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Tópico: Tenente Blake Landon.
Status: Duas semanas de licença obrigatória.
Missão: Se distrair de qualquer maneira.
Obstáculo: Uma deliciosa tentação.
O fuzileiro naval Blake Landon conhece o regulamento do início ao fim e o cumpre com precisão.
Mas quando uma missão termina em tragédia, todo o seu pelotão é afastado por duas semanas.
Para sua sorte, Blake encontra uma ruiva estonteante e percebe que regras, principalmente as
de sedução, apenas existem para serem quebradas.
A cientista Alexia Lane só pensa em sexo. Em parte, por causa de seu trabalho, mas, sobretudo
porque deseja um homem que faça o seu sangue ferver. Ela tem apenas uma restrição: não
namora militares. Mas o corpo fascinante de Blake exala prazer por todos os poros, e Alexia não
consegue resistir. Ela estava a um passo de atingir o nirvana quando descobre que ele é um
fuzileiro. E se uma regra é quebrada, é praticamente certo que outras também serão…

Queria um homem que a mantivesse acordada a noite inteira gemendo de prazer. Que a
enlouquecesse de desejo, que a levasse às nuvens como jamais sonhara. Queria orgasmos. Muitos,
muitos orgasmos.
Mesmo que fosse apenas por uma noite.
E aquela, compreendeu, era a chave. Uma noite de paixão e loucuras. Uma noite de sexo quente,
delicioso, com um homem que satisfizesse cada desejo seu... Um homem que a faria derreter.
Uma noite seria espetacular.
Uma noite seria o bastante.
– Isto é loucura – sussurrou contra os lábios sedutores de Blake.
– Concordo – disse ele, traçando-lhe o contorno do lábio inferior com a língua e, então,
mordicando-o. Quando a ouviu soltar uma exclamação surpresa, deu-lhe um beijo mais suave. –
Mas certas loucuras são deliciosas...

Muitas mulheres se sentem atraídas por homens fardados. Entretanto. jurara para si mesma que nunca se envolveria com alguém de patente. Mas quando conheceu o delicioso Blake Landon. mas não Alexia Pierce! Com ela.Querida leitora. achou que tinha encontrado o homem de seus sonhos. ele era perfeito para satisfazer todas as suas fantasias mais inconfessáveis. tudo muda quando Alexia descobre que Blake é fuzileiro naval… E o protegido de seu pai! Será que ela conseguirá se manter fiel aos seus princípios ou quebrará o próprio juramento? Boa leitura! Equipe Editorial Harlequin Books . forte e com um físico escultural. Lindo. Como fora criada por um oficial. é exatamente o oposto.

Tawny Weber SEDUÇÃO Tradução Tina Jeronymo 2014 .

os membros da guarda de honra levaram as armas aos ombros e mantiveram-se eretos e rígidos como os carvalhos que se enfileiravam ao longo do cemitério. . Vinte e um tiros. O silêncio profundo foi. Sempre costumara ir diretamente ao McDonald’s para comprar batata frita no minuto em que houvera chance. Com uma expressão impenetrável no rosto. três.. e a beleza pranteia os corajosos. a tradição sagrada de honrar o nobre guerreiro focava-se no serviço prestado. instigando de leve. Não mencionaria quanto ele adorara a praia. no Cemitério Nacional de Arlington. interrompido pelo som do corneteiro.. insinuando. Ali. bravura e sacrifício envolveram-no como a brisa suave. Mas esse não era o Phil que estavam homenageando no momento. nem ao fato de que ele sempre levara uma cobra de borracha nas missões para quebrar a tensão. o tenente Phil Hawkins era um soldado. Não importando quanto a missão deles fosse complexa. mas sem realmente exercer impacto. estreitando os olhos contra o brilho do sol matinal. bastava que estivessem de folga e Phil ia à praia – sol. As palavras do capelão sobre honra. – Joseph Drake UM ESTRONDO pairou no ar enquanto sete armas explodiram sucessivamente.Capítulo 1 E aqueles que morrem por seu país encontrarão uma sepultura honrada. na dedicação e no sacrifício ao país. esfregando em seguida um amuleto de pata de coelho. Não houve menção ao senso de humor de Phil. O capelão não sabia que. Phil beijara infalivelmente a foto da mãe. antes de pular de um avião. O tenente Blake Landon se manteve em posição de sentido. Ali. Costumara dizer que era sua recompensa pelos tiros que levava regularmente. Um. dois. enfim. pois a glória ilumina o túmulo do soldado. surfe e garota de biquíni.

interrompendo-lhe o rumo dos pensamentos. Ele endureceu o maxilar e percorreu o caixão coberto com uma bandeira rapidamente com o olhar antes de desviá-lo para as árvores a distância. o capitão dava início ao ritual de dobrar o tecido vermelho. De um jeito ou de outro. Quis dizer que era um absurdo achar que era fácil deixar a perda de seu companheiro de luta. Blake dirigiu a atenção ao almirante. Então. Mas os anos de treinamento.Com o pelotão inteiro dos fuzileiros navais presente. determinados a ultrapassar os próprios limites. – Não. Seus companheiros de esquadrão. o almirante meneou a cabeça. Encolheu-se por dentro quando a viu perder o controle e soluçar trêmula com o rosto de encontro à bandeira. Não conseguiu sair dali. Os “Três Amigos”. Em vez disso. Ele. de seu amigo. Enquanto o capelão dizia as palavras finais de conforto. olhando para o homem mais velho. fortes e altos. Evidenciando que esperava exatamente aquilo. que levava os soldados ao limite físico e psicológico. – Obrigado. O companheiro de pelotão de elite. o respeito pelo homem que o recrutara para os fuzileiros.80 m de Blake em uns cinco centímetros. de lado. para serem super-heróis. mas ele permaneceu onde estava. Grato pela distração. Todos vaidosos. lutava e treinava. Eram provavelmente simbólicos. Não deixe que isso atrapalhe o seu caminho. Preparados para oferecer o sacrifício máximo por seu país. o amigo. Inseparáveis. como se corresse os dedos pelo rosto do filho. apenas inclinou a cabeça para indicar que saberia lidar com a situação. – Tenente – saudou-o o almirante Pierce num tom sério –. branco e azul. começando a se dispersar. o homem mais velho era de estatura maior do que o próprio 1. – As palavras de Blake soaram tensas enquanto observava a mãe de Phil alisar gentilmente a bandeira dobrada. Os homens com quem servia. eliminam tal pensamento quase antes de ter se formado. o olhar nesse triângulo de tecido e não o desviou enquanto o funeral era encerrado. então. desviou o olhar para o arvoredo ao longe. Seu orientador e mentor. O piadista. Com o cabelo tão branco e reluzente quanto o uniforme. celebrariam em homenagem a Phil. – O almirante lançou um olhar às árvores e suspirou. senhor. como se não importasse tanto? Blake quis protestar. Eles tinham passado juntos pelo treinamento de Demolição Subaquática. sei que esta é uma perda difícil para você e a sua equipe. Blake mantinha-se ombro a ombro com a sua equipe. Tornou a estudá-lo. onde carvalhos se enfileiravam. como o restante da equipe os chamara. Um homem corpulento se aproximou. Assim. . Mas ele estava tendo dificuldade em encontrar consolo. Hawkins. As pessoas ao redor se moveram. o homem. o capitão pousou gentilmente a bandeira dobrada nas mãos da sra. – Nunca fica mais fácil – comentou o almirante. Os meus sinceros sentimentos. Blake fixou. – E deveria? – perguntou Blake. Ansiando por manter algum tipo de distância. olhou ao redor do cemitério. Logo mais à noite. – Mas é algo que você vai enfrentar novamente. Phil e Cade. Seu superior. Agora. o parceiro.

A fúria era como uma tempestade se formando em seu íntimo. – Senhor? – Duas semanas de licença remunerada a partir de agora. Sei que a equipe vai vibrar com a licença remunerada. ele ainda sorria como se tivesse acabado de receber uma Medalha de Honra do Congresso. O meu pai vai ficar feliz. Trabalho. Precisava de uma distração. Tinha uma habilidade tão grande para parecer sincero que. Obrigado. Com uma palavra gentil e um toque no ombro da sra. – Senhor? – Vou conceder uma licença aos dois. Cade Sullivan. Hawkins. Ao menos quando não se era o objeto de sua mentira. e a mesma raiva com que Blake se esforçava em lidar evidenciou-se nos vívidos olhos verdes dele. essa emoção desapareceu e seu sorriso – aquele que convencia tanto amigo quanto inimigo a pensarem que era um bom sujeito – se abriu. O Blake de “Escoteiro”. o almirante acenou com a cabeça e prosseguiu num tom grave: – Vocês acabaram de concluir uma missão tensa e perderam um dos seus. Blake e Cade trocaram um olhar. Uma missão. Em se tornar o melhor fuzileiro que pudesse ser. Era por esse motivo que Phil apelidara Cade de “Espertalhão”. – Parece que é o momento de uma viagem até em casa.– Tenente-comandante. ganhando força. o comandante da equipe de Blake e o terceiro amigo ficaram imediatamente a postos. Sempre fizera tudo da maneira certa e sua vida inteira fora focada em estar preparado. crescendo. o almirante Pierce se virou e atravessou o gramado na direção de ambos. Como se lesse seus pensamentos. quando aliada àquele sorriso. pois deixarei um aviso nos portões informando que vocês estão de licença até o dia 17 de setembro. Blake quis protestar contra uma ordem. a habitual fachada charmosa de Cade ruiu. Por um segundo. – Suas palavras foram carregadas pela brisa. Não queria uma licença. o cenho levemente franzido e um gesto de ombros para saber que os dois homens estavam de pleno acordo. E quanto a Phil? Ele era o “Piadista”. Assim mesmo. A última coisa que dissera antes que aquela bomba o explodisse ao meio? Toc Toc! Toc Toc! Apertando os lábios. valia ouro. Cade detestava visitar sua casa e o pai odiava recebê-lo lá. Num instante. acima da relva branda e dos murmúrios da multidão que ia se dispersando. Bastaram dois segundos. Espero que tenham lugares para ficar fora da base. O talento de Cade para mentir era digno de nota. Ou a academia de ginástica da base. O estande de tiro resolveria. De preferência algo que incluísse explodir grandes construções e disparar grandes quantidades de munição. . Não queriam sair de licença. senhor. Precisava de uma válvula de escape. Pela segunda vez desde que entrara para a Marinha americana – e ambas as vezes num período breve de tempo. A verdade era que a equipe ficaria extremamente contrariada. Blake olhou fixamente para as linhas escuras e esguias do caixão.

um tanto curto demais para o gosto dela. Poderá conhecer a minha filha. Ele aceitara a ordem e. com sua estatura de 1. já que não havia escolha. como as que davam um ar intenso e sexy a um homem. e tinha um leve indício de ondulação. civis que se recostavam uns nos outros. na ponte Golden Gate. Conhecer a filha do almirante? Droga. assim como o almirante. Não conseguia ver os olhos dele àquela distância. ela podia apostar que o corpo dele combinava perfeitamente com o seu. Blake franziu a testa. enquanto suas partes femininas lhe garantiam exatamente isso. o bar e clube noturno local que Phil curtia.75 m. atlético e. Espero você lá. Qualquer coisa. Tinha o tipo de porte musculoso. O restante das pessoas que havia comparecido ao funeral se dispersava.Cade se desculpou para ir informar aos demais sobre a licença. E Blake ficou ponderando suas últimas palavras. – Vejo você no dia quinze. – Sei que posso arranjar algo para fazer – disse numa voz quieta. – Com isso. O homem que caminhava à beira do mar era desse tipo. Alexia enrolou um dos próprios cachos com o dedo. – Landon? – disse o almirante em tom inquiridor. Blake planejava viajar pela Califórnia mesmo. Não iria para casa. era superior a Blake. – No dia quinze. o almirante se afastou com um sorriso austero e um tapa no ombro que teria desequilibrado um homem mais fraco. . Havia muitas coisas para se sentir grata na vida. Um corpo saudável. uma vez que parecia não notar como as mulheres o devoravam com os olhos quando passava. mas como faziam parte da licença remunerada. portanto. O tipo de homem que deixava uma mulher bastante ciente de todas as suas partes femininas. mas era dono de sobrancelhas escuras e grossas. já era fato. Cade. Pernas compridas venciam a areia enquanto ele andava em direção ao oceano. com ombros caídos enquanto atravessavam o extenso gramado. tão humilde quanto era sexy. eram apenas dois dias. que evidenciava força física. imaginando que um homem que cortava o cabelo tão rente não gostaria nem um pouco da aparência dela quando o tempo úmido deixava sua cabeleira num estado lastimável. Como se houvesse alternativa. QUENTE. ágil e bem definido. Depois disso. O cabelo era escuro. Ele havia entendido mal? Ora. haverá a minha festa de aposentadoria. refletiu Alexia Pierce. Eram todas boas. Bonito. iria aproveitá-los afinal. Bons amigos. exibindo ombros deliciosamente largos e um notável abdome firme. deixando-o a sós com o almirante. Alto. Os rapazes iriam se reunir mais tarde no JR’s. – Achei que tivéssemos recebido ordens para permanecer fora da base até o dia 17. iria dar uma olhada em Alcatraz. Subiria a costa de caminhonete. mas não era corpulento como um fisiculturista. Era menos bem-vindo no estacionamento de trailers onde havia sido criado do que Cade em sua luxuosa mansão. Chocolate. Mas não tão boas quanto a visão de um homem bonito e quase totalmente despido.

Havia sido tão fácil odiá-lo por isso.Ou uma genética abençoada. É mais uma amizade – admitiu. Se havia algo em que era boa era em argumentar. Tinha os mesmos olhos castanho-escuros que os seus. não sei exatamente o que temos. Chegou a invejar a água que escorreu por aquele corpo rijo e firme como uma rocha. – Rindo. Alexia lhe atirou a tolha de volta e tornou a sentar-se em sua cadeira de praia. Gemendo mentalmente. O moreno desconhecido era uma combinação poderosa de vários elementos atraentes e. – Michael era um mestre do sarcasmo. Não estou acostumada a um calor destes na segunda semana de setembro. surgindo daqui e dali. Havia se baseado em apenas uma meia dúzia de encontros. – Você não está num relacionamento? Ainda enquanto ignorava a pergunta com um aceno de mão. mas fora abençoado com cílios espessos. Uma relação mais significativa. para o irmão. e olhou novamente para o mar. Por que isso a excitava muito mais do que a ideia de ver Edward inteiro. – Para ser sincera – acrescentou –. Alexia protegeu os olhos contra os arcos brilhantes de sol que se refletiam do Pacífico e interferiam na sua apreciação da personificação da virilidade enquanto ele mergulhava no mar. ela e Edward eram apenas colegas que haviam saído juntos algumas vezes. Michael baixou os óculos escuros de lentes avermelhadas para estudá-la. Franzindo a testa. despido? . – Não estou no que se pode chamar de um relacionamento amoroso. afundando os dedos dos pés na areia morna. ao passo que ela tinha de recorrer a um rímel apropriado para lhes dar volume. Seria pedir demais que uma grande onda o envolvesse e a ajudasse a dar uma espiada? Não custava torcer por isso. Não soube por quê. sem compromisso. – Quer uma toalha? – Hum? – murmurou ela. – Claro. olhou para a toalha de praia vermelha e.. fazia uma mulher forte e independente gemer de desejo. E nem a ver um homem sexy o bastante para fazê-la babar. – Estou transpirando por causa do sol. Ela se perguntou se a pele era igualmente dourada por baixo do calção de banho azul que usava. desviou os olhos abruptamente da água. – Bobo. Amigos – sem vínculo adicional. – Para que é isto? – Para enxugar o seu queixo. Era verdade que havia três meses que estivera tentando argumentar consigo mesma para levar isso adiante. Mesmo que estivesse num relacionamento. É o calor. No mínimo. E àquela altura. então. pegando distraidamente o tecido macio que lhe foi entregue. em pensamentos. Tudo o que conseguia ver do nadador era o cotovelo. sorvendo um gole. e suas palavras soaram secas como a areia abaixo dos pés de ambos. admitiu a si mesma. ou o sol do verão passado havia lhe dado um bronzeado leve.. – Você se mudou para o outro lado do país por causa de um cara. somando-os a uma amizade já sólida para tentar torná-la algo mais. olhar não era trair. Alexia levou a garrafa de água mineral aos lábios. uniforme e de ar natural. Isso me parece coisa de um relacionamento amoroso sério. com certeza.

Gostava de tudo em Edward. promover o projeto e fazer diferença na maneira como ele é visto pela imprensa. Havia estudado sob a orientação de Edward durante dois anos enquanto ele estivera em Nova York. antes de ter se mudado para a Califórnia para assumir a direção do Instituto de Ciência. – Isso me trouxe de volta à Califórnia e. Julgava esses fatores tão importantes num relacionamento quanto sinceridade e diálogo. A primeira era que ela era bem mais esperta do que a maioria. gostavam da companhia um do outro e sempre havia assunto de sobra para conversarem. um dos mais notáveis cientistas especializados em Psicoacústica. Estou feliz por você ter voltado para casa. Sem paixão. Isso é o mesmo que uma carreira para mim – declarou. – Só estou provocando você. é melhor que uma mulher seja a porta-voz e representante. – Exato. conforme pensou a respeito. Certinho não é tão bom em falar sobre sexo quanto você? Alexia sorriu largamente. programação neurolinguística e tecnologia de ondas cerebrais. E a terceira era que o pai nunca a amaria.O que a levava a seu dilema. Vou fazer pesquisas aprofundadas. – Mostre um pouco mais de incentivo. agradeça ao dr. – Eles vão ter um ataque de nervos. nossos pais vão parar de pegar um pouco no meu pé. então. você deveria estar agradecido. Eu vou me reunir com investidores. trabalhando nele. Investidores querem conversar com alguém que esteja diretamente envolvido no projeto. seu sorriso diminuiu. – Me mudei para o outro lado do país para uma oportunidade de emprego única. como o projeto se concentra mais em sexualidade feminina. Na época em que começara o terceiro ano primário. O homem era brilhante. Sem excitação. Sim. – Com você aqui. E não conseguia imaginar um relacionamento sem sexo. colocando a garrafa de água de volta na areia. Mas quanto a falar a respeito? A praticar? Não tinha tanta certeza. mas. está bem? O sorriso de Alexia desapareceu por completo. Dirigiu-lhe um olhar divertido. Tinham muito em comum. E conseguirei ser o rosto do projeto Recuperando a si Mesmo. Como isso a levou a se tornar relações públicas também? Alexia reagiu com uma careta ao tom irritado do irmão. atirando-lhe uma toalha. Edward era excelente na ciência do sexo. não é? – murmurou. – Você é uma especialista em Física Acústica com uma especialização secundária em Psicologia. finalmente compreendera que não havia nada que pudesse fazer em relação à terceira. portanto. A segunda era que não se encaixava perfeitamente nos moldes adotados onde quer que fosse. Certinho por mim. Após alguns anos explorando a primeira descoberta e tentando esconder a segunda. Alexia já soubera de três coisas. Assim. falando publicamente sobre sexo o tempo todo. Nem nos do convívio com as crianças da sua idade. destinadas a promover a recuperação sexual de vítimas de abuso através de mensagens subliminares. Sou melhor em assuntos sociais do que Edward e. sim? – disse. orgasmos e trocas de carinho espontâneas. – Em outras palavras. Estou totalmente entusiasmada por esse cargo. aos 13 . o dr. nem nos dos planos dos pais para ela e tampouco nos moldes que a sua psicóloga infantil denominara como normas da sociedade. – Michael deu-lhe um tapinha no ombro. O único problema era que não se sentia sexualmente atraída por ele. Refugiando-se nos estudos.

O almirante era um homem intimidante. – Não se estresse com isso – aconselhou-a Michael num tom gentil. em vez de na parte relacionada ao sexo em si. na companhia de um guarda da Marinha americana 13 anos mais velho. Talvez não gostem dos temas que você vai abordar. dizendo que não se importava. Por mais que quisesse agir de uma maneira dura e desprovida de emoções em relação aos pais. então. Descobriu mais maneiras de se rebelar do que gostaria de recordar. – O que está se passando entre você e o dr. mencionei o meu ensaio fotográfico para a Calvin Klein e parecia que eu havia tentado cantar o garçom. dando a entender que deviam ignorar tanto o assunto em questão quanto a culpa que Alexia começava a demonstrar. Mas não mudaria o seu jeito de ser para obter isso. porque os dois quase engasgaram à mesa. – Nossa mãe está radiante com a sua volta e o nosso pai vai acabar cedendo eventualmente. Michael. como se esperasse exatamente essa resposta e. A pessoa que amava verdadeiramente Alexia. – Ela soltou um suspiro. ainda não sabia se o pai notara alguma dessas coisas. ou algo assim. A maneira como esbravejou e ficou desgostoso mal havia penetrado em sua crise de ressaca. no fato de que este projeto de pesquisa ajudará potencialmente vítimas de abuso a superarem seus medos – ponderou Alexia. estaria fora da sua casa e não faria mais parte da família. Numa voz gélida. um salto em duas ou três séries e um calendário repleto de atividades normais. Em consequência. com uma coleção de prêmios escolares. obviamente acompanhandolhe o rumo das reminiscências. E até o presente. Percebendo isso. – Michael riu. acrescentou que enviaria Michael para estudar num internato no exterior. Sim. chega de falar em quanto deixamos os nossos pais orgulhosos. Ele meneou a cabeça. – Michael sacudiu a mão no ar. ela foi apanhada pelos policiais militares da base. Não se importou com a fúria do pai. Quando o irmão a olhou como se tivesse passado diretamente de ingênua a iludida. acabou cansando da mesmice. Certinho? . – Claro. Esse foi o segundo ponto de virada em sua jovem vida. na vez seguinte em que ela saísse da linha. Recorreu à comida pouco saudável e ao açúcar em busca de consolo. certo? Para facilitar as coisas para os dois. – Dá quase para sentir pena deles. No mês passado. Não é nada fácil para o modelo principal da Sassy’s Fancy. – Talvez eles se concentrem mais. aos 16 anos. aceitáveis e extremamente entediantes. ela enrugou o nariz. finjo ser heterossexual. parou de sociabilizar e começou a perder aulas. De quem ficaria afastada até que ele tivesse 18 anos segundo a vontade do pai. bêbada e seminua. Ela deu de ombros.anos. o almirante tratou de lhe mostrar de uma vez por todas de quem havia herdado a inteligência. garantiu que. – Não somos exatamente o seu ideal de filhos perfeitos. quando vou encontrá-los para o almoço de domingo. – Bem. havia uma parte de si que ainda ansiava – com o desespero de uma criança pequena – por aprovação. Que aceitava a irmã como era e vibrava com sua energia e espontaneidade. mas o prestígio por você aparecer na TV e o fato de saberem que você estará participando de festas grandiosas e bilionárias como uma socialite vão acabar dobrando os dois de uma vez. desde que ignorem a parte em que vou falar em público sobre sexo. Mas ele notou quando. uma revista só para homens.

Exatamente. de dialogar. era um homem que ganhava a vida mantendo a boa aparência. cujo único objetivo era esculpir os músculos. se tomasse sol demais. Inteligente. Por ele. a acalentasse. Cada célula do seu ser se concentrou. – E não sei o que está se passando entre nós para ser franca. Músculos bem definidos. não tinha problema para se bronzear. seu olhar foi até o mar. posso ter questionado seu bom senso e o seu corte de cabelo ao longo dos anos – comentou Michael pensativo –. e francamente vaidoso demais. O que é melhor do que isso? – Alguém que faça você sentir coisas sobre as quais vale a pena falar? – arriscou Michael num tom sério. E não era a pura verdade! Uma onda de contentamento tomou conta de Alexia. agradável e com grande capacidade de se comunicar. Aquele é um homem e tanto. Não parecia do tipo obcecado pelo físico. no corpo dele. desde o topo da cabeça sexy até os pés másculos e bem feitos. O moreno. Ao mesmo tempo. como um raio laser. – É razoável – desdenhou Alexia como se seu corpo não estivesse em brasa só em olhar para o moreno. Deixou que a visão do corpo dele. Tinha tendência a sardas. Com ele. Ainda que fosse apenas para uma pessoa – mesmo que essa pessoa fosse seu irmão. porém.. . Não houvera como resistir.– Você sabe muito bem que o sobrenome de Edward é Darshwin – corrigiu-o ela pela enésima vez. Precisava sentir-se importante. Mas não se tratava apenas do emprego dos seus sonhos como também da chance de morar perto do irmão novamente.. Atlético. – Quando foi que ficou tão esperto? – Lançou um olhar curioso ao irmão. E embora ela não buscasse muito a estabilidade nos tempos atuais. mas nunca vi defeito na sua visão. Que a fizesse esquecer a tensão e as preocupações. Até poderia ter recusado a oferta de trabalho que a levara de volta a San Diego. Ele é um amor de pessoa. então. Haviam crescido como filhos de militar e a única coisa estável na vida de ambos tinha sido o fato de poderem contar um com o outro. Um homem que gosta de conversar sobre sentimentos. se sentia sexualmente atraída. O corpo espetacular. apenas porque não sou um gênio como você não significa que não sou inteligente. mas era dono de um porte atlético natural. à procura do belo espécime masculino outra vez. saiu da água. – Querida. E um tipo novo de tensão tomou conta dela. Sim. forte e confiante enquanto vencia as ondas. Esparramado sobre uma toalha de praia turquesa. para oferecer reflexões tão profundas. Ela deu um suspiro. seguindo a deixa dele e inclinando-se para pegar o filtro solar. O homem era uma obra de arte. Ao contrário de muitas ruivas. Como se tivesse sido instigado pelas palavras de Michael. parecia bonito. Ali estava um homem que faria uma garota sentir coisas sobre as quais valeria a pena falar. precisava de amor. podia se imaginar facilmente suplicando por mais… – Sabe. E irradiava puro magnetismo. todos os pensamentos coerentes se desvaneceram. Especial.

– Você disse “se atreva”? – Michael abriu um sorriso largo e totalmente malicioso. pousou os olhos na sereia sexy sentada descontraidamente numa cadeira de praia. Por que não vai até lá fazer uma tentativa? – Porque é justamente o contrário. – Acho que ele não é o seu – riu Alexia. então. eram tão incríveis quanto todo o restante dele – passaram por Michael para se fixar em Alexia. mas ainda está sentada aqui. Blake lançou um olhar ao rapaz sorridente e à garrafa de água e. Seus olhos – sim. Ou enterrada na areia. o fato de ser bonito. desejando subitamente estar de volta num avião rumo a Nova York. ou porque havia deixado suas coisas ali perto. com licença – disse num tom educado enquanto se erguia elegantemente. – Oh. – Esse seria o melhor motivo para dar em cima dele. mas não foi rápida o bastante. para tomar algo. – Você tem um minuto? O nadador viril diminuiu o passo. – Vamos descobrir? – sugeriu Michael enquanto o homem caminhava na direção de ambos. acrescentando: – Essa é a minha irmã. – Blake – apresentou-se o homem numa voz possante e agradável que tinha apenas um quê de sotaque sulista. A menos que não seja o seu tipo. caminhando na direção de ambos. . – Michael – disse por entre dentes. oferecendo-a.– Razoável? Apenas razoável? – replicou o irmão num tom indignado. Acenou com a cabeça na direção dela. – Michael! – Alexia estendeu a mão sem demora para segurar o braço do irmão. admirando o nadador sexy. Um homem que irradiava tanta energia sexual. envolvendo-a com seu calor. – Fiquei me perguntando se você gostaria de se reunir a mim. Qualquer uma das alternativas seria melhor do que esperar o que sabia que estava por vir. adiantando-se depressa com um sorriso efusivo para estender a mão. – Não se atreva. ou talvez em resposta aos intensos sinais que Alexia estava lhe enviando mentalmente. Eram olhos de um intenso e maravilhoso azul. Seu olhar teve o efeito de um delicioso banho sensual. Alexia. – Como dar em cima de um completo estranho só porque é bonito. Ou talvez seus olhos estivessem simplesmente ofuscados pelo exemplo de perfeição masculina logo adiante. – Seria um grande favor. – O que Nova York fez a você? Disse que não está num relacionamento. – Sou Michael – disse o irmão. – Não seria pensando em manter ou não um relacionamento? – Seja como for. Com uma bela cabeleira ruiva e pele dourada. tão quente quanto a estação em si. Alexia poderia jurar que sentiu o mundo à sua volta oscilar. como se ela tivesse insultado todos os homens bonitos do mundo. a nós. que a fazia se perguntar quantas horas seriam necessárias para tentar suas dez posições favoritas do Kama Sutra seria gay? Isso seria um crime contra todas as mulheres. Você pode ajudar a resolver uma discussão entre mim e a minha irmã. Parecia um presente de despedida do verão passado. tenho que continuar pensando até chegar a uma decisão antes de fazer alguma maluquice – retrucou ela. deixou-o com água na boca. Eu estou num relacionamento. – Michael inclinou-se para pegar uma garrafa de água mineral da caixa térmica.

Em qualquer outra ocasião. Depois de ter acabado de retornar de uma visita à sua casa. – O sorriso do homem não diminuiu. acho que estamos num impasse. – Jantar e dança. sexy o bastante para deixar um homem agradecido pelo verão e praias. – Você terá que desculpar Michael – falou a ruiva. – Que discussão? – ouviu-se perguntando em vez de seguir o próprio conselho. ele lançou um olhar perplexo à ruiva. O maxilar era forte. Para a tornarem pior. Simplesmente dê uma desculpa e vá embora. Um momento em que pudesse cobri-la com toda a atenção que merecia. Ao primeiro olhar. – Então. Cade havia sido uma péssima companhia. Olhos quase grandes demais para o rosto eram encimados por sobrancelhas escuras. – Você é muito gentil – disse ela com um sorriso luminoso. – Não posso culpá-lo por isso. mas a checava duplamente para garantir que as regras que seguia eram exatamente como as escritas. – É do tipo que segue a linha “quem não arrisca não petisca”. as duas semanas anteriores tinham servido apenas para lembrá-lo da dor da perda. A tatuagem de uma rosa vermelha destacava-se no ombro com o cabo e as folhas se entrelaçando até o bíceps. distante. Realçado por um pequeno biquíni lilás que lhe favorecia as curvas bem feitas. nem a sua atitude mudou. Blake fez uma pausa para encará-lo. – Alexia acha que um encontro quente equivale a um jantar e um cinema – disse-lhe o homem que o parou. Nem tampouco o surfe. Não apenas fazia tudo de acordo com a sua cartilha. apagado. O sol não havia ajudado. Que vivia de acordo com as regras. baixando os óculos escuros de lentes avermelhadas pelo nariz para revirar os olhos com ar cômico. Sou do tipo tradicional. Mas a maneira como meneou a cabeça deixou claro que entendera a mensagem de que não fazia o tipo de Blake em absoluto. O corpo. O que você acha? Com a garrafa de água mineral a meio caminho da boca. disse a si mesmo. era sensacional. – Entediante. Ele era o tipo de homem que construíra sua carreira fazendo a coisa certa. acho que tem mais a ver com um clube e dança. Assim. Ao menos. Blake escapara para a praia. paz. Pragmático? Funcionava para ele. O cara estava dando em cima dele? Tentado a rir. não teria hesitado em promover uma aproximação. seus traços não tinham uma beleza tradicional. – Ambas as coisas – disse com convicção. Mas em vez de oferecerem conforto. Eram marcantes demais. não é? Na minha opinião. Havia ficado alguns dias no apartamento de Cade. mergulhado no tipo de humor sombrio que sempre o dominava quando lidava com a família. O sorriso que ela deu em resposta foi como um raio de sol que o tirou do buraco negro onde nem sequer se dera conta de que estivera escondido. era um corpo que o fez desejar que a tivesse conhecido num outro momento. Silencioso. E tinha certeza de que conversar com estranhos seria igualmente inútil. – Ah. fora assim até então. . os lábios cheios continham uma curva sensual que instigou ainda mais a libido subitamente desperta dele.

Seu corpo protestava veementemente em contrário à sua racionalização. E por mais que parecesse tentador se perder num corpo exuberante e convidativo como o de Alexia parecia. Um homem esperto que lutava contra seus fantasmas evitava substâncias e atividades que viciavam. As águas azuis. desconcertando-o por um instante. Observou-lhe a pele dourada do abdome firme. Mulheres lindas. . sabia que seria insensatez. enfim. seus olhos tornaram a pousar na ruiva estonteante. alegre. já havia feito seu corpo passar coisas piores do que ignorar uma mulher bonita. contudo. A última coisa que vira do amigo foi seu sorriso largo. sexies. drogas. sentia-se vivo. – Obrigado – disse. Como que por vontade própria. – Mas tenho que ir. Phil havia seguido as regras. tentando reencontrar a paz. à risca. Acabaria superando. Pela primeira vez em duas semanas. Arrependeu-se mais e mais a cada passo. Ao longo de dez anos na Marinha americana. Assombrado pela lembrança. haviam perdido um integrante. Qualquer coisa que o deixasse entorpecido e lhe permitisse esquecer as lembranças. A equipe inteira as seguia.A imagem de Phil passou por sua mente. Seu corpo se manifestou de imediato. Fora até ali para superar a dor e se refazer. um momento antes do estilhaço ter atingido seu capacete. Talvez fosse exatamente o que ele precisava no momento. Antes de poder mudar de ideia. notando as tiras finas que lhe prendiam a parte debaixo do biquíni aos quadris arredondados. não tiveram o efeito balsâmico de acalmá-lo. ergueu a garrafa de água para enfatizar o agradecimento e afastou-se. o sangue correu mais depressa pelas veias. jogatina. porém. Ela não parecia ser do tipo que seguia regras. Ainda assim. Álcool. Blake desviou o olhar para o oceano. dividindo o sorriso entre o casal de irmãos.

Mas aquela inquietação. – Alexia manteve a voz baixa para tentar manter a conversa entre ambos em privacidade. Após a sua reação de manhã ao “moreno sexy da praia”. não haveria meio de aceitar um relacionamento sem sexo. a voz ao fundo de sua mente gritando “não”? Nada disso era normal. Após sua conversa com Michael na praia naquela tarde. O que precisava dizer para deixar seus sentimentos claros? Não queria magoá-lo. Sem que o sorriso se apagasse do rosto bonito. a vontade de correr. Depois de proferir palavras tão constrangedoras. É muito importante para mim. Mas acho que não devemos arriscá-la tentando transformá-la em algo mais. E. Uma massagem completa naquele corpo viril seria uma boa maneira. Os sons ao redor pareceram subitamente amplificados: garfos batendo em pratos. A excitação também. precisava esclarecer a situação. com certeza. os passos dos garçons no piso cerâmico e até o ruído das tortillas ainda quentes sendo colocadas no molho. Tivera de se conter para não perseguir o homem pela praia. oculta do restante dos clientes que jantavam no restaurante. Não. ela conteve a respiração e aguardou a resposta de Edward. havia se dado conta de que teria que lidar com o assunto antes que começasse a trabalhar na semana seguinte. O nervosismo é natural antes de se dar um grande passo num relacionamento. sorveu um gole de água. como ainda se referia em seus pensamentos ao pedaço de mau caminho chamado Blake. o nervosismo. atirar-se aos pés dele e lhe implorar que a deixasse compensá-lo pelo comportamento estranho do irmão. – Valorizo a nossa amizade. então. percebeu Alexia pesarosa.Capítulo 2 – EDWARD. De qualquer modo. A química. A expectativa era natural. – Sei que vamos ficar bem. Não deixe que isso preocupe você. a paixão eram fatores fundamentais. . PENSEI muito a respeito disto que quero lhe dizer. Estava ganhando tempo para lidar com a própria reação. caso estivessem em circunstâncias do tipo “Ele vai gostar de me ver nua?” e “Ele estará disposto a posições criativas?”. Edward passou o guardanapo pelos lábios e. o desejo.

Nossos interesses. Como poderia trabalhar com indivíduos submetidos a testes e esperar que pessoas que sofreram trauma sexual confiassem nela e quisessem que as ajudasse se não conseguia nem sequer falar sobre as suas próprias necessidades sexuais? – Ouça – disse Edward. Tendo tentado isso por vezes o bastante e ainda com os pais para provar que não ia dar certo. sacudindo o garfo no ar como meio de indicar que era desnecessário se preocupar. Mas ele não estava dando atenção ao seu subconsciente. ele estava certo.. – Sei o que está preocupando você. aliás. buscou a mão dele em cima da mesa. Se fosse o caso. Outros tinham a libido tão fraca que não se interessavam por sexo. com certeza.. havia ficado tão excitada pensando nele que acabara tendo dois orgasmos no chuveiro enquanto se preparara para sair para jantar. Era evidente que o subconsciente estava lhe enviando uma forte mensagem de que ela e Edward não se destinavam a ser um casal. – Deixando de lado as enchiladas que mal havia tocado.Ora. todos se encaixam. que Edward se encaixava nessa categoria. Não uma. Aquela chama mítica não está ardendo entre nós. certo? Alexia obrigou-se a curvar os lábios num sorriso de assentimento. – Formamos um ótimo par. cobrindo-a com a sua. – Mas essas são coisas que formam uma forte amizade. usando a si mesmo como caso de estudo durante os testes. tanto nos bastidores tanto como porta-voz. – Você . – A nossa espécie foi feita para ter ligações sexuais. O que isso dizia sobre a sintonia de ambos? Edward tinha o costume de acreditar que bastava ignorar algo de que não gostava para que o problema gerado acabasse desaparecendo. nós sempre nos divertimos muito juntos – disse Edward animadamente. sorveu um gole de sua margarita de romã – a terceira – e se perguntou o que fazer. Estamos em total sintonia. entrelaçando as mãos de ambos. faria o próprio diagnóstico e mergulharia num tratamento. objetivos. – Querida. não os esconderia. O cabelo loiro reluzia com os reflexos dos lustres coloridos. e relaxou de imediato. Não achava. Ansiou por dizer tudo que a estava incomodando. Assim. alguma manifestação física de atração. Você acha que deveria haver alguma energia. E um tanto deslocado socialmente às vezes. Porque. em vez de mantê-lo no pessoal. ela podia ao menos ser compreensiva. e os dentes perfeitos faiscavam. Mas se tivesse problemas. Nem às suas palavras. – Isso tudo é importante. Alexia teve de se conter para não atirar as mãos no ar e dizer “Eureca”! – E você não acha isso? – Havia trabalhado por tempo o bastante na área da saúde sexual para saber que havia homens que não conseguiam ter desempenho algum. Como poderia dizer que não tinha absolutamente nenhum interesse sexual por ele? Havia se especializado na arte de avaliar mensagens subliminares na parte central do cérebro que controlava reações sexuais. naquele aspecto. em formato de piñata. Era um estudioso e aficionado por trabalho. Ambos estavam em sintonia e se divertiam juntos. Estava prestes a começar num cargo que exigia pleno envolvimento. teria de falar em público sobre como reparar e estimular reações sexuais. Isso é o que conta. porém. – Ela resolveu mudar a abordagem do assunto para o campo científico. mas as palavras custavam a sair. valores. Alexia não conseguiu prosseguir. Mas não era o bastante.

Suspirando. como amizade e interesses semelhantes. e. isso não era sexy? Alexia esvaziou o copo de margarita. não vendo outra escolha. – Nesse meio tempo. Se fossem insignificantes. Contendo um suspiro. prática e comedida. Isso importa mais do que meia dúzia de orgasmos insignificantes. – Pense a respeito – sugeriu. se apagam com a mesma rapidez que começaram. . Quem precisava disso?. melhor.. E quando fizermos isso. Acabe de se instalar no seu apartamento. pedindo outra margarita. – É melhor embasar um relacionamento em emoções mais sólidas e duradouras. Edward devia ter notado sua inquietação. poderiam retomar a amizade da maneira como fora de início. As chances de um relacionamento romântico durar sem sexo são mínimas. Afinal. quanto antes ele conseguisse aceitar isso. desse modo. relacionamentos baseados em atração sexual não duram. Explodem. deixando-o mudar de assunto. aproveite o fim de semana. pensou perplexa. Exatamente como deve ser entre dois cientistas inteligentes focados num relacionamento a longo prazo. não iria mudar de ideia e. não se preocupe conosco. os mesmos objetivos na vida. entreabriu os lábios para dizer que já tomara sua decisão. Deixe que o seu subconsciente trabalhe nisso. Edward pareceu tão sincero. quentes e intensos e. tão gentil que Alexia sentiu um aperto no peito por ter de deixar a situação clara. contraindo o rosto mentalmente. certo? Você não tem um evento de família para ir neste fim de semana? – A festa de aposentadoria do meu pai. – Inserir os elementos físicos no nosso relacionamento não será problema. fez um sinal para o garçom. Isso fazia parte da arte da comunicação. Ora. Bem. Temos os mesmos valores. Era a impressão que passava? A de uma mulher que se contentaria com praticidade e comedimento. será de uma maneira bem pensada. já lhe contei sobre a onda mais recente de manifestações de malucos que o instituto está recebendo? – A brigada das mulheres amargas está protestando contra o sexo outra vez? – Ela decidiu ceder no momento. Na cama? O último lugar onde seria comedida era na cama.. – Somos cientistas que nos especializamos em saúde sexual – prosseguiu Edward.. percebendo que o amargor da romã se igualou ao de sua boca.conhece as estatísticas tão bem quanto eu. pois sacudiu a cabeça. Vou esperar um pouco antes de voltar a falar a respeito. – Simplesmente esqueça esse assunto por ora. como se quisesse impedi-la de dizer algo.. pois. então. Alexia podia lhe dar razão. – Veja bem. no domingo – assentiu ela. Como se adivinhasse sua intenção. apertando os dedos de leve antes de tornar a pegar o garfo. – Edward se inclinou para frente sobre a mesa e suas palavras soaram tão sinceras quanto o ar veemente em seu rosto. Como isso poderia ser divertido? A única coisa pior teria sido uma câmara de torturas. enfim. Seria divertido. Talvez queira rever os lugares que costumava frequentar. Interpretar os sinais a fim de saber quando falar ou quando deixar o barco correr à espera de uma ocasião mais oportuna. claro. Edward apressou-se a dizer: – Enquanto isso.

– Ao que parece. ele ainda era o seu chefe. – Existem muitos estudos nessa área – comentou Alexia e sorriu para o garçom enquanto ele substituía seu copo vazio pelo novo drinque. Porque sabia o poder que a satisfação sexual podia oferecer e acreditava realmente que todos mereciam uma chance de desfrutar esse tipo de prazer. Ora. Edward fez um gesto de assentimento. então. Um europeu queria nos oferecer uma verba para estudar raiva e agressão. Com certeza. Não para ganhar dinheiro para quem quer que tivesse mais verba a investir. O clube noturno e bar ficava em frente a um longo trecho de praia e estava iluminado como um parque de diversões. Mas é claro que estamos tão envolvidos com o projeto atual que nossa reputação ficaria abalada se o deixássemos a esta altura. Queria dançar. Ou apenas de sexo incrível. a raiva se desvaneceu. desta vez. – Não com o foco de se usar mensagens subliminares e manipulação de ondas cerebrais para incitar raiva. na realidade. Uma hora e meia depois.Levando em conta a maneira como ele contornou o assunto. Alexia pagou o taxista e desceu na calçada incrustada de conchas diante do JR’s. Um ponto de encontro habitual de pessoas ligas à Marinha local. Segurou o garfo com tanta força que deixou a marca na mão. sacudiu a cabeça. ainda bem que ele estava preocupado com a reputação profissional. Não soube ao certo porque fora até ali. não era que não ficasse tumultuado. Relaxar numa multidão de estranhos. – Incitar? Os congestionamentos de trânsito da cidade já não são o bastante para isso? Depois de franzir a testa por um instante. Tanto que cheguei a ficar tentado. era melhor que ela deixasse a questão de lado. frustrada. esse deleite estava fora do alcance. ouvimos protestos da brigada de mulheres praticamente toda semana. E o JR’s era o único clube que conhecia bem o suficiente para se sentir segura. foi o bastante para fazê-la sentir-se sufocada. E a ideia de passar mais tempo com Edward. Edward sorriu e. Enquanto se permitia relembrar a imagem das nádegas dele. quer resultantes de condicionamento ou de abuso. foi algo diferente. tão firmes e sólidas por baixo da sunga. Deixando o fato de estarem saindo juntos. mas conseguiu conter a raiva e se abster de um comentário mordaz. Mas tinha três grandes vantagens. Mas. Alexia não gostou nem um pouco da ideia de que Edward e o foco do instituto pudessem ser comprados. Aquele era o tipo de homem que inspirava fantasias e deixava uma mulher bastante ciente de sua própria feminilidade. – Oh. Mas também não queria ir para casa. a amizade e o restante de lado. não precisava de outro drinque. fazendo de conta que tudo estava às mil maravilhas. não. o moreno estonteante era tão sedutor e irresistível quanto nas fantasias. Havia aceitado o cargo no instituto porque queria ajudar as pessoas. Mas para mulheres com problemas na área. se recusou a ouvir e usou uma linguagem corporal evasiva. Era uma pena que não tivesse tido a chance de descobrir se. Chamá-lo de ganancioso e mercenário não seria nada sensato. agitado. Seus pensamentos se voltaram para o moreno sexy e bonito que vira na praia à tarde. Por enquanto. Era um lugar . Esse cavalheiro ofereceu uma grande soma de dinheiro. Poderia ter chamado isso de incentivo ao trabalho.

o seu cartão com saída livre de apuros. embora respeitasse as opções profissionais dos outros. ousada e com seios fartos? Ele segurou a mão da loira. Alexia mordeu o lábio inferior para conter a vontade de rir da gama de emoções que passou pelo rosto dele. confusão e um quê de humor. Ele parecia precisar ser salvo. era provável que não tivesse percebido que aquele era um bar frequentado pela Marinha. com apenas os pensamentos e a culpa como companhia. Estava ali para dançar e. portanto. pronta para se sacudir nos saltos do seu par de Manolos favoritos. porém. Usando jeans e uma camiseta simples que lhe destacava os ombros largos e fortes. Era uma pena para o moreno sexy. produzindo efeitos visuais ao redor com seus fachos luminosos. As luzes piscavam. Quando estava prestes a se adiantar até as luzes brilhantes da pista de dança. concluíra que faria a segunda coisa melhor para aliviar a tensão do corpo. estava por conta própria. Mas teria enlouquecido lá. Era tão tentador vestido e seco quanto havia sido molhado e seminu. ainda não tivera chance de fazer novas amizades. em vez de apenas ouvi-la. Irritação. Assim. Sentimentos que mereciam ser . Talvez devesse ter ido direto para casa. reverberando por seu corpo. Um brilho de satisfação surgiu em seus intensos olhos azuis. Ela não recuou. Finalmente.conhecido e. o que a fez arrepiar-se de imediato. A música estava tão alta que podia senti-la. também conhecido como “menção ao nome do seu pai”. mas a cacofonia de vozes não ajudava. Tivera anos demais de convivência com um militar. Ainda assim. dava a impressão de alguém que queria apenas um drinque e ficar algum tempo a sós. se alguém tentasse obter mais alguma coisa. O barulho era ensurdecedor. Uma vez que não teria como encontrar o desconhecido sensual da praia. Algo para livrá-la da tensão sexual que a estivera dominando a tarde inteira. E. uma vez que uma vampe loira estava deslizando lentamente as garras pintadas de vermelho pelo peito dele. Ficou contente por ter hesitado. entrar no clube foi como mergulhar de cabeça no caos. Pobre sujeito. O volume da música era um tanto mais baixo ali. Alexia adiantou-se na direção do bar. Mas não era nesse ponto de sua vida que estava no momento. para saber que a prioridade de um marujo era a sua carreira perigosa e geralmente secreta. Michael saíra para um encontro e. Ficar toda excitada por causa de um estranho não era algo ruim. enquanto crescera. Dançar. um homem no bar chamou sua atenção. jamais se envolveria com um militar. Apesar do que havia dito a Michael. sabia o que poderia esperar quando passasse pela entrada. E precisava de ação. nutria sentimentos por Edward. Blake? O pedaço de mau caminho que vira na praia? Um sorriso malicioso curvou seus lábios ao vê-lo. impedindo-a de descer mais por seu corpo e sacudiu a cabeça. O que significava que mulheres persistentes e desesperadas se concentravam numa única coisa: em fisgar um marujo. não tinha o menor interesse em ficar em segundo plano na vida de ninguém. Abrindo caminho pela multidão. Jamais. De movimentos. como ela estava de volta havia apenas três dias. Seria esse seu tipo? Oferecida. desencorajaria investidas indesejadas. O calor de uma multidão de gente dançando era um desafio para o ar-condicionado. Ela estava a uns dois metros de distância quando Blake a notou.

