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5ª REUNIÃO ORDINÁRIA DO COLÉGIO DE PRESIDENTES

DO SISTEMA CONFEA/CREA
Teresina - PI, 23 e 24 de outubro de 2006
- INFORMES -
NOME: Engº Agr. Álvaro José Cabrini Junior – Presidente do Crea-PR DATA: 03 OUT 2006

EMENTA: Restrição ao exercício profissional de tecnólogo da construção civil. Ausência de


equiparação ao engenheiro civil ou engenheiro de operação.

Assunto: Tecnólogos da construção civil - atribuições do artigo 7º, alíneas “a” até “h” da lei
5.194/66 – ação ordinária nº 2003.70.07.005043-3 – sentença – concessão das
atribuições – apelação – manutenção da sentença – recurso especial – reversão de
posicionamento – reforma das decisões de 1ª e 2.ª instâncias

Conforme noticiado, os profissionais referenciados na epígrafe promoveram


perante a Justiça Federal de Francisco Beltrão-PR a Ação Ordinária nº 2003.70.07.005043-3, com
pedido de antecipação de tutela, objetivando o reconhecimento judicial de exercerem a profissão
de Tecnólogo da Construção Civil, modalidade gerência de obras, no âmbito das atividades
prescritas no artigo 7º, letras “a” a “h”, da Lei nº 5.194/66, sem as restrições impostas pela
Resolução 313/86 do CONFEA.
Ante a análise preliminar do assunto, o Juízo daquela Vara Federal negou o pedido
de antecipação dos efeitos da tutela, cuja decisão foi recebida por esta Consultoria Jurídica em
22/03/2004.
Após a apresentação pelo Crea-PR da contestação à mencionada ação, o mesmo
Juízo Federal prolatou sentença, publicada em 30/09/2004, nos seguintes termos:
“(...)
Versa a lide acerca da legalidade das limitações impostas pela Resolução 313/86
do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – CONFEA, para o
exercício da atividade de tecnólogo na área da engenharia civil.
A Lei 5.194, de 24/12/66, regula o exercício das profissões de engenheiro,
arquiteto e engenheiro agrônomo, dispondo quanto a suas atividades profissionais
em seu artigo 7º, in verbis:
(...)
Mais adiante, o referido diploma legal trata dos órgãos fiscalizadores,
determinando que a aplicação do disposto na norma legal e a verificação e
fiscalização do exercício e atividades das profissões nela reguladas serão
exercidas por um Conselho de Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia
(CONFEA) e Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia
(CREA), organizados de forma a assegurarem unidade de ação. Em seguida,
enumera as atribuições do Conselho Federal, incluindo a competência para baixar
e fazer publicar as resoluções previstas para regulamentação e execução da
presente Lei.
Quanto aos conselhos regionais, dispõe que estes têm, entre outras
responsabilidades, a de expedir as carteiras profissionais ou documentos de
registro e de cumprir e fazer cumprir as resoluções baixadas pelo Conselho
Federal, prevendo, ainda, que os profissionais habilitados na forma legal só
poderão exercer a profissão após o registro no Conselho Regional sob cuja
jurisdição se achar o local de sua atividade, o qual deverá fornecer a respectiva
carteira profissional, conforme modelo adotado pelo Conselho Federal, contendo
as especializações devidas. Tal determinação legal visa a especificar com

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precisão os limites da atuação do profissional a fim de evitar eventual exercício de
determinada atividade por pessoa não qualificada.
Posteriormente, o Decreto-Lei nº 241, de 28/02/67, incluiu entre as profissões cujo
exercício é regulado pela Lei nº 5.194/66, a profissão de engenheiro de operação.
Em seguida, tendo em vista a competência dada ao sistema de ensino para dispor
sobre a formação profissional, o Conselho Federal de Educação, através do
Parecer 5.265/78, autorizou a conversão do curso de engenharia de operação em
curso de formação em tecnólogos em edifícios, o que foi regulamentado pela
portaria 235/84 do Ministério da Educação.
Em nível infralegal, a Resolução CONFEA nº 218, de 29/06/73, discrimina
atividades das diferentes modalidades profissionais da Engenharia, Arquitetura e
Agronomia, dispondo:

