CONTRATOS Em ESPÉCIE

por: Carolina Sardenberg SuSSekind CriStiano ChaveS de Melo laura FragoMeni

2ª edição

roteiro de curso 2008.2

Contratos em Espécie
introdução .................................................................................................................................................. 03 1.1. AulA 1: clAssificAção dos contrAtos. elementos essenciAis. ........................................................................... 06 1.2. AulA 2: contrAto de comprA e VendA ............................................................................................................. 10 1.3. AulA 3: contrAto de comprA e VendA (cont.)- cláusulAs especiAis dA comprA e VendA .......................................... 26 1.4. AulA 4: trocA ou permutA. contrAto estimAtório........................................................................................... 31 1.5. AulA 5: doAção .......................................................................................................................................... 33 1.6. AulA 6: contrAto de locAção. locAção de coisAs. ............................................................................................ 38 1.7. AulA 7: contrAto de locAção (locAção de prédios urbAnos –– locAção residenciAl) ........................................... 43 1.8. AulA 8: contrAto de locAção ....................................................................................................................... 48 1.9. AulA 9: empréstimo (comodAto) ................................................................................................................... 52 1.10. AulA 10: empréstimo (mútuo)..................................................................................................................... 57 1.11. AulA 11: prestAção de serViços. empreitAdA ................................................................................................ 61 1.12. AulA 12: depósito ..................................................................................................................................... 64 1.13. AulA 13: mAndAto ..................................................................................................................................... 67 1.14. AulAs 14 e 15: comissão. AgênciA e distribuição (representAção comerciAl)..................................................... 71 1.15. AulA 16: Análise de contrAtos ................................................................................................................... 92 1.16. AulA 17: licençA e cessão de mArcAs............................................................................................................ 93 1.17. AulAs 18 e 19: Jogo e ApostA. seguro.......................................................................................................... 120 1.18. AulAs 20 e 21: fiAnçA. .............................................................................................................................. 125 1.19. AulA 22: trAnsAção. compromisso. ........................................................................................................... 129 1.20. AulAs 23 e 24: leAsing.............................................................................................................................. 137 1.21. AulA 25: resultAdo dA diligênciA.............................................................................................................. 144 1.22. AulA 26: closing! .................................................................................................................................... 147

sumário

CONTRATOs Em EsPÉCIE

INTROduçãO

1.1 Visão Geral Bem-vindo ao Curso de Contratos em Espécie! Esta disciplina é de suma relevância, pois qualquer que seja o ramo do direito que venha a ser escolhido pelo aluno no futuro, seja público ou privado, uma boa base em direito civil, incluindo contratos em espécie, será sempre exigida. Aliás, independentemente do ramo de atividade escolhido, o conhecimento de contratos em espécie é fundamental, tendo em vista que diariamente nos deparamos com inúmeros contratos, seja, no aluguel de um imóvel, em um empréstimo no banco, ou mesmo na simples compra de uma passagem de ônibus. Veremos que o novo Código Civil (Lei nº 10.406/2002) incluiu, no rol de contratos em espécie, contratos que anteriormente eram tratados apenas pelo Código Comercial, como o contrato de comissão, agência e distribuição. Em nossas aulas estudaremos boa parte dos contratos nominados ou típicos, ou seja, aqueles disciplinados no Código Civil, assim como alguns contratos inominados ou atípicos, que, embora não sejam previstos e disciplinados expressamente pela lei, são lícitos e parte do dia-a-dia do intérprete do Direito, como o contrato de leasing e o contrato de cessão de marca.

1.2 objetiVos Gerais O mercado exige, cada vez mais, a participação do advogado como viabilizador do negócio, auxiliando o executivo a negociar o contrato e atuando sempre na advocacia preventiva. Desta forma, nosso objetivo, além de ensinar (é claro), será o de fazer com que o aluno conheça os diversos tipos de contrato e saiba identificar seus requisitos necessários e seus vícios para a conclusão do negócio. Queremos preparar o aluno não apenas para a prova, mas principalmente, provê-lo com as ferramentas (objetivo do curso) que o habilite a identificar as características dos principais contratos do nosso ordenamento jurídico, não só com a abrangência que a matéria requer, mas também com a profundidade necessária de um bom enfoque acadêmico e prático, para que, com isso, ele possa ter um diferencial na sua vida profissional.

1.3 MetodoloGia A metodologia do curso será participativa com exposição dialogada e debates sobre casos propostos. Na próxima aula apresentaremos o caso mestre, que será o fio condutor da disciplina. Por meio dele, os alunos serão convidados a integrar a equipe responsável pela análise de contratos em uma due diligence fictícia. Dessa forma, os alunos terão contato com as diversas espécies de contratos e com os possíveis problemas enfrentados no dia-a-dia de um advogado. Adicionalmente, em todas as aulas serão apresentadas questões, relacionadas ao tema exposto para que sejam debatidas em aula. Para tanto, vale lembrar que: – como todas as aulas serão participativas, a leitura prévia do material didático e da leitura obrigatória é indispensável. – a indicação da bibliografia obrigatória e da bibliografia complementar deve servir de base para o aluno. Espera-se, porém, que o aluno pesquise textos adicionais que possam dar enfoques diferentes ou mais profundos sobre o mesmo tema.
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em casos práticos. O aluno que obtiver média inferior a 4.0 (quatro) pontos.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. somente com remissões a artigos e súmulas dos tribunais superiores. a média de aprovação a ser alcançada é de 6.Manual do Professor.0 (cinco) pontos. Prova escrita: Para ambas as provas o aluno poderá consultar a legislação pertinente. e. 1.. Participação em aula: Os alunos deverão participar ativamente das aulas.0 (oito) pontos.5 Métodos de aValiação O desempenho do aluno na disciplina Contratos em Espécie será avaliado por meio das seguintes atividades: (i) uma prova escrita a ser realizada no início de outubro. Para os alunos que fizerem a prova final. A participação do aluno em aula valerá até 2. adquirido a partir do estudo e de pesquisa.0) + Segunda prova (8.4 desafios Tendo em vista o grande número de contratos no Código Civil e a abrangência da matéria. nas quais o aluno deverá demonstrar o domínio da matéria em casos teóricos e práticos. A primeira prova valerá de 0 (zero) a 5.0 (quatro) estará automaticamente reprovado na disciplina.0) + trabalho (5.0 (dois) pontos. conforme a participação do aluno durante o curso. (ii) uma prova escrita a ser realizada na última aula do curso.0) + participação (2. presença e pontualidade nas aulas. Caso haja modificação no cronograma que implique em alteração na data das provas. A discussão de casos em todas as aulas servirá justamente para estimular o aluno a pensar a teoria na prática. A média do aluno será obtida da seguinte forma: Média final = primeira prova (5. FGV DIREITO RIO 4 . para elaborar as respostas. As provas serão compostas de até cinco questões. (iii) um trabalho a ser entregue individualmente pelos alunos.0 (cinco) pontos e será somada ao trabalho que também valerá de 0 (zero) a 5.0) 2 O aluno que obtiver média inferior a 7. A avaliação por participação será feita com base no interesse demonstrado pelo aluno. nova data e horário serão divulgados com antecedência para os alunos.0 pontos na nota da segunda prova. conhecimento e discussão dos casos apresentados. A segunda prova valerá de 0 (zero) a 8. sem comentários ou anotações. a primeira prova será realizada na primeira semana de outubro e a segunda prova será realizada na semana de 21/11 a 24/11. leitura do material indicado. a qual será obtida conforme fórmula constante no Manual do Aluno . é saber aplicar o conhecimento teórico. deverá fazer uma prova final. um dos principais desafios a serem enfrentados pelos alunos nesta disciplina. e (iv) participação em sala de aula. salvo orientação distinta por parte do professor. Poderá ser atribuído até 2.0 (seis) pontos.0 (sete) e superior ou igual a 4. A princípio. que será somado na segunda prova.

conforme os casos apresentados durante as aulas. cada aluno deverá apresentar relatório apontando os problemas encontrados na diligência legal. 1. Caso haja modificação no cronograma que implique em alteração na data da entrega do trabalho. FGV DIREITO RIO 5 .6 atiVidades CoMPleMentares Dependendo do andamento das aulas. Ao longo do curso serão fornecidas mais informações sobre como elaborar o trabalho. seus riscos e. quando possível. as formas de solucioná-los. Os pontos adicionais serão somados à nota da segunda prova.CONTRATOs Em EsPÉCIE trabalho: Na segunda semana de novembro.5 (meio ponto) cada uma. o professor poderá propor atividades adicionais que valerão 0. nova data e horário serão divulgados com antecedência para os alunos.

Aspectos Controvertidos do Novo Código Civil. Validade e Eficácia. págs. 30 a 35. a ele são aplicáveis os mesmos elementos constitutivos e os pressupostos de validade do negócio jurídico1. (iii) formação dos contratos. Existência e validade do contrato. – idoneidade do objeto. Arnoldo. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. A evolução do contrato no terceiro milênio e o novo Código Civil. • AZEVEDO. (ii) interpretação dos contratos. Direito Civil. 1.1. São elementos constitutivos: – vontade manifestada por meio de declaração.1. roteiro de aula a) introdução No semestre passado. AulA 1: ClASSIfICAçãO dOS CONTRATOS. Saraiva. 1. págs. 1. (iv) revisão dos contratos. Rever aula 2 do curso de Teoria Geral das Obrigações e dos Contratos. III. – forma. 3. Hoje. 27 a 48. Antonio Junqueira de. In ARRUDA Alvim. os alunos tiveram oportunidade de fazer o curso de Teoria Geral das Obrigações e dos Contratos. aprenderam os seguintes tópicos: (i) princípios da nova teoria contratual.1.. São Paulo: Saraiva. 1 FGV DIREITO RIO 6 . e (v) extinção dos contratos. Negócio Jurídico – Existência. 2003. eMentário de teMas: Introdução. Silvio. Caio Mário da Silva. págs 59 a 77.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.1. Dentre outros. Rio de Janeiro: Forense. analisaremos os elementos e requisitos para existência e validade do contrato e a classificação dos contratos. Instituições de Direito Civil.2. Classificação dos contratos. • PEREIRA. vol. 2005. São Paulo: Ed. 2002.1.1. Nosso curso será voltado ao estudo dos contratos em espécie. 1. b) existência e validade do contrato Sendo o contrato um negócio jurídico. vol. biblioGrafia CoMPleMentar: • WALD.3. Joaquim Portes de Cerqueira César e Roberto Rosas (coord).4. biblioGrafia obriGatória: • RODRIGUES. ElEmENTOS ESSENCIAIS. 2002. quando da substância do ato. porém.

2 FGV DIREITO RIO 7 . o contrato em si é um ato bilateral. mas recomendamos que o livro de Caio Mario da Silva Pereira2 também seja estudado. Já os contratos gratuitos envolvem sacríficio econômico para apenas uma das partes e consequentemente vantagem patrimonial a apenas uma delas. C) Classificação dos contratos Qual é o objetivo de classificar os contratos? Embora haja consenso na doutrina sobre boa parte da classificação dos contratos. Conforme bibliografia complementar. o contrato será nulo ou anulável O elemento novo e inerente ao contrato é o acordo entre duas partes sobre determinado assunto. cada autor tem um enfoque diferente ao tratar dessa matéria. – objeto lícito. o mero acordo entre as partes não é suficiente para constituir o contrato. Os requisitos de validade estão previstos no art. possível. Já no contrato real. certo? Como podemos dizer que um contrato é unilateral? Qual é a importância de distinguir o contrato unilateral do bilateral? – Onerosos e gratuitos Os contratos onerosos envolvem sacrifícios e vantagens patrimoniais a ambas as partes. no máximo. Uma mesma espécie de contrato pode ser classificada de inúmeras maneiras. Relacionamos abaixo alguns exemplos: [i – classificação dos contratos quanto a sua natureza:] – Unilaterais e bilaterais Afinal. o que ocorre é uma promessa de contratar. determinado ou determinável. Qual é a importância de distinguir o contrato gratuito do oneroso?– Comutativos e aleatórios Essa distinção aplica-se apenas aos contratos bilaterais e onerosos. O exemplo tradicional de contrato gratuito é a doação sem encargo. – forma prescrita ou não defesa em lei. O donátario recebe algo do doador e nada lhe dá em retorno. Estando ausente algum desses requisitos.CONTRATOs Em EsPÉCIE Caso um desses elementos não esteja presente. exige apenas o consentimento das partes. Nesta aula usaremos por base a metodologia de Silvio Rodrigues. 104 do Código Civil: – agente capaz. Exemplo: contrato de compra e venda de bem móvel. o negócio jurídico nem mesmo existirá. Qual é a importância de distinguir o contrato comutativo do aleatório? [ii – classificação dos contratos quanto ao seu aperfeiçoamento:] – Consensuais e reais O contrato consensual não requer a entrega do bem para aperfeiçoamento do contrato. conforme o ponto de observação do estudo.

trata-se do contrato que trata do assunto definitivamente. nulo será o contrato acessório. se o contrato principal é nulo. [iv – classificação dos contratos quanto ao seu relacionamento com os demais contratos:] – Principais e acessórios O contrato que independe de outro para existir é o contrato principal. já que o contrato principal sobrevive sem o contrato acessório. [v – classificação dos contratos quanto ao momento de sua execução] – Execução instantânea e de execução diferida no futuro Qual é a importância de distinguir o contrato de execução instantânea do contrato de execução diferida no futuro? [vi – classificação dos contratos quanto ao seu objeto] – Definitivo e preliminar O contrato preliminar tem sempre como objeto a realização de um contrato definitivo. Qual é a importância de distinguir o contrato solene do não solene? [iii – classificação dos contratos quanto a sua sistematização:] – Nominados e inominados Nominados são os contratos previstos e regulados por lei. 425 da Lei nº 10. não há forma prescrita em lei para que sejam válidos.CONTRATOs Em EsPÉCIE Isso ocorre. Há. existe em função de outro contrato. A fiança é um bom exemplo de contrato acessório ao contrato de locação. não é verdadeira. conforme a espécie de contrato. É o caso do contrato de compra e venda de imóvel de valor superior a 30 (trinta) vezes o maior salário mínimo vigente no país e que tem que ser feito por escritura pública (art. no entanto.406/2002. o contrato não se aperfeiçoa por mais que haja um contrato entre mutuante e mutuário. porém. ou seja. por sua vez. em razão do princípio da autonomia da vontade (art. Como diz o próprio nome. O contrato acessório. são permitidos quando lícitos.406/2002). FGV DIREITO RIO 8 . 108 da Lei nº 10. no mútuo. alguns casos em que o legislador achou por bem determinar forma para a validade do ato. O contrato definitivo pode ter vários objetos. apesar de não estarem disciplinados em lei. As peculiaridades do contrato preliminar estão previstas nos arts. 462 a 644 da Lei nº 10. Inominados ou atípicos são os contratos que. Como pela regra geral. A recíproca. – Solenes e não solenes Geralmente os contratos são não solenes. se o mutuante não empresta o dinheiro ao mutuário. o acessório segue o principal.406/2002). por exemplo.

no qual as partes discutem os termos do negócio. aquele que não pôde negociar as cláusulas do contrato. 1.5. Em que a entrega da res é pressuposto da sua existência. b. Os artigos 423 e 424 mostram a preocupação do legislador em tentar preservar o aderente. d.6. Efetivamente existente.1ª fase) o contrato real é um contrato: a. questões de ConCurso (Prova: 10º exame de ordem . c. Formal.1. joGo – disCussão eM sala de aula Contrato/ Classificação Unilateral Bilateral Oneroso Gratuito Comutativo Aleatório Consensual Real Solene Não solene Nominado Inominado Principal Acessório Execução Instantânea Execução diferida no futuro Definitivo Preliminar Paritário De adesão Compra e Venda locação doação Empréstimo fiança mandato fornecimento de energia FGV DIREITO RIO 9 . As regras foram previamente estipuladas por uma das partes.1. 1. cabendo a outra parte aceitá-las ou rejeitá-las em sua totalidade. no contrato de adesão não há espaço para negociação. ou seja. Que tem por objeto coisas corpóreas.CONTRATOs Em EsPÉCIE [vii – classificação dos contratos quanto à maneira como são formados] – Paritários e de adesão Ao contrário do contrato paritário.

a Pechincha Comércio Varejista Ltda. foi brindada com uma oportunidade de expansão dos seus negócios. em Brasília. Cerca de dez anos após o começo das atividades.4. • ABLA. págs. 99-121.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Caso Gerador O Sr. A partir de então. conseguiu convencê-los de que se tratava de uma chance de ouro para a família. ARAGÃO.2. 1. no interior de São Paulo. FGV DIREITO RIO 10 . São Paulo: IOB. • RODRIGUES. São Paulo: Quartier Latin. na década de 80.3. Um velho comerciante de Brasília resolveu aposentar-se e voltar a morar com a filha.2. o senhor Eduardo foi paulatinamente transferindo a administração de seus negócios para seus filhos. dona Mônica. 2002. Jairo (org. 3. 137 a 169. São Paulo: Ed. e sempre foi capaz de enxergar uma boa oportunidade. o senhor Eduardo ampliou seus negócios e hoje é sócio majoritário de uma sociedade que possui uma modesta rede de supermercados.. a pequena empresa de Eduardo e Mônica foi experimentando um contínuo sucesso e o negócio foi crescendo junto com seus filhos gêmeos. Saraiva.1. BRUNA. Jeremias e Maria Lúcia. eMentário de teMas: Introdução – Natureza Jurídica – Elementos – Despesas do Contrato e Garantia – Riscos da Coisa – Limitações à Compra e Venda – Regras Especiais 1. biblioGrafia CoMPleMentar: • NEJM. 205-219. 1. mesmo diante da resistência inicial de seus pais e seu irmão. Com o passar do tempo. vol. 481 a 504 da Lei nº 10. 2002. com três lojas e um armazém. Silvio. 2005. Reorganização societária. porém. que visava atender apenas a região. Fusões e aquisições: aspectos jurídicos e econômicos. Rodrigo R. Eduardo e sua mulher. Due diligence – identificando contingências para prever riscos futuros. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. e recebeu autorização deles para iniciar as conversas com o interessado. Dessa forma.). Leandro Santos de (coords.2. págs. transferindo o fundo de comércio para a Pechincha Ltda. págs. Direito Civil.). AulA 2: CONTRATO dE COmPRA E VENdA 1. Com o passar dos anos.2. rapidamente ocupou um lugar cativo na vizinhança e a freguesia se tornou cada vez mais fiel. O que começou com uma loja de conveniência. biblioGrafia obriGatória: • Arts. quando nosso cliente a procurou para lhe fazer uma proposta de compra da Pechincha Ltda. In SADDI. sendo que antes decidiu conferir a Eduardo e Mônica a condução dos seus negócios.2. Edmundo. Monteiro de. alugando outras e. Maria Lúcia sempre teve tino para os negócios. Sucessão Empresarial – Declarações e Garantias – O Papel da Legal Due Diligence. Sérgio Varella. de uma maneira geral. vendendo-lhes algumas posses.2. abriram o primeiro mercadinho. Maristela Sabbag. In CASTRO.406/2002.

considerando o negócio por ela desenvolvido. e. na qualidade de advogado da Grana Certa S/A. que é um investidor profissional. vislumbrou a possibilidade de expandir ainda mais os negócios. sejam eles tributários. Ao fim do processo de diligência legal. Nesses casos. começaria o processo de diligência? Quais seriam os primeiros contratos que você solicitaria ao advogado da Pechincha Ltda. a transferência do domínio só ocorre com a tradição (entrega) do bem. ambientais etc. muitas vezes sem prestar atenção. são regulados também pelas disposições do contrato de compra e venda. Não é à toa que essa é a primeira espécie a ser tratada pelo Código Civil. compramos um chiclete na barraquinha. bem como de uma tentativa de identificação de suas dívidas ou passivos mais relevantes.CONTRATOs Em EsPÉCIE Nosso cliente. para o comprador. A diligência legal tem por objetivo conhecer os aspectos jurídicos da empresa. dada a fidelização da clientela do senhor Eduardo. a companhia Grana Certa Empreendimentos S/A. Além disso. vamos ao supermercado. com o exame criterioso de seus contratos. cíveis. Porém.5.2. 3 FGV DIREITO RIO 11 . de forma que os potenciais compradores saibam o que realmente estão comprando. você concentraria mais sua atenção? Que problemas você vislumbra que ela pode ter nos contratos existentes? 1. muitas vezes é elaborado um relatório descrevendo a situação da empresa. com negócios na área atacadista pretende começar a atuar no segmento de distribuição alimentícia. presidida pelo senhor Odin Heiro. Coube a nós. Como de costume em negócios deste gênero. chamado de critério de materialidade. motivo que o levou a se interessar pela Pechincha Ltda. O contrato de compra e venda não gera efeitos reais. verbal ou escrito. Por exemplo. O resultado de uma diligência legal pode determinar o sucesso ou não da operação e geralmente influi no preço a ser pago. se o fizer. a obrigação de pagar o preço ajustado. a diligência é feita apenas nos processos judiciais ou administrativos. O contrato de compra e venda gera: para o vendedor. Em nosso dia-a-dia realizamos inúmeras operações de compra e venda. então. Para tanto. o domínio do bem alienado. os compradores estabelecem um valor base para análise dos aspectos jurídicos. trabalhistas. no caso de Dependendo do tamanho da empresa. roteiro de aula a) introdução O contrato de compra e venda. sendo que outros contratos. ou seja. Esse relatório serve de instrumento para que o potencial comprador pondere se deve prosseguir com a aquisição do negócio. Isso normalmente se dá por meio de uma análise de todas as operações da empresa. Como você. estamos realizando pequenas operações de compra e venda.? Quais os riscos que. como permuta. não transfere. quais são os riscos a que estaria submetido. a obrigação de transferir a coisa vendida. é a espécie mais comum dos contratos. por si só. e a escassez de bons supermercados na região. destacando todos os pontos e questões identificados durante o processo de diligência legal e que podem afetar a situação financeira e legal da companhia. deveremos solicitar todos3 os contratos da empresa a ser adquirida. a tarefa de fazer a diligência legal na área de contratos da Pechincha Ltda. nosso primeiro trabalho será realizar uma due diligence ou diligência legal ou auditoria jurídica na companhia Pechincha Ltda. contratos e demais áreas que envolvam valor igual ou superior ao critério de materialidade. quando saímos para jantar.

formalidade específica para o contrato de compra e venda. que envolvem transferência de seu patrimônio. 481. [sinalagmático (ou bilateral)] Envolve prestações recíprocas de ambas as partes. quando pura. Cite um exemplo. a pagar-lhe certo preço em dinheiro”. é necessária a realização de contrato escrito mediante escritura pública e seu registro no RGI para que gere efeitos perante terceiros. “Art. Existem outros contratos que. Importante: o contrato de compra e venda de imóvel realizado por meio de instrumento particular é negócio jurídico existente. e com o registro do título de compra no Registro de Imóveis na hipótese de bem imóvel. quais sejam: FGV DIREITO RIO 12 . embora não necessitem de formalidades especiais para seu aperfeiçoamento. desfigura o contrato. Na venda de bem imóvel de valor superior a 30 (trinta) vezes o maior salário mínimo vigente no país. considerar-se-á obrigatória e perfeita. um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa. expressa na desproporção manifesta entre o valor da coisa transferida e o preço acordado. Estando ambas de acordo com o objeto e o preço. que só será obrigatória quando prevista especificamente em lei. não se pode esquecer que. para algumas espécies de compra e venda.267 e 1. 482. O correspondente gratuito da compra e venda é a doação. desde que as partes acordarem no objeto e no preço”. 1. podemos extrair a natureza jurídica e os elementos do contrato de compra e venda. que a maioria esmagadora das operações de venda é feita sem formalidades específicas previstas em lei. [oneroso] Tanto o comprador quanto o vendedor tem prestações a cumprir. sem medo de errar. A partir da leitura desses dois artigos. o contrato é realizado. A gratuidade da compra e venda.406/2002 dispõem: “Art. necessitam de um determinado registro para que a tradição do bem – apesar de móvel – tenha sua eficácia plena. embora não formalizada em contrato escrito.406/2002) Os artigos 481 e 482 da Lei 10. mas somente entre as partes.245 da Lei n° 10. Todavia. inclusive perante terceiros. Tanto é assim que a compra de um chiclete no baleiro da esquina perfaz uma compra e venda perfeita. em regra. válido e plenamente eficaz. e o outro. C) elementos: Os elementos do contrato de compra e venda encontram-se destacados em negrito no artigo 482 acima. A compra e venda. b) natureza jurídica: [consensual e (em regra) não solene] Depende apenas da vontade das partes.CONTRATOs Em EsPÉCIE bem móvel. O comprador deve entregar o preço enquanto o vendedor deve entregar a coisa. (arts. Pode-se dizer. Não se exige. a observância de determinadas formalidades poderão alterar os efeitos do contrato. Pelo contrato de compra e venda.

porém. Relembrando: Condição potestativa é aquela que é sujeita ao puro arbítrio de uma das partes. – É possível alienar algo que não existe? Nada impede que seja contratada a alienação de um bem que ainda não existe. de acordo com a combinação das partes. não tem qualquer valor econômico. as despesas de escritura e registro ficam a cargo do comprador e as despesas com a tradição ficam sob responsabilidade do vendedor. Pode o preço. ou seja. Marvin (comprador) e Vital (vendedor) firmaram contrato de compra e venda no qual deixaram de definir o preço. desde que possam ser determinados objetivamente. O preço deve ser determinado ou determinável. inclusive.406/2002. no direito brasileiro. o contrato de compra e venda não transfere o domínio do bem.406/2002. também podem ser alienados. deve haver uma proporcionalidade entre o valor da coisa e seu preço. Imagine que Eduardo inovou desta vez: comprou-lhe a constelação das Três Marias!!! Ela lhe pergunta quanto vale esse presente. a lei permite que o preço não esteja determinado no contrato e que as partes indiquem: (i) terceiro para fixá-lo. pois nesse caso seria uma hipótese de condição potestativa4. Como visto acima. [coisa] Em teoria. pois senão pode ser considerado uma doação e não uma compra e venda. A fixação do preço em regra segue o livre consentimento das partes. entretanto. 4 FGV DIREITO RIO 13 . Mônica. qualquer fórmula estipulada para fixação do preço é permitida. [preço] Conforme artigo 481 da Lei n° 10. Sua amiga. ou (ii) taxa do mercado ou da bolsa. Por quê? Isso não quer dizer. estabelecer que o preço será fixado de acordo com a vontade de apenas uma das partes. todas as coisas que não estejam fora do comércio podem ser objetos do contrato de compra e venda. Qual seria um outro exemplo de venda de coisa futura? d) despesas do contrato e garantia Em regra. E agora? Não é possível. Tanto é assim. Por quê? Além disso. mesmo após a tradição do objeto o preço pode estar sujeito a ajustes posteriores. que é possível alienar um empreendimento imobiliário. ou (iii) índices ou parâmetros. como as marcas e o fundo de comércio. embora possa ter muito valor sentimental. Ou seja. ou intangíveis. ser ajustado no tempo. conta que está super empolgada com o presente que ganhou do namorado. Um pouco constrangido (a) com a situação. Ele representa a obrigação de transferir um bem no presente ou no futuro.CONTRATOs Em EsPÉCIE [consentimento ] Comprador e vendedor têm que chegar a acordo quanto ao objeto e o preço. você explica que esse presente. em certo e determinado dia e local. o preço não deve ser irrisório. porém. que só podem ser objetos de venda os bens tangíveis. Como vimos anteriormente. Os bens imateriais. vedada pela Lei n° 10. mesmo antes da construção dos prédios. As partes podem. Sendo assim. estabelecer regra diversa. o preço deve ser pago em dinheiro.

– juízes. uma vez que cumpriu sua parte do contrato. testamenteiros e administradores não podem comprar. ainda que em hasta pública. mas sim da posição na relação jurídica. que o vendedor arcasse com os riscos da coisa. 495 está em consonância com a previsão da exceção de contrato não cumprido5 estudada anteriormente. até que o comprador lhe dê garantia de que efetuará os pagamentos no prazo ajustado. ainda que em hasta pública. no lugar onde servirem. até que aquela satisfaça a que lhe comete ou dê garantia bastante de satisfazê-la”. direta ou indireta. Art. peritos e outros serventuários ou auxiliares da Justiça não podem comprar. 5 FGV DIREITO RIO 14 . até o momento de sua efetiva entrega ou registro. depois de concluído o contrato. que “até o momento da tradição. – o comprador está em mora de receber a coisa. e os do preço por conta do comprador”. em razão de caso fortuito ou força maior. se o comprador torna-se insolvente. Isto ocorre nas seguintes situações: – tutores. ou a que se estender a sua autoridade. que foi posta à disposição pelo vendedor no local.CONTRATOs Em EsPÉCIE No contrato de compra e venda à vista. f) limitações à compra e venda A lei veda que determinadas pessoas participem de compra e venda. curadores. – houver mútuo acordo entre as partes. 492. os bens confiados à sua guarda ou administração. no art. Essa regra do art. pois neste caso não houve a tradição da coisa. Tendo em vista que a celebração do contrato de compra e venda não é suficiente para transferir o domínio da coisa até o momento da tradição (para bens móveis) e do registro (para bens imóveis). – servidores públicos não podem comprar. arbitradores. – o comprador solicita que a coisa seja entregue em local diverso daquele que deveria ser entregue. Essa vedação não resulta da incapacidade das pessoas para realizar essa operação.406/2002: “se. Não seria justo. Qual é? e) riscos da coisa Res perit domino – princípio segundo o qual a coisa perece em poder de seu dono. no caso de venda a termo. Há uma diferença entre elas. tempo e modo acertado. Porém. 477 da Lei nº 10. ou que estejam sob sua administração. No caso. Esta hipótese é uma exceção ao princípio da Res perit domino. ainda que em hasta pública. sobrevier a uma das partes contratantes diminuição em seu patrimônio capaz de comprometer ou tornar duvidosa a prestação pela qual se obrigou. entretanto. os bens ou direitos sobre que se litigar em tribunal. secretários de tribunais. sofrendo este os prejuízos. Por isso. Esse princípio foi utilizado pelo legislador ao determinar. o vendedor pode deixar de entregar a coisa. os bens ou direitos da pessoa jurídica a que servirem. juízo ou conselho. quem tem que cumprir primeiro com sua obrigação: o vendedor ou o comprador? Além disso. a coisa se deteriora. eles não têm legitimidade para realizar determinadas operações. os riscos com a coisa correm por conta do comprador quando: – a coisa encontra-se à disposição do comprador para que ele possa contar. marcar ou assinalar a coisa e. os riscos da coisa correm por conta do vendedor. a coisa continua a pertencer ao alienante. pode a outra recusar-se à prestação que lhe incumbe. os riscos com a coisa são do vendedor.

FGV DIREITO RIO 15 . [defeito oculto nas vendas conjuntas] “Art.CONTRATOs Em EsPÉCIE – leiloeiros e seus prepostos não podem adquirir. Consensual. formal e aleatório. ou seja. Embora em alguns casos seja difícil determinar se a venda foi feita ad mensuram ou ad corpus.6. rescindir o contrato de compra e venda. bilateral. não formal e consensual. Quais são os motivos pelos quais o legislador resolveu restringir a aquisição pelas pessoas elencadas acima? O condômino de coisa indivisível pode alienar sua parte a terceiros. b. independentemente da extensão. o contrato de compra e venda de imóveis se apresenta da seguinte forma: a. Venda ad corpus – as partes estão interessadas em comprar coisa certa e determinada. o comprador tem o direito de exigir que a coisa vendida tenha as medidas acertadas e não o tendo pode pedir a complementação da área. Nas coisas vendidas conjuntamente. Bilateral. bilateral. – descendentes não podem adquirir bens do ascendente. Já no caso de venda ad corpus. caso verifique que as medidas do imóvel adquirido não correspondem exatamente as medidas que constaram do contrato. O que ocorre se houver mais de um condômino interessado em adquirir a quota parte a ser alienada? G) regras especiais [venda por amostra] Ocorre quando a venda ocorre com base em amostra exibida ao comprador. entende-se que a referência à medida do terreno é meramente enunciativa. desde que dê direito de preferência aos demais condôminos. bilateral. Exemplo: Fazendeiro tem interesse em adquirir mil hectares para poder plantar. Quais são elas e como esse artigo deve ser interpretado para atenuar as críticas? 1. 503. por vezes essa distinção se faz necessária em razão das regras peculiares a cada uma. oneroso e solene.1ª fase) Quanto à classificação. os bens de cuja venda estejam encarregados. O objetivo do adquirente é comprar uma coisa com determinado comprimento necessário para desenvolver uma finalidade. Oneroso.2. Exemplo: Fazendeiro tem interesse em adquirir a Fazenda Boa Esperança. [venda ad corpus e venda ad mensuram] Venda ad mensuram – as partes estão interessadas em uma determinada área. No caso de venda ad mensuram. ainda que em hasta pública. Esse artigo sofre críticas de importantes autores. d. o comprador não teria esse direito. sem consentimento expresso dos demais descendentes e do cônjuge do alienante. Nestes casos. oneroso e não solene. ou caso isso não seja possível. O comprador tem direito de receber coisa igual à amostra. c. oneroso. o defeito oculto de uma não autoriza a rejeição de todas”. Consensual. ele precisa oferecer aos demais condôminos sua parte pelo mesmo preço e condições pelos quais pretende vender a terceiros. questões de ConCurso (Prova: 29º Exame de Ordem .

c. Falta de legitimação. Transfere-se o domínio dos bens móveis. Neste caso. b. dar direito de preferência na aquisição. falta de capacidade. NÃO É CORRETO afirmar: a. Modelo de lista de due diliGenCe DILIGÊNCIA LEGAL Durante a diligência legal serão analisadas cópias dos documentos abaixo discriminados. Necessariamente ao vendedor c. bastará que a sociedade formule declaração por escrito nesse sentido. c. 1.1ª fase) A quem cabem as despesas com a escritura de compra e venda de imóvel residencial? a. se for o caso. podemos afirmar que: a. Unilateral.7. deve. antes de vendê-la a um estranho.1ª fase) A compra e venda de bens móveis é contrato: a. Comutativo. É nula a pactuação firmada que deixa ao exclusivo arbítrio de uma das partes a fixação do preço b. Na venda “ad mensuram” as referências às dimensões do imóvel são meramente enunciativas. I . FGV DIREITO RIO 16 . ao desejar vender a sua parte no bem. Ao vendedor. Não se transfere o domínio dos bens móveis. referentes à sociedade limitada a ser adquirida e. quando da realização de avença c. O condômino em coisa indivisível. incapacidade de fato. podendo haver disposição em contrário (Prova: 05º Exame de Ordem . d. aos demais condôminos (Prova: 26º Exame de Ordem . (Prova: 03º Exame de Ordem . se for o caso.1ª fase) A proibição de venda do ascendente aos descendentes sem a concordância dos demais. Falta de aptidão intrínseca do agente. Necessariamente ao comprador b.1ª fase) Com relação ao contrato de compra e venda. tanto por tanto. d. b. c. Desde que haja capacidade.NOTA INTRODUTÓRIA: Alguns dos documentos solicitados podem não existir ou não ser aplicáveis à sociedade objeto da diligência legal e. É válida a venda de ascendente solteiro a descendente. b. podendo haver disposição em contrário d. Falta de legitimação. d. A título gratuito. (Prova: 05º Exame de Ordem . configura: a. Ao comprador. não existe proibição.CONTRATOs Em EsPÉCIE (Prova: 27º Exame de Ordem .2. Transfere-se o domínio de qualquer bem imóvel. a suas controladas e coligadas. a todas as suas controladas e coligadas. que obtém o consentimento dos demais descendentes. Executam-se as obrigações assumidas verbalmente. ainda que haja capacidade. Formal.1ª fase) Considerando-se o instituto da tradição no direito civil. não cabendo demanda quanto a uma eventual diferença nas medições d.

2. se existentes. 14. garantias. Planos de Opção de Compra de Ações/Quotas oferecidos aos seus administradores e/ou empregados. patentes. Certidão de Breve Relatório da Junta Comercial competente. bem como Atas de Assembléias ou Reuniões de Sócios. 7. direito autoral. subsidiárias. Fornecer cópias dos modelos de contratos-padrão utilizados pela sociedade. Solicitamos que os documentos sejam ordenados e/ou relacionados seguindo a ordem e numeração constante deste check list. 18. Opções. contratos de assistência técnica e/ou contratos de franquia ou outros contratos envolvendo bens de propriedade intelectual eventualmente firmados pela sociedade. 9. desenhos industriais. arquivados ou não na sede da sociedade. II . 19. vencimentos. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de licença e/ou cessão envolvendo marcas. Contrato constitutivo da sociedade e respectivas alterações contratuais posteriores. com identificação de seus sócios. com comprovantes de arquivamento na Junta Comercial e respectivas publicações. controladas e demais sociedades nas quais participe. cauções e outros gravames. acompanhados dos respectivos certificados de averbação no INPI e de registro no Banco Central. 16. cláusulas estabelecendo proibição de ultrapassar determinado limite entre capital próprio e capital de terceiros (“debt/ equity”) e etc.CONTRATOS: 17. Registro das ações ou quotas de outras sociedades de que participa a sociedade. 4. informando objeto. Acordo de Sócios e Aditivos. bem como as suas respectivas publicações. FGV DIREITO RIO 17 . promessas de compra e venda. 11. 8. Lista dos nomes dos sócios. coligadas. tendo por objeto as quotas da sociedade. Convenção de grupo de sociedades de que a sociedade participe. 3. III . incorporação e fusão em que tenha sido parte a sociedade ou tendo por objeto suas quotas. 5. Fornecer lista elaborada pela administração da sociedade contemplando todos os contratos em vigor dos quais a sociedade seja parte signatária ou interveniente. Protocolos de cisão. Relatório indicando todas as procurações outorgadas pela sociedade (ad judicia e ad negotia). 20. associação ou “joint venture”. 15. Todos os Livros Societários da sociedade. filiais (com os respectivos números de inscrição no CNPJ). Lista de endereços completos de todos os escritórios. especialmente o de Atas de Assembléias ou Reuniões de Sócios. a fim de agilizar o procedimento de sua identificação e análise. depósitos e quaisquer outras operações da sociedade. bem como respectivas cópias. contratos de transferência de tecnologia. cópia das publicações exigidas em lei. 10. 13.). 21. Em caso de cisão ou redução do capital social da sociedade. prazo e com o fornecimento das respectivas cópias. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de distribuição. 12. as certidões a serem providenciadas deverão abranger a matriz e todas as filiais.CONTRATOs Em EsPÉCIE Se a sociedade mantiver filiais. Informar sobre a eventual existência de inadimplemento de cláusulas contratuais contendo obrigações de caráter econômico-financeiro (tais como cláusulas limitando o futuro endividamento da sociedade.ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DA SOCIEDADE: 1. situação (adimplemento ou inadimplemento). Demonstrações financeiras da sociedade. incluindo suas funções e responsabilidades. Contratos de consórcio. Organograma societário da sociedade. 6. valor. representação comercial e de fornecimento (ativo ou passivo) envolvendo a sociedade. membros da administração da sociedade que ocupam e/ou ocuparam tais cargos durante os últimos 02 (dois) anos.

penhor. Locação de hardware. ou modifiquem seus termos. 31.5. 30. assistência técnica ou serviços de qualquer outra natureza.CONTRATOs Em EsPÉCIE 22. 42. Informar sobre e fornecer cópia de documento de constituição de garantias pessoais (e. Informar sobre e fornecer cópia de Notas Promissórias emitidas pela sociedade. cartas de intenção ou entendimentos com terceiros em que a sociedade figure como parte. 26. FGV DIREITO RIO 18 . aval) concedidas pela sociedade em favor de terceiros. IV . 38.. hipoteca. Serviços técnicos. 25.g. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantias reais (e. patentes e/ou desenhos industriais depositados/registrados. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantia pessoal (e. instrumentos tendo por objeto alienação fiduciária de bem da sociedade ou compra e venda com reserva de domínio. aval) em favor da sociedade. Nomes de domínio registrados pela sociedade. Todos os softwares utilizados pela sociedade. que qualquer referência a contratos inclui seus aditivos e anexos. 23.g hipoteca. Processos administrativos apresentados contra marcas de terceiros no Brasil e/ou no exterior.g fiança. 24. 33. 31. Fornecer todas as apólices de seguros contratados. ainda. bem como comprovação de poderes de representação do signatário do garantidor.6.1. cujas cópias deverão ser igualmente fornecidas. caução) em favor da sociedade e respectivas certidões ou. Desenvolvimento de software. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de prestação de consultoria. 41.2. ainda. da eventual cessão pelo beneficiário das referidas notas. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de empréstimo ou financiamento (inclusive por meio de emissão de valores mobiliários). Informar sobre e fornecer cópia de contratos na área de tecnologia da informação. se de conhecimento da mesma. penhor. incluindo. Processos administrativos e/ou judiciais envolvendo os bens de propriedade intelectual da sociedade.3. 31. arrendamento mercantil ou comodato de bens imóveis ou móveis. caução) concedidas pela sociedade em favor de terceiros ou. Marcas. mas não se limitando a: 35. acordos laterais etc. que definam o modo de cumprimento de cláusulas contratuais. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantias reais (e. 32. instrumentos tendo por objeto alienação fiduciária e compra e venda com reserva de domínio. 28. 37. finalmente. Informamos. que não tenham sido previstos na presente lista. Obras intelectuais de titularidade da sociedade. 31. Licenciamento de software. 31. 31. Informação acerca de segredos de negócio de propriedade da sociedade. 36. e/ou outros instrumentos de natureza financeira. correspondências.PROPRIEDADE INTELECTUAL: Solicitamos informações e cópias de todos os bens e documentos referentes à propriedade intelectual da sociedade no Brasil e em outros países. Todos os softwares criados pela sociedade. 27. Manutenção de hardware.4. 39. com a informação. Informar sobre e fornecer cópia de compromissos. Manutenção de software. tais como: 31. 40.g fiança. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de locação. 29. Informar sobre e fornecer cópia de Cartas de Conforto (comfort letters) ou quaisquer instrumentos. 34. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de prestação de serviços de publicidade e propaganda.

bem como da ausência de aforamento (enfiteuse).) relacionada ao regime especial e/ou benefício fiscal concedido à sociedade até a presente data. 50. estadual ou municipal. repetição do indébito. Prova da propriedade dos bens móveis de valor individual acima de R$10. inclusive certidões atualizadas com filiação vintenária. Certidões negativas relativas ao IPTU. direitos de retenção ou qualquer outra forma de restrição de qualquer natureza sobre qualquer ativo da sociedade listando tais ativos e os relacionando aos respectivos processos judiciais ou administrativos. Relatório atualizado discriminando parcelamentos de tributos da sociedade e/ou participação em programas de recuperação fiscal (“REFIS” ou “PAES” . (iv) quantidade de parcelas pagas. já em reais.00 (dez mil reais) integrados ao ativo da sociedade. dos registros de imóveis competentes. cartas de representação e/ou outras informações formais prestadas pelos administradores aos auditores.no âmbito federal. envolvendo a sociedade. 47. estaduais ou municipais) concedidos à sociedade. etc. de todos os valores pendentes de tributação eventualmente registrados na parte B e demonstrativo do prejuízo fiscal acumulado e da base negativa da Contribuição Social. Disponibilizar o LALUR referente ao último ano. 52. com a indicação. (iii) existência ou não de medida judicial que permita a utilização dos créditos. VI – ASPECTOS FISCAIS: 48. Relatório atualizado identificando todos os eventuais benefícios fiscais e/ou tratamentos fiscais (federais. 51. Informar.. já utilizados e a utilizar. ainda. Caso a sociedade possua bens imóveis: 45. As 3 (três) últimas demonstrações financeiras e os 3 (três) últimos Balancetes consolidados da sociedade. Consultas fiscais. Qualquer outra documentação que seja relevante e/ou que afete os bens de propriedade intelectual da sociedade. para fins de auditoria. Fornecer toda documentação (Instruções Normativas. declarações. FGV DIREITO RIO 19 . acompanhados dos receptivos termos. Certidões negativas do INSS relativas aos bens imóveis da sociedade. (v) garantia oferecida. 46. 53.PROPRIEDADES E ATIVOS: 44. indicando (i) forma do aproveitamento: compensação com outros tributos.CONTRATOs Em EsPÉCIE 43. Pareceres dos auditores independentes. estadual ou municipal). 55. 54. indicando: (i) tributo parcelado. etc. tendo por objeto matéria tributária. Portarias.000. referente aos últimos 05 (cinco) anos. garantias. Toda e qualquer documentação relativa a penhores. formalmente protocoladas perante os órgãos da administração tributária. (ii) valores envolvidos. (vi) documentação apresentada à autoridade fiscal competente discriminando os débitos fiscais incluídos no REFIS e/ou PAES e (vii) prova de quitação de todos os pagamentos até a presente data. com negativa de ônus/servidões/alienações. utilização de créditos extemporâneos. (ii) início do parcelamento. com a mesma data do último Balancete que será disponibilizado. expedidas pelos Municípios onde se encontram os imóveis da sociedade. Informações sobre aproveitamento de créditos tributários. V . nos níveis federal. Prova da propriedade dos bens imóveis da sociedade. 49. (iii) número de parcelas. a existência de eventuais requerimentos ou questionamentos pendentes quanto aos mesmos. cujas decisões foram proferidas nos últimos 5(cinco) anos.

COFINS. Falências e Concordatas (i. Justiça Estadual e Justiça do Trabalho das comarcas da matriz e onde a sociedade mantém estabelecimentos ou filiais. CSLL. Caso tenha havido alteração de sede nos últimos 05 (cinco) anos. com a estimativa de valores envolvidos. Fornecer originais de Certidões atualizadas do INss (CND). as duas últimas para cada estado ou município onde a sociedade possui estabelecimentos.CONTRATOs Em EsPÉCIE VII . (iii) objeto e fundamentos do pedido. despachos. 58. Certidões dos Cartórios de Protestos de Letras e Títulos). (vii) chances de êxito e respectivo critério utilizado. recursos e acórdãos. expedidas pela Procuradoria da Fazenda Nacional. judiciais e administrativos em que a sociedade seja parte ou tenha interesse. Certidão de Quitação do FgTs.. 64. instauradas por órgãos governamentais ou terceiros. relativamente a tributos federais. e referentes a processos administrativos. (viii) provisões e/ou depósitos judiciais e (ix) quaisquer informações relevantes com respeito a tais processos. Interdições e Tutelas. ré ou terceira interessada) ou em vias de ser iniciados. (v) valores envolvidos (atualizados ou em UFIR). (iv) andamento (status) atualizado. sentenças. 60. judiciais e administrativos. Estadual e municipal. 61. Certidões da Justiça Federal dos Distribuidores de Ações e Execuções Cíveis. inicial. 59. Certidões de quitação de Tributos Estaduais (ICms) (Certidão de quitação de Tributos Estaduais) e Certidões de quitação de Tributos municipais (ISS) (Certidão de quitação de Tributos Municipais). Disponibilizar cópias das peças fundamentais dos processos fiscais. Fornecer originais de Certidões atualizadas passadas por todos os Cartórios de Protestos das comarcas onde a sociedade mantém estabelecimentos ou filiais. bem como Trabalhistas. tais como. execução ou cumprimento. Composição analítica das principais contas que compõem depósitos judiciais e provisões para contingências fiscais e suas correlações com os processos fiscais administrativos e judiciais em andamento. inspeções ou investigações realizadas. ainda. Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais intimações.e. e. (ii) foro. pendentes de julgamento. estaduais e municipais. pendentes (nos quais a sociedade figure como autora. 65. identificando todos os eventuais processos fiscais. 57. FGV DIREITO RIO 20 . Fornecer originais de Certidões de quitação de Tributos e Contribuições Federais – “CQTF” (IR. 66. cobrindo o período de 10 (dez) anos (i. favor solicitar as certidões aplicáveis também em relação ao(s) antigo(s) endereço(s). com relação a cada um de seus estabelecimentos ou filiais. Criminais e Fiscais e Certidões da Justiça Estadual dos Distribuidores Cíveis e Fiscais e Certidões dos Distribuidores da Justiça do Trabalho). Fornecer originais de Certidões de Dívida Ativa – (CDA) em nome da sociedade.. ainda não inscritos em dívida ativa. IPI. abrangendo feitos Cíveis. inclusive parcelamentos em andamento. (vi) valor da causa. Fornecer originais de Certidões atualizadas dos cartórios distribuidores de ações da Justiça Federal.e. Fornecer Relatório elaborado pelos advogados responsáveis pelos respectivos casos. Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais processos de desapropriação em que a sociedade figure como autora. em curso em nome da sociedade. bem como de relatório emitido pela Secretaria da Receita Federal. em nome da sociedade. contestação. com a indicação de: (i) tributo envolvido. Secretaria Estadual de Fazenda e Secretaria Municipal de Fazenda indicando os processos administrativos. notificações. PIS).LITígIOs JUDICIAIs OU ADmINIsTRATIVOs: Certidões: 56. Criminais e Fiscais. abrangendo todas as suas filiais. passadas em nome da sociedade. 63. Relatórios: 62.