Os mamilos ficaram imediatamente rijos. ele está comigo. Então. Avisando a si mesma para não se excitar demais. .75 m e frequentadora assídua de academia de ginástica. então. ignorando-a com um piscar de cílios postiços. forte. estreitando-a mais junto a si. envolvente. Alexia teve de se conter para não estender a mão por cima do ombro dele e arrancar o sorriso do rosto da loira com um safanão. posicionou-se atrás de Blake. a vampe forçou um sorriso. aproximou-se mais e passou o braço pelos ombros musculosos de Blake. Não era certo. Abraçou-o. mas seus pés tornaram a se mover. – Apenas para o caso de mudar de ideia – disse quando o soltou. Divirtam-se. pelo pescoço. Mas o ciúme era uma emoção nova. Passando pela loira. mas a palavra silenciosa ficou clara: Depressa. Tudo o que fez foi curvar a mão sobre o ombro de Blake. A fim de fazer algo antes que acabasse babando. tão logo percebeu que sua voz estava firme –. Mas não pôde fazer nada quando os seus músculos internos se contraíram e as partes femininas se manifestaram. a cabeça de Blake estava na altura do ombro dela. compreendeu. o fato foi que Blake a abraçou pela cintura. à mercê da loira oferecida? Como se percebesse a batalha interna que ela travava. Medidas mais drásticas seriam necessárias. Ficou com água na boca. Quer fosse algo de sua natureza. Olhos pesadamente maquiados pousaram sobre ela. De maneira possessiva. Nem um pouco satisfeita. Blake lhe lançou um olhar de desespero. mas acabou dando de ombros. Ele tinha uma fragrância agradável que lembrava o oceano. Cerrando os dentes. exercendo tanta pressão com seu corpo que o silicone pulou para fora nas laterais da blusa decotada. – Certo. Aquele toque fez com que uma onda de desejo a percorresse. seus lábios poderiam roçar os seus mamilos. cerrando os dentes com tanta força que a veia de seu pescoço saltou. comprimindo-se contra a blusa. A expressão de Alexia não mudou. Alexia teve de se esforçar para que a respiração voltasse ao normal. Ainda assim. Era como aço. inclinou o corpo para diminuir ainda mais o espaço entre ambos. Fresca. o fato era que tinha propensão para a raiva. concluiu que era uma emoção da qual não gostava. Quer soubesse o que ela estava fazendo ou se decidiu usá-la como escudo.explorados. – Ele está comigo – declarou e acenou a cabeça de lado para que a loira se afastasse. fechou o punho e estreitou os olhos enquanto encarava a outra mulher. ou uma características das ruivas. inebriante. inclinou-se para lhe roçar o rosto com um beijo amistoso. Sólido. Com seu 1. Alexia sorriu consigo mesma. Mas podia deixar Blake ali. puxou-lhe a cabeça e depositou-lhe um beijo molhado na boca chocada. Tentando reprimi-la. – Ele não está usando aliança. E não podia dar vazão ao que sentia por um homem enquanto outro exercia um impacto imediato em suas partes femininas. Pelo fato de estar sentado na banqueta do bar. rijo. e um calor úmido espalhou-se por suas partes mais sensíveis. – Lançando um olhar de desafio a Alexia. teve certeza de que era perfeitamente capaz de enfrentá-la. para que a visão se desanuviasse. Se virasse a cabeça. Apenas moveu os lábios. a vampe recostou-se em Blake. – Como falei – repetiu ela.

– Deve ser difícil ser um homem que não faz jogos num ambiente como este. – A boa conversa faz parte do jogo.. premente. se o encorajasse a conversar. Nada como uma boa mensagem subliminar. – É uma palavra difícil para algumas pessoas aceitarem – concordou Alexia com uma careta. – Mas não faço jogos.. A comunicação era importante. E você é do tipo bom de conversa. não é? – Ele deu de ombros. – Obrigado. – Fez um gesto ao redor. Apenas. – Você não me parece do tipo que fica choramingando – comentou depois de estudá-la por um longo momento. – E não sou. intenso. acabasse se abrindo. Teve de respirar fundo novamente a fim de recobrar o controle suficiente para adquirir uma expressão amistosa e virar-se para olhá-lo. Então. Agora.. – Essa não estava disposta a ouvir um não. Como se estivesse um tanto perdido. Ou sim. Não havia nada de . um sujeito tentou passar por Alexia para pedir um drinque junto ao balcão. não um aterro emocional de um só lado. Se o corpo sexy de Blake já não tivesse atraído a atenção dela. Desabafando a fim de poder começar a superar o problema. o bar e a pista de dança apinhada mais além. Ele olhou ao redor do bar com uma expressão neutra. retirou o braço dos ombros de Blake e colocou alguma distância entre ambos. indicando as luzes. como na vida. entre divertida e aliviada. Alexia respirou fundo para se acalmar e afrouxou os dedos. Ou qualquer coisa. parecendo um tanto intimidada. não pareceu pouco à vontade. qualquer que fosse. certo? – disse ela. notou Alexia com um aperto no peito ao estudá-lo melhor. Quis abraçá-lo com força. pensando no seu encontro do jantar. porém. acho que vou me reunir às minhas amigas agora – disse a loira.. enquanto observava a loira atrevida se afastar. Embora o moreno instigasse a imaginação feminina e fizesse uma mulher ter de se conter para não agarrá-lo. Curioso. Como se não tivesse certeza de como fora parar ali. na verdade. para que o restante do corpo também relaxasse. interessante. Tocá-lo foi algo que a deixou com os nervos à flor da pele. Blake. quase todos estão sempre fazendo um jogo de algum tipo. – Ele sacudiu a cabeça. Seus mamilos endureceram como se ela estivesse se preparando para fazer exatamente isso. – Passei a maior parte da vida enquanto crescia tentando fazer as pessoas ouvirem quando dizia não. Era desejo – quente. Tentou rir para dissipar o constrangimento por ter feito um comentário pessoal demais com um desconhecido. a ideia de descobrir se o homem era autêntico – ou se aquela declaração era simplesmente um jogo em si – já a teria convencido de que ali estava alguém que valia a pena conhecer melhor. – Aqui.– Bem. Suando e recém-saído da pista de dança. Parecia magoado com algo. Foi como se receasse que ela pudesse voltar subitamente para agarrá-lo se parasse de acompanhá-la com o olhar até que estivesse a uma distância segura. Percebendo que ainda cerrava o punho. Ela se espremeu entre o corpo de Blake e a banqueta. O que acontecera para deixá-lo tão magoado? Talvez. Deixá-lo descansar a cabeça em seus seios enquanto lhe afagasse o cabelo. Oh. Mas era uma via de mão dupla. ela odiaria achar que estava no mesmo barco que a loira oferecida com sua abordagem agressiva aos homens. não era a música que reverberava por seu corpo.

Cachos longos e ruivos. As pernas quase totalmente expostas eram sensacionais. os militares chamavam os seus de jogos de guerra. Você tem o corpo e a. Que ela não era tão sexy. um lar. surpreendendo-o. exigindo uma reação imediata. – E então – disse Alexia após uma longa pausa. Mais alguns segundos e notaria o efeito que lhe exercia. . energia para ser um marinheiro – comentou Alexia num tom de provocação enquanto o percorria de alto a baixo com um brilho de admiração nos grandes olhos castanhos. Ora. a menos que esteja a serviço na base naval de Coronado. se não ainda maior. o corpo dele reagiu de imediato. Não gostava de pensar em si mesmo como alguém que fazia jogos. A personalidade dela era tão convidativa e exuberante quanto a aparência. pigarreando e lhe lançando um sorriso amigável. Talvez nu. fazendo-o perguntar-se no que estivera pensando. mas que lhe deixava os ombros à mostra e de comprimento até um pouco abaixo da coxa. Provando que estava vivo e em plena forma. bem. Seu lugar no mundo. Os exercícios de resistência e força não eram espécies de jogos? E as reflexões em que estivera mergulhado quando aquela loira surgira do nada para abordá-lo sem a menor sutileza? Haviam sido um jogo. sentiu o fogo do desejo se reavivar. Blake franziu a testa antes de tomar um gole de sua cerveja. fazendo um gesto ao redor. bonita e atraente quanto se lembrava. – O que traz você a um clube como este? Não me parece o seu tipo de lugar. Com os fuzileiros. – E então – repetiu ela. Era uma mulher de carne e osso com uma apreciação saudável de sua sexualidade. puro e simples. – É um ponto de encontro de soldados e marinheiros. refletindo sobre seu comentário. Ao relembrar a maneira como a vira na praia. pele dourada e olhos escuros e expressivos acima de um corpo capaz de deixar um homem de joelhos para lhe dispensar todas as atenções possíveis. encontrara uma família. com todas as curvas deliciosas de seu corpo realçadas por um minúsculo biquíni lilás. eu não sei. Testes ferrenhos de homem contra homem. Ou até de homem contra si mesmo. atingindo-o em cheio. Mas e agora que estava bem ali à sua frente outra vez? O impacto era o mesmo. Em que tipos de jogos. – Por que não? – Os frequentadores são da Marinha. E se o incluíra em seus devaneios. E agora estava sedutora de um jeito diferente num vestido turquesa solto de decote alto. Isso não significava que iria tomar alguma atitude em relação à sua poderosa atração por Blake. as tentativas de convencer a si mesmo que havia exagerado a dimensão do impacto que Alexia lhe causara. Com uma ereção ganhando forma… – Mas? – indagou ao notar que ela prolongou um pouco o olhar quando lhe observou o jeans. Talvez. Muita gente o evita. – Acha que não pertenço a este lugar? Não soube como avaliar aquilo. Blake observou a ruiva sexy de perto. Nunca quisera ser outra coisa. longas e bem torneadas acima de saltos muito altos. um tanto ofegante.errado nisso. – Oh. Mas ela estava com a razão. Quase todos faziam jogos de um jeito ou de outro. Havia entrado para a Marinha no dia seguinte à formatura do ensino médio e achara seu nicho. na maioria – explicou ela. mas não de flerte.

prefiro manter distância de uniformes. Com ela.– Mas você não tem aquele tipo de coragem arrogante que geralmente associo a soldados – disse ela. Muitos dos rapazes não se importavam. relacionamentos – riu Alexia. Admiro os homens e mulheres que servem a pátria. – Coragem arrogante. ou o integrante de uma lista de oficiais. Cade tinha razão. – Não faz o meu estilo. A sede prontamente esquecida. – Acho que a coragem arrogante já faz parte do pacote. o olhar. – Não me entenda mal. ele baixou a garrafa devagar. São fantásticos. Blake era mais seletivo. na verdade. fuzileiro condecorado pela Marinha americana. enfim. As mulheres sempre usavam essa palavra. porém. – E você gosta de uniformes? – Ele devia ter imaginado. Ela não ligava a mínima para uniformes? Era isso mesmo? Notando-lhe o ar perplexo. Gostou mais do som daquilo do que de ficar mergulhado em pesar. Era apenas um homem. determinado a tirar um pouco do gosto amargo da boca. encontrando-lhe. ainda ofegante. Mas é provável que um uniforme ajude. A maioria das mulheres gostava. O barman entregou-lhe outra cerveja gelada. essa ideia de ser um homem comum era bastante atraente. linguista e companheiro de equipe de elite. um combatente altamente treinado. Estava apenas deixando o barco correr. Mas quando se trata de relacionamentos. rádio operador. Não era uma arma constantemente aperfeiçoada. Blake meneou a cabeça num gesto de agradecimento e levou o gargalo da garrafa aos lábios. Fora o que ela presumira. Nem sequer ia além para saber o que havia por trás do uniforme. Ela já estaria num relacionamento? E teria ido àquele clube sozinha se estivesse? Nunca se podia ter . não era o tenente Landon. é algo intrínseco. Deu-se conta de que essa devia ser a primeira vez desde que ingressara na Marinha americana que flertava com uma mulher que estava concentrada apenas nele. Até que ponto gostava? Ao de estar desesperadamente à procura de um? Blake franziu o cenho. Ou eram um atrativo irresistível para as mulheres com um soldo e benefícios de soldado sem o trabalho diário de serem esposas. incluindo sexo. hein? Isso é um pré-requisito. Não considerava uma mentira dizendo não pertencer à Marinha. os fuzileiros faziam tudo melhor. E ficou estranhamente decepcionado em saber que Alexia não era. gostou do fato de que Alexia não soubesse que era um marujo. O assunto em questão havia sido sexo com um soldado e não havia como contestar. Tiravam proveito de qualquer isca que funcionasse. Não nas emoções e adrenalina associadas aos esquadrões de elite dos fuzileiros navais. E isso era algo tão estimulante. Sim. algo que vem junto com o uniforme? – Ele sorriu amplamente. Não era um soldo militar. – Gosto desse conceito. – Sim. afinal. Alexia sorriu. Talvez estivesse esgotado. recolhendo a anterior. – Relacionamentos? – Ele franziu a testa. E por qualquer que fosse o motivo. despertando-o de volta para a conversa.

Embora as palavras espelhassem seus pensamentos. como aquela loira. – Algumas. – Vocês. Deus do céu. de seu perfume e imagens de sol. Apenas as pontas do cabelo sedoso. nesta noite. E via um ar solidário nos olhos dela. Tinha força de vontade o bastante para manter a libido sobre controle. – Mas. fazendo outro gesto para englobar o clube – está focada na meta. Uma vez que o assunto tivesse se iniciado. um quê de uma essência floral. Blake a estudou. Quando foi que deixou as coisas chegarem àquele ponto? Havia sido capturado pelo inimigo uma vez. não no relacionamento. não menos. ou revelar informações. acredite. uma fragrância exótica e puramente feminina. De uma mulher com tanta percepção e perspicácia era melhor guardar distância e o mais depressa possível. Haviam ficado furiosos com sua recusa implacável de demonstrar emoções. poderia tomar um rumo indesejado. Confuso. não? Bonita. ele se achava num estado caótico. – Acho que não me enquadro em categoria alguma. – Ela se aproximou mais para não ter que gritar as palavras. – Mas a maioria das mulheres daqui – prosseguiu ela. Como se tivesse enxergado através de sua alma e quisesse apagar a dor ali. – E qual é a meta? – Fisgar. enfim. cedendo à vontade que o estivera consumindo desde que a vira à tarde e tocando-a. Assim. e Blake ficou ciente do calor de seu corpo. bastavam três cervejas e uma ruiva sexy já conseguia desvendar seus segredos? Deu-se conta de que tinha três alternativas. Outras querem alguém que tome conta delas. era aconselhável manter as ameaças no nível mínimo. – Em que categoria você se enquadra? – perguntou. eu teria distraído você enquanto ela fincasse o anzol na sua boca – garantiu Alexia com um riso. nessa noite. É fácil demais passar a ser ignorado depois que recebe um rótulo. Blake quase conteve a respiração para não ser tentado por seu delicioso perfume feminino. só estão em busca de aventura. não pôde conter o riso. não deveriam defender e ajudar umas às outras? Você sabe.certeza com as mulheres. os segredinhos de amigas e irmãs? Com os olhos sorridentes. Quando as defesas de um homem estavam baixas. lembrou a si mesmo de que era um soldado. – Oh. aquela história de irem ao banheiro em bando. um fuzileiro. foi você que pareceu estar precisando de ajuda. Mas ele nunca desistia e não era do tipo que gostava de fazer confidências. Pelo canto do olho. Então. mulheres. se aquela loira fosse uma amiga. os códigos das garotas. sexy e inteligente? Ela poderia muito bem estar usando uma placa avisando que era perigosa. notou que Cade e um grupo de fuzileiros navais . – Isso é cinismo puro – observou Blake. Estão aqui para fisgar marinheiros. Coco. Mas. Dizer adeus e se afastar antes que ela quisesse ir mais a fundo. a opção a escolher era a terceira. Alexia se inclinou ainda mais na direção dele. surfe e sexo povoaram-lhe a mente. Abrir-se e partilhar as emoções confusas que fervilhavam em seu íntimo. que envolveram seus dedos com seu calor e maciez. Não soube se seria sensato perguntar a respeito. Ou distraí-la. especiarias.

o que um homem tem que mostrar? Seu extrato bancário? Pronto. Agora que seus companheiros de equipe estavam ali. Blake tomou sua cerveja com apenas um pouco de pesar pelo fato de estar afastando o que poderia ter sido o encontro mais incrível de sua vida. – E se não é o uniforme que atrai sua atenção.entraram na casa noturna. A única questão é: você é do grupo das que só estão em busca de aventura? Ou das que querem alguém que tome conta delas? – perguntou Blake num tom quieto. Ainda assim. Alexia descobriria quem ele era num instante. – Todos podem se enquadrar em categorias. . Aquilo deveria deixá-la furiosa. achou que era melhor apressar-se a desapontá-la antes que se sentisse tentado a cometer uma estupidez qualquer.

Afinal. Percebeu que não era um gesto deliberado. roçavam seu peito. enquanto Alexia abria caminho entre ele. Com ela de salto alto. agira como um cretino. Sem saber se a ouvira direito. os olhos dela faiscaram como um fogo escuro. que o deixou excitado como nunca. Cade seguiu-lhe o gesto. os lábios estavam próximos o bastante para beijá-la. ocorreu-lhe que. Blake franziu o cenho. nem mesmo quando desviou brevemente seu caminho até onde os amigos esperavam. Era experiente o bastante para saber.Capítulo 3 A EXPLOSÃO de raiva de Alexia era como uma obra de arte. Mas certas missões tinham de ser conduzidas sozinho. Primeiro. – Fico contente em ver que você está usando bem o seu tempo – disse com um sorriso largo antes de rumar para o centro do barulho do clube para se divertir ao seu estilo habitual. – Estou de saída – disse. ergueu as sobrancelhas com ar impressionado e fez um gesto positivo com ambos os polegares. Mas foi um gesto sensual. . dessa vez. confuso. Depois. – Venha. Ainda atônito. – Venha – disse ela novamente. estreitou-os como se estivesse tentando decidir onde esmurrá-lo. Os seios. Com o olhar acompanhando-lhe os movimentos dos quadris. cheios e macios debaixo daquele vestido leve. Blake não se sentiu mal em dispensar o amigo por ora. Por um instante. O grunhido dele se perdeu em meio ao barulho do clube. Blake seguiu-a. mas. talvez fosse mais sensato do que seguir Alexia até a saída do clube. E uma vez que o tenente-comandante estava usando uma camiseta com dizeres que anunciavam aos quatro ventos que era um membro dos fuzileiros navais em letras garrafais. acenando com a cabeça na direção das costas de Alexia. se reunir a Cade e ao restante dos rapazes. Lá fora – disse ela. Mereceria o que recebesse. mas com o lado racional de seu cérebro a mil. também não experimentou culpa alguma por não fazer apresentações. devido à sensação dos seios dela deslizando junto a seu peito. não a perdeu de vista. Aqueles homens eram treinados para lhe darem cobertura. a banqueta do bar e os três sujeitos que bloqueavam seu caminho. meneando a cabeça na direção da saída. Blake não se importaria. acenando com a mão para chamá-lo. enquanto rumavam na direção da saída.

olhou para o caminho estreito de tábuas que levava à praia. chamando a atenção involuntariamente para os braços bem torneados que dourara ao sol pela manhã na praia. concedeu-se um momento para se adaptar à ausência do barulho. Talvez fosse melhor ideia dar meia volta e tornar a entrar no clube.. Blake arqueou as sobrancelhas. Mas sentia-se estimulado o bastante para querer ver se ela era capaz de fazê-lo mudar de ideia. – Mas acho que alguém que é esperto o bastante para saber que fez um comentário crasso não deve tê-lo feito sem um bom motivo. e os cachos longos roçaram-lhe os cantos do rosto. contudo. Nada mais natural. Mulheres sensatas não passeavam com estranhos e.. uma completa estranha. os olhos faiscando. Assim. Com os punhos cerrados junto aos quadris. ou algo semelhante. portanto. com um pouco dos sons do oceano ao fundo. dona de tanta energia que o fazia sentir-se vivo novamente. você me deu o troco. – Claro. lançou-lhe mais um olhar com um ar pensativo.Saindo pelas portas do clube para o ar quente da noite. respirou fundo. Mas como havia uma festa acontecendo na praia. – Acha mesmo que as mulheres são fáceis de ser enquadradas em categorias? – Acho que foi nesse ponto que entrei em apuros – disse Blake pensativo. para relaxar. – Ela deu de ombros. perguntando-se como se esquivaria dessa. pensou. Era sexy e divertida. Por um momento. Ainda assim. mudando tão depressa que ele tinha dificuldade em acompanhá-la. E. Ou pegar a caminhonete e ir embora. . Riu? Onde fora parar a raiva e indignação? Era como mercúrio. – Acertei em cheio. com a fúria se dissipando dos seus olhos. achei que você estava precisando tomar um pouco de ar. Não tinha certeza de que queria se sentir assim outra vez. Blake entendeu. – Quer dar uma caminhada? Ela estreitou os olhos para observá-lo e. o que parecia um casamento ou algo assim. para tirar a idiotice causada por testosterona na sua cabeça antes que pudesse fazer um comentário ainda mais imbecil. Abriu seu sorriso mais charmoso para indicar que sabia o que o aguardava e que não protestaria contra a furiosa retaliação. Você sabe. – Não quer testemunhas? – Na verdade. não foi? Você está aborrecido com algo e aqui apareço eu. Alexia estava parada um pouco além da entrada do clube. ainda com os dentes cerrados. agiu como se houvesse o risco de ele tirar um machado de junto às costas. Ainda não acreditava muito na história de que não havia jogos envolvidos ali. como era tentadora. então. – Você é de verdade? – Por quê? Porque não tive um ataque de nervos. onde um caminho de madeira se curvava na direção do oceano. Deus do céu. – Então. – Alexia inclinou a cabeça para o lado. Nada melhor do que o silêncio. Alexia deve ter concluído que havia gente o bastante ali para estar segura ao seu lado. Como se estivesse ponderando algo além da segurança. ergueu o queixo e abriu um largo sorriso. – Tem certeza de que quer tirar satisfações comigo em particular por insulto? – perguntou ele antes de lhe dar chance de dizer algo. – Não que você não mereça ouvir um sermão. Alexia riu. no início da construção pintada de branco. Em seguida. tocando as chaves no bolso. me intrometendo e especulando como se tivesse o direito de atrapalhar a sua privacidade.

Sim. Blake não mantinha contagem de conquistas. O momento certo. . Seus dedos eram delicados. um linguista. – Não dá para perceber pelo meu sotaque? Antes do treinamento para ingressar nos fuzileiros. – Ela lhe dirigiu um olhar maroto. nem sentia a menor necessidade de massagear o ego. Paixão. A ruiva deu um sorriso. Baixando-lhe o zíper e envolvendo sua ereção. Não importava. – Onde esteve? – Em Nova York. e os anos evitando compromisso lapidaram sua habilidade de discernir as intenções de uma mulher – mesmo que ela própria as desconhecesse. Os tipos de dedos que produziriam sensações incríveis de encontro à sua pele nua. Em termos civis. Falava espanhol. no entanto.Tão logo chegaram ao trecho onde as tábuas de madeira davam lugar à areia acetinada. – A fim de pôr um fim na conversa. Blake segurou-lhe a mão para ajudá-la a manter o equilíbrio. Acariciando. O momento certo e a química não importavam nada se a perspectiva de compromisso da mulher fosse voltada para longo prazo. o seu próprio idioma de maneira decente. não apenas recolheu a mão como colocou uma distância segura entre ambos. E. russo. O mais importante a levar em conta. Incerto sobre quando se tornara um cavalheiro. o que lhe dava o pretexto incontestável para encerrar o breve relacionamento. como era o restante de sua vida. Embora não tivesse a lábia de Cade nem seu rosto refinado.. que entrou até nas meias.. era a perspectiva de compromisso. Os anos de treinamento como fuzileiro naval haviam aguçado seus instintos. Seus lábios cheios se curvaram de uma maneira maliciosa. e os tênis afundaram na areia. Por qualquer que fosse a razão. Algo quente e intenso. e seus olhos brilharam sob o luar. os sentidos entraram em alerta e outra ereção surgiu. Para aumentar a quantidade de garotas na sua lista de conquistas. guiando. havia química de sobra entre ambos. macios. seguiu pela praia. Seus músculos ainda se retesaram. fez o mesmo com o outro. Era o momento em que aquilo estava acontecendo e as assustadoras perspicácia e percepção dela que o preocupavam. Blake havia servido como criptógrafo. nessa questão de envolvimentos. Droga! Tão logo a viu descalça. Teve a sensação de que era melhor não se livrar de nenhuma peça sequer do seu vestuário. Se ele tivesse acabado de sair de uma missão e precisasse descarregar a energia acumulada. as mulheres sempre o haviam paquerado. A mulher era uma tentação. ela se apoiou num pé para retirar o sapato e. depois. Quentes e fortes. vez ou outra. Ou se estivesse prestes a iniciar uma missão. – Senti falta da praia – comentou Alexia após alguns minutos de caminhada silenciosa pela beirada da água. Química. e não importou o fato de não dirigir aquele sorriso instigante a ele. Paquerar de volta era algo que sempre dependia de três coisas. persa e árabe fluentemente. – Não vai tirar o seu calçado também? – Não. O que queria era química. sexy. para massagear o ego. Muitos dos rapazes com quem servira saíam com qualquer ser que se movesse. pela emoção barata. não buscava emoções baratas.

com a vida? – E quanto a você. . talvez pelo fato de estar começando a se descontrair pela primeira vez desde que vira o capacete de Phil explodir. sou bom em sotaques. Seu riso dissipou-se. – Aposto que se mudou muito quando era criança.– Conheço muitas pessoas de diversos lugares – comentou. Observou-a mergulhar os pés na água da beira do mar e chutá-la descontraidamente. sem roupa alguma. – Michael foi à sua procura e disse algo a você hoje à tarde? – perguntou. Phil costumara chamá-lo de “Diga de onde é esse sotaque em dez palavras ou menos”. – Mas Blake não queria falar sobre seu trabalho. Ou a companhia. – Você é astuto! – Ela soltou um riso. É psicóloga. – Pode acreditar quando digo que você não tem sotaque. espirrando gotas para cima. A sua entonação é arredondada demais para ser puramente americana. – O que você faz? – Até recentemente. mergulhando de roupa e tudo no mar. Uma cientista? Com uma especialização secundária em Psicologia? Tocou as chaves da caminhonete no bolso novamente. avaliando o efeito retardador que a areia teria em sua fuga. Mas não pratico. Europa. E em alguns casos. E não apenas pelos Estados Unidos. O que era aquilo? Conversa de divã? Ele se apoiou nos calcanhares por um instante. criara um jogo para adivinhar de onde os rapazes vinham. e pousou as mãos na cintura. – Aposto que é uma habilidade valiosa. – Especializei-me em Psicoacústica. dançando sob as luzes de tochas. a origem da maioria é mais fácil de identificar pelo sotaque. Pessoas se espalhavam pela praia.. – É mesmo? Não tenho nenhum sotaque? Ele riu diante daquele tom afrontado. astuto – cumprimentou-o ela... estreitando os olhos. na verdade. – perguntou hesitante. Talvez fosse a tranquilidade da praia à noite. Blake riu. A lembrança não era mais tão dolorosa. – É mesmo? – disse ele no mesmo tom admirado que ela própria havia usado antes. Como seria sentir-se tão livre? Tão à vontade consigo mesmo. Em seguida. assim.. calculando que poderia deixar a praia e estar ao volante numa questão de um minuto. Não havia muitos meios de entretenimento num navio no meio do oceano e. com o calor balsâmico ao redor. enquanto chegavam perto do grupo de convidados da festa. – E Psicoacústica é. – De fato. Mas você não tem nenhum. – Seu irmão não me contou nenhum segredo seu – garantiu. um som tão cativante e misterioso quanto o próprio oceano. – Sou um especialista – assegurou.. porém. decidiu se exibir um pouco. Queria escapar disso no momento. O seu trabalho está ligado a idiomas? – Sim. Talvez Ásia? Alexia ficou imóvel de repente. – Já falei. ou algo assim? – Como falei. – Sim – confirmou ela num tom de certa reprimenda e com um riso. ciente da música alta da festa adiante na praia. – Tenho uma especialização secundária em Psicologia. eu trabalhava num laboratório particular em Nova York como especialista em física acústica.

– A definição técnica do estudo da percepção do som, medindo a reação psicológica e fisiológica
a sons.
– Então, você faz pesquisas?
– Pesquisas, desenvolvimento de projetos – assentiu, dando de ombros antes de olhá-lo com uma
sobrancelha arqueada. – Minha pesquisa atual concentra-se em sanar problemas que interferem na
saúde sexual e também em aumentá-la através de mensagens subliminares, programas de
neurolinguística e tecnologia de ondas cerebrais.
Interessado, um tanto confuso e, uma vez que ela mencionou sexo, totalmente aberto ao assunto,
Blake voltou a sossegar no lugar e disse num tom encorajador:
– Fale-me mais a respeito.
Pelo olhar divertido que Alexia lhe dirigiu, ficou claro que soube que parte queria que abordasse
mais.
– Se empregada da maneira correta, a mensagem subliminar oferece a oportunidade de passar
pelo fator crítico do cérebro e falar diretamente com o subconsciente. É onde as mudanças
acontecem. Não apenas mudanças como a de uma pessoa parar de fumar, ou superar o vício em
açúcar, por exemplo. Mas mudanças físicas reais. Quando o trauma ou o condicionamento são
fortes demais para uma pessoa superar, a melhor maneira de se fazer mudanças é num nível
subconsciente. Essa pode ser uma ferramenta bastante poderosa de ajuda a vítimas de abuso para
que vençam bloqueios, corrijam disfunções sexuais, recubram a confiança emocional.
Levando em conta o entusiasmo na voz dela e a maneira como estava radiante, era evidente que
ali estava uma mulher que tinha paixão pelo seu trabalho. Ele lhe lançou um olhar inquiridor.
– Está falando no uso do som como terapia psicológica?
– Sim. É algo mais profundo do que isso e deve se feito em conjunto com a psicoterapia em vez
de substituí-la, mas você compreendeu a ideia geral da maneira correta.
Blake gostava de um pouco de música agradável durante o sexo quando possível, mas aquilo era
um tanto peculiar. De qualquer modo, estava ficando excitado só em ouvi-la, com aquela voz um
tanto rouca e repleta de paixão e entusiasmo – mesmo que fosse pala falar de trabalho, em vez de
algo mais pessoal, como a evidente atração entre ambos.
– Como passou do campo da Física Acústica para o da saúde sexual? – indagou curioso.
– Enquanto eu estava estudando Psicologia, fiz estágio numa clínica que ajudava vítimas de
abuso. Era de cortar o coração – disse num tom sério, olhando para o mar. – Anos, vidas inteiras
sofriam o impacto de um único acontecimento e, não importando quanto essas pessoas quisessem
superar isso, ou quanto tenhamos tentado ajudá-las, havia coisas que a mente simplesmente não as
deixava vencer.
Blake não disse nada. Não conseguiu. Sua própria mente estava voltando para a missão, para o
último momento em que vira Phil. Alexia tinha razão. Era extremamente difícil tirar certas coisas da
mente.
– Estou deixando você entediado, não é? – Ela o olhou com uma expressão preocupada, e o luar
cintilou sobre seus lábios cheios, agora curvados num ângulo inclinado, com um ar cabisbaixo.
– Ora, claro que não. Estou fascinado. Além do mais, gosto de mulher que tem esse entusiasmo
pelo sexo. – Blake deu um sorriso malicioso.

– Disse certo. O entusiasmo por sexo é sempre bem-vindo. – A voz de Alexia soou tão sedutora
quanto a noite que envolvia a praia.
– E quanto ao que eu disse errado?
Ela abriu um sorriso doce, com uma expressão de empatia e profunda compreensão que disse a
ele que ali estava uma mulher que se importava realmente com os outros. Não apenas com seu
trabalho. Mas com as pessoas, buscando meios de ajudá-las, de lhes tornar as coisas melhores.
E a julgara de certa forma intimidante pela maneira como captava tudo, mas era simplesmente
perceptiva, a seu jeito espontâneo.
Tentando recobrar o controle sobre a libido e o súbito fogo que o consumia, Blake concentrou-se
no cenário ao redor. Alguns metros antes da beira da água, um amontoado de grandes pedras
marcava o fim da praia. Acima da duna que havia ao lado, uma ampla tenda branca abrigava a
maior parte dos convidados da festa de casamento. Agora, uma música romântica ecoava dali até a
espuma branca que se formava suavemente sobre as ondas.
– Gostaria de se sentar? – perguntou ele, fazendo um gesto na direção das pedras. – Ou já quer
voltar?
Alexia mordeu o lábio inferior, e ele desejou poder fazer isso no lugar dela. A pele acetinada
reluziu, úmida, sob as pequeninas luzes brancas da tenda. Sabendo que, se a puxasse para si, como
gostaria, estaria acabando com a noite, obrigou-se a ser paciente e deixá-la decidir.
– Podemos sentar por alguns minutos – concordou Alexia, enfim.
Aguardando que ela se acomodasse nas pedras lisas, observou-a ajeitar os sapatos no chão a seu
lado, perguntou-se o que estaria pensando. O que a fizera decidir ficar.
– Então você adora seu trabalho – comentou Blake, apoiando o quadril na pedra, de modo que
ficou em parte de frente para ela e em parte de frente para o mar. – Pelo que mais tem paixão?
Alexia brincou com folhas finas e altas do pouco de mato que crescia entre as pedras. Pareceu
triste de repente, embora estivesse com os olhos baixos e ele não pudesse ter certeza. Mas foi como
se tivesse lhe tocado em algum ponto sensível sem saber.
Antes que o assunto tomasse outro rumo, ela ergueu os olhos intensos para fitá-lo.
– Sabe, acho que não tenho tido paixão em relação a nada além do trabalho há um longo tempo.
Aprendi bem cedo que a minha paixão exuberante por certas coisas na vida era um problema.
Assim, canalizei-a. Foquei no mais importante. Primeiro, na escola, depois na minha carreira.
Suas palavras foram ditas num tom corriqueiro, mas tão triste. Ele não pôde deixar de se sentir
um tolo por ter mergulhado em autocomiseração da maneira como fizera. Por ter tentado se
esconder em vez de ter continuado a enfrentar a vida como ela.
Deveria lhe perguntar sobre o passado. Descobrir o que a magoara tanto, como superara isso.
Confortá-la para lhe dar chance de desabafar.
Mas a simples ideia lhe pareceu mais dolorosa do que qualquer quantidade de munição ou de
tortura por parte do inimigo poderia ter sido. Sentimentos, emoções, abrir o coração. Pareciam
atitudes passivas. Era um homem de ação. Assim, passou para a segunda alternativa e a outra
maneira de oferecer conforto. Seu corpo vibrou silenciosamente.
Ergueu-lhe a mão, admirado com sua suavidade. Dedos longos e esguios estremeceram. Viu-a
respirar fundo enquanto retesava a mão e, então, erguia o queixo. O corpo dele reagiu

prontamente, desafiando o controle que sempre mantinha com tanta facilidade.
– Dedicar-se apenas ao trabalho não é algo bom, não importando quanto uma pessoa goste do
que faz – comentou. – Deve dividir essa paixão. Espalhá-la entre outras coisas. Talvez um hobby.
– É bom ter um hobby – concordou Alexia num tom manso, com uma expressão paciente e
divertida ao mesmo tempo. Como se ele fosse o menino que a estivesse entretendo com suas
palavras inteligentes. Não exatamente a imagem que quisera transmitir.
– Mas acho que eu gostaria de ter paixão em relação a outras coisas também – acrescentou, e
suas palavras quase foram encobertas pelo som das ondas quebrando na areia.
Ou seria o som do coração descompassado dele?
Alexia se deu conta de que estava em apuros. Afundando depressa, até o pescoço, gritando por
socorro.
Conhecia os sinais.
O coração estava disparado e os pés formigavam, avisando-a a correr.
A expectativa a envolvia por inteiro, deixando-a com o estômago em nós. Pairando entre o pavor
e o desejo. A esperança e o medo se entrelaçavam, tornando-lhe impossível saber qual dos dois
deferia seguir.
A mente gritava-lhe em alerta, mas o corpo desejava aquele homem. Com todo o ardor. Seus
mamilos endureceram contra a frente do vestido, e um calor úmido espalhou-se entre suas coxas.
Teve de fazer um tremendo esforço para não vencer a pequena distância entre ambos e se estreitar
naqueles braços fortes, correr os lábios e a ponta da língua por seu pescoço másculo. Não tinha
dúvida de que as sensações seriam fantásticas.
Contendo-se antes de se abanar com a mão para tentar esfriar a pele febril, lutou
desesperadamente para manter o controle.
Era o momento de arranjar um pretexto e ir embora. Da maneira como as emoções formavam
um turbilhão em seu íntimo, tinha poucos minutos para escapar antes de acabar sucumbindo. De
fazer algo realmente estúpido. E passara muitos anos evitando incluir ações estúpidas ao seu
repertório.
Orgulhava-se disso. Mas uma parte marota de sua mente sussurrou-lhe que havia sido boazinha
por tempo demais. Merecia ser um pouco levada. Ao menos um pouquinho, de vez em quando.
Principalmente agora.
Então, Blake inclinou-se para frente, fazendo com que ficassem ainda mais próximos nas pedras
onde estavam sentados. Ela arregalou os olhos. O pulso ficou tão acelerado que a deixou com a
cabeça zonza.
– Sei que é cedo demais – disse ele numa voz um tanto rouca que a arrepiou de imediato –, mas
preciso provar o gosto dos seus lábios.
Toda a racionalização anterior de Alexia se desvaneceu, junto com sua resistência. O desejo
levou a melhor, percorrendo-a por inteiro.
Quando ele lhe roçou os lábios com os seus, não se preocupou com mais nada, nem com uma
possível estupidez cometida, nem com o fato de estarem numa praia pública.
O hálito de Blake era quente, seus lábios macios. Os dedos gentis que correram pela pele
acetinada de seu ombro como um sussurro eram a doçura personificada. Sentiu-se como uma

compreendeu.. traçando-lhe o contorno do lábio inferior com a língua e. determinada a fazer algo na vida de que se orgulhasse. como o queria. Sempre ponderara suas atitudes cuidadosamente. abriu um sorriso sensual. Ficou com a respiração em suspenso quando ele deslizou a mão mais para baixo. Um homem bom. Havia se comportado durante anos demais. então. Em seguida. muitos orgasmos. Oh. – Concordo – disse ele. Delicioso. E ele era incrível. satisfeito. como queria senti-lo… Entregar-se com abandono às sensações naquela noite. Aquele contato era bom demais. com um homem que satisfizesse cada desejo seu. através de sua alma. mas não tocando realmente as curvas no início de um dos seios. Uma noite de sexo quente. Que a enlouquecesse de desejo. . com quem podia conversar por horas a fio sem nenhum assunto do qual quisesse fugir.princesa de um conto de fadas sendo beijada pela primeira vez pelo príncipe. Mergulhara de cabeça na carreira. Estremeceu com o contato daqueles dedos firmes e hábeis em sua pele. Havia um homem que a queria em sua vida. Mas queria mais.. Mesmo que fosse apenas por uma noite. era a chave. Sem dúvida. enfim.. compreendeu ela conforme as carícias em seu ombro nu se acentuaram. apoiando-se no peito sólido e musculoso dele. Uma noite seria espetacular. roubar o fôlego. De dar água na boca. Blake recuou. Como se estivesse desvendando todos os seus segredos. delicioso... Queria orgasmos. Quando a ouviu soltar uma exclamação surpresa. Queria um homem que a mantivesse acordada a noite inteira gemendo de prazer. Como se tivesse se dado conta de como tornar cada um daqueles desejos uma realidade. de repente. E era evidente que não tinha o menor problema em ir em busca do que queria. gentil. – Já quis alguma coisa que sabia que não deveria ter? – perguntou numa voz quase inaudível sob o som das ondas do mar. viril. Sentir. Oh. Como nunca quisera tanto nenhum outro em sua vida.. O coração batia tão forte que se admirava por não o estarem ouvindo. descobrindo cada desejo. Um homem que a fazia derreter. Desfrutá-las. Viver. mordiscando-o. provar. Alexia abraçou-o pelo pescoço. Queria muito aquele homem. disparar o coração. estudando-a com olhos intensos. uma perspectiva assustadora. E mais assustador ainda era o fato de saber que Blake era perfeitamente capaz daquilo. jamais magoando os outros. – Isto é loucura – sussurrou contra os lábios sedutores de Blake. Traçou-lhe os contornos do lábio inferior com a ponta do dedo e. que a levasse às nuvens como jamais sonhara. Ali estava.. – Mas certas loucuras são deliciosas. E aquela. deu-lhe um beijo mais suave. soltando um gemido de deleite. Ansiava por arrancar-lhe a roupa e correr as mãos por seu corpo rijo. Muitos. Como se estivesse tentando enxergar dentro de seu coração. Uma noite de paixão e loucuras. Por tocar. Uma noite seria o bastante.. então. roçando.

ou apenas silenciá-la. Como se tivesse saído de uma das fantasias dela. exigindo uma resposta. Queria Blake. O olhar dele era hipnótico. Ele afagou-lhe o couro cabeludo suave e sensualmente. – Mas sei como é querer tanto alguém – disse Blake numa voz tão séria e intensa que a fez erguer a cabeça para olhá-lo. encorajando-a a liberar toda a paixão. O dela só pôde responder com expectativa. seu coração tornando a disparar. Como se quisesse provar o que dizia. Alexia abraçou-o ainda mais pelos ombros e sua mente desistiu da batalha para ser racional. Era como se cada toque fosse amplificado. . Entrelaçou a língua com a dela. era o que o corpo dele prometia. – Para termos certeza de que sabemos o que estamos fazendo? – Doçura. com os dedos entrelaçando-se em seus cachos. então. queria explorar aquela deliciosa e forte química que havia entre ambos. fechando os olhos. dando-lhe um ar misterioso e quase mágico. eu garanto que sei perfeitamente o que estou fazendo. os sentidos estavam aguçados. sustentou-lhe o olhar. Mais do que imaginara possível. – Não acha melhor conversarmos sobre isto? – perguntou numa tentativa desesperada de ser prática e lógica. Uma chance de ser levada apenas brevemente e. então. Para que ficar conversando a respeito? Quem precisava de mais esclarecimentos quando a comunicação entre seus corpos era mais do que clara? Nirvana sexual. As sensações que a dominavam eram maravilhosas.com um suspiro. Segurandolhe a cabeça com gentileza. Sem poder evitar. excitando-a como nunca. Alexia estremeceu. Penetrante. mas que o deixou tentado demais? – Não. deixando-se mergulhar nos prazeres oferecidos. voltar ao seu comportamento exemplar. posicionando-lhe o rosto em sua direção. O corpo vibrava. Ele afagou-lhe o rosto com ternura e. – Algo que soube que era melhor nem sequer cogitar. Alexia soltou um riso e pousou a fronte no ombro dele. Blake segurou-lhe a nuca. enviado pelo universo como recompensa por ter sido uma boa menina por tanto tempo. O luar banhava-lhe o rosto másculo e bonito. afundou os dedos em seu cabelo ruivo. Devia ter imaginado. olhou-a nos olhos.

Grande. Colocou-se entre as pernas dela. percorreu-lhe os braços e ombros com suavidade e o puxou mais para junto de si. Um hotel parecia algo vulgar naquelas circunstâncias. Ele não conseguiria se controlar até terem encontrado algum lugar. Agora. Portanto. Aquela era uma mulher que indubitavelmente sabia o que queria e não deixava que timidez a impedisse de obter nada. segurando-lhe os ombros e. . – Você é tão forte. as luzes e os convidados. seu hálito quente o fez soltar outro grunhido. Sentou-a com gentileza numa das pedras do outro lado. era melhor que fossem a algum outro lugar. Para diminuí-las ainda mais. – Então me mostre – desafiou-o Alexia. longe do alcance de possíveis olhares curiosos. Precisava tê-la. levantou-se e ergueu-a nos braços consigo. cuja altura lhe deixou os seios ao alcance da boca. exatamente onde queria estar. Havia algo mais sexy? Ainda assim. carregando-a até as sombras além. Lapidara seu corpo para torná-lo uma arma forte. observou a praia escura. Uma vez que vivia na base naval e estava atualmente de licença. então. pronta para enfrentar e vencer qualquer perigo. Quando chegou à orelha e lhe mordiscou o lóbulo. Usando as unhas. – Uau! – exclamou ela ofegante. Era como se Alexia tivesse se tornado um súbito vício que não conseguia largar. potente. Estreitando os olhos. Ele soltou um grunhido por causa das carícias e da demonstração de iniciativa. abraçando-o automaticamente pelo pescoço. A casa dela? Alexia se inclinou para frente. essas opções estavam descartadas. – É tão bom tocar você – suspirou ela. – Você ainda não viu nada – disse ele com um riso rouco. Blake estreitou-a junto a seu peito e contornou as pedras. – Perfeito.Capítulo 4 BLAKE PASSARA boa parte da vida sob pressão. pressionando os seios suavemente em seu peito para lhe depositar beijos delicados ao longo do maxilar. ficara na casa de Cade. Ali mesmo. – Assim está melhor – disse satisfeito quando a formação de pedras bloqueou a festa. As chances de serem apanhados eram mínimas. deslizando as mãos por seus músculos bem definidos para lhe sentir os contornos dos bíceps. Teve certeza de que jamais se sentira tão fora de controle quanto no momento.

ele fez exatamente isso. dessa vez. quando seus dedos desceram mais uma vez. Não tinha o poder e nem queria resistir à tentação quando surgia na forma de Alexia. Era como se o frio e a desolação do mês anterior desaparecessem. insinuou-os sob o elástico da calcinha. com movimentos circulares. Senti-lo. Sem demora. lentos. enquanto Blake a mudava de posição sobre a pedra para livrá-la da minúscula peça. Segurou-lhe a parte detrás da coxa. ficou evidente que ambos lutavam para manter o controle. Repousou as mãos nos joelhos dela por um momento. Porque tinha certeza de que. Adorou a maneira como a sentiu estremecer. o vazio.Antes que Alexia pudesse comentar algo. Insinuou os dedos novamente sob o elástico da calcinha e. A um dado momento. provavelmente com o coração disparado. entrelaçou a língua com a dela numa cadência erótica. Em vez disso. Todos os pensamentos sombrios. E mantê-la totalmente concentrada naquela paixão entre ambos. tinha um único foco de interesse. mas suas carícias ainda não se tornaram tão íntimas. fazendo-o desejar livrar-se da roupa para ver o que faria em seguida. expondo-lhe o corpo tentador a seu olhar ávido enquanto a tocava. fitou-a nos olhos quando lhe encontrou o ponto mais sensível. em meio ao beijo ardente que trocavam. Com os movimentos. sentindo os contornos dos músculos. mais junto à coxa e. avançando. afagando-lhe as pernas sob o vestido. O gemido abafado dela o encheu de tanto prazer quanto o seu próprio toque. Tão delicioso e incrível. ele colocou a calcinha no bolso de trás do jeans. Prazer. ficar com a respiração em suspenso. tomou-lhe os lábios com um novo beijo.. excitando-o ainda mais. seu calor envolvendo-o. para que não pensasse em deixá-la diminuir. Querendo ver-lhe a reação. Ansiando por tocá-la. com uma nota qualquer de morangos. retesando os músculos. acabaria perdendo a cabeça e bancando o tolo com uma estupidez qualquer. Precisava de mais. Tinha um gosto tão doce. Quando a tocava. Era uma visão deliciosa. Viu-a estremecer. Ela lhe instigava um desespero que nunca sentira antes. Enquanto lábios estimulavam e as línguas se encontravam com puro erotismo. Com a ponta dos dedos. Proporcioná-lo. Primeiro. Alexia soltou um gemido abafado quando a calcinha deslizou por suas pernas. . contornou-lhe a beirada da calcinha de maneira provocante. tomada por um desejo que se refletia no ardor com que correspondia ao seu beijo. tudo em sua mente se desvanecia. Tinha um gosto que ia além das palavras. se ela o parasse. Como implorar. a saia do vestido subira. Ela arqueou os quadris. Tinha de senti-la. ou pior. E seu corpo curvilíneo o atraía como nunca. enfim. Como era sexy… E tinha uma pele tão macia. mergulhou os dedos em seu calor úmido. Puxou-a. ajeitando-a sobre a pedra onde estava sentada para que as pernas repousassem junto aos seus quadris. protestar. como se quisesse intensificar a pressão da massagem. desfez o pequeno laço na lateral que a mantinha no lugar. entreabriu-lhe as pernas e voltou a buscar-lhe as partes mais secretas e. Sempre disposto a deixar uma dama feliz. e estendeu as mãos. até lhe chegar perto do centro da feminilidade. aquecendo-lhe a pele antes de subir e lhe acariciar as coxas. E um perfume delicioso. afagando o peito dele devagar. Tentando-o. expectante por seu toque.. Alexia soltou um gemido em meio a um suspiro entrecortado. Percebia quanto estava ofegante. Era como a sua válvula de escape. Prosseguindo com o beijo voluptuoso. então.

