CONTRATOS Em ESPÉCIE

por: Carolina Sardenberg SuSSekind CriStiano ChaveS de Melo laura FragoMeni

2ª edição

roteiro de curso 2008.2

Contratos em Espécie
introdução .................................................................................................................................................. 03 1.1. AulA 1: clAssificAção dos contrAtos. elementos essenciAis. ........................................................................... 06 1.2. AulA 2: contrAto de comprA e VendA ............................................................................................................. 10 1.3. AulA 3: contrAto de comprA e VendA (cont.)- cláusulAs especiAis dA comprA e VendA .......................................... 26 1.4. AulA 4: trocA ou permutA. contrAto estimAtório........................................................................................... 31 1.5. AulA 5: doAção .......................................................................................................................................... 33 1.6. AulA 6: contrAto de locAção. locAção de coisAs. ............................................................................................ 38 1.7. AulA 7: contrAto de locAção (locAção de prédios urbAnos –– locAção residenciAl) ........................................... 43 1.8. AulA 8: contrAto de locAção ....................................................................................................................... 48 1.9. AulA 9: empréstimo (comodAto) ................................................................................................................... 52 1.10. AulA 10: empréstimo (mútuo)..................................................................................................................... 57 1.11. AulA 11: prestAção de serViços. empreitAdA ................................................................................................ 61 1.12. AulA 12: depósito ..................................................................................................................................... 64 1.13. AulA 13: mAndAto ..................................................................................................................................... 67 1.14. AulAs 14 e 15: comissão. AgênciA e distribuição (representAção comerciAl)..................................................... 71 1.15. AulA 16: Análise de contrAtos ................................................................................................................... 92 1.16. AulA 17: licençA e cessão de mArcAs............................................................................................................ 93 1.17. AulAs 18 e 19: Jogo e ApostA. seguro.......................................................................................................... 120 1.18. AulAs 20 e 21: fiAnçA. .............................................................................................................................. 125 1.19. AulA 22: trAnsAção. compromisso. ........................................................................................................... 129 1.20. AulAs 23 e 24: leAsing.............................................................................................................................. 137 1.21. AulA 25: resultAdo dA diligênciA.............................................................................................................. 144 1.22. AulA 26: closing! .................................................................................................................................... 147

sumário

CONTRATOs Em EsPÉCIE

INTROduçãO

1.1 Visão Geral Bem-vindo ao Curso de Contratos em Espécie! Esta disciplina é de suma relevância, pois qualquer que seja o ramo do direito que venha a ser escolhido pelo aluno no futuro, seja público ou privado, uma boa base em direito civil, incluindo contratos em espécie, será sempre exigida. Aliás, independentemente do ramo de atividade escolhido, o conhecimento de contratos em espécie é fundamental, tendo em vista que diariamente nos deparamos com inúmeros contratos, seja, no aluguel de um imóvel, em um empréstimo no banco, ou mesmo na simples compra de uma passagem de ônibus. Veremos que o novo Código Civil (Lei nº 10.406/2002) incluiu, no rol de contratos em espécie, contratos que anteriormente eram tratados apenas pelo Código Comercial, como o contrato de comissão, agência e distribuição. Em nossas aulas estudaremos boa parte dos contratos nominados ou típicos, ou seja, aqueles disciplinados no Código Civil, assim como alguns contratos inominados ou atípicos, que, embora não sejam previstos e disciplinados expressamente pela lei, são lícitos e parte do dia-a-dia do intérprete do Direito, como o contrato de leasing e o contrato de cessão de marca.

1.2 objetiVos Gerais O mercado exige, cada vez mais, a participação do advogado como viabilizador do negócio, auxiliando o executivo a negociar o contrato e atuando sempre na advocacia preventiva. Desta forma, nosso objetivo, além de ensinar (é claro), será o de fazer com que o aluno conheça os diversos tipos de contrato e saiba identificar seus requisitos necessários e seus vícios para a conclusão do negócio. Queremos preparar o aluno não apenas para a prova, mas principalmente, provê-lo com as ferramentas (objetivo do curso) que o habilite a identificar as características dos principais contratos do nosso ordenamento jurídico, não só com a abrangência que a matéria requer, mas também com a profundidade necessária de um bom enfoque acadêmico e prático, para que, com isso, ele possa ter um diferencial na sua vida profissional.

1.3 MetodoloGia A metodologia do curso será participativa com exposição dialogada e debates sobre casos propostos. Na próxima aula apresentaremos o caso mestre, que será o fio condutor da disciplina. Por meio dele, os alunos serão convidados a integrar a equipe responsável pela análise de contratos em uma due diligence fictícia. Dessa forma, os alunos terão contato com as diversas espécies de contratos e com os possíveis problemas enfrentados no dia-a-dia de um advogado. Adicionalmente, em todas as aulas serão apresentadas questões, relacionadas ao tema exposto para que sejam debatidas em aula. Para tanto, vale lembrar que: – como todas as aulas serão participativas, a leitura prévia do material didático e da leitura obrigatória é indispensável. – a indicação da bibliografia obrigatória e da bibliografia complementar deve servir de base para o aluno. Espera-se, porém, que o aluno pesquise textos adicionais que possam dar enfoques diferentes ou mais profundos sobre o mesmo tema.
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. presença e pontualidade nas aulas.0 (cinco) pontos e será somada ao trabalho que também valerá de 0 (zero) a 5. é saber aplicar o conhecimento teórico.5 Métodos de aValiação O desempenho do aluno na disciplina Contratos em Espécie será avaliado por meio das seguintes atividades: (i) uma prova escrita a ser realizada no início de outubro. a média de aprovação a ser alcançada é de 6. Participação em aula: Os alunos deverão participar ativamente das aulas.0) + Segunda prova (8.4 desafios Tendo em vista o grande número de contratos no Código Civil e a abrangência da matéria. Para os alunos que fizerem a prova final. um dos principais desafios a serem enfrentados pelos alunos nesta disciplina. A discussão de casos em todas as aulas servirá justamente para estimular o aluno a pensar a teoria na prática. A avaliação por participação será feita com base no interesse demonstrado pelo aluno. que será somado na segunda prova. A segunda prova valerá de 0 (zero) a 8. nova data e horário serão divulgados com antecedência para os alunos. Prova escrita: Para ambas as provas o aluno poderá consultar a legislação pertinente. e. Caso haja modificação no cronograma que implique em alteração na data das provas. nas quais o aluno deverá demonstrar o domínio da matéria em casos teóricos e práticos.0 (sete) e superior ou igual a 4. somente com remissões a artigos e súmulas dos tribunais superiores. a qual será obtida conforme fórmula constante no Manual do Aluno . Poderá ser atribuído até 2.0 (seis) pontos.0) + participação (2. conforme a participação do aluno durante o curso.0) + trabalho (5.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. 1.0 (oito) pontos. A média do aluno será obtida da seguinte forma: Média final = primeira prova (5. A princípio. O aluno que obtiver média inferior a 4. sem comentários ou anotações.0 (dois) pontos. salvo orientação distinta por parte do professor. em casos práticos.0 pontos na nota da segunda prova. leitura do material indicado. para elaborar as respostas. A participação do aluno em aula valerá até 2. As provas serão compostas de até cinco questões.0) 2 O aluno que obtiver média inferior a 7. (ii) uma prova escrita a ser realizada na última aula do curso.Manual do Professor. FGV DIREITO RIO 4 . e (iv) participação em sala de aula. conhecimento e discussão dos casos apresentados. adquirido a partir do estudo e de pesquisa.0 (quatro) pontos. (iii) um trabalho a ser entregue individualmente pelos alunos. a primeira prova será realizada na primeira semana de outubro e a segunda prova será realizada na semana de 21/11 a 24/11.0 (quatro) estará automaticamente reprovado na disciplina.0 (cinco) pontos. A primeira prova valerá de 0 (zero) a 5. deverá fazer uma prova final.

quando possível. nova data e horário serão divulgados com antecedência para os alunos. 1. Ao longo do curso serão fornecidas mais informações sobre como elaborar o trabalho. seus riscos e.CONTRATOs Em EsPÉCIE trabalho: Na segunda semana de novembro. conforme os casos apresentados durante as aulas. cada aluno deverá apresentar relatório apontando os problemas encontrados na diligência legal.5 (meio ponto) cada uma.6 atiVidades CoMPleMentares Dependendo do andamento das aulas. o professor poderá propor atividades adicionais que valerão 0. Caso haja modificação no cronograma que implique em alteração na data da entrega do trabalho. Os pontos adicionais serão somados à nota da segunda prova. FGV DIREITO RIO 5 . as formas de solucioná-los.

– idoneidade do objeto. – forma.2. págs. 3. biblioGrafia CoMPleMentar: • WALD. vol. biblioGrafia obriGatória: • RODRIGUES. págs. São Paulo: Ed. AulA 1: ClASSIfICAçãO dOS CONTRATOS. págs 59 a 77. 1. III.1. ElEmENTOS ESSENCIAIS.3. São Paulo: Saraiva.1. quando da substância do ato. 1.1. vol. b) existência e validade do contrato Sendo o contrato um negócio jurídico. 2002. e (v) extinção dos contratos. Aspectos Controvertidos do Novo Código Civil. • AZEVEDO. Validade e Eficácia. (ii) interpretação dos contratos.1. Dentre outros.. 2003. analisaremos os elementos e requisitos para existência e validade do contrato e a classificação dos contratos. Rio de Janeiro: Forense. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. os alunos tiveram oportunidade de fazer o curso de Teoria Geral das Obrigações e dos Contratos. Saraiva. (iii) formação dos contratos. 1. Nosso curso será voltado ao estudo dos contratos em espécie. 2005. Direito Civil. (iv) revisão dos contratos. porém.1.1. 27 a 48. Arnoldo. Negócio Jurídico – Existência. a ele são aplicáveis os mesmos elementos constitutivos e os pressupostos de validade do negócio jurídico1. 2002. roteiro de aula a) introdução No semestre passado. Silvio. Existência e validade do contrato. A evolução do contrato no terceiro milênio e o novo Código Civil. Hoje. Antonio Junqueira de. São elementos constitutivos: – vontade manifestada por meio de declaração. Rever aula 2 do curso de Teoria Geral das Obrigações e dos Contratos. 30 a 35. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. aprenderam os seguintes tópicos: (i) princípios da nova teoria contratual. eMentário de teMas: Introdução. • PEREIRA.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. In ARRUDA Alvim. 1. 1 FGV DIREITO RIO 6 . Joaquim Portes de Cerqueira César e Roberto Rosas (coord). Classificação dos contratos. Instituições de Direito Civil. Caio Mário da Silva.4.

certo? Como podemos dizer que um contrato é unilateral? Qual é a importância de distinguir o contrato unilateral do bilateral? – Onerosos e gratuitos Os contratos onerosos envolvem sacrifícios e vantagens patrimoniais a ambas as partes. Os requisitos de validade estão previstos no art. Estando ausente algum desses requisitos. O donátario recebe algo do doador e nada lhe dá em retorno. o contrato em si é um ato bilateral. cada autor tem um enfoque diferente ao tratar dessa matéria. C) Classificação dos contratos Qual é o objetivo de classificar os contratos? Embora haja consenso na doutrina sobre boa parte da classificação dos contratos. 104 do Código Civil: – agente capaz. – forma prescrita ou não defesa em lei. Já os contratos gratuitos envolvem sacríficio econômico para apenas uma das partes e consequentemente vantagem patrimonial a apenas uma delas. determinado ou determinável. possível.CONTRATOs Em EsPÉCIE Caso um desses elementos não esteja presente. Qual é a importância de distinguir o contrato gratuito do oneroso?– Comutativos e aleatórios Essa distinção aplica-se apenas aos contratos bilaterais e onerosos. mas recomendamos que o livro de Caio Mario da Silva Pereira2 também seja estudado. Exemplo: contrato de compra e venda de bem móvel. Uma mesma espécie de contrato pode ser classificada de inúmeras maneiras. O exemplo tradicional de contrato gratuito é a doação sem encargo. Qual é a importância de distinguir o contrato comutativo do aleatório? [ii – classificação dos contratos quanto ao seu aperfeiçoamento:] – Consensuais e reais O contrato consensual não requer a entrega do bem para aperfeiçoamento do contrato. no máximo. exige apenas o consentimento das partes. conforme o ponto de observação do estudo. – objeto lícito. Relacionamos abaixo alguns exemplos: [i – classificação dos contratos quanto a sua natureza:] – Unilaterais e bilaterais Afinal. Conforme bibliografia complementar. Já no contrato real. 2 FGV DIREITO RIO 7 . o mero acordo entre as partes não é suficiente para constituir o contrato. o negócio jurídico nem mesmo existirá. o contrato será nulo ou anulável O elemento novo e inerente ao contrato é o acordo entre duas partes sobre determinado assunto. o que ocorre é uma promessa de contratar. Nesta aula usaremos por base a metodologia de Silvio Rodrigues.

406/2002). É o caso do contrato de compra e venda de imóvel de valor superior a 30 (trinta) vezes o maior salário mínimo vigente no país e que tem que ser feito por escritura pública (art. [v – classificação dos contratos quanto ao momento de sua execução] – Execução instantânea e de execução diferida no futuro Qual é a importância de distinguir o contrato de execução instantânea do contrato de execução diferida no futuro? [vi – classificação dos contratos quanto ao seu objeto] – Definitivo e preliminar O contrato preliminar tem sempre como objeto a realização de um contrato definitivo. existe em função de outro contrato. FGV DIREITO RIO 8 . A fiança é um bom exemplo de contrato acessório ao contrato de locação. o acessório segue o principal. 108 da Lei nº 10. O contrato definitivo pode ter vários objetos. 462 a 644 da Lei nº 10.CONTRATOs Em EsPÉCIE Isso ocorre. no entanto. se o mutuante não empresta o dinheiro ao mutuário. apesar de não estarem disciplinados em lei. o contrato não se aperfeiçoa por mais que haja um contrato entre mutuante e mutuário. são permitidos quando lícitos. por exemplo. por sua vez. não há forma prescrita em lei para que sejam válidos. [iv – classificação dos contratos quanto ao seu relacionamento com os demais contratos:] – Principais e acessórios O contrato que independe de outro para existir é o contrato principal.406/2002). Qual é a importância de distinguir o contrato solene do não solene? [iii – classificação dos contratos quanto a sua sistematização:] – Nominados e inominados Nominados são os contratos previstos e regulados por lei. Inominados ou atípicos são os contratos que. se o contrato principal é nulo. Como pela regra geral. no mútuo. trata-se do contrato que trata do assunto definitivamente. 425 da Lei nº 10. nulo será o contrato acessório. Há. não é verdadeira. As peculiaridades do contrato preliminar estão previstas nos arts.406/2002. em razão do princípio da autonomia da vontade (art. – Solenes e não solenes Geralmente os contratos são não solenes. Como diz o próprio nome. já que o contrato principal sobrevive sem o contrato acessório. O contrato acessório. conforme a espécie de contrato. ou seja. A recíproca. porém. alguns casos em que o legislador achou por bem determinar forma para a validade do ato.

CONTRATOs Em EsPÉCIE [vii – classificação dos contratos quanto à maneira como são formados] – Paritários e de adesão Ao contrário do contrato paritário. cabendo a outra parte aceitá-las ou rejeitá-las em sua totalidade. aquele que não pôde negociar as cláusulas do contrato. b.6. questões de ConCurso (Prova: 10º exame de ordem . 1.1. no contrato de adesão não há espaço para negociação.1ª fase) o contrato real é um contrato: a. Efetivamente existente. Os artigos 423 e 424 mostram a preocupação do legislador em tentar preservar o aderente. Formal. 1. joGo – disCussão eM sala de aula Contrato/ Classificação Unilateral Bilateral Oneroso Gratuito Comutativo Aleatório Consensual Real Solene Não solene Nominado Inominado Principal Acessório Execução Instantânea Execução diferida no futuro Definitivo Preliminar Paritário De adesão Compra e Venda locação doação Empréstimo fiança mandato fornecimento de energia FGV DIREITO RIO 9 . Que tem por objeto coisas corpóreas. d. Em que a entrega da res é pressuposto da sua existência.1. no qual as partes discutem os termos do negócio.5. c. As regras foram previamente estipuladas por uma das partes. ou seja.

sendo que antes decidiu conferir a Eduardo e Mônica a condução dos seus negócios. Maristela Sabbag. BRUNA.). com três lojas e um armazém. Eduardo e sua mulher. págs. Jairo (org. eMentário de teMas: Introdução – Natureza Jurídica – Elementos – Despesas do Contrato e Garantia – Riscos da Coisa – Limitações à Compra e Venda – Regras Especiais 1. que visava atender apenas a região. Com o passar do tempo. O que começou com uma loja de conveniência. Edmundo. Monteiro de. transferindo o fundo de comércio para a Pechincha Ltda. dona Mônica. Sucessão Empresarial – Declarações e Garantias – O Papel da Legal Due Diligence. conseguiu convencê-los de que se tratava de uma chance de ouro para a família. Dessa forma. vol. em Brasília. AulA 2: CONTRATO dE COmPRA E VENdA 1. biblioGrafia CoMPleMentar: • NEJM.1. a pequena empresa de Eduardo e Mônica foi experimentando um contínuo sucesso e o negócio foi crescendo junto com seus filhos gêmeos. o senhor Eduardo ampliou seus negócios e hoje é sócio majoritário de uma sociedade que possui uma modesta rede de supermercados. Um velho comerciante de Brasília resolveu aposentar-se e voltar a morar com a filha. rapidamente ocupou um lugar cativo na vizinhança e a freguesia se tornou cada vez mais fiel. e sempre foi capaz de enxergar uma boa oportunidade. Leandro Santos de (coords.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Jeremias e Maria Lúcia. São Paulo: IOB. ARAGÃO. Silvio.3. 2002.406/2002.4. 2005. biblioGrafia obriGatória: • Arts. 1. Direito Civil. Maria Lúcia sempre teve tino para os negócios. mesmo diante da resistência inicial de seus pais e seu irmão. Saraiva. na década de 80. In SADDI.2. Due diligence – identificando contingências para prever riscos futuros. In CASTRO. a Pechincha Comércio Varejista Ltda. 99-121. págs. porém. FGV DIREITO RIO 10 .2. 1.. • ABLA. e recebeu autorização deles para iniciar as conversas com o interessado. Sérgio Varella.). o senhor Eduardo foi paulatinamente transferindo a administração de seus negócios para seus filhos.2. Fusões e aquisições: aspectos jurídicos e econômicos. Com o passar dos anos. 2002. 205-219. 481 a 504 da Lei nº 10. págs. alugando outras e.2. Caso Gerador O Sr.2. vendendo-lhes algumas posses. Cerca de dez anos após o começo das atividades. São Paulo: Quartier Latin. quando nosso cliente a procurou para lhe fazer uma proposta de compra da Pechincha Ltda.2. Reorganização societária. 3. Rodrigo R. de uma maneira geral. São Paulo: Ed. • RODRIGUES. A partir de então. no interior de São Paulo. abriram o primeiro mercadinho. foi brindada com uma oportunidade de expansão dos seus negócios. 137 a 169.

Não é à toa que essa é a primeira espécie a ser tratada pelo Código Civil. considerando o negócio por ela desenvolvido. o domínio do bem alienado. começaria o processo de diligência? Quais seriam os primeiros contratos que você solicitaria ao advogado da Pechincha Ltda. a obrigação de pagar o preço ajustado. contratos e demais áreas que envolvam valor igual ou superior ao critério de materialidade. e. Além disso. Como você. nosso primeiro trabalho será realizar uma due diligence ou diligência legal ou auditoria jurídica na companhia Pechincha Ltda. Coube a nós. Como de costume em negócios deste gênero. e a escassez de bons supermercados na região. são regulados também pelas disposições do contrato de compra e venda. verbal ou escrito. sejam eles tributários. você concentraria mais sua atenção? Que problemas você vislumbra que ela pode ter nos contratos existentes? 1. trabalhistas. a transferência do domínio só ocorre com a tradição (entrega) do bem. A diligência legal tem por objetivo conhecer os aspectos jurídicos da empresa. bem como de uma tentativa de identificação de suas dívidas ou passivos mais relevantes. de forma que os potenciais compradores saibam o que realmente estão comprando. vamos ao supermercado. a companhia Grana Certa Empreendimentos S/A. Para tanto. sendo que outros contratos. para o comprador. a tarefa de fazer a diligência legal na área de contratos da Pechincha Ltda. com o exame criterioso de seus contratos. não transfere. deveremos solicitar todos3 os contratos da empresa a ser adquirida. Ao fim do processo de diligência legal. presidida pelo senhor Odin Heiro. por si só. destacando todos os pontos e questões identificados durante o processo de diligência legal e que podem afetar a situação financeira e legal da companhia. ou seja. então. vislumbrou a possibilidade de expandir ainda mais os negócios.5. a diligência é feita apenas nos processos judiciais ou administrativos. O resultado de uma diligência legal pode determinar o sucesso ou não da operação e geralmente influi no preço a ser pago.CONTRATOs Em EsPÉCIE Nosso cliente. no caso de Dependendo do tamanho da empresa. Nesses casos. ambientais etc. Esse relatório serve de instrumento para que o potencial comprador pondere se deve prosseguir com a aquisição do negócio.? Quais os riscos que. muitas vezes é elaborado um relatório descrevendo a situação da empresa. com negócios na área atacadista pretende começar a atuar no segmento de distribuição alimentícia. estamos realizando pequenas operações de compra e venda. cíveis. dada a fidelização da clientela do senhor Eduardo. motivo que o levou a se interessar pela Pechincha Ltda. que é um investidor profissional. O contrato de compra e venda gera: para o vendedor. 3 FGV DIREITO RIO 11 . Em nosso dia-a-dia realizamos inúmeras operações de compra e venda. na qualidade de advogado da Grana Certa S/A. Isso normalmente se dá por meio de uma análise de todas as operações da empresa. muitas vezes sem prestar atenção.2. chamado de critério de materialidade. como permuta. roteiro de aula a) introdução O contrato de compra e venda. Porém. compramos um chiclete na barraquinha. os compradores estabelecem um valor base para análise dos aspectos jurídicos. O contrato de compra e venda não gera efeitos reais. a obrigação de transferir a coisa vendida. Por exemplo. se o fizer. quando saímos para jantar. quais são os riscos a que estaria submetido. é a espécie mais comum dos contratos.

que envolvem transferência de seu patrimônio. Pode-se dizer. sem medo de errar. Estando ambas de acordo com o objeto e o preço. quais sejam: FGV DIREITO RIO 12 . O comprador deve entregar o preço enquanto o vendedor deve entregar a coisa. o contrato é realizado. A gratuidade da compra e venda. válido e plenamente eficaz. b) natureza jurídica: [consensual e (em regra) não solene] Depende apenas da vontade das partes. Existem outros contratos que. mas somente entre as partes. C) elementos: Os elementos do contrato de compra e venda encontram-se destacados em negrito no artigo 482 acima. que a maioria esmagadora das operações de venda é feita sem formalidades específicas previstas em lei. em regra.267 e 1.CONTRATOs Em EsPÉCIE bem móvel. um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa. necessitam de um determinado registro para que a tradição do bem – apesar de móvel – tenha sua eficácia plena. A compra e venda. Todavia. a pagar-lhe certo preço em dinheiro”. Tanto é assim que a compra de um chiclete no baleiro da esquina perfaz uma compra e venda perfeita. 481. não se pode esquecer que. quando pura. expressa na desproporção manifesta entre o valor da coisa transferida e o preço acordado. Importante: o contrato de compra e venda de imóvel realizado por meio de instrumento particular é negócio jurídico existente. O correspondente gratuito da compra e venda é a doação. desfigura o contrato. [oneroso] Tanto o comprador quanto o vendedor tem prestações a cumprir. desde que as partes acordarem no objeto e no preço”. e o outro. considerar-se-á obrigatória e perfeita. (arts.406/2002) Os artigos 481 e 482 da Lei 10. embora não formalizada em contrato escrito.245 da Lei n° 10. Na venda de bem imóvel de valor superior a 30 (trinta) vezes o maior salário mínimo vigente no país. é necessária a realização de contrato escrito mediante escritura pública e seu registro no RGI para que gere efeitos perante terceiros. Pelo contrato de compra e venda. que só será obrigatória quando prevista especificamente em lei. inclusive perante terceiros. para algumas espécies de compra e venda. [sinalagmático (ou bilateral)] Envolve prestações recíprocas de ambas as partes. e com o registro do título de compra no Registro de Imóveis na hipótese de bem imóvel. Cite um exemplo. “Art. embora não necessitem de formalidades especiais para seu aperfeiçoamento. 1. formalidade específica para o contrato de compra e venda.406/2002 dispõem: “Art. a observância de determinadas formalidades poderão alterar os efeitos do contrato. Não se exige. podemos extrair a natureza jurídica e os elementos do contrato de compra e venda. 482. A partir da leitura desses dois artigos.

desde que possam ser determinados objetivamente. ser ajustado no tempo. ou (iii) índices ou parâmetros. o preço deve ser pago em dinheiro. qualquer fórmula estipulada para fixação do preço é permitida. pois senão pode ser considerado uma doação e não uma compra e venda. as despesas de escritura e registro ficam a cargo do comprador e as despesas com a tradição ficam sob responsabilidade do vendedor. A fixação do preço em regra segue o livre consentimento das partes. no direito brasileiro. que só podem ser objetos de venda os bens tangíveis. Como vimos anteriormente. Qual seria um outro exemplo de venda de coisa futura? d) despesas do contrato e garantia Em regra. Mônica. o preço não deve ser irrisório. Imagine que Eduardo inovou desta vez: comprou-lhe a constelação das Três Marias!!! Ela lhe pergunta quanto vale esse presente. estabelecer regra diversa. As partes podem. deve haver uma proporcionalidade entre o valor da coisa e seu preço.406/2002. [preço] Conforme artigo 481 da Lei n° 10. todas as coisas que não estejam fora do comércio podem ser objetos do contrato de compra e venda. pois nesse caso seria uma hipótese de condição potestativa4. Como visto acima. Sua amiga. Por quê? Isso não quer dizer. de acordo com a combinação das partes. o contrato de compra e venda não transfere o domínio do bem. porém. Ele representa a obrigação de transferir um bem no presente ou no futuro. conta que está super empolgada com o presente que ganhou do namorado. vedada pela Lei n° 10. mesmo antes da construção dos prédios. ou seja. porém. Por quê? Além disso. Um pouco constrangido (a) com a situação. em certo e determinado dia e local. ou (ii) taxa do mercado ou da bolsa. entretanto. embora possa ter muito valor sentimental. 4 FGV DIREITO RIO 13 . Relembrando: Condição potestativa é aquela que é sujeita ao puro arbítrio de uma das partes. ou intangíveis. também podem ser alienados. mesmo após a tradição do objeto o preço pode estar sujeito a ajustes posteriores. que é possível alienar um empreendimento imobiliário. [coisa] Em teoria. a lei permite que o preço não esteja determinado no contrato e que as partes indiquem: (i) terceiro para fixá-lo.406/2002. não tem qualquer valor econômico. Sendo assim. estabelecer que o preço será fixado de acordo com a vontade de apenas uma das partes. Tanto é assim. inclusive. Pode o preço. Os bens imateriais. Ou seja. E agora? Não é possível. como as marcas e o fundo de comércio. você explica que esse presente.CONTRATOs Em EsPÉCIE [consentimento ] Comprador e vendedor têm que chegar a acordo quanto ao objeto e o preço. – É possível alienar algo que não existe? Nada impede que seja contratada a alienação de um bem que ainda não existe. O preço deve ser determinado ou determinável. Marvin (comprador) e Vital (vendedor) firmaram contrato de compra e venda no qual deixaram de definir o preço.

direta ou indireta. testamenteiros e administradores não podem comprar. Por isso. Essa regra do art. Isto ocorre nas seguintes situações: – tutores. no caso de venda a termo. até que aquela satisfaça a que lhe comete ou dê garantia bastante de satisfazê-la”. os bens ou direitos sobre que se litigar em tribunal. Não seria justo. ou que estejam sob sua administração. sofrendo este os prejuízos. até o momento de sua efetiva entrega ou registro. uma vez que cumpriu sua parte do contrato. 5 FGV DIREITO RIO 14 . curadores.406/2002: “se. a coisa se deteriora. que “até o momento da tradição. pois neste caso não houve a tradição da coisa.CONTRATOs Em EsPÉCIE No contrato de compra e venda à vista. Há uma diferença entre elas. arbitradores. Tendo em vista que a celebração do contrato de compra e venda não é suficiente para transferir o domínio da coisa até o momento da tradição (para bens móveis) e do registro (para bens imóveis). Art. os riscos com a coisa são do vendedor. os bens ou direitos da pessoa jurídica a que servirem. que o vendedor arcasse com os riscos da coisa. – houver mútuo acordo entre as partes. Essa vedação não resulta da incapacidade das pessoas para realizar essa operação. que foi posta à disposição pelo vendedor no local. 495 está em consonância com a previsão da exceção de contrato não cumprido5 estudada anteriormente. – servidores públicos não podem comprar. – o comprador solicita que a coisa seja entregue em local diverso daquele que deveria ser entregue. pode a outra recusar-se à prestação que lhe incumbe. No caso. 477 da Lei nº 10. no lugar onde servirem. o vendedor pode deixar de entregar a coisa. secretários de tribunais. juízo ou conselho. os riscos da coisa correm por conta do vendedor. tempo e modo acertado. peritos e outros serventuários ou auxiliares da Justiça não podem comprar. até que o comprador lhe dê garantia de que efetuará os pagamentos no prazo ajustado. em razão de caso fortuito ou força maior. se o comprador torna-se insolvente. ainda que em hasta pública. ainda que em hasta pública. depois de concluído o contrato. Qual é? e) riscos da coisa Res perit domino – princípio segundo o qual a coisa perece em poder de seu dono. os riscos com a coisa correm por conta do comprador quando: – a coisa encontra-se à disposição do comprador para que ele possa contar. – juízes. ou a que se estender a sua autoridade. a coisa continua a pertencer ao alienante. Porém. Esta hipótese é uma exceção ao princípio da Res perit domino. mas sim da posição na relação jurídica. – o comprador está em mora de receber a coisa. no art. sobrevier a uma das partes contratantes diminuição em seu patrimônio capaz de comprometer ou tornar duvidosa a prestação pela qual se obrigou. Esse princípio foi utilizado pelo legislador ao determinar. 492. os bens confiados à sua guarda ou administração. ainda que em hasta pública. f) limitações à compra e venda A lei veda que determinadas pessoas participem de compra e venda. eles não têm legitimidade para realizar determinadas operações. e os do preço por conta do comprador”. marcar ou assinalar a coisa e. entretanto. quem tem que cumprir primeiro com sua obrigação: o vendedor ou o comprador? Além disso.

ou caso isso não seja possível. b. Oneroso. Bilateral. por vezes essa distinção se faz necessária em razão das regras peculiares a cada uma. Exemplo: Fazendeiro tem interesse em adquirir mil hectares para poder plantar. oneroso e solene. Embora em alguns casos seja difícil determinar se a venda foi feita ad mensuram ou ad corpus. sem consentimento expresso dos demais descendentes e do cônjuge do alienante. – descendentes não podem adquirir bens do ascendente. Venda ad corpus – as partes estão interessadas em comprar coisa certa e determinada. rescindir o contrato de compra e venda. não formal e consensual. ou seja. o comprador não teria esse direito. Consensual. formal e aleatório. O que ocorre se houver mais de um condômino interessado em adquirir a quota parte a ser alienada? G) regras especiais [venda por amostra] Ocorre quando a venda ocorre com base em amostra exibida ao comprador. O comprador tem direito de receber coisa igual à amostra. [venda ad corpus e venda ad mensuram] Venda ad mensuram – as partes estão interessadas em uma determinada área.2. Nestes casos. Já no caso de venda ad corpus. o contrato de compra e venda de imóveis se apresenta da seguinte forma: a. 503. No caso de venda ad mensuram. oneroso e não solene. os bens de cuja venda estejam encarregados. FGV DIREITO RIO 15 . d. o defeito oculto de uma não autoriza a rejeição de todas”. ele precisa oferecer aos demais condôminos sua parte pelo mesmo preço e condições pelos quais pretende vender a terceiros. o comprador tem o direito de exigir que a coisa vendida tenha as medidas acertadas e não o tendo pode pedir a complementação da área. Nas coisas vendidas conjuntamente. bilateral. entende-se que a referência à medida do terreno é meramente enunciativa. ainda que em hasta pública.CONTRATOs Em EsPÉCIE – leiloeiros e seus prepostos não podem adquirir. [defeito oculto nas vendas conjuntas] “Art. Esse artigo sofre críticas de importantes autores. Exemplo: Fazendeiro tem interesse em adquirir a Fazenda Boa Esperança. c. independentemente da extensão. Quais são elas e como esse artigo deve ser interpretado para atenuar as críticas? 1. Consensual. O objetivo do adquirente é comprar uma coisa com determinado comprimento necessário para desenvolver uma finalidade. caso verifique que as medidas do imóvel adquirido não correspondem exatamente as medidas que constaram do contrato. desde que dê direito de preferência aos demais condôminos. bilateral.1ª fase) Quanto à classificação.6. Quais são os motivos pelos quais o legislador resolveu restringir a aquisição pelas pessoas elencadas acima? O condômino de coisa indivisível pode alienar sua parte a terceiros. oneroso. questões de ConCurso (Prova: 29º Exame de Ordem . bilateral.

CONTRATOs Em EsPÉCIE (Prova: 27º Exame de Ordem . não existe proibição. que obtém o consentimento dos demais descendentes. podendo haver disposição em contrário (Prova: 05º Exame de Ordem . Falta de legitimação. referentes à sociedade limitada a ser adquirida e.NOTA INTRODUTÓRIA: Alguns dos documentos solicitados podem não existir ou não ser aplicáveis à sociedade objeto da diligência legal e. b. incapacidade de fato. tanto por tanto. se for o caso. Executam-se as obrigações assumidas verbalmente. Comutativo. 1. Na venda “ad mensuram” as referências às dimensões do imóvel são meramente enunciativas.1ª fase) A proibição de venda do ascendente aos descendentes sem a concordância dos demais. configura: a. podemos afirmar que: a. (Prova: 03º Exame de Ordem . É nula a pactuação firmada que deixa ao exclusivo arbítrio de uma das partes a fixação do preço b. deve. Ao comprador. dar direito de preferência na aquisição. podendo haver disposição em contrário d. ainda que haja capacidade. ao desejar vender a sua parte no bem. Transfere-se o domínio de qualquer bem imóvel. I . Neste caso. bastará que a sociedade formule declaração por escrito nesse sentido. falta de capacidade.1ª fase) Considerando-se o instituto da tradição no direito civil.7.1ª fase) A quem cabem as despesas com a escritura de compra e venda de imóvel residencial? a. Ao vendedor. c. FGV DIREITO RIO 16 . Unilateral. d. É válida a venda de ascendente solteiro a descendente. c. antes de vendê-la a um estranho. A título gratuito. Necessariamente ao vendedor c. Não se transfere o domínio dos bens móveis.1ª fase) Com relação ao contrato de compra e venda. b. quando da realização de avença c. d. Desde que haja capacidade. Modelo de lista de due diliGenCe DILIGÊNCIA LEGAL Durante a diligência legal serão analisadas cópias dos documentos abaixo discriminados. a suas controladas e coligadas. aos demais condôminos (Prova: 26º Exame de Ordem . a todas as suas controladas e coligadas.1ª fase) A compra e venda de bens móveis é contrato: a. se for o caso. b.2. Falta de legitimação. Formal. não cabendo demanda quanto a uma eventual diferença nas medições d. (Prova: 05º Exame de Ordem . O condômino em coisa indivisível. d. c. Transfere-se o domínio dos bens móveis. Necessariamente ao comprador b. NÃO É CORRETO afirmar: a. Falta de aptidão intrínseca do agente.

as certidões a serem providenciadas deverão abranger a matriz e todas as filiais. contratos de assistência técnica e/ou contratos de franquia ou outros contratos envolvendo bens de propriedade intelectual eventualmente firmados pela sociedade. cópia das publicações exigidas em lei. contratos de transferência de tecnologia. Planos de Opção de Compra de Ações/Quotas oferecidos aos seus administradores e/ou empregados. coligadas. 6. 4. incluindo suas funções e responsabilidades. filiais (com os respectivos números de inscrição no CNPJ). Fornecer lista elaborada pela administração da sociedade contemplando todos os contratos em vigor dos quais a sociedade seja parte signatária ou interveniente. Certidão de Breve Relatório da Junta Comercial competente. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de licença e/ou cessão envolvendo marcas. associação ou “joint venture”. membros da administração da sociedade que ocupam e/ou ocuparam tais cargos durante os últimos 02 (dois) anos.CONTRATOs Em EsPÉCIE Se a sociedade mantiver filiais. 15. desenhos industriais. a fim de agilizar o procedimento de sua identificação e análise. se existentes. 5. acompanhados dos respectivos certificados de averbação no INPI e de registro no Banco Central. bem como respectivas cópias. Contrato constitutivo da sociedade e respectivas alterações contratuais posteriores. valor. direito autoral. Lista dos nomes dos sócios. Opções. cauções e outros gravames. situação (adimplemento ou inadimplemento). 8. com identificação de seus sócios. 16. 20. 18. III . informando objeto. cláusulas estabelecendo proibição de ultrapassar determinado limite entre capital próprio e capital de terceiros (“debt/ equity”) e etc. Protocolos de cisão.CONTRATOS: 17. 10. FGV DIREITO RIO 17 . Em caso de cisão ou redução do capital social da sociedade. Registro das ações ou quotas de outras sociedades de que participa a sociedade. depósitos e quaisquer outras operações da sociedade. Organograma societário da sociedade. controladas e demais sociedades nas quais participe. 21. bem como Atas de Assembléias ou Reuniões de Sócios. Acordo de Sócios e Aditivos. 19. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de distribuição. 13. Todos os Livros Societários da sociedade. 14. Lista de endereços completos de todos os escritórios. promessas de compra e venda. 12. patentes. garantias. Fornecer cópias dos modelos de contratos-padrão utilizados pela sociedade. incorporação e fusão em que tenha sido parte a sociedade ou tendo por objeto suas quotas. Contratos de consórcio. Relatório indicando todas as procurações outorgadas pela sociedade (ad judicia e ad negotia). 3. representação comercial e de fornecimento (ativo ou passivo) envolvendo a sociedade. Convenção de grupo de sociedades de que a sociedade participe. bem como as suas respectivas publicações. Demonstrações financeiras da sociedade. arquivados ou não na sede da sociedade. subsidiárias. II . 11. Informar sobre a eventual existência de inadimplemento de cláusulas contratuais contendo obrigações de caráter econômico-financeiro (tais como cláusulas limitando o futuro endividamento da sociedade.). Solicitamos que os documentos sejam ordenados e/ou relacionados seguindo a ordem e numeração constante deste check list. tendo por objeto as quotas da sociedade. 2. prazo e com o fornecimento das respectivas cópias. vencimentos. com comprovantes de arquivamento na Junta Comercial e respectivas publicações. 7. especialmente o de Atas de Assembléias ou Reuniões de Sócios.ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DA SOCIEDADE: 1. 9.

ou modifiquem seus termos.g fiança. penhor.CONTRATOs Em EsPÉCIE 22. 42. Locação de hardware.5. 33. 39. 31. se de conhecimento da mesma. Informar sobre e fornecer cópia de compromissos. 37. cartas de intenção ou entendimentos com terceiros em que a sociedade figure como parte. hipoteca. ainda. 31. caução) concedidas pela sociedade em favor de terceiros ou.g hipoteca. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantias reais (e. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de prestação de consultoria. 23. Informamos. Informação acerca de segredos de negócio de propriedade da sociedade.6. tais como: 31. Obras intelectuais de titularidade da sociedade. com a informação. patentes e/ou desenhos industriais depositados/registrados. 25. instrumentos tendo por objeto alienação fiduciária de bem da sociedade ou compra e venda com reserva de domínio.2. 24.g fiança.4. Informar sobre e fornecer cópia de documento de constituição de garantias pessoais (e. Desenvolvimento de software. 27. Licenciamento de software. acordos laterais etc. FGV DIREITO RIO 18 . que qualquer referência a contratos inclui seus aditivos e anexos.1. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de empréstimo ou financiamento (inclusive por meio de emissão de valores mobiliários). Fornecer todas as apólices de seguros contratados. 41. Todos os softwares criados pela sociedade. que definam o modo de cumprimento de cláusulas contratuais.. arrendamento mercantil ou comodato de bens imóveis ou móveis. assistência técnica ou serviços de qualquer outra natureza. correspondências. finalmente. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de locação. Todos os softwares utilizados pela sociedade. instrumentos tendo por objeto alienação fiduciária e compra e venda com reserva de domínio. da eventual cessão pelo beneficiário das referidas notas. e/ou outros instrumentos de natureza financeira. 31. Informar sobre e fornecer cópia de contratos na área de tecnologia da informação. Processos administrativos apresentados contra marcas de terceiros no Brasil e/ou no exterior. incluindo. 40. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantias reais (e. IV . 28. 26. 31. caução) em favor da sociedade e respectivas certidões ou. 30. Informar sobre e fornecer cópia de Notas Promissórias emitidas pela sociedade. 34.3. 36. que não tenham sido previstos na presente lista. Manutenção de software. Manutenção de hardware.g. Marcas. Informar sobre e fornecer cópia de Cartas de Conforto (comfort letters) ou quaisquer instrumentos. Serviços técnicos. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de prestação de serviços de publicidade e propaganda. 32. bem como comprovação de poderes de representação do signatário do garantidor. 29. aval) concedidas pela sociedade em favor de terceiros. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantia pessoal (e. 31. cujas cópias deverão ser igualmente fornecidas. 38. ainda. penhor. Nomes de domínio registrados pela sociedade.PROPRIEDADE INTELECTUAL: Solicitamos informações e cópias de todos os bens e documentos referentes à propriedade intelectual da sociedade no Brasil e em outros países. aval) em favor da sociedade. 31. mas não se limitando a: 35. Processos administrativos e/ou judiciais envolvendo os bens de propriedade intelectual da sociedade.

Caso a sociedade possua bens imóveis: 45. expedidas pelos Municípios onde se encontram os imóveis da sociedade. Informações sobre aproveitamento de créditos tributários. bem como da ausência de aforamento (enfiteuse).) relacionada ao regime especial e/ou benefício fiscal concedido à sociedade até a presente data. Consultas fiscais. formalmente protocoladas perante os órgãos da administração tributária. nos níveis federal. FGV DIREITO RIO 19 . acompanhados dos receptivos termos. inclusive certidões atualizadas com filiação vintenária. etc. Disponibilizar o LALUR referente ao último ano. Qualquer outra documentação que seja relevante e/ou que afete os bens de propriedade intelectual da sociedade. declarações. 53. Pareceres dos auditores independentes. (iii) existência ou não de medida judicial que permita a utilização dos créditos. 54. 50. Relatório atualizado identificando todos os eventuais benefícios fiscais e/ou tratamentos fiscais (federais.no âmbito federal. a existência de eventuais requerimentos ou questionamentos pendentes quanto aos mesmos. 47. Relatório atualizado discriminando parcelamentos de tributos da sociedade e/ou participação em programas de recuperação fiscal (“REFIS” ou “PAES” . com negativa de ônus/servidões/alienações. Certidões negativas relativas ao IPTU. direitos de retenção ou qualquer outra forma de restrição de qualquer natureza sobre qualquer ativo da sociedade listando tais ativos e os relacionando aos respectivos processos judiciais ou administrativos. de todos os valores pendentes de tributação eventualmente registrados na parte B e demonstrativo do prejuízo fiscal acumulado e da base negativa da Contribuição Social. (ii) valores envolvidos. As 3 (três) últimas demonstrações financeiras e os 3 (três) últimos Balancetes consolidados da sociedade. (iv) quantidade de parcelas pagas. Portarias. estaduais ou municipais) concedidos à sociedade. VI – ASPECTOS FISCAIS: 48. garantias. (iii) número de parcelas. utilização de créditos extemporâneos. 52. 55. 46. cartas de representação e/ou outras informações formais prestadas pelos administradores aos auditores.00 (dez mil reais) integrados ao ativo da sociedade. Toda e qualquer documentação relativa a penhores. estadual ou municipal. etc. já utilizados e a utilizar. indicando: (i) tributo parcelado. ainda. V . envolvendo a sociedade. 49. para fins de auditoria. (vi) documentação apresentada à autoridade fiscal competente discriminando os débitos fiscais incluídos no REFIS e/ou PAES e (vii) prova de quitação de todos os pagamentos até a presente data. tendo por objeto matéria tributária. (v) garantia oferecida. já em reais. com a indicação. indicando (i) forma do aproveitamento: compensação com outros tributos. estadual ou municipal). cujas decisões foram proferidas nos últimos 5(cinco) anos.CONTRATOs Em EsPÉCIE 43.. repetição do indébito. Prova da propriedade dos bens móveis de valor individual acima de R$10. Fornecer toda documentação (Instruções Normativas. com a mesma data do último Balancete que será disponibilizado.PROPRIEDADES E ATIVOS: 44. Informar. Prova da propriedade dos bens imóveis da sociedade. dos registros de imóveis competentes. 51.000. Certidões negativas do INSS relativas aos bens imóveis da sociedade. referente aos últimos 05 (cinco) anos. (ii) início do parcelamento.

Fornecer originais de Certidões atualizadas do INss (CND). favor solicitar as certidões aplicáveis também em relação ao(s) antigo(s) endereço(s). Fornecer originais de Certidões atualizadas passadas por todos os Cartórios de Protestos das comarcas onde a sociedade mantém estabelecimentos ou filiais. 58. inicial. identificando todos os eventuais processos fiscais. pendentes de julgamento.e. com a indicação de: (i) tributo envolvido. 65. (vi) valor da causa. PIS). 63. instauradas por órgãos governamentais ou terceiros. (iv) andamento (status) atualizado. Certidões da Justiça Federal dos Distribuidores de Ações e Execuções Cíveis. pendentes (nos quais a sociedade figure como autora. Composição analítica das principais contas que compõem depósitos judiciais e provisões para contingências fiscais e suas correlações com os processos fiscais administrativos e judiciais em andamento. estaduais e municipais. Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais intimações. e. tais como. Secretaria Estadual de Fazenda e Secretaria Municipal de Fazenda indicando os processos administrativos. IPI.e. em curso em nome da sociedade. sentenças. Fornecer originais de Certidões de Dívida Ativa – (CDA) em nome da sociedade. recursos e acórdãos. em nome da sociedade. (iii) objeto e fundamentos do pedido. Disponibilizar cópias das peças fundamentais dos processos fiscais. 64. com a estimativa de valores envolvidos. notificações. e referentes a processos administrativos. relativamente a tributos federais. Certidões dos Cartórios de Protestos de Letras e Títulos). inspeções ou investigações realizadas. passadas em nome da sociedade. Fornecer originais de Certidões atualizadas dos cartórios distribuidores de ações da Justiça Federal. abrangendo feitos Cíveis. ainda não inscritos em dívida ativa. Criminais e Fiscais e Certidões da Justiça Estadual dos Distribuidores Cíveis e Fiscais e Certidões dos Distribuidores da Justiça do Trabalho).. COFINS. Criminais e Fiscais. bem como Trabalhistas. abrangendo todas as suas filiais. Certidões de quitação de Tributos Estaduais (ICms) (Certidão de quitação de Tributos Estaduais) e Certidões de quitação de Tributos municipais (ISS) (Certidão de quitação de Tributos Municipais). FGV DIREITO RIO 20 . Falências e Concordatas (i. contestação.CONTRATOs Em EsPÉCIE VII . Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais processos de desapropriação em que a sociedade figure como autora. Fornecer Relatório elaborado pelos advogados responsáveis pelos respectivos casos. 66. com relação a cada um de seus estabelecimentos ou filiais. (v) valores envolvidos (atualizados ou em UFIR). ainda. despachos. as duas últimas para cada estado ou município onde a sociedade possui estabelecimentos. Fornecer originais de Certidões de quitação de Tributos e Contribuições Federais – “CQTF” (IR. 57. inclusive parcelamentos em andamento. Justiça Estadual e Justiça do Trabalho das comarcas da matriz e onde a sociedade mantém estabelecimentos ou filiais. Caso tenha havido alteração de sede nos últimos 05 (cinco) anos. (viii) provisões e/ou depósitos judiciais e (ix) quaisquer informações relevantes com respeito a tais processos. 59. Relatórios: 62. expedidas pela Procuradoria da Fazenda Nacional. CSLL. execução ou cumprimento. (vii) chances de êxito e respectivo critério utilizado. ré ou terceira interessada) ou em vias de ser iniciados. bem como de relatório emitido pela Secretaria da Receita Federal. judiciais e administrativos. Estadual e municipal. Certidão de Quitação do FgTs. judiciais e administrativos em que a sociedade seja parte ou tenha interesse. 61.LITígIOs JUDICIAIs OU ADmINIsTRATIVOs: Certidões: 56. 60. cobrindo o período de 10 (dez) anos (i. (ii) foro. Interdições e Tutelas..

férias e décimo terceiro salário. bonificações ou ajudas de custo? Quais funções recebem as ditas parcelas? Qual o critério de pagamento? 74. Cópia do plano de cargos e salários. Conselho Nacional de Política Salarial ou norma coletiva.1. Fornecer Relatório contendo informações sobre processos administrativos que envolvam as sociedades controladas ou coligadas. 73. ficando à disposição da sociedade.4. despesas de representação. (iii) existe autorização dos empregados para o desconto. Há empregados recebendo benefícios tais como. 72. previdência privada. 68.3. Previdência Social.? Qual o critério de pagamento de cada benefício? É efetuado desconto no salário? Caso haja desconto. Caso afirmativo.1. (iii) cargo ou função. cópia do modelo de autorização de desconto salarial relativo aos benefícios concedidos. (vi) o benefício integra o salário para efeito de cálculo do FGTS.2. 69.2. Relativamente à remuneração. Informar a forma de remuneração das horas à disposição. Relatório identificando todos os empregados. inspeções ou investigações realizadas. VIII – AsPECTOs TRABALHIsTAs: 71. Cópia dos modelos de contrato de trabalho (contrato de experiência.1. Informar o saldo atual de horas trabalhadas e ainda não compensadas pelo “banco de horas”. Indicar se houve homologação do plano pelo Ministério do Trabalho. 70. relatório informando: 73. com indicação das respectivas funções e salários.) e do regulamento interno ou regulamento de pessoal da sociedade. e (iv) salário atual (partes fixas e variáveis). planos de saúde. contendo (i) data de admissão. notificações. se houver. Como é feito o controle de horário? A anotação é feita pelo próprio empregado ou por pessoa específica? Onde são feitas tais anotações? Os empregados assinam tal registro? 73. contrato por prazo determinado etc. uso de automóvel.CONTRATOs Em EsPÉCIE 67. FGV DIREITO RIO 21 . Fornecer Cartas encaminhadas pelos advogados externos aos auditores independentes sobre processos judiciais e administrativos. inclusive banco de horas. A sociedade participa do PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador? Caso positivo. 73. auxílio moradia. 73. apresentar cópia dos comprovantes anuais de inscrição. 76. Acordos de compensação e de prorrogação da jornada de trabalho. Informar eventuais horários de trabalho diferenciados por setor ou sistemas de revezamento. Horário de trabalho. (ii) existem empregados que optaram pelo não recebimento. prêmios. 75. Relação dos empregados que utilizam telefone celular ou equipamento similar. auxílio educação. A alimentação é fornecida pela própria sociedade ou são concedidos vales-refeição? Há desconto no salário ou é fornecida gratuitamente? 75. relatório informando: 75. se existente. auxílio alimentação etc. Quais as verbas percebidas além do salário fixo e horas extras? Há empregados recebendo comissões. Relação dos empregados não subordinados a controle de horário. Fornecer Documentos e relatórios (inclusive os Termos de início e encerramento de fiscalização tributária) contendo informações sobre eventuais intimações. Relativamente à jornada de trabalho. relatório informando: 74. (ii) local de trabalho. Imposto de Renda. Relativamente à alimentação. gratificações. 74. horário de intervalo e dia de folga semanal dos empregados. informar se: (i) os empregados podem optar por tais benefícios.2. instauradas por órgãos governamentais ou terceiros. Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais reclamações baseadas em defeitos constatados nos produtos fabricados pela sociedade (“product liability”) ou em garantias concedidas pela sociedade na venda dos produtos.

Cópia de Plano de Participação nos Lucros e/ou Resultados. Relação dos empregados desligados da sociedade nos últimos 02 (dois) anos. (iii) quem controla os serviços de tais empregados (a sociedade ou a prestadora de serviços).). 84. 89. por amostragem. ações civis públicas ou outras ações de natureza trabalhista. 87. (vi) estimativa dos valores envolvidos. A sociedade tem organizada a CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes? Caso positivo. 80. (vi) número de trabalhadores envolvido. 88. empregados com cargo de direção em sindicatos ou associações profissionais. Cópia do Livro de Inspeção do Trabalho de todos os estabelecimentos da sociedade. acordos coletivos. explicitando os critérios de tal provisão. Foram ajuizadas reclamações trabalhistas em razão do plano de demissão? 83. 85. Relatório identificando todas as reclamações trabalhistas e procedimentos administrativos (DRT e MPT) em curso contra a sociedade. acordos. 82. autos de infração. bem como fornecer respectivos documentos. X – AsPECTOs AmBIENTAIs: 93. Cópia das convenções coletivas. (v) período dos serviços. se houver. Registros e inscrições da sociedade junto às autoridades fiscais federais. Cópia dos termos de ajustamento de conduta.APROVAÇÕEs gOVERNAmENTAIs E LICENÇAs: 92. Cópia do plano de opção de compra de ações. INSS. cálculos homologados e depósitos efetuados. FGV DIREITO RIO 22 . estaduais e municipais (tais como CNPJ. Informar o valor da provisão com relação aos processos judiciais e administrativos em andamento. etc. empregados acidentados. telefonistas. apresentar relação dos atuais integrantes e cópias das atas de reunião dos últimos 02 (dois) anos. Relatório identificando todos os empregados com estabilidade permanente ou temporária (CIPA. Cópia das principais peças de todas as ações trabalhistas em curso contra a sociedade. 90. (ii) foro. plano de demissão incentivada? Caso afirmativo. tais como petição inicial. (iii) pedidos. alvará da prefeitura etc. do programa de opção de compra de ações e a relação dos empregados e executivos elegíveis a tal plano. ISS. (ii) se trabalham diariamente nas dependências da sociedade. cooperativas. Há serviços terceirizados na sociedade? Apresentar cópia dos contratos de prestação de serviços firmados com empresas prestadoras de serviços. cálculos de liquidação. A sociedade instituiu. e (v) situação atual. empregadas grávidas. 78.CONTRATOs Em EsPÉCIE 77. (iv) a quem estão subordinados. decisões proferidas em todas as instâncias. 86. de Instalação e Funcionamento emitidas pelo órgão ambiental competente. 79. inquéritos administrativos. Licenças Ambientais: Licenças Prévias. bem como cópias. IX . (vii) estimativa de êxito. contendo (i) partes envolvidas. das respectivas rescisões do contrato de trabalho e homologação pelo Sindicato ou pela DRT. motoristas e profissionais liberais). nos últimos 05 (cinco) anos. Informar o valor despendido pela sociedade com o pagamento de tal participação. 91. Informar se são observadas convenções. inclusive termos aditivos. esclarecer os critérios do plano. Cópia do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). empresas de mão-de-obra temporária ou trabalhadores autônomos e relatório informando: (i) se os empregados alocados para atender a sociedade são sempre os mesmos. decisões judiciais proferidas em dissídio coletivo. (vi) valores mensais pagos e se a sociedade exige mensalmente os comprovantes de recolhimento previdenciário e do FGTS. ou dissídios próprios para categorias diferenciadas (secretárias.). 81. Cópia dos Autos de Infração lavrados contra a sociedade nos últimos 02 (dois) anos e respectiva defesa/decisão administrativa/recurso ou guia comprovando pagamento da multa administrativa. acaso existentes.

