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Apresentação Mistério de Deus - 4ª aula 27.08

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4ª aula

Karl Rahner foi profundamente ligado à renovação da teologia católica e da Igreja. Desde 1948 foi professor de teologia dogmática em Innsbruck. Posteriormente lecionou também teologia nas Universidades de Munique e Münster.

A partir de 1964, e durante três anos, participou dos trabalhos da comissão teológica do Vaticano ll, dando ao mesmo tempo cursos sobre a concepção cristã do mundo na Faculdade de Filosofia de Münster, onde sucedeu Romano Guardini.

Sua obra insere-se na corrente filosófica alemã de Heidegger, de quem foi discípulo, e nutre-se do pensamento teológico alemão tanto católico quanto protestante. É uma teologia aberta e profundamente tradicional, mas fortalecida com um novo alento de vida e cultura moderna.
Sua doutrina mais original, e que divulgou o que se conhece como “cristianismo anônimo”. Para ele, cristão é todo aquele que “choca com o mistério”. Quanto mais o homem se coloca questões fundamentais e se aprofunda na experiência da vida ou utiliza seus conhecimentos científicos, mais se adentra no mistério: “é o mistério que chamamos Deus”.

Segundo Karl Rahner, o homem é o ser "ouvinte da Palavra". Por sua dimensão espiritual, o homem está receptivo a uma possível revelação divina, que lhe explique e dê significado ao mistério da Existência e do Ser.

O homem é o único ser, que pergunta-se pelo mistério e o sentido da Existência e do Ser, e isso devido a sua dimensão espiritual: o homem é espírito.

Por ser espírito, o homem está receptivo e a procura de uma explicação para o Mistério; o homem é um "ouvinte da Palavra"; ele contém um a priori cognoscitivo, que é essa abertura para uma possível revelação divina; o homem é o ser à espera da manifestação de Deus.

. é uma auto-revelação.A revelação é uma automanifestação de Deus. e essa autocomunicação de Deus responde e vem ao encontro da “abertura” ou “receptividade” humana que está à procura e à espera de uma resposta válida e coerente para suas perguntas sobre o Ser e a Vida.

1) . O a priori de Rahner. Rahner estabeleceu os a prioris que permitem ao homem chegar ao conhecimento de Deus e da teologia. o Ser e a Vida são mistérios e interrogações que colocam-se diante do homem. O Mundo. consiste nessa abertura e receptvividade do homem para com o Mistério. por isso o homem é um "ouvinte da Palavra". e o homem está a espera de uma Palavra. uma Revelação.Assim como Kant estabeleceu os a prioris que permitem o homem chegar ao conhecimento da ciência e do mundo. que lhe dê sentido e explicação sobre essas realidades misteriosas.

Cristo é justamente essa autorevelação e auto-manifestação de Deus. Deus se auto-revela e se autocomunica aos homens.2) O homem está à escuta da Palavra que lhe dê a resposta apaziguadora. essa Palavra é a auto-comunicação de Deus. dandolhes a resposta que eles procuram e buscam. Em Cristo. .

é a partir desse mistério. pois parte da dimensão do mistério da Vida e do Ser. que o homem pergunta-se pelo sentido e significado das coisas. que o homem está a espera de uma revelação. .A teologia de Rahner é chamada de "transcendental". É diante do mistério da Vida e do Ser.

4) "Deus . Maria é que é inteiramente uma entre nós. age através de Causas Segundas. Deus. como se fosse apenas uma causa segunda entre as outras. um elemento do mundo. Maria é como nós. O que ela é nós devemos ser. não é uma engrenagem do mundo". em sí mesmo. Jesus Cristo é outrossim um como nós.3) Maria é a concreta realização do perfeito cristão. É Ele a Causa Primeira que dá origem e sustenta a cadeia de todas as causas segundas que movem o mundo. Mas não é. Mas ele também é Deus. É por isto que Maria énos tão familiar. É por isso que nós a amamos". Ele mesmo.

