P. 1
Contrato s

Contrato s

|Views: 189|Likes:
Publicado porAna França

More info:

Published by: Ana França on Jan 13, 2013
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

12/08/2014

pdf

text

original

CONTRATOS Em ESPÉCIE

por: Carolina Sardenberg SuSSekind CriStiano ChaveS de Melo laura FragoMeni

2ª edição

roteiro de curso 2008.2

Contratos em Espécie
introdução .................................................................................................................................................. 03 1.1. AulA 1: clAssificAção dos contrAtos. elementos essenciAis. ........................................................................... 06 1.2. AulA 2: contrAto de comprA e VendA ............................................................................................................. 10 1.3. AulA 3: contrAto de comprA e VendA (cont.)- cláusulAs especiAis dA comprA e VendA .......................................... 26 1.4. AulA 4: trocA ou permutA. contrAto estimAtório........................................................................................... 31 1.5. AulA 5: doAção .......................................................................................................................................... 33 1.6. AulA 6: contrAto de locAção. locAção de coisAs. ............................................................................................ 38 1.7. AulA 7: contrAto de locAção (locAção de prédios urbAnos –– locAção residenciAl) ........................................... 43 1.8. AulA 8: contrAto de locAção ....................................................................................................................... 48 1.9. AulA 9: empréstimo (comodAto) ................................................................................................................... 52 1.10. AulA 10: empréstimo (mútuo)..................................................................................................................... 57 1.11. AulA 11: prestAção de serViços. empreitAdA ................................................................................................ 61 1.12. AulA 12: depósito ..................................................................................................................................... 64 1.13. AulA 13: mAndAto ..................................................................................................................................... 67 1.14. AulAs 14 e 15: comissão. AgênciA e distribuição (representAção comerciAl)..................................................... 71 1.15. AulA 16: Análise de contrAtos ................................................................................................................... 92 1.16. AulA 17: licençA e cessão de mArcAs............................................................................................................ 93 1.17. AulAs 18 e 19: Jogo e ApostA. seguro.......................................................................................................... 120 1.18. AulAs 20 e 21: fiAnçA. .............................................................................................................................. 125 1.19. AulA 22: trAnsAção. compromisso. ........................................................................................................... 129 1.20. AulAs 23 e 24: leAsing.............................................................................................................................. 137 1.21. AulA 25: resultAdo dA diligênciA.............................................................................................................. 144 1.22. AulA 26: closing! .................................................................................................................................... 147

sumário

CONTRATOs Em EsPÉCIE

INTROduçãO

1.1 Visão Geral Bem-vindo ao Curso de Contratos em Espécie! Esta disciplina é de suma relevância, pois qualquer que seja o ramo do direito que venha a ser escolhido pelo aluno no futuro, seja público ou privado, uma boa base em direito civil, incluindo contratos em espécie, será sempre exigida. Aliás, independentemente do ramo de atividade escolhido, o conhecimento de contratos em espécie é fundamental, tendo em vista que diariamente nos deparamos com inúmeros contratos, seja, no aluguel de um imóvel, em um empréstimo no banco, ou mesmo na simples compra de uma passagem de ônibus. Veremos que o novo Código Civil (Lei nº 10.406/2002) incluiu, no rol de contratos em espécie, contratos que anteriormente eram tratados apenas pelo Código Comercial, como o contrato de comissão, agência e distribuição. Em nossas aulas estudaremos boa parte dos contratos nominados ou típicos, ou seja, aqueles disciplinados no Código Civil, assim como alguns contratos inominados ou atípicos, que, embora não sejam previstos e disciplinados expressamente pela lei, são lícitos e parte do dia-a-dia do intérprete do Direito, como o contrato de leasing e o contrato de cessão de marca.

1.2 objetiVos Gerais O mercado exige, cada vez mais, a participação do advogado como viabilizador do negócio, auxiliando o executivo a negociar o contrato e atuando sempre na advocacia preventiva. Desta forma, nosso objetivo, além de ensinar (é claro), será o de fazer com que o aluno conheça os diversos tipos de contrato e saiba identificar seus requisitos necessários e seus vícios para a conclusão do negócio. Queremos preparar o aluno não apenas para a prova, mas principalmente, provê-lo com as ferramentas (objetivo do curso) que o habilite a identificar as características dos principais contratos do nosso ordenamento jurídico, não só com a abrangência que a matéria requer, mas também com a profundidade necessária de um bom enfoque acadêmico e prático, para que, com isso, ele possa ter um diferencial na sua vida profissional.

1.3 MetodoloGia A metodologia do curso será participativa com exposição dialogada e debates sobre casos propostos. Na próxima aula apresentaremos o caso mestre, que será o fio condutor da disciplina. Por meio dele, os alunos serão convidados a integrar a equipe responsável pela análise de contratos em uma due diligence fictícia. Dessa forma, os alunos terão contato com as diversas espécies de contratos e com os possíveis problemas enfrentados no dia-a-dia de um advogado. Adicionalmente, em todas as aulas serão apresentadas questões, relacionadas ao tema exposto para que sejam debatidas em aula. Para tanto, vale lembrar que: – como todas as aulas serão participativas, a leitura prévia do material didático e da leitura obrigatória é indispensável. – a indicação da bibliografia obrigatória e da bibliografia complementar deve servir de base para o aluno. Espera-se, porém, que o aluno pesquise textos adicionais que possam dar enfoques diferentes ou mais profundos sobre o mesmo tema.
FGV DIREITO RIO 3

que será somado na segunda prova. A discussão de casos em todas as aulas servirá justamente para estimular o aluno a pensar a teoria na prática. Participação em aula: Os alunos deverão participar ativamente das aulas. e (iv) participação em sala de aula.Manual do Professor. Caso haja modificação no cronograma que implique em alteração na data das provas.0 (seis) pontos. Para os alunos que fizerem a prova final. a média de aprovação a ser alcançada é de 6. A participação do aluno em aula valerá até 2.4 desafios Tendo em vista o grande número de contratos no Código Civil e a abrangência da matéria. 1.0 pontos na nota da segunda prova. salvo orientação distinta por parte do professor. conhecimento e discussão dos casos apresentados.0) + participação (2.5 Métodos de aValiação O desempenho do aluno na disciplina Contratos em Espécie será avaliado por meio das seguintes atividades: (i) uma prova escrita a ser realizada no início de outubro. As provas serão compostas de até cinco questões. Prova escrita: Para ambas as provas o aluno poderá consultar a legislação pertinente. (iii) um trabalho a ser entregue individualmente pelos alunos. presença e pontualidade nas aulas.0 (dois) pontos. para elaborar as respostas. A primeira prova valerá de 0 (zero) a 5. e. em casos práticos. a primeira prova será realizada na primeira semana de outubro e a segunda prova será realizada na semana de 21/11 a 24/11. é saber aplicar o conhecimento teórico. conforme a participação do aluno durante o curso.0 (quatro) estará automaticamente reprovado na disciplina. a qual será obtida conforme fórmula constante no Manual do Aluno . Poderá ser atribuído até 2.0 (oito) pontos.0 (quatro) pontos.0 (cinco) pontos.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. A princípio. adquirido a partir do estudo e de pesquisa. A segunda prova valerá de 0 (zero) a 8. nas quais o aluno deverá demonstrar o domínio da matéria em casos teóricos e práticos. A média do aluno será obtida da seguinte forma: Média final = primeira prova (5. O aluno que obtiver média inferior a 4. um dos principais desafios a serem enfrentados pelos alunos nesta disciplina.0 (cinco) pontos e será somada ao trabalho que também valerá de 0 (zero) a 5. sem comentários ou anotações.0) + Segunda prova (8.0 (sete) e superior ou igual a 4.0) 2 O aluno que obtiver média inferior a 7. somente com remissões a artigos e súmulas dos tribunais superiores. nova data e horário serão divulgados com antecedência para os alunos. (ii) uma prova escrita a ser realizada na última aula do curso. deverá fazer uma prova final.0) + trabalho (5.. A avaliação por participação será feita com base no interesse demonstrado pelo aluno. leitura do material indicado. FGV DIREITO RIO 4 .

Os pontos adicionais serão somados à nota da segunda prova. o professor poderá propor atividades adicionais que valerão 0. FGV DIREITO RIO 5 . Ao longo do curso serão fornecidas mais informações sobre como elaborar o trabalho. conforme os casos apresentados durante as aulas.5 (meio ponto) cada uma. cada aluno deverá apresentar relatório apontando os problemas encontrados na diligência legal. Caso haja modificação no cronograma que implique em alteração na data da entrega do trabalho. nova data e horário serão divulgados com antecedência para os alunos.CONTRATOs Em EsPÉCIE trabalho: Na segunda semana de novembro. as formas de solucioná-los. quando possível.6 atiVidades CoMPleMentares Dependendo do andamento das aulas. 1. seus riscos e.

AulA 1: ClASSIfICAçãO dOS CONTRATOS. São elementos constitutivos: – vontade manifestada por meio de declaração.1. Classificação dos contratos.1. vol. págs. Aspectos Controvertidos do Novo Código Civil. aprenderam os seguintes tópicos: (i) princípios da nova teoria contratual. Instituições de Direito Civil. 27 a 48. Negócio Jurídico – Existência.3. Saraiva. 30 a 35. vol. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Antonio Junqueira de. (iii) formação dos contratos. In ARRUDA Alvim. (ii) interpretação dos contratos. Nosso curso será voltado ao estudo dos contratos em espécie. Rever aula 2 do curso de Teoria Geral das Obrigações e dos Contratos. Validade e Eficácia.1. b) existência e validade do contrato Sendo o contrato um negócio jurídico. 3. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. São Paulo: Ed. págs. Arnoldo. a ele são aplicáveis os mesmos elementos constitutivos e os pressupostos de validade do negócio jurídico1. Direito Civil. Joaquim Portes de Cerqueira César e Roberto Rosas (coord). 1 FGV DIREITO RIO 6 . Dentre outros. eMentário de teMas: Introdução. • AZEVEDO. e (v) extinção dos contratos.2. – idoneidade do objeto. 1. Hoje. roteiro de aula a) introdução No semestre passado. Existência e validade do contrato. porém.1. • PEREIRA. 2002. quando da substância do ato. os alunos tiveram oportunidade de fazer o curso de Teoria Geral das Obrigações e dos Contratos. págs 59 a 77. analisaremos os elementos e requisitos para existência e validade do contrato e a classificação dos contratos.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. 2003. biblioGrafia CoMPleMentar: • WALD. Rio de Janeiro: Forense. Caio Mário da Silva. biblioGrafia obriGatória: • RODRIGUES. A evolução do contrato no terceiro milênio e o novo Código Civil. 1. São Paulo: Saraiva. – forma. 2002. 2005.1. (iv) revisão dos contratos. ElEmENTOS ESSENCIAIS. III.1. 1. 1. Silvio.4..

o que ocorre é uma promessa de contratar. Qual é a importância de distinguir o contrato comutativo do aleatório? [ii – classificação dos contratos quanto ao seu aperfeiçoamento:] – Consensuais e reais O contrato consensual não requer a entrega do bem para aperfeiçoamento do contrato. 104 do Código Civil: – agente capaz. cada autor tem um enfoque diferente ao tratar dessa matéria. O donátario recebe algo do doador e nada lhe dá em retorno. determinado ou determinável. possível.CONTRATOs Em EsPÉCIE Caso um desses elementos não esteja presente. Nesta aula usaremos por base a metodologia de Silvio Rodrigues. Já no contrato real. Já os contratos gratuitos envolvem sacríficio econômico para apenas uma das partes e consequentemente vantagem patrimonial a apenas uma delas. Uma mesma espécie de contrato pode ser classificada de inúmeras maneiras. o contrato em si é um ato bilateral. Qual é a importância de distinguir o contrato gratuito do oneroso?– Comutativos e aleatórios Essa distinção aplica-se apenas aos contratos bilaterais e onerosos. O exemplo tradicional de contrato gratuito é a doação sem encargo. conforme o ponto de observação do estudo. no máximo. exige apenas o consentimento das partes. Os requisitos de validade estão previstos no art. Exemplo: contrato de compra e venda de bem móvel. o negócio jurídico nem mesmo existirá. Relacionamos abaixo alguns exemplos: [i – classificação dos contratos quanto a sua natureza:] – Unilaterais e bilaterais Afinal. mas recomendamos que o livro de Caio Mario da Silva Pereira2 também seja estudado. 2 FGV DIREITO RIO 7 . Conforme bibliografia complementar. o contrato será nulo ou anulável O elemento novo e inerente ao contrato é o acordo entre duas partes sobre determinado assunto. certo? Como podemos dizer que um contrato é unilateral? Qual é a importância de distinguir o contrato unilateral do bilateral? – Onerosos e gratuitos Os contratos onerosos envolvem sacrifícios e vantagens patrimoniais a ambas as partes. C) Classificação dos contratos Qual é o objetivo de classificar os contratos? Embora haja consenso na doutrina sobre boa parte da classificação dos contratos. o mero acordo entre as partes não é suficiente para constituir o contrato. – objeto lícito. – forma prescrita ou não defesa em lei. Estando ausente algum desses requisitos.

A recíproca. As peculiaridades do contrato preliminar estão previstas nos arts. [iv – classificação dos contratos quanto ao seu relacionamento com os demais contratos:] – Principais e acessórios O contrato que independe de outro para existir é o contrato principal. existe em função de outro contrato. FGV DIREITO RIO 8 .406/2002.CONTRATOs Em EsPÉCIE Isso ocorre. Como pela regra geral. alguns casos em que o legislador achou por bem determinar forma para a validade do ato. trata-se do contrato que trata do assunto definitivamente. apesar de não estarem disciplinados em lei. no entanto. se o contrato principal é nulo. porém. nulo será o contrato acessório. Há. conforme a espécie de contrato. 425 da Lei nº 10. 462 a 644 da Lei nº 10. O contrato acessório. Inominados ou atípicos são os contratos que. [v – classificação dos contratos quanto ao momento de sua execução] – Execução instantânea e de execução diferida no futuro Qual é a importância de distinguir o contrato de execução instantânea do contrato de execução diferida no futuro? [vi – classificação dos contratos quanto ao seu objeto] – Definitivo e preliminar O contrato preliminar tem sempre como objeto a realização de um contrato definitivo. são permitidos quando lícitos. não é verdadeira. É o caso do contrato de compra e venda de imóvel de valor superior a 30 (trinta) vezes o maior salário mínimo vigente no país e que tem que ser feito por escritura pública (art. o acessório segue o principal. 108 da Lei nº 10. se o mutuante não empresta o dinheiro ao mutuário. não há forma prescrita em lei para que sejam válidos. A fiança é um bom exemplo de contrato acessório ao contrato de locação. – Solenes e não solenes Geralmente os contratos são não solenes. Qual é a importância de distinguir o contrato solene do não solene? [iii – classificação dos contratos quanto a sua sistematização:] – Nominados e inominados Nominados são os contratos previstos e regulados por lei. no mútuo. ou seja. em razão do princípio da autonomia da vontade (art. Como diz o próprio nome. o contrato não se aperfeiçoa por mais que haja um contrato entre mutuante e mutuário. O contrato definitivo pode ter vários objetos.406/2002). já que o contrato principal sobrevive sem o contrato acessório. por sua vez. por exemplo.406/2002).

1. b. d. ou seja.CONTRATOs Em EsPÉCIE [vii – classificação dos contratos quanto à maneira como são formados] – Paritários e de adesão Ao contrário do contrato paritário. joGo – disCussão eM sala de aula Contrato/ Classificação Unilateral Bilateral Oneroso Gratuito Comutativo Aleatório Consensual Real Solene Não solene Nominado Inominado Principal Acessório Execução Instantânea Execução diferida no futuro Definitivo Preliminar Paritário De adesão Compra e Venda locação doação Empréstimo fiança mandato fornecimento de energia FGV DIREITO RIO 9 . Os artigos 423 e 424 mostram a preocupação do legislador em tentar preservar o aderente. no qual as partes discutem os termos do negócio.1ª fase) o contrato real é um contrato: a. no contrato de adesão não há espaço para negociação. Que tem por objeto coisas corpóreas. As regras foram previamente estipuladas por uma das partes. 1. questões de ConCurso (Prova: 10º exame de ordem . 1. cabendo a outra parte aceitá-las ou rejeitá-las em sua totalidade. c.6. Em que a entrega da res é pressuposto da sua existência. aquele que não pôde negociar as cláusulas do contrato. Efetivamente existente.5. Formal.1.

In CASTRO.). São Paulo: Ed. 205-219. BRUNA. 481 a 504 da Lei nº 10. Fusões e aquisições: aspectos jurídicos e econômicos. vol. rapidamente ocupou um lugar cativo na vizinhança e a freguesia se tornou cada vez mais fiel. a pequena empresa de Eduardo e Mônica foi experimentando um contínuo sucesso e o negócio foi crescendo junto com seus filhos gêmeos. alugando outras e. Cerca de dez anos após o começo das atividades. Dessa forma. 2002. o senhor Eduardo foi paulatinamente transferindo a administração de seus negócios para seus filhos.1. mesmo diante da resistência inicial de seus pais e seu irmão. transferindo o fundo de comércio para a Pechincha Ltda. Maria Lúcia sempre teve tino para os negócios. ARAGÃO. e recebeu autorização deles para iniciar as conversas com o interessado.). abriram o primeiro mercadinho. e sempre foi capaz de enxergar uma boa oportunidade. Rodrigo R. Eduardo e sua mulher. FGV DIREITO RIO 10 . • ABLA. eMentário de teMas: Introdução – Natureza Jurídica – Elementos – Despesas do Contrato e Garantia – Riscos da Coisa – Limitações à Compra e Venda – Regras Especiais 1. Com o passar do tempo. págs. quando nosso cliente a procurou para lhe fazer uma proposta de compra da Pechincha Ltda. págs. • RODRIGUES. o senhor Eduardo ampliou seus negócios e hoje é sócio majoritário de uma sociedade que possui uma modesta rede de supermercados. sendo que antes decidiu conferir a Eduardo e Mônica a condução dos seus negócios. Monteiro de. Um velho comerciante de Brasília resolveu aposentar-se e voltar a morar com a filha.2.3. Reorganização societária.4. vendendo-lhes algumas posses.2. Com o passar dos anos.. de uma maneira geral. 2002. a Pechincha Comércio Varejista Ltda. conseguiu convencê-los de que se tratava de uma chance de ouro para a família. AulA 2: CONTRATO dE COmPRA E VENdA 1. na década de 80. 1.2. São Paulo: IOB. Silvio. Leandro Santos de (coords. Caso Gerador O Sr. 137 a 169.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. O que começou com uma loja de conveniência.2. Jairo (org. Direito Civil.406/2002. 1. foi brindada com uma oportunidade de expansão dos seus negócios.2. págs. biblioGrafia obriGatória: • Arts. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Sérgio Varella. Jeremias e Maria Lúcia. Saraiva. dona Mônica. que visava atender apenas a região. porém. Due diligence – identificando contingências para prever riscos futuros. 99-121. no interior de São Paulo. Sucessão Empresarial – Declarações e Garantias – O Papel da Legal Due Diligence. em Brasília. A partir de então. biblioGrafia CoMPleMentar: • NEJM. Edmundo. Maristela Sabbag. São Paulo: Quartier Latin.2. com três lojas e um armazém. 2005. In SADDI. 3.

chamado de critério de materialidade.CONTRATOs Em EsPÉCIE Nosso cliente. presidida pelo senhor Odin Heiro. Como de costume em negócios deste gênero. com negócios na área atacadista pretende começar a atuar no segmento de distribuição alimentícia. Para tanto. motivo que o levou a se interessar pela Pechincha Ltda. que é um investidor profissional. de forma que os potenciais compradores saibam o que realmente estão comprando. como permuta. Não é à toa que essa é a primeira espécie a ser tratada pelo Código Civil. verbal ou escrito. Em nosso dia-a-dia realizamos inúmeras operações de compra e venda. quando saímos para jantar. a tarefa de fazer a diligência legal na área de contratos da Pechincha Ltda. a obrigação de transferir a coisa vendida. a diligência é feita apenas nos processos judiciais ou administrativos. vislumbrou a possibilidade de expandir ainda mais os negócios. Ao fim do processo de diligência legal.2.? Quais os riscos que. sejam eles tributários. roteiro de aula a) introdução O contrato de compra e venda. Esse relatório serve de instrumento para que o potencial comprador pondere se deve prosseguir com a aquisição do negócio. Por exemplo.5. é a espécie mais comum dos contratos. Isso normalmente se dá por meio de uma análise de todas as operações da empresa. a companhia Grana Certa Empreendimentos S/A. Nesses casos. com o exame criterioso de seus contratos. contratos e demais áreas que envolvam valor igual ou superior ao critério de materialidade. e. Porém. Coube a nós. muitas vezes é elaborado um relatório descrevendo a situação da empresa. para o comprador. Como você. muitas vezes sem prestar atenção. destacando todos os pontos e questões identificados durante o processo de diligência legal e que podem afetar a situação financeira e legal da companhia. nosso primeiro trabalho será realizar uma due diligence ou diligência legal ou auditoria jurídica na companhia Pechincha Ltda. sendo que outros contratos. O contrato de compra e venda gera: para o vendedor. quais são os riscos a que estaria submetido. na qualidade de advogado da Grana Certa S/A. cíveis. compramos um chiclete na barraquinha. e a escassez de bons supermercados na região. trabalhistas. o domínio do bem alienado. A diligência legal tem por objetivo conhecer os aspectos jurídicos da empresa. começaria o processo de diligência? Quais seriam os primeiros contratos que você solicitaria ao advogado da Pechincha Ltda. a obrigação de pagar o preço ajustado. O resultado de uma diligência legal pode determinar o sucesso ou não da operação e geralmente influi no preço a ser pago. ou seja. estamos realizando pequenas operações de compra e venda. Além disso. considerando o negócio por ela desenvolvido. O contrato de compra e venda não gera efeitos reais. 3 FGV DIREITO RIO 11 . ambientais etc. vamos ao supermercado. os compradores estabelecem um valor base para análise dos aspectos jurídicos. você concentraria mais sua atenção? Que problemas você vislumbra que ela pode ter nos contratos existentes? 1. bem como de uma tentativa de identificação de suas dívidas ou passivos mais relevantes. deveremos solicitar todos3 os contratos da empresa a ser adquirida. se o fizer. então. a transferência do domínio só ocorre com a tradição (entrega) do bem. não transfere. no caso de Dependendo do tamanho da empresa. são regulados também pelas disposições do contrato de compra e venda. por si só. dada a fidelização da clientela do senhor Eduardo.

Todavia. Não se exige. expressa na desproporção manifesta entre o valor da coisa transferida e o preço acordado. sem medo de errar. e o outro. C) elementos: Os elementos do contrato de compra e venda encontram-se destacados em negrito no artigo 482 acima. e com o registro do título de compra no Registro de Imóveis na hipótese de bem imóvel. inclusive perante terceiros.406/2002) Os artigos 481 e 482 da Lei 10. [sinalagmático (ou bilateral)] Envolve prestações recíprocas de ambas as partes. o contrato é realizado. que envolvem transferência de seu patrimônio. quando pura. [oneroso] Tanto o comprador quanto o vendedor tem prestações a cumprir. A partir da leitura desses dois artigos. Pode-se dizer. 1. válido e plenamente eficaz. O correspondente gratuito da compra e venda é a doação. quais sejam: FGV DIREITO RIO 12 . mas somente entre as partes. é necessária a realização de contrato escrito mediante escritura pública e seu registro no RGI para que gere efeitos perante terceiros. (arts. Tanto é assim que a compra de um chiclete no baleiro da esquina perfaz uma compra e venda perfeita.245 da Lei n° 10. “Art. Importante: o contrato de compra e venda de imóvel realizado por meio de instrumento particular é negócio jurídico existente. que só será obrigatória quando prevista especificamente em lei. embora não formalizada em contrato escrito. O comprador deve entregar o preço enquanto o vendedor deve entregar a coisa. a pagar-lhe certo preço em dinheiro”. para algumas espécies de compra e venda. desde que as partes acordarem no objeto e no preço”.406/2002 dispõem: “Art. considerar-se-á obrigatória e perfeita. um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa. Na venda de bem imóvel de valor superior a 30 (trinta) vezes o maior salário mínimo vigente no país. Existem outros contratos que.CONTRATOs Em EsPÉCIE bem móvel. Cite um exemplo. formalidade específica para o contrato de compra e venda. Estando ambas de acordo com o objeto e o preço. A gratuidade da compra e venda. A compra e venda. não se pode esquecer que. Pelo contrato de compra e venda. desfigura o contrato.267 e 1. podemos extrair a natureza jurídica e os elementos do contrato de compra e venda. 482. embora não necessitem de formalidades especiais para seu aperfeiçoamento. necessitam de um determinado registro para que a tradição do bem – apesar de móvel – tenha sua eficácia plena. a observância de determinadas formalidades poderão alterar os efeitos do contrato. b) natureza jurídica: [consensual e (em regra) não solene] Depende apenas da vontade das partes. que a maioria esmagadora das operações de venda é feita sem formalidades específicas previstas em lei. 481. em regra.

ou seja. Ou seja. Por quê? Isso não quer dizer. a lei permite que o preço não esteja determinado no contrato e que as partes indiquem: (i) terceiro para fixá-lo. porém. As partes podem. conta que está super empolgada com o presente que ganhou do namorado. Sendo assim. O preço deve ser determinado ou determinável. – É possível alienar algo que não existe? Nada impede que seja contratada a alienação de um bem que ainda não existe. porém. Mônica. você explica que esse presente. E agora? Não é possível. Relembrando: Condição potestativa é aquela que é sujeita ao puro arbítrio de uma das partes.406/2002. ou (ii) taxa do mercado ou da bolsa. mesmo antes da construção dos prédios. A fixação do preço em regra segue o livre consentimento das partes. que é possível alienar um empreendimento imobiliário. todas as coisas que não estejam fora do comércio podem ser objetos do contrato de compra e venda. [coisa] Em teoria. pois nesse caso seria uma hipótese de condição potestativa4. Qual seria um outro exemplo de venda de coisa futura? d) despesas do contrato e garantia Em regra. qualquer fórmula estipulada para fixação do preço é permitida. Os bens imateriais. ou (iii) índices ou parâmetros. no direito brasileiro. Imagine que Eduardo inovou desta vez: comprou-lhe a constelação das Três Marias!!! Ela lhe pergunta quanto vale esse presente. desde que possam ser determinados objetivamente. em certo e determinado dia e local. o preço não deve ser irrisório. de acordo com a combinação das partes. ou intangíveis. Pode o preço. 4 FGV DIREITO RIO 13 . Tanto é assim. que só podem ser objetos de venda os bens tangíveis. vedada pela Lei n° 10. ser ajustado no tempo. Por quê? Além disso. Um pouco constrangido (a) com a situação. o preço deve ser pago em dinheiro. estabelecer regra diversa. Como visto acima. pois senão pode ser considerado uma doação e não uma compra e venda. também podem ser alienados. Ele representa a obrigação de transferir um bem no presente ou no futuro.CONTRATOs Em EsPÉCIE [consentimento ] Comprador e vendedor têm que chegar a acordo quanto ao objeto e o preço. mesmo após a tradição do objeto o preço pode estar sujeito a ajustes posteriores. embora possa ter muito valor sentimental. estabelecer que o preço será fixado de acordo com a vontade de apenas uma das partes. Sua amiga. as despesas de escritura e registro ficam a cargo do comprador e as despesas com a tradição ficam sob responsabilidade do vendedor. Marvin (comprador) e Vital (vendedor) firmaram contrato de compra e venda no qual deixaram de definir o preço. o contrato de compra e venda não transfere o domínio do bem. [preço] Conforme artigo 481 da Lei n° 10. não tem qualquer valor econômico. como as marcas e o fundo de comércio. deve haver uma proporcionalidade entre o valor da coisa e seu preço. inclusive.406/2002. entretanto. Como vimos anteriormente.

ou que estejam sob sua administração. ainda que em hasta pública. ainda que em hasta pública. quem tem que cumprir primeiro com sua obrigação: o vendedor ou o comprador? Além disso. mas sim da posição na relação jurídica. peritos e outros serventuários ou auxiliares da Justiça não podem comprar. os riscos da coisa correm por conta do vendedor. os riscos com a coisa são do vendedor. Esta hipótese é uma exceção ao princípio da Res perit domino. os riscos com a coisa correm por conta do comprador quando: – a coisa encontra-se à disposição do comprador para que ele possa contar. tempo e modo acertado. que o vendedor arcasse com os riscos da coisa. os bens ou direitos sobre que se litigar em tribunal. a coisa se deteriora. arbitradores. até o momento de sua efetiva entrega ou registro. Isto ocorre nas seguintes situações: – tutores. a coisa continua a pertencer ao alienante. Há uma diferença entre elas. 5 FGV DIREITO RIO 14 . 495 está em consonância com a previsão da exceção de contrato não cumprido5 estudada anteriormente. que “até o momento da tradição. 492. Porém. testamenteiros e administradores não podem comprar. direta ou indireta. até que aquela satisfaça a que lhe comete ou dê garantia bastante de satisfazê-la”. – houver mútuo acordo entre as partes. Essa vedação não resulta da incapacidade das pessoas para realizar essa operação. os bens confiados à sua guarda ou administração. os bens ou direitos da pessoa jurídica a que servirem. – juízes. f) limitações à compra e venda A lei veda que determinadas pessoas participem de compra e venda. secretários de tribunais. até que o comprador lhe dê garantia de que efetuará os pagamentos no prazo ajustado. – servidores públicos não podem comprar. depois de concluído o contrato. – o comprador solicita que a coisa seja entregue em local diverso daquele que deveria ser entregue. no caso de venda a termo. curadores. entretanto. pois neste caso não houve a tradição da coisa. ou a que se estender a sua autoridade. no lugar onde servirem. no art.406/2002: “se. uma vez que cumpriu sua parte do contrato. No caso. – o comprador está em mora de receber a coisa. que foi posta à disposição pelo vendedor no local. Essa regra do art. eles não têm legitimidade para realizar determinadas operações. juízo ou conselho. Qual é? e) riscos da coisa Res perit domino – princípio segundo o qual a coisa perece em poder de seu dono. Não seria justo. ainda que em hasta pública. e os do preço por conta do comprador”. sobrevier a uma das partes contratantes diminuição em seu patrimônio capaz de comprometer ou tornar duvidosa a prestação pela qual se obrigou. sofrendo este os prejuízos. Por isso. em razão de caso fortuito ou força maior. pode a outra recusar-se à prestação que lhe incumbe. Esse princípio foi utilizado pelo legislador ao determinar. Art.CONTRATOs Em EsPÉCIE No contrato de compra e venda à vista. se o comprador torna-se insolvente. Tendo em vista que a celebração do contrato de compra e venda não é suficiente para transferir o domínio da coisa até o momento da tradição (para bens móveis) e do registro (para bens imóveis). o vendedor pode deixar de entregar a coisa. 477 da Lei nº 10. marcar ou assinalar a coisa e.

[venda ad corpus e venda ad mensuram] Venda ad mensuram – as partes estão interessadas em uma determinada área.2. Já no caso de venda ad corpus. Nestes casos. O comprador tem direito de receber coisa igual à amostra. Nas coisas vendidas conjuntamente. entende-se que a referência à medida do terreno é meramente enunciativa. desde que dê direito de preferência aos demais condôminos. Exemplo: Fazendeiro tem interesse em adquirir a Fazenda Boa Esperança. Quais são elas e como esse artigo deve ser interpretado para atenuar as críticas? 1. Venda ad corpus – as partes estão interessadas em comprar coisa certa e determinada. No caso de venda ad mensuram. Bilateral.1ª fase) Quanto à classificação. d. O que ocorre se houver mais de um condômino interessado em adquirir a quota parte a ser alienada? G) regras especiais [venda por amostra] Ocorre quando a venda ocorre com base em amostra exibida ao comprador. Embora em alguns casos seja difícil determinar se a venda foi feita ad mensuram ou ad corpus. o contrato de compra e venda de imóveis se apresenta da seguinte forma: a. rescindir o contrato de compra e venda. caso verifique que as medidas do imóvel adquirido não correspondem exatamente as medidas que constaram do contrato. sem consentimento expresso dos demais descendentes e do cônjuge do alienante. formal e aleatório. questões de ConCurso (Prova: 29º Exame de Ordem . 503. Esse artigo sofre críticas de importantes autores. independentemente da extensão. ou seja. ainda que em hasta pública. Exemplo: Fazendeiro tem interesse em adquirir mil hectares para poder plantar. oneroso e solene. oneroso e não solene. o comprador tem o direito de exigir que a coisa vendida tenha as medidas acertadas e não o tendo pode pedir a complementação da área. [defeito oculto nas vendas conjuntas] “Art. b. bilateral. o comprador não teria esse direito. oneroso. bilateral. Consensual. os bens de cuja venda estejam encarregados. Quais são os motivos pelos quais o legislador resolveu restringir a aquisição pelas pessoas elencadas acima? O condômino de coisa indivisível pode alienar sua parte a terceiros. por vezes essa distinção se faz necessária em razão das regras peculiares a cada uma. ele precisa oferecer aos demais condôminos sua parte pelo mesmo preço e condições pelos quais pretende vender a terceiros. Consensual. Oneroso. bilateral.6. o defeito oculto de uma não autoriza a rejeição de todas”. c. – descendentes não podem adquirir bens do ascendente. FGV DIREITO RIO 15 .CONTRATOs Em EsPÉCIE – leiloeiros e seus prepostos não podem adquirir. ou caso isso não seja possível. O objetivo do adquirente é comprar uma coisa com determinado comprimento necessário para desenvolver uma finalidade. não formal e consensual.

2. Na venda “ad mensuram” as referências às dimensões do imóvel são meramente enunciativas. É nula a pactuação firmada que deixa ao exclusivo arbítrio de uma das partes a fixação do preço b.CONTRATOs Em EsPÉCIE (Prova: 27º Exame de Ordem . d. não cabendo demanda quanto a uma eventual diferença nas medições d. referentes à sociedade limitada a ser adquirida e. configura: a. a suas controladas e coligadas.1ª fase) Com relação ao contrato de compra e venda. Transfere-se o domínio de qualquer bem imóvel. Unilateral. incapacidade de fato. Modelo de lista de due diliGenCe DILIGÊNCIA LEGAL Durante a diligência legal serão analisadas cópias dos documentos abaixo discriminados. Falta de aptidão intrínseca do agente. FGV DIREITO RIO 16 . não existe proibição. Desde que haja capacidade. Necessariamente ao comprador b.1ª fase) Considerando-se o instituto da tradição no direito civil. podendo haver disposição em contrário d. se for o caso. tanto por tanto. podemos afirmar que: a. deve. b. NÃO É CORRETO afirmar: a. Falta de legitimação. falta de capacidade. a todas as suas controladas e coligadas.NOTA INTRODUTÓRIA: Alguns dos documentos solicitados podem não existir ou não ser aplicáveis à sociedade objeto da diligência legal e. (Prova: 05º Exame de Ordem .7. O condômino em coisa indivisível. É válida a venda de ascendente solteiro a descendente.1ª fase) A quem cabem as despesas com a escritura de compra e venda de imóvel residencial? a. Executam-se as obrigações assumidas verbalmente. I . Não se transfere o domínio dos bens móveis. (Prova: 03º Exame de Ordem . Formal. c. 1. b. ainda que haja capacidade. Ao vendedor. d. bastará que a sociedade formule declaração por escrito nesse sentido. A título gratuito. b. c.1ª fase) A proibição de venda do ascendente aos descendentes sem a concordância dos demais.1ª fase) A compra e venda de bens móveis é contrato: a. Falta de legitimação. d. dar direito de preferência na aquisição. aos demais condôminos (Prova: 26º Exame de Ordem . Neste caso. Transfere-se o domínio dos bens móveis. Comutativo. se for o caso. podendo haver disposição em contrário (Prova: 05º Exame de Ordem . que obtém o consentimento dos demais descendentes. Necessariamente ao vendedor c. Ao comprador. quando da realização de avença c. c. antes de vendê-la a um estranho. ao desejar vender a sua parte no bem.

Lista dos nomes dos sócios. incorporação e fusão em que tenha sido parte a sociedade ou tendo por objeto suas quotas. se existentes. 16. 21. bem como respectivas cópias. bem como Atas de Assembléias ou Reuniões de Sócios. bem como as suas respectivas publicações. Planos de Opção de Compra de Ações/Quotas oferecidos aos seus administradores e/ou empregados. associação ou “joint venture”. 6. subsidiárias. contratos de assistência técnica e/ou contratos de franquia ou outros contratos envolvendo bens de propriedade intelectual eventualmente firmados pela sociedade. coligadas. Fornecer cópias dos modelos de contratos-padrão utilizados pela sociedade. garantias. 3. 11. controladas e demais sociedades nas quais participe. as certidões a serem providenciadas deverão abranger a matriz e todas as filiais. direito autoral. Acordo de Sócios e Aditivos. prazo e com o fornecimento das respectivas cópias. 12. 5. cauções e outros gravames. depósitos e quaisquer outras operações da sociedade. arquivados ou não na sede da sociedade. filiais (com os respectivos números de inscrição no CNPJ). Organograma societário da sociedade. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de licença e/ou cessão envolvendo marcas. 2. promessas de compra e venda. membros da administração da sociedade que ocupam e/ou ocuparam tais cargos durante os últimos 02 (dois) anos. FGV DIREITO RIO 17 . 18.CONTRATOS: 17. patentes. Fornecer lista elaborada pela administração da sociedade contemplando todos os contratos em vigor dos quais a sociedade seja parte signatária ou interveniente.). Convenção de grupo de sociedades de que a sociedade participe. contratos de transferência de tecnologia. Em caso de cisão ou redução do capital social da sociedade. informando objeto. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de distribuição.CONTRATOs Em EsPÉCIE Se a sociedade mantiver filiais.ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DA SOCIEDADE: 1. Protocolos de cisão. 4. Contratos de consórcio. Relatório indicando todas as procurações outorgadas pela sociedade (ad judicia e ad negotia). 20. tendo por objeto as quotas da sociedade. 19. Todos os Livros Societários da sociedade. 10. 9. 8. II . representação comercial e de fornecimento (ativo ou passivo) envolvendo a sociedade. cópia das publicações exigidas em lei. 13. incluindo suas funções e responsabilidades. com comprovantes de arquivamento na Junta Comercial e respectivas publicações. situação (adimplemento ou inadimplemento). Contrato constitutivo da sociedade e respectivas alterações contratuais posteriores. III . Solicitamos que os documentos sejam ordenados e/ou relacionados seguindo a ordem e numeração constante deste check list. 14. especialmente o de Atas de Assembléias ou Reuniões de Sócios. Opções. Lista de endereços completos de todos os escritórios. cláusulas estabelecendo proibição de ultrapassar determinado limite entre capital próprio e capital de terceiros (“debt/ equity”) e etc. com identificação de seus sócios. Informar sobre a eventual existência de inadimplemento de cláusulas contratuais contendo obrigações de caráter econômico-financeiro (tais como cláusulas limitando o futuro endividamento da sociedade. Registro das ações ou quotas de outras sociedades de que participa a sociedade. Demonstrações financeiras da sociedade. Certidão de Breve Relatório da Junta Comercial competente. valor. a fim de agilizar o procedimento de sua identificação e análise. 7. 15. vencimentos. acompanhados dos respectivos certificados de averbação no INPI e de registro no Banco Central. desenhos industriais.

36. arrendamento mercantil ou comodato de bens imóveis ou móveis.g hipoteca. 33. Obras intelectuais de titularidade da sociedade. que definam o modo de cumprimento de cláusulas contratuais.PROPRIEDADE INTELECTUAL: Solicitamos informações e cópias de todos os bens e documentos referentes à propriedade intelectual da sociedade no Brasil e em outros países. Todos os softwares utilizados pela sociedade. Marcas. correspondências. instrumentos tendo por objeto alienação fiduciária de bem da sociedade ou compra e venda com reserva de domínio. Informamos. 29. ainda. Fornecer todas as apólices de seguros contratados. Informar sobre e fornecer cópia de contratos na área de tecnologia da informação. caução) em favor da sociedade e respectivas certidões ou. 38. Processos administrativos apresentados contra marcas de terceiros no Brasil e/ou no exterior. ou modifiquem seus termos.g fiança. Locação de hardware. 31. instrumentos tendo por objeto alienação fiduciária e compra e venda com reserva de domínio. 32. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantia pessoal (e. 31. 23. caução) concedidas pela sociedade em favor de terceiros ou. patentes e/ou desenhos industriais depositados/registrados. Serviços técnicos. 28. 24. aval) concedidas pela sociedade em favor de terceiros. Informar sobre e fornecer cópia de compromissos. 31. 26.CONTRATOs Em EsPÉCIE 22. IV . 40. mas não se limitando a: 35. penhor. Nomes de domínio registrados pela sociedade..3. com a informação. Todos os softwares criados pela sociedade. penhor.1.6. Informar sobre e fornecer cópia de Cartas de Conforto (comfort letters) ou quaisquer instrumentos. tais como: 31. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de empréstimo ou financiamento (inclusive por meio de emissão de valores mobiliários). 30. finalmente. ainda. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de prestação de serviços de publicidade e propaganda. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantias reais (e. 41.2. incluindo. Manutenção de hardware. 42. cujas cópias deverão ser igualmente fornecidas.5. 37. Desenvolvimento de software. Licenciamento de software. Informar sobre e fornecer cópia de Notas Promissórias emitidas pela sociedade. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de locação. que qualquer referência a contratos inclui seus aditivos e anexos. hipoteca. 31.g. Informação acerca de segredos de negócio de propriedade da sociedade. 34. 25. acordos laterais etc. Processos administrativos e/ou judiciais envolvendo os bens de propriedade intelectual da sociedade. 39. Manutenção de software. Informar sobre e fornecer cópia de documento de constituição de garantias pessoais (e. FGV DIREITO RIO 18 . 31. cartas de intenção ou entendimentos com terceiros em que a sociedade figure como parte. da eventual cessão pelo beneficiário das referidas notas.g fiança. 31. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantias reais (e. e/ou outros instrumentos de natureza financeira. aval) em favor da sociedade. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de prestação de consultoria. bem como comprovação de poderes de representação do signatário do garantidor. que não tenham sido previstos na presente lista. 27. assistência técnica ou serviços de qualquer outra natureza. se de conhecimento da mesma.4.

etc. estadual ou municipal. utilização de créditos extemporâneos. com a indicação. (iii) existência ou não de medida judicial que permita a utilização dos créditos. 46. acompanhados dos receptivos termos. Prova da propriedade dos bens imóveis da sociedade. de todos os valores pendentes de tributação eventualmente registrados na parte B e demonstrativo do prejuízo fiscal acumulado e da base negativa da Contribuição Social. FGV DIREITO RIO 19 . Certidões negativas do INSS relativas aos bens imóveis da sociedade. (vi) documentação apresentada à autoridade fiscal competente discriminando os débitos fiscais incluídos no REFIS e/ou PAES e (vii) prova de quitação de todos os pagamentos até a presente data. expedidas pelos Municípios onde se encontram os imóveis da sociedade.. 52. 47. com negativa de ônus/servidões/alienações. Portarias. Disponibilizar o LALUR referente ao último ano. com a mesma data do último Balancete que será disponibilizado.PROPRIEDADES E ATIVOS: 44. já em reais.000. referente aos últimos 05 (cinco) anos. garantias. estaduais ou municipais) concedidos à sociedade. cartas de representação e/ou outras informações formais prestadas pelos administradores aos auditores. tendo por objeto matéria tributária. declarações.CONTRATOs Em EsPÉCIE 43. (ii) valores envolvidos. Certidões negativas relativas ao IPTU. indicando (i) forma do aproveitamento: compensação com outros tributos. dos registros de imóveis competentes. nos níveis federal. 51. envolvendo a sociedade. Relatório atualizado identificando todos os eventuais benefícios fiscais e/ou tratamentos fiscais (federais. repetição do indébito. direitos de retenção ou qualquer outra forma de restrição de qualquer natureza sobre qualquer ativo da sociedade listando tais ativos e os relacionando aos respectivos processos judiciais ou administrativos. As 3 (três) últimas demonstrações financeiras e os 3 (três) últimos Balancetes consolidados da sociedade. estadual ou municipal). (iv) quantidade de parcelas pagas. Prova da propriedade dos bens móveis de valor individual acima de R$10. já utilizados e a utilizar. 53. 55. cujas decisões foram proferidas nos últimos 5(cinco) anos. 50. Pareceres dos auditores independentes. indicando: (i) tributo parcelado. etc. 54. (v) garantia oferecida. 49. (ii) início do parcelamento.no âmbito federal. ainda. bem como da ausência de aforamento (enfiteuse). V . Relatório atualizado discriminando parcelamentos de tributos da sociedade e/ou participação em programas de recuperação fiscal (“REFIS” ou “PAES” . para fins de auditoria. Informar. Toda e qualquer documentação relativa a penhores. a existência de eventuais requerimentos ou questionamentos pendentes quanto aos mesmos. Fornecer toda documentação (Instruções Normativas. inclusive certidões atualizadas com filiação vintenária.00 (dez mil reais) integrados ao ativo da sociedade. Qualquer outra documentação que seja relevante e/ou que afete os bens de propriedade intelectual da sociedade. formalmente protocoladas perante os órgãos da administração tributária. (iii) número de parcelas. VI – ASPECTOS FISCAIS: 48.) relacionada ao regime especial e/ou benefício fiscal concedido à sociedade até a presente data. Informações sobre aproveitamento de créditos tributários. Consultas fiscais. Caso a sociedade possua bens imóveis: 45.

Justiça Estadual e Justiça do Trabalho das comarcas da matriz e onde a sociedade mantém estabelecimentos ou filiais. contestação. (vi) valor da causa. 65. abrangendo feitos Cíveis. Certidões de quitação de Tributos Estaduais (ICms) (Certidão de quitação de Tributos Estaduais) e Certidões de quitação de Tributos municipais (ISS) (Certidão de quitação de Tributos Municipais). tais como.LITígIOs JUDICIAIs OU ADmINIsTRATIVOs: Certidões: 56. Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais intimações. instauradas por órgãos governamentais ou terceiros. abrangendo todas as suas filiais. Fornecer originais de Certidões atualizadas do INss (CND). Fornecer originais de Certidões de Dívida Ativa – (CDA) em nome da sociedade. ainda não inscritos em dívida ativa. 60. (vii) chances de êxito e respectivo critério utilizado. passadas em nome da sociedade. bem como de relatório emitido pela Secretaria da Receita Federal. Fornecer originais de Certidões atualizadas passadas por todos os Cartórios de Protestos das comarcas onde a sociedade mantém estabelecimentos ou filiais. Caso tenha havido alteração de sede nos últimos 05 (cinco) anos. (iii) objeto e fundamentos do pedido. execução ou cumprimento. FGV DIREITO RIO 20 . com relação a cada um de seus estabelecimentos ou filiais. (viii) provisões e/ou depósitos judiciais e (ix) quaisquer informações relevantes com respeito a tais processos. Secretaria Estadual de Fazenda e Secretaria Municipal de Fazenda indicando os processos administrativos. Estadual e municipal.CONTRATOs Em EsPÉCIE VII . pendentes de julgamento. Falências e Concordatas (i. sentenças. Certidão de Quitação do FgTs.. Fornecer originais de Certidões atualizadas dos cartórios distribuidores de ações da Justiça Federal. Relatórios: 62. 61. inicial. Composição analítica das principais contas que compõem depósitos judiciais e provisões para contingências fiscais e suas correlações com os processos fiscais administrativos e judiciais em andamento.e. bem como Trabalhistas. Criminais e Fiscais e Certidões da Justiça Estadual dos Distribuidores Cíveis e Fiscais e Certidões dos Distribuidores da Justiça do Trabalho). identificando todos os eventuais processos fiscais. 59. Certidões dos Cartórios de Protestos de Letras e Títulos). 57. despachos. cobrindo o período de 10 (dez) anos (i. as duas últimas para cada estado ou município onde a sociedade possui estabelecimentos. com a indicação de: (i) tributo envolvido. (v) valores envolvidos (atualizados ou em UFIR). 66.. e. Interdições e Tutelas. expedidas pela Procuradoria da Fazenda Nacional. judiciais e administrativos. (iv) andamento (status) atualizado. em nome da sociedade. inclusive parcelamentos em andamento. Fornecer Relatório elaborado pelos advogados responsáveis pelos respectivos casos. Criminais e Fiscais. IPI. e referentes a processos administrativos. Fornecer originais de Certidões de quitação de Tributos e Contribuições Federais – “CQTF” (IR.e. estaduais e municipais. em curso em nome da sociedade. 64. Disponibilizar cópias das peças fundamentais dos processos fiscais. com a estimativa de valores envolvidos. Certidões da Justiça Federal dos Distribuidores de Ações e Execuções Cíveis. Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais processos de desapropriação em que a sociedade figure como autora. relativamente a tributos federais. judiciais e administrativos em que a sociedade seja parte ou tenha interesse. ré ou terceira interessada) ou em vias de ser iniciados. 58. favor solicitar as certidões aplicáveis também em relação ao(s) antigo(s) endereço(s). 63. notificações. COFINS. recursos e acórdãos. ainda. CSLL. (ii) foro. PIS). inspeções ou investigações realizadas. pendentes (nos quais a sociedade figure como autora.

apresentar cópia dos comprovantes anuais de inscrição. Relativamente à remuneração. com indicação das respectivas funções e salários. auxílio moradia. contendo (i) data de admissão. férias e décimo terceiro salário. notificações. 74. Relação dos empregados que utilizam telefone celular ou equipamento similar. e (iv) salário atual (partes fixas e variáveis). Informar o saldo atual de horas trabalhadas e ainda não compensadas pelo “banco de horas”. (iii) cargo ou função.2. Cópia dos modelos de contrato de trabalho (contrato de experiência. relatório informando: 75. relatório informando: 73. (iii) existe autorização dos empregados para o desconto. Fornecer Cartas encaminhadas pelos advogados externos aos auditores independentes sobre processos judiciais e administrativos. despesas de representação. prêmios.) e do regulamento interno ou regulamento de pessoal da sociedade. planos de saúde. Conselho Nacional de Política Salarial ou norma coletiva. Há empregados recebendo benefícios tais como. A alimentação é fornecida pela própria sociedade ou são concedidos vales-refeição? Há desconto no salário ou é fornecida gratuitamente? 75. Cópia do plano de cargos e salários.1. VIII – AsPECTOs TRABALHIsTAs: 71. 70. instauradas por órgãos governamentais ou terceiros.? Qual o critério de pagamento de cada benefício? É efetuado desconto no salário? Caso haja desconto. 73.CONTRATOs Em EsPÉCIE 67. horário de intervalo e dia de folga semanal dos empregados. Informar eventuais horários de trabalho diferenciados por setor ou sistemas de revezamento.3. se existente. (ii) existem empregados que optaram pelo não recebimento. Acordos de compensação e de prorrogação da jornada de trabalho.1. cópia do modelo de autorização de desconto salarial relativo aos benefícios concedidos. Relativamente à jornada de trabalho. relatório informando: 74. Previdência Social. inspeções ou investigações realizadas. Caso afirmativo. informar se: (i) os empregados podem optar por tais benefícios. Fornecer Documentos e relatórios (inclusive os Termos de início e encerramento de fiscalização tributária) contendo informações sobre eventuais intimações. uso de automóvel. Horário de trabalho. 68. Relatório identificando todos os empregados. se houver. Informar a forma de remuneração das horas à disposição. Como é feito o controle de horário? A anotação é feita pelo próprio empregado ou por pessoa específica? Onde são feitas tais anotações? Os empregados assinam tal registro? 73.2. (ii) local de trabalho. Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais reclamações baseadas em defeitos constatados nos produtos fabricados pela sociedade (“product liability”) ou em garantias concedidas pela sociedade na venda dos produtos. Relação dos empregados não subordinados a controle de horário. 73. gratificações. bonificações ou ajudas de custo? Quais funções recebem as ditas parcelas? Qual o critério de pagamento? 74.1. contrato por prazo determinado etc. Fornecer Relatório contendo informações sobre processos administrativos que envolvam as sociedades controladas ou coligadas. A sociedade participa do PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador? Caso positivo. (vi) o benefício integra o salário para efeito de cálculo do FGTS. FGV DIREITO RIO 21 . inclusive banco de horas. 72. Quais as verbas percebidas além do salário fixo e horas extras? Há empregados recebendo comissões. auxílio alimentação etc. 76.4. Indicar se houve homologação do plano pelo Ministério do Trabalho.2. 75. Imposto de Renda. 73. 69. previdência privada. Relativamente à alimentação. ficando à disposição da sociedade. auxílio educação.

(vi) valores mensais pagos e se a sociedade exige mensalmente os comprovantes de recolhimento previdenciário e do FGTS. cooperativas. e (v) situação atual. cálculos de liquidação. ações civis públicas ou outras ações de natureza trabalhista. bem como cópias. autos de infração. Informar o valor da provisão com relação aos processos judiciais e administrativos em andamento. 79. de Instalação e Funcionamento emitidas pelo órgão ambiental competente. 91. se houver. (ii) se trabalham diariamente nas dependências da sociedade. das respectivas rescisões do contrato de trabalho e homologação pelo Sindicato ou pela DRT. plano de demissão incentivada? Caso afirmativo. Foram ajuizadas reclamações trabalhistas em razão do plano de demissão? 83. acordos. empregados com cargo de direção em sindicatos ou associações profissionais. etc. motoristas e profissionais liberais). Cópia do Livro de Inspeção do Trabalho de todos os estabelecimentos da sociedade. Cópia do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). INSS. empregadas grávidas. tais como petição inicial. Relação dos empregados desligados da sociedade nos últimos 02 (dois) anos. (ii) foro. (vii) estimativa de êxito. (v) período dos serviços. Há serviços terceirizados na sociedade? Apresentar cópia dos contratos de prestação de serviços firmados com empresas prestadoras de serviços. Registros e inscrições da sociedade junto às autoridades fiscais federais. apresentar relação dos atuais integrantes e cópias das atas de reunião dos últimos 02 (dois) anos. A sociedade tem organizada a CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes? Caso positivo. acaso existentes. Cópia do plano de opção de compra de ações. 89. Licenças Ambientais: Licenças Prévias. (vi) estimativa dos valores envolvidos. telefonistas. ISS. por amostragem.APROVAÇÕEs gOVERNAmENTAIs E LICENÇAs: 92. (iii) pedidos. decisões judiciais proferidas em dissídio coletivo. Cópia dos Autos de Infração lavrados contra a sociedade nos últimos 02 (dois) anos e respectiva defesa/decisão administrativa/recurso ou guia comprovando pagamento da multa administrativa. Cópia das convenções coletivas. 85. FGV DIREITO RIO 22 .). inquéritos administrativos. Informar o valor despendido pela sociedade com o pagamento de tal participação. 90. (vi) número de trabalhadores envolvido. Informar se são observadas convenções. IX . do programa de opção de compra de ações e a relação dos empregados e executivos elegíveis a tal plano. Relatório identificando todas as reclamações trabalhistas e procedimentos administrativos (DRT e MPT) em curso contra a sociedade. Cópia de Plano de Participação nos Lucros e/ou Resultados. esclarecer os critérios do plano. bem como fornecer respectivos documentos. 81. 78. 80. estaduais e municipais (tais como CNPJ. Relatório identificando todos os empregados com estabilidade permanente ou temporária (CIPA. explicitando os critérios de tal provisão. 87. 84. cálculos homologados e depósitos efetuados. acordos coletivos. Cópia das principais peças de todas as ações trabalhistas em curso contra a sociedade. (iv) a quem estão subordinados.CONTRATOs Em EsPÉCIE 77. contendo (i) partes envolvidas. empresas de mão-de-obra temporária ou trabalhadores autônomos e relatório informando: (i) se os empregados alocados para atender a sociedade são sempre os mesmos. 86. A sociedade instituiu. X – AsPECTOs AmBIENTAIs: 93. alvará da prefeitura etc. decisões proferidas em todas as instâncias. 88. ou dissídios próprios para categorias diferenciadas (secretárias.). (iii) quem controla os serviços de tais empregados (a sociedade ou a prestadora de serviços). inclusive termos aditivos. nos últimos 05 (cinco) anos. empregados acidentados. Cópia dos termos de ajustamento de conduta. 82.