“Art. 1º - Para efeito de fiscalização do exercício profissional correspondente às


diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior
e em nível médio, ficam designadas as seguintes atividades:
Atividade 01 - Supervisão, coordenação e orientação técnica;
Atividade 02 - Estudo, planejamento, projeto e especificação;
Atividade 03 - Estudo de viabilidade técnico-econômica;
Atividade 04 - Assistência, assessoria e consultoria;
Atividade 05 - Direção de obra e serviço técnico;
Atividade 06 - Vistoria, perícia, avaliação, arbitramento, laudo e parecer técnico;
Atividade 07 - Desempenho de cargo e função técnica;
Atividade 08 - Ensino, pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulgação
técnica; extensão;
Atividade 09 - Elaboração de orçamento;
Atividade 10 - Padronização, mensuração e controle de qualidade;
Atividade 11 - Execução de obra e serviço técnico;
Atividade 12 - Fiscalização de obra e serviço técnico;
Atividade 13 - Produção técnica e especializada;
Atividade 14 - Condução de trabalho técnico;
Atividade 15 - Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou
manutenção;
Atividade 16 - Execução de instalação, montagem e reparo;
Atividade 17 - Operação e manutenção de equipamento e instalação;
Atividade 18 - Execução de desenho técnico.

Art. 22 - Compete ao ENGENHEIRO DE OPERAÇÃO:


I - o desempenho das atividades 09 a 18 do artigo 1º desta Resolução,
circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais;
II - as relacionadas nos números 06 a 08 do artigo 1º desta Resolução, desde que
enquadradas no desempenho das atividades referidas no item I deste artigo.

Art. 23 - Compete ao TÉCNICO DE NÍVEL SUPERIOR ou TECNÓLOGO:


I - o desempenho das atividades 09 a 18 do artigo 1º desta Resolução,
circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais;
II - as relacionadas nos números 06 a 08 do artigo 1º desta Resolução, desde que
enquadradas no desempenho das atividades referidas no item I deste artigo.”

E ainda o mesmo diploma acrescenta:

“Art. 25 - Nenhum profissional poderá desempenhar atividades além daquelas que


lhe competem, pelas características de seu currículo escolar, consideradas em
cada caso, apenas, as disciplinas que contribuem para a graduação profissional,

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salvo outras que lhe sejam acrescidas em curso de pós-graduação, na mesma
modalidade.
Parágrafo único - Serão discriminadas no registro profissional as atividades
constantes desta Resolução.”

Após a conversão do curso de engenharia de operações em tecnólogo em


construções civis – modalidade edifícios, foi editada nova Resolução pelo
CONFEA, de nº 313/86, a qual dispôs sobre o exercício profissional das diversas
categorias de tecnólogos, arrolando as atividades referentes a estes em seu art.
3º, como segue:

“Art. 3º - As atribuições dos Tecnólogos, em suas diversas modalidades, para


efeito do exercício profissional, e da sua fiscalização, respeitados os limites de sua
formação, consistem em:
1) elaboração de orçamento;
2) padronização, mensuração e controle de qualidade;
3) condução de trabalho técnico;
4) condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou
manutenção;
5) execução de instalação, montagem e reparo;
6) operação e manutenção de equipamento e instalação;
7) execução de desenho técnico.”

No parágrafo único do referido artigo, a norma prevê a realização de outras


atividades, condicionando-as, todavia, à intervenção de outros profissionais,
conforme exposto abaixo:

“Parágrafo único - Compete, ainda, aos Tecnólogos em suas diversas


modalidades, sob a supervisão e direção de Engenheiros, Arquitetos ou
Engenheiros Agrônomos:
1) execução de obra e serviço técnico;
2) fiscalização de obra e serviço técnico;
3) produção técnica especializada.”

