CONTRATOS Em ESPÉCIE

por: Carolina Sardenberg SuSSekind CriStiano ChaveS de Melo laura FragoMeni

2ª edição

roteiro de curso 2008.2

Contratos em Espécie
introdução .................................................................................................................................................. 03 1.1. AulA 1: clAssificAção dos contrAtos. elementos essenciAis. ........................................................................... 06 1.2. AulA 2: contrAto de comprA e VendA ............................................................................................................. 10 1.3. AulA 3: contrAto de comprA e VendA (cont.)- cláusulAs especiAis dA comprA e VendA .......................................... 26 1.4. AulA 4: trocA ou permutA. contrAto estimAtório........................................................................................... 31 1.5. AulA 5: doAção .......................................................................................................................................... 33 1.6. AulA 6: contrAto de locAção. locAção de coisAs. ............................................................................................ 38 1.7. AulA 7: contrAto de locAção (locAção de prédios urbAnos –– locAção residenciAl) ........................................... 43 1.8. AulA 8: contrAto de locAção ....................................................................................................................... 48 1.9. AulA 9: empréstimo (comodAto) ................................................................................................................... 52 1.10. AulA 10: empréstimo (mútuo)..................................................................................................................... 57 1.11. AulA 11: prestAção de serViços. empreitAdA ................................................................................................ 61 1.12. AulA 12: depósito ..................................................................................................................................... 64 1.13. AulA 13: mAndAto ..................................................................................................................................... 67 1.14. AulAs 14 e 15: comissão. AgênciA e distribuição (representAção comerciAl)..................................................... 71 1.15. AulA 16: Análise de contrAtos ................................................................................................................... 92 1.16. AulA 17: licençA e cessão de mArcAs............................................................................................................ 93 1.17. AulAs 18 e 19: Jogo e ApostA. seguro.......................................................................................................... 120 1.18. AulAs 20 e 21: fiAnçA. .............................................................................................................................. 125 1.19. AulA 22: trAnsAção. compromisso. ........................................................................................................... 129 1.20. AulAs 23 e 24: leAsing.............................................................................................................................. 137 1.21. AulA 25: resultAdo dA diligênciA.............................................................................................................. 144 1.22. AulA 26: closing! .................................................................................................................................... 147

sumário

CONTRATOs Em EsPÉCIE

INTROduçãO

1.1 Visão Geral Bem-vindo ao Curso de Contratos em Espécie! Esta disciplina é de suma relevância, pois qualquer que seja o ramo do direito que venha a ser escolhido pelo aluno no futuro, seja público ou privado, uma boa base em direito civil, incluindo contratos em espécie, será sempre exigida. Aliás, independentemente do ramo de atividade escolhido, o conhecimento de contratos em espécie é fundamental, tendo em vista que diariamente nos deparamos com inúmeros contratos, seja, no aluguel de um imóvel, em um empréstimo no banco, ou mesmo na simples compra de uma passagem de ônibus. Veremos que o novo Código Civil (Lei nº 10.406/2002) incluiu, no rol de contratos em espécie, contratos que anteriormente eram tratados apenas pelo Código Comercial, como o contrato de comissão, agência e distribuição. Em nossas aulas estudaremos boa parte dos contratos nominados ou típicos, ou seja, aqueles disciplinados no Código Civil, assim como alguns contratos inominados ou atípicos, que, embora não sejam previstos e disciplinados expressamente pela lei, são lícitos e parte do dia-a-dia do intérprete do Direito, como o contrato de leasing e o contrato de cessão de marca.

1.2 objetiVos Gerais O mercado exige, cada vez mais, a participação do advogado como viabilizador do negócio, auxiliando o executivo a negociar o contrato e atuando sempre na advocacia preventiva. Desta forma, nosso objetivo, além de ensinar (é claro), será o de fazer com que o aluno conheça os diversos tipos de contrato e saiba identificar seus requisitos necessários e seus vícios para a conclusão do negócio. Queremos preparar o aluno não apenas para a prova, mas principalmente, provê-lo com as ferramentas (objetivo do curso) que o habilite a identificar as características dos principais contratos do nosso ordenamento jurídico, não só com a abrangência que a matéria requer, mas também com a profundidade necessária de um bom enfoque acadêmico e prático, para que, com isso, ele possa ter um diferencial na sua vida profissional.

1.3 MetodoloGia A metodologia do curso será participativa com exposição dialogada e debates sobre casos propostos. Na próxima aula apresentaremos o caso mestre, que será o fio condutor da disciplina. Por meio dele, os alunos serão convidados a integrar a equipe responsável pela análise de contratos em uma due diligence fictícia. Dessa forma, os alunos terão contato com as diversas espécies de contratos e com os possíveis problemas enfrentados no dia-a-dia de um advogado. Adicionalmente, em todas as aulas serão apresentadas questões, relacionadas ao tema exposto para que sejam debatidas em aula. Para tanto, vale lembrar que: – como todas as aulas serão participativas, a leitura prévia do material didático e da leitura obrigatória é indispensável. – a indicação da bibliografia obrigatória e da bibliografia complementar deve servir de base para o aluno. Espera-se, porém, que o aluno pesquise textos adicionais que possam dar enfoques diferentes ou mais profundos sobre o mesmo tema.
FGV DIREITO RIO 3

0) + participação (2.4 desafios Tendo em vista o grande número de contratos no Código Civil e a abrangência da matéria. que será somado na segunda prova.0 pontos na nota da segunda prova. A primeira prova valerá de 0 (zero) a 5. conforme a participação do aluno durante o curso. conhecimento e discussão dos casos apresentados. um dos principais desafios a serem enfrentados pelos alunos nesta disciplina. A participação do aluno em aula valerá até 2.0 (cinco) pontos e será somada ao trabalho que também valerá de 0 (zero) a 5. FGV DIREITO RIO 4 . Para os alunos que fizerem a prova final.0 (seis) pontos. A discussão de casos em todas as aulas servirá justamente para estimular o aluno a pensar a teoria na prática.0 (sete) e superior ou igual a 4.0) 2 O aluno que obtiver média inferior a 7. A média do aluno será obtida da seguinte forma: Média final = primeira prova (5. para elaborar as respostas. A segunda prova valerá de 0 (zero) a 8.0) + Segunda prova (8. Participação em aula: Os alunos deverão participar ativamente das aulas. em casos práticos. (ii) uma prova escrita a ser realizada na última aula do curso. (iii) um trabalho a ser entregue individualmente pelos alunos.0 (quatro) pontos. O aluno que obtiver média inferior a 4. nova data e horário serão divulgados com antecedência para os alunos.Manual do Professor.0 (dois) pontos. A princípio. salvo orientação distinta por parte do professor.0 (quatro) estará automaticamente reprovado na disciplina. Prova escrita: Para ambas as provas o aluno poderá consultar a legislação pertinente. adquirido a partir do estudo e de pesquisa. a média de aprovação a ser alcançada é de 6. e (iv) participação em sala de aula. A avaliação por participação será feita com base no interesse demonstrado pelo aluno. Poderá ser atribuído até 2. As provas serão compostas de até cinco questões. somente com remissões a artigos e súmulas dos tribunais superiores. sem comentários ou anotações. deverá fazer uma prova final. nas quais o aluno deverá demonstrar o domínio da matéria em casos teóricos e práticos. a primeira prova será realizada na primeira semana de outubro e a segunda prova será realizada na semana de 21/11 a 24/11.0) + trabalho (5. é saber aplicar o conhecimento teórico. leitura do material indicado. Caso haja modificação no cronograma que implique em alteração na data das provas. e. presença e pontualidade nas aulas.0 (oito) pontos. 1.5 Métodos de aValiação O desempenho do aluno na disciplina Contratos em Espécie será avaliado por meio das seguintes atividades: (i) uma prova escrita a ser realizada no início de outubro. a qual será obtida conforme fórmula constante no Manual do Aluno .CONTRATOs Em EsPÉCIE 1..0 (cinco) pontos.

Os pontos adicionais serão somados à nota da segunda prova. 1. nova data e horário serão divulgados com antecedência para os alunos. FGV DIREITO RIO 5 . as formas de solucioná-los.CONTRATOs Em EsPÉCIE trabalho: Na segunda semana de novembro.6 atiVidades CoMPleMentares Dependendo do andamento das aulas. Ao longo do curso serão fornecidas mais informações sobre como elaborar o trabalho. cada aluno deverá apresentar relatório apontando os problemas encontrados na diligência legal. o professor poderá propor atividades adicionais que valerão 0. quando possível. conforme os casos apresentados durante as aulas. Caso haja modificação no cronograma que implique em alteração na data da entrega do trabalho.5 (meio ponto) cada uma. seus riscos e.

Rever aula 2 do curso de Teoria Geral das Obrigações e dos Contratos. Instituições de Direito Civil. 2002.4. • PEREIRA. 2003. vol.1.1. São Paulo: Ed. Classificação dos contratos. (iii) formação dos contratos.. vol. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. porém. AulA 1: ClASSIfICAçãO dOS CONTRATOS. 30 a 35.1. A evolução do contrato no terceiro milênio e o novo Código Civil. aprenderam os seguintes tópicos: (i) princípios da nova teoria contratual. os alunos tiveram oportunidade de fazer o curso de Teoria Geral das Obrigações e dos Contratos. Silvio. roteiro de aula a) introdução No semestre passado. eMentário de teMas: Introdução.3.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. a ele são aplicáveis os mesmos elementos constitutivos e os pressupostos de validade do negócio jurídico1. 1. – forma. Direito Civil.2. III. 1 FGV DIREITO RIO 6 . 1. Aspectos Controvertidos do Novo Código Civil. – idoneidade do objeto. analisaremos os elementos e requisitos para existência e validade do contrato e a classificação dos contratos. Arnoldo. págs 59 a 77. Existência e validade do contrato. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. biblioGrafia CoMPleMentar: • WALD. Negócio Jurídico – Existência. São elementos constitutivos: – vontade manifestada por meio de declaração. ElEmENTOS ESSENCIAIS. Hoje. 3.1. Nosso curso será voltado ao estudo dos contratos em espécie.1. b) existência e validade do contrato Sendo o contrato um negócio jurídico. • AZEVEDO. In ARRUDA Alvim. Rio de Janeiro: Forense. São Paulo: Saraiva. Dentre outros. quando da substância do ato. págs.1. 2005. Joaquim Portes de Cerqueira César e Roberto Rosas (coord). 1. Saraiva. Validade e Eficácia. (iv) revisão dos contratos. 1. 2002. e (v) extinção dos contratos. Antonio Junqueira de. biblioGrafia obriGatória: • RODRIGUES. 27 a 48. págs. Caio Mário da Silva. (ii) interpretação dos contratos.

O exemplo tradicional de contrato gratuito é a doação sem encargo. o contrato em si é um ato bilateral. o que ocorre é uma promessa de contratar. Já no contrato real. Nesta aula usaremos por base a metodologia de Silvio Rodrigues. no máximo. exige apenas o consentimento das partes. certo? Como podemos dizer que um contrato é unilateral? Qual é a importância de distinguir o contrato unilateral do bilateral? – Onerosos e gratuitos Os contratos onerosos envolvem sacrifícios e vantagens patrimoniais a ambas as partes. 2 FGV DIREITO RIO 7 . possível. o negócio jurídico nem mesmo existirá. mas recomendamos que o livro de Caio Mario da Silva Pereira2 também seja estudado. Qual é a importância de distinguir o contrato comutativo do aleatório? [ii – classificação dos contratos quanto ao seu aperfeiçoamento:] – Consensuais e reais O contrato consensual não requer a entrega do bem para aperfeiçoamento do contrato. o contrato será nulo ou anulável O elemento novo e inerente ao contrato é o acordo entre duas partes sobre determinado assunto. – forma prescrita ou não defesa em lei. Conforme bibliografia complementar.CONTRATOs Em EsPÉCIE Caso um desses elementos não esteja presente. cada autor tem um enfoque diferente ao tratar dessa matéria. Os requisitos de validade estão previstos no art. determinado ou determinável. Relacionamos abaixo alguns exemplos: [i – classificação dos contratos quanto a sua natureza:] – Unilaterais e bilaterais Afinal. Uma mesma espécie de contrato pode ser classificada de inúmeras maneiras. O donátario recebe algo do doador e nada lhe dá em retorno. Qual é a importância de distinguir o contrato gratuito do oneroso?– Comutativos e aleatórios Essa distinção aplica-se apenas aos contratos bilaterais e onerosos. Já os contratos gratuitos envolvem sacríficio econômico para apenas uma das partes e consequentemente vantagem patrimonial a apenas uma delas. – objeto lícito. Exemplo: contrato de compra e venda de bem móvel. C) Classificação dos contratos Qual é o objetivo de classificar os contratos? Embora haja consenso na doutrina sobre boa parte da classificação dos contratos. conforme o ponto de observação do estudo. o mero acordo entre as partes não é suficiente para constituir o contrato. 104 do Código Civil: – agente capaz. Estando ausente algum desses requisitos.

ou seja. Qual é a importância de distinguir o contrato solene do não solene? [iii – classificação dos contratos quanto a sua sistematização:] – Nominados e inominados Nominados são os contratos previstos e regulados por lei. 425 da Lei nº 10. 462 a 644 da Lei nº 10. não é verdadeira. O contrato definitivo pode ter vários objetos. existe em função de outro contrato. Como pela regra geral.CONTRATOs Em EsPÉCIE Isso ocorre. trata-se do contrato que trata do assunto definitivamente. no mútuo. É o caso do contrato de compra e venda de imóvel de valor superior a 30 (trinta) vezes o maior salário mínimo vigente no país e que tem que ser feito por escritura pública (art. não há forma prescrita em lei para que sejam válidos.406/2002). A recíproca. O contrato acessório. Como diz o próprio nome. [v – classificação dos contratos quanto ao momento de sua execução] – Execução instantânea e de execução diferida no futuro Qual é a importância de distinguir o contrato de execução instantânea do contrato de execução diferida no futuro? [vi – classificação dos contratos quanto ao seu objeto] – Definitivo e preliminar O contrato preliminar tem sempre como objeto a realização de um contrato definitivo. em razão do princípio da autonomia da vontade (art. se o contrato principal é nulo.406/2002. Há. são permitidos quando lícitos. As peculiaridades do contrato preliminar estão previstas nos arts. se o mutuante não empresta o dinheiro ao mutuário. FGV DIREITO RIO 8 . [iv – classificação dos contratos quanto ao seu relacionamento com os demais contratos:] – Principais e acessórios O contrato que independe de outro para existir é o contrato principal. o acessório segue o principal. por exemplo. o contrato não se aperfeiçoa por mais que haja um contrato entre mutuante e mutuário. nulo será o contrato acessório. A fiança é um bom exemplo de contrato acessório ao contrato de locação. já que o contrato principal sobrevive sem o contrato acessório. apesar de não estarem disciplinados em lei. Inominados ou atípicos são os contratos que. conforme a espécie de contrato. no entanto. porém. alguns casos em que o legislador achou por bem determinar forma para a validade do ato. – Solenes e não solenes Geralmente os contratos são não solenes. por sua vez.406/2002). 108 da Lei nº 10.

d. questões de ConCurso (Prova: 10º exame de ordem .1.6. As regras foram previamente estipuladas por uma das partes.5. Os artigos 423 e 424 mostram a preocupação do legislador em tentar preservar o aderente. 1. no contrato de adesão não há espaço para negociação. aquele que não pôde negociar as cláusulas do contrato. 1. Em que a entrega da res é pressuposto da sua existência. cabendo a outra parte aceitá-las ou rejeitá-las em sua totalidade.1ª fase) o contrato real é um contrato: a. b. joGo – disCussão eM sala de aula Contrato/ Classificação Unilateral Bilateral Oneroso Gratuito Comutativo Aleatório Consensual Real Solene Não solene Nominado Inominado Principal Acessório Execução Instantânea Execução diferida no futuro Definitivo Preliminar Paritário De adesão Compra e Venda locação doação Empréstimo fiança mandato fornecimento de energia FGV DIREITO RIO 9 .1. no qual as partes discutem os termos do negócio.CONTRATOs Em EsPÉCIE [vii – classificação dos contratos quanto à maneira como são formados] – Paritários e de adesão Ao contrário do contrato paritário. Que tem por objeto coisas corpóreas. c. Efetivamente existente. ou seja. Formal.

AulA 2: CONTRATO dE COmPRA E VENdA 1. Rodrigo R. 99-121. Direito Civil. In CASTRO. 1. biblioGrafia obriGatória: • Arts. BRUNA. vol. 137 a 169.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. foi brindada com uma oportunidade de expansão dos seus negócios. Com o passar do tempo. Cerca de dez anos após o começo das atividades. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Leandro Santos de (coords. Maria Lúcia sempre teve tino para os negócios. In SADDI. transferindo o fundo de comércio para a Pechincha Ltda. 1. págs.1. a pequena empresa de Eduardo e Mônica foi experimentando um contínuo sucesso e o negócio foi crescendo junto com seus filhos gêmeos. 2002.3. porém. Due diligence – identificando contingências para prever riscos futuros. 2002. de uma maneira geral. biblioGrafia CoMPleMentar: • NEJM. o senhor Eduardo foi paulatinamente transferindo a administração de seus negócios para seus filhos. a Pechincha Comércio Varejista Ltda. • RODRIGUES. no interior de São Paulo.). FGV DIREITO RIO 10 . Com o passar dos anos. Fusões e aquisições: aspectos jurídicos e econômicos.2. quando nosso cliente a procurou para lhe fazer uma proposta de compra da Pechincha Ltda. Jeremias e Maria Lúcia. Monteiro de. que visava atender apenas a região. Silvio. págs. vendendo-lhes algumas posses.2. São Paulo: Quartier Latin. Um velho comerciante de Brasília resolveu aposentar-se e voltar a morar com a filha.). • ABLA.2. e sempre foi capaz de enxergar uma boa oportunidade. São Paulo: IOB.4. Sérgio Varella. O que começou com uma loja de conveniência. o senhor Eduardo ampliou seus negócios e hoje é sócio majoritário de uma sociedade que possui uma modesta rede de supermercados. Jairo (org.406/2002. com três lojas e um armazém. Reorganização societária. e recebeu autorização deles para iniciar as conversas com o interessado. abriram o primeiro mercadinho. Eduardo e sua mulher. alugando outras e. São Paulo: Ed. Caso Gerador O Sr. Sucessão Empresarial – Declarações e Garantias – O Papel da Legal Due Diligence. mesmo diante da resistência inicial de seus pais e seu irmão. sendo que antes decidiu conferir a Eduardo e Mônica a condução dos seus negócios. Dessa forma. dona Mônica. eMentário de teMas: Introdução – Natureza Jurídica – Elementos – Despesas do Contrato e Garantia – Riscos da Coisa – Limitações à Compra e Venda – Regras Especiais 1. na década de 80.2. 3. conseguiu convencê-los de que se tratava de uma chance de ouro para a família.. Saraiva. em Brasília. págs. rapidamente ocupou um lugar cativo na vizinhança e a freguesia se tornou cada vez mais fiel. 2005. Edmundo. Maristela Sabbag.2. 481 a 504 da Lei nº 10.2. ARAGÃO. A partir de então. 205-219.

estamos realizando pequenas operações de compra e venda. Além disso. de forma que os potenciais compradores saibam o que realmente estão comprando. considerando o negócio por ela desenvolvido. Para tanto. motivo que o levou a se interessar pela Pechincha Ltda. dada a fidelização da clientela do senhor Eduardo. e a escassez de bons supermercados na região. Esse relatório serve de instrumento para que o potencial comprador pondere se deve prosseguir com a aquisição do negócio. você concentraria mais sua atenção? Que problemas você vislumbra que ela pode ter nos contratos existentes? 1. o domínio do bem alienado. Em nosso dia-a-dia realizamos inúmeras operações de compra e venda. O contrato de compra e venda não gera efeitos reais. verbal ou escrito. os compradores estabelecem um valor base para análise dos aspectos jurídicos. Ao fim do processo de diligência legal. 3 FGV DIREITO RIO 11 . vislumbrou a possibilidade de expandir ainda mais os negócios. Por exemplo. destacando todos os pontos e questões identificados durante o processo de diligência legal e que podem afetar a situação financeira e legal da companhia. roteiro de aula a) introdução O contrato de compra e venda. que é um investidor profissional. compramos um chiclete na barraquinha. muitas vezes é elaborado um relatório descrevendo a situação da empresa. a transferência do domínio só ocorre com a tradição (entrega) do bem. A diligência legal tem por objetivo conhecer os aspectos jurídicos da empresa. cíveis. não transfere. sejam eles tributários. com negócios na área atacadista pretende começar a atuar no segmento de distribuição alimentícia. a obrigação de transferir a coisa vendida. com o exame criterioso de seus contratos. deveremos solicitar todos3 os contratos da empresa a ser adquirida. quais são os riscos a que estaria submetido. vamos ao supermercado. Não é à toa que essa é a primeira espécie a ser tratada pelo Código Civil. então. a diligência é feita apenas nos processos judiciais ou administrativos. começaria o processo de diligência? Quais seriam os primeiros contratos que você solicitaria ao advogado da Pechincha Ltda. e. O resultado de uma diligência legal pode determinar o sucesso ou não da operação e geralmente influi no preço a ser pago. sendo que outros contratos.? Quais os riscos que. Coube a nós. a obrigação de pagar o preço ajustado. no caso de Dependendo do tamanho da empresa. Nesses casos.5. bem como de uma tentativa de identificação de suas dívidas ou passivos mais relevantes. quando saímos para jantar. presidida pelo senhor Odin Heiro. para o comprador.CONTRATOs Em EsPÉCIE Nosso cliente. Como você. O contrato de compra e venda gera: para o vendedor. trabalhistas. a companhia Grana Certa Empreendimentos S/A. Como de costume em negócios deste gênero. a tarefa de fazer a diligência legal na área de contratos da Pechincha Ltda. na qualidade de advogado da Grana Certa S/A.2. nosso primeiro trabalho será realizar uma due diligence ou diligência legal ou auditoria jurídica na companhia Pechincha Ltda. como permuta. ambientais etc. é a espécie mais comum dos contratos. chamado de critério de materialidade. muitas vezes sem prestar atenção. por si só. Porém. contratos e demais áreas que envolvam valor igual ou superior ao critério de materialidade. Isso normalmente se dá por meio de uma análise de todas as operações da empresa. são regulados também pelas disposições do contrato de compra e venda. ou seja. se o fizer.

482. [sinalagmático (ou bilateral)] Envolve prestações recíprocas de ambas as partes. A partir da leitura desses dois artigos. mas somente entre as partes. Estando ambas de acordo com o objeto e o preço. a observância de determinadas formalidades poderão alterar os efeitos do contrato. é necessária a realização de contrato escrito mediante escritura pública e seu registro no RGI para que gere efeitos perante terceiros. “Art. [oneroso] Tanto o comprador quanto o vendedor tem prestações a cumprir. 481. Pelo contrato de compra e venda. quais sejam: FGV DIREITO RIO 12 . formalidade específica para o contrato de compra e venda. A gratuidade da compra e venda. O comprador deve entregar o preço enquanto o vendedor deve entregar a coisa. embora não formalizada em contrato escrito. embora não necessitem de formalidades especiais para seu aperfeiçoamento. o contrato é realizado. Cite um exemplo. b) natureza jurídica: [consensual e (em regra) não solene] Depende apenas da vontade das partes. podemos extrair a natureza jurídica e os elementos do contrato de compra e venda. sem medo de errar. C) elementos: Os elementos do contrato de compra e venda encontram-se destacados em negrito no artigo 482 acima. desfigura o contrato. que a maioria esmagadora das operações de venda é feita sem formalidades específicas previstas em lei. Importante: o contrato de compra e venda de imóvel realizado por meio de instrumento particular é negócio jurídico existente. A compra e venda.CONTRATOs Em EsPÉCIE bem móvel. que só será obrigatória quando prevista especificamente em lei. Pode-se dizer. válido e plenamente eficaz. Existem outros contratos que. Tanto é assim que a compra de um chiclete no baleiro da esquina perfaz uma compra e venda perfeita. não se pode esquecer que.406/2002 dispõem: “Art. O correspondente gratuito da compra e venda é a doação. um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa. Todavia. a pagar-lhe certo preço em dinheiro”. e o outro. considerar-se-á obrigatória e perfeita. e com o registro do título de compra no Registro de Imóveis na hipótese de bem imóvel. quando pura. para algumas espécies de compra e venda. (arts. 1. inclusive perante terceiros. expressa na desproporção manifesta entre o valor da coisa transferida e o preço acordado. Na venda de bem imóvel de valor superior a 30 (trinta) vezes o maior salário mínimo vigente no país. em regra.406/2002) Os artigos 481 e 482 da Lei 10. necessitam de um determinado registro para que a tradição do bem – apesar de móvel – tenha sua eficácia plena. Não se exige. desde que as partes acordarem no objeto e no preço”.245 da Lei n° 10. que envolvem transferência de seu patrimônio.267 e 1.

que é possível alienar um empreendimento imobiliário. Mônica. Sendo assim.406/2002. Pode o preço. Relembrando: Condição potestativa é aquela que é sujeita ao puro arbítrio de uma das partes. em certo e determinado dia e local. desde que possam ser determinados objetivamente. mesmo antes da construção dos prédios. estabelecer que o preço será fixado de acordo com a vontade de apenas uma das partes. o contrato de compra e venda não transfere o domínio do bem. [preço] Conforme artigo 481 da Lei n° 10. no direito brasileiro. ser ajustado no tempo. inclusive.CONTRATOs Em EsPÉCIE [consentimento ] Comprador e vendedor têm que chegar a acordo quanto ao objeto e o preço. Imagine que Eduardo inovou desta vez: comprou-lhe a constelação das Três Marias!!! Ela lhe pergunta quanto vale esse presente. Os bens imateriais. Ou seja. você explica que esse presente. estabelecer regra diversa. ou (iii) índices ou parâmetros. Por quê? Além disso. O preço deve ser determinado ou determinável. conta que está super empolgada com o presente que ganhou do namorado. A fixação do preço em regra segue o livre consentimento das partes. ou (ii) taxa do mercado ou da bolsa. Um pouco constrangido (a) com a situação. Sua amiga. Ele representa a obrigação de transferir um bem no presente ou no futuro. as despesas de escritura e registro ficam a cargo do comprador e as despesas com a tradição ficam sob responsabilidade do vendedor. As partes podem. entretanto. 4 FGV DIREITO RIO 13 . Tanto é assim. [coisa] Em teoria. Marvin (comprador) e Vital (vendedor) firmaram contrato de compra e venda no qual deixaram de definir o preço. E agora? Não é possível. também podem ser alienados. porém. todas as coisas que não estejam fora do comércio podem ser objetos do contrato de compra e venda. como as marcas e o fundo de comércio. o preço deve ser pago em dinheiro. a lei permite que o preço não esteja determinado no contrato e que as partes indiquem: (i) terceiro para fixá-lo. qualquer fórmula estipulada para fixação do preço é permitida. o preço não deve ser irrisório. Por quê? Isso não quer dizer. vedada pela Lei n° 10. mesmo após a tradição do objeto o preço pode estar sujeito a ajustes posteriores. embora possa ter muito valor sentimental. pois nesse caso seria uma hipótese de condição potestativa4.406/2002. Como visto acima. ou seja. que só podem ser objetos de venda os bens tangíveis. pois senão pode ser considerado uma doação e não uma compra e venda. Qual seria um outro exemplo de venda de coisa futura? d) despesas do contrato e garantia Em regra. – É possível alienar algo que não existe? Nada impede que seja contratada a alienação de um bem que ainda não existe. Como vimos anteriormente. porém. não tem qualquer valor econômico. de acordo com a combinação das partes. ou intangíveis. deve haver uma proporcionalidade entre o valor da coisa e seu preço.

f) limitações à compra e venda A lei veda que determinadas pessoas participem de compra e venda. Essa vedação não resulta da incapacidade das pessoas para realizar essa operação. uma vez que cumpriu sua parte do contrato. ou a que se estender a sua autoridade.CONTRATOs Em EsPÉCIE No contrato de compra e venda à vista. tempo e modo acertado. Por isso. Porém. Há uma diferença entre elas. Essa regra do art. se o comprador torna-se insolvente. entretanto. juízo ou conselho. Qual é? e) riscos da coisa Res perit domino – princípio segundo o qual a coisa perece em poder de seu dono. a coisa se deteriora. o vendedor pode deixar de entregar a coisa. depois de concluído o contrato. ainda que em hasta pública. até que o comprador lhe dê garantia de que efetuará os pagamentos no prazo ajustado. Art. No caso. que “até o momento da tradição. arbitradores. sobrevier a uma das partes contratantes diminuição em seu patrimônio capaz de comprometer ou tornar duvidosa a prestação pela qual se obrigou. quem tem que cumprir primeiro com sua obrigação: o vendedor ou o comprador? Além disso.406/2002: “se. – juízes. Tendo em vista que a celebração do contrato de compra e venda não é suficiente para transferir o domínio da coisa até o momento da tradição (para bens móveis) e do registro (para bens imóveis). os bens ou direitos da pessoa jurídica a que servirem. testamenteiros e administradores não podem comprar. Esta hipótese é uma exceção ao princípio da Res perit domino. a coisa continua a pertencer ao alienante. – o comprador está em mora de receber a coisa. Não seria justo. os riscos com a coisa são do vendedor. 5 FGV DIREITO RIO 14 . 492. direta ou indireta. ainda que em hasta pública. ainda que em hasta pública. 477 da Lei nº 10. ou que estejam sob sua administração. os riscos com a coisa correm por conta do comprador quando: – a coisa encontra-se à disposição do comprador para que ele possa contar. os riscos da coisa correm por conta do vendedor. e os do preço por conta do comprador”. curadores. os bens confiados à sua guarda ou administração. secretários de tribunais. – houver mútuo acordo entre as partes. até o momento de sua efetiva entrega ou registro. que o vendedor arcasse com os riscos da coisa. marcar ou assinalar a coisa e. no caso de venda a termo. pode a outra recusar-se à prestação que lhe incumbe. que foi posta à disposição pelo vendedor no local. pois neste caso não houve a tradição da coisa. sofrendo este os prejuízos. no art. – o comprador solicita que a coisa seja entregue em local diverso daquele que deveria ser entregue. peritos e outros serventuários ou auxiliares da Justiça não podem comprar. em razão de caso fortuito ou força maior. Esse princípio foi utilizado pelo legislador ao determinar. Isto ocorre nas seguintes situações: – tutores. eles não têm legitimidade para realizar determinadas operações. os bens ou direitos sobre que se litigar em tribunal. até que aquela satisfaça a que lhe comete ou dê garantia bastante de satisfazê-la”. – servidores públicos não podem comprar. 495 está em consonância com a previsão da exceção de contrato não cumprido5 estudada anteriormente. no lugar onde servirem. mas sim da posição na relação jurídica.

FGV DIREITO RIO 15 .2. rescindir o contrato de compra e venda. o defeito oculto de uma não autoriza a rejeição de todas”. questões de ConCurso (Prova: 29º Exame de Ordem .1ª fase) Quanto à classificação. – descendentes não podem adquirir bens do ascendente. Quais são os motivos pelos quais o legislador resolveu restringir a aquisição pelas pessoas elencadas acima? O condômino de coisa indivisível pode alienar sua parte a terceiros. Embora em alguns casos seja difícil determinar se a venda foi feita ad mensuram ou ad corpus. caso verifique que as medidas do imóvel adquirido não correspondem exatamente as medidas que constaram do contrato. bilateral. por vezes essa distinção se faz necessária em razão das regras peculiares a cada uma. Venda ad corpus – as partes estão interessadas em comprar coisa certa e determinada. bilateral. independentemente da extensão. Consensual. Nestes casos. os bens de cuja venda estejam encarregados. o contrato de compra e venda de imóveis se apresenta da seguinte forma: a. Exemplo: Fazendeiro tem interesse em adquirir mil hectares para poder plantar. ou caso isso não seja possível. Bilateral. oneroso e não solene.6. c. ainda que em hasta pública. ele precisa oferecer aos demais condôminos sua parte pelo mesmo preço e condições pelos quais pretende vender a terceiros. ou seja. [venda ad corpus e venda ad mensuram] Venda ad mensuram – as partes estão interessadas em uma determinada área. Esse artigo sofre críticas de importantes autores. O objetivo do adquirente é comprar uma coisa com determinado comprimento necessário para desenvolver uma finalidade. entende-se que a referência à medida do terreno é meramente enunciativa. o comprador não teria esse direito.CONTRATOs Em EsPÉCIE – leiloeiros e seus prepostos não podem adquirir. sem consentimento expresso dos demais descendentes e do cônjuge do alienante. não formal e consensual. Exemplo: Fazendeiro tem interesse em adquirir a Fazenda Boa Esperança. Consensual. formal e aleatório. oneroso. 503. desde que dê direito de preferência aos demais condôminos. No caso de venda ad mensuram. d. O que ocorre se houver mais de um condômino interessado em adquirir a quota parte a ser alienada? G) regras especiais [venda por amostra] Ocorre quando a venda ocorre com base em amostra exibida ao comprador. Já no caso de venda ad corpus. oneroso e solene. O comprador tem direito de receber coisa igual à amostra. b. [defeito oculto nas vendas conjuntas] “Art. o comprador tem o direito de exigir que a coisa vendida tenha as medidas acertadas e não o tendo pode pedir a complementação da área. bilateral. Quais são elas e como esse artigo deve ser interpretado para atenuar as críticas? 1. Oneroso. Nas coisas vendidas conjuntamente.

É válida a venda de ascendente solteiro a descendente. antes de vendê-la a um estranho. dar direito de preferência na aquisição. c. A título gratuito. É nula a pactuação firmada que deixa ao exclusivo arbítrio de uma das partes a fixação do preço b. Comutativo. ainda que haja capacidade. quando da realização de avença c. se for o caso. tanto por tanto. não cabendo demanda quanto a uma eventual diferença nas medições d.CONTRATOs Em EsPÉCIE (Prova: 27º Exame de Ordem . Desde que haja capacidade. Unilateral. Neste caso. FGV DIREITO RIO 16 . d. a suas controladas e coligadas. Necessariamente ao comprador b.1ª fase) A proibição de venda do ascendente aos descendentes sem a concordância dos demais. d. Transfere-se o domínio de qualquer bem imóvel. ao desejar vender a sua parte no bem. podendo haver disposição em contrário d. (Prova: 03º Exame de Ordem . falta de capacidade.1ª fase) Considerando-se o instituto da tradição no direito civil. Ao comprador. 1. NÃO É CORRETO afirmar: a. aos demais condôminos (Prova: 26º Exame de Ordem . Falta de aptidão intrínseca do agente. c. d. Ao vendedor. Na venda “ad mensuram” as referências às dimensões do imóvel são meramente enunciativas. Transfere-se o domínio dos bens móveis. não existe proibição. incapacidade de fato. que obtém o consentimento dos demais descendentes. Falta de legitimação. (Prova: 05º Exame de Ordem . Formal. deve.1ª fase) Com relação ao contrato de compra e venda. I . Modelo de lista de due diliGenCe DILIGÊNCIA LEGAL Durante a diligência legal serão analisadas cópias dos documentos abaixo discriminados. c. bastará que a sociedade formule declaração por escrito nesse sentido.7. referentes à sociedade limitada a ser adquirida e. se for o caso. Não se transfere o domínio dos bens móveis. b. O condômino em coisa indivisível. b.1ª fase) A compra e venda de bens móveis é contrato: a. Falta de legitimação. a todas as suas controladas e coligadas. Necessariamente ao vendedor c.1ª fase) A quem cabem as despesas com a escritura de compra e venda de imóvel residencial? a. configura: a. podemos afirmar que: a.2. Executam-se as obrigações assumidas verbalmente.NOTA INTRODUTÓRIA: Alguns dos documentos solicitados podem não existir ou não ser aplicáveis à sociedade objeto da diligência legal e. b. podendo haver disposição em contrário (Prova: 05º Exame de Ordem .

Certidão de Breve Relatório da Junta Comercial competente. 14. com identificação de seus sócios. 18. Protocolos de cisão.CONTRATOS: 17. Lista de endereços completos de todos os escritórios. garantias. se existentes. prazo e com o fornecimento das respectivas cópias. 9. Contrato constitutivo da sociedade e respectivas alterações contratuais posteriores. 15.CONTRATOs Em EsPÉCIE Se a sociedade mantiver filiais. contratos de assistência técnica e/ou contratos de franquia ou outros contratos envolvendo bens de propriedade intelectual eventualmente firmados pela sociedade. III . informando objeto. bem como as suas respectivas publicações. a fim de agilizar o procedimento de sua identificação e análise. valor. incorporação e fusão em que tenha sido parte a sociedade ou tendo por objeto suas quotas. arquivados ou não na sede da sociedade. FGV DIREITO RIO 17 . filiais (com os respectivos números de inscrição no CNPJ). tendo por objeto as quotas da sociedade. promessas de compra e venda. Registro das ações ou quotas de outras sociedades de que participa a sociedade. com comprovantes de arquivamento na Junta Comercial e respectivas publicações. 21. 20. associação ou “joint venture”. 12. Relatório indicando todas as procurações outorgadas pela sociedade (ad judicia e ad negotia). Planos de Opção de Compra de Ações/Quotas oferecidos aos seus administradores e/ou empregados. 3. Acordo de Sócios e Aditivos. bem como respectivas cópias. membros da administração da sociedade que ocupam e/ou ocuparam tais cargos durante os últimos 02 (dois) anos. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de distribuição. 5. controladas e demais sociedades nas quais participe. representação comercial e de fornecimento (ativo ou passivo) envolvendo a sociedade. 4. bem como Atas de Assembléias ou Reuniões de Sócios. Fornecer lista elaborada pela administração da sociedade contemplando todos os contratos em vigor dos quais a sociedade seja parte signatária ou interveniente. 13. cláusulas estabelecendo proibição de ultrapassar determinado limite entre capital próprio e capital de terceiros (“debt/ equity”) e etc. 6. patentes. contratos de transferência de tecnologia. Solicitamos que os documentos sejam ordenados e/ou relacionados seguindo a ordem e numeração constante deste check list. Organograma societário da sociedade. cauções e outros gravames. 11. Demonstrações financeiras da sociedade. II . coligadas. Opções. 16. incluindo suas funções e responsabilidades. Contratos de consórcio. Fornecer cópias dos modelos de contratos-padrão utilizados pela sociedade. 7. cópia das publicações exigidas em lei. 2. especialmente o de Atas de Assembléias ou Reuniões de Sócios. situação (adimplemento ou inadimplemento). Em caso de cisão ou redução do capital social da sociedade. as certidões a serem providenciadas deverão abranger a matriz e todas as filiais. depósitos e quaisquer outras operações da sociedade. 19. Lista dos nomes dos sócios. acompanhados dos respectivos certificados de averbação no INPI e de registro no Banco Central. 8.ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DA SOCIEDADE: 1.). Convenção de grupo de sociedades de que a sociedade participe. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de licença e/ou cessão envolvendo marcas. Todos os Livros Societários da sociedade. desenhos industriais. direito autoral. Informar sobre a eventual existência de inadimplemento de cláusulas contratuais contendo obrigações de caráter econômico-financeiro (tais como cláusulas limitando o futuro endividamento da sociedade. subsidiárias. 10. vencimentos.

27. Informar sobre e fornecer cópia de Notas Promissórias emitidas pela sociedade.PROPRIEDADE INTELECTUAL: Solicitamos informações e cópias de todos os bens e documentos referentes à propriedade intelectual da sociedade no Brasil e em outros países. caução) concedidas pela sociedade em favor de terceiros ou. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de prestação de consultoria. que definam o modo de cumprimento de cláusulas contratuais. ou modifiquem seus termos. 31. acordos laterais etc. Manutenção de hardware. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de prestação de serviços de publicidade e propaganda. 24. Todos os softwares utilizados pela sociedade. 39. 31. com a informação. Informamos.6. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantias reais (e. tais como: 31.g hipoteca. 28. caução) em favor da sociedade e respectivas certidões ou. Locação de hardware. 31. Informar sobre e fornecer cópia de Cartas de Conforto (comfort letters) ou quaisquer instrumentos.. finalmente. Processos administrativos e/ou judiciais envolvendo os bens de propriedade intelectual da sociedade. aval) concedidas pela sociedade em favor de terceiros.5. Marcas. 34. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantias reais (e. 40. 31.3. 38. 30. Nomes de domínio registrados pela sociedade. 37.4. IV . que não tenham sido previstos na presente lista. Processos administrativos apresentados contra marcas de terceiros no Brasil e/ou no exterior. 31. hipoteca. ainda.1. Manutenção de software. cujas cópias deverão ser igualmente fornecidas. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de locação. 42. cartas de intenção ou entendimentos com terceiros em que a sociedade figure como parte.g fiança. instrumentos tendo por objeto alienação fiduciária e compra e venda com reserva de domínio. Obras intelectuais de titularidade da sociedade. Todos os softwares criados pela sociedade. Desenvolvimento de software. instrumentos tendo por objeto alienação fiduciária de bem da sociedade ou compra e venda com reserva de domínio. assistência técnica ou serviços de qualquer outra natureza. 36.CONTRATOs Em EsPÉCIE 22. patentes e/ou desenhos industriais depositados/registrados. Informar sobre e fornecer cópia de documento de constituição de garantias pessoais (e. incluindo. e/ou outros instrumentos de natureza financeira. 41. penhor. se de conhecimento da mesma. Informação acerca de segredos de negócio de propriedade da sociedade. Informar sobre e fornecer cópia de contratos na área de tecnologia da informação. da eventual cessão pelo beneficiário das referidas notas. Informar sobre e fornecer cópia de compromissos. 32. penhor. mas não se limitando a: 35.g fiança. Fornecer todas as apólices de seguros contratados. Serviços técnicos. 23. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de empréstimo ou financiamento (inclusive por meio de emissão de valores mobiliários). 31. 25. 33. que qualquer referência a contratos inclui seus aditivos e anexos. FGV DIREITO RIO 18 . arrendamento mercantil ou comodato de bens imóveis ou móveis. correspondências. Licenciamento de software. bem como comprovação de poderes de representação do signatário do garantidor. 26. ainda. aval) em favor da sociedade. 29. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantia pessoal (e.2.g.

00 (dez mil reais) integrados ao ativo da sociedade. estadual ou municipal). V . Caso a sociedade possua bens imóveis: 45. indicando (i) forma do aproveitamento: compensação com outros tributos. nos níveis federal. Relatório atualizado identificando todos os eventuais benefícios fiscais e/ou tratamentos fiscais (federais. cujas decisões foram proferidas nos últimos 5(cinco) anos. 49. com a indicação. estaduais ou municipais) concedidos à sociedade. declarações. já em reais. (v) garantia oferecida. inclusive certidões atualizadas com filiação vintenária. (ii) início do parcelamento. cartas de representação e/ou outras informações formais prestadas pelos administradores aos auditores. (vi) documentação apresentada à autoridade fiscal competente discriminando os débitos fiscais incluídos no REFIS e/ou PAES e (vii) prova de quitação de todos os pagamentos até a presente data. (iv) quantidade de parcelas pagas. FGV DIREITO RIO 19 . etc. ainda. referente aos últimos 05 (cinco) anos. indicando: (i) tributo parcelado. Fornecer toda documentação (Instruções Normativas. formalmente protocoladas perante os órgãos da administração tributária. 47. direitos de retenção ou qualquer outra forma de restrição de qualquer natureza sobre qualquer ativo da sociedade listando tais ativos e os relacionando aos respectivos processos judiciais ou administrativos. tendo por objeto matéria tributária. etc. Consultas fiscais. Portarias. já utilizados e a utilizar. Pareceres dos auditores independentes. Informar. com a mesma data do último Balancete que será disponibilizado. a existência de eventuais requerimentos ou questionamentos pendentes quanto aos mesmos. (ii) valores envolvidos. repetição do indébito.. Toda e qualquer documentação relativa a penhores.CONTRATOs Em EsPÉCIE 43.000. estadual ou municipal. para fins de auditoria. (iii) existência ou não de medida judicial que permita a utilização dos créditos. 54. Certidões negativas relativas ao IPTU. 52. de todos os valores pendentes de tributação eventualmente registrados na parte B e demonstrativo do prejuízo fiscal acumulado e da base negativa da Contribuição Social. Prova da propriedade dos bens imóveis da sociedade. Informações sobre aproveitamento de créditos tributários. As 3 (três) últimas demonstrações financeiras e os 3 (três) últimos Balancetes consolidados da sociedade. expedidas pelos Municípios onde se encontram os imóveis da sociedade. (iii) número de parcelas. Certidões negativas do INSS relativas aos bens imóveis da sociedade. Prova da propriedade dos bens móveis de valor individual acima de R$10. 53.no âmbito federal. bem como da ausência de aforamento (enfiteuse). 55. 51. utilização de créditos extemporâneos. garantias. acompanhados dos receptivos termos. 50. envolvendo a sociedade. 46.PROPRIEDADES E ATIVOS: 44. Relatório atualizado discriminando parcelamentos de tributos da sociedade e/ou participação em programas de recuperação fiscal (“REFIS” ou “PAES” . Disponibilizar o LALUR referente ao último ano. dos registros de imóveis competentes. com negativa de ônus/servidões/alienações. VI – ASPECTOS FISCAIS: 48.) relacionada ao regime especial e/ou benefício fiscal concedido à sociedade até a presente data. Qualquer outra documentação que seja relevante e/ou que afete os bens de propriedade intelectual da sociedade.

em nome da sociedade. ainda. bem como de relatório emitido pela Secretaria da Receita Federal. PIS). (v) valores envolvidos (atualizados ou em UFIR). Fornecer originais de Certidões de Dívida Ativa – (CDA) em nome da sociedade. Relatórios: 62. instauradas por órgãos governamentais ou terceiros. judiciais e administrativos.e. execução ou cumprimento. Certidões dos Cartórios de Protestos de Letras e Títulos). Estadual e municipal.CONTRATOs Em EsPÉCIE VII . inspeções ou investigações realizadas. pendentes de julgamento. Interdições e Tutelas. e referentes a processos administrativos. Fornecer originais de Certidões atualizadas dos cartórios distribuidores de ações da Justiça Federal. Certidões da Justiça Federal dos Distribuidores de Ações e Execuções Cíveis. Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais processos de desapropriação em que a sociedade figure como autora. e. inicial. 58. Fornecer originais de Certidões atualizadas passadas por todos os Cartórios de Protestos das comarcas onde a sociedade mantém estabelecimentos ou filiais. expedidas pela Procuradoria da Fazenda Nacional. identificando todos os eventuais processos fiscais. ré ou terceira interessada) ou em vias de ser iniciados. relativamente a tributos federais. Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais intimações. com a estimativa de valores envolvidos. (vi) valor da causa. tais como. 64. Criminais e Fiscais. Secretaria Estadual de Fazenda e Secretaria Municipal de Fazenda indicando os processos administrativos. 61. cobrindo o período de 10 (dez) anos (i.. (vii) chances de êxito e respectivo critério utilizado. Certidões de quitação de Tributos Estaduais (ICms) (Certidão de quitação de Tributos Estaduais) e Certidões de quitação de Tributos municipais (ISS) (Certidão de quitação de Tributos Municipais). Disponibilizar cópias das peças fundamentais dos processos fiscais. Justiça Estadual e Justiça do Trabalho das comarcas da matriz e onde a sociedade mantém estabelecimentos ou filiais. Criminais e Fiscais e Certidões da Justiça Estadual dos Distribuidores Cíveis e Fiscais e Certidões dos Distribuidores da Justiça do Trabalho). Fornecer originais de Certidões de quitação de Tributos e Contribuições Federais – “CQTF” (IR. 63. Composição analítica das principais contas que compõem depósitos judiciais e provisões para contingências fiscais e suas correlações com os processos fiscais administrativos e judiciais em andamento. Fornecer Relatório elaborado pelos advogados responsáveis pelos respectivos casos. notificações.. com relação a cada um de seus estabelecimentos ou filiais. (iii) objeto e fundamentos do pedido. Certidão de Quitação do FgTs. favor solicitar as certidões aplicáveis também em relação ao(s) antigo(s) endereço(s). ainda não inscritos em dívida ativa.e. despachos.LITígIOs JUDICIAIs OU ADmINIsTRATIVOs: Certidões: 56. 57. contestação. (iv) andamento (status) atualizado. (ii) foro. FGV DIREITO RIO 20 . Fornecer originais de Certidões atualizadas do INss (CND). sentenças. COFINS. 65. pendentes (nos quais a sociedade figure como autora. CSLL. judiciais e administrativos em que a sociedade seja parte ou tenha interesse. inclusive parcelamentos em andamento. 59. em curso em nome da sociedade. as duas últimas para cada estado ou município onde a sociedade possui estabelecimentos. IPI. 60. 66. (viii) provisões e/ou depósitos judiciais e (ix) quaisquer informações relevantes com respeito a tais processos. bem como Trabalhistas. Caso tenha havido alteração de sede nos últimos 05 (cinco) anos. passadas em nome da sociedade. estaduais e municipais. Falências e Concordatas (i. abrangendo todas as suas filiais. recursos e acórdãos. com a indicação de: (i) tributo envolvido. abrangendo feitos Cíveis.

Informar o saldo atual de horas trabalhadas e ainda não compensadas pelo “banco de horas”. contendo (i) data de admissão. auxílio moradia. Relativamente à jornada de trabalho. (iii) existe autorização dos empregados para o desconto. 73. 70. (vi) o benefício integra o salário para efeito de cálculo do FGTS.1. relatório informando: 74. previdência privada. notificações. Caso afirmativo. Relatório identificando todos os empregados.) e do regulamento interno ou regulamento de pessoal da sociedade. Horário de trabalho. férias e décimo terceiro salário. se existente.4. cópia do modelo de autorização de desconto salarial relativo aos benefícios concedidos. 68. bonificações ou ajudas de custo? Quais funções recebem as ditas parcelas? Qual o critério de pagamento? 74. VIII – AsPECTOs TRABALHIsTAs: 71. Acordos de compensação e de prorrogação da jornada de trabalho. (ii) existem empregados que optaram pelo não recebimento. Previdência Social. 69. se houver. Relativamente à remuneração.2. horário de intervalo e dia de folga semanal dos empregados. Relação dos empregados não subordinados a controle de horário. 73. 73. informar se: (i) os empregados podem optar por tais benefícios. apresentar cópia dos comprovantes anuais de inscrição. Indicar se houve homologação do plano pelo Ministério do Trabalho. 76. relatório informando: 75. 75. Como é feito o controle de horário? A anotação é feita pelo próprio empregado ou por pessoa específica? Onde são feitas tais anotações? Os empregados assinam tal registro? 73. 72. Cópia do plano de cargos e salários. relatório informando: 73. Relação dos empregados que utilizam telefone celular ou equipamento similar. Informar eventuais horários de trabalho diferenciados por setor ou sistemas de revezamento.3. Imposto de Renda. inspeções ou investigações realizadas. Fornecer Documentos e relatórios (inclusive os Termos de início e encerramento de fiscalização tributária) contendo informações sobre eventuais intimações. uso de automóvel.1. A sociedade participa do PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador? Caso positivo. Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais reclamações baseadas em defeitos constatados nos produtos fabricados pela sociedade (“product liability”) ou em garantias concedidas pela sociedade na venda dos produtos.2. prêmios. (ii) local de trabalho. 74. e (iv) salário atual (partes fixas e variáveis). FGV DIREITO RIO 21 . Cópia dos modelos de contrato de trabalho (contrato de experiência.2. planos de saúde. com indicação das respectivas funções e salários. contrato por prazo determinado etc. instauradas por órgãos governamentais ou terceiros. despesas de representação. Fornecer Cartas encaminhadas pelos advogados externos aos auditores independentes sobre processos judiciais e administrativos. Informar a forma de remuneração das horas à disposição. (iii) cargo ou função. ficando à disposição da sociedade. auxílio alimentação etc. Há empregados recebendo benefícios tais como.CONTRATOs Em EsPÉCIE 67. Fornecer Relatório contendo informações sobre processos administrativos que envolvam as sociedades controladas ou coligadas. gratificações. Conselho Nacional de Política Salarial ou norma coletiva. A alimentação é fornecida pela própria sociedade ou são concedidos vales-refeição? Há desconto no salário ou é fornecida gratuitamente? 75. inclusive banco de horas. Quais as verbas percebidas além do salário fixo e horas extras? Há empregados recebendo comissões. auxílio educação. Relativamente à alimentação.? Qual o critério de pagamento de cada benefício? É efetuado desconto no salário? Caso haja desconto.1.

). Cópia do Livro de Inspeção do Trabalho de todos os estabelecimentos da sociedade. cálculos homologados e depósitos efetuados. (v) período dos serviços. (vi) número de trabalhadores envolvido. e (v) situação atual. Registros e inscrições da sociedade junto às autoridades fiscais federais. Informar o valor despendido pela sociedade com o pagamento de tal participação. bem como fornecer respectivos documentos. decisões judiciais proferidas em dissídio coletivo. Foram ajuizadas reclamações trabalhistas em razão do plano de demissão? 83. acaso existentes. INSS. ações civis públicas ou outras ações de natureza trabalhista. tais como petição inicial. bem como cópias. das respectivas rescisões do contrato de trabalho e homologação pelo Sindicato ou pela DRT. Cópia de Plano de Participação nos Lucros e/ou Resultados. A sociedade instituiu. (ii) se trabalham diariamente nas dependências da sociedade. empregados com cargo de direção em sindicatos ou associações profissionais. A sociedade tem organizada a CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes? Caso positivo. por amostragem. 89. se houver. FGV DIREITO RIO 22 . cooperativas. empregadas grávidas. Relatório identificando todas as reclamações trabalhistas e procedimentos administrativos (DRT e MPT) em curso contra a sociedade. Há serviços terceirizados na sociedade? Apresentar cópia dos contratos de prestação de serviços firmados com empresas prestadoras de serviços. Cópia dos Autos de Infração lavrados contra a sociedade nos últimos 02 (dois) anos e respectiva defesa/decisão administrativa/recurso ou guia comprovando pagamento da multa administrativa. X – AsPECTOs AmBIENTAIs: 93. acordos.APROVAÇÕEs gOVERNAmENTAIs E LICENÇAs: 92. 80. 81. de Instalação e Funcionamento emitidas pelo órgão ambiental competente. Cópia do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). 87. nos últimos 05 (cinco) anos. Cópia dos termos de ajustamento de conduta. motoristas e profissionais liberais). apresentar relação dos atuais integrantes e cópias das atas de reunião dos últimos 02 (dois) anos. ou dissídios próprios para categorias diferenciadas (secretárias. explicitando os critérios de tal provisão. (iv) a quem estão subordinados. Relatório identificando todos os empregados com estabilidade permanente ou temporária (CIPA. Informar se são observadas convenções. (iii) quem controla os serviços de tais empregados (a sociedade ou a prestadora de serviços). 79. etc. Cópia das principais peças de todas as ações trabalhistas em curso contra a sociedade. 88. Informar o valor da provisão com relação aos processos judiciais e administrativos em andamento. cálculos de liquidação. 91. Relação dos empregados desligados da sociedade nos últimos 02 (dois) anos. alvará da prefeitura etc. (vi) estimativa dos valores envolvidos. empresas de mão-de-obra temporária ou trabalhadores autônomos e relatório informando: (i) se os empregados alocados para atender a sociedade são sempre os mesmos. 86. ISS. esclarecer os critérios do plano. Cópia do plano de opção de compra de ações. (ii) foro. 85. IX . (vii) estimativa de êxito. telefonistas. Cópia das convenções coletivas. (vi) valores mensais pagos e se a sociedade exige mensalmente os comprovantes de recolhimento previdenciário e do FGTS.CONTRATOs Em EsPÉCIE 77. estaduais e municipais (tais como CNPJ. 78. (iii) pedidos. inquéritos administrativos. plano de demissão incentivada? Caso afirmativo. contendo (i) partes envolvidas. Licenças Ambientais: Licenças Prévias.). 82. 84. decisões proferidas em todas as instâncias. 90. inclusive termos aditivos. autos de infração. acordos coletivos. do programa de opção de compra de ações e a relação dos empregados e executivos elegíveis a tal plano. empregados acidentados.