2. Pelo presente Contrato e na melhor forma de direito. doravante denominada simplesmente “sociedade”. doravante denominado simplesmente “Comprador”. Licença de substâncias sujeitas a controle especial emitida pelo Departamento de Polícia Federal. o Vendedor cede e transfere.2. 105.1. 101. O Vendedor. entre si. usufrutos ou qualquer outra restrição à posse e/ou a qualquer outro direito inerente a tais Quotas. ainda. de acordo com as seguintes cláusulas e condições: CLÁUSULA PRIMEIRA . conforme modelo abaixo. 96. doravante denominado simplesmente “Vendedor”. Inscrição no Cadastro Técnico Federal das Atividades Potencialmente Poluidoras.8. Modelo de Contrato de CoMPra e Venda de quotas Além da alteração do contrato social necessária para transferir quotas. 104.000 (quinze mil) quotas representativas de 50% (cinqüenta por cento) do capital social da sociedade (“Quotas”). Habite-se. 98. 103.1 abaixo. 1. Comprovante de pagamento do TCFA . gravames. as partes podem celebrar adicionalmente um contrato de compra e venda de quotas. 106. neste ato. Licença do órgão sanitário competente para ambulatórios e refeitórios. que deve ser arquivada no registro competente. 99. 102. e (ii) O Vendedor deseja alienar as Quotas.CONTRATOs Em EsPÉCIE 94. Relatório informando a respeito de atividades passadas desenvolvidas nos imóveis onde a sociedade desenvolve suas atividades. Alvará de Licença e Localização emitido pela Prefeitura. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE QUOTAS [NOmE E QUALIFICAÇÃO]. pelo preço certo e ajustado estabelecido na Cláusula 2. 97. O Vendedor e o Comprador (doravante referidos simplesmente como “Partes”) têm. CONSIDERANDO QUE: (i) O Vendedor é legítimo possuidor e proprietário de 15. Certidão de Uso do Solo. e.Taxa de Controle de Fiscalização Ambiental. encargos. turbações. a totalidade de suas Quotas representativas do capital social da sociedade ao Comprador.DA COMPRA E VENDA DAS QUOTAS 1. nos termos ajustados pelo presente instrumento. 100. Listagem das ações judiciais e processos administrativos de cunho ambiental e seus respectivos andamentos. Alvará do Corpo de Bombeiros. 95. declara que as Quotas foram regularmente integralizadas e se encontram inteiramente livres e desembaraçadas de ônus. FGV DIREITO RIO 23 . e [NOmE E QUALIFICAÇÃO]. 1. justa e contratada a celebração do presente Contrato de Compra e Venda de Quotas (“Contrato”). Certificado de Licença de Funcionamento emitido pelo Ministério da Justiça. e que o Comprador deseja adquiri-las. na qualidade de interveniente-anuente: [NOmE E QUALIFICAÇÃO DA sOCIEDADE CUJAs QUOTAs EsTÃO sENDO ALIENADAs]. com todos os respectivos direitos e obrigações. Outorgas do Uso da Água. Licença de Funcionamento emitida pela Vigilância Sanitária.

a esse respeito. ou (iii) com outra comprovação inequívoca de recebimento.1. 4. 4. e somente produzirá efeitos.FORMA DE PAGAMENTO 2. entendimentos e declarações anteriores. (ii) através de carta registrada.1. As Partes declaram e reconhecem que o presente Contrato. O presente Contrato ou quaisquer direitos e/ou obrigações dele oriundos não poderão ser cedidos sem o prévio e expresso consentimento das Partes e da sociedade. conforme o caso. a qualquer tempo.1. rasa e geral quitação com relação ao valor pago. constitui título executivo extrajudicial. assim FGV DIREITO RIO 24 . Na hipótese de qualquer disposição ou parte de qualquer disposição deste Contrato ser tida como nula. entretanto a respectiva comunicação de alteração de endereço só tornar-se-á efetiva após o recebimento pela outra Parte e/ou pela sociedade. mencionado na Cláusula Segunda.DISPOSIÇÕES GERAIS 4.1. O presente Contrato é celebrado em caráter irrevogável e irretratável e obriga e aproveita às Partes e à sociedade.] do Banco [. O presente Contrato constitui o acordo final. plena. no exercício de qualquer direito previsto neste Contrato deverá ser interpretado individualmente e não poderá ser considerado como renúncia por qualquer das Partes ou novação de qualquer obrigação contida neste Contrato. 4... essa disposição será suprimida e não terá nenhuma força e efeito. anulada ou inexeqüível. mediante depósito na conta-corrente nº [. 4. 4..1. 4. mediante comunicação dada na forma prevista acima. do Código de Processo Civil. Todas as notificações e comunicações a serem feitas com relação ao presente Contrato serão elaboradas por escrito e serão enviadas para os endereços constantes do preâmbulo deste Contrato (i) por meio de Cartório de Títulos e Documentos. 4.6.1 acima.7.1 do presente Contrato será de exclusiva responsabilidade do Comprador.9. se formalizada mediante instrumento escrito assinado pelas Partes e pela sociedade... inciso II. Quaisquer dos endereços constantes do preâmbulo poderão ser alterados... total e ajustado para a aquisição das Quotas é de R$ 100.00 (setenta e cinco mil reais) a serem pagos em até 90 dias a contar desta data. 4.] do Banco [. da totalidade do Preço devido ao Vendedor. a ser pago pelo Comprador ao Vendedor da seguinte forma: a) R$ 25. CLÁUSULA TERCEIRA – TRANSFERÊNCIA DAS QUOTAS 3. O não exercício ou atraso por qualquer das Partes e/ou da sociedade. inclusive quaisquer despesas decorrentes de serviços profissionais por ele contratados. por meio da entrega pelo Vendedor ao Comprador do cheque administrativo nº [. e somente poderá ser alterado por instrumento escrito devidamente assinado por todas as Partes. se essa disposição suprimida prejudicar a execução deste Contrato.000. O preço certo..] da conta-corrente nº [.CONTRATOs Em EsPÉCIE CLÁUSULA SEGUNDA .8.00 (cem mil reais) (“Preço”). Fica ajustado entre as Partes que as despesas decorrentes do arquivamento da alteração contratual referida na cláusula 3. constantes do item 2.. a qualquer título.. o pagamento das parcelas que perfazem o Preço.. cessionários e representantes legais. CLÁUSULA QUARTA . por qualquer motivo. A transferência das Quotas será formalizada no ato do pagamento pelo Comprador.00 (vinte e cinco mil reais) pagos neste ato. 2.. 4.. herdeiros. orais ou escritos. Toda e qualquer alteração das disposições do presente Contrato somente será válida e exeqüível. Entretanto. assinado por 02 (duas) testemunhas.5. sendo considerada como mero ato de liberalidade.] da agência [.8. o Vendedor outorgará ao Comprador.. as demais disposições serão modificadas para preservar sua exeqüibilidade. seus sucessores.4.000. Uma vez creditado na conta-corrente do Vendedor. cabal e exclusivo entre as Partes com relação à compra e venda das Quotas. mediante a assinatura da competente alteração do contrato social da sociedade. e b) R$ 75. substituindo todos os acordos.]. nos termos do artigo 585.1.] da agência [.2.].000.3.

por mais privilegiado que possa ser. Rio de Janeiro. Assinatura das Partes e da Sociedade Testemunhas: 1. Nome: CPF/MF: 2. [dia] de [mês] de [ano].CONTRATOs Em EsPÉCIE como as obrigações de fazer aqui contidas comportam execução específica. 632.10. para dirimir quaisquer questões oriundas deste Contrato. Nome: CPF/MF: FGV DIREITO RIO 25 . 4. as Partes assinam este Contrato em 03 (três) vias de igual teor e efeito. Fica eleito o foro da Comarca do Rio de Janeiro. na presença de 02 (duas) testemunhas. E por estarem certas e ajustadas. 639 e seguintes do Código de Processo Civil. à exclusão de qualquer outro. nos termos dos artigos 461.

Comentários ao Código Civil.4. • LÔBO. 1. 174 a 182 e 183 a 194. Jeremias deve devolvê-lo. e que.2. eMentário de teMas: Retrovenda . informando que exerceu o direito de retrovenda do imóvel em face da senhora Ermelinda. 223 a 225. 3. Ele diz que nunca ouviu falar em retrovenda e lhe pergunta o que fazer. sempre gostou muito do Rio de Janeiro e que os cariocas têm muita sorte de conviver com uma paisagem tão privilegiada. roteiro de aula a) retrovenda Direito de recobrar = Direito de retrato = direito de resgate = vendedor tem direito de exigir que o comprador lhe revenda o imóvel. Rio de Janeiro: Forense. III. Caio Mário da Silva. 2003. Antônio Junqueira de. 1. 2002. págs.3. Ele diz que está surpreso porque agora recebeu uma notificação de um tal de Olavo Evolto. Silvio. portanto.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. ele diz que pelo menos uma vez por ano vai ao Rio e que há alguns anos atrás decidiu parar de se hospedar em hotéis e comprou um loft na Barra da senhora Ermelinda Silva. 505 a 532 da Lei nº 10.Da Venda a Contento e da Sujeita a Prova – Preempção ou Preferência ..1. São Paulo: Saraiva. Direito Civil.5.. Embora não seja advogado do senhor Jeremias. (coord.406/2002. AulA 3: CONTRATO dE COmPRA E VENdA (CONT. vol. 2005 . Saraiva. Após alguns minutos enaltecendo a beleza da cidade. quais são as duas principais perguntas que você deve fazer a ele para poder dar uma orientação inicial sobre o caso? 1. In: AZEVEDO. biblioGrafia CoMPleMentar: • Parecer Jurídico DNRC/ COJUR/ n° 217/03 – direito de preferência na cessão de quotas..). São Paulo: Ed.Contratos. Instituições de Direito Civil . • RODRIGUES. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.3. Das várias espécies de contratos. Caso Gerador: Jeremias encontra você trabalhando na diligência legal e aproveita para lhe fazer uma consulta “informal”. Paulo Luiz Netto.3.3. apesar de morar em Brasília. 215 a 225.3.3.). Parte Especial. • PEREIRA.3. 6.CláuSulAS ESPECIAIS dA COmPRA E VENdA 1.Venda com reserva de domínio – Da venda sobre documentos 1. FGV DIREITO RIO 26 . biblioGrafia obriGatória: • Arts. págs.vol. vol. págs. Ele conta que.

505. caso o comprador queira vender esse bem a terceiros. silvio. pág. 187. A concordância do comprador é. Relembrando. sempre que chegam novas peças que Marli acha que são do gosto de Mônica. Está demorando mais do que o normal para ela se manifestar. instituto superado”6. Somente com a concordância do comprador. Por que você acha que o legislador restringiu o instituto da retrovenda apenas aos bens imóveis? O prazo para recobrar o imóvel é decadencial. durante o período de resgate. 3. O vendedor de coisa imóvel pode reservar-se o direito de recobrá-la no prazo máximo de decadência de três anos. vol. portanto. saraiva. o vendedor pode vir a resguardar seu direito de preempção ou direito de preferência. 189. que se pagar o mesmo valor oferecido pelo terceiro. Dona Marli acompanhou em todos esses anos a vida da família Russo. Para que tenha efeito erga omnes7. Direito Civil. por exemplo. Tendo em vista o que aprendemos nas aulas anteriores. restituindo o preço recebido e reembolsando as despesas do comprador. Ela sempre é atendida pela dona Marli. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. ela manda para a casa da senhora Russo as novas peças para que ela possa experimentar e decidir se vai comprá-las ou não. A gerente da loja já está pressionando Marli. juntamente com a escritura pública de compra e venda.”8. saraiva. Assim. hoje. RODRIGUEs. quais são as conseqüências de ser um prazo decadencial e não prescricional? b) da Venda a Contento e da sujeita a Prova A venda a contento é cada vez mais rara atualmente em razão da “padronização de mercadorias. ele estará obrigado a oferecer o bem ao vendedor. Apesar de ser mais rara. “. inclusive as que. Analisando o artigo 505 da Lei 10. a difusão dos preços fixos. o domínio do bem não é transferido. quais são as conseqüências do domínio não ser transferido pela tradição da coisa móvel? Duas semanas se passaram e dona Mônica ainda não deu retorno a dona Marli sobre as roupas. no caso da venda a contento. FGV DIREITO RIO 27 . silvio. podemos extrair alguns requisitos da retrovenda.CONTRATOs Em EsPÉCIE Muitos entendem que a retrovenda caiu em desuso em razão do compromisso de compra e venda. pois vai querer vender as peças a outras clientes.. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. com muito mais eficácia e maior economia.. Esse exemplo nos mostra que. Quais são eles? “Art.406/2002. ou para a realização de benfeitorias necessárias”.. terá preferência sobre ele. vol. Direito Civil. a despersonalização das relações entre as partes. 3. RODRIGUEs. uma condição suspensiva para a alienação. E agora? O que dona Marli deve fazer? C) Preempção ou preferência Ao vender um bem. são Paulo: Ed. Assim. 6 7 8 Oponível a terceiros. embora haja a tradição do bem móvel.. Dona Mônica.o compromisso de venda e compra preenche. compra roupas da boutique Charmosa há mais de dez anos. o papel que durante algum tempo a retrovenda desempenhou. ela ainda pode ocorrer. pág. são Paulo: Ed. se efetuarem com a sua autorização escrita. Daí ser ela. Dona Mônica é uma cliente muito querida e conhecida por todas as vendedoras da loja. o direito de retrovenda deve ser registrado no registro de imóveis. o domínio é transferido.

estando disposto a pagar ao comprador o preço que ele tiver conseguido com terceiros. A venda com reserva de domínio restringe-se aos bens móveis e exige forma escrita.404/197610. o domínio permanece com o vendedor até que a última prestação seja paga pelo comprador. após a realização da diligência legal e da celebração do contrato de compra e venda das quotas da Pechincha Ltda. que poderão comprá-las pelo mesmo preço e condições oferecidos ao terceiro. como instrumento de composição de grupos. Afinal. Tendo em vista que esse acordo de quotistas nunca foi divulgado e nem sequer mencionado na diligência legal. o senhor Eduardo se comprometia a oferecer direito de preferência a esse outro sócio no caso de alienação de suas quotas. Os acordos de acionistas. 10 FGV DIREITO RIO 28 . 2001. José Edwaldo Tavares.. Se o prazo não for estipulado. entre outros acertos.CONTRATOs Em EsPÉCIE Para que esse direito exista são necessários os seguintes requisitos: – o comprador tem que querer vender o bem adquirido. ao contrário do que ocorre com os bens imóveis que exigem solenidade para sua transferência. e como contrato atípico. Deste modo. não é raro vermos a estipulação de direito de preferência em outros contratos. a ele se aplicam os preceitos gerais. A cláusula de direito de preferência é muito comum. é comum que pessoas realizem operações de venda de bem móvel sem consultar registros ou sem exigir a prova da propriedade do vendedor. sobre compra e venda de suas ações. Vamos supor que. exercício do direito a voto. em acordos de acionistas9. Porém. rev. o direito de preferência caducará em 3 (três) dias. A venda com reserva de domínio é uma venda condicional que se aperfeiçoa na ocorrência de um evento futuro e incerto: o pagamento do preço. no caso de bem imóvel. sendo um contrato. Assim. Quais são as diferenças entre a preempção e o direito de retrovenda? O direito de preferência é um negócio acessório. assim como na venda a contento. – o vendedor tem que exercer o direito no prazo. A venda com reserva de domínio pode trazer insegurança jurídica uma vez que. – Rio de Janeiro: Renovar. 118. 322). ou a 2 (dois) anos. sócio detentor de apenas 1% das quotas da Pechincha Ltda. por meio de acordo de acionistas. preferência para adquiri-las. no qual. Além disso. no caso de bem móvel. e em 60 (sessenta) dias. os contratantes podem convencionar que se um deles desejar vender sua participação a terceiro será obrigado a oferecer as suas ações primeiro aos demais acionistas. concernentes a essa categoria jurídica. e atual. que dispõe sobre as sociedades por ações.. aplica-se a regra geral de que a propriedade do bem móvel transfere-se com a tradição do bem. nosso cliente seja procurado pelo senhor Oportunista. se não há previsão expressa da reserva de domínio. basicamente. que lhe afirma que a venda das quotas não foi válida. para que seja oponível a terceiros. No caso de venda com reserva de domínio. o contrato deve ser registrado no Registro de Títulos e Documentos. ou do poder de controle deverão ser observados pela companhia quando arquivados na sua sede”. geralmente vinculado à compra e venda. Direito societário – 7 ed. como se resolveria esta situação utilizando-se apenas as regras previstas no Código Civil? d) Venda com reserva de domínio A venda com reserva de domínio popularizou-se com o aumento das vendas com pagamento em prestações. 9 “Art. O prazo começa a contar a partir da notificação do proprietário (comprador) ao vendedor informando sobre seu interesse em vender o bem. Silvio Rodrigues comenta: “Destina-se o acordo de acionistas a regrar o comportamento dos contratantes em relação à sociedade de que participam. por exemplo. Tanto é assim que a Lei nº 6. vinha sendo celebrado no período anterior à atual lei das sociedades anônimas” (Borba. embora o bem seja entregue ao potencial comprador. O prazo para exercer o direito de preferência não poderá ser superior a 180 dias se o bem for móvel. pág. funcionando. – o vendedor tem que querer recomprar o bem. aum. se o bem for imóvel. uma vez que há três anos atrás fez um acordo de quotistas com o senhor Eduardo. reconheceu que o direito de preferência é um dos tópicos que pode ser tratado em acordo de acionistas.

em caráter irrevogável e irretratável. diariamente. (coord. Parte Especial. 1. por escrito. senão mediante venda. o vendedor tem duas opções: mover ação de cobrança das prestações vencidas e vincendas e o que mais lhe for devido ou reaver a posse da coisa vendida. apenas pode ter por objeto coisa móvel. Antônio Junqueira de.6. O vendedor se libera da obrigação de entregar a coisa remetendo ou entregando ao comprador o título representativo da mercadoria”12. Por sua natureza.). Paulo Luiz Netto. com reserva de domínio”11. nos termos deste Acordo. pág. Modelo Exemplo de cláusula de direito de preferência em Acordo de Acionistas: “VI – ALIENAÇÃO OU ONERAÇÃO DE AÇÕEs 6. Das várias espécies de contratos. doar. c. as “Demais Partes”). dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.CONTRATOs Em EsPÉCIE “Teoricamente tal sistema é perfeito. d. 11 LÔBO. Pacto comissório. A obrigatoriedade da tradição da coisa é satisfeita com a entrega ao comprador de documento representativo.7. 6.. Preempção. RODRIGUEs. permutar.3. questões de ConCurso (Prova: 18º Exame de Ordem . Direito Civil. não se pagando o preço até certo dia. Retrovenda. não pago. 1.1ª fase) Ajustado que se desfaça a venda. As comunicações a que se refere o item anterior indicarão o potencial adquirente. observado o disposto nesta Cláusula 6ª. ou por qualquer outra forma alienar ou transferir. In: AZEVEDO. para que estas possam exercer o seu direito de preferência. pág. bem como a especificação da quantidade e espécie das ações a serem alienadas (as “Ações Ofertadas”). Essa cláusula especial à compra e venda é denominada: a. são Paulo: Ed. para pagamento em moeda corrente nacional. a qualquer título. 3. vol. fornecendo inclusive as informações previstas no item 6. a não vender. silvio. no todo ou em parte. as ações de sua titularidade. às demais Partes (a seguir. e) da venda sobre documentos O Código Civil de 1916 não previa essa modalidade de venda. comentários ao código civil.3. são Paulo: saraiva. “A venda sobre (ou contra) documentos tem por finalidade dar mais agilidade às transações mercantis que envolvam venda de mercadorias. Venda a contento. Cada uma das Partes se obriga.1 abaixo (a seguir o “Potencial Adquirente”). poderá o vendedor. o preço e condições de pagamento.1. prometer vender. Apenas ele não funciona na prática. Se o comprador está em mora. a “Parte Cedente”). 6. b. 2003.2. ficando a Parte que desejar alienar. suas ações da COMPANHIA (a seguir. vol. 216 12 FGV DIREITO RIO 29 . neste ato. saraiva. para que seja exigível o pagamento do preço. 176.2. desfazer o contrato ou pedir o preço. obrigada a primeiramente oferecê-las. principalmente nos grandes centros e tendo em vista a quantidade fantástica de bens móveis duráveis vendidos.

devendo as Demais Partes igualmente subscrever o instrumento. deverá identificar também as respectivas Partes ou sócios que detenham o controle do Potencial Adquirente e/ou participações societárias que representem 10% (dez por cento) ou mais de seu capital votante e/ou de seu capital total e assim sucessivamente. a Parte Cedente poderá.1 supra. como condição para sua validade e eficácia. nos 60 (sessenta) dias seguintes. a aquisição deverá ser efetuada nos 30 (trinta) dias seguintes ao decurso do prazo referido nas alíneas anteriores. contudo.1 supra. desde que tenham sido observadas as formalidades previstas nesta Cláusula 6ª”. com os mesmos direitos e obrigações da Parte Cedente.3.1 supra e abranger todas e não menos do que todas as Ações Ofertadas.1 abaixo. (b) será facultado às Demais Partes estenderem seu direito de preferência à aquisição de sobras. as Demais Partes terão preferência para adquirir as Ações Ofertadas. a assinar o citado instrumento. Caso o Potencial Adquirente seja uma sociedade.2. FGV DIREITO RIO 30 .4. 6.CONTRATOs Em EsPÉCIE 6. observando-se.4.1. até atingir as pessoas físicas. Na hipótese do item 6. desde que se manifestem nesse sentido no prazo de 60 (sessenta) dias fixado na letra (a) deste item. proporcionalmente às Ações que possuírem. ainda. desde que observado o procedimento previsto no item 6. mas não menos do que todas as Ações Ofertadas ao Potencial Adquirente indicado e ao mesmo preço e nas mesmas condições constantes das comunicações referidas no item 6. se houver. o seguinte: (a) a preferência deverá ser exercida no prazo de 60 (sessenta) dias a contar da data do recebimento da comunicação referida no item 6. 6.4. Na proporção do número de ações que possuírem. 6. Não havendo manifestação das Demais Partes. o instrumento contratual de compra e venda das ações deverá conter cláusula pela qual o adquirente manifeste sua adesão incondicional ao presente Acordo. a comunicação do item 6. (c) caso sejam recebidas manifestações de exercício de preferência que totalizem quantidade de ações superior a das Ações Ofertadas.1. pelo mesmo preço e condições oferecidos pelo Potencial Adquirente.4. proceder-se-á ao respectivo rateio entre as Partes interessadas. como intervenientes anuentes. alienar todas. e (d) exercida a preferência. ficando obrigadas as Demais Partes.

• PEREIRA. (coord. 205 a 209. AulA 4: TROCA Ou PERmuTA. que por ter sido celebrado entre grandes amigos. eles resolveram unir o útil ao agradável e celebraram um contrato de permuta. III. 199 a 203/ págs. 6. 2005 . na qualidade de advogados da Grana Certa S. Ele explica.1. quando os bens passaram a ser trocados por moeda.4.4. E agora? O contrato continua válido? O que recomendar? 1.4. ampl. Há algum tempo atrás. • DINIZ.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Caso Gerador Durante o processo de diligência legal. Caio Mário da Silva. Rio de Janeiro: Forense. dono de um jornal de bairro. cansado e já querendo se aposentar. roteiro de aula a) Permuta A troca ou permuta é o contrato mais antigo. vol. nós. o senhor Nicanor vendeu seu jornalzinho a uma grande editora que quer transformá-lo em um jornal de grande circulação em Brasília. Comentários ao Código Civil.2002). Paulo Luiz Netto. tivemos a oportunidade de visitar o supermercado Pechincha por diversas vezes. Parte Especial. FGV DIREITO RIO 31 . São Paulo: Saraiva. 2003. e atual. um pouco sem graça. págs.5.. inclusive. completa. o senhor Eduardo está um pouco preocupado.4.. págs. com produtos fartos e de alta qualidade. In: AZEVEDO. 2002. Maria Helena. CONTRATO ESTImATóRIO 1. Ocorre que. que não seja dinheiro. Consiste na entrega de uma coisa para recebimento de outra.4. 233 a 237. Das várias espécies de contratos. Instituições de Direito Civil . de acordo com o novo Código Civil (Lei 10. 226 a 272.406.406/2002. o senhor Eduardo Russo nos contou a seguinte história. 533 a 537 da Lei nº 10.Contratos.).. já tendo contratado. o contrato não era muito detalhado. eMentário de teMas: Permuta. biblioGrafia obriGatória: • Arts. 1. Contrato Estimatório. Tratado teórico e prático dos contratos.01.vol. 17ª ed.3. Sabendo disso. por exemplo.4. págs. Ela deu origem ao contrato de compra e venda.A. segundo o qual todo domingo o jornal do Nicanor publicaria anúncio do Supermercado Pechincha e em troca ao final do ano o Supermercado Pechincha forneceria aos funcionários do jornal uma cesta de Natal. Em uma de nossas visitas. de 10. não contendo.2. o número exato de cestas de Natal a serem trocadas. São Paulo: Saraiva. 1. o dobro de funcionários.4. pois não estava contando com um número tão grande de cestas de Natal. Há muitos anos era grande amigo do senhor Nicanor Tício. Antônio Junqueira de. biblioGrafia CoMPleMentar: • LÔBO. 1.

aplicam-se à permuta as regras da compra e venda. ficando o consignatário obrigado a devolver o bem ou entregar ao consignatário o preço previamente ajustado pela coisa dentro do prazo determinado. Para retribuir a um favor seu. cedendo-lhe o poder de dispor da coisa. Assim como o contrato de compra e venda.406/2002). Como você aconselharia Ana Maria. O uso da torna no contrato de permuta divide os doutrinadores sobre a natureza do contrato: seria ele uma compra e venda ou uma permuta? Muitos entendem que a existência da torna não descaracteriza a permuta. Ana Maria fica muito triste. lhe oferece um conjunto de xícaras de porcelanas chinesas. O que você acha? A caracterização como compra e venda ou permuta leva a conseqüências práticas em razão dos itens que foram especificamente diferenciados no art. sua amiga. Mesmo sem ver muita utilidade para tal presente. você agradece e pergunta quando pode buscá-lo. desde que pague a parte que lhe entregou o bem o preço que entre elas foi estimado.406/2002. por que você acha que o legislador chamou de contrato? Contrato estimatório é o contrato pelo qual o proprietário (consignante) entrega a posse da coisa à outra pessoa (consignatário). esse contrato só veio a ser regulado como contrato típico no novo Código Civil (Lei nº 10. a parte cujo bem tem valor inferior ao outro. porém. Apenas os bens móveis e que estão no comércio podem ser objeto do contrato estimatório. pois percebe que seu conjunto de chá não poderá mais ser utilizado. b) Contrato estimatório Embora já fosse realizado na prática. que seja na verdade o objeto da prestação principal. ficando as demais apenas rachadas. As partes estimam um preço pelo bem. Intrigado. você vai ao Código Civil para consultar esse tipo de contrato e fica um pouco desapontado. não gera efeitos reais. O Código Civil fez apenas duas distinções no que diz respeito à aplicação das regras da compra e venda. deixando o cair. você pergunta o que o conjunto está fazendo na loja e ela lhe explica que celebrou um contrato estimatório com o dono da loja. não sendo necessário que os bens sejam da mesma espécie ou valor. O contrato de permuta tem a mesma natureza jurídica da compra e venda: é bilateral. que nada mais é do que a venda em consignação. Todas as coisas que não sofram indisponibilidade natural. dentro de prazo determinado. Ao chegarem à loja. Ana Maria então lhe explica que o conjunto está na loja Brechó da Vovó. mas sim a obrigação de transferir ao outro o domínio da coisa objeto de permuta. Você vai junto com Ana Maria para buscá-lo. Ana Maria nota que além de faltar uma das peças. Quais são elas? Quando os bens a serem permutados têm valores desiguais. Sendo assim.CONTRATOs Em EsPÉCIE Atualmente a compra e venda é muito mais utilizada. mas a permuta mantém seu espaço no ordenamento jurídico. A parte que recebe o bem pode vendê-lo a terceiro por qualquer valor. legal ou convencional podem ser permutadas. Por quê? Estando para terminar o prazo do contrato estimatório. O dono da loja explica a Ana Maria que um de seus funcionários estava arrumando a loja e que sem querer esbarrou no conjunto. muitas outras estão rachadas. neste caso? FGV DIREITO RIO 32 . oneroso e consensual. conhecido neste caso como torna. mas que felizmente apenas uma das peças havia se quebrado. a não ser que o valor da torna seja de tal modo superior. Curioso. Ana Maria. 533 da Lei n° 10. a loja Brechó da Vovó procura Ana Maria para devolver o conjunto de xícaras que não foi vendido. Por serem tão parecidos. completa sua prestação com dinheiro.

(coord.5. empresário.Espécies de doação . Saraiva.Resolução e revogação da doação. Das várias espécies de contratos. você notou o contrato abaixo: INSTRUMENTO PARTICULAR DE DOAÇÃO EDUARDO RUSSO. (iii) O DOADOR deseja doar.Doação de ascendente para descendente . em conjunto.2. 272 a 385. São Paulo: Ed. empresário. em vida. casado. brasileiro. doravante denominada “Sociedade”.5. JEREMIAS RUSSO.406/2002.. Caso Gerador: Dentre os contratos recebidos.). com seus atos constitutivos registrados na Junta Comercial de Brasília sob o número 11111111. Antônio Junqueira de. com sede em Brasília.Restrições à liberdade de doar . 538 a 564 da Lei nº 10. 3. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy. Paulo Luiz Netto. residente e domiciliado em Brasília.. AulA 5: dOAçãO 1. solteiro. doravante denominado simplesmente “DOADOR”. inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. biblioGrafia obriGatória: • Arts. págs. Direito Civil. (iv) O DOADOR sujeita tal doação à execução integral e tempestiva. por parte do Donatário. In: AZEVEDO. 2003. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. (ii) O DONATÁRIO é herdeiro necessário do DOADOR. págs. ao DONATÁRIO. brasileiro. abaixo estabelecidos. Distrito Federal.000 (noventa e nove mil) quotas representativas de 99% do capital social da sociedade limitada denominada Pechincha Comércio Varejista Ltda.5. 6. doravante denominado simplesmente “DONATÁRIO”. vol.4. Distrito Federal. DOADOR e DONATÁRIO doravante denominados. biblioGrafia CoMPleMentar: • LÔBO. Distrito Federal. 197 a 216. São Paulo: Saraiva. todos relacionados com a finalidade de manter a tradição da família preoFGV DIREITO RIO 33 . de determinados encargos.3. 1.1. CONSIDERANDO QUE: (i) O DOADOR é titular de 99. para iniciar a transferência dos negócios da família e fomentar negócios das futuras gerações da sua família.5. vol. 2002. inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202. Parte Especial. portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx. 1.000 (cinqüenta mil) quotas (“Quotas”).5. Silvio. residente e domiciliado em Brasília. • RODRIGUES. simplesmente como Partes. 1. 50. eMentário de teMas: Características do contrato de doação – Aceitação . Comentários ao Código Civil.

4. resolvem as Partes de comum acordo e na melhor forma de direito celebrar o presente Instrumento Particular de Doação (“Instrumento”). (iv) um bar. no prazo máximo de 24 (vinte e quatro) meses. objeto da presente doação. (v) um play para crianças. descendentes e ascendentes terão direito de desfrutar do clube mediante pagamento de mensalidade em valor simbólico. (d) Os funcionários e seus cônjuges. conforme autoriza o artigo 553 do Código Civil Brasileiro. que representam 50% do capital social da Sociedade. as Quotas. as seguintes obrigações: 2. 24 de abril de 2004. Nome: CPF/MF: FGV DIREITO RIO 34 . portanto.2.. 2. Eduardo Russo Testemunhas: 1. ônus ou encargos de qualquer natureza. Brasília. (c) O clube deverá empregar pelo menos 20 funcionários para segurança. outros dois brinquedos do gênero. Fica eleito o foro Central da Comarca de Capital do Estado do Rio de Janeiro. providenciar a constituição legal do clube e a contratação da mão de obra necessária para o funcionamento do clube. O DONATÁRIO deverá. Nome: CPF/MF: Jeremias Russo 2. (e) O clube será aberto apenas aos Funcionários e seus familiares.3. com escorrega. como na verdade efetivamente doa.. com a renúncia expressa de qualquer outro. nunca superior a 5% de seu salário. incluindo dos funcionários do Supermercado Pechincha (“Funcionários”). por mais privilegiado que venha a ser. 3. na presença das 02 (duas) testemunhas abaixo assinadas. com pelo menos as seguintes medidas. ao Donatário. contados da data de assinatura deste Instrumento. balanço e. (iii) uma piscina profunda. O DONATÁRIO poderá alugar. ficando. Fica registrado que o imposto de doação incidente sobre a presente operação foi recolhido.. decide doar. E por estarem assim justas e contratadas. não sendo mais permitido o seu acesso em caso de demissão ou desligamento. encontram-se livres e desembaraçadas de quaisquer dívidas. sem qualquer induzimento ou coação. comprar ou arrendar um terreno para que o clube seja instalado. (ii) uma piscina rasa para crianças até 5 anos. obrigado a cumprir. as partes firmam o presente Instrumento em 02 (duas) vias de igual forma e teor. Esta doação fica sujeita ao cumprimento dos encargos abaixo estabelecidos. O clube deverá atender aos seguintes requisitos: (a) O clube deverá ter no mínimo: (i) duas quadras polivalentes para a prática de esportes em grupo. herdeiros e sucessores.1 O DONATÁRIO deverá providenciar um clube para que os funcionários possam desfrutá-lo nos dias de folga. mediante o DARJ cuja cópia constitui o Anexo I ao presente Instrumento. de livre e espontânea vontade.CONTRATOs Em EsPÉCIE cupada com o bem estar da comunidade em que vive. pelo menos. O DOADOR. que vigerá de acordo com as seguintes cláusulas e condições. 5. o Donatário. e (v) as quotas representativas do capital social da Sociedade. A doação ora feita é obrigatória para as partes contratantes. (b) O clube deverá funcionar todos os fins de semana e feriados. limpeza e bom funcionamento do clube. observados os artigos 538 e seguintes do Código Civil Brasileiro: 1. 2. para dirimir as questões decorrentes do presente Instrumento. 2. com auxílio jurídico.

É uma liberalidade do doador. podendo. que sempre demonstrou ser contra a realização do negócio entre o senhor Eduardo e o nosso cliente. – presumida pela lei – nos casos previstos nos arts. 539. você teria alguma sugestão? 1. Chegando a casa. – Gratuito – em regra. Percebendo que ela. ficou muito triste porque não conseguiria jogar. aparentemente detém 50% das quotas da Pechincha Ltda. exceto nos casos de bens móveis de pequeno valor. Ocorre que a família era pé quente e os números escolhidos por José foram sorteados! Analisando esta situação. inviabilizar a compra do negócio. como havíamos sido informados no início da diligência legal. que ainda não recebeu os discos porque eles estão guardados na casa de veraneio de sua tia. Exemplo: Doador doa recursos ao donatário. Curioso (a) você pede para ver a coleção. Analisando. Por exemplo. o doador não espera qualquer prestação do donatário. pois.406/2002. E agora? Que pontos devem ser levados em consideração? A doação é válida? Tem alguma medida que possa ser tomada para anular essa doação? Supondo que você fosse o advogado do senhor Eduardo Russo e tivesse sido consultado antes do contrato ser assinado. prêmio pago a alguém que encontrou seu cachorro desaparecido. – Solene – a lei impõe forma escrita para doação. porém. escrita ou por gestos. Jeremias. o senhor Eduardo Russo não seria mais o proprietário de 99% das quotas. havendo a tradição imediatamente depois. que se encontrava doente e com dificuldade para se movimentar. conta que ganhou de sua prima a coleção de discos desse famoso grupo inglês. Lucy já pode se considerar proprietária da coleção? O sorteio da Mega Sena estava acumulado e o prêmio estimado em vinte milhões de reais. José deu para a avó o bilhete da Mega Sena. de acordo com ele. C) espécies de doação Doação pura – é pura liberalidade. A doação remuneratória e a doação com encargo perdem a característica da gratuidade? FGV DIREITO RIO 35 . roteiro de aula a) Características do contrato de doação O contrato de doação é: – Unilateral – envolve prestação de apenas uma das partes. do ponto de vista legal. (art. 541) Lucy. mas que não podia ser exigido pagamento pelo doador. portanto. Doação remuneratória – tem o objetivo de pagar um serviço prestado pelo donatário. ele contou a sua avó que havia jogado na Mega Sena. mas o donatário fica obrigado a pagar uma mesada a um parente do doador. Lucy conta. – tácita – quando resulta de comportamento do donatário incompatível com sua recusa à doação.5. grande fã dos Beatles. Seu amigo José resolveu fazer uma aposta.CONTRATOs Em EsPÉCIE Esse contrato deixou nossa equipe de diligência apreensiva. 543 e 546 da Lei nº 10..5. você consideraria que foi uma doação de pequeno valor? b) aceitação A aceitação pelo donatário é elemento indispensável para a doação e pode ser: – expressa – quando é manifestada de forma verbal. o doador impõe ao doador uma contraprestação que resulta em vantagem para o próprio doador ou para terceiro. Doação com encargo – nessa espécie de doação. Seu filho. O doador não espera do donatário qualquer ato ou prestação por parte do donatário.

pertence aos herdeiros necessários13 a metade dos bens da herança. que trata da fraude contra credores.406/2002 Embora esta restrição não esteja expressa no capítulo sobre doação do Código Civil. Se você fosse o juiz. se o doador não tiver herdeiros necessários. No momento da doação deve ser aferido se o bem a ser doado é superior à metade dos bens do doador. coordenação Luiz Eduardo Alves de siqueira – 3 ed. rev. – Doação do cônjuge adúltero a seu cúmplice – art. os ascendentes e o cônjuge. Ruth. ou seja.406/2002 Essa restrição tem como propósito proteger o cônjuge e os herdeiros necessários. depois de ressarcidos os privilegiados”. 550 da Lei nº 10.406/2002 O objetivo dessa restrição é proteger o doador e também a sociedade. (art. ela está prevista no art. solicita que o juiz considere como adiantamento de legítima a Raquel. 1.406/2002). 158 da Lei nº 10. Sendo assim. Qual foi o mecanismo adotado no caso da doação? E se o pai realmente quiser doar algo para um dos filhos em detrimento dos outros? Com a morte de seus pais. os Os herdeiros necessários são os descendentes. vimos que é anulável a venda de ascendente a descendente. Para proteger os credores quirografários14 do doador.) 14 FGV DIREITO RIO 36 . 13 Credor Quirografário ou simples: “aquele que não tem título que lhe dê preferência.CONTRATOs Em EsPÉCIE d) restrições à liberdade de doar – Doação de todos os bens do doador – art. são Paulo: Rideel. possui os mesmos direitos que os credores comuns. o código prevê que eles podem anular a doação quando o doador estiver insolvente com eles ou ficar insolvente com os credores por ter doado bens a terceiros. ele terá ampla liberdade de doar seus bens. De acordo com o art. o que você faria? f) resolução e revogação da doação A doação pode ser desfeita: – por motivos comuns a todos os contratos – embora não esteja prevista no capítulo específico sobre doações. Por outro lado. (Dicionário Técnico Jurídico/ organização Deocleciano Torrieri Guimarães. tendo em vista que a outra metade constitui a legítima. e é assegurada aos herdeiros necessários. 548 da Lei nº 10. 2001. sem consentimento dos outros descendentes. e atual. o legislador preocupou-se em tentar evitar que um dos filhos seja beneficiado pelos pais em detrimento do outro. Raquel pede que o juiz considere como adiantamento de legítima à Ruth os gastos que os pais tiveram com a festa de casamento de Ruth. Ruth e Raquel abriram o inventário. 158 do Código Civil. e) doação de ascendente para descendente Como já vimos anteriormente. se o doador tem herdeiros necessários. no caso da compra e venda. aplicam-se as regras gerais a todos os contratos. Na permuta entre descendente e ascendente. ele só pode doar metade de seus bens. sendo pago em rateio do saldo que houver.846. 549 da Lei nº 10. como visto anteriormente.406/2002 Essa restrição visa proteger o patrimônio dos herdeiros. evitando que o doador passe a ficar totalmente desamparado e tenha que ser assistido pelo Estado. 1.845 da Lei nº 10. todas as despesas que os pais tiveram para pagamento do doutorado de Raquel em Paris. Dessa forma. é anulável a troca de valores desiguais. exceto se os outros descendentes expressamente consentirem. por sua vez. – Doação de parte que caberia à legítima – art. observando-se apenas as demais restrições previstas no Código Civil. – Doação que prejudique os credores do doador – art.

Rita foi visitar sua mãe na casa de veraneio e aproveitou para buscar a coleção de discos dos Beatles e entregá-la a Lucy. no qual o doador sobrevive ao donatário e o domínio do bem volta ao patrimônio do doador. Lucy tem razão de ficar preocupada? E se Lucy tiver alugado a coleção para um amigo? 1. no caso previsto no art. encontrando-o na entrada do prédio. c. acabou perdendo a paciência e. ao chegar bêbado. que é também irmão de Rita. Depois que fez a doação descobriu que Alfredo não era seu filho e então pretende anular a doação. A doação poderá conter cláusula de retorno do bem ao doador. 158 a 165 (fraude) e 167 (simulação). além de fazer barulho até altas horas da madrugada. acabou por bater no carro de Lucy que estava estacionado na garagem do prédio.CONTRATOs Em EsPÉCIE defeitos15 que podem macular o ato jurídico. se sobreviver ao donatário. uma noite.6. resolveu fazer uma doação de um apartamento para ele. o doador pode desfazer a doação. ainda que se trate de bem móvel de pequeno valor.É anulável a doação do Cônjuge adúltero ao seu cúmplice. no dia seguinte. que. 15 FGV DIREITO RIO 37 . dolo e coação) e arts. b.5.1ª fase) Não constitui regra aplicável às doações a que abaixo se destaca: a. Prova: 22º Exame de Ordem . indicando em caso positivo qual o seu fundamento. mas restringiu a possibilidade de revogar a doação por ingratidão a determinadas causas e regulou seus efeitos. 547. 138 a 155 (erro. Essa foi a gota d’água para Lucy que. são motivos para anular a doação. A doação dos pais aos filhos importa adiantamento da legítima. Rever arts. – por ser resolúvel o negócio – ocorre. Lucy ficou muito satisfeita com a prima. dolo. mas isso não foi suficiente para apagar a velha briga que tem com o seu vizinho Paul. Esclareça se existe algum vício na manifestação de vontade. – por ingratidão do donatário – o legislador visou punir o donatário. Para completar. A doação deverá ser feita por escrito. se o donatário não cumprir o encargo no prazo assinalado pelo doador. simulação e fraude. coação. d.2ª fase PROVA DIsCURsIVA João acreditando que Alfredo era seu filho natural (filho biológico não registrado) do namoro que manteve com mãe do Alfredo. questões de ConCurso (Prova: 10º Exame de Ordem . na frente dos porteiros e de alguns moradores que aguardavam o elevador. não paga em dia as cotas do condomínio do prédio onde vivem. A doação pode ser revogada: – por descumprimento do encargo – no caso de doação com encargo. por exemplo. chamou de irresponsável e outros adjetivos de baixo calão que não convém replicar para nosso leitor. como erro. Lucy diz que Rita é muito ligada a seu irmão e diz que teme que esse incidente com Paul possa ter impacto na doação de Lucy. Paul se disse muito ofendido por Lucy. Paul é um péssimo vizinho.

III.6. ao se falar em locações. 267 a 301 1. 2002. São Paulo: Ed.1. 565. 217 a 227. Trata-se de contrato: FGV DIREITO RIO 38 . ainda hoje existe uma diferenciação no ordenamento quanto às diversas espécies de locação. comerciais e de temporada). Saraiva. Caio Mário da Silva. 2005.6.3. • RODRIGUES. roteiro de aula a) introdução Modernamente. no âmbito destas aulas. ter-se-á sempre em mente a idéia de locação de coisas (locatio rei). mediante certa retribuição. 1. se fala sempre em locação de coisas. [conceito do contrato de locação] O núcleo do contrato de locação é a cessão de uma coisa não fungível entre o seu proprietário – o locador – e aquele que se utilizará da coisa – o locatário. Código Civil Art. e o maior exemplo disto é a locação de prédios urbanos (residenciais. que merecem um regramento especial próprio. por tempo determinado ou não. Na locação de coisas. conforme diretiva do próprio código (art. o uso e gozo de uma coisa não fungível. AulA 6: CONTRATO dE lOCAçãO. Rio de Janeiro: Forense. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. uso e gozo de uma coisa não fungível”). uma das partes se obriga a ceder à outra.245/1991).036 do código e Lei nº 8. lOCAçãO dE COISAS. Portanto. 3. eMentário de teMas: Introdução – Elementos do contrato de locação – Obrigações do locador – Obrigações do locatário 1.. respectivamente. 1.6. págs.6. Todavia. pode-se extrair as características principais do contrato: a cessão da coisa (“ceder à outra. tratadas no direito romano como espécies de locação.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Direito Civil. A locação de serviços e de obras. quando se fala em locação. que são regidos por legislação especial. 2.2. biblioGrafia CoMPleMentar: • PEREIRA.. Do claro conceito legal. quando há vínculo empregatício) e para a empreitada..6. Silvio. biblioGrafia obriGatória: • Arts. consentimento (“se obriga a”) e prazo (“por tempo determinado ou não”). algumas são consideradas tão especiais pela mens legis. págs. 565 a 578 da Lei nº 10. preço (“certa retribuição”).4. evoluiu para a prestação de serviços (e para o Direito do Trabalho. Instituições de Direito Civil. vol.406/2002. vol.

o pagamento de uma prestação não exaure o contrato. a lei privilegia a não-fungibilidade do bem. salvo as deteriorações do seu uso regular. as vagas autônomas de garagem. IV. É muito comum considerar o contrato de leasing ou arrendamento mercantil como uma locação de coisas móveis. havendo um grande avanço jurisprudencial na matéria. e. o preço e o objeto do negócio. Note-se que. todavia. (ii) não se destinam à locação as coisas consumíveis no seu primeiro uso. por exemplo. e (iii) por outro lado. se houver). como na compra e venda.245) um tratamento especial às locações reduzidas a contrato escrito. portanto. sem exigir forma específica16. sem que ela perca a sua infungibilidade (ex. como o dinheiro. como se vê do próprio conceito legal. a tradição da coisa. (iii) consensual. (iv) comutativo. FGV DIREITO RIO 39 . O fato de um bem ser inalienável não impede o seu uso em locação. Disso decorrem algumas conseqüências: (i) segundo o art. não se trata de contrato real. 1º. tal contrato possui peculiaridades específicas com relação à locação comum de coisas regulada pelo Código Civil (como. b) elementos do contrato de locação Os elementos do contrato são. pode ser objeto da locação se algum acessório da coisa for consumido. em caso de alienação do bem. pois é da natureza do contrato a retribuição econômica por parte do locatário. o contrato de locação é de execução continuada ou de trato sucessivo. (ii) oneroso. seu art. 569. no caso de locações prediais urbanas. exclui diversos tipos de imóveis. e (v) não solene. a opção de compra ao final do prazo contratual). com ele não se confunde. incentivando sua utilização. na celebração da avença. simplificadamente. como. normalmente mensal. Todavia. A proteção do locatário. contanto que sejam infungíveis. o contrato de locação não é personalíssimo. embora possa se tornar mediante consentimento das partes. embora a Lei do Inquilinato tenha tomado para si a normatização de boa parte dos imóveis urbanos. O aluguel de lojas em shoppings centers também possui toda uma sistemática própria. 276. que continuam sendo tratados pelo código (ou por legislação especial. já diz respeito à fase da execução do contrato. mas tão somente é considerado como contrapartida pelo uso em um determinado período. a lei dá (art. do Código Civil. pág. [i) a cessão da coisa – o objeto do contrato de locação] Embora seja uma confusão bastante comum. o tempo. como bens fora do comércio ou bens públicos. 16 17 Caio mário. ou seja. porque confere obrigações e direitos recíprocos às duas partes. pois se forma só pelo acordo de vontades. ao contrário da compra e venda. Pode ser objeto da locação bens móveis ou imóveis. isto é. parágrafo único. a coisa. pois envolve prestações seguidas no tempo. o objeto do contrato de locação não é a coisa em si.: corte de árvores em casa de campo). Além disso. O principal atributo da coisa que será objeto de locação é a sua infungibilidade. os efeitos do contrato podem ser diferentes conforme houver registro ou não. 46 da lei 8. pois a lei não exige forma específica para sua validade. por exemplo. é maior se houver registro (art. 576). como se verá no ponto específico. Ressalte-se que. o locatário é obrigado a restituir a coisa no estado em que a recebeu. Em regra. porque as partes já tem conhecimento de suas respectivas prestações.CONTRATOs Em EsPÉCIE (i) bilateral. em regra. embora alguns autores17 enxerguem também o consentimento e a forma como seus elementos. mas seu uso e gozo por alguém que não o seu proprietário. transferidos por meio de manifestação de vontade.

Esse dever. Há de haver. Podem as partes estipular aluguel que não seja em dinheiro? Por quê? No âmbito da discricionariedade das partes. permaneça com a posse da coisa. o pagamento do aluguel é o que diferencia a locação do comodato. basicamente. na locação por prazo determinado. por um lado o locador não pode exigir a devolução da coisa antes do término do contrato. pode este pedir a redução proporcional do aluguel. 566. todavia. sob pena de invalidação do contrato ou de sua configuração em empréstimo disfarçado ou até mesmo comodato. sem oposição do locador. nos deveres de entrega. do Código Civil. 567 do Código Civil reza que. Essa presunção legal admite prova em contrário? C) obrigações do locador As obrigações do locador estão dispostas no art. o locatário também não poderá devolver a coisa sem o pagamento proporcional da multa contratual. determina ser obrigação do locador garantir ao locatário o uso pacífico da coisa durante o tempo do contrato. O art. em razão de sua natural deterioração. naturalmente. salvo se em contrário dispuser o contrato. A entrega é o ato por meio do qual a coisa locada muda de possuidor. a qual pode ser desdobrada. assim como o de garantia. 566. qualquer das partes pode resilir o contrato sem o pagamento de penalidades. conforme art. a fundamental é a de proporcionar ao locatário o uso e gozo da coisa locado.CONTRATOs Em EsPÉCIE Em regra. Por exemplo: o locador não pode alugar uma televisão com o tubo de imagem queimado. extingue-se a locação pelo mero decurso do tempo. a celebração da locação transfere a posse do bem. sendo o contrato sem prazo determinado. dá efeitos diferentes (mais sensíveis ainda no caso da locação de prédios urbanos sujeitos à Lei nº 8. II. junto com os seus acessórios e pertenças. se não houver culpa do locatário. salvo se houver previsão contratual específica em contrário. por outro. Numa interpretação a contrario sensu. deve ser feita em estado de servir ao fim a que se destina. A questão da manutenção da coisa envolve. ou até mesmo a resolução do contrato. mas. se deteriorar-se a coisa durante a vigência do contrato. O art. presume-se prorrogada a locação por prazo indeterminado. prolonga-se durante o prazo da locação. A lei. portanto. e presume-se que deve ser feita imediatamente. pois o locatário não poderá fazer o uso esperado dela. embora a sua temporariedade o diferencie. o tratamento jurídico da conservação e reparação do bem. em que a transferência da posse é perpétua. Dentre todas. por exemplo. [iii) prazo – o tempo da locação] A definição legal do contrato de locação já permite que ela seja celebrada tanto por prazo determinado quanto por prazo indeterminado. o locatário. 566 e seguintes do Código Civil. Sendo o contrato por prazo determinado (arts. a não ser que pague as perdas e danos correspondentes. Entrega – A entrega da coisa. embora não caiba a retenção do aluguel como contrapartida a ausência do cumprimento deste dever. 571 estabelece que. [ii) preço – o aluguel] Como dito anteriormente.245/1991) ao contrato de locação conforme o seu prazo. todavia. contudo. I. Manutenção – Não basta isso. FGV DIREITO RIO 40 . já que o mesmo artigo fala que o locador deve mantê-la neste estado (dever de manutenção). manutenção e garantia da coisa locada. O art. do instituto extinto da enfiteuse. uma certa proporcionalidade entre o valor do bem e o aluguel cobrado. Caso. sem necessidade de notificação ou aviso. 573 e 574). podem ser deduzidos do aluguel as obras e benfeitorias feitas pelo locatário.

exceto se causadas pelo próprio locatário (ex. (v) Atos da administração pública – não só a desapropriação.CONTRATOs Em EsPÉCIE Como proprietário da coisa. Art. sob esse pretexto. I). determina ser obrigação do locador garantir ao locatário o uso pacífico da coisa. sem. as despesas dela oriundas. sobretudo para os vícios ou defeitos posteriores ao contrato) e sujeitando-se à resolução do contrato.210. conforme sistematiza Caio Mário da Silva Pereira. além da resolução do contrato decorrente da própria evicção. todavia. Esse dever é imposto mesmo no caso de turbações feitas por colocatários. o locatário pode pedir a resolução do contrato ou abatimento proporcional no aluguel. reparos etc. caso em que pode o locador solicitar as perdas e danos sofridas. Isso vale somente para os vícios ocultos ou também para os vícios aparentes? (ii) incômodos ou turbações de terceiros. sob pena de resolução do contrato e pagamento das perdas e danos correspondentes. é que o contrato de locação estabeleça exatamente que tipo de despesas caberá o locatário e ao locador. d) obrigações do locatário: Estão dispostas fundamentalmente no art. mas também os chamados fatos do príncipe que desnaturem a coisa ou o uso a que ela se destina. 289. 569 do Código Civil. além das perdas e danos. que o locador deve garantir o locatário quanto a: (i) vícios da coisa. 567). ou defeitos que possam prejudicar o seu uso. (iv) Evicção. Se for total. Deve também o locatário usar a coisa para os usos convencionados ou presumidos. Se o locador tinha conhecimento do decreto expropriatório. não permite 18 Caio mário. Art. em regra se atribui ao locador o dever de promover as obras necessárias à sua conservação. e. 568.467. (iii) Abstenção de incômodos. §1º)”18. A mais importante delas é a de pagar pontualmente o aluguel. O aluguel está para a locação assim como o preço está para a compra e venda. portanto. consertos. pág. A prática. conforme o mesmo art. 569. art. em regra. Isso quer dizer. principal interessado na manutenção do seu valor econômico. II do código. conforme a escolha do locatário (v. para o fim a que se destina. com muito mais razão não pode ele praticar atos que venham a prejudicar esta utilização pacífica. na medida em que em regra o contrato não pode ter sobrevida pelo interesse público subjacente. na forma ajustada no contrato. ela sobrevier na vigência do contrato. mudar a destinação da coisa alugada. o locador indenizará o locatário pelas benfeitorias e os aluguéis são devidos até que o ente público seja imitido na posse da coisa. 1. 1. 568. Se. o locatário deve ser indenizado dos frutos que tiver que restituir. tratando-a como se sua fosse (art. FGV DIREITO RIO 41 . responde pela indenização. Caberia ao locatário o pedido de restituição dos aluguéis pagos? Se parcial a evicção. in fine. A eventual tolerância do locador. Garantia – o já mencionado art.: fechamento de estabelecimento comercial pela vigilância sanitária). embora seja normal que o locatário responda pelas despesas de conservação de pequeno porte. tb. ou à redução proporcional do aluguel. conforme o art. Se o locador deve garantir ao locatário o uso pacífico da coisa com relação a terceiros. A lei estabelece inclusive um penhor legal sobre os móveis que guarnecem o imóvel locado como garantia de pagamento. contudo. especialmente nos imóveis urbanos. embora caiba ao locatário “o desforço que a lei lhe assegura (Código Civil. 566. porém. A desapropriação tem um regramento próprio. respondendo pelas perdas e danos (graduados pelo seu grau de culpa. sendo esse assunto inclusive objeto de regramento próprio na Lei do Inquilinato. II.

e também pelas úteis20. mesmo depois de findo o prazo contratual. [direito de retenção] É um poder. Esse dever de informação deve ser exercido de modo a permitir a que o locador possa tomar todas as providências para o exercício do seu próprio dever. enquanto não lhe forem indenizadas as despesas ou perdas sofridas em razão da coisa. para que ele. 20 FGV DIREITO RIO 42 . 576 do código. por exemplo. sem prejuízo das regras específicas da Lei nº 8. caso tenham sido feitas com o consentimento do locador (art. isto é. 96. As únicas exceções permitidas por lei são as em é conferido ao locatário direito de retenção. por exemplo. findo o contrato de locação. a impedir a deterioração do bem se ela é evidente. parágrafo 2º da Lei nº 10. Caso o locatário descumpra esse dever. A lei confere direito de retenção ao locatário pelas benfeitorias necessárias19. O locatário deve ter a diligência esperada para o cuidado com a coisa. Art. 575: ficará responsável pelos aluguéis enquanto mantiver a coisa em seu poder. O locatário é obrigado a levar ao conhecimento do locador as turbações de terceiros. O adquirente do bem somente estará obrigado a respeitar a locação se o contrato contiver cláusula expressa e tiver sido submetido ao registro próprio. contudo. do local em que ele é celebrado e o princípio da boa-fé objetiva. Pode-se dizer até que é um dos poucos casos de “Justiça privada” aceita pelo Direito brasileiro. Tratandose de norma dispositiva. sem prejuízo de seu dever de pequenos reparos e consertos já mencionado. parágrafo 3º da Lei nº 10. salvo por sua deterioração natural. deve o locatário restituir a coisa no estado em que a recebeu. a lei provê a solução no art. Isso é contrapartida do dever do locador de garantir a coisa locada. deve notificar o locador. conforme as circunstâncias do contrato. e responderá pelos danos a ela. uma defesa que a lei dá ao locatário de conservar em sua posse a coisa alheia locada.CONTRATOs Em EsPÉCIE afastamento desta regra.406/2002: “são necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore”. 578). no valor arbitrado pelo locador. de maneira. Por fim. 96. podem as partes dispor em contrário no contrato.245. 19 Art. ainda que proveniente de caso fortuito. O desvio de finalidade é analisado no caso concreto. como se verá a seguir.406/2002: “são úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem”. possa entrar com as medidas judiciais cabíveis para a proteção de sua propriedade e da posse do locador. [alienação do bem durante o prazo locatício] A questão está regulada no art. tão logo o locatário tome conhecimento da turbação.

