CONTRATOS Em ESPÉCIE

por: Carolina Sardenberg SuSSekind CriStiano ChaveS de Melo laura FragoMeni

2ª edição

roteiro de curso 2008.2

Contratos em Espécie
introdução .................................................................................................................................................. 03 1.1. AulA 1: clAssificAção dos contrAtos. elementos essenciAis. ........................................................................... 06 1.2. AulA 2: contrAto de comprA e VendA ............................................................................................................. 10 1.3. AulA 3: contrAto de comprA e VendA (cont.)- cláusulAs especiAis dA comprA e VendA .......................................... 26 1.4. AulA 4: trocA ou permutA. contrAto estimAtório........................................................................................... 31 1.5. AulA 5: doAção .......................................................................................................................................... 33 1.6. AulA 6: contrAto de locAção. locAção de coisAs. ............................................................................................ 38 1.7. AulA 7: contrAto de locAção (locAção de prédios urbAnos –– locAção residenciAl) ........................................... 43 1.8. AulA 8: contrAto de locAção ....................................................................................................................... 48 1.9. AulA 9: empréstimo (comodAto) ................................................................................................................... 52 1.10. AulA 10: empréstimo (mútuo)..................................................................................................................... 57 1.11. AulA 11: prestAção de serViços. empreitAdA ................................................................................................ 61 1.12. AulA 12: depósito ..................................................................................................................................... 64 1.13. AulA 13: mAndAto ..................................................................................................................................... 67 1.14. AulAs 14 e 15: comissão. AgênciA e distribuição (representAção comerciAl)..................................................... 71 1.15. AulA 16: Análise de contrAtos ................................................................................................................... 92 1.16. AulA 17: licençA e cessão de mArcAs............................................................................................................ 93 1.17. AulAs 18 e 19: Jogo e ApostA. seguro.......................................................................................................... 120 1.18. AulAs 20 e 21: fiAnçA. .............................................................................................................................. 125 1.19. AulA 22: trAnsAção. compromisso. ........................................................................................................... 129 1.20. AulAs 23 e 24: leAsing.............................................................................................................................. 137 1.21. AulA 25: resultAdo dA diligênciA.............................................................................................................. 144 1.22. AulA 26: closing! .................................................................................................................................... 147

sumário

CONTRATOs Em EsPÉCIE

INTROduçãO

1.1 Visão Geral Bem-vindo ao Curso de Contratos em Espécie! Esta disciplina é de suma relevância, pois qualquer que seja o ramo do direito que venha a ser escolhido pelo aluno no futuro, seja público ou privado, uma boa base em direito civil, incluindo contratos em espécie, será sempre exigida. Aliás, independentemente do ramo de atividade escolhido, o conhecimento de contratos em espécie é fundamental, tendo em vista que diariamente nos deparamos com inúmeros contratos, seja, no aluguel de um imóvel, em um empréstimo no banco, ou mesmo na simples compra de uma passagem de ônibus. Veremos que o novo Código Civil (Lei nº 10.406/2002) incluiu, no rol de contratos em espécie, contratos que anteriormente eram tratados apenas pelo Código Comercial, como o contrato de comissão, agência e distribuição. Em nossas aulas estudaremos boa parte dos contratos nominados ou típicos, ou seja, aqueles disciplinados no Código Civil, assim como alguns contratos inominados ou atípicos, que, embora não sejam previstos e disciplinados expressamente pela lei, são lícitos e parte do dia-a-dia do intérprete do Direito, como o contrato de leasing e o contrato de cessão de marca.

1.2 objetiVos Gerais O mercado exige, cada vez mais, a participação do advogado como viabilizador do negócio, auxiliando o executivo a negociar o contrato e atuando sempre na advocacia preventiva. Desta forma, nosso objetivo, além de ensinar (é claro), será o de fazer com que o aluno conheça os diversos tipos de contrato e saiba identificar seus requisitos necessários e seus vícios para a conclusão do negócio. Queremos preparar o aluno não apenas para a prova, mas principalmente, provê-lo com as ferramentas (objetivo do curso) que o habilite a identificar as características dos principais contratos do nosso ordenamento jurídico, não só com a abrangência que a matéria requer, mas também com a profundidade necessária de um bom enfoque acadêmico e prático, para que, com isso, ele possa ter um diferencial na sua vida profissional.

1.3 MetodoloGia A metodologia do curso será participativa com exposição dialogada e debates sobre casos propostos. Na próxima aula apresentaremos o caso mestre, que será o fio condutor da disciplina. Por meio dele, os alunos serão convidados a integrar a equipe responsável pela análise de contratos em uma due diligence fictícia. Dessa forma, os alunos terão contato com as diversas espécies de contratos e com os possíveis problemas enfrentados no dia-a-dia de um advogado. Adicionalmente, em todas as aulas serão apresentadas questões, relacionadas ao tema exposto para que sejam debatidas em aula. Para tanto, vale lembrar que: – como todas as aulas serão participativas, a leitura prévia do material didático e da leitura obrigatória é indispensável. – a indicação da bibliografia obrigatória e da bibliografia complementar deve servir de base para o aluno. Espera-se, porém, que o aluno pesquise textos adicionais que possam dar enfoques diferentes ou mais profundos sobre o mesmo tema.
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Manual do Professor. (iii) um trabalho a ser entregue individualmente pelos alunos. A avaliação por participação será feita com base no interesse demonstrado pelo aluno.0) + Segunda prova (8. presença e pontualidade nas aulas.0 (seis) pontos. a média de aprovação a ser alcançada é de 6.0 (cinco) pontos.5 Métodos de aValiação O desempenho do aluno na disciplina Contratos em Espécie será avaliado por meio das seguintes atividades: (i) uma prova escrita a ser realizada no início de outubro. conforme a participação do aluno durante o curso. a qual será obtida conforme fórmula constante no Manual do Aluno .0) + trabalho (5. e.0) + participação (2.0) 2 O aluno que obtiver média inferior a 7. A princípio. As provas serão compostas de até cinco questões. 1.0 (sete) e superior ou igual a 4. A média do aluno será obtida da seguinte forma: Média final = primeira prova (5. que será somado na segunda prova. A primeira prova valerá de 0 (zero) a 5. nas quais o aluno deverá demonstrar o domínio da matéria em casos teóricos e práticos. Participação em aula: Os alunos deverão participar ativamente das aulas. A discussão de casos em todas as aulas servirá justamente para estimular o aluno a pensar a teoria na prática. conhecimento e discussão dos casos apresentados.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. é saber aplicar o conhecimento teórico. leitura do material indicado.0 (quatro) estará automaticamente reprovado na disciplina. Caso haja modificação no cronograma que implique em alteração na data das provas. deverá fazer uma prova final. A participação do aluno em aula valerá até 2.0 pontos na nota da segunda prova. sem comentários ou anotações.0 (quatro) pontos.0 (cinco) pontos e será somada ao trabalho que também valerá de 0 (zero) a 5.0 (oito) pontos. salvo orientação distinta por parte do professor. em casos práticos. FGV DIREITO RIO 4 . adquirido a partir do estudo e de pesquisa. nova data e horário serão divulgados com antecedência para os alunos. (ii) uma prova escrita a ser realizada na última aula do curso. um dos principais desafios a serem enfrentados pelos alunos nesta disciplina. Poderá ser atribuído até 2. e (iv) participação em sala de aula. somente com remissões a artigos e súmulas dos tribunais superiores. A segunda prova valerá de 0 (zero) a 8. O aluno que obtiver média inferior a 4.. para elaborar as respostas. Prova escrita: Para ambas as provas o aluno poderá consultar a legislação pertinente.0 (dois) pontos. a primeira prova será realizada na primeira semana de outubro e a segunda prova será realizada na semana de 21/11 a 24/11.4 desafios Tendo em vista o grande número de contratos no Código Civil e a abrangência da matéria. Para os alunos que fizerem a prova final.

6 atiVidades CoMPleMentares Dependendo do andamento das aulas. seus riscos e. conforme os casos apresentados durante as aulas. cada aluno deverá apresentar relatório apontando os problemas encontrados na diligência legal. FGV DIREITO RIO 5 . nova data e horário serão divulgados com antecedência para os alunos. quando possível.CONTRATOs Em EsPÉCIE trabalho: Na segunda semana de novembro. 1. Ao longo do curso serão fornecidas mais informações sobre como elaborar o trabalho. o professor poderá propor atividades adicionais que valerão 0. Os pontos adicionais serão somados à nota da segunda prova. as formas de solucioná-los. Caso haja modificação no cronograma que implique em alteração na data da entrega do trabalho.5 (meio ponto) cada uma.

Joaquim Portes de Cerqueira César e Roberto Rosas (coord). Rio de Janeiro: Forense. III.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. São Paulo: Saraiva. quando da substância do ato.. Negócio Jurídico – Existência. e (v) extinção dos contratos. Validade e Eficácia. Dentre outros. págs 59 a 77. In ARRUDA Alvim. vol. Saraiva. A evolução do contrato no terceiro milênio e o novo Código Civil. b) existência e validade do contrato Sendo o contrato um negócio jurídico. São elementos constitutivos: – vontade manifestada por meio de declaração. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 2002.1. 1 FGV DIREITO RIO 6 . 27 a 48. Classificação dos contratos. 2005. eMentário de teMas: Introdução. Rever aula 2 do curso de Teoria Geral das Obrigações e dos Contratos. Aspectos Controvertidos do Novo Código Civil. 2003. 2002.4.2. a ele são aplicáveis os mesmos elementos constitutivos e os pressupostos de validade do negócio jurídico1. Hoje.1. • PEREIRA. 1. Silvio.3. págs. – forma. 1. • AZEVEDO. 30 a 35. vol. Nosso curso será voltado ao estudo dos contratos em espécie. 3. (iii) formação dos contratos. porém. Direito Civil. São Paulo: Ed. ElEmENTOS ESSENCIAIS. roteiro de aula a) introdução No semestre passado. 1. 1.1. Caio Mário da Silva. AulA 1: ClASSIfICAçãO dOS CONTRATOS. biblioGrafia obriGatória: • RODRIGUES. analisaremos os elementos e requisitos para existência e validade do contrato e a classificação dos contratos. biblioGrafia CoMPleMentar: • WALD.1. Arnoldo. págs. Existência e validade do contrato. Antonio Junqueira de. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. – idoneidade do objeto. (iv) revisão dos contratos.1. os alunos tiveram oportunidade de fazer o curso de Teoria Geral das Obrigações e dos Contratos. (ii) interpretação dos contratos.1. aprenderam os seguintes tópicos: (i) princípios da nova teoria contratual. Instituições de Direito Civil.

Estando ausente algum desses requisitos. Exemplo: contrato de compra e venda de bem móvel. exige apenas o consentimento das partes. O donátario recebe algo do doador e nada lhe dá em retorno. Qual é a importância de distinguir o contrato gratuito do oneroso?– Comutativos e aleatórios Essa distinção aplica-se apenas aos contratos bilaterais e onerosos. Conforme bibliografia complementar. possível. mas recomendamos que o livro de Caio Mario da Silva Pereira2 também seja estudado. – forma prescrita ou não defesa em lei. 104 do Código Civil: – agente capaz. conforme o ponto de observação do estudo. Nesta aula usaremos por base a metodologia de Silvio Rodrigues. Relacionamos abaixo alguns exemplos: [i – classificação dos contratos quanto a sua natureza:] – Unilaterais e bilaterais Afinal. 2 FGV DIREITO RIO 7 . o negócio jurídico nem mesmo existirá. – objeto lícito. O exemplo tradicional de contrato gratuito é a doação sem encargo. cada autor tem um enfoque diferente ao tratar dessa matéria. Já no contrato real. Já os contratos gratuitos envolvem sacríficio econômico para apenas uma das partes e consequentemente vantagem patrimonial a apenas uma delas. o que ocorre é uma promessa de contratar. C) Classificação dos contratos Qual é o objetivo de classificar os contratos? Embora haja consenso na doutrina sobre boa parte da classificação dos contratos. Qual é a importância de distinguir o contrato comutativo do aleatório? [ii – classificação dos contratos quanto ao seu aperfeiçoamento:] – Consensuais e reais O contrato consensual não requer a entrega do bem para aperfeiçoamento do contrato. o mero acordo entre as partes não é suficiente para constituir o contrato. Uma mesma espécie de contrato pode ser classificada de inúmeras maneiras. no máximo. certo? Como podemos dizer que um contrato é unilateral? Qual é a importância de distinguir o contrato unilateral do bilateral? – Onerosos e gratuitos Os contratos onerosos envolvem sacrifícios e vantagens patrimoniais a ambas as partes. determinado ou determinável. Os requisitos de validade estão previstos no art. o contrato em si é um ato bilateral.CONTRATOs Em EsPÉCIE Caso um desses elementos não esteja presente. o contrato será nulo ou anulável O elemento novo e inerente ao contrato é o acordo entre duas partes sobre determinado assunto.

o contrato não se aperfeiçoa por mais que haja um contrato entre mutuante e mutuário. [v – classificação dos contratos quanto ao momento de sua execução] – Execução instantânea e de execução diferida no futuro Qual é a importância de distinguir o contrato de execução instantânea do contrato de execução diferida no futuro? [vi – classificação dos contratos quanto ao seu objeto] – Definitivo e preliminar O contrato preliminar tem sempre como objeto a realização de um contrato definitivo. já que o contrato principal sobrevive sem o contrato acessório. se o mutuante não empresta o dinheiro ao mutuário. A recíproca. por exemplo. Inominados ou atípicos são os contratos que. 425 da Lei nº 10. nulo será o contrato acessório. As peculiaridades do contrato preliminar estão previstas nos arts. Há. apesar de não estarem disciplinados em lei.406/2002). 462 a 644 da Lei nº 10. – Solenes e não solenes Geralmente os contratos são não solenes. trata-se do contrato que trata do assunto definitivamente. existe em função de outro contrato. O contrato acessório. Qual é a importância de distinguir o contrato solene do não solene? [iii – classificação dos contratos quanto a sua sistematização:] – Nominados e inominados Nominados são os contratos previstos e regulados por lei. A fiança é um bom exemplo de contrato acessório ao contrato de locação. no mútuo.406/2002. O contrato definitivo pode ter vários objetos.406/2002). se o contrato principal é nulo. em razão do princípio da autonomia da vontade (art. no entanto. 108 da Lei nº 10. FGV DIREITO RIO 8 . são permitidos quando lícitos. porém. É o caso do contrato de compra e venda de imóvel de valor superior a 30 (trinta) vezes o maior salário mínimo vigente no país e que tem que ser feito por escritura pública (art. Como diz o próprio nome.CONTRATOs Em EsPÉCIE Isso ocorre. o acessório segue o principal. não é verdadeira. não há forma prescrita em lei para que sejam válidos. ou seja. [iv – classificação dos contratos quanto ao seu relacionamento com os demais contratos:] – Principais e acessórios O contrato que independe de outro para existir é o contrato principal. alguns casos em que o legislador achou por bem determinar forma para a validade do ato. Como pela regra geral. conforme a espécie de contrato. por sua vez.

Formal.1ª fase) o contrato real é um contrato: a. As regras foram previamente estipuladas por uma das partes. aquele que não pôde negociar as cláusulas do contrato.1. Os artigos 423 e 424 mostram a preocupação do legislador em tentar preservar o aderente. 1.6. joGo – disCussão eM sala de aula Contrato/ Classificação Unilateral Bilateral Oneroso Gratuito Comutativo Aleatório Consensual Real Solene Não solene Nominado Inominado Principal Acessório Execução Instantânea Execução diferida no futuro Definitivo Preliminar Paritário De adesão Compra e Venda locação doação Empréstimo fiança mandato fornecimento de energia FGV DIREITO RIO 9 . cabendo a outra parte aceitá-las ou rejeitá-las em sua totalidade. no contrato de adesão não há espaço para negociação. Em que a entrega da res é pressuposto da sua existência. c.5. Que tem por objeto coisas corpóreas. d. 1. Efetivamente existente.1. b. no qual as partes discutem os termos do negócio. questões de ConCurso (Prova: 10º exame de ordem .CONTRATOs Em EsPÉCIE [vii – classificação dos contratos quanto à maneira como são formados] – Paritários e de adesão Ao contrário do contrato paritário. ou seja.

1. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. In CASTRO. dona Mônica. O que começou com uma loja de conveniência. Cerca de dez anos após o começo das atividades. São Paulo: Quartier Latin. eMentário de teMas: Introdução – Natureza Jurídica – Elementos – Despesas do Contrato e Garantia – Riscos da Coisa – Limitações à Compra e Venda – Regras Especiais 1. foi brindada com uma oportunidade de expansão dos seus negócios.4. e recebeu autorização deles para iniciar as conversas com o interessado. que visava atender apenas a região. quando nosso cliente a procurou para lhe fazer uma proposta de compra da Pechincha Ltda. 2002. In SADDI. Leandro Santos de (coords. São Paulo: Ed.2. AulA 2: CONTRATO dE COmPRA E VENdA 1. FGV DIREITO RIO 10 . Dessa forma.2. 2005. com três lojas e um armazém. e sempre foi capaz de enxergar uma boa oportunidade. 99-121. págs. Maristela Sabbag. Um velho comerciante de Brasília resolveu aposentar-se e voltar a morar com a filha.3. 205-219. 1. Sucessão Empresarial – Declarações e Garantias – O Papel da Legal Due Diligence. porém. na década de 80.2. BRUNA. Direito Civil. vendendo-lhes algumas posses. Eduardo e sua mulher. Maria Lúcia sempre teve tino para os negócios.). vol. abriram o primeiro mercadinho. Jairo (org.2. 3. biblioGrafia obriGatória: • Arts.2. 2002. Reorganização societária. Due diligence – identificando contingências para prever riscos futuros. Caso Gerador O Sr.2. alugando outras e.).406/2002. 481 a 504 da Lei nº 10. São Paulo: IOB. em Brasília. no interior de São Paulo. Silvio. Monteiro de.. Edmundo. Jeremias e Maria Lúcia. • ABLA. págs. o senhor Eduardo ampliou seus negócios e hoje é sócio majoritário de uma sociedade que possui uma modesta rede de supermercados. Fusões e aquisições: aspectos jurídicos e econômicos. ARAGÃO. Sérgio Varella. págs.1. A partir de então. Com o passar dos anos. mesmo diante da resistência inicial de seus pais e seu irmão. rapidamente ocupou um lugar cativo na vizinhança e a freguesia se tornou cada vez mais fiel. de uma maneira geral.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. a Pechincha Comércio Varejista Ltda. 137 a 169. a pequena empresa de Eduardo e Mônica foi experimentando um contínuo sucesso e o negócio foi crescendo junto com seus filhos gêmeos. Com o passar do tempo. Saraiva. Rodrigo R. sendo que antes decidiu conferir a Eduardo e Mônica a condução dos seus negócios. conseguiu convencê-los de que se tratava de uma chance de ouro para a família. • RODRIGUES. transferindo o fundo de comércio para a Pechincha Ltda. biblioGrafia CoMPleMentar: • NEJM. o senhor Eduardo foi paulatinamente transferindo a administração de seus negócios para seus filhos.

motivo que o levou a se interessar pela Pechincha Ltda. por si só. quando saímos para jantar. no caso de Dependendo do tamanho da empresa. com o exame criterioso de seus contratos. a diligência é feita apenas nos processos judiciais ou administrativos. estamos realizando pequenas operações de compra e venda. a obrigação de transferir a coisa vendida. com negócios na área atacadista pretende começar a atuar no segmento de distribuição alimentícia.? Quais os riscos que. trabalhistas. muitas vezes sem prestar atenção. Por exemplo. Esse relatório serve de instrumento para que o potencial comprador pondere se deve prosseguir com a aquisição do negócio. a tarefa de fazer a diligência legal na área de contratos da Pechincha Ltda. deveremos solicitar todos3 os contratos da empresa a ser adquirida. chamado de critério de materialidade. sejam eles tributários. nosso primeiro trabalho será realizar uma due diligence ou diligência legal ou auditoria jurídica na companhia Pechincha Ltda. Nesses casos.CONTRATOs Em EsPÉCIE Nosso cliente. contratos e demais áreas que envolvam valor igual ou superior ao critério de materialidade. Isso normalmente se dá por meio de uma análise de todas as operações da empresa. começaria o processo de diligência? Quais seriam os primeiros contratos que você solicitaria ao advogado da Pechincha Ltda. o domínio do bem alienado. Coube a nós. os compradores estabelecem um valor base para análise dos aspectos jurídicos. 3 FGV DIREITO RIO 11 . então. muitas vezes é elaborado um relatório descrevendo a situação da empresa. considerando o negócio por ela desenvolvido. verbal ou escrito. O resultado de uma diligência legal pode determinar o sucesso ou não da operação e geralmente influi no preço a ser pago. Não é à toa que essa é a primeira espécie a ser tratada pelo Código Civil. para o comprador. destacando todos os pontos e questões identificados durante o processo de diligência legal e que podem afetar a situação financeira e legal da companhia. O contrato de compra e venda gera: para o vendedor. roteiro de aula a) introdução O contrato de compra e venda. Para tanto. Como de costume em negócios deste gênero. a companhia Grana Certa Empreendimentos S/A. são regulados também pelas disposições do contrato de compra e venda. não transfere.2. sendo que outros contratos. vamos ao supermercado. Porém. O contrato de compra e venda não gera efeitos reais. quais são os riscos a que estaria submetido. A diligência legal tem por objetivo conhecer os aspectos jurídicos da empresa. a obrigação de pagar o preço ajustado. como permuta. é a espécie mais comum dos contratos. vislumbrou a possibilidade de expandir ainda mais os negócios. dada a fidelização da clientela do senhor Eduardo. ambientais etc.5. que é um investidor profissional. ou seja. Como você. você concentraria mais sua atenção? Que problemas você vislumbra que ela pode ter nos contratos existentes? 1. se o fizer. Em nosso dia-a-dia realizamos inúmeras operações de compra e venda. Além disso. na qualidade de advogado da Grana Certa S/A. a transferência do domínio só ocorre com a tradição (entrega) do bem. Ao fim do processo de diligência legal. e. bem como de uma tentativa de identificação de suas dívidas ou passivos mais relevantes. presidida pelo senhor Odin Heiro. de forma que os potenciais compradores saibam o que realmente estão comprando. cíveis. e a escassez de bons supermercados na região. compramos um chiclete na barraquinha.

1. A gratuidade da compra e venda. considerar-se-á obrigatória e perfeita. embora não formalizada em contrato escrito. em regra. b) natureza jurídica: [consensual e (em regra) não solene] Depende apenas da vontade das partes. a observância de determinadas formalidades poderão alterar os efeitos do contrato. Tanto é assim que a compra de um chiclete no baleiro da esquina perfaz uma compra e venda perfeita. Na venda de bem imóvel de valor superior a 30 (trinta) vezes o maior salário mínimo vigente no país. desfigura o contrato.267 e 1. podemos extrair a natureza jurídica e os elementos do contrato de compra e venda. sem medo de errar.406/2002 dispõem: “Art. [sinalagmático (ou bilateral)] Envolve prestações recíprocas de ambas as partes. Cite um exemplo. um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa. embora não necessitem de formalidades especiais para seu aperfeiçoamento. (arts. que só será obrigatória quando prevista especificamente em lei. mas somente entre as partes. Estando ambas de acordo com o objeto e o preço. expressa na desproporção manifesta entre o valor da coisa transferida e o preço acordado. que a maioria esmagadora das operações de venda é feita sem formalidades específicas previstas em lei. 481. Pode-se dizer. é necessária a realização de contrato escrito mediante escritura pública e seu registro no RGI para que gere efeitos perante terceiros. quando pura. a pagar-lhe certo preço em dinheiro”. Pelo contrato de compra e venda. A compra e venda. C) elementos: Os elementos do contrato de compra e venda encontram-se destacados em negrito no artigo 482 acima. necessitam de um determinado registro para que a tradição do bem – apesar de móvel – tenha sua eficácia plena. e com o registro do título de compra no Registro de Imóveis na hipótese de bem imóvel. para algumas espécies de compra e venda. O comprador deve entregar o preço enquanto o vendedor deve entregar a coisa. o contrato é realizado.CONTRATOs Em EsPÉCIE bem móvel. “Art. A partir da leitura desses dois artigos. que envolvem transferência de seu patrimônio. Todavia. não se pode esquecer que. Não se exige.406/2002) Os artigos 481 e 482 da Lei 10. 482. [oneroso] Tanto o comprador quanto o vendedor tem prestações a cumprir. Importante: o contrato de compra e venda de imóvel realizado por meio de instrumento particular é negócio jurídico existente. formalidade específica para o contrato de compra e venda. O correspondente gratuito da compra e venda é a doação. quais sejam: FGV DIREITO RIO 12 .245 da Lei n° 10. Existem outros contratos que. válido e plenamente eficaz. desde que as partes acordarem no objeto e no preço”. inclusive perante terceiros. e o outro.

Pode o preço. Ou seja. ou (ii) taxa do mercado ou da bolsa. como as marcas e o fundo de comércio. Por quê? Isso não quer dizer.406/2002. o contrato de compra e venda não transfere o domínio do bem. Como visto acima. no direito brasileiro. ou (iii) índices ou parâmetros. Mônica. as despesas de escritura e registro ficam a cargo do comprador e as despesas com a tradição ficam sob responsabilidade do vendedor. vedada pela Lei n° 10. entretanto. não tem qualquer valor econômico. qualquer fórmula estipulada para fixação do preço é permitida. deve haver uma proporcionalidade entre o valor da coisa e seu preço. E agora? Não é possível. [preço] Conforme artigo 481 da Lei n° 10. pois senão pode ser considerado uma doação e não uma compra e venda. estabelecer que o preço será fixado de acordo com a vontade de apenas uma das partes. 4 FGV DIREITO RIO 13 . também podem ser alienados. Ele representa a obrigação de transferir um bem no presente ou no futuro.406/2002. [coisa] Em teoria. Qual seria um outro exemplo de venda de coisa futura? d) despesas do contrato e garantia Em regra. porém. conta que está super empolgada com o presente que ganhou do namorado. Por quê? Além disso. Imagine que Eduardo inovou desta vez: comprou-lhe a constelação das Três Marias!!! Ela lhe pergunta quanto vale esse presente. ou seja. o preço não deve ser irrisório. ser ajustado no tempo. desde que possam ser determinados objetivamente. inclusive. estabelecer regra diversa.CONTRATOs Em EsPÉCIE [consentimento ] Comprador e vendedor têm que chegar a acordo quanto ao objeto e o preço. Um pouco constrangido (a) com a situação. embora possa ter muito valor sentimental. Como vimos anteriormente. o preço deve ser pago em dinheiro. mesmo após a tradição do objeto o preço pode estar sujeito a ajustes posteriores. que só podem ser objetos de venda os bens tangíveis. A fixação do preço em regra segue o livre consentimento das partes. Marvin (comprador) e Vital (vendedor) firmaram contrato de compra e venda no qual deixaram de definir o preço. que é possível alienar um empreendimento imobiliário. Sendo assim. As partes podem. de acordo com a combinação das partes. Tanto é assim. você explica que esse presente. em certo e determinado dia e local. todas as coisas que não estejam fora do comércio podem ser objetos do contrato de compra e venda. mesmo antes da construção dos prédios. Sua amiga. O preço deve ser determinado ou determinável. Os bens imateriais. Relembrando: Condição potestativa é aquela que é sujeita ao puro arbítrio de uma das partes. ou intangíveis. – É possível alienar algo que não existe? Nada impede que seja contratada a alienação de um bem que ainda não existe. porém. pois nesse caso seria uma hipótese de condição potestativa4. a lei permite que o preço não esteja determinado no contrato e que as partes indiquem: (i) terceiro para fixá-lo.

que “até o momento da tradição. curadores. Qual é? e) riscos da coisa Res perit domino – princípio segundo o qual a coisa perece em poder de seu dono. Art. 495 está em consonância com a previsão da exceção de contrato não cumprido5 estudada anteriormente. a coisa continua a pertencer ao alienante. que foi posta à disposição pelo vendedor no local. quem tem que cumprir primeiro com sua obrigação: o vendedor ou o comprador? Além disso. pode a outra recusar-se à prestação que lhe incumbe. juízo ou conselho. testamenteiros e administradores não podem comprar. que o vendedor arcasse com os riscos da coisa. até o momento de sua efetiva entrega ou registro. os bens ou direitos da pessoa jurídica a que servirem. no lugar onde servirem. e os do preço por conta do comprador”. Isto ocorre nas seguintes situações: – tutores. tempo e modo acertado. ou a que se estender a sua autoridade. Porém. peritos e outros serventuários ou auxiliares da Justiça não podem comprar. pois neste caso não houve a tradição da coisa.CONTRATOs Em EsPÉCIE No contrato de compra e venda à vista. Esta hipótese é uma exceção ao princípio da Res perit domino. eles não têm legitimidade para realizar determinadas operações. depois de concluído o contrato.406/2002: “se. entretanto. arbitradores. Não seria justo. 5 FGV DIREITO RIO 14 . mas sim da posição na relação jurídica. f) limitações à compra e venda A lei veda que determinadas pessoas participem de compra e venda. 492. os bens ou direitos sobre que se litigar em tribunal. – o comprador solicita que a coisa seja entregue em local diverso daquele que deveria ser entregue. Esse princípio foi utilizado pelo legislador ao determinar. a coisa se deteriora. no caso de venda a termo. em razão de caso fortuito ou força maior. Essa vedação não resulta da incapacidade das pessoas para realizar essa operação. – houver mútuo acordo entre as partes. Essa regra do art. ainda que em hasta pública. ainda que em hasta pública. marcar ou assinalar a coisa e. até que aquela satisfaça a que lhe comete ou dê garantia bastante de satisfazê-la”. sobrevier a uma das partes contratantes diminuição em seu patrimônio capaz de comprometer ou tornar duvidosa a prestação pela qual se obrigou. – o comprador está em mora de receber a coisa. 477 da Lei nº 10. Há uma diferença entre elas. Tendo em vista que a celebração do contrato de compra e venda não é suficiente para transferir o domínio da coisa até o momento da tradição (para bens móveis) e do registro (para bens imóveis). ou que estejam sob sua administração. os riscos com a coisa são do vendedor. os riscos com a coisa correm por conta do comprador quando: – a coisa encontra-se à disposição do comprador para que ele possa contar. os bens confiados à sua guarda ou administração. No caso. ainda que em hasta pública. direta ou indireta. o vendedor pode deixar de entregar a coisa. sofrendo este os prejuízos. Por isso. até que o comprador lhe dê garantia de que efetuará os pagamentos no prazo ajustado. – servidores públicos não podem comprar. uma vez que cumpriu sua parte do contrato. – juízes. no art. se o comprador torna-se insolvente. secretários de tribunais. os riscos da coisa correm por conta do vendedor.

503. No caso de venda ad mensuram. O comprador tem direito de receber coisa igual à amostra. Quais são os motivos pelos quais o legislador resolveu restringir a aquisição pelas pessoas elencadas acima? O condômino de coisa indivisível pode alienar sua parte a terceiros. FGV DIREITO RIO 15 . bilateral.CONTRATOs Em EsPÉCIE – leiloeiros e seus prepostos não podem adquirir. d. oneroso. oneroso e não solene. bilateral. – descendentes não podem adquirir bens do ascendente. Exemplo: Fazendeiro tem interesse em adquirir a Fazenda Boa Esperança.2. O objetivo do adquirente é comprar uma coisa com determinado comprimento necessário para desenvolver uma finalidade. Bilateral. Consensual. sem consentimento expresso dos demais descendentes e do cônjuge do alienante. Já no caso de venda ad corpus. Quais são elas e como esse artigo deve ser interpretado para atenuar as críticas? 1. formal e aleatório. ainda que em hasta pública. rescindir o contrato de compra e venda. Exemplo: Fazendeiro tem interesse em adquirir mil hectares para poder plantar. Esse artigo sofre críticas de importantes autores. Oneroso. não formal e consensual. caso verifique que as medidas do imóvel adquirido não correspondem exatamente as medidas que constaram do contrato. ou seja. independentemente da extensão. o defeito oculto de uma não autoriza a rejeição de todas”.6. desde que dê direito de preferência aos demais condôminos. [defeito oculto nas vendas conjuntas] “Art. oneroso e solene. o comprador não teria esse direito. b. ou caso isso não seja possível. Nestes casos. O que ocorre se houver mais de um condômino interessado em adquirir a quota parte a ser alienada? G) regras especiais [venda por amostra] Ocorre quando a venda ocorre com base em amostra exibida ao comprador. Embora em alguns casos seja difícil determinar se a venda foi feita ad mensuram ou ad corpus. Consensual. c. questões de ConCurso (Prova: 29º Exame de Ordem . os bens de cuja venda estejam encarregados. Venda ad corpus – as partes estão interessadas em comprar coisa certa e determinada. o comprador tem o direito de exigir que a coisa vendida tenha as medidas acertadas e não o tendo pode pedir a complementação da área. ele precisa oferecer aos demais condôminos sua parte pelo mesmo preço e condições pelos quais pretende vender a terceiros.1ª fase) Quanto à classificação. o contrato de compra e venda de imóveis se apresenta da seguinte forma: a. por vezes essa distinção se faz necessária em razão das regras peculiares a cada uma. bilateral. [venda ad corpus e venda ad mensuram] Venda ad mensuram – as partes estão interessadas em uma determinada área. entende-se que a referência à medida do terreno é meramente enunciativa. Nas coisas vendidas conjuntamente.

antes de vendê-la a um estranho. podemos afirmar que: a. Falta de legitimação.1ª fase) A proibição de venda do ascendente aos descendentes sem a concordância dos demais. d. Ao vendedor. Modelo de lista de due diliGenCe DILIGÊNCIA LEGAL Durante a diligência legal serão analisadas cópias dos documentos abaixo discriminados. Na venda “ad mensuram” as referências às dimensões do imóvel são meramente enunciativas. Falta de legitimação. ainda que haja capacidade. se for o caso. O condômino em coisa indivisível. Transfere-se o domínio de qualquer bem imóvel. d. não cabendo demanda quanto a uma eventual diferença nas medições d. Formal. Não se transfere o domínio dos bens móveis. dar direito de preferência na aquisição. b. c.2. É válida a venda de ascendente solteiro a descendente. Necessariamente ao vendedor c. Unilateral.1ª fase) A compra e venda de bens móveis é contrato: a. Executam-se as obrigações assumidas verbalmente. configura: a.NOTA INTRODUTÓRIA: Alguns dos documentos solicitados podem não existir ou não ser aplicáveis à sociedade objeto da diligência legal e. deve. que obtém o consentimento dos demais descendentes. c. Ao comprador. podendo haver disposição em contrário (Prova: 05º Exame de Ordem . b. (Prova: 05º Exame de Ordem . É nula a pactuação firmada que deixa ao exclusivo arbítrio de uma das partes a fixação do preço b. se for o caso. FGV DIREITO RIO 16 . Neste caso. aos demais condôminos (Prova: 26º Exame de Ordem . falta de capacidade. A título gratuito. 1.7. referentes à sociedade limitada a ser adquirida e. bastará que a sociedade formule declaração por escrito nesse sentido. Necessariamente ao comprador b. NÃO É CORRETO afirmar: a. c.CONTRATOs Em EsPÉCIE (Prova: 27º Exame de Ordem . d. Transfere-se o domínio dos bens móveis. incapacidade de fato. tanto por tanto. b.1ª fase) Considerando-se o instituto da tradição no direito civil. Comutativo. Desde que haja capacidade. (Prova: 03º Exame de Ordem . I . Falta de aptidão intrínseca do agente. não existe proibição. ao desejar vender a sua parte no bem.1ª fase) A quem cabem as despesas com a escritura de compra e venda de imóvel residencial? a. quando da realização de avença c. a suas controladas e coligadas.1ª fase) Com relação ao contrato de compra e venda. a todas as suas controladas e coligadas. podendo haver disposição em contrário d.

18. Informar sobre a eventual existência de inadimplemento de cláusulas contratuais contendo obrigações de caráter econômico-financeiro (tais como cláusulas limitando o futuro endividamento da sociedade. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de licença e/ou cessão envolvendo marcas. depósitos e quaisquer outras operações da sociedade. arquivados ou não na sede da sociedade. 19. contratos de assistência técnica e/ou contratos de franquia ou outros contratos envolvendo bens de propriedade intelectual eventualmente firmados pela sociedade. coligadas. Convenção de grupo de sociedades de que a sociedade participe. valor. Demonstrações financeiras da sociedade. Registro das ações ou quotas de outras sociedades de que participa a sociedade. representação comercial e de fornecimento (ativo ou passivo) envolvendo a sociedade. 9. 14. III . Todos os Livros Societários da sociedade. Solicitamos que os documentos sejam ordenados e/ou relacionados seguindo a ordem e numeração constante deste check list. Protocolos de cisão. se existentes. incorporação e fusão em que tenha sido parte a sociedade ou tendo por objeto suas quotas. 10. 3. incluindo suas funções e responsabilidades. as certidões a serem providenciadas deverão abranger a matriz e todas as filiais. vencimentos. 12. acompanhados dos respectivos certificados de averbação no INPI e de registro no Banco Central. 16. desenhos industriais. contratos de transferência de tecnologia. 6. subsidiárias. Fornecer cópias dos modelos de contratos-padrão utilizados pela sociedade. cláusulas estabelecendo proibição de ultrapassar determinado limite entre capital próprio e capital de terceiros (“debt/ equity”) e etc. 15. 13. cópia das publicações exigidas em lei. 5. Lista dos nomes dos sócios. 21. Em caso de cisão ou redução do capital social da sociedade. bem como respectivas cópias. Organograma societário da sociedade. Fornecer lista elaborada pela administração da sociedade contemplando todos os contratos em vigor dos quais a sociedade seja parte signatária ou interveniente.ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DA SOCIEDADE: 1. cauções e outros gravames. bem como as suas respectivas publicações. 11. FGV DIREITO RIO 17 . 4. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de distribuição. Contrato constitutivo da sociedade e respectivas alterações contratuais posteriores.CONTRATOs Em EsPÉCIE Se a sociedade mantiver filiais. bem como Atas de Assembléias ou Reuniões de Sócios. tendo por objeto as quotas da sociedade. Acordo de Sócios e Aditivos. Relatório indicando todas as procurações outorgadas pela sociedade (ad judicia e ad negotia). com comprovantes de arquivamento na Junta Comercial e respectivas publicações.). prazo e com o fornecimento das respectivas cópias. Certidão de Breve Relatório da Junta Comercial competente. direito autoral. garantias. a fim de agilizar o procedimento de sua identificação e análise. 7. Planos de Opção de Compra de Ações/Quotas oferecidos aos seus administradores e/ou empregados. patentes. associação ou “joint venture”. com identificação de seus sócios. informando objeto. promessas de compra e venda.CONTRATOS: 17. filiais (com os respectivos números de inscrição no CNPJ). II . Contratos de consórcio. 8. 20. 2. controladas e demais sociedades nas quais participe. Lista de endereços completos de todos os escritórios. Opções. membros da administração da sociedade que ocupam e/ou ocuparam tais cargos durante os últimos 02 (dois) anos. situação (adimplemento ou inadimplemento). especialmente o de Atas de Assembléias ou Reuniões de Sócios.

40.. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de locação. mas não se limitando a: 35. Nomes de domínio registrados pela sociedade. Obras intelectuais de titularidade da sociedade. caução) concedidas pela sociedade em favor de terceiros ou. ainda. 37. 29. Manutenção de software.g fiança. patentes e/ou desenhos industriais depositados/registrados. 31. 31. 24. tais como: 31.CONTRATOs Em EsPÉCIE 22. ainda. Licenciamento de software. 27. hipoteca. incluindo.g. arrendamento mercantil ou comodato de bens imóveis ou móveis.g fiança. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de prestação de serviços de publicidade e propaganda. 31. Todos os softwares utilizados pela sociedade. 31. Informar sobre e fornecer cópia de Notas Promissórias emitidas pela sociedade.2. 39.6. que não tenham sido previstos na presente lista. 25. Informar sobre e fornecer cópia de documento de constituição de garantias pessoais (e. aval) em favor da sociedade. Processos administrativos e/ou judiciais envolvendo os bens de propriedade intelectual da sociedade. finalmente. Informar sobre e fornecer cópia de compromissos. com a informação. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de empréstimo ou financiamento (inclusive por meio de emissão de valores mobiliários).PROPRIEDADE INTELECTUAL: Solicitamos informações e cópias de todos os bens e documentos referentes à propriedade intelectual da sociedade no Brasil e em outros países. correspondências. 33. IV . Desenvolvimento de software. 28. e/ou outros instrumentos de natureza financeira. da eventual cessão pelo beneficiário das referidas notas. Fornecer todas as apólices de seguros contratados. cujas cópias deverão ser igualmente fornecidas. Locação de hardware. 23. 26. 31. acordos laterais etc.3. caução) em favor da sociedade e respectivas certidões ou. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantias reais (e. que qualquer referência a contratos inclui seus aditivos e anexos. FGV DIREITO RIO 18 . Informar sobre e fornecer cópia de Cartas de Conforto (comfort letters) ou quaisquer instrumentos. Informar sobre e fornecer cópia de contratos na área de tecnologia da informação. cartas de intenção ou entendimentos com terceiros em que a sociedade figure como parte. 32. Processos administrativos apresentados contra marcas de terceiros no Brasil e/ou no exterior. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantia pessoal (e. ou modifiquem seus termos. penhor. 31. aval) concedidas pela sociedade em favor de terceiros. Informamos. Todos os softwares criados pela sociedade.1. que definam o modo de cumprimento de cláusulas contratuais. 34.4. 41. Serviços técnicos. instrumentos tendo por objeto alienação fiduciária e compra e venda com reserva de domínio.5. se de conhecimento da mesma. instrumentos tendo por objeto alienação fiduciária de bem da sociedade ou compra e venda com reserva de domínio. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de prestação de consultoria. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantias reais (e. 38.g hipoteca. 30. assistência técnica ou serviços de qualquer outra natureza. Marcas. 42. Manutenção de hardware. bem como comprovação de poderes de representação do signatário do garantidor. penhor. Informação acerca de segredos de negócio de propriedade da sociedade. 36.

(iv) quantidade de parcelas pagas. Caso a sociedade possua bens imóveis: 45. 54. direitos de retenção ou qualquer outra forma de restrição de qualquer natureza sobre qualquer ativo da sociedade listando tais ativos e os relacionando aos respectivos processos judiciais ou administrativos. indicando: (i) tributo parcelado. Prova da propriedade dos bens imóveis da sociedade. estadual ou municipal. 46. (v) garantia oferecida. Qualquer outra documentação que seja relevante e/ou que afete os bens de propriedade intelectual da sociedade. a existência de eventuais requerimentos ou questionamentos pendentes quanto aos mesmos. nos níveis federal. (vi) documentação apresentada à autoridade fiscal competente discriminando os débitos fiscais incluídos no REFIS e/ou PAES e (vii) prova de quitação de todos os pagamentos até a presente data. (iii) número de parcelas. 53. formalmente protocoladas perante os órgãos da administração tributária. Certidões negativas relativas ao IPTU. Certidões negativas do INSS relativas aos bens imóveis da sociedade. FGV DIREITO RIO 19 .000. As 3 (três) últimas demonstrações financeiras e os 3 (três) últimos Balancetes consolidados da sociedade. (ii) início do parcelamento. Portarias. 47. Relatório atualizado discriminando parcelamentos de tributos da sociedade e/ou participação em programas de recuperação fiscal (“REFIS” ou “PAES” .. utilização de créditos extemporâneos. repetição do indébito. etc. Fornecer toda documentação (Instruções Normativas. VI – ASPECTOS FISCAIS: 48. 52. referente aos últimos 05 (cinco) anos. com a indicação. envolvendo a sociedade. acompanhados dos receptivos termos. etc. 50. inclusive certidões atualizadas com filiação vintenária. Consultas fiscais. cartas de representação e/ou outras informações formais prestadas pelos administradores aos auditores. tendo por objeto matéria tributária. 51. Pareceres dos auditores independentes. para fins de auditoria. Toda e qualquer documentação relativa a penhores. já utilizados e a utilizar.) relacionada ao regime especial e/ou benefício fiscal concedido à sociedade até a presente data. 49. declarações. dos registros de imóveis competentes. cujas decisões foram proferidas nos últimos 5(cinco) anos. (ii) valores envolvidos. bem como da ausência de aforamento (enfiteuse). Relatório atualizado identificando todos os eventuais benefícios fiscais e/ou tratamentos fiscais (federais.00 (dez mil reais) integrados ao ativo da sociedade. expedidas pelos Municípios onde se encontram os imóveis da sociedade. com a mesma data do último Balancete que será disponibilizado. 55. garantias. indicando (i) forma do aproveitamento: compensação com outros tributos.no âmbito federal. com negativa de ônus/servidões/alienações. (iii) existência ou não de medida judicial que permita a utilização dos créditos. Prova da propriedade dos bens móveis de valor individual acima de R$10. Informações sobre aproveitamento de créditos tributários. estadual ou municipal). ainda. Informar.CONTRATOs Em EsPÉCIE 43. já em reais. V . estaduais ou municipais) concedidos à sociedade.PROPRIEDADES E ATIVOS: 44. de todos os valores pendentes de tributação eventualmente registrados na parte B e demonstrativo do prejuízo fiscal acumulado e da base negativa da Contribuição Social. Disponibilizar o LALUR referente ao último ano.

estaduais e municipais. identificando todos os eventuais processos fiscais. 63. e referentes a processos administrativos. 59. (viii) provisões e/ou depósitos judiciais e (ix) quaisquer informações relevantes com respeito a tais processos. em nome da sociedade. Fornecer originais de Certidões de quitação de Tributos e Contribuições Federais – “CQTF” (IR. Fornecer originais de Certidões atualizadas passadas por todos os Cartórios de Protestos das comarcas onde a sociedade mantém estabelecimentos ou filiais.CONTRATOs Em EsPÉCIE VII . Fornecer originais de Certidões de Dívida Ativa – (CDA) em nome da sociedade. PIS). em curso em nome da sociedade. Fornecer originais de Certidões atualizadas do INss (CND). com a estimativa de valores envolvidos. Secretaria Estadual de Fazenda e Secretaria Municipal de Fazenda indicando os processos administrativos. execução ou cumprimento.. 60. (vii) chances de êxito e respectivo critério utilizado. bem como de relatório emitido pela Secretaria da Receita Federal. Fornecer Relatório elaborado pelos advogados responsáveis pelos respectivos casos. recursos e acórdãos.e. com a indicação de: (i) tributo envolvido. as duas últimas para cada estado ou município onde a sociedade possui estabelecimentos. judiciais e administrativos. (iii) objeto e fundamentos do pedido. judiciais e administrativos em que a sociedade seja parte ou tenha interesse. Certidões dos Cartórios de Protestos de Letras e Títulos).. Criminais e Fiscais e Certidões da Justiça Estadual dos Distribuidores Cíveis e Fiscais e Certidões dos Distribuidores da Justiça do Trabalho). abrangendo todas as suas filiais. inicial. 57. e. CSLL. 66. (vi) valor da causa. Composição analítica das principais contas que compõem depósitos judiciais e provisões para contingências fiscais e suas correlações com os processos fiscais administrativos e judiciais em andamento. Interdições e Tutelas. bem como Trabalhistas. FGV DIREITO RIO 20 . Justiça Estadual e Justiça do Trabalho das comarcas da matriz e onde a sociedade mantém estabelecimentos ou filiais. instauradas por órgãos governamentais ou terceiros. pendentes de julgamento. sentenças.e. (v) valores envolvidos (atualizados ou em UFIR). Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais processos de desapropriação em que a sociedade figure como autora. ainda. Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais intimações. com relação a cada um de seus estabelecimentos ou filiais. IPI. ainda não inscritos em dívida ativa. 64. tais como. (ii) foro. Falências e Concordatas (i. inclusive parcelamentos em andamento. Certidões da Justiça Federal dos Distribuidores de Ações e Execuções Cíveis. cobrindo o período de 10 (dez) anos (i. (iv) andamento (status) atualizado. relativamente a tributos federais.LITígIOs JUDICIAIs OU ADmINIsTRATIVOs: Certidões: 56. passadas em nome da sociedade. Fornecer originais de Certidões atualizadas dos cartórios distribuidores de ações da Justiça Federal. Certidões de quitação de Tributos Estaduais (ICms) (Certidão de quitação de Tributos Estaduais) e Certidões de quitação de Tributos municipais (ISS) (Certidão de quitação de Tributos Municipais). pendentes (nos quais a sociedade figure como autora. Caso tenha havido alteração de sede nos últimos 05 (cinco) anos. Estadual e municipal. Disponibilizar cópias das peças fundamentais dos processos fiscais. Criminais e Fiscais. notificações. Relatórios: 62. ré ou terceira interessada) ou em vias de ser iniciados. inspeções ou investigações realizadas. 61. Certidão de Quitação do FgTs. contestação. 58. abrangendo feitos Cíveis. COFINS. expedidas pela Procuradoria da Fazenda Nacional. 65. favor solicitar as certidões aplicáveis também em relação ao(s) antigo(s) endereço(s). despachos.

72. Informar a forma de remuneração das horas à disposição. A alimentação é fornecida pela própria sociedade ou são concedidos vales-refeição? Há desconto no salário ou é fornecida gratuitamente? 75. inspeções ou investigações realizadas. e (iv) salário atual (partes fixas e variáveis). auxílio alimentação etc. se houver. 73. 73. informar se: (i) os empregados podem optar por tais benefícios. auxílio moradia.1. Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais reclamações baseadas em defeitos constatados nos produtos fabricados pela sociedade (“product liability”) ou em garantias concedidas pela sociedade na venda dos produtos. relatório informando: 74. (iii) cargo ou função. se existente. planos de saúde. 74. apresentar cópia dos comprovantes anuais de inscrição. despesas de representação. FGV DIREITO RIO 21 . Fornecer Documentos e relatórios (inclusive os Termos de início e encerramento de fiscalização tributária) contendo informações sobre eventuais intimações. Relação dos empregados que utilizam telefone celular ou equipamento similar. contrato por prazo determinado etc. contendo (i) data de admissão.CONTRATOs Em EsPÉCIE 67. cópia do modelo de autorização de desconto salarial relativo aos benefícios concedidos.3. Horário de trabalho. 73.) e do regulamento interno ou regulamento de pessoal da sociedade. uso de automóvel. férias e décimo terceiro salário. instauradas por órgãos governamentais ou terceiros. Caso afirmativo. Relatório identificando todos os empregados. inclusive banco de horas. Quais as verbas percebidas além do salário fixo e horas extras? Há empregados recebendo comissões.1. prêmios. horário de intervalo e dia de folga semanal dos empregados. relatório informando: 73.4. Relativamente à remuneração. Conselho Nacional de Política Salarial ou norma coletiva. (vi) o benefício integra o salário para efeito de cálculo do FGTS. 75. Há empregados recebendo benefícios tais como. Acordos de compensação e de prorrogação da jornada de trabalho. (ii) existem empregados que optaram pelo não recebimento.? Qual o critério de pagamento de cada benefício? É efetuado desconto no salário? Caso haja desconto. Previdência Social. (iii) existe autorização dos empregados para o desconto. Fornecer Cartas encaminhadas pelos advogados externos aos auditores independentes sobre processos judiciais e administrativos. Relativamente à alimentação. VIII – AsPECTOs TRABALHIsTAs: 71. Como é feito o controle de horário? A anotação é feita pelo próprio empregado ou por pessoa específica? Onde são feitas tais anotações? Os empregados assinam tal registro? 73. relatório informando: 75. Indicar se houve homologação do plano pelo Ministério do Trabalho.1.2. A sociedade participa do PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador? Caso positivo. Relativamente à jornada de trabalho. bonificações ou ajudas de custo? Quais funções recebem as ditas parcelas? Qual o critério de pagamento? 74. Imposto de Renda. ficando à disposição da sociedade. gratificações.2. com indicação das respectivas funções e salários. auxílio educação. Fornecer Relatório contendo informações sobre processos administrativos que envolvam as sociedades controladas ou coligadas. Cópia dos modelos de contrato de trabalho (contrato de experiência. (ii) local de trabalho. 68. Informar o saldo atual de horas trabalhadas e ainda não compensadas pelo “banco de horas”. Relação dos empregados não subordinados a controle de horário. notificações.2. 76. 69. Cópia do plano de cargos e salários. Informar eventuais horários de trabalho diferenciados por setor ou sistemas de revezamento. 70. previdência privada.

autos de infração. Cópia das convenções coletivas. 88. ISS. (ii) se trabalham diariamente nas dependências da sociedade. INSS.APROVAÇÕEs gOVERNAmENTAIs E LICENÇAs: 92. e (v) situação atual. cálculos de liquidação.). plano de demissão incentivada? Caso afirmativo.). X – AsPECTOs AmBIENTAIs: 93. motoristas e profissionais liberais). telefonistas. Cópia do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). Informar se são observadas convenções. Cópia do Livro de Inspeção do Trabalho de todos os estabelecimentos da sociedade. Relatório identificando todos os empregados com estabilidade permanente ou temporária (CIPA. Relatório identificando todas as reclamações trabalhistas e procedimentos administrativos (DRT e MPT) em curso contra a sociedade. 80. inquéritos administrativos. acaso existentes. bem como fornecer respectivos documentos. 85. 91. Cópia de Plano de Participação nos Lucros e/ou Resultados. decisões judiciais proferidas em dissídio coletivo. (vi) estimativa dos valores envolvidos. ou dissídios próprios para categorias diferenciadas (secretárias. 90. acordos. IX . etc. FGV DIREITO RIO 22 . (vii) estimativa de êxito. do programa de opção de compra de ações e a relação dos empregados e executivos elegíveis a tal plano. Foram ajuizadas reclamações trabalhistas em razão do plano de demissão? 83. de Instalação e Funcionamento emitidas pelo órgão ambiental competente. Cópia do plano de opção de compra de ações. 81. (vi) número de trabalhadores envolvido. alvará da prefeitura etc. estaduais e municipais (tais como CNPJ. A sociedade tem organizada a CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes? Caso positivo. 82. empresas de mão-de-obra temporária ou trabalhadores autônomos e relatório informando: (i) se os empregados alocados para atender a sociedade são sempre os mesmos. Cópia dos termos de ajustamento de conduta. 89. esclarecer os critérios do plano. (iii) pedidos. Registros e inscrições da sociedade junto às autoridades fiscais federais. nos últimos 05 (cinco) anos. bem como cópias.CONTRATOs Em EsPÉCIE 77. contendo (i) partes envolvidas. tais como petição inicial. Informar o valor despendido pela sociedade com o pagamento de tal participação. ações civis públicas ou outras ações de natureza trabalhista. 87. explicitando os critérios de tal provisão. decisões proferidas em todas as instâncias. 79. Há serviços terceirizados na sociedade? Apresentar cópia dos contratos de prestação de serviços firmados com empresas prestadoras de serviços. 86. acordos coletivos. (ii) foro. 84. se houver. cooperativas. Informar o valor da provisão com relação aos processos judiciais e administrativos em andamento. (v) período dos serviços. apresentar relação dos atuais integrantes e cópias das atas de reunião dos últimos 02 (dois) anos. empregados com cargo de direção em sindicatos ou associações profissionais. Licenças Ambientais: Licenças Prévias. por amostragem. (iii) quem controla os serviços de tais empregados (a sociedade ou a prestadora de serviços). (vi) valores mensais pagos e se a sociedade exige mensalmente os comprovantes de recolhimento previdenciário e do FGTS. A sociedade instituiu. das respectivas rescisões do contrato de trabalho e homologação pelo Sindicato ou pela DRT. empregados acidentados. Relação dos empregados desligados da sociedade nos últimos 02 (dois) anos. (iv) a quem estão subordinados. cálculos homologados e depósitos efetuados. inclusive termos aditivos. empregadas grávidas. 78. Cópia das principais peças de todas as ações trabalhistas em curso contra a sociedade. Cópia dos Autos de Infração lavrados contra a sociedade nos últimos 02 (dois) anos e respectiva defesa/decisão administrativa/recurso ou guia comprovando pagamento da multa administrativa.