Neste ponto surge a irresignação dos requerentes. Com efeito, confrontando-se o


art. 22 da Resolução 218/73 com o art. 3º da Resolução 313/86, percebe-se que o
rol de atividades elencadas neste dispositivo repete o contido na norma anterior,
deixando, entretanto, algumas atribuições para o seu parágrafo único, o qual
condiciona o exercício daquelas à supervisão e direção de engenheiros, arquitetos
e engenheiros agrônomos. Não há nas alegações dos autores qualquer
impugnação em relação as restrições estabelecidas pela Resolução 218/73. Resta
analisar se a limitação prevista na norma infralegal posterior exorbita das
limitações traçadas pela Lei.
A Constituição Federal determina no art. 5º, XIII, que é livre o exercício de
qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais
estabelecidas por lei. Entretanto, o ordenamento jurídico permite em determinados
casos que a lei disponha de forma genérica sobre determinada matéria, deixando
para as normas infralegais a necessária especificação.
O poder normativo da administração não pode contrariar a lei, nem criar direitos,
tampouco impor obrigações ou proibições não previstas naquela, sob pena de
violação ao princípio constitucional da legalidade. A regra geral contida na Carta
Magna é a de que no direito brasileiro existe tão somente o chamado regulamento
de execução, no âmbito do poder executivo, subordinado hierarquicamente a uma
lei formal, nos termos do disposto no art. 84, IV, in verbis:

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“Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
..................
IV – sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e
regulamentos para a sua fiel execução;”

Conforme transcrito acima, a lei que regula o exercício das profissões das áreas
de engenharia, arquitetura e agronomia, autoriza aos conselhos profissionais a
edição de atos normativos para regulamentação das atividades ali mencionadas,
delegando ao sistema CONFEA/CREA a habilitação para o exercício profissional,
através de registro do profissional junto ao mesmo.
É possível através de norma de caráter regulamentar estabelecer restrições ao
exercício de atividade profissional desde que haja base legal. No caso, a lei
5.194/66 possui forte conteúdo genérico, estabelecendo de antemão restrições à
especialidade de cada profissão, deixando para o poder executivo a
regulamentação e a discriminação de atribuições para cada modalidade técnica
incluída naquele texto legal. Tal fato se dá em razão da amplitude do espectro de
profissões abrangidas pela citada lei, a qual simplesmente vincula categorias
profissionais diversas a um mesmo órgão regulamentador e fiscalizador. A
interpretação de tal regulamentação, porém, deve ser feita de forma restritiva.
(...)
O que se verifica, porém, na questão aqui posta, é que a Resolução nº 313/86
estabeleceu condições para o exercício de determinadas atribuições por parte dos
tecnólogos, limitação inexistente no ato normativo anterior. Tal atitude cria
restrições ao exercício de um direito, o que, conforme dito acima, é vedado em
âmbito regulamentar, pois configura inovação na ordem jurídica, somente viável
em sede de Lei formal. A desobediência a esta vedação se traduz em exorbitância
do poder regulamentar, o que pode ser, inclusive, objeto de sustação do ato pelo
poder legislativo, nos termos do art. 49, V, da Lei Maior.
A despeito das brilhantes considerações trazidas pelo requerido em sua
contestação, incluído o precedente acostado à fl 262 da lavra do Eg. Superior
Tribunal de Justiça, o fato é que os argumentos ali deduzidos cingiam-se à
possibilidade de especificação das atividades profissionais por ato infralegal,
desde que autorizados por Lei, o que é plenamente possível, de acordo com o
aqui exposto. Entretanto, o réu deixou de impugnar a real controvérsia trazida aos
autos, ou seja, as restrições impostas pela Resolução CONFEA nº 313/86 ao
exercício de atividades profissionais por parte de tecnólogos da área da
construção civil, na modalidade edifícios. Logo, descabe ao CREA/PR anotar na
carteira profissional da requerente, a observância da mencionada Resolução,
posto que o parágrafo único do art. 3º de tal ato regulamentar encontra-se eivado
de ilegalidade.
(...)
Desta forma, merece acolhida o pedido dos requerentes.
Diante do exposto, julgo procedente o pedido, para declarar a ilegalidade das
restrições impostas pela Resolução nº 313/86 do CONFEA e para determinar ao
Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado do Paraná
– CREA/PR que expeça certidão de inteiro teor sem as restrições impostas pela
Resolução nº 313/86, mas na forma da Lei nº 5.194/66, e cancele as restrições
anotadas nas carteiras profissionais dos autores.”