FGV DIREITO RIO 43 . é o de locação de prédios urbanos.7. ed. como não possui imóvel próprio. ora protegendo mais o inquilino.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. 1. com as normas ora protegendo mais o proprietário. Arnaldo. Instituições de Direito Civil.245/1991. envolvendo o contrato de locação.7. eMentário de teMas: Introdução – Âmbito de aplicação – Obrigações das partes – Garantias Locatícias – Prazo e forma – Alienação do imóvel – Locação residencial 1. Rio de Janeiro: Forense.7. • PEREIRA. Rio de Janeiro: Forense. 2005. Todavia. ao invés da filha. separada do Código Civil. 1. tem-se mostrado até certo ponto pendular. O regime da locação de imóveis urbanos é de tal importância para o Direito que mereceu uma disciplina própria.245. Com efeito.4. vol. AulA 7: CONTRATO dE lOCAçãO (lOCAçãO dE PRÉdIOS uRbANOS –– lOCAçãO RESIdENCIAl) 1.1.5. biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO. Pode-se até dizer que a atividade legislativa.3. 6. decide morar sozinha e. III. pág.2. todavia. 2006. Maria Lúcia. não foi a primeira legislação específica sobre o tema no Direito brasileiro. 481-573.. e o crescente déficit na oferta de casas tem gerado uma verdadeira sucessão de regras jurídicas sobre o tema. sua filha.7. que o profissional do Direito é levado a lidar. Caio Mário da Silva. para ela morar.7. de 18 de outubro de 1991.7. que. que hoje encontra abrigo na Lei nº 8. págs. biblioGrafia obriGatória: • Lei nº 8. roteiro de aula a) introdução Vimos na aula passada o regime geral das locações de coisas no Código Civil. a questão habitacional vem sendo uma das maiores preocupações legislativas em todo mundo a partir do Século XX. pede ao pai que lhe ceda esse apartamento que se encontra alugado. Contratos. 301 a 312. em grande parte devido ao fato de que mais de 80% da população brasileira vive em centros urbanos. fosse o seu sobrinho? E se o imóvel estivesse sendo vendido? 1. No 17º mês de vigência. indubitavelmente o maior número de casos. Pergunta-se: cabe a denúncia “cheia” nos contratos por igual a 30 meses? E se. Caso Gerador Imagine que o senhor Eduardo Russo tenha alugado um de seus apartamentos em Brasília por 30 meses. pelo menos no Brasil.

Por outro lado. nos casos limítrofes. b) Âmbito de aplicação Nem todos os imóveis em áreas urbanas estão sujeitos ao tratamento jurídico da Lei do Inquilinato. como é o espírito da lei. possui caracteres específicos. num patamar imediatamente inferior. aplicam-se a este tipo de locação. obedece mais a um critério funcional/eco/econômico do que um geográfico. em regra. Também não se aplica a lei no caso de leasing de imóveis. Uma situação especial diz respeito aos espaços comerciais em shopping centers. e não ao contrário. vagas autônomas de garagem. Estão. as principais obrigações do locador se referem à entrega. A Lei do Inquilinato regula três tipos de locação: a residencial. Esse tipo de locação. Como visto na aula anterior. 79) determina a aplicação subsidiária da legislação geral nos casos omissos. ao fato de que procura equilibrar os interesses. aumentando o déficit habitacional. apart-hotéis etc. portanto. Isto é. A experiência mostrou que a proteção demasiada ao locatário. neste caso. está o dever de cuidar do imóvel e servir-se dele para o fim acordado no contrato. a submissão a promoções do shopping etc.504/1964). sujeitos à aplicação da Lei nº 8. Todos os princípios contratuais expostos no código. em virtude de exceção expressa no texto legal. Além disso. solução que parece mais simples em face do direito constitucional de moradia.245/1991 todos os imóveis urbanos não incluídos nas exceções legais expressas. que chegam a extrapolar a mera relação locatícia de transferência da posse. 17 e 18). A configuração de imóvel urbano. todavia. sua obrigação primordial é a de pagar pontualmente o aluguel. a disciplina do Código Civil não é totalmente afastada nas locações de imóveis urbanos. as regras para o uso do estacionamento. não se verifica um desnível econômico significativo entre as partes que enseje a atuação do legislador. O art. o impacto social não é tão relevante. por exemplo. gerava um aumento no preço dos aluguéis. de locadores e locatários. É legal esta estipulação? No que tange ao locatário. no que tange às despesas condominiais. nem tampouco uma necessidade social tutelável. como. expostas já no parágrafo único do seu art. permitir o uso e gozo pleno do imóvel pelo locatário. As exceções ao âmbito de aplicação da lei. C) obrigações das partes Estão listadas fundamentalmente nos art. embora o contrato possa contemplar cláusula de reajuste (arts. a não residencial (ou comercial) e a por temporada. garantindo o seu uso pacífico inclusive perante terceiros. que o contrato transfira para o locatário tais despesas. O legislador entendeu que. por exemplo. exceto por algumas questões referentes a despesas condominiais tratadas no próprio artigo. restituindo-o ao locador ao fim do prazo estipulado. FGV DIREITO RIO 44 . É muito comum. O aluguel deve ser fixado em dinheiro. 1º. da sua localização dentro do shopping. incluem. imóveis de propriedade de entes públicos. 54 da lei determina que. manutenção e garantia da posse do locatário. ou seja. normalmente contrapostos. sendo que as duas últimas serão tratadas na próxima aula.CONTRATOs Em EsPÉCIE A relativa longevidade da legislação vigente deve-se. como o da boa-fé objetiva e do equilíbrio contratual. Os imóveis rurais são regulados pelo Estatuto da Terra (Lei nº 4. porém. o intérprete decidirá preponderantemente de acordo com a atividade econômica praticada ou desenvolvida naquele imóvel. A própria lei (em seu art. podemos inferir. é livre a pactuação das cláusulas do contrato entre locador e locatário. 22 e 23 da lei. a variação do aluguel a ser pago em função do faturamento da loja. nestes casos.

Quanto à forma. Por isso. como se verá adiante. como já dito anteriormente. consensual e não solene. não depende de forma específica. a mais importante no regime da lei. desde que. 3º da lei determina que o contrato pode ser ajustado por qualquer prazo. Primeiramente. então. gozar e dispor de seus bens. a regra geral é que se resolve o contrato de locação. (ii) fiança. 1. recebe um tempero especial quando se trata de locação residencial. isto é. Este requisito é indispensável para possibilitar a manutenção do contrato em caso de alienação do imóvel. cumulativamente. durante a vigência do contrato. mas a lei regula – e confere alguns direitos ao locatário nestas hipóteses – a forma e o procedimento que deve ser respeitado pelo proprietário e pelo adquirente no caso de venda do imóvel alugado. o contrato de locação transfere ao locatário a posse do bem. a diversidade de efeitos do registro no caso da alienação do imóvel é um grande incentivo não só a reduzir o contrato por escrito como também averbá-lo na matrícula do imóvel. 27. Não lhe é permitido. e) Prazo e forma O art. ou (ii) manter-se na posse do imóvel. se não obtido. mas.CONTRATOs Em EsPÉCIE d) Garantias locatícias A lei estabelece que o locador pode exigir do locatário uma das seguintes garantias: (i) caução. solicitar o acúmulo de garantias para um mesmo contrato. para o locatário. Pode-se dizer. ou (iii) seguro de fiança locatícia. 40 da lei. a lei confere ao locatário dois direitos. de adquirir o imóvel em condições de igualdade de condições com o terceiro. Entretanto. não estará obrigado a respeitar o prazo da avença. o art. o direito de uso e gozo. e o contrato foi averbado na matrícula do imóvel no Registro de Imóveis. Resumidamente. Por outro lado. isto é. Todavia. apesar de o contrato de locação ser. 27 cria um direito de preferência. 37. depende do consentimento do cônjuge do proprietário. Além disso. em regra. a lei determina que o contrato é consensual. o art. se o proprietário vender o imóvel. A questão do prazo é. o adquirente não poderá denunciar o contrato. 8º da lei estabelece que quando o contrato contém a chamada “cláusula de vigência”. que. conforme dispõe o art.228) confere ao proprietário o direito de usar. a lei faculta ao proprietário o direito de exigir um reforço – ou até mesmo uma troca – da garantia nas hipóteses previstas no art. necessariamente excludentes entre si: (i) exercer a preferência para compra do imóvel em igualdade de condições com o terceiro. e o locatário somente poderá devolvê-lo mediante pagamento proporcional da multa estipulada no acordo. na forma do art. o direito de vender o bem continua com o proprietário. que a proteção jurídica do locatário independe da forma escrita do contrato? f) alienação do imóvel O sistema de propriedade adotado pelo nosso código (art. todavia. o contrato contenha cláusula de vigência e esteja averbado na matrícula do imóvel no Registro de Imóveis. FGV DIREITO RIO 45 . porém. Sendo assim. Como já vimos anteriormente. o adquirente pode denunciar o contrato de locação. não pode o locador reaver o imóvel locado. se for superior a dez anos. talvez. Tal regra. em regra. A regra geral é a de que. já que a depender do que as partes acordarem os efeitos serão bem distintos. no prazo de 30 dias contados do conhecimento da proposta. permanecendo o contrato em vigência. consolidar novamente posse e propriedade em suas mãos.

CONTRATOs Em EsPÉCIE G) locação residencial Locação residencial é aquela destinada à habitação de pessoas. a locação prorroga-se imediatamente por prazo indeterminado. aquela. 55). sob pena de nulidade do contrato (art. foi surpreendido com uma notificação para desocupar o imóvel no prazo de doze meses. Esse é o lugar da “atividade jurídica da pessoa”.1ª fase) Arnaldo reside há dez anos consecutivos em um imóvel locado através de instrumento escrito e atualmente vigorando por prazo indeterminado. pág. 46. 1. onde pratica em regra os seus atos jurídicos.6. no qual o legislador fixou uma referência (30 meses) em torno da qual os efeitos do contrato e os direitos e obrigações das partes serão modificados. Contratos. O direito de não pagar os locativos no período estipulado na notificação. exercida a denúncia. FGV DIREITO RIO 46 . • Nesse tipo de prorrogação. 47. proceder a desocupação do imóvel. sempre. • Só cabe a denúncia “cheia” – nos casos previstos no art. 21 RIZZARDO. ainda que sem a intenção de nele permanecer sempre. que pode ou não ser o mesmo local do domicílio. onde ela se estabelece com ânimo definitivo. c. tendo sempre cumprido rigorosamente todas as condições do contrato. Seu elemento essencial é a habitualidade”. especialmente no que tange à denúncia do contrato. estudemos a tabela abaixo: Prazo Contratual Indeterminado Inferior a 30 meses (art. §2º) • Findo o prazo estabelecido. d. com prorrogação automática se não houver oposição do locador. • A resolução do contrato ocorre no fim do prazo estipulado. Rio de Janeiro: Forense. “Residência é o lugar onde alguém fica habitualmente. As prorrogações previstas no art.Poderá ficar ainda mais três meses além do prazo estabelecido. 46) Efeito • o locador pode denunciar o contrato a qualquer tempo. Findo o prazo. portanto. e cabe o locatário desocupar o imóvel em trinta dias. • o locatário. O principal traço da locação residencial diz respeito ao prazo. fixa o parâmetro dos 30 (trinta) meses como razoável para o prazo locatício. b. ed. Arnaldo. 2006. Pessoa jurídica não pode ser parte em contrato de locação residencial. mesmo se para os seus administradores (art. isto é. 45). O direito a uma indenização proporcional ao número de anos em razão do rompimento imotivado do contrato.21 Não devem ser confundidas as noções jurídicas de residência e de domicílio. tem um prazo de trinta dias para desocupação do imóvel (art. devolvendo-o nas mesmas condições que o recebeu. 47) Igual ou superior a 30 meses (art. A hipótese importa para o locatário: a. 6. a morada habitual da pessoa. Para melhor entendimento da matéria. 486. imotivada. após os trinta meses cabe a “denúncia vazia”. A lei. Destinam-se à habitação da pessoa natural. 47 não podem ser afastadas pelas partes. questões de ConCurso (Prova: 09º Exame de Ordem .7.

A denúncia deverá ser exercitada no prazo de 30 dias contados do registro da venda ou do compromisso. FGV DIREITO RIO 47 . independentemente de cláusula de vigência em razão do princípio “venda rompe a locação”. d. O adquirente poderá denunciar o contrato com prazo de noventa dias para desocupação. c. b. O adquirente poderá denunciar o contrato com prazo de sessenta dias para desocupação.CONTRATOs Em EsPÉCIE (Prova: 02º Exame de Ordem . a concordância na manutenção da locação.1ª fase) sendo alienado o imóvel durante a vigência de contrato de locação: a. presumindo-se. após esse prazo. O adquirente não poderá denunciar o contrato se este vigorar por prazo indeterminado. salvo se a locação for por tempo determinado e o contrato contiver cláusula de vigência em caso de alienação e estiver averbado junto à matrícula do imóvel.

CONTRATOs Em EsPÉCIE

1.8. AulA 8: CONTRATO dE lOCAçãO

1.8.1. eMentário de teMas: Introdução - Locação para temporada - Locação não residencial - Ações locatícias. 1.8.2. biblioGrafia obriGatória: • Lei 8.245/1991. • RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. São Paulo: Ed. Saraiva, 2002, vol. 3, págs. 227 a 239. 1.8.3. biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO, Arnaldo. Contratos. Rio de Janeiro: Forense, 2006. págs. 481-573. • VENOSA, Silvio de Salvo. Lei do inquilinato comentada. São Paulo: Atlas, 1997. Comentários aos artigos 48 a 57. • FUX, Luiz. Locações - Processo e Procedimento. Rio de Janeiro: Destaque, 1999. 1.8.4. Caso Gerador Durante o curso da diligência legal, recebemos uma cópia de um contrato de locação não residencial de uma das lojas dos Supermercados Pechincha, celebrado inicialmente em 1º de janeiro de 2000 com prazo de vigência até 31 de dezembro de 2005. Questionada sobre o vencimento do contrato, a senhora Maria Lúcia Russo alegou que o advogado da Pechincha Comércio Varejista Ltda. a orientou a escudar-se no parágrafo único do art. 56, que garante a permanência do locatário se não houver oposição do locador no prazo de 30 dias. Sendo assim, ela argumenta que, passados vários meses do prazo legal, o contrato deve ser considerado como renovado. Como advogado da Grana Certa S/A, quais são os riscos para o seu cliente dessa situação? Seu chefe no escritório, preocupado com isso, pede a você uma pesquisa para verificar se é possível a propositura de ação renovatória. O que você responde a ele? Paralelamente, o senhor Odin Heiro pretende contratar um administrador profissional para assumir a administração da Pechincha Ltda. quando o negócio for fechado. Dentro do pacote oferecido para os candidatos à vaga, inclui-se o pagamento de aluguel de uma mansão no Lago Sul, em Brasília, onde serão sediadas as operações da Grana Certa S/A no ramo de distribuição alimentícia. Neste cenário, o seu cliente lhe pergunta qual seria o prazo recomendável para a vigência do contrato. O que você diz a ele? 1.8.5. roteiro de aula a) introdução A Lei nº 8.245/1991, além das locações residenciais, estabelece ainda o regime das locações não-residenciais (ou comerciais) e por temporada, cada qual com uma finalidade econômica específica. Assim, a Lei do Inquilinato divide em três grandes sistemáticas o regramento das locações prediais urbanas, atendendo aos bens jurídicos respectivamente tutelados – a locação residencial protege o direito à habitação, a
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locação não residencial protege o fundo de comércio e a locação por temporada, por não ser nem habitacional nem parte de atividade econômica, merece regulamento próprio. b) locação para temporada O conceito de locação para temporada está disposto no art. 48 da Lei do Inquilinato, segundo o qual são requisitos para a caracterização da locação para temporada o fim ao qual é destinado o imóvel (recreativo ou na necessidade do locatário de celebrar o contrato, seja por realização de curso, seja por tratamento de saúde ou obras em seu imóvel), e o prazo de sua vigência (que não pode ser superior a 90 (noventa) dias). O prazo superior a 90 (noventa) dias descaracteriza a locação como para temporada. O art. 50 mostra que, se permanecer o locatário no imóvel para além do prazo máximo estipulado, não é possível mais se exigir o pagamento antecipado do aluguel, descaracterizando a temporada. Assim, o artigo equipara à locação residencial, só podendo ser denunciado nas hipóteses do art. 47. Parte da doutrina entende que é necessário contrato escrito. Embora contivesse do projeto original uma disposição específica neste sentido, há quem entenda que o prazo exíguo a torna incompatível com o contrato verbal, sobretudo porque o contrato não escrito, como pode não deixar claro o prazo contratado, pode ser confundido com uma locação residencial comum. E você, acha necessária, conceitualmente, a forma escrita para a locação por temporada? Em todo caso, se o imóvel estiver mobiliado, o parágrafo único determina que deva constar do contrato o rol dos móveis e utensílios que o guarnecem, bem como o estado em que se encontra. E se as partes não procederem assim, qual a sanção jurídica? Torna-se inválido o contrato? Outro grande traço da locação para temporada é a possibilidade de exigência, por parte do locador, de recebimento dos aluguéis antecipadamente, o que é vedado para os demais tipos de locação segundo o art. 20. Se, todavia, o contrato for resolvido, por algumas das hipóteses estabelecidas no art. 9º, o locador será obrigado a devolver, proporcionalmente, o valor recebido antecipadamente, sob pena de seu enriquecimento sem causa. C) locação não residencial Considera-se locação não residencial, naturalmente, aquela que não é destinada à habitação de pessoas. Sempre que a destinação do imóvel não for a moradia de alguém, será para fins não residenciais. O contrato de locação não residencial ganha uma importância maior na medida em que pode ser – e quase sempre é – parte integrante do fundo de comércio (ou fundo de empresa) do empresário. O ponto, o estabelecimento, a loja, são partes fundamentais da atividade empresarial, apesar de ser um bem imaterial, e, desta forma, não pode o legislador – que sempre procura preservar a atividade empresarial, em prol do crescimento econômico (que gera empregos e tributos) – tratar esse tipo de locação da mesma forma que trata a locação residencial. Como o legislador se utilizou da expressão “não residencial”, e não de “empresa”, “empresário” etc., é irrelevante para a lei se a atividade desenvolvida no local é empresarial, civil, industrial, ou qualquer outra. O critério da lei é residual – todas as locações que não sejam destinadas à moradia de pessoas naturais são “não residenciais” e sua disciplina então é a aplicável. Há também a locação não residencial por força de lei, estabelecida no art. 55 da lei. De modo a proteger, então, a atividade econômica, o legislador, ao contrário do que ocorre na locação residencial, outorgou ao locatário, nestes casos, um direito à renovação compulsória, ao qual corresponde uma ação – a ação renovatória. Note-se que a possibilidade de renovação compulsória do contrato encerra uma revolução paradigmática no direito dos contratos: a vigência do contrato independe da vontade de uma das partes. Em outras palavras: o locador pode inclusive ter manifestado sua intenção de não renovar
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o contrato, mas se o locatário cumprir os requisitos legais, o juiz deverá autorizar a manutenção da vigência do contrato. A rescisão do contrato, em regra, nesses casos, se dá ao fim de seu prazo, conforme estabelecido no art. 56 da lei, que dá um tratamento semelhante ao que ocorre na locação residencial. Para que o locador possa fazer jus ao direito à renovação compulsória, a lei exige determinados requisitos que devem constar do contrato, necessariamente. Tais requisitos estão expostos nos três incisos do art. 51, que são cumulativos, ou seja, é necessária a presença das três condições para a possibilidade da renovação compulsória. Vale ressaltar que, neste caso, a lei é cogente; significa dizer que o contrato não pode afastar a possibilidade de renovação, estando presentes os requisitos legais. Note que (i) a lei obriga que o contrato seja por escrito – volta-se aquela definição vista anteriormente: o contrato é consensual, mas dependendo de sua finalidade, a forma escrita garantirá uma determinada sorte de efeitos; e (ii) o legislador realmente privilegia a formação do “fundo de empresa” quando estabelece prazos mínimos e requer que seja o mesmo ramo de atividade. No que tange ao inciso II, ressalte-se que se o contrato for estipulado por menos de cinco anos e houver um lapso temporal entre o seu vencimento e a sua efetiva renovação, a jurisprudência entende que se computa este tempo, valendo o tempo que o inquilino está no imóvel. Um outro requisito fundamental de validade da ação renovatória está previsto no §5º do referido artigo, que estabelece um prazo decadencial para a propositura da ação, de seis meses, entre um ano e seis meses antes do vencimento previsto do contrato vigente. Portanto, quando você estiver estagiando em um escritório e tiver que protocolar um prazo de ação renovatória, muita atenção: NÃO PERCA O PRAZO; seu cliente pode sofrer gravíssimos prejuízos. Dê uma olhada atenta nos arts. 52 e 53 da lei – lá estão estabelecidas algumas exceções à regra da renovação compulsória, por matéria de política legislativa. Luvas: é uma quantia paga pelo locatário, além dos aluguéis, para o locador, como adiantamento ou para a renovação do contrato. No regime anterior da locação não residencial, sua cobrança era permitida. No atual sistema legislativo, parte da doutrina acha que a lei atual não veda a cobrança, que ocorria, na prática, mesmo com a existência de vedação expressa do decreto anterior (lei de luvas). Mas não é matéria pacificada; alguns entendem que o Art. 45 proíbe a cobrança de luvas. d) ações locatícias Por fim, e sem querer entrar na aula do professor de Processo Civil, a Lei do Inquilinato possui regras processuais específicas para o caso de locação de imóvel urbano, criando alguns remédios para locadores e locatários sujeitos ao âmbito da lei. 1) Ação de despejo (art. 59) – é a ação utilizada pelo locador para retomar o imóvel, por qualquer que seja o motivo (e não somente por falta de pagamento). Assim, sempre que o locatário se mantiver na posse do imóvel e a lei conferir ao locador o direito de retomada, ele poderá propor a ação de despejo e poderá, inclusive, pedir liminar ao juiz para desocupação em 15 (quinze) dias, nos casos previstos no art. 59. Se a ação de despejo for proposta com fundamento na falta do pagamento pontual do aluguel, o objeto da ação incluirá também a cobrança dos valores devidos, não sendo necessária, até mesmo por um primado de economia processual, a propositura de ação de cobrança. O locatário poderá, nesse caso, impedir a resolução do contrato mediante a “purga da mora”, isto é, o depósito judicial do valor do débito atualizado, com multa, juros e encargos. 2) Ação de consignação de aluguel (art. 67) – é a ação do locatário quando o locador se nega a receber os valores do aluguel, e por meio da qual ele irá depositar em juízo a importância que acha devida, indicada na petição inicial.
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o locatário poderá. lhe procura como advogado. celebrado em 01/12/1999. na maioria das vezes o autor da ação era o locador. 73).8. existe. 4) Ação renovatória (art. em que muitas vezes o locador era prejudicado por um índice defasado no contrato.CONTRATOs Em EsPÉCIE Caso o locador levante o depósito ou não oferecer contestação. A necessidade de realização de obras urgentes. as quais restaram infrutíferas.2ª fase . o legislador limitou as matérias de fato que podem ser objeto da contestação do locador. iniciou tratativas com o locador. no art. que também será discutido na ação (art.PROVA DIsCURsIVA Padaria Alvino. também por medida de economia processual. Tinha muita relevância na época da escalada inflacionária. ou não. a locatária. desta forma. Assim. na locação não residencial. a retribuição a ser paga pelo locatário.6. basicamente o que se busca é uma perícia judicial para que seja arbitrado o valor de mercado justo do imóvel. por prazo determinado de 5 (cinco) anos. Nessa ação. d. na qualidade de locatária. face à resistência do locador. expondo todo o caso concreto e desejando sua opinião sobre a possibilidade de compelir a realização da renovação contratual. de radical transformação no imóvel. gerando um enriquecimento sem causa do locatário. pretendendo renovar a relação. IV). conforme visto acima. b. 1.1ª fase) Não é defesa possível ao locador na ação renovatória: a. questões de ConCurso (Prova: 21º Exame de Ordem . c. em contrato de locação não residencial. Neste caso. levantar o depósito sobre o valor que não está sendo mais objeto da disputa. na data de hoje. determinadas pelo poder público. Prova: 24º Exame de Ordem . 68) – serve para qualquer tipo de locação prevista no ordenamento. que não deseja renovar o contrato. ajustando-se. Proposta de terceiro para a locação em condições melhores. 3) Ação revisional de aluguel (art. Vale ressaltar que. alguma solução judicial para a questão? Qual? Explique e fundamente a sua resposta FGV DIREITO RIO 51 . 71) – é aquela usada para a renovação compulsória da locação. Não preenchimento dos requisitos legais para a renovação. Pergunta-se: no caso concreto. 67. a qualquer tempo. no intuito de preservar o fundo de empresa. Por outro lado. 72. Sendo assim. poderá ser cobrada a diferença aferida no valor dos aluguéis. o juiz acolherá o pedido (art. A intenção de se instalar no imóvel com comércio no mesmo ramo que o inquilino.

. Quadra ABC (o “Imóvel”). individualmente. biblioGrafia obriGatória: • Arts. doravante denominada simplesmente “Comodatária”. inscrita no CNPJ/MF sob nº 00000000.4.9. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.9.3. neste ato representada por seu representante legal. Tendo em vista a importância desse imóvel para a rede de supermercados e. para o nosso cliente. 82 a 130. 1. São Paulo: Ed. 3. Obrigações do comodatário.406/2002.9. que será regido pelo artigo 579 e seguintes do Código Civil. neste ato representada por seu representante legal. Eduardo Russo. AulA 9: EmPRÉSTImO (COmOdATO) 1. 2002. 2003. com seus atos constitutivos registrados na Junta Comercial de Brasília sob o número 11111111. Comodante e Comodatária. Comentários ao Código Civil.9. In: AZEVEDO. págs. Das várias espécies de contratos. Características. Extinção do comodato. denominadas “Partes” e. São Paulo-SP. Direito Civil. Teresa Ancona. celebrar o presente Contrato. REsOLVEm. matrícula 555 do Cartório de Registro de Imóveis do Distrito Federal. e PECHINCHA COMÉRCIO VAREJISTA LTDA. que comentários você teria a fazer com relação ao contrato abaixo? CONTRATO DE COmODATO XYZ LTDA. 7. págs. Parte Especial. São Paulo: Saraiva. • RODRIGUES. (coord. e pelas seguintes cláusulas e condições: FGV DIREITO RIO 52 . sociedade limitada com sede na Rua dos Oitis. vol. conjuntamente. a Comodatária tem interesse na utilização do Imóvel e que a Comodante deseja dar em comodato à Comodatária parte do Imóvel. Silvio. Caso Gerador: Recebemos na diligência o contrato de comodato de um dos imóveis utilizados pela rede de Supermercados Pechincha.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Saraiva. “Parte”. vol. biblioGrafia CoMPleMentar: • LOPEZ. eMentário de teMas: Introdução. Distrito Federal. potencial adquirente do negócio. 1. Antônio Junqueira de. Comodante e Comodatária são doravante. 255 a 261. doravante denominada simplesmente “Comodante”. CONSIDERANDO QUE: a Comodante é proprietária e legítima possuidora do imóvel localizado no Lago Sul.1. 579 a 585 da Lei nº 10.2. 1.). conseqüentemente. com sede em Brasília.9.. Sr.

Tais adaptações e reformas. gás. O presente Contrato poderá ser rescindido por qualquer uma das Partes.1. a preservar e manter em perfeito estado de conservação e limpeza o Imóvel cedido. na melhor forma de direito. serão consideradas despesas necessárias para o uso e gozo do Imóvel. 4. em caso de inobservância. 1.2. caso tais irregularidades não sejam sanadas dentro de 02 (dois) dias contados a partir da data do recebimento de aviso escrito enviado pela Parte prejudicada. O presente Contrato é celebrado por prazo indeterminado. 5. taxas. Da Vigência e da Rescisão. 5. bem como sobre o exercício de suas atividades. de qualquer de suas cláusulas e/ou condições. 3. Pelo presente Contrato. vedada sua utilização para qualquer outra finalidade sem o prévio e expresso consentimento da Comodante. pela outra Parte. ressalvado o desgaste natural decorrente do uso regular do Imóvel. ou (b) pedido de concordata ou falência da Comodatária. A Comodatária declara que utilizará o Imóvel ora dado em comodato exclusivamente para a consecução de seus objetivos sociais. A Comodatária será exclusivamente responsável pelo pagamento de todas as despesas ordinárias tais como.3.1. FGV DIREITO RIO 53 . pessoais ou fiscais. Fica desde já ajustado entre as Partes que as benfeitorias realizadas pela Comodatária no Imóvel não criarão para a Comodatária direito a qualquer indenização. Da Utilização da Área. vedado à Comodatária o aluguel ou comodato do Imóvel. luz. Durante a vigência do presente Contrato.1. 2. 2. ainda. ficando. desde já. na forma do artigo 582 do Código Civil. em conformidade com o seu Contrato Social e respectivas alterações.2. A Comodante reserva-se o direito de rescindir este Contrato.2. sem prejuízo das sanções aplicáveis. 2. 2. Neste ato. a Comodatária se obriga. a partir da posse. A Comodatária será a responsável exclusiva pelo custeio de todas e quaisquer despesas decorrentes de adaptações e reformas eventualmente realizadas a fim de permitir a instalação e o funcionamento das atividades da Comodatária no Imóvel. bem como a cessão ou transferência dos direitos e obrigações oriundos deste Contrato. não podendo a Comodatária reter o Imóvel nos termos deste Contrato pelas benfeitorias nele realizadas. se realizadas pela Comodatária. água. Do Objeto. Fica. 4. sem o expresso e inequívoco consentimento da Comodante. 5.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. A Comodante declara. 1. turbações ou esbulhos e a preservar o Imóvel como se seu fosse. a Comodatária é imitida na posse do Imóvel. e as benfeitorias delas decorrentes a ele se incorporarão. mediante notificação com efeitos imediatos. 1.1.3. para todos os fins de direito. Da Imissão na Posse. desde já. impostos e demais encargos que recaiam sobre o Imóvel. obrigando-se. podendo ser rescindido por qualquer das Partes mediante aviso prévio de 30 (trinta) dias. que o Imóvel se encontra livre e desembaraçado de quaisquer ônus reais. ou (c) utilização do Imóvel para outros fins além daqueles descritos neste Contrato.1. a defendê-la contra ameaças. sob pena de responder por perdas e danos. 5.1. Das Despesas. 3.2. comprometendo-se a não lhe causar danos ou avarias e a conservá-lo no mesmo estado em que o recebeu. na ocorrência de qualquer uma das seguintes hipóteses: (a) protesto de títulos de responsabilidade da Comodatária. ou ainda restrições de qualquer natureza. a Comodante cede em comodato à Comodatária o Imóvel.

8. 3. 255. 22 RODRIGUEs. por qualquer das Partes à outra. pág. por mais privilegiado que seja. A Parte que infringir qualquer das cláusulas ou condições do presente Contrato ficará sujeita ao pagamento. permitidas ou decorrentes deste Contrato.9.5. As Partes elegem o foro da comarca da capital do Estado de São Paulo como competente para solucionar qualquer conflito decorrente do presente Contrato. Relembrando: art. ainda. dirigidos e/ou entregues às Partes nos endereços constantes do preâmbulo deste Contrato ou em outro endereço que uma das Partes venha a comunicar à outra.1. Das Notificações. deverão ser feitas por carta com aviso ou protocolo de recebimento ou. vol.406/2002: “são fungíveis os móveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie. 7. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. ao termo do negócio”23. Existem duas espécies de empréstimo: comodato e mútuo. Pechincha Comércio Varejista Ltda. 8. 7.1. à Parte inocente. as Partes assinam o presente Contrato de Comodato em três vias de igual teor e forma na presença de duas testemunhas abaixo assinadas. 6. por notificação judicial ou extrajudicial.1. das perdas e danos a que tiver dado causa. com renúncia expressa de qualquer outro. e-mail com comprovação de recebimento. Nesta aula. Brasília. veremos as características do comodato e na próxima aula estudaremos as diferenças entre comodato e mútuo e as regras específicas do mútuo. qualidade e quantidade”. Todas as notificações. para ser devolvido em espécie ou gênero. a qualquer tempo. “O comodato é o empréstimo de coisa não fungível22. Do Foro. silvio. 85 da Lei nº 10. eminentemente gratuito. Testemunhas: Nome: RG: Nome: RG: 1. 10 de novembro de 1995. na vigência deste instrumento. 23 FGV DIREITO RIO 54 . fax. devendo devolver a mesma coisa. roteiro de aula a) introdução Empréstimo é o contrato pelo qual uma das partes entrega um bem à outra. POR EsTAREm AssIm JUsTAs E CONTRATADAs. no qual o comodatário recebe a coisa emprestada para uso. são Paulo: Ed. Das Penalidades. avisos ou comunicações exigidas. Direito Civil.CONTRATOs Em EsPÉCIE 6. 2002. saraiva.

o comodatário privilegiar a segurança de seus bens próprios. Para tanto. já analisada neste curso. Há. embora haja transferência do bem. mesmo em caso de força maior. embora as máquinas permaneçam no supermercado. O comodatário. – Unilateral – após a entrega do bem. Perfaz-se com a tradição do objeto”. Pela análise do artigo acima. se em caso de risco. por exemplo. Vale notar que no comodato. poderia ser confundido com a locação. abandonando os bens do comodante. Que conseqüências podem resultar desse fato? d) extinção do Comodato O contrato de comodato se extingue: Rever arts. Não basta a mera troca de consentimentos. 394 a 401 da Lei nº 10. portanto. sujeito aos efeitos da mora24. deve ser restituído findo o prazo necessário para a finalidade para a qual ele foi emprestado. o domínio não é transferido ao comodatário. C) obrigações do comodatário – Velar pela conservação da coisa – O comodatário deve zelar pela coisa como se própria fosse. exceto se ele comprovar necessidade urgente e imprevista para exigi-lo antes. incumbem obrigações apenas ao comodatário. deve ser entendido que a coisa foi emprestada para ser utilizada de acordo com sua natureza. o comodatário responde pelo dano que venha a ser sofrido pelo comodante. 579 da Lei nº 10.406/2002. – Usar a coisa de forma adequada – O bem em comodato só poderá ser usado. portanto. – Real – é necessário que o bem seja transferido ao comodatário para que o contrato exista.CONTRATOs Em EsPÉCIE b) Características Art. 24 FGV DIREITO RIO 55 . pelo comodatário. é: – Gratuito – caso fosse oneroso. Recebemos o contrato celebrado entre o Supermercado Pechincha e a empresa de café e notamos que. Um dos diferenciais do Supermercado Pechincha é o atendimento aos clientes. Assim. o comodante não pode exigir o bem antes do termo do contrato. onde os clientes podem tomar um gostoso cafezinho. uma área perto da seção de confeitaria. Não havendo prazo expressamente pactuado. que cedeu duas máquinas em comodato ao supermercado para que os clientes comprem os produtos e coloquem nas máquinas que ficam ali à disposição. o Supermercado Pechincha entrou em acordo com uma renomada empresa de café expresso. a não-fungibilidade do objeto e a necessidade de sua tradição para o aperfeiçoamento do negócio. – Restituir a coisa emprestada no momento devido – O comodatário deve restituir o bem no prazo acordado. é possível extrair três elementos desse contrato: a gratuidade. A natureza jurídica do contrato de comodato. o prazo do contrato já terminou. A princípio. – Não solene – a lei não prescreve qualquer forma. que descumpra a obrigação de devolver o bem no prazo.406/2002: “O comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis. para a finalidade e de acordo com os termos do contrato de comodato. Se o contrato for omisso quanto à finalidade. fica em mora e.

após o uso pelo comodatário de acordo com a finalidade para que foi emprestada. Irene veio a falecer poucos dias depois. Vital pleiteou em juízo a resolução do contrato de comodato. – pelo comodante. Os herdeiros de Irene. Sabendo que Irene tinha acabado de abrir um restaurante e que queria implementar um serviço de entrega em domicílio. se o comodatário descumpre qualquer de suas obrigações. Se você fosse o juiz. caso não haja termo ajustado. Vital deu sua moto em comodato a Irene. alegaram que o contrato de comodato ainda estaria em vigor e que a moto era responsável por uma boa parte da renda do restaurante uma vez que viabilizava o serviço de entrega em domicílio.CONTRATOs Em EsPÉCIE – pelo decurso do prazo pactuado ou. como julgaria a questão? FGV DIREITO RIO 56 . caso prove a superveniência de necessidade imprevista e urgente. alegando que somente tinha feito aquele contrato porque conhecia muito bem Irene e que agora não fazia sentido manter o contrato de comodato. Irene e Vital eram amigos desde a época do colégio. o comodante estava ciente de que não era ela quem dirigia a moto. Apesar de estar muito chateado. infelizmente. por sua vez. Além disso. embora o contrato de comodato tivesse sido celebrado com Irene. de acordo com os herdeiros. a rescisão decorrerá de sentença judicial que reconheça o advento de necessidade urgente e imprevisível à época do negócio. Ocorre que. – pelo comodante. Nesse caso.

CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. um bem que tenha as mesmas características do que o recebido. Juros e o novo Código Civil.10.A. 2003. é o “empréstimo de coisas fungíveis”. 1. Saraiva.10. roteiro de aula a) diferenças entre mútuo e comodato Embora ambos sejam espécie do gênero empréstimo. págs.406/2002.. por meio de mútuo. Rodrigo Garcia da.. vol.10. Já o mútuo. Ele comenta que soube que houve muita discussão a respeito da cobrança de juros com a edição do novo Código Civil e lhe consulta sobre esta questão. (coord. não deixe de apontar as diferenças entre o regime geral do mútuo no Código Civil e o mútuo bancário. Revista de Direito Bancário. mas não necessariamente o mesmo recebido. • RODRIGUES. o comodatário recebe coisa não fungível. como o bem emprestado é fungível. págs.Prazos no mútuo.-dez. tendo que devolvê-la ao comodante ao final do comodato. 1.. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. 586 a 592 da Lei nº. no mútuo.4. São Paulo: RT.10. diferentemente do que ocorre no comodato. 3. vol. Das várias espécies de contratos.-dez. biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO. out. Revista de Direito Bancário. biblioGrafia obriGatória: • Arts. tais como: – Objeto – Como vimos na aula anterior. 7.10. Comentários ao Código Civil. Dessa diferença decorre a segunda distinção entre comodato e mútuo. 1. no prazo pactuado. para viabilizar a compra da participação na Pechincha Comércio Varejista Ltda.Mútuo oneroso ou feneratício . Parte Especial. out. 586 da Lei nº 10.406/2002. AulA 10: EmPRÉSTImO (múTuO) 1. págs. Antônio Junqueira de. 2002. 2004. Arnaldo. 53 a 77. conforme art.). Ao explicar a situação. no mútuo.Mudança na situação econômica do devedor . 1. 261 a 268. Teresa Ancona.5. Direito Civil. págs. o mutuário tem que entregar ao mutuante. São Paulo: Ed. FGV DIREITO RIO 57 . São Paulo: Saraiva. • LOPEZ. apresentam algumas diferenças. In: AZEVEDO.1. do Mercado de Capitais e da Arbitragem 22. As coisas fungíveis são substituíveis por outras. Desta forma.10. o domínio do bem é transferido pelo mutuante ao mutuário.3.169 a 187. Grana Certa Empreendimentos S. 10. São Paulo: RT. – Transferência de domínio – Enquanto no comodato.2. Silvio. 2003. Caso Gerador: Nosso cliente. Juros no Código Civil de 2002. o comodato é o empréstimo de coisas não fungíveis. do Mercado de Capitais e da Arbitragem 26. • FONSECA. pretende obter recursos. 67 a 110. eMentário de teMas: Diferenças entre mútuo e comodato – Características .

Ele lembra que certa vez uma das máquinas de café expresso emprestadas para uma das filiais do supermercado quebrou e que o supermercado teve apenas que devolvê-la a empresa proprietária das máquinas. não bastando o acordo entre as partes. – Não solene – A lei não determina uma forma obrigatória para a celebração do mútuo. assim como o valor das ações que foram adquiridas pelo amigo de Jeremias. Atualmente. 402 do Código de Processo Civil prevê exceções a regra do arts. Caput do art. não é admitida apenas a prova testemunhal. prevista no art. No mútuo oneroso ou feneratício. celebrar esse tipo de contrato por escrito. 590 da mesma lei. o mutuante pode exigir do mutuário garantia de que poderá cumprir sua obrigação de pagar o mútuo. C) Mudança na situação econômica do devedor Seguindo a orientação de proteção ao credor. como também oneroso. Ocorre que a bolsa de valores despencou. portanto.00 a João Alberto. Jeremias lhe procura e pergunta se tem obrigação de devolver a João Alberto os R$ 500. Dessa forma.406/2002. mas essa é necessária para que o contrato exista. sem ter a obrigação de consertá-la ou pagar pelo seu conserto. é possível dizer que a partir desse momento apenas o mutuário tem obrigações para com o mutuante. aplica-se a regra geral25 de que. 333 da Lei nº 10. tendo em vista que agora ele só tem metade desse valor.406/2002 e 401 do Código de Processo Civil.000. que no caso de notória mudança na situação econômica.CONTRATOs Em EsPÉCIE Jeremias vinha conversando muito com um amigo que se dizia entendido de investimentos na bolsa de valores.406/2002: “salvo os casos expressos. para devolvê-lo no prazo de seis meses. O que você responde? Quais são as principais diferenças entre a locação e o comodato e a locação e o mútuo? b) Características O mútuo é contrato: – Real – Só se aperfeiçoa com a entrega da coisa. 25 FGV DIREITO RIO 58 . Como não tinha recursos para fazê-lo. tem sido cada vez mais comum a pactuação de mútuos onerosos. com a previsão de juros sobre o valor emprestado. no caso de negócios jurídicos de valor superior a dez salários mínimos. a prova exclusivamente testemunhal só se admite nos negócios jurídicos cujo valor não ultrapasse o décuplo do maior salário mínimo vigente no País ao tempo em que foram celebrados”. o legislador prevê no art. uma vez que a única obrigação do mutuante seria a entrega da coisa. No dia fixado para pagamento do mútuo. ele também pagaria ao João Alberto apenas o que havia sobrado. 227 da Lei nº 10.000. Jeremias pediu R$ 500. sendo conveniente. Jeremias entregou o dinheiro ao amigo para que ele fizesse o investimento na bolsa. Curioso e atraído pela conversa de seu amigo. assim como o supermercado pôde entregar apenas a máquina quebrada.00. acrescido de juros. por exemplo. o mutuário deve devolver ao mutuante valor equivalente ao recebido. Para provar a existência do mútuo. que é a remuneração pelo uso do capital. Jeremias decidiu investir em ações. – Unilateral – Como o contrato somente se concretiza com a entrega do bem pelo mutuante ao mutuário. no caso de ajuda a um amigo. Vale lembrar que o art. contudo. d) Mútuo oneroso ou feneratício O caso mais usual de mútuo é o empréstimo de dinheiro. – Gratuito ou oneroso – O contrato de mútuo tanto pode ser gratuito. 227 da Lei nº 10.

de um modo geral. “Os juros moratórios. 406 da Lei nº. 2003. O art. do ponto de vista moral e religioso. e) Prazos no mútuo Caso as partes não convencionem o prazo para o término do mútuo. Teresa Ancona Lopez. Vol. são Paulo: saraiva. 7. por sua vez. da mesma forma que o aluguel é o rendimento produzido pela coisa cedida em locação. Teresa Ancona Lopez. são Paulo: saraiva. Teresa Ancona Lopez. eles são presumidamente devidos no caso de mútuo para fins econômicos. (coord) Antônio Junqueira de Azevedo. 2003. Dessa forma. ou o forem sem taxa estipulada. Parte Especial. inclusive. 7. Atualmente.406/2002: “Quando os juros moratórios não forem convencionados. 591 da Lei nº. Os juros também podem ser legais ou convencionais. são definidos como o rendimento do capital.065/95 FGV DIREITO RIO 59 . 28 29 Lei nº 9. podemos afirmar que ele refere-se aos dois tipos: remuneratórios e moratórios. Esse prazo deve ser razoável para que o mutuário possa usar e gozar do bem mutuado. 591 da Lei nº. É bem acessório e depende do principal”26. desde que seja observado o limite máximo estabelecido no referido art.CONTRATOs Em EsPÉCIE A cobrança de juros vem sendo discutida durante a história. A princípio. o mutuante poderá intimar o mutuário para restituir o bem no prazo que fixar. 406 da mesma lei para fixar teto para a taxa de juros: Art. portanto. pág. pg. 174.406/2002 remete ao art. 27 “Comentários ao Código Civil. 26 “Comentários ao Código Civil. Essa regra não se aplica ao mútuo de dinheiro ou de produtos agrícolas. 2003. o Código Civil estabeleceu prazos em seu artigo 592. Vol. Vale ressaltar o prazo previsto no inciso III do referido artigo: “do espaço de tempo que declarar o mutuante. (coord) Antônio Junqueira de Azevedo. 7. No Código Civil de 1916. serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional”. a fixação dos juros tinha que ser expressa. Vol. Os juros são classificados em juros remuneratórios e juros moratórios. Aplicam-se quando o devedor deixar de cumprir sua obrigação no tempo acordado como credor”28. são definidos como a compensação. Das várias espécies de contratos”. são Paulo: saraiva. Os juros legais decorrem de imposição legal e os juros convencionais decorrem da vontade das partes. como também é muito comum. resultantes da utilização permitida desse capital”27. “Os juros. 10. as partes são livres para pactuar a taxa de juros. 175. A taxa em vigor para pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional é a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC)29. 10. “Os juros remuneratórios podem ser definidos como os frutos de um capital emprestado. Como o art. os frutos produzidos pelo dinheiro. 10. Parte Especial. 406. Parte Especial. “Comentários ao Código Civil. se for de qualquer outra coisa fungível”. (coord) Antônio Junqueira de Azevedo. Das várias espécies de contratos”. mesmo que não haja previsão expressa de cobrança de juros. ou quando provierem de determinação de lei. 175.406/2002 não faz referência a um tipo específico de juros. pois esses bens têm disciplina específica prevista nos incisos anteriores. Já no Código Civil de 2002. a cobrança de juros não só é aceitável. pág. Das várias espécies de contratos”. a indenização por descumprimento de uma obrigação pecuniária.

questões de ConCurso (Prova: 12º Exame de Ordem . Nada poderá fazer. pois dívida não se comprova com testemunha.1ª fase) João tendo emprestado certa importância a seu primo José. FGV DIREITO RIO 60 . independentemente do valor contratado. c. face ao impedimento moral existente. Diante desta hipótese João poderá: a.10. diante do constrangimento decorrente da relação de parentesco. Não existe previsão legal para esta hipótese. sendo certo que tais tratativas verbais ocorreram na presença de manoel e Joaquim.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Poderá se valer de prova testemunhal. d. Só poderá se valer de testemunhas se estas forem em número de quatro ou mais. b.6. não cuidou de obter sua assinatura em documento que tornasse hábil a futura cobrança.

filha do senhor Eduardo Russo e administradora das lojas. Obrigações do Empreiteiro. Caio Mário da Silva. Se fôssemos advogados do Supermercado Pechincha.11. Instituições de Direito Civil. Caso Gerador Em visita a uma das filiais do supermercado Pechincha.000. biblioGrafia obriGatória Arts. Ela conta que contratou.3. que está completamente irada.2. AulA 11: PRESTAçãO dE SERVIçOS. encontramos Maria Lúcia. Obrigações do dono da obra. Pedro acaba de avisar à Maria Lúcia.00. O trabalho com vínculo empregatício é regulado pelo Direito do Trabalho.11. Pedro alega que alguns materiais necessários para a obra tiveram seus preços reajustados e que o projeto original sofreu modificações durante a obra. 1. 375 a 384. fôssemos advogados do empreiteiro. como os serviços de telefonia e bancário.11. EmPREITAdA. PEREIRA. vol. Riscos com aumento ou redução de preços. 2002. RODRIGUES.1. Silvio. Há serviços específicos que são tratados em seção específica do Código Civil. o material que iria ser utilizado para revestir as paredes do estacionamento deteriorou-se e que será necessário repor boa parte do material. corretagem. FGV DIREITO RIO 61 . o “trabalho avulso feito por pessoa física ou jurídica (geralmente microempresa) e o trabalho dos profissionais liberais”. ao contrário. que em razão de um acidente ocorrido no dia anterior. São Paulo: Ed. págs. para análise de contratos que ali estavam. págs. Para piorar. roteiro de aula a) Prestação de serviços . Espécies de Empreitada. eMentário de teMas Prestação de Serviços – Introdução. Rio de Janeiro: Forense. agência e distribuição. Empreitada – Introdução. A previsão inicial era de que a obra duraria três meses e custaria R$ 20. 243 a 253. há mais de cinco meses. Características da Empreitada. o termo “locação” é utilizado apenas para coisas e não mais para pessoas. a prestação de serviços era tratada como “locação de serviços”.11.11. vol 3.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.406/2002.introdução No Código Civil anterior. Pedro. o que poderíamos alegar? 1. Ocorre que a obra já ultrapassou tanto a previsão de tempo quanto a de custo e Pedro ainda está cobrando de Maria Lúcia valores adicionais pela obra. como executor de uma obra para ampliação do estacionamento da loja. 1.4. ou até mesmo em lei específica. Perguntado sobre o descumprimento do prazo e do orçamento previstos. como orientaríamos Maria Lúcia? E se. 2005. Características da Prestação de Serviços. O Código Civil regula a prestação de serviços residual. que ele não tinha como prever quando foi contratado. III. 593 a 626 da Lei n° 10. Direito Civil. como transporte. Saraiva. Modernamente. ou seja. 1. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. um rapaz conhecido por ser um bom empreiteiro.

Silvio. Ao saber disso. os riscos da alta ou baixa do preço dos materiais e do salário são assumidos pelo empreiteiro. pág. no caso de não haver autorização escrita do dono da obra.406/2002). sendo a ausência de protesto considerada uma aceitação tácita do dono da obra. o senhor Eugênio foi contratado com exclusividade pelo Supermercado Pechincha para prestar serviços de pesquisa de técnicas de atração ao consumidor. Durante a diligência. como ocorre no mútuo. Pode ser ajustado verbalmente. como poderíamos classificar o contrato de prestação de serviços? Tendo atuado muitos anos no comércio varejista. (art. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. b) Características da Prestação de serviços Relembrando nossa primeira aula. o senhor Odin Heiro.introdução Empreitada é o contrato por meio do qual o empreiteiro “se compromete a executar determinada obra. de acordo com instruções deste e sem relação de subordinação”2. por meio de instruções por escrito do dono da obra e. sem que seja necessária a entrega da coisa. em troca de certa remuneração fixa a ser paga pelo outro contraente – dono da obra -. Não solene – a lei não impõe forma específica para sua execução. pessoalmente ou por terceiros. Direito Civil. Saraiva. Relembrando: capacidade das partes. tivemos conhecimento de que Jeremias Russo vinha mantendo conversas e negociações com o senhor Eugênio para que ele parasse de prestar serviços ao supermercado e passasse a trabalhar para o seu sócio em um novo negócio que Jeremias estava pensando em abrir. objeto lícito e forma.243. preocupado. Consensual – se aperfeiçoa com a mera vontade das partes. 619 da Lei n° 10. C) empreitada . se esse presente às obras verificou a alteração no projeto e não protestou. nosso cliente. O empreiteiro só pode exigir acréscimo no preço do dono da obra se forem feitas modificações no projeto a ser implementado. Quais são as diferenças entre o contrato de empreitada e o de prestação de serviços? d) Características da empreitada O contrato de empreitada é: Bilateral ou sinalagmático – envolve prestação de ambas as partes. São Paulo: Ed. 2002. salvo estipulação em contrário. e) riscos com aumento ou redução de preços Em regra. 2 FGV DIREITO RIO 62 . O empreiteiro entrega a obra e o dono da obra entrega o preço. vol 3. Oneroso – envolve um “sacrifício” patrimonial para ambas as partes.CONTRATOs Em EsPÉCIE Desde que respeitados os pressupostos e requisitos1 para os negócios jurídicos. nos pergunta se há alguma providência que possa ser tomada caso o senhor Eugênio resolva parar de trabalhar para o Supermercado Pechincha. 1 RODRIGUEs. qualquer espécie de serviço pode ser objeto do contrato de prestação de serviço.