Alexia estava em brasa. para desfrutar cada instante. Todo seu ser se concentrava em Blake. ao longo do abdome musculoso dele. Aflita para que ele se sentisse tão bem quanto a estava fazendo sentir-se. E a excitasse ainda mais. do outro lado das pedras. arqueando-se. fazendo com que tudo parecesse ainda mais surreal. sim. O cheiro fresco do oceano se mesclou à colônia máscula e sutil dele. explorar-lhe os contornos másculos. excitada como nunca. Tomada por uma paixão incrível. Nunca lhe atraíra a ideia de ser beijada em público e muito menos a de ter orgasmos onde alguém pudesse flagrá-la a qualquer momento. enquanto a afagava com deliciosa intimidade. a respiração ficou ainda mais ofegante. beliscando-lhe suavemente o clitóris intumescido. Mais. Os ruídos das pessoas festejando. Oh. causou-lhe nervosismo. Mas aquilo era. Ela pressionou o corpo contra a mão dele e seus quadris ondularam. dois dedos. Estranhamente. recostou-a na rocha que havia atrás. enquanto ele a penetrava com um e. Blake podia apostar que ela se tornava quase insaciável uma vez que o fogo do desejo se alastrava. e correu as mãos por seus ombros e braços musculosos. – Você é uma delícia… – sussurrou. querendo que ela descesse mais. Não enquanto Blake estava lhe dando tanto prazer com seus dedos experientes. na pressão. Era um corpo incrível. Ofegante. sim. Jamais fora exibicionista. Blake conteve a respiração. na pressão. Mas recostada com abandono naquela rocha. mais prazer. Que dessem o máximo de prazer um ao outro. . Nas sensações que lhe proporcionava. O bastante para saborear ao máximo tudo que ele tinha a oferecer. que o aumentava mais e mais. O corpo inteiro dela se retesou. para acentuar ainda mais os movimentos de seus dedos. Oh. ergueu a cabeça para fitá-lo nos olhos. Uma obra de arte. que o tocasse com a mesma intimidade com que a estava tocando. A respiração ficou acelerada enquanto Blake a estimulava habilmente com seus dedos. Deus do céu. Estava a mercê de Blake. Deixou-lhe os lábios por um momento. Deixando a cabeça pender. Mal conseguia pensar com clareza agora e manter o fôlego. Sensações abrasadoras percorriam seu corpo. só percebendo quando segurou um e o apertou para lhe sentir a maciez. Estava tão concentrada nisso que mal notou que ele insinuou a outra mão por baixo do seu vestido em direção aos seios. com a mente rodopiando. a preocupação com a possibilidade de alguém ir naquela direção acrescentou uma nova dimensão às sensações. para lidar com a intensidade do próprio apetite sexual que o dominava. depois. Foi como disparar um gatilho.. ficando cada vez mais excitado enquanto seu toque se prolongava. dando-lhe a impressão de que se desfazia em lava incandescente. Em seus dedos. não tinha forças para se mover agora. fechou os olhos e concentrou todo o seu ser no toque experiente de Blake. deliciar a si mesma e a ele com tudo que pudesse lhe oferecer. escorregando-os habilmente por seu calor úmido. que controlava a intensidade do seu prazer.. sentindo-lhe a fragrância agradável do cabelo. A medida certa de delicadeza e pressão enquanto descia mais as mãos. a noção do perigo a deixou eufórica e a fez sentir-se ainda mais ousada.Seu toque era perfeito. afundando o rosto em seu pescoço macio. Queria tocá-lo por inteiro.

Cingiu-o pela cintura com as pernas ainda trêmulas depois do êxtase fabuloso. Nada poderia tê-la feito sentir-se melhor. detestando a sensação de confinamento. então. – Preparada para um pouco de paixão? – perguntou rouco. ele lhe abriu o fecho dianteiro do sutiã sob o vestido solto. Foi como se cada célula nervosa se movesse e se concentrasse entre suas pernas e cada sensação de seu corpo estivesse ligada ao deleite produzido pelas longas arremetidas dele. Os dedos moveram-se mais depressa por seu calor úmido e escorregadio. ele segurou-a pelas nádegas. penetrando. girando o mamilo entre o polegar e o indicador e. O clímax que a arrebatou foi tão intenso que não pôde conter um grito extasiado. as pontas dos . a cabeça de Blake com ambas as mãos. massageando o clitóris. Com suas mãos grandes e fortes. Ele deu uma risada descontraída que a fez sentir-se ainda melhor do que até então. puxou o sutiã aberto depressa pelo lado de um dos braços e o deixou cair no chão. sem se importar onde pararia. Blake se movia devagar. porém. esforçou-se para conter mais gritos e gemidos. A ponta aveludada da rija masculinidade tocou-lhe a parte mais sensível. como se quisesse devorá-lo. Ela estivera enganada. então. Ciente de que havia gente mais além na praia. Blake segurou-a. inebriada. Alexia soltou uma exclamação surpresa e. As mãos grandes e quentes que seguravam as nádegas dela com firmeza intensificavam as sensações. antes que os espasmos que a percorreram cessassem. Com um gesto ágil. até que Alexia achou que iria desfalecer de tanto prazer.. de maneira que foi ele a recostar-se na rocha. guiando-o para si. Em vez disso. ele manteve o mesmo ritmo nas carícias que lhe ministrava por baixo do vestido vaporoso. Blake. Blake esfregou-lhe o mamilo com o polegar.. As sensações de deleite explodiram entre o clitóris e o seio com incrível intensidade. Beijando-a com idêntico ardor. lenta e firmemente. Suas coxas se entreabriram como que por vontade própria. – sussurrou ofegante. – Claro. Em seguida. Tudo à volta rodopiou: sua cabeça. quando se deu conta do que estava acontecendo.– Oh. Blake se moveu. as estrelas. deliciada. como se implorassem por senti-lo por inteiro naquela mesma posição. Com uma das mãos lhe estimulava o seio. – Ela o abraçou pelo pescoço na expectativa do que prometia ser fantástico. com o corpo ondulando apenas ligeiramente. olhando para as estrelas brilhantes acima com a visão turva. conseguindo abafálos. explorando-lhe a maciez da boca com a língua. Antes que pudesse se recobrar. Segurou. posicionando-a. Viu o brilho febril do desejo em seus olhos azuis por um instante antes de beijá-lo na boca com sofreguidão. ansiando por avançar. o deleite que envolvia seu corpo. As alças deslizaram pelos braços dela e. com a outra. Ela percebeu vagamente o som de um invólucro sendo aberto enquanto ele se preparava. penetrou-a. erguendo-a da pedra e virando-se ao mesmo tempo. lhe explorava o centro da feminilidade na mesma cadência. – Porque até agora tudo foi brando demais.

enquanto prosseguia com as arremetidas ritmadas e foi tomada por imenso contentamento.. levando-a de volta ao mundo real. E à ereção tão rija e latejante dentro de si. e ela cedeu ao poder que ele tinha sobre seu corpo. Foi como se ele estivesse mudando o cenário de escaldante para quente. A prova está a caminho.. Ao ar morno da noite. O brilho das estrelas acima ofuscou-se. Mas Blake a estava possuindo com tamanha dedicação que ansiou para que lhe provasse que estava equivocada. entregou-se a um prazer tão absoluto que não houve lugar para mais nada. A tensão se formou novamente num crescendo. Duvidava. Embora o ninho de amor improvisado de ambos ficasse numa praia pública. sugando-o com vontade. mantendo o mesmo ritmo de seu corpo. Queria que ele fosse arrebatado pelo mesmo prazer que estava lhe proporcionando. afagando-lhe o cabelo rente à nuca. enquanto suas arremetidas se tornavam mais e mais rápidas... – Pelo menos. Sem deixar de apoiá-la pelas nádegas. Alexia deixou a cabeça pender para trás mais uma vez. à plena consciência. latejantes. como se flutuasse no ar. ao som das ondas. dando-lhe espaço para cobrir seu pescoço de beijos molhados. – Esse foi um – disse Blake. ofegando. Os mamilos estavam túmidos. no auge da excitação. deu-se conta de que ele estava dando todas as cartas. Ele era tão incrível. Como se tivesse recebido uma ordem. Alexia estremeceu e soltou gemidos entrecortados repetidamente. encontrou os olhos intensos e azuis de Blake estudando-a. se lhe prometera mais dois orgasmos.. ofegante. Alexia soltou um riso eufórico. Deixou a cabeça pender para trás. Sussurrando o nome dele sem parar.dedos roçando-lhe a pele sensível na parte mais interna com estimulante intimidade. – Segure-se firme. mais uns dois – prometeu ele. ofegando. Ao contato de suas mãos nos ombros dele. – Você vai gozar para mim – disse Blake numa voz tensa. mordiscando-lhe agora um mamilo e depois o outro através da seda molhada do vestido. voltou das nuvens. ofegando. Frenéticas. E não era algo ruim. Alexia teve a sensação de estar num mundo mágico. o murmúrio do oceano desvaneceu-se. ao mesmo ritmo das arremetidas de Blake. quase torturada. triunfante. Não havia dúvida de que ali estava um homem que adorava um desafio e. Longos espasmos percorreram seu corpo em onda após onda de deleite. Mas não era do tipo passiva e tinha as suas próprias cartas na manga. uma vez que não podia se queixar de quanto havia sido beneficiada. tão largos e sólidos sob suas palmas. Quando. e as sensações espalharam-se dali até as partes mais sensíveis de seu corpo. mas parecendo determinado a prolongar o prazer de ambos ao máximo possível. Alexia foi arrebatada por um clímax intenso instantaneamente.. Repetidamente . Como se aquele lado das pedras os abrigasse da realidade cotidiana. – Mais algum? – murmurou para provocá-lo. inclinou a cabeça e encontrou-lhe o mamilo através do tecido fino do vestido. deixando-a ciente apenas do deleite que se espalhou por seu corpo. enfim.. ora ela os desfrutaria de bom grado! Ele prosseguiu em seu intento. De repercussões ou escolhas. – Está contando vantagem – provocou. Não se imaginava tendo mais dois orgasmos tão cedo. Enquanto Alexia se recuperava de mais um mergulho vertiginoso no êxtase. Estava magnífico..

De agradável surpresa. acima do murmúrio das ondas. com um grupo de pessoas festejando não muito longe dali. E tornou a contrair os músculos em torno dele. Blake também se entregasse com abandono ao próprio êxtase. embora a temperatura não tivesse mudado. então pensara que podia resistir. poderia acabar caindo sentada na areia. mas não a soltou. o que estivera pensando? Aonde fora parar o seu bom senso? E por que não tinha dúvida de que. Subitamente. .. pois. contraiu os músculos internos e flexionou os glúteos para poder segurá-lo com firmeza enquanto deslizava dentro dela. que ele segurava. Sua arremetida seguinte foi forte e profunda. até que os dedos tocaram a areia macia. numa praia pública. Queria enlouquecê-lo. Queria senti-lo explodir de prazer. tudo de uma só vez. Só podia contar com os quadris. Sentia-se como se tivesse corrido numa maratona. frenéticas. a realidade voltou com grande impacto. atrapalharia a posição perfeita que ele encontrara em que lhe afagava o clitóris com seu membro a cada arremetida que dava.. Um prazer intenso dominou-os simultaneamente. desceu-as. Incapaz de encará-lo. Alexia deixou a cabeça desabar no ombro dele e os músculos de suas pernas ficaram trêmulos demais para que conseguisse continuar cingindo-o pela cintura. não havia muita alternativa. Ou pior. Os sons da música. penetrando nas brumas do deleite sexual. caso se movesse ou se inclinasse para tentar usar as mãos ou os lábios. havendo escolha.. recebido uma massagem corporal completa e se entupido de chocolate. Oh. teria feito tudo novamente? O que isso dizia a seu respeito? E tomada por repentina encabulação. De que acabara de ter vários orgasmos acompanhados de gemidos incontroláveis com um quase estranho. Então. Blake soltou uma exclamação de surpresa.. levá-lo a um ponto em que não teria como manter o controle. Ainda assim. dessa vez ondulando os quadris. Mas na atual posição em que estava. embora o vestido mantivesse sua decência intacta. Fez com que Alexia ficasse ciente de que estava praticamente nua. Assim. saber que o deixava tão louco por ela quanto ficava por ele. fazê-lo gemer seu nome sem parar. não era? Alexia abriu um sorriso malicioso. Nem que tentasse. Deus do céu. das vozes da festa de casamento na praia foram carregadas até ambos pelo ar da noite. deu um gemido abafado e não pôde mais manter o controle. contraiu mentalmente o rosto e não pôde deixar de se perguntar o que Blake estaria pensando a seu lado. soltou-se do abraço. enfim. E um grunhido satisfeito. Os movimentos a levaram a mais um orgasmo e foi o quanto bastou para que. Além de se sentir grato por um sexo esplêndido? Sentindo frio de repente. esfregou os braços com ambas as mãos e olhou demoradamente ao redor à procura da sua roupa de baixo. Recorrendo aos exercícios de Pilates que fazia três vezes por semana. seus corpos se movendo como um só. Totalmente incrível. Deu arremetidas rápidas. Blake se moveu um pouco.também.

Uma noite e tanto. Quando Blake a segurou e entrelaçou os dedos de ambos. você é um autêntico cavalheiro – sorriu ela. E seu corpo. – Acho que sim. Provavelmente. uma noite. Uma carícia gentil seguida de imediato por um beijo igualmente gentil. – Então. Um sorriso vagaroso e sexy curvou os lábios de Blake. acho que você cumpriu o que prometeu – disse numa voz tão trêmula quanto seu riso. E já havia provado que não era uma garota casta que precisava de um anel de noivado para uma noite de sexo quente – ora. as palavras não foram destinadas a tranquilizá-la. não havia nada que a impedisse de desfrutar a sua noite inteira. E desejou que essa impaciência fosse o bastante para afastá-las. Teria passado as mãos pelo cabelo. Blake soltou-lhe um dos braços e ergueu a mão para lhe traçar o contorno do lábio inferior com o polegar. – Quer ir até o meu apartamento? – sugeriu. Deram-lhe a sensação boa de que Blake não fazia mau juízo a seu respeito e de que ele saíra de seu normal tanto quanto ela própria. nem tiveram uma intenção específica. – Ora. ela deu início a um mantra mentalmente: Uma noite. – Você já sabe disso.– Bem. Blake não a fez esperar demais. Respirou fundo. – Acho que vai querer isto. Alexia prendeu o fôlego. enfim. não é? Mordeu o lábio inferior. vibrou. mas Alexia sentiu-se mais tranquila assim mesmo. pegando a calcinha de renda branca. sentiu parte da tensão se dissipar. – Soltando-a. Acalentada pela tranquila afeição que viu naqueles olhos azuis. nem mesmo de um jantar! Assim. Por que estava envergonhada? Por causa de sexo saudável entre duas pessoas que o partilhavam de mútuo acordo? Sentiu súbita impaciência em relação às inibições atípicas e tolas que a haviam dominado. Tinha dito a si mesma “apenas uma noite”. – Blake não se mostrou muito entusiasmado. que deveria estar saciado o bastante para durar um longo tempo. – Talvez você queira entrar de volta no clube para encontrar aquele amigo com quem falou rapidamente. Do tipo que lhe iluminava os olhos e fazia com que Alexia quisesse abraçá-lo com força porque era irresistível. ela suspirou. Mas podemos entrar e tomar um drinque se você quiser. achou que devia estar mais volumoso que o do palhaço Bozo. – Eu diria que ambos cumprimos o que prometemos um ao outro – disse num tom manso. uma noite. Limitou-se a entrelaçar os dedos. E gosto de pensar que as únicas marcas que vai ter nas suas coxas são da minha barba de um dia. Guardei-a no bolso para que não ficasse cheia de areia. Quando recuou um pouco. já livre da tensão anterior e dominada por uma onda de alegria. ela deduziu que não estava muito animado pelo drinque. O coração disparou. – Ela. mas não tinha nada contra a companhia. abriu um sorriso largo. ansiosa por ouvir a resposta. mas depois de submetido à brisa do mar e às mãos de Blake. encontrando-lhe o olhar. mas não a soltou e. – Não. ele tirou a calcinha dela do bolso do jeans e a estendeu. Olhou-lhe o rosto automaticamente. – Alexia vestiu rapidamente a calcinha e estendeu a mão. Sobressaltou-se quando Blake pousou as mãos em seus braços. portanto. . – Estou com a minha caminhonete aqui. – Tenho que chamar um táxi. vamos ver se podemos fazer com que isso aconteça logo.

faiscantes e altas. O apartamento de Alexia. toc. Com o rosto para baixo e os cachos ruivos espalhados ao redor. não havia mais nada no quarto. Com um corpo feminino sexy e quente aninhado sob o lençol junto ao seu. Blake sentou-se abruptamente na cama. Levando em conta que haviam dormido talvez um total de seis das 52 horas anteriores. pendurado as cortinas e enchido o apartamento de objetos pessoais àquela altura? . Os fuzileiros estavam sempre preparados. Sem problemas.Capítulo 5 TODOS OS lugares que Blake olhava estavam desertos. repletos de sexo e erotismo. deixando-lhe apenas parte da tatuagem de rosa no ombro à mostra. A maioria das mulheres não teria aberto as caixas. o outro desceu até a altura do quadril em busca da arma. ainda estava empacotada. Precisando de ar fresco e de espaço após o pesadelo. Armas disparavam à sua volta. Calculava que ela devia ter se mudado para ali uma ou duas semanas antes. – Phil abriu um largo sorriso. saiu da cama silenciosamente e. ainda enfileiradas e etiquetadas junto à parede da sala de estar. Ela estava deitada sobre o lençol de cetim onde havia desabado após a mais recente explosão de paixão de ambos. de uma pilha de caixas de mudança e da cama de casal onde estavam. A missão de resgate rápido não tinha transcorrido conforme o planejado. Além de uma cômoda larga. Nu. Mas sentia-se gratificado. limpou o suor que escorria por sua testa e concentrou-se em se situar rapidamente. Estremecendo. Ele enviou uma mensagem pelo rádio para reportar a emboscada. – Toc. pegando o jeans. Contornou caixas de mudança. não era de admirar. Não estivera brincando ao dizer que acabara de se mudar de Nova York. Numa cama. A maior parte de suas coisas. exceto por algumas peças grandes de mobília. enquanto Phil e Cade tiravam o lançador de foguetes do receptáculo. Um punho se ergueu furiosamente. deixou o quarto. Virou a cabeça para o lado. Assim como o restante dele. Mas o quadril estava nu. O sol ao amanhecer se filtrava pela janela sem cortinas. Onde ele se encontrava havia dois dias incríveis. estava profundamente adormecida.

vivo e tomado por um peculiar contentamento em relação a Alexia. Não pedir a ninguém que corresse o risco de se afeiçoar. Que eram tão competentes com uma arma quanto para fazê-la gemer e suspirar com um esplêndido orgasmo. Ou talvez o tipo de mulher com o qual ele conseguia associar relacionamentos. Eram todas coisas que estavam fora dos seus limites. Por quê? Estaria sentido falta de Nova York? Não era fã do sol da Califórnia? Sabia que ela já morara ali antes. Os únicos objetos visíveis eram uma cafeteira elétrica. na área comum do prédio baixo. Era melhor não se envolver com ninguém. com certeza não teria adiantado de nada. de acabar tendo de enfrentar a dor. Era provável que estivesse fora do país em mais uma missão antes do final da semana seguinte. E ela não queria envolvimentos com integrantes da Marinha. mas. Desviou os olhos do jardim abaixo e pousou-o em suas mãos. querer saber se ela estava ali havia muito tempo. Ela o fazia rir. Era avesso a relacionamentos. E. Seu corpo curvilíneo era um mar de prazeres. curiosidade sobre seu passado. mas não em que época. Era melhor desse jeito. Atravessando o piso cerâmico mexicano da sala de estar. Mãos que eram armas. De dizer adeus e voltar à vida real. Ao menos quando eram sinceros o bastante para deixá-la saber que eram da Marinha antes que houvesse algum tipo de envolvimento. se tivesse sido o tipo de pessoa que fazia isso. Ao observá-la nas poucas vezes em que dormira. presente e futuro. Eram péssimas ideias para um homem que jogava roleta russa para viver. Não havia usado sexo para amortecer as lembranças. contornou a mesa de jantar com passos silenciosos e foi até a pequena cozinha. em que queria mergulhar e explorar repetidamente. mas ficara com a impressão. Era tempo de pôr um fim naquilo. para começar. Recordou a dor profunda no rosto da mãe de Phil durante o funeral. Seu único consolo era o de que ninguém ficaria tão arrasado se ele próprio acabasse parando num caixão coberto por uma bandeira. Mas seu lugar não era ali. embora Alexia tivesse dado a entender que também não estava em busca de um relacionamento. num caso desses. deixando que a água fria dissipasse o remanescente de náusea que o sonho ruim causara. fora dominado por uma espécie de paz que o deixara assustado. que Alexia não estava com pressa para se instalar ali. O que a levara a partir? O emprego seria o bastante para fazê-la ficar dessa vez? E por que ele se importava tanto? Importar-se. ela provavelmente não ficaria sóbria o bastante para comparecer.Não que houvessem conversado muito. A mãe era a única pessoa da família que tinha e. Inclinou-se na pia e meteu a cabeça debaixo da torneira. Deveria voltar à base naval dali há dois dias. pensou ele com uma pontada de culpa. usou uma folha de papel-toalha para enxugar o rosto e olhou pela janela para o pequeno jardim abaixo. era o tipo de mulher que desejaria ter um. inocentes e convidativas. Sacudindo a água do cabelo curto. Sentiu-se feliz. Flores coloridas de aspecto tropical desabrochavam entre as folhagens. . Mãos que poucas horas antes haviam explorado e acariciado o delicioso corpo de Alexia por inteiro. que ficava separada apenas por um balcão. uma panela e duas taças para vinho. durante um dos intervalos de descanso entre as ardentes sessões de sexo.

Era prova de que não havia uma só parte de seu corpo que ele não tivesse beijado. gostava de se divertir nos braços de Blake. Talvez porque seus lábios tenham ficado tão ocupados fazendo outras coisas. Arrepiando-se por inteiro. tentou desembaraçar algumas das mechas cacheadas. Passando as mãos pelo cabelo novamente. Só que. caso Blake tivesse mudado de ideia. dormindo. A pele inteira do torso e mais abaixo. ela ligou o chuveiro. Cada pedacinho de seu corpo vibrava de satisfação. Meia hora e vários arrepios depois. não preocupando-se em regulá-lo para que água saísse quente.. Estava vazia. e seu corpo.. Talvez a água fresca acalmasse seus pensamentos. contraiu o rosto por causa da deliciosa sensibilidade entre suas coxas. Queria que seus pensamentos voltassem a ficar ordenados da maneira como tinha de ser. Ambos tinham deixado claro que não era o que queriam. estava avermelhada devido ao contato da barba por fazer de Blake. E se os dois conversassem? Mas havia notado que Blake não era do tipo que gostava muito de conversar.. Os poucos passos até o banheiro fizeram com que novas pontadas de prazer a percorressem. Era evidente que. Tratou de ingerir o seu anticoncepcional.. com toda a certeza. Hora do banho. Com mais um suspiro contente. Mal podia se mover nem sequer sabia se já queria despertar. alto lá! Alexia se abanou profusamente. mas.Era mais fácil. voltou ao quarto e franziu a testa. Ao que parecia. acabava perdendo toda a diversão. emoldurando um rosto que quase resplandecia com os remanescentes do êxtase. Devia ir procurá-lo. para que pudesse recobrar a concentração. fora do alcance visual do espelho. viu seu reflexo no espelho. mas precisava ficar um pouco a sós. Por que Blake ainda não entrara? Não que se julgasse tão irresistível que ele não conseguisse ficar com as mãos longe nem por pouco tempo. Reverenciado. afastou o cabelo do rosto e olhou para o restante da imensa cama. . Descendo da cama com menos elegância do que o costume. E não se perdoaria se fosse a responsável por romper esse pacto. O que haviam partilhado fora apenas uma aventura de uma noite que acabara se estendendo um pouco. virou-se de costas. Franziu a testa. Que levaram a um prazer indescritível. junto à porta. disse a si mesma. seus exercícios na academia de ginástica não serviam para tonificar músculos sexuais. Antes de entrar no chuveiro. Coisas deliciosas. e os sapatos. dissipar a confusão. E estas servindo de lembrete para a razão de tomá-lo. Alexia acordou com um misto de gemido e suspiro baixo e se espreguiçou languidamente. E. Oh. ela também não diria “não”. Acariciado de maneiras sobre as quais apenas havia lido. as pálpebras pesadas. Os lábios estavam um tanto inchados. Ela não se tornaria um clichê começando a desejar que ele quisesse algo mais. Onde estava Blake? Seu cinto ainda estava em cima da cômoda. Era tolice. Devia descobrir por que se sentia tão vazia ao acordar e não vê-lo ao seu lado. O cabelo era como um halo avermelhado. Prova do incrível prazer que lhe proporcionara. desejando também conseguir desanuviar a mente.

não se preparara para sair correndo a qualquer momento. apenas de jeans. Alexia girou nos calcanhares e foi se sentar no sofá da sala anexa.Encaminhou-se até a sala de estar que ainda não tinha um ar familiar e deu-se conta da tensão que se formou em seus ombros. enquanto ele lhe deu um beijo breve na ponta do nariz e. – Vá se sentar e relaxe. Bem. ora. – Achei que deveria deixar você dormir um pouco. disse a si mesma seguindo-o. Achei melhor esperar para preparar algo para nós. – É muita gentileza sua. Embora aqueles dois dias de puro erotismo. Eu cuido disto. – Com fome? – Sim. Não está cansado? – Estou acostumado a dormir pouco. – Bom dia – murmurou e. Seria ótimo fazerem uma refeição juntos. até os coelhos precisavam fazer uma pausa de tempos em tempos. concluiu. Para cozinhar para ela. com o botão aperto e descendo até a altura de . Surpresa demais para protestar. Alexia se esqueceu por completo da sua pergunta. de encontro aos lábios. soltou-a para se encaminhar à cozinha ao lado.. lendo o jornal com os pés descalços apoiados numa cadeira. Ele estava sentado junto à mesa de jantar. Por causa do trabalho? Por não gostar de dormir? – Por quê? Blake levantou-se e deu de ombros com um sorriso antes de estreitá-la em seus braços. Assim que a viu se aproximar. beijou-a nos lábios. claro. se esqueceu até do próprio nome naqueles momentos em que ele entrelaçou a língua com a sua numa voluptuosa cadência. mas. Era melhor parar de se preocupar e apenas desfrutar a experiência. Deve estar fatigada. Continuou sem palavras. – Ela permaneceu no lugar.. Devia beijá-lo? Agir de maneira casual? Não soube ao certo. – Blake dobrou o jornal e sorriu. Com os joelhos moles ao recordar o último tórrido idílio de ambos naquela noite. Droga. Estou faminto. Um homem que cozinhava e não esperava ajuda? Ora. Leia o jornal. então. Devia estar irritada. enfim. Ele a havia mandado embora da própria cozinha. Foi amistoso o bastante. se estava descalço. – Mas você também não dormiu muito. Alexia sentiu-se como se tivesse voltado para debaixo da água fria do chuveiro. ele lhe fez um sinal para que voltasse. Está pronta para comer? – Hum. pois teriam a chance de partilhar também algum tempo que não estivesse ligado a sexo. um tanto confusa. Era evidente que o fato de não conseguir saber como se sentia em relação a cada pequena coisa não ajudava. ajeitou o robe de seda melhor em torno de si e observou Blake preparar ovos mexidos do outro lado do balcão da cozinha. estava tendo grande dificuldade para saber como conversar com Blake no momento. – Está com fome? – perguntou-lhe ele. – Ela fechou melhor o cinto do robe de seda e se adiantou mais pela sala. então. ou eufórica? Para uma mulher que se orgulhava de suas habilidades na arte da comunicação. paixão e sexo ardente tivessem sido memoráveis. enfim. O que era mais sexy? Um homem na cozinha lhe preparando especialmente algo delicioso e nutritivo? Ou sua figura irresistível. de repente. certo? – Olá.

mas pegou os pratos assim mesmo e colocou-os na mesa. Alexia suspirou. No chuveiro. certamente. Os olhos azuis de Blake escureceram até um tom de céu à meia-noite. repletos de desejo. orgasmos no Dia dos Namorados? – Gosto de cozinhar. Um hóspede tendo de sair em busca de ingredientes para o seu café da manhã? Isso é negligenciar as normas da boa etiqueta. um pote de geleia. enquanto ele levava o suco. o Natal e. ajeitou-o com mãos trêmulas. – Ontem. Dando-se conta de repente que a frente do robe estava toda aberta. Ele dividiu os ovos mexidos em dois pratos. – Ela se sentiu culpada enquanto se levantou. Blake era exigente na cama. você me deu o jantar ontem à noite. Onde quer que fizessem amor. Sabia quais eram as promessas que continha. o brilho ardente os iluminou. Os ombros eram largos. antes que pudesse sentar. Perdera a conta do número de orgasmos que haviam partilhado. Uma garrafa de suco de laranja. Com a frigideira na mão.. ele se virou para olhá-la. sem um grama de gordura em lugar algum. um pacote de torradas. Contornou o balcão para ir pegar os talheres. Músculos puros. Não deveria estar reagindo desse jeito. E no balcão da cozinha às 2h00 da manhã. era como se ele tomasse completamente conta do próprio ser dela.. apoiando o queixo na mão. acrescentou torradas e colocou-os no balcão. uma tigela com uvas. O cabelo ainda molhado causou uma sensação de frio contra a pele nua onde o robe de seda tornou a ficar aberto. Desviou o olhar do corpo tentador dele e pousou-o mais atentamente no balcão de divisão entre a cozinha e a sala. Blake segurou-a pela cintura e acomodou-a em seu colo. oh. ignorando o pedido de desculpas repleto de culpa que ela quase esquecera que fizera antes de mergulhar em seus devaneios e preocupações. vestidos. A respiração e o pulso se aceleraram. Puxou uma cadeira. Alexia franziu a testa diante da ordem tácita – o homem era bom nisso –. eu lhe servi fettuccine e legumes no vapor que tirei do freezer da geladeira e aqueci.seus quadris estreitos e bronzeados? Deus do céu. extraísse cada gota de prazer que podia oferecer e encontrasse um meio de retribuir com ainda mais. deliciada. Alexia abraçou-o pelo pescoço e virou a cabeça de lado. – Riu ela. da variedade de maneiras que haviam dado prazer um ao corpo do outro. a geleia e as uvas para a mesa e sentava. esforçando-se para despertar a mente de seu torpor sexual. . antes de começar a desejar lhe proporcionar orgasmos durante o Halloween. enquanto posicionava os talheres ao lado dos pratos. Pedi algumas coisas emprestadas à sua vizinha. mas. – Desculpe. – Eu nem sequer sabia que havia ovos na geladeira – comentou. então. Rindo. O corpo do homem era a personificação da perfeição masculina. a pele dourada sob o sol matinal que adentrava pela janela. – Você foi até o mercado? – Apenas até o apartamento ao lado. Blake estreitou os olhos e. Eu deveria ter tido alguma coisa aqui para você comer. Alexia sentiu sua pele se arrepiar por inteiro enquanto as ondas de calor sexual a percorriam mais uma vez. Ela conhecia aquela expressão agora. Não deveria saber mais a respeito dele antes de sentir tão mais do que desejo? Não deveriam ter passado muito mais tempo juntos. – Blake deu de ombros. Além do mais. Ficando tão excitada tão facilmente.

O que fazia para viver. Ela ajeitou-se melhor na cadeira e. – Aquele fettuccine com queijo derretido estava irresistível desse jeito. Um pouco de espaço para compreender melhor aquele. não soube por que não queria.– Aposto que os ovos mexidos ficariam deliciosos se eu os comesse em cima do seu abdome – disse-lhe Blake ao ouvido.. porém.. Alexia correspondeu com uma paixão que jamais se esgotava. embora soubesse exatamente de quanta pressão Blake gostava que aplicasse quando o acariciava. Com volúpia e extrema habilidade. – De onde você é? – perguntou após alguns momentos. Apenas sorriu. porém. numa voz rouca. A maior parte das palavras trocadas. Não era que não tivessem conversado ao longo desses dois dias. como se aquilo tivesse sido uma piada em vez de uma óbvia desculpa. Ele. – Nasceu na Califórnia? – Não. continuou a sentir aquela corrente eletrizante percorrendo-a. Ele não disse mais nada a respeito. Levando em conta a intensidade de suas reações ao homem – e talvez por causa disso mesmo –. percebeu. Quase deixou escapar que gostaria de estar com a despensa melhor preparada da vez seguinte. soltando um ligeiro riso. ele tomou seus lábios e a beijou demoradamente. Alexia hesitou. mas agora sou mais uma espécie de nômade. mas. Aguardou até que estivesse sentada na cadeira oposta para começar a comer. Nasci e cresci na Carolina do Sul. tivera mais a ver com erotismo do que qualquer outra coisa. depois de sorver um gole de suco. mas subitamente não sucumbir pareceu a coisa mais importante do mundo. não explicou. Apenas continuou fazendo a refeição. alastrava-se numa combustão instantânea e parecia cada vez mais intensa. Deu-se conta de repente de que. quando os joelhos de ambos se roçaram. não soube onde encontrou forças para resistir. Alexia aguardou. Como isso era possível? Não era. sedutora. nem sequer insistiu no assunto. deixou-a levantar de seu colo e pegou os talheres. Ao contrário. pensou Alexia entre divertida e arrepiada com o timbre sedutor daquela voz e as lembranças tórridas de uma refeição erótica como nunca fizera antes. interrompeu o beijo por um instante para arquear uma sobrancelha de maneira sugestiva na direção de seu prato na mesa. felizmente. ou vai ficar aqui por uns tempos? . Precisava de um pouco de distância. era? Nem sequer sabia o sobrenome dele. Mas como assim? – Um nômade. enfim.. De repente. O quê? Não era um relacionamento. Blake não se queixou. desconhecia praticamente tudo a seu respeito. do que precisava fazer para enlouquecê-lo de paixão. – Eu detestaria arruinar o sabor dos ovos mexidos com o gosto do meu sabonete líquido – declarou.. Mas aquilo foi tudo. O homem era perfeito. Era o que acontecia quando uma mulher não tinha um estoque de calda de chocolate e chantilly disponível. hein? Isso significa que está apenas visitando a Califórnia.

– Linda – gemeu Blake deliciado. Deliciosa. Puramente sexual. Seus olhos ficaram sérios. – Mais? – perguntou-lhe rouco. havia um desafio. Alexia arqueou as sobrancelhas e abriu o cinto do robe. E depois de ter se saciado tantas vezes. viu que a expressão de Blake tornou a mudar e que tinha agora uma expressão marota no olhar. Caseira. o que a levou a pegar obedientemente um pouco dos ovos mexidos com o garfo. – Vou ficar aqui por uns tempos. – Sua vizinha disse que é de ameixa. Então. mas demonstrava que o agradava igualmente. viu a maneira como enrijeceram sob seus lábios ávidos. Antes de poder encontrar as palavras. Correu a outra mão pelo quadril estreito dele. sua expressão mudando repentinamente. – E temos praias maravilhosas – comentou Alexia com um sorriso. lábios e mãos. A geleia doce tinha um quê de azedinho que não deixava que fosse enjoativa. Esse homem a levava às nuvens. Blake não retribuiu o sorriso. Inclinou-se para frente com a intenção de puxá-la até seu colo. Feita com os frutos das próprias ameixeiras de seu sítio. livrando-se sem demora do jeans. Cada pedacinho era . Em meio ao brilho divertido em seu olhar. Ele levou a mão ao pote de geleia. esticando o dedo. mas ela sacudiu a cabeça.. Alexia não pôde resistir. E tudo com poucas horas de sono. bastava que ela passasse a língua por seu dedo e estava ardoroso outra vez. uma troca plena. Satisfeita. – Tire a roupa – mandou.. envolveu-lhe o dedo com os lábios devagar e o sugou. esperando para ver o que ela provaria em seguida com seus lábios carnudos. Alexia passou a geleia em torno dos mamilos dele. Seu corpo era um banquete para olhos. Deixou que a seda deslizasse suavemente por seu corpo até o chão. era a sua vez de dar as ordens. E arrepiou-se um pouco ao relembrar que também tinham feito amor pela primeira vez numa praia. Como se alguém tivesse fechado um livro abruptamente diante de seu rosto. Não. sugou-os até removê-la por inteiro. havia sido uma experiência mútua. pegando um pouco com a ponta do dedo indicador. Uma sensação de poder como nunca experimentara antes dominou Alexia. Ele sorriu largamente e se levantou. Já perdera as contas também de quantas vezes o vira no auge do êxtase em seus braços. A dor que ela percebera no bar do clube estava de volta ali. – Quer provar? – perguntou. lembrando-se de onde haviam se conhecido.. afagando-lhe as nádegas musculosas. tentador. passou a ponta da língua em torno do dedo dele. irradiando-se dele como algo quase palpável. fitando-lhe o tempo todo os olhos.. ciente do brilho de desejo que continham. até a metade.Ele terminou os ovos mexidos e. Levantando-se da cadeira. Totalmente excitado. então. Inclinando-se para frente. contudo. Alexia ficou de joelhos e deslizou os lábios pelo abdome de Blake. Queria lhe perguntar o que o estava magoando tanto e porque estava se escondendo dessa dor. Gosto do clima do Sul da Califórnia. Tornando a mergulhar os dedos no pote de geleia. Depois de sugá-lo. lançou um olhar inquiridor ao prato dela. Haviam passado dois dias partilhando de seus corpos e de sensações fabulosas. Com certeza.

E queria prová-lo por inteiro. de alto a baixo e voltando. mais ciente do calor úmido que se espalhava por entre suas coxas. deixou-se conduzir de bom grado enquanto Blake a inclinava mais sobre a mesa. lhe ergueu os quadris por trás. levou a própria mão até entre as coxas. usando uma das mãos para cobrir a dela. Apoiou as mãos na madeira sólida. Mas não lhe libertou a mão. segurando-lhe os dedos grudentos antes que pudesse passar o doce do desjejum pela sua ereção. Antes que pudesse tomá-lo por inteiro na boca quente e macia. virou-a de costas para si e a apoiou contra a mesa. Ele soltou-lhe os dedos para agarrar seu pulso. Alexia roçoulhe a ereção repetidamente com as nádegas enquanto seus quadris ondulavam quase como que por vontade própria em seu anseio pelo êxtase. – Mas quero saborear – protestou ela com um sorriso levado. deixando-a ofegante. – Nada disso – falou ele com um riso tenso. posicionando-a para recebê-lo. Querendo mais e. inclinouse para soprar suavemente na direção do sexo rijo. torceram. a mão ainda repleta de geleia aos lábios e sugou-lhe os dedos um a um. depois percorrendo-a por inteiro. Abraçando-a por trás. gentilmente em princípio. apenas com a língua. deslizando os lábios até seu ombro. A reação foi instantânea. – Minha – protestou ele. evidenciando um ligeiro tremor na mão grande. acompanhando-lhe as arremetidas. Estrelas espocaram por trás de seus olhos fechados enquanto gemia e sussurrava o nome dele sem parar. Ondulou os quadris sem parar. – Isso atrapalharia o que tenho planejado para a seguir. – Você é a mulher mais deliciosa do mundo – murmurou-lhe junto à nuca e. quando a penetrou. a sugar. então. . As arremetidas e as carícias se intensificaram até que Alexia gritou de prazer. notando-lhe a expressão carregada de desejo no rosto másculo. deixando uma trilha de beijos molhados pelo caminho. Mesmo já sabendo quanto ele era grande. do fogo que percorria seu corpo. Assim. Seu corpo explodiu em deliciosos espasmos. erguendo-a. enquanto ele. entrelaçando os dedos de ambos para que lhe estimulassem o centro da feminilidade em uníssono. ambas as mãos foram até os seios dela. Com a mão ainda presa. fazendo-o soltar um gemido torturado. massagearam ambos os mamilos ao mesmo tempo até deixá-los latejando de prazer. Sem lhe dar chance de reagir. preparando-se para o deleite que sabia que Blake iria lhe proporcionar. Blake a puxou para cima pelo pulso. Blake deslizou a outra por entre as coxas dela. Antes que não pudesse suportar mais a doce tortura. após apenas mais uma breve pausa para pegar mais um invólucro do bolso do jeans no chão. Os dedos giraram. Alexia passou. segurou-a pela cintura. circundando-lhe a ponta da masculinidade delicadamente. Levou-lhe. ela começou a lhe ministrar suas carícias ousadas sem a geleia. então. Com uma mão ainda segurando-a pelo quadril. ainda soltou uma exclamação surpresa. uma vez que ele tinha as mãos ocupadas.um deleite. Primeiro. quase arquejante. estimulando-lhe o clitóris. Ergueu os olhos para estudá-lo. forte e incrível. então. Alexia gemeu baixinho. cada vez mais ofegante.

lembrar do próprio nome. como se tentasse colocar espaço entre os dois. não era unilateral e ambos tinham direito a dar as cartas. Deu-se conta de que ele se moveu. – Tenho que ir – murmurou Blake inesperadamente. Pôde ver a hesitação nos olhos dele. Como se soubesse exatamente o que estava lhe oferecendo. se esforçaria ao máximo para se entender com os pais. Poderia até ter tido seus próprios planos. – Não – protestou Alexia. mas antes que a sensação se alastrasse. Uma chance de ver aonde aquilo os levaria. – Tenho um evento de família para ir. no máximo meia-noite. e aumentando ainda mais o ritmo das arremetidas entregou-se plenamente ao próprio êxtase. caso se mudasse de volta para a Califórnia. Mas não teve forças. mas de costas. Alexia forçou-se a virar o rosto para poder olhá-lo. Dizer que devia lhe perguntar a respeito em vez de apenas informá-la. porém mais provavelmente calculando quanto tempo levaria para correr até a porta da frente. – Mas devo estar livre lá pelas 23h. Ela franziu a testa. . pesando prós e contras.Blake percebeu o exato instante em que ela se contraiu repetidamente em torno dele. muito. Um indício de pânico causou um nó no estômago de Alexia. Ele fechou o zíper do jeans. – Sim. provando que aquela relação. Ou agarrar uma desculpa para não ir à festa de aposentadoria do almirante e ter mais uma noite de sexo ardente. uma montanha de expectativas. Quis protestar. Alexia desabou sobre a mesa. mas ainda não conseguiu abrir os olhos. virar-se na mesa e segurá-lo pelos braços. – Fazendo uma careta por ter de descer das nuvens do nirvana sexual. em onda após onda de prazer. Tinha planos. roçando-lhe o alto as costas com os lábios. – Ouça. – Muito ocupada? Alexia soltou um suspiro. Sabia que estava ponderando tudo aquilo. ouviu-o prosseguir. admitiu a si mesma com um suspiro. tentando recobrar o fôlego. meteu a barra da camiseta na cintura e tornou a observá-la com um longo olhar. Hesitou apenas um segundo antes de acrescentar: – Mas posso estar de volta antes da meia-noite. Manter o compromisso. colocando-se entre suas pernas e segurando-lhe a cintura. Blake se aproximou mais da mesa onde ela agora estava sentada. E. ordenar os pensamentos. – Vou estar ocupada hoje à noite – disse ao se dar conta de que era domingo. Mas confiança. Não soube ao certo o que queria mais. E prometera a si mesma que. Blake percorreu-lhe o corpo nu com olhos que logo brilharam com um fogo que jamais se extinguia. tenho um lugar para ir hoje à noite – disse-lhe numa voz subitamente distante. Eu vou voltar. ficando ainda deitada. ela virou-se na mesa. Saciada. enfim soerguendo-se da mesa. Havia prometido a Michael que iria à festa do pai de ambos. Queria levantar a cabeça. ou o que quer que fosse. Não apenas sexo.

E. como se fosse uma promessa. a cabeça e beijou-a nos lábios. Confiança. enfim. suave. . nunca havia confiado em nenhum homem em sua vida. Alexia tinha a tendência de exigir uma grande quantidade de informações das pessoas. beijando-a mais uma vez antes de se encaminhar até a porta. inclinou. ou quando. – À meia-noite. porque não quisera ouvir reclamações.Fitando-lhe longamente os olhos. – Temos um encontro – sussurrou para as paredes do apartamento vazio. pela primeira vez. E de que seria capaz de lhe confiar sua vida. Com a exceção de Michael. e com uma mãe que nunca se dera ao trabalho de partilhar coisas importantes. não a fez pensar em sexo. Alexia se sentiu irremediavelmente envolvida. então – disse ele. Aquilo era o mais importante. Depois de crescer com um pai emocionalmente – e em geral fisicamente – ausente. mas gostava de saber tudo que pudesse antes de tomar decisões. Com a ponta dos dedos. ela apertou os lábios que ainda tinham gosto de geleia de ameixa. Não sabia nada sobre ele além do nome e de que era sensacional na cama. E ali estava. como o lugar para onde se mudariam da vez seguinte. com um homem que não havia lhe dito nada. de um momento para o outro. uma aceitação e. Talvez isso a tornasse também um tanto controladora. mas controlador. A porta da frente se fechou atrás de Blake. E sim em assuntos do coração. Foi um beijo terno.

AMIGO! – exclamou Cade. Ali estava algo excelente em Cade. ao usarem copos ali na festa em vez da habitual e vulgar garrafa de cerveja. Como aquela festa. o velho tem estilo. Para além disso. certo? Não é como estar de licença remunerada diariamente? Blake fez uma careta. e talvez iniciar alguns programas aqui na base naval. Blake deu de ombros. – Para que se aposentar. Nem sonharia em dizer isso a Cade. deu de ombros. Não se importava com o fato do almirante e Blake terem uma relação um pouco mais próxima. – O que acha que ele vai fazer agora que está aposentado? – perguntou Cade num tom corriqueiro. a opulência mais o confundia do que impressionava. o tio de Cade era senador e o pai possuía metade do Norte da Califórnia. – A aposentadoria foi feita para uma pessoa relaxar. observando a multidão de convidados. a família dele. – Colocar uma daquelas camisas floridas e ficar cuidando do jardim? – Espero que alguém tire fotos. então? – indagou ele. no entanto. Em comparação aos Sullivan. Aquilo era relaxar demais a seu modo de ver. Depois de mais um gole de cerveja.. de música entediante de câmara e do ruído quase inaudível do ar-condicionado da mansão.. – Deve ser dito. Havia crescido como pobre o bastante para saber apreciar o fato de que. Músculos. naturalmente. Olhou ao redor. O tilintar do vidro se perdeu no mar de vozes bem moduladas. ele e Cade. Não eram como a . Ao contrário dos pobres civis que se viram obrigados a usar smokings. tiveram permissão para usar os uniformes brancos de gala. enquanto olhava ao redor. juntamente com outros oficiais.Capítulo 6 – SAÚDE. Esse tipo de evento não era do seu feitio. o almirante Pierce não vivia num lugar muito melhor que o estacionamento de trailers onde Blake crescera. à procura de um garçom e outro copo de cerveja. batendo o copo de cerveja de leve de encontro ao de Blake na festa de aposentadoria do almirante. Por outro lado. E de que adiantava? Os ricos se preocupavam mais em ostentar sua fortuna do que os caras fortes em ostentar os seus. – Blake riu. o que lhe assegurava seus próprios contatos influentes.C. o sujeito do bufê incumbido de lavar a louça não ficava sem serviço e sem seu meio de sustento. – Ele mencionou que vai dar consultoria em Washington D.