1. Habite-se. 106. doravante denominado simplesmente “Comprador”. turbações. nos termos ajustados pelo presente instrumento. pelo preço certo e ajustado estabelecido na Cláusula 2. e (ii) O Vendedor deseja alienar as Quotas. 96. Outorgas do Uso da Água.CONTRATOs Em EsPÉCIE 94. 98. FGV DIREITO RIO 23 . Licença de Funcionamento emitida pela Vigilância Sanitária. CONSIDERANDO QUE: (i) O Vendedor é legítimo possuidor e proprietário de 15. e [NOmE E QUALIFICAÇÃO]. doravante denominado simplesmente “Vendedor”. usufrutos ou qualquer outra restrição à posse e/ou a qualquer outro direito inerente a tais Quotas. Certidão de Uso do Solo. o Vendedor cede e transfere. 1. Certificado de Licença de Funcionamento emitido pelo Ministério da Justiça. 102. Modelo de Contrato de CoMPra e Venda de quotas Além da alteração do contrato social necessária para transferir quotas. Inscrição no Cadastro Técnico Federal das Atividades Potencialmente Poluidoras. 101. gravames. Relatório informando a respeito de atividades passadas desenvolvidas nos imóveis onde a sociedade desenvolve suas atividades. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE QUOTAS [NOmE E QUALIFICAÇÃO]. Listagem das ações judiciais e processos administrativos de cunho ambiental e seus respectivos andamentos. O Vendedor. declara que as Quotas foram regularmente integralizadas e se encontram inteiramente livres e desembaraçadas de ônus. as partes podem celebrar adicionalmente um contrato de compra e venda de quotas. e.Taxa de Controle de Fiscalização Ambiental. Licença de substâncias sujeitas a controle especial emitida pelo Departamento de Polícia Federal. Alvará de Licença e Localização emitido pela Prefeitura. Licença do órgão sanitário competente para ambulatórios e refeitórios. 105. Pelo presente Contrato e na melhor forma de direito.000 (quinze mil) quotas representativas de 50% (cinqüenta por cento) do capital social da sociedade (“Quotas”). 100. com todos os respectivos direitos e obrigações. Alvará do Corpo de Bombeiros. justa e contratada a celebração do presente Contrato de Compra e Venda de Quotas (“Contrato”). encargos.2. Comprovante de pagamento do TCFA .DA COMPRA E VENDA DAS QUOTAS 1. que deve ser arquivada no registro competente. 104. e que o Comprador deseja adquiri-las.2. 97. 1. ainda. 103.1 abaixo. doravante denominada simplesmente “sociedade”. entre si. a totalidade de suas Quotas representativas do capital social da sociedade ao Comprador.8. O Vendedor e o Comprador (doravante referidos simplesmente como “Partes”) têm. de acordo com as seguintes cláusulas e condições: CLÁUSULA PRIMEIRA . neste ato. 95. na qualidade de interveniente-anuente: [NOmE E QUALIFICAÇÃO DA sOCIEDADE CUJAs QUOTAs EsTÃO sENDO ALIENADAs]. conforme modelo abaixo. 99.

. 4. o pagamento das parcelas que perfazem o Preço. O preço certo.000. plena. Uma vez creditado na conta-corrente do Vendedor. constantes do item 2. a qualquer tempo. as demais disposições serão modificadas para preservar sua exeqüibilidade. orais ou escritos.] do Banco [. 4. cessionários e representantes legais. total e ajustado para a aquisição das Quotas é de R$ 100. anulada ou inexeqüível.. por meio da entrega pelo Vendedor ao Comprador do cheque administrativo nº [..1. Todas as notificações e comunicações a serem feitas com relação ao presente Contrato serão elaboradas por escrito e serão enviadas para os endereços constantes do preâmbulo deste Contrato (i) por meio de Cartório de Títulos e Documentos. substituindo todos os acordos. 4.DISPOSIÇÕES GERAIS 4. e b) R$ 75.1. se essa disposição suprimida prejudicar a execução deste Contrato. constitui título executivo extrajudicial. rasa e geral quitação com relação ao valor pago.1. por qualquer motivo.. entendimentos e declarações anteriores. nos termos do artigo 585.1. a ser pago pelo Comprador ao Vendedor da seguinte forma: a) R$ 25.. O presente Contrato ou quaisquer direitos e/ou obrigações dele oriundos não poderão ser cedidos sem o prévio e expresso consentimento das Partes e da sociedade. CLÁUSULA QUARTA . (ii) através de carta registrada. Na hipótese de qualquer disposição ou parte de qualquer disposição deste Contrato ser tida como nula.. mediante depósito na conta-corrente nº [.]. inclusive quaisquer despesas decorrentes de serviços profissionais por ele contratados.CONTRATOs Em EsPÉCIE CLÁUSULA SEGUNDA . da totalidade do Preço devido ao Vendedor. 2.] do Banco [. CLÁUSULA TERCEIRA – TRANSFERÊNCIA DAS QUOTAS 3. o Vendedor outorgará ao Comprador. conforme o caso.000.] da agência [. seus sucessores. O presente Contrato é celebrado em caráter irrevogável e irretratável e obriga e aproveita às Partes e à sociedade.9.00 (vinte e cinco mil reais) pagos neste ato. a esse respeito.4.8.1. essa disposição será suprimida e não terá nenhuma força e efeito. cabal e exclusivo entre as Partes com relação à compra e venda das Quotas.5. 4.1 do presente Contrato será de exclusiva responsabilidade do Comprador.. 4. e somente produzirá efeitos. herdeiros..00 (cem mil reais) (“Preço”). assim FGV DIREITO RIO 24 . a qualquer título. no exercício de qualquer direito previsto neste Contrato deverá ser interpretado individualmente e não poderá ser considerado como renúncia por qualquer das Partes ou novação de qualquer obrigação contida neste Contrato. Fica ajustado entre as Partes que as despesas decorrentes do arquivamento da alteração contratual referida na cláusula 3. O não exercício ou atraso por qualquer das Partes e/ou da sociedade.].. 4. mediante a assinatura da competente alteração do contrato social da sociedade. Quaisquer dos endereços constantes do preâmbulo poderão ser alterados. assinado por 02 (duas) testemunhas.1 acima. Toda e qualquer alteração das disposições do presente Contrato somente será válida e exeqüível.00 (setenta e cinco mil reais) a serem pagos em até 90 dias a contar desta data..1.FORMA DE PAGAMENTO 2. inciso II.7. 4. Entretanto. 4.. do Código de Processo Civil.. mencionado na Cláusula Segunda. A transferência das Quotas será formalizada no ato do pagamento pelo Comprador.000.3. O presente Contrato constitui o acordo final.. ou (iii) com outra comprovação inequívoca de recebimento. sendo considerada como mero ato de liberalidade. As Partes declaram e reconhecem que o presente Contrato.] da agência [.. e somente poderá ser alterado por instrumento escrito devidamente assinado por todas as Partes.8. mediante comunicação dada na forma prevista acima.2.6. entretanto a respectiva comunicação de alteração de endereço só tornar-se-á efetiva após o recebimento pela outra Parte e/ou pela sociedade. se formalizada mediante instrumento escrito assinado pelas Partes e pela sociedade.] da conta-corrente nº [. 4.

Rio de Janeiro. à exclusão de qualquer outro. 4.CONTRATOs Em EsPÉCIE como as obrigações de fazer aqui contidas comportam execução específica. Nome: CPF/MF: 2. na presença de 02 (duas) testemunhas. 639 e seguintes do Código de Processo Civil. as Partes assinam este Contrato em 03 (três) vias de igual teor e efeito. nos termos dos artigos 461. E por estarem certas e ajustadas. por mais privilegiado que possa ser. [dia] de [mês] de [ano]. Fica eleito o foro da Comarca do Rio de Janeiro. Nome: CPF/MF: FGV DIREITO RIO 25 . Assinatura das Partes e da Sociedade Testemunhas: 1.10. para dirimir quaisquer questões oriundas deste Contrato. 632.

São Paulo: Saraiva. 6.3. FGV DIREITO RIO 26 ..).Contratos. • PEREIRA.Venda com reserva de domínio – Da venda sobre documentos 1.).3. (coord.2. biblioGrafia CoMPleMentar: • Parecer Jurídico DNRC/ COJUR/ n° 217/03 – direito de preferência na cessão de quotas.5. 1. 505 a 532 da Lei nº 10. Comentários ao Código Civil. Rio de Janeiro: Forense. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. quais são as duas principais perguntas que você deve fazer a ele para poder dar uma orientação inicial sobre o caso? 1.3. Ele diz que está surpreso porque agora recebeu uma notificação de um tal de Olavo Evolto.406/2002. 174 a 182 e 183 a 194.vol. • RODRIGUES. In: AZEVEDO. págs. 223 a 225.CláuSulAS ESPECIAIS dA COmPRA E VENdA 1. informando que exerceu o direito de retrovenda do imóvel em face da senhora Ermelinda.. Ele diz que nunca ouviu falar em retrovenda e lhe pergunta o que fazer. ele diz que pelo menos uma vez por ano vai ao Rio e que há alguns anos atrás decidiu parar de se hospedar em hotéis e comprou um loft na Barra da senhora Ermelinda Silva.3. 2003. apesar de morar em Brasília. • LÔBO. vol. Das várias espécies de contratos. biblioGrafia obriGatória: • Arts. Ele conta que. 215 a 225. Caso Gerador: Jeremias encontra você trabalhando na diligência legal e aproveita para lhe fazer uma consulta “informal”.4.Da Venda a Contento e da Sujeita a Prova – Preempção ou Preferência . vol. Saraiva. 2002. Paulo Luiz Netto. Instituições de Direito Civil .CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Jeremias deve devolvê-lo. roteiro de aula a) retrovenda Direito de recobrar = Direito de retrato = direito de resgate = vendedor tem direito de exigir que o comprador lhe revenda o imóvel. págs. Caio Mário da Silva. Antônio Junqueira de. 2005 . eMentário de teMas: Retrovenda . Parte Especial..3. 3. Direito Civil. portanto.3. Silvio. sempre gostou muito do Rio de Janeiro e que os cariocas têm muita sorte de conviver com uma paisagem tão privilegiada. 1. Após alguns minutos enaltecendo a beleza da cidade. Embora não seja advogado do senhor Jeremias.1. São Paulo: Ed. e que. págs. III.3. AulA 3: CONTRATO dE COmPRA E VENdA (CONT.

Direito Civil. com muito mais eficácia e maior economia. 189. portanto.CONTRATOs Em EsPÉCIE Muitos entendem que a retrovenda caiu em desuso em razão do compromisso de compra e venda. vol. FGV DIREITO RIO 27 . durante o período de resgate. instituto superado”6. terá preferência sobre ele. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. A gerente da loja já está pressionando Marli. Analisando o artigo 505 da Lei 10. uma condição suspensiva para a alienação. a difusão dos preços fixos. Dona Mônica é uma cliente muito querida e conhecida por todas as vendedoras da loja. Quais são eles? “Art. Assim. silvio. hoje. no caso da venda a contento. embora haja a tradição do bem móvel. ou para a realização de benfeitorias necessárias”. Relembrando. ela manda para a casa da senhora Russo as novas peças para que ela possa experimentar e decidir se vai comprá-las ou não. pág. Daí ser ela. 3.o compromisso de venda e compra preenche. Por que você acha que o legislador restringiu o instituto da retrovenda apenas aos bens imóveis? O prazo para recobrar o imóvel é decadencial. Esse exemplo nos mostra que. Assim.. vol. inclusive as que. Tendo em vista o que aprendemos nas aulas anteriores..406/2002. o direito de retrovenda deve ser registrado no registro de imóveis. compra roupas da boutique Charmosa há mais de dez anos. O vendedor de coisa imóvel pode reservar-se o direito de recobrá-la no prazo máximo de decadência de três anos. caso o comprador queira vender esse bem a terceiros.. quais são as conseqüências de ser um prazo decadencial e não prescricional? b) da Venda a Contento e da sujeita a Prova A venda a contento é cada vez mais rara atualmente em razão da “padronização de mercadorias. saraiva. 6 7 8 Oponível a terceiros. 3. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. RODRIGUEs.”8. saraiva. por exemplo. Direito Civil. o domínio é transferido. restituindo o preço recebido e reembolsando as despesas do comprador. ele estará obrigado a oferecer o bem ao vendedor. podemos extrair alguns requisitos da retrovenda. Para que tenha efeito erga omnes7. RODRIGUEs. Dona Marli acompanhou em todos esses anos a vida da família Russo. são Paulo: Ed. Somente com a concordância do comprador. são Paulo: Ed. se efetuarem com a sua autorização escrita. ela ainda pode ocorrer. 187. silvio.. juntamente com a escritura pública de compra e venda. Dona Mônica. Está demorando mais do que o normal para ela se manifestar. sempre que chegam novas peças que Marli acha que são do gosto de Mônica. A concordância do comprador é. o domínio do bem não é transferido. pois vai querer vender as peças a outras clientes. E agora? O que dona Marli deve fazer? C) Preempção ou preferência Ao vender um bem. o vendedor pode vir a resguardar seu direito de preempção ou direito de preferência. “. quais são as conseqüências do domínio não ser transferido pela tradição da coisa móvel? Duas semanas se passaram e dona Mônica ainda não deu retorno a dona Marli sobre as roupas. o papel que durante algum tempo a retrovenda desempenhou. que se pagar o mesmo valor oferecido pelo terceiro. Ela sempre é atendida pela dona Marli. pág. a despersonalização das relações entre as partes. 505. Apesar de ser mais rara.

como instrumento de composição de grupos. Afinal. que dispõe sobre as sociedades por ações. Silvio Rodrigues comenta: “Destina-se o acordo de acionistas a regrar o comportamento dos contratantes em relação à sociedade de que participam. A venda com reserva de domínio restringe-se aos bens móveis e exige forma escrita. como se resolveria esta situação utilizando-se apenas as regras previstas no Código Civil? d) Venda com reserva de domínio A venda com reserva de domínio popularizou-se com o aumento das vendas com pagamento em prestações. por meio de acordo de acionistas. sendo um contrato. basicamente. nosso cliente seja procurado pelo senhor Oportunista. Se o prazo não for estipulado. rev. Deste modo. O prazo para exercer o direito de preferência não poderá ser superior a 180 dias se o bem for móvel. o domínio permanece com o vendedor até que a última prestação seja paga pelo comprador... no caso de bem imóvel. se o bem for imóvel. A venda com reserva de domínio é uma venda condicional que se aperfeiçoa na ocorrência de um evento futuro e incerto: o pagamento do preço. os contratantes podem convencionar que se um deles desejar vender sua participação a terceiro será obrigado a oferecer as suas ações primeiro aos demais acionistas.404/197610.CONTRATOs Em EsPÉCIE Para que esse direito exista são necessários os seguintes requisitos: – o comprador tem que querer vender o bem adquirido. Direito societário – 7 ed. não é raro vermos a estipulação de direito de preferência em outros contratos. Porém. sócio detentor de apenas 1% das quotas da Pechincha Ltda. após a realização da diligência legal e da celebração do contrato de compra e venda das quotas da Pechincha Ltda. 118. ao contrário do que ocorre com os bens imóveis que exigem solenidade para sua transferência. uma vez que há três anos atrás fez um acordo de quotistas com o senhor Eduardo. e em 60 (sessenta) dias. assim como na venda a contento. aplica-se a regra geral de que a propriedade do bem móvel transfere-se com a tradição do bem. no qual. José Edwaldo Tavares. vinha sendo celebrado no período anterior à atual lei das sociedades anônimas” (Borba. concernentes a essa categoria jurídica. em acordos de acionistas9. o senhor Eduardo se comprometia a oferecer direito de preferência a esse outro sócio no caso de alienação de suas quotas. pág. 10 FGV DIREITO RIO 28 . – Rio de Janeiro: Renovar. o direito de preferência caducará em 3 (três) dias. 2001. que lhe afirma que a venda das quotas não foi válida. Vamos supor que. reconheceu que o direito de preferência é um dos tópicos que pode ser tratado em acordo de acionistas. embora o bem seja entregue ao potencial comprador. estando disposto a pagar ao comprador o preço que ele tiver conseguido com terceiros. sobre compra e venda de suas ações. ou a 2 (dois) anos. Quais são as diferenças entre a preempção e o direito de retrovenda? O direito de preferência é um negócio acessório. a ele se aplicam os preceitos gerais. Assim. no caso de bem móvel. o contrato deve ser registrado no Registro de Títulos e Documentos. – o vendedor tem que querer recomprar o bem. Tanto é assim que a Lei nº 6. A cláusula de direito de preferência é muito comum. 9 “Art. funcionando. Os acordos de acionistas. ou do poder de controle deverão ser observados pela companhia quando arquivados na sua sede”. O prazo começa a contar a partir da notificação do proprietário (comprador) ao vendedor informando sobre seu interesse em vender o bem. por exemplo. Tendo em vista que esse acordo de quotistas nunca foi divulgado e nem sequer mencionado na diligência legal. Além disso. geralmente vinculado à compra e venda. 322). e como contrato atípico. – o vendedor tem que exercer o direito no prazo. entre outros acertos. se não há previsão expressa da reserva de domínio. exercício do direito a voto. é comum que pessoas realizem operações de venda de bem móvel sem consultar registros ou sem exigir a prova da propriedade do vendedor. para que seja oponível a terceiros. No caso de venda com reserva de domínio. aum. que poderão comprá-las pelo mesmo preço e condições oferecidos ao terceiro. preferência para adquiri-las. e atual. A venda com reserva de domínio pode trazer insegurança jurídica uma vez que.

o vendedor tem duas opções: mover ação de cobrança das prestações vencidas e vincendas e o que mais lhe for devido ou reaver a posse da coisa vendida. doar. às demais Partes (a seguir. neste ato. as “Demais Partes”). RODRIGUEs. com reserva de domínio”11. ficando a Parte que desejar alienar. “A venda sobre (ou contra) documentos tem por finalidade dar mais agilidade às transações mercantis que envolvam venda de mercadorias. são Paulo: Ed. saraiva. em caráter irrevogável e irretratável. 6. As comunicações a que se refere o item anterior indicarão o potencial adquirente. não pago. Antônio Junqueira de. (coord. pág. pág. Parte Especial. O vendedor se libera da obrigação de entregar a coisa remetendo ou entregando ao comprador o título representativo da mercadoria”12. diariamente.). para que seja exigível o pagamento do preço. principalmente nos grandes centros e tendo em vista a quantidade fantástica de bens móveis duráveis vendidos. apenas pode ter por objeto coisa móvel. nos termos deste Acordo.3.3. Cada uma das Partes se obriga. prometer vender. não se pagando o preço até certo dia. ou por qualquer outra forma alienar ou transferir. suas ações da COMPANHIA (a seguir. In: AZEVEDO. vol. obrigada a primeiramente oferecê-las. 1. observado o disposto nesta Cláusula 6ª. no todo ou em parte.CONTRATOs Em EsPÉCIE “Teoricamente tal sistema é perfeito.1ª fase) Ajustado que se desfaça a venda.1 abaixo (a seguir o “Potencial Adquirente”). desfazer o contrato ou pedir o preço. 3. Apenas ele não funciona na prática. fornecendo inclusive as informações previstas no item 6. senão mediante venda. são Paulo: saraiva. 2003. as ações de sua titularidade. permutar. comentários ao código civil. a “Parte Cedente”). Pacto comissório. b.6. Direito Civil. para pagamento em moeda corrente nacional. bem como a especificação da quantidade e espécie das ações a serem alienadas (as “Ações Ofertadas”). Venda a contento. A obrigatoriedade da tradição da coisa é satisfeita com a entrega ao comprador de documento representativo. silvio. Se o comprador está em mora. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.2.7. c. Modelo Exemplo de cláusula de direito de preferência em Acordo de Acionistas: “VI – ALIENAÇÃO OU ONERAÇÃO DE AÇÕEs 6. Paulo Luiz Netto.. o preço e condições de pagamento. d. e) da venda sobre documentos O Código Civil de 1916 não previa essa modalidade de venda. 1. para que estas possam exercer o seu direito de preferência. Preempção. 216 12 FGV DIREITO RIO 29 . Das várias espécies de contratos. poderá o vendedor.1. Retrovenda. vol. Essa cláusula especial à compra e venda é denominada: a. 176. Por sua natureza. 11 LÔBO. 6. a qualquer título. questões de ConCurso (Prova: 18º Exame de Ordem . por escrito.2. a não vender.

4. o seguinte: (a) a preferência deverá ser exercida no prazo de 60 (sessenta) dias a contar da data do recebimento da comunicação referida no item 6.4. alienar todas. ainda. desde que se manifestem nesse sentido no prazo de 60 (sessenta) dias fixado na letra (a) deste item. até atingir as pessoas físicas. (b) será facultado às Demais Partes estenderem seu direito de preferência à aquisição de sobras.1 supra. 6.4. e (d) exercida a preferência. como intervenientes anuentes. desde que tenham sido observadas as formalidades previstas nesta Cláusula 6ª”. 6.1 supra e abranger todas e não menos do que todas as Ações Ofertadas. a assinar o citado instrumento. as Demais Partes terão preferência para adquirir as Ações Ofertadas. o instrumento contratual de compra e venda das ações deverá conter cláusula pela qual o adquirente manifeste sua adesão incondicional ao presente Acordo.4. como condição para sua validade e eficácia. pelo mesmo preço e condições oferecidos pelo Potencial Adquirente. ficando obrigadas as Demais Partes.1 abaixo. se houver. FGV DIREITO RIO 30 . mas não menos do que todas as Ações Ofertadas ao Potencial Adquirente indicado e ao mesmo preço e nas mesmas condições constantes das comunicações referidas no item 6. a Parte Cedente poderá. Caso o Potencial Adquirente seja uma sociedade. a aquisição deverá ser efetuada nos 30 (trinta) dias seguintes ao decurso do prazo referido nas alíneas anteriores.3. a comunicação do item 6.CONTRATOs Em EsPÉCIE 6. proceder-se-á ao respectivo rateio entre as Partes interessadas. nos 60 (sessenta) dias seguintes. Na hipótese do item 6. proporcionalmente às Ações que possuírem.1. observando-se.2. 6. contudo. deverá identificar também as respectivas Partes ou sócios que detenham o controle do Potencial Adquirente e/ou participações societárias que representem 10% (dez por cento) ou mais de seu capital votante e/ou de seu capital total e assim sucessivamente.1 supra. com os mesmos direitos e obrigações da Parte Cedente.1. Não havendo manifestação das Demais Partes. Na proporção do número de ações que possuírem. devendo as Demais Partes igualmente subscrever o instrumento. (c) caso sejam recebidas manifestações de exercício de preferência que totalizem quantidade de ações superior a das Ações Ofertadas. desde que observado o procedimento previsto no item 6.

. 2005 . Ela deu origem ao contrato de compra e venda. CONTRATO ESTImATóRIO 1. 1. Caso Gerador Durante o processo de diligência legal. págs. não contendo. São Paulo: Saraiva. vol. (coord. por exemplo. 199 a 203/ págs. págs. Das várias espécies de contratos. biblioGrafia obriGatória: • Arts. na qualidade de advogados da Grana Certa S. quando os bens passaram a ser trocados por moeda.4. Sabendo disso. Consiste na entrega de uma coisa para recebimento de outra. Há muitos anos era grande amigo do senhor Nicanor Tício.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. de acordo com o novo Código Civil (Lei 10. Ele explica. de 10. 1. III.4. 1. com produtos fartos e de alta qualidade. o contrato não era muito detalhado. 533 a 537 da Lei nº 10. Parte Especial. • DINIZ. o senhor Nicanor vendeu seu jornalzinho a uma grande editora que quer transformá-lo em um jornal de grande circulação em Brasília. Há algum tempo atrás.4. Contrato Estimatório.2. o senhor Eduardo Russo nos contou a seguinte história.4. 17ª ed. AulA 4: TROCA Ou PERmuTA. tivemos a oportunidade de visitar o supermercado Pechincha por diversas vezes. Instituições de Direito Civil . roteiro de aula a) Permuta A troca ou permuta é o contrato mais antigo. Ocorre que. que não seja dinheiro. págs. 205 a 209. 2003. inclusive. 233 a 237. um pouco sem graça.5. FGV DIREITO RIO 31 . que por ter sido celebrado entre grandes amigos. São Paulo: Saraiva. Em uma de nossas visitas.406..2002). completa. In: AZEVEDO. já tendo contratado. Caio Mário da Silva. 226 a 272. 6. dono de um jornal de bairro. eMentário de teMas: Permuta. Rio de Janeiro: Forense.vol. o número exato de cestas de Natal a serem trocadas. biblioGrafia CoMPleMentar: • LÔBO. • PEREIRA. Maria Helena. eles resolveram unir o útil ao agradável e celebraram um contrato de permuta. pois não estava contando com um número tão grande de cestas de Natal.4. e atual.1. Tratado teórico e prático dos contratos.A.. cansado e já querendo se aposentar. segundo o qual todo domingo o jornal do Nicanor publicaria anúncio do Supermercado Pechincha e em troca ao final do ano o Supermercado Pechincha forneceria aos funcionários do jornal uma cesta de Natal. Comentários ao Código Civil. Paulo Luiz Netto. o senhor Eduardo está um pouco preocupado. 2002.3.). nós.406/2002. o dobro de funcionários.4.01.Contratos. E agora? O contrato continua válido? O que recomendar? 1.4. Antônio Junqueira de. ampl.

neste caso? FGV DIREITO RIO 32 . Todas as coisas que não sofram indisponibilidade natural. O uso da torna no contrato de permuta divide os doutrinadores sobre a natureza do contrato: seria ele uma compra e venda ou uma permuta? Muitos entendem que a existência da torna não descaracteriza a permuta. a parte cujo bem tem valor inferior ao outro. Intrigado. ficando o consignatário obrigado a devolver o bem ou entregar ao consignatário o preço previamente ajustado pela coisa dentro do prazo determinado. Curioso. legal ou convencional podem ser permutadas. Por serem tão parecidos.CONTRATOs Em EsPÉCIE Atualmente a compra e venda é muito mais utilizada. ficando as demais apenas rachadas. O dono da loja explica a Ana Maria que um de seus funcionários estava arrumando a loja e que sem querer esbarrou no conjunto. que seja na verdade o objeto da prestação principal. Ao chegarem à loja. não sendo necessário que os bens sejam da mesma espécie ou valor. completa sua prestação com dinheiro. Apenas os bens móveis e que estão no comércio podem ser objeto do contrato estimatório. Ana Maria então lhe explica que o conjunto está na loja Brechó da Vovó. por que você acha que o legislador chamou de contrato? Contrato estimatório é o contrato pelo qual o proprietário (consignante) entrega a posse da coisa à outra pessoa (consignatário). Ana Maria nota que além de faltar uma das peças. mas a permuta mantém seu espaço no ordenamento jurídico. porém. Ana Maria. aplicam-se à permuta as regras da compra e venda. As partes estimam um preço pelo bem. b) Contrato estimatório Embora já fosse realizado na prática. lhe oferece um conjunto de xícaras de porcelanas chinesas. muitas outras estão rachadas. mas que felizmente apenas uma das peças havia se quebrado. Quais são elas? Quando os bens a serem permutados têm valores desiguais. A parte que recebe o bem pode vendê-lo a terceiro por qualquer valor. conhecido neste caso como torna. você agradece e pergunta quando pode buscá-lo. O que você acha? A caracterização como compra e venda ou permuta leva a conseqüências práticas em razão dos itens que foram especificamente diferenciados no art. dentro de prazo determinado. deixando o cair. desde que pague a parte que lhe entregou o bem o preço que entre elas foi estimado. a loja Brechó da Vovó procura Ana Maria para devolver o conjunto de xícaras que não foi vendido. Como você aconselharia Ana Maria. que nada mais é do que a venda em consignação. a não ser que o valor da torna seja de tal modo superior. esse contrato só veio a ser regulado como contrato típico no novo Código Civil (Lei nº 10. O Código Civil fez apenas duas distinções no que diz respeito à aplicação das regras da compra e venda. Sendo assim. sua amiga. pois percebe que seu conjunto de chá não poderá mais ser utilizado. você pergunta o que o conjunto está fazendo na loja e ela lhe explica que celebrou um contrato estimatório com o dono da loja. oneroso e consensual. não gera efeitos reais. Por quê? Estando para terminar o prazo do contrato estimatório. 533 da Lei n° 10.406/2002. mas sim a obrigação de transferir ao outro o domínio da coisa objeto de permuta. cedendo-lhe o poder de dispor da coisa. Ana Maria fica muito triste. Você vai junto com Ana Maria para buscá-lo. Para retribuir a um favor seu. você vai ao Código Civil para consultar esse tipo de contrato e fica um pouco desapontado.406/2002). Assim como o contrato de compra e venda. O contrato de permuta tem a mesma natureza jurídica da compra e venda: é bilateral. Mesmo sem ver muita utilidade para tal presente.

com seus atos constitutivos registrados na Junta Comercial de Brasília sob o número 11111111. Caso Gerador: Dentre os contratos recebidos. 1. empresário. eMentário de teMas: Características do contrato de doação – Aceitação . abaixo estabelecidos. portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx.Espécies de doação . São Paulo: Saraiva. vol. Distrito Federal.Doação de ascendente para descendente . 1. solteiro. 272 a 385. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy. todos relacionados com a finalidade de manter a tradição da família preoFGV DIREITO RIO 33 . 538 a 564 da Lei nº 10. vol. 2002.4. In: AZEVEDO.Resolução e revogação da doação. Das várias espécies de contratos. • RODRIGUES.5. págs. residente e domiciliado em Brasília.Restrições à liberdade de doar .5. por parte do Donatário.406/2002. em conjunto. CONSIDERANDO QUE: (i) O DOADOR é titular de 99. Distrito Federal. (ii) O DONATÁRIO é herdeiro necessário do DOADOR. inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101. 50. em vida.000 (noventa e nove mil) quotas representativas de 99% do capital social da sociedade limitada denominada Pechincha Comércio Varejista Ltda. doravante denominado simplesmente “DONATÁRIO”. (coord. Parte Especial. inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202. brasileiro. biblioGrafia CoMPleMentar: • LÔBO. JEREMIAS RUSSO. doravante denominado simplesmente “DOADOR”. 2003. doravante denominada “Sociedade”. simplesmente como Partes. Direito Civil.). Comentários ao Código Civil.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. (iii) O DOADOR deseja doar. AulA 5: dOAçãO 1. Silvio. Distrito Federal. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. biblioGrafia obriGatória: • Arts..1. Antônio Junqueira de. residente e domiciliado em Brasília. São Paulo: Ed. para iniciar a transferência dos negócios da família e fomentar negócios das futuras gerações da sua família. Paulo Luiz Netto. você notou o contrato abaixo: INSTRUMENTO PARTICULAR DE DOAÇÃO EDUARDO RUSSO. (iv) O DOADOR sujeita tal doação à execução integral e tempestiva. 3. casado. Saraiva. ao DONATÁRIO.000 (cinqüenta mil) quotas (“Quotas”).5.2. 1.3. brasileiro. 6. DOADOR e DONATÁRIO doravante denominados.5. empresário. págs. com sede em Brasília. de determinados encargos..5. 197 a 216.

outros dois brinquedos do gênero. (e) O clube será aberto apenas aos Funcionários e seus familiares. decide doar. Brasília. herdeiros e sucessores. Fica eleito o foro Central da Comarca de Capital do Estado do Rio de Janeiro. incluindo dos funcionários do Supermercado Pechincha (“Funcionários”). ônus ou encargos de qualquer natureza. que vigerá de acordo com as seguintes cláusulas e condições. as partes firmam o presente Instrumento em 02 (duas) vias de igual forma e teor. com escorrega. e (v) as quotas representativas do capital social da Sociedade. descendentes e ascendentes terão direito de desfrutar do clube mediante pagamento de mensalidade em valor simbólico. resolvem as Partes de comum acordo e na melhor forma de direito celebrar o presente Instrumento Particular de Doação (“Instrumento”). nunca superior a 5% de seu salário. as seguintes obrigações: 2. encontram-se livres e desembaraçadas de quaisquer dívidas. com auxílio jurídico. o Donatário. 3. A doação ora feita é obrigatória para as partes contratantes. com pelo menos as seguintes medidas. (v) um play para crianças. na presença das 02 (duas) testemunhas abaixo assinadas. ao Donatário. Eduardo Russo Testemunhas: 1. providenciar a constituição legal do clube e a contratação da mão de obra necessária para o funcionamento do clube. limpeza e bom funcionamento do clube. portanto.. (iv) um bar. para dirimir as questões decorrentes do presente Instrumento. Nome: CPF/MF: Jeremias Russo 2. 2. 5. obrigado a cumprir. 24 de abril de 2004. O DONATÁRIO poderá alugar. balanço e. as Quotas. que representam 50% do capital social da Sociedade. Nome: CPF/MF: FGV DIREITO RIO 34 . por mais privilegiado que venha a ser. (iii) uma piscina profunda. 4. 2. observados os artigos 538 e seguintes do Código Civil Brasileiro: 1. com a renúncia expressa de qualquer outro.. conforme autoriza o artigo 553 do Código Civil Brasileiro. O DOADOR. 2. Esta doação fica sujeita ao cumprimento dos encargos abaixo estabelecidos. (c) O clube deverá empregar pelo menos 20 funcionários para segurança. no prazo máximo de 24 (vinte e quatro) meses.2. mediante o DARJ cuja cópia constitui o Anexo I ao presente Instrumento.CONTRATOs Em EsPÉCIE cupada com o bem estar da comunidade em que vive. contados da data de assinatura deste Instrumento. objeto da presente doação.. (b) O clube deverá funcionar todos os fins de semana e feriados.3. E por estarem assim justas e contratadas. Fica registrado que o imposto de doação incidente sobre a presente operação foi recolhido. O clube deverá atender aos seguintes requisitos: (a) O clube deverá ter no mínimo: (i) duas quadras polivalentes para a prática de esportes em grupo. (d) Os funcionários e seus cônjuges. O DONATÁRIO deverá.1 O DONATÁRIO deverá providenciar um clube para que os funcionários possam desfrutá-lo nos dias de folga. de livre e espontânea vontade. sem qualquer induzimento ou coação. como na verdade efetivamente doa. ficando. comprar ou arrendar um terreno para que o clube seja instalado. não sendo mais permitido o seu acesso em caso de demissão ou desligamento. pelo menos. (ii) uma piscina rasa para crianças até 5 anos.

(art. C) espécies de doação Doação pura – é pura liberalidade. mas que não podia ser exigido pagamento pelo doador. portanto. Percebendo que ela. como havíamos sido informados no início da diligência legal. que sempre demonstrou ser contra a realização do negócio entre o senhor Eduardo e o nosso cliente. de acordo com ele.406/2002. Curioso (a) você pede para ver a coleção. porém. Por exemplo. havendo a tradição imediatamente depois. o senhor Eduardo Russo não seria mais o proprietário de 99% das quotas. mas o donatário fica obrigado a pagar uma mesada a um parente do doador. você consideraria que foi uma doação de pequeno valor? b) aceitação A aceitação pelo donatário é elemento indispensável para a doação e pode ser: – expressa – quando é manifestada de forma verbal. 541) Lucy. 543 e 546 da Lei nº 10. Exemplo: Doador doa recursos ao donatário. aparentemente detém 50% das quotas da Pechincha Ltda. inviabilizar a compra do negócio. O doador não espera do donatário qualquer ato ou prestação por parte do donatário. Lucy já pode se considerar proprietária da coleção? O sorteio da Mega Sena estava acumulado e o prêmio estimado em vinte milhões de reais. pois. conta que ganhou de sua prima a coleção de discos desse famoso grupo inglês.CONTRATOs Em EsPÉCIE Esse contrato deixou nossa equipe de diligência apreensiva. que se encontrava doente e com dificuldade para se movimentar. o doador não espera qualquer prestação do donatário. – presumida pela lei – nos casos previstos nos arts. É uma liberalidade do doador. Lucy conta. ele contou a sua avó que havia jogado na Mega Sena.. – Solene – a lei impõe forma escrita para doação. podendo. – Gratuito – em regra. Seu amigo José resolveu fazer uma aposta. Jeremias. ficou muito triste porque não conseguiria jogar. 539. grande fã dos Beatles. roteiro de aula a) Características do contrato de doação O contrato de doação é: – Unilateral – envolve prestação de apenas uma das partes. Doação remuneratória – tem o objetivo de pagar um serviço prestado pelo donatário. prêmio pago a alguém que encontrou seu cachorro desaparecido. José deu para a avó o bilhete da Mega Sena. Seu filho. A doação remuneratória e a doação com encargo perdem a característica da gratuidade? FGV DIREITO RIO 35 . Analisando.5. o doador impõe ao doador uma contraprestação que resulta em vantagem para o próprio doador ou para terceiro. você teria alguma sugestão? 1. do ponto de vista legal. que ainda não recebeu os discos porque eles estão guardados na casa de veraneio de sua tia. Chegando a casa. Doação com encargo – nessa espécie de doação. – tácita – quando resulta de comportamento do donatário incompatível com sua recusa à doação.5. escrita ou por gestos. E agora? Que pontos devem ser levados em consideração? A doação é válida? Tem alguma medida que possa ser tomada para anular essa doação? Supondo que você fosse o advogado do senhor Eduardo Russo e tivesse sido consultado antes do contrato ser assinado. exceto nos casos de bens móveis de pequeno valor. Ocorre que a família era pé quente e os números escolhidos por José foram sorteados! Analisando esta situação.

se o doador não tiver herdeiros necessários. todas as despesas que os pais tiveram para pagamento do doutorado de Raquel em Paris. rev. 549 da Lei nº 10. Sendo assim. e atual. 158 da Lei nº 10.) 14 FGV DIREITO RIO 36 . Para proteger os credores quirografários14 do doador. – Doação do cônjuge adúltero a seu cúmplice – art. (Dicionário Técnico Jurídico/ organização Deocleciano Torrieri Guimarães. Ruth e Raquel abriram o inventário. evitando que o doador passe a ficar totalmente desamparado e tenha que ser assistido pelo Estado. exceto se os outros descendentes expressamente consentirem. por sua vez. o legislador preocupou-se em tentar evitar que um dos filhos seja beneficiado pelos pais em detrimento do outro. e) doação de ascendente para descendente Como já vimos anteriormente. Qual foi o mecanismo adotado no caso da doação? E se o pai realmente quiser doar algo para um dos filhos em detrimento dos outros? Com a morte de seus pais. e é assegurada aos herdeiros necessários. é anulável a troca de valores desiguais.406/2002 Essa restrição visa proteger o patrimônio dos herdeiros. – Doação que prejudique os credores do doador – art. ou seja. ele terá ampla liberdade de doar seus bens. tendo em vista que a outra metade constitui a legítima. vimos que é anulável a venda de ascendente a descendente. 1. Por outro lado. sendo pago em rateio do saldo que houver. De acordo com o art. 2001. Dessa forma. que trata da fraude contra credores. No momento da doação deve ser aferido se o bem a ser doado é superior à metade dos bens do doador. 1. Se você fosse o juiz. sem consentimento dos outros descendentes.845 da Lei nº 10. Na permuta entre descendente e ascendente. solicita que o juiz considere como adiantamento de legítima a Raquel.406/2002 O objetivo dessa restrição é proteger o doador e também a sociedade.CONTRATOs Em EsPÉCIE d) restrições à liberdade de doar – Doação de todos os bens do doador – art. 548 da Lei nº 10. observando-se apenas as demais restrições previstas no Código Civil.846. os Os herdeiros necessários são os descendentes. – Doação de parte que caberia à legítima – art.406/2002). pertence aos herdeiros necessários13 a metade dos bens da herança. os ascendentes e o cônjuge. o que você faria? f) resolução e revogação da doação A doação pode ser desfeita: – por motivos comuns a todos os contratos – embora não esteja prevista no capítulo específico sobre doações. no caso da compra e venda. aplicam-se as regras gerais a todos os contratos. coordenação Luiz Eduardo Alves de siqueira – 3 ed. o código prevê que eles podem anular a doação quando o doador estiver insolvente com eles ou ficar insolvente com os credores por ter doado bens a terceiros. (art. 550 da Lei nº 10. ele só pode doar metade de seus bens. Ruth.406/2002 Embora esta restrição não esteja expressa no capítulo sobre doação do Código Civil. depois de ressarcidos os privilegiados”. ela está prevista no art. se o doador tem herdeiros necessários. 158 do Código Civil.406/2002 Essa restrição tem como propósito proteger o cônjuge e os herdeiros necessários. 13 Credor Quirografário ou simples: “aquele que não tem título que lhe dê preferência. Raquel pede que o juiz considere como adiantamento de legítima à Ruth os gastos que os pais tiveram com a festa de casamento de Ruth. possui os mesmos direitos que os credores comuns. são Paulo: Rideel. como visto anteriormente.

CONTRATOs Em EsPÉCIE defeitos15 que podem macular o ato jurídico. uma noite. Essa foi a gota d’água para Lucy que.2ª fase PROVA DIsCURsIVA João acreditando que Alfredo era seu filho natural (filho biológico não registrado) do namoro que manteve com mãe do Alfredo. Paul se disse muito ofendido por Lucy. Lucy diz que Rita é muito ligada a seu irmão e diz que teme que esse incidente com Paul possa ter impacto na doação de Lucy. A doação pode ser revogada: – por descumprimento do encargo – no caso de doação com encargo. Rever arts. c. Esclareça se existe algum vício na manifestação de vontade. Rita foi visitar sua mãe na casa de veraneio e aproveitou para buscar a coleção de discos dos Beatles e entregá-la a Lucy. ainda que se trate de bem móvel de pequeno valor. o doador pode desfazer a doação. acabou perdendo a paciência e. A doação dos pais aos filhos importa adiantamento da legítima. 158 a 165 (fraude) e 167 (simulação). são motivos para anular a doação. A doação poderá conter cláusula de retorno do bem ao doador. no qual o doador sobrevive ao donatário e o domínio do bem volta ao patrimônio do doador. resolveu fazer uma doação de um apartamento para ele. coação. no dia seguinte. que é também irmão de Rita.1ª fase) Não constitui regra aplicável às doações a que abaixo se destaca: a. se sobreviver ao donatário. mas isso não foi suficiente para apagar a velha briga que tem com o seu vizinho Paul. d. Lucy tem razão de ficar preocupada? E se Lucy tiver alugado a coleção para um amigo? 1. simulação e fraude. indicando em caso positivo qual o seu fundamento. 547. b.5. Depois que fez a doação descobriu que Alfredo não era seu filho e então pretende anular a doação. dolo. – por ser resolúvel o negócio – ocorre. por exemplo. não paga em dia as cotas do condomínio do prédio onde vivem. como erro. Prova: 22º Exame de Ordem .6. Lucy ficou muito satisfeita com a prima. questões de ConCurso (Prova: 10º Exame de Ordem .É anulável a doação do Cônjuge adúltero ao seu cúmplice. Para completar. chamou de irresponsável e outros adjetivos de baixo calão que não convém replicar para nosso leitor. além de fazer barulho até altas horas da madrugada. se o donatário não cumprir o encargo no prazo assinalado pelo doador. mas restringiu a possibilidade de revogar a doação por ingratidão a determinadas causas e regulou seus efeitos. que. encontrando-o na entrada do prédio. dolo e coação) e arts. no caso previsto no art. na frente dos porteiros e de alguns moradores que aguardavam o elevador. 15 FGV DIREITO RIO 37 . 138 a 155 (erro. – por ingratidão do donatário – o legislador visou punir o donatário. ao chegar bêbado. A doação deverá ser feita por escrito. Paul é um péssimo vizinho. acabou por bater no carro de Lucy que estava estacionado na garagem do prédio.

CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Trata-se de contrato: FGV DIREITO RIO 38 . quando há vínculo empregatício) e para a empreitada.406/2002. págs. comerciais e de temporada). tratadas no direito romano como espécies de locação. Rio de Janeiro: Forense. conforme diretiva do próprio código (art. que são regidos por legislação especial. pode-se extrair as características principais do contrato: a cessão da coisa (“ceder à outra. uma das partes se obriga a ceder à outra. 267 a 301 1. 2002. Código Civil Art. biblioGrafia obriGatória: • Arts. 1. Do claro conceito legal. consentimento (“se obriga a”) e prazo (“por tempo determinado ou não”). 2005. 1. ter-se-á sempre em mente a idéia de locação de coisas (locatio rei).2. eMentário de teMas: Introdução – Elementos do contrato de locação – Obrigações do locador – Obrigações do locatário 1.036 do código e Lei nº 8. ainda hoje existe uma diferenciação no ordenamento quanto às diversas espécies de locação.6. Na locação de coisas. A locação de serviços e de obras.3. [conceito do contrato de locação] O núcleo do contrato de locação é a cessão de uma coisa não fungível entre o seu proprietário – o locador – e aquele que se utilizará da coisa – o locatário..6. biblioGrafia CoMPleMentar: • PEREIRA.. quando se fala em locação. 3.. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. págs. ao se falar em locações. se fala sempre em locação de coisas. Silvio. preço (“certa retribuição”). Portanto. Saraiva. no âmbito destas aulas. por tempo determinado ou não. uso e gozo de uma coisa não fungível”). 2. Caio Mário da Silva. Direito Civil. o uso e gozo de uma coisa não fungível. III. evoluiu para a prestação de serviços (e para o Direito do Trabalho.6. • RODRIGUES. e o maior exemplo disto é a locação de prédios urbanos (residenciais. lOCAçãO dE COISAS. Todavia.4. São Paulo: Ed. 565. vol.6.6. respectivamente. 217 a 227. 565 a 578 da Lei nº 10. vol. roteiro de aula a) introdução Modernamente. Instituições de Direito Civil. AulA 6: CONTRATO dE lOCAçãO.245/1991). algumas são consideradas tão especiais pela mens legis. que merecem um regramento especial próprio. mediante certa retribuição.1.

com ele não se confunde. 46 da lei 8. 1º. contanto que sejam infungíveis. 576).: corte de árvores em casa de campo). (ii) não se destinam à locação as coisas consumíveis no seu primeiro uso. que continuam sendo tratados pelo código (ou por legislação especial. do Código Civil. Ressalte-se que. a lei dá (art. IV. (iv) comutativo. salvo as deteriorações do seu uso regular. se houver). o locatário é obrigado a restituir a coisa no estado em que a recebeu. sem que ela perca a sua infungibilidade (ex. 276. parágrafo único. pág. a opção de compra ao final do prazo contratual). tal contrato possui peculiaridades específicas com relação à locação comum de coisas regulada pelo Código Civil (como. e (v) não solene. por exemplo. ao contrário da compra e venda. exclui diversos tipos de imóveis. FGV DIREITO RIO 39 . O fato de um bem ser inalienável não impede o seu uso em locação. Pode ser objeto da locação bens móveis ou imóveis. como bens fora do comércio ou bens públicos. como. no caso de locações prediais urbanas. O aluguel de lojas em shoppings centers também possui toda uma sistemática própria. normalmente mensal. o tempo. em regra. as vagas autônomas de garagem. (ii) oneroso. como se vê do próprio conceito legal. pois envolve prestações seguidas no tempo. pode ser objeto da locação se algum acessório da coisa for consumido. todavia. portanto. os efeitos do contrato podem ser diferentes conforme houver registro ou não. [i) a cessão da coisa – o objeto do contrato de locação] Embora seja uma confusão bastante comum. embora a Lei do Inquilinato tenha tomado para si a normatização de boa parte dos imóveis urbanos. mas tão somente é considerado como contrapartida pelo uso em um determinado período. e. o contrato de locação não é personalíssimo. na celebração da avença. É muito comum considerar o contrato de leasing ou arrendamento mercantil como uma locação de coisas móveis. já diz respeito à fase da execução do contrato. porque confere obrigações e direitos recíprocos às duas partes. o pagamento de uma prestação não exaure o contrato. porque as partes já tem conhecimento de suas respectivas prestações. como se verá no ponto específico. Disso decorrem algumas conseqüências: (i) segundo o art.CONTRATOs Em EsPÉCIE (i) bilateral. a lei privilegia a não-fungibilidade do bem. seu art. pois é da natureza do contrato a retribuição econômica por parte do locatário. em caso de alienação do bem. como na compra e venda. Além disso. por exemplo. havendo um grande avanço jurisprudencial na matéria. não se trata de contrato real. a coisa. pois a lei não exige forma específica para sua validade. ou seja. incentivando sua utilização. a tradição da coisa.245) um tratamento especial às locações reduzidas a contrato escrito. A proteção do locatário. o objeto do contrato de locação não é a coisa em si. o preço e o objeto do negócio. isto é. Todavia. b) elementos do contrato de locação Os elementos do contrato são. Note-se que. transferidos por meio de manifestação de vontade. mas seu uso e gozo por alguém que não o seu proprietário. 569. 16 17 Caio mário. embora possa se tornar mediante consentimento das partes. simplificadamente. como o dinheiro. embora alguns autores17 enxerguem também o consentimento e a forma como seus elementos. é maior se houver registro (art. sem exigir forma específica16. Em regra. o contrato de locação é de execução continuada ou de trato sucessivo. O principal atributo da coisa que será objeto de locação é a sua infungibilidade. e (iii) por outro lado. pois se forma só pelo acordo de vontades. (iii) consensual.

em que a transferência da posse é perpétua. se não houver culpa do locatário. 571 estabelece que. a celebração da locação transfere a posse do bem. manutenção e garantia da coisa locada. A entrega é o ato por meio do qual a coisa locada muda de possuidor. [ii) preço – o aluguel] Como dito anteriormente. mas. deve ser feita em estado de servir ao fim a que se destina. II. Numa interpretação a contrario sensu. a qual pode ser desdobrada. contudo. Caso. sem necessidade de notificação ou aviso. se deteriorar-se a coisa durante a vigência do contrato. basicamente. o pagamento do aluguel é o que diferencia a locação do comodato. dá efeitos diferentes (mais sensíveis ainda no caso da locação de prédios urbanos sujeitos à Lei nº 8. o locatário também não poderá devolver a coisa sem o pagamento proporcional da multa contratual. A lei. prolonga-se durante o prazo da locação. FGV DIREITO RIO 40 . naturalmente. I. do instituto extinto da enfiteuse. Sendo o contrato por prazo determinado (arts. uma certa proporcionalidade entre o valor do bem e o aluguel cobrado. já que o mesmo artigo fala que o locador deve mantê-la neste estado (dever de manutenção). 567 do Código Civil reza que. extingue-se a locação pelo mero decurso do tempo. por exemplo. Podem as partes estipular aluguel que não seja em dinheiro? Por quê? No âmbito da discricionariedade das partes.245/1991) ao contrato de locação conforme o seu prazo. Essa presunção legal admite prova em contrário? C) obrigações do locador As obrigações do locador estão dispostas no art. pois o locatário não poderá fazer o uso esperado dela. O art. Entrega – A entrega da coisa. em razão de sua natural deterioração. 566 e seguintes do Código Civil. a fundamental é a de proporcionar ao locatário o uso e gozo da coisa locado. do Código Civil. qualquer das partes pode resilir o contrato sem o pagamento de penalidades. por um lado o locador não pode exigir a devolução da coisa antes do término do contrato. 566. conforme art. O art. podem ser deduzidos do aluguel as obras e benfeitorias feitas pelo locatário. sendo o contrato sem prazo determinado. Dentre todas. O art. 573 e 574). por outro. salvo se em contrário dispuser o contrato. nos deveres de entrega. pode este pedir a redução proporcional do aluguel. na locação por prazo determinado.CONTRATOs Em EsPÉCIE Em regra. Manutenção – Não basta isso. permaneça com a posse da coisa. 566. presume-se prorrogada a locação por prazo indeterminado. sob pena de invalidação do contrato ou de sua configuração em empréstimo disfarçado ou até mesmo comodato. a não ser que pague as perdas e danos correspondentes. todavia. Há de haver. embora não caiba a retenção do aluguel como contrapartida a ausência do cumprimento deste dever. junto com os seus acessórios e pertenças. A questão da manutenção da coisa envolve. sem oposição do locador. Por exemplo: o locador não pode alugar uma televisão com o tubo de imagem queimado. salvo se houver previsão contratual específica em contrário. Esse dever. assim como o de garantia. [iii) prazo – o tempo da locação] A definição legal do contrato de locação já permite que ela seja celebrada tanto por prazo determinado quanto por prazo indeterminado. embora a sua temporariedade o diferencie. e presume-se que deve ser feita imediatamente. portanto. o tratamento jurídico da conservação e reparação do bem. ou até mesmo a resolução do contrato. determina ser obrigação do locador garantir ao locatário o uso pacífico da coisa durante o tempo do contrato. o locatário. todavia.

embora caiba ao locatário “o desforço que a lei lhe assegura (Código Civil. o locatário pode pedir a resolução do contrato ou abatimento proporcional no aluguel. Deve também o locatário usar a coisa para os usos convencionados ou presumidos. o locador indenizará o locatário pelas benfeitorias e os aluguéis são devidos até que o ente público seja imitido na posse da coisa. tratando-a como se sua fosse (art. Art. consertos. Caberia ao locatário o pedido de restituição dos aluguéis pagos? Se parcial a evicção. 567). (iii) Abstenção de incômodos. além da resolução do contrato decorrente da própria evicção. reparos etc. conforme o mesmo art. não permite 18 Caio mário. d) obrigações do locatário: Estão dispostas fundamentalmente no art. 569. na medida em que em regra o contrato não pode ter sobrevida pelo interesse público subjacente. 566. §1º)”18. conforme o art. O aluguel está para a locação assim como o preço está para a compra e venda. I). ou à redução proporcional do aluguel. 1. em regra.210. in fine. é que o contrato de locação estabeleça exatamente que tipo de despesas caberá o locatário e ao locador. todavia. Art. mudar a destinação da coisa alugada. 289. exceto se causadas pelo próprio locatário (ex. Garantia – o já mencionado art. o locatário deve ser indenizado dos frutos que tiver que restituir. determina ser obrigação do locador garantir ao locatário o uso pacífico da coisa. art. 569 do Código Civil.467. sendo esse assunto inclusive objeto de regramento próprio na Lei do Inquilinato. principal interessado na manutenção do seu valor econômico. A prática. além das perdas e danos. e. conforme a escolha do locatário (v. A desapropriação tem um regramento próprio. (iv) Evicção. Se for total. ela sobrevier na vigência do contrato. respondendo pelas perdas e danos (graduados pelo seu grau de culpa. tb. II do código. sob pena de resolução do contrato e pagamento das perdas e danos correspondentes. Se o locador tinha conhecimento do decreto expropriatório. ou defeitos que possam prejudicar o seu uso. A lei estabelece inclusive um penhor legal sobre os móveis que guarnecem o imóvel locado como garantia de pagamento. embora seja normal que o locatário responda pelas despesas de conservação de pequeno porte. as despesas dela oriundas. contudo. A eventual tolerância do locador. sobretudo para os vícios ou defeitos posteriores ao contrato) e sujeitando-se à resolução do contrato. Se o locador deve garantir ao locatário o uso pacífico da coisa com relação a terceiros. pág. Isso quer dizer. na forma ajustada no contrato. que o locador deve garantir o locatário quanto a: (i) vícios da coisa.: fechamento de estabelecimento comercial pela vigilância sanitária). mas também os chamados fatos do príncipe que desnaturem a coisa ou o uso a que ela se destina. porém. conforme sistematiza Caio Mário da Silva Pereira. (v) Atos da administração pública – não só a desapropriação. sob esse pretexto. sem. responde pela indenização. A mais importante delas é a de pagar pontualmente o aluguel. II. caso em que pode o locador solicitar as perdas e danos sofridas. Isso vale somente para os vícios ocultos ou também para os vícios aparentes? (ii) incômodos ou turbações de terceiros. portanto. 568.CONTRATOs Em EsPÉCIE Como proprietário da coisa. com muito mais razão não pode ele praticar atos que venham a prejudicar esta utilização pacífica. em regra se atribui ao locador o dever de promover as obras necessárias à sua conservação. para o fim a que se destina. Se. FGV DIREITO RIO 41 . 568. especialmente nos imóveis urbanos. Esse dever é imposto mesmo no caso de turbações feitas por colocatários. 1.