H) obrigações do dono da obra A principal obrigação do dona da obra é efetuar o pagamento do preço. “B” alega que houve cumprimento insatisfatório e inadequado da obrigação por parte de “A”. b. a qualidade dos materias especificados no memorial de incorporação. cuja obra foi concluída segundo afirmativa categórica de “A” no prazo estabelecido pelo contrato. não podendo recusar injustificadamente o seu recebimento. Por que é importante distinguir entre a empreitada de lavor e a empreitada mista? G) obrigações do empreiteiro A principal obrigação do empreiteiro é entregar a coisa no tempo e na forma acertados.5. 441 e seguintes da Lei n° 10.406/2002: “Não cumprida a obrigação. em razão dos materiais como do solo. Aguardando que este cumpra. como garantia do pagamento do preço. Ao ser entregue. se o empreiteiro não atende as especificações contratadas. a doutrina entende que o empreiteiro tem direito de retenção. aplicam-se as regras de vício redibitório5. devido a isso pensa em extinguir o contrato que mantém com ele. Ajuizando ação com fundamento na cláusula rebus sic stantibus.Ajuizando ação com fundamento na exceptio non rite adimpleti contractus. questões de ConCurso (Prova: 29º Exame de Ordem . fica sujeito à obrigação de reparar o prejuízo. A lei prevê ainda uma regra específica no caso de empreitada de edifícios e outras construções consideráveis. ficando responsável pelos efeitos decorrentes da mora. Art. Caso o dono da obra recuse o recebimento da coisa sem motivo. Para os defeitos aparentes. 4 Arts. a lei criou as alternativas referidas acima.11. Por sua vez. Além disso. o dono da obra tem duas alternativas: rejeitar a coisa ou recebê-la com abatimento do preço. Ajuizando ação com fundamento na exceptio non adimpleti contractus.406/2002. a obra pode ter defeitos aparentes ou ocultos. 389 da Lei nº 10. ele será tido como em mora. 5 FGV DIREITO RIO 63 . durante o prazo de cinco anos. rigorosamente. Maria Lúcia está muito insatisfeita com o trabalho do senhor Pedro. e honorários de advogado”. mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. Caso o empreiteiro não cumpra as obrigações do contrato.1ª fase) “A” obrigou-se a construir para “B” um edifício. responde o devedor por perdas e danos. que não observou. Assim “B” suspende os últimos pagamentos devidos a “A”: a. Ela lhe procura com a seguinte pergunta: qual é a regra geral para suspensão dos serviços no caso de empreitada? 1. Embora não haja previsão legal. Para os vícios ocultos. corretamente a obrigaçao. O dono da obra tem obrigação de receber a coisa. segundo a qual o empreiteiro de materiais e execução responderá pela solidez e segurança do trabalho. c.CONTRATOs Em EsPÉCIE f) espécies de empreitada Empreitada de lavor – aquela em que o empreiteiro contribui apenas com seu trabalho. de 10 andares. Empreitada mista – aquela em que o empreiteiro contribui com mão-de-obra e materiais. conforme regra geral4. d.

b) depósito voluntário É aquele ajustado única e exclusivamente em razão da vontade das partes. 627 a 652 da Lei nº 10. 1. até que o depositante o reclame”. FGV DIREITO RIO 64 . O contrato de depósito voluntário é classificado como: – Real – o contrato de depósito só se aperfeiçoa com a entrega do bem. biblioGrafia obriGatória Arts.406/2002. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. a não ser que tenha expressa autorização do depositante. ficamos hospedados no Hotel Descanse em Paz. Direito Civil. Aborrecidos com o acontecimento. nos disse que o hotel nada tinha a fazer e que um eventual prejuízo deveria ser imputado à própria omissão dos hóspedes.12. roteiro de aula a) introdução Conforme dispõe o artigo 627 da Lei nº 10. eMentário de teMas Introdução.12.12. ele nos mostrou uma placa afixada na recepção que assim dizia: “O HOTEL NÃO sE REsPONsABILIZA PELOs OBJETOs DEIXADOs NO INTERIOR DOs APARTAmENTOs”. Qual é a principal diferença entre o contrato de depósito e o contrato de comodato? O depositário não pode utilizar a coisa depositada. por não terem utilizados os cofres eletrônicos de segurança postos à disposição nos apartamentos em que nos hospedamos.4. Há duas espécies de depósito reguladas pelo Código Civil: o voluntário e o necessário.3. Como argumento final. 1. durante a diligência. o contrato de depósito é aquele segundo o qual “recebe o depositário um bem móvel. Um dia. por isso. págs.12. RODRIGUES. 640 da Lei nº 10.12. ao voltarmos do trabalho para o hotel. não basta apenas a celebração do contrato.406/2002). tivemos que fazer algumas visitas ao supermercado. vol 3. AulA 12: dEPóSITO 1. para nossa surpresa. (art. Depósito Voluntário.2. como relógios e aparelhos de celular. para guardar.406/2002. O depósito tem por objeto apenas bens móveis. Saraiva. 269 a 282. Este.1. São Paulo: Ed. Caso Gerador Os Supermercados Pechincha ficam em Brasília. haviam sido furtados. 2002. Depósito Necessário. E agora? O gerente tem razão? 1. Silvio. Em nossa última viagem. encontramos nossos quartos revirados e percebemos que alguns itens pessoais. no entanto.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. fomos conversar com o gerente do hotel.

entende-se que ele é um contrato intuitu personae. Já no depósito oneroso. cabendo a ele. Obrigações do depositário: – Obrigação de guardar a coisa alheia – é a obrigação inerente e principal do contrato de depósito. O depositário não responde pela deterioração ou perda do bem em caso de força maior. p. independentemente do prazo inicialmente ajustado entre as partes. comentários ao código civil. senhor Odin Heiro.). 652 da Lei n° 10. Nosso cliente. São Paulo: Saraiva. Quanto ao carro. A coisa deve ser restituída no estado em que foi recebida pelo depositário. Quando o depósito é gratuito.406/2002 disponha que o “depósito voluntário provar-se-á por escrito”. porém. e ressarcir os prejuízos”. 227 do CC de 2002)”6. com a entrega do bem pelo depositante ao depositário. 7. Conforme artigo 629. pois tem por base a confiança que o depositante tem no depositário. – Obrigação de conservar a coisa alheia – essa obrigação é uma conseqüência da obrigação de guardar. o art. nos procura para falar sobre um assunto pessoal. mas descobriu que o mesmo foi deteriorado em um recente LOPEZ. se exceder ao décuplo do salário mínimo vigente. 2003. Ele desabafa que está com problemas porque descobriu que seu pai. acompanhada dos frutos e acrescidos. Parte Especial. se o depositante se recusar a recebê-la. por motivo plausível. analisar o caso específico para classificar o depósito como gratuito ou oneroso e unilateral ou bilateral. No caso de depósito oneroso. um conjunto de xícaras de porcelana e um automóvel. 646 da Lei nº 10. muitos sustentam que não há o caráter intuitu personae. Desconhecendo a existência desse contrato de depósito. independentemente do debate a respeito das duas espécies de forma. Nesse sentido. provar a ocorrência de força maior (art. admitindo-se. cabe ao depositante a obrigação de pagar ao depositário. o depositário que não restituir quando exigido será compelido a fazê-lo mediante prisão não excedente a um ano. em regra. era depositário dos seguintes bens: um baú de madeira. Teresa Ancona. Uma das sanções previstas para o descumprimento da obrigação de restituir o bem depositado é a prisão civil. portanto. porém. Nada impede. que pode ser pactuado sem qualquer formalidade pelas partes e mesmo assim existirá e será válido. 642 da Lei nº 10. In: AZEVEDO. que não a testemunhal. deverá reparar o prejuízo do depositante. vol. para a sua prova. – Obrigação de restituir a coisa – O depositário deve devolver o bem ao depositante quando solicitado. cabem obrigações apenas para o depositário.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Não solene – embora o art. Antônio Junqueira de. Art. o depositário é obrigado a conservar a coisa como se sua fosse. “Assim.406/2002).406/2002). ele manteve o mesmo na garagem do pai. não puder continuar a guardá-la (art. 414. que as partes convencionem uma retribuição ao depositário. muitos autores entendem que não há forma prevista para a validade do ato. (coord. porém.406/2002 dispõe: “Seja o depósito voluntário ou necessário. – Gratuito ou oneroso – De acordo com o Código Civil. A Lei prevê que o depositário poderá devolver a coisa ou depositá-la judicialmente. Das várias espécies de contratos. qualquer começo de prova escrita (cf. Entretanto. quando. já falecido. 6 FGV DIREITO RIO 65 . apenas para sua prova. 635 da Lei nº 10. ele se desfez do baú de madeira e do conjunto de xícaras. para tanto. o contrato de depósito é gratuito. necessitará de prova outra. – Unilateral ou bilateral – após o aperfeiçoamento do contrato. sendo assim uma das exceções ao princípio de que ninguém pode ser preso em razão de dívidas. Caso o depositário não cumpra essa obrigação. vendendo-os a terceiros. podemos concluir que esta não é da essência do contrato de depósito. É necessário.

mas sim de obrigações subsidiárias. e pediu a devolução dos bens. Dias atrás. os chamados depósitos bancários não são depósitos. O legislador entendeu que nesses casos deveriam ser aplicadas as regras referentes ao mútuo. Diante dessa situação. duas últimas contribuições. 411. como a televisão e o computador. foi surpreendido com a alegação do vizinho de que não devolveria aqueles bens. e – depósito que se faz em situação de calamidade. como a de reembolsar as despesas feitas pelo depositário na guarda da coisa e de indenizá-lo pelos prejuízos que venha a ter em razão do depósito. mas um genuíno empréstimo por força da intenção das partes”7. Teresa Ancona. Antônio Junqueira de. Há discussão na doutrina quanto à natureza do depósito bancário. o depósito necessário presume-se oneroso. a senhora Juracema.. Depósito de coisas fungíveis É o chamado depósito irregular. p. mostrou o contrato que foi celebrado entre eles. Das várias espécies de contratos.. ao ver sua casa inundando. não há um depósito. Teresa Ancona. comentários ao código civil. sabendo do falecimento do pai do senhor. comentários ao código civil. (coord. e os deixou na casa de um vizinho que. Antônio Junqueira de.). Parte Especial. procurou nosso cliente. Estes são equiparados ao depósito necessário e ao depósito de bagagens em hospedarias. ocorre quando o bem depositado é dinheiro. Das várias espécies de contratos. p. mas sim empréstimos”8. de acordo com o contrato. nos depósitos bancários.CONTRATOs Em EsPÉCIE incêndio ocorrido no prédio. São Paulo: Saraiva. cabem ao depositante algumas obrigações que não decorrem da natureza do contrato de depósito em si. depositante dos bens. vol. Odin Heiro. C) depósito necessário O depósito necessário ocorre nas seguintes hipóteses: – depósito para desempenho de obrigação legal. por morar em uma área de ladeira. (coord. pelo menos. feitos como meio de guardar valores e perceber rendimentos e juros. quando foi buscar a televisão e o computador. São Paulo: Saraiva. Alguma providência a tomar quanto a esse caso? Obrigações do depositante: Como vimos. vol. Marvim retirou apressadamente alguns objetos. In: AZEVEDO. In: AZEVEDO. A autora conclui: “em conclusão. Ao contrário do depósito voluntário que se presume gratuito. ele nos pergunta: O contrato de depósito se extingue com a morte do depositário? O herdeiro tem alguma responsabilidade quanto aos bens depositados? O que fazer tendo em vista que alguns bens foram vendidos e outro foi deteriorado? Ele reparou que. 2003. Em regra. pois de acordo com Teresa Ancona Lopez: “. 412. 8 FGV DIREITO RIO 66 . o contrato de depósito é unilateral quando o contrato é gratuito e bilateral quando o contrato é oneroso. 7. teve melhor sorte com a chuva. Como ajudar Marvim nessa situação? É possível enquadrar o vizinho como depositário infiel mesmo sem a existência de um contrato entre eles? Cabe a prisão civil nesse caso? LOPEZ. 2003. Em um dia de chuvas torrenciais. 7 LOPEZ.). Mesmo nos casos em que o contrato é unilateral. a senhora Juracema deveria ter pago ao seu pai uma quantia semestral como pagamento pelo depósito e que sabia que ela não havia efetuado o pagamento de. 7. Alguns dias depois. Parte Especial.

4.406/2002) FGV DIREITO RIO 67 . na qualidade de diretor e representante da Grana Certa Empreendimentos S.3. Revogação e Extinção do Mandato.2. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Saraiva. para adquirir a participação na Pechincha Ltda. Direito Civil. 656 da Lei n° 10. 1. é possível o mandato tácito e o verbal (art. Silvio. Caso Gerador Sabendo que estaria fora do país na provável época da assinatura do contrato de compra e venda das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda. 653 a 692 da Lei nº 10. outorgou uma procuração a um dos funcionários de sua confiança. o senhor Justin Case lhe pergunta: ele poderia casar por procuração.13. – Não solene – embora a lei determine que a procuração é o instrumento do mandato. Obrigações do Mandatário. o mandante se faz representar pelo mandatário.. 2002. 283 a 305. ou seja. Obrigações do Mandante.1. Qual a diferença entre o mandato e a comissão? b) Classificação O mandato é contrato: – Consensual – para que se aperfeiçoe basta a vontade das partes. eMentário de teMas Introdução. o senhor Odin Heiro.13. o senhor Justin Case.A.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. 1. Classificação.406/2002. ele poderia outorgar a um amigo uma procuração para se casar em seu lugar? Ele poderia substabelecer a outro funcionário da companhia os poderes que lhe foram outorgados na procuração para assinar o contrato de compra e venda? 1. Sem querer desapontar o senhor Odin Heiro e muito menos a sua noiva. Procuração e Substabelecimento. biblioGrafia obriGatória Arts. págs. São Paulo: Ed. o senhor Justin Case nos contou que o senhor Odin Heiro se esqueceu apenas de um pequeno detalhe: há uma boa probabilidade de a assinatura do contrato ocorrer justamente no período no qual Justin Case ia tirar férias para se casar com sua noiva no Paraná.13.13. RODRIGUES.13. Ao ser comunicado desse fato. vol 3. AulA 13: mANdATO. 1.. O mandatário age em nome do mandante. roteiro de aula a) introdução Por meio do mandato.

406/2002) – o mandatário é responsável pelos prejuízos causados ao mandante. O mandato outorgado a advogado. – Agir com o zelo necessário e diligência habitual na defesa dos interesses do mandante (art. por exemplo. Saraiva. Assim. hipotecar. quando eles resultarem de culpa do mandatário. Tendo em vista que a lei admite mandato tácito. os poderes que lhe foram conferidos pelo mandante”9. tendo em vista que o artigo 662 da Lei n° 10. São Paulo: Ed. ele será unilateral. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. não se presume gratuito. será bilateral. Se o mandatário agir extrapolando os poderes que lhe foram conferidos. vol 3. transigir.406/2002) – O mandatário deve atuar respeitando os poderes outorgados na procuração. o Código Civil exige que a procuração contenha poderes expressos. naturalmente o substabelecimento deverá ser outorgado também por instrumento público. A procuração pode ser outorgada por instrumento público ou particular. RODRIGUEs. Antes de contratar com alguém que se apresente como mandatário do outro contratante. Sendo o mandato outorgado por instrumento público. pois ele é um instrumento para que o advogado possa defender os interesses de seu cliente e exercer seu ofício. 667 da Lei n° 10. é indispensável conferir a procuração e os poderes que foram outorgados para não correr o risco de que o contrato seja ineficaz em relação ao mandante. Cabe ao mandatário provar que não houve culpa sua para se livrar de ser responsabilizado pelo prejuízo que venha a ser sofrido pelo mandante.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Gratuito – não havendo estipulação de remuneração. d) obrigações do Mandatário As obrigações do mandatário são: – Agir em nome do mandante (art. 2002. exceto para aqueles que exigem instrumento particular ou público. O mandato é intuitu personae. 9 FGV DIREITO RIO 68 . Havendo remuneração prevista. Substabelecimento “é o ato pelo qual o mandatário transfere ao substabelecido. Pode um advogado prestar serviço advocatícios sem mandato e vice-versa? C) Procuração e substabelecimento A procuração é o instrumento do mandato. havendo morte de uma das partes. Direito Civil. são ineficazes em relação àquele em cujo nome foram praticados. ou o tenha sem poderes suficientes. sendo oneroso. Dessa forma. a não ser que este venha a ratificar o ato posteriormente. salvo raras exceções que serão vistas adiante. uma vez que o mandante confere poderes a alguém de sua confiança. a procuração não é indispensável para conclusão de negócios. salvo se este os ratificar”. Silvio. exceto quando tem por objeto a realização de atos que o mandatário realiza profissionalmente. pois implicará obrigações para ambas as partes. um mandato com poderes de administração em geral não bastaria para que o mandatário assinasse escritura de hipoteca em nome do mandante. – Unilateral – sendo o mandato gratuito. o mandato será extinto.406/2002 dispõe que: “os atos praticados por quem não tenha mandato. o ato é inválido para o mandante. ou seja. pág. 289. 653 da Lei n° 10. certo? Para efetuar determinados atos como alienar. presume-se que o mandato é gratuito.

406/2002) – O mandante.406/2002). Maria Lúcia lhe pergunta: afinal. Ocorre que. Aproveitando-se das ótimas condições do negócio. 675 e 679 da Lei n° 10.406/2002) – Prosseguir no exercício do mandato mesmo após extinção do mandato por morte. – Adiantar ao mandatário os valores necessários ou reembolsá-lo pelas despesas efetuadas em razão do cumprimento do mandato (arts. deixando a família de seu amigo “na mão”. Jeremias. tia Gertrudes faleceu inesperadamente. caso o mandato seja oneroso (art. o mandante ficará obrigado a cumprir as obrigações perante terceiros. Meses depois.406/2002). Mesmo tendo conhecimento da nova procuração. preocupado.406/2002). a sua filha. contratado alguns empregados. Um amigo seu lhe conta que o pai dele havia nomeado um conhecido como procurador dele para adquirir uma bela casa em Itaipava. o tal conhecido acabou adquirindo a casa para si próprio. mas não exceder os limites do mandato. podendo. um pouco decepcionado pelo andamento dos trabalhos do filho. se o mandatário contrariar as instruções do mandante. desde que não resultem de culpa do mandatário ou de excesso de poderes (art. Muito chateado com a situação. para concluir negócio já iniciado ou até ser substituído quando for para impedir que o mandante ou seus herdeiros sofram prejuízo (art. para contratar pessoas para trabalharem em sua fazenda. Vale notar que. pois. Jeremias continuou a utilizar a procuração que havia recebido e a fazer entrevistas.406/2002). 678 da Lei n° 10. porém. ambos são mandatários do pai? Jeremias pode continuar a desempenhar os poderes que a ele foram outorgados? A contratação dos empregados é válida? O senhor Odin Heiro lhe procura. o senhor Eduardo Russo resolveu outorgar procuração. antes mesmo que ele houvesse efetuado a transferência do imóvel para seu nome. inclusive fazer entrevistas e ajustar salários. Maria Lúcia. interdição ou mudança de estado do mandante. ele diz que acha que não há nada mais a ser feito. – Indenizar o mandatário pelos prejuízos que venha a sofrer em cumprimento ao mandato. E agora? Ele ouviu dizer que o mandato se extingue com a morte de uma das partes. É verdade? FGV DIREITO RIO 69 . f) revogação e extinção do mandato O senhor Eduardo Russo outorgou uma procuração ao seu filho. 675 e 676 da Lei n° 10. até porque o tal conhecido já até devolveu ao pai dele a quantia que havia recebido para pagar o sinal do imóvel. somente se vincula dentro dos termos previstos na procuração. neste caso. 647 da Lei n° 10. inclusive.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Prestar contas de sua gerência ao mandante e transferir ao mandante todas as vantagens obtidas nos negócios – (art. com poderes idênticos. Como você orienta o seu amigo? e) obrigações do Mandante – Cumprir os compromissos assumidos pelo mandatário em seu nome (arts. tendo. 676 da Lei n° 10. – Pagar ao mandatário a remuneração ajustada. ele havia sido constituído mandatário de sua tia Gertrudes para transferir a ele próprio um imóvel que era de propriedade da referida tia. 668 da Lei n° 10. tendo apenas ação de perdas e danos contra o mandatário pela inobservância das instruções. em razão de alguns acordos familiares. infelizmente.

1ª fase) A procuração outorgada a vários procuradores com esfera de atuação devidamente delimitada. b. representando Tício quando tiver quitado o preço? FGV DIREITO RIO 70 .1ª fase) maria José. vítima de um acidente automobilístico. veio a saber que Pedro falecera dias antes. diga qual não está adequada à procuração em causa própria: a. com a morte. Diante do ocorrido. Ato praticado é nulo de pleno direito. b. questões de ConCurso (Prova: 28º Exame de Ordem .13. É outorgada no interesse exclusivo do mandatário que. podemos dizer que: a.5. outorgando-lhe procuração para que Caio assine por Tício a escritura definitiva quando Caio tiver quitado integralmente o preço. Mandato plural fracionário. Mandato plural conjunto.Ato é perfeitamente válido uma vez que visava a ultimação de negócio já iniciado.Mandato plural substitutivo.Subsiste mesmo após a morte do mandante (Prova: 13º Exame de Ordem . mas dependerá da iniciativa dos interessados. na qualidade de procuradora de Pedro. É irrevogável b.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. conseqüentemente. Posteriormente. Posteriormente. vez que o preço já se achava quitado. d. utilizando-se dos poderes especiais constantes da procuração. É essencial para o advogado que postula em Juízo em causa própria d. Prova: 26º Exame de Ordem .Tício prometeu vender a Caio um imóvel. d.1ª fase) Dentre as características abaixo arroladas. vez que. c. É válida a revogação ou poderá Caio assinar a escritura de compra e venda. c. outorgou escritura definitiva de imóvel prometido vender a Estela. (Prova: 26º Exame de Ordem . Tício revogou a procuração. cessou o valor da procuração. cabendo a cada um agir apenas em seu setor. caracteriza: a.2ª fase PROVA DIsCURsIVA 4 . Mandato plural solidário. Ato é anulável. Ato é tido como inexistente ou insubsistente. fica isento de prestar contas ao mandante c.

eMentário de teMas Análise e comparação das características da comissão. 693 a 721 da Lei nº 10.societario.ago.com.14. distribuição e representação. AgêNCIA E dISTRIbuIçãO (REPRESENTAçãO COmERCIAl). br/doutrina/texto. ano 7. Disponível em: <http://jus2. jun. Teresina.asp?id=215.2006. BERGER. Rio de Janeiro: Forense. JÚNIOR. BiBliografia oBrigatória Arts. Tendo em vista os novos entendimentos e analisando as regras específicas de cada um desses tipos jurídicos.br/artigos/verartigo. págs.14. Centro Acadêmico Clóvis Beviláqua. Jus Navigandi.2006. 389 a 393. III. Disponível em: www. Instituições de Direito Civil . Lei nº 4. n.asp?id=4148>. (em anexo) DANTAS. Renato.886/1965. 2003. por meio da leitura dos textos obrigatórios e dos recomendados.html Acesso em: 03. biblioGrafia CoMPleMentar CINTRA.org. É hora de definir agência e distribuição no novo Código Civil .vol.uol. Disponível em www.com. br/demarest/svrepresentacao. Acesso em 03. (em anexo) PEREIRA. A representação no novo Código Civil.mundojuridico.2. Disponível em: http://cacbufc.2006 (em anexo) VENOSA. Acesso em: 04 ago. Antonio Felix de Araujo. Humberto Theodoro. Agência e Distribuição x Representação Comercial.14. (em anexo) 1.adv. já pensando no futuro.3. 2006. do ponto de vista do supermercado? Utilizando a planilha abaixo como base.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. mundo Jurídico. Aspecto responsabilidade perante terceiros responsabilidade pela solvência das pessoas com quem contratar exclusividade dever de obediência às instruções do comitente/ proponente remuneração demissão sem justa causa demissão por justa causa Morte do comissário/ agente direito de retenção demais regras aplicáveis especificidades Comissão Agência/ distribuição FGV DIREITO RIO 71 . 1. compare as vantagens e desvantagens que cada uma dessas figuras jurídicas poderia trazer ao supermercado. 1. Francisco Wanderson Pinho.ago. AulAS 14 E 15: COmISSãO.4.Contratos. Caso Gerador É possível perceber. Silvio de Salvo. agência e distribuição. 66.br.14.406/2002. Do contrato de agência e distribuição no Novo Código Civil. 2005 . Caio Mário da Silva.1. pensa em contratar terceiros para fazer a revenda dos produtos do Supermercado Pechincha? Qual seria o contrato mais seguro. com as alterações da Lei nº 8.14.420/1992. 1. como você orientaria o senhor Odin Heiro que. Acesso em: 03. que o novo Código Civil gerou algumas discussões acerca dos contratos de agência.ago.

O contrato de agência no direito brasileiro. Todos. Direito comparado. ou concessão comercial.886/1965. FGV DIREITO RIO 72 . Em lugar de usar empregados para angariar clientes fora do estabelecimento. Outros empresários adquirem do fabricante esses produtos. o vende ao consumidor. Agência e distribuição por conta própria (revenda). que será concluída pelo preponente. aceito por grande parte da doutrina. 5.2.1. pois o agente é um representante autônomo.4. 9. contratos de colaboração empresarial. 6. Noções introdutórias.14. Sujeitos do contrato de agência. que fazem do agenciamento de clientela o objeto de suas empresas. Agência e mandato.14. então. é o contrato de compra e venda.5. que regulava especificamente as atividades dos representantes comerciais. 3. que integra a categoria dos chamados. ele mesmo. Os elementos essenciais do contrato de agência. também com o mesmo propósito de revendê-los no mercado.1. para melhor colocação de suas mercadorias. Contratos afins. O agente faz da intermediação de negócios sua profissão. Recorre à mão de obra alheia. 8. 5. por meio do contrato de trabalho. roteiro de aula a) qual é a principal diferença entre o contrato de comissão e o de agência? b) Partindo do pressuposto. seja na produção seja na comercialização. O objeto do contrato de agência. O instrumento jurídico básico de que se valem os empresários. o produtor não tem condições de explorar individualmente seu negócio. Presta serviço tendente a promover a compra e venda. Num estágio primário da exploração do mercado. 8. A representação comercial. Numa escala mais desenvolvida do processo industrial. você entende que a lei n° 4. nessa cadeia. Encarrega. o empresário sente a necessidade de atuar além dos limites físicos do estabelecimento. Nesse momento surge o fenômeno da representação comercial ou agência.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. 5. que se integram à estrutura operacional da empresa. que organiza sua própria empresa e a dirige. Natureza jurídica. Agente e viajante ou pracista (contrato de agência e contrato de trabalho). 1. Embora atuando fora do recinto do estabelecimento do empresário. Os empregados que captam clientela nestas circunstâncias são os viajantes e pracistas. alguns empregados de sair do estabelecimento para ir em busca de clientes na praça da empresa ou em outras praças.1. contratando o serviço de empregados. Agência e comissão. 7. Não pratica a compra e venda das mercadorias do representado. o empresário pode contratar esse serviço junto a outros empresários. Já então o fornecedor não terá comando do processo. 4.3. 5. 4. o artesão cria o produto.6. A nomenclatura legal . sem interferência dos empresários que utilizam seus serviços.406/2002? 1. noções introdutórias A atividade comercial realiza a circulação de produtos na cadeia econômica entre a produção e o consumo. foi revogada pela lei n° 10. atuam dentro do estabelecimento sob o comando direto do empresário.as partes no contato de agência. continuam vinculados à estrutura organizacional permanente da empresa. O fabricante cria os produtos com o fim de colocá-los no mercado. Conforme o volume da produção e da comercialização. de que agência e representação comercial são o mesmo contrato. leitura obriGatória: Do contrato de agência e distribuição no Novo Código Civil autor: Humberto theodoro júnior Publicado em: 29/9/2005 SUMÁRIO: 1. Conceito de contrato de agência. porém. 2. expõe-no à venda e. 5.

na linguagem tradicional do direito brasileiro esse agente recebia o nome de “representante comercial autônomo” (Lei nº 4. visto que se conserva o caráter de preposição. o Código fala também em “contrato de agência e distribuição”. franquia comercial. a distribuição não é a revenda feita pelo agente. de 09. Ele age como depositário apenas da mercadoria do preponente. mandato mercantil.886. parág. abandonou o nomem iuris de “representante comercial”. confundir-se com a concessão comercial. representação comercial. a exemplo do direito europeu. A primeira característica do representante comercial. ainda faz parte da prestação de serviços. a mediação para a realização de negócios mercantis. 710. pois a habitualidade (o caráter não eventual) da prestação de serviços realizada pelo agente em prol do representado. a representação será negócio complexo e que.886. física ou jurídica. mas o mesmo contrato de agência no qual se pode atribuir maior ou menor soma de funções ao preposto. só em 1965 mereceu disciplina legal específica no Brasil. No teor do art. porém. Pode. etc. para transmiti-los aos representados. Já então. que inexiste nessa última modalidade. Há.CONTRATOs Em EsPÉCIE Por isso.886. Foi a Lei nº 4. atribui à atividade tradicional da representação comercial o nomen iuris de agência. Em determinadas circunstâncias. para que este pratique atos próprios do mandatário. Essas noções são muito importantes para que não se venha a confundir o contrato regulado pelo art. único. dois contratos distintos. 710 – contrato de agência e distribuição – com o contrato de concessão comercial. A palavra “distribuição” é daquelas que o direito utiliza com vários sentidos. que é aquele com que a lei qualifica o contrato de agência. porém. Há uma idéia genérica de distribuição como processo de colocação dos produtos no mercado. amparado por contrato com uma ou várias empresas. a representação comercial O novo Código Civil. ou não. 710 do Código Civil. Aí se pensa em contratos de distribuição como um gênero a que pertencem os mais variados negócios jurídicos.” O seu segundo elemento caracterizador é. continua sendo exatamente a mesma do representante comercial autônomo. conferir poderes especiais ao agente. O novo Código Civil. de 09 de dezembro de 1965 que cuidou de regulamentar a representação comercial.65). baseado na revenda de mercadorias e sujeito a princípios que nem sequer foram reduzidos a contrato típico pelo Código Civil. cuja função econômica e jurídica se localiza no terreno da captação de clientela. Sua função. de maneira que. por conta de uma ou mais pessoas. Mas. ao concluir a compra e venda e promover a entrega de produtos ao comprador. se sujeitará também às do mandato mercantil (Código Civil. além de falar em “contrato de agência”. se dedica a angariar negócios em proveito destas. todos voltados para o objetivo final de alcançar e ampliar a clientela (comissão mercantil. arts. que desempenha em caráter não eventual. Embora já praticada. é a autonomia com que age na intermediação: o representante não é um empregado da empresa a que serve. não age em nome próprio. além de suas regras próprias. 1º). lhe pode ser delegada. nos moldes de sua configuração legal. substituindo-o por “agente”. e. sem relação de emprego. agenciando propostas ou pedidos. este. mas o faz em nome e por conta da empresa que representa. Ao invés de atuar como vendedor atua como mandatário do vendedor. por ele consumados. É ele sempre um prestador de serviços. correspondente à atividade daquele que. porque afinal os negócios agenciados são retransmitidos ao comitente e são por este aceitos. A distribuição que eventualmente. ora apelidado agente. Nos termos da Lei nº 4. a exemplo do direito europeu. em caso positivo. e 721).). um sentido mais restrito. FGV DIREITO RIO 73 . a mesma atividade empresarial passa a denominar-se distribuição. praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios (art. a figura do representante comercial. a representação ajustada. fornecimento. Não é. sim. Não são. eventualmente. um mandatário.12. Esse nunca compra a mercadoria do preponente. sem entretanto. há um bom tempo nos meios empresariais. porém. porém. revenda ou concessão comercial. “exerce a representação comercial autônoma a pessoa. 2.

ao falido não reabilitado. É comum a existência de estabelecimentos dedicados exclusivamente à representação comercial. Todas as regras especiais. Tal como se passava na Europa. A agência. art. Durante longos anos. para legitimar-se ao exercício da representação comercial. diversamente do que se passa com o empregado. roubo. com objeto distinto da agência.886 é que terá ocorrido derrogação parcial desta. cujo objetivo principal era o de dar curso à reivindicação antes aprovada pela Conferência de Araxá. funciona apenas como um acessório ou complemento da atividade principal da empresa. Em 1949. outrossim. contrate com outra uma representação comercial para explorar negócio de intermediação conexo. já que a jurisprudência limitava-se a negar enquadramento na legislação trabalhista.886. art. em princípio. É. construir uma estrutura dogmática que pudesse fixar a natureza jurídica do contrato que vinculava a empresa e os agentes comerciais. pessoas físicas ou jurídicas. na espécie. também no Brasil. e com a quitação com o imposto sindical (Lei nº 4. continuam em vigor. § 2º). De tal sorte. sem. para atribuir-lhe uma função autônoma e independente em relação à empresa a que serve. art. a representação comercial (ou agência) ganhou o status de atividade profissional regulamentada. o requerimento haverá de ser instruído com a prova de identidade. então. a grande preocupação jurídica foi a de distingui-la da relação empregatícia. foi reapresentado sem sucesso algum. o contrato de agência no direito brasileiro Desde que. Muito fraca. 4º). tais como falsidade. 2º. todavia. Nada impede. porém. 3º. o que se acha ressalvado. aliás. 3º). na II Conferência Nacional das Classes Produtoras. a atividade do representante comercial foi desempenhada sem contar com o apoio de lei que lhe desse tipicidade.886. no art. lenocínio ou crimes também punidos com a perda de cargo público. 721 do novo Código. de que fosse nele definida e caracterizada a figura jurídica do representante comercial. no Ministério da Justiça. tomou o nº 1. se introduziu a figura do representante comercial. na espécie. um anteprojeto que. expressamente. foi aprovada a reivindicação classista de enviar-se o pleito à comissão então encarregada de elaborar o Projeto de novo Código Comercial. estabelecendo-se as necessárias garantias da profissão. a reivindicação de um regulamento legal para a profissão do representante comercial autônomo tornou-se a maior aspiração dos órgãos representativos da categoria. Na mesma ocasião. que a Lei nº 4. A lei interdita o exercício da representação comercial a todo aquele que não possa ser comerciante. com a folha-corrida de antecedentes. foi. deverá ser feita a prova de sua existência legal. contudo. a contribuição pretoriana. furto. 3. FGV DIREITO RIO 74 .CONTRATOs Em EsPÉCIE Com a Lei nº 4. que uma empresa comercial. criando-se um Conselho Federal e Vários Conselhos Regionais. em várias legislaturas. Surgiu. porque o Código Civil traçou apenas normas gerais acerca do contrato de agência (Lei de Introdução.886. na vida empresarial brasileira. contrabando. e ao que estiver o seu registro comercial cancelado como penalidade (Lei nº 4. de estar em dia com as exigências da legislação eleitoral. ou não. estelionato. apenas quando alguma norma do Código estiver conflitando com preceito da Lei nº 4.886/65. de quitação com o serviço militar.886 traçou para disciplinar a profissão e os direitos e deveres do representante comercial. apropriação indébita. Podem inscrever-se no respectivo Conselho. quando exigível. levado ao Congresso Nacional. art. por meio de seu instrumento de constituição devidamente arquivado no Registro Público competente (Lei nº 4. Em se tratando de pessoa física. No caso de pessoa jurídica. ao condenado por infração penal de natureza infamante.171/49 e que. realizada em Araxá. realizou-se em São Paulo o 1º Congresso Nacional de Representantes Comerciais. expedida pelos cartórios criminais das comarcas em que o registrante houver tido domicílio nos últimos dez anos. ou agência. § 2º). com o seu ramo. aos quais se confiou a fiscalização do exercício da profissão.

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Somente viria a ter maior repressão o Projeto nº 2.794/61, de autoria do deputado Barbosa Lima Sobrinho, que, no Senado provocou o surgimento do Substitutivo nº 38/63, elaborado pelo Senador Eurico Resende, o qual mereceu aprovação de ambas as casas do Congresso. No entanto, não chegou a transformar-se em lei, porquanto recebeu veto total da Presidência da República, ao fundamento de que, nos termos em que se intentou regulamentar a profissão, ao representante apenas se estendiam “as vantagens e garantias que a legislação do trabalho assegura ao trabalho assalariado”. Tal equiparação foi considerada incabível, entre outros motivos pela ausência de subordinação hierárquica e pela possibilidade de a representação comercial ser exercida por pessoas jurídicas. O então Presidente, General Castelo Branco, ao vetar o projeto aprovado pelo Congresso, encarregou o Ministério da Indústria e Comércio de reexaminar o assunto. Daí surgiu novo Projeto que, após tramitação parlamentar, se tornou a Lei nº 4.886, de 09.12.1965, ainda em vigor, com as alterações da Lei nº 8.420, de 08.05.1992. Tal como o direito europeu, a lei brasileira previu uma representação comercial, simples, em que ao representante cabia apenas intermediar negócios, captando pedidos ou propostas da clientela, para encaminhá-los à deliberação do preponente; e também uma representação complexa, em que ao agente se conferiam poderes de conclusão dos negócios angariados, mas sempre em nome e por conta do preponente (Lei nº 4.886/1965, art. 1º, parágrafo único). Sobreveio, finalmente, o novo Código Civil, sancionado em janeiro de 2.002, que insere o contrato de agência e distribuição entre os contratos típicos, mas sem revogar a legislação especial em vigor, como se ressalva no art. 721, especialmente, no tocante às indenizações asseguradas pelas Leis nºs 4.886 e 8.420 (art. 718). A maior novidade, no texto codificado é o nomen iuris do contrato que passou a ser contrato de agência. Explica RUBENS REQUIÃO, que o contrato de agência, a que alude o Código Civil “nada mais é do que o atual contrato de representação comercial, objeto da legislação especial, contida na Lei nº 4.886, de 09.12.1965. Constitui importante contrato no moderno mundo comercial, e é exercido por centenas de milhares de profissionais, distribuídos por todas as praças do país. A denominação do instituto foi tirada do Código italiano, que o regula”. Para o Prof. REQUIÃO, todavia, a linguagem do Código “não deslocará o uso correntio da expressão representante comercial. Que podia ser perfeitamente mantida... Não seria criticável se mantivesse a denominação representação comercial, já consagrada nos costumes do país, e em nosso direito”. É de se ponderar, no entanto, que o direito comparado, de onde emergiu o instituto jurídico, prestigia, de fato, o nomen iuris agora adotado por nosso Código Civil, razão pela qual este não merece censura pela nomenclatura inovada. É de evidente conveniência procurar identificar a figura jurídica por denominação que seja de universal acolhida, evitando-se terminologia regional, que não tenha, por si só, capacidade de revelar a identidade da figura local com aquela que já amadureceu e se consolidou na experiência do direito comparado. 4. Conceito de contrato de agência Como o Código Civil determina que ao contrato de agência devem ser aplicadas, no que couber, as regras constantes de lei especial, é necessário cotejar-se a definição codificada (art. 710) com a constante da Lei nº 4.886/65 e das alterações da Lei nº 8.420/92. Em primeiro lugar, é bom ressaltar que a lei especial define diretamente o representante comercial (isto é, o agente) (art. 1º). Já o Código Civil enfoca o contrato típico que vincula o representante e o representado (art. 710). Assim, na definição do Código, o contrato de agência (ou de representação comercial autônoma) é aquele pelo qual uma pessoa – o agente – assume, em caráter não eventual, e sem vínculos de dependência, a obrigação de promover à conta de outra – o preponente ou fornecedor – mediante retribuição, a realização de certos negócios, em zona determinada.
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Dessa conceituação legal, deduz-se que o contrato de agência envolve: a) relação entre empresários, dentro da circulação mercadológica de bens e serviços; b) a relação, contudo, não é de dependência hierárquica entre representante e representado, pois aquele age com autonomia na organização de seu negócio e na condução da intermediação dos negócios do último (embora tenha de cumprir programas e instruções do preponente); c) o objetivo do contrato não é um negócio determinado, mas uma prática habitual, de sorte que entre as partes se estabelece um vínculo duradouro (não eventual); d) a representação importa atos promovidos por uma das partes à conta da outra, configurando, portanto, um negócio de intermediação na prática mercantil de interesse do representado; e) à prestação do serviço de intermediação do agente corresponde o direito a uma remuneração ou retribuição, de maneira que o contrato é bilateral, oneroso e comutativo; f ) a representação, finalmente, deve ser exercitada nos limites de uma zona determinada, ou seja, cabe ao agente praticar a intermediação dentro de um território estipulado pelo contrato, ou algo que a isso corresponda. A atividade do agente, em suma, é a intermediação de forma autônoma, em caráter profissional, sem dependência hierárquica, mas, de acordo com as instruções do preponente. É uma figura jurídica típica a do agente, pois, embora guarde alguma semelhança, o agente não é, em princípio, mandatário, nem comissário, nem tampouco empregado, ou prestador de serviço no sentido técnico. Presta, no entanto, um serviço especial que é, nos termos da lei, a coleta de propostas ou pedidos para transmiti-los ao representado. Eventualmente, o representado pode confiar ao agente os bens a serem colocados junto à clientela, caso que o Código trata como distribuição, mas não como revenda, visto que os atos de negociação se realizam em nome e por conta do comitente. Nessas hipóteses especiais, o contrato, além das normas próprias da agência, rege-se complementarmente, pela disciplina do mandato e da comissão (arts. 710, in fine, e 721). O art. 1º da Lei n.º 4.886/65 cuidou de definir o representante comercial e não o contrato de representação comercial. Segundo tal dispositivo, é representante comercial autônomo a pessoa jurídica ou a pessoa física, sem relação de emprego, que “desempenha, em caráter não eventual, por conta de uma ou mais pessoas, a mediação para realização de negócios mercantis, agenciando propostas ou pedidos, para transmiti-los aos representados, praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios”. O parágrafo único do questionado dispositivo legal, aduz que, na eventualidade de “a representação comercial incluir poderes atinentes ao mandato mercantil” – isto é, quando ao representante comercial forem conferidos poderes relacionados com a execução dos negócios intermediados – “serão aplicáveis, quanto ao exercício deste, os preceitos próprios da legislação comercial”. Em outros termos: se o agente for autorizado pelo preponente a realizar negócios jurídicos em seu nome, tais atos que ultrapassam o conteúdo normal do contrato de agência, serão submetidos ao regime legal do mandato, como, aliás, prevê o art. 721 do novo Código Civil. Da definição dada pela lei especial ao representante comercial autônomo (isto é, ao agente), extraem-se as seguintes características: a) o agente não mantém relação de emprego com o representado, gozando, portanto, de autonomia laboral para organizar e desempenhar sua atividade; b) a atividade contratada é não-eventual; deve ser exercida em caráter permanente e profissional; c) a função do agente, embora organizada e dirigida com autonomia, é concluída por conta de outra pessoa (o representado), de modo que fica claro o “caráter de uma intermediação”, ou de uma “preposição”. O agente, como prestador autônomo de serviço, atua fora da estrutura interna da empresa a que serve, permitindo a esta colocar seus produtos e serviços juntos à clientela que o representante angaria, nos mais variados lugares. Os negócios, porém, são sempre promovidos em nome e por conta do representado; d) a mediação é, pois, uma função típica do agente comercial, que se presta à difusão dos produtos ou serviços do representado no comércio;
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e) a intermediação se dá na realização de negócios mercantis: o que a lei especial atribuiu ao agente comercial não é qualquer representação, mas aquela que se volta para a promoção de negócios mercantis (vendas de produtos ou prestação de serviços); f ) o modus faciendi da intermediação consiste em agenciar propostas ou pedidos relativos a operações comerciais do representado, ou seja, relacionadas a bens ou serviços a serem vendidos ou prestados pela empresa em cujo nome atua o agente; g) cabe, em princípio, ao representante transmitir as propostas ou pedidos ao representado. Eventualmente, o agente pode receber poderes que ultrapassem a simples intermediação de pedidos, caso em que realizará, sempre em nome do preponente, atos de consumação ou execução dos negócios agenciados. Quanto a esses atos de consumação da venda dos produtos do representado, a atividade do representante será regida pelas regras do mandado mercantil. Diante do cotejo entre o conceito legal, mais sintético, que o Código faz do contrato de agência, e aquele que a Lei nº 4.886/95 faz do representante comercial autônomo (isto é, do agente), não se encontra contradição maior que possa incompatibilizar um com o outro. A circunstância de o Código não usar as expressões “representante comercial” ou “negócios mercantis” prende-se à circunstância de ter sido unificado o direito das obrigações, de maneira que os contratos nele disciplinados, em princípio, tanto servem para as atividades civis como para as mercantis. No entanto, muito difícil será imaginar o caso em que um contrato de agência se configurará fora das relações mercantis. Ademais, se isto eventualmente acontecer, ficará o negócio fora do alcance da Lei nº 4.886/95, visto que esta se aplica especificamente aos agentes que servem, profissionalmente, à intermediação de negócios mercantis. Harmonizando-se, de tal sorte, a disciplina do contrato de agência instituída pelo Código Civil com a do representante comercial, constante das Leis nºs 4.886/65 e 8.420/92, ter-se-á um negócio jurídico vocacionado naturalmente para as atividades mercantis. 4.1. direito comparado A definição brasileira de representante ou agente comercial muito se aproxima da que consta do Código Comercial da Alemanha, que o qualifica como “toda pessoa que, a título de exercício de uma profissão independente, seja encarregada permanente de servir de intermediária em operações negociadas por conta de um empresário ou de os concluir em nome deste último. É independente quem pode organizar o essencial de sua atividade e determinar seu tempo de trabalho” (art. 84). Na França, também, o agente comercial é definido em termos que se aproximam do novo Código Civil brasileiro, por Dec. de 23.12.58: “Est agent commercial le mandataire qui, à titre de profession habituelle et indépendant, sans être lié par un contrat de louage de services, négocie et, eventuellement, conclut des achats, des ventes, de locations ou de prestations de service, au nom et pour le compte de producteurs, d’industriels ou de commerçants”. O Conselho da Comunidade Econômica Européia (CEE) em 18.12.1986 adotou uma Diretiva relativa aos agentes comerciais independentes, na qual se conceituou como agente comercial “celui qui, en tant qu’ intermédiaire indépendant, est chargé de façon permanente, soit de négocier la vente ou l’achat de marchandises pour une autre personne, ci-après dénominée commettant, soit de négocier et de conclure ces opérations au nom et pour le compte du commettant”. Em todos esses exemplos, tal como entre nós, a função normal do contrato de agência é conferir ao representante poderes de intermediação para angariar negócios para o representado. Só excepcionalmente, e mediante poderes adicionais explícitos, ocorre a atribuição de mandato para que o próprio representante conclua o negócio em nome do representado, seja firmando os contratos, seja mesmo entregando as mercadorias negociadas ao comprador.
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a que alude o art. O contrato de agência e distribuição. freqüentes são as dúvidas e confusões que se instalam entre essa novel modalidade contratual e o mandato. 5. conquistando. que o distribuidor conclui como preposto ou mandatário do representado (ou seja. como a do mandato. contudo. Perante a representação comercial. o colaborador procura outros empresários potencialmente interessados em negociar com o fornecedor”. comprando o produto do fornecedor para revendê-lo. o Código Civil brasileiro denomina o negócio jurídico de contrato de agência e distribuição (art. em nome e por conta do preponente). um contrato de intermediação. nem a revestir-se da natureza jurídica de alguma das figuras com que mantém inegável afinidade. Para individuá-lo e determinar a respectiva natureza. limita-se a aproximar FGV DIREITO RIO 78 . com nitidez. conservando e ampliando o mercado para o produto de outro empresário. um contrato nominado (típico) e. Em primeiro lugar. destinada a realização de negócios determinados. ao escoamento da produção. a concessão mercantil e a franquia empresarial. agência e mandato O contrato de agência não se confunde com o de mandato mercantil. que o fato de o contrato de agência conter traços comuns a outros contratos mercantis tradicionais. como tal. Esse quadro classificatório muito contribuirá para obter-se a distinção entre o contrato de agência e outras figuras afins. ou agência. 710 do nosso Código. captando-lhes com precisão a natureza e os contornos. Essa distribuição. ou seja. não o leva a confundir-se com nenhum deles.1. ou seja. O simples representante. tem fisionomia e disciplina próprias. De outro lado. novas figuras contratuais surgiram para atuar no mesmo segmento da mercancia. a outorga de mandato é em regra. no caso de agência comercial. mais ultimamente. sem que a doutrina tivesse tempo para digerir as inovações. Como ponto de partida é importante classificar os contratos de que se vale o empresário para obter colaboração de outros agentes no escoamento de seus produtos. não há necessidade de subsumi-lo à tipicidade de outros contratos: a agência é. No segundo. quando o concessionário adquire o produto do concedente e o comercia em nome próprio e por conta própria. prestando serviços. malgrado a posse e disponibilidade da mercadoria pelo agente. No primeiro caso. outorgados pelo mandante. no direito moderno. 5. comissão mercantil e agência). que são empresários que se inserem na cadeia de comercialização sem vínculo empregatício. existe a possibilidade de utilização de auxiliares internos. mantendo com a empresa vínculo empregatício permanente. colocam-se os colaboradores externos. que lhe permitem deliberar sobre o negócio e o realizar em nome deste. Em primeiro lugar. De duas maneiras básicas se processa a colaboração empresarial (externa) no escoamento dos produtos de uma empresa: a) pela distribuição propriamente dita (revenda) e b) pela busca de empresários interessados na aquisição dos produtos do fornecedor (intermediação. de variada natureza. já que esta só ocorre quando há revenda. a distribuição é feita por meio de empregados que atuam na captação dos compradores. o colaborador ocupa um dos elos da cadeia de circulação. a locação de serviços. a comissão mercantil. Daí a necessidade de tentar-se uma diferenciação que separe. É certo.CONTRATOs Em EsPÉCIE Nesta última hipótese. continua sendo. A agência refere-se a um relacionamento negocial permanente envolvendo operações reiteradas e indeterminadas. o viajante ou pracista. o contrato de agência dessas figuras afins. não se confunde com a concessão mercantil. Dessa maneira. O mandatário detém poderes. 710). e. todavia. Contratos afins Com o incremento na economia moderna dos meios de distribuição da produção de bens e serviços. “a colaboração empresarial no escoamento de mercadorias pode ser feita por intermediação ou aproximação. porque os poderes de que dispõe o agente nem sempre são aqueles que se conferem ao mandatário.

Suas tarefas são comandas hierarquicamente pelo empregador. Na agência. mas ao contrário do mandato. as regras concernentes ao mandato. enquanto o comissário não age em nome. O agente. secundário ou acidental. eventualmente. por isso mesmo. absorvendo em suas cláusulas também o contrato de mandato. seu escritório. o vendedor é sempre o preponente. o comitente. Quando estes poderes. o que não depende de poderes inerentes ao mandato. por sua vez. mas. Nesse sentido. No contrato de agência. portanto. embora preposto. Os produtos do comitente são postos à disposição do comissário. 693). O agente comercial. não delibera. Pode. não interferindo. “o representante comercial. concluir negócio por conta do preponente.2. na linguagem antiga do Código Comercial. no que couber. É um empregado dele. dentro dos poderes que recebeu. quem se vincula é o comissário e não o comitente. dispõe o art. propriamente dita.CONTRATOs Em EsPÉCIE comprador e fornecedor. terá se tornado complexo. por sua própria definição legal. agência e comissão A comissão é um contrato de colaboração empresarial. Não dispõe de autonomia alguma para organizar seu serviço. A atuação é de um representante (mandatário) do vendedor. porque só o comissionário trava relações jurídicas com os clientes. eventualmente. O viajante ou pracista. muito embora o tenha realizado por conta e no interesse do comitente”. Na comissão mercantil. parágrafo único. então o contrato de agência não será mais simples. seria um mandato sem representação. Com o outro contratante (isto é. e não em nome da empresa a que presta colaboração (art. representam apenas elemento acessório. por meio de uma consignação. Como ressalta RUBENS REQUIÃO. portanto. A comissão. do contrato. conferelhe maior segurança. não aparece no negócio que ele agenciou e que finalmente será concretizado diretamente pelo preponente. o negócio. o art. sua empresa de representação. agente e viajante ou pracista (contrato de agência e contrato de trabalho) O agente. na conceituação ou configuração. o único responsável perante o cliente é o comitente. e sim por conta do comitente. que o credencia a vendê-los aos consumidores em nome próprio. o comissário age em seu próprio nome. 5. A presença do comissário cria uma certa barreira entre o comitente e os terceiros que negociam com o comissário. E. o essencial ao contrato de agência é a mediação de negócios em favor do preponente. O comissário adquire ou vende bens à conta do comitente. ainda que se confiram poderes ao agente para concluir e executar a venda. 5.3. FGV DIREITO RIO 79 . que organiza e dirige com liberdade e autonomia. presta serviços à empresa sem estabelecer com ela um vínculo empregatício. em função do encargo contratual. nem tampouco na definição de sua natureza jurídica. porque não negocia o fornecimento em nome próprio e opera sempre em nome e por conta do representado. O comissário. Perante estes. sendo em face do terceiro o responsável pelo ato praticado. evitando ao principal interessado nas operações suportar ações da parte da clientela. age contudo como empresário e não como empregado. o comprador). embora do ponto de vista prático realize atividade econômica igual à do agente – pois angariam ambos clientela para a empresa – liga-se ao preponente de maneira diversa. não é atingido pelos atos que pratica. agindo em nome e no interesse do representado. nos negócios que pratica. e não de um vendedor propriamente dito. Tem sua sede própria. mas contrata em nome próprio. ao contrato de agência e distribuição. por isso. se incluem nas cláusulas da agência. Isto porque o mandato mercantil implica necessariamente a representação para realizar negócios comerciais em nome do mandante. garantindo o anonimato para o comitente. 710. o comissário não representa. que “o preponente pode conferir poderes ao agente para que este o represente na conclusão dos contratos”. o vendedor é o comissário e não o comitente. 721 manda aplicar. Ademais.

agência e distribuição por conta própria (revenda). A lei. c) O viajante ou pracista não pode aceitar representação de outras empresas. Entre os contratos de concessão comercial assumiram grandes relevos os chamados contratos de franquia. ou concessão comercial A colocação da produção industrial no mercado raramente se faz. pode ser mais ampla. com interferência econômica do fornecedor sobre o negócio do revendedor configura o que modernamente se denomina contrato de concessão comercial. na tarefa da conquista de clientela para a empresa a que servem uns e outros. naturalmente. d) O viajante ou pracista somente pode ser pessoa física. Essa colaboração entre os elos da cadeia econômica pode acontecer de maneira avulsa. tem-se o contrato de distribuição. O revendedor. no entanto. o mesmo não se passa na organização econômica da revenda. por isso. assistência técnica etc. Costumam-se arrolar as seguintes e principais distinções entre agente e representante assalariado: a) O viajante ou pracista não pode contratar pessoal para desempenhar a representação que lhe cabe.. da maneira que melhor lhe convier. no mundo atual. a franquia comercial não é um contrato distinto da concessão comercial. como uso de marca. e o revendedor se obriga a adquiri-lo. No entanto. no fecho da cadeia econômica. traçadas pelo fornecedor. a não ser mediante autorização do empregador. Se a articulação entre produtores e revendedores assume o feitio de uma convenção duradoura. com habitualidade e sob certas condições.4. um profissional independente.CONTRATOs Em EsPÉCIE É. por negociação direta entre produtos e consumidor. Este se remunera com o lucro que a revenda dos produtos lhe proporciona. enquanto o agente pode ser indiferentemente pessoa física ou jurídica. os produtos de um deles (contratos-quadros). Não há uma remuneração direta entre fornecedor e revendedor. ou pode se envolver numa relação contratual duradoura que gere a obrigação entre os empresários de comprar e vender. periodicamente. por sua vez. Não faz jus. que envolve sucessivas compras-e-vendas: uma empresa vende a matéria prima ao fabricante. não exerce interferência alguma na gestão do negócio do revendedor. criando um sistema racional de conjugação de esforços até a colocação do produto junto ao consumidor final. O viajante não é mandatário e não capitaliza clientela. O fornecedor. podendo estabelecer-se sinônima entre os dois. Quase sempre se estabelece uma intermediação entre empresários. em suma. Sujeitar-se-á. que não raro envolve outros negócios entre as partes. de orientação geral. assegura ao agente a faculdade de contratar sub-agentes. formando-se uma cadeia de negócios. por sua vez. é hierarquicamente subordinado ao comando do empregador. contudo. porém. 5. e) O viajante ou pracista não pode contratar sub-representantes. como se demonstrará no tópico seguinte. a ausência de um contrato de trabalho que caracteriza o agente comercial e o distingue do viajante ou pracista. de maneira que o produtor exerça certa interferência na atividade do revendedor. Na sua manifestação mais simples. este a transforma em manufaturados. que em seguida são vendidos aos atacadistas. Essa modalidade de contrato de colaboração. a algumas regras. como contratos eventuais e isolados. FGV DIREITO RIO 80 . que pode ser simples ou complexo. a doutrina majoritária aponta traços da franquia que lhe outorgariam uma identidade jurídica capaz de separá-la dos comuns casos de concessão comercial. Já o agente comercial é um empresário. às indenizações legais devidas ao agente autônomo. A ingerência do fornecedor no empreendimento do revendedor produz uma subordinação econômica. os vendem aos varejistas que. Se há entre eles uma independência jurídica. A colaboração empresarial. a distribuição se exterioriza como contrato de fornecimento: o produtor se obriga a fornecer certo volume de determinado produto. continuará negociando os produtos por conta própria e em nome próprio. os revendem ao consumidor final. b) O viajante ou pracista não tem iniciativa pessoal. estes. que pode livremente organizar sua empresa. Para RUBENS REQUIÃO.