– Dei o melhor de mim para deixar uma marca forte – declarou ele antes de dirigir a Blake um olhar indulgente que o deixou com a pulga atrás da orelha. de que. – Senhor? – Droga. falando em legados – prosseguiu o almirante. Blake moveu os ombros contra o tecido restritivo do uniforme. Ao menos. – Minha filha. Haviam sido treinados para isso. senhor – disse Cade. Ele não queria conhecer ninguém. voltando a adquirir aquele sorriso social –. era como se o uniforme não lhe caísse bem. e o almirante se deixou convencer. Que a minha influência continuará. a não ser pelo sorriso largo no rosto. – A base não será a mesma sem o senhor. soldado condecorado que havia triunfado depois de uma infância ruim. sob aquele tom condescendente. é bem versada nos requisitos necessários para apoiar o lar de um militar. senhor – disse logo –. – A marca de um grande líder é o impacto que deixa em suas tropas – concordou Cade. tinha traquejo social. Sabia o jogo que o almirante estava fazendo. de fato. passava? – Landon. um deles não voltasse. Então. O único detalhe era que não tinha a menor intenção de se casar. o amigo estava rindo consigo mesmo. Ele. Este tipo de festa não faz o meu estilo. você tem que festejar onde houver música tocando. qual a razão do drama emocional? Por que não diminuía. – Você está inquieto como nunca desde que chegamos. Uma jovem adorável. mas semelhantes o bastante para fazê-lo sentir-se confortável. brilhante e ocupando um excelente cargo. Fuzileiro naval. Estou saindo com outra pessoa. – Parabéns por sua aposentadoria. Essa havia sido a frase favorita de Phil. trocando o próprio copo. linguista. . O velho gostava da história dele. costumara se sentir confortável antes. Pela primeira vez. Landon. – Lamento. – Senhor. Era evidente que Pierce não estava acostumado a bancar o Cupido. – O sorriso de Cade desapareceu tão logo as palavras saíram da sua boca. Em contraste à voz autoritária e seca que costumava usar para vociferar ordens. – Amigo. social e caloroso. – E. – Quero apenas ir embora assim que possível. Haviam embarcado em toda e qualquer missão cientes de que havia não apenas a possibilidade. sendo minha filha. será ótimo conhecer sua filha. Articulada. É descomprometida. tem um sólido portfólio e. cedo ou tarde. A palavra “genro” estava praticamente escrita na sua testa.farda de serviço. na verdade. se entendem o que quero dizer. Não havia muita diferença. Blake olhou para o próprio copo de cerveja. E Blake desejou fervorosamente que não estivesse fazendo isso no momento. fico contente que tenham vindo – declarou o almirante num tom alto. Não era obtuso. mas a probabilidade. – O garçom fez uma ligeira mesura enquanto trocou o copo vazio dele por um repleto de cerveja gelada. Sullivan. – O que está havendo? – perguntou Cade. há alguém que quero lhe apresentar. – E gosto de pensar que estou deixando para trás um legado. Blake não teve que olhá-lo para saber que. mas não vou convidá-la para sair.

sabia que ela não ficaria mais satisfeita com apenas sexo por muito mais tempo. teria de oferecer mais. inquieto. uma vez que não conseguira tirá-la dos pensamentos. em seguida. – Cade deu de ombros como se isso não tivesse importância. Blake franziu as sobrancelhas. O hábito quase levou Blake a fazer uma continência. a despeito de quem o almirante quisesse que conhecesse. – É a hora do brinde. Exceto a parte em relação a querer conversar. voltar para o seu ninho de paixão com aquela ruiva sexy outra vez. Não era de surpreender. – A verdade está praticamente estampada na sua cara. Mas. contar sobre o que fazia? Precisaria de uma grande dose de charme para conseguir . tocá-la. uma indicação amarga de que também achava o jogo lastimável. – Você vai esperar. Falar sobre seu passado não era. não um capacho – resmungou irritado por entre dentes tão logo o almirante se afastou o bastante para não ouvi-lo. Retesou os ombros automaticamente. E isso era provavelmente de causar choque. – E qual é o problema? Você pode conhecer a filha dele. se ele a queria. iria embora dali. Mas torceu os lábios. Queria vê-la. tê-la em seus braços por inteiro. Foi a primeira vez que se sentia grato pela iminência de um discurso. Fico surpreso que esteja conseguindo tomar a cerveja com um anzol tão fincado na sua boca. bancar o gentil e. tem de fazer o jogo. querido – falou a sra. Blake ignorou as aclamações monótonas ao microfone e deixou que os pensamentos voltassem a girar em torno de Alexia. dando a entender que queria conhecê-lo melhor. pensou Blake com grande desconforto. é claro. – Pierce arqueou as sobrancelhas grisalhas para Blake. Já arriscara algumas perguntas. Foi poupado de ter que pensar numa resposta adequada graças ao som alegre de um sininho. Tão logo esse brinde tivesse terminado. Sua gratidão durou cerca de cinco minutos. nem sequer sabia se não havia sido mesmo “fisgado” de certa forma. E. nem nunca fora problema. dirigindo um sorriso de desculpas a Blake antes de ignorálo com um aceno de cabeça. Pierce. Era evidente que esperava mais. Todavia. Tudo o que fez foi contornar a honra duvidosa de concordar com um encontro às cegas com a filha do almirante. Não era como se tivesse recusado uma ordem. – Sou um soldado. – Odeio política – falou por entre dentes. com a sensação de que o uniforme o aprisionava de repente. Mudou o peso do corpo de um pé para o outro. Eu gostaria de terminar esta conversa. Conversar com ela. por mais que as coisas tivessem sido escaldantes entre ambos. – Excelente. Seria tão inútil negar quanto tentar alimentar um chacal para salvar a pele. conseguir com que alguma coisa seja feita. – Se você quer chegar a algum lugar. – Elliot.Foi somente quando viu o choque no rosto de seu superior que Blake se deu conta de que era a primeira vez que dizia não. Provar-lhe o gosto doce dos lábios e da pele mais uma vez. – O quê? Não acha que consegui deduzir por que você está com esse ar desejoso a noite inteira? – Cade deu risada. Lembrava da irritação nos olhos dela naquela manhã. não apenas surpresa. Além do mais. naquelas circunstâncias. disse a si mesmo.

Seios que o haviam deliciado ainda naquele dia pela manhã. Ficou claro que precisou dar um puxão em quem quer que estivesse do outro lado para que a pessoa se movesse. onde se via a tatuagem de uma rosa. Apesar de intrigado. viu quem Michael estava tentado fazer subir no palanque ao fundo da sala. mas a envolvia de uma maneira que atraiu os olhos dele para os contornos tentadores dos seios arredondados e da cintura fina. Um elegante vestido longo preto realçava-lhe as curvas esculturais do corpo de estatura alta. A sua sexy tentação. Seus dedos se fecharam em torno de mãos delicadas. observando-lhe o ritmo maravilhoso de vaivém do corpo ao longo de sua ereção. Alexia. Alexia manteve a expressão neutra e os ombros retos. Então. Observou enquanto o homem loiro se virava para ajudar alguém a subir até o pequeno palanque. enquanto as pessoas aguardavam. sempre frequentara as altas rodas. num corte moderno. subitamente notando a semelhança no formato do rosto. Sua mãe era tão inclinada a sociabilizar quanto seu pai era mandão. Reconheceu o homem primeiro. Ficando subitamente no centro de todos os olhares. Blake não pôde deixar de sorrir. O tecido dava a ilusão de que o modelo do vestido era solto. Michael? O que estava fazendo ali? Trabalharia com eventos e estava ali com parte do entretenimento? Blake perguntou-se o que teria deixado de notar naquele primeiro dia na praia quando ficara embasbacado por Alexia. Cabelo loiro avermelhado. . O cabelo dela era de um tom ruivo intenso e cascateava na forma de cachos soltos por sobre um ombro nu. O único lado bom havia sido que. Mas ao menos tinha a certeza de que já omitira a verdade por tempo demais. indicando que era customizado e um anel de rubi no dedo mínimo que faiscou quando ele acenou amistosamente para a multidão. um smoking com lapelas de couro de jacaré. Desviou os olhos dela para o homenageado da noite. Odiava essas coisas. Alexia era a filha do almirante? Droga. – murmurou Cade com um sorriso malicioso. intimamente divertido. ele. enfim. mas um fuzileiro naval. o que significava que tivera de comparecer a vários eventos sociais por ano.. organizando ou comparecendo a eventos dos mais entediantes.. – Bem. Havia alguém ali que não gostava das luzes dos holofotes. Uma vez que Margaret Pierce nascera em berço de ouro. e agora. no arco das sobrancelhas. O arrepio na nuca que costumava se manifestar como um sinal de alerta fez com que os pelos ficassem eriçados. Não conseguia mais prosseguir desse jeito. Uma cintura que segurara inúmeras vezes para puxá-la para si e estreitá-la no calor dos seus braços. Blake acompanhou-lhe o olhar.fazê-la se despir outra vez depois que revelasse que não apenas era da Marinha.

exceto por garantir que os filhos comparecessem e se comportassem adequadamente. Mas primeiro. não faria mais sexo com um estranho. Havia ficado tão agitada depois que ele saíra pela manhã que resolvera.. – Esconda o tédio – sussurrou Michael. pois a mãe de ambos fazia questão de seguir o protocolo. Mas havia esquecido como tudo isso era enfadonho. os dois se sentariam para uma conversa. Na verdade. Para desfrutar o deleite de seus beijos ardorosos. o almirante e a esposa sempre tinham vivido ocupados demais para fazer alguma coisa exceto ignorá-los a noite inteira. ele lhe era um completo desconhecido. A imagem de Blake surgiu em sua mente. conhecia o corpo de Blake tão bem quanto o seu próprio. depois de algumas horas. Certinho não está aqui para distrair você? Uma enxurrada de culpa. Tornou a suspirar. mas não sabia de mais nada a seu respeito. Não havia compromisso algum entre ela e Edward. Em termos emocionais. Mal podia esperar para tocá-lo outra vez. Embora as coisas fossem maravilhosas entre eles. dessa vez. Não. febril. Apenas porque passara as duas noites anteriores praticamente numa maratona sexual com o homem mais passional e incrível que já conhecera em vez de telefonar para aquele que queria torná-la sua amada? Contraiu o rosto. o irmão teve apenas que se inclinar de leve em sua direção. qualquer que fosse dessa vez. Tão incrível. Lançou um olhar ao relógio de pé ornamentado num canto à esquerda do pequeno palanque montado na imensa sala de estar dos pais e suspirou discretamente. Era tolice sentir culpa. os olhos azuis intensos. mais aclamações ostentosas ao brilhantismo do seu pai e a habitual resposta pomposa dele para encerrar as celebrações. Mas. Um oásis que ficaria feliz em partilhar durante mais dois dias de êxtase sexual.. com os lábios mal se movendo por trás do sorriso congelado. mas. nem tampouco implícito. uma onda suave de calor sensual envolveu-a como sempre acontecia quando pensava em ambos juntos. se acostumara a achar que era melhor ser ignorado. Não tinha motivos para se sentir mal. O que foi providencial. as normas da etiqueta impecável. Àquela altura. Então. de modo que seu comentário não foi notado por ninguém mais. o corpo esplêndido acima do dela. nem concreto. atravessou a névoa sexual em que Alexia estivera pairando. enfim. Graças aos saltos dela. Em se tratando dos pais. – Estou morrendo de tédio – sussurrou Alexia de volta. . Isso se traduziria em alguns discursos entediantes. no prazer absoluto que encontravam um nos braços do outro. Faltava apenas uma hora para a meia-noite. Admitia que abrira a primeira à procura do seu babydoll favorito. o que mais a dominava era expectativa. ambos ondulando na mesma cadência erótica. Não havia razão para culpa. – Por que o dr. Para sentir o corpo dele fazendo parte do seu. Fatos eram fatos. havia transformado o quarto quase vazio e impessoal num oásis confortável. Para voltar para o seu apartamento e esperar Blake. profunda e cortante. ela estaria livre. uma peça sensual de renda preta e cetim vermelho. antes de se permitir tudo isso. abrir as suas caixas de mudança.

Concentrou-se nas palavras. Alexia resolveu não pensar em mais nada por ora e sentiu parte da tensão se dissipar. Olhou sorrateiramente para o relógio de pé. – Tenho certeza de que ficará. sacudiu a cabeça em negação. Por que o pai não poderia ter feito um brinde derradeiro a toda sua glória passada num horário mais razoável. – Aposto que isso deixará a sua noite ainda melhor. – Mas ajudaria você a decidir se quer ter um relacionamento com ele ou não – apontou o irmão. quando notou o gélido ar de reprovação no olhar da mãe. Lembre que fazemos parte da fila de recebimento dos cumprimentos. Era provável que quisessem leite morno e a cama em vez de um discurso tedioso e champanhe. você verá que é um fraco. gelando-a por inteiro. vendo que já eram 23h30. Inclinou-se na direção de Michael. Além do mais. que endireitou os ombros de imediato. cumprimentado o nosso pai. em vez de prolongar a festa ao máximo e obrigar todos a ficar ali até tão tarde? Ela olhou ao redor. – Que outro jeito melhor de ver como o sujeito é de verdade do que fazê-lo enfrentar o nosso velho? Caso se intimide. Os convidados eram idosos. O pai começou o discurso. Se fizer logo amizade. ou seja. Estava prestes a pedir ao irmão que lhe desse cobertura.A cotovelada leve e quase imperceptível de Michael lembrou-a de que aguardava uma resposta. Uma onda de horror a dominou. seu foco aumentou. – Está brincando? Trazer um acompanhante para um evento de família? – sussurrou em zombeteiro horror. acho que deve mesmo ficar – acrescentou Michael com um sorriso maroto. oficiais e amigos políticos por seu apoio durante a carreira dele ao longo das quatro décadas anteriores. Tão logo saísse dali e pudesse ver Blake. ouvindo o pai agradecer a uma lista de dignitários. Exceto por isso. . Ela deu de ombros. não se importava nem um pouco com seu comportamento diante do almirante. Blake? Com a testa franzida. – A única maneira de sermos citados num discurso será se ele falar sobre as lutas e desafios que teve de enfrentar. é um panaca. Então. – Acha que vai nos incluir? – sussurrou. irei embora. Observando a multidão. Cutucou Michael sutilmente. a fim de poder ir embora. um alerta disparou em sua mente e seu olhar voltou tão depressa na mesma direção que ela deve ter perdido alguns cílios. – Isso jamais é uma boa ideia. – Não – murmurou o irmão de volta. – Não tão depressa. Terá de esperar e sorrir até que todos tenham feito sua veneração. seu olhar passou rapidamente por um rosto em particular. na maioria. O que ele estava fazendo ali? Então. – Tão logo isto acabar. Alexia deu de ombros e recorreu ao senso de humor. O único parâmetro que queria em relação a seu pai era o de que o homem com quem se envolvesse não fosse em nada parecido com aquele que a gerara. tão logo o brinde terminasse. e ambos dirigiram os sorrisos falsos até o centro do palanque. Como não se encontrava exatamente no momento propício para falar sobre sua confusão emocional.

mais difícil seria convencê-la a lhe dar ouvidos. Ele jamais teria imaginado que uma mulher tão ardente pudesse se mostrar tão gélida. Blake tinha um longo treinamento a seu favor. – A frieza na voz dela espelhou a do olhar. o oficial agora aposentado ergueu sua taça de champanhe num último agradecimento. ela desapareceu no meio das pessoas. então. Droga. também erguendo a sua. Alexia lhe lançou um olhar especulativo que o fez desejar estar com equipamento de combate. Quanto mais tempo Alexia tivesse para mergulhar em sua evidente mágoa. estava igualmente determinado a continuar desfrutando a paixão avassaladora que só encontrava nos braços de Alexia. Alexia soltou um som sibilante por entre dentes que se assemelhou ao ruído de água fria sendo atirada em labaredas. que ia prolongando o discurso. adquiriu um ar frio e distante. até então. Por mais que quisesse evitar quaisquer ideias casamenteiras do almirante em relação à filha e a ele. neutro. Depressa!. Fuzileiros navais. estivera sob o comando do pai dela. O homem que a enlouquecera de prazer. O que foi bom. Depois. saltando fora da armadilha. pensou. Blake afastou a mão. – E não importa – declarou. E logo fúria. Blake acompanhou distraidamente o restante dos convidados. Enfim. Em alerta. Ele era um militar… Um militar de elite que. Por sua vez. Então. incredulidade. contornando a multidão pela lateral. Notou a direção que ela tomou e. Era evidente que o fato de ter crescido sob a influência militar lhe ensinara uma coisa ou duas. que a fizera até acalentar pensamentos sobre permanência e ansiar por um relacionamento. interceptou-a antes que chegasse à principal saída. olhando na direção do almirante. Como era possível que não tivesse enxergado os sinais? Por que Blake não lhe contara? E quando. esses discursos terminariam para que pudesse sair correndo dali? Blake acompanhou cada expressão que passou pelo rosto de Alexia. E não precisava que ninguém soubesse de detalhes sobre o relacionamento de ambos. – Surpresa – disse num tom comedido. observou-lhe o rosto e os homens à sua volta. escolheu as palavras com cuidado. lembrando subitamente que estavam cercados pela família dela e os seus próprios superiores. Mas seus olhos não deixaram Alexia. sabendo que havia mais por vir. que a levara a querer brincar de casinha – nua – era a única coisa proibida a seu ver para ter um envolvimento com alguém. – E eu não fazia ideia de que importava a você quem era o meu pai. – Não me dei conta de que tínhamos interesses em comum. como se tivesse se fechado em si mesma. Choque. pois logo a multidão começou a se mover.Não! Seus olhar se alternou abruptamente entre o uniforme e as medalhas que faiscavam no peito dele e. Pousou a mão em seu ombro com apenas pressão o bastante para não deixá-la escapar. O grupo de elite da Marinha americana. afinal. – Eu não fazia ideia de que você era filha do almirante Pierce. .

O cabelo era o mesmo. Alexia era. e os expressivos olhos castanhos também. Além disso. o sorriso de Pierce diminuiu e tudo que dirigiu à filha foi um meneio de cabeça. Mas. Essa é uma daquelas coisas que geralmente surge durante uma conversa. alternou o olhar entre ambos. Blake não compreendeu a razão da evidente tensão entre pai e filha.– Eu também não. – E então? – E então. soltou o ar devagar. O que. nada – disse Alexia num tom tão seco quanto a fisionomia. provando que uma dúzia ou mais de brindes não haviam afetado sua percepção. Mas era como se alguém ativesse apertado um botão e a desativado. não se modificou. foram interrompidos. Mesmo furiosa com ele. Até agora. – Com os lábios tão apertados que estavam brancos. Como uma mulher geniosa que aprendera a controlar seu temperamento. obrigada. era dona de uma vivacidade incrível. enfim. Outra coisa que nunca tivemos. ela resplandecia. afinal. Arqueando as sobrancelhas. estava acontecendo entre os dois? – Falei a você para ficar pelo menos durante uma hora após as celebrações para cumprir alguns deveres sociais específicos que solicitei – disse Pierce à filha. – Ele colocou-se um pouco de lado para que o almirante pudesse conversar com a filha. E isso era a última coisa que devia acontecer a uma mulher daquelas. – Trocamos um olá na praia há alguns dias – respondeu ela. Antes que Blake pudesse argumentar. de pura energia. então. E com seus cachos vibrantes. alternando o olhar entre seu rosto e . mas o fato de estar aposentado também devia contribuir. Quero ir para casa. – Aonde você vai? – Estou indo embora. Prefiro não conversar. rosto expressivo e entusiasmo. Blake já nadara em pleno Oceano Ártico uma vez e jurava que não estivera tão gelado quanto o tom dela. – Podemos conversar. Então. ao pai. fez um gesto na direção das portas-janelas abertas que havia à esquerda de ambos. Mas agora? Blake alternou um olhar entre ela e o almirante. ela respirou fundo e. – Vocês já se conhecem? Blake aguardou que Alexia respondesse. – Não. – O almirante saudou-o com o sorriso mais largo que Blake já vira estampado em seu rosto. – Não. O sorriso. em vez de palavras. – Senhor. – Prefiro ir sozinha. – Tenente. Blake se moveu para tornar a lhe bloquear a saída. – Vou com você. Prefiro não sair para o pátio. Seu lado vivaz continuava intacto. A taça de champanhe vazia que segurava podia explicar parte da euforia. ela ainda soltava poucas faíscas. sem dúvida. emoldurado por lábios cheios pintados de rosa-escuro. a mulher mais inteligente que já conhecera. – Por que não vamos por ali? – sugeriu.

Espero que seja obedecida. então. Olhou-o de alto a baixo. notando o uniforme e. um dos irmãos Pierce estava disposto a ouvi-lo. – Felizmente. – Com licença – disse ele num tom tenso antes de ir atrás da filha. – Eu lhe dei uma ordem. como a minha mãe pediu. ou o pai dela. e descobrimos que somos incompatíveis. E que eu teria que ir embora tão logo o evento tivesse terminado. sacudiu a cabeça devagar. então. preciso conversar com você. Recostando-se confortavelmente no encosto de madeira do balanço. – Eu não sabia que você era da Marinha – disse Michael tão logo passaram pelas portas-janelas. Deixou logo a sala. Alexia abriu um sorriso glacial e sacudiu a cabeça. pensou Black. Deu um passo à frente.sua bolsa. com um pé dobrado sobre o joelho. porque via aquilo mais como um interrogatório do que um bate-papo amistoso. fez um gesto na direção das portas-janelas que davam para o pátio da mansão. ainda perplexo. que ela segurava com tanta força de encontro a si que os nós dos dedos estavam esbranquiçados. ou com boas maneiras até então. não. – Para mim. Ele desculpou-se jovialmente com o casal em sua companhia e. Já passamos tempo o bastante juntos. Agora.. Gostaria que vocês passassem algum tempo juntos para se conhecerem melhor. Antes de poder abrandar a situação. – Michael. – Lamento. indicou que se sentassem no balanço largo. Blake achou mais sensato permanecer onde estava. O sorriso frio englobou a ambos antes que ela girasse nos calcanhares e se afastasse. Blake olhou ao redor atentamente. Com um aceno elegante.. colocando-se sorrateiramente entre pai e filha. precisamos conversar. O tenente Landon é um dos meus protegidos. O mesmo lugar aonde Alexia se recusara a ir para conversarem. se me derem licença. Blake começava a ter a impressão de que aquele não era um relacionamento amoroso entre pai e filha. Pierce ficou com o ar de quem não tinha tanto charme quanto acreditava. O irmão de Alexia arregalou os olhos ao se dar conta de quem Blake era. mocinha. – Sim. – E eu falei que viria comemorar a sua aposentadoria. – Desculpe – disse sem se importar com o protocolo. Adiantou-se pela grande sala de estar até um pequeno grupo de pessoas. Nenhum dos dois acharia a sua presença bem-vinda àquela altura. – Por que ela não disse nada logo de início? . Mas não a deixaria ir. Era difícil dizer quem estava mais chocado. nos conhecendo melhor. Pronto. – Faz diferença? – perguntou Blake. Michael pareceu não se importar. Blake. E ali estava a óbvia tensão. – Mas faz diferença para Alexia – deduziu Blake. vocês dois já quebraram o gelo. – O almirante fez um gesto para Blake. Pelo menos. sem querer sentar.

– Bem. ponderou Blake. Mas ela jamais vai ter um relacionamento com um militar. estava ali. Entendendo? Pelo visto. – Que cara? – persistiu Blake. com o qual se identificava. isso é interessante. você é um ótimo sujeito – explicou Michael. sim. – Por que ela não gosta de militares? – Bem. O que importa é saber dos detalhes. Michael tirou prontamente as suas próprias conclusões.. como se estivesse preocupado com a reação de Blake. havia adorado seu trabalho. sem dúvida. Blake sentou-se no balanço. mudando o peso do corpo de um pé para o outro de modo que adquiriu uma posição um tanto intimidante. Acho que você seria bom para Alexia. Não podia fazer absolutamente nada em relação a Phil. Tudo de que precisava era um plano. Treinara para o que fazia. – De verdade. – E Alexia merece alguém assim. observando o outro homem afastar-se. – Michael recobrou o habitual charme e levantou-se. – Oh. – Hesitou. você conheceu nosso pai. arqueou as sobrancelhas e. – Pela primeira vez. o mesmo trabalho que adorava. descartando o assunto. mostrando uma camada de dor e amargura abaixo. sim. Quando vocês ficaram juntos? Onde estiveram e quais são as suas intenções? Essas são as perguntas que precisam de resposta.. Onde vocês se encontraram outra vez? E acabaram se. então. Nunca questionara o fato de ser um fuzileiro. Parecia que o almirante não era um dos pais mais legais do mundo. – Lamento. E a mulher mais fascinante que já conhecera. – Desculpe. abraçava e vivia para isso. Não foi à toa que ela esteve com aquele olhar sonhador a noite inteira. Por sua vez. Mas a Alexia. – Ouça. a fachada descontraída de Michael desmoronou.. – Qual é o tipo de relacionamento dele com Alexia? Estão envolvidos? É alguém de quem ela gosta de uma maneira especial? – Se fosse o caso. vocês não tiveram exatamente uma conversa aprofundada lá na praia. Blake vira essa mesma expressão nos olhos de Alexia no bar. – Michael sacudiu a mão no ar. – Então. . ele estaria aqui. Foi isso? Fuzileiros navais não se deixavam dobrar tão facilmente. – Quem? – Apenas um cara. Nem nunca quisera outra coisa. Até três semanas antes. quando falara sobre militares. acrescentou: – A não ser que vocês tenham tido um pequeno tetê-à-tête depois do encontro na praia. então. Seu amigo. Certinho à festa. Oh. – Michael estudou-o atentamente. Mas no espaço de duas semanas. E o que não aceitava mudava. Ele a teria de volta. Deve ser por isso. que não quis trazer o dr. Mas Blake não aceitava aquilo. – Não tem a menor importância. uma pequena estratégia e um meio de atraí-la de novo. Havia uma mensagem em alguma parte daquilo. sim. teria. uma negação ou confirmação não se fez necessária.. Lamento – repetiu Michael. por que está pedindo desculpas? – Porque ela não vai falar mais com você. havia lhe tirado duas coisas das quais não quisera desistir. mas não com Alexia. E obviamente.

Um dos motivos para se recusar a deixá-la terminar aquilo entre os dois. Ela não estivera brincando quando dissera que não gostava de homens de uniforme. respirou fundo. Blake subiu até o andar de Alexia e bateu à porta. para levá-la a aceitar. Imaginava que ela ficaria zangada em princípio. Abriu um largo sorriso ao vê-la. Antes que ele pudesse detalhar todas as coisas que gostou que ela fez para desafiar esse controle. . Uma trégua não seria negociada se a aborrecesse logo de início. dez no máximo. Esperou alguns segundos e. faria o jogo das desculpas. tirou o celular do bolso e discou o número do apartamento. Era intensa demais. a porta se abriu. Não que esperasse rendição fácil da parte dela. passando pela casa de Cade para vestir um jeans. – É melhor você atender – disse no momento de deixar a mensagem quando a ligação foi parar na caixa postal. Ele usou o tempo sabiamente. mas não para ficar remoendo os assuntos em questão. Mesmo quando você está nua. estaria se deliciando com o prazer que só encontrava com Alexia. Alexia o fuzilou com o olhar. a seguir. ondulando sobre mim e me enlouquecendo.Capítulo 7 BLAKE DEU uma hora a Alexia. tornou a bater à porta. Tinha uma personalidade forte demais para isso. A paciência é uma virtude especial minha. Alguns segundos depois. Batalhas travadas no meio da noite tinham um teor diferente depois que o dia amanhecia. Assim como não tivera de olhar para as janelas iluminadas do apartamento dela antes de subir para saber que ainda estava acordada. Ele. Não teve de olhar para o relógio para saber que era 1h00. Na verdade. É como um teste pessoal ver quantas vezes consigo fazer você gozar antes de não poder me controlar mais. enfim. lembra? Posso aguentar até de manhã. Era o bastante para se acalmar. Preparado para vencer. talvez continuasse demonstrando aquela frieza recente. Você sabe disso. – Vou ficar aqui a noite inteira. E era apenas uma das razões para estar louco por ela. Estacionando a caminhonete em frente ao prédio baixo dela. gosto de esperar. usaria seu charme um pouco. que ele não havia feito nada errado. posso aguentar. Dentro de cinco minutos. então.

Em vez disso. Fui responsável... Tenho certeza de que. mais depressa poderia livrá-la daquela velha camiseta e beijar-lhe os sexy dedos dos pés. Não menti para você. ou se era devido ao seu tom de voz. – Precisamos conversar – falou. honrado e direto. continuavam extremamente sexy. Nem sequer fiz promessas. O tecido cinza desbotado a envolvia de tal maneira que as curvas desapareciam. tão preciso. irredutível. Sua pele translúcida estava corada pela raiva. . – Você se importaria em me esclarecer uma coisa? – perguntou sem tanto charme. – Não deixo que as decisões dos outros governem as minhas decisões – informou-a. porém. permanecendo firme. As pernas bem torneadas ainda pareciam macias. Ele curvou os lábios. não é mesmo? – desdenhou Alexia com um sorriso glacial. não terá mais como dizer isso. As unhas dos pés. mas a semelhança entre ambos foi digna de nota no momento. O sorriso de Blake ameaçou dissipar-se por um momento. sexy e arrumado apenas horas antes. Puxa. como era adorável. Correu os olhos pela grande camiseta que ela usava. um a um. Queria esse “espólio de guerra”. De maneira alguma. prosseguiu: – Não fiz nada errado. Aquilo seria uma estratégia de guerra. Alexia recuou um passo automaticamente e seus olhos faiscaram.O cabelo. pintadas de vermelho cintilante. Fazer o inimigo achar que não queria o espólio de guerra para nem sequer lutar por isso? Não. ele se afastaria. – Bem. – Acho que a oportunidade de conversar passou. e continuava tão desejável quanto estivera naquele minúsculo biquíni na praia. Por baixo. recostou-se no batente da porta e abriu um sorriso charmoso. chegando a extrapolar um pouco. – E nunca perdi uma batalha. Tão logo o fizessem. Imaginara que ela ficaria zangada. – Já conversei uma vez ou duas – respondeu ele secamente. umas poucas sardas lhe salpicavam o nariz e havia leves vestígios de rímel sob os olhos furiosos. frio e semelhante ao do almirante. como um militar. notando que o Jon Bon Jovi da estampa ainda tinha cabelos longos e cacheados. tinha sido escovado e lhe emoldurava o rosto como um halo avermelhado. Agora. um short de algodão puído lhe chegava a altura dos joelhos. mas de não se escolher o momento certo para certas coisas. Não a enganei para conseguir levá-la para a cama. Blake não soube se era pelo fato de já estar a par do fato de que ela era filha de Pierce. Achando que ela se mostraria mais fácil de lidar se achasse que estava no comando. desprovido de maquiagem. mas estava enraivecida. – Conversar? Você sequer sabe o que é isso? – perguntou ela sem sair da soleira da porta para lhe dar passagem. você deve saber que inúmeras batalhas já foram perdidas não por causa de erros. Para começar. Sem aguardar uma resposta. não a pressionou para deixá-lo entrar. e o ar de sedutora que havia combinado com o sensual vestido se dissipara. O rosto estava limpo.

– E isso me torna fácil e um tanto inconsequente. Já era o bastante. Uma vez que deixei os meus sentimentos quanto a um envolvimento com um militar bem claros. o que fez seus cachos lhe roçarem toda a volta do rosto. sobre as pessoas de seu convívio? Levando em conta que. Uau. e ele franziu as sobrancelhas. lançando-lhe um olhar grave. Ele não esperava um pedido de desculpas logo de início. – Blake fez menção de pegar-lhe a mão. – E então. – Não? Você não escondeu informações sobre seu trabalho. relaxando o bastante para recostar-se na beirada da porta que ainda segurava com força e cruzando um tornozelo por cima do outro. – Oh. não contar isso foi uma opção propositada da sua parte. essas frases feitas – disse Alexia irônica. seu estilo de vida. ainda é melhor do que uma pessoa ser mentirosa. Mas um de nós. – Não quero parecer grosseiro. observando-a na camiseta folgada. Foi sensacional. – Oh. mas também na mensagem que pretendemos partilhar. qual é realmente o problema? – persistiu quando percebeu que a resposta não viria. Percorreu-a com o olhar mais uma vez. escondeu fatos importantes a fim de conseguir todo esse sexo. – Alexia inclinou a cabeça com ar irônico. parecia determinada a continuar fazendo tempestade em copo d’água. é necessário um tipo de dedicação que está arraigado no sangue. Bons momentos. esforçando-se para conter a impaciência. em vez disso. A comunicação não consiste apenas nas palavras que dizemos. conforme passamos mais tempo juntos. a meu ver. – Você não me falou o seu sobrenome – replicou. muito sexo incrível e. ele começou a relaxar. dizendo a si mesmo que isso era parte do que a tornava tão desejável. as maravilhas do sexo. Esperou que o deixasse entrar para que pudesse se divertir enquanto esperava. cruzou os braços sobre o peito e continuou com uma expressão ultrajada. mas. de cor apagada. Uma troca tola de ofensas? Era o melhor que ela conseguia fazer? . só posso concluir que escondeu a sua carreira de mim deliberadamente. talvez uma chance para termos algo mais. Sem dúvida. – Não escondi nada – negou ele. – E nós dois tivemos as mesmas intenções em se tratando disso. Ela até parecia uma advogada empertigada falando. para ser um fuzileiro naval. Ou pior. uma psicóloga. – Tem razão. não foi? – disse ela com um sorriso malicioso. deu-se conta cerrando os dentes. O que. ao contrário do outro.Esperou que ela fosse razoável e assentisse. Blake endireitou as costas. mas como não tentou fechar ainda mais a porta que mantivera apenas entreaberta. começando a ficar irritado. de maneira simples e irrefutável. sim. Estava quase lá. e seu sangue se aqueceu. – O único problema com a sua argumentação é que você está ignorando as intenções. os espantosos rumos dos pensamentos de uma mulher e talvez um pouco de constrangimento por ter reagido de maneira um tanto exacerbada demais teriam de ser trabalhados primeiros. Imaginava que o orgulho. Ela moveu a mão. Podia esperar. Bastava que os fatos fossem apresentados. mas o que pretendi partilhar foi o meu corpo com você e viceversa. – Por que está tão furiosa? Pronto. A natureza impetuosa. Blake voltou a ficar nervoso ao perceber que foi apenas um falso sorriso que não chegou a lhe iluminar os olhos.

Mas o que isso importa? Somos ótimos juntos. O máximo que poderia fazer era tentar diminuir os danos. Sabia. Olhou-o de alto a baixo por um longo momento antes de tornar a fitá-lo. Jamais desistia. Deu para perceber isso. havia sido o equivalente a uma declaração de guerra. não de afundar ainda mais na areia movediça. Alexia fechou a porta na cara dele. Não. Não venceria. que o fato de ter deixado a festa do pai daquele jeito. rejeitando automaticamente o que quer que seu pai aprove? Tão logo proferiu as palavras. Quisera ficar na cama com a cabeça debaixo das cobertas e uma pilha de chocolates na mesa de cabeceira. Alexia tornou-se um bloco de gelo de repente. como você é esperto! Enunciando esses termos de psicologia como se fosse um especialista. Não vai jogar isso fora por causa. Blake contraiu o rosto. um militar que treinava os fuzileiros? Não tinha a menor chance. me diga. Mas e quanto a um futuro próximo? Venceria. Não havia encerrado o assunto ali. nem sobre Phil. ele quase deu um passo atrás.– Ouça. E que. E se Alexia quisera saber mais sobre quem ele era. Adeus. Então.. teve de admitir. Sem esperar por uma resposta. as batalhas seriam travadas para serem vencidas a qualquer custo. dependera dela. chorando por causa de Blake. Exceto os olhos. sempre à espera que um homem tagarelasse e contasse tintim por tintim como elas? Não queria falar sobre seu trabalho. Por qual motivo? Tem alguma reação condicionada ao estilo de Pavlov. Blake sacudiu a cabeça devagar. você tem alguns assuntos mal resolvidos com o seu pai. Dessa vez. quisera apenas libertar-se um pouco das lembranças. porém. É evidente que já estava com tudo planejado. abruptamente e sem maiores explicações. Merecia a retaliação. . Deveria ter perguntando em vez de fazer uma tempestade num copo d’água por causa disso. Combater um almirante da Marinha americana.. E sei que ele aborreceu você tentando lhe arranjar um par na festa. o que fazia para viver. Mas ela passara seus anos de formação aprendendo sobre estratégia e se sentia bem preparada. uma chance de ser um homem comum em vez de um soldado que acabara de perder um companheiro de pelotão. O que havia com as mulheres. afinal. Soltavam fogo. A ÚLTIMA coisa que Alexia queria fazer depois de uma noite sem dormir. bater em retirada era a única alternativa no momento. fixou o olhar no vazio enquanto ordenava os pensamentos. Furioso consigo mesmo. não se iludia a tal ponto. – Ora. Cerrando os dentes. era enfrentar o pai. Por mais que detestasse ter de admitir. com certeza. como todos os conflitos que o almirante supervisionara. Estava em busca de uma válvula de escape. Blake… Sabe o significado de “encerramento”? E que tal “argumentação indutiva”? E aqui está uma simples. todavia. Resistiu à tentação de bater à porta outra vez e enfiou as mãos nos bolsos. Droga.

Bem. fez uma breve prece silenciosa e bateu à porta. do que acobreado como o da filha. Teria de aguardar por um período longo o bastante para que a raiva dele passasse. Por um instante. sorriu para o almirante. A eterna anfitriã impecável indicou à governanta que arrumasse mais um lugar à mesa. Dirigiu um olhar contrariado à filha. Parando na varanda dos pais. o almirante a ouviria. – Eu tinha expectativas mais elevadas em relação à sua mudança de volta para cá. – Mãe – disse a título de cumprimento. Por que ele tivera de aparecer na noite anterior? Ela sentiu os olhos marejados novamente. a fúria e a mágoa fazendo-a querer esmurrar alguma coisa. . fechando o jornal bruscamente e atirando-o na mesa. Bom dia. respirou fundo. A zona de combate teve de ser escolhida com muita tática. – Lamento que tenha visto isso como um insulto – desculpou-se quando ergueu os olhos. – Alexia – exclamou a mãe. Não. Não reconheceu a governanta que atendeu. Desde que controlasse a raiva e argumentasse de uma maneira diplomática. Nada de se esconder. e um dom para a comunicação. Esse não era o momento para pensar em Blake. de evitá-los. mas ouviria. aquilo era uma guerra. a fim de ganhar tempo para conter as lágrimas inesperadas. censurou-se ela mentalmente. Mas significava que teria de parar para uma garfada e um gole de café e outro entre os insultos. Alexia prometera a si mesma quando se mudara de volta para San Diego que conduziria o relacionamento com os pais de uma maneira madura. – Que surpresa agradável. com a mão um tanto trêmula. ela pousou a mão sobre o estômago em nós. Quando passaram diante das portas-janelas onde tivera seu confronto com Blake. – Pai. – Não tive intenção de aborrecê-lo. sentando numa cadeira e pousando a bolsa no chão. digna.A espera do momento ideal era imprescindível. só que vendo o príncipe encantado se transformar num sapo ardiloso. mas a seguiu sem muito ânimo pelo corredor e a sala principal. o coração de Alexia derreteu. O cabelo era mais dourado. mocinha. e emoldurava-lhe o rosto sem rugas que não demonstrava o menor sinal de sua idade. mas que ainda não desse lugar ao ressentimento. Segurando a alça da bolsa junto ao ombro com força. preocupações e distrações tinham de ser ignoradas. Estava perfeitamente maquiada. de dramatizar as coisas. apenas uma alegre fração de segundo. então. com palavras sinceras. Porque. quitutes e iguarias à parte. ao mesmo tempo em que se levantava para beijar a filha na face. inteligente. – Agradável? – desdenhou o almirante. Poderia não concordar. Havia sido como Cinderela no baile. disse a si mesma. Então. como o de Michael. vá em frente. Todas as fraquezas. quase tropeçou nos seus sapatos Jimmy Choo. Preparada para a batalha. As armas dela? Maturidade e lógica. Um brunch à mesa da mãe não garantia que ele não se mostraria irascível. O pai a quisera de volta? Ficara à espera do seu regresso? – E é assim que se comporta agora que está aqui? Insultando a mim e ao meu convidado? Coração tolo.

Talvez não o soubesse. me dedicando a um trabalho que vai exigir todo o meu foco e concentração. estivera plenamente aberta à ideia. Viu o jornal de hoje? Há um artigo sobre você e essa verba para pesquisas sobre sexo que vai fazer. Com a tensão diminuindo um pouco. – Falando nesse emprego – disse o almirante. Alexia deixou os ombros caírem. – Jantaremos todos juntos no próximo fim de semana – prosseguiu Margaret. Apertou os lábios com força para impedir que tremessem. Eles têm uma vaga para engenheiro acústico. Havia se especializado em comunicação. pousando os cotovelos na mesa e lhe lançando um olhar glacial –. não estava mais. Tem uma grande carreira pela frente. Você está apenas sendo teimosa por conta do hábito. afinal.– Alexia deve ter tido um bom motivo para deixar a festa daquele jeito – interveio Margaret com a irritação dando-lhe um quê estridente à voz. Ele sacudiu a mão no ar. Nem nunca. Acabei de me mudar de volta para cá e. Durante a vida inteira fora chamada de “mocinha” pelo pai e sempre num tom severo. Por que nunca conseguia fazer com que os pais a entendessem? – Lamento. Foi o que me fez mudar para o outro lado do país. – O estresse já começava a fazer com que as têmporas de Alexia latejassem. – Não. mãe – tentou novamente. Começo num novo emprego amanhã. então. nada como poder contar com uma aliada para uma frente unida. se qualifica perfeitamente ao cargo. gostaria que você conhecesse o diretor do Instituto Dillard na semana que vem. sempre foi raro ver a mãe tomar o partido de alguém que não fosse o do almirante. Ela voltou há apenas uma semana. Até o dia anterior. Ao menos. Você poderá convidar o tenente. mas não estou interessada em começar a sair com o tenente Landon. – Ele é um bom homem. A última coisa de que precisa no momento é se preocupar com um relacionamento. Estou tentado ser clara. Elliot. – Deixe para lá. esforçando-se para ser paciente –. Elliot. Agora que você tem um currículo de alto nível. É provável que nem tenha arrumado as coisas da mudança ainda. Inaceitável. – Vai precisar mudar de emprego. É totalmente inaceitável. ela engoliu em seco e tentou vencer o nó na garganta. Por que esperara que as coisas mudassem? – Está prestando atenção. especialmente em casa. ignorando sua objeção. Segurou o tecido da saia branca com força entre os dedos para não bater com a mão na mesa. como a minha mãe disse. Alexia dirigiu um olhar agradecido à mãe. Bem. – Já tenho um emprego. Quantas vezes ouvira essa palavra ao longo dos anos? Fechando os olhos. nem sequer arrumei as coisas da mudança no meu apartamento. – Isso é absurdo – replicou o pai. Deu-se conta de que o fato de ter praticamente abandonado a festa na noite anterior era apenas o prefácio do verdadeiro livro de queixas que o pai planejava lhe despejar. Não estava ontem. mocinha? Ele nunca usava seu nome. Não estou interessada em ter um relacionamento no momento. fazendo um gesto para que Alexia se servisse de alguma fruta. Mas era por causa disso que estava angustiada? . nem estarei amanhã. Desde pequena. – Apenas uma reunião pequena e tranquila.

Três horas mais tarde. colocando mais champanhe em seu suco de laranja. – Sou eu. ao mesmo tempo. mas não teve forças para removê-lo. Nem sequer vou tentar. mas ao menos com respeito mútuo e camaradagem – informou-os ela na mesma voz macia e distante que usara para apresentar seu trabalho de conclusão de curso aos 22 anos. – Infelizmente. ao passo que os sons suaves de sua fita para relaxamento eram como um bálsamo para os ouvidos. Alexia abriu um sorriso autêntico. tirou o guardanapo do colo e colocou-o ao lado do prato. se desculpando por ter tomado uma decisão adulta num assunto que dizia respeito apenas a ela mesma? Abrindo os olhos. não tem mais família. – Não. – Uma vez que. sentindo-se arrasada e. – Está fazendo drama – comentou Margaret com um suspiro. depois de ter tomado um comprimido para a dor de cabeça e feito uma compressa de água fria. – Tive a esperança de que. – Se sair por aquela porta. O tecido na testa voou para um lado e o iPod para o outro. percebi que isso é impossível. como se tivesse uma prova. Alternou um sorriso distante entre a mãe e o pai e. não importando o que eu achasse deles. Com o coração disparado. – Calma! – Michael ergueu ambas as mãos. eu trouxe sorvete. Michael sacudiu o saco de papelão. e também mudar de carreira para estar de acordo com as suas preferências. E provavelmente devia achar o tempo mais cooperativo do que a filha mais velha. De repente. De nada adiantava. como se quisesse provar que não estava armado. – Você já deixou claro que jamais serei boa o bastante para corresponder aos seus padrões. alguém colocou a mão em seu braço. Pela primeira vez desde que entrou na casa dos pais naquela manhã.Preocupando-se. – O que quer dizer é que nem sequer tenta. – A voz do almirante soou desprovida de emoção. – Alexia se agachou para pegar a bolsa e encarou o pai. em seguida. levantou-se. Se não com amor e apreciação da companhia uns dos outros. O tecido agora quase morno sobre seus olhos diminuía a luz. Ela moveu o braço apenas o bastante para espiá-lo. mãe. soergueu-se abruptamente. eu teria que sair com homens da sua escolha. depois das poucas horas que passamos juntos desde que cheguei. Então. pendia da mesinha de canto. . Ela gritou. voltou a recostar-se na almofada e passou um dos braços sobre os olhos. como se tivesse acabado de ler o boletim da previsão do tempo. nós poderíamos melhorar o nosso relacionamento. – Fiquei sabendo que fez o brunch com os nossos pais. que agora. Não esperou uma resposta. para isso. Alexia estava deitada no sofá praticando meditação e respiração apropriada. – Aonde pensa que está indo? – perguntou o almirante num tom de crítica. estou apenas sendo prática. – O que está fazendo aqui? – Alexia olhou para o tecido. Em vez disso. não. – Essa foi a última coisa que me disse quando me formei na faculdade e me mudei para Nova York. ao me mudar de volta para a cidade.

Estava delicioso. Chocolate podia não ser uma cura. olhando para a colherada de sorvete e chocolate antes de engoli-la de uma só vez. sim. – Ora. – Nada. Blake conseguira. retraído. Não era um homem tímido. – Enfiou a colher na embalagem de sorvete. Alexia curvou os lábios. – A colher está no saco.– O seu favorito. – E como pode saber o que ele queria? . na mesa da sala de jantar. Na praia. Franqueza. – E o que há de errado nisso? – Nada. com certeza. ela rumou para a cozinha anexa. – Bem. – Então. caramelo e amêndoas. se você não é o rei da percepção – resmungou ela. – Além disso. Quarenta ou mais orgasmos. deixando que o ar frio refrescasse as faces afogueadas. enquanto ela lhe entregava uma garrafa de água mineral. Diversão. No chuveiro. obrigado. – Você não é burra. não é por causa do almirante que a senhora está aborrecida. Na cama dela. mas não a reconfortou da maneira como deveria. Nós nos divertimos. – E. na verdade – sorriu Michael. – É uma pena que ele não tenha conseguido o que queria. Ora. Mas houve apenas isso. – Você está aborrecida por causa do bonitão da praia. tornava o sofrimento bem mais fácil. Oh. sim. Enquanto você a pega. Você apenas deve ter esquecido que os nossos não são humanos. Chocolate duplo. Uma onda de amargura envolveu-a. então você conseguiu exatamente o que queria – concluiu Michael. – Levantando porque o chocolate do recheio começou a lhe pesar no estômago. para provar. Então suspirou. certo? Alexia deu de ombros. – Não acredito que cheguei a acreditar que as coisas seriam diferentes desta vez. A maioria das pessoas tem bons relacionamentos com os pais. – A rainha. Uma chance de construir um relacionamento. com certeza. Honestidade. – Você se divertiu com ele? – Horas e horas de sexo selvagem contam como diversão? – A meu ver. mas. – Ele esperou que a irmã estivesse sentada antes de lhe entregar o saco de papelão. pegando mais sorvete na embalagem em vez de sustentar o olhar de Michael. não porque quisesse evitar qualquer aspecto pessoal da conversa. vou continuar a minha avaliação brilhante. Se quisesse algo além disso. tratando de enchê-la bem. Nunca conseguira mentir direito. – Quer água? – Sim. acomodando-se numa poltrona. pode me contar o que espera de Blake. – Alexia tirou duas garrafas da geladeira. Na sua caminhonete. teria dito. Como fui burra. Alexia curvou os pés debaixo do corpo no sofá e fez um gesto com a colher para que o irmão provasse o sorvete. pensou Alexia enquanto abria o presente.

– Numa calça cáqui e polo. Você mudaria de carreira por causa de um relacionamento? Acho que não – argumentou Michael num tom razoável. Michael apoiou elegantemente o tornozelo no joelho e bebericou a água. – acrescentou Michael com gentileza. Vai deixar que seus preconceitos impeçam isso? Alexia soltou um profundo suspiro. Ela já havia aprendido isso em primeira mão em se tratando de sexo. Que tenha uma amnésia e esqueça que serviu com o nosso pai. quisera sexo. certo? Você se divertiu com ele. – Para perguntar o que será preciso para fazer com que você torne a falar com ele. bem. estivera escondido na cozinha dos pais durante o brunch. – Porque ter um relacionamento com um soldado. Mas por dias seguidos? Isso é uma forte ligação. – E então? – Então. nem a ideia de que alguém namore soldados. ignorando a farpa. Arregalando os olhos. você está interessada demais para uma mulher que não quer saber dele. – Exatamente – assentiu ela. Tiveram ótimo sexo? Isso não é apenas uma coisa física. estudou o irmão. começando a andar de lá para cá pela sala do apartamento. ainda mais um fuzileiro. É um fuzileiro naval. seria como você namorar uma mulher. Às vezes. formou um elo. Alexia pousou os pés no chão de repente. – Ele não vai mudar de carreira. sem reservas. – Levantou-se. – Nesse caso. Acariciando. . Desejara algo que a fizesse sentir-se como uma mulher. Fisicamente. – Com a exceção de que Blake. tentando ver o que não estava dizendo. acrescentou: – E então? O que será preciso? – Que Blake mude de carreira. ele me procurou. – Mas entende o que quero dizer. – Não é como se fosse algo ruim para outra pessoa. com certeza.– Depois que você saiu ontem à noite. – Oh – Michael fez uma careta. achara que era o aspecto mais importante num relacionamento. certo? – Alexia parou em frente à poltrona do irmão e sentouse na mesa de centro. Arqueando uma sobrancelha. ler nas entrelinhas. observou os próprios dedos entrelaçados. plena de sua feminilidade. Não estou menosprezando os militares em si em absoluto. não há a menor chance de ficarmos juntos. de nenhuma das partes. Sendo apenas uma vez ou duas. Havia sido incrível. Baixando os olhos para as mãos. – Apenas não é algo para você. afagando demoradamente. – Exceto pelo fato de ser militar.. Ela estreitou os olhos num momento para observá-lo e se perguntou se. – Não precisa ser repulsiva. totalmente dedicado ao que faz. do tipo que só se encontra uma vez na vida. De volta ao sofá. – Por que procurou você? – persistiu ela. Podia correr o risco? Ele era o tipo de homem que exigiria tudo. Que aprenda a importância da comunicação aberta e sincera. afinal. Lembrou de como haviam tocado a pele bronzeada de Blake. Ele se dedicava cem por cento e exigia o mesmo em troca. Mas ela precisava de mais do que um envolvimento meramente físico.. não haveria imposições de barreiras com ele. Apenas uma semana antes. grata por conseguir fazê-lo entender. ele seria o ideal para você.