Inconformado com a supra mencionada sentença, o CREA-PR interpôs recurso de


apelação destinado ao TRF/4ª Região, o qual foi distribuído à 4ª Turma sob o nº
2003.70.07.005043-3/PR, que assim decidiu no Acórdão publicado em 27/07/2005:

“ADMINISTRATIVO. CONSELHO REGIONAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA


E AGRONOMIA. TECNÓLOGO DA CONSTRUÇÃO CIVIL.

4
Segundo o Dec.-lei nº 241/67 e a Lei nº 5.194/66, aos tecnólogos da construção
civil são reconhecidas as mesmas atribuições dos engenheiros civis.”

Com o intuito de reformar a decisão supra face a ocorrência de omissão, contradição ou


obscuridade, novamente o CREA-PR recorreu à mesma 4ª Turma do TRF/4ª Região, desta vez
interpondo Embargos de Declaração, os quais foram assim julgados no Acórdão publicado em
28/09/2005:
“ADMINISTRATIVO. CONSELHO REGIONAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA
E AGRONOMIA. TECNÓLOGO DA CONSTRUÇÃO CIVIL.
Conquanto conhecido para fim de prequestionamento, o recurso deve ser
rejeitado por ausência dos indigitados pressupostos de acolhida, quais sejam a
obscuridade e a omissão.”

Irresignado, este Conselho interpôs Recurso Especial ao Superior Tribunal de Justiça,


visando, novamente, a reforma da decisão, o que, a seu turno de conhecimento naquele Órgão,
pelo Relator no processo, Ministro José Delgado, foi conhecido e provido, alterando o
posicionamento de primeira e segunda instâncias, o que fez nos termos que seguem:
(...)
O pleito merece êxito parcial.
É de ser repelida a ofensa aos arts. 458 e 535 do CPC. O aresto recorrido,
embora de forma sucinta, abordou a questão central da controvérsia e exarou
entendimento fundamentado a respeito, sem incorrer em omissão, contradição ou
obscuridade. Adotou-se, pois, fundamentação suficiente para decidir de modo
integral a controvérsia. Nega-se provimento, portanto, ao recurso especial em
relação à infringência a tais preceitos legais. Vislumbra-se, no caso, que os
autores são Tecnólogos da Construção Civil, e ajuizaram a presente ação para
obter a anotação em suas carteiras profissionais de suas atribuições conforme
disposição contida no art. 7º da Lei Federal nº 5.194/66, sem qualquer restrição
imposta pela Resolução nº 313/86. A tese sustentada é a de que o CONFEA não
teria competência para regulamentar a Lei Federal nº 5.194/66, e que a menção
no DL nº 241/67 à inclusão dos Engenheiros de Operação no âmbito da norma
profissional praticamente equipararia os Tecnólogos da Construção Civil aos
Engenheiros Civis, podendo exercerem as mesmas atribuições destes. A
legislação aplicável à espécie é a seguinte. Primeiramente, temos a Lei nº
5.194/66, que regula o exercício das profissões de g) execução de obras e
serviços técnicos; h) produção técnica especializada, industrial ou agro-pecuária.
Parágrafo único. Os engenheiros, arquitetos e engenheiros-agrônomos poderão
exercer qualquer outra atividade que, por sua natureza, se inclua no âmbito de
suas profissões." O Decreto-Lei nº 241/67, invocado pelos autores, incluiu entre as
profissões cujo exercício é regulado pela Lei nº 5.194/66, a profissão de
Engenheiro de Operação. O seu art. 1º dispôs: "Art. 1º - Os engenheiros de
operação, diplomados em cursos superiores legalmente instituídos, com duração
mínima de três anos, ficam, para todos os efeitos, incluídos entre os profissionais
que têm o exercício das suas atividades regulado pela Lei número 5.194, de 24 de
dezembro de 1966." A seguir, o Decreto nº 60.925/67 dispôs sobre o registro
profissional dos graduados em cursos de Engenheiro de Operação.
Tendo em vista a necessidade de discriminar as atividades das diferentes
modalidades
profissionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, em nível superior e em
nível médio, para fins da fiscalização de seu exercício profissional, o CONFEA
editou a Resolução nº 218/73.
Os arts. 22 e 23 dessa resolução dispõem, respectivamente, sobre as atividades
do
Engenheiro de Operação e do Tecnólogo, nos seguintes termos:

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"Art. 22 - Compete ao ENGENHEIRO DE OPERAÇÃO: I - o desempenho das
atividades 09 a 18 do artigo 1º desta Resolução, circunscritas ao âmbito das
respectivas modalidades profissionais; II - as relacionadas nos números 06 a 08
do artigo 1º desta Resolução, desde que enquadradas no desempenho das
atividades referidas no item I deste artigo." "Art. 23 - Compete ao TÉCNICO DE
NÍVEL SUPERIOR ou TECNÓLOGO: I - o desempenho das atividades 09 a 18 do
artigo 1º desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades
profissionais; II - as relacionadas nos números 06 a 08 do artigo 1º desta
Resolução, desde que enquadradas no desempenho das atividades referidas no
item I deste artigo." Posteriormente, o CONFEA baixou a Resolução nº 313/86
dispondo sobre o exercício profissional dos Tecnólogos das áreas submetidas à
regulamentação e fiscalização instituídas pela Lei nº 5.194/66. Engenheiro,
Arquiteto e Engenheiro Agrônomo. O seu art. 7º regula as atividades e atribuições
desses profissionais: "Art. 7º - As atividades e atribuições profissionais do
engenheiro, do arquiteto e do engenheiro-agrônomo consistem em: a)
desempenho de cargos, funções e comissões em entidades estatais, paraestatais,
autárquicas, de economia mista e privada; b) planejamento ou projeto, em geral,
de regiões, zonas, cidades, obras, estruturas, transportes, explorações de
recursos naturais e desenvolvimento da produção industrial e agropecuária; c)
estudos, projetos, análises, avaliações, vistorias, perícias, pareceres e divulgação
técnica; d) ensino, pesquisas, experimentação e ensaios; e) fiscalização de obras
e serviços técnicos; f) direção de obras e serviços técnicos; A tese sustentada
pelos autores importa, basicamente, na alegação de equivalência, com base no
Decreto-Lei nº 241/67, entre as profissões de Tecnólogo e Engenheiro de
Operação. Dessume-se clara a imposição de resposta negativa à pretensão
sustentada. A leitura das normas supradestacadas revela que inexiste previsão
legal que ampare a pretendida equiparação do Tecnólogo (técnico de nível
superior) ao Engenheiro de Operação. Não procede a tentativa dos autores em
demonstrar que Engenheiros de Operação e Tecnólogos exercem, rigorosamente,
as mesmas funções. Muito menos se pode cogitar que exerçam as mesmas
atribuições do Engenheiro Civil. Se efetivamente praticassem iguais atividades,
não estariam dispostas como profissões distintas, por meio de cursos superiores
com duração e conteúdo diversos. Observe-se que o prazo para a formação do
Tecnólogo é de apenas três anos, enquanto o do Engenheiro Civil é de cinco
anos. Não há previsão legal que equipare as duas profissões. A Lei nº 5.194/66 e
o DL nº 241/78 assim não dispõem. A Resolução nº 313/86 apenas particularizou
as atividades desenvolvidas pelos Tecnólogos para fins de fiscalização da
profissão. As suas atribuições foram discriminadas no art. 3º (fl. 238): "Art. 3º - As
atribuições dos Tecnólogos, em suas diversas modalidades, para efeito do
exercício profissional, e da sua fiscalização, respeitados os limites de sua
formação, consistem em: 1. elaboração de orçamento; 2. padronização,
mensuração, e controle de qualidade; 3. condução de trabalho técnico; 4.
condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo, ou manutenção;
5. execução de instalação, montagem e reparo; 6. operação e manutenção de
equipamento e instalação; 7. execução de desenho técnico. Parágrafo único -
Compete, ainda, aos Tecnólogos em suas diversas modalidades, sob a
supervisão e direção de Engenheiros, Arquitetos ou Engenheiros Agrônomos: 1.
execução de obra e serviço técnico; 2. fiscalização de obra e serviço técnico; 3.
Produção técnica especializada." Não vislumbro, em momento algum, a
possibilidade de que a Resolução 313/86 tenha exorbitado dos limites impostos