1. 97. Modelo de Contrato de CoMPra e Venda de quotas Além da alteração do contrato social necessária para transferir quotas. Certificado de Licença de Funcionamento emitido pelo Ministério da Justiça. neste ato. Certidão de Uso do Solo. Alvará de Licença e Localização emitido pela Prefeitura. a totalidade de suas Quotas representativas do capital social da sociedade ao Comprador. gravames. Listagem das ações judiciais e processos administrativos de cunho ambiental e seus respectivos andamentos. declara que as Quotas foram regularmente integralizadas e se encontram inteiramente livres e desembaraçadas de ônus.2. e [NOmE E QUALIFICAÇÃO]. que deve ser arquivada no registro competente. entre si. 101. FGV DIREITO RIO 23 . ainda. 99. Licença do órgão sanitário competente para ambulatórios e refeitórios. Licença de Funcionamento emitida pela Vigilância Sanitária. doravante denominado simplesmente “Comprador”. O Vendedor. 1. Relatório informando a respeito de atividades passadas desenvolvidas nos imóveis onde a sociedade desenvolve suas atividades. O Vendedor e o Comprador (doravante referidos simplesmente como “Partes”) têm. o Vendedor cede e transfere.000 (quinze mil) quotas representativas de 50% (cinqüenta por cento) do capital social da sociedade (“Quotas”). CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE QUOTAS [NOmE E QUALIFICAÇÃO]. de acordo com as seguintes cláusulas e condições: CLÁUSULA PRIMEIRA . justa e contratada a celebração do presente Contrato de Compra e Venda de Quotas (“Contrato”). pelo preço certo e ajustado estabelecido na Cláusula 2. e que o Comprador deseja adquiri-las. 105. 96. doravante denominado simplesmente “Vendedor”. Outorgas do Uso da Água. 103. nos termos ajustados pelo presente instrumento.CONTRATOs Em EsPÉCIE 94.8. CONSIDERANDO QUE: (i) O Vendedor é legítimo possuidor e proprietário de 15. 100.DA COMPRA E VENDA DAS QUOTAS 1. conforme modelo abaixo. Licença de substâncias sujeitas a controle especial emitida pelo Departamento de Polícia Federal.1 abaixo. turbações. Alvará do Corpo de Bombeiros. encargos. com todos os respectivos direitos e obrigações. e (ii) O Vendedor deseja alienar as Quotas.2. Habite-se.1. 102. 106. na qualidade de interveniente-anuente: [NOmE E QUALIFICAÇÃO DA sOCIEDADE CUJAs QUOTAs EsTÃO sENDO ALIENADAs]. usufrutos ou qualquer outra restrição à posse e/ou a qualquer outro direito inerente a tais Quotas. 98. doravante denominada simplesmente “sociedade”. Comprovante de pagamento do TCFA . Inscrição no Cadastro Técnico Federal das Atividades Potencialmente Poluidoras.Taxa de Controle de Fiscalização Ambiental. Pelo presente Contrato e na melhor forma de direito. 95. as partes podem celebrar adicionalmente um contrato de compra e venda de quotas. 104. e.

9. (ii) através de carta registrada. substituindo todos os acordos. 4. do Código de Processo Civil. da totalidade do Preço devido ao Vendedor. O preço certo. CLÁUSULA TERCEIRA – TRANSFERÊNCIA DAS QUOTAS 3.. por meio da entrega pelo Vendedor ao Comprador do cheque administrativo nº [.3. Entretanto. se formalizada mediante instrumento escrito assinado pelas Partes e pela sociedade. Na hipótese de qualquer disposição ou parte de qualquer disposição deste Contrato ser tida como nula. rasa e geral quitação com relação ao valor pago. Uma vez creditado na conta-corrente do Vendedor. no exercício de qualquer direito previsto neste Contrato deverá ser interpretado individualmente e não poderá ser considerado como renúncia por qualquer das Partes ou novação de qualquer obrigação contida neste Contrato.] da conta-corrente nº [. 4. assinado por 02 (duas) testemunhas. constantes do item 2. essa disposição será suprimida e não terá nenhuma força e efeito.00 (setenta e cinco mil reais) a serem pagos em até 90 dias a contar desta data. 4. 4. inclusive quaisquer despesas decorrentes de serviços profissionais por ele contratados.1. a esse respeito.000. O presente Contrato constitui o acordo final. conforme o caso.1. a qualquer título. entretanto a respectiva comunicação de alteração de endereço só tornar-se-á efetiva após o recebimento pela outra Parte e/ou pela sociedade. anulada ou inexeqüível.8... orais ou escritos.. O presente Contrato ou quaisquer direitos e/ou obrigações dele oriundos não poderão ser cedidos sem o prévio e expresso consentimento das Partes e da sociedade. CLÁUSULA QUARTA . por qualquer motivo... Quaisquer dos endereços constantes do preâmbulo poderão ser alterados... O não exercício ou atraso por qualquer das Partes e/ou da sociedade.6. inciso II. herdeiros.8.000. mediante depósito na conta-corrente nº [. e b) R$ 75.1.FORMA DE PAGAMENTO 2...] do Banco [. o pagamento das parcelas que perfazem o Preço.5. se essa disposição suprimida prejudicar a execução deste Contrato.7. seus sucessores. 4. mencionado na Cláusula Segunda.1 do presente Contrato será de exclusiva responsabilidade do Comprador. e somente produzirá efeitos. ou (iii) com outra comprovação inequívoca de recebimento. 4.4. mediante a assinatura da competente alteração do contrato social da sociedade.CONTRATOs Em EsPÉCIE CLÁUSULA SEGUNDA . 4.2.DISPOSIÇÕES GERAIS 4. sendo considerada como mero ato de liberalidade.1. a ser pago pelo Comprador ao Vendedor da seguinte forma: a) R$ 25. entendimentos e declarações anteriores.. total e ajustado para a aquisição das Quotas é de R$ 100. Fica ajustado entre as Partes que as despesas decorrentes do arquivamento da alteração contratual referida na cláusula 3.1 acima.] da agência [. a qualquer tempo.00 (vinte e cinco mil reais) pagos neste ato. 4. assim FGV DIREITO RIO 24 . Toda e qualquer alteração das disposições do presente Contrato somente será válida e exeqüível. O presente Contrato é celebrado em caráter irrevogável e irretratável e obriga e aproveita às Partes e à sociedade. 2. o Vendedor outorgará ao Comprador. as demais disposições serão modificadas para preservar sua exeqüibilidade. cabal e exclusivo entre as Partes com relação à compra e venda das Quotas. Todas as notificações e comunicações a serem feitas com relação ao presente Contrato serão elaboradas por escrito e serão enviadas para os endereços constantes do preâmbulo deste Contrato (i) por meio de Cartório de Títulos e Documentos.] do Banco [.] da agência [. As Partes declaram e reconhecem que o presente Contrato..].000. 4. nos termos do artigo 585. cessionários e representantes legais.. mediante comunicação dada na forma prevista acima. e somente poderá ser alterado por instrumento escrito devidamente assinado por todas as Partes.00 (cem mil reais) (“Preço”).]. plena. constitui título executivo extrajudicial. A transferência das Quotas será formalizada no ato do pagamento pelo Comprador.1.1..

CONTRATOs Em EsPÉCIE como as obrigações de fazer aqui contidas comportam execução específica. por mais privilegiado que possa ser. [dia] de [mês] de [ano]. 632. na presença de 02 (duas) testemunhas. 4. Nome: CPF/MF: 2. nos termos dos artigos 461.10. 639 e seguintes do Código de Processo Civil. E por estarem certas e ajustadas. Nome: CPF/MF: FGV DIREITO RIO 25 . as Partes assinam este Contrato em 03 (três) vias de igual teor e efeito. Rio de Janeiro. para dirimir quaisquer questões oriundas deste Contrato. Assinatura das Partes e da Sociedade Testemunhas: 1. à exclusão de qualquer outro. Fica eleito o foro da Comarca do Rio de Janeiro.

portanto.3. 6. roteiro de aula a) retrovenda Direito de recobrar = Direito de retrato = direito de resgate = vendedor tem direito de exigir que o comprador lhe revenda o imóvel. Caio Mário da Silva. AulA 3: CONTRATO dE COmPRA E VENdA (CONT. eMentário de teMas: Retrovenda . Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. apesar de morar em Brasília. • RODRIGUES.3.3..Venda com reserva de domínio – Da venda sobre documentos 1. Ele diz que nunca ouviu falar em retrovenda e lhe pergunta o que fazer. 2005 .3.). Comentários ao Código Civil. 174 a 182 e 183 a 194. In: AZEVEDO.vol.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Paulo Luiz Netto. págs. 3. FGV DIREITO RIO 26 . e que. vol. Após alguns minutos enaltecendo a beleza da cidade.3.406/2002.2.Contratos. Ele diz que está surpreso porque agora recebeu uma notificação de um tal de Olavo Evolto.5. • LÔBO.CláuSulAS ESPECIAIS dA COmPRA E VENdA 1..Da Venda a Contento e da Sujeita a Prova – Preempção ou Preferência .3. Rio de Janeiro: Forense. 215 a 225. (coord. Ele conta que.4. Embora não seja advogado do senhor Jeremias. 2002. 2003.3. biblioGrafia CoMPleMentar: • Parecer Jurídico DNRC/ COJUR/ n° 217/03 – direito de preferência na cessão de quotas. Das várias espécies de contratos. • PEREIRA. São Paulo: Saraiva. Jeremias deve devolvê-lo..). Parte Especial. págs. ele diz que pelo menos uma vez por ano vai ao Rio e que há alguns anos atrás decidiu parar de se hospedar em hotéis e comprou um loft na Barra da senhora Ermelinda Silva. 1. informando que exerceu o direito de retrovenda do imóvel em face da senhora Ermelinda. biblioGrafia obriGatória: • Arts. Instituições de Direito Civil . Direito Civil. Antônio Junqueira de. 505 a 532 da Lei nº 10. sempre gostou muito do Rio de Janeiro e que os cariocas têm muita sorte de conviver com uma paisagem tão privilegiada. 223 a 225. III.1. Caso Gerador: Jeremias encontra você trabalhando na diligência legal e aproveita para lhe fazer uma consulta “informal”. São Paulo: Ed. vol. Silvio. quais são as duas principais perguntas que você deve fazer a ele para poder dar uma orientação inicial sobre o caso? 1. págs. Saraiva. 1.

podemos extrair alguns requisitos da retrovenda. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Para que tenha efeito erga omnes7.. são Paulo: Ed. são Paulo: Ed. o vendedor pode vir a resguardar seu direito de preempção ou direito de preferência. Relembrando. 187. ela ainda pode ocorrer. no caso da venda a contento.. a despersonalização das relações entre as partes. Ela sempre é atendida pela dona Marli. restituindo o preço recebido e reembolsando as despesas do comprador. RODRIGUEs. hoje. juntamente com a escritura pública de compra e venda. terá preferência sobre ele.CONTRATOs Em EsPÉCIE Muitos entendem que a retrovenda caiu em desuso em razão do compromisso de compra e venda. Tendo em vista o que aprendemos nas aulas anteriores. pág. portanto. saraiva. a difusão dos preços fixos. Apesar de ser mais rara. Esse exemplo nos mostra que. pág.406/2002. Dona Mônica. Somente com a concordância do comprador. pois vai querer vender as peças a outras clientes. Quais são eles? “Art. 505. ele estará obrigado a oferecer o bem ao vendedor. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. embora haja a tradição do bem móvel. vol. Dona Mônica é uma cliente muito querida e conhecida por todas as vendedoras da loja. silvio. ela manda para a casa da senhora Russo as novas peças para que ela possa experimentar e decidir se vai comprá-las ou não. Assim. Direito Civil. inclusive as que. A gerente da loja já está pressionando Marli. Por que você acha que o legislador restringiu o instituto da retrovenda apenas aos bens imóveis? O prazo para recobrar o imóvel é decadencial. uma condição suspensiva para a alienação.. ou para a realização de benfeitorias necessárias”. sempre que chegam novas peças que Marli acha que são do gosto de Mônica. FGV DIREITO RIO 27 . por exemplo. Analisando o artigo 505 da Lei 10. o domínio é transferido. vol. o direito de retrovenda deve ser registrado no registro de imóveis.o compromisso de venda e compra preenche. Assim. o papel que durante algum tempo a retrovenda desempenhou. A concordância do comprador é. silvio. quais são as conseqüências do domínio não ser transferido pela tradição da coisa móvel? Duas semanas se passaram e dona Mônica ainda não deu retorno a dona Marli sobre as roupas. Está demorando mais do que o normal para ela se manifestar. O vendedor de coisa imóvel pode reservar-se o direito de recobrá-la no prazo máximo de decadência de três anos. Dona Marli acompanhou em todos esses anos a vida da família Russo. 3. o domínio do bem não é transferido. se efetuarem com a sua autorização escrita. 3. quais são as conseqüências de ser um prazo decadencial e não prescricional? b) da Venda a Contento e da sujeita a Prova A venda a contento é cada vez mais rara atualmente em razão da “padronização de mercadorias. compra roupas da boutique Charmosa há mais de dez anos. durante o período de resgate. 189. saraiva.”8. E agora? O que dona Marli deve fazer? C) Preempção ou preferência Ao vender um bem. 6 7 8 Oponível a terceiros. com muito mais eficácia e maior economia.. Daí ser ela. Direito Civil. “. instituto superado”6. que se pagar o mesmo valor oferecido pelo terceiro. RODRIGUEs. caso o comprador queira vender esse bem a terceiros.

ou do poder de controle deverão ser observados pela companhia quando arquivados na sua sede”. estando disposto a pagar ao comprador o preço que ele tiver conseguido com terceiros. como instrumento de composição de grupos. geralmente vinculado à compra e venda.. Tendo em vista que esse acordo de quotistas nunca foi divulgado e nem sequer mencionado na diligência legal. o direito de preferência caducará em 3 (três) dias. Direito societário – 7 ed. e como contrato atípico. 118. 322). no caso de bem imóvel. 9 “Art. o domínio permanece com o vendedor até que a última prestação seja paga pelo comprador. preferência para adquiri-las. após a realização da diligência legal e da celebração do contrato de compra e venda das quotas da Pechincha Ltda. 2001. a ele se aplicam os preceitos gerais. sócio detentor de apenas 1% das quotas da Pechincha Ltda. A cláusula de direito de preferência é muito comum. No caso de venda com reserva de domínio. sendo um contrato. pág. o contrato deve ser registrado no Registro de Títulos e Documentos. embora o bem seja entregue ao potencial comprador.. uma vez que há três anos atrás fez um acordo de quotistas com o senhor Eduardo. os contratantes podem convencionar que se um deles desejar vender sua participação a terceiro será obrigado a oferecer as suas ações primeiro aos demais acionistas. rev. exercício do direito a voto. A venda com reserva de domínio é uma venda condicional que se aperfeiçoa na ocorrência de um evento futuro e incerto: o pagamento do preço. reconheceu que o direito de preferência é um dos tópicos que pode ser tratado em acordo de acionistas. ou a 2 (dois) anos. em acordos de acionistas9. por exemplo. é comum que pessoas realizem operações de venda de bem móvel sem consultar registros ou sem exigir a prova da propriedade do vendedor.404/197610. O prazo começa a contar a partir da notificação do proprietário (comprador) ao vendedor informando sobre seu interesse em vender o bem. Deste modo. que dispõe sobre as sociedades por ações. Assim. Se o prazo não for estipulado. José Edwaldo Tavares. Vamos supor que. por meio de acordo de acionistas. que lhe afirma que a venda das quotas não foi válida. Afinal. nosso cliente seja procurado pelo senhor Oportunista. Tanto é assim que a Lei nº 6. A venda com reserva de domínio pode trazer insegurança jurídica uma vez que. no caso de bem móvel. aum. que poderão comprá-las pelo mesmo preço e condições oferecidos ao terceiro. e atual. se não há previsão expressa da reserva de domínio. assim como na venda a contento.CONTRATOs Em EsPÉCIE Para que esse direito exista são necessários os seguintes requisitos: – o comprador tem que querer vender o bem adquirido. para que seja oponível a terceiros. Os acordos de acionistas. se o bem for imóvel. 10 FGV DIREITO RIO 28 . O prazo para exercer o direito de preferência não poderá ser superior a 180 dias se o bem for móvel. concernentes a essa categoria jurídica. o senhor Eduardo se comprometia a oferecer direito de preferência a esse outro sócio no caso de alienação de suas quotas. Quais são as diferenças entre a preempção e o direito de retrovenda? O direito de preferência é um negócio acessório. Silvio Rodrigues comenta: “Destina-se o acordo de acionistas a regrar o comportamento dos contratantes em relação à sociedade de que participam. – o vendedor tem que exercer o direito no prazo. sobre compra e venda de suas ações. – o vendedor tem que querer recomprar o bem. Porém. vinha sendo celebrado no período anterior à atual lei das sociedades anônimas” (Borba. não é raro vermos a estipulação de direito de preferência em outros contratos. ao contrário do que ocorre com os bens imóveis que exigem solenidade para sua transferência. Além disso. no qual. basicamente. funcionando. e em 60 (sessenta) dias. entre outros acertos. A venda com reserva de domínio restringe-se aos bens móveis e exige forma escrita. – Rio de Janeiro: Renovar. aplica-se a regra geral de que a propriedade do bem móvel transfere-se com a tradição do bem. como se resolveria esta situação utilizando-se apenas as regras previstas no Código Civil? d) Venda com reserva de domínio A venda com reserva de domínio popularizou-se com o aumento das vendas com pagamento em prestações.

6. não se pagando o preço até certo dia. às demais Partes (a seguir. doar. para que estas possam exercer o seu direito de preferência. por escrito. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. diariamente.1ª fase) Ajustado que se desfaça a venda. a não vender. não pago. 216 12 FGV DIREITO RIO 29 . prometer vender. com reserva de domínio”11. b. As comunicações a que se refere o item anterior indicarão o potencial adquirente.CONTRATOs Em EsPÉCIE “Teoricamente tal sistema é perfeito. Venda a contento. Modelo Exemplo de cláusula de direito de preferência em Acordo de Acionistas: “VI – ALIENAÇÃO OU ONERAÇÃO DE AÇÕEs 6. O vendedor se libera da obrigação de entregar a coisa remetendo ou entregando ao comprador o título representativo da mercadoria”12. desfazer o contrato ou pedir o preço. a qualquer título. 11 LÔBO. em caráter irrevogável e irretratável. e) da venda sobre documentos O Código Civil de 1916 não previa essa modalidade de venda. RODRIGUEs. bem como a especificação da quantidade e espécie das ações a serem alienadas (as “Ações Ofertadas”).. apenas pode ter por objeto coisa móvel. 176. 3.3. A obrigatoriedade da tradição da coisa é satisfeita com a entrega ao comprador de documento representativo.2. vol. no todo ou em parte.7. as “Demais Partes”). Cada uma das Partes se obriga. Das várias espécies de contratos. Retrovenda. In: AZEVEDO.2. são Paulo: saraiva. ou por qualquer outra forma alienar ou transferir.1 abaixo (a seguir o “Potencial Adquirente”). nos termos deste Acordo. comentários ao código civil. obrigada a primeiramente oferecê-las. 1. observado o disposto nesta Cláusula 6ª. o vendedor tem duas opções: mover ação de cobrança das prestações vencidas e vincendas e o que mais lhe for devido ou reaver a posse da coisa vendida. (coord. silvio. Antônio Junqueira de. Pacto comissório. Apenas ele não funciona na prática.6. Essa cláusula especial à compra e venda é denominada: a. c. neste ato. a “Parte Cedente”). Direito Civil.3. 6. senão mediante venda. ficando a Parte que desejar alienar. as ações de sua titularidade. 2003. d. poderá o vendedor.). são Paulo: Ed. “A venda sobre (ou contra) documentos tem por finalidade dar mais agilidade às transações mercantis que envolvam venda de mercadorias. para que seja exigível o pagamento do preço. permutar. questões de ConCurso (Prova: 18º Exame de Ordem .1. pág. para pagamento em moeda corrente nacional. Parte Especial. o preço e condições de pagamento. suas ações da COMPANHIA (a seguir. saraiva. pág. Paulo Luiz Netto. principalmente nos grandes centros e tendo em vista a quantidade fantástica de bens móveis duráveis vendidos. vol. Preempção. 1. Se o comprador está em mora. Por sua natureza. fornecendo inclusive as informações previstas no item 6.

2. Na proporção do número de ações que possuírem. Não havendo manifestação das Demais Partes. ficando obrigadas as Demais Partes.4. desde que tenham sido observadas as formalidades previstas nesta Cláusula 6ª”. mas não menos do que todas as Ações Ofertadas ao Potencial Adquirente indicado e ao mesmo preço e nas mesmas condições constantes das comunicações referidas no item 6.1 abaixo. alienar todas. deverá identificar também as respectivas Partes ou sócios que detenham o controle do Potencial Adquirente e/ou participações societárias que representem 10% (dez por cento) ou mais de seu capital votante e/ou de seu capital total e assim sucessivamente.3.1. devendo as Demais Partes igualmente subscrever o instrumento. 6. até atingir as pessoas físicas.CONTRATOs Em EsPÉCIE 6.4. contudo. (c) caso sejam recebidas manifestações de exercício de preferência que totalizem quantidade de ações superior a das Ações Ofertadas. (b) será facultado às Demais Partes estenderem seu direito de preferência à aquisição de sobras.4. proporcionalmente às Ações que possuírem. observando-se. Na hipótese do item 6.1 supra e abranger todas e não menos do que todas as Ações Ofertadas. a comunicação do item 6. nos 60 (sessenta) dias seguintes. o instrumento contratual de compra e venda das ações deverá conter cláusula pela qual o adquirente manifeste sua adesão incondicional ao presente Acordo. pelo mesmo preço e condições oferecidos pelo Potencial Adquirente. desde que se manifestem nesse sentido no prazo de 60 (sessenta) dias fixado na letra (a) deste item. Caso o Potencial Adquirente seja uma sociedade.1 supra. se houver.1 supra. a Parte Cedente poderá. proceder-se-á ao respectivo rateio entre as Partes interessadas. com os mesmos direitos e obrigações da Parte Cedente. desde que observado o procedimento previsto no item 6. FGV DIREITO RIO 30 . como intervenientes anuentes. 6. 6. o seguinte: (a) a preferência deverá ser exercida no prazo de 60 (sessenta) dias a contar da data do recebimento da comunicação referida no item 6. a assinar o citado instrumento. ainda. a aquisição deverá ser efetuada nos 30 (trinta) dias seguintes ao decurso do prazo referido nas alíneas anteriores. como condição para sua validade e eficácia. e (d) exercida a preferência.1.4. as Demais Partes terão preferência para adquirir as Ações Ofertadas.

4.406/2002. E agora? O contrato continua válido? O que recomendar? 1. o dobro de funcionários. não contendo. Comentários ao Código Civil..1.4. dono de um jornal de bairro. págs. Ela deu origem ao contrato de compra e venda.A. 205 a 209. págs. Em uma de nossas visitas. na qualidade de advogados da Grana Certa S. Maria Helena. Há muitos anos era grande amigo do senhor Nicanor Tício. 2005 . o contrato não era muito detalhado. • PEREIRA. de acordo com o novo Código Civil (Lei 10. Caso Gerador Durante o processo de diligência legal.). Antônio Junqueira de. roteiro de aula a) Permuta A troca ou permuta é o contrato mais antigo. 2003.4. Instituições de Direito Civil . Contrato Estimatório.. inclusive.Contratos. Ele explica. 1. págs. que por ter sido celebrado entre grandes amigos. São Paulo: Saraiva. vol. que não seja dinheiro. segundo o qual todo domingo o jornal do Nicanor publicaria anúncio do Supermercado Pechincha e em troca ao final do ano o Supermercado Pechincha forneceria aos funcionários do jornal uma cesta de Natal. por exemplo. FGV DIREITO RIO 31 . Parte Especial.4. 233 a 237. o senhor Eduardo Russo nos contou a seguinte história. 199 a 203/ págs. tivemos a oportunidade de visitar o supermercado Pechincha por diversas vezes. São Paulo: Saraiva. de 10. e atual.4.4. In: AZEVEDO. completa. quando os bens passaram a ser trocados por moeda.2. eles resolveram unir o útil ao agradável e celebraram um contrato de permuta. cansado e já querendo se aposentar. biblioGrafia obriGatória: • Arts. Rio de Janeiro: Forense. um pouco sem graça. 6. o senhor Nicanor vendeu seu jornalzinho a uma grande editora que quer transformá-lo em um jornal de grande circulação em Brasília. já tendo contratado. Paulo Luiz Netto. nós..vol.406.5.3. o senhor Eduardo está um pouco preocupado. CONTRATO ESTImATóRIO 1. AulA 4: TROCA Ou PERmuTA. III. Sabendo disso. eMentário de teMas: Permuta. pois não estava contando com um número tão grande de cestas de Natal. o número exato de cestas de Natal a serem trocadas. (coord. Tratado teórico e prático dos contratos. 1.2002).01. Há algum tempo atrás. ampl.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. 1. com produtos fartos e de alta qualidade. 226 a 272. biblioGrafia CoMPleMentar: • LÔBO. • DINIZ. Ocorre que. 17ª ed. Consiste na entrega de uma coisa para recebimento de outra. Das várias espécies de contratos. 2002. 533 a 537 da Lei nº 10.4. Caio Mário da Silva.

mas sim a obrigação de transferir ao outro o domínio da coisa objeto de permuta.CONTRATOs Em EsPÉCIE Atualmente a compra e venda é muito mais utilizada. a não ser que o valor da torna seja de tal modo superior. conhecido neste caso como torna. b) Contrato estimatório Embora já fosse realizado na prática. Mesmo sem ver muita utilidade para tal presente. pois percebe que seu conjunto de chá não poderá mais ser utilizado. Sendo assim. que nada mais é do que a venda em consignação. aplicam-se à permuta as regras da compra e venda. dentro de prazo determinado. ficando o consignatário obrigado a devolver o bem ou entregar ao consignatário o preço previamente ajustado pela coisa dentro do prazo determinado. oneroso e consensual. Você vai junto com Ana Maria para buscá-lo. Todas as coisas que não sofram indisponibilidade natural. a parte cujo bem tem valor inferior ao outro. Como você aconselharia Ana Maria. você vai ao Código Civil para consultar esse tipo de contrato e fica um pouco desapontado. ficando as demais apenas rachadas. Quais são elas? Quando os bens a serem permutados têm valores desiguais. Por serem tão parecidos. cedendo-lhe o poder de dispor da coisa. que seja na verdade o objeto da prestação principal. As partes estimam um preço pelo bem. a loja Brechó da Vovó procura Ana Maria para devolver o conjunto de xícaras que não foi vendido. completa sua prestação com dinheiro. mas que felizmente apenas uma das peças havia se quebrado. muitas outras estão rachadas. Ao chegarem à loja. deixando o cair. você pergunta o que o conjunto está fazendo na loja e ela lhe explica que celebrou um contrato estimatório com o dono da loja. O Código Civil fez apenas duas distinções no que diz respeito à aplicação das regras da compra e venda. O que você acha? A caracterização como compra e venda ou permuta leva a conseqüências práticas em razão dos itens que foram especificamente diferenciados no art. Ana Maria. Curioso. Ana Maria fica muito triste. A parte que recebe o bem pode vendê-lo a terceiro por qualquer valor. mas a permuta mantém seu espaço no ordenamento jurídico.406/2002. desde que pague a parte que lhe entregou o bem o preço que entre elas foi estimado. O dono da loja explica a Ana Maria que um de seus funcionários estava arrumando a loja e que sem querer esbarrou no conjunto. Intrigado.406/2002). Assim como o contrato de compra e venda. Ana Maria nota que além de faltar uma das peças. não gera efeitos reais. esse contrato só veio a ser regulado como contrato típico no novo Código Civil (Lei nº 10. não sendo necessário que os bens sejam da mesma espécie ou valor. você agradece e pergunta quando pode buscá-lo. porém. lhe oferece um conjunto de xícaras de porcelanas chinesas. O contrato de permuta tem a mesma natureza jurídica da compra e venda: é bilateral. O uso da torna no contrato de permuta divide os doutrinadores sobre a natureza do contrato: seria ele uma compra e venda ou uma permuta? Muitos entendem que a existência da torna não descaracteriza a permuta. Ana Maria então lhe explica que o conjunto está na loja Brechó da Vovó. legal ou convencional podem ser permutadas. 533 da Lei n° 10. Para retribuir a um favor seu. por que você acha que o legislador chamou de contrato? Contrato estimatório é o contrato pelo qual o proprietário (consignante) entrega a posse da coisa à outra pessoa (consignatário). sua amiga. Por quê? Estando para terminar o prazo do contrato estimatório. neste caso? FGV DIREITO RIO 32 . Apenas os bens móveis e que estão no comércio podem ser objeto do contrato estimatório.

Resolução e revogação da doação. Silvio. 1. 6.4. doravante denominada “Sociedade”. 1. Direito Civil.Doação de ascendente para descendente . inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101. eMentário de teMas: Características do contrato de doação – Aceitação . vol. todos relacionados com a finalidade de manter a tradição da família preoFGV DIREITO RIO 33 . simplesmente como Partes.5.).5.Espécies de doação . 272 a 385.5. São Paulo: Saraiva. págs. (coord. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy. 1. Antônio Junqueira de.. Das várias espécies de contratos. biblioGrafia obriGatória: • Arts. São Paulo: Ed. Comentários ao Código Civil.5. Caso Gerador: Dentre os contratos recebidos. 197 a 216. com seus atos constitutivos registrados na Junta Comercial de Brasília sob o número 11111111.000 (cinqüenta mil) quotas (“Quotas”). 2002.5. empresário. Distrito Federal.2.. você notou o contrato abaixo: INSTRUMENTO PARTICULAR DE DOAÇÃO EDUARDO RUSSO. solteiro. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.Restrições à liberdade de doar . biblioGrafia CoMPleMentar: • LÔBO. em vida. 538 a 564 da Lei nº 10. • RODRIGUES. JEREMIAS RUSSO. em conjunto. vol. (iv) O DOADOR sujeita tal doação à execução integral e tempestiva. para iniciar a transferência dos negócios da família e fomentar negócios das futuras gerações da sua família. residente e domiciliado em Brasília. empresário. DOADOR e DONATÁRIO doravante denominados. brasileiro. ao DONATÁRIO.406/2002. AulA 5: dOAçãO 1. Parte Especial. Paulo Luiz Netto. CONSIDERANDO QUE: (i) O DOADOR é titular de 99.1.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. (iii) O DOADOR deseja doar. doravante denominado simplesmente “DOADOR”. 3. (ii) O DONATÁRIO é herdeiro necessário do DOADOR. Distrito Federal. residente e domiciliado em Brasília.3. Saraiva. casado. de determinados encargos. 50. portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx. doravante denominado simplesmente “DONATÁRIO”. 2003. In: AZEVEDO. abaixo estabelecidos. págs. por parte do Donatário. com sede em Brasília.000 (noventa e nove mil) quotas representativas de 99% do capital social da sociedade limitada denominada Pechincha Comércio Varejista Ltda. brasileiro. inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202. Distrito Federal.

Nome: CPF/MF: Jeremias Russo 2. 2. descendentes e ascendentes terão direito de desfrutar do clube mediante pagamento de mensalidade em valor simbólico. (iii) uma piscina profunda. 3. 4. A doação ora feita é obrigatória para as partes contratantes. objeto da presente doação. de livre e espontânea vontade. as partes firmam o presente Instrumento em 02 (duas) vias de igual forma e teor. que vigerá de acordo com as seguintes cláusulas e condições.1 O DONATÁRIO deverá providenciar um clube para que os funcionários possam desfrutá-lo nos dias de folga. 2. nunca superior a 5% de seu salário. ônus ou encargos de qualquer natureza. incluindo dos funcionários do Supermercado Pechincha (“Funcionários”). Fica eleito o foro Central da Comarca de Capital do Estado do Rio de Janeiro. por mais privilegiado que venha a ser.. (ii) uma piscina rasa para crianças até 5 anos. (e) O clube será aberto apenas aos Funcionários e seus familiares. comprar ou arrendar um terreno para que o clube seja instalado. com pelo menos as seguintes medidas. no prazo máximo de 24 (vinte e quatro) meses. 5. ao Donatário. herdeiros e sucessores. limpeza e bom funcionamento do clube. para dirimir as questões decorrentes do presente Instrumento. contados da data de assinatura deste Instrumento. com escorrega. Fica registrado que o imposto de doação incidente sobre a presente operação foi recolhido. (c) O clube deverá empregar pelo menos 20 funcionários para segurança. 24 de abril de 2004. portanto. (v) um play para crianças. O DOADOR. e (v) as quotas representativas do capital social da Sociedade. que representam 50% do capital social da Sociedade. com auxílio jurídico.CONTRATOs Em EsPÉCIE cupada com o bem estar da comunidade em que vive. Nome: CPF/MF: FGV DIREITO RIO 34 .. (d) Os funcionários e seus cônjuges. decide doar. com a renúncia expressa de qualquer outro. como na verdade efetivamente doa. obrigado a cumprir. não sendo mais permitido o seu acesso em caso de demissão ou desligamento. sem qualquer induzimento ou coação. resolvem as Partes de comum acordo e na melhor forma de direito celebrar o presente Instrumento Particular de Doação (“Instrumento”). E por estarem assim justas e contratadas.2. Eduardo Russo Testemunhas: 1. Brasília. O DONATÁRIO poderá alugar. na presença das 02 (duas) testemunhas abaixo assinadas. as Quotas. mediante o DARJ cuja cópia constitui o Anexo I ao presente Instrumento. observados os artigos 538 e seguintes do Código Civil Brasileiro: 1. O DONATÁRIO deverá.. outros dois brinquedos do gênero. providenciar a constituição legal do clube e a contratação da mão de obra necessária para o funcionamento do clube. pelo menos.3. as seguintes obrigações: 2. 2. encontram-se livres e desembaraçadas de quaisquer dívidas. (b) O clube deverá funcionar todos os fins de semana e feriados. (iv) um bar. O clube deverá atender aos seguintes requisitos: (a) O clube deverá ter no mínimo: (i) duas quadras polivalentes para a prática de esportes em grupo. Esta doação fica sujeita ao cumprimento dos encargos abaixo estabelecidos. balanço e. ficando. conforme autoriza o artigo 553 do Código Civil Brasileiro. o Donatário.

Por exemplo. (art. Lucy conta. Doação remuneratória – tem o objetivo de pagar um serviço prestado pelo donatário. Seu filho. 539. O doador não espera do donatário qualquer ato ou prestação por parte do donatário. C) espécies de doação Doação pura – é pura liberalidade. A doação remuneratória e a doação com encargo perdem a característica da gratuidade? FGV DIREITO RIO 35 . 541) Lucy.5. ele contou a sua avó que havia jogado na Mega Sena. grande fã dos Beatles. Doação com encargo – nessa espécie de doação. – Solene – a lei impõe forma escrita para doação. o senhor Eduardo Russo não seria mais o proprietário de 99% das quotas. porém. José deu para a avó o bilhete da Mega Sena. portanto. havendo a tradição imediatamente depois. mas que não podia ser exigido pagamento pelo doador. Percebendo que ela. o doador impõe ao doador uma contraprestação que resulta em vantagem para o próprio doador ou para terceiro. – tácita – quando resulta de comportamento do donatário incompatível com sua recusa à doação. você teria alguma sugestão? 1. exceto nos casos de bens móveis de pequeno valor. de acordo com ele. aparentemente detém 50% das quotas da Pechincha Ltda. É uma liberalidade do doador. Analisando. escrita ou por gestos. você consideraria que foi uma doação de pequeno valor? b) aceitação A aceitação pelo donatário é elemento indispensável para a doação e pode ser: – expressa – quando é manifestada de forma verbal. roteiro de aula a) Características do contrato de doação O contrato de doação é: – Unilateral – envolve prestação de apenas uma das partes. o doador não espera qualquer prestação do donatário.CONTRATOs Em EsPÉCIE Esse contrato deixou nossa equipe de diligência apreensiva. Curioso (a) você pede para ver a coleção. ficou muito triste porque não conseguiria jogar. inviabilizar a compra do negócio.406/2002. Jeremias. como havíamos sido informados no início da diligência legal. mas o donatário fica obrigado a pagar uma mesada a um parente do doador. prêmio pago a alguém que encontrou seu cachorro desaparecido. E agora? Que pontos devem ser levados em consideração? A doação é válida? Tem alguma medida que possa ser tomada para anular essa doação? Supondo que você fosse o advogado do senhor Eduardo Russo e tivesse sido consultado antes do contrato ser assinado.5. Chegando a casa. que se encontrava doente e com dificuldade para se movimentar. do ponto de vista legal. pois. conta que ganhou de sua prima a coleção de discos desse famoso grupo inglês. Lucy já pode se considerar proprietária da coleção? O sorteio da Mega Sena estava acumulado e o prêmio estimado em vinte milhões de reais. 543 e 546 da Lei nº 10. – Gratuito – em regra. que sempre demonstrou ser contra a realização do negócio entre o senhor Eduardo e o nosso cliente. podendo.. que ainda não recebeu os discos porque eles estão guardados na casa de veraneio de sua tia. Exemplo: Doador doa recursos ao donatário. Ocorre que a família era pé quente e os números escolhidos por José foram sorteados! Analisando esta situação. – presumida pela lei – nos casos previstos nos arts. Seu amigo José resolveu fazer uma aposta.

se o doador não tiver herdeiros necessários.406/2002 Essa restrição visa proteger o patrimônio dos herdeiros. ele só pode doar metade de seus bens. 550 da Lei nº 10. todas as despesas que os pais tiveram para pagamento do doutorado de Raquel em Paris. por sua vez. vimos que é anulável a venda de ascendente a descendente.) 14 FGV DIREITO RIO 36 . e) doação de ascendente para descendente Como já vimos anteriormente. rev. – Doação do cônjuge adúltero a seu cúmplice – art.846. Para proteger os credores quirografários14 do doador. Dessa forma. ele terá ampla liberdade de doar seus bens. ela está prevista no art.406/2002 Embora esta restrição não esteja expressa no capítulo sobre doação do Código Civil. exceto se os outros descendentes expressamente consentirem. 158 da Lei nº 10.845 da Lei nº 10. e é assegurada aos herdeiros necessários. são Paulo: Rideel. que trata da fraude contra credores. De acordo com o art. Raquel pede que o juiz considere como adiantamento de legítima à Ruth os gastos que os pais tiveram com a festa de casamento de Ruth. Ruth. Por outro lado. Ruth e Raquel abriram o inventário. 158 do Código Civil.CONTRATOs Em EsPÉCIE d) restrições à liberdade de doar – Doação de todos os bens do doador – art. Qual foi o mecanismo adotado no caso da doação? E se o pai realmente quiser doar algo para um dos filhos em detrimento dos outros? Com a morte de seus pais.406/2002 O objetivo dessa restrição é proteger o doador e também a sociedade. solicita que o juiz considere como adiantamento de legítima a Raquel. – Doação que prejudique os credores do doador – art. se o doador tem herdeiros necessários. – Doação de parte que caberia à legítima – art. no caso da compra e venda. o código prevê que eles podem anular a doação quando o doador estiver insolvente com eles ou ficar insolvente com os credores por ter doado bens a terceiros. tendo em vista que a outra metade constitui a legítima.406/2002). coordenação Luiz Eduardo Alves de siqueira – 3 ed. aplicam-se as regras gerais a todos os contratos. 2001. sem consentimento dos outros descendentes. depois de ressarcidos os privilegiados”. 548 da Lei nº 10. evitando que o doador passe a ficar totalmente desamparado e tenha que ser assistido pelo Estado. o que você faria? f) resolução e revogação da doação A doação pode ser desfeita: – por motivos comuns a todos os contratos – embora não esteja prevista no capítulo específico sobre doações. ou seja. 13 Credor Quirografário ou simples: “aquele que não tem título que lhe dê preferência. (art. possui os mesmos direitos que os credores comuns.406/2002 Essa restrição tem como propósito proteger o cônjuge e os herdeiros necessários. 1. (Dicionário Técnico Jurídico/ organização Deocleciano Torrieri Guimarães. sendo pago em rateio do saldo que houver. No momento da doação deve ser aferido se o bem a ser doado é superior à metade dos bens do doador. 549 da Lei nº 10. os Os herdeiros necessários são os descendentes. os ascendentes e o cônjuge. como visto anteriormente. o legislador preocupou-se em tentar evitar que um dos filhos seja beneficiado pelos pais em detrimento do outro. pertence aos herdeiros necessários13 a metade dos bens da herança. Sendo assim. é anulável a troca de valores desiguais. observando-se apenas as demais restrições previstas no Código Civil. Na permuta entre descendente e ascendente. e atual. Se você fosse o juiz. 1.

Lucy ficou muito satisfeita com a prima. resolveu fazer uma doação de um apartamento para ele. Rita foi visitar sua mãe na casa de veraneio e aproveitou para buscar a coleção de discos dos Beatles e entregá-la a Lucy. Lucy tem razão de ficar preocupada? E se Lucy tiver alugado a coleção para um amigo? 1. questões de ConCurso (Prova: 10º Exame de Ordem . por exemplo. 158 a 165 (fraude) e 167 (simulação). b.6. chamou de irresponsável e outros adjetivos de baixo calão que não convém replicar para nosso leitor. no caso previsto no art. uma noite. Esclareça se existe algum vício na manifestação de vontade. – por ser resolúvel o negócio – ocorre. A doação deverá ser feita por escrito. são motivos para anular a doação. acabou por bater no carro de Lucy que estava estacionado na garagem do prédio. encontrando-o na entrada do prédio.1ª fase) Não constitui regra aplicável às doações a que abaixo se destaca: a. A doação poderá conter cláusula de retorno do bem ao doador. simulação e fraude. que é também irmão de Rita. Para completar. dolo. na frente dos porteiros e de alguns moradores que aguardavam o elevador. A doação dos pais aos filhos importa adiantamento da legítima.CONTRATOs Em EsPÉCIE defeitos15 que podem macular o ato jurídico. mas isso não foi suficiente para apagar a velha briga que tem com o seu vizinho Paul.5.É anulável a doação do Cônjuge adúltero ao seu cúmplice. se sobreviver ao donatário. indicando em caso positivo qual o seu fundamento. Depois que fez a doação descobriu que Alfredo não era seu filho e então pretende anular a doação. c. não paga em dia as cotas do condomínio do prédio onde vivem.2ª fase PROVA DIsCURsIVA João acreditando que Alfredo era seu filho natural (filho biológico não registrado) do namoro que manteve com mãe do Alfredo. d. ainda que se trate de bem móvel de pequeno valor. como erro. além de fazer barulho até altas horas da madrugada. Paul é um péssimo vizinho. 15 FGV DIREITO RIO 37 . acabou perdendo a paciência e. no dia seguinte. Rever arts. A doação pode ser revogada: – por descumprimento do encargo – no caso de doação com encargo. no qual o doador sobrevive ao donatário e o domínio do bem volta ao patrimônio do doador. mas restringiu a possibilidade de revogar a doação por ingratidão a determinadas causas e regulou seus efeitos. que. 138 a 155 (erro. ao chegar bêbado. 547. o doador pode desfazer a doação. dolo e coação) e arts. se o donatário não cumprir o encargo no prazo assinalado pelo doador. Lucy diz que Rita é muito ligada a seu irmão e diz que teme que esse incidente com Paul possa ter impacto na doação de Lucy. – por ingratidão do donatário – o legislador visou punir o donatário. Prova: 22º Exame de Ordem . Paul se disse muito ofendido por Lucy. Essa foi a gota d’água para Lucy que. coação.

1. conforme diretiva do próprio código (art. Silvio.4. Código Civil Art. preço (“certa retribuição”). A locação de serviços e de obras. eMentário de teMas: Introdução – Elementos do contrato de locação – Obrigações do locador – Obrigações do locatário 1. [conceito do contrato de locação] O núcleo do contrato de locação é a cessão de uma coisa não fungível entre o seu proprietário – o locador – e aquele que se utilizará da coisa – o locatário. no âmbito destas aulas. São Paulo: Ed. ainda hoje existe uma diferenciação no ordenamento quanto às diversas espécies de locação. roteiro de aula a) introdução Modernamente.6. Saraiva. Direito Civil. lOCAçãO dE COISAS. págs. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Instituições de Direito Civil. quando há vínculo empregatício) e para a empreitada. biblioGrafia obriGatória: • Arts. págs.245/1991). ter-se-á sempre em mente a idéia de locação de coisas (locatio rei). tratadas no direito romano como espécies de locação. uma das partes se obriga a ceder à outra. • RODRIGUES. vol. que merecem um regramento especial próprio. comerciais e de temporada). se fala sempre em locação de coisas. biblioGrafia CoMPleMentar: • PEREIRA.. quando se fala em locação. 217 a 227.036 do código e Lei nº 8. Todavia. III.3. uso e gozo de uma coisa não fungível”). 267 a 301 1.. consentimento (“se obriga a”) e prazo (“por tempo determinado ou não”). 1. o uso e gozo de uma coisa não fungível.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. que são regidos por legislação especial. 3.6. Trata-se de contrato: FGV DIREITO RIO 38 . AulA 6: CONTRATO dE lOCAçãO. vol. 2005. respectivamente.6. e o maior exemplo disto é a locação de prédios urbanos (residenciais. pode-se extrair as características principais do contrato: a cessão da coisa (“ceder à outra.6.2. Do claro conceito legal. evoluiu para a prestação de serviços (e para o Direito do Trabalho.6. mediante certa retribuição. 2002. Caio Mário da Silva.406/2002. Portanto. ao se falar em locações. 565 a 578 da Lei nº 10. por tempo determinado ou não. algumas são consideradas tão especiais pela mens legis.. 2. Na locação de coisas. 565. 1. Rio de Janeiro: Forense.

pois é da natureza do contrato a retribuição econômica por parte do locatário. Em regra. na celebração da avença. seu art. as vagas autônomas de garagem. em caso de alienação do bem. é maior se houver registro (art. (iv) comutativo. FGV DIREITO RIO 39 . o preço e o objeto do negócio. pois a lei não exige forma específica para sua validade. pág. com ele não se confunde. pois envolve prestações seguidas no tempo. (iii) consensual. ou seja. É muito comum considerar o contrato de leasing ou arrendamento mercantil como uma locação de coisas móveis. como na compra e venda. O aluguel de lojas em shoppings centers também possui toda uma sistemática própria. Além disso. O principal atributo da coisa que será objeto de locação é a sua infungibilidade. Ressalte-se que. mas seu uso e gozo por alguém que não o seu proprietário. e (iii) por outro lado. b) elementos do contrato de locação Os elementos do contrato são. Note-se que. e (v) não solene. sem que ela perca a sua infungibilidade (ex. Todavia. simplificadamente. por exemplo. a lei privilegia a não-fungibilidade do bem. pode ser objeto da locação se algum acessório da coisa for consumido. embora a Lei do Inquilinato tenha tomado para si a normatização de boa parte dos imóveis urbanos. não se trata de contrato real. 1º. portanto. o pagamento de uma prestação não exaure o contrato. 569. contanto que sejam infungíveis. como. a lei dá (art. 576). (ii) não se destinam à locação as coisas consumíveis no seu primeiro uso. o locatário é obrigado a restituir a coisa no estado em que a recebeu. transferidos por meio de manifestação de vontade.: corte de árvores em casa de campo). por exemplo. como o dinheiro.245) um tratamento especial às locações reduzidas a contrato escrito. IV. se houver). mas tão somente é considerado como contrapartida pelo uso em um determinado período. todavia. do Código Civil. e. incentivando sua utilização.CONTRATOs Em EsPÉCIE (i) bilateral. parágrafo único. normalmente mensal. porque confere obrigações e direitos recíprocos às duas partes. no caso de locações prediais urbanas. embora possa se tornar mediante consentimento das partes. que continuam sendo tratados pelo código (ou por legislação especial. 16 17 Caio mário. A proteção do locatário. Disso decorrem algumas conseqüências: (i) segundo o art. em regra. a coisa. sem exigir forma específica16. salvo as deteriorações do seu uso regular. porque as partes já tem conhecimento de suas respectivas prestações. exclui diversos tipos de imóveis. Pode ser objeto da locação bens móveis ou imóveis. 276. a opção de compra ao final do prazo contratual). pois se forma só pelo acordo de vontades. a tradição da coisa. o tempo. o contrato de locação é de execução continuada ou de trato sucessivo. (ii) oneroso. como bens fora do comércio ou bens públicos. como se verá no ponto específico. embora alguns autores17 enxerguem também o consentimento e a forma como seus elementos. o contrato de locação não é personalíssimo. como se vê do próprio conceito legal. o objeto do contrato de locação não é a coisa em si. [i) a cessão da coisa – o objeto do contrato de locação] Embora seja uma confusão bastante comum. os efeitos do contrato podem ser diferentes conforme houver registro ou não. 46 da lei 8. havendo um grande avanço jurisprudencial na matéria. isto é. tal contrato possui peculiaridades específicas com relação à locação comum de coisas regulada pelo Código Civil (como. já diz respeito à fase da execução do contrato. O fato de um bem ser inalienável não impede o seu uso em locação. ao contrário da compra e venda.

566 e seguintes do Código Civil. A entrega é o ato por meio do qual a coisa locada muda de possuidor. O art. permaneça com a posse da coisa. contudo. O art. assim como o de garantia. II. pois o locatário não poderá fazer o uso esperado dela. sem necessidade de notificação ou aviso. embora não caiba a retenção do aluguel como contrapartida a ausência do cumprimento deste dever. 573 e 574). o pagamento do aluguel é o que diferencia a locação do comodato. em razão de sua natural deterioração. 571 estabelece que. todavia. por um lado o locador não pode exigir a devolução da coisa antes do término do contrato. deve ser feita em estado de servir ao fim a que se destina. Numa interpretação a contrario sensu. A questão da manutenção da coisa envolve. Dentre todas. portanto. sob pena de invalidação do contrato ou de sua configuração em empréstimo disfarçado ou até mesmo comodato. do Código Civil. dá efeitos diferentes (mais sensíveis ainda no caso da locação de prédios urbanos sujeitos à Lei nº 8. pode este pedir a redução proporcional do aluguel. já que o mesmo artigo fala que o locador deve mantê-la neste estado (dever de manutenção). por outro. se não houver culpa do locatário. qualquer das partes pode resilir o contrato sem o pagamento de penalidades. se deteriorar-se a coisa durante a vigência do contrato. nos deveres de entrega. embora a sua temporariedade o diferencie. basicamente. a celebração da locação transfere a posse do bem. naturalmente. o locatário também não poderá devolver a coisa sem o pagamento proporcional da multa contratual. Caso. do instituto extinto da enfiteuse. Sendo o contrato por prazo determinado (arts. sem oposição do locador. a fundamental é a de proporcionar ao locatário o uso e gozo da coisa locado. mas. Manutenção – Não basta isso. Por exemplo: o locador não pode alugar uma televisão com o tubo de imagem queimado. conforme art. presume-se prorrogada a locação por prazo indeterminado. 566. Há de haver. a não ser que pague as perdas e danos correspondentes. o locatário. [ii) preço – o aluguel] Como dito anteriormente. em que a transferência da posse é perpétua. [iii) prazo – o tempo da locação] A definição legal do contrato de locação já permite que ela seja celebrada tanto por prazo determinado quanto por prazo indeterminado.245/1991) ao contrato de locação conforme o seu prazo. manutenção e garantia da coisa locada. determina ser obrigação do locador garantir ao locatário o uso pacífico da coisa durante o tempo do contrato. junto com os seus acessórios e pertenças. uma certa proporcionalidade entre o valor do bem e o aluguel cobrado. na locação por prazo determinado. todavia. 567 do Código Civil reza que. A lei. Podem as partes estipular aluguel que não seja em dinheiro? Por quê? No âmbito da discricionariedade das partes. sendo o contrato sem prazo determinado. extingue-se a locação pelo mero decurso do tempo. prolonga-se durante o prazo da locação. salvo se em contrário dispuser o contrato. FGV DIREITO RIO 40 . Essa presunção legal admite prova em contrário? C) obrigações do locador As obrigações do locador estão dispostas no art.CONTRATOs Em EsPÉCIE Em regra. o tratamento jurídico da conservação e reparação do bem. 566. O art. salvo se houver previsão contratual específica em contrário. por exemplo. podem ser deduzidos do aluguel as obras e benfeitorias feitas pelo locatário. Esse dever. Entrega – A entrega da coisa. I. ou até mesmo a resolução do contrato. a qual pode ser desdobrada. e presume-se que deve ser feita imediatamente.

sobretudo para os vícios ou defeitos posteriores ao contrato) e sujeitando-se à resolução do contrato. Se o locador deve garantir ao locatário o uso pacífico da coisa com relação a terceiros. na medida em que em regra o contrato não pode ter sobrevida pelo interesse público subjacente.467. A desapropriação tem um regramento próprio. FGV DIREITO RIO 41 . contudo.CONTRATOs Em EsPÉCIE Como proprietário da coisa. mas também os chamados fatos do príncipe que desnaturem a coisa ou o uso a que ela se destina. sob esse pretexto. consertos. o locatário pode pedir a resolução do contrato ou abatimento proporcional no aluguel. 1. sob pena de resolução do contrato e pagamento das perdas e danos correspondentes. principal interessado na manutenção do seu valor econômico. exceto se causadas pelo próprio locatário (ex. (iii) Abstenção de incômodos. Se for total. d) obrigações do locatário: Estão dispostas fundamentalmente no art. II do código. (iv) Evicção. além da resolução do contrato decorrente da própria evicção. portanto. conforme o mesmo art. A prática. A mais importante delas é a de pagar pontualmente o aluguel. respondendo pelas perdas e danos (graduados pelo seu grau de culpa. A eventual tolerância do locador. Garantia – o já mencionado art. 1. embora seja normal que o locatário responda pelas despesas de conservação de pequeno porte. as despesas dela oriundas. caso em que pode o locador solicitar as perdas e danos sofridas. sendo esse assunto inclusive objeto de regramento próprio na Lei do Inquilinato. ou à redução proporcional do aluguel. ou defeitos que possam prejudicar o seu uso. conforme a escolha do locatário (v. em regra se atribui ao locador o dever de promover as obras necessárias à sua conservação. 567). todavia. (v) Atos da administração pública – não só a desapropriação. com muito mais razão não pode ele praticar atos que venham a prejudicar esta utilização pacífica.: fechamento de estabelecimento comercial pela vigilância sanitária). O aluguel está para a locação assim como o preço está para a compra e venda. não permite 18 Caio mário. e. o locatário deve ser indenizado dos frutos que tiver que restituir. na forma ajustada no contrato. art. ela sobrevier na vigência do contrato. mudar a destinação da coisa alugada. 566. in fine. responde pela indenização. Se. Isso vale somente para os vícios ocultos ou também para os vícios aparentes? (ii) incômodos ou turbações de terceiros. tb. tratando-a como se sua fosse (art. determina ser obrigação do locador garantir ao locatário o uso pacífico da coisa. especialmente nos imóveis urbanos. Se o locador tinha conhecimento do decreto expropriatório. que o locador deve garantir o locatário quanto a: (i) vícios da coisa. em regra. 569 do Código Civil. pág. sem. porém. além das perdas e danos. para o fim a que se destina. Esse dever é imposto mesmo no caso de turbações feitas por colocatários. o locador indenizará o locatário pelas benfeitorias e os aluguéis são devidos até que o ente público seja imitido na posse da coisa. I). Deve também o locatário usar a coisa para os usos convencionados ou presumidos. é que o contrato de locação estabeleça exatamente que tipo de despesas caberá o locatário e ao locador. Art. 289. 568. Isso quer dizer. Art. conforme sistematiza Caio Mário da Silva Pereira. conforme o art. Caberia ao locatário o pedido de restituição dos aluguéis pagos? Se parcial a evicção.210. A lei estabelece inclusive um penhor legal sobre os móveis que guarnecem o imóvel locado como garantia de pagamento. §1º)”18. 569. II. reparos etc. 568. embora caiba ao locatário “o desforço que a lei lhe assegura (Código Civil.