97.Taxa de Controle de Fiscalização Ambiental. Inscrição no Cadastro Técnico Federal das Atividades Potencialmente Poluidoras. O Vendedor. Licença de Funcionamento emitida pela Vigilância Sanitária. declara que as Quotas foram regularmente integralizadas e se encontram inteiramente livres e desembaraçadas de ônus. que deve ser arquivada no registro competente. a totalidade de suas Quotas representativas do capital social da sociedade ao Comprador. Licença do órgão sanitário competente para ambulatórios e refeitórios. 1. doravante denominado simplesmente “Comprador”. Alvará do Corpo de Bombeiros. justa e contratada a celebração do presente Contrato de Compra e Venda de Quotas (“Contrato”). 100. doravante denominada simplesmente “sociedade”. na qualidade de interveniente-anuente: [NOmE E QUALIFICAÇÃO DA sOCIEDADE CUJAs QUOTAs EsTÃO sENDO ALIENADAs]. neste ato. 101.8. CONSIDERANDO QUE: (i) O Vendedor é legítimo possuidor e proprietário de 15. 1. O Vendedor e o Comprador (doravante referidos simplesmente como “Partes”) têm. Certidão de Uso do Solo. encargos.1 abaixo. e que o Comprador deseja adquiri-las.DA COMPRA E VENDA DAS QUOTAS 1. usufrutos ou qualquer outra restrição à posse e/ou a qualquer outro direito inerente a tais Quotas.2. 98. e [NOmE E QUALIFICAÇÃO].2. 95. entre si. as partes podem celebrar adicionalmente um contrato de compra e venda de quotas. doravante denominado simplesmente “Vendedor”. Alvará de Licença e Localização emitido pela Prefeitura. turbações. conforme modelo abaixo. 105. Habite-se.000 (quinze mil) quotas representativas de 50% (cinqüenta por cento) do capital social da sociedade (“Quotas”). CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE QUOTAS [NOmE E QUALIFICAÇÃO]. o Vendedor cede e transfere. FGV DIREITO RIO 23 . Outorgas do Uso da Água. 103. Comprovante de pagamento do TCFA . 99. 106. e (ii) O Vendedor deseja alienar as Quotas. nos termos ajustados pelo presente instrumento.CONTRATOs Em EsPÉCIE 94. 96. Certificado de Licença de Funcionamento emitido pelo Ministério da Justiça. ainda. pelo preço certo e ajustado estabelecido na Cláusula 2. de acordo com as seguintes cláusulas e condições: CLÁUSULA PRIMEIRA . com todos os respectivos direitos e obrigações. Modelo de Contrato de CoMPra e Venda de quotas Além da alteração do contrato social necessária para transferir quotas. Listagem das ações judiciais e processos administrativos de cunho ambiental e seus respectivos andamentos.1. 104. Pelo presente Contrato e na melhor forma de direito. Relatório informando a respeito de atividades passadas desenvolvidas nos imóveis onde a sociedade desenvolve suas atividades. e. Licença de substâncias sujeitas a controle especial emitida pelo Departamento de Polícia Federal. 102. gravames.

4. e somente produzirá efeitos.5. CLÁUSULA QUARTA ... mediante a assinatura da competente alteração do contrato social da sociedade. essa disposição será suprimida e não terá nenhuma força e efeito. no exercício de qualquer direito previsto neste Contrato deverá ser interpretado individualmente e não poderá ser considerado como renúncia por qualquer das Partes ou novação de qualquer obrigação contida neste Contrato. assinado por 02 (duas) testemunhas. por qualquer motivo. herdeiros. o Vendedor outorgará ao Comprador. a qualquer título..9.] da agência [.. cessionários e representantes legais. o pagamento das parcelas que perfazem o Preço. orais ou escritos. entretanto a respectiva comunicação de alteração de endereço só tornar-se-á efetiva após o recebimento pela outra Parte e/ou pela sociedade.00 (vinte e cinco mil reais) pagos neste ato..6. sendo considerada como mero ato de liberalidade. 4.. se formalizada mediante instrumento escrito assinado pelas Partes e pela sociedade. as demais disposições serão modificadas para preservar sua exeqüibilidade. 4. a esse respeito. do Código de Processo Civil.2. Toda e qualquer alteração das disposições do presente Contrato somente será válida e exeqüível.. (ii) através de carta registrada.CONTRATOs Em EsPÉCIE CLÁUSULA SEGUNDA . seus sucessores.FORMA DE PAGAMENTO 2. se essa disposição suprimida prejudicar a execução deste Contrato. CLÁUSULA TERCEIRA – TRANSFERÊNCIA DAS QUOTAS 3. Todas as notificações e comunicações a serem feitas com relação ao presente Contrato serão elaboradas por escrito e serão enviadas para os endereços constantes do preâmbulo deste Contrato (i) por meio de Cartório de Títulos e Documentos.1. constitui título executivo extrajudicial. 4. Entretanto. As Partes declaram e reconhecem que o presente Contrato.] do Banco [.. 2.4. a qualquer tempo.1 do presente Contrato será de exclusiva responsabilidade do Comprador. ou (iii) com outra comprovação inequívoca de recebimento.1. O presente Contrato constitui o acordo final..8.00 (setenta e cinco mil reais) a serem pagos em até 90 dias a contar desta data. O preço certo.7.. 4.000. total e ajustado para a aquisição das Quotas é de R$ 100.] da agência [. e somente poderá ser alterado por instrumento escrito devidamente assinado por todas as Partes..1.000. e b) R$ 75.3. mediante depósito na conta-corrente nº [. O presente Contrato é celebrado em caráter irrevogável e irretratável e obriga e aproveita às Partes e à sociedade. constantes do item 2. A transferência das Quotas será formalizada no ato do pagamento pelo Comprador. inciso II. Quaisquer dos endereços constantes do preâmbulo poderão ser alterados. da totalidade do Preço devido ao Vendedor. mencionado na Cláusula Segunda. anulada ou inexeqüível.. entendimentos e declarações anteriores. assim FGV DIREITO RIO 24 . conforme o caso. plena. nos termos do artigo 585.000. O presente Contrato ou quaisquer direitos e/ou obrigações dele oriundos não poderão ser cedidos sem o prévio e expresso consentimento das Partes e da sociedade.. cabal e exclusivo entre as Partes com relação à compra e venda das Quotas. 4. substituindo todos os acordos.8.1.].DISPOSIÇÕES GERAIS 4.].] da conta-corrente nº [.1. Na hipótese de qualquer disposição ou parte de qualquer disposição deste Contrato ser tida como nula.. 4. rasa e geral quitação com relação ao valor pago. Uma vez creditado na conta-corrente do Vendedor. inclusive quaisquer despesas decorrentes de serviços profissionais por ele contratados. 4.00 (cem mil reais) (“Preço”). Fica ajustado entre as Partes que as despesas decorrentes do arquivamento da alteração contratual referida na cláusula 3.1 acima. O não exercício ou atraso por qualquer das Partes e/ou da sociedade. a ser pago pelo Comprador ao Vendedor da seguinte forma: a) R$ 25. 4. por meio da entrega pelo Vendedor ao Comprador do cheque administrativo nº [.1. mediante comunicação dada na forma prevista acima.] do Banco [.

E por estarem certas e ajustadas. as Partes assinam este Contrato em 03 (três) vias de igual teor e efeito. à exclusão de qualquer outro. Nome: CPF/MF: FGV DIREITO RIO 25 .10. 632. Assinatura das Partes e da Sociedade Testemunhas: 1. na presença de 02 (duas) testemunhas.CONTRATOs Em EsPÉCIE como as obrigações de fazer aqui contidas comportam execução específica. 4. 639 e seguintes do Código de Processo Civil. por mais privilegiado que possa ser. Fica eleito o foro da Comarca do Rio de Janeiro. nos termos dos artigos 461. Nome: CPF/MF: 2. [dia] de [mês] de [ano]. para dirimir quaisquer questões oriundas deste Contrato. Rio de Janeiro.

págs.). biblioGrafia obriGatória: • Arts. 215 a 225. portanto. Instituições de Direito Civil . Parte Especial.Contratos. vol. quais são as duas principais perguntas que você deve fazer a ele para poder dar uma orientação inicial sobre o caso? 1. Saraiva. 1. Embora não seja advogado do senhor Jeremias.3. eMentário de teMas: Retrovenda . Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.vol. Após alguns minutos enaltecendo a beleza da cidade. ele diz que pelo menos uma vez por ano vai ao Rio e que há alguns anos atrás decidiu parar de se hospedar em hotéis e comprou um loft na Barra da senhora Ermelinda Silva. Paulo Luiz Netto. roteiro de aula a) retrovenda Direito de recobrar = Direito de retrato = direito de resgate = vendedor tem direito de exigir que o comprador lhe revenda o imóvel. Ele diz que está surpreso porque agora recebeu uma notificação de um tal de Olavo Evolto. biblioGrafia CoMPleMentar: • Parecer Jurídico DNRC/ COJUR/ n° 217/03 – direito de preferência na cessão de quotas. Jeremias deve devolvê-lo.3. • LÔBO. Silvio. sempre gostou muito do Rio de Janeiro e que os cariocas têm muita sorte de conviver com uma paisagem tão privilegiada.406/2002. (coord.3. • PEREIRA. São Paulo: Saraiva. Caso Gerador: Jeremias encontra você trabalhando na diligência legal e aproveita para lhe fazer uma consulta “informal”. 174 a 182 e 183 a 194. FGV DIREITO RIO 26 . Antônio Junqueira de. III.3.. apesar de morar em Brasília. vol. Das várias espécies de contratos.CláuSulAS ESPECIAIS dA COmPRA E VENdA 1. Comentários ao Código Civil. 2005 .Da Venda a Contento e da Sujeita a Prova – Preempção ou Preferência .1.4. 2002. págs. • RODRIGUES.3.5. 1..3. Ele diz que nunca ouviu falar em retrovenda e lhe pergunta o que fazer. In: AZEVEDO. Direito Civil. e que. Rio de Janeiro: Forense.). 2003. Ele conta que. 223 a 225. AulA 3: CONTRATO dE COmPRA E VENdA (CONT. págs.3. 505 a 532 da Lei nº 10. Caio Mário da Silva. 3. informando que exerceu o direito de retrovenda do imóvel em face da senhora Ermelinda. 6.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.2. São Paulo: Ed..Venda com reserva de domínio – Da venda sobre documentos 1.

uma condição suspensiva para a alienação. Analisando o artigo 505 da Lei 10. restituindo o preço recebido e reembolsando as despesas do comprador. 189. RODRIGUEs. Está demorando mais do que o normal para ela se manifestar. caso o comprador queira vender esse bem a terceiros. por exemplo. Dona Marli acompanhou em todos esses anos a vida da família Russo.”8. durante o período de resgate. o domínio do bem não é transferido.CONTRATOs Em EsPÉCIE Muitos entendem que a retrovenda caiu em desuso em razão do compromisso de compra e venda. se efetuarem com a sua autorização escrita. juntamente com a escritura pública de compra e venda. ou para a realização de benfeitorias necessárias”. pág. Para que tenha efeito erga omnes7. silvio. vol. embora haja a tradição do bem móvel. o domínio é transferido. A gerente da loja já está pressionando Marli. 6 7 8 Oponível a terceiros. Dona Mônica é uma cliente muito querida e conhecida por todas as vendedoras da loja. Dona Mônica.. E agora? O que dona Marli deve fazer? C) Preempção ou preferência Ao vender um bem. a despersonalização das relações entre as partes. Direito Civil. saraiva. com muito mais eficácia e maior economia. silvio. A concordância do comprador é. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. são Paulo: Ed. RODRIGUEs. no caso da venda a contento. o direito de retrovenda deve ser registrado no registro de imóveis. o vendedor pode vir a resguardar seu direito de preempção ou direito de preferência. Ela sempre é atendida pela dona Marli. instituto superado”6. podemos extrair alguns requisitos da retrovenda. hoje.. Relembrando. Apesar de ser mais rara. vol. 187. Somente com a concordância do comprador. O vendedor de coisa imóvel pode reservar-se o direito de recobrá-la no prazo máximo de decadência de três anos. ele estará obrigado a oferecer o bem ao vendedor. o papel que durante algum tempo a retrovenda desempenhou. Esse exemplo nos mostra que. 3. Quais são eles? “Art. que se pagar o mesmo valor oferecido pelo terceiro. são Paulo: Ed. pág. inclusive as que.. Por que você acha que o legislador restringiu o instituto da retrovenda apenas aos bens imóveis? O prazo para recobrar o imóvel é decadencial. Tendo em vista o que aprendemos nas aulas anteriores. Assim. sempre que chegam novas peças que Marli acha que são do gosto de Mônica. a difusão dos preços fixos. FGV DIREITO RIO 27 .406/2002. 3. ela ainda pode ocorrer. terá preferência sobre ele. pois vai querer vender as peças a outras clientes. “. 505. saraiva. quais são as conseqüências do domínio não ser transferido pela tradição da coisa móvel? Duas semanas se passaram e dona Mônica ainda não deu retorno a dona Marli sobre as roupas. compra roupas da boutique Charmosa há mais de dez anos. Direito Civil. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. portanto. quais são as conseqüências de ser um prazo decadencial e não prescricional? b) da Venda a Contento e da sujeita a Prova A venda a contento é cada vez mais rara atualmente em razão da “padronização de mercadorias. Daí ser ela.o compromisso de venda e compra preenche. ela manda para a casa da senhora Russo as novas peças para que ela possa experimentar e decidir se vai comprá-las ou não. Assim..

os contratantes podem convencionar que se um deles desejar vender sua participação a terceiro será obrigado a oferecer as suas ações primeiro aos demais acionistas. Deste modo. e como contrato atípico. após a realização da diligência legal e da celebração do contrato de compra e venda das quotas da Pechincha Ltda.. Tendo em vista que esse acordo de quotistas nunca foi divulgado e nem sequer mencionado na diligência legal. Quais são as diferenças entre a preempção e o direito de retrovenda? O direito de preferência é um negócio acessório. Direito societário – 7 ed. reconheceu que o direito de preferência é um dos tópicos que pode ser tratado em acordo de acionistas. entre outros acertos. 118. vinha sendo celebrado no período anterior à atual lei das sociedades anônimas” (Borba. que lhe afirma que a venda das quotas não foi válida. como se resolveria esta situação utilizando-se apenas as regras previstas no Código Civil? d) Venda com reserva de domínio A venda com reserva de domínio popularizou-se com o aumento das vendas com pagamento em prestações. No caso de venda com reserva de domínio. sobre compra e venda de suas ações. assim como na venda a contento. por meio de acordo de acionistas. como instrumento de composição de grupos. a ele se aplicam os preceitos gerais. e em 60 (sessenta) dias. A venda com reserva de domínio pode trazer insegurança jurídica uma vez que. funcionando. no qual. não é raro vermos a estipulação de direito de preferência em outros contratos. se o bem for imóvel. A venda com reserva de domínio é uma venda condicional que se aperfeiçoa na ocorrência de um evento futuro e incerto: o pagamento do preço. Os acordos de acionistas. que dispõe sobre as sociedades por ações. Tanto é assim que a Lei nº 6.. sócio detentor de apenas 1% das quotas da Pechincha Ltda. A venda com reserva de domínio restringe-se aos bens móveis e exige forma escrita. – o vendedor tem que querer recomprar o bem. exercício do direito a voto. Assim. o direito de preferência caducará em 3 (três) dias. aplica-se a regra geral de que a propriedade do bem móvel transfere-se com a tradição do bem. para que seja oponível a terceiros. embora o bem seja entregue ao potencial comprador. 322). no caso de bem imóvel. Afinal. O prazo para exercer o direito de preferência não poderá ser superior a 180 dias se o bem for móvel. Porém. basicamente. por exemplo. o contrato deve ser registrado no Registro de Títulos e Documentos. ao contrário do que ocorre com os bens imóveis que exigem solenidade para sua transferência. 10 FGV DIREITO RIO 28 . o domínio permanece com o vendedor até que a última prestação seja paga pelo comprador.CONTRATOs Em EsPÉCIE Para que esse direito exista são necessários os seguintes requisitos: – o comprador tem que querer vender o bem adquirido. Vamos supor que. o senhor Eduardo se comprometia a oferecer direito de preferência a esse outro sócio no caso de alienação de suas quotas. e atual. Além disso. – Rio de Janeiro: Renovar.404/197610. que poderão comprá-las pelo mesmo preço e condições oferecidos ao terceiro. geralmente vinculado à compra e venda. no caso de bem móvel. nosso cliente seja procurado pelo senhor Oportunista. Silvio Rodrigues comenta: “Destina-se o acordo de acionistas a regrar o comportamento dos contratantes em relação à sociedade de que participam. se não há previsão expressa da reserva de domínio. 2001. rev. O prazo começa a contar a partir da notificação do proprietário (comprador) ao vendedor informando sobre seu interesse em vender o bem. Se o prazo não for estipulado. pág. estando disposto a pagar ao comprador o preço que ele tiver conseguido com terceiros. José Edwaldo Tavares. ou do poder de controle deverão ser observados pela companhia quando arquivados na sua sede”. 9 “Art. é comum que pessoas realizem operações de venda de bem móvel sem consultar registros ou sem exigir a prova da propriedade do vendedor. concernentes a essa categoria jurídica. ou a 2 (dois) anos. preferência para adquiri-las. – o vendedor tem que exercer o direito no prazo. A cláusula de direito de preferência é muito comum. sendo um contrato. aum. uma vez que há três anos atrás fez um acordo de quotistas com o senhor Eduardo. em acordos de acionistas9.

Das várias espécies de contratos.2. o vendedor tem duas opções: mover ação de cobrança das prestações vencidas e vincendas e o que mais lhe for devido ou reaver a posse da coisa vendida. Parte Especial. desfazer o contrato ou pedir o preço. comentários ao código civil. Pacto comissório. Retrovenda.3. neste ato. bem como a especificação da quantidade e espécie das ações a serem alienadas (as “Ações Ofertadas”). poderá o vendedor. suas ações da COMPANHIA (a seguir.7. doar. observado o disposto nesta Cláusula 6ª. 216 12 FGV DIREITO RIO 29 . dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. para que estas possam exercer o seu direito de preferência. principalmente nos grandes centros e tendo em vista a quantidade fantástica de bens móveis duráveis vendidos. Cada uma das Partes se obriga. 2003. d. não se pagando o preço até certo dia. 11 LÔBO. fornecendo inclusive as informações previstas no item 6. apenas pode ter por objeto coisa móvel. às demais Partes (a seguir. no todo ou em parte. permutar. ficando a Parte que desejar alienar. 6. A obrigatoriedade da tradição da coisa é satisfeita com a entrega ao comprador de documento representativo. c.). 176. para que seja exigível o pagamento do preço. Preempção. pág. com reserva de domínio”11. e) da venda sobre documentos O Código Civil de 1916 não previa essa modalidade de venda. Antônio Junqueira de. pág. a “Parte Cedente”).3. por escrito. In: AZEVEDO. vol.1ª fase) Ajustado que se desfaça a venda. O vendedor se libera da obrigação de entregar a coisa remetendo ou entregando ao comprador o título representativo da mercadoria”12. nos termos deste Acordo. Direito Civil. “A venda sobre (ou contra) documentos tem por finalidade dar mais agilidade às transações mercantis que envolvam venda de mercadorias. as “Demais Partes”). 1. em caráter irrevogável e irretratável.CONTRATOs Em EsPÉCIE “Teoricamente tal sistema é perfeito. não pago. (coord. vol. Venda a contento. b. saraiva. Essa cláusula especial à compra e venda é denominada: a.1 abaixo (a seguir o “Potencial Adquirente”). Modelo Exemplo de cláusula de direito de preferência em Acordo de Acionistas: “VI – ALIENAÇÃO OU ONERAÇÃO DE AÇÕEs 6.. a não vender. 1. 3.6. Se o comprador está em mora. Paulo Luiz Netto. senão mediante venda. a qualquer título. 6.2. prometer vender. o preço e condições de pagamento. obrigada a primeiramente oferecê-las.1. para pagamento em moeda corrente nacional. Apenas ele não funciona na prática. as ações de sua titularidade. questões de ConCurso (Prova: 18º Exame de Ordem . diariamente. Por sua natureza. ou por qualquer outra forma alienar ou transferir. são Paulo: saraiva. silvio. As comunicações a que se refere o item anterior indicarão o potencial adquirente. são Paulo: Ed. RODRIGUEs.

observando-se. (b) será facultado às Demais Partes estenderem seu direito de preferência à aquisição de sobras. 6. a aquisição deverá ser efetuada nos 30 (trinta) dias seguintes ao decurso do prazo referido nas alíneas anteriores. desde que tenham sido observadas as formalidades previstas nesta Cláusula 6ª”. Na hipótese do item 6. como intervenientes anuentes.1.4.3.1.2. a Parte Cedente poderá. proporcionalmente às Ações que possuírem. a assinar o citado instrumento. FGV DIREITO RIO 30 .4. o instrumento contratual de compra e venda das ações deverá conter cláusula pela qual o adquirente manifeste sua adesão incondicional ao presente Acordo. devendo as Demais Partes igualmente subscrever o instrumento.4. Caso o Potencial Adquirente seja uma sociedade. mas não menos do que todas as Ações Ofertadas ao Potencial Adquirente indicado e ao mesmo preço e nas mesmas condições constantes das comunicações referidas no item 6. deverá identificar também as respectivas Partes ou sócios que detenham o controle do Potencial Adquirente e/ou participações societárias que representem 10% (dez por cento) ou mais de seu capital votante e/ou de seu capital total e assim sucessivamente. (c) caso sejam recebidas manifestações de exercício de preferência que totalizem quantidade de ações superior a das Ações Ofertadas.1 supra e abranger todas e não menos do que todas as Ações Ofertadas. com os mesmos direitos e obrigações da Parte Cedente.4. desde que observado o procedimento previsto no item 6. 6. as Demais Partes terão preferência para adquirir as Ações Ofertadas. ficando obrigadas as Demais Partes. e (d) exercida a preferência. Não havendo manifestação das Demais Partes. alienar todas.1 supra.1 supra. proceder-se-á ao respectivo rateio entre as Partes interessadas. desde que se manifestem nesse sentido no prazo de 60 (sessenta) dias fixado na letra (a) deste item. se houver. 6.1 abaixo. o seguinte: (a) a preferência deverá ser exercida no prazo de 60 (sessenta) dias a contar da data do recebimento da comunicação referida no item 6. pelo mesmo preço e condições oferecidos pelo Potencial Adquirente. nos 60 (sessenta) dias seguintes. Na proporção do número de ações que possuírem. até atingir as pessoas físicas.CONTRATOs Em EsPÉCIE 6. ainda. como condição para sua validade e eficácia. contudo. a comunicação do item 6.

Comentários ao Código Civil. com produtos fartos e de alta qualidade. págs. eles resolveram unir o útil ao agradável e celebraram um contrato de permuta.4. 199 a 203/ págs. CONTRATO ESTImATóRIO 1. 2003. E agora? O contrato continua válido? O que recomendar? 1. Tratado teórico e prático dos contratos. biblioGrafia obriGatória: • Arts. 533 a 537 da Lei nº 10. Ocorre que. tivemos a oportunidade de visitar o supermercado Pechincha por diversas vezes. Instituições de Direito Civil . 226 a 272.. págs.2. um pouco sem graça. 6. dono de um jornal de bairro.406/2002. que por ter sido celebrado entre grandes amigos.Contratos. ampl. o dobro de funcionários. inclusive.3. 2002. Há muitos anos era grande amigo do senhor Nicanor Tício. Parte Especial. São Paulo: Saraiva. não contendo. págs. In: AZEVEDO. o senhor Eduardo está um pouco preocupado. o senhor Eduardo Russo nos contou a seguinte história. Consiste na entrega de uma coisa para recebimento de outra. na qualidade de advogados da Grana Certa S. 2005 . Rio de Janeiro: Forense.4.2002).406.4. 1. 233 a 237.01. o contrato não era muito detalhado. nós. de acordo com o novo Código Civil (Lei 10. por exemplo.5. eMentário de teMas: Permuta. Caso Gerador Durante o processo de diligência legal. São Paulo: Saraiva.4.vol. completa. 1. Ele explica. FGV DIREITO RIO 31 . Paulo Luiz Netto. quando os bens passaram a ser trocados por moeda. 1.1. III. já tendo contratado. 205 a 209. Das várias espécies de contratos. Contrato Estimatório. e atual. AulA 4: TROCA Ou PERmuTA. biblioGrafia CoMPleMentar: • LÔBO. Maria Helena. Ela deu origem ao contrato de compra e venda.4.4. que não seja dinheiro.). o senhor Nicanor vendeu seu jornalzinho a uma grande editora que quer transformá-lo em um jornal de grande circulação em Brasília. roteiro de aula a) Permuta A troca ou permuta é o contrato mais antigo.. Caio Mário da Silva. pois não estava contando com um número tão grande de cestas de Natal. de 10.4. Em uma de nossas visitas.. Sabendo disso. • PEREIRA. Antônio Junqueira de. cansado e já querendo se aposentar.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Há algum tempo atrás. o número exato de cestas de Natal a serem trocadas. (coord. segundo o qual todo domingo o jornal do Nicanor publicaria anúncio do Supermercado Pechincha e em troca ao final do ano o Supermercado Pechincha forneceria aos funcionários do jornal uma cesta de Natal.A. • DINIZ. vol. 17ª ed.

mas sim a obrigação de transferir ao outro o domínio da coisa objeto de permuta. você vai ao Código Civil para consultar esse tipo de contrato e fica um pouco desapontado. Ao chegarem à loja. ficando o consignatário obrigado a devolver o bem ou entregar ao consignatário o preço previamente ajustado pela coisa dentro do prazo determinado. a parte cujo bem tem valor inferior ao outro. O dono da loja explica a Ana Maria que um de seus funcionários estava arrumando a loja e que sem querer esbarrou no conjunto. porém. Ana Maria nota que além de faltar uma das peças. ficando as demais apenas rachadas. por que você acha que o legislador chamou de contrato? Contrato estimatório é o contrato pelo qual o proprietário (consignante) entrega a posse da coisa à outra pessoa (consignatário). Curioso. Ana Maria fica muito triste. Ana Maria então lhe explica que o conjunto está na loja Brechó da Vovó. As partes estimam um preço pelo bem. O uso da torna no contrato de permuta divide os doutrinadores sobre a natureza do contrato: seria ele uma compra e venda ou uma permuta? Muitos entendem que a existência da torna não descaracteriza a permuta. Sendo assim. lhe oferece um conjunto de xícaras de porcelanas chinesas.406/2002). Para retribuir a um favor seu. sua amiga. não sendo necessário que os bens sejam da mesma espécie ou valor. deixando o cair. dentro de prazo determinado. a não ser que o valor da torna seja de tal modo superior. Assim como o contrato de compra e venda. completa sua prestação com dinheiro. mas a permuta mantém seu espaço no ordenamento jurídico. Ana Maria. Como você aconselharia Ana Maria. oneroso e consensual. b) Contrato estimatório Embora já fosse realizado na prática. A parte que recebe o bem pode vendê-lo a terceiro por qualquer valor. não gera efeitos reais. pois percebe que seu conjunto de chá não poderá mais ser utilizado. muitas outras estão rachadas. Você vai junto com Ana Maria para buscá-lo. desde que pague a parte que lhe entregou o bem o preço que entre elas foi estimado. Apenas os bens móveis e que estão no comércio podem ser objeto do contrato estimatório. você agradece e pergunta quando pode buscá-lo. Por serem tão parecidos. a loja Brechó da Vovó procura Ana Maria para devolver o conjunto de xícaras que não foi vendido. O que você acha? A caracterização como compra e venda ou permuta leva a conseqüências práticas em razão dos itens que foram especificamente diferenciados no art. O Código Civil fez apenas duas distinções no que diz respeito à aplicação das regras da compra e venda. conhecido neste caso como torna. 533 da Lei n° 10.406/2002. O contrato de permuta tem a mesma natureza jurídica da compra e venda: é bilateral. Quais são elas? Quando os bens a serem permutados têm valores desiguais. legal ou convencional podem ser permutadas. Intrigado.CONTRATOs Em EsPÉCIE Atualmente a compra e venda é muito mais utilizada. aplicam-se à permuta as regras da compra e venda. que nada mais é do que a venda em consignação. esse contrato só veio a ser regulado como contrato típico no novo Código Civil (Lei nº 10. Todas as coisas que não sofram indisponibilidade natural. Mesmo sem ver muita utilidade para tal presente. que seja na verdade o objeto da prestação principal. você pergunta o que o conjunto está fazendo na loja e ela lhe explica que celebrou um contrato estimatório com o dono da loja. neste caso? FGV DIREITO RIO 32 . cedendo-lhe o poder de dispor da coisa. mas que felizmente apenas uma das peças havia se quebrado. Por quê? Estando para terminar o prazo do contrato estimatório.

CONSIDERANDO QUE: (i) O DOADOR é titular de 99. 272 a 385. DOADOR e DONATÁRIO doravante denominados. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. para iniciar a transferência dos negócios da família e fomentar negócios das futuras gerações da sua família. eMentário de teMas: Características do contrato de doação – Aceitação . biblioGrafia CoMPleMentar: • LÔBO.. AulA 5: dOAçãO 1. 538 a 564 da Lei nº 10.Espécies de doação .Resolução e revogação da doação. empresário. inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202. você notou o contrato abaixo: INSTRUMENTO PARTICULAR DE DOAÇÃO EDUARDO RUSSO.1. abaixo estabelecidos. Distrito Federal. por parte do Donatário. Parte Especial. Distrito Federal.4. simplesmente como Partes.5.406/2002. doravante denominado simplesmente “DONATÁRIO”. 3. biblioGrafia obriGatória: • Arts. (iv) O DOADOR sujeita tal doação à execução integral e tempestiva. em conjunto. JEREMIAS RUSSO. (coord. brasileiro. todos relacionados com a finalidade de manter a tradição da família preoFGV DIREITO RIO 33 . 1.3. (iii) O DOADOR deseja doar. 2003. brasileiro. com seus atos constitutivos registrados na Junta Comercial de Brasília sob o número 11111111.. Antônio Junqueira de.5. 1. 6.5. 197 a 216. Comentários ao Código Civil.000 (cinqüenta mil) quotas (“Quotas”).Restrições à liberdade de doar . Das várias espécies de contratos. em vida. doravante denominado simplesmente “DOADOR”. Paulo Luiz Netto. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy.). ao DONATÁRIO. de determinados encargos.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101. com sede em Brasília. Saraiva.5. In: AZEVEDO. 1.000 (noventa e nove mil) quotas representativas de 99% do capital social da sociedade limitada denominada Pechincha Comércio Varejista Ltda. 2002. doravante denominada “Sociedade”.5.2. São Paulo: Ed. Silvio. Direito Civil. casado. solteiro.Doação de ascendente para descendente . págs. residente e domiciliado em Brasília. São Paulo: Saraiva. Caso Gerador: Dentre os contratos recebidos. vol. residente e domiciliado em Brasília. 50. portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx. empresário. vol. • RODRIGUES. págs. (ii) O DONATÁRIO é herdeiro necessário do DOADOR. Distrito Federal.

de livre e espontânea vontade. balanço e. e (v) as quotas representativas do capital social da Sociedade. herdeiros e sucessores. providenciar a constituição legal do clube e a contratação da mão de obra necessária para o funcionamento do clube. com a renúncia expressa de qualquer outro. ao Donatário. contados da data de assinatura deste Instrumento. Fica eleito o foro Central da Comarca de Capital do Estado do Rio de Janeiro. que vigerá de acordo com as seguintes cláusulas e condições. Nome: CPF/MF: Jeremias Russo 2. incluindo dos funcionários do Supermercado Pechincha (“Funcionários”). no prazo máximo de 24 (vinte e quatro) meses. Nome: CPF/MF: FGV DIREITO RIO 34 . resolvem as Partes de comum acordo e na melhor forma de direito celebrar o presente Instrumento Particular de Doação (“Instrumento”). 3. encontram-se livres e desembaraçadas de quaisquer dívidas. limpeza e bom funcionamento do clube.2. O clube deverá atender aos seguintes requisitos: (a) O clube deverá ter no mínimo: (i) duas quadras polivalentes para a prática de esportes em grupo. o Donatário.. 2. sem qualquer induzimento ou coação. ônus ou encargos de qualquer natureza. mediante o DARJ cuja cópia constitui o Anexo I ao presente Instrumento. objeto da presente doação. (c) O clube deverá empregar pelo menos 20 funcionários para segurança. Brasília. as seguintes obrigações: 2. com escorrega. as Quotas. Fica registrado que o imposto de doação incidente sobre a presente operação foi recolhido.. (d) Os funcionários e seus cônjuges. 5. ficando. 4. portanto. as partes firmam o presente Instrumento em 02 (duas) vias de igual forma e teor. O DOADOR. comprar ou arrendar um terreno para que o clube seja instalado. observados os artigos 538 e seguintes do Código Civil Brasileiro: 1. pelo menos. E por estarem assim justas e contratadas. outros dois brinquedos do gênero. com auxílio jurídico. que representam 50% do capital social da Sociedade. 2. A doação ora feita é obrigatória para as partes contratantes. 2.. (v) um play para crianças. O DONATÁRIO deverá. não sendo mais permitido o seu acesso em caso de demissão ou desligamento. com pelo menos as seguintes medidas. conforme autoriza o artigo 553 do Código Civil Brasileiro. como na verdade efetivamente doa. (iv) um bar. na presença das 02 (duas) testemunhas abaixo assinadas. O DONATÁRIO poderá alugar. 24 de abril de 2004. obrigado a cumprir.CONTRATOs Em EsPÉCIE cupada com o bem estar da comunidade em que vive. (iii) uma piscina profunda. (ii) uma piscina rasa para crianças até 5 anos. Eduardo Russo Testemunhas: 1.3. nunca superior a 5% de seu salário. descendentes e ascendentes terão direito de desfrutar do clube mediante pagamento de mensalidade em valor simbólico. por mais privilegiado que venha a ser.1 O DONATÁRIO deverá providenciar um clube para que os funcionários possam desfrutá-lo nos dias de folga. Esta doação fica sujeita ao cumprimento dos encargos abaixo estabelecidos. (b) O clube deverá funcionar todos os fins de semana e feriados. decide doar. (e) O clube será aberto apenas aos Funcionários e seus familiares. para dirimir as questões decorrentes do presente Instrumento.

pois. porém. escrita ou por gestos. Analisando. você consideraria que foi uma doação de pequeno valor? b) aceitação A aceitação pelo donatário é elemento indispensável para a doação e pode ser: – expressa – quando é manifestada de forma verbal. o senhor Eduardo Russo não seria mais o proprietário de 99% das quotas. ficou muito triste porque não conseguiria jogar. E agora? Que pontos devem ser levados em consideração? A doação é válida? Tem alguma medida que possa ser tomada para anular essa doação? Supondo que você fosse o advogado do senhor Eduardo Russo e tivesse sido consultado antes do contrato ser assinado. (art. de acordo com ele. O doador não espera do donatário qualquer ato ou prestação por parte do donatário. José deu para a avó o bilhete da Mega Sena.5. – Solene – a lei impõe forma escrita para doação. exceto nos casos de bens móveis de pequeno valor. portanto. do ponto de vista legal. Percebendo que ela. mas que não podia ser exigido pagamento pelo doador.5. que sempre demonstrou ser contra a realização do negócio entre o senhor Eduardo e o nosso cliente. que se encontrava doente e com dificuldade para se movimentar. 541) Lucy. Seu filho. você teria alguma sugestão? 1. Por exemplo. Jeremias. Seu amigo José resolveu fazer uma aposta. como havíamos sido informados no início da diligência legal. Chegando a casa. ele contou a sua avó que havia jogado na Mega Sena.406/2002. Lucy conta. grande fã dos Beatles. aparentemente detém 50% das quotas da Pechincha Ltda. havendo a tradição imediatamente depois. C) espécies de doação Doação pura – é pura liberalidade. Doação remuneratória – tem o objetivo de pagar um serviço prestado pelo donatário.CONTRATOs Em EsPÉCIE Esse contrato deixou nossa equipe de diligência apreensiva. – tácita – quando resulta de comportamento do donatário incompatível com sua recusa à doação. É uma liberalidade do doador. mas o donatário fica obrigado a pagar uma mesada a um parente do doador. Ocorre que a família era pé quente e os números escolhidos por José foram sorteados! Analisando esta situação. 543 e 546 da Lei nº 10. Doação com encargo – nessa espécie de doação. 539. o doador não espera qualquer prestação do donatário. inviabilizar a compra do negócio. roteiro de aula a) Características do contrato de doação O contrato de doação é: – Unilateral – envolve prestação de apenas uma das partes. conta que ganhou de sua prima a coleção de discos desse famoso grupo inglês. Curioso (a) você pede para ver a coleção.. podendo. Exemplo: Doador doa recursos ao donatário. Lucy já pode se considerar proprietária da coleção? O sorteio da Mega Sena estava acumulado e o prêmio estimado em vinte milhões de reais. A doação remuneratória e a doação com encargo perdem a característica da gratuidade? FGV DIREITO RIO 35 . – Gratuito – em regra. prêmio pago a alguém que encontrou seu cachorro desaparecido. que ainda não recebeu os discos porque eles estão guardados na casa de veraneio de sua tia. – presumida pela lei – nos casos previstos nos arts. o doador impõe ao doador uma contraprestação que resulta em vantagem para o próprio doador ou para terceiro.

Raquel pede que o juiz considere como adiantamento de legítima à Ruth os gastos que os pais tiveram com a festa de casamento de Ruth. exceto se os outros descendentes expressamente consentirem. 550 da Lei nº 10. aplicam-se as regras gerais a todos os contratos. o legislador preocupou-se em tentar evitar que um dos filhos seja beneficiado pelos pais em detrimento do outro.406/2002 Embora esta restrição não esteja expressa no capítulo sobre doação do Código Civil.CONTRATOs Em EsPÉCIE d) restrições à liberdade de doar – Doação de todos os bens do doador – art.406/2002). sendo pago em rateio do saldo que houver.845 da Lei nº 10. 2001. 13 Credor Quirografário ou simples: “aquele que não tem título que lhe dê preferência. 1. por sua vez. todas as despesas que os pais tiveram para pagamento do doutorado de Raquel em Paris. é anulável a troca de valores desiguais. solicita que o juiz considere como adiantamento de legítima a Raquel.406/2002 Essa restrição tem como propósito proteger o cônjuge e os herdeiros necessários.406/2002 Essa restrição visa proteger o patrimônio dos herdeiros. Se você fosse o juiz. Por outro lado. No momento da doação deve ser aferido se o bem a ser doado é superior à metade dos bens do doador. o código prevê que eles podem anular a doação quando o doador estiver insolvente com eles ou ficar insolvente com os credores por ter doado bens a terceiros. ele só pode doar metade de seus bens. pertence aos herdeiros necessários13 a metade dos bens da herança. – Doação de parte que caberia à legítima – art. 548 da Lei nº 10. vimos que é anulável a venda de ascendente a descendente. De acordo com o art. que trata da fraude contra credores.406/2002 O objetivo dessa restrição é proteger o doador e também a sociedade. o que você faria? f) resolução e revogação da doação A doação pode ser desfeita: – por motivos comuns a todos os contratos – embora não esteja prevista no capítulo específico sobre doações. observando-se apenas as demais restrições previstas no Código Civil. 1. (art. Para proteger os credores quirografários14 do doador. ou seja. sem consentimento dos outros descendentes. rev. se o doador tem herdeiros necessários. são Paulo: Rideel. ela está prevista no art. no caso da compra e venda. e atual. os ascendentes e o cônjuge. como visto anteriormente. e é assegurada aos herdeiros necessários. Na permuta entre descendente e ascendente. Dessa forma. se o doador não tiver herdeiros necessários. – Doação que prejudique os credores do doador – art. Qual foi o mecanismo adotado no caso da doação? E se o pai realmente quiser doar algo para um dos filhos em detrimento dos outros? Com a morte de seus pais. 549 da Lei nº 10. 158 da Lei nº 10. (Dicionário Técnico Jurídico/ organização Deocleciano Torrieri Guimarães.846. e) doação de ascendente para descendente Como já vimos anteriormente. tendo em vista que a outra metade constitui a legítima. depois de ressarcidos os privilegiados”. coordenação Luiz Eduardo Alves de siqueira – 3 ed. Ruth e Raquel abriram o inventário. – Doação do cônjuge adúltero a seu cúmplice – art. ele terá ampla liberdade de doar seus bens. Sendo assim. Ruth. possui os mesmos direitos que os credores comuns. os Os herdeiros necessários são os descendentes. evitando que o doador passe a ficar totalmente desamparado e tenha que ser assistido pelo Estado. 158 do Código Civil.) 14 FGV DIREITO RIO 36 .

– por ser resolúvel o negócio – ocorre. questões de ConCurso (Prova: 10º Exame de Ordem . d. Rita foi visitar sua mãe na casa de veraneio e aproveitou para buscar a coleção de discos dos Beatles e entregá-la a Lucy. Lucy ficou muito satisfeita com a prima. não paga em dia as cotas do condomínio do prédio onde vivem. Depois que fez a doação descobriu que Alfredo não era seu filho e então pretende anular a doação. mas isso não foi suficiente para apagar a velha briga que tem com o seu vizinho Paul. acabou perdendo a paciência e. que é também irmão de Rita. dolo e coação) e arts. – por ingratidão do donatário – o legislador visou punir o donatário.CONTRATOs Em EsPÉCIE defeitos15 que podem macular o ato jurídico. Lucy tem razão de ficar preocupada? E se Lucy tiver alugado a coleção para um amigo? 1. Lucy diz que Rita é muito ligada a seu irmão e diz que teme que esse incidente com Paul possa ter impacto na doação de Lucy. A doação deverá ser feita por escrito. que. Paul é um péssimo vizinho.2ª fase PROVA DIsCURsIVA João acreditando que Alfredo era seu filho natural (filho biológico não registrado) do namoro que manteve com mãe do Alfredo. se sobreviver ao donatário.5. no dia seguinte. uma noite. coação. A doação pode ser revogada: – por descumprimento do encargo – no caso de doação com encargo.1ª fase) Não constitui regra aplicável às doações a que abaixo se destaca: a. 547. Paul se disse muito ofendido por Lucy. Esclareça se existe algum vício na manifestação de vontade. ainda que se trate de bem móvel de pequeno valor. o doador pode desfazer a doação. Prova: 22º Exame de Ordem . por exemplo. se o donatário não cumprir o encargo no prazo assinalado pelo doador. acabou por bater no carro de Lucy que estava estacionado na garagem do prédio. simulação e fraude. no caso previsto no art. c. 138 a 155 (erro. são motivos para anular a doação. 158 a 165 (fraude) e 167 (simulação). indicando em caso positivo qual o seu fundamento. Essa foi a gota d’água para Lucy que. resolveu fazer uma doação de um apartamento para ele. como erro. Rever arts.É anulável a doação do Cônjuge adúltero ao seu cúmplice. Para completar. encontrando-o na entrada do prédio. na frente dos porteiros e de alguns moradores que aguardavam o elevador. b.6. A doação dos pais aos filhos importa adiantamento da legítima. além de fazer barulho até altas horas da madrugada. dolo. 15 FGV DIREITO RIO 37 . ao chegar bêbado. chamou de irresponsável e outros adjetivos de baixo calão que não convém replicar para nosso leitor. A doação poderá conter cláusula de retorno do bem ao doador. no qual o doador sobrevive ao donatário e o domínio do bem volta ao patrimônio do doador. mas restringiu a possibilidade de revogar a doação por ingratidão a determinadas causas e regulou seus efeitos.

biblioGrafia obriGatória: • Arts. ter-se-á sempre em mente a idéia de locação de coisas (locatio rei).. Trata-se de contrato: FGV DIREITO RIO 38 . por tempo determinado ou não. no âmbito destas aulas. A locação de serviços e de obras. vol.. Código Civil Art. biblioGrafia CoMPleMentar: • PEREIRA. Direito Civil. uso e gozo de uma coisa não fungível”).6. comerciais e de temporada). conforme diretiva do próprio código (art.245/1991). 217 a 227. que merecem um regramento especial próprio. se fala sempre em locação de coisas. lOCAçãO dE COISAS. pode-se extrair as características principais do contrato: a cessão da coisa (“ceder à outra. eMentário de teMas: Introdução – Elementos do contrato de locação – Obrigações do locador – Obrigações do locatário 1. quando se fala em locação.. Caio Mário da Silva. 2005. págs. roteiro de aula a) introdução Modernamente. Instituições de Direito Civil. III. ao se falar em locações. tratadas no direito romano como espécies de locação. mediante certa retribuição.1. Todavia. págs.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. [conceito do contrato de locação] O núcleo do contrato de locação é a cessão de uma coisa não fungível entre o seu proprietário – o locador – e aquele que se utilizará da coisa – o locatário. Na locação de coisas. 1. uma das partes se obriga a ceder à outra. Portanto.406/2002. AulA 6: CONTRATO dE lOCAçãO. algumas são consideradas tão especiais pela mens legis. ainda hoje existe uma diferenciação no ordenamento quanto às diversas espécies de locação.2.3. consentimento (“se obriga a”) e prazo (“por tempo determinado ou não”).4. 2. Rio de Janeiro: Forense. vol. 2002. Saraiva. 267 a 301 1. o uso e gozo de uma coisa não fungível. respectivamente. Do claro conceito legal. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. 1.6. São Paulo: Ed. 565 a 578 da Lei nº 10. quando há vínculo empregatício) e para a empreitada. Silvio. 565. que são regidos por legislação especial. preço (“certa retribuição”). 3.6. evoluiu para a prestação de serviços (e para o Direito do Trabalho.6. e o maior exemplo disto é a locação de prédios urbanos (residenciais.036 do código e Lei nº 8. • RODRIGUES.6.

como na compra e venda. não se trata de contrato real. seu art. parágrafo único. o pagamento de uma prestação não exaure o contrato. 16 17 Caio mário. as vagas autônomas de garagem. como bens fora do comércio ou bens públicos. e. pois envolve prestações seguidas no tempo. como se vê do próprio conceito legal. o tempo. incentivando sua utilização. (ii) oneroso. como. exclui diversos tipos de imóveis. no caso de locações prediais urbanas. havendo um grande avanço jurisprudencial na matéria. Em regra. o locatário é obrigado a restituir a coisa no estado em que a recebeu. todavia. a coisa. ou seja. portanto. é maior se houver registro (art. O fato de um bem ser inalienável não impede o seu uso em locação. (iv) comutativo. embora a Lei do Inquilinato tenha tomado para si a normatização de boa parte dos imóveis urbanos. IV. a lei dá (art. a lei privilegia a não-fungibilidade do bem. (ii) não se destinam à locação as coisas consumíveis no seu primeiro uso. normalmente mensal. isto é. a opção de compra ao final do prazo contratual). pois a lei não exige forma específica para sua validade. o contrato de locação é de execução continuada ou de trato sucessivo. e (v) não solene. o preço e o objeto do negócio. Além disso. b) elementos do contrato de locação Os elementos do contrato são. e (iii) por outro lado. do Código Civil. Ressalte-se que.CONTRATOs Em EsPÉCIE (i) bilateral. pág. transferidos por meio de manifestação de vontade. mas tão somente é considerado como contrapartida pelo uso em um determinado período. mas seu uso e gozo por alguém que não o seu proprietário. porque confere obrigações e direitos recíprocos às duas partes. Disso decorrem algumas conseqüências: (i) segundo o art. por exemplo. tal contrato possui peculiaridades específicas com relação à locação comum de coisas regulada pelo Código Civil (como.245) um tratamento especial às locações reduzidas a contrato escrito. [i) a cessão da coisa – o objeto do contrato de locação] Embora seja uma confusão bastante comum. na celebração da avença. como o dinheiro. 276. O principal atributo da coisa que será objeto de locação é a sua infungibilidade. O aluguel de lojas em shoppings centers também possui toda uma sistemática própria. 576). A proteção do locatário. salvo as deteriorações do seu uso regular. 1º. pois se forma só pelo acordo de vontades. contanto que sejam infungíveis. 569. já diz respeito à fase da execução do contrato. embora alguns autores17 enxerguem também o consentimento e a forma como seus elementos. Todavia.: corte de árvores em casa de campo). (iii) consensual. ao contrário da compra e venda. o objeto do contrato de locação não é a coisa em si. como se verá no ponto específico. em caso de alienação do bem. pode ser objeto da locação se algum acessório da coisa for consumido. Note-se que. com ele não se confunde. sem exigir forma específica16. 46 da lei 8. o contrato de locação não é personalíssimo. É muito comum considerar o contrato de leasing ou arrendamento mercantil como uma locação de coisas móveis. a tradição da coisa. em regra. porque as partes já tem conhecimento de suas respectivas prestações. os efeitos do contrato podem ser diferentes conforme houver registro ou não. FGV DIREITO RIO 39 . se houver). simplificadamente. que continuam sendo tratados pelo código (ou por legislação especial. por exemplo. embora possa se tornar mediante consentimento das partes. Pode ser objeto da locação bens móveis ou imóveis. pois é da natureza do contrato a retribuição econômica por parte do locatário. sem que ela perca a sua infungibilidade (ex.

permaneça com a posse da coisa. na locação por prazo determinado. a fundamental é a de proporcionar ao locatário o uso e gozo da coisa locado. portanto. ou até mesmo a resolução do contrato. Essa presunção legal admite prova em contrário? C) obrigações do locador As obrigações do locador estão dispostas no art. pode este pedir a redução proporcional do aluguel. salvo se houver previsão contratual específica em contrário. 567 do Código Civil reza que. o tratamento jurídico da conservação e reparação do bem. a qual pode ser desdobrada. contudo. assim como o de garantia. podem ser deduzidos do aluguel as obras e benfeitorias feitas pelo locatário. Numa interpretação a contrario sensu. por outro. [iii) prazo – o tempo da locação] A definição legal do contrato de locação já permite que ela seja celebrada tanto por prazo determinado quanto por prazo indeterminado. 566 e seguintes do Código Civil. O art. A questão da manutenção da coisa envolve. em razão de sua natural deterioração. [ii) preço – o aluguel] Como dito anteriormente. Por exemplo: o locador não pode alugar uma televisão com o tubo de imagem queimado. todavia. o locatário. pois o locatário não poderá fazer o uso esperado dela. por um lado o locador não pode exigir a devolução da coisa antes do término do contrato. deve ser feita em estado de servir ao fim a que se destina. a celebração da locação transfere a posse do bem. I. qualquer das partes pode resilir o contrato sem o pagamento de penalidades. basicamente. O art. o locatário também não poderá devolver a coisa sem o pagamento proporcional da multa contratual. extingue-se a locação pelo mero decurso do tempo. a não ser que pague as perdas e danos correspondentes. Podem as partes estipular aluguel que não seja em dinheiro? Por quê? No âmbito da discricionariedade das partes. embora a sua temporariedade o diferencie. Entrega – A entrega da coisa. II. A entrega é o ato por meio do qual a coisa locada muda de possuidor. junto com os seus acessórios e pertenças. por exemplo.245/1991) ao contrato de locação conforme o seu prazo. sob pena de invalidação do contrato ou de sua configuração em empréstimo disfarçado ou até mesmo comodato. uma certa proporcionalidade entre o valor do bem e o aluguel cobrado. Manutenção – Não basta isso. Caso. O art. dá efeitos diferentes (mais sensíveis ainda no caso da locação de prédios urbanos sujeitos à Lei nº 8. do instituto extinto da enfiteuse. do Código Civil. sem oposição do locador. conforme art. prolonga-se durante o prazo da locação. sendo o contrato sem prazo determinado. 566. o pagamento do aluguel é o que diferencia a locação do comodato. se não houver culpa do locatário. 571 estabelece que. FGV DIREITO RIO 40 . nos deveres de entrega. 566. sem necessidade de notificação ou aviso. Esse dever. naturalmente. Dentre todas. em que a transferência da posse é perpétua. e presume-se que deve ser feita imediatamente. mas. embora não caiba a retenção do aluguel como contrapartida a ausência do cumprimento deste dever. salvo se em contrário dispuser o contrato. manutenção e garantia da coisa locada. se deteriorar-se a coisa durante a vigência do contrato.CONTRATOs Em EsPÉCIE Em regra. Há de haver. já que o mesmo artigo fala que o locador deve mantê-la neste estado (dever de manutenção). determina ser obrigação do locador garantir ao locatário o uso pacífico da coisa durante o tempo do contrato. presume-se prorrogada a locação por prazo indeterminado. 573 e 574). Sendo o contrato por prazo determinado (arts. todavia. A lei.

Se o locador deve garantir ao locatário o uso pacífico da coisa com relação a terceiros. A mais importante delas é a de pagar pontualmente o aluguel. o locatário pode pedir a resolução do contrato ou abatimento proporcional no aluguel. Garantia – o já mencionado art. conforme o art. com muito mais razão não pode ele praticar atos que venham a prejudicar esta utilização pacífica. 567). 289. sobretudo para os vícios ou defeitos posteriores ao contrato) e sujeitando-se à resolução do contrato.: fechamento de estabelecimento comercial pela vigilância sanitária).210. em regra. respondendo pelas perdas e danos (graduados pelo seu grau de culpa. Deve também o locatário usar a coisa para os usos convencionados ou presumidos. o locador indenizará o locatário pelas benfeitorias e os aluguéis são devidos até que o ente público seja imitido na posse da coisa. todavia. conforme a escolha do locatário (v. 566. (v) Atos da administração pública – não só a desapropriação. que o locador deve garantir o locatário quanto a: (i) vícios da coisa. conforme o mesmo art.467. principal interessado na manutenção do seu valor econômico. art. responde pela indenização. O aluguel está para a locação assim como o preço está para a compra e venda. porém. além da resolução do contrato decorrente da própria evicção. tratando-a como se sua fosse (art. 569. Caberia ao locatário o pedido de restituição dos aluguéis pagos? Se parcial a evicção. e. sem. para o fim a que se destina.CONTRATOs Em EsPÉCIE Como proprietário da coisa. em regra se atribui ao locador o dever de promover as obras necessárias à sua conservação. Se. in fine. A desapropriação tem um regramento próprio. pág. determina ser obrigação do locador garantir ao locatário o uso pacífico da coisa. ou defeitos que possam prejudicar o seu uso. 568. ela sobrevier na vigência do contrato. A prática. 569 do Código Civil. Art. as despesas dela oriundas. especialmente nos imóveis urbanos. reparos etc. sob esse pretexto. Isso quer dizer. na forma ajustada no contrato. embora caiba ao locatário “o desforço que a lei lhe assegura (Código Civil. o locatário deve ser indenizado dos frutos que tiver que restituir. A eventual tolerância do locador. II. Se o locador tinha conhecimento do decreto expropriatório. na medida em que em regra o contrato não pode ter sobrevida pelo interesse público subjacente. Isso vale somente para os vícios ocultos ou também para os vícios aparentes? (ii) incômodos ou turbações de terceiros. tb. 1. mudar a destinação da coisa alugada. §1º)”18. não permite 18 Caio mário. Esse dever é imposto mesmo no caso de turbações feitas por colocatários. consertos. Se for total. d) obrigações do locatário: Estão dispostas fundamentalmente no art. sendo esse assunto inclusive objeto de regramento próprio na Lei do Inquilinato. FGV DIREITO RIO 41 . Art. sob pena de resolução do contrato e pagamento das perdas e danos correspondentes. ou à redução proporcional do aluguel. II do código. conforme sistematiza Caio Mário da Silva Pereira. é que o contrato de locação estabeleça exatamente que tipo de despesas caberá o locatário e ao locador. contudo. (iii) Abstenção de incômodos. caso em que pode o locador solicitar as perdas e danos sofridas. embora seja normal que o locatário responda pelas despesas de conservação de pequeno porte. I). além das perdas e danos. exceto se causadas pelo próprio locatário (ex. (iv) Evicção. A lei estabelece inclusive um penhor legal sobre os móveis que guarnecem o imóvel locado como garantia de pagamento. mas também os chamados fatos do príncipe que desnaturem a coisa ou o uso a que ela se destina. 568. 1. portanto.