Informar eventuais horários de trabalho diferenciados por setor ou sistemas de revezamento. inclusive banco de horas. 76. Horário de trabalho.1. (iii) cargo ou função.2.? Qual o critério de pagamento de cada benefício? É efetuado desconto no salário? Caso haja desconto. Informar o saldo atual de horas trabalhadas e ainda não compensadas pelo “banco de horas”.3. 68. Relativamente à jornada de trabalho.1. (ii) existem empregados que optaram pelo não recebimento.1. Caso afirmativo. (vi) o benefício integra o salário para efeito de cálculo do FGTS. contrato por prazo determinado etc. auxílio moradia. Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais reclamações baseadas em defeitos constatados nos produtos fabricados pela sociedade (“product liability”) ou em garantias concedidas pela sociedade na venda dos produtos. relatório informando: 75. Cópia do plano de cargos e salários. auxílio alimentação etc. bonificações ou ajudas de custo? Quais funções recebem as ditas parcelas? Qual o critério de pagamento? 74. cópia do modelo de autorização de desconto salarial relativo aos benefícios concedidos. gratificações. previdência privada. prêmios. Relação dos empregados não subordinados a controle de horário. instauradas por órgãos governamentais ou terceiros.2. Informar a forma de remuneração das horas à disposição. 73. férias e décimo terceiro salário. Fornecer Cartas encaminhadas pelos advogados externos aos auditores independentes sobre processos judiciais e administrativos. 72. Fornecer Documentos e relatórios (inclusive os Termos de início e encerramento de fiscalização tributária) contendo informações sobre eventuais intimações. Como é feito o controle de horário? A anotação é feita pelo próprio empregado ou por pessoa específica? Onde são feitas tais anotações? Os empregados assinam tal registro? 73. 75. (iii) existe autorização dos empregados para o desconto. 73. informar se: (i) os empregados podem optar por tais benefícios. contendo (i) data de admissão.4. se houver. ficando à disposição da sociedade. Cópia dos modelos de contrato de trabalho (contrato de experiência. relatório informando: 74. Acordos de compensação e de prorrogação da jornada de trabalho. 74. Relativamente à alimentação. com indicação das respectivas funções e salários.2. e (iv) salário atual (partes fixas e variáveis). Previdência Social. horário de intervalo e dia de folga semanal dos empregados. 69. 70.CONTRATOs Em EsPÉCIE 67. Quais as verbas percebidas além do salário fixo e horas extras? Há empregados recebendo comissões. Imposto de Renda. Relatório identificando todos os empregados. notificações. A alimentação é fornecida pela própria sociedade ou são concedidos vales-refeição? Há desconto no salário ou é fornecida gratuitamente? 75. Fornecer Relatório contendo informações sobre processos administrativos que envolvam as sociedades controladas ou coligadas. inspeções ou investigações realizadas. apresentar cópia dos comprovantes anuais de inscrição. VIII – AsPECTOs TRABALHIsTAs: 71. Indicar se houve homologação do plano pelo Ministério do Trabalho. despesas de representação. uso de automóvel. 73. planos de saúde. A sociedade participa do PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador? Caso positivo. auxílio educação. relatório informando: 73. Relação dos empregados que utilizam telefone celular ou equipamento similar. se existente. Há empregados recebendo benefícios tais como. (ii) local de trabalho.) e do regulamento interno ou regulamento de pessoal da sociedade. FGV DIREITO RIO 21 . Relativamente à remuneração. Conselho Nacional de Política Salarial ou norma coletiva.

Cópia do plano de opção de compra de ações. Licenças Ambientais: Licenças Prévias. (vi) estimativa dos valores envolvidos. 90. A sociedade tem organizada a CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes? Caso positivo. alvará da prefeitura etc. 82. Cópia dos termos de ajustamento de conduta. empresas de mão-de-obra temporária ou trabalhadores autônomos e relatório informando: (i) se os empregados alocados para atender a sociedade são sempre os mesmos. 91. Foram ajuizadas reclamações trabalhistas em razão do plano de demissão? 83. Cópia dos Autos de Infração lavrados contra a sociedade nos últimos 02 (dois) anos e respectiva defesa/decisão administrativa/recurso ou guia comprovando pagamento da multa administrativa. plano de demissão incentivada? Caso afirmativo. 86. Cópia das convenções coletivas.APROVAÇÕEs gOVERNAmENTAIs E LICENÇAs: 92. Cópia do Livro de Inspeção do Trabalho de todos os estabelecimentos da sociedade. 87. empregados com cargo de direção em sindicatos ou associações profissionais. 84. do programa de opção de compra de ações e a relação dos empregados e executivos elegíveis a tal plano. acordos coletivos. 85.CONTRATOs Em EsPÉCIE 77. 80. (v) período dos serviços. 79. 78. INSS. Cópia de Plano de Participação nos Lucros e/ou Resultados. cálculos de liquidação. A sociedade instituiu. 89. empregadas grávidas. Informar se são observadas convenções.). (ii) se trabalham diariamente nas dependências da sociedade. inclusive termos aditivos. acaso existentes. Relatório identificando todos os empregados com estabilidade permanente ou temporária (CIPA. Relação dos empregados desligados da sociedade nos últimos 02 (dois) anos. (iii) quem controla os serviços de tais empregados (a sociedade ou a prestadora de serviços). IX . (vi) número de trabalhadores envolvido. empregados acidentados. Há serviços terceirizados na sociedade? Apresentar cópia dos contratos de prestação de serviços firmados com empresas prestadoras de serviços. inquéritos administrativos. contendo (i) partes envolvidas. ou dissídios próprios para categorias diferenciadas (secretárias. (vii) estimativa de êxito. esclarecer os critérios do plano. cooperativas. motoristas e profissionais liberais). Cópia das principais peças de todas as ações trabalhistas em curso contra a sociedade. 88. ISS. (iii) pedidos. Relatório identificando todas as reclamações trabalhistas e procedimentos administrativos (DRT e MPT) em curso contra a sociedade. decisões judiciais proferidas em dissídio coletivo.). por amostragem. 81. FGV DIREITO RIO 22 . etc. estaduais e municipais (tais como CNPJ. ações civis públicas ou outras ações de natureza trabalhista. bem como fornecer respectivos documentos. telefonistas. das respectivas rescisões do contrato de trabalho e homologação pelo Sindicato ou pela DRT. Informar o valor despendido pela sociedade com o pagamento de tal participação. (ii) foro. autos de infração. (vi) valores mensais pagos e se a sociedade exige mensalmente os comprovantes de recolhimento previdenciário e do FGTS. nos últimos 05 (cinco) anos. acordos. tais como petição inicial. cálculos homologados e depósitos efetuados. decisões proferidas em todas as instâncias. X – AsPECTOs AmBIENTAIs: 93. Informar o valor da provisão com relação aos processos judiciais e administrativos em andamento. se houver. e (v) situação atual. de Instalação e Funcionamento emitidas pelo órgão ambiental competente. (iv) a quem estão subordinados. Cópia do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). apresentar relação dos atuais integrantes e cópias das atas de reunião dos últimos 02 (dois) anos. bem como cópias. Registros e inscrições da sociedade junto às autoridades fiscais federais. explicitando os critérios de tal provisão.

Licença de Funcionamento emitida pela Vigilância Sanitária. declara que as Quotas foram regularmente integralizadas e se encontram inteiramente livres e desembaraçadas de ônus.Taxa de Controle de Fiscalização Ambiental. entre si.CONTRATOs Em EsPÉCIE 94. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE QUOTAS [NOmE E QUALIFICAÇÃO]. pelo preço certo e ajustado estabelecido na Cláusula 2. neste ato. Licença de substâncias sujeitas a controle especial emitida pelo Departamento de Polícia Federal. doravante denominado simplesmente “Vendedor”.2. Comprovante de pagamento do TCFA . CONSIDERANDO QUE: (i) O Vendedor é legítimo possuidor e proprietário de 15. O Vendedor e o Comprador (doravante referidos simplesmente como “Partes”) têm. e. justa e contratada a celebração do presente Contrato de Compra e Venda de Quotas (“Contrato”).000 (quinze mil) quotas representativas de 50% (cinqüenta por cento) do capital social da sociedade (“Quotas”). com todos os respectivos direitos e obrigações. 97. 102. O Vendedor. doravante denominada simplesmente “sociedade”.DA COMPRA E VENDA DAS QUOTAS 1. ainda. Certidão de Uso do Solo. usufrutos ou qualquer outra restrição à posse e/ou a qualquer outro direito inerente a tais Quotas. turbações. na qualidade de interveniente-anuente: [NOmE E QUALIFICAÇÃO DA sOCIEDADE CUJAs QUOTAs EsTÃO sENDO ALIENADAs]. FGV DIREITO RIO 23 . de acordo com as seguintes cláusulas e condições: CLÁUSULA PRIMEIRA . nos termos ajustados pelo presente instrumento. 98. 99. Relatório informando a respeito de atividades passadas desenvolvidas nos imóveis onde a sociedade desenvolve suas atividades. 1. Modelo de Contrato de CoMPra e Venda de quotas Além da alteração do contrato social necessária para transferir quotas. gravames. Pelo presente Contrato e na melhor forma de direito. 101. Alvará do Corpo de Bombeiros. doravante denominado simplesmente “Comprador”. Licença do órgão sanitário competente para ambulatórios e refeitórios. a totalidade de suas Quotas representativas do capital social da sociedade ao Comprador. Outorgas do Uso da Água. Alvará de Licença e Localização emitido pela Prefeitura. 104. Habite-se. 1. 106.2. e (ii) O Vendedor deseja alienar as Quotas. o Vendedor cede e transfere. Certificado de Licença de Funcionamento emitido pelo Ministério da Justiça. e [NOmE E QUALIFICAÇÃO]. 95. conforme modelo abaixo. 105. 100. e que o Comprador deseja adquiri-las. que deve ser arquivada no registro competente.1 abaixo. 103. as partes podem celebrar adicionalmente um contrato de compra e venda de quotas. Inscrição no Cadastro Técnico Federal das Atividades Potencialmente Poluidoras. Listagem das ações judiciais e processos administrativos de cunho ambiental e seus respectivos andamentos. encargos.1.8. 96.

As Partes declaram e reconhecem que o presente Contrato.1.. O presente Contrato é celebrado em caráter irrevogável e irretratável e obriga e aproveita às Partes e à sociedade.. 4. mediante depósito na conta-corrente nº [... 4.].1 do presente Contrato será de exclusiva responsabilidade do Comprador.. constitui título executivo extrajudicial..7.] do Banco [. a qualquer tempo. por meio da entrega pelo Vendedor ao Comprador do cheque administrativo nº [.. 4. entretanto a respectiva comunicação de alteração de endereço só tornar-se-á efetiva após o recebimento pela outra Parte e/ou pela sociedade.] da conta-corrente nº [.3. 4.2.1.. inciso II. O preço certo. as demais disposições serão modificadas para preservar sua exeqüibilidade.] do Banco [. herdeiros. se formalizada mediante instrumento escrito assinado pelas Partes e pela sociedade.DISPOSIÇÕES GERAIS 4.]. mediante a assinatura da competente alteração do contrato social da sociedade.. 4. e b) R$ 75. seus sucessores. CLÁUSULA TERCEIRA – TRANSFERÊNCIA DAS QUOTAS 3. nos termos do artigo 585. O não exercício ou atraso por qualquer das Partes e/ou da sociedade.4.1. 4. CLÁUSULA QUARTA .1. Toda e qualquer alteração das disposições do presente Contrato somente será válida e exeqüível..1. sendo considerada como mero ato de liberalidade. Fica ajustado entre as Partes que as despesas decorrentes do arquivamento da alteração contratual referida na cláusula 3.00 (setenta e cinco mil reais) a serem pagos em até 90 dias a contar desta data. O presente Contrato constitui o acordo final.1.1 acima. anulada ou inexeqüível.000. no exercício de qualquer direito previsto neste Contrato deverá ser interpretado individualmente e não poderá ser considerado como renúncia por qualquer das Partes ou novação de qualquer obrigação contida neste Contrato. plena. substituindo todos os acordos. mencionado na Cláusula Segunda.CONTRATOs Em EsPÉCIE CLÁUSULA SEGUNDA . cabal e exclusivo entre as Partes com relação à compra e venda das Quotas. a ser pago pelo Comprador ao Vendedor da seguinte forma: a) R$ 25.00 (vinte e cinco mil reais) pagos neste ato. do Código de Processo Civil.. orais ou escritos. a esse respeito.FORMA DE PAGAMENTO 2. se essa disposição suprimida prejudicar a execução deste Contrato.00 (cem mil reais) (“Preço”). Uma vez creditado na conta-corrente do Vendedor. entendimentos e declarações anteriores.] da agência [. 4. assinado por 02 (duas) testemunhas. mediante comunicação dada na forma prevista acima. constantes do item 2.8. conforme o caso. o Vendedor outorgará ao Comprador.6.5. por qualquer motivo. e somente poderá ser alterado por instrumento escrito devidamente assinado por todas as Partes. 2. Entretanto. essa disposição será suprimida e não terá nenhuma força e efeito.9. cessionários e representantes legais. o pagamento das parcelas que perfazem o Preço.000. inclusive quaisquer despesas decorrentes de serviços profissionais por ele contratados.. 4. 4. da totalidade do Preço devido ao Vendedor.8. assim FGV DIREITO RIO 24 . total e ajustado para a aquisição das Quotas é de R$ 100. (ii) através de carta registrada. rasa e geral quitação com relação ao valor pago. Quaisquer dos endereços constantes do preâmbulo poderão ser alterados. O presente Contrato ou quaisquer direitos e/ou obrigações dele oriundos não poderão ser cedidos sem o prévio e expresso consentimento das Partes e da sociedade. Na hipótese de qualquer disposição ou parte de qualquer disposição deste Contrato ser tida como nula. a qualquer título.. e somente produzirá efeitos.000. Todas as notificações e comunicações a serem feitas com relação ao presente Contrato serão elaboradas por escrito e serão enviadas para os endereços constantes do preâmbulo deste Contrato (i) por meio de Cartório de Títulos e Documentos.. ou (iii) com outra comprovação inequívoca de recebimento.] da agência [. A transferência das Quotas será formalizada no ato do pagamento pelo Comprador.

639 e seguintes do Código de Processo Civil. Fica eleito o foro da Comarca do Rio de Janeiro. Nome: CPF/MF: 2. [dia] de [mês] de [ano]. por mais privilegiado que possa ser. nos termos dos artigos 461. 4. E por estarem certas e ajustadas. para dirimir quaisquer questões oriundas deste Contrato. 632. as Partes assinam este Contrato em 03 (três) vias de igual teor e efeito. Nome: CPF/MF: FGV DIREITO RIO 25 .CONTRATOs Em EsPÉCIE como as obrigações de fazer aqui contidas comportam execução específica. Assinatura das Partes e da Sociedade Testemunhas: 1. Rio de Janeiro. na presença de 02 (duas) testemunhas. à exclusão de qualquer outro.10.

1. Ele conta que. 2005 .. roteiro de aula a) retrovenda Direito de recobrar = Direito de retrato = direito de resgate = vendedor tem direito de exigir que o comprador lhe revenda o imóvel. In: AZEVEDO. Instituições de Direito Civil .vol. 505 a 532 da Lei nº 10. 215 a 225. 174 a 182 e 183 a 194.4.3.3. eMentário de teMas: Retrovenda . (coord. Paulo Luiz Netto.2. Embora não seja advogado do senhor Jeremias. págs. Caio Mário da Silva. Saraiva.Da Venda a Contento e da Sujeita a Prova – Preempção ou Preferência . Parte Especial. FGV DIREITO RIO 26 . Ele diz que nunca ouviu falar em retrovenda e lhe pergunta o que fazer. informando que exerceu o direito de retrovenda do imóvel em face da senhora Ermelinda. • PEREIRA. • RODRIGUES. São Paulo: Ed.). Caso Gerador: Jeremias encontra você trabalhando na diligência legal e aproveita para lhe fazer uma consulta “informal”. 223 a 225.CláuSulAS ESPECIAIS dA COmPRA E VENdA 1.3. 1. vol. • LÔBO. Após alguns minutos enaltecendo a beleza da cidade. Direito Civil.5. portanto.).406/2002. Rio de Janeiro: Forense. págs. sempre gostou muito do Rio de Janeiro e que os cariocas têm muita sorte de conviver com uma paisagem tão privilegiada.. págs. Silvio. biblioGrafia obriGatória: • Arts. Comentários ao Código Civil. Das várias espécies de contratos.Contratos. e que.3.3.. 6. quais são as duas principais perguntas que você deve fazer a ele para poder dar uma orientação inicial sobre o caso? 1. 3. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.Venda com reserva de domínio – Da venda sobre documentos 1. apesar de morar em Brasília. 2002.3.1. vol. São Paulo: Saraiva. AulA 3: CONTRATO dE COmPRA E VENdA (CONT. ele diz que pelo menos uma vez por ano vai ao Rio e que há alguns anos atrás decidiu parar de se hospedar em hotéis e comprou um loft na Barra da senhora Ermelinda Silva. biblioGrafia CoMPleMentar: • Parecer Jurídico DNRC/ COJUR/ n° 217/03 – direito de preferência na cessão de quotas. Jeremias deve devolvê-lo. Ele diz que está surpreso porque agora recebeu uma notificação de um tal de Olavo Evolto.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Antônio Junqueira de.3. 2003. III.

“. RODRIGUEs. Direito Civil. Está demorando mais do que o normal para ela se manifestar.o compromisso de venda e compra preenche. quais são as conseqüências de ser um prazo decadencial e não prescricional? b) da Venda a Contento e da sujeita a Prova A venda a contento é cada vez mais rara atualmente em razão da “padronização de mercadorias. Tendo em vista o que aprendemos nas aulas anteriores. Quais são eles? “Art. pois vai querer vender as peças a outras clientes. podemos extrair alguns requisitos da retrovenda. terá preferência sobre ele. ou para a realização de benfeitorias necessárias”. compra roupas da boutique Charmosa há mais de dez anos. pág. 6 7 8 Oponível a terceiros. 187. Daí ser ela. Esse exemplo nos mostra que. Direito Civil. O vendedor de coisa imóvel pode reservar-se o direito de recobrá-la no prazo máximo de decadência de três anos. Dona Mônica é uma cliente muito querida e conhecida por todas as vendedoras da loja. caso o comprador queira vender esse bem a terceiros.. E agora? O que dona Marli deve fazer? C) Preempção ou preferência Ao vender um bem.”8.CONTRATOs Em EsPÉCIE Muitos entendem que a retrovenda caiu em desuso em razão do compromisso de compra e venda. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. 3. pág. restituindo o preço recebido e reembolsando as despesas do comprador. quais são as conseqüências do domínio não ser transferido pela tradição da coisa móvel? Duas semanas se passaram e dona Mônica ainda não deu retorno a dona Marli sobre as roupas. hoje. são Paulo: Ed. Ela sempre é atendida pela dona Marli. Analisando o artigo 505 da Lei 10. durante o período de resgate.. Assim. 3. saraiva. instituto superado”6. vol. FGV DIREITO RIO 27 . no caso da venda a contento. que se pagar o mesmo valor oferecido pelo terceiro. a difusão dos preços fixos. o domínio do bem não é transferido. juntamente com a escritura pública de compra e venda. 505. portanto. Por que você acha que o legislador restringiu o instituto da retrovenda apenas aos bens imóveis? O prazo para recobrar o imóvel é decadencial. ela ainda pode ocorrer. A concordância do comprador é. Relembrando. RODRIGUEs. uma condição suspensiva para a alienação. por exemplo. Dona Mônica. Somente com a concordância do comprador. ele estará obrigado a oferecer o bem ao vendedor. a despersonalização das relações entre as partes. embora haja a tradição do bem móvel. ela manda para a casa da senhora Russo as novas peças para que ela possa experimentar e decidir se vai comprá-las ou não. o papel que durante algum tempo a retrovenda desempenhou. vol. o vendedor pode vir a resguardar seu direito de preempção ou direito de preferência. 189. são Paulo: Ed. Dona Marli acompanhou em todos esses anos a vida da família Russo. silvio. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Assim. A gerente da loja já está pressionando Marli.. o direito de retrovenda deve ser registrado no registro de imóveis. inclusive as que. o domínio é transferido. se efetuarem com a sua autorização escrita. Apesar de ser mais rara. com muito mais eficácia e maior economia. sempre que chegam novas peças que Marli acha que são do gosto de Mônica. saraiva.406/2002.. silvio. Para que tenha efeito erga omnes7.

os contratantes podem convencionar que se um deles desejar vender sua participação a terceiro será obrigado a oferecer as suas ações primeiro aos demais acionistas. Os acordos de acionistas. aum.. o direito de preferência caducará em 3 (três) dias. pág. Direito societário – 7 ed. ou a 2 (dois) anos. sendo um contrato. preferência para adquiri-las. Vamos supor que. uma vez que há três anos atrás fez um acordo de quotistas com o senhor Eduardo.CONTRATOs Em EsPÉCIE Para que esse direito exista são necessários os seguintes requisitos: – o comprador tem que querer vender o bem adquirido. O prazo para exercer o direito de preferência não poderá ser superior a 180 dias se o bem for móvel. basicamente. é comum que pessoas realizem operações de venda de bem móvel sem consultar registros ou sem exigir a prova da propriedade do vendedor. no caso de bem móvel. 10 FGV DIREITO RIO 28 . como instrumento de composição de grupos. 322). nosso cliente seja procurado pelo senhor Oportunista. e como contrato atípico. aplica-se a regra geral de que a propriedade do bem móvel transfere-se com a tradição do bem. Quais são as diferenças entre a preempção e o direito de retrovenda? O direito de preferência é um negócio acessório. concernentes a essa categoria jurídica. A cláusula de direito de preferência é muito comum. 118. por exemplo. ou do poder de controle deverão ser observados pela companhia quando arquivados na sua sede”. O prazo começa a contar a partir da notificação do proprietário (comprador) ao vendedor informando sobre seu interesse em vender o bem. sócio detentor de apenas 1% das quotas da Pechincha Ltda. Além disso. e em 60 (sessenta) dias. o domínio permanece com o vendedor até que a última prestação seja paga pelo comprador.404/197610. não é raro vermos a estipulação de direito de preferência em outros contratos. embora o bem seja entregue ao potencial comprador. Afinal. A venda com reserva de domínio pode trazer insegurança jurídica uma vez que. que poderão comprá-las pelo mesmo preço e condições oferecidos ao terceiro. após a realização da diligência legal e da celebração do contrato de compra e venda das quotas da Pechincha Ltda. se não há previsão expressa da reserva de domínio. assim como na venda a contento. rev. entre outros acertos. e atual. que dispõe sobre as sociedades por ações. estando disposto a pagar ao comprador o preço que ele tiver conseguido com terceiros. Se o prazo não for estipulado. A venda com reserva de domínio restringe-se aos bens móveis e exige forma escrita. vinha sendo celebrado no período anterior à atual lei das sociedades anônimas” (Borba.. Silvio Rodrigues comenta: “Destina-se o acordo de acionistas a regrar o comportamento dos contratantes em relação à sociedade de que participam. 2001. – o vendedor tem que querer recomprar o bem. exercício do direito a voto. Tanto é assim que a Lei nº 6. ao contrário do que ocorre com os bens imóveis que exigem solenidade para sua transferência. Porém. funcionando. geralmente vinculado à compra e venda. como se resolveria esta situação utilizando-se apenas as regras previstas no Código Civil? d) Venda com reserva de domínio A venda com reserva de domínio popularizou-se com o aumento das vendas com pagamento em prestações. A venda com reserva de domínio é uma venda condicional que se aperfeiçoa na ocorrência de um evento futuro e incerto: o pagamento do preço. Assim. no caso de bem imóvel. – o vendedor tem que exercer o direito no prazo. Tendo em vista que esse acordo de quotistas nunca foi divulgado e nem sequer mencionado na diligência legal. José Edwaldo Tavares. a ele se aplicam os preceitos gerais. se o bem for imóvel. 9 “Art. em acordos de acionistas9. sobre compra e venda de suas ações. No caso de venda com reserva de domínio. para que seja oponível a terceiros. no qual. o senhor Eduardo se comprometia a oferecer direito de preferência a esse outro sócio no caso de alienação de suas quotas. Deste modo. o contrato deve ser registrado no Registro de Títulos e Documentos. por meio de acordo de acionistas. – Rio de Janeiro: Renovar. que lhe afirma que a venda das quotas não foi válida. reconheceu que o direito de preferência é um dos tópicos que pode ser tratado em acordo de acionistas.

no todo ou em parte. Antônio Junqueira de. para pagamento em moeda corrente nacional. a qualquer título. 6. Paulo Luiz Netto. 176..1 abaixo (a seguir o “Potencial Adquirente”). As comunicações a que se refere o item anterior indicarão o potencial adquirente. pág. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. b. 2003. 3.). ou por qualquer outra forma alienar ou transferir. Se o comprador está em mora. comentários ao código civil. RODRIGUEs. as “Demais Partes”).1ª fase) Ajustado que se desfaça a venda.2. com reserva de domínio”11. neste ato. são Paulo: Ed. principalmente nos grandes centros e tendo em vista a quantidade fantástica de bens móveis duráveis vendidos. não pago.2.3. não se pagando o preço até certo dia. Essa cláusula especial à compra e venda é denominada: a. poderá o vendedor. 11 LÔBO. saraiva. a “Parte Cedente”). Modelo Exemplo de cláusula de direito de preferência em Acordo de Acionistas: “VI – ALIENAÇÃO OU ONERAÇÃO DE AÇÕEs 6. às demais Partes (a seguir. o vendedor tem duas opções: mover ação de cobrança das prestações vencidas e vincendas e o que mais lhe for devido ou reaver a posse da coisa vendida. Venda a contento. em caráter irrevogável e irretratável. pág.1. prometer vender. Direito Civil. diariamente. Cada uma das Partes se obriga. (coord. a não vender. senão mediante venda. Parte Especial. Das várias espécies de contratos. 1. Retrovenda. obrigada a primeiramente oferecê-las. “A venda sobre (ou contra) documentos tem por finalidade dar mais agilidade às transações mercantis que envolvam venda de mercadorias. por escrito. permutar. Apenas ele não funciona na prática. c. Pacto comissório. fornecendo inclusive as informações previstas no item 6. observado o disposto nesta Cláusula 6ª. In: AZEVEDO. as ações de sua titularidade. silvio. doar. d. Preempção. para que estas possam exercer o seu direito de preferência. O vendedor se libera da obrigação de entregar a coisa remetendo ou entregando ao comprador o título representativo da mercadoria”12. suas ações da COMPANHIA (a seguir. nos termos deste Acordo. 6.6. e) da venda sobre documentos O Código Civil de 1916 não previa essa modalidade de venda. bem como a especificação da quantidade e espécie das ações a serem alienadas (as “Ações Ofertadas”). vol. 1. para que seja exigível o pagamento do preço. questões de ConCurso (Prova: 18º Exame de Ordem . 216 12 FGV DIREITO RIO 29 . são Paulo: saraiva. apenas pode ter por objeto coisa móvel. vol.3.7. A obrigatoriedade da tradição da coisa é satisfeita com a entrega ao comprador de documento representativo. Por sua natureza. desfazer o contrato ou pedir o preço. ficando a Parte que desejar alienar. o preço e condições de pagamento.CONTRATOs Em EsPÉCIE “Teoricamente tal sistema é perfeito.

Na hipótese do item 6. FGV DIREITO RIO 30 . se houver.1 supra.4. contudo. 6. o seguinte: (a) a preferência deverá ser exercida no prazo de 60 (sessenta) dias a contar da data do recebimento da comunicação referida no item 6. com os mesmos direitos e obrigações da Parte Cedente.4.1. 6. desde que observado o procedimento previsto no item 6.CONTRATOs Em EsPÉCIE 6. como condição para sua validade e eficácia. (b) será facultado às Demais Partes estenderem seu direito de preferência à aquisição de sobras.1 supra e abranger todas e não menos do que todas as Ações Ofertadas. proporcionalmente às Ações que possuírem. alienar todas. até atingir as pessoas físicas. as Demais Partes terão preferência para adquirir as Ações Ofertadas. desde que tenham sido observadas as formalidades previstas nesta Cláusula 6ª”. a Parte Cedente poderá. nos 60 (sessenta) dias seguintes. Na proporção do número de ações que possuírem. e (d) exercida a preferência. 6. a assinar o citado instrumento. a comunicação do item 6.3. proceder-se-á ao respectivo rateio entre as Partes interessadas. o instrumento contratual de compra e venda das ações deverá conter cláusula pela qual o adquirente manifeste sua adesão incondicional ao presente Acordo. Não havendo manifestação das Demais Partes. como intervenientes anuentes. ficando obrigadas as Demais Partes. pelo mesmo preço e condições oferecidos pelo Potencial Adquirente. a aquisição deverá ser efetuada nos 30 (trinta) dias seguintes ao decurso do prazo referido nas alíneas anteriores.2.1. desde que se manifestem nesse sentido no prazo de 60 (sessenta) dias fixado na letra (a) deste item. deverá identificar também as respectivas Partes ou sócios que detenham o controle do Potencial Adquirente e/ou participações societárias que representem 10% (dez por cento) ou mais de seu capital votante e/ou de seu capital total e assim sucessivamente. mas não menos do que todas as Ações Ofertadas ao Potencial Adquirente indicado e ao mesmo preço e nas mesmas condições constantes das comunicações referidas no item 6.4. observando-se.1 supra. ainda.1 abaixo. Caso o Potencial Adquirente seja uma sociedade. (c) caso sejam recebidas manifestações de exercício de preferência que totalizem quantidade de ações superior a das Ações Ofertadas. devendo as Demais Partes igualmente subscrever o instrumento.4.

4. Tratado teórico e prático dos contratos. completa. um pouco sem graça. biblioGrafia CoMPleMentar: • LÔBO. III. eMentário de teMas: Permuta. 233 a 237. segundo o qual todo domingo o jornal do Nicanor publicaria anúncio do Supermercado Pechincha e em troca ao final do ano o Supermercado Pechincha forneceria aos funcionários do jornal uma cesta de Natal. 17ª ed.3.). São Paulo: Saraiva. vol. o senhor Eduardo está um pouco preocupado. na qualidade de advogados da Grana Certa S. Há muitos anos era grande amigo do senhor Nicanor Tício. quando os bens passaram a ser trocados por moeda. Das várias espécies de contratos. Sabendo disso. Ele explica. 1. o contrato não era muito detalhado. Instituições de Direito Civil . de acordo com o novo Código Civil (Lei 10. não contendo. Há algum tempo atrás. • DINIZ. págs. inclusive. • PEREIRA. biblioGrafia obriGatória: • Arts. 205 a 209.4. CONTRATO ESTImATóRIO 1.Contratos. 226 a 272.01. e atual. págs. Comentários ao Código Civil..4. com produtos fartos e de alta qualidade.406. 2003. E agora? O contrato continua válido? O que recomendar? 1. 1.A. 2002. 2005 .1. que por ter sido celebrado entre grandes amigos.4. 1. Contrato Estimatório. Maria Helena. Parte Especial.4. o dobro de funcionários.406/2002.4. ampl.. págs. de 10. por exemplo. o senhor Eduardo Russo nos contou a seguinte história. Em uma de nossas visitas.2002). Antônio Junqueira de. 199 a 203/ págs. Caio Mário da Silva. AulA 4: TROCA Ou PERmuTA. 6. In: AZEVEDO.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Paulo Luiz Netto. tivemos a oportunidade de visitar o supermercado Pechincha por diversas vezes.vol. Rio de Janeiro: Forense. cansado e já querendo se aposentar.5.. roteiro de aula a) Permuta A troca ou permuta é o contrato mais antigo. eles resolveram unir o útil ao agradável e celebraram um contrato de permuta.2. Consiste na entrega de uma coisa para recebimento de outra. São Paulo: Saraiva. FGV DIREITO RIO 31 . Caso Gerador Durante o processo de diligência legal. já tendo contratado. (coord. pois não estava contando com um número tão grande de cestas de Natal. o número exato de cestas de Natal a serem trocadas. nós. Ocorre que. dono de um jornal de bairro. Ela deu origem ao contrato de compra e venda. que não seja dinheiro.4. 533 a 537 da Lei nº 10. o senhor Nicanor vendeu seu jornalzinho a uma grande editora que quer transformá-lo em um jornal de grande circulação em Brasília.

dentro de prazo determinado. a não ser que o valor da torna seja de tal modo superior. completa sua prestação com dinheiro. sua amiga. Como você aconselharia Ana Maria. porém. Assim como o contrato de compra e venda. Por serem tão parecidos. Curioso. cedendo-lhe o poder de dispor da coisa. oneroso e consensual. que nada mais é do que a venda em consignação. você agradece e pergunta quando pode buscá-lo. esse contrato só veio a ser regulado como contrato típico no novo Código Civil (Lei nº 10. Quais são elas? Quando os bens a serem permutados têm valores desiguais. As partes estimam um preço pelo bem. Ana Maria nota que além de faltar uma das peças. a parte cujo bem tem valor inferior ao outro. ficando o consignatário obrigado a devolver o bem ou entregar ao consignatário o preço previamente ajustado pela coisa dentro do prazo determinado. neste caso? FGV DIREITO RIO 32 . ficando as demais apenas rachadas. O contrato de permuta tem a mesma natureza jurídica da compra e venda: é bilateral. mas a permuta mantém seu espaço no ordenamento jurídico. b) Contrato estimatório Embora já fosse realizado na prática. conhecido neste caso como torna. que seja na verdade o objeto da prestação principal. Todas as coisas que não sofram indisponibilidade natural. a loja Brechó da Vovó procura Ana Maria para devolver o conjunto de xícaras que não foi vendido. não gera efeitos reais. legal ou convencional podem ser permutadas. 533 da Lei n° 10. O uso da torna no contrato de permuta divide os doutrinadores sobre a natureza do contrato: seria ele uma compra e venda ou uma permuta? Muitos entendem que a existência da torna não descaracteriza a permuta. Ana Maria. Apenas os bens móveis e que estão no comércio podem ser objeto do contrato estimatório. O que você acha? A caracterização como compra e venda ou permuta leva a conseqüências práticas em razão dos itens que foram especificamente diferenciados no art. por que você acha que o legislador chamou de contrato? Contrato estimatório é o contrato pelo qual o proprietário (consignante) entrega a posse da coisa à outra pessoa (consignatário). Para retribuir a um favor seu. Mesmo sem ver muita utilidade para tal presente. pois percebe que seu conjunto de chá não poderá mais ser utilizado. Ana Maria então lhe explica que o conjunto está na loja Brechó da Vovó. não sendo necessário que os bens sejam da mesma espécie ou valor. deixando o cair. Por quê? Estando para terminar o prazo do contrato estimatório. você pergunta o que o conjunto está fazendo na loja e ela lhe explica que celebrou um contrato estimatório com o dono da loja. muitas outras estão rachadas. mas que felizmente apenas uma das peças havia se quebrado. Sendo assim. aplicam-se à permuta as regras da compra e venda.406/2002). O Código Civil fez apenas duas distinções no que diz respeito à aplicação das regras da compra e venda. Intrigado. Ana Maria fica muito triste.406/2002. mas sim a obrigação de transferir ao outro o domínio da coisa objeto de permuta. O dono da loja explica a Ana Maria que um de seus funcionários estava arrumando a loja e que sem querer esbarrou no conjunto. lhe oferece um conjunto de xícaras de porcelanas chinesas. desde que pague a parte que lhe entregou o bem o preço que entre elas foi estimado.CONTRATOs Em EsPÉCIE Atualmente a compra e venda é muito mais utilizada. Ao chegarem à loja. A parte que recebe o bem pode vendê-lo a terceiro por qualquer valor. Você vai junto com Ana Maria para buscá-lo. você vai ao Código Civil para consultar esse tipo de contrato e fica um pouco desapontado.

abaixo estabelecidos. São Paulo: Saraiva. Das várias espécies de contratos. Direito Civil. biblioGrafia obriGatória: • Arts. (iii) O DOADOR deseja doar. Distrito Federal. 2002. JEREMIAS RUSSO. para iniciar a transferência dos negócios da família e fomentar negócios das futuras gerações da sua família. doravante denominada “Sociedade”. solteiro. 1. empresário. CONSIDERANDO QUE: (i) O DOADOR é titular de 99. 1. 197 a 216.Doação de ascendente para descendente .5. 6. (coord.000 (noventa e nove mil) quotas representativas de 99% do capital social da sociedade limitada denominada Pechincha Comércio Varejista Ltda. 538 a 564 da Lei nº 10. por parte do Donatário. 1. Caso Gerador: Dentre os contratos recebidos.000 (cinqüenta mil) quotas (“Quotas”). doravante denominado simplesmente “DOADOR”. Silvio. Comentários ao Código Civil.5. Distrito Federal.).2.5.Espécies de doação . Saraiva. 2003. empresário.4. págs. vol.. todos relacionados com a finalidade de manter a tradição da família preoFGV DIREITO RIO 33 . Antônio Junqueira de.5. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy. Parte Especial. brasileiro. págs. biblioGrafia CoMPleMentar: • LÔBO. (iv) O DOADOR sujeita tal doação à execução integral e tempestiva. de determinados encargos. São Paulo: Ed.3. Paulo Luiz Netto. vol. brasileiro. com sede em Brasília.Resolução e revogação da doação. eMentário de teMas: Características do contrato de doação – Aceitação .Restrições à liberdade de doar . 272 a 385.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Distrito Federal. simplesmente como Partes. 3.. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.406/2002. (ii) O DONATÁRIO é herdeiro necessário do DOADOR.5. inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202. residente e domiciliado em Brasília.1. doravante denominado simplesmente “DONATÁRIO”. inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101. casado. em conjunto. DOADOR e DONATÁRIO doravante denominados. 50. • RODRIGUES. você notou o contrato abaixo: INSTRUMENTO PARTICULAR DE DOAÇÃO EDUARDO RUSSO. ao DONATÁRIO. em vida. AulA 5: dOAçãO 1. com seus atos constitutivos registrados na Junta Comercial de Brasília sob o número 11111111. residente e domiciliado em Brasília. portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx. In: AZEVEDO.

O DOADOR. O DONATÁRIO deverá. 2. 4. Fica eleito o foro Central da Comarca de Capital do Estado do Rio de Janeiro. 3. 2. as Quotas. por mais privilegiado que venha a ser. portanto. providenciar a constituição legal do clube e a contratação da mão de obra necessária para o funcionamento do clube. que representam 50% do capital social da Sociedade. (v) um play para crianças. E por estarem assim justas e contratadas. pelo menos. 24 de abril de 2004. descendentes e ascendentes terão direito de desfrutar do clube mediante pagamento de mensalidade em valor simbólico. (c) O clube deverá empregar pelo menos 20 funcionários para segurança. (ii) uma piscina rasa para crianças até 5 anos. ônus ou encargos de qualquer natureza. A doação ora feita é obrigatória para as partes contratantes. na presença das 02 (duas) testemunhas abaixo assinadas. (iii) uma piscina profunda. conforme autoriza o artigo 553 do Código Civil Brasileiro. (d) Os funcionários e seus cônjuges. com pelo menos as seguintes medidas. decide doar. (e) O clube será aberto apenas aos Funcionários e seus familiares. para dirimir as questões decorrentes do presente Instrumento. o Donatário.2. de livre e espontânea vontade. 5. (iv) um bar. 2. não sendo mais permitido o seu acesso em caso de demissão ou desligamento. mediante o DARJ cuja cópia constitui o Anexo I ao presente Instrumento. incluindo dos funcionários do Supermercado Pechincha (“Funcionários”).3. nunca superior a 5% de seu salário. resolvem as Partes de comum acordo e na melhor forma de direito celebrar o presente Instrumento Particular de Doação (“Instrumento”). Nome: CPF/MF: Jeremias Russo 2. Esta doação fica sujeita ao cumprimento dos encargos abaixo estabelecidos. no prazo máximo de 24 (vinte e quatro) meses.. encontram-se livres e desembaraçadas de quaisquer dívidas. O clube deverá atender aos seguintes requisitos: (a) O clube deverá ter no mínimo: (i) duas quadras polivalentes para a prática de esportes em grupo.CONTRATOs Em EsPÉCIE cupada com o bem estar da comunidade em que vive. as partes firmam o presente Instrumento em 02 (duas) vias de igual forma e teor. com escorrega. obrigado a cumprir. (b) O clube deverá funcionar todos os fins de semana e feriados. objeto da presente doação. as seguintes obrigações: 2. comprar ou arrendar um terreno para que o clube seja instalado. Nome: CPF/MF: FGV DIREITO RIO 34 . ficando. herdeiros e sucessores. Brasília. outros dois brinquedos do gênero. ao Donatário.1 O DONATÁRIO deverá providenciar um clube para que os funcionários possam desfrutá-lo nos dias de folga. balanço e. com auxílio jurídico.. e (v) as quotas representativas do capital social da Sociedade. limpeza e bom funcionamento do clube. como na verdade efetivamente doa. Eduardo Russo Testemunhas: 1.. com a renúncia expressa de qualquer outro. observados os artigos 538 e seguintes do Código Civil Brasileiro: 1. sem qualquer induzimento ou coação. O DONATÁRIO poderá alugar. contados da data de assinatura deste Instrumento. Fica registrado que o imposto de doação incidente sobre a presente operação foi recolhido. que vigerá de acordo com as seguintes cláusulas e condições.

podendo. Seu filho. mas que não podia ser exigido pagamento pelo doador. – presumida pela lei – nos casos previstos nos arts. que se encontrava doente e com dificuldade para se movimentar. prêmio pago a alguém que encontrou seu cachorro desaparecido. 541) Lucy. o doador não espera qualquer prestação do donatário.CONTRATOs Em EsPÉCIE Esse contrato deixou nossa equipe de diligência apreensiva. Doação remuneratória – tem o objetivo de pagar um serviço prestado pelo donatário. que sempre demonstrou ser contra a realização do negócio entre o senhor Eduardo e o nosso cliente. escrita ou por gestos. C) espécies de doação Doação pura – é pura liberalidade. ele contou a sua avó que havia jogado na Mega Sena. Lucy conta. Curioso (a) você pede para ver a coleção. do ponto de vista legal. conta que ganhou de sua prima a coleção de discos desse famoso grupo inglês. como havíamos sido informados no início da diligência legal. 539. Seu amigo José resolveu fazer uma aposta. pois. Lucy já pode se considerar proprietária da coleção? O sorteio da Mega Sena estava acumulado e o prêmio estimado em vinte milhões de reais. Percebendo que ela. portanto. É uma liberalidade do doador. José deu para a avó o bilhete da Mega Sena.5. você consideraria que foi uma doação de pequeno valor? b) aceitação A aceitação pelo donatário é elemento indispensável para a doação e pode ser: – expressa – quando é manifestada de forma verbal. roteiro de aula a) Características do contrato de doação O contrato de doação é: – Unilateral – envolve prestação de apenas uma das partes. o doador impõe ao doador uma contraprestação que resulta em vantagem para o próprio doador ou para terceiro. A doação remuneratória e a doação com encargo perdem a característica da gratuidade? FGV DIREITO RIO 35 . o senhor Eduardo Russo não seria mais o proprietário de 99% das quotas.5. Ocorre que a família era pé quente e os números escolhidos por José foram sorteados! Analisando esta situação. – Gratuito – em regra. E agora? Que pontos devem ser levados em consideração? A doação é válida? Tem alguma medida que possa ser tomada para anular essa doação? Supondo que você fosse o advogado do senhor Eduardo Russo e tivesse sido consultado antes do contrato ser assinado. Jeremias. O doador não espera do donatário qualquer ato ou prestação por parte do donatário. (art. mas o donatário fica obrigado a pagar uma mesada a um parente do doador. – tácita – quando resulta de comportamento do donatário incompatível com sua recusa à doação. você teria alguma sugestão? 1. havendo a tradição imediatamente depois. 543 e 546 da Lei nº 10. porém.406/2002. Por exemplo. Analisando. Doação com encargo – nessa espécie de doação. exceto nos casos de bens móveis de pequeno valor. que ainda não recebeu os discos porque eles estão guardados na casa de veraneio de sua tia. grande fã dos Beatles. inviabilizar a compra do negócio. – Solene – a lei impõe forma escrita para doação. aparentemente detém 50% das quotas da Pechincha Ltda. ficou muito triste porque não conseguiria jogar.. de acordo com ele. Exemplo: Doador doa recursos ao donatário. Chegando a casa.

o legislador preocupou-se em tentar evitar que um dos filhos seja beneficiado pelos pais em detrimento do outro. que trata da fraude contra credores. o código prevê que eles podem anular a doação quando o doador estiver insolvente com eles ou ficar insolvente com os credores por ter doado bens a terceiros. e é assegurada aos herdeiros necessários. Qual foi o mecanismo adotado no caso da doação? E se o pai realmente quiser doar algo para um dos filhos em detrimento dos outros? Com a morte de seus pais. rev. Na permuta entre descendente e ascendente. os ascendentes e o cônjuge.406/2002). No momento da doação deve ser aferido se o bem a ser doado é superior à metade dos bens do doador. coordenação Luiz Eduardo Alves de siqueira – 3 ed. no caso da compra e venda. Ruth. 158 do Código Civil. (Dicionário Técnico Jurídico/ organização Deocleciano Torrieri Guimarães.846. Se você fosse o juiz.406/2002 Essa restrição visa proteger o patrimônio dos herdeiros. ele terá ampla liberdade de doar seus bens. 1. Sendo assim. 550 da Lei nº 10. exceto se os outros descendentes expressamente consentirem. Raquel pede que o juiz considere como adiantamento de legítima à Ruth os gastos que os pais tiveram com a festa de casamento de Ruth. são Paulo: Rideel.406/2002 Embora esta restrição não esteja expressa no capítulo sobre doação do Código Civil. sendo pago em rateio do saldo que houver. pertence aos herdeiros necessários13 a metade dos bens da herança.) 14 FGV DIREITO RIO 36 .845 da Lei nº 10. se o doador não tiver herdeiros necessários. Dessa forma. possui os mesmos direitos que os credores comuns.CONTRATOs Em EsPÉCIE d) restrições à liberdade de doar – Doação de todos os bens do doador – art.406/2002 Essa restrição tem como propósito proteger o cônjuge e os herdeiros necessários. Para proteger os credores quirografários14 do doador. e atual. – Doação do cônjuge adúltero a seu cúmplice – art. evitando que o doador passe a ficar totalmente desamparado e tenha que ser assistido pelo Estado. 2001. 1. solicita que o juiz considere como adiantamento de legítima a Raquel. por sua vez. e) doação de ascendente para descendente Como já vimos anteriormente. como visto anteriormente. tendo em vista que a outra metade constitui a legítima. ou seja. ele só pode doar metade de seus bens.406/2002 O objetivo dessa restrição é proteger o doador e também a sociedade. Ruth e Raquel abriram o inventário. 549 da Lei nº 10. sem consentimento dos outros descendentes. os Os herdeiros necessários são os descendentes. depois de ressarcidos os privilegiados”. vimos que é anulável a venda de ascendente a descendente. – Doação que prejudique os credores do doador – art. (art. o que você faria? f) resolução e revogação da doação A doação pode ser desfeita: – por motivos comuns a todos os contratos – embora não esteja prevista no capítulo específico sobre doações. aplicam-se as regras gerais a todos os contratos. ela está prevista no art. 548 da Lei nº 10. se o doador tem herdeiros necessários. – Doação de parte que caberia à legítima – art. é anulável a troca de valores desiguais. observando-se apenas as demais restrições previstas no Código Civil. 158 da Lei nº 10. Por outro lado. todas as despesas que os pais tiveram para pagamento do doutorado de Raquel em Paris. De acordo com o art. 13 Credor Quirografário ou simples: “aquele que não tem título que lhe dê preferência.

resolveu fazer uma doação de um apartamento para ele. Para completar. A doação dos pais aos filhos importa adiantamento da legítima. na frente dos porteiros e de alguns moradores que aguardavam o elevador. 138 a 155 (erro. Lucy ficou muito satisfeita com a prima. 547. acabou por bater no carro de Lucy que estava estacionado na garagem do prédio. acabou perdendo a paciência e. uma noite. chamou de irresponsável e outros adjetivos de baixo calão que não convém replicar para nosso leitor. ainda que se trate de bem móvel de pequeno valor. encontrando-o na entrada do prédio.2ª fase PROVA DIsCURsIVA João acreditando que Alfredo era seu filho natural (filho biológico não registrado) do namoro que manteve com mãe do Alfredo.6. – por ingratidão do donatário – o legislador visou punir o donatário. Rita foi visitar sua mãe na casa de veraneio e aproveitou para buscar a coleção de discos dos Beatles e entregá-la a Lucy. dolo e coação) e arts. Essa foi a gota d’água para Lucy que. como erro. Prova: 22º Exame de Ordem . simulação e fraude. não paga em dia as cotas do condomínio do prédio onde vivem. c. mas isso não foi suficiente para apagar a velha briga que tem com o seu vizinho Paul. Lucy diz que Rita é muito ligada a seu irmão e diz que teme que esse incidente com Paul possa ter impacto na doação de Lucy.CONTRATOs Em EsPÉCIE defeitos15 que podem macular o ato jurídico. b. 158 a 165 (fraude) e 167 (simulação). A doação pode ser revogada: – por descumprimento do encargo – no caso de doação com encargo. mas restringiu a possibilidade de revogar a doação por ingratidão a determinadas causas e regulou seus efeitos. A doação deverá ser feita por escrito. se sobreviver ao donatário. Rever arts. – por ser resolúvel o negócio – ocorre. que. dolo. se o donatário não cumprir o encargo no prazo assinalado pelo doador. Depois que fez a doação descobriu que Alfredo não era seu filho e então pretende anular a doação. no qual o doador sobrevive ao donatário e o domínio do bem volta ao patrimônio do doador. Paul se disse muito ofendido por Lucy. são motivos para anular a doação. que é também irmão de Rita. A doação poderá conter cláusula de retorno do bem ao doador. indicando em caso positivo qual o seu fundamento. o doador pode desfazer a doação. Lucy tem razão de ficar preocupada? E se Lucy tiver alugado a coleção para um amigo? 1.É anulável a doação do Cônjuge adúltero ao seu cúmplice.5. d. Paul é um péssimo vizinho.1ª fase) Não constitui regra aplicável às doações a que abaixo se destaca: a. além de fazer barulho até altas horas da madrugada. ao chegar bêbado. 15 FGV DIREITO RIO 37 . questões de ConCurso (Prova: 10º Exame de Ordem . no caso previsto no art. por exemplo. coação. Esclareça se existe algum vício na manifestação de vontade. no dia seguinte.

CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. 2005.6. preço (“certa retribuição”). pode-se extrair as características principais do contrato: a cessão da coisa (“ceder à outra. 2.406/2002. Instituições de Direito Civil. mediante certa retribuição. que merecem um regramento especial próprio. 2002. evoluiu para a prestação de serviços (e para o Direito do Trabalho.. págs. III.2.245/1991). eMentário de teMas: Introdução – Elementos do contrato de locação – Obrigações do locador – Obrigações do locatário 1. se fala sempre em locação de coisas. 267 a 301 1.. • RODRIGUES. algumas são consideradas tão especiais pela mens legis. 1.6. Todavia. no âmbito destas aulas. quando há vínculo empregatício) e para a empreitada. roteiro de aula a) introdução Modernamente. quando se fala em locação. A locação de serviços e de obras. São Paulo: Ed. 217 a 227.1. Silvio. comerciais e de temporada).. tratadas no direito romano como espécies de locação. Do claro conceito legal. AulA 6: CONTRATO dE lOCAçãO. lOCAçãO dE COISAS. biblioGrafia CoMPleMentar: • PEREIRA. vol. ainda hoje existe uma diferenciação no ordenamento quanto às diversas espécies de locação. 3. vol. 565 a 578 da Lei nº 10.036 do código e Lei nº 8. ter-se-á sempre em mente a idéia de locação de coisas (locatio rei). conforme diretiva do próprio código (art. Caio Mário da Silva. Saraiva.4. Portanto.3. consentimento (“se obriga a”) e prazo (“por tempo determinado ou não”). que são regidos por legislação especial. [conceito do contrato de locação] O núcleo do contrato de locação é a cessão de uma coisa não fungível entre o seu proprietário – o locador – e aquele que se utilizará da coisa – o locatário. Trata-se de contrato: FGV DIREITO RIO 38 .6. biblioGrafia obriGatória: • Arts. uso e gozo de uma coisa não fungível”). Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. e o maior exemplo disto é a locação de prédios urbanos (residenciais. o uso e gozo de uma coisa não fungível. por tempo determinado ou não. págs.6. ao se falar em locações. Rio de Janeiro: Forense. respectivamente. 1. Na locação de coisas. Código Civil Art. uma das partes se obriga a ceder à outra. 565. Direito Civil.6.

o contrato de locação não é personalíssimo. se houver). sem que ela perca a sua infungibilidade (ex. como na compra e venda. simplificadamente. e (iii) por outro lado. [i) a cessão da coisa – o objeto do contrato de locação] Embora seja uma confusão bastante comum. do Código Civil. tal contrato possui peculiaridades específicas com relação à locação comum de coisas regulada pelo Código Civil (como. sem exigir forma específica16. já diz respeito à fase da execução do contrato. mas seu uso e gozo por alguém que não o seu proprietário. ao contrário da compra e venda. pois é da natureza do contrato a retribuição econômica por parte do locatário. 16 17 Caio mário.CONTRATOs Em EsPÉCIE (i) bilateral. transferidos por meio de manifestação de vontade. b) elementos do contrato de locação Os elementos do contrato são. porque as partes já tem conhecimento de suas respectivas prestações. pois a lei não exige forma específica para sua validade. não se trata de contrato real. parágrafo único. seu art. porque confere obrigações e direitos recíprocos às duas partes. a lei privilegia a não-fungibilidade do bem. Pode ser objeto da locação bens móveis ou imóveis. o locatário é obrigado a restituir a coisa no estado em que a recebeu. 569. Ressalte-se que. portanto. na celebração da avença. Note-se que. A proteção do locatário. 576). FGV DIREITO RIO 39 . (iv) comutativo. como. a opção de compra ao final do prazo contratual). e (v) não solene. com ele não se confunde. o objeto do contrato de locação não é a coisa em si. a lei dá (art. (iii) consensual. pois se forma só pelo acordo de vontades. pág. salvo as deteriorações do seu uso regular. o preço e o objeto do negócio. havendo um grande avanço jurisprudencial na matéria. por exemplo. contanto que sejam infungíveis. mas tão somente é considerado como contrapartida pelo uso em um determinado período. como bens fora do comércio ou bens públicos. 276. o tempo. O principal atributo da coisa que será objeto de locação é a sua infungibilidade. (ii) oneroso. pode ser objeto da locação se algum acessório da coisa for consumido. Todavia. Disso decorrem algumas conseqüências: (i) segundo o art. (ii) não se destinam à locação as coisas consumíveis no seu primeiro uso. O aluguel de lojas em shoppings centers também possui toda uma sistemática própria. no caso de locações prediais urbanas. é maior se houver registro (art. normalmente mensal. em regra. a tradição da coisa. embora possa se tornar mediante consentimento das partes. É muito comum considerar o contrato de leasing ou arrendamento mercantil como uma locação de coisas móveis. O fato de um bem ser inalienável não impede o seu uso em locação. IV. isto é. que continuam sendo tratados pelo código (ou por legislação especial. e. incentivando sua utilização. como o dinheiro.: corte de árvores em casa de campo). os efeitos do contrato podem ser diferentes conforme houver registro ou não. pois envolve prestações seguidas no tempo. Em regra. o pagamento de uma prestação não exaure o contrato. 46 da lei 8. como se vê do próprio conceito legal. todavia. Além disso. o contrato de locação é de execução continuada ou de trato sucessivo. ou seja.245) um tratamento especial às locações reduzidas a contrato escrito. por exemplo. embora a Lei do Inquilinato tenha tomado para si a normatização de boa parte dos imóveis urbanos. a coisa. em caso de alienação do bem. embora alguns autores17 enxerguem também o consentimento e a forma como seus elementos. como se verá no ponto específico. as vagas autônomas de garagem. exclui diversos tipos de imóveis. 1º.

O art. Caso. em que a transferência da posse é perpétua. se deteriorar-se a coisa durante a vigência do contrato.CONTRATOs Em EsPÉCIE Em regra. a celebração da locação transfere a posse do bem. já que o mesmo artigo fala que o locador deve mantê-la neste estado (dever de manutenção). A entrega é o ato por meio do qual a coisa locada muda de possuidor. pois o locatário não poderá fazer o uso esperado dela. sem necessidade de notificação ou aviso. o tratamento jurídico da conservação e reparação do bem. [iii) prazo – o tempo da locação] A definição legal do contrato de locação já permite que ela seja celebrada tanto por prazo determinado quanto por prazo indeterminado. a qual pode ser desdobrada. o locatário também não poderá devolver a coisa sem o pagamento proporcional da multa contratual. por exemplo.245/1991) ao contrato de locação conforme o seu prazo. qualquer das partes pode resilir o contrato sem o pagamento de penalidades. nos deveres de entrega. II. todavia. Sendo o contrato por prazo determinado (arts. a fundamental é a de proporcionar ao locatário o uso e gozo da coisa locado. assim como o de garantia. podem ser deduzidos do aluguel as obras e benfeitorias feitas pelo locatário. embora a sua temporariedade o diferencie. permaneça com a posse da coisa. se não houver culpa do locatário. portanto. FGV DIREITO RIO 40 . todavia. Por exemplo: o locador não pode alugar uma televisão com o tubo de imagem queimado. presume-se prorrogada a locação por prazo indeterminado. dá efeitos diferentes (mais sensíveis ainda no caso da locação de prédios urbanos sujeitos à Lei nº 8. Numa interpretação a contrario sensu. junto com os seus acessórios e pertenças. Dentre todas. conforme art. do Código Civil. 566. naturalmente. contudo. 571 estabelece que. pode este pedir a redução proporcional do aluguel. e presume-se que deve ser feita imediatamente. na locação por prazo determinado. O art. a não ser que pague as perdas e danos correspondentes. Entrega – A entrega da coisa. A lei. embora não caiba a retenção do aluguel como contrapartida a ausência do cumprimento deste dever. 566 e seguintes do Código Civil. o locatário. sendo o contrato sem prazo determinado. [ii) preço – o aluguel] Como dito anteriormente. extingue-se a locação pelo mero decurso do tempo. deve ser feita em estado de servir ao fim a que se destina. Esse dever. o pagamento do aluguel é o que diferencia a locação do comodato. O art. mas. ou até mesmo a resolução do contrato. basicamente. Podem as partes estipular aluguel que não seja em dinheiro? Por quê? No âmbito da discricionariedade das partes. por outro. por um lado o locador não pode exigir a devolução da coisa antes do término do contrato. 573 e 574). manutenção e garantia da coisa locada. Há de haver. I. salvo se em contrário dispuser o contrato. salvo se houver previsão contratual específica em contrário. Manutenção – Não basta isso. 567 do Código Civil reza que. uma certa proporcionalidade entre o valor do bem e o aluguel cobrado. sem oposição do locador. sob pena de invalidação do contrato ou de sua configuração em empréstimo disfarçado ou até mesmo comodato. em razão de sua natural deterioração. prolonga-se durante o prazo da locação. A questão da manutenção da coisa envolve. Essa presunção legal admite prova em contrário? C) obrigações do locador As obrigações do locador estão dispostas no art. do instituto extinto da enfiteuse. 566. determina ser obrigação do locador garantir ao locatário o uso pacífico da coisa durante o tempo do contrato.

todavia. (iii) Abstenção de incômodos. conforme a escolha do locatário (v. especialmente nos imóveis urbanos. O aluguel está para a locação assim como o preço está para a compra e venda. e. 289. conforme o art. 568. 1. consertos.CONTRATOs Em EsPÉCIE Como proprietário da coisa. A eventual tolerância do locador. 567). conforme sistematiza Caio Mário da Silva Pereira. caso em que pode o locador solicitar as perdas e danos sofridas. além da resolução do contrato decorrente da própria evicção. Se for total.210. sem.: fechamento de estabelecimento comercial pela vigilância sanitária). portanto. não permite 18 Caio mário. as despesas dela oriundas. sobretudo para os vícios ou defeitos posteriores ao contrato) e sujeitando-se à resolução do contrato. o locatário deve ser indenizado dos frutos que tiver que restituir. sob pena de resolução do contrato e pagamento das perdas e danos correspondentes. com muito mais razão não pode ele praticar atos que venham a prejudicar esta utilização pacífica. §1º)”18. 569 do Código Civil. 569. sob esse pretexto. (iv) Evicção. Art. o locador indenizará o locatário pelas benfeitorias e os aluguéis são devidos até que o ente público seja imitido na posse da coisa. além das perdas e danos. ela sobrevier na vigência do contrato. 568. art. ou defeitos que possam prejudicar o seu uso. Art. FGV DIREITO RIO 41 . Se o locador tinha conhecimento do decreto expropriatório. Caberia ao locatário o pedido de restituição dos aluguéis pagos? Se parcial a evicção. 566. para o fim a que se destina. tb. in fine. embora caiba ao locatário “o desforço que a lei lhe assegura (Código Civil. contudo. II do código. tratando-a como se sua fosse (art. A desapropriação tem um regramento próprio. Isso vale somente para os vícios ocultos ou também para os vícios aparentes? (ii) incômodos ou turbações de terceiros. exceto se causadas pelo próprio locatário (ex. pág. que o locador deve garantir o locatário quanto a: (i) vícios da coisa. (v) Atos da administração pública – não só a desapropriação. determina ser obrigação do locador garantir ao locatário o uso pacífico da coisa. em regra. A prática. na forma ajustada no contrato. Esse dever é imposto mesmo no caso de turbações feitas por colocatários. Garantia – o já mencionado art. conforme o mesmo art. embora seja normal que o locatário responda pelas despesas de conservação de pequeno porte. principal interessado na manutenção do seu valor econômico. II. o locatário pode pedir a resolução do contrato ou abatimento proporcional no aluguel. mas também os chamados fatos do príncipe que desnaturem a coisa ou o uso a que ela se destina. em regra se atribui ao locador o dever de promover as obras necessárias à sua conservação. mudar a destinação da coisa alugada. Se. Se o locador deve garantir ao locatário o uso pacífico da coisa com relação a terceiros. 1. Deve também o locatário usar a coisa para os usos convencionados ou presumidos. porém. ou à redução proporcional do aluguel. respondendo pelas perdas e danos (graduados pelo seu grau de culpa. Isso quer dizer. I).467. é que o contrato de locação estabeleça exatamente que tipo de despesas caberá o locatário e ao locador. d) obrigações do locatário: Estão dispostas fundamentalmente no art. sendo esse assunto inclusive objeto de regramento próprio na Lei do Inquilinato. na medida em que em regra o contrato não pode ter sobrevida pelo interesse público subjacente. A mais importante delas é a de pagar pontualmente o aluguel. responde pela indenização. A lei estabelece inclusive um penhor legal sobre os móveis que guarnecem o imóvel locado como garantia de pagamento. reparos etc.

e responderá pelos danos a ela.CONTRATOs Em EsPÉCIE afastamento desta regra. parágrafo 2º da Lei nº 10. 576 do código. [alienação do bem durante o prazo locatício] A questão está regulada no art. enquanto não lhe forem indenizadas as despesas ou perdas sofridas em razão da coisa. a impedir a deterioração do bem se ela é evidente. como se verá a seguir. 19 Art. Esse dever de informação deve ser exercido de modo a permitir a que o locador possa tomar todas as providências para o exercício do seu próprio dever. deve o locatário restituir a coisa no estado em que a recebeu. de maneira. [direito de retenção] É um poder. Por fim. mesmo depois de findo o prazo contratual. 96. do local em que ele é celebrado e o princípio da boa-fé objetiva. As únicas exceções permitidas por lei são as em é conferido ao locatário direito de retenção.406/2002: “são necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore”. ainda que proveniente de caso fortuito. por exemplo. sem prejuízo das regras específicas da Lei nº 8. uma defesa que a lei dá ao locatário de conservar em sua posse a coisa alheia locada. salvo por sua deterioração natural. a lei provê a solução no art. 96. para que ele. no valor arbitrado pelo locador. O locatário deve ter a diligência esperada para o cuidado com a coisa. O adquirente do bem somente estará obrigado a respeitar a locação se o contrato contiver cláusula expressa e tiver sido submetido ao registro próprio. Caso o locatário descumpra esse dever. 575: ficará responsável pelos aluguéis enquanto mantiver a coisa em seu poder. possa entrar com as medidas judiciais cabíveis para a proteção de sua propriedade e da posse do locador. findo o contrato de locação. tão logo o locatário tome conhecimento da turbação. Tratandose de norma dispositiva. conforme as circunstâncias do contrato. contudo. deve notificar o locador. por exemplo. Pode-se dizer até que é um dos poucos casos de “Justiça privada” aceita pelo Direito brasileiro. O locatário é obrigado a levar ao conhecimento do locador as turbações de terceiros. caso tenham sido feitas com o consentimento do locador (art. Art.406/2002: “são úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem”. Isso é contrapartida do dever do locador de garantir a coisa locada. isto é. 578). sem prejuízo de seu dever de pequenos reparos e consertos já mencionado. parágrafo 3º da Lei nº 10. podem as partes dispor em contrário no contrato. e também pelas úteis20. O desvio de finalidade é analisado no caso concreto. 20 FGV DIREITO RIO 42 . A lei confere direito de retenção ao locatário pelas benfeitorias necessárias19.245.

245/1991.1. 1. 481-573.7. todavia. • PEREIRA. vol. decide morar sozinha e.4. ao invés da filha. AulA 7: CONTRATO dE lOCAçãO (lOCAçãO dE PRÉdIOS uRbANOS –– lOCAçãO RESIdENCIAl) 1. Instituições de Direito Civil. não foi a primeira legislação específica sobre o tema no Direito brasileiro. Rio de Janeiro: Forense. indubitavelmente o maior número de casos. ed. de 18 de outubro de 1991.2. Caso Gerador Imagine que o senhor Eduardo Russo tenha alugado um de seus apartamentos em Brasília por 30 meses. Todavia. FGV DIREITO RIO 43 . 2005. pág. biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO. em grande parte devido ao fato de que mais de 80% da população brasileira vive em centros urbanos.7. com as normas ora protegendo mais o proprietário. que hoje encontra abrigo na Lei nº 8.7. Pergunta-se: cabe a denúncia “cheia” nos contratos por igual a 30 meses? E se. Arnaldo. 1. Pode-se até dizer que a atividade legislativa.7. separada do Código Civil. No 17º mês de vigência.245.7. 2006. 6.5.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. 301 a 312. a questão habitacional vem sendo uma das maiores preocupações legislativas em todo mundo a partir do Século XX. e o crescente déficit na oferta de casas tem gerado uma verdadeira sucessão de regras jurídicas sobre o tema. Com efeito. sua filha. ora protegendo mais o inquilino. envolvendo o contrato de locação. Contratos. como não possui imóvel próprio. roteiro de aula a) introdução Vimos na aula passada o regime geral das locações de coisas no Código Civil.. págs. Caio Mário da Silva. fosse o seu sobrinho? E se o imóvel estivesse sendo vendido? 1. Maria Lúcia. que o profissional do Direito é levado a lidar. pede ao pai que lhe ceda esse apartamento que se encontra alugado. para ela morar. III. pelo menos no Brasil.7. biblioGrafia obriGatória: • Lei nº 8. que. é o de locação de prédios urbanos.3. tem-se mostrado até certo ponto pendular. Rio de Janeiro: Forense. O regime da locação de imóveis urbanos é de tal importância para o Direito que mereceu uma disciplina própria. eMentário de teMas: Introdução – Âmbito de aplicação – Obrigações das partes – Garantias Locatícias – Prazo e forma – Alienação do imóvel – Locação residencial 1.

504/1964). garantindo o seu uso pacífico inclusive perante terceiros. A Lei do Inquilinato regula três tipos de locação: a residencial. É muito comum. permitir o uso e gozo pleno do imóvel pelo locatário. Os imóveis rurais são regulados pelo Estatuto da Terra (Lei nº 4. O art. A própria lei (em seu art. como. embora o contrato possa contemplar cláusula de reajuste (arts. possui caracteres específicos. Todos os princípios contratuais expostos no código. a submissão a promoções do shopping etc. É legal esta estipulação? No que tange ao locatário. como o da boa-fé objetiva e do equilíbrio contratual. Estão. sendo que as duas últimas serão tratadas na próxima aula. que o contrato transfira para o locatário tais despesas. nos casos limítrofes. As exceções ao âmbito de aplicação da lei. Uma situação especial diz respeito aos espaços comerciais em shopping centers. e não ao contrário. manutenção e garantia da posse do locatário. O legislador entendeu que. num patamar imediatamente inferior. em regra. FGV DIREITO RIO 44 . é livre a pactuação das cláusulas do contrato entre locador e locatário. sujeitos à aplicação da Lei nº 8. nem tampouco uma necessidade social tutelável. A experiência mostrou que a proteção demasiada ao locatário. imóveis de propriedade de entes públicos. que chegam a extrapolar a mera relação locatícia de transferência da posse. exceto por algumas questões referentes a despesas condominiais tratadas no próprio artigo. de locadores e locatários. porém. da sua localização dentro do shopping. portanto. expostas já no parágrafo único do seu art. a variação do aluguel a ser pago em função do faturamento da loja. as principais obrigações do locador se referem à entrega. nestes casos. neste caso. está o dever de cuidar do imóvel e servir-se dele para o fim acordado no contrato. o intérprete decidirá preponderantemente de acordo com a atividade econômica praticada ou desenvolvida naquele imóvel. podemos inferir. vagas autônomas de garagem. todavia. Também não se aplica a lei no caso de leasing de imóveis. Como visto na aula anterior. no que tange às despesas condominiais. incluem. Além disso. restituindo-o ao locador ao fim do prazo estipulado. Isto é. por exemplo. C) obrigações das partes Estão listadas fundamentalmente nos art. não se verifica um desnível econômico significativo entre as partes que enseje a atuação do legislador. 17 e 18). ao fato de que procura equilibrar os interesses. em virtude de exceção expressa no texto legal.245/1991 todos os imóveis urbanos não incluídos nas exceções legais expressas. 22 e 23 da lei. a disciplina do Código Civil não é totalmente afastada nas locações de imóveis urbanos. 54 da lei determina que. Por outro lado. A configuração de imóvel urbano. aumentando o déficit habitacional. 79) determina a aplicação subsidiária da legislação geral nos casos omissos. O aluguel deve ser fixado em dinheiro. obedece mais a um critério funcional/eco/econômico do que um geográfico. apart-hotéis etc. o impacto social não é tão relevante. como é o espírito da lei. sua obrigação primordial é a de pagar pontualmente o aluguel. b) Âmbito de aplicação Nem todos os imóveis em áreas urbanas estão sujeitos ao tratamento jurídico da Lei do Inquilinato. solução que parece mais simples em face do direito constitucional de moradia.CONTRATOs Em EsPÉCIE A relativa longevidade da legislação vigente deve-se. 1º. ou seja. a não residencial (ou comercial) e a por temporada. Esse tipo de locação. as regras para o uso do estacionamento. gerava um aumento no preço dos aluguéis. por exemplo. aplicam-se a este tipo de locação. normalmente contrapostos.

como se verá adiante. 40 da lei. não depende de forma específica. Por isso. consensual e não solene. mas a lei regula – e confere alguns direitos ao locatário nestas hipóteses – a forma e o procedimento que deve ser respeitado pelo proprietário e pelo adquirente no caso de venda do imóvel alugado. Todavia. já que a depender do que as partes acordarem os efeitos serão bem distintos. 3º da lei determina que o contrato pode ser ajustado por qualquer prazo. A regra geral é a de que. o adquirente pode denunciar o contrato de locação. como já dito anteriormente. o contrato de locação transfere ao locatário a posse do bem. consolidar novamente posse e propriedade em suas mãos. na forma do art. não estará obrigado a respeitar o prazo da avença. ou (ii) manter-se na posse do imóvel. se o proprietário vender o imóvel. 37. cumulativamente. FGV DIREITO RIO 45 . desde que. 8º da lei estabelece que quando o contrato contém a chamada “cláusula de vigência”. 1. todavia. de adquirir o imóvel em condições de igualdade de condições com o terceiro. não pode o locador reaver o imóvel locado. Primeiramente. a diversidade de efeitos do registro no caso da alienação do imóvel é um grande incentivo não só a reduzir o contrato por escrito como também averbá-lo na matrícula do imóvel. gozar e dispor de seus bens. o direito de uso e gozo. Entretanto. 27 cria um direito de preferência. e) Prazo e forma O art. a lei faculta ao proprietário o direito de exigir um reforço – ou até mesmo uma troca – da garantia nas hipóteses previstas no art. Este requisito é indispensável para possibilitar a manutenção do contrato em caso de alienação do imóvel. a mais importante no regime da lei. no prazo de 30 dias contados do conhecimento da proposta. o art. solicitar o acúmulo de garantias para um mesmo contrato. que. e o locatário somente poderá devolvê-lo mediante pagamento proporcional da multa estipulada no acordo.228) confere ao proprietário o direito de usar. Sendo assim. ou (iii) seguro de fiança locatícia. Não lhe é permitido. que a proteção jurídica do locatário independe da forma escrita do contrato? f) alienação do imóvel O sistema de propriedade adotado pelo nosso código (art. a lei determina que o contrato é consensual. porém. Resumidamente. Pode-se dizer. mas. apesar de o contrato de locação ser. Tal regra.CONTRATOs Em EsPÉCIE d) Garantias locatícias A lei estabelece que o locador pode exigir do locatário uma das seguintes garantias: (i) caução. o adquirente não poderá denunciar o contrato. (ii) fiança. 27. durante a vigência do contrato. Por outro lado. talvez. isto é. A questão do prazo é. em regra. Como já vimos anteriormente. recebe um tempero especial quando se trata de locação residencial. em regra. para o locatário. a lei confere ao locatário dois direitos. Além disso. o contrato contenha cláusula de vigência e esteja averbado na matrícula do imóvel no Registro de Imóveis. então. se não obtido. depende do consentimento do cônjuge do proprietário. a regra geral é que se resolve o contrato de locação. e o contrato foi averbado na matrícula do imóvel no Registro de Imóveis. isto é. necessariamente excludentes entre si: (i) exercer a preferência para compra do imóvel em igualdade de condições com o terceiro. Quanto à forma. se for superior a dez anos. permanecendo o contrato em vigência. conforme dispõe o art. o art. o direito de vender o bem continua com o proprietário.

a locação prorroga-se imediatamente por prazo indeterminado. onde pratica em regra os seus atos jurídicos. d. que pode ou não ser o mesmo local do domicílio.1ª fase) Arnaldo reside há dez anos consecutivos em um imóvel locado através de instrumento escrito e atualmente vigorando por prazo indeterminado. Arnaldo.Poderá ficar ainda mais três meses além do prazo estabelecido. §2º) • Findo o prazo estabelecido. Contratos. fixa o parâmetro dos 30 (trinta) meses como razoável para o prazo locatício.6. “Residência é o lugar onde alguém fica habitualmente. O principal traço da locação residencial diz respeito ao prazo. 47. portanto. exercida a denúncia. com prorrogação automática se não houver oposição do locador. A hipótese importa para o locatário: a. pág. devolvendo-o nas mesmas condições que o recebeu. 55). Findo o prazo. 21 RIZZARDO. 47 não podem ser afastadas pelas partes. ainda que sem a intenção de nele permanecer sempre. questões de ConCurso (Prova: 09º Exame de Ordem . c. após os trinta meses cabe a “denúncia vazia”. Pessoa jurídica não pode ser parte em contrato de locação residencial. O direito a uma indenização proporcional ao número de anos em razão do rompimento imotivado do contrato. e cabe o locatário desocupar o imóvel em trinta dias. 45). A lei. 46) Efeito • o locador pode denunciar o contrato a qualquer tempo. onde ela se estabelece com ânimo definitivo. isto é.7. especialmente no que tange à denúncia do contrato. 1. sempre. Esse é o lugar da “atividade jurídica da pessoa”.CONTRATOs Em EsPÉCIE G) locação residencial Locação residencial é aquela destinada à habitação de pessoas. foi surpreendido com uma notificação para desocupar o imóvel no prazo de doze meses. 486. proceder a desocupação do imóvel. a morada habitual da pessoa. Seu elemento essencial é a habitualidade”. • Nesse tipo de prorrogação. 47) Igual ou superior a 30 meses (art. FGV DIREITO RIO 46 . 6. imotivada. tem um prazo de trinta dias para desocupação do imóvel (art. aquela. Para melhor entendimento da matéria. Rio de Janeiro: Forense. b. ed.21 Não devem ser confundidas as noções jurídicas de residência e de domicílio. Destinam-se à habitação da pessoa natural. • o locatário. 46. estudemos a tabela abaixo: Prazo Contratual Indeterminado Inferior a 30 meses (art. mesmo se para os seus administradores (art. • Só cabe a denúncia “cheia” – nos casos previstos no art. no qual o legislador fixou uma referência (30 meses) em torno da qual os efeitos do contrato e os direitos e obrigações das partes serão modificados. sob pena de nulidade do contrato (art. 2006. • A resolução do contrato ocorre no fim do prazo estipulado. O direito de não pagar os locativos no período estipulado na notificação. tendo sempre cumprido rigorosamente todas as condições do contrato. As prorrogações previstas no art.

O adquirente poderá denunciar o contrato com prazo de sessenta dias para desocupação. c. independentemente de cláusula de vigência em razão do princípio “venda rompe a locação”.1ª fase) sendo alienado o imóvel durante a vigência de contrato de locação: a. d.CONTRATOs Em EsPÉCIE (Prova: 02º Exame de Ordem . salvo se a locação for por tempo determinado e o contrato contiver cláusula de vigência em caso de alienação e estiver averbado junto à matrícula do imóvel. presumindo-se. O adquirente poderá denunciar o contrato com prazo de noventa dias para desocupação. FGV DIREITO RIO 47 . após esse prazo. O adquirente não poderá denunciar o contrato se este vigorar por prazo indeterminado. a concordância na manutenção da locação.A denúncia deverá ser exercitada no prazo de 30 dias contados do registro da venda ou do compromisso. b.

CONTRATOs Em EsPÉCIE

1.8. AulA 8: CONTRATO dE lOCAçãO

1.8.1. eMentário de teMas: Introdução - Locação para temporada - Locação não residencial - Ações locatícias. 1.8.2. biblioGrafia obriGatória: • Lei 8.245/1991. • RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. São Paulo: Ed. Saraiva, 2002, vol. 3, págs. 227 a 239. 1.8.3. biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO, Arnaldo. Contratos. Rio de Janeiro: Forense, 2006. págs. 481-573. • VENOSA, Silvio de Salvo. Lei do inquilinato comentada. São Paulo: Atlas, 1997. Comentários aos artigos 48 a 57. • FUX, Luiz. Locações - Processo e Procedimento. Rio de Janeiro: Destaque, 1999. 1.8.4. Caso Gerador Durante o curso da diligência legal, recebemos uma cópia de um contrato de locação não residencial de uma das lojas dos Supermercados Pechincha, celebrado inicialmente em 1º de janeiro de 2000 com prazo de vigência até 31 de dezembro de 2005. Questionada sobre o vencimento do contrato, a senhora Maria Lúcia Russo alegou que o advogado da Pechincha Comércio Varejista Ltda. a orientou a escudar-se no parágrafo único do art. 56, que garante a permanência do locatário se não houver oposição do locador no prazo de 30 dias. Sendo assim, ela argumenta que, passados vários meses do prazo legal, o contrato deve ser considerado como renovado. Como advogado da Grana Certa S/A, quais são os riscos para o seu cliente dessa situação? Seu chefe no escritório, preocupado com isso, pede a você uma pesquisa para verificar se é possível a propositura de ação renovatória. O que você responde a ele? Paralelamente, o senhor Odin Heiro pretende contratar um administrador profissional para assumir a administração da Pechincha Ltda. quando o negócio for fechado. Dentro do pacote oferecido para os candidatos à vaga, inclui-se o pagamento de aluguel de uma mansão no Lago Sul, em Brasília, onde serão sediadas as operações da Grana Certa S/A no ramo de distribuição alimentícia. Neste cenário, o seu cliente lhe pergunta qual seria o prazo recomendável para a vigência do contrato. O que você diz a ele? 1.8.5. roteiro de aula a) introdução A Lei nº 8.245/1991, além das locações residenciais, estabelece ainda o regime das locações não-residenciais (ou comerciais) e por temporada, cada qual com uma finalidade econômica específica. Assim, a Lei do Inquilinato divide em três grandes sistemáticas o regramento das locações prediais urbanas, atendendo aos bens jurídicos respectivamente tutelados – a locação residencial protege o direito à habitação, a
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locação não residencial protege o fundo de comércio e a locação por temporada, por não ser nem habitacional nem parte de atividade econômica, merece regulamento próprio. b) locação para temporada O conceito de locação para temporada está disposto no art. 48 da Lei do Inquilinato, segundo o qual são requisitos para a caracterização da locação para temporada o fim ao qual é destinado o imóvel (recreativo ou na necessidade do locatário de celebrar o contrato, seja por realização de curso, seja por tratamento de saúde ou obras em seu imóvel), e o prazo de sua vigência (que não pode ser superior a 90 (noventa) dias). O prazo superior a 90 (noventa) dias descaracteriza a locação como para temporada. O art. 50 mostra que, se permanecer o locatário no imóvel para além do prazo máximo estipulado, não é possível mais se exigir o pagamento antecipado do aluguel, descaracterizando a temporada. Assim, o artigo equipara à locação residencial, só podendo ser denunciado nas hipóteses do art. 47. Parte da doutrina entende que é necessário contrato escrito. Embora contivesse do projeto original uma disposição específica neste sentido, há quem entenda que o prazo exíguo a torna incompatível com o contrato verbal, sobretudo porque o contrato não escrito, como pode não deixar claro o prazo contratado, pode ser confundido com uma locação residencial comum. E você, acha necessária, conceitualmente, a forma escrita para a locação por temporada? Em todo caso, se o imóvel estiver mobiliado, o parágrafo único determina que deva constar do contrato o rol dos móveis e utensílios que o guarnecem, bem como o estado em que se encontra. E se as partes não procederem assim, qual a sanção jurídica? Torna-se inválido o contrato? Outro grande traço da locação para temporada é a possibilidade de exigência, por parte do locador, de recebimento dos aluguéis antecipadamente, o que é vedado para os demais tipos de locação segundo o art. 20. Se, todavia, o contrato for resolvido, por algumas das hipóteses estabelecidas no art. 9º, o locador será obrigado a devolver, proporcionalmente, o valor recebido antecipadamente, sob pena de seu enriquecimento sem causa. C) locação não residencial Considera-se locação não residencial, naturalmente, aquela que não é destinada à habitação de pessoas. Sempre que a destinação do imóvel não for a moradia de alguém, será para fins não residenciais. O contrato de locação não residencial ganha uma importância maior na medida em que pode ser – e quase sempre é – parte integrante do fundo de comércio (ou fundo de empresa) do empresário. O ponto, o estabelecimento, a loja, são partes fundamentais da atividade empresarial, apesar de ser um bem imaterial, e, desta forma, não pode o legislador – que sempre procura preservar a atividade empresarial, em prol do crescimento econômico (que gera empregos e tributos) – tratar esse tipo de locação da mesma forma que trata a locação residencial. Como o legislador se utilizou da expressão “não residencial”, e não de “empresa”, “empresário” etc., é irrelevante para a lei se a atividade desenvolvida no local é empresarial, civil, industrial, ou qualquer outra. O critério da lei é residual – todas as locações que não sejam destinadas à moradia de pessoas naturais são “não residenciais” e sua disciplina então é a aplicável. Há também a locação não residencial por força de lei, estabelecida no art. 55 da lei. De modo a proteger, então, a atividade econômica, o legislador, ao contrário do que ocorre na locação residencial, outorgou ao locatário, nestes casos, um direito à renovação compulsória, ao qual corresponde uma ação – a ação renovatória. Note-se que a possibilidade de renovação compulsória do contrato encerra uma revolução paradigmática no direito dos contratos: a vigência do contrato independe da vontade de uma das partes. Em outras palavras: o locador pode inclusive ter manifestado sua intenção de não renovar
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o contrato, mas se o locatário cumprir os requisitos legais, o juiz deverá autorizar a manutenção da vigência do contrato. A rescisão do contrato, em regra, nesses casos, se dá ao fim de seu prazo, conforme estabelecido no art. 56 da lei, que dá um tratamento semelhante ao que ocorre na locação residencial. Para que o locador possa fazer jus ao direito à renovação compulsória, a lei exige determinados requisitos que devem constar do contrato, necessariamente. Tais requisitos estão expostos nos três incisos do art. 51, que são cumulativos, ou seja, é necessária a presença das três condições para a possibilidade da renovação compulsória. Vale ressaltar que, neste caso, a lei é cogente; significa dizer que o contrato não pode afastar a possibilidade de renovação, estando presentes os requisitos legais. Note que (i) a lei obriga que o contrato seja por escrito – volta-se aquela definição vista anteriormente: o contrato é consensual, mas dependendo de sua finalidade, a forma escrita garantirá uma determinada sorte de efeitos; e (ii) o legislador realmente privilegia a formação do “fundo de empresa” quando estabelece prazos mínimos e requer que seja o mesmo ramo de atividade. No que tange ao inciso II, ressalte-se que se o contrato for estipulado por menos de cinco anos e houver um lapso temporal entre o seu vencimento e a sua efetiva renovação, a jurisprudência entende que se computa este tempo, valendo o tempo que o inquilino está no imóvel. Um outro requisito fundamental de validade da ação renovatória está previsto no §5º do referido artigo, que estabelece um prazo decadencial para a propositura da ação, de seis meses, entre um ano e seis meses antes do vencimento previsto do contrato vigente. Portanto, quando você estiver estagiando em um escritório e tiver que protocolar um prazo de ação renovatória, muita atenção: NÃO PERCA O PRAZO; seu cliente pode sofrer gravíssimos prejuízos. Dê uma olhada atenta nos arts. 52 e 53 da lei – lá estão estabelecidas algumas exceções à regra da renovação compulsória, por matéria de política legislativa. Luvas: é uma quantia paga pelo locatário, além dos aluguéis, para o locador, como adiantamento ou para a renovação do contrato. No regime anterior da locação não residencial, sua cobrança era permitida. No atual sistema legislativo, parte da doutrina acha que a lei atual não veda a cobrança, que ocorria, na prática, mesmo com a existência de vedação expressa do decreto anterior (lei de luvas). Mas não é matéria pacificada; alguns entendem que o Art. 45 proíbe a cobrança de luvas. d) ações locatícias Por fim, e sem querer entrar na aula do professor de Processo Civil, a Lei do Inquilinato possui regras processuais específicas para o caso de locação de imóvel urbano, criando alguns remédios para locadores e locatários sujeitos ao âmbito da lei. 1) Ação de despejo (art. 59) – é a ação utilizada pelo locador para retomar o imóvel, por qualquer que seja o motivo (e não somente por falta de pagamento). Assim, sempre que o locatário se mantiver na posse do imóvel e a lei conferir ao locador o direito de retomada, ele poderá propor a ação de despejo e poderá, inclusive, pedir liminar ao juiz para desocupação em 15 (quinze) dias, nos casos previstos no art. 59. Se a ação de despejo for proposta com fundamento na falta do pagamento pontual do aluguel, o objeto da ação incluirá também a cobrança dos valores devidos, não sendo necessária, até mesmo por um primado de economia processual, a propositura de ação de cobrança. O locatário poderá, nesse caso, impedir a resolução do contrato mediante a “purga da mora”, isto é, o depósito judicial do valor do débito atualizado, com multa, juros e encargos. 2) Ação de consignação de aluguel (art. 67) – é a ação do locatário quando o locador se nega a receber os valores do aluguel, e por meio da qual ele irá depositar em juízo a importância que acha devida, indicada na petição inicial.
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Pergunta-se: no caso concreto. 71) – é aquela usada para a renovação compulsória da locação. Não preenchimento dos requisitos legais para a renovação. b. IV). Por outro lado.6. Nessa ação. ajustando-se. poderá ser cobrada a diferença aferida no valor dos aluguéis. Proposta de terceiro para a locação em condições melhores. pretendendo renovar a relação. a locatária. 73). levantar o depósito sobre o valor que não está sendo mais objeto da disputa. que não deseja renovar o contrato. alguma solução judicial para a questão? Qual? Explique e fundamente a sua resposta FGV DIREITO RIO 51 . na locação não residencial.PROVA DIsCURsIVA Padaria Alvino. o juiz acolherá o pedido (art. a retribuição a ser paga pelo locatário. no art. Assim. 67. face à resistência do locador. na data de hoje.1ª fase) Não é defesa possível ao locador na ação renovatória: a. iniciou tratativas com o locador.CONTRATOs Em EsPÉCIE Caso o locador levante o depósito ou não oferecer contestação. lhe procura como advogado. 68) – serve para qualquer tipo de locação prevista no ordenamento. expondo todo o caso concreto e desejando sua opinião sobre a possibilidade de compelir a realização da renovação contratual. na qualidade de locatária. conforme visto acima. desta forma. Prova: 24º Exame de Ordem . de radical transformação no imóvel. na maioria das vezes o autor da ação era o locador. por prazo determinado de 5 (cinco) anos. basicamente o que se busca é uma perícia judicial para que seja arbitrado o valor de mercado justo do imóvel. A necessidade de realização de obras urgentes. determinadas pelo poder público.2ª fase . a qualquer tempo. existe. o locatário poderá. 3) Ação revisional de aluguel (art. gerando um enriquecimento sem causa do locatário. as quais restaram infrutíferas. 72. em que muitas vezes o locador era prejudicado por um índice defasado no contrato. Vale ressaltar que. c. A intenção de se instalar no imóvel com comércio no mesmo ramo que o inquilino. 4) Ação renovatória (art. Neste caso. que também será discutido na ação (art. também por medida de economia processual. Sendo assim. questões de ConCurso (Prova: 21º Exame de Ordem . ou não. celebrado em 01/12/1999. Tinha muita relevância na época da escalada inflacionária. em contrato de locação não residencial. no intuito de preservar o fundo de empresa.8. o legislador limitou as matérias de fato que podem ser objeto da contestação do locador. d. 1.

4. e pelas seguintes cláusulas e condições: FGV DIREITO RIO 52 .. biblioGrafia CoMPleMentar: • LOPEZ. 3. biblioGrafia obriGatória: • Arts. 2002. conseqüentemente. Teresa Ancona.). individualmente. Comentários ao Código Civil. Características. celebrar o presente Contrato. REsOLVEm. • RODRIGUES. Tendo em vista a importância desse imóvel para a rede de supermercados e.9. Comodante e Comodatária são doravante. Silvio. Distrito Federal. págs. 2003. conjuntamente.1. inscrita no CNPJ/MF sob nº 00000000.3. a Comodatária tem interesse na utilização do Imóvel e que a Comodante deseja dar em comodato à Comodatária parte do Imóvel. vol. 1. Obrigações do comodatário. Das várias espécies de contratos. Parte Especial. denominadas “Partes” e.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. vol. com sede em Brasília. págs. Comodante e Comodatária. CONSIDERANDO QUE: a Comodante é proprietária e legítima possuidora do imóvel localizado no Lago Sul.9. neste ato representada por seu representante legal. eMentário de teMas: Introdução.9. “Parte”. para o nosso cliente. Caso Gerador: Recebemos na diligência o contrato de comodato de um dos imóveis utilizados pela rede de Supermercados Pechincha. 579 a 585 da Lei nº 10. com seus atos constitutivos registrados na Junta Comercial de Brasília sob o número 11111111. 1. Eduardo Russo. (coord. Saraiva. 7. 255 a 261. Sr. Extinção do comodato. e PECHINCHA COMÉRCIO VAREJISTA LTDA. In: AZEVEDO.9. São Paulo: Ed. doravante denominada simplesmente “Comodante”. doravante denominada simplesmente “Comodatária”.2. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. potencial adquirente do negócio. matrícula 555 do Cartório de Registro de Imóveis do Distrito Federal. São Paulo: Saraiva. Direito Civil. neste ato representada por seu representante legal.406/2002. sociedade limitada com sede na Rua dos Oitis. que comentários você teria a fazer com relação ao contrato abaixo? CONTRATO DE COmODATO XYZ LTDA. São Paulo-SP.9. Quadra ABC (o “Imóvel”). 82 a 130.. 1. que será regido pelo artigo 579 e seguintes do Código Civil. AulA 9: EmPRÉSTImO (COmOdATO) 1. Antônio Junqueira de.

A Comodante reserva-se o direito de rescindir este Contrato. desde já. taxas. obrigando-se. a preservar e manter em perfeito estado de conservação e limpeza o Imóvel cedido.1. a defendê-la contra ameaças. na melhor forma de direito. sem prejuízo das sanções aplicáveis. a Comodatária se obriga.1. ou ainda restrições de qualquer natureza. Neste ato. a partir da posse. 2. que o Imóvel se encontra livre e desembaraçado de quaisquer ônus reais. bem como sobre o exercício de suas atividades. para todos os fins de direito. podendo ser rescindido por qualquer das Partes mediante aviso prévio de 30 (trinta) dias. turbações ou esbulhos e a preservar o Imóvel como se seu fosse. sob pena de responder por perdas e danos. 1. a Comodante cede em comodato à Comodatária o Imóvel. 1. Da Utilização da Área. e as benfeitorias delas decorrentes a ele se incorporarão. de qualquer de suas cláusulas e/ou condições. ou (b) pedido de concordata ou falência da Comodatária. 2. luz. desde já. vedada sua utilização para qualquer outra finalidade sem o prévio e expresso consentimento da Comodante. ressalvado o desgaste natural decorrente do uso regular do Imóvel. 2.2. Durante a vigência do presente Contrato. Tais adaptações e reformas. O presente Contrato poderá ser rescindido por qualquer uma das Partes. a Comodatária é imitida na posse do Imóvel. Do Objeto.1.1. 3. FGV DIREITO RIO 53 .2. gás. ainda. O presente Contrato é celebrado por prazo indeterminado. na ocorrência de qualquer uma das seguintes hipóteses: (a) protesto de títulos de responsabilidade da Comodatária.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. em caso de inobservância.2. A Comodatária será a responsável exclusiva pelo custeio de todas e quaisquer despesas decorrentes de adaptações e reformas eventualmente realizadas a fim de permitir a instalação e o funcionamento das atividades da Comodatária no Imóvel. serão consideradas despesas necessárias para o uso e gozo do Imóvel. comprometendo-se a não lhe causar danos ou avarias e a conservá-lo no mesmo estado em que o recebeu. não podendo a Comodatária reter o Imóvel nos termos deste Contrato pelas benfeitorias nele realizadas. Da Vigência e da Rescisão. pela outra Parte. 4.3. bem como a cessão ou transferência dos direitos e obrigações oriundos deste Contrato. Das Despesas.1. 3. em conformidade com o seu Contrato Social e respectivas alterações. A Comodatária será exclusivamente responsável pelo pagamento de todas as despesas ordinárias tais como. vedado à Comodatária o aluguel ou comodato do Imóvel. 2.3. mediante notificação com efeitos imediatos. 5. 5. 4. impostos e demais encargos que recaiam sobre o Imóvel. 5. Da Imissão na Posse. na forma do artigo 582 do Código Civil.1. 1. ficando. ou (c) utilização do Imóvel para outros fins além daqueles descritos neste Contrato. se realizadas pela Comodatária. Fica.2. A Comodante declara. caso tais irregularidades não sejam sanadas dentro de 02 (dois) dias contados a partir da data do recebimento de aviso escrito enviado pela Parte prejudicada. pessoais ou fiscais. Pelo presente Contrato. 5. sem o expresso e inequívoco consentimento da Comodante. água. A Comodatária declara que utilizará o Imóvel ora dado em comodato exclusivamente para a consecução de seus objetivos sociais. Fica desde já ajustado entre as Partes que as benfeitorias realizadas pela Comodatária no Imóvel não criarão para a Comodatária direito a qualquer indenização.

a qualquer tempo. Testemunhas: Nome: RG: Nome: RG: 1. permitidas ou decorrentes deste Contrato. e-mail com comprovação de recebimento. silvio. com renúncia expressa de qualquer outro. pág. dirigidos e/ou entregues às Partes nos endereços constantes do preâmbulo deste Contrato ou em outro endereço que uma das Partes venha a comunicar à outra. deverão ser feitas por carta com aviso ou protocolo de recebimento ou. as Partes assinam o presente Contrato de Comodato em três vias de igual teor e forma na presença de duas testemunhas abaixo assinadas. ainda. A Parte que infringir qualquer das cláusulas ou condições do presente Contrato ficará sujeita ao pagamento. 7. Pechincha Comércio Varejista Ltda. eminentemente gratuito. são Paulo: Ed. Existem duas espécies de empréstimo: comodato e mútuo. ao termo do negócio”23. 7. “O comodato é o empréstimo de coisa não fungível22. na vigência deste instrumento. avisos ou comunicações exigidas.9. 8. fax. Das Penalidades. As Partes elegem o foro da comarca da capital do Estado de São Paulo como competente para solucionar qualquer conflito decorrente do presente Contrato. 2002.1. veremos as características do comodato e na próxima aula estudaremos as diferenças entre comodato e mútuo e as regras específicas do mútuo. Nesta aula.406/2002: “são fungíveis os móveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie. devendo devolver a mesma coisa.5. por qualquer das Partes à outra. à Parte inocente.1.1. vol. 255. 3. no qual o comodatário recebe a coisa emprestada para uso. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. 22 RODRIGUEs. Direito Civil. Brasília. qualidade e quantidade”. Todas as notificações. 23 FGV DIREITO RIO 54 . saraiva. Das Notificações. roteiro de aula a) introdução Empréstimo é o contrato pelo qual uma das partes entrega um bem à outra. Relembrando: art.CONTRATOs Em EsPÉCIE 6. Do Foro. 10 de novembro de 1995. 8. para ser devolvido em espécie ou gênero. 85 da Lei nº 10. das perdas e danos a que tiver dado causa. por notificação judicial ou extrajudicial. 6. POR EsTAREm AssIm JUsTAs E CONTRATADAs. por mais privilegiado que seja.

exceto se ele comprovar necessidade urgente e imprevista para exigi-lo antes. já analisada neste curso. incumbem obrigações apenas ao comodatário. A princípio. poderia ser confundido com a locação.406/2002. Um dos diferenciais do Supermercado Pechincha é o atendimento aos clientes. Assim. o comodatário privilegiar a segurança de seus bens próprios. se em caso de risco. Há. 394 a 401 da Lei nº 10. Vale notar que no comodato. mesmo em caso de força maior. Para tanto. é possível extrair três elementos desse contrato: a gratuidade. fica em mora e. o comodante não pode exigir o bem antes do termo do contrato. O comodatário. abandonando os bens do comodante. que cedeu duas máquinas em comodato ao supermercado para que os clientes comprem os produtos e coloquem nas máquinas que ficam ali à disposição. 24 FGV DIREITO RIO 55 . para a finalidade e de acordo com os termos do contrato de comodato.CONTRATOs Em EsPÉCIE b) Características Art. por exemplo. – Não solene – a lei não prescreve qualquer forma. Recebemos o contrato celebrado entre o Supermercado Pechincha e a empresa de café e notamos que. Se o contrato for omisso quanto à finalidade. deve ser restituído findo o prazo necessário para a finalidade para a qual ele foi emprestado. Que conseqüências podem resultar desse fato? d) extinção do Comodato O contrato de comodato se extingue: Rever arts. Perfaz-se com a tradição do objeto”. que descumpra a obrigação de devolver o bem no prazo. embora haja transferência do bem. Não havendo prazo expressamente pactuado. – Unilateral – após a entrega do bem. Não basta a mera troca de consentimentos. o Supermercado Pechincha entrou em acordo com uma renomada empresa de café expresso. portanto. sujeito aos efeitos da mora24. – Restituir a coisa emprestada no momento devido – O comodatário deve restituir o bem no prazo acordado. C) obrigações do comodatário – Velar pela conservação da coisa – O comodatário deve zelar pela coisa como se própria fosse. Pela análise do artigo acima. o prazo do contrato já terminou. é: – Gratuito – caso fosse oneroso. o domínio não é transferido ao comodatário. A natureza jurídica do contrato de comodato. pelo comodatário.406/2002: “O comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis. deve ser entendido que a coisa foi emprestada para ser utilizada de acordo com sua natureza. 579 da Lei nº 10. a não-fungibilidade do objeto e a necessidade de sua tradição para o aperfeiçoamento do negócio. embora as máquinas permaneçam no supermercado. uma área perto da seção de confeitaria. – Usar a coisa de forma adequada – O bem em comodato só poderá ser usado. onde os clientes podem tomar um gostoso cafezinho. – Real – é necessário que o bem seja transferido ao comodatário para que o contrato exista. o comodatário responde pelo dano que venha a ser sofrido pelo comodante. portanto.