245. parágrafo 3º da Lei nº 10. Pode-se dizer até que é um dos poucos casos de “Justiça privada” aceita pelo Direito brasileiro. de maneira. a lei provê a solução no art. uma defesa que a lei dá ao locatário de conservar em sua posse a coisa alheia locada. Art. caso tenham sido feitas com o consentimento do locador (art. As únicas exceções permitidas por lei são as em é conferido ao locatário direito de retenção. O locatário deve ter a diligência esperada para o cuidado com a coisa. a impedir a deterioração do bem se ela é evidente. Isso é contrapartida do dever do locador de garantir a coisa locada. do local em que ele é celebrado e o princípio da boa-fé objetiva. e responderá pelos danos a ela. 19 Art. sem prejuízo das regras específicas da Lei nº 8. 575: ficará responsável pelos aluguéis enquanto mantiver a coisa em seu poder. conforme as circunstâncias do contrato. O desvio de finalidade é analisado no caso concreto. [direito de retenção] É um poder. e também pelas úteis20. sem prejuízo de seu dever de pequenos reparos e consertos já mencionado. findo o contrato de locação. por exemplo. enquanto não lhe forem indenizadas as despesas ou perdas sofridas em razão da coisa. Caso o locatário descumpra esse dever. isto é. Por fim. para que ele. deve o locatário restituir a coisa no estado em que a recebeu. 20 FGV DIREITO RIO 42 . por exemplo. Tratandose de norma dispositiva. podem as partes dispor em contrário no contrato. O adquirente do bem somente estará obrigado a respeitar a locação se o contrato contiver cláusula expressa e tiver sido submetido ao registro próprio. O locatário é obrigado a levar ao conhecimento do locador as turbações de terceiros. ainda que proveniente de caso fortuito. parágrafo 2º da Lei nº 10. 96.CONTRATOs Em EsPÉCIE afastamento desta regra. 578). Esse dever de informação deve ser exercido de modo a permitir a que o locador possa tomar todas as providências para o exercício do seu próprio dever. [alienação do bem durante o prazo locatício] A questão está regulada no art.406/2002: “são necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore”. possa entrar com as medidas judiciais cabíveis para a proteção de sua propriedade e da posse do locador. deve notificar o locador. salvo por sua deterioração natural. como se verá a seguir. no valor arbitrado pelo locador. tão logo o locatário tome conhecimento da turbação. mesmo depois de findo o prazo contratual. contudo.406/2002: “são úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem”. 96. 576 do código. A lei confere direito de retenção ao locatário pelas benfeitorias necessárias19.

7. pede ao pai que lhe ceda esse apartamento que se encontra alugado. ed. fosse o seu sobrinho? E se o imóvel estivesse sendo vendido? 1. 6.2. pág.245.245/1991. separada do Código Civil. Maria Lúcia.5. com as normas ora protegendo mais o proprietário. No 17º mês de vigência. O regime da locação de imóveis urbanos é de tal importância para o Direito que mereceu uma disciplina própria. não foi a primeira legislação específica sobre o tema no Direito brasileiro. e o crescente déficit na oferta de casas tem gerado uma verdadeira sucessão de regras jurídicas sobre o tema. Instituições de Direito Civil. ora protegendo mais o inquilino. Caio Mário da Silva. Com efeito. todavia.4.3. em grande parte devido ao fato de que mais de 80% da população brasileira vive em centros urbanos. biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO. 1.. como não possui imóvel próprio. Pode-se até dizer que a atividade legislativa. AulA 7: CONTRATO dE lOCAçãO (lOCAçãO dE PRÉdIOS uRbANOS –– lOCAçãO RESIdENCIAl) 1. a questão habitacional vem sendo uma das maiores preocupações legislativas em todo mundo a partir do Século XX. de 18 de outubro de 1991. FGV DIREITO RIO 43 .7.7.7. Caso Gerador Imagine que o senhor Eduardo Russo tenha alugado um de seus apartamentos em Brasília por 30 meses. 301 a 312. vol. envolvendo o contrato de locação. é o de locação de prédios urbanos. pelo menos no Brasil. sua filha. que o profissional do Direito é levado a lidar. • PEREIRA. biblioGrafia obriGatória: • Lei nº 8.7. 2006. que. decide morar sozinha e. roteiro de aula a) introdução Vimos na aula passada o regime geral das locações de coisas no Código Civil. Rio de Janeiro: Forense.7. 1. eMentário de teMas: Introdução – Âmbito de aplicação – Obrigações das partes – Garantias Locatícias – Prazo e forma – Alienação do imóvel – Locação residencial 1. III. para ela morar. tem-se mostrado até certo ponto pendular. que hoje encontra abrigo na Lei nº 8. Arnaldo. indubitavelmente o maior número de casos.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. 481-573. Contratos. Rio de Janeiro: Forense. págs. Todavia.1. 2005. Pergunta-se: cabe a denúncia “cheia” nos contratos por igual a 30 meses? E se. ao invés da filha.

o intérprete decidirá preponderantemente de acordo com a atividade econômica praticada ou desenvolvida naquele imóvel. que o contrato transfira para o locatário tais despesas. aplicam-se a este tipo de locação. e não ao contrário. as regras para o uso do estacionamento. O art. As exceções ao âmbito de aplicação da lei. num patamar imediatamente inferior. A própria lei (em seu art. É legal esta estipulação? No que tange ao locatário. como. sua obrigação primordial é a de pagar pontualmente o aluguel. da sua localização dentro do shopping. embora o contrato possa contemplar cláusula de reajuste (arts. expostas já no parágrafo único do seu art. apart-hotéis etc. possui caracteres específicos. porém. O legislador entendeu que. ao fato de que procura equilibrar os interesses. Os imóveis rurais são regulados pelo Estatuto da Terra (Lei nº 4. restituindo-o ao locador ao fim do prazo estipulado. imóveis de propriedade de entes públicos. no que tange às despesas condominiais. É muito comum. de locadores e locatários. 17 e 18). A Lei do Inquilinato regula três tipos de locação: a residencial. Esse tipo de locação. b) Âmbito de aplicação Nem todos os imóveis em áreas urbanas estão sujeitos ao tratamento jurídico da Lei do Inquilinato. as principais obrigações do locador se referem à entrega. portanto. como o da boa-fé objetiva e do equilíbrio contratual. O aluguel deve ser fixado em dinheiro. Como visto na aula anterior. C) obrigações das partes Estão listadas fundamentalmente nos art. Também não se aplica a lei no caso de leasing de imóveis. A configuração de imóvel urbano.245/1991 todos os imóveis urbanos não incluídos nas exceções legais expressas. Uma situação especial diz respeito aos espaços comerciais em shopping centers. em virtude de exceção expressa no texto legal. A experiência mostrou que a proteção demasiada ao locatário. gerava um aumento no preço dos aluguéis. solução que parece mais simples em face do direito constitucional de moradia. por exemplo. aumentando o déficit habitacional. é livre a pactuação das cláusulas do contrato entre locador e locatário.504/1964). exceto por algumas questões referentes a despesas condominiais tratadas no próprio artigo. normalmente contrapostos. 1º. a não residencial (ou comercial) e a por temporada. nestes casos. obedece mais a um critério funcional/eco/econômico do que um geográfico. nos casos limítrofes. neste caso. Todos os princípios contratuais expostos no código. a submissão a promoções do shopping etc. FGV DIREITO RIO 44 . 79) determina a aplicação subsidiária da legislação geral nos casos omissos. a disciplina do Código Civil não é totalmente afastada nas locações de imóveis urbanos. Isto é. 54 da lei determina que. garantindo o seu uso pacífico inclusive perante terceiros. permitir o uso e gozo pleno do imóvel pelo locatário. não se verifica um desnível econômico significativo entre as partes que enseje a atuação do legislador. por exemplo. a variação do aluguel a ser pago em função do faturamento da loja. todavia. em regra. Além disso. que chegam a extrapolar a mera relação locatícia de transferência da posse. está o dever de cuidar do imóvel e servir-se dele para o fim acordado no contrato. como é o espírito da lei. sujeitos à aplicação da Lei nº 8. 22 e 23 da lei. sendo que as duas últimas serão tratadas na próxima aula. o impacto social não é tão relevante. Estão. incluem. vagas autônomas de garagem. podemos inferir. ou seja.CONTRATOs Em EsPÉCIE A relativa longevidade da legislação vigente deve-se. manutenção e garantia da posse do locatário. Por outro lado. nem tampouco uma necessidade social tutelável.

Todavia. como já dito anteriormente. e o contrato foi averbado na matrícula do imóvel no Registro de Imóveis. já que a depender do que as partes acordarem os efeitos serão bem distintos. 8º da lei estabelece que quando o contrato contém a chamada “cláusula de vigência”. ou (ii) manter-se na posse do imóvel. necessariamente excludentes entre si: (i) exercer a preferência para compra do imóvel em igualdade de condições com o terceiro. a lei faculta ao proprietário o direito de exigir um reforço – ou até mesmo uma troca – da garantia nas hipóteses previstas no art. o direito de vender o bem continua com o proprietário. Não lhe é permitido. ou (iii) seguro de fiança locatícia. Quanto à forma. gozar e dispor de seus bens. permanecendo o contrato em vigência. a lei determina que o contrato é consensual. o adquirente pode denunciar o contrato de locação. o contrato de locação transfere ao locatário a posse do bem. consolidar novamente posse e propriedade em suas mãos. que. se não obtido. todavia. A questão do prazo é. depende do consentimento do cônjuge do proprietário. 1. solicitar o acúmulo de garantias para um mesmo contrato. o direito de uso e gozo. Tal regra. Primeiramente. Este requisito é indispensável para possibilitar a manutenção do contrato em caso de alienação do imóvel. cumulativamente. recebe um tempero especial quando se trata de locação residencial. 40 da lei. mas a lei regula – e confere alguns direitos ao locatário nestas hipóteses – a forma e o procedimento que deve ser respeitado pelo proprietário e pelo adquirente no caso de venda do imóvel alugado. a regra geral é que se resolve o contrato de locação. na forma do art. Além disso. que a proteção jurídica do locatário independe da forma escrita do contrato? f) alienação do imóvel O sistema de propriedade adotado pelo nosso código (art. o art. talvez. 3º da lei determina que o contrato pode ser ajustado por qualquer prazo. não pode o locador reaver o imóvel locado. se for superior a dez anos. 37. (ii) fiança. desde que. o art. e o locatário somente poderá devolvê-lo mediante pagamento proporcional da multa estipulada no acordo. de adquirir o imóvel em condições de igualdade de condições com o terceiro. Por outro lado. não depende de forma específica. e) Prazo e forma O art.228) confere ao proprietário o direito de usar. 27 cria um direito de preferência. Sendo assim. consensual e não solene. Pode-se dizer. não estará obrigado a respeitar o prazo da avença. Como já vimos anteriormente. A regra geral é a de que. FGV DIREITO RIO 45 . em regra. a mais importante no regime da lei. então. a diversidade de efeitos do registro no caso da alienação do imóvel é um grande incentivo não só a reduzir o contrato por escrito como também averbá-lo na matrícula do imóvel. Entretanto.CONTRATOs Em EsPÉCIE d) Garantias locatícias A lei estabelece que o locador pode exigir do locatário uma das seguintes garantias: (i) caução. no prazo de 30 dias contados do conhecimento da proposta. isto é. 27. como se verá adiante. durante a vigência do contrato. mas. Por isso. o adquirente não poderá denunciar o contrato. para o locatário. isto é. o contrato contenha cláusula de vigência e esteja averbado na matrícula do imóvel no Registro de Imóveis. se o proprietário vender o imóvel. Resumidamente. em regra. conforme dispõe o art. porém. a lei confere ao locatário dois direitos. apesar de o contrato de locação ser.

A hipótese importa para o locatário: a. questões de ConCurso (Prova: 09º Exame de Ordem . no qual o legislador fixou uma referência (30 meses) em torno da qual os efeitos do contrato e os direitos e obrigações das partes serão modificados. e cabe o locatário desocupar o imóvel em trinta dias. FGV DIREITO RIO 46 . 21 RIZZARDO. • o locatário. aquela. “Residência é o lugar onde alguém fica habitualmente. a morada habitual da pessoa. a locação prorroga-se imediatamente por prazo indeterminado. estudemos a tabela abaixo: Prazo Contratual Indeterminado Inferior a 30 meses (art.1ª fase) Arnaldo reside há dez anos consecutivos em um imóvel locado através de instrumento escrito e atualmente vigorando por prazo indeterminado. • Nesse tipo de prorrogação. ainda que sem a intenção de nele permanecer sempre. portanto. Pessoa jurídica não pode ser parte em contrato de locação residencial. mesmo se para os seus administradores (art. 55). 45). tem um prazo de trinta dias para desocupação do imóvel (art. proceder a desocupação do imóvel. A lei. c. b. pág. 46) Efeito • o locador pode denunciar o contrato a qualquer tempo. 47) Igual ou superior a 30 meses (art. 486. Para melhor entendimento da matéria. 46. foi surpreendido com uma notificação para desocupar o imóvel no prazo de doze meses. exercida a denúncia. O direito a uma indenização proporcional ao número de anos em razão do rompimento imotivado do contrato. onde pratica em regra os seus atos jurídicos. onde ela se estabelece com ânimo definitivo. fixa o parâmetro dos 30 (trinta) meses como razoável para o prazo locatício. que pode ou não ser o mesmo local do domicílio. sempre. tendo sempre cumprido rigorosamente todas as condições do contrato. 2006. d. 47. O principal traço da locação residencial diz respeito ao prazo. sob pena de nulidade do contrato (art. Findo o prazo. Esse é o lugar da “atividade jurídica da pessoa”. Rio de Janeiro: Forense. As prorrogações previstas no art. §2º) • Findo o prazo estabelecido. com prorrogação automática se não houver oposição do locador. Contratos. imotivada. 1.21 Não devem ser confundidas as noções jurídicas de residência e de domicílio. ed. isto é. Destinam-se à habitação da pessoa natural. Arnaldo. Seu elemento essencial é a habitualidade”. • Só cabe a denúncia “cheia” – nos casos previstos no art. 6. O direito de não pagar os locativos no período estipulado na notificação. após os trinta meses cabe a “denúncia vazia”. • A resolução do contrato ocorre no fim do prazo estipulado.6. 47 não podem ser afastadas pelas partes.7. devolvendo-o nas mesmas condições que o recebeu. especialmente no que tange à denúncia do contrato.CONTRATOs Em EsPÉCIE G) locação residencial Locação residencial é aquela destinada à habitação de pessoas.Poderá ficar ainda mais três meses além do prazo estabelecido.

O adquirente poderá denunciar o contrato com prazo de sessenta dias para desocupação. b. salvo se a locação for por tempo determinado e o contrato contiver cláusula de vigência em caso de alienação e estiver averbado junto à matrícula do imóvel. presumindo-se.CONTRATOs Em EsPÉCIE (Prova: 02º Exame de Ordem . O adquirente poderá denunciar o contrato com prazo de noventa dias para desocupação.1ª fase) sendo alienado o imóvel durante a vigência de contrato de locação: a. independentemente de cláusula de vigência em razão do princípio “venda rompe a locação”. O adquirente não poderá denunciar o contrato se este vigorar por prazo indeterminado.A denúncia deverá ser exercitada no prazo de 30 dias contados do registro da venda ou do compromisso. a concordância na manutenção da locação. c. após esse prazo. d. FGV DIREITO RIO 47 .

CONTRATOs Em EsPÉCIE

1.8. AulA 8: CONTRATO dE lOCAçãO

1.8.1. eMentário de teMas: Introdução - Locação para temporada - Locação não residencial - Ações locatícias. 1.8.2. biblioGrafia obriGatória: • Lei 8.245/1991. • RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. São Paulo: Ed. Saraiva, 2002, vol. 3, págs. 227 a 239. 1.8.3. biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO, Arnaldo. Contratos. Rio de Janeiro: Forense, 2006. págs. 481-573. • VENOSA, Silvio de Salvo. Lei do inquilinato comentada. São Paulo: Atlas, 1997. Comentários aos artigos 48 a 57. • FUX, Luiz. Locações - Processo e Procedimento. Rio de Janeiro: Destaque, 1999. 1.8.4. Caso Gerador Durante o curso da diligência legal, recebemos uma cópia de um contrato de locação não residencial de uma das lojas dos Supermercados Pechincha, celebrado inicialmente em 1º de janeiro de 2000 com prazo de vigência até 31 de dezembro de 2005. Questionada sobre o vencimento do contrato, a senhora Maria Lúcia Russo alegou que o advogado da Pechincha Comércio Varejista Ltda. a orientou a escudar-se no parágrafo único do art. 56, que garante a permanência do locatário se não houver oposição do locador no prazo de 30 dias. Sendo assim, ela argumenta que, passados vários meses do prazo legal, o contrato deve ser considerado como renovado. Como advogado da Grana Certa S/A, quais são os riscos para o seu cliente dessa situação? Seu chefe no escritório, preocupado com isso, pede a você uma pesquisa para verificar se é possível a propositura de ação renovatória. O que você responde a ele? Paralelamente, o senhor Odin Heiro pretende contratar um administrador profissional para assumir a administração da Pechincha Ltda. quando o negócio for fechado. Dentro do pacote oferecido para os candidatos à vaga, inclui-se o pagamento de aluguel de uma mansão no Lago Sul, em Brasília, onde serão sediadas as operações da Grana Certa S/A no ramo de distribuição alimentícia. Neste cenário, o seu cliente lhe pergunta qual seria o prazo recomendável para a vigência do contrato. O que você diz a ele? 1.8.5. roteiro de aula a) introdução A Lei nº 8.245/1991, além das locações residenciais, estabelece ainda o regime das locações não-residenciais (ou comerciais) e por temporada, cada qual com uma finalidade econômica específica. Assim, a Lei do Inquilinato divide em três grandes sistemáticas o regramento das locações prediais urbanas, atendendo aos bens jurídicos respectivamente tutelados – a locação residencial protege o direito à habitação, a
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locação não residencial protege o fundo de comércio e a locação por temporada, por não ser nem habitacional nem parte de atividade econômica, merece regulamento próprio. b) locação para temporada O conceito de locação para temporada está disposto no art. 48 da Lei do Inquilinato, segundo o qual são requisitos para a caracterização da locação para temporada o fim ao qual é destinado o imóvel (recreativo ou na necessidade do locatário de celebrar o contrato, seja por realização de curso, seja por tratamento de saúde ou obras em seu imóvel), e o prazo de sua vigência (que não pode ser superior a 90 (noventa) dias). O prazo superior a 90 (noventa) dias descaracteriza a locação como para temporada. O art. 50 mostra que, se permanecer o locatário no imóvel para além do prazo máximo estipulado, não é possível mais se exigir o pagamento antecipado do aluguel, descaracterizando a temporada. Assim, o artigo equipara à locação residencial, só podendo ser denunciado nas hipóteses do art. 47. Parte da doutrina entende que é necessário contrato escrito. Embora contivesse do projeto original uma disposição específica neste sentido, há quem entenda que o prazo exíguo a torna incompatível com o contrato verbal, sobretudo porque o contrato não escrito, como pode não deixar claro o prazo contratado, pode ser confundido com uma locação residencial comum. E você, acha necessária, conceitualmente, a forma escrita para a locação por temporada? Em todo caso, se o imóvel estiver mobiliado, o parágrafo único determina que deva constar do contrato o rol dos móveis e utensílios que o guarnecem, bem como o estado em que se encontra. E se as partes não procederem assim, qual a sanção jurídica? Torna-se inválido o contrato? Outro grande traço da locação para temporada é a possibilidade de exigência, por parte do locador, de recebimento dos aluguéis antecipadamente, o que é vedado para os demais tipos de locação segundo o art. 20. Se, todavia, o contrato for resolvido, por algumas das hipóteses estabelecidas no art. 9º, o locador será obrigado a devolver, proporcionalmente, o valor recebido antecipadamente, sob pena de seu enriquecimento sem causa. C) locação não residencial Considera-se locação não residencial, naturalmente, aquela que não é destinada à habitação de pessoas. Sempre que a destinação do imóvel não for a moradia de alguém, será para fins não residenciais. O contrato de locação não residencial ganha uma importância maior na medida em que pode ser – e quase sempre é – parte integrante do fundo de comércio (ou fundo de empresa) do empresário. O ponto, o estabelecimento, a loja, são partes fundamentais da atividade empresarial, apesar de ser um bem imaterial, e, desta forma, não pode o legislador – que sempre procura preservar a atividade empresarial, em prol do crescimento econômico (que gera empregos e tributos) – tratar esse tipo de locação da mesma forma que trata a locação residencial. Como o legislador se utilizou da expressão “não residencial”, e não de “empresa”, “empresário” etc., é irrelevante para a lei se a atividade desenvolvida no local é empresarial, civil, industrial, ou qualquer outra. O critério da lei é residual – todas as locações que não sejam destinadas à moradia de pessoas naturais são “não residenciais” e sua disciplina então é a aplicável. Há também a locação não residencial por força de lei, estabelecida no art. 55 da lei. De modo a proteger, então, a atividade econômica, o legislador, ao contrário do que ocorre na locação residencial, outorgou ao locatário, nestes casos, um direito à renovação compulsória, ao qual corresponde uma ação – a ação renovatória. Note-se que a possibilidade de renovação compulsória do contrato encerra uma revolução paradigmática no direito dos contratos: a vigência do contrato independe da vontade de uma das partes. Em outras palavras: o locador pode inclusive ter manifestado sua intenção de não renovar
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o contrato, mas se o locatário cumprir os requisitos legais, o juiz deverá autorizar a manutenção da vigência do contrato. A rescisão do contrato, em regra, nesses casos, se dá ao fim de seu prazo, conforme estabelecido no art. 56 da lei, que dá um tratamento semelhante ao que ocorre na locação residencial. Para que o locador possa fazer jus ao direito à renovação compulsória, a lei exige determinados requisitos que devem constar do contrato, necessariamente. Tais requisitos estão expostos nos três incisos do art. 51, que são cumulativos, ou seja, é necessária a presença das três condições para a possibilidade da renovação compulsória. Vale ressaltar que, neste caso, a lei é cogente; significa dizer que o contrato não pode afastar a possibilidade de renovação, estando presentes os requisitos legais. Note que (i) a lei obriga que o contrato seja por escrito – volta-se aquela definição vista anteriormente: o contrato é consensual, mas dependendo de sua finalidade, a forma escrita garantirá uma determinada sorte de efeitos; e (ii) o legislador realmente privilegia a formação do “fundo de empresa” quando estabelece prazos mínimos e requer que seja o mesmo ramo de atividade. No que tange ao inciso II, ressalte-se que se o contrato for estipulado por menos de cinco anos e houver um lapso temporal entre o seu vencimento e a sua efetiva renovação, a jurisprudência entende que se computa este tempo, valendo o tempo que o inquilino está no imóvel. Um outro requisito fundamental de validade da ação renovatória está previsto no §5º do referido artigo, que estabelece um prazo decadencial para a propositura da ação, de seis meses, entre um ano e seis meses antes do vencimento previsto do contrato vigente. Portanto, quando você estiver estagiando em um escritório e tiver que protocolar um prazo de ação renovatória, muita atenção: NÃO PERCA O PRAZO; seu cliente pode sofrer gravíssimos prejuízos. Dê uma olhada atenta nos arts. 52 e 53 da lei – lá estão estabelecidas algumas exceções à regra da renovação compulsória, por matéria de política legislativa. Luvas: é uma quantia paga pelo locatário, além dos aluguéis, para o locador, como adiantamento ou para a renovação do contrato. No regime anterior da locação não residencial, sua cobrança era permitida. No atual sistema legislativo, parte da doutrina acha que a lei atual não veda a cobrança, que ocorria, na prática, mesmo com a existência de vedação expressa do decreto anterior (lei de luvas). Mas não é matéria pacificada; alguns entendem que o Art. 45 proíbe a cobrança de luvas. d) ações locatícias Por fim, e sem querer entrar na aula do professor de Processo Civil, a Lei do Inquilinato possui regras processuais específicas para o caso de locação de imóvel urbano, criando alguns remédios para locadores e locatários sujeitos ao âmbito da lei. 1) Ação de despejo (art. 59) – é a ação utilizada pelo locador para retomar o imóvel, por qualquer que seja o motivo (e não somente por falta de pagamento). Assim, sempre que o locatário se mantiver na posse do imóvel e a lei conferir ao locador o direito de retomada, ele poderá propor a ação de despejo e poderá, inclusive, pedir liminar ao juiz para desocupação em 15 (quinze) dias, nos casos previstos no art. 59. Se a ação de despejo for proposta com fundamento na falta do pagamento pontual do aluguel, o objeto da ação incluirá também a cobrança dos valores devidos, não sendo necessária, até mesmo por um primado de economia processual, a propositura de ação de cobrança. O locatário poderá, nesse caso, impedir a resolução do contrato mediante a “purga da mora”, isto é, o depósito judicial do valor do débito atualizado, com multa, juros e encargos. 2) Ação de consignação de aluguel (art. 67) – é a ação do locatário quando o locador se nega a receber os valores do aluguel, e por meio da qual ele irá depositar em juízo a importância que acha devida, indicada na petição inicial.
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iniciou tratativas com o locador. Nessa ação. o legislador limitou as matérias de fato que podem ser objeto da contestação do locador. a qualquer tempo. A necessidade de realização de obras urgentes. 72. em que muitas vezes o locador era prejudicado por um índice defasado no contrato.1ª fase) Não é defesa possível ao locador na ação renovatória: a. que também será discutido na ação (art.2ª fase . existe. Por outro lado. 71) – é aquela usada para a renovação compulsória da locação. em contrato de locação não residencial. Assim. as quais restaram infrutíferas. 4) Ação renovatória (art. b. gerando um enriquecimento sem causa do locatário. também por medida de economia processual. no art. Vale ressaltar que. desta forma.6. Prova: 24º Exame de Ordem . ajustando-se. alguma solução judicial para a questão? Qual? Explique e fundamente a sua resposta FGV DIREITO RIO 51 . levantar o depósito sobre o valor que não está sendo mais objeto da disputa. a retribuição a ser paga pelo locatário. celebrado em 01/12/1999. determinadas pelo poder público. Sendo assim. pretendendo renovar a relação. poderá ser cobrada a diferença aferida no valor dos aluguéis. 67. por prazo determinado de 5 (cinco) anos.PROVA DIsCURsIVA Padaria Alvino. d. Tinha muita relevância na época da escalada inflacionária. Não preenchimento dos requisitos legais para a renovação. de radical transformação no imóvel. na maioria das vezes o autor da ação era o locador. na locação não residencial. que não deseja renovar o contrato. basicamente o que se busca é uma perícia judicial para que seja arbitrado o valor de mercado justo do imóvel. questões de ConCurso (Prova: 21º Exame de Ordem . a locatária. 73). no intuito de preservar o fundo de empresa. face à resistência do locador. na data de hoje. expondo todo o caso concreto e desejando sua opinião sobre a possibilidade de compelir a realização da renovação contratual. Proposta de terceiro para a locação em condições melhores.CONTRATOs Em EsPÉCIE Caso o locador levante o depósito ou não oferecer contestação. o locatário poderá. Pergunta-se: no caso concreto. IV). conforme visto acima. 68) – serve para qualquer tipo de locação prevista no ordenamento. ou não. 1. na qualidade de locatária. lhe procura como advogado. o juiz acolherá o pedido (art. 3) Ação revisional de aluguel (art. Neste caso. A intenção de se instalar no imóvel com comércio no mesmo ramo que o inquilino. c.8.

3. e PECHINCHA COMÉRCIO VAREJISTA LTDA. individualmente. 2003.). vol. 579 a 585 da Lei nº 10. In: AZEVEDO. Parte Especial. Teresa Ancona. matrícula 555 do Cartório de Registro de Imóveis do Distrito Federal. doravante denominada simplesmente “Comodante”. Caso Gerador: Recebemos na diligência o contrato de comodato de um dos imóveis utilizados pela rede de Supermercados Pechincha. REsOLVEm.9.406/2002. a Comodatária tem interesse na utilização do Imóvel e que a Comodante deseja dar em comodato à Comodatária parte do Imóvel.9. 255 a 261. São Paulo: Saraiva. Eduardo Russo. conjuntamente. 3. págs. com seus atos constitutivos registrados na Junta Comercial de Brasília sob o número 11111111. denominadas “Partes” e. Tendo em vista a importância desse imóvel para a rede de supermercados e. com sede em Brasília. potencial adquirente do negócio. celebrar o presente Contrato. 1. São Paulo-SP. eMentário de teMas: Introdução. págs.. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. que comentários você teria a fazer com relação ao contrato abaixo? CONTRATO DE COmODATO XYZ LTDA. Direito Civil. e pelas seguintes cláusulas e condições: FGV DIREITO RIO 52 .4. Obrigações do comodatário. São Paulo: Ed. inscrita no CNPJ/MF sob nº 00000000.2. Quadra ABC (o “Imóvel”). sociedade limitada com sede na Rua dos Oitis. 7. “Parte”.1. biblioGrafia obriGatória: • Arts. biblioGrafia CoMPleMentar: • LOPEZ. conseqüentemente. Silvio. 2002. Antônio Junqueira de. Características. 82 a 130. Comodante e Comodatária são doravante. Saraiva. vol. Distrito Federal.. neste ato representada por seu representante legal. AulA 9: EmPRÉSTImO (COmOdATO) 1. doravante denominada simplesmente “Comodatária”. Extinção do comodato.9. (coord. 1. Das várias espécies de contratos. que será regido pelo artigo 579 e seguintes do Código Civil. 1. neste ato representada por seu representante legal.9.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Comentários ao Código Civil.9. CONSIDERANDO QUE: a Comodante é proprietária e legítima possuidora do imóvel localizado no Lago Sul. • RODRIGUES. Comodante e Comodatária. para o nosso cliente. Sr.

e as benfeitorias delas decorrentes a ele se incorporarão. Pelo presente Contrato.2. pessoais ou fiscais. A Comodante declara. caso tais irregularidades não sejam sanadas dentro de 02 (dois) dias contados a partir da data do recebimento de aviso escrito enviado pela Parte prejudicada.2. A Comodatária será a responsável exclusiva pelo custeio de todas e quaisquer despesas decorrentes de adaptações e reformas eventualmente realizadas a fim de permitir a instalação e o funcionamento das atividades da Comodatária no Imóvel.3. ou (c) utilização do Imóvel para outros fins além daqueles descritos neste Contrato. de qualquer de suas cláusulas e/ou condições. sem prejuízo das sanções aplicáveis.2.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Neste ato. 4. a partir da posse.1. Da Imissão na Posse. não podendo a Comodatária reter o Imóvel nos termos deste Contrato pelas benfeitorias nele realizadas. 5. desde já. ainda. ou (b) pedido de concordata ou falência da Comodatária. desde já. Da Vigência e da Rescisão. luz.1.3.1. vedado à Comodatária o aluguel ou comodato do Imóvel.2. na melhor forma de direito. bem como a cessão ou transferência dos direitos e obrigações oriundos deste Contrato. em conformidade com o seu Contrato Social e respectivas alterações. água. 1. a defendê-la contra ameaças. 2. Da Utilização da Área. turbações ou esbulhos e a preservar o Imóvel como se seu fosse. na ocorrência de qualquer uma das seguintes hipóteses: (a) protesto de títulos de responsabilidade da Comodatária. Das Despesas. a Comodante cede em comodato à Comodatária o Imóvel. se realizadas pela Comodatária. A Comodatária será exclusivamente responsável pelo pagamento de todas as despesas ordinárias tais como. gás. para todos os fins de direito. que o Imóvel se encontra livre e desembaraçado de quaisquer ônus reais. A Comodatária declara que utilizará o Imóvel ora dado em comodato exclusivamente para a consecução de seus objetivos sociais. 1. A Comodante reserva-se o direito de rescindir este Contrato. a Comodatária se obriga. 1. na forma do artigo 582 do Código Civil. 5. Fica. podendo ser rescindido por qualquer das Partes mediante aviso prévio de 30 (trinta) dias.1. a preservar e manter em perfeito estado de conservação e limpeza o Imóvel cedido. em caso de inobservância. ou ainda restrições de qualquer natureza. 5. impostos e demais encargos que recaiam sobre o Imóvel. 2. 3. 5. ressalvado o desgaste natural decorrente do uso regular do Imóvel. sem o expresso e inequívoco consentimento da Comodante. 2. pela outra Parte. Fica desde já ajustado entre as Partes que as benfeitorias realizadas pela Comodatária no Imóvel não criarão para a Comodatária direito a qualquer indenização. serão consideradas despesas necessárias para o uso e gozo do Imóvel. 3. obrigando-se. taxas. O presente Contrato poderá ser rescindido por qualquer uma das Partes. vedada sua utilização para qualquer outra finalidade sem o prévio e expresso consentimento da Comodante. bem como sobre o exercício de suas atividades. ficando. Tais adaptações e reformas.1. sob pena de responder por perdas e danos. O presente Contrato é celebrado por prazo indeterminado. Do Objeto. Durante a vigência do presente Contrato. 4. 2.1. comprometendo-se a não lhe causar danos ou avarias e a conservá-lo no mesmo estado em que o recebeu. mediante notificação com efeitos imediatos. FGV DIREITO RIO 53 . a Comodatária é imitida na posse do Imóvel.

Existem duas espécies de empréstimo: comodato e mútuo. Direito Civil. as Partes assinam o presente Contrato de Comodato em três vias de igual teor e forma na presença de duas testemunhas abaixo assinadas. das perdas e danos a que tiver dado causa.5. 85 da Lei nº 10. 2002. vol. são Paulo: Ed. qualidade e quantidade”. silvio. Nesta aula. com renúncia expressa de qualquer outro. devendo devolver a mesma coisa. 7. pág. 8. Todas as notificações. 255. na vigência deste instrumento. ainda. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. a qualquer tempo.CONTRATOs Em EsPÉCIE 6. Das Penalidades. roteiro de aula a) introdução Empréstimo é o contrato pelo qual uma das partes entrega um bem à outra. 22 RODRIGUEs. eminentemente gratuito. 3. Brasília. permitidas ou decorrentes deste Contrato. por notificação judicial ou extrajudicial. 6. ao termo do negócio”23. avisos ou comunicações exigidas. POR EsTAREm AssIm JUsTAs E CONTRATADAs. 8. 23 FGV DIREITO RIO 54 . veremos as características do comodato e na próxima aula estudaremos as diferenças entre comodato e mútuo e as regras específicas do mútuo. Relembrando: art. 7. Pechincha Comércio Varejista Ltda.406/2002: “são fungíveis os móveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie. dirigidos e/ou entregues às Partes nos endereços constantes do preâmbulo deste Contrato ou em outro endereço que uma das Partes venha a comunicar à outra. As Partes elegem o foro da comarca da capital do Estado de São Paulo como competente para solucionar qualquer conflito decorrente do presente Contrato. 10 de novembro de 1995. fax. e-mail com comprovação de recebimento. “O comodato é o empréstimo de coisa não fungível22. Das Notificações. no qual o comodatário recebe a coisa emprestada para uso. Testemunhas: Nome: RG: Nome: RG: 1. saraiva. por mais privilegiado que seja. por qualquer das Partes à outra. A Parte que infringir qualquer das cláusulas ou condições do presente Contrato ficará sujeita ao pagamento. à Parte inocente.1. deverão ser feitas por carta com aviso ou protocolo de recebimento ou.9. Do Foro.1. para ser devolvido em espécie ou gênero.1.

embora as máquinas permaneçam no supermercado. se em caso de risco. Vale notar que no comodato. Há. onde os clientes podem tomar um gostoso cafezinho. Recebemos o contrato celebrado entre o Supermercado Pechincha e a empresa de café e notamos que. fica em mora e. o comodatário responde pelo dano que venha a ser sofrido pelo comodante. O comodatário. Assim. – Unilateral – após a entrega do bem. Se o contrato for omisso quanto à finalidade. embora haja transferência do bem. Perfaz-se com a tradição do objeto”.406/2002: “O comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis. – Real – é necessário que o bem seja transferido ao comodatário para que o contrato exista. sujeito aos efeitos da mora24. deve ser entendido que a coisa foi emprestada para ser utilizada de acordo com sua natureza. 394 a 401 da Lei nº 10. A princípio. exceto se ele comprovar necessidade urgente e imprevista para exigi-lo antes. Que conseqüências podem resultar desse fato? d) extinção do Comodato O contrato de comodato se extingue: Rever arts. Não havendo prazo expressamente pactuado. A natureza jurídica do contrato de comodato. é: – Gratuito – caso fosse oneroso. Para tanto. deve ser restituído findo o prazo necessário para a finalidade para a qual ele foi emprestado. 579 da Lei nº 10. mesmo em caso de força maior. por exemplo. Um dos diferenciais do Supermercado Pechincha é o atendimento aos clientes. já analisada neste curso. Pela análise do artigo acima. portanto. – Não solene – a lei não prescreve qualquer forma. o domínio não é transferido ao comodatário. que cedeu duas máquinas em comodato ao supermercado para que os clientes comprem os produtos e coloquem nas máquinas que ficam ali à disposição. abandonando os bens do comodante. para a finalidade e de acordo com os termos do contrato de comodato. pelo comodatário. a não-fungibilidade do objeto e a necessidade de sua tradição para o aperfeiçoamento do negócio. uma área perto da seção de confeitaria.406/2002. o Supermercado Pechincha entrou em acordo com uma renomada empresa de café expresso. – Usar a coisa de forma adequada – O bem em comodato só poderá ser usado. portanto. o prazo do contrato já terminou. – Restituir a coisa emprestada no momento devido – O comodatário deve restituir o bem no prazo acordado. o comodatário privilegiar a segurança de seus bens próprios. poderia ser confundido com a locação. 24 FGV DIREITO RIO 55 . é possível extrair três elementos desse contrato: a gratuidade.CONTRATOs Em EsPÉCIE b) Características Art. que descumpra a obrigação de devolver o bem no prazo. Não basta a mera troca de consentimentos. incumbem obrigações apenas ao comodatário. C) obrigações do comodatário – Velar pela conservação da coisa – O comodatário deve zelar pela coisa como se própria fosse. o comodante não pode exigir o bem antes do termo do contrato.

Apesar de estar muito chateado. se o comodatário descumpre qualquer de suas obrigações. alegando que somente tinha feito aquele contrato porque conhecia muito bem Irene e que agora não fazia sentido manter o contrato de comodato. alegaram que o contrato de comodato ainda estaria em vigor e que a moto era responsável por uma boa parte da renda do restaurante uma vez que viabilizava o serviço de entrega em domicílio. Sabendo que Irene tinha acabado de abrir um restaurante e que queria implementar um serviço de entrega em domicílio. Se você fosse o juiz. caso prove a superveniência de necessidade imprevista e urgente. o comodante estava ciente de que não era ela quem dirigia a moto. de acordo com os herdeiros. infelizmente. Irene e Vital eram amigos desde a época do colégio. como julgaria a questão? FGV DIREITO RIO 56 . a rescisão decorrerá de sentença judicial que reconheça o advento de necessidade urgente e imprevisível à época do negócio. caso não haja termo ajustado. Ocorre que. Vital pleiteou em juízo a resolução do contrato de comodato. embora o contrato de comodato tivesse sido celebrado com Irene. Vital deu sua moto em comodato a Irene. – pelo comodante. Além disso. por sua vez. após o uso pelo comodatário de acordo com a finalidade para que foi emprestada. – pelo comodante. Irene veio a falecer poucos dias depois. Os herdeiros de Irene.CONTRATOs Em EsPÉCIE – pelo decurso do prazo pactuado ou. Nesse caso.

vol. roteiro de aula a) diferenças entre mútuo e comodato Embora ambos sejam espécie do gênero empréstimo. para viabilizar a compra da participação na Pechincha Comércio Varejista Ltda.-dez.4. o mutuário tem que entregar ao mutuante.10. tais como: – Objeto – Como vimos na aula anterior. Revista de Direito Bancário. • FONSECA. como o bem emprestado é fungível.5. diferentemente do que ocorre no comodato. biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO. é o “empréstimo de coisas fungíveis”. 53 a 77. Juros no Código Civil de 2002. págs. São Paulo: RT. 2002. Ele comenta que soube que houve muita discussão a respeito da cobrança de juros com a edição do novo Código Civil e lhe consulta sobre esta questão.10. • LOPEZ. Das várias espécies de contratos. 2003.A.Mudança na situação econômica do devedor .. out. tendo que devolvê-la ao comodante ao final do comodato. págs. Caso Gerador: Nosso cliente.2. o domínio do bem é transferido pelo mutuante ao mutuário. Teresa Ancona. Comentários ao Código Civil. do Mercado de Capitais e da Arbitragem 22. São Paulo: RT. As coisas fungíveis são substituíveis por outras.3. 586 da Lei nº 10. Grana Certa Empreendimentos S. conforme art. 261 a 268. Dessa diferença decorre a segunda distinção entre comodato e mútuo. págs. o comodatário recebe coisa não fungível. Silvio. São Paulo: Saraiva. 67 a 110.1. mas não necessariamente o mesmo recebido. Saraiva.169 a 187.Prazos no mútuo. Parte Especial. 1. 1. Direito Civil.). 1. 2003. In: AZEVEDO.10. Rodrigo Garcia da.10. Arnaldo. apresentam algumas diferenças. AulA 10: EmPRÉSTImO (múTuO) 1. (coord.. no prazo pactuado. por meio de mútuo. 2004. São Paulo: Ed. 3. Antônio Junqueira de. Juros e o novo Código Civil. 7. um bem que tenha as mesmas características do que o recebido. – Transferência de domínio – Enquanto no comodato. vol.. no mútuo.10. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. não deixe de apontar as diferenças entre o regime geral do mútuo no Código Civil e o mútuo bancário. 586 a 592 da Lei nº. 1. • RODRIGUES.10. out. biblioGrafia obriGatória: • Arts. eMentário de teMas: Diferenças entre mútuo e comodato – Características . págs. Revista de Direito Bancário.406/2002.Mútuo oneroso ou feneratício . pretende obter recursos. no mútuo. FGV DIREITO RIO 57 . 10. do Mercado de Capitais e da Arbitragem 26.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.406/2002. Já o mútuo. Ao explicar a situação.-dez. o comodato é o empréstimo de coisas não fungíveis. Desta forma.

assim como o valor das ações que foram adquiridas pelo amigo de Jeremias. a prova exclusivamente testemunhal só se admite nos negócios jurídicos cujo valor não ultrapasse o décuplo do maior salário mínimo vigente no País ao tempo em que foram celebrados”. Dessa forma. 590 da mesma lei. para devolvê-lo no prazo de seis meses. não é admitida apenas a prova testemunhal. prevista no art. Atualmente. O que você responde? Quais são as principais diferenças entre a locação e o comodato e a locação e o mútuo? b) Características O mútuo é contrato: – Real – Só se aperfeiçoa com a entrega da coisa.406/2002. que no caso de notória mudança na situação econômica.00. por exemplo. Jeremias lhe procura e pergunta se tem obrigação de devolver a João Alberto os R$ 500. Ele lembra que certa vez uma das máquinas de café expresso emprestadas para uma das filiais do supermercado quebrou e que o supermercado teve apenas que devolvê-la a empresa proprietária das máquinas. d) Mútuo oneroso ou feneratício O caso mais usual de mútuo é o empréstimo de dinheiro.CONTRATOs Em EsPÉCIE Jeremias vinha conversando muito com um amigo que se dizia entendido de investimentos na bolsa de valores. tem sido cada vez mais comum a pactuação de mútuos onerosos. – Não solene – A lei não determina uma forma obrigatória para a celebração do mútuo. não bastando o acordo entre as partes. Vale lembrar que o art. Como não tinha recursos para fazê-lo. Jeremias pediu R$ 500. contudo. sem ter a obrigação de consertá-la ou pagar pelo seu conserto. o legislador prevê no art. assim como o supermercado pôde entregar apenas a máquina quebrada. portanto. No mútuo oneroso ou feneratício.406/2002: “salvo os casos expressos. 402 do Código de Processo Civil prevê exceções a regra do arts. 25 FGV DIREITO RIO 58 . 227 da Lei nº 10.000. que é a remuneração pelo uso do capital. Curioso e atraído pela conversa de seu amigo. – Unilateral – Como o contrato somente se concretiza com a entrega do bem pelo mutuante ao mutuário. o mutuante pode exigir do mutuário garantia de que poderá cumprir sua obrigação de pagar o mútuo. 227 da Lei nº 10. o mutuário deve devolver ao mutuante valor equivalente ao recebido. no caso de ajuda a um amigo. como também oneroso.00 a João Alberto. Jeremias decidiu investir em ações. no caso de negócios jurídicos de valor superior a dez salários mínimos. com a previsão de juros sobre o valor emprestado. C) Mudança na situação econômica do devedor Seguindo a orientação de proteção ao credor.000. tendo em vista que agora ele só tem metade desse valor.406/2002 e 401 do Código de Processo Civil. 333 da Lei nº 10. sendo conveniente. aplica-se a regra geral25 de que. é possível dizer que a partir desse momento apenas o mutuário tem obrigações para com o mutuante. ele também pagaria ao João Alberto apenas o que havia sobrado. uma vez que a única obrigação do mutuante seria a entrega da coisa. Jeremias entregou o dinheiro ao amigo para que ele fizesse o investimento na bolsa. – Gratuito ou oneroso – O contrato de mútuo tanto pode ser gratuito. No dia fixado para pagamento do mútuo. Ocorre que a bolsa de valores despencou. celebrar esse tipo de contrato por escrito. mas essa é necessária para que o contrato exista. acrescido de juros. Caput do art. Para provar a existência do mútuo.

“Os juros remuneratórios podem ser definidos como os frutos de um capital emprestado. O art. Os juros legais decorrem de imposição legal e os juros convencionais decorrem da vontade das partes. eles são presumidamente devidos no caso de mútuo para fins econômicos. A taxa em vigor para pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional é a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC)29. Vale ressaltar o prazo previsto no inciso III do referido artigo: “do espaço de tempo que declarar o mutuante. inclusive. Como o art. Parte Especial. de um modo geral. Os juros também podem ser legais ou convencionais. são definidos como a compensação. são Paulo: saraiva. são Paulo: saraiva. da mesma forma que o aluguel é o rendimento produzido pela coisa cedida em locação. “Comentários ao Código Civil. pg. pág. “Os juros. Vol. Os juros são classificados em juros remuneratórios e juros moratórios. (coord) Antônio Junqueira de Azevedo. o mutuante poderá intimar o mutuário para restituir o bem no prazo que fixar. pág. os frutos produzidos pelo dinheiro. 26 “Comentários ao Código Civil. 406 da Lei nº. a cobrança de juros não só é aceitável. 406 da mesma lei para fixar teto para a taxa de juros: Art. 2003. Essa regra não se aplica ao mútuo de dinheiro ou de produtos agrícolas. 2003. 591 da Lei nº. É bem acessório e depende do principal”26. se for de qualquer outra coisa fungível”. Teresa Ancona Lopez. Das várias espécies de contratos”. Atualmente.CONTRATOs Em EsPÉCIE A cobrança de juros vem sendo discutida durante a história. 175. Aplicam-se quando o devedor deixar de cumprir sua obrigação no tempo acordado como credor”28. 174. A princípio. 27 “Comentários ao Código Civil. Esse prazo deve ser razoável para que o mutuário possa usar e gozar do bem mutuado. 28 29 Lei nº 9. resultantes da utilização permitida desse capital”27. o Código Civil estabeleceu prazos em seu artigo 592. ou o forem sem taxa estipulada. desde que seja observado o limite máximo estabelecido no referido art. e) Prazos no mútuo Caso as partes não convencionem o prazo para o término do mútuo. são Paulo: saraiva. 7. Vol. Já no Código Civil de 2002. Parte Especial.406/2002 remete ao art. Vol. 2003. Das várias espécies de contratos”. portanto. por sua vez. 175. Teresa Ancona Lopez. são definidos como o rendimento do capital. Teresa Ancona Lopez. (coord) Antônio Junqueira de Azevedo. a indenização por descumprimento de uma obrigação pecuniária. as partes são livres para pactuar a taxa de juros. Das várias espécies de contratos”. Parte Especial. Dessa forma. 7. 10. a fixação dos juros tinha que ser expressa. 10.065/95 FGV DIREITO RIO 59 . pois esses bens têm disciplina específica prevista nos incisos anteriores. 406. do ponto de vista moral e religioso. mesmo que não haja previsão expressa de cobrança de juros. 7. podemos afirmar que ele refere-se aos dois tipos: remuneratórios e moratórios. (coord) Antônio Junqueira de Azevedo. 591 da Lei nº.406/2002 não faz referência a um tipo específico de juros. como também é muito comum. serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional”.406/2002: “Quando os juros moratórios não forem convencionados. ou quando provierem de determinação de lei. No Código Civil de 1916. 10. “Os juros moratórios.

Não existe previsão legal para esta hipótese.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. sendo certo que tais tratativas verbais ocorreram na presença de manoel e Joaquim. Poderá se valer de prova testemunhal. independentemente do valor contratado.1ª fase) João tendo emprestado certa importância a seu primo José. pois dívida não se comprova com testemunha. Nada poderá fazer. questões de ConCurso (Prova: 12º Exame de Ordem .10. Diante desta hipótese João poderá: a. b. face ao impedimento moral existente.6. FGV DIREITO RIO 60 . não cuidou de obter sua assinatura em documento que tornasse hábil a futura cobrança. Só poderá se valer de testemunhas se estas forem em número de quatro ou mais. diante do constrangimento decorrente da relação de parentesco. d. c.

Obrigações do dono da obra. corretagem. o termo “locação” é utilizado apenas para coisas e não mais para pessoas. roteiro de aula a) Prestação de serviços . Saraiva. págs. Riscos com aumento ou redução de preços. Silvio. Caio Mário da Silva. o material que iria ser utilizado para revestir as paredes do estacionamento deteriorou-se e que será necessário repor boa parte do material.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. São Paulo: Ed. O Código Civil regula a prestação de serviços residual. págs. Perguntado sobre o descumprimento do prazo e do orçamento previstos. para análise de contratos que ali estavam. há mais de cinco meses. Empreitada – Introdução. 1.406/2002.introdução No Código Civil anterior. Caso Gerador Em visita a uma das filiais do supermercado Pechincha. vol 3. FGV DIREITO RIO 61 . 1. 2005. como orientaríamos Maria Lúcia? E se. fôssemos advogados do empreiteiro. vol. RODRIGUES. o “trabalho avulso feito por pessoa física ou jurídica (geralmente microempresa) e o trabalho dos profissionais liberais”. A previsão inicial era de que a obra duraria três meses e custaria R$ 20. AulA 11: PRESTAçãO dE SERVIçOS. como executor de uma obra para ampliação do estacionamento da loja. ao contrário. biblioGrafia obriGatória Arts. Obrigações do Empreiteiro. que em razão de um acidente ocorrido no dia anterior. 243 a 253.4. Características da Empreitada. um rapaz conhecido por ser um bom empreiteiro.11.11. ou seja. o que poderíamos alegar? 1. encontramos Maria Lúcia. EmPREITAdA. como os serviços de telefonia e bancário. 1. Pedro acaba de avisar à Maria Lúcia. Modernamente. que ele não tinha como prever quando foi contratado.11. Para piorar. Espécies de Empreitada. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Se fôssemos advogados do Supermercado Pechincha. 375 a 384. que está completamente irada. Características da Prestação de Serviços. Direito Civil. Instituições de Direito Civil. Ela conta que contratou. Pedro. 2002. III. Ocorre que a obra já ultrapassou tanto a previsão de tempo quanto a de custo e Pedro ainda está cobrando de Maria Lúcia valores adicionais pela obra.11. 593 a 626 da Lei n° 10. PEREIRA. O trabalho com vínculo empregatício é regulado pelo Direito do Trabalho.3. eMentário de teMas Prestação de Serviços – Introdução. como transporte.00. agência e distribuição.11. Há serviços específicos que são tratados em seção específica do Código Civil. filha do senhor Eduardo Russo e administradora das lojas. a prestação de serviços era tratada como “locação de serviços”.000.2. Rio de Janeiro: Forense. Pedro alega que alguns materiais necessários para a obra tiveram seus preços reajustados e que o projeto original sofreu modificações durante a obra. ou até mesmo em lei específica.1.

Oneroso – envolve um “sacrifício” patrimonial para ambas as partes. sendo a ausência de protesto considerada uma aceitação tácita do dono da obra. pág. b) Características da Prestação de serviços Relembrando nossa primeira aula. 619 da Lei n° 10. os riscos da alta ou baixa do preço dos materiais e do salário são assumidos pelo empreiteiro. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. objeto lícito e forma. nos pergunta se há alguma providência que possa ser tomada caso o senhor Eugênio resolva parar de trabalhar para o Supermercado Pechincha. Consensual – se aperfeiçoa com a mera vontade das partes. C) empreitada . como poderíamos classificar o contrato de prestação de serviços? Tendo atuado muitos anos no comércio varejista. no caso de não haver autorização escrita do dono da obra.CONTRATOs Em EsPÉCIE Desde que respeitados os pressupostos e requisitos1 para os negócios jurídicos. Silvio. nosso cliente. Ao saber disso. (art. Pode ser ajustado verbalmente. qualquer espécie de serviço pode ser objeto do contrato de prestação de serviço. Relembrando: capacidade das partes. como ocorre no mútuo. São Paulo: Ed. Quais são as diferenças entre o contrato de empreitada e o de prestação de serviços? d) Características da empreitada O contrato de empreitada é: Bilateral ou sinalagmático – envolve prestação de ambas as partes. tivemos conhecimento de que Jeremias Russo vinha mantendo conversas e negociações com o senhor Eugênio para que ele parasse de prestar serviços ao supermercado e passasse a trabalhar para o seu sócio em um novo negócio que Jeremias estava pensando em abrir. o senhor Eugênio foi contratado com exclusividade pelo Supermercado Pechincha para prestar serviços de pesquisa de técnicas de atração ao consumidor.introdução Empreitada é o contrato por meio do qual o empreiteiro “se compromete a executar determinada obra. preocupado. pessoalmente ou por terceiros. Saraiva.406/2002). o senhor Odin Heiro. O empreiteiro entrega a obra e o dono da obra entrega o preço. 1 RODRIGUEs. e) riscos com aumento ou redução de preços Em regra. Não solene – a lei não impõe forma específica para sua execução. sem que seja necessária a entrega da coisa. salvo estipulação em contrário. 2 FGV DIREITO RIO 62 . O empreiteiro só pode exigir acréscimo no preço do dono da obra se forem feitas modificações no projeto a ser implementado. por meio de instruções por escrito do dono da obra e.243. se esse presente às obras verificou a alteração no projeto e não protestou. Direito Civil. em troca de certa remuneração fixa a ser paga pelo outro contraente – dono da obra -. Durante a diligência. vol 3. 2002. de acordo com instruções deste e sem relação de subordinação”2.

