cabras eran el
principal sistema de r e c o g i d a de residuos de la ciudad.
— N i n g ú n saudí q u e se respete a sí m i s m o se dedica a r e c o g e r
la basura — d i j o — . E s o se lo d e j a m o s a los animales.
¡ C a b r a s ! En la capital del reino petrolero más g r a n d e del
m u n d o . E r a increíble.
E n esa é p o c a y o f o r m a b a parte d e u n g r u p o d e asesores q u e
trataban de hilvanar una solución para la crisis del p e t r ó l e o . L a s ca-
bras me permitieron intuir de q u é manera iría g e r m i m i n d o dicha
solución, s o b r e t o d o teniendo en cuenta los e s q u e m a s de d e s a r r o -
llo de aquel país durante los últimos tres siglos.
Su historia está llena de episodios de violencia y fanatismo re-
ligioso. E n el siglo XVIII un caudillo local, M u h a m m a d ibn S a u d ,
se alió c o n los fundamentalistas de la u l t r a c o n s e r v a d o r a secta
w a h a b í . La u n i ó n se evidenció p o d e r o s a y d u r a n t e los d o s s i g l o s
siguientes la familia S a u d y sus aliados c o n q u i s t a r o n la mayor par-
te de la península a r á b i g a , incluidas las dos ciudades más santas, La
Meca y Medina.

129
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

La sociedad saudí era un reflejo de las ideas puritanas de sus


fundadores y en ella se i m p u s o una interpretación estricta de las cre-
encias coránicas. U n a policía religiosa se encargaba de hacer cumplir
el m a n d a t o de las cinco oraciones diarias. L a s mujeres debían tapar-
se desde la c a b e z a hasta los pies. L o s delitos se castigaban con seve-
ridad. L a s decapitaciones y lapidaciones públicas eran m o n e d a co-
rriente. En mi primera visita a Riad q u e d é muy s o r p r e n d i d o c u a n d o
mi chófer me dijo q u e p o d í a dejar la cámara, el portafolios e inclu-
so la billetera a la vista dentro del coche, estacionado j u n t o al z o c o ,
sin necesidad de echar el cierre.
—A nadie se le o c u r r e r o b a r aquí. A los ladrones les c o r t a n las
manos —dijo.
P o c o d e s p u é s p r o p u s o llevarme a visitar la plaza de las ejecu-
ciones p ú b l i c a s , ya q u e e s t a b a prevista u n a decapitación p a r a ese
m i s m o día. La a d h e s i ó n del w a h a b i s m o a lo q u e n o s o t r o s califica-
r í a m o s de p u r i t a n i s m o e x t r e m o c o n s i g u e limpiar las calles de la-
d r o n e s . . . p e r o exige los castigos corporales m á s severos p a r a quie-
nes t r a n s g r e d e n las leyes. Decliné la invitación.
El criterio saudí de la religión c o m o e l e m e n t o i m p o r t a n t e de
lo político y lo e c o n ó m i c o tuvo q u e ver c o n el e m b a r g o del p e t r ó -
leo q u e s a c u d i ó el m u n d o occidental. El 6 de o c t u b r e de 1 9 7 3 , día
del Y o m K i p p u r o del G r a n P e r d ó n , u n o de los más santos del ca-
lendario j u d í o , E g i p t o y Siria lanzaron s e n d o s y s i m u l t á n e o s ata-
q u e s c o n t r a Israel. E s t e fue el c o m i e n z o de la g u e r r a de O c t u b r e ,
la c u a r t a y la m á s destructiva de las guerras árabigo-israelíes y la
q u e m á s i m p r e s i o n ó a l m u n d o entero. E l presidente d e E g i p t o ,
S a d a t , p r e s i o n ó al rey Faisal de Arabia S a u d í para q u e castigase la
c o m p l i c i d a d de E s t a d o s U n i d o s c o n los israelíes utilizando lo q u e
S a d a t l l a m ó «el a r m a del p e t r ó l e o » . El 16 de o c t u b r e , Irán y los
cinco e s t a d o s árabes del G o l f o , entre ellos Arabia S a u d í , a n u n -
ciaron un a u m e n t o del 70 p o r ciento s o b r e el precio oficial del
crudo.
R e u n i d o s en la capital de Kuwait, los ministros árabes del p e -
t r ó l e o c o n s i d e r a r o n otras o p c i o n e s . El representante iraní era ve-
h e m e n t e p a r t i d a r i o d e t o m a r m e d i d a s contra E s t a d o s U n i d o s . Pi-
d i ó al resto de los d e l e g a d o s la nacionalización de los activos

130
Arabia Saudí y el caso del b l a n q u e o de dinero

e s t a d o u n i d e n s e s localizados en el m u n d o á r a b e , la imposición de
un e m b a r g o total del petróleo a E s t a d o s U n i d o s y a t o d a s las d e -
m á s naciones a m i g a s de Israel y la retirada de los d e p ó s i t o s árabes
de t o d o s los b a n c o s estadounidenses. A r g u m e n t ó q u e las cuentas
b a n c a d a s árabes eran sustanciales y q u e esa m e d i d a tal v e z desen-
cadenaría un p á n i c o similar al de 1 9 2 9 .
Varios ministros árabes titubeaban en adherirse a un plan tan
radical. El 17 de o c t u b r e decidieron actuar s o b r e las líneas de un
e m b a r g o a l g o más limitado, con un recorte de p r o d u c c i ó n inicial
del 5 p o r ciento s e g u i d o de nuevos recortes del 5 p o r ciento cada
m e s , hasta q u e se cumpliesen los objetivos políticos. H u b o acuer-
do en el sentido de q u e E s t a d o s U n i d o s merecía más severidad p o r
su a p o y o a los israelíes, y por tanto el e m b a r g o contra este país d e -
bía ser más severo. A l g u n o s de los países asistentes anunciaron re-
cortes del 10 p o r ciento en vez del cinco.
El 19 de o c t u b r e , el presidente N i x o n solicitó al C o n g r e s o
2 . 2 0 0 millones de dólares para ayudar a Israel. Al día s i g u i e n t e ,
A r a b i a S a u d í y o t r o s p r o d u c t o r e s árabes i m p u s i e r o n un e m b a r -
go total s o b r e las e x p e d i c i o n e s de c r u d o c o n d e s t i n o a E s t a d o s
1
Unidos.
El e m b a r g o concluyó el 18 de m a r z o de 1 9 7 4 . Su d u r a c i ó n
fue breve p e r o su i m p a c t o , inmenso. El precio de venta del c r u d o
saudí p a s ó de los 1,39 dólares por barril del 1 de enero de 1 9 7 0 a
2
los 8 , 3 2 dólares del 1 de enero de 1 9 7 4 . L o s políticos y las a d m i -
nistraciones posteriores no olvidaron jamás las enseñanzas de la
primera mitad de ese decenio. A largo p l a z o , esos breves p e r o trau-
máticos meses sirvieron para reforzar la corporatocracia. S u s tres
pilares — l a s g r a n d e s e m p r e s a s , la banca internacional y el gobier-
n o — se unieron con más solidez q u e nunca, y esa u n i ó n se reveló
duradera.
El e m b a r g o p r o d u j o también significativos c a m b i o s de acti-
t u d en lo político. Wall Street y Washington estuvieron de acuer-
do en q u e tal e m b a r g o no debía volver a ser t o l e r a d o j a m á s . P r o -
teger n u e s t r o aprovisionamiento d e c r u d o había s i d o siempre u n a
p r i o r i d a d , p e r o d e s p u é s de 1 9 7 3 p a s ó a constituir u n a o b s e s i ó n .
C o n el e m b a r g o , Arabia S a u d í adquirió la categoría de p r o t a g o -

131
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

nista d i g n a de consideración en la política m u n d i a l , v i é n d o s e Was-


h i n g t o n o b l i g a d a a r e c o n o c e r la estratégica i m p o r t a n c i a de aquel
reino p a r a n u e s t r o sistema e c o n ó m i c o . L o s líderes d e l a c o r p o r a -
tocracia e s t a d o u n i d e n s e b u s c a r o n con desesperación los m é t o -
d o s q u e les permitieran repatriar p e t r o d ó l a r e s a E s t a d o s U n i d o s ,
lo q u e d i o l u g a r a reflexiones s o b r e el h e c h o de q u e las a u t o r i d a -
d e s saudíes carecían de la infraestructura administrativa e institu-
cional necesaria p a r a gestionar a d e c u a d a m e n t e el r á p i d o creci-
miento de su fortuna.
Para A r a b i a S a u d í , el i n c r e m e n t o de renta resultante de los su-
cesivos a u m e n t o s en el precio del c r u d o no traía s ó l o ventajas.
C i e r t o q u e las arcas del país se llenaban de miles de millones de
dólares. P e r o , al m i s m o t i e m p o , esa repentina r i q u e z a m i n a b a al-
g u n a s de las estrictas creencias religiosas de los w a h a b í e s . L o s sau-
díes ricos viajaban p o r t o d o el planeta. C u r s a b a n e s t u d i o s en los
institutos y las universidades de E u r o p a y E s t a d o s U n i d o s . C o m -
p r a b a n c o c h e s de l u j o , y llenaban sus casas de enseres occidentales.
L a s creencias religiosas c o n s e r v a d o r a s estaban s i e n d o r e e m p l a z a -
das p o r u n a n u e v a f o r m a de materialismo. Y fue este m a t e r i a l i s m o
el q u e s u g i r i ó el r e m e d i o a los t e m o r e s de una repetición futura de
la crisis del p e t r ó l e o .
C a s i tan p r o n t o c o m o a c a b ó e l e m b a r g o , W a s h i n g t o n e m p e -
zó a n e g o c i a r c o n los saudíes para ofrecerles asistencia técnica, ar-
m a m e n t o e instrucción militar. Y, a d e m á s , la o p o r t u n i d a d de c o -
locar el país en el siglo XX a c a m b i o de p e t r o d ó l a r e s y de a l g o m á s
i m p o r t a n t e t o d a v í a , el c o m p r o m i s o de no volver a decretar un
e m b a r g o del p e t r ó l e o . El resultado de estas n e g o c i a c i o n e s fue la
creación del o r g a n i s m o m á s extraordinario q u e se haya visto ja-
más, la comisión económica conjunta Estados Unidos-Arabia
S a u d í . C o n o c i d a c o m o J E C O R , i n c o r p o r a b a u n c o n c e p t o innova-
d o r , a diferencia de los p r o g r a m a s tradicionales de a y u d a interna-
cional: p a g a r c o n el d i n e r o saudí a las e m p r e s a s contratistas esta-
d o u n i d e n s e s e n c a r g a d a s de la construcción de ese país.
A u n q u e la administración general y la responsabilidad fiscal se
d e l e g a r o n al d e p a r t a m e n t o estadounidense del T e s o r o , esta comi-
sión g o z a b a de gran independencia. En fin de cuentas se g a s t a r o n

132
Arabia Saudí y el caso del b l a n q u e o de dinero

miles de millones de dólares durante un p e r í o d o superior a los vein-


ticinco a ñ o s , prácticamente sin supervisión p a r l a m e n t a b a alguna.
C o m o los f o n d o s públicos d e E s t a d o s U n i d o s n o intervenían para
n a d a , el C o n g r e s o carecía de jurisdicción s o b r e el t e m a , pese al pa-
pel del T e s o r o . E n u n detenido estudio s o b r e l a J E C O R , David
H o l d e n y Richard J o h n s concluyen q u e «fue el a c u e r d o m á s amplio
de este tipo j a m á s concluido por E s t a d o s U n i d o s con un país en
vías de desarrollo. A u g u r a b a la posibilidad de un arraigo p e r m a -
nente de E s t a d o s U n i d o s en ese R e i n o , reforzando el c o n c e p t o de
3
interdependencia m u t u a » .
M u y p r o n t o , el d e p a r t a m e n t o del T e s o r o a c u d i ó al asesora-
m i e n t o de M A I N . Fui c o n v o c a d o y se me a n u n c i ó qu-: iba a en-
c a r g a r m e de u n a misión crítica. Y q u e t o d o lo q u e hiciese y llega-
se a saber tendría consideración de altamente confidencial. A mi
m o d o de ver, aquello se parecía bastante a una operación clandes-
tina. En la é p o c a se me hizo creer q u e M A I N sería la asesora prin-
cipal del p r o c e s o ; m á s adelante me di cuenta de q u e no é r a m o s
m á s q u e una entre varias consultorías solicitadas p o r su conoci-
miento experto.
C o m o t o d o se hacía con el mayor secreto, no tuve c o m u n i c a -
ción de lo h a b l a d o p o r el T e s o r o con o t r o s asesores y, p o r t a n t o ,
t a m p o c o estoy s e g u r o de la p o c a o m u c h a i m p o r t a n c i a de mi con-
tribución a ese a c u e r d o q u e iba a sentar precedentes. Sí me cons-
ta, en t o d o c a s o , q u e la negociación estableció nuevas n o r m a s para
el g a n g s t e r i s m o e c o n ó m i c o y q u e p u s o en m a r c h a inicic.tivas inno-
v a d o r a s en c o m p a r a c i ó n con los planteamientos tradicionales de
los forjadores de imperios. T a m b i é n me c o n s t a q u e la mayoría
de los s u p u e s t o s desarrollados en mis estudios se llevaron final-
m e n t e a l a práctica. L a M A I N fue p r e m i a d a c o n u n o d e los pri-
m e r o s g r a n d e s contratos d e Arabia S a u d í , q u e resultó Í u m a m e n t e
rentable, y aquel a ñ o yo c o b r é una sustanciosa p a g a ex:ra.
Mi tarea consistió en desarrollar predicciones de lo q u e podría
suceder en Arabia Saudí s u p o n i e n d o q u e se realizasen grandes in-
versiones de infraestructura, y en p r o p o n e r diversas alternativas
para la asignación de dichas inversiones. En u n a palabra, se me re-
quería q u e aplicase la mayor imaginación posible para justificar la

133
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

inyección de cientos de millones de dólares en el sistema e c o n ó m i -


co saudí, c o n d i c i o n a d a a la contratación de c o m p a ñ í a s estadouni-
denses de ingeniería y construcción. Se me o r d e n ó q u e me encar-
g a s e p e r s o n a l m e n t e y sin requerir la colaboración de mi e q u i p o , a
cuyo fin q u e d é secuestrado en una salita de reuniones varios pisos
más arriba de d o n d e estaban los d e s p a c h o s de mi d e p a r t a m e n t o . Se
me advirtió q u e mi trabajo era asunto de s e g u r i d a d nacional y a d e -
más p r o m e t í a g r a n rentabilidad para M A I N .
Yo había c o m p r e n d i d o , por s u p u e s t o , q u e en este c a s o la fi-
nalidad primaria no era la a c o s t u m b r a d a — e c h a r s o b r e el país un
fardo d e d e u d a q u e nunca pudiese r e e m b o l s a r — , sino encontrar
p r o c e d i m i e n t o s para c o n s e g u i r q u e una gran p a r t e de los p e t r o d ó -
lares e m p r e n d i e s e n el c a m i n o de r e g r e s o a E s t a d o s U n i d o s , de tal
manera q u e Arabia Saudí quedase comprometida, su economía
c a d a vez m á s entrelazada con la nuestra y d e p e n d i e n t e de ella. Al
m i s m o t i e m p o era de s u p o n e r q u e el país iría o c c i d e n t a l i z á n d o s e y,
p o r t a n t o , simpatizaría m á s con el sistema en q u e se i n t e g r a b a .
T a n p r o n t o c o m o p u s e m a n o s a la o b r a entendí q u e las cabras
t r a s h u m a n t e s p o r las calles de Riad eran la clave simbólica, el p u n -
t o á l g i d o d e a q u e l l o s saudíes q u e volaban p o r t o d o e l m u n d o e n
clase preferente. L a s cabras estaban p i d i e n d o ser r e e m p l a z a d a s p o r
a l g o m á s a p r o p i a d o para ese reino del desierto impaciente p o r in-
gresar en el m u n d o m o d e r n o . T a m b i é n sabía q u e los e c o n o m i s t a s
de la O P E P r e c o m e n d a b a n la adquisición de más p r o d u c t o s de
alto valor a ñ a d i d o p o r parte de los países p r o d u c t o r e s , a c a m b i o
del p e t r ó l e o de éstos. En vez de limitarse a e x p o r t a r el c r u d o , de-
cían los e c o n o m i s t a s , esos países debían desarrollar industrias p r o -
pias. Es decir, utilizar el petróleo para p r o d u c i r derivados q u e se
venderían al r e s t o del m u n d o a precios superiores a los o b t e n i d o s
c o n la venta del c r u d o .
E s t a d o b l e conclusión abría la p u e r t a a una estrategia q u e , a
mi parecer, p r o m e t í a u n a situación en la q u e t o d o s saldrían g a n a n -
d o . P o r s u p u e s t o , las cabras no serían m á s q u e el c o m i e n z o . L a s
rentas del p e t r ó l e o se emplearían en contratar c o m p a ñ í a s e s t a d o u -
nidenses q u e sustituirían a aquéllas p o r sistemas m o d e r n o s de re-
c o g i d a y t r a t a m i e n t o de residuos, los mejores q u e se encontrasen

134
Arabia Saudí y el caso del blanquee» de dinero

en el m u n d o , p a r a q u e los saudíes pudiesen enorgullecerse de su


p r o g r e s o técnico.
Para mí las cabras eran u n o de los elementos de una ecuación
q u e sería aplicable a casi t o d o s los sectores de la e c o n o m í a del reino,
y una fórmula para el éxito a o j o s de la familia real, del d e p a r t a m e n -
to estadoimidense del T e s o r o y de mis jefes en M A I N . De a c u e r d o
con esa fórmula, el dinero se asignaría a la creación de un sector in-
dustrial centrado en la transformación del c r u d o en p r o d u c t o s deri-
v a d o s exportables. Así crecerían en el desierto grandes complejos
petroquímicos y, alrededor de ellos, grandes p a r q u e s iidustriales.
C o m o es natural, semejante proyecto exigiría también la instalación
de miles de megavatios de capacidad generadora, con sus corres-
pondientes líneas de transporte y distribución, así c o m o de carrete-
ras, o l e o d u c t o s , redes de comunicaciones. L o s sistemas ele transpor-
te comprenderían nuevos aeropuertos, ampliación de los p u e r t o s de
mar, u n a amplia g a m a de servicios y d e m á s infraestructura esencial
para q u e girasen t o d o s esos engranajes.
T o d o s a l b e r g á b a m o s las máximas esperanzas, en el sentido de
q u e este plan suministrase un m o d e l o para actuaciones futuras en
el resto del m u n d o . A q u e l l o s saudíes tan aficionados a viajar p o r el
planeta llevarían a t o d a s partes el elogio de nuestra actuación. L o s
dirigentes de m u c h o s países serían invitados a visitar A r a b i a S a u d í
para c o n t e m p l a r los milagros realizados p o r n o s o t r o s , y l u e g o nos
llamarían p a r a q u e desarrollásemos planes p a r e c i d o s er sus países.
Y c u a n d o éstos no perteneciesen al círculo de la O P E P , recurriría-
m o s al B a n c o M u n d i a l u o t r o s m é t o d o s de e n d e u d a m i e n t o p a r a fi-
nanciarlos. El imperio mundial estaba servido.
Mientras estudiaba estas ideas pensaba en las cabra;!, y las pala-
bras de mi chófer r e s o n a b a n a m e n u d o en mis o í d o s : « N i n g ú n sau-
dí q u e se respete a sí m i s m o se dedica a recoger la b a s u r a » . E s a fra-
se la había o í d o muchas veces en varios contextos diferentes. E r a
evidente q u e los saudíes no tenían la m e n o r intención de p o n e r a
trabajar a sus c i u d a d a n o s en tareas serviles, ni c o m o o b r e r o s en las
instalaciones industriales ni en la construcción física de ninguno de
los proyectos. Para empezar, no contaban con una p o b l a c i ó n sufi-
ciente. A d e m á s , la C a s a Real de S a u d había indicado su intención

135
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

de p r o p o r c i o n a r a esos c i u d a d a n o s un nivel de educación y un esti-


lo de vida incompatibles con la condición de o b r e r o s m a n u a l e s . L o s
saudíes q u i z á dirigirían a otros, pero no tenían interés a l g u n o ni de-
s e o de convertirse en trabajadores de fábrica o de la construcción.
P o r t a n t o , sería preciso i m p o r t a r m a n o de o b r a de o t r o s países.
Países de salarios bajos y de m u c h o d e s e m p l e o , de Oriente P r ó x i m o
a ser posible, u o t r o s del m u n d o islámico. Por e j e m p l o , E g i p t o , Pa-
lestina, Pakistán y Yemen.
E s t a perspectiva creaba una estratagema todavía m á s g r a n d e
c o n vistas a las o p o r t u n i d a d e s de desarrollo. Sería necesario cons-
truir e n o r m e s b l o q u e s de viviendas para esos trabajadores; y tam-
bién centros comerciales, hospitales, parques de b o m b e r o s y co-
misarías de policía, plantas de tratamiento de a g u a p o t a b l e y de
r e s i d u o s , centrales eléctricas, vías de comunicación y redes de trans-
p o r t e . De h e c h o , se trataba de construir ciudades m o d e r n a s d o n d e
antes sólo existía el desierto. E r a también una o p o r t u n i d a d para ex-
plorar nuevas tecnologías, p o r ejemplo plantas de desalinización,
transmisiones p o r m i c r o o n d a s , complejos hospitalarios y sistemas
informáticos.
A r a b i a S a u d í era el s u e ñ o del planificador c o n v e r t i d o en reali-
d a d y t a m b i é n el p r e m i o g o r d o para cualquier p e r s o n a relacionada
c o n n e g o c i o s de ingeniería y c o n s t r u c c i ó n . Ofrecía u n a o p o r t u n i -
d a d e c o n ó m i c a n u n c a vista en la historia: un país s u b d e s a r r o l l a d o ,
p e r o con recursos financieros virtualmente ilimitados y con el de-
s e o de entrar en el m u n d o m o d e r n o a lo g r a n d e , y c u a n t o antes.
H e d e confesar q u e disfruté e n o r m e m e n t e c o n este t r a b a j o .
No existían, ni en A r a b i a S a u d í ni en la biblioteca pública de B o s -
ton ni en parte a l g u n a , d a t o s sólidos y susceptibles de justificar el
e m p l e o de m o d e l o s e c o n o m é t r i c o s en aquel c o n t e x t o . En reali-
d a d , la m a g n i t u d del d e s i g n i o — l a transformación total e inme-
diata de t o d o un país a una escala nunca antes p l a n t e a d a — signifi-
caba q u e , a u n q u e hubiesen existido d a t o s históricos, éstos habrían
s i d o del t o d o irrelevantes.
Por otra p a r t e , nadie me pedía este tipo de análisis cuantitati-
v o , al m e n o s en esa fase del j u e g o . Se trataba de p o n e r a trabajar la
i m a g i n a c i ó n , sencillamente, y de escribir dictámenes q u e pintasen

136
Arabia Saudí y el caso del b l a n q u e o de dinero

un futuro g l o r i o s o para el reino. Yo disponía de algunas estima-


ciones a o j o de buen c u b e r o para valorar esas c o s a s , c o m o el coste
a p r o x i m a d o de p r o d u c c i ó n de un m e g a v a t i o de electricidad o de
un k i l ó m e t r o de carretera, o el coste del abastecimiento de a g u a ,
del t r a t a m i e n t o de residuos, de la vivienda, de la alimentación y
d e m á s servicios por cada trabajador e n r o l a d o . N o s e m e exigía q u e
ajustase dichas estimaciones, ni q u e presentase conclusiones fina-
les. Mi trabajo consistía en describir una serie de planes (o tal vez
sería m á s e x a c t o decir « v i s i o n e s » ) de lo q u e p u d i e s e hacerse, j u n t o
con unas estimaciones a p r o x i m a d a s de lo q u e , en su c a s o , iban a
costar.
E n t o d o m o m e n t o tuve presentes los verdaderos objetivos:
m a x i m i z a r la rentabilidad para las c o m p a ñ í a s e s t a d o u n i d e n s e s y
c o n s e g u i r q u e Arabia Saudí dependiese cada v e z m á s de E s t a d o s
U n i d o s . N o tardé m u c h o e n c o m p r e n d e r q u e l o u n o iba estrecha-
m e n t e vinculado a lo o t r o . Casi t o d o s los p r o y e c t o s c u e realizar
exigirían m a n t e n i m i e n t o p e r m a n e n t e y actualización continua, y
eran de un carácter tan técnico q u e sería forzoso confiar a las con-
tratistas originales esas tareas de conservación y m o d e r n i z a c i ó n . Y,
en efecto, c o n f o r m e adelantaba en mi tarea, e m p e c é a establecer
d o s listas para cada u n o de los proyectos q u e planteaba: la p r i m e -
r a , para los tipos de contratos de diseño y construcción a q u e p o -
d í a m o s aspirar y, la s e g u n d a , para los a c u e r d o s a largo p l a z o en
c u a n t o a servicios de asistencia técnica y administración. M A I N ,
Bechtel, B r o w n & R o o t , H a l l i b u r t o n , S t o n e & Webster y otras
m u c h a s c o m p a ñ í a s estadounidenses de proyectos y contratas cose-
charían e s p l é n d i d o s beneficios durante varios decenios.
M á s allá del terreno puramente e c o n ó m i c o , Arabia Saudí iba a
q u e d a r dependiente de nosotros por o t r o m o t i v o m u y distinto y
bastante más recóndito. Era de prever q u e la m o d e r n i z a c i ó n del
a c a u d a l a d o reino petrolero suscitaría reacciones adversas. P o r ejem-
p l o , enfurecería a los m u s u l m a n e s conservadores. Israel y otros pa-
íses vecinos se sentirían a m e n a z a d o s . El desarrollo e c o n ó m i c o de
aquel país daría lugar al florecimiento de otra industria: la p r o t e c -
ción de la península árabe. L a s compañías privadas especializadas en
este g é n e r o de actividades, así c o m o los militares y la i.idustria de

137
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

defensa e s t a d o u n i d e n s e s también p o d í a n aspirar a g e n e r o s o s con-


tratos... a c o m p a ñ a d o s , u n a vez m á s , de p r o t o c o l o s de servicio y ad-
ministración a l a r g o p l a z o . Su presencia exigiría otra fase de diseño
y c o n s t r u c c i ó n de a e r o p u e r t o s , e m p l a z a m i e n t o s de misiles, aloja-
m i e n t o s para el personal y las d e m á s infraestructuras asociadas a tal
g é n e r o d e instalaciones.
Yo enviaba mis informes por m e d i o del correo interior, en so-
bres cerrados y dirigidos al «Director de proyectos del d e p a r t a m e n -
to del T e s o r o » . En ocasiones me reuní con un par de m i e m b r o s de
nuestro e q u i p o , vicepresidentes d e M A I N y superiores míos. C o m o
nuestro proyecto no tenía denominación oficial, p u e s t o q u e todavía
se hallaba en fase de investigación y desarrollo y aún no había sido
c o m u n i c a d o a la J E C O R , c u a n d o h a b l á b a m o s de él — s i e m p r e en
v o z b a j a — lo l l a m á b a m o s S A M A , iniciales de « c a s o del b l a n q u e o de
dinero árabe saudí» (Saudi Arabian Money-Launderingf Affair),
p e r o q u e escondían o t r o j u e g o de palabras malicioso, d a d o q u e el
b a n c o central de los saudíes tenía el n o m b r e oficial de S a u d i Arabian
M o n e t a r y Agency.
A veces se n o s unía algún representante del T e s o r o . D u r a n t e
estas r e u n i o n e s hice p o c a s p r e g u n t a s . C u a n d o h a b l a b a era s o b r e
t o d o para describir mi t r a b a j o , contestar a los c o m e n t a r i o s de los
d e m á s y aceptar lo q u e quisieran e n c a r g a r m e . L o s vicepresidentes
y el d e l e g a d o del T e s o r o q u e d a r o n especialmente i m p r e s i o n a d o s
p o r mis ideas s o b r e los servicios de asistencia técnica y administra-
ción. S o b r e e s t o , u n o d e los vicepresidentes a c u ñ ó u n a f r a s e q u e
l u e g o c i t á b a m o s c o n frecuencia, c u a n d o dijo q u e el reino saudí era
«la vaca q u e o r d e ñ a r e m o s hasta q u e se p o n g a el sol s o b r e nuestra
j u b i l a c i ó n » . Para mí, esa frase e v o c a b a siempre i m á g e n e s de c a b r a s ,
antes q u e d e vacas.
F u e d u r a n t e estas reuniones c u a n d o me enteré de q u e varias
de nuestras c o m p e t i d o r a s se hallaban e m b a r c a d a s en tareas parale-
las; t o d o s e s p e r á b a m o s q u e nuestros esfuerzos fuesen finalmente
p r e m i a d o s mediante lucrativos contratos. S u p u s e q u e tanto M A I N
c o m o las d e m á s consultorías corrían con los g a s t o s de estos traba-
jos preliminares, a c e p t a n d o el riesgo inmediato a c a m b i o de u n a fu-
tura tajada del pastel. Un indicio c o r r o b o r a b a esta suposición: q u e

138
Arabia S a u d í y el caso del b l a n q u e o de d i n e r o

los boletines en d o n d e se anotaban las horas de trabajo personal de-


dicadas a la actividad llevaban el c ó d i g o de la cuenta a cargar, y éste
era un n ú m e r o de los correspondientes a g a s t o s generales y admi-
nistrativos. Esta disposición era típica de las fases preliminares de
investigación y desarrollo de la mayoría de los proyectos. En aquel
caso el v o l u m e n de la inversión inicial era d e s d e l u e g o m u y superior
a lo habitual, p e r o los vicepresidentes se m o s t r a b a n muy confiados
en c u a n t o a las posibilidades de recuperarla.
A u n s a b i e n d o q u e nuestras c o m p e t i d o r a s intervenían t a m -
bién, t o d o s s u p o n í a m o s q u e habría pastel para t o d o s . Yo llevaba
en el sector tiempo suficiente para prever q u e las r e m u n e r a c i o n e s
reflejarían el g r a d o de satisfacción del T e s o r o c o n el t r a b a j o q u e
h a b í a m o s realizado, y q u e las consultorías cuyas sugerencias se lle-
vasen finalmente a efecto se adjudicarían los c o n t r a t o s más s a b r o -
s o s . De m o d o q u e me planteé un reto personal: los d stintos su-
p u e s t o s q u e e l a b o r a b a tendrían q u e profundizar hasta la etapa de
d i s e ñ o y c o n s t r u c c i ó n . Mi estrella en M A I N se hallaba en órbita
a s c e n d e n t e y esa trayectoria se aceleraría m u c h o si yo l o g r a b a u n a
posición d e s t a c a d a en el S A M A y el éxito consiguiente.
En estas reuniones se discutía también la p r o b a b i l i d a d de q u e
el S A M A y t o d a la operación J E C O R sentasen nuevos p r e c e d e n -
tes. R e p r e s e n t a b a un e n f o q u e innovador para o p e r a c i o n e s lucrati-
vas en países q u e no tuviesen necesidad de e n d e u d a r s e a través de
los b a n c o s internacionales. Irán e Iraq acudían e n s e g u i d a a la ima-
ginación c o m o posibles ejemplos de tales países. A d e m á s , y te-
n i e n d o en cuenta la naturaleza h u m a n a , n o s parecía p r o b a b l e q u e
los dirigentes de estos países se sintieran m o t i v a d o s para tratar de
emular a la Arabia S a u d í . No cabían m u c h a s d u d a s de «que el e m -
b a r g o p e t r o l e r o de 1 9 7 3 — q u e tan funesto había p a r e c i d o al prin-
c i p i o — acabaría p o r ofrecer m u c h o s regalos i n e s p e r a d o s al sector
de la ingeniería y la construcción, y seguiría a y u d a n d o i allanar el
c a m i n o p a r a crear un imperio mundial.
En esta fase visionaria estuve o c u p a d o u n o s o c h o m e s e s , aun-
q u e n u n c a m á s de un par de días s e g u i d o s ( p e r o e s o sí, m u y inten-
s o s ) , recluido en mi salita privada o en mi a p a r t a m e n t o c o n vistas
al casco viejo de B o s t o n . Mis c o l a b o r a d o r e s tenían o t r o s cometi-

139
CONFESIONES DE UN GÁNGSTERECONÓMICO

d o s y sabían desenvolverse s o l o s , a u n q u e de v e z en c u a n d o les ha-


cía u n a visita de inspección. C o n el tiempo, el secreto q u e envol-
vía n u e s t r o t r a b a j o e m p e z ó a relajarse un p o c o . M u c h a s p e r s o n a s
sabían q u e s e p r e p a r a b a « a l g o g o r d o » e n relación c o n A r a b i a S a u -
dí. L a excitación subía d e g r a d o y circulaban m u c h o s r u m o r e s . L o s
vicepresidentes y los d e l e g a d o s del T e s o r o e m p e z a r o n a aflojar su
h e r m e t i s m o . E n p a r t e , m e p a r e c e , p o r q u e ellos m i s m o s recibían y a
m á s i n f o r m a c i ó n c o n f o r m e iban perfilándose los detalles del i n g e -
n i o s o plan.
D e a c u e r d o c o n l o q u e í b a m o s s a b i e n d o , W a s h i n g t o n desea-
ba q u e los s a u d í e s garantizasen el a p r o v i s i o n a m i e n t o de p e t r ó l e o
en v o l u m e n y p r e c i o . E s t o s valores p o d í a n fluctuar p e r o s i e m p r e
d e b í a n m a n t e n e r s e en los límites de lo aceptable para E s t a d o s U n i -
d o s y n u e s t r o s aliados. Si o t r o s países c o m o Irán, I r a q , I n d o n e s i a
o V e n e z u e l a a m e n a z a b a n c o n el e m b a r g o , A r a b i a S a u d í con sus in-
m e n s o s r e c u r s o s petrolíferos intervendría para cubrir la diferencia,
y la simple constancia de q u e p o d í a hacerlo a la larga sería sufi-
ciente p a r a disuadir a los d e m á s países de considerar siquiera el
e m b a r g o . A c a m b i o de esta garantía, W a s h i n g t o n ofrecería a la
C a s a d e S a u d u n a c u e r d o irresistiblemente seductor: E s t a d o s U n i -
d o s se c o m p r o m e t í a a darle pleno a p o y o político y (en c a s o ne-
cesario) militar, con lo q u e aquélla perpetuaría su d o m i n i o s o b r e
el país.
E r a un t r a t o al q u e la C a s a de S a u d p r á c t i c a m e n t e no p o d í a
n e g a r s e , t e n i e n d o en c u e n t a su ubicación geográfica, su d e b i l i d a d
militar y su vulnerabilidad, en t o d o s los sentidos, frente a vecinos
c o m o I r á n , Siria, Iraq e Israel. En lógica consecuencia, Washing-
t o n utilizaba su ventaja para i m p o n e r otra c o n d i c i ó n crítica. E r a
u n a c o n d i c i ó n susceptible de redefinir el papel del g a n g s t e r i s m o
e c o n ó m i c o e n e l m u n d o — y d e p r o p o r c i o n a r u n m o d e l o q u e lue-
g o t r a t a r í a m o s d e aplicar e n o t r o s países, e n especial I r a q . E n re-
trospectiva, a veces m e cuesta entender c ó m o p u d o A r a b i a S a u d í
aceptar esa condición. D e s d e l u e g o el resto del m u n d o á r a b e , la
O P E P y o t r o s países islámicos se escandalizaron c u a n d o d e s c u -
brieron los t é r m i n o s del a c u e r d o y la m a n e r a en q u e la casa real ha-
bía c a p i t u l a d o ante las exigencias de W a s h i n g t o n .

140
Arabia S a u d í y el caso del b l a n q u e o de dinero

E s a c o n d i c i ó n fue q u e Arabia S a u d í dedicase sus p e t r o d ó l a r e s


a c o m p r a r b o n o s de la d e u d a pública e s t a d o u n i d e n s e . A c a m b i o ,
los intereses d e v e n g a d o s p o r estos títulos serían i n v e n i d o s p o r el
d e p a r t a m e n t o estadounidense del T e s o r o d e m a n e r a q u e garanti-
zasen el d e s p e g u e de aquella sociedad medieval y su entrada en el
m u n d o industrializado y m o d e r n o . O dicho de o t r o m o d o , el in-
terés calculado s o b r e los miles de millones de dólares de la renta
petrolera del reino serviría para p a g a r a las c o m p a ñ í a s estadouni-
denses e n c a r g a d a s de realizar la visión q u e yo y (era de s u p o n e r )
a l g u n o s de mis c o m p e t i d o r e s h a b í a m o s c o n c e b i d o a fin de trans-
formar a Arabia S a u d í en una m o d e r n a p o t e n c i a industrial. N u e s -
tro p r o p i o d e p a r t a m e n t o del T e s o r o nos c o n t r a t a b a , p a g a n d o los
saudíes, para construir proyectos de infraestructura y f a s t a ciuda-
des enteras en t o d a la península árabe.
A u n q u e los saudíes se reservaban p o d e r opinar en relación
c o n la naturaleza general de esos proyectos, la realidad era q u e un
c u e r p o e s c o g i d o de forasteros (la mayoría infieles, s e g ú n la m a n e -
ra de ver de los m u s u l m a n e s ) iba a determinar t a n t o el a s p e c t o
c o m o la sustancia e c o n ó m i c a de la península á r a b e , y esto en un
reino f u n d a d o s o b r e los principios wahabíes m á s c o n s e r v a d o r e s y
r e g i d o con arreglo a ellos durante un par de siglos. E r a pedirles un
acto de fe m u y g r a n d e , p e r o habida cuenta de las circunstancias y
de las p r o b a b l e s presiones políticas y militares q u e sin d u d a d e b i ó
p o n e r e n j u e g o W a s h i n g t o n , m e pareció q u e n o l e q u e d a b a n m u -
chas alternativas a la familia S a u d .
D e s d e n u e s t r o p u n t o de vista, las perspectivas de i n m e n s o s
beneficios parecían no tener límites. E r a una p r e b e n d a extraordi-
naria, c o n posibilidades de constituirse en p r e c e d e n t e . Y para ha-
cerla todavía m á s apetitosa, nadie se vería en la n e c e s i d a d de solici-
tar la a p r o b a c i ó n del C o n g r e s o , trámite siempre o d i a d o p o r las
c o r p o r a c i o n e s y más especialmente p o r las c o m p a ñ í a s privadas
c o m o Bechtel y M A I N , q u e prefieren no abrir sus libro,* a nadie ni
tener q u e c o m p a r t i r sus secretos. T h o m a s W. L i p p m a n . especialis-
ta a d j u n t o al M i d d l e E a s t Institute y en su día periodista, r e s u m e
c o n elocuencia los p u n t o s destacados de aquel a c u e r d o :

141
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

L o s s a u d í e s , a t i b o r r a d o s d e efectivo, entregarían cientos d e


millones de dólares al T e s o r o y éste controlaría los f o n d o s
hasta q u e se necesitasen para p a g a r a los v e n d e d o r e s o al per-
sonal. C o n este sistema se garantizaba el reciclado del d i n e r o
saudí d e v o l v i é n d o l o a la e c o n o m í a e s t a d o u n i d e n s e [...] T a m -
bién se g a r a n t i z a b a q u e los gerentes de la c o m i s i ó n pudieran
a b o r d a r cualesquiera proyectos a c o r d a d o s entre ellos y los
4
saudíes sin necesidad de dar explicaciones al C o n g r e s o .

El establecimiento de los p a r á m e t r o s para esta histórica e m -


p r e s a llevó m e n o s t i e m p o del q u e cualquiera habría i m a g i n a d o .
P e r o l u e g o , c o m o es natural, faltaba determinar la m a n e r a de im-
p l e m e n t a r l o s . A fin de p o n e r en marcha el p r o c e s o tendría q u e
desplazarse a A r a b i a S a u d í a l g u n a de nuestras a u t o r i d a d e s , p e r o
del m á x i m o nivel. El c o m e t i d o era s u m a m e n t e confidencial y nun-
ca he s a b i d o c o n exactitud quién fue. C r e o q u e enviaron a H e n r y
Kissinger.
Q u i e n q u i e r a q u e fuese, su primera misión consistiría en re-
cordarle a la familia real lo o c u r r i d o en la vecina Irán c u a n d o M o -
s a d d e q q u i s o deshacerse de los intereses petroleros británicos. A
c o n t i n u a c i ó n , d e b i ó describir aquel plan tan atractivo — d e m a s i a -
do p a r a no a c e p t a r l o — , d a n d o a entender de p a s o q u e los saudíes
n o tenían m u c h a s alternativas m á s . N o d u d o d e q u e s e q u e d a r o n
c o n la clara i m p r e s i ó n de q u e , o bien aceptaban nuestra oferta, a d -
q u i r i e n d o así la s e g u n d a d de continuar c o m o s o b e r a n o s c o n t a n d o
c o n nuestra a y u d a y protección, o bien p o d í a n n e g a r s e . . . y correr
la m i s m a s u e r t e q u e M o s a d d e q . C u a n d o el enviado r e g r e s ó a Was-
h i n g t o n llevaba la noticia de q u e los saudíes estaban d i s p u e s t o s a
cumplir con su p a r t e .
R e s t a b a un p e q u e ñ o o b s t á c u l o . T e n d r í a m o s q u e convencer a
otras p e r s o n a l i d a d e s clave del régimen saudí. S e g ú n se nos infor-
m ó , era u n a s u n t o d e familia. A u n q u e Arabia S a u d í n o fuese una
d e m o c r a c i a , al parecer d e n t r o de la C a s a de S a u d se decidía p o r
consenso.
En 1 9 7 5 recibí el e n c a r g o de trabajar con u n o de dichos per-
sonajes clave. Para mí siempre fue el príncipe W., a u n q u e nunca he

142
Arabia S a u d í y el c a s o del b l a n q u e o de dinero

a v e r i g u a d o si era realmente de la línea sucesoria. Mi misión con-


sistía en persuadirle de q u e el « c a s o del b l a n q u e o de d i n e r o » iba a
ser tan beneficioso para su país c o m o para él p e r s o n a l m e n t e .
No era tan fácil c o m o pudiera parecer a primera vista. El prín-
cipe W. se consideraba un buen wahabí y manifestó q u e no le gus-
taría ver c ó m o su país seguía los pasos del mercantilismo occidental.
A d e m á s , dijo haber entendido la naturaleza insidiosa de nuestras
propuestas. Sostenía q u e nosotros perseguíamos los m i s m o s objeti-
vos q u e los c r u z a d o s de hace mil años: la cristianización del m u n d o
árabe. En realidad no iba del t o d o desencaminado. En ni opinión la
diferencia entre los cruzados y nosotros era cuestión de g r a d o . L o s
cristianos de la E u r o p a medieval proclamaban la intención de salvar
del p u r g a t o r i o a los musulmanes. N o s o t r o s afirmábamos el p r o p ó -
sito de ayudar a la modernización de los saudíes. En realidad creo
q u e los c r u z a d o s , lo m i s m o que la corporatocracia, iban principal-
mente a p o r la expansión de su imperio.
Creencias religiosas aparte, el príncipe W. tenía una d e b i l i d a d ,
q u e eran las rubias g u a p a s . A h o r a resulta casi escandí l o s o aludir
a lo q u e se ha convertido en un estereotipo incorrecto y, a d e m á s ,
d e b o m e n c i o n a r q u e , de los m u c h o s saudíes q u e he t r a t a d o , el
príncipe W. ha sido el único en manifestar esa proclividad, o p o r lo
m e n o s el único q u e la manifestaba en mi presencia. P e r o no p u e -
de silenciarse p o r q u e tuvo su papel en la estructuración de aquel
c o n v e n i o histórico, y d e m u e s t r a hasta q u é e x t r e m o s e s t a b a yo dis-
p u e s t o a llegar c o n tal de cumplir con mi misión.

143
I

;
I '

L
16

Ejerciendo de proxeneta
y financiando a Osama bin Laden

D esde el primer m o m e n t o , el príncipe W. me hizo saber q u e


t o d a s las veces q u e me visitase en B o s t o n , d e s e a b a ser aten-
d i d o p o r u n a mujer de su a g r a d o , de quien requeriría o t r o s servi-
cios a d e m á s de los de simple a c o m p a ñ a n t e . P e r o t a m b i é n d e j ó sen-
t a d o q u e no se conformaría con una prostituta profesional, c o n
quien él m i s m o o alguien de su familia pudiese t r o p e z a r s e en la ca-
lle o en cualquier recepción. Mis reuniones c o n el príncipe W. eran
secretas, así q u e resultaba más fácil atender a sus d e s e o s .
«Sally» era una bella rubia de o j o s azules q u e vivía en el extra-
rradio de B o s t o n . El m a r i d o , un piloto de U n i t e d Airlines m u y via-
j a d o en lo profesional y en lo particular, no hacía n i n g ú n esfuerzo
p o r ocultar sus infidelidades. La actitud de Sally en c u a n t o a las ac-
tividades de su m a r i d o era de una soberana indiferencia. A p r e c i a b a
el s u e l d o , el c ó m o d o piso de propiedad en B o s t o n y las d e m á s ven-
tajas q u e la e s p o s a de un piloto disfrutaba en aquellos t i e m p o s .
D i e z años antes había sido una hippie a c o s t u m b r a d a a m a n t e n e r
relaciones promiscuas. A c e p t ó enseguida la idea de una fuente se-
creta de ingresos y se avino a dar una o p o r t u n i d a d al príncipe W.,
con una sola condición: q u e el futuro de su relación dependería p o r
c o m p l e t o de la actitud y trato que él manifestase hacia ella.
Por suerte para mí, cada u n o estuvo a la altura de los criterios
del o t r o .

145
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

El a s u n t o del príncipe W. c o n Sally, c a p í t u l o s e c u n d a r i o del


a s u n t o del b l a n q u e o d e d i n e r o s a u d í , c r e a b a p a r a m í u n a serie d e
problemas aparte. M A I N prohibía estrictamente a sus asociados
q u e hiciesen n a d a ilícito y, d e s d e el p u n t o de vista legal, yo esta-
ba e j e r c i e n d o de p r o x e n e t a (al facilitar servicios s e x u a l e s ) , activi-
d a d p r o h i b i d a p o r las leyes d e M a s s a c h u s e t t s . D e m o d o q u e e l
p r o b l e m a principal consistía e n c ó m o p a g a r los servicios d e Sally.
Por fortuna, el departamento de contabilidad me concedía mu-
chas l i b e r t a d e s c o n m i c u e n t a d e g a s t o s . Y o t e n g o l a c o s t u m b r e
d e d a r p r o p i n a s , así q u e n o m e fue difícil c o n s e g u i r q u e los ca-
m a r e r o s d e a l g u n o s d e los r e staur ante s m á s l u j o s o s d e B o s t o n m e
pasaran recibos en blanco. E s t o ocurría en la época en q u e no
eran los o r d e n a d o r e s , sino las p e r s o n a s , q u i e n e s r e l l e n a b a n los
recibos.
C o n el t i e m p o , el príncipe W. se volvió cada vez más atrevido,
hasta q u e me pidió q u e persuadiera a Sally para q u e se fuese a vivir
una t e m p o r a d a a su residencia privada en Arabia Saudí. E s a petición
no era d e m a s i a d o insólita en aquellos días. Existía un activo c o m e r -
cio de mujeres jóvenes entre ciertos países e u r o p e o s y Oriente Pró-
x i m o . Estas mujeres firmaban unos contratos por t i e m p o determi-
n a d o , transcurrido el cual se volvían a casa con sus cuentas bancarias
bien nutridas. R o b e r t Baer, q u e ha sido analista de la dirección o p e -
rativa de la C Í A durante veinte años, y especialista en Oriente P r ó -
x i m o , lo resume así: «A principios de la década de 1 9 7 0 , c u a n d o
e m p e z a r o n a correr los petrodólares, algunos libaneses e m p r e n d e -
d o r e s e m p e z a r o n a meter de c o n t r a b a n d o en el reino prostitutas
para los príncipes... Y c o m o nadie de la familia real sabe cuadrar
un talonario de cheques, esos libaneses se hicieron fabulosamente
1
ricos».
Yo c o n o c í a esa situación e incluso conocía a l g u n a s p e r s o n a s
en c o n d i c i o n e s de arreglar tales contratos. P e r o esto tenía d o s in-
convenientes principales para mí: Sally y el p a g o . E s t a b a s e g u r o de
q u e Sally no se avendría a dejar B o s t o n para ir a habitar u n a m a n -
sión del d e s i e r t o en Oriente P r ó x i m o . Y era evidente q u e n i n g u n a
colección de recibos de restaurante en blanco alcanzaría a cubrir
ese g a s t o .

146
E j e r c i e n d o de proxeneta y financiando a O s a m a bin L a d e n

El príncipe W. d e s p e j ó la s e g u n d a de estas p r e o c u p a c i o n e s di-


c i é n d o m e q u e él se encargaría en persona de p a g a r a su nueva
a m a n t e . Ú n i c a m e n t e me pedía q u e le solucionase la intermedia-
ción. T a m b i é n me tranquilizó m u c h o c u a n d o dijo q u e la Sally de
Arabia S a u d í no tenía por q u é ser necesariamente la m i s m a perso-
na q u e le había a c o m p a ñ a d o en E s t a d o s U n i d o s . E n t o n c e s llamé a
varios a m i g o s q u e tenían contactos con libaneses de L o n d r e s y
A m s t e r d a m . Al c a b o de unas d o s s e m a n a s , una Sally s u c e d á n e a fir-
m a b a su contrato.
El príncipe W. era una p e r s o n a c o m p l i c a d a . C o n Sally había
satisfecho un d e s e o físico y yo me había g a n a d o su confianza c o n
mi h a b i l i d a d al ayudarle en e s t o . P e r o no e s t a b a n a d a convenci-
d o d e q u e e l S A M A fuese una estrategia q u e é l quisiera r e c o -
m e n d a r p a r a s u país. T u v e q u e trabajar m u y d u r o p a r a c o n s e g u i r
mi p r o p ó s i t o . D e d i q u é m u c h a s horas a enseñarle las estadísticas
y a ayudarle a analizar los e s t u d i o s q u e h a b í a m o s r e a l i z a d o p a r a
o t r o s p a í s e s , entre ellos, u n o s m o d e l o s e c o n o m é t r i c o s q u e y o
había desarrollado para Kuwait durante mi entrenamiento con
C l a u d i n e , en los m e s e s anteriores a mi d e s p l a z a m i e n t o a I n d o n e -
sia. Al final t r a n s i g i ó .
D e s c o n o z c o los detalles de lo ocurrido entre o t r o s colegas
míos g á n g s t e r e s e c o n ó m i c o s y los d e m á s personajes saudíes clave.
Lo único q u e sé es q u e finalmente la familia real d i o su a p r o b a c i ó n
a t o d o el p a q u e t e de medidas. M A I N , por su p a r t e , fue r e c o m p e n -
sada con u n o de los primeros y más lucrativos contratos, adminis-
t r a d o p o r el d e p a r t a m e n t o del T e s o r o estadounidense. El e n c a r g o
consistía en realizar una evaluación completa del d e s o r g a n i z a d o y
anticuado sistema eléctrico del país y diseñar o t r o n u e v o c o n f o r m e
a las n o r m a s técnicas vigentes en E s t a d o s U n i d o s .
C o m o de c o s t u m b r e , me c o r r e s p o n d i ó enviar el primer equi-
po de t r a b a j o a fin de o b t e n e r las previsiones de desarrollo e c o n ó -
m i c o y carga eléctrica para cada región del país. T r e s de los h o m -
bres q u e trabajaban para mí, t o d o s ellos e x p e r t o s en p r o y e c t o s
internacionales, se disponían a partir hacia R i a d c u a n d o n o s llegó
u n c o m u n i c a d o del d e p a r t a m e n t o jurídico r e c o r d a n d o q u e s e g ú n
las c o n d i c i o n e s del contrato e s t á b a m o s o b l i g a d o s a h a b e r m o n t a -

147
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

do un d e s p a c h o en R I A D , y tenerlo en m a r c h a , en el p l a z o de m u y
p o c o s m e s e s , de los cuales ya había transcurrido u n o , sin q u e na-
die se hubiese fijado en esa cláusula. A d e m á s , n u e s t r o a c u e r d o c o n
el T e s o r o estipulaba q u e t o d o el e q u i p a m i e n t o d e b í a ser de fabri-
cación e s t a d o u n i d e n s e o de Arabia S a u d í . C o m o en este país no
existía n i n g u n a fábrica q u e p r o d u j e s e tal g é n e r o de artículos, sería
necesario enviarlo t o d o d e s d e E s t a d o s U n i d o s . G r a n d e fue nuestra
c o n s t e r n a c i ó n c u a n d o n o s e n t e r a m o s de q u e los p u e r t o s de la p e -
nínsula árabe estaban b l o q u e a d o s por largas colas de p e t r o l e r o s es-
p e r a n d o c a r g a . P o d í a n pasar meses antes de q u e entrasen en el rei-
no los enseres enviados.
P e r o no iba a ser M A I N quien perdiese un c o n t r a t o valioso
p o r culpa d e u n par d e d e s p a c h o s a m u e b l a d o s . E n u n a reunión d e
t o d o s los interesados estuvimos reflexionando hasta e n c o n t r a r la
solución, q u e consistió e n fletar u n B o e i n g 7 4 7 , c a r g a d o d e ense-
res c o m p r a d o s en B o s t o n y alrededores, y enviarlo r u m b o a Arabia
S a u d í . Se me o c u r r i ó e n t o n c e s q u e sería b o n i t o q u e ese avión per-
teneciese a la U n i t e d Airlines y fuese p i l o t a d o p o r cierto c o m a n -
d a n t e cuya e s p o s a había d e s e m p e ñ a d o un papel tan esencial en
persuadir a la C a s a de S a u d .