CONTRATOs Em EsPÉCIE – pelo decurso do prazo pactuado ou. Ocorre que. Os herdeiros de Irene. após o uso pelo comodatário de acordo com a finalidade para que foi emprestada. Vital pleiteou em juízo a resolução do contrato de comodato. caso não haja termo ajustado. Vital deu sua moto em comodato a Irene. – pelo comodante. Nesse caso. Apesar de estar muito chateado. como julgaria a questão? FGV DIREITO RIO 56 . Irene veio a falecer poucos dias depois. por sua vez. a rescisão decorrerá de sentença judicial que reconheça o advento de necessidade urgente e imprevisível à época do negócio. – pelo comodante. embora o contrato de comodato tivesse sido celebrado com Irene. Sabendo que Irene tinha acabado de abrir um restaurante e que queria implementar um serviço de entrega em domicílio. o comodante estava ciente de que não era ela quem dirigia a moto. alegando que somente tinha feito aquele contrato porque conhecia muito bem Irene e que agora não fazia sentido manter o contrato de comodato. Se você fosse o juiz. de acordo com os herdeiros. alegaram que o contrato de comodato ainda estaria em vigor e que a moto era responsável por uma boa parte da renda do restaurante uma vez que viabilizava o serviço de entrega em domicílio. se o comodatário descumpre qualquer de suas obrigações. caso prove a superveniência de necessidade imprevista e urgente. Irene e Vital eram amigos desde a época do colégio. Além disso. infelizmente.

o comodatário recebe coisa não fungível. o comodato é o empréstimo de coisas não fungíveis.Mudança na situação econômica do devedor . tais como: – Objeto – Como vimos na aula anterior.. págs. São Paulo: Saraiva. do Mercado de Capitais e da Arbitragem 22. Teresa Ancona. Caso Gerador: Nosso cliente. 261 a 268. para viabilizar a compra da participação na Pechincha Comércio Varejista Ltda. tendo que devolvê-la ao comodante ao final do comodato.406/2002. é o “empréstimo de coisas fungíveis”. (coord. 3. • FONSECA. 10. – Transferência de domínio – Enquanto no comodato. Grana Certa Empreendimentos S. no prazo pactuado. 67 a 110. São Paulo: RT.10.10. eMentário de teMas: Diferenças entre mútuo e comodato – Características . Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. não deixe de apontar as diferenças entre o regime geral do mútuo no Código Civil e o mútuo bancário. 1. out.10.10. no mútuo. págs. págs. por meio de mútuo. Já o mútuo.). Dessa diferença decorre a segunda distinção entre comodato e mútuo. São Paulo: Ed. 2004. Ao explicar a situação. 1.3. 2003. 1. biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO. roteiro de aula a) diferenças entre mútuo e comodato Embora ambos sejam espécie do gênero empréstimo. biblioGrafia obriGatória: • Arts. 2002.406/2002.. Revista de Direito Bancário. 53 a 77. Arnaldo.4. 586 da Lei nº 10.Prazos no mútuo. vol. diferentemente do que ocorre no comodato. mas não necessariamente o mesmo recebido. o mutuário tem que entregar ao mutuante. Parte Especial.1. Ele comenta que soube que houve muita discussão a respeito da cobrança de juros com a edição do novo Código Civil e lhe consulta sobre esta questão. vol. Rodrigo Garcia da. FGV DIREITO RIO 57 . do Mercado de Capitais e da Arbitragem 26. 1.10. como o bem emprestado é fungível. 586 a 592 da Lei nº. pretende obter recursos. Comentários ao Código Civil.10. AulA 10: EmPRÉSTImO (múTuO) 1.-dez. conforme art. Silvio.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. págs. Revista de Direito Bancário. • LOPEZ. o domínio do bem é transferido pelo mutuante ao mutuário. out. Juros no Código Civil de 2002.5. no mútuo.Mútuo oneroso ou feneratício .-dez. 7. As coisas fungíveis são substituíveis por outras. Juros e o novo Código Civil. Antônio Junqueira de.169 a 187. Saraiva.A.2. • RODRIGUES. 2003. São Paulo: RT. Desta forma. Direito Civil. um bem que tenha as mesmas características do que o recebido. In: AZEVEDO. Das várias espécies de contratos.. apresentam algumas diferenças.

Ocorre que a bolsa de valores despencou. é possível dizer que a partir desse momento apenas o mutuário tem obrigações para com o mutuante. a prova exclusivamente testemunhal só se admite nos negócios jurídicos cujo valor não ultrapasse o décuplo do maior salário mínimo vigente no País ao tempo em que foram celebrados”. como também oneroso. no caso de negócios jurídicos de valor superior a dez salários mínimos. aplica-se a regra geral25 de que. 227 da Lei nº 10. com a previsão de juros sobre o valor emprestado. Dessa forma. que no caso de notória mudança na situação econômica. O que você responde? Quais são as principais diferenças entre a locação e o comodato e a locação e o mútuo? b) Características O mútuo é contrato: – Real – Só se aperfeiçoa com a entrega da coisa. no caso de ajuda a um amigo. assim como o valor das ações que foram adquiridas pelo amigo de Jeremias. sendo conveniente. Caput do art. Jeremias entregou o dinheiro ao amigo para que ele fizesse o investimento na bolsa.000. 402 do Código de Processo Civil prevê exceções a regra do arts.CONTRATOs Em EsPÉCIE Jeremias vinha conversando muito com um amigo que se dizia entendido de investimentos na bolsa de valores. prevista no art. Jeremias lhe procura e pergunta se tem obrigação de devolver a João Alberto os R$ 500. Como não tinha recursos para fazê-lo. No mútuo oneroso ou feneratício. por exemplo.406/2002: “salvo os casos expressos. – Unilateral – Como o contrato somente se concretiza com a entrega do bem pelo mutuante ao mutuário. Jeremias decidiu investir em ações. – Não solene – A lei não determina uma forma obrigatória para a celebração do mútuo. d) Mútuo oneroso ou feneratício O caso mais usual de mútuo é o empréstimo de dinheiro. que é a remuneração pelo uso do capital. o mutuante pode exigir do mutuário garantia de que poderá cumprir sua obrigação de pagar o mútuo.406/2002 e 401 do Código de Processo Civil. portanto.00 a João Alberto. tem sido cada vez mais comum a pactuação de mútuos onerosos. Atualmente. contudo. celebrar esse tipo de contrato por escrito. mas essa é necessária para que o contrato exista. Curioso e atraído pela conversa de seu amigo. o mutuário deve devolver ao mutuante valor equivalente ao recebido. Vale lembrar que o art. assim como o supermercado pôde entregar apenas a máquina quebrada. acrescido de juros. o legislador prevê no art. 333 da Lei nº 10. – Gratuito ou oneroso – O contrato de mútuo tanto pode ser gratuito. No dia fixado para pagamento do mútuo.406/2002. não é admitida apenas a prova testemunhal.00. 25 FGV DIREITO RIO 58 . Jeremias pediu R$ 500. uma vez que a única obrigação do mutuante seria a entrega da coisa. 227 da Lei nº 10. sem ter a obrigação de consertá-la ou pagar pelo seu conserto.000. para devolvê-lo no prazo de seis meses. 590 da mesma lei. Ele lembra que certa vez uma das máquinas de café expresso emprestadas para uma das filiais do supermercado quebrou e que o supermercado teve apenas que devolvê-la a empresa proprietária das máquinas. ele também pagaria ao João Alberto apenas o que havia sobrado. C) Mudança na situação econômica do devedor Seguindo a orientação de proteção ao credor. não bastando o acordo entre as partes. tendo em vista que agora ele só tem metade desse valor. Para provar a existência do mútuo.

Já no Código Civil de 2002. se for de qualquer outra coisa fungível”. desde que seja observado o limite máximo estabelecido no referido art. 27 “Comentários ao Código Civil. Das várias espécies de contratos”. pois esses bens têm disciplina específica prevista nos incisos anteriores.065/95 FGV DIREITO RIO 59 . pág. O art. No Código Civil de 1916. A taxa em vigor para pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional é a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC)29. Vol. Teresa Ancona Lopez. 406. e) Prazos no mútuo Caso as partes não convencionem o prazo para o término do mútuo. as partes são livres para pactuar a taxa de juros. Parte Especial. “Os juros moratórios. a fixação dos juros tinha que ser expressa. são Paulo: saraiva. Parte Especial. Os juros também podem ser legais ou convencionais. Como o art. Teresa Ancona Lopez. podemos afirmar que ele refere-se aos dois tipos: remuneratórios e moratórios. portanto.406/2002 não faz referência a um tipo específico de juros. ou o forem sem taxa estipulada. 10. são definidos como o rendimento do capital. eles são presumidamente devidos no caso de mútuo para fins econômicos. A princípio. 406 da mesma lei para fixar teto para a taxa de juros: Art. 175. por sua vez. 591 da Lei nº. 10.CONTRATOs Em EsPÉCIE A cobrança de juros vem sendo discutida durante a história. 175. são Paulo: saraiva. a indenização por descumprimento de uma obrigação pecuniária. mesmo que não haja previsão expressa de cobrança de juros. 2003. como também é muito comum. 591 da Lei nº. ou quando provierem de determinação de lei. 406 da Lei nº. a cobrança de juros não só é aceitável. Das várias espécies de contratos”. (coord) Antônio Junqueira de Azevedo. são definidos como a compensação. inclusive. “Os juros. da mesma forma que o aluguel é o rendimento produzido pela coisa cedida em locação. de um modo geral. os frutos produzidos pelo dinheiro.406/2002: “Quando os juros moratórios não forem convencionados. pg. (coord) Antônio Junqueira de Azevedo. 174. o Código Civil estabeleceu prazos em seu artigo 592. Vale ressaltar o prazo previsto no inciso III do referido artigo: “do espaço de tempo que declarar o mutuante. 2003. serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional”. 26 “Comentários ao Código Civil. resultantes da utilização permitida desse capital”27. Dessa forma. Parte Especial. Os juros legais decorrem de imposição legal e os juros convencionais decorrem da vontade das partes. o mutuante poderá intimar o mutuário para restituir o bem no prazo que fixar. Esse prazo deve ser razoável para que o mutuário possa usar e gozar do bem mutuado. Das várias espécies de contratos”. 2003. Vol. Teresa Ancona Lopez. (coord) Antônio Junqueira de Azevedo. pág. 7. 10. 28 29 Lei nº 9. “Comentários ao Código Civil. 7. Os juros são classificados em juros remuneratórios e juros moratórios. são Paulo: saraiva.406/2002 remete ao art. 7. É bem acessório e depende do principal”26. Atualmente. “Os juros remuneratórios podem ser definidos como os frutos de um capital emprestado. Essa regra não se aplica ao mútuo de dinheiro ou de produtos agrícolas. Vol. Aplicam-se quando o devedor deixar de cumprir sua obrigação no tempo acordado como credor”28. do ponto de vista moral e religioso.

c. Poderá se valer de prova testemunhal. não cuidou de obter sua assinatura em documento que tornasse hábil a futura cobrança.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Nada poderá fazer. diante do constrangimento decorrente da relação de parentesco. d. Não existe previsão legal para esta hipótese. sendo certo que tais tratativas verbais ocorreram na presença de manoel e Joaquim. independentemente do valor contratado. FGV DIREITO RIO 60 .1ª fase) João tendo emprestado certa importância a seu primo José. pois dívida não se comprova com testemunha. questões de ConCurso (Prova: 12º Exame de Ordem . b.6. Só poderá se valer de testemunhas se estas forem em número de quatro ou mais. face ao impedimento moral existente.10. Diante desta hipótese João poderá: a.

Perguntado sobre o descumprimento do prazo e do orçamento previstos. 2005. págs. Características da Empreitada. O trabalho com vínculo empregatício é regulado pelo Direito do Trabalho. Silvio. fôssemos advogados do empreiteiro. 593 a 626 da Lei n° 10.2. agência e distribuição. o material que iria ser utilizado para revestir as paredes do estacionamento deteriorou-se e que será necessário repor boa parte do material. Caio Mário da Silva.11. 1. Espécies de Empreitada. como transporte. Saraiva. que está completamente irada. A previsão inicial era de que a obra duraria três meses e custaria R$ 20.000.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Se fôssemos advogados do Supermercado Pechincha. Pedro acaba de avisar à Maria Lúcia.11. como orientaríamos Maria Lúcia? E se.00.11. O Código Civil regula a prestação de serviços residual. Riscos com aumento ou redução de preços. 1. o termo “locação” é utilizado apenas para coisas e não mais para pessoas. AulA 11: PRESTAçãO dE SERVIçOS. o que poderíamos alegar? 1. PEREIRA. Modernamente. 375 a 384. encontramos Maria Lúcia. corretagem. Empreitada – Introdução. ou seja. Características da Prestação de Serviços. 1. Ela conta que contratou.11. Pedro alega que alguns materiais necessários para a obra tiveram seus preços reajustados e que o projeto original sofreu modificações durante a obra. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. 243 a 253. que ele não tinha como prever quando foi contratado. como os serviços de telefonia e bancário. a prestação de serviços era tratada como “locação de serviços”. biblioGrafia obriGatória Arts. há mais de cinco meses. um rapaz conhecido por ser um bom empreiteiro. Ocorre que a obra já ultrapassou tanto a previsão de tempo quanto a de custo e Pedro ainda está cobrando de Maria Lúcia valores adicionais pela obra. Instituições de Direito Civil. Há serviços específicos que são tratados em seção específica do Código Civil. EmPREITAdA. para análise de contratos que ali estavam. vol 3. 2002. como executor de uma obra para ampliação do estacionamento da loja. Pedro. III. que em razão de um acidente ocorrido no dia anterior. vol.1. Para piorar. eMentário de teMas Prestação de Serviços – Introdução. São Paulo: Ed.406/2002. RODRIGUES. filha do senhor Eduardo Russo e administradora das lojas. Obrigações do dono da obra. ao contrário. Obrigações do Empreiteiro. Caso Gerador Em visita a uma das filiais do supermercado Pechincha. o “trabalho avulso feito por pessoa física ou jurídica (geralmente microempresa) e o trabalho dos profissionais liberais”.11.3.introdução No Código Civil anterior. FGV DIREITO RIO 61 . ou até mesmo em lei específica. págs.4. Rio de Janeiro: Forense. Direito Civil. roteiro de aula a) Prestação de serviços .

pessoalmente ou por terceiros. 619 da Lei n° 10. Durante a diligência. como ocorre no mútuo. Quais são as diferenças entre o contrato de empreitada e o de prestação de serviços? d) Características da empreitada O contrato de empreitada é: Bilateral ou sinalagmático – envolve prestação de ambas as partes. como poderíamos classificar o contrato de prestação de serviços? Tendo atuado muitos anos no comércio varejista. sendo a ausência de protesto considerada uma aceitação tácita do dono da obra. Não solene – a lei não impõe forma específica para sua execução. e) riscos com aumento ou redução de preços Em regra. O empreiteiro entrega a obra e o dono da obra entrega o preço. tivemos conhecimento de que Jeremias Russo vinha mantendo conversas e negociações com o senhor Eugênio para que ele parasse de prestar serviços ao supermercado e passasse a trabalhar para o seu sócio em um novo negócio que Jeremias estava pensando em abrir. em troca de certa remuneração fixa a ser paga pelo outro contraente – dono da obra -. vol 3.406/2002). Direito Civil. b) Características da Prestação de serviços Relembrando nossa primeira aula. objeto lícito e forma. C) empreitada . O empreiteiro só pode exigir acréscimo no preço do dono da obra se forem feitas modificações no projeto a ser implementado. Relembrando: capacidade das partes. nos pergunta se há alguma providência que possa ser tomada caso o senhor Eugênio resolva parar de trabalhar para o Supermercado Pechincha. Consensual – se aperfeiçoa com a mera vontade das partes. sem que seja necessária a entrega da coisa. São Paulo: Ed. salvo estipulação em contrário. se esse presente às obras verificou a alteração no projeto e não protestou. por meio de instruções por escrito do dono da obra e. (art. 2 FGV DIREITO RIO 62 . o senhor Eugênio foi contratado com exclusividade pelo Supermercado Pechincha para prestar serviços de pesquisa de técnicas de atração ao consumidor. qualquer espécie de serviço pode ser objeto do contrato de prestação de serviço. nosso cliente. Saraiva. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.243. de acordo com instruções deste e sem relação de subordinação”2. 2002. 1 RODRIGUEs. Oneroso – envolve um “sacrifício” patrimonial para ambas as partes. preocupado. pág.CONTRATOs Em EsPÉCIE Desde que respeitados os pressupostos e requisitos1 para os negócios jurídicos. Silvio. Pode ser ajustado verbalmente. o senhor Odin Heiro. Ao saber disso.introdução Empreitada é o contrato por meio do qual o empreiteiro “se compromete a executar determinada obra. os riscos da alta ou baixa do preço dos materiais e do salário são assumidos pelo empreiteiro. no caso de não haver autorização escrita do dono da obra.

a qualidade dos materias especificados no memorial de incorporação.1ª fase) “A” obrigou-se a construir para “B” um edifício. durante o prazo de cinco anos. Maria Lúcia está muito insatisfeita com o trabalho do senhor Pedro. ficando responsável pelos efeitos decorrentes da mora. corretamente a obrigaçao. não podendo recusar injustificadamente o seu recebimento. Art. d. de 10 andares. o dono da obra tem duas alternativas: rejeitar a coisa ou recebê-la com abatimento do preço. 4 Arts. Caso o dono da obra recuse o recebimento da coisa sem motivo. aplicam-se as regras de vício redibitório5. Ela lhe procura com a seguinte pergunta: qual é a regra geral para suspensão dos serviços no caso de empreitada? 1. Caso o empreiteiro não cumpra as obrigações do contrato. em razão dos materiais como do solo.Ajuizando ação com fundamento na exceptio non rite adimpleti contractus. 389 da Lei nº 10. 441 e seguintes da Lei n° 10. Aguardando que este cumpra. ele será tido como em mora. e honorários de advogado”.CONTRATOs Em EsPÉCIE f) espécies de empreitada Empreitada de lavor – aquela em que o empreiteiro contribui apenas com seu trabalho. Para os defeitos aparentes. a lei criou as alternativas referidas acima. b. se o empreiteiro não atende as especificações contratadas. conforme regra geral4. Por sua vez. 5 FGV DIREITO RIO 63 . mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. a doutrina entende que o empreiteiro tem direito de retenção.11. A lei prevê ainda uma regra específica no caso de empreitada de edifícios e outras construções consideráveis. Ajuizando ação com fundamento na exceptio non adimpleti contractus. Assim “B” suspende os últimos pagamentos devidos a “A”: a. O dono da obra tem obrigação de receber a coisa. fica sujeito à obrigação de reparar o prejuízo. que não observou. c. a obra pode ter defeitos aparentes ou ocultos. responde o devedor por perdas e danos. cuja obra foi concluída segundo afirmativa categórica de “A” no prazo estabelecido pelo contrato. devido a isso pensa em extinguir o contrato que mantém com ele. Ao ser entregue. como garantia do pagamento do preço. Empreitada mista – aquela em que o empreiteiro contribui com mão-de-obra e materiais. Embora não haja previsão legal. Ajuizando ação com fundamento na cláusula rebus sic stantibus. Por que é importante distinguir entre a empreitada de lavor e a empreitada mista? G) obrigações do empreiteiro A principal obrigação do empreiteiro é entregar a coisa no tempo e na forma acertados. Além disso. questões de ConCurso (Prova: 29º Exame de Ordem . H) obrigações do dono da obra A principal obrigação do dona da obra é efetuar o pagamento do preço.5. Para os vícios ocultos. segundo a qual o empreiteiro de materiais e execução responderá pela solidez e segurança do trabalho.406/2002. rigorosamente. “B” alega que houve cumprimento insatisfatório e inadequado da obrigação por parte de “A”.406/2002: “Não cumprida a obrigação.

Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. 269 a 282. págs. o contrato de depósito é aquele segundo o qual “recebe o depositário um bem móvel. até que o depositante o reclame”.3. Este.1. Um dia. 640 da Lei nº 10. Saraiva. não basta apenas a celebração do contrato.406/2002. FGV DIREITO RIO 64 . tivemos que fazer algumas visitas ao supermercado. haviam sido furtados. para nossa surpresa. O depósito tem por objeto apenas bens móveis. Há duas espécies de depósito reguladas pelo Código Civil: o voluntário e o necessário.12. fomos conversar com o gerente do hotel. Qual é a principal diferença entre o contrato de depósito e o contrato de comodato? O depositário não pode utilizar a coisa depositada. para guardar. O contrato de depósito voluntário é classificado como: – Real – o contrato de depósito só se aperfeiçoa com a entrega do bem. vol 3. ficamos hospedados no Hotel Descanse em Paz. b) depósito voluntário É aquele ajustado única e exclusivamente em razão da vontade das partes. Aborrecidos com o acontecimento. ao voltarmos do trabalho para o hotel. Depósito Necessário.2. eMentário de teMas Introdução. Depósito Voluntário. roteiro de aula a) introdução Conforme dispõe o artigo 627 da Lei nº 10. 1. 627 a 652 da Lei nº 10.406/2002. AulA 12: dEPóSITO 1. durante a diligência.406/2002). ele nos mostrou uma placa afixada na recepção que assim dizia: “O HOTEL NÃO sE REsPONsABILIZA PELOs OBJETOs DEIXADOs NO INTERIOR DOs APARTAmENTOs”. Direito Civil.4. Como argumento final. por não terem utilizados os cofres eletrônicos de segurança postos à disposição nos apartamentos em que nos hospedamos. 1.12. RODRIGUES. como relógios e aparelhos de celular. nos disse que o hotel nada tinha a fazer e que um eventual prejuízo deveria ser imputado à própria omissão dos hóspedes.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. (art. 2002.12. São Paulo: Ed.12.12. E agora? O gerente tem razão? 1. biblioGrafia obriGatória Arts. encontramos nossos quartos revirados e percebemos que alguns itens pessoais. Em nossa última viagem. a não ser que tenha expressa autorização do depositante. Caso Gerador Os Supermercados Pechincha ficam em Brasília. Silvio. por isso. no entanto.

cabendo a ele. In: AZEVEDO. Art. Quando o depósito é gratuito. muitos autores entendem que não há forma prevista para a validade do ato. o art. cabem obrigações apenas para o depositário. vol. 642 da Lei nº 10. Caso o depositário não cumpra essa obrigação. por motivo plausível. apenas para sua prova. É necessário. podemos concluir que esta não é da essência do contrato de depósito. 635 da Lei nº 10.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Não solene – embora o art. ele manteve o mesmo na garagem do pai. Obrigações do depositário: – Obrigação de guardar a coisa alheia – é a obrigação inerente e principal do contrato de depósito. se o depositante se recusar a recebê-la. 2003. O depositário não responde pela deterioração ou perda do bem em caso de força maior. São Paulo: Saraiva. analisar o caso específico para classificar o depósito como gratuito ou oneroso e unilateral ou bilateral. Conforme artigo 629. que não a testemunhal. Ele desabafa que está com problemas porque descobriu que seu pai.406/2002 dispõe: “Seja o depósito voluntário ou necessário. Das várias espécies de contratos. Nesse sentido. em regra. 646 da Lei nº 10. necessitará de prova outra. comentários ao código civil. nos procura para falar sobre um assunto pessoal. provar a ocorrência de força maior (art. Uma das sanções previstas para o descumprimento da obrigação de restituir o bem depositado é a prisão civil. acompanhada dos frutos e acrescidos. 7. independentemente do prazo inicialmente ajustado entre as partes. quando. independentemente do debate a respeito das duas espécies de forma. Já no depósito oneroso. cabe ao depositante a obrigação de pagar ao depositário. o contrato de depósito é gratuito. para a sua prova. A Lei prevê que o depositário poderá devolver a coisa ou depositá-la judicialmente. não puder continuar a guardá-la (art. entende-se que ele é um contrato intuitu personae. sendo assim uma das exceções ao princípio de que ninguém pode ser preso em razão de dívidas. Parte Especial. vendendo-os a terceiros. porém.406/2002). muitos sustentam que não há o caráter intuitu personae. que pode ser pactuado sem qualquer formalidade pelas partes e mesmo assim existirá e será válido. o depositário é obrigado a conservar a coisa como se sua fosse. com a entrega do bem pelo depositante ao depositário. para tanto.406/2002). porém. – Unilateral ou bilateral – após o aperfeiçoamento do contrato. – Obrigação de conservar a coisa alheia – essa obrigação é uma conseqüência da obrigação de guardar. senhor Odin Heiro. (coord. o depositário que não restituir quando exigido será compelido a fazê-lo mediante prisão não excedente a um ano. qualquer começo de prova escrita (cf. A coisa deve ser restituída no estado em que foi recebida pelo depositário. que as partes convencionem uma retribuição ao depositário. “Assim. Entretanto.). mas descobriu que o mesmo foi deteriorado em um recente LOPEZ. Antônio Junqueira de.406/2002 disponha que o “depósito voluntário provar-se-á por escrito”. 652 da Lei n° 10. Teresa Ancona. – Obrigação de restituir a coisa – O depositário deve devolver o bem ao depositante quando solicitado. Desconhecendo a existência desse contrato de depósito. se exceder ao décuplo do salário mínimo vigente. e ressarcir os prejuízos”. ele se desfez do baú de madeira e do conjunto de xícaras. era depositário dos seguintes bens: um baú de madeira. porém. já falecido. pois tem por base a confiança que o depositante tem no depositário. – Gratuito ou oneroso – De acordo com o Código Civil. 6 FGV DIREITO RIO 65 . 227 do CC de 2002)”6. admitindo-se. deverá reparar o prejuízo do depositante. No caso de depósito oneroso. portanto. 414. p. Quanto ao carro. Nosso cliente. Nada impede. um conjunto de xícaras de porcelana e um automóvel.

o contrato de depósito é unilateral quando o contrato é gratuito e bilateral quando o contrato é oneroso. mostrou o contrato que foi celebrado entre eles. (coord. comentários ao código civil. foi surpreendido com a alegação do vizinho de que não devolveria aqueles bens. Ao contrário do depósito voluntário que se presume gratuito. Em regra. de acordo com o contrato. Alguns dias depois. mas sim de obrigações subsidiárias. como a de reembolsar as despesas feitas pelo depositário na guarda da coisa e de indenizá-lo pelos prejuízos que venha a ter em razão do depósito. 8 FGV DIREITO RIO 66 . Antônio Junqueira de. Das várias espécies de contratos. 7. ele nos pergunta: O contrato de depósito se extingue com a morte do depositário? O herdeiro tem alguma responsabilidade quanto aos bens depositados? O que fazer tendo em vista que alguns bens foram vendidos e outro foi deteriorado? Ele reparou que.. Em um dia de chuvas torrenciais. o depósito necessário presume-se oneroso. p. não há um depósito. e – depósito que se faz em situação de calamidade. Estes são equiparados ao depósito necessário e ao depósito de bagagens em hospedarias. e os deixou na casa de um vizinho que. Alguma providência a tomar quanto a esse caso? Obrigações do depositante: Como vimos.). comentários ao código civil. Diante dessa situação. sabendo do falecimento do pai do senhor. mas sim empréstimos”8. C) depósito necessário O depósito necessário ocorre nas seguintes hipóteses: – depósito para desempenho de obrigação legal. cabem ao depositante algumas obrigações que não decorrem da natureza do contrato de depósito em si. mas um genuíno empréstimo por força da intenção das partes”7. 2003. quando foi buscar a televisão e o computador. pois de acordo com Teresa Ancona Lopez: “. In: AZEVEDO. Das várias espécies de contratos. Marvim retirou apressadamente alguns objetos. a senhora Juracema deveria ter pago ao seu pai uma quantia semestral como pagamento pelo depósito e que sabia que ela não havia efetuado o pagamento de. (coord. por morar em uma área de ladeira. pelo menos. nos depósitos bancários.CONTRATOs Em EsPÉCIE incêndio ocorrido no prédio. O legislador entendeu que nesses casos deveriam ser aplicadas as regras referentes ao mútuo. vol. Teresa Ancona. A autora conclui: “em conclusão. procurou nosso cliente. teve melhor sorte com a chuva. Parte Especial. ao ver sua casa inundando. os chamados depósitos bancários não são depósitos. depositante dos bens. São Paulo: Saraiva. In: AZEVEDO. p. Odin Heiro. ocorre quando o bem depositado é dinheiro. Parte Especial.). São Paulo: Saraiva. Antônio Junqueira de. 7 LOPEZ. 7. Depósito de coisas fungíveis É o chamado depósito irregular. Mesmo nos casos em que o contrato é unilateral. 2003. duas últimas contribuições. Há discussão na doutrina quanto à natureza do depósito bancário. e pediu a devolução dos bens. 411. Como ajudar Marvim nessa situação? É possível enquadrar o vizinho como depositário infiel mesmo sem a existência de um contrato entre eles? Cabe a prisão civil nesse caso? LOPEZ. Teresa Ancona. a senhora Juracema. Dias atrás. 412.. feitos como meio de guardar valores e perceber rendimentos e juros. como a televisão e o computador. vol.

vol 3. o mandante se faz representar pelo mandatário.406/2002) FGV DIREITO RIO 67 . roteiro de aula a) introdução Por meio do mandato. Sem querer desapontar o senhor Odin Heiro e muito menos a sua noiva. o senhor Odin Heiro. ou seja. Saraiva. Obrigações do Mandatário. Obrigações do Mandante. ele poderia outorgar a um amigo uma procuração para se casar em seu lugar? Ele poderia substabelecer a outro funcionário da companhia os poderes que lhe foram outorgados na procuração para assinar o contrato de compra e venda? 1. Procuração e Substabelecimento. é possível o mandato tácito e o verbal (art. O mandatário age em nome do mandante.13. o senhor Justin Case.13. págs.4. outorgou uma procuração a um dos funcionários de sua confiança. para adquirir a participação na Pechincha Ltda.2. Ao ser comunicado desse fato. São Paulo: Ed.13. 1.13. biblioGrafia obriGatória Arts. 653 a 692 da Lei nº 10. 283 a 305.. – Não solene – embora a lei determine que a procuração é o instrumento do mandato. Silvio. Qual a diferença entre o mandato e a comissão? b) Classificação O mandato é contrato: – Consensual – para que se aperfeiçoe basta a vontade das partes. o senhor Justin Case lhe pergunta: ele poderia casar por procuração. Classificação. na qualidade de diretor e representante da Grana Certa Empreendimentos S. 656 da Lei n° 10.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. RODRIGUES. 1.3.A.406/2002.1. Direito Civil. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. 1. o senhor Justin Case nos contou que o senhor Odin Heiro se esqueceu apenas de um pequeno detalhe: há uma boa probabilidade de a assinatura do contrato ocorrer justamente no período no qual Justin Case ia tirar férias para se casar com sua noiva no Paraná.. eMentário de teMas Introdução. Caso Gerador Sabendo que estaria fora do país na provável época da assinatura do contrato de compra e venda das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda. 2002. Revogação e Extinção do Mandato.13. AulA 13: mANdATO.

667 da Lei n° 10. são ineficazes em relação àquele em cujo nome foram praticados. O mandato outorgado a advogado. Assim. ou o tenha sem poderes suficientes. Antes de contratar com alguém que se apresente como mandatário do outro contratante. pág. salvo raras exceções que serão vistas adiante.406/2002) – O mandatário deve atuar respeitando os poderes outorgados na procuração. exceto quando tem por objeto a realização de atos que o mandatário realiza profissionalmente. salvo se este os ratificar”. Cabe ao mandatário provar que não houve culpa sua para se livrar de ser responsabilizado pelo prejuízo que venha a ser sofrido pelo mandante. Tendo em vista que a lei admite mandato tácito. 9 FGV DIREITO RIO 68 . uma vez que o mandante confere poderes a alguém de sua confiança. 2002. São Paulo: Ed. RODRIGUEs. d) obrigações do Mandatário As obrigações do mandatário são: – Agir em nome do mandante (art.406/2002) – o mandatário é responsável pelos prejuízos causados ao mandante. ou seja. transigir. Sendo o mandato outorgado por instrumento público.406/2002 dispõe que: “os atos praticados por quem não tenha mandato. Havendo remuneração prevista. exceto para aqueles que exigem instrumento particular ou público. Silvio. será bilateral. o mandato será extinto. pois implicará obrigações para ambas as partes. – Unilateral – sendo o mandato gratuito. 289. sendo oneroso. é indispensável conferir a procuração e os poderes que foram outorgados para não correr o risco de que o contrato seja ineficaz em relação ao mandante. presume-se que o mandato é gratuito. um mandato com poderes de administração em geral não bastaria para que o mandatário assinasse escritura de hipoteca em nome do mandante. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. tendo em vista que o artigo 662 da Lei n° 10. Dessa forma. havendo morte de uma das partes. a procuração não é indispensável para conclusão de negócios. hipotecar. A procuração pode ser outorgada por instrumento público ou particular. Direito Civil. vol 3.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Gratuito – não havendo estipulação de remuneração. não se presume gratuito. O mandato é intuitu personae. certo? Para efetuar determinados atos como alienar. Substabelecimento “é o ato pelo qual o mandatário transfere ao substabelecido. Saraiva. a não ser que este venha a ratificar o ato posteriormente. quando eles resultarem de culpa do mandatário. o ato é inválido para o mandante. pois ele é um instrumento para que o advogado possa defender os interesses de seu cliente e exercer seu ofício. naturalmente o substabelecimento deverá ser outorgado também por instrumento público. o Código Civil exige que a procuração contenha poderes expressos. 653 da Lei n° 10. Se o mandatário agir extrapolando os poderes que lhe foram conferidos. ele será unilateral. por exemplo. Pode um advogado prestar serviço advocatícios sem mandato e vice-versa? C) Procuração e substabelecimento A procuração é o instrumento do mandato. os poderes que lhe foram conferidos pelo mandante”9. – Agir com o zelo necessário e diligência habitual na defesa dos interesses do mandante (art.

Muito chateado com a situação. porém. infelizmente. tendo apenas ação de perdas e danos contra o mandatário pela inobservância das instruções. 676 da Lei n° 10. o tal conhecido acabou adquirindo a casa para si próprio. Mesmo tendo conhecimento da nova procuração. deixando a família de seu amigo “na mão”. Vale notar que.406/2002). 668 da Lei n° 10. mas não exceder os limites do mandato. para contratar pessoas para trabalharem em sua fazenda. interdição ou mudança de estado do mandante. Maria Lúcia. 678 da Lei n° 10. Aproveitando-se das ótimas condições do negócio. – Indenizar o mandatário pelos prejuízos que venha a sofrer em cumprimento ao mandato. antes mesmo que ele houvesse efetuado a transferência do imóvel para seu nome. em razão de alguns acordos familiares.406/2002).CONTRATOs Em EsPÉCIE – Prestar contas de sua gerência ao mandante e transferir ao mandante todas as vantagens obtidas nos negócios – (art. É verdade? FGV DIREITO RIO 69 . ele diz que acha que não há nada mais a ser feito. neste caso. tendo. contratado alguns empregados. ambos são mandatários do pai? Jeremias pode continuar a desempenhar os poderes que a ele foram outorgados? A contratação dos empregados é válida? O senhor Odin Heiro lhe procura. caso o mandato seja oneroso (art.406/2002) – O mandante. Jeremias. 675 e 679 da Lei n° 10. Ocorre que. – Adiantar ao mandatário os valores necessários ou reembolsá-lo pelas despesas efetuadas em razão do cumprimento do mandato (arts. se o mandatário contrariar as instruções do mandante. o senhor Eduardo Russo resolveu outorgar procuração. podendo. 675 e 676 da Lei n° 10. 647 da Lei n° 10. com poderes idênticos. desde que não resultem de culpa do mandatário ou de excesso de poderes (art. o mandante ficará obrigado a cumprir as obrigações perante terceiros. ele havia sido constituído mandatário de sua tia Gertrudes para transferir a ele próprio um imóvel que era de propriedade da referida tia. pois. Jeremias continuou a utilizar a procuração que havia recebido e a fazer entrevistas. f) revogação e extinção do mandato O senhor Eduardo Russo outorgou uma procuração ao seu filho. inclusive fazer entrevistas e ajustar salários. Como você orienta o seu amigo? e) obrigações do Mandante – Cumprir os compromissos assumidos pelo mandatário em seu nome (arts. Meses depois. E agora? Ele ouviu dizer que o mandato se extingue com a morte de uma das partes. somente se vincula dentro dos termos previstos na procuração. até porque o tal conhecido já até devolveu ao pai dele a quantia que havia recebido para pagar o sinal do imóvel. preocupado. – Pagar ao mandatário a remuneração ajustada. tia Gertrudes faleceu inesperadamente. Maria Lúcia lhe pergunta: afinal.406/2002). a sua filha.406/2002). um pouco decepcionado pelo andamento dos trabalhos do filho.406/2002) – Prosseguir no exercício do mandato mesmo após extinção do mandato por morte. inclusive. Um amigo seu lhe conta que o pai dele havia nomeado um conhecido como procurador dele para adquirir uma bela casa em Itaipava. para concluir negócio já iniciado ou até ser substituído quando for para impedir que o mandante ou seus herdeiros sofram prejuízo (art.

caracteriza: a. Ato praticado é nulo de pleno direito. conseqüentemente.2ª fase PROVA DIsCURsIVA 4 . É essencial para o advogado que postula em Juízo em causa própria d. representando Tício quando tiver quitado o preço? FGV DIREITO RIO 70 . b. outorgando-lhe procuração para que Caio assine por Tício a escritura definitiva quando Caio tiver quitado integralmente o preço. Ato é tido como inexistente ou insubsistente. Diante do ocorrido.1ª fase) A procuração outorgada a vários procuradores com esfera de atuação devidamente delimitada. cabendo a cada um agir apenas em seu setor.Mandato plural substitutivo. c.Ato é perfeitamente válido uma vez que visava a ultimação de negócio já iniciado. Posteriormente.1ª fase) Dentre as características abaixo arroladas.Tício prometeu vender a Caio um imóvel.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. na qualidade de procuradora de Pedro. veio a saber que Pedro falecera dias antes. (Prova: 26º Exame de Ordem . Mandato plural fracionário. Posteriormente. outorgou escritura definitiva de imóvel prometido vender a Estela. É outorgada no interesse exclusivo do mandatário que. podemos dizer que: a. utilizando-se dos poderes especiais constantes da procuração. d. vez que.13. mas dependerá da iniciativa dos interessados.1ª fase) maria José. b.Subsiste mesmo após a morte do mandante (Prova: 13º Exame de Ordem . Ato é anulável. vez que o preço já se achava quitado.5. É válida a revogação ou poderá Caio assinar a escritura de compra e venda. c. questões de ConCurso (Prova: 28º Exame de Ordem . Tício revogou a procuração. diga qual não está adequada à procuração em causa própria: a. vítima de um acidente automobilístico. Prova: 26º Exame de Ordem . cessou o valor da procuração. Mandato plural solidário. d. fica isento de prestar contas ao mandante c. com a morte. Mandato plural conjunto. É irrevogável b.

org.14. Aspecto responsabilidade perante terceiros responsabilidade pela solvência das pessoas com quem contratar exclusividade dever de obediência às instruções do comitente/ proponente remuneração demissão sem justa causa demissão por justa causa Morte do comissário/ agente direito de retenção demais regras aplicáveis especificidades Comissão Agência/ distribuição FGV DIREITO RIO 71 . por meio da leitura dos textos obrigatórios e dos recomendados. Acesso em 03. Tendo em vista os novos entendimentos e analisando as regras específicas de cada um desses tipos jurídicos. que o novo Código Civil gerou algumas discussões acerca dos contratos de agência. Caso Gerador É possível perceber. Silvio de Salvo.2006. do ponto de vista do supermercado? Utilizando a planilha abaixo como base. com as alterações da Lei nº 8.com. ano 7. (em anexo) 1. JÚNIOR.html Acesso em: 03. 2006.2006.420/1992. n.societario. AulAS 14 E 15: COmISSãO.br/artigos/verartigo. agência e distribuição. (em anexo) DANTAS. Humberto Theodoro. biblioGrafia CoMPleMentar CINTRA. 66. 1.adv. Acesso em: 04 ago. Lei nº 4.886/1965.com. pensa em contratar terceiros para fazer a revenda dos produtos do Supermercado Pechincha? Qual seria o contrato mais seguro. eMentário de teMas Análise e comparação das características da comissão. Antonio Felix de Araujo. Acesso em: 03.ago.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. jun. 1. Disponível em: www.4. Renato. BERGER. Agência e Distribuição x Representação Comercial. mundo Jurídico.ago. III.14. É hora de definir agência e distribuição no novo Código Civil . Francisco Wanderson Pinho.14. já pensando no futuro. Disponível em: <http://jus2.1.Contratos. Do contrato de agência e distribuição no Novo Código Civil. 693 a 721 da Lei nº 10. BiBliografia oBrigatória Arts.3. (em anexo) PEREIRA.vol. br/doutrina/texto. págs. AgêNCIA E dISTRIbuIçãO (REPRESENTAçãO COmERCIAl). Disponível em: http://cacbufc.uol. Jus Navigandi.asp?id=4148>. compare as vantagens e desvantagens que cada uma dessas figuras jurídicas poderia trazer ao supermercado. Instituições de Direito Civil .br. 2005 .asp?id=215.mundojuridico. 2003. Caio Mário da Silva. Teresina.14. Disponível em www. 389 a 393.2006 (em anexo) VENOSA. distribuição e representação. Centro Acadêmico Clóvis Beviláqua. 1. br/demarest/svrepresentacao. Rio de Janeiro: Forense.2. como você orientaria o senhor Odin Heiro que. A representação no novo Código Civil.ago.406/2002.14.

406/2002? 1. o vende ao consumidor. nessa cadeia. Os empregados que captam clientela nestas circunstâncias são os viajantes e pracistas. Sujeitos do contrato de agência. que será concluída pelo preponente. 5. continuam vinculados à estrutura organizacional permanente da empresa. o empresário pode contratar esse serviço junto a outros empresários.1. O instrumento jurídico básico de que se valem os empresários. sem interferência dos empresários que utilizam seus serviços. 5. FGV DIREITO RIO 72 . leitura obriGatória: Do contrato de agência e distribuição no Novo Código Civil autor: Humberto theodoro júnior Publicado em: 29/9/2005 SUMÁRIO: 1. Todos.1. ou concessão comercial. você entende que a lei n° 4. Os elementos essenciais do contrato de agência.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Agência e comissão. para melhor colocação de suas mercadorias. que fazem do agenciamento de clientela o objeto de suas empresas. atuam dentro do estabelecimento sob o comando direto do empresário. A nomenclatura legal . Em lugar de usar empregados para angariar clientes fora do estabelecimento. o produtor não tem condições de explorar individualmente seu negócio. 2. que integra a categoria dos chamados. Agência e distribuição por conta própria (revenda).1. o artesão cria o produto. Direito comparado. o empresário sente a necessidade de atuar além dos limites físicos do estabelecimento. que se integram à estrutura operacional da empresa. ele mesmo. Conceito de contrato de agência. 5. Num estágio primário da exploração do mercado. porém. Outros empresários adquirem do fabricante esses produtos. que organiza sua própria empresa e a dirige. 3. O contrato de agência no direito brasileiro. 9. por meio do contrato de trabalho. 4. pois o agente é um representante autônomo. O fabricante cria os produtos com o fim de colocá-los no mercado.5. Noções introdutórias.as partes no contato de agência. 8. 7. Presta serviço tendente a promover a compra e venda. 8. é o contrato de compra e venda. Embora atuando fora do recinto do estabelecimento do empresário. 5. Natureza jurídica. noções introdutórias A atividade comercial realiza a circulação de produtos na cadeia econômica entre a produção e o consumo. O agente faz da intermediação de negócios sua profissão. Numa escala mais desenvolvida do processo industrial.4. expõe-no à venda e. contratando o serviço de empregados. Conforme o volume da produção e da comercialização. Agência e mandato.14. Encarrega. também com o mesmo propósito de revendê-los no mercado. Agente e viajante ou pracista (contrato de agência e contrato de trabalho). Nesse momento surge o fenômeno da representação comercial ou agência. Já então o fornecedor não terá comando do processo. 4. aceito por grande parte da doutrina.3. Recorre à mão de obra alheia. O objeto do contrato de agência.6. contratos de colaboração empresarial.886/1965.14. 6. foi revogada pela lei n° 10. 5. seja na produção seja na comercialização. alguns empregados de sair do estabelecimento para ir em busca de clientes na praça da empresa ou em outras praças. roteiro de aula a) qual é a principal diferença entre o contrato de comissão e o de agência? b) Partindo do pressuposto. Não pratica a compra e venda das mercadorias do representado. A representação comercial.2. que regulava especificamente as atividades dos representantes comerciais. 1. Contratos afins. então. de que agência e representação comercial são o mesmo contrato.

o Código fala também em “contrato de agência e distribuição”. 2. física ou jurídica. Essas noções são muito importantes para que não se venha a confundir o contrato regulado pelo art. franquia comercial. É ele sempre um prestador de serviços. representação comercial. agenciando propostas ou pedidos. ao concluir a compra e venda e promover a entrega de produtos ao comprador. Há uma idéia genérica de distribuição como processo de colocação dos produtos no mercado. que é aquele com que a lei qualifica o contrato de agência. só em 1965 mereceu disciplina legal específica no Brasil. a representação comercial O novo Código Civil. eventualmente. nos moldes de sua configuração legal. Aí se pensa em contratos de distribuição como um gênero a que pertencem os mais variados negócios jurídicos. além de suas regras próprias. arts. visto que se conserva o caráter de preposição. se sujeitará também às do mandato mercantil (Código Civil. praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios (art. 710 do Código Civil. fornecimento. a mesma atividade empresarial passa a denominar-se distribuição. correspondente à atividade daquele que. mas o mesmo contrato de agência no qual se pode atribuir maior ou menor soma de funções ao preposto. se dedica a angariar negócios em proveito destas. a distribuição não é a revenda feita pelo agente. sem entretanto.” O seu segundo elemento caracterizador é. a mediação para a realização de negócios mercantis. mandato mercantil. Ao invés de atuar como vendedor atua como mandatário do vendedor. “exerce a representação comercial autônoma a pessoa. 710. A primeira característica do representante comercial. A distribuição que eventualmente.886. este. confundir-se com a concessão comercial. revenda ou concessão comercial. Não é. continua sendo exatamente a mesma do representante comercial autônomo. sem relação de emprego. atribui à atividade tradicional da representação comercial o nomen iuris de agência. de maneira que. etc. Mas. A palavra “distribuição” é daquelas que o direito utiliza com vários sentidos. 1º). Pode. não age em nome próprio. e. Não são. além de falar em “contrato de agência”. Já então.886. a figura do representante comercial. um sentido mais restrito. de 09. por conta de uma ou mais pessoas. Embora já praticada. há um bom tempo nos meios empresariais. lhe pode ser delegada. baseado na revenda de mercadorias e sujeito a princípios que nem sequer foram reduzidos a contrato típico pelo Código Civil. Sua função. Há. que desempenha em caráter não eventual. O novo Código Civil. porém. porém. conferir poderes especiais ao agente. 710 – contrato de agência e distribuição – com o contrato de concessão comercial. e 721). na linguagem tradicional do direito brasileiro esse agente recebia o nome de “representante comercial autônomo” (Lei nº 4. substituindo-o por “agente”. a exemplo do direito europeu. porém. é a autonomia com que age na intermediação: o representante não é um empregado da empresa a que serve. ainda faz parte da prestação de serviços.CONTRATOs Em EsPÉCIE Por isso. todos voltados para o objetivo final de alcançar e ampliar a clientela (comissão mercantil. a representação será negócio complexo e que. sim. Em determinadas circunstâncias. porque afinal os negócios agenciados são retransmitidos ao comitente e são por este aceitos. de 09 de dezembro de 1965 que cuidou de regulamentar a representação comercial. para que este pratique atos próprios do mandatário. Foi a Lei nº 4. Nos termos da Lei nº 4. único. em caso positivo. No teor do art. abandonou o nomem iuris de “representante comercial”. dois contratos distintos. que inexiste nessa última modalidade. mas o faz em nome e por conta da empresa que representa. por ele consumados.886. ou não. porém.12. amparado por contrato com uma ou várias empresas. a representação ajustada. a exemplo do direito europeu. pois a habitualidade (o caráter não eventual) da prestação de serviços realizada pelo agente em prol do representado. um mandatário. Ele age como depositário apenas da mercadoria do preponente. ora apelidado agente. Esse nunca compra a mercadoria do preponente. cuja função econômica e jurídica se localiza no terreno da captação de clientela.65). FGV DIREITO RIO 73 . parág. para transmiti-los aos representados.).

na espécie. já que a jurisprudência limitava-se a negar enquadramento na legislação trabalhista. É. expedida pelos cartórios criminais das comarcas em que o registrante houver tido domicílio nos últimos dez anos. contrabando. foi reapresentado sem sucesso algum. funciona apenas como um acessório ou complemento da atividade principal da empresa. deverá ser feita a prova de sua existência legal. a representação comercial (ou agência) ganhou o status de atividade profissional regulamentada. tomou o nº 1. então. § 2º). § 2º). Em se tratando de pessoa física. e ao que estiver o seu registro comercial cancelado como penalidade (Lei nº 4. construir uma estrutura dogmática que pudesse fixar a natureza jurídica do contrato que vinculava a empresa e os agentes comerciais. pessoas físicas ou jurídicas. por meio de seu instrumento de constituição devidamente arquivado no Registro Público competente (Lei nº 4.171/49 e que. 3.886. ou agência. contudo. Em 1949. de estar em dia com as exigências da legislação eleitoral. Durante longos anos. a contribuição pretoriana. 3º). na espécie. FGV DIREITO RIO 74 . criando-se um Conselho Federal e Vários Conselhos Regionais. foi. furto. apenas quando alguma norma do Código estiver conflitando com preceito da Lei nº 4. Todas as regras especiais. ao condenado por infração penal de natureza infamante. na II Conferência Nacional das Classes Produtoras. realizada em Araxá. apropriação indébita. Tal como se passava na Europa.CONTRATOs Em EsPÉCIE Com a Lei nº 4. foi aprovada a reivindicação classista de enviar-se o pleito à comissão então encarregada de elaborar o Projeto de novo Código Comercial. em várias legislaturas. aos quais se confiou a fiscalização do exercício da profissão. que uma empresa comercial. Na mesma ocasião. porém. de quitação com o serviço militar. com o seu ramo. Podem inscrever-se no respectivo Conselho. e com a quitação com o imposto sindical (Lei nº 4. lenocínio ou crimes também punidos com a perda de cargo público.886. A agência. art. se introduziu a figura do representante comercial. tais como falsidade. Nada impede. para atribuir-lhe uma função autônoma e independente em relação à empresa a que serve. diversamente do que se passa com o empregado.886 traçou para disciplinar a profissão e os direitos e deveres do representante comercial. todavia. aliás. outrossim.886. cujo objetivo principal era o de dar curso à reivindicação antes aprovada pela Conferência de Araxá. Muito fraca. de que fosse nele definida e caracterizada a figura jurídica do representante comercial. com a folha-corrida de antecedentes. continuam em vigor. sem. art. a atividade do representante comercial foi desempenhada sem contar com o apoio de lei que lhe desse tipicidade. porque o Código Civil traçou apenas normas gerais acerca do contrato de agência (Lei de Introdução. que a Lei nº 4. estelionato. 3º. a grande preocupação jurídica foi a de distingui-la da relação empregatícia. o contrato de agência no direito brasileiro Desde que. expressamente. No caso de pessoa jurídica. também no Brasil. roubo. no art. Surgiu. contrate com outra uma representação comercial para explorar negócio de intermediação conexo. quando exigível. realizou-se em São Paulo o 1º Congresso Nacional de Representantes Comerciais. estabelecendo-se as necessárias garantias da profissão. a reivindicação de um regulamento legal para a profissão do representante comercial autônomo tornou-se a maior aspiração dos órgãos representativos da categoria. 721 do novo Código. A lei interdita o exercício da representação comercial a todo aquele que não possa ser comerciante. ao falido não reabilitado. art. De tal sorte.886 é que terá ocorrido derrogação parcial desta. no Ministério da Justiça. em princípio.886/65. um anteprojeto que. art. para legitimar-se ao exercício da representação comercial. na vida empresarial brasileira. levado ao Congresso Nacional. ou não. o requerimento haverá de ser instruído com a prova de identidade. 2º. o que se acha ressalvado. 4º). com objeto distinto da agência. É comum a existência de estabelecimentos dedicados exclusivamente à representação comercial.