Ela lhe procura com a seguinte pergunta: qual é a regra geral para suspensão dos serviços no caso de empreitada? 1. Ao ser entregue. rigorosamente. “B” alega que houve cumprimento insatisfatório e inadequado da obrigação por parte de “A”. e honorários de advogado”. não podendo recusar injustificadamente o seu recebimento.11. a obra pode ter defeitos aparentes ou ocultos. segundo a qual o empreiteiro de materiais e execução responderá pela solidez e segurança do trabalho. Para os vícios ocultos. 4 Arts.406/2002: “Não cumprida a obrigação. Além disso. ficando responsável pelos efeitos decorrentes da mora. o dono da obra tem duas alternativas: rejeitar a coisa ou recebê-la com abatimento do preço. mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. conforme regra geral4. em razão dos materiais como do solo. b.5. de 10 andares. responde o devedor por perdas e danos. Empreitada mista – aquela em que o empreiteiro contribui com mão-de-obra e materiais. a lei criou as alternativas referidas acima.1ª fase) “A” obrigou-se a construir para “B” um edifício. c. Caso o dono da obra recuse o recebimento da coisa sem motivo. Por sua vez. Para os defeitos aparentes. corretamente a obrigaçao.406/2002. se o empreiteiro não atende as especificações contratadas. 441 e seguintes da Lei n° 10. H) obrigações do dono da obra A principal obrigação do dona da obra é efetuar o pagamento do preço.CONTRATOs Em EsPÉCIE f) espécies de empreitada Empreitada de lavor – aquela em que o empreiteiro contribui apenas com seu trabalho. devido a isso pensa em extinguir o contrato que mantém com ele.Ajuizando ação com fundamento na exceptio non rite adimpleti contractus. fica sujeito à obrigação de reparar o prejuízo. Por que é importante distinguir entre a empreitada de lavor e a empreitada mista? G) obrigações do empreiteiro A principal obrigação do empreiteiro é entregar a coisa no tempo e na forma acertados. que não observou. aplicam-se as regras de vício redibitório5. Art. como garantia do pagamento do preço. 5 FGV DIREITO RIO 63 . Ajuizando ação com fundamento na exceptio non adimpleti contractus. durante o prazo de cinco anos. 389 da Lei nº 10. ele será tido como em mora. questões de ConCurso (Prova: 29º Exame de Ordem . O dono da obra tem obrigação de receber a coisa. Aguardando que este cumpra. Maria Lúcia está muito insatisfeita com o trabalho do senhor Pedro. Ajuizando ação com fundamento na cláusula rebus sic stantibus. Assim “B” suspende os últimos pagamentos devidos a “A”: a. d. a qualidade dos materias especificados no memorial de incorporação. Caso o empreiteiro não cumpra as obrigações do contrato. cuja obra foi concluída segundo afirmativa categórica de “A” no prazo estabelecido pelo contrato. Embora não haja previsão legal. A lei prevê ainda uma regra específica no caso de empreitada de edifícios e outras construções consideráveis. a doutrina entende que o empreiteiro tem direito de retenção.

ele nos mostrou uma placa afixada na recepção que assim dizia: “O HOTEL NÃO sE REsPONsABILIZA PELOs OBJETOs DEIXADOs NO INTERIOR DOs APARTAmENTOs”. Aborrecidos com o acontecimento. por não terem utilizados os cofres eletrônicos de segurança postos à disposição nos apartamentos em que nos hospedamos. ficamos hospedados no Hotel Descanse em Paz. O depósito tem por objeto apenas bens móveis. até que o depositante o reclame”.3. eMentário de teMas Introdução. 640 da Lei nº 10. Direito Civil. roteiro de aula a) introdução Conforme dispõe o artigo 627 da Lei nº 10. 627 a 652 da Lei nº 10. haviam sido furtados.12. págs. b) depósito voluntário É aquele ajustado única e exclusivamente em razão da vontade das partes. Silvio. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. RODRIGUES.406/2002. para guardar. a não ser que tenha expressa autorização do depositante. Qual é a principal diferença entre o contrato de depósito e o contrato de comodato? O depositário não pode utilizar a coisa depositada. o contrato de depósito é aquele segundo o qual “recebe o depositário um bem móvel. para nossa surpresa. Há duas espécies de depósito reguladas pelo Código Civil: o voluntário e o necessário.12.12. nos disse que o hotel nada tinha a fazer e que um eventual prejuízo deveria ser imputado à própria omissão dos hóspedes. biblioGrafia obriGatória Arts. Este. (art.1. Como argumento final. 1. Depósito Necessário.406/2002. O contrato de depósito voluntário é classificado como: – Real – o contrato de depósito só se aperfeiçoa com a entrega do bem. ao voltarmos do trabalho para o hotel.12. não basta apenas a celebração do contrato.4.2. tivemos que fazer algumas visitas ao supermercado. por isso. Caso Gerador Os Supermercados Pechincha ficam em Brasília.406/2002). Em nossa última viagem. durante a diligência. Depósito Voluntário. como relógios e aparelhos de celular. encontramos nossos quartos revirados e percebemos que alguns itens pessoais. 1. São Paulo: Ed.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. 2002. Saraiva. 269 a 282. vol 3. fomos conversar com o gerente do hotel. no entanto. E agora? O gerente tem razão? 1. FGV DIREITO RIO 64 . AulA 12: dEPóSITO 1.12. Um dia.

Desconhecendo a existência desse contrato de depósito. – Gratuito ou oneroso – De acordo com o Código Civil. que pode ser pactuado sem qualquer formalidade pelas partes e mesmo assim existirá e será válido. Caso o depositário não cumpra essa obrigação. (coord. porém. É necessário. para a sua prova. um conjunto de xícaras de porcelana e um automóvel. podemos concluir que esta não é da essência do contrato de depósito. Ele desabafa que está com problemas porque descobriu que seu pai.). – Obrigação de conservar a coisa alheia – essa obrigação é uma conseqüência da obrigação de guardar. Obrigações do depositário: – Obrigação de guardar a coisa alheia – é a obrigação inerente e principal do contrato de depósito. admitindo-se. A Lei prevê que o depositário poderá devolver a coisa ou depositá-la judicialmente. analisar o caso específico para classificar o depósito como gratuito ou oneroso e unilateral ou bilateral. nos procura para falar sobre um assunto pessoal. – Obrigação de restituir a coisa – O depositário deve devolver o bem ao depositante quando solicitado. Entretanto. senhor Odin Heiro. Parte Especial. 414. deverá reparar o prejuízo do depositante.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Não solene – embora o art. Nesse sentido. Quando o depósito é gratuito. acompanhada dos frutos e acrescidos. ele manteve o mesmo na garagem do pai. Das várias espécies de contratos. Nada impede. vendendo-os a terceiros. Teresa Ancona. A coisa deve ser restituída no estado em que foi recebida pelo depositário. cabe ao depositante a obrigação de pagar ao depositário. comentários ao código civil. 227 do CC de 2002)”6. em regra. 7. – Unilateral ou bilateral – após o aperfeiçoamento do contrato. por motivo plausível. 646 da Lei nº 10. entende-se que ele é um contrato intuitu personae. No caso de depósito oneroso.406/2002 dispõe: “Seja o depósito voluntário ou necessário.406/2002 disponha que o “depósito voluntário provar-se-á por escrito”. “Assim. Já no depósito oneroso. com a entrega do bem pelo depositante ao depositário. porém. e ressarcir os prejuízos”. São Paulo: Saraiva. 635 da Lei nº 10. vol. sendo assim uma das exceções ao princípio de que ninguém pode ser preso em razão de dívidas. se o depositante se recusar a recebê-la. Art. já falecido. o contrato de depósito é gratuito. o depositário é obrigado a conservar a coisa como se sua fosse. o depositário que não restituir quando exigido será compelido a fazê-lo mediante prisão não excedente a um ano. porém. Conforme artigo 629. pois tem por base a confiança que o depositante tem no depositário. ele se desfez do baú de madeira e do conjunto de xícaras.406/2002). necessitará de prova outra. qualquer começo de prova escrita (cf. independentemente do debate a respeito das duas espécies de forma. para tanto. Nosso cliente. era depositário dos seguintes bens: um baú de madeira. 2003. 652 da Lei n° 10. p. mas descobriu que o mesmo foi deteriorado em um recente LOPEZ. O depositário não responde pela deterioração ou perda do bem em caso de força maior. quando. que as partes convencionem uma retribuição ao depositário. Uma das sanções previstas para o descumprimento da obrigação de restituir o bem depositado é a prisão civil. muitos autores entendem que não há forma prevista para a validade do ato. Quanto ao carro. Antônio Junqueira de. muitos sustentam que não há o caráter intuitu personae.406/2002). cabem obrigações apenas para o depositário. apenas para sua prova. provar a ocorrência de força maior (art. o art. cabendo a ele. portanto. In: AZEVEDO. que não a testemunhal. independentemente do prazo inicialmente ajustado entre as partes. não puder continuar a guardá-la (art. 6 FGV DIREITO RIO 65 . se exceder ao décuplo do salário mínimo vigente. 642 da Lei nº 10.

7 LOPEZ. e pediu a devolução dos bens. Alguns dias depois. 8 FGV DIREITO RIO 66 . procurou nosso cliente. mas sim empréstimos”8.. 412. comentários ao código civil. mas sim de obrigações subsidiárias. cabem ao depositante algumas obrigações que não decorrem da natureza do contrato de depósito em si. Diante dessa situação. In: AZEVEDO. teve melhor sorte com a chuva. 7. 2003. Das várias espécies de contratos. de acordo com o contrato. foi surpreendido com a alegação do vizinho de que não devolveria aqueles bens..). Antônio Junqueira de. 411. Das várias espécies de contratos. o depósito necessário presume-se oneroso. e – depósito que se faz em situação de calamidade. Dias atrás. In: AZEVEDO. pelo menos. A autora conclui: “em conclusão. Mesmo nos casos em que o contrato é unilateral. sabendo do falecimento do pai do senhor. Ao contrário do depósito voluntário que se presume gratuito. p. Parte Especial. C) depósito necessário O depósito necessário ocorre nas seguintes hipóteses: – depósito para desempenho de obrigação legal. Em regra. (coord. nos depósitos bancários. 2003. Alguma providência a tomar quanto a esse caso? Obrigações do depositante: Como vimos. por morar em uma área de ladeira. como a televisão e o computador. mostrou o contrato que foi celebrado entre eles. Há discussão na doutrina quanto à natureza do depósito bancário. Como ajudar Marvim nessa situação? É possível enquadrar o vizinho como depositário infiel mesmo sem a existência de um contrato entre eles? Cabe a prisão civil nesse caso? LOPEZ. como a de reembolsar as despesas feitas pelo depositário na guarda da coisa e de indenizá-lo pelos prejuízos que venha a ter em razão do depósito. O legislador entendeu que nesses casos deveriam ser aplicadas as regras referentes ao mútuo. quando foi buscar a televisão e o computador. Parte Especial. São Paulo: Saraiva. mas um genuíno empréstimo por força da intenção das partes”7. vol. (coord.). a senhora Juracema deveria ter pago ao seu pai uma quantia semestral como pagamento pelo depósito e que sabia que ela não havia efetuado o pagamento de. a senhora Juracema. São Paulo: Saraiva. Teresa Ancona. o contrato de depósito é unilateral quando o contrato é gratuito e bilateral quando o contrato é oneroso. 7. pois de acordo com Teresa Ancona Lopez: “. duas últimas contribuições. ao ver sua casa inundando. não há um depósito. vol. ele nos pergunta: O contrato de depósito se extingue com a morte do depositário? O herdeiro tem alguma responsabilidade quanto aos bens depositados? O que fazer tendo em vista que alguns bens foram vendidos e outro foi deteriorado? Ele reparou que. Estes são equiparados ao depósito necessário e ao depósito de bagagens em hospedarias. Em um dia de chuvas torrenciais. Teresa Ancona. ocorre quando o bem depositado é dinheiro. Odin Heiro. os chamados depósitos bancários não são depósitos. Depósito de coisas fungíveis É o chamado depósito irregular.CONTRATOs Em EsPÉCIE incêndio ocorrido no prédio. feitos como meio de guardar valores e perceber rendimentos e juros. Marvim retirou apressadamente alguns objetos. p. e os deixou na casa de um vizinho que. depositante dos bens. Antônio Junqueira de. comentários ao código civil.

13. o senhor Justin Case lhe pergunta: ele poderia casar por procuração.3. 2002. na qualidade de diretor e representante da Grana Certa Empreendimentos S. Classificação. AulA 13: mANdATO.13. o senhor Odin Heiro. ele poderia outorgar a um amigo uma procuração para se casar em seu lugar? Ele poderia substabelecer a outro funcionário da companhia os poderes que lhe foram outorgados na procuração para assinar o contrato de compra e venda? 1. é possível o mandato tácito e o verbal (art. o mandante se faz representar pelo mandatário. – Não solene – embora a lei determine que a procuração é o instrumento do mandato. 1. roteiro de aula a) introdução Por meio do mandato. eMentário de teMas Introdução. Saraiva.406/2002. Sem querer desapontar o senhor Odin Heiro e muito menos a sua noiva.13. o senhor Justin Case nos contou que o senhor Odin Heiro se esqueceu apenas de um pequeno detalhe: há uma boa probabilidade de a assinatura do contrato ocorrer justamente no período no qual Justin Case ia tirar férias para se casar com sua noiva no Paraná. 1.13. págs. Qual a diferença entre o mandato e a comissão? b) Classificação O mandato é contrato: – Consensual – para que se aperfeiçoe basta a vontade das partes. Ao ser comunicado desse fato. RODRIGUES. Caso Gerador Sabendo que estaria fora do país na provável época da assinatura do contrato de compra e venda das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda.406/2002) FGV DIREITO RIO 67 .CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.1. 656 da Lei n° 10. Silvio. São Paulo: Ed. O mandatário age em nome do mandante.4. vol 3. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. para adquirir a participação na Pechincha Ltda. ou seja. 1.2. biblioGrafia obriGatória Arts. 653 a 692 da Lei nº 10..A. Revogação e Extinção do Mandato.. 283 a 305. o senhor Justin Case. outorgou uma procuração a um dos funcionários de sua confiança. Direito Civil. Procuração e Substabelecimento.13. Obrigações do Mandatário. Obrigações do Mandante.

CONTRATOs Em EsPÉCIE – Gratuito – não havendo estipulação de remuneração. o Código Civil exige que a procuração contenha poderes expressos. o mandato será extinto. havendo morte de uma das partes. ou o tenha sem poderes suficientes. d) obrigações do Mandatário As obrigações do mandatário são: – Agir em nome do mandante (art. é indispensável conferir a procuração e os poderes que foram outorgados para não correr o risco de que o contrato seja ineficaz em relação ao mandante. será bilateral. 9 FGV DIREITO RIO 68 .406/2002 dispõe que: “os atos praticados por quem não tenha mandato. tendo em vista que o artigo 662 da Lei n° 10. Tendo em vista que a lei admite mandato tácito. 667 da Lei n° 10. RODRIGUEs. A procuração pode ser outorgada por instrumento público ou particular. exceto para aqueles que exigem instrumento particular ou público. Se o mandatário agir extrapolando os poderes que lhe foram conferidos. salvo se este os ratificar”. Sendo o mandato outorgado por instrumento público. os poderes que lhe foram conferidos pelo mandante”9. o ato é inválido para o mandante. Saraiva. Havendo remuneração prevista. vol 3. pois implicará obrigações para ambas as partes. quando eles resultarem de culpa do mandatário. ele será unilateral. Assim. certo? Para efetuar determinados atos como alienar. Silvio. são ineficazes em relação àquele em cujo nome foram praticados. naturalmente o substabelecimento deverá ser outorgado também por instrumento público. pág. um mandato com poderes de administração em geral não bastaria para que o mandatário assinasse escritura de hipoteca em nome do mandante. exceto quando tem por objeto a realização de atos que o mandatário realiza profissionalmente. presume-se que o mandato é gratuito. 2002. 653 da Lei n° 10. não se presume gratuito. uma vez que o mandante confere poderes a alguém de sua confiança. transigir. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. O mandato outorgado a advogado. Cabe ao mandatário provar que não houve culpa sua para se livrar de ser responsabilizado pelo prejuízo que venha a ser sofrido pelo mandante. a procuração não é indispensável para conclusão de negócios.406/2002) – O mandatário deve atuar respeitando os poderes outorgados na procuração. São Paulo: Ed. Antes de contratar com alguém que se apresente como mandatário do outro contratante. salvo raras exceções que serão vistas adiante.406/2002) – o mandatário é responsável pelos prejuízos causados ao mandante. Pode um advogado prestar serviço advocatícios sem mandato e vice-versa? C) Procuração e substabelecimento A procuração é o instrumento do mandato. hipotecar. por exemplo. 289. ou seja. Direito Civil. sendo oneroso. O mandato é intuitu personae. – Agir com o zelo necessário e diligência habitual na defesa dos interesses do mandante (art. Dessa forma. pois ele é um instrumento para que o advogado possa defender os interesses de seu cliente e exercer seu ofício. Substabelecimento “é o ato pelo qual o mandatário transfere ao substabelecido. a não ser que este venha a ratificar o ato posteriormente. – Unilateral – sendo o mandato gratuito.

pois. caso o mandato seja oneroso (art. contratado alguns empregados. porém. 647 da Lei n° 10. Maria Lúcia lhe pergunta: afinal. Muito chateado com a situação. – Indenizar o mandatário pelos prejuízos que venha a sofrer em cumprimento ao mandato. para contratar pessoas para trabalharem em sua fazenda. Jeremias continuou a utilizar a procuração que havia recebido e a fazer entrevistas. tendo apenas ação de perdas e danos contra o mandatário pela inobservância das instruções.406/2002). 675 e 676 da Lei n° 10. em razão de alguns acordos familiares. ele diz que acha que não há nada mais a ser feito. Como você orienta o seu amigo? e) obrigações do Mandante – Cumprir os compromissos assumidos pelo mandatário em seu nome (arts. – Adiantar ao mandatário os valores necessários ou reembolsá-lo pelas despesas efetuadas em razão do cumprimento do mandato (arts. somente se vincula dentro dos termos previstos na procuração. preocupado. Aproveitando-se das ótimas condições do negócio. ambos são mandatários do pai? Jeremias pode continuar a desempenhar os poderes que a ele foram outorgados? A contratação dos empregados é válida? O senhor Odin Heiro lhe procura. – Pagar ao mandatário a remuneração ajustada. com poderes idênticos. deixando a família de seu amigo “na mão”.406/2002) – O mandante. É verdade? FGV DIREITO RIO 69 . antes mesmo que ele houvesse efetuado a transferência do imóvel para seu nome. até porque o tal conhecido já até devolveu ao pai dele a quantia que havia recebido para pagar o sinal do imóvel. 668 da Lei n° 10.406/2002). infelizmente.406/2002). mas não exceder os limites do mandato. Um amigo seu lhe conta que o pai dele havia nomeado um conhecido como procurador dele para adquirir uma bela casa em Itaipava. podendo. Ocorre que. inclusive fazer entrevistas e ajustar salários. E agora? Ele ouviu dizer que o mandato se extingue com a morte de uma das partes. se o mandatário contrariar as instruções do mandante. interdição ou mudança de estado do mandante. tendo. Maria Lúcia. para concluir negócio já iniciado ou até ser substituído quando for para impedir que o mandante ou seus herdeiros sofram prejuízo (art. 675 e 679 da Lei n° 10. Vale notar que.406/2002). Jeremias. um pouco decepcionado pelo andamento dos trabalhos do filho.406/2002) – Prosseguir no exercício do mandato mesmo após extinção do mandato por morte. 676 da Lei n° 10. ele havia sido constituído mandatário de sua tia Gertrudes para transferir a ele próprio um imóvel que era de propriedade da referida tia.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Prestar contas de sua gerência ao mandante e transferir ao mandante todas as vantagens obtidas nos negócios – (art. Meses depois. a sua filha. o mandante ficará obrigado a cumprir as obrigações perante terceiros. Mesmo tendo conhecimento da nova procuração. o senhor Eduardo Russo resolveu outorgar procuração. f) revogação e extinção do mandato O senhor Eduardo Russo outorgou uma procuração ao seu filho. o tal conhecido acabou adquirindo a casa para si próprio. inclusive. neste caso. desde que não resultem de culpa do mandatário ou de excesso de poderes (art. 678 da Lei n° 10. tia Gertrudes faleceu inesperadamente.

CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. podemos dizer que: a. diga qual não está adequada à procuração em causa própria: a. Diante do ocorrido. Ato praticado é nulo de pleno direito. Ato é anulável. Tício revogou a procuração. c.Tício prometeu vender a Caio um imóvel.13. veio a saber que Pedro falecera dias antes.Ato é perfeitamente válido uma vez que visava a ultimação de negócio já iniciado.5. cabendo a cada um agir apenas em seu setor.2ª fase PROVA DIsCURsIVA 4 . (Prova: 26º Exame de Ordem . outorgando-lhe procuração para que Caio assine por Tício a escritura definitiva quando Caio tiver quitado integralmente o preço.1ª fase) Dentre as características abaixo arroladas. É válida a revogação ou poderá Caio assinar a escritura de compra e venda. vez que o preço já se achava quitado.1ª fase) maria José. Posteriormente.1ª fase) A procuração outorgada a vários procuradores com esfera de atuação devidamente delimitada. Prova: 26º Exame de Ordem . b.Subsiste mesmo após a morte do mandante (Prova: 13º Exame de Ordem . Ato é tido como inexistente ou insubsistente. cessou o valor da procuração. É irrevogável b. na qualidade de procuradora de Pedro.Mandato plural substitutivo. utilizando-se dos poderes especiais constantes da procuração. c. questões de ConCurso (Prova: 28º Exame de Ordem . com a morte. mas dependerá da iniciativa dos interessados. b. d. d. É outorgada no interesse exclusivo do mandatário que. Posteriormente. outorgou escritura definitiva de imóvel prometido vender a Estela. fica isento de prestar contas ao mandante c. Mandato plural solidário. É essencial para o advogado que postula em Juízo em causa própria d. caracteriza: a. Mandato plural fracionário. representando Tício quando tiver quitado o preço? FGV DIREITO RIO 70 . conseqüentemente. vez que. vítima de um acidente automobilístico. Mandato plural conjunto.

2003. Antonio Felix de Araujo. 1. BiBliografia oBrigatória Arts. Instituições de Direito Civil . Aspecto responsabilidade perante terceiros responsabilidade pela solvência das pessoas com quem contratar exclusividade dever de obediência às instruções do comitente/ proponente remuneração demissão sem justa causa demissão por justa causa Morte do comissário/ agente direito de retenção demais regras aplicáveis especificidades Comissão Agência/ distribuição FGV DIREITO RIO 71 . br/doutrina/texto.14.ago.asp?id=4148>. AgêNCIA E dISTRIbuIçãO (REPRESENTAçãO COmERCIAl).Contratos. A representação no novo Código Civil. agência e distribuição.societario.uol. Teresina. Jus Navigandi. Agência e Distribuição x Representação Comercial.com. pensa em contratar terceiros para fazer a revenda dos produtos do Supermercado Pechincha? Qual seria o contrato mais seguro.mundojuridico. ano 7. 693 a 721 da Lei nº 10.406/2002. págs.ago. n.14.2006 (em anexo) VENOSA.14.1. Disponível em: <http://jus2.org. Acesso em 03.14.3. 1.420/1992. Disponível em: http://cacbufc.br/artigos/verartigo. Acesso em: 03.ago. por meio da leitura dos textos obrigatórios e dos recomendados. como você orientaria o senhor Odin Heiro que. 1.br. 2005 . br/demarest/svrepresentacao. compare as vantagens e desvantagens que cada uma dessas figuras jurídicas poderia trazer ao supermercado. Caio Mário da Silva.html Acesso em: 03. Tendo em vista os novos entendimentos e analisando as regras específicas de cada um desses tipos jurídicos. distribuição e representação.asp?id=215.adv.com.886/1965. Silvio de Salvo. É hora de definir agência e distribuição no novo Código Civil . Caso Gerador É possível perceber. BERGER. (em anexo) 1.4.vol. (em anexo) PEREIRA.2006. AulAS 14 E 15: COmISSãO. Acesso em: 04 ago. 66. Lei nº 4.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. (em anexo) DANTAS. 2006. III. Centro Acadêmico Clóvis Beviláqua. Disponível em: www. Do contrato de agência e distribuição no Novo Código Civil. do ponto de vista do supermercado? Utilizando a planilha abaixo como base. Humberto Theodoro. Renato. já pensando no futuro. com as alterações da Lei nº 8. que o novo Código Civil gerou algumas discussões acerca dos contratos de agência. eMentário de teMas Análise e comparação das características da comissão. 389 a 393. Rio de Janeiro: Forense. Disponível em www. jun.2.14. JÚNIOR. biblioGrafia CoMPleMentar CINTRA. mundo Jurídico.2006. Francisco Wanderson Pinho.

O fabricante cria os produtos com o fim de colocá-los no mercado. 8. Conceito de contrato de agência. ele mesmo. que organiza sua própria empresa e a dirige. Agência e comissão. Sujeitos do contrato de agência. 4. por meio do contrato de trabalho. 5. Recorre à mão de obra alheia. Outros empresários adquirem do fabricante esses produtos.14. A representação comercial. 8. 5. o produtor não tem condições de explorar individualmente seu negócio. que será concluída pelo preponente. o artesão cria o produto. O objeto do contrato de agência. A nomenclatura legal . 2. Direito comparado. O contrato de agência no direito brasileiro. O instrumento jurídico básico de que se valem os empresários.3. que fazem do agenciamento de clientela o objeto de suas empresas. roteiro de aula a) qual é a principal diferença entre o contrato de comissão e o de agência? b) Partindo do pressuposto. Numa escala mais desenvolvida do processo industrial. FGV DIREITO RIO 72 . é o contrato de compra e venda. foi revogada pela lei n° 10. contratando o serviço de empregados. leitura obriGatória: Do contrato de agência e distribuição no Novo Código Civil autor: Humberto theodoro júnior Publicado em: 29/9/2005 SUMÁRIO: 1. 9. contratos de colaboração empresarial. o vende ao consumidor. 3. 5. 5.406/2002? 1. Não pratica a compra e venda das mercadorias do representado. Conforme o volume da produção e da comercialização. que regulava especificamente as atividades dos representantes comerciais. Noções introdutórias. 5. Já então o fornecedor não terá comando do processo.14. atuam dentro do estabelecimento sob o comando direto do empresário. o empresário sente a necessidade de atuar além dos limites físicos do estabelecimento. então. Em lugar de usar empregados para angariar clientes fora do estabelecimento. de que agência e representação comercial são o mesmo contrato.6. nessa cadeia. Agência e mandato. também com o mesmo propósito de revendê-los no mercado. porém. 4. pois o agente é um representante autônomo. continuam vinculados à estrutura organizacional permanente da empresa. Todos. Os empregados que captam clientela nestas circunstâncias são os viajantes e pracistas. aceito por grande parte da doutrina.as partes no contato de agência. seja na produção seja na comercialização. você entende que a lei n° 4. Contratos afins. Agência e distribuição por conta própria (revenda). alguns empregados de sair do estabelecimento para ir em busca de clientes na praça da empresa ou em outras praças.1. Embora atuando fora do recinto do estabelecimento do empresário. O agente faz da intermediação de negócios sua profissão.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. para melhor colocação de suas mercadorias. Natureza jurídica. Agente e viajante ou pracista (contrato de agência e contrato de trabalho).886/1965. 6. noções introdutórias A atividade comercial realiza a circulação de produtos na cadeia econômica entre a produção e o consumo. Num estágio primário da exploração do mercado. sem interferência dos empresários que utilizam seus serviços.1. Presta serviço tendente a promover a compra e venda. Os elementos essenciais do contrato de agência.5. que integra a categoria dos chamados. que se integram à estrutura operacional da empresa.4.2. Nesse momento surge o fenômeno da representação comercial ou agência. Encarrega. expõe-no à venda e. ou concessão comercial. o empresário pode contratar esse serviço junto a outros empresários.1. 1. 7.

No teor do art. Nos termos da Lei nº 4. Essas noções são muito importantes para que não se venha a confundir o contrato regulado pelo art. nos moldes de sua configuração legal.). “exerce a representação comercial autônoma a pessoa. 710 – contrato de agência e distribuição – com o contrato de concessão comercial. correspondente à atividade daquele que. todos voltados para o objetivo final de alcançar e ampliar a clientela (comissão mercantil. Há. Sua função. mas o mesmo contrato de agência no qual se pode atribuir maior ou menor soma de funções ao preposto. dois contratos distintos. se sujeitará também às do mandato mercantil (Código Civil. um mandatário. 2. Pode. há um bom tempo nos meios empresariais. a mediação para a realização de negócios mercantis. ainda faz parte da prestação de serviços. para transmiti-los aos representados. Há uma idéia genérica de distribuição como processo de colocação dos produtos no mercado. além de falar em “contrato de agência”. arts. por conta de uma ou mais pessoas. sem relação de emprego. ao concluir a compra e venda e promover a entrega de produtos ao comprador. ora apelidado agente. a representação será negócio complexo e que. se dedica a angariar negócios em proveito destas. mandato mercantil. 710. um sentido mais restrito. por ele consumados.886. e. Em determinadas circunstâncias. lhe pode ser delegada. Embora já praticada. a distribuição não é a revenda feita pelo agente. porém. É ele sempre um prestador de serviços. a mesma atividade empresarial passa a denominar-se distribuição. e 721). porque afinal os negócios agenciados são retransmitidos ao comitente e são por este aceitos. Foi a Lei nº 4. revenda ou concessão comercial. o Código fala também em “contrato de agência e distribuição”. baseado na revenda de mercadorias e sujeito a princípios que nem sequer foram reduzidos a contrato típico pelo Código Civil. a exemplo do direito europeu. Mas. amparado por contrato com uma ou várias empresas. de 09. A distribuição que eventualmente. só em 1965 mereceu disciplina legal específica no Brasil. parág. representação comercial. de maneira que.65). para que este pratique atos próprios do mandatário. O novo Código Civil. A palavra “distribuição” é daquelas que o direito utiliza com vários sentidos. além de suas regras próprias. que desempenha em caráter não eventual. A primeira característica do representante comercial. Não são. Ele age como depositário apenas da mercadoria do preponente.886. abandonou o nomem iuris de “representante comercial”. Ao invés de atuar como vendedor atua como mandatário do vendedor. sem entretanto. a representação ajustada. que inexiste nessa última modalidade. conferir poderes especiais ao agente. este. porém. pois a habitualidade (o caráter não eventual) da prestação de serviços realizada pelo agente em prol do representado. mas o faz em nome e por conta da empresa que representa. na linguagem tradicional do direito brasileiro esse agente recebia o nome de “representante comercial autônomo” (Lei nº 4.886. porém. não age em nome próprio. agenciando propostas ou pedidos. FGV DIREITO RIO 73 . Esse nunca compra a mercadoria do preponente. substituindo-o por “agente”. que é aquele com que a lei qualifica o contrato de agência. ou não. de 09 de dezembro de 1965 que cuidou de regulamentar a representação comercial. a figura do representante comercial. visto que se conserva o caráter de preposição. eventualmente. continua sendo exatamente a mesma do representante comercial autônomo. 1º). praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios (art. sim.12. Aí se pensa em contratos de distribuição como um gênero a que pertencem os mais variados negócios jurídicos. a representação comercial O novo Código Civil. único.” O seu segundo elemento caracterizador é. franquia comercial. atribui à atividade tradicional da representação comercial o nomen iuris de agência.CONTRATOs Em EsPÉCIE Por isso. Já então. física ou jurídica. etc. Não é. cuja função econômica e jurídica se localiza no terreno da captação de clientela. fornecimento. é a autonomia com que age na intermediação: o representante não é um empregado da empresa a que serve. 710 do Código Civil. porém. em caso positivo. confundir-se com a concessão comercial. a exemplo do direito europeu.

um anteprojeto que. por meio de seu instrumento de constituição devidamente arquivado no Registro Público competente (Lei nº 4. 2º. De tal sorte. já que a jurisprudência limitava-se a negar enquadramento na legislação trabalhista. no Ministério da Justiça. porque o Código Civil traçou apenas normas gerais acerca do contrato de agência (Lei de Introdução.886. tomou o nº 1. levado ao Congresso Nacional. ou não. em várias legislaturas. quando exigível.CONTRATOs Em EsPÉCIE Com a Lei nº 4. a atividade do representante comercial foi desempenhada sem contar com o apoio de lei que lhe desse tipicidade. Na mesma ocasião. § 2º). que uma empresa comercial. com o seu ramo. o que se acha ressalvado. Podem inscrever-se no respectivo Conselho. A lei interdita o exercício da representação comercial a todo aquele que não possa ser comerciante. cujo objetivo principal era o de dar curso à reivindicação antes aprovada pela Conferência de Araxá. roubo. a reivindicação de um regulamento legal para a profissão do representante comercial autônomo tornou-se a maior aspiração dos órgãos representativos da categoria. Surgiu. realizada em Araxá. estabelecendo-se as necessárias garantias da profissão. 721 do novo Código. pessoas físicas ou jurídicas. contudo. no art.886. criando-se um Conselho Federal e Vários Conselhos Regionais.886 é que terá ocorrido derrogação parcial desta. porém.886. também no Brasil. para atribuir-lhe uma função autônoma e independente em relação à empresa a que serve. tais como falsidade. Tal como se passava na Europa. realizou-se em São Paulo o 1º Congresso Nacional de Representantes Comerciais. apropriação indébita. 3º). contrabando. ao condenado por infração penal de natureza infamante. a grande preocupação jurídica foi a de distingui-la da relação empregatícia. todavia. 4º). apenas quando alguma norma do Código estiver conflitando com preceito da Lei nº 4. aos quais se confiou a fiscalização do exercício da profissão. a representação comercial (ou agência) ganhou o status de atividade profissional regulamentada. de que fosse nele definida e caracterizada a figura jurídica do representante comercial. outrossim. com a folha-corrida de antecedentes. na espécie. 3. funciona apenas como um acessório ou complemento da atividade principal da empresa. Em 1949. No caso de pessoa jurídica.171/49 e que. ou agência. foi. Durante longos anos. na vida empresarial brasileira. foi aprovada a reivindicação classista de enviar-se o pleito à comissão então encarregada de elaborar o Projeto de novo Código Comercial. de estar em dia com as exigências da legislação eleitoral. em princípio. 3º. Muito fraca. que a Lei nº 4. e com a quitação com o imposto sindical (Lei nº 4. art. FGV DIREITO RIO 74 . construir uma estrutura dogmática que pudesse fixar a natureza jurídica do contrato que vinculava a empresa e os agentes comerciais. deverá ser feita a prova de sua existência legal. ao falido não reabilitado. continuam em vigor. foi reapresentado sem sucesso algum. na espécie. e ao que estiver o seu registro comercial cancelado como penalidade (Lei nº 4. art. expedida pelos cartórios criminais das comarcas em que o registrante houver tido domicílio nos últimos dez anos. art. se introduziu a figura do representante comercial. É. Nada impede. A agência. furto. expressamente. Todas as regras especiais.886/65. com objeto distinto da agência. na II Conferência Nacional das Classes Produtoras. o requerimento haverá de ser instruído com a prova de identidade. sem. a contribuição pretoriana. lenocínio ou crimes também punidos com a perda de cargo público. § 2º). art. aliás. Em se tratando de pessoa física. para legitimar-se ao exercício da representação comercial. o contrato de agência no direito brasileiro Desde que. de quitação com o serviço militar. então. estelionato. contrate com outra uma representação comercial para explorar negócio de intermediação conexo.886 traçou para disciplinar a profissão e os direitos e deveres do representante comercial. É comum a existência de estabelecimentos dedicados exclusivamente à representação comercial. diversamente do que se passa com o empregado.

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Somente viria a ter maior repressão o Projeto nº 2.794/61, de autoria do deputado Barbosa Lima Sobrinho, que, no Senado provocou o surgimento do Substitutivo nº 38/63, elaborado pelo Senador Eurico Resende, o qual mereceu aprovação de ambas as casas do Congresso. No entanto, não chegou a transformar-se em lei, porquanto recebeu veto total da Presidência da República, ao fundamento de que, nos termos em que se intentou regulamentar a profissão, ao representante apenas se estendiam “as vantagens e garantias que a legislação do trabalho assegura ao trabalho assalariado”. Tal equiparação foi considerada incabível, entre outros motivos pela ausência de subordinação hierárquica e pela possibilidade de a representação comercial ser exercida por pessoas jurídicas. O então Presidente, General Castelo Branco, ao vetar o projeto aprovado pelo Congresso, encarregou o Ministério da Indústria e Comércio de reexaminar o assunto. Daí surgiu novo Projeto que, após tramitação parlamentar, se tornou a Lei nº 4.886, de 09.12.1965, ainda em vigor, com as alterações da Lei nº 8.420, de 08.05.1992. Tal como o direito europeu, a lei brasileira previu uma representação comercial, simples, em que ao representante cabia apenas intermediar negócios, captando pedidos ou propostas da clientela, para encaminhá-los à deliberação do preponente; e também uma representação complexa, em que ao agente se conferiam poderes de conclusão dos negócios angariados, mas sempre em nome e por conta do preponente (Lei nº 4.886/1965, art. 1º, parágrafo único). Sobreveio, finalmente, o novo Código Civil, sancionado em janeiro de 2.002, que insere o contrato de agência e distribuição entre os contratos típicos, mas sem revogar a legislação especial em vigor, como se ressalva no art. 721, especialmente, no tocante às indenizações asseguradas pelas Leis nºs 4.886 e 8.420 (art. 718). A maior novidade, no texto codificado é o nomen iuris do contrato que passou a ser contrato de agência. Explica RUBENS REQUIÃO, que o contrato de agência, a que alude o Código Civil “nada mais é do que o atual contrato de representação comercial, objeto da legislação especial, contida na Lei nº 4.886, de 09.12.1965. Constitui importante contrato no moderno mundo comercial, e é exercido por centenas de milhares de profissionais, distribuídos por todas as praças do país. A denominação do instituto foi tirada do Código italiano, que o regula”. Para o Prof. REQUIÃO, todavia, a linguagem do Código “não deslocará o uso correntio da expressão representante comercial. Que podia ser perfeitamente mantida... Não seria criticável se mantivesse a denominação representação comercial, já consagrada nos costumes do país, e em nosso direito”. É de se ponderar, no entanto, que o direito comparado, de onde emergiu o instituto jurídico, prestigia, de fato, o nomen iuris agora adotado por nosso Código Civil, razão pela qual este não merece censura pela nomenclatura inovada. É de evidente conveniência procurar identificar a figura jurídica por denominação que seja de universal acolhida, evitando-se terminologia regional, que não tenha, por si só, capacidade de revelar a identidade da figura local com aquela que já amadureceu e se consolidou na experiência do direito comparado. 4. Conceito de contrato de agência Como o Código Civil determina que ao contrato de agência devem ser aplicadas, no que couber, as regras constantes de lei especial, é necessário cotejar-se a definição codificada (art. 710) com a constante da Lei nº 4.886/65 e das alterações da Lei nº 8.420/92. Em primeiro lugar, é bom ressaltar que a lei especial define diretamente o representante comercial (isto é, o agente) (art. 1º). Já o Código Civil enfoca o contrato típico que vincula o representante e o representado (art. 710). Assim, na definição do Código, o contrato de agência (ou de representação comercial autônoma) é aquele pelo qual uma pessoa – o agente – assume, em caráter não eventual, e sem vínculos de dependência, a obrigação de promover à conta de outra – o preponente ou fornecedor – mediante retribuição, a realização de certos negócios, em zona determinada.
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Dessa conceituação legal, deduz-se que o contrato de agência envolve: a) relação entre empresários, dentro da circulação mercadológica de bens e serviços; b) a relação, contudo, não é de dependência hierárquica entre representante e representado, pois aquele age com autonomia na organização de seu negócio e na condução da intermediação dos negócios do último (embora tenha de cumprir programas e instruções do preponente); c) o objetivo do contrato não é um negócio determinado, mas uma prática habitual, de sorte que entre as partes se estabelece um vínculo duradouro (não eventual); d) a representação importa atos promovidos por uma das partes à conta da outra, configurando, portanto, um negócio de intermediação na prática mercantil de interesse do representado; e) à prestação do serviço de intermediação do agente corresponde o direito a uma remuneração ou retribuição, de maneira que o contrato é bilateral, oneroso e comutativo; f ) a representação, finalmente, deve ser exercitada nos limites de uma zona determinada, ou seja, cabe ao agente praticar a intermediação dentro de um território estipulado pelo contrato, ou algo que a isso corresponda. A atividade do agente, em suma, é a intermediação de forma autônoma, em caráter profissional, sem dependência hierárquica, mas, de acordo com as instruções do preponente. É uma figura jurídica típica a do agente, pois, embora guarde alguma semelhança, o agente não é, em princípio, mandatário, nem comissário, nem tampouco empregado, ou prestador de serviço no sentido técnico. Presta, no entanto, um serviço especial que é, nos termos da lei, a coleta de propostas ou pedidos para transmiti-los ao representado. Eventualmente, o representado pode confiar ao agente os bens a serem colocados junto à clientela, caso que o Código trata como distribuição, mas não como revenda, visto que os atos de negociação se realizam em nome e por conta do comitente. Nessas hipóteses especiais, o contrato, além das normas próprias da agência, rege-se complementarmente, pela disciplina do mandato e da comissão (arts. 710, in fine, e 721). O art. 1º da Lei n.º 4.886/65 cuidou de definir o representante comercial e não o contrato de representação comercial. Segundo tal dispositivo, é representante comercial autônomo a pessoa jurídica ou a pessoa física, sem relação de emprego, que “desempenha, em caráter não eventual, por conta de uma ou mais pessoas, a mediação para realização de negócios mercantis, agenciando propostas ou pedidos, para transmiti-los aos representados, praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios”. O parágrafo único do questionado dispositivo legal, aduz que, na eventualidade de “a representação comercial incluir poderes atinentes ao mandato mercantil” – isto é, quando ao representante comercial forem conferidos poderes relacionados com a execução dos negócios intermediados – “serão aplicáveis, quanto ao exercício deste, os preceitos próprios da legislação comercial”. Em outros termos: se o agente for autorizado pelo preponente a realizar negócios jurídicos em seu nome, tais atos que ultrapassam o conteúdo normal do contrato de agência, serão submetidos ao regime legal do mandato, como, aliás, prevê o art. 721 do novo Código Civil. Da definição dada pela lei especial ao representante comercial autônomo (isto é, ao agente), extraem-se as seguintes características: a) o agente não mantém relação de emprego com o representado, gozando, portanto, de autonomia laboral para organizar e desempenhar sua atividade; b) a atividade contratada é não-eventual; deve ser exercida em caráter permanente e profissional; c) a função do agente, embora organizada e dirigida com autonomia, é concluída por conta de outra pessoa (o representado), de modo que fica claro o “caráter de uma intermediação”, ou de uma “preposição”. O agente, como prestador autônomo de serviço, atua fora da estrutura interna da empresa a que serve, permitindo a esta colocar seus produtos e serviços juntos à clientela que o representante angaria, nos mais variados lugares. Os negócios, porém, são sempre promovidos em nome e por conta do representado; d) a mediação é, pois, uma função típica do agente comercial, que se presta à difusão dos produtos ou serviços do representado no comércio;
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e) a intermediação se dá na realização de negócios mercantis: o que a lei especial atribuiu ao agente comercial não é qualquer representação, mas aquela que se volta para a promoção de negócios mercantis (vendas de produtos ou prestação de serviços); f ) o modus faciendi da intermediação consiste em agenciar propostas ou pedidos relativos a operações comerciais do representado, ou seja, relacionadas a bens ou serviços a serem vendidos ou prestados pela empresa em cujo nome atua o agente; g) cabe, em princípio, ao representante transmitir as propostas ou pedidos ao representado. Eventualmente, o agente pode receber poderes que ultrapassem a simples intermediação de pedidos, caso em que realizará, sempre em nome do preponente, atos de consumação ou execução dos negócios agenciados. Quanto a esses atos de consumação da venda dos produtos do representado, a atividade do representante será regida pelas regras do mandado mercantil. Diante do cotejo entre o conceito legal, mais sintético, que o Código faz do contrato de agência, e aquele que a Lei nº 4.886/95 faz do representante comercial autônomo (isto é, do agente), não se encontra contradição maior que possa incompatibilizar um com o outro. A circunstância de o Código não usar as expressões “representante comercial” ou “negócios mercantis” prende-se à circunstância de ter sido unificado o direito das obrigações, de maneira que os contratos nele disciplinados, em princípio, tanto servem para as atividades civis como para as mercantis. No entanto, muito difícil será imaginar o caso em que um contrato de agência se configurará fora das relações mercantis. Ademais, se isto eventualmente acontecer, ficará o negócio fora do alcance da Lei nº 4.886/95, visto que esta se aplica especificamente aos agentes que servem, profissionalmente, à intermediação de negócios mercantis. Harmonizando-se, de tal sorte, a disciplina do contrato de agência instituída pelo Código Civil com a do representante comercial, constante das Leis nºs 4.886/65 e 8.420/92, ter-se-á um negócio jurídico vocacionado naturalmente para as atividades mercantis. 4.1. direito comparado A definição brasileira de representante ou agente comercial muito se aproxima da que consta do Código Comercial da Alemanha, que o qualifica como “toda pessoa que, a título de exercício de uma profissão independente, seja encarregada permanente de servir de intermediária em operações negociadas por conta de um empresário ou de os concluir em nome deste último. É independente quem pode organizar o essencial de sua atividade e determinar seu tempo de trabalho” (art. 84). Na França, também, o agente comercial é definido em termos que se aproximam do novo Código Civil brasileiro, por Dec. de 23.12.58: “Est agent commercial le mandataire qui, à titre de profession habituelle et indépendant, sans être lié par un contrat de louage de services, négocie et, eventuellement, conclut des achats, des ventes, de locations ou de prestations de service, au nom et pour le compte de producteurs, d’industriels ou de commerçants”. O Conselho da Comunidade Econômica Européia (CEE) em 18.12.1986 adotou uma Diretiva relativa aos agentes comerciais independentes, na qual se conceituou como agente comercial “celui qui, en tant qu’ intermédiaire indépendant, est chargé de façon permanente, soit de négocier la vente ou l’achat de marchandises pour une autre personne, ci-après dénominée commettant, soit de négocier et de conclure ces opérations au nom et pour le compte du commettant”. Em todos esses exemplos, tal como entre nós, a função normal do contrato de agência é conferir ao representante poderes de intermediação para angariar negócios para o representado. Só excepcionalmente, e mediante poderes adicionais explícitos, ocorre a atribuição de mandato para que o próprio representante conclua o negócio em nome do representado, seja firmando os contratos, seja mesmo entregando as mercadorias negociadas ao comprador.
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novas figuras contratuais surgiram para atuar no mesmo segmento da mercancia. que o fato de o contrato de agência conter traços comuns a outros contratos mercantis tradicionais. a comissão mercantil. em nome e por conta do preponente). que o distribuidor conclui como preposto ou mandatário do representado (ou seja. já que esta só ocorre quando há revenda. Esse quadro classificatório muito contribuirá para obter-se a distinção entre o contrato de agência e outras figuras afins. prestando serviços. a concessão mercantil e a franquia empresarial. Perante a representação comercial. como a do mandato. comissão mercantil e agência). o Código Civil brasileiro denomina o negócio jurídico de contrato de agência e distribuição (art. não o leva a confundir-se com nenhum deles. O contrato de agência e distribuição. no direito moderno. ou seja. 5. a locação de serviços. mais ultimamente. conservando e ampliando o mercado para o produto de outro empresário. contudo. o colaborador ocupa um dos elos da cadeia de circulação. captando-lhes com precisão a natureza e os contornos. Em primeiro lugar.1. Essa distribuição. O mandatário detém poderes. que lhe permitem deliberar sobre o negócio e o realizar em nome deste. todavia. o contrato de agência dessas figuras afins. um contrato de intermediação. O simples representante. 5. não há necessidade de subsumi-lo à tipicidade de outros contratos: a agência é. como tal. a que alude o art. porque os poderes de que dispõe o agente nem sempre são aqueles que se conferem ao mandatário. Contratos afins Com o incremento na economia moderna dos meios de distribuição da produção de bens e serviços. comprando o produto do fornecedor para revendê-lo. limita-se a aproximar FGV DIREITO RIO 78 . A agência refere-se a um relacionamento negocial permanente envolvendo operações reiteradas e indeterminadas. conquistando. 710). nem a revestir-se da natureza jurídica de alguma das figuras com que mantém inegável afinidade. tem fisionomia e disciplina próprias. malgrado a posse e disponibilidade da mercadoria pelo agente. que são empresários que se inserem na cadeia de comercialização sem vínculo empregatício. um contrato nominado (típico) e. o colaborador procura outros empresários potencialmente interessados em negociar com o fornecedor”. e. No primeiro caso. De outro lado. Dessa maneira. Daí a necessidade de tentar-se uma diferenciação que separe.CONTRATOs Em EsPÉCIE Nesta última hipótese. Como ponto de partida é importante classificar os contratos de que se vale o empresário para obter colaboração de outros agentes no escoamento de seus produtos. com nitidez. continua sendo. no caso de agência comercial. Em primeiro lugar. outorgados pelo mandante. a outorga de mandato é em regra. ou seja. ou agência. É certo. ao escoamento da produção. quando o concessionário adquire o produto do concedente e o comercia em nome próprio e por conta própria. destinada a realização de negócios determinados. sem que a doutrina tivesse tempo para digerir as inovações. não se confunde com a concessão mercantil. Para individuá-lo e determinar a respectiva natureza. existe a possibilidade de utilização de auxiliares internos. agência e mandato O contrato de agência não se confunde com o de mandato mercantil. “a colaboração empresarial no escoamento de mercadorias pode ser feita por intermediação ou aproximação. No segundo. 710 do nosso Código. mantendo com a empresa vínculo empregatício permanente. colocam-se os colaboradores externos. a distribuição é feita por meio de empregados que atuam na captação dos compradores. de variada natureza. o viajante ou pracista. De duas maneiras básicas se processa a colaboração empresarial (externa) no escoamento dos produtos de uma empresa: a) pela distribuição propriamente dita (revenda) e b) pela busca de empresários interessados na aquisição dos produtos do fornecedor (intermediação. freqüentes são as dúvidas e confusões que se instalam entre essa novel modalidade contratual e o mandato.

Quando estes poderes. Suas tarefas são comandas hierarquicamente pelo empregador. sendo em face do terceiro o responsável pelo ato praticado. o comissário não representa. ao contrato de agência e distribuição. embora preposto. mas ao contrário do mandato. 710. parágrafo único.CONTRATOs Em EsPÉCIE comprador e fornecedor. concluir negócio por conta do preponente. E. o negócio. portanto. Perante estes. por sua vez. Os produtos do comitente são postos à disposição do comissário.3. 693).2. o comissário age em seu próprio nome. portanto. conferelhe maior segurança. quem se vincula é o comissário e não o comitente. ainda que se confiram poderes ao agente para concluir e executar a venda. não interferindo. Ademais. nem tampouco na definição de sua natureza jurídica. agente e viajante ou pracista (contrato de agência e contrato de trabalho) O agente. por isso mesmo. Não dispõe de autonomia alguma para organizar seu serviço. O viajante ou pracista. age contudo como empresário e não como empregado. e não em nome da empresa a que presta colaboração (art. não aparece no negócio que ele agenciou e que finalmente será concretizado diretamente pelo preponente. na conceituação ou configuração. no que couber. Na agência. agindo em nome e no interesse do representado. seria um mandato sem representação. então o contrato de agência não será mais simples. na linguagem antiga do Código Comercial. FGV DIREITO RIO 79 . Isto porque o mandato mercantil implica necessariamente a representação para realizar negócios comerciais em nome do mandante. eventualmente. se incluem nas cláusulas da agência. por isso. A presença do comissário cria uma certa barreira entre o comitente e os terceiros que negociam com o comissário. e não de um vendedor propriamente dito. terá se tornado complexo. mas contrata em nome próprio. por meio de uma consignação. que “o preponente pode conferir poderes ao agente para que este o represente na conclusão dos contratos”. muito embora o tenha realizado por conta e no interesse do comitente”. 5. O agente. No contrato de agência. garantindo o anonimato para o comitente. É um empregado dele. não é atingido pelos atos que pratica. absorvendo em suas cláusulas também o contrato de mandato. evitando ao principal interessado nas operações suportar ações da parte da clientela. e sim por conta do comitente. o vendedor é o comissário e não o comitente. enquanto o comissário não age em nome. “o representante comercial. Como ressalta RUBENS REQUIÃO. dentro dos poderes que recebeu. 721 manda aplicar. embora do ponto de vista prático realize atividade econômica igual à do agente – pois angariam ambos clientela para a empresa – liga-se ao preponente de maneira diversa. do contrato. as regras concernentes ao mandato. que organiza e dirige com liberdade e autonomia. Nesse sentido. O comissário adquire ou vende bens à conta do comitente. o vendedor é sempre o preponente. A atuação é de um representante (mandatário) do vendedor. O comissário. agência e comissão A comissão é um contrato de colaboração empresarial. dispõe o art. o comitente. Tem sua sede própria. que o credencia a vendê-los aos consumidores em nome próprio. propriamente dita. Na comissão mercantil. mas. por sua própria definição legal. A comissão. o único responsável perante o cliente é o comitente. porque não negocia o fornecimento em nome próprio e opera sempre em nome e por conta do representado. 5. O agente comercial. não delibera. o art. eventualmente. seu escritório. presta serviços à empresa sem estabelecer com ela um vínculo empregatício. em função do encargo contratual. o comprador). secundário ou acidental. Com o outro contratante (isto é. nos negócios que pratica. sua empresa de representação. representam apenas elemento acessório. o essencial ao contrato de agência é a mediação de negócios em favor do preponente. Pode. o que não depende de poderes inerentes ao mandato. porque só o comissionário trava relações jurídicas com os clientes.