El a c u e r d o entre E s t a d o s U n i d o s y Arabia S a u d í t r a n s f o r m ó el rei-


n o , p r á c t i c a m e n t e , de la n o c h e a la m a ñ a n a . L a s c a b r a s f u e r o n
sustituidas por doscientos camiones compactadores de residuos,
u l t r a m o d e r n o s , p i n t a d o s de amarillo y s u m i n i s t r a d o s p o r Waste
2
M a n a g e m e n t , I n c . b a j o u n c o n t r a t o d e 2 0 0 millones d e d ó l a r e s .
T o d o s los sectores de la e c o n o m í a saudí fueron m o d e r n i z a d o s de
m a n e r a similar, d e s d e la agricultura y la energía hasta la e d u c a c i ó n
y las c o m u n i c a c i o n e s . C o m o o b s e r v ó T h o m a s L i p p m a n e n 2 0 0 3 :

Un v a s t o y desértico paisaje de tiendas de n ó m a d a s y c h o z a s


de a d o b e de los c a m p e s i n o s ha sido r e e s t r u c t u r a d o p o r los
n o r t e a m e r i c a n o s a su p r o p i a i m a g e n y s e m e j a n z a , d e s d e el
S t a r b u c k s de la e s q u i n a hasta las r a m p a s para sillas de r u e d a s
en los edificios p ú b l i c o s más recientes. H o y A r a b i a S a u d í es

148
E j e r c i e n d o de proxeneta y financiando a O s a m a bin L a d e n

un país de autovías, o r d e n a d o r e s , centros comerciales c o n aire


a c o n d i c i o n a d o y tiendas d o n d e se encuentran los m i s m o s
chismes q u e en cualquier próspera urbanización e s t a d o u n i -
d e n s e , hoteles elegantes, restaurantes de c o m i d a s rápidas, te-
levisión vía satélite, hospitales u l t r a m o d e r n o s , rascacielos de
3
oficinas y p a r q u e s temáticos llenos de d i v e r s i o n e s .

L o s planes q u e c o n c e b i m o s en 1 9 7 4 sentaron la n o r m a para


futuras negociaciones con los países ricos en p e t r ó l e o . En cierta
m a n e r a , S A M A / J E C O R fue e l s e g u n d o p e l d a ñ o , d e s p u é s del q u e
K e r m i t R o o s e v e l t estableció en Irán. S u p o n í a la i n c o r p o r a c i ó n de
un i n n o v a d o r g r a d o de sofisticación al arsenal de a r m a s político-
e c o n ó m i c a s q u e u s a b a n la nueva generación de s o l d a d o s q u e pese-
g u í a n crear un imperio global.
El « c a s o del b l a n q u e o de dinero árabe s a u d í » y la C o m i s i ó n
c o n j u n t a sentaron también nuevos precedentes de jurisprudencia
internacional, c o m o q u e d ó bien claro c o n el c a s o de Idi A m i n . En
1 9 7 9 , c u a n d o el célebre dictador u g a n d é s p a s ó al exilio, solicitó y
o b t u v o asilo en Arabia S a u d í . A u n q u e t o d o s le considerasen un
d é s p o t a asesino causante de entre cien mil y trescientas mil vícti-
m a s , p u d o jubilarse r o d e a d o de lujos, sin exceptuar los coches y el
servicio d o m é s t i c o pue stos a su disposición p o r la C a s a de S a u d .
D e s d e E s t a d o s U n i d o s s e oyeron discretas p r o t e s t a s , p e r o n o s e
q u i s o insistir para no c o m p r o m e t e r el e n t e n d i m i e n t o c o n los sau-
díes. A m i n p a s ó los últimos años de su vida p e s c a n d o y p a s e a n d o
p o r la playa, hasta q u e en 2 0 0 3 m u r i ó de un fallo renal en Y i d d a h ,
4
a la e d a d de o c h e n t a a ñ o s .
M á s sutil, y en ú l t i m o t é r m i n o m u c h o m á s p e r n i c i o s o , fue el
papel q u e d e s e m p e ñ ó A r a b i a S a u d í al tolerársele la financiación
del t e r r o r i s m o internacional. E s t a d o s U n i d o s n o h i z o n i n g ú n se-
creto de su deseo de que la Casa de Saudí apoyase económica-
m e n t e la g u e r r a afgana de O s a m a bin L a d e n c o n t r a la U n i ó n
Soviética d u r a n t e la d é c a d a de 1 9 8 0 . R i a d y W a s h i n g t o n contri-
b u y e r o n j u n t o s con u n o s 3 . 5 0 0 millones de d ó l a r e s a la c a u s a de
5
los m u j a i d i n . P e r o no q u e d ó s ó l o en e s o la p a r t i c i p a c i ó n esta-
d o u n i d e n s e y saudí.

149
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

A finales de 2 0 0 3 la U.S. News & World Report p u b l i c ó un ex-


haustivo e s t u d i o titulado « L a C o n e x i ó n s a u d í » . L a revista había
revisado miles de páginas de actas judiciales e informes de la inte-
ligencia e s t a d o u n i d e n s e y de o t r o s países, entre o t r o s d o c u m e n t o s ,
y entrevistado a d o c e n a s de funcionarios públicos y e x p e r t o s en
t e r r o r i s m o y en el Oriente P r ó x i m o . Entre sus r e s u l t a d o s figura lo
siguiente:

L a s p r u e b a s eran innegables. Arabia S a u d í , veterano aliado de


E s t a d o s U n i d o s y primer país p r o d u c t o r de p e t r ó l e o del m u n -
d o , s e había c o n v e r t i d o d e algún m o d o , c o m o h a d i c h o u n
alto funcionario del d e p a r t a m e n t o del T e s o r o , en «el epicen-
t r o » de la financiación terrorista [...]
A partir de finales de la d é c a d a de 1 9 8 0 — d e s p u é s del
d o b l e t r a u m a de la revolución iraní y de la g u e r r a de los so-
viéticos en A f g a n i s t á n — las organizaciones benéficas cuasi-
oficiales de Arabia S a u d í se convirtieron en fuente principal de
f o n d o s para el r á p i d o crecimiento de la yihad. En una veinte-
na de países, ese dinero se invirtió en m o n t a r c a m p o s de ins-
trucción paramilitar, adquirir a r m a m e n t o y reclutar n u e v o s
miembros [...]
S e d u c i d o s p o r la g e n e r o s i d a d saudí, los funcionarios es-
t a d o u n i d e n s e s miraron para o t r o l a d o , s e g ú n declaran a l g u -
nos oficiales de inteligencia. Miles de millones de dólares en
c o n t r a t o s , s u b v e n c i o n e s y salarios han beneficiado a un a m -
plio g r u p o de ex funcionarios e s t a d o u n i d e n s e s en tratos c o n
los saudíes: e m b a j a d o r e s , jefes locales de la C Í A e incluso se-
cretarios de E s t a d o [...]
L a s conversaciones intervenidas p o r vía electrónica impli-
can a m i e m b r o s de la familia real en la financiación de o t r o s
6
g r u p o s terroristas a d e m á s de a A l - Q a e d a .

D e s p u é s de los a t e n t a d o s de 2 0 0 1 contra el World T r a d e


C e n t e r y el P e n t á g o n o han i d o a p a r e c i e n d o m á s p r u e b a s de la re-
lación o c u l t a entre Washington y Riad. En o c t u b r e de 2 0 0 3 la
revista Vanity Fair p u b l i c ó informaciones no reveladas c o n ante-

150
E j e r c i e n d o de proxeneta y financiando a O s a m a bin L a d e n

rioridad en un t r a b a j o de investigación titulado « S a l v a n d o a los


s a u d í e s » . Lo q u e decían s o b r e las relaciones entre la familia B u s h ,
la C a s a de S a u d y la familia Bin L a d e n no me s o r p r e n d i ó especial-
m e n t e . Yo sabía q u e dichas relaciones d a t a b a n p o r lo m e n o s de la
é p o c a del « c a s o del b l a n q u e o de dinero árabe s a u d í » , iniciado en
1 9 7 4 , y de la actividad de G e o r g e H. W. B u s h c o m o e m b a j a d o r
ante N a c i o n e s U n i d a s ( 1 9 7 1 - 1 9 7 3 ) y c o m o d i r e c t o r d e l a C Í A
( 1 9 7 6 - 1 9 7 7 ) . L o sorprendente era q u e l a p r e n s a s e hubiese ente-
r a d o p o r fin. Vanity Fair concluía:

La familia B u s h y la C a s a de S a u d , q u e son las d o s dinastías


m á s p o d e r o s a s del m u n d o , mantienen estrechos vínculos per-
sonales, de n e g o c i o s y políticos d e s d e hace m á s de veinte a ñ o s
[...]
En el sector privado, los saudíes sacaron de dificultades a
H a r k e n Energy, la petrolera en q u e participaba G e o r g e W.
B u s h . M á s recientemente, el ex presidente H. W. B u s h y su
veterano aliado el ex secretario de e s t a d o J a m e s A. Baker I I I
intervinieron cerca de los saudíes a fin de allegar fondos para
el Cariyle G r o u p , p r o b a b l e m e n t e el f o n d o de inversiones pri-
v a d o más g r a n d e del m u n d o . En la actualidad, el presidente
B u s h sigue siendo consejero de esa c o m p a ñ í a , entre cuyos in-
versores figura, s e g ú n se a s e g u r a , un saudí a c u s a d o de estar
r e l a c i o n a d o con g r u p o s de a p o y o a actividades terroristas [...]
D í a s antes del 1 1 - S , n u m e r o s o s saudíes a d i n e r a d o s entre
los q u e se encontraban varios m i e m b r o s de la familia Bin L a -
den fueron s a c a d o s de E s t a d o s U n i d o s en aviones privados.
N a d i e dice haber a u t o r i z a d o esos vuelos y los pasajeros no
fueron i n t e r r o g a d o s . ¿Tuvo eso algo q u e ver con las viejas re-
7
laciones entre la familia B u s h y los s a u d í e s ?

151
TERCERA
PARTE
1975-1981
17

Las negociaciones del Canal


de Panamá y Graham Greene

A rabia S a u d í ha i m p u l s a d o muchas carreras. La mía iba bien en-


c a m i n a d a d e s d e antes, pero mis éxitos en el reino del desierto
d e s d e l u e g o m e abrieron puertas nuevas. E n 1 9 7 7 m e había m o n -
t a d o un p e q u e ñ o imperio q u e incluía un e q u i p o de unos veinte
profesionales en nuestro cuartel general de B o s t o n y una pléyade
de asesores de otros d e p a r t a m e n t o s y d e s p a c h o s de M A I N disemi-
n a d o s p o r t o d o el planeta. Me convertí en u n o de los socios m á s j ó -
venes en la centenaria historia de la c o m p a ñ í a . A d e m á s de mi título
de e c o n o m i s t a jefe, ostentaba el de gerente de planificación e c o n ó -
mica y regional. D a b a conferencias en H a r v a r d y otros lugares y los
periódicos me pedían artículos s o b r e los acontecimientos de actua-
1
l i d a d . Tenía un amarre para mi velero en el p u e r t o de B o s t o n al
l a d o del histórico a c o r a z a d o Constitution, alias « O í d I r o n s i d e s » , el
m i s m o q u e sirvió para someter a los piratas berberiscos p o c o des-
pués de nuestra g u e r r a de Independencia. C o b r a b a un s u e l d o ex-
celente y tenía participaciones q u e prometían elevarme al selecto
círculo de los millonarios antes de cumplir los cuarenta. C i e r t o q u e
mi m a t r i m o n i o había fracasado, pero a m e n i z a b a mi t i e m p o con be-
llas y fascinantes mujeres de varios continentes.
B r u n o me p r o p u s o sus ideas para un planteamiento innovador
en predicciones, un m o d e l o econométrico b a s a d o en la o b r a de un
m a t e m á t i c o r u s o de comienzos del siglo X X . El m o d e l o consistía en

155
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

asignar p r o b a b i l i d a d e s subjetivas a las predicciones de crecimiento


de d e t e r m i n a d o s sectores específicos de cualquier e c o n o m í a . Pare-
cía un i n s t r u m e n t o ideal para justificar los e x a g e r a d o s índices de
crecimiento q u e solíamos presentar en a p o y o de nuestros inflados
créditos. Así q u e B r u n o me pidió q u e estudiase el c o n c e p t o , a ver
si me servía de a l g o .
Fiché para mi d e p a r t a m e n t o a un joven m a t e m á t i c o del M I T ,
el d o c t o r N a d i p u r a m P r a s a d , y le asigné un p r e s u p u e s t o . A los seis
m e s e s tenía a p u n t o un desarrollo del m é t o d o de M a r k o v a p l i c a d o
a los m o d e l o s e c o n o m é t r i c o s . J u n t o s e l a b o r a m o s una serie de artí-
culos técnicos d e s t i n a d o s a presentar el m é t o d o de M a r k o v c o m o
un sistema revolucionario para predecir c ó m o repercuten s o b r e el
d e s a r r o l l o e c o n ó m i c o las inversiones en infraestructuras.
E r a exactamente l o q u e necesitábamos: u n i n s t r u m e n t o q u e
« d e m o s t r a s e » científicamente q u e e s t á b a m o s haciéndoles u n g r a n
favor a los países c u a n d o los a y u d á b a m o s a cargarse de p r é s t a m o s
q u e j a m á s estarían en condiciones de devolver. P o r otra p a r t e , in-
cluso un e c o n o m i s t a altamente cualificado necesitaría m u c h o tiem-
po y dinero para c o m p r e n d e r los intríngulis del m é t o d o de M a r k o v
o cuestionar sus conclusiones. L o s artículos fueron p u b l i c a d o s p o r
varias instituciones prestigiosas y pr e se ntados formalmente p o r n o -
sotros en conferencias y universidades de varios países. E s t o s traba-
j o s c o b r a r o n m u c h o prestigio en el sector —y n o s o t r o s , sus a u t o -
2
res, t a m b i é n .
Ornar Torrijos y yo hicimos h o n o r a nuestro a c u e r d o secreto.
M e a s e g u r é d e q u e n u e s t r o s e s t u d i o s fuesen c o r r e c t o s y d e q u e
nuestras r e c o m e n d a c i o n e s tuvieran presentes las necesidades de los
p o b r e s . A u n q u e llegaron a mis oídos algunas quejas p o r q u e mis pre-
visiones para P a n a m á no aparecían tan infladas c o m o de c o s t u m b r e ,
y a d e m á s se olfateaba en t o d o ello un recio relente a socialismo, la
realidad fue q u e la administración de Torrijos iba a d j u d i c a n d o con-
tratos a M A I N . En ellos se incluía una novedad: la elaboración de
planes m a e s t r o s innovadores q u e incluyesen a la agricultura j u n t o
con los sectores de infraestructura más tradicionales. Y fui testigo de
los contactos entre Torrijos y Jimmy Cárter para la renegociación
del t r a t a d o del Canal.

156
L a s negociaciones del Canal de P a n a m á y G r a h a m G r e e n e

Estas negociaciones sobre el Canal generaron m u c h o interés y


m u c h o apasionamiento en t o d o el m u n d o . La opinión pública en
todas partes estaba expectante sobre si Estados U n i d o s iba a hacer lo
q u e parecía justo al resto del m u n d o —es decir, permitir q u e los pa-
nameños asumieran el control— o si, por el contrario, trataríamos
de restablecer nuestra versión global del Destino Manifiesto, algo
maltrecha tras el desastre de Vietnam. A muchos les pareció q u e se
había elegido para la presidencia de Estados U n i d o s a un h o m b r e ra-
zonable y compasivo justo en el m o m e n t o más o p o r t u n o . En cam-
b i o , los bastiones del conservadurismo en Washington y los pulpitos
religiosos r e t u m b a r o n de indignación. ¿ C ó m o era posible a b a n d o -
nar aquel baluarte de la defensa nacional, aquel s í m b o l o del ingenio
estadounidense, aquella franja de a g u a que ataba los destinos de S u -
ramérica a los caprichos del interés comercial estadounidense?
D u r a n t e mis viajes a P a n a m á solía a l o j a r m e en el hotel C o n t i -
nental. P e r o en mi quinta visita me pasé al o t r o l a d o de la calle para
residir en el P a n a m á , p o r q u e el Continental e s t a b a en o b r a s de re-
f o r m a y el r u i d o era insoportable. Al principio la m u d a n z a me m o -
lestó un p o c o , p o r q u e el Continental había s i d o c o m o un s e g u n -
do hogar. P e r o l u e g o , sentado en la fastuosa recepción, c o n sus
sillones de m i m b r e y sus ventiladores de t e c h o de anchas palas,
e m p e z ó a g u s t a r m e el P a n a m á . E r a c o m o estar en el plato de Ca-
sablanca; u n o p o d í a imaginar q u e H u m p h r e y B o g a r t iba a entrar
en cualquier m o m e n t o . D e j é a un lado el ejemplar de la New Tork
Review ofBooks, tras acabar de leer un artículo de G r a h a m G r e e n e
s o b r e P a n a m á , y levanté la mirada hacia los ventiladores mientras
r e c o r d a b a u n a velada ocurrida casi d o s años antes.
— F o r d e s u n presidente débil, q u e n o será r e e l e g i d o — h a b í a
p r e d i c h o Ornar Torrijos e n 1 9 7 5 , h a b l a n d o ante u n g r u p o d e pa-
n a m e ñ o s influyentes y siendo yo el único extranjero invitado al
viejo y elegante club también con sus ventiladores de t e c h o — . P o r
este m o t i v o he d e c i d i d o agilizar este a s u n t o del C a n a l . Es el m o -
m e n t o i d ó n e o para lanzar una c a m p a ñ a política a t o d o s los niveles
c o n el fin de recuperarlo.
E s e discurso me inspiró. C u a n d o regresé al hotel escribí rápi-
d a m e n t e una carta al Boston Globc. U n o de sus responsables reac-

157
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

c i o n ó y c u a n d o regresé a B o s t o n llamó a mi d e s p a c h o para invitar-


me a escribir un artículo de opinión. « E n 1 9 7 5 no ha lugar al c o -
lonialismo en P a n a m á » o c u p ó casi media plana j u n t o a la p á g i n a
de los artículos editoriales en el n ú m e r o de 19 de s e p t i e m b r e de
1975.
El artículo citaba tres razones concretas para transferir el Canal
a los p a n a m e ñ o s . Primera, «la situación actual es injusta, lo q u e
constituye b u e n m o t i v o para cualquier decisión». S e g u n d a , «el tra-
t a d o actual crea riesgos de seguridad m u c h o m á s graves de los q u e
resultarían de la devolución a los p a n a m e ñ o s » . Para a r g u m e n t a r l o ,
citaba un e s t u d i o realizado por la C o m i s i ó n Interoceánica del C a -
nal s e g ú n cuyas conclusiones «el tráfico podría q u e d a r c o l a p s a d o
durante d o s años mediante la colocación de una b o m b a j u n t o a la
presa de G a t ú n , cosa q u e plausiblemente podría realizar un s o l o
h o m b r e » , p u n t o q u e el m i s m o general Torrijos había s u b r a y a d o en
p ú b l i c o . Y tercero, «la situación actual origina serios p r o b l e m a s
para unas relaciones E s t a d o s U n i d o s - L a t i n o a m é r i c a q u e n o están
p a s a n d o p o r su m e j o r m o m e n t o » . Y concluía diciendo:

La m e j o r m a n e r a de asegurar el funcionamiento c o n t i n u a d o y
eficiente del C a n a l es ayudar a los p a n a m e ñ o s para q u e recu-
peren el control y la responsabilidad s o b r e él. Si lo hiciéramos
así, p o d r í a m o s e n o r g u l l e c e m o s de iniciar una acción q u e rea-
firmaría el c o m p r o m i s o para c o n la causa de la a u t o d e t e r m i -
nación q u e n o s o t r o s m i s m o s a b r a z a m o s hace d o s c i e n t o s a ñ o s .
El c o l o n i a l i s m o e s t a b a tan de a c t u a l i d a d a la vuelta del
s i g l o ( a l r e d e d o r del 1 9 0 0 ) c o m o e n 1 7 7 5 . E s p o s i b l e q u e l a
ratificación de s e m e j a n t e t r a t a d o p u e d a entenderse en el con-
texto d e aquella é p o c a . H o y carece y a d e justificación. N o h a
lugar al c o l o n i a l i s m o en 1 9 7 5 . N o s o t r o s , q u e e s t a m o s cele-
b r a n d o n u e s t r o bicentenario, d e b e r í a m o s c o m p r e n d e r l o así y
3
actuar en c o n s e c u e n c i a .

La publicación de este artículo fue una j u g a d a atrevida p o r mi


p a r t e , s o b r e t o d o p o r q u e era reciente m i n o m b r a m i e n t o c o m o s o -
cio de M A I N y se e s p e r a b a q u e los socios evitaran a la p r e n s a y, p o r

158
L a s negociaciones del Canal de P a n a m á y G r a h a m G r e e n e

s u p u e s t o , se abstuvieran de publicar diatribas políticas en las pági-


nas de o p i n i ó n del periódico más prestigioso de N u e v a Inglaterra.
P o r el c o r r e o interior recibí m o n t o n e s de n o t a s hostiles, la m a y o -
ría a n ó n i m a s , g r a p a d a s c o n recortes del articulo. En u n a de ellas
reconocí c o n t o d a s e g u r i d a d la letra de Charlie Illingworth. Mi
primer director de proyecto llevaba diez años en M A I N y yo s ó l o
cinco, p e r o a él todavía no le habían hecho socio. En un lugar des-
t a c a d o de la n o t a había d i b u j a d o una calavera y las tibias c r u z a d a s .
El mensaje sólo decía: « ¿ D e veras han h e c h o s o c i o de nuestra e m -
presa a este c o m u n i s t a ? »
B r u n o me llamó a su d e s p a c h o y dijo:
— E s t e a s u n t o te va a crear m u c h o s d i s g u s t o s . M A I N es una
e m p r e s a bastante c o n s e r v a d o r a . P e r o q u i e r o q u e sepas q u e t u ac-
titud me parece m u y astuta. A Torrijos le encantará, s u p o n g o q u e
ya le habrás enviado una copia. Bien. En c u a n t o a esos g r a c i o s o s de
nuestra oficina, los q u e consideran a Torrijos socialista, en el fon-
do no les i m p o r t a r á un r á b a n o con tal de q u e los c o n t r a t o s sigan
entrando.
B r u n o tenía r a z ó n , c o m o d e c o s t u m b r e . E s t á b a m o s y a e n
1 9 7 7 , c o n C á r t e r en la C a s a B l a n c a , y las n e g o c i a c i o n e s s o b r e el
C a n a l i b a n e n serio. M u c h a s c o m p e t i d o r a s d e M A I N s e habían
e q u i v o c a d o de alianzas y no tenían n a d a q u e hacer en P a n a m á ,
m i e n t r a s n o s o t r o s t e n í a m o s t r a b a j o a m a n o s llenas. Y yo e s t a b a
s e n t a d o en la r e c e p c i ó n del hotel P a n a m á y h a b í a a c a b a d o de leer
el a r t í c u l o p u b l i c a d o p o r G r a h a m G r e e n e en la New York Review
of Books.
El articulo, « E l país con cinco fronteras», era un texto atrevi-
do q u e incluía un c o m e n t a r i o s o b r e los casos de c o r r u p c i ó n entre
la oficialidad superior de la G u a r d i a N a c i o n a l p a n a m e ñ a . El a u t o r
señalaba q u e el m i s m o general había c o n f e s a d o la concesión de
privilegios especiales a m u c h o s de sus c o l a b o r a d o r e s , p o r e j e m p l o
m e j o r e s viviendas, diciendo «si no los p a g o y o , lo hará la C Í A » . La
implicación evidente era q u e las organizaciones de inteligencia es-
t a d o u n i d e n s e s se hallaban decididas a contrariar los designios del
presidente C á r t e r , y q u e si fuese necesario no titubearían en s o -
b o r n a r a los jefes militares p a n a m e ñ o s a fin de s a b o t e a r las n e g o -

159
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

4
d a c i o n e s del t r a t a d o . N o p u d e dejar d e p r e g u n t a r m e s i los chaca-
les estarían r o n d a n d o ya a T o r r i j o s .
Yo había visto u n a fotografía en la sección « G e n t e » de la re-
vista Time, o q u i z á fuera en Newsweek, en la q u e T o r r i j o s aparecía
r e u n i d o c o n G r e e n e . El titular decía q u e el escritor era un invita-
do especial q u e había l l e g a d o a ser un b u e n a m i g o . Me p r e g u n t é
q u é le parecería al general e s o de q u e el novelista, en quien p o r lo
visto confiaba, h u b i e s e escrito un artículo tan crítico.
Este artículo de G r a h a m Greene planteaba o t r o interrogante,
vinculado con aquel día de 1 9 7 2 en que me vi cara a cara con T o -
rrijos c o n una mesita y irnos servicios de café p o r m e d i o . En aquella
é p o c a yo había d a d o p o r s u p u e s t o q u e Torrijos sabía q u e el j u e g o de
la ayuda externa estaba planteado para hacerle rico a él mientras el
país q u e d a b a s u m i d o en el e n d e u d a m i e n t o . E s t a b a s e g u r o de q u e
no i g n o r a b a q u e el p r o c e s o se basaba en el s u p u e s t o de q u e t o d o s
los h o m b r e s son corruptibles, y q u e su decisión de no lucrarse per-
s o n a l m e n t e y de aplicar la ayuda extranjera en v e r d a d e r o beneficio
de su p u e b l o sería considerada por algunos una a m e n a z a c a p a z de
arruinar t o d o el sistema. El m u n d o miraba a ese h o m b r e , y sus ac-
tos tenían ramificaciones que iban m u c h o más allá de Panamá y por
tanto no serían t o m a d o s a la ligera.
Me había p r e g u n t a d o c ó m o reaccionaría la c o r p o r a t o c r a c i a si
los créditos c o n c e d i d o s a P a n a m á se e m p l e a b a n en beneficio de los
p o b r e s sin contribuir a u n a d e u d a i m p a g a b l e . A h o r a me p r e g u n t a -
ba si T o r r i j o s se arrepentiría del a c u e r d o a l c a n z a d o c o n m i g o aquel
día — p o r m i p a r t e , t a m p o c o estaba muy s e g u r o d e haber acerta-
d o . H a b í a r e n e g a d o d e m i papel d e g á n g s t e r e c o n ó m i c o . H a b í a
j u g a d o su p a r t i d a , no la mía, al aceptar su p r o p o s i c i ó n de sinceri-
d a d m u t u a a c a m b i o d e más contratos. E n t é r m i n o s p u r a m e n t e
e c o n ó m i c o s había s i d o una decisión beneficiosa para M A I N . P e r o
d e t o d a s m a n e r a s contradecía l o q u e m e había e n s e ñ a d o C l a u d i n e ,
p u e s t o q u e no favorecía la expansión del imperio global. ¿Se había
s o l t a d o a los chacales?
R e c u e r d o q u e el día q u e salí del bungalow de T o r r i j o s pensé
q u e la historia de L a t i n o a m é r i c a a b u n d a b a d e m a s i a d o en héroes
m u e r t o s . Un sistema b a s a d o en c o r r o m p e r a los p e r s o n a j e s públi-

160
L a s negociaciones del Canal de P a n a m á y G r a h a m G r e e n e

eos no suele ser p i a d o s o con los personajes públicos q u e se niegan


a ser c o r r o m p i d o s .
En ese m o m e n t o creí ver visiones. U n a figura c o n o c i d a cru-
z a b a la recepción a p a s o lento. E s t a b a tan c o n f u s o q u e llegué a
creer q u e era H u m p h r e y B o g a r t . Pero hacía años q u e B o g a r t esta-
ba m u e r t o . E n t o n c e s reconocí en el h o m b r e q u e p a s a b a de largo a
u n o de los g e n i o s de la literatura c o n t e m p o r á n e a en inglés. El au-
tor de El poder y la gloria, de Los comediantes, de Nuestro hombre
en La Habana y del artículo q u e yo a c a b a b a de dejar a mi lado so-
bre la mesita. G r a h a m G r e e n e titubeó un m o m e n t o , m i r ó a su al-
r e d e d o r y se e n c a m i n ó hacia la cafetería.
Sentí la tentación de llamarlo o de echar a correr detrás de él,
p e r o m e c o n t u v e . U n a v o z interior m e advirtió q u e q u i z á necesi-
t a b a estar a solas c o n s i g o m i s m o — o t r a me dijo q u e tal vez me
rehuiría. R e c o g í la New York Review ofBooksv un instante m á s tar-
de me sorprendí al hallarme j u n t o a la entrada de la cafetería. H a -
bía d e s a y u n a d o antes y el jefe del servicio me m i r ó con sorpresa.
M i r é a mi alrededor. G r a h a m G r e e n e estaba s o l o , s e n t a d o a una
m e s a j u n t o a la p a r e d . Señalé la mesa vecina.
—Allí — l e dije al e m p l e a d o — . ¡¡Puedo desayunar otra vez?
C o m o he d i c h o , yo siempre doy p r o p i n a . El maitre sonrió
c o n aire de c o m p l i c i d a d y me c o n d u j o a la mesa.
El novelista estaba enfrascado en su p e r i ó d i c o . Pedí un café y
un cruasán con miel. D e s e a b a averiguar las o p i n i o n e s de G r e e n e
s o b r e P a n a m á , Torrijos y el asunto del C a n a l , p e r o no veía la m a -
nera de iniciar la conversación. E n t o n c e s él alzó los o j o s d i s p o -
n i é n d o s e a t o m a r un s o r b o de su v a s o .
—Disculpe —dije.
El me m i r ó a l g o i n c o m o d a d o , o así me lo pareció.
-¿Sí?
— P e r d o n e la molestia, p e r o ¿usted es G r a h a m G r e e n e , ver-
dad?
— E s o c r e o — s o n r i ó él—. E n P a n a m á n o s e m e c o n o c e m u -
cho.
H a b l a n d o c o m o una ametralladora le dije q u e él era mi nove-
lista favorito y le expuse mi curriculum, sin omitir mi t r a b a j o en

161
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

M A I N ni mis r e u n i o n e s con T o r r i j o s . Él p r e g u n t ó si era yo el con-


sultor q u e había escrito u n artículo diciendo q u e E s t a d o s U n i d o s
d e b í a dejar P a n a m á .
— E n el Boston Globe, si no r e c u e r d o mal.
Quedé asombrado.
— U n t e x t o valiente, h a b i d a cuenta d e l a situación d e u s t e d .
¿Quiere acompañarme?
Me trasladé a su m e s a y estuvimos c o m o una h o r a y m e d i a
charlando. D u r a n t e la conversación me di cuenta de q u e le había
t o m a d o m u c h o afecto a Torrijos. A ratos hablaba del general c o m o
un p a d r e refiriéndose a su hijo. '
— E l general me invitó a escribir un libro sobre su país — d i j o — .
E s t o y en ello. E s t a vez no será una novela... es algo Riera de lo ha-
bitual en mí.
L e p r e g u n t é p o r q u é solía escribir novelas e n vez d e o b r a s d e
no ficción.
— L a narrativa e s m á s s e g u r a — c o n t e s t ó — . M u c h o s d e mis
t e m a s s o n conflictivos. V i e t n a m . Haití. L a revolución mexicana.
M u c h o s editores tendrían m i e d o d e publicar u n libro q u e tratase
de los h e c h o s reales.
H i z o un a d e m á n hacia mi New Tork Review of Books, q u e yo
había d e j a d o s o b r e la m e s a .
— U n a p a l a b r a así p u e d e hacer m u c h o d a ñ o — y a g r e g ó son-
r i e n d o — : A d e m á s , prefiero l a narrativa. M e c o n c e d e m á s libertad.
L u e g o , m i r á n d o m e c o n intención, dijo:
— L o i m p o r t a n t e e s escribir s o b r e cosas serias. C o m o s u ar-
tículo del Globe acerca del Canal.
Su a d m i r a c i ó n hacia Torrijos era evidente. P o r lo visto, el jefe
de E s t a d o p a n a m e ñ o no i m p r e s i o n a b a s ó l o a los p o b r e s y deshere-
d a d o s . T a m b i é n era obvia la p r e o c u p a c i ó n de G r e e n e p o r la vida
de su amigo.
— A t r e v e r s e c o n e l G i g a n t e del N o r t e e s e m p r e s a a r d u a .
— M e n e ó la cabeza, atribulado—. T e m o por su seguridad.
D i c h o esto se p u s o en pie.
— T e n g o q u e t o m a r u n avión para Francia. — A l t i e m p o q u e
me ofrecía la m a n o y, m i r á n d o m e fijamente, d i j o — : ¿Por q u é no

162
L a s negociaciones del Canal de P a n a m á y G r a h a m G r e e n e

escribe u s t e d un libro? —y l u e g o a g r e g ó asintiendo con la c a b e z a


c o m o p a r a d a r m e á n i m o s — : L o lleva d e n t r o . Pero r e c u e r d e , hay
q u e tratar de cosas serias.
L u e g o giró s o b r e sus talones y se alejó, p e r o e n s e g u i d a volvió
s o b r e sus p a s o s .
— N o se p r e o c u p e . El general triunfará y c o n s e g u i r á la d e v o -
lución del C a n a l .
Torrijos lo c o n s i g u i ó . El m i s m o a ñ o 1 9 7 7 n e g o c i ó con éxito
d o s t r a t a d o s con el presidente Cárter q u e formalizaban la transfe-
rencia tanto de la Z o n a c o m o del Canal a control p a n a m e ñ o . Fal-
taba q u e la C a s a Blanca persuadiese al C o n g r e s o . La batalla de la
ratificación fue larga y difícil. En la votación final, el t r a t a d o q u e -
d ó ratificado p o r mayoría d e u n solo v o t o . L o s c o n s e r v a d o r e s j u -
raron v e n g a n z a .
M u c h o s años d e s p u é s , c u a n d o apareció el libro d o c u m e n t a l
de G r a h a m G r e e n e Conociendo algeneral, iba d e d i c a d o «a los ami-
g o s de mi a m i g o Ornar Torrijos en N i c a r a g u a , El S a l v a d o r y Pana-
3
má».

163
18

Irán y su Rey de Reyes

E ntre 1 9 7 5 y 1 9 7 8 visité Irán con frecuencia. A veces viajaba


de ida y vuelta entre L a t i n o a m é r i c a o I n d o n e s i a y T e h e r á n . El
sha de shas (literalmente, « R e y de R e y e s » q u e era su título oficial)
p l a n t e a b a u n a situación q u e no se a s e m e j a b a en n a d a a la de los de-
m á s países d o n d e t r a b a j á b a m o s .
Irán tenía petróleo en abundancia y, al igual q u e Arabia S a u d í ,
no necesitaba e n d e u d a r s e para financiar su ambiciosa lista de p r o -
yectos. P e r o Irán difería en g r a d o significativo de Arabia S a u d í , aun
hallándose t a m b i é n en Oriente P r ó x i m o , p o r la densidad de su p o -
blación y p o r no ser ésta de etnia árabe, a u n q u e sí de religión m u -
sulmana mayoritariamente. A d e m á s el país p r e s e n t a b a una larga
historia de conflictos políticos, tanto internos c o m o en sus relacio-
nes c o n los vecinos. En consecuencia, elegimos una vía diferente:
W a s h i n g t o n y el m u n d o empresarial unieron fuerzas para presentar
al sha c o m o un s í m b o l o del p r o g r e s o .
Mediante un esfuerzo enorme, se intentó representar ante
l a o p i n i ó n m u n d i a l l o q u e era c a p a z d e c o n s e g u i r u n a m i g o fuer-
te y d e m o c r á t i c o de los intereses e m p r e s a r i a l e s y p o l í t i c o s de
E s t a d o s U n i d o s . N a d a i m p o r t a b a s u t i t u l o , tan o b v i a m e n t e a n -
t i d e m o c r á t i c o , n i e n e l h e c h o a l g o m e n o s o b v i o del g o l p e or-
q u e s t a d o por la C Í A contra aquel primer ministro democráti-
camente elegido; Washington y sus aliados e u r o p e o s estaban
d e c i d i d o s a p r e s e n t a r el r é g i m e n del sha c o m o u n a alternativa
frente a a q u e l l o s q u e c o m o I r a q , L i b i a , C h i n a y C o r e a p e r m i -

165
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

tían q u e aflorase u n a c o r r i e n t e d e a n t i a m e r i c a n i s m o c a d a vez


más poderosa.
T o d o parecía indicar q u e el sha era progresista y a m i g o de los
d e s f a v o r e c i d o s . En 1 9 6 2 d i s p u s o el reparto de los g r a n d e s latifun-
d i o s . El a ñ o siguiente i n a u g u r ó su «revolución b l a n c a » , q u e in-
cluía un e x t e n s o p r o g r a m a de reformas s o c i o e c o n ó m i c a s . C o n el
creciente p o d e r í o de la O P E P en el decenio de 1 9 7 0 , el sha llegó
a ser un líder m u n d i a l c a d a vez más influyente. Al m i s m o t i e m p o ,
I r á n se convirtió en la mayor potencia militar del Oriente P r ó x i m o
1
musulmán.
M A I N intervino en p r o y e c t o s q u e afectaban a casi t o d a s las
r e g i o n e s del país, d e s d e z o n a s turísticas a orillas del m a r C a s p i o ,
al n o r t e , h a s t a instalaciones militares secretas q u e d o m i n a b a n el
e s t r e c h o de O r m u z , al sur. U n a vez m á s , lo principal de n u e s t r a
misión consistió en estudiar las posibilidades regionales y, s e g ú n
resultasen los p r o n ó s t i c o s , diseñar las c a p a c i d a d e s de g e n e r a c i ó n
eléctrica así c o m o los sistemas de t r a n s p o r t e y de d i s t r i b u c i ó n ,
p u e s t o q u e la energía era indispensable para i m p u l s a r el creci-
m i e n t o industrial y comercial c o r r e s p o n d i e n t e a aquellas predic-
ciones.
C o n el t i e m p o llegué a visitar la mayor parte de las r e g i o n e s
principales. S e g u í la ancestral ruta de las caravanas a través de las
m o n t a ñ a s del d e s i e r t o , d e s d e Kirman hasta B a n d a r ' A b b a s . Paseé
p o r las ruinas de Persépolis, el legendario palacio de los reyes anti-
g u o s q u e fue u n a de las maravillas del m u n d o clásico. Vi los m o -
n u m e n t o s m á s f a m o s o s y espectaculares del país: S h i r a z , Isfahan y
el c a m p a m e n t o de lujo a l z a d o cerca de Persépolis para la s o l e m n e
c o r o n a c i ó n del sha. E s t o s viajes me hicieron concebir un p r o f u n -
do afecto al país y a la c o m p l e j i d a d de sus gentes.
A p r i m e r a vista, Irán parecía un m o d e l o ejemplar de c o o p e r a -
ción entre cristianos y m u s u l m a n e s . No tardé en descubrir q u e
aquella apariencia tranquila encubría p r o f u n d o s resentimientos.
U n a n o c h e , en 1 9 7 7 , regresé tarde al hotel y c u a n d o entré en
mi habitación vi q u e me habían deslizado un papel p o r d e b a j o de
l a p u e r t a . L a firma m e s o r p r e n d i ó . Era d e u n h o m b r e l l a m a d o Ya-
min. N o l o c o n o c í a , p e r o m e l o habían s e ñ a l a d o d u r a n t e u n a se-

166
Irán y su Rey de Reyes

sión de c o o r d i n a c i ó n c o n las autoridades c o m o un radical n o t o r i o ,


y de lo más subversivo. C o n una bella caligrafía inglesa me invita-
ba a reunirme c o n él en un d e t e r m i n a d o restaurante. P e r o incluía
u n a advertencia: q u e acudiese s o l a m e n t e en el c a s o de estar dis-
p u e s t o a explorar im aspecto de Irán q u e la mayoría de las gentes
« d e mi p o s i c i ó n » nunca llegaba a ver. Me p r e g u n t é q u é idea ten-
dría Yamin de mi verdadera posición. E r a consciente de q u e iba a
correr un g r a n riesgo. Pero al m i s m o tiempo, la tentación de c o -
nocer a aquel e n i g m á t i c o personaje era irresistible.
El taxi me d e j ó delante de una puertecilla abierta en una tapia
m u y alta, t a n t o q u e o c u l t a b a p o r c o m p l e t o el edificio. U n a bella
iraní con u n a larga túnica negra me dio la bienvenida y me intro-
d u j o en un pasillo i l u m i n a d o p o r artísticas lámparas de aceite q u e
c o l g a b a n de un techo muy b a j o . Al final entré en una estancia vi-
v a m e n t e iluminada. E r a c o m o hallarse en el interior de un dia-
m a n t e , su resplandor me c e g a b a . C u a n d o p o r fin mis o j o s se acos-
t u m b r a r o n , vi las paredes consteladas de piedras semipreciosas y
m a d r e p e r l a . El restaurante estaba iluminado p o r n u m e r o s o s cirios
blancos p u e s t o s en artísticos candelabros de b r o n c e .
Un h o m b r e alto, de cabello largo y n e g r o , q u e lucía traje azul
m a r i n o visiblemente hecho a m e d i d a , se acercó y me estrechó la
m a n o . C u a n d o Yamin habló para presentarse, su a c e n t o me dio a
entender q u e aquel iraní se había criado en los m e j o r e s internados
británicos, y d e s d e l u e g o no me encajaba con n i n g u n a i m a g e n de
radical subversivo. P a s a m o s entre las mesas o c u p a d a s p o r parejas
q u e c e n a b a n tranquilamente y me llevó a un r e s e r v a d o en d o n d e ,
s e g ú n d i j o , p o d r í a m o s hablar con total confidencialidad. T u v e la
nítida i m p r e s i ó n de q u e aquel restaurante servía para citas a m o r o -
sas clandestinas. La nuestra p r o b a b l e m e n t e era la única no r o m á n -
tica de aquella n o c h e .
Yamin estuvo muy cordial. Durante nuestra conversación c o m -
prendí q u e había visto en mí a un consejero e c o n ó m i c o sin otras se-
g u n d a s intenciones. Explicó que me había elegido p o r q u e sabía que
yo había sido voluntario del Peace C o r p s y también le habían dicho
q u e aprovechaba todas las ocasiones posibles para familiarizarme
con su país y c o d e a r m e con su gente.

167
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

— E s usted m u y joven, c o m p a r a d o con l a mayoría d e sus cole-


gas — o b s e r v ó — . D e m u e s t r a un sincero interés hacia nuestra histo-
ria y nuestros p r o b l e m a s actuales. En eso reside nuestra esperanza.
Estas palabras, así c o m o la situación, el aspecto del interlocutor
y la presencia de tantas personas en el restaurante, me tranquilizaron
hasta cierto p u n t o . Para mí no era nuevo que se intentase trabar
amistad c o n m i g o , c o m o me había ocurrido con Rasy en Java y con
Fidel en P a n a m á . Lo aceptaba c o m o un c u m p l i d o y una o p o r t u n i -
d a d . Tenía conciencia de ser distinto de o t r o s norteamericanos; me
e n a m o r a b a de los lugares q u e visitaba. He averiguado q u e la gente
t o m a confianza enseguida c u a n d o u n o abre los o j o s , los o í d o s y el
c o r a z ó n a su cultura.
Yamin me p r e g u n t ó si estaba al corriente del p r o y e c t o llama-
2
do «Desierto Florido».
— E l sha cree q u e nuestros desiertos fueron e n o t r o s t i e m p o s
llanuras fértiles y espléndidos b o s q u e s . Al m e n o s , e s o es lo q u e
dice. S e g ú n s u teoría, e n t i e m p o s d e A l e j a n d r o M a g n o m a n i o b r a -
b a n p o r estas tierras ejércitos inmensos con un s é q u i t o de millones
de cabras y ovejas. L o s r e b a ñ o s se c o m i e r o n la hierba y t o d a la ve-
g e t a c i ó n . La desaparición del m a n t o vegetal trajo la sequía y, con
el t i e m p o , t o d a la r e g i ó n se desertificó. A h o r a , dice el sha, bastará
r e p o b l a r p l a n t a n d o millones y m á s millones de árboles. De esa m a -
nera, las lluvias volverán p o r arte de magia y los desiertos volverán
a florecer. P o r s u p u e s t o , habrá q u e gastar miles de millones de d ó -
lares en semejante operación — s o n r i ó con aire c o n d e s c e n d i e n t e — .
L a s c o m p a ñ í a s c o m o la suya se alzarán c o n g r a n d e s beneficios.
— M e parece q u e n o cree usted e n esa teoría.
— E l d e s i e r t o es un s í m b o l o . Convertirlo en un vergel implica
m u c h o m á s q u e agricultura.
Varios c a m a r e r o s se acercaron p o r t a n d o b a n d e j a s de platos
iraníes b e l l a m e n t e p r e s e n t a d o s . T r a s solicitar mi p e r m i s o , Yamin
p r o c e d i ó a elegir un s u r t i d o para los d o s . H e c h o esto se volvió de
n u e v o hacia mí.
— Q u i e r o hacerle una p r e g u n t a , señor Perkins, si no es imper-
tinencia. ¿ Q u é file lo q u e d e s t r u y ó las culturas de los nativos de su
país, los indios?

168
Irán y su Rey de Reyes

C o n t e s t é q u e eso se d e b i ó a m u c h o s factores, entre ellos la


codicia y la superioridad de las armas de f u e g o .
— S í , cierto. P e r o por encima d e t o d o , ¿lo q u e o c u r r i ó n o
p u e d e resumirse en la destrucción del m e d i o ambiente?
Y p a s ó a explicar c ó m o una vez e x t i n g u i d o s los b o s q u e s y los
animales c o m o el bisonte, las culturas caen p o r la desaparición de
sus f u n d a m e n t o s .
— E s l o m i s m o q u e p u e d e pasar aquí, ¿ c o m p r e n d e ? — c o n c l u -
y ó — . El desierto es nuestro m e d i o ambiente. El p r o y e c t o del D e -
sierto F l o r i d o a m e n a z a con la destrucción de t o d o nuestro tejido
social. ¿Vamos a permitir q u e eso suceda?
C o n t e s t é q u e s e g ú n tenía e n t e n d i d o , t o d a la inspiración del
p r o y e c t o se la había s u g e r i d o al sha su p r o p i o p u e b l o . El soltó u n a
carcajada sarcástica y dijo q u e la idea había sido i m p l a n t a d a en el
c e r e b r o del s o b e r a n o p o r la administración e s t a d o u n i d e n s e , y q u e
el sha no era m á s q u e un títere de nuestras a u t o r i d a d e s .
— U n persa auténtico j a m á s permitiría c o s a s e m e j a n t e — d i j o
Yamin, y se l a n z ó a una larga disertación s o b r e los vínculos entre
su p u e b l o , los b e d u i n o s y el desierto. C o m e n t ó q u e m u c h o s ira-
níes habitantes de las ciudades pasaban en el d e s i e r t o sus vacacio-
nes. M o n t a b a n tiendas con capacidad suficiente para t o d a la fami-
lia y se q u e d a b a n viviendo en ellas una s e m a n a o m á s .
— N o s o t r o s , mi p u e b l o , s o m o s parte del desierto. El p u e b l o
al q u e el sha dice g o b e r n a r con su m a n o de hierro no se limita a ser
¿¿¿/desierto. N o s o t r o s somos el desierto.
A continuación me c o n t ó varias a n é c d o t a s de sus experiencias
personales en el desierto. C o n c l u i d a la velada, me a c o m p a ñ ó has-
ta la salida. Mi taxi esperaba en la calle. Yamin me estrechó la m a n o
y me manifestó su agradecimiento p o r el t i e m p o q u e le había de-
d i c a d o . De n u e v o hizo alusión a mi j u v e n t u d y mi actitud abierta,
y al h e c h o de q u e mi posición le inspiraba esperanza de cara al por-
venir.
— C e l e b r o q u e haya c o n c e d i d o este rato a mi humilde p e r s o n a
— d i j o reteniendo mi m a n o — . Querría pedirle un favor m á s , u n o
solo. No es un capricho. Se lo p i d o únicamente p o r q u e d e s p u é s de
lo q u e h e m o s c o m e n t a d o esta noche me consta q u e entenderá

169
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

u s t e d la i m p o r t a n c i a de la cuestión, y le permitirá c o m p r e n d e r otras


m u c h a s cosas.
—(En q u é p u e d o complacerle?
— M e gustaría presentarle a u n a m i g o m í o , u n h o m b r e q u e l e
c o n t a r á m u c h a s cosas de n u e s t r o Rey de Reyes. Tal v e z le c h o c a r á ,
p e r o le p r o m e t o q u e no lamentará usted el t i e m p o q u e le d e d i q u e .

170
19
w&mmmmssm.