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Somente viria a ter maior repressão o Projeto nº 2.794/61, de autoria do deputado Barbosa Lima Sobrinho, que, no Senado provocou o surgimento do Substitutivo nº 38/63, elaborado pelo Senador Eurico Resende, o qual mereceu aprovação de ambas as casas do Congresso. No entanto, não chegou a transformar-se em lei, porquanto recebeu veto total da Presidência da República, ao fundamento de que, nos termos em que se intentou regulamentar a profissão, ao representante apenas se estendiam “as vantagens e garantias que a legislação do trabalho assegura ao trabalho assalariado”. Tal equiparação foi considerada incabível, entre outros motivos pela ausência de subordinação hierárquica e pela possibilidade de a representação comercial ser exercida por pessoas jurídicas. O então Presidente, General Castelo Branco, ao vetar o projeto aprovado pelo Congresso, encarregou o Ministério da Indústria e Comércio de reexaminar o assunto. Daí surgiu novo Projeto que, após tramitação parlamentar, se tornou a Lei nº 4.886, de 09.12.1965, ainda em vigor, com as alterações da Lei nº 8.420, de 08.05.1992. Tal como o direito europeu, a lei brasileira previu uma representação comercial, simples, em que ao representante cabia apenas intermediar negócios, captando pedidos ou propostas da clientela, para encaminhá-los à deliberação do preponente; e também uma representação complexa, em que ao agente se conferiam poderes de conclusão dos negócios angariados, mas sempre em nome e por conta do preponente (Lei nº 4.886/1965, art. 1º, parágrafo único). Sobreveio, finalmente, o novo Código Civil, sancionado em janeiro de 2.002, que insere o contrato de agência e distribuição entre os contratos típicos, mas sem revogar a legislação especial em vigor, como se ressalva no art. 721, especialmente, no tocante às indenizações asseguradas pelas Leis nºs 4.886 e 8.420 (art. 718). A maior novidade, no texto codificado é o nomen iuris do contrato que passou a ser contrato de agência. Explica RUBENS REQUIÃO, que o contrato de agência, a que alude o Código Civil “nada mais é do que o atual contrato de representação comercial, objeto da legislação especial, contida na Lei nº 4.886, de 09.12.1965. Constitui importante contrato no moderno mundo comercial, e é exercido por centenas de milhares de profissionais, distribuídos por todas as praças do país. A denominação do instituto foi tirada do Código italiano, que o regula”. Para o Prof. REQUIÃO, todavia, a linguagem do Código “não deslocará o uso correntio da expressão representante comercial. Que podia ser perfeitamente mantida... Não seria criticável se mantivesse a denominação representação comercial, já consagrada nos costumes do país, e em nosso direito”. É de se ponderar, no entanto, que o direito comparado, de onde emergiu o instituto jurídico, prestigia, de fato, o nomen iuris agora adotado por nosso Código Civil, razão pela qual este não merece censura pela nomenclatura inovada. É de evidente conveniência procurar identificar a figura jurídica por denominação que seja de universal acolhida, evitando-se terminologia regional, que não tenha, por si só, capacidade de revelar a identidade da figura local com aquela que já amadureceu e se consolidou na experiência do direito comparado. 4. Conceito de contrato de agência Como o Código Civil determina que ao contrato de agência devem ser aplicadas, no que couber, as regras constantes de lei especial, é necessário cotejar-se a definição codificada (art. 710) com a constante da Lei nº 4.886/65 e das alterações da Lei nº 8.420/92. Em primeiro lugar, é bom ressaltar que a lei especial define diretamente o representante comercial (isto é, o agente) (art. 1º). Já o Código Civil enfoca o contrato típico que vincula o representante e o representado (art. 710). Assim, na definição do Código, o contrato de agência (ou de representação comercial autônoma) é aquele pelo qual uma pessoa – o agente – assume, em caráter não eventual, e sem vínculos de dependência, a obrigação de promover à conta de outra – o preponente ou fornecedor – mediante retribuição, a realização de certos negócios, em zona determinada.
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Dessa conceituação legal, deduz-se que o contrato de agência envolve: a) relação entre empresários, dentro da circulação mercadológica de bens e serviços; b) a relação, contudo, não é de dependência hierárquica entre representante e representado, pois aquele age com autonomia na organização de seu negócio e na condução da intermediação dos negócios do último (embora tenha de cumprir programas e instruções do preponente); c) o objetivo do contrato não é um negócio determinado, mas uma prática habitual, de sorte que entre as partes se estabelece um vínculo duradouro (não eventual); d) a representação importa atos promovidos por uma das partes à conta da outra, configurando, portanto, um negócio de intermediação na prática mercantil de interesse do representado; e) à prestação do serviço de intermediação do agente corresponde o direito a uma remuneração ou retribuição, de maneira que o contrato é bilateral, oneroso e comutativo; f ) a representação, finalmente, deve ser exercitada nos limites de uma zona determinada, ou seja, cabe ao agente praticar a intermediação dentro de um território estipulado pelo contrato, ou algo que a isso corresponda. A atividade do agente, em suma, é a intermediação de forma autônoma, em caráter profissional, sem dependência hierárquica, mas, de acordo com as instruções do preponente. É uma figura jurídica típica a do agente, pois, embora guarde alguma semelhança, o agente não é, em princípio, mandatário, nem comissário, nem tampouco empregado, ou prestador de serviço no sentido técnico. Presta, no entanto, um serviço especial que é, nos termos da lei, a coleta de propostas ou pedidos para transmiti-los ao representado. Eventualmente, o representado pode confiar ao agente os bens a serem colocados junto à clientela, caso que o Código trata como distribuição, mas não como revenda, visto que os atos de negociação se realizam em nome e por conta do comitente. Nessas hipóteses especiais, o contrato, além das normas próprias da agência, rege-se complementarmente, pela disciplina do mandato e da comissão (arts. 710, in fine, e 721). O art. 1º da Lei n.º 4.886/65 cuidou de definir o representante comercial e não o contrato de representação comercial. Segundo tal dispositivo, é representante comercial autônomo a pessoa jurídica ou a pessoa física, sem relação de emprego, que “desempenha, em caráter não eventual, por conta de uma ou mais pessoas, a mediação para realização de negócios mercantis, agenciando propostas ou pedidos, para transmiti-los aos representados, praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios”. O parágrafo único do questionado dispositivo legal, aduz que, na eventualidade de “a representação comercial incluir poderes atinentes ao mandato mercantil” – isto é, quando ao representante comercial forem conferidos poderes relacionados com a execução dos negócios intermediados – “serão aplicáveis, quanto ao exercício deste, os preceitos próprios da legislação comercial”. Em outros termos: se o agente for autorizado pelo preponente a realizar negócios jurídicos em seu nome, tais atos que ultrapassam o conteúdo normal do contrato de agência, serão submetidos ao regime legal do mandato, como, aliás, prevê o art. 721 do novo Código Civil. Da definição dada pela lei especial ao representante comercial autônomo (isto é, ao agente), extraem-se as seguintes características: a) o agente não mantém relação de emprego com o representado, gozando, portanto, de autonomia laboral para organizar e desempenhar sua atividade; b) a atividade contratada é não-eventual; deve ser exercida em caráter permanente e profissional; c) a função do agente, embora organizada e dirigida com autonomia, é concluída por conta de outra pessoa (o representado), de modo que fica claro o “caráter de uma intermediação”, ou de uma “preposição”. O agente, como prestador autônomo de serviço, atua fora da estrutura interna da empresa a que serve, permitindo a esta colocar seus produtos e serviços juntos à clientela que o representante angaria, nos mais variados lugares. Os negócios, porém, são sempre promovidos em nome e por conta do representado; d) a mediação é, pois, uma função típica do agente comercial, que se presta à difusão dos produtos ou serviços do representado no comércio;
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e) a intermediação se dá na realização de negócios mercantis: o que a lei especial atribuiu ao agente comercial não é qualquer representação, mas aquela que se volta para a promoção de negócios mercantis (vendas de produtos ou prestação de serviços); f ) o modus faciendi da intermediação consiste em agenciar propostas ou pedidos relativos a operações comerciais do representado, ou seja, relacionadas a bens ou serviços a serem vendidos ou prestados pela empresa em cujo nome atua o agente; g) cabe, em princípio, ao representante transmitir as propostas ou pedidos ao representado. Eventualmente, o agente pode receber poderes que ultrapassem a simples intermediação de pedidos, caso em que realizará, sempre em nome do preponente, atos de consumação ou execução dos negócios agenciados. Quanto a esses atos de consumação da venda dos produtos do representado, a atividade do representante será regida pelas regras do mandado mercantil. Diante do cotejo entre o conceito legal, mais sintético, que o Código faz do contrato de agência, e aquele que a Lei nº 4.886/95 faz do representante comercial autônomo (isto é, do agente), não se encontra contradição maior que possa incompatibilizar um com o outro. A circunstância de o Código não usar as expressões “representante comercial” ou “negócios mercantis” prende-se à circunstância de ter sido unificado o direito das obrigações, de maneira que os contratos nele disciplinados, em princípio, tanto servem para as atividades civis como para as mercantis. No entanto, muito difícil será imaginar o caso em que um contrato de agência se configurará fora das relações mercantis. Ademais, se isto eventualmente acontecer, ficará o negócio fora do alcance da Lei nº 4.886/95, visto que esta se aplica especificamente aos agentes que servem, profissionalmente, à intermediação de negócios mercantis. Harmonizando-se, de tal sorte, a disciplina do contrato de agência instituída pelo Código Civil com a do representante comercial, constante das Leis nºs 4.886/65 e 8.420/92, ter-se-á um negócio jurídico vocacionado naturalmente para as atividades mercantis. 4.1. direito comparado A definição brasileira de representante ou agente comercial muito se aproxima da que consta do Código Comercial da Alemanha, que o qualifica como “toda pessoa que, a título de exercício de uma profissão independente, seja encarregada permanente de servir de intermediária em operações negociadas por conta de um empresário ou de os concluir em nome deste último. É independente quem pode organizar o essencial de sua atividade e determinar seu tempo de trabalho” (art. 84). Na França, também, o agente comercial é definido em termos que se aproximam do novo Código Civil brasileiro, por Dec. de 23.12.58: “Est agent commercial le mandataire qui, à titre de profession habituelle et indépendant, sans être lié par un contrat de louage de services, négocie et, eventuellement, conclut des achats, des ventes, de locations ou de prestations de service, au nom et pour le compte de producteurs, d’industriels ou de commerçants”. O Conselho da Comunidade Econômica Européia (CEE) em 18.12.1986 adotou uma Diretiva relativa aos agentes comerciais independentes, na qual se conceituou como agente comercial “celui qui, en tant qu’ intermédiaire indépendant, est chargé de façon permanente, soit de négocier la vente ou l’achat de marchandises pour une autre personne, ci-après dénominée commettant, soit de négocier et de conclure ces opérations au nom et pour le compte du commettant”. Em todos esses exemplos, tal como entre nós, a função normal do contrato de agência é conferir ao representante poderes de intermediação para angariar negócios para o representado. Só excepcionalmente, e mediante poderes adicionais explícitos, ocorre a atribuição de mandato para que o próprio representante conclua o negócio em nome do representado, seja firmando os contratos, seja mesmo entregando as mercadorias negociadas ao comprador.
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o Código Civil brasileiro denomina o negócio jurídico de contrato de agência e distribuição (art. De duas maneiras básicas se processa a colaboração empresarial (externa) no escoamento dos produtos de uma empresa: a) pela distribuição propriamente dita (revenda) e b) pela busca de empresários interessados na aquisição dos produtos do fornecedor (intermediação. comissão mercantil e agência). não há necessidade de subsumi-lo à tipicidade de outros contratos: a agência é. comprando o produto do fornecedor para revendê-lo. todavia. destinada a realização de negócios determinados. ou seja. Daí a necessidade de tentar-se uma diferenciação que separe. a outorga de mandato é em regra. que o fato de o contrato de agência conter traços comuns a outros contratos mercantis tradicionais. Em primeiro lugar. que o distribuidor conclui como preposto ou mandatário do representado (ou seja. freqüentes são as dúvidas e confusões que se instalam entre essa novel modalidade contratual e o mandato. Para individuá-lo e determinar a respectiva natureza. De outro lado. o colaborador ocupa um dos elos da cadeia de circulação. continua sendo. colocam-se os colaboradores externos. limita-se a aproximar FGV DIREITO RIO 78 . em nome e por conta do preponente). a comissão mercantil. existe a possibilidade de utilização de auxiliares internos. prestando serviços. a que alude o art. 5. 710). No segundo. A agência refere-se a um relacionamento negocial permanente envolvendo operações reiteradas e indeterminadas. a locação de serviços. sem que a doutrina tivesse tempo para digerir as inovações. nem a revestir-se da natureza jurídica de alguma das figuras com que mantém inegável afinidade. O mandatário detém poderes. tem fisionomia e disciplina próprias. como tal. como a do mandato. a concessão mercantil e a franquia empresarial.1. o viajante ou pracista. no direito moderno. Dessa maneira. Essa distribuição. O simples representante. já que esta só ocorre quando há revenda. a distribuição é feita por meio de empregados que atuam na captação dos compradores. novas figuras contratuais surgiram para atuar no mesmo segmento da mercancia. de variada natureza. ao escoamento da produção. mantendo com a empresa vínculo empregatício permanente. 5. Perante a representação comercial. No primeiro caso. o colaborador procura outros empresários potencialmente interessados em negociar com o fornecedor”. Esse quadro classificatório muito contribuirá para obter-se a distinção entre o contrato de agência e outras figuras afins. malgrado a posse e disponibilidade da mercadoria pelo agente. um contrato nominado (típico) e.CONTRATOs Em EsPÉCIE Nesta última hipótese. ou agência. quando o concessionário adquire o produto do concedente e o comercia em nome próprio e por conta própria. que lhe permitem deliberar sobre o negócio e o realizar em nome deste. Contratos afins Com o incremento na economia moderna dos meios de distribuição da produção de bens e serviços. porque os poderes de que dispõe o agente nem sempre são aqueles que se conferem ao mandatário. no caso de agência comercial. com nitidez. 710 do nosso Código. captando-lhes com precisão a natureza e os contornos. agência e mandato O contrato de agência não se confunde com o de mandato mercantil. um contrato de intermediação. não o leva a confundir-se com nenhum deles. contudo. mais ultimamente. ou seja. que são empresários que se inserem na cadeia de comercialização sem vínculo empregatício. o contrato de agência dessas figuras afins. Como ponto de partida é importante classificar os contratos de que se vale o empresário para obter colaboração de outros agentes no escoamento de seus produtos. O contrato de agência e distribuição. conservando e ampliando o mercado para o produto de outro empresário. Em primeiro lugar. e. “a colaboração empresarial no escoamento de mercadorias pode ser feita por intermediação ou aproximação. É certo. não se confunde com a concessão mercantil. outorgados pelo mandante. conquistando.

o comissário age em seu próprio nome.CONTRATOs Em EsPÉCIE comprador e fornecedor. Pode. o que não depende de poderes inerentes ao mandato. e sim por conta do comitente. mas. agência e comissão A comissão é um contrato de colaboração empresarial. dentro dos poderes que recebeu. o essencial ao contrato de agência é a mediação de negócios em favor do preponente. e não de um vendedor propriamente dito. Perante estes. propriamente dita. O viajante ou pracista. não aparece no negócio que ele agenciou e que finalmente será concretizado diretamente pelo preponente. FGV DIREITO RIO 79 . portanto. É um empregado dele. embora preposto. A comissão. 5. por isso mesmo. enquanto o comissário não age em nome. sua empresa de representação. muito embora o tenha realizado por conta e no interesse do comitente”. sendo em face do terceiro o responsável pelo ato praticado. Nesse sentido. O comissário. No contrato de agência. e não em nome da empresa a que presta colaboração (art. A atuação é de um representante (mandatário) do vendedor. representam apenas elemento acessório. embora do ponto de vista prático realize atividade econômica igual à do agente – pois angariam ambos clientela para a empresa – liga-se ao preponente de maneira diversa. nos negócios que pratica. absorvendo em suas cláusulas também o contrato de mandato. Suas tarefas são comandas hierarquicamente pelo empregador. não delibera. seu escritório. 5. age contudo como empresário e não como empregado. por sua vez. Tem sua sede própria.3. o vendedor é sempre o preponente. o vendedor é o comissário e não o comitente. não é atingido pelos atos que pratica. o negócio. 693). em função do encargo contratual. as regras concernentes ao mandato. “o representante comercial. o art. evitando ao principal interessado nas operações suportar ações da parte da clientela. dispõe o art. que organiza e dirige com liberdade e autonomia. o comitente. seria um mandato sem representação. o único responsável perante o cliente é o comitente. por isso. Isto porque o mandato mercantil implica necessariamente a representação para realizar negócios comerciais em nome do mandante. na linguagem antiga do Código Comercial.2. Na comissão mercantil. do contrato. Com o outro contratante (isto é. que “o preponente pode conferir poderes ao agente para que este o represente na conclusão dos contratos”. agindo em nome e no interesse do representado. porque não negocia o fornecimento em nome próprio e opera sempre em nome e por conta do representado. nem tampouco na definição de sua natureza jurídica. O agente comercial. secundário ou acidental. O agente. porque só o comissionário trava relações jurídicas com os clientes. E. Como ressalta RUBENS REQUIÃO. ao contrato de agência e distribuição. terá se tornado complexo. mas ao contrário do mandato. agente e viajante ou pracista (contrato de agência e contrato de trabalho) O agente. garantindo o anonimato para o comitente. por meio de uma consignação. Quando estes poderes. por sua própria definição legal. parágrafo único. conferelhe maior segurança. o comissário não representa. 710. presta serviços à empresa sem estabelecer com ela um vínculo empregatício. então o contrato de agência não será mais simples. A presença do comissário cria uma certa barreira entre o comitente e os terceiros que negociam com o comissário. portanto. Ademais. no que couber. na conceituação ou configuração. 721 manda aplicar. Os produtos do comitente são postos à disposição do comissário. eventualmente. mas contrata em nome próprio. quem se vincula é o comissário e não o comitente. concluir negócio por conta do preponente. O comissário adquire ou vende bens à conta do comitente. Não dispõe de autonomia alguma para organizar seu serviço. eventualmente. Na agência. o comprador). se incluem nas cláusulas da agência. não interferindo. que o credencia a vendê-los aos consumidores em nome próprio. ainda que se confiram poderes ao agente para concluir e executar a venda.

os produtos de um deles (contratos-quadros). assegura ao agente a faculdade de contratar sub-agentes. Essa modalidade de contrato de colaboração. por sua vez. contudo. assistência técnica etc. tem-se o contrato de distribuição. o mesmo não se passa na organização econômica da revenda. pode ser mais ampla. A ingerência do fornecedor no empreendimento do revendedor produz uma subordinação econômica. a ausência de um contrato de trabalho que caracteriza o agente comercial e o distingue do viajante ou pracista. Entre os contratos de concessão comercial assumiram grandes relevos os chamados contratos de franquia. os vendem aos varejistas que. como uso de marca. de orientação geral.4. 5. naturalmente. Se a articulação entre produtores e revendedores assume o feitio de uma convenção duradoura. é hierarquicamente subordinado ao comando do empregador. no entanto. c) O viajante ou pracista não pode aceitar representação de outras empresas. que não raro envolve outros negócios entre as partes. no fecho da cadeia econômica. os revendem ao consumidor final. por isso. e o revendedor se obriga a adquiri-lo. a algumas regras. porém. Na sua manifestação mais simples. podendo estabelecer-se sinônima entre os dois. FGV DIREITO RIO 80 .CONTRATOs Em EsPÉCIE É. a franquia comercial não é um contrato distinto da concessão comercial. na tarefa da conquista de clientela para a empresa a que servem uns e outros. que pode livremente organizar sua empresa. A colaboração empresarial. às indenizações legais devidas ao agente autônomo. ou concessão comercial A colocação da produção industrial no mercado raramente se faz. ou pode se envolver numa relação contratual duradoura que gere a obrigação entre os empresários de comprar e vender. d) O viajante ou pracista somente pode ser pessoa física. Se há entre eles uma independência jurídica. estes. Essa colaboração entre os elos da cadeia econômica pode acontecer de maneira avulsa. Costumam-se arrolar as seguintes e principais distinções entre agente e representante assalariado: a) O viajante ou pracista não pode contratar pessoal para desempenhar a representação que lhe cabe. e) O viajante ou pracista não pode contratar sub-representantes.. como se demonstrará no tópico seguinte. de maneira que o produtor exerça certa interferência na atividade do revendedor. a distribuição se exterioriza como contrato de fornecimento: o produtor se obriga a fornecer certo volume de determinado produto. em suma. No entanto. da maneira que melhor lhe convier. por sua vez. b) O viajante ou pracista não tem iniciativa pessoal. Já o agente comercial é um empresário. a não ser mediante autorização do empregador. O viajante não é mandatário e não capitaliza clientela. agência e distribuição por conta própria (revenda). a doutrina majoritária aponta traços da franquia que lhe outorgariam uma identidade jurídica capaz de separá-la dos comuns casos de concessão comercial. com habitualidade e sob certas condições. não exerce interferência alguma na gestão do negócio do revendedor. que envolve sucessivas compras-e-vendas: uma empresa vende a matéria prima ao fabricante. que em seguida são vendidos aos atacadistas. Para RUBENS REQUIÃO. no mundo atual. O fornecedor. criando um sistema racional de conjugação de esforços até a colocação do produto junto ao consumidor final. por negociação direta entre produtos e consumidor. com interferência econômica do fornecedor sobre o negócio do revendedor configura o que modernamente se denomina contrato de concessão comercial. um profissional independente. Não faz jus. periodicamente. O revendedor. que pode ser simples ou complexo. formando-se uma cadeia de negócios. Este se remunera com o lucro que a revenda dos produtos lhe proporciona. como contratos eventuais e isolados. Não há uma remuneração direta entre fornecedor e revendedor. este a transforma em manufaturados. traçadas pelo fornecedor. Quase sempre se estabelece uma intermediação entre empresários. enquanto o agente pode ser indiferentemente pessoa física ou jurídica. Sujeitar-se-á. continuará negociando os produtos por conta própria e em nome próprio. A lei.

ou concessão comercial). A distribuição de que cogita o art. A distribuição. Juridicamente quem vende é o fornecedor e não o agente-distribuidor. Apenas para o caso dos revendedores de veículos é que. entra-se no âmbito da concessão comercial. Mesmo quando a lei admite que o agente atue também como distribuidor (art. O representante não a adquire do representado. porém. Há distribuição (ou pode haver distribuição) tanto por meio do contrato de agência como do contrato de concessão comercial. e sempre como simples ato complementar do agenciamento.886/65. Aliás. no sentido de ter sido nele disciplinado tanto a representação comercial como a concessão comercial. nos comentários relativos aos ressarcimentos cabíveis na ruptura ou cessação do contrato (art. como negócio que anteriormente se denominava contrato de representação comercial. torna-se dono da mercadoria que o fornecedor lhe transfere. mesmo porque a infinita variedade de convenções que os comerciantes criam no âmbito da revenda autônoma torna quase impossível sua redução ao padrão de um contrato típico. e a negocia com o consumidor em nome próprio e por sua própria conta. Outra distinção que se fez com nitidez entre o contrato de agência e o contrato de revenda (distribuição por conta própria. ele não se transforma num concessionário comercial. de modo que a venda para o consumidor não assume a natureza de uma revenda. as mercadorias de propriedade do comitente são postas à disposição do agente-distribuidor para entrega aos compradores. quanto ao serviço de intermediação. situa-se na remuneração do intermediário do processo de circulação dos produtos. eventualmente. 721). se há. sem independência jurídica do agente) da distribuição por conta própria (concessão comercial). Em suma não é a operação econômica da distribuição que distingue a agência da concessão comercial. atua apenas em nome e por conta do representado. já previa a possibilidade de ser ele encarregado da execução da venda. 710 é aquela que. pode ser autorizada ao agente mas nunca como revenda. o contrato fica no plano da agência. distingue-se a distribuição por conta alheia (mera preposição. 710 do Código Civil). A remuneração que alcança se traduz nos lucros que a revenda lhe proporciona. mas tudo se faz em nome e por conta do representado. o legislador houve por bem tipificar o contrato de concessão comercial (Lei nº 6. O agente (representante comercial) não pratica o negócio de colocação dos produtos do representado em nome próprio. O agente (mesmo quando exerce a distribuição) é remunerado. sem que isso desnaturasse a representação comercial em sua essência e a transformasse em concessão comercial. assim. A interferência deste na pactuação e execução do negócio final é de um mandatário e não de um revendedor. Já o concessionário ou revendedor. em nome do representante (art. O contrato de distribuição em nome próprio (a concessão comercial) continua sendo atípico. É que a mercadoria que o fornecedor coloca em poder do agente-distribuidor é objeto apenas de depósito ou consignação. Voltaremos ao tema da concessão comercial. segundo o volume e o preço das operações agenciadas. FGV DIREITO RIO 81 . Distribuição é um gênero que corresponde aos vários tipos de contrato de colaboração empresarial. E. a Lei nº 4. pelo fornecedor (o representado). 1º e seu parágrafo único). Não é correta. portanto.CONTRATOs Em EsPÉCIE Todas as formas de contrato de distribuição – fornecimento ou concessão – distinguem-se do contrato de agência em dois aspectos básicos: a autonomia e a remuneração da intermediação. Se não há venda e revenda de produtos. pelas características e relevância do negócio. pode realizar-se por conta do fornecedor ou por conta do próprio distribuidor. O concessionário nada recebe do fornecedor pela colaboração exercida na colocação de seus produtos. Dentro da sistemática da preposição que é inerente ao contrato de agência. a inteligência que alguns apressadamente estão dando ao artigo 710 do Código Civil.729/79). quando regulamentou a atividade do representante comercial. O dispositivo cuidou exclusivamente do contrato de agência.

pode-se afirmar que. porque é na medida da consumação dos negócios pelo preponente que o agente adquire direito à remuneração pelos serviços de intermediação empresarial levados a efeito. d) a retribuição dos serviços do agente em proporção aos negócios agenciados. para configurar-se contrato de agência. todavia. mas apenas um interesse econômico. Visto que tanto do lado do comitente como do agente. sua estrutura fundamental envolve a combinação de quatro elementos essenciais: a) o desenvolvimento de uma atividade de promoção de vendas ou serviços por parte do agente. A lei francesa ainda hoje identifica o agente comercial como um mandatário que como FGV DIREITO RIO 82 . seria uma modalidade excepcional daquele negócio. a representação comercial. O que traça a tipicidade do contrato de agência é que a atividade de colaboração empresarial na espécie se dá por meio de prestação do agente que têm por objeto o desempenho. a formação de negócios. os negócios por ele intermediados ou concluídos se aperfeiçoam diretamente na esfera jurídica do preponente e do terceiro adquirente. nos quais o agente desenvolve um papel importante na colocação no mercado dos produtos gerados ou comercializados pela empresa preponente. podia-se divisar “o interesse comum como qualificativo do mandato contido no contrato de agência comercial”. e eventualmente de concluí-los e executá-los. de uma atividade profissional dirigida à promoção e conclusão de contratos entre o preponente e os terceiros arrebanhados pelo preposto.formação e ampliação de clientela -. de maneira que esta. em favor da empresa do comitente. contida no art. a concessão comercial. de sorte que nele não se acha em jogo um interesse jurídico seu. Eventualmente os contratos agenciados podem ser concluídos e executados pelo próprio agente. a concessão do uso de marca etc. é necessário que uma parte (o agente) assuma de forma duradoura a função de promover. mas que igualmente se relacionava com seus próprios interesses. Com isso. se beneficia da contínua obra promocional levada a efeito pelo agente junto à clientela. qualquer que seja a dimensão dos poderes do agente. De tal sorte. o objetivo perseguido é um só . tais como a comissão mercantil. os elementos essenciais do contrato de agência Segundo a definição legal do contrato de agência. A construção da teoria do contrato de agência se fez por influência do direito francês a partir do mandato que. entendia-se que este desempenhava um mandato que não dizia respeito apenas ao interesse do mandante. Configuram um gênero no qual se inserem vários tipos negociais todos voltados para a chamada colaboração empresarial. na concepção legal. não são sinônimos de contratos de revenda de mercadorias. a franquia. c) a determinação de uma zona sobre a qual deverá operar o agente. caracterizada pelo chamado mandato de interesse comum.CONTRATOs Em EsPÉCIE 6. Assim. em última análise. b) o caráter duradouro da atividade desempenhada pelo agente (habitualidade ou profissionalidade dessa prestação). em seu próprio nome. na espécie. De forma alguma se pode ver no conteúdo do contrato de agência uma forma de compra e venda operada pelo agente. profissional e empresário. sempre por conta da outra parte (o preponente) e dentro de uma determinada zona. Nessa ordem de idéias. mediante remuneração. “um mandatário que aja a título oneroso e em seu próprio benefício”. não porém em nome próprio. em uma zona determinada. 710 do Código Civil. 7. mas sempre em nome e por conta do preponente. Na conclusão do negócio intermediado o agente não é parte. a corretagem. natureza jurídica O contrato de agência integra a classe dos contratos de distribuição comercial. realizou-se a evolução do tratamento jurídico do agente da categoria de mandatário para a figura do “mandatário independente”. Contratos de distribuição.

etc). depois que se estabeleceu um regime legal particular para a agência. sujeitos do contrato de agência De um lado coloca-se o preponente que tem bens e serviços a colocar no mercado. indenizações tarifadas. Um realiza a comercialização de suas mercadorias ou serviços (preponente) e outro exerce uma especial atividade profissional (o agente). Ambos. 8. pois apenas excepcionalmente o agente se encarrega de tarefas que são próprias do mandatário. O que efetivamente se tem. o que também não é adaptável à figura do mandato. que se formou a partir da idéia de profissionalização do mandato e. em cuja organização e administração não interfere a empresa do preponente. entretanto. Além do mais. que é a de angariar clientela para adquirir os produtos do primeiro. Dentro da consagração da autonomia do agente. nessa ordem de idéias. Na verdade. em função da qual o agente promove e às vezes conclui negócios em favor do preponente. que melhor se qualifica como um profissional do comércio. No entanto. cuja atividade específica “consiste na realização de atos materiais que visam à criação de uma corrente de negócios para a difusão dos produtos e serviços de outra empresa. desempenha uma atividade de mercado cujo requisito fundamental é a liberdade de iniciativa na prestação do serviço de agenciamento. Dessa maneira. registra-se uma aproximação do regime legal da agência com o direito social. não tem mais sentido atrelá-la à natureza jurídica do mandato. apagando os liames com o mandato e consagrando uma liberdade de iniciativa muito acentuada. A independência que a lei confere ao agente comercial no exercício de sua atividade profissional faz dele um empresário que se encarrega de uma função com autonomia de objeto dentro da circulação do mercado. e de outro. Vê-se. “o agente se beneficia de um estatuto originado de modificação de regras civis do mandato. reconhecido como profissional independente e ainda em face do estabelecimento de um regime de direito social de proteção ao agente. em defesa de interesses do agente (duração indeterminada do contrato. não se pode continuar a insistir na conceituação do contrato de agência como forma de mandato. que se adaptou à Diretiva Comunitária de 1986). na circulação de bens do mercado. 91-593 de 25. nos moldes atuais da figura jurídica se afasta das concepções primitivas. O agente comercial. “o agente comercial continua um mandatário. mesmo. se encarrega de negociar contratos por ordem e conta de outros empresários (Lei n. são empresários. o agente (um preposto) que é um profissional que se encarrega de colaborar na promoção dos negócios do preponente. só por insistência histórica se mantém entre os franceses a doutrina da agência como modalidade de mandato. FGV DIREITO RIO 83 . cada um dedicando-se a um ramo próprio de negócios. sem estabelecer vínculo de subordinação a este e que deve ser remunerado em função do volume de operações promovidas. mas sempre com plena liberdade de organizar seu trabalho e com assunção do risco de seu negócio de intermediação. é inegável que o contrato de agência estabelece uma relação jurídica entre empresários. sua afinidade será maior com o contrato de prestação de serviços do que com o de mandato. que o agente se apresenta como autêntico empresário porque seu serviço é desempenhado de forma autônoma e constitui um tipo de negócio de evidente valor econômico e jurídico. A natureza jurídica do contrato de agência é hoje a de um contrato típico. A prática da agência comercial. pois. seja sobre influência dos usos e regulamentos. De tal sorte. Daí reconhecer-se sua posição de titular da própria empresa.CONTRATOs Em EsPÉCIE profissional independente. remuneração mínima.06. Assim. seja do fato de uma abordagem econômica da agência que se desenvolveu recentemente”. preponente e agente. mas deve ser apreciado enquanto profissional do comércio”.1991. é um mandatário remunerado e profissional. Se se pretender comparar a agência atual com outros contratos típicos. por meio de “uma evolução das regras do mandato clássico”.

O agente-distribuidor apenas representa o fornecedor. em Portugal fosse prestigiada a denominação de proponente (em lugar de principal). Dessa forma.1.742 e 1. há um inconveniente de ordem prática. que é um contrato típico e de execução continuada. ou seja. mediante remuneração. mas isto não corresponde a um preço fixo. seja a de identificar o representado como preponente e não como proponente. A lei portuguesa que regula o mesmo contrato. Objeto. o objeto do contrato de agência O contrato de agência. em síntese.CONTRATOs Em EsPÉCIE 8. tem como objeto uma prestação de serviço entre empresários: a promoção de negócios constitui a obrigação fundamental que o agente contrai em favor do preponente. da parte do preponente. em posições jurídicas diversas teriam titulação igual dentro do mesmo negócio. o designativo preponente que identifica “aquele que constitui um auxiliar direto para ocupar-se dos seus negócios. 1. entre nós. a nomenclatura legal – as partes no contato de agência A legislação italiana adota as expressões agente e preponente para indicar as duas partes do contrato de agência ou representação comercial (Código Civil italiano. Com FGV DIREITO RIO 84 . e preferiria que. outrossim. Há quem. o contrato é denominado de “agência e distribuição”. ao formular propostas endereçadas a este também deverá ser identificado como proponente. tivesse nomeado de preponente o empresário que contrata a intermediação do agente. para coletar propostas ou encomendas a serem repassadas à empresa representada. sob influência da terminologia com que common law se identifica a agency. Malgrado a opção da lei. a exemplo do Código italiano. mas em nome do representado. ou seja. de contratos por conta do preponente. mas apenas venda. revenda. repita-se. esse objeto pode ser ampliado. Duas partes. operada entre o preponente e o consumidor. afinal é o vendedor das mercadorias consignadas ao preposto e negociadas com a clientela. e sim a um percentual sobre as operações úteis captadas pelo agente em benefício do representado. os léxicos nacionais não registram proponente com o sentido de denominar quem delega poderes de gestão a outrem. por sua conta e sob sua dependência”. mais expressivo. por ser lexicamente correto e. dará cumprimento à obrigação contraída de angariar clientela para quem contratou seus especiais serviços. consistente na busca e visita da clientela. pelos expedientes que livremente engendrar. O agente organiza com autonomia seu negócio e. proponente e agente. Quando esses poderes adicionais são incluídos no ajuste. ou que se concluam junto ao preposto. para compreender a conclusão do contrato de venda e entrega das mercadorias. mas como aquele que “propõe algo”. antes da legislação atual. já há o cliente que. praticamente. não estará incorrendo em censura alguma quem empregar o termo preponente em lugar de proponente. De fato. muito embora nos contratos de prestação de serviços com subordinação jurídica a tradição. em sua feição típica. Dessa forma. censure a opção do Dec-Lei nº 178/76. que. Não há. Integra o contrato. a obrigação de remunerar o serviço prestado pelo agente. o novo Código Civil escolheu a nomenclatura recomendada pela antiga doutrina portuguesa. É. No Brasil. arts. Na relação econômica desenvolvida pelo agente em prol do fornecedor. O objeto do contrato.753). A operação é toda ela desenvolvida e consumada em nome e por conta do preponente. portanto. Ademais. pode-se afirmar. Eventualmente. em seu nome. porquanto já era esta a palavra utilizada pelo direito português para nomear a contraparte dos “representantes comerciais não autônomos” . 9. visto que o agente não revende os produtos que o preponente apenas coloca à sua disposição. é uma atividade de promoção de negócios individuais. As confusões serão inevitáveis o que recomendaria o uso da designação preponente para o fornecedor. do contrato de agência. que característica essencial do contrato de agência é a promoção. portanto. continua sendo uma prestação de serviços profissionais na área da intermediação de negócios. denomina de agente e principal os respectivos sujeitos. de negócios que venham a ser concluídos entre os terceiros e o preponente. melhor teria andado o legislador brasileiro se. todavia. todavia.

é fácil entender que os legisladores do Código Civil apenas utilizaram o nome que lhes pareceu refletir de maneira correta a natureza do contrato. As principais dúvidas referem-se ao impacto do Código Civil sobre as conhecidas relações de representação comercial e distribuição. A representação poderia ou não ocorrer. Antes de qualquer coisa. posto que a relação negocial implica agenciamento de pedidos. além de agenciar os pedidos em favor do proponente. manter e incrementar a demanda dos produtos do preponente.CONTRATOs Em EsPÉCIE essa noção do objeto contratual. O contrato de agência. Analisando o Código Civil e a Lei do Representante Comercial. E de fato a nomenclatura não deve ser considerada tão relevante. a melhor interpretação indica que os contratos de agência e os de representação comercial constituem a mesma figura jurídica. Ou seja. tem como objeto a atividade do agente. o agente tivesse poderes para representá-lo nas respectivas relações de compra e venda dos produtos agenciados.5. para cuja consecução empenhará múltiplas atividades. Trata-se de um contrato de duração. o agenciamento sempre ocorreria por força da natureza do contrato. O nome representação comercial foi muitas vezes criticado por não traduzir corretamente a noção do contrato. que em hipótese alguma se podem confundir com a figura delineada no art. de contratos que serão concluídos pelo preponente. tudo em busca de conquistar. de que maneira devem ser interpretadas as normas desses dois diplomas legais sobre a matéria e (b) se a distribuição prevista no Código Civil é a mesma relação contratual que tradicionalmente não era objeto de legislação específica e que era conhecida por distribuição. conforme posteriormente alterada) e. sendo que a representação apenas existira se. Passando então para o exame do negócio em FGV DIREITO RIO 85 . inclusive citando leis estrangeiras. voltada para a promoção. como os de fornecimento ou de concessão comercial. abril de 2003 (Artigo publicado no Mundo Jurídico (www.886/65. teixeira e silva advogados renato berger consultor de tozzini. teixeira e silva advogados O capítulo sobre agência e distribuição no Código Civil tem causado muita discussão. dependendo de serem ou não conferidos poderes para que o agente representasse o proponente na contratação dos negócios. em caso positivo. Mais especificamente. dentro de uma zona determinada.adv. Outra grande característica do objeto da obrigação veiculada pelo contrato de agência é o caráter duradouro da prestação a cargo do agente. que são objeto de outros contratos de colaboração empresarial. sócio de tozzini. Belo Horizonte. freire.br) em 02. é necessário definir: (a) se o contrato de agência previsto no Código Civil é o mesmo contrato previsto na Lei do Representante Comercial (Lei 4. Algumas dúvidas fundamentais precisam ser eliminadas para que se tenha razoável segurança jurídica na utilização desses contratos. nessa ordem de idéias. freire. Diante dessa situação. 710 do novo Código Civil. o que interessa na definição da natureza jurídica do instituto é o seu conteúdo e não a embalagem. de impulso e de agilização.mundojuridico.2003) biblioGrafia CoMPleMentar: É hora de definir agência e distribuição no novo Código Civil antonio felix de araújo Cintra advogado. que o termo mais adequado seria agência. Vários autores apontavam. Afinal. com caráter de estabilidade. pelo que o agente se obriga a exercer habitualmente a intermediação de negócios em favor do preponente enquanto permanecer em vigor o ajuste. São vários os motivos para tanto. a questão da nomenclatura. excluem-se do campo da agência as vendas em nome próprio.

objeto da Lei Ferrari (Lei 6. A antiga distribuição é caracterizada pela compra dos produtos do fornecedor para posterior revenda. Dado que o Código Civil não pretendeu esgotar a regulamentação da matéria. uma nota sobre a distribuição. percebe-se que a definição de agência no Código Civil é equivalente à definição de representação comercial na Lei do Representante Comercial. cujo projeto foi elaborado em 1972. mas a distribuição ali prevista não se confunde com a relação chamada distribuição a que todos se acostumaram no Brasil. que a Lei do Representante Comercial utiliza a expressão “agenciando propostas ou pedidos” exatamente na definição da atividade do representante.CONTRATOs Em EsPÉCIE si. vale agora a presunção de exclusividade do Código Civil tanto para a zona de atuação do agente (exclusividade em favor do agente) como para o agenciamento (exclusividade em favor do proponente). não se justifica a amplitude que alguns querem dar ao contrato de agência no Código Civil. datada de 1965. posto que não regulado expressamente na lei. acima mencionada.729/79). com a particularidade de que os bens objeto do agenciamento FGV DIREITO RIO 86 . Nessa linha de raciocínio. A resposta é razoavelmente simples. estabelecer como deve ser compatibilizada a Lei do Representante Comercial com o capítulo de agência do Código Civil. quando se fala em zona de atuação do agente. Vale frisar novamente que o Código Civil apenas deu outro nome para a mesma relação conhecida tradicionalmente como representação comercial. tendo inclusive ressalvado a aplicação de lei especial. mas também da própria regulamentação encontrada nos artigos 710 e seguintes do Código Civil. a terminologia empregada no Código Civil pode gerar grande confusão. Ou seja. negócio realizado. trata-se do agenciamento de pedidos em favor do proponente e do recebimento de remuneração pelos negócios concluídos. portanto. A distribuição do Código Civil é contrato de agenciamento de negócios em favor do proponente. Utilizando o nome distribuição. Em ambos os casos. Ainda para demonstrar que o Código Civil tratou agência da mesma forma que a chamada representação comercial. caracteriza-se a figura clássica de aproximação do comprador e vendedor. exceto com relação à distribuição de veículos automotores. 718) como na utilização da lei especial sempre que couber (art. Isso decorre não apenas da definição equivalente do contrato. O lucro do distribuidor deriva então da diferença entre o preço de compra e venda dos produtos distribuídos. por exemplo. realizada pelo agente. devem ser considerados revogados apenas os dispositivos da Lei do Representante Comercial cuja matéria tenha sido regulada de forma diferente no Código Civil. direito à remuneração pelos negócios concluídos dentro da zona de atuação e assim por diante. Note-se ainda. é a Lei do Representante Comercial. dizendo que serviria para agenciamento de artistas. ainda assim. Ora. Infelizmente. mas a exclusão é absolutamente coerente com o desaparecimento da diferenciação entre negócios civis e mercantis na lei brasileira. curiosamente. tanto na parte específica de indenizações (art. menciona claramente “coisa a ser negociada”. Resta. desde que já tenha transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto dos investimentos exigidos do agente. E naquela que deve ser a maior diferença. que nada mais é do que um desdobramento da relação de agência. portanto. ou aquela que viesse a substituí-la. que conforme será visto aparece dentro da definição de agência e como um desdobramento desta última. que é contratado para encontrar compradores para os produtos do proponente. Até a definição de distribuição. Ao contrário da agência. cessação de atendimento de propostas. atletas e outras atividades que não fossem relacionadas à compra e venda de mercadorias. verifica-se que o capítulo de agência ressalva expressamente a aplicação de lei especial sobre a matéria. 721). não há que se falar em remuneração paga pelo fornecedor. Toda a linguagem e toda a lógica desses dispositivos apontam para o agenciamento na compra e venda de mercadorias. o Código Civil contempla uma nova e diferente figura contratual. permanecendo em vigor os demais. A única diferença no Código Civil é a exclusão da expressão “negócios mercantis” que aparece na Lei do Representante Comercial. Por exemplo. em nome próprio e por conta e risco do distribuidor. Tal distribuição era e continua sendo contrato atípico. na ausência de cláusula contratual. é evidente que a lei especial contemplada no Código Civil. o aviso prévio para encerramento de contratos por prazo indeterminado não será simplesmente de 30 dias como previsto na Lei do Representante Comercial. Por fim. mas deverá ter no mínimo 90 dias e.