406/2002: “são úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem”. de maneira. findo o contrato de locação. 96. tão logo o locatário tome conhecimento da turbação. 578). mesmo depois de findo o prazo contratual. deve o locatário restituir a coisa no estado em que a recebeu. parágrafo 3º da Lei nº 10. Esse dever de informação deve ser exercido de modo a permitir a que o locador possa tomar todas as providências para o exercício do seu próprio dever. Pode-se dizer até que é um dos poucos casos de “Justiça privada” aceita pelo Direito brasileiro. O locatário deve ter a diligência esperada para o cuidado com a coisa. 20 FGV DIREITO RIO 42 . 96. por exemplo. Por fim. sem prejuízo das regras específicas da Lei nº 8. salvo por sua deterioração natural. ainda que proveniente de caso fortuito. isto é. As únicas exceções permitidas por lei são as em é conferido ao locatário direito de retenção. O adquirente do bem somente estará obrigado a respeitar a locação se o contrato contiver cláusula expressa e tiver sido submetido ao registro próprio. a lei provê a solução no art. Art. parágrafo 2º da Lei nº 10. contudo. O desvio de finalidade é analisado no caso concreto. do local em que ele é celebrado e o princípio da boa-fé objetiva. para que ele. conforme as circunstâncias do contrato. [direito de retenção] É um poder. deve notificar o locador.245. e também pelas úteis20. Isso é contrapartida do dever do locador de garantir a coisa locada. A lei confere direito de retenção ao locatário pelas benfeitorias necessárias19. [alienação do bem durante o prazo locatício] A questão está regulada no art. por exemplo. podem as partes dispor em contrário no contrato. 576 do código. sem prejuízo de seu dever de pequenos reparos e consertos já mencionado. caso tenham sido feitas com o consentimento do locador (art. no valor arbitrado pelo locador.406/2002: “são necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore”. como se verá a seguir. possa entrar com as medidas judiciais cabíveis para a proteção de sua propriedade e da posse do locador.CONTRATOs Em EsPÉCIE afastamento desta regra. a impedir a deterioração do bem se ela é evidente. 19 Art. e responderá pelos danos a ela. Caso o locatário descumpra esse dever. O locatário é obrigado a levar ao conhecimento do locador as turbações de terceiros. enquanto não lhe forem indenizadas as despesas ou perdas sofridas em razão da coisa. uma defesa que a lei dá ao locatário de conservar em sua posse a coisa alheia locada. 575: ficará responsável pelos aluguéis enquanto mantiver a coisa em seu poder. Tratandose de norma dispositiva.

O regime da locação de imóveis urbanos é de tal importância para o Direito que mereceu uma disciplina própria. FGV DIREITO RIO 43 . Caio Mário da Silva. Pode-se até dizer que a atividade legislativa. com as normas ora protegendo mais o proprietário. que hoje encontra abrigo na Lei nº 8.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. pelo menos no Brasil. Todavia. e o crescente déficit na oferta de casas tem gerado uma verdadeira sucessão de regras jurídicas sobre o tema. No 17º mês de vigência. Rio de Janeiro: Forense. a questão habitacional vem sendo uma das maiores preocupações legislativas em todo mundo a partir do Século XX. 2006. roteiro de aula a) introdução Vimos na aula passada o regime geral das locações de coisas no Código Civil. AulA 7: CONTRATO dE lOCAçãO (lOCAçãO dE PRÉdIOS uRbANOS –– lOCAçãO RESIdENCIAl) 1.5. vol. fosse o seu sobrinho? E se o imóvel estivesse sendo vendido? 1. decide morar sozinha e. • PEREIRA. separada do Código Civil. todavia. sua filha. indubitavelmente o maior número de casos. 1. Contratos. ed. págs.7.7. Pergunta-se: cabe a denúncia “cheia” nos contratos por igual a 30 meses? E se. pede ao pai que lhe ceda esse apartamento que se encontra alugado.4. Instituições de Direito Civil.3. biblioGrafia obriGatória: • Lei nº 8. pág.7.7. para ela morar. que o profissional do Direito é levado a lidar. Com efeito. não foi a primeira legislação específica sobre o tema no Direito brasileiro. envolvendo o contrato de locação. Maria Lúcia. 1.245. em grande parte devido ao fato de que mais de 80% da população brasileira vive em centros urbanos. como não possui imóvel próprio. ao invés da filha. tem-se mostrado até certo ponto pendular. III. eMentário de teMas: Introdução – Âmbito de aplicação – Obrigações das partes – Garantias Locatícias – Prazo e forma – Alienação do imóvel – Locação residencial 1.2. 6. de 18 de outubro de 1991.7.7. que. 301 a 312..245/1991. Rio de Janeiro: Forense. Caso Gerador Imagine que o senhor Eduardo Russo tenha alugado um de seus apartamentos em Brasília por 30 meses. ora protegendo mais o inquilino. 481-573. é o de locação de prédios urbanos. biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO. 2005.1. Arnaldo.

e não ao contrário. a submissão a promoções do shopping etc. Uma situação especial diz respeito aos espaços comerciais em shopping centers. 1º. as principais obrigações do locador se referem à entrega. exceto por algumas questões referentes a despesas condominiais tratadas no próprio artigo. 22 e 23 da lei. que o contrato transfira para o locatário tais despesas. o intérprete decidirá preponderantemente de acordo com a atividade econômica praticada ou desenvolvida naquele imóvel. Além disso. Estão. está o dever de cuidar do imóvel e servir-se dele para o fim acordado no contrato. restituindo-o ao locador ao fim do prazo estipulado. a não residencial (ou comercial) e a por temporada. a variação do aluguel a ser pago em função do faturamento da loja. possui caracteres específicos. portanto. solução que parece mais simples em face do direito constitucional de moradia. Esse tipo de locação. gerava um aumento no preço dos aluguéis.245/1991 todos os imóveis urbanos não incluídos nas exceções legais expressas. nestes casos. Os imóveis rurais são regulados pelo Estatuto da Terra (Lei nº 4. por exemplo. manutenção e garantia da posse do locatário. vagas autônomas de garagem. de locadores e locatários. é livre a pactuação das cláusulas do contrato entre locador e locatário. embora o contrato possa contemplar cláusula de reajuste (arts.504/1964). 54 da lei determina que. As exceções ao âmbito de aplicação da lei. por exemplo. neste caso. sua obrigação primordial é a de pagar pontualmente o aluguel. Como visto na aula anterior. como o da boa-fé objetiva e do equilíbrio contratual.CONTRATOs Em EsPÉCIE A relativa longevidade da legislação vigente deve-se. Isto é. permitir o uso e gozo pleno do imóvel pelo locatário. aplicam-se a este tipo de locação. O art. aumentando o déficit habitacional. sendo que as duas últimas serão tratadas na próxima aula. as regras para o uso do estacionamento. ou seja. É muito comum. porém. podemos inferir. como. A configuração de imóvel urbano. O aluguel deve ser fixado em dinheiro. não se verifica um desnível econômico significativo entre as partes que enseje a atuação do legislador. ao fato de que procura equilibrar os interesses. imóveis de propriedade de entes públicos. em regra. b) Âmbito de aplicação Nem todos os imóveis em áreas urbanas estão sujeitos ao tratamento jurídico da Lei do Inquilinato. expostas já no parágrafo único do seu art. normalmente contrapostos. A Lei do Inquilinato regula três tipos de locação: a residencial. A experiência mostrou que a proteção demasiada ao locatário. num patamar imediatamente inferior. nem tampouco uma necessidade social tutelável. o impacto social não é tão relevante. 17 e 18). que chegam a extrapolar a mera relação locatícia de transferência da posse. incluem. como é o espírito da lei. garantindo o seu uso pacífico inclusive perante terceiros. em virtude de exceção expressa no texto legal. obedece mais a um critério funcional/eco/econômico do que um geográfico. Também não se aplica a lei no caso de leasing de imóveis. FGV DIREITO RIO 44 . da sua localização dentro do shopping. 79) determina a aplicação subsidiária da legislação geral nos casos omissos. Por outro lado. Todos os princípios contratuais expostos no código. sujeitos à aplicação da Lei nº 8. É legal esta estipulação? No que tange ao locatário. a disciplina do Código Civil não é totalmente afastada nas locações de imóveis urbanos. apart-hotéis etc. no que tange às despesas condominiais. C) obrigações das partes Estão listadas fundamentalmente nos art. nos casos limítrofes. A própria lei (em seu art. todavia. O legislador entendeu que.

40 da lei. ou (iii) seguro de fiança locatícia. que. consolidar novamente posse e propriedade em suas mãos. o art. e o locatário somente poderá devolvê-lo mediante pagamento proporcional da multa estipulada no acordo. Este requisito é indispensável para possibilitar a manutenção do contrato em caso de alienação do imóvel. porém. mas. Como já vimos anteriormente. o direito de vender o bem continua com o proprietário. 37. se não obtido. em regra. a diversidade de efeitos do registro no caso da alienação do imóvel é um grande incentivo não só a reduzir o contrato por escrito como também averbá-lo na matrícula do imóvel. depende do consentimento do cônjuge do proprietário. o contrato contenha cláusula de vigência e esteja averbado na matrícula do imóvel no Registro de Imóveis. a lei confere ao locatário dois direitos. Entretanto. já que a depender do que as partes acordarem os efeitos serão bem distintos. mas a lei regula – e confere alguns direitos ao locatário nestas hipóteses – a forma e o procedimento que deve ser respeitado pelo proprietário e pelo adquirente no caso de venda do imóvel alugado. 1. o art. Todavia. Sendo assim. a mais importante no regime da lei. necessariamente excludentes entre si: (i) exercer a preferência para compra do imóvel em igualdade de condições com o terceiro. o adquirente pode denunciar o contrato de locação. Além disso. no prazo de 30 dias contados do conhecimento da proposta. Por outro lado. permanecendo o contrato em vigência. solicitar o acúmulo de garantias para um mesmo contrato. talvez. o contrato de locação transfere ao locatário a posse do bem. 27. A regra geral é a de que. 27 cria um direito de preferência. Por isso. na forma do art. FGV DIREITO RIO 45 . a lei faculta ao proprietário o direito de exigir um reforço – ou até mesmo uma troca – da garantia nas hipóteses previstas no art.228) confere ao proprietário o direito de usar.CONTRATOs Em EsPÉCIE d) Garantias locatícias A lei estabelece que o locador pode exigir do locatário uma das seguintes garantias: (i) caução. se o proprietário vender o imóvel. Resumidamente. todavia. a regra geral é que se resolve o contrato de locação. e o contrato foi averbado na matrícula do imóvel no Registro de Imóveis. Pode-se dizer. conforme dispõe o art. não depende de forma específica. Não lhe é permitido. ou (ii) manter-se na posse do imóvel. apesar de o contrato de locação ser. se for superior a dez anos. como já dito anteriormente. a lei determina que o contrato é consensual. durante a vigência do contrato. 8º da lei estabelece que quando o contrato contém a chamada “cláusula de vigência”. Tal regra. (ii) fiança. em regra. como se verá adiante. de adquirir o imóvel em condições de igualdade de condições com o terceiro. cumulativamente. o adquirente não poderá denunciar o contrato. 3º da lei determina que o contrato pode ser ajustado por qualquer prazo. e) Prazo e forma O art. para o locatário. isto é. A questão do prazo é. então. Primeiramente. recebe um tempero especial quando se trata de locação residencial. não pode o locador reaver o imóvel locado. desde que. isto é. Quanto à forma. consensual e não solene. gozar e dispor de seus bens. o direito de uso e gozo. não estará obrigado a respeitar o prazo da avença. que a proteção jurídica do locatário independe da forma escrita do contrato? f) alienação do imóvel O sistema de propriedade adotado pelo nosso código (art.

46. com prorrogação automática se não houver oposição do locador. 46) Efeito • o locador pode denunciar o contrato a qualquer tempo. A lei. ainda que sem a intenção de nele permanecer sempre. onde ela se estabelece com ânimo definitivo. • Só cabe a denúncia “cheia” – nos casos previstos no art. 47 não podem ser afastadas pelas partes. 2006. e cabe o locatário desocupar o imóvel em trinta dias. Pessoa jurídica não pode ser parte em contrato de locação residencial. “Residência é o lugar onde alguém fica habitualmente. Findo o prazo. O direito de não pagar os locativos no período estipulado na notificação. isto é. • A resolução do contrato ocorre no fim do prazo estipulado. Esse é o lugar da “atividade jurídica da pessoa”. especialmente no que tange à denúncia do contrato. 45). que pode ou não ser o mesmo local do domicílio. A hipótese importa para o locatário: a.1ª fase) Arnaldo reside há dez anos consecutivos em um imóvel locado através de instrumento escrito e atualmente vigorando por prazo indeterminado. exercida a denúncia. tem um prazo de trinta dias para desocupação do imóvel (art. Contratos. O principal traço da locação residencial diz respeito ao prazo. foi surpreendido com uma notificação para desocupar o imóvel no prazo de doze meses. §2º) • Findo o prazo estabelecido. mesmo se para os seus administradores (art.CONTRATOs Em EsPÉCIE G) locação residencial Locação residencial é aquela destinada à habitação de pessoas. Seu elemento essencial é a habitualidade”. Para melhor entendimento da matéria. 47. sempre. pág. imotivada. FGV DIREITO RIO 46 . 1. O direito a uma indenização proporcional ao número de anos em razão do rompimento imotivado do contrato. c.Poderá ficar ainda mais três meses além do prazo estabelecido. onde pratica em regra os seus atos jurídicos. • o locatário. ed. sob pena de nulidade do contrato (art. questões de ConCurso (Prova: 09º Exame de Ordem . portanto. As prorrogações previstas no art. 47) Igual ou superior a 30 meses (art. no qual o legislador fixou uma referência (30 meses) em torno da qual os efeitos do contrato e os direitos e obrigações das partes serão modificados. • Nesse tipo de prorrogação. 55). a morada habitual da pessoa. b. 6.6. tendo sempre cumprido rigorosamente todas as condições do contrato. estudemos a tabela abaixo: Prazo Contratual Indeterminado Inferior a 30 meses (art. devolvendo-o nas mesmas condições que o recebeu. 486. proceder a desocupação do imóvel. aquela. a locação prorroga-se imediatamente por prazo indeterminado.7. fixa o parâmetro dos 30 (trinta) meses como razoável para o prazo locatício. Destinam-se à habitação da pessoa natural. Arnaldo. após os trinta meses cabe a “denúncia vazia”. 21 RIZZARDO. Rio de Janeiro: Forense.21 Não devem ser confundidas as noções jurídicas de residência e de domicílio. d.

O adquirente poderá denunciar o contrato com prazo de sessenta dias para desocupação.1ª fase) sendo alienado o imóvel durante a vigência de contrato de locação: a. independentemente de cláusula de vigência em razão do princípio “venda rompe a locação”. a concordância na manutenção da locação. FGV DIREITO RIO 47 .A denúncia deverá ser exercitada no prazo de 30 dias contados do registro da venda ou do compromisso. O adquirente não poderá denunciar o contrato se este vigorar por prazo indeterminado. c. presumindo-se. salvo se a locação for por tempo determinado e o contrato contiver cláusula de vigência em caso de alienação e estiver averbado junto à matrícula do imóvel. após esse prazo. b.CONTRATOs Em EsPÉCIE (Prova: 02º Exame de Ordem . O adquirente poderá denunciar o contrato com prazo de noventa dias para desocupação. d.

CONTRATOs Em EsPÉCIE

1.8. AulA 8: CONTRATO dE lOCAçãO

1.8.1. eMentário de teMas: Introdução - Locação para temporada - Locação não residencial - Ações locatícias. 1.8.2. biblioGrafia obriGatória: • Lei 8.245/1991. • RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. São Paulo: Ed. Saraiva, 2002, vol. 3, págs. 227 a 239. 1.8.3. biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO, Arnaldo. Contratos. Rio de Janeiro: Forense, 2006. págs. 481-573. • VENOSA, Silvio de Salvo. Lei do inquilinato comentada. São Paulo: Atlas, 1997. Comentários aos artigos 48 a 57. • FUX, Luiz. Locações - Processo e Procedimento. Rio de Janeiro: Destaque, 1999. 1.8.4. Caso Gerador Durante o curso da diligência legal, recebemos uma cópia de um contrato de locação não residencial de uma das lojas dos Supermercados Pechincha, celebrado inicialmente em 1º de janeiro de 2000 com prazo de vigência até 31 de dezembro de 2005. Questionada sobre o vencimento do contrato, a senhora Maria Lúcia Russo alegou que o advogado da Pechincha Comércio Varejista Ltda. a orientou a escudar-se no parágrafo único do art. 56, que garante a permanência do locatário se não houver oposição do locador no prazo de 30 dias. Sendo assim, ela argumenta que, passados vários meses do prazo legal, o contrato deve ser considerado como renovado. Como advogado da Grana Certa S/A, quais são os riscos para o seu cliente dessa situação? Seu chefe no escritório, preocupado com isso, pede a você uma pesquisa para verificar se é possível a propositura de ação renovatória. O que você responde a ele? Paralelamente, o senhor Odin Heiro pretende contratar um administrador profissional para assumir a administração da Pechincha Ltda. quando o negócio for fechado. Dentro do pacote oferecido para os candidatos à vaga, inclui-se o pagamento de aluguel de uma mansão no Lago Sul, em Brasília, onde serão sediadas as operações da Grana Certa S/A no ramo de distribuição alimentícia. Neste cenário, o seu cliente lhe pergunta qual seria o prazo recomendável para a vigência do contrato. O que você diz a ele? 1.8.5. roteiro de aula a) introdução A Lei nº 8.245/1991, além das locações residenciais, estabelece ainda o regime das locações não-residenciais (ou comerciais) e por temporada, cada qual com uma finalidade econômica específica. Assim, a Lei do Inquilinato divide em três grandes sistemáticas o regramento das locações prediais urbanas, atendendo aos bens jurídicos respectivamente tutelados – a locação residencial protege o direito à habitação, a
FGV DIREITO RIO 48

CONTRATOs Em EsPÉCIE

locação não residencial protege o fundo de comércio e a locação por temporada, por não ser nem habitacional nem parte de atividade econômica, merece regulamento próprio. b) locação para temporada O conceito de locação para temporada está disposto no art. 48 da Lei do Inquilinato, segundo o qual são requisitos para a caracterização da locação para temporada o fim ao qual é destinado o imóvel (recreativo ou na necessidade do locatário de celebrar o contrato, seja por realização de curso, seja por tratamento de saúde ou obras em seu imóvel), e o prazo de sua vigência (que não pode ser superior a 90 (noventa) dias). O prazo superior a 90 (noventa) dias descaracteriza a locação como para temporada. O art. 50 mostra que, se permanecer o locatário no imóvel para além do prazo máximo estipulado, não é possível mais se exigir o pagamento antecipado do aluguel, descaracterizando a temporada. Assim, o artigo equipara à locação residencial, só podendo ser denunciado nas hipóteses do art. 47. Parte da doutrina entende que é necessário contrato escrito. Embora contivesse do projeto original uma disposição específica neste sentido, há quem entenda que o prazo exíguo a torna incompatível com o contrato verbal, sobretudo porque o contrato não escrito, como pode não deixar claro o prazo contratado, pode ser confundido com uma locação residencial comum. E você, acha necessária, conceitualmente, a forma escrita para a locação por temporada? Em todo caso, se o imóvel estiver mobiliado, o parágrafo único determina que deva constar do contrato o rol dos móveis e utensílios que o guarnecem, bem como o estado em que se encontra. E se as partes não procederem assim, qual a sanção jurídica? Torna-se inválido o contrato? Outro grande traço da locação para temporada é a possibilidade de exigência, por parte do locador, de recebimento dos aluguéis antecipadamente, o que é vedado para os demais tipos de locação segundo o art. 20. Se, todavia, o contrato for resolvido, por algumas das hipóteses estabelecidas no art. 9º, o locador será obrigado a devolver, proporcionalmente, o valor recebido antecipadamente, sob pena de seu enriquecimento sem causa. C) locação não residencial Considera-se locação não residencial, naturalmente, aquela que não é destinada à habitação de pessoas. Sempre que a destinação do imóvel não for a moradia de alguém, será para fins não residenciais. O contrato de locação não residencial ganha uma importância maior na medida em que pode ser – e quase sempre é – parte integrante do fundo de comércio (ou fundo de empresa) do empresário. O ponto, o estabelecimento, a loja, são partes fundamentais da atividade empresarial, apesar de ser um bem imaterial, e, desta forma, não pode o legislador – que sempre procura preservar a atividade empresarial, em prol do crescimento econômico (que gera empregos e tributos) – tratar esse tipo de locação da mesma forma que trata a locação residencial. Como o legislador se utilizou da expressão “não residencial”, e não de “empresa”, “empresário” etc., é irrelevante para a lei se a atividade desenvolvida no local é empresarial, civil, industrial, ou qualquer outra. O critério da lei é residual – todas as locações que não sejam destinadas à moradia de pessoas naturais são “não residenciais” e sua disciplina então é a aplicável. Há também a locação não residencial por força de lei, estabelecida no art. 55 da lei. De modo a proteger, então, a atividade econômica, o legislador, ao contrário do que ocorre na locação residencial, outorgou ao locatário, nestes casos, um direito à renovação compulsória, ao qual corresponde uma ação – a ação renovatória. Note-se que a possibilidade de renovação compulsória do contrato encerra uma revolução paradigmática no direito dos contratos: a vigência do contrato independe da vontade de uma das partes. Em outras palavras: o locador pode inclusive ter manifestado sua intenção de não renovar
FGV DIREITO RIO 49

CONTRATOs Em EsPÉCIE

o contrato, mas se o locatário cumprir os requisitos legais, o juiz deverá autorizar a manutenção da vigência do contrato. A rescisão do contrato, em regra, nesses casos, se dá ao fim de seu prazo, conforme estabelecido no art. 56 da lei, que dá um tratamento semelhante ao que ocorre na locação residencial. Para que o locador possa fazer jus ao direito à renovação compulsória, a lei exige determinados requisitos que devem constar do contrato, necessariamente. Tais requisitos estão expostos nos três incisos do art. 51, que são cumulativos, ou seja, é necessária a presença das três condições para a possibilidade da renovação compulsória. Vale ressaltar que, neste caso, a lei é cogente; significa dizer que o contrato não pode afastar a possibilidade de renovação, estando presentes os requisitos legais. Note que (i) a lei obriga que o contrato seja por escrito – volta-se aquela definição vista anteriormente: o contrato é consensual, mas dependendo de sua finalidade, a forma escrita garantirá uma determinada sorte de efeitos; e (ii) o legislador realmente privilegia a formação do “fundo de empresa” quando estabelece prazos mínimos e requer que seja o mesmo ramo de atividade. No que tange ao inciso II, ressalte-se que se o contrato for estipulado por menos de cinco anos e houver um lapso temporal entre o seu vencimento e a sua efetiva renovação, a jurisprudência entende que se computa este tempo, valendo o tempo que o inquilino está no imóvel. Um outro requisito fundamental de validade da ação renovatória está previsto no §5º do referido artigo, que estabelece um prazo decadencial para a propositura da ação, de seis meses, entre um ano e seis meses antes do vencimento previsto do contrato vigente. Portanto, quando você estiver estagiando em um escritório e tiver que protocolar um prazo de ação renovatória, muita atenção: NÃO PERCA O PRAZO; seu cliente pode sofrer gravíssimos prejuízos. Dê uma olhada atenta nos arts. 52 e 53 da lei – lá estão estabelecidas algumas exceções à regra da renovação compulsória, por matéria de política legislativa. Luvas: é uma quantia paga pelo locatário, além dos aluguéis, para o locador, como adiantamento ou para a renovação do contrato. No regime anterior da locação não residencial, sua cobrança era permitida. No atual sistema legislativo, parte da doutrina acha que a lei atual não veda a cobrança, que ocorria, na prática, mesmo com a existência de vedação expressa do decreto anterior (lei de luvas). Mas não é matéria pacificada; alguns entendem que o Art. 45 proíbe a cobrança de luvas. d) ações locatícias Por fim, e sem querer entrar na aula do professor de Processo Civil, a Lei do Inquilinato possui regras processuais específicas para o caso de locação de imóvel urbano, criando alguns remédios para locadores e locatários sujeitos ao âmbito da lei. 1) Ação de despejo (art. 59) – é a ação utilizada pelo locador para retomar o imóvel, por qualquer que seja o motivo (e não somente por falta de pagamento). Assim, sempre que o locatário se mantiver na posse do imóvel e a lei conferir ao locador o direito de retomada, ele poderá propor a ação de despejo e poderá, inclusive, pedir liminar ao juiz para desocupação em 15 (quinze) dias, nos casos previstos no art. 59. Se a ação de despejo for proposta com fundamento na falta do pagamento pontual do aluguel, o objeto da ação incluirá também a cobrança dos valores devidos, não sendo necessária, até mesmo por um primado de economia processual, a propositura de ação de cobrança. O locatário poderá, nesse caso, impedir a resolução do contrato mediante a “purga da mora”, isto é, o depósito judicial do valor do débito atualizado, com multa, juros e encargos. 2) Ação de consignação de aluguel (art. 67) – é a ação do locatário quando o locador se nega a receber os valores do aluguel, e por meio da qual ele irá depositar em juízo a importância que acha devida, indicada na petição inicial.
FGV DIREITO RIO 50

basicamente o que se busca é uma perícia judicial para que seja arbitrado o valor de mercado justo do imóvel. Prova: 24º Exame de Ordem . gerando um enriquecimento sem causa do locatário. em contrato de locação não residencial. 68) – serve para qualquer tipo de locação prevista no ordenamento. iniciou tratativas com o locador. IV). pretendendo renovar a relação. levantar o depósito sobre o valor que não está sendo mais objeto da disputa. Por outro lado. Nessa ação. no intuito de preservar o fundo de empresa. o juiz acolherá o pedido (art. b.PROVA DIsCURsIVA Padaria Alvino. Proposta de terceiro para a locação em condições melhores. celebrado em 01/12/1999. alguma solução judicial para a questão? Qual? Explique e fundamente a sua resposta FGV DIREITO RIO 51 . desta forma. a retribuição a ser paga pelo locatário. Vale ressaltar que. em que muitas vezes o locador era prejudicado por um índice defasado no contrato.1ª fase) Não é defesa possível ao locador na ação renovatória: a. na qualidade de locatária. Não preenchimento dos requisitos legais para a renovação. de radical transformação no imóvel. ou não. questões de ConCurso (Prova: 21º Exame de Ordem . a locatária. expondo todo o caso concreto e desejando sua opinião sobre a possibilidade de compelir a realização da renovação contratual. 1. conforme visto acima. Sendo assim. na data de hoje. as quais restaram infrutíferas. existe.CONTRATOs Em EsPÉCIE Caso o locador levante o depósito ou não oferecer contestação.8. na maioria das vezes o autor da ação era o locador. lhe procura como advogado. por prazo determinado de 5 (cinco) anos. ajustando-se. A intenção de se instalar no imóvel com comércio no mesmo ramo que o inquilino. poderá ser cobrada a diferença aferida no valor dos aluguéis. face à resistência do locador.6. o legislador limitou as matérias de fato que podem ser objeto da contestação do locador. que não deseja renovar o contrato. Assim. 72. A necessidade de realização de obras urgentes. determinadas pelo poder público. c. 67.2ª fase . 71) – é aquela usada para a renovação compulsória da locação. 3) Ação revisional de aluguel (art. também por medida de economia processual. 73). na locação não residencial. 4) Ação renovatória (art. d. Pergunta-se: no caso concreto. no art. Neste caso. a qualquer tempo. o locatário poderá. que também será discutido na ação (art. Tinha muita relevância na época da escalada inflacionária.

(coord. Obrigações do comodatário. que comentários você teria a fazer com relação ao contrato abaixo? CONTRATO DE COmODATO XYZ LTDA. individualmente.). que será regido pelo artigo 579 e seguintes do Código Civil. “Parte”. 3. 1. Características. págs. Das várias espécies de contratos.1. Distrito Federal.9. Comodante e Comodatária são doravante. inscrita no CNPJ/MF sob nº 00000000. neste ato representada por seu representante legal. 7. Comentários ao Código Civil. eMentário de teMas: Introdução.9.4. Tendo em vista a importância desse imóvel para a rede de supermercados e. sociedade limitada com sede na Rua dos Oitis. conseqüentemente. São Paulo-SP. 2002. doravante denominada simplesmente “Comodante”. Quadra ABC (o “Imóvel”). com seus atos constitutivos registrados na Junta Comercial de Brasília sob o número 11111111. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.406/2002. matrícula 555 do Cartório de Registro de Imóveis do Distrito Federal. Direito Civil. 255 a 261. Saraiva. Caso Gerador: Recebemos na diligência o contrato de comodato de um dos imóveis utilizados pela rede de Supermercados Pechincha. a Comodatária tem interesse na utilização do Imóvel e que a Comodante deseja dar em comodato à Comodatária parte do Imóvel. vol. 82 a 130. conjuntamente. Extinção do comodato. 1. págs. neste ato representada por seu representante legal.9.. Eduardo Russo.. vol. Silvio. Comodante e Comodatária. Teresa Ancona.9. • RODRIGUES. Parte Especial. São Paulo: Ed. AulA 9: EmPRÉSTImO (COmOdATO) 1. para o nosso cliente. e pelas seguintes cláusulas e condições: FGV DIREITO RIO 52 . In: AZEVEDO. 2003. e PECHINCHA COMÉRCIO VAREJISTA LTDA.9. com sede em Brasília. 579 a 585 da Lei nº 10.2. São Paulo: Saraiva. potencial adquirente do negócio. 1. CONSIDERANDO QUE: a Comodante é proprietária e legítima possuidora do imóvel localizado no Lago Sul. doravante denominada simplesmente “Comodatária”. biblioGrafia CoMPleMentar: • LOPEZ. Antônio Junqueira de. Sr.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. REsOLVEm.3. denominadas “Partes” e. celebrar o presente Contrato. biblioGrafia obriGatória: • Arts.

desde já. sem prejuízo das sanções aplicáveis. que o Imóvel se encontra livre e desembaraçado de quaisquer ônus reais. em conformidade com o seu Contrato Social e respectivas alterações. Durante a vigência do presente Contrato. ainda. ou (b) pedido de concordata ou falência da Comodatária.2. em caso de inobservância. 2. O presente Contrato é celebrado por prazo indeterminado. A Comodante reserva-se o direito de rescindir este Contrato. e as benfeitorias delas decorrentes a ele se incorporarão.1. FGV DIREITO RIO 53 . A Comodatária declara que utilizará o Imóvel ora dado em comodato exclusivamente para a consecução de seus objetivos sociais. 1. Das Despesas. bem como a cessão ou transferência dos direitos e obrigações oriundos deste Contrato. bem como sobre o exercício de suas atividades. Da Utilização da Área.3. 4. Da Vigência e da Rescisão. Da Imissão na Posse.2. 4. 2. ficando. Tais adaptações e reformas. caso tais irregularidades não sejam sanadas dentro de 02 (dois) dias contados a partir da data do recebimento de aviso escrito enviado pela Parte prejudicada. a Comodatária se obriga. 1.1. Fica.1. 5. mediante notificação com efeitos imediatos. não podendo a Comodatária reter o Imóvel nos termos deste Contrato pelas benfeitorias nele realizadas. Neste ato. pela outra Parte. para todos os fins de direito. A Comodatária será a responsável exclusiva pelo custeio de todas e quaisquer despesas decorrentes de adaptações e reformas eventualmente realizadas a fim de permitir a instalação e o funcionamento das atividades da Comodatária no Imóvel. taxas. 5. água. Pelo presente Contrato. 5. se realizadas pela Comodatária. O presente Contrato poderá ser rescindido por qualquer uma das Partes.2. Do Objeto.1. 3. impostos e demais encargos que recaiam sobre o Imóvel. A Comodante declara. turbações ou esbulhos e a preservar o Imóvel como se seu fosse.1. gás. a partir da posse. ou ainda restrições de qualquer natureza.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. desde já. a preservar e manter em perfeito estado de conservação e limpeza o Imóvel cedido. 1. na forma do artigo 582 do Código Civil. vedada sua utilização para qualquer outra finalidade sem o prévio e expresso consentimento da Comodante. ressalvado o desgaste natural decorrente do uso regular do Imóvel. obrigando-se. a defendê-la contra ameaças. na melhor forma de direito. a Comodante cede em comodato à Comodatária o Imóvel. luz. 5. na ocorrência de qualquer uma das seguintes hipóteses: (a) protesto de títulos de responsabilidade da Comodatária. de qualquer de suas cláusulas e/ou condições. sob pena de responder por perdas e danos. Fica desde já ajustado entre as Partes que as benfeitorias realizadas pela Comodatária no Imóvel não criarão para a Comodatária direito a qualquer indenização. vedado à Comodatária o aluguel ou comodato do Imóvel. 3. ou (c) utilização do Imóvel para outros fins além daqueles descritos neste Contrato. 2. a Comodatária é imitida na posse do Imóvel.2. 2. podendo ser rescindido por qualquer das Partes mediante aviso prévio de 30 (trinta) dias.1. sem o expresso e inequívoco consentimento da Comodante.3. serão consideradas despesas necessárias para o uso e gozo do Imóvel. A Comodatária será exclusivamente responsável pelo pagamento de todas as despesas ordinárias tais como. comprometendo-se a não lhe causar danos ou avarias e a conservá-lo no mesmo estado em que o recebeu. pessoais ou fiscais.

as Partes assinam o presente Contrato de Comodato em três vias de igual teor e forma na presença de duas testemunhas abaixo assinadas. deverão ser feitas por carta com aviso ou protocolo de recebimento ou.1. 22 RODRIGUEs. qualidade e quantidade”. roteiro de aula a) introdução Empréstimo é o contrato pelo qual uma das partes entrega um bem à outra. 23 FGV DIREITO RIO 54 . silvio. Das Notificações. Todas as notificações. As Partes elegem o foro da comarca da capital do Estado de São Paulo como competente para solucionar qualquer conflito decorrente do presente Contrato. são Paulo: Ed. Do Foro. 6. 8.1. Nesta aula. por notificação judicial ou extrajudicial. permitidas ou decorrentes deste Contrato.CONTRATOs Em EsPÉCIE 6. no qual o comodatário recebe a coisa emprestada para uso.406/2002: “são fungíveis os móveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie. ainda. ao termo do negócio”23. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. 255. 7. fax. Direito Civil. Existem duas espécies de empréstimo: comodato e mútuo. A Parte que infringir qualquer das cláusulas ou condições do presente Contrato ficará sujeita ao pagamento. Das Penalidades. para ser devolvido em espécie ou gênero. 85 da Lei nº 10. Brasília. por mais privilegiado que seja. na vigência deste instrumento.9. devendo devolver a mesma coisa. saraiva. 7. com renúncia expressa de qualquer outro. Testemunhas: Nome: RG: Nome: RG: 1. Relembrando: art. veremos as características do comodato e na próxima aula estudaremos as diferenças entre comodato e mútuo e as regras específicas do mútuo.5. vol. e-mail com comprovação de recebimento. por qualquer das Partes à outra. à Parte inocente. das perdas e danos a que tiver dado causa. 3. dirigidos e/ou entregues às Partes nos endereços constantes do preâmbulo deste Contrato ou em outro endereço que uma das Partes venha a comunicar à outra. pág. 8. Pechincha Comércio Varejista Ltda.1. avisos ou comunicações exigidas. 2002. POR EsTAREm AssIm JUsTAs E CONTRATADAs. eminentemente gratuito. a qualquer tempo. “O comodato é o empréstimo de coisa não fungível22. 10 de novembro de 1995.

se em caso de risco. deve ser entendido que a coisa foi emprestada para ser utilizada de acordo com sua natureza.406/2002: “O comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis.CONTRATOs Em EsPÉCIE b) Características Art.406/2002. é possível extrair três elementos desse contrato: a gratuidade. portanto. que cedeu duas máquinas em comodato ao supermercado para que os clientes comprem os produtos e coloquem nas máquinas que ficam ali à disposição. C) obrigações do comodatário – Velar pela conservação da coisa – O comodatário deve zelar pela coisa como se própria fosse. o prazo do contrato já terminou. por exemplo. Vale notar que no comodato. exceto se ele comprovar necessidade urgente e imprevista para exigi-lo antes. – Unilateral – após a entrega do bem. uma área perto da seção de confeitaria. poderia ser confundido com a locação. é: – Gratuito – caso fosse oneroso. Não basta a mera troca de consentimentos. o comodatário privilegiar a segurança de seus bens próprios. Há. Um dos diferenciais do Supermercado Pechincha é o atendimento aos clientes. mesmo em caso de força maior. – Restituir a coisa emprestada no momento devido – O comodatário deve restituir o bem no prazo acordado. o Supermercado Pechincha entrou em acordo com uma renomada empresa de café expresso. Se o contrato for omisso quanto à finalidade. o domínio não é transferido ao comodatário. A natureza jurídica do contrato de comodato. pelo comodatário. Que conseqüências podem resultar desse fato? d) extinção do Comodato O contrato de comodato se extingue: Rever arts. Perfaz-se com a tradição do objeto”. – Real – é necessário que o bem seja transferido ao comodatário para que o contrato exista. a não-fungibilidade do objeto e a necessidade de sua tradição para o aperfeiçoamento do negócio. deve ser restituído findo o prazo necessário para a finalidade para a qual ele foi emprestado. 579 da Lei nº 10. Para tanto. que descumpra a obrigação de devolver o bem no prazo. Recebemos o contrato celebrado entre o Supermercado Pechincha e a empresa de café e notamos que. o comodante não pode exigir o bem antes do termo do contrato. O comodatário. sujeito aos efeitos da mora24. já analisada neste curso. o comodatário responde pelo dano que venha a ser sofrido pelo comodante. Pela análise do artigo acima. para a finalidade e de acordo com os termos do contrato de comodato. embora haja transferência do bem. – Usar a coisa de forma adequada – O bem em comodato só poderá ser usado. 394 a 401 da Lei nº 10. incumbem obrigações apenas ao comodatário. portanto. onde os clientes podem tomar um gostoso cafezinho. A princípio. fica em mora e. Não havendo prazo expressamente pactuado. Assim. abandonando os bens do comodante. embora as máquinas permaneçam no supermercado. 24 FGV DIREITO RIO 55 . – Não solene – a lei não prescreve qualquer forma.

Apesar de estar muito chateado. de acordo com os herdeiros. Vital deu sua moto em comodato a Irene. Irene veio a falecer poucos dias depois. a rescisão decorrerá de sentença judicial que reconheça o advento de necessidade urgente e imprevisível à época do negócio. – pelo comodante. Nesse caso. como julgaria a questão? FGV DIREITO RIO 56 . embora o contrato de comodato tivesse sido celebrado com Irene. alegando que somente tinha feito aquele contrato porque conhecia muito bem Irene e que agora não fazia sentido manter o contrato de comodato. Sabendo que Irene tinha acabado de abrir um restaurante e que queria implementar um serviço de entrega em domicílio. se o comodatário descumpre qualquer de suas obrigações. após o uso pelo comodatário de acordo com a finalidade para que foi emprestada. – pelo comodante. infelizmente. caso prove a superveniência de necessidade imprevista e urgente. por sua vez. Vital pleiteou em juízo a resolução do contrato de comodato. Irene e Vital eram amigos desde a época do colégio.CONTRATOs Em EsPÉCIE – pelo decurso do prazo pactuado ou. caso não haja termo ajustado. Ocorre que. Os herdeiros de Irene. alegaram que o contrato de comodato ainda estaria em vigor e que a moto era responsável por uma boa parte da renda do restaurante uma vez que viabilizava o serviço de entrega em domicílio. o comodante estava ciente de que não era ela quem dirigia a moto. Além disso. Se você fosse o juiz.

págs. out. As coisas fungíveis são substituíveis por outras. 2003. 7. Rodrigo Garcia da.406/2002. como o bem emprestado é fungível.4.. no prazo pactuado. Silvio. um bem que tenha as mesmas características do que o recebido.Prazos no mútuo. Saraiva. 1. São Paulo: RT. Ele comenta que soube que houve muita discussão a respeito da cobrança de juros com a edição do novo Código Civil e lhe consulta sobre esta questão. biblioGrafia obriGatória: • Arts. 67 a 110. – Transferência de domínio – Enquanto no comodato. Revista de Direito Bancário. págs. tendo que devolvê-la ao comodante ao final do comodato. Ao explicar a situação. 1. tais como: – Objeto – Como vimos na aula anterior. Arnaldo. Das várias espécies de contratos. • FONSECA. eMentário de teMas: Diferenças entre mútuo e comodato – Características .CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Juros e o novo Código Civil. 2002. é o “empréstimo de coisas fungíveis”. Já o mútuo. conforme art. São Paulo: Saraiva. no mútuo.10.Mútuo oneroso ou feneratício . Juros no Código Civil de 2002. no mútuo. mas não necessariamente o mesmo recebido. 261 a 268.Mudança na situação econômica do devedor . do Mercado de Capitais e da Arbitragem 26. São Paulo: Ed. vol. • RODRIGUES. para viabilizar a compra da participação na Pechincha Comércio Varejista Ltda. págs. o comodato é o empréstimo de coisas não fungíveis.10. biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO. 10. Teresa Ancona. Desta forma. do Mercado de Capitais e da Arbitragem 22. Dessa diferença decorre a segunda distinção entre comodato e mútuo.-dez. não deixe de apontar as diferenças entre o regime geral do mútuo no Código Civil e o mútuo bancário. 3. (coord. Comentários ao Código Civil. 1. por meio de mútuo. Grana Certa Empreendimentos S. vol. In: AZEVEDO. AulA 10: EmPRÉSTImO (múTuO) 1. págs. roteiro de aula a) diferenças entre mútuo e comodato Embora ambos sejam espécie do gênero empréstimo.5.406/2002. 1.10. 2003. Parte Especial. • LOPEZ. Antônio Junqueira de.-dez. Caso Gerador: Nosso cliente. o mutuário tem que entregar ao mutuante. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. FGV DIREITO RIO 57 . pretende obter recursos. 586 da Lei nº 10. o comodatário recebe coisa não fungível.2. 53 a 77.1.3. Direito Civil. out.169 a 187.). diferentemente do que ocorre no comodato. apresentam algumas diferenças. 586 a 592 da Lei nº.A.. Revista de Direito Bancário.10. 2004..10.10. São Paulo: RT. o domínio do bem é transferido pelo mutuante ao mutuário.

C) Mudança na situação econômica do devedor Seguindo a orientação de proteção ao credor. 333 da Lei nº 10. – Unilateral – Como o contrato somente se concretiza com a entrega do bem pelo mutuante ao mutuário. 402 do Código de Processo Civil prevê exceções a regra do arts. 590 da mesma lei. mas essa é necessária para que o contrato exista. – Gratuito ou oneroso – O contrato de mútuo tanto pode ser gratuito.00 a João Alberto. Jeremias entregou o dinheiro ao amigo para que ele fizesse o investimento na bolsa. portanto. contudo.406/2002 e 401 do Código de Processo Civil. tem sido cada vez mais comum a pactuação de mútuos onerosos. no caso de ajuda a um amigo. Para provar a existência do mútuo. celebrar esse tipo de contrato por escrito. Curioso e atraído pela conversa de seu amigo. Caput do art. Jeremias decidiu investir em ações.000. sendo conveniente.000. O que você responde? Quais são as principais diferenças entre a locação e o comodato e a locação e o mútuo? b) Características O mútuo é contrato: – Real – Só se aperfeiçoa com a entrega da coisa. Jeremias lhe procura e pergunta se tem obrigação de devolver a João Alberto os R$ 500. Ocorre que a bolsa de valores despencou. sem ter a obrigação de consertá-la ou pagar pelo seu conserto. que é a remuneração pelo uso do capital. Vale lembrar que o art.00. d) Mútuo oneroso ou feneratício O caso mais usual de mútuo é o empréstimo de dinheiro. assim como o valor das ações que foram adquiridas pelo amigo de Jeremias. tendo em vista que agora ele só tem metade desse valor. 25 FGV DIREITO RIO 58 . Atualmente. aplica-se a regra geral25 de que. No dia fixado para pagamento do mútuo. que no caso de notória mudança na situação econômica. – Não solene – A lei não determina uma forma obrigatória para a celebração do mútuo. Como não tinha recursos para fazê-lo. Dessa forma. o mutuário deve devolver ao mutuante valor equivalente ao recebido. o legislador prevê no art.406/2002. a prova exclusivamente testemunhal só se admite nos negócios jurídicos cujo valor não ultrapasse o décuplo do maior salário mínimo vigente no País ao tempo em que foram celebrados”. prevista no art. não é admitida apenas a prova testemunhal. No mútuo oneroso ou feneratício. por exemplo. o mutuante pode exigir do mutuário garantia de que poderá cumprir sua obrigação de pagar o mútuo. para devolvê-lo no prazo de seis meses. no caso de negócios jurídicos de valor superior a dez salários mínimos. 227 da Lei nº 10.CONTRATOs Em EsPÉCIE Jeremias vinha conversando muito com um amigo que se dizia entendido de investimentos na bolsa de valores. é possível dizer que a partir desse momento apenas o mutuário tem obrigações para com o mutuante. com a previsão de juros sobre o valor emprestado. acrescido de juros.406/2002: “salvo os casos expressos. não bastando o acordo entre as partes. como também oneroso. uma vez que a única obrigação do mutuante seria a entrega da coisa. 227 da Lei nº 10. ele também pagaria ao João Alberto apenas o que havia sobrado. assim como o supermercado pôde entregar apenas a máquina quebrada. Ele lembra que certa vez uma das máquinas de café expresso emprestadas para uma das filiais do supermercado quebrou e que o supermercado teve apenas que devolvê-la a empresa proprietária das máquinas. Jeremias pediu R$ 500.

inclusive. 2003. 26 “Comentários ao Código Civil. Parte Especial. são Paulo: saraiva. pág.406/2002 remete ao art. Vol. e) Prazos no mútuo Caso as partes não convencionem o prazo para o término do mútuo. Dessa forma. são definidos como o rendimento do capital. são Paulo: saraiva. 28 29 Lei nº 9.406/2002 não faz referência a um tipo específico de juros. do ponto de vista moral e religioso. É bem acessório e depende do principal”26. Teresa Ancona Lopez. pois esses bens têm disciplina específica prevista nos incisos anteriores. 10. as partes são livres para pactuar a taxa de juros. pág. 406. são Paulo: saraiva. Das várias espécies de contratos”. Esse prazo deve ser razoável para que o mutuário possa usar e gozar do bem mutuado. A taxa em vigor para pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional é a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC)29. Os juros também podem ser legais ou convencionais. O art. 591 da Lei nº.406/2002: “Quando os juros moratórios não forem convencionados. Vol. eles são presumidamente devidos no caso de mútuo para fins econômicos. (coord) Antônio Junqueira de Azevedo. (coord) Antônio Junqueira de Azevedo. a indenização por descumprimento de uma obrigação pecuniária. “Os juros. 10. são definidos como a compensação. de um modo geral. 406 da mesma lei para fixar teto para a taxa de juros: Art. podemos afirmar que ele refere-se aos dois tipos: remuneratórios e moratórios. 2003. a fixação dos juros tinha que ser expressa.065/95 FGV DIREITO RIO 59 . Das várias espécies de contratos”. 175. ou quando provierem de determinação de lei. “Os juros remuneratórios podem ser definidos como os frutos de um capital emprestado. “Comentários ao Código Civil. Teresa Ancona Lopez. 2003. Parte Especial. Como o art. resultantes da utilização permitida desse capital”27. serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional”. Já no Código Civil de 2002. como também é muito comum. Os juros são classificados em juros remuneratórios e juros moratórios. Vale ressaltar o prazo previsto no inciso III do referido artigo: “do espaço de tempo que declarar o mutuante. No Código Civil de 1916. pg. 7. Parte Especial. o Código Civil estabeleceu prazos em seu artigo 592. por sua vez. Essa regra não se aplica ao mútuo de dinheiro ou de produtos agrícolas.CONTRATOs Em EsPÉCIE A cobrança de juros vem sendo discutida durante a história. Os juros legais decorrem de imposição legal e os juros convencionais decorrem da vontade das partes. 10. “Os juros moratórios. da mesma forma que o aluguel é o rendimento produzido pela coisa cedida em locação. portanto. o mutuante poderá intimar o mutuário para restituir o bem no prazo que fixar. 591 da Lei nº. Vol. 7. 27 “Comentários ao Código Civil. 174. Teresa Ancona Lopez. 175. 7. a cobrança de juros não só é aceitável. mesmo que não haja previsão expressa de cobrança de juros. desde que seja observado o limite máximo estabelecido no referido art. os frutos produzidos pelo dinheiro. Aplicam-se quando o devedor deixar de cumprir sua obrigação no tempo acordado como credor”28. A princípio. (coord) Antônio Junqueira de Azevedo. ou o forem sem taxa estipulada. se for de qualquer outra coisa fungível”. Das várias espécies de contratos”. 406 da Lei nº. Atualmente.

10. Diante desta hipótese João poderá: a. independentemente do valor contratado. Poderá se valer de prova testemunhal. Nada poderá fazer. face ao impedimento moral existente. pois dívida não se comprova com testemunha. FGV DIREITO RIO 60 . diante do constrangimento decorrente da relação de parentesco. Não existe previsão legal para esta hipótese. não cuidou de obter sua assinatura em documento que tornasse hábil a futura cobrança. questões de ConCurso (Prova: 12º Exame de Ordem . c. d. sendo certo que tais tratativas verbais ocorreram na presença de manoel e Joaquim.1ª fase) João tendo emprestado certa importância a seu primo José. Só poderá se valer de testemunhas se estas forem em número de quatro ou mais.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. b.6.

como orientaríamos Maria Lúcia? E se. para análise de contratos que ali estavam. Direito Civil. Espécies de Empreitada. ou até mesmo em lei específica. Caso Gerador Em visita a uma das filiais do supermercado Pechincha.11.4. RODRIGUES. Ela conta que contratou. Pedro alega que alguns materiais necessários para a obra tiveram seus preços reajustados e que o projeto original sofreu modificações durante a obra.introdução No Código Civil anterior.00. biblioGrafia obriGatória Arts. O Código Civil regula a prestação de serviços residual. o “trabalho avulso feito por pessoa física ou jurídica (geralmente microempresa) e o trabalho dos profissionais liberais”. Para piorar. PEREIRA. III. Saraiva. vol. o termo “locação” é utilizado apenas para coisas e não mais para pessoas.1.3. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. O trabalho com vínculo empregatício é regulado pelo Direito do Trabalho. Se fôssemos advogados do Supermercado Pechincha. São Paulo: Ed. Características da Prestação de Serviços. Pedro. 593 a 626 da Lei n° 10. filha do senhor Eduardo Russo e administradora das lojas. 375 a 384. fôssemos advogados do empreiteiro. Modernamente. o material que iria ser utilizado para revestir as paredes do estacionamento deteriorou-se e que será necessário repor boa parte do material. um rapaz conhecido por ser um bom empreiteiro.11. Obrigações do dono da obra.000. 2005. que está completamente irada. como os serviços de telefonia e bancário.11. há mais de cinco meses. 1. Há serviços específicos que são tratados em seção específica do Código Civil. ao contrário. Riscos com aumento ou redução de preços. págs.2. Obrigações do Empreiteiro. Silvio. vol 3. ou seja. que em razão de um acidente ocorrido no dia anterior. Caio Mário da Silva. EmPREITAdA. encontramos Maria Lúcia. Rio de Janeiro: Forense. Empreitada – Introdução. agência e distribuição.11. FGV DIREITO RIO 61 . AulA 11: PRESTAçãO dE SERVIçOS. 1.406/2002.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. a prestação de serviços era tratada como “locação de serviços”. 2002. 1.11. Instituições de Direito Civil. corretagem. Pedro acaba de avisar à Maria Lúcia. que ele não tinha como prever quando foi contratado. Características da Empreitada. 243 a 253. como executor de uma obra para ampliação do estacionamento da loja. roteiro de aula a) Prestação de serviços . eMentário de teMas Prestação de Serviços – Introdução. o que poderíamos alegar? 1. como transporte. A previsão inicial era de que a obra duraria três meses e custaria R$ 20. Perguntado sobre o descumprimento do prazo e do orçamento previstos. Ocorre que a obra já ultrapassou tanto a previsão de tempo quanto a de custo e Pedro ainda está cobrando de Maria Lúcia valores adicionais pela obra. págs.

sendo a ausência de protesto considerada uma aceitação tácita do dono da obra. de acordo com instruções deste e sem relação de subordinação”2. 1 RODRIGUEs. (art. e) riscos com aumento ou redução de preços Em regra. o senhor Odin Heiro. por meio de instruções por escrito do dono da obra e. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. O empreiteiro entrega a obra e o dono da obra entrega o preço.CONTRATOs Em EsPÉCIE Desde que respeitados os pressupostos e requisitos1 para os negócios jurídicos. sem que seja necessária a entrega da coisa.243. os riscos da alta ou baixa do preço dos materiais e do salário são assumidos pelo empreiteiro. pessoalmente ou por terceiros. Saraiva. como ocorre no mútuo. Consensual – se aperfeiçoa com a mera vontade das partes. nosso cliente. no caso de não haver autorização escrita do dono da obra. 2002. São Paulo: Ed. Pode ser ajustado verbalmente. O empreiteiro só pode exigir acréscimo no preço do dono da obra se forem feitas modificações no projeto a ser implementado. 2 FGV DIREITO RIO 62 . como poderíamos classificar o contrato de prestação de serviços? Tendo atuado muitos anos no comércio varejista. se esse presente às obras verificou a alteração no projeto e não protestou. Não solene – a lei não impõe forma específica para sua execução. vol 3. Oneroso – envolve um “sacrifício” patrimonial para ambas as partes. Ao saber disso. qualquer espécie de serviço pode ser objeto do contrato de prestação de serviço. Silvio. Durante a diligência. C) empreitada . b) Características da Prestação de serviços Relembrando nossa primeira aula. objeto lícito e forma. Relembrando: capacidade das partes.introdução Empreitada é o contrato por meio do qual o empreiteiro “se compromete a executar determinada obra. preocupado. salvo estipulação em contrário. 619 da Lei n° 10. pág. em troca de certa remuneração fixa a ser paga pelo outro contraente – dono da obra -. Direito Civil. tivemos conhecimento de que Jeremias Russo vinha mantendo conversas e negociações com o senhor Eugênio para que ele parasse de prestar serviços ao supermercado e passasse a trabalhar para o seu sócio em um novo negócio que Jeremias estava pensando em abrir. o senhor Eugênio foi contratado com exclusividade pelo Supermercado Pechincha para prestar serviços de pesquisa de técnicas de atração ao consumidor. Quais são as diferenças entre o contrato de empreitada e o de prestação de serviços? d) Características da empreitada O contrato de empreitada é: Bilateral ou sinalagmático – envolve prestação de ambas as partes. nos pergunta se há alguma providência que possa ser tomada caso o senhor Eugênio resolva parar de trabalhar para o Supermercado Pechincha.406/2002).

d. Ela lhe procura com a seguinte pergunta: qual é a regra geral para suspensão dos serviços no caso de empreitada? 1. cuja obra foi concluída segundo afirmativa categórica de “A” no prazo estabelecido pelo contrato. Embora não haja previsão legal. Art. segundo a qual o empreiteiro de materiais e execução responderá pela solidez e segurança do trabalho. H) obrigações do dono da obra A principal obrigação do dona da obra é efetuar o pagamento do preço. Ajuizando ação com fundamento na exceptio non adimpleti contractus. 389 da Lei nº 10. e honorários de advogado”. A lei prevê ainda uma regra específica no caso de empreitada de edifícios e outras construções consideráveis. Por que é importante distinguir entre a empreitada de lavor e a empreitada mista? G) obrigações do empreiteiro A principal obrigação do empreiteiro é entregar a coisa no tempo e na forma acertados.406/2002: “Não cumprida a obrigação. Ajuizando ação com fundamento na cláusula rebus sic stantibus. Para os vícios ocultos. questões de ConCurso (Prova: 29º Exame de Ordem . rigorosamente. corretamente a obrigaçao. Caso o empreiteiro não cumpra as obrigações do contrato. c. Para os defeitos aparentes.406/2002. Aguardando que este cumpra.Ajuizando ação com fundamento na exceptio non rite adimpleti contractus. O dono da obra tem obrigação de receber a coisa.1ª fase) “A” obrigou-se a construir para “B” um edifício.11. a qualidade dos materias especificados no memorial de incorporação. Assim “B” suspende os últimos pagamentos devidos a “A”: a. em razão dos materiais como do solo. ficando responsável pelos efeitos decorrentes da mora. o dono da obra tem duas alternativas: rejeitar a coisa ou recebê-la com abatimento do preço. devido a isso pensa em extinguir o contrato que mantém com ele. como garantia do pagamento do preço. responde o devedor por perdas e danos.CONTRATOs Em EsPÉCIE f) espécies de empreitada Empreitada de lavor – aquela em que o empreiteiro contribui apenas com seu trabalho. aplicam-se as regras de vício redibitório5. de 10 andares. Por sua vez. a obra pode ter defeitos aparentes ou ocultos. Maria Lúcia está muito insatisfeita com o trabalho do senhor Pedro. Caso o dono da obra recuse o recebimento da coisa sem motivo. fica sujeito à obrigação de reparar o prejuízo. 5 FGV DIREITO RIO 63 . a lei criou as alternativas referidas acima. 4 Arts. ele será tido como em mora. 441 e seguintes da Lei n° 10. mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos.5. a doutrina entende que o empreiteiro tem direito de retenção. Ao ser entregue. não podendo recusar injustificadamente o seu recebimento. “B” alega que houve cumprimento insatisfatório e inadequado da obrigação por parte de “A”. se o empreiteiro não atende as especificações contratadas. conforme regra geral4. Empreitada mista – aquela em que o empreiteiro contribui com mão-de-obra e materiais. Além disso. que não observou. durante o prazo de cinco anos. b.