Confesiones de un hombre torturado

V arios días d e s p u é s , Yamin me sacó de T e h e r á n . El c o c h e cru-


zó un barrio de chabolas polvoriento y d e g r a d a d o , recorrió
u n a vieja pista para camellos y siguió hasta el b o r d e del desierto.
Mientras el sol se p o n í a detrás de la c i u d a d , se d e t u v o j u n t o a un
g r u p o de barracas de a d o b e q u e se alzaban en m e d i o de un pal-
meral.
— E s u n oasis muy a n t i g u o — m e e x p l i c ó — . D e m u c h o s siglos
antes d e M a r c o P o l o .
E c h ó a andar hacia una de las casuchas.
— E l h o m b r e q u e vive ahí es d o c t o r en filosofía p o r u n a de las
universidades de ustedes más prestigiosas. Por r a z o n e s q u e enten-
d e r á e n s e g u i d a , n u e s t r o anfitrión d e b e p e r m a n e c e r en el a n o n i m a -
to. L l a m é m o s l e D o c .
L l a m ó a la p u e r t a de m a d e r a y se o y ó u n a respuesta s o f o c a d a .
Yamin e m p u j ó la p u e r t a y me hizo pasar. La estancia era p e q u e ñ a ,
sin ventanas, a l u m b r a d a sólo p o r un candil de aceite p u e s t o s o b r e
una m e s a baja q u e se hallaba en un rincón. C u a n d o mis o j o s se ha-
bituaron a la p e n u m b r a vi q u e el piso de tierra e s t a b a c u b i e r t o de
alfombras persas. L u e g o distinguí l a silueta d e u n h o m b r e . E s t a b a
s e n t a d o delante del candil, de manera q u e no se le veían las faccio-
nes. Ú n i c a m e n t e se adivinaba q u e estaba envuelto en m a n t a s y te-
nía a l g o e n r o l l a d o en la cabeza. O c u p a b a u n a silla de r u e d a s , q u e
c o n la mesita era el único mobiliario de la habitación. C o n un a d e -
m á n , Yamin m e indicó q u e m e sentara s o b r e u n a alfombra. E l s e

171
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

i n c o r p o r ó y fue a abrazar al h o m b r e c o n afecto, le s u s u r r ó u n a s pa-


labras al o í d o y l u e g o fue a sentarse otra v e z a mi l a d o .
— Y a l e hablé del señor Perkins — d i j o — . E s u n h o n o r para
a m b o s la o p o r t u n i d a d q u e n o s brinda de visitarle, señor.
— B i e n v e n i d o , señor Perkins. — H a b l a b a sin apenas a c e n t o
discernióle, en v o z baja y ronca. Me incliné hacia él c o m o tratan-
d o d e reducir l a escasa distancia q u e había entre a m b o s — . L o q u e
t i e n e delante e s u n h o m b r e r o t o . N o siempre h e s i d o así. E n o t r o
tiempo fui fuerte, c o m o u s t e d , y un íntimo c o n s e j e r o del sha, c o n
cuya confianza c o n t a b a .
H u b o u n a larga p a u s a .
— E l S h a d e S h a s , e l R e y d e Reyes. — E l a c e n t o era m á s d e
tristeza q u e d e r e s e n t i m i e n t o — . H e c o n o c i d o e n p e r s o n a a m u -
chos dirigentes m u n d i a l e s . Eisenhower, N i x o n , D e G a u l l e . E l l o s
confiaron en mí para ayudar a conducir a este país al capitalismo.
El sha confiaba en mí, y y o . . . — E m i t i ó un s o n i d o q u e p u d o ser
a l g o d e tos p e r o y o interpreté c o m o una r i s a s o r d a — . Y o confiaba
en el sha, creía en su retórica. E s t a b a c o n v e n c i d o de q u e el sha
c o n d u c i r í a e l m u n d o m u s u l m á n hacia u n a nueva é p o c a , d e q u e
Persia haría h o n o r a su c o m p r o m i s o , al q u e parecía n u e s t r o desti-
n o . . . el del sha, el m í o , el de t o d o s los q u e c u m p l í a m o s c o n el d e -
signio al q u e n o s c r e í a m o s destinados.
El m o n t ó n de m a n t a s se m o v i ó , la silla de r u e d a s r e c h i n ó y
giró u n p o c o . N u e s t r o interlocutor q u e d ó r e c o r t a d o d e perfil a l
c o n t r a l u z . Vi la b a r b a e n m a r a ñ a d a y e n t o n c e s , s o b r e c o g i d o , un
r o s t r o p l a n o . ¡ L e faltaba la nariz! Me estremecí y c o n t u v e u n a ex-
clamación.
— D e s a g r a d a b l e espectáculo, ¿verdad, señor Perkins? L á s t i m a
q u e no p u e d a verlo a plena luz. Es de lo m á s g r o t e s c o .
U n a v e z m á s aquella risa a h o g a d a .
— C r e o que comprenderá mi deseo de permanecer en el ano-
n i m a t o . Es o b v i o q u e p o d r í a averiguar mi identidad si se e m p e ñ a -
se en ello, p e r o q u i z á le dirían q u e estoy m u e r t o . Oficialmente, he
d e j a d o d e existir. C o n f í o e n q u e n o l o intente u s t e d . E s m e j o r p a r a
u s t e d y p a r a su familia seguir i g n o r a n d o quién soy. El b r a z o del sha
y de la S A V A K es m u y l a r g o y llega a t o d a s partes.

172
Confesiones d e u n h o m b r e t o r t u r a d o

La silla de ruedas rechinó y recuperó su posición anterior.


Sentí un p o c o de alivio, c o m o si d e j a n d o de ver el perfil se r e m e -
diase en a l g o la violencia infligida. P o r aquel entonces d e s c o n o c í a
yo esa c o s t u m b r e de algunas culturas islámicas. A los individuos
r e s p o n s a b l e s de deshonrar o atraer la desgracia s o b r e la s o c i e d a d o
sus jefes, se les castiga cortándoles la nariz. De este m o d o , q u e d a n
m a r c a d o s de p o r vida, c o m o bien d e m o s t r a b a el s e m b l a n t e de mi
anfitrión.
— S i n d u d a se p r e g u n t a r á p o r q u é le he invitado a venir, señor
Perkins. — S i n esperar contestación, el h o m b r e de la silla de r u e d a s
c o n t i n u ó — : Pues bien, ese h o m b r e q u e se hace llamar R e y de R e -
yes en realidad es un s u b d i t o de Satán. Su padre fue d e p u e s t o p o r
la C Í A , l a m e n t o decir q u e con mi ayuda, p o r q u e decían q u e era co-
l a b o r a d o r de los nazis. Y l u e g o sucedió el desastre de M o s a d d e q .
H o y n u e s t r o s o b e r a n o está s u p e r a n d o a Hitler en los caminos del
mal. Y lo hace con p l e n o conocimiento y a p o y o de su g o b i e r n o .
— ¿ P o r qué?
— M u y sencillo. Es el único aliado v e r d a d e r o q u e tienen uste-
des en Oriente P r ó x i m o , y el m u n d o industrializado gira alrededor
de ese eje del petróleo q u e es Oriente P r ó x i m o . T a m b i é n tienen a
Israel, desde l u e g o , p e r o eso es una carga, no u n a baza. Ni t a m p o -
co hay petróleo allí. S u s políticos necesitan conquistar al votante j u -
dío. Necesitan el dinero j u d í o para financiar sus c a m p a ñ a s . Así q u e
no tienen o t r o r e m e d i o sino continuar con Israel, me t e m o . Sin
e m b a r g o , la clave es Irán. L a s compañías petroleras, q u e esgrimen
incluso m á s p o d e r q u e los j u d í o s , nos necesitan. U s t e d e s necesitan
a nuestro sha... o creen necesitarlo, al igual q u e creían necesitar a
los c o r r u p t o s dirigentes de Vietnam.
— ¿ Q u é es lo q u e está sugiriendo? ¿Irán equivale a Vietnam?
— E s m u c h o peor, e n potencia. S a b e , este sha n o v a a durar
m u c h o . El m u n d o m u s u l m á n le odia. Y no d i g o ú n i c a m e n t e los
á r a b e s , sino los m u s u l m a n e s d e t o d a s partes, d e I n d o n e s i a , d e E s -
t a d o s U n i d o s . . . P e r o s o b r e t o d o , los d e aquí. S u p r o p i o p u e b l o
persa.
Se o y ó un g o l p e s o r d o y me di cuenta de q u e había d a d o c o n
el p u ñ o en el b r a z o del sillón.

173
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

— ¡ E s el mal en persona! ¡ L o s persas le a b o r r e c e m o s !


Se h i z o un silencio, c o m o si la alteración lo hubiese f a t i g a d o
en e x c e s o .
— D o c se halla m u y p r ó x i m o a la p o s t u r a de los mullahs — m e
dijo Yamin, h a b l a n d o e n v o z b a j a — . H a y una p o d e r o s a corriente
subversiva entre las facciones religiosas, y se ha p r o p a g a d o p o r
t o d o el país, e x c e p t o entre el r e d u c i d o g r u p o de m e r c a d e r e s b e n e -
ficiarios del capitalismo del sha.
— N o l o d u d o — r e s p o n d í — . Pero d e b o decir q u e e n mis cua-
tro visitas a este país no he visto n a d a de e s o . M i s interlocutores
s i e m p r e se han m o s t r a d o e n c a n t a d o s con el sha y a g r a d e c e n el de-
sarrollo e c o n ó m i c o .
— E s t o e s p o r q u e n o habla u s t e d farsi — o b s e r v ó Y a m i n — .
S ó l o oye lo q u e le cuentan los más beneficiados por el s i s t e m a , los
q u e han e s t u d i a d o en E s t a d o s U n i d o s o en Inglaterra y q u e a h o r a
trabajan p a r a el sha. A q u í D o c es u n a excepción... p o r ahora.
H i z o u n a p a u s a c o m o para sopesar bien lo q u e iba a decir.
— L o m i s m o o c u r r e c o n sus periodistas. S ó l o hablan c o n s u
e n t o r n o p r ó x i m o , c o n su círculo. Y, a d e m á s , b u e n a p a r t e de esa
prensa está c o n t r o l a d a p o r las c o m p a ñ í a s petroleras. D e m o d o q u e
oyen lo q u e desean escuchar y escriben lo q u e sus anunciantes
quieren leer.
— ¿ P o r q u é e s t a m o s diciéndole t o d o esto, señor Perkins? — h a -
b l ó D o c c o n la v o z aún más ronca q u e al principio. Parecía q u e el
esfuerzo de hablar y las e m o c i o n e s le robasen las escasas energías
q u e sin d u d a había p r o c u r a d o e c o n o m i z a r para aquella r e u n i ó n — .
Pues p o r q u e n o s gustaría conseguir q u e vaya y p e r s u a d a a su c o m -
pañía para q u e se marchen de nuestro país. Q u i e r o advertirle. A u n -
q u e crean q u e tienen un gran n e g o c i o aquí, es u n a ilusión. E s t e ré-
g i m e n no va a durar. — U n a vez m á s d e s c a r g ó la m a n o s o b r e el
b r a z o del sillón—. Y c u a n d o caiga, los q u e le sustituyan no tendrán
n i n g u n a simpatía para con ustedes y los q u e son c o m o ustedes.
— ¿ Q u e n o c o b r a r e m o s , quiere decir?
D o c tuvo un a t a q u e de tos y le faltó p o c o para a h o g a r s e . Ya-
min se acercó a darle fricciones en la espalda. C u a n d o a c a b ó el so-
foco, le h a b l ó a D o c en farsi y l u e g o r e g r e s ó a mi l a d o .

174
Confesiones d e u n h o m b r e t o r t u r a d o

— E s t a conversación d e b e terminar — m e anunció Y a m i n — .


P e r o antes c o n t e s t a r e m o s a su p r e g u n t a . E s t á usted en lo cierto.
No c o b r a r á n . H a r á n t o d o el trabajo y a la hora de percibir los ho-
norarios el sha ya no estará aquí.
D u r a n t e el c a m i n o de regreso le p r e g u n t é a Yamin q u é más
les d a b a a ellos si M A I N se ahorraba o no el desastre financiero
q u e D o c había p r o n o s t i c a d o .
— C e l e b r a r í a m o s ver la quiebra de esa c o m p a ñ í a . P e r o prefe-
r i m o s q u e s e vayan ustedes d e Irán. L a m a r c h a d e una e m p r e s a
c o m o la suya podría sentar un p r e c e d e n t e , o así lo e s p e r a m o s . ¿ E n -
tiende? N o d e s e a m o s q u e haya u n b a ñ o d e s a n g r e a q u í , p e r o e l sha
d e b e irse y s o m o s partidarios de intentar cualquier cosa q u e lo fa-
cilite. P o r e s o r e z a m o s a Alá para q u e c o n s i g a usted convencer a su
s e ñ o r Z a m b o t t i , a h o r a q u e todavía están a tiempo.
— ¿ Y o ? ¿Por qué?
— D u r a n t e la cena q u e t u v i m o s , al hablar del p r o y e c t o del D e -
sierto F l o r i d o me pareció q u e usted estaba a b i e r t o a la v e r d a d . E n -
tonces s u p e q u e nuestras informaciones eran correctas. U s t e d es
u n h o m b r e entre d o s m u n d o s , u n mediador.
M e p r e g u n t é cuántas cosas más sabrían acerca d e mí.

175
20
m

La caída de un rey

na tarde de 1 9 7 8 estaba s o l o , s e n t a d o en el l u j o s o bar a d o -


s a d o a la recepción del hotel I n t e r c o n t i n e n t a l de T e h e r á n ,
c u a n d o noté q u e alguien me t o c a b a la espalda. Me volví. E r a un
iraní c o r p u l e n t o , en traje occidental.
— ¡ J o h n Perkins! ; N o m e reconoces?
— E l e x futbolista había e n g o r d a d o m u c h o s kilos, p e r o s u v o z
era inconfundible. Se trataba de F a r h a d , mi a m i g o de los t i e m p o s
d e M i d d l e b u r y . H a c í a m á s d e diez años q u e n o n o s v e í a m o s . N o s
a b r a z a m o s y fuimos a sentarnos a una mesa. E n s e g u i d a resultó evi-
dente q u e él lo sabía t o d o acerca de mí y de mi t r a b a j o , y no m e -
nos evidente q u e no iba a dejar q u e trasluciera d e m a s i a d o del suyo.
— V a y a m o s al g r a n o — d i j o d e s p u é s de pedir la s e g u n d a r o n d a
de c e r v e z a s — . M a ñ a n a me voy a R o m a , d o n d e viven mis padres.
T e n g o pasaje para ti en el m i s m o vuelo. A q u í las cosas van a p o -
nerse m u y feas. Es mejor q u e te marches.
Y me d i o un billete de avión. Ni se me o c u r r i ó p o n e r en d u d a
sus palabras.
L l e g a d o s a R o m a , c e n a m o s en casa de los p a d r e s de F a r h a d .
Su p a d r e , un general iraní retirado q u e en una o c a s i ó n se interpu-
so en la trayectoria de una bala para evitar q u e el sha muriese en un
a t e n t a d o , estaba muy d e s e n g a ñ a d o con su ex jefe. D i j o q u e en los
últimos años el s o b e r a n o había revelado su auténtica m a n e r a de
ser, su a r r o g a n c i a y su codicia. S e g ú n el general, la política esta-
d o u n i d e n s e — e n especial el a p o y o incondicional a Israel, a los lí-

177
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

deres c o r r u p t o s y a los g o b i e r n o s d e s p ó t i c o s — era la c a u s a del


o d i o q u e i n u n d a b a Oriente P r ó x i m o . Predijo q u e la caída del sha
era cuestión de m e s e s .
— U s t e d e s s e m b r a r o n la semilla de esta rebelión a c o m i e n z o s
d e los a ñ o s cincuenta, ¿sabe? C u a n d o derribaron a M o s a d d e q . E s o
les p a r e c i ó m u y hábil entonces... y a mí t a m b i é n . P e r o a h o r a las
c o n s e c u e n c i a s caerán s o b r e ustedes, m e j o r dicho s o b r e t o d o s n o -
1
sotros.
Q u e d é a t ó n i t o ante estos p r o n u n c i a m i e n t o s . A l g o p a r e c i d o
m e habían d i c h o Y a m i n y D o c , p e r o viniendo d e aquel h o m b r e co-
b r a b a n o t r o significado n u e v o para mí. En esa é p o c a t o d o el m u n -
do c o n o c í a la existencia de un m o v i m i e n t o fundamentalista islámi-
co en la clandestinidad, p e r o nos h a b í a m o s c o n v e n c i d o de q u e el
sha g o z a b a de i n m e n s a p o p u l a r i d a d entre la mayoría de su p u e b l o
y de q u e , p o r t a n t o , era políticamente invencible. P e r o el general
era c a t e g ó r i c o .
— R e c u e r d e lo q u e voy a decirle — d i j o en t o n o s o l e m n e — .
La caída del sha no será m á s q u e el c o m i e n z o . S e r á un anticipo del
r u m b o q u e va a t o m a r t o d o el m u n d o m u s u l m á n . La cólera ha
h e r v i d o d e m a s i a d o t i e m p o oculta b a j o l a arena. N o t a r d a r á e n ha-
cer e r u p c i ó n .
D u r a n t e esa cena se habló m u c h o del ayatolá Ruhollah J o m e i -
ni. T a n t o F a r h a d c o m o su p a d r e dejaron bien claro q u e no c o m -
partían su chiísmo fanático, p e r o estaban visiblemente impresiona-
d o s p o r el m u c h o terreno q u e le había c o n q u i s t a d o al s o b e r a n o .
M e c o n t a r o n q u e ese mullan, cuyo n o m b r e significa « i n s p i r a d o p o r
D i o s » , era de u n a familia chiíta de estudiosos de los textos s a g r a d o s
y había n a c i d o en 1 9 0 2 en una aldea cercana a T e h e r á n .
A c o m i e n z o s de la d é c a d a de 1 9 5 0 J o m e i n i se a b s t u v o de in-
tervenir en la lucha entre M o s a d d e q y el sha. P a s ó a la o p o s i c i ó n ac-
tiva en el d e c e n i o siguiente y sus críticas contra el sha fueron tan vi-
rulentas q u e m o t i v a r o n su destierro a T u r q u í a , p r i m e r o , y l u e g o a
la c i u d a d santa iraquí de An Najaf, desde d o n d e se convirtió en el
líder r e c o n o c i d o de la oposición. Enviaba cartas, artículos y m e n s a -
jes g r a b a d o s invitando al levantamiento de los iraníes, a la deposi-
ción del m o n a r c a y a la creación de un E s t a d o clerical.

178
La caída de un rey

D o s días d e s p u é s de aquella cena c o n F a r h a d y sus p a d r e s , se


recibieron de Irán las primeras noticias de a t e n t a d o s c o n b o m b a y
disturbios. El ayatolá J o m e i n i y sus mullahs, los clérigos m u s u l m a -
nes, iniciaban la ofensiva q u e no tardaría en llevarlos al poder. D e s -
p u é s de es to los acontecimientos se sucedieron r á p i d a m e n t e . La
cólera q u e había descrito el padre de F a r h a d estalló, en efecto, y se
convirtió en una violenta insurrección islamista. El sha h u y ó a
E g i p t o en e n e r o de 1 9 7 9 , d o n d e se le d i a g n o s t i c ó un cáncer q u e
le llevó a un a clínica neoyorquina.
L o s s e g u i d o r e s del ayatolá Jomeini exigieron su r e g r e s o . En
n o v i e m b r e de 1 9 7 9 , una multitud islamista asaltó la e m b a j a d a de
E s t a d o s U n i d o s en Teherán y retuvo a cincuenta y dos rehenes
2
estadounidenses durante cuatrocientos cuarenta y cuatro d í a s . El
presidente Cárter intentó negociar la puesta en libertad de los re-
henes. Ante su fracaso, o r d e n ó una operación militar de rescate,
q u e se lanzó en abril de 1 9 8 0 . F u e un desastre, y fue el martillo q u e
clavó el último clavo en el féretro de la presidencia de Cárter.
Pese a su e n f e r m e d a d , el sha se m a r c h ó de E s t a d o s U n i d o s
f o r z a d o p o r l a t r e m e n d a presión d e n u m e r o s o s g r u p o s c o m e r c i a -
les y políticos e s t a d o u n i d e n s e s . D e s d e el día de su salida de T e -
herán había t e n i d o m u c h a s dificultades en hallar asilo, p o r q u e t o -
d o s sus a m i g o s le volvieron la e s p a l d a . P e r o el general T o r r i j o s se
m o s t r ó c o m p a s i v o u n a vez más y ofreció asilo en P a n a m á al s h a ,
p e s e a d e s a g r a d a r l e p e r s o n a l m e n t e la política de éste. El s o b e r a -
no l l e g ó y halló refugio en el m i s m o c o m p l e j o turístico d o n d e se
había n e g o c i a d o n o hacía m u c h o t i e m p o e l n u e v o T r a t a d o del
Canal.
L o s mullahs m u s u l m a n e s exigieron la devolución del sha a
c a m b i o de los rehenes de la e m b a j a d a . En W a s h i n g t o n , los adver-
sarios de la renegociación del tratado a c u s a r o n a T o r r i j o s de c o -
r r u p c i ó n , de connivencia con el sha y de p o n e r en p e l i g r o las vidas
de c i u d a d a n o s estadounidenses. Ellos t a m b i é n exigían q u e el m o -
narca fuese p u e s t o en m a n o s del ayatolá J o m e i n i . I r ó n i c a m e n t e ,
sólo unas p o c a s s e m a n a s antes, m u c h o s de ellos figuraban entre los
m á s sólidos a p o y o s del sha. El a n t a ñ o tan o r g u l l o s o Rey de Reyes
r e g r e s ó a E g i p t o , d o n d e falleció del cáncer.

179
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

Se había r e a l i z a d o la predicción de D o c . M A I N y m u c h a s de
nuestras c o m p e t i d o r a s perdieron millones de dólares en I r á n . El
presidente C á r t e r p e r d i ó t o d a o p o r t u n i d a d de reelección y el tán-
d e m R e a g a n - B u s h e n t r ó e n Washington entre p r o m e s a s d e liberar
a los rehenes, derribar a los mullahs, devolver la d e m o c r a c i a a Irán
y corregir la situación del C a n a l de P a n a m á .
Para mí las enseñanzas eran irrefutables. Irán ilustraba m á s
allá de t o d a d u d a q u e E s t a d o s U n i d o s era una nación d e d i c a d a a
n e g a r su v e r d a d e r o papel en el m u n d o . Parecía i n c o m p r e n s i b l e
q u e e s t u v i é r a m o s tan mal i n f o r m a d o s en lo t o c a n t e al sha y a la
o l e a d a de cólera q u e iba a levantarse contra él. Ni siquiera s u p i m o s
verlo n o s o t r o s , los d e las c o m p a ñ í a s q u e c o m o M A I N t e n í a m o s
d e s p a c h o s y personal en el país. Yo a l b e r g a b a la convicción de q u e
t a n t o l a N S A c o m o l a C Í A estaban a l corriente d e l o q u e era o b v i o
p a r a T o r r i j o s d e s d e m u c h o antes, tal c o m o él m i s m o me manifes-
tó en nuestra entrevista de 1 9 7 2 . P e r o nuestros servicios de infor-
m a c i ó n n o s h a b í a n a l e n t a d o i n t e n c i o n a d a m e n t e a p e r m a n e c e r cie-
g o s y s o r d o s ante ello.

180
21

Colombia, la clave
de Latinoamérica

A r a b i a S a u d í , I r á n y P a n a m á ofrecían m a t e r i a d e e s t u d i o t a n
fascinante c o m o inquietante, pero parecían al m i s m o tiem-
po e x c e p c i o n e s a la r e g l a g e n e r a l . P o r la e x i s t e n c i a de i n m e n s a s
r e s e r v a s de p e t r ó l e o en los d o s p r i m e r o s p a í s e s y la p r e s e n c i a del
Canal en el tercero, no encajaban en la n o r m a . La situación de
C o l o m b i a , e n c a m b i o , era m á s típica y M A I N s e a d j u d i c ó e l
p r o y e c t o y l a d i r e c c i ó n técnica d e u n m a g n o s i s t e m a h i d r o e l é c -
trico.
U n p r o f e s o r universitario c o l o m b i a n o q u e e s t a b a escribiendo
un libro de la historia de las relaciones panamericanas me dijo u n a
vez q u e T e d d y Roosevelt había e n t e n d i d o la i m p o r t a n c i a de su
país. S e ñ a l a n d o C o l o m b i a en un m a p a , el presidente estadouni-
dense y ex c o m b a t i e n t e voluntario en C u b a había d i c h o « e s la cla-
v e del arco d e S u r a m é r i c a » . N o t e n g o c o m p r o b a d a esta a n é c d o t a ,
p e r o es v e r d a d q u e vista en un m a p a , C o l o m b i a parece la piedra
q u e r e m a t a el resto del continente. C o n e c t a a t o d o s los países m á s
meridionales con el istmo c e n t r o a m e r i c a n o , es decir, con los de
A m é r i c a Central y del N o r t e .
Dijese R o o s e v e l t estas palabras para describir a C o l o m b i a o
n o , lo cierto es q u e fueron m u c h o s los presidentes q u e c o m p r e n -
d i e r o n la i m p o r t a n c i a crucial del país. D e s d e hace casi d o s siglos,
E s t a d o s U n i d o s viene c o n t e m p l a n d o a C o l o m b i a c o m o la clave o,

181
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

m e j o r d i c h o , c o m o la p u e r t a de entrada al hemisferio S u r para sus


n e g o c i o s y su política.
C o l o m b i a es t a m b i é n un país d o t a d o de g r a n d e s bellezas na-
turales: playas espléndidas ribeteadas de palmerales t a n t o en la cos-
ta atlántica c o m o en la del Pacífico, m o n t a ñ a s m a j e s t u o s a s , p a m p a s
q u e rivalizan c o n los g r a n d e s llanos del M e d i o O e s t e d e E s t a d o s
U n i d o s y e n o r m e s extensiones de b o s q u e tropical h ú m e d o c o n
una e n o r m e biodiversidad. L o s habitantes también s o n d e u n a
particularidad especial, resultado de la c o m b i n a c i ó n de los r a s g o s
físicos, culturales y artísticos de distintas etnias, d e s d e los a b o r í g e -
nes taironas hasta las diversas i m p o r t a c i o n e s de África, Asia, E u r o -
pa y el O r i e n t e P r ó x i m o .
H i s t ó r i c a m e n t e , el papel de C o l o m b i a t a m b i é n ha s i d o crucial
en la historia y la cultura de A m é r i c a Latina. En la é p o c a colonial
fue la sede del virreinato para t o d o s los territorios españoles al nor-
te del Perú y al sur de C o s t a Rica. L a s g r a n d e s flotas de g a l e o n e s
z a r p a b a n r u m b o a E s p a ñ a d e s d e el p u e r t o de C a r t a g e n a de I n d i a s ,
c o n su c a r g a de metales p r e c i o s o s , de tesoros incalculables p r o c e -
d e n t e s del sur, de lo q u e hoy es Chile y Argentina. Y m u c h a s de las
batallas cruciales p a r a la independencia se libraron en C o l o m b i a .
P o r e j e m p l o , la de B o y a c á en 1 8 1 9 , c u a n d o las fuerzas al m a n d o
de S i m ó n Bolívar d e r r o t a r o n a los españoles.
E n l a é p o c a m o d e r n a C o l o m b i a tiene l a r e p u t a c i ó n d e p r o -
ducir a l g u n o s de los artistas, escritores, filósofos y o t r o s intelec-
tuales m á s brillantes d e L a t i n o a m é r i c a , así c o m o g o b i e r n o s res-
p o n s a b l e s en lo fiscal y relativamente d e m o c r á t i c o s . F u e el m o d e l o
q u e se intentó aplicar a t o d a A m é r i c a Latina en el p r o g r a m a de re-
c o n s t r u c c i o n e s nacionales del presidente Kennedy. A diferencia de
G u a t e m a l a , su g o b i e r n o no sufría el desprestigio de ser o b r a de la
C Í A y, a diferencia de N i c a r a g u a , era un g o b i e r n o electo q u e re-
p r e s e n t a b a u n a alternativa a las dictaduras de e x t r e m a d e r e c h a y
a los r e g í m e n e s c o m u n i s t a s . P o r ú l t i m o , y a diferencia de t a n t o s
o t r o s países, c o m o los p o d e r o s o s Brasil y A r g e n t i n a , C o l o m b i a n o
d e s c o n f i a b a d e E s t a d o s U n i d o s . L a i m a g e n d e esta nación c o m o
aliada fiable se ha m a n t e n i d o , pese a la lacra de los cárteles de la
1
droga.

182
C o l o m b i a , la clave de L a t i n o a m é r i c a

L a s glorias de la historia colombiana tienen, sin e m b a r g o , la


contrapartida del o d i o y la violencia. La sede del virrey español lo
fue t a m b i é n de la Inquisición. Magníficos fuertes, haciendas y ciu-
d a d e s se alzaron s o b r e los huesos de los esclavos indios y africanos.
L o s tesoros q u e transportaban los galeones, los o b j e t o s de culto y
las piezas artísticas maestras q u e se llevaban previamente fundidas
para facilitar su transporte, eran arrancados de los c o r a z o n e s de ra-
zas antiguas cuyas culturas arrasaban al m i s m o tiempo las espadas
de los c o n q u i s t a d o r e s y sus enfermedades contagiosas. En é p o c a
más reciente, u n a controvertida elección presidencial de 1 9 4 5 p r o -
d u j o u n a p r o f u n d a división entre los partidos políticos y dio lugar
al p e r í o d o l l a m a d o La Violencia ( 1 9 4 8 - 1 9 5 7 ) , en el q u e perecieron
m á s de doscientas mil personas.
Pese a los conflictos y a las p a r a d o j a s , históricamente t a n t o
W a s h i n g t o n c o m o Wall Street han visto s i e m p r e en C o l o m b i a un
factor esencial para la p r o m o c i ó n de sus intereses políticos y co-
merciales p a n a m e r i c a n o s . Lo cual se d e b e a varios factores, a d e m á s
de a la crucial situación geográfica del país. E n t r e ellos, la percep-
ción de q u e t o d o s los dirigentes del hemisferio miran a B o g o t á en
b u s c a de inspiración y guía, y el hecho de q u e el país es al m i s m o
t i e m p o u n p r o v e e d o r d e m u c h o s artículos q u e c o m p r a E s t a d o s
U n i d o s —el café, los plátanos, los p r o d u c t o s textiles, las esmeral-
d a s , las flores, el petróleo y la c o c a í n a — y un m e r c a d o para los bie-
nes y los servicios q u e o f r e c e m o s .
U n o d e los servicios m á s i m p o r t a n t e s q u e h e m o s v e n d i d o
a C o l o m b i a d u r a n t e la última p a r t e del siglo XX es nuestra e x p e -
riencia en ingeniería y c o n s t r u c c i ó n . C o l o m b i a fue un c a s o típico,
entre los m u c h o s lugares d o n d e he t r a b a j a d o . R e s u l t a b a relativa-
m e n t e fácil d e m o s t r a r q u e el país era c a p a z de s o p o r t a r ingen-
tes v o l ú m e n e s de d e u d a , y de amortizarla con los beneficios q u e
a p o r t a s e n t a n t o los p r o y e c t o s m i s m o s c o m o los g r a n d e s recur-
sos naturales de su territorio. M e d i a n t e fuertes inversiones en
redes eléctricas, autovías y sistemas de t e l e c o m u n i c a c i ó n , C o l o m -
bia q u e d a r í a en c o n d i c i o n e s de e m p r e n d e r la e x p l o t a c i ó n de sus
c u a n t i o s o s r e c u r s o s gasísticos y petrolíferos y de sus r e g i o n e s
a m a z ó n i c a s apenas utilizadas todavía. E s t o s p r o y e c t o s , a su v e z ,

183
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

g e n e r a r í a n las rentas necesarias p a r a p a g a r los intereses y devolver


los p r é s t a m o s .
T o d o e s t o , s e g ú n la teoría. En la práctica, y en coherencia con
n u e s t r o v e r d a d e r o p r o p ó s i t o en el m u n d o , se trataba de s o m e t e r a
B o g o t á y ampliar el i m p e r i o global. Mi misión, lo m i s m o q u e en
tantas otras o c a s i o n e s , consistía en a r g u m e n t a r la n e c e s i d a d de
u n o s créditos a b u l t a d í s i m o s . E n C o l o m b i a n o s e c o n t a b a c o n nin-
g ú n T o r r i j o s . P o r c o n s i g u i e n t e , consideré q u e n o m e q u e d a b a m á s
salida q u e presentar predicciones e x a g e r a d a s de crecimiento de la
e c o n o m í a y de la c a r g a eléctrica.
Salvo a l g u n o s brotes de r e m o r d i m i e n t o p o r lo de mi t r a b a j o ,
C o l o m b i a se convirtió en un refugio personal para mí. A n n y yo
h a b í a m o s p a s a d o un par de meses allí a c o m i e n z o s de la d é c a d a de
1 9 7 0 , e incluso h a b í a m o s d e p o s i t a d o u n a fianza para la c o m p r a
de un p e q u e ñ o cafetal situado en las m o n t a ñ a s cercanas a la costa
caribeña. C r e o q u e durante los días q u e e s t u v i m o s j u n t o s nos ha-
llamos m á s cerca q u e nunca de curar las antiguas heridas infligidas
en los a ñ o s p r e c e d e n t e s . Sin e m b a r g o , al fin l l e g a m o s a la conclu-
sión de q u e eran unas heridas d e m a s i a d o p r o f u n d a s y n u e s t r o m a -
t r i m o n i o e s t a b a ya d e s h e c h o c u a n d o llegué a c o n o c e r el país más a
fondo.
D u r a n t e esa d é c a d a , M A I N había s i d o e l a d j u d i c a t a r i o d e una
serie de c o n t r a t o s para desarrollar varios p r o y e c t o s de infraestruc-
tura q u e incluían u n a red de centrales hidroeléctricas así c o m o la
red de t r a n s p o r t e para llevar la electricidad d e s d e las p r o f u n d i d a -
d e s de la selva hasta las ciudades de la r e g i ó n m o n t a ñ o s a . Se me
a s i g n ó un d e s p a c h o en la ciudad costera de Barranquilla. Y fue allí
d o n d e c o n o c í , en 1 9 7 7 , a una bella c o l o m b i a n a q u e llegó a ser la
causante de i m p o r t a n t e s c a m b i o s en mi vida.
Paula tenía el cabello l a r g o y r u b i o , y o j o s de un verde inten-
s o , q u e no es la idea q u e m u c h o s extranjeros tienen de las c o l o m -
bianas. Su p a d r e y su m a d r e eran inmigrantes o r i u n d o s del n o r t e
de Italia. Ella s i g u i ó la tradición familiar del d i s e ñ o de m o d a , p e r o
no se d e t u v o ahí sino q u e fundó un p e q u e ñ o taller d o n d e trans-
f o r m a b a sus creaciones en p r e n d a s , q u e vendía en boutiquesác lujo
de t o d o el país así c o m o en P a n a m á y Venezuela. E r a u n a m u j e r

184
C o l o m b i a , la clave de L a t i n o a m é r i c a

p r o f u n d a m e n t e compasiva, q u e me a y u d ó a superar a l g u n o s de los


t r a u m a s personales de mi fracaso matrimonial, y t a m b i é n e m p e z ó
a corregir algunas de mis actitudes hacia las m u j e r e s q u e afectaban
n e g a t i v a m e n t e a mi c o n d u c t a . T a m b i é n me e n s e ñ ó m u c h o s o b r e
las consecuencias de lo q u e yo hacía en mi t r a b a j o .
C o m o he m e n c i o n a d o antes, creo q u e la vida se c o m p o n e de
una serie de casualidades imprevisibles para n o s o t r o s . D e s d e mi
p u n t o de vista éstas comprendían: ser hijo de un m a e s t r o , criarme
entre chicos en un instituto rural de N e w H a m p s h i r e , c o n o c e r a
Ann y al tío F r a n k , la guerra de V i e t n a m y c o n o c e r a Einar G r e v e .
Sin e m b a r g o , las casualidades nos exigen t o m a r decisiones. N u e s -
tro m o d o de reaccionar, las acciones q u e e m p r e n d e m o s para en-
frentarnos a las situaciones, ahí es d o n d e d e m o s t r a m o s q u e s o m o s
distintos. P o r e j e m p l o , destacar en aquel instituto, c a s a r m e c o n
A n n , ingresar en el Peace C o r p s , elegir la carrera del g a n g s t e r i s m o
e c o n ó m i c o . . . t o d a s estas decisiones me habían c o n d u c i d o al lugar
en q u e a h o r a me encontraba.
Paula fue otra coincidencia, p o r cuyo influjo e m p r e n d í accio-
nes q u e c a m b i a r o n el r u m b o de mi vida. Antes de conocerla me
había a c o s t u m b r a d o a hacer mis c o m p o n e n d a s con el sistema. A
m e n u d o c u e s t i o n a b a lo q u e estaba h a c i e n d o , y otras veces sentía
r e m o r d i m i e n t o s , p e r o siempre encontraba la m a n e r a de racionali-
zar mi p e r m a n e n c i a d e n t r o del sistema. Me p a r e c e q u e Paula apa-
reció en el m o m e n t o más o p o r t u n o . Tal vez me habría l a n z a d o de
t o d o s m o d o s , d e s p u é s d e t o d o l o q u e había e x p e r i m e n t a d o e n
Arabia S a u d í , Irán y P a n a m á . No o b s t a n t e , estoy s e g u r o de q u e así
c o m o fue una m u j e r , C l a u d i n e , quien intervino en g r a d o decisivo
para q u e me uniese a las filas de los g á n g s t e r e s e c o n ó m i c o s , así
t a m b i é n otra mujer, Paula, fue el catalizador q u e yo necesitaba en
este o t r o m o m e n t o . Ella me persuadió de mirar d e n t r o de mí mis-
mo y d a r m e cuenta de q u e jamás sería feliz si c o n t i n u a b a p o r ese
camino.

185
22

La república americana
contra el imperio global

V oy a hablarte con franqueza — d i j o Paula, s e n t a d o s los d o s


en una cafetería—. L o s indios y los g r a n j e r o s cuyas fincas
se hallan a orillas del río d o n d e estáis c o n s t r u y e n d o vuestro panta-
no os odian a m u e r t e . H a s t a los habitantes de las c i u d a d e s , a u n sin
estar directamente afectados, simpatizan con la guerrilla q u e ha
e m p e z a d o a atacar la obra. Vuestro g o b i e r n o dice q u e son irnos
c o m u n i s t a s , u n o s terroristas y u n o s narcotraficantes, p e r o la ver-
d a d es q u e no son más q u e personas q u e tienen familia y q u e vi-
vían en las tierras q u e tu c o m p a ñ í a está d e s t r u y e n d o .
Yo a c a b a b a de mencionarle lo de M a n u e l T o r r e s . E r a éste un
ingeniero e m p l e a d o d e M A I N y u n o d e los q u e habían sufrido r e -
c i e n t e m e n t e el a t a q u e de la guerrilla en los l u g a r e s d o n d e levan-
t á b a m o s la p r e s a . M a n u e l era c o l o m b i a n o y lo e m p l e á b a m o s p o r -
q u e e l D e p a r t a m e n t o d e E s t a d o había p r o m u l g a d o u n a n o r m a
q u e p r o h i b í a enviar c i u d a d a n o s e s t a d o u n i d e n s e s a esa o b r a . N o -
s o t r o s l l a m á b a m o s a e s t o «la doctrina de los c o l o m b i a n o s pres-
c i n d i b l e s » , lo q u e s i m b o l i z a b a para mí una actitud q u e había
a c a b a d o p o r aborrecer. Y mis sentimientos hacia esas políticas es-
t a b a n e m p e z a n d o a c o m p l i c a r m e la vida d e m a s i a d o .
— S e g ú n M a n u e l , dispararon con sus A K - 4 7 , p r i m e r o al aire y
l u e g o a sus pies — l e conté a P a u l a — . Parecía tranquilo c u a n d o me
lo c o n t ó p e r o yo sé q u e estaba casi histérico. No m a t a r o n a nadie.

187
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

Se limitaron a darles ese mensaje y l u e g o los enviaron río a b a j o en


sus barcas.
— ¡ D i o s m í o ! — e x c l a m ó P a u l a — . Estaría a t e r r o r i z a d o e l p o -
bre.
— S í q u e l o e s t a b a . — Y l u e g o r e c o r d é q u e l e había p r e g u n t a -
do a M a n u e l si le habían p a r e c i d o de las F A R C o del M - 1 9 , refi-
r i é n d o m e a los d o s g r u p o s guerrilleros c o l o m b i a n o s m á s t e m i d o s .
— ¿ Y qué?
— E l dice q u e ni de lo u n o ni de lo o t r o . P e r o q u e cree lo q u e
anuncian en esta carta.
Paula r e c o g i ó el p e r i ó d i c o q u e yo había traído y leyó en v o z
alta el c o m u n i c a d o .
« N o s o t r o s , los q u e trabajamos a diario para sobrevivir, jura-
m o s p o r la s a n g r e de nuestros antepasados q u e j a m á s p e r m i t i r e m o s
e m b a l s e s s o b r e nuestros r í o s . N o s o m o s m á s q u e sencillos indios y
m e s t i z o s , p e r o preferimos morir antes q u e contemplar c ó m o inun-
d a n nuestras tierras. U n a advertencia para nuestros h e r m a n o s co-
l o m b i a n o s : no trabajéis m á s para las c o n s t r u c t o r a s . »
D e j ó el p e r i ó d i c o a un lado.
— ¿ Y q u é l e dijiste?
Me d e t u v e a pensarlo, p e r o s ó l o fue un instante.
— N o tenía elección. H e d e marcar l a línea d e l a c o m p a ñ í a . L e
p r e g u n t é si le parecía q u e un c a m p e s i n o sería c a p a z de escribir un
m e n s a j e así.
Ella calló, m i r á n d o m e c o n paciencia.
— E l se limito a e n c o g e r s e de h o m b r o s . — N u e s t r o s o j o s se en-
c o n t r a r o n — . ¡Ali, Paula! Me a b o r r e z c o a mí m i s m o i n t e r p r e t a n d o
este papel.
— ¿ Q u é m á s hiciste? —insistió ella.
— D e s c a r g a r u n p u ñ e t a z o s o b r e l a m e s a . Para intimidarlo. L e
p r e g u n t é si veía l ó g i c o q u e u n o s c a m p e s i n o s anduviesen p o r ahí
a r m a d o s c o n fusiles de asalto. L u e g o le p r e g u n t é si sabía quién ha-
bía i n v e n t a d o el A K - 4 7 .
— ¿ L o sabía?
— S í , a u n q u e le salió la respuesta apenas c o n un hilo de v o z .
« U n r u s o » , d i jo. C l a r o q u e sí. L e a s e g u r é q u e tenía r a z ó n , q u e e l

188
La república americana contra el i m p e r i o global

inventor había sido un r u s o c o m u n i s t a l l a m a d o Kalashnikov, un


oficial m u y c o n d e c o r a d o del Ejército R o j o . Le di a entender q u e
los autores del mensaje eran u n o s comunistas.
— ¿ T ú lo crees así? — p r e g u n t ó ella.
L a p r e g u n t a m e d e j ó sin palabras. F r a n c a m e n t e , ¿qué p o d í a
contestarle? Me a c o r d é de Irán y de c u a n d o Yamin me describió
c o m o u n h o m b r e a t r a p a d o entre d o s m u n d o s . E n cierto m o d o m e
habría g u s t a d o hallarme en la o b r a c u a n d o a t a c ó la guerrilla, o ser
u n o de los guerrilleros. Me invadió un sentimiento e x t r a ñ o . Envi-
d i a b a a Yamin, a D o c , a los rebeldes c o l o m b i a n o s . E s a s eran per-
s o n a s q u e tenían convicciones. Ellos habían e l e g i d o m u n d o s rea-
les, no la tierra de nadie entre los de aquí y los de allá.
— T e n g o un trabajo con el q u e cumplir.
Ella sonrió a m a b l e m e n t e .
— L o aborrezco —proseguí.
Pensé en los h o m b r e s cuyas i m á g e n e s había e v o c a d o tantas
veces d u r a n t e los p a s a d o s años. T o m Paine, los d e m á s héroes de la
I n d e p e n d e n c i a , los piratas, los pioneros del O e s t e . Ellos no se q u e -
d a b a n flotando entre d o s a g u a s . Sabían el lugar q u e les c o r r e s p o n -
día. T o m a b a n p a r t i d o y asumían las consecuencias.
— C a d a día a b o r r e z c o m i trabajo u n p o c o m á s — d i j e .
— ¿ T u trabajo? — E l l a m e t o m ó d e l a m a n o . N o s m i r a m o s y
entendí la insinuación.
—A mí mismo.
Ella me a p r e t ó la m a n o y asintió lentamente. S ó l o con haber-
lo c o n f e s a d o sentí un alivio inmediato.
— ¿ Q u é piensas hacer, John?
No tenía respuesta. Del alivio pasé a una actitud defensiva.
B a l b u c í las justificaciones a c o s t u m b r a d a s : q u e trataba de hacer
a l g o b u e n o , q u e estudiaba la manera de cambiar el sistema d e s d e
d e n t r o , y —el viejo t ó p i c o — q u e , si lo d e j a b a , se encargaría de la
m i s m a faena o t r o p e o r q u e yo. P e r o adiviné, p o r la m a n e r a en q u e
me m i r a b a , q u e no se creía ni m e d i a palabra. Peor aún: yo t a m p o -
co me creía u n a palabra. Paula me o b l i g ó a captar la v e r d a d esen-
cial: la culpa no era de mi t r a b a j o , sino mía.
— Y tú, ¿qué m e dices? ¿Tú q u é crees?

189
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

Ella exhaló un breve suspiro y soltó mi m a n o .


— ¿ T r a t a n d o d e cambiar d e conversación?
Asentí.
— B i e n , pero bajo una condición. Q u e la reanudaremos otro día.
T o m ó una cucharilla y fingió inspeccionarla.
— S é q u e a l g u n o s guerrilleros han r e c i b i d o instrucción e n R u -
sia y en C h i n a .
S u m e r g i ó la cucharilla en su café con leche, lo r e m o v i ó y lue-
go la s a c ó y la c h u p ó lentamente.
— ¿ Q u é o t r a c o s a p u e d e n hacer? Necesitan a p r e n d e r a m a n e -
jar las a r m a s m o d e r n a s , a luchar contra los s o l d a d o s q u e han pasa-
do p o r vuestras a c a d e m i a s . A veces v e n d e n cocaína p a r a c o n s e g u i r
d i n e r o c o n q u e aprovisionarse. ¿ C ó m o c o n s e g u i r a r m a s , s i no? L u -
chan con u n a desventaja terrible. V u e s t r o B a n c o M u n d i a l n o los
a y u d a a defenderse. M e j o r d i c h o , los o b l i g a a a d o p t a r esa p o s t u r a
— t o m ó u n s o r b o d e c a f é — . C r e o q u e pelean p o r u n a causa justa.
La electricidad beneficiará a u n o s p o c o s , a los c o l o m b i a n o s m á s ri-
c o s , p e r o o t r o s miles morirán p o r q u e las a g u a s y los peces van a
q u e d a r e n v e n e n a d o s c u a n d o hayáis c o n s t r u i d o v u e s t r o e m b a l s e .
Se me p u s o la carne de gallina al oír q u e se p o n í a de p a r t e de
la g e n t e q u e l u c h a b a contra n o s o t r o s . . . contra mí. Me clavé los d e -
d o s en los a n t e b r a z o s .
— ¿ C ó m o sabes t a n t o d e l a guerrilla? — P e r o a p e n a s l o h u b e
d i c h o tuve una sensación c o m o de d e s m a y o , o c o m o un presenti-
m i e n t o d e q u e n o d e s e a b a escuchar l a respuesta.
— A l g u n o s de ellos han sido c o m p a ñ e r o s m í o s en el c o l e g i o
— d i j o ella, y d e s p u é s de un titubeo a p a r t ó la taza y d i j o — : Mi her-
m a n o se ha u n i d o al m o v i m i e n t o .
Y a e s t a b a d i c h o . Q u e d é c o m p l e t a m e n t e a b a t i d o . C r e í a saber-
lo t o d o de ella, p e r o esto... Por mi m e n t e p a s ó la i m a g e n f u g a z del
m a r i d o q u e regresa a casa y encuentra a su mujer en la c a m a c o n
otro hombre.
— ¿ P o r q u é n o m e l o habías dicho nunca?
— N o venía a c u e n t o . ¿Por q u é iba a hacerlo? No s o n cosas de
las q u e u n a vaya u f a n á n d o s e p o r ahí. — H i z o u n a p a u s a — . H a c e
d o s años q u e n o l o v e o . T i e n e q u e ser m u y precavido.

190
La república americana contra el i m p e r i o global

— ¿ C ó m o sabes q u e está vivo?