" "A .condição criada do mundo é relação absolutamente única. só ocorre uma vez. constituição essa que não entra no tempo mas é o fundamento da criatura. mas significam. e do próprio tempo. em última análise. a constituição desse ser existente e do seu tempo. Criação e condição de criatura não indicam apenas o primeiro momento da existência de um ser temporal.

mas como a "gramática" de possivel autoexpressão de Deus. de tornarse o material de possível história de Deus. neste. A humanidade de Jesus Cristo não é mera aparência de Deus. Deus planeja o homem de modo criador. . "O Também não é Ele um mero profeta. diferente de Deus.homem deve ser entendido como a possibilidade de ser assumido por Deus. acolheu o Filho do Homem porque. Em consequência. Deus acolheu o homem. de que ele apenas se servisse para assinalar sua presença quando fala. tirando-o do nada. Quem aceita inteiramente o seu ser homem. e o coloca em sua realidade de criatura. mas o próprio Deus. manifesta-se como herética qualquer idéia da encarnação que considere a humanidade de Jesus como se fosse apenas uma "roupagem" revestida por Deus.

trata-se aí da verdade última. em todo o próximo... sempre é acolhido e amado aquele que é simultaneamente o mais próximo e mais longínquo: Deus. desta sorte." .Ao dizer a Escritura que quem ama o próximo cumpriu a Lei. uma vez que o próprio Deus tornou-se este próximo e. A realidade humana de Deus em Jesus Cristo permanece para sempre. eternamente.

uma viagem da qual não se vê o fim senão quando se acaba por entrar no seu próprio coração. na esperança e na caridade. "A tarefa mais urgente de uma Cristologia de hoje consiste em formular o dogma da Igreja . para aí descobrir que esse horrível fosso está pleno do próprio Deus". .de modo a tornar compreensível o que estas proposições significam e em excluir toda a aparência de uma mitologia que se tornou inaceitável hoje". pleno de imprevistos."A descoberta do Coração de Jesus na fé. é um longo e aventureiro caminho.'Deus é (tornou-se) homem. e este Deus que se fez homem é o Jesus Cristo concreto' .

e se esta pessoa-causa não significa a sobrevivência de um homem e de sua história. então a fé na sua ressurreição constitui um momento intrínseco dessa ressurreição e não a tomada de consciência de um fato que por sua natureza poderia existir exatamente o mesmo sem ser conhecido. . Se a ressurreição de Jesus há de ser a vitória escatológica da graça de Deus no mundo. ou será místico ou não será cristão".Tema relevante em Rahner: "O cristão do futuro. "Se a ressurreição de Jesus é a vigência permanente de sua pessoa e sua causa. mas o triunfo de sua pretensão de ser o mediador absoluto da salvação. não é possível concebê-la sem uma fé efetiva (ainda que livre) nela. uma fé na qual culmina a própria natureza da ressurreição".

embasados no amor. com aptidão para a vida na graça e deu-lhes a missão de perpetuar a espécie.Segundo o dogma da criação. De que se trata? Na experiência humana se deve distinguir entre “apriori” e um “aposteriori”. Deus criou o homem e a mulher à sua “imagem e semelhança”. através de sua sexualidade. que ultrapassa o plano carnal e exprime uma vinculação e complementação profunda dos dois. Tal método tem uma impostação sobre o nome de método antropológico transcendental. .

O mundo da experiência humana considerado nos seus conteúdos é “aposteriori”. isto é dado de modo irreflexo e a-temático. . tematizado. e em vários modos classificados. reflexo. mas que se faz possível a realidade categorial. mas esse resulta de um “apriori”.

que se direciona a um horizonte infinito. junto.Porém. que ruma ao incondicional. experiência da radicalidade do amor e da fidelidade. experiência da finitude. A dimensão transcendental da experiência humana no exercício da consciência e da liberdade é a abertura do espírito finito ao infinito. . experiência da verdade absoluta e da responsabilidade. Mas a experiência humana não é só experiência deste e daquele. que se orienta ao absoluto. experiência bem definida nos seus conteúdos. o homem faz várias experiências: é o múltiplo mundo categorial. mas.