conforme as circunstâncias do contrato. Esse dever de informação deve ser exercido de modo a permitir a que o locador possa tomar todas as providências para o exercício do seu próprio dever.CONTRATOs Em EsPÉCIE afastamento desta regra. Caso o locatário descumpra esse dever. possa entrar com as medidas judiciais cabíveis para a proteção de sua propriedade e da posse do locador. parágrafo 2º da Lei nº 10. tão logo o locatário tome conhecimento da turbação. deve o locatário restituir a coisa no estado em que a recebeu.406/2002: “são necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore”. Pode-se dizer até que é um dos poucos casos de “Justiça privada” aceita pelo Direito brasileiro. por exemplo. contudo. Isso é contrapartida do dever do locador de garantir a coisa locada. como se verá a seguir. do local em que ele é celebrado e o princípio da boa-fé objetiva. 96. por exemplo. e também pelas úteis20. sem prejuízo das regras específicas da Lei nº 8. O locatário deve ter a diligência esperada para o cuidado com a coisa. findo o contrato de locação. enquanto não lhe forem indenizadas as despesas ou perdas sofridas em razão da coisa. O desvio de finalidade é analisado no caso concreto. 20 FGV DIREITO RIO 42 . caso tenham sido feitas com o consentimento do locador (art. salvo por sua deterioração natural. uma defesa que a lei dá ao locatário de conservar em sua posse a coisa alheia locada. mesmo depois de findo o prazo contratual. a impedir a deterioração do bem se ela é evidente. [alienação do bem durante o prazo locatício] A questão está regulada no art. [direito de retenção] É um poder. O adquirente do bem somente estará obrigado a respeitar a locação se o contrato contiver cláusula expressa e tiver sido submetido ao registro próprio.406/2002: “são úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem”. sem prejuízo de seu dever de pequenos reparos e consertos já mencionado. 578). As únicas exceções permitidas por lei são as em é conferido ao locatário direito de retenção. 96. isto é. 19 Art. e responderá pelos danos a ela. de maneira. 575: ficará responsável pelos aluguéis enquanto mantiver a coisa em seu poder. deve notificar o locador. Art. O locatário é obrigado a levar ao conhecimento do locador as turbações de terceiros. Por fim. podem as partes dispor em contrário no contrato. Tratandose de norma dispositiva. ainda que proveniente de caso fortuito. 576 do código. A lei confere direito de retenção ao locatário pelas benfeitorias necessárias19. para que ele. no valor arbitrado pelo locador. a lei provê a solução no art. parágrafo 3º da Lei nº 10.245.

decide morar sozinha e. págs. 481-573. ed..7. FGV DIREITO RIO 43 . envolvendo o contrato de locação. eMentário de teMas: Introdução – Âmbito de aplicação – Obrigações das partes – Garantias Locatícias – Prazo e forma – Alienação do imóvel – Locação residencial 1. não foi a primeira legislação específica sobre o tema no Direito brasileiro. ora protegendo mais o inquilino.3. roteiro de aula a) introdução Vimos na aula passada o regime geral das locações de coisas no Código Civil. No 17º mês de vigência. em grande parte devido ao fato de que mais de 80% da população brasileira vive em centros urbanos. Caio Mário da Silva. vol.245. separada do Código Civil.4. como não possui imóvel próprio.2. pede ao pai que lhe ceda esse apartamento que se encontra alugado.7.7. a questão habitacional vem sendo uma das maiores preocupações legislativas em todo mundo a partir do Século XX. sua filha. para ela morar. Contratos. Arnaldo. 6. III. Pergunta-se: cabe a denúncia “cheia” nos contratos por igual a 30 meses? E se.7. Caso Gerador Imagine que o senhor Eduardo Russo tenha alugado um de seus apartamentos em Brasília por 30 meses. tem-se mostrado até certo ponto pendular.1. pág.5. 1. e o crescente déficit na oferta de casas tem gerado uma verdadeira sucessão de regras jurídicas sobre o tema. que. todavia. • PEREIRA. Rio de Janeiro: Forense. 301 a 312. Maria Lúcia. 2006.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. que hoje encontra abrigo na Lei nº 8.245/1991. Com efeito. com as normas ora protegendo mais o proprietário. biblioGrafia obriGatória: • Lei nº 8.7. pelo menos no Brasil. é o de locação de prédios urbanos. 2005. biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO. O regime da locação de imóveis urbanos é de tal importância para o Direito que mereceu uma disciplina própria. indubitavelmente o maior número de casos. ao invés da filha.7. Instituições de Direito Civil. que o profissional do Direito é levado a lidar. de 18 de outubro de 1991. Todavia. Pode-se até dizer que a atividade legislativa. fosse o seu sobrinho? E se o imóvel estivesse sendo vendido? 1. 1. AulA 7: CONTRATO dE lOCAçãO (lOCAçãO dE PRÉdIOS uRbANOS –– lOCAçãO RESIdENCIAl) 1. Rio de Janeiro: Forense.

a disciplina do Código Civil não é totalmente afastada nas locações de imóveis urbanos. Isto é. Estão. a não residencial (ou comercial) e a por temporada. as regras para o uso do estacionamento. como. por exemplo. 17 e 18). nestes casos. podemos inferir. permitir o uso e gozo pleno do imóvel pelo locatário. está o dever de cuidar do imóvel e servir-se dele para o fim acordado no contrato. como é o espírito da lei. aumentando o déficit habitacional. apart-hotéis etc. 22 e 23 da lei. nos casos limítrofes. garantindo o seu uso pacífico inclusive perante terceiros. obedece mais a um critério funcional/eco/econômico do que um geográfico. A configuração de imóvel urbano. por exemplo. em virtude de exceção expressa no texto legal. embora o contrato possa contemplar cláusula de reajuste (arts. neste caso. porém. gerava um aumento no preço dos aluguéis. portanto. O art. incluem. sendo que as duas últimas serão tratadas na próxima aula. da sua localização dentro do shopping. sua obrigação primordial é a de pagar pontualmente o aluguel. C) obrigações das partes Estão listadas fundamentalmente nos art. de locadores e locatários. aplicam-se a este tipo de locação. 1º. A Lei do Inquilinato regula três tipos de locação: a residencial.CONTRATOs Em EsPÉCIE A relativa longevidade da legislação vigente deve-se. normalmente contrapostos. imóveis de propriedade de entes públicos. Como visto na aula anterior. Por outro lado.504/1964). É legal esta estipulação? No que tange ao locatário. como o da boa-fé objetiva e do equilíbrio contratual. A própria lei (em seu art. Além disso. É muito comum. no que tange às despesas condominiais. nem tampouco uma necessidade social tutelável. o intérprete decidirá preponderantemente de acordo com a atividade econômica praticada ou desenvolvida naquele imóvel. a submissão a promoções do shopping etc. possui caracteres específicos. ao fato de que procura equilibrar os interesses. Esse tipo de locação. o impacto social não é tão relevante. as principais obrigações do locador se referem à entrega. num patamar imediatamente inferior. manutenção e garantia da posse do locatário. Os imóveis rurais são regulados pelo Estatuto da Terra (Lei nº 4. que chegam a extrapolar a mera relação locatícia de transferência da posse. sujeitos à aplicação da Lei nº 8. As exceções ao âmbito de aplicação da lei. é livre a pactuação das cláusulas do contrato entre locador e locatário. Uma situação especial diz respeito aos espaços comerciais em shopping centers. não se verifica um desnível econômico significativo entre as partes que enseje a atuação do legislador. solução que parece mais simples em face do direito constitucional de moradia. 79) determina a aplicação subsidiária da legislação geral nos casos omissos. O aluguel deve ser fixado em dinheiro. em regra. A experiência mostrou que a proteção demasiada ao locatário. Também não se aplica a lei no caso de leasing de imóveis. que o contrato transfira para o locatário tais despesas. 54 da lei determina que. Todos os princípios contratuais expostos no código. expostas já no parágrafo único do seu art. FGV DIREITO RIO 44 . restituindo-o ao locador ao fim do prazo estipulado. ou seja. exceto por algumas questões referentes a despesas condominiais tratadas no próprio artigo. e não ao contrário. b) Âmbito de aplicação Nem todos os imóveis em áreas urbanas estão sujeitos ao tratamento jurídico da Lei do Inquilinato.245/1991 todos os imóveis urbanos não incluídos nas exceções legais expressas. todavia. O legislador entendeu que. vagas autônomas de garagem. a variação do aluguel a ser pago em função do faturamento da loja.

não depende de forma específica. Além disso. o direito de uso e gozo. em regra. Pode-se dizer. 3º da lei determina que o contrato pode ser ajustado por qualquer prazo. o art. a lei faculta ao proprietário o direito de exigir um reforço – ou até mesmo uma troca – da garantia nas hipóteses previstas no art. cumulativamente. o adquirente não poderá denunciar o contrato. 1. se não obtido. recebe um tempero especial quando se trata de locação residencial. Quanto à forma. a diversidade de efeitos do registro no caso da alienação do imóvel é um grande incentivo não só a reduzir o contrato por escrito como também averbá-lo na matrícula do imóvel. A regra geral é a de que. o direito de vender o bem continua com o proprietário. Por isso.228) confere ao proprietário o direito de usar. consolidar novamente posse e propriedade em suas mãos. isto é. solicitar o acúmulo de garantias para um mesmo contrato. na forma do art. apesar de o contrato de locação ser. já que a depender do que as partes acordarem os efeitos serão bem distintos. que. talvez. 40 da lei. Este requisito é indispensável para possibilitar a manutenção do contrato em caso de alienação do imóvel. em regra. consensual e não solene. não pode o locador reaver o imóvel locado. (ii) fiança. Entretanto. o contrato contenha cláusula de vigência e esteja averbado na matrícula do imóvel no Registro de Imóveis. Como já vimos anteriormente. Por outro lado. isto é. o adquirente pode denunciar o contrato de locação. de adquirir o imóvel em condições de igualdade de condições com o terceiro. 37. durante a vigência do contrato. que a proteção jurídica do locatário independe da forma escrita do contrato? f) alienação do imóvel O sistema de propriedade adotado pelo nosso código (art. para o locatário. ou (ii) manter-se na posse do imóvel. e o contrato foi averbado na matrícula do imóvel no Registro de Imóveis. não estará obrigado a respeitar o prazo da avença. permanecendo o contrato em vigência. e o locatário somente poderá devolvê-lo mediante pagamento proporcional da multa estipulada no acordo. a mais importante no regime da lei. mas. todavia. mas a lei regula – e confere alguns direitos ao locatário nestas hipóteses – a forma e o procedimento que deve ser respeitado pelo proprietário e pelo adquirente no caso de venda do imóvel alugado. 27. se for superior a dez anos. Tal regra. Primeiramente. A questão do prazo é. como se verá adiante. FGV DIREITO RIO 45 . a lei confere ao locatário dois direitos. a regra geral é que se resolve o contrato de locação. gozar e dispor de seus bens. necessariamente excludentes entre si: (i) exercer a preferência para compra do imóvel em igualdade de condições com o terceiro. ou (iii) seguro de fiança locatícia. depende do consentimento do cônjuge do proprietário. no prazo de 30 dias contados do conhecimento da proposta. Resumidamente. o contrato de locação transfere ao locatário a posse do bem. e) Prazo e forma O art.CONTRATOs Em EsPÉCIE d) Garantias locatícias A lei estabelece que o locador pode exigir do locatário uma das seguintes garantias: (i) caução. Todavia. 8º da lei estabelece que quando o contrato contém a chamada “cláusula de vigência”. 27 cria um direito de preferência. o art. como já dito anteriormente. Não lhe é permitido. então. Sendo assim. porém. a lei determina que o contrato é consensual. desde que. se o proprietário vender o imóvel. conforme dispõe o art.

Poderá ficar ainda mais três meses além do prazo estabelecido. pág. Esse é o lugar da “atividade jurídica da pessoa”. e cabe o locatário desocupar o imóvel em trinta dias. mesmo se para os seus administradores (art. com prorrogação automática se não houver oposição do locador. c. A lei. 1. O principal traço da locação residencial diz respeito ao prazo. Pessoa jurídica não pode ser parte em contrato de locação residencial. • Nesse tipo de prorrogação. fixa o parâmetro dos 30 (trinta) meses como razoável para o prazo locatício. • A resolução do contrato ocorre no fim do prazo estipulado. O direito de não pagar os locativos no período estipulado na notificação. sob pena de nulidade do contrato (art. tendo sempre cumprido rigorosamente todas as condições do contrato. a morada habitual da pessoa. “Residência é o lugar onde alguém fica habitualmente. exercida a denúncia. tem um prazo de trinta dias para desocupação do imóvel (art. Findo o prazo. Para melhor entendimento da matéria. no qual o legislador fixou uma referência (30 meses) em torno da qual os efeitos do contrato e os direitos e obrigações das partes serão modificados. sempre. questões de ConCurso (Prova: 09º Exame de Ordem . aquela. 47. onde ela se estabelece com ânimo definitivo. 486. especialmente no que tange à denúncia do contrato. Destinam-se à habitação da pessoa natural. portanto. Arnaldo. isto é. b. • o locatário. 46. foi surpreendido com uma notificação para desocupar o imóvel no prazo de doze meses. imotivada.21 Não devem ser confundidas as noções jurídicas de residência e de domicílio.6. ainda que sem a intenção de nele permanecer sempre. 47 não podem ser afastadas pelas partes. 6.1ª fase) Arnaldo reside há dez anos consecutivos em um imóvel locado através de instrumento escrito e atualmente vigorando por prazo indeterminado. devolvendo-o nas mesmas condições que o recebeu. que pode ou não ser o mesmo local do domicílio. 46) Efeito • o locador pode denunciar o contrato a qualquer tempo. FGV DIREITO RIO 46 . Seu elemento essencial é a habitualidade”.7. O direito a uma indenização proporcional ao número de anos em razão do rompimento imotivado do contrato. A hipótese importa para o locatário: a. 47) Igual ou superior a 30 meses (art.CONTRATOs Em EsPÉCIE G) locação residencial Locação residencial é aquela destinada à habitação de pessoas. 55). 45). proceder a desocupação do imóvel. d. estudemos a tabela abaixo: Prazo Contratual Indeterminado Inferior a 30 meses (art. a locação prorroga-se imediatamente por prazo indeterminado. • Só cabe a denúncia “cheia” – nos casos previstos no art. onde pratica em regra os seus atos jurídicos. Rio de Janeiro: Forense. As prorrogações previstas no art. Contratos. §2º) • Findo o prazo estabelecido. 21 RIZZARDO. ed. após os trinta meses cabe a “denúncia vazia”. 2006.

d. O adquirente poderá denunciar o contrato com prazo de sessenta dias para desocupação.CONTRATOs Em EsPÉCIE (Prova: 02º Exame de Ordem . FGV DIREITO RIO 47 . O adquirente não poderá denunciar o contrato se este vigorar por prazo indeterminado. O adquirente poderá denunciar o contrato com prazo de noventa dias para desocupação.1ª fase) sendo alienado o imóvel durante a vigência de contrato de locação: a. após esse prazo. b.A denúncia deverá ser exercitada no prazo de 30 dias contados do registro da venda ou do compromisso. salvo se a locação for por tempo determinado e o contrato contiver cláusula de vigência em caso de alienação e estiver averbado junto à matrícula do imóvel. presumindo-se. a concordância na manutenção da locação. independentemente de cláusula de vigência em razão do princípio “venda rompe a locação”. c.

CONTRATOs Em EsPÉCIE

1.8. AulA 8: CONTRATO dE lOCAçãO

1.8.1. eMentário de teMas: Introdução - Locação para temporada - Locação não residencial - Ações locatícias. 1.8.2. biblioGrafia obriGatória: • Lei 8.245/1991. • RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. São Paulo: Ed. Saraiva, 2002, vol. 3, págs. 227 a 239. 1.8.3. biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO, Arnaldo. Contratos. Rio de Janeiro: Forense, 2006. págs. 481-573. • VENOSA, Silvio de Salvo. Lei do inquilinato comentada. São Paulo: Atlas, 1997. Comentários aos artigos 48 a 57. • FUX, Luiz. Locações - Processo e Procedimento. Rio de Janeiro: Destaque, 1999. 1.8.4. Caso Gerador Durante o curso da diligência legal, recebemos uma cópia de um contrato de locação não residencial de uma das lojas dos Supermercados Pechincha, celebrado inicialmente em 1º de janeiro de 2000 com prazo de vigência até 31 de dezembro de 2005. Questionada sobre o vencimento do contrato, a senhora Maria Lúcia Russo alegou que o advogado da Pechincha Comércio Varejista Ltda. a orientou a escudar-se no parágrafo único do art. 56, que garante a permanência do locatário se não houver oposição do locador no prazo de 30 dias. Sendo assim, ela argumenta que, passados vários meses do prazo legal, o contrato deve ser considerado como renovado. Como advogado da Grana Certa S/A, quais são os riscos para o seu cliente dessa situação? Seu chefe no escritório, preocupado com isso, pede a você uma pesquisa para verificar se é possível a propositura de ação renovatória. O que você responde a ele? Paralelamente, o senhor Odin Heiro pretende contratar um administrador profissional para assumir a administração da Pechincha Ltda. quando o negócio for fechado. Dentro do pacote oferecido para os candidatos à vaga, inclui-se o pagamento de aluguel de uma mansão no Lago Sul, em Brasília, onde serão sediadas as operações da Grana Certa S/A no ramo de distribuição alimentícia. Neste cenário, o seu cliente lhe pergunta qual seria o prazo recomendável para a vigência do contrato. O que você diz a ele? 1.8.5. roteiro de aula a) introdução A Lei nº 8.245/1991, além das locações residenciais, estabelece ainda o regime das locações não-residenciais (ou comerciais) e por temporada, cada qual com uma finalidade econômica específica. Assim, a Lei do Inquilinato divide em três grandes sistemáticas o regramento das locações prediais urbanas, atendendo aos bens jurídicos respectivamente tutelados – a locação residencial protege o direito à habitação, a
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locação não residencial protege o fundo de comércio e a locação por temporada, por não ser nem habitacional nem parte de atividade econômica, merece regulamento próprio. b) locação para temporada O conceito de locação para temporada está disposto no art. 48 da Lei do Inquilinato, segundo o qual são requisitos para a caracterização da locação para temporada o fim ao qual é destinado o imóvel (recreativo ou na necessidade do locatário de celebrar o contrato, seja por realização de curso, seja por tratamento de saúde ou obras em seu imóvel), e o prazo de sua vigência (que não pode ser superior a 90 (noventa) dias). O prazo superior a 90 (noventa) dias descaracteriza a locação como para temporada. O art. 50 mostra que, se permanecer o locatário no imóvel para além do prazo máximo estipulado, não é possível mais se exigir o pagamento antecipado do aluguel, descaracterizando a temporada. Assim, o artigo equipara à locação residencial, só podendo ser denunciado nas hipóteses do art. 47. Parte da doutrina entende que é necessário contrato escrito. Embora contivesse do projeto original uma disposição específica neste sentido, há quem entenda que o prazo exíguo a torna incompatível com o contrato verbal, sobretudo porque o contrato não escrito, como pode não deixar claro o prazo contratado, pode ser confundido com uma locação residencial comum. E você, acha necessária, conceitualmente, a forma escrita para a locação por temporada? Em todo caso, se o imóvel estiver mobiliado, o parágrafo único determina que deva constar do contrato o rol dos móveis e utensílios que o guarnecem, bem como o estado em que se encontra. E se as partes não procederem assim, qual a sanção jurídica? Torna-se inválido o contrato? Outro grande traço da locação para temporada é a possibilidade de exigência, por parte do locador, de recebimento dos aluguéis antecipadamente, o que é vedado para os demais tipos de locação segundo o art. 20. Se, todavia, o contrato for resolvido, por algumas das hipóteses estabelecidas no art. 9º, o locador será obrigado a devolver, proporcionalmente, o valor recebido antecipadamente, sob pena de seu enriquecimento sem causa. C) locação não residencial Considera-se locação não residencial, naturalmente, aquela que não é destinada à habitação de pessoas. Sempre que a destinação do imóvel não for a moradia de alguém, será para fins não residenciais. O contrato de locação não residencial ganha uma importância maior na medida em que pode ser – e quase sempre é – parte integrante do fundo de comércio (ou fundo de empresa) do empresário. O ponto, o estabelecimento, a loja, são partes fundamentais da atividade empresarial, apesar de ser um bem imaterial, e, desta forma, não pode o legislador – que sempre procura preservar a atividade empresarial, em prol do crescimento econômico (que gera empregos e tributos) – tratar esse tipo de locação da mesma forma que trata a locação residencial. Como o legislador se utilizou da expressão “não residencial”, e não de “empresa”, “empresário” etc., é irrelevante para a lei se a atividade desenvolvida no local é empresarial, civil, industrial, ou qualquer outra. O critério da lei é residual – todas as locações que não sejam destinadas à moradia de pessoas naturais são “não residenciais” e sua disciplina então é a aplicável. Há também a locação não residencial por força de lei, estabelecida no art. 55 da lei. De modo a proteger, então, a atividade econômica, o legislador, ao contrário do que ocorre na locação residencial, outorgou ao locatário, nestes casos, um direito à renovação compulsória, ao qual corresponde uma ação – a ação renovatória. Note-se que a possibilidade de renovação compulsória do contrato encerra uma revolução paradigmática no direito dos contratos: a vigência do contrato independe da vontade de uma das partes. Em outras palavras: o locador pode inclusive ter manifestado sua intenção de não renovar
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o contrato, mas se o locatário cumprir os requisitos legais, o juiz deverá autorizar a manutenção da vigência do contrato. A rescisão do contrato, em regra, nesses casos, se dá ao fim de seu prazo, conforme estabelecido no art. 56 da lei, que dá um tratamento semelhante ao que ocorre na locação residencial. Para que o locador possa fazer jus ao direito à renovação compulsória, a lei exige determinados requisitos que devem constar do contrato, necessariamente. Tais requisitos estão expostos nos três incisos do art. 51, que são cumulativos, ou seja, é necessária a presença das três condições para a possibilidade da renovação compulsória. Vale ressaltar que, neste caso, a lei é cogente; significa dizer que o contrato não pode afastar a possibilidade de renovação, estando presentes os requisitos legais. Note que (i) a lei obriga que o contrato seja por escrito – volta-se aquela definição vista anteriormente: o contrato é consensual, mas dependendo de sua finalidade, a forma escrita garantirá uma determinada sorte de efeitos; e (ii) o legislador realmente privilegia a formação do “fundo de empresa” quando estabelece prazos mínimos e requer que seja o mesmo ramo de atividade. No que tange ao inciso II, ressalte-se que se o contrato for estipulado por menos de cinco anos e houver um lapso temporal entre o seu vencimento e a sua efetiva renovação, a jurisprudência entende que se computa este tempo, valendo o tempo que o inquilino está no imóvel. Um outro requisito fundamental de validade da ação renovatória está previsto no §5º do referido artigo, que estabelece um prazo decadencial para a propositura da ação, de seis meses, entre um ano e seis meses antes do vencimento previsto do contrato vigente. Portanto, quando você estiver estagiando em um escritório e tiver que protocolar um prazo de ação renovatória, muita atenção: NÃO PERCA O PRAZO; seu cliente pode sofrer gravíssimos prejuízos. Dê uma olhada atenta nos arts. 52 e 53 da lei – lá estão estabelecidas algumas exceções à regra da renovação compulsória, por matéria de política legislativa. Luvas: é uma quantia paga pelo locatário, além dos aluguéis, para o locador, como adiantamento ou para a renovação do contrato. No regime anterior da locação não residencial, sua cobrança era permitida. No atual sistema legislativo, parte da doutrina acha que a lei atual não veda a cobrança, que ocorria, na prática, mesmo com a existência de vedação expressa do decreto anterior (lei de luvas). Mas não é matéria pacificada; alguns entendem que o Art. 45 proíbe a cobrança de luvas. d) ações locatícias Por fim, e sem querer entrar na aula do professor de Processo Civil, a Lei do Inquilinato possui regras processuais específicas para o caso de locação de imóvel urbano, criando alguns remédios para locadores e locatários sujeitos ao âmbito da lei. 1) Ação de despejo (art. 59) – é a ação utilizada pelo locador para retomar o imóvel, por qualquer que seja o motivo (e não somente por falta de pagamento). Assim, sempre que o locatário se mantiver na posse do imóvel e a lei conferir ao locador o direito de retomada, ele poderá propor a ação de despejo e poderá, inclusive, pedir liminar ao juiz para desocupação em 15 (quinze) dias, nos casos previstos no art. 59. Se a ação de despejo for proposta com fundamento na falta do pagamento pontual do aluguel, o objeto da ação incluirá também a cobrança dos valores devidos, não sendo necessária, até mesmo por um primado de economia processual, a propositura de ação de cobrança. O locatário poderá, nesse caso, impedir a resolução do contrato mediante a “purga da mora”, isto é, o depósito judicial do valor do débito atualizado, com multa, juros e encargos. 2) Ação de consignação de aluguel (art. 67) – é a ação do locatário quando o locador se nega a receber os valores do aluguel, e por meio da qual ele irá depositar em juízo a importância que acha devida, indicada na petição inicial.
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A necessidade de realização de obras urgentes. em que muitas vezes o locador era prejudicado por um índice defasado no contrato. ou não. poderá ser cobrada a diferença aferida no valor dos aluguéis. no art. em contrato de locação não residencial. as quais restaram infrutíferas. no intuito de preservar o fundo de empresa. 71) – é aquela usada para a renovação compulsória da locação. de radical transformação no imóvel. desta forma. celebrado em 01/12/1999. gerando um enriquecimento sem causa do locatário. Pergunta-se: no caso concreto. Sendo assim. A intenção de se instalar no imóvel com comércio no mesmo ramo que o inquilino. alguma solução judicial para a questão? Qual? Explique e fundamente a sua resposta FGV DIREITO RIO 51 .PROVA DIsCURsIVA Padaria Alvino. que não deseja renovar o contrato. IV). Nessa ação. face à resistência do locador. Vale ressaltar que. o locatário poderá. na data de hoje. a locatária. na locação não residencial. Não preenchimento dos requisitos legais para a renovação. b. ajustando-se. Por outro lado. Neste caso. Tinha muita relevância na época da escalada inflacionária. 4) Ação renovatória (art. 3) Ação revisional de aluguel (art. 68) – serve para qualquer tipo de locação prevista no ordenamento.8.6. na maioria das vezes o autor da ação era o locador. existe. conforme visto acima. determinadas pelo poder público. Proposta de terceiro para a locação em condições melhores. 72. lhe procura como advogado.CONTRATOs Em EsPÉCIE Caso o locador levante o depósito ou não oferecer contestação. d. 1.1ª fase) Não é defesa possível ao locador na ação renovatória: a. pretendendo renovar a relação. 67. também por medida de economia processual. 73). o juiz acolherá o pedido (art. a qualquer tempo. questões de ConCurso (Prova: 21º Exame de Ordem . c. expondo todo o caso concreto e desejando sua opinião sobre a possibilidade de compelir a realização da renovação contratual.2ª fase . Prova: 24º Exame de Ordem . Assim. a retribuição a ser paga pelo locatário. que também será discutido na ação (art. basicamente o que se busca é uma perícia judicial para que seja arbitrado o valor de mercado justo do imóvel. na qualidade de locatária. o legislador limitou as matérias de fato que podem ser objeto da contestação do locador. iniciou tratativas com o locador. por prazo determinado de 5 (cinco) anos. levantar o depósito sobre o valor que não está sendo mais objeto da disputa.

denominadas “Partes” e. vol. 1.3. celebrar o presente Contrato.1.4.2. inscrita no CNPJ/MF sob nº 00000000. e PECHINCHA COMÉRCIO VAREJISTA LTDA. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Eduardo Russo. sociedade limitada com sede na Rua dos Oitis. Características. biblioGrafia obriGatória: • Arts. biblioGrafia CoMPleMentar: • LOPEZ. Tendo em vista a importância desse imóvel para a rede de supermercados e. São Paulo: Saraiva. e pelas seguintes cláusulas e condições: FGV DIREITO RIO 52 . Comentários ao Código Civil.. vol.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. 579 a 585 da Lei nº 10. Antônio Junqueira de. São Paulo-SP. Das várias espécies de contratos.9. “Parte”. conjuntamente. doravante denominada simplesmente “Comodante”. Silvio. CONSIDERANDO QUE: a Comodante é proprietária e legítima possuidora do imóvel localizado no Lago Sul.9. 1. conseqüentemente. Teresa Ancona. individualmente. Obrigações do comodatário. 1. 82 a 130. págs. Quadra ABC (o “Imóvel”). In: AZEVEDO. com seus atos constitutivos registrados na Junta Comercial de Brasília sob o número 11111111. 7. com sede em Brasília. 255 a 261. neste ato representada por seu representante legal. doravante denominada simplesmente “Comodatária”. REsOLVEm. Comodante e Comodatária são doravante. potencial adquirente do negócio.406/2002. Saraiva. Parte Especial. 2003.9. • RODRIGUES. AulA 9: EmPRÉSTImO (COmOdATO) 1.9. que comentários você teria a fazer com relação ao contrato abaixo? CONTRATO DE COmODATO XYZ LTDA. São Paulo: Ed. 2002. Comodante e Comodatária.9. Extinção do comodato. Sr. a Comodatária tem interesse na utilização do Imóvel e que a Comodante deseja dar em comodato à Comodatária parte do Imóvel. neste ato representada por seu representante legal. matrícula 555 do Cartório de Registro de Imóveis do Distrito Federal. Distrito Federal. que será regido pelo artigo 579 e seguintes do Código Civil. (coord. Direito Civil.. Caso Gerador: Recebemos na diligência o contrato de comodato de um dos imóveis utilizados pela rede de Supermercados Pechincha. para o nosso cliente. 3. eMentário de teMas: Introdução.). págs.

Da Imissão na Posse. caso tais irregularidades não sejam sanadas dentro de 02 (dois) dias contados a partir da data do recebimento de aviso escrito enviado pela Parte prejudicada.1.3. a defendê-la contra ameaças.1. taxas.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. vedado à Comodatária o aluguel ou comodato do Imóvel. Do Objeto.2. 3. Neste ato. serão consideradas despesas necessárias para o uso e gozo do Imóvel.1. 5. a Comodatária é imitida na posse do Imóvel. 1. A Comodatária será a responsável exclusiva pelo custeio de todas e quaisquer despesas decorrentes de adaptações e reformas eventualmente realizadas a fim de permitir a instalação e o funcionamento das atividades da Comodatária no Imóvel. para todos os fins de direito. vedada sua utilização para qualquer outra finalidade sem o prévio e expresso consentimento da Comodante.2. Da Vigência e da Rescisão. Fica desde já ajustado entre as Partes que as benfeitorias realizadas pela Comodatária no Imóvel não criarão para a Comodatária direito a qualquer indenização. na melhor forma de direito. Fica. sob pena de responder por perdas e danos. na forma do artigo 582 do Código Civil. Das Despesas.1. 2.1. a Comodatária se obriga. ou (b) pedido de concordata ou falência da Comodatária. obrigando-se. a preservar e manter em perfeito estado de conservação e limpeza o Imóvel cedido. 5. O presente Contrato poderá ser rescindido por qualquer uma das Partes. A Comodatária declara que utilizará o Imóvel ora dado em comodato exclusivamente para a consecução de seus objetivos sociais. sem o expresso e inequívoco consentimento da Comodante. 2. 5. não podendo a Comodatária reter o Imóvel nos termos deste Contrato pelas benfeitorias nele realizadas. sem prejuízo das sanções aplicáveis. 4. A Comodante reserva-se o direito de rescindir este Contrato. impostos e demais encargos que recaiam sobre o Imóvel. e as benfeitorias delas decorrentes a ele se incorporarão. Da Utilização da Área. em conformidade com o seu Contrato Social e respectivas alterações. a partir da posse. Pelo presente Contrato. 1. Tais adaptações e reformas. desde já. a Comodante cede em comodato à Comodatária o Imóvel. ressalvado o desgaste natural decorrente do uso regular do Imóvel. ficando. comprometendo-se a não lhe causar danos ou avarias e a conservá-lo no mesmo estado em que o recebeu. Durante a vigência do presente Contrato.1. pessoais ou fiscais.2. 2. 1. 3.3. podendo ser rescindido por qualquer das Partes mediante aviso prévio de 30 (trinta) dias. A Comodante declara. turbações ou esbulhos e a preservar o Imóvel como se seu fosse. na ocorrência de qualquer uma das seguintes hipóteses: (a) protesto de títulos de responsabilidade da Comodatária. 4. se realizadas pela Comodatária. O presente Contrato é celebrado por prazo indeterminado. 5. pela outra Parte. em caso de inobservância. mediante notificação com efeitos imediatos.2. ou ainda restrições de qualquer natureza. FGV DIREITO RIO 53 . bem como sobre o exercício de suas atividades. ainda. A Comodatária será exclusivamente responsável pelo pagamento de todas as despesas ordinárias tais como. desde já. que o Imóvel se encontra livre e desembaraçado de quaisquer ônus reais. 2. água. gás. bem como a cessão ou transferência dos direitos e obrigações oriundos deste Contrato. de qualquer de suas cláusulas e/ou condições. luz. ou (c) utilização do Imóvel para outros fins além daqueles descritos neste Contrato.

1. qualidade e quantidade”. 8. 22 RODRIGUEs. Das Notificações. são Paulo: Ed. Testemunhas: Nome: RG: Nome: RG: 1. deverão ser feitas por carta com aviso ou protocolo de recebimento ou. silvio. devendo devolver a mesma coisa. Relembrando: art. fax. e-mail com comprovação de recebimento. vol.9. por mais privilegiado que seja. eminentemente gratuito. A Parte que infringir qualquer das cláusulas ou condições do presente Contrato ficará sujeita ao pagamento.1. no qual o comodatário recebe a coisa emprestada para uso. Nesta aula. Direito Civil. 6. Todas as notificações. “O comodato é o empréstimo de coisa não fungível22. pág. Pechincha Comércio Varejista Ltda. 7. 2002. POR EsTAREm AssIm JUsTAs E CONTRATADAs. Brasília. 85 da Lei nº 10. permitidas ou decorrentes deste Contrato. por qualquer das Partes à outra. saraiva. 10 de novembro de 1995. 3. à Parte inocente. veremos as características do comodato e na próxima aula estudaremos as diferenças entre comodato e mútuo e as regras específicas do mútuo.1. avisos ou comunicações exigidas. roteiro de aula a) introdução Empréstimo é o contrato pelo qual uma das partes entrega um bem à outra. dirigidos e/ou entregues às Partes nos endereços constantes do preâmbulo deste Contrato ou em outro endereço que uma das Partes venha a comunicar à outra. ao termo do negócio”23. as Partes assinam o presente Contrato de Comodato em três vias de igual teor e forma na presença de duas testemunhas abaixo assinadas. As Partes elegem o foro da comarca da capital do Estado de São Paulo como competente para solucionar qualquer conflito decorrente do presente Contrato. Existem duas espécies de empréstimo: comodato e mútuo. a qualquer tempo. das perdas e danos a que tiver dado causa. 7. na vigência deste instrumento. 23 FGV DIREITO RIO 54 .CONTRATOs Em EsPÉCIE 6.406/2002: “são fungíveis os móveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie. Do Foro. ainda. Das Penalidades. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. 8. para ser devolvido em espécie ou gênero. 255. por notificação judicial ou extrajudicial.5. com renúncia expressa de qualquer outro.

Há. Se o contrato for omisso quanto à finalidade. Pela análise do artigo acima. incumbem obrigações apenas ao comodatário. exceto se ele comprovar necessidade urgente e imprevista para exigi-lo antes. Um dos diferenciais do Supermercado Pechincha é o atendimento aos clientes.406/2002. que descumpra a obrigação de devolver o bem no prazo. sujeito aos efeitos da mora24. portanto. Para tanto.CONTRATOs Em EsPÉCIE b) Características Art. 579 da Lei nº 10. portanto. – Real – é necessário que o bem seja transferido ao comodatário para que o contrato exista. é: – Gratuito – caso fosse oneroso. o prazo do contrato já terminou. o comodatário responde pelo dano que venha a ser sofrido pelo comodante. Que conseqüências podem resultar desse fato? d) extinção do Comodato O contrato de comodato se extingue: Rever arts. para a finalidade e de acordo com os termos do contrato de comodato. Perfaz-se com a tradição do objeto”. Recebemos o contrato celebrado entre o Supermercado Pechincha e a empresa de café e notamos que. é possível extrair três elementos desse contrato: a gratuidade. O comodatário. – Usar a coisa de forma adequada – O bem em comodato só poderá ser usado. o domínio não é transferido ao comodatário. deve ser entendido que a coisa foi emprestada para ser utilizada de acordo com sua natureza. poderia ser confundido com a locação. Vale notar que no comodato. se em caso de risco. A natureza jurídica do contrato de comodato. 24 FGV DIREITO RIO 55 . o comodatário privilegiar a segurança de seus bens próprios. Assim. embora haja transferência do bem. pelo comodatário. o comodante não pode exigir o bem antes do termo do contrato. Não basta a mera troca de consentimentos. já analisada neste curso. mesmo em caso de força maior. – Unilateral – após a entrega do bem. por exemplo. – Restituir a coisa emprestada no momento devido – O comodatário deve restituir o bem no prazo acordado. fica em mora e. embora as máquinas permaneçam no supermercado. Não havendo prazo expressamente pactuado. 394 a 401 da Lei nº 10. deve ser restituído findo o prazo necessário para a finalidade para a qual ele foi emprestado. onde os clientes podem tomar um gostoso cafezinho.406/2002: “O comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis. – Não solene – a lei não prescreve qualquer forma. A princípio. a não-fungibilidade do objeto e a necessidade de sua tradição para o aperfeiçoamento do negócio. que cedeu duas máquinas em comodato ao supermercado para que os clientes comprem os produtos e coloquem nas máquinas que ficam ali à disposição. abandonando os bens do comodante. o Supermercado Pechincha entrou em acordo com uma renomada empresa de café expresso. uma área perto da seção de confeitaria. C) obrigações do comodatário – Velar pela conservação da coisa – O comodatário deve zelar pela coisa como se própria fosse.

Irene veio a falecer poucos dias depois. alegando que somente tinha feito aquele contrato porque conhecia muito bem Irene e que agora não fazia sentido manter o contrato de comodato. Irene e Vital eram amigos desde a época do colégio. Se você fosse o juiz. após o uso pelo comodatário de acordo com a finalidade para que foi emprestada. Apesar de estar muito chateado. – pelo comodante. o comodante estava ciente de que não era ela quem dirigia a moto. Além disso. a rescisão decorrerá de sentença judicial que reconheça o advento de necessidade urgente e imprevisível à época do negócio. embora o contrato de comodato tivesse sido celebrado com Irene. Vital deu sua moto em comodato a Irene. Nesse caso. de acordo com os herdeiros. Vital pleiteou em juízo a resolução do contrato de comodato. caso não haja termo ajustado. Os herdeiros de Irene. Ocorre que. – pelo comodante. se o comodatário descumpre qualquer de suas obrigações. por sua vez.CONTRATOs Em EsPÉCIE – pelo decurso do prazo pactuado ou. como julgaria a questão? FGV DIREITO RIO 56 . Sabendo que Irene tinha acabado de abrir um restaurante e que queria implementar um serviço de entrega em domicílio. caso prove a superveniência de necessidade imprevista e urgente. infelizmente. alegaram que o contrato de comodato ainda estaria em vigor e que a moto era responsável por uma boa parte da renda do restaurante uma vez que viabilizava o serviço de entrega em domicílio.

tendo que devolvê-la ao comodante ao final do comodato. Silvio. 586 a 592 da Lei nº. págs. págs.. roteiro de aula a) diferenças entre mútuo e comodato Embora ambos sejam espécie do gênero empréstimo. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. 2002. Das várias espécies de contratos. In: AZEVEDO. AulA 10: EmPRÉSTImO (múTuO) 1. biblioGrafia obriGatória: • Arts. do Mercado de Capitais e da Arbitragem 22. • FONSECA.1. no prazo pactuado. não deixe de apontar as diferenças entre o regime geral do mútuo no Código Civil e o mútuo bancário.3. Revista de Direito Bancário.406/2002. Arnaldo. • RODRIGUES. conforme art. Revista de Direito Bancário. • LOPEZ. apresentam algumas diferenças. out. Rodrigo Garcia da. 10.10.-dez.406/2002. Grana Certa Empreendimentos S. (coord. o comodato é o empréstimo de coisas não fungíveis.-dez. 2003.169 a 187.2. 67 a 110. Caso Gerador: Nosso cliente. – Transferência de domínio – Enquanto no comodato. págs.. diferentemente do que ocorre no comodato. Juros no Código Civil de 2002. São Paulo: RT. out.. vol. o domínio do bem é transferido pelo mutuante ao mutuário.10. no mútuo.4. São Paulo: Saraiva. Desta forma. do Mercado de Capitais e da Arbitragem 26. é o “empréstimo de coisas fungíveis”. Ao explicar a situação. págs.Prazos no mútuo.10.). o mutuário tem que entregar ao mutuante.5. 2003. Comentários ao Código Civil. Já o mútuo.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. 1.10. 586 da Lei nº 10. 7. Direito Civil. Dessa diferença decorre a segunda distinção entre comodato e mútuo. tais como: – Objeto – Como vimos na aula anterior. biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO. 1. Ele comenta que soube que houve muita discussão a respeito da cobrança de juros com a edição do novo Código Civil e lhe consulta sobre esta questão. 1. Teresa Ancona. Saraiva. um bem que tenha as mesmas características do que o recebido. pretende obter recursos. no mútuo.Mudança na situação econômica do devedor . o comodatário recebe coisa não fungível. eMentário de teMas: Diferenças entre mútuo e comodato – Características . para viabilizar a compra da participação na Pechincha Comércio Varejista Ltda.Mútuo oneroso ou feneratício . 2004. 53 a 77. 261 a 268. FGV DIREITO RIO 57 .10. vol. 1. São Paulo: RT.10. Parte Especial. Antônio Junqueira de. como o bem emprestado é fungível.A. São Paulo: Ed. Juros e o novo Código Civil. As coisas fungíveis são substituíveis por outras. por meio de mútuo. mas não necessariamente o mesmo recebido. 3.

sem ter a obrigação de consertá-la ou pagar pelo seu conserto. como também oneroso. Caput do art. Jeremias entregou o dinheiro ao amigo para que ele fizesse o investimento na bolsa. Vale lembrar que o art. assim como o valor das ações que foram adquiridas pelo amigo de Jeremias. que é a remuneração pelo uso do capital. Como não tinha recursos para fazê-lo. Jeremias pediu R$ 500. Para provar a existência do mútuo. No dia fixado para pagamento do mútuo. Atualmente. aplica-se a regra geral25 de que.406/2002 e 401 do Código de Processo Civil. Ele lembra que certa vez uma das máquinas de café expresso emprestadas para uma das filiais do supermercado quebrou e que o supermercado teve apenas que devolvê-la a empresa proprietária das máquinas. 227 da Lei nº 10. sendo conveniente. acrescido de juros.00 a João Alberto.406/2002. Jeremias decidiu investir em ações.406/2002: “salvo os casos expressos. assim como o supermercado pôde entregar apenas a máquina quebrada.00. d) Mútuo oneroso ou feneratício O caso mais usual de mútuo é o empréstimo de dinheiro. C) Mudança na situação econômica do devedor Seguindo a orientação de proteção ao credor. O que você responde? Quais são as principais diferenças entre a locação e o comodato e a locação e o mútuo? b) Características O mútuo é contrato: – Real – Só se aperfeiçoa com a entrega da coisa. tendo em vista que agora ele só tem metade desse valor. 25 FGV DIREITO RIO 58 . – Não solene – A lei não determina uma forma obrigatória para a celebração do mútuo. 402 do Código de Processo Civil prevê exceções a regra do arts. não bastando o acordo entre as partes. Dessa forma. portanto. – Unilateral – Como o contrato somente se concretiza com a entrega do bem pelo mutuante ao mutuário. No mútuo oneroso ou feneratício. 227 da Lei nº 10.000. ele também pagaria ao João Alberto apenas o que havia sobrado. mas essa é necessária para que o contrato exista.CONTRATOs Em EsPÉCIE Jeremias vinha conversando muito com um amigo que se dizia entendido de investimentos na bolsa de valores.000. o mutuante pode exigir do mutuário garantia de que poderá cumprir sua obrigação de pagar o mútuo. contudo. que no caso de notória mudança na situação econômica. 590 da mesma lei. Curioso e atraído pela conversa de seu amigo. Ocorre que a bolsa de valores despencou. é possível dizer que a partir desse momento apenas o mutuário tem obrigações para com o mutuante. – Gratuito ou oneroso – O contrato de mútuo tanto pode ser gratuito. prevista no art. a prova exclusivamente testemunhal só se admite nos negócios jurídicos cujo valor não ultrapasse o décuplo do maior salário mínimo vigente no País ao tempo em que foram celebrados”. 333 da Lei nº 10. no caso de ajuda a um amigo. não é admitida apenas a prova testemunhal. para devolvê-lo no prazo de seis meses. por exemplo. o mutuário deve devolver ao mutuante valor equivalente ao recebido. o legislador prevê no art. uma vez que a única obrigação do mutuante seria a entrega da coisa. celebrar esse tipo de contrato por escrito. Jeremias lhe procura e pergunta se tem obrigação de devolver a João Alberto os R$ 500. tem sido cada vez mais comum a pactuação de mútuos onerosos. com a previsão de juros sobre o valor emprestado. no caso de negócios jurídicos de valor superior a dez salários mínimos.

pg. “Comentários ao Código Civil. O art. do ponto de vista moral e religioso. Como o art. Das várias espécies de contratos”. os frutos produzidos pelo dinheiro. 26 “Comentários ao Código Civil. 2003. Os juros são classificados em juros remuneratórios e juros moratórios. Já no Código Civil de 2002. são Paulo: saraiva. portanto. “Os juros moratórios. ou o forem sem taxa estipulada. (coord) Antônio Junqueira de Azevedo. 591 da Lei nº. a indenização por descumprimento de uma obrigação pecuniária. 591 da Lei nº. 7. Os juros legais decorrem de imposição legal e os juros convencionais decorrem da vontade das partes. Teresa Ancona Lopez. a cobrança de juros não só é aceitável. o Código Civil estabeleceu prazos em seu artigo 592. 2003.406/2002 não faz referência a um tipo específico de juros. desde que seja observado o limite máximo estabelecido no referido art. são definidos como a compensação. 2003. 10. pág. são definidos como o rendimento do capital. Teresa Ancona Lopez. 28 29 Lei nº 9. Das várias espécies de contratos”. Esse prazo deve ser razoável para que o mutuário possa usar e gozar do bem mutuado. “Os juros. Parte Especial. o mutuante poderá intimar o mutuário para restituir o bem no prazo que fixar. 174. Vol. Os juros também podem ser legais ou convencionais. 406 da Lei nº. por sua vez. É bem acessório e depende do principal”26. Vol. ou quando provierem de determinação de lei. como também é muito comum. “Os juros remuneratórios podem ser definidos como os frutos de um capital emprestado. No Código Civil de 1916. de um modo geral. pág. Vale ressaltar o prazo previsto no inciso III do referido artigo: “do espaço de tempo que declarar o mutuante. mesmo que não haja previsão expressa de cobrança de juros. inclusive. Das várias espécies de contratos”. Parte Especial. 7. Atualmente. 406 da mesma lei para fixar teto para a taxa de juros: Art. 175. Dessa forma. a fixação dos juros tinha que ser expressa. se for de qualquer outra coisa fungível”. Essa regra não se aplica ao mútuo de dinheiro ou de produtos agrícolas. Vol. eles são presumidamente devidos no caso de mútuo para fins econômicos.065/95 FGV DIREITO RIO 59 . resultantes da utilização permitida desse capital”27. serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional”.CONTRATOs Em EsPÉCIE A cobrança de juros vem sendo discutida durante a história. Aplicam-se quando o devedor deixar de cumprir sua obrigação no tempo acordado como credor”28. pois esses bens têm disciplina específica prevista nos incisos anteriores. (coord) Antônio Junqueira de Azevedo. A taxa em vigor para pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional é a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC)29. são Paulo: saraiva. 175. 406. da mesma forma que o aluguel é o rendimento produzido pela coisa cedida em locação. e) Prazos no mútuo Caso as partes não convencionem o prazo para o término do mútuo. podemos afirmar que ele refere-se aos dois tipos: remuneratórios e moratórios. 10. A princípio. Parte Especial.406/2002 remete ao art. 27 “Comentários ao Código Civil. são Paulo: saraiva. as partes são livres para pactuar a taxa de juros. Teresa Ancona Lopez. 7.406/2002: “Quando os juros moratórios não forem convencionados. (coord) Antônio Junqueira de Azevedo. 10.

6. não cuidou de obter sua assinatura em documento que tornasse hábil a futura cobrança. Só poderá se valer de testemunhas se estas forem em número de quatro ou mais.10.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. questões de ConCurso (Prova: 12º Exame de Ordem . pois dívida não se comprova com testemunha. Não existe previsão legal para esta hipótese. d.1ª fase) João tendo emprestado certa importância a seu primo José. FGV DIREITO RIO 60 . independentemente do valor contratado. sendo certo que tais tratativas verbais ocorreram na presença de manoel e Joaquim. Diante desta hipótese João poderá: a. c. b. diante do constrangimento decorrente da relação de parentesco. Nada poderá fazer. face ao impedimento moral existente. Poderá se valer de prova testemunhal.

Perguntado sobre o descumprimento do prazo e do orçamento previstos. Pedro alega que alguns materiais necessários para a obra tiveram seus preços reajustados e que o projeto original sofreu modificações durante a obra. A previsão inicial era de que a obra duraria três meses e custaria R$ 20. vol 3. como orientaríamos Maria Lúcia? E se. a prestação de serviços era tratada como “locação de serviços”. roteiro de aula a) Prestação de serviços .000.introdução No Código Civil anterior. Caio Mário da Silva. RODRIGUES.11. 593 a 626 da Lei n° 10. há mais de cinco meses.00.11. que está completamente irada.2. Se fôssemos advogados do Supermercado Pechincha. Características da Empreitada.11. EmPREITAdA. como transporte. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Pedro. Ocorre que a obra já ultrapassou tanto a previsão de tempo quanto a de custo e Pedro ainda está cobrando de Maria Lúcia valores adicionais pela obra. como executor de uma obra para ampliação do estacionamento da loja. 1. Modernamente. Há serviços específicos que são tratados em seção específica do Código Civil. Empreitada – Introdução. ao contrário. Pedro acaba de avisar à Maria Lúcia. Para piorar. biblioGrafia obriGatória Arts. o que poderíamos alegar? 1. Obrigações do Empreiteiro. encontramos Maria Lúcia. 375 a 384. um rapaz conhecido por ser um bom empreiteiro. 1. para análise de contratos que ali estavam. Instituições de Direito Civil. que em razão de um acidente ocorrido no dia anterior. Rio de Janeiro: Forense. 2005.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. ou até mesmo em lei específica. corretagem. AulA 11: PRESTAçãO dE SERVIçOS.4. Silvio. o “trabalho avulso feito por pessoa física ou jurídica (geralmente microempresa) e o trabalho dos profissionais liberais”. Saraiva. o material que iria ser utilizado para revestir as paredes do estacionamento deteriorou-se e que será necessário repor boa parte do material. Ela conta que contratou. vol. São Paulo: Ed. O Código Civil regula a prestação de serviços residual. ou seja. O trabalho com vínculo empregatício é regulado pelo Direito do Trabalho. 2002. III. PEREIRA. Riscos com aumento ou redução de preços.11. 1. filha do senhor Eduardo Russo e administradora das lojas. 243 a 253. Obrigações do dono da obra. fôssemos advogados do empreiteiro.1.11. págs. o termo “locação” é utilizado apenas para coisas e não mais para pessoas.3. Caso Gerador Em visita a uma das filiais do supermercado Pechincha. agência e distribuição. que ele não tinha como prever quando foi contratado. como os serviços de telefonia e bancário. Características da Prestação de Serviços. Espécies de Empreitada.406/2002. págs. FGV DIREITO RIO 61 . Direito Civil. eMentário de teMas Prestação de Serviços – Introdução.

(art. 619 da Lei n° 10. qualquer espécie de serviço pode ser objeto do contrato de prestação de serviço.243.CONTRATOs Em EsPÉCIE Desde que respeitados os pressupostos e requisitos1 para os negócios jurídicos. Direito Civil.406/2002). O empreiteiro só pode exigir acréscimo no preço do dono da obra se forem feitas modificações no projeto a ser implementado. Quais são as diferenças entre o contrato de empreitada e o de prestação de serviços? d) Características da empreitada O contrato de empreitada é: Bilateral ou sinalagmático – envolve prestação de ambas as partes. Saraiva. Não solene – a lei não impõe forma específica para sua execução. Relembrando: capacidade das partes.introdução Empreitada é o contrato por meio do qual o empreiteiro “se compromete a executar determinada obra. se esse presente às obras verificou a alteração no projeto e não protestou. de acordo com instruções deste e sem relação de subordinação”2. b) Características da Prestação de serviços Relembrando nossa primeira aula. nosso cliente. C) empreitada . Ao saber disso. no caso de não haver autorização escrita do dono da obra. Silvio. tivemos conhecimento de que Jeremias Russo vinha mantendo conversas e negociações com o senhor Eugênio para que ele parasse de prestar serviços ao supermercado e passasse a trabalhar para o seu sócio em um novo negócio que Jeremias estava pensando em abrir. preocupado. por meio de instruções por escrito do dono da obra e. Durante a diligência. pág. sendo a ausência de protesto considerada uma aceitação tácita do dono da obra. e) riscos com aumento ou redução de preços Em regra. pessoalmente ou por terceiros. São Paulo: Ed. Pode ser ajustado verbalmente. 2 FGV DIREITO RIO 62 . o senhor Odin Heiro. Consensual – se aperfeiçoa com a mera vontade das partes. salvo estipulação em contrário. os riscos da alta ou baixa do preço dos materiais e do salário são assumidos pelo empreiteiro. 1 RODRIGUEs. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Oneroso – envolve um “sacrifício” patrimonial para ambas as partes. sem que seja necessária a entrega da coisa. nos pergunta se há alguma providência que possa ser tomada caso o senhor Eugênio resolva parar de trabalhar para o Supermercado Pechincha. O empreiteiro entrega a obra e o dono da obra entrega o preço. 2002. como ocorre no mútuo. como poderíamos classificar o contrato de prestação de serviços? Tendo atuado muitos anos no comércio varejista. em troca de certa remuneração fixa a ser paga pelo outro contraente – dono da obra -. vol 3. o senhor Eugênio foi contratado com exclusividade pelo Supermercado Pechincha para prestar serviços de pesquisa de técnicas de atração ao consumidor. objeto lícito e forma.

que não observou. a doutrina entende que o empreiteiro tem direito de retenção. Para os defeitos aparentes. Ajuizando ação com fundamento na exceptio non adimpleti contractus. o dono da obra tem duas alternativas: rejeitar a coisa ou recebê-la com abatimento do preço. Caso o empreiteiro não cumpra as obrigações do contrato.CONTRATOs Em EsPÉCIE f) espécies de empreitada Empreitada de lavor – aquela em que o empreiteiro contribui apenas com seu trabalho. e honorários de advogado”. durante o prazo de cinco anos. “B” alega que houve cumprimento insatisfatório e inadequado da obrigação por parte de “A”. cuja obra foi concluída segundo afirmativa categórica de “A” no prazo estabelecido pelo contrato. mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. H) obrigações do dono da obra A principal obrigação do dona da obra é efetuar o pagamento do preço. a obra pode ter defeitos aparentes ou ocultos. de 10 andares.Ajuizando ação com fundamento na exceptio non rite adimpleti contractus. Maria Lúcia está muito insatisfeita com o trabalho do senhor Pedro. a lei criou as alternativas referidas acima. aplicam-se as regras de vício redibitório5. Empreitada mista – aquela em que o empreiteiro contribui com mão-de-obra e materiais. como garantia do pagamento do preço. Por sua vez. O dono da obra tem obrigação de receber a coisa. 441 e seguintes da Lei n° 10. em razão dos materiais como do solo. conforme regra geral4. a qualidade dos materias especificados no memorial de incorporação. Aguardando que este cumpra. Ao ser entregue. A lei prevê ainda uma regra específica no caso de empreitada de edifícios e outras construções consideráveis. Embora não haja previsão legal.406/2002: “Não cumprida a obrigação. devido a isso pensa em extinguir o contrato que mantém com ele. fica sujeito à obrigação de reparar o prejuízo. ele será tido como em mora. se o empreiteiro não atende as especificações contratadas. ficando responsável pelos efeitos decorrentes da mora.5. Art. 389 da Lei nº 10. responde o devedor por perdas e danos. Além disso.11. 5 FGV DIREITO RIO 63 . questões de ConCurso (Prova: 29º Exame de Ordem . corretamente a obrigaçao.406/2002. rigorosamente. d. 4 Arts. Assim “B” suspende os últimos pagamentos devidos a “A”: a. não podendo recusar injustificadamente o seu recebimento. Ajuizando ação com fundamento na cláusula rebus sic stantibus. c. Para os vícios ocultos. Caso o dono da obra recuse o recebimento da coisa sem motivo.1ª fase) “A” obrigou-se a construir para “B” um edifício. Por que é importante distinguir entre a empreitada de lavor e a empreitada mista? G) obrigações do empreiteiro A principal obrigação do empreiteiro é entregar a coisa no tempo e na forma acertados. b. segundo a qual o empreiteiro de materiais e execução responderá pela solidez e segurança do trabalho. Ela lhe procura com a seguinte pergunta: qual é a regra geral para suspensão dos serviços no caso de empreitada? 1.