— N o lo sé en realidad. S ó l o sé q u e las a u t o r i d a d e s han publi-
c a d o su n o m b r e en una lista de b u s c a d o s . Es b u e n a señal.
C o m b a t í el afán de discutir, o de tratar de justificarme. C o n -
fiaba en q u e ella no se diera cuenta de mis celos.
— ¿ C ó m o es q u e se unió a ellos? — p r e g u n t é . P o r fortuna, ella
estaba m i r a n d o su taza.
— E s t a b a en una manifestación frente a los d e s p a c h o s de una
c o m p a ñ í a del petróleo... la Occidental, creo. P r o t e s t a b a n contra
las perforaciones en territorio indígena, en la selva de una tribu
q u e se enfrenta al exterminio. E r a n él y u n a d o c e n a de a m i g o s su-
yos. F u e r o n a t a c a d o s p o r los militares, m o l i d o s a palos y encerra-
d o s en la cárcel. Y no habían hecho n a d a ilegal, fíjate, sólo plan-
tarse delante del edificio llevando carteles y c a n t a n d o . —Volvió los
o j o s hacia la ventana m á s p r ó x i m a — . E s t u v o p r e s o casi seis meses.
N u n c a ha c o n t a d o lo q u e ocurrió allí, p e r o c u a n d o salió estaba
irreconocible.
F u e la primera de m u c h a s conversaciones parecidas c o n P a u -
la. A h o r a sé q u e estas discusiones p r e p a r a r o n el escenario p a r a lo
q u e i b a a ocurrir después. Yo tenía el alma d e s g a r r a d a , p e r o a ú n
me p o d í a m u c h o la billetera y aquellas otras debilidades q u e la
N S A identificó c u a n d o e l a b o r ó mi perfil d i e z a ñ o s antes, allá p o r
1 9 6 8 . Al o b l i g a r m e a verlo así, al a y u d a r m e a entender las raíces
p r o f u n d a s de mi fascinación por los piratas y los rebeldes, P a u l a
me p u s o en el c a m i n o de la salvación.
M á s allá d e m i p r o p i o dilema p e r s o n a l , l a estancia e n C o l o m -
bia me sirvió p a r a c o m p r e n d e r la diferencia entre la vieja repúbli-
ca n o r t e a m e r i c a n a y el n u e v o imperio g l o b a l . La R e p ú b l i c a ofre-
cía u n a e s p e r a n z a al m u n d o . S u s f u n d a m e n t o s eran m o r a l e s y
filosóficos antes q u e materialistas. Se b a s a b a n en los c o n c e p t o s de
i g u a l d a d y justicia p a r a t o d o s . P e r o t a m b i é n s u p o ser p r a g m á t i c a ,
no un m e r o s u e ñ o u t ó p i c o sino u n a e n t i d a d viva, activa y m a g n á -
nima. A b r í a los b r a z o s a los p e r s e g u i d o s y les c o n c e d í a asilo. F u e
u n a inspiración y, al m i s m o t i e m p o , u n a fuerza c o n la q u e era p r e -
ciso contar: en c a s o necesario, p o d í a pasar a la acción, c o m o lo
h i z o d u r a n t e la S e g u n d a G u e r r a M u n d i a l para defender los prin-

191
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

cipios q u e r e p r e s e n t a b a . L a s m i s m a s instituciones q u e a m e n a z a n
la R e p ú b l i c a , las g r a n d e s e m p r e s a s , la b a n c a y las b u r o c r a c i a s g u -
b e r n a m e n t a l e s , p o d r í a n servir para instituir c a m b i o s f u n d a m e n t a -
les en el m u n d o . Ellas tienen las redes de c o m u n i c a c i o n e s y los
sistemas de t r a n s p o r t e necesarios p a r a acabar c o n el h a m b r e , la
e n f e r m e d a d e incluso las g u e r r a s . . . si fuese p o s i b l e convencerlas
p a r a q u e t o m a r a n ese r u m b o .
El i m p e r i o g l o b a l , p o r otra p a r t e , es la ruina de la R e p ú b l i c a .
Es un sistema e g o c é n t r i c o , egoísta, c o d i c i o s o y materialista, basa-
d o e n e l m e r c a n t i l i s m o . C o m o t o d o s los imperios anteriores, s ó l o
a b r e los b r a z o s para a c u m u l a r recursos, para a p o d e r a r s e de t o d o y
llenar sus insaciables tripas. Y sus dirigentes recurrirán s i e m p r e a
t o d o s los m e d i o s q u e consideren útiles para hacerse c a d a v e z m á s
ricos y p o d e r o s o s .
C o n f o r m e iba e n t e n d i e n d o esta distinción t a m b i é n veía m á s
claro m i papel. C l a u d i n e m e l o había advertido. M e había anun-
c i a d o c o n t o d a sinceridad lo q u e se me exigiría si a c e p t a b a el tra-
b a j o q u e me ofrecía M A I N . P e r o hacía falta la experiencia de
trabajar en países c o m o I n d o n e s i a , P a n a m á , Irán y C o l o m b i a para
u n a c o m p r e n s i ó n p r o f u n d a de lo q u e e s o significaba. Y t a m b i é n
hacía falta la paciencia, el a m o r y los antecedentes de una m u j e r
c o m o Paula.
Yo era leal a la república n o r t e a m e r i c a n a , p e r o lo q u e e s t á b a -
m o s p e r p e t r a n d o a través de esa nueva y m u y sutil f o r m a de im-
p e r i a l i s m o era, en lo financiero, la repetición de lo q u e h a b í a m o s
i n t e n t a d o en V i e t n a m p o r lo militar. Sin e m b a r g o , el S u d e s t e asiá-
tico n o s había e n s e ñ a d o q u e los ejércitos tienen sus limitaciones.
L o s e c o n o m i s t a s r e a c c i o n a r o n i d e a n d o un plan mejor. Y las a g e n -
cias internacionales de a y u d a , así c o m o los contratistas p r i v a d o s al
servicio de ellas (o m e j o r d i c h o , q u e se beneficiaban de los servi-
cios de ellas), habían a p r e n d i d o a ejecutar ese plan c o n g r a n efi-
cacia.
E n los países d e t o d o s los continentes y o veía c ó m o los h o m -
bres y m u j e r e s q u e t r a b a j a b a n para las e m p r e s a s e s t a d o u n i d e n s e s ,
a u n q u e no f o r m a s e n parte oficialmente de las redes del gangsteris-
m o e c o n ó m i c o , participaban e n a l g o m u c h o m á s pernicioso q u e l o

192
La república americana contra el imperio global

d e n u n c i a d o por las teorías conspirativas al u s o . C o m o la mayoría


de los técnicos de M A I N , estos trabajadores estaban ciegos a las
consecuencias de sus acciones, convencidos de q u e los talleres y fá-
bricas piratas q u e producían zapatos y repuestos de a u t o m ó v i l para
sus c o m p a ñ í a s contribuían a redimir de su p o b r e z a a los p o b r e s ,
sin darse cuenta de q u e los e m p u j a b a n hacia una esclavitud m u y
parecida a la de los feudos medievales y las plantaciones sureñas. Y
al igual q u e en esas manifestaciones primitivas de la explotación,
los m o d e r n o s siervos o esclavos eran inducidos a creer q u e habían
m e j o r a d o su suerte, en c o m p a r a c i ó n con los infelices marginales
q u e habitaban las regiones míseras de E u r o p a , las selvas de África
o el O e s t e salvaje norteamericano.
Mientras tanto, la batalla interior q u e yo libraba a cerca de si
d e b í a continuar en M A I N o abandonarla se había c o n v e r t i d o en
una g u e r r a abierta. Sin d u d a mi conciencia me incitaba a salir, p e r o
aquel o t r o lado de mi personalidad, o lo q u e me g u s t a b a llamar la
máscara f o r m a d a en la escuela de administración empresarial, no
estaba tan s e g u r o . Yo también tenía un imperio en expansión y su-
m a b a e m p l e a d o s , países y títulos bursátiles a mis diversas carteras y
a mi a m o r p r o p i o . A p a r t e de las seducciones del dinero y del tren
de vida l u j o s o , estaba la adrenalina, el e r o t i s m o del poder. C o n fre-
cuencia r e c o r d a b a la advertencia de Claudine: c u a n d o se entraba
en e s o , era para t o d a la vida.
Paula, naturalmente, d e s d e ñ a b a esa sentencia:
— ¡ Q u é sabrá ella!
Señalé c ó m o C l a u d i n e había a c e r t a d o en m u c h a s cosas.
— D e eso hace m u c h o tiempo. L a s vidas c a m b i a n . Y p o r otra
p a r t e , ¿en q u é consiste la diferencia? E s t á s d e s c o n t e n t o c o n t i g o
m i s m o . ¿ P u e d e haber algo peor, venga de C l a u d i n e o de quien
venga?
Paula volvió m u c h a s veces sobre el a s u n t o y al fin tuve q u e
darle la r a z ó n . Le confesé a ella y me confesé a mí m i s m o q u e el
d i n e r o , la aventura y el brillo ya no justificaban la z o z o b r a , los
r e m o r d i m i e n t o s y el estrés. C o m o socio principal de M A I N me
estaba h a c i e n d o rico y sabía q u e , si tardaba m u c h o en d e c i d i r m e ,
q u e d a r í a a t r a p a d o definitivamente.

193
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

C i e r t o día mientras p a s e á b a m o s p o r la playa cerca del viejo


fuerte e s p a ñ o l de C a r t a g e n a , plaza atacada infinidad de veces p o r
los piratas de o t r o s t i e m p o s , Paula me p r o p u s o un p l a n t e a m i e n t o
q u e a mí no se me había o c u r r i d o .
— ¿ Y s i n u n c a dices nada d e l o q u e sabes? — p r e g u n t ó .
— ¿ Q u i e r e s decir... q u e m e calle?
— E x a c t o . No darles una excusa para ir por ti. O m e j o r d i c h o ,
darles b u e n o s m o t i v o s para q u e te dejen en p a z , para no r e m o v e r
las a g u a s .
E r a bastante sensato y me extrañó q u e no se me h u b i e s e o c u -
r r i d o . Renunciaría a escribir libros, a contar la v e r d a d de lo q u e es-
t a b a v i e n d o . N o e m p r e n d e r í a n i n g u n a c r u z a d a , sino q u e m e dedi-
caría a mi vida privada, a pasarlo bien, a viajar s ó l o p o r placer. Y tal
vez incluso a formar u n a familia con u n a p e r s o n a c o m o Paula. E s -
t a b a h a r t o . S i m p l e m e n t e quería dejarlo t o d o .
— T o d o lo que te enseñó Claudine es un engaño —continuó
P a u l a — . T u vida e s u n a gran mentira.
Sonrió, condescendiente, y agregó:
— ¿ H a s leído t u p r o p i o curriculum últimamente?
Confesé que no.
— H a z l o — m e a c o n s e j ó ella—. El o t r o día leí la versión en es-
p a ñ o l . Si el t e x t o inglés dice lo m i s m o , creo q u e te parecerá m u y
interesante.

194
23
••mili—IMKP

Un curriculum engañoso

M ientras me hallaba en C o l o m b i a llegó la noticia de la jubila-


ción d e Jake D a u b e r c o m o director general d e M A I N . S e -
g ú n e s t a b a previsto, el presidente y consejero d e l e g a d o , M a c Hall,
n o m b r ó s u c e s o r a B r u n o . L a s líneas telefónicas entre B o s t o n y
Barranquilla echaban h u m o . T o d o e l m u n d o p r o n o s t i c a b a q u e y o
t a m b i é n sería a s c e n d i d o en breve. Al fin y al c a b o , era u n o de los
p u p i l o s d e más confianza d e B r u n o .
E s t o s c a m b i o s y r u m o r e s me incentivaron a reconsiderar mi
p r o p i a posición. E s t a n d o todavía en C o l o m b i a seguí el c o n s e j o de
Paula y leí la versión en español de mi curriculum. Q u e d é atónito.
De r e g r e s o a B o s t o n , b u s q u é el original en inglés así c o m o el
ejemplar de Mainlines, el boletín interno de la c o m p a ñ í a , fechado
en n o v i e m b r e de 1 9 7 8 , q u e incluía un artículo s o b r e mí b a j o el
título « E s p e c i a l i s t a s ofrecen nuevos servicios a la clientela de
M A I N » (ver páginas 1 9 7 y 1 9 8 ) .
E n o t r o s t i e m p o s y o estaba m u y o r g u l l o s o d e aquel curricu-
l u m y aquel artículo. En c a m b i o ahora, al leerlo a través de los o j o s
de Paula, sentí crecer en mí la cólera y el a b a t i m i e n t o . El conteni-
d o d e aquellos d o c u m e n t o s n o era más q u e una serie d e e n g a ñ o s
d e l i b e r a d o s . Y traslucían un significado m á s p r o f u n d o , u n a reali-
d a d q u e es reflejo de nuestra época y da de lleno en el c o r a z ó n de
nuestra actual marcha hacia un imperio global. E r a n la c o n d e n s a -
ción de u n a estrategia calculada para ofrecer apariencias o c u l t a n d o
los hechos subyacentes. De un m o d o extraño s i m b o l i z a b a n la his-

195
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

toria de mi vida, una superficie artificial recubierta p o r una bri-


llante capa de barniz.
Por s u p u e s t o n o m e servía d e c o n s u e l o saber q u e b u e n a par-
te de la r e s p o n s a b i l i d a d de lo q u e decía mi curriculum era mía. S e -
g ú n las n o r m a s de r é g i m e n interior, se nos requería q u e tuviéra-
m o s al corriente un curriculum breve así c o m o un fichero c o n la
i n f o r m a c i ó n de a p o y o necesaria acerca de los clientes a t e n d i d o s y
el tipo de t r a b a j o realizado. De esta manera, si alguien de m a r k e -
ting o un director de p r o y e c t o tenía necesidad de incluirme en u n a
p r o p u e s t a , o de utilizar mis credenciales para cualquier otra finali-
d a d , n o tenía más q u e decorar esos d a t o s elementales d e m o d o
q u e favoreciesen sus particulares intenciones.
Por e j e m p l o , podía interesarle destacar mi experiencia en Orien-
te P r ó x i m o o defendiendo nuestros proyectos ante el B a n c o M u n -
dial y otros foros internacionales. Siempre que se hacía esto, en teo-
ría el interesado debía solicitar mi aprobación antes de publicar el
curriculum revisado. Pero c o m o los empleados de M A I N viajábamos
m u c h o , con frecuencia se consentían excepciones a esta regla. Por
esta razón, tanto el curriculum q u e Paula me aconsejó leer c o m o su
original en inglés eran del t o d o nuevos para mí, si bien la informa-
ción ciertamente figuraba en mi ficha personal.
A simple vista parecía un curriculum bastante inocente. En el
a p a r t a d o d e « E x p e r i e n c i a » m e n c i o n a b a los proyectos d e q u e había
s i d o r e s p o n s a b l e en E s t a d o s U n i d o s , Asia, L a t i n o a m é r i c a y Orien-
te P r ó x i m o , y resumía la naturaleza de éstos: planificación de desa-
rrollos, proyecciones e c o n ó m i c a s , previsiones de la d e m a n d a ener-
gética, etc. E s t a parte concluía con una descripción de mi trabajo
c o n el Peace C o r p s en E c u a d o r , p e r o o m i t i e n d o t o d a referencia al
Peace C o r p s m i s m o , lo q u e d a b a la impresión de q u e yo había sido
el g e r e n t e profesional de un fabricante de materiales para la cons-
trucción, no un voluntario q u e c o l a b o r a b a en una p e q u e ñ a c o o p e -
rativa de fabricación artesanal de ladrillos, c o m p u e s t a p o r campesi-
nos a n d i n o s analfabetos.
Al final citaba una larga lista de clientes, d e s d e el B a n c o Inter-
nacional para la Reconstrucción y el Desarrollo ( n o m b r e oficial del
B a n c o M u n d i a l ) y el Asian D e v e l o p m e n t Bank, p a s a n d o por el g o -

196
U n curriculum e n g a ñ o s o

EXPERIENCE JOHN M. PERKINS

J o h n M . P e r k i n s i s M a n a g e r o f the E c o n o m i c s
D e p a r t m e n t o f the P o w e r a n d E n v i r o n m e n t a l S y s t e n i s
División.

S i n c e j o i n i n g M A I N , Mr. P e r k i n s h a s b e e n i n c h a r g e o f
m a j o r p r o j e c t s i n the U n i t e d S t a t e s , A s i a , L a t í n
A m e r i c a a n d t i i e M i d d l c E a s t . T h i s w o r k h a s included
development planning. economic forecasting. energy
d e m a n d f o r e c a s t i n g , m a r k e t i n g s t u d i e s , p l a n t siling,
f t i e l a l l o c a í i o n a n a l y s i s , e c o n o m i c feasibility s t u d i e s ,
environmental and economic ¡Hipad studies,
i n v e s t m e n t p l a n n i n g a n d m a n a g e m e n t c o i i s u l l í n g . In
a d d i t i o n , m a n y p r o j e c t s have involved t r a i n i n g c l i e n t s
in the use of t e c h n i q u e s d e v e l o p e d by Mr. P e r k i n s a n d CREDENTIALS
h i s stalT.
Forecasting Studies
Marketing S t u d i e s
R e c e n t l y Mr. P e r k i n s lias b e e n in c h a r g e of a p r o j e c t
Feasibility S t u d i e s
lo design computer program packages for
Site S e l e c t i o n S t u d i e s
l } p r o j c c t i n g e n e r g y d e m a n d and q u a n t i f y i n g the
E c o n o m i c Impact S t u d i e s
relatioiiships between economic development and
Investment P l a n n i n g
energy production, 2 ) e v a l u a t i n g environmental and
Fuel Supply Studies
socio-economic impaets of projects. and 3) applying
Economic Development Planning
M a r k o v and e c o n o m e l r i c m o d e l s t o national a n d
Training Programs
regional economic planning.
Project M a n a g e m e n t
Allocation Planning
Prior to joining M A I N , Mr. P e r k i n s s p e n t three Management Consulting
years in E c u a d o r c o n d u c t i n g marketing studies and
o r g a n m u g and managing a construction malcriáis
c o m p a n y . H e a l s o c o n d u c t e d s t u d i e s o f tlie feasibility Clients served:
of organizing credit and sa v i n g s cooperativos
throughout Ecuador. o A r a b i a n - A m e r i c a n Oil C o m p a n y , S a u d i A r a b i a
o Asian D e v e l o p m e n l B a n k
EDUCATiON o Boise Cascade Corporation
o Cily Service Corporation
Bachelor of Arts in Business Administration
o D a y t o n P o w e r & Liglit C o m p a n y
B o s t o n University
o General Electric C o m p a n y
Post G r a d ú a l e S t u d i e s :
o Government of Kuwait
Modcl litiilding. E n g i n e e r i n g E c o n o m i c s ,
o Instituto de Recursos Hidráulicos y
Economelric s, Probabtlity Methods
Electrificación, Panamá
LANGUAGES o Ínter-American Development Bank
o International Bank for Reconstruction and
Englisli, S p a n i s h Development
o Ministry of E n e r g y . Irán
PROFESSIONAL AFF1L1ATI0NS
o New Y o r k T i m e s
American E c o n o m i c Assoeiation o P o w e r A u t h o r i l y o f (he S t a t e o f N e w Y o r k
S o c i e t y for International D e v e l o p m e n t o Perusahaan U m u m Listrik Negara, Indonesia
o S o u t h Carolina Electric a n d G a s C o m p a n y
PUBLICATIONS o T e c l i n i c a l A s s o e i a t i o n of the Pulp a n d P a p e r
Indusiry
"A Markov Process Applied to Forecasting
o Union Carnp C o r p o r a t i o n
t h e D e m a n d for E l e c t r i c i t y "
o U . S . Treasury Dept., K i n g d o m of S a u d i Arabia
"A Macro Approach to Energy Forecasting"
"A M o d e l for D e s c r i b i n g the Djrect and
Indirect I n t e r r e l a I i o n s l i i p s hetwecn the
E c o n o m y and tlie F . n v i r o n m c i i l "
" E l e c t r i c E n e r g y frotrt f n t e r c o n n e c t e d S y s t e m s "
" M a r k o v M e t h o d A p p l i e d to Planning'"

MAIN

197
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

Specialists offer
MAIN's clients newservices
by Pauline Ouellette

L o o k i n g over the faces behind Indians, J o h n said. wete bemg


[he desks, i t ' s easy to lell that exploaed in iheir work as b r c k
Economics and Regional Plarvung >s rr.akers so he was askod by an
one of the most recently lormed Ecuadohan agency to ¡ o r m a co-op.
and rapidly growing disciplines al He then rented a truck to help
M A I N . T o dale, there are about 2 0 thern sell theit bricks direcily to the
speoabsts in t h i s group, gathered consumers As a r e s u i i , p r o f i t s
over a seven-year period. T h e s e 'apidly ¡ncteased by 6 0 % . T h e
specialists mclude nol only p r o l i t s vvero divided among the
economists. bul citv planners. members of the co-op which, aítur
demographefs, marke! specialists 2'A years, included 2 0 0 t'amilies.
and M A I N ' s f i r s i socioiogisl.
It was during t h i s lime ihat Perkins
While severai people were J o h n P e r k i n s mei Einar Greve (a
influential in geiting the economics lormer employee) w h o was w o r k i n g s g r i c u l t u r a l developmoni in Panamá
group staried, ii basically carne in t h e town ol Paute, Ecuador, on a I r o m where he recently returned
about through ihe e f f o r t s o f one hydroelectric project for M A I N , after a m o n t h ' s stay. 't was in
man. J o h n P e r k i n s , vvho is n o w T h e t w o became friendly and. Panamá ihai M A I N conducted as
head of the group. through continual correspondence, í i r s t sociological study through
J o h n was offered a p o s i t i o n w i t h Martna Hayes, MAIN's firsi
Hired as an assistant to the head
MAIN. sociologist. Marti spent 1 '/> month.s
load forecaster in January, 1 9 7 1 ,
in Panamá to determine th-j i m p a t l
John was one of the few A b o u t a year later, John became
o( ihe project on peopie's livesand
economisls w o t k i n g f o r M A I N a ; the head load íorecaster and, as the
cultures. Specialists in agricullure
ihe lime. F o r his f i r s t assignment, demands from clients and
and other related fields were also
he was sent as part of an 11-man i n s t i t u t i o n s such as t h e W o r l d Bank
hired in conjunción witli this
team to do an electricity demand grew, he realized that more
study.
sludy in Indonesia. economisls were needed ai M A I N .
" T h e y wanted lo see ¡I I could " W h i l e M A I N is an engineering T h e expansión o l Economics and
survive there f o r ihree m o n i h s , " he f i r m , " he said, "the clients were Regional Planning has been last
said laughing reminiscently. B u t telling us we had to be more than paced, yet J o h n feels he has been
w i l h h i s background. J o h n had no t h a i . " He hired more economists in lucky in (hal each individual hired
iroubie " s u r v i v i n g . " He had j u s t 1 9 7 3 !o meei the clients' needs has been a hard working
speni three years in Ecuador wi'.h a and, as a result, formed the professional. As he spoke to me
Construction Materials Co-op discipline which brought h i m the I r o m across b i s desk, the interés!
helping the Quechua Indians. direcl tille o f C h i e f Economist. and support he hoids f o r h i s s t a l f
descendants of the Incas. T h e was evident and admirable.
John's latest project involves

MA1NLINES November 1978

198
U n curriculum e n g a ñ o s o

bierno de Kuwait, el Ministerio iraní de energía, la Arabian-Ameri-


can Oil C o m p a n y de Arabia Saudí y el Instituto de Recursos H i -
dráulicos y Electrificación, hasta la Perusahaan U m u m Listrik N e -
gara y o t r o s m u c h o s . Me a s o m b r ó q u e una lista así hubiese llegado
a hacerse pública, a u n q u e obviamente f o r m a b a parte de mi ficha.
D e j a n d o m o m e n t á n e a m e n t e a un lado el curriculum, centré
mi atención en el artículo de Mainlines. R e c o r d é con claridad mi
d i á l o g o con la entrevistadora, una joven de m u c h o talento y b u e -
nas intenciones. Antes de publicarlo tuvo el detalle de s o m e t e r l o a
mi a p r o b a c i ó n . Agradecí m u c h o q u e hubiese p i n t a d o un retrato
tan favorecedor de mi p e r s o n a , y lo autoricé sin d e m o r a . U n a v e z
m á s la responsabilidad no recaía en o t r o s h o m b r o s sino en los
míos. El artículo c o m e n z a b a :

Al o b s e r v a r las caras de los q u e se sientan detrás de los escri-


torios, es fácil adivinar q u e E s t u d i o s E c o n ó m i c o s y Planifica-
ción R e g i o n a l es una de las disciplinas m á s recientes y de m á s
r á p i d o crecimiento de M A I N [...]
A u n q u e fueron varias las influencias q u e i m p u l s a r o n la
creación del g r u p o de estudios e c o n ó m i c o s , básicamente su
realización se d e b e al esfuerzo de un s o l o h o m b r e , J o h n Per-
kins, en la actualidad jefe del g r u p o .
C o n t r a t a d o en enero de 1 9 7 1 c o m o a y u d a n t e del jefe de
previsión de cargas, J o h n fue u n o de los p r i m e r o s e c o n o m i s -
tas q u e figuraron en la n ó m i n a de M A I N . En su primera mi-
sión f o r m ó parte del e q u i p o de once h o m b r e s enviado a rea-
lizar un estudio de la d e m a n d a eléctrica en I n d o n e s i a .

El artículo resumía mi historial en p o c a s palabras, m e n c i o n a -


ba q u e había « p a s a d o tres años en E c u a d o r » y l u e g o seguía di-
ciendo:

P o r aquel entonces J o h n Perkins c o n o c i ó a Einar Greve ( u n


ex e m p l e a d o de la c o m p a ñ í a ) [la d e j ó m á s tarde para asumir la
presidencia de T u c s o n G a s & Electric C o m p a n y ] q u e se ha-
llaba en la ciudad ecuatoriana de Paute o c u p a d o en un p r o -

199
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

yecto hidroeléctrico para M A I N . A m b o s t r a b a r o n amistad y


d e s p u é s de un i n t e r c a m b i o de c o r r e s p o n d e n c i a se le ofreció a
John un cargo en M A I N .
A l r e d e d o r de un año más tarde J o h n fue n o m b r a d o jefe
de previsión de carga y, conforme a u m e n t a b a n las d e m a n d a s de
los clientes y de instituciones c o m o el B a n c o M u n d i a l , c o m -
prendió q u e hacían falta más economistas en la c o m p a ñ í a .

N a d a de lo q u e decían a m b o s d o c u m e n t o s era mentira flagran-


te: t o d o estaba d o c u m e n t a d o en los archivos y en mi ficha. Pero
transmitían una percepción q u e , al releerlos, me pareció tendencio-
sa y maquillada. En una cultura que practica la idolatría de los d o c u -
mentos oficiales, estos perpetraban además algo todavía más sinies-
tro. U n a mentira flagrante p u e d e ser refutada. P e r o los d o c u m e n t o s
de ese tipo eran irrebatibles p o r q u e se basaban en retazos de verdad,
no e n g a ñ a b a n abiertamente, y la fuente era una corporación q u e ha-
bía merecido la confianza de otras corporaciones, de los bancos in-
ternacionales y de las autoridades de varios países.
E s t o resultaba todavía más cierto en el c a s o del c u r r i c u l u m ,
q u e era un d o c u m e n t o oficial, a diferencia de la entrevista, cuyo
c o n t e n i d o s ó l o c o m p r o m e t í a a la firmante del artículo. El logoti-
po de M A I N , p u e s t o al pie del curriculum y en las cubiertas de
t o d a s las p r o p u e s t a s y dictámenes q u e dicho curriculum venía a
a d o r n a r , tenía un p e s o considerable en el m u n d o de los o r g a n i s -
m o s internacionales. E r a c o m o u n m a r c h a m o d e autenticidad des-
t i n a d o a inspirar el m i s m o g r a d o de confianza q u e los sellos oficia-
les de los d i p l o m a s y certificados q u e v e m o s e n c u a d r a d o s en los
c o n s u l t o r i o s de los m é d i c o s y de los a b o g a d o s .
A q u e l l o s d o c u m e n t o s me retrataban c o m o a un e c o n o m i s t a
m u y c o m p e t e n t e , jefe de d e p a r t a m e n t o en una consultoría presti-
g i o s a , y q u e viajaba p o r t o d o el m u n d o para realizar u n a amplia
g a m a de e s t u d i o s gracias a los cuales el planeta se convertiría en un
l u g a r más civilizado y p r ó s p e r o . El e n g a ñ o no estaba en lo q u e d e -
cían, sino en lo q u e callaban. M i r a d o d e s d e fuera, es decir, objeti-
v a m e n t e , me era f o r z o s o confesar q u e tales o m i s i o n e s planteaban
muchas interrogantes.

200
U n curriculum e n g a ñ o s o

N o s e m e n c i o n a b a , por e j e m p l o , m i r e c l u t a m i e n t o p o r l a
N S A ni la vinculación de Einar Greve con los militares ni su fun-
ción d e enlace c o n l a N S A . C o m o e s evidente, t a m p o c o m e n c i o -
n a b a n las t r e m e n d a s presiones a q u e yo estaba s o m e t i d o para q u e
inflase las predicciones e c o n ó m i c a s , ni q u e la m a y o r parte de mi
t r a b a j o servía para facilitar la c o n c e s i ó n de créditos e n o r m e s q u e
países c o m o I n d o n e s i a y P a n a m á j a m á s p o d r í a n devolver. N o s e
incluía n i n g ú n e l o g i o a la integridad de mi p r e d e c e s o r , H o w a r d
Parker. T a m p o c o , e v i d e n t e m e n t e , n i n g u n a m e n c i ó n al h e c h o de
q u e fui jefe de previsión de carga gracias a mi d i s p o s i c i ó n p a r a su-
ministrar los e s t u d i o s t e n d e n c i o s o s q u e n e c e s i t a b a n mis jefes, en
vez de decir lo q u e creyese v e r d a d e r o , c o m o H o w a r d , y h a c e r m e
despedir. P e r o lo m á s s o r p r e n d e n t e era la última a n o t a c i ó n en la
lista de mis clientes: U. S. Trecisury Department, Kingdom of Sau-
di Arabia.
U n a y otra vez releía esa línea misteriosa. Me p r e g u n t a b a
c ó m o lo interpretaría la gente. H a b r í a quien se interrogaría p o r la
relación entre el D e p a r t a m e n t o del T e s o r o e s t a d o u n i d e n s e y el rei-
no de Arabia Saudí. O t r o s supondrían una errata tipográfica: d o s lí-
neas diferentes, confundidas en una por la omisión de un p u n t o y
aparte. P o c o s lectores acertarían con la verdad: q u e figuraba escri-
to así por una r a z ó n concreta. En el m u n d o en d o n d e yo me m o -
vía, los q u e formaban parte de este círculo entenderían q u e yo ha-
bía participado en el e q u i p o q u e g e s t i o n ó el t r a t a d o del siglo, el
tratado q u e c a m b i ó el r u m b o de la historia p e r o q u e nunca a s o m ó
a las páginas de los periódicos. Yo había a y u d a d o a crear el a c u e r d o
q u e g a r a n t i z ó la continuidad de los suministros de petróleo para
E s t a d o s U n i d o s , salvaguardó la dominación de la casa de S a u d y
contribuyó a la financiación de O s a m a bin L a d e n y a la protección
de delincuentes internacionales c o m o Idi Amin en U g a n d a . A q u e -
lla línea de mi curriculum estaba escrita para los enterados. Decía
q u e el e c o n o m i s t a jefe de M A I N era un h o m b r e q u e hacía h o n o r a
los e n c a r g o s recibidos.
El ú l t i m o párrafo del artículo p u b l i c a d o p o r Mainlines era
u na o b s e r v a c i ó n personal de la autora y p o n í a el d e d o en la llaga:

201
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

A u n q u e la e x p a n s i ó n de E s t u d i o s E c o n ó m i c o s y Planificación
R e g i o n a l h a s i d o rápida, J o h n considera q u e h a t e n i d o m u c h a
s u e r t e , en el s e n t i d o de q u e t o d o s los individuos c o n t r a t a d o s
se han revelado c o m o auténticos y l a b o r i o s o s profesionales.
M i e n t r a s h a b l a b a c o n m i g o , s e n t a d o s a l r e d e d o r d e s u escrito-
rio, el interés y el a p o y o q u e le merece su personal fueron tan
evidentes c o m o admirables.

E n realidad y o nunca m e h e considerado u n v e r d a d e r o e c o n o -


mista. Me licencié en administración de empresas, c o n la especiali-
d a d de marketing, p o r la Universidad de B o s t o n . S i e m p r e he sido
muy m a l o en matemáticas y estadística. En el M i d d l e b u r y C o l l e g e
mi especialidad fue la literatura norteamericana. Tenía b u e n a p l u m a .
Por tanto, mi categoría de economista jefe y director del departa-
m e n t o de e s t u d i o s e c o n ó m i c o s y planificación regional no d e b í a
atribuirse a mi capacidad para la teoría e c o n ó m i c a o la planificación.
E r a función de mi voluntad de suministrar el tipo de dictamen y de
conclusiones q u e mi jefe y mis clientes deseaban, t o d o ello c o m b i -
n a d o con u na facilidad natural para persuadir a o t r o s mediante la pa-
labra escrita. En s e g u n d o lugar, tuve el acierto de elegir colabora-
dores m u y competentes. M u c h o s de ellos poseían un máster y había
d o s d o c t o r a d o s . Este e q u i p o conocía m u c h o mejor q u e y o m i s m o
los detalles técnicos de nuestra actividad. Así, no era de extrañar q u e
la autora del artículo detectase q u e «el interés y el a p o y o q u e le me-
rece su p e r s o n a l » eran «tan evidentes c o m o admirables».

G u a r d é estos d o s d o c u m e n t o s y otros parecidos en el cajón su-


perior de mi escritorio y los releí con frecuencia. D e s p u é s de e s t o ,
m u c h a s veces salía de mi d e s p a c h o y paseaba entre los escritorios de
mis ayudantes, c o n t e m p l a n d o a aquellos h o m b r e s y mujeres q u e
trabajaban para mí. Sentía remordimiento por lo q u e estaba hacién-
doles, y p o r la manera en q u e t o d o s nosotros contribuíamos a en-
sanchar el a b i s m o entre ricos y pobres. Mi imaginación me repre-
sentaba a los q u e mueren de inanición t o d o s los días, mientras mis
c o l a b o r a d o r e s y yo d o r m í a m o s en hoteles de cinco estrellas, comía-
m o s en los mejores restaurantes y e n g o r d á b a m o s nuestras carteras
de inversiones.

202
U n curriculum e n g a ñ o s o

Pensé en el hecho de que personas a las q u e yo había formado


hubieran p a s a d o a formar parte del gangsterismo e c o n ó m i c o . Yo las
había reclutado e instruido. Pero la situación no era la misma q u e
c u a n d o yo me incorporé. El m u n d o había c a m b i a d o y la corporato-
cracia había p r o g r e s a d o . E r a m o s mejores, es decir, más perniciosos.
L o s q u e estaban a mis órdenes eran de otra especie. Para ellos no
h u b o detectores de mentiras de la N S A , ni ninguna Claudine. N a -
die les explicó lo q u e se iba a exigir de ellos, ni cuál iba a ser su par-
te en la misión del imperio global. Ellos nunca oyeron el término
« g a n g s t e r i s m o e c o n ó m i c o » ni las siglas EHM ni les advirtió nadie
q u e estaban en ello para t o d a la vida. Ellos simplemente se fijaron en
mi ejemplo y en mi sistema de castigos y recompensas. Sabían q u e
estaban allí para entregar el tipo de dictámenes y de resultados q u e
yo exigía. S u s salarios, sus pagas extras de N a v i d a d y hasta sus mis-
m o s puestos de trabajo dependían de mi beneplácito.
Por s u p u e s t o , yo hice t o d o lo posible para aliviarles la carga.
Escribí artículos, pronuncié conferencias y aproveché todas las
o p o r t u n i d a d e s para persuadirlos de la importancia de las previsio-
nes optimistas, de los grandes créditos, de las inyecciones de capital
q u e acelerarían el crecimiento del P I B y harían del m u n d o un lugar
mejor. Se necesitaron m e n o s de diez años para llegar a este p u n t o
en q u e la seducción y la coerción revestían una forma m u c h o más
sutil: la de una especie de amable lavado de c e r e b r o . Aquellos h o m -
bres y mujeres sentados en la oficina contigua a mi d e s p a c h o con
vistas a la bostoniana Back Bay saldrían al m u n d o para fomentar la
causa del imperio global. En t o d o s los sentidos, eran creaciones
mías, igual q u e yo lo era de Claudine. Pero había una diferencia. A
ellos se les mantenía en la candidez.
Pasé m u c h a s noches en blanco p e n s a n d o , cavilando s o b r e es-
tas cosas. La alusión de Paula a mi curriculum había abierto la caja
de P a n d o r a . C o n frecuencia envidiaba la i n g e n u i d a d de mis e m -
p l e a d o s . Yo los e n g a ñ a b a intencionadamente, p e r o al hacerlo les
a h o r r a b a p r o b l e m a s de conciencia. Ellos no tenían q u e luchar c o n
las cuestiones morales q u e me a t o r m e n t a b a n a mí.
T a m b i é n reflexionaba m u c h o s o b r e la noción de la integridad
en los n e g o c i o s , s o b r e la contradicción entre las apariencias y la

203
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

realidad. Es v e r d a d , me decía, q u e desde q u e hay historia los hu-


m a n o s se han e n g a ñ a d o los u n o s a los o t r o s . La leyenda y la tra-
dición p o p u l a r a b u n d a n en cuentos de v e r d a d e s tergiversadas y
d e c o n t r a t o s fraudulentos: m e r c a d e r e s d e alfombras e m b u s t e r o s ,
prestamistas u s u r e r o s y sastres dispuestos a convencer al e m p e r a -
d o r de q u e sus r o p a s s ó l o son invisibles para él m i s m o .
No o b s t a n t e , por m u c h o q u e yo desease llegar a la conclusión
de q u e t o d o s e g u í a igual q u e siempre y q u e t a n t o la fachada de mi
curriculum en M A I N así c o m o la v e r d a d q u e e s c o n d í a eran m e r o s
reflejos de la naturaleza h u m a n a , en el f o n d o de mi c o r a z ó n sabía
q u e no era así. L a s cosas habían c a m b i a d o . E m p e z a b a a c o m p r e n -
der q u e h a b í a m o s a l c a n z a d o u n plano superior del e n g a ñ o , u n o
q u e nos llevaría a la destrucción — n o sólo m o r a l , sino t a m b i é n fí-
sica, en t a n t o q u e c u l t u r a — , a m e n o s q u e realicemos sin d e m o r a
c a m b i o s significativos.
El e j e m p l o de la delincuencia o r g a n i z a d a me parecía ofrecer
una metáfora. L o s jefes de la mafia con frecuencia e m p i e z a n ha-
c i e n d o de m a t o n e s callejeros. Pero, con el t i e m p o , los q u e consi-
g u e n escalar las posiciones más altas cambian de aspecto. A d o p t a n
la c o s t u m b r e de vestir impecables trajes a m e d i d a , regentan e m p r e -
sas legales y se r o d e a n de t o d o s los atributos de la b u e n a s o c i e d a d .
C o n t r i b u y e n a las organizaciones benéficas y son m i e m b r o s respe-
t a d o s de sus c o m u n i d a d e s . No tienen inconveniente en prestar di-
n e r o a las p e r s o n a s en apuros. C o m o el J o h n Perkins descrito en el
curriculum d e M A I N , aparentan ser c i u d a d a n o s m o d é l i c o s . C u a n -
do los d e u d o r e s no p u e d e n pagar, aparecen los representantes del
g a n g s t e r i s m o e x i g i e n d o su parte. Si no la c o n s i g u e n , intervienen
los chacales con sus bates de béisbol. Y finalmente, c o m o último re-
c u r s o , hablan las pistolas.
C o m p r e n d í a q u e mi r e l u m b r ó n de e c o n o m i s t a jefe y director
de E s t u d i o s E c o n ó m i c o s y Planificación R e g i o n a l no era un simple
e n g a ñ o de v e n d e d o r de a l f o m b r a s , frente al cual p u e d e prevenirse
el c o m p r a d o r . F o r m a b a parte de un siniestro sistema e n c a m i n a d o
no a burlar al d e s p r e v e n i d o cliente sino, más bien, a impulsar la
f o r m a de imperialismo m á s eficaz y más sutil q u e el m u n d o haya
c o n o c i d o nunca. T o d o s los e m p l e a d o s de mi d e p a r t a m e n t o eran

204
U n curriculum e n g a ñ o s o

titulados superiores: analistas financieros, s o c i ó l o g o s , e c o n o m i s -


tas, jefes de estudios e c o n ó m i c o s , especialistas en e c o n o m e t r í a , ex-
p e r t o s en formación de precios y así sucesivamente. Sin e m b a r g o ,
n i n g u n o de esos títulos expresaba q u e c a d a u n o de ellos fuera, a su
m a n e r a , un g á n g s t e r e c o n ó m i c o al servicio de los intereses del im-
perio global.
T a m p o c o n i n g u n o d e esos títulos informaba d e q u e t o d o s n o -
sotros no é r a m o s más q u e la punta del iceberg. T o d a s las grandes
multinacionales — d e s d e las que venden zapatillas y otras prendas
deportivas hasta las fabricantes de maquinaria p e s a d a — poseía sus
E H M equivalentes. L a marcha había c o m e n z a d o y estaba acorra-
lando rápidamente al planeta. L o s bandidos prescindían de sus ca-
z a d o r a s de c u e r o , se ponían trajes de financieros y a d o p t a b a n un
aire de respetabilidad. H o m b r e s y mujeres salían de los cuarteles
generales de sus empresas en N u e v a York, C h i c a g o , San Francisco,
L o n d r e s y T o l d o para desplegarse por t o d o s los continentes y con-
vencer a los políticos c o r r u p t o s de consentir q u e la corporatocracia
cargase de cadenas a sus países — f o r z a n d o con ello a sus desespera-
d o s habitantes a vender sus cuerpos a los talleres clandestinos, a las
m a q u i l a d o r a s y a las líneas de montaje.
E r a inquietante llegar a la d e d u c c i ó n de q u e los detalles o m i -
tidos en las palabras de mi curriculum y del artículo definían un
m u n d o de señales ficticias, destinadas a e n c a d e n a r n o s a un sistema
m o r a l m e n t e r e p u g n a n t e y, en último t é r m i n o , a u t o d e s t r u c t i v o . Al
o b l i g a r m e a leer entre líneas, Paula me había e m p u j a d o un p a s o
m á s , h a c i é n d o m e adentrar en la senda q u e con el tiempo transfor-
mó mi vida.

205
- •! :
24

El presidente de Ecuador
contra las grandes petroleras

M i t r a b a j o en C o l o m b i a y en P a n a m á me p r o p o r c i o n a b a m u -
chas o p o r t u n i d a d e s de visitar y p e r m a n e c e r en c o n t a c t o
c o n el primer país extranjero q u e me sirvió de h o g a r fuera de casa.
E c u a d o r h a b í a sufrido u n a larga serie de dictaduras y de oligar-
quías de e x t r e m a derecha m a n i p u l a d a s por los intereses políticos y
comerciales de E s t a d o s U n i d o s . En cierto m o d o , el país era la re-
pública b a n a n e r a quintaesencia! y allí la c o r p o r a t o c r a c i a tenía m u -
c h o terreno c o n q u i s t a d o .
L a explotación petrolera d e l a A m a z o n i a ecuatoriana c o m e n -
zó en serio hacia finales de la d é c a d a de 1 9 6 0 y p r o d u j o u n a fiebre
c o m p r a d o r a . De resultas de ella, el r e d u c i d o club de las fainilias
d u e ñ a s del país q u e d ó en m a n o s de la b a n c a internacional. H a -
bían a r r o j a d o s o b r e E c u a d o r u n e n d e u d a m i e n t o e n o r m e , confian-
do en la p r o m e s a de los beneficios del p e t r ó l e o . El país se llenó de
carreteras, de p a r q u e s industriales, de e m b a l s e s hidroeléctricos,
de sistemas de transporte y distribución y todavía proliferaban los
p r o y e c t o s d e m á s centrales generadoras. U n a v e z m á s , l a v e r d a d e -
ra m i n a era la q u e encontraron las e m p r e s a s de ingeniería y las
constructoras.
Un h o m b r e cuya estrella e m p e z a b a a ascender s o b r e el país
a n d i n o constituía una excepción a esa regla de la c o r r u p c i ó n polí-
tica y la c o m p l i c i d a d con la corporatocracia. C e r c a de cumplir los

207
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

cuarenta a ñ o s , a b o g a d o y profesor universitario, J a i m e Roídos te-


nía carisma y d o n de g e n t e s . T u v e ocasión de tratarlo varias veces
y en una de éstas, llevado p o r mi e n t u s i a s m o , me ofrecí c o m o ase-
sor g r a t u i t o y d i s p u e s t o a t o m a r el avión para Q u i t o s i e m p r e q u e
hiciese falta. En p a r t e , lo dije en b r o m a , p e r o no me habría im-
p o r t a d o hacerlo d u r a n t e mis vacaciones, p o r q u e s i m p a t i z a b a con
él. Para mí cualquier excusa era b u e n a con tal de p o d e r visitar su
país, y así se lo dije. El rió y c o n t e s t ó en los m i s m o s t é r m i n o s , ofre-
c i é n d o m e su asistencia profesional siempre q u e me viese en la ne-
cesidad de negociar la factura del petróleo.
Se h a b í a g a n a d o la r e p u t a c i ó n de p o p u l i s t a y n a c i o n a l i s t a .
Creía firmemente en los derechos de los p o b r e s y en la r e s p o n s a -
bilidad, p o r parte de los políticos, de administrar con p r u d e n c i a
los recursos naturales del país. C u a n d o e m p r e n d i ó su c a m p a ñ a
para las presidenciales de 1978 llamó la atención de sus c o m p a -
triotas y de los c i u d a d a n o s de t o d o s los países c u y o p e t r ó l e o estu-
viera s i e n d o e x p l o t a d o p o r intereses extranjeros, o d o n d e existiera
un fuerte d e s e o de librarse de la influencia de fuerzas exteriores
p o d e r o s a s . C o m o político, Roídos pertenecía al g é n e r o no m u y
a b u n d a n t e de los q u e no t e m e n o p o n e r s e al status quo. P o r e s o se
enfrentó a las c o m p a ñ í a s petroleras y al sistema no excesivamente
sutil en q u e éstas se a p o y a n .
D e n u n c i ó , p o r ejemplo, una siniestra complicidad del S u m m e r
Institute of Linguistics ( S I L , un g r u p o misionero evangelista esta-
d o u n i d e n s e ) con las petroleras. A esos misioneros yo los conocía
bien d e s d e mis tiempos en el Peace C o r p s . Su organización se había
presentado en E c u a d o r , lo m i s m o q u e en tantos otros países, con el
pretexto de estudiar, inventariar y traducir las lenguas indígenas.
El S I L había t r a b a j a d o a s i d u a m e n t e con los h u a o r a n i , una tri-
bu de la c u e n c a a m a z ó n i c a , durante los p r i m e r o s años de la explo-
tación petrolera. En aquel m o m e n t o e m p e z ó a hacerse evidente
una p a u t a inquietante. C a d a vez q u e los s i s m ó l o g o s transmitían a
las oficinas centrales q u e las características de d e t e r m i n a d a r e g i ó n
indicaban g r a n p r o b a b i l i d a d de contener un yacimiento en el s u b -
s u e l o , aparecían los del S I L para sugerir a los indígenas q u e deja-
ran sus tierras y pasaran a alojarse en las reservas de los m i s i o n e r o s ,

208
El presidente de E c u a d o r contra las g r a n d e s petroleras

d o n d e se les daría gratis alimento, c o b i j o , r o p a s , c u i d a d o s m é d i c o s


y educación religiosa. E s o sí, a condición de d o n a r las tierras a las
c o m p a ñ í a s petroleras.
S e g ú n r u m o r e s asiduos, los misioneros del S I L practicaban va-
rias técnicas turbias a fin de persuadir a los indígenas y conseguir
q u e dejaran sus p o b l a d o s para residir en las misiones. U n a versión
muy repetida era q u e les daban alimentos m e z c l a d o s con laxantes...
y l u e g o les ofrecían medicinas para curar la s u p u e s t a epidemia de
diarrea. Y q u e en t o d o el territorio huaorani lanzaban con paracaí-
das cestas de c o m i d a provistas de d o b l e fondo, c o n t e n i e n d o trans-
misores de radio miniaturizados, cuyas emisiones eran sintonizadas
por los militares de la base estadounidense de Shell con ayuda de
a v a n z a d o s receptores de comunicaciones. De esta manera, c u a n d o
a a l g u n o de la tribu le m o r d í a una serpiente venenosa, o caía grave-
m e n t e e n f e r m o , no tardaban en hacer acto de presencia los repre-
sentantes del S I L provistos del antídoto o de los fármacos adecua-
d o s —a m e n u d o , transportados por los helicópteros de las m i s m a s
c o m p a ñ í a s del petróleo.
En los primeros t i e m p o s de las p r o s p e c c i o n e s se e n c o n t r a r o n
los cadáveres de cinco misioneros del S I L , atravesados p o r jabali-
nas de los huaorani. E s t o s reivindicaron la acción p o c o d e s p u é s ,
diciendo q u e había sido una advertencia para q u e no hubiese más
intrusos. N a d i e hizo caso de este mensaje. M á s bien surtió el efec-
to contrario. Rachel Saint, hermana de u n o de los a s e s i n a d o s , e m -
p r e n d i ó una gira por E s t a d o s U n i d o s con apariciones en la televi-
sión para recaudar dinero y recabar apoyos en favor del S I L y de las
c o m p a ñ í a s petroleras q u e , s e g ú n ella, estaban c o n t r i b u y e n d o a ci-
vilizar y e d u c a r a aquellos «salvajes».
L a s o r g a n i z a c i o n e s humanitarias de los Rockefeller subven-
c i o n a b a n al S I L . Por eso J a i m e Roídos señalaba estas c o n e x i o n e s
c o n los Rockefeller y sostenía q u e el S I L era en realidad un esca-
parate q u e disimulaba el expolio de las tierras indígenas y la exten-
sión de las prospecciones. H a y q u e recordar q u e el patriarca de la
familia, J o h n D. Rockefeller, fue el f u n d a d o r de la S t a n d a r d Oil,
más tarde escindida en las grandes del p e t r ó l e o , entre ellas C h e v -
1
ron, Exxon y Mobil.

209
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

A mí me p a r e c i ó q u e R o í d o s seguía la s e n d a i n a u g u r a d a p o r
T o r r i j o s . A m b o s estaban enfrentados a la s u p e r p o t e n c i a m á s fuer-
te del m u n d o . T o r r i j o s d e s e a b a recuperar el C a n a l , mientras q u e
la acritud e n é r g i c a m e n t e nacionalista de R o í d o s a m e n a z a b a a las
c o m p a ñ í a s m á s influyentes del m u n d o . C o m o T o r r i j o s , R o í d o s
t a m p o c o era c o m u n i s t a , p e r o defendía el d e r e c h o de su país a
decidir su f u t u r o . Y t a m b i é n c o m o en el caso de T o r r i j o s , los ex-
p e r t o s p r o n o s t i c a r o n q u e los g r a n d e s de los n e g o c i o s y Washing-
ton j a m á s tolerarían la presidencia de R o í d o s , y q u e c a s o de salir
e l e g i d o tendría un final parecido al de A r b e n z en G u a t e m a l a o al
de Allende en Chile.
Me p a r e c i ó q u e esos d o s h o m b r e s en unión q u i z á llegarían a
constituir la p u n t a de lanza de un m o v i m i e n t o n u e v o en el m u n d o
político l a t i n o a m e r i c a n o , y q u e ese m o v i m i e n t o tal v e z sería la base
de u n o s c a m b i o s susceptibles de afectar a t o d a s las naciones del
planeta. N o eran irnos C a s t r o n i u n o s Gaddafi. N o eran c o m p a ñ e -
ros de viaje de Rusia ni de C h i n a ni, c o m o en el c a s o de Allende,
del m o v i m i e n t o socialista internacional. E r a n líderes p o p u l a r e s
inteligentes y carismáticos. U n o s p r a g m á t i c o s , no u n o s d o g m á t i -
cos. E r a n nacionalistas p e r o no antinorteamericanos. Y si la c o r p o -
ratocracia se a l z a b a s o b r e tres c o l u m n a s — l a s g r a n d e s e m p r e s a s , la
b a n c a internacional y los g o b i e r n o s en connivencia—, R o í d o s y
T o r r i j o s a p u n t a b a n la posibilidad de eliminar la c o l u m n a de la
complicidad gubernamental.
En la p l a t a f o r m a de R o í d o s d e s e m p e ñ a b a papel principal lo
q u e se l l a m ó «la política de h i d r o c a r b u r o s » . E s t a política se funda-
ba en la p r e m i s a de q u e el mayor recurso en potencia de E c u a d o r
era el p e t r ó l e o , y de q u e t o d a explotación futura de d i c h o r e c u r s o
tendría q u e realizarse de manera q u e a p o r t a s e el m á x i m o beneficio
al m á s a m p l i o p o r c e n t a j e de la población. R o í d o s creía firmemen-
te en la o b l i g a c i ó n estatal de ayudar a los p o b r e s y desvalidos. C o n -
fiaba en q u e la política de h i d r o c a r b u r o s pudiera servir de vector
de la r e f o r m a social. E r a necesario hilar fino, sin e m b a r g o , p o r q u e
R o í d o s sabía q u e e n E c u a d o r , c o m o ocurría e n tantos o t r o s países,
nunca saldría e l e g i d o sin contar con el a p o y o de u n a p a r t e , al m e -
n o s , de las familias más influyentes. E incluso si lograse g a n a r las

210
El presidente de E c u a d o r contra las g r a n d e s petroleras

elecciones sin ellas, le sería preciso contar con esos a p o y o s para p o -


ner en práctica sus p r o g r a m a s .
Personalmente me aliviaba q u e el inquilino de la C a s a Blanca,
en esa é p o c a , fuese Cárter. Pese a las presiones de la T e x a c o y o t r o s
intereses petroleros, Washington se abstuvo de inmiscuirse, lo q u e ,
c o m o yo sabía, no habría sido el caso con otras administraciones,
d e m ó c r a t a s o republicanas.
C r e o q u e m e l a política d e h i d r o c a r b u r o s , m á s q u e n i n g u n a
otra cuestión, la q u e convenció a los e c u a t o r i a n o s y a u p ó a Roídos
al palacio presidencial de Q u i t o : el primer presidente d e m o c r á t i c a -
m e n t e e l e g i d o d e s p u é s de una larga sucesión de dictadores. L a s
bases de su política q u e d a r o n resumidas en el discurso de p o s e s i ó n
presidencial del 10 de a g o s t o de 1 9 7 9 :

D e b e m o s t o m a r m e d i d a s efectivas para defender los recursos


energéticos de la nación. El E s t a d o [ d e b e ] m a n t e n e r la diver-
sificación de sus exportaciones y no perder su independencia
e c o n ó m i c a [...] N u e s t r a s decisiones se inspirarán ú n i c a m e n t e
en los intereses nacionales y en la defensa incondicional de
2
n u e s t r o s d e r e c h o s de s o b e r a n í a .