Se não há venda e revenda de produtos. O dispositivo cuidou exclusivamente do contrato de agência. porém. ele não se transforma num concessionário comercial. quando regulamentou a atividade do representante comercial. já previa a possibilidade de ser ele encarregado da execução da venda. sem independência jurídica do agente) da distribuição por conta própria (concessão comercial). pelas características e relevância do negócio. portanto. torna-se dono da mercadoria que o fornecedor lhe transfere. A interferência deste na pactuação e execução do negócio final é de um mandatário e não de um revendedor. Voltaremos ao tema da concessão comercial. situa-se na remuneração do intermediário do processo de circulação dos produtos.CONTRATOs Em EsPÉCIE Todas as formas de contrato de distribuição – fornecimento ou concessão – distinguem-se do contrato de agência em dois aspectos básicos: a autonomia e a remuneração da intermediação. Juridicamente quem vende é o fornecedor e não o agente-distribuidor. O contrato de distribuição em nome próprio (a concessão comercial) continua sendo atípico. entra-se no âmbito da concessão comercial. Distribuição é um gênero que corresponde aos vários tipos de contrato de colaboração empresarial. Mesmo quando a lei admite que o agente atue também como distribuidor (art. Apenas para o caso dos revendedores de veículos é que. se há. o legislador houve por bem tipificar o contrato de concessão comercial (Lei nº 6. distingue-se a distribuição por conta alheia (mera preposição. O agente (mesmo quando exerce a distribuição) é remunerado. O representante não a adquire do representado. Outra distinção que se fez com nitidez entre o contrato de agência e o contrato de revenda (distribuição por conta própria. atua apenas em nome e por conta do representado. pelo fornecedor (o representado). FGV DIREITO RIO 81 . 721). a inteligência que alguns apressadamente estão dando ao artigo 710 do Código Civil. É que a mercadoria que o fornecedor coloca em poder do agente-distribuidor é objeto apenas de depósito ou consignação.729/79). Aliás. Não é correta. no sentido de ter sido nele disciplinado tanto a representação comercial como a concessão comercial. Já o concessionário ou revendedor.886/65. ou concessão comercial). pode ser autorizada ao agente mas nunca como revenda. as mercadorias de propriedade do comitente são postas à disposição do agente-distribuidor para entrega aos compradores. mas tudo se faz em nome e por conta do representado. Dentro da sistemática da preposição que é inerente ao contrato de agência. A remuneração que alcança se traduz nos lucros que a revenda lhe proporciona. quanto ao serviço de intermediação. nos comentários relativos aos ressarcimentos cabíveis na ruptura ou cessação do contrato (art. eventualmente. a Lei nº 4. 1º e seu parágrafo único). segundo o volume e o preço das operações agenciadas. Há distribuição (ou pode haver distribuição) tanto por meio do contrato de agência como do contrato de concessão comercial. como negócio que anteriormente se denominava contrato de representação comercial. mesmo porque a infinita variedade de convenções que os comerciantes criam no âmbito da revenda autônoma torna quase impossível sua redução ao padrão de um contrato típico. assim. O concessionário nada recebe do fornecedor pela colaboração exercida na colocação de seus produtos. e sempre como simples ato complementar do agenciamento. Em suma não é a operação econômica da distribuição que distingue a agência da concessão comercial. sem que isso desnaturasse a representação comercial em sua essência e a transformasse em concessão comercial. o contrato fica no plano da agência. E. O agente (representante comercial) não pratica o negócio de colocação dos produtos do representado em nome próprio. A distribuição. de modo que a venda para o consumidor não assume a natureza de uma revenda. pode realizar-se por conta do fornecedor ou por conta do próprio distribuidor. em nome do representante (art. 710 é aquela que. A distribuição de que cogita o art. e a negocia com o consumidor em nome próprio e por sua própria conta. 710 do Código Civil).

mas sempre em nome e por conta do preponente. todavia. em seu próprio nome. qualquer que seja a dimensão dos poderes do agente. caracterizada pelo chamado mandato de interesse comum. e eventualmente de concluí-los e executá-los. a formação de negócios. Eventualmente os contratos agenciados podem ser concluídos e executados pelo próprio agente.formação e ampliação de clientela -. não são sinônimos de contratos de revenda de mercadorias. não porém em nome próprio. em última análise. Configuram um gênero no qual se inserem vários tipos negociais todos voltados para a chamada colaboração empresarial. 7. Na conclusão do negócio intermediado o agente não é parte. de uma atividade profissional dirigida à promoção e conclusão de contratos entre o preponente e os terceiros arrebanhados pelo preposto. sua estrutura fundamental envolve a combinação de quatro elementos essenciais: a) o desenvolvimento de uma atividade de promoção de vendas ou serviços por parte do agente. De tal sorte. a concessão comercial. mas que igualmente se relacionava com seus próprios interesses. seria uma modalidade excepcional daquele negócio. pode-se afirmar que. A lei francesa ainda hoje identifica o agente comercial como um mandatário que como FGV DIREITO RIO 82 . é necessário que uma parte (o agente) assuma de forma duradoura a função de promover. em favor da empresa do comitente. de sorte que nele não se acha em jogo um interesse jurídico seu. Assim. a franquia. realizou-se a evolução do tratamento jurídico do agente da categoria de mandatário para a figura do “mandatário independente”. 710 do Código Civil. os elementos essenciais do contrato de agência Segundo a definição legal do contrato de agência. A construção da teoria do contrato de agência se fez por influência do direito francês a partir do mandato que. Nessa ordem de idéias. a representação comercial. a concessão do uso de marca etc. mas apenas um interesse econômico. de maneira que esta. a corretagem. profissional e empresário. natureza jurídica O contrato de agência integra a classe dos contratos de distribuição comercial. os negócios por ele intermediados ou concluídos se aperfeiçoam diretamente na esfera jurídica do preponente e do terceiro adquirente. O que traça a tipicidade do contrato de agência é que a atividade de colaboração empresarial na espécie se dá por meio de prestação do agente que têm por objeto o desempenho. c) a determinação de uma zona sobre a qual deverá operar o agente. b) o caráter duradouro da atividade desempenhada pelo agente (habitualidade ou profissionalidade dessa prestação). se beneficia da contínua obra promocional levada a efeito pelo agente junto à clientela. Visto que tanto do lado do comitente como do agente. para configurar-se contrato de agência. tais como a comissão mercantil. o objetivo perseguido é um só . podia-se divisar “o interesse comum como qualificativo do mandato contido no contrato de agência comercial”. d) a retribuição dos serviços do agente em proporção aos negócios agenciados. De forma alguma se pode ver no conteúdo do contrato de agência uma forma de compra e venda operada pelo agente. na espécie. contida no art. porque é na medida da consumação dos negócios pelo preponente que o agente adquire direito à remuneração pelos serviços de intermediação empresarial levados a efeito. na concepção legal. mediante remuneração. Com isso. em uma zona determinada. nos quais o agente desenvolve um papel importante na colocação no mercado dos produtos gerados ou comercializados pela empresa preponente. “um mandatário que aja a título oneroso e em seu próprio benefício”. sempre por conta da outra parte (o preponente) e dentro de uma determinada zona. Contratos de distribuição. entendia-se que este desempenhava um mandato que não dizia respeito apenas ao interesse do mandante.CONTRATOs Em EsPÉCIE 6.

No entanto. se encarrega de negociar contratos por ordem e conta de outros empresários (Lei n.CONTRATOs Em EsPÉCIE profissional independente. que melhor se qualifica como um profissional do comércio. remuneração mínima. nessa ordem de idéias. Dessa maneira. e de outro. apagando os liames com o mandato e consagrando uma liberdade de iniciativa muito acentuada. cuja atividade específica “consiste na realização de atos materiais que visam à criação de uma corrente de negócios para a difusão dos produtos e serviços de outra empresa. sujeitos do contrato de agência De um lado coloca-se o preponente que tem bens e serviços a colocar no mercado. entretanto.06. só por insistência histórica se mantém entre os franceses a doutrina da agência como modalidade de mandato. na circulação de bens do mercado. etc). “o agente se beneficia de um estatuto originado de modificação de regras civis do mandato. que se adaptou à Diretiva Comunitária de 1986). pois. Assim. Um realiza a comercialização de suas mercadorias ou serviços (preponente) e outro exerce uma especial atividade profissional (o agente). O que efetivamente se tem. são empresários. sem estabelecer vínculo de subordinação a este e que deve ser remunerado em função do volume de operações promovidas. desempenha uma atividade de mercado cujo requisito fundamental é a liberdade de iniciativa na prestação do serviço de agenciamento. em função da qual o agente promove e às vezes conclui negócios em favor do preponente. por meio de “uma evolução das regras do mandato clássico”. A natureza jurídica do contrato de agência é hoje a de um contrato típico. é um mandatário remunerado e profissional. pois apenas excepcionalmente o agente se encarrega de tarefas que são próprias do mandatário. mesmo. sua afinidade será maior com o contrato de prestação de serviços do que com o de mandato. Daí reconhecer-se sua posição de titular da própria empresa. Dentro da consagração da autonomia do agente. Na verdade. não tem mais sentido atrelá-la à natureza jurídica do mandato. FGV DIREITO RIO 83 . seja sobre influência dos usos e regulamentos. depois que se estabeleceu um regime legal particular para a agência. 8. cada um dedicando-se a um ramo próprio de negócios. nos moldes atuais da figura jurídica se afasta das concepções primitivas. seja do fato de uma abordagem econômica da agência que se desenvolveu recentemente”.1991. “o agente comercial continua um mandatário. não se pode continuar a insistir na conceituação do contrato de agência como forma de mandato. registra-se uma aproximação do regime legal da agência com o direito social. o agente (um preposto) que é um profissional que se encarrega de colaborar na promoção dos negócios do preponente. reconhecido como profissional independente e ainda em face do estabelecimento de um regime de direito social de proteção ao agente. que o agente se apresenta como autêntico empresário porque seu serviço é desempenhado de forma autônoma e constitui um tipo de negócio de evidente valor econômico e jurídico. A prática da agência comercial. mas deve ser apreciado enquanto profissional do comércio”. que se formou a partir da idéia de profissionalização do mandato e. A independência que a lei confere ao agente comercial no exercício de sua atividade profissional faz dele um empresário que se encarrega de uma função com autonomia de objeto dentro da circulação do mercado. em cuja organização e administração não interfere a empresa do preponente. o que também não é adaptável à figura do mandato. que é a de angariar clientela para adquirir os produtos do primeiro. indenizações tarifadas. Além do mais. Vê-se. Se se pretender comparar a agência atual com outros contratos típicos. Ambos. preponente e agente. De tal sorte. em defesa de interesses do agente (duração indeterminada do contrato. O agente comercial. mas sempre com plena liberdade de organizar seu trabalho e com assunção do risco de seu negócio de intermediação. 91-593 de 25. é inegável que o contrato de agência estabelece uma relação jurídica entre empresários.

da parte do preponente. Quando esses poderes adicionais são incluídos no ajuste. mas apenas venda.CONTRATOs Em EsPÉCIE 8. pode-se afirmar. de negócios que venham a ser concluídos entre os terceiros e o preponente. que característica essencial do contrato de agência é a promoção. O objeto do contrato. revenda. censure a opção do Dec-Lei nº 178/76. em síntese. ao formular propostas endereçadas a este também deverá ser identificado como proponente. entre nós. Ademais. A lei portuguesa que regula o mesmo contrato. No Brasil. tivesse nomeado de preponente o empresário que contrata a intermediação do agente. é uma atividade de promoção de negócios individuais. pelos expedientes que livremente engendrar. 9. Dessa forma. Há quem. porquanto já era esta a palavra utilizada pelo direito português para nomear a contraparte dos “representantes comerciais não autônomos” . ou que se concluam junto ao preposto. denomina de agente e principal os respectivos sujeitos. portanto. Dessa forma. por ser lexicamente correto e. repita-se. o novo Código Civil escolheu a nomenclatura recomendada pela antiga doutrina portuguesa. consistente na busca e visita da clientela. visto que o agente não revende os produtos que o preponente apenas coloca à sua disposição. proponente e agente. praticamente. em sua feição típica. em seu nome. De fato. o objeto do contrato de agência O contrato de agência. O agente organiza com autonomia seu negócio e. dará cumprimento à obrigação contraída de angariar clientela para quem contratou seus especiais serviços. Não há. 1. os léxicos nacionais não registram proponente com o sentido de denominar quem delega poderes de gestão a outrem. ou seja. que.753). por sua conta e sob sua dependência”. mas isto não corresponde a um preço fixo. Na relação econômica desenvolvida pelo agente em prol do fornecedor. que é um contrato típico e de execução continuada. do contrato de agência. todavia. portanto. de contratos por conta do preponente. O agente-distribuidor apenas representa o fornecedor. continua sendo uma prestação de serviços profissionais na área da intermediação de negócios. para compreender a conclusão do contrato de venda e entrega das mercadorias. ou seja. a obrigação de remunerar o serviço prestado pelo agente. há um inconveniente de ordem prática. e preferiria que. mas em nome do representado. mais expressivo. antes da legislação atual. já há o cliente que. Com FGV DIREITO RIO 84 . mediante remuneração.742 e 1. e sim a um percentual sobre as operações úteis captadas pelo agente em benefício do representado. em posições jurídicas diversas teriam titulação igual dentro do mesmo negócio. para coletar propostas ou encomendas a serem repassadas à empresa representada. Objeto. operada entre o preponente e o consumidor. A operação é toda ela desenvolvida e consumada em nome e por conta do preponente. seja a de identificar o representado como preponente e não como proponente. esse objeto pode ser ampliado. As confusões serão inevitáveis o que recomendaria o uso da designação preponente para o fornecedor. em Portugal fosse prestigiada a denominação de proponente (em lugar de principal). todavia. É. arts. outrossim. o designativo preponente que identifica “aquele que constitui um auxiliar direto para ocupar-se dos seus negócios. mas como aquele que “propõe algo”. não estará incorrendo em censura alguma quem empregar o termo preponente em lugar de proponente. muito embora nos contratos de prestação de serviços com subordinação jurídica a tradição. sob influência da terminologia com que common law se identifica a agency. melhor teria andado o legislador brasileiro se. tem como objeto uma prestação de serviço entre empresários: a promoção de negócios constitui a obrigação fundamental que o agente contrai em favor do preponente. Malgrado a opção da lei. Eventualmente. a nomenclatura legal – as partes no contato de agência A legislação italiana adota as expressões agente e preponente para indicar as duas partes do contrato de agência ou representação comercial (Código Civil italiano. a exemplo do Código italiano. Duas partes. o contrato é denominado de “agência e distribuição”. afinal é o vendedor das mercadorias consignadas ao preposto e negociadas com a clientela. Integra o contrato.1.

O nome representação comercial foi muitas vezes criticado por não traduzir corretamente a noção do contrato. para cuja consecução empenhará múltiplas atividades. que o termo mais adequado seria agência. abril de 2003 (Artigo publicado no Mundo Jurídico (www. tem como objeto a atividade do agente. São vários os motivos para tanto.mundojuridico. além de agenciar os pedidos em favor do proponente. Diante dessa situação. Algumas dúvidas fundamentais precisam ser eliminadas para que se tenha razoável segurança jurídica na utilização desses contratos. teixeira e silva advogados renato berger consultor de tozzini. posto que a relação negocial implica agenciamento de pedidos. Vários autores apontavam.br) em 02. com caráter de estabilidade. E de fato a nomenclatura não deve ser considerada tão relevante. o agente tivesse poderes para representá-lo nas respectivas relações de compra e venda dos produtos agenciados. o agenciamento sempre ocorreria por força da natureza do contrato. Ou seja. teixeira e silva advogados O capítulo sobre agência e distribuição no Código Civil tem causado muita discussão. inclusive citando leis estrangeiras. que são objeto de outros contratos de colaboração empresarial. Antes de qualquer coisa. Mais especificamente. O contrato de agência. de contratos que serão concluídos pelo preponente. de impulso e de agilização. Trata-se de um contrato de duração. nessa ordem de idéias. As principais dúvidas referem-se ao impacto do Código Civil sobre as conhecidas relações de representação comercial e distribuição. A representação poderia ou não ocorrer. freire. dependendo de serem ou não conferidos poderes para que o agente representasse o proponente na contratação dos negócios. manter e incrementar a demanda dos produtos do preponente. Afinal.5. Analisando o Código Civil e a Lei do Representante Comercial. tudo em busca de conquistar. a melhor interpretação indica que os contratos de agência e os de representação comercial constituem a mesma figura jurídica. Outra grande característica do objeto da obrigação veiculada pelo contrato de agência é o caráter duradouro da prestação a cargo do agente. é fácil entender que os legisladores do Código Civil apenas utilizaram o nome que lhes pareceu refletir de maneira correta a natureza do contrato. pelo que o agente se obriga a exercer habitualmente a intermediação de negócios em favor do preponente enquanto permanecer em vigor o ajuste. de que maneira devem ser interpretadas as normas desses dois diplomas legais sobre a matéria e (b) se a distribuição prevista no Código Civil é a mesma relação contratual que tradicionalmente não era objeto de legislação específica e que era conhecida por distribuição. 710 do novo Código Civil. como os de fornecimento ou de concessão comercial.886/65. que em hipótese alguma se podem confundir com a figura delineada no art. em caso positivo. Belo Horizonte. dentro de uma zona determinada. a questão da nomenclatura.2003) biblioGrafia CoMPleMentar: É hora de definir agência e distribuição no novo Código Civil antonio felix de araújo Cintra advogado. conforme posteriormente alterada) e.adv. é necessário definir: (a) se o contrato de agência previsto no Código Civil é o mesmo contrato previsto na Lei do Representante Comercial (Lei 4. voltada para a promoção. excluem-se do campo da agência as vendas em nome próprio. freire. Passando então para o exame do negócio em FGV DIREITO RIO 85 .CONTRATOs Em EsPÉCIE essa noção do objeto contratual. o que interessa na definição da natureza jurídica do instituto é o seu conteúdo e não a embalagem. sendo que a representação apenas existira se. sócio de tozzini.

portanto. trata-se do agenciamento de pedidos em favor do proponente e do recebimento de remuneração pelos negócios concluídos. Utilizando o nome distribuição. atletas e outras atividades que não fossem relacionadas à compra e venda de mercadorias. tendo inclusive ressalvado a aplicação de lei especial. portanto. na ausência de cláusula contratual. Nessa linha de raciocínio. que nada mais é do que um desdobramento da relação de agência. não há que se falar em remuneração paga pelo fornecedor. A distribuição do Código Civil é contrato de agenciamento de negócios em favor do proponente. estabelecer como deve ser compatibilizada a Lei do Representante Comercial com o capítulo de agência do Código Civil. Em ambos os casos. Dado que o Código Civil não pretendeu esgotar a regulamentação da matéria. A única diferença no Código Civil é a exclusão da expressão “negócios mercantis” que aparece na Lei do Representante Comercial. cujo projeto foi elaborado em 1972. O lucro do distribuidor deriva então da diferença entre o preço de compra e venda dos produtos distribuídos. Toda a linguagem e toda a lógica desses dispositivos apontam para o agenciamento na compra e venda de mercadorias. Ainda para demonstrar que o Código Civil tratou agência da mesma forma que a chamada representação comercial. desde que já tenha transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto dos investimentos exigidos do agente. o aviso prévio para encerramento de contratos por prazo indeterminado não será simplesmente de 30 dias como previsto na Lei do Representante Comercial. Note-se ainda. que a Lei do Representante Comercial utiliza a expressão “agenciando propostas ou pedidos” exatamente na definição da atividade do representante. Vale frisar novamente que o Código Civil apenas deu outro nome para a mesma relação conhecida tradicionalmente como representação comercial. mas a exclusão é absolutamente coerente com o desaparecimento da diferenciação entre negócios civis e mercantis na lei brasileira. em nome próprio e por conta e risco do distribuidor. datada de 1965. curiosamente. ainda assim. dizendo que serviria para agenciamento de artistas. a terminologia empregada no Código Civil pode gerar grande confusão. quando se fala em zona de atuação do agente. realizada pelo agente. com a particularidade de que os bens objeto do agenciamento FGV DIREITO RIO 86 . devem ser considerados revogados apenas os dispositivos da Lei do Representante Comercial cuja matéria tenha sido regulada de forma diferente no Código Civil. Tal distribuição era e continua sendo contrato atípico. permanecendo em vigor os demais. 718) como na utilização da lei especial sempre que couber (art. A resposta é razoavelmente simples. E naquela que deve ser a maior diferença. Ao contrário da agência. não se justifica a amplitude que alguns querem dar ao contrato de agência no Código Civil.729/79). é a Lei do Representante Comercial. Por fim. cessação de atendimento de propostas. Isso decorre não apenas da definição equivalente do contrato. vale agora a presunção de exclusividade do Código Civil tanto para a zona de atuação do agente (exclusividade em favor do agente) como para o agenciamento (exclusividade em favor do proponente). mas também da própria regulamentação encontrada nos artigos 710 e seguintes do Código Civil. menciona claramente “coisa a ser negociada”.CONTRATOs Em EsPÉCIE si. exceto com relação à distribuição de veículos automotores. que conforme será visto aparece dentro da definição de agência e como um desdobramento desta última. verifica-se que o capítulo de agência ressalva expressamente a aplicação de lei especial sobre a matéria. objeto da Lei Ferrari (Lei 6. Ora. 721). direito à remuneração pelos negócios concluídos dentro da zona de atuação e assim por diante. Até a definição de distribuição. por exemplo. o Código Civil contempla uma nova e diferente figura contratual. tanto na parte específica de indenizações (art. é evidente que a lei especial contemplada no Código Civil. caracteriza-se a figura clássica de aproximação do comprador e vendedor. que é contratado para encontrar compradores para os produtos do proponente. Resta. Ou seja. percebe-se que a definição de agência no Código Civil é equivalente à definição de representação comercial na Lei do Representante Comercial. acima mencionada. mas deverá ter no mínimo 90 dias e. uma nota sobre a distribuição. Por exemplo. A antiga distribuição é caracterizada pela compra dos produtos do fornecedor para posterior revenda. mas a distribuição ali prevista não se confunde com a relação chamada distribuição a que todos se acostumaram no Brasil. Infelizmente. ou aquela que viesse a substituí-la. negócio realizado. posto que não regulado expressamente na lei.

pois o contrato de representação comercial costuma ser identificado pela doutrina e pela jurisprudência com o de agência e distribuição. aplicam-se ao representante comercial. não há de se ter preocupação FGV DIREITO RIO 87 . conseqüentemente. será agente.CONTRATOs Em EsPÉCIE encontram-se na posse do agente. estando o sujeito inscrito nos Conselhos Regionais dos Representantes Comerciais. como por exemplo.uol. 714) e direito à indenização no caso de diminuição no atendimento de propostas (art. 473). à aplicação de legislação especial. naquilo que o contrato e a lei protetiva forem omissos. que lhe é protetiva e cria. O legislador do novo código deveria ter sido mais claro. Os dispositivos do capítulo de agência e distribuição. a realização de certos negócios. Tratando-se de profissão regulamentada. um microssistema jurídico. subordinados estes ao Conselho Federal. Parágrafo único. Isso inclui os conceitos e princípios de boa fé contratual e função social dos contratos. aplica-se essa lei. não serão aplicáveis às relações de distribuição na sua forma tradicional de aquisição para revenda. em caráter não eventual e sem vínculos de dependência. desde a definição da distribuição como um derivado da agência (art. Subsidiariamente poderá ser aplicado o novo código.com. no artigo 721. Quanto ao representante comercial. todas referentes apenas a contratos de aproximação entre comprador e vendedor e nunca à aquisição de produtos para revenda por conta própria. o novo código dispõe no artigo 710: “Pelo contrato de agência. a obrigação de promover. mediante retribuição. que doravante devem ser harmonizados com os dispositivos do novo Código Civil. A nova posição legal mais serve para baralhar a questão. que essa lei atribui os direitos básicos do representante. embora se reporte. A primeira conclusão inafastável é no sentido da aplicação da lei do representante comercial sempre que este for devidamente registrado. No mais. O proponente pode conferir poderes ao agente para que este o represente na conclusão dos contratos. Nesses contratos há inúmeros pontos de contato com a representação comercial. caracterizando-se a distribuição quando o agente tiver à sua disposição a coisa a ser negociada. da mesma forma que ocorre em qualquer contrato atípico.asp?id=4148) A representação no novo Código Civil Por sílvio de salvo Venosa O novo Código Civil introduz no mesmo capítulo. uma pessoa assume. caso contrário. e realiza negócios em razão dessa profissão habitual.886/65). procura a lei unificar os direitos de ambos e. no caso. Naturalmente serão aplicáveis à distribuição clássica as normas gerais do Código Civil sobre obrigações e contratos. em zona determinada. os dispositivos sobre os contratos de agência e distribuição. porém. (http://jus2.886/65.” Portanto. 715). já que não tratam de tal figura. no que couber. Assim. A harmonização dessa nova lei com os novos dispositivos é complexa. preponderarão as disposições do novo código. a necessidade de ter transcorrido prazo compatível com o investimento realizado pela outra parte quando da denúncia unilateral de contrato (art. à conta de outra.br/doutrina/texto. além de importantes dispositivos específicos. se a pessoa tem a coisa que comercializa consigo será distribuidor. contudo. conforme a nova lei. Leve-se em conta que os dispositivos contratuais do código são de direito dispositivo. a principal delas protege e regula o representante comercial (Lei nº 4. 710) até as disposições sobre o direito do distribuidor à remuneração por negócios concluídos em sua zona sem sua interferência (art. a qual. Pouco importa que pratique ele negócios de agência ou de representação segundo o novo código. a disponibilidade da coisa em mãos do sujeito caracteriza a diferença entre a agência e a distribuição. na verdade. Há que se levar em conta. que passa a ser chamado também de distribuidor. Pela lei. nos termos do artigo 5º da Lei nº 4. Todo o capítulo de agência e distribuição corrobora tal constatação. Assim.

é afastar-se contratualmente sua aplicação. São contratos. O que será ineficaz. qual seja. fará jus o sujeito aos direitos respectivos conforme os artigos 31 e seguintes da lei específica. Não há que se entender que somente os representantes comerciais devidamente inscritos em sua corporação de ofício tenham direito à aplicação da lei específica. com várias pessoas. mandatários. como a franquia. a concessão. que já vinha sendo adotada.CONTRATOs Em EsPÉCIE se sua atividade é de agência ou representação de acordo com o novo código. o qual garante direitos básicos a esses profissionais. aos representantes comerciais oficiais. há um conceito restrito. As gradações entre um extremo e outro deverão ser definidas no caso concreto. sob o prisma de direito cogente. Nessa introdução à nova problemática é importante estabelecer que os contratos de agência e distribuição podem. com prazo mais ou menos longo. em princípio. absorvendo vários significados. há confusão terminológica entre os contratos de representação mercantil. Nesse sentido. a de colocar no mercado os bens ou serviços de uma empresa produtora. mormente quando as partes não definem claramente suas obrigações. deverá persistir. Eventual transgressão administrativa é irrelevante para a definição dos direitos e a respectiva natureza jurídica dos contratos. que se lastreia em princípios constitucionais sobre a liberdade do trabalho. excluindo-se a possibilidade de ser considerado representante. representantes etc. sua situação será de distribuidor. a palavra “distribuição” é equívoca. quando ela não o faz por si mesma. surge assim uma nova família de contratos. atribuindo a intermediários a atividade de promover e vender. Questão maior vai se colocar quando o agente e o distribuidor em sentido amplo. Essa tendência. contudo. a própria legislação comercial.886/65. alude-se à distribuição como referência genérica a vários fenômenos. por vezes. Sob essa égide. disciplinava os auxiliares de comércio. que as próprias partes indiquem no contrato como aplicável essa lei do representante comercial autônomo. consagrada pelo nosso velho Código Comercial. Nesses contratos há um forte aspecto de colaboração entre as partes e a possibilidade de exclusividade dentro de determinada área geográfica. com a intervenção de terceiros. para desenvolvimento de uma antiga função econômica. pretenderem os mesmos direitos expostos na Lei nº 4. No conceito há um sentido amplo. Esses contratos possuem características comuns. Desempenhando a função de representante. agente ou representante deve se submeter a uma séria de diretrizes impostas FGV DIREITO RIO 88 . referindo-se aí expressamente ao contrato de distribuição. que diz respeito à relação jurídica que vincula o produtor e o sujeito que coloca seus produtos no mercado. Nada impede. que é aquele doravante presente no Código Civil. Sempre que se examina a comercialização de produtos ou serviços por terceiros. de caráter geral. a empresa concentra sua atividade principalmente na produção. em princípio. no que não conflitar com seu estatuto específico. para a confusão terminológica. se adotada a caracterização de representante para a relação jurídica. naturais ou jurídicas. como já não estava clara no sistema anterior e qualquer das soluções apresenta dificuldades. diretamente. Desse modo. porque. Assim. o sujeito fará jus aos benefícios da lei respectiva. ser firmados com qualquer pessoa e a esta situação se dirigem os dispositivos do novo Código Civil. O distribuidor. existirão sempre duas partes. os corretores. há possibilidade de que a empresa celebre muitos contratos da mesma natureza. O novo universo da empresa cria novas formas de comercialização. Como já de início apontamos. Caberá à jurisprudência definir. técnicos ou não. Como regra geral. pressupõem a existência de empresas e sujeitos independentes que desempenham atividade em favor dela. conforme os princípios da lei específica. o que contribui. agentes. Nesse sentido. segundo remansosa jurisprudência. atendendo a cláusulas de exclusividade e de área geográfica. por natureza. os comissionistas e os agentes de comércio. que não foi aclarada pelo legislador. pois. Por outro lado. para o representante é irrelevante ter ou não a posse dos bens comercializados. que inclui todas as formas que uma empresa se utiliza para colocar bens e serviços no mercado. sem a compreensão de representante. também. os quais se aplicam. De qualquer modo. pois o fornecedor de produtos e serviços sempre atribuirá a outrem essa função. de duração. a representação. ou por meio de terceiros. A situação não fica clara. se o sujeito adquire os bens do produtor ou fornecedor e os revende. agência e distribuição.

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pelo produtor em prol do bom andamento do negócio. A regra de exclusividade é importante nesses contratos, embora possa não se fazer presente. Caberá às partes mantê-la ou não. Por seu lado, o distribuidor ou qualquer nome ou natureza jurídica que se lhe dê, não importando qual a modalidade de contrato que lhe permite comercializar bens de terceiros (distribuição, representação, agência, franquia), obtém uma posição vantajosa no mercado, pois, em princípio, terá exclusividade sobre determinada região ou goza de benefícios e vantagens para adquirir bens da empresa produtora. Geralmente, o nome do produtor já outorga aos intermediários um patamar de ganhos superior. Sob esse prisma, a moderna empresa cria uma rede de distribuição, nem sempre juridicamente homogênea, cuja finalidade é cobrir uma cidade, uma região, um Estado ou Província, um país ou o exterior. Essa distribuição mais ou menos ampla seria muito custosa e difícil para que o produtor a encetasse com recursos próprios, além de esbarrar em leis de proteção econômica, que proíbem a cartelização ou o truste. Inúmeros outros aspectos devem ser estudados em função desses novos contratos que ora se tipificam no novo Código Civil. http://www.societario.com.br/demarest/svrepresentacao.html

Agência e Distribuição x Representação Comercial francisco Wanderson Pinho dantas data: 09/09/2004 1. Contratos iguais com nomes diferentes ou contratos diferentes com leis aplicáveis diferentes? O novo código civil trouxe algumas inovações ao tratar do contrato de agência e distribuição em suas disposições. Isso causou uma divergência na doutrina, sendo que a maior parte dela acredita ser esse contrato, não mencionado no C.C. anterior, o mesmo contrato de representação comercial, disciplinado pela lei 4886/65, enquanto uma minoria defende que se trata de um novo contrato. Nesta minoria estão Fábio Ulhoa e Venosa, defendendo este último que ao representante, diferentemente do agente, poderia ser dado o poder de concluir os negócios que ele prepara, sendo aplicado, ao ato de conclusão, a legislação referente ao contrato de mandato. Contudo, não haveria essa possibilidade para o agente, alertando o autor que se, no contrato de agência, houvesse a incumbência de concluir o negócio, o contrato estaria desnaturado. Entretanto, esses argumentos não são fortes o suficiente para rebater a outra posição doutrinária, de que o contrato de agência e o de representação são o mesmo contrato com nomes diferentes. Esse raciocínio, defendido por Humberto Theodoro Jr, Rubens Requião e Felix de Araújo Cintra tem como base o fato de que a definição de representante, dada pela lei 4886/65, lei da representação comercial, é totalmente compatível com a definição de contrato de agência dada pelo código civil. De acordo com as duas legislações, tanto o agente quanto o representante atuam agenciando propostas e pedidos, à conta de outrem, sem vínculo de dependência e em caráter não eventual. A única diferença que existe entre as duas referidas legislações é que, na definição de contrato de agência, dada pelo C.C., não há a expressão “negócios mercantis”, existente na definição de representante, dada pela lei de representação comercial. Entretanto, isso se explica pela igualdade que o novo C.C. atribuiu ao negócio civil e ao negócio comercial. Além disso, outro argumento que é favorável à identidade dos dois contratos baseia-se nas reclamações doutrinárias feitas em relação ao nome antigo do contrato, “representação comercial”, atribuído pela lei 4886/65. Tal nome não reflete o objeto do contrato, que é o agenciamento de propostas, mas a possibilidade de o terceiro representar quem o contratou na conclusão dos negócios, ou seja, a representação.
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Internacionalmente, o nome “agência” já é consagrado para referir-se ao contrato da lei 4886/65, o que permite visualizar a possibilidade de o legislador do C.C. ter utilizado esse nome para adequar o contrato às influências internacionais. Destarte, o próprio artigo 721 do C.C. prevê a aplicação no que couber da lei especial para o contrato de agência e distribuição, o que reforça a afirmativa de tratarem as duas leis, a 4886/65 e a 10.406/02 (C.C.), do mesmo contrato. 2. qual é a lei predominante, se for o mesmo contrato? Apesar de o critério cronológico ter aplicação subsidiária em relação ao da especialidade, o C.C., que traz uma legislação mais nova, porém mais geral, deve ser aplicável de forma predominante, pois ele amplia as garantias do agente, permitindo que a lei 4886/65, nos aspectos mais detalhados, seja também aplicada. O C.C. já traz disposto no artigo 718 o seu papel de regra geral em relação à lei 4886/65, estabelecendo, para o caso de dispensa sem culpa do agente, a remuneração até então devida, além das indenizações previstas em lei especial. Em regra, considera-se o C.C. como um microssistema constitucional para o direito privado, tendo as outras leis uma aplicação subsidiária em relação a ele. 3. quais os artigos conflitantes e quais as novidades que o C.C. trouxe para o agente? O artigo 31 da lei 4886/65 entra em conflito com o artigo 711 do C.C., pois os dois falam a respeito de exclusividade nas zonas, tanto para o agente quanto para o proponente, de modo diverso. O artigo 31 da lei 4886/65 diz, a princípio, que o representante fará jus à comissão pelos negócios realizados em sua zona, ainda que diretamente pelo representado ou por intermédio de terceiros, quando prevista no contrato a exclusividade de zona ou mesmo quando o contrato for omisso a esse respeito (até este ponto, a previsão é a mesma no C.C.). Entretanto, em seu parágrafo único, ele estabelece que na ausência de ajustes expressos, a exclusividade do representante para o representado não se presume. Assim, pode o representante, se não houver proibição contratual, prestar serviços para mais de uma empresa (art. 41), não havendo restrição na lei para as empresas de mesmo gênero. O C.C., em seu artigo 711, presume, no caso da omissão do contrato, a exclusividade tanto para o agente quanto para o proponente, não podendo o agente prestar serviços a empresas concorrentes. Tal norma veio beneficiar o proponente. Outra diferença entre a lei 4886/65 e o C.C. diz respeito ao prazo do aviso prévio no caso de denunciação unilateral e injustificada do contrato de agência por tempo indeterminado. A lei de representação comercial estabeleceu no seu artigo 34 a antecedência mínima de 30 dias para o aviso prévio. Entretanto, o novo C.C. veio estabelecendo um prazo maior, de 90 dias, estabelecendo como condição para ocorrer a denúncia o transcurso de um prazo compatível com a natureza e o vulto do investimento exigido do agente, enquanto a lei de representação especifica um prazo de 6 meses de vigência do contrato para poder haver a denúncia dele. Tal norma veio em benefício do representante. 4. diferença entre agência e distribuição A polêmica que surgiu devido ao nome “distribuição” ao lado de “agência”, no novo código, deu-se porque aquele nome já era culturalmente usado para fazer referência a um outro tipo de contrato muito diferente do de agência.
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O contrato de distribuição, que já era conhecido, é uma espécie de contrato de colaboração por intermediação, através do qual o distribuidor adquire os bens do distribuído e os revende a consumidores, atacadistas ou a qualquer outro. A distribuição referida no código é tão somente um desdobramento do contrato de agência. Trata-se de uma figura contratual nova, mas não muito diferente do contrato de agência, pois também tem como objeto o agenciamento de propostas para o preponente, mas tem como acréscimo o fato de a coisa a ser vendida para o consumidor estar com o agente. O agente, nesse caso, não adquire a coisa. Ele simplesmente a detém ou a tem a sua disposição para ser entregue àquele que a adquirir, quando concluído o negócio do preponente. Desta forma, o contrato de distribuição referido pelo código não é o mesmo contrato de distribuição, espécie de contrato de colaboração por intermediação. Este contrato continua atípico, sendo regido pelas normas gerais dos contratos, e nele o colaborador revende o produto do distribuído, ganhando os lucros sobre a revenda. Na distribuição do C.C., em suma um contrato de agência, o distribuidor ganha uma remuneração do distribuído, agindo em nome e no interesse deste. http://cacbufc.org.br/artigos/verartigo.asp?id=215

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seremos obrigados a analisar os contratos durante a aula.1.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. nos dividiremos em grupos e cada grupo será responsável pela análise de alguns contratos. nome do contrato Contratante Contratado data de assinatura objeto valor/ Forma de pagamento Cessão de direitos vigência do Contrato Formalidades garantias rescisão Contratual por transferência de Controle e/ou reorganização Societária demais hipóteses de rescisão Foro e lei aplicável outras observações (É possível?) (ainda está em vigor? Qual é o prazo de vigência?) (obs: está assinado? tem assinatura de duas testemunhas?) (o contrato pode ser rescindido em razão de transferência de controle do contratante? há multa prevista?) FGV DIREITO RIO 92 . É necessário analisar o contrato como um todo e qualquer outro aspecto que pareça relevante deve ser informado no campo “observações”. roteiro de aula Esta aula será diferente das anteriores. mas não são suficientes por si só. incluímos um quadro com os pontos fundamentais a serem observados em cada contrato. Vale lembrar que esses pontos devem orientar a análise dos contratos. AulA 16: ANálISE dE CONTRATOS 1. Assim.15. Maria Lúcia nos informa que há uma caixa de contratos que será disponibilizada hoje.15. Abaixo. mas que não poderemos tirar cópia e nem levá-los para nosso Escritório. Para agilizar nosso trabalho.

1. o que poderíamos recomendar ao nosso cliente? Conversamos com a equipe de due diligence responsável pela área de propriedade intelectual sobre o contrato de licença que encontramos. de. 2006.16. Teresina. (ii) os registros das marcas e os pedidos de registros foram feitos em nome do senhor Eduardo Russo e não em nome da sociedade Pechincha Comércio Varejista Ltda.4. Denis Borges. n. Caso Gerador Ao analisarmos os contratos que nos foram disponibilizados na aula anterior. 1. Rio de Janeiro: Ed.279/1996. para o Rio de Janeiro. Disponível em: <http://jus2. 2003. Dirceu P. Contrato de Licença de Marcas.com.16. Considerando que nosso cliente pretende expandir seus negócios. resultaria na transferência da marca para o nosso cliente? Considerando que é o supermercado que efetivamente exerce as atividades relacionadas às marcas.asp?id=3006>. A importância da “due diligence” de propriedade intelectual nas fusões e aquisições (Debaixo dos caracóis dos seus cabelos).16.16. Tendo em vista que a marca desempenha papel fundamental no negócio. inclusive. 1. 2003. deparamo-nos com um contrato de licença de marcas. o que fazer nessa situação? A simples aquisição das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda. SANTA ROSA. ago. Jus Navigandi.. e fomos alertados pela equipe sobre os seguintes aspectos: (i) metade das marcas do Supermercado Pechincha estão registradas no INPI e a outra metade ainda está com pedido de registro. Uma Introdução à Propriedade Intelectual. 2002. Contrato de Cessão de Marcas. segundo o qual o senhor Eduardo Russo permitia que um comerciante do Rio de Janeiro utilizasse a marca do Supermercado Pechincha em suas lojas na cidade maravilhosa. Lumen Juris. 1. 797 a 963. ano 6. 1. biblioGrafia obriGatória Lei n° 9.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. BARBOSA. poderia ter as marcas do Supermercado Pechincha registradas em seu nome? O que fazer quanto aos registros das marcas e os pedidos de registro? FGV DIREITO RIO 93 .uol.16. AulA 17: lICENçA E CESSãO dE mARCAS.041 a 1.058. págs. 58. Uma Introdução à Propriedade Intelectual.1. Denis Borges.br/doutrina/texto.3. Acesso em: 04 ago. (em anexo). págs. eMentário de teMas Marcas. Lumen Juris. biblioGrafia CoMPleMentar BARBOSA.2. Rio de Janeiro: Ed. o senhor Renato Russo. sendo pessoa física.

1 do Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (TRIPS). suscetível de proteção. capaz de distinguir bens e serviços de um empreendimento daqueles de outro empreendimento”. Considerada por muitos como uma das mais importantes modalidades da propriedade intelectual. antes mesmo do registro. Lumen Juris. 2003. Neste sentido. a possibilidade de se tornar um símbolo exclusivo. Esta definição segue os conceitos e princípios previstos nas convenções internacionais. o proprietário da marca deve registrá-la no INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial. que é configurado para o fim específico de distinguir a origem dos produtos e serviços.5. b) Marcas – Conceito O artigo 5º. sem confundir o destinatário do processo de comunicação em que se insere: o consumidor. Compreendendo a importância do registro das marcas para o supermercado. em vigor desde 15. roteiro de aula a) Marcas Antes de estudarmos os contratos de licença e de cessão de marcas propriamente ditos. à propriedade e ao direito de uso exclusivo de marcas e outros signos distintivos. O senhor Odin Heiro nos pergunta se terceiros poderiam registrar as marcas (já registradas) do Supermercado Pechincha em outros Estados. Uma introdução à propriedade intelectual – Lúmen Júris. 803.05. e capacidade de indicar uma origem específica. tais como a Convenção de Paris e o TRIPS. Com relação à definição de marca. ou legalmente unívoco. Rio de Janeiro: Ed. 803.279 de 1996 (Lei de Propriedade Industrial). sua existência fáctica depende da presença destes dois requisitos: capacidade de simbolizar. imóveis ou semoventes? Para ter proteção jurídica. desenhos industriais e concorrência desleal. 10 11 BARBOsA.1997. como a marca.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. ou seja. Denis Borges Barbosa11 comenta o que se segue: BARBOSA. que pode ser bem demorado. marcas são todos os sinais distintivos visualmente perceptíveis. Denis Borges. alguns entendem que a partir do depósito da marca no INPI haveria uma expectativa de direito. patentes. FGV DIREITO RIO 94 . não compreendidos nas proibições legais.16. foi promulgada a Lei nº 9. “poderá constituir marca qualquer sinal. ou combinação de sinais. Denis Borges. Os direitos de propriedade intelectual. Uma Introdução à Propriedade Intelectual. são bens móveis. o senhor Odin Heiro nos pergunta se há prazo para o registro das marcas e se o registro pode ser extinto. Conforme o artigo 122 da Lei de Propriedade Industrial. como Rio de Janeiro e São Paulo. da Constituição da República Federativa Brasileira de 1998 dispõe que a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização. pág. Símbolo voltado a um fim. 2003. vale analisar brevemente o seu objeto: a marca. a marca “é o sinal visualmente representado. tendo em vista que a sede do supermercado é em Brasília. p. que visa a regular os direitos e obrigações relativos à propriedade industrial no Brasil. regulando as normas referentes às marcas. inciso XXIX. em face do objeto simbolizado”10. Entretanto. Sua proteção jurídica depende de um fator a mais: a apropriabilidade. bem como proteção às criações industriais. Rio de Janeiro. De acordo com o artigo 15.

medalha. VIII – cores e suas denominações. 365 – 366. salvo se dispostas ou combinadas de modo peculiar e distintivo. suscetível de causar confusão ou associação com estes sinais distintivos. ou legalmente unívoco. em face do objeto simbolizado. Tratado de propriedade industrial. públicos. XI – reprodução ou imitação de cunho oficial. ou seja. vulgar ou simplesmente descritivo. II – letra. bandeira.. sua existência fática depende da existência destes dois requisitos: capacidade de simbolizar. qualidade ou utilidade do produto ou serviço a que a marca se destina. culto religioso ou idéia e sentimento dignos de respeito e veneração. comum. Freitas Basto. Sua proteção jurídica depende de um fator a mais: a apropriabilidade. III – expressão. pp. quando tiver relação com o produto ou serviço a distinguir. IX – indicação geográfica. Embora Carvalho de Mendonça não a defina especificamente. no artigo 124. bem como a respectiva designação.) marca é o sinal visualmente representado. desenho ou qualquer outro sinal contrário à moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra ou imagem de pessoas ou atente contra liberdade de consciência. 13 FGV DIREITO RIO 95 . V – reprodução ou imitação de elemento característico ou diferenciador de título de estabelecimento ou nome de empresa de terceiros. peso. I. Símbolo voltado a um fim. procedência. armas. natureza. salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva. 12 mENDONÇA. salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva. da capacidade e da probidade de seu titular”13. X – sinal que induza a falsa indicação quanto à origem. sua imitação suscetível de causar confusão ou sinal que possa falsamente induzir indicação geográfica. uma série de situações em que o sinal que não poderá ser registrado marca: I – brasão.CONTRATOs Em EsPÉCIE (. distintivo e monumento oficiais. marca distintiva da mercadoria quanto à origem. Para João da Gama Cerqueira. regularmente adotada para garantia de padrão de qualquer gênero ou natureza. marca é todo sinal distintivo aposto facultativamente aos produtos e artigos das indústrias em geral para identificá-los e diferenciá-los de outros idênticos ou semelhantes de origem diversa12. sem confundir o destinatário do processo de comunicação em que se insere: o consumidor. que é configurado para o fim específico de distinguir a origem dos produtos e serviços.. é uma marca representativa da atividade mediadora do comerciante e. quando não requerido o registro pela própria entidade ou órgão público. também reveladora do trabalho. o referido autor entende que “a marca de comércio não é. VI – sinal de caráter genérico. a possibilidade de se tornar um símbolo exclusivo. e capacidade de indicar uma origem específica. CERQUEIRA. t. nacionalidade. João da Gama. figura. necessário. Carvalho de. IV – designação ou sigla de entidade ou órgão público. propriamente falando. estrangeiros ou internacionais. a Lei de Propriedade Industrial elenca. nacionais. valor. isoladamente. quanto à natureza. Com relação às proibições legais a que se refere o artigo 122. figura ou imitação. algarismo e data. como a de indústria ou de comércio. VII – sinal ou expressão empregada apenas como meio de propaganda. ou aquele empregado comumente para designar uma característica do produto ou serviço. 1963. Tratado de Direito Comercial Brasileiro. crença. emblema. qualidade e época de produção ou de prestação do serviço.

dos Territórios. herdeiros ou sucessores. aquela que não possa ser dissociada de efeito técnico. XXII – objeto que estiver protegido por registro de desenho industrial de terceiro.CONTRATOs Em EsPÉCIE XII – reprodução ou imitação de sinal que tenha sido registrado como marca coletiva ou de certificação por terceiro. de origem diversa. natureza. definindo-as da forma que se segue: – Marca de produto ou serviço: aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico. FGV DIREITO RIO 96 . material utilizado e metodologia empregada. por sua vez. artística ou científica. ainda que com acréscimo. bem como a imitação suscetível de criar confusão. salvo com consentimento do titular. se revestirem de suficiente forma distintiva. Há. ou de país. salvo com consentimento do titular. XVIII – termo técnico usado na indústria. C) tipos de Marcas O artigo 123. XX – dualidade de marcas de um só titular para o mesmo produto ou serviço. nome de família ou patronímico e imagem de terceiros. (ii) marca de certificação e (iii) marca coletiva. observado o disposto no art. dos Estados. nome artístico singular ou coletivo. cultural. equivalente à proteção que se dá aos direitos da personalidade de qualquer pessoa. Alguns afirmam se tratar de um direito pessoal. XIX – reprodução ou imitação. na ciência e na arte. semelhante ou afim. ainda. XVI – pseudônimo ou apelido notoriamente conhecidos. no todo ou em parte. político. d) natureza jurídica Há muita discussão acerca da natureza jurídica dos direito da propriedade industrial. assim como os títulos que estejam protegidos pelo direito autoral e sejam suscetíveis de causar confusão ou associação. XV – nome civil ou sua assinatura. dos Municípios. no todo ou em parte. quais sejam: (i) marcas de produto ou serviço. que tenha relação com o produto ou serviço a distinguir. prêmio ou símbolo de evento esportivo. suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia. para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico. marca que o requerente evidentemente não poderia desconhecer em razão de sua atividade. notadamente quanto à qualidade. XIV – reprodução ou imitação de título. de caráter patrimonial. 154. XVII – obra literária. semelhante ou afim. moeda e cédula da União. – Marca de certificação: aquela usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas. econômico ou técnico. diferencia as marcas em três tipos. salvo quando. cujo titular seja sediado ou domiciliado em território nacional ou em país com o qual o Brasil mantenha acordo ou que assegure reciprocidade de tratamento. oficial ou oficialmente reconhecido. do Distrito Federal. artístico. no caso de marcas de mesma natureza. XXI – a forma necessária. apólice. social. se a marca se destinar a distinguir produto ou serviço idêntico. e XXIII – sinal que imite ou reproduza. Outros alegam se tratar de bem imaterial. XIII – nome. herdeiros ou sucessores. salvo quando autorizados pela autoridade competente ou entidade promotora do evento. incluindo a natureza jurídica das marcas. salvo com consentimento do autor ou titular. e – Marca coletiva: aquela usada para identificar produtos ou serviços provindos de membros de uma determinada entidade. suscetível de causar confusão ou associação com aquela marca alheia. ou. comum ou vulgar do produto ou de acondicionamento. semelhante ou afim. de marca alheia registrada.

cuja significação é mais lata do que a expressão coisa compreendendo não só as coisas corpóreas. vol. faz-se necessário ressaltar que a Lei de Propriedade Industrial.17 GOmEs. 16 mIRANDA. Pontes de . dispor e reivindicar a coisa que lhe serve de objeto”14. antes ou após ela. como as incorpóreas”. com elementos pessoais e. parte I. 147. em seu art. assegurou aos autores de inventos industriais. 5º. 7. p. Direitos Reais. Confundir-se-ia com as outras marcas registradas. em seu artigo 5º.) O direito de propriedade é o mais amplo dos direitos reais. 85. entende-se que a marca é definida como direito de propriedade e tal conceito está expresso na Lei de Propriedade Industrial. considerou os direitos da propriedade industrial como bens móveis. bem como proteção às criações industriais. ou apenas em uso. ou seja. se bem que unitário. e de reavê-los de quem injustamente o possua. à propriedade das marcas. Direito das marcas. de cunho incorpóreo. tais como a função de identificação de origem. de outros produtos ou serviços idênticos. aos nomes de empresas e a outros signos distintivos.Tratado de Direito Privado. privilégio temporário para sua utilização. 15 Além da função distintiva da marca. 17 FGV DIREITO RIO 97 . Forense. Desta forma.CONTRATOs Em EsPÉCIE ainda. estas se caracterizam por preencher a função precípua de distinguir os produtos e serviços aos quais se opõem. não se lhe podem mencionar elementos característicos. não assinala o produto.15 e) função das Marcas (i) Função Distintiva: No que tange à função das marcas. a maioria dos autores afirma que as marcas são consideradas como um direito de propriedade. uma outra corrente que entende ter a propriedade industrial um caráter dualista. são Paulo: Editora revista dos Tribunais. No Brasil. 10° edição. “É um direito complexo. Sobre o assunto. mORO. matiê Cecília Fabbri. Orlando. a função distintiva é considerada a mais relevante pela maioria dos autores. Embora se tratando de objetos de criação não corpórea. conforma as disposições desta lei. gozar. A propriedade da marca adquire-se com o registro validamente expedido. bem como pela legislação atual. 129. nota-se que há outras funções que a marca tem por finalidade. sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional (. não é sinal distintivo. o Código Civil emprega a palavra bens. constituindo num feixe de direitos consubstanciados nas faculdades de usar. a função de garantia da qualidade. I.. para efeitos legais.. e em si mesma. Borsoi. tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País. 36. em seu artigo 129: Art. a função econômica e a função de propaganda. 14 CERQUEIRA Gama. parte especial. 1956. p. gozar e dispor dos bens. p. A Constituição Federal de 1988. A distinção da marca há de ser em relação às marcas registradas ou em uso. também patrimoniais. marcas que são vulgaridades notórias. fruto da atividade intelectual do homem. porque há marcas a que falta qualquer elemento característico. pg. De acordo com a autora Maitê Cecília Fabbri Moro16. Pontes de Miranda comenta o que se segue: A marca tem de distinguir. Ed. há o entendimento de que se trata de uma propriedade imaterial. “Tratado de Propriedade Industrial”. Gama Cerqueira acrescenta que “definindo a propriedade como o direito de usar. Além disso. se não o faz.

a proteção no sentido de se evitar o enfraquecimento do seu caráter distintivo. in Trademark Reporter. Já o sistema em que o direito sobre uma marca somente é reconhecido por meio de registro é o sistema atributivo de direitos. O sistema misto é o sistema que tem características do sistema declarativo e. concluirão. também. 18 mORO. exercendo. na prática. ROBIN Albert. 2003. f) aquisição de direitos A aquisição do direito sobre uma marca depende da legislação de cada país. do sistema atributivo. que não prejudica a divisão teórica mencionada acima (sistema atributivo e sistema declarativo). sendo ela imprescindível para o funcionamento do mercado e das empresas em geral. Se é verdade que vivemos por símbolos. pelo qual o produto é conhecido e distinguido no mercado consumidor. Maitê Cecília Fabbri Moro19 comenta que. marca. permitindo ao titular destes distinguir suas mercadorias ou seus produtos/serviços de outros. A publicidade é o meio pelo qual o público toma conhecimento de uma marca. pg 364. pois os consumidores.CONTRATOs Em EsPÉCIE (ii) Função de identificação de origem: A função de identificação de origem tem o intuito de indicar a origem dos produtos. de procedência diversa. (iv) Função de Propaganda: Cabe entender que a marca pode ser considerada como qualquer sinal. agosto de 1997. A marca é um atrativo de comercialização que induz um comprador a escolher o que quer. servindo para recomendá-lo e para atrair a atenção dos consumidores. símbolo ou palavras. vol. por meio da identificação da marca de uma empresa. por conseguinte. Segundo Albert Robin. A doutrina reconhece esta importância da função econômica. uma vez que há países que atribuem direitos sobre a marca pelo seu simples uso. e outros que exigem determinadas formalidades de registro para fins de obter o direito sobre uma marca. 69. verifica-se a predominância de um ou do outro sistema puro. de fato. visto que é o registro que atribui a propriedade de uma marca ao interessado. p. Esta função de propaganda ou publicidade decorre do fato de ser a marca um dos principais veículos de propaganda dos produtos por ela cobertos. manter e aumentar a clientela. O dono da marca explora esta propensão humana fazendo todo esforço para impregnar a atmosfera do mercado com o poder atrativo de um símbolo congenial18. O poder sugestivo da marca representa indubitavelmente a sua principal função do ponto de vista econômico. possuindo uma qualidade constante. não é menos verdadeiro que por eles compramos mercadorias. Esta força atrativa é utilizada para obter. O sistema que atribui direito sobre a marca pelo seu simples uso. n° 4. matiê Cecília Fabbri. a proteção das marcas é o reconhecimento legal da função psicológica dos símbolos. (iii) Função de garantia de qualidade: Observamos. Com relação a este sistema misto. idênticos ou semelhantes. conforme artigo 123.53. 19 FGV DIREITO RIO 98 . I da Lei nº 9279/1996. com isso. a função de garantia da qualidade dos produtos.cit. Comparative Advertising: A Skeptical View. é considerado como sistema declarativo. Por meio da compra dos produtos e satisfazendo os consumidores. presume-se que estes voltem a comprá-los devido ao conhecimento da marca. que os produtos têm a mesma origem. ob.