. a transcendentalidade é a estrutura apriorica do espírito humano. a sua abertura radical ao mistério.Se a transcendência é a mesma realidade objetiva de Deus. horizonte de compreensão no qual se escrevem as várias experiências.A transcendentalidade não é transcendência . sua orientação dinâmica para o infinito. a experiência originária que acompanha todas as outras.

da liberdade e do amor e de outras experiências profundamente humanas – é sempre também um habitar sobre a praia do mar infinito do mistério” (= transcendental). é como um ser de grãos no nevoeiro (= categorial) mas essa enquanto experiência também da verdade. .Rahner escreve: “A experiência cotidiana.

tanto na elaboração da filosofia transcendental. Para Rahner o homem é um ser da transcendência.Portanto. a originalidade do pensamento de Rahner não consiste. partindo das problemáticas autenticamente teológicas. . Podemos chamar teologia transcendental aquela espécie de teologia sistemática que se serve de uma filosofia transcendental e que trata mais explicitamente que no passado e não só de maneira geral das condições a priori existente no sujeito crente pela consciência da fundamental verdade de fé. mas no ter introduzido na teologia o método antropológico transcendental.

mas de fato o sabemos. a revelação é abertura ao mistério santo da vizinhança de Deus. E esse a recebe na liberdade. .A transcendentalidade do espírito humano no mundo como abertura radical à transcendência não é simplesmente uma abertura ao mistério de um Deus distante e silencioso. portanto. que se revela e se comunica ao humano. sobrenatural vem sempre ao homem de oferta. A graça permanece gratuita e.

Rhaner dedicou grande parte de sua reflexão sobre a cristologia do concílio de Calcedônia. aqui tem dois registros – a) cristologia ôntica – como cristologia aposteriori e categorial. que dá a compreensão do que é o evento do Cristo. que ilustra o evento do Cristo. b) uma cristologia ontológica (em sentido heideggeriano).Ao problema cristológico onde se trata o tema central e mais misterioso do cristianismo. .

mas dá um passo adiante. o dado histórico dogmático teológico. .A cristologia transcendental não substitui a cristologia tradicional. enquanto. move uma ulterior interrogação sobre as condições da possibilidade do poder para vir da mensagem relacionada ao Cristo.

.No conceito de cristologia transcendental de Rahner se desenvolve sobre uma dupla linha: a) uma mais propriamente cristológica. em si mesma a fazer compreensível a encarnação de Deus como auto-expressão de Deus na história humana segundo uma constante relação entre antropologia e cristologia.

Toda realidade criada é direcionada a Deus. . isto é. A antropologia é o homem que se encontra com o paradigma do Cristo homem. b) e uma linha mais propriamente soteriológica de acordo a desenvolver uma constante relação entre existencialidade e cristologia. ela se abre. mas no momento em que essa realidade se torna ciente de si mesma. e a cristologia é antropologia que transcende a si mesma. O homem experimenta a si mesmo como um ser livre dado a si mesmo com referimento ao absoluto e a Deus.A antropologia é cristologia incompleta. uma cristologia não realizada.

O Espírito em certo sentido é a matéria que transcende a si mesma. porque também esta matéria é criada por Deus e está referida a ele. . uma perfeição ôntica.Nesse sentido o espírito significa um pouco mais ontológico: é a consciência da referência a Deus. significa uma proximidade ao Criador. a capacidade da criatura espiritual de autocompreensão.