269 a 282. para guardar. (art. Saraiva.1. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. tivemos que fazer algumas visitas ao supermercado. para nossa surpresa. haviam sido furtados. b) depósito voluntário É aquele ajustado única e exclusivamente em razão da vontade das partes. Há duas espécies de depósito reguladas pelo Código Civil: o voluntário e o necessário. RODRIGUES. E agora? O gerente tem razão? 1.12.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.4. 1. o contrato de depósito é aquele segundo o qual “recebe o depositário um bem móvel. Caso Gerador Os Supermercados Pechincha ficam em Brasília. roteiro de aula a) introdução Conforme dispõe o artigo 627 da Lei nº 10. vol 3. Qual é a principal diferença entre o contrato de depósito e o contrato de comodato? O depositário não pode utilizar a coisa depositada. 640 da Lei nº 10. Depósito Voluntário.12. ficamos hospedados no Hotel Descanse em Paz. O contrato de depósito voluntário é classificado como: – Real – o contrato de depósito só se aperfeiçoa com a entrega do bem.2. eMentário de teMas Introdução.12.406/2002). FGV DIREITO RIO 64 .406/2002. 2002. fomos conversar com o gerente do hotel. Como argumento final. 627 a 652 da Lei nº 10. Um dia. por não terem utilizados os cofres eletrônicos de segurança postos à disposição nos apartamentos em que nos hospedamos. por isso. até que o depositante o reclame”. ele nos mostrou uma placa afixada na recepção que assim dizia: “O HOTEL NÃO sE REsPONsABILIZA PELOs OBJETOs DEIXADOs NO INTERIOR DOs APARTAmENTOs”. Este. 1.406/2002. Aborrecidos com o acontecimento. ao voltarmos do trabalho para o hotel. a não ser que tenha expressa autorização do depositante. O depósito tem por objeto apenas bens móveis. como relógios e aparelhos de celular.12. durante a diligência. Depósito Necessário. Silvio. São Paulo: Ed. nos disse que o hotel nada tinha a fazer e que um eventual prejuízo deveria ser imputado à própria omissão dos hóspedes.12. encontramos nossos quartos revirados e percebemos que alguns itens pessoais. no entanto. Direito Civil. AulA 12: dEPóSITO 1. Em nossa última viagem. págs.3. não basta apenas a celebração do contrato. biblioGrafia obriGatória Arts.

É necessário. o art. – Gratuito ou oneroso – De acordo com o Código Civil. já falecido. No caso de depósito oneroso. porém. muitos sustentam que não há o caráter intuitu personae. 7. por motivo plausível. provar a ocorrência de força maior (art. Nada impede. Caso o depositário não cumpra essa obrigação. o depositário que não restituir quando exigido será compelido a fazê-lo mediante prisão não excedente a um ano. 2003. para tanto. cabem obrigações apenas para o depositário. entende-se que ele é um contrato intuitu personae. Art. mas descobriu que o mesmo foi deteriorado em um recente LOPEZ. apenas para sua prova. porém. “Assim. podemos concluir que esta não é da essência do contrato de depósito. nos procura para falar sobre um assunto pessoal. Uma das sanções previstas para o descumprimento da obrigação de restituir o bem depositado é a prisão civil. independentemente do prazo inicialmente ajustado entre as partes. Quando o depósito é gratuito. o contrato de depósito é gratuito. deverá reparar o prejuízo do depositante. que pode ser pactuado sem qualquer formalidade pelas partes e mesmo assim existirá e será válido. In: AZEVEDO. um conjunto de xícaras de porcelana e um automóvel. comentários ao código civil.406/2002 dispõe: “Seja o depósito voluntário ou necessário. para a sua prova. pois tem por base a confiança que o depositante tem no depositário. qualquer começo de prova escrita (cf. Obrigações do depositário: – Obrigação de guardar a coisa alheia – é a obrigação inerente e principal do contrato de depósito. cabe ao depositante a obrigação de pagar ao depositário. ele se desfez do baú de madeira e do conjunto de xícaras. Conforme artigo 629. Já no depósito oneroso. independentemente do debate a respeito das duas espécies de forma. Antônio Junqueira de. 642 da Lei nº 10. 414. (coord. 635 da Lei nº 10. cabendo a ele. necessitará de prova outra. – Obrigação de conservar a coisa alheia – essa obrigação é uma conseqüência da obrigação de guardar. 652 da Lei n° 10.). 227 do CC de 2002)”6. Parte Especial. Nesse sentido. ele manteve o mesmo na garagem do pai. que as partes convencionem uma retribuição ao depositário. Ele desabafa que está com problemas porque descobriu que seu pai. o depositário é obrigado a conservar a coisa como se sua fosse. Teresa Ancona. vol. O depositário não responde pela deterioração ou perda do bem em caso de força maior. em regra.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Não solene – embora o art. A coisa deve ser restituída no estado em que foi recebida pelo depositário. Quanto ao carro. – Unilateral ou bilateral – após o aperfeiçoamento do contrato. Nosso cliente. sendo assim uma das exceções ao princípio de que ninguém pode ser preso em razão de dívidas. São Paulo: Saraiva. A Lei prevê que o depositário poderá devolver a coisa ou depositá-la judicialmente. acompanhada dos frutos e acrescidos. Entretanto. muitos autores entendem que não há forma prevista para a validade do ato. p. 646 da Lei nº 10. se o depositante se recusar a recebê-la. e ressarcir os prejuízos”.406/2002). Das várias espécies de contratos. 6 FGV DIREITO RIO 65 . que não a testemunhal. senhor Odin Heiro. era depositário dos seguintes bens: um baú de madeira. porém. vendendo-os a terceiros. quando. analisar o caso específico para classificar o depósito como gratuito ou oneroso e unilateral ou bilateral. Desconhecendo a existência desse contrato de depósito. admitindo-se. se exceder ao décuplo do salário mínimo vigente.406/2002 disponha que o “depósito voluntário provar-se-á por escrito”. portanto. não puder continuar a guardá-la (art. – Obrigação de restituir a coisa – O depositário deve devolver o bem ao depositante quando solicitado.406/2002). com a entrega do bem pelo depositante ao depositário.

mas sim de obrigações subsidiárias. vol. a senhora Juracema. depositante dos bens. O legislador entendeu que nesses casos deveriam ser aplicadas as regras referentes ao mútuo. Teresa Ancona. Das várias espécies de contratos. Diante dessa situação. como a de reembolsar as despesas feitas pelo depositário na guarda da coisa e de indenizá-lo pelos prejuízos que venha a ter em razão do depósito. Ao contrário do depósito voluntário que se presume gratuito. 8 FGV DIREITO RIO 66 . Parte Especial. Depósito de coisas fungíveis É o chamado depósito irregular. Em um dia de chuvas torrenciais. como a televisão e o computador. teve melhor sorte com a chuva. os chamados depósitos bancários não são depósitos. não há um depósito. e pediu a devolução dos bens. Das várias espécies de contratos. mas um genuíno empréstimo por força da intenção das partes”7. vol. foi surpreendido com a alegação do vizinho de que não devolveria aqueles bens. de acordo com o contrato. ele nos pergunta: O contrato de depósito se extingue com a morte do depositário? O herdeiro tem alguma responsabilidade quanto aos bens depositados? O que fazer tendo em vista que alguns bens foram vendidos e outro foi deteriorado? Ele reparou que.). 2003.). Há discussão na doutrina quanto à natureza do depósito bancário. (coord. por morar em uma área de ladeira. Dias atrás. Marvim retirou apressadamente alguns objetos. feitos como meio de guardar valores e perceber rendimentos e juros. ao ver sua casa inundando. e – depósito que se faz em situação de calamidade. Mesmo nos casos em que o contrato é unilateral. Antônio Junqueira de. comentários ao código civil. pelo menos. 412. duas últimas contribuições. nos depósitos bancários. quando foi buscar a televisão e o computador. 411. cabem ao depositante algumas obrigações que não decorrem da natureza do contrato de depósito em si. ocorre quando o bem depositado é dinheiro. mas sim empréstimos”8. o depósito necessário presume-se oneroso. A autora conclui: “em conclusão. 7. Parte Especial. Antônio Junqueira de. sabendo do falecimento do pai do senhor. procurou nosso cliente. Estes são equiparados ao depósito necessário e ao depósito de bagagens em hospedarias. p. São Paulo: Saraiva. 7 LOPEZ. a senhora Juracema deveria ter pago ao seu pai uma quantia semestral como pagamento pelo depósito e que sabia que ela não havia efetuado o pagamento de. São Paulo: Saraiva. Como ajudar Marvim nessa situação? É possível enquadrar o vizinho como depositário infiel mesmo sem a existência de um contrato entre eles? Cabe a prisão civil nesse caso? LOPEZ. Alguma providência a tomar quanto a esse caso? Obrigações do depositante: Como vimos. comentários ao código civil. e os deixou na casa de um vizinho que.CONTRATOs Em EsPÉCIE incêndio ocorrido no prédio. p. 7.. pois de acordo com Teresa Ancona Lopez: “. mostrou o contrato que foi celebrado entre eles. C) depósito necessário O depósito necessário ocorre nas seguintes hipóteses: – depósito para desempenho de obrigação legal. Odin Heiro. 2003. o contrato de depósito é unilateral quando o contrato é gratuito e bilateral quando o contrato é oneroso. In: AZEVEDO. Alguns dias depois. (coord. Teresa Ancona. Em regra.. In: AZEVEDO.

ele poderia outorgar a um amigo uma procuração para se casar em seu lugar? Ele poderia substabelecer a outro funcionário da companhia os poderes que lhe foram outorgados na procuração para assinar o contrato de compra e venda? 1. 1. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Direito Civil. Obrigações do Mandante.1. 653 a 692 da Lei nº 10. RODRIGUES.406/2002) FGV DIREITO RIO 67 . biblioGrafia obriGatória Arts. O mandatário age em nome do mandante. Procuração e Substabelecimento. ou seja. AulA 13: mANdATO. outorgou uma procuração a um dos funcionários de sua confiança. 2002. o senhor Odin Heiro. 656 da Lei n° 10.4. eMentário de teMas Introdução. o mandante se faz representar pelo mandatário.13.A. vol 3. Caso Gerador Sabendo que estaria fora do país na provável época da assinatura do contrato de compra e venda das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda. o senhor Justin Case lhe pergunta: ele poderia casar por procuração. Classificação. roteiro de aula a) introdução Por meio do mandato. 1. Silvio. Qual a diferença entre o mandato e a comissão? b) Classificação O mandato é contrato: – Consensual – para que se aperfeiçoe basta a vontade das partes. – Não solene – embora a lei determine que a procuração é o instrumento do mandato.13. 283 a 305. Sem querer desapontar o senhor Odin Heiro e muito menos a sua noiva. São Paulo: Ed. para adquirir a participação na Pechincha Ltda. Ao ser comunicado desse fato. págs.13.3. o senhor Justin Case. Revogação e Extinção do Mandato.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.406/2002.13. é possível o mandato tácito e o verbal (art. Saraiva.. Obrigações do Mandatário. o senhor Justin Case nos contou que o senhor Odin Heiro se esqueceu apenas de um pequeno detalhe: há uma boa probabilidade de a assinatura do contrato ocorrer justamente no período no qual Justin Case ia tirar férias para se casar com sua noiva no Paraná.13.2.. na qualidade de diretor e representante da Grana Certa Empreendimentos S. 1.

Sendo o mandato outorgado por instrumento público. 9 FGV DIREITO RIO 68 . o mandato será extinto. Antes de contratar com alguém que se apresente como mandatário do outro contratante. uma vez que o mandante confere poderes a alguém de sua confiança. o ato é inválido para o mandante. Saraiva. Se o mandatário agir extrapolando os poderes que lhe foram conferidos. os poderes que lhe foram conferidos pelo mandante”9. a procuração não é indispensável para conclusão de negócios.406/2002) – O mandatário deve atuar respeitando os poderes outorgados na procuração. o Código Civil exige que a procuração contenha poderes expressos. O mandato é intuitu personae.406/2002 dispõe que: “os atos praticados por quem não tenha mandato. Pode um advogado prestar serviço advocatícios sem mandato e vice-versa? C) Procuração e substabelecimento A procuração é o instrumento do mandato. Assim. Silvio. Direito Civil. Substabelecimento “é o ato pelo qual o mandatário transfere ao substabelecido. A procuração pode ser outorgada por instrumento público ou particular. tendo em vista que o artigo 662 da Lei n° 10. pág. por exemplo. quando eles resultarem de culpa do mandatário. vol 3. certo? Para efetuar determinados atos como alienar. presume-se que o mandato é gratuito. pois ele é um instrumento para que o advogado possa defender os interesses de seu cliente e exercer seu ofício. hipotecar. São Paulo: Ed. ou seja. pois implicará obrigações para ambas as partes. a não ser que este venha a ratificar o ato posteriormente. – Agir com o zelo necessário e diligência habitual na defesa dos interesses do mandante (art. será bilateral. sendo oneroso. um mandato com poderes de administração em geral não bastaria para que o mandatário assinasse escritura de hipoteca em nome do mandante. ele será unilateral. salvo raras exceções que serão vistas adiante. ou o tenha sem poderes suficientes. havendo morte de uma das partes. 289. não se presume gratuito. d) obrigações do Mandatário As obrigações do mandatário são: – Agir em nome do mandante (art. RODRIGUEs.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Gratuito – não havendo estipulação de remuneração. Tendo em vista que a lei admite mandato tácito. exceto quando tem por objeto a realização de atos que o mandatário realiza profissionalmente. é indispensável conferir a procuração e os poderes que foram outorgados para não correr o risco de que o contrato seja ineficaz em relação ao mandante. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. transigir. – Unilateral – sendo o mandato gratuito. 667 da Lei n° 10. 2002. Cabe ao mandatário provar que não houve culpa sua para se livrar de ser responsabilizado pelo prejuízo que venha a ser sofrido pelo mandante. O mandato outorgado a advogado. Havendo remuneração prevista. são ineficazes em relação àquele em cujo nome foram praticados.406/2002) – o mandatário é responsável pelos prejuízos causados ao mandante. naturalmente o substabelecimento deverá ser outorgado também por instrumento público. Dessa forma. salvo se este os ratificar”. 653 da Lei n° 10. exceto para aqueles que exigem instrumento particular ou público.

tendo apenas ação de perdas e danos contra o mandatário pela inobservância das instruções. até porque o tal conhecido já até devolveu ao pai dele a quantia que havia recebido para pagar o sinal do imóvel.406/2002) – O mandante.406/2002). 675 e 679 da Lei n° 10. a sua filha.406/2002) – Prosseguir no exercício do mandato mesmo após extinção do mandato por morte. interdição ou mudança de estado do mandante. para concluir negócio já iniciado ou até ser substituído quando for para impedir que o mandante ou seus herdeiros sofram prejuízo (art. Mesmo tendo conhecimento da nova procuração. 676 da Lei n° 10.406/2002). – Adiantar ao mandatário os valores necessários ou reembolsá-lo pelas despesas efetuadas em razão do cumprimento do mandato (arts. inclusive. para contratar pessoas para trabalharem em sua fazenda. f) revogação e extinção do mandato O senhor Eduardo Russo outorgou uma procuração ao seu filho. Ocorre que. 668 da Lei n° 10. podendo. Como você orienta o seu amigo? e) obrigações do Mandante – Cumprir os compromissos assumidos pelo mandatário em seu nome (arts. ele diz que acha que não há nada mais a ser feito. pois. o senhor Eduardo Russo resolveu outorgar procuração.406/2002). infelizmente. preocupado. É verdade? FGV DIREITO RIO 69 . se o mandatário contrariar as instruções do mandante. – Pagar ao mandatário a remuneração ajustada. inclusive fazer entrevistas e ajustar salários. Jeremias. porém.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Prestar contas de sua gerência ao mandante e transferir ao mandante todas as vantagens obtidas nos negócios – (art. em razão de alguns acordos familiares. um pouco decepcionado pelo andamento dos trabalhos do filho. 675 e 676 da Lei n° 10. Muito chateado com a situação. ele havia sido constituído mandatário de sua tia Gertrudes para transferir a ele próprio um imóvel que era de propriedade da referida tia. ambos são mandatários do pai? Jeremias pode continuar a desempenhar os poderes que a ele foram outorgados? A contratação dos empregados é válida? O senhor Odin Heiro lhe procura. somente se vincula dentro dos termos previstos na procuração. Jeremias continuou a utilizar a procuração que havia recebido e a fazer entrevistas. deixando a família de seu amigo “na mão”. E agora? Ele ouviu dizer que o mandato se extingue com a morte de uma das partes. caso o mandato seja oneroso (art. contratado alguns empregados. Um amigo seu lhe conta que o pai dele havia nomeado um conhecido como procurador dele para adquirir uma bela casa em Itaipava. tendo. o mandante ficará obrigado a cumprir as obrigações perante terceiros. 647 da Lei n° 10. Vale notar que. 678 da Lei n° 10. tia Gertrudes faleceu inesperadamente. Maria Lúcia lhe pergunta: afinal. neste caso. Aproveitando-se das ótimas condições do negócio. o tal conhecido acabou adquirindo a casa para si próprio. antes mesmo que ele houvesse efetuado a transferência do imóvel para seu nome. – Indenizar o mandatário pelos prejuízos que venha a sofrer em cumprimento ao mandato. Maria Lúcia. mas não exceder os limites do mandato. desde que não resultem de culpa do mandatário ou de excesso de poderes (art. Meses depois.406/2002). com poderes idênticos.

É essencial para o advogado que postula em Juízo em causa própria d. c. vítima de um acidente automobilístico. c. veio a saber que Pedro falecera dias antes. vez que o preço já se achava quitado. b. caracteriza: a. outorgando-lhe procuração para que Caio assine por Tício a escritura definitiva quando Caio tiver quitado integralmente o preço. outorgou escritura definitiva de imóvel prometido vender a Estela.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. cessou o valor da procuração. questões de ConCurso (Prova: 28º Exame de Ordem . conseqüentemente. d. Tício revogou a procuração. cabendo a cada um agir apenas em seu setor. Diante do ocorrido. Ato é tido como inexistente ou insubsistente. Ato é anulável. (Prova: 26º Exame de Ordem . fica isento de prestar contas ao mandante c.Mandato plural substitutivo. b.2ª fase PROVA DIsCURsIVA 4 . Mandato plural solidário. Mandato plural fracionário. representando Tício quando tiver quitado o preço? FGV DIREITO RIO 70 . É irrevogável b. Posteriormente. Prova: 26º Exame de Ordem . com a morte.Ato é perfeitamente válido uma vez que visava a ultimação de negócio já iniciado.Tício prometeu vender a Caio um imóvel.13. podemos dizer que: a. utilizando-se dos poderes especiais constantes da procuração. diga qual não está adequada à procuração em causa própria: a. Mandato plural conjunto.5.1ª fase) A procuração outorgada a vários procuradores com esfera de atuação devidamente delimitada. mas dependerá da iniciativa dos interessados.1ª fase) maria José. É válida a revogação ou poderá Caio assinar a escritura de compra e venda. d. vez que. na qualidade de procuradora de Pedro.Subsiste mesmo após a morte do mandante (Prova: 13º Exame de Ordem . Posteriormente. Ato praticado é nulo de pleno direito. É outorgada no interesse exclusivo do mandatário que.1ª fase) Dentre as características abaixo arroladas.

693 a 721 da Lei nº 10. eMentário de teMas Análise e comparação das características da comissão. Tendo em vista os novos entendimentos e analisando as regras específicas de cada um desses tipos jurídicos. JÚNIOR. Jus Navigandi. Acesso em 03.com. Silvio de Salvo.ago. como você orientaria o senhor Odin Heiro que. br/doutrina/texto. agência e distribuição. já pensando no futuro. Caio Mário da Silva. III.org.societario. com as alterações da Lei nº 8.420/1992.uol.asp?id=215. BERGER. br/demarest/svrepresentacao.2006. biblioGrafia CoMPleMentar CINTRA. Teresina. 1.1. 389 a 393. Agência e Distribuição x Representação Comercial. por meio da leitura dos textos obrigatórios e dos recomendados. Disponível em: <http://jus2.4.ago. 2003. Acesso em: 03. mundo Jurídico.ago. Humberto Theodoro. Disponível em: http://cacbufc. 1.br/artigos/verartigo. AgêNCIA E dISTRIbuIçãO (REPRESENTAçãO COmERCIAl). compare as vantagens e desvantagens que cada uma dessas figuras jurídicas poderia trazer ao supermercado. distribuição e representação. (em anexo) PEREIRA. n. Renato. 66.mundojuridico.14. Lei nº 4.2006. Disponível em: www. ano 7. do ponto de vista do supermercado? Utilizando a planilha abaixo como base. págs.3. Instituições de Direito Civil . Caso Gerador É possível perceber.406/2002.com.adv.14. Disponível em www. Centro Acadêmico Clóvis Beviláqua. que o novo Código Civil gerou algumas discussões acerca dos contratos de agência. É hora de definir agência e distribuição no novo Código Civil .br.2.asp?id=4148>. (em anexo) DANTAS.14. A representação no novo Código Civil.886/1965.vol.2006 (em anexo) VENOSA. Antonio Felix de Araujo. Francisco Wanderson Pinho.14. (em anexo) 1. Acesso em: 04 ago. 2006.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Rio de Janeiro: Forense. 2005 .14. AulAS 14 E 15: COmISSãO. 1. pensa em contratar terceiros para fazer a revenda dos produtos do Supermercado Pechincha? Qual seria o contrato mais seguro. BiBliografia oBrigatória Arts. jun. Aspecto responsabilidade perante terceiros responsabilidade pela solvência das pessoas com quem contratar exclusividade dever de obediência às instruções do comitente/ proponente remuneração demissão sem justa causa demissão por justa causa Morte do comissário/ agente direito de retenção demais regras aplicáveis especificidades Comissão Agência/ distribuição FGV DIREITO RIO 71 . Do contrato de agência e distribuição no Novo Código Civil.Contratos.html Acesso em: 03.

FGV DIREITO RIO 72 . 7.5. você entende que a lei n° 4. Agência e mandato. 4. também com o mesmo propósito de revendê-los no mercado. A representação comercial. que regulava especificamente as atividades dos representantes comerciais. 8. então. continuam vinculados à estrutura organizacional permanente da empresa. Conceito de contrato de agência. 4. Os empregados que captam clientela nestas circunstâncias são os viajantes e pracistas. 5. O objeto do contrato de agência. Agência e comissão. contratos de colaboração empresarial. atuam dentro do estabelecimento sob o comando direto do empresário. o vende ao consumidor.6. Sujeitos do contrato de agência. que fazem do agenciamento de clientela o objeto de suas empresas. Já então o fornecedor não terá comando do processo. 3. alguns empregados de sair do estabelecimento para ir em busca de clientes na praça da empresa ou em outras praças.1. o artesão cria o produto. para melhor colocação de suas mercadorias. Agente e viajante ou pracista (contrato de agência e contrato de trabalho). 6. O fabricante cria os produtos com o fim de colocá-los no mercado.14. 8.14. Nesse momento surge o fenômeno da representação comercial ou agência. 9. Todos.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Direito comparado. que organiza sua própria empresa e a dirige. roteiro de aula a) qual é a principal diferença entre o contrato de comissão e o de agência? b) Partindo do pressuposto. seja na produção seja na comercialização.886/1965. Presta serviço tendente a promover a compra e venda.2. que será concluída pelo preponente.1. porém. Contratos afins. 5.1. Agência e distribuição por conta própria (revenda). o empresário sente a necessidade de atuar além dos limites físicos do estabelecimento.as partes no contato de agência. contratando o serviço de empregados. O agente faz da intermediação de negócios sua profissão. 5. noções introdutórias A atividade comercial realiza a circulação de produtos na cadeia econômica entre a produção e o consumo. O instrumento jurídico básico de que se valem os empresários. o produtor não tem condições de explorar individualmente seu negócio. A nomenclatura legal . Conforme o volume da produção e da comercialização. Recorre à mão de obra alheia.406/2002? 1. Natureza jurídica. sem interferência dos empresários que utilizam seus serviços. é o contrato de compra e venda. 5.3. aceito por grande parte da doutrina. expõe-no à venda e. Embora atuando fora do recinto do estabelecimento do empresário.4. que se integram à estrutura operacional da empresa. Num estágio primário da exploração do mercado. de que agência e representação comercial são o mesmo contrato. ou concessão comercial. Não pratica a compra e venda das mercadorias do representado. Numa escala mais desenvolvida do processo industrial. Outros empresários adquirem do fabricante esses produtos. O contrato de agência no direito brasileiro. 5. nessa cadeia. ele mesmo. Os elementos essenciais do contrato de agência. Encarrega. por meio do contrato de trabalho. pois o agente é um representante autônomo. Noções introdutórias. Em lugar de usar empregados para angariar clientes fora do estabelecimento. 2. 1. leitura obriGatória: Do contrato de agência e distribuição no Novo Código Civil autor: Humberto theodoro júnior Publicado em: 29/9/2005 SUMÁRIO: 1. que integra a categoria dos chamados. foi revogada pela lei n° 10. o empresário pode contratar esse serviço junto a outros empresários.

a figura do representante comercial. porém. 710. mas o faz em nome e por conta da empresa que representa. franquia comercial. a mediação para a realização de negócios mercantis. No teor do art. porém. de 09 de dezembro de 1965 que cuidou de regulamentar a representação comercial. FGV DIREITO RIO 73 . fornecimento. Em determinadas circunstâncias. conferir poderes especiais ao agente. abandonou o nomem iuris de “representante comercial”. Nos termos da Lei nº 4. todos voltados para o objetivo final de alcançar e ampliar a clientela (comissão mercantil. Ao invés de atuar como vendedor atua como mandatário do vendedor. O novo Código Civil. parág. baseado na revenda de mercadorias e sujeito a princípios que nem sequer foram reduzidos a contrato típico pelo Código Civil. A palavra “distribuição” é daquelas que o direito utiliza com vários sentidos. a representação comercial O novo Código Civil. substituindo-o por “agente”. só em 1965 mereceu disciplina legal específica no Brasil. 710 do Código Civil. “exerce a representação comercial autônoma a pessoa. ainda faz parte da prestação de serviços. Mas. Já então. há um bom tempo nos meios empresariais. é a autonomia com que age na intermediação: o representante não é um empregado da empresa a que serve. Não é. 2. ora apelidado agente. que é aquele com que a lei qualifica o contrato de agência. na linguagem tradicional do direito brasileiro esse agente recebia o nome de “representante comercial autônomo” (Lei nº 4. porém. correspondente à atividade daquele que.65). revenda ou concessão comercial. este. de maneira que. A distribuição que eventualmente. em caso positivo. confundir-se com a concessão comercial. sem entretanto. para que este pratique atos próprios do mandatário. além de suas regras próprias. etc. de 09. porque afinal os negócios agenciados são retransmitidos ao comitente e são por este aceitos. continua sendo exatamente a mesma do representante comercial autônomo. cuja função econômica e jurídica se localiza no terreno da captação de clientela. 1º). Essas noções são muito importantes para que não se venha a confundir o contrato regulado pelo art. agenciando propostas ou pedidos. A primeira característica do representante comercial.886. Pode. para transmiti-los aos representados. mas o mesmo contrato de agência no qual se pode atribuir maior ou menor soma de funções ao preposto. sem relação de emprego. o Código fala também em “contrato de agência e distribuição”. que inexiste nessa última modalidade. porém. É ele sempre um prestador de serviços.12. nos moldes de sua configuração legal. amparado por contrato com uma ou várias empresas. um mandatário. a mesma atividade empresarial passa a denominar-se distribuição. ao concluir a compra e venda e promover a entrega de produtos ao comprador. Aí se pensa em contratos de distribuição como um gênero a que pertencem os mais variados negócios jurídicos.886. e. Ele age como depositário apenas da mercadoria do preponente.CONTRATOs Em EsPÉCIE Por isso. a representação ajustada. mandato mercantil. Há. representação comercial. arts.886.” O seu segundo elemento caracterizador é. pois a habitualidade (o caráter não eventual) da prestação de serviços realizada pelo agente em prol do representado. a exemplo do direito europeu. não age em nome próprio. sim. Não são. se dedica a angariar negócios em proveito destas. dois contratos distintos. a representação será negócio complexo e que. a distribuição não é a revenda feita pelo agente. visto que se conserva o caráter de preposição. por ele consumados. se sujeitará também às do mandato mercantil (Código Civil.). e 721). que desempenha em caráter não eventual. Embora já praticada. Há uma idéia genérica de distribuição como processo de colocação dos produtos no mercado. ou não. por conta de uma ou mais pessoas. Foi a Lei nº 4. além de falar em “contrato de agência”. um sentido mais restrito. 710 – contrato de agência e distribuição – com o contrato de concessão comercial. física ou jurídica. a exemplo do direito europeu. lhe pode ser delegada. eventualmente. Esse nunca compra a mercadoria do preponente. único. Sua função. atribui à atividade tradicional da representação comercial o nomen iuris de agência. praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios (art.

ou não. de que fosse nele definida e caracterizada a figura jurídica do representante comercial. por meio de seu instrumento de constituição devidamente arquivado no Registro Público competente (Lei nº 4. contrabando. foi reapresentado sem sucesso algum. Surgiu. ao falido não reabilitado. estelionato.886. em várias legislaturas. levado ao Congresso Nacional.171/49 e que. o contrato de agência no direito brasileiro Desde que. ao condenado por infração penal de natureza infamante. aos quais se confiou a fiscalização do exercício da profissão. realizada em Araxá. funciona apenas como um acessório ou complemento da atividade principal da empresa. cujo objetivo principal era o de dar curso à reivindicação antes aprovada pela Conferência de Araxá. então. criando-se um Conselho Federal e Vários Conselhos Regionais. art. na espécie. De tal sorte. o que se acha ressalvado. Todas as regras especiais.886. foi. pessoas físicas ou jurídicas. Tal como se passava na Europa. para legitimar-se ao exercício da representação comercial. se introduziu a figura do representante comercial. a contribuição pretoriana. com a folha-corrida de antecedentes. art. Em 1949. furto. No caso de pessoa jurídica. 3º). na espécie. § 2º). quando exigível. Durante longos anos. na vida empresarial brasileira. sem. a grande preocupação jurídica foi a de distingui-la da relação empregatícia. continuam em vigor. É. 3º. o requerimento haverá de ser instruído com a prova de identidade. contrate com outra uma representação comercial para explorar negócio de intermediação conexo.886 traçou para disciplinar a profissão e os direitos e deveres do representante comercial. art. e ao que estiver o seu registro comercial cancelado como penalidade (Lei nº 4. estabelecendo-se as necessárias garantias da profissão. 3. lenocínio ou crimes também punidos com a perda de cargo público.CONTRATOs Em EsPÉCIE Com a Lei nº 4. A lei interdita o exercício da representação comercial a todo aquele que não possa ser comerciante. FGV DIREITO RIO 74 . a reivindicação de um regulamento legal para a profissão do representante comercial autônomo tornou-se a maior aspiração dos órgãos representativos da categoria. tomou o nº 1. já que a jurisprudência limitava-se a negar enquadramento na legislação trabalhista. A agência. apenas quando alguma norma do Código estiver conflitando com preceito da Lei nº 4. e com a quitação com o imposto sindical (Lei nº 4. Na mesma ocasião. com objeto distinto da agência. porque o Código Civil traçou apenas normas gerais acerca do contrato de agência (Lei de Introdução. realizou-se em São Paulo o 1º Congresso Nacional de Representantes Comerciais. no art. no Ministério da Justiça. apropriação indébita. outrossim. Em se tratando de pessoa física. para atribuir-lhe uma função autônoma e independente em relação à empresa a que serve. § 2º). de quitação com o serviço militar. deverá ser feita a prova de sua existência legal. construir uma estrutura dogmática que pudesse fixar a natureza jurídica do contrato que vinculava a empresa e os agentes comerciais. com o seu ramo. um anteprojeto que. Muito fraca. roubo. expedida pelos cartórios criminais das comarcas em que o registrante houver tido domicílio nos últimos dez anos. que a Lei nº 4. 721 do novo Código. foi aprovada a reivindicação classista de enviar-se o pleito à comissão então encarregada de elaborar o Projeto de novo Código Comercial. diversamente do que se passa com o empregado. Podem inscrever-se no respectivo Conselho. ou agência.886/65. todavia.886 é que terá ocorrido derrogação parcial desta. aliás. É comum a existência de estabelecimentos dedicados exclusivamente à representação comercial. art. porém. a representação comercial (ou agência) ganhou o status de atividade profissional regulamentada. que uma empresa comercial. 4º). Nada impede.886. de estar em dia com as exigências da legislação eleitoral. em princípio. tais como falsidade. a atividade do representante comercial foi desempenhada sem contar com o apoio de lei que lhe desse tipicidade. na II Conferência Nacional das Classes Produtoras. 2º. também no Brasil. contudo. expressamente.

CONTRATOs Em EsPÉCIE

Somente viria a ter maior repressão o Projeto nº 2.794/61, de autoria do deputado Barbosa Lima Sobrinho, que, no Senado provocou o surgimento do Substitutivo nº 38/63, elaborado pelo Senador Eurico Resende, o qual mereceu aprovação de ambas as casas do Congresso. No entanto, não chegou a transformar-se em lei, porquanto recebeu veto total da Presidência da República, ao fundamento de que, nos termos em que se intentou regulamentar a profissão, ao representante apenas se estendiam “as vantagens e garantias que a legislação do trabalho assegura ao trabalho assalariado”. Tal equiparação foi considerada incabível, entre outros motivos pela ausência de subordinação hierárquica e pela possibilidade de a representação comercial ser exercida por pessoas jurídicas. O então Presidente, General Castelo Branco, ao vetar o projeto aprovado pelo Congresso, encarregou o Ministério da Indústria e Comércio de reexaminar o assunto. Daí surgiu novo Projeto que, após tramitação parlamentar, se tornou a Lei nº 4.886, de 09.12.1965, ainda em vigor, com as alterações da Lei nº 8.420, de 08.05.1992. Tal como o direito europeu, a lei brasileira previu uma representação comercial, simples, em que ao representante cabia apenas intermediar negócios, captando pedidos ou propostas da clientela, para encaminhá-los à deliberação do preponente; e também uma representação complexa, em que ao agente se conferiam poderes de conclusão dos negócios angariados, mas sempre em nome e por conta do preponente (Lei nº 4.886/1965, art. 1º, parágrafo único). Sobreveio, finalmente, o novo Código Civil, sancionado em janeiro de 2.002, que insere o contrato de agência e distribuição entre os contratos típicos, mas sem revogar a legislação especial em vigor, como se ressalva no art. 721, especialmente, no tocante às indenizações asseguradas pelas Leis nºs 4.886 e 8.420 (art. 718). A maior novidade, no texto codificado é o nomen iuris do contrato que passou a ser contrato de agência. Explica RUBENS REQUIÃO, que o contrato de agência, a que alude o Código Civil “nada mais é do que o atual contrato de representação comercial, objeto da legislação especial, contida na Lei nº 4.886, de 09.12.1965. Constitui importante contrato no moderno mundo comercial, e é exercido por centenas de milhares de profissionais, distribuídos por todas as praças do país. A denominação do instituto foi tirada do Código italiano, que o regula”. Para o Prof. REQUIÃO, todavia, a linguagem do Código “não deslocará o uso correntio da expressão representante comercial. Que podia ser perfeitamente mantida... Não seria criticável se mantivesse a denominação representação comercial, já consagrada nos costumes do país, e em nosso direito”. É de se ponderar, no entanto, que o direito comparado, de onde emergiu o instituto jurídico, prestigia, de fato, o nomen iuris agora adotado por nosso Código Civil, razão pela qual este não merece censura pela nomenclatura inovada. É de evidente conveniência procurar identificar a figura jurídica por denominação que seja de universal acolhida, evitando-se terminologia regional, que não tenha, por si só, capacidade de revelar a identidade da figura local com aquela que já amadureceu e se consolidou na experiência do direito comparado. 4. Conceito de contrato de agência Como o Código Civil determina que ao contrato de agência devem ser aplicadas, no que couber, as regras constantes de lei especial, é necessário cotejar-se a definição codificada (art. 710) com a constante da Lei nº 4.886/65 e das alterações da Lei nº 8.420/92. Em primeiro lugar, é bom ressaltar que a lei especial define diretamente o representante comercial (isto é, o agente) (art. 1º). Já o Código Civil enfoca o contrato típico que vincula o representante e o representado (art. 710). Assim, na definição do Código, o contrato de agência (ou de representação comercial autônoma) é aquele pelo qual uma pessoa – o agente – assume, em caráter não eventual, e sem vínculos de dependência, a obrigação de promover à conta de outra – o preponente ou fornecedor – mediante retribuição, a realização de certos negócios, em zona determinada.
FGV DIREITO RIO 75

CONTRATOs Em EsPÉCIE

Dessa conceituação legal, deduz-se que o contrato de agência envolve: a) relação entre empresários, dentro da circulação mercadológica de bens e serviços; b) a relação, contudo, não é de dependência hierárquica entre representante e representado, pois aquele age com autonomia na organização de seu negócio e na condução da intermediação dos negócios do último (embora tenha de cumprir programas e instruções do preponente); c) o objetivo do contrato não é um negócio determinado, mas uma prática habitual, de sorte que entre as partes se estabelece um vínculo duradouro (não eventual); d) a representação importa atos promovidos por uma das partes à conta da outra, configurando, portanto, um negócio de intermediação na prática mercantil de interesse do representado; e) à prestação do serviço de intermediação do agente corresponde o direito a uma remuneração ou retribuição, de maneira que o contrato é bilateral, oneroso e comutativo; f ) a representação, finalmente, deve ser exercitada nos limites de uma zona determinada, ou seja, cabe ao agente praticar a intermediação dentro de um território estipulado pelo contrato, ou algo que a isso corresponda. A atividade do agente, em suma, é a intermediação de forma autônoma, em caráter profissional, sem dependência hierárquica, mas, de acordo com as instruções do preponente. É uma figura jurídica típica a do agente, pois, embora guarde alguma semelhança, o agente não é, em princípio, mandatário, nem comissário, nem tampouco empregado, ou prestador de serviço no sentido técnico. Presta, no entanto, um serviço especial que é, nos termos da lei, a coleta de propostas ou pedidos para transmiti-los ao representado. Eventualmente, o representado pode confiar ao agente os bens a serem colocados junto à clientela, caso que o Código trata como distribuição, mas não como revenda, visto que os atos de negociação se realizam em nome e por conta do comitente. Nessas hipóteses especiais, o contrato, além das normas próprias da agência, rege-se complementarmente, pela disciplina do mandato e da comissão (arts. 710, in fine, e 721). O art. 1º da Lei n.º 4.886/65 cuidou de definir o representante comercial e não o contrato de representação comercial. Segundo tal dispositivo, é representante comercial autônomo a pessoa jurídica ou a pessoa física, sem relação de emprego, que “desempenha, em caráter não eventual, por conta de uma ou mais pessoas, a mediação para realização de negócios mercantis, agenciando propostas ou pedidos, para transmiti-los aos representados, praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios”. O parágrafo único do questionado dispositivo legal, aduz que, na eventualidade de “a representação comercial incluir poderes atinentes ao mandato mercantil” – isto é, quando ao representante comercial forem conferidos poderes relacionados com a execução dos negócios intermediados – “serão aplicáveis, quanto ao exercício deste, os preceitos próprios da legislação comercial”. Em outros termos: se o agente for autorizado pelo preponente a realizar negócios jurídicos em seu nome, tais atos que ultrapassam o conteúdo normal do contrato de agência, serão submetidos ao regime legal do mandato, como, aliás, prevê o art. 721 do novo Código Civil. Da definição dada pela lei especial ao representante comercial autônomo (isto é, ao agente), extraem-se as seguintes características: a) o agente não mantém relação de emprego com o representado, gozando, portanto, de autonomia laboral para organizar e desempenhar sua atividade; b) a atividade contratada é não-eventual; deve ser exercida em caráter permanente e profissional; c) a função do agente, embora organizada e dirigida com autonomia, é concluída por conta de outra pessoa (o representado), de modo que fica claro o “caráter de uma intermediação”, ou de uma “preposição”. O agente, como prestador autônomo de serviço, atua fora da estrutura interna da empresa a que serve, permitindo a esta colocar seus produtos e serviços juntos à clientela que o representante angaria, nos mais variados lugares. Os negócios, porém, são sempre promovidos em nome e por conta do representado; d) a mediação é, pois, uma função típica do agente comercial, que se presta à difusão dos produtos ou serviços do representado no comércio;
FGV DIREITO RIO 76

CONTRATOs Em EsPÉCIE

e) a intermediação se dá na realização de negócios mercantis: o que a lei especial atribuiu ao agente comercial não é qualquer representação, mas aquela que se volta para a promoção de negócios mercantis (vendas de produtos ou prestação de serviços); f ) o modus faciendi da intermediação consiste em agenciar propostas ou pedidos relativos a operações comerciais do representado, ou seja, relacionadas a bens ou serviços a serem vendidos ou prestados pela empresa em cujo nome atua o agente; g) cabe, em princípio, ao representante transmitir as propostas ou pedidos ao representado. Eventualmente, o agente pode receber poderes que ultrapassem a simples intermediação de pedidos, caso em que realizará, sempre em nome do preponente, atos de consumação ou execução dos negócios agenciados. Quanto a esses atos de consumação da venda dos produtos do representado, a atividade do representante será regida pelas regras do mandado mercantil. Diante do cotejo entre o conceito legal, mais sintético, que o Código faz do contrato de agência, e aquele que a Lei nº 4.886/95 faz do representante comercial autônomo (isto é, do agente), não se encontra contradição maior que possa incompatibilizar um com o outro. A circunstância de o Código não usar as expressões “representante comercial” ou “negócios mercantis” prende-se à circunstância de ter sido unificado o direito das obrigações, de maneira que os contratos nele disciplinados, em princípio, tanto servem para as atividades civis como para as mercantis. No entanto, muito difícil será imaginar o caso em que um contrato de agência se configurará fora das relações mercantis. Ademais, se isto eventualmente acontecer, ficará o negócio fora do alcance da Lei nº 4.886/95, visto que esta se aplica especificamente aos agentes que servem, profissionalmente, à intermediação de negócios mercantis. Harmonizando-se, de tal sorte, a disciplina do contrato de agência instituída pelo Código Civil com a do representante comercial, constante das Leis nºs 4.886/65 e 8.420/92, ter-se-á um negócio jurídico vocacionado naturalmente para as atividades mercantis. 4.1. direito comparado A definição brasileira de representante ou agente comercial muito se aproxima da que consta do Código Comercial da Alemanha, que o qualifica como “toda pessoa que, a título de exercício de uma profissão independente, seja encarregada permanente de servir de intermediária em operações negociadas por conta de um empresário ou de os concluir em nome deste último. É independente quem pode organizar o essencial de sua atividade e determinar seu tempo de trabalho” (art. 84). Na França, também, o agente comercial é definido em termos que se aproximam do novo Código Civil brasileiro, por Dec. de 23.12.58: “Est agent commercial le mandataire qui, à titre de profession habituelle et indépendant, sans être lié par un contrat de louage de services, négocie et, eventuellement, conclut des achats, des ventes, de locations ou de prestations de service, au nom et pour le compte de producteurs, d’industriels ou de commerçants”. O Conselho da Comunidade Econômica Européia (CEE) em 18.12.1986 adotou uma Diretiva relativa aos agentes comerciais independentes, na qual se conceituou como agente comercial “celui qui, en tant qu’ intermédiaire indépendant, est chargé de façon permanente, soit de négocier la vente ou l’achat de marchandises pour une autre personne, ci-après dénominée commettant, soit de négocier et de conclure ces opérations au nom et pour le compte du commettant”. Em todos esses exemplos, tal como entre nós, a função normal do contrato de agência é conferir ao representante poderes de intermediação para angariar negócios para o representado. Só excepcionalmente, e mediante poderes adicionais explícitos, ocorre a atribuição de mandato para que o próprio representante conclua o negócio em nome do representado, seja firmando os contratos, seja mesmo entregando as mercadorias negociadas ao comprador.
FGV DIREITO RIO 77

ou agência. o contrato de agência dessas figuras afins. É certo. a que alude o art. no caso de agência comercial. mantendo com a empresa vínculo empregatício permanente. 5. o colaborador ocupa um dos elos da cadeia de circulação. Perante a representação comercial. conservando e ampliando o mercado para o produto de outro empresário. quando o concessionário adquire o produto do concedente e o comercia em nome próprio e por conta própria. 710 do nosso Código. Em primeiro lugar. conquistando. 5. sem que a doutrina tivesse tempo para digerir as inovações. de variada natureza. porque os poderes de que dispõe o agente nem sempre são aqueles que se conferem ao mandatário. ou seja.CONTRATOs Em EsPÉCIE Nesta última hipótese. De duas maneiras básicas se processa a colaboração empresarial (externa) no escoamento dos produtos de uma empresa: a) pela distribuição propriamente dita (revenda) e b) pela busca de empresários interessados na aquisição dos produtos do fornecedor (intermediação. que o fato de o contrato de agência conter traços comuns a outros contratos mercantis tradicionais. o colaborador procura outros empresários potencialmente interessados em negociar com o fornecedor”. a locação de serviços.1. Contratos afins Com o incremento na economia moderna dos meios de distribuição da produção de bens e serviços. ou seja. Daí a necessidade de tentar-se uma diferenciação que separe. a concessão mercantil e a franquia empresarial. Como ponto de partida é importante classificar os contratos de que se vale o empresário para obter colaboração de outros agentes no escoamento de seus produtos. colocam-se os colaboradores externos. Para individuá-lo e determinar a respectiva natureza. De outro lado. Em primeiro lugar. continua sendo. mais ultimamente. contudo. já que esta só ocorre quando há revenda. destinada a realização de negócios determinados. não há necessidade de subsumi-lo à tipicidade de outros contratos: a agência é. agência e mandato O contrato de agência não se confunde com o de mandato mercantil. O contrato de agência e distribuição. como tal. a outorga de mandato é em regra. No segundo. que lhe permitem deliberar sobre o negócio e o realizar em nome deste. malgrado a posse e disponibilidade da mercadoria pelo agente. freqüentes são as dúvidas e confusões que se instalam entre essa novel modalidade contratual e o mandato. prestando serviços. limita-se a aproximar FGV DIREITO RIO 78 . Essa distribuição. um contrato de intermediação. com nitidez. comprando o produto do fornecedor para revendê-lo. em nome e por conta do preponente). Dessa maneira. 710). A agência refere-se a um relacionamento negocial permanente envolvendo operações reiteradas e indeterminadas. como a do mandato. todavia. e. tem fisionomia e disciplina próprias. no direito moderno. comissão mercantil e agência). nem a revestir-se da natureza jurídica de alguma das figuras com que mantém inegável afinidade. “a colaboração empresarial no escoamento de mercadorias pode ser feita por intermediação ou aproximação. captando-lhes com precisão a natureza e os contornos. novas figuras contratuais surgiram para atuar no mesmo segmento da mercancia. que o distribuidor conclui como preposto ou mandatário do representado (ou seja. não se confunde com a concessão mercantil. No primeiro caso. não o leva a confundir-se com nenhum deles. O mandatário detém poderes. o viajante ou pracista. ao escoamento da produção. o Código Civil brasileiro denomina o negócio jurídico de contrato de agência e distribuição (art. O simples representante. Esse quadro classificatório muito contribuirá para obter-se a distinção entre o contrato de agência e outras figuras afins. a comissão mercantil. que são empresários que se inserem na cadeia de comercialização sem vínculo empregatício. a distribuição é feita por meio de empregados que atuam na captação dos compradores. existe a possibilidade de utilização de auxiliares internos. um contrato nominado (típico) e. outorgados pelo mandante.

Nesse sentido. por sua vez. conferelhe maior segurança. 693). Os produtos do comitente são postos à disposição do comissário. mas ao contrário do mandato. terá se tornado complexo. agente e viajante ou pracista (contrato de agência e contrato de trabalho) O agente.CONTRATOs Em EsPÉCIE comprador e fornecedor. parágrafo único. Com o outro contratante (isto é. não delibera. O agente. Suas tarefas são comandas hierarquicamente pelo empregador. representam apenas elemento acessório. em função do encargo contratual. e sim por conta do comitente. o vendedor é o comissário e não o comitente. enquanto o comissário não age em nome. É um empregado dele. O comissário. por meio de uma consignação. quem se vincula é o comissário e não o comitente. mas. o comissário não representa. “o representante comercial. Como ressalta RUBENS REQUIÃO. Isto porque o mandato mercantil implica necessariamente a representação para realizar negócios comerciais em nome do mandante. o vendedor é sempre o preponente. por isso. sendo em face do terceiro o responsável pelo ato praticado. dispõe o art. e não de um vendedor propriamente dito. O viajante ou pracista. O agente comercial. Ademais. Pode. o negócio. Tem sua sede própria. O comissário adquire ou vende bens à conta do comitente. nem tampouco na definição de sua natureza jurídica. No contrato de agência. eventualmente. agindo em nome e no interesse do representado. Perante estes. se incluem nas cláusulas da agência. o art. não interferindo. seu escritório. garantindo o anonimato para o comitente. Quando estes poderes. evitando ao principal interessado nas operações suportar ações da parte da clientela. na linguagem antiga do Código Comercial. eventualmente.2. 721 manda aplicar. embora preposto. o que não depende de poderes inerentes ao mandato. então o contrato de agência não será mais simples. presta serviços à empresa sem estabelecer com ela um vínculo empregatício. Não dispõe de autonomia alguma para organizar seu serviço. o único responsável perante o cliente é o comitente. no que couber. Na agência. não é atingido pelos atos que pratica. propriamente dita. o comprador). age contudo como empresário e não como empregado. E. portanto. secundário ou acidental. o comissário age em seu próprio nome. A comissão. dentro dos poderes que recebeu. ao contrato de agência e distribuição. Na comissão mercantil. nos negócios que pratica. embora do ponto de vista prático realize atividade econômica igual à do agente – pois angariam ambos clientela para a empresa – liga-se ao preponente de maneira diversa. agência e comissão A comissão é um contrato de colaboração empresarial. o essencial ao contrato de agência é a mediação de negócios em favor do preponente. do contrato. que organiza e dirige com liberdade e autonomia. na conceituação ou configuração. 5. sua empresa de representação. não aparece no negócio que ele agenciou e que finalmente será concretizado diretamente pelo preponente. FGV DIREITO RIO 79 . que o credencia a vendê-los aos consumidores em nome próprio. mas contrata em nome próprio. A atuação é de um representante (mandatário) do vendedor. 710. que “o preponente pode conferir poderes ao agente para que este o represente na conclusão dos contratos”. por isso mesmo. muito embora o tenha realizado por conta e no interesse do comitente”. A presença do comissário cria uma certa barreira entre o comitente e os terceiros que negociam com o comissário. porque não negocia o fornecimento em nome próprio e opera sempre em nome e por conta do representado. as regras concernentes ao mandato. ainda que se confiram poderes ao agente para concluir e executar a venda. concluir negócio por conta do preponente. seria um mandato sem representação. portanto. por sua própria definição legal. e não em nome da empresa a que presta colaboração (art. 5. absorvendo em suas cláusulas também o contrato de mandato. o comitente. porque só o comissionário trava relações jurídicas com os clientes.3.