O viajante não é mandatário e não capitaliza clientela. Essa modalidade de contrato de colaboração. tem-se o contrato de distribuição. O revendedor. enquanto o agente pode ser indiferentemente pessoa física ou jurídica. Não há uma remuneração direta entre fornecedor e revendedor. estes. ou concessão comercial A colocação da produção industrial no mercado raramente se faz. A colaboração empresarial. e o revendedor se obriga a adquiri-lo. às indenizações legais devidas ao agente autônomo. na tarefa da conquista de clientela para a empresa a que servem uns e outros. porém. no entanto. traçadas pelo fornecedor. por isso. assegura ao agente a faculdade de contratar sub-agentes. no mundo atual. continuará negociando os produtos por conta própria e em nome próprio. Para RUBENS REQUIÃO. Sujeitar-se-á. A ingerência do fornecedor no empreendimento do revendedor produz uma subordinação econômica. a ausência de um contrato de trabalho que caracteriza o agente comercial e o distingue do viajante ou pracista. criando um sistema racional de conjugação de esforços até a colocação do produto junto ao consumidor final. naturalmente. FGV DIREITO RIO 80 . que pode livremente organizar sua empresa. contudo. não exerce interferência alguma na gestão do negócio do revendedor. No entanto. como contratos eventuais e isolados. Não faz jus. A lei. periodicamente. ou pode se envolver numa relação contratual duradoura que gere a obrigação entre os empresários de comprar e vender. os produtos de um deles (contratos-quadros). Costumam-se arrolar as seguintes e principais distinções entre agente e representante assalariado: a) O viajante ou pracista não pode contratar pessoal para desempenhar a representação que lhe cabe. Já o agente comercial é um empresário. no fecho da cadeia econômica. d) O viajante ou pracista somente pode ser pessoa física. por sua vez. é hierarquicamente subordinado ao comando do empregador. como se demonstrará no tópico seguinte. a algumas regras. Entre os contratos de concessão comercial assumiram grandes relevos os chamados contratos de franquia. como uso de marca. Este se remunera com o lucro que a revenda dos produtos lhe proporciona. formando-se uma cadeia de negócios. por negociação direta entre produtos e consumidor. em suma. Quase sempre se estabelece uma intermediação entre empresários. que em seguida são vendidos aos atacadistas. b) O viajante ou pracista não tem iniciativa pessoal. que não raro envolve outros negócios entre as partes. este a transforma em manufaturados. com habitualidade e sob certas condições.4. Se a articulação entre produtores e revendedores assume o feitio de uma convenção duradoura. da maneira que melhor lhe convier. agência e distribuição por conta própria (revenda). por sua vez. assistência técnica etc. O fornecedor. pode ser mais ampla. os vendem aos varejistas que. de maneira que o produtor exerça certa interferência na atividade do revendedor. que pode ser simples ou complexo. de orientação geral. com interferência econômica do fornecedor sobre o negócio do revendedor configura o que modernamente se denomina contrato de concessão comercial.CONTRATOs Em EsPÉCIE É. e) O viajante ou pracista não pode contratar sub-representantes. um profissional independente. os revendem ao consumidor final. a não ser mediante autorização do empregador. Essa colaboração entre os elos da cadeia econômica pode acontecer de maneira avulsa. 5. a doutrina majoritária aponta traços da franquia que lhe outorgariam uma identidade jurídica capaz de separá-la dos comuns casos de concessão comercial. Se há entre eles uma independência jurídica. a franquia comercial não é um contrato distinto da concessão comercial. a distribuição se exterioriza como contrato de fornecimento: o produtor se obriga a fornecer certo volume de determinado produto. que envolve sucessivas compras-e-vendas: uma empresa vende a matéria prima ao fabricante. Na sua manifestação mais simples. podendo estabelecer-se sinônima entre os dois. o mesmo não se passa na organização econômica da revenda.. c) O viajante ou pracista não pode aceitar representação de outras empresas.

ele não se transforma num concessionário comercial. Voltaremos ao tema da concessão comercial. já previa a possibilidade de ser ele encarregado da execução da venda. A distribuição. O dispositivo cuidou exclusivamente do contrato de agência. em nome do representante (art. A interferência deste na pactuação e execução do negócio final é de um mandatário e não de um revendedor. a inteligência que alguns apressadamente estão dando ao artigo 710 do Código Civil. o legislador houve por bem tipificar o contrato de concessão comercial (Lei nº 6. eventualmente. O contrato de distribuição em nome próprio (a concessão comercial) continua sendo atípico. pode realizar-se por conta do fornecedor ou por conta do próprio distribuidor. portanto. Distribuição é um gênero que corresponde aos vários tipos de contrato de colaboração empresarial. ou concessão comercial). as mercadorias de propriedade do comitente são postas à disposição do agente-distribuidor para entrega aos compradores. Apenas para o caso dos revendedores de veículos é que. sem independência jurídica do agente) da distribuição por conta própria (concessão comercial). se há. FGV DIREITO RIO 81 . a Lei nº 4. Aliás. 1º e seu parágrafo único).CONTRATOs Em EsPÉCIE Todas as formas de contrato de distribuição – fornecimento ou concessão – distinguem-se do contrato de agência em dois aspectos básicos: a autonomia e a remuneração da intermediação. no sentido de ter sido nele disciplinado tanto a representação comercial como a concessão comercial.729/79). 710 é aquela que. de modo que a venda para o consumidor não assume a natureza de uma revenda. E. atua apenas em nome e por conta do representado. quanto ao serviço de intermediação. 721). A distribuição de que cogita o art. mesmo porque a infinita variedade de convenções que os comerciantes criam no âmbito da revenda autônoma torna quase impossível sua redução ao padrão de um contrato típico. O representante não a adquire do representado. pode ser autorizada ao agente mas nunca como revenda. torna-se dono da mercadoria que o fornecedor lhe transfere. pelo fornecedor (o representado). O agente (mesmo quando exerce a distribuição) é remunerado. o contrato fica no plano da agência. porém. mas tudo se faz em nome e por conta do representado. Se não há venda e revenda de produtos. assim. entra-se no âmbito da concessão comercial. Não é correta. distingue-se a distribuição por conta alheia (mera preposição. Juridicamente quem vende é o fornecedor e não o agente-distribuidor. Há distribuição (ou pode haver distribuição) tanto por meio do contrato de agência como do contrato de concessão comercial. Já o concessionário ou revendedor.886/65. O concessionário nada recebe do fornecedor pela colaboração exercida na colocação de seus produtos. situa-se na remuneração do intermediário do processo de circulação dos produtos. sem que isso desnaturasse a representação comercial em sua essência e a transformasse em concessão comercial. É que a mercadoria que o fornecedor coloca em poder do agente-distribuidor é objeto apenas de depósito ou consignação. O agente (representante comercial) não pratica o negócio de colocação dos produtos do representado em nome próprio. Dentro da sistemática da preposição que é inerente ao contrato de agência. nos comentários relativos aos ressarcimentos cabíveis na ruptura ou cessação do contrato (art. Outra distinção que se fez com nitidez entre o contrato de agência e o contrato de revenda (distribuição por conta própria. 710 do Código Civil). pelas características e relevância do negócio. e sempre como simples ato complementar do agenciamento. e a negocia com o consumidor em nome próprio e por sua própria conta. quando regulamentou a atividade do representante comercial. Mesmo quando a lei admite que o agente atue também como distribuidor (art. segundo o volume e o preço das operações agenciadas. A remuneração que alcança se traduz nos lucros que a revenda lhe proporciona. como negócio que anteriormente se denominava contrato de representação comercial. Em suma não é a operação econômica da distribuição que distingue a agência da concessão comercial.

Configuram um gênero no qual se inserem vários tipos negociais todos voltados para a chamada colaboração empresarial. Nessa ordem de idéias. pode-se afirmar que. os negócios por ele intermediados ou concluídos se aperfeiçoam diretamente na esfera jurídica do preponente e do terceiro adquirente. se beneficia da contínua obra promocional levada a efeito pelo agente junto à clientela. nos quais o agente desenvolve um papel importante na colocação no mercado dos produtos gerados ou comercializados pela empresa preponente. a franquia. tais como a comissão mercantil. sua estrutura fundamental envolve a combinação de quatro elementos essenciais: a) o desenvolvimento de uma atividade de promoção de vendas ou serviços por parte do agente.CONTRATOs Em EsPÉCIE 6. c) a determinação de uma zona sobre a qual deverá operar o agente. a concessão comercial. A construção da teoria do contrato de agência se fez por influência do direito francês a partir do mandato que. entendia-se que este desempenhava um mandato que não dizia respeito apenas ao interesse do mandante. em última análise. “um mandatário que aja a título oneroso e em seu próprio benefício”. Visto que tanto do lado do comitente como do agente. seria uma modalidade excepcional daquele negócio. d) a retribuição dos serviços do agente em proporção aos negócios agenciados. Contratos de distribuição. caracterizada pelo chamado mandato de interesse comum. Eventualmente os contratos agenciados podem ser concluídos e executados pelo próprio agente. mas sempre em nome e por conta do preponente. na concepção legal. em favor da empresa do comitente. b) o caráter duradouro da atividade desempenhada pelo agente (habitualidade ou profissionalidade dessa prestação). os elementos essenciais do contrato de agência Segundo a definição legal do contrato de agência. qualquer que seja a dimensão dos poderes do agente. todavia. porque é na medida da consumação dos negócios pelo preponente que o agente adquire direito à remuneração pelos serviços de intermediação empresarial levados a efeito. na espécie. a concessão do uso de marca etc. Com isso. Na conclusão do negócio intermediado o agente não é parte. podia-se divisar “o interesse comum como qualificativo do mandato contido no contrato de agência comercial”. De forma alguma se pode ver no conteúdo do contrato de agência uma forma de compra e venda operada pelo agente. e eventualmente de concluí-los e executá-los. de maneira que esta. sempre por conta da outra parte (o preponente) e dentro de uma determinada zona. em seu próprio nome. de sorte que nele não se acha em jogo um interesse jurídico seu. não porém em nome próprio. realizou-se a evolução do tratamento jurídico do agente da categoria de mandatário para a figura do “mandatário independente”. a formação de negócios. mediante remuneração. para configurar-se contrato de agência. contida no art. é necessário que uma parte (o agente) assuma de forma duradoura a função de promover. profissional e empresário. em uma zona determinada. a representação comercial. 7. o objetivo perseguido é um só . a corretagem. De tal sorte. Assim. não são sinônimos de contratos de revenda de mercadorias. 710 do Código Civil. de uma atividade profissional dirigida à promoção e conclusão de contratos entre o preponente e os terceiros arrebanhados pelo preposto. O que traça a tipicidade do contrato de agência é que a atividade de colaboração empresarial na espécie se dá por meio de prestação do agente que têm por objeto o desempenho. mas que igualmente se relacionava com seus próprios interesses. natureza jurídica O contrato de agência integra a classe dos contratos de distribuição comercial. A lei francesa ainda hoje identifica o agente comercial como um mandatário que como FGV DIREITO RIO 82 . mas apenas um interesse econômico.formação e ampliação de clientela -.

depois que se estabeleceu um regime legal particular para a agência. Daí reconhecer-se sua posição de titular da própria empresa. “o agente comercial continua um mandatário. A natureza jurídica do contrato de agência é hoje a de um contrato típico. “o agente se beneficia de um estatuto originado de modificação de regras civis do mandato. mesmo. na circulação de bens do mercado. se encarrega de negociar contratos por ordem e conta de outros empresários (Lei n. sujeitos do contrato de agência De um lado coloca-se o preponente que tem bens e serviços a colocar no mercado. O que efetivamente se tem.1991. seja sobre influência dos usos e regulamentos. o agente (um preposto) que é um profissional que se encarrega de colaborar na promoção dos negócios do preponente. Se se pretender comparar a agência atual com outros contratos típicos. Um realiza a comercialização de suas mercadorias ou serviços (preponente) e outro exerce uma especial atividade profissional (o agente). cuja atividade específica “consiste na realização de atos materiais que visam à criação de uma corrente de negócios para a difusão dos produtos e serviços de outra empresa. que se adaptou à Diretiva Comunitária de 1986). é inegável que o contrato de agência estabelece uma relação jurídica entre empresários. mas deve ser apreciado enquanto profissional do comércio”. reconhecido como profissional independente e ainda em face do estabelecimento de um regime de direito social de proteção ao agente. remuneração mínima. é um mandatário remunerado e profissional.CONTRATOs Em EsPÉCIE profissional independente. O agente comercial. em função da qual o agente promove e às vezes conclui negócios em favor do preponente. não tem mais sentido atrelá-la à natureza jurídica do mandato. seja do fato de uma abordagem econômica da agência que se desenvolveu recentemente”. que é a de angariar clientela para adquirir os produtos do primeiro. Assim. que o agente se apresenta como autêntico empresário porque seu serviço é desempenhado de forma autônoma e constitui um tipo de negócio de evidente valor econômico e jurídico. que se formou a partir da idéia de profissionalização do mandato e. mas sempre com plena liberdade de organizar seu trabalho e com assunção do risco de seu negócio de intermediação. etc). entretanto. são empresários. cada um dedicando-se a um ramo próprio de negócios. Além do mais. pois apenas excepcionalmente o agente se encarrega de tarefas que são próprias do mandatário. apagando os liames com o mandato e consagrando uma liberdade de iniciativa muito acentuada. Dessa maneira. A prática da agência comercial. por meio de “uma evolução das regras do mandato clássico”. não se pode continuar a insistir na conceituação do contrato de agência como forma de mandato. sem estabelecer vínculo de subordinação a este e que deve ser remunerado em função do volume de operações promovidas. A independência que a lei confere ao agente comercial no exercício de sua atividade profissional faz dele um empresário que se encarrega de uma função com autonomia de objeto dentro da circulação do mercado. Vê-se. preponente e agente.06. indenizações tarifadas. que melhor se qualifica como um profissional do comércio. No entanto. nessa ordem de idéias. 8. e de outro. Dentro da consagração da autonomia do agente. em cuja organização e administração não interfere a empresa do preponente. em defesa de interesses do agente (duração indeterminada do contrato. nos moldes atuais da figura jurídica se afasta das concepções primitivas. De tal sorte. sua afinidade será maior com o contrato de prestação de serviços do que com o de mandato. desempenha uma atividade de mercado cujo requisito fundamental é a liberdade de iniciativa na prestação do serviço de agenciamento. Ambos. FGV DIREITO RIO 83 . 91-593 de 25. registra-se uma aproximação do regime legal da agência com o direito social. o que também não é adaptável à figura do mandato. pois. Na verdade. só por insistência histórica se mantém entre os franceses a doutrina da agência como modalidade de mandato.

Dessa forma. em sua feição típica. proponente e agente. Dessa forma.CONTRATOs Em EsPÉCIE 8. consistente na busca e visita da clientela. ao formular propostas endereçadas a este também deverá ser identificado como proponente. outrossim. Objeto. continua sendo uma prestação de serviços profissionais na área da intermediação de negócios. dará cumprimento à obrigação contraída de angariar clientela para quem contratou seus especiais serviços. a exemplo do Código italiano. mais expressivo. esse objeto pode ser ampliado. visto que o agente não revende os produtos que o preponente apenas coloca à sua disposição. sob influência da terminologia com que common law se identifica a agency. por sua conta e sob sua dependência”. a nomenclatura legal – as partes no contato de agência A legislação italiana adota as expressões agente e preponente para indicar as duas partes do contrato de agência ou representação comercial (Código Civil italiano. que. mas apenas venda. mas isto não corresponde a um preço fixo. em Portugal fosse prestigiada a denominação de proponente (em lugar de principal). ou seja. que característica essencial do contrato de agência é a promoção. 9. por ser lexicamente correto e. É. Quando esses poderes adicionais são incluídos no ajuste. De fato. é uma atividade de promoção de negócios individuais. antes da legislação atual. já há o cliente que. não estará incorrendo em censura alguma quem empregar o termo preponente em lugar de proponente. em síntese. o objeto do contrato de agência O contrato de agência. repita-se.1. denomina de agente e principal os respectivos sujeitos. há um inconveniente de ordem prática. As confusões serão inevitáveis o que recomendaria o uso da designação preponente para o fornecedor. O objeto do contrato. de contratos por conta do preponente. de negócios que venham a ser concluídos entre os terceiros e o preponente. entre nós. A lei portuguesa que regula o mesmo contrato. pelos expedientes que livremente engendrar. tem como objeto uma prestação de serviço entre empresários: a promoção de negócios constitui a obrigação fundamental que o agente contrai em favor do preponente. Há quem. Na relação econômica desenvolvida pelo agente em prol do fornecedor. mas em nome do representado. e sim a um percentual sobre as operações úteis captadas pelo agente em benefício do representado. que é um contrato típico e de execução continuada. os léxicos nacionais não registram proponente com o sentido de denominar quem delega poderes de gestão a outrem. muito embora nos contratos de prestação de serviços com subordinação jurídica a tradição. censure a opção do Dec-Lei nº 178/76. Não há. pode-se afirmar. da parte do preponente. afinal é o vendedor das mercadorias consignadas ao preposto e negociadas com a clientela. a obrigação de remunerar o serviço prestado pelo agente. praticamente. todavia. ou que se concluam junto ao preposto. todavia. mas como aquele que “propõe algo”. do contrato de agência. Ademais. arts. o designativo preponente que identifica “aquele que constitui um auxiliar direto para ocupar-se dos seus negócios. seja a de identificar o representado como preponente e não como proponente. Malgrado a opção da lei. portanto. o novo Código Civil escolheu a nomenclatura recomendada pela antiga doutrina portuguesa. e preferiria que. portanto. Integra o contrato. em seu nome. porquanto já era esta a palavra utilizada pelo direito português para nomear a contraparte dos “representantes comerciais não autônomos” . No Brasil. o contrato é denominado de “agência e distribuição”. para coletar propostas ou encomendas a serem repassadas à empresa representada. O agente organiza com autonomia seu negócio e. Com FGV DIREITO RIO 84 . 1. O agente-distribuidor apenas representa o fornecedor. revenda.753). melhor teria andado o legislador brasileiro se.742 e 1. Eventualmente. operada entre o preponente e o consumidor. A operação é toda ela desenvolvida e consumada em nome e por conta do preponente. Duas partes. em posições jurídicas diversas teriam titulação igual dentro do mesmo negócio. para compreender a conclusão do contrato de venda e entrega das mercadorias. ou seja. tivesse nomeado de preponente o empresário que contrata a intermediação do agente. mediante remuneração.

como os de fornecimento ou de concessão comercial. sócio de tozzini. excluem-se do campo da agência as vendas em nome próprio. freire. o que interessa na definição da natureza jurídica do instituto é o seu conteúdo e não a embalagem. manter e incrementar a demanda dos produtos do preponente. sendo que a representação apenas existira se. que em hipótese alguma se podem confundir com a figura delineada no art.886/65. pelo que o agente se obriga a exercer habitualmente a intermediação de negócios em favor do preponente enquanto permanecer em vigor o ajuste. abril de 2003 (Artigo publicado no Mundo Jurídico (www. em caso positivo. O contrato de agência. Passando então para o exame do negócio em FGV DIREITO RIO 85 . dentro de uma zona determinada. Vários autores apontavam. Diante dessa situação. para cuja consecução empenhará múltiplas atividades. além de agenciar os pedidos em favor do proponente. E de fato a nomenclatura não deve ser considerada tão relevante.5. Trata-se de um contrato de duração. dependendo de serem ou não conferidos poderes para que o agente representasse o proponente na contratação dos negócios. conforme posteriormente alterada) e. a questão da nomenclatura. Ou seja. Algumas dúvidas fundamentais precisam ser eliminadas para que se tenha razoável segurança jurídica na utilização desses contratos. O nome representação comercial foi muitas vezes criticado por não traduzir corretamente a noção do contrato. com caráter de estabilidade. As principais dúvidas referem-se ao impacto do Código Civil sobre as conhecidas relações de representação comercial e distribuição. que o termo mais adequado seria agência. o agente tivesse poderes para representá-lo nas respectivas relações de compra e venda dos produtos agenciados. é fácil entender que os legisladores do Código Civil apenas utilizaram o nome que lhes pareceu refletir de maneira correta a natureza do contrato. A representação poderia ou não ocorrer.2003) biblioGrafia CoMPleMentar: É hora de definir agência e distribuição no novo Código Civil antonio felix de araújo Cintra advogado. Belo Horizonte. o agenciamento sempre ocorreria por força da natureza do contrato. de impulso e de agilização. de contratos que serão concluídos pelo preponente. tudo em busca de conquistar. inclusive citando leis estrangeiras. voltada para a promoção. teixeira e silva advogados renato berger consultor de tozzini.CONTRATOs Em EsPÉCIE essa noção do objeto contratual. Mais especificamente.mundojuridico. Afinal. de que maneira devem ser interpretadas as normas desses dois diplomas legais sobre a matéria e (b) se a distribuição prevista no Código Civil é a mesma relação contratual que tradicionalmente não era objeto de legislação específica e que era conhecida por distribuição. 710 do novo Código Civil. Antes de qualquer coisa. Analisando o Código Civil e a Lei do Representante Comercial. é necessário definir: (a) se o contrato de agência previsto no Código Civil é o mesmo contrato previsto na Lei do Representante Comercial (Lei 4. Outra grande característica do objeto da obrigação veiculada pelo contrato de agência é o caráter duradouro da prestação a cargo do agente.br) em 02. nessa ordem de idéias. teixeira e silva advogados O capítulo sobre agência e distribuição no Código Civil tem causado muita discussão. São vários os motivos para tanto. tem como objeto a atividade do agente. freire. que são objeto de outros contratos de colaboração empresarial. posto que a relação negocial implica agenciamento de pedidos. a melhor interpretação indica que os contratos de agência e os de representação comercial constituem a mesma figura jurídica.adv.

Toda a linguagem e toda a lógica desses dispositivos apontam para o agenciamento na compra e venda de mercadorias. com a particularidade de que os bens objeto do agenciamento FGV DIREITO RIO 86 . permanecendo em vigor os demais. devem ser considerados revogados apenas os dispositivos da Lei do Representante Comercial cuja matéria tenha sido regulada de forma diferente no Código Civil. mas a exclusão é absolutamente coerente com o desaparecimento da diferenciação entre negócios civis e mercantis na lei brasileira. dizendo que serviria para agenciamento de artistas. datada de 1965. portanto. A única diferença no Código Civil é a exclusão da expressão “negócios mercantis” que aparece na Lei do Representante Comercial. Infelizmente. mas a distribuição ali prevista não se confunde com a relação chamada distribuição a que todos se acostumaram no Brasil. uma nota sobre a distribuição. mas também da própria regulamentação encontrada nos artigos 710 e seguintes do Código Civil. ou aquela que viesse a substituí-la. mas deverá ter no mínimo 90 dias e. Por exemplo. quando se fala em zona de atuação do agente. caracteriza-se a figura clássica de aproximação do comprador e vendedor. negócio realizado. acima mencionada. Isso decorre não apenas da definição equivalente do contrato. Utilizando o nome distribuição. Ora. Ou seja. Resta. objeto da Lei Ferrari (Lei 6. é evidente que a lei especial contemplada no Código Civil. na ausência de cláusula contratual. percebe-se que a definição de agência no Código Civil é equivalente à definição de representação comercial na Lei do Representante Comercial. o Código Civil contempla uma nova e diferente figura contratual. que a Lei do Representante Comercial utiliza a expressão “agenciando propostas ou pedidos” exatamente na definição da atividade do representante. atletas e outras atividades que não fossem relacionadas à compra e venda de mercadorias. é a Lei do Representante Comercial. tendo inclusive ressalvado a aplicação de lei especial. cessação de atendimento de propostas. em nome próprio e por conta e risco do distribuidor. posto que não regulado expressamente na lei. que nada mais é do que um desdobramento da relação de agência. não há que se falar em remuneração paga pelo fornecedor. A distribuição do Código Civil é contrato de agenciamento de negócios em favor do proponente. portanto. verifica-se que o capítulo de agência ressalva expressamente a aplicação de lei especial sobre a matéria. Ainda para demonstrar que o Código Civil tratou agência da mesma forma que a chamada representação comercial. 718) como na utilização da lei especial sempre que couber (art. que é contratado para encontrar compradores para os produtos do proponente. 721). tanto na parte específica de indenizações (art. por exemplo. direito à remuneração pelos negócios concluídos dentro da zona de atuação e assim por diante.729/79). exceto com relação à distribuição de veículos automotores. Note-se ainda. Nessa linha de raciocínio. curiosamente. ainda assim. cujo projeto foi elaborado em 1972.CONTRATOs Em EsPÉCIE si. a terminologia empregada no Código Civil pode gerar grande confusão. A resposta é razoavelmente simples. menciona claramente “coisa a ser negociada”. Até a definição de distribuição. vale agora a presunção de exclusividade do Código Civil tanto para a zona de atuação do agente (exclusividade em favor do agente) como para o agenciamento (exclusividade em favor do proponente). O lucro do distribuidor deriva então da diferença entre o preço de compra e venda dos produtos distribuídos. E naquela que deve ser a maior diferença. o aviso prévio para encerramento de contratos por prazo indeterminado não será simplesmente de 30 dias como previsto na Lei do Representante Comercial. estabelecer como deve ser compatibilizada a Lei do Representante Comercial com o capítulo de agência do Código Civil. trata-se do agenciamento de pedidos em favor do proponente e do recebimento de remuneração pelos negócios concluídos. Tal distribuição era e continua sendo contrato atípico. A antiga distribuição é caracterizada pela compra dos produtos do fornecedor para posterior revenda. Em ambos os casos. realizada pelo agente. Vale frisar novamente que o Código Civil apenas deu outro nome para a mesma relação conhecida tradicionalmente como representação comercial. Ao contrário da agência. Por fim. Dado que o Código Civil não pretendeu esgotar a regulamentação da matéria. que conforme será visto aparece dentro da definição de agência e como um desdobramento desta última. não se justifica a amplitude que alguns querem dar ao contrato de agência no Código Civil. desde que já tenha transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto dos investimentos exigidos do agente.

o novo código dispõe no artigo 710: “Pelo contrato de agência. porém. Naturalmente serão aplicáveis à distribuição clássica as normas gerais do Código Civil sobre obrigações e contratos. Assim. 714) e direito à indenização no caso de diminuição no atendimento de propostas (art. Pouco importa que pratique ele negócios de agência ou de representação segundo o novo código. da mesma forma que ocorre em qualquer contrato atípico. aplicam-se ao representante comercial. conseqüentemente. não há de se ter preocupação FGV DIREITO RIO 87 . A nova posição legal mais serve para baralhar a questão. que doravante devem ser harmonizados com os dispositivos do novo Código Civil. naquilo que o contrato e a lei protetiva forem omissos. conforme a nova lei. à aplicação de legislação especial. não serão aplicáveis às relações de distribuição na sua forma tradicional de aquisição para revenda.asp?id=4148) A representação no novo Código Civil Por sílvio de salvo Venosa O novo Código Civil introduz no mesmo capítulo. contudo. no que couber. estando o sujeito inscrito nos Conselhos Regionais dos Representantes Comerciais.com. Pela lei. uma pessoa assume. 715). 710) até as disposições sobre o direito do distribuidor à remuneração por negócios concluídos em sua zona sem sua interferência (art. Leve-se em conta que os dispositivos contratuais do código são de direito dispositivo.CONTRATOs Em EsPÉCIE encontram-se na posse do agente. os dispositivos sobre os contratos de agência e distribuição.” Portanto. todas referentes apenas a contratos de aproximação entre comprador e vendedor e nunca à aquisição de produtos para revenda por conta própria. à conta de outra. 473). embora se reporte. desde a definição da distribuição como um derivado da agência (art. que passa a ser chamado também de distribuidor. em caráter não eventual e sem vínculos de dependência. que lhe é protetiva e cria. a disponibilidade da coisa em mãos do sujeito caracteriza a diferença entre a agência e a distribuição. a principal delas protege e regula o representante comercial (Lei nº 4. O proponente pode conferir poderes ao agente para que este o represente na conclusão dos contratos. Parágrafo único. a realização de certos negócios. se a pessoa tem a coisa que comercializa consigo será distribuidor. Quanto ao representante comercial. caracterizando-se a distribuição quando o agente tiver à sua disposição a coisa a ser negociada. Tratando-se de profissão regulamentada. A primeira conclusão inafastável é no sentido da aplicação da lei do representante comercial sempre que este for devidamente registrado. como por exemplo. mediante retribuição. no artigo 721. aplica-se essa lei. que essa lei atribui os direitos básicos do representante. O legislador do novo código deveria ter sido mais claro. Isso inclui os conceitos e princípios de boa fé contratual e função social dos contratos. no caso.uol. a necessidade de ter transcorrido prazo compatível com o investimento realizado pela outra parte quando da denúncia unilateral de contrato (art. Os dispositivos do capítulo de agência e distribuição. Todo o capítulo de agência e distribuição corrobora tal constatação. procura a lei unificar os direitos de ambos e. Assim. já que não tratam de tal figura. subordinados estes ao Conselho Federal. além de importantes dispositivos específicos.886/65). um microssistema jurídico. será agente. pois o contrato de representação comercial costuma ser identificado pela doutrina e pela jurisprudência com o de agência e distribuição. A harmonização dessa nova lei com os novos dispositivos é complexa. nos termos do artigo 5º da Lei nº 4. a qual.br/doutrina/texto. No mais. preponderarão as disposições do novo código. caso contrário.886/65. Nesses contratos há inúmeros pontos de contato com a representação comercial. a obrigação de promover. Há que se levar em conta. Subsidiariamente poderá ser aplicado o novo código. na verdade. em zona determinada. (http://jus2. e realiza negócios em razão dessa profissão habitual.

a própria legislação comercial. o sujeito fará jus aos benefícios da lei respectiva. qual seja. representantes etc. há possibilidade de que a empresa celebre muitos contratos da mesma natureza. segundo remansosa jurisprudência. que não foi aclarada pelo legislador. referindo-se aí expressamente ao contrato de distribuição. absorvendo vários significados. que se lastreia em princípios constitucionais sobre a liberdade do trabalho. alude-se à distribuição como referência genérica a vários fenômenos. que diz respeito à relação jurídica que vincula o produtor e o sujeito que coloca seus produtos no mercado. O novo universo da empresa cria novas formas de comercialização. agência e distribuição. Por outro lado. sem a compreensão de representante. mormente quando as partes não definem claramente suas obrigações. há confusão terminológica entre os contratos de representação mercantil. o que contribui.CONTRATOs Em EsPÉCIE se sua atividade é de agência ou representação de acordo com o novo código. pois. diretamente. em princípio. porque. a de colocar no mercado os bens ou serviços de uma empresa produtora. Não há que se entender que somente os representantes comerciais devidamente inscritos em sua corporação de ofício tenham direito à aplicação da lei específica. por natureza. Nessa introdução à nova problemática é importante estabelecer que os contratos de agência e distribuição podem. de caráter geral. contudo. naturais ou jurídicas. como a franquia. pretenderem os mesmos direitos expostos na Lei nº 4. por vezes. Desse modo. ser firmados com qualquer pessoa e a esta situação se dirigem os dispositivos do novo Código Civil. Questão maior vai se colocar quando o agente e o distribuidor em sentido amplo. As gradações entre um extremo e outro deverão ser definidas no caso concreto. a empresa concentra sua atividade principalmente na produção. a concessão. atendendo a cláusulas de exclusividade e de área geográfica. aos representantes comerciais oficiais. Como já de início apontamos. deverá persistir. O distribuidor. No conceito há um sentido amplo. Esses contratos possuem características comuns. Essa tendência. Eventual transgressão administrativa é irrelevante para a definição dos direitos e a respectiva natureza jurídica dos contratos. fará jus o sujeito aos direitos respectivos conforme os artigos 31 e seguintes da lei específica. a palavra “distribuição” é equívoca. com várias pessoas. com prazo mais ou menos longo. o qual garante direitos básicos a esses profissionais. conforme os princípios da lei específica. existirão sempre duas partes. São contratos. consagrada pelo nosso velho Código Comercial. pressupõem a existência de empresas e sujeitos independentes que desempenham atividade em favor dela. há um conceito restrito. Sob essa égide. se adotada a caracterização de representante para a relação jurídica. Como regra geral. que as próprias partes indiquem no contrato como aplicável essa lei do representante comercial autônomo. Desempenhando a função de representante. excluindo-se a possibilidade de ser considerado representante. os quais se aplicam. em princípio. atribuindo a intermediários a atividade de promover e vender. que é aquele doravante presente no Código Civil. que inclui todas as formas que uma empresa se utiliza para colocar bens e serviços no mercado. ou por meio de terceiros. pois o fornecedor de produtos e serviços sempre atribuirá a outrem essa função. que já vinha sendo adotada. surge assim uma nova família de contratos. Assim. De qualquer modo. Sempre que se examina a comercialização de produtos ou serviços por terceiros. para a confusão terminológica. Nesse sentido. sua situação será de distribuidor.886/65. os comissionistas e os agentes de comércio. também. mandatários. os corretores. Caberá à jurisprudência definir. Nada impede. com a intervenção de terceiros. sob o prisma de direito cogente. para o representante é irrelevante ter ou não a posse dos bens comercializados. A situação não fica clara. de duração. Nesse sentido. O que será ineficaz. a representação. como já não estava clara no sistema anterior e qualquer das soluções apresenta dificuldades. para desenvolvimento de uma antiga função econômica. é afastar-se contratualmente sua aplicação. no que não conflitar com seu estatuto específico. quando ela não o faz por si mesma. agentes. técnicos ou não. disciplinava os auxiliares de comércio. se o sujeito adquire os bens do produtor ou fornecedor e os revende. Nesses contratos há um forte aspecto de colaboração entre as partes e a possibilidade de exclusividade dentro de determinada área geográfica. agente ou representante deve se submeter a uma séria de diretrizes impostas FGV DIREITO RIO 88 .

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pelo produtor em prol do bom andamento do negócio. A regra de exclusividade é importante nesses contratos, embora possa não se fazer presente. Caberá às partes mantê-la ou não. Por seu lado, o distribuidor ou qualquer nome ou natureza jurídica que se lhe dê, não importando qual a modalidade de contrato que lhe permite comercializar bens de terceiros (distribuição, representação, agência, franquia), obtém uma posição vantajosa no mercado, pois, em princípio, terá exclusividade sobre determinada região ou goza de benefícios e vantagens para adquirir bens da empresa produtora. Geralmente, o nome do produtor já outorga aos intermediários um patamar de ganhos superior. Sob esse prisma, a moderna empresa cria uma rede de distribuição, nem sempre juridicamente homogênea, cuja finalidade é cobrir uma cidade, uma região, um Estado ou Província, um país ou o exterior. Essa distribuição mais ou menos ampla seria muito custosa e difícil para que o produtor a encetasse com recursos próprios, além de esbarrar em leis de proteção econômica, que proíbem a cartelização ou o truste. Inúmeros outros aspectos devem ser estudados em função desses novos contratos que ora se tipificam no novo Código Civil. http://www.societario.com.br/demarest/svrepresentacao.html

Agência e Distribuição x Representação Comercial francisco Wanderson Pinho dantas data: 09/09/2004 1. Contratos iguais com nomes diferentes ou contratos diferentes com leis aplicáveis diferentes? O novo código civil trouxe algumas inovações ao tratar do contrato de agência e distribuição em suas disposições. Isso causou uma divergência na doutrina, sendo que a maior parte dela acredita ser esse contrato, não mencionado no C.C. anterior, o mesmo contrato de representação comercial, disciplinado pela lei 4886/65, enquanto uma minoria defende que se trata de um novo contrato. Nesta minoria estão Fábio Ulhoa e Venosa, defendendo este último que ao representante, diferentemente do agente, poderia ser dado o poder de concluir os negócios que ele prepara, sendo aplicado, ao ato de conclusão, a legislação referente ao contrato de mandato. Contudo, não haveria essa possibilidade para o agente, alertando o autor que se, no contrato de agência, houvesse a incumbência de concluir o negócio, o contrato estaria desnaturado. Entretanto, esses argumentos não são fortes o suficiente para rebater a outra posição doutrinária, de que o contrato de agência e o de representação são o mesmo contrato com nomes diferentes. Esse raciocínio, defendido por Humberto Theodoro Jr, Rubens Requião e Felix de Araújo Cintra tem como base o fato de que a definição de representante, dada pela lei 4886/65, lei da representação comercial, é totalmente compatível com a definição de contrato de agência dada pelo código civil. De acordo com as duas legislações, tanto o agente quanto o representante atuam agenciando propostas e pedidos, à conta de outrem, sem vínculo de dependência e em caráter não eventual. A única diferença que existe entre as duas referidas legislações é que, na definição de contrato de agência, dada pelo C.C., não há a expressão “negócios mercantis”, existente na definição de representante, dada pela lei de representação comercial. Entretanto, isso se explica pela igualdade que o novo C.C. atribuiu ao negócio civil e ao negócio comercial. Além disso, outro argumento que é favorável à identidade dos dois contratos baseia-se nas reclamações doutrinárias feitas em relação ao nome antigo do contrato, “representação comercial”, atribuído pela lei 4886/65. Tal nome não reflete o objeto do contrato, que é o agenciamento de propostas, mas a possibilidade de o terceiro representar quem o contratou na conclusão dos negócios, ou seja, a representação.
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Internacionalmente, o nome “agência” já é consagrado para referir-se ao contrato da lei 4886/65, o que permite visualizar a possibilidade de o legislador do C.C. ter utilizado esse nome para adequar o contrato às influências internacionais. Destarte, o próprio artigo 721 do C.C. prevê a aplicação no que couber da lei especial para o contrato de agência e distribuição, o que reforça a afirmativa de tratarem as duas leis, a 4886/65 e a 10.406/02 (C.C.), do mesmo contrato. 2. qual é a lei predominante, se for o mesmo contrato? Apesar de o critério cronológico ter aplicação subsidiária em relação ao da especialidade, o C.C., que traz uma legislação mais nova, porém mais geral, deve ser aplicável de forma predominante, pois ele amplia as garantias do agente, permitindo que a lei 4886/65, nos aspectos mais detalhados, seja também aplicada. O C.C. já traz disposto no artigo 718 o seu papel de regra geral em relação à lei 4886/65, estabelecendo, para o caso de dispensa sem culpa do agente, a remuneração até então devida, além das indenizações previstas em lei especial. Em regra, considera-se o C.C. como um microssistema constitucional para o direito privado, tendo as outras leis uma aplicação subsidiária em relação a ele. 3. quais os artigos conflitantes e quais as novidades que o C.C. trouxe para o agente? O artigo 31 da lei 4886/65 entra em conflito com o artigo 711 do C.C., pois os dois falam a respeito de exclusividade nas zonas, tanto para o agente quanto para o proponente, de modo diverso. O artigo 31 da lei 4886/65 diz, a princípio, que o representante fará jus à comissão pelos negócios realizados em sua zona, ainda que diretamente pelo representado ou por intermédio de terceiros, quando prevista no contrato a exclusividade de zona ou mesmo quando o contrato for omisso a esse respeito (até este ponto, a previsão é a mesma no C.C.). Entretanto, em seu parágrafo único, ele estabelece que na ausência de ajustes expressos, a exclusividade do representante para o representado não se presume. Assim, pode o representante, se não houver proibição contratual, prestar serviços para mais de uma empresa (art. 41), não havendo restrição na lei para as empresas de mesmo gênero. O C.C., em seu artigo 711, presume, no caso da omissão do contrato, a exclusividade tanto para o agente quanto para o proponente, não podendo o agente prestar serviços a empresas concorrentes. Tal norma veio beneficiar o proponente. Outra diferença entre a lei 4886/65 e o C.C. diz respeito ao prazo do aviso prévio no caso de denunciação unilateral e injustificada do contrato de agência por tempo indeterminado. A lei de representação comercial estabeleceu no seu artigo 34 a antecedência mínima de 30 dias para o aviso prévio. Entretanto, o novo C.C. veio estabelecendo um prazo maior, de 90 dias, estabelecendo como condição para ocorrer a denúncia o transcurso de um prazo compatível com a natureza e o vulto do investimento exigido do agente, enquanto a lei de representação especifica um prazo de 6 meses de vigência do contrato para poder haver a denúncia dele. Tal norma veio em benefício do representante. 4. diferença entre agência e distribuição A polêmica que surgiu devido ao nome “distribuição” ao lado de “agência”, no novo código, deu-se porque aquele nome já era culturalmente usado para fazer referência a um outro tipo de contrato muito diferente do de agência.
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O contrato de distribuição, que já era conhecido, é uma espécie de contrato de colaboração por intermediação, através do qual o distribuidor adquire os bens do distribuído e os revende a consumidores, atacadistas ou a qualquer outro. A distribuição referida no código é tão somente um desdobramento do contrato de agência. Trata-se de uma figura contratual nova, mas não muito diferente do contrato de agência, pois também tem como objeto o agenciamento de propostas para o preponente, mas tem como acréscimo o fato de a coisa a ser vendida para o consumidor estar com o agente. O agente, nesse caso, não adquire a coisa. Ele simplesmente a detém ou a tem a sua disposição para ser entregue àquele que a adquirir, quando concluído o negócio do preponente. Desta forma, o contrato de distribuição referido pelo código não é o mesmo contrato de distribuição, espécie de contrato de colaboração por intermediação. Este contrato continua atípico, sendo regido pelas normas gerais dos contratos, e nele o colaborador revende o produto do distribuído, ganhando os lucros sobre a revenda. Na distribuição do C.C., em suma um contrato de agência, o distribuidor ganha uma remuneração do distribuído, agindo em nome e no interesse deste. http://cacbufc.org.br/artigos/verartigo.asp?id=215

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Maria Lúcia nos informa que há uma caixa de contratos que será disponibilizada hoje. mas que não poderemos tirar cópia e nem levá-los para nosso Escritório. É necessário analisar o contrato como um todo e qualquer outro aspecto que pareça relevante deve ser informado no campo “observações”. Abaixo. AulA 16: ANálISE dE CONTRATOS 1. nos dividiremos em grupos e cada grupo será responsável pela análise de alguns contratos.15. Vale lembrar que esses pontos devem orientar a análise dos contratos. nome do contrato Contratante Contratado data de assinatura objeto valor/ Forma de pagamento Cessão de direitos vigência do Contrato Formalidades garantias rescisão Contratual por transferência de Controle e/ou reorganização Societária demais hipóteses de rescisão Foro e lei aplicável outras observações (É possível?) (ainda está em vigor? Qual é o prazo de vigência?) (obs: está assinado? tem assinatura de duas testemunhas?) (o contrato pode ser rescindido em razão de transferência de controle do contratante? há multa prevista?) FGV DIREITO RIO 92 .CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. roteiro de aula Esta aula será diferente das anteriores. seremos obrigados a analisar os contratos durante a aula. Assim. mas não são suficientes por si só. Para agilizar nosso trabalho. incluímos um quadro com os pontos fundamentais a serem observados em cada contrato.15.1.

1.4. 2003. sendo pessoa física. SANTA ROSA. Acesso em: 04 ago. para o Rio de Janeiro.asp?id=3006>. págs. poderia ter as marcas do Supermercado Pechincha registradas em seu nome? O que fazer quanto aos registros das marcas e os pedidos de registro? FGV DIREITO RIO 93 . 1. Denis Borges.16. eMentário de teMas Marcas.com.uol. 797 a 963. 2002. Teresina. Contrato de Licença de Marcas. Tendo em vista que a marca desempenha papel fundamental no negócio. A importância da “due diligence” de propriedade intelectual nas fusões e aquisições (Debaixo dos caracóis dos seus cabelos). biblioGrafia CoMPleMentar BARBOSA.16.058. Denis Borges. deparamo-nos com um contrato de licença de marcas. (em anexo). 2006. n.16. Uma Introdução à Propriedade Intelectual. 1. Dirceu P. AulA 17: lICENçA E CESSãO dE mARCAS. 2003.279/1996.1. Uma Introdução à Propriedade Intelectual. Contrato de Cessão de Marcas. inclusive.3. o que fazer nessa situação? A simples aquisição das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda. 1. e fomos alertados pela equipe sobre os seguintes aspectos: (i) metade das marcas do Supermercado Pechincha estão registradas no INPI e a outra metade ainda está com pedido de registro. Considerando que nosso cliente pretende expandir seus negócios. de. BARBOSA. págs.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1..16. Lumen Juris. ano 6.16. Jus Navigandi. o que poderíamos recomendar ao nosso cliente? Conversamos com a equipe de due diligence responsável pela área de propriedade intelectual sobre o contrato de licença que encontramos. Caso Gerador Ao analisarmos os contratos que nos foram disponibilizados na aula anterior. resultaria na transferência da marca para o nosso cliente? Considerando que é o supermercado que efetivamente exerce as atividades relacionadas às marcas. ago.br/doutrina/texto.2. Disponível em: <http://jus2. Lumen Juris. Rio de Janeiro: Ed. biblioGrafia obriGatória Lei n° 9. o senhor Renato Russo. segundo o qual o senhor Eduardo Russo permitia que um comerciante do Rio de Janeiro utilizasse a marca do Supermercado Pechincha em suas lojas na cidade maravilhosa. 1.041 a 1. 58. (ii) os registros das marcas e os pedidos de registros foram feitos em nome do senhor Eduardo Russo e não em nome da sociedade Pechincha Comércio Varejista Ltda. Rio de Janeiro: Ed.

16. O senhor Odin Heiro nos pergunta se terceiros poderiam registrar as marcas (já registradas) do Supermercado Pechincha em outros Estados. a marca “é o sinal visualmente representado. roteiro de aula a) Marcas Antes de estudarmos os contratos de licença e de cessão de marcas propriamente ditos. capaz de distinguir bens e serviços de um empreendimento daqueles de outro empreendimento”. a possibilidade de se tornar um símbolo exclusivo. patentes. tais como a Convenção de Paris e o TRIPS. pág.1 do Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (TRIPS). marcas são todos os sinais distintivos visualmente perceptíveis. sua existência fáctica depende da presença destes dois requisitos: capacidade de simbolizar. o senhor Odin Heiro nos pergunta se há prazo para o registro das marcas e se o registro pode ser extinto. Compreendendo a importância do registro das marcas para o supermercado. sem confundir o destinatário do processo de comunicação em que se insere: o consumidor. 2003.05. 803. Uma Introdução à Propriedade Intelectual. Considerada por muitos como uma das mais importantes modalidades da propriedade intelectual. Denis Borges. Com relação à definição de marca.1997. vale analisar brevemente o seu objeto: a marca. tendo em vista que a sede do supermercado é em Brasília. Entretanto. em vigor desde 15. Símbolo voltado a um fim. imóveis ou semoventes? Para ter proteção jurídica. que visa a regular os direitos e obrigações relativos à propriedade industrial no Brasil. Sua proteção jurídica depende de um fator a mais: a apropriabilidade. ou legalmente unívoco. ou seja. Esta definição segue os conceitos e princípios previstos nas convenções internacionais. que pode ser bem demorado. à propriedade e ao direito de uso exclusivo de marcas e outros signos distintivos.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. que é configurado para o fim específico de distinguir a origem dos produtos e serviços. da Constituição da República Federativa Brasileira de 1998 dispõe que a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização. não compreendidos nas proibições legais. inciso XXIX. FGV DIREITO RIO 94 . Uma introdução à propriedade intelectual – Lúmen Júris. Os direitos de propriedade intelectual. Denis Borges Barbosa11 comenta o que se segue: BARBOSA. como Rio de Janeiro e São Paulo. 2003. p. antes mesmo do registro. foi promulgada a Lei nº 9. e capacidade de indicar uma origem específica. 803. o proprietário da marca deve registrá-la no INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial. são bens móveis. Denis Borges. bem como proteção às criações industriais.5. “poderá constituir marca qualquer sinal. b) Marcas – Conceito O artigo 5º. 10 11 BARBOsA. Rio de Janeiro: Ed. De acordo com o artigo 15. regulando as normas referentes às marcas. desenhos industriais e concorrência desleal. Neste sentido. como a marca. Rio de Janeiro. Lumen Juris. em face do objeto simbolizado”10. ou combinação de sinais. alguns entendem que a partir do depósito da marca no INPI haveria uma expectativa de direito. suscetível de proteção. Conforme o artigo 122 da Lei de Propriedade Industrial.279 de 1996 (Lei de Propriedade Industrial).

salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva. ou seja. como a de indústria ou de comércio. figura ou imitação. III – expressão. é uma marca representativa da atividade mediadora do comerciante e. Carvalho de. Tratado de Direito Comercial Brasileiro. também reveladora do trabalho.CONTRATOs Em EsPÉCIE (. figura. IX – indicação geográfica. quando não requerido o registro pela própria entidade ou órgão público. Símbolo voltado a um fim.) marca é o sinal visualmente representado. Com relação às proibições legais a que se refere o artigo 122. comum. VIII – cores e suas denominações. bandeira. Sua proteção jurídica depende de um fator a mais: a apropriabilidade. 365 – 366. salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva. X – sinal que induza a falsa indicação quanto à origem. CERQUEIRA. 13 FGV DIREITO RIO 95 . emblema. procedência. Tratado de propriedade industrial. marca é todo sinal distintivo aposto facultativamente aos produtos e artigos das indústrias em geral para identificá-los e diferenciá-los de outros idênticos ou semelhantes de origem diversa12. algarismo e data. natureza. II – letra. nacionais. quando tiver relação com o produto ou serviço a distinguir. a possibilidade de se tornar um símbolo exclusivo. VII – sinal ou expressão empregada apenas como meio de propaganda. regularmente adotada para garantia de padrão de qualquer gênero ou natureza. João da Gama. sua existência fática depende da existência destes dois requisitos: capacidade de simbolizar. vulgar ou simplesmente descritivo. nacionalidade. V – reprodução ou imitação de elemento característico ou diferenciador de título de estabelecimento ou nome de empresa de terceiros. o referido autor entende que “a marca de comércio não é. XI – reprodução ou imitação de cunho oficial. em face do objeto simbolizado. sem confundir o destinatário do processo de comunicação em que se insere: o consumidor. bem como a respectiva designação. a Lei de Propriedade Industrial elenca. uma série de situações em que o sinal que não poderá ser registrado marca: I – brasão. salvo se dispostas ou combinadas de modo peculiar e distintivo. suscetível de causar confusão ou associação com estes sinais distintivos. públicos. estrangeiros ou internacionais. distintivo e monumento oficiais. quanto à natureza. marca distintiva da mercadoria quanto à origem. e capacidade de indicar uma origem específica. da capacidade e da probidade de seu titular”13. culto religioso ou idéia e sentimento dignos de respeito e veneração. que é configurado para o fim específico de distinguir a origem dos produtos e serviços. ou aquele empregado comumente para designar uma característica do produto ou serviço. isoladamente. sua imitação suscetível de causar confusão ou sinal que possa falsamente induzir indicação geográfica. propriamente falando. desenho ou qualquer outro sinal contrário à moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra ou imagem de pessoas ou atente contra liberdade de consciência. VI – sinal de caráter genérico. Embora Carvalho de Mendonça não a defina especificamente. valor. 12 mENDONÇA.. I. Para João da Gama Cerqueira. medalha. pp. qualidade e época de produção ou de prestação do serviço. armas. no artigo 124. ou legalmente unívoco. 1963. crença. IV – designação ou sigla de entidade ou órgão público.. peso. t. necessário. Freitas Basto. qualidade ou utilidade do produto ou serviço a que a marca se destina.

notadamente quanto à qualidade. XVI – pseudônimo ou apelido notoriamente conhecidos. ou. natureza. social. dos Territórios. incluindo a natureza jurídica das marcas. moeda e cédula da União. quais sejam: (i) marcas de produto ou serviço. salvo com consentimento do autor ou titular. herdeiros ou sucessores. Há. aquela que não possa ser dissociada de efeito técnico. salvo quando. no caso de marcas de mesma natureza. XXI – a forma necessária. Alguns afirmam se tratar de um direito pessoal. ainda. definindo-as da forma que se segue: – Marca de produto ou serviço: aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico. do Distrito Federal. marca que o requerente evidentemente não poderia desconhecer em razão de sua atividade. semelhante ou afim. dos Municípios. na ciência e na arte. ou de país. cultural. artística ou científica. nome de família ou patronímico e imagem de terceiros. XIX – reprodução ou imitação. suscetível de causar confusão ou associação com aquela marca alheia. herdeiros ou sucessores. no todo ou em parte. C) tipos de Marcas O artigo 123. semelhante ou afim. – Marca de certificação: aquela usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas.CONTRATOs Em EsPÉCIE XII – reprodução ou imitação de sinal que tenha sido registrado como marca coletiva ou de certificação por terceiro. e – Marca coletiva: aquela usada para identificar produtos ou serviços provindos de membros de uma determinada entidade. 154. comum ou vulgar do produto ou de acondicionamento. que tenha relação com o produto ou serviço a distinguir. XX – dualidade de marcas de um só titular para o mesmo produto ou serviço. nome artístico singular ou coletivo. observado o disposto no art. salvo quando autorizados pela autoridade competente ou entidade promotora do evento. artístico. econômico ou técnico. equivalente à proteção que se dá aos direitos da personalidade de qualquer pessoa. apólice. ainda que com acréscimo. semelhante ou afim. suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia. oficial ou oficialmente reconhecido. de caráter patrimonial. salvo com consentimento do titular. XXII – objeto que estiver protegido por registro de desenho industrial de terceiro. para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico. XVII – obra literária. se revestirem de suficiente forma distintiva. no todo ou em parte. FGV DIREITO RIO 96 . assim como os títulos que estejam protegidos pelo direito autoral e sejam suscetíveis de causar confusão ou associação. por sua vez. XVIII – termo técnico usado na indústria. e XXIII – sinal que imite ou reproduza. salvo com consentimento do titular. político. material utilizado e metodologia empregada. XIII – nome. cujo titular seja sediado ou domiciliado em território nacional ou em país com o qual o Brasil mantenha acordo ou que assegure reciprocidade de tratamento. (ii) marca de certificação e (iii) marca coletiva. bem como a imitação suscetível de criar confusão. d) natureza jurídica Há muita discussão acerca da natureza jurídica dos direito da propriedade industrial. diferencia as marcas em três tipos. de marca alheia registrada. prêmio ou símbolo de evento esportivo. Outros alegam se tratar de bem imaterial. dos Estados. de origem diversa. se a marca se destinar a distinguir produto ou serviço idêntico. XV – nome civil ou sua assinatura. XIV – reprodução ou imitação de título.