Quando o homem tem espírito e matéria chega a essa compreensão Acontece que a matéria transcende a si mesma. A criação do homem assinala um ponto decisivo na evolução cósmica e Deus intervém nessa evolução não somente de fora diz Rahner. Esta é aquela que Rahner chama de auto-transcendência. mas ao interno .

conquistando um nível superior de perfeição. . mas uma profunda unidade: no espírito a matéria transcende a si mesma.Deus intervém dentro – essa é a noção de autotranscendência. Entre matéria e espírito não tem contradição.

. quanto mais se aproxima do criador seu fundamento e finalidade maior é o grau que reúne. Quanto mais se aproxima do Criador mais chega a um nível mais elevado.O passo seguinte é mais complexo: no espírito o cosmo dá um passo adiante e reúne ao grau maior de perfeição porque se aproxima do Criador.

A esse ponto emerge a característica de Rahner de desenvolver o discurso numa combinação de movimentos ascendente e descendente e vem proposto o movimento dissidente. Depois de falar de um movimento ascendente de aperfeicionamento do cosmo que se aproxima de Deus. se fez parte. Rahner fala de fato que Deus mesmo veio no cosmo. . elemento também material desse cosmo (o Logos se fez carne).

O cosmo chega mais vizinho a seu fundamento e a sua finalidade. o logos mediador da criação. .O Criador da criação se torna criatura se torna parte do cosmo. da consciência. Na encarnação Deus mesmo na sua auto-comunicação imediata vem a realidade cósmica Rahner rebate que a encarnação não é um momento de evolução do cosmo. Tem-se um momento de crescimento de auto-transcendência do cosmo quando se chega ao salto do espírito. se torna uma parte desse cosmo. tem um salto também quando o Criador mesmo.

Deus enviou seu Filho ao mundo por amor. mas esse momento será sempre o momento mais alto desse cosmo. Duas dimensões: de uma. que no momento no qual Deus se faz homem chega a uma perfeição a qual não teria jamais chegado. Deus mesmo vem ao mundo. de outra. Deus mesmo vem ao homem e com esse a plenitude do cosmo considerado na sua unidade. a perfeição imanente: da matéria ao espírito e desse espírito a uma ulterior autotranscendência. é um momento descendente.A encarnação é gratuita. . a gratuidade radical.

mas ao mesmo tempo qualquer coisa de perfeição do interno à realidade criada porque em tal realidade criada não pode haver finalidade senão na união sempre grande com o Criador . A encarnação é qualquer coisa de absoluto. gratuito e descendente.O espírito é um grau superior à matéria porque é matéria que se autotranscende.

.

1. Quem é o homem a quem Deus se revela? Ente Transcendental? Ouvinte da Palavra? .Auto-comunicação de Deus Revelação na História Trindade econômica – evento Cristo.

O ser para o qual o homem está disposto é Deus e Deus que se dispõe ao ente que emite interrogações. Unidade entre as duas correntes ou vias: Orienta e Ocidental . O homem é referência ao Mistério Santo.

. O fato de ser Logos ele deve se encarnar – é auto-expressão intratrinitária que se externaliza pelo próprio fato de ser o Logos.Rahner se aproxima mais da via grega. Expressão ad intra e ad extra ao mesmo tempo.

vem a ser o ouvinte da palavra e o espírito no mundo. vem se tornar referência ao Mistério Santo. a expressão ad extra é Amor. O Logos divino é aquele que na Trindade. .O homem é assumido pelo Logos – expressão ad extra – encarnação – amor como verdade de Deus.

O Logos de Deus que se comunica com o Pai é aquele que entra no tempo e que comunica o Pai ao mundo. Des se faz referência a si mesmo pela encarnação. . A quem o ser humano escuta é ao próprio Deus. Daí a encarnação ser a plenitude da auto-comunicação divina.

. Finitude e infinitude. Há participação humana na natureza divina permanecendo abismo. Natureza humana assumida.O Logos criado assumido pelo Logos não criado. não carne forjada.

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