715). Tratando-se de profissão regulamentada. no que couber. como por exemplo. à conta de outra. conseqüentemente. O proponente pode conferir poderes ao agente para que este o represente na conclusão dos contratos. a principal delas protege e regula o representante comercial (Lei nº 4. No mais. caracterizando-se a distribuição quando o agente tiver à sua disposição a coisa a ser negociada.CONTRATOs Em EsPÉCIE encontram-se na posse do agente. preponderarão as disposições do novo código. Assim. uma pessoa assume. e realiza negócios em razão dessa profissão habitual. os dispositivos sobre os contratos de agência e distribuição. caso contrário. Isso inclui os conceitos e princípios de boa fé contratual e função social dos contratos. no artigo 721. a qual. da mesma forma que ocorre em qualquer contrato atípico. contudo.886/65).com. 710) até as disposições sobre o direito do distribuidor à remuneração por negócios concluídos em sua zona sem sua interferência (art. Parágrafo único. aplicam-se ao representante comercial. um microssistema jurídico. procura a lei unificar os direitos de ambos e. que essa lei atribui os direitos básicos do representante. não há de se ter preocupação FGV DIREITO RIO 87 . 714) e direito à indenização no caso de diminuição no atendimento de propostas (art. Quanto ao representante comercial. Pela lei.br/doutrina/texto. nos termos do artigo 5º da Lei nº 4. que passa a ser chamado também de distribuidor. Leve-se em conta que os dispositivos contratuais do código são de direito dispositivo. mediante retribuição.asp?id=4148) A representação no novo Código Civil Por sílvio de salvo Venosa O novo Código Civil introduz no mesmo capítulo. O legislador do novo código deveria ter sido mais claro. a disponibilidade da coisa em mãos do sujeito caracteriza a diferença entre a agência e a distribuição. o novo código dispõe no artigo 710: “Pelo contrato de agência. aplica-se essa lei.uol. a realização de certos negócios. Naturalmente serão aplicáveis à distribuição clássica as normas gerais do Código Civil sobre obrigações e contratos. subordinados estes ao Conselho Federal. além de importantes dispositivos específicos. Os dispositivos do capítulo de agência e distribuição. Subsidiariamente poderá ser aplicado o novo código. em caráter não eventual e sem vínculos de dependência. Pouco importa que pratique ele negócios de agência ou de representação segundo o novo código.” Portanto. na verdade. que lhe é protetiva e cria. embora se reporte. desde a definição da distribuição como um derivado da agência (art. A nova posição legal mais serve para baralhar a questão. se a pessoa tem a coisa que comercializa consigo será distribuidor. A harmonização dessa nova lei com os novos dispositivos é complexa. porém. conforme a nova lei. no caso. Há que se levar em conta. que doravante devem ser harmonizados com os dispositivos do novo Código Civil. não serão aplicáveis às relações de distribuição na sua forma tradicional de aquisição para revenda. Assim.886/65. à aplicação de legislação especial. estando o sujeito inscrito nos Conselhos Regionais dos Representantes Comerciais. A primeira conclusão inafastável é no sentido da aplicação da lei do representante comercial sempre que este for devidamente registrado. naquilo que o contrato e a lei protetiva forem omissos. (http://jus2. 473). pois o contrato de representação comercial costuma ser identificado pela doutrina e pela jurisprudência com o de agência e distribuição. em zona determinada. todas referentes apenas a contratos de aproximação entre comprador e vendedor e nunca à aquisição de produtos para revenda por conta própria. a obrigação de promover. será agente. já que não tratam de tal figura. a necessidade de ter transcorrido prazo compatível com o investimento realizado pela outra parte quando da denúncia unilateral de contrato (art. Todo o capítulo de agência e distribuição corrobora tal constatação. Nesses contratos há inúmeros pontos de contato com a representação comercial.

contudo. é afastar-se contratualmente sua aplicação. A situação não fica clara. com prazo mais ou menos longo. Como já de início apontamos. que não foi aclarada pelo legislador. sua situação será de distribuidor. representantes etc. para desenvolvimento de uma antiga função econômica. Não há que se entender que somente os representantes comerciais devidamente inscritos em sua corporação de ofício tenham direito à aplicação da lei específica. alude-se à distribuição como referência genérica a vários fenômenos. disciplinava os auxiliares de comércio. pois. fará jus o sujeito aos direitos respectivos conforme os artigos 31 e seguintes da lei específica. Desse modo. que diz respeito à relação jurídica que vincula o produtor e o sujeito que coloca seus produtos no mercado. com a intervenção de terceiros. Como regra geral. Nesse sentido. para a confusão terminológica. técnicos ou não. excluindo-se a possibilidade de ser considerado representante. aos representantes comerciais oficiais. Caberá à jurisprudência definir. existirão sempre duas partes. O distribuidor. se adotada a caracterização de representante para a relação jurídica. Nesses contratos há um forte aspecto de colaboração entre as partes e a possibilidade de exclusividade dentro de determinada área geográfica. há possibilidade de que a empresa celebre muitos contratos da mesma natureza. diretamente. mandatários. agência e distribuição.CONTRATOs Em EsPÉCIE se sua atividade é de agência ou representação de acordo com o novo código. Nada impede. pretenderem os mesmos direitos expostos na Lei nº 4. a de colocar no mercado os bens ou serviços de uma empresa produtora. o qual garante direitos básicos a esses profissionais. de duração. referindo-se aí expressamente ao contrato de distribuição. que inclui todas as formas que uma empresa se utiliza para colocar bens e serviços no mercado. De qualquer modo. Questão maior vai se colocar quando o agente e o distribuidor em sentido amplo. porque. a palavra “distribuição” é equívoca. em princípio. a representação. que já vinha sendo adotada. No conceito há um sentido amplo. sem a compreensão de representante. em princípio. atendendo a cláusulas de exclusividade e de área geográfica. no que não conflitar com seu estatuto específico. para o representante é irrelevante ter ou não a posse dos bens comercializados. Essa tendência. Nesse sentido. Desempenhando a função de representante. a própria legislação comercial. agente ou representante deve se submeter a uma séria de diretrizes impostas FGV DIREITO RIO 88 . o sujeito fará jus aos benefícios da lei respectiva. que as próprias partes indiquem no contrato como aplicável essa lei do representante comercial autônomo. ser firmados com qualquer pessoa e a esta situação se dirigem os dispositivos do novo Código Civil.886/65. de caráter geral. Eventual transgressão administrativa é irrelevante para a definição dos direitos e a respectiva natureza jurídica dos contratos. pois o fornecedor de produtos e serviços sempre atribuirá a outrem essa função. os quais se aplicam. com várias pessoas. sob o prisma de direito cogente. atribuindo a intermediários a atividade de promover e vender. qual seja. O que será ineficaz. por vezes. segundo remansosa jurisprudência. como a franquia. Sob essa égide. São contratos. surge assim uma nova família de contratos. conforme os princípios da lei específica. mormente quando as partes não definem claramente suas obrigações. a concessão. absorvendo vários significados. Esses contratos possuem características comuns. O novo universo da empresa cria novas formas de comercialização. há confusão terminológica entre os contratos de representação mercantil. Por outro lado. por natureza. que se lastreia em princípios constitucionais sobre a liberdade do trabalho. Assim. Nessa introdução à nova problemática é importante estabelecer que os contratos de agência e distribuição podem. os corretores. há um conceito restrito. como já não estava clara no sistema anterior e qualquer das soluções apresenta dificuldades. o que contribui. também. consagrada pelo nosso velho Código Comercial. deverá persistir. As gradações entre um extremo e outro deverão ser definidas no caso concreto. se o sujeito adquire os bens do produtor ou fornecedor e os revende. que é aquele doravante presente no Código Civil. os comissionistas e os agentes de comércio. pressupõem a existência de empresas e sujeitos independentes que desempenham atividade em favor dela. a empresa concentra sua atividade principalmente na produção. ou por meio de terceiros. agentes. Sempre que se examina a comercialização de produtos ou serviços por terceiros. quando ela não o faz por si mesma. naturais ou jurídicas.

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pelo produtor em prol do bom andamento do negócio. A regra de exclusividade é importante nesses contratos, embora possa não se fazer presente. Caberá às partes mantê-la ou não. Por seu lado, o distribuidor ou qualquer nome ou natureza jurídica que se lhe dê, não importando qual a modalidade de contrato que lhe permite comercializar bens de terceiros (distribuição, representação, agência, franquia), obtém uma posição vantajosa no mercado, pois, em princípio, terá exclusividade sobre determinada região ou goza de benefícios e vantagens para adquirir bens da empresa produtora. Geralmente, o nome do produtor já outorga aos intermediários um patamar de ganhos superior. Sob esse prisma, a moderna empresa cria uma rede de distribuição, nem sempre juridicamente homogênea, cuja finalidade é cobrir uma cidade, uma região, um Estado ou Província, um país ou o exterior. Essa distribuição mais ou menos ampla seria muito custosa e difícil para que o produtor a encetasse com recursos próprios, além de esbarrar em leis de proteção econômica, que proíbem a cartelização ou o truste. Inúmeros outros aspectos devem ser estudados em função desses novos contratos que ora se tipificam no novo Código Civil. http://www.societario.com.br/demarest/svrepresentacao.html

Agência e Distribuição x Representação Comercial francisco Wanderson Pinho dantas data: 09/09/2004 1. Contratos iguais com nomes diferentes ou contratos diferentes com leis aplicáveis diferentes? O novo código civil trouxe algumas inovações ao tratar do contrato de agência e distribuição em suas disposições. Isso causou uma divergência na doutrina, sendo que a maior parte dela acredita ser esse contrato, não mencionado no C.C. anterior, o mesmo contrato de representação comercial, disciplinado pela lei 4886/65, enquanto uma minoria defende que se trata de um novo contrato. Nesta minoria estão Fábio Ulhoa e Venosa, defendendo este último que ao representante, diferentemente do agente, poderia ser dado o poder de concluir os negócios que ele prepara, sendo aplicado, ao ato de conclusão, a legislação referente ao contrato de mandato. Contudo, não haveria essa possibilidade para o agente, alertando o autor que se, no contrato de agência, houvesse a incumbência de concluir o negócio, o contrato estaria desnaturado. Entretanto, esses argumentos não são fortes o suficiente para rebater a outra posição doutrinária, de que o contrato de agência e o de representação são o mesmo contrato com nomes diferentes. Esse raciocínio, defendido por Humberto Theodoro Jr, Rubens Requião e Felix de Araújo Cintra tem como base o fato de que a definição de representante, dada pela lei 4886/65, lei da representação comercial, é totalmente compatível com a definição de contrato de agência dada pelo código civil. De acordo com as duas legislações, tanto o agente quanto o representante atuam agenciando propostas e pedidos, à conta de outrem, sem vínculo de dependência e em caráter não eventual. A única diferença que existe entre as duas referidas legislações é que, na definição de contrato de agência, dada pelo C.C., não há a expressão “negócios mercantis”, existente na definição de representante, dada pela lei de representação comercial. Entretanto, isso se explica pela igualdade que o novo C.C. atribuiu ao negócio civil e ao negócio comercial. Além disso, outro argumento que é favorável à identidade dos dois contratos baseia-se nas reclamações doutrinárias feitas em relação ao nome antigo do contrato, “representação comercial”, atribuído pela lei 4886/65. Tal nome não reflete o objeto do contrato, que é o agenciamento de propostas, mas a possibilidade de o terceiro representar quem o contratou na conclusão dos negócios, ou seja, a representação.
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Internacionalmente, o nome “agência” já é consagrado para referir-se ao contrato da lei 4886/65, o que permite visualizar a possibilidade de o legislador do C.C. ter utilizado esse nome para adequar o contrato às influências internacionais. Destarte, o próprio artigo 721 do C.C. prevê a aplicação no que couber da lei especial para o contrato de agência e distribuição, o que reforça a afirmativa de tratarem as duas leis, a 4886/65 e a 10.406/02 (C.C.), do mesmo contrato. 2. qual é a lei predominante, se for o mesmo contrato? Apesar de o critério cronológico ter aplicação subsidiária em relação ao da especialidade, o C.C., que traz uma legislação mais nova, porém mais geral, deve ser aplicável de forma predominante, pois ele amplia as garantias do agente, permitindo que a lei 4886/65, nos aspectos mais detalhados, seja também aplicada. O C.C. já traz disposto no artigo 718 o seu papel de regra geral em relação à lei 4886/65, estabelecendo, para o caso de dispensa sem culpa do agente, a remuneração até então devida, além das indenizações previstas em lei especial. Em regra, considera-se o C.C. como um microssistema constitucional para o direito privado, tendo as outras leis uma aplicação subsidiária em relação a ele. 3. quais os artigos conflitantes e quais as novidades que o C.C. trouxe para o agente? O artigo 31 da lei 4886/65 entra em conflito com o artigo 711 do C.C., pois os dois falam a respeito de exclusividade nas zonas, tanto para o agente quanto para o proponente, de modo diverso. O artigo 31 da lei 4886/65 diz, a princípio, que o representante fará jus à comissão pelos negócios realizados em sua zona, ainda que diretamente pelo representado ou por intermédio de terceiros, quando prevista no contrato a exclusividade de zona ou mesmo quando o contrato for omisso a esse respeito (até este ponto, a previsão é a mesma no C.C.). Entretanto, em seu parágrafo único, ele estabelece que na ausência de ajustes expressos, a exclusividade do representante para o representado não se presume. Assim, pode o representante, se não houver proibição contratual, prestar serviços para mais de uma empresa (art. 41), não havendo restrição na lei para as empresas de mesmo gênero. O C.C., em seu artigo 711, presume, no caso da omissão do contrato, a exclusividade tanto para o agente quanto para o proponente, não podendo o agente prestar serviços a empresas concorrentes. Tal norma veio beneficiar o proponente. Outra diferença entre a lei 4886/65 e o C.C. diz respeito ao prazo do aviso prévio no caso de denunciação unilateral e injustificada do contrato de agência por tempo indeterminado. A lei de representação comercial estabeleceu no seu artigo 34 a antecedência mínima de 30 dias para o aviso prévio. Entretanto, o novo C.C. veio estabelecendo um prazo maior, de 90 dias, estabelecendo como condição para ocorrer a denúncia o transcurso de um prazo compatível com a natureza e o vulto do investimento exigido do agente, enquanto a lei de representação especifica um prazo de 6 meses de vigência do contrato para poder haver a denúncia dele. Tal norma veio em benefício do representante. 4. diferença entre agência e distribuição A polêmica que surgiu devido ao nome “distribuição” ao lado de “agência”, no novo código, deu-se porque aquele nome já era culturalmente usado para fazer referência a um outro tipo de contrato muito diferente do de agência.
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O contrato de distribuição, que já era conhecido, é uma espécie de contrato de colaboração por intermediação, através do qual o distribuidor adquire os bens do distribuído e os revende a consumidores, atacadistas ou a qualquer outro. A distribuição referida no código é tão somente um desdobramento do contrato de agência. Trata-se de uma figura contratual nova, mas não muito diferente do contrato de agência, pois também tem como objeto o agenciamento de propostas para o preponente, mas tem como acréscimo o fato de a coisa a ser vendida para o consumidor estar com o agente. O agente, nesse caso, não adquire a coisa. Ele simplesmente a detém ou a tem a sua disposição para ser entregue àquele que a adquirir, quando concluído o negócio do preponente. Desta forma, o contrato de distribuição referido pelo código não é o mesmo contrato de distribuição, espécie de contrato de colaboração por intermediação. Este contrato continua atípico, sendo regido pelas normas gerais dos contratos, e nele o colaborador revende o produto do distribuído, ganhando os lucros sobre a revenda. Na distribuição do C.C., em suma um contrato de agência, o distribuidor ganha uma remuneração do distribuído, agindo em nome e no interesse deste. http://cacbufc.org.br/artigos/verartigo.asp?id=215

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mas que não poderemos tirar cópia e nem levá-los para nosso Escritório.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Maria Lúcia nos informa que há uma caixa de contratos que será disponibilizada hoje.1. roteiro de aula Esta aula será diferente das anteriores. É necessário analisar o contrato como um todo e qualquer outro aspecto que pareça relevante deve ser informado no campo “observações”. seremos obrigados a analisar os contratos durante a aula. nome do contrato Contratante Contratado data de assinatura objeto valor/ Forma de pagamento Cessão de direitos vigência do Contrato Formalidades garantias rescisão Contratual por transferência de Controle e/ou reorganização Societária demais hipóteses de rescisão Foro e lei aplicável outras observações (É possível?) (ainda está em vigor? Qual é o prazo de vigência?) (obs: está assinado? tem assinatura de duas testemunhas?) (o contrato pode ser rescindido em razão de transferência de controle do contratante? há multa prevista?) FGV DIREITO RIO 92 . Assim. Para agilizar nosso trabalho. Abaixo. nos dividiremos em grupos e cada grupo será responsável pela análise de alguns contratos. incluímos um quadro com os pontos fundamentais a serem observados em cada contrato.15. AulA 16: ANálISE dE CONTRATOS 1.15. Vale lembrar que esses pontos devem orientar a análise dos contratos. mas não são suficientes por si só.

biblioGrafia obriGatória Lei n° 9. 2003. Rio de Janeiro: Ed. Acesso em: 04 ago.058. poderia ter as marcas do Supermercado Pechincha registradas em seu nome? O que fazer quanto aos registros das marcas e os pedidos de registro? FGV DIREITO RIO 93 .1. Contrato de Licença de Marcas. Denis Borges.16.uol. Considerando que nosso cliente pretende expandir seus negócios. Rio de Janeiro: Ed. (ii) os registros das marcas e os pedidos de registros foram feitos em nome do senhor Eduardo Russo e não em nome da sociedade Pechincha Comércio Varejista Ltda. Contrato de Cessão de Marcas. AulA 17: lICENçA E CESSãO dE mARCAS. BARBOSA. 2003. 2006. 58. o que fazer nessa situação? A simples aquisição das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda. inclusive. SANTA ROSA. de. Lumen Juris.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. 797 a 963. Denis Borges. Dirceu P.. 1. o senhor Renato Russo. (em anexo). Uma Introdução à Propriedade Intelectual. para o Rio de Janeiro. A importância da “due diligence” de propriedade intelectual nas fusões e aquisições (Debaixo dos caracóis dos seus cabelos). 1. 2002. Caso Gerador Ao analisarmos os contratos que nos foram disponibilizados na aula anterior.2. Jus Navigandi.3. resultaria na transferência da marca para o nosso cliente? Considerando que é o supermercado que efetivamente exerce as atividades relacionadas às marcas. ano 6.16. Disponível em: <http://jus2. 1. 1. 1. Tendo em vista que a marca desempenha papel fundamental no negócio. eMentário de teMas Marcas. Teresina. Lumen Juris.16. o que poderíamos recomendar ao nosso cliente? Conversamos com a equipe de due diligence responsável pela área de propriedade intelectual sobre o contrato de licença que encontramos. e fomos alertados pela equipe sobre os seguintes aspectos: (i) metade das marcas do Supermercado Pechincha estão registradas no INPI e a outra metade ainda está com pedido de registro.16.041 a 1.279/1996. ago.br/doutrina/texto. n. sendo pessoa física. págs.4.asp?id=3006>.com. págs. segundo o qual o senhor Eduardo Russo permitia que um comerciante do Rio de Janeiro utilizasse a marca do Supermercado Pechincha em suas lojas na cidade maravilhosa. deparamo-nos com um contrato de licença de marcas.16. biblioGrafia CoMPleMentar BARBOSA. Uma Introdução à Propriedade Intelectual.

05. não compreendidos nas proibições legais. alguns entendem que a partir do depósito da marca no INPI haveria uma expectativa de direito. sua existência fáctica depende da presença destes dois requisitos: capacidade de simbolizar. sem confundir o destinatário do processo de comunicação em que se insere: o consumidor. Uma introdução à propriedade intelectual – Lúmen Júris. o senhor Odin Heiro nos pergunta se há prazo para o registro das marcas e se o registro pode ser extinto. vale analisar brevemente o seu objeto: a marca. FGV DIREITO RIO 94 . 803. Conforme o artigo 122 da Lei de Propriedade Industrial.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Com relação à definição de marca.279 de 1996 (Lei de Propriedade Industrial). inciso XXIX. Denis Borges Barbosa11 comenta o que se segue: BARBOSA. que é configurado para o fim específico de distinguir a origem dos produtos e serviços. Rio de Janeiro: Ed. Sua proteção jurídica depende de um fator a mais: a apropriabilidade. Compreendendo a importância do registro das marcas para o supermercado. em vigor desde 15. ou legalmente unívoco. patentes. Lumen Juris. imóveis ou semoventes? Para ter proteção jurídica. roteiro de aula a) Marcas Antes de estudarmos os contratos de licença e de cessão de marcas propriamente ditos. Denis Borges. da Constituição da República Federativa Brasileira de 1998 dispõe que a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização. Neste sentido. Entretanto. a possibilidade de se tornar um símbolo exclusivo. são bens móveis. que visa a regular os direitos e obrigações relativos à propriedade industrial no Brasil. capaz de distinguir bens e serviços de um empreendimento daqueles de outro empreendimento”. antes mesmo do registro. em face do objeto simbolizado”10. ou seja. Uma Introdução à Propriedade Intelectual. “poderá constituir marca qualquer sinal. 10 11 BARBOsA. bem como proteção às criações industriais. foi promulgada a Lei nº 9. que pode ser bem demorado.5.1997. tendo em vista que a sede do supermercado é em Brasília. Denis Borges. Rio de Janeiro. 2003. b) Marcas – Conceito O artigo 5º. a marca “é o sinal visualmente representado. De acordo com o artigo 15. desenhos industriais e concorrência desleal.16. tais como a Convenção de Paris e o TRIPS. à propriedade e ao direito de uso exclusivo de marcas e outros signos distintivos. 2003. regulando as normas referentes às marcas. como a marca. e capacidade de indicar uma origem específica. marcas são todos os sinais distintivos visualmente perceptíveis. pág. o proprietário da marca deve registrá-la no INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial. ou combinação de sinais.1 do Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (TRIPS). Esta definição segue os conceitos e princípios previstos nas convenções internacionais. p. Considerada por muitos como uma das mais importantes modalidades da propriedade intelectual. suscetível de proteção. Os direitos de propriedade intelectual. como Rio de Janeiro e São Paulo. Símbolo voltado a um fim. O senhor Odin Heiro nos pergunta se terceiros poderiam registrar as marcas (já registradas) do Supermercado Pechincha em outros Estados. 803.

no artigo 124.CONTRATOs Em EsPÉCIE (. I. IX – indicação geográfica. pp. isoladamente. qualidade ou utilidade do produto ou serviço a que a marca se destina. suscetível de causar confusão ou associação com estes sinais distintivos. necessário. sua imitação suscetível de causar confusão ou sinal que possa falsamente induzir indicação geográfica. da capacidade e da probidade de seu titular”13. quanto à natureza. é uma marca representativa da atividade mediadora do comerciante e. salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva. II – letra. públicos. ou seja. salvo se dispostas ou combinadas de modo peculiar e distintivo. Embora Carvalho de Mendonça não a defina especificamente. qualidade e época de produção ou de prestação do serviço. e capacidade de indicar uma origem específica. 365 – 366. 1963. vulgar ou simplesmente descritivo. Carvalho de. CERQUEIRA. também reveladora do trabalho. João da Gama. figura ou imitação. salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva. nacionais. estrangeiros ou internacionais. Freitas Basto. que é configurado para o fim específico de distinguir a origem dos produtos e serviços. t. culto religioso ou idéia e sentimento dignos de respeito e veneração. VII – sinal ou expressão empregada apenas como meio de propaganda. VI – sinal de caráter genérico. Para João da Gama Cerqueira. VIII – cores e suas denominações. uma série de situações em que o sinal que não poderá ser registrado marca: I – brasão. distintivo e monumento oficiais. figura. valor. emblema.. peso. medalha. Símbolo voltado a um fim. a possibilidade de se tornar um símbolo exclusivo. armas. sem confundir o destinatário do processo de comunicação em que se insere: o consumidor.. Tratado de propriedade industrial. marca distintiva da mercadoria quanto à origem. sua existência fática depende da existência destes dois requisitos: capacidade de simbolizar. bandeira. X – sinal que induza a falsa indicação quanto à origem. III – expressão. crença. bem como a respectiva designação. IV – designação ou sigla de entidade ou órgão público. quando tiver relação com o produto ou serviço a distinguir. 13 FGV DIREITO RIO 95 . 12 mENDONÇA. desenho ou qualquer outro sinal contrário à moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra ou imagem de pessoas ou atente contra liberdade de consciência. ou aquele empregado comumente para designar uma característica do produto ou serviço. propriamente falando. a Lei de Propriedade Industrial elenca. Sua proteção jurídica depende de um fator a mais: a apropriabilidade. quando não requerido o registro pela própria entidade ou órgão público. em face do objeto simbolizado. Tratado de Direito Comercial Brasileiro. procedência. nacionalidade. Com relação às proibições legais a que se refere o artigo 122. algarismo e data. natureza. V – reprodução ou imitação de elemento característico ou diferenciador de título de estabelecimento ou nome de empresa de terceiros. regularmente adotada para garantia de padrão de qualquer gênero ou natureza. XI – reprodução ou imitação de cunho oficial.) marca é o sinal visualmente representado. como a de indústria ou de comércio. ou legalmente unívoco. o referido autor entende que “a marca de comércio não é. marca é todo sinal distintivo aposto facultativamente aos produtos e artigos das indústrias em geral para identificá-los e diferenciá-los de outros idênticos ou semelhantes de origem diversa12. comum.

XXI – a forma necessária. no todo ou em parte. salvo quando. dos Municípios. quais sejam: (i) marcas de produto ou serviço. diferencia as marcas em três tipos. econômico ou técnico. de origem diversa. semelhante ou afim. ou de país. XIII – nome. d) natureza jurídica Há muita discussão acerca da natureza jurídica dos direito da propriedade industrial. 154. de marca alheia registrada. salvo com consentimento do autor ou titular. C) tipos de Marcas O artigo 123. semelhante ou afim. FGV DIREITO RIO 96 . dos Territórios. do Distrito Federal. social. XVI – pseudônimo ou apelido notoriamente conhecidos. salvo com consentimento do titular. – Marca de certificação: aquela usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas. salvo com consentimento do titular. semelhante ou afim. equivalente à proteção que se dá aos direitos da personalidade de qualquer pessoa. bem como a imitação suscetível de criar confusão. e XXIII – sinal que imite ou reproduza. que tenha relação com o produto ou serviço a distinguir. marca que o requerente evidentemente não poderia desconhecer em razão de sua atividade. artístico. suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia. incluindo a natureza jurídica das marcas. material utilizado e metodologia empregada. observado o disposto no art. aquela que não possa ser dissociada de efeito técnico. cujo titular seja sediado ou domiciliado em território nacional ou em país com o qual o Brasil mantenha acordo ou que assegure reciprocidade de tratamento. moeda e cédula da União. se revestirem de suficiente forma distintiva. Há. salvo quando autorizados pela autoridade competente ou entidade promotora do evento. natureza. se a marca se destinar a distinguir produto ou serviço idêntico. político. na ciência e na arte.CONTRATOs Em EsPÉCIE XII – reprodução ou imitação de sinal que tenha sido registrado como marca coletiva ou de certificação por terceiro. artística ou científica. nome de família ou patronímico e imagem de terceiros. XV – nome civil ou sua assinatura. nome artístico singular ou coletivo. XX – dualidade de marcas de um só titular para o mesmo produto ou serviço. comum ou vulgar do produto ou de acondicionamento. ou. XIV – reprodução ou imitação de título. para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico. Outros alegam se tratar de bem imaterial. XVII – obra literária. notadamente quanto à qualidade. dos Estados. herdeiros ou sucessores. no caso de marcas de mesma natureza. assim como os títulos que estejam protegidos pelo direito autoral e sejam suscetíveis de causar confusão ou associação. XXII – objeto que estiver protegido por registro de desenho industrial de terceiro. (ii) marca de certificação e (iii) marca coletiva. Alguns afirmam se tratar de um direito pessoal. herdeiros ou sucessores. por sua vez. e – Marca coletiva: aquela usada para identificar produtos ou serviços provindos de membros de uma determinada entidade. definindo-as da forma que se segue: – Marca de produto ou serviço: aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico. prêmio ou símbolo de evento esportivo. no todo ou em parte. suscetível de causar confusão ou associação com aquela marca alheia. cultural. de caráter patrimonial. ainda que com acréscimo. ainda. XIX – reprodução ou imitação. XVIII – termo técnico usado na indústria. apólice. oficial ou oficialmente reconhecido.

tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País. Pontes de . constituindo num feixe de direitos consubstanciados nas faculdades de usar. à propriedade das marcas. 1956. Orlando. como as incorpóreas”. bem como proteção às criações industriais.CONTRATOs Em EsPÉCIE ainda. em seu artigo 129: Art. parte I. p. Direito das marcas. são Paulo: Editora revista dos Tribunais. se não o faz. Borsoi. se bem que unitário. 147. Direitos Reais. não é sinal distintivo. a maioria dos autores afirma que as marcas são consideradas como um direito de propriedade. ou seja. 17 FGV DIREITO RIO 97 . ou apenas em uso. parte especial. “É um direito complexo. A Constituição Federal de 1988. 7. antes ou após ela. Desta forma. I. faz-se necessário ressaltar que a Lei de Propriedade Industrial.15 e) função das Marcas (i) Função Distintiva: No que tange à função das marcas. a função de garantia da qualidade. há o entendimento de que se trata de uma propriedade imaterial. para efeitos legais. dispor e reivindicar a coisa que lhe serve de objeto”14. nota-se que há outras funções que a marca tem por finalidade. Confundir-se-ia com as outras marcas registradas. assegurou aos autores de inventos industriais. A propriedade da marca adquire-se com o registro validamente expedido. sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional (. aos nomes de empresas e a outros signos distintivos. entende-se que a marca é definida como direito de propriedade e tal conceito está expresso na Lei de Propriedade Industrial. uma outra corrente que entende ter a propriedade industrial um caráter dualista. A distinção da marca há de ser em relação às marcas registradas ou em uso. matiê Cecília Fabbri. p. 129. “Tratado de Propriedade Industrial”. em seu art. cuja significação é mais lata do que a expressão coisa compreendendo não só as coisas corpóreas. tais como a função de identificação de origem. conforma as disposições desta lei. de cunho incorpóreo. privilégio temporário para sua utilização. Sobre o assunto. 16 mIRANDA.. bem como pela legislação atual. a função econômica e a função de propaganda. gozar e dispor dos bens. Ed.17 GOmEs.Tratado de Direito Privado. marcas que são vulgaridades notórias. De acordo com a autora Maitê Cecília Fabbri Moro16. p. não se lhe podem mencionar elementos característicos. com elementos pessoais e. não assinala o produto.) O direito de propriedade é o mais amplo dos direitos reais. a função distintiva é considerada a mais relevante pela maioria dos autores. mORO. 14 CERQUEIRA Gama. Forense. 36. de outros produtos ou serviços idênticos. gozar. o Código Civil emprega a palavra bens. fruto da atividade intelectual do homem. estas se caracterizam por preencher a função precípua de distinguir os produtos e serviços aos quais se opõem. vol. em seu artigo 5º. e de reavê-los de quem injustamente o possua. 15 Além da função distintiva da marca. Além disso.. Embora se tratando de objetos de criação não corpórea. 10° edição. Pontes de Miranda comenta o que se segue: A marca tem de distinguir. considerou os direitos da propriedade industrial como bens móveis. Gama Cerqueira acrescenta que “definindo a propriedade como o direito de usar. e em si mesma. 5º. No Brasil. 85. pg. porque há marcas a que falta qualquer elemento característico. também patrimoniais.

O sistema misto é o sistema que tem características do sistema declarativo e. f) aquisição de direitos A aquisição do direito sobre uma marca depende da legislação de cada país. pg 364. não é menos verdadeiro que por eles compramos mercadorias. 18 mORO. símbolo ou palavras. com isso. pois os consumidores. exercendo. Esta força atrativa é utilizada para obter. Maitê Cecília Fabbri Moro19 comenta que. A marca é um atrativo de comercialização que induz um comprador a escolher o que quer. 69. possuindo uma qualidade constante. ROBIN Albert.CONTRATOs Em EsPÉCIE (ii) Função de identificação de origem: A função de identificação de origem tem o intuito de indicar a origem dos produtos. que não prejudica a divisão teórica mencionada acima (sistema atributivo e sistema declarativo). é considerado como sistema declarativo. Por meio da compra dos produtos e satisfazendo os consumidores. uma vez que há países que atribuem direitos sobre a marca pelo seu simples uso. idênticos ou semelhantes. Já o sistema em que o direito sobre uma marca somente é reconhecido por meio de registro é o sistema atributivo de direitos. 19 FGV DIREITO RIO 98 . que os produtos têm a mesma origem. de fato. O poder sugestivo da marca representa indubitavelmente a sua principal função do ponto de vista econômico. I da Lei nº 9279/1996. a proteção das marcas é o reconhecimento legal da função psicológica dos símbolos. A doutrina reconhece esta importância da função econômica. 2003. e outros que exigem determinadas formalidades de registro para fins de obter o direito sobre uma marca. (iv) Função de Propaganda: Cabe entender que a marca pode ser considerada como qualquer sinal. n° 4. por meio da identificação da marca de uma empresa. na prática. marca. de procedência diversa. servindo para recomendá-lo e para atrair a atenção dos consumidores.cit. permitindo ao titular destes distinguir suas mercadorias ou seus produtos/serviços de outros. A publicidade é o meio pelo qual o público toma conhecimento de uma marca. vol. Esta função de propaganda ou publicidade decorre do fato de ser a marca um dos principais veículos de propaganda dos produtos por ela cobertos. Segundo Albert Robin. do sistema atributivo. conforme artigo 123. sendo ela imprescindível para o funcionamento do mercado e das empresas em geral. Com relação a este sistema misto. verifica-se a predominância de um ou do outro sistema puro.53. concluirão. visto que é o registro que atribui a propriedade de uma marca ao interessado. agosto de 1997. (iii) Função de garantia de qualidade: Observamos. O dono da marca explora esta propensão humana fazendo todo esforço para impregnar a atmosfera do mercado com o poder atrativo de um símbolo congenial18. Comparative Advertising: A Skeptical View. também. pelo qual o produto é conhecido e distinguido no mercado consumidor. por conseguinte. in Trademark Reporter. O sistema que atribui direito sobre a marca pelo seu simples uso. a função de garantia da qualidade dos produtos. ob. p. Se é verdade que vivemos por símbolos. matiê Cecília Fabbri. manter e aumentar a clientela. a proteção no sentido de se evitar o enfraquecimento do seu caráter distintivo. presume-se que estes voltem a comprá-los devido ao conhecimento da marca.

com isso. p. 129 (. no caso em espécie. tão-somente vedando o registro de uma marca que lhe seja similar e que assinale o produto ou serviço idêntico ou afim. que tenha direta relação com o uso da marca. decorrente do uso. para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico. uma vez que a lei é silente sobre o assunto. por alienação ou arrendamento. para que uma pessoa física ou jurídica seja titular de uma marca. esta regra é limitada e excepcionada pelo direito de precedência. As regras de colidência. Entretanto. Em regra. sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional. Ricardo Luiz21 comenta o que se segue: A marca continua sendo adquirida através de um competente registro. pertencente a um determinado titular. procurou a lei proteger. pode ser oposto um direito. que assinale produto ou serviço idêntico ou afim. mas. Diz o referido artigo: Art. previsto o artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial. desprovida do necessário registro. de uma marca. excepcionalmente. No entanto. não impondo outras obrigações. Ricardo Luiz. ob. terá direito de precedência ao registro. em seu artigo 129. conforme as disposições desta Lei. 20 sICHEL. a prova anterior do uso é suficiente (direito de precedência). observa-se um sistema misto. 2001. estabelecendo a possibilidade de impedir o pedido de registro de marca similar.. argüindo. um sistema misto com predominância do sistema atributivo. usava no País. Nota-se que este é o sistema atributivo de direitos. na data da prioridade ou depósito.) § 1º Toda pessoa que. Muitos indagam sobre a possibilidade de restringir a alegação desse direito de precedência tão somente na fase de oposição ou mesmo após o registro da marca em face do terceiro. por exemplo. 54. há pelo menos 6 (seis) meses. matiê Cecília Fabbri. ou parte deste. A esse utente. deve-se fazer o registro da mesma junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial . com base no direito de precedência. Esta é uma regra característica do princípio atributivo para a aquisição do direito marcário.20 G) direito de Precedência O registro de uma marca é concedido àquele que primeiro solicitar o seu registro. É. conforme mencionado acima. cit. onde o registro atribui propriedade sob uma marca. a aquisição do direito sobre uma marca se faz pelo registro. pode-se dizer então que. eventualmente com valor patrimonial. este princípio atributivo é excepcionado pelo direito de precedência que será estudado no item a seguir. Desta forma. em face de um pedido em trâmite..Anais do XXI seminário Nacional da Propriedade Intelectual. são idênticas àquelas utilizadas quando do conflito entre uma marca registrada e um registro anterior. a existência dessa precedência vicia um registro mORO. de forma regular e de boa-fé.CONTRATOs Em EsPÉCIE No Brasil. Para o autor Ricardo Luiz Sichel. de boa fé. O artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial estabelece. § 2º O direito de precedência somente poderá ser cedido juntamente com o negócio da empresa. um processo administrativo de nulidade. É importante mencionar a questão referente ao momento para argüição desse direito de precedência. portanto. marca idêntica ou semelhante. entretanto. no Brasil. Sobre o assunto.INPI. No entanto. Palestra: “Direito De Precedência”. que a propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido. 21 FGV DIREITO RIO 99 . semelhante ou afim.

Conforme argumenta Mariana Barbosa. da doação ou da transmissão hereditária. prevendo que as pessoas de direito privado só podem requerer registro de marca relativo à atividade que exerçam efetiva e licitamente. conforme já estudado nesta apostila. a marca é uma das poucas armas que restam às empresas para garantir a lucratividade. trata-se. em virtude do explicitado no artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial. BARBOsA.05.br. Jornal Valor. podem requerer registro de marca as pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou de direito privado. “num mundo altamente competitivo. onde praticamente qualquer categoria de produto. evidentemente. Com relação ao registro da marca de certificação. mas pelo seu grau de identificação no mercado. especificamente na parte relacionada a contratos. site rits. O registro de uma marca é muito importante para a sua proteção. i) registro e o Princípio da especialidade Nota-se que a marca é imprescindível para o sucesso de uma empresa. mariana.22. Uma marca pode ser tão valiosa quanto o resultado financeiro que ela pode gerar. 24 FGV DIREITO RIO 100 . este somente poderá ser requerido por pessoa sem interesse comercial ou industrial direto no produto ou serviço atestado. Desta forma. Valorizá-la é cada vez mais essencial”23.2001. é necessário que exista perfeita compatibilização entre o ramo de atividade do depositante e os produtos ou serviços reivindicados no pedido de registro. atraindo consumidores não pelos seus produtos em si. Quanto Custa o Nome?. gratuitamente ou onerosamente. somente estabelecendo que a mesma dar-se-á concomitantemente com o negócio da empresa. no âmbito nacional.2001. o parágrafo único do artigo 128 estabelece uma limitação ao registro por parte das pessoas jurídicas de direito privado. Ela é incorporada no patrimônio de seus titulares. este somente poderá ser requerido por pessoa jurídica representativa de coletividade. BRANT. No entanto. funciona com a mesma eficiência. Cultura e Investimento Social. estar-se-ia aventando as figuras do contrato de compra e venda.CONTRATOs Em EsPÉCIE eventualmente concedido. Segundo este artigo. ob. a teor do artigo 168 da Lei nº 9. cit.05. chegando a ser o bem mais valioso do patrimônio de uma empresa. na medida que uma parte – a cessionária – cede. 16. a Lei de Propriedade Industrial é silente no tocante à natureza dessa cessão. que tem por função executar. de uma modalidade de cessão de direitos cujos parâmetros encontram-se estabelecidos pelo Código Civil. Este registro é realizado por intermédio do Instituto Nacional de Propriedade Industrial. de modo direto ou através de empresas que controlem direta ou indiretamente. Ricardo Luiz. a partir de um certo nível de preço. sendo um fator de identificação e valorização no mercado. fato esse ensejador do processo administrativo de nulidade. as normas que regulam a propriedade 22 23 sICHEL. o direito de uso da marca a um terceiro (contratado ou cessionário).22 H) requerentes do registro O artigo 128 da Lei de Propriedade Industrial dispõe sobre as pessoas aptas a requerer o registro de uma marca. a qual poderá exercer atividade distinta da de seus membros. A marca é tida como uma “característica marcante no processo de conquista de mercados e clientes das economias globalizadas”24. Para o autor. No que se refere ao registro de marca coletiva. Com relação à cessão mencionada no parágrafo segundo do artigo 129. segundo Ricardo Luiz Sichel. Assim. o qual prevê que a propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido. org. Leonardo.279/96.

estando nesta relação identificador/identificado.CONTRATOs Em EsPÉCIE industrial. para Gama Cerqueira. econômica. ainda que com acréscimo. jurídica e técnica. ob. da natureza e função da marca. cit.06. p. de acordo com definição abaixo29: 25 mATHÉLY. no todo ou em parte. 37. pg 171. mas tratando-se de produtos ou indústria diversa. Recurso Especial n° 9. está limitando o direito de marca no campo de sua especialidade. de 11 de Dezembro de 1970. por parte de empresas diferentes. mas é ressaltada. no que se analisa a possibilidade de confusão ou associação de marcas. patentes. Com relação ao princípio da especialidade das marcas. presente a função primordial de distinguir. uma marca não consiste num signo apropriado em si mesmo. 28 29 Fonte: www. semelhante ou afim”. Esta forma de limitação. quando o legislador fala em “produto ou serviço idêntico. Quando se trata de indústrias ou gêneros de comércio inteiramente diversos. É importante mencionar que o princípio da especialidade sofre algumas exceções no que tange às marcas de alto renome e às marcas notoriamente conhecidas. Segundo a autora. o princípio da especialidade não é absoluto. Paul. j) formas de registro das marcas As marcas podem ser registradas sob a forma nominativa. pode-se dizer.1991. as quais serão objetos de estudo nas próximas aulas. 27 CERQUEIRA. em que se impede “ a reprodução ou imitação. como se verá a seguir.25 O Supremo Tribunal de Justiça pronunciou-se afirmando que “a marca deve distinguir-se suficientemente das já existentes. pois se trata sempre de questões de fato. é a mais justa. suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia. para distinguir ou certificar produtos ou serviço idêntico. modelos de utilidade e desenho industrial no Brasil. p. sendo o órgão responsável pela concessão dos registros de marcas. e até idênticas. direta e necessariamente.279 de 1996. À luz deste princípio. tendo em vista a sua função social. semelhante ou afim. conclui-se que é possível a convivência de marcas semelhantes no mercado. I. dentre outros artigos. a regra da especialidade como princípio do direito marcário. sem qualquer vinculação entre si. 26 mORO. 1994. não importa que ela seja idêntica a outra já em uso”. O INPI é uma autarquia federal criada pela Lei n° 5648. pois depende de uma análise caso a caso. de acordo com o artigo 125 e 126 respectivamente. inciso XIX. Paul Mathély ensina que: A regra da especialidade é substancial.gov. De fato. maitê Cecília Fabbri. José da Gama. Este princípio é fundamental para a distinção das marcas e dos nomes de domínio.br FGV DIREITO RIO 101 .71.inpi. vol. No entanto. influi em toda a sua regulamentação. cujas circunstâncias não podem ser desatendidas quando se tem de decidir sobre a novidade das marcas e as possibilidades de confusão. uma vez que advém. a questão da coexistência das marcas idênticas ou semelhantes facilmente se resolve28. Le Noveau Droit Français de Marques. ob. mas num signo apropriado em função da aplicação a um objeto ou serviço específico. O princípio básico que norteia o sistema de concessão de marcas em nosso país é o princípio da especialidade. 10.380/ sP. cit.26 De acordo com Maitê Cecília Fabbri Moro27. de marca alheia registrada. figurativa ou tridimensional. nem neste assunto podem firmar-se regras absolutas. no artigo 124. visando limitar o campo de extensão da proteção marcária de acordo com o segmento mercadológico no qual a mesma se insere. da Lei 9. mista. inclusive as normas relativas ao registro de marcas.

também. compreensível por uma ideograma em si. em que se constituída por desenho. a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja dissociada de qualquer efeito técnico. que ele representa. desde que Nesta última Exemplos: hipótese. FGV DIREITO RIO 102 Exemplos: L) Direito de Prioridade O artigo 127 da Lei de Propriedade Industrial estabelece que. isoladamente. chinês. os neologismos e as combinações de letras e/ou algarismos romanos e/ou arábicos. a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. elementos figurativos ou de elementos nominativos. • Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma plástica. Exemplos: Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma plástica. caso FGV e Coca-Cola) • Figurativa: É interpretará como marca mista. ao pedido de . compreendendo. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja dissociada de qualquer efeito técnico. cuja grafia se apresente de forma estilizada. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma dissociada de qualquer efeito técnico. bem como dos palavra ou determo que o ideograma representa. figura ou qualquer forma estilizada de letra e número. a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. cuja grafia se apresente de forma estilizada. a proteção legal recai sobre o parcela significativa do público consumidor. alfabeto romano. imagem. requerimento a ideogramas o línguas tais como o japonês. Exemplos: Exemplos: Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e elementos figurativos ou de elementos nominativos. hebraico etc. plástica. caso em que se interpretará como marca mista. (Exemplos: compreensível por uma parcela significativa do público consumidor. e não sobre a palavra ou termo caso ressalvada a hipótese de o requerente indicar no requerimento a palavra ou o termo que o ideograma represenem que se interpretará parcela significativa do ta. cuja grafia se • Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e elementos figurativos ou de elementos Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e nominativos. público consumidor. desde que compreensível por uma como marca mista. apresente de forma estilizada.CONTRATOs Em EsPÉCIE • Nominativa: É constituída por uma ou mais palavras no sentido amplo do desde que requerimento a palavra ou o termo que o ideograma representa.

será assegurado direito de prioridade. FGV DIREITO RIO 103 . desde que obedecidas as práticas leais de concorrência. por si ou por outrem com seu consentimento. nos prazos previstos na referida Convenção de Paris. ou o seu sucessor. Com relação à perda dos direitos marcários. o documento correspondente deverá ser apresentado junto com o próprio documento de prioridade. que produza efeito de depósito nacional. se não efetuada por ocasião do depósito. ao pedido de registro de marca depositado em país que mantenha acordo com o Brasil ou em organização internacional. por outras prioridades anteriores à data do depósito no Brasil. o artigo 142 preceitua que o registro da marca extingue-se: • pela expiração do prazo de vigência. • pela renúncia. o qual discrimina que o titular da marca não poderá: • impedir que comerciantes ou distribuidores utilizem sinais distintivos que lhes são próprios. a reivindicação da prioridade deverá feita no ato de depósito. Segundo a Lei de Propriedade Industrial. M) limitações e Perda de direitos As limitações aos direito de propriedade das marcas encontram-se discriminadas no artigo 132 da Lei de Propriedade Industrial. a comprovação da prioridade deverá ocorrer em até 4 (quatro) meses. a Convenção de Paris. em seu artigo 4 (C) dispõe da forma abaixo: (1) Os prazos de prioridade acima mencionados serão de doze meses para invenções e modelos de utilidade e de seis meses para os desenhos ou modelos industriais e para as marcas de fábrica ou de comércio Cumpre destacar que. como segue abaixo: A (1) Aquele que tiver devidamente apresentado pedido de patente de invenção. desde que sem conotação comercial e sem prejuízo para seu caráter distintivo. de depósito de modelo de utilidade. • impedir a livre circulação de produto colocado no mercado interno. juntamente com a marca do produto. podendo ser suplementada dentro de 60 (sessenta) dias. na sua promoção e comercialização. 68. acompanhado de tradução simples. sob pena de perda da prioridade. cujo teor será de inteira responsabilidade do depositante.CONTRATOs Em EsPÉCIE l) direito de Prioridade O artigo 127 da Lei de Propriedade Industrial estabelece que. que poderá ser total ou parcial em relação aos produtos ou serviços assinalados pela marca. Este princípio do direito da prioridade é previsto no artigo 4º da Convenção da União de Paris. • impedir que fabricantes de acessórios utilizem a marca para indicar a destinação do produto. Tratando-se de prioridade obtida por cessão. para apresentar o pedido nos outros países. de registro de marca de fábrica ou de comércio num dos países da União. Sobre o prazo para apresentação da reivindicação de prioridade. gozará. obra científica ou literária ou qualquer outra publicação. do s direito de prioridade durante os prazos adiante fixados. ressalvado o disposto nos §§ 3º e 4º do art. contendo o número. não sendo o depósito invalidado nem prejudicado por fatos ocorridos nesses prazos. da qual o Brasil é signatário. a data e a reprodução do pedido ou do registro. contados do depósito. de desenho ou modelo industrial. ou • impedir a citação da marca em discurso. devendo ser comprovada por documento hábil da origem.

contados da data da concessão do registro. sob pena de extinção do registro. No que tange à caducidade da marca. Desta forma.90330. 1983. de marcas iguais ou semelhantes. 144. decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão. na data do requerimento: I – o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil. 4ª ed. ou II – o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos consecutivos. caberá ao detentor do registro provar a sua utilização. Da decisão que declarar ou denegar a caducidade caberá recurso. disponível. o artigo 145 da Lei de Propriedade Industrial dispõe que não se conhecerá do requerimento de caducidade se o uso da marca tiver sido comprovado ou justificado seu desuso em processo anterior. em princípio. sob pena de caducar parcialmente o registro em relação aos não semelhantes ou afins daqueles para os quais a marca foi comprovadamente usada. 143 . contados a partir da data de concessão. são Paulo: Editora Revista dos Tribunais. considerado abandono. O uso da marca deverá compreender produtos ou serviços constantes do certificado. sendo prorrogável. O prazo para início de uso é de 05 (cinco) anos.Parte Especial. a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original. no entanto. O artigo 134 estabelece que o pedido de registro e o registro poderão ser cedidos. o titular do registro de uma marca deve utilizá-la para mantê-la em vigor. em nome do cedente. Contudo. requerido há menos de 5 (cinco) anos. que a caducidade seja concedida apenas parcialmente. desde que o cessionário atenda aos requisitos legais para requerer tal registro. 30 FGV DIREITO RIO 104 . o artigo 143 da Lei de Propriedade Industrial dispõe o que se segue: Art.. tal como constante do certificado de registro. É possível. 15-16.Caducará o registro. O prazo de validade de registro de uma marca é de dez anos. a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse se. Uma vez requerida a caducidade da marca. ou se. Pontes de Miranda explica sobre as formalidades da renúncia: Pode dar-se a renúncia à propriedade industrial. de acordo com o artigo 144 da Lei de Propriedade Industrial: Art. a questão da cessão dos pedidos de registro ou dos registros de marcas como caso de perda de direitos sobre as mesas. no mesmo prazo. Tomo XVII. ainda. Em caso contrário. ou • pela inobservância do disposto no art. No tocante à renúncia dos direitos. o artigo 135 da Lei de Propriedade Industrial prevê que a cessão deverá compreender todos os registros ou pedidos. que dispõe sobre a falta de constituição de procurador no país pela pessoa domiciliada no exterior. Com relação à comprovação de uso. Pontes de. Tratado de direito privado . pp.CONTRATOs Em EsPÉCIE • pela caducidade. por períodos iguais e sucessivos. expressa em documento hábil ou o não uso. 217 da referida Lei. a pedido do titular. relativas a mIRANDA. Vale ressaltar. será extinto o registro e a marca estará. com a declaração da caducidade de que cogitam os arts 152-155 do Decreto – Lei 7.

o senhor Eduardo Russo fez a seguinte proposta: cederia os pedidos de registro de marcas para a Pechincha Comércio Varejista Ltda. Diante do exposto. Embora não seja necessária para comprovar a exploração da marca. leva. Um dia a areia branca / seus pés irão tocar e vai molhar seus cabelos / a água azul do mar Janelas e portas vão se abrir / prá ver você chegar e ao se sentir em casa.. Vale notar que a licença só poderá vigorar enquanto o registro da marca estiver em vigor. a disputa entre os Estados Unidos e o Brasil envolvendo as licenças compulsórias e a exigência de fabricação de certos produtos farmacêuticos no território nacional. FGV DIREITO RIO 105 . sorrindo vai chorar. após publicado e requerido o exame. sob pena de cancelamento dos registros ou arquivamento dos pedidos não cedidos. se tornou tópico de grande importância no noticiário político nacional. os pesquisadores brasileiros cada dia mais buscam uma recompensa justa para suas pesquisas. também. o) Contrato de Cessão de Marcas Qual é a diferença entre o contrato de licença de marcas e o contrato de cessão de marcas? Ao ser consultado pelo nosso cliente quanto à cessão das marcas. Você teria algum comentário a essa proposta? leitura CoMPleMentar: A importância da “due diligence” de propriedade intelectual nas fusões e aquisições (Debaixo dos caracóis dos seus cabelos) dirceu P. ao invés apenas do reconhecimento acadêmico. questões legislativas e judiciais envolvendo aspectos de propriedade intelectual vem se destacando cada vez mais. mas permaneceria com os registros das outras marcas. Se o registro da marca é extinto. à perda dos pedidos de registros ou registros que não foram transferidos do cedente ao cessionário. Debaixo dos caracóis dos seus cabelos uma história prá contar / de um mundo tão distante debaixo dos caracóis dos seus cabelos um soluço e a vontade / de ficar mais um instante. de santa rosa advogado no rio de janeiro (rj). No setor farmacêutico. mestre em direito pela the George Washington university (eua). dimensionando-as para a concessão de patentes.CONTRATOs Em EsPÉCIE produto ou serviço idêntico. Roberto Carlos/Erasmo Carlos De alguns anos para cá. nota-se que a hipótese de cessão parcial de marcas iguais ou semelhantes relativas a produtos ou serviços idênticos. podem ser objeto de licença. por exemplo. Na biotecnologia e na área científica. ganhando considerável espaço no mundo dos negócios e até mesmo nas manchetes dos principais jornais do país. semelhante ou afim. a averbação no INPI é necessária para produzir efeitos perante terceiros. semelhantes ou afins. n) Contrato de licença de Marcas O registro da marca como o pedido. conseqüentemente o contrato de licença perde seu objeto.