U n a vez investido, Roídos se vio o b l i g a d o a centrar su aten-


ción en T e x a c o , entonces j u g a d o r a principal en la partida del p e -
t r ó l e o . L a relación fue s u m a m e n t e espinosa. L a g i g a n t e petrolera
no confiaba en el nuevo presidente ni d e s e a b a c o l a b o r a r en ningu-
na política q u e sentara precedentes nuevos. No se le e s c a p a b a q u e
tales p r e c e d e n t e s habrían servido de m o d e l o para o t r o s países.
U n discurso p r o n u n c i a d o por J o s é Carvajal, u n o d e los aseso-
res de confianza de Roídos, resumía la actitud del n u e v o g o b i e r n o :

C u a n d o un socio [ T e x a c o ] no quiere correr riesgos ni realizar


inversiones en prospección ni explorar los territorios de una
concesión petrolera, el o t r o socio tiene d e r e c h o a realizar esas
inversiones p o r su cuenta y asumir l u e g o la titularidad [...]
C r e e m o s q u e nuestras relaciones con las c o m p a ñ í a s ex-
tranjeras d e b e n ser justas; es preciso ser d u r o s en la lucha; es-

211
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

t a m o s p r e p a r a d o s para recibir t o d o tipo d e p r e s i o n e s , p e r o n o


d e b e m o s manifestar t e m o r ni c o m p l e j o de inferioridad en la
3
n e g o c i a c i ó n con los e x t r a n j e r o s .

E l día d e A ñ o N u e v o d e 1 9 8 0 t o m é una d e t e r m i n a c i ó n . C o -
m e n z a b a u n n u e v o decenio. M e faltaban veintiocho días para
cumplir treinta y cinco a ñ o s . Decidí q u e el n u e v o a ñ o iba a ser el
de un c a m b i o crucial en mi vida y q u e en adelante trataría de e m u -
lar a los h é r o e s c o n t e m p o r á n e o s , c o m o J a i m e Roídos y Ornar T o -
rrijos.
Por otra p a r t e , había o c u r r i d o u n acontecimiento t r a u m á t i c o .
B a j o criterios de estricta rentabilidad, B r u n o había s i d o el m e j o r
presidente en t o d a la historia de M A I N . Pese a lo cual fue d e s p e -
d i d o b r u s c a m e n t e y sin previo aviso p o r M a c Hall.

212
25

Mi marcha

L a d e f e n e s t r a c i ó n d e B r u n o p o r M a c H a l l afectó c o m o u n te-
r r e m o t o a M A I N . La c o n f u s i ó n y la d i s c o r d i a se a p o d e r ó de
l a c o m p a ñ í a . B r u n o tendría s u c u o t a d e e n e m i g o s , p e r o i n c l u s o
a l g u n o s d e é s t o s s e m a n i f e s t a r o n e s c a n d a l i z a d o s . M u c h o s d e los
e m p l e a d o s e n t e n d i e r o n q u e e l m o t i v o n o había s i d o o t r o s i n o
los celos. En las c o n v e r s a c i o n e s d u r a n t e las c o m i d a s o a l r e d e d o r
de la m á q u i n a del café, los m u r m u r a d o r e s d e c í a n q u e H a l l se sin-
tió a m e n a z a d o p o r aquel h o m b r e q u i n c e a ñ o s m á s j o v e n q u e él,
y q u e h a b í a llevado la e m p r e s a a niveles de r e n t a b i l i d a d hasta en-
tonces desconocidos.
— H a l l n o p o d í a permitir q u e B r u n o s e luciese t a n t o — d e c í a
u n o d e e l l o s — . E l viejo s e d i o cuenta d e q u e s ó l o era c u e s t i ó n d e
t i e m p o q u e B r u n o se a d u e ñ a s e de t o d o y le d i e s e la j u b i l a c i ó n
a él.
C o m o p a r a c o r r o b o r a r estas teorías, H a l l n o m b r ó n u e v o
p r e s i d e n t e a Paul Priddy, q u e había s i d o d u r a n t e m u c h o s a ñ o s
u n o d e los vicepresidentes d e M A I N . E r a u n i n g e n i e r o , c o m p e -
tente en lo s u y o y de carácter c a m p e c h a n o p e r o , a mi m o d o de
ver, m e d i o c r e y s u m i s o a los caprichos del p r e s i d e n t e . No sería él
q u i e n l o desafiase p r e s e n t a n d o u n o s beneficios i n a u d i t o s . O t r o s
m u c h o s compartían mi opinión.
Para mí la salida de B r u n o fue un d e s a s t r e . H a b í a s i d o mi
m e n t o r p e r s o n a l y el factor clave de nuestras m i s i o n e s interna-
cionales. E n c a m b i o P r i d d y e s t a b a e s p e c i a l i z a d o e n o p e r a c i o n e s

213
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

interiores y p o c o o n a d a sabía en c u a n t o a la v e r d a d e r a n a t u r a l e -
za de n u e s t r a s actividades en el e x t r a n j e r o . Yo n e c e s i t a b a s a b e r el
r u m b o q u e iba a t o m a r l a c o m p a ñ í a e n a d e l a n t e , d e m o d o q u e
llamé a B r u n o a su c a s a , y d e s c u b r í q u e se lo t o m a b a con filoso-
fía.
— P u e s m i r a , J o h n . E l sabía q u e n o tenía m o t i v o s — m e d i j o
refiriéndose a H a l l — . Así q u e le pedí una s u s t a n c i o s a i n d e m n i z a -
c i ó n y l a c o n s e g u í . T a m p o c o p o d í a hacer otra c o s a , p u e s t o q u e
M a c c o n t r o l a u n b l o q u e c o n s i d e r a b l e d e v o t o s e n l a j u n t a d e ac-
cionistas.
A c o n t i n u a c i ó n d i o a e n t e n d e r q u e varios b a n c o s m u l t i n a -
cionales q u e habían s i d o clientes n u e s t r o s le habían o f r e c i d o car-
g o s d e alto nivel, y q u e e s t a b a e s t u d i a n d o esas o p o r t u n i d a d e s . L e
pedí c o n s e j o .
— M a n t e n los o j o s bien a b i e r t o s — c o n t e s t ó — . M a c H a l l h a
p e r d i d o el c o n t a c t o c o n la r e a l i d a d , p e r o nadie q u e r r á d e c í r s e l o . . .
especialmente ahora, después de lo que ha hecho c o n m i g o .
A finales de m a r z o de 1 9 8 0 , y t o d a v í a c o n m o c i o n a d o p o r es-
tas batallas, me t o m é unas vacaciones en las Islas V í r g e n e s c o n mi
v e l e r o y c o n u n a j o v e n c o l e g a de M A I N a la q u e l l a m a r e m o s
« M a r y » . A u n q u e n o s e m e o c u r r i ó c u a n d o elegí e l l u g a r , a h o r a
me d o y c u e n t a de q u e la historia de la r e g i ó n fue u n o de los fac-
t o r e s q u e me a y u d a r o n a t o m a r la decisión q u e iniciaba la p u e s t a
e n práctica d e m i s b u e n o s p r o p ó s i t o s d e A ñ o N u e v o . E l p r i m e r
a t i s b o s e p r o d u j o u n a t a r d e , mientras c o s t e á b a m o s l a isla d e S a i n t
J o h n y e n f i l á b a m o s el canal de Sir Francis D r a k e , q u e s e p a r a del
c o n t i n e n t e las Islas V í r g e n e s , a l g u n a s de ellas todavía c o l o n i a s
británicas.
E s e canal recibe su n o m b r e , o b v i a m e n t e , p o r el m a r i n o inglés
q u e fue el a z o t e de los g a l e o n e s españoles. Y me r e c o r d ó las m u -
chas veces q u e , d u r a n t e los últimos diez a ñ o s , había p e n s a d o yo
en los piratas y d e m á s figuras históricas q u e c o m o D r a k e y sir
H e n r y M o r g a n habían r o b a d o , e x p l o t a d o y s a q u e a d o , y sin e m -
b a r g o recibieron e l o g i o s e incluso títulos nobiliarios p o r sus acti-
vidades. A mí se me había e d u c a d o en el respeto a esos p e r s o n a j e s .
E n c o n s e c u e n c i a , m e p r e g u n t a b a , ¿por q u é d e b í a tener r e p a r o s e n

214
Mi marcha

explotar a países c o m o I n d o n e s i a , P a n a m á , C o l o m b i a y E c u a d o r ?
M u c h o s d e mis héroes particulares — E t h a n Alien, T h o m a s Jeffer-
s o n , G e o r g e W a s h i n g t o n , Daniel B o o n e , D a v y C r o c k e t t , L e w i s y
C l a r k , p o r n o m b r a r sólo u n o s c u a n t o s — fueron e x p l o t a d o r e s d e
indios y de esclavos n e g r o s , y se a p o d e r a r o n de tierras q u e no eran
suyas. A m e n u d o recurría yo a estos e j e m p l o s p a r a tranquilizar mi
conciencia. P e r o a h o r a , mientras me a d e n t r a b a en el canal Sir
Francis D r a k e , c o m p r e n d í a lo a b s u r d o de mis p a s a d a s racionaliza-
ciones.
R e c o r d é a l g u n a s c o s a s q u e p o r c o m o d i d a d había p r e f e r i d o
olvidar d u r a n t e los p a s a d o s a ñ o s . E t h a n Alien había p a s a d o m u -
chas s e m a n a s c a r g a d o c o n c a t o r c e kilos de grilletes en la a p e s t o -
sa y a b a r r o t a d a sentina de un b a r c o - p r i s i ó n inglés, y d e s p u é s al-
g ú n t i e m p o m á s e n una m a z m o r r a inglesa. E r a u n p r i s i o n e r o d e
g u e r r a , c a p t u r a d o e n 1775 d u r a n t e l a batalla d e M o n t r e a l , c u a n -
d o l u c h a b a p o r e l m i s m o g é n e r o d e l i b e r t a d e s q u e J a i m e Roídos
y O r n a r T o r r i j o s reivindicaban ahora para s u s g e n t e s . T h o m a s
J e f f e r s o n , G e o r g e W a s h i n g t o n y los d e m á s p a d r e s f u n d a d o r e s se
h a b í a n j u g a d o la vida p o r s e m e j a n t e s ideales. La victoria de la re-
volución no estaba garantizada en absoluto. Ellos sabían que en
la e v e n t u a l i d a d de ser d e r r o t a d o s , morirían en la h o r c a p o r sedi-
ciosos. Daniel B o o n e , Davy Crockett y Lewis y Clark, también
h a b í a n s o p o r t a d o tribulaciones y r e a l i z a d o g r a n d e s sacrificios.
<Y en c u a n t o a D r a k e y M o r g a n ? No e s t a b a yo m u y fuerte en
ese p e r í o d o de la historia, p e r o r e c o r d a b a q u e la I n g l a t e r r a p r o -
testante s e había s e n t i d o m u y seriamente a m e n a z a d a p o r l a c a t ó -
lica E s p a ñ a . E r a preciso admitir la p o s i b i l i d a d de q u e D r a k e y
M o r g a n se h u b i e s e n d e d i c a d o a la piratería c o n intención de g o l -
p e a r en el c o r a z ó n del I m p e r i o e s p a ñ o l , en a q u e l l o s g a l e o n e s q u e
t r a n s p o r t a b a n las r i q u e z a s de A m é r i c a , p a r a d e f e n d e r el s a n t u a r i o
de I n g l a t e r r a y no p a r a e n c u m b r a r s e a sí m i s m o s .
M i e n t r a s d á b a m o s b o r d a d a s l u c h a n d o c o n t r a e l viento e n
m e d i o del canal e í b a m o s v i e n d o c a d a vez m á s cerca esas m o n t a -
ñas q u e e m e r g e n de las a g u a s , G r e a t T h a t c h I s l a n d al n o r t e y
S a i n t J o h n al sur, yo s e g u í a hilvanando p e n s a m i e n t o s sin p o d e r
a p a r t a r l o s de mi m e n t e . M a r y me p a s ó u n a c e r v e z a y a u m e n t ó el

215
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

v o l u m e n de u n a c a n c i ó n de J i m m y Buffet*. P e s e a la belleza del


paisaje y a la s e n s a c i ó n de libertad q u e s i e m p r e p r o d u c e la nave-
g a c i ó n a vela, yo e s t a b a de mal h u m o r . T r a t é de disiparlo y a p u -
ré la c e r v e z a .
A q u e l e s t a d o d e á n i m o n o m e a b a n d o n a b a . E s t a b a enfureci-
do c o n las v o c e s de la historia y c o n mi m a n e r a de tergiversarlas
p a r a justificar mi p r o p i a codicia. E s t a b a furioso c o n mis p a d r e s y
c o n T i l t o n — a q u e l instituto p r e p o t e n t e en lo alto de su c o l i n a — ,
q u e m e h a b í a n i m p u e s t o t o d a esta historia. Abrí o t r a b o t e l l a d e
c e r v e z a . P e n s é q u e sería c a p a z de matar a M a c Hall p o r lo q u e le
había h e c h o a B r u n o .
U n a b a r c a d e m a d e r a p a s ó cerca d e n o s o t r o s c o r r i e n d o a fa-
vor del v i e n t o , las velas h i n c h a d a s , e n a r b o l a n d o la b a n d e r a del
a r c o iris. T r e s o c u a t r o parejas jóvenes n o s s a l u d a r o n a v o c e s y
a g i t a n d o los b r a z o s . E r a n hippies envueltos en túnicas de vivos
c o l o r e s . En la p r o a i b a n un h o m b r e y u n a m u j e r c o m p l e t a m e n t e
d e s n u d o s . El a s p e c t o de la e m b a r c a c i ó n y el de sus p a s a j e r o s re-
velaba q u e hacían vida a b o r d o . U n a c o m u n i d a d d e piratas m o -
d e r n o s , Ubres, d e s i n h i b i d o s .
Quise contestar al saludo pero mi brazo no me obedeció,
p a r a l i z a d o p o r la envidia.
De pie en la c u b i e r t a , M a r y los s i g u i ó c o n la m i r a d a m i e n t r a s
ellos se a l e j a b a n a p o p a .
—<¡Te g u s t a r í a esa clase d e vida? — m e p r e g u n t ó .
E n t o n c e s l o c o m p r e n d í . N o eran mis p a d r e s . N o era T i l t o n
n i M a c H a l l . E r a m i p r o p i a vida l o q u e y o a b o r r e c í a . L a p e r s o n a
r e s p o n s a b l e y a b o r r e c i b l e era yo.
E n t o n c e s oí la v o z de Mary. E s t a b a d i c i é n d o m e a l g o y a p u n -
t a n d o con el d e d o a estribor, p o r la parte de p r o a . L u e g o se acer-
có y repitió:
— L e i n s t e r Bay. N u e s t r o f o n d e a d e r o d e esta n o c h e .
Ahí e s t a b a , e x c a v a d a e n l a isla d e S a i n t J o h n . U n a e n s e n a d a
d e s d e c u y o a b r i g o a c e c h a b a n las naves piratas, a g u a r d a n d o el
p a s o d e l a flota del o r o p o r aquella m i s m a m a n g a d e a g u a e n q u e
n o s e n c o n t r á b a m o s . C u a n d o e s t u v i m o s m á s cerca le cedí el ti-
m ó n a M a r y y me dirigí a la c u b i e r t a de p r o a . M i e n t r a s ella ne-

216
Mi marcha

g o c i a b a W a t e r m e l o n C a y y e m b o c a b a la h e r m o s a b a h í a , me in-
cliné para cazar el foque y s a q u é el ancla. Ella r e c o g i ó la mayor.
E c h é el ancla. La c a d e n a corrió y se s u m e r g i ó en las t r a n s p a r e n -
tes a g u a s . La e m b a r c a c i ó n Ríe i n m o v i l i z á n d o s e .
D e s p u é s de n a d a r un r a t o , M a r y b a j ó a echar u n a siesta. Le
d e j é u n a n o t a y r e m é con el b o t e n e u m á t i c o hasta la c o s t a . Lo sa-
q u é del a g u a cerca de las ruinas de una a n t i g u a p l a n t a c i ó n a z u c a -
rera y me q u e d é l a r g o rato s e n t a d o en la orilla p r o c u r a n d o no
pensar, c o n c e n t r a d o en tratar de vaciar de e m o c i o n e s la m e n t e .
Pero no lo conseguí.
M á s t a r d e me p u s e a trepar ladera arriba y me hallé entre los
r u i n o s o s m u r o s de la vieja p l a n t a c i ó n . Volví la m i r a d a hacia
n u e s t r o v e l e r o a n c l a d o en la bahía. El sol caía a p o n i e n t e s o b r e
las a g u a s del C a r i b e . T o d o parecía m u y idílico, p e r o y o n o i g n o -
r a b a q u e a q u e l l a plantación había s i d o e s c e n a r i o d e s u f r i m i e n t o s
i n e n a r r a b l e s . C e n t e n a r e s d e esclavos africanos h a b í a n m u e r t o
allí, f o r z a d o s a p u n t a de e s c o p e t a , c o n s t r u y e n d o la c a s o n a s e ñ o -
rial, c u l t i v a n d o la caña y m a n e j a n d o el i n g e n i o q u e c o n v e r t í a la
m e l a z a e n r o n . L a t r a n q u i l i d a d del l u g a r o c u l t a b a u n a historia
de brutalidad, lo mismo que en aquellos m o m e n t o s ocultaba la
rabia q u e volvía a hervir d e n t r o de mí.
El sol desapareció detrás del perfil m o n t a ñ o s o de u n a isla. Un
gran arco de color m a g e n t a se extendió por el cielo. L a s a g u a s se
oscurecieron y yo me vi o b l i g a d o a afrontar una conclusión sor-
prendente: q u e también yo había s i d o un esclavista. Mi trabajo en
M A I N no se limitaba a p r o m o v e r el e n d e u d a m i e n t o de los países
p o b r e s para atarlos al imperio global. M i s proyecciones infladas
eran a l g o m á s q u e m e r o s vehículos para a s e g u r a r n o s nuestra parte
del botín, es decir, el petróleo q u e necesitase mi país. Y mi posición
de socio principal era a l g o más q u e un expediente para mejorar la
rentabilidad de la c o m p a ñ í a . Mi actividad t a m b i é n tenía q u e ver
con las p e r s o n a s y sus familias. Personas parecidas a las q u e habían
m u e r t o en la construcción de la tapia d o n d e yo estaba s e n t a d o en
aquel m o m e n t o . Personas explotadas p o r mí.
H a c í a d i e z a ñ o s q u e m e había c o n v e r t i d o e n s u c e s o r d e
a q u e l l o s esclavistas q u e visitaban las selvas de África y a r r e b a t a -

217
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

ban h o m b r e s y m u j e r e s para c o n d u c i r l o s a sus naves. El m í o era


u n p r o c e d i m i e n t o m á s m o d e r n o , m á s sutil. Y o n u n c a m e h a b í a
visto en la n e c e s i d a d de c o n t e m p l a r c u e r p o s a g o n i z a n t e s ni de
oler el h e d o r a c a r n e en putrefacción ni de e s c u c h a r los g r i t o s
d e terror. L o q u e y o hacía n o era m e n o s siniestro. P e r o q u e d a b a
lejos de m í , y así yo p o d í a a b s t r a e r m e de los a s p e c t o s p e r s o n a l e s ,
d e e s o s c u e r p o s , esa c a r n e , esos g r i t o s . P o r l o m i s m o , e n ú l t i m o
análisis q u i z á mi delito era m á s g r a n d e .
Volví de n u e v o la m i r a d a hacia el b a l a n d r o . La m a r e a atiran-
taba la c a d e n a del ancla. M a r y h o l g a z a n e a b a en c u b i e r t a , p r o b a -
b l e m e n t e t o m á n d o s e un « m a r g a r i t a » y e s p e r a n d o mi r e g r e s o p a r a
servirme o t r o . E n aquel m o m e n t o , c o n t e m p l á n d o l a b a j o l a últi-
ma claridad del día, tan tranquila, tan confiada, caí en la c u e n t a de
lo q u e e s t a b a h a c i é n d o l e a ella y a t o d o s los q u e t r a b a j a b a n p a r a
mí. E s t a b a c o n v i r t i é n d o l o s a t o d o s en g á n g s t e r e s e c o n ó m i c o s .
H a c í a d e ellos l o m i s m o q u e m e h i z o C l a u d i n e , p e r o sin l a since-
ridad de C l a u d i n e . M e d i a n t e p r o m e s a s de ascenso y a u m e n t o s de
s u e l d o , los seducía p a r a q u e se hicieran esclavistas. Y sin e m b a r g o ,
ellos t a m b i é n eran e x p l o t a d o s p o r el sistema. T a m b i é n e s t a b a n es-
c l a v i z a d o s , l o m i s m o q u e yo.
Me volví de e s p a l d a s al m a r , a la b a h í a y al cielo c o l o r m a -
g e n t a . C e r r é los o j o s a los m u r o s c o n s t r u i d o s p o r e s c l a v o s a r r e -
b a t a d o s a s u s tierras africanas. D e s e a b a d e s e n t e n d e r m e d e t o d o .
C u a n d o abrí los o j o s v i u n p a l o , casi u n a v i g a , tan g r u e s a c o m o
u n b a t e d e b é i s b o l y casi e l d o b l e d e larga. M e a c e r q u é d e u n
s a l t o , a g a r r é el p a l o y la e m p r e n d í c o n t r a los m u r o s de p i e d r a .
L e s d i d e g a r r o t a z o s hasta q u e caí a g o t a d o , y m e q u e d é t u m b a -
d o s o b r e l a h i e r b a , b o c a a r r i b a , v i e n d o desfilar las n u b e s s o b r e
mí.
Por último regresé adonde había dejado el bote. De pie en
l a p l a y a , m e q u e d é c o n t e m p l a n d o e l v e l e r o q u e f l o t a b a s o b r e las
a g u a s a z u l e s y s u p e l o q u e tenía q u e hacer. S u p e q u e e s t a b a per-
d i d o sin r e m e d i o si r e g r e s a b a a mi vida a n t e r i o r , a M A I N y a
t o d o l o q u e ésta r e p r e s e n t a b a . L o s a u m e n t o s d e s u e l d o , los pla-
nes d e p e n s i o n e s , los s e g u r o s , los p a q u e t e s d e a c c i o n e s y los d e -
m á s p r i v i l e g i o s . . . C u a n t o m á s l o d u d a s e , m á s m e c o s t a r í a salir.

218
Mi marcha

M e h a b í a c o n v e r t i d o e n u n esclavo. P o d í a s e g u i r a z o t á n d o m e
c o m o había a z o t a d o aquellos m u r o s de piedra, o p o d í a escapar.
R e g r e s é a B o s t o n d o s días m á s t a r d e . El 1 de abril de 1 9 8 0
fui al d e s p a c h o de Paul Priddy y p r e s e n t é mi d i m i s i ó n .

219
CUARTA
PARTE
De 1981-Al presente
26

Ecuador: muere un presidente

N o fue fácil dejar M A I N . Paul Priddy no q u i s o t o m a r m e en


serio.
— L a típica inocentada, ¿no>* — y m e g u i ñ ó u n o j o .
Le aseguré que iba en serio. Recordé el c o n s e j o de Paula: q u e
no me enfrentase con nadie y que no diese pie a sospechas de posi-
ble indiscreción en cuanto a mi trabajo c o m o gángster e c o n ó m i c o .
H i c e m u c h o hincapié en que agradecía t o d o lo q u e M A I N había he-
c h o p o r mí. Pero que necesitaba cambiar de ambiente. Q u e siempre
había sentido el deseo de escribir sobre los p u e b l o s del m u n d o q u e
p u d e conocer gracias a M A I N . N a d a político, naturalmente. C o l a -
boraciones para National Geographic y otras revistas, sobre t o d o
para p o d e r seguir viajando. Declaré mi lealtad a la c o m p a ñ í a y juré
q u e haría elogio de ella a la menor o p o r t u n i d a d . Finalmente Paul
cedió.
D e s p u é s d e e s o , cuantos hablaban c o n m i g o intentaban disua-
d i r m e . Se me r e c o r d ó m u c h a s veces lo bien q u e estaba allí y a l g u -
nos p r e g u n t a r o n si me había vuelto loco. F i n a l m e n t e c o m p r e n d í
q u e , al m e n o s en p a r t e , nadie d e s e a b a admitir el h e c h o de q u e me
iba p o r decisión p r o p i a , p o r q u e eso los c u e s t i o n a b a a ellos m i s m o s .
S i y o , q u e m e i b a , n o e s t a b a l o c o , e n t o n c e s ellos t e n d r í a n q u e
plantearse si o b r a b a n con c o r d u r a q u e d á n d o s e . R e s u l t a b a m á s c ó -
m o d o concluir q u e yo era el q u e no estaba en sus cabales.

* E n E s t a d o s U n i d o s , c o m o e n G r a n B r e t a ñ a , e l e q u i v a l e n t e a l d í a d e los
S a n t o s I n o c e n t e s se c e l e b r a el 1 de abril. (N. del E.)

223
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

E s p e c i a l m e n t e d o l o r o s a fue la reacción de mis c o l a b o r a d o r e s .


Para ellos, yo los d e j a b a en la estacada y sin un sucesor claro. P e r o
lo tenía d e c i d i d o . D e s p u é s de tantos a ñ o s de vacilaciones, había
d e c i d i d o hacer b o r r ó n y cuenta nueva.
P o r desgracia las cosas no salieron así. H a b í a d e j a d o de traba-
jar para ellos, e s o era cierto, p e r o en aquel m o m e n t o t o d a v í a me
q u e d a b a m u c h o para ser un socio de pleno d e r e c h o , la realización
de mis acciones no d a b a lo suficiente para j u b i l a r m e . Si hubiera re-
t r a s a d o mi m a r c h a a l g u n o s años m á s , tal vez me habría c o n v e r t i d o
en millonario a los cuarenta años, c o m o alguna vez s o ñ é . Pero a
los treinta y cinco, todavía me faltaba m u c h o para alcanzar ese o b -
jetivo. El mes de abril en B o s t o n se presentaba frío y p o c o a c o g e -
dor.
C i e r t o día me llamó Paul Priddy con el r u e g o de q u e acudie-
se a su d e s p a c h o .
— U n o d e n u e s t r o s clientes a m e n a z a con d e j a r n o s — a n u n -
c i ó — . N o s c o n t r a t a r o n p o r q u e querían q u e t ú declararas c o m o ex-
p e r t o en representación de ellos.
Yo lo tenía m u y p e n s a d o . C u a n d o me senté en el d e s p a c h o de
Paul mi decisión ya estaba t o m a d a . Dije mi precio, unos honorarios
q u e representaban el triple de lo q u e venía c o b r a n d o en M A I N . La
sorpresa para mí fue q u e él aceptó y así me vi l a n z a d o a u n a nueva
carrera.
D u r a n t e varios años estuve e m p l e a d o y m u y bien r e m u n e r a d o
c o m o perito, principalmente por cuenta de c o m p a ñ í a s eléctricas es-
t a d o u n i d e n s e s q u e deseaban construir nuevas centrales g e n e r a d o -
ras y necesitaban la autorización de las comisiones planificadoras de
los servicios públicos. U n a de mis clientes fue la Public Service
C o m p a n y de N e w H a m p s h i r e y mi trabajo consistió en justificar,
b a j o j u r a m e n t o , la viabilidad e c o n ó m i c a de la m u y controvertida
central nuclear de S e a b r o o k .
A u n q u e y a n o m e relacionaba directamente con L a t i n o a m é r i -
ca, n o d e j é d e seguir los acontecimientos. C o m o e x p e r t o técnico
d i s p o n í a de m u c h o tiempo entre aparición y aparición en el estra-
do de los testigos. Me mantenía en c o n t a c t o con Paula y renové
antiguas a m i s t a d e s de mis tiempos con el Peace C o r p s en E c u a d o r .

224
E c u a d o r : m u e r e un presidente

El país a c a b a b a de adquirir p r o t a g o n i s m o en el escenario de la p o -


lítica petrolera mundial.
J a i m e Roídos había d e c i d i d o dar el p a s o a d e l a n t e , t o m á n d o -
se en serio sus p r o m e s a s electorales. L a n z ó un a t a q u e en t o d o s los
frentes c o n t r a las c o m p a ñ í a s petroleras. Se hubiera d i c h o q u e él
veía claras m u c h a s cosas q u e o t r o s , a a m b o s lados del canal de
P a n a m á , i g n o r a b a n o preferían ignorar. E n t e n d í a las corrientes
ocultas q u e a m e n a z a b a n con transformar el m u n d o en un i m p e -
rio global y relegar a las gentes de su país a un papel m u y secun-
d a r i o , rayano en la s e r v i d u m b r e . C u a n d o leí lo q u e decía de él la
p r e n s a , q u e d é tan i m p r e s i o n a d o por s u d e t e r m i n a c i ó n c o m o p o r
su c a p a c i d a d para c o m p r e n d e r los aspectos fund a m e n tales. Y esos
a s p e c t o s a p u n t a b a n a l h e c h o d e q u e c o m e n z a b a u n a nueva é p o c a
de la política m u n d i a l .
En n o v i e m b r e de 1 9 8 0 C á r t e r perdió las elecciones presiden-
ciales frente a R o n a l d R e a g a n . En esto tuvieron m u c h o q u e ver el
t r a t a d o del C a n a l n e g o c i a d o con E c u a d o r y la situación en Irán,
especialmente el caso de los rehenes retenidos en la e m b a j a d a es-
t a d o u n i d e n s e y el d e s a s t r o s o intento de rescate. Al m i s m o t i e m p o
estaba o c u r r i e n d o a l g o más sutil. Un presidente cuyo principal o b -
jetivo había s i d o la p a z mundial, y q u e se había e m p e ñ a d o en re-
ducir la d e p e n d e n c i a de E s t a d o s U n i d o s con respecto al p e t r ó l e o ,
estaba s i e n d o r e e m p l a z a d o p o r un h o m b r e c o n v e n c i d o de q u e el
lugar q u e c o r r e s p o n d í a a E s t a d o s U n i d o s era la cúspide de una pi-
rámide mundial mantenida mediante el p o d e r militar, y de q u e el
control de los yacimientos petrolíferos d o n d e q u i e r a q u e se halla-
sen f o r m a b a parte d e nuestro « D e s t i n o M a n i f i e s t o » . U n presiden-
te q u e había instalado paneles solares en los t e j a d o s de la C a s a
Blanca estaba siendo r e e m p l a z a d o por o t r o q u e m a n d ó d e s m o n -
tarlos tan p r o n t o c o m o p a s ó a ocupar el d e s p a c h o oval.
C á r t e r q u i z á s fuera un político ineficaz, p e r o tenía u n a visión
de su país coherente c o n las definiciones de nuestra declaración de
independencia. E n retrospectiva, ahora p u e d e p a r e c e m o s u n polí-
tico i n g e n u a m e n t e arcaico, una vuelta a los ideales q u e dieron for-
ma a la nación y llevaron a sus orillas a m u c h o s de n u e s t r o s ante-
p a s a d o s . En efecto, fue una anomalía si lo c o m p a r a m o s c o n sus

225
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

antecesores y s u c e s o r e s m á s inmediatos. Su filosofía no era c o m -


patible c o n el g a n g s t e r i s m o e c o n ó m i c o .
En c a m b i o R e a g a n fue desde luego un c o n s t r u c t o r del i m p e -
rio global y un sirviente de la corporatocracia. En la é p o c a de su
elección, ésta me pareció de lo más coherente con su p a s a d o de ac-
tor de H o l l y w o o d , de h o m b r e a c o s t u m b r a d o a o b e d e c e r las ó r d e -
nes de los m a g n a t e s , de quienes sabían c ó m o dirigir la película. E s e
iba a ser su r a s g o más característico: estar al servicio de los q u e tran-
sitaban entre las direcciones generales de las grandes e m p r e s a s , los
c o n s e j o s de administración de la banca y los pasillos g u b e r n a m e n -
tales. Al servicio de los q u e fingían servirle a él p e r o eran los verda-
d e r o s a m o s del g o b i e r n o , h o m b r e s c o m o el vicepresidente G e o r g e
H. W. B u s h , el secretario de E s t a d o G e o r g e Shultz, el secretario de
Defensa C a s p a r Weinberger o Richard Cheney, Richard H e l m s y
R o b e r t M c N a m a r a . E l p r o p u g n a r í a t o d o c u a n t o estos h o m b r e s
quisieran: E s t a d o s U n i d o s d u e ñ o del m u n d o y de t o d o s sus recur-
s o s , y un m u n d o o b e d i e n t e a las órdenes de E s t a d o s U n i d o s . U n a s
fuerzas a r m a d a s q u e impondrían la obediencia a las n o r m a s e m a n a -
das de E s t a d o s U n i d o s y unas organizaciones del c o m e r c i o interna-
cional y de la banca mundial q u e apoyarían a E s t a d o s U n i d o s c o m o
director general del imperio planetario.
Al considerar el porvenir, me pareció q u e e n t r á b a m o s en u n a
é p o c a s u m a m e n t e favorable para el g a n g s t e r i s m o e c o n ó m i c o . Pa-
radojas de la vida, en ese m i s m o m o m e n t o histórico se me ocurría
a mí dejarlo. C u a n t o m á s lo p e n s a b a , más s e g u r o estaba. Me d a b a
cuenta de q u e había e l e g i d o el m o m e n t o i d ó n e o .
En c u a n t o a lo q u e esto pudiese representar a l a r g o p l a z o , yo
no tenía n i n g u n a bola de cristal q u e me lo anunciase. P e r o la his-
toria e n s e ñ a q u e los imperios no son d u r a d e r o s y q u e el p é n d u l o
s i e m p r e oscila en a m b a s direcciones. D e s d e mi p u n t o de vista, los
h o m b r e s c o m o Roídos ofrecían alguna esperanza. E s t a b a s e g u r o
de q u e el n u e v o presidente de E c u a d o r entendía m u c h a s de las su-
tilezas de la situación del m o m e n t o . H a b í a p r o c l a m a d o su a d m i r a -
ción p o r T o r r i j o s y a p l a u d i d o el coraje de C á r t e r en la cuestión del
canal de P a n a m á . Me pareció q u e no iba a c o n t e m p o r i z a r . E r a de
esperar q u e su fortaleza encendiese una luz para los dirigentes

226
E c u a d o r : m u e r e un presidente

de o t r o s países, m u y necesitados del tipo de inspiración q u e él y


Torrijos estaban en condiciones de suministrar.
A c o m i e n z o s de 1981 la administración Roídos presentó for-
m a l m e n t e al parlamento ecuatoriano la ley de hidrocarburos. De
ser a p r o b a d a , reformaría las relaciones entre el país y las c o m p a -
ñías petroleras. Por diversas razones, m u c h o s la consideraron revo-
lucionaria e incluso radical. Ciertamente iba e n c a m i n a d a a cambiar
la c o n d u c c i ó n de los negocios en el sector, y su influencia saltaría las
fronteras de E c u a d o r para irradiar a toda L a t i n o a m é r i c a y al resto
1
del m u n d o .
L a s c o m p a ñ í a s petroleras reaccionaron c o m o era de prever:
sin c o n t e m p l a c i o n e s . S u s agentes de relaciones públicas e m p r e n -
dieron un a c a m p a ñ a de difamación contra J a i m e Roídos y sus g r u -
p o s de presión invadieron Q u i t o y W a s h i n g t o n , carteras en m a n o
c a r g a d a s de a m e n a z a s y de s o b o r n o s . Intentaron presentar al pri-
m e r presidente e c u a t o r i a n o d e m o c r á t i c a m e n t e e l e g i d o de la era
m o d e r n a c o m o un nuevo C a s t r o . Sin e m b a r g o , Roídos no cedió a
los intentos de intimidación, sino q u e reaccionó d e n u n c i a n d o la
c o n j u r a entre la política, el petróleo... y la religión. El S u m m e r
Institute of Linguistics fue a c u s a d o de connivencia con las p e t r o -
leras y se d e c r e t ó , en una m e d i d a a u d a z y q u i z á temeraria, su ex-
2
pulsión del p a í s .
Pocas s e m a n a s d e s p u é s de enviar al P a r l a m e n t o este p a q u e t e
legislativo, y un par de días después de la expulsión de los misio-
neros del S I L , Roídos advirtió no sólo a las c o m p a ñ í a s petroleras
sino a t o d o s los intereses extranjeros q u e debían p o n e r en m a r c h a
p royectos de utilidad para el p u e b l o e c u a t o r i a n o , o serían expulsa-
d o s a su vez. D e s p u é s de pronunciar un gran d i s c u r s o en el E s t a -
dio O l í m p i c o A t a h u a l p a de Q u i t o , e m p r e n d i ó viaje hacia una p e -
q u e ñ a c o m u n i d a d de la parte meridional del país.
Allí pereció el 24 de m a y o de 1 9 8 1 al incendiarse y caer el he-
3
licóptero e n q u e v i a j a b a .
El m u n d o q u e d ó c o n s t e r n a d o . En L a t i n o a m é r i c a el escánda-
lo fue e n o r m e . « ¡ A s e s i n a d o p o r la C Í A ! » , p r o c l a m a r o n los perió-
dicos de t o d o el hemisferio. A d e m á s de la inquina q u e le tenían
W a s h i n g t o n y las c o m p a ñ í a s del pe tr óle o, otras m u c h a s circuns-

227
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

tancias parecían apoyar la acusación. L a s sospechas crecían confor-


m e fueron d e s c u b r i é n d o s e más detalles. N u n c a s e d e m o s t r ó n a d a ,
p e r o los testigos presenciales afirmaron q u e Roídos, a d v e r t i d o de
la posibilidad de un a t e n t a d o , había t o m a d o sus p r e c a u c i o n e s . E n -
tre ellas, la de viajar c o n d o s helicópteros. En el ú l t i m o m o m e n t o ,
u n o de sus funcionarios de s e g u r i d a d le convenció para q u e viaja-
ra en el a p a r a t o de escolta. Y ése fue el q u e estalló.
Pese a la reacción mundial, el s u c e s o apenas t u v o e c o en la
prensa estadounidense.
O s v a l d o H u r t a d o a s u m i ó l a presidencia del país. E l S u m m e r
Institute of L i n g u i s t i c s y sus p a t r o c i n a d o r a s , las c o m p a ñ í a s del pe-
t r ó l e o , p u d i e r o n regresar. A finales del m i s m o a ñ o , H u r t a d o lan-
zó un a m b i c i o s o p r o g r a m a de perforaciones a c a r g o de T e x a c o y
o t r a s c o m p a ñ í a s extranjeras en el g o l f o de G u a y a q u i l y en la cuen-
4
ca amazónica.
Ornar T o r r i j o s , en su elogio p o s t u m o a Roídos, le llamó «her-
m a n o » . T a m b i é n c o n f e s ó q u e temía p o r su p r o p i a vida y q u e tenía
pesadillas. En u n a de ellas se había visto c a y e n d o del cielo, envuel-
to en una g r a n b o l a de fuego. F u e un s u e ñ o p r e m o n i t o r i o .

228
27

Panamá: muere otro presidente

L a m u e r t e de Roídos fue un d u r o g o l p e para mí. P e r o q u i z á no


debería haberlo sido. Puesto q u e yo era cualquier cosa m e n o s
i n g e n u o y estaba al t a n t o de lo o c u r r i d o con A r b e n z , M o s a d d e q ,
Allende. Y con o t r o s m u c h o s cuyos n o m b r e s n u n c a aparecerán en
los p e r i ó d i c o s ni en los libros de historia, p e r o cuyas vidas t a m b i é n
fueron destruidas y en ocasiones abreviadas p o r haberse enemista-
d o c o n l a corporatocracia. Sin e m b a r g o , m e s o r p r e n d i ó m u c h o .
Era demasiado flagrante.
Yo creía, d e s p u é s de nuestro fenomenal éxito en Arabia S a u -
dí, q u e la intervención descarada era cosa de o t r o s t i e m p o s y q u e
los chacales habían q u e d a d o relegados a los z o o l ó g i c o s . L u e g o me
di cuenta de q u e estaba e q u i v o c a d o . Sin d u d a la m u e r t e de Roídos
no había s i d o un accidente. Tenía t o d o s los r a s g o s de un a t e n t a d o
o r q u e s t a d o p o r la C L A Si la ejecución Ríe tan flagrante, c o m p r e n -
día yo a h o r a , era p o r q u e se deseaba enviar un m e n s a j e . La nueva
administración R e a g a n , con s u i m a g e n hollywoodiense d e v a q u e -
ros de gatillo fácil, iba a ser el vehículo ideal p a r a transmitir tal
m e n s a j e . L o s chacales habían r e g r e s a d o y convenía q u e t o m a r a n
n o t a lo m i s m o Ornar Torrijos c o m o cualquier o t r o q u e sintiese ve-
leidades de unirse a u n a c r u z a d a contra la corporatocracia.
P e r o Torrijos no iba a echarse atrás. Al igual q u e Roídos, no
se d e j ó intimidar. El también expulsó a los del S u m m e r Institute of
Linguistics y se n e g ó en r e d o n d o a la renegociación del t r a t a d o del
C a n a l q u e le d e m a n d a b a la administración R e a g a n .

229
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

D o s meses d e s p u é s de la muerte de R o í d o s , la pesadilla de


Ornar T o r r i j o s se vio cumplida. M u r i ó en un accidente de avia-
ción. E r a el 31 de julio de 1 9 8 1 .
La estupefacción recorrió L a t i n o a m é r i c a y el resto del m u n -
d o . T o r r i j o s n o había s i d o ningún d e s c o n o c i d o . S e l e r e s p e t a b a
c o m o el h o m b r e q u e había f o r z a d o la devolución del Canal a sus
legítimos d u e ñ o s , y q u e seguía m a n t e n i e n d o el tipo frente a R o -
nald R e a g a n . E r a el defensor de los derechos h u m a n o s , el jefe de
E s t a d o q u e abrió las p u e r t a s a los refugiados de t o d o el e s p e c t r o
político sin exceptuar al sha de Irán, la v o z carismática q u e recla-
m a b a la justicia social y, s e g ú n creían m u c h o s e n t o n c e s , un posible
c a n d i d a t o al p r e m i o N o b e l de la p a z . Y había m u e r t o . « ¡ A s e s i n a d o
p o r la C Í A ! » , p r o c l a m a r o n una vez más los titulares y los artículos
de opinión.
En su libro Conociendo al general, escrito a raíz de una visita
anterior d u r a n t e la cual tuvimos aquella conversación en el H o t e l
P a n a m á , G r a h a m G r e e n e c o m i e n z a así:

En a g o s t o de 1 9 8 1 tenía hecho el equipaje para mi quinta visi-


ta a P a n a m á c u a n d o me anunciaron por teléfono la m u e r t e del
general Ornar Torrijos Herrera, mi a m i g o y anfitrión. La avio-
neta en q u e se dirigía a su casa de Coclesito, en la región m o n -
tañosa de P a n a m á , se estrelló y no h u b o supervivientes. P o c o s
días d e s p u é s , la v o z de su guardia de seguridad, el sargento J o s é
de J e s ú s M a r t í n e z , alias C h u c h u , ex profesor de filosofía mar-
xista en la Universidad de Panamá, profesor de matemáticas y
p o e t a , me anunciaba: « E s e avión llevaba una b o m b a . Sé q u e iba
una b o m b a en el avión, pero no p u e d o revelar a través del telé-
1
fono p o r q u é l o s é » .

El m u n d o e n t e r o lloró la m u e r t e de aquel h o m b r e , q u e se ha-


bía g a n a d o la r e p u t a c i ó n de defensor de los p o b r e s y desvalidos. Se
alzó un c l a m o r solicitando a Washington una investigación s o b r e
las actividades de la C Í A . P e r o tal cosa no iba a ocurrir. T o r r i j o s te-
nía m u c h o s e n e m i g o s y la lista incluía a gentes d u e ñ a s de un p o d e r
i n m e n s o . A n t e s de su desaparición le habían m a n i f e s t a d o p ú b l i c o

230
Panamá: m u e r e o t r o presidente

a b o r r e c i m i e n t o el presidente R e a g a n , el vicepresidente B u s h , el se-


cretario de D e f e n s a Weinberger, la junta de jefes de E s t a d o M a y o r
y los directores generales de muchas e m p r e s a s p o d e r o s a s .
L o s jefes militares norteamericanos estaban especialmente irri-
t a d o s p o r los artículos del tratado T o r r i j o s - C a r t e r q u e les o b l i g a b a n
a cerrar la Escuela de las Américas y el C o m a n d o S u r especializado
en la g u e r r a tropical, lo cual les planteaba un serio p r o b l e m a . O se
e n c o n t r a b a la manera de saltarse las condiciones del t r a t a d o o ten-
drían q u e buscar o t r o país dispuesto a acoger aquellas instalaciones,
lo q u e no era e m p r e s a fácil en aquellos decenios finales del siglo X X .
Q u e d a b a otra o p c i ó n , por supuesto: eliminar a Torrijos y r e n e g o -
ciar el tratado c o n el sucesor.
En el m u n d o empresarial, Torrijos tuvo p o r e n e m i g a s a las
g r a n d e s multinacionales, m u c h a s de éstas e s t r e c h a m e n t e vincula-
das a políticos estadounidenses e interesadas en la explotación de
la m a n o de o b r a y los recursos naturales de L a t i n o a m é r i c a —el p e -
t r ó l e o , la m a d e r a , el zinc, el c o b r e , la bauxita y las tierras de culti-
v o . E n t r e ellas se c o n t a b a n c o m p a ñ í a s m a n u f a c t u r e r a s , de c o m u -
nicaciones, navieras, g r u p o s del t r a n s p o r t e , así c o m o c o m p a ñ í a s de
ingeniería y otras e m p r e s a s especializadas en tecnologías.
El g r u p o Bechtel era un buen e j e m p l o de las relaciones privi-
legiadas q u e tenían lugar entre la e m p r e s a privada y la administra-
ción e s t a d o u n i d e n s e . Yo conocía bien a Bechtel. H a b í a m o s cola-
b o r a d o estrechamente con ella en M A I N y u n o de sus principales
a r q u i t e c t o s llegaría a ser un buen a m i g o personal. Bechtel era la
e m p r e s a de ingeniería y construcción m á s influyente de E s t a d o s
U n i d o s y c o n t a b a en su c o n s e j o de administración c o n personajes
c o m o G e o r g e S h u l t z y C a s p a r Weinberger, q u e habían d e c l a r a d o
su d e s p r e c i o p o r Torrijos ante la osadía de éste al favorecer el plan
j a p o n é s de reemplazar el canal existente p o r o t r o n u e v o y m á s ca-
2
p a z . Iniciativa q u e a d e m á s de transferir de E s t a d o s U n i d o s a Pa-
n a m á la p r o p i e d a d del canal excluiría a Bechtel del c o n t r a t o más
p r e s t i g i o s o y p o s i b l e m e n t e más lucrativo del siglo.
T o r r i j o s se enfrentó con esos h o m b r e s ; y lo hizo con finura,
simpatía y un maravilloso sentido del h u m o r . P e r o m u r i ó y le sus-
tituyó u n o de sus p r o t e g i d o s , M a n u e l N o r i e g a , q u e no tenía ni el

231
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

i n g e n i o ni el carisma ni la inteligencia de T o r r i j o s . M u c h o s s o s p e -
charon q u e no tenía nada q u e hacer frente a los R e a g a n , los B u s h
y las Bechtel de este m u n d o .
Yo e s t a b a d e s t r o z a d o con esa tragedia. Pasé m u c h a s horas re-
c o r d a n d o mis conversaciones con Torrijos. U n a n o c h e m e q u e d é
l a r g o rato c o n t e m p l a n d o su fotografía en una revista. R e c o r d é mi
primera n o c h e en P a n a m á , el viaje en taxi bajo el a g u a c e r o y el alto
frente al cartel c o n el retrato gigante y la leyenda «el ideal de Ornar
es la libertad, y no se ha inventado el misil c a p a z de matar un ide-
a l » . El r e c u e r d o de esa inscripción me estremeció, lo m i s m o q u e
aquella t o r m e n t o s a noche.
E n t o n c e s yo no sabía q u e Torrijos colaboraría con C á r t e r para
devolver el canal de P a n a m á al p u e b l o , q u e merecía ser su legítimo
p r o p i e t a r i o , ni q u e esta victoria, j u n t o con sus tentativas para alla-
nar diferencias entre el socialismo latinoamericano y las d i c t a d u r a s ,
enfurecería a la administración R e a g a n - B u s h hasta el p u n t o de
3
pensar e n a s e s i n a r l o . T a m p o c o p o d í a saber q u e e n otra n o c h e os-
cura se accidentaría d u r a n t e un vuelo de rutina con su Twin Otter,
ni q u e la m a y o r parte del m u n d o e x c e p t o E s t a d o s U n i d o s echaría
a la larga cuenta de la C Í A la desaparición de T o r r i j o s , m u e r t o a la
e d a d de cincuenta y d o s a ñ o s .
Si hubiese vivido, i n d u d a b l e m e n t e habría t r a t a d o de contra-
rrestar la creciente violencia q u e ha a s e d i a d o a tantos países de
C e n t r o a m é r i c a y S u r a m é r i c a . Si nos a t e n e m o s a sus a n t e c e d e n t e s ,
p o d e m o s s u p o n e r q u e habría tratado de llegar a un a c u e r d o para
limitar la destrucción de las regiones a m a z ó n i c a s de E c u a d o r , C o -
l o m b i a y Perú p o r las c o m p a ñ í a s petroleras internacionales. Y esa
iniciativa, entre o t r o s resultados, habría aliviado los terribles con-
flictos q u e s e g ú n Washington son guerras de terroristas y del nar-
cotráfico, p e r o q u e T o r r i j o s habría s a b i d o reconocer c o m o accio-
nes de g e n t e s d e s e s p e r a d a s y decididas a defender sus familias y sus
h o g a r e s . Y lo m á s i m p o r t a n t e , estoy s e g u r o de q u e habría s e r v i d o
de m o d e l o a una nueva generación de dirigentes de A m é r i c a , de
África y de Asia. Lo q u e , p o r s u p u e s t o , no p o d í a n consentir la
C Í A , la N S A ni el g a n g s t e r i s m o e c o n ó m i c o .

