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Capitulo sétimo

REVELAÇÃO

Quando abria os olhos uma luz ofuscante fez-me virar


a cara para me esconder.
- O nosso campeão já acordou!
Aquela voz parecia-me conhecida, mas com a luz, que
me parecia estar demasiado próxima, não tive coragem
para satisfazer a minha curiosidade. Tinha a garganta seca
e custava-me engolir a saliva que quase me sufocava. Foi
então que, por momentos, a imagem de Sally me apareceu,
e eu levantei-me logo de seguida, ao que quase me deitei
de seguida. Estava cheio de fios ligados a mim e tinha
dores em todo o lado, com a cabeça a latejar. Parecia ter
ido contra um camião.
- Daniel….Daniel…. – Murmurou uma voz demasiado
conhecida e meiga para que eu não me movesse para a
ver. Sally estava ali, tal como estivera toda a noite.
- O que aconteceu? Onde… estou?
- No hospital. Oh Daniel, pregaste-nos cá um susto… O
que te passou pela cabeça?
Tentei abrir os olhos que queriam obrigar-me a dormir.
Mas a sua mão, ligeiramente fria conseguiu que
recuperasse um pouco as forças, a ponto de me por meio
sentado com a almofada atrás das costas que me ajudara a
pôr.
- Oh não – Fiquei aterrorizado com a ideia – Os meus
padrinhos, eles devem estar preocupadíssimos. Tenho que
sair daqui!
Mas Sally travou-me com o seu braço, de maneira a
barrar-me mais o caminho que me separava a cama do
chão.
- Não vais a lado nenhum até o doutor Lehman te
mandar para casa, e além do mais, eles estão aqui.
- Quem, os meus padrinhos? Os dois? Oh não…
O seu rosto estava perplexo de surpresa e ela
arregalou as sobrancelhas, quase soltando um “oh”. Depois
agarrou-me a mão que permanecia ligada, o que me causou
algumas dores.
- Quando estiveres bom, vamos fazer algo
emocionante, mas sem maluqueira, combinado? – Deu-me
um beijo suave e rápido a que eu quase nem tive tempo de
responder.
Reparei que após me ter beijado o seu rosto mostrou
alguma dureza. Mas o que estaria eu a fazer num hospital.
Porque estaria ali toda a gente? Como é que Sally
sobrevivera à tempestade?
- Precisas de alguma coisa? Se quiseres algo pede-me
que eu vou-te buscar.
Tentei tomar uma posição mais rígida, mas com tantas
dores vi que era impossível, optando pela expressão facial.
Afinal a cara expressa bem o que sentimos, e eu mostrei
um ar zangado, ou… tentei.
- Preciso. – Mostrei impaciência batendo com um dedo
solto na cama num batimento ritmado.
- O que queres? – As suas mãos cerraram-se de
imediato e ela fixou-me com o olhar a focar-me bem.
- Conta-me a verdade! Acerca de ti e da tua família…
Os seus olhos continuaram-me a fitar mas os seus
dedos pararam.
- De certeza que não queres saber, acredita.
- Conta e logo veremos como reajo.
Abraçou-me e falou-me ao ouvido de modo a que
ninguém ouvisse.
- Quando saíres daqui prometo que é a primeira coisa
que farei. – Depois afastou-se e sorriu abertamente, com a
íris dos olhos a brilharem num azul brilhante. Parecia que o
que prometera, iria cumprir, e, eu comecei a desejar, mais
que o minha recuperação, sair dali rapidamente.
- Quando posso ir-me embora doutor?
O Sr. Lehman era um grande amigo do meu pai e até
já tinham andando os dois naquela mesma escola, mas o
meu beicinho de nada serviu.
De qualquer maneira sabia que o seu temperamento
era sempre assim, no que tocava a pacientes, ele nunca
dava o braço a torcer se não tivesse a certeza da sua
recuperação total, ou quando os exames assim o
permitiam. “Respeita-te primeiro e o teu futuro será
derradeiro” – Era o seu ideal de vida, desde que me
lembrava que ele existia. Na verdade ele era pai, tinha três
filhos, e, a frase era igualmente aplicada aos três. As
pessoas adoravam-no e quase afirmavam que conseguia
salvar pessoas que aparentemente já quase que estavam
mortas, vejam lá o que elas são capazes de dizer quando
estão desesperadas.