É. pertencente a um determinado titular. há pelo menos 6 (seis) meses. decorrente do uso. um processo administrativo de nulidade. No entanto. As regras de colidência. que tenha direta relação com o uso da marca. onde o registro atribui propriedade sob uma marca. para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico. de forma regular e de boa-fé. 21 FGV DIREITO RIO 99 . observa-se um sistema misto. por alienação ou arrendamento. um sistema misto com predominância do sistema atributivo. pode ser oposto um direito.INPI.. No entanto. de uma marca. marca idêntica ou semelhante. A esse utente. estabelecendo a possibilidade de impedir o pedido de registro de marca similar. Ricardo Luiz. matiê Cecília Fabbri. 20 sICHEL. tão-somente vedando o registro de uma marca que lhe seja similar e que assinale o produto ou serviço idêntico ou afim. com isso. O artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial estabelece. É importante mencionar a questão referente ao momento para argüição desse direito de precedência.) § 1º Toda pessoa que. usava no País. são idênticas àquelas utilizadas quando do conflito entre uma marca registrada e um registro anterior. Sobre o assunto. no Brasil. Para o autor Ricardo Luiz Sichel. argüindo. mas. Palestra: “Direito De Precedência”.. com base no direito de precedência. uma vez que a lei é silente sobre o assunto. cit. Nota-se que este é o sistema atributivo de direitos. Diz o referido artigo: Art.CONTRATOs Em EsPÉCIE No Brasil. em face de um pedido em trâmite. pode-se dizer então que. a existência dessa precedência vicia um registro mORO. Em regra. ou parte deste. conforme mencionado acima. eventualmente com valor patrimonial. de boa fé. para que uma pessoa física ou jurídica seja titular de uma marca. 129 (. não impondo outras obrigações.Anais do XXI seminário Nacional da Propriedade Intelectual. na data da prioridade ou depósito. sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional. § 2º O direito de precedência somente poderá ser cedido juntamente com o negócio da empresa. por exemplo. entretanto.20 G) direito de Precedência O registro de uma marca é concedido àquele que primeiro solicitar o seu registro. 2001. Entretanto. que a propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido. Ricardo Luiz21 comenta o que se segue: A marca continua sendo adquirida através de um competente registro. que assinale produto ou serviço idêntico ou afim. esta regra é limitada e excepcionada pelo direito de precedência. ob. Esta é uma regra característica do princípio atributivo para a aquisição do direito marcário. desprovida do necessário registro. semelhante ou afim. excepcionalmente. conforme as disposições desta Lei. a aquisição do direito sobre uma marca se faz pelo registro. deve-se fazer o registro da mesma junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial . terá direito de precedência ao registro. portanto. previsto o artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial. Muitos indagam sobre a possibilidade de restringir a alegação desse direito de precedência tão somente na fase de oposição ou mesmo após o registro da marca em face do terceiro. procurou a lei proteger. no caso em espécie. p. este princípio atributivo é excepcionado pelo direito de precedência que será estudado no item a seguir. 54. Desta forma. em seu artigo 129. a prova anterior do uso é suficiente (direito de precedência).

Assim. gratuitamente ou onerosamente. de uma modalidade de cessão de direitos cujos parâmetros encontram-se estabelecidos pelo Código Civil. segundo Ricardo Luiz Sichel. 24 FGV DIREITO RIO 100 . BARBOsA. Desta forma. Com relação à cessão mencionada no parágrafo segundo do artigo 129. mariana. “num mundo altamente competitivo. funciona com a mesma eficiência. no âmbito nacional. No que se refere ao registro de marca coletiva. o parágrafo único do artigo 128 estabelece uma limitação ao registro por parte das pessoas jurídicas de direito privado.br.05. que tem por função executar. chegando a ser o bem mais valioso do patrimônio de uma empresa.05. prevendo que as pessoas de direito privado só podem requerer registro de marca relativo à atividade que exerçam efetiva e licitamente. Cultura e Investimento Social. na medida que uma parte – a cessionária – cede.2001. a marca é uma das poucas armas que restam às empresas para garantir a lucratividade. estar-se-ia aventando as figuras do contrato de compra e venda. trata-se.22 H) requerentes do registro O artigo 128 da Lei de Propriedade Industrial dispõe sobre as pessoas aptas a requerer o registro de uma marca. ob. Jornal Valor. Conforme argumenta Mariana Barbosa. evidentemente. o qual prevê que a propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido. 16. as normas que regulam a propriedade 22 23 sICHEL. No entanto. a partir de um certo nível de preço. cit.22. atraindo consumidores não pelos seus produtos em si. o direito de uso da marca a um terceiro (contratado ou cessionário). a Lei de Propriedade Industrial é silente no tocante à natureza dessa cessão. é necessário que exista perfeita compatibilização entre o ramo de atividade do depositante e os produtos ou serviços reivindicados no pedido de registro. especificamente na parte relacionada a contratos. este somente poderá ser requerido por pessoa sem interesse comercial ou industrial direto no produto ou serviço atestado. a teor do artigo 168 da Lei nº 9. Segundo este artigo. este somente poderá ser requerido por pessoa jurídica representativa de coletividade. org. O registro de uma marca é muito importante para a sua proteção. Uma marca pode ser tão valiosa quanto o resultado financeiro que ela pode gerar. i) registro e o Princípio da especialidade Nota-se que a marca é imprescindível para o sucesso de uma empresa. Leonardo. de modo direto ou através de empresas que controlem direta ou indiretamente. sendo um fator de identificação e valorização no mercado. BRANT. somente estabelecendo que a mesma dar-se-á concomitantemente com o negócio da empresa. Este registro é realizado por intermédio do Instituto Nacional de Propriedade Industrial. Ricardo Luiz. fato esse ensejador do processo administrativo de nulidade. em virtude do explicitado no artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial.279/96. conforme já estudado nesta apostila. podem requerer registro de marca as pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou de direito privado. a qual poderá exercer atividade distinta da de seus membros. Com relação ao registro da marca de certificação. site rits. Quanto Custa o Nome?. Ela é incorporada no patrimônio de seus titulares.CONTRATOs Em EsPÉCIE eventualmente concedido. da doação ou da transmissão hereditária. onde praticamente qualquer categoria de produto. mas pelo seu grau de identificação no mercado.2001. Para o autor. A marca é tida como uma “característica marcante no processo de conquista de mercados e clientes das economias globalizadas”24. Valorizá-la é cada vez mais essencial”23.

inpi. da Lei 9. vol. patentes. por parte de empresas diferentes. de acordo com definição abaixo29: 25 mATHÉLY. maitê Cecília Fabbri. I. O INPI é uma autarquia federal criada pela Lei n° 5648. modelos de utilidade e desenho industrial no Brasil. uma marca não consiste num signo apropriado em si mesmo.06.br FGV DIREITO RIO 101 . dentre outros artigos. pode-se dizer. Com relação ao princípio da especialidade das marcas. No entanto. semelhante ou afim”. O princípio básico que norteia o sistema de concessão de marcas em nosso país é o princípio da especialidade. ob. 37. ob. é a mais justa.gov. a questão da coexistência das marcas idênticas ou semelhantes facilmente se resolve28. para distinguir ou certificar produtos ou serviço idêntico. e até idênticas. o princípio da especialidade não é absoluto.279 de 1996. sendo o órgão responsável pela concessão dos registros de marcas. 27 CERQUEIRA. não importa que ela seja idêntica a outra já em uso”. mista. Este princípio é fundamental para a distinção das marcas e dos nomes de domínio. É importante mencionar que o princípio da especialidade sofre algumas exceções no que tange às marcas de alto renome e às marcas notoriamente conhecidas. José da Gama. da natureza e função da marca. as quais serão objetos de estudo nas próximas aulas. p. visando limitar o campo de extensão da proteção marcária de acordo com o segmento mercadológico no qual a mesma se insere. cit.26 De acordo com Maitê Cecília Fabbri Moro27. À luz deste princípio. semelhante ou afim. econômica. nem neste assunto podem firmar-se regras absolutas. em que se impede “ a reprodução ou imitação. 10. mas tratando-se de produtos ou indústria diversa. jurídica e técnica. quando o legislador fala em “produto ou serviço idêntico. no artigo 124. de 11 de Dezembro de 1970. presente a função primordial de distinguir. Esta forma de limitação. está limitando o direito de marca no campo de sua especialidade. a regra da especialidade como princípio do direito marcário. pg 171.1991.380/ sP. como se verá a seguir. 26 mORO. uma vez que advém. Le Noveau Droit Français de Marques. Recurso Especial n° 9.71. cujas circunstâncias não podem ser desatendidas quando se tem de decidir sobre a novidade das marcas e as possibilidades de confusão. figurativa ou tridimensional. inciso XIX. inclusive as normas relativas ao registro de marcas. tendo em vista a sua função social. mas num signo apropriado em função da aplicação a um objeto ou serviço específico. pois se trata sempre de questões de fato. no todo ou em parte. Paul. p. 28 29 Fonte: www. conclui-se que é possível a convivência de marcas semelhantes no mercado. j) formas de registro das marcas As marcas podem ser registradas sob a forma nominativa. direta e necessariamente. ainda que com acréscimo. para Gama Cerqueira. suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia. pois depende de uma análise caso a caso. de acordo com o artigo 125 e 126 respectivamente.25 O Supremo Tribunal de Justiça pronunciou-se afirmando que “a marca deve distinguir-se suficientemente das já existentes. De fato. Quando se trata de indústrias ou gêneros de comércio inteiramente diversos. 1994. Paul Mathély ensina que: A regra da especialidade é substancial. cit. estando nesta relação identificador/identificado. de marca alheia registrada. no que se analisa a possibilidade de confusão ou associação de marcas. influi em toda a sua regulamentação.CONTRATOs Em EsPÉCIE industrial. mas é ressaltada. Segundo a autora. sem qualquer vinculação entre si.

requerimento a ideogramas o línguas tais como o japonês. que ele representa. Exemplos: Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma plástica. bem como dos palavra ou determo que o ideograma representa. ao pedido de . apresente de forma estilizada. a proteção legal recai sobre o parcela significativa do público consumidor. e não sobre a palavra ou termo caso ressalvada a hipótese de o requerente indicar no requerimento a palavra ou o termo que o ideograma represenem que se interpretará parcela significativa do ta. a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. desde que Nesta última Exemplos: hipótese. (Exemplos: compreensível por uma parcela significativa do público consumidor. elementos figurativos ou de elementos nominativos. também. chinês. hebraico etc. Exemplos: Exemplos: Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e elementos figurativos ou de elementos nominativos. a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. isoladamente. cuja grafia se apresente de forma estilizada. figura ou qualquer forma estilizada de letra e número. plástica. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma dissociada de qualquer efeito técnico. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja dissociada de qualquer efeito técnico. caso FGV e Coca-Cola) • Figurativa: É interpretará como marca mista. cuja grafia se apresente de forma estilizada. cuja grafia se • Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e elementos figurativos ou de elementos Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e nominativos. os neologismos e as combinações de letras e/ou algarismos romanos e/ou arábicos. público consumidor. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja dissociada de qualquer efeito técnico. em que se constituída por desenho. alfabeto romano. desde que compreensível por uma como marca mista. • Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma plástica.CONTRATOs Em EsPÉCIE • Nominativa: É constituída por uma ou mais palavras no sentido amplo do desde que requerimento a palavra ou o termo que o ideograma representa. caso em que se interpretará como marca mista. imagem. FGV DIREITO RIO 102 Exemplos: L) Direito de Prioridade O artigo 127 da Lei de Propriedade Industrial estabelece que. compreensível por uma ideograma em si. compreendendo.

se não efetuada por ocasião do depósito. por outras prioridades anteriores à data do depósito no Brasil. na sua promoção e comercialização. • impedir a livre circulação de produto colocado no mercado interno.CONTRATOs Em EsPÉCIE l) direito de Prioridade O artigo 127 da Lei de Propriedade Industrial estabelece que. contendo o número. devendo ser comprovada por documento hábil da origem. que produza efeito de depósito nacional. Sobre o prazo para apresentação da reivindicação de prioridade. ao pedido de registro de marca depositado em país que mantenha acordo com o Brasil ou em organização internacional. Com relação à perda dos direitos marcários. a data e a reprodução do pedido ou do registro. gozará. a comprovação da prioridade deverá ocorrer em até 4 (quatro) meses. sob pena de perda da prioridade. o artigo 142 preceitua que o registro da marca extingue-se: • pela expiração do prazo de vigência. Este princípio do direito da prioridade é previsto no artigo 4º da Convenção da União de Paris. cujo teor será de inteira responsabilidade do depositante. em seu artigo 4 (C) dispõe da forma abaixo: (1) Os prazos de prioridade acima mencionados serão de doze meses para invenções e modelos de utilidade e de seis meses para os desenhos ou modelos industriais e para as marcas de fábrica ou de comércio Cumpre destacar que. • pela renúncia. desde que obedecidas as práticas leais de concorrência. para apresentar o pedido nos outros países. juntamente com a marca do produto. o documento correspondente deverá ser apresentado junto com o próprio documento de prioridade. de depósito de modelo de utilidade. Segundo a Lei de Propriedade Industrial. do s direito de prioridade durante os prazos adiante fixados. M) limitações e Perda de direitos As limitações aos direito de propriedade das marcas encontram-se discriminadas no artigo 132 da Lei de Propriedade Industrial. será assegurado direito de prioridade. ressalvado o disposto nos §§ 3º e 4º do art. como segue abaixo: A (1) Aquele que tiver devidamente apresentado pedido de patente de invenção. da qual o Brasil é signatário. contados do depósito. a Convenção de Paris. que poderá ser total ou parcial em relação aos produtos ou serviços assinalados pela marca. por si ou por outrem com seu consentimento. ou • impedir a citação da marca em discurso. ou o seu sucessor. podendo ser suplementada dentro de 60 (sessenta) dias. de desenho ou modelo industrial. nos prazos previstos na referida Convenção de Paris. 68. de registro de marca de fábrica ou de comércio num dos países da União. FGV DIREITO RIO 103 . o qual discrimina que o titular da marca não poderá: • impedir que comerciantes ou distribuidores utilizem sinais distintivos que lhes são próprios. desde que sem conotação comercial e sem prejuízo para seu caráter distintivo. • impedir que fabricantes de acessórios utilizem a marca para indicar a destinação do produto. Tratando-se de prioridade obtida por cessão. obra científica ou literária ou qualquer outra publicação. a reivindicação da prioridade deverá feita no ato de depósito. acompanhado de tradução simples. não sendo o depósito invalidado nem prejudicado por fatos ocorridos nesses prazos.

a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse se. 4ª ed. expressa em documento hábil ou o não uso. o artigo 145 da Lei de Propriedade Industrial dispõe que não se conhecerá do requerimento de caducidade se o uso da marca tiver sido comprovado ou justificado seu desuso em processo anterior. o artigo 135 da Lei de Propriedade Industrial prevê que a cessão deverá compreender todos os registros ou pedidos. Desta forma. por períodos iguais e sucessivos. que a caducidade seja concedida apenas parcialmente. Uma vez requerida a caducidade da marca. com a declaração da caducidade de que cogitam os arts 152-155 do Decreto – Lei 7.CONTRATOs Em EsPÉCIE • pela caducidade. Tomo XVII. 217 da referida Lei. disponível. pp.Parte Especial. relativas a mIRANDA. O uso da marca deverá compreender produtos ou serviços constantes do certificado. O prazo para início de uso é de 05 (cinco) anos. É possível.. o artigo 143 da Lei de Propriedade Industrial dispõe o que se segue: Art. 15-16. Pontes de Miranda explica sobre as formalidades da renúncia: Pode dar-se a renúncia à propriedade industrial. em princípio. sob pena de extinção do registro. ou se. de acordo com o artigo 144 da Lei de Propriedade Industrial: Art. tal como constante do certificado de registro. decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão. ou • pela inobservância do disposto no art. contados a partir da data de concessão. de marcas iguais ou semelhantes. Pontes de. Contudo. sob pena de caducar parcialmente o registro em relação aos não semelhantes ou afins daqueles para os quais a marca foi comprovadamente usada. são Paulo: Editora Revista dos Tribunais. desde que o cessionário atenda aos requisitos legais para requerer tal registro. Em caso contrário. no mesmo prazo. requerido há menos de 5 (cinco) anos. ainda. considerado abandono. o titular do registro de uma marca deve utilizá-la para mantê-la em vigor.90330. sendo prorrogável. No tocante à renúncia dos direitos. 1983. 143 . No que tange à caducidade da marca. no entanto. caberá ao detentor do registro provar a sua utilização. a questão da cessão dos pedidos de registro ou dos registros de marcas como caso de perda de direitos sobre as mesas. Tratado de direito privado . em nome do cedente. Da decisão que declarar ou denegar a caducidade caberá recurso. a pedido do titular. Vale ressaltar. O artigo 134 estabelece que o pedido de registro e o registro poderão ser cedidos. Com relação à comprovação de uso. contados da data da concessão do registro. será extinto o registro e a marca estará. 144. 30 FGV DIREITO RIO 104 . O prazo de validade de registro de uma marca é de dez anos. ou II – o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos consecutivos. na data do requerimento: I – o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil. que dispõe sobre a falta de constituição de procurador no país pela pessoa domiciliada no exterior. a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original.Caducará o registro.

ganhando considerável espaço no mundo dos negócios e até mesmo nas manchetes dos principais jornais do país. Diante do exposto. à perda dos pedidos de registros ou registros que não foram transferidos do cedente ao cessionário. semelhante ou afim. nota-se que a hipótese de cessão parcial de marcas iguais ou semelhantes relativas a produtos ou serviços idênticos. por exemplo. Se o registro da marca é extinto. se tornou tópico de grande importância no noticiário político nacional. Vale notar que a licença só poderá vigorar enquanto o registro da marca estiver em vigor. os pesquisadores brasileiros cada dia mais buscam uma recompensa justa para suas pesquisas. também. sorrindo vai chorar. No setor farmacêutico. o) Contrato de Cessão de Marcas Qual é a diferença entre o contrato de licença de marcas e o contrato de cessão de marcas? Ao ser consultado pelo nosso cliente quanto à cessão das marcas. após publicado e requerido o exame. Um dia a areia branca / seus pés irão tocar e vai molhar seus cabelos / a água azul do mar Janelas e portas vão se abrir / prá ver você chegar e ao se sentir em casa. a averbação no INPI é necessária para produzir efeitos perante terceiros. podem ser objeto de licença. Debaixo dos caracóis dos seus cabelos uma história prá contar / de um mundo tão distante debaixo dos caracóis dos seus cabelos um soluço e a vontade / de ficar mais um instante. Embora não seja necessária para comprovar a exploração da marca. a disputa entre os Estados Unidos e o Brasil envolvendo as licenças compulsórias e a exigência de fabricação de certos produtos farmacêuticos no território nacional. mas permaneceria com os registros das outras marcas. Na biotecnologia e na área científica. Roberto Carlos/Erasmo Carlos De alguns anos para cá. semelhantes ou afins.. o senhor Eduardo Russo fez a seguinte proposta: cederia os pedidos de registro de marcas para a Pechincha Comércio Varejista Ltda. Você teria algum comentário a essa proposta? leitura CoMPleMentar: A importância da “due diligence” de propriedade intelectual nas fusões e aquisições (Debaixo dos caracóis dos seus cabelos) dirceu P. conseqüentemente o contrato de licença perde seu objeto. FGV DIREITO RIO 105 . n) Contrato de licença de Marcas O registro da marca como o pedido. sob pena de cancelamento dos registros ou arquivamento dos pedidos não cedidos. ao invés apenas do reconhecimento acadêmico. dimensionando-as para a concessão de patentes. mestre em direito pela the George Washington university (eua). questões legislativas e judiciais envolvendo aspectos de propriedade intelectual vem se destacando cada vez mais. leva.CONTRATOs Em EsPÉCIE produto ou serviço idêntico. de santa rosa advogado no rio de janeiro (rj).

como nos de telecomunicações. não é mais possível enxergar o Direito da Propriedade Intelectual como uma área subsidiária. onde se nota cada vez mais que proteger. E falando em economia globalizada. direcionada para estudantes e profissionais de administração. e despertam o interesse de empresários que pretendem estender suas atividades ao Brasil por meio de joint ventures. Apenas para melhor ilustrar a afirmação acima. Neste cenário globalizado. o que possibilitou as bases do seu crescimento. Hoje em dia. o crescimento de setores da chamada “nova economia” e o desenvolvimento da internet e do e-commerce valorizou os ativos intangíveis das empresas. a Microsoft ofereceu o referido sistema às concorrentes da IBM. acreditando poder lucrar mais com a exclusividade. distante do Direito Empresarial moderno. Aceitou repassar os mesmos. aquisições ou financiamentos são geralmente precedidas de uma criteriosa avaliação da instituição prospectada. administradores e diretores das maiores empresas dos EUA para identificar quais foram os “25 maiores erros corporativos do mundo” (1). Sem exclusividade. bem como de suas possíveis seqüências. preferiu não adquirir a licença exclusiva do sistema operacional MS-DOS. a IBM. Esta tendência do mundo empresarial também se reflete na economia brasileira. e o declínio da IBM no desenvolvimento de software para computadores pessoais. O gerenciamento de propriedade intelectual deixou de ser um assunto limitado à seara do especialista. seu estudo ganha importância na maior parte das operações de fusão ou aquisição. e as bancas de advocacia que prestam este serviço geralmente dão ênfase à análise dos aspectos societários. em se tratando de fusões e aquisições de empresas. desenvolvida pela IBM e licenciada para FGV DIREITO RIO 106 . que consideram como os principais. trabalhistas e fiscais. visando evitar que passivos ocultos comprometam o negócio. Pelo contrário. Operações de fusões. investimentos e operações de compra envolvendo empresas locais. a nosso ver errônea. alguns diretamente relacionados à propriedade intelectual tiveram destaque: – O fato da produtora de cinema 20th Century Fox não ter se interessado em reter os direitos de licenciamento e merchandising de produtos associados ao filme “Guerra nas Estrelas”. Tais procedimentos são conhecidos como “due diligence”. esporte e energia. Nunca o meio empresarial esteve tão antenado com a necessidade de se proteger devidamente as criações intelectuais e obter lucro destes ativos. a Apple Computers. ao produtor do filme. capitaneada por companhias estrangeiras que desejam se fixar em nosso promissor mercado. George Lucas. e ganhou destaque em setores como a administração de empresas e a gestão estratégica de negócios. – Em 1984. – Em 1981. pois enquanto os consumidores adquiriam a preços competitivos computadores baseados na arquitetura dos PCs. tanto que um descuido na análise de seus aspectos relevantes pode trazer conseqüências desastrosas. dentre os principais erros abordados nesta pesquisa. Acabou vitima de sua própria ganância. a publicação norte-americana MBA Jungle. gratuitamente. Surpreendentemente. tendo em vista uma “avalanche” de fusões e aquisições de empresas brasileira. decidiu não conceder licenças aos possíveis concorrentes que desejavam fabricar computadores compatíveis. preocupada com acusações de formação de monopólio no setor de computadores. O objetivo principal deste artigo é desmistificar a idéia. após criar o computador pessoal Macintosh (2). Diversos setores estão sendo totalmente reformulados. as empresas nacionais se transformaram também em mercadorias. i – a importância da Propriedade intelectual no mundo dos negócios Os profissionais de propriedade intelectual estão vivendo um momento sui generis.CONTRATOs Em EsPÉCIE Situação semelhante ocorre em outros setores da economia. e alertou muitas delas para o desenvolvimento de políticas de gerenciamento de propriedade intelectual. relegando outras áreas a um segundo plano. recentemente promoveu uma interessante pesquisa entre diversos professores de cursos de MBA. desenvolver ou adquirir inovações tecnológicas podem fazer a diferença num mercado globalizado e altamente competitivo. oferecida por um jovem Bill Gates e desenvolvida por uma pequena empresa chamada Microsoft. de que a propriedade intelectual é matéria acessória.

cujos preços eram bem mais caros. que a propriedade intelectual assume papel de destaque nos modernos métodos de gestão empresarial. durante anos. a impressora laser e alguns conceitos básicos sobre redes de computadores (4). a dominância dos PCs consolidou-se. e investimentos. mas que se tornaram muitíssimo lucrativas no futuro. Trata-se do reconhecimento de que a proteção da propriedade intelectual precisa.a due diligence no meio empresarial Apesar de muitos profissionais associarem o termo “due diligence” a procedimentos de auditoria legal e financeira que envolvem fusões. ser tratada como um ativo estratégico. foram conhecer as tecnologias desenvolvidas pelos pesquisadores da Xerox. mas também o mouse. E como a arquitetura do sistema operacional gráfico dos Macintosh era realmente inovadora. o desenvolvimento de políticas de gestão de patentes é tema de muitos estudos e livros de negócios (5) que concluem. da Apple. e levou o nome de “Windows”. especialmente quando analisamos ramos de negócio cuja atividade principal está baseada na exploração do conhecimento tecnológico e em ativos intangíveis tais como patentes e marcas. Em pouco mais de uma década. foi mesmo na prática empresarial que a “due diligence” ganhou forma e se tornou um procedimento comum no mundo inteiro. nada mais atual que discutir a propriedade intelectual sob um ponto de vista tanto negocial como jurídico. se tornando então aceito no ordenamento jurídico-comercial norte americano. e Bill Gates. na Califórnia. Alguns remontam sua origem nos Estados Unidos. e a instituição de regras sobre a responsabilidade de compradores e vendedores na prestação de informações. Por isso mesmo. não se importaram quando os jovens Steve Jobs. cada vez mais. Uma conseqüência da autonomia da vontade das partes que. à época. Sendo assim.CONTRATOs Em EsPÉCIE uma miríade de empresas. pouco se comenta sobre o surgimento desta atividade e os motivos que a tornaram essencial na prática empresarial moderna. FGV DIREITO RIO 107 . a única opção para comprar um Macintosh era por meio da Apple. é utilizada nas mais diversas circunstâncias. enquanto só restou para a Apple um nicho do mercado de computadores pessoais (3). operações financeiras complexas. que as apresentaram sem qualquer cuidado com confidencialidade ou patenteamento. A importância que hoje é dada pelos renomados professores de administração de empresas aos fatos acima não é fruto do acaso. uma vantagem competitiva para qualquer empresa. concentrando seus esforços nas fotocopiadoras que. processos de privatização de empresas estatais. uma “cópia” do mesmo acabou sendo desenvolvida também para os PCs por uma outra empresa. o conceito foi melhor depurado após decisões de Cortes norte-americanas. mais precisamente após a promulgação do Securities Exchange Act de 1933. geravam mais lucro para a empresa. criaram este mecanismo que garante ao adquirente ou investidor a possibilidade de realizar uma investigação prévia sobre a empresa a ser adquirida ou que receberá investimentos (e que doravante será denominada “empresa-alvo”). reorganizações societárias. Por não terem uma estratégia de pesquisa e desenvolvimento de produtos atrelada à propriedade intelectual. Invenções deixadas de lado por não serem lucrativas. nas mãos destas outras empresas para quem eles gentilmente as apresentaram. ii. Porém. da Microsoft. fixando livremente certas práticas. dentre outros (doravante denominadas de “transação” ou “transações”). tanto em operações envolvendo fusões e aquisições de negócios como no planejamento de reestruturações societárias. Portanto. – A Xerox Corporation. Independente de suas origens. pesquisadores deste centro desenvolveram não apenas a interface gráfica para sistemas operacionais (precursora tanto do sistema Windows como do Macintosh). Outros autores como LAJOUX e ELSON (7) remontam a origem das “due diligences” a tempos mais antigos: Teria sido desenvolvida a partir de um conceito do Direito Romano: “diligentia quam suis rebus” (diligencia de um cidadão em gerenciar suas coisas) que foi trazido para a Common Law e já era adotado em decisões judiciais antigas. Nos anos 70. em um quase uníssono. Afinal. manteve um centro de pesquisas em Palo Alto. em procedimentos de aquisição de empresas (6). executivos da Xerox preferiram ignorar tais criações. aquisições.

tais dados geralmente são de conhecimento das partes.CONTRATOs Em EsPÉCIE II-a) O que é. o excelente trabalho de MORI nos traz uma boa definição de “due diligence”. dentre outros. o regular cumprimento de obrigações legais ou contratualmente assumidas.Declaração de intenção do comprador. “due diligence”. estabelecimentos. uma parte importante de seu conteúdo (13). bem como aborda aspectos como confidencialidade (11). envolver prazos exíguos e um custo altíssimo para a parte que solicita o serviço (doravante denominada de “encomendante”). tanto para o potencial vendedor como para o comprador. Geralmente uma “Engagement Letter” vem acompanhada da prestação de diversos “Representations and Warranties” por parte do vendedor. uma “due diligence” ? Expressão de origem anglo-saxônica.sob um escopo predefinindo . especialistas como o português CORREA DE SAMPAIO a reconhecem como uma medida de caráter preventivo: “A due diligence é um procedimento de análise levado a cabo normalmente pela compradora com a colaboração da vendedora e tem por finalidade verificar e avaliar a situação das empresas e/ou dos negócios a transaccionar. listando as informações que deverão ser disponibilizadas pela empresa-alvo. dependendo do tamanho da transação e das contingências encontradas. visando à verificação . usa-se a expressão due diligence para definir o que. Assim. FGV DIREITO RIO 108 . uma “due diligence” é a prova incontestável de que a velha máxima popular “mais vale prevenir que remediar” é verdadeira. 2. Via de regra. numa óptica jurídica. geralmente dependem dos interesses da empresa encomendante do serviço. e pode ser útil em diversos níveis e momentos de uma negociação ou transação. Algumas das práticas elencadas abaixo são características nos mais diversos procedimentos de “due diligence”: 1. consiste no procedimento sistemático de revisão e análise de informações e documentos. avaliação dos riscos inerentes. se traduzida literalmente. Due diligence significa. antes de tudo. afinal. é fruto da prudência e do bom senso das partes. direitos de preferência no negócio (12). o que fazer para verificar que o objecto da operação pode ser transacionado legitima e livremente e apresenta as características e tem o valor que o vendedor lhe atribui. pode ser demorada. não existe como enumerar com precisão o que deve constar neste documento. tanto quanto possível. resumidamente. II-b) Os Procedimentos de “due diligence” A realização de uma “due diligence” é uma opção das partes. é melhor entendê-la como uma metodologia que. É onde são determinadas as regras da “due diligence”. Documento que geralmente é preparado pelos advogados contratados para realizar a “due diligence”. Um “check list” pode até mesmo incluir perguntas diretas. verificação do funcionamento da empresa e do cumprimento das regras legais. Porém. visto que seu escopo depende inteiramente da transação comercial que a motiva. interpretada no contexto jurídico brasileiro: “Atualmente. e geralmente é entregue aos diretores da empresa-alvo pouco depois da assinatura da “Engagement Letter”. seu ponto de partida é o período de entendimentos iniciais entre as partes e. O processo de “due diligence” não existe como figura jurídica autônoma na legislação pátria. a quem cabe acordar os termos e condições nas quais a “due diligence” será desenvolvida. consoante cada caso concreto. Quanto às conseqüências que decorrerão de seus resultados. por meio de um documento que indica normas e temas estratégicos importantes. prever riscos e definir a sua partilha pelas partes. garantias a prestar. Esta fase inicial envolve a celebração de um acordo preliminar de compra (conhecido como “Engagement Letter”) ou uma Carta de Intenções preliminar. é difícil trazer uma definição precisa que possa abarcar a amplitude de uma “due diligence” jurídica.Envio de “Check List”. definir garantias e evitar eventuais situações de incumprimento” (10). fundos de comércio ou de parte significativa dos ativos que os compõem” (9) Embora a “due diligence” tenha surgido para resguardar as partes em litígios pós-compra ou fusão. bem como para garantir. Mesmo assim. significaria “devida cautela ou diligência” (8). O bom senso das partes é o que prevalece.da situação de sociedades. determinação de responsabilidades ou outras. e não uma obrigação legal. Sendo um acordo que formata uma negociação que se dará entre as partes. Em poucas palavras. seja para determinação do real valor das empresas e seus activos. Porém.

geralmente. o bom relatório de “due diligence” deve destacar não só os aspectos relevantes da prática do escritório contratado. a identificação e análise de contingências por uma empresa independente. as atenções do meio empresarial estão se voltando para a propriedade intelectual como ferramenta estratégica para garantir a melhor utilização destes bens intelectuais. da análise dos documentos entregues pela empresa-alvo. avaliando todos os riscos legais inerentes ao seu negócio.Consolidação das informações Após a análise dos dados coletados pelas equipes de advogados. ele utilizará a “due diligence” até mesmo para ganhar tempo e decidir sobre o negócio. (17) A abrangência dos seus resultados também é um assunto polêmico. impreterivelmente. a preocupação dos empresários e investidores com a propriedade intelectual passa. no momento certo. não se importando com a eventual pressa da empresa-alvo. pode avaliar. O “timing” de uma “due diligence” também é muito importante. uma opção que garante maiores cuidados quanto ao sigilo e segurança dos documentos (15).Entrega do relatório final de “due diligence”.CONTRATOs Em EsPÉCIE 3. e poder FGV DIREITO RIO 109 . e num momento anterior à conclusão de qualquer transação. a importância de uma companhia está cada vez mais baseada no valor que seus ativos intangíveis podem atingir. Porém. a empresa-alvo fará o máximo para que o procedimento seja encerrado com a máxima brevidade. a preocupação em não infringir os direitos de terceiros. Assim. iii – a due diligence de propriedade intelectual Num mercado dominado pela informação e tecnologia. Assim. uma avaliação de seu passivo processual (inclusive reclamações trabalhistas e processos administrativos). 4. E as vantagens deste “retrato” superam em muito qualquer prestação de garantias por parte da empresa-alvo. que envolve a revisão das informações passadas pela empresa-alvo. marcas e outros ativos incorpóreos. nos moldes solicitados pela contratante do serviço e seguindo os padrões adotados pelos advogados responsáveis. se as condições e o preço sugeridos pela empresa-alvo são realmente justos. caberá a ambas as partes continuar as negociações até a assinatura de um acordo final. até mesmo os bens de propriedade intelectual. mas os da empresa-alvo e de sua indústria. a análise da situação fiscal e tributária da empresa. é conhecido como “data room”. identificar problemas a serem resolvidos após a concretização do negócio. favorecem a empresa interessada. Geralmente. 5. um extenso relatório é preparado. o encomendante da “due diligence” quer se precaver o máximo possível. bem como examinar as operações financeiras realizadas. de modo que não implique em um atraso no fechamento do negócio (uma fase também conhecida como “closing”). A nosso ver. Este relatório poderá ser utilizado pelo encomendante diretamente na mesa de negociações. Afinal. Pode ser efetuado por meio da consulta em bases de dados públicas (como o site do INPI (14)). permitindo renegociar o preço final. inicia-se a fase mais árdua da “due diligence”. A partir dai. todas as pendências legais em uma reorganização societária devem ser observadas com a mesma atenção e detalhe.Fornecimento e/ou obtenção das informações. O objetivo de grande parte das “due diligences” jurídicas pode ser resumido de maneira simples: É como se a missão do advogado fosse “tirar um retrato” da empresa-alvo. existe o dever e o interesse em proteger o maior número de invenções. que no jargão negocial. Desenvolver. ou ser criteriosamente analisado pelo mesmo ao avaliar a viabilidade da transação. gerenciar e utilizar estrategicamente estes ativos se tornou matéria fundamental para as empresas verdadeiramente antenadas com o futuro e. Os documentos podem ser disponibilizados em local determinado. dentre outros. ou mesmo exigir maiores garantias por parte do vendedor. por apenas duas abordagens: Por um lado. incluindo a análise de todos os ativos importantes da empresa. De outro. Em alguns casos. Do outro lado. e tentará iniciar os trabalhos antes mesmo de assinar uma eventual carta de intenções (16). Após o recebimento do “check list”. visto que o advogado avalia aspectos de um negócio do qual jamais participou diretamente. bem como a pesquisa e coleta de dados complementares. Alguns especialistas entendem que relatórios de “due diligence” devem destacar. mais que nunca.

no Brasil e no exterior. A empresa-alvo utiliza tecnologias. avaliando sua situação atual. tanto para o bom andamento do negócio como para o comprador? 3.CONTRATOs Em EsPÉCIE identificar quem está infringindo os seus. no Brasil e no exterior. não é mais incomum que o principal interesse da empresa compradora possa ser adquirir marcas que lhe garantam uma fatia do “market share”. se possível. bem como o uso de todos os métodos lícitos e acordados pelas partes para a obtenção de dados. os aspectos de propriedade intelectual são abordados de modo raso. É possível identificar se a empresa-alvo tem uma política de proteção dos seus ativos intangíveis? A empresa-alvo protege devidamente seus ativos intelectuais? 4. aquisição ou outro tipo de negociação. – Obtenção de informações sobre registros declaratórios de direito autoral e de programas de computador. na fase de Declaração de Intenções do comprador. prestadas por profissionais sem formação técnica e. tão somente identificando os bens intelectuais existentes e. FGV DIREITO RIO 110 . é claro que uma “due diligence” pode enfatizar alguns aspectos específicos: Porém. III-b) Identificando ativos de propriedade intelectual Numa “due diligence” de propriedade intelectual. Os métodos para a obtenção destas informações também envolvem a compilação e análise de documentos complexos. inclusive quanto à penhora das mesmas. Afinal. III-a) Fundamentos das “due diligences” de propriedade intelectual Como já vimos anteriormente. uma “due diligence” envolve a identificação e análise dos ativos de propriedade intelectual da empresa-alvo de uma fusão. e que o resto do patrimônio da empresa seria apenas uma “contingência a ser absorvida”. destacamos: – Solicitação direta à empresa-alvo de cópias de documentos de patentes. E no âmbito da propriedade intelectual. ao noticiar a compra de um tradicional periódico carioca. até sem o necessário cuidado ético. antes mesmo de iniciar qualquer negociação com os donos do periódico. Alguns meses atrás. ou invenções patenteadas que lhe possibilitariam fabricar um produto ou melhor desenvolver determinada tecnologia. O uso de procedimentos mais detalhados para analisar aspectos de propriedade intelectual nas “due diligences” não é muito difundido no Brasil. Quais são as possíveis contingências envolvendo este portfolio que podem gerar riscos. e as auditorias preventivas oferecidas no mercado são. Qual o tamanho e a força do portfolio de propriedade intelectual da empresa-alvo? 2. pois não é interessante que as regras de uma “due diligence” criem entraves complexos que impeçam a realização do trabalho. a “due diligence” de propriedade intelectual não deve ser vista como algo inusitado em diversos procedimentos de fusão ou aquisição. a mídia especializada em finanças e negócios alardeou com grande surpresa que a maior preocupação do grupo comprador era adquirir apenas a marca do jornal. Dentre estes possíveis recursos. bem como cópias de pedidos de registro de marca. em alguns casos. é crucial ter em mente os pontos acima. – Solicitação de cópias de certificados de registro de marca. na maior parte das “due diligence” jurídicas preparadas por bancas de advocacia empresarial. Assim. o processo de identificação de ativos e análise de sua situação legal (que se inicia a partir da preparação e do envio do “check list” ou da abertura do “data room”) não é diferente do que ocorre em quaisquer outras “due diligences” legais. e na celebração de acordos preliminares. Os compradores até efetuaram uma cuidadosa análise da situação das principais marcas da empresa-alvo junto ao INPI. (18). marcas e/ou programas de computador licenciados de terceiros? Em que situação legal encontra-se tais licenças? São elas fundamentais para o desenvolvimento do negócio? Dependendo do cliente e de seus objetivos. tal procedimento tem como base quatro questões-chaves: 1. Poucas bancas nacionais estão realmente capacitadas para fazer análises mais criteriosas sobre o assunto. Portanto. além de muito raras.

já não é imprescindível um entendimento genérico da transação que motivou a “due diligence”. Para efeito de metodologia. muitas vezes descobrimos empresas que nunca organizaram ou gerenciaram de modo sistemático seus ativos de propriedade intelectual. com bastante conhecimento específico da área. reconhecemos que é nesta fase onde aparecem alguns dos entraves mais complexos de uma “due diligence”. o relatório final é a fase em que as informações compiladas são analisadas. após a fase investigativa inicia-se a elaboração do relatório final. pois a empresa-alvo pode acabar omitindo. e como “cada caso é um caso”. Assim. também pode significar uma redução do tempo a ser dispensado na coleta de dados e informações. levando em conta a importância que o encomendante do relatório dará para cada aspecto de propriedade intelectual da transação (21). A identificação de ativos também pode ser realizada mediante entrevistas a diretores. Uma consulta formal aos agentes de propriedade industrial da empresa-alvo. em algumas situações a empresa-alvo sequer obteve registros de marca ou patente. Em nossa prática.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Obtenção de cópias de contratos envolvendo licenças de uso de software e quaisquer outros bens intelectuais. FGV DIREITO RIO 111 . Este recurso complementar pode ser muito eficiente para identificar práticas e procedimentos utilizados pela empresa-alvo para a proteção de seu patrimônio intelectual. O mesmo procedimento preventivo deve ser adotado na coleta de quaisquer informações subjetivas. Procuraremos nos fixar a seguir nos tópicos que. – Consultas nas bases de dados (nacionais e internacionais) de propriedade intelectual. em alguns casos até propondo soluções emergenciais. não menos importante é tecer as necessárias considerações sobre todas as contingências identificadas na análise do relatório. os pontos abaixo foram divididos e abordados de maneira resumida e modo exemplificativo. e os dados disponibilizados no “data room” ou fornecidos pela empresa-alvo sobre cada ativo intelectual devem ser revisados e confirmados. (20) Quase sempre cabe aos advogados mais experientes. Ademais. Ademais. é importante que a fase de reconhecimento dos ativos seja conduzida. III-c) Elaborando o relatório final Considerada por muitos como a fase mais interessante de uma “due diligence”. dados vitais sobre a existência de problemas envolvendo seu patrimônio intelectual. técnicos e especialistas da própria empresa-alvo. sempre que possível. se autorizada. a nosso ver. Nesta fase. – Compilação e obtenção de informações subjetivas sobre políticas de proteção dos ativos intelectuais da empresa-alvo. Nas “due diligences” em que existe a possibilidade de se requerer documentos diretamente à empresa-alvo. na obtenção e compilação de dados. em vista do interesse do encomendante e das contingências encontradas. e envolve as questões eminentemente jurídicas do trabalho. O diferencial é saber analisar os dados disponíveis e identificar quais devem figurar no relatório final e com que ênfase. Isto porque. tais como a do INPI (19). e que nem sempre são facilmente identificáveis. As informações obtidas devem ser organizadas e separadas pelo seu nível de importância para o encomendante do relatório final. e utiliza indiscriminadamente seus ativos intelectuais sem o mínimo cuidado com a proteção dos mesmos. por má-fé ou puro desconhecimento. convém deixar a cargo do advogado a preparação das listagens dos dados a serem solicitados e analisados. são essenciais em qualquer “due diligence” de propriedade intelectual (22). iV – analisando tópicos específicos em uma due diligence de propriedade industrial Como vimos acima. do modo mais direto e com o apoio irrestrito da empresa-alvo. onde o resultado das pesquisas de ativos é devidamente analisado.

A patente é. numa definição breve. um título de propriedade outorgado pelo Estado. habilitado em propriedade intelectual. de origem diversa. IV-c) Bens sujeitos à proteção autoral Tema altamente complexo em qualquer “due diligence”. Outros tópicos podem incluir a titularidade dos direitos patentários e os termos de cessão de cada patente por seus respectivos inventores. então. Quanto ao nome comercial. IV-b) Patentes Quando a empresa-alvo tem entre suas atividades a pesquisa e o uso de tecnologia em seus principais produtos e serviços. sempre que necessário. comercialização ou importação. Um exame mais detalhado de um portfolio de patentes deve ser realizado por profissionais especializados. dispõe que é registrável como marca todo e qualquer sinal distintivo visualmente perceptível. A “due diligence” jurídica de patentes deve. se possível. O escopo de uma patente importante na área química. Outro tópico importante é verificar. o direito autoral é um exemplo típico de propriedade imaterial. direitos de uso sobre os mesmos. com sólida formação técnica na área de atuação da empresa-alvo. é o passo inicial.CONTRATOs Em EsPÉCIE IV-a) Marcas e nomes comerciais Nos termos do artigo 122 da Lei nº 9. Porém. semelhantes ou afins. e capaz de um parecer técnico sobre a possibilidade de utilizar dita patente contra um concorrente. é altamente recomendável. Este instituto visa proteger todo tipo de criações intelectuais do espírito humano. expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte. Astros como David Bowie e James Brown já utilizaram seu repertório com esta finalidade. uma análise de pesquisas na Junta Comercial dos estados onde a empresa-alvo está estabelecida. E este tipo de avaliação só pode ser realizado por meio do exame técnico do teor das reivindicações. a um inventor. tangível ou intangível. enfatizar a verificação da situação atual de cada uma das patentes depositadas e/ou concedidas à empresa-alvo. ou obteve. para que este possa excluir terceiros de certos atos relativos à matéria protegida. deve ser examinado por um especialista na área. por exemplo. que regula a propriedade industrial no Brasil. mas até mesmo definir quais marcas serão mantidas ou abandonadas. Porém. tais como fabricação. pedidos indeferidos e recursos também deve ser pesquisada e abordada. ou mesmo verificar sua forca perante tecnologias já existentes e/ou patenteadas. admitimos que estes temas são mais pertinentes numa auditoria de propriedade intelectual. Quando a empresa-alvo é titular de signos altamente reconhecidos no mercado. Em países que adotam o sistema de “copyright” (27). tem filiais ou realiza negócios. se as marcas registradas estão em uso regular no seu território de validade (o que evita riscos de caducidade (23)) e se as taxas de registro e prorrogação estão sendo pagas tempestivamente.279/1996. A existência de oposições. por força de lei e em caráter temporário. com base no relatório descritivo. é habitual a utilização de obras autorais como objeto de negociação ou garantia colateral para pagamento de dívidas e captação de fundos. Tópicos adicionais que podem fazer parte de um relatório detalhado incluem ainda uma avaliação dos procedimentos adotados pela empresa-alvo para evitar o uso indevido de suas marcas por terceiros. para que o encomendante possa não apenas se precaver. por meio de terceiros. sem sua prévia autorização (25). bem como analisar se o pagamento das anuidades e outras taxas para a manutenção de cada patente está ocorrendo dentro dos prazos legais (26). Para tanto. Análises semelhantes também podem ser efetuadas com relação a modelos de utilidade e desenhos industriais. que permita distinguir produtos ou serviços de outros idênticos. um exame detalhado da situação atual de cada registro e/ou pedido de registro em nome da empresa-alvo. conhecido ou que venha a ser inventado. é importante estudarmos o momento no qual uma análise técnica deve complementar o trabalho do advogado. um dos aspectos mais importantes da “due diligence” é realizar uma análise integral do seu portfolio de marcas. no Brasil e no exterior. uma parcela significativa do relatório final deve cuidar do portfolio de patentes. dados sobre o real valor de mercado dos signos principais da empresa (uma avaliação que é geralmente efetuada por especialistas no assunto (24)). e as disputas envolvendo Michael Jackson e a Sony FGV DIREITO RIO 112 .

como nas empresas de desenvolvimento de software. é quase impossível que a empresa-alvo consiga. listar todos os textos e obras de natureza intelectual que esteja autorizada a utilizar em vista das circunstâncias específicas de seu negócio. por exemplo). tratar-se-á de um elemento incorpóreo sigiloso suscetível de aplicação prática que confere uma vantagem competitiva a seu detentor enquanto de conhecimento restrito. um valioso investimento para qualquer empresa (28). listas e informações de clientes. O relatório pode também enfatizar se vale ou não a pena buscar uma proteção mais segura para esta tecnologia (por meio do seu patenteamento. devemos respeitar. bem como do material disponibilizado pela empresa-alvo. O ideal é verificar. É importante lembrar ainda que. ou para terceiros. Daí a importância da abordagem especializada de questões autorais em “due diligence” de propriedade intelectual. IV-d) Segredos de negócio e “know-how” Outra preocupação que afeta muitos procedimentos de “due diligence”. em vista de quaisquer riscos de vazamento da informação. a verificação minuciosa deste assunto é imprescindível. inicia-se o relatório analisando se as obras mais importantes estão devidamente resguardadas. para uma “due diligence”. Tendo em vista a natureza incorpórea do direito autoral e que praticamente qualquer trabalho intelectual pode ser objeto de sua proteção. é importante também examinar a existência de contingências envolvendo ativos intelectuais licenciados de terceiros. não existe uma definição na lei brasileira do que seja um “segredo de negócio”. A rigor. experiências. A interrupção de um importante contrato de licenciamento de patente ou tecnologia em vista de uma reorganização FGV DIREITO RIO 113 . Mas autores como SILVEIRA o especificam com precisão: “O segredo de negócio consiste em conhecimentos técnicos. são tão críticas para o negócio da empresa-alvo que é necessário mantê-las em rigoroso sigilo. III-e) Analisando contratos de licença e outros acordos Juntamente com a análise do patrimônio intelectual pertencente à empresa-alvo. Existe sempre um risco de contaminação tecnológica que nem todos preferem correr e que. Em todos os casos. passíveis ou não de proteção por meio de direitos de propriedade intelectual. métodos. sobre os direitos de edição do repertório do grupo The Beatles (que dispensa qualquer apresentação). formação de preços e outras espécies de dados confidenciais relativos ao desempenho de atividades empresariais. e como é protegido pela empresa-alvo. custos. o fato do profissional de “due diligence” não ter acesso ao segredo de negocio não deve ser um óbice para que ele analise se o mesmo existe. quais obras autorais são importantes para a natureza do negócio da empresa-alvo. marketing. em vista da caracterização dos programas de computador como obras autorais perante a legislação brasileira (29). nossa experiência mostra que informações tratadas pela empresa-alvo como segredos de negócio dificilmente são fornecidas aos advogados da encomendante. como advogados. mesmo que os mais rígidos acordos de confidencialidade sejam celebrados entre as partes. bem como auxiliar no registro das obras intelectuais mais relevantes junto aos órgãos competentes (30). é a proteção de certos tipos de informações e práticas comerciais que. fórmulas. especialmente nas empresas que lidam com desenvolvimento de tecnologia. em vista de seu escopo de atividades. ou que seus funcionários-chave a abandonem. processos de fabricação. o relatório deve indicar se a empresa-alvo tem como prática identificar devidamente os autores de obras intelectuais (e se guarda em seus arquivos estas informações). motivo pelo qual devem ser adotadas medidas protetivas contra a sua revelação” (32) Em uma “due diligence” de propriedade intelectual. E partindo destas informações. e este risco deve ser bem avaliado (31). celebrar termos de cessão de direitos patrimoniais com os autores. São poucas as companhias que solicitam a todos os seus funcionários criadores de obras intelectuais que assinem termos específicos de cessão. Se não é possível identificá-los. Porém. técnicas de comercialização.CONTRATOs Em EsPÉCIE Music. se possível. Em alguns casos. envolvem milhões de dólares. o relatório final deve abordar se os segredos comerciais estão devidamente protegidos e se não existe risco de que sejam divulgados ou perdidos caso a empresa-alvo sofra mudanças. mesmo que o registro da obra intelectual não seja pré-requisito para garantir sua proteção.