232
28

Enron, George W. Bush


y mi compañía eléctrica

C u a n d o m u r i ó Torrijos hacía varios meses q u e no veía a Paula.


Yo estaba saliendo con otras mujeres, c o m o Winifred G r a n t ,
una joven arquitecta paisajista q u e había c o n o c i d o en M A I N y
cuyo p a d r e era, casualmente, el arquitecto jefe de Bechtel. M i e n -
tras t a n t o , Paula salía c o n un periodista c o l o m b i a n o . S e g u í a m o s
s i e n d o a m i g o s p e r o d e c i d i m o s cortar nuestra relación sentimental.
Yo s e g u í a p e l e á n d o m e con mi trabajo de perito e x p e r t o , s o b r e
t o d o con la justificación de la nuclear de S e a b r o o k . A m e n u d o te-
nía la sensación de h a b e r m e v e n d i d o otra vez, de haber recaído en
el papel a c o s t u m b r a d o s ó l o por el dinero. Winifred fue u n a a y u d a
preciosa para mí durante ese p e r í o d o . A u n q u e era una e c o l o g i s t a
confesa, entendía las necesidades prácticas de una d e m a n d a eléc-
trica siempre creciente. Se había criado en el área de Berkeley de la
bahía este de S a n Francisco y licenciado en la U n i v e r s i d a d de C a -
lifornia. E r a una librepensadora cuyas opiniones c o n t r a s t a b a n m u -
c h o con el puritanismo de mis padres y de A n n .
N u e s t r a relación p r o g r e s ó . Winifred p i d i ó una e x c e d e n c i a en
M A I N y r e c o r r i m o s en mi velero t o d a la c o s t a atlántica de n o r t e
a sur hasta Florida. No t e n í a m o s prisa y a m e n u d o r e c a l á b a m o s en
a l g ú n p u e r t o para q u e yo pudiera t o m a r un avión para ir a decla-
rar c o m o p e r i t o , y l u e g o regresar. H a s t a q u e finalizó el c r u c e r o en
West P a l m Beach ( F l o r i d a ) , d o n d e a l q u i l a m o s u n a p a r t a m e n t o .

233
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

N o s c a s a m o s y nuestra hija Jessica nació el 17 de m a y o de 1 9 8 2 .


T e n í a yo e n t o n c e s treinta y seis a ñ o s , bastantes m á s q u e la m a y o -
ría de los f u t u r o s p a d r e s q u e se aburrían en los cursillos prena-
tales.
En el a s u n t o de la nuclear de S e a b r o o k , parte de mi t r a b a j o
consistía en convencer a la comisión de servicios públicos de N e w
H a m p s h i r e . D e b í a d e m o s t r a r q u e dicho tipo d e central g e n e r a d o r a
era el m e j o r y el m á s e c o n ó m i c o para cubrir las necesidades energé-
ticas de aquel E s t a d o . Por desgracia, c u a n t o más estudiaba el caso
m á s e m p e z a b a a d u d a r de la validez de mis a r g u m e n t o s . En aquella
é p o c a la bibliografía estaba en permanente c a m b i o , lo cual refleja-
ba el incremento de investigación en ese tema. Y estos nuevos estu-
dios indicaban de f o r m a creciente q u e otras formas alternativas de
generación de energía podían ser técnicamente superiores y m á s
e c o n ó m i c a s q u e las nucleares.
Se e m p e z a b a pues a p o n e r en tela de juicio la p r e t e n d i d a se-
g u r i d a d de las centrales nucleares. Serias d u d a s se suscitaban en
c u a n t o a la integridad de los sistemas de e m e r g e n c i a , la f o r m a c i ó n
del p e r s o n a l de servicio, la p r o p e n s i ó n h u m a n a a c o m e t e r e r r o r e s ,
el a g o t a m i e n t o de los materiales y la insuficiencia de los sistemas
de p r o c e s a d o de los residuos. En el plano personal, c a d a v e z me
resultaba m á s i n c ó m o d a la p o s t u r a q u e , a c a m b i o de una r e m u n e -
ración, e s t a b a o b l i g a d o a defender b a j o j u r a m e n t o y en presencia
de lo q u e , a t o d a s luces, venía a ser a l g o muy p a r e c i d o a un tribu-
nal. Al m i s m o t i e m p o me d a b a cuenta de q u e a l g u n a s de las técni-
cas e m e r g e n t e s ofrecían p r o c e d i m i e n t o s para la o b t e n c i ó n de elec-
tricidad c o m p a t i b l e s con la preservación m e d i o a m b i e n t a l . S o b r e
t o d o , en el sector del a p r o v e c h a m i e n t o de materiales antes consi-
derados residuos.
H a s t a q u e un día informé a mis superiores de N e w H a m p s h i -
re q u e mis convicciones me impedían seguir testificando a favor de
la c o m p a ñ í a . A b a n d o n é aquella carrera tan lucrativa y decidí fun-
dar una c o m p a ñ í a q u e pusiera en práctica aquellas nuevas t e c n o l o -
gías q u e s ó l o estaban en la teoría. Winifred me a p o y ó al cien p o r
cien, pese a lo incierto de la aventura y al h e c h o , n u e v o para ella,
de estar e m p e z a n d o a crear una familia.

234
E n r o n , G e o r g e W. B u s h y mi c o m p a ñ í a eléctrica

En 1 9 8 2 , varios meses después del nacimiento de Jessica, fun-


d é I n d e p e n d e n t Power Systems ( I P S ) , una c o m p a ñ í a q u e plantea-
b a , entre otras cosas, el desarrollo de centrales g e n e r a d o r a s ecoló-
g i c a m e n t e beneficiosas con intención de establecer m o d e l o s q u e
más adelante serían e m u l a d o s p o r otros. E r a un n e g o c i o de alto
riesgo en el q u e fracasarían muchas de nuestras c o m p e t i d o r a s .
A n o s o t r o s , sin e m b a r g o , nos salvó una serie de « c a s u a l i d a d e s » . O
m e j o r d i c h o , estoy s e g u r o q u e las n u m e r o s a s ocasiones en q u e al-
guien a c u d i ó en nuestra ayuda en realidad fueron p r e m i o s a mis
p a s a d o s servicios y a la p r o m e s a de silencio.
B r u n o Z a m b o t t i aceptó finalmente un alto c a r g o en el B a n c o
Interamericano de Desarrollo. T a m b i é n aceptó figurar en el conse-
jo de administración de I P S y ayudó a financiar la incipiente c o m -
pañía. R e c i b i m o s a p o y o e c o n ó m i c o d e Bankers T r u s t , E S I Energy,
la a s e g u r a d o r a Prudential, el C h a d b o u r n e and Parke ( i m p o r t a n t e
gabinete jurídico de Wall Street, u n o de cuyos socios principales
era el ex senador, ex candidato presidencial y ex secretario de esta-
do Ed M u s k i e ) y la Riley Stoker C o r p o r a t i o n ( u n a e m p r e s a de in-
geniería, filial de Ashland Oil C o m p a n y , q u e diseñaba y construía
u n o s u l t r a m o d e r n o s y n o v e d o s o s g e n e r a d o r e s de vapor para cen-
trales eléctricas). Incluso recibimos el respaldo del C o n g r e s o cuan-
do se a p r o b ó expresamente para I P S una exención fiscal muy con-
creta q u e nos s u p u s o una ventaja decisiva frente a las c o m p a ñ í a s
rivales.
En 1 9 8 6 , I P S y Bechtel habían d e s a r r o l l a d o de m a n e r a si-
m u l t á n e a p e r o independiente centrales q u e utilizaban tecnologí-
as p u n t a de última generación para q u e m a r r e s i d u o s del c a r b ó n
sin p r o d u c i r lluvia acida. Al final del decenio esas d o s centrales ha-
bían r e v o l u c i o n a d o el sector eléctrico y c o n t r i b u i d o d i r e c t a m e n t e
a q u e se p r o m u l g a s e n n o r m a s anticontaminación nacionales, de-
m o s t r a n d o d e m a n e r a concluyente q u e los l l a m a d o s p r o d u c t o s d e
d e s e c h o p o d í a n convertirse en electricidad, y q u e la c o m b u s t i ó n
del c a r b ó n sin p r o d u c i r lluvia acida era p o s i b l e , en contra de lo
q u e venían a f i r m a n d o los p o r t a v o c e s de las c o m p a ñ í a s tradiciona-
les. N u e s t r a central d e m o s t r ó t a m b i é n la p o s i b i l i d a d de financiar
u n a técnica nueva, y de resultado todavía d e s c o n o c i d o , a través de

235
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

una c o m p a ñ í a p e q u e ñ a e i n d e p e n d i e n t e q u e tuviese a c c e s o a Wall


1
S t r e e t y otras fuentes c o n v e n c i o n a l e s . C o m o ventaja a ñ a d i d a , el
calor e x c e d e n t e p r o d u c i d o p o r nuestra central se a p r o v e c h a b a
para un i n v e r n a d e r o de una hectárea d e d i c a d o a cultivos h i d r o -
p ó n i c o s , en vez de disiparlo m e d i a n t e e s t a n q u e s o torres de refri-
geración.
En mis funciones de presidente de I P S llegué a tener un b u e n
c o n o c i m i e n t o de las interioridades del sector de la energía, y traté
a m u c h o s de los personajes m á s influyentes de él: a b o g a d o s , a g e n -
tes de los g r u p o s de presión, b a n q u e r o s de inversiones y altos eje-
cutivos de las c o m p a ñ í a s principales. A d e m á s c o n t a b a c o n otra
ventaja, un s u e g r o con más de treinta años de a n t i g ü e d a d en B e c h -
tel, d u r a n t e los cuales había a l c a n z a d o la categoría de a r q u i t e c t o
jefe, y q u e en aquellos m o m e n t o s estaba levantando t o d a u n a ciu-
d a d en Arabia S a u d í . . . resultado directo, a su v e z , de mi t r a b a j o
realizado allí a c o m i e n z o s de la d é c a d a de 1 9 7 0 , d u r a n t e lo q u e se
llamó el c a s o del b l a n q u e o de dinero árabe saudí. Winifred se ha-
bía c r i a d o a la s o m b r a de las oficinas centrales de Bechtel en S a n
F r a n c i s c o , y ella m i s m a también había sido m i e m b r o de la familia
corporativa, ya q u e su primer e m p l e o d e s p u é s de licenciarse en
Berkeley fue en Bechtel.
El sector de la energía estaba atravesando una reestructuración
importante. L a s grandes empresas de ingeniería rivalizaban p o r a p o -
derarse de las c o m p a ñ í a s de servicios públicos (o p o r lo m e n o s , re-
partírselas) q u e antes habían disfrutado de privilegios equivalentes a
s e n d o s m o n o p o l i o s locales. Pero ahora, el santo y seña del día era la
« d e s r e g u l a c i ó n » , y las reglas estaban c a m b i a n d o de la noche a la ma-
ñana. A b u n d a b a n las o p o r t u n i d a d e s para sujetos ambiciosos que
quisieran aprovecharse de una situación q u e pillaba con las defensas
bajas a los tribunales y al C o n g r e s o . L o s gurús del sector decían q u e
se había declarado la era del « O e s t e salvaje de la energía».
U n a d e las víctimas d e este p r o c e s o fue M A I N . Tal c o m o B r u -
no había p r o n o s t i c a d o , M a c Hall p e r d i ó el c o n t a c t o c o n la reali-
d a d y nadie se atrevió a decírselo. Paul Priddy n u n c a a c e r t ó a a d u e -
ñarse del m a n d o y la dirección de M A I N , a d e m á s de no acertar a
aprovechar los c a m b i o s q u e recorrían c o m o un vendaval el sector,

236
E n r o n , G e o r g e W. B u s h y mi c o m p a ñ í a eléctrica

c o m e t i ó u n a serie de errores fatales. P o c o s años d e s p u é s del r é c o r d


d e beneficios m a r c a d o por B r u n o , M A I N t u v o q u e a b a n d o n a r s u
papel p r o t a g o n i s t a en el g a n g s t e r i s m o e c o n ó m i c o y se vio en serios
a p u r o s financieros. L o s socios la vendieron a u n a de las g r a n d e s
c o m p a ñ í a s de ingeniería y construcción q u e sí supieron j u g a r c o n
acierto sus cartas.
En 1 9 8 0 yo había liquidado mi cartera y me había e m b o l s a d o
treinta dólares p o r acción. U n o s cuatro años m á s t a r d e , los socios
r e m a n e n t e s vendieron sus participaciones p o r m e n o s de la m i t a d .
Cien a ñ o s de meritorios servicios terminaban así con una humilla-
ción. F u e triste presenciar la desaparición de esa c o m p a ñ í a , p e r o al
m i s m o t i e m p o me sentí justificado por h a b e r m e s e p a r a d o de ella
en el m o m e n t o en q u e lo hice. La marca M A I N c o n t i n u ó d u r a n t e
algún t i e m p o b a j o los nuevos propietarios, p e r o l u e g o d e s a p a r e c i ó
t a m b i é n . La cabecera antaño tan respetada en m u c h o s países de
t o d o el planeta no t a r d ó en caer en el olvido.
M A I N era u n e j e m p l o d e c o m p a ñ í a q u e n o s u p o a d a p t a r s e
al a m b i e n t e c a m b i a n t e de la industria energética. En el e x t r e m o
o p u e s t o del e s p e c t r o había a p a r e c i d o otra c o m p a ñ í a q u e a n o s o -
t r o s , los insiders, n o s fascinaba: E n r o n . C o n un c r e c i m i e n t o de los
m á s r á p i d o s del sector, surgida a p a r e n t e m e n t e de la n a d a , en se-
g u i d a e m p e z ó a hacerse con los c o n t r a t o s m á s d e s c o m u n a l e s . A
m e n u d o las reuniones de n e g o c i o s se inician c o n un rato de char-
la o c i o s a mientras los participantes buscan sus asientos, se sirven
tazas de café y sacan los papeles de los p o r t a f o l i o s . En a q u e l l o s
días, estas tertulias solían girar alrededor de E n r o n . N i n g u n a de
las p e r s o n a s ajenas a esta e m p r e s a tenía ni la m e n o r idea de c ó m o
eran posibles los m i l a g r o s q u e realizaba. L o s q u e estaban d e n t r o ,
s i m p l e m e n t e sonreían y callaban. A l g u n a s veces, c u a n d o se les in-
sistía m u c h o , hablaban de nuevos p l a n t e a m i e n t o s de g e s t i ó n , de
«financiación creativa» y de la política de contratar ejecutivos q u e
supieran desenvolverse en los pasillos del p o d e r de las capitales de
t o d o el m u n d o .
A mí, t o d o esto me s o n a b a a nueva versión de las viejas técni-
cas del g a n g s t e r i s m o e c o n ó m i c o . El imperio g l o b a l c o n t i n u a b a en
m a r c h a , sólo q u e a p a s o cada vez más r á p i d o .

237
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

N o s o t r o s , los interesados en los temas del p e t r ó l e o y del p a n o -


r a m a internacional, teníamos o t r o tema q u e discutir con asiduidad:
G e o r g e W. B u s h , el hijo del vicepresidente. Su primera c o m p a ñ í a
energética, A r b u s t o (la traducción al castellano de Bush), había sido
un fracaso y tuvo q u e ser rescatada en 1 9 8 4 m e d i a n t e la fusión c o n
S p e c t r u m 7. M á s tarde la misma S p e c t r u m 7 se halló al b o r d e de
un percance y fue c o m p r a d a en 1 9 8 6 por H a r k e n E n e r g y C o r p o -
ration. En c u a n t o a G. W. B u s h , permaneció en el c o n s e j o de ad-
ministración con categoría de consejero y con u n a remuneración
2
anual d e 1 2 0 . 0 0 0 d ó l a r e s .
T o d o s d á b a m o s p o r s u p u e s t o q u e e l h e c h o d e tener u n p a d r e
v icepres i d en te d e E s t a d o s U n i d o s habría c o n t a d o p a r a a l g o e n esa
d e c i s i ó n , d e s d e l u e g o n o justificada p o r los m e r e c i m i e n t o s q u e
exhibía e l b e n j a m í n d e los B u s h c o m o ejecutivo p e t r o l e r o . T a m -
p o c o p a r e c i ó coincidencia el h e c h o de q u e H a r k e n a p r o v e c h a s e la
o p o r t u n i d a d p a r a intervenir e n o p e r a c i o n e s internacionales p o r
p r i m e r a v e z en la historia de la c o m p a ñ í a , y e m p r e n d e r la p r o s -
p e c c i ó n activa d e i n v e r s i o n e s p e t r o l e r a s e n O r i e n t e P r ó x i m o .
C o m o i n f o r m ó la revista Vanity Fair, « t a n p r o n t o c o m o B u s h
p a s ó a o c u p a r su p o l t r o n a en el c o n s e j o de a d m i n i s t r a c i ó n , a H a r -
ken e m p e z a r o n a pasarle c o s a s maravillosas. N u e v a s inversiones,
fuentes d e f i n a n c i a c i ó n i n s o s p e c h a d a s , p r o d i g i o s a s c o n c e s i o n e s
3
de perforación».
E n 1 9 8 9 A m o c o estaba n e g o c i a n d o con las a u t o r i d a d e s d e
Bahrein u n o s derechos de perforación en la plataforma costera. E n -
tonces el vicepresidente B u s h salió elegido presidente. P o c o des-
pués Michael A m e e n — u n asesor del d e p a r t a m e n t o d e E s t a d o q u e
tenía la misión de aconsejar a Charles Hostler, recién c o n f i r m a d o
e m b a j a d o r e s t a d o u n i d e n s e en B a h r e i n — l o g r ó q u e se iniciaran
conversaciones entre el g o b i e r n o bahreiní y H a r k e n Energy. A u n -
q u e H a r k e n n u n c a había p e r f o r a d o fuera del territorio de E s t a d o s
U n i d o s , ni m u c h o m e n o s en el mar, finalmente c o n s i g u i ó los dere-
chos exclusivos de perforación en Bahrein, cosa inaudita en t o d o el
m u n d o árabe. En el transcurso de pocas s e m a n a s , la cotización de
las acciones de H a r k e n E n e r g y subió más de un veinte por ciento,
4
de 4 , 5 0 a 5 , 5 0 dólares por a c c i ó n .

238
E n r o n , G e o r g e W. B u s h y mi c o m p a ñ í a eléctrica

H a s t a los más veteranos del sector se q u e d a r o n atónitos ante


lo s u c e d i d o en Bahrein.
— C o n f í o en q u e G. W. no se haya m e t i d o en a l g o de lo q u e
s u p a d r e t e n g a q u e arrepentirse — c o m e n t ó u n a b o g a d o a m i g o
m í o especializado en la industria energética y gran p a t r o c i n a d o r
del p a r t i d o republicano. E s t á b a m o s t o m a n d o cócteles en un bar a
la vuelta de la esquina de Wall Street, en lo alto del World T r a d e
Center. Mi interlocutor insistió en su e x t r a ñ e z a — . Me p r e g u n t o si
realmente vale la pena arriesgar la presidencia p o r salvar la carrera
de tu hijo.
Yo no estaba tan s o r p r e n d i d o c o m o mis interlocutores, su-
p o n g o q u e p o r q u e g o z a b a d e una perspectiva exclusiva. H a b í a tra-
b a j a d o para las autoridades de Kuwait, Arabia S a u d í , E g i p t o e
Irán. C o n o c í a la política de Oriente P r ó x i m o y sabía q u e B u s h , al
igual q u e los ejecutivos de E n r o n , f o r m a b a p a r t e de la red creada
p o r mí y d e m á s c o l e g a s del g a n g s t e r i s m o e c o n ó m i c o . Eran c o m o
5
los señores feudales y los a m o s esclavistas de las p l a n t a c i o n e s .

239
29
mmmmmmftm

Acepto un soborno

n esa é p o c a de mi vida llegué a c o m p r e n d e r q u e realmente es-


A^J t á b a m o s e n t r a n d o en una nueva era de la e c o n o m í a mundial.
La escalada de acontecimientos iniciada con los ministerios de R o -
b e r t M c N a m a r a —el h o m b r e cuyo e j e m p l o había s i d o una d e mis
inspiraciones— en la secretaría de Defensa y en la presidencia del
B a n c o M u n d i a l , excedía mis t e m o r e s más pesimistas. El plantea-
m i e n t o e c o n ó m i c o keynesiano de M c N a m a r a y su doctrina del li-
d e r a z g o agresivo prevalecían en t o d a s partes. El c o n c e p t o del
g a n g s t e r i s m o e c o n ó m i c o se generalizaba para incluir a ejecutivos
de t o d o s los niveles en gran n ú m e r o de actividades distintas. A u n
a d m i t i e n d o q u e no los seleccionaba ni reclutaba la N S A , para el
caso sus funciones eran de lo más similar.
A h o r a la única diferencia consistía en q u e los gángsteres eco-
n ó m i c o s de las corporaciones no se implicaban necesariamente en
la utilización de fondos prestados por la banca internacional. Aun-
q u e la vieja especialidad, la mía, seguía p r o s p e r a n d o , las nuevas de-
rivaciones revestían a l g u n o s aspectos todavía m á s siniestros. D u -
rante la d é c a d a de 1 9 8 0 surgieron de las filas del m a n d o intermedio
m u c h o s h o m b r e s y mujeres jóvenes convencidos de q u e t o d o s los
m e d i o s justificaban el fin: mejorar la cuenta de resultados. El impe-
rio global no era más q u e o t r o camino hacia la maximización del
beneficio.
E s t a s nuevas tendencias se veían tipificadas en el sector de la
energía q u e a mí me o c u p a b a . El estatuto de los servicios p ú b l i c o s

241
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

{Public Utility Regulatory Policy Act, P U R P A ) fue v o t a d o p o r el


C o n g r e s o en 1 9 7 8 y d e s p u é s de una serie de avatares jurídicos
q u e d ó e l e v a d o definitivamente a la categoría de ley en 1 9 8 2 . En
principio se p l a n t e a b a c o m o un m e d i o p a r a incentivar a las p e q u e -
ñas c o m p a ñ í a s independientes, c o m o la mía, a q u e desarrollasen
c o m b u s t i b l e s alternativos y otras p r o p u e s t a s i n n o v a d o r a s p a r a la
p r o d u c c i ó n de electricidad. S e g ú n la ley, las g r a n d e s c o m p a ñ í a s del
sector d e b í a n c o m p r a r b a j o tarifas justas y razonables la energía
g e n e r a d a p o r las p e q u e ñ a s . E s t a política fue consecuencia d e u n o
de los d e s e o s de C á r t e r , e m p e ñ a d o en reducir la d e p e n d e n c i a esta-
d o u n i d e n s e con r e s p e c t o al petróleo. C o n r e s p e c t o a t o d o el p e -
t r ó l e o , y no s ó l o del i m p o r t a d o , para ser exactos. La ley venía a
cumplir u n a d o b l e finalidad: propiciar el desarrollo de fuentes al-
ternativas de energía y fomentar la aparición de c o m p a ñ í a s inde-
p e n d i e n t e s q u e reflejasen e l espíritu e m p r e n d e d o r a m e r i c a n o . L o
q u e resultó en la realidad fue a l g o m u y diferente.
D u r a n t e el decenio de 1 9 8 0 y hasta bien entrado el de 1 9 9 0 , el
énfasis p a s ó del espíritu e m p r e n d e d o r a la desregulación. Fui testigo
de c ó m o la mayoría de las p e q u e ñ a s compañías independientes aca-
baron devoradas p o r las grandes compañías de ingeniería y de cons-
trucción. Estas supieron encontrar vacíos legales q u e les permitían
crear sociedades de cartera propietarias tanto de las c o m p a ñ í a s del
servicio público ( r e g u l a d a s ) c o m o de las empresas p r o d u c t o r a s ( n o
reguladas e independientes). M u c h a s de aquéllas pusieron en mar-
cha agresivas c a m p a ñ a s para arruinar a las independientes y l u e g o
absorberlas. Otras sencillamente prefirieron partir de cero y desa-
rrollaron sus propias equivalencias de empresas s u p u e s t a m e n t e in-
dependientes.
La idea de reducir nuestra d e p e n d e n c i a del p e t r ó l e o se p e r d i ó
en algún lugar del c a m i n o . La carrera de R e a g a n había sido m u y
d e u d o r a de las c o m p a ñ í a s petroleras. En c u a n t o a B u s h , se había
h e c h o rico con el p e t r ó l e o . Y la mayoría de los personajes princi-
pales de a m b a s administraciones y m i e m b r o s de sus g a b i n e t e s t a m -
bién pertenecían al sector, o f o r m a b a n parte de las c o m p a ñ í a s de
ingeniería y c o n s t r u c c i ó n tan vinculadas a él. P o r otra p a r t e , y en
ú l t i m o t é r m i n o , el p e t r ó l e o y la construcción no eran cuestiones

242
Acepto un soborno

partidistas: m u c h o s d e m ó c r a t a s figuraban en esas c o m p a ñ í a s o les


debían favores t a m b i é n .
I P S c o n t i n u ó m a n t e n i e n d o su visión de u n a energía b e n i g n a
c o n el m e d i o a m b i e n t e . De esta manera d e f e n d í a m o s los objetivos
originarios del P U R P A , y parecíamos t o c a d o s p o r un aura m á g i c a .
F u i m o s u n a de las escasas empresas independientes q u e a d e m á s de
sobrevivir incluso p r o s p e r a r o n . N o t e n g o l a m e n o r d u d a d e q u e
ello se d e b i ó a mis p a s a d o s servicios a la c o r p o r a t o c r a c i a .
E s t a evolución del sector energético simbolizaba t o d a la ten-
dencia q u e estaba afectando al planeta en su c o n j u n t o . L a s p r e o c u -
paciones de providencia social, m e d i o ambiente y otras cuestiones
tocantes a la calidad de vida pasaban a un s e g u n d o plano, posterga-
das p o r el afán de lucro. En este p r o c e s o , t o d o el énfasis iba a la
p r o m o c i ó n de la empresa privada. Al principio se trató de justificar-
lo a d u c i e n d o razones teóricas, c o m o la noción de q u e el capitalis-
mo era superior al c o m u n i s m o y acabaría por reducirlo al a b s u r d o .
C o n el p a s o del tiempo, sin e m b a r g o , tales justificaciones dejaron
de ser necesarias. Se admitió c o m o axiomático q u e un proyecto
p l a n t e a d o por u n o s inversores adinerados tenía q u e ser inherente-
m e n t e m e j o r q u e cualquier cosa que propusieran los g o b i e r n o s . L a s
organizaciones internacionales c o m o el B a n c o M u n d i a l hicieron
suya dicha noción y se dedicaron a impulsar la desregulación y la
privatización del abastecimiento de a g u a , de los sistemas de trata-
miento de residuos, de las comunicaciones, de las redes de servicios
públicos y de otras infraestructuras hasta entonces gestionadas por
los g o b i e r n o s (el E s t a d o ) .
En consecuencia, no fue difícil generalizar el c o n c e p t o del
g a n g s t e r i s m o e c o n ó m i c o al m a r c o más a m p l i o , y enviar ejecutivos
de las m á s diversas actividades a misiones en o t r o t i e m p o reserva-
das a u n a minoría, la de los q u e f o r m á b a m o s u n a especie de club
exclusivo. A h o r a esos ejecutivos se distribuían p o r t o d o el planeta
en b u s c a de las reservas de m a n o de o b r a más barata, de los recur-
sos m á s accesibles, d e los m e r c a d o s m á s multitudinarios. N o s e
p l a n t e a b a n m u c h o s p r o b l e m a s d e conciencia. L o m i s m o q u e los
g á n g s t e r e s e c o n ó m i c o s predecesores suyos — c o m o y o e n I n d o n e -
sia, en P a n a m á y en C o l o m b i a — , c u a n d o sentían la necesidad de

243
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

racionalizar sus tropelías nunca les faltaban a r g u m e n t o s . Y lo mis-


mo q u e n o s o t r o s , d e j a b a n a t r a p a d o s a los países y las c o m u n i d a d e s
q u e visitaban. L e s p r o m e t í a n la opulencia y q u e el f o m e n t o del
sector p r i v a d o los ayudaría a librarse del e n d e u d a m i e n t o . C o n s -
truían escuelas y carreteras y d o n a b a n teléfonos, televisiones y ser-
vicios m é d i c o s . A u n q u e , finalmente, si e n c o n t r a b a n t r a b a j a d o r e s
m á s b a r a t o s o r e c u r s o s m á s accesibles en o t r o lugar, se m a r c h a b a n .
P e r o al a b a n d o n a r la c o m u n i d a d cuyas esperanzas habían suscita-
d o , las c o n s e c u e n c i a s solían ser desastrosas. E l l o s , s e g ú n t o d o s los
indicios, lo hacían sin mayor titubeo ni ver en ello m o t i v o de cavi-
laciones.
Yo me p r e g u n t a b a , sin e m b a r g o , si no quedarían psicológica-
m e n t e afectados en algún s e n t i d o , si tendrían sus ratos de d u d a
c o m o me había o c u r r i d o a mí. ¿Estuvieron a l g u n a vez a orillas de
un canal paradisíaco v i e n d o c ó m o se b a ñ a b a una j o v e n al m i s m o
t i e m p o q u e u n viejo d e f e c a b a a g u a s arriba? ¿ Q u e d a b a algún H o -
w a r d Parker q u e les planteara p r o b l e m a s de conciencia?
A u n q u e yo disfrutaba de mis éxitos en I P S y t a m b i é n de la
vida d e familia, n o c o n s e g u í a evitar los m o m e n t o s d e p r o f u n d a d e -
presión. T e n í a u n a hija y l ó g i c a m e n t e me p r e g u n t a b a q u é clase de
porvenir iba a dejarle. Me a c o s a b a n los r e m o r d i m i e n t o s p o r mis
pasadas actuaciones.
A d e m á s , el análisis retrospectivo permitía contemplar una ten-
dencia histórica m u y inquietante. El sistema financiero internacio-
nal m o d e r n o nació c u a n d o faltaba p o c o para el fin de la S e g u n d a
G u e r r a M u n d i a l , en una reunión de dirigentes de m u c h o s países
q u e tuvo lugar e n B r e t t o n W o o d s , una localidad d e N e w H a m p s -
hire, mi E s t a d o natal. El B a n c o Mundial y el F o n d o M o n e t a r i o In-
ternacional c r e a d o s entonces debían servir para la reconstrucción
de u n a E u r o p a devastada p o r la guerra, y el éxito fue notable. El sis-
t e m a se extendió con rapidez. F u e ratificado p o r los principales alia-
d o s de E s t a d o s U n i d o s y a c l a m a d o c o m o una panacea contra la
o p r e s i ó n . Se n o s p r o m e t i ó q u e t o d o s seríamos salvados de las g a -
rras del pérfido c o m u n i s m o .
N o o b s t a n t e , era inevitable preguntarse a d o n d e c o n d u c í a t o d o
eso. A finales de la d é c a d a de 1 9 8 0 , con el d e r r u m b a m i e n t o de la

244
Acepto un soborno

U n i ó n Soviética y del movimiento comunista m u n d i a l , obviamen-


te la disuasión d e j a b a de ser un motivo. Y t a m b i é n resultaba evi-
dente q u e el d o m i n i o global f u n d a m e n t a d o en el capitalismo iba a
imperar sin cortapisas. Tal c o m o observa Jim G a r r i s o n , presidente
del foro State of the World:

A c u m u l a t i v a m e n t e , la integración del m u n d o en un solo con-


j u n t o , s o b r e t o d o en términos de globalización e c o n ó m i c a con
las míticas p r o p i e d a d e s del «libre m e r c a d o » , representa un au-
téntico « i m p e r i o » p o r derecho p r o p i o [...] N i n g ú n país del
m u n d o ha l o g r a d o resistir el m a g n e t i s m o ineluctable de la glo-
balización. P o c o s escapan a los «ajustes estructurales» y los
« c o n d i c i o n a m i e n t o s » del B a n c o M u n d i a l y del F o n d o M o n e -
tario Internacional ni a los arbitrajes de la O r g a n i z a c i ó n M u n -
dial del C o m e r c i o , cuyas instituciones financieras, p o r más q u e
inadecuadas, determinan todavía el significado de la globaliza-
ción e c o n ó m i c a , cuáles son sus reglas y c ó m o se r e c o m p e n s a
la sumisión y se penalizan las infracciones. Es tal el p o d e r de la
globalización q u e la generación actual p r o b a b l e m e n t e presen-
ciará la integración de todas las e c o n o m í a s nacionales del m u n -
do en un solo sistema de m e r c a d o global, libre p e r o no equi-
1
tativo.

M i e n t r a s r u m i a b a estas cuestiones decidí q u e había l l e g a d o el


m o m e n t o de contarlo t o d o en un libro: La conciencia de un gángs-
ter económico. P e r o no lo llevé con discreción. N u n c a he s i d o ca-
p a z de escribir aislado en un d e s p a c h o . N e c e s i t o discutir mi traba-
jo con otras p e r s o n a s , q u e me a p o r t a n inspiraciones y me a y u d a n
a r e c o r d a r y a p o n e r en perspectiva los acontecimientos del p a s a -
d o . Me g u s t a leerles pasajes de mis b o r r a d o r e s a los a m i g o s , a fin
d e escuchar sus reacciones. A u n q u e e n t i e n d o q u e esta m a n e r a d e
trabajar tiene sus riesgos, para mí no hay otra. Así p u e s , no fue nin-
g ú n secreto q u e y o estaba escribiendo u n libro s o b r e mis t i e m p o s
en M A I N .
U n a tarde d e 1 9 8 7 s e p u s o e n contacto c o n m i g o o t r o e x socio
de M A I N y me ofreció un contrato de consultoría m u y sustancio-

245
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

so con la S t o n e & Webster E n g i n e e r i n g C o r p o r a t i o n ( S W E C ) . En


esa é p o c a , S W E C era una de las c o m p a ñ í a s de ingeniería y cons-
trucción m á s grandes del m u n d o , y trataba de asegurarse un lugar
en el c a m b i a n t e e n t o r n o de la industria energética. S e g ú n mi con-
trato, yo d e b í a reportar a una nueva filial, una e m p r e s a indepen-
diente de desarrollos energéticos creada a i m a g e n y s e m e j a n z a de
mi I P S y las d e m á s de ese tipo. Leí con alivio q u e no se solicitaría
mi participación en proyectos internacionales ni del g é n e r o del
gangsterismo económico.
En realidad no se me solicitaría gran cosa, s e g ú n me explicó
mi interlocutor. Yo era de los p o c o s q u e habían f u n d a d o y dirigi-
do c o n éxito u n a eléctrica independiente y g o z a b a de un b u e n
prestigio en el sector. Lo q u e le interesaba s o b r e t o d o a S W E C era
p o d e r utilizar mi curriculum y q u e mi n o m b r e figurase en su lista
de c o n s e j e r o s , lo cual era legal y se hallaba d e n t r o de las prácticas
habituales del m u n d o empresarial. Para mí la oferta era especial-
m e n t e atractiva p o r q u e d e b i d o a una serie de circunstancias, esta-
ba c o n s i d e r a n d o vender I P S . La proposición de u n i r m e a la escu-
dería de S W E C y de recibir u n a remuneración espectacular llegaba
en el m o m e n t o o p o r t u n o .
El día q u e c e r r a m o s el a c u e r d o , el director general de SWTLC
y yo t u v i m o s un a l m u e r z o privado. La charla informal d u r ó un
r a t o y d u r a n t e la m i s m a me di cuenta de q u e una p a r t e de mí
d e s e a b a r e t o r n a r a la actividad asesora y olvidar las c o m p l e j a s res-
p o n s a b i l i d a d e s de la dirección de una c o m p a ñ í a eléctrica, c o m o
tener m á s de un centenar de personas a mi c a r g o c u a n d o c o n s -
t r u í a m o s u n a instalación y afrontar los m u c h o s riesgos q u e c o n -
lleva la c o n s t r u c c i ó n y la explotación de las plantas g e n e r a d o r a s .
E s t a b a y a c o n s i d e r a n d o c ó m o m e gastaría los s u s t a n c i o s o s h o n o -
rarios q u e a no d u d a r iban a s e r m e ofrecidos. T e n í a d e c i d i d o
invertirlos, j u n t o c o n o t r o s r e c u r s o s , e n una o r g a n i z a c i ó n nueva
sin á n i m o d e lucro.
A la h o r a de los p o s t r e s , mi anfitrión llevó la conversación al
t e m a de un libro p u b l i c a d o p o r mí, The Stress-Free Habit. D i j o q u e
le habían h a b l a d o m u y bien de la o b r a . Y l u e g o a ñ a d i ó , m i r á n d o -
me cara a cara:

246
Acepto un soborno

—IPiensa escribir m á s libros?


Sentí un n u d o en el e s t ó m a g o . T o d o encajaba de repente, y
no lo dudé:
— N o — d i j e — . N o t e n g o intención d e publicar ningún libro
p o r ahora.
— L o celebro — r e p l i c ó él—. E n esta c o m p a ñ í a , l o m i s m o q u e
en M A I N , v a l o r a m o s la discreción.
— L o comprendo.
El se arrellanó en su asiento y s o n r i ó , visiblemente más tran-
quilo.
— P o r s u p u e s t o , o t r o libro c o m o ese ú l t i m o , s o b r e el estrés y
cosas así, p o d r í a ser perfectamente aceptable. En ocasiones a l g o así
incluso p u e d e favorecer la carrera de u n o . En t a n t o q u e asesor de
S W E C , es u s t e d m u y d u e ñ o de publicar sobre esa clase de t e m a s .
— Y m e m i r ó c o m o q u e d á n d o s e pendiente d e m i respuesta.
— E s b u e n o saberlo.
— S í . P e r f e c t a m e n t e aceptable. N i q u e decir tiene, p o r s u -
puesto, q u e nunca mencionará usted el n o m b r e de nuestra com-
pañía en sus libros y q u e no escribirá de n a d a q u e afecte a la
naturaleza de n u e s t r o s n e g o c i o s aquí ni a las actividades q u e d e -
s a r r o l l ó u s t e d en M A I N . No aludirá a t e m a s políticos ni a o p e r a -
ciones c o n la b a n c a internacional o p r o y e c t o s de d e s a r r o l l o .
— M e dirigió otra m i r a d a e s c r u t a d o r a — . S i m p l e cuestión d e c o n -
fidencialidad.
— N i q u e decir tiene —le aseguré.
Por un instante mi corazón dio un vuelco y noté otra v e z
aquella extraña sensación, la m i s m a q u e c o n H o w a r d Parker en In-
donesia o mientras recorría la capital de P a n a m á c o n Fidel o to-
m a b a el café con Paula en C o l o m b i a . La sensación de h a b e r m e
v e n d i d o otra vez. Aquello no era un s o b o r n o en el sentido jurídi-
c o . E r a perfectamente normal y legítimo q u e u n a c o m p a ñ í a me
p a g a s e p o r incluir mi n o m b r e en su c u a d r o de h o n o r , y p o r r e q u e -
rir mis c o n s e j o s o mi presencia ocasional en a l g u n a junta. P e r o el
m o t i v o real de mi contratación era evidente.
Me ofrecía u n o s honorarios anuales equivalentes al salario de
un ejecutivo.

247
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

Aquella m i s m a t a r d e , s e n t a d o en el a e r o p u e r t o en u n a especie
de e s t a d o de estupefacción mientras esperaba mi vuelo de r e g r e s o
a F l o r i d a , otra vez me pareció q u e me había p r o s t i t u i d o . Peor a ú n ,
me pareció q u e había traicionado a mi hija, a mi familia, a mi país.
Y sin e m b a r g o , me dije, apenas tenia otra o p c i ó n . S a b í a q u e , de no
haber a c e p t a d o tal s o b o r n o , habrían intentado lo m i s m o c o n a m e -
nazas.

248
30
mmmmmmmmm

Estados Unidos invade Panamá

D esaparecido T o r r i j o s , Panamá seguía, n o o b s t a n t e , o c u p a n -


do un l u g a r especial en mi c o r a z ó n . C o m o vivía en el sur de
F l o r i d a , tenía acceso a m u c h a s fuentes de información s o b r e los
acontecimientos de la actualidad centroamericana. El l e g a d o de
T o r r i j o s le había sobrevivido, a u n q u e t a m i z a d o a través de unas
p e r s o n a s q u e no tenían ni la personalidad c o m p a s i v a ni el carácter
v i g o r o s o del general. D e s p u é s de la m u e r t e de éste, los intentos de
allanar diferencias en el hemisferio habían c o n t i n u a d o , y lo m i s m o
la d e t e r m i n a c i ó n p a n a m e ñ a de forzar el c u m p l i m i e n t o de los pac-
tos del t r a t a d o del Canal p o r parte de E s t a d o s U n i d o s .
Al principio, M a n u e l N o r i e g a , el sucesor de T o r r i j o s , se m o s -
tró d e c i d i d o a seguir p o r la senda de su mentor. N u n c a conocí per-
s o n a l m e n t e a N o r i e g a , p e r o t o d o atestigua q u e en sus c o m i e n z o s
se había p r o p u e s t o seguir defendiendo la causa de los p o b r e s y los
o p r i m i d o s d e L a t i n o a m é r i c a . U n o d e sus proyectos m á s i m p o r t a n -
tes consistía en seguir e x p l o r a n d o la posibilidad de construir un
n u e v o canal, con financiación y ejecución de las o b r a s a c a r g o de
los j a p o n e s e s . C o m o era de prever, halló m u c h a resistencia p o r
parte de W a s h i n g t o n y de las c o m p a ñ í a s privadas e s t a d o u n i d e n s e s .
C o m o ha escrito el m i s m o N o r i e g a :

El secretario de e s t a d o G e o r g e Shultz había s i d o ejecutivo de


Bechtel, la multinacional de la c o n s t r u c c i ó n . El secretario
de D e f e n s a , C a s p a r Weinberger, había s i d o vicepresidente de

249
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

Bechtel. N a d a le habría parecido m e j o r a Bechtel q u e e m b o l -


sarse los miles de millones de ingresos q u e generaría la cons-
t r u c c i ó n del canal [...] L a s administraciones R e a g a n y B u s h
t e m i e r o n la posibilidad de q u e J a p ó n llegase a d o m i n a r el
eventual p r o y e c t o de construcción del canal, así p o r c o n s i d e -
raciones d e s e g u r i d a d q u e realmente n o eran del c a s o , c o m o
p o r la cuestión de la rivalidad comercial. Para las c o n s t r u c t o -
ras e s t a d o u n i d e n s e s se hallaban en j u e g o miles de millones de
1
dólares.

P e r o N o r i e g a no era Torrijos. No poseía ni el carisma ni la in-


t e g r i d a d de su a n t i g u o jefe. C o n el t i e m p o Ríe a d q u i r i e n d o mala
r e p u t a c i ó n p o r c o r r u p c i ó n y narcotráfico, e incluso se s o s p e c h ó
q u e había u r d i d o el asesinato de un rival político, H u g o S p a d a -
fora.
N o r i e g a había a d q u i r i d o su reputación c o m o coronel jefe de la
u n i d a d G - 2 de las Rierzas de defensa p a n a m e ñ a s . E r a el servicio de
inteligencia militar q u e enlazaba a nivel nacional c o n la C Í A . En
esas funciones desarrolló una estrecha relación con William J. C a -
sey, el director de la C Í A , y la Agencia utilizó esta c o n e x i ó n a fin y
efecto de impulsar sus p r o g r a m a s para el C a r i b e , C e n t r o a m é r i c a y
S u r a m é r i c a . E n 1 9 8 3 , p o r e j e m p l o , c u a n d o l a administración R e a -
g a n q u i s o prevenir a C a s t r o de la inminente invasión de la isla de
G r a n a d a p o r E s t a d o s U n i d o s , Casey se lo hizo saber a N o r i e g a y le
solicitó q u e hiciera de mensajero. El coronel también a y u d ó a la
C Í A c u a n d o ésta se p r o p u s o infiltrarse en los cárteles de la d r o g a
c o l o m b i a n o s y de o t r o s lugares.
En 1 9 8 4 , N o r i e g a había a s c e n d i d o a general y c o m a n d a n t e en
jefe de las fuerzas de defensa p a n a m e ñ a s . Se ha d i c h o q u e aquel
m i s m o a ñ o , c u a n d o visitó la capital de P a n a m á y fue recibido en el
a e r o p u e r t o p o r el jefe local de la C Í A , lo p r i m e r o q u e hizo C a s e y
fue p r e g u n t a r : « ¿ D ó n d e está mi chico? ¿ D ó n d e está N o r i e g a ? » Y
c u a n d o el general visitó W a s h i n g t o n , los d o s tuvieron u n a r e u n i ó n
privada en el d o m i c i l i o de Casey. M u c h o s a ñ o s más tarde N o r i e g a
c o n f e s ó q u e su íntima vinculación con C a s e y le había t r a n s m i t i d o
u n a sensación de invencibilidad. C r e í a q u e la C Í A era la r a m a m a s

250
E s t a d o s U n i d o s invade P a n a m á

p o d e r o s a de la a u t o r i d a d estadounidense, c o m o lo era el G - 2 en su
país. Y estaba convencido de q u e Casey no le retiraría su p r o t e c -
ción, p e s e a la p o s t u r a de N o r i e g a en las cuestiones del t r a t a d o y
2
de la base militar estadounidense en la z o n a del C a n a l .
De m a n e r a q u e , allí d o n d e Torrijos había sido i c o n o interna-
cional de la justicia y la i g u a l d a d , N o r i e g a se convirtió en s í m b o l o
de la c o r r u p c i ó n y la decadencia. Su n o t o r i e d a d en tal sentido q u e -
dó a s e g u r a d a el 12 de junio de 1 9 8 6 , c u a n d o el New Tork Times
p u b l i c ó un artículo en primera plana bajo el titular: « H o m b r e
fuerte de P a n a m á s u p u e s t a m e n t e implicado en narcotráfico y blan-
q u e o de d i n e r o » . El texto, escrito por un periodista g a l a r d o n a d o
c o n el Pulitzer, decía q u e el general era socio o c u l t o e ilegal de va-
rias actividades en L a t i n o a m é r i c a , q u e había e s p i a d o tanto a E s t a -
d o s U n i d o s c o m o a C u b a p o r cuenta de a m b o s a c t u a n d o a m a n e -
ra de a g e n t e d o b l e , q u e era cierto q u e el G - 2 había d e c a p i t a d o a
H u g o S p a d a f o r a p o r o r d e n suya y q u e N o r i e g a había d i r i g i d o per-
s o n a l m e n t e «la organización de narcotráfico más significada de
P a n a m á » . El artículo venía a c o m p a ñ a d o de un retrato p o c o favo-
r e c e d o r del general y anunciaba para el día siguiente una s e g u n d a
3
p a r t e con más detalles.
Por si fuesen pocas dificultades, N o r i e g a tuvo q u e cargar con
otra m á s , la de su c o n t e m p o r a n e i d a d con un presidente de E s t a d o s
U n i d o s afectado p o r un p r o b l e m a de i m a g e n , o lo q u e a l g u n o s pe-
4
riodistas llamaban «el factor pelele» de G e o r g e H. W. B u s h . E s t e
aspecto c o b r ó especial significación c u a n d o N o r i e g a se n e g ó a con-
siderar u n a p r ó r r o g a de quince años para la presencia de la Escuela
de las Américas. En las memorias del general e n c o n t r a m o s una re-
velación interesante:

A u n q u e e s t á b a m o s d e c i d i d o s a c o n t i n u a r el l e g a d o de T o r r i -
j o s , m o t i v o d e o r g u l l o para n o s o t r o s , E s t a d o s U n i d o s n o es-
t a b a d i s p u e s t o a consentirlo. D e s e a b a u n a p r ó r r o g a o u n a
r e n e g o c i a c i ó n para esa instalación [la E s c u e l a de las A m é r i -
c a s ] , a d u c i e n d o q u e todavía la n e c e s i t a b a n en vista de los
crecientes preparativos bélicos en C e n t r o a m é r i c a . P e r o , p a r a
n o s o t r o s , l a E s c u e l a d e las A m é r i c a s era u n a v e r g ü e n z a . N o

251
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

q u e r í a m o s tener e n n u e s t r o territorio u n c a m p o d e e n t r e n a -
m i e n t o p a r a e s c u a d r o n e s de la m u e r t e y militares r e p r e s o r e s
5
de ultraderecha.

A u n q u e d e s p u é s de lo d i c h o tal vez el m u n d o d e b í a h a b e r in-


t u i d o lo q u e iba a ocurrir, el 20 de diciembre de 1 9 8 9 el planeta
asistió c o n a s o m b r o a l a t a q u e l a n z a d o p o r E s t a d o s U n i d o s contra
P a n a m á p o n i e n d o e n j u e g o u n v o l u m e n d e m e d i o s aéreos n u n c a
6
visto, s e g ú n se d i j o , d e s d e el final de la S e g u n d a G u e r r a M u n d i a l .
F u e un a t a q u e sin p r o v o c a c i ó n previa dirigido contra p o b l a c i ó n ci-
vil. P a n a m á y su p u e b l o no representaban a b s o l u t a m e n t e n i n g ú n
p e l i g r o p a r a E s t a d o s U n i d o s ni para país a l g u n o del planeta. En
t o d a s partes los políticos, los g o b i e r n o s y la prensa d e n u n c i a r o n la
acción unilateral d e E s t a d o s U n i d o s c o m o una violación f l a g r a n t e
del d e r e c h o internacional.
Si esa o p e r a c i ó n militar se hubiese dirigido contra un país res-
p o n s a b l e de perpetrar g e n o c i d i o s u o t r o s delitos c o n t r a los dere-
chos h u m a n o s — d i g a m o s , el Chile de Pinochet, el P a r a g u a y de
S t r o e s s n e r , l a N i c a r a g u a d e S o m o z a , E l Salvador d e R o b e r t o
D ' A u b u i s s o n o el Iraq de S a d d a m — el m u n d o tal v e z lo habría en-
t e n d i d o . E n c a m b i o P a n a m á n o había hecho n a d a d e ese g é n e r o ,
s ó l o había t e n i d o la o s a d í a de contrariar las v o l u n t a d e s de un p u -
ñ a d o de p o d e r o s o s , políticos y ejecutivos empresariales. Se había
e m p e ñ a d o en hacer cumplir el t r a t a d o del C a n a l , había t e n i d o
conversaciones c o n r e f o r m a d o r e s sociales y había e s t u d i a d o la p o -
sibilidad de construir un n u e v o canal con financiación j a p o n e s a y
e m p r e s a s c o n s t r u c t o r a s j a p o n e s a s . Por lo cual t u v o q u e sufrir c o n -
secuencias d e v a s t a d o r a s . C o m o dice N o r i e g a :

Q u i e r o dejarlo bien claro: la c a m p a ñ a de desestabilización


l a n z a d a p o r E s t a d o s U n i d o s en 1 9 8 6 , y q u e c u l m i n ó en la in-
vasión de 1 9 8 9 , fue resultado del r e c h a z o e s t a d o u n i d e n s e de
cualquier s u p u e s t o en q u e el futuro control del canal de Pa-
n a m á se transfiriese a m a n o s de un P a n a m á s o b e r a n o e inde-
p e n d i e n t e , con el a p o y o de J a p ó n [...] Mientras t a n t o , S h u l t z
y Weinberger, e s c u d a d o s en las apariencias de funcionarios

252
E s t a d o s U n i d o s invade P a n a m á

q u e t r a b a j a b a n p o r el interés p ú b l i c o y e x p l o t a n d o la i g n o r a n -
cia p o p u l a r en c u a n t o a los p o d e r o s o s intereses e c o n ó m i c o s
q u e en realidad representaban, m o n t a b a n la c a m p a ñ a de p r o -
7
p a g a n d a dirigida a l i q u i d a r m e .