à propriedade das marcas. parte especial. Direitos Reais. não se lhe podem mencionar elementos característicos. assegurou aos autores de inventos industriais. a função econômica e a função de propaganda.Tratado de Direito Privado. tais como a função de identificação de origem. gozar. marcas que são vulgaridades notórias. de cunho incorpóreo. ou apenas em uso. se não o faz. se bem que unitário. Pontes de .. a maioria dos autores afirma que as marcas são consideradas como um direito de propriedade. como as incorpóreas”. há o entendimento de que se trata de uma propriedade imaterial. A Constituição Federal de 1988. estas se caracterizam por preencher a função precípua de distinguir os produtos e serviços aos quais se opõem. constituindo num feixe de direitos consubstanciados nas faculdades de usar. e de reavê-los de quem injustamente o possua. privilégio temporário para sua utilização. Gama Cerqueira acrescenta que “definindo a propriedade como o direito de usar. 10° edição.. dispor e reivindicar a coisa que lhe serve de objeto”14. pg. Orlando. o Código Civil emprega a palavra bens. Desta forma. fruto da atividade intelectual do homem. 129. não é sinal distintivo. com elementos pessoais e. a função de garantia da qualidade.CONTRATOs Em EsPÉCIE ainda.15 e) função das Marcas (i) Função Distintiva: No que tange à função das marcas. nota-se que há outras funções que a marca tem por finalidade. tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País. 5º. vol. Sobre o assunto. de outros produtos ou serviços idênticos. I. A propriedade da marca adquire-se com o registro validamente expedido. a função distintiva é considerada a mais relevante pela maioria dos autores. 36. “É um direito complexo. De acordo com a autora Maitê Cecília Fabbri Moro16. 17 FGV DIREITO RIO 97 . Direito das marcas. A distinção da marca há de ser em relação às marcas registradas ou em uso. Confundir-se-ia com as outras marcas registradas. 147. considerou os direitos da propriedade industrial como bens móveis. porque há marcas a que falta qualquer elemento característico. cuja significação é mais lata do que a expressão coisa compreendendo não só as coisas corpóreas. No Brasil. 14 CERQUEIRA Gama. 85. mORO. aos nomes de empresas e a outros signos distintivos. sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional (. Além disso. parte I. faz-se necessário ressaltar que a Lei de Propriedade Industrial. matiê Cecília Fabbri. entende-se que a marca é definida como direito de propriedade e tal conceito está expresso na Lei de Propriedade Industrial. também patrimoniais. antes ou após ela. gozar e dispor dos bens. em seu art. para efeitos legais. p.17 GOmEs. e em si mesma. 1956. p. bem como pela legislação atual. Borsoi. 7. em seu artigo 5º. 15 Além da função distintiva da marca. Embora se tratando de objetos de criação não corpórea. p. em seu artigo 129: Art. conforma as disposições desta lei. Ed. ou seja. uma outra corrente que entende ter a propriedade industrial um caráter dualista. são Paulo: Editora revista dos Tribunais.) O direito de propriedade é o mais amplo dos direitos reais. Forense. não assinala o produto. Pontes de Miranda comenta o que se segue: A marca tem de distinguir. bem como proteção às criações industriais. “Tratado de Propriedade Industrial”. 16 mIRANDA.

concluirão. que os produtos têm a mesma origem. (iv) Função de Propaganda: Cabe entender que a marca pode ser considerada como qualquer sinal. a função de garantia da qualidade dos produtos. pg 364. A marca é um atrativo de comercialização que induz um comprador a escolher o que quer. (iii) Função de garantia de qualidade: Observamos. de procedência diversa. Já o sistema em que o direito sobre uma marca somente é reconhecido por meio de registro é o sistema atributivo de direitos. O poder sugestivo da marca representa indubitavelmente a sua principal função do ponto de vista econômico. uma vez que há países que atribuem direitos sobre a marca pelo seu simples uso. permitindo ao titular destes distinguir suas mercadorias ou seus produtos/serviços de outros. também. in Trademark Reporter. por meio da identificação da marca de uma empresa. O dono da marca explora esta propensão humana fazendo todo esforço para impregnar a atmosfera do mercado com o poder atrativo de um símbolo congenial18. Com relação a este sistema misto. verifica-se a predominância de um ou do outro sistema puro. por conseguinte. Maitê Cecília Fabbri Moro19 comenta que.53.CONTRATOs Em EsPÉCIE (ii) Função de identificação de origem: A função de identificação de origem tem o intuito de indicar a origem dos produtos. ob. servindo para recomendá-lo e para atrair a atenção dos consumidores. Esta força atrativa é utilizada para obter. Se é verdade que vivemos por símbolos. sendo ela imprescindível para o funcionamento do mercado e das empresas em geral. vol. matiê Cecília Fabbri. do sistema atributivo. na prática. 69. idênticos ou semelhantes. exercendo. símbolo ou palavras. presume-se que estes voltem a comprá-los devido ao conhecimento da marca. não é menos verdadeiro que por eles compramos mercadorias. 18 mORO. a proteção das marcas é o reconhecimento legal da função psicológica dos símbolos. n° 4. ROBIN Albert. A publicidade é o meio pelo qual o público toma conhecimento de uma marca. f) aquisição de direitos A aquisição do direito sobre uma marca depende da legislação de cada país. manter e aumentar a clientela. é considerado como sistema declarativo. O sistema que atribui direito sobre a marca pelo seu simples uso. pelo qual o produto é conhecido e distinguido no mercado consumidor. que não prejudica a divisão teórica mencionada acima (sistema atributivo e sistema declarativo). 2003. a proteção no sentido de se evitar o enfraquecimento do seu caráter distintivo. p. pois os consumidores. I da Lei nº 9279/1996. e outros que exigem determinadas formalidades de registro para fins de obter o direito sobre uma marca. visto que é o registro que atribui a propriedade de uma marca ao interessado. O sistema misto é o sistema que tem características do sistema declarativo e. conforme artigo 123. agosto de 1997. Por meio da compra dos produtos e satisfazendo os consumidores. 19 FGV DIREITO RIO 98 . Comparative Advertising: A Skeptical View. possuindo uma qualidade constante.cit. marca. Esta função de propaganda ou publicidade decorre do fato de ser a marca um dos principais veículos de propaganda dos produtos por ela cobertos. A doutrina reconhece esta importância da função econômica. com isso. Segundo Albert Robin. de fato.

um sistema misto com predominância do sistema atributivo. Para o autor Ricardo Luiz Sichel. Em regra. pode-se dizer então que. usava no País. a aquisição do direito sobre uma marca se faz pelo registro. observa-se um sistema misto. com isso. As regras de colidência. No entanto. excepcionalmente. semelhante ou afim. Palestra: “Direito De Precedência”. 20 sICHEL. § 2º O direito de precedência somente poderá ser cedido juntamente com o negócio da empresa. pode ser oposto um direito. Entretanto. ob. deve-se fazer o registro da mesma junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial . Esta é uma regra característica do princípio atributivo para a aquisição do direito marcário. que tenha direta relação com o uso da marca. Muitos indagam sobre a possibilidade de restringir a alegação desse direito de precedência tão somente na fase de oposição ou mesmo após o registro da marca em face do terceiro. matiê Cecília Fabbri. uma vez que a lei é silente sobre o assunto. não impondo outras obrigações. estabelecendo a possibilidade de impedir o pedido de registro de marca similar.20 G) direito de Precedência O registro de uma marca é concedido àquele que primeiro solicitar o seu registro. previsto o artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial. p. são idênticas àquelas utilizadas quando do conflito entre uma marca registrada e um registro anterior. esta regra é limitada e excepcionada pelo direito de precedência. 21 FGV DIREITO RIO 99 . em seu artigo 129. sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional. desprovida do necessário registro. de forma regular e de boa-fé. A esse utente. terá direito de precedência ao registro. no Brasil. Ricardo Luiz21 comenta o que se segue: A marca continua sendo adquirida através de um competente registro. eventualmente com valor patrimonial. a prova anterior do uso é suficiente (direito de precedência). É. Diz o referido artigo: Art. por exemplo. Desta forma. para que uma pessoa física ou jurídica seja titular de uma marca. ou parte deste. tão-somente vedando o registro de uma marca que lhe seja similar e que assinale o produto ou serviço idêntico ou afim. um processo administrativo de nulidade. com base no direito de precedência. a existência dessa precedência vicia um registro mORO. portanto. 129 (. mas. em face de um pedido em trâmite.. há pelo menos 6 (seis) meses. marca idêntica ou semelhante. Sobre o assunto. conforme mencionado acima. cit. de uma marca.) § 1º Toda pessoa que. No entanto. procurou a lei proteger. conforme as disposições desta Lei. argüindo.CONTRATOs Em EsPÉCIE No Brasil. Nota-se que este é o sistema atributivo de direitos. Ricardo Luiz. para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico. O artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial estabelece. no caso em espécie. de boa fé.Anais do XXI seminário Nacional da Propriedade Intelectual. onde o registro atribui propriedade sob uma marca. que a propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido. 54. 2001. É importante mencionar a questão referente ao momento para argüição desse direito de precedência.. na data da prioridade ou depósito. que assinale produto ou serviço idêntico ou afim. por alienação ou arrendamento. pertencente a um determinado titular. este princípio atributivo é excepcionado pelo direito de precedência que será estudado no item a seguir. entretanto. decorrente do uso.INPI.

Assim. da doação ou da transmissão hereditária. gratuitamente ou onerosamente. em virtude do explicitado no artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial. este somente poderá ser requerido por pessoa jurídica representativa de coletividade. BARBOsA. fato esse ensejador do processo administrativo de nulidade. de uma modalidade de cessão de direitos cujos parâmetros encontram-se estabelecidos pelo Código Civil. Quanto Custa o Nome?. evidentemente. trata-se. a Lei de Propriedade Industrial é silente no tocante à natureza dessa cessão.22 H) requerentes do registro O artigo 128 da Lei de Propriedade Industrial dispõe sobre as pessoas aptas a requerer o registro de uma marca.05. segundo Ricardo Luiz Sichel. estar-se-ia aventando as figuras do contrato de compra e venda. onde praticamente qualquer categoria de produto. org. Cultura e Investimento Social.279/96. mariana. o qual prevê que a propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido. chegando a ser o bem mais valioso do patrimônio de uma empresa. atraindo consumidores não pelos seus produtos em si. 16. Valorizá-la é cada vez mais essencial”23. este somente poderá ser requerido por pessoa sem interesse comercial ou industrial direto no produto ou serviço atestado. o direito de uso da marca a um terceiro (contratado ou cessionário). de modo direto ou através de empresas que controlem direta ou indiretamente. funciona com a mesma eficiência. Este registro é realizado por intermédio do Instituto Nacional de Propriedade Industrial. podem requerer registro de marca as pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou de direito privado. a teor do artigo 168 da Lei nº 9. No que se refere ao registro de marca coletiva. a partir de um certo nível de preço. No entanto. conforme já estudado nesta apostila. é necessário que exista perfeita compatibilização entre o ramo de atividade do depositante e os produtos ou serviços reivindicados no pedido de registro. Desta forma. mas pelo seu grau de identificação no mercado. Uma marca pode ser tão valiosa quanto o resultado financeiro que ela pode gerar.br. o parágrafo único do artigo 128 estabelece uma limitação ao registro por parte das pessoas jurídicas de direito privado. sendo um fator de identificação e valorização no mercado. especificamente na parte relacionada a contratos. cit. a qual poderá exercer atividade distinta da de seus membros. site rits.2001.05. Com relação ao registro da marca de certificação. prevendo que as pessoas de direito privado só podem requerer registro de marca relativo à atividade que exerçam efetiva e licitamente. ob. que tem por função executar. “num mundo altamente competitivo. Leonardo. O registro de uma marca é muito importante para a sua proteção. na medida que uma parte – a cessionária – cede.2001. Jornal Valor. as normas que regulam a propriedade 22 23 sICHEL. Para o autor. i) registro e o Princípio da especialidade Nota-se que a marca é imprescindível para o sucesso de uma empresa. Ricardo Luiz. a marca é uma das poucas armas que restam às empresas para garantir a lucratividade. 24 FGV DIREITO RIO 100 . Ela é incorporada no patrimônio de seus titulares. Com relação à cessão mencionada no parágrafo segundo do artigo 129. Segundo este artigo. no âmbito nacional. A marca é tida como uma “característica marcante no processo de conquista de mercados e clientes das economias globalizadas”24.CONTRATOs Em EsPÉCIE eventualmente concedido. somente estabelecendo que a mesma dar-se-á concomitantemente com o negócio da empresa.22. BRANT. Conforme argumenta Mariana Barbosa.

cit. no artigo 124. econômica.br FGV DIREITO RIO 101 . 28 29 Fonte: www. mista. o princípio da especialidade não é absoluto. O princípio básico que norteia o sistema de concessão de marcas em nosso país é o princípio da especialidade. suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia. À luz deste princípio. a questão da coexistência das marcas idênticas ou semelhantes facilmente se resolve28.gov. maitê Cecília Fabbri. presente a função primordial de distinguir. pois depende de uma análise caso a caso. de marca alheia registrada. semelhante ou afim”.1991. em que se impede “ a reprodução ou imitação. ob. sendo o órgão responsável pela concessão dos registros de marcas. Recurso Especial n° 9. inciso XIX. mas tratando-se de produtos ou indústria diversa. direta e necessariamente. quando o legislador fala em “produto ou serviço idêntico. mas num signo apropriado em função da aplicação a um objeto ou serviço específico. como se verá a seguir. j) formas de registro das marcas As marcas podem ser registradas sob a forma nominativa. uma marca não consiste num signo apropriado em si mesmo. de 11 de Dezembro de 1970. dentre outros artigos. ainda que com acréscimo. de acordo com definição abaixo29: 25 mATHÉLY. Paul. inclusive as normas relativas ao registro de marcas. cit. Paul Mathély ensina que: A regra da especialidade é substancial. no todo ou em parte. 27 CERQUEIRA.25 O Supremo Tribunal de Justiça pronunciou-se afirmando que “a marca deve distinguir-se suficientemente das já existentes.CONTRATOs Em EsPÉCIE industrial. José da Gama. cujas circunstâncias não podem ser desatendidas quando se tem de decidir sobre a novidade das marcas e as possibilidades de confusão. visando limitar o campo de extensão da proteção marcária de acordo com o segmento mercadológico no qual a mesma se insere. semelhante ou afim. 1994. estando nesta relação identificador/identificado. pode-se dizer. No entanto.71. Quando se trata de indústrias ou gêneros de comércio inteiramente diversos. uma vez que advém. da natureza e função da marca.279 de 1996. Com relação ao princípio da especialidade das marcas. patentes. 26 mORO. Segundo a autora. ob. jurídica e técnica. é a mais justa. Esta forma de limitação. modelos de utilidade e desenho industrial no Brasil. de acordo com o artigo 125 e 126 respectivamente. a regra da especialidade como princípio do direito marcário. por parte de empresas diferentes.26 De acordo com Maitê Cecília Fabbri Moro27. as quais serão objetos de estudo nas próximas aulas. sem qualquer vinculação entre si. pg 171. O INPI é uma autarquia federal criada pela Lei n° 5648. tendo em vista a sua função social. Este princípio é fundamental para a distinção das marcas e dos nomes de domínio. não importa que ela seja idêntica a outra já em uso”. conclui-se que é possível a convivência de marcas semelhantes no mercado. Le Noveau Droit Français de Marques.06. 10. vol. nem neste assunto podem firmar-se regras absolutas. mas é ressaltada. para Gama Cerqueira. 37. no que se analisa a possibilidade de confusão ou associação de marcas. É importante mencionar que o princípio da especialidade sofre algumas exceções no que tange às marcas de alto renome e às marcas notoriamente conhecidas. p. figurativa ou tridimensional. I. para distinguir ou certificar produtos ou serviço idêntico. De fato.inpi. da Lei 9. pois se trata sempre de questões de fato.380/ sP. está limitando o direito de marca no campo de sua especialidade. e até idênticas. influi em toda a sua regulamentação. p.

requerimento a ideogramas o línguas tais como o japonês. também. hebraico etc. elementos figurativos ou de elementos nominativos. a proteção legal recai sobre o parcela significativa do público consumidor. caso em que se interpretará como marca mista. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja dissociada de qualquer efeito técnico. figura ou qualquer forma estilizada de letra e número. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma dissociada de qualquer efeito técnico. a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. desde que compreensível por uma como marca mista. (Exemplos: compreensível por uma parcela significativa do público consumidor. a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. imagem. apresente de forma estilizada. isoladamente. compreendendo. alfabeto romano. e não sobre a palavra ou termo caso ressalvada a hipótese de o requerente indicar no requerimento a palavra ou o termo que o ideograma represenem que se interpretará parcela significativa do ta. desde que Nesta última Exemplos: hipótese. público consumidor. em que se constituída por desenho. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja dissociada de qualquer efeito técnico. cuja grafia se • Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e elementos figurativos ou de elementos Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e nominativos. cuja grafia se apresente de forma estilizada. que ele representa. plástica. FGV DIREITO RIO 102 Exemplos: L) Direito de Prioridade O artigo 127 da Lei de Propriedade Industrial estabelece que. • Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma plástica. a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem.CONTRATOs Em EsPÉCIE • Nominativa: É constituída por uma ou mais palavras no sentido amplo do desde que requerimento a palavra ou o termo que o ideograma representa. Exemplos: Exemplos: Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e elementos figurativos ou de elementos nominativos. cuja grafia se apresente de forma estilizada. caso FGV e Coca-Cola) • Figurativa: É interpretará como marca mista. bem como dos palavra ou determo que o ideograma representa. os neologismos e as combinações de letras e/ou algarismos romanos e/ou arábicos. ao pedido de . Exemplos: Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma plástica. compreensível por uma ideograma em si. chinês.

em seu artigo 4 (C) dispõe da forma abaixo: (1) Os prazos de prioridade acima mencionados serão de doze meses para invenções e modelos de utilidade e de seis meses para os desenhos ou modelos industriais e para as marcas de fábrica ou de comércio Cumpre destacar que. • impedir a livre circulação de produto colocado no mercado interno. devendo ser comprovada por documento hábil da origem. M) limitações e Perda de direitos As limitações aos direito de propriedade das marcas encontram-se discriminadas no artigo 132 da Lei de Propriedade Industrial. desde que obedecidas as práticas leais de concorrência. se não efetuada por ocasião do depósito. desde que sem conotação comercial e sem prejuízo para seu caráter distintivo. acompanhado de tradução simples. Sobre o prazo para apresentação da reivindicação de prioridade. sob pena de perda da prioridade. a Convenção de Paris. não sendo o depósito invalidado nem prejudicado por fatos ocorridos nesses prazos. o documento correspondente deverá ser apresentado junto com o próprio documento de prioridade. • pela renúncia. o artigo 142 preceitua que o registro da marca extingue-se: • pela expiração do prazo de vigência. de depósito de modelo de utilidade. de registro de marca de fábrica ou de comércio num dos países da União. ou o seu sucessor. contendo o número. por si ou por outrem com seu consentimento. ao pedido de registro de marca depositado em país que mantenha acordo com o Brasil ou em organização internacional. como segue abaixo: A (1) Aquele que tiver devidamente apresentado pedido de patente de invenção. gozará. contados do depósito. a data e a reprodução do pedido ou do registro. • impedir que fabricantes de acessórios utilizem a marca para indicar a destinação do produto. Segundo a Lei de Propriedade Industrial. FGV DIREITO RIO 103 . a reivindicação da prioridade deverá feita no ato de depósito. obra científica ou literária ou qualquer outra publicação. podendo ser suplementada dentro de 60 (sessenta) dias. Com relação à perda dos direitos marcários.CONTRATOs Em EsPÉCIE l) direito de Prioridade O artigo 127 da Lei de Propriedade Industrial estabelece que. por outras prioridades anteriores à data do depósito no Brasil. será assegurado direito de prioridade. da qual o Brasil é signatário. do s direito de prioridade durante os prazos adiante fixados. que poderá ser total ou parcial em relação aos produtos ou serviços assinalados pela marca. Este princípio do direito da prioridade é previsto no artigo 4º da Convenção da União de Paris. para apresentar o pedido nos outros países. ou • impedir a citação da marca em discurso. a comprovação da prioridade deverá ocorrer em até 4 (quatro) meses. nos prazos previstos na referida Convenção de Paris. Tratando-se de prioridade obtida por cessão. que produza efeito de depósito nacional. na sua promoção e comercialização. juntamente com a marca do produto. cujo teor será de inteira responsabilidade do depositante. de desenho ou modelo industrial. o qual discrimina que o titular da marca não poderá: • impedir que comerciantes ou distribuidores utilizem sinais distintivos que lhes são próprios. ressalvado o disposto nos §§ 3º e 4º do art. 68.

o artigo 135 da Lei de Propriedade Industrial prevê que a cessão deverá compreender todos os registros ou pedidos..Parte Especial. sendo prorrogável.Caducará o registro. O prazo para início de uso é de 05 (cinco) anos. contados da data da concessão do registro. considerado abandono. são Paulo: Editora Revista dos Tribunais. tal como constante do certificado de registro. Pontes de Miranda explica sobre as formalidades da renúncia: Pode dar-se a renúncia à propriedade industrial. 4ª ed. 1983. a questão da cessão dos pedidos de registro ou dos registros de marcas como caso de perda de direitos sobre as mesas. Vale ressaltar. Pontes de. de acordo com o artigo 144 da Lei de Propriedade Industrial: Art. Uma vez requerida a caducidade da marca. desde que o cessionário atenda aos requisitos legais para requerer tal registro. disponível. com a declaração da caducidade de que cogitam os arts 152-155 do Decreto – Lei 7. o artigo 145 da Lei de Propriedade Industrial dispõe que não se conhecerá do requerimento de caducidade se o uso da marca tiver sido comprovado ou justificado seu desuso em processo anterior. No tocante à renúncia dos direitos. a pedido do titular. O prazo de validade de registro de uma marca é de dez anos. será extinto o registro e a marca estará. Desta forma. Da decisão que declarar ou denegar a caducidade caberá recurso. ainda. No que tange à caducidade da marca. relativas a mIRANDA. 217 da referida Lei. 30 FGV DIREITO RIO 104 . pp. por períodos iguais e sucessivos. O uso da marca deverá compreender produtos ou serviços constantes do certificado. na data do requerimento: I – o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil. Tomo XVII. o titular do registro de uma marca deve utilizá-la para mantê-la em vigor. em nome do cedente. 143 . decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão. caberá ao detentor do registro provar a sua utilização. ou II – o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos consecutivos. 15-16. o artigo 143 da Lei de Propriedade Industrial dispõe o que se segue: Art. contados a partir da data de concessão. Tratado de direito privado . sob pena de extinção do registro. Em caso contrário. que dispõe sobre a falta de constituição de procurador no país pela pessoa domiciliada no exterior. Contudo. 144. a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original. em princípio. requerido há menos de 5 (cinco) anos.CONTRATOs Em EsPÉCIE • pela caducidade. ou • pela inobservância do disposto no art. no mesmo prazo. no entanto. a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse se. de marcas iguais ou semelhantes. Com relação à comprovação de uso.90330. ou se. expressa em documento hábil ou o não uso. sob pena de caducar parcialmente o registro em relação aos não semelhantes ou afins daqueles para os quais a marca foi comprovadamente usada. O artigo 134 estabelece que o pedido de registro e o registro poderão ser cedidos. É possível. que a caducidade seja concedida apenas parcialmente.

ao invés apenas do reconhecimento acadêmico. a disputa entre os Estados Unidos e o Brasil envolvendo as licenças compulsórias e a exigência de fabricação de certos produtos farmacêuticos no território nacional. podem ser objeto de licença. Vale notar que a licença só poderá vigorar enquanto o registro da marca estiver em vigor. sob pena de cancelamento dos registros ou arquivamento dos pedidos não cedidos. No setor farmacêutico. mestre em direito pela the George Washington university (eua). FGV DIREITO RIO 105 . Na biotecnologia e na área científica. conseqüentemente o contrato de licença perde seu objeto. Você teria algum comentário a essa proposta? leitura CoMPleMentar: A importância da “due diligence” de propriedade intelectual nas fusões e aquisições (Debaixo dos caracóis dos seus cabelos) dirceu P. os pesquisadores brasileiros cada dia mais buscam uma recompensa justa para suas pesquisas. sorrindo vai chorar. de santa rosa advogado no rio de janeiro (rj). n) Contrato de licença de Marcas O registro da marca como o pedido. por exemplo. nota-se que a hipótese de cessão parcial de marcas iguais ou semelhantes relativas a produtos ou serviços idênticos. semelhante ou afim. mas permaneceria com os registros das outras marcas. o senhor Eduardo Russo fez a seguinte proposta: cederia os pedidos de registro de marcas para a Pechincha Comércio Varejista Ltda. dimensionando-as para a concessão de patentes. questões legislativas e judiciais envolvendo aspectos de propriedade intelectual vem se destacando cada vez mais.CONTRATOs Em EsPÉCIE produto ou serviço idêntico. semelhantes ou afins. a averbação no INPI é necessária para produzir efeitos perante terceiros. se tornou tópico de grande importância no noticiário político nacional. Embora não seja necessária para comprovar a exploração da marca. Um dia a areia branca / seus pés irão tocar e vai molhar seus cabelos / a água azul do mar Janelas e portas vão se abrir / prá ver você chegar e ao se sentir em casa. leva. Diante do exposto. Se o registro da marca é extinto. após publicado e requerido o exame. ganhando considerável espaço no mundo dos negócios e até mesmo nas manchetes dos principais jornais do país. Debaixo dos caracóis dos seus cabelos uma história prá contar / de um mundo tão distante debaixo dos caracóis dos seus cabelos um soluço e a vontade / de ficar mais um instante. à perda dos pedidos de registros ou registros que não foram transferidos do cedente ao cessionário. também. o) Contrato de Cessão de Marcas Qual é a diferença entre o contrato de licença de marcas e o contrato de cessão de marcas? Ao ser consultado pelo nosso cliente quanto à cessão das marcas.. Roberto Carlos/Erasmo Carlos De alguns anos para cá.

Apenas para melhor ilustrar a afirmação acima. o crescimento de setores da chamada “nova economia” e o desenvolvimento da internet e do e-commerce valorizou os ativos intangíveis das empresas. alguns diretamente relacionados à propriedade intelectual tiveram destaque: – O fato da produtora de cinema 20th Century Fox não ter se interessado em reter os direitos de licenciamento e merchandising de produtos associados ao filme “Guerra nas Estrelas”. direcionada para estudantes e profissionais de administração. E falando em economia globalizada. preocupada com acusações de formação de monopólio no setor de computadores. a publicação norte-americana MBA Jungle. desenvolvida pela IBM e licenciada para FGV DIREITO RIO 106 . de que a propriedade intelectual é matéria acessória. preferiu não adquirir a licença exclusiva do sistema operacional MS-DOS. dentre os principais erros abordados nesta pesquisa. e ganhou destaque em setores como a administração de empresas e a gestão estratégica de negócios. não é mais possível enxergar o Direito da Propriedade Intelectual como uma área subsidiária. Nunca o meio empresarial esteve tão antenado com a necessidade de se proteger devidamente as criações intelectuais e obter lucro destes ativos. em se tratando de fusões e aquisições de empresas. recentemente promoveu uma interessante pesquisa entre diversos professores de cursos de MBA. Acabou vitima de sua própria ganância. como nos de telecomunicações. Tais procedimentos são conhecidos como “due diligence”. e despertam o interesse de empresários que pretendem estender suas atividades ao Brasil por meio de joint ventures. Aceitou repassar os mesmos. trabalhistas e fiscais. o que possibilitou as bases do seu crescimento. George Lucas. Esta tendência do mundo empresarial também se reflete na economia brasileira. desenvolver ou adquirir inovações tecnológicas podem fazer a diferença num mercado globalizado e altamente competitivo. investimentos e operações de compra envolvendo empresas locais. Pelo contrário. Operações de fusões. ao produtor do filme. a Apple Computers. a IBM. que consideram como os principais. bem como de suas possíveis seqüências.CONTRATOs Em EsPÉCIE Situação semelhante ocorre em outros setores da economia. O objetivo principal deste artigo é desmistificar a idéia. e alertou muitas delas para o desenvolvimento de políticas de gerenciamento de propriedade intelectual. Surpreendentemente. capitaneada por companhias estrangeiras que desejam se fixar em nosso promissor mercado. acreditando poder lucrar mais com a exclusividade. i – a importância da Propriedade intelectual no mundo dos negócios Os profissionais de propriedade intelectual estão vivendo um momento sui generis. gratuitamente. e o declínio da IBM no desenvolvimento de software para computadores pessoais. Diversos setores estão sendo totalmente reformulados. – Em 1981. administradores e diretores das maiores empresas dos EUA para identificar quais foram os “25 maiores erros corporativos do mundo” (1). a nosso ver errônea. distante do Direito Empresarial moderno. e as bancas de advocacia que prestam este serviço geralmente dão ênfase à análise dos aspectos societários. tendo em vista uma “avalanche” de fusões e aquisições de empresas brasileira. pois enquanto os consumidores adquiriam a preços competitivos computadores baseados na arquitetura dos PCs. Sem exclusividade. – Em 1984. oferecida por um jovem Bill Gates e desenvolvida por uma pequena empresa chamada Microsoft. as empresas nacionais se transformaram também em mercadorias. visando evitar que passivos ocultos comprometam o negócio. Hoje em dia. esporte e energia. O gerenciamento de propriedade intelectual deixou de ser um assunto limitado à seara do especialista. tanto que um descuido na análise de seus aspectos relevantes pode trazer conseqüências desastrosas. após criar o computador pessoal Macintosh (2). aquisições ou financiamentos são geralmente precedidas de uma criteriosa avaliação da instituição prospectada. a Microsoft ofereceu o referido sistema às concorrentes da IBM. decidiu não conceder licenças aos possíveis concorrentes que desejavam fabricar computadores compatíveis. relegando outras áreas a um segundo plano. seu estudo ganha importância na maior parte das operações de fusão ou aquisição. onde se nota cada vez mais que proteger. Neste cenário globalizado.

mas que se tornaram muitíssimo lucrativas no futuro. que a propriedade intelectual assume papel de destaque nos modernos métodos de gestão empresarial. foi mesmo na prática empresarial que a “due diligence” ganhou forma e se tornou um procedimento comum no mundo inteiro. processos de privatização de empresas estatais. Trata-se do reconhecimento de que a proteção da propriedade intelectual precisa. Afinal. não se importaram quando os jovens Steve Jobs. e a instituição de regras sobre a responsabilidade de compradores e vendedores na prestação de informações. a única opção para comprar um Macintosh era por meio da Apple. uma vantagem competitiva para qualquer empresa. em um quase uníssono. ii. se tornando então aceito no ordenamento jurídico-comercial norte americano. nada mais atual que discutir a propriedade intelectual sob um ponto de vista tanto negocial como jurídico. a dominância dos PCs consolidou-se. mas também o mouse. mais precisamente após a promulgação do Securities Exchange Act de 1933. Por não terem uma estratégia de pesquisa e desenvolvimento de produtos atrelada à propriedade intelectual. o desenvolvimento de políticas de gestão de patentes é tema de muitos estudos e livros de negócios (5) que concluem. é utilizada nas mais diversas circunstâncias. enquanto só restou para a Apple um nicho do mercado de computadores pessoais (3). da Apple. manteve um centro de pesquisas em Palo Alto. Sendo assim. ser tratada como um ativo estratégico. fixando livremente certas práticas. reorganizações societárias. aquisições. da Microsoft. o conceito foi melhor depurado após decisões de Cortes norte-americanas. FGV DIREITO RIO 107 . em procedimentos de aquisição de empresas (6). uma “cópia” do mesmo acabou sendo desenvolvida também para os PCs por uma outra empresa. pouco se comenta sobre o surgimento desta atividade e os motivos que a tornaram essencial na prática empresarial moderna. a impressora laser e alguns conceitos básicos sobre redes de computadores (4). na Califórnia. Uma conseqüência da autonomia da vontade das partes que. Invenções deixadas de lado por não serem lucrativas. cujos preços eram bem mais caros. operações financeiras complexas. durante anos. Alguns remontam sua origem nos Estados Unidos. E como a arquitetura do sistema operacional gráfico dos Macintosh era realmente inovadora.CONTRATOs Em EsPÉCIE uma miríade de empresas. dentre outros (doravante denominadas de “transação” ou “transações”). Independente de suas origens. Nos anos 70. Por isso mesmo. nas mãos destas outras empresas para quem eles gentilmente as apresentaram. A importância que hoje é dada pelos renomados professores de administração de empresas aos fatos acima não é fruto do acaso. executivos da Xerox preferiram ignorar tais criações. Porém. – A Xerox Corporation. pesquisadores deste centro desenvolveram não apenas a interface gráfica para sistemas operacionais (precursora tanto do sistema Windows como do Macintosh). especialmente quando analisamos ramos de negócio cuja atividade principal está baseada na exploração do conhecimento tecnológico e em ativos intangíveis tais como patentes e marcas. Outros autores como LAJOUX e ELSON (7) remontam a origem das “due diligences” a tempos mais antigos: Teria sido desenvolvida a partir de um conceito do Direito Romano: “diligentia quam suis rebus” (diligencia de um cidadão em gerenciar suas coisas) que foi trazido para a Common Law e já era adotado em decisões judiciais antigas. concentrando seus esforços nas fotocopiadoras que. e investimentos. cada vez mais. foram conhecer as tecnologias desenvolvidas pelos pesquisadores da Xerox. e Bill Gates. e levou o nome de “Windows”.a due diligence no meio empresarial Apesar de muitos profissionais associarem o termo “due diligence” a procedimentos de auditoria legal e financeira que envolvem fusões. Portanto. à época. Em pouco mais de uma década. que as apresentaram sem qualquer cuidado com confidencialidade ou patenteamento. criaram este mecanismo que garante ao adquirente ou investidor a possibilidade de realizar uma investigação prévia sobre a empresa a ser adquirida ou que receberá investimentos (e que doravante será denominada “empresa-alvo”). tanto em operações envolvendo fusões e aquisições de negócios como no planejamento de reestruturações societárias. geravam mais lucro para a empresa.

direitos de preferência no negócio (12). se traduzida literalmente. por meio de um documento que indica normas e temas estratégicos importantes. Sendo um acordo que formata uma negociação que se dará entre as partes. Documento que geralmente é preparado pelos advogados contratados para realizar a “due diligence”.Declaração de intenção do comprador. numa óptica jurídica. pode ser demorada. usa-se a expressão due diligence para definir o que. determinação de responsabilidades ou outras. Porém. e não uma obrigação legal. visto que seu escopo depende inteiramente da transação comercial que a motiva. prever riscos e definir a sua partilha pelas partes. O processo de “due diligence” não existe como figura jurídica autônoma na legislação pátria. Mesmo assim. e pode ser útil em diversos níveis e momentos de uma negociação ou transação. tanto para o potencial vendedor como para o comprador. FGV DIREITO RIO 108 . uma “due diligence” é a prova incontestável de que a velha máxima popular “mais vale prevenir que remediar” é verdadeira. seja para determinação do real valor das empresas e seus activos. a quem cabe acordar os termos e condições nas quais a “due diligence” será desenvolvida. bem como para garantir. É onde são determinadas as regras da “due diligence”. Um “check list” pode até mesmo incluir perguntas diretas. o regular cumprimento de obrigações legais ou contratualmente assumidas. tanto quanto possível. consiste no procedimento sistemático de revisão e análise de informações e documentos. envolver prazos exíguos e um custo altíssimo para a parte que solicita o serviço (doravante denominada de “encomendante”). Assim. avaliação dos riscos inerentes. Em poucas palavras. Esta fase inicial envolve a celebração de um acordo preliminar de compra (conhecido como “Engagement Letter”) ou uma Carta de Intenções preliminar. é fruto da prudência e do bom senso das partes. dependendo do tamanho da transação e das contingências encontradas. significaria “devida cautela ou diligência” (8). listando as informações que deverão ser disponibilizadas pela empresa-alvo. é melhor entendê-la como uma metodologia que. Geralmente uma “Engagement Letter” vem acompanhada da prestação de diversos “Representations and Warranties” por parte do vendedor. 2. geralmente dependem dos interesses da empresa encomendante do serviço.da situação de sociedades. verificação do funcionamento da empresa e do cumprimento das regras legais.Envio de “Check List”. tais dados geralmente são de conhecimento das partes. uma parte importante de seu conteúdo (13). é difícil trazer uma definição precisa que possa abarcar a amplitude de uma “due diligence” jurídica. estabelecimentos. consoante cada caso concreto. especialistas como o português CORREA DE SAMPAIO a reconhecem como uma medida de caráter preventivo: “A due diligence é um procedimento de análise levado a cabo normalmente pela compradora com a colaboração da vendedora e tem por finalidade verificar e avaliar a situação das empresas e/ou dos negócios a transaccionar. Quanto às conseqüências que decorrerão de seus resultados. Porém. o excelente trabalho de MORI nos traz uma boa definição de “due diligence”. fundos de comércio ou de parte significativa dos ativos que os compõem” (9) Embora a “due diligence” tenha surgido para resguardar as partes em litígios pós-compra ou fusão. o que fazer para verificar que o objecto da operação pode ser transacionado legitima e livremente e apresenta as características e tem o valor que o vendedor lhe atribui. dentre outros. não existe como enumerar com precisão o que deve constar neste documento. definir garantias e evitar eventuais situações de incumprimento” (10). O bom senso das partes é o que prevalece. “due diligence”. Due diligence significa. visando à verificação . interpretada no contexto jurídico brasileiro: “Atualmente. Via de regra. bem como aborda aspectos como confidencialidade (11).CONTRATOs Em EsPÉCIE II-a) O que é. II-b) Os Procedimentos de “due diligence” A realização de uma “due diligence” é uma opção das partes. resumidamente. garantias a prestar. Algumas das práticas elencadas abaixo são características nos mais diversos procedimentos de “due diligence”: 1.sob um escopo predefinindo . seu ponto de partida é o período de entendimentos iniciais entre as partes e. antes de tudo. uma “due diligence” ? Expressão de origem anglo-saxônica. afinal. e geralmente é entregue aos diretores da empresa-alvo pouco depois da assinatura da “Engagement Letter”.

Do outro lado. as atenções do meio empresarial estão se voltando para a propriedade intelectual como ferramenta estratégica para garantir a melhor utilização destes bens intelectuais. ou mesmo exigir maiores garantias por parte do vendedor.CONTRATOs Em EsPÉCIE 3. mas os da empresa-alvo e de sua indústria. existe o dever e o interesse em proteger o maior número de invenções. bem como examinar as operações financeiras realizadas. no momento certo. é conhecido como “data room”.Consolidação das informações Após a análise dos dados coletados pelas equipes de advogados. pode avaliar. caberá a ambas as partes continuar as negociações até a assinatura de um acordo final. bem como a pesquisa e coleta de dados complementares. se as condições e o preço sugeridos pela empresa-alvo são realmente justos. A partir dai. Após o recebimento do “check list”. que no jargão negocial. 4. ou ser criteriosamente analisado pelo mesmo ao avaliar a viabilidade da transação. De outro. que envolve a revisão das informações passadas pela empresa-alvo. 5. a empresa-alvo fará o máximo para que o procedimento seja encerrado com a máxima brevidade. não se importando com a eventual pressa da empresa-alvo. visto que o advogado avalia aspectos de um negócio do qual jamais participou diretamente. ele utilizará a “due diligence” até mesmo para ganhar tempo e decidir sobre o negócio. iii – a due diligence de propriedade intelectual Num mercado dominado pela informação e tecnologia. Desenvolver. a identificação e análise de contingências por uma empresa independente. Alguns especialistas entendem que relatórios de “due diligence” devem destacar.Fornecimento e/ou obtenção das informações.Entrega do relatório final de “due diligence”. favorecem a empresa interessada. e poder FGV DIREITO RIO 109 . mais que nunca. Porém. Assim. a preocupação em não infringir os direitos de terceiros. uma opção que garante maiores cuidados quanto ao sigilo e segurança dos documentos (15). um extenso relatório é preparado. permitindo renegociar o preço final. identificar problemas a serem resolvidos após a concretização do negócio. nos moldes solicitados pela contratante do serviço e seguindo os padrões adotados pelos advogados responsáveis. inicia-se a fase mais árdua da “due diligence”. o bom relatório de “due diligence” deve destacar não só os aspectos relevantes da prática do escritório contratado. a análise da situação fiscal e tributária da empresa. e tentará iniciar os trabalhos antes mesmo de assinar uma eventual carta de intenções (16). todas as pendências legais em uma reorganização societária devem ser observadas com a mesma atenção e detalhe. dentre outros. (17) A abrangência dos seus resultados também é um assunto polêmico. Geralmente. por apenas duas abordagens: Por um lado. Este relatório poderá ser utilizado pelo encomendante diretamente na mesa de negociações. de modo que não implique em um atraso no fechamento do negócio (uma fase também conhecida como “closing”). Pode ser efetuado por meio da consulta em bases de dados públicas (como o site do INPI (14)). incluindo a análise de todos os ativos importantes da empresa. e num momento anterior à conclusão de qualquer transação. a preocupação dos empresários e investidores com a propriedade intelectual passa. gerenciar e utilizar estrategicamente estes ativos se tornou matéria fundamental para as empresas verdadeiramente antenadas com o futuro e. O “timing” de uma “due diligence” também é muito importante. impreterivelmente. Assim. geralmente. uma avaliação de seu passivo processual (inclusive reclamações trabalhistas e processos administrativos). Em alguns casos. Os documentos podem ser disponibilizados em local determinado. o encomendante da “due diligence” quer se precaver o máximo possível. A nosso ver. marcas e outros ativos incorpóreos. E as vantagens deste “retrato” superam em muito qualquer prestação de garantias por parte da empresa-alvo. Afinal. até mesmo os bens de propriedade intelectual. a importância de uma companhia está cada vez mais baseada no valor que seus ativos intangíveis podem atingir. avaliando todos os riscos legais inerentes ao seu negócio. da análise dos documentos entregues pela empresa-alvo. O objetivo de grande parte das “due diligences” jurídicas pode ser resumido de maneira simples: É como se a missão do advogado fosse “tirar um retrato” da empresa-alvo.

Os compradores até efetuaram uma cuidadosa análise da situação das principais marcas da empresa-alvo junto ao INPI. a mídia especializada em finanças e negócios alardeou com grande surpresa que a maior preocupação do grupo comprador era adquirir apenas a marca do jornal. (18). E no âmbito da propriedade intelectual. III-b) Identificando ativos de propriedade intelectual Numa “due diligence” de propriedade intelectual. Quais são as possíveis contingências envolvendo este portfolio que podem gerar riscos. o processo de identificação de ativos e análise de sua situação legal (que se inicia a partir da preparação e do envio do “check list” ou da abertura do “data room”) não é diferente do que ocorre em quaisquer outras “due diligences” legais. O uso de procedimentos mais detalhados para analisar aspectos de propriedade intelectual nas “due diligences” não é muito difundido no Brasil. – Solicitação de cópias de certificados de registro de marca. uma “due diligence” envolve a identificação e análise dos ativos de propriedade intelectual da empresa-alvo de uma fusão. Qual o tamanho e a força do portfolio de propriedade intelectual da empresa-alvo? 2. destacamos: – Solicitação direta à empresa-alvo de cópias de documentos de patentes. aquisição ou outro tipo de negociação. é claro que uma “due diligence” pode enfatizar alguns aspectos específicos: Porém. no Brasil e no exterior. III-a) Fundamentos das “due diligences” de propriedade intelectual Como já vimos anteriormente. se possível. e que o resto do patrimônio da empresa seria apenas uma “contingência a ser absorvida”. além de muito raras. ou invenções patenteadas que lhe possibilitariam fabricar um produto ou melhor desenvolver determinada tecnologia. os aspectos de propriedade intelectual são abordados de modo raso. a “due diligence” de propriedade intelectual não deve ser vista como algo inusitado em diversos procedimentos de fusão ou aquisição. Poucas bancas nacionais estão realmente capacitadas para fazer análises mais criteriosas sobre o assunto. antes mesmo de iniciar qualquer negociação com os donos do periódico. tal procedimento tem como base quatro questões-chaves: 1. Portanto. bem como o uso de todos os métodos lícitos e acordados pelas partes para a obtenção de dados. Alguns meses atrás.CONTRATOs Em EsPÉCIE identificar quem está infringindo os seus. em alguns casos. ao noticiar a compra de um tradicional periódico carioca. no Brasil e no exterior. É possível identificar se a empresa-alvo tem uma política de proteção dos seus ativos intangíveis? A empresa-alvo protege devidamente seus ativos intelectuais? 4. A empresa-alvo utiliza tecnologias. – Obtenção de informações sobre registros declaratórios de direito autoral e de programas de computador. Assim. marcas e/ou programas de computador licenciados de terceiros? Em que situação legal encontra-se tais licenças? São elas fundamentais para o desenvolvimento do negócio? Dependendo do cliente e de seus objetivos. Os métodos para a obtenção destas informações também envolvem a compilação e análise de documentos complexos. até sem o necessário cuidado ético. e as auditorias preventivas oferecidas no mercado são. na maior parte das “due diligence” jurídicas preparadas por bancas de advocacia empresarial. e na celebração de acordos preliminares. FGV DIREITO RIO 110 . não é mais incomum que o principal interesse da empresa compradora possa ser adquirir marcas que lhe garantam uma fatia do “market share”. na fase de Declaração de Intenções do comprador. prestadas por profissionais sem formação técnica e. Afinal. Dentre estes possíveis recursos. tão somente identificando os bens intelectuais existentes e. tanto para o bom andamento do negócio como para o comprador? 3. pois não é interessante que as regras de uma “due diligence” criem entraves complexos que impeçam a realização do trabalho. bem como cópias de pedidos de registro de marca. inclusive quanto à penhora das mesmas. é crucial ter em mente os pontos acima. avaliando sua situação atual.

do modo mais direto e com o apoio irrestrito da empresa-alvo. Ademais.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Obtenção de cópias de contratos envolvendo licenças de uso de software e quaisquer outros bens intelectuais. Ademais. já não é imprescindível um entendimento genérico da transação que motivou a “due diligence”. em algumas situações a empresa-alvo sequer obteve registros de marca ou patente. As informações obtidas devem ser organizadas e separadas pelo seu nível de importância para o encomendante do relatório final. Nas “due diligences” em que existe a possibilidade de se requerer documentos diretamente à empresa-alvo. e envolve as questões eminentemente jurídicas do trabalho. e os dados disponibilizados no “data room” ou fornecidos pela empresa-alvo sobre cada ativo intelectual devem ser revisados e confirmados. III-c) Elaborando o relatório final Considerada por muitos como a fase mais interessante de uma “due diligence”. – Consultas nas bases de dados (nacionais e internacionais) de propriedade intelectual. se autorizada. sempre que possível. é importante que a fase de reconhecimento dos ativos seja conduzida. os pontos abaixo foram divididos e abordados de maneira resumida e modo exemplificativo. iV – analisando tópicos específicos em uma due diligence de propriedade industrial Como vimos acima. levando em conta a importância que o encomendante do relatório dará para cada aspecto de propriedade intelectual da transação (21). Este recurso complementar pode ser muito eficiente para identificar práticas e procedimentos utilizados pela empresa-alvo para a proteção de seu patrimônio intelectual. não menos importante é tecer as necessárias considerações sobre todas as contingências identificadas na análise do relatório. (20) Quase sempre cabe aos advogados mais experientes. dados vitais sobre a existência de problemas envolvendo seu patrimônio intelectual. Procuraremos nos fixar a seguir nos tópicos que. Nesta fase. muitas vezes descobrimos empresas que nunca organizaram ou gerenciaram de modo sistemático seus ativos de propriedade intelectual. o relatório final é a fase em que as informações compiladas são analisadas. e como “cada caso é um caso”. convém deixar a cargo do advogado a preparação das listagens dos dados a serem solicitados e analisados. Uma consulta formal aos agentes de propriedade industrial da empresa-alvo. onde o resultado das pesquisas de ativos é devidamente analisado. A identificação de ativos também pode ser realizada mediante entrevistas a diretores. e que nem sempre são facilmente identificáveis. a nosso ver. em alguns casos até propondo soluções emergenciais. reconhecemos que é nesta fase onde aparecem alguns dos entraves mais complexos de uma “due diligence”. pois a empresa-alvo pode acabar omitindo. O diferencial é saber analisar os dados disponíveis e identificar quais devem figurar no relatório final e com que ênfase. com bastante conhecimento específico da área. por má-fé ou puro desconhecimento. Para efeito de metodologia. FGV DIREITO RIO 111 . são essenciais em qualquer “due diligence” de propriedade intelectual (22). – Compilação e obtenção de informações subjetivas sobre políticas de proteção dos ativos intelectuais da empresa-alvo. Isto porque. na obtenção e compilação de dados. também pode significar uma redução do tempo a ser dispensado na coleta de dados e informações. Em nossa prática. Assim. tais como a do INPI (19). e utiliza indiscriminadamente seus ativos intelectuais sem o mínimo cuidado com a proteção dos mesmos. O mesmo procedimento preventivo deve ser adotado na coleta de quaisquer informações subjetivas. após a fase investigativa inicia-se a elaboração do relatório final. técnicos e especialistas da própria empresa-alvo. em vista do interesse do encomendante e das contingências encontradas.

deve ser examinado por um especialista na área. comercialização ou importação. sempre que necessário. ou mesmo verificar sua forca perante tecnologias já existentes e/ou patenteadas. tem filiais ou realiza negócios. Quanto ao nome comercial. é importante estudarmos o momento no qual uma análise técnica deve complementar o trabalho do advogado. por meio de terceiros. por exemplo. Porém. Outro tópico importante é verificar. com sólida formação técnica na área de atuação da empresa-alvo. de origem diversa. tais como fabricação. A patente é. um exame detalhado da situação atual de cada registro e/ou pedido de registro em nome da empresa-alvo. IV-b) Patentes Quando a empresa-alvo tem entre suas atividades a pesquisa e o uso de tecnologia em seus principais produtos e serviços. é altamente recomendável. expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte. para que este possa excluir terceiros de certos atos relativos à matéria protegida. dispõe que é registrável como marca todo e qualquer sinal distintivo visualmente perceptível. ou obteve. então. e capaz de um parecer técnico sobre a possibilidade de utilizar dita patente contra um concorrente. A existência de oposições. um título de propriedade outorgado pelo Estado. Tópicos adicionais que podem fazer parte de um relatório detalhado incluem ainda uma avaliação dos procedimentos adotados pela empresa-alvo para evitar o uso indevido de suas marcas por terceiros. a um inventor. Análises semelhantes também podem ser efetuadas com relação a modelos de utilidade e desenhos industriais. o direito autoral é um exemplo típico de propriedade imaterial. que regula a propriedade industrial no Brasil. uma parcela significativa do relatório final deve cuidar do portfolio de patentes. numa definição breve. dados sobre o real valor de mercado dos signos principais da empresa (uma avaliação que é geralmente efetuada por especialistas no assunto (24)). se as marcas registradas estão em uso regular no seu território de validade (o que evita riscos de caducidade (23)) e se as taxas de registro e prorrogação estão sendo pagas tempestivamente. Um exame mais detalhado de um portfolio de patentes deve ser realizado por profissionais especializados. é o passo inicial. Em países que adotam o sistema de “copyright” (27). no Brasil e no exterior. um dos aspectos mais importantes da “due diligence” é realizar uma análise integral do seu portfolio de marcas. pedidos indeferidos e recursos também deve ser pesquisada e abordada. semelhantes ou afins. tangível ou intangível. Astros como David Bowie e James Brown já utilizaram seu repertório com esta finalidade. sem sua prévia autorização (25). Este instituto visa proteger todo tipo de criações intelectuais do espírito humano. mas até mesmo definir quais marcas serão mantidas ou abandonadas. Porém. bem como analisar se o pagamento das anuidades e outras taxas para a manutenção de cada patente está ocorrendo dentro dos prazos legais (26).279/1996. O escopo de uma patente importante na área química. IV-c) Bens sujeitos à proteção autoral Tema altamente complexo em qualquer “due diligence”. admitimos que estes temas são mais pertinentes numa auditoria de propriedade intelectual. conhecido ou que venha a ser inventado. e as disputas envolvendo Michael Jackson e a Sony FGV DIREITO RIO 112 . para que o encomendante possa não apenas se precaver. se possível. é habitual a utilização de obras autorais como objeto de negociação ou garantia colateral para pagamento de dívidas e captação de fundos. uma análise de pesquisas na Junta Comercial dos estados onde a empresa-alvo está estabelecida. Outros tópicos podem incluir a titularidade dos direitos patentários e os termos de cessão de cada patente por seus respectivos inventores. Quando a empresa-alvo é titular de signos altamente reconhecidos no mercado.CONTRATOs Em EsPÉCIE IV-a) Marcas e nomes comerciais Nos termos do artigo 122 da Lei nº 9. enfatizar a verificação da situação atual de cada uma das patentes depositadas e/ou concedidas à empresa-alvo. habilitado em propriedade intelectual. Para tanto. com base no relatório descritivo. por força de lei e em caráter temporário. E este tipo de avaliação só pode ser realizado por meio do exame técnico do teor das reivindicações. A “due diligence” jurídica de patentes deve. direitos de uso sobre os mesmos. que permita distinguir produtos ou serviços de outros idênticos.

envolvem milhões de dólares. Em alguns casos. em vista da caracterização dos programas de computador como obras autorais perante a legislação brasileira (29). e este risco deve ser bem avaliado (31). custos. devemos respeitar. IV-d) Segredos de negócio e “know-how” Outra preocupação que afeta muitos procedimentos de “due diligence”. ou que seus funcionários-chave a abandonem. Daí a importância da abordagem especializada de questões autorais em “due diligence” de propriedade intelectual. para uma “due diligence”. inicia-se o relatório analisando se as obras mais importantes estão devidamente resguardadas. É importante lembrar ainda que. é importante também examinar a existência de contingências envolvendo ativos intelectuais licenciados de terceiros. Porém. marketing. A rigor. listas e informações de clientes. é quase impossível que a empresa-alvo consiga. bem como do material disponibilizado pela empresa-alvo. Em todos os casos. São poucas as companhias que solicitam a todos os seus funcionários criadores de obras intelectuais que assinem termos específicos de cessão. ou para terceiros. em vista de seu escopo de atividades. por exemplo). como nas empresas de desenvolvimento de software. o fato do profissional de “due diligence” não ter acesso ao segredo de negocio não deve ser um óbice para que ele analise se o mesmo existe. formação de preços e outras espécies de dados confidenciais relativos ao desempenho de atividades empresariais. Existe sempre um risco de contaminação tecnológica que nem todos preferem correr e que. passíveis ou não de proteção por meio de direitos de propriedade intelectual. em vista de quaisquer riscos de vazamento da informação. fórmulas. a verificação minuciosa deste assunto é imprescindível. especialmente nas empresas que lidam com desenvolvimento de tecnologia. nossa experiência mostra que informações tratadas pela empresa-alvo como segredos de negócio dificilmente são fornecidas aos advogados da encomendante. E partindo destas informações. tratar-se-á de um elemento incorpóreo sigiloso suscetível de aplicação prática que confere uma vantagem competitiva a seu detentor enquanto de conhecimento restrito. se possível. O ideal é verificar. mesmo que os mais rígidos acordos de confidencialidade sejam celebrados entre as partes. como advogados. o relatório deve indicar se a empresa-alvo tem como prática identificar devidamente os autores de obras intelectuais (e se guarda em seus arquivos estas informações). Se não é possível identificá-los. III-e) Analisando contratos de licença e outros acordos Juntamente com a análise do patrimônio intelectual pertencente à empresa-alvo. celebrar termos de cessão de direitos patrimoniais com os autores. Mas autores como SILVEIRA o especificam com precisão: “O segredo de negócio consiste em conhecimentos técnicos. mesmo que o registro da obra intelectual não seja pré-requisito para garantir sua proteção. é a proteção de certos tipos de informações e práticas comerciais que. não existe uma definição na lei brasileira do que seja um “segredo de negócio”. O relatório pode também enfatizar se vale ou não a pena buscar uma proteção mais segura para esta tecnologia (por meio do seu patenteamento. processos de fabricação. experiências. sobre os direitos de edição do repertório do grupo The Beatles (que dispensa qualquer apresentação). motivo pelo qual devem ser adotadas medidas protetivas contra a sua revelação” (32) Em uma “due diligence” de propriedade intelectual. listar todos os textos e obras de natureza intelectual que esteja autorizada a utilizar em vista das circunstâncias específicas de seu negócio.CONTRATOs Em EsPÉCIE Music. e como é protegido pela empresa-alvo. bem como auxiliar no registro das obras intelectuais mais relevantes junto aos órgãos competentes (30). A interrupção de um importante contrato de licenciamento de patente ou tecnologia em vista de uma reorganização FGV DIREITO RIO 113 . Tendo em vista a natureza incorpórea do direito autoral e que praticamente qualquer trabalho intelectual pode ser objeto de sua proteção. o relatório final deve abordar se os segredos comerciais estão devidamente protegidos e se não existe risco de que sejam divulgados ou perdidos caso a empresa-alvo sofra mudanças. são tão críticas para o negócio da empresa-alvo que é necessário mantê-las em rigoroso sigilo. técnicas de comercialização. métodos. quais obras autorais são importantes para a natureza do negócio da empresa-alvo. um valioso investimento para qualquer empresa (28).