FGV DIREITO RIO 64 .12. Caso Gerador Os Supermercados Pechincha ficam em Brasília. 1. AulA 12: dEPóSITO 1. Este. O depósito tem por objeto apenas bens móveis. 627 a 652 da Lei nº 10.3. O contrato de depósito voluntário é classificado como: – Real – o contrato de depósito só se aperfeiçoa com a entrega do bem. Aborrecidos com o acontecimento. ele nos mostrou uma placa afixada na recepção que assim dizia: “O HOTEL NÃO sE REsPONsABILIZA PELOs OBJETOs DEIXADOs NO INTERIOR DOs APARTAmENTOs”. o contrato de depósito é aquele segundo o qual “recebe o depositário um bem móvel. 269 a 282. haviam sido furtados.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. tivemos que fazer algumas visitas ao supermercado.12. Há duas espécies de depósito reguladas pelo Código Civil: o voluntário e o necessário. até que o depositante o reclame”. b) depósito voluntário É aquele ajustado única e exclusivamente em razão da vontade das partes. págs. Direito Civil.12. vol 3. São Paulo: Ed. Como argumento final. para nossa surpresa. não basta apenas a celebração do contrato. fomos conversar com o gerente do hotel. (art. RODRIGUES.406/2002.1. ficamos hospedados no Hotel Descanse em Paz. Qual é a principal diferença entre o contrato de depósito e o contrato de comodato? O depositário não pode utilizar a coisa depositada. ao voltarmos do trabalho para o hotel.2. por não terem utilizados os cofres eletrônicos de segurança postos à disposição nos apartamentos em que nos hospedamos. por isso. Saraiva. nos disse que o hotel nada tinha a fazer e que um eventual prejuízo deveria ser imputado à própria omissão dos hóspedes.4.12. 2002. 1.406/2002). no entanto. a não ser que tenha expressa autorização do depositante.406/2002.12. Depósito Voluntário. encontramos nossos quartos revirados e percebemos que alguns itens pessoais. como relógios e aparelhos de celular. para guardar. biblioGrafia obriGatória Arts. Silvio. Em nossa última viagem. eMentário de teMas Introdução. Depósito Necessário. 640 da Lei nº 10. E agora? O gerente tem razão? 1. roteiro de aula a) introdução Conforme dispõe o artigo 627 da Lei nº 10. Um dia. durante a diligência. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.

Obrigações do depositário: – Obrigação de guardar a coisa alheia – é a obrigação inerente e principal do contrato de depósito. 652 da Lei n° 10. (coord. cabem obrigações apenas para o depositário. Desconhecendo a existência desse contrato de depósito. 2003. No caso de depósito oneroso. quando. Caso o depositário não cumpra essa obrigação. cabe ao depositante a obrigação de pagar ao depositário. o art. Das várias espécies de contratos. o depositário é obrigado a conservar a coisa como se sua fosse. deverá reparar o prejuízo do depositante. “Assim. São Paulo: Saraiva. Quando o depósito é gratuito. 227 do CC de 2002)”6. Entretanto. sendo assim uma das exceções ao princípio de que ninguém pode ser preso em razão de dívidas. – Gratuito ou oneroso – De acordo com o Código Civil. Conforme artigo 629. que pode ser pactuado sem qualquer formalidade pelas partes e mesmo assim existirá e será válido. 642 da Lei nº 10. – Unilateral ou bilateral – após o aperfeiçoamento do contrato. independentemente do prazo inicialmente ajustado entre as partes. em regra. 6 FGV DIREITO RIO 65 . 646 da Lei nº 10. analisar o caso específico para classificar o depósito como gratuito ou oneroso e unilateral ou bilateral.406/2002 disponha que o “depósito voluntário provar-se-á por escrito”. era depositário dos seguintes bens: um baú de madeira.406/2002 dispõe: “Seja o depósito voluntário ou necessário. porém. p. pois tem por base a confiança que o depositante tem no depositário. 414. A Lei prevê que o depositário poderá devolver a coisa ou depositá-la judicialmente. não puder continuar a guardá-la (art. apenas para sua prova. para tanto. Teresa Ancona. – Obrigação de restituir a coisa – O depositário deve devolver o bem ao depositante quando solicitado.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Não solene – embora o art. 635 da Lei nº 10. In: AZEVEDO. porém. Uma das sanções previstas para o descumprimento da obrigação de restituir o bem depositado é a prisão civil. Art. independentemente do debate a respeito das duas espécies de forma. Ele desabafa que está com problemas porque descobriu que seu pai. Parte Especial. Já no depósito oneroso. cabendo a ele. ele se desfez do baú de madeira e do conjunto de xícaras.). e ressarcir os prejuízos”. senhor Odin Heiro. por motivo plausível. acompanhada dos frutos e acrescidos. qualquer começo de prova escrita (cf. vol. um conjunto de xícaras de porcelana e um automóvel. Nosso cliente. o contrato de depósito é gratuito. porém. necessitará de prova outra. entende-se que ele é um contrato intuitu personae. portanto. É necessário. podemos concluir que esta não é da essência do contrato de depósito. 7. Antônio Junqueira de. Nesse sentido. O depositário não responde pela deterioração ou perda do bem em caso de força maior. A coisa deve ser restituída no estado em que foi recebida pelo depositário.406/2002). se exceder ao décuplo do salário mínimo vigente. Nada impede. que as partes convencionem uma retribuição ao depositário. se o depositante se recusar a recebê-la. Quanto ao carro. mas descobriu que o mesmo foi deteriorado em um recente LOPEZ. vendendo-os a terceiros. muitos sustentam que não há o caráter intuitu personae. admitindo-se. que não a testemunhal. muitos autores entendem que não há forma prevista para a validade do ato. com a entrega do bem pelo depositante ao depositário. nos procura para falar sobre um assunto pessoal. para a sua prova. – Obrigação de conservar a coisa alheia – essa obrigação é uma conseqüência da obrigação de guardar. ele manteve o mesmo na garagem do pai. já falecido.406/2002). comentários ao código civil. o depositário que não restituir quando exigido será compelido a fazê-lo mediante prisão não excedente a um ano. provar a ocorrência de força maior (art.

Há discussão na doutrina quanto à natureza do depósito bancário. 7.. p. Teresa Ancona. Ao contrário do depósito voluntário que se presume gratuito.). Em regra. Parte Especial. Diante dessa situação. Alguns dias depois. (coord. e os deixou na casa de um vizinho que. o depósito necessário presume-se oneroso. São Paulo: Saraiva. 2003. Parte Especial. a senhora Juracema deveria ter pago ao seu pai uma quantia semestral como pagamento pelo depósito e que sabia que ela não havia efetuado o pagamento de. ocorre quando o bem depositado é dinheiro. procurou nosso cliente. Em um dia de chuvas torrenciais. como a de reembolsar as despesas feitas pelo depositário na guarda da coisa e de indenizá-lo pelos prejuízos que venha a ter em razão do depósito. p. 412. Mesmo nos casos em que o contrato é unilateral. ao ver sua casa inundando. Antônio Junqueira de. mas sim de obrigações subsidiárias. O legislador entendeu que nesses casos deveriam ser aplicadas as regras referentes ao mútuo. o contrato de depósito é unilateral quando o contrato é gratuito e bilateral quando o contrato é oneroso. (coord. quando foi buscar a televisão e o computador. Estes são equiparados ao depósito necessário e ao depósito de bagagens em hospedarias. Alguma providência a tomar quanto a esse caso? Obrigações do depositante: Como vimos.. sabendo do falecimento do pai do senhor. mostrou o contrato que foi celebrado entre eles. Dias atrás. pois de acordo com Teresa Ancona Lopez: “. e pediu a devolução dos bens. 7. In: AZEVEDO. comentários ao código civil. teve melhor sorte com a chuva. os chamados depósitos bancários não são depósitos. vol. 411. comentários ao código civil. cabem ao depositante algumas obrigações que não decorrem da natureza do contrato de depósito em si. 8 FGV DIREITO RIO 66 . Marvim retirou apressadamente alguns objetos. feitos como meio de guardar valores e perceber rendimentos e juros. Como ajudar Marvim nessa situação? É possível enquadrar o vizinho como depositário infiel mesmo sem a existência de um contrato entre eles? Cabe a prisão civil nesse caso? LOPEZ. C) depósito necessário O depósito necessário ocorre nas seguintes hipóteses: – depósito para desempenho de obrigação legal. mas sim empréstimos”8. Depósito de coisas fungíveis É o chamado depósito irregular. São Paulo: Saraiva. pelo menos. como a televisão e o computador. não há um depósito.). Das várias espécies de contratos. depositante dos bens. 7 LOPEZ. Teresa Ancona. mas um genuíno empréstimo por força da intenção das partes”7. de acordo com o contrato. 2003. nos depósitos bancários. A autora conclui: “em conclusão. Odin Heiro. In: AZEVEDO. Das várias espécies de contratos. por morar em uma área de ladeira. e – depósito que se faz em situação de calamidade.CONTRATOs Em EsPÉCIE incêndio ocorrido no prédio. a senhora Juracema. ele nos pergunta: O contrato de depósito se extingue com a morte do depositário? O herdeiro tem alguma responsabilidade quanto aos bens depositados? O que fazer tendo em vista que alguns bens foram vendidos e outro foi deteriorado? Ele reparou que. vol. duas últimas contribuições. foi surpreendido com a alegação do vizinho de que não devolveria aqueles bens. Antônio Junqueira de.

Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.4. 653 a 692 da Lei nº 10. São Paulo: Ed.13. eMentário de teMas Introdução.13. Procuração e Substabelecimento. 1. – Não solene – embora a lei determine que a procuração é o instrumento do mandato.13. 283 a 305.13. Ao ser comunicado desse fato. 1. na qualidade de diretor e representante da Grana Certa Empreendimentos S.2. Classificação. Obrigações do Mandante. Saraiva.3. o senhor Justin Case.. Direito Civil. 656 da Lei n° 10. para adquirir a participação na Pechincha Ltda. vol 3.1. AulA 13: mANdATO. outorgou uma procuração a um dos funcionários de sua confiança.A. o senhor Odin Heiro. ele poderia outorgar a um amigo uma procuração para se casar em seu lugar? Ele poderia substabelecer a outro funcionário da companhia os poderes que lhe foram outorgados na procuração para assinar o contrato de compra e venda? 1. O mandatário age em nome do mandante. Caso Gerador Sabendo que estaria fora do país na provável época da assinatura do contrato de compra e venda das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda. o mandante se faz representar pelo mandatário. o senhor Justin Case lhe pergunta: ele poderia casar por procuração. págs.406/2002. roteiro de aula a) introdução Por meio do mandato. Qual a diferença entre o mandato e a comissão? b) Classificação O mandato é contrato: – Consensual – para que se aperfeiçoe basta a vontade das partes. é possível o mandato tácito e o verbal (art. 2002. Sem querer desapontar o senhor Odin Heiro e muito menos a sua noiva.. 1.13. Obrigações do Mandatário.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. ou seja. biblioGrafia obriGatória Arts.406/2002) FGV DIREITO RIO 67 . RODRIGUES. Silvio. Revogação e Extinção do Mandato. o senhor Justin Case nos contou que o senhor Odin Heiro se esqueceu apenas de um pequeno detalhe: há uma boa probabilidade de a assinatura do contrato ocorrer justamente no período no qual Justin Case ia tirar férias para se casar com sua noiva no Paraná.

será bilateral. RODRIGUEs. Direito Civil. ou seja. uma vez que o mandante confere poderes a alguém de sua confiança. 9 FGV DIREITO RIO 68 . Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Tendo em vista que a lei admite mandato tácito. tendo em vista que o artigo 662 da Lei n° 10. exceto quando tem por objeto a realização de atos que o mandatário realiza profissionalmente. A procuração pode ser outorgada por instrumento público ou particular. pág. Silvio. exceto para aqueles que exigem instrumento particular ou público. presume-se que o mandato é gratuito. Substabelecimento “é o ato pelo qual o mandatário transfere ao substabelecido. – Unilateral – sendo o mandato gratuito. Assim. quando eles resultarem de culpa do mandatário. 667 da Lei n° 10. Antes de contratar com alguém que se apresente como mandatário do outro contratante. hipotecar. sendo oneroso. não se presume gratuito. vol 3.406/2002 dispõe que: “os atos praticados por quem não tenha mandato. transigir. Sendo o mandato outorgado por instrumento público. naturalmente o substabelecimento deverá ser outorgado também por instrumento público. o Código Civil exige que a procuração contenha poderes expressos. 2002.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Gratuito – não havendo estipulação de remuneração. Se o mandatário agir extrapolando os poderes que lhe foram conferidos. 653 da Lei n° 10.406/2002) – o mandatário é responsável pelos prejuízos causados ao mandante. certo? Para efetuar determinados atos como alienar. são ineficazes em relação àquele em cujo nome foram praticados. Dessa forma. São Paulo: Ed. salvo se este os ratificar”. Pode um advogado prestar serviço advocatícios sem mandato e vice-versa? C) Procuração e substabelecimento A procuração é o instrumento do mandato. O mandato outorgado a advogado. ele será unilateral. o mandato será extinto. Saraiva. a não ser que este venha a ratificar o ato posteriormente. salvo raras exceções que serão vistas adiante. pois ele é um instrumento para que o advogado possa defender os interesses de seu cliente e exercer seu ofício. o ato é inválido para o mandante. a procuração não é indispensável para conclusão de negócios. havendo morte de uma das partes. por exemplo. Cabe ao mandatário provar que não houve culpa sua para se livrar de ser responsabilizado pelo prejuízo que venha a ser sofrido pelo mandante. O mandato é intuitu personae. os poderes que lhe foram conferidos pelo mandante”9. é indispensável conferir a procuração e os poderes que foram outorgados para não correr o risco de que o contrato seja ineficaz em relação ao mandante. ou o tenha sem poderes suficientes. pois implicará obrigações para ambas as partes. d) obrigações do Mandatário As obrigações do mandatário são: – Agir em nome do mandante (art. Havendo remuneração prevista. um mandato com poderes de administração em geral não bastaria para que o mandatário assinasse escritura de hipoteca em nome do mandante. – Agir com o zelo necessário e diligência habitual na defesa dos interesses do mandante (art. 289.406/2002) – O mandatário deve atuar respeitando os poderes outorgados na procuração.

caso o mandato seja oneroso (art. para contratar pessoas para trabalharem em sua fazenda.406/2002) – O mandante.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Prestar contas de sua gerência ao mandante e transferir ao mandante todas as vantagens obtidas nos negócios – (art. porém. antes mesmo que ele houvesse efetuado a transferência do imóvel para seu nome. interdição ou mudança de estado do mandante. Como você orienta o seu amigo? e) obrigações do Mandante – Cumprir os compromissos assumidos pelo mandatário em seu nome (arts. a sua filha. Jeremias continuou a utilizar a procuração que havia recebido e a fazer entrevistas. Maria Lúcia lhe pergunta: afinal. Mesmo tendo conhecimento da nova procuração. 676 da Lei n° 10. tendo apenas ação de perdas e danos contra o mandatário pela inobservância das instruções. f) revogação e extinção do mandato O senhor Eduardo Russo outorgou uma procuração ao seu filho. contratado alguns empregados. desde que não resultem de culpa do mandatário ou de excesso de poderes (art.406/2002). somente se vincula dentro dos termos previstos na procuração. inclusive. podendo. com poderes idênticos. tia Gertrudes faleceu inesperadamente. Ocorre que. ele diz que acha que não há nada mais a ser feito. E agora? Ele ouviu dizer que o mandato se extingue com a morte de uma das partes. inclusive fazer entrevistas e ajustar salários. deixando a família de seu amigo “na mão”. neste caso. pois. Maria Lúcia. até porque o tal conhecido já até devolveu ao pai dele a quantia que havia recebido para pagar o sinal do imóvel. – Pagar ao mandatário a remuneração ajustada. Jeremias. É verdade? FGV DIREITO RIO 69 .406/2002). ambos são mandatários do pai? Jeremias pode continuar a desempenhar os poderes que a ele foram outorgados? A contratação dos empregados é válida? O senhor Odin Heiro lhe procura.406/2002). 668 da Lei n° 10.406/2002) – Prosseguir no exercício do mandato mesmo após extinção do mandato por morte. 647 da Lei n° 10. infelizmente. mas não exceder os limites do mandato. Muito chateado com a situação. – Adiantar ao mandatário os valores necessários ou reembolsá-lo pelas despesas efetuadas em razão do cumprimento do mandato (arts. um pouco decepcionado pelo andamento dos trabalhos do filho. Meses depois. Vale notar que. tendo. 675 e 676 da Lei n° 10. Aproveitando-se das ótimas condições do negócio. preocupado.406/2002). 675 e 679 da Lei n° 10. – Indenizar o mandatário pelos prejuízos que venha a sofrer em cumprimento ao mandato. se o mandatário contrariar as instruções do mandante. Um amigo seu lhe conta que o pai dele havia nomeado um conhecido como procurador dele para adquirir uma bela casa em Itaipava. 678 da Lei n° 10. em razão de alguns acordos familiares. o tal conhecido acabou adquirindo a casa para si próprio. ele havia sido constituído mandatário de sua tia Gertrudes para transferir a ele próprio um imóvel que era de propriedade da referida tia. o senhor Eduardo Russo resolveu outorgar procuração. para concluir negócio já iniciado ou até ser substituído quando for para impedir que o mandante ou seus herdeiros sofram prejuízo (art. o mandante ficará obrigado a cumprir as obrigações perante terceiros.

1ª fase) A procuração outorgada a vários procuradores com esfera de atuação devidamente delimitada. representando Tício quando tiver quitado o preço? FGV DIREITO RIO 70 .1ª fase) Dentre as características abaixo arroladas. com a morte. conseqüentemente. É irrevogável b.Subsiste mesmo após a morte do mandante (Prova: 13º Exame de Ordem . Posteriormente. cabendo a cada um agir apenas em seu setor. b. b. Ato praticado é nulo de pleno direito.Mandato plural substitutivo. vez que o preço já se achava quitado. É válida a revogação ou poderá Caio assinar a escritura de compra e venda. c.1ª fase) maria José. É outorgada no interesse exclusivo do mandatário que. podemos dizer que: a. diga qual não está adequada à procuração em causa própria: a. d. caracteriza: a. vez que. Ato é tido como inexistente ou insubsistente.2ª fase PROVA DIsCURsIVA 4 . Prova: 26º Exame de Ordem . Tício revogou a procuração. Diante do ocorrido. Mandato plural solidário. veio a saber que Pedro falecera dias antes. É essencial para o advogado que postula em Juízo em causa própria d.Tício prometeu vender a Caio um imóvel. (Prova: 26º Exame de Ordem . mas dependerá da iniciativa dos interessados. cessou o valor da procuração. c.Ato é perfeitamente válido uma vez que visava a ultimação de negócio já iniciado.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. utilizando-se dos poderes especiais constantes da procuração.13. Posteriormente. Mandato plural conjunto.5. na qualidade de procuradora de Pedro. d. Ato é anulável. outorgou escritura definitiva de imóvel prometido vender a Estela. vítima de um acidente automobilístico. Mandato plural fracionário. questões de ConCurso (Prova: 28º Exame de Ordem . fica isento de prestar contas ao mandante c. outorgando-lhe procuração para que Caio assine por Tício a escritura definitiva quando Caio tiver quitado integralmente o preço.

agência e distribuição.com.ago.vol. Francisco Wanderson Pinho. Disponível em: www.1. 66. Agência e Distribuição x Representação Comercial. Silvio de Salvo.14. biblioGrafia CoMPleMentar CINTRA.uol. como você orientaria o senhor Odin Heiro que. Instituições de Direito Civil . AgêNCIA E dISTRIbuIçãO (REPRESENTAçãO COmERCIAl). Caio Mário da Silva.2006 (em anexo) VENOSA.mundojuridico. jun.org.3. ano 7. (em anexo) DANTAS.ago. br/doutrina/texto. Acesso em 03. mundo Jurídico. Antonio Felix de Araujo. Renato. 693 a 721 da Lei nº 10. Humberto Theodoro. Rio de Janeiro: Forense. Acesso em: 04 ago. 1. Jus Navigandi. do ponto de vista do supermercado? Utilizando a planilha abaixo como base. pensa em contratar terceiros para fazer a revenda dos produtos do Supermercado Pechincha? Qual seria o contrato mais seguro. br/demarest/svrepresentacao. BiBliografia oBrigatória Arts.14.2006. 389 a 393. compare as vantagens e desvantagens que cada uma dessas figuras jurídicas poderia trazer ao supermercado. III. Lei nº 4. É hora de definir agência e distribuição no novo Código Civil . que o novo Código Civil gerou algumas discussões acerca dos contratos de agência. por meio da leitura dos textos obrigatórios e dos recomendados. Disponível em: <http://jus2.html Acesso em: 03. BERGER.asp?id=4148>. 1.adv. A representação no novo Código Civil. Centro Acadêmico Clóvis Beviláqua. Acesso em: 03. distribuição e representação.asp?id=215. Disponível em: http://cacbufc.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. págs.2. AulAS 14 E 15: COmISSãO.2006. com as alterações da Lei nº 8. Tendo em vista os novos entendimentos e analisando as regras específicas de cada um desses tipos jurídicos. Aspecto responsabilidade perante terceiros responsabilidade pela solvência das pessoas com quem contratar exclusividade dever de obediência às instruções do comitente/ proponente remuneração demissão sem justa causa demissão por justa causa Morte do comissário/ agente direito de retenção demais regras aplicáveis especificidades Comissão Agência/ distribuição FGV DIREITO RIO 71 . 1.406/2002. eMentário de teMas Análise e comparação das características da comissão. Disponível em www. 2005 .14.4.886/1965.420/1992.14. (em anexo) PEREIRA.societario.com. 2003.ago. n. JÚNIOR. (em anexo) 1. Teresina. 2006.14. já pensando no futuro.Contratos.br/artigos/verartigo.br. Caso Gerador É possível perceber. Do contrato de agência e distribuição no Novo Código Civil.

O contrato de agência no direito brasileiro.as partes no contato de agência. O agente faz da intermediação de negócios sua profissão. 4. Os elementos essenciais do contrato de agência. alguns empregados de sair do estabelecimento para ir em busca de clientes na praça da empresa ou em outras praças. FGV DIREITO RIO 72 . 5. Encarrega. Todos.2. 5. expõe-no à venda e. Agência e comissão.406/2002? 1. seja na produção seja na comercialização. 8. contratando o serviço de empregados. 3. Sujeitos do contrato de agência. o vende ao consumidor. Num estágio primário da exploração do mercado. foi revogada pela lei n° 10. leitura obriGatória: Do contrato de agência e distribuição no Novo Código Civil autor: Humberto theodoro júnior Publicado em: 29/9/2005 SUMÁRIO: 1. 1. 7. pois o agente é um representante autônomo.886/1965. Em lugar de usar empregados para angariar clientes fora do estabelecimento. então. o artesão cria o produto.6. Numa escala mais desenvolvida do processo industrial.14. que organiza sua própria empresa e a dirige. Embora atuando fora do recinto do estabelecimento do empresário. ele mesmo. Contratos afins. também com o mesmo propósito de revendê-los no mercado. O fabricante cria os produtos com o fim de colocá-los no mercado. Direito comparado. o empresário sente a necessidade de atuar além dos limites físicos do estabelecimento. o empresário pode contratar esse serviço junto a outros empresários. A representação comercial. 5.1.14. que fazem do agenciamento de clientela o objeto de suas empresas. continuam vinculados à estrutura organizacional permanente da empresa. Os empregados que captam clientela nestas circunstâncias são os viajantes e pracistas. Conforme o volume da produção e da comercialização. que se integram à estrutura operacional da empresa. Nesse momento surge o fenômeno da representação comercial ou agência. sem interferência dos empresários que utilizam seus serviços. 8. Agente e viajante ou pracista (contrato de agência e contrato de trabalho). Já então o fornecedor não terá comando do processo. o produtor não tem condições de explorar individualmente seu negócio. que integra a categoria dos chamados. atuam dentro do estabelecimento sob o comando direto do empresário. que regulava especificamente as atividades dos representantes comerciais. Noções introdutórias. noções introdutórias A atividade comercial realiza a circulação de produtos na cadeia econômica entre a produção e o consumo.1. Presta serviço tendente a promover a compra e venda. 2. Agência e distribuição por conta própria (revenda). de que agência e representação comercial são o mesmo contrato. 4. você entende que a lei n° 4. é o contrato de compra e venda. 5.5.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. porém. contratos de colaboração empresarial. para melhor colocação de suas mercadorias.4. Não pratica a compra e venda das mercadorias do representado.3. roteiro de aula a) qual é a principal diferença entre o contrato de comissão e o de agência? b) Partindo do pressuposto. A nomenclatura legal . Outros empresários adquirem do fabricante esses produtos. Natureza jurídica. 5. Agência e mandato. que será concluída pelo preponente. O instrumento jurídico básico de que se valem os empresários. 6. O objeto do contrato de agência. Recorre à mão de obra alheia.1. ou concessão comercial. nessa cadeia. Conceito de contrato de agência. por meio do contrato de trabalho. aceito por grande parte da doutrina. 9.

conferir poderes especiais ao agente. se sujeitará também às do mandato mercantil (Código Civil.65). Não é. a representação ajustada. cuja função econômica e jurídica se localiza no terreno da captação de clientela. não age em nome próprio. parág. ao concluir a compra e venda e promover a entrega de produtos ao comprador.886. ora apelidado agente. abandonou o nomem iuris de “representante comercial”.CONTRATOs Em EsPÉCIE Por isso. Nos termos da Lei nº 4. correspondente à atividade daquele que. porém. visto que se conserva o caráter de preposição. a figura do representante comercial. a exemplo do direito europeu. em caso positivo. que inexiste nessa última modalidade. só em 1965 mereceu disciplina legal específica no Brasil. ainda faz parte da prestação de serviços. Esse nunca compra a mercadoria do preponente. Ao invés de atuar como vendedor atua como mandatário do vendedor. arts. revenda ou concessão comercial. para que este pratique atos próprios do mandatário. mandato mercantil. 710 – contrato de agência e distribuição – com o contrato de concessão comercial. praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios (art. a representação será negócio complexo e que. além de falar em “contrato de agência”. porém. fornecimento. se dedica a angariar negócios em proveito destas. Há uma idéia genérica de distribuição como processo de colocação dos produtos no mercado. Aí se pensa em contratos de distribuição como um gênero a que pertencem os mais variados negócios jurídicos. que desempenha em caráter não eventual. que é aquele com que a lei qualifica o contrato de agência. o Código fala também em “contrato de agência e distribuição”. para transmiti-los aos representados. franquia comercial. substituindo-o por “agente”. dois contratos distintos. ou não. agenciando propostas ou pedidos. a mediação para a realização de negócios mercantis. 710 do Código Civil. baseado na revenda de mercadorias e sujeito a princípios que nem sequer foram reduzidos a contrato típico pelo Código Civil. continua sendo exatamente a mesma do representante comercial autônomo. porque afinal os negócios agenciados são retransmitidos ao comitente e são por este aceitos.12. há um bom tempo nos meios empresariais. A distribuição que eventualmente.). mas o mesmo contrato de agência no qual se pode atribuir maior ou menor soma de funções ao preposto. No teor do art.886. Ele age como depositário apenas da mercadoria do preponente. física ou jurídica. “exerce a representação comercial autônoma a pessoa. lhe pode ser delegada. sim. de 09. Sua função. nos moldes de sua configuração legal. representação comercial. eventualmente. Foi a Lei nº 4. Já então. 2. Embora já praticada. 1º). A primeira característica do representante comercial. a exemplo do direito europeu. por ele consumados. Há. além de suas regras próprias. pois a habitualidade (o caráter não eventual) da prestação de serviços realizada pelo agente em prol do representado. a representação comercial O novo Código Civil. único. Mas. porém. Em determinadas circunstâncias. sem entretanto. mas o faz em nome e por conta da empresa que representa.886. sem relação de emprego. um mandatário. A palavra “distribuição” é daquelas que o direito utiliza com vários sentidos. confundir-se com a concessão comercial. na linguagem tradicional do direito brasileiro esse agente recebia o nome de “representante comercial autônomo” (Lei nº 4. atribui à atividade tradicional da representação comercial o nomen iuris de agência. Pode. O novo Código Civil. um sentido mais restrito. FGV DIREITO RIO 73 .” O seu segundo elemento caracterizador é. 710. por conta de uma ou mais pessoas. Não são. é a autonomia com que age na intermediação: o representante não é um empregado da empresa a que serve. amparado por contrato com uma ou várias empresas. e. Essas noções são muito importantes para que não se venha a confundir o contrato regulado pelo art. de 09 de dezembro de 1965 que cuidou de regulamentar a representação comercial. este. É ele sempre um prestador de serviços. porém. a mesma atividade empresarial passa a denominar-se distribuição. a distribuição não é a revenda feita pelo agente. todos voltados para o objetivo final de alcançar e ampliar a clientela (comissão mercantil. de maneira que. etc. e 721).

tais como falsidade. construir uma estrutura dogmática que pudesse fixar a natureza jurídica do contrato que vinculava a empresa e os agentes comerciais. com o seu ramo. o requerimento haverá de ser instruído com a prova de identidade. então. A lei interdita o exercício da representação comercial a todo aquele que não possa ser comerciante. já que a jurisprudência limitava-se a negar enquadramento na legislação trabalhista. roubo. estelionato. em princípio. 721 do novo Código. art. a reivindicação de um regulamento legal para a profissão do representante comercial autônomo tornou-se a maior aspiração dos órgãos representativos da categoria. por meio de seu instrumento de constituição devidamente arquivado no Registro Público competente (Lei nº 4. art.886 traçou para disciplinar a profissão e os direitos e deveres do representante comercial. outrossim. foi reapresentado sem sucesso algum. 3º. deverá ser feita a prova de sua existência legal. Em se tratando de pessoa física. 4º).171/49 e que. art. com objeto distinto da agência. realizou-se em São Paulo o 1º Congresso Nacional de Representantes Comerciais. contudo. no Ministério da Justiça. também no Brasil. porque o Código Civil traçou apenas normas gerais acerca do contrato de agência (Lei de Introdução. realizada em Araxá. criando-se um Conselho Federal e Vários Conselhos Regionais. Na mesma ocasião. e com a quitação com o imposto sindical (Lei nº 4. ao condenado por infração penal de natureza infamante. a grande preocupação jurídica foi a de distingui-la da relação empregatícia. A agência. 2º. foi aprovada a reivindicação classista de enviar-se o pleito à comissão então encarregada de elaborar o Projeto de novo Código Comercial. contrabando. Muito fraca. Nada impede. e ao que estiver o seu registro comercial cancelado como penalidade (Lei nº 4. a atividade do representante comercial foi desempenhada sem contar com o apoio de lei que lhe desse tipicidade. FGV DIREITO RIO 74 . cujo objetivo principal era o de dar curso à reivindicação antes aprovada pela Conferência de Araxá. para atribuir-lhe uma função autônoma e independente em relação à empresa a que serve. no art. com a folha-corrida de antecedentes. porém. lenocínio ou crimes também punidos com a perda de cargo público. 3. quando exigível. levado ao Congresso Nacional. expressamente. o contrato de agência no direito brasileiro Desde que. É. se introduziu a figura do representante comercial. Surgiu. expedida pelos cartórios criminais das comarcas em que o registrante houver tido domicílio nos últimos dez anos. na vida empresarial brasileira. em várias legislaturas. estabelecendo-se as necessárias garantias da profissão. Tal como se passava na Europa. de que fosse nele definida e caracterizada a figura jurídica do representante comercial. Durante longos anos. No caso de pessoa jurídica. de quitação com o serviço militar. sem. para legitimar-se ao exercício da representação comercial. 3º). De tal sorte.886 é que terá ocorrido derrogação parcial desta. Todas as regras especiais. ou agência. aliás. pessoas físicas ou jurídicas.886. funciona apenas como um acessório ou complemento da atividade principal da empresa. art. tomou o nº 1. contrate com outra uma representação comercial para explorar negócio de intermediação conexo. a representação comercial (ou agência) ganhou o status de atividade profissional regulamentada. ao falido não reabilitado. a contribuição pretoriana. na II Conferência Nacional das Classes Produtoras. continuam em vigor.886. que a Lei nº 4. furto. § 2º). foi. § 2º). na espécie.CONTRATOs Em EsPÉCIE Com a Lei nº 4. ou não. que uma empresa comercial. É comum a existência de estabelecimentos dedicados exclusivamente à representação comercial. de estar em dia com as exigências da legislação eleitoral. o que se acha ressalvado. na espécie. Podem inscrever-se no respectivo Conselho. todavia. aos quais se confiou a fiscalização do exercício da profissão. apenas quando alguma norma do Código estiver conflitando com preceito da Lei nº 4.886/65.886. diversamente do que se passa com o empregado. um anteprojeto que. Em 1949. apropriação indébita.

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Somente viria a ter maior repressão o Projeto nº 2.794/61, de autoria do deputado Barbosa Lima Sobrinho, que, no Senado provocou o surgimento do Substitutivo nº 38/63, elaborado pelo Senador Eurico Resende, o qual mereceu aprovação de ambas as casas do Congresso. No entanto, não chegou a transformar-se em lei, porquanto recebeu veto total da Presidência da República, ao fundamento de que, nos termos em que se intentou regulamentar a profissão, ao representante apenas se estendiam “as vantagens e garantias que a legislação do trabalho assegura ao trabalho assalariado”. Tal equiparação foi considerada incabível, entre outros motivos pela ausência de subordinação hierárquica e pela possibilidade de a representação comercial ser exercida por pessoas jurídicas. O então Presidente, General Castelo Branco, ao vetar o projeto aprovado pelo Congresso, encarregou o Ministério da Indústria e Comércio de reexaminar o assunto. Daí surgiu novo Projeto que, após tramitação parlamentar, se tornou a Lei nº 4.886, de 09.12.1965, ainda em vigor, com as alterações da Lei nº 8.420, de 08.05.1992. Tal como o direito europeu, a lei brasileira previu uma representação comercial, simples, em que ao representante cabia apenas intermediar negócios, captando pedidos ou propostas da clientela, para encaminhá-los à deliberação do preponente; e também uma representação complexa, em que ao agente se conferiam poderes de conclusão dos negócios angariados, mas sempre em nome e por conta do preponente (Lei nº 4.886/1965, art. 1º, parágrafo único). Sobreveio, finalmente, o novo Código Civil, sancionado em janeiro de 2.002, que insere o contrato de agência e distribuição entre os contratos típicos, mas sem revogar a legislação especial em vigor, como se ressalva no art. 721, especialmente, no tocante às indenizações asseguradas pelas Leis nºs 4.886 e 8.420 (art. 718). A maior novidade, no texto codificado é o nomen iuris do contrato que passou a ser contrato de agência. Explica RUBENS REQUIÃO, que o contrato de agência, a que alude o Código Civil “nada mais é do que o atual contrato de representação comercial, objeto da legislação especial, contida na Lei nº 4.886, de 09.12.1965. Constitui importante contrato no moderno mundo comercial, e é exercido por centenas de milhares de profissionais, distribuídos por todas as praças do país. A denominação do instituto foi tirada do Código italiano, que o regula”. Para o Prof. REQUIÃO, todavia, a linguagem do Código “não deslocará o uso correntio da expressão representante comercial. Que podia ser perfeitamente mantida... Não seria criticável se mantivesse a denominação representação comercial, já consagrada nos costumes do país, e em nosso direito”. É de se ponderar, no entanto, que o direito comparado, de onde emergiu o instituto jurídico, prestigia, de fato, o nomen iuris agora adotado por nosso Código Civil, razão pela qual este não merece censura pela nomenclatura inovada. É de evidente conveniência procurar identificar a figura jurídica por denominação que seja de universal acolhida, evitando-se terminologia regional, que não tenha, por si só, capacidade de revelar a identidade da figura local com aquela que já amadureceu e se consolidou na experiência do direito comparado. 4. Conceito de contrato de agência Como o Código Civil determina que ao contrato de agência devem ser aplicadas, no que couber, as regras constantes de lei especial, é necessário cotejar-se a definição codificada (art. 710) com a constante da Lei nº 4.886/65 e das alterações da Lei nº 8.420/92. Em primeiro lugar, é bom ressaltar que a lei especial define diretamente o representante comercial (isto é, o agente) (art. 1º). Já o Código Civil enfoca o contrato típico que vincula o representante e o representado (art. 710). Assim, na definição do Código, o contrato de agência (ou de representação comercial autônoma) é aquele pelo qual uma pessoa – o agente – assume, em caráter não eventual, e sem vínculos de dependência, a obrigação de promover à conta de outra – o preponente ou fornecedor – mediante retribuição, a realização de certos negócios, em zona determinada.
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Dessa conceituação legal, deduz-se que o contrato de agência envolve: a) relação entre empresários, dentro da circulação mercadológica de bens e serviços; b) a relação, contudo, não é de dependência hierárquica entre representante e representado, pois aquele age com autonomia na organização de seu negócio e na condução da intermediação dos negócios do último (embora tenha de cumprir programas e instruções do preponente); c) o objetivo do contrato não é um negócio determinado, mas uma prática habitual, de sorte que entre as partes se estabelece um vínculo duradouro (não eventual); d) a representação importa atos promovidos por uma das partes à conta da outra, configurando, portanto, um negócio de intermediação na prática mercantil de interesse do representado; e) à prestação do serviço de intermediação do agente corresponde o direito a uma remuneração ou retribuição, de maneira que o contrato é bilateral, oneroso e comutativo; f ) a representação, finalmente, deve ser exercitada nos limites de uma zona determinada, ou seja, cabe ao agente praticar a intermediação dentro de um território estipulado pelo contrato, ou algo que a isso corresponda. A atividade do agente, em suma, é a intermediação de forma autônoma, em caráter profissional, sem dependência hierárquica, mas, de acordo com as instruções do preponente. É uma figura jurídica típica a do agente, pois, embora guarde alguma semelhança, o agente não é, em princípio, mandatário, nem comissário, nem tampouco empregado, ou prestador de serviço no sentido técnico. Presta, no entanto, um serviço especial que é, nos termos da lei, a coleta de propostas ou pedidos para transmiti-los ao representado. Eventualmente, o representado pode confiar ao agente os bens a serem colocados junto à clientela, caso que o Código trata como distribuição, mas não como revenda, visto que os atos de negociação se realizam em nome e por conta do comitente. Nessas hipóteses especiais, o contrato, além das normas próprias da agência, rege-se complementarmente, pela disciplina do mandato e da comissão (arts. 710, in fine, e 721). O art. 1º da Lei n.º 4.886/65 cuidou de definir o representante comercial e não o contrato de representação comercial. Segundo tal dispositivo, é representante comercial autônomo a pessoa jurídica ou a pessoa física, sem relação de emprego, que “desempenha, em caráter não eventual, por conta de uma ou mais pessoas, a mediação para realização de negócios mercantis, agenciando propostas ou pedidos, para transmiti-los aos representados, praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios”. O parágrafo único do questionado dispositivo legal, aduz que, na eventualidade de “a representação comercial incluir poderes atinentes ao mandato mercantil” – isto é, quando ao representante comercial forem conferidos poderes relacionados com a execução dos negócios intermediados – “serão aplicáveis, quanto ao exercício deste, os preceitos próprios da legislação comercial”. Em outros termos: se o agente for autorizado pelo preponente a realizar negócios jurídicos em seu nome, tais atos que ultrapassam o conteúdo normal do contrato de agência, serão submetidos ao regime legal do mandato, como, aliás, prevê o art. 721 do novo Código Civil. Da definição dada pela lei especial ao representante comercial autônomo (isto é, ao agente), extraem-se as seguintes características: a) o agente não mantém relação de emprego com o representado, gozando, portanto, de autonomia laboral para organizar e desempenhar sua atividade; b) a atividade contratada é não-eventual; deve ser exercida em caráter permanente e profissional; c) a função do agente, embora organizada e dirigida com autonomia, é concluída por conta de outra pessoa (o representado), de modo que fica claro o “caráter de uma intermediação”, ou de uma “preposição”. O agente, como prestador autônomo de serviço, atua fora da estrutura interna da empresa a que serve, permitindo a esta colocar seus produtos e serviços juntos à clientela que o representante angaria, nos mais variados lugares. Os negócios, porém, são sempre promovidos em nome e por conta do representado; d) a mediação é, pois, uma função típica do agente comercial, que se presta à difusão dos produtos ou serviços do representado no comércio;
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e) a intermediação se dá na realização de negócios mercantis: o que a lei especial atribuiu ao agente comercial não é qualquer representação, mas aquela que se volta para a promoção de negócios mercantis (vendas de produtos ou prestação de serviços); f ) o modus faciendi da intermediação consiste em agenciar propostas ou pedidos relativos a operações comerciais do representado, ou seja, relacionadas a bens ou serviços a serem vendidos ou prestados pela empresa em cujo nome atua o agente; g) cabe, em princípio, ao representante transmitir as propostas ou pedidos ao representado. Eventualmente, o agente pode receber poderes que ultrapassem a simples intermediação de pedidos, caso em que realizará, sempre em nome do preponente, atos de consumação ou execução dos negócios agenciados. Quanto a esses atos de consumação da venda dos produtos do representado, a atividade do representante será regida pelas regras do mandado mercantil. Diante do cotejo entre o conceito legal, mais sintético, que o Código faz do contrato de agência, e aquele que a Lei nº 4.886/95 faz do representante comercial autônomo (isto é, do agente), não se encontra contradição maior que possa incompatibilizar um com o outro. A circunstância de o Código não usar as expressões “representante comercial” ou “negócios mercantis” prende-se à circunstância de ter sido unificado o direito das obrigações, de maneira que os contratos nele disciplinados, em princípio, tanto servem para as atividades civis como para as mercantis. No entanto, muito difícil será imaginar o caso em que um contrato de agência se configurará fora das relações mercantis. Ademais, se isto eventualmente acontecer, ficará o negócio fora do alcance da Lei nº 4.886/95, visto que esta se aplica especificamente aos agentes que servem, profissionalmente, à intermediação de negócios mercantis. Harmonizando-se, de tal sorte, a disciplina do contrato de agência instituída pelo Código Civil com a do representante comercial, constante das Leis nºs 4.886/65 e 8.420/92, ter-se-á um negócio jurídico vocacionado naturalmente para as atividades mercantis. 4.1. direito comparado A definição brasileira de representante ou agente comercial muito se aproxima da que consta do Código Comercial da Alemanha, que o qualifica como “toda pessoa que, a título de exercício de uma profissão independente, seja encarregada permanente de servir de intermediária em operações negociadas por conta de um empresário ou de os concluir em nome deste último. É independente quem pode organizar o essencial de sua atividade e determinar seu tempo de trabalho” (art. 84). Na França, também, o agente comercial é definido em termos que se aproximam do novo Código Civil brasileiro, por Dec. de 23.12.58: “Est agent commercial le mandataire qui, à titre de profession habituelle et indépendant, sans être lié par un contrat de louage de services, négocie et, eventuellement, conclut des achats, des ventes, de locations ou de prestations de service, au nom et pour le compte de producteurs, d’industriels ou de commerçants”. O Conselho da Comunidade Econômica Européia (CEE) em 18.12.1986 adotou uma Diretiva relativa aos agentes comerciais independentes, na qual se conceituou como agente comercial “celui qui, en tant qu’ intermédiaire indépendant, est chargé de façon permanente, soit de négocier la vente ou l’achat de marchandises pour une autre personne, ci-après dénominée commettant, soit de négocier et de conclure ces opérations au nom et pour le compte du commettant”. Em todos esses exemplos, tal como entre nós, a função normal do contrato de agência é conferir ao representante poderes de intermediação para angariar negócios para o representado. Só excepcionalmente, e mediante poderes adicionais explícitos, ocorre a atribuição de mandato para que o próprio representante conclua o negócio em nome do representado, seja firmando os contratos, seja mesmo entregando as mercadorias negociadas ao comprador.
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que o fato de o contrato de agência conter traços comuns a outros contratos mercantis tradicionais. sem que a doutrina tivesse tempo para digerir as inovações. No primeiro caso. como tal. que são empresários que se inserem na cadeia de comercialização sem vínculo empregatício. Esse quadro classificatório muito contribuirá para obter-se a distinção entre o contrato de agência e outras figuras afins. No segundo. A agência refere-se a um relacionamento negocial permanente envolvendo operações reiteradas e indeterminadas. um contrato de intermediação. conservando e ampliando o mercado para o produto de outro empresário. não se confunde com a concessão mercantil. 710 do nosso Código. a distribuição é feita por meio de empregados que atuam na captação dos compradores. o Código Civil brasileiro denomina o negócio jurídico de contrato de agência e distribuição (art. novas figuras contratuais surgiram para atuar no mesmo segmento da mercancia. a concessão mercantil e a franquia empresarial. o contrato de agência dessas figuras afins. como a do mandato. destinada a realização de negócios determinados. limita-se a aproximar FGV DIREITO RIO 78 . quando o concessionário adquire o produto do concedente e o comercia em nome próprio e por conta própria. no caso de agência comercial. Essa distribuição. tem fisionomia e disciplina próprias. Como ponto de partida é importante classificar os contratos de que se vale o empresário para obter colaboração de outros agentes no escoamento de seus produtos. ou agência. malgrado a posse e disponibilidade da mercadoria pelo agente. Contratos afins Com o incremento na economia moderna dos meios de distribuição da produção de bens e serviços. colocam-se os colaboradores externos. o colaborador ocupa um dos elos da cadeia de circulação. Daí a necessidade de tentar-se uma diferenciação que separe. outorgados pelo mandante. ao escoamento da produção. porque os poderes de que dispõe o agente nem sempre são aqueles que se conferem ao mandatário. a que alude o art. 5. o viajante ou pracista. ou seja. Dessa maneira. De duas maneiras básicas se processa a colaboração empresarial (externa) no escoamento dos produtos de uma empresa: a) pela distribuição propriamente dita (revenda) e b) pela busca de empresários interessados na aquisição dos produtos do fornecedor (intermediação. Em primeiro lugar. não há necessidade de subsumi-lo à tipicidade de outros contratos: a agência é. conquistando. não o leva a confundir-se com nenhum deles.CONTRATOs Em EsPÉCIE Nesta última hipótese. mantendo com a empresa vínculo empregatício permanente. Em primeiro lugar. “a colaboração empresarial no escoamento de mercadorias pode ser feita por intermediação ou aproximação. já que esta só ocorre quando há revenda. agência e mandato O contrato de agência não se confunde com o de mandato mercantil.1. captando-lhes com precisão a natureza e os contornos. mais ultimamente. com nitidez. continua sendo. prestando serviços. O mandatário detém poderes. o colaborador procura outros empresários potencialmente interessados em negociar com o fornecedor”. Perante a representação comercial. comprando o produto do fornecedor para revendê-lo. existe a possibilidade de utilização de auxiliares internos. a comissão mercantil. que o distribuidor conclui como preposto ou mandatário do representado (ou seja. 710). 5. a outorga de mandato é em regra. um contrato nominado (típico) e. ou seja. em nome e por conta do preponente). É certo. todavia. contudo. O contrato de agência e distribuição. De outro lado. comissão mercantil e agência). freqüentes são as dúvidas e confusões que se instalam entre essa novel modalidade contratual e o mandato. Para individuá-lo e determinar a respectiva natureza. a locação de serviços. que lhe permitem deliberar sobre o negócio e o realizar em nome deste. e. O simples representante. nem a revestir-se da natureza jurídica de alguma das figuras com que mantém inegável afinidade. no direito moderno. de variada natureza.