Certinho é a coisa certa a fazer. afinal. Assim. Desse jeito. mas. militares resguardavam uma parte de si. Outro lado do trabalho dele. – Alexia segurou-lhe a mão com mais força. Homens desse tipo eram excepcionais. você vai convencer a si mesma que sair com o dr. Daqui a um ano. Não apenas um militar. – Mas ainda acho que você deve dar uma chance ao fuzileiro sexy. seu tom manso. – Vou continuar por perto de qualquer jeito. E. deu de ombros. talvez conseguisse conviver com essa realidade. – Dê uma chance ao que vocês ainda podem ter. Se estiver feliz. treinado especificamente e totalmente focado em missões perigosas. – Ao menos. Era exatamente o que teria feito. bobinho. não se permitiria.. acabar de se apaixonar irremediavelmente seria tão fácil quanto respirar. – Eu apenas. – Não. – Depois de tudo isto. percebeu que o irmão tinha razão. o pelotão e sua carreira acima de qualquer outra coisa na vida. mesmo que ela tivesse desconhecido o fato antes. o problema residia no fato de Blake ser um soldado.. – Ele baixou os olhos por um momento e. Especiais. Mas. Por natureza e até necessidade. – Nunca mais quero ficar tão longe. me fazendo desejar o que não posso ter. Alguém que sempre colocaria o país. – Quero apenas ver você feliz. provocou-o: – Quando foi. E isso ela não conseguia aceitar. a serviço de seu país. isso também era parte do que tornava Blake tão incrível. vai se dar conta de como odeia isso. tornando a estreitar os olhos para estudá-lo. Ela já estava a meio caminho de se apaixonar por ele apenas com base na ligação física. não apenas em relação às missões. – Michael sacudiu a cabeça. E não podia. porém. você continuará por perto. envolvia guardar segredos. e trabalharem juntos se tornará um pesadelo. Um homem que mantinha uma parte de si mesmo guardada a sete . converse com ele. que tal combinarmos uma coisa? Você não me pressiona mais para sair com Blake. e eu não arruíno a minha carreira e não fujo. você não me enlouquece. para onde iria em suas missões. Alexia inclinou-se para frente e segurou-lhe a mão. Você simplesmente não estava ouvindo – Senti tanto a sua falta. Se lhe desse uma chance – a um relacionamento entre ambos –. sexualmente satisfeita. então. Então. Alexia começou a rir. – Ele está pagando a você? – perguntou ela desconfiada. como dialogar. Mas uma máquina de batalha de elite.forte. mas também às informações confidenciais que perfaziam um total de oitenta por cento da vida dele. – Se é o melhor que posso conseguir. Alexia – disse Michael num tom quase de súplica. apaixonar-se por um homem com o qual não havia como se comunicar. gentil. Assim. dirigindolhe um olhar triste. que você ficou tão esperto? – Sempre fui. a seu ver. Enrugando o nariz. Não a partilhavam com absolutamente ninguém. e eu prometo que não vou namorar Edward. Ela nunca saberia o que Blake estaria fazendo. apertando-a com carinho. em seguida. E conseguira. vai pedir as contas e se mudar para longe a fim de escapar de tanto sofrimento. aceito – concordou Michael resignado. Sempre estaria em segundo lugar.

– Não posso – decidiu num tom grave. .chaves. desejando que isso não doesse tanto. Os dois se conheciam havia menos de uma semana. – Porque os meus preconceitos acabariam arruinando o relacionamento de um jeito ou de outro. Não deveria se sentir como se seu coração estivesse se despedaçando.

E não era do tipo que perdia tempo com coisas estúpidas. celebrando o retorno da Síria. carregado de uma quantidade de exasperação que nem mesmo um adolescente resmungão teria usado numa semana inteira. Para você só há as missões. já falei mil vezes. – Já faz meses. querendo dormir e descansar primeiro. Tem que esquecer essa garota. Queria dormir. profundo. sonoro. Você continua com a ideia tão fixa nela que quase não faz mais nada.Capítulo 8 Oito Meses Depois – CARA. O mais triste era que era verdade. Mas continuou de olhos fechados. O restante da tropa estava fora. Só falta a vestimenta. cara. – Você tem que esquecê-la. O sono e o trabalho eram ótimos. O que acontecia nos intervalos entre ambos? Nem tanto. – Esquecer quem? O silêncio foi uma bênção. – Desculpe se não estou à altura dos seus padrões de diversão – resmungou ele sem se dar ao trabalho de abrir os olhos. – Estou dormindo. Blake quase sorriu. Você virou um clichê. Blake havia recusado o convite para se reunir a eles. As palavras de Cade ecoaram pelas barracas vazias no Quatar. o dojo. a academia. o campo de provas. Descansando depois de três semanas árduas nesta última missão. alto. Não que estivesse na “fossa”. Essa é a sua vida. – Você está na fossa. Isso seria estupidez. Se ao menos durasse. VOCÊ se transformou por completo num monge. . lembra? O suspiro de Cade deveria ter sido dado no meio de um palco.

Ele nunca se reunira com o contra-almirante. A pergunta que o intrigava era por que estava se reportando diretamente ao contra-almirante Lane. meses antes. – Não sou um clichê. As perguntas que lhe povoavam à mente também não transpareciam em sua expressão impassível. Não estou na fossa. apesar do fato de estar de folga. O oficial detrás da mesa ignorava a sua presença. Enfim. Eu me apaixonei por uma garota que não posso ter e agora não consigo esquecê-la. Ambas as coisas faziam parte do procedimento padrão de operações. o queixo erguido e os sentidos em alerta. ou algo assim? – retrucou Blake. exceto falar com o almirante para que intercedesse. Alexia não falara mais com ele. Blake manteve-se em posição de sentido. usando apenas cueca boxer e realmente tentando dormir. Como faço para curar o meu coração partido?” Poderia ter sigo engraçado se não fosse algo tão próximo da verdade. O único motivo para Alexia continuar a . Nem tampouco curioso quanto à razão para essa reunião com o oficial ter sido assinalada como confidencial. Depois de ter batido a porta na sua cara. Como já fizera inúmeras vezes anteriormente. – Novas ordens. embora já tivessem se passado dez minutos. Fez todo o possível. Mas isso não faz o seu feitio. – Não é o que as suas atitudes demonstram. enviado por BL. Não estava se perguntando por que fora retirado da missão em que estivera e recebera ordens para retornar à base naval de Coronado sem o restante da equipe. – Sullivan. Defendeu-se de todas as acusações recorrentes de Cade. farto de pensar em Alexia e do fato de Cade persistir no assunto. uma interrupção de outro oficial que não pôde ser ignorada por Cade. Reporte-se ao capitão. Com os ombros retos e firmes. – Senhor! – Blake levantou-se de imediato. lembrou a si mesmo que era absurdo ficar tão melancólico por causa de uma mulher que mal conhecia. Telefonou. dividindo a atenção entre uma papelada à sua frente e um telefonema.Michael estivera com a razão. Nem sequer vira mais Lane pessoalmente desde a festa de aposentadoria do almirante Pierce em setembro. nem me tornei um monge. A raiva se reavivou em seu peito como sempre acontecia quando relembrava aquela noite. mas passavam pela cadeia de comando. Muitas das ordens vinham de Lane. colocando-se em posição de sentido. Talvez agora conseguisse dormir um pouco. – Pronto. não restou escolha a não ser desistir. – Sabe que não é má ideia. certo? – Por que não escreve logo uma coluna sentimental. Não perderia tempo tentando uma reaproximação com uma mulher que não conseguia superar os assuntos mal resolvidos com o pai. Um pouco de sexo seguro com desconhecidas ao acaso só para aliviar a pressão não lhe faria mal. você é insuportável! – Landon! Felizmente. ele sabia que seu rosto não contraía irritação alguma por ser deixado à espera. COM OS olhos focados na águia de prata da insígnia da Marinha dos Estados Unidos numa placa na parede. “Caro Conselheiro. Foi até o apartamento dela.

Sexo sensacional. Um homem que entende ordens. mas um que pensa rápido e tem iniciativa quando é necessário. Não era do tipo sentimental e não nutria paixão por nenhuma mulher que ficara no passado – ou deveria ter ficado. – Você esteve na Síria recentemente. Com a mesma disciplina que usava para levar seu corpo aos limites. inclusive. Não. em tentar entender por que. A equipe fora. Assim. você passou seis meses a serviço no Oriente Médio. ou da maciez das curvas junto a seu corpo. tinham sido encontros passageiros e não havia razão para que o que acontecera entre ambos também não tivesse sido. . onde.lhe despertar interesse era porque não havia passado tempo o bastante com ela para que o gosto de novidade tivesse passado. Aonde aquilo levaria? – Ao longo de um ano. Blake afastou da mente as lembranças e toda a tensão emocional que as acompanhava. Ainda olhando para a águia. A última coisa de que precisava na vida era da distração de se perguntar como Alexia estaria se saindo no novo emprego. nua acima do seu corpo. Já em posição de sentido. apenas mais uma vez.. Apenas isso. Era melhor se concentrar na pergunta mais imediata. teve ciência de que sua mente se acelerou. E qual fuzileiro não era dessa maneira? – Você provou que respeita as regras e as segue meticulosamente.. fez mentalmente uma lista de todos os conflitos conhecidos que poderiam requerer uma missão de um só homem. o contra-almirante terminou o telefonema. Mas o contra-almirante não estava à espera de confirmação. A mais recente missão fora um sucesso. ou se ainda sentia falta de Nova York. Se acabara de desempacotar tudo e se já estivera na praia nesse ano. ele não respondeu. se já se adaptara à vida em San Diego. para treinar com a elite e ser bem-sucedido nas missões que a maioria das pessoas julgaria impossíveis. afinal. Ainda não tinha a menor ideia quando. Blake teve de se conter para não revirar os olhos. Blake concentrou toda a atenção no oficial comandante. enfim. Era ridículo desejar poder vê-la. E nem para se lembrar da textura exata dos lábios dela. um corpo que atormentava seus sonhos eróticos e uma personalidade que quase o convencera que relacionamentos eram possíveis também fora da cama. Uma vez que foi uma declaração. nada com que devesse ficar obcecado. Mais a título de distração do que por achar que encontraria a resposta. completou 72 missões e ganhou três condecorações. elogiada pelo chefe comandante pelo serviço benfeito. estava ali. – Senhor. afinal. Dormira com mulheres o bastante antes dela e. o superior queria chegar? Não estava avaliando o seu histórico de serviço por falta de assunto. ondulando na mesma cadência que a sua rumo ao auge do prazer. da fragrância de seu cabelo. Qualquer integrante de sua equipe poderia estar ali ouvindo as mesmas palavras. Nenhum dos comentários era exclusivo à carreira dele. Eram os dados exatos. – Landon – disse ele quando recolocou o fone no gancho. não uma pergunta. Não havia razão para estar zangado. Era algum tipo de teste. – Você tem a reputação de ser um forte membro de equipe. embora não se lembrasse de nenhuma que o tivesse afetado tanto.

Landon. – O líder dessa facção de terroristas. Uma civil com laços militares e informações potencialmente perigosas foi retirada à força de sua casa dois dias atrás. seu papel na missão ficaria oculto. a sua avaliação psicológica indica uma inclinação para a autonomia e a autoconfiança. afinal. deduziu Blake – ou perdera. Então. dependendo da perspectiva – levando em conta que ainda estava ali. Isso sugere que trabalha bem sozinho. era algo grande.Era um teste que já ganhara. Infelizmente. . – O cativeiro se encontra dentro da área continental dos Estados Unidos – informou-o o contraalmirante. Terá vinte minutos antes que a equipe desembarque e ataque. Com ar grave. – Você foi requisitado especialmente para essa missão. Franzindo a testa. Investigações identificaram o grupo por trás do ato e indicaram a localização dela. Outra parte avaliava o que precisaria fazer sem arriscar a missão da equipe ou a segurança da refém. tornou a lhe encontrar o olhar. O que. Uma parte questionava por que. Com um movimento rápido do queixo. – Vou ser retirado da minha equipe. afinal. – Vai ser temporariamente realocado. A avaliação psicológica dele? Ora. Você irá sozinho. apertando os lábios com força. E reféns corriam igualmente esse risco. As palavras dela e laços militares acrescentaram uma dimensão de urgência a uma missão já incerta. – Dentro de dois dias. é um cidadão americano. Todos os esforços serão feitos para manter os alvos vivos. Mas o que estaria em jogo? – Enquanto a sua ficha de serviço mostra uma afinidade com o trabalho em equipe e a liderança. o contra-almirante havia esmiuçado todos os registros até chegar à avaliação psicológica inicial dele para saber se estava apto para aquela nova incumbência. respirou fundo antes de falar: – Houve um sequestro. reportando-se apenas a mim. estava acontecendo? Pela primeira vez desde que havia entrado no gabinete. distanciando-se emocionalmente ao mesmo tempo em que incorporava as expectativas de vitória. uma equipe neutralizará esse cativeiro. nem trabalhará em equipe com os homens designados para ela. Não informará a ninguém sobre esta missão. como também muitos dos que o servem. E estava fora do habitual modus operandi dos fuzileiros navais. Uma terceira parte já entrava na função missão. O contra-almirante olhou pela janela por alguns momentos. possivelmente até melhor do que em equipe. – A sua ordem é retirar a refém do cativeiro. como se estivesse decidindo quais informações deveria partilhar. alvos tinham o potencial de se tornarem perdas indiretas. o brilho frio como o aço nos olhos que estreitava. E esperou esclarecimentos. Blake fez uma careta mentalmente. Blake olhou atentamente para o contraalmirante. estudou o cenho carregado do homem mais velho. O que quer que estivesse acontecendo. Delicado. Blake fez sinal de assentimento quanto à nova missão e aguardou novas ordens. A mente de Blake tomou diferentes rumos.

o rádio operador e linguista. – Estou solicitando um favor neste caso. – Por dizer ficou a ordem de que o conteúdo da pasta fosse lido e memorizado ali no gabinete. Um sentimento que mal reconheceu como medo contraiu-lhe o estômago. Acostumado a isso. – Senhor? Pierce endureceu o maxilar. Você irá resgatá-la. Como fuzileiro. Mas novamente podia dizer o mesmo de muitos dos demais companheiros. A porta privada à direita do contra-almirante se abriu. voltou a lhe sustentar o olhar. bateu-o na perna algumas vezes e tornou a estudar Blake.Blake franziu a testa. o homem que o recrutara. porém. O coração dele quase parou. Sã e salva. Por entre dentes. Baixou o olhar por um segundo para as mãos e. Pierce não disse uma palavra. O ar ameaçou lhe faltar. Apenas a meta. que se levantara. então. tenente. não porque achasse que as consequências valiam a pena. mas porque nem sequer via consequências. mas os dados ficariam sigilosamente guardados. Finalmente. Pierce contornou a mesa com passos rápidos. Vários. ergueu uma pasta de arquivo da mesa. determinados. Acima. Chocado. entregou-lhe a pasta. Seu mentor. seu treinamento era intenso e suas habilidades. Era o comandante da Força de Ataque. Blake também aguardou. ordenou: – A partir deste momento e até que a missão seja concluída. Por menos tempo. que moldara a direção da carreira de Blake e era o pai da mulher mais sexy do mundo entrou no gabinete. mas não descobriu nada. – Traga a minha filha de volta. . Não era o uniforme. com um longo olhar na direção do almirante. soltou o cordão que fechava a pasta e retirou dela uma pilha de papéis. havia uma foto colorida de 20 x 25 cm. Olhou imediatamente para o almirante. E era excelente no que fazia. Depois de estudar Blake por alguns momentos. Mas o mesmo se dava com o restante da equipe. – A sua missão. por que ele especificamente? Aguardou. Blake tinha acesso às informações. Só parou quando seu rosto ficou a poucos centímetros do de Blake. diria. Em seguida. Apenas ficou olhando para Blake com uma expressão indecifrável. O contra-almirante. diversificadas. Assim. O contra-almirante encarou-o. mas não respondeu. Frios olhos azuis fixaram-se em Blake como se estivessem gravando as ordens em seu cérebro. Tenho certeza de que entende a razão. E a manterá a salvo. do que levou para respirar fundo. você se reportará diretamente a mim e ao contra-almirante Lane. Mas não disse nada. Se Lane quisesse deixá-lo saber por que fora requisitado. Apenas aguardou. apertou o botão do interfone na mesa. Blake olhou outra vez para a pasta. a patente nem o contraste do cabelo branco com o rosto de granito que o tornavam intimidante. Blake lançou um novo olhar ao almirante. Era a fria expressão de determinação que dizia que esse era um homem que faria o que fosse preciso para que o trabalho fosse realizado. na verdade.

De olhos fechados. na furiosa veemência de suas palavras. A foto captava o castanho brilhante de seus olhos.. Uma foto de identificação oficial do governo. uma vez que tinha a personalidade de um roedor raivoso. Que colocaram um capuz na sua cabeça. Relaxe. Mas não a ultrapassara. mas cachos errantes escapavam para brincar alegremente em torno do seu rosto. Não numa missão bem-sucedida. concentrou-se em acalmar a mente. O rosto de Alexia o olhava de volta. – Você a resgatará antes que a equipe estoure o local do cativeiro. – Eu a trarei de volta. com provavelmente cerca de 1. Cabelo preto. prometeu a si mesmo. os mesmos olhos que povoavam os seus sonhos.65m. A mensagem ficou implícita na maneira como o almirante enrijecia o maxilar. Memorizara os traços dele como parte da promessa a si mesma de que não apenas sairia desse pesadelo. O cabelo vibrante estava penteado para trás. sanidade e talvez – por algum milagre – a sua fé na humanidade. os que . Ou na grande e precária sala de jantar onde estava no momento. Baixo. flexionando sua força para a esquerda e a direita. senhor. olhos castanhos. que a levaram para as regiões nevadas do meio do nada. QUASE SEM continuar respirando. Sabia que o contra-almirante se encontrava numa linha bastante tênue. Sã e salva. mantendo intactas a sua vida. Tornou a olhar para a foto. Lembrava-se bem do contato daqueles lábios nos seus. E vai mantê-la escondida e a salvo até que receba a minha ordem para trazê-la de volta para casa. Mesmo que ele próprio o tivesse feito. assim que conseguisse. – Vai acabar hiperventilando se continuar puxando o ar desse jeito. ou no laboratório improvisado que haviam montado. pensou. Não havia lugar para emoções numa missão. olhando de soslaio para o brutamontes que montava guarda junto a uma parede suja. ele tinha aquela síndrome de homem pequeno. alguma parte do Alasca. Blake não teve que perguntar se a missão era autorizada. Não pense em mais nada a não ser na respiração. Encontrou os olhos do almirante com os seus. ou mais especificamente. que estavam igualmente duros e determinados. fazendo um favor ao velho amigo. teria o máximo de munição possível para levá-lo à devida punição.A parte do “senão” não precisou ser acrescentada. Fonte do odor rançoso. inspirando cuidadosamente pelos dentes para tentar bloquear o odor rançoso no recinto. Vai tirá-la de lá em total segurança. Que se revezavam para a vigiarem depois que foi trancada num quarto. O sorriso sexy parecia um tanto maroto. um rosto comum marcado por uma pequena cicatriz no queixo.. Alexia emitiu um som sibilante por entre dentes durante a expiração seguinte e entreabriu os olhos para encarar o homem sentado diante dela à mesa. E havia vários outros tipos de malfeitores no bando. Tentou conter a onda de fúria que o percorria. Um roedor raivoso com um grande contingente de malfeitores na sua folha de pagamento. seu cheiro se encaixava perfeitamente em sua personalidade. jurou para si que sobreviveria. Os malfeitores que a haviam levado à força da calçada em frente ao seu apartamento. de seu gosto doce. mas. Respire devagar. O que fazia sentido. E essa seria. tinha o olhar vidrado como de um rato.

Alexia respirou fundo deliberadamente. Seu tom entediado destoava da irritação com que tamborilava com a unha grossa e comprida no braço da cadeira. acrescentara ele para provocá-la. O que significava que a tiraria dali logo. Alexia tentou argumentar com ele. soltando o ar devagar. Ele riu na sua cara e a instruiu a segui-lo até a sala de jantar. Ela quase sorriu. mas não disse nada. Ao longo de quatro dias. uma velha cadeira e um abajur que mal ficava de pé estava longe de ser considerado aconchegante. mobiliado com um catre sem lençóis e apenas um cobertor. Em seguida. explicara o sequestrador durante uma refeição composta de peixe defumado. Como ela era o rosto público do projeto de mensagens subliminares do instituto. ela tentou rebater com ameaças tão logo o rato destrancou a porta. era imbatível. Uma vez que o Instituto de Ciência havia recusado suas muitas solicitações legítimas. frio e aconchegante. Um espaço de dois metros quadrados sem aquecimento. Avistara-os ao longe quando subira na cadeira em seu quarto para espiar para fora pela pequena janela gradeada. Não era neurologista. a havia trancado no quarto escuro. Ao menos era o que estivera dizendo a si mesma. Não sabia em que ponto do cérebro a raiva era desencadeada e. ele decidira que era tempo de obter o que queria através de meios ilegítimos. exausta devido ao terror e à viagem. Ao contrário das fitas cassete de anos antes com mensagens sussurradas em meio a música relaxante que haviam obtido mudanças emocionais específicas através de ondas cerebrais. Fazia quatro dias. desenvolver um novo programa de mensagens subliminares.serviam. com a fúria encobrindo o pavor. . Quatro longos dias de extrema tensão desde que fora raptada. Nunca estudara como o som se relacionava à percepção humana de emoções negativas. O foco psicológico dela era a sexualidade. Podia não ser um pai exemplar. O rato lhe dissera que a informaria na manhã seguinte sobre o que precisaria fazer para permanecer viva. A ciência em torno do uso de mensagens subliminares para o estímulo e aumento de reações emocionais era nova. portanto. não a raiva. Através da força e de sequestro. enquanto comia com a outra mão. ovos moles demais e bacon mal passado. para um rato. No dia seguinte. os que cuidavam da parte “administrativa” e os encarregados exclusivamente de vigiar o perímetro congelado das instalações. não podia criar um programa que a estimulasse. explicou. talvez fossem acomodações de luxo. Alguém já devia ter notado seu desaparecimento àquela altura. mas eram tudo o que tinha. Um programa que usasse a tecnologia que ela estivera desenvolvendo para cura sexual e a voltasse para o estímulo e o aumento da raiva. Seria dever dela. implorara para saber por que fora sequestrada e para ser libertada. Essas ínfimas rebeliões eram inúteis. No primeiro dia. Ele tamborilou mais alto com a unha. – Não vai voltar para o seu quarto aconchegante enquanto não detalhar o progresso que fez no laboratório hoje. Michael teria alertado o pai de ambos. Depois que descansasse e tivesse tempo para pensar em todas as possibilidades. mas quando se tratava de proteger os interesses dos Estados Unidos e seus cidadãos. era claramente – ao menos na opinião dele – a especialista. Mas. – É melhor dizer alguma coisa – instruiu-a o rato. Não podia deixála morrer de fome antes que ela realizasse o seu novo trabalho.

Quatros anos de yoga e técnicas de respiração e de meditação há tempo abandonadas foram tudo com que pôde contar. como se. isso mudava as coisas. Em seguida. Uma pilha de equipamento de áudio e digital. Tem certeza de que é cientista? Parece não saber de muita coisa.Ele apontara o garfo respingando gordura de bacon e ovo na direção dela e sugerira que tratasse de aprender aquilo antes que lhe esgotasse a paciência. ele a deixou lá até o final de mais esse dia. preparada para responder à altura. que não a ajudaria em nada. Era um cômodo apenas um pouco maior do que o quarto. Pareceu não notar. Alexia sentiu o sangue gelar. usado e de aspecto um tanto gasto. havia uma grande variedade de livros de Psicologia e um tablet. por ter visto a irritação no rosto do sequestrador. Desviando aquele mesmo olhar contemplativo para o rosto dela. uma porção de livros sem significado algum e nenhum meio de pesquisa acessível. e um estimulador neuromuscular. Mas ali continuava. Alexia teve muito tempo livre para que a mente se alternasse entre imagens assustadoras do que poderia acontecer em seguida e a esperança de que alguém a salvasse antes que tivesse de enfrentar o rato novamente. quanto mais se mostrasse desafiadora. incluindo um processador de dados. Ela se recusou. Mas se o raptor sabia quem era sua família com tais detalhes. o raptor envolveu o pedaço de bife mal passado de uma só vez com os lábios gordos e o mastigou. as ameaças. Felizmente. adquirido em alguma venda de garagem. Aquilo tudo tinha mesmo algo a ver com a criação de um “botão da raiva”? Ou estava relacionado ao seu pai? Se fosse o caso. seria um pouco mais esperta. – Está fazendo isso do jeito errado – retrucou a voz lamuriante. Estava à espera de que Alexia mordesse a isca. Uma trilha de sangue e gordura escorreu pelo canto da boca até o queixo retraído e foi parar na frente da camisa branca. o medo. Depois de lhe ordenar que trabalhasse. qual a razão de toda aquela presepada? . continha uma mesa e uma bancada de trabalho e duas cadeiras. Ao lado. Comprimiu os lábios. – Você tem que inspirar pelo nariz. Os jogos. tornou a fechar os olhos e respirou fundo através dos dentes. para dizer a verdade – prosseguiu ele. mais o alegrasse. providenciou para que fosse acompanhada até o que chamava de seu novo laboratório. Assim. com todos esses diplomas pomposos e que não fez segredo sobre o jeito como torce o nariz para a família. Achara que esse sequestro estava totalmente relacionado à sua pesquisa. – Desapontado. É um filtro. viu o brilho maldoso nos olhos de roedor dele antes de replicar em defesa própria. Com isso em mente e. sim. Os olhos do rato brilharam novamente. espalhava-se pela bancada. começando a perder a esperança. Com uma pilha de equipamento de segunda mão. – Achei que uma mulher como você. mas depois de sua falta de progresso nos últimos dias. Alexia abriu os olhos de repente. só lhe restou tentar bloqueá-lo de sua mente enquanto ele fazia mais uma refeição. contemplando o grande pedaço de bife quase cru que tinha espetado no garfo. claro. – Não estou surpreso. nem um pouco surpreso.

Pontos pretos dançaram diante dos olhos de Alexia. Talvez estivesse mais para serpente do que rato. como se alguém a tivesse mergulhado num poço cheio de lesmas. Sabe que o equipamento que tem aqui é inadequado. e o ar pareceu lhe faltar de repente. – Eu mesmo acho o estupro um tipo inútil de persuasão. . Se a mente estiver arruinada. se olhar pela janela. não há motivo para você não pegar essa mesma pesquisa e fazer uns pequenos ajustes. Ela não estava poupando falsos elogios e nem hesitando em desmerecer sua pesquisa. E a pesquisa nesse sentido não é coesiva o bastante para se trabalhar. o corpo não será bom para muita coisa a não ser mais do mesmo. – Você é uma bela mulher. tentando soar razoável e calma em vez de apavorada e ansiosa. Robert ali – ele fez um gesto para indicar o brutamontes que a vigiava com mais frequência – manifestou um interesse especial pelos seus encantos. Não sei como dirigi-la para a raiva. outros cientistas estão comentando a respeito em seus blogues – declarou ele. – Já falei. A minha pesquisa tem se concentrado no corpo físico e na cura. – Deixe-me ir. fazendo uma pausa para tomar um gole de vinho.– Por favor – disse. A paixão pode ser canalizada tão facilmente para a raiva quanto é para algo tão trivial quanto sexo. mas concluiu que salvar a vida era justificativa o bastante para isso. Nem sequer piscou os olhos. – Assim sendo. inclinou a cabeça para o lado e inspecionoulhe o corpo com um longo olhar. hein? Com os olhos anuviados pelo medo. – É claro que Robert foi um pouco longe demais com sua última recompensa – continuou o líder do bando num mesmo tom contemplativo. fúria ou quaisquer outras emoções destrutivas que queira. Alexia sentiu calafrios. Está nos jornais. sacudindo o dedo na frente do rosto dela como se tivesse feito uma travessura. dando-lhe tempo para dar um pequeno passo de volta para trás da beira do penhasco de horror em que estivera prestes a mergulhar. – Ainda com o garfo numa mão e tamborilando na cadeira com a maldita unha da outra. – Estou mais propenso a esperar a minha própria recompensa – prosseguiu ele devagar. O olhar contemplativo dele não mudou. E preciso que a sua mente esteja funcionando perfeitamente bem. Não nas emoções. poderá avistar a sepultura dela logo do outro lado da cerca elétrica. – Ela se tornou inútil para nós quando ele terminou. como se nem sequer houvesse o bastante para oxigenar seu cérebro. mas. ela acompanhou-lhe o gesto até o capanga cujos próprios olhos redondos de roedor brilhavam com lascívia. Talvez eu deva recompensá-lo pelo serviço exemplar. Não posso fazer o que está me pedindo. É difícil enxergar muita coisa através da tempestade de neve. Acabou de dar uma entrevista na TV no mês passado. mas estava paralisada demais pelo pavor para sequer vomitar. É esperto o bastante para ter pesquisado a tecnologia por si mesmo. não é algo assim tão simples quanto se apertar um botão. – Você está à beira de uma inovação. – Talvez você só precise de um pouquinho de motivação. Sentiu a bile subir de imediato pela garganta. acabados por se alternar entre a preocupação por sua vida e a esperança de que poderia haver câmeras escondidas ali que acabariam provando que tudo aquilo não passara de uma brincadeira de mau gosto. Blogues? Era verdade? Alexia sentiu os nervos ainda mais em frangalhos.

– Não pode fazer isso – replicou ela ofegante. – Posso fazer tudo que eu quiser – disse ele sacudindo a mão no ar. tentando encontrar a fúria em meio às ondas intensas de pavor que ameaçavam sufocá-la. – Vá – ordenou o rato. num tom que era parte negação. sugiro que vá até o laboratório e veja o que consegue fazer agora que está um pouco mais motivada. – Ele bateu com o dedo indicador no lábio inferior. mesmo enquanto se desviava das imagens hediondas que ela não conseguia parar de formar. – Tantas possibilidades a levar em conta. parte prece. como se isso o ajudasse a tomar uma decisão. . – Vá.Alexia não soube se a mente voltaria a funcionar perfeitamente bem outra vez. sacudindo os dedos na direção da porta. Seu sorriso adquiriu um ar zombeteiro. Sim. apoiando sutilmente a ponta dos dedos na beirada da mesa até que os joelhos parassem de tremer o bastante para a sustentarem. concluiu ela. Alexia levantou-se. – Nesse meio tempo. – Ao trabalho. – Vou ter que pensar a respeito hoje à noite e informarei você pela manhã. Seu sequestrador era decididamente uma serpente. Robert levará você até o laboratório.

As palavras eram um borrão numa das páginas agora. O ar gelado envolveu-a como uma mortalha. A tensão. sacudindo-o incontrolavelmente. – Eu gostaria que as alucinações viessem junto com uma sensação de calor – resmungou para o próprio braço. havia preenchido um caderno de anotações. Não era nada capaz de produzir os resultados que ele desejava.Capítulo 9 CATORZE HORAS depois. tão forte que até o couro cabeludo doeu. tentando focar o olhar no vulto parado do lado de dentro de uma janela que devia ser pequena demais para que um corpo passasse por ela. tomou-a de assalto. fazendo-a piscar outra vez. Desesperada por um foco de pensamento que a desviasse das horrendas visões que seu raptor incutira em sua mente. Desde a ponta dos pés descalços – que ficavam ainda mais frios a cada vez que olhava pela janela para a terrível nevasca lá fora – até o alto da cabeça latejante. Alexia levou um minuto para perceber que era porque estava chorando. moveu a cabeça ainda apoiada nos braços apenas um pouco a fim de poder espiar por sobre o ombro. Droga. . Em algum momento por volta das 3h00. apelara para os livros. Alexia entendeu o que era o medo extraindo cada gota de energia de um corpo. chamou sua atenção. o que poderia ajudá-la a ganhar tempo. Mal se atrevendo a respirar. as lágrimas faziam a tinta escorrer. tentou fazer com que os dentes parassem de bater. Apoiando a cabeça nos braços junto à bancada do “laboratório”. Estava completamente entorpecida. Tremores se alastraram por seu corpo. Um som. Seu corpo se preparou de imediato por dentro. não muito mais que um sussurro ao vento. Mas talvez o suficiente para aparentar que eram possíveis. Piscou algumas vezes. Ela ainda não conseguiu reunir forças para erguer a cabeça. estava congelada.

– Vamos sair logo deste buraco e. Parecia um arsenal ambulante. Ela não ficou surpresa com o fato de que a alucinação tinha a forma de Blake. Eram do mesmo azul vívido que ela se lembrava. aquela era a sua fantasia. criada por uma mente ávida por lhe dar uma doce válvula de escape. terá que me recompensar com beijos e deleite sexual. esperando que ele se desvanecesse. Seu coração havia vibrado. Meias grossas. feliz. . Roupas quentes. Uma jaqueta grossa. tirando uma mochila das costas. com uma arma automática pendurada no ombro. Então. – Vinte e sete. então. certo de que encontrara o par perfeito. Talvez fosse melhor usar de bom humor com a mente já que se dera ao trabalho de conjurar uma imagem tão perfeita do homem dos seus sonhos. Mas aproximou-se mais. todos os seus pensamentos sensuais. hein? – Ele se adiantou até a porta. com movimentos ágeis e silenciosos. Ela piscou mais algumas vezes. então. vou com você – disse num tom de provocação. Já fiz os cálculos. então. Na maior parte deles. extraindo dali coisas ainda mais tentadoras do que 54 orgasmos incríveis. ele se moveu. não? Afinal. quero uma compensação em dobro – disse Alexia sem hesitar. ele aparecia nu e os arrepios eram sempre de ordem sexual. dando a entender que ela devia se levantar. Coração tolo. com um capuz forrado de pele. Abriu-a. poderemos conversar sobre um meio de compensar esses orgasmos perdidos. Sentiu de imediato a mesma ligação poderosa que existira entre ela e o Blake Landon real quase um ano antes. – Mas se eu for. Então. botas pesadas e uma jaqueta.O vulto se moveu. E mais ainda. Afinal. Usava uma jaqueta branca impermeável para frio intenso com capuz e uma máscara de tecido cobrindo a parte inferior do rosto. seus devaneios e fantasias giravam em torno do fuzileiro sexy. Ao aparecer na festa e se revelar um fruto proibido – disse à alucinação –. – Vamos – ordenou a ilusão. verificou um dispositivo em sua mão e. tornaram a ficar distantes. O vulto gelou por um segundo e. Encostou o ouvido bem rente à parede. Por que. fez um gesto de comando. Alexia soltou um gemido. mais Alexia se convencia de que tudo era mera ilusão. porém. – Claro. sua voz possante. Quanto mais perto o vulto chegava. sacudiu a cabeça como se quisesse livrar os ouvidos de estática. pistolas junto aos quadris e uma fileira de aparelhos de ar assustador no cinto. viu um brilho divertido naqueles expressivos olhos azuis. avaliando. Concluí que seria o total que eu teria se a paixão tivesse seguido seu curso. Aquela fantasia estava se tornando cada vez melhor. você me privou de pelo menos 27 orgasmos. movendo-se constantemente em torno do recinto e quase tão frios quanto a neve do lado de fora. Alertas. Por um breve instante. Apenas os olhos estavam visíveis. – Bem. impermeável.

Alexia hesitou. Ela piscou. Ele era real. Umedecendo os lábios. colocando-as nos pés gélidos. Exceto o frio. Ela deveria estar com medo. Felizmente. Os guardas armados do bando ficariam exultantes em poder usá-la para praticar tiro ao alvo. – Há uma corda pendendo do lado de fora. Ele lhe estendeu as meias e as botas. ele desaparecesse. ou agradecida. Desejou poder sentir-lhe a pele através da barreira das luvas grossas. As meias de lã eram como o fogo de uma lareira. Seu olhar alternou entre o resistente calçado para o frio e o rosto do homem. Alexia vestiu a confortável jaqueta branca camuflada. Blake continuava ali. aproximando-se mais da janela e usando os binóculos de infravermelho para verificar a área em torno do complexo. Ela estava sendo resgatada. tendo de saber de um jeito ou de outro. estática. A possibilidade de que ele fosse fruto de sua imaginação desesperada não a impediu de segui-lo até a janela de qualquer modo. Temos cinco minutos antes que este lugar voe pelos ares. Alexia sentiu a rajada glacial atingir-lhe as costas e os flocos de neve contra o rosto e cabelo. Por mais que ansiasse por deixar aquele lugar. . – Estamos sozinhos – disse Blake num tom manso. seu corpo estava todo entusiasmado com a ideia. Seus movimentos foram lentos enquanto aceitava a mão dele para ajudá-la a subir na cadeira. sabia que haveria um arsenal apontado para a janela. seu corpo sentindo-se como se tivesse se recuperado de uma séria gripe.Um vento gelado atravessou o laboratório. e ela apanhou as meias. estendendo as mãos para pegar as botas. Como se estivesse se movendo dentro de um sonho. Ele era real? Estava ali para resgatá-la? A mente de Alexia parecia não conseguir assimilar aquilo. Então. Sem mencionar que havia o risco de quebrar uma perna ao tentar descer pela janela do segundo andar. quentes e bem-vindas. – Tão real quanto você. Talvez o tempo incerto tivesse congelado suas emoções também porque não sentia nada. Consegue vê-la? – Estamos sozinhos? Como era possível? Fuzileiros trabalhavam em equipe. porém. caso se movesse demais. As botas balançaram. esticou a mão. Vamos sair daqui. ela ergueu a cabeça de cima dos braços. não deveria? Ou aliviada? Entusiasmada. – Há uma equipe do lado de fora? – perguntou. – Você é de verdade? – sussurrou. doçura. aterrorizada com a possibilidade de que. E estava ali. Lentamente. logo além do parapeito. Sua mente estava anuviada enquanto tentava aceitar que Blake era real.

Umedecendo os lábios muito secos. Nem um pouco. esforçando-se para reprimir o medo. tão grosso. – Você confia em mim? Ela desviou os olhos para o rosto de Blake. Era verdade que estava totalmente envolto pelos trajes especiais de inverno. O tecido forrado era tão quente. Não precisaremos de reforço porque ninguém vai prestar atenção em nós dentro de. desde o alto da cabeça até a ponta dos pés. – Onde está o restante da equipe? O seu reforço? – Foi uma pena que suas palavras tivessem soado estridentes. Fez o mesmo com a mão esquerda. Mal pôde lhe distinguir os traços debaixo do capuz e dos óculos de proteção que colocara. Com mãos tão gentis que quase a fez chorar. a figura inteira que apresentava irradiava total segurança. Como se estivesse absorvendo a confiança e a força dele. voariam para os ares junto com o complexo dentro de quatro minutos. o cérebro dela deu uma arrancada. . percorreu-a por inteiro. Quando ele puxou os cordões e lhe amarrou o capuz sob o queixo. com um quê de histeria. Sem acesso algum a ajuda externa. Era treinado para aquilo. mais calma sentiu. como não sentira mais desde a última vez em que ele a tocara.. sem reforços. Como um membro que despertasse. estudando-lhe o rosto para tentar ver se sua tranquilidade era meramente aparente. bem.De repente. Evidentemente. assentiu. Mas. a postura. – Nós somos a equipe. Um calor. Não estava histérico. olhou para a triste bancada e a pilha de sucata destinada a servir de “aparelhagem”. com um suspiro trêmulo. Alexia franziu a testa. Mas isso era ele. Quanto a si mesma. isso já era esperado. Blake pegou-lhe a mão direita e enfiou-lhe o punho da manga da jaqueta para dentro da luva térmica. Teriam de fugir de um acampamento terrorista repleto de assassinos sanguinários para se esconderem no meio de uma nevasca implacável. estava tremendo feito vara verde. – Blake tornou a olhar o relógio. Blake fechou-lhe o zíper da jaqueta até quase abaixo do queixo. – Confio em você. se ficassem ali. talvez milhares de missões com situações bem mais arriscadas. afastou-lhe o cabelo do rosto e ajeitou o capuz da jaqueta em sua cabeça.. Como um prazer líquido. – Estamos mesmo sozinhos? – sussurrou. sem se importar com o fato de estar conduzindo uma operação de resgate de um homem só. O corpo dela despertou bem mais depressa que a mente. Sem ninguém para resgatá-los caso algo desse errado. Alexia engoliu em seco.. eu e você. Talvez devesse ficar ali. ela se sentiu como se estivesse num túnel seguro. Apenas os dois. Mas a voz. Então. Servira em tempos de guerra. oras.. com o som dos batimentos cardíacos ecoando em seus ouvidos. ou se estava mesmo confiante. Quanto mais o olhou. – Confia em mim? – repetiu ele. Estivera em centenas. portanto. enquanto tentava entender o que estava acontecendo. – Quatro minutos. que agora a aquecia. o formigamento foi doloroso. permeou tudo lentamente. estava bem próxima da histeria e. enfim.

Oh. fez com que parecesse que havia muito mais ainda em jogo. – Mantenhase agachada. – Para dar sorte? – Não preciso de sorte. mas porque tem absoluta certeza de que vou mantê-la a salvo.. Incapaz de duvidar em contrário com Blake olhando-a daquele jeito. – Que sorte a minha – falou. Ela sentiu que derretia por dentro. feita por achar que não teria outra chance. Prometo. A chave para uma missão bem-sucedida era uma mente . colocando todas as coisas que não conseguia dizer num sorriso e esperando que ele entendesse. Então. e não teria como fazer isso se deixasse as emoções interferirem. radiante e bonito. O sorriso dele foi como o sol nascente. Porque acredita. Blake gostaria que Alexia não tivesse sorrido. – Tem certeza? Ela respirou fundo. seria como uma confissão de morte. Sou o melhor. Em seguida. breve demais. doçura. apenas um breve roçar de seus lábios frios. Não por eu ser o menor de dois males. O beijo foi breve. E isto. que sei exatamente o que estou fazendo. Alexia meneou a cabeça. siga meus passos exatamente. Caloroso. É por isso que fui escolhido a dedo para resgatar você. – É porque senti sua falta. Ela teve dificuldade em vencer o grande nó na garganta e. fitando-lhe os olhos. Blake recuou devagar. Ela não soube se devia admitir que sentira falta dele também. Blake puxou-a para si pela frente da jaqueta. mas tão doce que a teria feito chorar de emoção se não estivesse com medo de que as lágrimas congelariam em seu rosto. Nada como anuviar a mente de uma mulher e levar seu coração a vibrar de alegria para fazê-la descer por uma janela pequena até o campo nevado e traiçoeiro do inimigo. Podia ser uma superstição boba. Levarei você de volta para casa sã e salva. Os lábios dele eram tão macios. – Para que foi isso? – sussurrou com o hálito se condensando no ar gelado entre ambos. não havia quase nada de seu rosto exposto. puxa.Ele a soltou apenas por um instante para pegar um par de óculos de proteção da mochila e colocou-os nela. Se o fizesse. Era um aparelho de comunicações. apenas fez um gesto de assentimento em vez de falar. engolindo em seco. que sou muito bom nisso e que vou tirar você daqui. ativando um zumbido no ouvido dela. tão bem cuidada por alguém. pressionou um botão na lateral dos óculos de proteção. – Preciso que confie realmente em mim. Numa questão de segundos. Foi algo que o tocou bem no fundo. Alexia não se lembrou de já ter se sentido tão protegida. encarando-a intensamente. inclinou a cabeça e beijou-a. Ajeitou melhor o zíper da jaqueta e prendeu o fecho no alto. – Ele a beijou outra vez. sem sombra de dúvida. – Faça o que eu lhe disser – falou Blake com gentileza. Estava ali para realizar um trabalho. em vez disso.. – Fico feliz em poder contar com o melhor. deliciosos e mágicos quanto ela se lembrava. mas preferia esperar para fazer qualquer declaração emotiva até que estivessem a salvo. compreendeu. Qualquer tipo de emoção. – Confio em você plenamente – prometeu ofegante.

– Então. Colocando as alças da mochila de volta nos ombros. Totalmente alerta. me siga – disse num tom baixo. de costas para a parede de modo que pudesse se manter atento a ameaças. Ele pressionou o botão em suas lentes. segurou o parapeito e subiu. de qualquer tipo. Dois minutos. – Venha – disse a Alexia. então. sem mim. calçou-o sem demora por cima das botas.tranquila. Fez menção de ajudar Alexia em seguida. Consultou o relógio. como se estivesse à espera de que o inimigo se manifestasse a qualquer momento no acampamento. Mantendo-a apoiada na cadeira. Usando a corda. – Espere até eu chegar lá em baixo e. verificou o relógio. . Iria se aguentar firme. ajeitou sobre a parte inferior do rosto dela o pano onde havia embutido um pequenino fio de comunicação. segurando-se às pedras ao redor com a outra mão. um a oeste. – Pronta? – sussurrou. um compasso e um GPS. Fez o mesmo em si. Não deveria ter beijado Alexia. há as coordenadas. Ela reagiu com um pequeno sobressalto. indicando que o ouvira através dos fones e fez mais um gesto de assentimento com a cabeça. mas ela já se segurara ao parapeito e saía sozinha pela janela. Levou apenas um segundo para pegar a pequena mochila que deixara escondida junto à base da parede e tirou dali o calçado especial para neve. Não a tire. Alexia meneou a cabeça levemente. Beijar a refém a ser resgatada era algo que fugia totalmente ao protocolo. Alexia percorreu as instalações abaixo com um olhar preocupado. Blake lançou um novo olhar ao complexo ao redor e. mas apertou os lábios com determinação. de ir vencendo as etapas com fluidez. Dois guardas do lado leste. aqui vamos nós. Mas assentiu. e se as mãos tremiam debaixo das luvas. com o dedo no gatilho de sua arma automática. o tremor era leve. a habilidade de pensar três passos além e de lidar com o resultado de maneira sólida. Aprendera logo no início da carreira que o único meio de ter êxito era bloqueando o medo. Afundou na neve até a altura dos tornozelos. depois. Não conseguira resistir. era o equivalente a pendurar um alvo nas costas. Desceu o corpo pela beirada do parapeito. Lançou-lhe um olhar. – Mesmo que eu diga para correr. eficácia. Vamos. pela mão e se inclinou para agarrar a corda. Na sua jaqueta. A preocupação. disse a si mesma. Segurou-a. Um minuto. acionando os sensores de calor. – Eu prometo. Ela era o centro de sua missão. Estava numa missão. então. Com os olhos imensos sob as lentes dos óculos de proteção. fará isso. Blake desceu rapidamente até o chão. – Prometa que vai fazer exatamente o que eu disser.

não retardou seu progresso. Recordando uma das frases favoritas de Phil. – Pronta. Assim. Tornou a olhar para os guardas. Que mulher. sentiu a pressão da mão dela. – Pronta? – perguntou a Alexia. Passava um minuto do previsto. ou os portões. verificou o pente. ela lhe sorriu. tudo bem – disse. mas pegou-a. não atacar. assentiu mais uma vez. – Coloque isto – instruiu-a tão logo ela pousou os pés no chão e soltou a corda. Continuavam em suas posições. Havia chegado pelo alto. Mas avançando agachados por cima de uma camada de trinta centímetros de neve. poderiam ter percorrido os cento e cinquenta metros até a cerca de arame farpado em menos de meio minuto. foi atingido pela força da tempestade de neve. – Até agora. E ele não demoraria a fazer a vontade de uma garota. Ainda assim. Entregou-lhe a arma. levaram bem mais tempo. seria necessário cortar o arame farpado da cerca que havia daquele lado. Ela soltou uma exclamação perplexa. evidentemente ansiosa para deixar aquele lugar. Quando chegaram à cerca. Há um veículo à espera um quilômetro e meio a leste. inclinou-se e pegou sua Glock de reserva da bota. podia se concentrar no caminho à frente sem ter de se virar para acompanhar o progresso dela. eram o único meio de saída. Para saírem. os lábios brancos. As ordens eram para se manter oculto e não ser descoberto pelo inimigo. – Blake hesitou e. percorrendo-a com o olhar. Sabendo. os dois se ateriam ao plano. Sem o vento e a neve. mesmo quando seu corpo bateu contra a parede duas vezes. vão saber da sua fuga. olhou para Alexia. a trava de segurança. ele parou e Alexia fez o mesmo logo atrás. Ele respirou fundo. então. o caos teria encoberto a fuga deles. fazendo rapel pelas árvores até o telhado do prédio de dois andares. muniu-se do que pareceu um pequeno alicate emborrachado. Com a respiração alta no fone dele. Tinha os olhos castanhos assustados. – Segure-se no meu cinto. Blake virou a cabeça na direção norte. . A explosão já deveria ter acontecido. Tão logo eu cortar a cerca. Com uma segurança que teria deixado o almirante orgulhoso. Ótimo.Ela desceu pela corda e. Hesitou por um momento. Sempre vigilante. Um segundo depois. “Não mostre preocupação para não chamar a atenção”. Tão logo cortasse o arame. E correriam um pouco mais depressa. Agora. – Sim. o que provavelmente estava por vir. Hora de irem. Tão logo saiu debaixo do alpendre do prédio. Sorrindo sob a máscara. A cerca. Vai encontrar um rádio lá caso precise se comunicar com alguém. Se o complexo onde o bando de sequestradores montava acampamento já tivesse sido atingido. fornecendo cobertura para a fuga de ambos. Blake olhou para o relógio enquanto Alexia colocava o calçado apropriado. um alarme soaria.