CONTRATOs Em EsPÉCIE Situação semelhante ocorre em outros setores da economia. aquisições ou financiamentos são geralmente precedidas de uma criteriosa avaliação da instituição prospectada. preferiu não adquirir a licença exclusiva do sistema operacional MS-DOS. Diversos setores estão sendo totalmente reformulados. o que possibilitou as bases do seu crescimento. pois enquanto os consumidores adquiriam a preços competitivos computadores baseados na arquitetura dos PCs. Acabou vitima de sua própria ganância. Operações de fusões. em se tratando de fusões e aquisições de empresas. dentre os principais erros abordados nesta pesquisa. desenvolver ou adquirir inovações tecnológicas podem fazer a diferença num mercado globalizado e altamente competitivo. George Lucas. gratuitamente. tanto que um descuido na análise de seus aspectos relevantes pode trazer conseqüências desastrosas. tendo em vista uma “avalanche” de fusões e aquisições de empresas brasileira. e despertam o interesse de empresários que pretendem estender suas atividades ao Brasil por meio de joint ventures. O objetivo principal deste artigo é desmistificar a idéia. de que a propriedade intelectual é matéria acessória. e o declínio da IBM no desenvolvimento de software para computadores pessoais. não é mais possível enxergar o Direito da Propriedade Intelectual como uma área subsidiária. após criar o computador pessoal Macintosh (2). trabalhistas e fiscais. e as bancas de advocacia que prestam este serviço geralmente dão ênfase à análise dos aspectos societários. i – a importância da Propriedade intelectual no mundo dos negócios Os profissionais de propriedade intelectual estão vivendo um momento sui generis. capitaneada por companhias estrangeiras que desejam se fixar em nosso promissor mercado. E falando em economia globalizada. distante do Direito Empresarial moderno. desenvolvida pela IBM e licenciada para FGV DIREITO RIO 106 . decidiu não conceder licenças aos possíveis concorrentes que desejavam fabricar computadores compatíveis. Nunca o meio empresarial esteve tão antenado com a necessidade de se proteger devidamente as criações intelectuais e obter lucro destes ativos. – Em 1981. – Em 1984. a Apple Computers. alguns diretamente relacionados à propriedade intelectual tiveram destaque: – O fato da produtora de cinema 20th Century Fox não ter se interessado em reter os direitos de licenciamento e merchandising de produtos associados ao filme “Guerra nas Estrelas”. e ganhou destaque em setores como a administração de empresas e a gestão estratégica de negócios. que consideram como os principais. Apenas para melhor ilustrar a afirmação acima. Pelo contrário. preocupada com acusações de formação de monopólio no setor de computadores. esporte e energia. direcionada para estudantes e profissionais de administração. como nos de telecomunicações. ao produtor do filme. a Microsoft ofereceu o referido sistema às concorrentes da IBM. a IBM. a nosso ver errônea. relegando outras áreas a um segundo plano. Esta tendência do mundo empresarial também se reflete na economia brasileira. as empresas nacionais se transformaram também em mercadorias. o crescimento de setores da chamada “nova economia” e o desenvolvimento da internet e do e-commerce valorizou os ativos intangíveis das empresas. Aceitou repassar os mesmos. oferecida por um jovem Bill Gates e desenvolvida por uma pequena empresa chamada Microsoft. administradores e diretores das maiores empresas dos EUA para identificar quais foram os “25 maiores erros corporativos do mundo” (1). e alertou muitas delas para o desenvolvimento de políticas de gerenciamento de propriedade intelectual. investimentos e operações de compra envolvendo empresas locais. Sem exclusividade. a publicação norte-americana MBA Jungle. recentemente promoveu uma interessante pesquisa entre diversos professores de cursos de MBA. bem como de suas possíveis seqüências. acreditando poder lucrar mais com a exclusividade. onde se nota cada vez mais que proteger. Hoje em dia. Tais procedimentos são conhecidos como “due diligence”. Neste cenário globalizado. Surpreendentemente. seu estudo ganha importância na maior parte das operações de fusão ou aquisição. visando evitar que passivos ocultos comprometam o negócio. O gerenciamento de propriedade intelectual deixou de ser um assunto limitado à seara do especialista.

Independente de suas origens. uma vantagem competitiva para qualquer empresa. Sendo assim. dentre outros (doravante denominadas de “transação” ou “transações”). – A Xerox Corporation. fixando livremente certas práticas. processos de privatização de empresas estatais. não se importaram quando os jovens Steve Jobs. a dominância dos PCs consolidou-se. concentrando seus esforços nas fotocopiadoras que. Outros autores como LAJOUX e ELSON (7) remontam a origem das “due diligences” a tempos mais antigos: Teria sido desenvolvida a partir de um conceito do Direito Romano: “diligentia quam suis rebus” (diligencia de um cidadão em gerenciar suas coisas) que foi trazido para a Common Law e já era adotado em decisões judiciais antigas. manteve um centro de pesquisas em Palo Alto. à época. pouco se comenta sobre o surgimento desta atividade e os motivos que a tornaram essencial na prática empresarial moderna. mas também o mouse. cada vez mais. que as apresentaram sem qualquer cuidado com confidencialidade ou patenteamento. Por não terem uma estratégia de pesquisa e desenvolvimento de produtos atrelada à propriedade intelectual. o desenvolvimento de políticas de gestão de patentes é tema de muitos estudos e livros de negócios (5) que concluem. Invenções deixadas de lado por não serem lucrativas.a due diligence no meio empresarial Apesar de muitos profissionais associarem o termo “due diligence” a procedimentos de auditoria legal e financeira que envolvem fusões. em um quase uníssono. Porém. Portanto. ii. foram conhecer as tecnologias desenvolvidas pelos pesquisadores da Xerox. é utilizada nas mais diversas circunstâncias. especialmente quando analisamos ramos de negócio cuja atividade principal está baseada na exploração do conhecimento tecnológico e em ativos intangíveis tais como patentes e marcas. que a propriedade intelectual assume papel de destaque nos modernos métodos de gestão empresarial. da Microsoft. se tornando então aceito no ordenamento jurídico-comercial norte americano.CONTRATOs Em EsPÉCIE uma miríade de empresas. operações financeiras complexas. o conceito foi melhor depurado após decisões de Cortes norte-americanas. FGV DIREITO RIO 107 . enquanto só restou para a Apple um nicho do mercado de computadores pessoais (3). tanto em operações envolvendo fusões e aquisições de negócios como no planejamento de reestruturações societárias. cujos preços eram bem mais caros. e investimentos. e a instituição de regras sobre a responsabilidade de compradores e vendedores na prestação de informações. reorganizações societárias. foi mesmo na prática empresarial que a “due diligence” ganhou forma e se tornou um procedimento comum no mundo inteiro. a impressora laser e alguns conceitos básicos sobre redes de computadores (4). ser tratada como um ativo estratégico. Trata-se do reconhecimento de que a proteção da propriedade intelectual precisa. e levou o nome de “Windows”. mais precisamente após a promulgação do Securities Exchange Act de 1933. durante anos. mas que se tornaram muitíssimo lucrativas no futuro. Uma conseqüência da autonomia da vontade das partes que. nada mais atual que discutir a propriedade intelectual sob um ponto de vista tanto negocial como jurídico. Em pouco mais de uma década. Nos anos 70. geravam mais lucro para a empresa. da Apple. pesquisadores deste centro desenvolveram não apenas a interface gráfica para sistemas operacionais (precursora tanto do sistema Windows como do Macintosh). na Califórnia. A importância que hoje é dada pelos renomados professores de administração de empresas aos fatos acima não é fruto do acaso. uma “cópia” do mesmo acabou sendo desenvolvida também para os PCs por uma outra empresa. criaram este mecanismo que garante ao adquirente ou investidor a possibilidade de realizar uma investigação prévia sobre a empresa a ser adquirida ou que receberá investimentos (e que doravante será denominada “empresa-alvo”). E como a arquitetura do sistema operacional gráfico dos Macintosh era realmente inovadora. em procedimentos de aquisição de empresas (6). a única opção para comprar um Macintosh era por meio da Apple. executivos da Xerox preferiram ignorar tais criações. Alguns remontam sua origem nos Estados Unidos. nas mãos destas outras empresas para quem eles gentilmente as apresentaram. e Bill Gates. Afinal. aquisições. Por isso mesmo.

visto que seu escopo depende inteiramente da transação comercial que a motiva. interpretada no contexto jurídico brasileiro: “Atualmente. o regular cumprimento de obrigações legais ou contratualmente assumidas. tais dados geralmente são de conhecimento das partes. bem como para garantir. avaliação dos riscos inerentes. consoante cada caso concreto. Due diligence significa. bem como aborda aspectos como confidencialidade (11). prever riscos e definir a sua partilha pelas partes. o que fazer para verificar que o objecto da operação pode ser transacionado legitima e livremente e apresenta as características e tem o valor que o vendedor lhe atribui. é melhor entendê-la como uma metodologia que. se traduzida literalmente. e não uma obrigação legal. uma “due diligence” ? Expressão de origem anglo-saxônica. direitos de preferência no negócio (12). O processo de “due diligence” não existe como figura jurídica autônoma na legislação pátria. Porém. uma “due diligence” é a prova incontestável de que a velha máxima popular “mais vale prevenir que remediar” é verdadeira. estabelecimentos. determinação de responsabilidades ou outras. Via de regra. é fruto da prudência e do bom senso das partes. e pode ser útil em diversos níveis e momentos de uma negociação ou transação.Envio de “Check List”. geralmente dependem dos interesses da empresa encomendante do serviço. consiste no procedimento sistemático de revisão e análise de informações e documentos. Quanto às conseqüências que decorrerão de seus resultados. a quem cabe acordar os termos e condições nas quais a “due diligence” será desenvolvida. Porém. Algumas das práticas elencadas abaixo são características nos mais diversos procedimentos de “due diligence”: 1. pode ser demorada. Um “check list” pode até mesmo incluir perguntas diretas.sob um escopo predefinindo . Geralmente uma “Engagement Letter” vem acompanhada da prestação de diversos “Representations and Warranties” por parte do vendedor. é difícil trazer uma definição precisa que possa abarcar a amplitude de uma “due diligence” jurídica. definir garantias e evitar eventuais situações de incumprimento” (10). Sendo um acordo que formata uma negociação que se dará entre as partes. seu ponto de partida é o período de entendimentos iniciais entre as partes e.CONTRATOs Em EsPÉCIE II-a) O que é. e geralmente é entregue aos diretores da empresa-alvo pouco depois da assinatura da “Engagement Letter”.Declaração de intenção do comprador. “due diligence”. por meio de um documento que indica normas e temas estratégicos importantes. Esta fase inicial envolve a celebração de um acordo preliminar de compra (conhecido como “Engagement Letter”) ou uma Carta de Intenções preliminar.da situação de sociedades. uma parte importante de seu conteúdo (13). 2. dependendo do tamanho da transação e das contingências encontradas. II-b) Os Procedimentos de “due diligence” A realização de uma “due diligence” é uma opção das partes. listando as informações que deverão ser disponibilizadas pela empresa-alvo. usa-se a expressão due diligence para definir o que. afinal. Assim. significaria “devida cautela ou diligência” (8). Mesmo assim. Em poucas palavras. não existe como enumerar com precisão o que deve constar neste documento. FGV DIREITO RIO 108 . O bom senso das partes é o que prevalece. Documento que geralmente é preparado pelos advogados contratados para realizar a “due diligence”. seja para determinação do real valor das empresas e seus activos. fundos de comércio ou de parte significativa dos ativos que os compõem” (9) Embora a “due diligence” tenha surgido para resguardar as partes em litígios pós-compra ou fusão. envolver prazos exíguos e um custo altíssimo para a parte que solicita o serviço (doravante denominada de “encomendante”). numa óptica jurídica. tanto quanto possível. antes de tudo. visando à verificação . garantias a prestar. dentre outros. resumidamente. É onde são determinadas as regras da “due diligence”. o excelente trabalho de MORI nos traz uma boa definição de “due diligence”. tanto para o potencial vendedor como para o comprador. especialistas como o português CORREA DE SAMPAIO a reconhecem como uma medida de caráter preventivo: “A due diligence é um procedimento de análise levado a cabo normalmente pela compradora com a colaboração da vendedora e tem por finalidade verificar e avaliar a situação das empresas e/ou dos negócios a transaccionar. verificação do funcionamento da empresa e do cumprimento das regras legais.

4. existe o dever e o interesse em proteger o maior número de invenções. bem como examinar as operações financeiras realizadas. uma avaliação de seu passivo processual (inclusive reclamações trabalhistas e processos administrativos). é conhecido como “data room”. incluindo a análise de todos os ativos importantes da empresa. De outro. se as condições e o preço sugeridos pela empresa-alvo são realmente justos. mas os da empresa-alvo e de sua indústria. identificar problemas a serem resolvidos após a concretização do negócio. da análise dos documentos entregues pela empresa-alvo. inicia-se a fase mais árdua da “due diligence”. Em alguns casos. geralmente. 5. E as vantagens deste “retrato” superam em muito qualquer prestação de garantias por parte da empresa-alvo. Pode ser efetuado por meio da consulta em bases de dados públicas (como o site do INPI (14)). Os documentos podem ser disponibilizados em local determinado. bem como a pesquisa e coleta de dados complementares. avaliando todos os riscos legais inerentes ao seu negócio. todas as pendências legais em uma reorganização societária devem ser observadas com a mesma atenção e detalhe. caberá a ambas as partes continuar as negociações até a assinatura de um acordo final. a empresa-alvo fará o máximo para que o procedimento seja encerrado com a máxima brevidade. um extenso relatório é preparado. a análise da situação fiscal e tributária da empresa. pode avaliar. nos moldes solicitados pela contratante do serviço e seguindo os padrões adotados pelos advogados responsáveis. Assim. ou ser criteriosamente analisado pelo mesmo ao avaliar a viabilidade da transação. a identificação e análise de contingências por uma empresa independente. a importância de uma companhia está cada vez mais baseada no valor que seus ativos intangíveis podem atingir. e num momento anterior à conclusão de qualquer transação. que envolve a revisão das informações passadas pela empresa-alvo. as atenções do meio empresarial estão se voltando para a propriedade intelectual como ferramenta estratégica para garantir a melhor utilização destes bens intelectuais. marcas e outros ativos incorpóreos. A partir dai. Desenvolver. ou mesmo exigir maiores garantias por parte do vendedor. Este relatório poderá ser utilizado pelo encomendante diretamente na mesa de negociações. e poder FGV DIREITO RIO 109 . Afinal. o encomendante da “due diligence” quer se precaver o máximo possível. Porém.Entrega do relatório final de “due diligence”. visto que o advogado avalia aspectos de um negócio do qual jamais participou diretamente. de modo que não implique em um atraso no fechamento do negócio (uma fase também conhecida como “closing”). não se importando com a eventual pressa da empresa-alvo. Geralmente. permitindo renegociar o preço final. a preocupação em não infringir os direitos de terceiros. que no jargão negocial. gerenciar e utilizar estrategicamente estes ativos se tornou matéria fundamental para as empresas verdadeiramente antenadas com o futuro e. iii – a due diligence de propriedade intelectual Num mercado dominado pela informação e tecnologia. favorecem a empresa interessada. uma opção que garante maiores cuidados quanto ao sigilo e segurança dos documentos (15).CONTRATOs Em EsPÉCIE 3. (17) A abrangência dos seus resultados também é um assunto polêmico. no momento certo.Fornecimento e/ou obtenção das informações. Do outro lado. e tentará iniciar os trabalhos antes mesmo de assinar uma eventual carta de intenções (16). O “timing” de uma “due diligence” também é muito importante. a preocupação dos empresários e investidores com a propriedade intelectual passa. por apenas duas abordagens: Por um lado. O objetivo de grande parte das “due diligences” jurídicas pode ser resumido de maneira simples: É como se a missão do advogado fosse “tirar um retrato” da empresa-alvo. dentre outros. Alguns especialistas entendem que relatórios de “due diligence” devem destacar. ele utilizará a “due diligence” até mesmo para ganhar tempo e decidir sobre o negócio. A nosso ver.Consolidação das informações Após a análise dos dados coletados pelas equipes de advogados. até mesmo os bens de propriedade intelectual. mais que nunca. o bom relatório de “due diligence” deve destacar não só os aspectos relevantes da prática do escritório contratado. Assim. Após o recebimento do “check list”. impreterivelmente.

o processo de identificação de ativos e análise de sua situação legal (que se inicia a partir da preparação e do envio do “check list” ou da abertura do “data room”) não é diferente do que ocorre em quaisquer outras “due diligences” legais. no Brasil e no exterior. uma “due diligence” envolve a identificação e análise dos ativos de propriedade intelectual da empresa-alvo de uma fusão. é crucial ter em mente os pontos acima. e as auditorias preventivas oferecidas no mercado são. além de muito raras. aquisição ou outro tipo de negociação. marcas e/ou programas de computador licenciados de terceiros? Em que situação legal encontra-se tais licenças? São elas fundamentais para o desenvolvimento do negócio? Dependendo do cliente e de seus objetivos. no Brasil e no exterior. tanto para o bom andamento do negócio como para o comprador? 3. ou invenções patenteadas que lhe possibilitariam fabricar um produto ou melhor desenvolver determinada tecnologia. até sem o necessário cuidado ético. tão somente identificando os bens intelectuais existentes e. III-b) Identificando ativos de propriedade intelectual Numa “due diligence” de propriedade intelectual. é claro que uma “due diligence” pode enfatizar alguns aspectos específicos: Porém. antes mesmo de iniciar qualquer negociação com os donos do periódico. inclusive quanto à penhora das mesmas. Qual o tamanho e a força do portfolio de propriedade intelectual da empresa-alvo? 2. Quais são as possíveis contingências envolvendo este portfolio que podem gerar riscos.CONTRATOs Em EsPÉCIE identificar quem está infringindo os seus. – Obtenção de informações sobre registros declaratórios de direito autoral e de programas de computador. avaliando sua situação atual. Poucas bancas nacionais estão realmente capacitadas para fazer análises mais criteriosas sobre o assunto. destacamos: – Solicitação direta à empresa-alvo de cópias de documentos de patentes. Dentre estes possíveis recursos. tal procedimento tem como base quatro questões-chaves: 1. na fase de Declaração de Intenções do comprador. Os métodos para a obtenção destas informações também envolvem a compilação e análise de documentos complexos. Assim. prestadas por profissionais sem formação técnica e. os aspectos de propriedade intelectual são abordados de modo raso. É possível identificar se a empresa-alvo tem uma política de proteção dos seus ativos intangíveis? A empresa-alvo protege devidamente seus ativos intelectuais? 4. pois não é interessante que as regras de uma “due diligence” criem entraves complexos que impeçam a realização do trabalho. em alguns casos. O uso de procedimentos mais detalhados para analisar aspectos de propriedade intelectual nas “due diligences” não é muito difundido no Brasil. se possível. – Solicitação de cópias de certificados de registro de marca. a “due diligence” de propriedade intelectual não deve ser vista como algo inusitado em diversos procedimentos de fusão ou aquisição. e na celebração de acordos preliminares. A empresa-alvo utiliza tecnologias. Afinal. a mídia especializada em finanças e negócios alardeou com grande surpresa que a maior preocupação do grupo comprador era adquirir apenas a marca do jornal. Portanto. e que o resto do patrimônio da empresa seria apenas uma “contingência a ser absorvida”. bem como o uso de todos os métodos lícitos e acordados pelas partes para a obtenção de dados. III-a) Fundamentos das “due diligences” de propriedade intelectual Como já vimos anteriormente. Os compradores até efetuaram uma cuidadosa análise da situação das principais marcas da empresa-alvo junto ao INPI. FGV DIREITO RIO 110 . Alguns meses atrás. não é mais incomum que o principal interesse da empresa compradora possa ser adquirir marcas que lhe garantam uma fatia do “market share”. E no âmbito da propriedade intelectual. ao noticiar a compra de um tradicional periódico carioca. bem como cópias de pedidos de registro de marca. (18). na maior parte das “due diligence” jurídicas preparadas por bancas de advocacia empresarial.

e envolve as questões eminentemente jurídicas do trabalho. levando em conta a importância que o encomendante do relatório dará para cada aspecto de propriedade intelectual da transação (21). após a fase investigativa inicia-se a elaboração do relatório final. O mesmo procedimento preventivo deve ser adotado na coleta de quaisquer informações subjetivas. também pode significar uma redução do tempo a ser dispensado na coleta de dados e informações. convém deixar a cargo do advogado a preparação das listagens dos dados a serem solicitados e analisados. e utiliza indiscriminadamente seus ativos intelectuais sem o mínimo cuidado com a proteção dos mesmos. – Consultas nas bases de dados (nacionais e internacionais) de propriedade intelectual. em algumas situações a empresa-alvo sequer obteve registros de marca ou patente. Assim. não menos importante é tecer as necessárias considerações sobre todas as contingências identificadas na análise do relatório. As informações obtidas devem ser organizadas e separadas pelo seu nível de importância para o encomendante do relatório final. em alguns casos até propondo soluções emergenciais. Em nossa prática. técnicos e especialistas da própria empresa-alvo. Nas “due diligences” em que existe a possibilidade de se requerer documentos diretamente à empresa-alvo. e que nem sempre são facilmente identificáveis.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Obtenção de cópias de contratos envolvendo licenças de uso de software e quaisquer outros bens intelectuais. Ademais. os pontos abaixo foram divididos e abordados de maneira resumida e modo exemplificativo. Uma consulta formal aos agentes de propriedade industrial da empresa-alvo. tais como a do INPI (19). pois a empresa-alvo pode acabar omitindo. Nesta fase. em vista do interesse do encomendante e das contingências encontradas. na obtenção e compilação de dados. III-c) Elaborando o relatório final Considerada por muitos como a fase mais interessante de uma “due diligence”. Este recurso complementar pode ser muito eficiente para identificar práticas e procedimentos utilizados pela empresa-alvo para a proteção de seu patrimônio intelectual. (20) Quase sempre cabe aos advogados mais experientes. com bastante conhecimento específico da área. o relatório final é a fase em que as informações compiladas são analisadas. Para efeito de metodologia. FGV DIREITO RIO 111 . iV – analisando tópicos específicos em uma due diligence de propriedade industrial Como vimos acima. por má-fé ou puro desconhecimento. e como “cada caso é um caso”. é importante que a fase de reconhecimento dos ativos seja conduzida. onde o resultado das pesquisas de ativos é devidamente analisado. reconhecemos que é nesta fase onde aparecem alguns dos entraves mais complexos de uma “due diligence”. já não é imprescindível um entendimento genérico da transação que motivou a “due diligence”. sempre que possível. se autorizada. A identificação de ativos também pode ser realizada mediante entrevistas a diretores. dados vitais sobre a existência de problemas envolvendo seu patrimônio intelectual. do modo mais direto e com o apoio irrestrito da empresa-alvo. – Compilação e obtenção de informações subjetivas sobre políticas de proteção dos ativos intelectuais da empresa-alvo. e os dados disponibilizados no “data room” ou fornecidos pela empresa-alvo sobre cada ativo intelectual devem ser revisados e confirmados. Ademais. muitas vezes descobrimos empresas que nunca organizaram ou gerenciaram de modo sistemático seus ativos de propriedade intelectual. O diferencial é saber analisar os dados disponíveis e identificar quais devem figurar no relatório final e com que ênfase. são essenciais em qualquer “due diligence” de propriedade intelectual (22). Isto porque. Procuraremos nos fixar a seguir nos tópicos que. a nosso ver.

admitimos que estes temas são mais pertinentes numa auditoria de propriedade intelectual. por meio de terceiros. é o passo inicial. é altamente recomendável.279/1996. e as disputas envolvendo Michael Jackson e a Sony FGV DIREITO RIO 112 . ou obteve. tais como fabricação. dados sobre o real valor de mercado dos signos principais da empresa (uma avaliação que é geralmente efetuada por especialistas no assunto (24)). Para tanto. por exemplo. sem sua prévia autorização (25). IV-c) Bens sujeitos à proteção autoral Tema altamente complexo em qualquer “due diligence”.CONTRATOs Em EsPÉCIE IV-a) Marcas e nomes comerciais Nos termos do artigo 122 da Lei nº 9. um título de propriedade outorgado pelo Estado. se as marcas registradas estão em uso regular no seu território de validade (o que evita riscos de caducidade (23)) e se as taxas de registro e prorrogação estão sendo pagas tempestivamente. é importante estudarmos o momento no qual uma análise técnica deve complementar o trabalho do advogado. E este tipo de avaliação só pode ser realizado por meio do exame técnico do teor das reivindicações. Quando a empresa-alvo é titular de signos altamente reconhecidos no mercado. Porém. dispõe que é registrável como marca todo e qualquer sinal distintivo visualmente perceptível. Em países que adotam o sistema de “copyright” (27). que permita distinguir produtos ou serviços de outros idênticos. Este instituto visa proteger todo tipo de criações intelectuais do espírito humano. uma parcela significativa do relatório final deve cuidar do portfolio de patentes. IV-b) Patentes Quando a empresa-alvo tem entre suas atividades a pesquisa e o uso de tecnologia em seus principais produtos e serviços. então. é habitual a utilização de obras autorais como objeto de negociação ou garantia colateral para pagamento de dívidas e captação de fundos. que regula a propriedade industrial no Brasil. conhecido ou que venha a ser inventado. Porém. se possível. a um inventor. deve ser examinado por um especialista na área. um exame detalhado da situação atual de cada registro e/ou pedido de registro em nome da empresa-alvo. bem como analisar se o pagamento das anuidades e outras taxas para a manutenção de cada patente está ocorrendo dentro dos prazos legais (26). Tópicos adicionais que podem fazer parte de um relatório detalhado incluem ainda uma avaliação dos procedimentos adotados pela empresa-alvo para evitar o uso indevido de suas marcas por terceiros. A “due diligence” jurídica de patentes deve. A patente é. para que o encomendante possa não apenas se precaver. o direito autoral é um exemplo típico de propriedade imaterial. direitos de uso sobre os mesmos. A existência de oposições. tangível ou intangível. semelhantes ou afins. de origem diversa. Análises semelhantes também podem ser efetuadas com relação a modelos de utilidade e desenhos industriais. tem filiais ou realiza negócios. no Brasil e no exterior. sempre que necessário. O escopo de uma patente importante na área química. com sólida formação técnica na área de atuação da empresa-alvo. numa definição breve. Quanto ao nome comercial. mas até mesmo definir quais marcas serão mantidas ou abandonadas. enfatizar a verificação da situação atual de cada uma das patentes depositadas e/ou concedidas à empresa-alvo. ou mesmo verificar sua forca perante tecnologias já existentes e/ou patenteadas. com base no relatório descritivo. comercialização ou importação. habilitado em propriedade intelectual. uma análise de pesquisas na Junta Comercial dos estados onde a empresa-alvo está estabelecida. para que este possa excluir terceiros de certos atos relativos à matéria protegida. por força de lei e em caráter temporário. Outros tópicos podem incluir a titularidade dos direitos patentários e os termos de cessão de cada patente por seus respectivos inventores. pedidos indeferidos e recursos também deve ser pesquisada e abordada. Um exame mais detalhado de um portfolio de patentes deve ser realizado por profissionais especializados. expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte. e capaz de um parecer técnico sobre a possibilidade de utilizar dita patente contra um concorrente. Astros como David Bowie e James Brown já utilizaram seu repertório com esta finalidade. Outro tópico importante é verificar. um dos aspectos mais importantes da “due diligence” é realizar uma análise integral do seu portfolio de marcas.

Em todos os casos. inicia-se o relatório analisando se as obras mais importantes estão devidamente resguardadas. ou que seus funcionários-chave a abandonem. quais obras autorais são importantes para a natureza do negócio da empresa-alvo. Em alguns casos. um valioso investimento para qualquer empresa (28). o relatório deve indicar se a empresa-alvo tem como prática identificar devidamente os autores de obras intelectuais (e se guarda em seus arquivos estas informações). formação de preços e outras espécies de dados confidenciais relativos ao desempenho de atividades empresariais. bem como auxiliar no registro das obras intelectuais mais relevantes junto aos órgãos competentes (30). listar todos os textos e obras de natureza intelectual que esteja autorizada a utilizar em vista das circunstâncias específicas de seu negócio. A interrupção de um importante contrato de licenciamento de patente ou tecnologia em vista de uma reorganização FGV DIREITO RIO 113 . é a proteção de certos tipos de informações e práticas comerciais que. motivo pelo qual devem ser adotadas medidas protetivas contra a sua revelação” (32) Em uma “due diligence” de propriedade intelectual. sobre os direitos de edição do repertório do grupo The Beatles (que dispensa qualquer apresentação). E partindo destas informações. o fato do profissional de “due diligence” não ter acesso ao segredo de negocio não deve ser um óbice para que ele analise se o mesmo existe. É importante lembrar ainda que. fórmulas. como nas empresas de desenvolvimento de software. celebrar termos de cessão de direitos patrimoniais com os autores. a verificação minuciosa deste assunto é imprescindível. mesmo que os mais rígidos acordos de confidencialidade sejam celebrados entre as partes. se possível. ou para terceiros. é quase impossível que a empresa-alvo consiga. para uma “due diligence”. não existe uma definição na lei brasileira do que seja um “segredo de negócio”. custos. especialmente nas empresas que lidam com desenvolvimento de tecnologia. é importante também examinar a existência de contingências envolvendo ativos intelectuais licenciados de terceiros. são tão críticas para o negócio da empresa-alvo que é necessário mantê-las em rigoroso sigilo. passíveis ou não de proteção por meio de direitos de propriedade intelectual. em vista da caracterização dos programas de computador como obras autorais perante a legislação brasileira (29). nossa experiência mostra que informações tratadas pela empresa-alvo como segredos de negócio dificilmente são fornecidas aos advogados da encomendante. Daí a importância da abordagem especializada de questões autorais em “due diligence” de propriedade intelectual. em vista de seu escopo de atividades. São poucas as companhias que solicitam a todos os seus funcionários criadores de obras intelectuais que assinem termos específicos de cessão. O ideal é verificar. como advogados. Porém. experiências. em vista de quaisquer riscos de vazamento da informação. métodos. listas e informações de clientes. devemos respeitar. mesmo que o registro da obra intelectual não seja pré-requisito para garantir sua proteção. III-e) Analisando contratos de licença e outros acordos Juntamente com a análise do patrimônio intelectual pertencente à empresa-alvo. por exemplo). Existe sempre um risco de contaminação tecnológica que nem todos preferem correr e que. envolvem milhões de dólares. o relatório final deve abordar se os segredos comerciais estão devidamente protegidos e se não existe risco de que sejam divulgados ou perdidos caso a empresa-alvo sofra mudanças. tratar-se-á de um elemento incorpóreo sigiloso suscetível de aplicação prática que confere uma vantagem competitiva a seu detentor enquanto de conhecimento restrito. Mas autores como SILVEIRA o especificam com precisão: “O segredo de negócio consiste em conhecimentos técnicos. marketing. e como é protegido pela empresa-alvo. técnicas de comercialização. e este risco deve ser bem avaliado (31). IV-d) Segredos de negócio e “know-how” Outra preocupação que afeta muitos procedimentos de “due diligence”. processos de fabricação. O relatório pode também enfatizar se vale ou não a pena buscar uma proteção mais segura para esta tecnologia (por meio do seu patenteamento. A rigor.CONTRATOs Em EsPÉCIE Music. Tendo em vista a natureza incorpórea do direito autoral e que praticamente qualquer trabalho intelectual pode ser objeto de sua proteção. Se não é possível identificá-los. bem como do material disponibilizado pela empresa-alvo.

com especial atenção aos casos nos quais esteja licenciando tecnologias que também utiliza em seus produtos ou serviços para empresas que atuam no mesmo mercado. é preciso investigar se. quer como licenciado ou licenciante. Lembrando que nem todos os contratos que envolvem a exploração de ativos intelectuais precisam de averbação. por exemplo. patentes. depositados ou concedidos no Brasil. o licenciante garantiu contratualmente desde a atualização da tecnologia licenciada até que o fornecimento da mesma não será encerrado caso a empresa-alvo sofra alguma reorganização societária. com atenção aos casos nos quais a empresa-alvo esteja obtendo licenças cujo objeto é essencial para a continuidade de seu negócio. e alguns dos contratos que geralmente são examinados incluem: – Todos os acordos de licenciamento de marcas. Considerando que os contratos a serem destacados no relatório final serão aqueles mais pertinentes ao negócio da empresa-alvo. desde compromissos mínimos de produção. Assim. um tópico específico de qualquer “due diligence” de propriedade intelectual deve abordar este tema. – Identificar riscos negociais.131/1962. mas sim verificar e destacar as disposições contratuais que possam afetar a transação. – Acordos que envolvam transferência de tecnologia. com especial atenção a quaisquer limitações de responsabilidade ou garantias excessivas estabelecidas contratualmente. Tendo em vista que a negociação de cada contrato analisado certamente teve suas particularidades. Em alguns casos. em circunstâncias totalmente diferentes das que norteiam a análise encomendada. muitas vezes. nomes comerciais e/ou obras intelectuais de natureza autoral em que a empresa-alvo tenha participado. Em outros. se tal averbação não ocorreu. em alguns casos. é sempre importante lembrar que o objetivo de uma “due diligence” não deve ser avaliar a qualidade técnica das cláusulas de cada acordo ou criticar o trabalho de algum colega. tais como: – Confirmar se todos os acordos examinados permanecem em vigor e. e nos termos da Lei nº 4. nos quais a empresa-alvo seja a licenciadora. se possível.CONTRATOs Em EsPÉCIE societária da empresa-alvo. No curso da revisão de todos estes acordos. e se é necessária aprovação da outra parte para que isto ocorra. é necessário identificar qualquer contrato que gere perdas significativas. demandas que precisam ser atendidas mesmo em caso de transferência de controle acionário. quando envolvem o licenciamento de ativos intelectuais do exterior e prevêem o pagamento de royalties. É claro que a profundidade da análise dos contratos que envolvem bens intelectuais depende do interesse da encomendante e. que nenhuma das partes está em flagrante violação dos termos e condições de cada um dos mesmos. FGV DIREITO RIO 114 . indicar se os procedimentos necessários para fazê-lo ainda podem ser devidamente efetuados pela empresa-alvo (34). nos quais a empresa-alvo seja a licenciada. ou cujas obrigações não estejam sendo cumpridas pela empresa-alvo. por intermédio do Banco Central. cláusulas de exclusividade e direitos de preferência até mesmo opções de renegociação ou rescisão do contrato. por exemplo. é necessária atenção redobrada ao interpretar cláusulas duvidosas e ambíguas de contratos cujo objeto é vital para o negócio da empresa-alvo (33). ser crucial para que uma transação não se concretize. nos contratos com fornecedores de tecnologia. pode deixá-la em situação desfavorável e. muito freqüentemente. Contratos de maior importância contêm. (35) mas. – Contratos que envolvam transferência de tecnologia. é imperativo examinar se a remessa das respectivas divisas está sendo realizada de modo legítimo. Também entendemos ser necessário identificar quais destes contratos necessitam de averbação junto ao INPI e. da boa vontade da empresa-alvo em ceder tais documentos. o trabalho do profissional de “due diligence” acaba ensejando a leitura de inúmeros contratos preparados por outros advogados. – Contratos que objetivam a aquisição de conhecimentos e de técnicas não amparadas por direitos de propriedade industrial. – Verificar se as obrigações de ambas as partes podem ser transferidas para outra empresa ou serem sublicenciadas.

Conclusão No mercado de fusões e aquisições. com o objetivo de demonstrar à empresa interessada quais as contingências legais existentes e avaliar os riscos da transação. Porém. ou PARC. FGV DIREITO RIO 115 . Uma “due diligence” bem feita proporciona ao encomendante um valioso panorama de todos os aspectos legais da empresa-alvo. Os dados coletados por meio deste exame podem ser úteis até para fixar o valor patrimonial de marcas e patentes de uma empresa. MBA Jungle. dita verificação seria provavelmente feita pelos advogados que analisam os aspectos do contencioso da empresa-alvo. identificando o tipo de ação. com esta tática. provavelmente pode indicar algum procedimento de risco adotado pela mesma e. patentes e quaisquer outros ativos de propriedade intelectual da empresa-alvo. a área atue em harmonia com outros setores. nos grandes escritórios de advocacia empresarial. por isso mesmo. conseguiu que sua criação se tornasse o padrão do mercado de aparelhos de videocassete. Vi. é necessária uma conscientização. 2. Eles avaliariam de forma genérica cada litígio. bem como informações prestadas por seus próprios advogados a respeito de litígios nos quais a empresa participa e emitidas por todos os distribuidores que a jurisdicionam. sua situação atual e se existe risco de pagamento de indenização pela empresa-alvo. o MS-DOS. ou mesmo avaliar como está sendo feito o gerenciamento de sua propriedade intelectual. A prática internacional tem demonstrado que adotar uma metodologia para a pesquisa e análise dos ativos intelectuais de uma empresa. não apenas desenvolveram o embrião do computador de hoje como auxiliaram em estudos que levariam a nossa concepção atual de internet e a interligação de computadores por rede. mas também um caminho quase inexplorado no estudo do planejamento e gerenciamento de propriedade intelectual. Cujo sistema operacional gráfico era altamente inovador e eficiente se comparado à concorrência da época. a Sony Corporation se recusou a licenciar para terceiros as patentes para a fabricação de aparelhos de videocassete com o sistema Betamax. para alcançar este objetivo. pode valorizar em muito o trabalho dos profissionais de propriedade intelectual no meio empresarial. Convêm lembrar que a ocorrência reiterada de processos semelhantes envolvendo a empresa-alvo. como autora ou ré. nosso estudo encontrou não apenas os subsídios que confirmam uma nova realidade da propriedade intelectual nas fusões e aquisições. Numa “due diligence” jurídica mais ampla. notas 1. antes de se fechar qualquer negócio. Não seria tolice afirmar que os pesquisadores do Palo Alto Research Center. se bem adaptada. 3. passível de uma revisão ainda mais detalhada. May 2001. Mostramos que a metodologia das “due diligences” jurídicas é uma ferramenta que. Ao mesmo tempo a Japan Victor Company – JVC licenciava gratuitamente a tecnologia para o sistema VHS e. E na propriedade intelectual. fusão ou incorporação. Em situação semelhante que não foi listada no artigo ora citado. citado acima. mas também é necessário que. mas merece nossa ressalva. mas também buscar soluções que evitem ou minimizem quaisquer riscos para o ativo intelectual da empresa. The 25 Dumbest Business Decisions of All Time. é o método mais eficiente não somente para identificar contingências. Debaixo dos caracóis dos cabelos das “due diligences”.CONTRATOs Em EsPÉCIE IV-f ) Analisando pendências judiciais de propriedade industrial Um outro assunto que pode ser abordado é a situação das pendências judiciais envolvendo marcas. é sempre recomendável uma profunda investigação em todos os aspectos jurídicos de uma companhia objeto de qualquer modalidade de aquisição. mostrando as ações judiciais nas quais a empresa-alvo está envolvida. isto não é diferente. 4. o foro competente. As fontes principais para a coleta destes dados são as certidões forenses e de protestos emitidas em nome do negócio (e de suas filiais).

after reasonable investigation. disponibilizado em www. cautela). Após a fase de discussões e negociações preliminares. Consiste nas afirmações expressas em contrato pelas partes. seja ela de compra ou de venda. Juntamente com as cláusulas contratuais que disciplinam as indenizações a serem efetuadas por uma parte à outra (por passivos ocultos. o comprador e os advogados que realizam o serviço deve ser cercado de todo cuidado ético e profissional. 11.” 14. Assim. bem como a definição das conseqüências que decorrerão dos resultados que vierem a ser apurados. Nossa conclusão parte da tradução simples das palavras da língua inglesa due (devida. 13.inpi. www. uma das finalidades das informações obtidas no due diligence na área jurídica é revisar as representations and warranlies. Deste princípio resulta que é às partes que cabe acordar os termos em que a due diligence será desenvolvida. em vista da perda de um documento importante. 12. em se tratando de propriedade intelectual merecem destaque. 1998. reasonable ground to believe and did believe” that the offering materials were accurate and were free of material omissions” em SAVAGE. todo comprador sempre corria o risco de adquirir “gato por lebre”. CORRÊA DE SAMPAIO. a empresa-alvo pode abrir um “data room”. José Maria.cit. Para assegurar o acesso de todos os interessados a um mesmo volume de informações. 10. MORI. 9.com (visitado em 18 de novembro de 2001). destacamos: SULLIVAN. é preciso lembrar que o relacionamento entre a empresa-alvo. A celebração de extensos acordos de confidencialidade na fase das “Engagement Letter” ou “Representations and warranties”. Alberto.fenwick.como se costumou traduzir estas expressões. Diane. uma sala contendo todos os dados que se quer mostrar aos possíveis adquirentes. Algumas destas regras surgiram para por ordem em uma situação que se tornou comum nos tempos da depressão norte-americana e da quebra da Bolsa de Nova Iorque: Como lembra SAVAGE. John Wiley & Sons. as declarações e garantias podem ser vistas como um retrato do negócio a ser concretizado. em especial se ambas são competidoras. e muitas vezes apresentavam documentação falsa ou incorreta. dentro do processo de venda de uma empresa.Graw Hill. voltados para administradores. Patrick. Alexandra & ELSON. fusão ou financiamento de uma empresa através de uma Due Diligence. Charles. ed. Por isso.CONTRATOs Em EsPÉCIE 5. Intellectual Property Due Diligence In Acquisitions of Technology Companies. por vezes. e no que mais for pertinente à transação que pretendem fechar.pt/main_4. na sua própria situação. define bem o papel dos “representations and warranties” : “Na área jurídica. passou a constar na Section 11(b)(3) do Securities Act de 1933 “participants had.pacsa. antes do início de qualquer “due diligence”. Mc. penhora de bens ou outras obrigações.br – A sigla INPI significa Instituto Nacional da Propriedade Industrial. op. Como reduzir os riscos de uma aquisição. o Autor e todos os advogados que estavam no data room passaram pelo constrangimento de serem colocados em cárcere privado e brutalmente revistados por seguranças de uma empresa. 15. Ed. 6. por exemplo). empresários espertalhões deliberadamente não informavam os possíveis compradores sobre a existência de dívidas. 8. estas geralmente prestam o que se costuma chamar de representations and warranlies ou declarações e garantias . A execução de um acordo de confidencialidade específico é também um dos primeiros passos que pode ser tomado no início de qualquer procedimento de “due diligence”. MORI.gov. The Art of M&A Due Diligence. Dentre os livros importantes sobre o assunto. é um exemplo destes cuidados que. Assim. que incluem garantias como a de que as partes comprometem-se a não aceitar nenhuma outra oferta.Outubro 2001. para prepararem suas respectivas propostas de preço. 2000. sempre que o due diligence for provocado por uma transação entre partes não-relacionadas (aquisição ou joint aventure por exemplo).. 7. disponível em http://www. corrigindo-se assertivas incorretas. em português) e diligence (diligência.htm (visitado em 01 de abril de 2002). no que diz respeito à situação legal do negócio. Afinal o que é o due diligence? Disclosure Das Transações Financeiras . Deste modo. não é recomendável ir adiante sem que esta questão esteja devidamente acordada entre as partes. A confidencialidade destes “data rooms” é. que solicitaram até mesmo que alguns advogados FGV DIREITO RIO 116 . ou seja. LAJOUX. 15. Certa vez. Profiting from Intellectual Capital. e motivo de situações inusitadas. 1a.

com base nos mais diversos critérios . trademarks. any issues of validity which have arisen. the scope of protection.in terms of re-negotiating the deal. before proceeding with the time commitments and costs of negotiating a definitive agreement.às vezes puramente subjetivos. merece destaque o comentário de WARVIAS: “The main advantages of a letter or intent are that (i) issues that could be “deal breakers” can be identified early in the negotiation process before substantial expenses are incurred in a due diligence review and the drafting of a definitive agreement. Por razões éticas. or even halt. Waryjas. Sobre o uso da carta de intenções na fase iniciai de uma due diligence. Practising Law Institute. agreeing to a license with a third party or threatening litigation. não é uma base de dados totalmente atualizada e 100% confiável. dispensar a análise de determinadas áreas por achá-las irrelevantes. a court may find that provisions of a letter of intent that one of the parties considered to be non-binding are binding. a não ser caso esta contingência tenha sido prevista nas Declarações de Intenção. While letters of intent are relatively common. O site do INPI é a principal fonte para consultas sobre a situação de marcas e patentes no Brasil. In some situations. muitas vezes. ou nos dados obtidos em bases públicas de dados. The report allows the best-quality information to be factored-in and if necessary enables the acquirer to use a discount rate reflecting the risk. 17. 20. Se a conclusão da “due diligence” não for uma condição para o fechamento do negócio. Christopher T “Intellectual Property Due Diligences”.CONTRATOs Em EsPÉCIE tirassem a roupa e se perfilassem contra a parede. a deal’s momentum.. In the case of a smaller deal. For many acquiring companies. Gesmer & Updegrove. For example. 19. A letter of intent may burden the parties’ negotiations with too may difficult issues too early in the process and may impair. ownership. Porém.and at what price. a claim of patent infringement that is brought six months after the closing)”. The report will also (normally in a separate section) identify significant other patents. September 2001. LLP. And it can be important for the adviser. it can be the crucial document determining whether the deal goes ahead -. e suas vantagens sobre a Engagement Letter. many attorneys believe that a letter of intent is generally more advantageous to a buyer than a seller.” DAHL. Soube-se depois que o documento havia sido roubado por um estagiário de um escritório de advocacia. certain problems may never be discovered during due diligence and can only be addressed through adequate representations and warranties (e. the costs of preparing. é FGV DIREITO RIO 117 . Pedidos de registro recém depositados geralmente não estão incluídos nesta base de dados. LETTERS OF INTENT IN THE ACQUISITION OR SALE OF THE PRIVATELY HELD COMPANY. and (ii) resolution of the principal terms of the transaction at an early stage can make the negotiation of the definitive agreement more focused and straightforward. lembramos que a própria parte interessada pode. 16. Nevertheless. o que nos leva a crer que as buscas eletrônicas no Brasil são limitadas e não devem ser utilizadas em substituição da inspeção física dos documentos de patentes. 21. lembre-se que as contingências descobertas pelo encomendante no decorrer do procedimento nem sempre poderão ser utilizadas como justificativa para a recusa ou cancelamento do negócio. applications. attorneys may often disagree regarding the desirability of a letter of intent in a particular situation. 2000. 2001. é importante lembrar que o trabalho do profissional do Direito numa “due diligence” deve estar focalizado na coleta das informações fornecidas pela empresa que está sendo analisada. too: if significant issues are omitted through counsel’s negligence. Lucash. Corporate Law and Practice Course Handbook Series.g. Conversely. Maryann A. or before allowing a detailed due diligence investigation to begin. many buyers and sellers prefer a letter of intent as a method of “testing the waters” for the likelihood that a definitive agreement can be reached. Apesar de ser sempre recomendável efetuar uma “due diligence completa” dos aspectos de propriedade intelectual. Alguns aspectos importantes na elaboração de um relatório final são também abordados por DAHL : “The due diligence report summarizes the findings regarding the intellectual property rights. or copyrights in the field and recommend what action needs to be taken -. and any other questions regarding litigation or prior art. Tal decisão. negotiating and revising a letter of intent can be substantial in comparison to the size of the deal and the overall transaction costs. the firm could face a malpractice suit. 18. marcas e afins.