Para RUBENS REQUIÃO. não exerce interferência alguma na gestão do negócio do revendedor. Na sua manifestação mais simples. continuará negociando os produtos por conta própria e em nome próprio. na tarefa da conquista de clientela para a empresa a que servem uns e outros. este a transforma em manufaturados. contudo. por negociação direta entre produtos e consumidor. O fornecedor. A lei. Se a articulação entre produtores e revendedores assume o feitio de uma convenção duradoura. Este se remunera com o lucro que a revenda dos produtos lhe proporciona. b) O viajante ou pracista não tem iniciativa pessoal. a algumas regras. a não ser mediante autorização do empregador. a doutrina majoritária aponta traços da franquia que lhe outorgariam uma identidade jurídica capaz de separá-la dos comuns casos de concessão comercial. agência e distribuição por conta própria (revenda). no mundo atual. 5. Já o agente comercial é um empresário. FGV DIREITO RIO 80 . Costumam-se arrolar as seguintes e principais distinções entre agente e representante assalariado: a) O viajante ou pracista não pode contratar pessoal para desempenhar a representação que lhe cabe. d) O viajante ou pracista somente pode ser pessoa física. naturalmente. assegura ao agente a faculdade de contratar sub-agentes. que envolve sucessivas compras-e-vendas: uma empresa vende a matéria prima ao fabricante. o mesmo não se passa na organização econômica da revenda. A ingerência do fornecedor no empreendimento do revendedor produz uma subordinação econômica. os produtos de um deles (contratos-quadros). por sua vez. que em seguida são vendidos aos atacadistas. traçadas pelo fornecedor. Não há uma remuneração direta entre fornecedor e revendedor. e) O viajante ou pracista não pode contratar sub-representantes.4. pode ser mais ampla. em suma. e o revendedor se obriga a adquiri-lo. tem-se o contrato de distribuição. às indenizações legais devidas ao agente autônomo. um profissional independente. formando-se uma cadeia de negócios. assistência técnica etc. como contratos eventuais e isolados. no entanto. Sujeitar-se-á. é hierarquicamente subordinado ao comando do empregador. os vendem aos varejistas que. Se há entre eles uma independência jurídica. Entre os contratos de concessão comercial assumiram grandes relevos os chamados contratos de franquia. que pode ser simples ou complexo. que pode livremente organizar sua empresa. Essa modalidade de contrato de colaboração. A colaboração empresarial.. com habitualidade e sob certas condições. como se demonstrará no tópico seguinte. Essa colaboração entre os elos da cadeia econômica pode acontecer de maneira avulsa. por isso. No entanto. Quase sempre se estabelece uma intermediação entre empresários. a franquia comercial não é um contrato distinto da concessão comercial. a distribuição se exterioriza como contrato de fornecimento: o produtor se obriga a fornecer certo volume de determinado produto. c) O viajante ou pracista não pode aceitar representação de outras empresas. os revendem ao consumidor final. como uso de marca. podendo estabelecer-se sinônima entre os dois. ou concessão comercial A colocação da produção industrial no mercado raramente se faz. porém. que não raro envolve outros negócios entre as partes. da maneira que melhor lhe convier. de orientação geral. por sua vez. no fecho da cadeia econômica. Não faz jus. estes. O revendedor. periodicamente. enquanto o agente pode ser indiferentemente pessoa física ou jurídica. de maneira que o produtor exerça certa interferência na atividade do revendedor. com interferência econômica do fornecedor sobre o negócio do revendedor configura o que modernamente se denomina contrato de concessão comercial. criando um sistema racional de conjugação de esforços até a colocação do produto junto ao consumidor final. ou pode se envolver numa relação contratual duradoura que gere a obrigação entre os empresários de comprar e vender. O viajante não é mandatário e não capitaliza clientela.CONTRATOs Em EsPÉCIE É. a ausência de um contrato de trabalho que caracteriza o agente comercial e o distingue do viajante ou pracista.

mas tudo se faz em nome e por conta do representado. já previa a possibilidade de ser ele encarregado da execução da venda. quando regulamentou a atividade do representante comercial. Em suma não é a operação econômica da distribuição que distingue a agência da concessão comercial. pelo fornecedor (o representado). Há distribuição (ou pode haver distribuição) tanto por meio do contrato de agência como do contrato de concessão comercial. Já o concessionário ou revendedor. O agente (representante comercial) não pratica o negócio de colocação dos produtos do representado em nome próprio. Juridicamente quem vende é o fornecedor e não o agente-distribuidor. e sempre como simples ato complementar do agenciamento. o legislador houve por bem tipificar o contrato de concessão comercial (Lei nº 6. Aliás. A distribuição de que cogita o art. eventualmente. a Lei nº 4.729/79). no sentido de ter sido nele disciplinado tanto a representação comercial como a concessão comercial. O dispositivo cuidou exclusivamente do contrato de agência. assim. nos comentários relativos aos ressarcimentos cabíveis na ruptura ou cessação do contrato (art. A distribuição. portanto. 1º e seu parágrafo único). mesmo porque a infinita variedade de convenções que os comerciantes criam no âmbito da revenda autônoma torna quase impossível sua redução ao padrão de um contrato típico. O representante não a adquire do representado. Apenas para o caso dos revendedores de veículos é que. Distribuição é um gênero que corresponde aos vários tipos de contrato de colaboração empresarial. se há. Outra distinção que se fez com nitidez entre o contrato de agência e o contrato de revenda (distribuição por conta própria. Dentro da sistemática da preposição que é inerente ao contrato de agência. FGV DIREITO RIO 81 . Não é correta. entra-se no âmbito da concessão comercial. como negócio que anteriormente se denominava contrato de representação comercial.CONTRATOs Em EsPÉCIE Todas as formas de contrato de distribuição – fornecimento ou concessão – distinguem-se do contrato de agência em dois aspectos básicos: a autonomia e a remuneração da intermediação. 710 é aquela que. sem independência jurídica do agente) da distribuição por conta própria (concessão comercial). pode ser autorizada ao agente mas nunca como revenda. o contrato fica no plano da agência. atua apenas em nome e por conta do representado. ou concessão comercial). porém. O agente (mesmo quando exerce a distribuição) é remunerado. e a negocia com o consumidor em nome próprio e por sua própria conta. a inteligência que alguns apressadamente estão dando ao artigo 710 do Código Civil. Voltaremos ao tema da concessão comercial. 721). ele não se transforma num concessionário comercial. Se não há venda e revenda de produtos. em nome do representante (art. segundo o volume e o preço das operações agenciadas. É que a mercadoria que o fornecedor coloca em poder do agente-distribuidor é objeto apenas de depósito ou consignação. as mercadorias de propriedade do comitente são postas à disposição do agente-distribuidor para entrega aos compradores. situa-se na remuneração do intermediário do processo de circulação dos produtos. O concessionário nada recebe do fornecedor pela colaboração exercida na colocação de seus produtos. E. sem que isso desnaturasse a representação comercial em sua essência e a transformasse em concessão comercial. A interferência deste na pactuação e execução do negócio final é de um mandatário e não de um revendedor. torna-se dono da mercadoria que o fornecedor lhe transfere. A remuneração que alcança se traduz nos lucros que a revenda lhe proporciona. O contrato de distribuição em nome próprio (a concessão comercial) continua sendo atípico. quanto ao serviço de intermediação. pode realizar-se por conta do fornecedor ou por conta do próprio distribuidor.886/65. Mesmo quando a lei admite que o agente atue também como distribuidor (art. de modo que a venda para o consumidor não assume a natureza de uma revenda. pelas características e relevância do negócio. 710 do Código Civil). distingue-se a distribuição por conta alheia (mera preposição.

pode-se afirmar que. qualquer que seja a dimensão dos poderes do agente. contida no art. “um mandatário que aja a título oneroso e em seu próprio benefício”. entendia-se que este desempenhava um mandato que não dizia respeito apenas ao interesse do mandante. 710 do Código Civil. Eventualmente os contratos agenciados podem ser concluídos e executados pelo próprio agente. em favor da empresa do comitente. na concepção legal. de uma atividade profissional dirigida à promoção e conclusão de contratos entre o preponente e os terceiros arrebanhados pelo preposto. para configurar-se contrato de agência. de sorte que nele não se acha em jogo um interesse jurídico seu.formação e ampliação de clientela -. c) a determinação de uma zona sobre a qual deverá operar o agente. os elementos essenciais do contrato de agência Segundo a definição legal do contrato de agência. os negócios por ele intermediados ou concluídos se aperfeiçoam diretamente na esfera jurídica do preponente e do terceiro adquirente. Com isso. todavia. mas que igualmente se relacionava com seus próprios interesses. a franquia. mas apenas um interesse econômico. Configuram um gênero no qual se inserem vários tipos negociais todos voltados para a chamada colaboração empresarial. tais como a comissão mercantil. a concessão do uso de marca etc. se beneficia da contínua obra promocional levada a efeito pelo agente junto à clientela. De forma alguma se pode ver no conteúdo do contrato de agência uma forma de compra e venda operada pelo agente. de maneira que esta. em última análise. a formação de negócios. O que traça a tipicidade do contrato de agência é que a atividade de colaboração empresarial na espécie se dá por meio de prestação do agente que têm por objeto o desempenho. De tal sorte. a concessão comercial. b) o caráter duradouro da atividade desempenhada pelo agente (habitualidade ou profissionalidade dessa prestação). mas sempre em nome e por conta do preponente. A lei francesa ainda hoje identifica o agente comercial como um mandatário que como FGV DIREITO RIO 82 . podia-se divisar “o interesse comum como qualificativo do mandato contido no contrato de agência comercial”. a corretagem. Visto que tanto do lado do comitente como do agente. natureza jurídica O contrato de agência integra a classe dos contratos de distribuição comercial. caracterizada pelo chamado mandato de interesse comum. A construção da teoria do contrato de agência se fez por influência do direito francês a partir do mandato que. 7. mediante remuneração. em seu próprio nome. Na conclusão do negócio intermediado o agente não é parte. o objetivo perseguido é um só . profissional e empresário. Assim. na espécie. sempre por conta da outra parte (o preponente) e dentro de uma determinada zona. não são sinônimos de contratos de revenda de mercadorias. realizou-se a evolução do tratamento jurídico do agente da categoria de mandatário para a figura do “mandatário independente”. nos quais o agente desenvolve um papel importante na colocação no mercado dos produtos gerados ou comercializados pela empresa preponente. d) a retribuição dos serviços do agente em proporção aos negócios agenciados. e eventualmente de concluí-los e executá-los. não porém em nome próprio. sua estrutura fundamental envolve a combinação de quatro elementos essenciais: a) o desenvolvimento de uma atividade de promoção de vendas ou serviços por parte do agente.CONTRATOs Em EsPÉCIE 6. é necessário que uma parte (o agente) assuma de forma duradoura a função de promover. seria uma modalidade excepcional daquele negócio. em uma zona determinada. porque é na medida da consumação dos negócios pelo preponente que o agente adquire direito à remuneração pelos serviços de intermediação empresarial levados a efeito. Contratos de distribuição. a representação comercial. Nessa ordem de idéias.

seja sobre influência dos usos e regulamentos. cuja atividade específica “consiste na realização de atos materiais que visam à criação de uma corrente de negócios para a difusão dos produtos e serviços de outra empresa. 91-593 de 25. nessa ordem de idéias. em cuja organização e administração não interfere a empresa do preponente. “o agente comercial continua um mandatário. é um mandatário remunerado e profissional. mas deve ser apreciado enquanto profissional do comércio”. A prática da agência comercial. reconhecido como profissional independente e ainda em face do estabelecimento de um regime de direito social de proteção ao agente. se encarrega de negociar contratos por ordem e conta de outros empresários (Lei n. só por insistência histórica se mantém entre os franceses a doutrina da agência como modalidade de mandato. o agente (um preposto) que é um profissional que se encarrega de colaborar na promoção dos negócios do preponente. Dentro da consagração da autonomia do agente. A natureza jurídica do contrato de agência é hoje a de um contrato típico. registra-se uma aproximação do regime legal da agência com o direito social. sujeitos do contrato de agência De um lado coloca-se o preponente que tem bens e serviços a colocar no mercado. mas sempre com plena liberdade de organizar seu trabalho e com assunção do risco de seu negócio de intermediação. remuneração mínima. cada um dedicando-se a um ramo próprio de negócios. entretanto. preponente e agente. que se adaptou à Diretiva Comunitária de 1986). depois que se estabeleceu um regime legal particular para a agência. Assim. Daí reconhecer-se sua posição de titular da própria empresa. “o agente se beneficia de um estatuto originado de modificação de regras civis do mandato. indenizações tarifadas. 8. são empresários. em função da qual o agente promove e às vezes conclui negócios em favor do preponente. que o agente se apresenta como autêntico empresário porque seu serviço é desempenhado de forma autônoma e constitui um tipo de negócio de evidente valor econômico e jurídico. o que também não é adaptável à figura do mandato. sem estabelecer vínculo de subordinação a este e que deve ser remunerado em função do volume de operações promovidas. é inegável que o contrato de agência estabelece uma relação jurídica entre empresários. e de outro. na circulação de bens do mercado. que melhor se qualifica como um profissional do comércio. FGV DIREITO RIO 83 . nos moldes atuais da figura jurídica se afasta das concepções primitivas. De tal sorte. O agente comercial. desempenha uma atividade de mercado cujo requisito fundamental é a liberdade de iniciativa na prestação do serviço de agenciamento. Dessa maneira. etc). não tem mais sentido atrelá-la à natureza jurídica do mandato. sua afinidade será maior com o contrato de prestação de serviços do que com o de mandato. pois. apagando os liames com o mandato e consagrando uma liberdade de iniciativa muito acentuada.06. O que efetivamente se tem. Vê-se. que se formou a partir da idéia de profissionalização do mandato e. não se pode continuar a insistir na conceituação do contrato de agência como forma de mandato.1991. A independência que a lei confere ao agente comercial no exercício de sua atividade profissional faz dele um empresário que se encarrega de uma função com autonomia de objeto dentro da circulação do mercado. No entanto. Um realiza a comercialização de suas mercadorias ou serviços (preponente) e outro exerce uma especial atividade profissional (o agente). por meio de “uma evolução das regras do mandato clássico”. Se se pretender comparar a agência atual com outros contratos típicos. Na verdade.CONTRATOs Em EsPÉCIE profissional independente. pois apenas excepcionalmente o agente se encarrega de tarefas que são próprias do mandatário. Ambos. que é a de angariar clientela para adquirir os produtos do primeiro. em defesa de interesses do agente (duração indeterminada do contrato. Além do mais. mesmo. seja do fato de uma abordagem econômica da agência que se desenvolveu recentemente”.

em posições jurídicas diversas teriam titulação igual dentro do mesmo negócio. tivesse nomeado de preponente o empresário que contrata a intermediação do agente.1. do contrato de agência. todavia. ao formular propostas endereçadas a este também deverá ser identificado como proponente. a nomenclatura legal – as partes no contato de agência A legislação italiana adota as expressões agente e preponente para indicar as duas partes do contrato de agência ou representação comercial (Código Civil italiano. pode-se afirmar. repita-se. O agente organiza com autonomia seu negócio e. Dessa forma. proponente e agente. antes da legislação atual. da parte do preponente. todavia. É. 1. censure a opção do Dec-Lei nº 178/76. operada entre o preponente e o consumidor. mais expressivo. por sua conta e sob sua dependência”. não estará incorrendo em censura alguma quem empregar o termo preponente em lugar de proponente. Há quem. mas isto não corresponde a um preço fixo. ou seja. Malgrado a opção da lei. de contratos por conta do preponente. há um inconveniente de ordem prática. muito embora nos contratos de prestação de serviços com subordinação jurídica a tradição. dará cumprimento à obrigação contraída de angariar clientela para quem contratou seus especiais serviços. em sua feição típica. em Portugal fosse prestigiada a denominação de proponente (em lugar de principal). continua sendo uma prestação de serviços profissionais na área da intermediação de negócios. esse objeto pode ser ampliado. Quando esses poderes adicionais são incluídos no ajuste. porquanto já era esta a palavra utilizada pelo direito português para nomear a contraparte dos “representantes comerciais não autônomos” . Ademais. e preferiria que. outrossim. afinal é o vendedor das mercadorias consignadas ao preposto e negociadas com a clientela. 9. A operação é toda ela desenvolvida e consumada em nome e por conta do preponente. o novo Código Civil escolheu a nomenclatura recomendada pela antiga doutrina portuguesa. sob influência da terminologia com que common law se identifica a agency. para coletar propostas ou encomendas a serem repassadas à empresa representada. mas apenas venda. Com FGV DIREITO RIO 84 .753). ou que se concluam junto ao preposto. consistente na busca e visita da clientela. visto que o agente não revende os produtos que o preponente apenas coloca à sua disposição. No Brasil. mas como aquele que “propõe algo”. Eventualmente. para compreender a conclusão do contrato de venda e entrega das mercadorias. que é um contrato típico e de execução continuada. As confusões serão inevitáveis o que recomendaria o uso da designação preponente para o fornecedor. revenda. de negócios que venham a ser concluídos entre os terceiros e o preponente. tem como objeto uma prestação de serviço entre empresários: a promoção de negócios constitui a obrigação fundamental que o agente contrai em favor do preponente. e sim a um percentual sobre as operações úteis captadas pelo agente em benefício do representado. O agente-distribuidor apenas representa o fornecedor. que. A lei portuguesa que regula o mesmo contrato.742 e 1. é uma atividade de promoção de negócios individuais. a obrigação de remunerar o serviço prestado pelo agente. De fato. mediante remuneração. pelos expedientes que livremente engendrar. os léxicos nacionais não registram proponente com o sentido de denominar quem delega poderes de gestão a outrem. Na relação econômica desenvolvida pelo agente em prol do fornecedor. ou seja. que característica essencial do contrato de agência é a promoção. Não há. Objeto. arts. o contrato é denominado de “agência e distribuição”. já há o cliente que. portanto. Integra o contrato. portanto. Dessa forma. o objeto do contrato de agência O contrato de agência. O objeto do contrato. entre nós. o designativo preponente que identifica “aquele que constitui um auxiliar direto para ocupar-se dos seus negócios. a exemplo do Código italiano. melhor teria andado o legislador brasileiro se. denomina de agente e principal os respectivos sujeitos. mas em nome do representado. Duas partes. por ser lexicamente correto e. em síntese.CONTRATOs Em EsPÉCIE 8. praticamente. em seu nome. seja a de identificar o representado como preponente e não como proponente.

adv. dependendo de serem ou não conferidos poderes para que o agente representasse o proponente na contratação dos negócios. pelo que o agente se obriga a exercer habitualmente a intermediação de negócios em favor do preponente enquanto permanecer em vigor o ajuste. O nome representação comercial foi muitas vezes criticado por não traduzir corretamente a noção do contrato. nessa ordem de idéias. manter e incrementar a demanda dos produtos do preponente. para cuja consecução empenhará múltiplas atividades. teixeira e silva advogados O capítulo sobre agência e distribuição no Código Civil tem causado muita discussão. Analisando o Código Civil e a Lei do Representante Comercial. Outra grande característica do objeto da obrigação veiculada pelo contrato de agência é o caráter duradouro da prestação a cargo do agente. com caráter de estabilidade. que em hipótese alguma se podem confundir com a figura delineada no art. de impulso e de agilização.mundojuridico. a melhor interpretação indica que os contratos de agência e os de representação comercial constituem a mesma figura jurídica. posto que a relação negocial implica agenciamento de pedidos.2003) biblioGrafia CoMPleMentar: É hora de definir agência e distribuição no novo Código Civil antonio felix de araújo Cintra advogado.br) em 02. tem como objeto a atividade do agente. de que maneira devem ser interpretadas as normas desses dois diplomas legais sobre a matéria e (b) se a distribuição prevista no Código Civil é a mesma relação contratual que tradicionalmente não era objeto de legislação específica e que era conhecida por distribuição. é fácil entender que os legisladores do Código Civil apenas utilizaram o nome que lhes pareceu refletir de maneira correta a natureza do contrato. é necessário definir: (a) se o contrato de agência previsto no Código Civil é o mesmo contrato previsto na Lei do Representante Comercial (Lei 4. Vários autores apontavam. freire. além de agenciar os pedidos em favor do proponente. o agente tivesse poderes para representá-lo nas respectivas relações de compra e venda dos produtos agenciados. E de fato a nomenclatura não deve ser considerada tão relevante. Algumas dúvidas fundamentais precisam ser eliminadas para que se tenha razoável segurança jurídica na utilização desses contratos. a questão da nomenclatura. como os de fornecimento ou de concessão comercial.5. Trata-se de um contrato de duração. sendo que a representação apenas existira se. voltada para a promoção. tudo em busca de conquistar. Diante dessa situação. que são objeto de outros contratos de colaboração empresarial. inclusive citando leis estrangeiras. Belo Horizonte.CONTRATOs Em EsPÉCIE essa noção do objeto contratual. excluem-se do campo da agência as vendas em nome próprio. Antes de qualquer coisa. As principais dúvidas referem-se ao impacto do Código Civil sobre as conhecidas relações de representação comercial e distribuição. que o termo mais adequado seria agência. 710 do novo Código Civil. Ou seja. Afinal. de contratos que serão concluídos pelo preponente. freire. abril de 2003 (Artigo publicado no Mundo Jurídico (www. Passando então para o exame do negócio em FGV DIREITO RIO 85 . Mais especificamente. conforme posteriormente alterada) e. o que interessa na definição da natureza jurídica do instituto é o seu conteúdo e não a embalagem. O contrato de agência. em caso positivo.886/65. sócio de tozzini. teixeira e silva advogados renato berger consultor de tozzini. dentro de uma zona determinada. o agenciamento sempre ocorreria por força da natureza do contrato. São vários os motivos para tanto. A representação poderia ou não ocorrer.

portanto. Em ambos os casos. desde que já tenha transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto dos investimentos exigidos do agente. o Código Civil contempla uma nova e diferente figura contratual. Ao contrário da agência. menciona claramente “coisa a ser negociada”. que é contratado para encontrar compradores para os produtos do proponente. 718) como na utilização da lei especial sempre que couber (art. permanecendo em vigor os demais. tendo inclusive ressalvado a aplicação de lei especial. exceto com relação à distribuição de veículos automotores. ainda assim. não se justifica a amplitude que alguns querem dar ao contrato de agência no Código Civil. por exemplo. é a Lei do Representante Comercial. verifica-se que o capítulo de agência ressalva expressamente a aplicação de lei especial sobre a matéria. tanto na parte específica de indenizações (art. quando se fala em zona de atuação do agente. Resta. é evidente que a lei especial contemplada no Código Civil. trata-se do agenciamento de pedidos em favor do proponente e do recebimento de remuneração pelos negócios concluídos. mas deverá ter no mínimo 90 dias e. Dado que o Código Civil não pretendeu esgotar a regulamentação da matéria. vale agora a presunção de exclusividade do Código Civil tanto para a zona de atuação do agente (exclusividade em favor do agente) como para o agenciamento (exclusividade em favor do proponente).729/79). Infelizmente. objeto da Lei Ferrari (Lei 6.CONTRATOs Em EsPÉCIE si. Nessa linha de raciocínio. cessação de atendimento de propostas. E naquela que deve ser a maior diferença. realizada pelo agente. dizendo que serviria para agenciamento de artistas. uma nota sobre a distribuição. cujo projeto foi elaborado em 1972. devem ser considerados revogados apenas os dispositivos da Lei do Representante Comercial cuja matéria tenha sido regulada de forma diferente no Código Civil. ou aquela que viesse a substituí-la. Note-se ainda. Por fim. Vale frisar novamente que o Código Civil apenas deu outro nome para a mesma relação conhecida tradicionalmente como representação comercial. acima mencionada. não há que se falar em remuneração paga pelo fornecedor. A distribuição do Código Civil é contrato de agenciamento de negócios em favor do proponente. percebe-se que a definição de agência no Código Civil é equivalente à definição de representação comercial na Lei do Representante Comercial. O lucro do distribuidor deriva então da diferença entre o preço de compra e venda dos produtos distribuídos. A antiga distribuição é caracterizada pela compra dos produtos do fornecedor para posterior revenda. mas também da própria regulamentação encontrada nos artigos 710 e seguintes do Código Civil. o aviso prévio para encerramento de contratos por prazo indeterminado não será simplesmente de 30 dias como previsto na Lei do Representante Comercial. negócio realizado. a terminologia empregada no Código Civil pode gerar grande confusão. Tal distribuição era e continua sendo contrato atípico. curiosamente. que nada mais é do que um desdobramento da relação de agência. Até a definição de distribuição. Ora. A resposta é razoavelmente simples. Por exemplo. estabelecer como deve ser compatibilizada a Lei do Representante Comercial com o capítulo de agência do Código Civil. atletas e outras atividades que não fossem relacionadas à compra e venda de mercadorias. A única diferença no Código Civil é a exclusão da expressão “negócios mercantis” que aparece na Lei do Representante Comercial. caracteriza-se a figura clássica de aproximação do comprador e vendedor. que conforme será visto aparece dentro da definição de agência e como um desdobramento desta última. Utilizando o nome distribuição. Ou seja. que a Lei do Representante Comercial utiliza a expressão “agenciando propostas ou pedidos” exatamente na definição da atividade do representante. em nome próprio e por conta e risco do distribuidor. portanto. 721). mas a distribuição ali prevista não se confunde com a relação chamada distribuição a que todos se acostumaram no Brasil. mas a exclusão é absolutamente coerente com o desaparecimento da diferenciação entre negócios civis e mercantis na lei brasileira. posto que não regulado expressamente na lei. datada de 1965. Isso decorre não apenas da definição equivalente do contrato. direito à remuneração pelos negócios concluídos dentro da zona de atuação e assim por diante. com a particularidade de que os bens objeto do agenciamento FGV DIREITO RIO 86 . Ainda para demonstrar que o Código Civil tratou agência da mesma forma que a chamada representação comercial. Toda a linguagem e toda a lógica desses dispositivos apontam para o agenciamento na compra e venda de mercadorias. na ausência de cláusula contratual.

uol. em caráter não eventual e sem vínculos de dependência. Pouco importa que pratique ele negócios de agência ou de representação segundo o novo código.886/65. um microssistema jurídico. Quanto ao representante comercial. o novo código dispõe no artigo 710: “Pelo contrato de agência. caracterizando-se a distribuição quando o agente tiver à sua disposição a coisa a ser negociada. uma pessoa assume. procura a lei unificar os direitos de ambos e. mediante retribuição. não serão aplicáveis às relações de distribuição na sua forma tradicional de aquisição para revenda. que lhe é protetiva e cria. os dispositivos sobre os contratos de agência e distribuição. a necessidade de ter transcorrido prazo compatível com o investimento realizado pela outra parte quando da denúncia unilateral de contrato (art. em zona determinada. Nesses contratos há inúmeros pontos de contato com a representação comercial. todas referentes apenas a contratos de aproximação entre comprador e vendedor e nunca à aquisição de produtos para revenda por conta própria. naquilo que o contrato e a lei protetiva forem omissos. (http://jus2. no que couber. preponderarão as disposições do novo código.com. a obrigação de promover. subordinados estes ao Conselho Federal. já que não tratam de tal figura. a principal delas protege e regula o representante comercial (Lei nº 4. conforme a nova lei. a qual. Leve-se em conta que os dispositivos contratuais do código são de direito dispositivo.886/65). Isso inclui os conceitos e princípios de boa fé contratual e função social dos contratos. Subsidiariamente poderá ser aplicado o novo código. 473). A primeira conclusão inafastável é no sentido da aplicação da lei do representante comercial sempre que este for devidamente registrado. O proponente pode conferir poderes ao agente para que este o represente na conclusão dos contratos. contudo.CONTRATOs Em EsPÉCIE encontram-se na posse do agente. que passa a ser chamado também de distribuidor. 715). O legislador do novo código deveria ter sido mais claro. porém. no artigo 721. e realiza negócios em razão dessa profissão habitual. da mesma forma que ocorre em qualquer contrato atípico. Assim. Naturalmente serão aplicáveis à distribuição clássica as normas gerais do Código Civil sobre obrigações e contratos. Pela lei. será agente. Tratando-se de profissão regulamentada. Há que se levar em conta. No mais. A harmonização dessa nova lei com os novos dispositivos é complexa. no caso.asp?id=4148) A representação no novo Código Civil Por sílvio de salvo Venosa O novo Código Civil introduz no mesmo capítulo. conseqüentemente. se a pessoa tem a coisa que comercializa consigo será distribuidor. Assim. que doravante devem ser harmonizados com os dispositivos do novo Código Civil. aplica-se essa lei. à aplicação de legislação especial. nos termos do artigo 5º da Lei nº 4. Os dispositivos do capítulo de agência e distribuição. 714) e direito à indenização no caso de diminuição no atendimento de propostas (art. que essa lei atribui os direitos básicos do representante. desde a definição da distribuição como um derivado da agência (art. não há de se ter preocupação FGV DIREITO RIO 87 . caso contrário. na verdade.br/doutrina/texto. embora se reporte. Parágrafo único. pois o contrato de representação comercial costuma ser identificado pela doutrina e pela jurisprudência com o de agência e distribuição.” Portanto. a disponibilidade da coisa em mãos do sujeito caracteriza a diferença entre a agência e a distribuição. como por exemplo. aplicam-se ao representante comercial. estando o sujeito inscrito nos Conselhos Regionais dos Representantes Comerciais. 710) até as disposições sobre o direito do distribuidor à remuneração por negócios concluídos em sua zona sem sua interferência (art. Todo o capítulo de agência e distribuição corrobora tal constatação. A nova posição legal mais serve para baralhar a questão. à conta de outra. além de importantes dispositivos específicos. a realização de certos negócios.

referindo-se aí expressamente ao contrato de distribuição. a de colocar no mercado os bens ou serviços de uma empresa produtora. O distribuidor. Como regra geral. mormente quando as partes não definem claramente suas obrigações. segundo remansosa jurisprudência. que inclui todas as formas que uma empresa se utiliza para colocar bens e serviços no mercado. há possibilidade de que a empresa celebre muitos contratos da mesma natureza. a concessão. agência e distribuição. mandatários. com prazo mais ou menos longo. Sempre que se examina a comercialização de produtos ou serviços por terceiros. Nada impede. excluindo-se a possibilidade de ser considerado representante.CONTRATOs Em EsPÉCIE se sua atividade é de agência ou representação de acordo com o novo código. o qual garante direitos básicos a esses profissionais. Esses contratos possuem características comuns. surge assim uma nova família de contratos. Sob essa égide. de caráter geral. Desempenhando a função de representante. pressupõem a existência de empresas e sujeitos independentes que desempenham atividade em favor dela. Por outro lado. pois o fornecedor de produtos e serviços sempre atribuirá a outrem essa função. existirão sempre duas partes. técnicos ou não. a empresa concentra sua atividade principalmente na produção. por vezes. o que contribui. sua situação será de distribuidor. disciplinava os auxiliares de comércio. a palavra “distribuição” é equívoca.886/65. os comissionistas e os agentes de comércio. que as próprias partes indiquem no contrato como aplicável essa lei do representante comercial autônomo. como a franquia. agente ou representante deve se submeter a uma séria de diretrizes impostas FGV DIREITO RIO 88 . há confusão terminológica entre os contratos de representação mercantil. Questão maior vai se colocar quando o agente e o distribuidor em sentido amplo. para a confusão terminológica. Nessa introdução à nova problemática é importante estabelecer que os contratos de agência e distribuição podem. também. Não há que se entender que somente os representantes comerciais devidamente inscritos em sua corporação de ofício tenham direito à aplicação da lei específica. atendendo a cláusulas de exclusividade e de área geográfica. para desenvolvimento de uma antiga função econômica. absorvendo vários significados. Eventual transgressão administrativa é irrelevante para a definição dos direitos e a respectiva natureza jurídica dos contratos. agentes. porque. que já vinha sendo adotada. com várias pessoas. De qualquer modo. conforme os princípios da lei específica. se o sujeito adquire os bens do produtor ou fornecedor e os revende. atribuindo a intermediários a atividade de promover e vender. consagrada pelo nosso velho Código Comercial. Desse modo. o sujeito fará jus aos benefícios da lei respectiva. O que será ineficaz. que não foi aclarada pelo legislador. Como já de início apontamos. os quais se aplicam. Nesse sentido. fará jus o sujeito aos direitos respectivos conforme os artigos 31 e seguintes da lei específica. alude-se à distribuição como referência genérica a vários fenômenos. Assim. Nesse sentido. de duração. representantes etc. Essa tendência. para o representante é irrelevante ter ou não a posse dos bens comercializados. quando ela não o faz por si mesma. As gradações entre um extremo e outro deverão ser definidas no caso concreto. A situação não fica clara. No conceito há um sentido amplo. O novo universo da empresa cria novas formas de comercialização. no que não conflitar com seu estatuto específico. se adotada a caracterização de representante para a relação jurídica. em princípio. como já não estava clara no sistema anterior e qualquer das soluções apresenta dificuldades. ser firmados com qualquer pessoa e a esta situação se dirigem os dispositivos do novo Código Civil. que é aquele doravante presente no Código Civil. sob o prisma de direito cogente. que diz respeito à relação jurídica que vincula o produtor e o sujeito que coloca seus produtos no mercado. pretenderem os mesmos direitos expostos na Lei nº 4. Nesses contratos há um forte aspecto de colaboração entre as partes e a possibilidade de exclusividade dentro de determinada área geográfica. ou por meio de terceiros. que se lastreia em princípios constitucionais sobre a liberdade do trabalho. qual seja. São contratos. é afastar-se contratualmente sua aplicação. com a intervenção de terceiros. há um conceito restrito. os corretores. Caberá à jurisprudência definir. pois. aos representantes comerciais oficiais. por natureza. naturais ou jurídicas. contudo. a representação. a própria legislação comercial. deverá persistir. em princípio. diretamente. sem a compreensão de representante.

CONTRATOs Em EsPÉCIE

pelo produtor em prol do bom andamento do negócio. A regra de exclusividade é importante nesses contratos, embora possa não se fazer presente. Caberá às partes mantê-la ou não. Por seu lado, o distribuidor ou qualquer nome ou natureza jurídica que se lhe dê, não importando qual a modalidade de contrato que lhe permite comercializar bens de terceiros (distribuição, representação, agência, franquia), obtém uma posição vantajosa no mercado, pois, em princípio, terá exclusividade sobre determinada região ou goza de benefícios e vantagens para adquirir bens da empresa produtora. Geralmente, o nome do produtor já outorga aos intermediários um patamar de ganhos superior. Sob esse prisma, a moderna empresa cria uma rede de distribuição, nem sempre juridicamente homogênea, cuja finalidade é cobrir uma cidade, uma região, um Estado ou Província, um país ou o exterior. Essa distribuição mais ou menos ampla seria muito custosa e difícil para que o produtor a encetasse com recursos próprios, além de esbarrar em leis de proteção econômica, que proíbem a cartelização ou o truste. Inúmeros outros aspectos devem ser estudados em função desses novos contratos que ora se tipificam no novo Código Civil. http://www.societario.com.br/demarest/svrepresentacao.html

Agência e Distribuição x Representação Comercial francisco Wanderson Pinho dantas data: 09/09/2004 1. Contratos iguais com nomes diferentes ou contratos diferentes com leis aplicáveis diferentes? O novo código civil trouxe algumas inovações ao tratar do contrato de agência e distribuição em suas disposições. Isso causou uma divergência na doutrina, sendo que a maior parte dela acredita ser esse contrato, não mencionado no C.C. anterior, o mesmo contrato de representação comercial, disciplinado pela lei 4886/65, enquanto uma minoria defende que se trata de um novo contrato. Nesta minoria estão Fábio Ulhoa e Venosa, defendendo este último que ao representante, diferentemente do agente, poderia ser dado o poder de concluir os negócios que ele prepara, sendo aplicado, ao ato de conclusão, a legislação referente ao contrato de mandato. Contudo, não haveria essa possibilidade para o agente, alertando o autor que se, no contrato de agência, houvesse a incumbência de concluir o negócio, o contrato estaria desnaturado. Entretanto, esses argumentos não são fortes o suficiente para rebater a outra posição doutrinária, de que o contrato de agência e o de representação são o mesmo contrato com nomes diferentes. Esse raciocínio, defendido por Humberto Theodoro Jr, Rubens Requião e Felix de Araújo Cintra tem como base o fato de que a definição de representante, dada pela lei 4886/65, lei da representação comercial, é totalmente compatível com a definição de contrato de agência dada pelo código civil. De acordo com as duas legislações, tanto o agente quanto o representante atuam agenciando propostas e pedidos, à conta de outrem, sem vínculo de dependência e em caráter não eventual. A única diferença que existe entre as duas referidas legislações é que, na definição de contrato de agência, dada pelo C.C., não há a expressão “negócios mercantis”, existente na definição de representante, dada pela lei de representação comercial. Entretanto, isso se explica pela igualdade que o novo C.C. atribuiu ao negócio civil e ao negócio comercial. Além disso, outro argumento que é favorável à identidade dos dois contratos baseia-se nas reclamações doutrinárias feitas em relação ao nome antigo do contrato, “representação comercial”, atribuído pela lei 4886/65. Tal nome não reflete o objeto do contrato, que é o agenciamento de propostas, mas a possibilidade de o terceiro representar quem o contratou na conclusão dos negócios, ou seja, a representação.
FGV DIREITO RIO 89

CONTRATOs Em EsPÉCIE

Internacionalmente, o nome “agência” já é consagrado para referir-se ao contrato da lei 4886/65, o que permite visualizar a possibilidade de o legislador do C.C. ter utilizado esse nome para adequar o contrato às influências internacionais. Destarte, o próprio artigo 721 do C.C. prevê a aplicação no que couber da lei especial para o contrato de agência e distribuição, o que reforça a afirmativa de tratarem as duas leis, a 4886/65 e a 10.406/02 (C.C.), do mesmo contrato. 2. qual é a lei predominante, se for o mesmo contrato? Apesar de o critério cronológico ter aplicação subsidiária em relação ao da especialidade, o C.C., que traz uma legislação mais nova, porém mais geral, deve ser aplicável de forma predominante, pois ele amplia as garantias do agente, permitindo que a lei 4886/65, nos aspectos mais detalhados, seja também aplicada. O C.C. já traz disposto no artigo 718 o seu papel de regra geral em relação à lei 4886/65, estabelecendo, para o caso de dispensa sem culpa do agente, a remuneração até então devida, além das indenizações previstas em lei especial. Em regra, considera-se o C.C. como um microssistema constitucional para o direito privado, tendo as outras leis uma aplicação subsidiária em relação a ele. 3. quais os artigos conflitantes e quais as novidades que o C.C. trouxe para o agente? O artigo 31 da lei 4886/65 entra em conflito com o artigo 711 do C.C., pois os dois falam a respeito de exclusividade nas zonas, tanto para o agente quanto para o proponente, de modo diverso. O artigo 31 da lei 4886/65 diz, a princípio, que o representante fará jus à comissão pelos negócios realizados em sua zona, ainda que diretamente pelo representado ou por intermédio de terceiros, quando prevista no contrato a exclusividade de zona ou mesmo quando o contrato for omisso a esse respeito (até este ponto, a previsão é a mesma no C.C.). Entretanto, em seu parágrafo único, ele estabelece que na ausência de ajustes expressos, a exclusividade do representante para o representado não se presume. Assim, pode o representante, se não houver proibição contratual, prestar serviços para mais de uma empresa (art. 41), não havendo restrição na lei para as empresas de mesmo gênero. O C.C., em seu artigo 711, presume, no caso da omissão do contrato, a exclusividade tanto para o agente quanto para o proponente, não podendo o agente prestar serviços a empresas concorrentes. Tal norma veio beneficiar o proponente. Outra diferença entre a lei 4886/65 e o C.C. diz respeito ao prazo do aviso prévio no caso de denunciação unilateral e injustificada do contrato de agência por tempo indeterminado. A lei de representação comercial estabeleceu no seu artigo 34 a antecedência mínima de 30 dias para o aviso prévio. Entretanto, o novo C.C. veio estabelecendo um prazo maior, de 90 dias, estabelecendo como condição para ocorrer a denúncia o transcurso de um prazo compatível com a natureza e o vulto do investimento exigido do agente, enquanto a lei de representação especifica um prazo de 6 meses de vigência do contrato para poder haver a denúncia dele. Tal norma veio em benefício do representante. 4. diferença entre agência e distribuição A polêmica que surgiu devido ao nome “distribuição” ao lado de “agência”, no novo código, deu-se porque aquele nome já era culturalmente usado para fazer referência a um outro tipo de contrato muito diferente do de agência.
FGV DIREITO RIO 90

CONTRATOs Em EsPÉCIE

O contrato de distribuição, que já era conhecido, é uma espécie de contrato de colaboração por intermediação, através do qual o distribuidor adquire os bens do distribuído e os revende a consumidores, atacadistas ou a qualquer outro. A distribuição referida no código é tão somente um desdobramento do contrato de agência. Trata-se de uma figura contratual nova, mas não muito diferente do contrato de agência, pois também tem como objeto o agenciamento de propostas para o preponente, mas tem como acréscimo o fato de a coisa a ser vendida para o consumidor estar com o agente. O agente, nesse caso, não adquire a coisa. Ele simplesmente a detém ou a tem a sua disposição para ser entregue àquele que a adquirir, quando concluído o negócio do preponente. Desta forma, o contrato de distribuição referido pelo código não é o mesmo contrato de distribuição, espécie de contrato de colaboração por intermediação. Este contrato continua atípico, sendo regido pelas normas gerais dos contratos, e nele o colaborador revende o produto do distribuído, ganhando os lucros sobre a revenda. Na distribuição do C.C., em suma um contrato de agência, o distribuidor ganha uma remuneração do distribuído, agindo em nome e no interesse deste. http://cacbufc.org.br/artigos/verartigo.asp?id=215

FGV DIREITO RIO

91

CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. nos dividiremos em grupos e cada grupo será responsável pela análise de alguns contratos. seremos obrigados a analisar os contratos durante a aula. Abaixo. roteiro de aula Esta aula será diferente das anteriores.1. AulA 16: ANálISE dE CONTRATOS 1. mas não são suficientes por si só. É necessário analisar o contrato como um todo e qualquer outro aspecto que pareça relevante deve ser informado no campo “observações”. Vale lembrar que esses pontos devem orientar a análise dos contratos.15. mas que não poderemos tirar cópia e nem levá-los para nosso Escritório. incluímos um quadro com os pontos fundamentais a serem observados em cada contrato.15. Para agilizar nosso trabalho. Assim. nome do contrato Contratante Contratado data de assinatura objeto valor/ Forma de pagamento Cessão de direitos vigência do Contrato Formalidades garantias rescisão Contratual por transferência de Controle e/ou reorganização Societária demais hipóteses de rescisão Foro e lei aplicável outras observações (É possível?) (ainda está em vigor? Qual é o prazo de vigência?) (obs: está assinado? tem assinatura de duas testemunhas?) (o contrato pode ser rescindido em razão de transferência de controle do contratante? há multa prevista?) FGV DIREITO RIO 92 . Maria Lúcia nos informa que há uma caixa de contratos que será disponibilizada hoje.

279/1996. deparamo-nos com um contrato de licença de marcas.uol.16. Considerando que nosso cliente pretende expandir seus negócios. 1.asp?id=3006>. BARBOSA. A importância da “due diligence” de propriedade intelectual nas fusões e aquisições (Debaixo dos caracóis dos seus cabelos). Lumen Juris. 797 a 963. e fomos alertados pela equipe sobre os seguintes aspectos: (i) metade das marcas do Supermercado Pechincha estão registradas no INPI e a outra metade ainda está com pedido de registro.16. Denis Borges. (ii) os registros das marcas e os pedidos de registros foram feitos em nome do senhor Eduardo Russo e não em nome da sociedade Pechincha Comércio Varejista Ltda. Contrato de Licença de Marcas. Lumen Juris. 1. Denis Borges.4. 1. 1. Tendo em vista que a marca desempenha papel fundamental no negócio. biblioGrafia CoMPleMentar BARBOSA.br/doutrina/texto. eMentário de teMas Marcas. ago. de. ano 6.16.16. o que poderíamos recomendar ao nosso cliente? Conversamos com a equipe de due diligence responsável pela área de propriedade intelectual sobre o contrato de licença que encontramos. resultaria na transferência da marca para o nosso cliente? Considerando que é o supermercado que efetivamente exerce as atividades relacionadas às marcas. SANTA ROSA.3. 58.. AulA 17: lICENçA E CESSãO dE mARCAS.16. biblioGrafia obriGatória Lei n° 9. 2002.com. 1. o que fazer nessa situação? A simples aquisição das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda.1. 2003. o senhor Renato Russo. págs. Contrato de Cessão de Marcas. para o Rio de Janeiro. 2003. Disponível em: <http://jus2. Uma Introdução à Propriedade Intelectual. Rio de Janeiro: Ed.058. (em anexo). inclusive. Caso Gerador Ao analisarmos os contratos que nos foram disponibilizados na aula anterior. 2006. Teresina. Jus Navigandi. Dirceu P.2. Uma Introdução à Propriedade Intelectual. Acesso em: 04 ago. segundo o qual o senhor Eduardo Russo permitia que um comerciante do Rio de Janeiro utilizasse a marca do Supermercado Pechincha em suas lojas na cidade maravilhosa.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. sendo pessoa física.041 a 1. poderia ter as marcas do Supermercado Pechincha registradas em seu nome? O que fazer quanto aos registros das marcas e os pedidos de registro? FGV DIREITO RIO 93 . págs. n. Rio de Janeiro: Ed.

Com relação à definição de marca. Sua proteção jurídica depende de um fator a mais: a apropriabilidade. sua existência fáctica depende da presença destes dois requisitos: capacidade de simbolizar. o senhor Odin Heiro nos pergunta se há prazo para o registro das marcas e se o registro pode ser extinto. que pode ser bem demorado. Denis Borges. à propriedade e ao direito de uso exclusivo de marcas e outros signos distintivos.1 do Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (TRIPS). Símbolo voltado a um fim.05. que é configurado para o fim específico de distinguir a origem dos produtos e serviços. que visa a regular os direitos e obrigações relativos à propriedade industrial no Brasil. pág. Conforme o artigo 122 da Lei de Propriedade Industrial. Rio de Janeiro. 2003. da Constituição da República Federativa Brasileira de 1998 dispõe que a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização. 803. O senhor Odin Heiro nos pergunta se terceiros poderiam registrar as marcas (já registradas) do Supermercado Pechincha em outros Estados. Rio de Janeiro: Ed.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. b) Marcas – Conceito O artigo 5º. Uma introdução à propriedade intelectual – Lúmen Júris. e capacidade de indicar uma origem específica. Denis Borges Barbosa11 comenta o que se segue: BARBOSA. imóveis ou semoventes? Para ter proteção jurídica. Denis Borges. ou combinação de sinais.5. Entretanto. ou seja. capaz de distinguir bens e serviços de um empreendimento daqueles de outro empreendimento”. Considerada por muitos como uma das mais importantes modalidades da propriedade intelectual. tais como a Convenção de Paris e o TRIPS. o proprietário da marca deve registrá-la no INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial. patentes. marcas são todos os sinais distintivos visualmente perceptíveis. 803. antes mesmo do registro. tendo em vista que a sede do supermercado é em Brasília. a possibilidade de se tornar um símbolo exclusivo. “poderá constituir marca qualquer sinal. Lumen Juris. regulando as normas referentes às marcas. alguns entendem que a partir do depósito da marca no INPI haveria uma expectativa de direito. em face do objeto simbolizado”10. roteiro de aula a) Marcas Antes de estudarmos os contratos de licença e de cessão de marcas propriamente ditos. são bens móveis.16. De acordo com o artigo 15. não compreendidos nas proibições legais. como Rio de Janeiro e São Paulo. 10 11 BARBOsA. p.279 de 1996 (Lei de Propriedade Industrial). 2003. Uma Introdução à Propriedade Intelectual. sem confundir o destinatário do processo de comunicação em que se insere: o consumidor. a marca “é o sinal visualmente representado. bem como proteção às criações industriais. foi promulgada a Lei nº 9. vale analisar brevemente o seu objeto: a marca. inciso XXIX. Compreendendo a importância do registro das marcas para o supermercado. desenhos industriais e concorrência desleal. Esta definição segue os conceitos e princípios previstos nas convenções internacionais. ou legalmente unívoco. Neste sentido. em vigor desde 15.1997. como a marca. FGV DIREITO RIO 94 . suscetível de proteção. Os direitos de propriedade intelectual.

VI – sinal de caráter genérico. Símbolo voltado a um fim. t. marca é todo sinal distintivo aposto facultativamente aos produtos e artigos das indústrias em geral para identificá-los e diferenciá-los de outros idênticos ou semelhantes de origem diversa12. Embora Carvalho de Mendonça não a defina especificamente. comum. ou seja. uma série de situações em que o sinal que não poderá ser registrado marca: I – brasão. quando não requerido o registro pela própria entidade ou órgão público. salvo se dispostas ou combinadas de modo peculiar e distintivo. regularmente adotada para garantia de padrão de qualquer gênero ou natureza. Com relação às proibições legais a que se refere o artigo 122. peso. pp. que é configurado para o fim específico de distinguir a origem dos produtos e serviços. o referido autor entende que “a marca de comércio não é. 365 – 366. culto religioso ou idéia e sentimento dignos de respeito e veneração. II – letra. III – expressão. quanto à natureza. VII – sinal ou expressão empregada apenas como meio de propaganda. necessário. sua existência fática depende da existência destes dois requisitos: capacidade de simbolizar. Carvalho de. figura ou imitação. crença. 1963. vulgar ou simplesmente descritivo. Tratado de propriedade industrial. natureza. no artigo 124. propriamente falando. Tratado de Direito Comercial Brasileiro. da capacidade e da probidade de seu titular”13. figura. quando tiver relação com o produto ou serviço a distinguir. sua imitação suscetível de causar confusão ou sinal que possa falsamente induzir indicação geográfica. isoladamente.. 13 FGV DIREITO RIO 95 . Sua proteção jurídica depende de um fator a mais: a apropriabilidade. desenho ou qualquer outro sinal contrário à moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra ou imagem de pessoas ou atente contra liberdade de consciência. 12 mENDONÇA. nacionais. Para João da Gama Cerqueira. I. V – reprodução ou imitação de elemento característico ou diferenciador de título de estabelecimento ou nome de empresa de terceiros. bandeira. VIII – cores e suas denominações. qualidade e época de produção ou de prestação do serviço. IX – indicação geográfica. IV – designação ou sigla de entidade ou órgão público.) marca é o sinal visualmente representado. também reveladora do trabalho. emblema. marca distintiva da mercadoria quanto à origem. ou aquele empregado comumente para designar uma característica do produto ou serviço. sem confundir o destinatário do processo de comunicação em que se insere: o consumidor. CERQUEIRA. distintivo e monumento oficiais.. armas. e capacidade de indicar uma origem específica. bem como a respectiva designação. João da Gama. nacionalidade. como a de indústria ou de comércio. X – sinal que induza a falsa indicação quanto à origem. procedência. públicos. valor. é uma marca representativa da atividade mediadora do comerciante e. a Lei de Propriedade Industrial elenca. Freitas Basto. algarismo e data. salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva. medalha. ou legalmente unívoco. XI – reprodução ou imitação de cunho oficial. estrangeiros ou internacionais. a possibilidade de se tornar um símbolo exclusivo.CONTRATOs Em EsPÉCIE (. suscetível de causar confusão ou associação com estes sinais distintivos. qualidade ou utilidade do produto ou serviço a que a marca se destina. em face do objeto simbolizado. salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva.

social. salvo com consentimento do titular. diferencia as marcas em três tipos. salvo quando autorizados pela autoridade competente ou entidade promotora do evento. XVIII – termo técnico usado na indústria. XX – dualidade de marcas de um só titular para o mesmo produto ou serviço. FGV DIREITO RIO 96 . suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia. semelhante ou afim. natureza. nome de família ou patronímico e imagem de terceiros. – Marca de certificação: aquela usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas. salvo com consentimento do autor ou titular. artística ou científica. quais sejam: (i) marcas de produto ou serviço. equivalente à proteção que se dá aos direitos da personalidade de qualquer pessoa. de caráter patrimonial. e XXIII – sinal que imite ou reproduza. salvo quando. XXI – a forma necessária. do Distrito Federal. material utilizado e metodologia empregada. ou. dos Estados. no todo ou em parte. na ciência e na arte. comum ou vulgar do produto ou de acondicionamento. no todo ou em parte. dos Territórios. assim como os títulos que estejam protegidos pelo direito autoral e sejam suscetíveis de causar confusão ou associação. d) natureza jurídica Há muita discussão acerca da natureza jurídica dos direito da propriedade industrial. herdeiros ou sucessores. definindo-as da forma que se segue: – Marca de produto ou serviço: aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico. se revestirem de suficiente forma distintiva. apólice. aquela que não possa ser dissociada de efeito técnico. XIII – nome. semelhante ou afim. ou de país. ainda. incluindo a natureza jurídica das marcas. salvo com consentimento do titular. XVII – obra literária. prêmio ou símbolo de evento esportivo. 154. e – Marca coletiva: aquela usada para identificar produtos ou serviços provindos de membros de uma determinada entidade. artístico. (ii) marca de certificação e (iii) marca coletiva. XV – nome civil ou sua assinatura. econômico ou técnico. por sua vez. nome artístico singular ou coletivo. dos Municípios. XXII – objeto que estiver protegido por registro de desenho industrial de terceiro. Há. cultural. moeda e cédula da União. ainda que com acréscimo. Outros alegam se tratar de bem imaterial. XIX – reprodução ou imitação. político. C) tipos de Marcas O artigo 123. semelhante ou afim. se a marca se destinar a distinguir produto ou serviço idêntico.CONTRATOs Em EsPÉCIE XII – reprodução ou imitação de sinal que tenha sido registrado como marca coletiva ou de certificação por terceiro. cujo titular seja sediado ou domiciliado em território nacional ou em país com o qual o Brasil mantenha acordo ou que assegure reciprocidade de tratamento. que tenha relação com o produto ou serviço a distinguir. Alguns afirmam se tratar de um direito pessoal. XVI – pseudônimo ou apelido notoriamente conhecidos. observado o disposto no art. de marca alheia registrada. notadamente quanto à qualidade. oficial ou oficialmente reconhecido. no caso de marcas de mesma natureza. suscetível de causar confusão ou associação com aquela marca alheia. herdeiros ou sucessores. de origem diversa. bem como a imitação suscetível de criar confusão. marca que o requerente evidentemente não poderia desconhecer em razão de sua atividade. XIV – reprodução ou imitação de título. para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico.

para efeitos legais. bem como pela legislação atual. p. Ed. marcas que são vulgaridades notórias.15 e) função das Marcas (i) Função Distintiva: No que tange à função das marcas. tais como a função de identificação de origem. ou seja. a função econômica e a função de propaganda. A Constituição Federal de 1988. uma outra corrente que entende ter a propriedade industrial um caráter dualista. p. de cunho incorpóreo. 147. 17 FGV DIREITO RIO 97 . 16 mIRANDA. nota-se que há outras funções que a marca tem por finalidade. dispor e reivindicar a coisa que lhe serve de objeto”14. 10° edição. matiê Cecília Fabbri. 36. p. são Paulo: Editora revista dos Tribunais. estas se caracterizam por preencher a função precípua de distinguir os produtos e serviços aos quais se opõem. Além disso. Direito das marcas. à propriedade das marcas. em seu artigo 5º. 85. porque há marcas a que falta qualquer elemento característico. gozar. se bem que unitário.CONTRATOs Em EsPÉCIE ainda. a maioria dos autores afirma que as marcas são consideradas como um direito de propriedade. antes ou após ela. De acordo com a autora Maitê Cecília Fabbri Moro16. Pontes de Miranda comenta o que se segue: A marca tem de distinguir. Embora se tratando de objetos de criação não corpórea. não se lhe podem mencionar elementos característicos. Confundir-se-ia com as outras marcas registradas. Sobre o assunto. conforma as disposições desta lei. 15 Além da função distintiva da marca. 5º. Direitos Reais. fruto da atividade intelectual do homem.17 GOmEs. 14 CERQUEIRA Gama. 7. há o entendimento de que se trata de uma propriedade imaterial. A distinção da marca há de ser em relação às marcas registradas ou em uso. mORO. aos nomes de empresas e a outros signos distintivos. Gama Cerqueira acrescenta que “definindo a propriedade como o direito de usar. pg. em seu art. 1956. com elementos pessoais e. Desta forma. No Brasil. Orlando. Forense. considerou os direitos da propriedade industrial como bens móveis.) O direito de propriedade é o mais amplo dos direitos reais. bem como proteção às criações industriais. e em si mesma. não é sinal distintivo. 129. entende-se que a marca é definida como direito de propriedade e tal conceito está expresso na Lei de Propriedade Industrial. não assinala o produto. a função de garantia da qualidade. Borsoi. Pontes de . “Tratado de Propriedade Industrial”. de outros produtos ou serviços idênticos. vol. tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País. faz-se necessário ressaltar que a Lei de Propriedade Industrial. gozar e dispor dos bens.. como as incorpóreas”.Tratado de Direito Privado. constituindo num feixe de direitos consubstanciados nas faculdades de usar. parte especial. I. o Código Civil emprega a palavra bens. ou apenas em uso. A propriedade da marca adquire-se com o registro validamente expedido. se não o faz. assegurou aos autores de inventos industriais. parte I. a função distintiva é considerada a mais relevante pela maioria dos autores. e de reavê-los de quem injustamente o possua. sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional (.. “É um direito complexo. também patrimoniais. em seu artigo 129: Art. privilégio temporário para sua utilização. cuja significação é mais lata do que a expressão coisa compreendendo não só as coisas corpóreas.