pela Lei nº 5.194/86. Conforme frisado, não existe nesta lei nem no DL nº 241/67
previsão que reconheça aos Tecnólogos as mesmas atribuições dos Engenheiros
Civis. Nessa linha, a orientação de ambas as Turmas de Direito Público desta
Corte: "PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL.
DISSÍDIO PRETORIANO NÃO-DEMONSTRADO. DESATENDIMENTO DOS
REQUISITOS LEGAIS (ARTS. 541, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC, E 255, §§ 1º
E 2º, DO RISTJ). NÃO-CONHECIMENTO. ESPECIALIZAÇÃO EM ENGENHARIA
DE SEGURANÇA DO TRABALHO. ALEGADA VIOLAÇÃO DO ART. 1º DA LEI
6
7.410/85. NÃO-OCORRÊNCIA. EXERCÍCIO DA ESPECIALIDADE PELO
TECNÓLOGO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
EQUIPARAÇÃO ENTRE TECNÓLOGO E ENGENHEIRO OPERACIONAL.
INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DA LEI 7.410/85, DECRETO 92.530/86 E
RESOLUÇÃO 359/91 DO CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA,
ARQUITETURA E AGRONOMIA (CONFEA). PRECEDENTES DO STJ.
RECURSO CONHECIDO EM PARTE E, NESSA
PARTE, DESPROVIDO. 1. A divergência jurisprudencial que enseja o
conhecimento do recurso especial pela letra c do permissivo constitucional deve
ser devidamente demonstrada, conforme as exigências do parágrafo único do art.
541 do CPC, c/c o art. 255 e seus parágrafos, do RISTJ, não bastando, para tanto,
a simples transcrição de ementas. 2. Não há equiparação de fato e de direito entre
as profissões de engenheiro operacional e tecnólogo (técnico de nível superior). 3.
A Lei 7.410/85 – que dispõe sobre a especialização em Engenharia de Segurança
do Trabalho, posteriormente regulamentada pelo Decreto 92.530/86 e explicitada
pela Resolução 359/91 do CONFEA –, não autoriza o exercício, pelo tecnólogo,
da especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho. 4. O CONFEA, ao
editar a Resolução 359/91, não agiu com excesso, mas, observando a restrição
prevista no art. 1º da Lei 7.410/85, respeitou o princípio constitucional da
legalidade (CF, art. 37, caput), que lhe é aplicado por força da personalidade
jurídica de autarquia em regime especial que ostenta. 5. Recurso especial
parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido." (Resp 576.938/PR, Relª Minª
Denise Arruda, 1ª Turma, DJ 02/05/06) "PROCESSUAL CIVIL E
ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE
PREQUESTIONAMENTO. COTEJO ANALÍTICO NÃO-DEMONSTRADO.
RESTRIÇÃO AO EXERCÍCIO PROFISSIONAL. LEI N. 5.194/66 (ART. 7º).
DECRETO-LEI N. 241/67. RESOLUÇÃO DO CONFEA N. 218/73. LEGALIDADE.
1. O prequestionamento dos dispositivos legais tidos como violados é requisito
indispensável à admissibilidade do recurso especial. Incidência das Súmulas n.
282 e 356 do Supremo Tribunal Federal. 2. O conhecimento de recurso interposto
com fulcro na alínea "c" do permissivo constitucional pressupõe a demonstração
analítica da suposta divergência, não bastando a simples transcrição de ementa.
3. Inexiste previsão na Lei n. 5.194/66, regulamentada pelo Decreto-Lei n. 241/67,
tendente a equiparar o tecnólogo ao engenheiro de operação. 4. A Resolução do
Confea n. 218/73, ao discriminar as atribuições dos engenheiros, arquitetos e
engenheiros agrônomos, não extrapolou o âmbito da Lei n. 5.194/66, na qual se
embasa, mas apenas particularizou as atividades desenvolvidas por aqueles
profissionais, para fins de fiscalização da profissão. 5. Recurso especial
parcialmente conhecido e, nessa parte, não-provido." (Resp 739.867/RS, Rel. Min.
João Otávio de Noronha, 2ª Turma, DJ 19/12/05)
Assim exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso especial para,
reformando o entendimento manifestado por ambas as instâncias ordinárias, julgar
improcedente o pedido formulado na exordial, mantendo-se os termos de restrição
impostos pelo CREA/PR nas carteiras profissionais dos autores.
É o voto.