– Se formos descobertos. – Segure o meu cinto e corra bem atrás de mim– instruiu-a Blake tão logo passaram para o outro lado. de qualquer modo. Não espere por mim. Enquanto Alexia sacudia a cabeça com ar confuso. Podemos ir. – Não me pareceram muito espertos – disse ela. nem tente me ajudar.. em poucos segundos.. então. – Vamos. tinha de ser forte o bastante. Puxando-a. ela controlou o tremor no queixo. para enfrentar a realidade. – Blake apontou para o que parecia um dos muitos amontoados de neve na paisagem branca. A equipe entrara em ação. respirou fundo como se estivesse extraindo forças do ar e o fitou com um súbito brilho determinado nos olhos. – Tem certeza? . os inimigos vão estar concentrados na invasão. passando por baixo do arame cortado. então. enfim. o progresso de ambos não foi muito rápido. Os sons das rajadas disparadas pelas armas automáticas se elevaram. – Chegou a cavalaria – disse Blake com um sorriso. ainda agachado e esquadrinhou a área com o olhar. Fogo se alastrou pelo ar. como animais. Blake a estudou com fascínio enquanto. – Isso é um veículo? – exclamou ela. concluiu que ela era forte o bastante. corra o mais depressa que quiser que eu acompanho você. Mas iam se afastando cada vez mais do complexo. Blake avançou depressa. haverá gente vigiando o perímetro. agem por instinto. E como os homens não faziam ideia de onde ele e Alexia estavam. mantendo-se o mais agachado que pôde. Não olhe para trás. Posicionou-se melhor. – Está certo. a um dado momento. Mas se forem espertos. – Na maioria dos casos. – Pare – ordenou. descobriu a motoneve que havia deixado ali escondida. os dois seriam confundidos como inimigos se fossem avistados. cortou o arame num trecho da cerca. meneando. garota – sussurrou-lhe. Nada. – Mas. à procura de sinais de calor corpóreo. O mundo ao redor explodiu. Pedras voaram. Parou. – Isso mesmo. – Vá! Assustada e rente ao chão. – Ir? Para onde? Como? – O veículo. Confiando na promessa dela.então. tanto a da camada espessa que forrava o chão quanto a que caía e os açoitava pela frente. percebeu Blake. continue correndo. Alexia atirou-se no chão. agora em chamas. acabando de cortar o arame. ele afundou na neve quase até a altura do quadril e encontrou a ponta solta da lona branca. Corra para o veículo e dê o fora daqui. Assim. – Mas. Em seguida. – Dê o fora daqui – repetiu ele com firmeza. segundo confirmava o GPS. notando os vultos que corriam de cá para lá feito ratos desorientados. cobrindo a parte detrás da cabeça com as mãos. demonstrando um pouco daquele jeito atrevido que ele recordava com tanto gosto. e seguiam na direção certa. Alexia soergueu-se para olhar rapidamente na direção das construções do complexo. O chão tremeu. indistinta. Movendo-se pela neve. de fato. a cabeça. junto à cerca.

arrancou. Ele desligou o motor da motoneve e. camuflada por arbustos congelados e neve. a oeste das árvores. mas abraçou-o com força pelo pescoço. mas Blake ainda sentiu a libido se manifestando quando ela o abraçou pela cintura com força e passou as coxas em torno de seus quadris. demonstrando exaustão. o que ficava evidente pela neve que a cobria agora. Ele verificou o GPS. a despeito das várias camadas de tecido térmico que os separava. Ele gostou da sensação. Avançaram pela neve velozmente. mas nunca perdendo-a de vista. – Está pronta para sair da neve? Alexia confirmou com um gesto de cabeça que mais pareceu um tremor. muniu-se dos binóculos de infravermelho outra vez e verificou o perímetro. olhou ao redor. com um potente lampião à pilha aceso e o zíper da abertura fechado que ele a colocou de pé no chão com gentileza. Esperou até que ela parasse de oscilar e. estava a grande tenda de topo arredondado que deixara previamente preparada. Venha até a frente e fique junto aos controles. deu a partida e. Não viu quaisquer vestígios de que alguém tivesse estado ali. – Está tudo certo. chegaram ao pé da encosta de uma montanha. Com um olhar duvidoso. esperando até que ela segurasse o guidão e. Desmontou. Cinco minutos depois. Ergueu-a nos braços. sentando-se no veículo. . então. tirou a máscara de tecido que lhe cobria metade do rosto e sorriu. Apenas mudou-a de posição enquanto abria a aba lateral de velcro e o zíper da tenda de lona. Vinte minutos mais tarde. Blake optou pelo meio mais rápido. com os músculos trêmulos por causa do esforço para manter o veículo estável sob os ventos intensos. Alexia não se movera. Sabendo que precisava levá-la para um lugar aquecido depressa. Mas não se moveu.Blake sorriu largamente. com a neve castigando-os como se protestasse com sua partida. Alexia sacudiu a cabeça antes de se sentar atrás dele na motoneve. assim que percebeu que estava bem segura. Os olhos dela estavam imensos sob as lentes plásticas dos óculos de proteção. checando duplamente os poucos marcos ao longo do caminho para ter certeza de que estavam no rumo exato. – Suba na garupa. Foi apenas depois que estavam do lado de dentro. – Bem-vinda ao seu temporário lar doce lar. Ela não emitiu nenhum som. Não havia nada de sexy em relação às camadas de roupa entre os corpos de ambos. medo e alívio. mas não correria risco algum. Mesmo depois que se aproximou da tenda. ou entrado na tenda. não a soltou. então. Concentrando-se. depois de ter feito alguns desvios e voltado alguns trechos pelo mesmo caminho para verificar se não estavam sendo seguidos. – Vou ver se o local está seguro. com um último olhar na direção do céu flamejante. Ali na base. voltou à motoneve. Um helicóptero os pegaria no topo da montanha.

Os cinco dias anteriores tinham sido surreais. Observou-o atentamente. Ela tornou a olhar para ele enquanto se dava conta de que nervos e músculos que haviam ficado dormentes durante o avanço veloz pela neve começavam a protestar.Capítulo 10 ALEXIA SENTIA a mente rodopiar. Quis pegar o rádio e berrar pelo fone. Em seguida. Vamos esperar suas instruções. – Isso é tudo? – Ela franziu a testa ao vê-lo desligar tudo com um simples toque de um botão. ela quis gritar. algo com que nem mesmo o subconsciente a teria torturado. ligou uma série de pequenos monitores. Era uma tenda espantosamente bem equipada para uma parada temporária. mais do que preparada para ouvi-lo responder “Em algum lugar congelado do inferno”. como se estivessem desligados. Um pequeno arsenal a um canto e uma mesa e cadeiras no outro. E Blake no centro. E agora terminara? Ou quase terminara?. Refém a salvo. – No Alasca. olhando ao redor da tenda. um conjunto de aparelhos que pareciam até capazes de controlar foguetes. Sua própria cama. é tudo. droga. Não soube ao certo se o mesmo não acontecia ao seu corpo. Não. Escoteiro desligando. Queria voltar para casa. Mas Blake não estava prestando atenção. Não demorou para que um agradável calor se espalhasse ao redor. Dois catres. Baixara o capuz e deixara os óculos de proteção de lado para colocar fones de rádio. abraçar o irmão. notando quais botões ele apertava e quais interruptores acionava. Como algo saído de um terrível pesadelo. Muito chocolate. Caixas estavam empilhadas junto a uma das paredes de lona grossa e vários livros encimavam um dos catres. aqui é Escoteiro. Na Encosta Norte – explicou Blake. Em princípio. Insistir para que alguém aparecesse e os tirasse dali. pensou. movendo-se pela tenda para ligar pequenos aquecedores. pareceram todos brancos. – Onde estamos? – sussurrou. pipoca. Queria um banho e roupas quentes. um fogão portátil. – Sim. . – Base.

O contato de seus dedos quentes e gentis no rosto gelado dela enquanto desatava os cordões acalmou-a um pouco. Isso mesmo. – Você está exausta.Aproximando-se mais para olhá-los. – E tem como me explicar por que não posso? – perguntou ela num sussurro baixo. não conseguiu. nervosa. Já esperou uma recusa. então. Se formos apanhados. Enfim. até que começou a recobrar o frágil e abalado controle. . Todas as informações. Sustentando-lhe o olhar. sempre tinham sido dadas em cima da hora e de maneira bem sucinta. Estava ofegante agora. Era o que o pai teria feito. mas o constrangimento nunca era bom. – O que foi? – perguntou ele. Além disso. tirou-lhe as luvas. Você respondeu a minha pergunta. Pontos pretos espocavam diante de seus olhos. O calor que se espalhou por suas faces deveria ter sido bemvindo naquele frio rigoroso. incluindo em qual estado do país ela e o irmão iriam para a escola no mês seguinte. Antes de poder sucumbir ao grito que se formou em sua garganta. especialmente depois que lhe removeu os óculos de proteção e lhe baixou o capuz. mas não conseguiu evitar. Resgatar você é a primeira. arrancou o lenço do rosto e. freneticamente. bem. enfim. garota. enquanto retirava a própria jaqueta para pendurar as duas num gancho. respirando lenta e pausadamente. Ocorreu a Alexia que era melhor que não tentasse livrá-la das botas e das meias porque se passaria um longo tempo até que quisesse ficar descalça novamente. Blake estava a seu lado. É mais seguro esperarmos até o dia clarear para prosseguir. Sempre ouvira que soldadinhos recebiam ordens sem questionar. A segunda é neutralizar o inimigo. – Você. sem deixar de fitá-lo. Como estava com as mãos enluvadas. A expectativa natural depois de ter sido salva é voltar para casa. Eram câmeras de segurança. – E isso vai demorar horas? Um dia? Dois? O que significa exatamente? Alexia deu-se conta de que sua voz soara estridente. Continue assim. – Esta é uma missão de duas etapas. Blake achava mesmo que havia o risco de alguém segui-los? Essa e milhares de outras perguntas fervilhavam na mente de Alexia. prenda o ar e solte-o devagar.. Sentindo-se presa. que questionar era um sinal de desrespeito. Alexia estava boquiaberta. de demonstrar dúvida em relação ao superior. tentou desatar os cordões do capuz. viu no último monitor a rocha atrás da qual ele escondera a motoneve. ela compreendeu que as imagens brancas eram neve. Alexia seguiu as instruções. estressada e deve estar faminta. Mas nunca obtivera respostas quando criança. – Respire pausadamente – instruiu-a. – Alexia se deu conta de como soava tola assim que fez o comentário. é noite. isso pode comprometer os esforços da equipe. – Inspire. mal conseguindo respirar. – Não há do que se desculpar – assegurou Blake. uma negativa. continuando a afrouxar-lhe a jaqueta e. – Desculpe – murmurou. Mas as primeiras que brotaram de seus lábios foram: – Quanto tempo vamos esperar aqui? Alguém virá nos buscar? Quem enviou você para me salvar? – Ficaremos aqui até recebermos novas instruções – respondeu Blake sucinto..

Não pode me fazer mal. avisou a seu corpo. ou algo que eu possa usar para lavar o rosto. – Roupas. – Imagino que não tenha uma escova de cabelo.. seu rosto estava banhado pelas lágrimas e de seus lábios escapavam soluços convulsivos. para manter os pensamentos e a respiração sob controle e. – Desculpe – disse ela. Na vida real. como se soubesse que ela mencionou seu trabalho para colocar uma barreira entre ambos. suas lágrimas cessaram. . uma cabeleireira e uma manicure escondidas numa dessas suas mochilas. Você tem o direito de saber o que está acontecendo. – Responderei o que puder. Seu coração parou de doer. ele lhe implorava para deixá-lo entrar em sua vida outra vez. Era totalmente errado para ela. Talvez ele gostasse da barreira. puxou-a para os seus braços. parecendo desesperado para fazê-la parar de chorar. Alexia acompanhou-lhe os gestos e.– Você não perguntou sobre informações confidenciais – explicou Blake. – Obrigada – disse. Sei que fuzileiros são treinados para lidar com emergências. Alexia esforçou-se para recobrar a calma. dando-se conta de que aquele não era o momento para uma conversa racional. Foi como se ele tivesse aberto as comportas. – Peço desculpas por ter me desmanchado em lágrimas. protegida de fato. Ficar nua. sempre recusava. sentindo a sua falta e sofrendo com o distanciamento. – Ali – disse ele apontando para o catre à esquerda. sua confiança. – O que. Blake estreitou os olhos. Não há como tomar banho. mas pode se trocar. E ela nunca quisera estar com ninguém mais. agarrou aquela oportunidade como se Blake fosse o único oxigênio disponível ali. com apenas uma simples divisória de lona entre ambos? Seu corpo tremeu diante da ideia e ansiou por lhe implorar que ficasse nu com ela. mantendo-a a salvo. Queria que a envolvesse inteira com seu calor. artigos básicos de toalete. O capanga dele não pode me tocar. tenso e. de tamanhos diferentes. não é? Ou.. enrugando o nariz num acesso de constrangimento. – Não sei o que há de errado – disse numa voz trêmula e um tanto entrecortada. no entanto. soltou-se do abraço devagar. Blake estava além do seu alcance. Logo adiante há um banheiro improvisado. Alexia enxugou os olhos e esfregou o rosto úmido. Alexia não se importou com o fato de ter ficado zangada com ele durante meses ou de ter imaginado inúmeras cenas em que tornavam a se ver e. Vencendo a distância entre ambos. Logo que o fez. – Blake sacudiu a cabeça. não é mesmo? Blake retesou os músculos por um momento. rindo do que ela julgava um milagre. umedeceu os lábios.. Antes que Alexia se desse conta do que acontecia. bem. Não a censurou por isso. Mas isso não aconteceria. Em sua imaginação. certo? Estou livre daquele lunático e de suas exigências absurdas. então estreitou-a mais junto a si. – Está em segurança comigo – assegurou veemente. Duas mochilas o encimavam. Como se pudesse envolvê-la como se fosse um escudo. tornando a olhá-lo. tentando controlar os soluços.. e não era tola a ponto de cometer o mesmo erro duas vezes. Percebendo que enveredava por uma linha de pensamento perigoso. então. – Estou a salvo. Sentiu-se como se fosse uma garotinha assustada e ele o seu protetor. Blake olhou-a com espanto.

Pronto. quis gritar para si mesma. – Sim. ou não os achara incríveis o bastante para que agora a visse como alguém além de uma refém que fora incumbido de manter a salvo. mas distante por cima do ombro. como ela mesma apontara. Alexia colocou a mochila de volta no catre onde a pegara e sentou-se numa das cadeiras.. Era evidente que a tribulação a estava afetando demais. Quis lhe perguntar como pensara em tudo. melhor. notando alguns sacos plásticos amarrados a uma corda. Alexia estreitou os olhos. Havia encerrado aquela parte entre ambos e em definitivo. Alguém fora dos limites dela. Alexia se obrigou a não suspirar e derreter ao recordar as sensações despertadas pelos lábios sensuais dele nos seus depois de tanto beijo. colocando na mesa dois pratos de comida que fumegavam de maneira tentadora. Por que. examinou o conteúdo e ficou surpresa em não encontrar apenas uma escova de cabelos e uma de dentes. . Nada. afinal. quanto menos dissesse para chamar atenção para o fato de que estava prestes a ficar nua. E seu beijo. E fora por uma boa razão. mas presilhas para o cabelo. Não parecia excitado. – Vou preparar o jantar enquanto você se troca. Mas seu corpo não se importava. roupa de baixo térmica e um suéter. Quando se deu conta de que estava precisando se conter para não dizer “E daí?” e mostrar a língua. está com fome – disse ele com um sorriso largo. em seguida. Não era como se ansiasse para que ele quisesse vê-la nua. Teria preferido nem sequer tocar as roupas amarfanhadas de cinco dias de uso uma vez que as tirou. Ele não parecia estar dando a mínima importância ao fato de que ela se despiria. suspirou. embora ele tivesse dito que sentira sua falta.– Obrigada. Ela usou a água do cantil para escovar os dentes e lavar o rosto e. Lixo. – Pegando a primeira mochila. Ou isso. Antes que pudesse refletir mais a respeito. atirou as roupas dentro de um deles. Tentou não esquecer que a corrente de prata que ele usava com uma placa de identificação fazia parte de quem era. Ótimo. Sim. leggings de lã grossa. com a barra enfiada para dentro das botas militares e uma camiseta branca de manga longa. seu estômago – a única parte de sua anatomia que não ansiava pelo toque mágico de Blake – se manifestou. Tudo o que conseguia fazer era reagir com a inevitável e poderosa atração. enrolou-as e. interessado. permitiu-se o luxo de passar a escova longamente por entre os cachos embaraçados. ou mais provavelmente pelo nervosismo e o receio de ceder ao anseio de seu corpo e chamá-lo. – Está com fome? – Ele lhe lançou um olhar amistoso. afastou a cortina e voltou a se reunir a Blake. seu beijo fora apenas uma maneira de tranquilizá-la em meio a toda a tensão. Pode ter sido pela irritação. Tornava-o um soldado. mas ocorreu-lhe que. tinha de se ater a certos princípios? Ele parecia tão sexy e irresistível em sua calça camuflada para a neve. Assim. arrumada e aquecida novamente. Tão logo os prendeu numa trança e se sentiu limpa. mas o fato foi que trocou de roupa em tempo recorde.. Ficou evidente que não estava tendo problema algum em esquecer os dois dias de sexo incrível e constante que haviam partilhado meses antes. De impedir que ficasse histérica. Ou talvez apenas para dar sorte. mas não era como se a tenda dispusesse de serviço de camareira.

Era para que déssemos valor ao que os soldados têm de enfrentar para proteger nossas vidas. mas fazer perguntas pessoais? Havia sido um completo tabu e continuava sendo. Barras de chocolate.. O sorriso amplo de Blake aqueceu-a mais do que todos os aquecedores portáteis na tenda juntos teriam sido capazes. Alexia quis perguntar por que ele passara fome. enquanto afirmara que quisera manter a comunicação com Blake no passado. continuando a ingerir o cozido pardacento. Deus do Céu. tentando reprimir a vontade de chorar. Vasculhou a caixa aberta de comida que ele colocara na mesa entre ambos até encontrar o sal. Então. Enfim. tenho a tendência de me concentrar mais em encher a barriga do que no sabor. que saboreava sua comida como se estivesse coberta por uma camada de chocolate. – Você não gosta realmente desta. Ela o encarou de imediato. – Se terminar toda a sua comida. Ele tinha irmãos? Uma família? Ainda passariam dificuldades. não é? Ele deu de ombros.– Ração militar? – adivinhou com uma careta. tenho chocolate para a sobremesa – anunciou Blake num tom quase cantarolado. – Não é assim tão ruim. E também o era o fato de que. Se ingressara para assegurar três refeições diárias. Parecia um assunto pessoal demais. – Meu pai costumava insistir para que jantássemos isso uma vez por mês. – Chocolate? – Sim. sobre o qual não tinha o direito de especular. motivada como nunca. – Está brincando? – disse Alexia reverente. O que era absurdo. Cresci com fome durante a maior parte do tempo. Não vira chocolate algum na caixa de opções insossas de jantar. Havia se concentrado apenas nas partes da vida dela que achara que a afetavam de algum modo. ou as coisas haviam engrenado? Milhares de perguntas povoaram sua mente. Ficara contente com o direito de percorrer o corpo musculoso dele com lábios e mãos ávidos e até em dançar nua à sua frente. enrugando o nariz.. não quisera mais conversa. deu-se conta subitamente do gosto em sua boca. mas não pôde fazer nenhuma. nunca se perguntara a respeito de nenhuma dessas coisas. Assim. Essa sensação – além da fome – acompanhou as primeiras colheradas. ou algo semelhante. Enrugou o nariz ao olhar mais uma vez para a ração de soldado em seu prato. chocolate em pó. calda de chocolate. Mexeu com a colher no cozido de aspecto esponjoso. – Falo sério. – Ela hesitou em chamar aquilo de comida – Coisa. – E deram? – Assim obrigados. A respeito de sua criação. . Outra vez. quando descobrira até que ponto a afetavam. Ela olhou ao redor da tenda. Precisou de dois sachês para conseguir terminar a refeição. não – lembrou Alexia. comeu o restante da ração cozida o mais depressa possível para não ter que lhe sentir o gosto. – Mas isso ajudou a selar a minha decisão de jamais entrar para a vida militar. Lançou um olhar a Blake. perguntando-se onde ele o escondera. Então. Se a maneira como fora criado influenciara em sua decisão de seguir a carreira militar. estava com os nervos em frangalhos.

estendeu o prato limpo. Exceto Blake. basta acrescentar água? Já apanhara uma barra de chocolate quanto se deu conta de que ali havia guloseimas destinadas a durar. – Hum – gemeu deliciada quando viu o conteúdo. três embalagens de uma calda conhecida e um grande pote com duas divisões. apenas ele passasse a fazer seu tipo. – O que está fazendo? Alexia conteve a respiração enquanto uma onda de excitação a percorria. acabaria nunca mais tendo olhos para mais ninguém. alguém entrará em contato conosco para dar as coordenadas do local onde seremos retirados. Havia gente demais no bando para que eu conseguisse contar todos. – Aquele sujeito era maluco – disse Alexia. Mordeu o lábio inferior. então. – Números não importam. – Três minutos depois. nunca se sentira atraída por um homem de uniforme. E os fuzileiros são os melhores em termos de estratégia. Mas dessa vez era entusiasmo que a dominava enquanto abria a caixa. sobre a lealdade de suas tropas. Atravessou. um olhar ao rádio e foi verificar os monitores das câmeras antes de se virar para tornar a estudá-la. Mas pegou o prato vazio. Foi dominada pelo súbito temor de que. – Assim que avisarem que está tudo bem. – Ele falou em começar uma guerra. colocou-o num saco e apanhou uma caixa debaixo de um dos catres. nem roupa camuflada de tipo algum. . O que conta é a estratégia. Leite e chocolate em pó. Lançou. O tempo que isso vai levar dependerá apenas do tipo de resistência que a equipe está encontrando no acampamento do bando. Ali havia pelo menos duas dúzias de barras de chocolate. – Hora de chocolate. Alexia notou que as mãos tremiam – algo que se repetira demais ao longo daquela semana. Blake fez uma pausa no ato de guardar o próprio prato já vazio e fitou-a nos olhos. Blake soltou uma gargalhada. – Vamos esperar até recebermos uma mensagem avisando que o complexo está seguro e que a equipe neutralizou todos lá dentro – disse Blake numa voz tão casual que ela levou um minuto para perceber que a informava sobre o objetivo da missão. fechando a tampa da caixa depois de pegar uma única barra de chocolate dali. – Este é o seu trabalho habitual? Dar apoio moral a reféns? Blake curvou os lábios. – Já terminou? – Com um ar surpreso nos olhos azuis. Blake pegou-lhe a mão e entrelaçou os dedos de ambos com gentileza. Soldados não faziam o seu tipo.– Pronto. Movida por seus preconceitos e reservas pessoais. – Já ouvi dizer – disse ela com um sorriso. Da maneira como as coisas iam. – Devo racionar isto? – perguntou num tom sério. – É todo seu. então. – Apenas de maneira a não acabar tendo uma indigestão. uma repleta de pó marrom e outra de branco. a tenda parando diante dela. Um longo tempo. se não tomasse cuidado. Ela continuou hesitando. – Estou lhe dando apoio moral.

Ele adorava a maneira como ela ria. Era um som tão agradável, tão alegre e rouco. E seus olhos
castanhos pareciam dançar. O rosto se iluminava, adquirindo uma expressão feliz.
Adorava segurar-lhe a mão, sentir-lhe o contato dos dedos macios e elegantes. Um alívio tão
intenso que o fez querer ajoelhar-se dominou-o. Alexia estava ali. Conseguira resgatá-la,
mantendo-a viva, sã e salva.
Não podia dizer que nunca se preocupara numa missão. Desde a morte de Phil, a preocupação
era como uma segunda pele, sempre presente. Mas medo? Nunca entendera o que era o verdadeiro
temor até o momento em que abrira aquela pasta de arquivo e descobrira que Alexia era a refém
nessa missão. Usara o medo, controlara-o a ponto de conseguir usá-lo para alimentar seus passos,
para se manter totalmente vigilante. Para resgatá-la e levá-la a total segurança.
Ainda não estavam lá exatamente. Mas ao vê-la rir dessa maneira descontraída, voltar a recobrar
sua vivacidade enquanto o terror começava a se dissipar, sentia-se dominado por emoções como
nunca sentira antes. Dava-se conta de que desejava coisas que jamais considerara antes. De que
estava se importando, se envolvendo demais. Cade o acusara de estar “na fossa” por causa de
Alexia. Percebia agora que apenas estivera numa fase de espera.
E se tivesse as palavras, se soubesse exatamente o que dizer, teria feito alguma declaração
emocional grandiosa.
De repente, sentiu um nó na garganta, e os pelos na nuca se eriçaram.
Devia a vida a esses sinais de alerta. Assim, fez uma pausa automaticamente, avaliando o perigo.
Alexia compreendeu.
Ela não representava uma ameaça para a sua segurança física.
Era uma ameaça ao seu estilo de vida.
Se deixasse essas emoções crescerem, cederia a qualquer coisa que ela pedisse. Como deixar a
vida militar. Desistir de sua carreira. Deixar o cabelo crescer um pouco mais. Droga, tinha certeza
de que até arranjaria um daqueles cachorros de estimação que as mulheres carregavam na bolsa se
ela pedisse.
Lentamente, esforçando-se para não deixar transparecer nenhum desses pensamentos
inquietantes, soltou-lhe a mão.
Preferiria ter o medo de volta.
Ou ao menos aquele tempo de distância segura que a raiva dela ocasionara. Por que agora que
Alexia estava ali, bem à sua frente? Com todos aqueles pensamentos malucos e emoções formando
um redemoinho em seu íntimo? Ela era um perigo maior do que o arremedo de terrorista e seu
bando de imbecis naquele complexo.
– Acho que o apoio moral faz mesmo parte das suas funções no trabalho – disse Alexia com o
riso um tanto tenso, levando-o a se perguntar se também não estaria emocionalmente
sobrecarregada. Duvidava. Ela já enfrentara o risco de morte. Era provável que nem sequer
estivesse levando em conta o fato de terem se reencontrado.
O que era bom. Tinha de manter as coisas desse jeito. Garantir que sua posição como fuzileiro,
sua ligação de trabalho e até amizade com o pai dela, permanecessem claras na mente de Alexia.
Isso a faria querer manter distância dele.

E, esperava, também faria com que ele próprio mantivesse sua distância, com que conseguisse
recorrer o bastante ao treinamento e à disciplina para manter as mãos longe dela.
Antes que pudesse dizer algo que confirmasse que o fato de ter segurado a mão dela fora mesmo
apenas um gesto solidário, de apoio, antes que pudesse citar o almirante de algum modo na
conversa, a luz do rádio piscou e um ruído característico indicou que uma mensagem acabava de
chegar.
Salvo por um comunicado inesperado. Sem querer alarmá-la, manteve o sorriso imperturbável.
– Bem, dar apoio e atender ao telefone. Ou ao rádio, neste caso – comentou, adiantando-se até o
moderno equipamento para ver do que se tratava.
Sua expressão não se alterou enquanto leu a mensagem.
O complexo pertencia a um homem chamado Hector Lukoski. Filho de um terrorista conhecido
com ligações na Síria, Lukoski estava tentando fazer o próprio nome longe da sombra do pai. Bem
treinado em medidas defensivas, tinha um esconderijo subterrâneo. A equipe confirmara que havia
apenas um meio de acesso ao local e já o interceptara. Mas em vez de explodir o covil, foram
obrigados a fazer cerco e esperar. Nenhuma ação seria tomada até que novas ordens fossem dadas,
o que não se daria antes de pelo menos doze horas.
Blake apertou algumas teclas para indicar que a mensagem tinha sido recebida.
Alexia não iria gostar da notícia.
Nem ele deveria dá-la, lembrou a si mesmo.
A mensagem estava em código para que ela não tivesse que saber a respeito. Não tivesse que se
preocupar. Precisava de um plano, algo simples, pois, muitas vezes, quanto menos se complicava as
coisas, melhor.
Faria um chocolate quente para ela, diminuiria as luzes e a convenceria a dormir.
– O que está acontecendo? – perguntou Alexia.
– É apenas um boletim do tempo – disse ele, dando um tapinha num dos monitores de câmeras.
– Parece que vai nevar mais.
– Sei… – Estreitando os olhos para estudá-lo, ela se adiantou até a aparelhagem de rádio e os
monitores e espiou a mensagem. – Um boletim do tempo? É mesmo?
– O procedimento padrão é fazer uma checagem a cada duas horas. Um boletim do tempo é uma
mensagem simples de usar. Se for interceptada de algum jeito, não diz nada. E é sempre bom saber
como está o tempo.
Ele não soube dizer se ela estava acreditando, ou não. Esse era o problema com Alexia. Na
metade do tempo, era um livro aberto, fácil de decifrar e pronta para partilhar de si. Na outra
metade, fazia com que ele se sentisse como um garoto nos tempos de escola tentando conversar
com a primeira namorada. Incompetente e inapto.
– Bem, ao menos a Marinha se mantém informada sobre o tempo – disse, enfim.
Blake permitiu que os ombros relaxassem e soltou o ar que não reparara que estivera segurando.
Não queria preocupá-la. O que estaria bem se o motivo fosse o de não dificultar a missão com
preocupações. Mas sabia que havia outro. Era porque odiava a ideia de vê-la sofrer de algum modo.
Cade tinha razão. Ele estava com um problema.

– Está pronta para um chocolate quente? – perguntou, agindo como de costume quando
enfrentava um problema. Venceria uma etapa de cada vez.
– Claro. – Ela olhou para a tela novamente branca da aparelhagem e, então, voltou a se adiantar
até a mesa. – Posso ajudar? Parece que está sempre preparando algo para mim.
Era porque, exceto pelas rações militares que tinham acabado de comer, ele acabara saboreando
um pouco de cada refeição diretamente do corpo nu dela.
Não vá por aí, avisou a si mesmo. A imaginação não lhe deu ouvidos, no entanto. Enquanto
esquentava água num bule para acrescentar o leite e o chocolate em pó, sua mente teceu várias
imagens de como Alexia ficara coberta de geleia de ameixa. Ou de creme. Ou de bolhas de sabão
que haviam escorrido lentamente por seus seios, com os mamilos empinados e provocantes, só à
espera de seus lábios...
– Droga – resmungou, sacudindo a água quente que espirrou em sua mão. Concentre-se!
Desligando o fogo, misturou o leite e o chocolate em pó na água fervente e mexeu depressa.
– Está fazendo bagunça – comentou Alexia, virando-se na cadeira para poder olhá-lo. – Tem
certeza de que não posso ajudar?
Blake olhou para a mesa. O queimador do fogão portátil ainda chiava com respingos de água do
chocolate quente e pó acumulara-se em torno do bule. Ele mexera a mistura com tanta força que as
costas da mão haviam ficado salpicadas de pó e água.
– Pronto, aqui está o seu chocolate quente – disse, indicando o bule.
Precisando continuar em movimento, passar para outra atividade que não envolvesse o corpo nu
de Alexia, tornou a checar os monitores e, em seguida, foi até a abertura da tenda, onde afastou a
falsa cortina para o lado, abriu um pouco o zíper e espiou para fora.
A paisagem continuava totalmente branca. Não era de admirar.
– Não vai querer um pouco?
Um pouco dela? Sim, muito...
– Não. Obrigado – acrescentou ele, tentando abrandar a rispidez. Lançando-lhe um olhar, viu
que ela colocara metade da bebida numa caneca de lata e que segurava o bule no ar, olhando-o
com uma expressão inquiridora.
Precisava realmente se controlar. Era apenas um descontrole induzido pela adrenalina,
combinado com o fato de estar na presença de uma mulher que o obcecara. Nada demais.
Era o momento de passar para a fase dois do seu plano. Fazê-la dormir.
Atravessou a tenda, pegando o bule. Seus dedos se roçaram. Queria mais. Estava desesperado
para tocá-la outra vez. Mesmo que fosse apenas as mãos dela ou o cabelo. Ainda tinha sonhos
perturbadores, eróticos, com aquele cabelo acetinado. Ela o prendera numa grossa trança onde a
luz produzia reflexos acobreados. Lembrava-se de como era entrelaçar os dedos pelo cabelo dela,
das sensações de quando as mechas macias haviam deslizado por sua pele, de sua textura sedosa e
fragrância. Num instante, passou de soldado a homem.
Um homem excitado como nunca.
– Como está o chocolate?
– Espantosamente bom. – Alexia sorveu mais um gole e arqueou uma sobrancelha para olhá-lo. –
Tem certeza de que não vai tomar um pouco?

Blake colocou o bule de volta na mesa.
– Fiquei satisfeito com o jantar. – Mas estava aflito por mais espaço do que a tenda propiciava. –
Você deve estar exausta. Por que não termina o chocolate quente e tenta descansar um pouco?
– Achei que poderíamos conversar. – Ela abriu um sorriso doce e maroto, fazendo com que Blake
se retorcesse por dentro de frustração. Ela deveria parecer fatigada. Não encantadora. Nunca tivera
de lutar contra todas essas necessidades emocionais e sexuais antes enquanto estivera a serviço. E
não estava gostando nem um pouco da experiência.
– Conversar? Sobre o quê?
– Pensei em perguntar por que você especificamente foi incumbido da missão de me resgatar.
Além de oferecer apoio moral, no que mais é especialista?
– Sou o rádio operador. Comunicações, idiomas; essa é a minha área.
– Parece divertido. – Alexia usou, porém, um tom que não denotava humor, nem divertimento.
Olhou para a caneca de lata por um momento com ar pensativo e, então, encontrou-lhe os olhos
com os seus. – Nós dois somos especialistas em comunicação.
Parou aí, como se estivesse diante da porta entre o agora e o amanhã, como se não tivesse certeza
de que queria abri-la.
– E você achou que não houve comunicação entre nós – disse ele, concluindo que teriam de
passar por aquela porta cedo ou tarde.
– E você acha que sim?
O tom de Alexia não foi de desafio. Pareceu apenas curiosa, o que o levou a perguntar se ela
esgotara o suprimento de emoções negativas. Já vira isso antes. Era como observar alguém que
tivesse chegado ao limite e passasse a agir numa espécie de vácuo emocional. Não duraria. Por mais
tolice passageira que fosse, porém, esperava que a equipe os tirasse dali logo, antes que arranjasse
suprimento novo.
Hesitou antes de responder. Havia uma grande chance de que ela ainda tivesse raiva estocada
em algum lugar. E apesar de ele querer distância, aquela era uma tenda pequena demais para
dividir com uma mulher furiosa. Por outro lado, não havia como não ser sincero.
– Achei que nos comunicamos muito bem. Nós nos concentramos numa coisa e conseguimos
transmitir bastante bem um ao outro nossos desejos e necessidades.
Um brilho especial passou pelos olhos dela. De interesse. Calor. Uma curiosidade perigosa. Blake
se preparou. Mas tão logo ela demonstrou a emoção, tratou de reprimi-la. Com gestos lentos,
deliberados, Alexia pousou a caneca na mesa e se levantou.
– Acabei de perceber que estou exausta. Vou me deitar.
Blake só permitiu que o alívio o dominasse depois que ela deitou num dos catres, ainda vestida, e
se cobriu com o cobertor térmico. Para ajudá-la a pegar no sono, ele diminuiu as luzes no interior
da tenda.
– Boa noite – falou num tom manso.
Ela não respondeu por um momento. Então, na forma de um suspiro, disse:
– Boa noite. E obrigada.

Capítulo 11

BLAKE ESTAVA ciente da respiração de Alexia. Como se pudesse persuadi-la a relaxar, respirou junto
com ela, de maneira suave, serena. Depois de alguns minutos, percebeu que estava adormecida.
Foi quando se permitiu relaxar.
Devia dormir. Os alarmes do perímetro estavam ligados. Se algo mais pesado que neve passasse
por ali, ele saberia. Ainda assim, hesitou. Não conseguia confiar a segurança de Alexia a máquinas e
dispositivos.
Por um segundo, deixou que a frustração por estar daquele lado, afastado da ação, tomasse conta
dele. Não fora feito para ficar de braços cruzados, só à espera. Nem mesmo com uma linda mulher.
Com o relógio de pulso programado para despertá-lo dali a meia hora, obrigou-se a relaxar no
catre. De olhos fechados, tentou tirar tudo – especialmente a mulher dormindo a um metro de si –
de seus pensamentos. A fim de mantê-la a salvo, tinha de estar em sua melhor forma, física e
emocional. E, para tanto, precisava dormir. Não conseguiria conciliar o sono, com certeza, se a
imaginasse completamente despida, a não ser pelas botas de couro de combate.
Foram as botas que o ajudaram. Concentrou toda a atenção nelas e, lentamente, foi se
entregando ao sono. Estava quase adormecendo, porém, quando ouviu algo.
Num instante, havia saltado para fora do catre. Estreitou uma soluçante Alexia nos braços.
– Está tudo bem, doçura – acalentou-a, afastando-lhe as mechas úmidas de cabelo do rosto.
Através da tênue luminosidade dos monitores, viu que os olhos dela estavam aterrorizados. – Não
há mais nada com que se preocupar. Estou aqui. Resgatei você.
– Abrace-me – implorou Alexia, segurando-o com tanta força pela cintura enquanto ele
continuava sentado na beirada do catre dela que o deixou com menos ar. – Não me solte. Não
permita que nada aconteça.
– Estou abraçando você. – Para assegurá-la do fato, correu as mãos pelas costas dela, para baixo e
para cima, por sobre o suéter grosso.
– Abrace-me com mais força. Nunca senti tanto medo, Blake. Quando fecho os olhos, vejo a
imagem dele. Vejo o sadismo naquela cara de rato nojenta enquanto me ameaçava. Jurou que
deixaria seus homens fazerem coisas horríveis comigo.

Afundou. Precisava dele com um anseio desesperador. Diante daquele toque mágico. Droga. tão doces. O corpo tão quente e sólido enquanto os braços musculosos a estreitavam mais. A maneira mais fácil. Deus do céu. então. antes de poder perguntar o significado das palavras. o homem a salvara de um lunático fedorento. De cenho franzido. Com ele. Lentamente. Apenas o bastante para se entreolharem. acompanhando os movimentos ritmados dos lábios sensuais que estimulavam os seus. – Foi por isso que me beijou? Porque eu estava chorando? Blake hesitou. estava a salvo. Era como se nada pudesse amedrontá-la. Havia jurado protegê-la. – Apenas para avisar você com antecedência. Alexia franziu a testa. queria senti-lo dentro de si enquanto seus corpos formassem um só. pensou Alexia. viu o calor que continham e que o chamava. Bem. Mas ela queria mais. Todos os motivos – e havia vários – para soltá-la e manter a devida distância inundaram sua mente. que a possuísse com todo o arrebatamento. Fitou os olhos dela. sendo levada pelo vento. nada pudesse atingi-la enquanto ele estivesse perto. Alexia pôde ver que ele estava refletindo. sentia-se como alguém por inteiro outra vez. ou a verdade. deixou que os ombros caíssem. Podia facilitar as coisas para ele. ou se foi uma reação ao beijo. enxugando-lhe gentilmente com a ponta dos dedos as lágrimas que ela nem sequer percebera que haviam rolado por seu rosto. Blake beijou-a. Blake sabia que devia soltá-la agora. beijando-lhe o cabelo. segurando-lhe a nuca com delicadeza. a mão em seu cabelo. Os lábios dele eram tão macios. ele afastou os lábios e recuou ligeiramente. que a deixasse. Alexia o agarrou pelos ombros. Estar nos braços de Blake era como estar no paraíso. desejada. Chorar e soluçar no meio de um pesadelo. envolta por segurança e prazer. o próprio pai dela o escolhera para levá-la de volta para casa sã e salva. Foi como despertar de um pesadelo e descobrir que estava a salvo. aquilo não era nada sexy. tocando algo em seu coração que o deixou sem chance de resistir.. Como voltar para um lar. as horríveis imagens dos quatro dias anteriores se dissiparam como fumaça. Correspondeu ao beijo com ardor. Para sentirem o hálito quente de um no rosto do outro. que Blake tornasse a apertá-la com os braços. Não soube se foi porque Alexia precisou ver sua expressão para ficar mais calma. Estava a serviço ali. ponderando o passo seguinte. Numa missão. tentando impedir que se movesse.. – Você está a salvo – garantiu mais uma vez. Afinal. ela se sentiu realmente bem pela primeira vez em meses. . enquanto despertava das brumas sexuais. isto é um grande erro e eu lamento muito. Mas ela afastou o rosto de seu peito e recuou um pouco no catre.Uma onda de fúria tomou conta de Blake. sobrepujando a frustração e quase o levando a perder o controle. queria. fazendo-a sentir-se protegida. Enquanto ele lhe cobria os lábios com os seus e intensificava o beijo. Queria mais. mas. pura e simplesmente. – Você estava chorando – disse ele.

em vez disso. embora não se levantando da beirada do catre ainda. as garras gélidas da realidade envolveram Alexia. – Porque você é você e eu sou eu. Quis enfiar-se debaixo das cobertas novamente. Ela estremeceu. – Mas eu deveria ter resistido. – Bem. Uma onda de alegria invadiu Alexia. E. sentindo de imediato a falta do calor do corpo dele. Como podia argumentar em face às próprias justificativas que dera até então? Se ambos já as conheciam tão bem era porque havia sido convincente o bastante quando as dera. deliciando-se com os contornos dos músculos bem definidos sob a camiseta. Parou de lhe afagar as costas. essas são razões sólidas – admitiu num tom muito sério. mas não sorriu. As suas próprias razões para não tornar a se envolver estavam a anos-luz dali no momento. deixando que as mãos caíssem lentamente até seu catre. enquanto um zunido surreal ecoava em seus ouvidos. Soltou-a de seus braços. a mesma relutância que a dominavam. do tipo profundo. Na fisionomia de Blake. – Alexia não conseguiu conter o riso. afastá-lo de si. Era como estar sedenta diante de uma fonte fresca e cristalina de água e não poder beber. – Ah. são razões sólidas e perfeitamente boas para mantermos as coisas como devem ser. Alexia só conseguiu sorrir de volta porque podia ver que aquele tipo de tensão se espalhava pelo corpo inteiro dele e se evidenciava mais na maneira como o tecido da calça camuflada se esticava na parte da frente. afinal. ao que parecia. – Você é a filha do almirante. Era melhor se concentrar nas razões dele. Você está em busca de um relacionamento transparente. queria – precisava – que Blake ficasse a seu lado pelo máximo de tempo que conseguisse. Você é a vítima que está sob a minha proteção. desejando poder acreditar que estivera sendo radical demais. Sentia seu próprio coração disparado e estava um tanto ofegante. A excitação se espalhou por seu íntimo diante da expectativa de sexo e graças aqueles dedos maravilhosos que continuavam se entrelaçando sensualmente por entre seus cachos. correndo as mãos pelas costas de Blake agora. deixando-o um tanto espetado. que podia enxergar até através da alma. A tensão ruim que havia começado a se formar desvaneceu-se.– Beijei você porque não consegui resistir – disse Blake. – Isso diz tudo. Dessa maneira. Eu vivo nas sombras. fazendo-a ansiar por mais. – Por quê? – sussurrou ela. Blake curvou os lábios de leve. mas isso significaria colocar distância entre ambos. faminta diante das mais tentadoras iguarias e não ter permissão para provar . – Sim. Como se as palavras dele tivessem aberto o zíper na aba da tenda. massageando-lhe o couro cabeludo com a mão. Estavam mesmo em lados completamente opostos. com ou sem sexo. Deu um sorriso tenso. afagando-a de uma maneira que a fez querer ronronar feito um felino. certo? Soltou um profundo suspiro. iluminando ainda mais seu sorriso. – Blake endireitou as costas e correu a mão pelo cabelo curto. Estudou-a com um olhar perscrutador. massageando-lhe a cabeça. via a mesma frustração. Eu sou um fuzileiro. poderia ajudá-lo a esquecê-las a fim de passarem ao que realmente ambos queriam no momento. franco. desmanchando-lhe a trança. Eu sou o encarregado da missão de levá-la de volta para casa em segurança.

soltando um riso tenso. . – É claro que não – concordou Alexia. – É necessário – disse Blake num tom um tanto brusco. Como se estivesse tentando encontrar um meio de ambos reverterem a situação em proveito próprio. – Ruim demais – disse ela ofegante. Não somos animais – concordou Blake. Sem querer perder tempo. – Apenas porque há esta coisa entre nós – disse. perdeu o equilíbrio e caiu sobre um dos catres. Despidos. os dedos foram chegando mais e mais perto da impressionante ereção. Pela primeira vez desde que haviam se conhecido. o que havia com os calçados militares. – Não. com maturidade o bastante para saber controlar nossas vontades. pensando rápido. o que só fez com que os mamilos ficassem ainda mais rijos. fazendo-a ansiar para que intensificasse o toque. Ao mesmo tempo... – Afinal. uma vez que jogara fora tudo que estivera usando durante dias naquele maldito cativeiro. – Ruim mesmo. vamos fazer sexo selvagem. sim. Blake despiu a camiseta de manga longa e começou a desatar os cordões dos coturnos especiais para neve. acompanhando-lhe os gestos com um olhar expectante. Blake demonstrou falta de elegância ao saltar num pé só. Ande e livre-se dessas calças logo! – ordenou ela.nenhuma. Aliás. sacudindo a mão no espaço entre os dois. certo? – Blake estendeu a mão para lhe roçar o mamilo latejante com a ponta dos dedos. – Oh. a pele de seu torso se arrepiou instantaneamente. poupando tempo e arrancando o suéter por cima da cabeça. calculando. Ele estreitou os olhos. de preferência. impaciente com a demora. – Somos dois adultos inteligentes. – Puxa. correu os olhos demoradamente pelo corpo incrível dele. deleitando-se com os músculos que podia sentir. você é linda – disse ofegante. – Alexia correu a ponta dos dedos pela coxa dele. mesmo através do tecido grosso da calça de militar. olhando-lhe os seios arfantes. Sem sutiã. em seu empenho para se livrar o mais depressa possível do calçado. moldados pelo suéter. Até que o olhar de Blake. Então. Alexia respirou fundo e despiu a camisa de tecido térmico por cima da cabeça depois do suéter. ardente e intenso. como se houvesse um campo magnético ali –. incontrolável. de maneira provocante. perguntou-se Alexia. com uma evidente expressão de desejo. não somos animais. O barulho foi grande. a cada vez que roçavam o tecido da camisa sob o suéter com sua respiração acelerada. sensíveis e pesados. – Sabemos muito bem que não devemos entrar em algo que já entendemos que é ruim para nós. quem quer que os tivesse criado. manter as coisas como devem ser – concordou distraída. afinal?. Evidentemente. – Assim sendo. não significa que temos que ceder a ela – tentou argumentar. não estivera com sexo rápido em mente. erguendo o olhar da frente da calça dele para lhe encontrar os olhos carregados de paixão. Literalmente com água na boca. fazendo-a dar-se conta de repente de que ele só afirmava aquilo porque era a coisa certa a fazer. Lentamente. enquanto os mamilos latejavam. aqueceu-o como uma carícia. – Sim.