I da Lei nº 9279/1996. concluirão. 2003. f) aquisição de direitos A aquisição do direito sobre uma marca depende da legislação de cada país. verifica-se a predominância de um ou do outro sistema puro.CONTRATOs Em EsPÉCIE (ii) Função de identificação de origem: A função de identificação de origem tem o intuito de indicar a origem dos produtos. pg 364. Segundo Albert Robin. permitindo ao titular destes distinguir suas mercadorias ou seus produtos/serviços de outros. (iii) Função de garantia de qualidade: Observamos. por conseguinte. Maitê Cecília Fabbri Moro19 comenta que. 18 mORO. conforme artigo 123. Esta força atrativa é utilizada para obter. 19 FGV DIREITO RIO 98 . que os produtos têm a mesma origem. exercendo. n° 4. O dono da marca explora esta propensão humana fazendo todo esforço para impregnar a atmosfera do mercado com o poder atrativo de um símbolo congenial18. vol. Comparative Advertising: A Skeptical View. marca. O sistema misto é o sistema que tem características do sistema declarativo e. por meio da identificação da marca de uma empresa. O sistema que atribui direito sobre a marca pelo seu simples uso. manter e aumentar a clientela. Esta função de propaganda ou publicidade decorre do fato de ser a marca um dos principais veículos de propaganda dos produtos por ela cobertos. A marca é um atrativo de comercialização que induz um comprador a escolher o que quer. pelo qual o produto é conhecido e distinguido no mercado consumidor. com isso.53. não é menos verdadeiro que por eles compramos mercadorias. Já o sistema em que o direito sobre uma marca somente é reconhecido por meio de registro é o sistema atributivo de direitos. e outros que exigem determinadas formalidades de registro para fins de obter o direito sobre uma marca. símbolo ou palavras. de fato. O poder sugestivo da marca representa indubitavelmente a sua principal função do ponto de vista econômico. a função de garantia da qualidade dos produtos. (iv) Função de Propaganda: Cabe entender que a marca pode ser considerada como qualquer sinal. idênticos ou semelhantes. Com relação a este sistema misto. 69. é considerado como sistema declarativo. Se é verdade que vivemos por símbolos. também.cit. na prática. do sistema atributivo. possuindo uma qualidade constante. matiê Cecília Fabbri. A publicidade é o meio pelo qual o público toma conhecimento de uma marca. a proteção das marcas é o reconhecimento legal da função psicológica dos símbolos. visto que é o registro que atribui a propriedade de uma marca ao interessado. A doutrina reconhece esta importância da função econômica. in Trademark Reporter. de procedência diversa. p. servindo para recomendá-lo e para atrair a atenção dos consumidores. agosto de 1997. que não prejudica a divisão teórica mencionada acima (sistema atributivo e sistema declarativo). a proteção no sentido de se evitar o enfraquecimento do seu caráter distintivo. sendo ela imprescindível para o funcionamento do mercado e das empresas em geral. Por meio da compra dos produtos e satisfazendo os consumidores. ob. ROBIN Albert. pois os consumidores. presume-se que estes voltem a comprá-los devido ao conhecimento da marca. uma vez que há países que atribuem direitos sobre a marca pelo seu simples uso.

usava no País. previsto o artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial. procurou a lei proteger. É. esta regra é limitada e excepcionada pelo direito de precedência. excepcionalmente. Desta forma. a prova anterior do uso é suficiente (direito de precedência). pertencente a um determinado titular. conforme mencionado acima. No entanto. não impondo outras obrigações. Nota-se que este é o sistema atributivo de direitos. marca idêntica ou semelhante. com isso. uma vez que a lei é silente sobre o assunto. um processo administrativo de nulidade. com base no direito de precedência. 54. para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico. por exemplo. Ricardo Luiz21 comenta o que se segue: A marca continua sendo adquirida através de um competente registro. Em regra. estabelecendo a possibilidade de impedir o pedido de registro de marca similar. que assinale produto ou serviço idêntico ou afim.) § 1º Toda pessoa que. As regras de colidência. na data da prioridade ou depósito.20 G) direito de Precedência O registro de uma marca é concedido àquele que primeiro solicitar o seu registro. 2001. no caso em espécie. tão-somente vedando o registro de uma marca que lhe seja similar e que assinale o produto ou serviço idêntico ou afim. mas. matiê Cecília Fabbri. há pelo menos 6 (seis) meses. ob. 20 sICHEL. Entretanto. § 2º O direito de precedência somente poderá ser cedido juntamente com o negócio da empresa. pode-se dizer então que. em face de um pedido em trâmite. ou parte deste.. Esta é uma regra característica do princípio atributivo para a aquisição do direito marcário. É importante mencionar a questão referente ao momento para argüição desse direito de precedência. para que uma pessoa física ou jurídica seja titular de uma marca. conforme as disposições desta Lei. no Brasil. O artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial estabelece. por alienação ou arrendamento. portanto.INPI. este princípio atributivo é excepcionado pelo direito de precedência que será estudado no item a seguir.. cit.CONTRATOs Em EsPÉCIE No Brasil. argüindo. pode ser oposto um direito. entretanto. sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional. eventualmente com valor patrimonial. desprovida do necessário registro. deve-se fazer o registro da mesma junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial .Anais do XXI seminário Nacional da Propriedade Intelectual. a aquisição do direito sobre uma marca se faz pelo registro. um sistema misto com predominância do sistema atributivo. 21 FGV DIREITO RIO 99 . são idênticas àquelas utilizadas quando do conflito entre uma marca registrada e um registro anterior. Diz o referido artigo: Art. A esse utente. Ricardo Luiz. de uma marca. que tenha direta relação com o uso da marca. Sobre o assunto. p. Muitos indagam sobre a possibilidade de restringir a alegação desse direito de precedência tão somente na fase de oposição ou mesmo após o registro da marca em face do terceiro. que a propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido. em seu artigo 129. semelhante ou afim. decorrente do uso. observa-se um sistema misto. Para o autor Ricardo Luiz Sichel. de boa fé. terá direito de precedência ao registro. a existência dessa precedência vicia um registro mORO. de forma regular e de boa-fé. 129 (. Palestra: “Direito De Precedência”. onde o registro atribui propriedade sob uma marca. No entanto.

Para o autor. podem requerer registro de marca as pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou de direito privado. No que se refere ao registro de marca coletiva.279/96. Ela é incorporada no patrimônio de seus titulares. Assim. mas pelo seu grau de identificação no mercado. as normas que regulam a propriedade 22 23 sICHEL.2001. a marca é uma das poucas armas que restam às empresas para garantir a lucratividade. gratuitamente ou onerosamente. Este registro é realizado por intermédio do Instituto Nacional de Propriedade Industrial. que tem por função executar.05. ob. o direito de uso da marca a um terceiro (contratado ou cessionário). mariana. conforme já estudado nesta apostila. No entanto. Desta forma. Cultura e Investimento Social. a partir de um certo nível de preço. fato esse ensejador do processo administrativo de nulidade. Uma marca pode ser tão valiosa quanto o resultado financeiro que ela pode gerar. de modo direto ou através de empresas que controlem direta ou indiretamente. Jornal Valor. na medida que uma parte – a cessionária – cede. Com relação à cessão mencionada no parágrafo segundo do artigo 129. Quanto Custa o Nome?. Valorizá-la é cada vez mais essencial”23. o qual prevê que a propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido. cit. O registro de uma marca é muito importante para a sua proteção. em virtude do explicitado no artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial. evidentemente. no âmbito nacional. a teor do artigo 168 da Lei nº 9. segundo Ricardo Luiz Sichel.2001.22.CONTRATOs Em EsPÉCIE eventualmente concedido. Conforme argumenta Mariana Barbosa. somente estabelecendo que a mesma dar-se-á concomitantemente com o negócio da empresa. Leonardo. a qual poderá exercer atividade distinta da de seus membros. trata-se. prevendo que as pessoas de direito privado só podem requerer registro de marca relativo à atividade que exerçam efetiva e licitamente.05. o parágrafo único do artigo 128 estabelece uma limitação ao registro por parte das pessoas jurídicas de direito privado. atraindo consumidores não pelos seus produtos em si. este somente poderá ser requerido por pessoa sem interesse comercial ou industrial direto no produto ou serviço atestado. este somente poderá ser requerido por pessoa jurídica representativa de coletividade. a Lei de Propriedade Industrial é silente no tocante à natureza dessa cessão. de uma modalidade de cessão de direitos cujos parâmetros encontram-se estabelecidos pelo Código Civil. BARBOsA. Com relação ao registro da marca de certificação. “num mundo altamente competitivo. da doação ou da transmissão hereditária.22 H) requerentes do registro O artigo 128 da Lei de Propriedade Industrial dispõe sobre as pessoas aptas a requerer o registro de uma marca. sendo um fator de identificação e valorização no mercado. org. Ricardo Luiz.br. especificamente na parte relacionada a contratos. site rits. é necessário que exista perfeita compatibilização entre o ramo de atividade do depositante e os produtos ou serviços reivindicados no pedido de registro. Segundo este artigo. chegando a ser o bem mais valioso do patrimônio de uma empresa. 16. BRANT. estar-se-ia aventando as figuras do contrato de compra e venda. funciona com a mesma eficiência. A marca é tida como uma “característica marcante no processo de conquista de mercados e clientes das economias globalizadas”24. 24 FGV DIREITO RIO 100 . onde praticamente qualquer categoria de produto. i) registro e o Princípio da especialidade Nota-se que a marca é imprescindível para o sucesso de uma empresa.

uma marca não consiste num signo apropriado em si mesmo. José da Gama. como se verá a seguir.CONTRATOs Em EsPÉCIE industrial. cujas circunstâncias não podem ser desatendidas quando se tem de decidir sobre a novidade das marcas e as possibilidades de confusão. mas é ressaltada. em que se impede “ a reprodução ou imitação. para distinguir ou certificar produtos ou serviço idêntico. modelos de utilidade e desenho industrial no Brasil. Este princípio é fundamental para a distinção das marcas e dos nomes de domínio. quando o legislador fala em “produto ou serviço idêntico. vol. para Gama Cerqueira. nem neste assunto podem firmar-se regras absolutas. Esta forma de limitação. jurídica e técnica. inciso XIX. 37. está limitando o direito de marca no campo de sua especialidade. p. uma vez que advém. no artigo 124. Recurso Especial n° 9. sem qualquer vinculação entre si. no todo ou em parte. o princípio da especialidade não é absoluto. Quando se trata de indústrias ou gêneros de comércio inteiramente diversos. pois se trata sempre de questões de fato. mas tratando-se de produtos ou indústria diversa. semelhante ou afim. direta e necessariamente. é a mais justa.gov. conclui-se que é possível a convivência de marcas semelhantes no mercado. da natureza e função da marca. sendo o órgão responsável pela concessão dos registros de marcas. Paul Mathély ensina que: A regra da especialidade é substancial. figurativa ou tridimensional. De fato. influi em toda a sua regulamentação.1991. de acordo com definição abaixo29: 25 mATHÉLY. patentes. 10. dentre outros artigos. cit. da Lei 9. ainda que com acréscimo. O INPI é uma autarquia federal criada pela Lei n° 5648. À luz deste princípio. de 11 de Dezembro de 1970.06. por parte de empresas diferentes. mas num signo apropriado em função da aplicação a um objeto ou serviço específico. maitê Cecília Fabbri. e até idênticas.279 de 1996. inclusive as normas relativas ao registro de marcas. suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia. não importa que ela seja idêntica a outra já em uso”. É importante mencionar que o princípio da especialidade sofre algumas exceções no que tange às marcas de alto renome e às marcas notoriamente conhecidas.25 O Supremo Tribunal de Justiça pronunciou-se afirmando que “a marca deve distinguir-se suficientemente das já existentes. Com relação ao princípio da especialidade das marcas. Le Noveau Droit Français de Marques.26 De acordo com Maitê Cecília Fabbri Moro27. pois depende de uma análise caso a caso. semelhante ou afim”. tendo em vista a sua função social. ob. as quais serão objetos de estudo nas próximas aulas. visando limitar o campo de extensão da proteção marcária de acordo com o segmento mercadológico no qual a mesma se insere. 26 mORO. mista. 1994. a regra da especialidade como princípio do direito marcário. presente a função primordial de distinguir. O princípio básico que norteia o sistema de concessão de marcas em nosso país é o princípio da especialidade. econômica. de acordo com o artigo 125 e 126 respectivamente. j) formas de registro das marcas As marcas podem ser registradas sob a forma nominativa.inpi. 28 29 Fonte: www. ob. a questão da coexistência das marcas idênticas ou semelhantes facilmente se resolve28. cit. estando nesta relação identificador/identificado. pg 171. Paul. No entanto. Segundo a autora. I.380/ sP. de marca alheia registrada. p. 27 CERQUEIRA. no que se analisa a possibilidade de confusão ou associação de marcas.br FGV DIREITO RIO 101 .71. pode-se dizer.

bem como dos palavra ou determo que o ideograma representa. figura ou qualquer forma estilizada de letra e número. a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. (Exemplos: compreensível por uma parcela significativa do público consumidor. requerimento a ideogramas o línguas tais como o japonês. também. que ele representa. cuja grafia se • Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e elementos figurativos ou de elementos Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e nominativos. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja dissociada de qualquer efeito técnico. ao pedido de . plástica. FGV DIREITO RIO 102 Exemplos: L) Direito de Prioridade O artigo 127 da Lei de Propriedade Industrial estabelece que. cuja grafia se apresente de forma estilizada.CONTRATOs Em EsPÉCIE • Nominativa: É constituída por uma ou mais palavras no sentido amplo do desde que requerimento a palavra ou o termo que o ideograma representa. caso FGV e Coca-Cola) • Figurativa: É interpretará como marca mista. os neologismos e as combinações de letras e/ou algarismos romanos e/ou arábicos. • Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma plástica. cuja grafia se apresente de forma estilizada. desde que compreensível por uma como marca mista. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja dissociada de qualquer efeito técnico. a proteção legal recai sobre o parcela significativa do público consumidor. público consumidor. imagem. compreendendo. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma dissociada de qualquer efeito técnico. desde que Nesta última Exemplos: hipótese. em que se constituída por desenho. a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. caso em que se interpretará como marca mista. Exemplos: Exemplos: Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e elementos figurativos ou de elementos nominativos. chinês. a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. Exemplos: Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma plástica. elementos figurativos ou de elementos nominativos. isoladamente. hebraico etc. e não sobre a palavra ou termo caso ressalvada a hipótese de o requerente indicar no requerimento a palavra ou o termo que o ideograma represenem que se interpretará parcela significativa do ta. compreensível por uma ideograma em si. apresente de forma estilizada. alfabeto romano.

ou • impedir a citação da marca em discurso. desde que obedecidas as práticas leais de concorrência. Tratando-se de prioridade obtida por cessão.CONTRATOs Em EsPÉCIE l) direito de Prioridade O artigo 127 da Lei de Propriedade Industrial estabelece que. por outras prioridades anteriores à data do depósito no Brasil. desde que sem conotação comercial e sem prejuízo para seu caráter distintivo. será assegurado direito de prioridade. a Convenção de Paris. cujo teor será de inteira responsabilidade do depositante. a comprovação da prioridade deverá ocorrer em até 4 (quatro) meses. da qual o Brasil é signatário. acompanhado de tradução simples. contados do depósito. • impedir a livre circulação de produto colocado no mercado interno. juntamente com a marca do produto. como segue abaixo: A (1) Aquele que tiver devidamente apresentado pedido de patente de invenção. a reivindicação da prioridade deverá feita no ato de depósito. que produza efeito de depósito nacional. Sobre o prazo para apresentação da reivindicação de prioridade. de desenho ou modelo industrial. do s direito de prioridade durante os prazos adiante fixados. o qual discrimina que o titular da marca não poderá: • impedir que comerciantes ou distribuidores utilizem sinais distintivos que lhes são próprios. gozará. 68. ao pedido de registro de marca depositado em país que mantenha acordo com o Brasil ou em organização internacional. Com relação à perda dos direitos marcários. por si ou por outrem com seu consentimento. para apresentar o pedido nos outros países. • pela renúncia. Este princípio do direito da prioridade é previsto no artigo 4º da Convenção da União de Paris. obra científica ou literária ou qualquer outra publicação. o artigo 142 preceitua que o registro da marca extingue-se: • pela expiração do prazo de vigência. FGV DIREITO RIO 103 . ressalvado o disposto nos §§ 3º e 4º do art. sob pena de perda da prioridade. devendo ser comprovada por documento hábil da origem. nos prazos previstos na referida Convenção de Paris. de depósito de modelo de utilidade. a data e a reprodução do pedido ou do registro. ou o seu sucessor. M) limitações e Perda de direitos As limitações aos direito de propriedade das marcas encontram-se discriminadas no artigo 132 da Lei de Propriedade Industrial. na sua promoção e comercialização. o documento correspondente deverá ser apresentado junto com o próprio documento de prioridade. contendo o número. podendo ser suplementada dentro de 60 (sessenta) dias. • impedir que fabricantes de acessórios utilizem a marca para indicar a destinação do produto. Segundo a Lei de Propriedade Industrial. de registro de marca de fábrica ou de comércio num dos países da União. não sendo o depósito invalidado nem prejudicado por fatos ocorridos nesses prazos. se não efetuada por ocasião do depósito. que poderá ser total ou parcial em relação aos produtos ou serviços assinalados pela marca. em seu artigo 4 (C) dispõe da forma abaixo: (1) Os prazos de prioridade acima mencionados serão de doze meses para invenções e modelos de utilidade e de seis meses para os desenhos ou modelos industriais e para as marcas de fábrica ou de comércio Cumpre destacar que.

de marcas iguais ou semelhantes. 15-16. ou se. o artigo 145 da Lei de Propriedade Industrial dispõe que não se conhecerá do requerimento de caducidade se o uso da marca tiver sido comprovado ou justificado seu desuso em processo anterior. ainda. a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original. Uma vez requerida a caducidade da marca. Tratado de direito privado . O uso da marca deverá compreender produtos ou serviços constantes do certificado. Vale ressaltar. a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse se. Pontes de. Desta forma. por períodos iguais e sucessivos. tal como constante do certificado de registro. o artigo 143 da Lei de Propriedade Industrial dispõe o que se segue: Art. requerido há menos de 5 (cinco) anos. pp. considerado abandono. desde que o cessionário atenda aos requisitos legais para requerer tal registro. a pedido do titular. o artigo 135 da Lei de Propriedade Industrial prevê que a cessão deverá compreender todos os registros ou pedidos.90330. em princípio. em nome do cedente. No que tange à caducidade da marca.Parte Especial. Contudo. caberá ao detentor do registro provar a sua utilização. no mesmo prazo. que dispõe sobre a falta de constituição de procurador no país pela pessoa domiciliada no exterior. Com relação à comprovação de uso. No tocante à renúncia dos direitos. a questão da cessão dos pedidos de registro ou dos registros de marcas como caso de perda de direitos sobre as mesas. É possível. 4ª ed. na data do requerimento: I – o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil. Pontes de Miranda explica sobre as formalidades da renúncia: Pode dar-se a renúncia à propriedade industrial.. no entanto. expressa em documento hábil ou o não uso. O prazo de validade de registro de uma marca é de dez anos. contados a partir da data de concessão. Da decisão que declarar ou denegar a caducidade caberá recurso. contados da data da concessão do registro. ou • pela inobservância do disposto no art.CONTRATOs Em EsPÉCIE • pela caducidade. O artigo 134 estabelece que o pedido de registro e o registro poderão ser cedidos. 30 FGV DIREITO RIO 104 . 217 da referida Lei. disponível. 143 .Caducará o registro. Tomo XVII. O prazo para início de uso é de 05 (cinco) anos. o titular do registro de uma marca deve utilizá-la para mantê-la em vigor. com a declaração da caducidade de que cogitam os arts 152-155 do Decreto – Lei 7. sendo prorrogável. decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão. ou II – o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos consecutivos. 1983. sob pena de extinção do registro. de acordo com o artigo 144 da Lei de Propriedade Industrial: Art. Em caso contrário. são Paulo: Editora Revista dos Tribunais. será extinto o registro e a marca estará. relativas a mIRANDA. sob pena de caducar parcialmente o registro em relação aos não semelhantes ou afins daqueles para os quais a marca foi comprovadamente usada. 144. que a caducidade seja concedida apenas parcialmente.

Embora não seja necessária para comprovar a exploração da marca. questões legislativas e judiciais envolvendo aspectos de propriedade intelectual vem se destacando cada vez mais. os pesquisadores brasileiros cada dia mais buscam uma recompensa justa para suas pesquisas. Diante do exposto. de santa rosa advogado no rio de janeiro (rj). semelhantes ou afins. o) Contrato de Cessão de Marcas Qual é a diferença entre o contrato de licença de marcas e o contrato de cessão de marcas? Ao ser consultado pelo nosso cliente quanto à cessão das marcas. Se o registro da marca é extinto.. a disputa entre os Estados Unidos e o Brasil envolvendo as licenças compulsórias e a exigência de fabricação de certos produtos farmacêuticos no território nacional. por exemplo. podem ser objeto de licença. mas permaneceria com os registros das outras marcas. sorrindo vai chorar. dimensionando-as para a concessão de patentes. Você teria algum comentário a essa proposta? leitura CoMPleMentar: A importância da “due diligence” de propriedade intelectual nas fusões e aquisições (Debaixo dos caracóis dos seus cabelos) dirceu P. FGV DIREITO RIO 105 . após publicado e requerido o exame. Na biotecnologia e na área científica. se tornou tópico de grande importância no noticiário político nacional. n) Contrato de licença de Marcas O registro da marca como o pedido. ao invés apenas do reconhecimento acadêmico. também. à perda dos pedidos de registros ou registros que não foram transferidos do cedente ao cessionário. ganhando considerável espaço no mundo dos negócios e até mesmo nas manchetes dos principais jornais do país. Vale notar que a licença só poderá vigorar enquanto o registro da marca estiver em vigor. sob pena de cancelamento dos registros ou arquivamento dos pedidos não cedidos. o senhor Eduardo Russo fez a seguinte proposta: cederia os pedidos de registro de marcas para a Pechincha Comércio Varejista Ltda. Debaixo dos caracóis dos seus cabelos uma história prá contar / de um mundo tão distante debaixo dos caracóis dos seus cabelos um soluço e a vontade / de ficar mais um instante. Roberto Carlos/Erasmo Carlos De alguns anos para cá. Um dia a areia branca / seus pés irão tocar e vai molhar seus cabelos / a água azul do mar Janelas e portas vão se abrir / prá ver você chegar e ao se sentir em casa. a averbação no INPI é necessária para produzir efeitos perante terceiros. nota-se que a hipótese de cessão parcial de marcas iguais ou semelhantes relativas a produtos ou serviços idênticos. mestre em direito pela the George Washington university (eua).CONTRATOs Em EsPÉCIE produto ou serviço idêntico. conseqüentemente o contrato de licença perde seu objeto. leva. No setor farmacêutico. semelhante ou afim.

visando evitar que passivos ocultos comprometam o negócio. esporte e energia. alguns diretamente relacionados à propriedade intelectual tiveram destaque: – O fato da produtora de cinema 20th Century Fox não ter se interessado em reter os direitos de licenciamento e merchandising de produtos associados ao filme “Guerra nas Estrelas”. de que a propriedade intelectual é matéria acessória. E falando em economia globalizada. – Em 1981. a Microsoft ofereceu o referido sistema às concorrentes da IBM. e ganhou destaque em setores como a administração de empresas e a gestão estratégica de negócios. ao produtor do filme.CONTRATOs Em EsPÉCIE Situação semelhante ocorre em outros setores da economia. Tais procedimentos são conhecidos como “due diligence”. oferecida por um jovem Bill Gates e desenvolvida por uma pequena empresa chamada Microsoft. e despertam o interesse de empresários que pretendem estender suas atividades ao Brasil por meio de joint ventures. Operações de fusões. que consideram como os principais. distante do Direito Empresarial moderno. gratuitamente. i – a importância da Propriedade intelectual no mundo dos negócios Os profissionais de propriedade intelectual estão vivendo um momento sui generis. tanto que um descuido na análise de seus aspectos relevantes pode trazer conseqüências desastrosas. após criar o computador pessoal Macintosh (2). recentemente promoveu uma interessante pesquisa entre diversos professores de cursos de MBA. George Lucas. relegando outras áreas a um segundo plano. Nunca o meio empresarial esteve tão antenado com a necessidade de se proteger devidamente as criações intelectuais e obter lucro destes ativos. desenvolvida pela IBM e licenciada para FGV DIREITO RIO 106 . seu estudo ganha importância na maior parte das operações de fusão ou aquisição. como nos de telecomunicações. e o declínio da IBM no desenvolvimento de software para computadores pessoais. a Apple Computers. direcionada para estudantes e profissionais de administração. desenvolver ou adquirir inovações tecnológicas podem fazer a diferença num mercado globalizado e altamente competitivo. Esta tendência do mundo empresarial também se reflete na economia brasileira. Neste cenário globalizado. – Em 1984. Aceitou repassar os mesmos. e alertou muitas delas para o desenvolvimento de políticas de gerenciamento de propriedade intelectual. o que possibilitou as bases do seu crescimento. bem como de suas possíveis seqüências. e as bancas de advocacia que prestam este serviço geralmente dão ênfase à análise dos aspectos societários. Surpreendentemente. investimentos e operações de compra envolvendo empresas locais. trabalhistas e fiscais. não é mais possível enxergar o Direito da Propriedade Intelectual como uma área subsidiária. acreditando poder lucrar mais com a exclusividade. a IBM. o crescimento de setores da chamada “nova economia” e o desenvolvimento da internet e do e-commerce valorizou os ativos intangíveis das empresas. Pelo contrário. a nosso ver errônea. Hoje em dia. decidiu não conceder licenças aos possíveis concorrentes que desejavam fabricar computadores compatíveis. as empresas nacionais se transformaram também em mercadorias. O objetivo principal deste artigo é desmistificar a idéia. tendo em vista uma “avalanche” de fusões e aquisições de empresas brasileira. a publicação norte-americana MBA Jungle. dentre os principais erros abordados nesta pesquisa. Sem exclusividade. Acabou vitima de sua própria ganância. capitaneada por companhias estrangeiras que desejam se fixar em nosso promissor mercado. onde se nota cada vez mais que proteger. preferiu não adquirir a licença exclusiva do sistema operacional MS-DOS. pois enquanto os consumidores adquiriam a preços competitivos computadores baseados na arquitetura dos PCs. preocupada com acusações de formação de monopólio no setor de computadores. Apenas para melhor ilustrar a afirmação acima. Diversos setores estão sendo totalmente reformulados. O gerenciamento de propriedade intelectual deixou de ser um assunto limitado à seara do especialista. aquisições ou financiamentos são geralmente precedidas de uma criteriosa avaliação da instituição prospectada. em se tratando de fusões e aquisições de empresas. administradores e diretores das maiores empresas dos EUA para identificar quais foram os “25 maiores erros corporativos do mundo” (1).

em procedimentos de aquisição de empresas (6). geravam mais lucro para a empresa. pouco se comenta sobre o surgimento desta atividade e os motivos que a tornaram essencial na prática empresarial moderna. nas mãos destas outras empresas para quem eles gentilmente as apresentaram. o desenvolvimento de políticas de gestão de patentes é tema de muitos estudos e livros de negócios (5) que concluem. – A Xerox Corporation. foi mesmo na prática empresarial que a “due diligence” ganhou forma e se tornou um procedimento comum no mundo inteiro. cujos preços eram bem mais caros. durante anos. uma vantagem competitiva para qualquer empresa. que as apresentaram sem qualquer cuidado com confidencialidade ou patenteamento. Independente de suas origens. A importância que hoje é dada pelos renomados professores de administração de empresas aos fatos acima não é fruto do acaso. Afinal. Sendo assim. Em pouco mais de uma década. Invenções deixadas de lado por não serem lucrativas. ser tratada como um ativo estratégico. a impressora laser e alguns conceitos básicos sobre redes de computadores (4). a dominância dos PCs consolidou-se. cada vez mais. Por não terem uma estratégia de pesquisa e desenvolvimento de produtos atrelada à propriedade intelectual. na Califórnia. e Bill Gates. uma “cópia” do mesmo acabou sendo desenvolvida também para os PCs por uma outra empresa. a única opção para comprar um Macintosh era por meio da Apple. tanto em operações envolvendo fusões e aquisições de negócios como no planejamento de reestruturações societárias. foram conhecer as tecnologias desenvolvidas pelos pesquisadores da Xerox. dentre outros (doravante denominadas de “transação” ou “transações”). reorganizações societárias. criaram este mecanismo que garante ao adquirente ou investidor a possibilidade de realizar uma investigação prévia sobre a empresa a ser adquirida ou que receberá investimentos (e que doravante será denominada “empresa-alvo”). mas que se tornaram muitíssimo lucrativas no futuro. especialmente quando analisamos ramos de negócio cuja atividade principal está baseada na exploração do conhecimento tecnológico e em ativos intangíveis tais como patentes e marcas. nada mais atual que discutir a propriedade intelectual sob um ponto de vista tanto negocial como jurídico. que a propriedade intelectual assume papel de destaque nos modernos métodos de gestão empresarial. Portanto. da Apple. Uma conseqüência da autonomia da vontade das partes que. Alguns remontam sua origem nos Estados Unidos. o conceito foi melhor depurado após decisões de Cortes norte-americanas. processos de privatização de empresas estatais. e investimentos. E como a arquitetura do sistema operacional gráfico dos Macintosh era realmente inovadora. se tornando então aceito no ordenamento jurídico-comercial norte americano.a due diligence no meio empresarial Apesar de muitos profissionais associarem o termo “due diligence” a procedimentos de auditoria legal e financeira que envolvem fusões. e levou o nome de “Windows”. e a instituição de regras sobre a responsabilidade de compradores e vendedores na prestação de informações. à época. manteve um centro de pesquisas em Palo Alto. mas também o mouse. mais precisamente após a promulgação do Securities Exchange Act de 1933. operações financeiras complexas. Outros autores como LAJOUX e ELSON (7) remontam a origem das “due diligences” a tempos mais antigos: Teria sido desenvolvida a partir de um conceito do Direito Romano: “diligentia quam suis rebus” (diligencia de um cidadão em gerenciar suas coisas) que foi trazido para a Common Law e já era adotado em decisões judiciais antigas. ii. Por isso mesmo. Porém. concentrando seus esforços nas fotocopiadoras que. executivos da Xerox preferiram ignorar tais criações. fixando livremente certas práticas. FGV DIREITO RIO 107 . em um quase uníssono. Nos anos 70. não se importaram quando os jovens Steve Jobs.CONTRATOs Em EsPÉCIE uma miríade de empresas. enquanto só restou para a Apple um nicho do mercado de computadores pessoais (3). pesquisadores deste centro desenvolveram não apenas a interface gráfica para sistemas operacionais (precursora tanto do sistema Windows como do Macintosh). aquisições. Trata-se do reconhecimento de que a proteção da propriedade intelectual precisa. é utilizada nas mais diversas circunstâncias. da Microsoft.

e geralmente é entregue aos diretores da empresa-alvo pouco depois da assinatura da “Engagement Letter”. o regular cumprimento de obrigações legais ou contratualmente assumidas. avaliação dos riscos inerentes. garantias a prestar. tanto quanto possível. a quem cabe acordar os termos e condições nas quais a “due diligence” será desenvolvida. definir garantias e evitar eventuais situações de incumprimento” (10). “due diligence”. uma “due diligence” é a prova incontestável de que a velha máxima popular “mais vale prevenir que remediar” é verdadeira. O bom senso das partes é o que prevalece. seu ponto de partida é o período de entendimentos iniciais entre as partes e.da situação de sociedades. O processo de “due diligence” não existe como figura jurídica autônoma na legislação pátria. uma parte importante de seu conteúdo (13). tais dados geralmente são de conhecimento das partes. prever riscos e definir a sua partilha pelas partes.Envio de “Check List”. Via de regra. verificação do funcionamento da empresa e do cumprimento das regras legais. bem como para garantir. interpretada no contexto jurídico brasileiro: “Atualmente. por meio de um documento que indica normas e temas estratégicos importantes. FGV DIREITO RIO 108 . Due diligence significa. numa óptica jurídica. É onde são determinadas as regras da “due diligence”. é melhor entendê-la como uma metodologia que. Assim. uma “due diligence” ? Expressão de origem anglo-saxônica. determinação de responsabilidades ou outras. é difícil trazer uma definição precisa que possa abarcar a amplitude de uma “due diligence” jurídica. Em poucas palavras. Porém. visto que seu escopo depende inteiramente da transação comercial que a motiva. afinal. não existe como enumerar com precisão o que deve constar neste documento. Documento que geralmente é preparado pelos advogados contratados para realizar a “due diligence”. pode ser demorada. Quanto às conseqüências que decorrerão de seus resultados. bem como aborda aspectos como confidencialidade (11). Mesmo assim.Declaração de intenção do comprador. é fruto da prudência e do bom senso das partes. II-b) Os Procedimentos de “due diligence” A realização de uma “due diligence” é uma opção das partes. o excelente trabalho de MORI nos traz uma boa definição de “due diligence”. fundos de comércio ou de parte significativa dos ativos que os compõem” (9) Embora a “due diligence” tenha surgido para resguardar as partes em litígios pós-compra ou fusão. e não uma obrigação legal. significaria “devida cautela ou diligência” (8). consiste no procedimento sistemático de revisão e análise de informações e documentos.sob um escopo predefinindo . antes de tudo. direitos de preferência no negócio (12). seja para determinação do real valor das empresas e seus activos. Porém. Sendo um acordo que formata uma negociação que se dará entre as partes. o que fazer para verificar que o objecto da operação pode ser transacionado legitima e livremente e apresenta as características e tem o valor que o vendedor lhe atribui. Algumas das práticas elencadas abaixo são características nos mais diversos procedimentos de “due diligence”: 1. tanto para o potencial vendedor como para o comprador. se traduzida literalmente. visando à verificação . resumidamente.CONTRATOs Em EsPÉCIE II-a) O que é. estabelecimentos. especialistas como o português CORREA DE SAMPAIO a reconhecem como uma medida de caráter preventivo: “A due diligence é um procedimento de análise levado a cabo normalmente pela compradora com a colaboração da vendedora e tem por finalidade verificar e avaliar a situação das empresas e/ou dos negócios a transaccionar. dependendo do tamanho da transação e das contingências encontradas. dentre outros. Esta fase inicial envolve a celebração de um acordo preliminar de compra (conhecido como “Engagement Letter”) ou uma Carta de Intenções preliminar. usa-se a expressão due diligence para definir o que. envolver prazos exíguos e um custo altíssimo para a parte que solicita o serviço (doravante denominada de “encomendante”). Geralmente uma “Engagement Letter” vem acompanhada da prestação de diversos “Representations and Warranties” por parte do vendedor. Um “check list” pode até mesmo incluir perguntas diretas. consoante cada caso concreto. listando as informações que deverão ser disponibilizadas pela empresa-alvo. 2. e pode ser útil em diversos níveis e momentos de uma negociação ou transação. geralmente dependem dos interesses da empresa encomendante do serviço.

e tentará iniciar os trabalhos antes mesmo de assinar uma eventual carta de intenções (16). todas as pendências legais em uma reorganização societária devem ser observadas com a mesma atenção e detalhe. Pode ser efetuado por meio da consulta em bases de dados públicas (como o site do INPI (14)). pode avaliar. avaliando todos os riscos legais inerentes ao seu negócio. impreterivelmente. A nosso ver.Entrega do relatório final de “due diligence”. (17) A abrangência dos seus resultados também é um assunto polêmico. e poder FGV DIREITO RIO 109 . a preocupação em não infringir os direitos de terceiros. a identificação e análise de contingências por uma empresa independente. de modo que não implique em um atraso no fechamento do negócio (uma fase também conhecida como “closing”). a análise da situação fiscal e tributária da empresa. o bom relatório de “due diligence” deve destacar não só os aspectos relevantes da prática do escritório contratado. ele utilizará a “due diligence” até mesmo para ganhar tempo e decidir sobre o negócio. caberá a ambas as partes continuar as negociações até a assinatura de um acordo final. o encomendante da “due diligence” quer se precaver o máximo possível. 4. Assim. gerenciar e utilizar estrategicamente estes ativos se tornou matéria fundamental para as empresas verdadeiramente antenadas com o futuro e. identificar problemas a serem resolvidos após a concretização do negócio.CONTRATOs Em EsPÉCIE 3. De outro. a preocupação dos empresários e investidores com a propriedade intelectual passa. mas os da empresa-alvo e de sua indústria. no momento certo. Alguns especialistas entendem que relatórios de “due diligence” devem destacar. a empresa-alvo fará o máximo para que o procedimento seja encerrado com a máxima brevidade. O objetivo de grande parte das “due diligences” jurídicas pode ser resumido de maneira simples: É como se a missão do advogado fosse “tirar um retrato” da empresa-alvo. Após o recebimento do “check list”. da análise dos documentos entregues pela empresa-alvo. existe o dever e o interesse em proteger o maior número de invenções. dentre outros. uma opção que garante maiores cuidados quanto ao sigilo e segurança dos documentos (15). Os documentos podem ser disponibilizados em local determinado.Consolidação das informações Após a análise dos dados coletados pelas equipes de advogados. Desenvolver. A partir dai. as atenções do meio empresarial estão se voltando para a propriedade intelectual como ferramenta estratégica para garantir a melhor utilização destes bens intelectuais. incluindo a análise de todos os ativos importantes da empresa. até mesmo os bens de propriedade intelectual. e num momento anterior à conclusão de qualquer transação. a importância de uma companhia está cada vez mais baseada no valor que seus ativos intangíveis podem atingir. Porém. ou ser criteriosamente analisado pelo mesmo ao avaliar a viabilidade da transação. Este relatório poderá ser utilizado pelo encomendante diretamente na mesa de negociações. se as condições e o preço sugeridos pela empresa-alvo são realmente justos. E as vantagens deste “retrato” superam em muito qualquer prestação de garantias por parte da empresa-alvo. por apenas duas abordagens: Por um lado.Fornecimento e/ou obtenção das informações. Em alguns casos. é conhecido como “data room”. ou mesmo exigir maiores garantias por parte do vendedor. Afinal. marcas e outros ativos incorpóreos. um extenso relatório é preparado. 5. uma avaliação de seu passivo processual (inclusive reclamações trabalhistas e processos administrativos). Assim. geralmente. O “timing” de uma “due diligence” também é muito importante. bem como a pesquisa e coleta de dados complementares. bem como examinar as operações financeiras realizadas. permitindo renegociar o preço final. inicia-se a fase mais árdua da “due diligence”. não se importando com a eventual pressa da empresa-alvo. nos moldes solicitados pela contratante do serviço e seguindo os padrões adotados pelos advogados responsáveis. favorecem a empresa interessada. iii – a due diligence de propriedade intelectual Num mercado dominado pela informação e tecnologia. mais que nunca. que envolve a revisão das informações passadas pela empresa-alvo. Geralmente. que no jargão negocial. Do outro lado. visto que o advogado avalia aspectos de um negócio do qual jamais participou diretamente.

tão somente identificando os bens intelectuais existentes e. III-a) Fundamentos das “due diligences” de propriedade intelectual Como já vimos anteriormente. os aspectos de propriedade intelectual são abordados de modo raso. o processo de identificação de ativos e análise de sua situação legal (que se inicia a partir da preparação e do envio do “check list” ou da abertura do “data room”) não é diferente do que ocorre em quaisquer outras “due diligences” legais. III-b) Identificando ativos de propriedade intelectual Numa “due diligence” de propriedade intelectual. E no âmbito da propriedade intelectual. Portanto. ao noticiar a compra de um tradicional periódico carioca. destacamos: – Solicitação direta à empresa-alvo de cópias de documentos de patentes. além de muito raras. bem como cópias de pedidos de registro de marca.CONTRATOs Em EsPÉCIE identificar quem está infringindo os seus. bem como o uso de todos os métodos lícitos e acordados pelas partes para a obtenção de dados. ou invenções patenteadas que lhe possibilitariam fabricar um produto ou melhor desenvolver determinada tecnologia. a “due diligence” de propriedade intelectual não deve ser vista como algo inusitado em diversos procedimentos de fusão ou aquisição. no Brasil e no exterior. Alguns meses atrás. tal procedimento tem como base quatro questões-chaves: 1. prestadas por profissionais sem formação técnica e. Os métodos para a obtenção destas informações também envolvem a compilação e análise de documentos complexos. tanto para o bom andamento do negócio como para o comprador? 3. é crucial ter em mente os pontos acima. antes mesmo de iniciar qualquer negociação com os donos do periódico. até sem o necessário cuidado ético. Dentre estes possíveis recursos. (18). e que o resto do patrimônio da empresa seria apenas uma “contingência a ser absorvida”. A empresa-alvo utiliza tecnologias. Os compradores até efetuaram uma cuidadosa análise da situação das principais marcas da empresa-alvo junto ao INPI. Quais são as possíveis contingências envolvendo este portfolio que podem gerar riscos. FGV DIREITO RIO 110 . pois não é interessante que as regras de uma “due diligence” criem entraves complexos que impeçam a realização do trabalho. no Brasil e no exterior. e na celebração de acordos preliminares. Assim. É possível identificar se a empresa-alvo tem uma política de proteção dos seus ativos intangíveis? A empresa-alvo protege devidamente seus ativos intelectuais? 4. na fase de Declaração de Intenções do comprador. – Solicitação de cópias de certificados de registro de marca. avaliando sua situação atual. Afinal. uma “due diligence” envolve a identificação e análise dos ativos de propriedade intelectual da empresa-alvo de uma fusão. – Obtenção de informações sobre registros declaratórios de direito autoral e de programas de computador. inclusive quanto à penhora das mesmas. é claro que uma “due diligence” pode enfatizar alguns aspectos específicos: Porém. em alguns casos. se possível. na maior parte das “due diligence” jurídicas preparadas por bancas de advocacia empresarial. Poucas bancas nacionais estão realmente capacitadas para fazer análises mais criteriosas sobre o assunto. Qual o tamanho e a força do portfolio de propriedade intelectual da empresa-alvo? 2. não é mais incomum que o principal interesse da empresa compradora possa ser adquirir marcas que lhe garantam uma fatia do “market share”. marcas e/ou programas de computador licenciados de terceiros? Em que situação legal encontra-se tais licenças? São elas fundamentais para o desenvolvimento do negócio? Dependendo do cliente e de seus objetivos. a mídia especializada em finanças e negócios alardeou com grande surpresa que a maior preocupação do grupo comprador era adquirir apenas a marca do jornal. O uso de procedimentos mais detalhados para analisar aspectos de propriedade intelectual nas “due diligences” não é muito difundido no Brasil. aquisição ou outro tipo de negociação. e as auditorias preventivas oferecidas no mercado são.

pois a empresa-alvo pode acabar omitindo. do modo mais direto e com o apoio irrestrito da empresa-alvo. é importante que a fase de reconhecimento dos ativos seja conduzida. e envolve as questões eminentemente jurídicas do trabalho. em algumas situações a empresa-alvo sequer obteve registros de marca ou patente. Uma consulta formal aos agentes de propriedade industrial da empresa-alvo. o relatório final é a fase em que as informações compiladas são analisadas. A identificação de ativos também pode ser realizada mediante entrevistas a diretores.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Obtenção de cópias de contratos envolvendo licenças de uso de software e quaisquer outros bens intelectuais. (20) Quase sempre cabe aos advogados mais experientes. sempre que possível. não menos importante é tecer as necessárias considerações sobre todas as contingências identificadas na análise do relatório. dados vitais sobre a existência de problemas envolvendo seu patrimônio intelectual. Ademais. Procuraremos nos fixar a seguir nos tópicos que. e utiliza indiscriminadamente seus ativos intelectuais sem o mínimo cuidado com a proteção dos mesmos. Isto porque. Ademais. reconhecemos que é nesta fase onde aparecem alguns dos entraves mais complexos de uma “due diligence”. em alguns casos até propondo soluções emergenciais. Nas “due diligences” em que existe a possibilidade de se requerer documentos diretamente à empresa-alvo. técnicos e especialistas da própria empresa-alvo. Em nossa prática. iV – analisando tópicos específicos em uma due diligence de propriedade industrial Como vimos acima. FGV DIREITO RIO 111 . e os dados disponibilizados no “data room” ou fornecidos pela empresa-alvo sobre cada ativo intelectual devem ser revisados e confirmados. já não é imprescindível um entendimento genérico da transação que motivou a “due diligence”. também pode significar uma redução do tempo a ser dispensado na coleta de dados e informações. após a fase investigativa inicia-se a elaboração do relatório final. Para efeito de metodologia. – Compilação e obtenção de informações subjetivas sobre políticas de proteção dos ativos intelectuais da empresa-alvo. Assim. As informações obtidas devem ser organizadas e separadas pelo seu nível de importância para o encomendante do relatório final. III-c) Elaborando o relatório final Considerada por muitos como a fase mais interessante de uma “due diligence”. em vista do interesse do encomendante e das contingências encontradas. são essenciais em qualquer “due diligence” de propriedade intelectual (22). por má-fé ou puro desconhecimento. – Consultas nas bases de dados (nacionais e internacionais) de propriedade intelectual. e que nem sempre são facilmente identificáveis. tais como a do INPI (19). muitas vezes descobrimos empresas que nunca organizaram ou gerenciaram de modo sistemático seus ativos de propriedade intelectual. O mesmo procedimento preventivo deve ser adotado na coleta de quaisquer informações subjetivas. os pontos abaixo foram divididos e abordados de maneira resumida e modo exemplificativo. se autorizada. na obtenção e compilação de dados. Nesta fase. com bastante conhecimento específico da área. convém deixar a cargo do advogado a preparação das listagens dos dados a serem solicitados e analisados. levando em conta a importância que o encomendante do relatório dará para cada aspecto de propriedade intelectual da transação (21). O diferencial é saber analisar os dados disponíveis e identificar quais devem figurar no relatório final e com que ênfase. Este recurso complementar pode ser muito eficiente para identificar práticas e procedimentos utilizados pela empresa-alvo para a proteção de seu patrimônio intelectual. onde o resultado das pesquisas de ativos é devidamente analisado. e como “cada caso é um caso”. a nosso ver.

se possível. com base no relatório descritivo. é importante estudarmos o momento no qual uma análise técnica deve complementar o trabalho do advogado. se as marcas registradas estão em uso regular no seu território de validade (o que evita riscos de caducidade (23)) e se as taxas de registro e prorrogação estão sendo pagas tempestivamente. o direito autoral é um exemplo típico de propriedade imaterial. uma análise de pesquisas na Junta Comercial dos estados onde a empresa-alvo está estabelecida. a um inventor. A patente é. semelhantes ou afins. Para tanto.279/1996. direitos de uso sobre os mesmos. pedidos indeferidos e recursos também deve ser pesquisada e abordada. é o passo inicial. Outro tópico importante é verificar. e as disputas envolvendo Michael Jackson e a Sony FGV DIREITO RIO 112 . uma parcela significativa do relatório final deve cuidar do portfolio de patentes. no Brasil e no exterior. um título de propriedade outorgado pelo Estado. com sólida formação técnica na área de atuação da empresa-alvo. tangível ou intangível. por exemplo. bem como analisar se o pagamento das anuidades e outras taxas para a manutenção de cada patente está ocorrendo dentro dos prazos legais (26). numa definição breve. habilitado em propriedade intelectual. e capaz de um parecer técnico sobre a possibilidade de utilizar dita patente contra um concorrente. para que o encomendante possa não apenas se precaver. Outros tópicos podem incluir a titularidade dos direitos patentários e os termos de cessão de cada patente por seus respectivos inventores. A “due diligence” jurídica de patentes deve. admitimos que estes temas são mais pertinentes numa auditoria de propriedade intelectual. mas até mesmo definir quais marcas serão mantidas ou abandonadas. de origem diversa. dados sobre o real valor de mercado dos signos principais da empresa (uma avaliação que é geralmente efetuada por especialistas no assunto (24)). é altamente recomendável. A existência de oposições. ou mesmo verificar sua forca perante tecnologias já existentes e/ou patenteadas. expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte. O escopo de uma patente importante na área química. Porém. que permita distinguir produtos ou serviços de outros idênticos. IV-c) Bens sujeitos à proteção autoral Tema altamente complexo em qualquer “due diligence”. sem sua prévia autorização (25). Em países que adotam o sistema de “copyright” (27). Porém. que regula a propriedade industrial no Brasil. para que este possa excluir terceiros de certos atos relativos à matéria protegida. Um exame mais detalhado de um portfolio de patentes deve ser realizado por profissionais especializados. Tópicos adicionais que podem fazer parte de um relatório detalhado incluem ainda uma avaliação dos procedimentos adotados pela empresa-alvo para evitar o uso indevido de suas marcas por terceiros. um dos aspectos mais importantes da “due diligence” é realizar uma análise integral do seu portfolio de marcas. Quando a empresa-alvo é titular de signos altamente reconhecidos no mercado. por meio de terceiros. tem filiais ou realiza negócios. tais como fabricação. E este tipo de avaliação só pode ser realizado por meio do exame técnico do teor das reivindicações. um exame detalhado da situação atual de cada registro e/ou pedido de registro em nome da empresa-alvo. ou obteve. por força de lei e em caráter temporário. dispõe que é registrável como marca todo e qualquer sinal distintivo visualmente perceptível. Análises semelhantes também podem ser efetuadas com relação a modelos de utilidade e desenhos industriais. então. IV-b) Patentes Quando a empresa-alvo tem entre suas atividades a pesquisa e o uso de tecnologia em seus principais produtos e serviços. é habitual a utilização de obras autorais como objeto de negociação ou garantia colateral para pagamento de dívidas e captação de fundos. conhecido ou que venha a ser inventado. Astros como David Bowie e James Brown já utilizaram seu repertório com esta finalidade. Quanto ao nome comercial. deve ser examinado por um especialista na área. Este instituto visa proteger todo tipo de criações intelectuais do espírito humano. comercialização ou importação. sempre que necessário.CONTRATOs Em EsPÉCIE IV-a) Marcas e nomes comerciais Nos termos do artigo 122 da Lei nº 9. enfatizar a verificação da situação atual de cada uma das patentes depositadas e/ou concedidas à empresa-alvo.

não existe uma definição na lei brasileira do que seja um “segredo de negócio”. se possível. o relatório final deve abordar se os segredos comerciais estão devidamente protegidos e se não existe risco de que sejam divulgados ou perdidos caso a empresa-alvo sofra mudanças. mesmo que os mais rígidos acordos de confidencialidade sejam celebrados entre as partes. celebrar termos de cessão de direitos patrimoniais com os autores. é a proteção de certos tipos de informações e práticas comerciais que. quais obras autorais são importantes para a natureza do negócio da empresa-alvo. ou para terceiros. experiências. III-e) Analisando contratos de licença e outros acordos Juntamente com a análise do patrimônio intelectual pertencente à empresa-alvo. mesmo que o registro da obra intelectual não seja pré-requisito para garantir sua proteção. É importante lembrar ainda que. o fato do profissional de “due diligence” não ter acesso ao segredo de negocio não deve ser um óbice para que ele analise se o mesmo existe. em vista da caracterização dos programas de computador como obras autorais perante a legislação brasileira (29). técnicas de comercialização. formação de preços e outras espécies de dados confidenciais relativos ao desempenho de atividades empresariais. envolvem milhões de dólares. bem como do material disponibilizado pela empresa-alvo. Tendo em vista a natureza incorpórea do direito autoral e que praticamente qualquer trabalho intelectual pode ser objeto de sua proteção. A rigor. processos de fabricação. inicia-se o relatório analisando se as obras mais importantes estão devidamente resguardadas. São poucas as companhias que solicitam a todos os seus funcionários criadores de obras intelectuais que assinem termos específicos de cessão. ou que seus funcionários-chave a abandonem. devemos respeitar. fórmulas. bem como auxiliar no registro das obras intelectuais mais relevantes junto aos órgãos competentes (30). nossa experiência mostra que informações tratadas pela empresa-alvo como segredos de negócio dificilmente são fornecidas aos advogados da encomendante. Em todos os casos. a verificação minuciosa deste assunto é imprescindível. por exemplo). Em alguns casos. E partindo destas informações. como nas empresas de desenvolvimento de software. Se não é possível identificá-los. são tão críticas para o negócio da empresa-alvo que é necessário mantê-las em rigoroso sigilo. marketing. IV-d) Segredos de negócio e “know-how” Outra preocupação que afeta muitos procedimentos de “due diligence”. é importante também examinar a existência de contingências envolvendo ativos intelectuais licenciados de terceiros. e como é protegido pela empresa-alvo. em vista de seu escopo de atividades. A interrupção de um importante contrato de licenciamento de patente ou tecnologia em vista de uma reorganização FGV DIREITO RIO 113 . motivo pelo qual devem ser adotadas medidas protetivas contra a sua revelação” (32) Em uma “due diligence” de propriedade intelectual. especialmente nas empresas que lidam com desenvolvimento de tecnologia.CONTRATOs Em EsPÉCIE Music. e este risco deve ser bem avaliado (31). Existe sempre um risco de contaminação tecnológica que nem todos preferem correr e que. O relatório pode também enfatizar se vale ou não a pena buscar uma proteção mais segura para esta tecnologia (por meio do seu patenteamento. Porém. um valioso investimento para qualquer empresa (28). métodos. passíveis ou não de proteção por meio de direitos de propriedade intelectual. tratar-se-á de um elemento incorpóreo sigiloso suscetível de aplicação prática que confere uma vantagem competitiva a seu detentor enquanto de conhecimento restrito. listas e informações de clientes. como advogados. listar todos os textos e obras de natureza intelectual que esteja autorizada a utilizar em vista das circunstâncias específicas de seu negócio. em vista de quaisquer riscos de vazamento da informação. é quase impossível que a empresa-alvo consiga. Mas autores como SILVEIRA o especificam com precisão: “O segredo de negócio consiste em conhecimentos técnicos. custos. O ideal é verificar. sobre os direitos de edição do repertório do grupo The Beatles (que dispensa qualquer apresentação). para uma “due diligence”. o relatório deve indicar se a empresa-alvo tem como prática identificar devidamente os autores de obras intelectuais (e se guarda em seus arquivos estas informações). Daí a importância da abordagem especializada de questões autorais em “due diligence” de propriedade intelectual.

quer como licenciado ou licenciante. cláusulas de exclusividade e direitos de preferência até mesmo opções de renegociação ou rescisão do contrato. o trabalho do profissional de “due diligence” acaba ensejando a leitura de inúmeros contratos preparados por outros advogados. que nenhuma das partes está em flagrante violação dos termos e condições de cada um dos mesmos. o licenciante garantiu contratualmente desde a atualização da tecnologia licenciada até que o fornecimento da mesma não será encerrado caso a empresa-alvo sofra alguma reorganização societária. em circunstâncias totalmente diferentes das que norteiam a análise encomendada. Em alguns casos. depositados ou concedidos no Brasil.131/1962. por intermédio do Banco Central. ser crucial para que uma transação não se concretize. Assim. Considerando que os contratos a serem destacados no relatório final serão aqueles mais pertinentes ao negócio da empresa-alvo. e alguns dos contratos que geralmente são examinados incluem: – Todos os acordos de licenciamento de marcas. por exemplo. é necessária atenção redobrada ao interpretar cláusulas duvidosas e ambíguas de contratos cujo objeto é vital para o negócio da empresa-alvo (33). nomes comerciais e/ou obras intelectuais de natureza autoral em que a empresa-alvo tenha participado. com atenção aos casos nos quais a empresa-alvo esteja obtendo licenças cujo objeto é essencial para a continuidade de seu negócio. quando envolvem o licenciamento de ativos intelectuais do exterior e prevêem o pagamento de royalties. se tal averbação não ocorreu. demandas que precisam ser atendidas mesmo em caso de transferência de controle acionário. em alguns casos. e se é necessária aprovação da outra parte para que isto ocorra. nos quais a empresa-alvo seja a licenciadora. Lembrando que nem todos os contratos que envolvem a exploração de ativos intelectuais precisam de averbação. patentes. é sempre importante lembrar que o objetivo de uma “due diligence” não deve ser avaliar a qualidade técnica das cláusulas de cada acordo ou criticar o trabalho de algum colega. (35) mas. – Acordos que envolvam transferência de tecnologia. é imperativo examinar se a remessa das respectivas divisas está sendo realizada de modo legítimo. Contratos de maior importância contêm. e nos termos da Lei nº 4. tais como: – Confirmar se todos os acordos examinados permanecem em vigor e. é necessário identificar qualquer contrato que gere perdas significativas. – Verificar se as obrigações de ambas as partes podem ser transferidas para outra empresa ou serem sublicenciadas. – Identificar riscos negociais. No curso da revisão de todos estes acordos. É claro que a profundidade da análise dos contratos que envolvem bens intelectuais depende do interesse da encomendante e. – Contratos que envolvam transferência de tecnologia. Tendo em vista que a negociação de cada contrato analisado certamente teve suas particularidades. nos quais a empresa-alvo seja a licenciada. mas sim verificar e destacar as disposições contratuais que possam afetar a transação.CONTRATOs Em EsPÉCIE societária da empresa-alvo. com especial atenção aos casos nos quais esteja licenciando tecnologias que também utiliza em seus produtos ou serviços para empresas que atuam no mesmo mercado. é preciso investigar se. da boa vontade da empresa-alvo em ceder tais documentos. por exemplo. nos contratos com fornecedores de tecnologia. desde compromissos mínimos de produção. Também entendemos ser necessário identificar quais destes contratos necessitam de averbação junto ao INPI e. muito freqüentemente. ou cujas obrigações não estejam sendo cumpridas pela empresa-alvo. – Contratos que objetivam a aquisição de conhecimentos e de técnicas não amparadas por direitos de propriedade industrial. Em outros. pode deixá-la em situação desfavorável e. se possível. muitas vezes. com especial atenção a quaisquer limitações de responsabilidade ou garantias excessivas estabelecidas contratualmente. FGV DIREITO RIO 114 . indicar se os procedimentos necessários para fazê-lo ainda podem ser devidamente efetuados pela empresa-alvo (34). um tópico específico de qualquer “due diligence” de propriedade intelectual deve abordar este tema.