T o d a la justificación oficial de Washington para la operación se


centró en su persona. N o r i e g a era el único a r g u m e n t o de E s t a d o s
U n i d o s para enviar a sus jóvenes, h o m b r e s y mujeres a arriesgar la
p r o p i a vida y la conciencia en la m a t a n z a de un p u e b l o inocente, in-
cluido un n ú m e r o incontable de niños. N o r i e g a fue descrito c o m o
un m a l v a d o , un e n e m i g o del p u e b l o , un m o n s t r u o del narcotráfi-
c o . Y en t a n t o q u e tal, suministraba a la administración el pretexto
para la m a s t o d ó n t i c a invasión de un país de d o s millones de habi-
tantes... a los q u e la casualidad había c o l o c a d o en u n o de los p e d a -
z o s de tierra más codiciados del m u n d o .
A mí, la invasión me trastornó tanto q u e me l a n z ó a una d e -
presión p r o l o n g a d a d u r a n t e m u c h o s días. N o i g n o r a b a q u e N o r i e -
g a tenía s u g u a r d i a personal, p e r o n o l o g r a b a dejar d e pensar q u e
los chacales p o d í a n eliminarlo, al igual q u e habían h e c h o c o n Roí-
dos y c o n T o r r i j o s . M u c h o s de sus g u a r d a e s p a l d a s habían recibido
su instrucción en los centros militares de E s t a d o s U n i d o s . No era
d e s c a r t a b l e q u e fuesen capaces de cobrar p o r mirar a o t r o l a d o , o
de asesinarle ellos m i s m o s .
C u a n t o m á s leía y reflexionaba s o b r e la invasión, p o r t a n t o ,
más me convencía de q u e significaba un retroceso de la política es-
t a d o u n i d e n s e a los viejos m é t o d o s de los c o n s t r u c t o r e s de i m p e -
rios. La administración B u s h había d e c i d i d o ir m á s allá q u e la de
R e a g a n y d e m o s t r a r l e al m u n d o q u e no titubearía en utilizar la
fuerza m á x i m a c o n tal de favorecer sus fines. T a m b i é n me pareció
q u e , en P a n a m á , el fin p e r s e g u i d o no era sólo el de r e e m p l a z a r el
l e g a d o de Torrijos p o r una administración títere y propicia a E s t a -
d o s U n i d o s , sino intimidar y s o m e t e r a d e m á s a o t r o s países, c o m o
Iraq.
D a v i d H a r r i s , c o l a b o r a d o r del New Tork Times Magazine y
a u t o r de m u c h o s libros, hace una observación interesante en su li-
b r o Shooting the Moon c u a n d o escribe:

253
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

D e t o d o s los millares d e s o b e r a n o s , p o t e n t a d o s , h o m b r e s fuer-


tes, juntas militares y señores de la guerra con q u e han t r a t a d o
los e s t a d o u n i d e n s e s en t o d o s los rincones del m u n d o , el g e n e -
ral M a n u e l A n t o n i o N o r i e g a es el único q u e ha m e r e c i d o se-
mejante persecución. S ó l o una vez en sus doscientos veinticin-
co a ñ o s de existencia oficial c o m o país ha invadido E s t a d o s
U n i d o s a otra nación para llevarse preso al dirigente de ésta,
con el fin de j u z g a r l o y encarcelarlo en E s t a d o s U n i d o s p o r ac-
tos q u e eran delictivos s e g ú n el derecho e s t a d o u n i d e n s e , p e r o
8
c o m e t i d o s en el territorio nativo de dicho d i r i g e n t e .

D e s p u é s del b o m b a r d e o , los e s t a d o u n i d e n s e s se vieron de


p r o n t o en u n a situación delicada, y durante algún t i e m p o pareció
q u e iba a salirles el tiro por la culata. La administración B u s h p o -
día h a b e r acallado los r u m o r e s q u e la tildaban de « p e l e l e » , p e r o
q u e d a b a el p r o b l e m a de la legitimidad, de parecer u n o s m a t o n e s
s o r p r e n d i d o s e n p l e n o acto d e terrorismo. S e reveló q u e , d u r a n t e
tres días, los militares habían p r o h i b i d o a la p r e n s a , a la C r u z R o j a
y a o t r o s o b s e r v a d o r e s ajenos la entrada en las z o n a s d u r a m e n t e
b o m b a r d e a d a s , mientras los s o l d a d o s incineraban y enterraban a
las víctimas. L a prensa hizo m u c h a s p r e g u n t a s acerca d e cuántas
p r u e b a s de a t r o c i d a d e s y o t r o s actos delictivos se habían d e s t r u i d o
y acerca de c u á n t o s habían m u e r t o por d e n e g a c i ó n del auxilio m é -
d i c o . P e r o nadie c o n t e s t ó a esas p r e g u n t a s .
S e g u i r e m o s i g n o r a n d o m u c h o s detalles de esa invasión, lo mis-
mo q u e la verdadera dimensión de la matanza. Cheney, el secreta-
rio de D e f e n s a , cifró el n ú m e r o de víctimas mortales en unas qui-
nientas o seiscientas, p e r o algunas organizaciones independientes
de defensa de los derechos h u m a n o s calculan q u e fueron de tres mil
a cinco mil, y a d e m á s otros veinticinco mil c i u d a d a n o s perdieron
9
sus viviendas. N o r i e g a fue d e t e n i d o , enviado en avión a M i a m i y
sentenciado a cuarenta años de cárcel. En aquella é p o c a , era la úni-
ca p e r s o n a de E s t a d o s U n i d o s oficialmente clasificada c o m o prisio-
1 0
nero de g u e r r a .
En t o d o el m u n d o h u b o indignación por esta vulneración del
d e r e c h o internacional con destrucción gratuita de vidas inocentes

254
E s t a d o s U n i d o s invade P a n a m á

a m a n o s de la potencia militar más fuerte del planeta. En E s t a d o s


U n i d o s , p o r el contrario, p o c o s repararon en la tropelía ni en los
delitos p e r p e t r a d o s p o r Washington. H u b o p o c a c o b e r t u r a p o r
p a r t e de la prensa impresa. A esto contribuyó cierto n ú m e r o de
factores: la deliberada política de las a u t o r i d a d e s , llamadas de la
C a s a Blanca a los editores de los periódicos y a los ejecutivos de las
televisiones, congresistas q u e no se atrevieron a interpelar no fue-
sen ellos los tildados de «peleles» y periodistas p e r s u a d i d o s de q u e
la opinión pública reclama héroes y no le interesa la objetividad.
H u b o a l g u n a e x c e p c i ó n , c o m o Peter E i s n e r , r e d a c t o r d e
Newsdayy r e p o r t e r o de la A s s o c i a t e d Press q u e c u b r i ó la invasión
de P a n a m á y c o n t i n u ó analizándola d u r a n t e varios a ñ o s . En Me-
moirs of Manuel Noriega: Arnerica's Prisoner, p u b l i c a d a en 1 9 9 7 ,
escribe:

La m o r t a n d a d , la destrucción y la injusticia realizadas en


n o m b r e de la lucha contra N o r i e g a — a s í c o m o las mentiras
c o n q u e r o d e a r o n el a c o n t e c i m i e n t o — a m e n a z a b a n los prin-
cipios básicos de la democracia e s t a d o u n i d e n s e [...] En Pana-
má los s o l d a d o s recibieron órdenes de matar, y así lo hicieron
d e s p u é s de habérseles dicho q u e iban a rescatar un país de las
garras de un dictador cruel y d e p r a v a d o . Y u n a v e z h u b i e r o n
a c t u a d o , el p u e b l o de su país [ E s t a d o s U n i d o s ] cerró filas de-
11
trás de e l l o s .

D e s p u é s de d o c u m e n t a r s e largamente y h a b i e n d o entrevista-
do incluso a N o r i e g a en su celda carcelaria de M i a m i , Eisner d e -
clara:

En c u a n t o a los p u n t o s clave, no creo q u e las p r u e b a s presen-


tadas d e m u e s t r e n q u e N o r i e g a fuese culpable de lo q u e se le
a c u s ó . No creo q u e sus actos c o m o jefe militar extranjero o
c o m o jefe de un E s t a d o s o b e r a n o justificasen la invasión de
P a n a m á , ni q u e él m i s m o representase un peligro para la se-
1 2
g u r i d a d nacional d e E s t a d o s U n i d o s .

255
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

Y concluye:

Mi análisis de la situación política y mi actividad informativa


en P a n a m á antes, durante y d e s p u é s de la invasión me llevan a
concluir q u e la invasión de P a n a m á por E s t a d o s U n i d o s fue
un a b o m i n a b l e a b u s o de poder. E s a invasión sirvió principal-
m e n t e a los fines de u n o s políticos e s t a d o u n i d e n s e s a r r o g a n -
tes y a los aliados p a n a m e ñ o s de éstos, al precio de un consi-
1 3
derable d e r r a m a m i e n t o d e s a n g r e .

Q u e d ó reinstaurada entonces la familia Arias j u n t o con las de-


más de la oligarquía p r e - T o r r i j o s , títere de E s t a d o s U n i d o s d e s d e
q u e P a n a m á fue s e g r e g a d o de C o l o m b i a hasta q u e Torrijos accedió
al poder. El n u e v o tratado del Canal q u e d a b a c o n d e n a d o a la irre-
levancia p u e s t o q u e , de facto, Washington recuperaba el control de
esa vía marítima dijeran lo q u e dijeran los d o c u m e n t o s oficiales.
Mientras reflexionaba s o b r e estos incidentes y s o b r e t o d o lo
q u e había e x p e r i m e n t a d o durante mi trabajo en M A I N , sin d a r m e
c u e n t a iba r e p i t i é n d o m e las m i s m a s p r e g u n t a s u n a y o t r a vez:
¿ C u á n t a s decisiones, incluidas las de gran trascendencia histórica
q u e afectan a millones de personas, van a c a r g o de h o m b r e s y m u -
jeres m o v i d o s p o r afanes personales, en lugar de p o r el d e s e o de
hacer lo q u e es justo? ¿ C u á n t o s de nuestros altos funcionarios ac-
túan a i m p u l s o s del d e s e o de enriquecimiento personal, en lugar
de p o r el interés público? ¿ C u á n t a s guerras habrán estallado s ó l o
p o r q u e un presidente no quiere q u e sus c o n c i u d a d a n o s le t e n g a n
p o r un « p e l e l e » ?
Pese a lo p r o m e t i d o durante mi conversación con el presiden-
te de S W E C , mi contrariedad y mis sensaciones de i m p o t e n c i a
ante la invasión de P a n a m á me indujeron a r e a n u d a r el t r a b a j o c o n
mi libro, salvo q u e esta vez decidí centrarme en T o r r i j o s . Veía en
su caso u n a posibilidad para e x p o n e r m u c h a s de las injusticias q u e
a g o b i a n a n u e s t r o m u n d o , así c o m o una manera de librarme de
mis r e m o r d i m i e n t o s . E s t a v e z , no o b s t a n t e , preferí g u a r d a r reser-
va s o b r e lo q u e e s t a b a haciendo, en lugar de pedir c o n s e j o s a los
a m i g o s y los c o l e g a s .

256
E s t a d o s U n i d o s invade P a n a m á

Mientras me d o c u m e n t a b a para el libro q u e d é c o n s t e r n a d o al


c o m p r o b a r la d i m e n s i ó n de lo realizado por n o s o t r o s , los g á n g s -
teres e c o n ó m i c o s , en tantos lugares diferentes. I n t e n t a b a concen-
trarme en a l g u n o s de los casos más notables, p e r o la lista de los
países en d o n d e yo había t r a b a j a d o y q u e habían q u e d a d o p e o r
q u e antes era a s o m b r o s a . A l m i s m o t i e m p o q u e d é h o r r o r i z a d o
p o r el alcance de mi p r o p i a c o r r u p c i ó n . Pese a mis m u c h o s exá-
m e n e s de conciencia, sólo ahora c o m p r e n d í a q u e mientras estuve
enfrascado en mis actividades cotidianas no había a l c a n z a d o a ver
l a perspectiva general. D e m o d o q u e c u a n d o estuve e n I n d o n e s i a
cavilaba s o b r e los t e m a s q u e discutíamos Hovvard Parker y y o , o
los q u e m e p l a n t e a b a n los jóvenes a m i g o s d e Rasy. C u a n d o t r a b a -
jé en P a n a m á me afectaron las implicaciones de lo q u e veía en los
barrios d e g r a d a d o s q u e me m o s t r a b a Fidel, la z o n a del C a n a l y la
discoteca. En Irán fue i n m e n s o el t r a s t o r n o q u e me p r o d u j e r o n
mis entrevistas con Yamin y con D o c . Pero a h o r a , al r e u n i d o t o d o
en un libro, alcanzaba p o r primera vez una visión de c o n j u n t o y
entendía c ó m o había s i d o fácil pasar p o r alto el p a n o r a m a general
y, p o r c o n s i g u i e n t e , q u e se me escapase el v e r d a d e r o significado
de mis actos.
E x p l i c a d o así, t o d o parece muy sencillo y evidente. Sin e m -
b a r g o , la naturaleza de tales experiencias tenía un carácter insidio-
so q u e me recuerda la vivencia del s o l d a d o . I n g e n u o al principio,
q u i z á se cuestiona alguna vez la moralidad de m a t a r a o t r o s seres
h u m a n o s , p e r o lo q u e más le o c u p a es su p r o p i o m i e d o , la nece-
sidad de sobrevivir. La primera vez q u e mata a un e n e m i g o , las
e m o c i o n e s le a b r u m a n . Tal vez se le ocurrirá pensar en la familia de
ese m u e r t o y experimentará algún arrepentimiento. P e r o c o n f o r m e
pasa el t i e m p o y él va t o m a n d o parte en más batallas, y m a t a n d o
más g e n t e , el s o l d a d o se curte. Se ha convertido en un profesional.
Yo t a m b i é n fui un s o l d a d o profesional. Al admitirlo así, q u e -
dó abierta la p u e r t a a u n a m e j o r c o m p r e n s i ó n del p r o c e s o p o r el
cual se perpetran crímenes y se construyen imperios. A h o r a c o m -
prendía c ó m o era posible q u e se cometiesen tantas a t r o c i d a d e s .
C ó m o , p o r e j e m p l o , u n o s b u e n o s padres de familia iraníes entra-
ron a trabajar en la brutal policía secreta del sha, c ó m o u n o s b u e -

257
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

nos alemanes o b e d e c i e r o n las ó r d e n e s de Hitler o c ó m o u n o s h o n -


r a d o s e s t a d o u n i d e n s e s b o m b a r d e a r o n la capital de P a n a m á .
E n tanto q u e g á n g s t e r e c o n ó m i c o , y o jamás había c o b r a d o di-
rectamente de la N S A ni de ningún o t r o o r g a n i s m o estatal. Mi sa-
lario me lo p a g a b a M A I N . Yo era un c i u d a d a n o particular, emplea-
do de u n a c o r p o r a c i ó n privada. Al entenderlo así p u d e ver clara la
figura e m e r g e n t e del «ejecutivo corporativo convertido en g á n g s t e r
e c o n ó m i c o » . Un nuevo tipo de s o l d a d o aparecía en el escenario
mundial y se insensibilizaba, con la práctica, ante sus p r o p i o s actos.
Escribí entonces:

H o y esos h o m b r e s y mujeres van a Tailandia, a Filipinas, a


B o t s w a n a , a Bolivia y a cualquier parte d o n d e esperan e n c o n -
trar g e n t e s q u e necesitan con desesperación un t r a b a j o . V a n a
esos países c o n la intención deliberada de explotar a los desdi-
c h a d o s , a seres q u e tienen hijos desnutridos o famélicos, q u e
viven en barrios de chabolas y q u e han p e r d i d o t o d a esperan-
za de u n a vida mejor; q u e incluso han d e j a d o de s o ñ a r en un
f u t u r o . E s o s h o m b r e s y mujeres salen de sus f a s t u o s o s d e s p a -
chos de M a n h a t t a n , de San Francisco o de C h i c a g o , se des-
p l a z a n entre los continentes y los o c é a n o s en lujosos j e t s , se
alojan en hoteles de primera categoría y se a g a s a j a n en los m e -
jores restaurantes q u e esos países p u e d a n ofrecer. L u e g o salen
a buscar gente desesperada.
S o n los n e g r e r o s d e nuestra é p o c a . P e r o y a n o t i e n e n
n e c e s i d a d de aventurarse en las selvas de África en b u s c a de
ejemplares r o b u s t o s para venderlos al mejor p o s t o r en las su-
bastas d e C h a r l e s t o n , C a r t a g e n a o L a H a b a n a . S i m p l e m e n t e
reclutan a esos d e s e s p e r a d o s y construyen u n a fábrica q u e
confeccione las c a z a d o r a s , los pantalones v a q u e r o s , las zapati-
llas d e p o r t i v a s , las piezas de a u t o m o c i ó n , los c o m p o n e n t e s
para o r d e n a d o r e s y los d e m á s miles de artículos q u e aquéllos
s a b e n colocar en los m e r c a d o s de su elección. O tal vez pre-
fieren no ser los d u e ñ o s de esas fabricas, sino q u e se limitan a
contratar con los negociantes locales, q u e harán el t r a b a j o su-
cio p o r ellos.

258
E s t a d o s U n i d o s invade P a n a m á

E s o s h o m b r e s y mujeres se consideran g e n t e h o n r a d a .
R e g r e s a n a sus países con fotografías de lugares p i n t o r e s c o s y
de antiguas ruinas, para enseñárselas a sus hijos. Asisten a se-
minarios en d o n d e se dan m u t u a s p a l m a d a s en las espaldas e
intercambian consejos sobre c ó m o burlar las arbitrariedades
a d u a n e r a s de aquellos exóticos países. S u s jefes contratan a b o -
g a d o s q u e les aseguran la perfecta legalidad de lo q u e ellos y
ellas están haciendo. Y tienen a su disposición un c u a d r o de
psicoterapeutas y otros expertos en recursos h u m a n o s , para
q u e les ayuden a persuadirse de q u e , en realidad, están ayu-
d a n d o a esas gentes desesperadas.
El esclavista a la antigua usanza se decía a sí m i s m o q u e
su c o m e r c i o trataba con una especie no del t o d o h u m a n a , a
cuyos individuos ofrecía la o p o r t u n i d a d de convertirse al cris-
tianismo. Al m i s m o t i e m p o , entendía q u e los esclavos eran in-
dispensables para la supervivencia de su p r o p i a s o c i e d a d , de
cuya e c o n o m í a constituían el f u n d a m e n t o . El esclavista m o -
d e r n o se convence a sí m i s m o (o a sí m i s m a ) de q u e es mejor
para los d e s e s p e r a d o s ganar un dólar al día q u e no ganar a b -
s o l u t a m e n t e nada. Y a d e m á s se les ofrece la o p o r t u n i d a d de
integrarse en la más amplia c o m u n i d a d global. El o ella t a m -
bién c o m p r e n d e n q u e esos d e s e s p e r a d o s s o n esenciales para la
supervivencia de sus c o m p a ñ í a s , y q u e son los f u n d a m e n t o s
del nivel de vida q u e sus e x p l o t a d o r e s disfrutan. N u n c a se d e -
tienen a reflexionar s o b r e las consecuencias más amplias de
lo q u e ellos y ellas, su nivel de vida y el sistema e c o n ó m i c o en
q u e t o d o e s o se asienta están haciéndole al planeta [...] ni s o -
bre c ó m o , finalmente, t o d o e s o repercutirá en el porvenir de
sus p r o p i o s hijos.

259
31

Un fracaso del gangsterismo


económico en Iraq

M i s f u n c i o n e s c o m o presidente d e I P S d u r a n t e l a d é c a d a d e
1 9 8 0 , y c o m o asesor de S W E C a finales de ese d e c e n i o y
d u r a n t e b u e n a parte d e los a ñ o s 1 9 9 0 , m e p e r m i t i e r o n a c c e d e r a
i n f o r m a c i o n e s acerca de Iraq no d i s p o n i b l e s p a r a la m a y o r í a . A
decir v e r d a d , d u r a n t e l a d é c a d a d e 1 9 8 0 p o c o s e s t a d o u n i d e n s e s
s a b í a n n a d a d e d i c h o país. S e n c i l l a m e n t e , n o aparecía e n s u p a n -
talla de radar. P o r mi p a r t e , yo e s t a b a f a s c i n a d o c o n los aconteci-
mientos.
M e m a n t e n í a e n c o n t a c t o con viejos a m i g o s , e n l a é p o c a e m -
p l e a d o s del B a n c o M u n d i a l , d e U S A I D , del F M I o a l g u n a o t r a
o r g a n i z a c i ó n financiera internacional, y t a m b i é n c o n g e n t e s de
B e c h t e l ( c o m o mi s u e g r o , sin ir m á s l e j o s ) , de H a l l i b u r t o n y
de las d e m á s g r a n d e s contratistas de ingeniería y c o n s t r u c c i ó n .
M u c h o s d e los técnicos q u e e m p l e a b a n las s u b c o n t r a t i s t a s d e I P S
y de o t r a s eléctricas i n d e p e n d i e n t e s intervenían al m i s m o t i e m p o
en p r o y e c t o s del O r i e n t e P r ó x i m o . En c o n s e c u e n c i a , e s t a b a al
t a n t o de la intensa actividad de los EHM en I r a q .
L a s a d m i n i s t r a c i o n e s R e a g a n y B u s h tenían la intención de
convertir a I r a q en u n a nueva A r a b i a S a u d í . E r a de prever q u e
S a d d a m H u s s e i n seguiría e l e j e m p l o d e l a C a s a d e S a u d , p o r m u -
chas r a z o n e s p o d e r o s a s . N o tenía m á s q u e f i j a r s e e n los b e n e -
ficios a c a p a r a d o s p o r ésta en el « c a s o del b l a n q u e o de d i n e r o » .

261
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

D e s d e q u e s e c e r r ó ese a c u e r d o h a b í a n b r o t a d o c i u d a d e s m o d e r -
nas e n m e d i o del d e s i e r t o s a u d í . E n R i a d , las c a b r a s c o n s u m i -
d o r a s d e d e s p e r d i c i o s habían s i d o r e e m p l a z a d a s p o r eficientes
c a m i o n e s de r e c o g i d a , y en a q u e l l o s m o m e n t o s los s a u d í e s dis-
f r u t a b a n d e a l g u n a s d e las t e c n o l o g í a s m á s a v a n z a d a s del m u n d o :
u l t r a m o d e r n a s plantas d e s a l i n i z a d o r a s , s i s t e m a s d e t r a t a m i e n -
to de r e s i d u o s , r e d e s de c o m u n i c a c i o n e s y de d i s t r i b u c i ó n eléc-
trica.
Sin d u d a S a d d a m H u s s e i n t a m b i é n s e daría c u e n t a d e q u e los
s a u d í e s g o z a b a n d e u n trato privilegiado e n materia d e d e r e c h o
internacional. El a m i g o a m e r i c a n o hacía la vista g o r d a ante m u -
chas actividades d e los s a u d í e s , c o m o p o r e j e m p l o f i n a n c i a r g r u -
p o s fanáticos — m u c h o s d e ellos c o n s i d e r a d o s e n t o d o e l m u n d o
u n o s radicales s o s p e c h o s o s de t e r r o r i s m o — y dar asilo a proscri-
tos internacionales. O para ser m á s e x a c t o s , W a s h i n g t o n incluso
instó y c o n s i g u i ó q u e sus aliados saudíes apoyasen e c o n ó m i c a -
m e n t e la c a m p a ñ a de O s a m a bin L a d e n en A f g a n i s t á n c o n t r a la
U n i ó n Soviética. L a s administraciones R e a g a n y B u s h no s ó l o in-
centivaron a los saudíes en ese a s p e c t o , sino q u e a d e m á s p r e s i o -
n a r o n a o t r o s m u c h o s países para q u e hicieran lo m i s m o . . . o p a r a
q u e hicieran t a m b i é n la vista g o r d a .
L a p r e s e n c i a d e los E H M e n B a g d a d fue m u y n u m e r o s a e n
la d é c a d a de 1 9 8 0 . C r e í a n q u e S a d d a m acabaría p o r ver la l u z , y
yo no p o d í a p o r m e n o s q u e darles la r a z ó n . Al fin y al c a b o , si
I r a q a l c a n z a b a un a c u e r d o c o n W a s h i n g t o n similar al de los s a u -
d í e s , S a d d a m q u e d a b a e n c o n d i c i o n e s d e g o b e r n a r s u país c o m o
se le a n t o j a s e , e incluso p o d í a pensar en ir a m p l i a n d o su círculo
d e influencia e n esa r e g i ó n del m u n d o .
P o c o i m p o r t a b a q u e fuese un tirano p a t o l ó g i c o , ni q u e tuvie-
se las m a n o s e n s a n g r e n t a d a s p o r m a t a n z a s masivas, ni q u e sus m a -
neras y la b r u t a l i d a d de sus actos evocasen el r e c u e r d o de A d o l f
H i d e r . No sería la primera v e z q u e E s t a d o s U n i d o s t o l e r a b a e in-
cluso a p o y a b a a gentes de tal especie. N o s o t r o s le ofreceríamos
c o n m u c h o g u s t o los títulos de la d e u d a pública e s t a d o u n i d e n s e a
c a m b i o de sus p e t r o d ó l a r e s , siempre q u e garantizase la continui-
d a d de los suministros de p e t r ó l e o y aceptase un a c u e r d o en virtud

262
Un fracaso del g a n g s t e r i s m o e c o n ó m i c o en Iraq

del cual los intereses d e v e n g a d o s p o r esos títulos se invirtiesen en


contratar a c o m p a ñ í a s estadounidenses para m o d e r n i z a r las infra-
estructuras iraquíes, crear nuevas ciudades, y convertir los desier-
tos en vergeles. C o n m u c h o g u s t o le v e n d e r í a m o s t a m b i é n tan-
q u e s , y aviones de caza, y le construiríamos plantas químicas y
nucleares, tal c o m o h a b í a m o s hecho en tantos o t r o s países, y aun-
q u e esas tecnologías pudieran ser aplicadas i g u a l m e n t e a la fabrica-
ción d e a r m a m e n t o a v a n z a d o .
Para n o s o t r o s I r a q era d e s u m a i m p o r t a n c i a , d e u n a i m p o r -
tancia m u c h o m á s g r a n d e de lo q u e pareciese a p r i m e r a vista. En
c o n t r a de lo q u e se cree c o m ú n m e n t e , el p e t r ó l e o no era el úni-
co t e m a . I n t e r v e n í a n a s i m i s m o el a g u a y las c o n s i d e r a c i o n e s g e o -
políticas. L o s ríos T i g r i s y Eufrates p a s a n p o r I r a q . D e entre t o -
d o s los países de esa r e g i ó n del m u n d o , Iraq c o n t r o l a las fuentes
principales d e e s o s r e c u r s o s hídricos c a d a v e z m á s e s c a s o s . F u e e n
l a d é c a d a d e 1 9 8 0 c u a n d o l a trascendencia t a n t o política c o m o
e c o n ó m i c a del a g u a e m p e z ó a d e s t a c a r c o n claridad p a r a los q u e
a n d á b a m o s i n t e r e s a d o s en el sector e n e r g é t i c o y de ingeniería.
En la carrera de la privatización, m u c h a s de las c o m p a ñ í a s princi-
pales q u e h a b í a n p u e s t o s u s miras e n a b s o r b e r las p e q u e ñ a s eléc-
tricas i n d e p e n d i e n t e s p a s a r o n a plantearse la privatización de los
s i s t e m a s de a b a s t e c i m i e n t o del a g u a en África, L a t i n o a m é r i c a y el
Oriente Próximo.
A d e m á s d e p e t r ó l e o y a g u a , I r a q p o s e e u n a s i t u a c i ó n estra-
t é g i c a m u y valiosa. T i e n e fronteras c o n I r á n , K u w a i t , A r a b i a S a u -
dí, J o r d a n i a , Siria y T u r q u í a , y salida al m a r en el g o l f o Pérsico.
T i e n e en el r a d i o de acción de sus misiles a Israel y a la ex U n i ó n
S o v i é t i c a . L o s e s t r a t e g a s militares c o m p a r a n l a p o s i c i ó n del I r a q
m o d e r n o c o n la del valle del H u d s o n d u r a n t e n u e s t r a s g u e r r a s
c o n t r a los franceses y los indios, y c o n t r a I n g l a t e r r a en la de In-
d e p e n d e n c i a . H o y día e s del d o m i n i o p ú b l i c o q u e q u i e n c o n t r o -
la I r a q tiene la llave de t o d o el O r i e n t e P r ó x i m o .
S o b r e t o d o esto, Iraq supone un mercado inmenso para la
t e c n o l o g í a y el c o n o c i m i e n t o e x p e r t o e s t a d o u n i d e n s e s . El h e c h o
d e estar a s e n t a d o s o b r e a l g u n o s d e los y a c i m i e n t o s petrolíferos
m á s e x t e n s o s del m u n d o ( m á s i m p o r t a n t e s i n c l u s o q u e los d e

263
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

A r a b i a S a u d í , s e g ú n a l g u n a s e s t i m a c i o n e s ) le g a r a n t i z a la p o s i b i -
lidad de financiar g r a n d e s p r o g r a m a s de infraestructura y de in-
d u s t r i a l i z a c i ó n . T o d o s los q u e tenían a l g o interesante q u e o f r e -
cer, a n d a b a n p e n d i e n t e s de Iraq: las c o n t r a t i s t a s de ingeniería y
c o n s t r u c c i ó n , los p r o v e e d o r e s d e sistemas i n f o r m á t i c o s , los fabri-
c a n t e s de a v i o n e s , misiles y t a n q u e s , las c o m p a ñ í a s q u í m i c a s y las
químico-farmacéuticas.
A finales de la d é c a d a de 1 9 8 0 , sin e m b a r g o , q u e d ó claro q u e
S a d d a m « n o t r a g a b a » con e l g u i ó n d e los E H M : gran d e c e p c i ó n
y no p e q u e ñ o a p u r o p a r a la primera administración B u s h . J u n t o
c o n P a n a m á , I r a q c o n t r i b u y ó a la reputación de « f l o j o » de G e o r -
g e H . W . B u s h . P r e c i s a m e n t e c u a n d o éste a n d a b a b u s c a n d o nue-
vas m a n e r a s de lavar su i m a g e n , S a d d a m le d i o la p a r t i d a h e c h a .
E n a g o s t o d e 1 9 9 0 invadió K u w a i t , rico territorio d e j e q u e s p e -
t r o l e r o s . B u s h r e a c c i o n ó d e n u n c i a n d o la vulneración del d e r e c h o
internacional p e r p e t r a d a p o r S a d d a m , y e s o q u e a ú n n o había
t r a n s c u r r i d o un a ñ o d e s d e la invasión no m e n o s ilegal y unilateral
de P a n a m á , d i s p u e s t a p o r el m i s m o B u s h .
De m o d o q u e , al fin, el p r e s i d e n t e no s o r p r e n d i ó a n a d i e
c u a n d o l a n z ó la o r d e n de a t a q u e p o r tierra, mar y aire. Q u i n i e n t o s
mil s o l d a d o s e s t a d o u n i d e n s e s fiíeron enviados f o r m a n d o parte de
la expedición internacional. En los primeros meses de 1 9 9 1 la
aviación se l a n z ó a b o m b a r d e a r objetivos militares y civiles en I r a q .
A es to le s i g u i e r o n cien horas de operaciones terrestres y la des-
b a n d a d a del ejército iraquí, d e s m o r a l i z a d o y m u y inferior en p o -
tencia de f u e g o . E r a la salvación de Kuwait y el e s c a r m i e n t o para
un a u t é n t i c o d é s p o t a , q u e sin e m b a r g o no fue c o n d u c i d o ante la
justicia. La p o p u l a r i d a d de B u s h ante la opinión pública e s t a d o u -
nidense a l c a n z ó el 90 p o r ciento.
En la é p o c a de la invasión de I r a q , yo e s t a b a en B o s t o n asis-
tiendo a u n a s r e u n i o n e s , q u e fue una de las p o c a s o c a s i o n e s en
q u e S W E C r e a l m e n t e m e solicitó para hacer a l g o . R e c u e r d o e l
e n t u s i a s m o c o n q u e fue recibida l a decisión d e B u s h . P o r su-
p u e s t o , la g e n t e de la o r g a n i z a c i ó n de S t o n e & Webster e s t a b a
e n t u s i a s m a d a p o r q u e h a b í a m o s m a n t e n i d o el t i p o frente a un
d i c t a d o r h o m i c i d a , p e r o t a m b i é n p o r q u e una victoria e s t a d o u n i -

264
U n fracaso del g a n g s t e r i s m o e c o n ó m i c o e n Iraq

d e n s e e n Iraq les s u p o n í a o p o r t u n i d a d e s d e g r a n d e s beneficios,


a u m e n t o s de s u e l d o y p r o m o c i o n e s .
E l e n t u s i a s m o n o q u e d ó limitado a los h o m b r e s d e n e g o c i o s
q u e iban a beneficiarse d i r e c t a m e n t e de la g u e r r a . En t o d o el
país, la g e n t e se manifestaba casi ansiosa p o r presenciar u n a d e -
m o s t r a c i ó n d e f i r m e z a militar. M e parece q u e esa a c t i t u d o b e d e -
ció a u n a serie de r a z o n e s , entre ellas, el c a m b i o de filosofía q u e
a c a r r e ó la d e r r o t a de C á r t e r frente a R e a g a n , la liberación de los
r e h e n e s en Irán y el e m p e ñ o r e a g a n i a n o en r e n e g o c i a r el t r a t a d o
del canal d e P a n a m á . L a invasión d e P a n a m á p o r B u s h fue c o m o
añadir leña al friego.
T r a s la retórica patriotera y las llamadas a la a c c i ó n , sin e m -
b a r g o , creí advertir u n a t r a n s f o r m a c i ó n m u c h o m á s sutil en la
m a n e r a e n q u e los intereses comerciales d e E s t a d o s U n i d o s ( y
c o n ellos, la m a y o r í a de las p e r s o n a s q u e t r a b a j a b a n en las c o r p o -
raciones e s t a d o u n i d e n s e s ) c o n t e m p l a b a n e l m u n d o . L a m a r c h a
hacia el i m p e r i o g l o b a l había c o b r a d o realidad y b u e n a p a r t e del
país p a r t i c i p a b a en ella. En los á n i m o s de t o d o s influían en g r a d o
significativo d o s c o n c e p t o s í n t i m a m e n t e a s o c i a d o s : g l o b a l i z a c i ó n
y privatización.
E n ú l t i m o análisis e sto n o s u c e d í a s ó l o e n E s t a d o s U n i d o s .
E l i m p e r i o g l o b a l era j u s t a m e n t e e s o , g l o b a l , p a s a n d o p o r enci-
m a d e t o d a s las fronteras. L a s c o r p o r a c i o n e s q u e antes c o n s i d e -
r á b a m o s e s t a d o u n i d e n s e s , eran ahora internacionales en el p l e n o
s e n t i d o , i n c l u s o j u r í d i c o , de la p a l a b r a . P o r q u e , al estar consti-
t u i d a s y r e g i s t r a d a s en m u c h o s países, p o d í a n e s t u d i a r y elegir las
legislaciones y las r e g l a m e n t a c i o n e s q u e m á s les convinieran p a r a
c o n d u c i r s u s actividades. U n gr an n ú m e r o d e o r g a n i z a c i o n e s y
de a c u e r d o s c o m e r c i a l e s g l o b a l i z a d o r e s les facilitaba la tarea t o -
davía m á s . L a s p a l a b r a s democracia, socialismo y capitalismo caían
casi en la o b s o l e s c e n c i a . La c o r p o r a t o c r a c i a prevalecía y se afir-
m a b a c a d a v e z m á s c o m o l a mfluencia principal c u a n d o n o única
en la e c o n o m í a y la política del m u n d o .
E n u n e x t r a ñ o g i r o d e los a c o n t e c i m i e n t o s , y o t a m b i é n m e
h a b í a r e n d i d o a la c o r p o r a t o c r a c i a en n o v i e m b r e de 1 9 9 0 , c u a n -
d o vendí I P S . F u e u n n e g o c i o lucrativo para mis s o c i o s y p a r a mí,

265
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

p e r o en r e a l i d a d v e n d i m o s p r i n c i p a l m e n t e c e d i e n d o a la t r e m e n -
d a p r e s i ó n q u e n o s aplicaba l a A s h l a n d Oil C o m p a n y . L u c h a r
c o n t r a ellos h a b r í a s u p u e s t o u n c o s t e e n o r m e e n m u c h o s senti-
d o s , c o m o s a b í a y o p o r experiencia. V e n d i e n d o , e n c a m b i o , n o s
hacíamos ricos. De todas maneras, no dejó de parecerme sarcás-
tico q u e u n a p e t r o l e r a p a s a r a a ser nueva p r o p i e t a r i a de mi e m -
p r e s a d e e n e r g í a alternativa. E n cierto m o d o m e sentí c o m o u n
traidor.
L a S W E C m e d e m a n d a b a muy p o c o d e m i tiempo. D e vez
en c u a n d o me l l a m a b a n a B o s t o n para asistir a u n a r e u n i ó n , o
para a y u d a r a e l a b o r a r u n a p r o p u e s t a . O t r a s veces me e n v i a b a n a
l u g a r e s c o m o R i o d e J a n e i r o , para p a r l a m e n t a r c o n los q u e ma-
n e j a b a n el c o t a r r o allí. U n a v e z volé a G u a t e m a l a en un jet priva-
d o . S o l í a llamar a los d i r e c t o r e s de p r o y e c t o para r e c o r d a r l e s q u e
m e tenían e n n ó m i n a y a s u d i s p o s i c i ó n . M e d a b a a p u r o c o b r a r
t a n t o d i n e r o p o r hacer tan p o c o . Yo c o n o c í a bien el s e c t o r y d e -
s e a b a c o n t r i b u i r c o n a l g o útil. P e r o e s o , s e n c i l l a m e n t e , n o e s t a b a
previsto.
A q u e l l a i m a g e n d e h o m b r e entre d o s m u n d o s m e a t o r m e n -
t a b a . Q u e r í a h a c e r a l g o q u e justificase mi existencia y q u e c o n -
trarrestase l o n e g a t i v o d e m i p a s a d o a p o r t a n d o a l g o p o s i t i v o . E n
s e c r e t o s e g u í a t r a b a j a n d o en mi Conciencia de un gángster econó-
mico, a u n q u e m u y i r r e g u l a r m e n t e . A d e m á s , n o m e e n g a ñ a b a e n
c u a n t o a las p o s i b i l i d a d e s de ver p u b l i c a d o a l g u n a v e z el l i b r o .
E n 1 9 9 1 e m p e c é a hacer d e g u í a p a r a g r u p o s r e d u c i d o s q u e
iban a la A m a z o n i a c o n la finalidad de p a s a r a l g ú n t i e m p o c o n los
s h u a r y a p r e n d e r d e ellos, q u e n o s e n s e ñ a b a n d e b u e n a g a n a sus
c o n o c i m i e n t o s s o b r e preservación m e d i o a m b i e n t a l y técnicas de
s a n a c i ó n t r a d i c i o n a l e s . D u r a n t e los ú l t i m o s a ñ o s , l a d e m a n d a
d e este t i p o d e e x c u r s i o n e s había a u m e n t a d o r á p i d a m e n t e . D e
ello r e s u l t ó u n a o r g a n i z a c i ó n n o venal, l a D r e a m C h a n g e C o a l i -
tion. D e d i c a d a a c a m b i a r la m a n e r a en q u e los c i u d a d a n o s de los
países i n d u s t r i a l i z a d o s c o n t e m p l a n la T i e r r a y n u e s t r a relación
c o n ella, D r e a m C h a n g e halló m u c h o s s e g u i d o r e s e n t o d o e l
m u n d o y c a p a c i t ó a o t r a s g e n t e s para q u e crearan o r g a n i z a c i o n e s
c o n c o m e t i d o s similares e n m u c h o s países. F u e s e l e c c i o n a d a p o r

266
Un fracaso del g a n g s t e r i s m o e c o n ó m i c o en Iraq

la revista Time c o m o u n a de las trece o r g a n i z a c i o n e s cuyas p á g i -


nas en la R e d reflejaban c o n m á s fidelidad los ideales y los o b j e -
1
tivos del D í a de la T i e r r a .
D u r a n t e la d é c a d a de 1 9 9 0 me c o m p r o m e t í m á s a f o n d o con
el m u n d o de las organizaciones no lucrativas. A y u d é a crear varias
de ellas y figuré en los consejos de administración de otras. M u -
chas de éstas surgieron de iniciativas de los e l e m e n t o s más e m -
p r e n d e d o r e s de D r e a m C h a n g e , e implicaban el trabajo c o n los
p u e b l o s indígenas de Latinoamérica, los shuar y achuar de la A m a -
zonia, los quichuas andinos, los mayas g u a t e m a l t e c o s , o informar
a las g e n t e s de E s t a d o s U n i d o s y de E u r o p a acerca de esas cultu-
ras. E s t a o b r a filantrópica se realizaba con la anuencia de la S W E C ,
ya q u e a r m o n i z a b a con la afiliación de ésta al p r o g r a m a humani-
tario U n i t e d Way. T a m b i é n escribí más libros, t o d o s ellos s o b r e
temas de la sabiduría indígena y evitando cualquier alusión a mis
actividades c o m o E H M . A d e m á s d e paliar m i a b u r r i m i e n t o , estas
o c u p a c i o n e s me ayudaron a permanecer en c o n t a c t o con L a t i n o a -
mérica y c o n las cuestiones políticas q u e m á s me interesaban.
P e r o , p o r m á s q u e trataba d e p e r s u a d i r m e d e q u e reequili-
b r a b a l a b a l a n z a , d e q u e e n m e n d a b a mis p a s a d o s a c t o s c o n estas
e m p r e s a s no lucrativas y mi dedicación a escribir, c a d a v e z me
c o s t a b a m á s creerlo. E n e l f o n d o , sabía q u e e s t a b a r e h u y e n d o
mis r e s p o n s a b i l i d a d e s ante mi hija. Jessica heredaría un m u n d o
e n e l q u e millones d e niños nacen c a r g a d o s d e d e u d a s q u e nun-
ca llegarán a p o d e r saldar. Yo d e b í a asumir la r e s p o n s a b i l i d a d p o r
ello.
M i s libros tenían c a d a vez m á s a c e p t a c i ó n , e s p e c i a l m e n t e
u n o t i t u l a d o The World Is As Tou Dream It. E s t e éxito me obli-
g a b a a participar en talleres y a dar conferencias c o n creciente asi-
d u i d a d . A veces, c u a n d o me t o c a b a e n f r e n t a r m e al p ú b l i c o de
B o s t o n , de N u e v a York o de M i l á n , me c h o c a b a la p a r a d o j a : Si el
m u n d o e s c o m o u n o l o s u e ñ a , ¿ c ó m o había s o ñ a d o y o u n m u n -
do así? ¿ C ó m o había l l e g a d o a d e s e m p e ñ a r un papel activo en la
m a n i f e s t a c i ó n d e s e m e j a n t e pesadilla?
E n 1 9 9 7 e l O m e g a Institute o r g a n i z ó u n a s e m a n a d e t r a b a -
jo en un c o m p l e j o turístico de la caribeña isla de S a i n t J o h n . R e -

267
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

cibí el e n c a r g o de dirigir ese taller. L l e g u é allí a m e d i a n o c h e y la


m a ñ a n a s i g u i e n t e , c u a n d o d e s p e r t é y salí al b a l c o n c i l l o , me di
cuenta de que estaba c o n t e m p l a n d o exactamente la m i s m a bahía
e n d o n d e , diecisiete a ñ o s a n t e s , había t o m a d o l a d e c i s i ó n d e d e -
jar M A I N . A b r u m a d o p o r l a e m o c i ó n , m e dejé caer e n u n a silla.
D u r a n t e t o d a l a s e m a n a p a s é b u e n a p a r t e d e m i t i e m p o libre
en a q u e l b a l c ó n , m i r a n d o hacia L e i n s t e r B a y y t r a t a n d o de re-
c o m p o n e r mis sentimientos. C o m p r e n d í a q u e , pese a haber deja-
do la e m p r e s a , había o m i t i d o el p a s o s i g u i e n t e . Mi d e c i s i ó n de
q u e d a r m e a m e d i o c a m i n o e m p e z a b a a c o b r a r s e un t r i b u t o d e -
v a s t a d o r . H a c i a e l f i n a l d e aquella s e m a n a concluí q u e e l m u n d o
q u e m e r o d e a b a n o era e l q u e y o d e s e a b a s o ñ a r , y q u e d e b í a ha-
cer e x a c t a m e n t e lo q u e les e n s e ñ a b a a mis a l u m n o s : c a m b i a r mis
sueños de manera que correspondiesen a lo que yo realmente de-
s e a b a p a r a mi vida.
C u a n d o r e g r e s é a casa dimití de mi asesoría. El p r e s i d e n t e de
S W E C q u e m e había c o n t r a t a d o e s t a b a y a j u b i l a d o . E l n u e v o jefe
era un h o m b r e m á s j o v e n q u e y o , y p o r lo visto no le p r e o c u p a -
b a q u e y o m e d e d i c a s e a c o n t a r mis historias. A c a b a b a d e lanzar
u n plan d e r e d u c c i ó n d e c o s t e s , y s e a l e g r ó m u c h o d e p o d e r a h o -
rrarse los e x o r b i t a n t e s h o n o r a r i o s q u e m e p a g a b a n .
E n t o n c e s decidí t e r m i n a r el libro en el q u e había t r a b a j a d o
d u r a n t e t o d o este t i e m p o . E s t a d e c i s i ó n fue suficiente para susci-
tar u n a m a r a v i l l o s a s e n s a c i ó n de alivio. C o n s u l t é mi intención de
escribir c o n varios a m i g o s d e confianza, casi t o d o s p e r t e n e c i e n -
tes al m u n d o de las o r g a n i z a c i o n e s no lucrativas y d e d i c a d o s al
e s t u d i o de las culturas i n d í g e n a s y a la defensa del b o s q u e tropi-
cal h ú m e d o . L a s o r p r e s a p a r a m í fue q u e trataron d e d i s u a d i r m e .
T e m í a n q u e p u b l i c a r fuese c o n t r a p r o d u c e n t e para m i actividad
de e n s e ñ a n z a y a d e m á s c o m p r o m e t i e s e a las o r g a n i z a c i o n e s no
lucrativas c o n las q u e y o t r a b a j a b a . M u c h o s d e n o s o t r o s c o l a b o -
r á b a m o s con las tribus de la A m a z o n i a en la d e f e n s a de sus terri-
t o r i o s , c o d i c i a d o s p o r las c o m p a ñ í a s petroleras. S i y o p o n í a t o d a s
las c a r t a s b o c a a r r i b a , d i j e r o n , mi credibilidad sería p u e s t a en
d u d a y t o d o el m o v i m i e n t o resultaría p e r j u d i c a d o . A l g u n o s in-
c l u s o a m e n a z a r o n c o n retirar s u participación.

268
Un fracaso del g a n g s t e r i s m o e c o n ó m i c o en Iraq

Así q u e , u n a v e z m á s , dejé de escribir y me c o n s a g r é a hacer


d e c i c e r o n e p o r las p r o f u n d i d a d e s d e l a A m a z o n i a , m o s t r a n d o
u n a tribu y un lugar apenas c o n t a m i n a d o s p o r el m u n d o m o d e r -
n o . Allí m e hallaba y o , p o r cierto, e l 1 1 d e s e p t i e m b r e d e 2 0 0 1 .