5. Com o outro contratante (isto é. o comprador). propriamente dita. nos negócios que pratica. agente e viajante ou pracista (contrato de agência e contrato de trabalho) O agente. que o credencia a vendê-los aos consumidores em nome próprio. ao contrato de agência e distribuição. evitando ao principal interessado nas operações suportar ações da parte da clientela. porque só o comissionário trava relações jurídicas com os clientes. E. Ademais. O agente. Perante estes. não aparece no negócio que ele agenciou e que finalmente será concretizado diretamente pelo preponente. Os produtos do comitente são postos à disposição do comissário. então o contrato de agência não será mais simples. embora preposto. e não em nome da empresa a que presta colaboração (art. dentro dos poderes que recebeu. terá se tornado complexo. FGV DIREITO RIO 79 . seu escritório. É um empregado dele. sendo em face do terceiro o responsável pelo ato praticado. do contrato. No contrato de agência. Tem sua sede própria. A atuação é de um representante (mandatário) do vendedor. por meio de uma consignação. presta serviços à empresa sem estabelecer com ela um vínculo empregatício. o que não depende de poderes inerentes ao mandato. Não dispõe de autonomia alguma para organizar seu serviço. o vendedor é sempre o preponente. o único responsável perante o cliente é o comitente. por isso. dispõe o art. o negócio. porque não negocia o fornecimento em nome próprio e opera sempre em nome e por conta do representado. agência e comissão A comissão é um contrato de colaboração empresarial. ainda que se confiram poderes ao agente para concluir e executar a venda. O comissário adquire ou vende bens à conta do comitente. parágrafo único. mas. age contudo como empresário e não como empregado. Suas tarefas são comandas hierarquicamente pelo empregador. o comitente. o essencial ao contrato de agência é a mediação de negócios em favor do preponente. na linguagem antiga do Código Comercial. portanto. Na comissão mercantil. se incluem nas cláusulas da agência. eventualmente. agindo em nome e no interesse do representado. Quando estes poderes. sua empresa de representação. 5. quem se vincula é o comissário e não o comitente. embora do ponto de vista prático realize atividade econômica igual à do agente – pois angariam ambos clientela para a empresa – liga-se ao preponente de maneira diversa. que organiza e dirige com liberdade e autonomia. 710. 721 manda aplicar. o comissário age em seu próprio nome.2. Isto porque o mandato mercantil implica necessariamente a representação para realizar negócios comerciais em nome do mandante. mas contrata em nome próprio. Como ressalta RUBENS REQUIÃO. que “o preponente pode conferir poderes ao agente para que este o represente na conclusão dos contratos”. secundário ou acidental. seria um mandato sem representação. e sim por conta do comitente. A comissão. muito embora o tenha realizado por conta e no interesse do comitente”. eventualmente. garantindo o anonimato para o comitente. enquanto o comissário não age em nome.CONTRATOs Em EsPÉCIE comprador e fornecedor. concluir negócio por conta do preponente. e não de um vendedor propriamente dito. 693). mas ao contrário do mandato. conferelhe maior segurança. Pode. O viajante ou pracista. por sua vez. o comissário não representa. no que couber. por isso mesmo. Na agência. absorvendo em suas cláusulas também o contrato de mandato. não interferindo. o art. representam apenas elemento acessório. em função do encargo contratual. não é atingido pelos atos que pratica. não delibera. Nesse sentido. na conceituação ou configuração. O agente comercial. A presença do comissário cria uma certa barreira entre o comitente e os terceiros que negociam com o comissário. nem tampouco na definição de sua natureza jurídica.3. por sua própria definição legal. o vendedor é o comissário e não o comitente. O comissário. “o representante comercial. as regras concernentes ao mandato. portanto.

porém. por sua vez. Para RUBENS REQUIÃO. que envolve sucessivas compras-e-vendas: uma empresa vende a matéria prima ao fabricante. Não há uma remuneração direta entre fornecedor e revendedor. b) O viajante ou pracista não tem iniciativa pessoal. Quase sempre se estabelece uma intermediação entre empresários. tem-se o contrato de distribuição.. por sua vez. naturalmente. ou concessão comercial A colocação da produção industrial no mercado raramente se faz. que não raro envolve outros negócios entre as partes. os revendem ao consumidor final. a franquia comercial não é um contrato distinto da concessão comercial. Essa modalidade de contrato de colaboração. criando um sistema racional de conjugação de esforços até a colocação do produto junto ao consumidor final. A ingerência do fornecedor no empreendimento do revendedor produz uma subordinação econômica.4. no mundo atual. com habitualidade e sob certas condições. O fornecedor. os vendem aos varejistas que. Essa colaboração entre os elos da cadeia econômica pode acontecer de maneira avulsa. Costumam-se arrolar as seguintes e principais distinções entre agente e representante assalariado: a) O viajante ou pracista não pode contratar pessoal para desempenhar a representação que lhe cabe. Entre os contratos de concessão comercial assumiram grandes relevos os chamados contratos de franquia. O revendedor. a algumas regras. e o revendedor se obriga a adquiri-lo. como uso de marca. a distribuição se exterioriza como contrato de fornecimento: o produtor se obriga a fornecer certo volume de determinado produto. c) O viajante ou pracista não pode aceitar representação de outras empresas. que pode ser simples ou complexo. Este se remunera com o lucro que a revenda dos produtos lhe proporciona. com interferência econômica do fornecedor sobre o negócio do revendedor configura o que modernamente se denomina contrato de concessão comercial. não exerce interferência alguma na gestão do negócio do revendedor. no fecho da cadeia econômica. e) O viajante ou pracista não pode contratar sub-representantes. por isso. agência e distribuição por conta própria (revenda). a não ser mediante autorização do empregador. de maneira que o produtor exerça certa interferência na atividade do revendedor. os produtos de um deles (contratos-quadros).CONTRATOs Em EsPÉCIE É. em suma. Sujeitar-se-á. d) O viajante ou pracista somente pode ser pessoa física. periodicamente. No entanto. por negociação direta entre produtos e consumidor. Se a articulação entre produtores e revendedores assume o feitio de uma convenção duradoura. o mesmo não se passa na organização econômica da revenda. continuará negociando os produtos por conta própria e em nome próprio. como contratos eventuais e isolados. estes. traçadas pelo fornecedor. Não faz jus. pode ser mais ampla. contudo. no entanto. assistência técnica etc. A lei. este a transforma em manufaturados. A colaboração empresarial. formando-se uma cadeia de negócios. que em seguida são vendidos aos atacadistas. Se há entre eles uma independência jurídica. ou pode se envolver numa relação contratual duradoura que gere a obrigação entre os empresários de comprar e vender. um profissional independente. às indenizações legais devidas ao agente autônomo. Já o agente comercial é um empresário. enquanto o agente pode ser indiferentemente pessoa física ou jurídica. como se demonstrará no tópico seguinte. O viajante não é mandatário e não capitaliza clientela. a doutrina majoritária aponta traços da franquia que lhe outorgariam uma identidade jurídica capaz de separá-la dos comuns casos de concessão comercial. podendo estabelecer-se sinônima entre os dois. de orientação geral. Na sua manifestação mais simples. a ausência de um contrato de trabalho que caracteriza o agente comercial e o distingue do viajante ou pracista. assegura ao agente a faculdade de contratar sub-agentes. é hierarquicamente subordinado ao comando do empregador. da maneira que melhor lhe convier. FGV DIREITO RIO 80 . 5. na tarefa da conquista de clientela para a empresa a que servem uns e outros. que pode livremente organizar sua empresa.

assim. se há. Outra distinção que se fez com nitidez entre o contrato de agência e o contrato de revenda (distribuição por conta própria. torna-se dono da mercadoria que o fornecedor lhe transfere. no sentido de ter sido nele disciplinado tanto a representação comercial como a concessão comercial. sem independência jurídica do agente) da distribuição por conta própria (concessão comercial). Aliás. segundo o volume e o preço das operações agenciadas. Apenas para o caso dos revendedores de veículos é que. porém. situa-se na remuneração do intermediário do processo de circulação dos produtos. Juridicamente quem vende é o fornecedor e não o agente-distribuidor. O concessionário nada recebe do fornecedor pela colaboração exercida na colocação de seus produtos. a inteligência que alguns apressadamente estão dando ao artigo 710 do Código Civil. O representante não a adquire do representado. O contrato de distribuição em nome próprio (a concessão comercial) continua sendo atípico. e sempre como simples ato complementar do agenciamento. o legislador houve por bem tipificar o contrato de concessão comercial (Lei nº 6. já previa a possibilidade de ser ele encarregado da execução da venda. nos comentários relativos aos ressarcimentos cabíveis na ruptura ou cessação do contrato (art. mesmo porque a infinita variedade de convenções que os comerciantes criam no âmbito da revenda autônoma torna quase impossível sua redução ao padrão de um contrato típico. atua apenas em nome e por conta do representado. como negócio que anteriormente se denominava contrato de representação comercial. Se não há venda e revenda de produtos. A distribuição. ou concessão comercial). E. O agente (representante comercial) não pratica o negócio de colocação dos produtos do representado em nome próprio. quando regulamentou a atividade do representante comercial. pode ser autorizada ao agente mas nunca como revenda. quanto ao serviço de intermediação.886/65. de modo que a venda para o consumidor não assume a natureza de uma revenda. É que a mercadoria que o fornecedor coloca em poder do agente-distribuidor é objeto apenas de depósito ou consignação. O dispositivo cuidou exclusivamente do contrato de agência. A interferência deste na pactuação e execução do negócio final é de um mandatário e não de um revendedor. Não é correta. sem que isso desnaturasse a representação comercial em sua essência e a transformasse em concessão comercial. e a negocia com o consumidor em nome próprio e por sua própria conta. A remuneração que alcança se traduz nos lucros que a revenda lhe proporciona. o contrato fica no plano da agência. 710 do Código Civil). Em suma não é a operação econômica da distribuição que distingue a agência da concessão comercial. eventualmente. Há distribuição (ou pode haver distribuição) tanto por meio do contrato de agência como do contrato de concessão comercial. Mesmo quando a lei admite que o agente atue também como distribuidor (art. mas tudo se faz em nome e por conta do representado. pelo fornecedor (o representado). FGV DIREITO RIO 81 . 710 é aquela que. ele não se transforma num concessionário comercial. portanto.729/79). 721).CONTRATOs Em EsPÉCIE Todas as formas de contrato de distribuição – fornecimento ou concessão – distinguem-se do contrato de agência em dois aspectos básicos: a autonomia e a remuneração da intermediação. Dentro da sistemática da preposição que é inerente ao contrato de agência. pode realizar-se por conta do fornecedor ou por conta do próprio distribuidor. Já o concessionário ou revendedor. O agente (mesmo quando exerce a distribuição) é remunerado. a Lei nº 4. pelas características e relevância do negócio. 1º e seu parágrafo único). em nome do representante (art. Voltaremos ao tema da concessão comercial. distingue-se a distribuição por conta alheia (mera preposição. Distribuição é um gênero que corresponde aos vários tipos de contrato de colaboração empresarial. entra-se no âmbito da concessão comercial. A distribuição de que cogita o art. as mercadorias de propriedade do comitente são postas à disposição do agente-distribuidor para entrega aos compradores.

a franquia. a concessão do uso de marca etc. para configurar-se contrato de agência. a corretagem. contida no art. caracterizada pelo chamado mandato de interesse comum. seria uma modalidade excepcional daquele negócio. c) a determinação de uma zona sobre a qual deverá operar o agente. de uma atividade profissional dirigida à promoção e conclusão de contratos entre o preponente e os terceiros arrebanhados pelo preposto. em última análise. podia-se divisar “o interesse comum como qualificativo do mandato contido no contrato de agência comercial”. sempre por conta da outra parte (o preponente) e dentro de uma determinada zona. em seu próprio nome. Eventualmente os contratos agenciados podem ser concluídos e executados pelo próprio agente. A lei francesa ainda hoje identifica o agente comercial como um mandatário que como FGV DIREITO RIO 82 . a concessão comercial. na concepção legal. os elementos essenciais do contrato de agência Segundo a definição legal do contrato de agência. Assim. porque é na medida da consumação dos negócios pelo preponente que o agente adquire direito à remuneração pelos serviços de intermediação empresarial levados a efeito. mas que igualmente se relacionava com seus próprios interesses. Contratos de distribuição. entendia-se que este desempenhava um mandato que não dizia respeito apenas ao interesse do mandante. realizou-se a evolução do tratamento jurídico do agente da categoria de mandatário para a figura do “mandatário independente”. todavia. O que traça a tipicidade do contrato de agência é que a atividade de colaboração empresarial na espécie se dá por meio de prestação do agente que têm por objeto o desempenho. profissional e empresário. o objetivo perseguido é um só . não porém em nome próprio. “um mandatário que aja a título oneroso e em seu próprio benefício”.formação e ampliação de clientela -. b) o caráter duradouro da atividade desempenhada pelo agente (habitualidade ou profissionalidade dessa prestação). não são sinônimos de contratos de revenda de mercadorias. mediante remuneração. Com isso. mas sempre em nome e por conta do preponente. mas apenas um interesse econômico. nos quais o agente desenvolve um papel importante na colocação no mercado dos produtos gerados ou comercializados pela empresa preponente. pode-se afirmar que. A construção da teoria do contrato de agência se fez por influência do direito francês a partir do mandato que. De forma alguma se pode ver no conteúdo do contrato de agência uma forma de compra e venda operada pelo agente. 7. a formação de negócios. tais como a comissão mercantil. os negócios por ele intermediados ou concluídos se aperfeiçoam diretamente na esfera jurídica do preponente e do terceiro adquirente.CONTRATOs Em EsPÉCIE 6. Na conclusão do negócio intermediado o agente não é parte. em uma zona determinada. Visto que tanto do lado do comitente como do agente. Nessa ordem de idéias. d) a retribuição dos serviços do agente em proporção aos negócios agenciados. e eventualmente de concluí-los e executá-los. qualquer que seja a dimensão dos poderes do agente. de sorte que nele não se acha em jogo um interesse jurídico seu. sua estrutura fundamental envolve a combinação de quatro elementos essenciais: a) o desenvolvimento de uma atividade de promoção de vendas ou serviços por parte do agente. de maneira que esta. De tal sorte. a representação comercial. Configuram um gênero no qual se inserem vários tipos negociais todos voltados para a chamada colaboração empresarial. se beneficia da contínua obra promocional levada a efeito pelo agente junto à clientela. em favor da empresa do comitente. natureza jurídica O contrato de agência integra a classe dos contratos de distribuição comercial. é necessário que uma parte (o agente) assuma de forma duradoura a função de promover. na espécie. 710 do Código Civil.

O agente comercial. na circulação de bens do mercado. em função da qual o agente promove e às vezes conclui negócios em favor do preponente. 8. seja do fato de uma abordagem econômica da agência que se desenvolveu recentemente”. se encarrega de negociar contratos por ordem e conta de outros empresários (Lei n. cuja atividade específica “consiste na realização de atos materiais que visam à criação de uma corrente de negócios para a difusão dos produtos e serviços de outra empresa.1991. “o agente comercial continua um mandatário. Além do mais. que é a de angariar clientela para adquirir os produtos do primeiro. só por insistência histórica se mantém entre os franceses a doutrina da agência como modalidade de mandato. são empresários. em cuja organização e administração não interfere a empresa do preponente. O que efetivamente se tem. Ambos. é um mandatário remunerado e profissional. desempenha uma atividade de mercado cujo requisito fundamental é a liberdade de iniciativa na prestação do serviço de agenciamento. e de outro. sua afinidade será maior com o contrato de prestação de serviços do que com o de mandato. sujeitos do contrato de agência De um lado coloca-se o preponente que tem bens e serviços a colocar no mercado. etc). No entanto. Daí reconhecer-se sua posição de titular da própria empresa. entretanto. Na verdade. nessa ordem de idéias. mesmo. que melhor se qualifica como um profissional do comércio.06. que se formou a partir da idéia de profissionalização do mandato e. A prática da agência comercial. Dessa maneira. Vê-se. que o agente se apresenta como autêntico empresário porque seu serviço é desempenhado de forma autônoma e constitui um tipo de negócio de evidente valor econômico e jurídico. remuneração mínima. não tem mais sentido atrelá-la à natureza jurídica do mandato. preponente e agente. sem estabelecer vínculo de subordinação a este e que deve ser remunerado em função do volume de operações promovidas.CONTRATOs Em EsPÉCIE profissional independente. depois que se estabeleceu um regime legal particular para a agência. é inegável que o contrato de agência estabelece uma relação jurídica entre empresários. mas sempre com plena liberdade de organizar seu trabalho e com assunção do risco de seu negócio de intermediação. Dentro da consagração da autonomia do agente. De tal sorte. Assim. pois. 91-593 de 25. pois apenas excepcionalmente o agente se encarrega de tarefas que são próprias do mandatário. registra-se uma aproximação do regime legal da agência com o direito social. o que também não é adaptável à figura do mandato. não se pode continuar a insistir na conceituação do contrato de agência como forma de mandato. indenizações tarifadas. nos moldes atuais da figura jurídica se afasta das concepções primitivas. mas deve ser apreciado enquanto profissional do comércio”. seja sobre influência dos usos e regulamentos. FGV DIREITO RIO 83 . A natureza jurídica do contrato de agência é hoje a de um contrato típico. Se se pretender comparar a agência atual com outros contratos típicos. por meio de “uma evolução das regras do mandato clássico”. “o agente se beneficia de um estatuto originado de modificação de regras civis do mandato. Um realiza a comercialização de suas mercadorias ou serviços (preponente) e outro exerce uma especial atividade profissional (o agente). que se adaptou à Diretiva Comunitária de 1986). cada um dedicando-se a um ramo próprio de negócios. o agente (um preposto) que é um profissional que se encarrega de colaborar na promoção dos negócios do preponente. em defesa de interesses do agente (duração indeterminada do contrato. apagando os liames com o mandato e consagrando uma liberdade de iniciativa muito acentuada. reconhecido como profissional independente e ainda em face do estabelecimento de um regime de direito social de proteção ao agente. A independência que a lei confere ao agente comercial no exercício de sua atividade profissional faz dele um empresário que se encarrega de uma função com autonomia de objeto dentro da circulação do mercado.

e preferiria que. há um inconveniente de ordem prática. a nomenclatura legal – as partes no contato de agência A legislação italiana adota as expressões agente e preponente para indicar as duas partes do contrato de agência ou representação comercial (Código Civil italiano. de contratos por conta do preponente. Ademais. porquanto já era esta a palavra utilizada pelo direito português para nomear a contraparte dos “representantes comerciais não autônomos” . 1. Duas partes.753). Na relação econômica desenvolvida pelo agente em prol do fornecedor. praticamente. e sim a um percentual sobre as operações úteis captadas pelo agente em benefício do representado. A lei portuguesa que regula o mesmo contrato. tem como objeto uma prestação de serviço entre empresários: a promoção de negócios constitui a obrigação fundamental que o agente contrai em favor do preponente. É. censure a opção do Dec-Lei nº 178/76. em posições jurídicas diversas teriam titulação igual dentro do mesmo negócio. ou seja. Objeto. em sua feição típica. em seu nome. o novo Código Civil escolheu a nomenclatura recomendada pela antiga doutrina portuguesa. que característica essencial do contrato de agência é a promoção. que é um contrato típico e de execução continuada. ou seja. Dessa forma. operada entre o preponente e o consumidor. antes da legislação atual. ao formular propostas endereçadas a este também deverá ser identificado como proponente. todavia. revenda. arts. já há o cliente que. mais expressivo. O agente organiza com autonomia seu negócio e. portanto. do contrato de agência. o contrato é denominado de “agência e distribuição”. os léxicos nacionais não registram proponente com o sentido de denominar quem delega poderes de gestão a outrem. Malgrado a opção da lei. todavia. mediante remuneração. continua sendo uma prestação de serviços profissionais na área da intermediação de negócios. mas em nome do representado. Dessa forma. visto que o agente não revende os produtos que o preponente apenas coloca à sua disposição.1. pelos expedientes que livremente engendrar.CONTRATOs Em EsPÉCIE 8. Quando esses poderes adicionais são incluídos no ajuste.742 e 1. dará cumprimento à obrigação contraída de angariar clientela para quem contratou seus especiais serviços. da parte do preponente. não estará incorrendo em censura alguma quem empregar o termo preponente em lugar de proponente. proponente e agente. por sua conta e sob sua dependência”. portanto. sob influência da terminologia com que common law se identifica a agency. por ser lexicamente correto e. mas como aquele que “propõe algo”. Integra o contrato. repita-se. mas isto não corresponde a um preço fixo. No Brasil. esse objeto pode ser ampliado. Não há. em síntese. é uma atividade de promoção de negócios individuais. a exemplo do Código italiano. consistente na busca e visita da clientela. de negócios que venham a ser concluídos entre os terceiros e o preponente. que. mas apenas venda. para coletar propostas ou encomendas a serem repassadas à empresa representada. O agente-distribuidor apenas representa o fornecedor. O objeto do contrato. afinal é o vendedor das mercadorias consignadas ao preposto e negociadas com a clientela. entre nós. pode-se afirmar. A operação é toda ela desenvolvida e consumada em nome e por conta do preponente. melhor teria andado o legislador brasileiro se. As confusões serão inevitáveis o que recomendaria o uso da designação preponente para o fornecedor. o objeto do contrato de agência O contrato de agência. em Portugal fosse prestigiada a denominação de proponente (em lugar de principal). outrossim. muito embora nos contratos de prestação de serviços com subordinação jurídica a tradição. para compreender a conclusão do contrato de venda e entrega das mercadorias. a obrigação de remunerar o serviço prestado pelo agente. tivesse nomeado de preponente o empresário que contrata a intermediação do agente. Com FGV DIREITO RIO 84 . seja a de identificar o representado como preponente e não como proponente. denomina de agente e principal os respectivos sujeitos. Eventualmente. Há quem. ou que se concluam junto ao preposto. o designativo preponente que identifica “aquele que constitui um auxiliar direto para ocupar-se dos seus negócios. 9. De fato.

o agenciamento sempre ocorreria por força da natureza do contrato. a melhor interpretação indica que os contratos de agência e os de representação comercial constituem a mesma figura jurídica. Ou seja. conforme posteriormente alterada) e. Mais especificamente. Antes de qualquer coisa. teixeira e silva advogados O capítulo sobre agência e distribuição no Código Civil tem causado muita discussão. freire. dentro de uma zona determinada. é necessário definir: (a) se o contrato de agência previsto no Código Civil é o mesmo contrato previsto na Lei do Representante Comercial (Lei 4. teixeira e silva advogados renato berger consultor de tozzini. excluem-se do campo da agência as vendas em nome próprio. além de agenciar os pedidos em favor do proponente. que em hipótese alguma se podem confundir com a figura delineada no art. de que maneira devem ser interpretadas as normas desses dois diplomas legais sobre a matéria e (b) se a distribuição prevista no Código Civil é a mesma relação contratual que tradicionalmente não era objeto de legislação específica e que era conhecida por distribuição. A representação poderia ou não ocorrer. Analisando o Código Civil e a Lei do Representante Comercial. As principais dúvidas referem-se ao impacto do Código Civil sobre as conhecidas relações de representação comercial e distribuição. o agente tivesse poderes para representá-lo nas respectivas relações de compra e venda dos produtos agenciados. E de fato a nomenclatura não deve ser considerada tão relevante. para cuja consecução empenhará múltiplas atividades. a questão da nomenclatura. tudo em busca de conquistar. Belo Horizonte.br) em 02. Outra grande característica do objeto da obrigação veiculada pelo contrato de agência é o caráter duradouro da prestação a cargo do agente. voltada para a promoção.886/65. nessa ordem de idéias. São vários os motivos para tanto. é fácil entender que os legisladores do Código Civil apenas utilizaram o nome que lhes pareceu refletir de maneira correta a natureza do contrato.2003) biblioGrafia CoMPleMentar: É hora de definir agência e distribuição no novo Código Civil antonio felix de araújo Cintra advogado.CONTRATOs Em EsPÉCIE essa noção do objeto contratual. manter e incrementar a demanda dos produtos do preponente. sendo que a representação apenas existira se. abril de 2003 (Artigo publicado no Mundo Jurídico (www. com caráter de estabilidade. tem como objeto a atividade do agente. inclusive citando leis estrangeiras. em caso positivo.5. Afinal. 710 do novo Código Civil. o que interessa na definição da natureza jurídica do instituto é o seu conteúdo e não a embalagem.adv. O contrato de agência. Diante dessa situação. Passando então para o exame do negócio em FGV DIREITO RIO 85 . que o termo mais adequado seria agência. O nome representação comercial foi muitas vezes criticado por não traduzir corretamente a noção do contrato. Algumas dúvidas fundamentais precisam ser eliminadas para que se tenha razoável segurança jurídica na utilização desses contratos. sócio de tozzini. pelo que o agente se obriga a exercer habitualmente a intermediação de negócios em favor do preponente enquanto permanecer em vigor o ajuste. Vários autores apontavam. posto que a relação negocial implica agenciamento de pedidos. de impulso e de agilização. dependendo de serem ou não conferidos poderes para que o agente representasse o proponente na contratação dos negócios. de contratos que serão concluídos pelo preponente. como os de fornecimento ou de concessão comercial.mundojuridico. freire. Trata-se de um contrato de duração. que são objeto de outros contratos de colaboração empresarial.

Ao contrário da agência. que é contratado para encontrar compradores para os produtos do proponente. mas também da própria regulamentação encontrada nos artigos 710 e seguintes do Código Civil. devem ser considerados revogados apenas os dispositivos da Lei do Representante Comercial cuja matéria tenha sido regulada de forma diferente no Código Civil. Dado que o Código Civil não pretendeu esgotar a regulamentação da matéria. desde que já tenha transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto dos investimentos exigidos do agente. portanto. Por fim. quando se fala em zona de atuação do agente. negócio realizado. Tal distribuição era e continua sendo contrato atípico. realizada pelo agente. exceto com relação à distribuição de veículos automotores. cessação de atendimento de propostas. E naquela que deve ser a maior diferença. em nome próprio e por conta e risco do distribuidor. que a Lei do Representante Comercial utiliza a expressão “agenciando propostas ou pedidos” exatamente na definição da atividade do representante. acima mencionada. ou aquela que viesse a substituí-la. Resta. o Código Civil contempla uma nova e diferente figura contratual. ainda assim. A antiga distribuição é caracterizada pela compra dos produtos do fornecedor para posterior revenda. O lucro do distribuidor deriva então da diferença entre o preço de compra e venda dos produtos distribuídos. atletas e outras atividades que não fossem relacionadas à compra e venda de mercadorias. Ora. uma nota sobre a distribuição. Ou seja. A resposta é razoavelmente simples. menciona claramente “coisa a ser negociada”. dizendo que serviria para agenciamento de artistas. a terminologia empregada no Código Civil pode gerar grande confusão. Infelizmente. datada de 1965. Por exemplo. Ainda para demonstrar que o Código Civil tratou agência da mesma forma que a chamada representação comercial. portanto. mas deverá ter no mínimo 90 dias e. 721). não há que se falar em remuneração paga pelo fornecedor. que conforme será visto aparece dentro da definição de agência e como um desdobramento desta última.CONTRATOs Em EsPÉCIE si. Toda a linguagem e toda a lógica desses dispositivos apontam para o agenciamento na compra e venda de mercadorias. A distribuição do Código Civil é contrato de agenciamento de negócios em favor do proponente. percebe-se que a definição de agência no Código Civil é equivalente à definição de representação comercial na Lei do Representante Comercial. direito à remuneração pelos negócios concluídos dentro da zona de atuação e assim por diante. trata-se do agenciamento de pedidos em favor do proponente e do recebimento de remuneração pelos negócios concluídos. tendo inclusive ressalvado a aplicação de lei especial. não se justifica a amplitude que alguns querem dar ao contrato de agência no Código Civil. curiosamente. por exemplo. permanecendo em vigor os demais. A única diferença no Código Civil é a exclusão da expressão “negócios mercantis” que aparece na Lei do Representante Comercial. cujo projeto foi elaborado em 1972.729/79). objeto da Lei Ferrari (Lei 6. Vale frisar novamente que o Código Civil apenas deu outro nome para a mesma relação conhecida tradicionalmente como representação comercial. Em ambos os casos. Até a definição de distribuição. Utilizando o nome distribuição. Nessa linha de raciocínio. com a particularidade de que os bens objeto do agenciamento FGV DIREITO RIO 86 . é evidente que a lei especial contemplada no Código Civil. tanto na parte específica de indenizações (art. que nada mais é do que um desdobramento da relação de agência. Isso decorre não apenas da definição equivalente do contrato. caracteriza-se a figura clássica de aproximação do comprador e vendedor. mas a exclusão é absolutamente coerente com o desaparecimento da diferenciação entre negócios civis e mercantis na lei brasileira. o aviso prévio para encerramento de contratos por prazo indeterminado não será simplesmente de 30 dias como previsto na Lei do Representante Comercial. vale agora a presunção de exclusividade do Código Civil tanto para a zona de atuação do agente (exclusividade em favor do agente) como para o agenciamento (exclusividade em favor do proponente). Note-se ainda. é a Lei do Representante Comercial. 718) como na utilização da lei especial sempre que couber (art. posto que não regulado expressamente na lei. na ausência de cláusula contratual. verifica-se que o capítulo de agência ressalva expressamente a aplicação de lei especial sobre a matéria. mas a distribuição ali prevista não se confunde com a relação chamada distribuição a que todos se acostumaram no Brasil. estabelecer como deve ser compatibilizada a Lei do Representante Comercial com o capítulo de agência do Código Civil.

886/65). no caso. a qual. que lhe é protetiva e cria. conseqüentemente. nos termos do artigo 5º da Lei nº 4. 473). não há de se ter preocupação FGV DIREITO RIO 87 .com. não serão aplicáveis às relações de distribuição na sua forma tradicional de aquisição para revenda. em zona determinada. já que não tratam de tal figura. a principal delas protege e regula o representante comercial (Lei nº 4. 715). Todo o capítulo de agência e distribuição corrobora tal constatação. 710) até as disposições sobre o direito do distribuidor à remuneração por negócios concluídos em sua zona sem sua interferência (art. a realização de certos negócios. Nesses contratos há inúmeros pontos de contato com a representação comercial. que essa lei atribui os direitos básicos do representante. Os dispositivos do capítulo de agência e distribuição. que passa a ser chamado também de distribuidor. A primeira conclusão inafastável é no sentido da aplicação da lei do representante comercial sempre que este for devidamente registrado. Leve-se em conta que os dispositivos contratuais do código são de direito dispositivo. Isso inclui os conceitos e princípios de boa fé contratual e função social dos contratos.” Portanto. A nova posição legal mais serve para baralhar a questão. naquilo que o contrato e a lei protetiva forem omissos. no que couber. se a pessoa tem a coisa que comercializa consigo será distribuidor. Quanto ao representante comercial.886/65. Pouco importa que pratique ele negócios de agência ou de representação segundo o novo código. estando o sujeito inscrito nos Conselhos Regionais dos Representantes Comerciais. porém. a necessidade de ter transcorrido prazo compatível com o investimento realizado pela outra parte quando da denúncia unilateral de contrato (art. um microssistema jurídico. Parágrafo único. No mais. conforme a nova lei. A harmonização dessa nova lei com os novos dispositivos é complexa.CONTRATOs Em EsPÉCIE encontram-se na posse do agente. além de importantes dispositivos específicos. a disponibilidade da coisa em mãos do sujeito caracteriza a diferença entre a agência e a distribuição. à aplicação de legislação especial. Pela lei. será agente. uma pessoa assume. à conta de outra. Há que se levar em conta. a obrigação de promover. O proponente pode conferir poderes ao agente para que este o represente na conclusão dos contratos. Naturalmente serão aplicáveis à distribuição clássica as normas gerais do Código Civil sobre obrigações e contratos. desde a definição da distribuição como um derivado da agência (art.asp?id=4148) A representação no novo Código Civil Por sílvio de salvo Venosa O novo Código Civil introduz no mesmo capítulo. embora se reporte. o novo código dispõe no artigo 710: “Pelo contrato de agência.br/doutrina/texto. caso contrário. como por exemplo. (http://jus2. Assim. os dispositivos sobre os contratos de agência e distribuição.uol. no artigo 721. procura a lei unificar os direitos de ambos e. mediante retribuição. subordinados estes ao Conselho Federal. em caráter não eventual e sem vínculos de dependência. pois o contrato de representação comercial costuma ser identificado pela doutrina e pela jurisprudência com o de agência e distribuição. caracterizando-se a distribuição quando o agente tiver à sua disposição a coisa a ser negociada. 714) e direito à indenização no caso de diminuição no atendimento de propostas (art. preponderarão as disposições do novo código. Subsidiariamente poderá ser aplicado o novo código. aplica-se essa lei. O legislador do novo código deveria ter sido mais claro. todas referentes apenas a contratos de aproximação entre comprador e vendedor e nunca à aquisição de produtos para revenda por conta própria. da mesma forma que ocorre em qualquer contrato atípico. Assim. aplicam-se ao representante comercial. que doravante devem ser harmonizados com os dispositivos do novo Código Civil. na verdade. Tratando-se de profissão regulamentada. contudo. e realiza negócios em razão dessa profissão habitual.

há um conceito restrito. sob o prisma de direito cogente. com a intervenção de terceiros. Esses contratos possuem características comuns. Sob essa égide. pressupõem a existência de empresas e sujeitos independentes que desempenham atividade em favor dela. deverá persistir. a própria legislação comercial. para desenvolvimento de uma antiga função econômica. mandatários. Não há que se entender que somente os representantes comerciais devidamente inscritos em sua corporação de ofício tenham direito à aplicação da lei específica. há possibilidade de que a empresa celebre muitos contratos da mesma natureza. que já vinha sendo adotada. também. quando ela não o faz por si mesma. sem a compreensão de representante. com várias pessoas. de duração. Assim. Nada impede. fará jus o sujeito aos direitos respectivos conforme os artigos 31 e seguintes da lei específica. sua situação será de distribuidor. contudo. No conceito há um sentido amplo. diretamente. aos representantes comerciais oficiais. São contratos. A situação não fica clara. no que não conflitar com seu estatuto específico. Desse modo. Desempenhando a função de representante. de caráter geral.886/65. como já não estava clara no sistema anterior e qualquer das soluções apresenta dificuldades. ser firmados com qualquer pessoa e a esta situação se dirigem os dispositivos do novo Código Civil. que inclui todas as formas que uma empresa se utiliza para colocar bens e serviços no mercado. conforme os princípios da lei específica. agência e distribuição. ou por meio de terceiros. referindo-se aí expressamente ao contrato de distribuição. Nessa introdução à nova problemática é importante estabelecer que os contratos de agência e distribuição podem. Nesses contratos há um forte aspecto de colaboração entre as partes e a possibilidade de exclusividade dentro de determinada área geográfica. representantes etc. os corretores. os comissionistas e os agentes de comércio. a concessão. em princípio. Sempre que se examina a comercialização de produtos ou serviços por terceiros. Por outro lado. Nesse sentido. há confusão terminológica entre os contratos de representação mercantil. Nesse sentido. pretenderem os mesmos direitos expostos na Lei nº 4. mormente quando as partes não definem claramente suas obrigações. como a franquia. os quais se aplicam. Essa tendência. De qualquer modo. O que será ineficaz. As gradações entre um extremo e outro deverão ser definidas no caso concreto. O distribuidor. Como regra geral. qual seja. técnicos ou não. absorvendo vários significados. a representação. a de colocar no mercado os bens ou serviços de uma empresa produtora. por natureza. agentes. naturais ou jurídicas. em princípio. pois.CONTRATOs Em EsPÉCIE se sua atividade é de agência ou representação de acordo com o novo código. porque. que se lastreia em princípios constitucionais sobre a liberdade do trabalho. por vezes. agente ou representante deve se submeter a uma séria de diretrizes impostas FGV DIREITO RIO 88 . o qual garante direitos básicos a esses profissionais. existirão sempre duas partes. que diz respeito à relação jurídica que vincula o produtor e o sujeito que coloca seus produtos no mercado. Caberá à jurisprudência definir. O novo universo da empresa cria novas formas de comercialização. surge assim uma nova família de contratos. que não foi aclarada pelo legislador. Como já de início apontamos. o que contribui. para a confusão terminológica. que as próprias partes indiquem no contrato como aplicável essa lei do representante comercial autônomo. Eventual transgressão administrativa é irrelevante para a definição dos direitos e a respectiva natureza jurídica dos contratos. o sujeito fará jus aos benefícios da lei respectiva. atendendo a cláusulas de exclusividade e de área geográfica. é afastar-se contratualmente sua aplicação. pois o fornecedor de produtos e serviços sempre atribuirá a outrem essa função. atribuindo a intermediários a atividade de promover e vender. com prazo mais ou menos longo. Questão maior vai se colocar quando o agente e o distribuidor em sentido amplo. se adotada a caracterização de representante para a relação jurídica. se o sujeito adquire os bens do produtor ou fornecedor e os revende. a palavra “distribuição” é equívoca. para o representante é irrelevante ter ou não a posse dos bens comercializados. disciplinava os auxiliares de comércio. excluindo-se a possibilidade de ser considerado representante. consagrada pelo nosso velho Código Comercial. alude-se à distribuição como referência genérica a vários fenômenos. a empresa concentra sua atividade principalmente na produção. que é aquele doravante presente no Código Civil. segundo remansosa jurisprudência.

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pelo produtor em prol do bom andamento do negócio. A regra de exclusividade é importante nesses contratos, embora possa não se fazer presente. Caberá às partes mantê-la ou não. Por seu lado, o distribuidor ou qualquer nome ou natureza jurídica que se lhe dê, não importando qual a modalidade de contrato que lhe permite comercializar bens de terceiros (distribuição, representação, agência, franquia), obtém uma posição vantajosa no mercado, pois, em princípio, terá exclusividade sobre determinada região ou goza de benefícios e vantagens para adquirir bens da empresa produtora. Geralmente, o nome do produtor já outorga aos intermediários um patamar de ganhos superior. Sob esse prisma, a moderna empresa cria uma rede de distribuição, nem sempre juridicamente homogênea, cuja finalidade é cobrir uma cidade, uma região, um Estado ou Província, um país ou o exterior. Essa distribuição mais ou menos ampla seria muito custosa e difícil para que o produtor a encetasse com recursos próprios, além de esbarrar em leis de proteção econômica, que proíbem a cartelização ou o truste. Inúmeros outros aspectos devem ser estudados em função desses novos contratos que ora se tipificam no novo Código Civil. http://www.societario.com.br/demarest/svrepresentacao.html

Agência e Distribuição x Representação Comercial francisco Wanderson Pinho dantas data: 09/09/2004 1. Contratos iguais com nomes diferentes ou contratos diferentes com leis aplicáveis diferentes? O novo código civil trouxe algumas inovações ao tratar do contrato de agência e distribuição em suas disposições. Isso causou uma divergência na doutrina, sendo que a maior parte dela acredita ser esse contrato, não mencionado no C.C. anterior, o mesmo contrato de representação comercial, disciplinado pela lei 4886/65, enquanto uma minoria defende que se trata de um novo contrato. Nesta minoria estão Fábio Ulhoa e Venosa, defendendo este último que ao representante, diferentemente do agente, poderia ser dado o poder de concluir os negócios que ele prepara, sendo aplicado, ao ato de conclusão, a legislação referente ao contrato de mandato. Contudo, não haveria essa possibilidade para o agente, alertando o autor que se, no contrato de agência, houvesse a incumbência de concluir o negócio, o contrato estaria desnaturado. Entretanto, esses argumentos não são fortes o suficiente para rebater a outra posição doutrinária, de que o contrato de agência e o de representação são o mesmo contrato com nomes diferentes. Esse raciocínio, defendido por Humberto Theodoro Jr, Rubens Requião e Felix de Araújo Cintra tem como base o fato de que a definição de representante, dada pela lei 4886/65, lei da representação comercial, é totalmente compatível com a definição de contrato de agência dada pelo código civil. De acordo com as duas legislações, tanto o agente quanto o representante atuam agenciando propostas e pedidos, à conta de outrem, sem vínculo de dependência e em caráter não eventual. A única diferença que existe entre as duas referidas legislações é que, na definição de contrato de agência, dada pelo C.C., não há a expressão “negócios mercantis”, existente na definição de representante, dada pela lei de representação comercial. Entretanto, isso se explica pela igualdade que o novo C.C. atribuiu ao negócio civil e ao negócio comercial. Além disso, outro argumento que é favorável à identidade dos dois contratos baseia-se nas reclamações doutrinárias feitas em relação ao nome antigo do contrato, “representação comercial”, atribuído pela lei 4886/65. Tal nome não reflete o objeto do contrato, que é o agenciamento de propostas, mas a possibilidade de o terceiro representar quem o contratou na conclusão dos negócios, ou seja, a representação.
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Internacionalmente, o nome “agência” já é consagrado para referir-se ao contrato da lei 4886/65, o que permite visualizar a possibilidade de o legislador do C.C. ter utilizado esse nome para adequar o contrato às influências internacionais. Destarte, o próprio artigo 721 do C.C. prevê a aplicação no que couber da lei especial para o contrato de agência e distribuição, o que reforça a afirmativa de tratarem as duas leis, a 4886/65 e a 10.406/02 (C.C.), do mesmo contrato. 2. qual é a lei predominante, se for o mesmo contrato? Apesar de o critério cronológico ter aplicação subsidiária em relação ao da especialidade, o C.C., que traz uma legislação mais nova, porém mais geral, deve ser aplicável de forma predominante, pois ele amplia as garantias do agente, permitindo que a lei 4886/65, nos aspectos mais detalhados, seja também aplicada. O C.C. já traz disposto no artigo 718 o seu papel de regra geral em relação à lei 4886/65, estabelecendo, para o caso de dispensa sem culpa do agente, a remuneração até então devida, além das indenizações previstas em lei especial. Em regra, considera-se o C.C. como um microssistema constitucional para o direito privado, tendo as outras leis uma aplicação subsidiária em relação a ele. 3. quais os artigos conflitantes e quais as novidades que o C.C. trouxe para o agente? O artigo 31 da lei 4886/65 entra em conflito com o artigo 711 do C.C., pois os dois falam a respeito de exclusividade nas zonas, tanto para o agente quanto para o proponente, de modo diverso. O artigo 31 da lei 4886/65 diz, a princípio, que o representante fará jus à comissão pelos negócios realizados em sua zona, ainda que diretamente pelo representado ou por intermédio de terceiros, quando prevista no contrato a exclusividade de zona ou mesmo quando o contrato for omisso a esse respeito (até este ponto, a previsão é a mesma no C.C.). Entretanto, em seu parágrafo único, ele estabelece que na ausência de ajustes expressos, a exclusividade do representante para o representado não se presume. Assim, pode o representante, se não houver proibição contratual, prestar serviços para mais de uma empresa (art. 41), não havendo restrição na lei para as empresas de mesmo gênero. O C.C., em seu artigo 711, presume, no caso da omissão do contrato, a exclusividade tanto para o agente quanto para o proponente, não podendo o agente prestar serviços a empresas concorrentes. Tal norma veio beneficiar o proponente. Outra diferença entre a lei 4886/65 e o C.C. diz respeito ao prazo do aviso prévio no caso de denunciação unilateral e injustificada do contrato de agência por tempo indeterminado. A lei de representação comercial estabeleceu no seu artigo 34 a antecedência mínima de 30 dias para o aviso prévio. Entretanto, o novo C.C. veio estabelecendo um prazo maior, de 90 dias, estabelecendo como condição para ocorrer a denúncia o transcurso de um prazo compatível com a natureza e o vulto do investimento exigido do agente, enquanto a lei de representação especifica um prazo de 6 meses de vigência do contrato para poder haver a denúncia dele. Tal norma veio em benefício do representante. 4. diferença entre agência e distribuição A polêmica que surgiu devido ao nome “distribuição” ao lado de “agência”, no novo código, deu-se porque aquele nome já era culturalmente usado para fazer referência a um outro tipo de contrato muito diferente do de agência.
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O contrato de distribuição, que já era conhecido, é uma espécie de contrato de colaboração por intermediação, através do qual o distribuidor adquire os bens do distribuído e os revende a consumidores, atacadistas ou a qualquer outro. A distribuição referida no código é tão somente um desdobramento do contrato de agência. Trata-se de uma figura contratual nova, mas não muito diferente do contrato de agência, pois também tem como objeto o agenciamento de propostas para o preponente, mas tem como acréscimo o fato de a coisa a ser vendida para o consumidor estar com o agente. O agente, nesse caso, não adquire a coisa. Ele simplesmente a detém ou a tem a sua disposição para ser entregue àquele que a adquirir, quando concluído o negócio do preponente. Desta forma, o contrato de distribuição referido pelo código não é o mesmo contrato de distribuição, espécie de contrato de colaboração por intermediação. Este contrato continua atípico, sendo regido pelas normas gerais dos contratos, e nele o colaborador revende o produto do distribuído, ganhando os lucros sobre a revenda. Na distribuição do C.C., em suma um contrato de agência, o distribuidor ganha uma remuneração do distribuído, agindo em nome e no interesse deste. http://cacbufc.org.br/artigos/verartigo.asp?id=215

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1. Maria Lúcia nos informa que há uma caixa de contratos que será disponibilizada hoje. mas que não poderemos tirar cópia e nem levá-los para nosso Escritório. seremos obrigados a analisar os contratos durante a aula.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Vale lembrar que esses pontos devem orientar a análise dos contratos. nome do contrato Contratante Contratado data de assinatura objeto valor/ Forma de pagamento Cessão de direitos vigência do Contrato Formalidades garantias rescisão Contratual por transferência de Controle e/ou reorganização Societária demais hipóteses de rescisão Foro e lei aplicável outras observações (É possível?) (ainda está em vigor? Qual é o prazo de vigência?) (obs: está assinado? tem assinatura de duas testemunhas?) (o contrato pode ser rescindido em razão de transferência de controle do contratante? há multa prevista?) FGV DIREITO RIO 92 .15. incluímos um quadro com os pontos fundamentais a serem observados em cada contrato. É necessário analisar o contrato como um todo e qualquer outro aspecto que pareça relevante deve ser informado no campo “observações”.15. mas não são suficientes por si só. Abaixo. Para agilizar nosso trabalho. Assim. AulA 16: ANálISE dE CONTRATOS 1. roteiro de aula Esta aula será diferente das anteriores. nos dividiremos em grupos e cada grupo será responsável pela análise de alguns contratos.

br/doutrina/texto. ago. págs. Uma Introdução à Propriedade Intelectual.041 a 1. Rio de Janeiro: Ed. biblioGrafia obriGatória Lei n° 9. o senhor Renato Russo. 1. 2003. Jus Navigandi. Lumen Juris. Denis Borges. (em anexo). e fomos alertados pela equipe sobre os seguintes aspectos: (i) metade das marcas do Supermercado Pechincha estão registradas no INPI e a outra metade ainda está com pedido de registro.asp?id=3006>. poderia ter as marcas do Supermercado Pechincha registradas em seu nome? O que fazer quanto aos registros das marcas e os pedidos de registro? FGV DIREITO RIO 93 . para o Rio de Janeiro.16. 2006.com. o que fazer nessa situação? A simples aquisição das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda. Teresina. 1.279/1996. 2002.. o que poderíamos recomendar ao nosso cliente? Conversamos com a equipe de due diligence responsável pela área de propriedade intelectual sobre o contrato de licença que encontramos.058. n. (ii) os registros das marcas e os pedidos de registros foram feitos em nome do senhor Eduardo Russo e não em nome da sociedade Pechincha Comércio Varejista Ltda. Rio de Janeiro: Ed. Contrato de Cessão de Marcas. Denis Borges.3. 1.4. inclusive. AulA 17: lICENçA E CESSãO dE mARCAS. biblioGrafia CoMPleMentar BARBOSA. 797 a 963. Uma Introdução à Propriedade Intelectual. ano 6. 58.16. Contrato de Licença de Marcas. 1.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. SANTA ROSA. Lumen Juris.16. Acesso em: 04 ago. Caso Gerador Ao analisarmos os contratos que nos foram disponibilizados na aula anterior.16.uol. de. 1.16. Dirceu P. A importância da “due diligence” de propriedade intelectual nas fusões e aquisições (Debaixo dos caracóis dos seus cabelos). Considerando que nosso cliente pretende expandir seus negócios. deparamo-nos com um contrato de licença de marcas. sendo pessoa física.1.2. eMentário de teMas Marcas. BARBOSA. Tendo em vista que a marca desempenha papel fundamental no negócio. resultaria na transferência da marca para o nosso cliente? Considerando que é o supermercado que efetivamente exerce as atividades relacionadas às marcas. págs. segundo o qual o senhor Eduardo Russo permitia que um comerciante do Rio de Janeiro utilizasse a marca do Supermercado Pechincha em suas lojas na cidade maravilhosa. Disponível em: <http://jus2. 2003.

suscetível de proteção. Uma introdução à propriedade intelectual – Lúmen Júris. que é configurado para o fim específico de distinguir a origem dos produtos e serviços. 803. Rio de Janeiro. como Rio de Janeiro e São Paulo.05. são bens móveis. Entretanto. foi promulgada a Lei nº 9. sem confundir o destinatário do processo de comunicação em que se insere: o consumidor. não compreendidos nas proibições legais. Com relação à definição de marca. Sua proteção jurídica depende de um fator a mais: a apropriabilidade.1 do Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (TRIPS). como a marca. regulando as normas referentes às marcas. em face do objeto simbolizado”10. 803. FGV DIREITO RIO 94 .5. De acordo com o artigo 15. Compreendendo a importância do registro das marcas para o supermercado. 10 11 BARBOsA. Esta definição segue os conceitos e princípios previstos nas convenções internacionais. Considerada por muitos como uma das mais importantes modalidades da propriedade intelectual. imóveis ou semoventes? Para ter proteção jurídica. sua existência fáctica depende da presença destes dois requisitos: capacidade de simbolizar. Símbolo voltado a um fim. Neste sentido. 2003. Uma Introdução à Propriedade Intelectual. bem como proteção às criações industriais. “poderá constituir marca qualquer sinal. tais como a Convenção de Paris e o TRIPS. Lumen Juris. antes mesmo do registro. tendo em vista que a sede do supermercado é em Brasília. Conforme o artigo 122 da Lei de Propriedade Industrial. à propriedade e ao direito de uso exclusivo de marcas e outros signos distintivos.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. e capacidade de indicar uma origem específica. ou legalmente unívoco. ou combinação de sinais. patentes. capaz de distinguir bens e serviços de um empreendimento daqueles de outro empreendimento”. Denis Borges. alguns entendem que a partir do depósito da marca no INPI haveria uma expectativa de direito. Rio de Janeiro: Ed. p. 2003. em vigor desde 15.1997. vale analisar brevemente o seu objeto: a marca.16. a marca “é o sinal visualmente representado. roteiro de aula a) Marcas Antes de estudarmos os contratos de licença e de cessão de marcas propriamente ditos. marcas são todos os sinais distintivos visualmente perceptíveis. O senhor Odin Heiro nos pergunta se terceiros poderiam registrar as marcas (já registradas) do Supermercado Pechincha em outros Estados. que pode ser bem demorado.279 de 1996 (Lei de Propriedade Industrial). Os direitos de propriedade intelectual. Denis Borges Barbosa11 comenta o que se segue: BARBOSA. a possibilidade de se tornar um símbolo exclusivo. b) Marcas – Conceito O artigo 5º. Denis Borges. inciso XXIX. o senhor Odin Heiro nos pergunta se há prazo para o registro das marcas e se o registro pode ser extinto. ou seja. o proprietário da marca deve registrá-la no INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial. pág. desenhos industriais e concorrência desleal. que visa a regular os direitos e obrigações relativos à propriedade industrial no Brasil. da Constituição da República Federativa Brasileira de 1998 dispõe que a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização.

V – reprodução ou imitação de elemento característico ou diferenciador de título de estabelecimento ou nome de empresa de terceiros. e capacidade de indicar uma origem específica. Carvalho de. IX – indicação geográfica. Símbolo voltado a um fim. nacionalidade. Freitas Basto. emblema.. bandeira. regularmente adotada para garantia de padrão de qualquer gênero ou natureza. nacionais. VIII – cores e suas denominações. sua existência fática depende da existência destes dois requisitos: capacidade de simbolizar. da capacidade e da probidade de seu titular”13. é uma marca representativa da atividade mediadora do comerciante e. a Lei de Propriedade Industrial elenca. marca distintiva da mercadoria quanto à origem. João da Gama. sem confundir o destinatário do processo de comunicação em que se insere: o consumidor. procedência. suscetível de causar confusão ou associação com estes sinais distintivos. salvo se dispostas ou combinadas de modo peculiar e distintivo. sua imitação suscetível de causar confusão ou sinal que possa falsamente induzir indicação geográfica. uma série de situações em que o sinal que não poderá ser registrado marca: I – brasão. algarismo e data. ou aquele empregado comumente para designar uma característica do produto ou serviço. qualidade e época de produção ou de prestação do serviço. valor. t. VI – sinal de caráter genérico. I. II – letra. isoladamente. VII – sinal ou expressão empregada apenas como meio de propaganda. salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva. natureza. Embora Carvalho de Mendonça não a defina especificamente. como a de indústria ou de comércio. também reveladora do trabalho. marca é todo sinal distintivo aposto facultativamente aos produtos e artigos das indústrias em geral para identificá-los e diferenciá-los de outros idênticos ou semelhantes de origem diversa12. quando não requerido o registro pela própria entidade ou órgão público. Tratado de propriedade industrial. 13 FGV DIREITO RIO 95 . Para João da Gama Cerqueira. estrangeiros ou internacionais. desenho ou qualquer outro sinal contrário à moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra ou imagem de pessoas ou atente contra liberdade de consciência.) marca é o sinal visualmente representado. X – sinal que induza a falsa indicação quanto à origem. figura ou imitação. qualidade ou utilidade do produto ou serviço a que a marca se destina. que é configurado para o fim específico de distinguir a origem dos produtos e serviços. 1963. figura. armas. peso. necessário. o referido autor entende que “a marca de comércio não é.. III – expressão.CONTRATOs Em EsPÉCIE (. ou seja. públicos. crença. 12 mENDONÇA. comum. em face do objeto simbolizado. pp. a possibilidade de se tornar um símbolo exclusivo. culto religioso ou idéia e sentimento dignos de respeito e veneração. salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva. no artigo 124. quanto à natureza. 365 – 366. bem como a respectiva designação. CERQUEIRA. Tratado de Direito Comercial Brasileiro. medalha. IV – designação ou sigla de entidade ou órgão público. Sua proteção jurídica depende de um fator a mais: a apropriabilidade. vulgar ou simplesmente descritivo. Com relação às proibições legais a que se refere o artigo 122. quando tiver relação com o produto ou serviço a distinguir. propriamente falando. XI – reprodução ou imitação de cunho oficial. distintivo e monumento oficiais. ou legalmente unívoco.

dos Estados. XIX – reprodução ou imitação. de caráter patrimonial. para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico. observado o disposto no art. d) natureza jurídica Há muita discussão acerca da natureza jurídica dos direito da propriedade industrial. FGV DIREITO RIO 96 . XVII – obra literária. XVI – pseudônimo ou apelido notoriamente conhecidos. e – Marca coletiva: aquela usada para identificar produtos ou serviços provindos de membros de uma determinada entidade. moeda e cédula da União. cujo titular seja sediado ou domiciliado em território nacional ou em país com o qual o Brasil mantenha acordo ou que assegure reciprocidade de tratamento. se revestirem de suficiente forma distintiva. equivalente à proteção que se dá aos direitos da personalidade de qualquer pessoa. dos Municípios. prêmio ou símbolo de evento esportivo. social. Outros alegam se tratar de bem imaterial. notadamente quanto à qualidade. material utilizado e metodologia empregada. marca que o requerente evidentemente não poderia desconhecer em razão de sua atividade. na ciência e na arte. XXI – a forma necessária. XIII – nome. no todo ou em parte. 154. ainda. suscetível de causar confusão ou associação com aquela marca alheia. apólice. (ii) marca de certificação e (iii) marca coletiva. assim como os títulos que estejam protegidos pelo direito autoral e sejam suscetíveis de causar confusão ou associação. político. cultural. do Distrito Federal. Alguns afirmam se tratar de um direito pessoal. oficial ou oficialmente reconhecido. ou de país. C) tipos de Marcas O artigo 123. herdeiros ou sucessores. aquela que não possa ser dissociada de efeito técnico.CONTRATOs Em EsPÉCIE XII – reprodução ou imitação de sinal que tenha sido registrado como marca coletiva ou de certificação por terceiro. definindo-as da forma que se segue: – Marca de produto ou serviço: aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico. ou. semelhante ou afim. salvo com consentimento do titular. de origem diversa. XVIII – termo técnico usado na indústria. natureza. por sua vez. no caso de marcas de mesma natureza. se a marca se destinar a distinguir produto ou serviço idêntico. e XXIII – sinal que imite ou reproduza. – Marca de certificação: aquela usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas. no todo ou em parte. artística ou científica. herdeiros ou sucessores. econômico ou técnico. incluindo a natureza jurídica das marcas. XV – nome civil ou sua assinatura. nome artístico singular ou coletivo. dos Territórios. suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia. XIV – reprodução ou imitação de título. quais sejam: (i) marcas de produto ou serviço. Há. que tenha relação com o produto ou serviço a distinguir. XXII – objeto que estiver protegido por registro de desenho industrial de terceiro. salvo quando autorizados pela autoridade competente ou entidade promotora do evento. artístico. ainda que com acréscimo. comum ou vulgar do produto ou de acondicionamento. salvo com consentimento do autor ou titular. semelhante ou afim. salvo quando. XX – dualidade de marcas de um só titular para o mesmo produto ou serviço. nome de família ou patronímico e imagem de terceiros. diferencia as marcas em três tipos. bem como a imitação suscetível de criar confusão. semelhante ou afim. de marca alheia registrada. salvo com consentimento do titular.