- Amanhã já estarás pronto para ir à escola rapaz. O
teu amigo é que foi muito corajoso, quando te encontrou
deitado no chão quase a sofrer de hipotermia, pegou em ti
e veio até aqui, no meio da tempestade. E olha que
também não se encontra lá em muito boas condições. Teve
que suportar aquela chuva toda e o vento, Mas não é nada
de preocupante – Disse ele ao analisar-me as narinas e a
garganta com uma luzinha que me incomodava mesmo
quando estava longe dos olhos. Detestava hospitais.
Depois os meus olhos olharam surpreendentemente
quem entrava na porta.
- Olá. Então como te sentes?
- Tu? Mas como….
- Hum – Parou a conversa com um som na garganta
rouco, quase pedindo licença para me calar.
- Ok desculpa. Mas… Tu salvaste-me e tu…
- Oh não foi nada… estava por perto e não podia evitar
o que estava a ver.
No instante em que falávamos o doutor aproximou-se
e deu uma palmadinha nas costas do meu aparente
“salvador”.
Mais estranho era impossível.
- Eu sempre soube que aqui o Cullen era uma grande
pessoa. Na verdade o pai dele, O Carlisle também é médico,
como deves saber.
- Nós não somos amigos. Respondi olhando de lado de
lado para Edward. Ele porém parecia calmo e não me
olhava com repulsa, como da vez em que o conheci.
Estava admirado. Era verdade que já o tinha visto,
duas vezes, não foram as melhores ocasiões, mas de onde
eu o conhecia era de um livro que lera chamado crepúsculo.
Contava a história de Bella, que também conhecera, mas
que de momento não parecia estar presente.
- Ela não pôde vir. Fica para amanhã.
- Ok – Voltei a responder com dureza sem que ele
desse algum sinal de que me queria comer ou algo assim. A
sua expressão era quase de leveza, os braços ao lado do
corpo e não cruzados, as mãos abertas e não com os
punhos cerrados e um sorriso, que era o que me
“intimidava” agora.
- Bem a minha missão acabou, agora tenho que ir.
E no momento seguinte, tal e qual Sally quando me
salvara, saiu com rapidez.
O momento de dureza passara e relaxei. Relaxei tanto
que a única coisa de que me lembro a seguir a Edward, foi,
a cara dos meus padrinho na porta do quarto.
Quando acordei novamente deviam ser umas dez
horas da noite. Estava escuro e frio. Cobri-me melhor e
alguém me ajudou.
Acordas-te querido. Como te sentes?
A minha madrinha. Sempre protectora e vigilante
como sempre. Os seus olhos que permaneciam doces e não
zangados. Agarrava-me com as suas mãos quentes e
suaves, quase tão suaves como as de Sally.
- Então já queres ir para casa?
- Não.
Ela retraiu-se. Depois olhou em volta e suspirou antes
de falar.
- Então Daniel? O médico já disse que te dava alta
quando acordasses e agora não queres sair daqui filho?
- Primeiro quero comer. Estou faminto. – E sorri
juntamente com ela. O meu padrinho, mais fechado,
também lá estava, a olhar por mim e…por Sally que estava
numa cadeira ao lado da cama a dormir, debruçada sobre
uma almofada alta. Nem imaginava o sacrifício para estar
ali daquela gente toda. Realmente era um monte de
problemas e sentia-me mal por tal.
A seguir a comer, fomos para casa e Sally também lá
dormiu, no meu quarto, enquanto eu dormi na sala, no sofá,
o que não me chateou. Afinal tinha a minha “namorada” ali,
ou era o que eu pensava da nossa relação atribulada.
Na manhã seguinte acordei cedo e meio tonto. Tudo
que acontecera eu lembrava-me. Até da presença do Cullen
no meu quarto de hospital. Sally já se tinha levantado e
andava as voltas pela sala, talvez à minha espera.