269
32

El 11 de septiembre y las
consecuencias sobre mi persona

E l 10 de septiembre de 2 0 0 1 yo navegaba río abajo por la


A m a z o n i a ecuatoriana con S h a k a i m C h u m p i , c o a u t o r d e m i
libro Spirit of the Shuar. G u i á b a m o s a un g r u p o de dieciséis n o r t e -
a m e r i c a n o s hasta la c o m u n i d a d de mi a c o m p a ñ a n t e , en lo m á s
h o n d o de la selva. Venían para aprender de sus gentes y ayudarlas
a preservar el valioso b o s q u e tropical.
S h a k a i m había peleado c o m o s o l d a d o en el reciente conflicto
e c u a t o - p e r u a n o . M u c h a s personas de ios principales países c o n s u -
m i d o r e s de petróleo j a m á s han o í d o hablar de esa g u e r r a , c u y o
m o t i v o principal fue q u e no les fallase a ellas el a p r o v i s i o n a m i e n t o
de p e t r ó l e o . E n t r e estos d o s países existía u n a d i s p u t a de fronteras
d e s d e hacía m u c h o s a ñ o s , p e r o el c o n t e n c i o s o c o b r ó u n a urgencia
repentina c u a n d o las petroleras decidieron q u e necesitaban saber
c o n q u é país debían negociar las concesiones p a r a la explotación
de d e t e r m i n a d o s yacimientos. E r a menester q u e las fronteras estu-
viesen bien definidas.
L o s shuar f o r m a r o n la primera línea de defensa ecuatoriana y
s e c o m p o r t a r o n c o m o luchadores a g u e r r i d o s , q u e m u c h a s veces
d e r r o t a r o n a fuerzas superiores en n ú m e r o y m e j o r e q u i p a d a s .
Ellos nada sabían de los móviles políticos de la g u e r r a , ni q u e el
desenlace de ésta abriría las puertas a las c o m p a ñ í a s del p e t r ó l e o .
Peleaban p o r q u e eran descendientes de u n a larga tradición de g u e -

271
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

r r c r o s , y p o r q u e no estaban dispuestos a permitir la presencia de


s o l d a d o s extranjeros en sus territorios.
Mientras b o g á b a m o s río a b a j o , c o n t e m p l a n d o la chillona ban-
d a d a de loros q u e p a s a b a s o b r e nuestras cabezas, le p r e g u n t é a Sha-
kaim si se había r e s p e t a d o la tregua.
— S í — c o n t e s t ó — . Pero t e m o q u e ahora t e n d r e m o s q u e ir a
la g u e r r a c o n t r a ustedes.
Y explicó q u e , p o r s u p u e s t o , no se refería a mí p e r s o n a l m e n -
te, ni a las p e r s o n a s de nuestro g r u p o .
— U s t e d e s son a m i g o s .
Se refería, c o n t i n u ó diciendo, a nuestras c o m p a ñ í a s petroleras
q u e entrarían en la selva y a las fuerzas militares q u e las escolta-
rían.
— H e m o s visto lo q u e hicieron con los huaorani. D e s t r u y e r o n
su selva, ensuciaron sus ríos y m a t a r o n a m u c h o s , h o m b r e s , m u j e -
res y niños. H o y los huaorani casi han d e j a d o de existir c o m o na-
ción. N o p e r m i t i r e m o s q u e nos ocurra a n o s o t r o s . N o d e j a r e m o s
q u e entren las petroleras en nuestro territorio, lo m i s m o q u e no
p e r m i t i m o s la entrada de los p e r u a n o s . T o d o s h e m o s j u r a d o lu-
1
char hasta q u e caiga el ú l t i m o .
E s a noche n u e s t r o g r u p o se sentó alrededor del h o g a r central,
en una bella casa c o m u n a l de los shuar, p a v i m e n t a d a de caña de
b a m b ú y cubierta por un techo de paja. L e s conté mi conversación
con S h a k a i m . T o d o s nos p r e g u n t á b a m o s q u é o t r o s p u e b l o s del
m u n d o tendrían parecida opinión en c u a n t o a nuestras c o m p a ñ í a s
petroleras y n u e s t r o país. ¿ C u á n t o s temían, c o m o los shuar, nues-
tra irrupción en sus vidas, y la ruina de su cultura y sus territorios?
¿ C u á n t o s nos o d i a b a n ?
La m a ñ a n a siguiente bajé a la p e q u e ñ a oficina d o n d e tenía-
m o s n u e s t r o radiotransmisor, para llamar a los pilotos q u e debían
pasar a r e c o g e r n o s p o c o s días después. Mientras estaba h a b l a n d o
con ellos se o y ó un grito.
— ¡ D i o s m í o ! — e x c l a m ó a través de las o n d a s — . ¡ N u e v a York
está s i e n d o atacada!
El o p e r a d o r e s t a d o u n i d e n s e a u m e n t ó el v o l u m e n de la radio
comercial q u e hasta ese m o m e n t o había suministrado música de

272
El 11 de septiembre y las consecuencias sobre mi persona

f o n d o . De esta manera recibimos m i n u t o a m i n u t o , y durante m e -


dia hora, la narración p o r m e n o r i z a d a de lo q u e estaba o c u r r i e n d o .
J a m á s olvidaré ese día, c o m o s u p o n g o q u e les ocurrirá a cuantos lo
han vivido.
De r e g r e s o en mi casa de Florida sentí la necesidad de visitar
la Z o n a C e r o , el lugar d o n d e estuvieron e m p l a z a d o s los rascacie-
los del World T r a d e Center. Aproveché la primera o p o r t u n i d a d
para volar a N u e v a York y llegué a mi hotel de las afueras hacia la
primera hora de la tarde. A u n q u e e s t á b a m o s en n o v i e m b r e , el día
era s o l e a d o , casi primaveral. Paseé muy a n i m a d o p o r Central Park,
y l u e g o me dirigí a aquella parte de la ciudad d o n d e había p a s a d o
tantísimo t i e m p o , al sector p r ó x i m o a Wall Street q u e a h o r a llaman
la Z o n a C e r o .
A m e d i d a q u e me acercaba, mi entusiasmo se desvaneció reem-
p l a z a d o p o r una sensación de horror. La vista y el olfato recibían las
impresiones más fuertes: la destrucción increíble, los esqueletos re-
torcidos y fundidos de los que habían sido u n o s titánicos edificios,
el h u m o acre, los restos carbonizados, el hedor a carne q u e m a d a .
No era lo m i s m o verlo por la televisión que hallarse allí.
Yo no había previsto nada por el estilo... ni, especialmente, la
actitud de las p e r s o n a s . A u n q u e habían transcurrido d o s meses ya,
los q u e antes de la tragedia habían vivido o t r a b a j a d o en aquel lu-
gar, los supervivientes, continuaban allí. O c i o s o , de pie delante de
su p e q u e ñ o establecimiento de zapatero remendón, un egipcio
m e n e a b a la c a b e z a con aire de incredulidad.
— E s q u e n o c o n s i g o a c o s t u m b r a r m e — m u r m u r ó — . H e per-
d i d o m u c h o s clientes, m u c h o s a m i g o s . M i s o b r i n o m u r i ó ahí
— a g r e g ó con un a d e m á n hacia el cielo a z u l — . C r e o q u e vi c ó m o
saltaba... N o estoy s e g u r o , ¡fueron tantos! S e a g a r r a b a n d e las m a -
n o s y agitaban los b r a z o s c o m o si pudieran volar.
La sorpresa fue q u e los transeúntes h a b l a b a n los u n o s con los
o t r o s , ¡en N u e v a York! Y hacían a l g o m á s q u e hablar. L a s miradas
se e n c o n t r a b a n , tristes p e r o con una expresión c o m p a s i v a , c o n u n a
media sonrisa q u e decía más q u e un millón de palabras.
Pero había a l g o m á s , una impresión extraña q u e transmitía el
lugar m i s m o . Al principio no conseguí definirla, hasta q u e me di

273
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

cuenta: era la luz. La parte baja de M a n h a t t a n siempre había sido


un desfiladero s o m b r í o , allá p o r los tiempos en q u e a n d a b a yo p o r
aquellos lugares t r a t a n d o de reunir capital para I P S y discutiendo la
estrategia c o n mis b a n q u e r o s de inversiones mientras a l m o r z á b a -
m o s en el c o m e d o r del Windows on the World. E r a preciso subir
muy alto para ver la luz, hasta lo más alto del Word T r a d e Center.
A h o r a llegaba al nivel de la calle. El desfiladero estaba reventado y
los q u e c a m i n á b a m o s p o r las aceras j u n t o a las ruinas recibíamos de
lleno los rayos del sol. No p u d e dejar de p r e g u n t a r m e si sería esa vi-
sión del cielo y de la luz lo q u e había contribuido a abrir los cora-
zones de la g e n t e . S ó l o pensarlo me d a b a reparo.
D o b l é la esquina de Trinity C h u r c h y enfilé p o r Wall Street,
de r e g r e s o a la N u e v a York de siempre, envuelta en s o m b r a s . Ni
cielo, ni luz. La g e n t e c a m i n a b a p o r las aceras a p a s o r á p i d o , sin
hacer c a s o de nadie. Un g u a r d i a le echaba una b r o n c a a un a u t o -
movilista q u e había c a l a d o el motor.
Me senté en la primera escalera q u e encontré. E r a el n ú m e r o
catorce. De algún lugar salía un r u i d o c o m o de un ventilador o un
s o p l a d e r o g i g a n t e s c o . Parecía brotar del i n m e n s o m u r o d e p i e d r a
del edificio de la B o l s a . Me fijé en las gentes q u e d e j a b a n a t o d a
prisa las oficinas para encaminarse a sus casas, o en busca de un res-
taurante o un bar d o n d e continuar discutiendo de n e g o c i o s . A l g u -
n o s , no m u c h o s , c a m i n a b a n e m p a r e j a d o s en a n i m a d a charla. P e r o
la mayoría iban solos, callados, rehuyendo la m i r a d a del o b s e r v a -
dor curioso.
El alarido de una alarma me sobresaltó. Un h o m b r e safio a
t o d a prisa de un d e s p a c h o y a p u n t ó hacia su coche con la llave para
silenciar la alarma. Al c a b o de un r a t o , h u r g u é en mi bolsillo y sa-
q u é u n p e d a z o d e papel c u i d a d o s a m e n t e d o b l a d o q u e contenía
unas estadísticas.
E n t o n c e s lo vi. C a m i n a b a p o r la acera con los o j o s b a j o s . L u -
cía u n a b a r b a gris a l b o r o t a d a y un a b r i g o m u g r i e n t o q u e d e s e n t o -
n a b a m u c h o en esa tarde calurosa y en Wall Street. Adiviné q u e era
un a f g a n o .
El me m i r ó , t i t u b e ó un instante y s u b i ó los p e l d a ñ o s . C o n
u n a breve inclinación de c a b e z a , se s e n t ó a mi l a d o p e r o d e j a n d o

274
El 11 de septiembre y las consecuencias sobre mi persona

c o m o un m e t r o de distancia entre a m b o s . La m i r a d a fija al frente


me indicó q u e si d e s e a b a conversación, d e b í a ser yo q u i e n la e m -
pezase.
— B o n i t o día.
— M u y b o n i t o . E n t i e m p o s así s e a g r a d e c e u n p o c o d e sol
— h a b l ó con m a r c a d o acento.
— ¿ P o r lo del World T r a d e Center, quiere decir?
El asintió.
— U s t e d es de Afganistán, ¿no?
M e m i r ó con sorpresa.
— ¿ T a n t o s e m e nota?
— E s q u e he viajado m u c h o . H a c e p o c o visité los H i m a l a y a . Y
Cachemira.
—Cachemira. — S e mesó la barba—. Guerra.
— S í . La India y el Pakistán. H i n d ú e s y m u s u l m a n e s . C o m o
para d u d a r de las religiones, ¿verdad?
Su m i r a d a se t r o p e z ó con la mía. Tenía los o j o s de color par-
do m u y o s c u r o , casi n e g r o , y me parecieron tristes y c a r g a d o s de
experiencia. Se volvió hacia el edificio de la B o l s a y lo señaló con el
l a r g o y h u e s u d o índice.
— S í . — E n t e n d í el g e s t o — . Tal vez sea p o r la e c o n o m í a , no
p o r la religión.
— ¿ E r a s soldado?
N o p u d e contener una sonrisa.
— N o . Asesor e c o n ó m i c o . — L e m o s t r é e l papel lleno d e esta-
dísticas—. E s t a s eran mis armas.
El t o m ó el papel en sus m a n o s .
—Números...
— E s t a d í s t i c a s del m u n d o .
El se q u e d ó m i r a n d o el papel y l u e g o s o l t ó u n a breve carca-
jada.
— N o s é leer. — Y m e l o devolvió.
— E s o s n ú m e r o s dicen q u e t o d o s los días m u e r e n d e h a m b r e
veinticuatro mil seres h u m a n o s .
Profirió un leve silbido, consideró un rato lo q u e a c a b a b a de
escuchar y l u e g o suspiró.

275
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

— Y o he e s t a d o a p u n t o de ser u n o de ellos. T e n í a un p e q u e -
ñ o h u e r t o d e g r a n a d o s cerca d e Kandahar. H a s t a q u e llegaron los
r u s o s . L o s mujaidin los esperaban detrás de los árboles y m e t i d o s
en las a c e q u i a s . — A l z ó las m a n o s haciendo el g e s t o de a p u n t a r — .
U n a emboscada.
B a j ó las m a n o s .
— D e s t r o z a r o n mis árboles y mis acequias.
— ¿ Q u é hizo u s t e d entonces?
El h i z o un a d e m á n hacia el papel q u e aún tenía yo entre las
manos.
— ¿ D i c e allí c u á n t o s m e n d i g o s hay en el m u n d o ?
N o l o decía, p e r o contesté h a b l a n d o d e m e m o r i a :
— U n o s o c h e n t a millones, creo.
— Y o lo fui. — M e n e ó la c a b e z a . L u e g o se s u m i ó en sus pen-
s a m i e n t o s y p e r m a n e c i m o s un rato en silencio, hasta q u e él prosi-
g u i ó — : N o m e g u s t a pedir limosna. Perdí u n hijo. Así q u e m e
p u s e a cultivar a m a p o l a s .
—¿Opio?
— S i n árboles ni a g u a . La única m a n e r a de alimentar a nues-
tras familias.
Sentí un n u d o en la g a r g a n t a y una tristeza d e p r i m e n t e ,
acompañada de remordimiento.
— A q u í d e c i m o s q u e está mal cultivar la a m a p o l a del o p i o ,
p e r o m u c h o s de n u e s t r o s ricos d e b e n su fortuna al c o m e r c i o de la
droga.
Me m i r ó fijamente y fue c o m o si sus o j o s penetrasen hasta el
f o n d o de mi alma.
— T ú has s i d o s o l d a d o — d i j o , asintiendo con l a c a b e z a c o m o
p a r a c o r r o b o r a r tan elemental constatación.
D i c h o esto se p u s o en pie y se alejó c o j e a n d o escaleras a b a j o .
D e s e é q u e s e q u e d a s e p e r o n o p u d e articular p a l a b r a , e n t o n c e s
c o n s e g u í p o n e r m e en pie yo t a m b i é n , y me dispuse a seguirle. Un
cartel me d e t u v o . M o s t r a b a una i m a g e n del edificio en cuya esca-
linata a c a b a b a de s e n t a r m e , y un letrero q u e notificaba a los tran-
seúntes q u e el cartel lo había p u e s t o el servicio de rutas turísticas
de N u e v a York. Decía:

276
El 11 de septiembre y las consecuencias sobre mi persona

El M a u s o l e o de Halicarnaso p u e s t o s o b r e la torre del c a m p a -


nario de San M a r c o s en Venecia en la e s q u i n a de las calles Wall
y B r o a d , tal es el c o n c e p t o inspirador de Wall Street n ú m e r o
1 4 , en su t i e m p o el edificio bancario más alto del m u n d o . En
sus 5 3 9 pies de altura se alojaron originariamente las oficinas
centrales del Bankers T r u s t , u n a de las instituciones financie-
ras más adineradas del país.

L e v a n t é la m i r a d a y c o n t e m p l é el rascacielos con r e s p e t o . A
c o m i e n z o s del siglo p a s a d o , el 14 de Wall Street r e p r e s e n t a b a lo
m i s m o q u e m á s tarde significó el World T r a d e C enter, el s í m b o l o
ó p t i m o del p o d e r í o , de la prepotencia e c o n ó m i c a . Bankers T r u s t
había sido u na de las empresas q u e me a y u d a r o n a financiar mi
c o m p a ñ í a p r o d u c t o r a de electricidad. F o r m a b a p a r t e de mi patri-
m o n i o . El p a t r i m o n i o de un s o l d a d o , c o m o había d i a g n o s t i c a d o el
a f g a n o con gran exactitud.
Q u e mi j o r n a d a hubiese concluido con semejante conversa-
ción me pareció u n a extraordinaria coincidencia. C o i n c i d e n c i a .
U n a v e z m á s esa palabra m e hizo reflexionar. Y o o p i n a b a q u e s o n
nuestras reacciones a las coincidencias las q u e d a n f o r m a a nuestras
vidas. ¿ C ó m o debía reaccionar en este caso?
S e g u í c a m i n a n d o , b u s c a n d o c o n l a m i r a d a e n t r e las c a b e z a s
de la m u l t i t u d , p e r o no volví a v e r l o . Al p a s a r f r e n t e al edificio
siguiente vi una estatua inmensa envuelta en un plástico azul.
L a i n s c r i p c i ó n d e l a p i e d r a p r o c l a m a b a q u e a q u e l l o era e l P a l a -
cio F e d e r a l , e n e l 2 6 d e Wall S t r e e t , d o n d e G e o r g e W a s h i n g t o n
j u r ó c o m o p r i m e r p r e s i d e n t e d e E s t a d o s U n i d o s , e l 3 0 d e abril
d e 1 7 8 9 . E s decir, e x a c t a m e n t e e l l u g a r d o n d e u n h o m b r e a s u -
mió por primera vez, mediante juramento, la responsabilidad
de g a r a n t i z a r la v i d a , la l i b e r t a d y la b ú s q u e d a de la felici-
d a d p a r a t o d o s . T a n c e r c a d e l a Z o n a C e r o . T a n cerca d e Wall
Street.
R o d e é la m a n z a n a para entrar en Pine Street. Allí me tropecé
cara a cara c o n el cuartel general del C h a s e , el b a n c o c r e a d o p o r
D a v i d Rockefeller con la semilla del p e t r ó l e o y la dedicación de
h o m b r e s c o m o yo. E s e b a n c o , institución a l servicio d e los E H M

277
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

y m a e s t r o en la p r o m o c i ó n del imperio global, en m u c h o s sentidos


era el v e r d a d e r o s í m b o l o de la corporatocracia.
R e c o r d é haber leído a l g u n a vez q u e el World T r a d e C e n t e r
había s i d o un p r o y e c t o l a n z a d o p o r David Rockefeller en 1 9 6 0 , y
q u e ú l t i m a m e n t e m u c h o s l o consideraban una especie d e a l b a t r o s ,
u n a e n t i d a d fallida d e s d e el p u n t o de vista financiero, mal a d a p -
tada a las m o d e r n a s t e c n o l o g í a s de la fibra óptica y de Internet, y
a g o b i a d a p o r una d o t a c i ó n de ascensores ineficiente y d e m a s i a d o
c o s t o s a . La v o z p o p u l a r llamó D a v i d y N e l s o n a esas torres g e m e -
las. H a s t a q u e cayó el albatros.
S e g u í c a m i n a n d o d e s p a c i o , casi de mala g a n a . A u n q u e la tar-
de era c a l u r o s a , sentí un estremecimiento y noté q u e se a d u e ñ a -
ba de mí u n a extraña ansiedad, c o m o un presentimiento. Al des-
c o n o c e r su o r i g e n , traté de s a c u d í r m e l o y aceleré el p a s o . De esta
m a n e r a , al p o c o me hallé de nuevo frente al a g u j e r o h u m e a n t e , el
metal r e t o r c i d o , la gran cicatriz de la Tierra. A p o y é el h o m b r o en
un edificio q u e se había salvado de la d e s t r u c c i ó n , y dirigí la mira-
da hacia el a b i s m o . T r a t é de imaginar las personas q u e salían co-
rriendo ante la inminencia del h u n d i m i e n t o de la t o r r e , y los b o m -
b e r o s q u e e n t r a b a n para tratar de salvarlas. Y la desesperación de
los q u e saltaban. P e r o no c o n s e g u í ver n a d a de eso.
Lo q u e vi fue a O s a m a bin L a d e n a c e p t a n d o dinero y a r m a s
por valor de m u c h o s millones de un h o m b r e e m p l e a d o p o r una
consultoría c o n t r a t a d a a su vez por las autoridades de E s t a d o s U n i -
d o s . L u e g o me vi a mí m i s m o s e n t a d o frente a un o r d e n a d o r con la
pantalla en blanco.
D a n d o la e s p a l d a a la Z o n a C e r o , miré a mi alrededor, a las ca-
lles de N u e v a York q u e se habían salvado del f u e g o y a h o r a reco-
braban la n o r m a l i d a d . Me p r e g u n t é q u é pensarían de t o d o e s o las
p e r s o n a s q u e c a m i n a b a n p o r aquellas calles. N o s ó l o d e l a d e s t r u c -
ción de las t o r r e s , sino también acerca de los h u e r t o s de g r a n a d o s
a r r a s a d o s y de los veinticuatro mil famélicos q u e mueren t o d o s los
días. ¿Se les ocurriría pensar en tales cosas, y desentenderse de sus
t r a b a j o s , y de sus coches sedientos de gasolina, y de sus d e u d a s y
sus hipotecas, para pensar un m o m e n t o en el m u n d o q u e iban a
dejar a sus hijos? Me p r e g u n t é si sabrían a l g o de Afganistán, no el

278
El 11 de septiembre y las consecuencias sobre mi persona

Afganistán de la televisión lleno de c a m p a m e n t o s militares y tan-


q u e s de E s t a d o s U n i d o s , sino el Afganistán de mi viejo interlocu-
tor. Y me p r e g u n t é lo q u e d e b e n pensar esos veinticuatro mil q u e
m u e r e n t o d o s los días.
E n t o n c e s me vi otra vez s e n t a d o delante del o r d e n a d o r con la
pantalla a p a g a d a .
C o n un esfuerzo, volví otra vez mi atención a la Z o n a C e r o .
De m o m e n t o , una cosa era segura: q u e mi país p e n s a b a en la ven-
g a n z a , y q u e se había fijado en países c o m o Afganistán. Pero tam-
bién me acordé de los m u c h o s lugares del m u n d o en d o n d e se o d i a
a nuestras c o m p a ñ í a s , a nuestros militares, a nuestra línea política
y a nuestra marcha hacia el imperio global.
¿ Q u é iba a ser de P a n a m á , de E c u a d o r , de I n d o n e s i a , de Irán,
de G u a t e m a l a , de la mayor parte de África?, p e n s é .
A p a r t á n d o m e de la p a r e d , eché a andar otra vez. Un tipo b a j o
y grasiento a g i t a b a al aire un p e r i ó d i c o , al t i e m p o q u e lo v o c e a b a
e n español. M e detuve.
— ¡ V e n e z u e l a al b o r d e de la revolución! — g r i t a b a para hacer-
se oír entre el r u i d o de la circulación, los b o c i n a z o s y la b a r a h ú n -
da de la g e n t e .
C o m p r é el periódico y me detuve un m o m e n t o a leer el ar-
tículo d e f o n d o . T r a t a b a d e H u g o C h á v e z , e l presidente venezola-
no y antiyanqui d e m o c r á t i c a m e n t e e l e g i d o , y del mar de f o n d o g e -
n e r a d o p o r las políticas estadounidenses en A m é r i c a L a t i n a .
¿ Q u é iba a ser de Venezuela?

279
33
r

Venezuela salvada por Saddam

enía yo s i g u i e n d o a Venezuela d e s d e hacía m u c h o s a ñ o s . E r a


V el e j e m p l o clásico del país elevado de la p o b r e z a a la p r o s p e -
ridad gracias al petróleo. Y también un m o d e l o del t r a s t o r n o q u e
el p e t r ó l e o f o m e n t a , del desequilibrio entre ricos y p o b r e s , y de
nación d e s v e r g o n z a d a m e n t e explotada p o r la c o r p o r a t o c r a c i a . E r a
el c o m p e n d i o de t o d o s los lugares d o n d e los g á n g s t e r e s e c o n ó m i -
cos al a n t i g u o estilo, c o m o yo, venían a coincidir con los de la ver-
sión corporativa, de nueva escuela.
L o s acontecimientos q u e describía el p e r i ó d i c o del día q u e vi-
sité la Z o n a C e r o eran resultado directo de las elecciones de 1998
en q u e los p o b r e s y los d e s h e r e d a d o s de Venezuela eligieron p r e -
1
sidente a H u g o C h á v e z p o r aplastante m a y o r í a . Sin p é r d i d a de
t i e m p o , éste instituyó medidas drásticas para controlar la judicatu-
ra y otras instituciones, y disolvió el p a r l a m e n t o v e n e z o l a n o . D e -
n u n c i ó el « d e s v e r g o n z a d o imperialismo» de E s t a d o s U n i d o s , vitu-
p e r ó la globalización, e introdujo una ley de h i d r o c a r b u r o s q u e
r e c o r d a b a , incluso por el n o m b r e , a la q u e J a i m e Roídos hizo p r o -
m u l g a r en E c u a d o r p o c o antes de q u e se estrellase su helicóptero.
E s a ley duplicaba los derechos a p a g a r p o r las c o m p a ñ í a s extran-
jeras del p e t r ó l e o . A continuación C h á v e z desafió la tradicional
independencia de la estatal Petróleos de Venezuela, r e e m p l a z a n d o
2
a los directivos de ésta por personas de su c o n f i a n z a .
El c r u d o de Venezuela es imprescindible para m u c h a s e c o n o -
mías del m u n d o . En 2 0 0 2 este país era el c u a r t o e x p o r t a d o r m u n -

281
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

dial, y el tercero en i m p o r t a n c i a de los p r o v e e d o r e s de E s t a d o s


3
U n i d o s . C o n cuarenta mil t r a b a j a d o r e s y una facturación anual de
5 0 . 0 0 0 millones de d ó l a r e s , Petróleos de Venezuela a p o r t a el 80
p o r ciento de los ingresos p o r exportación. E s , con m u c h o , el fac-
4
tor principal de la e c o n o m í a v e n e z o l a n a . Al pasar a controlar esa
industria, C h á v e z se perfilaba c o m o u n o de los p r o t a g o n i s t a s del
escenario m u n d i a l .
Para m u c h o s v e n e z o l a n o s , esto era un desenlace a n u n c i a d o , la
culminación de un p r o c e s o iniciado o c h e n t a años antes. El 14 de
diciembre de 1 9 2 2 b r o t ó de la tierra, cerca de M a r a c a i b o , un gran
surtidor de p e t r ó l e o . Cien mil barriles de c r u d o saltaron al aire a
diario d u r a n t e tres días s e g u i d o s . Y fue este incidente g e o l ó g i c o lo
q u e c a m b i ó a Venezuela para siempre. En 1 9 3 0 este país era el pri-
m e r e x p o r t a d o r m u n d i a l . L o s venezolanos veían en el p e t r ó l e o la
solución d e t o d o s sus p r o b l e m a s .
D u r a n t e los cuarenta años siguientes, las rentas del p e t r ó l e o
hicieron p o s i b l e q u e Venezuela pasara de ser u n o de los países m á s
e m p o b r e c i d o s del m u n d o a u n o de los más p r ó s p e r o s de L a t i n o a -
mérica. T o d a s las estadísticas vitales m e j o r a r o n : las atenciones sa-
nitarias, la e d u c a c i ó n , el e m p l e o , la longevidad y los índices de su-
pervivencia de recién nacidos. L a s e m p r e s a s p r o s p e r a b a n .
En 1 9 7 3 los precios del c r u d o se dispararon p o r efecto del
e m b a r g o d e c r e t a d o p o r la O P E P y el p r e s u p u e s t o nacional vene-
z o l a n o s e multiplicó p o r cuatro. E l pistolerismo e c o n ó m i c o p u s o
m a n o s a la o b r a . La banca internacional volcó s o b r e el país e m -
préstitos a raudales c o n q u e construir vastas infraestructuras, p r o -
yectos industriales, y los rascacielos m á s altos del hemisferio. En la
d é c a d a de 1 9 8 0 e m p e z a r o n a llegar los E H M de la variante cor-
porativa. E r a para ellos la gran o p o r t u n i d a d de e m p e z a r a practicar
el oficio a p r e n d i d o . L a s clases medias venezolanas habían c o b r a d o
un t a m a ñ o considerable y representaban un m e r c a d o a b i e r t o para
t o d a clase d e p r o d u c t o s . A l m i s m o t i e m p o , q u e d a b a u n sector
m u y n u m e r o s o de p o b r e s d i s p u e s t o s a trabajar en factorías y m a -
quiladoras.
A c o n t i n u a c i ó n se h u n d i e r o n los precios del c r u d o y Vene-
zuela n o p u d o p a g a r sus d e u d a s . E n 1 9 8 9 e l F M I i m p u s o severas

282
Venezuela salvada p o r S a d d a m

m e d i d a s de austeridad y Caracas fue p r e s i o n a d a para c o l a b o r a r con


la c o r p o r a t o c r a c i a de otras muchas maneras. La reacción venezola-
na fue violenta. En los disturbios murieron m á s de doscientas per-
s o n a s . Atrás q u e d a b a la ilusión del petróleo c o m o manantial ina-
g o t a b l e de r i q u e z a . E n t r e 1 9 7 8 y 2 0 0 3 , la renta v e n e z o l a n a per
5
cápita cayó más de un 40 por c i e n t o .
A m e d i d a q u e cundía la p o b r e z a se intensificó el resentimien-
to. Se registró u n a polarización de la soc iedad, con enfrentamien-
tos entre las clases medias y los p o b r e s . C o m o tantas veces ha ocu-
rrido en los países cuya e c o n o m í a d e p e n d e de la p r o d u c c i ó n
petrolífera, h u b o un c a m b i o radical de los equilibrios demográfi-
cos. La contracción de la economía perjudicó a las clases medias y
a u m e n t ó el n ú m e r o de p o b r e s .
E s t a nueva situación demográfica creó las condiciones para
C h á v e z . . . y para el conflicto con Washington. U n a v e z en el p o d e r ,
el presidente t o m ó iniciativas q u e fueron recibidas c o m o o t r o s
tantos desafíos p o r la administración B u s h . A p o c a s fechas del 11
d e s e p t i e m b r e , Washington consideraba sus o p c i o n e s . L o s E H M
habían fracasado. Tal vez sería hora de enviar a los chacales.
El 1 1 - S c a m b i ó t o d a s las prioridades. El presidente B u s h y sus
consejeros se vieron en la necesidad de buscar aliados entre la c o -
m u n i d a d internacional en a p o y o de la c a m p a ñ a e s t a d o u n i d e n s e en
Afganistán y de una invasión de Iraq. Para c o l m o , la e c o n o m í a es-
t a d o u n i d e n s e había e n t r a d o en recesión. Venezuela q u e d ó relega-
da al f o n d o de la cocina. T a r d e o t e m p r a n o , sin e m b a r g o , C h á v e z
y B u s h tendrían q u e verse las caras. Si el c r u d o de Iraq y o t r o s del
O r i e n t e P r ó x i m o estaban a m e n a z a d o s , W a s h i n g t o n n o p o d í a c o -
rrer el r i e s g o de descuidar a Venezuela d u r a n t e d e m a s i a d o t i e m p o .
M i s excursiones por la Z o n a C e r o y Wall Street, la conversa-
ción c o n el viejo a f g a n o y las noticias de la Venezuela de C h á v e z
me llevaron al p u n t o q u e durante m u c h o s a ñ o s había t r a t a d o de
evitar: el m o m e n t o de echar una fría o j e a d a a las consecuencias
de mis actos de los últimos tres decenios. I m p o s i b l e negar el papel
q u e había d e s e m p e ñ a d o , ni el hecho de q u e mi labor en el pistole-
rismo e c o n ó m i c o afectaba a la generación de mi hija, c o n resulta-
d o s s u m a m e n t e negativos. M e d a b a cuenta d e q u e n o p o d í a seguir

283
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

a p l a z a n d o la acción expiatoria de saldar cuentas c o n la vida p a s a d a ,


de tal m a n e r a q u e abriese los o j o s a otras p e r s o n a s en c u a n t o al sig-
nificado de la c o r p o r a t o c r a c i a y q u e hiciese c o m p r e n d e r p o r q u é
nos odiaba medio m u n d o .
E m p e c é a escribir otra vez, p e r o me pareció entonces q u e lo
q u e llevaba escrito s e había q u e d a d o a n t i c u a d o . E r a necesario p o -
nerlo al día de a l g u n a manera. Incluso pensé viajar a Afganistán,
Iraq y Venezuela para escribir un c o m e n t a r i o a c t u a l i z a d o s o b r e
esos tres países. A mi m o d o de ver, ejemplificaban otras tantas pa-
radojas de la vida política actual. L o s tres habían sufrido g r a n d e s
t r a s t o r n o s y se hallaban en p o d e r de u n o s líderes q u e d e j a b a n b a s -
tante q u e desear (el talibán cruel y d e s p ó t i c o , el p s i c ó p a t a de S a d -
d a m , y el i n e p t o en cuestiones de e c o n o m í a C h á v e z ) . P e r o en nin-
g u n o de los c a s o s la reacción de la corporatocracia e s t u v o dirigida
a remediar los p r o b l e m a s de f o n d o de esos países, sino q u e se li-
m i t ó a tratar de desestabilizar a los dirigentes c u a n d o a m e n a z a b a n
nuestra política petrolera. En m u c h o s aspectos Venezuela presen-
t a b a el c a s o m á s interesante, p o r q u e si bien la intervención militar
era ya u n a realidad en Afganistán, y parecía inminente en I r a q , la
posible r e s p u e s t a de la administración frente a C h á v e z s e g u í a en-
vuelta en el misterio. A mí no me interesaba dilucidar si C h á v e z era
b u e n o mal d i r i g e n t e , sino c ó m o reaccionaría W a s h i n g t o n ante un
líder q u e se p l a n t a b a c o m o un o b s t á c u l o en la m a r c h a de la c o r p o -
ratocracia hacia el imperio global.
L a s circunstancias intervinieron una vez m á s , sin d a r m e t i e m p o
a organizar ese viaje. Mis actividades humanitarias me llevaron varias
veces a Suramérica en el transcurso del 2 0 0 2 . En una de mis excur-
siones a la A m a z o n i a me a c o m p a ñ ó una familia venezolana cuyos
negocios estaban viéndose arruinados p o r el régimen de C h á v e z .
N o s hicimos grandes a m i g o s , y de esta manera p u d e escuchar su
versión del caso. T a m b i é n hablé con latinoamericanos del o t r o ex-
t r e m o del espectro social, q u e veían en C h á v e z a un salvador. La
marcha de los acontecimientos en Caracas me pareció sintomática
del m u n d o c r e a d o por n o s o t r o s , los E H M .
En d i c i e m b r e de 2 0 0 2 la situación llegó al p u n t o de crisis tan-
t o e n Venezuela c o m o e n I r a q . L o s d o s países f o r m a b a n u n con-

284
Venezuela salvada por S a d d a m

t r a p u n t o perfecto. En I r a q , y visto q u e los esfuerzos sutiles de los


E H M y los chacales no d o b l e g a b a n a S a d d a m , se p r e p a r a b a la s o -
lución última, la invasión. En Venezuela, la administración B u s h
p o n í a en j u e g o el m o d e l o iraní de K e r m i t Roosevelt. C o m o infor-
mó el New York Times:

C i e n t o s de miles de venezolanos salieron hoy a la calle para


declarar su adhesión a la huelga nacional, q u e entra hoy en su
Q
28 día con el designio de forzar la dimisión del presidente
H u g o Chávez.
L a h u e l g a , cuyo s e g u i m i e n t o s e estima e n u n o s 3 0 . 0 0 0
t r a b a j a d o r e s del pe tr óle o, a m e n a z a con causar e s t r a g o s en esta
nación — l a quinta entre las principales p r o d u c t o r a s m u n d i a -
l e s — en los meses venideros [...]
En los últimos días la huelga ha a l c a n z a d o u n a especie
de p u n t o m u e r t o . El señor C h á v e z está u t i l i z a n d o a los o b r e -
r o s d i s p u e s t o s a trabajar para tratar de n o r m a l i z a r el funcio-
n a m i e n t o de la petrolera estatal. Sin e m b a r g o , sus adver-
sarios, e n c a b e z a d o s p o r una coalición de dirigentes de la
p a t r o n a l y de los sindicatos, a s e g u r a n q u e la h u e l g a llevará al
6
c o l a p s o a esa c o m p a ñ í a , y p o r tanto al g o b i e r n o C h á v e z .

Así, e x a c t a m e n t e , fue c o m o d e r r i b ó la C Í A a M o s a d d e q y lo
r e e m p l a z ó p o r el sha. El paralelismo era estrecho a más no poder.
E r a c o m o u na a s o m b r o s a repetición de la historia cincuenta a ñ o s
m á s tarde. C i n c o d é c a d a s , y todavía el p e t r ó l e o c o m o fuerza m o -
triz d e t o d o .
El 4 de e n e r o de 2 0 0 3 se p r o d u j o un c h o q u e entre los parti-
darios de C h á v e z y sus o p o n e n t e s . El tiroteo d e j ó d o s m u e r t o s y
d o c e n a s de heridos. Al día siguiente hablé c o n un viejo a m i g o q u e
había t e n i d o q u e ver con los chacales d u r a n t e m u c h o s a ñ o s . L o
m i s m o q u e y o , nunca trabajó directamente a s u e l d o de n i n g u n a
administración, p e r o c o n d u j o operaciones clandestinas e n m u c h o s
países. M e c o n t ó q u e u n contratista privado s e había p u e s t o e n
c o n t a c t o con él para pedirle q u e fomentase h u e l g a s en C a r a c a s y
s o b o r n a s e a oficiales del ejército, m u c h o s de ellos f o r m a d o s en la

285
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

E s c u e l a de las A m é r i c a s , para q u e se sublevasen c o n t r a su presi-


d e n t e electo. El no a c e p t ó la p r o p u e s t a , p e r o , s e g ú n c o m e n t ó :
— E l q u e ha a c e p t a d o el trabajo sabe lo q u e se trae entre m a -
7
nos.
A q u e l m i s m o m e s d e e n e r o d e 2 0 0 3 los precios del c r u d o al-
c a n z a r o n n u e v o s m á x i m o s y las reservas de E s t a d o s U n i d o s llega-
ron a su nivel m á s b a j o d e s d e hacía veintiséis a ñ o s . Yo sabía q u e la
administración B u s h estaba movilizando t o d o s sus recursos para
derribar a C h á v e z . Al p o c o se s u p o q u e lo había c o n s e g u i d o , q u e
C h á v e z a c a b a b a de caer. El New York Times a p r o v e c h ó este g i r o de
los a c o n t e c i m i e n t o s para transmitir una perspectiva histórica... y
de p a s o , identificaba al h o m b r e q u e por lo visto había d e s e m p e ñ a -
do el papel de K e r m i t R o o s e v e l t en la Venezuela c o n t e m p o r á n e a :

En defensa de sus intereses e c o n ó m i c o s y políticos, E s t a d o s


U n i d o s [...] viene a p o y a n d o a los r e g í m e n e s autoritarios de
C e n t r o a m é r i c a y S u r a m é r i c a d e s d e los tiempos de la G u e r r a
fría.
En la d i m i n u t a G u a t e m a l a y en 1 9 5 4 , la A g e n c i a C e n t r a l
de Inteligencia m o n t ó un g o l p e para derribar el g o b i e r n o d e -
mocráticamente elegido, y durante cuatro decenios respaldó
l u e g o a los sucesivos regímenes ultraderechistas frente a los
p e q u e ñ o s g r u p o s rebeldes d e izquierdas. H u b o u n a s 2 0 0 . 0 0 0
víctimas entre la p o b l a c i ó n civil.
En C h i l e , un g o l p e a p o y a d o por la C Í A c o n t r i b u y ó al ac-
c e s o del general Pinochet al p o d e r , q u e o c u p ó d e s d e 1 9 7 3
hasta 1 9 9 0 . En Perú, un frágil g o b i e r n o d e m o c r á t i c o investi-
ga todavía la actuación de la A g e n c i a d u r a n t e u n a d é c a d a en
a p o y o del hoy d e p u e s t o y exiliado presidente A l b e r t o K. Fuji-
mori y del m a l f a m a d o jefe de sus servicios de e s p i o n a j e , Vla-
dimiro L. Montesinos.
E s t a d o s U n i d o s tuvo q u e invadir P a n a m á e n 1 9 8 9 para
derribar a su n a r c o d i c t a d o r M a n u e l A. N o r i e g a , quien había
s i d o d u r a n t e veinte a ñ o s un valioso informante para la inteli-
g e n c i a e s t a d o u n i d e n s e . En el afán de o r g a n i z a r u n a o p o s i c i ó n
a r m a d a c o n t r a el r é g i m e n izquierdista de N i c a r a g u a p o r cual-

286
Venezuela salvada p o r S a d d a m

quier m e d i o , incluida la venta de armas a Irán a c a m b i o de di-


nero en efectivo, se llegó al enjuiciamiento de varios altos fun-
cionarios de la administración R e a g a n .
E n t r e los investigados entonces f i g u r a b a O t t o J . Reich,
un v e t e r a n o de las luchas latinoamericanas. El señor Reich
n u n c a ha s i d o p r o c e s a d o oficialmente. M á s tarde fue n o m b r a -
do e m b a j a d o r de E s t a d o s U n i d o s en Venezuela, y actualmen-
te d e s e m p e ñ a p o r n o m b r a m i e n t o presidencial directo el c a r g o
de subsecretario de e s t a d o para los a s u n t o s interamericanos.
8
C o n la caída del señor C h á v e z se ha c o l g a d o otra m e d a l l a .

El señor Reich y la administración B u s h aún estarían cele-


b r a n d o el g o l p e contra C h á v e z c u a n d o un s u c e s o i n e s p e r a d o vino
a interrumpir la fiesta. En un g o l p e de m a n o s o r p r e n d e n t e , C h á -
vez se rehizo y r e c o b r ó el p o d e r c u a n d o aún no habían transcurri-
do setenta y d o s horas. A diferencia del iraní M o s a d d e q , C h á v e z
p u d o contar c o n la lealtad de sus militares, pese a t o d o s los inten-
tos de indisponer contra él a la alta oficialidad. A d e m á s tenía de su
parte a la p o d e r o s a petrolera estatal; Petróleos de Venezuela desa-
fió a sus millares de huelguistas y c o n s i g u i ó r e a n u d a r su funciona-
miento.
C u a n d o se s o s e g ó un p o c o la situación, C h á v e z reforzó su
c o n t r o l s o b r e los t r a b a j a d o r e s de la petrolera, a p a r t ó de las filas
del ejército a los escasos oficiales insurrectos, y envió al exilio a
m u c h o s de sus principales adversarios políticos. Para los d o s diri-
g e n t e s m á s d e s t a c a d o s de la o p o s i c i ó n , teledirigidos d e s d e Was-
h i n g t o n y aliados de los chacales en la dirección de la h u e l g a na-
9
cional, se solicitaron veinte años de c á r c e l .
En último análisis, t o d a esta serie de acontecimientos fue ca-
tastrófica para la administración B u s h . C o m o escribió Los Angeles
Tintes:

El p a s a d o martes, funcionarios de la administración B u s h re-


c o n o c i e r o n q u e venían discutiendo desde hacía meses la d e p o -
sición del presidente venezolano H u g o C h á v e z con m i e m b r o s
de la dirigencia militar y civil [...] La gestión del fracasado gol-

287
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

pe p o r parte de la administración está s i e n d o investigada con


10
creciente a t e n c i ó n .

O b v i a m e n t e el pistolerismo e c o n ó m i c o había fracasado y los


chacales t a m b i é n . Venezuela en 2 0 0 3 resultaba ser m u y diferente
de Irán en 1 9 5 3 . Yo me p r e g u n t a b a si eso sería p r e m o n i t o r i o , o
u n a simple a n o m a l í a . . . y s o b r e t o d o , q u é iba a hacer W a s h i n g t o n
en c o n s e c u e n c i a .
En mi o p i n i ó n se había evitado una crisis seria en Venezuela,
al m e n o s de m o m e n t o , y se había salvado C h á v e z gracias a S a d d a m
H u s s e i n . L a administración B u s h n o p o d í a o c u p a r s e d e Afganis-
tán, Iraq y Venezuela, t o d o al m i s m o tiempo. Por el m o m e n t o , no
le a l c a n z a b a n ni los recursos militares, ni los a p o y o s políticos. P e r o
y o sabía q u e tales circunstancias p u e d e n c a m b i a r e n m u y p o c o
tiempo, y q u e el presidente C h á v e z tendría q u e enfrentarse a u n a
o p o s i c i ó n e n c o n a d a e n u n p r ó x i m o futuro. C o n t o d o , l o o c u r r i d o
en Venezuela fue un recordatorio de q u e no habían c a m b i a d o m u -
c h o las cosas en los últimos cincuenta a ñ o s . . . e x c e p t o los resulta-
dos.

288
34
•iwmm&tmmm»*,

Retorno a Ecuador

V e n e z u e l a era u n c a s o clásico. N o o b s t a n t e , y c o n f o r m e c o n -
t e m p l a b a el d e s a r r o l l o de los a c o n t e c i m i e n t o s allí, me di
c u e n t a de q u e e s t a b a n t r a z á n d o s e en o t r o país las líneas de la ba-
talla significativa d e v e r d a d . Q u e l o era, n o p o r q u e r e p r e s e n t a s e
m á s e n t é r m i n o s d e d ó l a r e s o d e vidas h u m a n a s , s i n o p o r q u e im-
plicaba c u e s t i o n e s q u e iban m u c h o m á s allá d e los o b j e t i v o s m a -
terialistas p o r los q u e g e n e r a l m e n t e se definen los i m p e r i o s . E s e
frente se s i t u a b a en la entraña de la civilización m o d e r n a , m á s allá
de los ejércitos de b a n q u e r o s , ejecutivos c o m e r c i a l e s y políticos.
Y se l o c a l i z a b a en un país q u e yo c o n o c í a y h a b í a a p r e n d i d o a
a m a r , e l p r i m e r o e n d o n d e t r a b a j é c u a n d o era v o l u n t a r i o del
Peace C o r p s : E c u a d o r .
E n los a ñ o s t r a n s c u r r i d o s d e s d e esa estancia mía d e 1 9 6 8 , e l
p e q u e ñ o país se había c o n v e r t i d o en la víctima quintaesencial de
la c o r p o r a t o c r a c i a . M i s c o n t e m p o r á n e o s y y o , s e g u i d o s de n u e s -
t r o s e q u i v a l e n t e s y s u c e s o r e s c o r p o r a t i v o s , c o n s e g u i m o s llevarlo
a l b o r d e d e l a b a n c a r r o t a . L e p r e s t a m o s miles d e millones d e d ó -
lares c o n el fin de q u e p u d i e r a c o n t r a t a r a n u e s t r a s c o m p a ñ í a s de
ingeniería y c o n s t r u c c i ó n para la realización de los p r o y e c t o s q u e
i n t e r e s a b a n a las familias e c u a t o r i a n a s m á s a d i n e r a d a s . La c o n s e -
cuencia file q u e en tres d e c e n i o s , el nivel oficial de p o b r e z a p a s ó
del 5 0 a l 7 0 p o r ciento d e l a p o b l a c i ó n . E l n ú m e r o d e d e s e m p l e -
a d o s o s u b e m p l e a d o s creció del 15 al 70 p o r c i e n t o , la d e u d a p ú -
blica a u m e n t ó de 2 4 0 millones de d ó l a r e s a 1 6 . 0 0 0 m i l l o n e s , y la

289
CONFESIONES DE UN GÁNGSTER ECONÓMICO

p a r t i c i p a c i ó n de las clases h u m i l d e s en la renta nacional d e c a y ó


del 20 al 6 p o r ciento. H o y día, E c u a d o r d e b e d e d i c a r a p a g a r
d e u d a s casi e l 5 0 p o r c i e n t o del p r e s u p u e s t o nacional, e n v e z d e
auxiliar a los m i l l o n e s de c i u d a d a n o s s u y o s oficialmente clasifica-
1
d o s c o m o c e r c a n o s a l nivel d e i n d i g e n c i a .
La situación de E c u a d o r demuestra con claridad q u e t o d o
eso no ha sido el resultado de una conspiración. El p r o c e s o con-
t i n u ó b a j o las a d m i n i s t r a c i o n e s d e m ó c r a t a s y b a j o las r e p u b l i -
c a n a s , y ha s i d o un p r o c e s o en el q u e intervinieron t o d o s los
g r a n d e s b a n c o s m u l t i n a c i o n a l e s , m u c h a s c o r p o r a c i o n e s y las d e -
l e g a c i o n e s d e a y u d a a l exterior d e n u m e r o s o s p a í s e s . E s t a d o s
U n i d o s d e s e m p e ñ ó e l papel p r o t a g o n i s t a p e r o n o h a s i d o e l ú n i -
c o actor.
D u r a n t e e s t o s tres d e c e n i o s , miles de h o m b r e s y m u j e r e s
h a n p a r t i c i p a d o en la tarea de llevar a E c u a d o r hasta la e n d e b l e
p o s i c i ó n en q u e se halla a c o m i e n z o s del m i l e n i o . A l g u n o s de
ellos, c o m o y o , s a b í a n l o q u e e s t a b a n h a c i e n d o . P e r o l a g r a n m a -
yoría se limitó a aplicar lo q u e se les había e n s e ñ a d o d u r a n t e sus
e s t u d i o s de a d m i n i s t r a c i ó n de e m p r e s a s , ingeniería o d e r e c h o , o
se limitaron a e m u l a r el e j e m p l o de los jefes q u e , c o m o y o , e j e m -
plificaban el f u n c i o n a m i e n t o del sistema m e d i a n t e su p r o p i a avi-
d e z y a p l i c a b a n el s i s t e m a de p r e m i o s y c a s t i g o s d i r i g i d o a p e r p e -
t u a r d i c h o s i s t e m a . E s t o s participantes se veían a sí m i s m o s llenos
d e b u e n a s i n t e n c i o n e s , c o m o p o c o , y los m á s o p t i m i s t a s c o n s i d e -
r a b a n q u e e s t a b a n a y u d a n d o a un país e m p o b r e c i d o .
I n c o n s c i e n t e s y e n g a ñ a d o s , o a u t o e n g a ñ a d o s en m u c h o s ca-
s o s , sí, p e r o n o j u r a m e n t a d o s e n n i n g u n a c o n s p i r a c i ó n clandesti-
na. E s o s a c t o r e s eran p r o d u c t o d e u n sistema q u e lleva a d e l a n t e
la f o r m a de i m p e r i a l i s m o m á s sutil y m á s efectiva q u e el m u n d o
haya visto n u n c a . N a d i e t u v o q u e salir a b u s c a r h o m b r e s y m u j e -
res q u e se d e j a s e n s e d u c i r p o r s o b o r n o s o p o r a m e n a z a s : e s t a b a n
ya r e c l u t a d o s p o r las c o m p a ñ í a s , los b a n c o s y las a g e n c i a s de la
a d m i n i s t r a c i ó n . L o s s o b o r n o s consistían e n salarios, incentivos,
planes d e p e n s i o n e s y p ó l i z a s d e s e g u r o s . L a s a m e n a z a s s e b a s a -
b a n en la s a n c i ó n social, la p r e s i ó n de los rivales y el t e m a t á c i t o
de la futura e d u c a c i ó n de los hijos.

290
Retorno a Ecuador

El éxito del sistema había s i d o espectacular. A la e n t r a d a del


n u e v o m i l e n i o , E c u a d o r era una nación t o t a l m e n t e e n t r a m p a d a .
L o t e n í a m o s a g a r r a d o c o m o e l p a d r i n o d e l a M a f i a tiene a g a r r a -
do a un s e g u i d o r d e s p u é s de ayudarle a p a g a r la b o d a de su hija
y la p u e s t a en m a r c h a de su p e q u e ñ o n e g o c i o . C o m o b u e n o s
mafiosos, habíamos procedido cautelosamente. Podíamos permi-
tirnos el lujo de ser pacientes s a b i e n d o q u e d e b a j o de la selva
a m a z ó n i c a e c u a t o r i a n a yacía un mar de p e t r ó l e o . C a d a c o s a a su
debido tiempo.
E s e t i e m p o llegó a c o m i e n z o s del 2 0 0 3 , mientras yo enfilaba
en mi S u b a r u O u t b a c k el serpenteante c a m i n o d e s d e Q u i t o hasta
Shell, en m e d i o de la selva. C h á v e z , restablecido en V e n e z u e l a ,
h a b í a d e s a f i a d o a G e o r g e W. B u s h y había salido vencedor. S a d -
d a m p l a n t a b a cara y se disponía a ser invadido. L a s reservas de
p e t r ó l e o a l c a n z a b a n el nivel más bajo de los ú l t i m o s tres d e c e n i o s ,
casi, y no parecía q u e fuese posible pedir más a n u e s t r o s principa-
les p r o v e e d o r e s . Peligraban, p o r t a n t o , las cuentas de p é r d i d a s y
g a n a n c i a s de la c o r p o r a t o c r a c i a . N e c e s i t á b a m o s un as en la m a n -
g a . H a b í a l l e g a d o el m o m e n t o de reclamar n u e s t r a libra de carne
ecuatoriana.
M i e n t r a s d e j a b a atrás el d e s c o m u n a l e m b a l s e s o b r e el río
P a s t a z a , iba c o m p r e n d i e n d o q u e allí en E c u a d o r la batalla no se
limitaría a la clásica lucha entre los ricos del m u n d o y los m e n e s -
t e r o s o s , entre los e x p l o t a d o r e s y los e x p l o t a d o s . En ese frente
q u e d a r í a d e f i n i d o , en el fondo, lo q u e é r a m o s en t a n t o q u e civi-
liza