A distinção da marca há de ser em relação às marcas registradas ou em uso. tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País. se não o faz. parte I. 5º. Ed. de cunho incorpóreo. 7. com elementos pessoais e. em seu artigo 129: Art. cuja significação é mais lata do que a expressão coisa compreendendo não só as coisas corpóreas. Direito das marcas. 1956.CONTRATOs Em EsPÉCIE ainda. ou seja.) O direito de propriedade é o mais amplo dos direitos reais. fruto da atividade intelectual do homem. marcas que são vulgaridades notórias. também patrimoniais. 147. mORO. 36. de outros produtos ou serviços idênticos. a função distintiva é considerada a mais relevante pela maioria dos autores. a maioria dos autores afirma que as marcas são consideradas como um direito de propriedade. há o entendimento de que se trata de uma propriedade imaterial. A Constituição Federal de 1988. a função econômica e a função de propaganda. Sobre o assunto. bem como proteção às criações industriais. em seu art. faz-se necessário ressaltar que a Lei de Propriedade Industrial. antes ou após ela. dispor e reivindicar a coisa que lhe serve de objeto”14.Tratado de Direito Privado. entende-se que a marca é definida como direito de propriedade e tal conceito está expresso na Lei de Propriedade Industrial. e em si mesma.. tais como a função de identificação de origem. não assinala o produto. pg. matiê Cecília Fabbri. Gama Cerqueira acrescenta que “definindo a propriedade como o direito de usar. ou apenas em uso. à propriedade das marcas. o Código Civil emprega a palavra bens. “Tratado de Propriedade Industrial”. uma outra corrente que entende ter a propriedade industrial um caráter dualista. 14 CERQUEIRA Gama. Pontes de Miranda comenta o que se segue: A marca tem de distinguir. Pontes de . não é sinal distintivo. p. Direitos Reais. Forense. sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional (. I.15 e) função das Marcas (i) Função Distintiva: No que tange à função das marcas. bem como pela legislação atual. p. Embora se tratando de objetos de criação não corpórea. “É um direito complexo. p. aos nomes de empresas e a outros signos distintivos. em seu artigo 5º. constituindo num feixe de direitos consubstanciados nas faculdades de usar. considerou os direitos da propriedade industrial como bens móveis. para efeitos legais. 15 Além da função distintiva da marca. 85. a função de garantia da qualidade. gozar e dispor dos bens. conforma as disposições desta lei. Além disso. porque há marcas a que falta qualquer elemento característico. No Brasil. Orlando. como as incorpóreas”. 129. 10° edição. privilégio temporário para sua utilização. gozar. Confundir-se-ia com as outras marcas registradas. estas se caracterizam por preencher a função precípua de distinguir os produtos e serviços aos quais se opõem. A propriedade da marca adquire-se com o registro validamente expedido. Borsoi. assegurou aos autores de inventos industriais. não se lhe podem mencionar elementos característicos. 16 mIRANDA. nota-se que há outras funções que a marca tem por finalidade.. parte especial. 17 FGV DIREITO RIO 97 . se bem que unitário. vol. e de reavê-los de quem injustamente o possua. Desta forma.17 GOmEs. são Paulo: Editora revista dos Tribunais. De acordo com a autora Maitê Cecília Fabbri Moro16.

idênticos ou semelhantes. in Trademark Reporter. concluirão. que não prejudica a divisão teórica mencionada acima (sistema atributivo e sistema declarativo). vol. Já o sistema em que o direito sobre uma marca somente é reconhecido por meio de registro é o sistema atributivo de direitos. Se é verdade que vivemos por símbolos. 69. Maitê Cecília Fabbri Moro19 comenta que. pelo qual o produto é conhecido e distinguido no mercado consumidor. 18 mORO. ROBIN Albert. presume-se que estes voltem a comprá-los devido ao conhecimento da marca. Esta força atrativa é utilizada para obter. que os produtos têm a mesma origem. manter e aumentar a clientela. O dono da marca explora esta propensão humana fazendo todo esforço para impregnar a atmosfera do mercado com o poder atrativo de um símbolo congenial18. pois os consumidores. pg 364. a função de garantia da qualidade dos produtos. O poder sugestivo da marca representa indubitavelmente a sua principal função do ponto de vista econômico. Comparative Advertising: A Skeptical View. verifica-se a predominância de um ou do outro sistema puro. conforme artigo 123. O sistema que atribui direito sobre a marca pelo seu simples uso. e outros que exigem determinadas formalidades de registro para fins de obter o direito sobre uma marca.cit. ob. não é menos verdadeiro que por eles compramos mercadorias. A marca é um atrativo de comercialização que induz um comprador a escolher o que quer. A doutrina reconhece esta importância da função econômica. Com relação a este sistema misto. na prática. do sistema atributivo. de fato. marca. exercendo. com isso. Segundo Albert Robin. 19 FGV DIREITO RIO 98 . 2003. possuindo uma qualidade constante. matiê Cecília Fabbri. sendo ela imprescindível para o funcionamento do mercado e das empresas em geral. I da Lei nº 9279/1996. a proteção das marcas é o reconhecimento legal da função psicológica dos símbolos. símbolo ou palavras. a proteção no sentido de se evitar o enfraquecimento do seu caráter distintivo.53. (iv) Função de Propaganda: Cabe entender que a marca pode ser considerada como qualquer sinal. uma vez que há países que atribuem direitos sobre a marca pelo seu simples uso. visto que é o registro que atribui a propriedade de uma marca ao interessado. p. é considerado como sistema declarativo. servindo para recomendá-lo e para atrair a atenção dos consumidores. n° 4. (iii) Função de garantia de qualidade: Observamos. permitindo ao titular destes distinguir suas mercadorias ou seus produtos/serviços de outros. por meio da identificação da marca de uma empresa. também. Esta função de propaganda ou publicidade decorre do fato de ser a marca um dos principais veículos de propaganda dos produtos por ela cobertos. por conseguinte. agosto de 1997. O sistema misto é o sistema que tem características do sistema declarativo e. de procedência diversa. Por meio da compra dos produtos e satisfazendo os consumidores. A publicidade é o meio pelo qual o público toma conhecimento de uma marca.CONTRATOs Em EsPÉCIE (ii) Função de identificação de origem: A função de identificação de origem tem o intuito de indicar a origem dos produtos. f) aquisição de direitos A aquisição do direito sobre uma marca depende da legislação de cada país.

são idênticas àquelas utilizadas quando do conflito entre uma marca registrada e um registro anterior. ob. 2001.. Esta é uma regra característica do princípio atributivo para a aquisição do direito marcário. Nota-se que este é o sistema atributivo de direitos. Muitos indagam sobre a possibilidade de restringir a alegação desse direito de precedência tão somente na fase de oposição ou mesmo após o registro da marca em face do terceiro. Palestra: “Direito De Precedência”. desprovida do necessário registro. pode-se dizer então que.) § 1º Toda pessoa que. Em regra. Entretanto. argüindo. de boa fé. a prova anterior do uso é suficiente (direito de precedência). este princípio atributivo é excepcionado pelo direito de precedência que será estudado no item a seguir. um sistema misto com predominância do sistema atributivo. não impondo outras obrigações. portanto. É importante mencionar a questão referente ao momento para argüição desse direito de precedência. em seu artigo 129. 20 sICHEL. observa-se um sistema misto. a aquisição do direito sobre uma marca se faz pelo registro. com isso. 54. que a propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido.Anais do XXI seminário Nacional da Propriedade Intelectual. As regras de colidência. em face de um pedido em trâmite. semelhante ou afim. decorrente do uso.CONTRATOs Em EsPÉCIE No Brasil. Desta forma. É. por alienação ou arrendamento. excepcionalmente. estabelecendo a possibilidade de impedir o pedido de registro de marca similar. na data da prioridade ou depósito. com base no direito de precedência. O artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial estabelece. Para o autor Ricardo Luiz Sichel. para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico. Diz o referido artigo: Art. No entanto. no caso em espécie. Ricardo Luiz21 comenta o que se segue: A marca continua sendo adquirida através de um competente registro. que tenha direta relação com o uso da marca. No entanto. no Brasil. matiê Cecília Fabbri. conforme mencionado acima. marca idêntica ou semelhante. § 2º O direito de precedência somente poderá ser cedido juntamente com o negócio da empresa. 129 (. previsto o artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial. onde o registro atribui propriedade sob uma marca. para que uma pessoa física ou jurídica seja titular de uma marca. por exemplo. de uma marca. mas.INPI. eventualmente com valor patrimonial. terá direito de precedência ao registro. que assinale produto ou serviço idêntico ou afim.20 G) direito de Precedência O registro de uma marca é concedido àquele que primeiro solicitar o seu registro. usava no País. cit. deve-se fazer o registro da mesma junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial . sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional. de forma regular e de boa-fé. 21 FGV DIREITO RIO 99 . a existência dessa precedência vicia um registro mORO. ou parte deste. entretanto. pode ser oposto um direito. procurou a lei proteger.. tão-somente vedando o registro de uma marca que lhe seja similar e que assinale o produto ou serviço idêntico ou afim. p. um processo administrativo de nulidade. conforme as disposições desta Lei. esta regra é limitada e excepcionada pelo direito de precedência. há pelo menos 6 (seis) meses. A esse utente. uma vez que a lei é silente sobre o assunto. pertencente a um determinado titular. Ricardo Luiz. Sobre o assunto.

O registro de uma marca é muito importante para a sua proteção. de modo direto ou através de empresas que controlem direta ou indiretamente. este somente poderá ser requerido por pessoa sem interesse comercial ou industrial direto no produto ou serviço atestado. o parágrafo único do artigo 128 estabelece uma limitação ao registro por parte das pessoas jurídicas de direito privado. da doação ou da transmissão hereditária. a Lei de Propriedade Industrial é silente no tocante à natureza dessa cessão. estar-se-ia aventando as figuras do contrato de compra e venda. Valorizá-la é cada vez mais essencial”23. atraindo consumidores não pelos seus produtos em si. org. Ricardo Luiz. de uma modalidade de cessão de direitos cujos parâmetros encontram-se estabelecidos pelo Código Civil. No que se refere ao registro de marca coletiva. sendo um fator de identificação e valorização no mercado. na medida que uma parte – a cessionária – cede. chegando a ser o bem mais valioso do patrimônio de uma empresa. Com relação à cessão mencionada no parágrafo segundo do artigo 129.22. a qual poderá exercer atividade distinta da de seus membros. Uma marca pode ser tão valiosa quanto o resultado financeiro que ela pode gerar. fato esse ensejador do processo administrativo de nulidade. conforme já estudado nesta apostila. gratuitamente ou onerosamente. Assim. Jornal Valor. prevendo que as pessoas de direito privado só podem requerer registro de marca relativo à atividade que exerçam efetiva e licitamente. onde praticamente qualquer categoria de produto. A marca é tida como uma “característica marcante no processo de conquista de mercados e clientes das economias globalizadas”24. o direito de uso da marca a um terceiro (contratado ou cessionário).br. ob. Para o autor. especificamente na parte relacionada a contratos.279/96.2001. Cultura e Investimento Social. mas pelo seu grau de identificação no mercado.05. Quanto Custa o Nome?. Desta forma. Com relação ao registro da marca de certificação. 16.22 H) requerentes do registro O artigo 128 da Lei de Propriedade Industrial dispõe sobre as pessoas aptas a requerer o registro de uma marca. trata-se. Ela é incorporada no patrimônio de seus titulares. este somente poderá ser requerido por pessoa jurídica representativa de coletividade. Este registro é realizado por intermédio do Instituto Nacional de Propriedade Industrial. a marca é uma das poucas armas que restam às empresas para garantir a lucratividade. i) registro e o Princípio da especialidade Nota-se que a marca é imprescindível para o sucesso de uma empresa. Conforme argumenta Mariana Barbosa. que tem por função executar. Segundo este artigo. a partir de um certo nível de preço. é necessário que exista perfeita compatibilização entre o ramo de atividade do depositante e os produtos ou serviços reivindicados no pedido de registro.05. as normas que regulam a propriedade 22 23 sICHEL. site rits. BARBOsA. a teor do artigo 168 da Lei nº 9. Leonardo. evidentemente. cit. funciona com a mesma eficiência. BRANT. 24 FGV DIREITO RIO 100 . “num mundo altamente competitivo.CONTRATOs Em EsPÉCIE eventualmente concedido. o qual prevê que a propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido. No entanto.2001. podem requerer registro de marca as pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou de direito privado. no âmbito nacional. segundo Ricardo Luiz Sichel. somente estabelecendo que a mesma dar-se-á concomitantemente com o negócio da empresa. em virtude do explicitado no artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial. mariana.

p. influi em toda a sua regulamentação.26 De acordo com Maitê Cecília Fabbri Moro27. pois se trata sempre de questões de fato. De fato. No entanto. suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia. por parte de empresas diferentes. vol.25 O Supremo Tribunal de Justiça pronunciou-se afirmando que “a marca deve distinguir-se suficientemente das já existentes. pois depende de uma análise caso a caso. Este princípio é fundamental para a distinção das marcas e dos nomes de domínio. as quais serão objetos de estudo nas próximas aulas. maitê Cecília Fabbri.06. de 11 de Dezembro de 1970.1991. O princípio básico que norteia o sistema de concessão de marcas em nosso país é o princípio da especialidade. figurativa ou tridimensional. está limitando o direito de marca no campo de sua especialidade. quando o legislador fala em “produto ou serviço idêntico.279 de 1996. não importa que ela seja idêntica a outra já em uso”. uma vez que advém. Le Noveau Droit Français de Marques. p. é a mais justa. mas num signo apropriado em função da aplicação a um objeto ou serviço específico. mista. semelhante ou afim. presente a função primordial de distinguir. em que se impede “ a reprodução ou imitação.380/ sP. e até idênticas. tendo em vista a sua função social. estando nesta relação identificador/identificado. nem neste assunto podem firmar-se regras absolutas. 10. Quando se trata de indústrias ou gêneros de comércio inteiramente diversos. no que se analisa a possibilidade de confusão ou associação de marcas. pg 171.CONTRATOs Em EsPÉCIE industrial. pode-se dizer. Paul Mathély ensina que: A regra da especialidade é substancial. de acordo com definição abaixo29: 25 mATHÉLY. sem qualquer vinculação entre si. José da Gama.br FGV DIREITO RIO 101 . cit. Recurso Especial n° 9. mas tratando-se de produtos ou indústria diversa. para distinguir ou certificar produtos ou serviço idêntico. O INPI é uma autarquia federal criada pela Lei n° 5648. mas é ressaltada.71. Paul. Segundo a autora. j) formas de registro das marcas As marcas podem ser registradas sob a forma nominativa. Com relação ao princípio da especialidade das marcas. conclui-se que é possível a convivência de marcas semelhantes no mercado. inclusive as normas relativas ao registro de marcas. À luz deste princípio. 37. cit. o princípio da especialidade não é absoluto. ob. 1994. ob. ainda que com acréscimo. cujas circunstâncias não podem ser desatendidas quando se tem de decidir sobre a novidade das marcas e as possibilidades de confusão. 27 CERQUEIRA. dentre outros artigos. semelhante ou afim”. uma marca não consiste num signo apropriado em si mesmo. sendo o órgão responsável pela concessão dos registros de marcas. da natureza e função da marca. a regra da especialidade como princípio do direito marcário. de marca alheia registrada. de acordo com o artigo 125 e 126 respectivamente. da Lei 9. inciso XIX. Esta forma de limitação. no todo ou em parte. visando limitar o campo de extensão da proteção marcária de acordo com o segmento mercadológico no qual a mesma se insere. no artigo 124. a questão da coexistência das marcas idênticas ou semelhantes facilmente se resolve28. modelos de utilidade e desenho industrial no Brasil. jurídica e técnica. direta e necessariamente.inpi. I. É importante mencionar que o princípio da especialidade sofre algumas exceções no que tange às marcas de alto renome e às marcas notoriamente conhecidas. como se verá a seguir. para Gama Cerqueira. 28 29 Fonte: www. patentes. econômica. 26 mORO.gov.

a proteção legal recai sobre o parcela significativa do público consumidor. Exemplos: Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma plástica. compreensível por uma ideograma em si. desde que compreensível por uma como marca mista. apresente de forma estilizada. plástica. compreendendo. a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem.CONTRATOs Em EsPÉCIE • Nominativa: É constituída por uma ou mais palavras no sentido amplo do desde que requerimento a palavra ou o termo que o ideograma representa. e não sobre a palavra ou termo caso ressalvada a hipótese de o requerente indicar no requerimento a palavra ou o termo que o ideograma represenem que se interpretará parcela significativa do ta. os neologismos e as combinações de letras e/ou algarismos romanos e/ou arábicos. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma dissociada de qualquer efeito técnico. em que se constituída por desenho. elementos figurativos ou de elementos nominativos. cuja grafia se apresente de forma estilizada. a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. hebraico etc. requerimento a ideogramas o línguas tais como o japonês. caso em que se interpretará como marca mista. isoladamente. desde que Nesta última Exemplos: hipótese. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja dissociada de qualquer efeito técnico. ao pedido de . FGV DIREITO RIO 102 Exemplos: L) Direito de Prioridade O artigo 127 da Lei de Propriedade Industrial estabelece que. bem como dos palavra ou determo que o ideograma representa. cuja grafia se apresente de forma estilizada. caso FGV e Coca-Cola) • Figurativa: É interpretará como marca mista. também. a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. público consumidor. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja dissociada de qualquer efeito técnico. cuja grafia se • Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e elementos figurativos ou de elementos Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e nominativos. Exemplos: Exemplos: Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e elementos figurativos ou de elementos nominativos. figura ou qualquer forma estilizada de letra e número. • Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma plástica. alfabeto romano. (Exemplos: compreensível por uma parcela significativa do público consumidor. chinês. que ele representa. imagem.

gozará. Tratando-se de prioridade obtida por cessão. do s direito de prioridade durante os prazos adiante fixados. o documento correspondente deverá ser apresentado junto com o próprio documento de prioridade. não sendo o depósito invalidado nem prejudicado por fatos ocorridos nesses prazos. contados do depósito. ressalvado o disposto nos §§ 3º e 4º do art. desde que sem conotação comercial e sem prejuízo para seu caráter distintivo. por si ou por outrem com seu consentimento. desde que obedecidas as práticas leais de concorrência. • impedir que fabricantes de acessórios utilizem a marca para indicar a destinação do produto. se não efetuada por ocasião do depósito. sob pena de perda da prioridade. obra científica ou literária ou qualquer outra publicação. a comprovação da prioridade deverá ocorrer em até 4 (quatro) meses. de depósito de modelo de utilidade. a data e a reprodução do pedido ou do registro.CONTRATOs Em EsPÉCIE l) direito de Prioridade O artigo 127 da Lei de Propriedade Industrial estabelece que. Com relação à perda dos direitos marcários. será assegurado direito de prioridade. que poderá ser total ou parcial em relação aos produtos ou serviços assinalados pela marca. podendo ser suplementada dentro de 60 (sessenta) dias. contendo o número. o qual discrimina que o titular da marca não poderá: • impedir que comerciantes ou distribuidores utilizem sinais distintivos que lhes são próprios. devendo ser comprovada por documento hábil da origem. a reivindicação da prioridade deverá feita no ato de depósito. ao pedido de registro de marca depositado em país que mantenha acordo com o Brasil ou em organização internacional. 68. cujo teor será de inteira responsabilidade do depositante. como segue abaixo: A (1) Aquele que tiver devidamente apresentado pedido de patente de invenção. ou • impedir a citação da marca em discurso. ou o seu sucessor. na sua promoção e comercialização. M) limitações e Perda de direitos As limitações aos direito de propriedade das marcas encontram-se discriminadas no artigo 132 da Lei de Propriedade Industrial. em seu artigo 4 (C) dispõe da forma abaixo: (1) Os prazos de prioridade acima mencionados serão de doze meses para invenções e modelos de utilidade e de seis meses para os desenhos ou modelos industriais e para as marcas de fábrica ou de comércio Cumpre destacar que. que produza efeito de depósito nacional. nos prazos previstos na referida Convenção de Paris. de desenho ou modelo industrial. o artigo 142 preceitua que o registro da marca extingue-se: • pela expiração do prazo de vigência. por outras prioridades anteriores à data do depósito no Brasil. • impedir a livre circulação de produto colocado no mercado interno. • pela renúncia. juntamente com a marca do produto. Segundo a Lei de Propriedade Industrial. FGV DIREITO RIO 103 . da qual o Brasil é signatário. Este princípio do direito da prioridade é previsto no artigo 4º da Convenção da União de Paris. acompanhado de tradução simples. para apresentar o pedido nos outros países. a Convenção de Paris. Sobre o prazo para apresentação da reivindicação de prioridade. de registro de marca de fábrica ou de comércio num dos países da União.

que a caducidade seja concedida apenas parcialmente.Parte Especial. de marcas iguais ou semelhantes. será extinto o registro e a marca estará. em princípio. no mesmo prazo. requerido há menos de 5 (cinco) anos. O uso da marca deverá compreender produtos ou serviços constantes do certificado. Com relação à comprovação de uso. ou • pela inobservância do disposto no art. expressa em documento hábil ou o não uso. a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original. com a declaração da caducidade de que cogitam os arts 152-155 do Decreto – Lei 7. 144.. que dispõe sobre a falta de constituição de procurador no país pela pessoa domiciliada no exterior. a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse se. Da decisão que declarar ou denegar a caducidade caberá recurso. 1983. O prazo de validade de registro de uma marca é de dez anos. Tratado de direito privado . No que tange à caducidade da marca. O prazo para início de uso é de 05 (cinco) anos. pp. na data do requerimento: I – o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil. 217 da referida Lei. Tomo XVII. sendo prorrogável. 143 . ou II – o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos consecutivos. de acordo com o artigo 144 da Lei de Propriedade Industrial: Art. ou se. o artigo 143 da Lei de Propriedade Industrial dispõe o que se segue: Art. sob pena de caducar parcialmente o registro em relação aos não semelhantes ou afins daqueles para os quais a marca foi comprovadamente usada. 30 FGV DIREITO RIO 104 .CONTRATOs Em EsPÉCIE • pela caducidade. No tocante à renúncia dos direitos. Em caso contrário. caberá ao detentor do registro provar a sua utilização. Contudo. por períodos iguais e sucessivos. Uma vez requerida a caducidade da marca. no entanto. 4ª ed. tal como constante do certificado de registro. o titular do registro de uma marca deve utilizá-la para mantê-la em vigor. Vale ressaltar. Desta forma.Caducará o registro. sob pena de extinção do registro. contados a partir da data de concessão. são Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 15-16. considerado abandono. o artigo 135 da Lei de Propriedade Industrial prevê que a cessão deverá compreender todos os registros ou pedidos. desde que o cessionário atenda aos requisitos legais para requerer tal registro. O artigo 134 estabelece que o pedido de registro e o registro poderão ser cedidos. Pontes de Miranda explica sobre as formalidades da renúncia: Pode dar-se a renúncia à propriedade industrial. contados da data da concessão do registro. decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão. ainda. o artigo 145 da Lei de Propriedade Industrial dispõe que não se conhecerá do requerimento de caducidade se o uso da marca tiver sido comprovado ou justificado seu desuso em processo anterior. disponível. relativas a mIRANDA. Pontes de. a pedido do titular. em nome do cedente.90330. É possível. a questão da cessão dos pedidos de registro ou dos registros de marcas como caso de perda de direitos sobre as mesas.

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos uma história prá contar / de um mundo tão distante debaixo dos caracóis dos seus cabelos um soluço e a vontade / de ficar mais um instante. semelhante ou afim. No setor farmacêutico. leva. após publicado e requerido o exame. Vale notar que a licença só poderá vigorar enquanto o registro da marca estiver em vigor. n) Contrato de licença de Marcas O registro da marca como o pedido. dimensionando-as para a concessão de patentes. questões legislativas e judiciais envolvendo aspectos de propriedade intelectual vem se destacando cada vez mais. ganhando considerável espaço no mundo dos negócios e até mesmo nas manchetes dos principais jornais do país. à perda dos pedidos de registros ou registros que não foram transferidos do cedente ao cessionário. Embora não seja necessária para comprovar a exploração da marca. também. o senhor Eduardo Russo fez a seguinte proposta: cederia os pedidos de registro de marcas para a Pechincha Comércio Varejista Ltda. de santa rosa advogado no rio de janeiro (rj). os pesquisadores brasileiros cada dia mais buscam uma recompensa justa para suas pesquisas. por exemplo. sob pena de cancelamento dos registros ou arquivamento dos pedidos não cedidos. FGV DIREITO RIO 105 . conseqüentemente o contrato de licença perde seu objeto. ao invés apenas do reconhecimento acadêmico. Roberto Carlos/Erasmo Carlos De alguns anos para cá. Diante do exposto. se tornou tópico de grande importância no noticiário político nacional.CONTRATOs Em EsPÉCIE produto ou serviço idêntico. nota-se que a hipótese de cessão parcial de marcas iguais ou semelhantes relativas a produtos ou serviços idênticos. Um dia a areia branca / seus pés irão tocar e vai molhar seus cabelos / a água azul do mar Janelas e portas vão se abrir / prá ver você chegar e ao se sentir em casa. mas permaneceria com os registros das outras marcas. sorrindo vai chorar.. podem ser objeto de licença. a averbação no INPI é necessária para produzir efeitos perante terceiros. Na biotecnologia e na área científica. mestre em direito pela the George Washington university (eua). Se o registro da marca é extinto. a disputa entre os Estados Unidos e o Brasil envolvendo as licenças compulsórias e a exigência de fabricação de certos produtos farmacêuticos no território nacional. o) Contrato de Cessão de Marcas Qual é a diferença entre o contrato de licença de marcas e o contrato de cessão de marcas? Ao ser consultado pelo nosso cliente quanto à cessão das marcas. Você teria algum comentário a essa proposta? leitura CoMPleMentar: A importância da “due diligence” de propriedade intelectual nas fusões e aquisições (Debaixo dos caracóis dos seus cabelos) dirceu P. semelhantes ou afins.

Aceitou repassar os mesmos. relegando outras áreas a um segundo plano. dentre os principais erros abordados nesta pesquisa. seu estudo ganha importância na maior parte das operações de fusão ou aquisição. onde se nota cada vez mais que proteger. tendo em vista uma “avalanche” de fusões e aquisições de empresas brasileira. Pelo contrário. e o declínio da IBM no desenvolvimento de software para computadores pessoais. direcionada para estudantes e profissionais de administração. ao produtor do filme.CONTRATOs Em EsPÉCIE Situação semelhante ocorre em outros setores da economia. preocupada com acusações de formação de monopólio no setor de computadores. trabalhistas e fiscais. a IBM. e as bancas de advocacia que prestam este serviço geralmente dão ênfase à análise dos aspectos societários. bem como de suas possíveis seqüências. o que possibilitou as bases do seu crescimento. gratuitamente. – Em 1984. oferecida por um jovem Bill Gates e desenvolvida por uma pequena empresa chamada Microsoft. – Em 1981. o crescimento de setores da chamada “nova economia” e o desenvolvimento da internet e do e-commerce valorizou os ativos intangíveis das empresas. tanto que um descuido na análise de seus aspectos relevantes pode trazer conseqüências desastrosas. em se tratando de fusões e aquisições de empresas. preferiu não adquirir a licença exclusiva do sistema operacional MS-DOS. visando evitar que passivos ocultos comprometam o negócio. alguns diretamente relacionados à propriedade intelectual tiveram destaque: – O fato da produtora de cinema 20th Century Fox não ter se interessado em reter os direitos de licenciamento e merchandising de produtos associados ao filme “Guerra nas Estrelas”. Esta tendência do mundo empresarial também se reflete na economia brasileira. Diversos setores estão sendo totalmente reformulados. i – a importância da Propriedade intelectual no mundo dos negócios Os profissionais de propriedade intelectual estão vivendo um momento sui generis. como nos de telecomunicações. George Lucas. capitaneada por companhias estrangeiras que desejam se fixar em nosso promissor mercado. desenvolver ou adquirir inovações tecnológicas podem fazer a diferença num mercado globalizado e altamente competitivo. distante do Direito Empresarial moderno. esporte e energia. e alertou muitas delas para o desenvolvimento de políticas de gerenciamento de propriedade intelectual. O objetivo principal deste artigo é desmistificar a idéia. e despertam o interesse de empresários que pretendem estender suas atividades ao Brasil por meio de joint ventures. Sem exclusividade. não é mais possível enxergar o Direito da Propriedade Intelectual como uma área subsidiária. a nosso ver errônea. decidiu não conceder licenças aos possíveis concorrentes que desejavam fabricar computadores compatíveis. acreditando poder lucrar mais com a exclusividade. Apenas para melhor ilustrar a afirmação acima. Nunca o meio empresarial esteve tão antenado com a necessidade de se proteger devidamente as criações intelectuais e obter lucro destes ativos. e ganhou destaque em setores como a administração de empresas e a gestão estratégica de negócios. a Microsoft ofereceu o referido sistema às concorrentes da IBM. aquisições ou financiamentos são geralmente precedidas de uma criteriosa avaliação da instituição prospectada. Neste cenário globalizado. pois enquanto os consumidores adquiriam a preços competitivos computadores baseados na arquitetura dos PCs. Acabou vitima de sua própria ganância. investimentos e operações de compra envolvendo empresas locais. E falando em economia globalizada. a Apple Computers. que consideram como os principais. recentemente promoveu uma interessante pesquisa entre diversos professores de cursos de MBA. Operações de fusões. após criar o computador pessoal Macintosh (2). Surpreendentemente. administradores e diretores das maiores empresas dos EUA para identificar quais foram os “25 maiores erros corporativos do mundo” (1). a publicação norte-americana MBA Jungle. O gerenciamento de propriedade intelectual deixou de ser um assunto limitado à seara do especialista. desenvolvida pela IBM e licenciada para FGV DIREITO RIO 106 . Tais procedimentos são conhecidos como “due diligence”. de que a propriedade intelectual é matéria acessória. Hoje em dia. as empresas nacionais se transformaram também em mercadorias.

e Bill Gates. nas mãos destas outras empresas para quem eles gentilmente as apresentaram. Invenções deixadas de lado por não serem lucrativas.CONTRATOs Em EsPÉCIE uma miríade de empresas. cujos preços eram bem mais caros. que as apresentaram sem qualquer cuidado com confidencialidade ou patenteamento. Afinal. é utilizada nas mais diversas circunstâncias. dentre outros (doravante denominadas de “transação” ou “transações”). reorganizações societárias. mais precisamente após a promulgação do Securities Exchange Act de 1933. o conceito foi melhor depurado após decisões de Cortes norte-americanas. da Apple. Trata-se do reconhecimento de que a proteção da propriedade intelectual precisa. pouco se comenta sobre o surgimento desta atividade e os motivos que a tornaram essencial na prática empresarial moderna. Porém. nada mais atual que discutir a propriedade intelectual sob um ponto de vista tanto negocial como jurídico. a dominância dos PCs consolidou-se. Portanto. em procedimentos de aquisição de empresas (6). não se importaram quando os jovens Steve Jobs. foi mesmo na prática empresarial que a “due diligence” ganhou forma e se tornou um procedimento comum no mundo inteiro. mas também o mouse. criaram este mecanismo que garante ao adquirente ou investidor a possibilidade de realizar uma investigação prévia sobre a empresa a ser adquirida ou que receberá investimentos (e que doravante será denominada “empresa-alvo”). ser tratada como um ativo estratégico. foram conhecer as tecnologias desenvolvidas pelos pesquisadores da Xerox. e investimentos. especialmente quando analisamos ramos de negócio cuja atividade principal está baseada na exploração do conhecimento tecnológico e em ativos intangíveis tais como patentes e marcas. operações financeiras complexas. cada vez mais. concentrando seus esforços nas fotocopiadoras que. e a instituição de regras sobre a responsabilidade de compradores e vendedores na prestação de informações. o desenvolvimento de políticas de gestão de patentes é tema de muitos estudos e livros de negócios (5) que concluem. e levou o nome de “Windows”. à época. se tornando então aceito no ordenamento jurídico-comercial norte americano. em um quase uníssono. Uma conseqüência da autonomia da vontade das partes que. – A Xerox Corporation. A importância que hoje é dada pelos renomados professores de administração de empresas aos fatos acima não é fruto do acaso. processos de privatização de empresas estatais. executivos da Xerox preferiram ignorar tais criações. tanto em operações envolvendo fusões e aquisições de negócios como no planejamento de reestruturações societárias. ii. Por não terem uma estratégia de pesquisa e desenvolvimento de produtos atrelada à propriedade intelectual. na Califórnia. fixando livremente certas práticas. Nos anos 70. Sendo assim. que a propriedade intelectual assume papel de destaque nos modernos métodos de gestão empresarial. Outros autores como LAJOUX e ELSON (7) remontam a origem das “due diligences” a tempos mais antigos: Teria sido desenvolvida a partir de um conceito do Direito Romano: “diligentia quam suis rebus” (diligencia de um cidadão em gerenciar suas coisas) que foi trazido para a Common Law e já era adotado em decisões judiciais antigas. mas que se tornaram muitíssimo lucrativas no futuro. pesquisadores deste centro desenvolveram não apenas a interface gráfica para sistemas operacionais (precursora tanto do sistema Windows como do Macintosh). Alguns remontam sua origem nos Estados Unidos. E como a arquitetura do sistema operacional gráfico dos Macintosh era realmente inovadora. enquanto só restou para a Apple um nicho do mercado de computadores pessoais (3).a due diligence no meio empresarial Apesar de muitos profissionais associarem o termo “due diligence” a procedimentos de auditoria legal e financeira que envolvem fusões. a única opção para comprar um Macintosh era por meio da Apple. Por isso mesmo. aquisições. Independente de suas origens. uma “cópia” do mesmo acabou sendo desenvolvida também para os PCs por uma outra empresa. uma vantagem competitiva para qualquer empresa. da Microsoft. FGV DIREITO RIO 107 . Em pouco mais de uma década. manteve um centro de pesquisas em Palo Alto. durante anos. geravam mais lucro para a empresa. a impressora laser e alguns conceitos básicos sobre redes de computadores (4).

a quem cabe acordar os termos e condições nas quais a “due diligence” será desenvolvida. FGV DIREITO RIO 108 . seja para determinação do real valor das empresas e seus activos. consiste no procedimento sistemático de revisão e análise de informações e documentos.sob um escopo predefinindo . por meio de um documento que indica normas e temas estratégicos importantes. interpretada no contexto jurídico brasileiro: “Atualmente. fundos de comércio ou de parte significativa dos ativos que os compõem” (9) Embora a “due diligence” tenha surgido para resguardar as partes em litígios pós-compra ou fusão. o excelente trabalho de MORI nos traz uma boa definição de “due diligence”. visto que seu escopo depende inteiramente da transação comercial que a motiva. Documento que geralmente é preparado pelos advogados contratados para realizar a “due diligence”. listando as informações que deverão ser disponibilizadas pela empresa-alvo. estabelecimentos. seu ponto de partida é o período de entendimentos iniciais entre as partes e. resumidamente. usa-se a expressão due diligence para definir o que. Mesmo assim.Declaração de intenção do comprador. o regular cumprimento de obrigações legais ou contratualmente assumidas. pode ser demorada. O bom senso das partes é o que prevalece. Sendo um acordo que formata uma negociação que se dará entre as partes. 2. Um “check list” pode até mesmo incluir perguntas diretas. definir garantias e evitar eventuais situações de incumprimento” (10). dentre outros. Algumas das práticas elencadas abaixo são características nos mais diversos procedimentos de “due diligence”: 1. é melhor entendê-la como uma metodologia que. especialistas como o português CORREA DE SAMPAIO a reconhecem como uma medida de caráter preventivo: “A due diligence é um procedimento de análise levado a cabo normalmente pela compradora com a colaboração da vendedora e tem por finalidade verificar e avaliar a situação das empresas e/ou dos negócios a transaccionar. o que fazer para verificar que o objecto da operação pode ser transacionado legitima e livremente e apresenta as características e tem o valor que o vendedor lhe atribui. verificação do funcionamento da empresa e do cumprimento das regras legais. uma “due diligence” é a prova incontestável de que a velha máxima popular “mais vale prevenir que remediar” é verdadeira. se traduzida literalmente. Em poucas palavras. significaria “devida cautela ou diligência” (8). Assim. prever riscos e definir a sua partilha pelas partes. tais dados geralmente são de conhecimento das partes. Via de regra. É onde são determinadas as regras da “due diligence”. Esta fase inicial envolve a celebração de um acordo preliminar de compra (conhecido como “Engagement Letter”) ou uma Carta de Intenções preliminar. antes de tudo. direitos de preferência no negócio (12). uma “due diligence” ? Expressão de origem anglo-saxônica. Geralmente uma “Engagement Letter” vem acompanhada da prestação de diversos “Representations and Warranties” por parte do vendedor. é difícil trazer uma definição precisa que possa abarcar a amplitude de uma “due diligence” jurídica. e geralmente é entregue aos diretores da empresa-alvo pouco depois da assinatura da “Engagement Letter”. uma parte importante de seu conteúdo (13).da situação de sociedades. Due diligence significa. O processo de “due diligence” não existe como figura jurídica autônoma na legislação pátria. tanto quanto possível. afinal.CONTRATOs Em EsPÉCIE II-a) O que é. Porém. e pode ser útil em diversos níveis e momentos de uma negociação ou transação. II-b) Os Procedimentos de “due diligence” A realização de uma “due diligence” é uma opção das partes. consoante cada caso concreto. bem como para garantir. envolver prazos exíguos e um custo altíssimo para a parte que solicita o serviço (doravante denominada de “encomendante”). e não uma obrigação legal. bem como aborda aspectos como confidencialidade (11). determinação de responsabilidades ou outras. Porém. numa óptica jurídica. geralmente dependem dos interesses da empresa encomendante do serviço. “due diligence”. Quanto às conseqüências que decorrerão de seus resultados.Envio de “Check List”. não existe como enumerar com precisão o que deve constar neste documento. garantias a prestar. é fruto da prudência e do bom senso das partes. visando à verificação . avaliação dos riscos inerentes. dependendo do tamanho da transação e das contingências encontradas. tanto para o potencial vendedor como para o comprador.

O “timing” de uma “due diligence” também é muito importante. uma opção que garante maiores cuidados quanto ao sigilo e segurança dos documentos (15).CONTRATOs Em EsPÉCIE 3.Entrega do relatório final de “due diligence”. caberá a ambas as partes continuar as negociações até a assinatura de um acordo final. dentre outros. O objetivo de grande parte das “due diligences” jurídicas pode ser resumido de maneira simples: É como se a missão do advogado fosse “tirar um retrato” da empresa-alvo. a identificação e análise de contingências por uma empresa independente. uma avaliação de seu passivo processual (inclusive reclamações trabalhistas e processos administrativos). as atenções do meio empresarial estão se voltando para a propriedade intelectual como ferramenta estratégica para garantir a melhor utilização destes bens intelectuais.Fornecimento e/ou obtenção das informações. mas os da empresa-alvo e de sua indústria. Desenvolver. favorecem a empresa interessada. a análise da situação fiscal e tributária da empresa. existe o dever e o interesse em proteger o maior número de invenções. o encomendante da “due diligence” quer se precaver o máximo possível. não se importando com a eventual pressa da empresa-alvo. A nosso ver. Após o recebimento do “check list”. De outro. Porém. 4. Geralmente. permitindo renegociar o preço final. Os documentos podem ser disponibilizados em local determinado. gerenciar e utilizar estrategicamente estes ativos se tornou matéria fundamental para as empresas verdadeiramente antenadas com o futuro e. incluindo a análise de todos os ativos importantes da empresa. Este relatório poderá ser utilizado pelo encomendante diretamente na mesa de negociações. e num momento anterior à conclusão de qualquer transação. 5. ou ser criteriosamente analisado pelo mesmo ao avaliar a viabilidade da transação. é conhecido como “data room”. o bom relatório de “due diligence” deve destacar não só os aspectos relevantes da prática do escritório contratado. um extenso relatório é preparado. até mesmo os bens de propriedade intelectual. que envolve a revisão das informações passadas pela empresa-alvo. Pode ser efetuado por meio da consulta em bases de dados públicas (como o site do INPI (14)). a preocupação em não infringir os direitos de terceiros. da análise dos documentos entregues pela empresa-alvo. a preocupação dos empresários e investidores com a propriedade intelectual passa. visto que o advogado avalia aspectos de um negócio do qual jamais participou diretamente. Afinal. Assim. (17) A abrangência dos seus resultados também é um assunto polêmico. Assim. identificar problemas a serem resolvidos após a concretização do negócio. A partir dai. Do outro lado. marcas e outros ativos incorpóreos. ou mesmo exigir maiores garantias por parte do vendedor. impreterivelmente. a empresa-alvo fará o máximo para que o procedimento seja encerrado com a máxima brevidade. de modo que não implique em um atraso no fechamento do negócio (uma fase também conhecida como “closing”). e tentará iniciar os trabalhos antes mesmo de assinar uma eventual carta de intenções (16). todas as pendências legais em uma reorganização societária devem ser observadas com a mesma atenção e detalhe. a importância de uma companhia está cada vez mais baseada no valor que seus ativos intangíveis podem atingir.Consolidação das informações Após a análise dos dados coletados pelas equipes de advogados. no momento certo. se as condições e o preço sugeridos pela empresa-alvo são realmente justos. inicia-se a fase mais árdua da “due diligence”. que no jargão negocial. ele utilizará a “due diligence” até mesmo para ganhar tempo e decidir sobre o negócio. E as vantagens deste “retrato” superam em muito qualquer prestação de garantias por parte da empresa-alvo. bem como examinar as operações financeiras realizadas. e poder FGV DIREITO RIO 109 . Em alguns casos. mais que nunca. pode avaliar. geralmente. nos moldes solicitados pela contratante do serviço e seguindo os padrões adotados pelos advogados responsáveis. iii – a due diligence de propriedade intelectual Num mercado dominado pela informação e tecnologia. por apenas duas abordagens: Por um lado. bem como a pesquisa e coleta de dados complementares. Alguns especialistas entendem que relatórios de “due diligence” devem destacar. avaliando todos os riscos legais inerentes ao seu negócio.

– Solicitação de cópias de certificados de registro de marca. e que o resto do patrimônio da empresa seria apenas uma “contingência a ser absorvida”. avaliando sua situação atual. Dentre estes possíveis recursos. ou invenções patenteadas que lhe possibilitariam fabricar um produto ou melhor desenvolver determinada tecnologia. Portanto. Quais são as possíveis contingências envolvendo este portfolio que podem gerar riscos. e as auditorias preventivas oferecidas no mercado são. na maior parte das “due diligence” jurídicas preparadas por bancas de advocacia empresarial. não é mais incomum que o principal interesse da empresa compradora possa ser adquirir marcas que lhe garantam uma fatia do “market share”. no Brasil e no exterior. no Brasil e no exterior. E no âmbito da propriedade intelectual. aquisição ou outro tipo de negociação. bem como o uso de todos os métodos lícitos e acordados pelas partes para a obtenção de dados. Assim. destacamos: – Solicitação direta à empresa-alvo de cópias de documentos de patentes. FGV DIREITO RIO 110 . Poucas bancas nacionais estão realmente capacitadas para fazer análises mais criteriosas sobre o assunto. tão somente identificando os bens intelectuais existentes e. Alguns meses atrás. é claro que uma “due diligence” pode enfatizar alguns aspectos específicos: Porém. o processo de identificação de ativos e análise de sua situação legal (que se inicia a partir da preparação e do envio do “check list” ou da abertura do “data room”) não é diferente do que ocorre em quaisquer outras “due diligences” legais. na fase de Declaração de Intenções do comprador. é crucial ter em mente os pontos acima. uma “due diligence” envolve a identificação e análise dos ativos de propriedade intelectual da empresa-alvo de uma fusão. É possível identificar se a empresa-alvo tem uma política de proteção dos seus ativos intangíveis? A empresa-alvo protege devidamente seus ativos intelectuais? 4. se possível. A empresa-alvo utiliza tecnologias. tanto para o bom andamento do negócio como para o comprador? 3. marcas e/ou programas de computador licenciados de terceiros? Em que situação legal encontra-se tais licenças? São elas fundamentais para o desenvolvimento do negócio? Dependendo do cliente e de seus objetivos. O uso de procedimentos mais detalhados para analisar aspectos de propriedade intelectual nas “due diligences” não é muito difundido no Brasil. a mídia especializada em finanças e negócios alardeou com grande surpresa que a maior preocupação do grupo comprador era adquirir apenas a marca do jornal. prestadas por profissionais sem formação técnica e. os aspectos de propriedade intelectual são abordados de modo raso. pois não é interessante que as regras de uma “due diligence” criem entraves complexos que impeçam a realização do trabalho. III-a) Fundamentos das “due diligences” de propriedade intelectual Como já vimos anteriormente. tal procedimento tem como base quatro questões-chaves: 1. até sem o necessário cuidado ético. (18). ao noticiar a compra de um tradicional periódico carioca. – Obtenção de informações sobre registros declaratórios de direito autoral e de programas de computador. além de muito raras. Qual o tamanho e a força do portfolio de propriedade intelectual da empresa-alvo? 2. em alguns casos. inclusive quanto à penhora das mesmas.CONTRATOs Em EsPÉCIE identificar quem está infringindo os seus. bem como cópias de pedidos de registro de marca. e na celebração de acordos preliminares. Os métodos para a obtenção destas informações também envolvem a compilação e análise de documentos complexos. III-b) Identificando ativos de propriedade intelectual Numa “due diligence” de propriedade intelectual. a “due diligence” de propriedade intelectual não deve ser vista como algo inusitado em diversos procedimentos de fusão ou aquisição. Os compradores até efetuaram uma cuidadosa análise da situação das principais marcas da empresa-alvo junto ao INPI. Afinal. antes mesmo de iniciar qualquer negociação com os donos do periódico.

Ademais. reconhecemos que é nesta fase onde aparecem alguns dos entraves mais complexos de uma “due diligence”. Este recurso complementar pode ser muito eficiente para identificar práticas e procedimentos utilizados pela empresa-alvo para a proteção de seu patrimônio intelectual. em algumas situações a empresa-alvo sequer obteve registros de marca ou patente. pois a empresa-alvo pode acabar omitindo. Assim. A identificação de ativos também pode ser realizada mediante entrevistas a diretores. Em nossa prática. onde o resultado das pesquisas de ativos é devidamente analisado. tais como a do INPI (19). os pontos abaixo foram divididos e abordados de maneira resumida e modo exemplificativo. em vista do interesse do encomendante e das contingências encontradas. na obtenção e compilação de dados. III-c) Elaborando o relatório final Considerada por muitos como a fase mais interessante de uma “due diligence”. levando em conta a importância que o encomendante do relatório dará para cada aspecto de propriedade intelectual da transação (21). após a fase investigativa inicia-se a elaboração do relatório final. com bastante conhecimento específico da área. – Compilação e obtenção de informações subjetivas sobre políticas de proteção dos ativos intelectuais da empresa-alvo. convém deixar a cargo do advogado a preparação das listagens dos dados a serem solicitados e analisados. sempre que possível. Nesta fase. e envolve as questões eminentemente jurídicas do trabalho. Uma consulta formal aos agentes de propriedade industrial da empresa-alvo. Para efeito de metodologia. e utiliza indiscriminadamente seus ativos intelectuais sem o mínimo cuidado com a proteção dos mesmos. do modo mais direto e com o apoio irrestrito da empresa-alvo. Ademais. e que nem sempre são facilmente identificáveis. Isto porque. (20) Quase sempre cabe aos advogados mais experientes. muitas vezes descobrimos empresas que nunca organizaram ou gerenciaram de modo sistemático seus ativos de propriedade intelectual. não menos importante é tecer as necessárias considerações sobre todas as contingências identificadas na análise do relatório. Procuraremos nos fixar a seguir nos tópicos que. As informações obtidas devem ser organizadas e separadas pelo seu nível de importância para o encomendante do relatório final. O diferencial é saber analisar os dados disponíveis e identificar quais devem figurar no relatório final e com que ênfase. Nas “due diligences” em que existe a possibilidade de se requerer documentos diretamente à empresa-alvo. já não é imprescindível um entendimento genérico da transação que motivou a “due diligence”. dados vitais sobre a existência de problemas envolvendo seu patrimônio intelectual. são essenciais em qualquer “due diligence” de propriedade intelectual (22). também pode significar uma redução do tempo a ser dispensado na coleta de dados e informações. e como “cada caso é um caso”. por má-fé ou puro desconhecimento. iV – analisando tópicos específicos em uma due diligence de propriedade industrial Como vimos acima. a nosso ver. em alguns casos até propondo soluções emergenciais. o relatório final é a fase em que as informações compiladas são analisadas. é importante que a fase de reconhecimento dos ativos seja conduzida.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Obtenção de cópias de contratos envolvendo licenças de uso de software e quaisquer outros bens intelectuais. e os dados disponibilizados no “data room” ou fornecidos pela empresa-alvo sobre cada ativo intelectual devem ser revisados e confirmados. O mesmo procedimento preventivo deve ser adotado na coleta de quaisquer informações subjetivas. técnicos e especialistas da própria empresa-alvo. FGV DIREITO RIO 111 . – Consultas nas bases de dados (nacionais e internacionais) de propriedade intelectual. se autorizada.

deve ser examinado por um especialista na área. Tópicos adicionais que podem fazer parte de um relatório detalhado incluem ainda uma avaliação dos procedimentos adotados pela empresa-alvo para evitar o uso indevido de suas marcas por terceiros. expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte. tangível ou intangível. bem como analisar se o pagamento das anuidades e outras taxas para a manutenção de cada patente está ocorrendo dentro dos prazos legais (26). um exame detalhado da situação atual de cada registro e/ou pedido de registro em nome da empresa-alvo. O escopo de uma patente importante na área química. Quando a empresa-alvo é titular de signos altamente reconhecidos no mercado. e as disputas envolvendo Michael Jackson e a Sony FGV DIREITO RIO 112 . Outro tópico importante é verificar. Para tanto. para que este possa excluir terceiros de certos atos relativos à matéria protegida. uma análise de pesquisas na Junta Comercial dos estados onde a empresa-alvo está estabelecida. e capaz de um parecer técnico sobre a possibilidade de utilizar dita patente contra um concorrente. semelhantes ou afins. a um inventor. Porém. Astros como David Bowie e James Brown já utilizaram seu repertório com esta finalidade. de origem diversa. enfatizar a verificação da situação atual de cada uma das patentes depositadas e/ou concedidas à empresa-alvo. Porém. IV-b) Patentes Quando a empresa-alvo tem entre suas atividades a pesquisa e o uso de tecnologia em seus principais produtos e serviços. comercialização ou importação. o direito autoral é um exemplo típico de propriedade imaterial. pedidos indeferidos e recursos também deve ser pesquisada e abordada. então. Este instituto visa proteger todo tipo de criações intelectuais do espírito humano. Quanto ao nome comercial. por meio de terceiros. E este tipo de avaliação só pode ser realizado por meio do exame técnico do teor das reivindicações. por força de lei e em caráter temporário. que regula a propriedade industrial no Brasil. uma parcela significativa do relatório final deve cuidar do portfolio de patentes. IV-c) Bens sujeitos à proteção autoral Tema altamente complexo em qualquer “due diligence”. A patente é. tem filiais ou realiza negócios. ou mesmo verificar sua forca perante tecnologias já existentes e/ou patenteadas. admitimos que estes temas são mais pertinentes numa auditoria de propriedade intelectual. com base no relatório descritivo. por exemplo. é o passo inicial. um título de propriedade outorgado pelo Estado. ou obteve. que permita distinguir produtos ou serviços de outros idênticos. tais como fabricação.CONTRATOs Em EsPÉCIE IV-a) Marcas e nomes comerciais Nos termos do artigo 122 da Lei nº 9. A existência de oposições. Outros tópicos podem incluir a titularidade dos direitos patentários e os termos de cessão de cada patente por seus respectivos inventores. com sólida formação técnica na área de atuação da empresa-alvo. sem sua prévia autorização (25). um dos aspectos mais importantes da “due diligence” é realizar uma análise integral do seu portfolio de marcas. sempre que necessário.279/1996. se as marcas registradas estão em uso regular no seu território de validade (o que evita riscos de caducidade (23)) e se as taxas de registro e prorrogação estão sendo pagas tempestivamente. direitos de uso sobre os mesmos. se possível. no Brasil e no exterior. para que o encomendante possa não apenas se precaver. conhecido ou que venha a ser inventado. numa definição breve. é importante estudarmos o momento no qual uma análise técnica deve complementar o trabalho do advogado. dispõe que é registrável como marca todo e qualquer sinal distintivo visualmente perceptível. mas até mesmo definir quais marcas serão mantidas ou abandonadas. Análises semelhantes também podem ser efetuadas com relação a modelos de utilidade e desenhos industriais. Em países que adotam o sistema de “copyright” (27). é habitual a utilização de obras autorais como objeto de negociação ou garantia colateral para pagamento de dívidas e captação de fundos. habilitado em propriedade intelectual. A “due diligence” jurídica de patentes deve. Um exame mais detalhado de um portfolio de patentes deve ser realizado por profissionais especializados. dados sobre o real valor de mercado dos signos principais da empresa (uma avaliação que é geralmente efetuada por especialistas no assunto (24)). é altamente recomendável.

é importante também examinar a existência de contingências envolvendo ativos intelectuais licenciados de terceiros. especialmente nas empresas que lidam com desenvolvimento de tecnologia. devemos respeitar. Tendo em vista a natureza incorpórea do direito autoral e que praticamente qualquer trabalho intelectual pode ser objeto de sua proteção. Em todos os casos. inicia-se o relatório analisando se as obras mais importantes estão devidamente resguardadas. mesmo que os mais rígidos acordos de confidencialidade sejam celebrados entre as partes. marketing. métodos. A rigor. se possível. para uma “due diligence”. quais obras autorais são importantes para a natureza do negócio da empresa-alvo. o relatório deve indicar se a empresa-alvo tem como prática identificar devidamente os autores de obras intelectuais (e se guarda em seus arquivos estas informações). celebrar termos de cessão de direitos patrimoniais com os autores. fórmulas. ou para terceiros. IV-d) Segredos de negócio e “know-how” Outra preocupação que afeta muitos procedimentos de “due diligence”. técnicas de comercialização. processos de fabricação. A interrupção de um importante contrato de licenciamento de patente ou tecnologia em vista de uma reorganização FGV DIREITO RIO 113 . o fato do profissional de “due diligence” não ter acesso ao segredo de negocio não deve ser um óbice para que ele analise se o mesmo existe. envolvem milhões de dólares. como nas empresas de desenvolvimento de software. a verificação minuciosa deste assunto é imprescindível. por exemplo). não existe uma definição na lei brasileira do que seja um “segredo de negócio”. e este risco deve ser bem avaliado (31). sobre os direitos de edição do repertório do grupo The Beatles (que dispensa qualquer apresentação). mesmo que o registro da obra intelectual não seja pré-requisito para garantir sua proteção. bem como do material disponibilizado pela empresa-alvo. o relatório final deve abordar se os segredos comerciais estão devidamente protegidos e se não existe risco de que sejam divulgados ou perdidos caso a empresa-alvo sofra mudanças. um valioso investimento para qualquer empresa (28). bem como auxiliar no registro das obras intelectuais mais relevantes junto aos órgãos competentes (30). listas e informações de clientes. O relatório pode também enfatizar se vale ou não a pena buscar uma proteção mais segura para esta tecnologia (por meio do seu patenteamento. custos. Daí a importância da abordagem especializada de questões autorais em “due diligence” de propriedade intelectual. É importante lembrar ainda que. passíveis ou não de proteção por meio de direitos de propriedade intelectual.CONTRATOs Em EsPÉCIE Music. são tão críticas para o negócio da empresa-alvo que é necessário mantê-las em rigoroso sigilo. Em alguns casos. ou que seus funcionários-chave a abandonem. em vista de seu escopo de atividades. em vista de quaisquer riscos de vazamento da informação. é quase impossível que a empresa-alvo consiga. São poucas as companhias que solicitam a todos os seus funcionários criadores de obras intelectuais que assinem termos específicos de cessão. Mas autores como SILVEIRA o especificam com precisão: “O segredo de negócio consiste em conhecimentos técnicos. O ideal é verificar. listar todos os textos e obras de natureza intelectual que esteja autorizada a utilizar em vista das circunstâncias específicas de seu negócio. motivo pelo qual devem ser adotadas medidas protetivas contra a sua revelação” (32) Em uma “due diligence” de propriedade intelectual. E partindo destas informações. e como é protegido pela empresa-alvo. Se não é possível identificá-los. é a proteção de certos tipos de informações e práticas comerciais que. formação de preços e outras espécies de dados confidenciais relativos ao desempenho de atividades empresariais. tratar-se-á de um elemento incorpóreo sigiloso suscetível de aplicação prática que confere uma vantagem competitiva a seu detentor enquanto de conhecimento restrito. como advogados. experiências. em vista da caracterização dos programas de computador como obras autorais perante a legislação brasileira (29). nossa experiência mostra que informações tratadas pela empresa-alvo como segredos de negócio dificilmente são fornecidas aos advogados da encomendante. Porém. III-e) Analisando contratos de licença e outros acordos Juntamente com a análise do patrimônio intelectual pertencente à empresa-alvo. Existe sempre um risco de contaminação tecnológica que nem todos preferem correr e que.

em alguns casos. com especial atenção aos casos nos quais esteja licenciando tecnologias que também utiliza em seus produtos ou serviços para empresas que atuam no mesmo mercado. demandas que precisam ser atendidas mesmo em caso de transferência de controle acionário. No curso da revisão de todos estes acordos. ser crucial para que uma transação não se concretize. por exemplo. Em alguns casos. muito freqüentemente. com especial atenção a quaisquer limitações de responsabilidade ou garantias excessivas estabelecidas contratualmente. (35) mas. Lembrando que nem todos os contratos que envolvem a exploração de ativos intelectuais precisam de averbação. e alguns dos contratos que geralmente são examinados incluem: – Todos os acordos de licenciamento de marcas. tais como: – Confirmar se todos os acordos examinados permanecem em vigor e. – Identificar riscos negociais. É claro que a profundidade da análise dos contratos que envolvem bens intelectuais depende do interesse da encomendante e. Também entendemos ser necessário identificar quais destes contratos necessitam de averbação junto ao INPI e. quer como licenciado ou licenciante. FGV DIREITO RIO 114 . com atenção aos casos nos quais a empresa-alvo esteja obtendo licenças cujo objeto é essencial para a continuidade de seu negócio. Tendo em vista que a negociação de cada contrato analisado certamente teve suas particularidades. se possível. quando envolvem o licenciamento de ativos intelectuais do exterior e prevêem o pagamento de royalties. – Contratos que envolvam transferência de tecnologia. – Acordos que envolvam transferência de tecnologia. nomes comerciais e/ou obras intelectuais de natureza autoral em que a empresa-alvo tenha participado. cláusulas de exclusividade e direitos de preferência até mesmo opções de renegociação ou rescisão do contrato. o licenciante garantiu contratualmente desde a atualização da tecnologia licenciada até que o fornecimento da mesma não será encerrado caso a empresa-alvo sofra alguma reorganização societária. é necessário identificar qualquer contrato que gere perdas significativas.CONTRATOs Em EsPÉCIE societária da empresa-alvo. e se é necessária aprovação da outra parte para que isto ocorra. Em outros. muitas vezes. desde compromissos mínimos de produção. Contratos de maior importância contêm. é sempre importante lembrar que o objetivo de uma “due diligence” não deve ser avaliar a qualidade técnica das cláusulas de cada acordo ou criticar o trabalho de algum colega. em circunstâncias totalmente diferentes das que norteiam a análise encomendada. nos quais a empresa-alvo seja a licenciadora. – Contratos que objetivam a aquisição de conhecimentos e de técnicas não amparadas por direitos de propriedade industrial. é preciso investigar se. ou cujas obrigações não estejam sendo cumpridas pela empresa-alvo. nos contratos com fornecedores de tecnologia. – Verificar se as obrigações de ambas as partes podem ser transferidas para outra empresa ou serem sublicenciadas. pode deixá-la em situação desfavorável e. indicar se os procedimentos necessários para fazê-lo ainda podem ser devidamente efetuados pela empresa-alvo (34). da boa vontade da empresa-alvo em ceder tais documentos. nos quais a empresa-alvo seja a licenciada. por intermédio do Banco Central. é imperativo examinar se a remessa das respectivas divisas está sendo realizada de modo legítimo. Assim. depositados ou concedidos no Brasil. mas sim verificar e destacar as disposições contratuais que possam afetar a transação. é necessária atenção redobrada ao interpretar cláusulas duvidosas e ambíguas de contratos cujo objeto é vital para o negócio da empresa-alvo (33). por exemplo.131/1962. Considerando que os contratos a serem destacados no relatório final serão aqueles mais pertinentes ao negócio da empresa-alvo. um tópico específico de qualquer “due diligence” de propriedade intelectual deve abordar este tema. o trabalho do profissional de “due diligence” acaba ensejando a leitura de inúmeros contratos preparados por outros advogados. que nenhuma das partes está em flagrante violação dos termos e condições de cada um dos mesmos. patentes. e nos termos da Lei nº 4. se tal averbação não ocorreu.