pode deixá-la em situação desfavorável e. Lembrando que nem todos os contratos que envolvem a exploração de ativos intelectuais precisam de averbação. Contratos de maior importância contêm. depositados ou concedidos no Brasil. e se é necessária aprovação da outra parte para que isto ocorra. ser crucial para que uma transação não se concretize. Tendo em vista que a negociação de cada contrato analisado certamente teve suas particularidades. e alguns dos contratos que geralmente são examinados incluem: – Todos os acordos de licenciamento de marcas. com atenção aos casos nos quais a empresa-alvo esteja obtendo licenças cujo objeto é essencial para a continuidade de seu negócio. é necessária atenção redobrada ao interpretar cláusulas duvidosas e ambíguas de contratos cujo objeto é vital para o negócio da empresa-alvo (33).131/1962. por exemplo. quando envolvem o licenciamento de ativos intelectuais do exterior e prevêem o pagamento de royalties. um tópico específico de qualquer “due diligence” de propriedade intelectual deve abordar este tema. patentes. (35) mas. se possível. – Verificar se as obrigações de ambas as partes podem ser transferidas para outra empresa ou serem sublicenciadas. com especial atenção a quaisquer limitações de responsabilidade ou garantias excessivas estabelecidas contratualmente. demandas que precisam ser atendidas mesmo em caso de transferência de controle acionário. da boa vontade da empresa-alvo em ceder tais documentos. Considerando que os contratos a serem destacados no relatório final serão aqueles mais pertinentes ao negócio da empresa-alvo. cláusulas de exclusividade e direitos de preferência até mesmo opções de renegociação ou rescisão do contrato. – Contratos que objetivam a aquisição de conhecimentos e de técnicas não amparadas por direitos de propriedade industrial. nos contratos com fornecedores de tecnologia. – Contratos que envolvam transferência de tecnologia. É claro que a profundidade da análise dos contratos que envolvem bens intelectuais depende do interesse da encomendante e. é necessário identificar qualquer contrato que gere perdas significativas. com especial atenção aos casos nos quais esteja licenciando tecnologias que também utiliza em seus produtos ou serviços para empresas que atuam no mesmo mercado. – Acordos que envolvam transferência de tecnologia. No curso da revisão de todos estes acordos. é preciso investigar se. mas sim verificar e destacar as disposições contratuais que possam afetar a transação. Em outros. por exemplo. Também entendemos ser necessário identificar quais destes contratos necessitam de averbação junto ao INPI e. ou cujas obrigações não estejam sendo cumpridas pela empresa-alvo. o licenciante garantiu contratualmente desde a atualização da tecnologia licenciada até que o fornecimento da mesma não será encerrado caso a empresa-alvo sofra alguma reorganização societária. Assim. em circunstâncias totalmente diferentes das que norteiam a análise encomendada. nos quais a empresa-alvo seja a licenciada. tais como: – Confirmar se todos os acordos examinados permanecem em vigor e. se tal averbação não ocorreu. desde compromissos mínimos de produção. nomes comerciais e/ou obras intelectuais de natureza autoral em que a empresa-alvo tenha participado. Em alguns casos. FGV DIREITO RIO 114 . muito freqüentemente. muitas vezes. por intermédio do Banco Central.CONTRATOs Em EsPÉCIE societária da empresa-alvo. indicar se os procedimentos necessários para fazê-lo ainda podem ser devidamente efetuados pela empresa-alvo (34). quer como licenciado ou licenciante. nos quais a empresa-alvo seja a licenciadora. em alguns casos. o trabalho do profissional de “due diligence” acaba ensejando a leitura de inúmeros contratos preparados por outros advogados. e nos termos da Lei nº 4. é imperativo examinar se a remessa das respectivas divisas está sendo realizada de modo legítimo. – Identificar riscos negociais. é sempre importante lembrar que o objetivo de uma “due diligence” não deve ser avaliar a qualidade técnica das cláusulas de cada acordo ou criticar o trabalho de algum colega. que nenhuma das partes está em flagrante violação dos termos e condições de cada um dos mesmos.

como autora ou ré. 3. Porém. é o método mais eficiente não somente para identificar contingências. Eles avaliariam de forma genérica cada litígio. The 25 Dumbest Business Decisions of All Time. é necessária uma conscientização. mas também é necessário que. o MS-DOS. mas merece nossa ressalva. patentes e quaisquer outros ativos de propriedade intelectual da empresa-alvo. Mostramos que a metodologia das “due diligences” jurídicas é uma ferramenta que. nosso estudo encontrou não apenas os subsídios que confirmam uma nova realidade da propriedade intelectual nas fusões e aquisições. FGV DIREITO RIO 115 .Conclusão No mercado de fusões e aquisições. Debaixo dos caracóis dos cabelos das “due diligences”. mostrando as ações judiciais nas quais a empresa-alvo está envolvida. Numa “due diligence” jurídica mais ampla. com o objetivo de demonstrar à empresa interessada quais as contingências legais existentes e avaliar os riscos da transação. mas também buscar soluções que evitem ou minimizem quaisquer riscos para o ativo intelectual da empresa. é sempre recomendável uma profunda investigação em todos os aspectos jurídicos de uma companhia objeto de qualquer modalidade de aquisição. Vi. As fontes principais para a coleta destes dados são as certidões forenses e de protestos emitidas em nome do negócio (e de suas filiais). isto não é diferente. dita verificação seria provavelmente feita pelos advogados que analisam os aspectos do contencioso da empresa-alvo. 4. May 2001. identificando o tipo de ação. sua situação atual e se existe risco de pagamento de indenização pela empresa-alvo. Em situação semelhante que não foi listada no artigo ora citado. para alcançar este objetivo. antes de se fechar qualquer negócio. a Sony Corporation se recusou a licenciar para terceiros as patentes para a fabricação de aparelhos de videocassete com o sistema Betamax. Cujo sistema operacional gráfico era altamente inovador e eficiente se comparado à concorrência da época. pode valorizar em muito o trabalho dos profissionais de propriedade intelectual no meio empresarial. a área atue em harmonia com outros setores. conseguiu que sua criação se tornasse o padrão do mercado de aparelhos de videocassete. A prática internacional tem demonstrado que adotar uma metodologia para a pesquisa e análise dos ativos intelectuais de uma empresa. mas também um caminho quase inexplorado no estudo do planejamento e gerenciamento de propriedade intelectual. se bem adaptada. ou mesmo avaliar como está sendo feito o gerenciamento de sua propriedade intelectual. Não seria tolice afirmar que os pesquisadores do Palo Alto Research Center. nos grandes escritórios de advocacia empresarial. fusão ou incorporação. passível de uma revisão ainda mais detalhada. provavelmente pode indicar algum procedimento de risco adotado pela mesma e. o foro competente. 2. notas 1. citado acima.CONTRATOs Em EsPÉCIE IV-f ) Analisando pendências judiciais de propriedade industrial Um outro assunto que pode ser abordado é a situação das pendências judiciais envolvendo marcas. E na propriedade intelectual. Uma “due diligence” bem feita proporciona ao encomendante um valioso panorama de todos os aspectos legais da empresa-alvo. Os dados coletados por meio deste exame podem ser úteis até para fixar o valor patrimonial de marcas e patentes de uma empresa. Convêm lembrar que a ocorrência reiterada de processos semelhantes envolvendo a empresa-alvo. com esta tática. Ao mesmo tempo a Japan Victor Company – JVC licenciava gratuitamente a tecnologia para o sistema VHS e. ou PARC. bem como informações prestadas por seus próprios advogados a respeito de litígios nos quais a empresa participa e emitidas por todos os distribuidores que a jurisdicionam. MBA Jungle. por isso mesmo. não apenas desenvolveram o embrião do computador de hoje como auxiliaram em estudos que levariam a nossa concepção atual de internet e a interligação de computadores por rede.

www. 13. e muitas vezes apresentavam documentação falsa ou incorreta. é um exemplo destes cuidados que. fusão ou financiamento de uma empresa através de uma Due Diligence. em especial se ambas são competidoras. Certa vez. empresários espertalhões deliberadamente não informavam os possíveis compradores sobre a existência de dívidas. a empresa-alvo pode abrir um “data room”. 12.br – A sigla INPI significa Instituto Nacional da Propriedade Industrial. antes do início de qualquer “due diligence”. seja ela de compra ou de venda. op. o Autor e todos os advogados que estavam no data room passaram pelo constrangimento de serem colocados em cárcere privado e brutalmente revistados por seguranças de uma empresa. na sua própria situação. no que diz respeito à situação legal do negócio. 2000. as declarações e garantias podem ser vistas como um retrato do negócio a ser concretizado. Dentre os livros importantes sobre o assunto. Patrick. o comprador e os advogados que realizam o serviço deve ser cercado de todo cuidado ético e profissional.. Como reduzir os riscos de uma aquisição.inpi. 11. Assim. define bem o papel dos “representations and warranties” : “Na área jurídica.” 14. after reasonable investigation. A confidencialidade destes “data rooms” é.cit. Juntamente com as cláusulas contratuais que disciplinam as indenizações a serem efetuadas por uma parte à outra (por passivos ocultos. dentro do processo de venda de uma empresa. e no que mais for pertinente à transação que pretendem fechar. cautela). ou seja. 1998. LAJOUX.Graw Hill.gov. voltados para administradores. em se tratando de propriedade intelectual merecem destaque.htm (visitado em 01 de abril de 2002). 7. 10. Deste princípio resulta que é às partes que cabe acordar os termos em que a due diligence será desenvolvida.fenwick. John Wiley & Sons.pacsa. Alberto. Profiting from Intellectual Capital. em português) e diligence (diligência. disponibilizado em www. que incluem garantias como a de que as partes comprometem-se a não aceitar nenhuma outra oferta. uma sala contendo todos os dados que se quer mostrar aos possíveis adquirentes. que solicitaram até mesmo que alguns advogados FGV DIREITO RIO 116 . MORI. Após a fase de discussões e negociações preliminares.pt/main_4. Por isso. por vezes. disponível em http://www. em vista da perda de um documento importante. Charles. destacamos: SULLIVAN.CONTRATOs Em EsPÉCIE 5. Assim. passou a constar na Section 11(b)(3) do Securities Act de 1933 “participants had. para prepararem suas respectivas propostas de preço. todo comprador sempre corria o risco de adquirir “gato por lebre”.com (visitado em 18 de novembro de 2001). reasonable ground to believe and did believe” that the offering materials were accurate and were free of material omissions” em SAVAGE. bem como a definição das conseqüências que decorrerão dos resultados que vierem a ser apurados. sempre que o due diligence for provocado por uma transação entre partes não-relacionadas (aquisição ou joint aventure por exemplo). Algumas destas regras surgiram para por ordem em uma situação que se tornou comum nos tempos da depressão norte-americana e da quebra da Bolsa de Nova Iorque: Como lembra SAVAGE. Consiste nas afirmações expressas em contrato pelas partes. José Maria. Nossa conclusão parte da tradução simples das palavras da língua inglesa due (devida. é preciso lembrar que o relacionamento entre a empresa-alvo. uma das finalidades das informações obtidas no due diligence na área jurídica é revisar as representations and warranlies. Afinal o que é o due diligence? Disclosure Das Transações Financeiras . A execução de um acordo de confidencialidade específico é também um dos primeiros passos que pode ser tomado no início de qualquer procedimento de “due diligence”. The Art of M&A Due Diligence. 1a. A celebração de extensos acordos de confidencialidade na fase das “Engagement Letter” ou “Representations and warranties”. Mc. 15. corrigindo-se assertivas incorretas. por exemplo). MORI. Deste modo. e motivo de situações inusitadas. não é recomendável ir adiante sem que esta questão esteja devidamente acordada entre as partes. Diane. Intellectual Property Due Diligence In Acquisitions of Technology Companies. 15. Ed.Outubro 2001. penhora de bens ou outras obrigações. estas geralmente prestam o que se costuma chamar de representations and warranlies ou declarações e garantias . 9. ed. Para assegurar o acesso de todos os interessados a um mesmo volume de informações.como se costumou traduzir estas expressões. 6. 8. CORRÊA DE SAMPAIO. Alexandra & ELSON.

com base nos mais diversos critérios . LETTERS OF INTENT IN THE ACQUISITION OR SALE OF THE PRIVATELY HELD COMPANY. é FGV DIREITO RIO 117 . Christopher T “Intellectual Property Due Diligences”. Nevertheless.CONTRATOs Em EsPÉCIE tirassem a roupa e se perfilassem contra a parede. 21.. Se a conclusão da “due diligence” não for uma condição para o fechamento do negócio. For many acquiring companies. the scope of protection. A letter of intent may burden the parties’ negotiations with too may difficult issues too early in the process and may impair. any issues of validity which have arisen. 16.às vezes puramente subjetivos. merece destaque o comentário de WARVIAS: “The main advantages of a letter or intent are that (i) issues that could be “deal breakers” can be identified early in the negotiation process before substantial expenses are incurred in a due diligence review and the drafting of a definitive agreement. Conversely. Corporate Law and Practice Course Handbook Series. ou nos dados obtidos em bases públicas de dados. 18. Lucash. 19. é importante lembrar que o trabalho do profissional do Direito numa “due diligence” deve estar focalizado na coleta das informações fornecidas pela empresa que está sendo analisada. lembramos que a própria parte interessada pode. The report allows the best-quality information to be factored-in and if necessary enables the acquirer to use a discount rate reflecting the risk. negotiating and revising a letter of intent can be substantial in comparison to the size of the deal and the overall transaction costs. too: if significant issues are omitted through counsel’s negligence.and at what price. Practising Law Institute. não é uma base de dados totalmente atualizada e 100% confiável. or before allowing a detailed due diligence investigation to begin. before proceeding with the time commitments and costs of negotiating a definitive agreement.g. the costs of preparing. And it can be important for the adviser. e suas vantagens sobre a Engagement Letter. LLP. a deal’s momentum. Alguns aspectos importantes na elaboração de um relatório final são também abordados por DAHL : “The due diligence report summarizes the findings regarding the intellectual property rights. 2001. a não ser caso esta contingência tenha sido prevista nas Declarações de Intenção. many attorneys believe that a letter of intent is generally more advantageous to a buyer than a seller. trademarks. agreeing to a license with a third party or threatening litigation. a court may find that provisions of a letter of intent that one of the parties considered to be non-binding are binding. a claim of patent infringement that is brought six months after the closing)”. The report will also (normally in a separate section) identify significant other patents. 20. Apesar de ser sempre recomendável efetuar uma “due diligence completa” dos aspectos de propriedade intelectual. Porém.in terms of re-negotiating the deal. In the case of a smaller deal. attorneys may often disagree regarding the desirability of a letter of intent in a particular situation. Tal decisão. ownership. many buyers and sellers prefer a letter of intent as a method of “testing the waters” for the likelihood that a definitive agreement can be reached. muitas vezes. September 2001. dispensar a análise de determinadas áreas por achá-las irrelevantes. Gesmer & Updegrove. In some situations. certain problems may never be discovered during due diligence and can only be addressed through adequate representations and warranties (e.” DAHL. marcas e afins. 2000. the firm could face a malpractice suit. Pedidos de registro recém depositados geralmente não estão incluídos nesta base de dados. Soube-se depois que o documento havia sido roubado por um estagiário de um escritório de advocacia. or copyrights in the field and recommend what action needs to be taken -. Por razões éticas. or even halt. Maryann A. it can be the crucial document determining whether the deal goes ahead -. 17. Sobre o uso da carta de intenções na fase iniciai de uma due diligence. o que nos leva a crer que as buscas eletrônicas no Brasil são limitadas e não devem ser utilizadas em substituição da inspeção física dos documentos de patentes. and (ii) resolution of the principal terms of the transaction at an early stage can make the negotiation of the definitive agreement more focused and straightforward. and any other questions regarding litigation or prior art. For example. lembre-se que as contingências descobertas pelo encomendante no decorrer do procedimento nem sempre poderão ser utilizadas como justificativa para a recusa ou cancelamento do negócio. applications. Waryjas. O site do INPI é a principal fonte para consultas sobre a situação de marcas e patentes no Brasil. While letters of intent are relatively common.

O cantor comprou os direitos em 1985 e vendeu 50% a gravadora por US$ 100 milhões. Rio de Janeiro: Forense. dentre outros.CONTRATOs Em EsPÉCIE claro. Ed.988/1973. 1983. Tratado de Direito Privado. Sobre o assunto. no mesmo prazo. Tratado Da Propriedade Industrial.279. Existem vários critérios e metodologias para medir o valor econômico-financeiro e o valor intangível de uma marca. A Propriedade Industrial. 1946. vender ou importar com estes propósitos: I . DOMINGUEZ. 27. II . com ou sem letras). em vigor por força da Lei nº 9. v. 42 da Lei nº 9. José O. sem o seu consentimento. Na época. João de Gama. fotográficas). 22. 29.processo ou produto obtido diretamente por processo patenteado. 28. 1998. Rio de Janeiro: Lumen Juris. a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original. Arquitetura e Agronomia (projetos. conferido pelo Art. M.o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos consecutivos.279/1996: “A patente confere ao seu titular o direito de impedir terceiro. que demanda o pagamento de retribuição anual.O titular será intimado para se manifestar no prazo de 60 (sessenta) dias. 23. DI BLASI. colocar à venda. PARENTE & SORENSEN GARCIA. incluem: CERQUEIRA. São Paulo: Revista dos Tribunais. op.o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil. 17. ou se. Lei nº 9609/1998: “Art. Sobre o assunto ver ASCENSAO. 143 . A previsão de pagamento das anuidades pelo depositante do pedido ou o titular da patente estão previstas pelo Art. o registro das obras intelectuais é regulamentado pelo artigo 17. Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (composições musicais.Caducará o registro. ou II . Âmbito de proteção à marca registrada. deve ser respeitada.610/1998: São incumbidos para procederem ao registro das obras intelectuais os seguintes órgãos ainda existentes: Fundação Biblioteca Nacional (obras literárias em geral). Art. Direito Autoral. dentre outros. 1984 PONTES DE MIRANDA. Marcas e expressões de propaganda. a partir do início do terceiro ano da data do depósito da patente. prazos legais que envolvem o registro de marca. 84 da mesma Lei nº 9. 40 da Lei nº 9279/1996. Propriedade Industrial. Douglas Gabriel.” 26. Alguns livros que podem proporcionar uma visão mais detalhada sobre estes assuntos. O Art. decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão. esboços e obras plásticas concernentes à engenharia e arquitetura) Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI (programas de computador). Parágrafo 2º . tal como constante do certificado de registro. 2º..produto objeto de patente. 2000.” 30.Não ocorrerá caducidade se o titular justificar o desuso da marca por razões legítimas. A gravadora quer se responsabilizar pelo pagamento do empréstimo e pretende que Jackson transfira sua parte dos direitos. na data do requerimento: I . Rio de Janeiro: Forense. conforme instruções da encomendante. 1997. A batalha judicial entre a Sony Music e o pop star Michael Jackson envolve a retenção de 50% dos direitos de exploração das musicas dos Beatles. L. e cabe ao advogado apenas alertar no relatório que a “due diligence” só abordou alguns assuntos. o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou a Cia Cervejaria Brahma a pagar vultuosa indenização aos herdeiros do criador de seu logotipo. nº 3118/1992.” 24. O prazo de validade de uma patente é de 20 anos da data do depósito. de produzir. Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (obras de desenho. Renovar. 4ª ed. pediu que a Sony fosse avalista de um empréstimo de US$ 200 milhões que levantou dando como garantia os 50% restantes. Tendo em vista que este artigo é voltado eminentemente para os profissionais que atuam na propriedade intelectual. não iremos detalhar aspectos gerais do direito patentário. Rio de Janeiro: Forense. 25. O catálogo dos Beatles é avaliado em US$ 598 milhões. OLIVEIRA.143 da Lei nº 9279/1996 prevê as hipóteses em que pode ocorrer a caducidade de um registro de marca: “Art. a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse se. cabendo-lhe o ônus de provar o uso da marca ou justificar seu desuso por razões legítimas. Na AP. Civ. usar. No Brasil. Cit. O Brasil adota sistema baseado no “Droit d’auteur”. Conselho Federal de Engenharia. Parágrafo 1º . O regime de proteção à propriedade intelectual de programa de computador é o conferido às obras literárias pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no País. 31. que prevê a existência e o reconhecimento dos direitos morais do autor. bem como reconhecer os direitos morais FGV DIREITO RIO 118 . observado o disposto nesta Lei. parágrafos 1º e 2º da Lei nº 5. recomendamos MARTINS.

211. SILVEIRA. O contrato deve ser avaliado e averbado pelo INPI para que gere determinados efeitos econômicos no território nacional. 2000.br.rt (visitado em 01 de maio de 2002). A importância de uma análise jurídica destes contratos não pode ser deixada de lado. 35. imortalizada pelo conjunto Led Zeppelin: “There’s a sign on the wall but she wants to be sure And you know sometimes words have two meanings. Franquia.” (grifos nossos) 34. O inteiro teor de referida decisão pode ser encontrado em DA VEIGA. Esplanada. Serviços de manutenção de software sem a vinda de técnicos ao Brasil.inpi. “Direito Autoral”. Contratos que objetivam a Exploração de Patentes: o Uso de Marcas. conforme Art.silveiraadvogados.gov. 11. Afinal. tais como: Legitimar remessas de divisas ao exterior.141. Aquisição de cópia única de software. 32. nos termos do Art. Serviços realizados no exterior sem a presença de técnicos da empresa brasileira e. por exemplo. da Lei no 9609/1998. visando a exportação Consultoria na área financeira. autores da letra de “Stairway to Heaven”. disponível em http://www. Alguns contratos são dispensados de averbação por caracterizarem transferência de tecnologia. em especial o código-fonte comentado. como pagamento pela tecnologia negociada – dedutibilidade fiscal para a empresa receptora da tecnologia pelos pagamentos contratuais efetuados – para produzir efeitos em relação a terceiros. incluindo serviços de logística (suporte ao embarque. que não gerem quaisquer documentos e/ou relatórios. por meio de “help-desk”. tarefas administrativas relacionadas à liberação alfandegária etc. FGV DIREITO RIO 119 . João Marcos. Licença de uso de software sem o fornecimento de documentação completa. 3a. Fornecimento de Tecnologia.CONTRATOs Em EsPÉCIE de sua criação. Distribuição de software. Serviços de “marketing. “A Proteção Jurídica dos Segredos Industriais e de Negócio”. parafraseando Robert Page e Jimmy Plant. Prestação de Serviços de Assistência Técnica e Científica.adv. econômica jurídica e comercial. 33. da Lei no 9279/1996: Agenciamento de compras. prestados.br/pjs.) Beneficiamento de produtos. p. Ed. Os requisitos e procedimentos para a averbação podem ser encontrados em www. Homologação e certificação de qualidade de produtos brasileiros. ed.). Rosiane (org..

329 a 348.406/2002. Para piorar a situação. AulAS 18 E 19: JOgO E APOSTA. Quais foram? FGV DIREITO RIO 120 . 814 a 817 da Lei nº 10.4.br/doutrina/texto. out. 1. Arts.com.1.17.17. ano 6. 2002. 2002. Rio de Janeiro: Forense. 1. 1. vol. VENOSA.17. Acesso em: 06 ago. 3. vol 3. nº 59. na semana passada. págs. Silvio.17.vol. Teresina. mas eles podem ser considerados como contrato? O novo Código Civil trouxe duas alterações significativas na disciplina do jogo e da aposta. III.17. Obrigações do Segurador. roteiro de aula a) introdução O jogo e a aposta estão dispostos entre as várias espécies de contratos previstos na Lei n° 10. RODRIGUES.uol. Por isso não foi surpresa quando este nos procurou para contar que. Saraiva. São Paulo: Ed. Caso Gerador Durante a diligência. ele quer pedir seu dinheiro de volta. 1. 2006 (em anexo). SEguRO. biblioGrafia CoMPleMentar GLITZ. biblioGrafia obriGatória Arts. Como você aconselha Jeremias? E se Jeremias lhe contasse que descobriu que o jogo foi roubado? Jeremias pergunta se o mútuo que ele havia tomado na véspera para jogar também seria inexigível e se ele poderia deixar de pagar ao mutuante. 369 a 407. 2005 .Contratos.3.2.17. Frederico Eduardo Zenedin. Classificação – Seguro.asp?id=3261>. Obrigações do Segurado. Ele disse que pagou a dívida. Direito Civil. eMentário de teMas Introdução. Instituições de Direito Civil . págs. Elementos do Contrato de Seguro. PEREIRA. Espécies de Jogo e Efeitos.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Caio Mário da Silva. Introdução – Seguro. Disponível em: <http://jus2. Sendo assim. Atlas. 2005. 1. São Paulo: Ed. 483 a 490. Contornos atuais do contrato de seguro. págs. Direito Civil: Contratos em Espécie. Jus Navigandi. mas que depois conversando com um amigo ficou sabendo que dívida de jogo é inexigível. 757 a 802 da Lei nº 10. ouvimos boatos de que Jeremias era um inveterado jogador. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. havia jogado pôquer na casa de um conhecido e que perdeu naquela noite aproximadamente um milhão de reais.406/2002.5. Silvio de Salvo. A seguradora não está querendo pagar a indenização alegando que Jeremias não efetuou o pagamento das três últimas parcelas do prêmio. Jeremias diz que saiu do jogo um tanto atordoado por ter perdido aquela boa quantia em dinheiro e acabou batendo com o carro e dando perda total.406/2002.

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b) espécies de jogos e efeitos Proibidos – São os jogos de azar31, como a roleta, o bicho, aposta sobre corrida de cavalos fora de hipódromos, briga de galo. Tendo em vista que são ilícitos não geram direitos e sujeitam o infrator a punição. Tolerados – São aqueles que o resultado não depende preponderantemente da sorte, como o truco, a canastra, o pôquer. Embora não sejam contravenções penais, não são protegidos pela lei uma vez que não há interesse social em proteger relações que não passam de “divertimento sem utilidade”32, exceto se forem eivados de vícios, como dolo, que mereçam repressão. Autorizados – São aqueles que trazem algum benefício à Sociedade, seja por estimularem o espírito esportista (competições esportivas) ou atividades econômicas (turfe), seja por gerarem outra fonte de renda ao Estado (loterias). Nesse caso, as obrigações oriundas de jogo ou aposta são exigíveis. Apenas os jogos e apostas autorizados perdem o caráter ilícito e dão causa à exigibilidade da prestação. C) seguro – introdução O seguro é regulado pela Lei n° 10.406/2002 e por diversas leis esparsas, que regulam minuciosamente os tipos de seguro. Em nossas aulas daremos ênfase às regras previstas no novo Código Civil. d) Classificação – seguro O contrato de seguro é: – Bilateral – gera obrigações para ambas as partes. – Oneroso – requer desembolso patrimonial para segurado e para o segurador. – De adesão – ao segurado não é dada opção de alterar as cláusulas do contrato. O segurado pode aceitar ou não as cláusulas impostas na apólice de seguro. Aplicam-se, dessa forma, as regras previstas nos artigos 423 e 424 da Lei n° 10.406/2002, que protegem os aderentes. e) elementos do Contrato de seguro Os elementos do contrato de seguro são: – Segurador – Somente pode ser segurador entidade legalmente autorizada para esse fim. O Decreto-Lei nº 2.063/1940 estabelece algumas exigências para que a entidade possa atuar como seguradora. Exemplo: capital mínimo, nacionalidade dos sócios, autorização governamental. – Segurado – É o contratante. Ele paga o prêmio ao segurador para transferir a este o risco. – Risco – O objeto do contrato de seguro é o risco. Dessa forma, a Lei n° 10.406/2002 prevê uma multa (dobro do prêmio recebido) a ser paga pelo segurador que expedir apólice de seguro mesmo sabendo que não é possível o risco que se pretende cobrir. O objetivo do legislador é tentar coibir essa prática. Afinal, se não há risco, não há contrato de seguro. Nos seguros privados, é possível estipular a espécie ou combinação de espécies de seguro.

Definição de jogo de azar está no artigo 50, parágrafo 3° da Lei de Contravenções Penais: “O jogo em que o ganho e a perda dependem exclusiva ou principalmente da sorte”.
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PEREIRA, Caio mário da silva. Instituições de Direito Civil - Contratos. Rio de Janeiro: Forense, 2005 - vol. III, pág. 488.
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– Prêmio – É a prestação devida pelo segurado ao segurador para que este assuma os riscos do segurado e pague indenização em caso de sinistro. – Apólice – Assim como o instrumento do mandato é a procuração, o instrumento do seguro é a apólice. A apólice deve conter os requisitos previstos no art. 760 da Lei n° 10.406/2002, tais como os riscos cobertos e o prêmio devido. As apólices podem ser nominativas, à ordem ou ao portador. A lei veda que a apólice de seguro de pessoas seja ao portador. f) obrigações do segurado O segurado tem obrigação de: – veracidade – A declaração falsa ou omissão de informações pode levar o segurador a fixar prêmio diverso do que fixaria ou até mesmo a aceitar seguro que normalmente não aceitaria se tivesse acesso a todas as informações. – pagar o prêmio. – não agravar os riscos do contrato – se o segurado passa a se comportar de forma diferente da que vinha se comportando, que resulte em um aumento de seus riscos, ele está, de certa forma, alterando unilateralmente o contrato, pois estará sujeitando o segurador a riscos distintos dos previstos no momento da celebração do contrato. – comunicar ao segurador qualquer fato que possa aumentar o risco do bem sob pena de perder o direito à garantia (art. 769 da Lei n° 10.406/2002). Analisando os contratos de seguro contra danos do supermercado, notamos que cada um dos estabelecimentos onde o supermercado funciona, foi segurado por duas seguradoras diferentes. Ao ser perguntada sobre esse fato, a senhora Maria Lúcia nos explica que seu pai estava tão preocupado em evitar prejuízos decorrentes de eventual sinistro, que resolveu segurar duplamente os estabelecimentos. Você vê algum problema nessa situação? G) obrigações do segurador A principal obrigação do segurador é pagar ao segurado os prejuízos decorrentes de sinistro sobre o bem segurado.

Contornos atuais do contrato de seguro frederico eduardo Zenedin Glitz As inovações em matéria securitária sempre são questões candentes. A reconhecida complexidade do tema é elemento que acentua, ainda mais, a importância da análise do tratamento jurisprudencial e doutrinário dispensado ao assunto. Os recentes pronunciamentos dos Tribunais Superiores demonstram cada vez mais a preocupação em se “socializar” o contrato de seguro e atribuir-lhe uma função social. Também contribuirá para essa “nova” adequação do instituto, a recente aprovação do novo Código Civil (Lei 10.406/2002). Esta posição, aliás, está consignada expressamente na exposição de motivos, quando se deixa clara a intenção de preservar o segurado, sem com isso abrir mão da segurança e certeza jurídicas essenciais ao contrato de seguro. O novo Código incorpora a idéia de cláusulas gerais que introduzem princípios orientadores de condutas, abandonando a pretensão de total regulamentação e oportunizando maior liberdade ao intérprete da lei..
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O novo Código Civil traz, ainda, outras inovações em matéria securitária. O legislador previu, por exemplo, a possibilidade de prova da relação contratual por meio de apólice, do bilhete de seguro ou, ainda, por “outro documento” na falta de algum desses (art. 758). No que tange aos riscos, o novo Código Civil estabelece que a agravação do risco por ato intencional do segurado implica na perda da garantia (art. 768). Entretanto se essa agravação se der por fato alheio a sua vontade, o segurado possui prazo para comunicar o evento a seguradora, sob pena de perda da garantia (art. 769). Possibilita-se, então, a readequação dos negócios às novas circunstâncias, mantendo-se o equilíbrio do contrato. Caso haja diminuição considerável do risco, assegura-se ao segurado o direito de revisão do prêmio ou a resolução do contrato (art. 770). Essas inovações refletem uma preocupação do legislador na manutenção do equilíbrio contratual. Pode-se afirmar, aliás, que esta é uma tendência geral no novo Código Civil, principalmente com a positivação dos institutos da lesão (art. 157), do estado de perigo (art. 156) e da revisão do contrato por excessiva onerosidade (art. 478). A jurisprudência também vem reconhecendo a necessidade de manutenção base econômica do contrato. Recentemente, no entanto, o Superior Tribunal de Justiça entendeu que a seguradora deve indenizar o segurado ainda que parte do prêmio não tenha sido pago (1), uma vez que a cláusula de cancelamento automático da apólice é nula em face do Código de Defesa do Consumidor, isso porque a resolução do contrato deveria ser requerida previamente em Juízo. Tal entendimento baseou-se no argumento de que a rescisão unilateral criaria uma excessiva desvantagem ao segurado, ou seja, o equilíbrio contratual estaria quebrado. Essa posição, aliás, inova em relação a tradicional jurisprudência e o disposto no art. 763 do novo Código Civil, que reafirmam a regra de que não há direito a indenização se o segurado estiver em mora no pagamento do prêmio. Talvez uma boa solução para o dilema seja a permissão a purgação da mora mesmo após o sinistro quando for o caso de cumprimento substancial do contrato (apesar de o Código expressamente prever que a purgação da mora deve ser anterior ao sinistro). Outro recente posicionamento do Superior Tribunal de Justiça é em relação ao prazo prescricional para o segurado demandar a seguradora. Este, segundo o atual entendimento, só passa a ser contado a partir da recusa formal ao pagamento da indenização (2). Este prazo é mantido pelo novo Código Civil, que estabelece em seu art. 206 que o prazo é contado para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que é citado para responder à ação de indenização proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que a este indeniza, com a anuência do segurador. Para os demais seguros, o prazo corre da ciência do fato gerador da pretensão. O novo Código Civil também incorpora inovações jurisprudenciais, tal como o reconhecimento da possibilidade de denunciação à lide ao segurador pelo segurado. Ou, ainda, a proibição expressa de o segurado reconhecer sua responsabilidade (confessar ou transigir com o terceiro prejudicado) sem a anuência da seguradora (art. 787, §2º). Em se tratando do seguro de responsabilidade civil o novo Código Civil previu, expressamente, a obrigação (normalmente tida como contratual) de que o segurado avise a seguradora do sinistro ocorrido (art. 787, §1º), bem como da ação intentada contra sua pessoa (art. 787, §3º). Prevê também a responsabilidade do segurado frente ao terceiro no caso de insolvência do segurador (art. 787, §4º). Previu a responsabilidade da seguradora, nos seguros de responsabilidade legalmente obrigatórios, de indenizar diretamente ao terceiro prejudicado (art. 788). E, ainda, a necessidade da seguradora promover a citação do segurado para integrar a lide quando demandada em ação direta pela vítima do dano (não podendo, simplesmente, opor a exceção de contrato não cumprido pelo segurado - art. 784, § único). Mas talvez a inovação que crie mais impacto nesta carteira ainda incipiente no Brasil, é a alteração do prazo prescricional para a ação indenizatória. O prazo anteriormente de 20 (vinte) anos foi reduzido para 03
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206. pode não engendrar grandes alterações paradigmáticas (e por certo possui muitas imperfeições (3)). vez que quanto maior o prazo maior o risco. 206. reflete uma nova visão acerca do contrato. FGV DIREITO RIO 124 . p.” 3. O novo Código Civil entrará em vigor apenas em 2003. Todas essas inovações legislativas e jurisprudenciais pretendem solucionar dilemas constantes enfrentados pelos operadores jurídicos que atuam no setor. QUARTA TURMA do STJ 2. bem como o enunciado da Súmula 229/STJ: “O pedido do pagamento de indenização à seguradora suspende o prazo de prescrição até que o segurado tenha ciência da decisão.art. Neste sentido.art. 202. Recurso Especial 323416/RO. notas 1.CONTRATOs Em EsPÉCIE (três) (art. moralidade. contado da data em que se conhece o dano (e não de sua ocorrência . pelo menos. II). Sendo que a interrupção da prescrição passa a se dar com o despacho do juiz determinando a citação (mesmo que incompetente . §3º. A começar pela própria técnica superada das grandes codificações. impondo o respeito a sua função social e a obediência aos princípios da boa-fé. Relator Min BARROS MONTEIRO. Tal modificação poderá representar uma redução significativa do valor do prêmio. e quanto maior o risco mais caro é o seguro.386. I). Recurso Especial 132357 /RJ e Recurso Especial 236034/ RJ. DJ 04/02/2002. Recurso Especial 323186/SP (2001/0053944-4). §1º. mas. lealdade e equilíbrio contratual. V).

Deocleciano Torrieri (Org.1.406/2002. vol 3. ele nos conta que entrou como fiador em um empréstimo que seu cunhado. Efeitos da Fiança. de responder pelo cumprimento de obrigação se faltar o devedor principal”33. biblioGrafia CoMPleMentar PEREIRA. Silvio. que servirá como garantia do cumprimento de determinada obrigação. Olavo.vol. 1. BiBliografia oBrigatória Arts.).18. caso o devedor não o faça.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. 1. Garantia pessoal ou fidejussória “consiste apenas na segurança que. que Olavo e o banco recentemente aditaram o contrato para aumentar o valor do empréstimo e. A fiança pode ser: – convencional – resulta da vontade das partes. Garantia real é aquela que recai sobre um bem. Direito Civil. págs. Para piorar. 2002. Saraiva.Contratos. móvel ou imóvel. Dessa vez.18. III. por exemplo.18. Caio Mário da Silva. na hipoteca e no penhor.18. que se compromete a cumprir a obrigação. GUIMARÃES. conseqüentemente. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. 2001. descobriu. Ele descobriu que seu cunhado ficou desempregado e deixou de pagar algumas parcelas do empréstimo. 818 a 839 da Lei n. A Fiança na Música. AulAS 20 E 21: fIANçA.3. 10. São Paulo: Rideel. SIQUEIRA. 493 a 504. 283 a 305.18. alguém presta. A garantia pode ser real ou pessoal. A fiança é garantia pessoal. Odin Heiro novamente nos procura apreensivo com uma questão pessoal. individualmente.5.2. Como você pode orientá-lo? 1. Rio de Janeiro: Forense. a garantia pessoal é aquela dada por um terceiro. págs. São Paulo: Ed. Instituições de Direito Civil . 1.18. Extinção da Fiança. Ocorre. conversando com sua irmã. roteiro de aula a) introdução A fiança é uma espécie de garantia. 1. 33 FGV DIREITO RIO 125 . Em outras palavras. Classificação. Dicionário Técnico Jurídico. da fiança. Caso Gerador O Sr.4. Luiz Eduardo Alves de. 2005 . eMentário de teMas Introdução. tomou com o banco. RODRIGUES.

locação. porém. o fiador deverá indicar bens do devedor. os parceiros de pôquer de Jeremias. A lei permite. que é ajustada por meio de contrato. Nesses casos. Maria Lúcia acabou aceitando ser sua fiadora. exigiram um fiador. É o que ocorre na fiança bancária. a fiança é contrato gratuito. encontramos um contrato de locação. O credor tem o direito de exigir do fiador o pagamento da dívida garantida. É possível. Na diligência legal. O fiador não tem direito ao benefício de ordem se: (i) renunciar expressamente ao mesmo. que pode ser um mútuo. – Unilateral – Uma vez contratada a fiança. não efetue o pagamento em dia. FGV DIREITO RIO 126 . que estabeleceu a igualdade jurídica dos cônjuges. Se isto ocorrer. garantindo o pagamento do aluguel. na qual o banco garante a obrigação em troca de um percentual sobre o montante garantido. apenas será reduzido o montante da fiança até o valor da obrigação principal. qual é a conseqüência de não tê-la? C) efeitos da fiança Podemos notar a existência de duas relações distintas no contrato de fiança: uma entre fiador e credor e outra entre fiador e devedor. até a contestação da lide..CONTRATOs Em EsPÉCIE – legal – resulta de lei – judicial – resulta de imposição do juiz. a fiança não pode ser mais onerosa que a dívida principal. que sejam suficientes para pagar a dívida. Maria Lúcia nos contou que estava aborrecida porque na semana passada. A fiança a ser analisada nesta aula é a fiança convencional. – Solene – A lei impõe forma escrita para a validade da fiança. caso a Guloseima Ltda. Jeremias tem o péssimo hábito de jogar pôquer por dinheiro. assina o contrato na qualidade de fiadora. localizados no mesmo muncípio e que estejam livres e desembaraçados. Por ser acessória. Em outras palavras. ou (iii) o devedor for insolvente ou falido. seja primeiramente executado o devedor. ele pode exigir que. Depois de ser pressionada por Jeremias. que cada fiador reserve apenas uma parte da dívida como de sua responsabilidade. mas sem perder seu caráter acessório. que o fiador queira receber remuneração em troca da garantia que oferece. – Benefício da divisão – Havendo mais de um fiador. Jeremias perdeu uma boa quantia em dinheiro e agora Maria Lúcia estava preocupada de ser executada porque assinou um instrumento no qual se dizia fiadora da dívida de Jeremias. Notamos que o contrato de locação prevê que a senhora Teresa Assunção. Há algum problema nesse fato? Mesmo após a promulgação da Constituição Federal. ela só gera obrigações do fiador para com o credor. casada e proprietária da Guloseimas Ltda. objeto do contrato principal. ou devedor solidário. Conforme já havíamos sido informados. ponsáveis pela dívida (art. (ii) se obrigar como principal pagador. dona Teresa precisaria de autorização do marido para prestar fiança? Sendo a autorização necessária.. a fiança é onerosa. – Gratuito – Em regra.406/2002). porém. b) Classificação A fiança é contrato: – Acessório – A fiança visa assegurar o cumprimento de outra obrigação. brasileira. a presunção legal é a de que são solidariamente resfiador. Para se valer desse benefício. Como sempre. 829 da Lei n° 10. segundo o qual o Supermercado Pechincha alugava uma parte de um dos supermercados à confeitaria Guloseimas Ltda. a fiança não será nula. A fiança pode ser contratada no mesmo contrato da obrigação principal ou em contrato em separado.. desconfiando da sua capacidade de pagar. Notamos ainda que o contrato não foi assinado pelo marido de dona Teresa. Esse direito pode ter algumas limitações: – Benefício de ordem – O fiador tem o direito ao benefício de ordem.

São Paulo: Rideel. – o fiador opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as extintivas da obrigafiador ção. sarapatel e lua de mel em Salvador. – o credor tornar impossível a sub-rogação nos seus direitos e preferências. que ficará liberado de sua obrigação 60 dias após a notificação ao credor para esse fim.. mentira Eu botava a mão no fogo então Com meu coração de fiador. Ocorre. o bem aceito em pagamento. acrescido de juros. – o credor aceitar receber em pagamento bem diverso do que foi originalmente ajustado. GUIMARÃES. comprei anel Botei no papel o grande amor. d) extinção da fiança Sendo a fiança. assim. (. perdas e danos que pagar ao credor e perdas e danos que vier a sofrer em razão da fiança (art. quando o credor renuncia seu direito à hipoteca ou a direito de retenção. a fiança não será restaurada. um contrato intuitu personae. a fiança pode ser extinta pelo fiador. a ter o direito de exigir do devedor o reembolso do valor por ele. na perda de direitos que o fiador teria caso efetuasse o pagamento da dívida. implicando assim. mentira Reservei hotel. 2001) 34 FGV DIREITO RIO 127 .)”.CONTRATOs Em EsPÉCIE A relação entre o fiador e o devedor só passa a existir se o fiador é obrigado a efetuar o pagamento da dívida. em regra. mentira Me atirei assim de trampolim Fui até o fim. mentira Fui muito fiel. SIQUEIRA. sem o consentimento do fiador. por exemplo. ôôôô “moratória – dilação de prazo que se concede ao devedor para pagar a dívida depois de vencida. Deocleciano Torrieri (Org. por evicção. ôôôô Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito Exijo respeito. ôôôô Passava um verão a água e pão Dava o meu quinhão pro grande amor. Veja abaixo a letra de “Samba do Grande Amor”. passando. se não resultarem apenas de incapacidade pessoal.). não sou mais um sonhador Chego a mudar de calçada quando aparece uma flor E dou risada do grande amor. A fiança também é extinta se: – o credor conceder moratória34 ao devedor. inclusive na música. 832 e 833 da Lei n° 10. Que motivo teria o autor para fazer menção à fiança nesse grande samba? samba do grande Amor Chico Buarque Tinha cá prá mim que agora sim Eu vivia enfim o grande amor. (Dicionário Técnico Jurídico. Ainda que o credor venha a perder. a morte do fiador extingue a fiança? Não havendo prazo determinado previsto no contrato. um amador. e) a fiança na Música O Direito é incrível mesmo! Podemos encontrá-lo em todos os cantos.406/2002). Luiz Eduardo Alves de.. do genial Chico Buarque.

Crasso. pois ele não é o devedor principal. porque ele se obrigou como principal pagador. num contrato em que o credor é Marco Antonio. que não cumpriu a obrigação de pagar o preço ajustado.Sim.18. Tal alegação é procedente? a. bancário.CONTRATOs Em EsPÉCIE Fui rezar na Sé prá São José Que eu levava fé no grande amor. que não estabeleceu o benefício de divisão com Mário. cobrar de Mário metade do que pagou a Marco Antonio? FGV DIREITO RIO 128 .2ª fase PROVA DISCURSIVA 4 . mentira Fiz promessa até prá Oxumaré Que subir a pé o redentor. Não. Como Pompeu não pagou o débito no vencimento. Sim. casado e com 21 anos de idade. pois no caso há solidariedade passiva. b. Prova: 27º Exame de Ordem .1ª fase) Olavo Bento de souza. questões de ConCurso (Prova: 01º Exame de Ordem . Sim. porque sendo ele o executado. c. Pode Crasso. obrigou-se como fiador e principal pagador num contrato de locação. sem terem estabelecido o beneficio de divisão previsto no artigo 829.Crasso e Mário se obrigaram solidariamente como fiadores de Pompeu. executado por Marco Antonio. é de se supor que seu afiançado não tenha bens suficiente para responder pela execução.6. pretende Olavo alegar o benefício de ordem. do Código Civil. d. não tendo bens para serem executados. onde figurava como locatário seu amigo Armando Amaro gomes. ôôô 1. pagou o débito na sua totalidade. Executado pela dívida de seu afiançado.

5. Na época do pagamento do mútuo. Lei n° 9. 366. São Paulo: Ed.2. 1. RODRIGUES. de algumas vantagens potenciais. n.19.307/1996. o supermercado quer cobrar o valor do mútuo do fiador.asp?id=3951>. Após muita discussão.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.19.406/2002. 840 a 853 da Lei n° 10. de modo que.3. Saraiva.19. decidem abrir mão. Lidio Francisco.4. 2006 (em anexo). 2002. AulA 22: TRANSAçãO. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.19. 35 FGV DIREITO RIO 129 . Comente a situação. Atendendo a algumas críticas doutrinárias. São Paulo: Ed. Jus Navigandi. RODRIGUEs. Compromisso. com. 1.1. ano 7. abr. que estava passando por um período financeiramente delicado. 365 a 383. pág. eMentário de teMas Transação. reciprocamente. Acesso em: 15 ago. Silvio. A transação é a “composição a que recorrem as partes para evitar os riscos da demanda ou para liquidar pleitos em que se encontram envolvidas. 1. págs. 1. 2002. 2003.uol. Da convenção de arbitragem e seus efeitos. biblioGrafia CoMPleMentar BENEDETTI JUNIOR. 64. biblioGrafia obriGatória Arts. 1. receosas de tudo perder ou das delongas da lide. as partes divergiram quanto ao valor a ser pago e aos juros incidentes no período. vol 3. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Silvio. o supermercado e o fornecedor chegaram a um acordo e assinaram um termo de transação.19. o Supermercado Pechincha emprestou dinheiro a um de seus fornecedores. Saraiva. Disponível em: <http://jus2. vol 3.br/doutrina/texto. o novo Código Civil incluiu a transação no rol dos contratos. Direito Civil. Teresina. COmPROmISSO. mas sim como um dos modos de extinção das obrigações.19. Caso Gerador Embora não fosse de costume. em troca da tranqüilidade que não tem”35. Tendo em vista que o devedor não vem efetuando os pagamentos pactuados no instrumento de transação. roteiro de aula a) transação O Código Civil de 1916 não tratava a transação como contrato. Direito Civil.

Ora.406/2002. ou por instrumento particular. Não podem ser objeto de compromisso questões de estado. o supermercado resolveu assinar um termo de transação com o cliente. de direito pessoal de família. b) Compromisso O compromisso também entrou para o rol dos contratos com a edição da Lei n° 10. quando for admitido em lei. entre outras. E agora? – Acordo entre as partes com concessões recíprocas – na transação. nas obrigações que a lei assim o exigir.406/2002. a existência do processo em si seria uma propaganda negativa para o supermercado. só é possível compromisso que envolva direito patrimonial. 36 FGV DIREITO RIO 130 . a procuração deve conter poderes especiais e expressos para transigir. 408 a 416 da Lei n° 10. a transação só pode ter por objeto direitos patrimoniais de caráter privado. (iii) Assim como os demais contratos. A procuração continha poderes específicos para transigir. (ii) Interpretação restritiva – A transação não pode ser alterada por analogia ou ser utilizada para casos que não estejam expressamente refletidos no instrumento de transação (art. Sendo assim. o cliente poderia levar mercadorias do supermercado em valor total equivalente a R$ 200. assinado pelas partes e homologado pelo juiz.CONTRATOs Em EsPÉCIE A transação é contrato bilateral e solene. Notamos que o compromisso foi assinado por um procurador do revendedor e pedimos para analisar o teor da procuração que foi outorgada. Elementos da Transação – Divergência entre as partes e a vontade de terminar com ela – as partes podem estar discutindo em juízo ou em vias de fazê-lo. “sendo nula qualquer das cláusulas da transação. de acordo com o parágrafo primeiro do artigo 661 da Lei n° 10.00. Isso é suficiente? Arts.406/2002. em troca de desistir da ação judicial. Princípios que decorrem da natureza jurídica da transação: (i) Indivisibilidade – De acordo com o art.406/2002). após a assinatura do termo de transação. segundo o qual. admite pena convencional36. independentes entre si. 843 da Lei n° 10. Você concorda com o legislador que entendeu que o compromisso é um contrato? Assim como na transação.406/2002. A transação para extinguir processo judicial em curso deve ser feita por escritura pública ou termo assinado nos autos. apesar de achar que o supermercado sairia vitorioso da disputa judicial. – Objeto da transação – Conforme art. Recebemos cópia de um termo de compromisso celebrado entre o supermercado e um revendedor. Vale lembrar que. A lei abranda essa regra ao dispor no parágrafo único desse artigo que “quando a transação versar sobre diversos direitos contestados. Maria Lúcia lhe conta que um cliente entrou com um processo contra o Supermercado Pechincha pedindo perdas e danos por ter sido mal atendido no supermercado. nula será esta”. Maria Lúcia descobriu que o processo já havia terminado com sentença favorável ao supermercado. 848 da Lei n° 10.406/2002. ambas as partes devem abrir mão de algo para alcançar a segurança desejada. o fato de não prevalecer em relação a um não prejudicará os demais”. 841 da Lei n° 10. Assim. a transação que não versar sobre objeto de disputa judicial deve ser feita por escritura pública. Ocorre que.

por exemplo. também. em 1996. introdução Este trabalho não consiste num aprofundamento sobre o tema específico. Tem força vinculativa e obriga as partes a submeterem determinada questão ao julgamento de árbitros. Qual é a vantagem de se escolher o juízo privado. Ademais. Por meio da cláusula compromissória. Já a cláusula compromissória diz respeito a litígio futuro e incerto. contemplada no Código Civil Brasileiro (2). contribuir e divulgar as vantagens que a justiça alternativa proporciona: como ser mais rápida e menos onerosa do que a Justiça Comum. Hoje. não acompanhou a evolução dos tempos. esse sistema encontrava-se estagnado. Entretanto. Ressalta-se que a arbitragem já estava presente em nosso ordenamento jurídico. as partes comprometem-se a submeter eventual pendência à decisão do juízo arbitral. em setembro de 1996. de 23 de setembro de 1996. pois está intrinsecamente relacionada com a livre e voluntária vontade das partes em se submeter à arbitragem. para resolver impasses ou conflitos surgidos num relacionamento pessoal ou negocial. mesmo que o compromisso de arbitragem contivesse a cláusula “sem recurso” as partes poderiam recorrer ao tribunal superior. em detrimento ao Poder Judiciário. espero compartilhar as idéias e. a nova Lei de Arbitragem é considerada um instrumento privado alternativo para solução de conflitos ou.307. ainda. posteriormente. Contudo. de 1824. que a Arbitragem não se desenvolveu. embora as partes tivessem acordado de instituírem o juízo arbitral. a Arbitragem. entendia-se anteriormente que. isto é. de 1916. as barreiras legais que causavam insegurança jurídica para as partes contratantes foram revogadas. que a questão da constitucionalidade levantada no Supremo Tribunal Federal encontra-se superada. Há que se considerar. até a promulgação da nova Lei de Arbitragem. com a promulgação da Lei de Arbitragem. que abrange a cláusula compromissória e o compromisso arbitral.307. como ensina ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. A temática proposta assume especial relevância. capaz de garantir segurança jurídica às partes que voluntariamente vierem a instituir a cláusula compromissória em seus contratos. no que diz respeito à convenção de arbitragem e seus efeitos. posteriormente. uma vez que. mas simples tentativa de análise da Lei de 9. uma parte desistisse de celebrar o compromisso arbitral. ao invés do juízo público? biblioGrafia CoMPleMentar Da convenção de arbitragem e seus efeitos lidio francisco benedetti junior advogado em são Paulo sinopse Nosso estudo trata da convenção de arbitragem. geraria para a outra parte apenas o direito a perdas e danos. no Brasil. e. de acordo com a Lei 9. comportamento decorrente da cultura e tradição reinante em nosso país. Há que se ressaltar. como instrumento eficaz para solução de controvérsias consolida-se FGV DIREITO RIO 131 . através da cláusula compromissória. com esse simples estudo. Assim. de 23 de setembro de 1996. “um meio paraestatal de solução de conflitos” (3). como a arbitragem. devido à insegurança jurídica que o sistema transmitia às partes. Assim.CONTRATOs Em EsPÉCIE Distinção entre compromisso e cláusula compromissória O compromisso é contrato perfeito e acabado. desde a primeira Constituição (1) brasileira. também.

como Estados Unidos da América. possa se julgar a validade. a Lei de Arbitragem torna-se um instrumento seguro. ainda. seja no próprio contrato ou em um adendo. relativas a direito patrimonial disponível. seja material ou formal. através da cláusula compromissória. Da Cláusula Compromissória A cláusula compromissória. submetendo-se ao juízo arbitral. no que pertine à forma de indicação dos árbitros (art. A respeito da autonomia da vontade das partes. §§ 1o e 2o). uma convenção de arbitragem. o ilustre Relator MINISTRO MAURICIO CORRÊA. até como será desenvolvido o procedimento arbitral. desde a faculdade de as partes em um negócio envolvendo direitos patrimoniais disponíveis disporem quanto a esta via opcional de conflitos (art.307/96. essa cláusula deve ser estipulada por escrito pelas partes. de comum acordo. é conhecida. Estas. Para tanto. De acordo com o artigo 4o. da Convenção de arbitragem e seus efeitos 1. espécie destinada à solução privada dos conflitos de interesses e que tem por fundamento maior a autonomia da vontade das partes. cabe frisar que. nesse estudo a identificaremos apenas como cláusula compromissória. isto é. conforme adotado pela lei 9. em virtude dela. espontaneamente. 1.13). como afirmamos acima. fortaleceu o instituo da arbitragem no Brasil. 1o). ao prolatar seu voto. admitindo a nova lei o compromisso e a cláusula compromissória para resolver divergências mediante o juízo arbitral. optam em submeter os litígios existentes ou que venham a surgir nas relações negociais à decisão de um árbitro. cabe esclarecer que.CONTRATOs Em EsPÉCIE no Brasil. também. entretanto. Ao passo que. alternativo ao Poder Judiciário.”. a respeito da convenção de arbitragem.307/96. artigo 3o.” (6) Concluindo que: “O objetivo do princípio da autonomia do pacto arbitral é salvar a cláusula compromissória. Japão e países da Europa. nasce antes do surgimento do conflito. cláusula compromissória é “a convenção através da qual as partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir. nos termos do artigo 3o da Lei nº 9. convencionam que se ocorrer qualquer impasse ou controvérsia a questão será resolvida pelo procedimento arbitral em detrimento ao Poder Judiciário. para que. Em recente julgamento. da lei 9307/96.” (5). que é firmado quando surge a controvérsia. como já mencionado. Entretanto. FGV DIREITO RIO 132 . se a decisão será de direito ou por eqüidade (art. no seguinte sentido: “A convenção de arbitragem é a fonte ordinária do direito processual arbitral. pontifica que “o Principio da Autonomia da Vontade é a mola propulsora da arbitragem em todos os seus quadrantes. resolvem que o impasse será resolvido pela Arbitragem. a ilustre Advogada e Membro da Comissão Relatora do Projeto de Lei sobre Arbitragem.2o). desde que não viole os bons costumes e a ordem pública (art.5o). Da Convenção de Arbitragem Por intermédio da convenção de arbitragem (4). nos artigos 851 a 853. Lei 10. devem firmar. podem resolver suas controvérsias. as partes envolvidas em algum negócio pessoal ou negocial. a cláusula compromissória ou cláusula arbitral.1. com o mesmo consentimento que encontra em outros países. que o novo Código Civil. 11. as partes.406/2002. 2o. o compromisso arbitral surge apenas quando o conflito já se instaurou e as partes. prazo para o árbitro proferir a sentença arbitral (arts. como também é conhecida. ou através do compromisso arbitral. livres e voluntariamente. conforme é a definição dada pela Lei de Arbitragem. Com efeito. relativamente a tal contrato. como cláusula arbitral.2. dispondo da jurisdição estatal comum. manifestou-se. Assim. ou não. contratada anteriormente ao eventual conflito. para aqueles que procuram rapidez e Justiça na solução do conflito. do contrato arbitrável. Cabe frisar.” (7). a convenção de arbitragem abrange tanto a cláusula compromissória como o compromisso arbitral Assim. 1. Inciso III e 23). SELMA MARIA FERREIRA LEMES. DRA. eleger a arbitragem institucional (art.

surgindo o conflito estão as partes obrigadas. por essa razão a Lei exige a manifestação de vontade das partes ao aderirem à cláusula compromissória. como manifestação de sua vontade em instituir o compromisso arbitral. até pela sua excepcionalidade. Entretanto. todavia. oriunda do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte: “a lei brasileira sobre o tema exige clara manifestação escrita das partes quanto à opção pela jurisdição arbitral (Lei 9. a cláusula compromissória só terá validade se a mesma estiver em negrito e conter a assinatura. ela obriga às partes a resolver o conflito através do Juízo Arbitral. ou seja. convenção de arbitragem tácita. No contrato de adesão. Segundo as melhores doutrinas.2. preventivamente. FGV DIREITO RIO 133 . livre e voluntariamente. a celebrarem o compromisso arbitral. Importante salientar que. essa distinção “é importante principalmente nos casos em que uma das partes se recuse a. da Lei de Arbitragem. enquanto que. surgindo o conflito. especialmente para essa cláusula.” (11) 1. uma vez acordada. seja no próprio contrato negocial ou em outro documento aditivo. a respeito de qualquer dúvida emergente na execução do contrato. Segundo ensina ALEXANDRE DE FREITAS CÂMARA. Isto porque sendo cheia a cláusula compromissória. Ou seja. Esclarece. que é o compromisso arbitral. Nesse sentido. Esse é o entendimento da Lei (10).753-7.” (14) 1. cuja intenção do legislador foi dar maior segurança às partes que. numa possível e futura controvérsia. Força obrigatória da Cláusula Compromissária De acordo com o artigo 8o da Lei de Arbitragem. é necessário trazer a luz deste estudo.” (8). Espécies da Cláusula Compromissória A respeito da cláusula compromissória é de grande relevância. em existindo o conflito. se posicionou o eminente MINISTRO MAURÍCIO CORREA. artigos 3o.CONTRATOs Em EsPÉCIE O texto da lei é claro ao conceituar a cláusula compromissória. ao proferir seu voto em sentença estrangeira contestada nº 6. para que. a definição da melhor doutrina. as chamadas cláusulas vazias são àquelas que não contemplam os elementos mínimos necessários para instituição da arbitragem (12). se obrigam a submeter-se à decisão do juízo arbitral. implícita e remissiva.307/96. chama-se cheia a cláusula compromissória quando já contém todos os elementos necessários à instauração do processo arbitral (13). é peculiar da cláusula compromissória a autonomia. (9). a cláusula compromissória é independente do contrato negocial. a instaurar o compromisso arbitral. Isto é. conclui-se que a cláusula compromissória é o primeiro acordo de vontade das partes. segundo o ilustre professor WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO a cláusula compromissória (pacto de compromittendo) “constitui apenas parte acessória do contrato constitutivo da obrigação. é a cláusula pela qual as partes. Assim é que. ainda. havendo a recusa de qualquer uma das partes em celebrar o compromisso. e a nulidade deste não implica a nulidade daquela. Não se admite. Nesse sentido.2.2. Da autonomia de vontade e forma escrita A cláusula compromissória deve ser estipulada por escrito. em conseqüência.2. uma promessa de celebrar o contrato definitivo. tudo o que ali tenha sido estipulado será obrigatoriamente observado pelo juiz ao proferir a sentença do processo a que se refere o artigo 7o.1.3. ensina ALEXANDRE FREITAS CÂMARA que a cláusula compromissória é “um contrato preliminar. sob pena de ser declarada nula. o conflito venha a ser dirimido pelo juízo arbitral. distinguir a cláusula compromissória vazia da cláusula compromissória cheia.”. Assim. celebrar o compromisso arbitral. 4o e 5o). as partes ao acordarem sobre a cláusula compromissória. nos ajustes remissivos não se dispensa que as partes reportem-se expressamente à opção. também. por força da cláusula compromissória. acordaram pela instituição do juízo arbitral. que essa promessa gera a obrigação de celebrar o compromisso arbitral. substituindo no contrato a clássica cláusula que designa o Foro Judicial. 1. Assim. comprometem-se. Tanto que nos contratos de adesão requer-se destaque e a assinatura especial na cláusula compromissória e.. do aderente..

surgindo o conflito entre as partes esse deveria ser solucionado pela arbitragem.3. ou seja. as partes interessadas em resolver a controvérsia existente. uma das partes impõe resistência para se lavrar o compromisso arbitral. o compromisso é o ato instituidor do juízo arbitral. criteriosamente. (i) quando qualquer árbitro recusar-se. também. 1. de acordo com a lei. (16) É nesta peça inicial que as partes.3. a sentença judicial valerá como o compromisso arbitral. da Lei de Arbitragem. A primeira hipótese vem estabelecida no artigo 7o. Do Compromisso Arbitral judicial e extrajudicial O compromisso arbitral. é a primeira peça onde constam as regras que irão reger o processo arbitral. a instituição da cláusula compromissória. obrigatoriamente. Ou seja. da Lei de Arbitragem. Ou ainda. anteriormente. de comum acordo. decidem que o conflito existente será submetido à decisão de um árbitro. e ocorre quando a cláusula compromissória já existe. 1. Conclui-se. desistem do processo judicial e lavram o compromisso arbitral. como uma segunda espécie da convenção de arbitragem. portanto. definem todos os aspectos que serão observados no processo arbitral. sendo procedente o pedido de instauração do procedimento arbitral. não existe demanda ajuizada. que não seria aceito substituto em caso de falecimento ou impossibilidade do árbitro proferir seu voto. Esse compromisso. pode ser judicial ou extrajudicial. porém.3. manifestando a vontade de solucionar o conflito através da arbitragem. fazendo com que a outra parte ingresse com um processo judicial requerendo o cumprimento da declaração de vontade instituída no contrato (cláusula compromissória). pode ser lavrado por escritura pública ou por documento particular.CONTRATOs Em EsPÉCIE gera para a outra parte o direito de recorrer à Justiça comum para ver garantido a instauração do procedimento arbitral. que é de submeter o conflito à apreciação de um árbitro. assinado por duas testemunhas. da Lei de Arbitragem. é celebrado após o surgimento da controvérsia entre as partes. antes de aceita a nomeação.1. conforme artigo 9o. em litígio na justiça comum. As partes. 1. ressalte-se que. mesmo sem ter combinado. (17) A – Do Compromisso Arbitral Judicial De acordo com a Lei de Arbitragem há duas hipóteses de compromisso arbitral celebrado em juízo. devendo para tanto. em favor da arbitragem. serem observadas as regras dos artigos 10 e 11 da Lei 9. Ademais. da lei de arbitragem. Ocorre quando as partes. embora notificado a respeito do prazo de 10 dias para apresentar a sentença arbitral. A segunda hipótese é tratada pelo §1o do artigo 9o. que o compromisso arbitral é a convenção em que. Este compromisso é lavrado quando não foi instituída a cláusula compromissória e. (15) Ademais. lavrando-se então o compromisso arbitral. Esse é o entendimento do § 7o. do artigo 9o. voluntariamente. (ii) quando. que tratam das cláusulas obrigatórias e facultativas do compromisso arbitral. Do Compromisso Arbitral O Compromisso arbitral. que submetem esta à decisão de um árbitro.2 – Da extinção do Compromisso Arbitral O compromisso arbitral extingue-se nas hipóteses do artigo 12. também. mas as partes. e as partes terem deliberado que não seria aceito substituto. do artigo 7o.307/96. B – Compromisso Arbitral Extrajudicial O compromisso arbitral extrajudicial vem regulado no § 2o. decidem optar pela arbitragem. deliberado. o compromisso arbitral. diferente da cláusula compromissória. não apresente sua decisão. renunciam à solução no Judiciário. §§ 1o ao 7o. FGV DIREITO RIO 134 . (iii) quando tiver expirado o prazo fixado no compromisso e o árbitro.