Nada obstante a decisão favorável ao Conselho no E. Superior Tribunal de Justiça,


por não ter o eminente Ministro, em seu voto, invertido o ônus sucumbencial, foram interpostos
Embargos Declaratórios pelo Crea-PR, a fim de se sanar tal omissão com a seguinte decisão por
parte do Tribunal:

SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA


RECURSO ESPECIAL Nº 826.186 – PR (2006/0047471-1)
RELATOR : MINISTRO JOSÉ DELGADO
EMBARGANTE : CONSELHO REGIONAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E
AGRONOMIA DO ESTADO DO PARANÁ –CREA-PR
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EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO ESPECIAL.
OMISSÃO CARACTERIZADA. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO SOBRE A INVERSÃO
SUCUMBENCIAL. ACOLHIMENTO.

1. Trata-se de embargos de declaração opostos pelo CONSELHO REGIONAL DE


ENGENHARIA, ARQUITETURA E AGRONOMIA DO ESTADO DO PARANÁ – CREA-PR em face
de acórdão que deu provimento a recurso especial de sua autoria. Sustenta, tão somente, que o
aresto não fez menção sobre a inversão dos ônus sucumbenciais, pleiteando manifestação
expressa a respeito.
2. É consectário lógico do provimento do recurso que a sucumbência sofra inversão a fim de que
o vencedor da demanda não responda pelas despesas processuais. Merecem, portanto, ser
acolhidos os presentes embargos para que o aresto embargado (item nº 4 da ementa) passe a
conter a seguinte complementação:
“Recurso especial parcialmente provido para, reformando o entendimento manifestado por ambas
as instâncias ordinárias, julgar improcedente o pedido formulado na exordial, mantendo-se os
termos de restrição impostos pelo CREA-PR nas carteiras profissionais dos autores. Invertam-se
os ônus de sucumbência”.
3. Embargos de declaração acolhidos, sem atribuição de efeitos modificativos.

ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os
Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, acolher os
embargos de declaração, sem efeitos modificativos, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Francisco Falção, Luiz Fux, Teori Albino Zavascki e Denise Arruda votaram com
o Sr. Ministro Relator.
Brasília (DF), 05 de setembro de 2006 (Data do Julgamento)

MINISTRO JOSÉ DELGADO


Relator

Por derradeiro, cabível dar-se conhecimento ao Colégio de Presidentes, o resumo do conteúdo


do acórdão determinado pelo Superior Tribunal de Justiça em relação ao julgamento do Recurso
impetrado pelo CREA-PR em relação à matéria.

SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

RELATOR : MINISTRO JOSÉ DELGADO


RECORRENTE : CONSELHO REGIONAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E
AGRONOMIA DO ESTADO DO PARANÁ – CREA-PR

EMENTA: ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. RESTRIÇÃO AO EXERCÍCIO


PROFISSIONAL DE TECNOLÓGO DA CONSTRUÇÃO CIVIL. AUSÊNCIA DE EQUIPARAÇÃO
AO ENGENHEIRO CIVIL OU ENGENHEIRO DE OPERAÇÃO. RESOLUÇÃO DO CONFEA –
CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E AGRONOMIA Nº 313/86.
LEGALIDADE. LEI N. 5.194/66 (ART.7º). DECRETO-LEI Nº 241/67.

1. Tratam os autos de ação declaratória ajuizada por e outros contra o CREA-PR objetivando
assegurar o direito de exercerem a profissão de Tecnólogo da Construção Civil, modalidade em
gerência de obras, no âmbito das atividades prescritas pelo art. 7º, alíneas “a” a “h”, da Lei nº
5.194/66, sem as restrições impostas pela Resolução nº 313/86 do CONFEA, podendo
projetarem, executarem, e gerenciarem o trabalhos. Sentença julgou procedente o pedido, com a
determinação para que o CREA-PR cancelasse as restrições anotadas nas carteiras
8
profissionais dos autores. Apelação do CREA que não logrou êxito, por o TRF/4ª Região
entender que aos Tecnológos da Construção Civil são reconhecidos as mesmas atribuições dos
Engenheiros Civis, segundo o disposto no DL nº 241/67 e na Lei nº 5.194/66. Recurso especial
do CREA fundamentado nas alíneas “a” e “c” apontando violação dos arts. 458 e 535 do CPC, 1º
do Decreto-lei n] 241/67, 2º, 3º, 24 e 27, ‘f’, da Lei Federal nº 5.194/66. Defende, em suma, a
ausência de equiparação e previsão legal dos Tecnólogos aos Engenheiros Civis.

2. O CONFEA - Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia tem competência


para regulamentar a Lei Federal nº 5.194/66. A menção no Decreto-lei nº 241/67 à inclusão dos
Engenheiros de Operação no âmbito dessa norma profissional não equipara os Técnólogos da
Construção Civil aos Engenheiros Civis. A Resolução nº 313/86 somente particularizou as
atividades desenvolvidas pelos Tecnólogos para fins de fiscalização da profissão, não
exorbitando os limites da Lei nº 5.194/66.

3. Inexiste previsão legal que ampare a pretendida equiparação do Tecnólogo da Construção Civil
(técnico de nível superior) ao Engenheiro de Operação. Não procede a tentativa dos autores em
demonstrar que Engenheiros de Operação e Tecnólogos exercem, rigorosamente, as mesmas
funções. Muito menos se pode cogitar que exerçam as mesmas funções do Engenheiro civil. Se
efetivamente praticassem iguais atividades, não estariam dispostas como profissões distintas, por
meio de cursos superiores com duração e conteúdo diversos. Observe-se que o prazo para a
formação do Tecnólogo é de apenas três anos, enquanto o do Engenheiro Civil é de cinco anos.

4. Recurso especial parcialmente provido para, reformando o entendimento manifestado por


ambas as instâncias ordinárias, julgar improcedente o pedido formulado na exordial, mantendo-
se os termos de restrição impostos pelo CREA-PR nas carteiras profissionais dos autores.

ACORDÃO

Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas acordam os
Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar parcial
provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Luiz
Fux, Teori Albino Zavascki e Denise Arruda votaram com o Sr. Ministro Relator.
Brasília (DF), 06 de junho de 2006 (Data do Julgamento)

MINISTRO JOSÉ DELGADO


RELATOR

Era o que tínhamos a informar