May 2001. FGV DIREITO RIO 115 . fusão ou incorporação. Eles avaliariam de forma genérica cada litígio. o MS-DOS. se bem adaptada. mas também buscar soluções que evitem ou minimizem quaisquer riscos para o ativo intelectual da empresa. provavelmente pode indicar algum procedimento de risco adotado pela mesma e. pode valorizar em muito o trabalho dos profissionais de propriedade intelectual no meio empresarial. ou PARC. patentes e quaisquer outros ativos de propriedade intelectual da empresa-alvo. para alcançar este objetivo. Em situação semelhante que não foi listada no artigo ora citado. Debaixo dos caracóis dos cabelos das “due diligences”. por isso mesmo. Ao mesmo tempo a Japan Victor Company – JVC licenciava gratuitamente a tecnologia para o sistema VHS e. Uma “due diligence” bem feita proporciona ao encomendante um valioso panorama de todos os aspectos legais da empresa-alvo. Numa “due diligence” jurídica mais ampla. a área atue em harmonia com outros setores. isto não é diferente. sua situação atual e se existe risco de pagamento de indenização pela empresa-alvo. Não seria tolice afirmar que os pesquisadores do Palo Alto Research Center. The 25 Dumbest Business Decisions of All Time. identificando o tipo de ação. Porém. não apenas desenvolveram o embrião do computador de hoje como auxiliaram em estudos que levariam a nossa concepção atual de internet e a interligação de computadores por rede. é necessária uma conscientização. com o objetivo de demonstrar à empresa interessada quais as contingências legais existentes e avaliar os riscos da transação. dita verificação seria provavelmente feita pelos advogados que analisam os aspectos do contencioso da empresa-alvo.Conclusão No mercado de fusões e aquisições. As fontes principais para a coleta destes dados são as certidões forenses e de protestos emitidas em nome do negócio (e de suas filiais). mas merece nossa ressalva. com esta tática. notas 1. Convêm lembrar que a ocorrência reiterada de processos semelhantes envolvendo a empresa-alvo. bem como informações prestadas por seus próprios advogados a respeito de litígios nos quais a empresa participa e emitidas por todos os distribuidores que a jurisdicionam. Mostramos que a metodologia das “due diligences” jurídicas é uma ferramenta que. mas também é necessário que. o foro competente. ou mesmo avaliar como está sendo feito o gerenciamento de sua propriedade intelectual. mostrando as ações judiciais nas quais a empresa-alvo está envolvida. é o método mais eficiente não somente para identificar contingências. 4. nosso estudo encontrou não apenas os subsídios que confirmam uma nova realidade da propriedade intelectual nas fusões e aquisições. conseguiu que sua criação se tornasse o padrão do mercado de aparelhos de videocassete. Os dados coletados por meio deste exame podem ser úteis até para fixar o valor patrimonial de marcas e patentes de uma empresa. passível de uma revisão ainda mais detalhada. Cujo sistema operacional gráfico era altamente inovador e eficiente se comparado à concorrência da época. nos grandes escritórios de advocacia empresarial. A prática internacional tem demonstrado que adotar uma metodologia para a pesquisa e análise dos ativos intelectuais de uma empresa. mas também um caminho quase inexplorado no estudo do planejamento e gerenciamento de propriedade intelectual. Vi. a Sony Corporation se recusou a licenciar para terceiros as patentes para a fabricação de aparelhos de videocassete com o sistema Betamax. 2.CONTRATOs Em EsPÉCIE IV-f ) Analisando pendências judiciais de propriedade industrial Um outro assunto que pode ser abordado é a situação das pendências judiciais envolvendo marcas. citado acima. antes de se fechar qualquer negócio. 3. como autora ou ré. MBA Jungle. E na propriedade intelectual. é sempre recomendável uma profunda investigação em todos os aspectos jurídicos de uma companhia objeto de qualquer modalidade de aquisição.

www.fenwick. destacamos: SULLIVAN.pt/main_4. Juntamente com as cláusulas contratuais que disciplinam as indenizações a serem efetuadas por uma parte à outra (por passivos ocultos. Consiste nas afirmações expressas em contrato pelas partes. 1998. Assim. 15. 2000. penhora de bens ou outras obrigações. 12. o comprador e os advogados que realizam o serviço deve ser cercado de todo cuidado ético e profissional. Patrick. e motivo de situações inusitadas. 1a. e muitas vezes apresentavam documentação falsa ou incorreta.CONTRATOs Em EsPÉCIE 5. 9. 10. José Maria.. na sua própria situação. disponibilizado em www.Graw Hill. que incluem garantias como a de que as partes comprometem-se a não aceitar nenhuma outra oferta. antes do início de qualquer “due diligence”.gov. define bem o papel dos “representations and warranties” : “Na área jurídica. disponível em http://www. MORI. 8. e no que mais for pertinente à transação que pretendem fechar. passou a constar na Section 11(b)(3) do Securities Act de 1933 “participants had. seja ela de compra ou de venda. em português) e diligence (diligência.cit. Após a fase de discussões e negociações preliminares. empresários espertalhões deliberadamente não informavam os possíveis compradores sobre a existência de dívidas.com (visitado em 18 de novembro de 2001). no que diz respeito à situação legal do negócio. 7. 6. The Art of M&A Due Diligence. 11. em vista da perda de um documento importante. reasonable ground to believe and did believe” that the offering materials were accurate and were free of material omissions” em SAVAGE.inpi. que solicitaram até mesmo que alguns advogados FGV DIREITO RIO 116 . não é recomendável ir adiante sem que esta questão esteja devidamente acordada entre as partes. para prepararem suas respectivas propostas de preço. as declarações e garantias podem ser vistas como um retrato do negócio a ser concretizado. Alberto. Certa vez. em se tratando de propriedade intelectual merecem destaque. ou seja. Algumas destas regras surgiram para por ordem em uma situação que se tornou comum nos tempos da depressão norte-americana e da quebra da Bolsa de Nova Iorque: Como lembra SAVAGE. A confidencialidade destes “data rooms” é. Ed. uma sala contendo todos os dados que se quer mostrar aos possíveis adquirentes. Deste modo. MORI. Por isso. Para assegurar o acesso de todos os interessados a um mesmo volume de informações. Assim. A execução de um acordo de confidencialidade específico é também um dos primeiros passos que pode ser tomado no início de qualquer procedimento de “due diligence”.pacsa. John Wiley & Sons. estas geralmente prestam o que se costuma chamar de representations and warranlies ou declarações e garantias . é preciso lembrar que o relacionamento entre a empresa-alvo. Alexandra & ELSON. bem como a definição das conseqüências que decorrerão dos resultados que vierem a ser apurados. Dentre os livros importantes sobre o assunto. cautela). op. uma das finalidades das informações obtidas no due diligence na área jurídica é revisar as representations and warranlies. Mc. a empresa-alvo pode abrir um “data room”.br – A sigla INPI significa Instituto Nacional da Propriedade Industrial. ed. é um exemplo destes cuidados que. por vezes. todo comprador sempre corria o risco de adquirir “gato por lebre”. A celebração de extensos acordos de confidencialidade na fase das “Engagement Letter” ou “Representations and warranties”. Afinal o que é o due diligence? Disclosure Das Transações Financeiras .como se costumou traduzir estas expressões. after reasonable investigation. Intellectual Property Due Diligence In Acquisitions of Technology Companies. Profiting from Intellectual Capital.htm (visitado em 01 de abril de 2002). o Autor e todos os advogados que estavam no data room passaram pelo constrangimento de serem colocados em cárcere privado e brutalmente revistados por seguranças de uma empresa. em especial se ambas são competidoras.” 14. Como reduzir os riscos de uma aquisição. LAJOUX.Outubro 2001. Diane. por exemplo). Nossa conclusão parte da tradução simples das palavras da língua inglesa due (devida. fusão ou financiamento de uma empresa através de uma Due Diligence. Charles. sempre que o due diligence for provocado por uma transação entre partes não-relacionadas (aquisição ou joint aventure por exemplo). dentro do processo de venda de uma empresa. voltados para administradores. corrigindo-se assertivas incorretas. Deste princípio resulta que é às partes que cabe acordar os termos em que a due diligence será desenvolvida. 15. 13. CORRÊA DE SAMPAIO.

muitas vezes. 2000.às vezes puramente subjetivos. Pedidos de registro recém depositados geralmente não estão incluídos nesta base de dados. applications. lembramos que a própria parte interessada pode. 17. Waryjas. Apesar de ser sempre recomendável efetuar uma “due diligence completa” dos aspectos de propriedade intelectual.” DAHL. September 2001. For example. o que nos leva a crer que as buscas eletrônicas no Brasil são limitadas e não devem ser utilizadas em substituição da inspeção física dos documentos de patentes. agreeing to a license with a third party or threatening litigation. com base nos mais diversos critérios . 16. 19. Por razões éticas. LLP. a não ser caso esta contingência tenha sido prevista nas Declarações de Intenção. trademarks. Tal decisão. Christopher T “Intellectual Property Due Diligences”.and at what price. é importante lembrar que o trabalho do profissional do Direito numa “due diligence” deve estar focalizado na coleta das informações fornecidas pela empresa que está sendo analisada. and any other questions regarding litigation or prior art. many attorneys believe that a letter of intent is generally more advantageous to a buyer than a seller. Porém. certain problems may never be discovered during due diligence and can only be addressed through adequate representations and warranties (e. and (ii) resolution of the principal terms of the transaction at an early stage can make the negotiation of the definitive agreement more focused and straightforward. é FGV DIREITO RIO 117 . negotiating and revising a letter of intent can be substantial in comparison to the size of the deal and the overall transaction costs. a claim of patent infringement that is brought six months after the closing)”.. The report allows the best-quality information to be factored-in and if necessary enables the acquirer to use a discount rate reflecting the risk. ownership. For many acquiring companies. 18. While letters of intent are relatively common. In some situations. Practising Law Institute. or even halt. or before allowing a detailed due diligence investigation to begin. Alguns aspectos importantes na elaboração de um relatório final são também abordados por DAHL : “The due diligence report summarizes the findings regarding the intellectual property rights. a court may find that provisions of a letter of intent that one of the parties considered to be non-binding are binding. the costs of preparing. any issues of validity which have arisen. Se a conclusão da “due diligence” não for uma condição para o fechamento do negócio. Nevertheless. 2001. 21. or copyrights in the field and recommend what action needs to be taken -. LETTERS OF INTENT IN THE ACQUISITION OR SALE OF THE PRIVATELY HELD COMPANY. O site do INPI é a principal fonte para consultas sobre a situação de marcas e patentes no Brasil. And it can be important for the adviser. before proceeding with the time commitments and costs of negotiating a definitive agreement. the scope of protection. dispensar a análise de determinadas áreas por achá-las irrelevantes. attorneys may often disagree regarding the desirability of a letter of intent in a particular situation. e suas vantagens sobre a Engagement Letter. a deal’s momentum. ou nos dados obtidos em bases públicas de dados. marcas e afins. Gesmer & Updegrove. Conversely. In the case of a smaller deal. it can be the crucial document determining whether the deal goes ahead -. Maryann A. Soube-se depois que o documento havia sido roubado por um estagiário de um escritório de advocacia. Sobre o uso da carta de intenções na fase iniciai de uma due diligence. the firm could face a malpractice suit.CONTRATOs Em EsPÉCIE tirassem a roupa e se perfilassem contra a parede.in terms of re-negotiating the deal. too: if significant issues are omitted through counsel’s negligence. many buyers and sellers prefer a letter of intent as a method of “testing the waters” for the likelihood that a definitive agreement can be reached. merece destaque o comentário de WARVIAS: “The main advantages of a letter or intent are that (i) issues that could be “deal breakers” can be identified early in the negotiation process before substantial expenses are incurred in a due diligence review and the drafting of a definitive agreement. Lucash. lembre-se que as contingências descobertas pelo encomendante no decorrer do procedimento nem sempre poderão ser utilizadas como justificativa para a recusa ou cancelamento do negócio. A letter of intent may burden the parties’ negotiations with too may difficult issues too early in the process and may impair. não é uma base de dados totalmente atualizada e 100% confiável.g. The report will also (normally in a separate section) identify significant other patents. 20. Corporate Law and Practice Course Handbook Series.

bem como reconhecer os direitos morais FGV DIREITO RIO 118 . Rio de Janeiro: Forense. esboços e obras plásticas concernentes à engenharia e arquitetura) Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI (programas de computador).produto objeto de patente. 28. Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (composições musicais. Tratado de Direito Privado.” 24. o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou a Cia Cervejaria Brahma a pagar vultuosa indenização aos herdeiros do criador de seu logotipo. a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse se. Parágrafo 2º . 2º. 42 da Lei nº 9.CONTRATOs Em EsPÉCIE claro. Rio de Janeiro: Forense. Rio de Janeiro: Lumen Juris. nº 3118/1992.Caducará o registro. colocar à venda. Arquitetura e Agronomia (projetos. Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (obras de desenho. OLIVEIRA.143 da Lei nº 9279/1996 prevê as hipóteses em que pode ocorrer a caducidade de um registro de marca: “Art. DOMINGUEZ. que demanda o pagamento de retribuição anual. José O. Lei nº 9609/1998: “Art. em vigor por força da Lei nº 9. Existem vários critérios e metodologias para medir o valor econômico-financeiro e o valor intangível de uma marca. recomendamos MARTINS.988/1973. 22. de produzir. Cit. 1984 PONTES DE MIRANDA. 23. e cabe ao advogado apenas alertar no relatório que a “due diligence” só abordou alguns assuntos. O catálogo dos Beatles é avaliado em US$ 598 milhões. ou se. Douglas Gabriel. a partir do início do terceiro ano da data do depósito da patente. Civ. Na AP. A batalha judicial entre a Sony Music e o pop star Michael Jackson envolve a retenção de 50% dos direitos de exploração das musicas dos Beatles. a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original. DI BLASI. Conselho Federal de Engenharia. Na época. com ou sem letras). No Brasil. cabendo-lhe o ônus de provar o uso da marca ou justificar seu desuso por razões legítimas. A previsão de pagamento das anuidades pelo depositante do pedido ou o titular da patente estão previstas pelo Art. Parágrafo 1º .” 26. PARENTE & SORENSEN GARCIA. op.processo ou produto obtido diretamente por processo patenteado. deve ser respeitada. 40 da Lei nº 9279/1996. O Brasil adota sistema baseado no “Droit d’auteur”.O titular será intimado para se manifestar no prazo de 60 (sessenta) dias. O cantor comprou os direitos em 1985 e vendeu 50% a gravadora por US$ 100 milhões. vender ou importar com estes propósitos: I . Marcas e expressões de propaganda.610/1998: São incumbidos para procederem ao registro das obras intelectuais os seguintes órgãos ainda existentes: Fundação Biblioteca Nacional (obras literárias em geral). O prazo de validade de uma patente é de 20 anos da data do depósito. no mesmo prazo. 4ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais. Tendo em vista que este artigo é voltado eminentemente para os profissionais que atuam na propriedade intelectual. L. Art. A Propriedade Industrial. 27. pediu que a Sony fosse avalista de um empréstimo de US$ 200 milhões que levantou dando como garantia os 50% restantes. 31. sem o seu consentimento.Não ocorrerá caducidade se o titular justificar o desuso da marca por razões legítimas. 84 da mesma Lei nº 9. Ed. Alguns livros que podem proporcionar uma visão mais detalhada sobre estes assuntos. incluem: CERQUEIRA. João de Gama. Renovar. M.279. tal como constante do certificado de registro. o registro das obras intelectuais é regulamentado pelo artigo 17. 1946.” 30. conforme instruções da encomendante. Sobre o assunto ver ASCENSAO. Rio de Janeiro: Forense.o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos consecutivos. não iremos detalhar aspectos gerais do direito patentário. v. na data do requerimento: I . 25. dentre outros. 17. II . Propriedade Industrial. conferido pelo Art.o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil. fotográficas).. 1998. 29. Âmbito de proteção à marca registrada.279/1996: “A patente confere ao seu titular o direito de impedir terceiro. Tratado Da Propriedade Industrial. 1997. usar. dentre outros. parágrafos 1º e 2º da Lei nº 5. que prevê a existência e o reconhecimento dos direitos morais do autor. observado o disposto nesta Lei. Sobre o assunto. A gravadora quer se responsabilizar pelo pagamento do empréstimo e pretende que Jackson transfira sua parte dos direitos. O Art. decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão. 2000. 143 . prazos legais que envolvem o registro de marca. O regime de proteção à propriedade intelectual de programa de computador é o conferido às obras literárias pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no País. Direito Autoral. 1983. ou II .

Distribuição de software. em especial o código-fonte comentado. FGV DIREITO RIO 119 . 3a. que não gerem quaisquer documentos e/ou relatórios. Serviços de “marketing.silveiraadvogados. conforme Art. Aquisição de cópia única de software. 11. Homologação e certificação de qualidade de produtos brasileiros. incluindo serviços de logística (suporte ao embarque. 32.141. O inteiro teor de referida decisão pode ser encontrado em DA VEIGA. visando a exportação Consultoria na área financeira.br/pjs. 211. da Lei no 9279/1996: Agenciamento de compras. A importância de uma análise jurídica destes contratos não pode ser deixada de lado. autores da letra de “Stairway to Heaven”. por exemplo.CONTRATOs Em EsPÉCIE de sua criação. “Direito Autoral”. imortalizada pelo conjunto Led Zeppelin: “There’s a sign on the wall but she wants to be sure And you know sometimes words have two meanings. 35. por meio de “help-desk”. 2000.) Beneficiamento de produtos. p. ed. SILVEIRA. Contratos que objetivam a Exploração de Patentes: o Uso de Marcas. Serviços realizados no exterior sem a presença de técnicos da empresa brasileira e. Franquia. 33.br. Serviços de manutenção de software sem a vinda de técnicos ao Brasil. Os requisitos e procedimentos para a averbação podem ser encontrados em www. prestados. tais como: Legitimar remessas de divisas ao exterior. “A Proteção Jurídica dos Segredos Industriais e de Negócio”. nos termos do Art.inpi. Alguns contratos são dispensados de averbação por caracterizarem transferência de tecnologia. Licença de uso de software sem o fornecimento de documentação completa. Ed. Prestação de Serviços de Assistência Técnica e Científica. Afinal.rt (visitado em 01 de maio de 2002). econômica jurídica e comercial. Rosiane (org.” (grifos nossos) 34.. parafraseando Robert Page e Jimmy Plant. disponível em http://www. como pagamento pela tecnologia negociada – dedutibilidade fiscal para a empresa receptora da tecnologia pelos pagamentos contratuais efetuados – para produzir efeitos em relação a terceiros. tarefas administrativas relacionadas à liberação alfandegária etc.gov.adv. Esplanada. João Marcos. O contrato deve ser avaliado e averbado pelo INPI para que gere determinados efeitos econômicos no território nacional.). Fornecimento de Tecnologia. da Lei no 9609/1998.

5. Silvio de Salvo. Acesso em: 06 ago. biblioGrafia obriGatória Arts.17. 2005 . Rio de Janeiro: Forense.4. biblioGrafia CoMPleMentar GLITZ. 483 a 490. 814 a 817 da Lei nº 10. Introdução – Seguro. havia jogado pôquer na casa de um conhecido e que perdeu naquela noite aproximadamente um milhão de reais. Como você aconselha Jeremias? E se Jeremias lhe contasse que descobriu que o jogo foi roubado? Jeremias pergunta se o mútuo que ele havia tomado na véspera para jogar também seria inexigível e se ele poderia deixar de pagar ao mutuante. 2005. Elementos do Contrato de Seguro. 1.406/2002. vol 3. RODRIGUES. out.vol. roteiro de aula a) introdução O jogo e a aposta estão dispostos entre as várias espécies de contratos previstos na Lei n° 10. Jus Navigandi. Espécies de Jogo e Efeitos. mas que depois conversando com um amigo ficou sabendo que dívida de jogo é inexigível.17. Para piorar a situação. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.2. Atlas. 329 a 348. Silvio. Jeremias diz que saiu do jogo um tanto atordoado por ter perdido aquela boa quantia em dinheiro e acabou batendo com o carro e dando perda total. 2002. Obrigações do Segurado. 1. Sendo assim. na semana passada. AulAS 18 E 19: JOgO E APOSTA. mas eles podem ser considerados como contrato? O novo Código Civil trouxe duas alterações significativas na disciplina do jogo e da aposta. págs. Caio Mário da Silva. 369 a 407.br/doutrina/texto. 1. vol. Quais foram? FGV DIREITO RIO 120 . ele quer pedir seu dinheiro de volta.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Obrigações do Segurador.asp?id=3261>. Contornos atuais do contrato de seguro. 757 a 802 da Lei nº 10.3. Arts.uol. São Paulo: Ed. Direito Civil. Caso Gerador Durante a diligência. Por isso não foi surpresa quando este nos procurou para contar que. Teresina. Instituições de Direito Civil . págs. PEREIRA.17. 3. Direito Civil: Contratos em Espécie. 1. Frederico Eduardo Zenedin.1. págs.17. São Paulo: Ed. A seguradora não está querendo pagar a indenização alegando que Jeremias não efetuou o pagamento das três últimas parcelas do prêmio. SEguRO. Disponível em: <http://jus2. III.406/2002.17. ano 6.Contratos.406/2002.com. ouvimos boatos de que Jeremias era um inveterado jogador. 2002. nº 59. VENOSA. Ele disse que pagou a dívida. eMentário de teMas Introdução. 2006 (em anexo). Saraiva. Classificação – Seguro.17. 1.

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b) espécies de jogos e efeitos Proibidos – São os jogos de azar31, como a roleta, o bicho, aposta sobre corrida de cavalos fora de hipódromos, briga de galo. Tendo em vista que são ilícitos não geram direitos e sujeitam o infrator a punição. Tolerados – São aqueles que o resultado não depende preponderantemente da sorte, como o truco, a canastra, o pôquer. Embora não sejam contravenções penais, não são protegidos pela lei uma vez que não há interesse social em proteger relações que não passam de “divertimento sem utilidade”32, exceto se forem eivados de vícios, como dolo, que mereçam repressão. Autorizados – São aqueles que trazem algum benefício à Sociedade, seja por estimularem o espírito esportista (competições esportivas) ou atividades econômicas (turfe), seja por gerarem outra fonte de renda ao Estado (loterias). Nesse caso, as obrigações oriundas de jogo ou aposta são exigíveis. Apenas os jogos e apostas autorizados perdem o caráter ilícito e dão causa à exigibilidade da prestação. C) seguro – introdução O seguro é regulado pela Lei n° 10.406/2002 e por diversas leis esparsas, que regulam minuciosamente os tipos de seguro. Em nossas aulas daremos ênfase às regras previstas no novo Código Civil. d) Classificação – seguro O contrato de seguro é: – Bilateral – gera obrigações para ambas as partes. – Oneroso – requer desembolso patrimonial para segurado e para o segurador. – De adesão – ao segurado não é dada opção de alterar as cláusulas do contrato. O segurado pode aceitar ou não as cláusulas impostas na apólice de seguro. Aplicam-se, dessa forma, as regras previstas nos artigos 423 e 424 da Lei n° 10.406/2002, que protegem os aderentes. e) elementos do Contrato de seguro Os elementos do contrato de seguro são: – Segurador – Somente pode ser segurador entidade legalmente autorizada para esse fim. O Decreto-Lei nº 2.063/1940 estabelece algumas exigências para que a entidade possa atuar como seguradora. Exemplo: capital mínimo, nacionalidade dos sócios, autorização governamental. – Segurado – É o contratante. Ele paga o prêmio ao segurador para transferir a este o risco. – Risco – O objeto do contrato de seguro é o risco. Dessa forma, a Lei n° 10.406/2002 prevê uma multa (dobro do prêmio recebido) a ser paga pelo segurador que expedir apólice de seguro mesmo sabendo que não é possível o risco que se pretende cobrir. O objetivo do legislador é tentar coibir essa prática. Afinal, se não há risco, não há contrato de seguro. Nos seguros privados, é possível estipular a espécie ou combinação de espécies de seguro.

Definição de jogo de azar está no artigo 50, parágrafo 3° da Lei de Contravenções Penais: “O jogo em que o ganho e a perda dependem exclusiva ou principalmente da sorte”.
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PEREIRA, Caio mário da silva. Instituições de Direito Civil - Contratos. Rio de Janeiro: Forense, 2005 - vol. III, pág. 488.
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– Prêmio – É a prestação devida pelo segurado ao segurador para que este assuma os riscos do segurado e pague indenização em caso de sinistro. – Apólice – Assim como o instrumento do mandato é a procuração, o instrumento do seguro é a apólice. A apólice deve conter os requisitos previstos no art. 760 da Lei n° 10.406/2002, tais como os riscos cobertos e o prêmio devido. As apólices podem ser nominativas, à ordem ou ao portador. A lei veda que a apólice de seguro de pessoas seja ao portador. f) obrigações do segurado O segurado tem obrigação de: – veracidade – A declaração falsa ou omissão de informações pode levar o segurador a fixar prêmio diverso do que fixaria ou até mesmo a aceitar seguro que normalmente não aceitaria se tivesse acesso a todas as informações. – pagar o prêmio. – não agravar os riscos do contrato – se o segurado passa a se comportar de forma diferente da que vinha se comportando, que resulte em um aumento de seus riscos, ele está, de certa forma, alterando unilateralmente o contrato, pois estará sujeitando o segurador a riscos distintos dos previstos no momento da celebração do contrato. – comunicar ao segurador qualquer fato que possa aumentar o risco do bem sob pena de perder o direito à garantia (art. 769 da Lei n° 10.406/2002). Analisando os contratos de seguro contra danos do supermercado, notamos que cada um dos estabelecimentos onde o supermercado funciona, foi segurado por duas seguradoras diferentes. Ao ser perguntada sobre esse fato, a senhora Maria Lúcia nos explica que seu pai estava tão preocupado em evitar prejuízos decorrentes de eventual sinistro, que resolveu segurar duplamente os estabelecimentos. Você vê algum problema nessa situação? G) obrigações do segurador A principal obrigação do segurador é pagar ao segurado os prejuízos decorrentes de sinistro sobre o bem segurado.

Contornos atuais do contrato de seguro frederico eduardo Zenedin Glitz As inovações em matéria securitária sempre são questões candentes. A reconhecida complexidade do tema é elemento que acentua, ainda mais, a importância da análise do tratamento jurisprudencial e doutrinário dispensado ao assunto. Os recentes pronunciamentos dos Tribunais Superiores demonstram cada vez mais a preocupação em se “socializar” o contrato de seguro e atribuir-lhe uma função social. Também contribuirá para essa “nova” adequação do instituto, a recente aprovação do novo Código Civil (Lei 10.406/2002). Esta posição, aliás, está consignada expressamente na exposição de motivos, quando se deixa clara a intenção de preservar o segurado, sem com isso abrir mão da segurança e certeza jurídicas essenciais ao contrato de seguro. O novo Código incorpora a idéia de cláusulas gerais que introduzem princípios orientadores de condutas, abandonando a pretensão de total regulamentação e oportunizando maior liberdade ao intérprete da lei..
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O novo Código Civil traz, ainda, outras inovações em matéria securitária. O legislador previu, por exemplo, a possibilidade de prova da relação contratual por meio de apólice, do bilhete de seguro ou, ainda, por “outro documento” na falta de algum desses (art. 758). No que tange aos riscos, o novo Código Civil estabelece que a agravação do risco por ato intencional do segurado implica na perda da garantia (art. 768). Entretanto se essa agravação se der por fato alheio a sua vontade, o segurado possui prazo para comunicar o evento a seguradora, sob pena de perda da garantia (art. 769). Possibilita-se, então, a readequação dos negócios às novas circunstâncias, mantendo-se o equilíbrio do contrato. Caso haja diminuição considerável do risco, assegura-se ao segurado o direito de revisão do prêmio ou a resolução do contrato (art. 770). Essas inovações refletem uma preocupação do legislador na manutenção do equilíbrio contratual. Pode-se afirmar, aliás, que esta é uma tendência geral no novo Código Civil, principalmente com a positivação dos institutos da lesão (art. 157), do estado de perigo (art. 156) e da revisão do contrato por excessiva onerosidade (art. 478). A jurisprudência também vem reconhecendo a necessidade de manutenção base econômica do contrato. Recentemente, no entanto, o Superior Tribunal de Justiça entendeu que a seguradora deve indenizar o segurado ainda que parte do prêmio não tenha sido pago (1), uma vez que a cláusula de cancelamento automático da apólice é nula em face do Código de Defesa do Consumidor, isso porque a resolução do contrato deveria ser requerida previamente em Juízo. Tal entendimento baseou-se no argumento de que a rescisão unilateral criaria uma excessiva desvantagem ao segurado, ou seja, o equilíbrio contratual estaria quebrado. Essa posição, aliás, inova em relação a tradicional jurisprudência e o disposto no art. 763 do novo Código Civil, que reafirmam a regra de que não há direito a indenização se o segurado estiver em mora no pagamento do prêmio. Talvez uma boa solução para o dilema seja a permissão a purgação da mora mesmo após o sinistro quando for o caso de cumprimento substancial do contrato (apesar de o Código expressamente prever que a purgação da mora deve ser anterior ao sinistro). Outro recente posicionamento do Superior Tribunal de Justiça é em relação ao prazo prescricional para o segurado demandar a seguradora. Este, segundo o atual entendimento, só passa a ser contado a partir da recusa formal ao pagamento da indenização (2). Este prazo é mantido pelo novo Código Civil, que estabelece em seu art. 206 que o prazo é contado para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que é citado para responder à ação de indenização proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que a este indeniza, com a anuência do segurador. Para os demais seguros, o prazo corre da ciência do fato gerador da pretensão. O novo Código Civil também incorpora inovações jurisprudenciais, tal como o reconhecimento da possibilidade de denunciação à lide ao segurador pelo segurado. Ou, ainda, a proibição expressa de o segurado reconhecer sua responsabilidade (confessar ou transigir com o terceiro prejudicado) sem a anuência da seguradora (art. 787, §2º). Em se tratando do seguro de responsabilidade civil o novo Código Civil previu, expressamente, a obrigação (normalmente tida como contratual) de que o segurado avise a seguradora do sinistro ocorrido (art. 787, §1º), bem como da ação intentada contra sua pessoa (art. 787, §3º). Prevê também a responsabilidade do segurado frente ao terceiro no caso de insolvência do segurador (art. 787, §4º). Previu a responsabilidade da seguradora, nos seguros de responsabilidade legalmente obrigatórios, de indenizar diretamente ao terceiro prejudicado (art. 788). E, ainda, a necessidade da seguradora promover a citação do segurado para integrar a lide quando demandada em ação direta pela vítima do dano (não podendo, simplesmente, opor a exceção de contrato não cumprido pelo segurado - art. 784, § único). Mas talvez a inovação que crie mais impacto nesta carteira ainda incipiente no Brasil, é a alteração do prazo prescricional para a ação indenizatória. O prazo anteriormente de 20 (vinte) anos foi reduzido para 03
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DJ 04/02/2002. p. Recurso Especial 132357 /RJ e Recurso Especial 236034/ RJ. bem como o enunciado da Súmula 229/STJ: “O pedido do pagamento de indenização à seguradora suspende o prazo de prescrição até que o segurado tenha ciência da decisão. e quanto maior o risco mais caro é o seguro. §3º. Tal modificação poderá representar uma redução significativa do valor do prêmio. FGV DIREITO RIO 124 . impondo o respeito a sua função social e a obediência aos princípios da boa-fé. II). mas. Recurso Especial 323416/RO. O novo Código Civil entrará em vigor apenas em 2003. pode não engendrar grandes alterações paradigmáticas (e por certo possui muitas imperfeições (3)). A começar pela própria técnica superada das grandes codificações.CONTRATOs Em EsPÉCIE (três) (art. vez que quanto maior o prazo maior o risco. Neste sentido. QUARTA TURMA do STJ 2. contado da data em que se conhece o dano (e não de sua ocorrência . lealdade e equilíbrio contratual. notas 1. reflete uma nova visão acerca do contrato. 206. 206. Recurso Especial 323186/SP (2001/0053944-4). Relator Min BARROS MONTEIRO.art. pelo menos. Sendo que a interrupção da prescrição passa a se dar com o despacho do juiz determinando a citação (mesmo que incompetente . moralidade. §1º. 202.386. V).art. I). Todas essas inovações legislativas e jurisprudenciais pretendem solucionar dilemas constantes enfrentados pelos operadores jurídicos que atuam no setor.” 3.

Dicionário Técnico Jurídico. Rio de Janeiro: Forense.4. 2001.18. a garantia pessoal é aquela dada por um terceiro.1. AulAS 20 E 21: fIANçA. Ele descobriu que seu cunhado ficou desempregado e deixou de pagar algumas parcelas do empréstimo.Contratos. caso o devedor não o faça. Caio Mário da Silva. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.406/2002. págs.18. alguém presta. A fiança pode ser: – convencional – resulta da vontade das partes. A garantia pode ser real ou pessoal. 283 a 305. Direito Civil.vol. 1. A fiança é garantia pessoal. 33 FGV DIREITO RIO 125 . Extinção da Fiança. vol 3. descobriu. Classificação.). Garantia pessoal ou fidejussória “consiste apenas na segurança que. Para piorar. Como você pode orientá-lo? 1. por exemplo. Em outras palavras. que se compromete a cumprir a obrigação. Garantia real é aquela que recai sobre um bem. A Fiança na Música. SIQUEIRA. 1. Efeitos da Fiança. na hipoteca e no penhor.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. que Olavo e o banco recentemente aditaram o contrato para aumentar o valor do empréstimo e. São Paulo: Rideel. ele nos conta que entrou como fiador em um empréstimo que seu cunhado. de responder pelo cumprimento de obrigação se faltar o devedor principal”33. BiBliografia oBrigatória Arts.18. Instituições de Direito Civil . conversando com sua irmã. Caso Gerador O Sr. conseqüentemente. móvel ou imóvel. 818 a 839 da Lei n. que servirá como garantia do cumprimento de determinada obrigação. 10. 1. individualmente. 493 a 504. 2002. Olavo. GUIMARÃES.18. eMentário de teMas Introdução. Luiz Eduardo Alves de. 2005 .18. São Paulo: Ed. págs. Silvio. Deocleciano Torrieri (Org. da fiança. 1. III. Dessa vez. roteiro de aula a) introdução A fiança é uma espécie de garantia. biblioGrafia CoMPleMentar PEREIRA. Odin Heiro novamente nos procura apreensivo com uma questão pessoal.5.3.18.2. RODRIGUES. tomou com o banco. Saraiva. Ocorre.

Nesses casos. ou devedor solidário. – Benefício da divisão – Havendo mais de um fiador. FGV DIREITO RIO 126 . que é ajustada por meio de contrato.. caso a Guloseima Ltda. Na diligência legal. Notamos que o contrato de locação prevê que a senhora Teresa Assunção. Por ser acessória. Maria Lúcia acabou aceitando ser sua fiadora. exigiram um fiador. objeto do contrato principal. não efetue o pagamento em dia. A fiança pode ser contratada no mesmo contrato da obrigação principal ou em contrato em separado. ponsáveis pela dívida (art. desconfiando da sua capacidade de pagar. É possível. A fiança a ser analisada nesta aula é a fiança convencional. (ii) se obrigar como principal pagador. brasileira. Há algum problema nesse fato? Mesmo após a promulgação da Constituição Federal. Maria Lúcia nos contou que estava aborrecida porque na semana passada.. É o que ocorre na fiança bancária. que estabeleceu a igualdade jurídica dos cônjuges. O credor tem o direito de exigir do fiador o pagamento da dívida garantida. até a contestação da lide. ele pode exigir que. a presunção legal é a de que são solidariamente resfiador. encontramos um contrato de locação. seja primeiramente executado o devedor. – Unilateral – Uma vez contratada a fiança. Jeremias tem o péssimo hábito de jogar pôquer por dinheiro. apenas será reduzido o montante da fiança até o valor da obrigação principal. Depois de ser pressionada por Jeremias. Em outras palavras. Jeremias perdeu uma boa quantia em dinheiro e agora Maria Lúcia estava preocupada de ser executada porque assinou um instrumento no qual se dizia fiadora da dívida de Jeremias. A lei permite. Esse direito pode ter algumas limitações: – Benefício de ordem – O fiador tem o direito ao benefício de ordem. ela só gera obrigações do fiador para com o credor. que pode ser um mútuo. Conforme já havíamos sido informados. mas sem perder seu caráter acessório. qual é a conseqüência de não tê-la? C) efeitos da fiança Podemos notar a existência de duas relações distintas no contrato de fiança: uma entre fiador e credor e outra entre fiador e devedor. – Solene – A lei impõe forma escrita para a validade da fiança. assina o contrato na qualidade de fiadora. que cada fiador reserve apenas uma parte da dívida como de sua responsabilidade. a fiança é contrato gratuito.406/2002). localizados no mesmo muncípio e que estejam livres e desembaraçados. a fiança é onerosa. O fiador não tem direito ao benefício de ordem se: (i) renunciar expressamente ao mesmo. – Gratuito – Em regra. porém. o fiador deverá indicar bens do devedor.. garantindo o pagamento do aluguel. na qual o banco garante a obrigação em troca de um percentual sobre o montante garantido. b) Classificação A fiança é contrato: – Acessório – A fiança visa assegurar o cumprimento de outra obrigação. Se isto ocorrer. dona Teresa precisaria de autorização do marido para prestar fiança? Sendo a autorização necessária. que sejam suficientes para pagar a dívida. ou (iii) o devedor for insolvente ou falido. porém. locação.CONTRATOs Em EsPÉCIE – legal – resulta de lei – judicial – resulta de imposição do juiz. a fiança não pode ser mais onerosa que a dívida principal. Notamos ainda que o contrato não foi assinado pelo marido de dona Teresa. os parceiros de pôquer de Jeremias. segundo o qual o Supermercado Pechincha alugava uma parte de um dos supermercados à confeitaria Guloseimas Ltda. a fiança não será nula. 829 da Lei n° 10. que o fiador queira receber remuneração em troca da garantia que oferece. casada e proprietária da Guloseimas Ltda. Para se valer desse benefício. Como sempre.

do genial Chico Buarque. ôôôô Passava um verão a água e pão Dava o meu quinhão pro grande amor. não sou mais um sonhador Chego a mudar de calçada quando aparece uma flor E dou risada do grande amor. – o credor tornar impossível a sub-rogação nos seus direitos e preferências. assim. mentira Me atirei assim de trampolim Fui até o fim. Veja abaixo a letra de “Samba do Grande Amor”. perdas e danos que pagar ao credor e perdas e danos que vier a sofrer em razão da fiança (art. mentira Eu botava a mão no fogo então Com meu coração de fiador. Que motivo teria o autor para fazer menção à fiança nesse grande samba? samba do grande Amor Chico Buarque Tinha cá prá mim que agora sim Eu vivia enfim o grande amor. Deocleciano Torrieri (Org. o bem aceito em pagamento. por evicção. ôôôô Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito Exijo respeito.CONTRATOs Em EsPÉCIE A relação entre o fiador e o devedor só passa a existir se o fiador é obrigado a efetuar o pagamento da dívida. por exemplo. que ficará liberado de sua obrigação 60 dias após a notificação ao credor para esse fim. mentira Reservei hotel. Luiz Eduardo Alves de. sarapatel e lua de mel em Salvador. – o fiador opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as extintivas da obrigafiador ção. 2001) 34 FGV DIREITO RIO 127 .)”.). um contrato intuitu personae. Ocorre. um amador.406/2002). sem o consentimento do fiador.. a fiança não será restaurada. SIQUEIRA. a morte do fiador extingue a fiança? Não havendo prazo determinado previsto no contrato. se não resultarem apenas de incapacidade pessoal. GUIMARÃES. a ter o direito de exigir do devedor o reembolso do valor por ele. e) a fiança na Música O Direito é incrível mesmo! Podemos encontrá-lo em todos os cantos. comprei anel Botei no papel o grande amor. em regra. – o credor aceitar receber em pagamento bem diverso do que foi originalmente ajustado. Ainda que o credor venha a perder.. na perda de direitos que o fiador teria caso efetuasse o pagamento da dívida. d) extinção da fiança Sendo a fiança. 832 e 833 da Lei n° 10. ôôôô “moratória – dilação de prazo que se concede ao devedor para pagar a dívida depois de vencida. implicando assim. A fiança também é extinta se: – o credor conceder moratória34 ao devedor. passando. a fiança pode ser extinta pelo fiador. acrescido de juros. inclusive na música. mentira Fui muito fiel. (Dicionário Técnico Jurídico. quando o credor renuncia seu direito à hipoteca ou a direito de retenção. (. São Paulo: Rideel.

Crasso. Não. c.6. casado e com 21 anos de idade. do Código Civil. pois no caso há solidariedade passiva. Executado pela dívida de seu afiançado. Pode Crasso.Crasso e Mário se obrigaram solidariamente como fiadores de Pompeu. Prova: 27º Exame de Ordem . mentira Fiz promessa até prá Oxumaré Que subir a pé o redentor. cobrar de Mário metade do que pagou a Marco Antonio? FGV DIREITO RIO 128 . Como Pompeu não pagou o débito no vencimento. porque ele se obrigou como principal pagador. que não estabeleceu o benefício de divisão com Mário. pois ele não é o devedor principal. que não cumpriu a obrigação de pagar o preço ajustado. questões de ConCurso (Prova: 01º Exame de Ordem .18. Sim.2ª fase PROVA DISCURSIVA 4 . obrigou-se como fiador e principal pagador num contrato de locação. porque sendo ele o executado. bancário. ôôô 1. executado por Marco Antonio.Sim.1ª fase) Olavo Bento de souza. onde figurava como locatário seu amigo Armando Amaro gomes. num contrato em que o credor é Marco Antonio. é de se supor que seu afiançado não tenha bens suficiente para responder pela execução. pretende Olavo alegar o benefício de ordem. d. não tendo bens para serem executados. Tal alegação é procedente? a. sem terem estabelecido o beneficio de divisão previsto no artigo 829. Sim. b. pagou o débito na sua totalidade.CONTRATOs Em EsPÉCIE Fui rezar na Sé prá São José Que eu levava fé no grande amor.

307/1996. Acesso em: 15 ago. Atendendo a algumas críticas doutrinárias.3.4. vol 3.uol. 2002. biblioGrafia CoMPleMentar BENEDETTI JUNIOR. pág. São Paulo: Ed. RODRIGUES.br/doutrina/texto.19. 1. págs. vol 3. RODRIGUEs. em troca da tranqüilidade que não tem”35. Da convenção de arbitragem e seus efeitos. 366. que estava passando por um período financeiramente delicado. de modo que. n. 1. o supermercado e o fornecedor chegaram a um acordo e assinaram um termo de transação. biblioGrafia obriGatória Arts. Silvio. Após muita discussão. o novo Código Civil incluiu a transação no rol dos contratos.19. 365 a 383. o supermercado quer cobrar o valor do mútuo do fiador. Caso Gerador Embora não fosse de costume. Na época do pagamento do mútuo. A transação é a “composição a que recorrem as partes para evitar os riscos da demanda ou para liquidar pleitos em que se encontram envolvidas. de algumas vantagens potenciais. 2002. 840 a 853 da Lei n° 10. 2006 (em anexo). receosas de tudo perder ou das delongas da lide.19. Disponível em: <http://jus2. 1. as partes divergiram quanto ao valor a ser pago e aos juros incidentes no período. Direito Civil. eMentário de teMas Transação. Lidio Francisco. Silvio. Saraiva. 64. 35 FGV DIREITO RIO 129 .CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. mas sim como um dos modos de extinção das obrigações. Compromisso.19. Tendo em vista que o devedor não vem efetuando os pagamentos pactuados no instrumento de transação. AulA 22: TRANSAçãO. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. 1. decidem abrir mão. reciprocamente.1. Teresina.19. 2003. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.19. o Supermercado Pechincha emprestou dinheiro a um de seus fornecedores. Saraiva. ano 7. abr. Jus Navigandi. roteiro de aula a) transação O Código Civil de 1916 não tratava a transação como contrato.asp?id=3951>.2. COmPROmISSO. Direito Civil. Lei n° 9.406/2002. 1. São Paulo: Ed.5. Comente a situação. com.

apesar de achar que o supermercado sairia vitorioso da disputa judicial. “sendo nula qualquer das cláusulas da transação. em troca de desistir da ação judicial. b) Compromisso O compromisso também entrou para o rol dos contratos com a edição da Lei n° 10.406/2002. o cliente poderia levar mercadorias do supermercado em valor total equivalente a R$ 200. de direito pessoal de família. de acordo com o parágrafo primeiro do artigo 661 da Lei n° 10.406/2002. a transação só pode ter por objeto direitos patrimoniais de caráter privado. a procuração deve conter poderes especiais e expressos para transigir. só é possível compromisso que envolva direito patrimonial.406/2002. Ora. Sendo assim. segundo o qual. – Objeto da transação – Conforme art. (ii) Interpretação restritiva – A transação não pode ser alterada por analogia ou ser utilizada para casos que não estejam expressamente refletidos no instrumento de transação (art.CONTRATOs Em EsPÉCIE A transação é contrato bilateral e solene. Princípios que decorrem da natureza jurídica da transação: (i) Indivisibilidade – De acordo com o art. nas obrigações que a lei assim o exigir. independentes entre si. 36 FGV DIREITO RIO 130 . Maria Lúcia descobriu que o processo já havia terminado com sentença favorável ao supermercado. (iii) Assim como os demais contratos. entre outras. Você concorda com o legislador que entendeu que o compromisso é um contrato? Assim como na transação.00. 841 da Lei n° 10. Elementos da Transação – Divergência entre as partes e a vontade de terminar com ela – as partes podem estar discutindo em juízo ou em vias de fazê-lo. o supermercado resolveu assinar um termo de transação com o cliente. a transação que não versar sobre objeto de disputa judicial deve ser feita por escritura pública. A transação para extinguir processo judicial em curso deve ser feita por escritura pública ou termo assinado nos autos. nula será esta”.406/2002. assinado pelas partes e homologado pelo juiz.406/2002). ambas as partes devem abrir mão de algo para alcançar a segurança desejada. Maria Lúcia lhe conta que um cliente entrou com um processo contra o Supermercado Pechincha pedindo perdas e danos por ter sido mal atendido no supermercado. Isso é suficiente? Arts. Não podem ser objeto de compromisso questões de estado. ou por instrumento particular. Notamos que o compromisso foi assinado por um procurador do revendedor e pedimos para analisar o teor da procuração que foi outorgada. 843 da Lei n° 10.406/2002. Ocorre que. admite pena convencional36. Recebemos cópia de um termo de compromisso celebrado entre o supermercado e um revendedor. A procuração continha poderes específicos para transigir. a existência do processo em si seria uma propaganda negativa para o supermercado. após a assinatura do termo de transação. E agora? – Acordo entre as partes com concessões recíprocas – na transação. 848 da Lei n° 10. Assim. Vale lembrar que. o fato de não prevalecer em relação a um não prejudicará os demais”. 408 a 416 da Lei n° 10. quando for admitido em lei. A lei abranda essa regra ao dispor no parágrafo único desse artigo que “quando a transação versar sobre diversos direitos contestados.

até a promulgação da nova Lei de Arbitragem. A temática proposta assume especial relevância. mas simples tentativa de análise da Lei de 9. desde a primeira Constituição (1) brasileira. uma vez que. isto é. devido à insegurança jurídica que o sistema transmitia às partes. a nova Lei de Arbitragem é considerada um instrumento privado alternativo para solução de conflitos ou. Hoje. no Brasil. que a Arbitragem não se desenvolveu. que a questão da constitucionalidade levantada no Supremo Tribunal Federal encontra-se superada. Ademais. de 23 de setembro de 1996. pois está intrinsecamente relacionada com a livre e voluntária vontade das partes em se submeter à arbitragem. não acompanhou a evolução dos tempos. posteriormente. também. capaz de garantir segurança jurídica às partes que voluntariamente vierem a instituir a cláusula compromissória em seus contratos. “um meio paraestatal de solução de conflitos” (3). geraria para a outra parte apenas o direito a perdas e danos. como a arbitragem. Contudo. de 1824. em detrimento ao Poder Judiciário. Por meio da cláusula compromissória. como instrumento eficaz para solução de controvérsias consolida-se FGV DIREITO RIO 131 .307. a Arbitragem. esse sistema encontrava-se estagnado. ainda. em 1996. de 23 de setembro de 1996. como ensina ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. ao invés do juízo público? biblioGrafia CoMPleMentar Da convenção de arbitragem e seus efeitos lidio francisco benedetti junior advogado em são Paulo sinopse Nosso estudo trata da convenção de arbitragem. Assim. Já a cláusula compromissória diz respeito a litígio futuro e incerto. Assim. com a promulgação da Lei de Arbitragem. as barreiras legais que causavam insegurança jurídica para as partes contratantes foram revogadas. contribuir e divulgar as vantagens que a justiça alternativa proporciona: como ser mais rápida e menos onerosa do que a Justiça Comum. de acordo com a Lei 9. posteriormente. por exemplo. espero compartilhar as idéias e.CONTRATOs Em EsPÉCIE Distinção entre compromisso e cláusula compromissória O compromisso é contrato perfeito e acabado. também. uma parte desistisse de celebrar o compromisso arbitral. através da cláusula compromissória. Qual é a vantagem de se escolher o juízo privado. de 1916.307. Tem força vinculativa e obriga as partes a submeterem determinada questão ao julgamento de árbitros. em setembro de 1996. com esse simples estudo. e. comportamento decorrente da cultura e tradição reinante em nosso país. que abrange a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. embora as partes tivessem acordado de instituírem o juízo arbitral. Há que se considerar. para resolver impasses ou conflitos surgidos num relacionamento pessoal ou negocial. mesmo que o compromisso de arbitragem contivesse a cláusula “sem recurso” as partes poderiam recorrer ao tribunal superior. introdução Este trabalho não consiste num aprofundamento sobre o tema específico. Entretanto. no que diz respeito à convenção de arbitragem e seus efeitos. Ressalta-se que a arbitragem já estava presente em nosso ordenamento jurídico. entendia-se anteriormente que. as partes comprometem-se a submeter eventual pendência à decisão do juízo arbitral. Há que se ressaltar. contemplada no Código Civil Brasileiro (2).

livres e voluntariamente.” (5). como já mencionado. devem firmar. a Lei de Arbitragem torna-se um instrumento seguro. possa se julgar a validade. no que pertine à forma de indicação dos árbitros (art. alternativo ao Poder Judiciário. as partes. isto é. espécie destinada à solução privada dos conflitos de interesses e que tem por fundamento maior a autonomia da vontade das partes.” (6) Concluindo que: “O objetivo do princípio da autonomia do pacto arbitral é salvar a cláusula compromissória. Estas. 1. 2o.5o). SELMA MARIA FERREIRA LEMES. no seguinte sentido: “A convenção de arbitragem é a fonte ordinária do direito processual arbitral.2o). em virtude dela. Da Convenção de Arbitragem Por intermédio da convenção de arbitragem (4). DRA. entretanto. A respeito da autonomia da vontade das partes.1. convencionam que se ocorrer qualquer impasse ou controvérsia a questão será resolvida pelo procedimento arbitral em detrimento ao Poder Judiciário. dispondo da jurisdição estatal comum. submetendo-se ao juízo arbitral. nos artigos 851 a 853. a convenção de arbitragem abrange tanto a cláusula compromissória como o compromisso arbitral Assim. a cláusula compromissória ou cláusula arbitral.307/96. cláusula compromissória é “a convenção através da qual as partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir. Cabe frisar. o compromisso arbitral surge apenas quando o conflito já se instaurou e as partes. nesse estudo a identificaremos apenas como cláusula compromissória. ao prolatar seu voto.”. Entretanto. De acordo com o artigo 4o. optam em submeter os litígios existentes ou que venham a surgir nas relações negociais à decisão de um árbitro.” (7). as partes envolvidas em algum negócio pessoal ou negocial. como também é conhecida. do contrato arbitrável. prazo para o árbitro proferir a sentença arbitral (arts. ou através do compromisso arbitral. para aqueles que procuram rapidez e Justiça na solução do conflito.406/2002.2. ou não. essa cláusula deve ser estipulada por escrito pelas partes. é conhecida. seja material ou formal.CONTRATOs Em EsPÉCIE no Brasil. podem resolver suas controvérsias. artigo 3o. seja no próprio contrato ou em um adendo. nos termos do artigo 3o da Lei nº 9. da Convenção de arbitragem e seus efeitos 1. uma convenção de arbitragem. 1o).13). 1. espontaneamente.307/96. Assim. conforme adotado pela lei 9. o ilustre Relator MINISTRO MAURICIO CORRÊA. Ao passo que. de comum acordo. Para tanto. relativamente a tal contrato. também. Em recente julgamento. até como será desenvolvido o procedimento arbitral. FGV DIREITO RIO 132 . admitindo a nova lei o compromisso e a cláusula compromissória para resolver divergências mediante o juízo arbitral. como Estados Unidos da América. para que. §§ 1o e 2o). resolvem que o impasse será resolvido pela Arbitragem. a ilustre Advogada e Membro da Comissão Relatora do Projeto de Lei sobre Arbitragem. eleger a arbitragem institucional (art. pontifica que “o Principio da Autonomia da Vontade é a mola propulsora da arbitragem em todos os seus quadrantes. fortaleceu o instituo da arbitragem no Brasil. Japão e países da Europa. através da cláusula compromissória. cabe esclarecer que. que é firmado quando surge a controvérsia. Inciso III e 23). manifestou-se. a respeito da convenção de arbitragem. Lei 10. relativas a direito patrimonial disponível. conforme é a definição dada pela Lei de Arbitragem. ainda. contratada anteriormente ao eventual conflito. se a decisão será de direito ou por eqüidade (art. nasce antes do surgimento do conflito. desde que não viole os bons costumes e a ordem pública (art. Com efeito. desde a faculdade de as partes em um negócio envolvendo direitos patrimoniais disponíveis disporem quanto a esta via opcional de conflitos (art. Da Cláusula Compromissória A cláusula compromissória. que o novo Código Civil. cabe frisar que. com o mesmo consentimento que encontra em outros países. como afirmamos acima. como cláusula arbitral. da lei 9307/96. 11.