- Olá – Cumprimentei, observando que ela andava em
voltas, tensa e com as mãos atrás das costas. Decerto
modo sentia-se tonto por isso.
- Bom dia – Respondeu com os maxilares quase
cerrados. Aquilo tinha saído com um sussurro demasiado
longínquo. – Podes despachar-te para irmos?
- Mas ainda são sete horas Sally. – Informei-a de
maneira suave para que não se zangasse.
- Posso perguntar-te uma coisa?
- Claro. Pergunta o que quiseres.
- Menos Daniel, muito menos. – Corrigiu com firmeza e
arrogância nas palavras.
Fitei-a com um ar aborrecido. O dia não estava a
começar bem, mas mais zangado devia estar eu por ela ter
fugido e eu ter ido para ao raio do hospital.
- O que tens? Pareces tensa. E porque estás a falar
comigo assim?
Ela parou. Depois sentou-se ao meu lado no sofá,
numa distancia de mais ou menos longe, pois o sofá era
demasiado longo.
- O que te deu ontem? – Perguntou fazendo com as
mãos o gesto de quem está maluco.
- Isso pergunto eu. Desapareces e depois eu vou para
te salvar…
Ela interrompeu com um riso demasiado alto para
aquela altura da manhã – Tens imensa piada. Salvares-me?
Eu não precisava de ajuda.
- Mas não estavas na escola. Onde te metes-te?
- Hum… pois…
- Pois, não tens resposta.
Ela olhou-me surpreendida.
- Não te lembras do dia que é hoje pois não?
- Porque haveria de me lembrar? Alguma data de real
importância? Eu que saiba não faço anos nem nada
parecido.
Baixou a face e olhou para as mãos que mantinha
entrelaçadas.
- Pensava que te lembrasses. – Disse quase chorando.
Naquele momento senti-me péssimo. Ela estava
mesmo triste e eu não sabia porquê.
- Em vez de me preparares tu uma surpresa tenho eu
de preparar uma para ti, e depois é esta a paga que
tenho… – Confessou desanimada.
Era claro! Os anos de Sally. E era mesmo verdade que
na altura em que tínhamos ido para casa a pé ela me tinha
dito a data, sabendo eu que era breve.
Não tive coragem de contestar aquele estado. Não
sabia sequer o que dizer.
- Ok… parabéns? Mas não ficas zangada comigo, por…
favor? – A minha voz sofria de alturas, baixando e
levantando quando lhe fiz a questão.
- Estava a brincar seu tonto. Claro que não estou
zangada, mas podias-te ter lembrado. Dou-te um desconto
por teres ido parar ao hospital por minha causa. – Agora
sorria finalmente com os braços estendidos para que a
abraçasse.
Foi o que fiz.
- Agora podes revelar o teu segredo?
Ela sorriu e apertou-me com mais força.
- Antes de começar a escola. – Prometeu.
E saímos. A rua estava deserta, com o barulhos dos
carros ao longe. Após dois quarteirões a andar ela desviou
numa rua que eu desconhecia. Ao fundo reparei que se
encontrava lá o seu irmão, e ela correu para junto dele.
Fiquei a observar tal coisa até que de um momento
para outro ela estava de novo ao meu lado. Desta vez vira
bem, ela não correra, ela voara, rápido com um trovão.
Depois ficou muito quieta e comecei a ver a expressão de
Kevin mudar. Da sombra quase mudou para a luz, ficando
na penumbra, só vendo eu a sua cara, forte e robusta.
O sol atingira quase metade da rua e comecei a ver o
rosto dele mudar para um tom bastante escuro. Começara
por um pequeno brilho que, a pouco e pouco tornou-se num
tom de bronze, mas o meu maior espanto foi quando Sally
também se transformou. A sua cara e os seus braços,
descobertos ficaram quase dourados num tom bastante
carregado, e também brilhava com o sol a embater-lhe
suavemente. Era fenomenal olhar para um “ser humano”
tão inigualável.
- Tu és…linda. – Disse boquiaberto.
- Não te iludas. Se tu soubesses do que somos
capazes… os monstros que somos…