3o. Lei nº 3. 6. – A cláusula compromissória poderá ser acordada no momento judicial do negócio principal ou. 5. 4. tais como: Japão e Estados Unidos.J. o árbitro regularmente escolhido para solucionar e prolatar a sentença arbitral. anteriormente. não tínhamos em nosso ordenamento jurídico. ainda. em nosso ordenamento jurídico. Alexandre Freitas. poderão as Partes nomear Juízes Árbitros. por ser mais ágil e objetiva na solução dos conflitos que envolvam direito patrimoniais disponíveis. se assim o convencionarem as mesmas Partes. FGV DIREITO RIO 135 . a sentença arbitral tem o mesmo efeito da sentença judicial tendo. Artigo 164 da Constituição Imperial do Brasil – “Nas causas cíveis e nas penais civilmente intentadas.037 a 1048. Segurança capaz de garantir as partes. a conclusão a que se chega. Selma Maria Ferreira.Tribunal Pleno . deixando claro que. em um adendo. sem dúvida alguma. – Não cabe recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário. de 04/10/2002. STF . D. vale transcrever aqui os ensinamentos do ilustre professor VICENTE RÁO. – É auto-executável. essa cláusula refere-se a um conflito futuro e incerto. pela consciência social e humana e não a que impõe a prática de doutrinas eivadas de mero logicismo”.307 de 1996 – “ As partes interessadas podem submeter a solução de seus litígios ao juízo arbitral mediante convenção de arbitragem.071. da Lei 9. uma nova era.” 2. iniciando. Ressalta-se que. a solução de suas controvérsias através do juízo arbitral. 3. Acórdão de 13/06/2002. p. reflete a modernidade do mundo globalizado. Essas peculiaridades demonstram a precisão da nossa Lei de Arbitragem. Podendo. p. de janeiro de 1996. que espontânea e consensualmente optaram por esse sistema privado e alternativo ao judiciário. 9. traduzem hoje. uma segurança maior ao instituto da arbitragem no Brasil o que.753-7 – Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte. é de que: – A cláusula compromissória poderá ser utilizada antes de surgir à controvérsia. de 1o. posteriormente. cumpre salientar que. instituto utilizado por vários paises. Ementário nº 2085-2. Lemes. por entender que a Lei de Arbitragem reflete esse pensamento: “Boa só é a norma que traduz uma aspiração ou uma necessidade reveladas. no Brasil. – O compromisso arbitral retrata o conflito atual e específico. tais como: – É prolatada por um árbitro escolhido livremente pelas partes.Conclusão Diante desse modesto estudo. (18) Por fim. esses conceitos dispostos na Lei nº 9. 32. notas 1. assim entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. “era em que o processo jurisdicional fique reservado para aqueles em que nenhuma outra forma de resolução de conflitos foi adequada”. se assim for a vontade das partes. A arbitragem. afirmar que a arbitragem pode e deve ser utilizada por toda a sociedade brasileira como um instrumento alternativo a Justiça Comum.307/96. AASP/Revista do Advogado nº 51. esta e aquela. Princípios e Origens da Lei de Arbitragem. quando então as partes lavram o compromisso prevendo as regras que serão utilizadas no juízo arbitral e. na perspectiva de ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. dos pontos relevantes da convenção de arbitragem – cláusula compromissória e compromisso arbitral –. Arbitragem – Lei nº 9307/96. algumas peculiaridades mais benéficas. art.CONTRATOs Em EsPÉCIE 2. hoje. artigos 1. Aliás. como se encontra normalizado. também. Câmara.Sentença Estrangeira Contestada nº 6. portanto. Suas sentenças serão executadas sem recurso.

34 15. Ementário nº 2085-2. art. 4o. 12. §2o. Curso de Direito Civil. Arbitragem – Lei nº 9307/96. 319. p. 9o. Câmara. com a sua instituição. Ibidem. 34. Carlos Alberto.” 16. podendo ser judicial ou extrajudicial. Alexandre Freitas. Carmona. Alexandre Freitas. p.. com a assinatura ou visto especialmente para essa cláusula. O Direito e a Vida dos Direitos. 53. da Lei 9. p. p.307 de 1996 – “Existindo cláusula compromissória e havendo resistência quanto à instituição da arbitragem. v. 17. desde que por escrito em documento anexo ou em negrito. 28. da Lei 9. Câmara. de 04/10/2002.2. Anotação (114) de atualização da obra.” 18. art. p. p. Ráo. 13. 33. D. 159. da Lei 9. p. Arbitragem – Lei nº 9307/96. Vicente. Alexandre Freitas. 8. FGV DIREITO RIO 136 . art.753-7 – Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte. v. STF .792.307 de 1996 – “O compromisso arbitral é a convenção através da qual as partes submetem um litígio à arbitragem de uma ou mais pessoa. Washington de Barros. p. poderá a parte interessada requerer a citação da outra parte para comparecer m juízo.CONTRATOs Em EsPÉCIE 7. 7o. Arbitragem no Brasil no terceiro ano de vigência da Lei nº 93047/96. expressamente.Tribunal Pleno .4. designando o juiz audiência especial para tal fim. 9. por Ovídio Rocha Barros Sandoval.Sentença Estrangeira Contestada nº 6. Ibidem. a cláusula compromissória só terá eficácia se o aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar. a fim de lavrar-se o compromisso. 10. Arbitragem – Lei nº 9307/96. Monteiro. 14.307 de 1996 – “Nos contratos de adesão.J. A Aspectos Atuais da Arbitragem. Acórdão de 13/06/2002.. 11. Câmara.

20. 1. que também arcará com os custos da manutenção ordinária. Sílvio de Salvo. (ii) a propriedade dos automóveis é da arrendadora..20.20. baseado nas informações fornecidas abaixo. e os caminhões. Modalidades. os quais podem ser separados em três grandes grupos: os veículos leves.20. 1999. ed. Direito Civil. (v) o valor da opção de compra no final da vigência do contrato é quase igual ao valor de mercado dos bens arrendados. e (vi) toda a manutenção dos carros deverá ser feita em oficinas mecânicas credenciadas junto à arrendadora. 3. para inserção no seu relatório de diligência legal. Classificação e Características do Contrato. São Paulo: Atlas. Rio de Janeiro: Forense. os utilitários. p.1. 2006. ço financeiro da conhecida montadora nacional. obrigando-se a manter os veículos em perfeito estado de funcionamento.4. vol. Partes do Contrato de Leasing e suas Respectivas Obrigações. foram submetidos à sua análise contratos de “arrendamento mercantil” de veículos da frota do supermercado. 571 a 581.099/74. que servem para realizar pequenas entregas de compras nas redondezas. 1. págs. bra/A. (iv) o contrato pode ser rescindido a qualquer tempo pela arrendatária. Caso Gerador Durante a diligência legal dos Supermercados Pechincha. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. (iii) prazo de vigência de 12 meses. 1. Identifique quais os principais aspectos de cada contrato. e tem como principais caraterísticas: (i) o montante global das contraprestações a serem pagas pela empresa equivalem a 70% do valor de mercado dos carros objeto do leasing. ed. Leasing. MARTINS. troca de peças etc. O contrato dos automóveis foi firmado com a Tupinambá Automóveis Arrendamento Mercantil S/A. 1.3. MANCUSO. biblioGrafia CoMPleMentar VENOSA.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Fran. biblioGrafia obriGatória Lei n° 6. do Conselho Monetário Nacional. eMentário de teMas Introdução e Conceito. FGV DIREITO RIO 137 .20. fundamentais para todo o processo de logística e da distribuição das mercadorias. Rodolfo de Camargo. tipo vans. 349468. Questões Controversas. 2001.2. Contratos e Obrigações Comerciais. Resolução 2. em sua maioria automóveis compactos. AulAS 23 E 24: lEASINg. 15.309/96. utilizados pela administração dos supermercados. 6.

tratou de definir. pelo valor unitário de R$3. impôs a criação de normas jurídicas sobre o contrato. reajustadas periodicamente conforme a variação do dólar dos Estados Unidos em relação ao Real. embora seja largamente utilizado no comércio.000. ainda que timidamente. notificando a arrendadora previamente.309. (ii) durante a vigência do contrato. (ii) um prazo de vigência de cinco anos. roteiro de aula a) introdução e Conceito O contrato de leasing também é conhecido no Brasil como arrendamento mercantil.CONTRATOs Em EsPÉCIE Os veículos utilitários de médio porte foram objeto de um contrato com a Afro Taboa Administração de Bens Ltda. que. conforme delegação da referida lei.. ocasião em que a titularidade dos caminhões será transferida. aos Supermercados Pechincha. embora trate mais de seus aspectos tributários. a verificação de sua utilização. sua utilização iniciou-se nos Estados Unidos. Todavia. reajustáveis ao final de cada ano de vigência. Esse contrato prevê que: (i) a arrendatária terá uma opção irrevogável de compra dos bens. o contrato de leasing dos caminhões foi celebrado com a instituição financeira Ideal S/A Arrendamento Mercantil. com vistas a permitir o avanço das atividades econômicas sem necessariamente aumentar o endividamento das empresas. ela terá a opção de renovar o contrato por prazo semelhante.5. a arrendadora poderá requerer a busca e apreensão dos bens objeto do contrato. que efetivamente traz regras sobre os contornos jurídicos do contrato. 1. em função da deterioração normal do bem. sua utilização foi observada a partir da década seguinte. mantidas as demais condições contratuais. e a Resolução nº 2. isto é. ao final do prazo contratual. e como acontece muito no Direito.00. irrevogavelmente. renomada empresa do ramo. Sua regulamentação obedece a dois diplomas específicos: a Lei nº 6. o contrato prevê que esse valor deverá ser diluído nas prestações mensais. Trata-se de contrato atípico.00. além da opção de compra. sociedade limitada constituída conforme o código civil e cujo objeto social é o de administração de bens móveis próprios ou de terceiros. o contrato logo em seu art. 1º. no mundo dos fatos. sobretudo na aquisição de veículos automotores. e é objeto de pouca regulamentação legal. e (v) em caso de inadimplemento da obrigação do pagamento mensal. e (iv) em caso de inadimplemento da obrigação do pagamento mensal. Por fim. FGV DIREITO RIO 138 .20. a qual deverá ir ao mercado e adquirir os bens conforme especificados pela cliente. (iii) ao final do prazo contratual. de 60 (sessenta) meses. entre 10% e 5% do seu valor de mercado.000. os Supermercados Pechincha poderão solicitar o aumento da frota inicialmente objeto do contrato. parágrafo único. do Conselho Monetário Nacional. Embora sua origem remonte a épocas mais remotas. sem previsão legal expressa no código. não se responsabilizando a financeira pelo bom funcionamento e manutenção dos caminhões. a arrendadora poderá requerer a busca e apreensão dos bens objeto do contrato. e possui como principais cláusulas: (i) todos os custos de manutenção deverão ser arcados pela arrendatária. (iv) as parcelas serão mensais e sucessivas. pelas empresas e até mesmo pelas pessoas.099/1974. com um pequeno decréscimo no valor das parcelas mensais. na década de 1950. durante os quais a arrendatária pagará prestações mensais. No Brasil. valendo o pagamento da última parcela como o exercício da opção. (iii) o valor unitário da opção de compra de cada bem é de R$12.

Como na promessa de compra e venda. 2006. à transferência da posse do bem – encerra apenas um dos aspectos do contrato. Todavia. pretendendo utilizar coisa móvel ou imóvel. No entanto. como a modalidade do leasing financeiro é a mais comum. Como no mútuo. de certa forma. A doutrina o qualifica como uma relação contratual complexa. v. muitas vezes o arrendatário é quem trata da escolha dos bens com o vendedor. 37 FGV DIREITO RIO 139 . O contrato. a noção de arrendamento – equivalente. hoje em dia há um sem número de pessoas físicas que. O que ocorre é que. Uma boa conceituação é fornecida por Silvio Venosa37. De fato. facultando-se-lhe a final que opte entre a devolução do bem. Vale ressaltar que boa parte da doutrina o qualifica como uma modalidade de financiamento ao arrendatário. no âmbito da autonomia privada. não faria sentido qualificá-lo como mercantil. são Paulo: Atlas. Contudo. a renovação do contrato ou a compra pelo preço residual conforme estabelecido”. o mútuo e o mandato. de acordo com as cláusulas contratuais negociadas entre as partes. Lembre-se sempre: o leasing é um contrato excepcional. muitas vezes até sem saber. 571-572. Direito Civil. VENOsA. alguns autores tomam a espécie pelo gênero e confundem os contornos dessa modalidade com a do próprio contrato. obriga a transferência da propriedade do bem mediante o pagamento do valor previsto no contrato. 3. hoje. Além disso. outras cláusulas que sirvam ao interesse das partes. Tanto é assim que a jurisprudência nacional não aplica às operações de arrendamento mercantil a Súmula 492 do STF. como a locação. que cria uma solidariedade entre o locatário e a empresa de locação de automóveis quanto à responsabilidade perante os danos causados a terceiros. faz com que instituição financeira ou especializada o adquira. Portanto. portanto. que não se enquadra. com uma única causa jurídica. sem dúvida alguma. composto de elementos de vários contratos típicos. e há quem preferiria chamar essa modalidade contratual de “locação financeira”. Como no mandato. para quem o contrato é aquele “mediante o qual um agente. a Lei nº 9. como se verá. Além desses caracteres mais usuais. sílvio de salvo. transfere a posse do bem para o arrendatário. atualmente. nem sempre o caráter financeiro é o que sobressai na contratação do leasing. p. Suas características serão sempre verificadas no caso concreto. embora quem vá comprá-lo seja a arrendadora. se inicialmente ele era direcionado às empresas.514/1997 criou a possibilidade de bens imóveis serem objeto de arrendamento mercantil. 6. A nomenclatura de “arrendamento mercantil” sofre algumas críticas na doutrina. podem ser inseridas no contrato. se tornam arrendatárias em um contrato de leasing.CONTRATOs Em EsPÉCIE Além dessas normas. alugando-o posteriormente a ele por prazo certo. cuidado ao ler os textos sobre o tema. a designação de “arrendamento mercantil” é largamente utilizada e. como no caso da modalidade operacional. como a locação. Muitas vezes é a transferência da posse sua característica mais importante. a compra e venda. corresponde ao leasing no direito brasileiro. atípico. encerra o financiamento do valor global do bem. inclusive na contramão da tendência moderna de unificação do direito privado. ed. como veremos adiante. e prevê a cobrança de juros. Assim. em nenhuma fórmula desenhada aprioristicamente pelo legislador. contrariando a orientação anterior que restringia essa modalidade contratual aos bens móveis. o fato de ser multifacetado não faz com que ele deixe de constituir um único negócio jurídico. na forma e no tempo devidos.

Nos dois casos. A extinção do contrato se dá. o arrendatário possui a obrigação de devolver a coisa no final do prazo contratual. respondendo pelos prejuízos que causar ao bem. 7º da Res. pelo distrato ou pela falência da arrendadora. pois ambos os contratantes têm ônus aos quais correspondem deveres. o desenvolvimento dessa atividade. pessoas físicas também podem ser parte num contrato de leasing. deve o arrendatário zelar pela conservação dos bens. Todavia. A obrigação fundamental do arrendatário é a de pagar as prestações na forma.309 impõe a forma escrita ao contrato (instrumento público ou particular) e determina a inserção de determinadas cláusulas no seu corpo. a existência de cláusula que permita o término antecipado do contrato. expressamente. embora mantenha a sua propriedade. a renovação do prazo do arrendamento ou a devolução do bem. entretanto. conforme determina a Resolução do CMN. cada período contando como uma parte da relação contratual. O arrendador.. caso não haja exercício da opção. Não precisa. em prontas condições de uso para a finalidade acordada. hoje. Tem também a obrigação de receber os bens de volta ao fim do prazo. obrigatoriamente. deve necessariamente ser uma sociedade anônima autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil. g. É também freqüente. ordinariamente. pelo fim do seu prazo. 2. (ii) bilateral. uma pessoa jurídica. principalmente em contratos de leasing financeiro. São duas as partes do contrato de leasing: o arrendador e o arrendatário. O arrendatário é aquele que se utiliza do bem. é necessária a autorização de funcionamento do BACEN. a redação desse dispositivo foi alterada e. Ocorre também pelo inadimplemento. (iii) solene. em virtude da liquidez e certeza das prestações. o arrendatário deveria ser. a transferência da posse do bem) e para o arrendatário (o pagamento das parcelas convencionadas). contanto que não opere com a modalidade financeira. pois a própria manifestação de vontade aperfeiçoa o contrato. Seu inadimplemento terá conseqüências diversas conforme o contrato.CONTRATOs Em EsPÉCIE b) Classificação e Características do Contrato A doutrina considera o contrato: (i) consensual. Inicialmente. valor e tempo estipulados no contrato. (iv) oneroso. Deve constar do seu objeto social. mediante o pagamento do restante da dívida. FGV DIREITO RIO 140 . pelo menos até o exercício da opção de compra.099/1974. contudo. C) Partes do Contrato de leasing e suas respectivas obrigações. ser necessariamente uma instituição financeira. Finalmente. conforme a redação original da Lei nº 6. A expressão “arrendamento mercantil” deve constar de sua denominação. quando o arrendatário poderá escolher entre exercer a opção de compra. porque o art. garantindo a posse mansa e pacífica do seu contratante. Há casos também (sobretudo em contratos relativos a equipamentos de informática) em que a renovação implica em troca dos bens por modelos mais modernos ou mais novos. A obrigação primordial do arrendador é a de entregar o bem para o arrendatário. em virtude de sua vigência contínua pelo seu prazo. somente operacional. (v) comutativo. mas em regra gera sua extinção e o direito de o arrendador se reintegrar na posse dos bens arrendados. caso não haja nem a renovação do prazo nem o exercício da opção de compra. pois encerra obrigação para o arrendador (e. mesmo no caso de leasing operacional. (vi) por tempo determinado e de execução sucessiva. no estatuto. não sendo necessária a entrega da coisa. e é exclusiva desse tipo de sociedade. Além disso. em que o arrendador responde somente pela manutenção ordinária e pelo desgaste natural do bem arrendado.

se a “causa” do contrato é o financiamento.309.309). mas dotado de características próprias. a Resolução 2. Sua lógica econômica é a de constituir um financiamento para um agente econômico (pessoas ou empresas).CONTRATOs Em EsPÉCIE Existe. a interveniência do vendedor do bem no contrato de leasing financeiro. o operacional e o financeiro. 318 do código civil. sem que. Existem duas espécies – embora a autonomia privada possa criar outras figuras ou até mesmo figuras híbridas – de leasing reconhecidas no direito brasileiro (cf. são relativamente mais altas. durante a vigência do contrato. Geralmente pode ser resilido unilateralmente pelo arrendatário. é o tradicional. o sale lease-back muito se assemelha ao mútuo. na aquisição de um determinado bem. Assim. fica com a arrendadora e não com o financiado. que imediatamente transfere (fictamente) a posse dele de volta para sua antiga proprietária. pois remuneram não só o uso da coisa como também o seu custo de aquisição. em geral o arrendador é o próprio fabricante. não há interveniência da fornecedora original. esse agente deva contratar um financiamento direto em seu nome junto ao fornecedor ou a um banco (onde as taxas de juros em geral são bem mais altas). e foi a partir dele que se desenvolveu originalmente esse tipo de contrato. especificações técnicas etc. se admitia sua pactuação nos contratos de arrendamento mercantil. mediante cláusula que reajuste o valor das prestações pela cotação da moeda estrangeira. ao pagar o preço. é um financiamento. outro traço que difere o leasing do financiamento. sobre os quais incidirão juros e que serão pagos nas prestações periódicas previstas no arrendamento mercantil. Nesse caso. o exercício da opção de compra é quase uma certeza. As prestações. Em linhas gerais. ainda em vigor. obrigando-se ainda a prestar assistência técnica e manutenção nos bens arrendados. O leasing financeiro. imediatamente após. na medida em que. contudo. que vai ao mercado adquiri-lo conforme as instruções do arrendatário. art. o risco da variação cambial pode ser repassado ao arrendatário.880/1994. como o fato de que a propriedade do bem. ao contrário do que ocorre no mútuo bancário comum. Nesse caso. O novo código não alterou essa sistemática. que transfere a posse dos bens para o arrendatário por um determinado prazo. É claro que o leasing financeiro. existe a modalidade de leasing operacional. vende o bem para a empresa de arrendamento mercantil. também conhecido como puro.. já sob a forma de leasing. pois o bem já era de propriedade da arrendatária. 6º). Nesses casos. Por conta dessas características marcantes de intermediação financeira. Uma subespécie de leasing financeiro é o conhecido como sale lease-back. para a obtenção de capital de giro. pois a arrendatária efetivamente recebe recursos em dinheiro oriundos da venda do bem. é que o bem não é originalmente de titularidade do arrendador. como a elas é permitida a captação de recursos no exterior para fazer frente às suas operações. o bem arrendado é originalmente de titularidade do arrendatário que. e. ocorre que o arrendatário escolhe o bem e o arrendador. ao contrário do que ocorre no financeiro. sujeitas à regulamentação do Banco Central. transfere sua posse ao arrendatário. nem mesmo na Resolução nº 2. mas desde o antigo Decreto-Lei nº 857/1969. o valor da opção de compra – conhecido comumente como valor residual garantido ou VRG – é de pequena monta se comparado às prestações. competindo às partes originárias concordarem sobre os demais termos do arrendamento. por si só. a regra é que o vendedor esteja no contrato para garantir prazos de entrega. A variação cambial nos contratos é em regra proibida por força do art. Do ponto de vista prático. Nesse caso. que também foi inserida na Lei do Plano Real (Lei nº 8. Por outro lado. o leasing financeiro clássico e o lease-back são atividades privativas de instituição financeira. para levantar recursos imediatos. Nessa modalidade. compra o bem do fornecedor. FGV DIREITO RIO 141 . Finalmente. em muitos casos. d) Modalidades. em que o arrendatário escolhe os bens a serem objeto do arrendamento. Esse tipo de operação não tem previsão legal no nosso ordenamento.

como não há o caráter financeiro. as empresas passaram a embutir. e passou a entender que. configurando-se o negócio como compra e venda ou como mútuo.CONTRATOs Em EsPÉCIE Nesse caso. o julgamento no RESP 237. Parte da doutrina passou a enxergar nesse tipo de ajuste uma compra e venda a prestações disfarçada. Posteriormente. com o reflexo correspondente nos contratos de arrendamento mercantil. Duas delas. o entendimento que “a cobrança antecipada do valor residual garantido (VRG) não descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil”. o valor referente à opção de compra já estaria quitado e. atualmente. uma parcela do VRG. Esse impacto foi maximizado pelo fato de que. no operacional o traço da locação é mais marcante. No leasing financeiro. os contornos próprios do arrendamento mercantil impedem que ele seja caracterizado ou enquadrado como um ou outro. adquiriram maior relevância no cenário jurídico nos últimos anos. a propriedade do bem era automaticamente transmitida ao arrendatário. com o preço sendo financiado pelo vendedor (no caso. A primeira delas é a discussão sobre se a diluição do chamado VRG nas demais prestações do contrato descaracteriza o leasing. todavia. Vide. sobreveio o cancelamento da Súmula 263 e a subseqüente edição da Súmula 293. pois as prestações em regra equivalem somente ao custo pelo uso do bem. o contrato de leasing sempre suscitou questões controversas na jurisprudência nacional. quando a mudança do regime cambial brasileiro fez com que a cotação do dólar dos Estados Unidos praticamente dobrasse em menos de um mês. a possibilidade de repassar para as prestações a variação de moeda estrangeira em relação à moeda nacional também gerou uma enxurrada de ações judiciais. o valor residual é aquele correspondente à opção de compra conferida ao arrendatário no final do prazo do contrato. Essa controvérsia tem grande relevância prática. na hipótese de falta de pagamento das prestações acordadas. mas o arrendador não faz jus à retomada do bem. Com isso. nas próprias prestações periódicas. que pacificou. na corte superior. O consumidor vai à concessionária. descaracterizando o arrendamento nessa hipótese. e uma sociedade de arrendamento mercantil financia o valor. que editou a Súmula 263. a compra de automóveis por meio de um leasing financeiro é uma operação corriqueira. apesar da mudança de entendimento do STJ. Além disso. balizada na melhor doutrina. pois a descaracterização do leasing implica no impedimento da propositura de ação de reintegração de posse. como já vimos. Vale ressaltar que. no entanto. a corte reviu o seu posicionamento. embora. escolhe o carro. descaracterizando na hipótese o contrato como leasing. o inadimplemento gera a resolução do contrato em perdas e danos. Talvez pela pouca produção legislativa sobre o tema. Nesse caso. a empresa de arrendamento mercantil). que caracterizaria o contrato. embora se diluindo o VRG nas demais prestações. quando do último pagamento por parte do arrendatário. alguns tribunais ainda seguem a linha da Súmula 263. como numa locação comum. transformando-o em compra e venda a prestação”. onde o valor da opção é relativamente pequeno. Se no leasing financeiro ressalta-se o caráter do mútuo.230/RS no STJ. o que só faz aumentar a insegurança jurídica no assunto. Como vimos. como a possibilidade de renovação e a manutenção da propriedade do bem com o arrendador. segundo a qual “a cobrança antecipada do valor residual (VRG) descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil. portanto. existem outras características marcadamente do contrato de leasing que permanecem presentes. enquanto o consumidor usufruta do bem. o valor da opção de compra tende a ser expressivo. sobretudo a partir de janeiro de 1999. e) questões Controversas. Esse entendimento chegou a ser cristalizado no STJ. por exemplo. de modo que. deveria ser cobrada necessariamente ao final do contrato. a opção de compra. como visto. FGV DIREITO RIO 142 .

por não cumprimento do contrato. 1. entre as operações de captação e de financiamento. um contrato de leasing financeiro em que se previa a cobrança antecipada do valor residual garantido (VRg). • (. conforme permissão legal. manifestando válida e livremente a sua vontade. que previa a variação cambial.. era impossível. quando já havia pago 75% das prestações. a empresa Dinamismo s. ao alegar que o arrendatário assinou um contrato – sem a existência de qualquer vício –. o que.A.. o que estaria em desacordo com o código de defesa do consumidor. na prática. FGV DIREITO RIO 143 . deveriam ser fulminadas com a nulidade prevista no art. 6º da Lei nº 8. como também sob a alegação de que o leasing.. 51. a jurisprudência tenha chegado a uma conclusão definitiva sobre o assunto. em manifesta desvantagem para o consumidor. 2º do CDC. diante do inadimplemento de mais de três prestações. IV. e. • na hipótese de serem pagas todas as prestações pelo arrendatário.A. Todavia. Posteriormente. interpôs ação de reintegração de posse para haver a restituição do bem. e quais são elas. Outros preferiam prestigiar a livre autonomia privada.CONTRATOs Em EsPÉCIE Como esses contratos previam a variação cambial. sendo assim. da legislação especial. redija um parecer a respeito da questão. REsp 727899 / DF).6. pela sua estrutura contratual complexa.. com base na legislação vigente. portanto. sem que. quando for o caso. não é contrato de consumo e. não havendo nenhum tipo de exceção à regra estabelecida no art. seriam abusivas as cláusulas que previam a variação cambial e.880/1994. nas tesourarias bancárias e das instituições de arrendamento. Por um lado. não haveria porque esta disposição ser afastada pelo Poder Judiciário. g. com base na idéia de que o arrendador teria que provar que houve captação de recursos em moeda estrangeira especificamente para o contrato daquele consumidor que estava propondo a ação. sobre o qual incidiam juros de 20% ao ano e juros capitalizados. e abordando especialmente os seguintes aspectos: • se a cobrança antecipada do VRg descaracteriza o leasing. em dobro. por isso. firmou com a empresa Arrendamento mercantil s. e.A. explicando fundamentadamente o seu ponto de vista. Os consumidores lesados.A. o STJ tem optado por uma solução salomônica. • a hipótese da reintegração de posse proposta pela arrendante.. aplicando-se o Código de Defesa do Consumidor.)[não relacionada à matéria]. A empresa Arrendamento mercantil s. pois não há uma relação determinada de correspondência. as prestações aumentaram vertiginosamente. Alguns juízes afastavam o comando do art. sentindo-se prejudicada com os termos do contrato. Diante da situação hipotética apresentada acima. Essa discussão se arrastou (e ainda se arrasta) nos tribunais.880/1994. pleiteando a perda das quantias pagas pela arrendatária. dividindo pela metade o prejuízo decorrente do aumento das prestações do arrendamento mercantil em virtude da mudança de regime cambial e a conseqüente disparada da cotação da moeda estrangeira (e. contudo.20. parou de efetuar o pagamento e pleiteou judicialmente a anulação do contrato. se este ainda conserva as opções previstas para o término do contrato. não se sujeita ao CDC.) [não relacionada à matéria] • o direito do arrendatário à restituição de todas as parcelas pagas ou das parcelas pagas a título de antecipação do VRg.. por sua vez. • (. que arca com todo o aumento. as empresas de arrendamento mercantil defendiam a liceidade do contrato baseado não só no permissivo legal de variação cambial da Lei nº 8. questões de ConCurso Petrobras – 2003 – Advogado Júnior A empresa Dinamismo s. diziam se enquadrar perfeitamente no conceito legal de consumidor. por sua vez.

eMentário de teMas Compra e Venda.ago. Grana Certa Empreendimentos S.1. 1. uma sugestão para resolvê-los ou mitigá-los. Seguro. destacando os problemas encontrados e. Jogo e Aposta. Comissão. Troca ou Permuta. Artigo disponível em http://conjur. Prestação de Serviços. (iii) Descrição de cada contrato e das questões levantadas durante a diligência que possam ser de interesse ao cliente. Fiança. Locação.21.21. os alunos deverão aproveitar para fazer uma boa revisão da matéria. Depósito.21. AulA 25: RESulTAdO dA dIlIgêNCIA. Agência. O relatório deverá conter três partes: (i) Sumário – com a indicação dos pontos que são mais importantes para o cliente. FGV DIREITO RIO 144 . Maria Neuenschwander Escosteguy. Doação. Vale lembrar que o relatório de diligência da área de contratos deve abranger o maior número de questões que possam vir a afetar a aquisição das quotas do Supermercado Pechincha. biblioGrafia obriGatória CARNEIRO. trabalHo Hoje os alunos deverão apresentar e discutir em sala de aula o seu relatório da diligência. Distribuição. Contrato Estimatório.2006. Mandato. (em anexo) 1. Empreitada. Licença e Cessão da Marca. Leasing.br/static/ text/38413. um panorama com a situação atual dos contratos da empresa.2. quando possível.estadao. Transação e Compromisso. Comodato. assim como questões que possam afetar o funcionamento do supermercado no futuro.A. analisando aula por aula e relembrando os casos e discussões deste semestre.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.com. Ao elaborar o relatório.3. É preciso dar ao cliente. Beabá das fusões Due Diligence jurídica garante lisura de operações. Acesso em 04. Consultor jurídico.1. (ii) Lista de contratos que foram objeto da diligência – O aluno deverá incluir em seu relatório não apenas os contratos que foram efetivamente fornecidos em sala de aula.21. O aluno deverá identificar no relatório os contratos a que teve acesso e os que apenas teve conhecimento. 1. Mútuo. mas também aqueles sobre os quais obtiveram informações.. Por exemplo: contratos que possam impedir ou dificultar a aquisição do supermercado ou que possam desvalorizar o supermercado no futuro.

Releva esclarecer que a due diligence não existe como figura jurídica autônoma na legislação brasileira. que as due diligences jurídicas devem identificar também passivos decorrentes de potenciais focos de preocupação concorrencial ou mesmo de investigações em curso pelos órgãos de defesa da concorrência. Alguns autores informam que as due diligences jurídicas teriam surgido a partir do conceito do Direito Romano “diligentia quam suis rebus” (diligência de um cidadão em gerenciar suas coisas). podendo ser aconselhável em diversos momentos da negociação. identificar problemas a serem resolvidos após a concretização do negócio. FGV DIREITO RIO 145 . é recomendável uma profunda e pormenorizada investigação em todos os aspectos jurídicos de uma companhia objeto de qualquer modalidade de aquisição. está a necessidade de realização das chamadas “due diligences” jurídicas. estabelecimentos. A identificação de contingências em momento anterior ao closing da operação favorece a empresa interessada. garantias a prestar. O volume de informações e documentos manuseados em uma due diligence pode ser tão grande que acaba fazendo com que vários profissionais tenham de se acomodar nas sedes das sociedades envolvidas. o mais adequado é entendê-la como uma metodologia — e não como uma obrigação legal — a ser utilizada opcionalmente pelas partes. podem até mesmo inviabilizar o projeto empresarial. comparado ao primeiro semestre de 2004. trabalhista. dentre outros. com vistas à apuração dos riscos ínsitos à atividade desenvolvida pelas empresas. poderia buscar a reparação de perdas e danos no Poder Judiciário. ou mesmo exigir maiores garantias do vendedor. Assunto discutido entre os especialistas é a abrangência dos relatórios de due diligence. Esta situação demonstra que assuntos concorrenciais podem afetar a avaliação dos ativos adquiridos em uma operação de aquisição de controle. os quais podem gerar responsabilidades vultosas (imediatas e futuras) e que. Exemplo disso ocorreu recentemente: o controle de uma das 18 empresas do setor de mineração e britas para a construção civil com atuação na região metropolitana de São Paulo condenadas pelo Cade — Conselho Administrativo de Defesa Econômica por formação de cartel para divisão do mercado havia sido adquirido por um novo sócio e. previdenciário e ambiental. após a aquisição. no primeiro semestre de 2005. visando à verificação da situação de sociedades.CONTRATOs Em EsPÉCIE Beabá das fusões due diligence jurídica garante lisura de operações por Maria neuenschwander escosteguy Carneiro Segundo noticiou a Imprensa. houve um aumento de 38% no número de fusões e aquisições. se não forem bem e previamente dimensionados. determinação de responsabilidades ou outras. Cabe destacar. Esta investigação pode abranger aspectos pessoais dos sócios. o potencial de crescimento do negócio. ademais. Contudo. conceito este que foi sendo trabalhado em decisões dos tribunais norte-americanos. O Cade expôs que a penalidade havia sido imposta à pessoa jurídica e não a seus acionistas e que se o novo sócio entendia-se lesado. destinando-se sempre à conclusão sobre a viabilidade da operação. Atrelada a este aumento. o nível de competição do setor. As due diligences jurídicas podem ser definidas como procedimentos sistemáticos preventivos de revisão e análise de informações e documentos. foi mesmo na prática empresarial que as due diligences jurídicas se firmaram. consoante cada caso concreto. Além disso. Nas fusões e aquisições. implicações financeiras. não foram apresentadas provas ao Cade de que a empresa teria continuado a participar da colusão. avaliação dos riscos inerentes. Desta forma. já que eventuais penalidades aplicadas pela Autoridade Antitruste podem representar a eliminação do ganho naquela aquisição. fundos de comércio e dos ativos que as compõem. Não menos relevante é a identificação dos passivos tributário. permitindo renegociar o preço final. as particularidades inerentes às operações podem exigir o trabalho conjunto de profissionais de várias áreas.

pois. Revista Consultor Jurídico.CONTRATOs Em EsPÉCIE Verifica-se. com muita clareza e com elevado grau de segurança. capazes de demonstrar. a importância da adoção de cuidadosos procedimentos de due diligence. FGV DIREITO RIO 146 . todas as variáveis que merecem ser analisadas antes da conclusão de negócios envolvendo operações de fusões e aquisições de empresas. 4 de outubro de 2005.

representada na forma de seu estatuto social. Fica vedado o substabelecimento dos poderes outorgados por este mandato. portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx. brasileiro. inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101. Distrito Federal (“Outorgado”). Jeremias Russo. para (i) celebrar quaisquer contratos. neste ato representado por seu procurador. prorrogar. empresário. celebrar. doravante denominada simplesmente “Compradora”. Cidade e Estado do Rio de Janeiro. Cartórios de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Municipais e Autárquicas. mesmo com as questões encontradas na due diligence. inscrita no CNPJ sob o n° 002. alterar. e EDUARDO RUSSO. O primeiro deles é uma minuta de procuração. estipular ou impugnar cláusulas e condições. empresário. AulA 26: ClOSINg! 1. brasileiro. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy. Secretaria de Estado de Negócios da Fazenda Estadual.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Caso Gerador Após analisar cuidadosamente nosso relatório de due diligence e resolver as questões relacionadas às marcas do Supermercado Pechincha.1. inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202. companhia com sede na Rua ABC. e considerou que. conforme minuta em anexo. Esta procuração terá validade de 30 dias após a data de assinatura do mandato. residente e domiciliado em Brasília. o senhor Eduardo Russo pretende outorgar uma procuração a seu filho para que ele o represente. PROCURAÇÃO Pelo presente instrumento particular de mandato. EDUARDO RUSSO.22. brasileiro. FGV DIREITO RIO 147 . 2222. residente e domiciliado em Brasília. rescindir e assinar quaisquer contratos em nome do Outorgante.002. Não tendo certeza de que poderá comparecer pessoalmente ao evento de assinatura do contrato de compra e venda das quotas. Distrito Federal (“Outorgante”) nomeia e constitui como seu bastante procurador. casado. casado. residente e domiciliado em Brasília. empresário. Federais. que sugestões você poderia fazer na procuração? E se tivéssemos acesso àquela procuração apenas na data da assinatura do contrato e não pudéssemos fazer sugestões antes do closing? Que providência poderia ser tomada para dar mais segurança ao nosso cliente quanto à assinatura do contrato pelo senhor Jeremias? O outro documento que o senhor Odin Heiro nos deu. fomos chamados para ajudá-lo no closing. solteiro. portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx. JEREMIAS RUSSO. Eduardo Russo Relembrando o que aprendemos na aula de mandato. Juntas Comerciais. Estaduais.222/0001-22. solteiro. empresário. ou seja.22. Sendo assim. Distrito Federal. no fechamento do negócio. Ele nos mostrou dois documentos que recebeu do advogado do senhor Eduardo Russo e pediu nossos comentários. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE QUOTAS GRANA CERTA EMPREENDIMENTOS S/A. inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101. (ii) representar o Outorgante junto às Repartições Públicas. a aquisição das quotas do supermercado seria um bom negócio. o senhor Odin Heiro regateou com o senhor Eduardo Russo o preço das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda. foi a minuta do contrato de compra e venda de quotas abaixo. brasileiro. Cartórios de Protestos de Letras e Títulos. órgãos ambientais e órgãos regulatórios. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy. bem como praticar todos os atos necessários ao fiel cumprimento deste mandato.

FORMA DE PAGAMENTO 2.1. o Vendedor cede e transfere..00 (duzentos e cinqüenta mil reais) pagos neste ato.. na qualidade de interveniente-anuente: PECHINCHA COMÉRCIO VAREJISTA LTDA. 4. a qualquer título.. turbações.000.000. e (b) R$ 250. sociedade com sede na Quadra XYZ.1. inscrita no CNPJ sob o n° 000. a ser pago pela Compradora ao Vendedor da seguinte forma: (a) R$ 250. representada na forma de seu contrato social..000.. residente e domiciliado em Brasília. justa e contratada a celebração do presente Contrato de Compra e Venda de Quotas (“Contrato”). O Vendedor e a Compradora (doravante referidos simplesmente como “Partes”) têm. CLÁUSULA QUARTA . Distrito Federal. O Vendedor. Brasília.] do Banco [.DA COMPRA E VENDA DAS QUOTAS 1. plena.002/0001-00. O não exercício ou atraso por qualquer das Partes e/ou da Sociedade.] da agência [. por meio da entrega pela Compradora ao Vendedor do cheque administrativo nº [.. pelo preço certo e ajustado estabelecido na Cláusula 2. O presente Contrato é celebrado em caráter irrevogável e irretratável e obriga e aproveita às Partes e à Sociedade. CONSIDERANDO QUE: (i) O Vendedor é legítimo possuidor e proprietário de x quotas representativas de 99% (noventa e nove por cento) do capital social da Sociedade (“Quotas”). mencionado na Cláusula Segunda. gravames.1 acima.CONTRATOs Em EsPÉCIE inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202. de acordo com as seguintes cláusulas e condições: CLÁUSULA PRIMEIRA .]... O preço certo. e (ii) O Vendedor deseja alienar as Quotas.]. o pagamento das parcelas que perfazem o Preço.. constantes do item 2.] do Banco [.. a totalidade de suas Quotas representativas do capital social da Sociedade à Compradora.. encargos. neste ato.. doravante denominado simplesmente “Vendedor”. 2. 1.. declara que as Quotas foram regularmente integralizadas e se encontram inteiramente livres e desembaraçadas de ônus. cessionários e representantes legais. com todos os respectivos direitos e obrigações..000.1.] do Banco [.. mediante depósito na conta-corrente nº [.DISPOSIÇÕES GERAIS 4. entre si. Distrito Federal.. (c) R$ 500. usufrutos ou qualquer outra restrição à posse e/ou a qualquer outro direito inerente a tais Quotas. e somente poderá ser alterado por instrumento escrito devidamente assinado por todas as Partes.000.] da conta-corrente nº [. mediante depósito na conta-corrente nº [..000. e. rasa e geral quitação com relação ao valor pago.00 (quinhentos mil reais) a serem pagos um ano após esta data.1..]. nos termos ajustados pelo presente instrumento. e que a Compradora deseja adquiri-las.00 (um milhão de reais) (“Preço”).1 abaixo...00 (duzentos e cinqüenta mil reais) a serem pagos em até 90 dias a contar desta data. ainda. CLÁUSULA SEGUNDA .1. o Vendedor outorgará à Compradora. Pelo presente Contrato e na melhor forma de direito. da totalidade do Preço devido ao Vendedor.2. total e ajustado para a aquisição das Quotas é de R$ 1.2. doravante denominada simplesmente “Sociedade”. no exercício de qualquer direito previsto neste Contrato deverá ser interpretado individualmente e não poderá ser considerado como renúncia por FGV DIREITO RIO 148 .] da agência [.. seus sucessores. CLÁUSULA TERCEIRA – TRANSFERÊNCIA DAS QUOTAS 3. Uma vez creditado na conta-corrente do Vendedor.] da agência [. A transferência das Quotas será formalizada no ato do pagamento pela Compradora. herdeiros. mediante a assinatura da competente alteração do contrato social da Sociedade.1.

mediante comunicação dada na forma prevista acima. 4. O presente Contrato constitui o acordo final.8. 4. conforme o caso. nos termos dos artigos 461.8. ou (iii) com outra comprovação inequívoca de recebimento.1.CONTRATOs Em EsPÉCIE qualquer das Partes ou novação de qualquer obrigação contida neste Contrato. constitui título executivo extrajudicial. Nome: CPF/MF: Grana Certa Empreendimentos S/A 2.9. assinado por 02 (duas) testemunhas.1 do presente Contrato será de exclusiva responsabilidade da Compradora. Testemunhas: 1. As Partes declaram e reconhecem que o presente Contrato. 4.5. essa disposição será suprimida e não terá nenhuma força e efeito. 4. Nome: CPF/MF Cabe notar que se trata de minuta bem simples e similar à minuta que analisamos em nossa segunda aula. Na hipótese de qualquer disposição ou parte de qualquer disposição deste Contrato ser tida como nula. Todas as notificações e comunicações a serem feitas com relação ao presente Contrato serão elaboradas por escrito e serão enviadas para os endereços constantes do preâmbulo deste Contrato (i) por meio de Cartório de Títulos e Documentos. sendo considerada como mero ato de liberalidade. inclusive quaisquer despesas decorrentes de serviços profissionais por ele contratados. se formalizada mediante instrumento escrito assinado pelas Partes e pela Sociedade. 4. entendimentos e declarações anteriores.3. Tendo em vista que somos advogados da compradora: (a) que alterações poderíamos propor na minuta acima? (b) que novas cláusulas poderíamos sugerir? FGV DIREITO RIO 149 . 4. orais ou escritos. se essa disposição suprimida prejudicar a execução deste Contrato. anulada ou inexeqüível. assim como as obrigações de fazer. inciso II. Fica ajustado entre as Partes que as despesas decorrentes do arquivamento da alteração contratual referida na cláusula 3. 639 e seguintes do Código de Processo Civil. O presente Contrato ou quaisquer direitos e/ou obrigações dele oriundos não poderão ser cedidos sem o prévio e expresso consentimento das Partes e da Sociedade. substituindo todos os acordos. Toda e qualquer alteração das disposições do presente Contrato somente será válida e exeqüível. (ii) por meio de carta registrada. Entretanto. Quaisquer dos endereços constantes do preâmbulo poderão ser alterados.4. Fica eleito o foro da Comarca do Rio de Janeiro. as Partes assinam este Contrato em 03 (três) vias de igual teor e efeito. por qualquer motivo. 4. a qualquer tempo. para dirimir quaisquer questões oriundas deste Contrato. por mais privilegiado que possa ser. cabal e exclusivo entre as Partes com relação à compra e venda das Quotas. 4. E por estarem certas e ajustadas. as demais disposições serão modificadas para preservar sua exeqüibilidade. Rio de Janeiro. comportam execução específica. aqui contidas.10. e somente produzirá efeitos. entretanto a respectiva comunicação de alteração de endereço só tornarse-á efetiva após o recebimento pela outra Parte e/ou pela Sociedade. nos termos do artigo 585.6. do Código de Processo Civil. 632.7. à exclusão de qualquer outro. na presença de 02 (duas) testemunhas. 4. Eduardo Russo Pechincha Comércio Varejista Ltda. [dia] de novembro de 2006. a esse respeito.

Ex-Coordenador de Desenvolvimento Acadêmico do Programa de Pós-Graduação da FGV Direito Rio.Chefe do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação – ITI. Autor do livro “Direitos Autorais na Internet e o Uso de Obras Alheias”.CONTRATOS EM ESPÉCIE SÉRGIO VIEIRA BRANCO JÚNIOR Professor de direito da graduação e da pós-graduação na FGV DIREITODIREITO RIO. FGV DIREITO RIO 150 . Doutorando e Mestre em Direito Civil pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Líder de Projetos do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV DIREITODIREITO RIO. Ex-professor de Direitos Autorais da UERJ. Especialista em Propriedade Intelectual pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio. Graduado em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Trabalhou por mais de 5 anos em escritório no Rio de Janeiro. Ex-Procurador.

CONTRATOs Em EsPÉCIE FICHA TÉCNICA fundação getulio Vargas carlos ivan simonsen leal presidente fgV direito rio Joaquim falcão diretor fernando penteado VICE-DIRETOR ADmINIsTRATIVO luís fernando schuartz VICE-DIRETOR ACADÊmICO sérgio guerra VICE-DIRETOR DE PÓs-GRADUAÇÃO PROFEssOR COORDENADOR DO PROGRAmA DE CAPACITAÇÃO Em PODER JUDICIÁRIO luiz roberto Ayoub ronaldo lemos COORDENADOR DO CENTRO DE TECNOLOGIA E sOCIEDADE evandro menezes de carvalho rogério barcelos COORDENADOR ACADÊmICO DA GRADUAÇÃO COORDENADOR DE ENsINO DA GRADUAÇÃO tânia rangel COORDENADORA DE mATERIAL DIDÁTICO COORDENADORA DE ATIVIDADEs COmPLEmENTAREs Ana maria barros Vivian barros martins COORDENADORA DE TRABALHO DE CONCLUsÃO DE CURsO COORDENADOREs DO NÚCLEO DE PRÁTICAs JURÍDICAs COORDENADORA DE sECRETARIA DE GRADUAÇÃO COORDENADOR DE FINANÇAs COORDENADORA DE mARKETING EsTRATÉGICO E PLANEJAmENTO lígia fabris e thiago bottino do Amaral Wania torres diogo pinheiro milena brant FGV DIREITO RIO 151 .

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