é peculiar da cláusula compromissória a autonomia. substituindo no contrato a clássica cláusula que designa o Foro Judicial. numa possível e futura controvérsia. se obrigam a submeter-se à decisão do juízo arbitral. a celebrarem o compromisso arbitral. também. comprometem-se.2. 4o e 5o).” (8). FGV DIREITO RIO 133 . até pela sua excepcionalidade. Esse é o entendimento da Lei (10). as partes ao acordarem sobre a cláusula compromissória. a respeito de qualquer dúvida emergente na execução do contrato..2. do aderente. o conflito venha a ser dirimido pelo juízo arbitral. por essa razão a Lei exige a manifestação de vontade das partes ao aderirem à cláusula compromissória. nos ajustes remissivos não se dispensa que as partes reportem-se expressamente à opção. surgindo o conflito.” (11) 1. uma vez acordada. para que. Esclarece. convenção de arbitragem tácita. é necessário trazer a luz deste estudo. tudo o que ali tenha sido estipulado será obrigatoriamente observado pelo juiz ao proferir a sentença do processo a que se refere o artigo 7o. Assim é que. Importante salientar que. Força obrigatória da Cláusula Compromissária De acordo com o artigo 8o da Lei de Arbitragem. Segundo as melhores doutrinas. a cláusula compromissória só terá validade se a mesma estiver em negrito e conter a assinatura. (9).2. implícita e remissiva. ou seja. que essa promessa gera a obrigação de celebrar o compromisso arbitral. livre e voluntariamente. oriunda do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte: “a lei brasileira sobre o tema exige clara manifestação escrita das partes quanto à opção pela jurisdição arbitral (Lei 9. especialmente para essa cláusula. em existindo o conflito. artigos 3o.. a cláusula compromissória é independente do contrato negocial. Não se admite. Ou seja. uma promessa de celebrar o contrato definitivo. distinguir a cláusula compromissória vazia da cláusula compromissória cheia. chama-se cheia a cláusula compromissória quando já contém todos os elementos necessários à instauração do processo arbitral (13). ensina ALEXANDRE FREITAS CÂMARA que a cláusula compromissória é “um contrato preliminar. enquanto que.CONTRATOs Em EsPÉCIE O texto da lei é claro ao conceituar a cláusula compromissória. No contrato de adesão. Nesse sentido. segundo o ilustre professor WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO a cláusula compromissória (pacto de compromittendo) “constitui apenas parte acessória do contrato constitutivo da obrigação. surgindo o conflito estão as partes obrigadas.”. 1. preventivamente. cuja intenção do legislador foi dar maior segurança às partes que.1. Assim.753-7. Isto é. por força da cláusula compromissória. conclui-se que a cláusula compromissória é o primeiro acordo de vontade das partes. sob pena de ser declarada nula. é a cláusula pela qual as partes. a instaurar o compromisso arbitral. Assim.2. Tanto que nos contratos de adesão requer-se destaque e a assinatura especial na cláusula compromissória e.307/96.” (14) 1. a definição da melhor doutrina. Segundo ensina ALEXANDRE DE FREITAS CÂMARA. celebrar o compromisso arbitral. como manifestação de sua vontade em instituir o compromisso arbitral. Da autonomia de vontade e forma escrita A cláusula compromissória deve ser estipulada por escrito. acordaram pela instituição do juízo arbitral. ao proferir seu voto em sentença estrangeira contestada nº 6. seja no próprio contrato negocial ou em outro documento aditivo.3. que é o compromisso arbitral. Espécies da Cláusula Compromissória A respeito da cláusula compromissória é de grande relevância. se posicionou o eminente MINISTRO MAURÍCIO CORREA. todavia. da Lei de Arbitragem. e a nulidade deste não implica a nulidade daquela. ainda. as chamadas cláusulas vazias são àquelas que não contemplam os elementos mínimos necessários para instituição da arbitragem (12). havendo a recusa de qualquer uma das partes em celebrar o compromisso. Entretanto. Isto porque sendo cheia a cláusula compromissória. Nesse sentido. em conseqüência. ela obriga às partes a resolver o conflito através do Juízo Arbitral. essa distinção “é importante principalmente nos casos em que uma das partes se recuse a.

(iii) quando tiver expirado o prazo fixado no compromisso e o árbitro.CONTRATOs Em EsPÉCIE gera para a outra parte o direito de recorrer à Justiça comum para ver garantido a instauração do procedimento arbitral.2 – Da extinção do Compromisso Arbitral O compromisso arbitral extingue-se nas hipóteses do artigo 12. (ii) quando. lavrando-se então o compromisso arbitral. da Lei de Arbitragem. (17) A – Do Compromisso Arbitral Judicial De acordo com a Lei de Arbitragem há duas hipóteses de compromisso arbitral celebrado em juízo. da Lei de Arbitragem. que não seria aceito substituto em caso de falecimento ou impossibilidade do árbitro proferir seu voto. A primeira hipótese vem estabelecida no artigo 7o. definem todos os aspectos que serão observados no processo arbitral.3. 1. Conclui-se. Ademais. o compromisso é o ato instituidor do juízo arbitral. Ou seja. antes de aceita a nomeação. é celebrado após o surgimento da controvérsia entre as partes. e as partes terem deliberado que não seria aceito substituto. não apresente sua decisão. é a primeira peça onde constam as regras que irão reger o processo arbitral.3. pode ser judicial ou extrajudicial. do artigo 9o. uma das partes impõe resistência para se lavrar o compromisso arbitral. FGV DIREITO RIO 134 . obrigatoriamente. também. do artigo 7o. de comum acordo. Esse compromisso. Este compromisso é lavrado quando não foi instituída a cláusula compromissória e. não existe demanda ajuizada. ou seja. sendo procedente o pedido de instauração do procedimento arbitral. em favor da arbitragem.1. 1. mas as partes. que tratam das cláusulas obrigatórias e facultativas do compromisso arbitral. A segunda hipótese é tratada pelo §1o do artigo 9o.3. Ou ainda.307/96. mesmo sem ter combinado. embora notificado a respeito do prazo de 10 dias para apresentar a sentença arbitral. a instituição da cláusula compromissória. desistem do processo judicial e lavram o compromisso arbitral. as partes interessadas em resolver a controvérsia existente. fazendo com que a outra parte ingresse com um processo judicial requerendo o cumprimento da declaração de vontade instituída no contrato (cláusula compromissória). (15) Ademais. decidem que o conflito existente será submetido à decisão de um árbitro. Esse é o entendimento do § 7o. voluntariamente. §§ 1o ao 7o. Ocorre quando as partes. da lei de arbitragem. serem observadas as regras dos artigos 10 e 11 da Lei 9. de acordo com a lei. anteriormente. surgindo o conflito entre as partes esse deveria ser solucionado pela arbitragem. Do Compromisso Arbitral O Compromisso arbitral. criteriosamente. o compromisso arbitral. conforme artigo 9o. em litígio na justiça comum. devendo para tanto. deliberado. que submetem esta à decisão de um árbitro. portanto. B – Compromisso Arbitral Extrajudicial O compromisso arbitral extrajudicial vem regulado no § 2o. decidem optar pela arbitragem. As partes. diferente da cláusula compromissória. a sentença judicial valerá como o compromisso arbitral. também. renunciam à solução no Judiciário. pode ser lavrado por escritura pública ou por documento particular. ressalte-se que. e ocorre quando a cláusula compromissória já existe. da Lei de Arbitragem. que é de submeter o conflito à apreciação de um árbitro. que o compromisso arbitral é a convenção em que. Do Compromisso Arbitral judicial e extrajudicial O compromisso arbitral. como uma segunda espécie da convenção de arbitragem. porém. assinado por duas testemunhas. (i) quando qualquer árbitro recusar-se. 1. manifestando a vontade de solucionar o conflito através da arbitragem. (16) É nesta peça inicial que as partes.

6. uma segurança maior ao instituto da arbitragem no Brasil o que. – O compromisso arbitral retrata o conflito atual e específico. 32.071. cumpre salientar que. deixando claro que. é de que: – A cláusula compromissória poderá ser utilizada antes de surgir à controvérsia. Segurança capaz de garantir as partes. algumas peculiaridades mais benéficas. se assim for a vontade das partes. Lei nº 3.” 2.CONTRATOs Em EsPÉCIE 2. instituto utilizado por vários paises. 4. de janeiro de 1996. traduzem hoje. em nosso ordenamento jurídico. a conclusão a que se chega. Podendo. – A cláusula compromissória poderá ser acordada no momento judicial do negócio principal ou. no Brasil. p. 3. da Lei 9. A arbitragem. como se encontra normalizado. Alexandre Freitas. tais como: Japão e Estados Unidos. hoje. Lemes. Artigo 164 da Constituição Imperial do Brasil – “Nas causas cíveis e nas penais civilmente intentadas. Câmara. notas 1. – Não cabe recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário. 5. reflete a modernidade do mundo globalizado. FGV DIREITO RIO 135 . AASP/Revista do Advogado nº 51. uma nova era. Essas peculiaridades demonstram a precisão da nossa Lei de Arbitragem.J. Ressalta-se que. ainda. anteriormente. o árbitro regularmente escolhido para solucionar e prolatar a sentença arbitral. essa cláusula refere-se a um conflito futuro e incerto. vale transcrever aqui os ensinamentos do ilustre professor VICENTE RÁO.307 de 1996 – “ As partes interessadas podem submeter a solução de seus litígios ao juízo arbitral mediante convenção de arbitragem. Aliás. Princípios e Origens da Lei de Arbitragem. STF . quando então as partes lavram o compromisso prevendo as regras que serão utilizadas no juízo arbitral e. artigos 1. assim entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. não tínhamos em nosso ordenamento jurídico.Conclusão Diante desse modesto estudo. a sentença arbitral tem o mesmo efeito da sentença judicial tendo.Tribunal Pleno . 3o. D. esta e aquela. em um adendo. Ementário nº 2085-2. posteriormente. por ser mais ágil e objetiva na solução dos conflitos que envolvam direito patrimoniais disponíveis. que espontânea e consensualmente optaram por esse sistema privado e alternativo ao judiciário. art. tais como: – É prolatada por um árbitro escolhido livremente pelas partes. a solução de suas controvérsias através do juízo arbitral. poderão as Partes nomear Juízes Árbitros. pela consciência social e humana e não a que impõe a prática de doutrinas eivadas de mero logicismo”. portanto. Suas sentenças serão executadas sem recurso.Sentença Estrangeira Contestada nº 6. – É auto-executável. por entender que a Lei de Arbitragem reflete esse pensamento: “Boa só é a norma que traduz uma aspiração ou uma necessidade reveladas. iniciando.753-7 – Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte. 9. dos pontos relevantes da convenção de arbitragem – cláusula compromissória e compromisso arbitral –. afirmar que a arbitragem pode e deve ser utilizada por toda a sociedade brasileira como um instrumento alternativo a Justiça Comum. (18) Por fim. Selma Maria Ferreira. “era em que o processo jurisdicional fique reservado para aqueles em que nenhuma outra forma de resolução de conflitos foi adequada”. também. Arbitragem – Lei nº 9307/96. de 1o. esses conceitos dispostos na Lei nº 9. Acórdão de 13/06/2002. de 04/10/2002.037 a 1048. sem dúvida alguma. se assim o convencionarem as mesmas Partes.307/96. p. na perspectiva de ALEXANDRE FREITAS CÂMARA.

FGV DIREITO RIO 136 . 33. A Aspectos Atuais da Arbitragem. 28. 4o. Acórdão de 13/06/2002. p. p. p. v. da Lei 9.Tribunal Pleno . da Lei 9. 9o. 13. v.. com a assinatura ou visto especialmente para essa cláusula. O Direito e a Vida dos Direitos. 319. Ibidem. Arbitragem – Lei nº 9307/96. Câmara. 9.753-7 – Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte.. Ementário nº 2085-2. p. Anotação (114) de atualização da obra. por Ovídio Rocha Barros Sandoval. poderá a parte interessada requerer a citação da outra parte para comparecer m juízo. p.34 15.792.J.307 de 1996 – “O compromisso arbitral é a convenção através da qual as partes submetem um litígio à arbitragem de uma ou mais pessoa. 11. 159. art. 53.307 de 1996 – “Existindo cláusula compromissória e havendo resistência quanto à instituição da arbitragem.4. §2o. art. Washington de Barros.” 16. Câmara.” 18. Câmara. de 04/10/2002. podendo ser judicial ou extrajudicial. designando o juiz audiência especial para tal fim. art. expressamente. Arbitragem – Lei nº 9307/96. STF . a cláusula compromissória só terá eficácia se o aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar. p. 17. Carmona.2. com a sua instituição. Alexandre Freitas. 12. Arbitragem no Brasil no terceiro ano de vigência da Lei nº 93047/96.Sentença Estrangeira Contestada nº 6.CONTRATOs Em EsPÉCIE 7.307 de 1996 – “Nos contratos de adesão. desde que por escrito em documento anexo ou em negrito. Carlos Alberto. Alexandre Freitas. 34. 7o. p. a fim de lavrar-se o compromisso. da Lei 9. Alexandre Freitas. Curso de Direito Civil. Vicente. Arbitragem – Lei nº 9307/96. 10. Ráo. Ibidem. 14. Monteiro. 8. p. D.

(iii) prazo de vigência de 12 meses. Caso Gerador Durante a diligência legal dos Supermercados Pechincha. 2001.309/96.20. ço financeiro da conhecida montadora nacional. ed.2. Resolução 2. Direito Civil.099/74.20. que também arcará com os custos da manutenção ordinária. Classificação e Características do Contrato. MANCUSO. 3. Contratos e Obrigações Comerciais. vol. e (vi) toda a manutenção dos carros deverá ser feita em oficinas mecânicas credenciadas junto à arrendadora. bra/A. fundamentais para todo o processo de logística e da distribuição das mercadorias. AulAS 23 E 24: lEASINg. Partes do Contrato de Leasing e suas Respectivas Obrigações. (iv) o contrato pode ser rescindido a qualquer tempo pela arrendatária. eMentário de teMas Introdução e Conceito. 6. p. Rio de Janeiro: Forense. para inserção no seu relatório de diligência legal. São Paulo: Atlas. 1.. baseado nas informações fornecidas abaixo. biblioGrafia CoMPleMentar VENOSA. 2006. troca de peças etc. biblioGrafia obriGatória Lei n° 6. os quais podem ser separados em três grandes grupos: os veículos leves. Questões Controversas. que servem para realizar pequenas entregas de compras nas redondezas. Identifique quais os principais aspectos de cada contrato. utilizados pela administração dos supermercados. e os caminhões. obrigando-se a manter os veículos em perfeito estado de funcionamento.20. FGV DIREITO RIO 137 . 349468. Rodolfo de Camargo. foram submetidos à sua análise contratos de “arrendamento mercantil” de veículos da frota do supermercado.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 1. 1. O contrato dos automóveis foi firmado com a Tupinambá Automóveis Arrendamento Mercantil S/A. Leasing. (v) o valor da opção de compra no final da vigência do contrato é quase igual ao valor de mercado dos bens arrendados. 1999. 15. e tem como principais caraterísticas: (i) o montante global das contraprestações a serem pagas pela empresa equivalem a 70% do valor de mercado dos carros objeto do leasing. 1. ed. Sílvio de Salvo.20. tipo vans.3. em sua maioria automóveis compactos. do Conselho Monetário Nacional. MARTINS. Fran. Modalidades.4. (ii) a propriedade dos automóveis é da arrendadora.20. págs.1. 571 a 581. os utilitários.

5. com vistas a permitir o avanço das atividades econômicas sem necessariamente aumentar o endividamento das empresas. não se responsabilizando a financeira pelo bom funcionamento e manutenção dos caminhões. (iii) ao final do prazo contratual. sua utilização iniciou-se nos Estados Unidos. a qual deverá ir ao mercado e adquirir os bens conforme especificados pela cliente. FGV DIREITO RIO 138 . 1º. roteiro de aula a) introdução e Conceito O contrato de leasing também é conhecido no Brasil como arrendamento mercantil. Sua regulamentação obedece a dois diplomas específicos: a Lei nº 6. isto é. (iii) o valor unitário da opção de compra de cada bem é de R$12. 1. ocasião em que a titularidade dos caminhões será transferida. sem previsão legal expressa no código. e é objeto de pouca regulamentação legal. que. irrevogavelmente. durante os quais a arrendatária pagará prestações mensais. Por fim. e (v) em caso de inadimplemento da obrigação do pagamento mensal.CONTRATOs Em EsPÉCIE Os veículos utilitários de médio porte foram objeto de um contrato com a Afro Taboa Administração de Bens Ltda. impôs a criação de normas jurídicas sobre o contrato.099/1974. sobretudo na aquisição de veículos automotores. ela terá a opção de renovar o contrato por prazo semelhante. embora trate mais de seus aspectos tributários.00. o contrato prevê que esse valor deverá ser diluído nas prestações mensais. o contrato de leasing dos caminhões foi celebrado com a instituição financeira Ideal S/A Arrendamento Mercantil. parágrafo único.20. além da opção de compra. e como acontece muito no Direito. No Brasil. embora seja largamente utilizado no comércio. do Conselho Monetário Nacional. sua utilização foi observada a partir da década seguinte. (ii) durante a vigência do contrato.309. tratou de definir. mantidas as demais condições contratuais. notificando a arrendadora previamente. a arrendadora poderá requerer a busca e apreensão dos bens objeto do contrato. pelas empresas e até mesmo pelas pessoas. de 60 (sessenta) meses. Embora sua origem remonte a épocas mais remotas. o contrato logo em seu art. reajustáveis ao final de cada ano de vigência. reajustadas periodicamente conforme a variação do dólar dos Estados Unidos em relação ao Real. (iv) as parcelas serão mensais e sucessivas.. renomada empresa do ramo. na década de 1950. com um pequeno decréscimo no valor das parcelas mensais. ao final do prazo contratual. aos Supermercados Pechincha. sociedade limitada constituída conforme o código civil e cujo objeto social é o de administração de bens móveis próprios ou de terceiros. a verificação de sua utilização. Trata-se de contrato atípico.000. (ii) um prazo de vigência de cinco anos. conforme delegação da referida lei. valendo o pagamento da última parcela como o exercício da opção.00. em função da deterioração normal do bem. e a Resolução nº 2. ainda que timidamente. e (iv) em caso de inadimplemento da obrigação do pagamento mensal. os Supermercados Pechincha poderão solicitar o aumento da frota inicialmente objeto do contrato. e possui como principais cláusulas: (i) todos os custos de manutenção deverão ser arcados pela arrendatária. que efetivamente traz regras sobre os contornos jurídicos do contrato. pelo valor unitário de R$3. a arrendadora poderá requerer a busca e apreensão dos bens objeto do contrato. Todavia.000. entre 10% e 5% do seu valor de mercado. no mundo dos fatos. Esse contrato prevê que: (i) a arrendatária terá uma opção irrevogável de compra dos bens.

como a modalidade do leasing financeiro é a mais comum. corresponde ao leasing no direito brasileiro. Lembre-se sempre: o leasing é um contrato excepcional. Contudo. v. De fato. 37 FGV DIREITO RIO 139 . alguns autores tomam a espécie pelo gênero e confundem os contornos dessa modalidade com a do próprio contrato. O contrato. se inicialmente ele era direcionado às empresas. como se verá. são Paulo: Atlas. o fato de ser multifacetado não faz com que ele deixe de constituir um único negócio jurídico. A nomenclatura de “arrendamento mercantil” sofre algumas críticas na doutrina. atípico. a renovação do contrato ou a compra pelo preço residual conforme estabelecido”. a compra e venda. e prevê a cobrança de juros. nem sempre o caráter financeiro é o que sobressai na contratação do leasing. o mútuo e o mandato. Além disso. Muitas vezes é a transferência da posse sua característica mais importante. 3. como no caso da modalidade operacional. 2006. a noção de arrendamento – equivalente. para quem o contrato é aquele “mediante o qual um agente. ed. se tornam arrendatárias em um contrato de leasing.CONTRATOs Em EsPÉCIE Além dessas normas. como veremos adiante. Suas características serão sempre verificadas no caso concreto. a Lei nº 9. VENOsA. de certa forma. encerra o financiamento do valor global do bem. Como na promessa de compra e venda. Assim. A doutrina o qualifica como uma relação contratual complexa.514/1997 criou a possibilidade de bens imóveis serem objeto de arrendamento mercantil. podem ser inseridas no contrato. Como no mandato. Além desses caracteres mais usuais. inclusive na contramão da tendência moderna de unificação do direito privado. e há quem preferiria chamar essa modalidade contratual de “locação financeira”. Vale ressaltar que boa parte da doutrina o qualifica como uma modalidade de financiamento ao arrendatário. pretendendo utilizar coisa móvel ou imóvel. como a locação. na forma e no tempo devidos. Tanto é assim que a jurisprudência nacional não aplica às operações de arrendamento mercantil a Súmula 492 do STF. cuidado ao ler os textos sobre o tema. No entanto. Portanto. muitas vezes o arrendatário é quem trata da escolha dos bens com o vendedor. Como no mútuo. facultando-se-lhe a final que opte entre a devolução do bem. alugando-o posteriormente a ele por prazo certo. portanto. muitas vezes até sem saber. outras cláusulas que sirvam ao interesse das partes. Uma boa conceituação é fornecida por Silvio Venosa37. como a locação. Todavia. não faria sentido qualificá-lo como mercantil. p. que não se enquadra. composto de elementos de vários contratos típicos. faz com que instituição financeira ou especializada o adquira. a designação de “arrendamento mercantil” é largamente utilizada e. de acordo com as cláusulas contratuais negociadas entre as partes. sem dúvida alguma. transfere a posse do bem para o arrendatário. O que ocorre é que. 571-572. contrariando a orientação anterior que restringia essa modalidade contratual aos bens móveis. obriga a transferência da propriedade do bem mediante o pagamento do valor previsto no contrato. 6. hoje em dia há um sem número de pessoas físicas que. com uma única causa jurídica. sílvio de salvo. Direito Civil. à transferência da posse do bem – encerra apenas um dos aspectos do contrato. atualmente. embora quem vá comprá-lo seja a arrendadora. que cria uma solidariedade entre o locatário e a empresa de locação de automóveis quanto à responsabilidade perante os danos causados a terceiros. em nenhuma fórmula desenhada aprioristicamente pelo legislador. no âmbito da autonomia privada. hoje.

obrigatoriamente. somente operacional. Não precisa. pois a própria manifestação de vontade aperfeiçoa o contrato. deve o arrendatário zelar pela conservação dos bens. embora mantenha a sua propriedade. mas em regra gera sua extinção e o direito de o arrendador se reintegrar na posse dos bens arrendados. pessoas físicas também podem ser parte num contrato de leasing. a renovação do prazo do arrendamento ou a devolução do bem. O arrendatário é aquele que se utiliza do bem. pelo distrato ou pela falência da arrendadora. garantindo a posse mansa e pacífica do seu contratante. 7º da Res. quando o arrendatário poderá escolher entre exercer a opção de compra.309 impõe a forma escrita ao contrato (instrumento público ou particular) e determina a inserção de determinadas cláusulas no seu corpo. A extinção do contrato se dá. Todavia. Seu inadimplemento terá conseqüências diversas conforme o contrato. a redação desse dispositivo foi alterada e. porque o art. é necessária a autorização de funcionamento do BACEN. (vi) por tempo determinado e de execução sucessiva. (iii) solene. Inicialmente. no estatuto. FGV DIREITO RIO 140 . contudo. a existência de cláusula que permita o término antecipado do contrato. A obrigação primordial do arrendador é a de entregar o bem para o arrendatário.099/1974. uma pessoa jurídica. hoje. contanto que não opere com a modalidade financeira. cada período contando como uma parte da relação contratual.. C) Partes do Contrato de leasing e suas respectivas obrigações. a transferência da posse do bem) e para o arrendatário (o pagamento das parcelas convencionadas). pois encerra obrigação para o arrendador (e. Tem também a obrigação de receber os bens de volta ao fim do prazo. respondendo pelos prejuízos que causar ao bem. A expressão “arrendamento mercantil” deve constar de sua denominação. (ii) bilateral. o desenvolvimento dessa atividade. o arrendatário deveria ser. Deve constar do seu objeto social. deve necessariamente ser uma sociedade anônima autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil. ordinariamente. pois ambos os contratantes têm ônus aos quais correspondem deveres. valor e tempo estipulados no contrato. conforme a redação original da Lei nº 6. É também freqüente. expressamente. mediante o pagamento do restante da dívida. conforme determina a Resolução do CMN. pelo fim do seu prazo. (v) comutativo. caso não haja nem a renovação do prazo nem o exercício da opção de compra. mesmo no caso de leasing operacional. g. Finalmente. Há casos também (sobretudo em contratos relativos a equipamentos de informática) em que a renovação implica em troca dos bens por modelos mais modernos ou mais novos. não sendo necessária a entrega da coisa. O arrendador. pelo menos até o exercício da opção de compra. em virtude de sua vigência contínua pelo seu prazo. caso não haja exercício da opção. e é exclusiva desse tipo de sociedade. Ocorre também pelo inadimplemento. em virtude da liquidez e certeza das prestações. A obrigação fundamental do arrendatário é a de pagar as prestações na forma. em prontas condições de uso para a finalidade acordada. (iv) oneroso. ser necessariamente uma instituição financeira. Nos dois casos. principalmente em contratos de leasing financeiro. em que o arrendador responde somente pela manutenção ordinária e pelo desgaste natural do bem arrendado. 2. entretanto. Além disso. São duas as partes do contrato de leasing: o arrendador e o arrendatário.CONTRATOs Em EsPÉCIE b) Classificação e Características do Contrato A doutrina considera o contrato: (i) consensual. o arrendatário possui a obrigação de devolver a coisa no final do prazo contratual.

se a “causa” do contrato é o financiamento. o valor da opção de compra – conhecido comumente como valor residual garantido ou VRG – é de pequena monta se comparado às prestações. para levantar recursos imediatos. na aquisição de um determinado bem. competindo às partes originárias concordarem sobre os demais termos do arrendamento. Finalmente. pois remuneram não só o uso da coisa como também o seu custo de aquisição. Por outro lado. na medida em que. como a elas é permitida a captação de recursos no exterior para fazer frente às suas operações. também conhecido como puro. sobre os quais incidirão juros e que serão pagos nas prestações periódicas previstas no arrendamento mercantil. pois a arrendatária efetivamente recebe recursos em dinheiro oriundos da venda do bem. compra o bem do fornecedor. são relativamente mais altas. d) Modalidades. A variação cambial nos contratos é em regra proibida por força do art. Esse tipo de operação não tem previsão legal no nosso ordenamento. Assim. Uma subespécie de leasing financeiro é o conhecido como sale lease-back. 318 do código civil. o exercício da opção de compra é quase uma certeza. nem mesmo na Resolução nº 2. que transfere a posse dos bens para o arrendatário por um determinado prazo. Nesse caso. As prestações. esse agente deva contratar um financiamento direto em seu nome junto ao fornecedor ou a um banco (onde as taxas de juros em geral são bem mais altas). ocorre que o arrendatário escolhe o bem e o arrendador. que imediatamente transfere (fictamente) a posse dele de volta para sua antiga proprietária. O leasing financeiro. Do ponto de vista prático. é um financiamento. FGV DIREITO RIO 141 . 6º). ao pagar o preço. a regra é que o vendedor esteja no contrato para garantir prazos de entrega. Nessa modalidade. mediante cláusula que reajuste o valor das prestações pela cotação da moeda estrangeira. se admitia sua pactuação nos contratos de arrendamento mercantil. mas desde o antigo Decreto-Lei nº 857/1969. o leasing financeiro clássico e o lease-back são atividades privativas de instituição financeira. já sob a forma de leasing. a interveniência do vendedor do bem no contrato de leasing financeiro. e foi a partir dele que se desenvolveu originalmente esse tipo de contrato. sem que. que vai ao mercado adquiri-lo conforme as instruções do arrendatário. o operacional e o financeiro. por si só. fica com a arrendadora e não com o financiado. não há interveniência da fornecedora original.309. Nesse caso. para a obtenção de capital de giro. art. a Resolução 2. existe a modalidade de leasing operacional. Existem duas espécies – embora a autonomia privada possa criar outras figuras ou até mesmo figuras híbridas – de leasing reconhecidas no direito brasileiro (cf. Nesse caso. Em linhas gerais. Por conta dessas características marcantes de intermediação financeira. em muitos casos. imediatamente após. contudo. o risco da variação cambial pode ser repassado ao arrendatário.CONTRATOs Em EsPÉCIE Existe. em geral o arrendador é o próprio fabricante. obrigando-se ainda a prestar assistência técnica e manutenção nos bens arrendados. outro traço que difere o leasing do financiamento. é o tradicional. como o fato de que a propriedade do bem. mas dotado de características próprias. vende o bem para a empresa de arrendamento mercantil.309). O novo código não alterou essa sistemática. que também foi inserida na Lei do Plano Real (Lei nº 8.880/1994. Geralmente pode ser resilido unilateralmente pelo arrendatário. pois o bem já era de propriedade da arrendatária. em que o arrendatário escolhe os bens a serem objeto do arrendamento.. o bem arrendado é originalmente de titularidade do arrendatário que. sujeitas à regulamentação do Banco Central. transfere sua posse ao arrendatário. ao contrário do que ocorre no mútuo bancário comum. o sale lease-back muito se assemelha ao mútuo. ainda em vigor. Sua lógica econômica é a de constituir um financiamento para um agente econômico (pessoas ou empresas). e. Nesses casos. durante a vigência do contrato. é que o bem não é originalmente de titularidade do arrendador. É claro que o leasing financeiro. especificações técnicas etc. ao contrário do que ocorre no financeiro.

Essa controvérsia tem grande relevância prática. o entendimento que “a cobrança antecipada do valor residual garantido (VRG) não descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil”. no operacional o traço da locação é mais marcante. o contrato de leasing sempre suscitou questões controversas na jurisprudência nacional. Além disso. como a possibilidade de renovação e a manutenção da propriedade do bem com o arrendador. a empresa de arrendamento mercantil). enquanto o consumidor usufruta do bem. a propriedade do bem era automaticamente transmitida ao arrendatário. como não há o caráter financeiro. o inadimplemento gera a resolução do contrato em perdas e danos. todavia. descaracterizando o arrendamento nessa hipótese. com o reflexo correspondente nos contratos de arrendamento mercantil. Nesse caso. existem outras características marcadamente do contrato de leasing que permanecem presentes. quando a mudança do regime cambial brasileiro fez com que a cotação do dólar dos Estados Unidos praticamente dobrasse em menos de um mês. por exemplo. balizada na melhor doutrina. uma parcela do VRG. o valor referente à opção de compra já estaria quitado e. e) questões Controversas. o valor da opção de compra tende a ser expressivo. O consumidor vai à concessionária. atualmente. embora se diluindo o VRG nas demais prestações. o julgamento no RESP 237. apesar da mudança de entendimento do STJ. Talvez pela pouca produção legislativa sobre o tema. sobretudo a partir de janeiro de 1999. Com isso. o valor residual é aquele correspondente à opção de compra conferida ao arrendatário no final do prazo do contrato. nas próprias prestações periódicas. Posteriormente. com o preço sendo financiado pelo vendedor (no caso. Vale ressaltar que. e uma sociedade de arrendamento mercantil financia o valor. embora. pois a descaracterização do leasing implica no impedimento da propositura de ação de reintegração de posse. Esse entendimento chegou a ser cristalizado no STJ. a possibilidade de repassar para as prestações a variação de moeda estrangeira em relação à moeda nacional também gerou uma enxurrada de ações judiciais. FGV DIREITO RIO 142 . deveria ser cobrada necessariamente ao final do contrato. que pacificou. alguns tribunais ainda seguem a linha da Súmula 263. como numa locação comum. Se no leasing financeiro ressalta-se o caráter do mútuo. onde o valor da opção é relativamente pequeno. como já vimos. descaracterizando na hipótese o contrato como leasing. adquiriram maior relevância no cenário jurídico nos últimos anos. A primeira delas é a discussão sobre se a diluição do chamado VRG nas demais prestações do contrato descaracteriza o leasing. sobreveio o cancelamento da Súmula 263 e a subseqüente edição da Súmula 293. No leasing financeiro. escolhe o carro. na corte superior. que editou a Súmula 263. na hipótese de falta de pagamento das prestações acordadas. Parte da doutrina passou a enxergar nesse tipo de ajuste uma compra e venda a prestações disfarçada. Duas delas.230/RS no STJ. a opção de compra. configurando-se o negócio como compra e venda ou como mútuo. de modo que. segundo a qual “a cobrança antecipada do valor residual (VRG) descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil.CONTRATOs Em EsPÉCIE Nesse caso. os contornos próprios do arrendamento mercantil impedem que ele seja caracterizado ou enquadrado como um ou outro. que caracterizaria o contrato. e passou a entender que. as empresas passaram a embutir. Esse impacto foi maximizado pelo fato de que. pois as prestações em regra equivalem somente ao custo pelo uso do bem. no entanto. transformando-o em compra e venda a prestação”. portanto. quando do último pagamento por parte do arrendatário. como visto. Vide. o que só faz aumentar a insegurança jurídica no assunto. Como vimos. mas o arrendador não faz jus à retomada do bem. a compra de automóveis por meio de um leasing financeiro é uma operação corriqueira. a corte reviu o seu posicionamento.

sendo assim. Diante da situação hipotética apresentada acima.CONTRATOs Em EsPÉCIE Como esses contratos previam a variação cambial. 6º da Lei nº 8. quando for o caso. em manifesta desvantagem para o consumidor. o STJ tem optado por uma solução salomônica. um contrato de leasing financeiro em que se previa a cobrança antecipada do valor residual garantido (VRg). pois não há uma relação determinada de correspondência. se este ainda conserva as opções previstas para o término do contrato. as prestações aumentaram vertiginosamente. • na hipótese de serem pagas todas as prestações pelo arrendatário. explicando fundamentadamente o seu ponto de vista. e abordando especialmente os seguintes aspectos: • se a cobrança antecipada do VRg descaracteriza o leasing.) [não relacionada à matéria] • o direito do arrendatário à restituição de todas as parcelas pagas ou das parcelas pagas a título de antecipação do VRg. aplicando-se o Código de Defesa do Consumidor.A. o que estaria em desacordo com o código de defesa do consumidor. e. e.. entre as operações de captação e de financiamento. pela sua estrutura contratual complexa. dividindo pela metade o prejuízo decorrente do aumento das prestações do arrendamento mercantil em virtude da mudança de regime cambial e a conseqüente disparada da cotação da moeda estrangeira (e.6. portanto. por isso. e quais são elas. as empresas de arrendamento mercantil defendiam a liceidade do contrato baseado não só no permissivo legal de variação cambial da Lei nº 8.880/1994. com base na idéia de que o arrendador teria que provar que houve captação de recursos em moeda estrangeira especificamente para o contrato daquele consumidor que estava propondo a ação. que arca com todo o aumento. Por um lado. o que. 2º do CDC. por sua vez.... contudo. Todavia. não haveria porque esta disposição ser afastada pelo Poder Judiciário. questões de ConCurso Petrobras – 2003 – Advogado Júnior A empresa Dinamismo s. 1. diante do inadimplemento de mais de três prestações. Posteriormente. por não cumprimento do contrato. Outros preferiam prestigiar a livre autonomia privada. interpôs ação de reintegração de posse para haver a restituição do bem. • (. sem que.20.. • a hipótese da reintegração de posse proposta pela arrendante. na prática. deveriam ser fulminadas com a nulidade prevista no art. 51. parou de efetuar o pagamento e pleiteou judicialmente a anulação do contrato. • (. que previa a variação cambial.)[não relacionada à matéria]. firmou com a empresa Arrendamento mercantil s. conforme permissão legal. ao alegar que o arrendatário assinou um contrato – sem a existência de qualquer vício –. sobre o qual incidiam juros de 20% ao ano e juros capitalizados. IV. não havendo nenhum tipo de exceção à regra estabelecida no art.A. FGV DIREITO RIO 143 . Essa discussão se arrastou (e ainda se arrasta) nos tribunais. Os consumidores lesados. era impossível. como também sob a alegação de que o leasing. por sua vez. Alguns juízes afastavam o comando do art. pleiteando a perda das quantias pagas pela arrendatária.880/1994. REsp 727899 / DF).A. redija um parecer a respeito da questão. diziam se enquadrar perfeitamente no conceito legal de consumidor. nas tesourarias bancárias e das instituições de arrendamento. quando já havia pago 75% das prestações. seriam abusivas as cláusulas que previam a variação cambial e. g. em dobro. da legislação especial. a jurisprudência tenha chegado a uma conclusão definitiva sobre o assunto. sentindo-se prejudicada com os termos do contrato.. manifestando válida e livremente a sua vontade. A empresa Arrendamento mercantil s. com base na legislação vigente. a empresa Dinamismo s. não se sujeita ao CDC.A. não é contrato de consumo e.

Comissão.br/static/ text/38413. Locação.21. Por exemplo: contratos que possam impedir ou dificultar a aquisição do supermercado ou que possam desvalorizar o supermercado no futuro.1. um panorama com a situação atual dos contratos da empresa. FGV DIREITO RIO 144 . uma sugestão para resolvê-los ou mitigá-los. Leasing. analisando aula por aula e relembrando os casos e discussões deste semestre. (em anexo) 1. assim como questões que possam afetar o funcionamento do supermercado no futuro. AulA 25: RESulTAdO dA dIlIgêNCIA. Acesso em 04. (ii) Lista de contratos que foram objeto da diligência – O aluno deverá incluir em seu relatório não apenas os contratos que foram efetivamente fornecidos em sala de aula. destacando os problemas encontrados e. Seguro. Comodato. Agência.21.ago. Distribuição. Troca ou Permuta. Artigo disponível em http://conjur. Jogo e Aposta.21. Beabá das fusões Due Diligence jurídica garante lisura de operações..2006. eMentário de teMas Compra e Venda. O aluno deverá identificar no relatório os contratos a que teve acesso e os que apenas teve conhecimento. Mútuo. Depósito.1.estadao. Licença e Cessão da Marca. 1. Grana Certa Empreendimentos S. quando possível. Maria Neuenschwander Escosteguy.A. Fiança. Contrato Estimatório.com. Transação e Compromisso. É preciso dar ao cliente. Prestação de Serviços. O relatório deverá conter três partes: (i) Sumário – com a indicação dos pontos que são mais importantes para o cliente. Vale lembrar que o relatório de diligência da área de contratos deve abranger o maior número de questões que possam vir a afetar a aquisição das quotas do Supermercado Pechincha.2. 1. Empreitada. (iii) Descrição de cada contrato e das questões levantadas durante a diligência que possam ser de interesse ao cliente.21. Doação. biblioGrafia obriGatória CARNEIRO.3. trabalHo Hoje os alunos deverão apresentar e discutir em sala de aula o seu relatório da diligência. Consultor jurídico. mas também aqueles sobre os quais obtiveram informações. Mandato. Ao elaborar o relatório. os alunos deverão aproveitar para fazer uma boa revisão da matéria.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.

Alguns autores informam que as due diligences jurídicas teriam surgido a partir do conceito do Direito Romano “diligentia quam suis rebus” (diligência de um cidadão em gerenciar suas coisas). Cabe destacar. é recomendável uma profunda e pormenorizada investigação em todos os aspectos jurídicos de uma companhia objeto de qualquer modalidade de aquisição. Releva esclarecer que a due diligence não existe como figura jurídica autônoma na legislação brasileira. previdenciário e ambiental. ademais. Esta situação demonstra que assuntos concorrenciais podem afetar a avaliação dos ativos adquiridos em uma operação de aquisição de controle. Assunto discutido entre os especialistas é a abrangência dos relatórios de due diligence. Exemplo disso ocorreu recentemente: o controle de uma das 18 empresas do setor de mineração e britas para a construção civil com atuação na região metropolitana de São Paulo condenadas pelo Cade — Conselho Administrativo de Defesa Econômica por formação de cartel para divisão do mercado havia sido adquirido por um novo sócio e. Desta forma. o nível de competição do setor. estabelecimentos. comparado ao primeiro semestre de 2004. podendo ser aconselhável em diversos momentos da negociação. destinando-se sempre à conclusão sobre a viabilidade da operação. está a necessidade de realização das chamadas “due diligences” jurídicas. As due diligences jurídicas podem ser definidas como procedimentos sistemáticos preventivos de revisão e análise de informações e documentos. Contudo. permitindo renegociar o preço final. já que eventuais penalidades aplicadas pela Autoridade Antitruste podem representar a eliminação do ganho naquela aquisição. os quais podem gerar responsabilidades vultosas (imediatas e futuras) e que. Atrelada a este aumento. se não forem bem e previamente dimensionados. foi mesmo na prática empresarial que as due diligences jurídicas se firmaram. conceito este que foi sendo trabalhado em decisões dos tribunais norte-americanos. após a aquisição. poderia buscar a reparação de perdas e danos no Poder Judiciário. implicações financeiras. dentre outros. FGV DIREITO RIO 145 . A identificação de contingências em momento anterior ao closing da operação favorece a empresa interessada. que as due diligences jurídicas devem identificar também passivos decorrentes de potenciais focos de preocupação concorrencial ou mesmo de investigações em curso pelos órgãos de defesa da concorrência. ou mesmo exigir maiores garantias do vendedor. fundos de comércio e dos ativos que as compõem. determinação de responsabilidades ou outras. O Cade expôs que a penalidade havia sido imposta à pessoa jurídica e não a seus acionistas e que se o novo sócio entendia-se lesado. consoante cada caso concreto. houve um aumento de 38% no número de fusões e aquisições. O volume de informações e documentos manuseados em uma due diligence pode ser tão grande que acaba fazendo com que vários profissionais tenham de se acomodar nas sedes das sociedades envolvidas. Esta investigação pode abranger aspectos pessoais dos sócios. trabalhista. não foram apresentadas provas ao Cade de que a empresa teria continuado a participar da colusão. no primeiro semestre de 2005. as particularidades inerentes às operações podem exigir o trabalho conjunto de profissionais de várias áreas. identificar problemas a serem resolvidos após a concretização do negócio. garantias a prestar. Não menos relevante é a identificação dos passivos tributário. avaliação dos riscos inerentes.CONTRATOs Em EsPÉCIE Beabá das fusões due diligence jurídica garante lisura de operações por Maria neuenschwander escosteguy Carneiro Segundo noticiou a Imprensa. podem até mesmo inviabilizar o projeto empresarial. Além disso. o mais adequado é entendê-la como uma metodologia — e não como uma obrigação legal — a ser utilizada opcionalmente pelas partes. visando à verificação da situação de sociedades. Nas fusões e aquisições. o potencial de crescimento do negócio. com vistas à apuração dos riscos ínsitos à atividade desenvolvida pelas empresas.

4 de outubro de 2005. pois. todas as variáveis que merecem ser analisadas antes da conclusão de negócios envolvendo operações de fusões e aquisições de empresas. capazes de demonstrar. FGV DIREITO RIO 146 . com muita clareza e com elevado grau de segurança. Revista Consultor Jurídico. a importância da adoção de cuidadosos procedimentos de due diligence.CONTRATOs Em EsPÉCIE Verifica-se.

residente e domiciliado em Brasília. portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx. representada na forma de seu estatuto social. PROCURAÇÃO Pelo presente instrumento particular de mandato. estipular ou impugnar cláusulas e condições. Ele nos mostrou dois documentos que recebeu do advogado do senhor Eduardo Russo e pediu nossos comentários. o senhor Odin Heiro regateou com o senhor Eduardo Russo o preço das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda. Distrito Federal (“Outorgante”) nomeia e constitui como seu bastante procurador. o senhor Eduardo Russo pretende outorgar uma procuração a seu filho para que ele o represente. inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202. EDUARDO RUSSO. empresário. solteiro. (ii) representar o Outorgante junto às Repartições Públicas. residente e domiciliado em Brasília. Secretaria de Estado de Negócios da Fazenda Estadual. brasileiro. casado. Juntas Comerciais. celebrar. empresário. inscrita no CNPJ sob o n° 002. rescindir e assinar quaisquer contratos em nome do Outorgante. companhia com sede na Rua ABC. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy. Federais. portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx. Cartórios de Protestos de Letras e Títulos. Estaduais. casado. para (i) celebrar quaisquer contratos.22. bem como praticar todos os atos necessários ao fiel cumprimento deste mandato. 2222. conforme minuta em anexo. e considerou que.002. Eduardo Russo Relembrando o que aprendemos na aula de mandato. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy. brasileiro. doravante denominada simplesmente “Compradora”. mesmo com as questões encontradas na due diligence. solteiro. órgãos ambientais e órgãos regulatórios. O primeiro deles é uma minuta de procuração. Não tendo certeza de que poderá comparecer pessoalmente ao evento de assinatura do contrato de compra e venda das quotas. empresário. brasileiro. foi a minuta do contrato de compra e venda de quotas abaixo. Esta procuração terá validade de 30 dias após a data de assinatura do mandato. residente e domiciliado em Brasília. Distrito Federal. JEREMIAS RUSSO. FGV DIREITO RIO 147 .22. a aquisição das quotas do supermercado seria um bom negócio. Caso Gerador Após analisar cuidadosamente nosso relatório de due diligence e resolver as questões relacionadas às marcas do Supermercado Pechincha.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Cartórios de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. AulA 26: ClOSINg! 1. Distrito Federal (“Outorgado”). e EDUARDO RUSSO. que sugestões você poderia fazer na procuração? E se tivéssemos acesso àquela procuração apenas na data da assinatura do contrato e não pudéssemos fazer sugestões antes do closing? Que providência poderia ser tomada para dar mais segurança ao nosso cliente quanto à assinatura do contrato pelo senhor Jeremias? O outro documento que o senhor Odin Heiro nos deu. no fechamento do negócio. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE QUOTAS GRANA CERTA EMPREENDIMENTOS S/A. brasileiro. fomos chamados para ajudá-lo no closing. Jeremias Russo. neste ato representado por seu procurador. alterar.222/0001-22. Cidade e Estado do Rio de Janeiro. inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101. Fica vedado o substabelecimento dos poderes outorgados por este mandato. prorrogar. empresário. Sendo assim. inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101. Municipais e Autárquicas. ou seja.1.

. pelo preço certo e ajustado estabelecido na Cláusula 2.].] da agência [. mediante a assinatura da competente alteração do contrato social da Sociedade. e.00 (duzentos e cinqüenta mil reais) pagos neste ato.] do Banco [. usufrutos ou qualquer outra restrição à posse e/ou a qualquer outro direito inerente a tais Quotas.. nos termos ajustados pelo presente instrumento. 2.. Distrito Federal. com todos os respectivos direitos e obrigações. sociedade com sede na Quadra XYZ. declara que as Quotas foram regularmente integralizadas e se encontram inteiramente livres e desembaraçadas de ônus. O preço certo. plena. representada na forma de seu contrato social.002/0001-00. constantes do item 2.] do Banco [.CONTRATOs Em EsPÉCIE inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202... a qualquer título. Distrito Federal. A transferência das Quotas será formalizada no ato do pagamento pela Compradora. o pagamento das parcelas que perfazem o Preço. da totalidade do Preço devido ao Vendedor.1. O Vendedor e a Compradora (doravante referidos simplesmente como “Partes”) têm.000.000..1 abaixo.. mediante depósito na conta-corrente nº [. CLÁUSULA TERCEIRA – TRANSFERÊNCIA DAS QUOTAS 3.] da agência [.]. doravante denominado simplesmente “Vendedor”. Uma vez creditado na conta-corrente do Vendedor. rasa e geral quitação com relação ao valor pago. na qualidade de interveniente-anuente: PECHINCHA COMÉRCIO VAREJISTA LTDA.. residente e domiciliado em Brasília.1.] do Banco [.. mencionado na Cláusula Segunda. o Vendedor cede e transfere.. Brasília. CLÁUSULA QUARTA . e somente poderá ser alterado por instrumento escrito devidamente assinado por todas as Partes.. o Vendedor outorgará à Compradora. neste ato. turbações.. de acordo com as seguintes cláusulas e condições: CLÁUSULA PRIMEIRA .FORMA DE PAGAMENTO 2. e (b) R$ 250.00 (duzentos e cinqüenta mil reais) a serem pagos em até 90 dias a contar desta data. doravante denominada simplesmente “Sociedade”. e que a Compradora deseja adquiri-las. a ser pago pela Compradora ao Vendedor da seguinte forma: (a) R$ 250. seus sucessores. gravames..2. 1. CLÁUSULA SEGUNDA . ainda. mediante depósito na conta-corrente nº [.00 (quinhentos mil reais) a serem pagos um ano após esta data. Pelo presente Contrato e na melhor forma de direito. CONSIDERANDO QUE: (i) O Vendedor é legítimo possuidor e proprietário de x quotas representativas de 99% (noventa e nove por cento) do capital social da Sociedade (“Quotas”).. O Vendedor... 4. no exercício de qualquer direito previsto neste Contrato deverá ser interpretado individualmente e não poderá ser considerado como renúncia por FGV DIREITO RIO 148 . por meio da entrega pela Compradora ao Vendedor do cheque administrativo nº [.000. inscrita no CNPJ sob o n° 000. justa e contratada a celebração do presente Contrato de Compra e Venda de Quotas (“Contrato”).].000. O não exercício ou atraso por qualquer das Partes e/ou da Sociedade. O presente Contrato é celebrado em caráter irrevogável e irretratável e obriga e aproveita às Partes e à Sociedade.DA COMPRA E VENDA DAS QUOTAS 1. a totalidade de suas Quotas representativas do capital social da Sociedade à Compradora.1 acima. (c) R$ 500.1. e (ii) O Vendedor deseja alienar as Quotas.] da conta-corrente nº [...2.000.1.DISPOSIÇÕES GERAIS 4. total e ajustado para a aquisição das Quotas é de R$ 1.1.] da agência [..1.00 (um milhão de reais) (“Preço”). cessionários e representantes legais.. entre si.. herdeiros. encargos.000.

Nome: CPF/MF Cabe notar que se trata de minuta bem simples e similar à minuta que analisamos em nossa segunda aula. Rio de Janeiro. sendo considerada como mero ato de liberalidade. conforme o caso.1.6.5. 4. (ii) por meio de carta registrada.7. nos termos do artigo 585. 4. 4. 4. Testemunhas: 1. Entretanto. inciso II. para dirimir quaisquer questões oriundas deste Contrato.3. 4. Toda e qualquer alteração das disposições do presente Contrato somente será válida e exeqüível. na presença de 02 (duas) testemunhas. comportam execução específica.9. Na hipótese de qualquer disposição ou parte de qualquer disposição deste Contrato ser tida como nula. entendimentos e declarações anteriores. 4. cabal e exclusivo entre as Partes com relação à compra e venda das Quotas. Fica ajustado entre as Partes que as despesas decorrentes do arquivamento da alteração contratual referida na cláusula 3. Fica eleito o foro da Comarca do Rio de Janeiro. do Código de Processo Civil. as demais disposições serão modificadas para preservar sua exeqüibilidade. por mais privilegiado que possa ser. Tendo em vista que somos advogados da compradora: (a) que alterações poderíamos propor na minuta acima? (b) que novas cláusulas poderíamos sugerir? FGV DIREITO RIO 149 . essa disposição será suprimida e não terá nenhuma força e efeito. a esse respeito. a qualquer tempo. Eduardo Russo Pechincha Comércio Varejista Ltda. O presente Contrato ou quaisquer direitos e/ou obrigações dele oriundos não poderão ser cedidos sem o prévio e expresso consentimento das Partes e da Sociedade. por qualquer motivo.4. 639 e seguintes do Código de Processo Civil. 632. 4.CONTRATOs Em EsPÉCIE qualquer das Partes ou novação de qualquer obrigação contida neste Contrato. E por estarem certas e ajustadas. inclusive quaisquer despesas decorrentes de serviços profissionais por ele contratados.8. [dia] de novembro de 2006. nos termos dos artigos 461. e somente produzirá efeitos. substituindo todos os acordos. O presente Contrato constitui o acordo final. mediante comunicação dada na forma prevista acima. à exclusão de qualquer outro. constitui título executivo extrajudicial. aqui contidas. assinado por 02 (duas) testemunhas. 4. entretanto a respectiva comunicação de alteração de endereço só tornarse-á efetiva após o recebimento pela outra Parte e/ou pela Sociedade. 4. As Partes declaram e reconhecem que o presente Contrato.8.1 do presente Contrato será de exclusiva responsabilidade da Compradora. as Partes assinam este Contrato em 03 (três) vias de igual teor e efeito. Quaisquer dos endereços constantes do preâmbulo poderão ser alterados. anulada ou inexeqüível. orais ou escritos. assim como as obrigações de fazer. Todas as notificações e comunicações a serem feitas com relação ao presente Contrato serão elaboradas por escrito e serão enviadas para os endereços constantes do preâmbulo deste Contrato (i) por meio de Cartório de Títulos e Documentos. ou (iii) com outra comprovação inequívoca de recebimento.10. se essa disposição suprimida prejudicar a execução deste Contrato. Nome: CPF/MF: Grana Certa Empreendimentos S/A 2. se formalizada mediante instrumento escrito assinado pelas Partes e pela Sociedade.

Líder de Projetos do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV DIREITODIREITO RIO. Ex-Procurador. Doutorando e Mestre em Direito Civil pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Trabalhou por mais de 5 anos em escritório no Rio de Janeiro.CONTRATOS EM ESPÉCIE SÉRGIO VIEIRA BRANCO JÚNIOR Professor de direito da graduação e da pós-graduação na FGV DIREITODIREITO RIO. Graduado em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Ex-professor de Direitos Autorais da UERJ.Chefe do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação – ITI. Autor do livro “Direitos Autorais na Internet e o Uso de Obras Alheias”. FGV DIREITO RIO 150 . Especialista em Propriedade Intelectual pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio. Ex-Coordenador de Desenvolvimento Acadêmico do Programa de Pós-Graduação da FGV Direito Rio.

CONTRATOs Em EsPÉCIE FICHA TÉCNICA fundação getulio Vargas carlos ivan simonsen leal presidente fgV direito rio Joaquim falcão diretor fernando penteado VICE-DIRETOR ADmINIsTRATIVO luís fernando schuartz VICE-DIRETOR ACADÊmICO sérgio guerra VICE-DIRETOR DE PÓs-GRADUAÇÃO PROFEssOR COORDENADOR DO PROGRAmA DE CAPACITAÇÃO Em PODER JUDICIÁRIO luiz roberto Ayoub ronaldo lemos COORDENADOR DO CENTRO DE TECNOLOGIA E sOCIEDADE evandro menezes de carvalho rogério barcelos COORDENADOR ACADÊmICO DA GRADUAÇÃO COORDENADOR DE ENsINO DA GRADUAÇÃO tânia rangel COORDENADORA DE mATERIAL DIDÁTICO COORDENADORA DE ATIVIDADEs COmPLEmENTAREs Ana maria barros Vivian barros martins COORDENADORA DE TRABALHO DE CONCLUsÃO DE CURsO COORDENADOREs DO NÚCLEO DE PRÁTICAs JURÍDICAs COORDENADORA DE sECRETARIA DE GRADUAÇÃO COORDENADOR DE FINANÇAs COORDENADORA DE mARKETING EsTRATÉGICO E PLANEJAmENTO lígia fabris e thiago bottino do Amaral Wania torres diogo pinheiro milena brant FGV DIREITO RIO 151 .