Conclusão No mercado de fusões e aquisições. provavelmente pode indicar algum procedimento de risco adotado pela mesma e. Porém. mas também buscar soluções que evitem ou minimizem quaisquer riscos para o ativo intelectual da empresa. antes de se fechar qualquer negócio. nos grandes escritórios de advocacia empresarial. com o objetivo de demonstrar à empresa interessada quais as contingências legais existentes e avaliar os riscos da transação. conseguiu que sua criação se tornasse o padrão do mercado de aparelhos de videocassete. Convêm lembrar que a ocorrência reiterada de processos semelhantes envolvendo a empresa-alvo. Debaixo dos caracóis dos cabelos das “due diligences”. Vi. pode valorizar em muito o trabalho dos profissionais de propriedade intelectual no meio empresarial. é o método mais eficiente não somente para identificar contingências. para alcançar este objetivo. fusão ou incorporação. notas 1.CONTRATOs Em EsPÉCIE IV-f ) Analisando pendências judiciais de propriedade industrial Um outro assunto que pode ser abordado é a situação das pendências judiciais envolvendo marcas. a Sony Corporation se recusou a licenciar para terceiros as patentes para a fabricação de aparelhos de videocassete com o sistema Betamax. isto não é diferente. 3. não apenas desenvolveram o embrião do computador de hoje como auxiliaram em estudos que levariam a nossa concepção atual de internet e a interligação de computadores por rede. Ao mesmo tempo a Japan Victor Company – JVC licenciava gratuitamente a tecnologia para o sistema VHS e. identificando o tipo de ação. Numa “due diligence” jurídica mais ampla. ou mesmo avaliar como está sendo feito o gerenciamento de sua propriedade intelectual. A prática internacional tem demonstrado que adotar uma metodologia para a pesquisa e análise dos ativos intelectuais de uma empresa. é sempre recomendável uma profunda investigação em todos os aspectos jurídicos de uma companhia objeto de qualquer modalidade de aquisição. é necessária uma conscientização. 4. mas merece nossa ressalva. Cujo sistema operacional gráfico era altamente inovador e eficiente se comparado à concorrência da época. Mostramos que a metodologia das “due diligences” jurídicas é uma ferramenta que. Em situação semelhante que não foi listada no artigo ora citado. com esta tática. May 2001. bem como informações prestadas por seus próprios advogados a respeito de litígios nos quais a empresa participa e emitidas por todos os distribuidores que a jurisdicionam. mas também é necessário que. E na propriedade intelectual. mostrando as ações judiciais nas quais a empresa-alvo está envolvida. por isso mesmo. mas também um caminho quase inexplorado no estudo do planejamento e gerenciamento de propriedade intelectual. 2. As fontes principais para a coleta destes dados são as certidões forenses e de protestos emitidas em nome do negócio (e de suas filiais). passível de uma revisão ainda mais detalhada. dita verificação seria provavelmente feita pelos advogados que analisam os aspectos do contencioso da empresa-alvo. Eles avaliariam de forma genérica cada litígio. ou PARC. Não seria tolice afirmar que os pesquisadores do Palo Alto Research Center. MBA Jungle. o MS-DOS. o foro competente. nosso estudo encontrou não apenas os subsídios que confirmam uma nova realidade da propriedade intelectual nas fusões e aquisições. como autora ou ré. patentes e quaisquer outros ativos de propriedade intelectual da empresa-alvo. The 25 Dumbest Business Decisions of All Time. FGV DIREITO RIO 115 . Uma “due diligence” bem feita proporciona ao encomendante um valioso panorama de todos os aspectos legais da empresa-alvo. se bem adaptada. Os dados coletados por meio deste exame podem ser úteis até para fixar o valor patrimonial de marcas e patentes de uma empresa. citado acima. a área atue em harmonia com outros setores. sua situação atual e se existe risco de pagamento de indenização pela empresa-alvo.

é preciso lembrar que o relacionamento entre a empresa-alvo. voltados para administradores.CONTRATOs Em EsPÉCIE 5. 15.inpi. The Art of M&A Due Diligence. Diane. Afinal o que é o due diligence? Disclosure Das Transações Financeiras . Dentre os livros importantes sobre o assunto. Para assegurar o acesso de todos os interessados a um mesmo volume de informações. disponível em http://www. cautela). Como reduzir os riscos de uma aquisição. no que diz respeito à situação legal do negócio. www.” 14. Juntamente com as cláusulas contratuais que disciplinam as indenizações a serem efetuadas por uma parte à outra (por passivos ocultos. corrigindo-se assertivas incorretas. 9. 2000.. Patrick. as declarações e garantias podem ser vistas como um retrato do negócio a ser concretizado.pt/main_4.como se costumou traduzir estas expressões. em português) e diligence (diligência. que incluem garantias como a de que as partes comprometem-se a não aceitar nenhuma outra oferta. Profiting from Intellectual Capital. uma sala contendo todos os dados que se quer mostrar aos possíveis adquirentes. e muitas vezes apresentavam documentação falsa ou incorreta. Após a fase de discussões e negociações preliminares. define bem o papel dos “representations and warranties” : “Na área jurídica. 15. 7. Algumas destas regras surgiram para por ordem em uma situação que se tornou comum nos tempos da depressão norte-americana e da quebra da Bolsa de Nova Iorque: Como lembra SAVAGE. after reasonable investigation.htm (visitado em 01 de abril de 2002). em vista da perda de um documento importante. em especial se ambas são competidoras. na sua própria situação. o Autor e todos os advogados que estavam no data room passaram pelo constrangimento de serem colocados em cárcere privado e brutalmente revistados por seguranças de uma empresa. 10. Intellectual Property Due Diligence In Acquisitions of Technology Companies.Graw Hill. 12. 8.br – A sigla INPI significa Instituto Nacional da Propriedade Industrial. LAJOUX.Outubro 2001. bem como a definição das conseqüências que decorrerão dos resultados que vierem a ser apurados. John Wiley & Sons. 1a. Alexandra & ELSON. uma das finalidades das informações obtidas no due diligence na área jurídica é revisar as representations and warranlies. para prepararem suas respectivas propostas de preço. MORI. por exemplo). que solicitaram até mesmo que alguns advogados FGV DIREITO RIO 116 . op. dentro do processo de venda de uma empresa. 1998. seja ela de compra ou de venda. Nossa conclusão parte da tradução simples das palavras da língua inglesa due (devida. Assim. o comprador e os advogados que realizam o serviço deve ser cercado de todo cuidado ético e profissional.gov. Mc. José Maria. Assim. antes do início de qualquer “due diligence”.com (visitado em 18 de novembro de 2001). ed. 6. penhora de bens ou outras obrigações. disponibilizado em www. em se tratando de propriedade intelectual merecem destaque. A confidencialidade destes “data rooms” é. fusão ou financiamento de uma empresa através de uma Due Diligence. e no que mais for pertinente à transação que pretendem fechar. sempre que o due diligence for provocado por uma transação entre partes não-relacionadas (aquisição ou joint aventure por exemplo). ou seja. Certa vez. 13. Consiste nas afirmações expressas em contrato pelas partes. estas geralmente prestam o que se costuma chamar de representations and warranlies ou declarações e garantias . 11. MORI. por vezes. não é recomendável ir adiante sem que esta questão esteja devidamente acordada entre as partes. Alberto. Por isso. A celebração de extensos acordos de confidencialidade na fase das “Engagement Letter” ou “Representations and warranties”. é um exemplo destes cuidados que. reasonable ground to believe and did believe” that the offering materials were accurate and were free of material omissions” em SAVAGE. Ed. Charles. CORRÊA DE SAMPAIO. destacamos: SULLIVAN. empresários espertalhões deliberadamente não informavam os possíveis compradores sobre a existência de dívidas. Deste modo.fenwick. A execução de um acordo de confidencialidade específico é também um dos primeiros passos que pode ser tomado no início de qualquer procedimento de “due diligence”. passou a constar na Section 11(b)(3) do Securities Act de 1933 “participants had.pacsa.cit. a empresa-alvo pode abrir um “data room”. Deste princípio resulta que é às partes que cabe acordar os termos em que a due diligence será desenvolvida. e motivo de situações inusitadas. todo comprador sempre corria o risco de adquirir “gato por lebre”.

lembre-se que as contingências descobertas pelo encomendante no decorrer do procedimento nem sempre poderão ser utilizadas como justificativa para a recusa ou cancelamento do negócio. any issues of validity which have arisen. 2001. 2000. or before allowing a detailed due diligence investigation to begin. Alguns aspectos importantes na elaboração de um relatório final são também abordados por DAHL : “The due diligence report summarizes the findings regarding the intellectual property rights. dispensar a análise de determinadas áreas por achá-las irrelevantes. Se a conclusão da “due diligence” não for uma condição para o fechamento do negócio. Conversely. é FGV DIREITO RIO 117 . Corporate Law and Practice Course Handbook Series. O site do INPI é a principal fonte para consultas sobre a situação de marcas e patentes no Brasil. many attorneys believe that a letter of intent is generally more advantageous to a buyer than a seller. a deal’s momentum. Maryann A. Practising Law Institute. many buyers and sellers prefer a letter of intent as a method of “testing the waters” for the likelihood that a definitive agreement can be reached. Waryjas.” DAHL. Nevertheless. não é uma base de dados totalmente atualizada e 100% confiável. certain problems may never be discovered during due diligence and can only be addressed through adequate representations and warranties (e.. Por razões éticas. 17. ownership. 18.às vezes puramente subjetivos. The report allows the best-quality information to be factored-in and if necessary enables the acquirer to use a discount rate reflecting the risk. e suas vantagens sobre a Engagement Letter. merece destaque o comentário de WARVIAS: “The main advantages of a letter or intent are that (i) issues that could be “deal breakers” can be identified early in the negotiation process before substantial expenses are incurred in a due diligence review and the drafting of a definitive agreement. and (ii) resolution of the principal terms of the transaction at an early stage can make the negotiation of the definitive agreement more focused and straightforward. In some situations.g. the scope of protection. ou nos dados obtidos em bases públicas de dados. LETTERS OF INTENT IN THE ACQUISITION OR SALE OF THE PRIVATELY HELD COMPANY. For example. Gesmer & Updegrove. Christopher T “Intellectual Property Due Diligences”. trademarks. or even halt. or copyrights in the field and recommend what action needs to be taken -. and any other questions regarding litigation or prior art. a não ser caso esta contingência tenha sido prevista nas Declarações de Intenção. the costs of preparing. A letter of intent may burden the parties’ negotiations with too may difficult issues too early in the process and may impair. o que nos leva a crer que as buscas eletrônicas no Brasil são limitadas e não devem ser utilizadas em substituição da inspeção física dos documentos de patentes.CONTRATOs Em EsPÉCIE tirassem a roupa e se perfilassem contra a parede. before proceeding with the time commitments and costs of negotiating a definitive agreement. Soube-se depois que o documento havia sido roubado por um estagiário de um escritório de advocacia. é importante lembrar que o trabalho do profissional do Direito numa “due diligence” deve estar focalizado na coleta das informações fornecidas pela empresa que está sendo analisada. LLP. 19. Apesar de ser sempre recomendável efetuar uma “due diligence completa” dos aspectos de propriedade intelectual. The report will also (normally in a separate section) identify significant other patents. 21. Lucash. marcas e afins. Tal decisão. a claim of patent infringement that is brought six months after the closing)”. negotiating and revising a letter of intent can be substantial in comparison to the size of the deal and the overall transaction costs. too: if significant issues are omitted through counsel’s negligence. Porém. attorneys may often disagree regarding the desirability of a letter of intent in a particular situation. lembramos que a própria parte interessada pode. For many acquiring companies. While letters of intent are relatively common. And it can be important for the adviser. a court may find that provisions of a letter of intent that one of the parties considered to be non-binding are binding. In the case of a smaller deal. 16. Sobre o uso da carta de intenções na fase iniciai de uma due diligence.in terms of re-negotiating the deal. it can be the crucial document determining whether the deal goes ahead -. com base nos mais diversos critérios . muitas vezes.and at what price. September 2001. Pedidos de registro recém depositados geralmente não estão incluídos nesta base de dados. 20. the firm could face a malpractice suit. applications. agreeing to a license with a third party or threatening litigation.

CONTRATOs Em EsPÉCIE claro. Âmbito de proteção à marca registrada. 31. em vigor por força da Lei nº 9. Conselho Federal de Engenharia. no mesmo prazo.o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos consecutivos.processo ou produto obtido diretamente por processo patenteado. Tendo em vista que este artigo é voltado eminentemente para os profissionais que atuam na propriedade intelectual. A batalha judicial entre a Sony Music e o pop star Michael Jackson envolve a retenção de 50% dos direitos de exploração das musicas dos Beatles. 29. Rio de Janeiro: Forense. Rio de Janeiro: Lumen Juris. o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou a Cia Cervejaria Brahma a pagar vultuosa indenização aos herdeiros do criador de seu logotipo. 1984 PONTES DE MIRANDA. Na época. a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original. PARENTE & SORENSEN GARCIA. op. A previsão de pagamento das anuidades pelo depositante do pedido ou o titular da patente estão previstas pelo Art. bem como reconhecer os direitos morais FGV DIREITO RIO 118 . Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (obras de desenho. Art. Rio de Janeiro: Forense. 25. O Brasil adota sistema baseado no “Droit d’auteur”. e cabe ao advogado apenas alertar no relatório que a “due diligence” só abordou alguns assuntos. recomendamos MARTINS. que prevê a existência e o reconhecimento dos direitos morais do autor. 1946. O catálogo dos Beatles é avaliado em US$ 598 milhões. DI BLASI.” 24.Caducará o registro. Existem vários critérios e metodologias para medir o valor econômico-financeiro e o valor intangível de uma marca. Arquitetura e Agronomia (projetos. cabendo-lhe o ônus de provar o uso da marca ou justificar seu desuso por razões legítimas. Tratado de Direito Privado. tal como constante do certificado de registro. 27. nº 3118/1992. de produzir.” 26. conforme instruções da encomendante.610/1998: São incumbidos para procederem ao registro das obras intelectuais os seguintes órgãos ainda existentes: Fundação Biblioteca Nacional (obras literárias em geral). fotográficas). 84 da mesma Lei nº 9. 4ª ed. Renovar. Propriedade Industrial. a partir do início do terceiro ano da data do depósito da patente. dentre outros. com ou sem letras). Parágrafo 2º . No Brasil. DOMINGUEZ. dentre outros. 40 da Lei nº 9279/1996. O cantor comprou os direitos em 1985 e vendeu 50% a gravadora por US$ 100 milhões. deve ser respeitada. L. Tratado Da Propriedade Industrial. Rio de Janeiro: Forense. Alguns livros que podem proporcionar uma visão mais detalhada sobre estes assuntos. M.Não ocorrerá caducidade se o titular justificar o desuso da marca por razões legítimas. v. 1983. 42 da Lei nº 9. ou II . Parágrafo 1º . a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse se. vender ou importar com estes propósitos: I . II .279. Direito Autoral. 2º. A gravadora quer se responsabilizar pelo pagamento do empréstimo e pretende que Jackson transfira sua parte dos direitos. sem o seu consentimento. Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (composições musicais. conferido pelo Art. observado o disposto nesta Lei.279/1996: “A patente confere ao seu titular o direito de impedir terceiro. incluem: CERQUEIRA.” 30. que demanda o pagamento de retribuição anual. decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão. Na AP. o registro das obras intelectuais é regulamentado pelo artigo 17. Sobre o assunto ver ASCENSAO. na data do requerimento: I . não iremos detalhar aspectos gerais do direito patentário. 17. 2000. Douglas Gabriel.143 da Lei nº 9279/1996 prevê as hipóteses em que pode ocorrer a caducidade de um registro de marca: “Art. usar. 22.o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil. 143 . esboços e obras plásticas concernentes à engenharia e arquitetura) Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI (programas de computador). José O. Cit. ou se. João de Gama. A Propriedade Industrial. O prazo de validade de uma patente é de 20 anos da data do depósito. OLIVEIRA.988/1973. Lei nº 9609/1998: “Art. 23. parágrafos 1º e 2º da Lei nº 5. Civ. 1997. 1998. O regime de proteção à propriedade intelectual de programa de computador é o conferido às obras literárias pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no País. São Paulo: Revista dos Tribunais.produto objeto de patente.O titular será intimado para se manifestar no prazo de 60 (sessenta) dias. Ed. O Art. pediu que a Sony fosse avalista de um empréstimo de US$ 200 milhões que levantou dando como garantia os 50% restantes.. prazos legais que envolvem o registro de marca. Sobre o assunto. Marcas e expressões de propaganda. colocar à venda. 28.

br. ed. Afinal. 211. “Direito Autoral”.rt (visitado em 01 de maio de 2002). autores da letra de “Stairway to Heaven”. Homologação e certificação de qualidade de produtos brasileiros. tais como: Legitimar remessas de divisas ao exterior. 3a. Aquisição de cópia única de software.CONTRATOs Em EsPÉCIE de sua criação. Licença de uso de software sem o fornecimento de documentação completa. nos termos do Art. conforme Art. como pagamento pela tecnologia negociada – dedutibilidade fiscal para a empresa receptora da tecnologia pelos pagamentos contratuais efetuados – para produzir efeitos em relação a terceiros. Serviços de “marketing. p. Ed.. Distribuição de software. FGV DIREITO RIO 119 . 11. por meio de “help-desk”. Serviços realizados no exterior sem a presença de técnicos da empresa brasileira e.br/pjs. SILVEIRA. visando a exportação Consultoria na área financeira. Prestação de Serviços de Assistência Técnica e Científica. João Marcos. tarefas administrativas relacionadas à liberação alfandegária etc. Fornecimento de Tecnologia. que não gerem quaisquer documentos e/ou relatórios. prestados. Franquia. Os requisitos e procedimentos para a averbação podem ser encontrados em www. incluindo serviços de logística (suporte ao embarque.” (grifos nossos) 34. 35. Contratos que objetivam a Exploração de Patentes: o Uso de Marcas. Serviços de manutenção de software sem a vinda de técnicos ao Brasil.141.adv. Esplanada. Alguns contratos são dispensados de averbação por caracterizarem transferência de tecnologia. Rosiane (org.inpi. da Lei no 9279/1996: Agenciamento de compras.silveiraadvogados. O contrato deve ser avaliado e averbado pelo INPI para que gere determinados efeitos econômicos no território nacional.gov.). parafraseando Robert Page e Jimmy Plant. econômica jurídica e comercial. O inteiro teor de referida decisão pode ser encontrado em DA VEIGA. 33. 2000. 32. “A Proteção Jurídica dos Segredos Industriais e de Negócio”. A importância de uma análise jurídica destes contratos não pode ser deixada de lado. por exemplo. em especial o código-fonte comentado. imortalizada pelo conjunto Led Zeppelin: “There’s a sign on the wall but she wants to be sure And you know sometimes words have two meanings. da Lei no 9609/1998.) Beneficiamento de produtos. disponível em http://www.

Quais foram? FGV DIREITO RIO 120 .17. biblioGrafia CoMPleMentar GLITZ. Classificação – Seguro. Acesso em: 06 ago. eMentário de teMas Introdução.17. Direito Civil. 1. AulAS 18 E 19: JOgO E APOSTA. havia jogado pôquer na casa de um conhecido e que perdeu naquela noite aproximadamente um milhão de reais. RODRIGUES.1. nº 59. Obrigações do Segurado. SEguRO. Silvio de Salvo. mas eles podem ser considerados como contrato? O novo Código Civil trouxe duas alterações significativas na disciplina do jogo e da aposta. Jus Navigandi.2. 1. 1. São Paulo: Ed. 483 a 490. Caio Mário da Silva. 2002.17. Para piorar a situação. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. págs.asp?id=3261>. PEREIRA.406/2002. Disponível em: <http://jus2. ano 6. Arts. biblioGrafia obriGatória Arts. 2005 . III.uol. Por isso não foi surpresa quando este nos procurou para contar que.Contratos. vol. roteiro de aula a) introdução O jogo e a aposta estão dispostos entre as várias espécies de contratos previstos na Lei n° 10. 814 a 817 da Lei nº 10. Direito Civil: Contratos em Espécie. Frederico Eduardo Zenedin.5. 3. VENOSA. 757 a 802 da Lei nº 10.br/doutrina/texto. págs. Espécies de Jogo e Efeitos. 1. Ele disse que pagou a dívida.3.vol. Obrigações do Segurador. ele quer pedir seu dinheiro de volta. ouvimos boatos de que Jeremias era um inveterado jogador. págs. 2002. 2006 (em anexo). São Paulo: Ed. A seguradora não está querendo pagar a indenização alegando que Jeremias não efetuou o pagamento das três últimas parcelas do prêmio.17. Silvio. 2005. Jeremias diz que saiu do jogo um tanto atordoado por ter perdido aquela boa quantia em dinheiro e acabou batendo com o carro e dando perda total. Introdução – Seguro. Instituições de Direito Civil . vol 3. mas que depois conversando com um amigo ficou sabendo que dívida de jogo é inexigível.17. Teresina. Contornos atuais do contrato de seguro. out. 1. na semana passada. Como você aconselha Jeremias? E se Jeremias lhe contasse que descobriu que o jogo foi roubado? Jeremias pergunta se o mútuo que ele havia tomado na véspera para jogar também seria inexigível e se ele poderia deixar de pagar ao mutuante.406/2002.17.com.406/2002. Caso Gerador Durante a diligência. Atlas. Elementos do Contrato de Seguro. 329 a 348. Sendo assim.4.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Saraiva. 369 a 407. Rio de Janeiro: Forense.

CONTRATOs Em EsPÉCIE

b) espécies de jogos e efeitos Proibidos – São os jogos de azar31, como a roleta, o bicho, aposta sobre corrida de cavalos fora de hipódromos, briga de galo. Tendo em vista que são ilícitos não geram direitos e sujeitam o infrator a punição. Tolerados – São aqueles que o resultado não depende preponderantemente da sorte, como o truco, a canastra, o pôquer. Embora não sejam contravenções penais, não são protegidos pela lei uma vez que não há interesse social em proteger relações que não passam de “divertimento sem utilidade”32, exceto se forem eivados de vícios, como dolo, que mereçam repressão. Autorizados – São aqueles que trazem algum benefício à Sociedade, seja por estimularem o espírito esportista (competições esportivas) ou atividades econômicas (turfe), seja por gerarem outra fonte de renda ao Estado (loterias). Nesse caso, as obrigações oriundas de jogo ou aposta são exigíveis. Apenas os jogos e apostas autorizados perdem o caráter ilícito e dão causa à exigibilidade da prestação. C) seguro – introdução O seguro é regulado pela Lei n° 10.406/2002 e por diversas leis esparsas, que regulam minuciosamente os tipos de seguro. Em nossas aulas daremos ênfase às regras previstas no novo Código Civil. d) Classificação – seguro O contrato de seguro é: – Bilateral – gera obrigações para ambas as partes. – Oneroso – requer desembolso patrimonial para segurado e para o segurador. – De adesão – ao segurado não é dada opção de alterar as cláusulas do contrato. O segurado pode aceitar ou não as cláusulas impostas na apólice de seguro. Aplicam-se, dessa forma, as regras previstas nos artigos 423 e 424 da Lei n° 10.406/2002, que protegem os aderentes. e) elementos do Contrato de seguro Os elementos do contrato de seguro são: – Segurador – Somente pode ser segurador entidade legalmente autorizada para esse fim. O Decreto-Lei nº 2.063/1940 estabelece algumas exigências para que a entidade possa atuar como seguradora. Exemplo: capital mínimo, nacionalidade dos sócios, autorização governamental. – Segurado – É o contratante. Ele paga o prêmio ao segurador para transferir a este o risco. – Risco – O objeto do contrato de seguro é o risco. Dessa forma, a Lei n° 10.406/2002 prevê uma multa (dobro do prêmio recebido) a ser paga pelo segurador que expedir apólice de seguro mesmo sabendo que não é possível o risco que se pretende cobrir. O objetivo do legislador é tentar coibir essa prática. Afinal, se não há risco, não há contrato de seguro. Nos seguros privados, é possível estipular a espécie ou combinação de espécies de seguro.

Definição de jogo de azar está no artigo 50, parágrafo 3° da Lei de Contravenções Penais: “O jogo em que o ganho e a perda dependem exclusiva ou principalmente da sorte”.
31

PEREIRA, Caio mário da silva. Instituições de Direito Civil - Contratos. Rio de Janeiro: Forense, 2005 - vol. III, pág. 488.
32

FGV DIREITO RIO

121

CONTRATOs Em EsPÉCIE

– Prêmio – É a prestação devida pelo segurado ao segurador para que este assuma os riscos do segurado e pague indenização em caso de sinistro. – Apólice – Assim como o instrumento do mandato é a procuração, o instrumento do seguro é a apólice. A apólice deve conter os requisitos previstos no art. 760 da Lei n° 10.406/2002, tais como os riscos cobertos e o prêmio devido. As apólices podem ser nominativas, à ordem ou ao portador. A lei veda que a apólice de seguro de pessoas seja ao portador. f) obrigações do segurado O segurado tem obrigação de: – veracidade – A declaração falsa ou omissão de informações pode levar o segurador a fixar prêmio diverso do que fixaria ou até mesmo a aceitar seguro que normalmente não aceitaria se tivesse acesso a todas as informações. – pagar o prêmio. – não agravar os riscos do contrato – se o segurado passa a se comportar de forma diferente da que vinha se comportando, que resulte em um aumento de seus riscos, ele está, de certa forma, alterando unilateralmente o contrato, pois estará sujeitando o segurador a riscos distintos dos previstos no momento da celebração do contrato. – comunicar ao segurador qualquer fato que possa aumentar o risco do bem sob pena de perder o direito à garantia (art. 769 da Lei n° 10.406/2002). Analisando os contratos de seguro contra danos do supermercado, notamos que cada um dos estabelecimentos onde o supermercado funciona, foi segurado por duas seguradoras diferentes. Ao ser perguntada sobre esse fato, a senhora Maria Lúcia nos explica que seu pai estava tão preocupado em evitar prejuízos decorrentes de eventual sinistro, que resolveu segurar duplamente os estabelecimentos. Você vê algum problema nessa situação? G) obrigações do segurador A principal obrigação do segurador é pagar ao segurado os prejuízos decorrentes de sinistro sobre o bem segurado.

Contornos atuais do contrato de seguro frederico eduardo Zenedin Glitz As inovações em matéria securitária sempre são questões candentes. A reconhecida complexidade do tema é elemento que acentua, ainda mais, a importância da análise do tratamento jurisprudencial e doutrinário dispensado ao assunto. Os recentes pronunciamentos dos Tribunais Superiores demonstram cada vez mais a preocupação em se “socializar” o contrato de seguro e atribuir-lhe uma função social. Também contribuirá para essa “nova” adequação do instituto, a recente aprovação do novo Código Civil (Lei 10.406/2002). Esta posição, aliás, está consignada expressamente na exposição de motivos, quando se deixa clara a intenção de preservar o segurado, sem com isso abrir mão da segurança e certeza jurídicas essenciais ao contrato de seguro. O novo Código incorpora a idéia de cláusulas gerais que introduzem princípios orientadores de condutas, abandonando a pretensão de total regulamentação e oportunizando maior liberdade ao intérprete da lei..
FGV DIREITO RIO 122

CONTRATOs Em EsPÉCIE

O novo Código Civil traz, ainda, outras inovações em matéria securitária. O legislador previu, por exemplo, a possibilidade de prova da relação contratual por meio de apólice, do bilhete de seguro ou, ainda, por “outro documento” na falta de algum desses (art. 758). No que tange aos riscos, o novo Código Civil estabelece que a agravação do risco por ato intencional do segurado implica na perda da garantia (art. 768). Entretanto se essa agravação se der por fato alheio a sua vontade, o segurado possui prazo para comunicar o evento a seguradora, sob pena de perda da garantia (art. 769). Possibilita-se, então, a readequação dos negócios às novas circunstâncias, mantendo-se o equilíbrio do contrato. Caso haja diminuição considerável do risco, assegura-se ao segurado o direito de revisão do prêmio ou a resolução do contrato (art. 770). Essas inovações refletem uma preocupação do legislador na manutenção do equilíbrio contratual. Pode-se afirmar, aliás, que esta é uma tendência geral no novo Código Civil, principalmente com a positivação dos institutos da lesão (art. 157), do estado de perigo (art. 156) e da revisão do contrato por excessiva onerosidade (art. 478). A jurisprudência também vem reconhecendo a necessidade de manutenção base econômica do contrato. Recentemente, no entanto, o Superior Tribunal de Justiça entendeu que a seguradora deve indenizar o segurado ainda que parte do prêmio não tenha sido pago (1), uma vez que a cláusula de cancelamento automático da apólice é nula em face do Código de Defesa do Consumidor, isso porque a resolução do contrato deveria ser requerida previamente em Juízo. Tal entendimento baseou-se no argumento de que a rescisão unilateral criaria uma excessiva desvantagem ao segurado, ou seja, o equilíbrio contratual estaria quebrado. Essa posição, aliás, inova em relação a tradicional jurisprudência e o disposto no art. 763 do novo Código Civil, que reafirmam a regra de que não há direito a indenização se o segurado estiver em mora no pagamento do prêmio. Talvez uma boa solução para o dilema seja a permissão a purgação da mora mesmo após o sinistro quando for o caso de cumprimento substancial do contrato (apesar de o Código expressamente prever que a purgação da mora deve ser anterior ao sinistro). Outro recente posicionamento do Superior Tribunal de Justiça é em relação ao prazo prescricional para o segurado demandar a seguradora. Este, segundo o atual entendimento, só passa a ser contado a partir da recusa formal ao pagamento da indenização (2). Este prazo é mantido pelo novo Código Civil, que estabelece em seu art. 206 que o prazo é contado para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que é citado para responder à ação de indenização proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que a este indeniza, com a anuência do segurador. Para os demais seguros, o prazo corre da ciência do fato gerador da pretensão. O novo Código Civil também incorpora inovações jurisprudenciais, tal como o reconhecimento da possibilidade de denunciação à lide ao segurador pelo segurado. Ou, ainda, a proibição expressa de o segurado reconhecer sua responsabilidade (confessar ou transigir com o terceiro prejudicado) sem a anuência da seguradora (art. 787, §2º). Em se tratando do seguro de responsabilidade civil o novo Código Civil previu, expressamente, a obrigação (normalmente tida como contratual) de que o segurado avise a seguradora do sinistro ocorrido (art. 787, §1º), bem como da ação intentada contra sua pessoa (art. 787, §3º). Prevê também a responsabilidade do segurado frente ao terceiro no caso de insolvência do segurador (art. 787, §4º). Previu a responsabilidade da seguradora, nos seguros de responsabilidade legalmente obrigatórios, de indenizar diretamente ao terceiro prejudicado (art. 788). E, ainda, a necessidade da seguradora promover a citação do segurado para integrar a lide quando demandada em ação direta pela vítima do dano (não podendo, simplesmente, opor a exceção de contrato não cumprido pelo segurado - art. 784, § único). Mas talvez a inovação que crie mais impacto nesta carteira ainda incipiente no Brasil, é a alteração do prazo prescricional para a ação indenizatória. O prazo anteriormente de 20 (vinte) anos foi reduzido para 03
FGV DIREITO RIO 123

art. Todas essas inovações legislativas e jurisprudenciais pretendem solucionar dilemas constantes enfrentados pelos operadores jurídicos que atuam no setor. A começar pela própria técnica superada das grandes codificações. I). contado da data em que se conhece o dano (e não de sua ocorrência .” 3. p. vez que quanto maior o prazo maior o risco. mas. e quanto maior o risco mais caro é o seguro. pelo menos.CONTRATOs Em EsPÉCIE (três) (art.art.386. Tal modificação poderá representar uma redução significativa do valor do prêmio. II). 206. impondo o respeito a sua função social e a obediência aos princípios da boa-fé. §1º. DJ 04/02/2002. lealdade e equilíbrio contratual. notas 1. V). Recurso Especial 323416/RO. FGV DIREITO RIO 124 . reflete uma nova visão acerca do contrato. Neste sentido. 206. moralidade. 202. O novo Código Civil entrará em vigor apenas em 2003. QUARTA TURMA do STJ 2. Recurso Especial 132357 /RJ e Recurso Especial 236034/ RJ. bem como o enunciado da Súmula 229/STJ: “O pedido do pagamento de indenização à seguradora suspende o prazo de prescrição até que o segurado tenha ciência da decisão. Recurso Especial 323186/SP (2001/0053944-4). Relator Min BARROS MONTEIRO. §3º. Sendo que a interrupção da prescrição passa a se dar com o despacho do juiz determinando a citação (mesmo que incompetente . pode não engendrar grandes alterações paradigmáticas (e por certo possui muitas imperfeições (3)).

A fiança pode ser: – convencional – resulta da vontade das partes. 1. na hipoteca e no penhor. Ele descobriu que seu cunhado ficou desempregado e deixou de pagar algumas parcelas do empréstimo. vol 3.3. descobriu. biblioGrafia CoMPleMentar PEREIRA.2. AulAS 20 E 21: fIANçA. 10. 33 FGV DIREITO RIO 125 . Instituições de Direito Civil . a garantia pessoal é aquela dada por um terceiro. Garantia real é aquela que recai sobre um bem. móvel ou imóvel. BiBliografia oBrigatória Arts. III. Como você pode orientá-lo? 1.4. eMentário de teMas Introdução. Dicionário Técnico Jurídico. 2001. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.). Deocleciano Torrieri (Org. 818 a 839 da Lei n. que se compromete a cumprir a obrigação. 1.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.406/2002. Efeitos da Fiança. ele nos conta que entrou como fiador em um empréstimo que seu cunhado.18. que servirá como garantia do cumprimento de determinada obrigação. Caio Mário da Silva. Silvio. págs. Ocorre. Olavo.18. conseqüentemente. São Paulo: Rideel. GUIMARÃES. A fiança é garantia pessoal. roteiro de aula a) introdução A fiança é uma espécie de garantia. Para piorar. 1.Contratos.18. 2005 . de responder pelo cumprimento de obrigação se faltar o devedor principal”33. 283 a 305. 2002. Odin Heiro novamente nos procura apreensivo com uma questão pessoal. Saraiva. Luiz Eduardo Alves de. págs. Classificação. conversando com sua irmã. 1.18. Garantia pessoal ou fidejussória “consiste apenas na segurança que. Em outras palavras. Extinção da Fiança.18. individualmente. Rio de Janeiro: Forense. Caso Gerador O Sr. 493 a 504. alguém presta. da fiança. Direito Civil. São Paulo: Ed. A Fiança na Música. que Olavo e o banco recentemente aditaram o contrato para aumentar o valor do empréstimo e.18. caso o devedor não o faça. por exemplo.1. Dessa vez. tomou com o banco. RODRIGUES. SIQUEIRA.5. A garantia pode ser real ou pessoal.vol.

o fiador deverá indicar bens do devedor. Nesses casos. caso a Guloseima Ltda. (ii) se obrigar como principal pagador. localizados no mesmo muncípio e que estejam livres e desembaraçados. Por ser acessória. porém. – Gratuito – Em regra. Na diligência legal. encontramos um contrato de locação. A fiança pode ser contratada no mesmo contrato da obrigação principal ou em contrato em separado. Conforme já havíamos sido informados. os parceiros de pôquer de Jeremias. até a contestação da lide. desconfiando da sua capacidade de pagar. seja primeiramente executado o devedor. Como sempre. que sejam suficientes para pagar a dívida. Jeremias tem o péssimo hábito de jogar pôquer por dinheiro. Jeremias perdeu uma boa quantia em dinheiro e agora Maria Lúcia estava preocupada de ser executada porque assinou um instrumento no qual se dizia fiadora da dívida de Jeremias. ela só gera obrigações do fiador para com o credor.. 829 da Lei n° 10. A fiança a ser analisada nesta aula é a fiança convencional. na qual o banco garante a obrigação em troca de um percentual sobre o montante garantido. qual é a conseqüência de não tê-la? C) efeitos da fiança Podemos notar a existência de duas relações distintas no contrato de fiança: uma entre fiador e credor e outra entre fiador e devedor. não efetue o pagamento em dia.. brasileira. – Benefício da divisão – Havendo mais de um fiador. A lei permite. locação. Notamos que o contrato de locação prevê que a senhora Teresa Assunção. Esse direito pode ter algumas limitações: – Benefício de ordem – O fiador tem o direito ao benefício de ordem. – Solene – A lei impõe forma escrita para a validade da fiança. que cada fiador reserve apenas uma parte da dívida como de sua responsabilidade. Para se valer desse benefício. Se isto ocorrer. objeto do contrato principal. a presunção legal é a de que são solidariamente resfiador. O fiador não tem direito ao benefício de ordem se: (i) renunciar expressamente ao mesmo.406/2002). dona Teresa precisaria de autorização do marido para prestar fiança? Sendo a autorização necessária. É possível. assina o contrato na qualidade de fiadora. Maria Lúcia nos contou que estava aborrecida porque na semana passada. mas sem perder seu caráter acessório. Há algum problema nesse fato? Mesmo após a promulgação da Constituição Federal. b) Classificação A fiança é contrato: – Acessório – A fiança visa assegurar o cumprimento de outra obrigação. O credor tem o direito de exigir do fiador o pagamento da dívida garantida. que o fiador queira receber remuneração em troca da garantia que oferece. que pode ser um mútuo.CONTRATOs Em EsPÉCIE – legal – resulta de lei – judicial – resulta de imposição do juiz. apenas será reduzido o montante da fiança até o valor da obrigação principal. É o que ocorre na fiança bancária. exigiram um fiador. – Unilateral – Uma vez contratada a fiança. Depois de ser pressionada por Jeremias. FGV DIREITO RIO 126 . Notamos ainda que o contrato não foi assinado pelo marido de dona Teresa. a fiança é onerosa.. Em outras palavras. a fiança não será nula. garantindo o pagamento do aluguel. a fiança é contrato gratuito. ou devedor solidário. ele pode exigir que. Maria Lúcia acabou aceitando ser sua fiadora. ou (iii) o devedor for insolvente ou falido. segundo o qual o Supermercado Pechincha alugava uma parte de um dos supermercados à confeitaria Guloseimas Ltda. que estabeleceu a igualdade jurídica dos cônjuges. porém. a fiança não pode ser mais onerosa que a dívida principal. casada e proprietária da Guloseimas Ltda. ponsáveis pela dívida (art. que é ajustada por meio de contrato.

por evicção. A fiança também é extinta se: – o credor conceder moratória34 ao devedor. Que motivo teria o autor para fazer menção à fiança nesse grande samba? samba do grande Amor Chico Buarque Tinha cá prá mim que agora sim Eu vivia enfim o grande amor.CONTRATOs Em EsPÉCIE A relação entre o fiador e o devedor só passa a existir se o fiador é obrigado a efetuar o pagamento da dívida. (. sarapatel e lua de mel em Salvador. perdas e danos que pagar ao credor e perdas e danos que vier a sofrer em razão da fiança (art. e) a fiança na Música O Direito é incrível mesmo! Podemos encontrá-lo em todos os cantos. implicando assim. ôôôô Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito Exijo respeito.)”. Ainda que o credor venha a perder. se não resultarem apenas de incapacidade pessoal.406/2002). inclusive na música. quando o credor renuncia seu direito à hipoteca ou a direito de retenção. (Dicionário Técnico Jurídico.). mentira Fui muito fiel. Ocorre.. acrescido de juros. por exemplo. Luiz Eduardo Alves de. a fiança pode ser extinta pelo fiador. mentira Eu botava a mão no fogo então Com meu coração de fiador. ôôôô Passava um verão a água e pão Dava o meu quinhão pro grande amor. a fiança não será restaurada. um amador. na perda de direitos que o fiador teria caso efetuasse o pagamento da dívida. 832 e 833 da Lei n° 10. Veja abaixo a letra de “Samba do Grande Amor”. passando. 2001) 34 FGV DIREITO RIO 127 . mentira Me atirei assim de trampolim Fui até o fim.. o bem aceito em pagamento. um contrato intuitu personae. SIQUEIRA. mentira Reservei hotel. sem o consentimento do fiador. d) extinção da fiança Sendo a fiança. Deocleciano Torrieri (Org. GUIMARÃES. comprei anel Botei no papel o grande amor. – o credor aceitar receber em pagamento bem diverso do que foi originalmente ajustado. em regra. que ficará liberado de sua obrigação 60 dias após a notificação ao credor para esse fim. do genial Chico Buarque. ôôôô “moratória – dilação de prazo que se concede ao devedor para pagar a dívida depois de vencida. a ter o direito de exigir do devedor o reembolso do valor por ele. – o credor tornar impossível a sub-rogação nos seus direitos e preferências. São Paulo: Rideel. – o fiador opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as extintivas da obrigafiador ção. assim. a morte do fiador extingue a fiança? Não havendo prazo determinado previsto no contrato. não sou mais um sonhador Chego a mudar de calçada quando aparece uma flor E dou risada do grande amor.

1ª fase) Olavo Bento de souza. do Código Civil. bancário. d. é de se supor que seu afiançado não tenha bens suficiente para responder pela execução. não tendo bens para serem executados. porque sendo ele o executado. Prova: 27º Exame de Ordem . sem terem estabelecido o beneficio de divisão previsto no artigo 829. onde figurava como locatário seu amigo Armando Amaro gomes. Como Pompeu não pagou o débito no vencimento. pois no caso há solidariedade passiva. pois ele não é o devedor principal. pretende Olavo alegar o benefício de ordem. ôôô 1. Sim. Tal alegação é procedente? a. pagou o débito na sua totalidade. casado e com 21 anos de idade.Crasso e Mário se obrigaram solidariamente como fiadores de Pompeu.2ª fase PROVA DISCURSIVA 4 . Sim. Pode Crasso. que não estabeleceu o benefício de divisão com Mário. porque ele se obrigou como principal pagador. mentira Fiz promessa até prá Oxumaré Que subir a pé o redentor.18.Sim.CONTRATOs Em EsPÉCIE Fui rezar na Sé prá São José Que eu levava fé no grande amor.6. que não cumpriu a obrigação de pagar o preço ajustado. Não. executado por Marco Antonio. c. num contrato em que o credor é Marco Antonio. cobrar de Mário metade do que pagou a Marco Antonio? FGV DIREITO RIO 128 . Executado pela dívida de seu afiançado. Crasso. obrigou-se como fiador e principal pagador num contrato de locação. b. questões de ConCurso (Prova: 01º Exame de Ordem .

vol 3. vol 3.19. 1. 2003. A transação é a “composição a que recorrem as partes para evitar os riscos da demanda ou para liquidar pleitos em que se encontram envolvidas. as partes divergiram quanto ao valor a ser pago e aos juros incidentes no período. Disponível em: <http://jus2. Acesso em: 15 ago. Silvio. Tendo em vista que o devedor não vem efetuando os pagamentos pactuados no instrumento de transação. Direito Civil. que estava passando por um período financeiramente delicado. Lidio Francisco.19. RODRIGUES. RODRIGUEs. São Paulo: Ed. 2002. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. receosas de tudo perder ou das delongas da lide. 35 FGV DIREITO RIO 129 . Saraiva. 2006 (em anexo). abr.19. 1.uol. o supermercado quer cobrar o valor do mútuo do fiador. Caso Gerador Embora não fosse de costume.4.19. n. COmPROmISSO. decidem abrir mão. o supermercado e o fornecedor chegaram a um acordo e assinaram um termo de transação. págs. em troca da tranqüilidade que não tem”35. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. 366. Atendendo a algumas críticas doutrinárias. 840 a 853 da Lei n° 10.3. Lei n° 9. o novo Código Civil incluiu a transação no rol dos contratos. São Paulo: Ed. de algumas vantagens potenciais. ano 7. de modo que. com. AulA 22: TRANSAçãO. Jus Navigandi. 2002. reciprocamente.br/doutrina/texto. 365 a 383. biblioGrafia CoMPleMentar BENEDETTI JUNIOR.19.2. Na época do pagamento do mútuo. Compromisso.5.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. biblioGrafia obriGatória Arts. o Supermercado Pechincha emprestou dinheiro a um de seus fornecedores.1.19. 1. pág. Da convenção de arbitragem e seus efeitos. mas sim como um dos modos de extinção das obrigações. roteiro de aula a) transação O Código Civil de 1916 não tratava a transação como contrato. Comente a situação. Após muita discussão.406/2002. 1. Direito Civil.307/1996. 1. eMentário de teMas Transação.asp?id=3951>. Silvio. Teresina. 64. Saraiva.

CONTRATOs Em EsPÉCIE A transação é contrato bilateral e solene. Assim.406/2002. b) Compromisso O compromisso também entrou para o rol dos contratos com a edição da Lei n° 10.406/2002. assinado pelas partes e homologado pelo juiz. 36 FGV DIREITO RIO 130 . A procuração continha poderes específicos para transigir. Você concorda com o legislador que entendeu que o compromisso é um contrato? Assim como na transação. (iii) Assim como os demais contratos. Ora.406/2002). – Objeto da transação – Conforme art. Sendo assim. Vale lembrar que. nula será esta”. após a assinatura do termo de transação. de direito pessoal de família. admite pena convencional36. entre outras.406/2002. o supermercado resolveu assinar um termo de transação com o cliente. quando for admitido em lei. o fato de não prevalecer em relação a um não prejudicará os demais”. a transação que não versar sobre objeto de disputa judicial deve ser feita por escritura pública. Maria Lúcia descobriu que o processo já havia terminado com sentença favorável ao supermercado. o cliente poderia levar mercadorias do supermercado em valor total equivalente a R$ 200. independentes entre si. de acordo com o parágrafo primeiro do artigo 661 da Lei n° 10. apesar de achar que o supermercado sairia vitorioso da disputa judicial. em troca de desistir da ação judicial. segundo o qual. 841 da Lei n° 10. A transação para extinguir processo judicial em curso deve ser feita por escritura pública ou termo assinado nos autos. a transação só pode ter por objeto direitos patrimoniais de caráter privado. nas obrigações que a lei assim o exigir. ambas as partes devem abrir mão de algo para alcançar a segurança desejada. Ocorre que. Elementos da Transação – Divergência entre as partes e a vontade de terminar com ela – as partes podem estar discutindo em juízo ou em vias de fazê-lo. a procuração deve conter poderes especiais e expressos para transigir. a existência do processo em si seria uma propaganda negativa para o supermercado. 848 da Lei n° 10. Não podem ser objeto de compromisso questões de estado. (ii) Interpretação restritiva – A transação não pode ser alterada por analogia ou ser utilizada para casos que não estejam expressamente refletidos no instrumento de transação (art. E agora? – Acordo entre as partes com concessões recíprocas – na transação.00. 408 a 416 da Lei n° 10. “sendo nula qualquer das cláusulas da transação. Notamos que o compromisso foi assinado por um procurador do revendedor e pedimos para analisar o teor da procuração que foi outorgada. 843 da Lei n° 10. ou por instrumento particular. Princípios que decorrem da natureza jurídica da transação: (i) Indivisibilidade – De acordo com o art. Recebemos cópia de um termo de compromisso celebrado entre o supermercado e um revendedor. Maria Lúcia lhe conta que um cliente entrou com um processo contra o Supermercado Pechincha pedindo perdas e danos por ter sido mal atendido no supermercado. A lei abranda essa regra ao dispor no parágrafo único desse artigo que “quando a transação versar sobre diversos direitos contestados.406/2002. Isso é suficiente? Arts.406/2002. só é possível compromisso que envolva direito patrimonial.

em 1996. ainda. com esse simples estudo. Tem força vinculativa e obriga as partes a submeterem determinada questão ao julgamento de árbitros. A temática proposta assume especial relevância. comportamento decorrente da cultura e tradição reinante em nosso país. as barreiras legais que causavam insegurança jurídica para as partes contratantes foram revogadas. contribuir e divulgar as vantagens que a justiça alternativa proporciona: como ser mais rápida e menos onerosa do que a Justiça Comum. Por meio da cláusula compromissória.307. posteriormente. Contudo. que a questão da constitucionalidade levantada no Supremo Tribunal Federal encontra-se superada.CONTRATOs Em EsPÉCIE Distinção entre compromisso e cláusula compromissória O compromisso é contrato perfeito e acabado. de 23 de setembro de 1996. desde a primeira Constituição (1) brasileira. também. Entretanto. posteriormente. mesmo que o compromisso de arbitragem contivesse a cláusula “sem recurso” as partes poderiam recorrer ao tribunal superior. Qual é a vantagem de se escolher o juízo privado. Ressalta-se que a arbitragem já estava presente em nosso ordenamento jurídico. contemplada no Código Civil Brasileiro (2). de 1824. por exemplo. não acompanhou a evolução dos tempos. introdução Este trabalho não consiste num aprofundamento sobre o tema específico. e. ao invés do juízo público? biblioGrafia CoMPleMentar Da convenção de arbitragem e seus efeitos lidio francisco benedetti junior advogado em são Paulo sinopse Nosso estudo trata da convenção de arbitragem. com a promulgação da Lei de Arbitragem. a Arbitragem. até a promulgação da nova Lei de Arbitragem. em setembro de 1996. geraria para a outra parte apenas o direito a perdas e danos. embora as partes tivessem acordado de instituírem o juízo arbitral. entendia-se anteriormente que. de 1916. espero compartilhar as idéias e. uma vez que. Assim. que a Arbitragem não se desenvolveu. devido à insegurança jurídica que o sistema transmitia às partes. uma parte desistisse de celebrar o compromisso arbitral. no Brasil. através da cláusula compromissória. também. Há que se ressaltar. de 23 de setembro de 1996. a nova Lei de Arbitragem é considerada um instrumento privado alternativo para solução de conflitos ou. como a arbitragem.307. Assim. que abrange a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. Há que se considerar. em detrimento ao Poder Judiciário. capaz de garantir segurança jurídica às partes que voluntariamente vierem a instituir a cláusula compromissória em seus contratos. Hoje. no que diz respeito à convenção de arbitragem e seus efeitos. esse sistema encontrava-se estagnado. para resolver impasses ou conflitos surgidos num relacionamento pessoal ou negocial. pois está intrinsecamente relacionada com a livre e voluntária vontade das partes em se submeter à arbitragem. como ensina ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. de acordo com a Lei 9. Já a cláusula compromissória diz respeito a litígio futuro e incerto. Ademais. isto é. como instrumento eficaz para solução de controvérsias consolida-se FGV DIREITO RIO 131 . “um meio paraestatal de solução de conflitos” (3). mas simples tentativa de análise da Lei de 9. as partes comprometem-se a submeter eventual pendência à decisão do juízo arbitral.

nos termos do artigo 3o da Lei nº 9. alternativo ao Poder Judiciário. seja no próprio contrato ou em um adendo. cabe esclarecer que. devem firmar. Com efeito. como Estados Unidos da América. A respeito da autonomia da vontade das partes.2o).406/2002. da Convenção de arbitragem e seus efeitos 1. DRA. artigo 3o.” (7).13).CONTRATOs Em EsPÉCIE no Brasil. como também é conhecida. como cláusula arbitral. dispondo da jurisdição estatal comum. manifestou-se. ao prolatar seu voto. a cláusula compromissória ou cláusula arbitral. 2o. espécie destinada à solução privada dos conflitos de interesses e que tem por fundamento maior a autonomia da vontade das partes. admitindo a nova lei o compromisso e a cláusula compromissória para resolver divergências mediante o juízo arbitral. conforme adotado pela lei 9. a convenção de arbitragem abrange tanto a cláusula compromissória como o compromisso arbitral Assim. SELMA MARIA FERREIRA LEMES. eleger a arbitragem institucional (art. as partes.2. resolvem que o impasse será resolvido pela Arbitragem. através da cláusula compromissória. para que. nos artigos 851 a 853. conforme é a definição dada pela Lei de Arbitragem. como já mencionado. Japão e países da Europa. 1. Assim. desde que não viole os bons costumes e a ordem pública (art. desde a faculdade de as partes em um negócio envolvendo direitos patrimoniais disponíveis disporem quanto a esta via opcional de conflitos (art. Em recente julgamento. de comum acordo. 1. a ilustre Advogada e Membro da Comissão Relatora do Projeto de Lei sobre Arbitragem.307/96. Cabe frisar. Para tanto. fortaleceu o instituo da arbitragem no Brasil. Entretanto. prazo para o árbitro proferir a sentença arbitral (arts. essa cláusula deve ser estipulada por escrito pelas partes. no seguinte sentido: “A convenção de arbitragem é a fonte ordinária do direito processual arbitral. com o mesmo consentimento que encontra em outros países. seja material ou formal. para aqueles que procuram rapidez e Justiça na solução do conflito. submetendo-se ao juízo arbitral. isto é.307/96. que é firmado quando surge a controvérsia. Inciso III e 23). o ilustre Relator MINISTRO MAURICIO CORRÊA. nasce antes do surgimento do conflito. 1o). ainda. no que pertine à forma de indicação dos árbitros (art. entretanto. 11. se a decisão será de direito ou por eqüidade (art. como afirmamos acima. também. possa se julgar a validade. que o novo Código Civil. a respeito da convenção de arbitragem. Da Convenção de Arbitragem Por intermédio da convenção de arbitragem (4). Ao passo que. De acordo com o artigo 4o. relativas a direito patrimonial disponível. espontaneamente. Estas. ou não. FGV DIREITO RIO 132 . podem resolver suas controvérsias. do contrato arbitrável. ou através do compromisso arbitral.” (5). em virtude dela. nesse estudo a identificaremos apenas como cláusula compromissória. convencionam que se ocorrer qualquer impasse ou controvérsia a questão será resolvida pelo procedimento arbitral em detrimento ao Poder Judiciário. Lei 10. livres e voluntariamente.”.5o). da lei 9307/96. a Lei de Arbitragem torna-se um instrumento seguro. §§ 1o e 2o). contratada anteriormente ao eventual conflito. é conhecida. cabe frisar que. até como será desenvolvido o procedimento arbitral.1. pontifica que “o Principio da Autonomia da Vontade é a mola propulsora da arbitragem em todos os seus quadrantes. as partes envolvidas em algum negócio pessoal ou negocial. relativamente a tal contrato. cláusula compromissória é “a convenção através da qual as partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir.” (6) Concluindo que: “O objetivo do princípio da autonomia do pacto arbitral é salvar a cláusula compromissória. Da Cláusula Compromissória A cláusula compromissória. o compromisso arbitral surge apenas quando o conflito já se instaurou e as partes. optam em submeter os litígios existentes ou que venham a surgir nas relações negociais à decisão de um árbitro. uma convenção de arbitragem.