No curso da revisão de todos estes acordos. É claro que a profundidade da análise dos contratos que envolvem bens intelectuais depende do interesse da encomendante e. Em alguns casos. com especial atenção a quaisquer limitações de responsabilidade ou garantias excessivas estabelecidas contratualmente. quando envolvem o licenciamento de ativos intelectuais do exterior e prevêem o pagamento de royalties. da boa vontade da empresa-alvo em ceder tais documentos. (35) mas. indicar se os procedimentos necessários para fazê-lo ainda podem ser devidamente efetuados pela empresa-alvo (34). nos quais a empresa-alvo seja a licenciada. – Contratos que objetivam a aquisição de conhecimentos e de técnicas não amparadas por direitos de propriedade industrial. muitas vezes. – Contratos que envolvam transferência de tecnologia. depositados ou concedidos no Brasil. quer como licenciado ou licenciante. com atenção aos casos nos quais a empresa-alvo esteja obtendo licenças cujo objeto é essencial para a continuidade de seu negócio. o licenciante garantiu contratualmente desde a atualização da tecnologia licenciada até que o fornecimento da mesma não será encerrado caso a empresa-alvo sofra alguma reorganização societária. que nenhuma das partes está em flagrante violação dos termos e condições de cada um dos mesmos. Lembrando que nem todos os contratos que envolvem a exploração de ativos intelectuais precisam de averbação. é necessária atenção redobrada ao interpretar cláusulas duvidosas e ambíguas de contratos cujo objeto é vital para o negócio da empresa-alvo (33). se tal averbação não ocorreu. patentes. Em outros. Considerando que os contratos a serem destacados no relatório final serão aqueles mais pertinentes ao negócio da empresa-alvo. Contratos de maior importância contêm. Tendo em vista que a negociação de cada contrato analisado certamente teve suas particularidades. com especial atenção aos casos nos quais esteja licenciando tecnologias que também utiliza em seus produtos ou serviços para empresas que atuam no mesmo mercado. Também entendemos ser necessário identificar quais destes contratos necessitam de averbação junto ao INPI e. ou cujas obrigações não estejam sendo cumpridas pela empresa-alvo. – Acordos que envolvam transferência de tecnologia. Assim. em alguns casos. demandas que precisam ser atendidas mesmo em caso de transferência de controle acionário. mas sim verificar e destacar as disposições contratuais que possam afetar a transação. cláusulas de exclusividade e direitos de preferência até mesmo opções de renegociação ou rescisão do contrato. se possível. pode deixá-la em situação desfavorável e. desde compromissos mínimos de produção. é preciso investigar se. nos quais a empresa-alvo seja a licenciadora. em circunstâncias totalmente diferentes das que norteiam a análise encomendada. é necessário identificar qualquer contrato que gere perdas significativas. um tópico específico de qualquer “due diligence” de propriedade intelectual deve abordar este tema. por exemplo. é sempre importante lembrar que o objetivo de uma “due diligence” não deve ser avaliar a qualidade técnica das cláusulas de cada acordo ou criticar o trabalho de algum colega. por exemplo.131/1962. o trabalho do profissional de “due diligence” acaba ensejando a leitura de inúmeros contratos preparados por outros advogados.CONTRATOs Em EsPÉCIE societária da empresa-alvo. – Identificar riscos negociais. por intermédio do Banco Central. nomes comerciais e/ou obras intelectuais de natureza autoral em que a empresa-alvo tenha participado. e alguns dos contratos que geralmente são examinados incluem: – Todos os acordos de licenciamento de marcas. e nos termos da Lei nº 4. muito freqüentemente. é imperativo examinar se a remessa das respectivas divisas está sendo realizada de modo legítimo. FGV DIREITO RIO 114 . – Verificar se as obrigações de ambas as partes podem ser transferidas para outra empresa ou serem sublicenciadas. e se é necessária aprovação da outra parte para que isto ocorra. nos contratos com fornecedores de tecnologia. tais como: – Confirmar se todos os acordos examinados permanecem em vigor e. ser crucial para que uma transação não se concretize.

mostrando as ações judiciais nas quais a empresa-alvo está envolvida. 3. patentes e quaisquer outros ativos de propriedade intelectual da empresa-alvo. nos grandes escritórios de advocacia empresarial. Ao mesmo tempo a Japan Victor Company – JVC licenciava gratuitamente a tecnologia para o sistema VHS e. mas também um caminho quase inexplorado no estudo do planejamento e gerenciamento de propriedade intelectual. citado acima. As fontes principais para a coleta destes dados são as certidões forenses e de protestos emitidas em nome do negócio (e de suas filiais). Convêm lembrar que a ocorrência reiterada de processos semelhantes envolvendo a empresa-alvo. FGV DIREITO RIO 115 . é necessária uma conscientização. por isso mesmo. fusão ou incorporação. é o método mais eficiente não somente para identificar contingências. Mostramos que a metodologia das “due diligences” jurídicas é uma ferramenta que. a área atue em harmonia com outros setores. Os dados coletados por meio deste exame podem ser úteis até para fixar o valor patrimonial de marcas e patentes de uma empresa. passível de uma revisão ainda mais detalhada. notas 1. 4. May 2001. 2. a Sony Corporation se recusou a licenciar para terceiros as patentes para a fabricação de aparelhos de videocassete com o sistema Betamax. se bem adaptada. o foro competente. conseguiu que sua criação se tornasse o padrão do mercado de aparelhos de videocassete. ou PARC. Vi. mas também buscar soluções que evitem ou minimizem quaisquer riscos para o ativo intelectual da empresa. The 25 Dumbest Business Decisions of All Time. com o objetivo de demonstrar à empresa interessada quais as contingências legais existentes e avaliar os riscos da transação. com esta tática. Em situação semelhante que não foi listada no artigo ora citado. nosso estudo encontrou não apenas os subsídios que confirmam uma nova realidade da propriedade intelectual nas fusões e aquisições. mas também é necessário que. Cujo sistema operacional gráfico era altamente inovador e eficiente se comparado à concorrência da época. identificando o tipo de ação. Uma “due diligence” bem feita proporciona ao encomendante um valioso panorama de todos os aspectos legais da empresa-alvo. bem como informações prestadas por seus próprios advogados a respeito de litígios nos quais a empresa participa e emitidas por todos os distribuidores que a jurisdicionam. isto não é diferente. como autora ou ré. Numa “due diligence” jurídica mais ampla.CONTRATOs Em EsPÉCIE IV-f ) Analisando pendências judiciais de propriedade industrial Um outro assunto que pode ser abordado é a situação das pendências judiciais envolvendo marcas. dita verificação seria provavelmente feita pelos advogados que analisam os aspectos do contencioso da empresa-alvo. sua situação atual e se existe risco de pagamento de indenização pela empresa-alvo. Porém. A prática internacional tem demonstrado que adotar uma metodologia para a pesquisa e análise dos ativos intelectuais de uma empresa. ou mesmo avaliar como está sendo feito o gerenciamento de sua propriedade intelectual. provavelmente pode indicar algum procedimento de risco adotado pela mesma e.Conclusão No mercado de fusões e aquisições. mas merece nossa ressalva. Não seria tolice afirmar que os pesquisadores do Palo Alto Research Center. Debaixo dos caracóis dos cabelos das “due diligences”. o MS-DOS. antes de se fechar qualquer negócio. Eles avaliariam de forma genérica cada litígio. é sempre recomendável uma profunda investigação em todos os aspectos jurídicos de uma companhia objeto de qualquer modalidade de aquisição. pode valorizar em muito o trabalho dos profissionais de propriedade intelectual no meio empresarial. MBA Jungle. para alcançar este objetivo. não apenas desenvolveram o embrião do computador de hoje como auxiliaram em estudos que levariam a nossa concepção atual de internet e a interligação de computadores por rede. E na propriedade intelectual.

que solicitaram até mesmo que alguns advogados FGV DIREITO RIO 116 . penhora de bens ou outras obrigações. MORI. Deste modo. Alexandra & ELSON. Juntamente com as cláusulas contratuais que disciplinam as indenizações a serem efetuadas por uma parte à outra (por passivos ocultos. 9.br – A sigla INPI significa Instituto Nacional da Propriedade Industrial. voltados para administradores. sempre que o due diligence for provocado por uma transação entre partes não-relacionadas (aquisição ou joint aventure por exemplo). por exemplo). Profiting from Intellectual Capital. LAJOUX. 15.como se costumou traduzir estas expressões. cautela). 1a. que incluem garantias como a de que as partes comprometem-se a não aceitar nenhuma outra oferta. para prepararem suas respectivas propostas de preço.CONTRATOs Em EsPÉCIE 5. em se tratando de propriedade intelectual merecem destaque. fusão ou financiamento de uma empresa através de uma Due Diligence. não é recomendável ir adiante sem que esta questão esteja devidamente acordada entre as partes. Para assegurar o acesso de todos os interessados a um mesmo volume de informações. Mc. uma das finalidades das informações obtidas no due diligence na área jurídica é revisar as representations and warranlies. uma sala contendo todos os dados que se quer mostrar aos possíveis adquirentes. Assim. no que diz respeito à situação legal do negócio. 11. Patrick.Outubro 2001. José Maria.pacsa. Afinal o que é o due diligence? Disclosure Das Transações Financeiras . www. define bem o papel dos “representations and warranties” : “Na área jurídica. Nossa conclusão parte da tradução simples das palavras da língua inglesa due (devida.cit. por vezes. em português) e diligence (diligência. op.Graw Hill. Após a fase de discussões e negociações preliminares. 13. em especial se ambas são competidoras. Charles. empresários espertalhões deliberadamente não informavam os possíveis compradores sobre a existência de dívidas. Como reduzir os riscos de uma aquisição. em vista da perda de um documento importante. o comprador e os advogados que realizam o serviço deve ser cercado de todo cuidado ético e profissional. todo comprador sempre corria o risco de adquirir “gato por lebre”. after reasonable investigation.inpi. e motivo de situações inusitadas. John Wiley & Sons. ed. ou seja. seja ela de compra ou de venda. destacamos: SULLIVAN. MORI. disponível em http://www. A execução de um acordo de confidencialidade específico é também um dos primeiros passos que pode ser tomado no início de qualquer procedimento de “due diligence”.. 7. disponibilizado em www. estas geralmente prestam o que se costuma chamar de representations and warranlies ou declarações e garantias . é um exemplo destes cuidados que. 1998.pt/main_4.” 14. Ed. e no que mais for pertinente à transação que pretendem fechar.fenwick. A confidencialidade destes “data rooms” é. Consiste nas afirmações expressas em contrato pelas partes. Algumas destas regras surgiram para por ordem em uma situação que se tornou comum nos tempos da depressão norte-americana e da quebra da Bolsa de Nova Iorque: Como lembra SAVAGE. antes do início de qualquer “due diligence”. é preciso lembrar que o relacionamento entre a empresa-alvo. Certa vez. 10. bem como a definição das conseqüências que decorrerão dos resultados que vierem a ser apurados. e muitas vezes apresentavam documentação falsa ou incorreta. 8. CORRÊA DE SAMPAIO. a empresa-alvo pode abrir um “data room”. corrigindo-se assertivas incorretas. reasonable ground to believe and did believe” that the offering materials were accurate and were free of material omissions” em SAVAGE. Intellectual Property Due Diligence In Acquisitions of Technology Companies. Dentre os livros importantes sobre o assunto. 12.com (visitado em 18 de novembro de 2001). Assim. Por isso. Diane. 6. passou a constar na Section 11(b)(3) do Securities Act de 1933 “participants had. A celebração de extensos acordos de confidencialidade na fase das “Engagement Letter” ou “Representations and warranties”.htm (visitado em 01 de abril de 2002). 2000. Alberto. Deste princípio resulta que é às partes que cabe acordar os termos em que a due diligence será desenvolvida. as declarações e garantias podem ser vistas como um retrato do negócio a ser concretizado. dentro do processo de venda de uma empresa. The Art of M&A Due Diligence. o Autor e todos os advogados que estavam no data room passaram pelo constrangimento de serem colocados em cárcere privado e brutalmente revistados por seguranças de uma empresa. na sua própria situação.gov. 15.

Porém. O site do INPI é a principal fonte para consultas sobre a situação de marcas e patentes no Brasil. 21. or copyrights in the field and recommend what action needs to be taken -. A letter of intent may burden the parties’ negotiations with too may difficult issues too early in the process and may impair. 20. a não ser caso esta contingência tenha sido prevista nas Declarações de Intenção. For example. 2001. a court may find that provisions of a letter of intent that one of the parties considered to be non-binding are binding. 17. a deal’s momentum. applications. Soube-se depois que o documento havia sido roubado por um estagiário de um escritório de advocacia. any issues of validity which have arisen. Alguns aspectos importantes na elaboração de um relatório final são também abordados por DAHL : “The due diligence report summarizes the findings regarding the intellectual property rights. Maryann A. before proceeding with the time commitments and costs of negotiating a definitive agreement. Pedidos de registro recém depositados geralmente não estão incluídos nesta base de dados.in terms of re-negotiating the deal. many attorneys believe that a letter of intent is generally more advantageous to a buyer than a seller. Apesar de ser sempre recomendável efetuar uma “due diligence completa” dos aspectos de propriedade intelectual. marcas e afins. many buyers and sellers prefer a letter of intent as a method of “testing the waters” for the likelihood that a definitive agreement can be reached. it can be the crucial document determining whether the deal goes ahead -. ou nos dados obtidos em bases públicas de dados. merece destaque o comentário de WARVIAS: “The main advantages of a letter or intent are that (i) issues that could be “deal breakers” can be identified early in the negotiation process before substantial expenses are incurred in a due diligence review and the drafting of a definitive agreement. muitas vezes. Conversely.g. Waryjas. LETTERS OF INTENT IN THE ACQUISITION OR SALE OF THE PRIVATELY HELD COMPANY. não é uma base de dados totalmente atualizada e 100% confiável. September 2001. ownership. é FGV DIREITO RIO 117 .. lembre-se que as contingências descobertas pelo encomendante no decorrer do procedimento nem sempre poderão ser utilizadas como justificativa para a recusa ou cancelamento do negócio. or before allowing a detailed due diligence investigation to begin. the scope of protection. 2000. agreeing to a license with a third party or threatening litigation. negotiating and revising a letter of intent can be substantial in comparison to the size of the deal and the overall transaction costs. e suas vantagens sobre a Engagement Letter. For many acquiring companies. Corporate Law and Practice Course Handbook Series. attorneys may often disagree regarding the desirability of a letter of intent in a particular situation. trademarks. too: if significant issues are omitted through counsel’s negligence. and (ii) resolution of the principal terms of the transaction at an early stage can make the negotiation of the definitive agreement more focused and straightforward. Gesmer & Updegrove. Practising Law Institute. While letters of intent are relatively common. the firm could face a malpractice suit. In the case of a smaller deal. a claim of patent infringement that is brought six months after the closing)”. 16. lembramos que a própria parte interessada pode.CONTRATOs Em EsPÉCIE tirassem a roupa e se perfilassem contra a parede. Por razões éticas. dispensar a análise de determinadas áreas por achá-las irrelevantes. é importante lembrar que o trabalho do profissional do Direito numa “due diligence” deve estar focalizado na coleta das informações fornecidas pela empresa que está sendo analisada.and at what price. Nevertheless. Se a conclusão da “due diligence” não for uma condição para o fechamento do negócio. 19. the costs of preparing. 18. And it can be important for the adviser. certain problems may never be discovered during due diligence and can only be addressed through adequate representations and warranties (e. In some situations. The report will also (normally in a separate section) identify significant other patents. Sobre o uso da carta de intenções na fase iniciai de uma due diligence. or even halt. Tal decisão. o que nos leva a crer que as buscas eletrônicas no Brasil são limitadas e não devem ser utilizadas em substituição da inspeção física dos documentos de patentes.” DAHL. and any other questions regarding litigation or prior art. Lucash. The report allows the best-quality information to be factored-in and if necessary enables the acquirer to use a discount rate reflecting the risk. com base nos mais diversos critérios .às vezes puramente subjetivos. Christopher T “Intellectual Property Due Diligences”. LLP.

ou II . Propriedade Industrial. deve ser respeitada. 17. Tratado de Direito Privado. 40 da Lei nº 9279/1996. PARENTE & SORENSEN GARCIA. Cit. a partir do início do terceiro ano da data do depósito da patente. O prazo de validade de uma patente é de 20 anos da data do depósito. tal como constante do certificado de registro. que demanda o pagamento de retribuição anual. A batalha judicial entre a Sony Music e o pop star Michael Jackson envolve a retenção de 50% dos direitos de exploração das musicas dos Beatles.Caducará o registro. bem como reconhecer os direitos morais FGV DIREITO RIO 118 . recomendamos MARTINS. 27. 1998. Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (composições musicais.279/1996: “A patente confere ao seu titular o direito de impedir terceiro. 1946. Parágrafo 2º . Âmbito de proteção à marca registrada. o registro das obras intelectuais é regulamentado pelo artigo 17.610/1998: São incumbidos para procederem ao registro das obras intelectuais os seguintes órgãos ainda existentes: Fundação Biblioteca Nacional (obras literárias em geral). dentre outros. DI BLASI. OLIVEIRA. que prevê a existência e o reconhecimento dos direitos morais do autor. vender ou importar com estes propósitos: I . 25. decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão. 31. Marcas e expressões de propaganda. op. M. Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (obras de desenho. cabendo-lhe o ônus de provar o uso da marca ou justificar seu desuso por razões legítimas.Não ocorrerá caducidade se o titular justificar o desuso da marca por razões legítimas. Parágrafo 1º . conferido pelo Art. e cabe ao advogado apenas alertar no relatório que a “due diligence” só abordou alguns assuntos.O titular será intimado para se manifestar no prazo de 60 (sessenta) dias. a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse se. esboços e obras plásticas concernentes à engenharia e arquitetura) Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI (programas de computador). Tratado Da Propriedade Industrial. Arquitetura e Agronomia (projetos. Rio de Janeiro: Forense. o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou a Cia Cervejaria Brahma a pagar vultuosa indenização aos herdeiros do criador de seu logotipo. prazos legais que envolvem o registro de marca. de produzir. 42 da Lei nº 9. Tendo em vista que este artigo é voltado eminentemente para os profissionais que atuam na propriedade intelectual. colocar à venda. Renovar. 23.o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil. São Paulo: Revista dos Tribunais. incluem: CERQUEIRA. Lei nº 9609/1998: “Art. Douglas Gabriel.988/1973. dentre outros. nº 3118/1992. Art. v. Direito Autoral. na data do requerimento: I . pediu que a Sony fosse avalista de um empréstimo de US$ 200 milhões que levantou dando como garantia os 50% restantes. Rio de Janeiro: Forense. 2º.” 24. O catálogo dos Beatles é avaliado em US$ 598 milhões. 1997. O regime de proteção à propriedade intelectual de programa de computador é o conferido às obras literárias pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no País. ou se. II . 4ª ed. Rio de Janeiro: Forense. O cantor comprou os direitos em 1985 e vendeu 50% a gravadora por US$ 100 milhões.” 30. sem o seu consentimento.143 da Lei nº 9279/1996 prevê as hipóteses em que pode ocorrer a caducidade de um registro de marca: “Art. Civ. Sobre o assunto ver ASCENSAO.” 26. 1984 PONTES DE MIRANDA.o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos consecutivos. parágrafos 1º e 2º da Lei nº 5.CONTRATOs Em EsPÉCIE claro. No Brasil. José O. L. DOMINGUEZ. 84 da mesma Lei nº 9. observado o disposto nesta Lei. A gravadora quer se responsabilizar pelo pagamento do empréstimo e pretende que Jackson transfira sua parte dos direitos. Ed. A previsão de pagamento das anuidades pelo depositante do pedido ou o titular da patente estão previstas pelo Art. Na época. 28.. 29. João de Gama. não iremos detalhar aspectos gerais do direito patentário. A Propriedade Industrial. Alguns livros que podem proporcionar uma visão mais detalhada sobre estes assuntos. 1983. conforme instruções da encomendante. Conselho Federal de Engenharia. a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original. O Brasil adota sistema baseado no “Droit d’auteur”. Rio de Janeiro: Lumen Juris. O Art.279. usar. 143 . fotográficas).processo ou produto obtido diretamente por processo patenteado. Sobre o assunto. 22. em vigor por força da Lei nº 9. 2000.produto objeto de patente. Na AP. no mesmo prazo. Existem vários critérios e metodologias para medir o valor econômico-financeiro e o valor intangível de uma marca. com ou sem letras).

silveiraadvogados. por exemplo. 32. João Marcos.CONTRATOs Em EsPÉCIE de sua criação. SILVEIRA. parafraseando Robert Page e Jimmy Plant. Fornecimento de Tecnologia.) Beneficiamento de produtos. nos termos do Art. 35. Contratos que objetivam a Exploração de Patentes: o Uso de Marcas. “Direito Autoral”. Serviços de “marketing.br/pjs. Os requisitos e procedimentos para a averbação podem ser encontrados em www. Rosiane (org. Franquia. tarefas administrativas relacionadas à liberação alfandegária etc.141.. autores da letra de “Stairway to Heaven”.br. conforme Art. 11.adv. da Lei no 9279/1996: Agenciamento de compras. Afinal. A importância de uma análise jurídica destes contratos não pode ser deixada de lado. 2000. 211. “A Proteção Jurídica dos Segredos Industriais e de Negócio”. FGV DIREITO RIO 119 . como pagamento pela tecnologia negociada – dedutibilidade fiscal para a empresa receptora da tecnologia pelos pagamentos contratuais efetuados – para produzir efeitos em relação a terceiros. O inteiro teor de referida decisão pode ser encontrado em DA VEIGA. Licença de uso de software sem o fornecimento de documentação completa. da Lei no 9609/1998. imortalizada pelo conjunto Led Zeppelin: “There’s a sign on the wall but she wants to be sure And you know sometimes words have two meanings.” (grifos nossos) 34. O contrato deve ser avaliado e averbado pelo INPI para que gere determinados efeitos econômicos no território nacional.gov.). ed.inpi. que não gerem quaisquer documentos e/ou relatórios. Ed. Serviços de manutenção de software sem a vinda de técnicos ao Brasil. visando a exportação Consultoria na área financeira. por meio de “help-desk”.rt (visitado em 01 de maio de 2002). Homologação e certificação de qualidade de produtos brasileiros. Esplanada. Alguns contratos são dispensados de averbação por caracterizarem transferência de tecnologia. Distribuição de software. disponível em http://www. em especial o código-fonte comentado. prestados. incluindo serviços de logística (suporte ao embarque. 3a. Prestação de Serviços de Assistência Técnica e Científica. 33. tais como: Legitimar remessas de divisas ao exterior. econômica jurídica e comercial. p. Serviços realizados no exterior sem a presença de técnicos da empresa brasileira e. Aquisição de cópia única de software.

Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Jus Navigandi. III. Introdução – Seguro. Espécies de Jogo e Efeitos. Sendo assim.com. 1. 2006 (em anexo). biblioGrafia CoMPleMentar GLITZ. Obrigações do Segurado. VENOSA. Quais foram? FGV DIREITO RIO 120 . Classificação – Seguro.406/2002. Contornos atuais do contrato de seguro. Caso Gerador Durante a diligência. mas que depois conversando com um amigo ficou sabendo que dívida de jogo é inexigível. Ele disse que pagou a dívida.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Rio de Janeiro: Forense. Por isso não foi surpresa quando este nos procurou para contar que. 1. págs. 2005 .asp?id=3261>.1.vol. vol. Disponível em: <http://jus2. mas eles podem ser considerados como contrato? O novo Código Civil trouxe duas alterações significativas na disciplina do jogo e da aposta. 757 a 802 da Lei nº 10. ele quer pedir seu dinheiro de volta. Silvio. 1. havia jogado pôquer na casa de um conhecido e que perdeu naquela noite aproximadamente um milhão de reais. AulAS 18 E 19: JOgO E APOSTA. Elementos do Contrato de Seguro. Jeremias diz que saiu do jogo um tanto atordoado por ter perdido aquela boa quantia em dinheiro e acabou batendo com o carro e dando perda total. Instituições de Direito Civil . Para piorar a situação. nº 59. Saraiva. na semana passada.17. Atlas. out.4.2. ouvimos boatos de que Jeremias era um inveterado jogador. Como você aconselha Jeremias? E se Jeremias lhe contasse que descobriu que o jogo foi roubado? Jeremias pergunta se o mútuo que ele havia tomado na véspera para jogar também seria inexigível e se ele poderia deixar de pagar ao mutuante. Caio Mário da Silva. Acesso em: 06 ago. A seguradora não está querendo pagar a indenização alegando que Jeremias não efetuou o pagamento das três últimas parcelas do prêmio. 3. SEguRO. São Paulo: Ed. 2005.406/2002.17.Contratos. 329 a 348. vol 3. 483 a 490. págs.17.17. 1. ano 6. roteiro de aula a) introdução O jogo e a aposta estão dispostos entre as várias espécies de contratos previstos na Lei n° 10.17. Silvio de Salvo. 2002. 1. 369 a 407. Teresina. Direito Civil. págs. eMentário de teMas Introdução. Arts.5. Direito Civil: Contratos em Espécie.406/2002. biblioGrafia obriGatória Arts.uol. São Paulo: Ed. RODRIGUES.3. 2002. 814 a 817 da Lei nº 10.17. PEREIRA. Obrigações do Segurador. Frederico Eduardo Zenedin.br/doutrina/texto.

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b) espécies de jogos e efeitos Proibidos – São os jogos de azar31, como a roleta, o bicho, aposta sobre corrida de cavalos fora de hipódromos, briga de galo. Tendo em vista que são ilícitos não geram direitos e sujeitam o infrator a punição. Tolerados – São aqueles que o resultado não depende preponderantemente da sorte, como o truco, a canastra, o pôquer. Embora não sejam contravenções penais, não são protegidos pela lei uma vez que não há interesse social em proteger relações que não passam de “divertimento sem utilidade”32, exceto se forem eivados de vícios, como dolo, que mereçam repressão. Autorizados – São aqueles que trazem algum benefício à Sociedade, seja por estimularem o espírito esportista (competições esportivas) ou atividades econômicas (turfe), seja por gerarem outra fonte de renda ao Estado (loterias). Nesse caso, as obrigações oriundas de jogo ou aposta são exigíveis. Apenas os jogos e apostas autorizados perdem o caráter ilícito e dão causa à exigibilidade da prestação. C) seguro – introdução O seguro é regulado pela Lei n° 10.406/2002 e por diversas leis esparsas, que regulam minuciosamente os tipos de seguro. Em nossas aulas daremos ênfase às regras previstas no novo Código Civil. d) Classificação – seguro O contrato de seguro é: – Bilateral – gera obrigações para ambas as partes. – Oneroso – requer desembolso patrimonial para segurado e para o segurador. – De adesão – ao segurado não é dada opção de alterar as cláusulas do contrato. O segurado pode aceitar ou não as cláusulas impostas na apólice de seguro. Aplicam-se, dessa forma, as regras previstas nos artigos 423 e 424 da Lei n° 10.406/2002, que protegem os aderentes. e) elementos do Contrato de seguro Os elementos do contrato de seguro são: – Segurador – Somente pode ser segurador entidade legalmente autorizada para esse fim. O Decreto-Lei nº 2.063/1940 estabelece algumas exigências para que a entidade possa atuar como seguradora. Exemplo: capital mínimo, nacionalidade dos sócios, autorização governamental. – Segurado – É o contratante. Ele paga o prêmio ao segurador para transferir a este o risco. – Risco – O objeto do contrato de seguro é o risco. Dessa forma, a Lei n° 10.406/2002 prevê uma multa (dobro do prêmio recebido) a ser paga pelo segurador que expedir apólice de seguro mesmo sabendo que não é possível o risco que se pretende cobrir. O objetivo do legislador é tentar coibir essa prática. Afinal, se não há risco, não há contrato de seguro. Nos seguros privados, é possível estipular a espécie ou combinação de espécies de seguro.

Definição de jogo de azar está no artigo 50, parágrafo 3° da Lei de Contravenções Penais: “O jogo em que o ganho e a perda dependem exclusiva ou principalmente da sorte”.
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PEREIRA, Caio mário da silva. Instituições de Direito Civil - Contratos. Rio de Janeiro: Forense, 2005 - vol. III, pág. 488.
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– Prêmio – É a prestação devida pelo segurado ao segurador para que este assuma os riscos do segurado e pague indenização em caso de sinistro. – Apólice – Assim como o instrumento do mandato é a procuração, o instrumento do seguro é a apólice. A apólice deve conter os requisitos previstos no art. 760 da Lei n° 10.406/2002, tais como os riscos cobertos e o prêmio devido. As apólices podem ser nominativas, à ordem ou ao portador. A lei veda que a apólice de seguro de pessoas seja ao portador. f) obrigações do segurado O segurado tem obrigação de: – veracidade – A declaração falsa ou omissão de informações pode levar o segurador a fixar prêmio diverso do que fixaria ou até mesmo a aceitar seguro que normalmente não aceitaria se tivesse acesso a todas as informações. – pagar o prêmio. – não agravar os riscos do contrato – se o segurado passa a se comportar de forma diferente da que vinha se comportando, que resulte em um aumento de seus riscos, ele está, de certa forma, alterando unilateralmente o contrato, pois estará sujeitando o segurador a riscos distintos dos previstos no momento da celebração do contrato. – comunicar ao segurador qualquer fato que possa aumentar o risco do bem sob pena de perder o direito à garantia (art. 769 da Lei n° 10.406/2002). Analisando os contratos de seguro contra danos do supermercado, notamos que cada um dos estabelecimentos onde o supermercado funciona, foi segurado por duas seguradoras diferentes. Ao ser perguntada sobre esse fato, a senhora Maria Lúcia nos explica que seu pai estava tão preocupado em evitar prejuízos decorrentes de eventual sinistro, que resolveu segurar duplamente os estabelecimentos. Você vê algum problema nessa situação? G) obrigações do segurador A principal obrigação do segurador é pagar ao segurado os prejuízos decorrentes de sinistro sobre o bem segurado.

Contornos atuais do contrato de seguro frederico eduardo Zenedin Glitz As inovações em matéria securitária sempre são questões candentes. A reconhecida complexidade do tema é elemento que acentua, ainda mais, a importância da análise do tratamento jurisprudencial e doutrinário dispensado ao assunto. Os recentes pronunciamentos dos Tribunais Superiores demonstram cada vez mais a preocupação em se “socializar” o contrato de seguro e atribuir-lhe uma função social. Também contribuirá para essa “nova” adequação do instituto, a recente aprovação do novo Código Civil (Lei 10.406/2002). Esta posição, aliás, está consignada expressamente na exposição de motivos, quando se deixa clara a intenção de preservar o segurado, sem com isso abrir mão da segurança e certeza jurídicas essenciais ao contrato de seguro. O novo Código incorpora a idéia de cláusulas gerais que introduzem princípios orientadores de condutas, abandonando a pretensão de total regulamentação e oportunizando maior liberdade ao intérprete da lei..
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O novo Código Civil traz, ainda, outras inovações em matéria securitária. O legislador previu, por exemplo, a possibilidade de prova da relação contratual por meio de apólice, do bilhete de seguro ou, ainda, por “outro documento” na falta de algum desses (art. 758). No que tange aos riscos, o novo Código Civil estabelece que a agravação do risco por ato intencional do segurado implica na perda da garantia (art. 768). Entretanto se essa agravação se der por fato alheio a sua vontade, o segurado possui prazo para comunicar o evento a seguradora, sob pena de perda da garantia (art. 769). Possibilita-se, então, a readequação dos negócios às novas circunstâncias, mantendo-se o equilíbrio do contrato. Caso haja diminuição considerável do risco, assegura-se ao segurado o direito de revisão do prêmio ou a resolução do contrato (art. 770). Essas inovações refletem uma preocupação do legislador na manutenção do equilíbrio contratual. Pode-se afirmar, aliás, que esta é uma tendência geral no novo Código Civil, principalmente com a positivação dos institutos da lesão (art. 157), do estado de perigo (art. 156) e da revisão do contrato por excessiva onerosidade (art. 478). A jurisprudência também vem reconhecendo a necessidade de manutenção base econômica do contrato. Recentemente, no entanto, o Superior Tribunal de Justiça entendeu que a seguradora deve indenizar o segurado ainda que parte do prêmio não tenha sido pago (1), uma vez que a cláusula de cancelamento automático da apólice é nula em face do Código de Defesa do Consumidor, isso porque a resolução do contrato deveria ser requerida previamente em Juízo. Tal entendimento baseou-se no argumento de que a rescisão unilateral criaria uma excessiva desvantagem ao segurado, ou seja, o equilíbrio contratual estaria quebrado. Essa posição, aliás, inova em relação a tradicional jurisprudência e o disposto no art. 763 do novo Código Civil, que reafirmam a regra de que não há direito a indenização se o segurado estiver em mora no pagamento do prêmio. Talvez uma boa solução para o dilema seja a permissão a purgação da mora mesmo após o sinistro quando for o caso de cumprimento substancial do contrato (apesar de o Código expressamente prever que a purgação da mora deve ser anterior ao sinistro). Outro recente posicionamento do Superior Tribunal de Justiça é em relação ao prazo prescricional para o segurado demandar a seguradora. Este, segundo o atual entendimento, só passa a ser contado a partir da recusa formal ao pagamento da indenização (2). Este prazo é mantido pelo novo Código Civil, que estabelece em seu art. 206 que o prazo é contado para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que é citado para responder à ação de indenização proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que a este indeniza, com a anuência do segurador. Para os demais seguros, o prazo corre da ciência do fato gerador da pretensão. O novo Código Civil também incorpora inovações jurisprudenciais, tal como o reconhecimento da possibilidade de denunciação à lide ao segurador pelo segurado. Ou, ainda, a proibição expressa de o segurado reconhecer sua responsabilidade (confessar ou transigir com o terceiro prejudicado) sem a anuência da seguradora (art. 787, §2º). Em se tratando do seguro de responsabilidade civil o novo Código Civil previu, expressamente, a obrigação (normalmente tida como contratual) de que o segurado avise a seguradora do sinistro ocorrido (art. 787, §1º), bem como da ação intentada contra sua pessoa (art. 787, §3º). Prevê também a responsabilidade do segurado frente ao terceiro no caso de insolvência do segurador (art. 787, §4º). Previu a responsabilidade da seguradora, nos seguros de responsabilidade legalmente obrigatórios, de indenizar diretamente ao terceiro prejudicado (art. 788). E, ainda, a necessidade da seguradora promover a citação do segurado para integrar a lide quando demandada em ação direta pela vítima do dano (não podendo, simplesmente, opor a exceção de contrato não cumprido pelo segurado - art. 784, § único). Mas talvez a inovação que crie mais impacto nesta carteira ainda incipiente no Brasil, é a alteração do prazo prescricional para a ação indenizatória. O prazo anteriormente de 20 (vinte) anos foi reduzido para 03
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Todas essas inovações legislativas e jurisprudenciais pretendem solucionar dilemas constantes enfrentados pelos operadores jurídicos que atuam no setor. notas 1. §1º. moralidade. reflete uma nova visão acerca do contrato.art. e quanto maior o risco mais caro é o seguro.art. Recurso Especial 323186/SP (2001/0053944-4). V). DJ 04/02/2002. II). impondo o respeito a sua função social e a obediência aos princípios da boa-fé. Relator Min BARROS MONTEIRO. pelo menos. lealdade e equilíbrio contratual. pode não engendrar grandes alterações paradigmáticas (e por certo possui muitas imperfeições (3)). Recurso Especial 132357 /RJ e Recurso Especial 236034/ RJ. Neste sentido. §3º. A começar pela própria técnica superada das grandes codificações. Sendo que a interrupção da prescrição passa a se dar com o despacho do juiz determinando a citação (mesmo que incompetente . Tal modificação poderá representar uma redução significativa do valor do prêmio. contado da data em que se conhece o dano (e não de sua ocorrência . QUARTA TURMA do STJ 2.” 3. I). 206. Recurso Especial 323416/RO. vez que quanto maior o prazo maior o risco. 202. bem como o enunciado da Súmula 229/STJ: “O pedido do pagamento de indenização à seguradora suspende o prazo de prescrição até que o segurado tenha ciência da decisão. FGV DIREITO RIO 124 .386. p. O novo Código Civil entrará em vigor apenas em 2003.CONTRATOs Em EsPÉCIE (três) (art. 206. mas.

18.1. Como você pode orientá-lo? 1. São Paulo: Rideel. que se compromete a cumprir a obrigação. A fiança é garantia pessoal. por exemplo. Silvio. GUIMARÃES. que Olavo e o banco recentemente aditaram o contrato para aumentar o valor do empréstimo e. Caio Mário da Silva.406/2002. A garantia pode ser real ou pessoal. Deocleciano Torrieri (Org. Garantia real é aquela que recai sobre um bem. conseqüentemente. descobriu. biblioGrafia CoMPleMentar PEREIRA. eMentário de teMas Introdução. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Efeitos da Fiança. na hipoteca e no penhor. São Paulo: Ed. Para piorar.18.18. BiBliografia oBrigatória Arts.5.3. Instituições de Direito Civil .2. AulAS 20 E 21: fIANçA. individualmente. ele nos conta que entrou como fiador em um empréstimo que seu cunhado. roteiro de aula a) introdução A fiança é uma espécie de garantia. móvel ou imóvel. Em outras palavras. SIQUEIRA. Classificação. págs. 493 a 504.18. tomou com o banco. Direito Civil. que servirá como garantia do cumprimento de determinada obrigação. Ele descobriu que seu cunhado ficou desempregado e deixou de pagar algumas parcelas do empréstimo. Dicionário Técnico Jurídico. Luiz Eduardo Alves de. 2002. A fiança pode ser: – convencional – resulta da vontade das partes. RODRIGUES.Contratos. A Fiança na Música. da fiança. Dessa vez. 10. III.vol. Saraiva. 1. 1. págs. Caso Gerador O Sr.18.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Extinção da Fiança. vol 3. Rio de Janeiro: Forense. Garantia pessoal ou fidejussória “consiste apenas na segurança que. 2005 . 33 FGV DIREITO RIO 125 . 1.18.). de responder pelo cumprimento de obrigação se faltar o devedor principal”33.4. alguém presta. caso o devedor não o faça. 1. Olavo. 283 a 305. conversando com sua irmã. a garantia pessoal é aquela dada por um terceiro. Ocorre. 2001. 818 a 839 da Lei n. Odin Heiro novamente nos procura apreensivo com uma questão pessoal.

Há algum problema nesse fato? Mesmo após a promulgação da Constituição Federal. Como sempre. Esse direito pode ter algumas limitações: – Benefício de ordem – O fiador tem o direito ao benefício de ordem. (ii) se obrigar como principal pagador.. Maria Lúcia acabou aceitando ser sua fiadora.406/2002). o fiador deverá indicar bens do devedor. É o que ocorre na fiança bancária. apenas será reduzido o montante da fiança até o valor da obrigação principal. FGV DIREITO RIO 126 .CONTRATOs Em EsPÉCIE – legal – resulta de lei – judicial – resulta de imposição do juiz. Na diligência legal. Maria Lúcia nos contou que estava aborrecida porque na semana passada. porém. mas sem perder seu caráter acessório. ponsáveis pela dívida (art. O fiador não tem direito ao benefício de ordem se: (i) renunciar expressamente ao mesmo. objeto do contrato principal. b) Classificação A fiança é contrato: – Acessório – A fiança visa assegurar o cumprimento de outra obrigação. ela só gera obrigações do fiador para com o credor. que pode ser um mútuo. A lei permite. ou (iii) o devedor for insolvente ou falido. exigiram um fiador. caso a Guloseima Ltda. O credor tem o direito de exigir do fiador o pagamento da dívida garantida. locação. Para se valer desse benefício.. seja primeiramente executado o devedor. garantindo o pagamento do aluguel.. dona Teresa precisaria de autorização do marido para prestar fiança? Sendo a autorização necessária. encontramos um contrato de locação. qual é a conseqüência de não tê-la? C) efeitos da fiança Podemos notar a existência de duas relações distintas no contrato de fiança: uma entre fiador e credor e outra entre fiador e devedor. até a contestação da lide. que cada fiador reserve apenas uma parte da dívida como de sua responsabilidade. localizados no mesmo muncípio e que estejam livres e desembaraçados. que estabeleceu a igualdade jurídica dos cônjuges. que o fiador queira receber remuneração em troca da garantia que oferece. – Gratuito – Em regra. – Solene – A lei impõe forma escrita para a validade da fiança. 829 da Lei n° 10. Notamos que o contrato de locação prevê que a senhora Teresa Assunção. – Benefício da divisão – Havendo mais de um fiador. segundo o qual o Supermercado Pechincha alugava uma parte de um dos supermercados à confeitaria Guloseimas Ltda. – Unilateral – Uma vez contratada a fiança. casada e proprietária da Guloseimas Ltda. porém. ou devedor solidário. Notamos ainda que o contrato não foi assinado pelo marido de dona Teresa. a fiança é onerosa. Em outras palavras. ele pode exigir que. A fiança a ser analisada nesta aula é a fiança convencional. a fiança é contrato gratuito. que é ajustada por meio de contrato. os parceiros de pôquer de Jeremias. não efetue o pagamento em dia. Conforme já havíamos sido informados. É possível. desconfiando da sua capacidade de pagar. Nesses casos. Depois de ser pressionada por Jeremias. Jeremias perdeu uma boa quantia em dinheiro e agora Maria Lúcia estava preocupada de ser executada porque assinou um instrumento no qual se dizia fiadora da dívida de Jeremias. na qual o banco garante a obrigação em troca de um percentual sobre o montante garantido. Por ser acessória. brasileira. que sejam suficientes para pagar a dívida. assina o contrato na qualidade de fiadora. Se isto ocorrer. a fiança não pode ser mais onerosa que a dívida principal. a fiança não será nula. a presunção legal é a de que são solidariamente resfiador. A fiança pode ser contratada no mesmo contrato da obrigação principal ou em contrato em separado. Jeremias tem o péssimo hábito de jogar pôquer por dinheiro.

a fiança não será restaurada. do genial Chico Buarque. a morte do fiador extingue a fiança? Não havendo prazo determinado previsto no contrato. comprei anel Botei no papel o grande amor. Ocorre. por evicção.. na perda de direitos que o fiador teria caso efetuasse o pagamento da dívida. – o fiador opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as extintivas da obrigafiador ção. assim. ôôôô Passava um verão a água e pão Dava o meu quinhão pro grande amor.. um contrato intuitu personae. um amador. se não resultarem apenas de incapacidade pessoal. (. e) a fiança na Música O Direito é incrível mesmo! Podemos encontrá-lo em todos os cantos. – o credor tornar impossível a sub-rogação nos seus direitos e preferências. sem o consentimento do fiador. não sou mais um sonhador Chego a mudar de calçada quando aparece uma flor E dou risada do grande amor. SIQUEIRA. mentira Eu botava a mão no fogo então Com meu coração de fiador. Que motivo teria o autor para fazer menção à fiança nesse grande samba? samba do grande Amor Chico Buarque Tinha cá prá mim que agora sim Eu vivia enfim o grande amor. passando. a fiança pode ser extinta pelo fiador. perdas e danos que pagar ao credor e perdas e danos que vier a sofrer em razão da fiança (art. sarapatel e lua de mel em Salvador. mentira Reservei hotel. Veja abaixo a letra de “Samba do Grande Amor”.CONTRATOs Em EsPÉCIE A relação entre o fiador e o devedor só passa a existir se o fiador é obrigado a efetuar o pagamento da dívida.406/2002). a ter o direito de exigir do devedor o reembolso do valor por ele. Ainda que o credor venha a perder. ôôôô Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito Exijo respeito. d) extinção da fiança Sendo a fiança. ôôôô “moratória – dilação de prazo que se concede ao devedor para pagar a dívida depois de vencida. São Paulo: Rideel. Deocleciano Torrieri (Org. quando o credor renuncia seu direito à hipoteca ou a direito de retenção. implicando assim. A fiança também é extinta se: – o credor conceder moratória34 ao devedor. mentira Me atirei assim de trampolim Fui até o fim. – o credor aceitar receber em pagamento bem diverso do que foi originalmente ajustado. por exemplo. inclusive na música. acrescido de juros. em regra. (Dicionário Técnico Jurídico. 2001) 34 FGV DIREITO RIO 127 . o bem aceito em pagamento. que ficará liberado de sua obrigação 60 dias após a notificação ao credor para esse fim. mentira Fui muito fiel. GUIMARÃES.)”.). Luiz Eduardo Alves de. 832 e 833 da Lei n° 10.

porque sendo ele o executado. Prova: 27º Exame de Ordem .6. Não. pois ele não é o devedor principal. que não estabeleceu o benefício de divisão com Mário. ôôô 1. que não cumpriu a obrigação de pagar o preço ajustado. sem terem estabelecido o beneficio de divisão previsto no artigo 829.1ª fase) Olavo Bento de souza.Crasso e Mário se obrigaram solidariamente como fiadores de Pompeu. mentira Fiz promessa até prá Oxumaré Que subir a pé o redentor. porque ele se obrigou como principal pagador.CONTRATOs Em EsPÉCIE Fui rezar na Sé prá São José Que eu levava fé no grande amor. Sim. b. é de se supor que seu afiançado não tenha bens suficiente para responder pela execução. cobrar de Mário metade do que pagou a Marco Antonio? FGV DIREITO RIO 128 . onde figurava como locatário seu amigo Armando Amaro gomes. bancário. casado e com 21 anos de idade. obrigou-se como fiador e principal pagador num contrato de locação. d.2ª fase PROVA DISCURSIVA 4 . Crasso. Como Pompeu não pagou o débito no vencimento. pretende Olavo alegar o benefício de ordem. não tendo bens para serem executados. c. Tal alegação é procedente? a. questões de ConCurso (Prova: 01º Exame de Ordem .Sim. Pode Crasso.18. executado por Marco Antonio. pagou o débito na sua totalidade. num contrato em que o credor é Marco Antonio. pois no caso há solidariedade passiva. do Código Civil. Executado pela dívida de seu afiançado. Sim.

19. 2006 (em anexo). abr. São Paulo: Ed.19.1. 366. ano 7. COmPROmISSO. 1. Comente a situação.19.br/doutrina/texto. 1. Saraiva. roteiro de aula a) transação O Código Civil de 1916 não tratava a transação como contrato. vol 3. n. pág. 1. 2002. Tendo em vista que o devedor não vem efetuando os pagamentos pactuados no instrumento de transação. receosas de tudo perder ou das delongas da lide. 365 a 383. com. Silvio. mas sim como um dos modos de extinção das obrigações.4.uol. Silvio. Direito Civil. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.19. Jus Navigandi. 840 a 853 da Lei n° 10. Lei n° 9.asp?id=3951>. que estava passando por um período financeiramente delicado. 1.5. decidem abrir mão. o Supermercado Pechincha emprestou dinheiro a um de seus fornecedores. biblioGrafia CoMPleMentar BENEDETTI JUNIOR. as partes divergiram quanto ao valor a ser pago e aos juros incidentes no período. Da convenção de arbitragem e seus efeitos. 2002. Direito Civil. Compromisso. 64. AulA 22: TRANSAçãO. eMentário de teMas Transação. biblioGrafia obriGatória Arts. de modo que. vol 3. o supermercado quer cobrar o valor do mútuo do fiador. Saraiva. A transação é a “composição a que recorrem as partes para evitar os riscos da demanda ou para liquidar pleitos em que se encontram envolvidas. reciprocamente. RODRIGUES. 2003. Acesso em: 15 ago.19.406/2002. São Paulo: Ed.19. Lidio Francisco.307/1996.3. Na época do pagamento do mútuo.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. págs. Disponível em: <http://jus2. Atendendo a algumas críticas doutrinárias. Caso Gerador Embora não fosse de costume. o supermercado e o fornecedor chegaram a um acordo e assinaram um termo de transação. em troca da tranqüilidade que não tem”35.2. o novo Código Civil incluiu a transação no rol dos contratos. 35 FGV DIREITO RIO 129 . Teresina. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Após muita discussão. 1. de algumas vantagens potenciais. RODRIGUEs.

843 da Lei n° 10. Isso é suficiente? Arts. Assim. de acordo com o parágrafo primeiro do artigo 661 da Lei n° 10. 848 da Lei n° 10. A procuração continha poderes específicos para transigir. a transação que não versar sobre objeto de disputa judicial deve ser feita por escritura pública. ou por instrumento particular. o fato de não prevalecer em relação a um não prejudicará os demais”. a transação só pode ter por objeto direitos patrimoniais de caráter privado. A transação para extinguir processo judicial em curso deve ser feita por escritura pública ou termo assinado nos autos. a procuração deve conter poderes especiais e expressos para transigir. b) Compromisso O compromisso também entrou para o rol dos contratos com a edição da Lei n° 10. – Objeto da transação – Conforme art. Recebemos cópia de um termo de compromisso celebrado entre o supermercado e um revendedor. ambas as partes devem abrir mão de algo para alcançar a segurança desejada. (iii) Assim como os demais contratos. Sendo assim. quando for admitido em lei. o cliente poderia levar mercadorias do supermercado em valor total equivalente a R$ 200. E agora? – Acordo entre as partes com concessões recíprocas – na transação. nas obrigações que a lei assim o exigir. 36 FGV DIREITO RIO 130 .406/2002. admite pena convencional36. A lei abranda essa regra ao dispor no parágrafo único desse artigo que “quando a transação versar sobre diversos direitos contestados. nula será esta”. entre outras. assinado pelas partes e homologado pelo juiz. (ii) Interpretação restritiva – A transação não pode ser alterada por analogia ou ser utilizada para casos que não estejam expressamente refletidos no instrumento de transação (art. em troca de desistir da ação judicial. 408 a 416 da Lei n° 10. independentes entre si. Notamos que o compromisso foi assinado por um procurador do revendedor e pedimos para analisar o teor da procuração que foi outorgada. Vale lembrar que. de direito pessoal de família. apesar de achar que o supermercado sairia vitorioso da disputa judicial. só é possível compromisso que envolva direito patrimonial.00.406/2002. o supermercado resolveu assinar um termo de transação com o cliente. Princípios que decorrem da natureza jurídica da transação: (i) Indivisibilidade – De acordo com o art. Ocorre que. Maria Lúcia descobriu que o processo já havia terminado com sentença favorável ao supermercado. “sendo nula qualquer das cláusulas da transação. 841 da Lei n° 10. Maria Lúcia lhe conta que um cliente entrou com um processo contra o Supermercado Pechincha pedindo perdas e danos por ter sido mal atendido no supermercado. Elementos da Transação – Divergência entre as partes e a vontade de terminar com ela – as partes podem estar discutindo em juízo ou em vias de fazê-lo. após a assinatura do termo de transação. Você concorda com o legislador que entendeu que o compromisso é um contrato? Assim como na transação.CONTRATOs Em EsPÉCIE A transação é contrato bilateral e solene.406/2002. Não podem ser objeto de compromisso questões de estado. a existência do processo em si seria uma propaganda negativa para o supermercado.406/2002. Ora.406/2002. segundo o qual.406/2002).

uma parte desistisse de celebrar o compromisso arbitral. que a Arbitragem não se desenvolveu.307. ao invés do juízo público? biblioGrafia CoMPleMentar Da convenção de arbitragem e seus efeitos lidio francisco benedetti junior advogado em são Paulo sinopse Nosso estudo trata da convenção de arbitragem. pois está intrinsecamente relacionada com a livre e voluntária vontade das partes em se submeter à arbitragem. Assim. até a promulgação da nova Lei de Arbitragem. mesmo que o compromisso de arbitragem contivesse a cláusula “sem recurso” as partes poderiam recorrer ao tribunal superior. no Brasil. as barreiras legais que causavam insegurança jurídica para as partes contratantes foram revogadas. Ressalta-se que a arbitragem já estava presente em nosso ordenamento jurídico. Qual é a vantagem de se escolher o juízo privado. “um meio paraestatal de solução de conflitos” (3). ainda. Ademais. uma vez que. mas simples tentativa de análise da Lei de 9. em setembro de 1996. Por meio da cláusula compromissória. em detrimento ao Poder Judiciário. desde a primeira Constituição (1) brasileira. Assim.307. também. como ensina ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. Entretanto. contribuir e divulgar as vantagens que a justiça alternativa proporciona: como ser mais rápida e menos onerosa do que a Justiça Comum. posteriormente. de acordo com a Lei 9. esse sistema encontrava-se estagnado. não acompanhou a evolução dos tempos. introdução Este trabalho não consiste num aprofundamento sobre o tema específico. por exemplo. também. no que diz respeito à convenção de arbitragem e seus efeitos. a nova Lei de Arbitragem é considerada um instrumento privado alternativo para solução de conflitos ou. através da cláusula compromissória. Há que se considerar. que a questão da constitucionalidade levantada no Supremo Tribunal Federal encontra-se superada. posteriormente. comportamento decorrente da cultura e tradição reinante em nosso país. com a promulgação da Lei de Arbitragem. em 1996. Contudo. entendia-se anteriormente que. de 1916. devido à insegurança jurídica que o sistema transmitia às partes. e. contemplada no Código Civil Brasileiro (2). que abrange a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. Há que se ressaltar. Já a cláusula compromissória diz respeito a litígio futuro e incerto. capaz de garantir segurança jurídica às partes que voluntariamente vierem a instituir a cláusula compromissória em seus contratos. Tem força vinculativa e obriga as partes a submeterem determinada questão ao julgamento de árbitros. Hoje.CONTRATOs Em EsPÉCIE Distinção entre compromisso e cláusula compromissória O compromisso é contrato perfeito e acabado. isto é. a Arbitragem. com esse simples estudo. A temática proposta assume especial relevância. espero compartilhar as idéias e. para resolver impasses ou conflitos surgidos num relacionamento pessoal ou negocial. embora as partes tivessem acordado de instituírem o juízo arbitral. como a arbitragem. de 23 de setembro de 1996. de 23 de setembro de 1996. de 1824. geraria para a outra parte apenas o direito a perdas e danos. as partes comprometem-se a submeter eventual pendência à decisão do juízo arbitral. como instrumento eficaz para solução de controvérsias consolida-se FGV DIREITO RIO 131 .

também. a ilustre Advogada e Membro da Comissão Relatora do Projeto de Lei sobre Arbitragem.” (7). de comum acordo. isto é. desde a faculdade de as partes em um negócio envolvendo direitos patrimoniais disponíveis disporem quanto a esta via opcional de conflitos (art. alternativo ao Poder Judiciário. nasce antes do surgimento do conflito.”. uma convenção de arbitragem. ou não.1. Ao passo que. 1o). que o novo Código Civil.” (5). ou através do compromisso arbitral. as partes envolvidas em algum negócio pessoal ou negocial. convencionam que se ocorrer qualquer impasse ou controvérsia a questão será resolvida pelo procedimento arbitral em detrimento ao Poder Judiciário. manifestou-se. fortaleceu o instituo da arbitragem no Brasil. espontaneamente. contratada anteriormente ao eventual conflito. cláusula compromissória é “a convenção através da qual as partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir. espécie destinada à solução privada dos conflitos de interesses e que tem por fundamento maior a autonomia da vontade das partes.CONTRATOs Em EsPÉCIE no Brasil. como cláusula arbitral. podem resolver suas controvérsias. cabe esclarecer que. cabe frisar que. para que. Japão e países da Europa. da lei 9307/96. 1. submetendo-se ao juízo arbitral. Para tanto. artigo 3o. o compromisso arbitral surge apenas quando o conflito já se instaurou e as partes. através da cláusula compromissória. 1. entretanto. o ilustre Relator MINISTRO MAURICIO CORRÊA.” (6) Concluindo que: “O objetivo do princípio da autonomia do pacto arbitral é salvar a cláusula compromissória. com o mesmo consentimento que encontra em outros países. prazo para o árbitro proferir a sentença arbitral (arts. para aqueles que procuram rapidez e Justiça na solução do conflito. se a decisão será de direito ou por eqüidade (art. FGV DIREITO RIO 132 . seja no próprio contrato ou em um adendo. optam em submeter os litígios existentes ou que venham a surgir nas relações negociais à decisão de um árbitro. Com efeito. no seguinte sentido: “A convenção de arbitragem é a fonte ordinária do direito processual arbitral. relativas a direito patrimonial disponível. Em recente julgamento. admitindo a nova lei o compromisso e a cláusula compromissória para resolver divergências mediante o juízo arbitral. relativamente a tal contrato. essa cláusula deve ser estipulada por escrito pelas partes. §§ 1o e 2o). ainda. Entretanto. 11. Cabe frisar. a respeito da convenção de arbitragem. desde que não viole os bons costumes e a ordem pública (art. em virtude dela. a cláusula compromissória ou cláusula arbitral. como também é conhecida. SELMA MARIA FERREIRA LEMES. A respeito da autonomia da vontade das partes. como já mencionado. De acordo com o artigo 4o. devem firmar. Da Cláusula Compromissória A cláusula compromissória. possa se julgar a validade.2o). Assim.406/2002. pontifica que “o Principio da Autonomia da Vontade é a mola propulsora da arbitragem em todos os seus quadrantes. a Lei de Arbitragem torna-se um instrumento seguro. seja material ou formal. livres e voluntariamente. como Estados Unidos da América.2. conforme é a definição dada pela Lei de Arbitragem. da Convenção de arbitragem e seus efeitos 1. a convenção de arbitragem abrange tanto a cláusula compromissória como o compromisso arbitral Assim. resolvem que o impasse será resolvido pela Arbitragem.5o). nos artigos 851 a 853. que é firmado quando surge a controvérsia. conforme adotado pela lei 9. 2o. Inciso III e 23). Estas. Lei 10. ao prolatar seu voto. do contrato arbitrável. até como será desenvolvido o procedimento arbitral. nos termos do artigo 3o da Lei nº 9. eleger a arbitragem institucional (art. é conhecida.307/96. Da Convenção de Arbitragem Por intermédio da convenção de arbitragem (4).307/96. DRA. dispondo da jurisdição estatal comum. nesse estudo a identificaremos apenas como cláusula compromissória.13). as partes. como afirmamos acima. no que pertine à forma de indicação dos árbitros (art.

numa possível e futura controvérsia.1. o conflito venha a ser dirimido pelo juízo arbitral. Força obrigatória da Cláusula Compromissária De acordo com o artigo 8o da Lei de Arbitragem. a instaurar o compromisso arbitral. nos ajustes remissivos não se dispensa que as partes reportem-se expressamente à opção.2. e a nulidade deste não implica a nulidade daquela. Assim é que.3. a cláusula compromissória só terá validade se a mesma estiver em negrito e conter a assinatura. surgindo o conflito estão as partes obrigadas. ela obriga às partes a resolver o conflito através do Juízo Arbitral.”. ensina ALEXANDRE FREITAS CÂMARA que a cláusula compromissória é “um contrato preliminar. (9). Entretanto. enquanto que.753-7. é peculiar da cláusula compromissória a autonomia. ao proferir seu voto em sentença estrangeira contestada nº 6. Isto é. também. como manifestação de sua vontade em instituir o compromisso arbitral. ou seja. segundo o ilustre professor WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO a cláusula compromissória (pacto de compromittendo) “constitui apenas parte acessória do contrato constitutivo da obrigação. Não se admite. Esse é o entendimento da Lei (10). 1. Assim.2. havendo a recusa de qualquer uma das partes em celebrar o compromisso. Segundo as melhores doutrinas. 4o e 5o). FGV DIREITO RIO 133 . Segundo ensina ALEXANDRE DE FREITAS CÂMARA. por força da cláusula compromissória.” (11) 1. Tanto que nos contratos de adesão requer-se destaque e a assinatura especial na cláusula compromissória e. celebrar o compromisso arbitral. a respeito de qualquer dúvida emergente na execução do contrato. por essa razão a Lei exige a manifestação de vontade das partes ao aderirem à cláusula compromissória. em existindo o conflito. comprometem-se. oriunda do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte: “a lei brasileira sobre o tema exige clara manifestação escrita das partes quanto à opção pela jurisdição arbitral (Lei 9. as partes ao acordarem sobre a cláusula compromissória. até pela sua excepcionalidade. chama-se cheia a cláusula compromissória quando já contém todos os elementos necessários à instauração do processo arbitral (13).” (8). cuja intenção do legislador foi dar maior segurança às partes que. tudo o que ali tenha sido estipulado será obrigatoriamente observado pelo juiz ao proferir a sentença do processo a que se refere o artigo 7o. ainda. essa distinção “é importante principalmente nos casos em que uma das partes se recuse a. No contrato de adesão. se obrigam a submeter-se à decisão do juízo arbitral. que é o compromisso arbitral. uma vez acordada.307/96.. Isto porque sendo cheia a cláusula compromissória. preventivamente. Nesse sentido.” (14) 1.2. substituindo no contrato a clássica cláusula que designa o Foro Judicial. a celebrarem o compromisso arbitral. se posicionou o eminente MINISTRO MAURÍCIO CORREA.CONTRATOs Em EsPÉCIE O texto da lei é claro ao conceituar a cláusula compromissória. Nesse sentido. Importante salientar que. as chamadas cláusulas vazias são àquelas que não contemplam os elementos mínimos necessários para instituição da arbitragem (12). seja no próprio contrato negocial ou em outro documento aditivo. da Lei de Arbitragem. Assim. Ou seja. é necessário trazer a luz deste estudo. em conseqüência. a definição da melhor doutrina. a cláusula compromissória é independente do contrato negocial. especialmente para essa cláusula. artigos 3o. todavia. implícita e remissiva. Da autonomia de vontade e forma escrita A cláusula compromissória deve ser estipulada por escrito. surgindo o conflito. uma promessa de celebrar o contrato definitivo. do aderente. sob pena de ser declarada nula. para que. Esclarece. distinguir a cláusula compromissória vazia da cláusula compromissória cheia. livre e voluntariamente.2.. é a cláusula pela qual as partes. conclui-se que a cláusula compromissória é o primeiro acordo de vontade das partes. que essa promessa gera a obrigação de celebrar o compromisso arbitral. Espécies da Cláusula Compromissória A respeito da cláusula compromissória é de grande relevância. acordaram pela instituição do juízo arbitral. convenção de arbitragem tácita.

criteriosamente. (16) É nesta peça inicial que as partes. o compromisso arbitral. do artigo 7o. Ou seja. porém. conforme artigo 9o.3. o compromisso é o ato instituidor do juízo arbitral. (iii) quando tiver expirado o prazo fixado no compromisso e o árbitro. (ii) quando. embora notificado a respeito do prazo de 10 dias para apresentar a sentença arbitral.2 – Da extinção do Compromisso Arbitral O compromisso arbitral extingue-se nas hipóteses do artigo 12. ou seja. A primeira hipótese vem estabelecida no artigo 7o. as partes interessadas em resolver a controvérsia existente. devendo para tanto. 1. Ou ainda. que o compromisso arbitral é a convenção em que. §§ 1o ao 7o. de acordo com a lei. A segunda hipótese é tratada pelo §1o do artigo 9o.307/96. (i) quando qualquer árbitro recusar-se. Do Compromisso Arbitral judicial e extrajudicial O compromisso arbitral. Este compromisso é lavrado quando não foi instituída a cláusula compromissória e.3. (17) A – Do Compromisso Arbitral Judicial De acordo com a Lei de Arbitragem há duas hipóteses de compromisso arbitral celebrado em juízo. Do Compromisso Arbitral O Compromisso arbitral. de comum acordo. da Lei de Arbitragem. não apresente sua decisão. diferente da cláusula compromissória. que tratam das cláusulas obrigatórias e facultativas do compromisso arbitral. mesmo sem ter combinado. anteriormente. antes de aceita a nomeação. que é de submeter o conflito à apreciação de um árbitro.3. que submetem esta à decisão de um árbitro. definem todos os aspectos que serão observados no processo arbitral. em litígio na justiça comum. é celebrado após o surgimento da controvérsia entre as partes. manifestando a vontade de solucionar o conflito através da arbitragem. Conclui-se.1. fazendo com que a outra parte ingresse com um processo judicial requerendo o cumprimento da declaração de vontade instituída no contrato (cláusula compromissória). As partes. em favor da arbitragem. Esse compromisso. pode ser lavrado por escritura pública ou por documento particular. sendo procedente o pedido de instauração do procedimento arbitral. que não seria aceito substituto em caso de falecimento ou impossibilidade do árbitro proferir seu voto. surgindo o conflito entre as partes esse deveria ser solucionado pela arbitragem. da Lei de Arbitragem. como uma segunda espécie da convenção de arbitragem. decidem que o conflito existente será submetido à decisão de um árbitro. Ocorre quando as partes. pode ser judicial ou extrajudicial. a instituição da cláusula compromissória. voluntariamente. e as partes terem deliberado que não seria aceito substituto. da lei de arbitragem. serem observadas as regras dos artigos 10 e 11 da Lei 9. decidem optar pela arbitragem.CONTRATOs Em EsPÉCIE gera para a outra parte o direito de recorrer à Justiça comum para ver garantido a instauração do procedimento arbitral. 1. 1. (15) Ademais. B – Compromisso Arbitral Extrajudicial O compromisso arbitral extrajudicial vem regulado no § 2o. obrigatoriamente. renunciam à solução no Judiciário. desistem do processo judicial e lavram o compromisso arbitral. Ademais. e ocorre quando a cláusula compromissória já existe. uma das partes impõe resistência para se lavrar o compromisso arbitral. ressalte-se que. FGV DIREITO RIO 134 . portanto. da Lei de Arbitragem. do artigo 9o. é a primeira peça onde constam as regras que irão reger o processo arbitral. mas as partes. deliberado. lavrando-se então o compromisso arbitral. Esse é o entendimento do § 7o. também. assinado por duas testemunhas. não existe demanda ajuizada. a sentença judicial valerá como o compromisso arbitral. também.