Lentamente. – Com a ponta do pé calçado com uma meia. porém. mas acho que o catre nunca mais será o mesmo. e contornou-lhe os mamilos com a ponta do dedo. depois de respirar fundo para tentar vencer o súbito nervosismo. – Alexia enrugou o nariz diante do estrago. ela ergueu os olhos para fitá-lo. e depois o outro. Sem deixar de olhá-lo. – Bem. não pôde se segurar. o estava aceitando exatamente como era. seus arrependimentos em desejos em algum canto da mente. como fizera antes. Naquelas intensas nuanças de azul. Por seus sentimentos. ela seria cem por cento responsável por sua escolha. Blake soltou um gemido satisfeito. com todo o vagar. Ativera-se a esse sentimento. lhes restava. com as mãos nos quadris para baixá-las. ou sem o desespero descuidado que os movera na direção do sexo impetuoso e frenético. hesitou. ela deixou cair o cobertor e abriu os braços. Se fizessem sexo. a tranquila aceitação de que a escolha era dela. qualquer ameaça de tentativa de desenterrar tudo que represara em seu íntimo. encontrou os olhos dele. percebeu que Blake se agachou à sua frente. Sem as brumas em torno do espetacular resgate em que Blake a tirou do terrível pesadelo. e uma boca que era sexy quer estivesse sorrindo ou sério. Em meio ao acesso de riso. Ela olhou para o cobertor preto de lá em que estava enrolada. espontâneo. ele estava endireitando o outro catre. ainda sorridente. Um calor ao qual não pôde resistir. O desespero transformou-se em riso. – Sim. Apavorada. E só conseguira. tão calorosos e convidativos. Olhos azuis. ela tapou a boca para tentar conter uma gargalhada. notando que segurava as beiradas com força. Dessa vez. – Oh. – Você está bem? – perguntou-lhe tão logo conseguiu se controlar. mas incapaz de agir de outro modo. Usara-o como arma para reprimir quaisquer pensamentos perigosos. – Alexia. um de nós “caiu” literalmente pelo outro. ele indicou o metal curvado numa das pernas baixas do catre.. então. Era tão incrivelmente bonito. já completamente despido. Sentiu as mãos um tanto trêmulas enquanto lhe fitava os olhos. primeiro um. mas quando viu que Blake abriu um sorriso largo. não poderia culpá-lo por nada que não fosse de responsabilidade de Blake. ciente das lealdades e obrigações dele. não teria como contar com aquela raiva como escudo. O quê? Uma escolha. Havia sido tão difícil superar a dor de perdê-lo da vez anterior. Apenas a raiva. Então.Alexia fez uma pausa depois de abrir o zíper da calça e. e ainda em parte. apreciação e um calor que era mais profundo do que a paixão. fazendo jus ao excepcional condicionamento físico. Notou a paciência em sua fisionomia. porque enterrara todos os sentimentos por ele. cobriu a nudez com um cobertor e sentou-se na beirada do catre para observá-lo. fingira que nada daquilo existia. Pelo que quer que acontecesse em seguida. Dessa vez. – Você não pode dizer que não sei como lhe demonstrar romantismo – gracejou ele. viu aceitação.. Mais do que viu. Já de pé. Como alguém que estivesse prestes a beber . Agora.

como ela não se lembrava de já ter experimentado antes. Blake cerrou os punhos ao longo do corpo. Precisava dele. embora soubesse que já o tivera antes e apenas nos braços dele. mas Blake a olhava nos olhos. Tão logo lhe tocou o clitóris túmido. o tocou intimamente com a língua. se levantou. inclinando-se para se deitar sobre o corpo dela no catre. até que os músculos internos se contraíram em torno dele em deliciosos espasmos de prazer. vou lhe dar tudo. Blake possuiu-a com puro frenesi. Ao mesmo tempo. você pode acabar ficando sem a sua parte. de modo que. Ele flexionou os dedos da mão. cheio de promessas sensuais. cada célula do corpo dela parecendo vibrar. mas não se moveu. como se o membro tivesse vontade própria. com certeza – disse Blake com um sorriso provocador antes de tomarlhe os lábios com um beijo faminto. Como um guerreiro poderoso dos tempos antigos. dando arremetidas firmes. O gemido de Alexia foi mais alto e ofegante. Blake ergueu-lhe ainda mais as mãos e mudou um pouco a posição de ambos. – Oh. como se fosse segurá-la. manteve a cadência de seus quadris. Alexia apoiou-se num cotovelo sobre o catre e inclinou-se para frente para lhe soprar a ponta da ereção. não vou ficar sem a minha “parte” – garantiu ela. Pegou-lhe ambas as mãos. e então. endireitando os ombros largos. mas tornou a cerrar o punho. excitando Alexia cada vez mais. percorrendo-lhe as coxas com os pés descalços antes de fincar os calcanhares nas nádegas dele e pressionar o centro latejante de sua feminilidade contra a ereção dele. segurando-as acima da cabeça dela. O prazer foi absoluto. ela sentiu os espasmos percorrendo-a. – Você vai me dar tudo. ela sugou com vontade. Fitando-lhe os olhos. Como recompensa. sua rija masculinidade destacando-se orgulhosamente entre as coxas musculosas. desse jeito. sugando-o com avidez. insinuando a mão por entre os corpos de ambos para tocá-la com intimidade. Houve uma reação instantânea. Blake. – Hum… – murmurou ela antes de tomá-lo em sua boca e afagá-lo de modo ritmado com os lábios. Sem poder resistir. Por inteiro. Blake deu um gemido alto. Seu corpo inteiro estremeceu. Ela lançou um olhar malicioso a Blake. – Agora – exigiu. – Agora.da fonte da juventude. arrebatado pelo esplêndido orgasmo. inclinou-se para frente para sugar um dos bicos rosados delicadamente. com suas arremetidas incessantes. obrigando-a a deixá-lo observar cada momento de seu . como se a hipnotizasse. Alexia quis fechar os olhos e se entregar com abandono ao êxtase avassalador. passou a lhe estimular o ponto G. inclinou a cabeça e lhe tomou um dos mamilos com os lábios. – Sim. O prazer se tornou cada vez mais intenso. esticando as pernas vigorosas. se ergueu. E. antes que o prazer cessasse. então. – Ou. é a minha vez – insistiu. com arremetida após arremetida vigorosa. acompanhadas de gemidos guturais que a excitaram ainda mais. Foi quanto bastou para enlouquecê-la de desejo. Não tentou assumir o controle da situação. Foi uma explosão de prazer e calor instantânea. – Ainda não terminei – falou ele com um riso tenso.

num gesto que a deixou grata pelas aulas de Pilates três vezes por semana. do orgasmo que deixou resquícios de prazer que continuaram se espalhando como ondas formadas num lago. provocando-a com o seu próprio controle. O coração estava tão acelerado que reverberava em seus ouvidos. ela o segurou pelos ombros e. ondulando na mesma cadência. fincando os calcanhares nas nádegas dele. Então.orgasmo. intensificou as carícias de seus lábios e língua. Inesperadamente. O seu êxtase desencadeou o dela. Abraçou-o pela nuca. E era todo seu. E não era de admirar. Segurou-lhe ambos os seios. – Agora – ordenou num tom baixo. Não lhe restou mais nada a não ser sentir.. E foi incrível apenas sentir. Blake retesou os músculos e suas arremetidas voltaram a ficar mais rápidas. Enquanto avançava mais uma vez pelo calor úmido de Alexia. mais devagar agora. Mas estava bem ciente das sensações em seu corpo.. Blake e a ligação entre ambos se tornou seu mundo. como naqueles instantes. Alexia arqueou os quadris. Blake era todo seu e não queria soltá-lo nunca mais. semicerrados. decidiu ela. aprisionando-o em seu doce casulo. os seios sedutores balançando na mesma cadência de seu corpo. A tensão no rosto de Blake aumentava a cada arremetida que dava. Ele arremeteu com mais força. flutuando como uma pluma. de maneira ritmada. Beijou-o com doçura em princípio. O êxtase o arrebatou com espantosa intensidade. Lentamente. – sussurrou provocante. respirando por entre os dentes. De um jeito avassalador. Blake abriu um sorriso malicioso e assentiu. empurrou-o com força e mudou a posição de ambos em cima do catre. gutural. Ajeitou o corpo de modo a soerguer-se. Alexia cingiu-lhe os quadris com as pernas. Sem dúvida. seu foco exclusivo. explorando-lhe a maciez da boca com erotismo. olhou-a nos olhos. – Hum. não a deixando escutar mais nada. Era momento de tomar as rédeas da situação. tamanha união de almas. para lhe enxergar através da alma enquanto o prazer culminava.. Blake continuava se movendo dentro dela. Blake foi absolutamente dominado pela intensidade da paixão que percorria suas veias. – Hum. ficando por cima. preparando-se para guiá-los até seus lábios. Rápido. Intenso. estabeleceu o ritmo. Sentindo mais poder do que nunca antes em sua vida.. Alexia jamais sentira tamanha intimidade. estreitando os olhos. . com os olhos cintilando. Ele explodiu de prazer. Com o rosto contraído pela tensão. Então. apoiando a cabeça na parede da tenda. contraiu os músculos internos. correndo os dedos pelo cabelo curto dele e guiou-lhe os lábios até os seus. Ela. Alexia voltou à realidade. Ainda num mundo vertiginoso de prazer. Então. com a alma e o coração desnudados enquanto era tomada pela paixão. E ela estava totalmente exposta. observou quando mais um orgasmo tomou conta de Alexia. Era uma visão magnífica no auge do prazer. os músculos se retesaram. como se o agradecesse pelo esplendoroso orgasmo. pensou Alexia inebriada. seu corpo estremeceu por inteiro de prazer.

. Dizendo a si mesmo que era a atitude de um cavalheiro e não uma retirada covarde. terminou. Beijando-lhe a curva do seio com gentileza. Abraçou-a com força. ainda se sobressaía. Desabou. – Sim. permitindo-se um breve momento de doce rendição antes de erguê-la um pouco mais no catre e lhe guiar o seio até os lábios. depois que seus corpos tornaram a se unir e ambos chegaram novamente ao ápice. Mas entreabriu as pernas num convite. virado de lado para não pressioná-la com seu peso. portanto. Encontrar as palavras para expressar exatamente como se sentia. Blake soube que dera tudo de si. Cada pedacinho de si. portanto. não está brincando – sussurrou. deixou a cabeça pender para trás e seus gemidos de prazer inundaram a tenda. No momento em que começou a estimulá-la com seus lábios e mãos experientes. enfim. Havia se apaixonado irremediavelmente por Alexia. tornou a beijá-la e virou-se de maneira a ficarem de lado no catre estreito. nem venha dizer o contrário.. – Ainda não terminei. como se estivesse exausta. sim – protestou ela com um riso ofegante. Estava perdido. – Oh. até chegar ao centro da feminilidade. mantendo-a no calor de seus braços. Ela se aninhou junto a seu corpo como se fossem um só. dando-lhe mais espaço e entregando-se com completo abandono ao que prometia ser mais um mar de enlevo. olhando-o nos olhos. deixando um rastro de beijos molhados por seu corpo. E agora ela precisava descansar. A paixão. mas também era acompanhada de infinita ternura. – Não. Queria dizer algo mais. erguendo-lhe o queixo para um beijo. cravando as unhas nos ombros dele. – Eu acho que sim e. ele a encontrou com seus dedos. concentrou-se na paixão.enfim. Blake lhe lançou um olhar que era pura malícia. O cabelo estava úmido na testa. de uma espécie de gentil doçura como nunca experimentara antes. uau… – concordou Blake. – Deve estar brincando. redobrando sua satisfação. Então. – Eu jamais diria que os momentos de há pouco não foram incríveis. Alexia tornou a gemer e sacudiu a cabeça devagar. Lentamente. no catre. desabou sobre o peito dele. entre surpresa e sonolenta. E inundaram também o ego dele. Mas ainda não terminei. Teve de se conter a custo para não soltar um grunhido profundo ao se dar conta do que fizera. Blake fechou os olhos para tentar escapar da avalanche de emoções que o tomava. Mas não pôde. Ela gemeu alto e deixou a cabeça cair no travesseiro.. Aquilo o assustou ao extremo e. – O que está fazendo? – exclamou Alexia. a pele brilhava sob a luz difusa. Cada gota de prazer. como se não acreditasse que seu desejo podia se alastrar tão facilmente outra vez. Deslizou-os por seu calor úmido até chegar ao clitóris. Dessa vez. – Uau! – exclamou Alexia momentos depois. – Como. As palavras morreram em seus lábios quando ele escorregou pelo catre. explicar como ficara maravilhado. inesgotável.

– Você não chegou a me perguntar o que aconteceu lá no complexo – comentou ela. Tinha apenas de distraí-la e retardar o processo. embora as razões para que isso não pudesse acontecer continuassem sendo sólidas. Não podia seguir o mesmo caminho de antes. Além do mais. – Blake soltou um ligeiro riso antes de lhe mordiscar o ombro por trás. com certeza desejaria tê-la novamente. Alexia estremeceu deliciada e pressionou as nádegas contra o corpo dele. Mas sabia que não era o que . algo para garotas. Sim. pensou ele. Ora. o que o excitou prontamente. Ela estava quieta em seus braços. Era o mais perto que podia chegar sem possuí-la outra vez. abraçando-a pela cintura e entrelaçando as mãos de ambos. Quieta demais. Oh. ele acabaria com isso também. Portanto. não estava apto para isso. estava melhor preparada do que ele naquele aspecto. Até que Alexia tivesse a chance de conversar com alguém que pudesse orientá-la a como proceder para voltar a se sentir segura. criar um elo que fosse além do plano físico. Suas ordens tinham sido precisas. com a formação dela em Psicologia. Agora. contraindo o rosto. Dali a uns minutos.Capítulo 12 BLAKE CURVOU o corpo por detrás do de Alexia. deixando-o tentado. não podia fazê-lo. seu corpo irradiava tensão. soubera que quisera conversar. Podia usar a desculpa típica da maioria dos homens de que conversar sobre emoções era tolice. embora não houvesse um futuro para ambos juntos. – Isso faz parte das suas ordens? Você está num serviço de busca e entrega. num tom penosamente baixo. Mas. mas não tem permissão para saber o que há no pacote? O protocolo deixava claro que ele tinha exatamente a função que ela acabara de descrever – um serviço de busca e entrega. Todo o processo de investigação e apuração seria conduzido pelo alto escalão. enfim. Mas dali uns cinco ou dez minutos. tentando demais a possuí-la outra vez. Não estressar a refém. Vira as perguntas nos olhos de Alexia meses antes. ela já conversaria com gente o bastante sobre a experiência traumática. E era evidente que não estava mais flutuando num nirvana sexual. a distração perfeita. – Tenho certeza de que já verifiquei “o pacote” minuciosamente.

Eu diria a coisa errada. aninhar-lhe a cabeça em seu peito e distraí-la com sexo. estava claro que não se deixaria desviar de seu intento de conversar.ela buscava. a não ser que seja sobre algo que esteja relacionado à conclusão da missão – explicou. Blake franziu a testa. a pele acetinada e os ombros benfeitos eram uma bela distração. Não o faria outra vez se pudesse evitar. Os olhos dela adquiriram uma expressão enternecida. Não devemos fazer perguntas. – Ele deu de ombros. – A verdade é que não sei fazer bem esse tipo de coisa. Os seios nus comprimiram-se de maneira tentadora contra o peito dele e as pernas de ambos se entrelaçaram. O sorriso de Alexia pareceu capaz de iluminar a tenda inteira. movido pela raiva ao ouvir o que aconteceu. assentiu. – O procedimento padrão num resgate é entrar no cativeiro. não é mesmo? Se eu tivesse que conversar a respeito para desabafar. salvar a vítima e sair. pouco à vontade. abraçou-o com força. sentia-se como um garotinho na véspera de um passeio. . – Você é tão doce – disse num tom manso. Apenas não quero conversar sobre essa parte emocional. ou o afastou. ela começara a pensar no pesadelo do cativeiro. – Que tipo de coisa? – Ajudar na recuperação emocional. Precisa conversar com alguém que saiba como orientá-la durante essa fase de recuperação. em vez de mergulhar num sono tranquilo. nem tampouco retesou o corpo. Todo entusiasmado porque ela o achava doce. por ter a certeza de que ele acabaria dando a resposta certa eventualmente. E não precisa de alguém tornando as coisas mais difíceis para você. ou lhe daria um tapinha na cabeça porque não sei como proceder. no fundo. e ambos ficaram de frente um para o outro. – Blake falou com quase indiferença. Alguém entenderia como sua mente feminina funcionava? Onde estavam seus gatilhos emocionais? – Não há nada de “padrão” em você – apontou com franqueza. se não pudesse esperar para falar com um profissional que saberia me aconselhar. – Mas você faria isso. Queria apenas saber mais sobre o homem com quem estava dormindo do que apenas sua posição favorita e o que o excitava mais. – Não. Seu cabelo solto cascateou em torno de ambos. Blake quis puxá-la mais para si outra vez. Apenas o olhou por sobre o ombro com paciência e curiosidade. saciada. – Na superação do trauma. Soltando um riso rouco. mas. você falaria a respeito comigo? Ele preferiria ter levado um tiro. tocando-lhe os lábios com a ponta dos dedos numa carícia quase tão íntima quanto um beijo. mas. Por que ela nunca reagia da maneira que esperava? Tinham feito amor e. ou esmurraria alguma coisa. os lábios tremeram de leve. Como se pudesse esperar. Alexia se virou em seus braços. pela maneira como ela o olhava. Já a magoara uma vez por ter optado pelo caminho mais fácil. – É isso que sou? Alguém que faz parte do “procedimento padrão”? – Alexia não soou zangada. Você passou um verdadeiro inferno. Mas. esforçando-se para não aparentar quanto era avesso à ideia.

. de fato. Falo sério quando digo que é um trabalho. Ele queria me ver instalada em algum lugar seguro. droga. – Obrigado – sussurrou Blake e. – Por que isso a incomoda? – Foi o que meu pai disse na última vez que conversamos. – Você não se preocupa às vezes? – Ela começou a lhe afagar o peito. – Ou nós temos uma visão para as nossas vidas que não coincide com a deles. excitando-o mais e mais. – Ele não estava se vangloriando. então. E o que não sabemos. São coisas que já fazem parte da minha natureza. É como respirar. deu um suspiro e admitiu: – Sim. realizá-lo não é uma preocupação. – O que foi? – perguntou. – Não está ligado à recuperação? – Bem. Era estanho. o inesperado. de repente. Assim. Sou altamente treinado e muito bom no que faço. às vezes. Alexia interrompeu o beijo e tornou a sorrir. doce – falou alegremente. Eu não costumava me preocupar. Perigo. inclinou-se para beijá-la. Blake não imaginara que o almirante fosse do tipo intransigente com a própria família. porém. Quando. você acabou desperdiçando sua formação em Psicologia – provocou-a. Alexia pareceu subitamente triste. os deixou. mas não deixou de lhe fitar os olhos. Talvez a espera de cinco minutos tivesse terminado. tentando rir. enfim. Antes de tê-la conhecido.. Antes que ele pudesse descobrir. temos que deixar para os outros. Seus lábios se encontraram com volúpia. Blake repassou as palavras na mente. Não houve “mas” algum ali. Blake inclinouse para tomá-los outra vez com os seus. cobrando por horas de cinquenta minutos e vasculhando a mente das pessoas em privacidade. porque palavras não eram o bastante. Apesar do sorriso. as missões e o perigo e o fato de nunca saber o que virá em seguida? – Essa é a minha vida.– Sim. ela lhe lançou um olhar que dizia que distrações eram proibidas. já avermelhados por seus beijos. – Você é realmente doce o bastante para que eu não o faça passar por isso. – Chega àquele ponto em que. – Sabe. – As palavras dela soaram um tanto amargas. as coisas parecem demais para lidar? O fato de viver constantemente em risco. Estressada. o “apoio moral” que dá é só no ato do resgate em si? – provocou-o. com aqueles olhos fixos pacientemente nele. todos devem fazer aquilo que sabem melhor. excelente no que fazia. seu tom. – Acho que os pais têm a própria visão para as nossas vidas e nem sempre coincide com a que temos – comentou a título de explicação. Finalmente. Ele pôde lhe sentir a tensão nas costas.. Ele se sentiu tentado a ver quanto tempo seria necessário para mudar aquele olhar e fazê-la se render à paixão. – Mas? Como ela sabia que havia um “mas”. – Incapaz de resistir àqueles lábios. Era. – E o que é que você sabe fazer melhor? – Aquilo que me determino a fazer. – Então.

Mas e quanto à sua vulnerabilidade e doçura? Era uma das coisas que mais o atraía nela. – Os seus também? – Alexia afagou-lhe o peito com vagar. como se quisesse livrá-lo da dor que ainda pudesse sentir. Beijou-lhe o queixo. deu de ombros. então. Não havia nada de que se envergonhasse. Como ela sabia sobre seu trabalho? Ela pareceu tensa por um momento e. a sinceridade merecia ser retribuída com sinceridade e. – Que portas se fecharam para você? – perguntou. – Os meus também o quê? – perguntou Blake distraído. Meu pai abandonou a casa quando eu tinha três anos e a visão da minha mãe estava quase sempre anuviada pela vodca. Ela era tão bonita. começando a descer cada vez mais. era algo duplamente especial. beijou-lhe a ponta do nariz. – Mas ela deve estar orgulhosa agora.Era a mesma coisa. Não se importava com o que eu fazia. sempre se manifestando. não é? Blake franziu a testa. quando a deixava transparecer. raiva e uma espécie de solidariedade tomaram conta de Alexia. Blake arqueou uma sobrancelha. Então. fez uma careta. Blake soltou um som de desdém. embora já soubesse muito bem a resposta. preparou-se ele para dizer. descrevendo círculos na pele quente com a ponta dos dedos. . não é mesmo? Você foi condecorado tantas vezes. Era inteligente. ainda dói quando eles fecham essa porta na nossa cara. Não queria falar sobre seu passado. Horror. ou deixava de fazer. No outono passado? Droga. em seguida. – Bem. – Os seus pais também tinham uma visão para você? Coincidia com a sua? Ou era a sua que coincidia com a deles? Esquecendo-lhe a mão. Alexia escondia esse lado durante a maior parte do tempo e. De qualquer modo. o que provia o pano de fundo perfeito para torná-la ainda mais sexy. – Por minha causa? O sorriso dela pareceu um tanto melancólico. Recebeu tantas honras. E daí? Sem poder evitar. Blake riu e. com toda a sua atenção concentrada no ponto em que ela o tocaria em seguida. podia ter sido tão negligente como pai. Sua sexualidade era evidente. Alexia deslizou a mão de volta até o peito dele. um homem que sempre lhe servira como modelo e exemplo e que sempre estivera em sua mais elevada consideração. lhe contou: – Faz seis anos que não vejo a minha mãe e não posso dizer que sinto saudade. – O meu pai me deserdou no outono passado. mas não era mais o seu mundo. portanto. Odiava o fato de que o almirante. portanto. Mais uma vez. Então. – Eu não era relevante o bastante para que alguém sequer tivesse uma visão para mim. – Mesmo quando não nos importamos. deu-se conta de que não era. eu verifiquei os seus registros. – Fico contente que tenha se sentido curiosa o bastante para querer saber mais sobe mim – disse ele num tom suave.

Soltou um riso ao comentar: – Acho que é o que você faz. – Com “discussão”. não foi. então. tão compreensivo e meigo que Blake desejou poder pousar a cabeça em seu ombro e deixar que toda a dor que já tivera se desvanecesse. Sempre se orgulhara de ser um fuzileiro naval. Alexia percebeu que sua tensão se dissipou. É embaraçoso para ele e para a minha mãe que meu trabalho esteja ligado a comportamento sexual. que eu tenha um belo consultório particular onde possa aconselhar pacientes sobre comportamento sexual atrás de portas fechadas. – Eu fui o gatilho. e continuará ajudando. – Para os meus pais. são importantes.– Não. como se ela tivesse tirado o pino de uma granada e a atirado em sua direção. e haveria uma explosão emocional ali. Mas se preocupa com alguma outra coisa. não é mesmo? Impedir que tiranos interfiram nos bons planos das pessoas. Acabamos de receber uma vultosa verba para prosseguir com o trabalho. segundo acham. talvez você possa ter também a psicoterapia como uma ocupação secundária – gracejou tenso. sentiu-se mais orgulhoso ainda. o que provavelmente foi o que despertou o tipo de atenção errada. – Blake ficou furioso com o fato de ela culpar a si mesma. – Então. interfiram nos seus planos. Mas ao ver a admiração nos olhos de Alexia. – Você disse que não tem preocupações quanto a realizar o seu trabalho. O fato de ela ter desvendado os . Qual foi a munição? – Meu pai não acha a minha carreira aceitável. que seu corpo relaxava nos braços fortes de Blake. deu de ombros de leve. E você adora o que faz. – Você e o seu trabalho fazem diferença no mundo. – Já era de se esperar. – Isso é um absurdo. Ninguém trava uma guerra com o almirante. Não podia correr o risco. Ao longo do último ano. Não deixe que a intransigência dos outros a faça se afastar da sua paixão. então. tem ajudado. Ou. Ela prolongou o silêncio por um momento e. Ou é deserdada. Obedece. Gostariam que eu usasse a minha formação em Psicologia para trabalhar para o governo. ainda que de uma maneira indireta. – É verdade. – Mas você comentou que o seu trabalho vai ajudar muita gente. Seu tom de voz soou repleto de compaixão. teria dito o meu pai – acrescentou irônica. Não permita que nem mesmo o seu pai. de servir seu país. do que faz tão bem. você quer dizer guerra? Alexia dirigiu-lhe um olhar sardônico. que. – Bem. por ter sido sequestrada. Um movimento errado. me diga. – Pensei que você conhecesse bem o meu pai. perguntando-se como ela conseguira cercá-lo outra vez. Uma pessoa apenas o ouve. como se os aborrecimentos com a família não importassem. e muito menos um terrorista. é o lugar apropriado. – Essa é uma das nossas especialidades – confirmou Blake. por que as coisas mudaram? – perguntou ela após um momento. o programa com o uso de mensagens subliminares para ajudar na cura de aberrações sexuais não é nada além de condescendência com os fracos. Se bem que o meu comportamento inaceitável em relação a você desencadeou a discussão. não é? Blake ficou imóvel. ou pelos preconceitos dos pais. sim.

inflamar e crescer. Ela notara naquela ocasião que ele estivera sofrendo? Era assim tão transparente? Por um instante. onde aquilo poderia fermentar. na tensão do sorriso. não é mesmo? Ele confirmou com um gesto de cabeça. Por causa de Alexia. Mas o semblante de Alexia não se alterou. – Deve ser mesmo difícil. era como se soubesse que havia algo doloroso ali. – O tom de Alexia manteve-se compreensivo. É quando as coisas acontecem. um arco que é puxado demais acaba perdendo sua completa eficiência. o fato de haver sempre uma missão é estimulante. Queria esganar a si mesmo. Abraçou-o com mais força. acrescentou: – Eu havia acabado de servir em três missões em sequência e estava ficando esgotado. – Sim. Sem exigências. mantendo-se apenas à espera até que estivesse pronto para se abrir. A expressão de choque. Blake enrijeceu o maxilar. Aceitação. compreendeu. porém foi apenas isso. Blake sentiu essas coisas. em vez de se abrir para ela. – Foi um período difícil – falou sucinto. – Eu apenas… Bem. – No início. – O que aconteceu? – sussurrou ela. Como um fluxo de adrenalina que nunca para. na maneira como retesou os músculos dos ombros. guardara tudo dentro de si. no melhor de si. não se nota a exaustão – ouviu-se dizer. E. . Conforto. esperando que ela aceitasse isso como explicação o bastante. Tudo por causa de um leve beijo. no relacionamento breve e ardente que haviam tido. sem perplexidade.. e sua voz foi como um alento. porém.próprios dissabores não fora distração o bastaste? E a infância de pobreza e abandono dele mesmo já não fora o suficiente para ouvir? Ainda queria mais? – Não precisa me dizer. Mas a mágoa com a recusa dele em se abrir mais evidenciou-se em seus olhos castanhos. repleto de empatia. Não.. e seria ridículo pensar nesses termos. Não houvera piedade alguma na motivação de ambos. franziu a testa. bem no fundo. Cura. mas tivesse decidido não pressionálo. – Na verdade. – Mas após algum tempo. Tivera acesso a toda essa simpatia e atenção oito meses antes. também se dissipou. Os olhos podiam ter se suavizado um pouco mais. roçando-lhe os lábios com um beijo terno. imaginando que poderia encerrar o assunto nesse ponto. Aguardou o julgamento. solidário. Imagino que algumas vezes se chegue à beira da exaustão. Isso o torna uma arma bastante eficaz. No outono passado. você estava chateado antes. ou de horror. Você está sempre na ativa. – Ela se mostrava tão compreensiva que Blake teve de fechar os olhos para lidar com o impacto das emoções que essa empatia libertou. Blake estudou-a ao responder. – Perdemos um integrante da equipe. certo? Piedade? Tão logo o pensamento errante surgiu. Quanta esperteza. Não havia sido por isso que Alexia dormira com ele. Fiquei triste em ver a dor em seus olhos. Pela primeira vez desde que vira a vida se esvaindo do amigo. Então.

Como se apaixonar por Alexia. cada erro já cometido e para analisar completamente qual fora o passo errado que levara à queda. Agora que a porta estava aberta. fazendo com que se apaixonasse por ela. E havia sido. E não havia cobrança. fez com que repensasse suas decisões. como deter o rápido mergulho. se alguém lhe atirasse uma corda para puxá-lo de volta para a segurança. nem agressão emocional. Estava numa queda vertiginosa. Porque o que tivesse acontecido parecia ser algo de suma importância. Blake recuou um pouco para olhá-la. perguntando-se o que acontecera. que era de ferro nas batalhas. E não estava pensando na ereção que sentia contra sua coxa. Blake caíra de um penhasco uma vez. Envolver aquela ereção com seus dedos quentes para que ambos mudassem o foco atual para algo bem mais prazeroso. não era? Ou pior. ela perguntaria. isso atormentou você. Apesar de tudo isso. Aquilo não era especulação. Como era enfrentar a morte de alguém tão estimado e como conseguia prosseguir da mesma maneira quando havia sempre o risco de ser o próximo. – Com certeza. . Era como ele se sentia agora. Blake a olhava como se pudesse enxergar através de sua alma. Seria de se pensar que era uma queda rápida e vertiginosa até o chão. algo imenso. Ou poderia enfrentar os próprios medos e perguntar o que Blake estava sentindo. Era estranhamente reconfortante saber que o mergulho para o monte dava tempo de sobra para o arrependimento. Concluiu que tinha três opções. Alexia engoliu em seco. afagando-o no rosto carinhosamente. deu-se conta de que o estômago. tomasse cuidado extra mesmo nas ocasiões em que é custoso diminuir o passo e ser mais cauteloso. Sobre o que significara e quanto fora difícil a sua perda. Se fora um amigo muito próximo. como a de quem morrera. Alexia estava tentando desconcertá-lo. repleta do medo da dor que certamente haveria no momento do impacto. E tantas outras. embora isso já fosse arrasador o bastante. Podia senti-la e sabia que não havia como mudar a direção.. estava em nós. desfrutá-los. Como estava lidando com a perda todos esses meses depois. E como lidaria com a situação. Que lamentaria o fato de não ter ficado atento aos próprios passados.. Mas também havia sido surreal.Esperou. nem um bombardeio de perguntas. Que o impacto com o chão causaria dor era inquestionável. Não era pressão para que ele encarasse as coisas. Fazer algumas das dezenas de perguntas que fervilhavam em sua mente. Faria com que ele falasse sobre Phil. De repente. mas temos que viver os dias que nos são dados ao máximo. Como se soubesse o que se passava em seu coração e estivesse à espera de uma confissão. – Temos que lembrar que a vida é curta – disse. feita de momentos para se avaliar cada decisão. teria recusado. – Ninguém sabe o que o amanhã reserva. Porque certas coisas simplesmente tinham de acontecer. Era intuitiva o bastante para perceber que a perda não fora simplesmente de um membro de equipe. sem dúvida.

Ele queria tudo e não havia dúvida de que daria tudo de si em troca. Soube. ao baú secreto onde guardara todos os sentimentos com os quais tinha medo de lidar. ela saberia que havia tentado. – Quero fazer alguma diferença no mundo. como se estivesse repassando na mente uma lista de desejos. mas a expressão em seus olhos era profunda. A expressão de Blake mudou de homem sexy para a de soldado determinado numa fração de segundo enquanto olhou na direção dos equipamentos. Queria ficar com a primeira opção. aproveitando o comentário que fizera –. não acha que é importante ser sincero em relação ao que quer? – Quero sinceramente você – disse Blake num tom de provocação. Uma vida que tenha mais coisas além do serviço militar. Quero saber que fiz o melhor. não haveria alternativa a não ser enfrentar as emoções que estivessem do outro lado. além de mim. quaisquer que fossem. Gelada. Então. Faria rodeios. ecoou. que odiaria a si mesma se ao menos não tentasse abrir as comportas emocionais. – Quero uma vida plena. Antes de ter conhecido Blake. Alexia não soube o que dizer. Essa última pergunta era assustadora. E ali estava ela outra vez. Mas fora fácil pensar assim quando houvera tão pouco em jogo. Ou se ela representava mais. você quer? Imaginou que ele seria evasivo. deixando-a com o coração imediatamente descompassado. enfim. De repente. ou acabaria voltando a fazer algum comentário relativo a sexo. E. Se podia haver mais para ambos. – São eles? Nos encontraram? . Quero um lar. uma maneira de tirar as preocupações da mente. não importando o resultado. – Uma vez que a vida é tão curta – falou. Alexia se esforçou em lidar com o turbilhão de sentimentos que a invadiu. Uma parte dela ansiava para que Blake o fizesse. perguntou: – E o que mais. teria jurado que escolheria enveredar pelo caminho dos sentimentos. teria de lhe dar acesso às suas próprias emoções. Respirou fundo para reunir coragem e. então. Conseguira lidar bem com os sentimentos dele. diante de suas terríveis ameaças. porém. mas que era culpa dele se ambos não mergulhavam de cabeça naquele mar doloroso e confuso de sentimentos sinceros. diante da opção se seguir pelo caminho mais fácil – sexo – ou o que era bem mais complexo e envolvia sentimentos. Apenas um corpo quente e uma distração fácil. Luzes fortes piscaram. estridente. Ao menos. mais amedrontada naquele instante do que quando estivera em poder do sequestrador. sem saber se devia abraçá-lo com força ou fugir de medo. uma válvula de escape. um ruído alto. juntos.Poderia perguntar também se ela era apenas um meio de fuga da dura realidade. Que me queira pelo que sou. que dera o melhor de si. O medo tomou conta de Alexia por completo. uma pessoa que me aceite como sou. Algum lugar. para ser justa. reverente. – Ele adquiriu um olhar distante por um momento. quaisquer que fossem? Estava preparada para ouvir o que tivesse a lhe dizer? Se pedisse a Blake que abrisse aquela porta. fitou-a nos olhos.

depois que tivermos ido embora daqui. aninhada sob as cobertas. Agora. talvez até lá já soubesse como se sentia. Alexia soltou um suspiro de alívio. calçando as botas. água tépida. – Mas não podemos sair enquanto não colocar as suas botas – apontou Blake. Droga. passaria alguns dias na praia. sentindo-se mole e exausta. Mas a tenda se tornara um reduto. Nada mau para alguém que. – E quanto a tudo isto? – Ela fez um gesto que englobou o interior da tenda e seu conteúdo. Ainda melhor. nesse meio. deixando a tensão se dissipar.– Não – garantiu Blake. aliviada demais com a chance de uma fuga emocional para sequer ter curiosidade a respeito. Só havia chegado ao ponto de calçar as meias quando Blake tornou a se aproximar. tentando decifrar seu semblante. surgiu na mente de Alexia instantaneamente.. teriam de retomar aquela conversa. Adiantou-se até a aparelhagem. deixando os braços dela e o catre agilmente. de algum tempo para ordenar seus pensamentos. Passaria os dois primeiros dias em casa na cama. Nós fazemos a verificação a cada duas horas aproximadamente. – É apenas uma mensagem. – O quê? – Perplexa. Ambos estavam praticamente no meio do nada. em confins congelados. erguendo os olhos dos cordões dos coturnos para lhe dirigir um breve sorriso. – Ele fez uma pausa. – Temos de empacotar essas coisas todas? Blake sacudiu a cabeça numa negativa.. Ela acabou de se vestir e as colocou em tempo recorde. De repente. Areia quente. deu-se conta de que estava nua e com muito frio. Blake não disse nada. a praia a apenas cinco minutos de distância. Tranquilo. mas não adiantou. E. dormindo feito um bebê. tomando o máximo de sol que o corpo permitisse. Enrolou-se melhor no cobertor. – Uma equipe virá recolher tudo mais tarde. estremeceu. não soube dizer. depois de dormir um pouco no próprio catre. Talvez. Não se localizava nem mesmo em meio à civilização. o medo voltou. – Estou pronta – disse quando acabou de colocar o suéter por cima da cabeça. perguntando-se por que ele parecia tão emocionalmente distante de repente. – Você vai poder ir para casa. teriam de sair dali? Ele sentou na beirada do catre. Observou enquanto Blake respondia a mensagem pelo rádio. com suas cores alegres e cama macia. A área está segura. se sentisse preparada para conversar sobre sentimentos com ele. Sem ele ali a seu lado para aquecê-la. Teria sido bem mais fácil sem a barreira das roupas. . ficou lançando olhares ao homem bem ali ao seu lado.. Vendo que Blake vestia a camiseta e a calça de volta. Com ou sem interrupção. De repente. seguro. Aquela tenda não era seu lar. Em busca do que.. entregando-lhe o calçado como se quisesse apressá-la. Ocupado com o equipamento externo de ambos. em seguida. ela o encarou. levantou-se com relutância para recolher as próprias roupas. lembra? Não há nada com que se preocupar. – É hora de irmos – anunciou. – Para casa. Mas nesse exato momento? Estava simplesmente grata pela interrupção. Para partilhar do que sentia. – Prenderam Lukoski às 4h00. – A imagem do apartamento. apanhando a calça do chão enquanto avançava.

um impecavelmente arrumado com as cobertas esticadas o bastante para se girar uma moeda em cima dela e o outro todo revirado com duas marcas nítidas de cabeças no travesseiro. Parecia que Blake encerrava o assunto ali. ele atirou o pote com o restante de chocolate e leite em pó num saco de lixo. Alexia contraiu o rosto. sacudiu os cobertores e socou firmemente o travesseiro. Foi providencial não ter aberto seu coração. Logo em seguida. . – Ou ao menos arrumar a cama. Por que estava tão frio e distante agora? Estaria envergonhado do que haviam feito? Era tão apegado às normas e procedimentos que se arrependia de terem feito amor ali? Ou de ter se aberto tanto. vestiu a sua.– Deveríamos ao menos lavar a louça. Ele acompanhou-lhe o olhar com uma expressão indecifrável. então. – Alexia olhou para os catres. expondo seus sentimentos? Não falara a sério quando dissera que queria uma vida plena? Ou se dera conta de que esses seus desejos não se aplicavam a ela? Blake lhe estendeu a jaqueta pesada que ela usara quando tinham ido para ali e. Seu coração ficou subitamente apertado no peito enquanto se forçou a fechar bem a jaqueta.

– A não ser pela temperatura de congelar. – Temos que subir uma montanha? Blake quis rir. Apenas porque sabia que não havia um futuro para ambos juntos não significava que queria deixá-la zangada. – O veículo de resgate não tem como chegar a esta área. Por que naquele momento? Por que a mensagem tivera de ser enviada justamente naquele momento? Por que não uma hora depois? Ou duas.. Landon. aborrecida. Mas não conseguiu. Será como subir de escada rolante até o segundo andar de um shopping. É um terreno muito acidentado – explicou numa voz um tanto ríspida. parecendo tão irritada quanto ele próprio se sentia no momento. não mudavam os fatos. Sentimentos. Talvez haja até uma “praça de alimentação” à nossa espera quando chegarmos ao topo. exatamente como num shopping – resmungou Alexia.. Qualquer coisa. Para que ambos concluíssem aqueles momentos ali com sorrisos. A despeito de quanto a amava. Encerrar o assunto. Sabia que ela estava reagindo ao seu tom áspero. Só você mesmo. Uma fera enraivecida da selva.Capítulo 13 BLAKE QUERIA socar algo mais sólido do que um frágil travesseiro. – Você está pronta? A equipe de resgate vai estar à nossa espera no alto da montanha dentro de quinze minutos. Para concluir a conversa e poder. Porque fatos eram fatos. O quê? Encerrar o assunto? Sim. Uma porta de aço. Resgatou uma garota de um lunático perigoso. Uma parede de tijolos. e a equipe terá um sistema de cabos preparado para nos puxar até lá. – Não é uma subida muito grande. não importando quanto fossem intensos e convidativos. e então faz com que ela se sinta . – Oh. até? Isso teria lhe dado tempo para lidar com o turbilhão emocional em que caíra. fez sexo com ela quase a noite inteira. à sua atitude. mesmo sabendo que não deveria. Ou pior. o vento tentando nos derrubar e a neve fustigando. pensou zombeteiro. Não podia pedir – não pediria – a Alexia que se tornasse parte da vida que ele escolhera. Desejou poder encontrar um pouco de humor nesse final. Blake sentiu-se péssimo.

Ele odiaria o fato de magoá-la. Assim como os remanescentes de paixão que se alastrava tão facilmente entre ambos. apenas os olhos se viam. mas. absteve-se de fazê-lo. Levaram dez minutos para chegar até a base da elevação. não tão silenciosa. foram içados até o alto da montanha de maneira fácil. Eram mensagens altas e claras. Uma só palavra. Explicando que em vez de um helicóptero. a ligação com um homem em relação ao qual ela tinha sentimentos tão negativos. aproximouse mais para terminar de lhe ajeitar os trajes de inverno. no geral. determinada e forte quanto muitas das pessoas com que ele já servira. um doloroso adeus. com o tempo. com o rosto e o cabelo ocultos. tentando soar espirituoso. Então. e. Logo. Como havia feito anteriormente. Era tão corajosa. dizendo mais do que mil palavras. o próprio pai. O troféu de Garanhão do Ano deve chegar a qualquer momento. então. tristeza. poderiam ter muito tempo explorando essa paixão. não? Mesmo sabendo que seria algo que se tornaria extremamente doloroso depois que terminasse. primeiro erguendo-a junto à beirada e. que não pudera ser mandado naquelas condições de tempo. – Vou ver o que posso conseguir. Mas achou que ela não veria o seu comentário como um elogio e. depois que montara a tenda. Desfrutando deliciosamente a companhia um do outro. virou-se. colocando-a de pé. estendendo o braço até Alexia. E estavam expressivos como nunca. – Praça de alimentação. Mas entre agora e o momento em que tudo isso acabasse acontecendo. . ele ajeitou os próprios apetrechos em torno do rosto e fez um gesto para que ela passasse pela abertura de saída da tenda. Alexia manteve o pique e cooperou ao máximo. Embrulhada quase como uma múmia. Ele quis lhe dizer que ela tinha sangue militar nas veias. Isso era viver o presente. ele terminou de equipá-la rapidamente. nem mesmo uma promessa. para onde alguns homens da equipe tinham sido enviados previamente. um veículo terrestre os pegaria na montanha. ele afundou os dedos na neve espessa e ergueu-se na beirada com a ajuda do cabo. criando momentos um tanto mais complicados. Com isso e um sorriso rápido. – Vamos botar para quebrar. Blake deixara preparado os ganchos e roldanas para os cabos e cavara buracos para os pés e as mãos na neve congelada. ela lhe deu a mão e deixou que a ajudasse a subir. com o auxílio do cabo e dos demais. portanto. Não trocaram mais uma palavra. apesar de estarem a dez metros do chão. Transmitiam preocupação.mal por isso. Bastaria ele retribuir com um olhar. Sem hesitar. Passaria a odiar o trabalho dele. Respirando fundo. se ressentiria da pressão silenciosa para que mudasse. E poderia fazer com o que havia entre eles prosseguisse. Tendo sexo incrível. Quando chegara ao local. Alexia estava pronta para enfrentar o rigor dos elementos. hein? – disse. Ela lamentaria o fato eventualmente. No alto da montanha. nem mesmo depois que ele a prendeu com segurança ao cabo e lhe mostrou como subir enquanto a içassem do alto da montanha. Um pouco de neve se acumulara dentro deles durante as trinta horas ou mais desde então.

apontando na direção das luzes. O tempo de privacidade terminara. Algum dia. não pedir nada. montado sobre um grande chassi de tração. De escapar do bizarro inferno em que sua vida se transformara inesperadamente naquela semana. E logo o almirante estaria ali. Se lhe contasse. fizesse parte de uma cerimônia daquele tipo. Podia estar livre da responsabilidade pessoal por não ter contado a ela sobre a sua ligação profissional com o almirante. – Estamos chegando. CAOS levará a encomenda pessoalmente. – Está me ouvindo? – Aqui é Escoteiro – respondeu Blake. Era melhor não prometer nada. seria o fim de qualquer chance de ambos ficarem juntos. – Escoteiro. Alexia observou enquanto o veículo monstruoso se aproximava. levando em conta as circunstâncias da ocasião. Alexia não sairia magoada. para neve que se aproximava do alto da montanha pela trilha. O “pacote” o observava com imensos olhos castanhos enquanto ouvia o diálogo através dos próprios fones de ouvido. Se não contasse. algum dia. Mas dessa vez? Sabia quem era o pai dela. . Era hora de dizer adeus. estaria infringindo completamente as normas. O almirante estava no jipe? Ele deveria avisar Alexia. Temendo o que mais ela pudesse dizer. Tapete Mágico desligando. – A sua carruagem já está vindo – explicou Blake a Alexia. Ele recordou o rosto da mãe de Phil no funeral. – O pacote já está pronto para ir? – Afirmativo. Droga. aqui é Tapete Mágico – disse-lhe prontamente o motorista do jipe militar que se aproximava através do aparelho de comunicação. – Obrigada – disse Alexia numa voz tão suave quanto um sussurro através dos fones. E quanto à própria mágoa dele? A angústia profunda que se apoderava do seu coração? Bem. Blake sacudiu a cabeça depressa e apontou para o grande jipe fechado. poderia ser ele mesmo a estar num caixão coberto por uma bandeira. era um soldado especialmente treinado. As comunicações estavam abertas desde o momento em que tinham começado a subir a montanha e não havia mais volta. exatamente onde estava e que chegaria a qualquer momento no jipe. Poderia pedir a Alexia que aceitasse uma possibilidade dessas? Correr o risco de que.Ele mal havia trocado algumas palavras com os homens pelo aparelho de comunicação quando luzes surgiram na trilha montanhosa do lado oposto. E não deixar nada disponível. – Já o temos no nosso campo visual. para além de onde o veículo em que a primeira equipe subira estava parado. E estarem juntos para sempre era algo que não tinha como prometer. preparado para lidar com qualquer tipo de dor e sobreviver. Blake enrijeceu o maxilar. parecendo uma tartaruga gigantesca de metal atravessando a neve. Era o seu meio de voltar para casa. aceitando uma bandeira dobrada e condolências militares? Porque ele a amava o bastante para querer estar a seu lado para sempre. Desse modo. compreendeu com um doloroso aperto no coração.

Um herói. como uma bebida gasosa tampada. percebeu ela com nervosismo. Uma chance para ambos. Era tudo intenso. Queria lhe dizer tantas coisas.. Sua virtude. Ela precisava lhe dizer tantas coisas. Salvara sua vida. – Não vai ficar aqui. ou porque talvez também não se sentisse à vontade com agradecimentos. Tenho que retornar ao complexo para encerrar os últimos detalhes da missão. compreendeu ela quando Blake e os demais baixaram as armas. sabia. vigilante. tudo que ele fizera povoou-lhe a mente numa avalanche de lembranças. Dizer-lhe quanto ele significava para ela. por que foi tomada por uma desesperadora vontade de descer a encosta da montanha e se esconder na tenda? Ou melhor ainda. e. Mas agora era tarde demais. Alexia deu-se conta disso enquanto o observava. – Fique a salvo – disse Blake. como os demais homens da equipe também estavam. Tudo que Alexia queria dizer ficou preso dentro de si. Observou-o enquanto ele se colocava entre ela e o veículo que se aproximava. – A sua carruagem – falou ele. Quis agradecê-lo novamente. de repente. Embora Blake tivesse falado com o motorista do jipe pelo aparelho de comunicação. Era um códido. Como fizera tantas vezes no decorrer daquele dia. – O quê? – Ela se virou. apontando para o veículo. Tudo porque era um soldado. com um rifle de prontidão. exatamente como ele a mantinha a salvo agora. Mantinham o restante do mundo a salvo. Havia tanto a ser resolvido. quanto se sentia grata por tudo que fizera. enquanto Alexia se aproximava dos degraus. de prontidão. sacudindo a cabeça. mesclado e estava pronto para explodir. Como ela podia ter reservas quanto a isso se era graças a todas essas coisas que estava viva? Como podia desejar que Blake trabalhasse em outra coisa sendo tão incrivelmente talentoso como um fuzileiro? Enquanto houvesse facínoras e lunáticos e o mal no mundo. Chegaram ao veículo e ele lhe fez um gesto para que o contornasse. As luzes piscaram. o enorme jipe parou ruidosamente a poucos metros. Era um herói. homens como Blake os combatiam. Dando-lhes cobertura extra. não correria risco algum em relação à segurança de Alexia e só ficaria tranquilo depois que tivesse certeza de que eram militares americanos que se aproximavam no veículo. de se aninhar nos braços de Blake e lhe implorar que não a deixasse ir? Ele não lhe permitira agradecer. Mas ele a salvara. E quanto estivera errada em rejeitá-lo por causa do trabalho como militar. Era o procedimento padrão..Então. vai? – Vou voltar com os demais no outro jipe que já está à espera. segurou o cinto dele e colocou os pés nas marcas que seus pés iam deixando primeiro na neve. Como se zombasse da demora dela em se dar conta dos verdadeiros sentimentos. Queria uma chance. Mas tivera sua chance. – Ele falou no tom oficial de um militar. Porque seriam ouvidos pelos demais. com os rifles de prontidão. – Você não vem? – Ele tinha de acompanhá-la. E provavelmente sua sanidade. Dois soldados estavam em ambos os lados da porta aberta. como se . Um fuzileiro.

olhando por sobre o ombro para dirigir a Blake um aceno de cabeça como forma de reconhecimento por tudo que fizera. ela sonhara com a própria cama. Blake e o restante dos soldados usavam roupa camuflada branca. – Eu não sabia que estava aqui. para os seus relatos de vítima sobre o que acontecera. Agora prossiga com o encerramento da missão no complexo. Nunca percebera que ela tinha todo aquele instinto maternal. E não a avisara. Antes de poder pensar no que dizer e como. E nunca mais queria ver neve na vida. nem explicação. Incluindo partir seu coração. a reduzir suas visitas exaustivas ao mínimo. – Não é necessário. – TEM CERTEZA de que não quer uma fatia de bolo de chocolate? Ou talvez sorvete? Posso sair e ir comprar morangos frescos para acompanhar? Alexia precisou reunir todas as suas forças para desviar o olhar do jardim dos pais para além da janela.estivesse fazendo um relatório a um superior. três dias depois que entrara naquele gigantesco jipe militar e saíra do inferno congelado. Apesar de não estarem sozinhos. não tivera essa chance. obrigada – disse à mãe com ar preocupado. Apenas uma ordem. mas. ela estendeu a mão enluvada. – Vamos. – Obrigada. Estou bem assim. Subitamente. máscara e óculos protetores ocultando-lhe os traços do rosto. um capacete.. Ou falando com uma pessoa estranha. virou-se para olhar para o homem à porta do imenso jipe. com os joelhos tão fracos que apenas o orgulho lhe permitiu subir no veículo. Alexia sentiu o gelo subir pela espinha. Margaret até chamara a equipe de beleza de seu salão habitual e uma massagista naquela manhã para que a filha tivesse um necessário atendimento especial. – Ainda estou satisfeita com o que comi no almoço. Como ela. Não importava. No início. – Tenente – disse. Landon. dominada pelo mesmo frio intenso que sentira no cativeiro. Soubera que ele estaria ali. Durante todo o tempo em que estivera fazendo a sua terapia de ex-refém. de repente quis ir para longe dali. Alexia olhou para Blake. Sua falta de reação dizia que não estava surpreso em ver o almirante. Nem mesmo se tivesse pendurado uma placa no pescoço com os dizeres “Não estou interessado”. Os contatos e a influência do pai haviam assegurado que as reuniões com a equipe de investigação do caso.. era algo que viera à tona com toda a força. – Foi tudo o que ele disse. sem se importar com a maneira como os demais interpretariam seu gesto. e também as consultas com o psicólogo da Marinha fossem conduzidas através de visitas a domicílio. como o irmão a designara quando ele conseguira parar de chorar. ao longo dos dias anteriores. Ainda assim. E a recém-descoberta veia maternal da mãe – e de sua chef – significava que Alexia estava sendo paparicada como jamais havia sido em sua vida antes. foi mais fácil ficar ali. A atitude seca do almirante levara Edward. . Nem saudação. Com o coração pesado. a mensagem não teria sido mais clara. Teve a sensação de que se fizesse um movimento brusco acabaria se partindo em mil pedacinhos. teria sido capaz de reconhecê-lo em qualquer lugar. – Pai – cumprimentou-o num tom manso. tomado de culpa por ela ter sido sequestrada devido a pesquisas que ele iniciara. uma voz familiar interveio: – Bom trabalho. Trêmula da cabeça aos pés.