Segundo ensina ALEXANDRE DE FREITAS CÂMARA. surgindo o conflito estão as partes obrigadas. as partes ao acordarem sobre a cláusula compromissória. para que.3.” (8). a cláusula compromissória só terá validade se a mesma estiver em negrito e conter a assinatura. é a cláusula pela qual as partes. Força obrigatória da Cláusula Compromissária De acordo com o artigo 8o da Lei de Arbitragem. uma vez acordada. do aderente. acordaram pela instituição do juízo arbitral. a celebrarem o compromisso arbitral. oriunda do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte: “a lei brasileira sobre o tema exige clara manifestação escrita das partes quanto à opção pela jurisdição arbitral (Lei 9. substituindo no contrato a clássica cláusula que designa o Foro Judicial. tudo o que ali tenha sido estipulado será obrigatoriamente observado pelo juiz ao proferir a sentença do processo a que se refere o artigo 7o. Segundo as melhores doutrinas. a cláusula compromissória é independente do contrato negocial. as chamadas cláusulas vazias são àquelas que não contemplam os elementos mínimos necessários para instituição da arbitragem (12). Da autonomia de vontade e forma escrita A cláusula compromissória deve ser estipulada por escrito. Não se admite.753-7. cuja intenção do legislador foi dar maior segurança às partes que. sob pena de ser declarada nula.. especialmente para essa cláusula. todavia. implícita e remissiva. preventivamente. é peculiar da cláusula compromissória a autonomia. Espécies da Cláusula Compromissória A respeito da cláusula compromissória é de grande relevância. e a nulidade deste não implica a nulidade daquela. também. segundo o ilustre professor WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO a cláusula compromissória (pacto de compromittendo) “constitui apenas parte acessória do contrato constitutivo da obrigação.”. é necessário trazer a luz deste estudo.307/96. por essa razão a Lei exige a manifestação de vontade das partes ao aderirem à cláusula compromissória. convenção de arbitragem tácita. que essa promessa gera a obrigação de celebrar o compromisso arbitral.2. havendo a recusa de qualquer uma das partes em celebrar o compromisso. nos ajustes remissivos não se dispensa que as partes reportem-se expressamente à opção. Isto porque sendo cheia a cláusula compromissória. Tanto que nos contratos de adesão requer-se destaque e a assinatura especial na cláusula compromissória e. Entretanto. No contrato de adesão.” (14) 1. a definição da melhor doutrina.CONTRATOs Em EsPÉCIE O texto da lei é claro ao conceituar a cláusula compromissória.1. surgindo o conflito. livre e voluntariamente. comprometem-se. enquanto que. Assim. ou seja. celebrar o compromisso arbitral.2.2. 4o e 5o). como manifestação de sua vontade em instituir o compromisso arbitral. (9). em conseqüência. seja no próprio contrato negocial ou em outro documento aditivo. em existindo o conflito. conclui-se que a cláusula compromissória é o primeiro acordo de vontade das partes. Nesse sentido. Importante salientar que. que é o compromisso arbitral. ainda. Isto é. o conflito venha a ser dirimido pelo juízo arbitral. se posicionou o eminente MINISTRO MAURÍCIO CORREA. Nesse sentido. da Lei de Arbitragem. Assim. ao proferir seu voto em sentença estrangeira contestada nº 6. Esclarece. 1. ela obriga às partes a resolver o conflito através do Juízo Arbitral. artigos 3o. uma promessa de celebrar o contrato definitivo. ensina ALEXANDRE FREITAS CÂMARA que a cláusula compromissória é “um contrato preliminar. a respeito de qualquer dúvida emergente na execução do contrato. por força da cláusula compromissória. chama-se cheia a cláusula compromissória quando já contém todos os elementos necessários à instauração do processo arbitral (13). se obrigam a submeter-se à decisão do juízo arbitral.” (11) 1.. Assim é que. a instaurar o compromisso arbitral.2. Ou seja. distinguir a cláusula compromissória vazia da cláusula compromissória cheia. numa possível e futura controvérsia. Esse é o entendimento da Lei (10). FGV DIREITO RIO 133 . até pela sua excepcionalidade. essa distinção “é importante principalmente nos casos em que uma das partes se recuse a.

como uma segunda espécie da convenção de arbitragem. mesmo sem ter combinado.307/96. é a primeira peça onde constam as regras que irão reger o processo arbitral. ou seja. Este compromisso é lavrado quando não foi instituída a cláusula compromissória e. decidem que o conflito existente será submetido à decisão de um árbitro. criteriosamente.3. antes de aceita a nomeação. também. §§ 1o ao 7o.1. (i) quando qualquer árbitro recusar-se. Conclui-se. as partes interessadas em resolver a controvérsia existente. que não seria aceito substituto em caso de falecimento ou impossibilidade do árbitro proferir seu voto.3.CONTRATOs Em EsPÉCIE gera para a outra parte o direito de recorrer à Justiça comum para ver garantido a instauração do procedimento arbitral. o compromisso arbitral. embora notificado a respeito do prazo de 10 dias para apresentar a sentença arbitral. serem observadas as regras dos artigos 10 e 11 da Lei 9. que é de submeter o conflito à apreciação de um árbitro. As partes. diferente da cláusula compromissória. surgindo o conflito entre as partes esse deveria ser solucionado pela arbitragem. a sentença judicial valerá como o compromisso arbitral. B – Compromisso Arbitral Extrajudicial O compromisso arbitral extrajudicial vem regulado no § 2o. da Lei de Arbitragem.2 – Da extinção do Compromisso Arbitral O compromisso arbitral extingue-se nas hipóteses do artigo 12. A primeira hipótese vem estabelecida no artigo 7o. da Lei de Arbitragem. ressalte-se que. portanto. o compromisso é o ato instituidor do juízo arbitral. Esse é o entendimento do § 7o. e ocorre quando a cláusula compromissória já existe. decidem optar pela arbitragem. a instituição da cláusula compromissória. porém. Do Compromisso Arbitral O Compromisso arbitral. A segunda hipótese é tratada pelo §1o do artigo 9o. mas as partes. que tratam das cláusulas obrigatórias e facultativas do compromisso arbitral. que o compromisso arbitral é a convenção em que. deliberado. da Lei de Arbitragem. uma das partes impõe resistência para se lavrar o compromisso arbitral. desistem do processo judicial e lavram o compromisso arbitral. FGV DIREITO RIO 134 . (17) A – Do Compromisso Arbitral Judicial De acordo com a Lei de Arbitragem há duas hipóteses de compromisso arbitral celebrado em juízo. em favor da arbitragem. anteriormente. e as partes terem deliberado que não seria aceito substituto. Ou seja. devendo para tanto. renunciam à solução no Judiciário. obrigatoriamente. 1. Ocorre quando as partes. pode ser judicial ou extrajudicial. (16) É nesta peça inicial que as partes. pode ser lavrado por escritura pública ou por documento particular. (iii) quando tiver expirado o prazo fixado no compromisso e o árbitro. de acordo com a lei. de comum acordo. Do Compromisso Arbitral judicial e extrajudicial O compromisso arbitral. é celebrado após o surgimento da controvérsia entre as partes. do artigo 9o. sendo procedente o pedido de instauração do procedimento arbitral. Ademais. também. da lei de arbitragem. 1. não apresente sua decisão. manifestando a vontade de solucionar o conflito através da arbitragem. assinado por duas testemunhas. (15) Ademais. não existe demanda ajuizada. do artigo 7o. (ii) quando. Ou ainda. lavrando-se então o compromisso arbitral. Esse compromisso. 1. que submetem esta à decisão de um árbitro. fazendo com que a outra parte ingresse com um processo judicial requerendo o cumprimento da declaração de vontade instituída no contrato (cláusula compromissória).3. conforme artigo 9o. em litígio na justiça comum. definem todos os aspectos que serão observados no processo arbitral. voluntariamente.

ainda. anteriormente. FGV DIREITO RIO 135 . de 04/10/2002. – É auto-executável. em um adendo. que espontânea e consensualmente optaram por esse sistema privado e alternativo ao judiciário. a solução de suas controvérsias através do juízo arbitral. poderão as Partes nomear Juízes Árbitros.307 de 1996 – “ As partes interessadas podem submeter a solução de seus litígios ao juízo arbitral mediante convenção de arbitragem.CONTRATOs Em EsPÉCIE 2. assim entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. em nosso ordenamento jurídico. tais como: Japão e Estados Unidos. – Não cabe recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário. traduzem hoje. hoje. da Lei 9. art. Suas sentenças serão executadas sem recurso. de janeiro de 1996. notas 1.753-7 – Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte. 9. como se encontra normalizado. uma segurança maior ao instituto da arbitragem no Brasil o que. essa cláusula refere-se a um conflito futuro e incerto. – O compromisso arbitral retrata o conflito atual e específico. a sentença arbitral tem o mesmo efeito da sentença judicial tendo. dos pontos relevantes da convenção de arbitragem – cláusula compromissória e compromisso arbitral –. a conclusão a que se chega. afirmar que a arbitragem pode e deve ser utilizada por toda a sociedade brasileira como um instrumento alternativo a Justiça Comum. p. se assim for a vontade das partes. reflete a modernidade do mundo globalizado. – A cláusula compromissória poderá ser acordada no momento judicial do negócio principal ou. p. esta e aquela. por ser mais ágil e objetiva na solução dos conflitos que envolvam direito patrimoniais disponíveis. Câmara. uma nova era. Podendo. Acórdão de 13/06/2002. deixando claro que. 4. (18) Por fim.071. pela consciência social e humana e não a que impõe a prática de doutrinas eivadas de mero logicismo”. por entender que a Lei de Arbitragem reflete esse pensamento: “Boa só é a norma que traduz uma aspiração ou uma necessidade reveladas. no Brasil. instituto utilizado por vários paises. 3o. tais como: – É prolatada por um árbitro escolhido livremente pelas partes. 6. quando então as partes lavram o compromisso prevendo as regras que serão utilizadas no juízo arbitral e.037 a 1048. Selma Maria Ferreira. de 1o. se assim o convencionarem as mesmas Partes. Alexandre Freitas. Lei nº 3. sem dúvida alguma. o árbitro regularmente escolhido para solucionar e prolatar a sentença arbitral. não tínhamos em nosso ordenamento jurídico. Arbitragem – Lei nº 9307/96.J. A arbitragem. vale transcrever aqui os ensinamentos do ilustre professor VICENTE RÁO. Artigo 164 da Constituição Imperial do Brasil – “Nas causas cíveis e nas penais civilmente intentadas. D. STF . 3. artigos 1.307/96. “era em que o processo jurisdicional fique reservado para aqueles em que nenhuma outra forma de resolução de conflitos foi adequada”.” 2. AASP/Revista do Advogado nº 51. na perspectiva de ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. 5. algumas peculiaridades mais benéficas. cumpre salientar que.Sentença Estrangeira Contestada nº 6.Conclusão Diante desse modesto estudo. esses conceitos dispostos na Lei nº 9. portanto. posteriormente. Lemes. Aliás. também. é de que: – A cláusula compromissória poderá ser utilizada antes de surgir à controvérsia. 32. Essas peculiaridades demonstram a precisão da nossa Lei de Arbitragem. iniciando. Ementário nº 2085-2.Tribunal Pleno . Ressalta-se que. Princípios e Origens da Lei de Arbitragem. Segurança capaz de garantir as partes.

Ibidem. Anotação (114) de atualização da obra.34 15. Ibidem. art. podendo ser judicial ou extrajudicial. Alexandre Freitas.792.307 de 1996 – “Existindo cláusula compromissória e havendo resistência quanto à instituição da arbitragem.4. 9o. FGV DIREITO RIO 136 . 53. Acórdão de 13/06/2002.307 de 1996 – “O compromisso arbitral é a convenção através da qual as partes submetem um litígio à arbitragem de uma ou mais pessoa. a cláusula compromissória só terá eficácia se o aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar. D.753-7 – Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte. Curso de Direito Civil. 33. 34. Carmona.Tribunal Pleno . art. da Lei 9. 12. 17. por Ovídio Rocha Barros Sandoval. Alexandre Freitas.J. Câmara. Arbitragem – Lei nº 9307/96. Alexandre Freitas. v. de 04/10/2002. Monteiro. Arbitragem no Brasil no terceiro ano de vigência da Lei nº 93047/96. 159. §2o.307 de 1996 – “Nos contratos de adesão. Washington de Barros. STF . p. Arbitragem – Lei nº 9307/96. designando o juiz audiência especial para tal fim. Ráo.” 16. expressamente. a fim de lavrar-se o compromisso. desde que por escrito em documento anexo ou em negrito. 7o. art. Ementário nº 2085-2. p. p.2. da Lei 9. 319. 13. 10. p. p. p.CONTRATOs Em EsPÉCIE 7. poderá a parte interessada requerer a citação da outra parte para comparecer m juízo.Sentença Estrangeira Contestada nº 6. Arbitragem – Lei nº 9307/96. 9.. 14. Vicente. Carlos Alberto. 4o. O Direito e a Vida dos Direitos. 28. Câmara.” 18. A Aspectos Atuais da Arbitragem. com a sua instituição. 8. da Lei 9.. p. com a assinatura ou visto especialmente para essa cláusula. Câmara. 11. p. v.

O contrato dos automóveis foi firmado com a Tupinambá Automóveis Arrendamento Mercantil S/A. AulAS 23 E 24: lEASINg.309/96. os quais podem ser separados em três grandes grupos: os veículos leves. 571 a 581. 3. Fran.20. 1.4. 1. os utilitários. MANCUSO. bra/A. 1. ço financeiro da conhecida montadora nacional. Contratos e Obrigações Comerciais. Resolução 2. ed.20. FGV DIREITO RIO 137 . 1999. 6.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Questões Controversas.20.20. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Classificação e Características do Contrato. foram submetidos à sua análise contratos de “arrendamento mercantil” de veículos da frota do supermercado. obrigando-se a manter os veículos em perfeito estado de funcionamento. p. utilizados pela administração dos supermercados. vol.3. que também arcará com os custos da manutenção ordinária. Leasing. que servem para realizar pequenas entregas de compras nas redondezas. MARTINS. eMentário de teMas Introdução e Conceito. Sílvio de Salvo. Caso Gerador Durante a diligência legal dos Supermercados Pechincha. 2001. 1.2. (ii) a propriedade dos automóveis é da arrendadora. biblioGrafia obriGatória Lei n° 6. Direito Civil. troca de peças etc. 2006. São Paulo: Atlas. (v) o valor da opção de compra no final da vigência do contrato é quase igual ao valor de mercado dos bens arrendados. (iv) o contrato pode ser rescindido a qualquer tempo pela arrendatária. fundamentais para todo o processo de logística e da distribuição das mercadorias.. do Conselho Monetário Nacional. ed. e os caminhões. (iii) prazo de vigência de 12 meses. baseado nas informações fornecidas abaixo. em sua maioria automóveis compactos. 349468. Partes do Contrato de Leasing e suas Respectivas Obrigações. tipo vans.20. Rio de Janeiro: Forense.099/74. Identifique quais os principais aspectos de cada contrato. e (vi) toda a manutenção dos carros deverá ser feita em oficinas mecânicas credenciadas junto à arrendadora. para inserção no seu relatório de diligência legal. 15. biblioGrafia CoMPleMentar VENOSA. e tem como principais caraterísticas: (i) o montante global das contraprestações a serem pagas pela empresa equivalem a 70% do valor de mercado dos carros objeto do leasing. Modalidades. Rodolfo de Camargo. págs.1.

(iii) ao final do prazo contratual. e (v) em caso de inadimplemento da obrigação do pagamento mensal.309. ocasião em que a titularidade dos caminhões será transferida. parágrafo único. Por fim. em função da deterioração normal do bem. e é objeto de pouca regulamentação legal. (ii) um prazo de vigência de cinco anos. sobretudo na aquisição de veículos automotores.00. sua utilização foi observada a partir da década seguinte. reajustáveis ao final de cada ano de vigência. pelas empresas e até mesmo pelas pessoas. do Conselho Monetário Nacional. de 60 (sessenta) meses. valendo o pagamento da última parcela como o exercício da opção. conforme delegação da referida lei. a arrendadora poderá requerer a busca e apreensão dos bens objeto do contrato. além da opção de compra. embora seja largamente utilizado no comércio. (ii) durante a vigência do contrato. com um pequeno decréscimo no valor das parcelas mensais. ao final do prazo contratual. isto é. não se responsabilizando a financeira pelo bom funcionamento e manutenção dos caminhões. o contrato prevê que esse valor deverá ser diluído nas prestações mensais. roteiro de aula a) introdução e Conceito O contrato de leasing também é conhecido no Brasil como arrendamento mercantil. pelo valor unitário de R$3. tratou de definir. entre 10% e 5% do seu valor de mercado.CONTRATOs Em EsPÉCIE Os veículos utilitários de médio porte foram objeto de um contrato com a Afro Taboa Administração de Bens Ltda. (iv) as parcelas serão mensais e sucessivas. que efetivamente traz regras sobre os contornos jurídicos do contrato. no mundo dos fatos. mantidas as demais condições contratuais. sem previsão legal expressa no código.000.5. a arrendadora poderá requerer a busca e apreensão dos bens objeto do contrato. o contrato logo em seu art. 1º. Embora sua origem remonte a épocas mais remotas. sociedade limitada constituída conforme o código civil e cujo objeto social é o de administração de bens móveis próprios ou de terceiros.00. No Brasil. durante os quais a arrendatária pagará prestações mensais. embora trate mais de seus aspectos tributários. irrevogavelmente. que. e a Resolução nº 2. a qual deverá ir ao mercado e adquirir os bens conforme especificados pela cliente. Esse contrato prevê que: (i) a arrendatária terá uma opção irrevogável de compra dos bens. aos Supermercados Pechincha. ela terá a opção de renovar o contrato por prazo semelhante. a verificação de sua utilização.099/1974. notificando a arrendadora previamente. Trata-se de contrato atípico.000. o contrato de leasing dos caminhões foi celebrado com a instituição financeira Ideal S/A Arrendamento Mercantil. impôs a criação de normas jurídicas sobre o contrato.20. os Supermercados Pechincha poderão solicitar o aumento da frota inicialmente objeto do contrato. 1. com vistas a permitir o avanço das atividades econômicas sem necessariamente aumentar o endividamento das empresas. sua utilização iniciou-se nos Estados Unidos.. (iii) o valor unitário da opção de compra de cada bem é de R$12. e como acontece muito no Direito. reajustadas periodicamente conforme a variação do dólar dos Estados Unidos em relação ao Real. na década de 1950. e possui como principais cláusulas: (i) todos os custos de manutenção deverão ser arcados pela arrendatária. FGV DIREITO RIO 138 . Sua regulamentação obedece a dois diplomas específicos: a Lei nº 6. Todavia. renomada empresa do ramo. e (iv) em caso de inadimplemento da obrigação do pagamento mensal. ainda que timidamente.

Muitas vezes é a transferência da posse sua característica mais importante. contrariando a orientação anterior que restringia essa modalidade contratual aos bens móveis. O contrato. Todavia.514/1997 criou a possibilidade de bens imóveis serem objeto de arrendamento mercantil. pretendendo utilizar coisa móvel ou imóvel. atípico. à transferência da posse do bem – encerra apenas um dos aspectos do contrato. Portanto. sem dúvida alguma. a compra e venda. na forma e no tempo devidos. A nomenclatura de “arrendamento mercantil” sofre algumas críticas na doutrina. de certa forma. encerra o financiamento do valor global do bem. ed. 6. O que ocorre é que. obriga a transferência da propriedade do bem mediante o pagamento do valor previsto no contrato. se inicialmente ele era direcionado às empresas. transfere a posse do bem para o arrendatário. De fato. como veremos adiante. 3. Tanto é assim que a jurisprudência nacional não aplica às operações de arrendamento mercantil a Súmula 492 do STF. Uma boa conceituação é fornecida por Silvio Venosa37. como a locação. como no caso da modalidade operacional. Direito Civil. e há quem preferiria chamar essa modalidade contratual de “locação financeira”. atualmente. cuidado ao ler os textos sobre o tema. hoje em dia há um sem número de pessoas físicas que. a noção de arrendamento – equivalente. A doutrina o qualifica como uma relação contratual complexa. inclusive na contramão da tendência moderna de unificação do direito privado. a renovação do contrato ou a compra pelo preço residual conforme estabelecido”. VENOsA. hoje. e prevê a cobrança de juros. 37 FGV DIREITO RIO 139 . muitas vezes até sem saber. a Lei nº 9. 2006. não faria sentido qualificá-lo como mercantil. Como no mandato. muitas vezes o arrendatário é quem trata da escolha dos bens com o vendedor. composto de elementos de vários contratos típicos. alugando-o posteriormente a ele por prazo certo. sílvio de salvo. o fato de ser multifacetado não faz com que ele deixe de constituir um único negócio jurídico. Lembre-se sempre: o leasing é um contrato excepcional. se tornam arrendatárias em um contrato de leasing. p.CONTRATOs Em EsPÉCIE Além dessas normas. Além desses caracteres mais usuais. como se verá. podem ser inseridas no contrato. a designação de “arrendamento mercantil” é largamente utilizada e. nem sempre o caráter financeiro é o que sobressai na contratação do leasing. que cria uma solidariedade entre o locatário e a empresa de locação de automóveis quanto à responsabilidade perante os danos causados a terceiros. Como no mútuo. em nenhuma fórmula desenhada aprioristicamente pelo legislador. como a locação. alguns autores tomam a espécie pelo gênero e confundem os contornos dessa modalidade com a do próprio contrato. o mútuo e o mandato. Como na promessa de compra e venda. portanto. Suas características serão sempre verificadas no caso concreto. Assim. são Paulo: Atlas. No entanto. Vale ressaltar que boa parte da doutrina o qualifica como uma modalidade de financiamento ao arrendatário. embora quem vá comprá-lo seja a arrendadora. faz com que instituição financeira ou especializada o adquira. como a modalidade do leasing financeiro é a mais comum. Além disso. que não se enquadra. de acordo com as cláusulas contratuais negociadas entre as partes. no âmbito da autonomia privada. Contudo. outras cláusulas que sirvam ao interesse das partes. com uma única causa jurídica. v. 571-572. para quem o contrato é aquele “mediante o qual um agente. corresponde ao leasing no direito brasileiro. facultando-se-lhe a final que opte entre a devolução do bem.

O arrendatário é aquele que se utiliza do bem. hoje. a renovação do prazo do arrendamento ou a devolução do bem. o arrendatário possui a obrigação de devolver a coisa no final do prazo contratual. é necessária a autorização de funcionamento do BACEN. respondendo pelos prejuízos que causar ao bem. mas em regra gera sua extinção e o direito de o arrendador se reintegrar na posse dos bens arrendados.. o arrendatário deveria ser. (iii) solene. Ocorre também pelo inadimplemento. expressamente. em prontas condições de uso para a finalidade acordada. a redação desse dispositivo foi alterada e. Não precisa. (v) comutativo. quando o arrendatário poderá escolher entre exercer a opção de compra. contudo. g. mesmo no caso de leasing operacional. em virtude da liquidez e certeza das prestações. deve necessariamente ser uma sociedade anônima autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil. contanto que não opere com a modalidade financeira. em virtude de sua vigência contínua pelo seu prazo. Inicialmente. entretanto. Nos dois casos. uma pessoa jurídica. caso não haja exercício da opção. conforme a redação original da Lei nº 6. São duas as partes do contrato de leasing: o arrendador e o arrendatário. pois ambos os contratantes têm ônus aos quais correspondem deveres. (vi) por tempo determinado e de execução sucessiva. a existência de cláusula que permita o término antecipado do contrato. É também freqüente. e é exclusiva desse tipo de sociedade. Deve constar do seu objeto social. pelo distrato ou pela falência da arrendadora. obrigatoriamente. A obrigação primordial do arrendador é a de entregar o bem para o arrendatário. valor e tempo estipulados no contrato. garantindo a posse mansa e pacífica do seu contratante. o desenvolvimento dessa atividade. (ii) bilateral. caso não haja nem a renovação do prazo nem o exercício da opção de compra. C) Partes do Contrato de leasing e suas respectivas obrigações. principalmente em contratos de leasing financeiro. cada período contando como uma parte da relação contratual. deve o arrendatário zelar pela conservação dos bens. A obrigação fundamental do arrendatário é a de pagar as prestações na forma. a transferência da posse do bem) e para o arrendatário (o pagamento das parcelas convencionadas). Tem também a obrigação de receber os bens de volta ao fim do prazo. O arrendador. embora mantenha a sua propriedade.CONTRATOs Em EsPÉCIE b) Classificação e Características do Contrato A doutrina considera o contrato: (i) consensual. mediante o pagamento do restante da dívida. pois encerra obrigação para o arrendador (e. em que o arrendador responde somente pela manutenção ordinária e pelo desgaste natural do bem arrendado. A expressão “arrendamento mercantil” deve constar de sua denominação. pelo fim do seu prazo. ser necessariamente uma instituição financeira. somente operacional.099/1974. no estatuto. FGV DIREITO RIO 140 . Finalmente. Todavia. A extinção do contrato se dá. 2. pessoas físicas também podem ser parte num contrato de leasing. pelo menos até o exercício da opção de compra. conforme determina a Resolução do CMN. 7º da Res. ordinariamente.309 impõe a forma escrita ao contrato (instrumento público ou particular) e determina a inserção de determinadas cláusulas no seu corpo. não sendo necessária a entrega da coisa. Além disso. Seu inadimplemento terá conseqüências diversas conforme o contrato. porque o art. pois a própria manifestação de vontade aperfeiçoa o contrato. Há casos também (sobretudo em contratos relativos a equipamentos de informática) em que a renovação implica em troca dos bens por modelos mais modernos ou mais novos. (iv) oneroso.

esse agente deva contratar um financiamento direto em seu nome junto ao fornecedor ou a um banco (onde as taxas de juros em geral são bem mais altas). As prestações. o exercício da opção de compra é quase uma certeza. que vai ao mercado adquiri-lo conforme as instruções do arrendatário.880/1994. como a elas é permitida a captação de recursos no exterior para fazer frente às suas operações. se admitia sua pactuação nos contratos de arrendamento mercantil.309). especificações técnicas etc. já sob a forma de leasing.CONTRATOs Em EsPÉCIE Existe. como o fato de que a propriedade do bem. Por conta dessas características marcantes de intermediação financeira. ao contrário do que ocorre no financeiro. e. pois remuneram não só o uso da coisa como também o seu custo de aquisição. obrigando-se ainda a prestar assistência técnica e manutenção nos bens arrendados. competindo às partes originárias concordarem sobre os demais termos do arrendamento. em que o arrendatário escolhe os bens a serem objeto do arrendamento. mediante cláusula que reajuste o valor das prestações pela cotação da moeda estrangeira. e foi a partir dele que se desenvolveu originalmente esse tipo de contrato. 6º). Por outro lado. Finalmente. o operacional e o financeiro. ao contrário do que ocorre no mútuo bancário comum. que também foi inserida na Lei do Plano Real (Lei nº 8. que transfere a posse dos bens para o arrendatário por um determinado prazo. o valor da opção de compra – conhecido comumente como valor residual garantido ou VRG – é de pequena monta se comparado às prestações. Assim. outro traço que difere o leasing do financiamento. ao pagar o preço. compra o bem do fornecedor. existe a modalidade de leasing operacional. Nesse caso. Nesse caso. a interveniência do vendedor do bem no contrato de leasing financeiro. é que o bem não é originalmente de titularidade do arrendador. Esse tipo de operação não tem previsão legal no nosso ordenamento. por si só. também conhecido como puro. em muitos casos. O novo código não alterou essa sistemática. a regra é que o vendedor esteja no contrato para garantir prazos de entrega. na aquisição de um determinado bem. são relativamente mais altas. não há interveniência da fornecedora original. É claro que o leasing financeiro. sobre os quais incidirão juros e que serão pagos nas prestações periódicas previstas no arrendamento mercantil. o bem arrendado é originalmente de titularidade do arrendatário que. Existem duas espécies – embora a autonomia privada possa criar outras figuras ou até mesmo figuras híbridas – de leasing reconhecidas no direito brasileiro (cf. que imediatamente transfere (fictamente) a posse dele de volta para sua antiga proprietária. para a obtenção de capital de giro. Nesse caso. o leasing financeiro clássico e o lease-back são atividades privativas de instituição financeira. durante a vigência do contrato. Geralmente pode ser resilido unilateralmente pelo arrendatário. O leasing financeiro. vende o bem para a empresa de arrendamento mercantil. é um financiamento. ocorre que o arrendatário escolhe o bem e o arrendador. art. Nesses casos. a Resolução 2. d) Modalidades. Uma subespécie de leasing financeiro é o conhecido como sale lease-back. Do ponto de vista prático. nem mesmo na Resolução nº 2. FGV DIREITO RIO 141 . se a “causa” do contrato é o financiamento. Nessa modalidade. transfere sua posse ao arrendatário.309. pois o bem já era de propriedade da arrendatária.. contudo. A variação cambial nos contratos é em regra proibida por força do art. o sale lease-back muito se assemelha ao mútuo. imediatamente após. mas dotado de características próprias. mas desde o antigo Decreto-Lei nº 857/1969. é o tradicional. fica com a arrendadora e não com o financiado. sujeitas à regulamentação do Banco Central. Sua lógica econômica é a de constituir um financiamento para um agente econômico (pessoas ou empresas). Em linhas gerais. em geral o arrendador é o próprio fabricante. sem que. 318 do código civil. ainda em vigor. para levantar recursos imediatos. o risco da variação cambial pode ser repassado ao arrendatário. pois a arrendatária efetivamente recebe recursos em dinheiro oriundos da venda do bem. na medida em que.

Como vimos. Esse impacto foi maximizado pelo fato de que. a opção de compra. quando a mudança do regime cambial brasileiro fez com que a cotação do dólar dos Estados Unidos praticamente dobrasse em menos de um mês. na corte superior. transformando-o em compra e venda a prestação”. mas o arrendador não faz jus à retomada do bem. a possibilidade de repassar para as prestações a variação de moeda estrangeira em relação à moeda nacional também gerou uma enxurrada de ações judiciais. o valor referente à opção de compra já estaria quitado e. descaracterizando na hipótese o contrato como leasing. o inadimplemento gera a resolução do contrato em perdas e danos. o contrato de leasing sempre suscitou questões controversas na jurisprudência nacional.230/RS no STJ. no entanto. na hipótese de falta de pagamento das prestações acordadas. o valor residual é aquele correspondente à opção de compra conferida ao arrendatário no final do prazo do contrato. alguns tribunais ainda seguem a linha da Súmula 263. a propriedade do bem era automaticamente transmitida ao arrendatário. onde o valor da opção é relativamente pequeno. Nesse caso. pois as prestações em regra equivalem somente ao custo pelo uso do bem. o valor da opção de compra tende a ser expressivo. existem outras características marcadamente do contrato de leasing que permanecem presentes. deveria ser cobrada necessariamente ao final do contrato. todavia. Se no leasing financeiro ressalta-se o caráter do mútuo. Essa controvérsia tem grande relevância prática. como a possibilidade de renovação e a manutenção da propriedade do bem com o arrendador. Com isso. no operacional o traço da locação é mais marcante. escolhe o carro. de modo que. sobretudo a partir de janeiro de 1999. como não há o caráter financeiro. segundo a qual “a cobrança antecipada do valor residual (VRG) descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil. que caracterizaria o contrato. Além disso. os contornos próprios do arrendamento mercantil impedem que ele seja caracterizado ou enquadrado como um ou outro. como já vimos. que editou a Súmula 263. Talvez pela pouca produção legislativa sobre o tema. enquanto o consumidor usufruta do bem. as empresas passaram a embutir. Parte da doutrina passou a enxergar nesse tipo de ajuste uma compra e venda a prestações disfarçada. como visto. configurando-se o negócio como compra e venda ou como mútuo. a corte reviu o seu posicionamento. sobreveio o cancelamento da Súmula 263 e a subseqüente edição da Súmula 293. que pacificou. por exemplo. com o preço sendo financiado pelo vendedor (no caso. pois a descaracterização do leasing implica no impedimento da propositura de ação de reintegração de posse. a compra de automóveis por meio de um leasing financeiro é uma operação corriqueira. FGV DIREITO RIO 142 . embora se diluindo o VRG nas demais prestações. e) questões Controversas. quando do último pagamento por parte do arrendatário. atualmente. balizada na melhor doutrina. embora. como numa locação comum. descaracterizando o arrendamento nessa hipótese. o julgamento no RESP 237. portanto. Posteriormente. Vale ressaltar que. No leasing financeiro.CONTRATOs Em EsPÉCIE Nesse caso. Vide. o entendimento que “a cobrança antecipada do valor residual garantido (VRG) não descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil”. nas próprias prestações periódicas. Duas delas. adquiriram maior relevância no cenário jurídico nos últimos anos. o que só faz aumentar a insegurança jurídica no assunto. Esse entendimento chegou a ser cristalizado no STJ. apesar da mudança de entendimento do STJ. e passou a entender que. uma parcela do VRG. A primeira delas é a discussão sobre se a diluição do chamado VRG nas demais prestações do contrato descaracteriza o leasing. e uma sociedade de arrendamento mercantil financia o valor. a empresa de arrendamento mercantil). com o reflexo correspondente nos contratos de arrendamento mercantil. O consumidor vai à concessionária.

não é contrato de consumo e. nas tesourarias bancárias e das instituições de arrendamento. a jurisprudência tenha chegado a uma conclusão definitiva sobre o assunto. com base na legislação vigente. • na hipótese de serem pagas todas as prestações pelo arrendatário. firmou com a empresa Arrendamento mercantil s. em manifesta desvantagem para o consumidor. e. Alguns juízes afastavam o comando do art.A. não se sujeita ao CDC. sentindo-se prejudicada com os termos do contrato. diziam se enquadrar perfeitamente no conceito legal de consumidor. contudo. ao alegar que o arrendatário assinou um contrato – sem a existência de qualquer vício –. interpôs ação de reintegração de posse para haver a restituição do bem. IV. 51. o que. sobre o qual incidiam juros de 20% ao ano e juros capitalizados. as empresas de arrendamento mercantil defendiam a liceidade do contrato baseado não só no permissivo legal de variação cambial da Lei nº 8.CONTRATOs Em EsPÉCIE Como esses contratos previam a variação cambial. por isso. o que estaria em desacordo com o código de defesa do consumidor. pleiteando a perda das quantias pagas pela arrendatária.. em dobro. não havendo nenhum tipo de exceção à regra estabelecida no art. da legislação especial. Posteriormente. a empresa Dinamismo s.) [não relacionada à matéria] • o direito do arrendatário à restituição de todas as parcelas pagas ou das parcelas pagas a título de antecipação do VRg. Diante da situação hipotética apresentada acima. quando já havia pago 75% das prestações. e. e quais são elas. • (. que previa a variação cambial.A. Por um lado. FGV DIREITO RIO 143 .. e abordando especialmente os seguintes aspectos: • se a cobrança antecipada do VRg descaracteriza o leasing. g. entre as operações de captação e de financiamento. 1. o STJ tem optado por uma solução salomônica. 6º da Lei nº 8. portanto. redija um parecer a respeito da questão... explicando fundamentadamente o seu ponto de vista. era impossível. quando for o caso.A. diante do inadimplemento de mais de três prestações.. sendo assim. as prestações aumentaram vertiginosamente. com base na idéia de que o arrendador teria que provar que houve captação de recursos em moeda estrangeira especificamente para o contrato daquele consumidor que estava propondo a ação. na prática. que arca com todo o aumento. manifestando válida e livremente a sua vontade.880/1994. dividindo pela metade o prejuízo decorrente do aumento das prestações do arrendamento mercantil em virtude da mudança de regime cambial e a conseqüente disparada da cotação da moeda estrangeira (e. parou de efetuar o pagamento e pleiteou judicialmente a anulação do contrato. um contrato de leasing financeiro em que se previa a cobrança antecipada do valor residual garantido (VRg). sem que. não haveria porque esta disposição ser afastada pelo Poder Judiciário. pois não há uma relação determinada de correspondência. pela sua estrutura contratual complexa. Essa discussão se arrastou (e ainda se arrasta) nos tribunais. se este ainda conserva as opções previstas para o término do contrato. Todavia. A empresa Arrendamento mercantil s. conforme permissão legal.880/1994. Outros preferiam prestigiar a livre autonomia privada. por não cumprimento do contrato. • a hipótese da reintegração de posse proposta pela arrendante. Os consumidores lesados. REsp 727899 / DF). deveriam ser fulminadas com a nulidade prevista no art. seriam abusivas as cláusulas que previam a variação cambial e. por sua vez. como também sob a alegação de que o leasing. por sua vez. • (.)[não relacionada à matéria]. 2º do CDC. questões de ConCurso Petrobras – 2003 – Advogado Júnior A empresa Dinamismo s.A..6. aplicando-se o Código de Defesa do Consumidor.20.

21.2006. um panorama com a situação atual dos contratos da empresa.A. eMentário de teMas Compra e Venda. uma sugestão para resolvê-los ou mitigá-los. destacando os problemas encontrados e. Comodato. biblioGrafia obriGatória CARNEIRO.21.com. Vale lembrar que o relatório de diligência da área de contratos deve abranger o maior número de questões que possam vir a afetar a aquisição das quotas do Supermercado Pechincha.21. assim como questões que possam afetar o funcionamento do supermercado no futuro.1. Agência. FGV DIREITO RIO 144 . Mandato.1. Prestação de Serviços. Comissão.21. Distribuição. Fiança. Por exemplo: contratos que possam impedir ou dificultar a aquisição do supermercado ou que possam desvalorizar o supermercado no futuro. Grana Certa Empreendimentos S. O aluno deverá identificar no relatório os contratos a que teve acesso e os que apenas teve conhecimento. trabalHo Hoje os alunos deverão apresentar e discutir em sala de aula o seu relatório da diligência. (em anexo) 1. Leasing. (ii) Lista de contratos que foram objeto da diligência – O aluno deverá incluir em seu relatório não apenas os contratos que foram efetivamente fornecidos em sala de aula. quando possível.estadao.3. Artigo disponível em http://conjur.br/static/ text/38413.. 1. É preciso dar ao cliente. Depósito. os alunos deverão aproveitar para fazer uma boa revisão da matéria. Transação e Compromisso. (iii) Descrição de cada contrato e das questões levantadas durante a diligência que possam ser de interesse ao cliente. Jogo e Aposta. Licença e Cessão da Marca. Consultor jurídico. O relatório deverá conter três partes: (i) Sumário – com a indicação dos pontos que são mais importantes para o cliente. Mútuo. Doação.2. analisando aula por aula e relembrando os casos e discussões deste semestre. Ao elaborar o relatório.ago. Locação. Seguro. Maria Neuenschwander Escosteguy. Contrato Estimatório.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. mas também aqueles sobre os quais obtiveram informações. Empreitada. AulA 25: RESulTAdO dA dIlIgêNCIA. Acesso em 04. 1. Beabá das fusões Due Diligence jurídica garante lisura de operações. Troca ou Permuta.

é recomendável uma profunda e pormenorizada investigação em todos os aspectos jurídicos de uma companhia objeto de qualquer modalidade de aquisição. podem até mesmo inviabilizar o projeto empresarial. visando à verificação da situação de sociedades. Assunto discutido entre os especialistas é a abrangência dos relatórios de due diligence. Exemplo disso ocorreu recentemente: o controle de uma das 18 empresas do setor de mineração e britas para a construção civil com atuação na região metropolitana de São Paulo condenadas pelo Cade — Conselho Administrativo de Defesa Econômica por formação de cartel para divisão do mercado havia sido adquirido por um novo sócio e. Cabe destacar. Alguns autores informam que as due diligences jurídicas teriam surgido a partir do conceito do Direito Romano “diligentia quam suis rebus” (diligência de um cidadão em gerenciar suas coisas). consoante cada caso concreto. comparado ao primeiro semestre de 2004. Releva esclarecer que a due diligence não existe como figura jurídica autônoma na legislação brasileira. implicações financeiras. Esta investigação pode abranger aspectos pessoais dos sócios. Atrelada a este aumento. fundos de comércio e dos ativos que as compõem. Esta situação demonstra que assuntos concorrenciais podem afetar a avaliação dos ativos adquiridos em uma operação de aquisição de controle. determinação de responsabilidades ou outras. ou mesmo exigir maiores garantias do vendedor. se não forem bem e previamente dimensionados. já que eventuais penalidades aplicadas pela Autoridade Antitruste podem representar a eliminação do ganho naquela aquisição. O Cade expôs que a penalidade havia sido imposta à pessoa jurídica e não a seus acionistas e que se o novo sócio entendia-se lesado. o potencial de crescimento do negócio. FGV DIREITO RIO 145 . Não menos relevante é a identificação dos passivos tributário. estabelecimentos. as particularidades inerentes às operações podem exigir o trabalho conjunto de profissionais de várias áreas. que as due diligences jurídicas devem identificar também passivos decorrentes de potenciais focos de preocupação concorrencial ou mesmo de investigações em curso pelos órgãos de defesa da concorrência. não foram apresentadas provas ao Cade de que a empresa teria continuado a participar da colusão. o nível de competição do setor. poderia buscar a reparação de perdas e danos no Poder Judiciário. Nas fusões e aquisições. conceito este que foi sendo trabalhado em decisões dos tribunais norte-americanos. identificar problemas a serem resolvidos após a concretização do negócio. trabalhista. Desta forma. os quais podem gerar responsabilidades vultosas (imediatas e futuras) e que. avaliação dos riscos inerentes. As due diligences jurídicas podem ser definidas como procedimentos sistemáticos preventivos de revisão e análise de informações e documentos. destinando-se sempre à conclusão sobre a viabilidade da operação. ademais. O volume de informações e documentos manuseados em uma due diligence pode ser tão grande que acaba fazendo com que vários profissionais tenham de se acomodar nas sedes das sociedades envolvidas. o mais adequado é entendê-la como uma metodologia — e não como uma obrigação legal — a ser utilizada opcionalmente pelas partes. houve um aumento de 38% no número de fusões e aquisições. garantias a prestar. permitindo renegociar o preço final. Além disso. podendo ser aconselhável em diversos momentos da negociação. com vistas à apuração dos riscos ínsitos à atividade desenvolvida pelas empresas. dentre outros. Contudo. foi mesmo na prática empresarial que as due diligences jurídicas se firmaram. previdenciário e ambiental. no primeiro semestre de 2005. A identificação de contingências em momento anterior ao closing da operação favorece a empresa interessada. após a aquisição.CONTRATOs Em EsPÉCIE Beabá das fusões due diligence jurídica garante lisura de operações por Maria neuenschwander escosteguy Carneiro Segundo noticiou a Imprensa. está a necessidade de realização das chamadas “due diligences” jurídicas.

pois. Revista Consultor Jurídico. FGV DIREITO RIO 146 . a importância da adoção de cuidadosos procedimentos de due diligence. todas as variáveis que merecem ser analisadas antes da conclusão de negócios envolvendo operações de fusões e aquisições de empresas.CONTRATOs Em EsPÉCIE Verifica-se. capazes de demonstrar. com muita clareza e com elevado grau de segurança. 4 de outubro de 2005.

que sugestões você poderia fazer na procuração? E se tivéssemos acesso àquela procuração apenas na data da assinatura do contrato e não pudéssemos fazer sugestões antes do closing? Que providência poderia ser tomada para dar mais segurança ao nosso cliente quanto à assinatura do contrato pelo senhor Jeremias? O outro documento que o senhor Odin Heiro nos deu. e EDUARDO RUSSO. Cartórios de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. mesmo com as questões encontradas na due diligence. Distrito Federal (“Outorgado”). Secretaria de Estado de Negócios da Fazenda Estadual. FGV DIREITO RIO 147 . neste ato representado por seu procurador. Não tendo certeza de que poderá comparecer pessoalmente ao evento de assinatura do contrato de compra e venda das quotas. Fica vedado o substabelecimento dos poderes outorgados por este mandato. Federais.002. Caso Gerador Após analisar cuidadosamente nosso relatório de due diligence e resolver as questões relacionadas às marcas do Supermercado Pechincha. brasileiro. casado. celebrar. Distrito Federal (“Outorgante”) nomeia e constitui como seu bastante procurador. Juntas Comerciais. empresário. foi a minuta do contrato de compra e venda de quotas abaixo. brasileiro. Eduardo Russo Relembrando o que aprendemos na aula de mandato. o senhor Eduardo Russo pretende outorgar uma procuração a seu filho para que ele o represente. para (i) celebrar quaisquer contratos. casado. e considerou que. empresário. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy. fomos chamados para ajudá-lo no closing.1. rescindir e assinar quaisquer contratos em nome do Outorgante. bem como praticar todos os atos necessários ao fiel cumprimento deste mandato. residente e domiciliado em Brasília. JEREMIAS RUSSO. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE QUOTAS GRANA CERTA EMPREENDIMENTOS S/A. AulA 26: ClOSINg! 1. representada na forma de seu estatuto social. brasileiro. companhia com sede na Rua ABC. inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101. conforme minuta em anexo. órgãos ambientais e órgãos regulatórios. alterar. a aquisição das quotas do supermercado seria um bom negócio. brasileiro. Esta procuração terá validade de 30 dias após a data de assinatura do mandato. prorrogar. portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx. Estaduais.222/0001-22. inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101. O primeiro deles é uma minuta de procuração.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. solteiro. inscrita no CNPJ sob o n° 002. ou seja. empresário. 2222. Ele nos mostrou dois documentos que recebeu do advogado do senhor Eduardo Russo e pediu nossos comentários. empresário. residente e domiciliado em Brasília. (ii) representar o Outorgante junto às Repartições Públicas. residente e domiciliado em Brasília. Jeremias Russo. solteiro. inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202.22. estipular ou impugnar cláusulas e condições. Distrito Federal. Municipais e Autárquicas. Cartórios de Protestos de Letras e Títulos.22. Sendo assim. doravante denominada simplesmente “Compradora”. no fechamento do negócio. Cidade e Estado do Rio de Janeiro. PROCURAÇÃO Pelo presente instrumento particular de mandato. o senhor Odin Heiro regateou com o senhor Eduardo Russo o preço das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda. portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx. EDUARDO RUSSO. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy.

1 acima. da totalidade do Preço devido ao Vendedor. mediante depósito na conta-corrente nº [.1.1. doravante denominado simplesmente “Vendedor”. pelo preço certo e ajustado estabelecido na Cláusula 2. a qualquer título. sociedade com sede na Quadra XYZ.. Pelo presente Contrato e na melhor forma de direito..1. CLÁUSULA QUARTA . o Vendedor cede e transfere. O não exercício ou atraso por qualquer das Partes e/ou da Sociedade. herdeiros.CONTRATOs Em EsPÉCIE inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202. a ser pago pela Compradora ao Vendedor da seguinte forma: (a) R$ 250. 2.].000. de acordo com as seguintes cláusulas e condições: CLÁUSULA PRIMEIRA ..2..] do Banco [.000. constantes do item 2.] do Banco [.. cessionários e representantes legais. total e ajustado para a aquisição das Quotas é de R$ 1.. O Vendedor.DISPOSIÇÕES GERAIS 4. o pagamento das parcelas que perfazem o Preço. e (b) R$ 250.. CLÁUSULA SEGUNDA . e que a Compradora deseja adquiri-las.1. A transferência das Quotas será formalizada no ato do pagamento pela Compradora... mediante depósito na conta-corrente nº [.000.00 (duzentos e cinqüenta mil reais) pagos neste ato. o Vendedor outorgará à Compradora..000..FORMA DE PAGAMENTO 2.00 (duzentos e cinqüenta mil reais) a serem pagos em até 90 dias a contar desta data. (c) R$ 500.000. turbações.1. 4. e (ii) O Vendedor deseja alienar as Quotas. declara que as Quotas foram regularmente integralizadas e se encontram inteiramente livres e desembaraçadas de ônus. no exercício de qualquer direito previsto neste Contrato deverá ser interpretado individualmente e não poderá ser considerado como renúncia por FGV DIREITO RIO 148 . inscrita no CNPJ sob o n° 000.. e somente poderá ser alterado por instrumento escrito devidamente assinado por todas as Partes. Distrito Federal. CLÁUSULA TERCEIRA – TRANSFERÊNCIA DAS QUOTAS 3.1.. encargos.] da agência [.00 (um milhão de reais) (“Preço”).. mediante a assinatura da competente alteração do contrato social da Sociedade. O Vendedor e a Compradora (doravante referidos simplesmente como “Partes”) têm.00 (quinhentos mil reais) a serem pagos um ano após esta data.] da conta-corrente nº [. e.. Distrito Federal. gravames. nos termos ajustados pelo presente instrumento..].]. com todos os respectivos direitos e obrigações. neste ato.2.1 abaixo. rasa e geral quitação com relação ao valor pago. entre si. CONSIDERANDO QUE: (i) O Vendedor é legítimo possuidor e proprietário de x quotas representativas de 99% (noventa e nove por cento) do capital social da Sociedade (“Quotas”). na qualidade de interveniente-anuente: PECHINCHA COMÉRCIO VAREJISTA LTDA.002/0001-00. por meio da entrega pela Compradora ao Vendedor do cheque administrativo nº [.. residente e domiciliado em Brasília. O preço certo.. ainda. Brasília. usufrutos ou qualquer outra restrição à posse e/ou a qualquer outro direito inerente a tais Quotas.DA COMPRA E VENDA DAS QUOTAS 1. representada na forma de seu contrato social. seus sucessores. justa e contratada a celebração do presente Contrato de Compra e Venda de Quotas (“Contrato”).] da agência [.] da agência [. mencionado na Cláusula Segunda. O presente Contrato é celebrado em caráter irrevogável e irretratável e obriga e aproveita às Partes e à Sociedade... 1. a totalidade de suas Quotas representativas do capital social da Sociedade à Compradora. doravante denominada simplesmente “Sociedade”. plena.] do Banco [. Uma vez creditado na conta-corrente do Vendedor.000..

4. 4. a esse respeito. inclusive quaisquer despesas decorrentes de serviços profissionais por ele contratados. se formalizada mediante instrumento escrito assinado pelas Partes e pela Sociedade. (ii) por meio de carta registrada. na presença de 02 (duas) testemunhas. as Partes assinam este Contrato em 03 (três) vias de igual teor e efeito. Fica ajustado entre as Partes que as despesas decorrentes do arquivamento da alteração contratual referida na cláusula 3. Fica eleito o foro da Comarca do Rio de Janeiro. 4.8. anulada ou inexeqüível. entretanto a respectiva comunicação de alteração de endereço só tornarse-á efetiva após o recebimento pela outra Parte e/ou pela Sociedade.1. sendo considerada como mero ato de liberalidade. substituindo todos os acordos. Entretanto. Quaisquer dos endereços constantes do preâmbulo poderão ser alterados. [dia] de novembro de 2006. cabal e exclusivo entre as Partes com relação à compra e venda das Quotas.7. por qualquer motivo. aqui contidas. assinado por 02 (duas) testemunhas. ou (iii) com outra comprovação inequívoca de recebimento. comportam execução específica. As Partes declaram e reconhecem que o presente Contrato. 4. Testemunhas: 1.8.1 do presente Contrato será de exclusiva responsabilidade da Compradora. a qualquer tempo. nos termos dos artigos 461. orais ou escritos.4. Nome: CPF/MF: Grana Certa Empreendimentos S/A 2.5. para dirimir quaisquer questões oriundas deste Contrato. as demais disposições serão modificadas para preservar sua exeqüibilidade. assim como as obrigações de fazer. Tendo em vista que somos advogados da compradora: (a) que alterações poderíamos propor na minuta acima? (b) que novas cláusulas poderíamos sugerir? FGV DIREITO RIO 149 . se essa disposição suprimida prejudicar a execução deste Contrato.10. E por estarem certas e ajustadas. 4. conforme o caso. 639 e seguintes do Código de Processo Civil. entendimentos e declarações anteriores. Todas as notificações e comunicações a serem feitas com relação ao presente Contrato serão elaboradas por escrito e serão enviadas para os endereços constantes do preâmbulo deste Contrato (i) por meio de Cartório de Títulos e Documentos. por mais privilegiado que possa ser. O presente Contrato constitui o acordo final.9. Na hipótese de qualquer disposição ou parte de qualquer disposição deste Contrato ser tida como nula. Nome: CPF/MF Cabe notar que se trata de minuta bem simples e similar à minuta que analisamos em nossa segunda aula. Toda e qualquer alteração das disposições do presente Contrato somente será válida e exeqüível. constitui título executivo extrajudicial. e somente produzirá efeitos. 632. nos termos do artigo 585. do Código de Processo Civil.3. 4.6. inciso II. 4. Rio de Janeiro. 4. 4. essa disposição será suprimida e não terá nenhuma força e efeito. O presente Contrato ou quaisquer direitos e/ou obrigações dele oriundos não poderão ser cedidos sem o prévio e expresso consentimento das Partes e da Sociedade. à exclusão de qualquer outro. mediante comunicação dada na forma prevista acima. Eduardo Russo Pechincha Comércio Varejista Ltda.CONTRATOs Em EsPÉCIE qualquer das Partes ou novação de qualquer obrigação contida neste Contrato.

Ex-Coordenador de Desenvolvimento Acadêmico do Programa de Pós-Graduação da FGV Direito Rio.CONTRATOS EM ESPÉCIE SÉRGIO VIEIRA BRANCO JÚNIOR Professor de direito da graduação e da pós-graduação na FGV DIREITODIREITO RIO. Graduado em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Ex-Procurador. Doutorando e Mestre em Direito Civil pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ.Chefe do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação – ITI. Ex-professor de Direitos Autorais da UERJ. Líder de Projetos do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV DIREITODIREITO RIO. Trabalhou por mais de 5 anos em escritório no Rio de Janeiro. FGV DIREITO RIO 150 . Especialista em Propriedade Intelectual pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio. Autor do livro “Direitos Autorais na Internet e o Uso de Obras Alheias”.

CONTRATOs Em EsPÉCIE FICHA TÉCNICA fundação getulio Vargas carlos ivan simonsen leal presidente fgV direito rio Joaquim falcão diretor fernando penteado VICE-DIRETOR ADmINIsTRATIVO luís fernando schuartz VICE-DIRETOR ACADÊmICO sérgio guerra VICE-DIRETOR DE PÓs-GRADUAÇÃO PROFEssOR COORDENADOR DO PROGRAmA DE CAPACITAÇÃO Em PODER JUDICIÁRIO luiz roberto Ayoub ronaldo lemos COORDENADOR DO CENTRO DE TECNOLOGIA E sOCIEDADE evandro menezes de carvalho rogério barcelos COORDENADOR ACADÊmICO DA GRADUAÇÃO COORDENADOR DE ENsINO DA GRADUAÇÃO tânia rangel COORDENADORA DE mATERIAL DIDÁTICO COORDENADORA DE ATIVIDADEs COmPLEmENTAREs Ana maria barros Vivian barros martins COORDENADORA DE TRABALHO DE CONCLUsÃO DE CURsO COORDENADOREs DO NÚCLEO DE PRÁTICAs JURÍDICAs COORDENADORA DE sECRETARIA DE GRADUAÇÃO COORDENADOR DE FINANÇAs COORDENADORA DE mARKETING EsTRATÉGICO E PLANEJAmENTO lígia fabris e thiago bottino do Amaral Wania torres diogo pinheiro milena brant FGV DIREITO RIO 151 .

You're Reading a Free Preview

Descarga
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->