071. Princípios e Origens da Lei de Arbitragem. Segurança capaz de garantir as partes. posteriormente. 3o.037 a 1048. instituto utilizado por vários paises. Ementário nº 2085-2. Selma Maria Ferreira. assim entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral.Sentença Estrangeira Contestada nº 6. p.Conclusão Diante desse modesto estudo. 5.307/96. 4. portanto. ainda. AASP/Revista do Advogado nº 51. STF . como se encontra normalizado.J. iniciando. – O compromisso arbitral retrata o conflito atual e específico. Ressalta-se que. artigos 1. pela consciência social e humana e não a que impõe a prática de doutrinas eivadas de mero logicismo”. se assim o convencionarem as mesmas Partes. essa cláusula refere-se a um conflito futuro e incerto. Câmara.753-7 – Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte. esta e aquela.CONTRATOs Em EsPÉCIE 2. afirmar que a arbitragem pode e deve ser utilizada por toda a sociedade brasileira como um instrumento alternativo a Justiça Comum. notas 1. quando então as partes lavram o compromisso prevendo as regras que serão utilizadas no juízo arbitral e. Lemes. que espontânea e consensualmente optaram por esse sistema privado e alternativo ao judiciário. 3. poderão as Partes nomear Juízes Árbitros. 9. 6. de 04/10/2002. “era em que o processo jurisdicional fique reservado para aqueles em que nenhuma outra forma de resolução de conflitos foi adequada”. Podendo. dos pontos relevantes da convenção de arbitragem – cláusula compromissória e compromisso arbitral –. de janeiro de 1996. também.Tribunal Pleno . é de que: – A cláusula compromissória poderá ser utilizada antes de surgir à controvérsia. deixando claro que. Suas sentenças serão executadas sem recurso. por ser mais ágil e objetiva na solução dos conflitos que envolvam direito patrimoniais disponíveis. tais como: Japão e Estados Unidos. (18) Por fim. Essas peculiaridades demonstram a precisão da nossa Lei de Arbitragem. vale transcrever aqui os ensinamentos do ilustre professor VICENTE RÁO.307 de 1996 – “ As partes interessadas podem submeter a solução de seus litígios ao juízo arbitral mediante convenção de arbitragem. sem dúvida alguma. a conclusão a que se chega. da Lei 9. art. cumpre salientar que. por entender que a Lei de Arbitragem reflete esse pensamento: “Boa só é a norma que traduz uma aspiração ou uma necessidade reveladas. na perspectiva de ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. uma nova era. esses conceitos dispostos na Lei nº 9. em um adendo. no Brasil.” 2. 32. uma segurança maior ao instituto da arbitragem no Brasil o que. Arbitragem – Lei nº 9307/96. Aliás. – Não cabe recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário. Alexandre Freitas. de 1o. tais como: – É prolatada por um árbitro escolhido livremente pelas partes. FGV DIREITO RIO 135 . D. – É auto-executável. Artigo 164 da Constituição Imperial do Brasil – “Nas causas cíveis e nas penais civilmente intentadas. p. anteriormente. A arbitragem. o árbitro regularmente escolhido para solucionar e prolatar a sentença arbitral. a solução de suas controvérsias através do juízo arbitral. Acórdão de 13/06/2002. a sentença arbitral tem o mesmo efeito da sentença judicial tendo. Lei nº 3. não tínhamos em nosso ordenamento jurídico. – A cláusula compromissória poderá ser acordada no momento judicial do negócio principal ou. algumas peculiaridades mais benéficas. se assim for a vontade das partes. em nosso ordenamento jurídico. hoje. traduzem hoje. reflete a modernidade do mundo globalizado.

753-7 – Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte. com a assinatura ou visto especialmente para essa cláusula. p. v. 12. 9o.Sentença Estrangeira Contestada nº 6. D.34 15. 8. Arbitragem – Lei nº 9307/96. Monteiro. p. 13. 28. 17. poderá a parte interessada requerer a citação da outra parte para comparecer m juízo. por Ovídio Rocha Barros Sandoval. Câmara. da Lei 9. Câmara.4. a fim de lavrar-se o compromisso. da Lei 9. Curso de Direito Civil. 14. desde que por escrito em documento anexo ou em negrito. Ementário nº 2085-2. com a sua instituição. p.Tribunal Pleno . Anotação (114) de atualização da obra. O Direito e a Vida dos Direitos. p. Ráo. Arbitragem – Lei nº 9307/96. Acórdão de 13/06/2002. 33. Arbitragem – Lei nº 9307/96. v. Alexandre Freitas. 53.J.” 16. Arbitragem no Brasil no terceiro ano de vigência da Lei nº 93047/96.” 18. expressamente. 34.307 de 1996 – “O compromisso arbitral é a convenção através da qual as partes submetem um litígio à arbitragem de uma ou mais pessoa. 10. Alexandre Freitas. 4o. Ibidem. STF . art. Vicente.307 de 1996 – “Nos contratos de adesão. 319. 159. art. Carmona.. 9. p.CONTRATOs Em EsPÉCIE 7. FGV DIREITO RIO 136 . designando o juiz audiência especial para tal fim.792. p. Ibidem. Carlos Alberto. A Aspectos Atuais da Arbitragem. podendo ser judicial ou extrajudicial..307 de 1996 – “Existindo cláusula compromissória e havendo resistência quanto à instituição da arbitragem. §2o. art. p. Alexandre Freitas. 7o. p. Washington de Barros. da Lei 9. Câmara.2. 11. de 04/10/2002. a cláusula compromissória só terá eficácia se o aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar.

MANCUSO. Resolução 2. 1. para inserção no seu relatório de diligência legal. 15. 349468. e os caminhões.099/74. ço financeiro da conhecida montadora nacional.1. Partes do Contrato de Leasing e suas Respectivas Obrigações. O contrato dos automóveis foi firmado com a Tupinambá Automóveis Arrendamento Mercantil S/A. Classificação e Características do Contrato. 1. do Conselho Monetário Nacional.309/96. Sílvio de Salvo.20. biblioGrafia CoMPleMentar VENOSA. 2006.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. vol. MARTINS. (v) o valor da opção de compra no final da vigência do contrato é quase igual ao valor de mercado dos bens arrendados. (ii) a propriedade dos automóveis é da arrendadora.20. São Paulo: Atlas. ed. eMentário de teMas Introdução e Conceito. Rio de Janeiro: Forense. 571 a 581.20.3. Fran.. biblioGrafia obriGatória Lei n° 6. Caso Gerador Durante a diligência legal dos Supermercados Pechincha. obrigando-se a manter os veículos em perfeito estado de funcionamento. AulAS 23 E 24: lEASINg. os utilitários. 1999. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. baseado nas informações fornecidas abaixo. p. (iii) prazo de vigência de 12 meses.4. que servem para realizar pequenas entregas de compras nas redondezas. Questões Controversas. (iv) o contrato pode ser rescindido a qualquer tempo pela arrendatária. ed. Modalidades. em sua maioria automóveis compactos.2.20. utilizados pela administração dos supermercados. Rodolfo de Camargo. 6. 1. 3. bra/A. Identifique quais os principais aspectos de cada contrato. 1. Direito Civil. e tem como principais caraterísticas: (i) o montante global das contraprestações a serem pagas pela empresa equivalem a 70% do valor de mercado dos carros objeto do leasing. os quais podem ser separados em três grandes grupos: os veículos leves. troca de peças etc. foram submetidos à sua análise contratos de “arrendamento mercantil” de veículos da frota do supermercado. FGV DIREITO RIO 137 . que também arcará com os custos da manutenção ordinária. fundamentais para todo o processo de logística e da distribuição das mercadorias. págs. 2001.20. Leasing. e (vi) toda a manutenção dos carros deverá ser feita em oficinas mecânicas credenciadas junto à arrendadora. tipo vans. Contratos e Obrigações Comerciais.

00. pelo valor unitário de R$3. ao final do prazo contratual. e como acontece muito no Direito. não se responsabilizando a financeira pelo bom funcionamento e manutenção dos caminhões. e é objeto de pouca regulamentação legal.20. o contrato prevê que esse valor deverá ser diluído nas prestações mensais. que. valendo o pagamento da última parcela como o exercício da opção. parágrafo único. (iv) as parcelas serão mensais e sucessivas. os Supermercados Pechincha poderão solicitar o aumento da frota inicialmente objeto do contrato. Embora sua origem remonte a épocas mais remotas.099/1974. que efetivamente traz regras sobre os contornos jurídicos do contrato. tratou de definir. Todavia. com vistas a permitir o avanço das atividades econômicas sem necessariamente aumentar o endividamento das empresas.. além da opção de compra. renomada empresa do ramo. sua utilização foi observada a partir da década seguinte. notificando a arrendadora previamente.00. No Brasil. a verificação de sua utilização. a arrendadora poderá requerer a busca e apreensão dos bens objeto do contrato. o contrato logo em seu art. de 60 (sessenta) meses. 1. do Conselho Monetário Nacional. (iii) ao final do prazo contratual. e a Resolução nº 2. entre 10% e 5% do seu valor de mercado. embora seja largamente utilizado no comércio. ela terá a opção de renovar o contrato por prazo semelhante. e (v) em caso de inadimplemento da obrigação do pagamento mensal. reajustadas periodicamente conforme a variação do dólar dos Estados Unidos em relação ao Real. isto é. sobretudo na aquisição de veículos automotores. a qual deverá ir ao mercado e adquirir os bens conforme especificados pela cliente. e possui como principais cláusulas: (i) todos os custos de manutenção deverão ser arcados pela arrendatária. sociedade limitada constituída conforme o código civil e cujo objeto social é o de administração de bens móveis próprios ou de terceiros. na década de 1950. embora trate mais de seus aspectos tributários. reajustáveis ao final de cada ano de vigência. roteiro de aula a) introdução e Conceito O contrato de leasing também é conhecido no Brasil como arrendamento mercantil. Esse contrato prevê que: (i) a arrendatária terá uma opção irrevogável de compra dos bens. sua utilização iniciou-se nos Estados Unidos. Trata-se de contrato atípico.CONTRATOs Em EsPÉCIE Os veículos utilitários de médio porte foram objeto de um contrato com a Afro Taboa Administração de Bens Ltda. ocasião em que a titularidade dos caminhões será transferida. 1º. mantidas as demais condições contratuais. conforme delegação da referida lei. (iii) o valor unitário da opção de compra de cada bem é de R$12. ainda que timidamente. e (iv) em caso de inadimplemento da obrigação do pagamento mensal. a arrendadora poderá requerer a busca e apreensão dos bens objeto do contrato. Por fim. pelas empresas e até mesmo pelas pessoas.000. no mundo dos fatos. (ii) um prazo de vigência de cinco anos. com um pequeno decréscimo no valor das parcelas mensais. FGV DIREITO RIO 138 . (ii) durante a vigência do contrato.309. durante os quais a arrendatária pagará prestações mensais. o contrato de leasing dos caminhões foi celebrado com a instituição financeira Ideal S/A Arrendamento Mercantil. irrevogavelmente. aos Supermercados Pechincha. Sua regulamentação obedece a dois diplomas específicos: a Lei nº 6. em função da deterioração normal do bem. sem previsão legal expressa no código.000. impôs a criação de normas jurídicas sobre o contrato.5.

se tornam arrendatárias em um contrato de leasing. e prevê a cobrança de juros. 37 FGV DIREITO RIO 139 . alugando-o posteriormente a ele por prazo certo. à transferência da posse do bem – encerra apenas um dos aspectos do contrato. composto de elementos de vários contratos típicos. Como no mútuo. Como na promessa de compra e venda. na forma e no tempo devidos. cuidado ao ler os textos sobre o tema. o fato de ser multifacetado não faz com que ele deixe de constituir um único negócio jurídico. Muitas vezes é a transferência da posse sua característica mais importante.CONTRATOs Em EsPÉCIE Além dessas normas. Como no mandato. Uma boa conceituação é fornecida por Silvio Venosa37. para quem o contrato é aquele “mediante o qual um agente. Direito Civil. como se verá. portanto. contrariando a orientação anterior que restringia essa modalidade contratual aos bens móveis. como a locação. a renovação do contrato ou a compra pelo preço residual conforme estabelecido”. o mútuo e o mandato. obriga a transferência da propriedade do bem mediante o pagamento do valor previsto no contrato. embora quem vá comprá-lo seja a arrendadora. Tanto é assim que a jurisprudência nacional não aplica às operações de arrendamento mercantil a Súmula 492 do STF. atualmente. como veremos adiante. com uma única causa jurídica. em nenhuma fórmula desenhada aprioristicamente pelo legislador. de acordo com as cláusulas contratuais negociadas entre as partes. faz com que instituição financeira ou especializada o adquira. sem dúvida alguma. a noção de arrendamento – equivalente. e há quem preferiria chamar essa modalidade contratual de “locação financeira”. podem ser inseridas no contrato. muitas vezes até sem saber. encerra o financiamento do valor global do bem. atípico. a designação de “arrendamento mercantil” é largamente utilizada e. Vale ressaltar que boa parte da doutrina o qualifica como uma modalidade de financiamento ao arrendatário. hoje em dia há um sem número de pessoas físicas que. de certa forma. Contudo. corresponde ao leasing no direito brasileiro. não faria sentido qualificá-lo como mercantil. p. como a modalidade do leasing financeiro é a mais comum. 3. Lembre-se sempre: o leasing é um contrato excepcional. Assim. O contrato. como a locação. Além desses caracteres mais usuais. A doutrina o qualifica como uma relação contratual complexa. são Paulo: Atlas. Suas características serão sempre verificadas no caso concreto. no âmbito da autonomia privada. pretendendo utilizar coisa móvel ou imóvel. alguns autores tomam a espécie pelo gênero e confundem os contornos dessa modalidade com a do próprio contrato. transfere a posse do bem para o arrendatário. que cria uma solidariedade entre o locatário e a empresa de locação de automóveis quanto à responsabilidade perante os danos causados a terceiros. outras cláusulas que sirvam ao interesse das partes. O que ocorre é que. facultando-se-lhe a final que opte entre a devolução do bem. 2006. a compra e venda. se inicialmente ele era direcionado às empresas. 6. que não se enquadra. 571-572.514/1997 criou a possibilidade de bens imóveis serem objeto de arrendamento mercantil. muitas vezes o arrendatário é quem trata da escolha dos bens com o vendedor. A nomenclatura de “arrendamento mercantil” sofre algumas críticas na doutrina. VENOsA. hoje. a Lei nº 9. nem sempre o caráter financeiro é o que sobressai na contratação do leasing. Além disso. ed. sílvio de salvo. inclusive na contramão da tendência moderna de unificação do direito privado. como no caso da modalidade operacional. v. No entanto. De fato. Portanto. Todavia.

Há casos também (sobretudo em contratos relativos a equipamentos de informática) em que a renovação implica em troca dos bens por modelos mais modernos ou mais novos. Tem também a obrigação de receber os bens de volta ao fim do prazo.CONTRATOs Em EsPÉCIE b) Classificação e Características do Contrato A doutrina considera o contrato: (i) consensual. O arrendador.. caso não haja nem a renovação do prazo nem o exercício da opção de compra. respondendo pelos prejuízos que causar ao bem. contudo. C) Partes do Contrato de leasing e suas respectivas obrigações. somente operacional. e é exclusiva desse tipo de sociedade. pelo menos até o exercício da opção de compra. contanto que não opere com a modalidade financeira.309 impõe a forma escrita ao contrato (instrumento público ou particular) e determina a inserção de determinadas cláusulas no seu corpo. a existência de cláusula que permita o término antecipado do contrato. em que o arrendador responde somente pela manutenção ordinária e pelo desgaste natural do bem arrendado. FGV DIREITO RIO 140 . pelo fim do seu prazo. o desenvolvimento dessa atividade. Além disso. pelo distrato ou pela falência da arrendadora. 2. uma pessoa jurídica. embora mantenha a sua propriedade. não sendo necessária a entrega da coisa. (iv) oneroso. Deve constar do seu objeto social. A obrigação primordial do arrendador é a de entregar o bem para o arrendatário. a transferência da posse do bem) e para o arrendatário (o pagamento das parcelas convencionadas). entretanto. Ocorre também pelo inadimplemento. quando o arrendatário poderá escolher entre exercer a opção de compra. porque o art. mesmo no caso de leasing operacional. (v) comutativo. A expressão “arrendamento mercantil” deve constar de sua denominação. g. pessoas físicas também podem ser parte num contrato de leasing. em virtude da liquidez e certeza das prestações. garantindo a posse mansa e pacífica do seu contratante. São duas as partes do contrato de leasing: o arrendador e o arrendatário. A extinção do contrato se dá. obrigatoriamente. ordinariamente.099/1974. conforme determina a Resolução do CMN. pois ambos os contratantes têm ônus aos quais correspondem deveres. (ii) bilateral. o arrendatário possui a obrigação de devolver a coisa no final do prazo contratual. Finalmente. no estatuto. é necessária a autorização de funcionamento do BACEN. mas em regra gera sua extinção e o direito de o arrendador se reintegrar na posse dos bens arrendados. Seu inadimplemento terá conseqüências diversas conforme o contrato. caso não haja exercício da opção. principalmente em contratos de leasing financeiro. hoje. (iii) solene. mediante o pagamento do restante da dívida. cada período contando como uma parte da relação contratual. Todavia. pois a própria manifestação de vontade aperfeiçoa o contrato. Inicialmente. pois encerra obrigação para o arrendador (e. conforme a redação original da Lei nº 6. a renovação do prazo do arrendamento ou a devolução do bem. expressamente. (vi) por tempo determinado e de execução sucessiva. É também freqüente. Não precisa. em virtude de sua vigência contínua pelo seu prazo. a redação desse dispositivo foi alterada e. valor e tempo estipulados no contrato. deve o arrendatário zelar pela conservação dos bens. deve necessariamente ser uma sociedade anônima autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil. Nos dois casos. 7º da Res. ser necessariamente uma instituição financeira. em prontas condições de uso para a finalidade acordada. A obrigação fundamental do arrendatário é a de pagar as prestações na forma. o arrendatário deveria ser. O arrendatário é aquele que se utiliza do bem.

a Resolução 2. para levantar recursos imediatos.309). são relativamente mais altas. A variação cambial nos contratos é em regra proibida por força do art. já sob a forma de leasing. mas dotado de características próprias. fica com a arrendadora e não com o financiado. art. Geralmente pode ser resilido unilateralmente pelo arrendatário. obrigando-se ainda a prestar assistência técnica e manutenção nos bens arrendados.309. sobre os quais incidirão juros e que serão pagos nas prestações periódicas previstas no arrendamento mercantil. Sua lógica econômica é a de constituir um financiamento para um agente econômico (pessoas ou empresas). em muitos casos. na aquisição de um determinado bem. se admitia sua pactuação nos contratos de arrendamento mercantil. o exercício da opção de compra é quase uma certeza. nem mesmo na Resolução nº 2. Assim. O novo código não alterou essa sistemática. em que o arrendatário escolhe os bens a serem objeto do arrendamento.CONTRATOs Em EsPÉCIE Existe. não há interveniência da fornecedora original. e foi a partir dele que se desenvolveu originalmente esse tipo de contrato. como a elas é permitida a captação de recursos no exterior para fazer frente às suas operações. que transfere a posse dos bens para o arrendatário por um determinado prazo. Do ponto de vista prático. é que o bem não é originalmente de titularidade do arrendador. Por outro lado. FGV DIREITO RIO 141 . Nesse caso. ao pagar o preço. e. sem que. em geral o arrendador é o próprio fabricante. Existem duas espécies – embora a autonomia privada possa criar outras figuras ou até mesmo figuras híbridas – de leasing reconhecidas no direito brasileiro (cf. Uma subespécie de leasing financeiro é o conhecido como sale lease-back. sujeitas à regulamentação do Banco Central. o operacional e o financeiro. que também foi inserida na Lei do Plano Real (Lei nº 8. 6º). esse agente deva contratar um financiamento direto em seu nome junto ao fornecedor ou a um banco (onde as taxas de juros em geral são bem mais altas). a interveniência do vendedor do bem no contrato de leasing financeiro. na medida em que. por si só. outro traço que difere o leasing do financiamento. transfere sua posse ao arrendatário. Finalmente. ao contrário do que ocorre no financeiro. também conhecido como puro. ao contrário do que ocorre no mútuo bancário comum. Nesses casos. existe a modalidade de leasing operacional. d) Modalidades. pois a arrendatária efetivamente recebe recursos em dinheiro oriundos da venda do bem. 318 do código civil. competindo às partes originárias concordarem sobre os demais termos do arrendamento. durante a vigência do contrato.880/1994. vende o bem para a empresa de arrendamento mercantil. o leasing financeiro clássico e o lease-back são atividades privativas de instituição financeira. para a obtenção de capital de giro. contudo. é o tradicional. Nessa modalidade. o risco da variação cambial pode ser repassado ao arrendatário. mediante cláusula que reajuste o valor das prestações pela cotação da moeda estrangeira. As prestações. Em linhas gerais. mas desde o antigo Decreto-Lei nº 857/1969. pois o bem já era de propriedade da arrendatária. a regra é que o vendedor esteja no contrato para garantir prazos de entrega. como o fato de que a propriedade do bem. o valor da opção de compra – conhecido comumente como valor residual garantido ou VRG – é de pequena monta se comparado às prestações. especificações técnicas etc. imediatamente após. compra o bem do fornecedor. que imediatamente transfere (fictamente) a posse dele de volta para sua antiga proprietária. pois remuneram não só o uso da coisa como também o seu custo de aquisição.. se a “causa” do contrato é o financiamento. ainda em vigor. Nesse caso. Por conta dessas características marcantes de intermediação financeira. é um financiamento. Nesse caso. Esse tipo de operação não tem previsão legal no nosso ordenamento. O leasing financeiro. ocorre que o arrendatário escolhe o bem e o arrendador. É claro que o leasing financeiro. o bem arrendado é originalmente de titularidade do arrendatário que. o sale lease-back muito se assemelha ao mútuo. que vai ao mercado adquiri-lo conforme as instruções do arrendatário.

como já vimos. onde o valor da opção é relativamente pequeno. portanto. descaracterizando o arrendamento nessa hipótese. como não há o caráter financeiro. Posteriormente. que editou a Súmula 263. adquiriram maior relevância no cenário jurídico nos últimos anos. Vale ressaltar que. Além disso. Esse impacto foi maximizado pelo fato de que. a possibilidade de repassar para as prestações a variação de moeda estrangeira em relação à moeda nacional também gerou uma enxurrada de ações judiciais. Se no leasing financeiro ressalta-se o caráter do mútuo. na corte superior. o inadimplemento gera a resolução do contrato em perdas e danos. o valor referente à opção de compra já estaria quitado e. nas próprias prestações periódicas. segundo a qual “a cobrança antecipada do valor residual (VRG) descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil. apesar da mudança de entendimento do STJ. atualmente. deveria ser cobrada necessariamente ao final do contrato. o contrato de leasing sempre suscitou questões controversas na jurisprudência nacional. Duas delas. que pacificou. Como vimos. com o preço sendo financiado pelo vendedor (no caso. a empresa de arrendamento mercantil). embora. o que só faz aumentar a insegurança jurídica no assunto. por exemplo. Vide. descaracterizando na hipótese o contrato como leasing.CONTRATOs Em EsPÉCIE Nesse caso. configurando-se o negócio como compra e venda ou como mútuo. Esse entendimento chegou a ser cristalizado no STJ. embora se diluindo o VRG nas demais prestações. a corte reviu o seu posicionamento. No leasing financeiro. O consumidor vai à concessionária. Com isso. como numa locação comum. a propriedade do bem era automaticamente transmitida ao arrendatário. todavia. alguns tribunais ainda seguem a linha da Súmula 263. o entendimento que “a cobrança antecipada do valor residual garantido (VRG) não descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil”. com o reflexo correspondente nos contratos de arrendamento mercantil. quando a mudança do regime cambial brasileiro fez com que a cotação do dólar dos Estados Unidos praticamente dobrasse em menos de um mês. transformando-o em compra e venda a prestação”.230/RS no STJ. que caracterizaria o contrato. sobreveio o cancelamento da Súmula 263 e a subseqüente edição da Súmula 293. os contornos próprios do arrendamento mercantil impedem que ele seja caracterizado ou enquadrado como um ou outro. Nesse caso. no operacional o traço da locação é mais marcante. e passou a entender que. FGV DIREITO RIO 142 . o valor da opção de compra tende a ser expressivo. como a possibilidade de renovação e a manutenção da propriedade do bem com o arrendador. Talvez pela pouca produção legislativa sobre o tema. balizada na melhor doutrina. uma parcela do VRG. Parte da doutrina passou a enxergar nesse tipo de ajuste uma compra e venda a prestações disfarçada. o julgamento no RESP 237. enquanto o consumidor usufruta do bem. de modo que. pois a descaracterização do leasing implica no impedimento da propositura de ação de reintegração de posse. A primeira delas é a discussão sobre se a diluição do chamado VRG nas demais prestações do contrato descaracteriza o leasing. como visto. quando do último pagamento por parte do arrendatário. Essa controvérsia tem grande relevância prática. na hipótese de falta de pagamento das prestações acordadas. pois as prestações em regra equivalem somente ao custo pelo uso do bem. no entanto. e uma sociedade de arrendamento mercantil financia o valor. e) questões Controversas. a opção de compra. existem outras características marcadamente do contrato de leasing que permanecem presentes. as empresas passaram a embutir. mas o arrendador não faz jus à retomada do bem. o valor residual é aquele correspondente à opção de compra conferida ao arrendatário no final do prazo do contrato. sobretudo a partir de janeiro de 1999. escolhe o carro. a compra de automóveis por meio de um leasing financeiro é uma operação corriqueira.

na prática..20. a jurisprudência tenha chegado a uma conclusão definitiva sobre o assunto. da legislação especial. Os consumidores lesados. redija um parecer a respeito da questão. por não cumprimento do contrato. com base na idéia de que o arrendador teria que provar que houve captação de recursos em moeda estrangeira especificamente para o contrato daquele consumidor que estava propondo a ação. dividindo pela metade o prejuízo decorrente do aumento das prestações do arrendamento mercantil em virtude da mudança de regime cambial e a conseqüente disparada da cotação da moeda estrangeira (e. e quais são elas.. por sua vez. parou de efetuar o pagamento e pleiteou judicialmente a anulação do contrato. A empresa Arrendamento mercantil s. as empresas de arrendamento mercantil defendiam a liceidade do contrato baseado não só no permissivo legal de variação cambial da Lei nº 8. pois não há uma relação determinada de correspondência. 51. FGV DIREITO RIO 143 .. Posteriormente. e. contudo. por sua vez. nas tesourarias bancárias e das instituições de arrendamento.880/1994.. as prestações aumentaram vertiginosamente. não havendo nenhum tipo de exceção à regra estabelecida no art.880/1994. IV. entre as operações de captação e de financiamento.A. interpôs ação de reintegração de posse para haver a restituição do bem. e. não haveria porque esta disposição ser afastada pelo Poder Judiciário. Outros preferiam prestigiar a livre autonomia privada. e abordando especialmente os seguintes aspectos: • se a cobrança antecipada do VRg descaracteriza o leasing. era impossível.CONTRATOs Em EsPÉCIE Como esses contratos previam a variação cambial. • a hipótese da reintegração de posse proposta pela arrendante. questões de ConCurso Petrobras – 2003 – Advogado Júnior A empresa Dinamismo s. 6º da Lei nº 8.A. não é contrato de consumo e. diante do inadimplemento de mais de três prestações. ao alegar que o arrendatário assinou um contrato – sem a existência de qualquer vício –.. deveriam ser fulminadas com a nulidade prevista no art.) [não relacionada à matéria] • o direito do arrendatário à restituição de todas as parcelas pagas ou das parcelas pagas a título de antecipação do VRg. aplicando-se o Código de Defesa do Consumidor. sem que.)[não relacionada à matéria]. um contrato de leasing financeiro em que se previa a cobrança antecipada do valor residual garantido (VRg). como também sob a alegação de que o leasing. não se sujeita ao CDC. quando for o caso. firmou com a empresa Arrendamento mercantil s.A. se este ainda conserva as opções previstas para o término do contrato. portanto. que previa a variação cambial. a empresa Dinamismo s. em manifesta desvantagem para o consumidor. g. por isso. 1. Diante da situação hipotética apresentada acima.A. com base na legislação vigente. • (. pleiteando a perda das quantias pagas pela arrendatária. conforme permissão legal. Todavia. • na hipótese de serem pagas todas as prestações pelo arrendatário. o STJ tem optado por uma solução salomônica. sobre o qual incidiam juros de 20% ao ano e juros capitalizados. seriam abusivas as cláusulas que previam a variação cambial e. quando já havia pago 75% das prestações. sendo assim. manifestando válida e livremente a sua vontade. REsp 727899 / DF). o que estaria em desacordo com o código de defesa do consumidor..6. Alguns juízes afastavam o comando do art. pela sua estrutura contratual complexa. Essa discussão se arrastou (e ainda se arrasta) nos tribunais. 2º do CDC. • (. explicando fundamentadamente o seu ponto de vista. o que. diziam se enquadrar perfeitamente no conceito legal de consumidor. Por um lado. que arca com todo o aumento. em dobro. sentindo-se prejudicada com os termos do contrato.

1. Artigo disponível em http://conjur. analisando aula por aula e relembrando os casos e discussões deste semestre. quando possível. Fiança.. Comissão.2. O aluno deverá identificar no relatório os contratos a que teve acesso e os que apenas teve conhecimento. assim como questões que possam afetar o funcionamento do supermercado no futuro. Jogo e Aposta. Depósito.estadao. Seguro. uma sugestão para resolvê-los ou mitigá-los.com. Troca ou Permuta. Distribuição. Acesso em 04.21. Leasing. Empreitada.21. Agência. trabalHo Hoje os alunos deverão apresentar e discutir em sala de aula o seu relatório da diligência. (em anexo) 1. Maria Neuenschwander Escosteguy. Comodato. Ao elaborar o relatório. AulA 25: RESulTAdO dA dIlIgêNCIA.21. O relatório deverá conter três partes: (i) Sumário – com a indicação dos pontos que são mais importantes para o cliente. Mútuo. um panorama com a situação atual dos contratos da empresa.3. Locação.br/static/ text/38413. Por exemplo: contratos que possam impedir ou dificultar a aquisição do supermercado ou que possam desvalorizar o supermercado no futuro. biblioGrafia obriGatória CARNEIRO. Consultor jurídico. mas também aqueles sobre os quais obtiveram informações.A. 1. destacando os problemas encontrados e. Doação.21. Transação e Compromisso.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Mandato. (ii) Lista de contratos que foram objeto da diligência – O aluno deverá incluir em seu relatório não apenas os contratos que foram efetivamente fornecidos em sala de aula. 1. Licença e Cessão da Marca.ago. os alunos deverão aproveitar para fazer uma boa revisão da matéria. FGV DIREITO RIO 144 . (iii) Descrição de cada contrato e das questões levantadas durante a diligência que possam ser de interesse ao cliente. Prestação de Serviços. eMentário de teMas Compra e Venda. Grana Certa Empreendimentos S. Beabá das fusões Due Diligence jurídica garante lisura de operações. Vale lembrar que o relatório de diligência da área de contratos deve abranger o maior número de questões que possam vir a afetar a aquisição das quotas do Supermercado Pechincha. Contrato Estimatório.1.2006. É preciso dar ao cliente.

Assunto discutido entre os especialistas é a abrangência dos relatórios de due diligence. que as due diligences jurídicas devem identificar também passivos decorrentes de potenciais focos de preocupação concorrencial ou mesmo de investigações em curso pelos órgãos de defesa da concorrência. foi mesmo na prática empresarial que as due diligences jurídicas se firmaram. conceito este que foi sendo trabalhado em decisões dos tribunais norte-americanos. garantias a prestar. Contudo. identificar problemas a serem resolvidos após a concretização do negócio. Alguns autores informam que as due diligences jurídicas teriam surgido a partir do conceito do Direito Romano “diligentia quam suis rebus” (diligência de um cidadão em gerenciar suas coisas). A identificação de contingências em momento anterior ao closing da operação favorece a empresa interessada. Desta forma. consoante cada caso concreto. podem até mesmo inviabilizar o projeto empresarial. os quais podem gerar responsabilidades vultosas (imediatas e futuras) e que. Releva esclarecer que a due diligence não existe como figura jurídica autônoma na legislação brasileira. dentre outros. podendo ser aconselhável em diversos momentos da negociação. destinando-se sempre à conclusão sobre a viabilidade da operação. Nas fusões e aquisições. poderia buscar a reparação de perdas e danos no Poder Judiciário. O Cade expôs que a penalidade havia sido imposta à pessoa jurídica e não a seus acionistas e que se o novo sócio entendia-se lesado. Esta investigação pode abranger aspectos pessoais dos sócios. Não menos relevante é a identificação dos passivos tributário. determinação de responsabilidades ou outras. é recomendável uma profunda e pormenorizada investigação em todos os aspectos jurídicos de uma companhia objeto de qualquer modalidade de aquisição. trabalhista. no primeiro semestre de 2005. estabelecimentos. O volume de informações e documentos manuseados em uma due diligence pode ser tão grande que acaba fazendo com que vários profissionais tenham de se acomodar nas sedes das sociedades envolvidas. o potencial de crescimento do negócio. o mais adequado é entendê-la como uma metodologia — e não como uma obrigação legal — a ser utilizada opcionalmente pelas partes. Atrelada a este aumento. As due diligences jurídicas podem ser definidas como procedimentos sistemáticos preventivos de revisão e análise de informações e documentos. ou mesmo exigir maiores garantias do vendedor. Além disso. previdenciário e ambiental. comparado ao primeiro semestre de 2004. já que eventuais penalidades aplicadas pela Autoridade Antitruste podem representar a eliminação do ganho naquela aquisição. implicações financeiras. não foram apresentadas provas ao Cade de que a empresa teria continuado a participar da colusão. com vistas à apuração dos riscos ínsitos à atividade desenvolvida pelas empresas. Exemplo disso ocorreu recentemente: o controle de uma das 18 empresas do setor de mineração e britas para a construção civil com atuação na região metropolitana de São Paulo condenadas pelo Cade — Conselho Administrativo de Defesa Econômica por formação de cartel para divisão do mercado havia sido adquirido por um novo sócio e. após a aquisição.CONTRATOs Em EsPÉCIE Beabá das fusões due diligence jurídica garante lisura de operações por Maria neuenschwander escosteguy Carneiro Segundo noticiou a Imprensa. as particularidades inerentes às operações podem exigir o trabalho conjunto de profissionais de várias áreas. se não forem bem e previamente dimensionados. houve um aumento de 38% no número de fusões e aquisições. Esta situação demonstra que assuntos concorrenciais podem afetar a avaliação dos ativos adquiridos em uma operação de aquisição de controle. permitindo renegociar o preço final. o nível de competição do setor. fundos de comércio e dos ativos que as compõem. avaliação dos riscos inerentes. visando à verificação da situação de sociedades. FGV DIREITO RIO 145 . ademais. está a necessidade de realização das chamadas “due diligences” jurídicas. Cabe destacar.

Revista Consultor Jurídico. todas as variáveis que merecem ser analisadas antes da conclusão de negócios envolvendo operações de fusões e aquisições de empresas. pois. com muita clareza e com elevado grau de segurança. FGV DIREITO RIO 146 .CONTRATOs Em EsPÉCIE Verifica-se. 4 de outubro de 2005. capazes de demonstrar. a importância da adoção de cuidadosos procedimentos de due diligence.

Cartórios de Protestos de Letras e Títulos. Jeremias Russo. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy. AulA 26: ClOSINg! 1. empresário. estipular ou impugnar cláusulas e condições. Estaduais. brasileiro. celebrar. o senhor Odin Heiro regateou com o senhor Eduardo Russo o preço das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda.002. portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx. empresário. prorrogar. Eduardo Russo Relembrando o que aprendemos na aula de mandato.22. Distrito Federal. Cidade e Estado do Rio de Janeiro. residente e domiciliado em Brasília. solteiro. órgãos ambientais e órgãos regulatórios. representada na forma de seu estatuto social. EDUARDO RUSSO. brasileiro.222/0001-22. o senhor Eduardo Russo pretende outorgar uma procuração a seu filho para que ele o represente. e EDUARDO RUSSO. residente e domiciliado em Brasília. Caso Gerador Após analisar cuidadosamente nosso relatório de due diligence e resolver as questões relacionadas às marcas do Supermercado Pechincha. alterar. para (i) celebrar quaisquer contratos. inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101. a aquisição das quotas do supermercado seria um bom negócio. empresário. fomos chamados para ajudá-lo no closing. Fica vedado o substabelecimento dos poderes outorgados por este mandato. inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202. Cartórios de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. neste ato representado por seu procurador. 2222. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy.22. brasileiro. brasileiro. Esta procuração terá validade de 30 dias após a data de assinatura do mandato. O primeiro deles é uma minuta de procuração. FGV DIREITO RIO 147 . (ii) representar o Outorgante junto às Repartições Públicas. Distrito Federal (“Outorgado”). residente e domiciliado em Brasília. Federais. Sendo assim. Distrito Federal (“Outorgante”) nomeia e constitui como seu bastante procurador. no fechamento do negócio. mesmo com as questões encontradas na due diligence. ou seja. foi a minuta do contrato de compra e venda de quotas abaixo. inscrita no CNPJ sob o n° 002. PROCURAÇÃO Pelo presente instrumento particular de mandato. solteiro. casado. Municipais e Autárquicas. Juntas Comerciais.1. Não tendo certeza de que poderá comparecer pessoalmente ao evento de assinatura do contrato de compra e venda das quotas. Secretaria de Estado de Negócios da Fazenda Estadual. companhia com sede na Rua ABC. empresário. portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx. casado. bem como praticar todos os atos necessários ao fiel cumprimento deste mandato. que sugestões você poderia fazer na procuração? E se tivéssemos acesso àquela procuração apenas na data da assinatura do contrato e não pudéssemos fazer sugestões antes do closing? Que providência poderia ser tomada para dar mais segurança ao nosso cliente quanto à assinatura do contrato pelo senhor Jeremias? O outro documento que o senhor Odin Heiro nos deu. rescindir e assinar quaisquer contratos em nome do Outorgante. inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101. e considerou que. JEREMIAS RUSSO. Ele nos mostrou dois documentos que recebeu do advogado do senhor Eduardo Russo e pediu nossos comentários. doravante denominada simplesmente “Compradora”. conforme minuta em anexo. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE QUOTAS GRANA CERTA EMPREENDIMENTOS S/A.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.

Distrito Federal.000. sociedade com sede na Quadra XYZ. CONSIDERANDO QUE: (i) O Vendedor é legítimo possuidor e proprietário de x quotas representativas de 99% (noventa e nove por cento) do capital social da Sociedade (“Quotas”).] da agência [.CONTRATOs Em EsPÉCIE inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202...1.1. entre si. CLÁUSULA TERCEIRA – TRANSFERÊNCIA DAS QUOTAS 3..1 abaixo... O preço certo.000. declara que as Quotas foram regularmente integralizadas e se encontram inteiramente livres e desembaraçadas de ônus.] do Banco [.]. Pelo presente Contrato e na melhor forma de direito. mencionado na Cláusula Segunda... 1. O Vendedor e a Compradora (doravante referidos simplesmente como “Partes”) têm. com todos os respectivos direitos e obrigações. a totalidade de suas Quotas representativas do capital social da Sociedade à Compradora. pelo preço certo e ajustado estabelecido na Cláusula 2.] da agência [. Uma vez creditado na conta-corrente do Vendedor.. a ser pago pela Compradora ao Vendedor da seguinte forma: (a) R$ 250.DA COMPRA E VENDA DAS QUOTAS 1. mediante depósito na conta-corrente nº [. da totalidade do Preço devido ao Vendedor. usufrutos ou qualquer outra restrição à posse e/ou a qualquer outro direito inerente a tais Quotas. o Vendedor cede e transfere...]. turbações.000.000.00 (um milhão de reais) (“Preço”).. (c) R$ 500. doravante denominada simplesmente “Sociedade”. na qualidade de interveniente-anuente: PECHINCHA COMÉRCIO VAREJISTA LTDA. rasa e geral quitação com relação ao valor pago.. CLÁUSULA SEGUNDA .DISPOSIÇÕES GERAIS 4.1. neste ato. Distrito Federal.000.000.] do Banco [. e.1 acima..]. por meio da entrega pela Compradora ao Vendedor do cheque administrativo nº [.1. doravante denominado simplesmente “Vendedor”. O não exercício ou atraso por qualquer das Partes e/ou da Sociedade. ainda.002/0001-00. herdeiros. seus sucessores.2.1. CLÁUSULA QUARTA . o Vendedor outorgará à Compradora. de acordo com as seguintes cláusulas e condições: CLÁUSULA PRIMEIRA .. mediante a assinatura da competente alteração do contrato social da Sociedade. o pagamento das parcelas que perfazem o Preço. e (ii) O Vendedor deseja alienar as Quotas. justa e contratada a celebração do presente Contrato de Compra e Venda de Quotas (“Contrato”). Brasília. nos termos ajustados pelo presente instrumento.] da conta-corrente nº [.1. mediante depósito na conta-corrente nº [. e que a Compradora deseja adquiri-las. residente e domiciliado em Brasília. e somente poderá ser alterado por instrumento escrito devidamente assinado por todas as Partes.00 (quinhentos mil reais) a serem pagos um ano após esta data.2.] da agência [.00 (duzentos e cinqüenta mil reais) pagos neste ato.] do Banco [. constantes do item 2.00 (duzentos e cinqüenta mil reais) a serem pagos em até 90 dias a contar desta data. a qualquer título.. e (b) R$ 250.. inscrita no CNPJ sob o n° 000. A transferência das Quotas será formalizada no ato do pagamento pela Compradora.FORMA DE PAGAMENTO 2. O Vendedor... encargos. no exercício de qualquer direito previsto neste Contrato deverá ser interpretado individualmente e não poderá ser considerado como renúncia por FGV DIREITO RIO 148 . representada na forma de seu contrato social. gravames.. total e ajustado para a aquisição das Quotas é de R$ 1. O presente Contrato é celebrado em caráter irrevogável e irretratável e obriga e aproveita às Partes e à Sociedade. cessionários e representantes legais. 4.. 2. plena..

8. essa disposição será suprimida e não terá nenhuma força e efeito. a esse respeito.10. cabal e exclusivo entre as Partes com relação à compra e venda das Quotas.9.8. [dia] de novembro de 2006. por mais privilegiado que possa ser. O presente Contrato ou quaisquer direitos e/ou obrigações dele oriundos não poderão ser cedidos sem o prévio e expresso consentimento das Partes e da Sociedade. e somente produzirá efeitos. 632.1 do presente Contrato será de exclusiva responsabilidade da Compradora. assim como as obrigações de fazer. inciso II.4. O presente Contrato constitui o acordo final. E por estarem certas e ajustadas. Toda e qualquer alteração das disposições do presente Contrato somente será válida e exeqüível. na presença de 02 (duas) testemunhas. 4. 4. à exclusão de qualquer outro. 4. Tendo em vista que somos advogados da compradora: (a) que alterações poderíamos propor na minuta acima? (b) que novas cláusulas poderíamos sugerir? FGV DIREITO RIO 149 . as demais disposições serão modificadas para preservar sua exeqüibilidade.6. Na hipótese de qualquer disposição ou parte de qualquer disposição deste Contrato ser tida como nula. substituindo todos os acordos.1. Testemunhas: 1. as Partes assinam este Contrato em 03 (três) vias de igual teor e efeito. inclusive quaisquer despesas decorrentes de serviços profissionais por ele contratados. 4. sendo considerada como mero ato de liberalidade. Fica eleito o foro da Comarca do Rio de Janeiro. Entretanto. (ii) por meio de carta registrada.3. 4. orais ou escritos. 4. constitui título executivo extrajudicial. assinado por 02 (duas) testemunhas. Nome: CPF/MF: Grana Certa Empreendimentos S/A 2.CONTRATOs Em EsPÉCIE qualquer das Partes ou novação de qualquer obrigação contida neste Contrato. 639 e seguintes do Código de Processo Civil. do Código de Processo Civil. se essa disposição suprimida prejudicar a execução deste Contrato. aqui contidas. As Partes declaram e reconhecem que o presente Contrato. Todas as notificações e comunicações a serem feitas com relação ao presente Contrato serão elaboradas por escrito e serão enviadas para os endereços constantes do preâmbulo deste Contrato (i) por meio de Cartório de Títulos e Documentos. Fica ajustado entre as Partes que as despesas decorrentes do arquivamento da alteração contratual referida na cláusula 3. conforme o caso. para dirimir quaisquer questões oriundas deste Contrato. Rio de Janeiro. anulada ou inexeqüível. por qualquer motivo. entendimentos e declarações anteriores. a qualquer tempo. 4. 4. Quaisquer dos endereços constantes do preâmbulo poderão ser alterados. mediante comunicação dada na forma prevista acima. Nome: CPF/MF Cabe notar que se trata de minuta bem simples e similar à minuta que analisamos em nossa segunda aula. nos termos dos artigos 461. se formalizada mediante instrumento escrito assinado pelas Partes e pela Sociedade. entretanto a respectiva comunicação de alteração de endereço só tornarse-á efetiva após o recebimento pela outra Parte e/ou pela Sociedade. 4. nos termos do artigo 585. ou (iii) com outra comprovação inequívoca de recebimento.5. comportam execução específica.7. Eduardo Russo Pechincha Comércio Varejista Ltda.

Chefe do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação – ITI. Ex-Procurador. Doutorando e Mestre em Direito Civil pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. FGV DIREITO RIO 150 . Especialista em Propriedade Intelectual pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio. Trabalhou por mais de 5 anos em escritório no Rio de Janeiro. Ex-Coordenador de Desenvolvimento Acadêmico do Programa de Pós-Graduação da FGV Direito Rio. Líder de Projetos do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV DIREITODIREITO RIO. Autor do livro “Direitos Autorais na Internet e o Uso de Obras Alheias”.CONTRATOS EM ESPÉCIE SÉRGIO VIEIRA BRANCO JÚNIOR Professor de direito da graduação e da pós-graduação na FGV DIREITODIREITO RIO. Graduado em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Ex-professor de Direitos Autorais da UERJ.

CONTRATOs Em EsPÉCIE FICHA TÉCNICA fundação getulio Vargas carlos ivan simonsen leal presidente fgV direito rio Joaquim falcão diretor fernando penteado VICE-DIRETOR ADmINIsTRATIVO luís fernando schuartz VICE-DIRETOR ACADÊmICO sérgio guerra VICE-DIRETOR DE PÓs-GRADUAÇÃO PROFEssOR COORDENADOR DO PROGRAmA DE CAPACITAÇÃO Em PODER JUDICIÁRIO luiz roberto Ayoub ronaldo lemos COORDENADOR DO CENTRO DE TECNOLOGIA E sOCIEDADE evandro menezes de carvalho rogério barcelos COORDENADOR ACADÊmICO DA GRADUAÇÃO COORDENADOR DE ENsINO DA GRADUAÇÃO tânia rangel COORDENADORA DE mATERIAL DIDÁTICO COORDENADORA DE ATIVIDADEs COmPLEmENTAREs Ana maria barros Vivian barros martins COORDENADORA DE TRABALHO DE CONCLUsÃO DE CURsO COORDENADOREs DO NÚCLEO DE PRÁTICAs JURÍDICAs COORDENADORA DE sECRETARIA DE GRADUAÇÃO COORDENADOR DE FINANÇAs COORDENADORA DE mARKETING EsTRATÉGICO E PLANEJAmENTO lígia fabris e thiago bottino do Amaral Wania torres diogo pinheiro milena brant FGV DIREITO RIO 151 .

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