Ora. a mãe viu aquilo como um convite e sentou-se a seu lado. Na verdade. – Mas esse era o trabalho dele. sem dúvida. estava surpresa demais em saber que o pai se preocupara a ponto de sequer conseguir se levantar. E. – Mas já deve ter tido. dedicando-se à carreira militar. Seu pai também ficou. – Tive muito medo – admitiu Margaret. Sabe que não consigo me conter. prosseguiu: – Fiquei aterrorizada. Ela fez uma pausa para respirar fundo e. – Michael e eu ficamos à espera aqui. – Por favor – suplicou ela. – Segurou a mão dela com força por um momento antes de dar um passo atrás e se recompor.. só em pensar em Blake voltando àquele maldito complexo para concluir a missão já ficara com palpitações. Mas seu pai se recusou a ficar. – Você teve medo? – Mas a mãe parecera tão calma quando a recebera em casa na volta do Alasca. Levada à força para o meio do gelo. permaneceu sentada. Isso deve ter deixado você com medo. mas ergueu a mão para dizer que estava recobrando o controle. – Jamais tive tanto medo na vida. exigiu o melhor para resgatar você. Lutou em duas guerras. então. Para sua perplexidade. Não foi tempo o bastante para perder peso e precisar me alimentar constantemente. Quero dizer. está bem? A cada vez que você chora. – O que você acha? – replicou Margaret. Alexia afundou de volta no sofá e a olhou com espanto. Deu um tapinha na cintura do jeans para mostrar que não ficara folgada. jamais tive tanto medo na vida. Não sabíamos quem havia raptado você nem o motivo. é claro. Recorreu a todos os recursos possíveis e imagináveis. Com as palavras morrendo-lhe na garganta. – Só fiquei fora por cinco dias. acabo chorando também. Até esbravejou com Daniel Lane. – Como falei – prosseguiu Margaret. enxugando delicadamente os olhos. Insistiu em ir ao Alasca para ir buscar você. Ligou para cada contato que tinha. dando-lhe uma pancadinha no joelho –. – A minha filha.. embora tentasse não demonstrar. Era verdade que passara a agir de modo um tanto estranho com todos os cuidados e atenções.– O almoço foi há quatro horas. Mas ela não se dera conta de que fora por medo. foi ainda pior. mãe. Mesmo assim.. como se achasse o comentário tolo. Alexia deu um tapinha distraidamente na almofada a seu lado. sequestrada por um lunático. O sorriso que abriu dissipou-se quando viu que a mãe contraiu o rosto e soube que não foi por ficar horrorizada com a sua perfeita forma física. fungou. E quando ficamos sabendo. vamos acabar sem uma gota de líquido no corpo. Escolheu a equipe de fuzileiros a dedo. sabe-se lá onde. o meu pai serviu a vida inteira. – Margaret sacudiu a mão adornada de joias no ar. – Ele esbravejou com o contra-almirante? Com a mente rodopiando e sem saber como lidar com aquilo. – Não chore.. Assim. – Alexia usou de um tom de gracejo para tranquilizar a mãe. desse jeito. Você não está se alimentando direito. . não tínhamos ideia de que. levantando-se do sofá diante da janela para ir abraçar a mãe pelos ombros.

e o terror que se espalhara por seu íntimo quando se dera conta de que estava apaixonada por Blake começou a se dissipar. Como isso não a incomoda? A mãe pareceu atônita por um instante. Inimigos atiravam nele. perguntou: – Mas e quanto ao restante? O fato de que ele dedicou a maior parte da vida ao serviço militar. como acontecera tantas vezes no passado quando sua curiosidade costumara ser ignorada. riu e ergueu ambas as mãos.. Alexia arregalou os olhos chocada. era o trabalho dele. Seu pai pensa que como metade de uma toranja a cada manhã. como se dissesse “Ora”? – Querida. – Ao menos um soldado é treinado e preparado. Mas era a hora do tráfego e alguém ficou furioso. – Não lembro em que cidade foi. – Pobres dessas pessoas. Mas. Então. Matou três pessoas antes de ser detido. E alguém tentou matá-las. mas são interessantes o bastante. Mas a mãe não estava encerrando o diálogo. desgosto e compaixão contraiu o rosto de Margaret. ou no mercado da esquina. estúpida. Treinado em estratégia. Apenas respondendo. Ou o meu peso de verdade e a coleção de cintas e modeladores Spanx. Ninguém sabe quando sua hora chegará.. Alexia franziu a testa. Segredos que seu pai nunca descobrirá. deu de ombros. Peguei apenas o final do noticiário. havia um medo bem maior. tenho uma porção dos meus próprios segredos. – Mas o trabalho o colocava em perigo constante. Isso não preocupava você? – Você assistiu ao noticiário ontem? Sacudindo a cabeça numa negativa. não acha? Alexia meneou a cabeça. Assim. como se nunca tivesse ponderado essas perguntas. – . De que esconde milhares de segredos de você. Alexia conteve a respiração. ele foi treinado para lutar. – Um misto de raiva. – Bem. igualmente treinados e dedicados. Assim sendo. – Exatamente. querida. ficar sentado torcendo as mãos e se preocupando é um desperdício de tempo e energia. empunhou uma arma e começou a atirar. O que aquilo tinha a ver com o restante. você não sentia medo? – Querida. horrorizada. por exemplo. Pode ser numa missão. Como a verdadeira cor do meu cabelo. Ele parou o carro no meio do congestionamento. por que essas coisas me incomodariam? Quanto aos segredos. isso também sempre fez parte do trabalho dele. Como falei. Respirando fundo. levando suas vidas seguras diárias. tentavam matá-lo. ao lado desse. Estavam apenas tentando chegar em casa normalmente. – É assim tão fácil? Pelo fato de ser o trabalho dele. então.Alexia esperou até sentir-se diminuída. lutando do seu lado. – Está brincando! – Meus segredos podem não estar de acordo com as linhas da inteligência militar. E sempre foi muito bom no que fazia. – Margaret lançou um olhar à porta e. mas nem imagina que saboreio vários bombons depois que ele sai. Sabia usar armas e todos aqueles equipamentos de ar assustador e tinha um pelotão inteiro de homens. certo? Eu estava ciente quando me casei com ele.

Alexia ouviu-a no corredor e. Depois de dez minutos de um silêncio angustiante no jipe. então. Deveria ir conversar com o pai? Tentar descobrir se havia uma ponte entre ambos como a que acabara de descobrir com a mãe? . – Mas teremos companhia para o jantar. Fique à vontade para se reunir a nós. Para as minhas compras de artigos femininos supérfluos. – Vou avisar a cozinheira – exclamou Margaret com os olhos novamente alegres. – Por que nunca me contou nada disso antes? – Você nunca quis ouvir antes. ali estava. Exceto pela insistência dele em estar ali durante as conversas com a equipe de investigação do caso – o que ela achara que era para ter certeza de que a filha não o constrangeria. ou que. – É claro. como doces na cama. querida. ou. você ainda fica nas trincheiras. afagando-lhe a face com a ponta dos dedos quando o fez. – Há dois cartões de crédito que seu pai não sabe que tenho. Ele não faz ideia de que adoro programas de auditório na TV durante o dia. é claro. teimosos. talvez uma refeição em que ela não estivesse se atendo à raiva fosse interessante. – E você esconde tudo isso dele? – Alexia estava aturdida. mas por ter tantas coisas divertidas a esconder. A mãe. O que torna a comunicação difícil. essas informações são confidenciais. – Vou me reunir a vocês – decidiu Alexia. Bem. – E você tem o hábito de se ater à raiva. – Mãe. Saiu com um breve aceno. Muito tempo depois que uma batalha termina. afastou-lhe uma mecha de cabelo para detrás da orelha. não tanto pelo fato de a mãe ter segredos.Margaret levou o indicador aos lábios. mas agora se perguntara se fora para dar apoio –. Ele voltara para casa depois do dia na base naval. até que as lágrimas escorreram por seu rosto. então. está tudo bem se eu ficar aqui mais esta noite? – Vou adorar se você ficar – exclamou Margaret. ela quase não o vira desde o retorno da Encosta Norte do Alasca. Alexia riu a valer. Nem tampouco estava tão abalada com a tribulação do sequestro a ponto de achar que eram ótimos. pronta para disparar novamente. ela adormecera e só acordara num porta-aviões que estivera prestes a seguir viagem rumo à base naval de Coronado. – Margaret deu-lhe um tapinha no joelho e levantou. Nem disso se lembrava muito bem. Sorrindo. a voz mais grossa do pai. surpreendendo a ambas. e as contei apenas a você. Alexia deixou os ombros caírem diante do peso da verdade. Eram voltados para os próprios interesses. Sempre esteve ocupada demais se rebelando e fazendo as coisas a seu próprio jeito. observando-a com um sorriso alegre. enquanto pensava no que mais estava escondendo do marido. seu sorriso diminuiu um pouco. Seus pais não eram perfeitos. E não se esqueça. tentando não chorar. mas. preconceituosos e ambiciosos. Mas ela se deu conta de que também era assim. se ainda estiver se sentindo melancólica. minha filha. faça a refeição no seu quarto. Alexia teve certeza de que esses foram os momentos de maior proximidade e mais felizes que já tivera com a mãe. quando sai. Tudo isso faz parte dos meus esforços para me manter feliz enquanto apresento a imagem de dama de classe que é tão importante para apoiar a carreira do seu pai. Bem.

– Quem quer roscas de canela? Salva de ter que convencer a si mesma a tentar uma aproximação com o pai. Mas nem sequer me ocorreu que nossos pais ficariam. sim. puxando uma cadeira para perto e sentando-se. tenho que dizer que o nosso pai ficou também. querendo livrar a própria pele antes de levar o caso às autoridades. não se referiu a você – garantiu Michael. – Você está bem? – perguntou o irmão. provocando-a com uma piscadela. sua imagem ficaria arranhada. mas não o comeu. criando barreiras desnecessárias. – Está aqui outra vez? Pensei que tivesse um show esta noite. e se tudo que o pai quisesse fosse lhe passar mais um sermão? Ou criticá-la pelas escolhas na carreira? Ou qualquer outra das várias coisas negativas da lista? As coisas sempre tinham sido tensas entre ambos. – Esse Edward é mesmo uma figura – disse sardônica. Agora. a certa. eu sei que você ficaria. – E. Alexia curvou os lábios. caberia a ela dar o primeiro passo. ela falou que vocês todos ficaram com medo. Ele mantivera contato com o terrorista durante quase um ano e nem sequer desconfiara que o sujeito era um assassino lunático. – Ela pegou o saco de roscas mesmo sem estar com fome. Talvez ela costumasse se ater mesmo à raiva. Pegou um pedacinho de uma rosca. Quero dizer. Por outro lado. – Nada disso. Alexia olhou com um ar agradecido na direção da porta onde o irmão segurava um saco de aroma delicioso de uma confeitaria. Não queria que as notícias vazassem antes que tivesse conversado com os investidores. – Michael – cumprimentou-o. Afinal. – Estava falando sobre o Instituto de Ciência. Não tinha mais certeza. sem dúvida. Livrando a própria pele. Tudo sempre nesses moldes. Certinho estava agindo como um cretino em relação ao sequestro. – O que andou amedrontando você? Lembranças recentes? Pesadelos? Finais bruscos? Alexia curvou os lábios. Era rígido e ela. Mas não estava surpresa. atirou algumas coisas longe e me ordenou que ficasse aqui e tomasse conta da nossa mãe enquanto ele lidasse com a confusão toda. O pai sempre fora o intolerante e ela.Perguntar se tinha notícias de Blake e se a equipe de fuzileiros navais já voltara ou não da missão? Verificar se não havia falado durante o sono no catre do porta-aviões na viagem para casa? Deveria. pela primeira vez. O dr. E a . não é todo ano que a minha irmã quase me mata de susto. acabaria engordando cinco quilos antes de sequer ter tido a chance de voltar para casa. Se queria um diálogo aberto e comunicação entre ambos. – Esse parece ser o tema de hoje. levantando-se para lhe dar um abraço apertado. – Confusão? – Sim. Desse jeito. a pobre filha injustiçada e incompreendida. – Nossa mãe disse que ficou com medo por minha causa. e ela. Alexia não sabia mais. Se isso se tornasse de conhecimento público. – Ela ficou bastante assustada – confirmou Michael. Ele teve um acesso de fúria. Mas. Tirei uma folga. Quando me levaram. Era o errado. E talvez a mãe tivesse razão. forte.

Ainda assim. – Você vai ficar para o jantar? – perguntou. – E você. Michael se inclinou para lhe apertar o ombro de leve num gesto solidário. – Que bom que você não namorou com ele. E distrair. vai? – Claro. Talvez tivesse tido mais pressa para salvála se houvessem dormido juntos. Mas você pode se sentar ao meu lado à mesa e me entreter. Havia achado que o único obstáculo em relação a Edward fora o fato de não excitá-la de modo algum. que panaca. com ou sem resolução. Porque todas as reflexões de agora estavam realmente interferindo em sua resolução em aceitar que as coisas haviam terminado entre ela e Blake. o homem havia dito que eram perfeitos um para o outro. Era ele que não queria mais nada com ela. ao que parecia. . nem mesmo todas as habilidades de comunicação do mundo tornavam um homem um herói. Nossa mãe me disse que teremos companhia.imprensa marrom poderia ter criado um escândalo e feito o instituto perder sua verba. tornando a olhar pela janela. Como se estivesse lendo seus pensamentos. Mas. não fazia diferença. Era evidente que. Ela emitiu um som em concordância. não é? Quero dizer.

E podia ser o convidado do almirante para jantar. – Obrigado. Agora que sabia que Alexia não o odiava. sem saber se estava contente em ter feito a coisa certa. ainda perguntou: – Como está Alexia? Já se recuperou da tribulação toda? Mais especificamente do sequestro e das agruras que enfrentara no frio e na neve. Landon. Ou mais especificamente. – Você já recebeu reconhecimento oficial pelo trabalho benfeito – disse o almirante. aguardando o sinal do almirante. Não da parte do “sexo num catre e da subsequente suposta rejeição dele”. A mãe dela e eu lhe somos gratos. mas isso não mudava o fato de que essa era uma reunião formal.? Aquela vontade era quase incontrolável e cada vez mais intensa. manteve-a a salvo e a levou até mim sem um arranhão.Capítulo 14 BLAKE MANTEVE-SE em posição de sentido. De verdade? Não achara que o almirante fosse do tipo que manifestava gratidão. – Antes que Blake ponderasse que era uma explicação um tanto vaga. O granito não era maleável. Você libertou a minha filha. relaxe e sente-se. ela está superando o trauma de uma maneira saudável e não terá problemas em decorrência do que aconteceu. mas era difícil dizer. Pois sim. A reunião seria um pouco mais informal do que na base. onde fizera o primeiro relato sobre a missão. Sentia falta dela. mas precisa apenas de um pouco de tempo e de descanso. contornando a mesa imponente no seu escritório de casa para ir se sentar como um rei em seu trono de couro. Alexia está frágil e não vem se alimentando direito. E se . senhor – falou. – Segundo o psicólogo. Blake sentou-se diante da mesa. Blake encarou-o. A expressão em seu rosto talvez fosse amistosa. ainda sem saber se fizera a coisa certa.. o almirante prosseguiu: – De acordo com a mãe dela. – Eu gostaria de lhe fazer o meu agradecimento pessoal também. mesmo sabendo que não deveria. Blake cerrou os dentes. mas não relaxou. Então. – Você é um convidado. entrelaçando as mãos diante do estômago enquanto o olhava. – Descansar – disse Pierce.. mas dizer a si mesmo que ela o odiava tornara mais fácil resistir à vontade de procurá-la. Passara oito meses sentindo falta dela. enlouquecendo-o.

Então. Blake deduziu que era melhor magoá-la um pouquinho agora do que muito mais posteriormente. concentrados no que fazem e possuem uma forte ética e metas para a carreira – declarou o almirante. Se ele e Alexia tentassem resolver as coisas entre ambos. Mas não tentaria porque de nada adiantaria. foi com a parte da conversa de “homem para homem” que mais se preocupou. O almirante exibiu uma expressão pensativa. Na prática. com um quê de triunfo na voz. – Você e minha filha têm. Oh. droga. uma vez que estava aposentado.. Blake arqueou as sobrancelhas. ela está aborrecida com algo e precisa ir comprar sapatos para relaxar. parecendo perplexo e embaraçado. meneou a cabeça como se Blake tivesse feito uma grande confissão. Era tudo que Pierce sabia? Ou simplesmente não sabia o bastante sobre a própria filha para ter uma lista de coisas sobre ela. Os dois gostavam do mesmo tipo de música e riam das mesmas piadas. Não lhe importava se o almirante lhes daria a sua aprovação ou não. Então. graças a você. Na prática. Sim. Blake nunca somara a aprovação do pai dela à equação. Um relacionamento entre ambos acabaria magoando Alexia eventualmente. Agora que a tinha diante de si. Depois de todas as reflexões quanto a um relacionamento com Alexia ser ou não uma boa ideia. Ambos gostavam da praia e detestavam sentir frio. Ambos são jovens e solteiros. Blake aguardou. – O importante é que Alexia está bem. Ainda assim. ele ainda não se importava. Tinham uma química sexual que os arrebatava de um jeito incrível e um gosto mútuo por chocolate. seria algo apenas entre eles dois. não como seu oficial comandante. está tentando formar um par ente mim e Alexia? Depois que ela reagira “tão bem” à última tentativa do pai? – Formar um par? Digamos que é mais ou menos isso. mas de homem para homem. – Eu diria que é graças a ela mesma – declarou Blake sem pensar. E é. – Senhor. que a entende melhor. Eram especialistas em comunicações que muitos haviam se especializado em evitar. que sou favorável à ideia de você e minha filha construírem um relacionamento juntos. E se arrependeu de imediato. ele sabia o que pessoas jovens procuravam umas nas outras. o almirante não era mais seu oficial comandante.. Inclinou-se para frente e seus lábios se curvaram num sorriso duro.você ouvir o irmão. Têm o quê? Tiveram relações inapropriadas? Tiveram centenas de orgasmos juntos? Têm intensidade emocional o bastante entre si para abastecer uma novela? – Vocês têm muito em comum. enfim. Blake poderia citar uma lista dessas facilmente. tornou a adquirir o ar de militar graduado. é uma cura para tudo – disse o homem mais velho. – Comprar sapatos? – Ao que parece. – Vocês dois são indivíduos intensos. dobrando as mãos sobre a mesa. . em grande parte. – Gostaria de conversar com você. – Vou deixar o protocolo de lado por um momento – disse Pierce. ponderando algo. de ter pesado repetidamente os prós e os contras.

ou morto. Como se pode ter esse foco quando uma parte de si está. Então. digo novamente que a minha carreira é a minha prioridade no momento. – O almirante sacudiu a cabeça como se a ideia de um casal se comunicando fosse bizarra.. uma vez que o choque passa. bateu com a ponta do dedo na foto da esposa num portaretrato em cima de sua mesa. Mas a imagem do rosto da mãe de Phil não saía da sua mente. que sejam fortes o bastante para apoiar você. não são insignificantes. Porque acreditam que você é muito bom e têm certeza de que seu treinamento foi o melhor. Admirou-se não apenas com as sábias reflexões. Assim. Não. Droga. lhes dá um tapinha no ombro. Blake gostaria de poder acreditar nisso. Pierce conhecia a filha bem o bastante para fazê-las. corrigiu a si mesmo. senhor. minha filha acaba de mostrar que nem sequer é seguro trabalhar num laboratório de ciências. Trabalho na polícia. Nem tampouco a mãe de Phil questionara nada disso. no corpo de bombeiros. de dialogar. eles estão preparados. – Eu me preocuparia. E os deixa tagarelar quando precisam demonstrar alguma preocupação. e ele piscou algumas vezes com ar surpreso. se fica se preocupando com as pessoas que se preocupam com o senhor? – Você faz o trabalho porque eles esperam que você o faça. Mas suas palavras seguintes. – A única preocupação que a minha filha poderia ter em relação à sua carreira é o sigilo. Fora natural continuar. Sabe que o perigo é relativo. mas com o fato de que. podem aceitar os fatos. É demais pedir a alguém que conviva com isso. – Ele contraiu o rosto.. O almirante deu de ombros e. O fato de o almirante sacudir a mão no ar ignorando sua preocupação não surpreendeu Blake. o almirante também entendia de Psicologia. mas não estou em busca de um relacionamento. senhor. sim: – Alexia cresceu em meio à realidade da vida de um soldado. – Mas. evitar magoar Alexia. dando-se conta de que enveredava pelo perigoso terreno das emoções ali. As chances de eu ser ferido. a questão do sigilo era uma questão tão válida quanto o perigo para evitar se magoar. mas nunca questionara se queria ou não continuar a ser um fuzileiro. Não acho que haja espaço para um relacionamento. afinal. E nunca questionara a dedicação de Phil ao trabalho. se algo acontece. Mas ainda queria uma resposta. Com isso. – Como realiza bem o seu trabalho se os seus pensamentos estão em casa.. Ao que parecia. escolhendo as palavras com cuidado. Senhor. . Além do mais – acrescentou Blake sem poder se conter: – Tenho uma carreira perigosa.. Blake o olhava com ar impressionado.– Lamento. Ainda assim. Não mudaria quem ele era. E talvez tivesse razão. Não vai se preocupar em relação à segurança do seu trabalho na Marinha. – Agradeço por me considerar adequado para a sua filha – declarou. De não correr o risco de condená-la a uma vida de sofrimento se persistisse em explorar aquela paixão entre ambos. lhes passa segurança e demonstra como se sente. – Você garante que eles entendam seus motivos para ser um soldado. Sabe tão bem quanto eu que o nosso trabalho requer foco total. Foi como se alguém acendesse uma luz diretamente no cérebro de Blake. Ela gosta de conversar. Toda aquela ladainha sobre comunicação.. Há inúmeras outras carreiras perigosas. então. Ele enfrentara a morte de Phil. Sabem que você fez o que tinha de fazer e por que e também quais são os seus sentimentos por eles..

Alguém que a proteja. que a mantenha longe de problemas. – Ela não ouve a mim. Ou algo assim. Se ela tivesse feito tudo isso antes. A largar esse trabalho ridículo e fazer algo mais. precisa de alguém ao seu lado. talvez não estivesse tão frágil. sabendo que provocariam nova explosão e com um aviso a si mesmo para se preparar e saltar em busca de cobertura. E tem influência sobre ela. – O único problema em que esteve não foi por culpa dela. Não há razão para que se envolva nessas tolices. começando a ficar um tanto impaciente. Isso significa manter o assunto e as verbas renovados. bom humor e compaixão. portanto. Blake disse as palavras com total rispidez. – Quer fazer pesquisas. ajudar pessoas numa maior escala. Com ambos os punhos na mesa. Uma vez que o almirante ainda servia na base como um consultor civil. Senhor. – Ela é forte o bastante para saber orientar a si mesma – apontou Blake. por um homem condenado por cinco assassinatos até hoje. Blake tinha certeza de que conseguiria ouvir o almirante rilhando os dentes. Que a aconselhe e oriente a fazer escolhas mais inteligentes. E.Acrescentou a última palavra porque o homem parecia que ia explodir a qualquer momento. – Alexia está pesquisando sobre cura sexual através de mensagens subliminares porque acredita nisso – argumentou Blake devagar. mas faz isso com charme. onde só acaba constrangendo a família. inclinou-se para frente com um olhar letal. – Ela vai à televisão e fala com repórteres sobre sexo. Se tentasse. – Você não acha que ter sido mantida num cativeiro terrorista. – Alexia precisa de alguém forte. Pela primeira vez desde que ingressara na vida militar. não havia como argumentar em contrário. desejou poder abandoná-la. – Ela não quer um consultório – apontou Blake de cenho franzido. Blake não sabia como alguém podia questionar a inteligência de Alexia. . – A sua filha não está sob o seu comando. – Ela poderia acreditar em outra coisa com a mesma facilidade – replicou o homem mais velho. Homem de poucas ilusões. o almirante esmurrou a mesa em cheio. confusa e precisando comprar sapatos agora mesmo. mas sua voz soou gélida. ela fala sobre sexo. respeito. – Com a amargura permeando o seu tom. Sim. – Mas você está. – Alexia acredita estar fazendo alguma diferença positiva no mundo. Alguém que a oriente. Ele lançou as palavras como se fossem uma granada. nem à mãe e. ainda estava atônito com o fato de o almirante chegar ao ponto de tentar arranjar um relacionamento amoroso para a filha com o intuito de controlar suas escolhas na carreira. aos 18 anos. – Ela tem dois diplomas. Landon. Mas concluiu que podia dar o benefício da dúvida a Pierce e considerar o que disse como preocupação paterna. – Está apenas tentando ajudar pessoas que sofreram abuso e não têm outras opções. Não acho que isso necessite da interferência dos pais. – Eu poderia encontrar um meio de tornar isto uma ordem. num campo tão absurdo. de fato. é uma situação que necessita da interferência dos pais? – A expressão ao almirante estava neutra. Com cuidado. Como ter um consultório de psicóloga.

sua identidade. não conseguia se concentrar em mais nada. Era um visual ao estilo antigo. com sua recusa em atender o pedido do almirante para que manipulasse Alexia. ele cerrou os punhos e. indecifrável. Era Alexia. O almirante pigarreou alto. como algo que uma pin-up dos anos 1950 teria usado. – Se não se importa. – Cavalheiros – falou calma. O almirante tinha esse tipo de poder. não era o que Pierce queria ouvir. respirou fundo e se levantou. os lábios vermelhos e carnudos. encarando-o com olhar faiscante. estava totalmente maquiada agora. dirigindo as palavras ao pai. pai – começou Alexia. senhor.– Jamais usei ou usaria influência para coagir uma pessoa a deixar o trabalho que ama. parecia o próprio sol. Blake poderia estar fora da equipe dos fuzileiros navais. Pronto para recusar. – Muito bem. Com seu semblante endurecendo. enfim desviando o olhar de Blake para dirigir um pequeno sorriso ao almirante –. Puxa. De estar arriscando tudo. O olhar que lançou a Blake foi resguardado. ela estava linda. comprovar se estava tão adorável quanto parecia. Blake não se importou nem um pouco. Não era nem de longe um olhar tão encorajador quanto o que lhe dirigira quando esperara uni-lo à filha. Poderia ser enviado para um campo de treinamento em algum lugar. com a seda emoldurando-lhe as curvas até se abrir numa saia ampla até os joelhos. – Ainda tenho poder na base. Mas tudo o que ele conseguia ver era ela. Poderia acabar tendo de fazer flexões na ilha de Guam. Eu me ressentiria de alguém que fizesse isso comigo e esperaria o mesmo ressentimento em troca. – Continuaremos esta conversa depois do jantar. Caía-lhe com perfeição. – O almirante empurrou sua cadeira ruidosamente para trás e se levantou. Ele ansiou por poder tocá-la. E era real. Landon. Obviamente. Os cachos ruivos cascateavam até os ombros nus. Blake devia se importar com o fato de ter acabado de colocar sua carreira em risco. gostaria de falar alguns minutos a sós com o tenente Landon. Estava magnífica. Como uma mulher sedutora. – Sim? – vociferou o pai. Mas o almirante julgara mais maleável antes. atraindo a imediata atenção dele. mas não afastando os olhos de Blake. A ameaça pairou no ar entre ambos. Com a palavra certa no ouvido errado. houve uma batida suave à porta. Antes de poder dizer uma palavra. deu seu golpe de misericórdia. – Minha mãe me pediu para vir avisar que o jantar está pronto – respondeu Alexia num tom manso. – Acho que já a encerramos. ensinando recrutas a nadar. seu trabalho. Usava um vestido de verão turquesa e lilás. Ao contrário do rosto abatido e com olheiras do dia em que a resgatara. Blake quase afundou de volta na cadeira. Não . Você seria inteligente em seguir minhas ordens. seus olhos eram profundos e misteriosos. Ele e o almirante se viraram naquela direção de imediato. Parada junto à porta. O homem mais velho já estava junto à porta. então. seu mundo.

porém. Então. Queria isso tanto quanto queria respirar. – Como conseguiu isso? – Não sei ao certo – confessou Alexia com um ligeiro riso. sentindo-se pouco à vontade. – Mas aproveite enquanto pode porque provavelmente ele vai voltar logo. você é excelente em dar apoio moral – provocou-o ela. terei que fazer essas duas coisas de novo e. estava tão bonita. Por um momento. – Mas eu queria agradecê-lo por um pouco mais do que isso – prosseguiu ela. – Por favor. Com todas as suas forças. adornados por sandálias azuis de saltos incrivelmente altos. mas pensar a respeito no escritório do almirante o fazia ter visões com a prisão da Marinha. tirando-o do mundo da fantasia. E não apenas sexo. – E pelo que quer me agradecer? – Por ter me resgatado. olhava-o com um ar divertido ao ver que ele tentava entender o significado por trás do que dissera. o almirante adquiriu o ar de quem tivesse uma arma apontada na sua direção. – Sim. Blake encarou-a. de seus orgasmos fabulosos. dissipou-se enquanto a observou. – Tive muito medo. portanto. Apesar da gravidade das palavras. – Esse é o meu trabalho – falou ele. num gesto que chocou todos os três. deu um suspiro e encontrou-lhe o olhar. tentando decifrar as palavras. . acho melhor ir logo à primeira – tagarelou. Alexia mordeu o lábio inferior. E tão logo eu confessar tudo. – Vou levar apenas alguns momentos – assegurou Alexia. continuei assustada.tive chance de agradecê-lo apropriadamente antes. Então. O sorriso largo de Blake manteve-se no lugar por apenas um momento. Mesmo depois que você me tirou daquele pesadelo. assim. apontando para a porta para indicar a sala de jantar. Sua voz soou baixa e sexy. – Caramba! – exclamou Blake quase sussurrando. – Dentro de um minuto. Você impediu que eu desmoronasse. sair logo dali antes que acabasse se rendendo aos seus desejos e magoando inevitavelmente a ambos. Então. dirigindo um olhar admirado à porta fechada. imaginou que fosse. Enfim. O homem mais velho não disse nada em contrário e. – Quero realmente agradecer você. E também pedir desculpas. Mas isto é mais do que apenas ter salvo a minha vida. Como ele a queria. – É melhor nos reunirmos a eles – disse. sei que já o agradeci e que você dirá que apenas fez o seu trabalho. Fez com que eu me sentisse segura. meneou a cabeça bruscamente. Levá-la até o local privado mais próximo que não tivesse a marca do almirante e possuí-la com todo seu ardor. desejou poder puxá-la para si e abraçá-la com força. Gostaria de fazer isso agora. Deus do céu. Quis. trazendo à tona todos os tipos de lembranças de seu corpo nu. – O jantar está à espera. – Alexia ergueu a mão para impedi-lo de quaisquer objeções. – Bem. – Olhando para os próprios pés. dos sons que emitia no auge do prazer. – Quer me agradecer por ter lhe dado apoio moral? – perguntou Blake. Agora que estavam a sós. deu-lhe um tapinha desajeitado na mão e até fechou a porta cuidadosamente atrás de si quando saiu. Blake se perguntou se aquele convite para jantar ainda era válido. tentando soar espirituoso diante do que talvez acabasse sendo outra confusão emocional. pousou a mão no braço do pai.

mantém pessoas a salvo e faz com que se sintam a salvo. a sua criação. – Deixou a voz morrer na garganta. a minha mãe sabe que eu queria falar com você. Viu o brilho zangado nos olhos dele e soube que era em seu favor.. olhando na direção da porta. aproveitando para se aproximar mais. Enfiou as mãos nos bolsos da calça social e resistiu à vontade de chutar a perna da mesa do almirante. O seu pai. Em vez disso. Mesmo em nome da total sinceridade. Bastara pedir.– Sim. o calor do corpo. Não vou estar presente durante muitos fins de semana para levá-la para passear. Que o deixasse amá-la apesar desses desafios. Isso e muito mais. quanto a ter me rejeitado no ano passado? Foi a atitude certa. insanamente e de todo o coração. – E é um obstáculo. – Como você falou no ano passado. mudando o peso do corpo de um pé para o outro. não podia admitir que ainda sofria pela perda do amigo. – Alexia se aproximou pelo escritório. – Ter um relacionamento bem-sucedido com um sujeito como eu é bastante difícil. Eu a usei. sensata. pedir a ela que lhe desse uma chance de qualquer jeito. Nem vou chegar em casa num horário certo no fim do dia. o que a enterneceu de imediato. – Atirei a sua carreira na sua cara no ano passado como se fosse algo ruim. os problemas entre nós são grandes demais. Assim como a minha é parte de quem eu sou. – Mais um fato surpreendente para ser acrescido aos demais do dia. Estava nervoso? Como aquilo era doce. Amava-a demais para lhe pedir isso. pensou ela quase sorrindo. como pretexto para acabar com qualquer chance que pudéssemos ter. Vivo em situações extremas e isso acaba desgastando qualquer um. devia encerrar seus agradecimentos e deixá-lo ir jantar em paz. – É melhor se apressar. Vai impedir que o meu pai nos interrompa. Alexia entrelaçou os dedos com nervosismo. Não deve demorar a vir nos lembrar do jantar. Não posso oferecer um bom relacionamento. aí está o ponto. – A minha carreira é quem eu sou. teria de ser um imbecil para guardar ressentimento. Então. Duvido que seu pai vá esperar muito. o bastante para lhe sentir a fragrância máscula da colônia. . Devia se sentir grata. – O que me traz à confissão. pedido de desculpas e segundo agradecimento – disse. – Acho que há muitas coisas contra nós. – Na verdade. e também a sua ligação com o meu pai. a tomar. como se seu coração não sangrasse ainda. O seu trabalho. Mas queria.. – Apontou Blake. – Deu de ombros com resignação. Ou até para fingir isso a fim de mantê-la afastada. envolvendo-o com a doce e familiar fragrância de seu xampu. – Você tem todos os motivos para ver a minha carreira como um obstáculo – assegurou. acrescentando um por favor. Era tudo verdade. E para demonstrar sua gratidão. Mas não podia. o meu. Uma vez que Blake também fizera o mesmo. – Acha que agi certo ao rejeitar você? Ele contraiu o rosto de modo quase imperceptível. e a mãe concordara em ajudar. A sua carreira é uma grande parte de quem você é. o que você faz. – Você tem razão. Minha carreira. Ele acabara de enumerar todas as razões que ela dera a si mesma para não ficarem juntos. É o seu trabalho. apenas deu de ombros.

como se quisesse sair dali. Ninguém tem o direito. não alegou heroísmo ao defendê-la. querendo lhe expor o blefe. como se nunca tivesse pensado no trabalho dela nesses termos. Sei como é ter de prosseguir depois de uma coisa dessas. Alexia sorriu. Foi algo que deu esperança em relação ao restante a conversa. Ele meneou a cabeça. – Não posso parar de fazer o que faço. meu trabalho gira em torno de sexualidade. com todas as insinuações propositadamente no ar. em que não pudesse existir total franqueza? – indagou Blake. Não posso pedir a ninguém que faça isso por mim. E quanto à confissão? – disse ela.– Está certo. Sei por experiência própria. Não revelou as ameaças do almirante. contente em ver que ele não tentou afastá-la. – E por quê? Porque ele tem um lado puritano? Ou porque um patife aterrorizou você e tentou usá-la para criar uma arma? – Por que tenho a impressão de que vai ficar zangado se eu responder que sim a qualquer uma dessas perguntas? – Acho que é um absurdo você permitir que a intimidem. Então. . – O seu pai não gosta do seu trabalho – limitou-se Blake a dizer. – Então você se sentiria bem num relacionamento repleto de segredos. Então. – Mesmo que uma pessoa ache que está fazendo isso para manter a outra a salvo? Ou porque acredita que um relacionamento não pode existir com meias verdades? – Você sabe que existem aspectos na minha profissão que são confidenciais. – Ouvi atrás da porta – contou. beijando-lhe os dedos com ternura. sobre os quais não posso falar com ninguém – disse ela. dominador. aproximou-se mais e fitou-lhe os olhos com ar inocente. como se já soubesse que estava certo. – Meu pai é autoritário. embora estivesse tenso. Blake franziu o cenho. acrescentou: – Nem mesmo por você. Dessa vez. Concluiu que. Blake franziu a testa. Aproveitando que o apanhou desprevenido. Sou uma cientista. de tentar controlar a vida dos outros. Foi atingido por estilhaços de uma explosão bem diante de mim. Vi como as coisas são duras para quem fica. segurando-lhe a mão. Lido constantemente com as fantasias das pessoas e tento descobrir o que as excita. arrogante – disse dando de ombros. Ou devo dizer franqueza emocional. Gostou do fato de estar deixando o poderoso fuzileiro preocupado. Por qualquer que seja a razão. se o impedisse de sair. – Você vê algum problema nisso? Quero dizer. Deixou as coisas nesse ponto. Ou puxá-la para si. recuando um pouco. Realizamos muitas coisas em nome da experimentação. nem mesmo em nome do amor. E o que faço é perigoso. – Não. – Quanto a você deixar seu trabalho? – Aquilo chocou Blake e o deixou um tanto zangado. – Blake lhe levou as mãos aos lábios. – Ouvi meu nome e não pude evitar. – Concordo. – Preciso de total sinceridade num relacionamento. O que a deixou ainda mais orgulhosa. – Mas também tem razão. Perdi um dos meus melhores amigos no ano passado. ele acabaria por abraçá-la de qualquer modo. adquiriu uma expressão de quem dissesse: Bela tentativa. soando como se as palavras tivessem sido arrancadas do seu peito.

– Olhe só para mim. droga. era adulta. sim. Com a respiração acelerada. Mas reagi ao que realmente importa. de fato. Ou não? – Tenho um relacionamento de trabalho com o seu pai – disse ele. podemos resolver quaisquer problemas que essas coisas possam criar. – Uau! – Eu sei – disse ela com um riso. então. Pelo fato de ele estar tão preocupado com uma possível armadilha. aproximando-se mais de modo que a barra de seu vestido roçou-lhe as pernas –. colocando alguma distância entre ambos. Sei entender o perigo e aceitar o que você faz. Loucamente. – Ele se aposentou. Ou que aconteceria.– Sabe – disse ela. elas acontecem de qualquer jeito. não significava que o mesmo tivesse acontecido com ele. pensou ela. Cresci cercada por centenas. Conquistar o homem que amava? Era fácil. ou a localização da próxima invasão. – Ouvi. jantar com seus pais antes que pudesse tê-lo em seus braços. Fez uma careta ao acrescentar: – A não ser que leve aquelas ameaças adiante. É o que importa. certo.. era melhor não perderem tempo. Cada palavra. Como se soubesse que havia alguma falha nesse argumento. Assim. Vigilantes. Não significa que treinamento elimina o perigo. – Duvido que se torne um relacionamento muito próximo. Mas começo a acreditar que não precisa mais haver antagonismo e raiva entre nós. Blake não parecia mais distante e fechado agora. milhares de homens que viveram com esse perigo. Alexia se afastou. E a maioria desses homens ainda está viva. Uma onda de medo dominou-a. isso é se abrir emocionalmente. lembrou a si mesma que enfrentara a morte. Você é especialmente treinado para lidar com essa parte do seu trabalho. puxa. Não os detalhes de uma missão. como o queria. começo a achar que tenho um relacionamento com o meu pai também – comentou Alexia. – Ironicamente. onde entendera e se conciliara com tudo. Oh. ou que coisas horríveis não podem acontecer. ou até mesmo cordial. como se estivesse colocando outra carta na mesa. – Obrigada. mas foi meu mentor durante anos. ainda tinham de resolver aquelas questões e. E. Então. Ela sentiu o desejo se alastrar por suas veias instantaneamente. Blake sacudiu a cabeça – Acho que não me ouviu.. mas seus olhos continuavam cautelosos. grata pelo fato do almirante ter pensado nesse argumento tão razoável. pai. Vai continuar influenciando a minha carreira. é provável que eu acabe sendo transferido para a ilha de Guam. mas ainda não a tivesse encontrado. Blake percorreu-lhe o corpo com o olhar. Franzindo a testa. E é nisso que meu pai tinha razão. Quando é o caso. ao perigo? Se conseguirmos nos comunicar. – Como o seu sequestro? – Exatamente. é claro. – Mas quanto aos segredos. ainda incerta em relação a como se sentia quanto a isso. se formos emocionalmente francos. Apenas porque chegara a um ponto em que se sentia bem em levar aquele relacionamento adiante. . toda adulta. é usar de franqueza. como se quisesse lembrar a ambos de como.

E. Quis fugir dali e se esconder. tentou se soltar. – Então. olhou ao redor. Estaria me empenhando ao máximo para conquistá-la de corpo e alma. – Respirando fundo. – Ouça. antes de ter-lhe dado razões para acreditar que não era forte o bastante para lidar com um futuro ao lado dele. Em vez disso. ainda tinha um argumento. ou largasse. Tudo que pode fazer é tornar cada dia que tivermos juntos especial. tentando encontrar a falha para descartá-las. você gostaria de estar num relacionamento comigo? – perguntou. – Vi o que isso fez com a família de Phil quando lhe disseram adeus – falou ele num tom manso. fitando-lhe os olhos com uma intensidade que a fez querer chorar. de modo que eu possa tê-los como um bem precioso. os receios. puxando-a para si. tão devagar que a torturou com a expectativa –. Blake segurou-lhe as mãos. Alexia precisou de toda a sua força de vontade para manter o sorriso no lugar e não aparentar que foi como se tivesse recebido um golpe físico. As perguntas. como se as palavras tivessem lhe sido arrancadas. – E se não fossem? – persistiu Alexia. Alívio. Diante de uma possível rejeição. ainda sorrindo. colocando tudo na mesa. o seu coração aberto e exposto. Bem. Não é tudo que todos podem fazer? Blake franziu a testa. Mas não podia. Antes que conseguisse dar um passo na direção da porta. Blake? Já estou em paz com elas. por que está fazendo dessas coisas um problema. – Acho melhor irmos para a sala de jantar. Atirada entre ambos como um desafio. – Ali estava a verdade. enfim. Tudo ali para que ele pegasse. prazer e excitação percorreram Alexia. só lhe restava aceitar que dera o melhor de si para convencê-lo de seus verdadeiros sentimentos. Mas era algo que a fazia sentir-se nua. então. – Mas são um problema. se o perigo e os segredos não existissem. . Não podia dizer a Blake que o amava e correr o risco de ser rejeitada. para não ter de enfrentar a rejeição. agora só depende de você. Não é por minha causa que essas coisas estão entre nós. Então. – Se não fossem um problema – disse Blake devagar.– Se seu trabalho não fosse um problema nesse sentido. Alexia quis lhe dizer que superasse aquilo. não são um problema para mim. E tão logo fossem para lá. parecendo remoer as palavras. Como pode me pedir que faça uma coisa dessas com você? – Não há garantias. não posso sair com você – declarou Blake. Antes que os medos dela tivessem alimentado os dele. caso algo aconteça. Portanto. olhando-o com um ar de desafio. não podia fazê-lo. Com uma exclamação perplexa. voltar ao tempo em que ele acreditara que havia uma chance para ambos. – Vi todo o sofrimento. suplicando-lhe silenciosamente para que parasse de ser teimoso. percebeu que era exatamente onde queria estar e parou. – Bem. Apavorada. quis poder recuperar os oito meses anteriores. principalmente. que desse uma chance a ambos. eu imploraria a você que saísse comigo. porém... Sei que a nossa presença ajudará na digestão do meu pai. num tom baixo. fazendo-a querer abraçá-lo com força e depois dançar pelo escritório entre risos. mais cedo poderia alegar uma dor de cabeça e se recolher ao quarto. Possuiria você na cama com tanto ardor que os lençóis pegariam fogo.

mas precisando saber se ele tinha igual certeza e comprometimento. Era evidente que também precisava fazer algumas reflexões em relação a si mesma. – O que me diz de escaparmos do jantar? – sussurrou contra os lábios dela... depositando-lhe beijos no rosto. então? Blake a fitou com uma intensidade que a arrepiou de prazer. o seu temperamento serão desafiadores. Então. com um olhar de falsa reprimenda. amo você que é doce. como se fizesse uma prece silenciosa de agradecimento. – Meu temperamento? – perguntou ela. o humor doce e essa ligação peculiar. – Não posso sair com você porque isso não é o bastante. sim. Mas as coisas que importam são mais fortes. O calor explosivo. . Seu coração saltou de alegria. Blake fechou os olhos. Especialmente se isso ajudasse no entrosamento ainda maior com Blake. Sei que a minha carreira. Se podemos trabalhar normalmente nos respectivos empregos. – Acha que conseguimos? – perguntou Alexia. Uma chance de descobrir se essas coisas são reais. o que precisava tanto dizer e ela. encostando a testa na dela.. – Achei que sempre fosse aonde você queria chegar. – Acho que amo você o bastante para garantir que sim – disse ele num tom tão manso que levou um momento para que ela assimilasse o significado das palavras. – Essa sou eu. – Quero ver se duram em meio à nossa rotina normal. – Oh. com o meu temperamento. então. aproximando mais o rosto até que seus lábios roçassem os dele. Um futuro? Ela mordeu o lábio inferior para não chorar de felicidade. – Quais são as coisas que importam para você. O que era tolice porque ele nem sequer dissera o que ainda estava entre ambos. coisas que podem se tornar problemas. Olhou-a. Por que não pode sair comigo? – Temos assuntos por resolver entre nós. Com tanta esperança quanto ardor. Você que me impede de me esconder dentro de mim mesmo – falou Blake reverente. Se duram. viver juntos e continuar a partilhar da franqueza emocional que é tão importante para você. – Você que faz com que eu me sinta um herói e me mantém com os pés firmes na realidade. – Desculpe. Sei que seu pai vai interferir. – A mim. o meu trabalho de pesquisas em torno de sexo e um pesadelo de pai? A mim que insisto em conversar sobre todas essas coisas emocionais e sempre lhe perguntarei como se sente? – Sim. – Você quer sexo também? – provocou-o ela. – Você me ama? – repetiu feliz. ouvir. – Mas não é onde eu queria chegar. Mas então lembrou que a mãe já avisara a respeito de sua tendência a ficar zangada. inteligente. Um compromisso. – Quero um futuro. desejando investir mil por cento de certeza naquilo. Uma chance de ver se isto que existe entre nós. – Sim – confirmou Alexia entre risos. sexy. – Alexia estava tendo dificuldade em conter a euforia. entrelaçando as mãos de ambos junto às costas dela e mantendo-a bem junto a si. – Blake sorriu largamente. tomou os lábios dela com um beijo repleto de paixão e de promessas.. arregalando os olhos. divertida.– Sim? – Ouça – começou ele outra vez. A mesma que ama você de todo o coração e alma. – Têm durado mais de oito meses – disse com um sorriso luminoso.

Alexia abraçou-o pelo pescoço com força. – Meu herói – sussurrou. . – Eu vivo perigosamente. olhando na direção da porta de vidro que dava para o pátio lateral. Blake ergueu-a nos braços e carregoua dali pela porta lateral. lembra? – Com um largo sorriso. aninhando a cabeça no peito dele. – Meu pai vai ter um ataque de raiva.– Escaparmos pelos fundos? – sugeriu Alexia.

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