Direito Autoral. A batalha judicial entre a Sony Music e o pop star Michael Jackson envolve a retenção de 50% dos direitos de exploração das musicas dos Beatles. pediu que a Sony fosse avalista de um empréstimo de US$ 200 milhões que levantou dando como garantia os 50% restantes. Ed.” 26. sem o seu consentimento. São Paulo: Revista dos Tribunais.processo ou produto obtido diretamente por processo patenteado. colocar à venda.” 24. José O. Tratado Da Propriedade Industrial. 1983. L. João de Gama. 22. Conselho Federal de Engenharia. a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse se. Civ. ou se. com ou sem letras). de produzir. Lei nº 9609/1998: “Art. 1998. 1984 PONTES DE MIRANDA. dentre outros. Rio de Janeiro: Forense. Art. 17.988/1973. O cantor comprou os direitos em 1985 e vendeu 50% a gravadora por US$ 100 milhões. recomendamos MARTINS. M. 29. A Propriedade Industrial. Propriedade Industrial. ou II . A previsão de pagamento das anuidades pelo depositante do pedido ou o titular da patente estão previstas pelo Art.143 da Lei nº 9279/1996 prevê as hipóteses em que pode ocorrer a caducidade de um registro de marca: “Art. 28. DOMINGUEZ. conferido pelo Art.279.. dentre outros. 25. op. decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão. v. DI BLASI. Rio de Janeiro: Forense. 1946. o registro das obras intelectuais é regulamentado pelo artigo 17. Sobre o assunto. Tratado de Direito Privado. Alguns livros que podem proporcionar uma visão mais detalhada sobre estes assuntos. usar. O Brasil adota sistema baseado no “Droit d’auteur”.o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil. Arquitetura e Agronomia (projetos. incluem: CERQUEIRA. O prazo de validade de uma patente é de 20 anos da data do depósito. 4ª ed.Não ocorrerá caducidade se o titular justificar o desuso da marca por razões legítimas. a partir do início do terceiro ano da data do depósito da patente. observado o disposto nesta Lei. 27. Rio de Janeiro: Lumen Juris. 42 da Lei nº 9. Existem vários critérios e metodologias para medir o valor econômico-financeiro e o valor intangível de uma marca. nº 3118/1992. OLIVEIRA. II . 143 . o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou a Cia Cervejaria Brahma a pagar vultuosa indenização aos herdeiros do criador de seu logotipo. Na época.produto objeto de patente. 2º. Na AP. Rio de Janeiro: Forense. vender ou importar com estes propósitos: I . PARENTE & SORENSEN GARCIA. Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (obras de desenho.O titular será intimado para se manifestar no prazo de 60 (sessenta) dias. Cit. 84 da mesma Lei nº 9. prazos legais que envolvem o registro de marca. bem como reconhecer os direitos morais FGV DIREITO RIO 118 . não iremos detalhar aspectos gerais do direito patentário. na data do requerimento: I . Renovar. Sobre o assunto ver ASCENSAO. O catálogo dos Beatles é avaliado em US$ 598 milhões. 1997.Caducará o registro. Âmbito de proteção à marca registrada. Tendo em vista que este artigo é voltado eminentemente para os profissionais que atuam na propriedade intelectual. 31. Parágrafo 1º . A gravadora quer se responsabilizar pelo pagamento do empréstimo e pretende que Jackson transfira sua parte dos direitos. e cabe ao advogado apenas alertar no relatório que a “due diligence” só abordou alguns assuntos. em vigor por força da Lei nº 9.279/1996: “A patente confere ao seu titular o direito de impedir terceiro.” 30. esboços e obras plásticas concernentes à engenharia e arquitetura) Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI (programas de computador). 23. deve ser respeitada. Douglas Gabriel. cabendo-lhe o ônus de provar o uso da marca ou justificar seu desuso por razões legítimas.610/1998: São incumbidos para procederem ao registro das obras intelectuais os seguintes órgãos ainda existentes: Fundação Biblioteca Nacional (obras literárias em geral).o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos consecutivos. O Art. Parágrafo 2º . que demanda o pagamento de retribuição anual. fotográficas). tal como constante do certificado de registro. Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (composições musicais. parágrafos 1º e 2º da Lei nº 5. a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original. que prevê a existência e o reconhecimento dos direitos morais do autor. Marcas e expressões de propaganda. 40 da Lei nº 9279/1996.CONTRATOs Em EsPÉCIE claro. 2000. no mesmo prazo. No Brasil. conforme instruções da encomendante. O regime de proteção à propriedade intelectual de programa de computador é o conferido às obras literárias pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no País.

incluindo serviços de logística (suporte ao embarque. “Direito Autoral”. Fornecimento de Tecnologia. prestados. Rosiane (org. Franquia. Licença de uso de software sem o fornecimento de documentação completa. que não gerem quaisquer documentos e/ou relatórios. 33. ed.inpi.silveiraadvogados. 32.141. João Marcos. em especial o código-fonte comentado. p. 11.adv. tais como: Legitimar remessas de divisas ao exterior. autores da letra de “Stairway to Heaven”.) Beneficiamento de produtos. imortalizada pelo conjunto Led Zeppelin: “There’s a sign on the wall but she wants to be sure And you know sometimes words have two meanings. Contratos que objetivam a Exploração de Patentes: o Uso de Marcas. Serviços de “marketing. SILVEIRA. 2000. O inteiro teor de referida decisão pode ser encontrado em DA VEIGA. A importância de uma análise jurídica destes contratos não pode ser deixada de lado.br. da Lei no 9279/1996: Agenciamento de compras. “A Proteção Jurídica dos Segredos Industriais e de Negócio”. nos termos do Art. conforme Art. Aquisição de cópia única de software.gov. Serviços realizados no exterior sem a presença de técnicos da empresa brasileira e. 3a. por exemplo. visando a exportação Consultoria na área financeira.rt (visitado em 01 de maio de 2002). 211. FGV DIREITO RIO 119 . como pagamento pela tecnologia negociada – dedutibilidade fiscal para a empresa receptora da tecnologia pelos pagamentos contratuais efetuados – para produzir efeitos em relação a terceiros.. Homologação e certificação de qualidade de produtos brasileiros. Distribuição de software.). econômica jurídica e comercial.br/pjs. Ed. disponível em http://www. Serviços de manutenção de software sem a vinda de técnicos ao Brasil. Alguns contratos são dispensados de averbação por caracterizarem transferência de tecnologia. Prestação de Serviços de Assistência Técnica e Científica. Afinal. tarefas administrativas relacionadas à liberação alfandegária etc.CONTRATOs Em EsPÉCIE de sua criação. Esplanada. por meio de “help-desk”. da Lei no 9609/1998. O contrato deve ser avaliado e averbado pelo INPI para que gere determinados efeitos econômicos no território nacional. 35. Os requisitos e procedimentos para a averbação podem ser encontrados em www.” (grifos nossos) 34. parafraseando Robert Page e Jimmy Plant.

329 a 348. Obrigações do Segurador. biblioGrafia CoMPleMentar GLITZ. ouvimos boatos de que Jeremias era um inveterado jogador. SEguRO. 2006 (em anexo). Caio Mário da Silva. págs. ele quer pedir seu dinheiro de volta. Caso Gerador Durante a diligência. VENOSA.br/doutrina/texto.Contratos.4. out. Arts. Como você aconselha Jeremias? E se Jeremias lhe contasse que descobriu que o jogo foi roubado? Jeremias pergunta se o mútuo que ele havia tomado na véspera para jogar também seria inexigível e se ele poderia deixar de pagar ao mutuante. Ele disse que pagou a dívida. vol. PEREIRA. 2002. 3.406/2002.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. 1. Sendo assim. na semana passada.vol. São Paulo: Ed. RODRIGUES.3. Disponível em: <http://jus2. Introdução – Seguro. 2005. 2002. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.1. Jeremias diz que saiu do jogo um tanto atordoado por ter perdido aquela boa quantia em dinheiro e acabou batendo com o carro e dando perda total. 1. 1. Frederico Eduardo Zenedin. Quais foram? FGV DIREITO RIO 120 . Jus Navigandi.com. mas que depois conversando com um amigo ficou sabendo que dívida de jogo é inexigível. 757 a 802 da Lei nº 10. havia jogado pôquer na casa de um conhecido e que perdeu naquela noite aproximadamente um milhão de reais. págs.17. Contornos atuais do contrato de seguro. AulAS 18 E 19: JOgO E APOSTA.2. Atlas.17.17.uol.406/2002. São Paulo: Ed. Rio de Janeiro: Forense. 2005 .17. Por isso não foi surpresa quando este nos procurou para contar que. 1. Silvio.5. nº 59. 369 a 407. roteiro de aula a) introdução O jogo e a aposta estão dispostos entre as várias espécies de contratos previstos na Lei n° 10. Classificação – Seguro. Elementos do Contrato de Seguro. eMentário de teMas Introdução. Espécies de Jogo e Efeitos. Silvio de Salvo. págs. 483 a 490.406/2002. biblioGrafia obriGatória Arts. Teresina. Saraiva. Direito Civil. Para piorar a situação. 814 a 817 da Lei nº 10.asp?id=3261>. Instituições de Direito Civil . ano 6. Direito Civil: Contratos em Espécie. mas eles podem ser considerados como contrato? O novo Código Civil trouxe duas alterações significativas na disciplina do jogo e da aposta. 1. Acesso em: 06 ago.17. III.17. vol 3. A seguradora não está querendo pagar a indenização alegando que Jeremias não efetuou o pagamento das três últimas parcelas do prêmio. Obrigações do Segurado.

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b) espécies de jogos e efeitos Proibidos – São os jogos de azar31, como a roleta, o bicho, aposta sobre corrida de cavalos fora de hipódromos, briga de galo. Tendo em vista que são ilícitos não geram direitos e sujeitam o infrator a punição. Tolerados – São aqueles que o resultado não depende preponderantemente da sorte, como o truco, a canastra, o pôquer. Embora não sejam contravenções penais, não são protegidos pela lei uma vez que não há interesse social em proteger relações que não passam de “divertimento sem utilidade”32, exceto se forem eivados de vícios, como dolo, que mereçam repressão. Autorizados – São aqueles que trazem algum benefício à Sociedade, seja por estimularem o espírito esportista (competições esportivas) ou atividades econômicas (turfe), seja por gerarem outra fonte de renda ao Estado (loterias). Nesse caso, as obrigações oriundas de jogo ou aposta são exigíveis. Apenas os jogos e apostas autorizados perdem o caráter ilícito e dão causa à exigibilidade da prestação. C) seguro – introdução O seguro é regulado pela Lei n° 10.406/2002 e por diversas leis esparsas, que regulam minuciosamente os tipos de seguro. Em nossas aulas daremos ênfase às regras previstas no novo Código Civil. d) Classificação – seguro O contrato de seguro é: – Bilateral – gera obrigações para ambas as partes. – Oneroso – requer desembolso patrimonial para segurado e para o segurador. – De adesão – ao segurado não é dada opção de alterar as cláusulas do contrato. O segurado pode aceitar ou não as cláusulas impostas na apólice de seguro. Aplicam-se, dessa forma, as regras previstas nos artigos 423 e 424 da Lei n° 10.406/2002, que protegem os aderentes. e) elementos do Contrato de seguro Os elementos do contrato de seguro são: – Segurador – Somente pode ser segurador entidade legalmente autorizada para esse fim. O Decreto-Lei nº 2.063/1940 estabelece algumas exigências para que a entidade possa atuar como seguradora. Exemplo: capital mínimo, nacionalidade dos sócios, autorização governamental. – Segurado – É o contratante. Ele paga o prêmio ao segurador para transferir a este o risco. – Risco – O objeto do contrato de seguro é o risco. Dessa forma, a Lei n° 10.406/2002 prevê uma multa (dobro do prêmio recebido) a ser paga pelo segurador que expedir apólice de seguro mesmo sabendo que não é possível o risco que se pretende cobrir. O objetivo do legislador é tentar coibir essa prática. Afinal, se não há risco, não há contrato de seguro. Nos seguros privados, é possível estipular a espécie ou combinação de espécies de seguro.

Definição de jogo de azar está no artigo 50, parágrafo 3° da Lei de Contravenções Penais: “O jogo em que o ganho e a perda dependem exclusiva ou principalmente da sorte”.
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PEREIRA, Caio mário da silva. Instituições de Direito Civil - Contratos. Rio de Janeiro: Forense, 2005 - vol. III, pág. 488.
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– Prêmio – É a prestação devida pelo segurado ao segurador para que este assuma os riscos do segurado e pague indenização em caso de sinistro. – Apólice – Assim como o instrumento do mandato é a procuração, o instrumento do seguro é a apólice. A apólice deve conter os requisitos previstos no art. 760 da Lei n° 10.406/2002, tais como os riscos cobertos e o prêmio devido. As apólices podem ser nominativas, à ordem ou ao portador. A lei veda que a apólice de seguro de pessoas seja ao portador. f) obrigações do segurado O segurado tem obrigação de: – veracidade – A declaração falsa ou omissão de informações pode levar o segurador a fixar prêmio diverso do que fixaria ou até mesmo a aceitar seguro que normalmente não aceitaria se tivesse acesso a todas as informações. – pagar o prêmio. – não agravar os riscos do contrato – se o segurado passa a se comportar de forma diferente da que vinha se comportando, que resulte em um aumento de seus riscos, ele está, de certa forma, alterando unilateralmente o contrato, pois estará sujeitando o segurador a riscos distintos dos previstos no momento da celebração do contrato. – comunicar ao segurador qualquer fato que possa aumentar o risco do bem sob pena de perder o direito à garantia (art. 769 da Lei n° 10.406/2002). Analisando os contratos de seguro contra danos do supermercado, notamos que cada um dos estabelecimentos onde o supermercado funciona, foi segurado por duas seguradoras diferentes. Ao ser perguntada sobre esse fato, a senhora Maria Lúcia nos explica que seu pai estava tão preocupado em evitar prejuízos decorrentes de eventual sinistro, que resolveu segurar duplamente os estabelecimentos. Você vê algum problema nessa situação? G) obrigações do segurador A principal obrigação do segurador é pagar ao segurado os prejuízos decorrentes de sinistro sobre o bem segurado.

Contornos atuais do contrato de seguro frederico eduardo Zenedin Glitz As inovações em matéria securitária sempre são questões candentes. A reconhecida complexidade do tema é elemento que acentua, ainda mais, a importância da análise do tratamento jurisprudencial e doutrinário dispensado ao assunto. Os recentes pronunciamentos dos Tribunais Superiores demonstram cada vez mais a preocupação em se “socializar” o contrato de seguro e atribuir-lhe uma função social. Também contribuirá para essa “nova” adequação do instituto, a recente aprovação do novo Código Civil (Lei 10.406/2002). Esta posição, aliás, está consignada expressamente na exposição de motivos, quando se deixa clara a intenção de preservar o segurado, sem com isso abrir mão da segurança e certeza jurídicas essenciais ao contrato de seguro. O novo Código incorpora a idéia de cláusulas gerais que introduzem princípios orientadores de condutas, abandonando a pretensão de total regulamentação e oportunizando maior liberdade ao intérprete da lei..
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O novo Código Civil traz, ainda, outras inovações em matéria securitária. O legislador previu, por exemplo, a possibilidade de prova da relação contratual por meio de apólice, do bilhete de seguro ou, ainda, por “outro documento” na falta de algum desses (art. 758). No que tange aos riscos, o novo Código Civil estabelece que a agravação do risco por ato intencional do segurado implica na perda da garantia (art. 768). Entretanto se essa agravação se der por fato alheio a sua vontade, o segurado possui prazo para comunicar o evento a seguradora, sob pena de perda da garantia (art. 769). Possibilita-se, então, a readequação dos negócios às novas circunstâncias, mantendo-se o equilíbrio do contrato. Caso haja diminuição considerável do risco, assegura-se ao segurado o direito de revisão do prêmio ou a resolução do contrato (art. 770). Essas inovações refletem uma preocupação do legislador na manutenção do equilíbrio contratual. Pode-se afirmar, aliás, que esta é uma tendência geral no novo Código Civil, principalmente com a positivação dos institutos da lesão (art. 157), do estado de perigo (art. 156) e da revisão do contrato por excessiva onerosidade (art. 478). A jurisprudência também vem reconhecendo a necessidade de manutenção base econômica do contrato. Recentemente, no entanto, o Superior Tribunal de Justiça entendeu que a seguradora deve indenizar o segurado ainda que parte do prêmio não tenha sido pago (1), uma vez que a cláusula de cancelamento automático da apólice é nula em face do Código de Defesa do Consumidor, isso porque a resolução do contrato deveria ser requerida previamente em Juízo. Tal entendimento baseou-se no argumento de que a rescisão unilateral criaria uma excessiva desvantagem ao segurado, ou seja, o equilíbrio contratual estaria quebrado. Essa posição, aliás, inova em relação a tradicional jurisprudência e o disposto no art. 763 do novo Código Civil, que reafirmam a regra de que não há direito a indenização se o segurado estiver em mora no pagamento do prêmio. Talvez uma boa solução para o dilema seja a permissão a purgação da mora mesmo após o sinistro quando for o caso de cumprimento substancial do contrato (apesar de o Código expressamente prever que a purgação da mora deve ser anterior ao sinistro). Outro recente posicionamento do Superior Tribunal de Justiça é em relação ao prazo prescricional para o segurado demandar a seguradora. Este, segundo o atual entendimento, só passa a ser contado a partir da recusa formal ao pagamento da indenização (2). Este prazo é mantido pelo novo Código Civil, que estabelece em seu art. 206 que o prazo é contado para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que é citado para responder à ação de indenização proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que a este indeniza, com a anuência do segurador. Para os demais seguros, o prazo corre da ciência do fato gerador da pretensão. O novo Código Civil também incorpora inovações jurisprudenciais, tal como o reconhecimento da possibilidade de denunciação à lide ao segurador pelo segurado. Ou, ainda, a proibição expressa de o segurado reconhecer sua responsabilidade (confessar ou transigir com o terceiro prejudicado) sem a anuência da seguradora (art. 787, §2º). Em se tratando do seguro de responsabilidade civil o novo Código Civil previu, expressamente, a obrigação (normalmente tida como contratual) de que o segurado avise a seguradora do sinistro ocorrido (art. 787, §1º), bem como da ação intentada contra sua pessoa (art. 787, §3º). Prevê também a responsabilidade do segurado frente ao terceiro no caso de insolvência do segurador (art. 787, §4º). Previu a responsabilidade da seguradora, nos seguros de responsabilidade legalmente obrigatórios, de indenizar diretamente ao terceiro prejudicado (art. 788). E, ainda, a necessidade da seguradora promover a citação do segurado para integrar a lide quando demandada em ação direta pela vítima do dano (não podendo, simplesmente, opor a exceção de contrato não cumprido pelo segurado - art. 784, § único). Mas talvez a inovação que crie mais impacto nesta carteira ainda incipiente no Brasil, é a alteração do prazo prescricional para a ação indenizatória. O prazo anteriormente de 20 (vinte) anos foi reduzido para 03
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O novo Código Civil entrará em vigor apenas em 2003. QUARTA TURMA do STJ 2. Sendo que a interrupção da prescrição passa a se dar com o despacho do juiz determinando a citação (mesmo que incompetente . §3º.CONTRATOs Em EsPÉCIE (três) (art. moralidade. Tal modificação poderá representar uma redução significativa do valor do prêmio. lealdade e equilíbrio contratual. notas 1. e quanto maior o risco mais caro é o seguro. mas. Neste sentido. Recurso Especial 132357 /RJ e Recurso Especial 236034/ RJ. contado da data em que se conhece o dano (e não de sua ocorrência . Recurso Especial 323186/SP (2001/0053944-4).art. Todas essas inovações legislativas e jurisprudenciais pretendem solucionar dilemas constantes enfrentados pelos operadores jurídicos que atuam no setor. II). pode não engendrar grandes alterações paradigmáticas (e por certo possui muitas imperfeições (3)). vez que quanto maior o prazo maior o risco. 206. bem como o enunciado da Súmula 229/STJ: “O pedido do pagamento de indenização à seguradora suspende o prazo de prescrição até que o segurado tenha ciência da decisão. I).386. V). impondo o respeito a sua função social e a obediência aos princípios da boa-fé. Recurso Especial 323416/RO. reflete uma nova visão acerca do contrato. DJ 04/02/2002. 202. 206. Relator Min BARROS MONTEIRO. FGV DIREITO RIO 124 .” 3. §1º.art. p. A começar pela própria técnica superada das grandes codificações. pelo menos.

Classificação. Deocleciano Torrieri (Org.18. Luiz Eduardo Alves de. descobriu. 818 a 839 da Lei n. ele nos conta que entrou como fiador em um empréstimo que seu cunhado. Em outras palavras. conversando com sua irmã. RODRIGUES. São Paulo: Rideel. Direito Civil.1.406/2002.2. Extinção da Fiança.4. págs. A Fiança na Música. 2002. BiBliografia oBrigatória Arts. págs. Caso Gerador O Sr. Garantia real é aquela que recai sobre um bem. a garantia pessoal é aquela dada por um terceiro. Efeitos da Fiança. SIQUEIRA. Saraiva. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. por exemplo. 10. AulAS 20 E 21: fIANçA.vol. eMentário de teMas Introdução. Garantia pessoal ou fidejussória “consiste apenas na segurança que.3. Instituições de Direito Civil . 2005 . Como você pode orientá-lo? 1. caso o devedor não o faça. 33 FGV DIREITO RIO 125 . Caio Mário da Silva. que se compromete a cumprir a obrigação. Olavo. A garantia pode ser real ou pessoal. móvel ou imóvel. da fiança. A fiança é garantia pessoal. São Paulo: Ed. 1. de responder pelo cumprimento de obrigação se faltar o devedor principal”33. Silvio.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. na hipoteca e no penhor.5.Contratos. biblioGrafia CoMPleMentar PEREIRA.18. vol 3. Ocorre.18. 2001. Para piorar.18. 1. roteiro de aula a) introdução A fiança é uma espécie de garantia. que Olavo e o banco recentemente aditaram o contrato para aumentar o valor do empréstimo e.). Rio de Janeiro: Forense. alguém presta.18. 493 a 504. individualmente. que servirá como garantia do cumprimento de determinada obrigação.18. GUIMARÃES. 283 a 305. 1. Dicionário Técnico Jurídico. conseqüentemente. III. A fiança pode ser: – convencional – resulta da vontade das partes. Ele descobriu que seu cunhado ficou desempregado e deixou de pagar algumas parcelas do empréstimo. 1. Odin Heiro novamente nos procura apreensivo com uma questão pessoal. Dessa vez. tomou com o banco.

que estabeleceu a igualdade jurídica dos cônjuges. (ii) se obrigar como principal pagador. exigiram um fiador. locação. não efetue o pagamento em dia. Maria Lúcia acabou aceitando ser sua fiadora. É possível.. Depois de ser pressionada por Jeremias. encontramos um contrato de locação. assina o contrato na qualidade de fiadora.. ela só gera obrigações do fiador para com o credor. Como sempre. ou (iii) o devedor for insolvente ou falido. mas sem perder seu caráter acessório. O credor tem o direito de exigir do fiador o pagamento da dívida garantida. Na diligência legal. O fiador não tem direito ao benefício de ordem se: (i) renunciar expressamente ao mesmo. o fiador deverá indicar bens do devedor. Jeremias tem o péssimo hábito de jogar pôquer por dinheiro. dona Teresa precisaria de autorização do marido para prestar fiança? Sendo a autorização necessária.. Conforme já havíamos sido informados. casada e proprietária da Guloseimas Ltda. – Solene – A lei impõe forma escrita para a validade da fiança. – Benefício da divisão – Havendo mais de um fiador. Jeremias perdeu uma boa quantia em dinheiro e agora Maria Lúcia estava preocupada de ser executada porque assinou um instrumento no qual se dizia fiadora da dívida de Jeremias. a fiança não pode ser mais onerosa que a dívida principal. ele pode exigir que. os parceiros de pôquer de Jeremias. objeto do contrato principal. segundo o qual o Supermercado Pechincha alugava uma parte de um dos supermercados à confeitaria Guloseimas Ltda. seja primeiramente executado o devedor. A fiança a ser analisada nesta aula é a fiança convencional. que pode ser um mútuo. – Unilateral – Uma vez contratada a fiança. Se isto ocorrer. É o que ocorre na fiança bancária. na qual o banco garante a obrigação em troca de um percentual sobre o montante garantido. 829 da Lei n° 10. que o fiador queira receber remuneração em troca da garantia que oferece. FGV DIREITO RIO 126 . Notamos que o contrato de locação prevê que a senhora Teresa Assunção.406/2002). que é ajustada por meio de contrato. Há algum problema nesse fato? Mesmo após a promulgação da Constituição Federal. Por ser acessória. localizados no mesmo muncípio e que estejam livres e desembaraçados. caso a Guloseima Ltda. a fiança é contrato gratuito. porém.CONTRATOs Em EsPÉCIE – legal – resulta de lei – judicial – resulta de imposição do juiz. garantindo o pagamento do aluguel. até a contestação da lide. b) Classificação A fiança é contrato: – Acessório – A fiança visa assegurar o cumprimento de outra obrigação. A lei permite. Nesses casos. Em outras palavras. que sejam suficientes para pagar a dívida. – Gratuito – Em regra. que cada fiador reserve apenas uma parte da dívida como de sua responsabilidade. brasileira. Esse direito pode ter algumas limitações: – Benefício de ordem – O fiador tem o direito ao benefício de ordem. a fiança é onerosa. desconfiando da sua capacidade de pagar. a fiança não será nula. Maria Lúcia nos contou que estava aborrecida porque na semana passada. ou devedor solidário. porém. ponsáveis pela dívida (art. a presunção legal é a de que são solidariamente resfiador. apenas será reduzido o montante da fiança até o valor da obrigação principal. Notamos ainda que o contrato não foi assinado pelo marido de dona Teresa. qual é a conseqüência de não tê-la? C) efeitos da fiança Podemos notar a existência de duas relações distintas no contrato de fiança: uma entre fiador e credor e outra entre fiador e devedor. Para se valer desse benefício. A fiança pode ser contratada no mesmo contrato da obrigação principal ou em contrato em separado.

em regra. Ocorre. não sou mais um sonhador Chego a mudar de calçada quando aparece uma flor E dou risada do grande amor. acrescido de juros. e) a fiança na Música O Direito é incrível mesmo! Podemos encontrá-lo em todos os cantos. Luiz Eduardo Alves de. d) extinção da fiança Sendo a fiança. por evicção. SIQUEIRA. quando o credor renuncia seu direito à hipoteca ou a direito de retenção. comprei anel Botei no papel o grande amor. perdas e danos que pagar ao credor e perdas e danos que vier a sofrer em razão da fiança (art. mentira Fui muito fiel. a fiança pode ser extinta pelo fiador. por exemplo. passando.406/2002). – o fiador opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as extintivas da obrigafiador ção. na perda de direitos que o fiador teria caso efetuasse o pagamento da dívida. a morte do fiador extingue a fiança? Não havendo prazo determinado previsto no contrato. (. o bem aceito em pagamento.. (Dicionário Técnico Jurídico. ôôôô Passava um verão a água e pão Dava o meu quinhão pro grande amor. Deocleciano Torrieri (Org. ôôôô Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito Exijo respeito. GUIMARÃES. ôôôô “moratória – dilação de prazo que se concede ao devedor para pagar a dívida depois de vencida. 832 e 833 da Lei n° 10. assim. Que motivo teria o autor para fazer menção à fiança nesse grande samba? samba do grande Amor Chico Buarque Tinha cá prá mim que agora sim Eu vivia enfim o grande amor. Veja abaixo a letra de “Samba do Grande Amor”. que ficará liberado de sua obrigação 60 dias após a notificação ao credor para esse fim. – o credor tornar impossível a sub-rogação nos seus direitos e preferências. A fiança também é extinta se: – o credor conceder moratória34 ao devedor. sem o consentimento do fiador. mentira Eu botava a mão no fogo então Com meu coração de fiador. mentira Me atirei assim de trampolim Fui até o fim. do genial Chico Buarque. São Paulo: Rideel. a ter o direito de exigir do devedor o reembolso do valor por ele. se não resultarem apenas de incapacidade pessoal. um amador. mentira Reservei hotel. Ainda que o credor venha a perder. um contrato intuitu personae. sarapatel e lua de mel em Salvador. inclusive na música.)”.).. implicando assim.CONTRATOs Em EsPÉCIE A relação entre o fiador e o devedor só passa a existir se o fiador é obrigado a efetuar o pagamento da dívida. 2001) 34 FGV DIREITO RIO 127 . – o credor aceitar receber em pagamento bem diverso do que foi originalmente ajustado. a fiança não será restaurada.

num contrato em que o credor é Marco Antonio. cobrar de Mário metade do que pagou a Marco Antonio? FGV DIREITO RIO 128 . pagou o débito na sua totalidade. não tendo bens para serem executados. porque sendo ele o executado.Crasso e Mário se obrigaram solidariamente como fiadores de Pompeu.CONTRATOs Em EsPÉCIE Fui rezar na Sé prá São José Que eu levava fé no grande amor. Sim. b. questões de ConCurso (Prova: 01º Exame de Ordem . que não cumpriu a obrigação de pagar o preço ajustado. pretende Olavo alegar o benefício de ordem. Executado pela dívida de seu afiançado. Tal alegação é procedente? a. obrigou-se como fiador e principal pagador num contrato de locação. executado por Marco Antonio. mentira Fiz promessa até prá Oxumaré Que subir a pé o redentor. do Código Civil. porque ele se obrigou como principal pagador. pois ele não é o devedor principal. c.1ª fase) Olavo Bento de souza. ôôô 1. Não.Sim. d. Prova: 27º Exame de Ordem . bancário. casado e com 21 anos de idade. que não estabeleceu o benefício de divisão com Mário. Como Pompeu não pagou o débito no vencimento. onde figurava como locatário seu amigo Armando Amaro gomes. sem terem estabelecido o beneficio de divisão previsto no artigo 829. Crasso. Sim. é de se supor que seu afiançado não tenha bens suficiente para responder pela execução. Pode Crasso.6.2ª fase PROVA DISCURSIVA 4 . pois no caso há solidariedade passiva.18.

RODRIGUEs. 2002. 1. 365 a 383.3. decidem abrir mão. o supermercado quer cobrar o valor do mútuo do fiador. Na época do pagamento do mútuo. vol 3. 35 FGV DIREITO RIO 129 . eMentário de teMas Transação.2. o Supermercado Pechincha emprestou dinheiro a um de seus fornecedores. 64. n. 2002.5.4. 1. 366. reciprocamente. mas sim como um dos modos de extinção das obrigações. receosas de tudo perder ou das delongas da lide. Da convenção de arbitragem e seus efeitos. ano 7. Teresina.19. de modo que. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. A transação é a “composição a que recorrem as partes para evitar os riscos da demanda ou para liquidar pleitos em que se encontram envolvidas. 2006 (em anexo). 1. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.19. Acesso em: 15 ago.406/2002. com.19. 1. Silvio. as partes divergiram quanto ao valor a ser pago e aos juros incidentes no período. Saraiva. Lidio Francisco. São Paulo: Ed. Saraiva.asp?id=3951>. São Paulo: Ed.19. 1. Direito Civil. Compromisso. o supermercado e o fornecedor chegaram a um acordo e assinaram um termo de transação. COmPROmISSO.19. 840 a 853 da Lei n° 10.uol. RODRIGUES. Caso Gerador Embora não fosse de costume. biblioGrafia CoMPleMentar BENEDETTI JUNIOR.19.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Comente a situação. Tendo em vista que o devedor não vem efetuando os pagamentos pactuados no instrumento de transação. vol 3. Lei n° 9.br/doutrina/texto.1. em troca da tranqüilidade que não tem”35. Após muita discussão. Jus Navigandi. págs. Disponível em: <http://jus2. pág. Atendendo a algumas críticas doutrinárias. que estava passando por um período financeiramente delicado. abr. roteiro de aula a) transação O Código Civil de 1916 não tratava a transação como contrato. de algumas vantagens potenciais. AulA 22: TRANSAçãO.307/1996. o novo Código Civil incluiu a transação no rol dos contratos. Direito Civil. biblioGrafia obriGatória Arts. 2003. Silvio.

o supermercado resolveu assinar um termo de transação com o cliente. de acordo com o parágrafo primeiro do artigo 661 da Lei n° 10. em troca de desistir da ação judicial. nas obrigações que a lei assim o exigir. apesar de achar que o supermercado sairia vitorioso da disputa judicial. Maria Lúcia lhe conta que um cliente entrou com um processo contra o Supermercado Pechincha pedindo perdas e danos por ter sido mal atendido no supermercado. o fato de não prevalecer em relação a um não prejudicará os demais”. entre outras. A transação para extinguir processo judicial em curso deve ser feita por escritura pública ou termo assinado nos autos. Ocorre que. Vale lembrar que.00. nula será esta”. Elementos da Transação – Divergência entre as partes e a vontade de terminar com ela – as partes podem estar discutindo em juízo ou em vias de fazê-lo. Maria Lúcia descobriu que o processo já havia terminado com sentença favorável ao supermercado. (ii) Interpretação restritiva – A transação não pode ser alterada por analogia ou ser utilizada para casos que não estejam expressamente refletidos no instrumento de transação (art.406/2002). A procuração continha poderes específicos para transigir. “sendo nula qualquer das cláusulas da transação. Princípios que decorrem da natureza jurídica da transação: (i) Indivisibilidade – De acordo com o art. Sendo assim. independentes entre si. 408 a 416 da Lei n° 10. admite pena convencional36. a transação só pode ter por objeto direitos patrimoniais de caráter privado. Recebemos cópia de um termo de compromisso celebrado entre o supermercado e um revendedor. a procuração deve conter poderes especiais e expressos para transigir. Você concorda com o legislador que entendeu que o compromisso é um contrato? Assim como na transação. quando for admitido em lei. ambas as partes devem abrir mão de algo para alcançar a segurança desejada.406/2002. A lei abranda essa regra ao dispor no parágrafo único desse artigo que “quando a transação versar sobre diversos direitos contestados.406/2002. 36 FGV DIREITO RIO 130 . assinado pelas partes e homologado pelo juiz. a existência do processo em si seria uma propaganda negativa para o supermercado. de direito pessoal de família. Isso é suficiente? Arts. 848 da Lei n° 10. Ora.406/2002. a transação que não versar sobre objeto de disputa judicial deve ser feita por escritura pública. só é possível compromisso que envolva direito patrimonial.406/2002. Assim. b) Compromisso O compromisso também entrou para o rol dos contratos com a edição da Lei n° 10. o cliente poderia levar mercadorias do supermercado em valor total equivalente a R$ 200. 843 da Lei n° 10. Notamos que o compromisso foi assinado por um procurador do revendedor e pedimos para analisar o teor da procuração que foi outorgada.CONTRATOs Em EsPÉCIE A transação é contrato bilateral e solene. – Objeto da transação – Conforme art. Não podem ser objeto de compromisso questões de estado. ou por instrumento particular. E agora? – Acordo entre as partes com concessões recíprocas – na transação. segundo o qual. (iii) Assim como os demais contratos.406/2002. após a assinatura do termo de transação. 841 da Lei n° 10.

contemplada no Código Civil Brasileiro (2). por exemplo. não acompanhou a evolução dos tempos. que a questão da constitucionalidade levantada no Supremo Tribunal Federal encontra-se superada. mesmo que o compromisso de arbitragem contivesse a cláusula “sem recurso” as partes poderiam recorrer ao tribunal superior. posteriormente. como instrumento eficaz para solução de controvérsias consolida-se FGV DIREITO RIO 131 . Assim. pois está intrinsecamente relacionada com a livre e voluntária vontade das partes em se submeter à arbitragem. geraria para a outra parte apenas o direito a perdas e danos. de acordo com a Lei 9. e. ainda. ao invés do juízo público? biblioGrafia CoMPleMentar Da convenção de arbitragem e seus efeitos lidio francisco benedetti junior advogado em são Paulo sinopse Nosso estudo trata da convenção de arbitragem. Ademais.CONTRATOs Em EsPÉCIE Distinção entre compromisso e cláusula compromissória O compromisso é contrato perfeito e acabado. Já a cláusula compromissória diz respeito a litígio futuro e incerto. devido à insegurança jurídica que o sistema transmitia às partes. no que diz respeito à convenção de arbitragem e seus efeitos. Há que se considerar. mas simples tentativa de análise da Lei de 9. para resolver impasses ou conflitos surgidos num relacionamento pessoal ou negocial. entendia-se anteriormente que. as barreiras legais que causavam insegurança jurídica para as partes contratantes foram revogadas. até a promulgação da nova Lei de Arbitragem. que abrange a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. espero compartilhar as idéias e. como a arbitragem.307. Tem força vinculativa e obriga as partes a submeterem determinada questão ao julgamento de árbitros.307. em detrimento ao Poder Judiciário. embora as partes tivessem acordado de instituírem o juízo arbitral. uma vez que. Contudo. de 1824. esse sistema encontrava-se estagnado. as partes comprometem-se a submeter eventual pendência à decisão do juízo arbitral. no Brasil. de 23 de setembro de 1996. contribuir e divulgar as vantagens que a justiça alternativa proporciona: como ser mais rápida e menos onerosa do que a Justiça Comum. através da cláusula compromissória. que a Arbitragem não se desenvolveu. A temática proposta assume especial relevância. de 23 de setembro de 1996. capaz de garantir segurança jurídica às partes que voluntariamente vierem a instituir a cláusula compromissória em seus contratos. a nova Lei de Arbitragem é considerada um instrumento privado alternativo para solução de conflitos ou. “um meio paraestatal de solução de conflitos” (3). em 1996. como ensina ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. uma parte desistisse de celebrar o compromisso arbitral. a Arbitragem. Entretanto. posteriormente. com a promulgação da Lei de Arbitragem. Por meio da cláusula compromissória. com esse simples estudo. também. Ressalta-se que a arbitragem já estava presente em nosso ordenamento jurídico. desde a primeira Constituição (1) brasileira. introdução Este trabalho não consiste num aprofundamento sobre o tema específico. isto é. comportamento decorrente da cultura e tradição reinante em nosso país. em setembro de 1996. Assim. Há que se ressaltar. Qual é a vantagem de se escolher o juízo privado. Hoje. de 1916. também.

que é firmado quando surge a controvérsia. convencionam que se ocorrer qualquer impasse ou controvérsia a questão será resolvida pelo procedimento arbitral em detrimento ao Poder Judiciário. 1. espécie destinada à solução privada dos conflitos de interesses e que tem por fundamento maior a autonomia da vontade das partes. até como será desenvolvido o procedimento arbitral. §§ 1o e 2o). 11. nesse estudo a identificaremos apenas como cláusula compromissória. cabe esclarecer que. Cabe frisar. da lei 9307/96. com o mesmo consentimento que encontra em outros países. Assim. do contrato arbitrável. a ilustre Advogada e Membro da Comissão Relatora do Projeto de Lei sobre Arbitragem. o ilustre Relator MINISTRO MAURICIO CORRÊA. alternativo ao Poder Judiciário. resolvem que o impasse será resolvido pela Arbitragem.2. Da Convenção de Arbitragem Por intermédio da convenção de arbitragem (4). dispondo da jurisdição estatal comum. de comum acordo. a respeito da convenção de arbitragem. é conhecida. uma convenção de arbitragem. para que.”. nasce antes do surgimento do conflito. em virtude dela. entretanto. isto é. como afirmamos acima. 2o. a cláusula compromissória ou cláusula arbitral. as partes. a convenção de arbitragem abrange tanto a cláusula compromissória como o compromisso arbitral Assim. relativamente a tal contrato. relativas a direito patrimonial disponível. a Lei de Arbitragem torna-se um instrumento seguro. ou através do compromisso arbitral. como Estados Unidos da América. cabe frisar que. De acordo com o artigo 4o. essa cláusula deve ser estipulada por escrito pelas partes.5o).CONTRATOs Em EsPÉCIE no Brasil. seja no próprio contrato ou em um adendo. conforme adotado pela lei 9. as partes envolvidas em algum negócio pessoal ou negocial. DRA.406/2002. Estas. Da Cláusula Compromissória A cláusula compromissória. Japão e países da Europa. como já mencionado.307/96. desde que não viole os bons costumes e a ordem pública (art. no seguinte sentido: “A convenção de arbitragem é a fonte ordinária do direito processual arbitral. Para tanto.” (6) Concluindo que: “O objetivo do princípio da autonomia do pacto arbitral é salvar a cláusula compromissória. Entretanto. o compromisso arbitral surge apenas quando o conflito já se instaurou e as partes. como também é conhecida.” (5). seja material ou formal. ao prolatar seu voto. nos artigos 851 a 853. Com efeito. optam em submeter os litígios existentes ou que venham a surgir nas relações negociais à decisão de um árbitro. admitindo a nova lei o compromisso e a cláusula compromissória para resolver divergências mediante o juízo arbitral. contratada anteriormente ao eventual conflito. possa se julgar a validade.1. eleger a arbitragem institucional (art. artigo 3o.13). Em recente julgamento. devem firmar. no que pertine à forma de indicação dos árbitros (art. 1. fortaleceu o instituo da arbitragem no Brasil. conforme é a definição dada pela Lei de Arbitragem. ou não. como cláusula arbitral.307/96. manifestou-se. FGV DIREITO RIO 132 . Inciso III e 23). Lei 10. se a decisão será de direito ou por eqüidade (art. Ao passo que. pontifica que “o Principio da Autonomia da Vontade é a mola propulsora da arbitragem em todos os seus quadrantes. podem resolver suas controvérsias. ainda. A respeito da autonomia da vontade das partes. da Convenção de arbitragem e seus efeitos 1. livres e voluntariamente. 1o). que o novo Código Civil. para aqueles que procuram rapidez e Justiça na solução do conflito. prazo para o árbitro proferir a sentença arbitral (arts. submetendo-se ao juízo arbitral. cláusula compromissória é “a convenção através da qual as partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir. nos termos do artigo 3o da Lei nº 9. desde a faculdade de as partes em um negócio envolvendo direitos patrimoniais disponíveis disporem quanto a esta via opcional de conflitos (art. espontaneamente.2o).” (7). também. SELMA MARIA FERREIRA LEMES. através da cláusula compromissória.

e a nulidade deste não implica a nulidade daquela. acordaram pela instituição do juízo arbitral. a cláusula compromissória é independente do contrato negocial. por força da cláusula compromissória.2. por essa razão a Lei exige a manifestação de vontade das partes ao aderirem à cláusula compromissória. Assim.” (8). ao proferir seu voto em sentença estrangeira contestada nº 6. comprometem-se.2. ela obriga às partes a resolver o conflito através do Juízo Arbitral. Esclarece. em conseqüência. convenção de arbitragem tácita. para que. FGV DIREITO RIO 133 .307/96.1. como manifestação de sua vontade em instituir o compromisso arbitral. Tanto que nos contratos de adesão requer-se destaque e a assinatura especial na cláusula compromissória e. enquanto que. Isto porque sendo cheia a cláusula compromissória. tudo o que ali tenha sido estipulado será obrigatoriamente observado pelo juiz ao proferir a sentença do processo a que se refere o artigo 7o. Nesse sentido. No contrato de adesão. Assim é que. que é o compromisso arbitral. Espécies da Cláusula Compromissória A respeito da cláusula compromissória é de grande relevância. do aderente. o conflito venha a ser dirimido pelo juízo arbitral. chama-se cheia a cláusula compromissória quando já contém todos os elementos necessários à instauração do processo arbitral (13). é necessário trazer a luz deste estudo. é a cláusula pela qual as partes. (9). nos ajustes remissivos não se dispensa que as partes reportem-se expressamente à opção. a cláusula compromissória só terá validade se a mesma estiver em negrito e conter a assinatura. surgindo o conflito estão as partes obrigadas. da Lei de Arbitragem. é peculiar da cláusula compromissória a autonomia.”. as partes ao acordarem sobre a cláusula compromissória. até pela sua excepcionalidade. artigos 3o. essa distinção “é importante principalmente nos casos em que uma das partes se recuse a.2.” (11) 1. 1.2. Ou seja. Isto é.753-7. também. Entretanto. Esse é o entendimento da Lei (10). implícita e remissiva. a instaurar o compromisso arbitral. seja no próprio contrato negocial ou em outro documento aditivo. 4o e 5o). uma vez acordada.. a definição da melhor doutrina. a celebrarem o compromisso arbitral. ensina ALEXANDRE FREITAS CÂMARA que a cláusula compromissória é “um contrato preliminar. Força obrigatória da Cláusula Compromissária De acordo com o artigo 8o da Lei de Arbitragem. havendo a recusa de qualquer uma das partes em celebrar o compromisso. se posicionou o eminente MINISTRO MAURÍCIO CORREA. celebrar o compromisso arbitral. as chamadas cláusulas vazias são àquelas que não contemplam os elementos mínimos necessários para instituição da arbitragem (12). Assim. que essa promessa gera a obrigação de celebrar o compromisso arbitral. Não se admite. cuja intenção do legislador foi dar maior segurança às partes que. surgindo o conflito.3. conclui-se que a cláusula compromissória é o primeiro acordo de vontade das partes. se obrigam a submeter-se à decisão do juízo arbitral. livre e voluntariamente. uma promessa de celebrar o contrato definitivo. oriunda do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte: “a lei brasileira sobre o tema exige clara manifestação escrita das partes quanto à opção pela jurisdição arbitral (Lei 9. Segundo as melhores doutrinas. ou seja. ainda.CONTRATOs Em EsPÉCIE O texto da lei é claro ao conceituar a cláusula compromissória. numa possível e futura controvérsia. em existindo o conflito. sob pena de ser declarada nula. todavia. substituindo no contrato a clássica cláusula que designa o Foro Judicial. a respeito de qualquer dúvida emergente na execução do contrato. Importante salientar que. Segundo ensina ALEXANDRE DE FREITAS CÂMARA. segundo o ilustre professor WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO a cláusula compromissória (pacto de compromittendo) “constitui apenas parte acessória do contrato constitutivo da obrigação. preventivamente. Da autonomia de vontade e forma escrita A cláusula compromissória deve ser estipulada por escrito. distinguir a cláusula compromissória vazia da cláusula compromissória cheia.” (14) 1. especialmente para essa cláusula. Nesse sentido..

da lei de arbitragem. Este compromisso é lavrado quando não foi instituída a cláusula compromissória e. devendo para tanto. e ocorre quando a cláusula compromissória já existe. da Lei de Arbitragem. de acordo com a lei. de comum acordo. (ii) quando.1. 1. o compromisso é o ato instituidor do juízo arbitral. que não seria aceito substituto em caso de falecimento ou impossibilidade do árbitro proferir seu voto. também. Do Compromisso Arbitral judicial e extrajudicial O compromisso arbitral. a instituição da cláusula compromissória. não existe demanda ajuizada. §§ 1o ao 7o. portanto. pode ser lavrado por escritura pública ou por documento particular. Ou ainda. obrigatoriamente. do artigo 9o. diferente da cláusula compromissória. Do Compromisso Arbitral O Compromisso arbitral. Esse compromisso. não apresente sua decisão. 1. A segunda hipótese é tratada pelo §1o do artigo 9o. Ademais. ou seja. da Lei de Arbitragem. que o compromisso arbitral é a convenção em que. surgindo o conflito entre as partes esse deveria ser solucionado pela arbitragem. decidem optar pela arbitragem. da Lei de Arbitragem. desistem do processo judicial e lavram o compromisso arbitral. criteriosamente. (16) É nesta peça inicial que as partes. mesmo sem ter combinado. que tratam das cláusulas obrigatórias e facultativas do compromisso arbitral. é celebrado após o surgimento da controvérsia entre as partes.3. (i) quando qualquer árbitro recusar-se. do artigo 7o.3. antes de aceita a nomeação. Conclui-se. porém. as partes interessadas em resolver a controvérsia existente. Esse é o entendimento do § 7o. o compromisso arbitral. em favor da arbitragem. lavrando-se então o compromisso arbitral. fazendo com que a outra parte ingresse com um processo judicial requerendo o cumprimento da declaração de vontade instituída no contrato (cláusula compromissória). FGV DIREITO RIO 134 . embora notificado a respeito do prazo de 10 dias para apresentar a sentença arbitral. B – Compromisso Arbitral Extrajudicial O compromisso arbitral extrajudicial vem regulado no § 2o. (iii) quando tiver expirado o prazo fixado no compromisso e o árbitro. e as partes terem deliberado que não seria aceito substituto. sendo procedente o pedido de instauração do procedimento arbitral. manifestando a vontade de solucionar o conflito através da arbitragem. deliberado. A primeira hipótese vem estabelecida no artigo 7o. que é de submeter o conflito à apreciação de um árbitro. conforme artigo 9o. mas as partes.307/96.2 – Da extinção do Compromisso Arbitral O compromisso arbitral extingue-se nas hipóteses do artigo 12.CONTRATOs Em EsPÉCIE gera para a outra parte o direito de recorrer à Justiça comum para ver garantido a instauração do procedimento arbitral. Ou seja. ressalte-se que. As partes. a sentença judicial valerá como o compromisso arbitral. (17) A – Do Compromisso Arbitral Judicial De acordo com a Lei de Arbitragem há duas hipóteses de compromisso arbitral celebrado em juízo. uma das partes impõe resistência para se lavrar o compromisso arbitral. (15) Ademais. assinado por duas testemunhas. como uma segunda espécie da convenção de arbitragem. anteriormente. em litígio na justiça comum. voluntariamente. pode ser judicial ou extrajudicial. Ocorre quando as partes. renunciam à solução no Judiciário. que submetem esta à decisão de um árbitro. definem todos os aspectos que serão observados no processo arbitral. é a primeira peça onde constam as regras que irão reger o processo arbitral.3. 1. serem observadas as regras dos artigos 10 e 11 da Lei 9. também. decidem que o conflito existente será submetido à decisão de um árbitro.

esses conceitos dispostos na Lei nº 9. 9. notas 1. – O compromisso arbitral retrata o conflito atual e específico. AASP/Revista do Advogado nº 51. Ressalta-se que. Lemes. esta e aquela. tais como: – É prolatada por um árbitro escolhido livremente pelas partes. anteriormente. – Não cabe recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário. a conclusão a que se chega. que espontânea e consensualmente optaram por esse sistema privado e alternativo ao judiciário. artigos 1.307/96. algumas peculiaridades mais benéficas. 6. pela consciência social e humana e não a que impõe a prática de doutrinas eivadas de mero logicismo”. iniciando. reflete a modernidade do mundo globalizado. por ser mais ágil e objetiva na solução dos conflitos que envolvam direito patrimoniais disponíveis. vale transcrever aqui os ensinamentos do ilustre professor VICENTE RÁO.Sentença Estrangeira Contestada nº 6. tais como: Japão e Estados Unidos. em nosso ordenamento jurídico. traduzem hoje. Lei nº 3. Segurança capaz de garantir as partes. D. 4. assim entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. a sentença arbitral tem o mesmo efeito da sentença judicial tendo. p. se assim for a vontade das partes. na perspectiva de ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. 3. Ementário nº 2085-2. dos pontos relevantes da convenção de arbitragem – cláusula compromissória e compromisso arbitral –. A arbitragem. também. art. sem dúvida alguma. de 04/10/2002. Selma Maria Ferreira. (18) Por fim. quando então as partes lavram o compromisso prevendo as regras que serão utilizadas no juízo arbitral e.” 2.071. – A cláusula compromissória poderá ser acordada no momento judicial do negócio principal ou. uma nova era. poderão as Partes nomear Juízes Árbitros. Princípios e Origens da Lei de Arbitragem.753-7 – Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte.307 de 1996 – “ As partes interessadas podem submeter a solução de seus litígios ao juízo arbitral mediante convenção de arbitragem. cumpre salientar que. Câmara. Essas peculiaridades demonstram a precisão da nossa Lei de Arbitragem. o árbitro regularmente escolhido para solucionar e prolatar a sentença arbitral. Alexandre Freitas. Suas sentenças serão executadas sem recurso. se assim o convencionarem as mesmas Partes. Acórdão de 13/06/2002. posteriormente. – É auto-executável. 32. no Brasil. de 1o. uma segurança maior ao instituto da arbitragem no Brasil o que. essa cláusula refere-se a um conflito futuro e incerto. FGV DIREITO RIO 135 .CONTRATOs Em EsPÉCIE 2. da Lei 9.Conclusão Diante desse modesto estudo. Artigo 164 da Constituição Imperial do Brasil – “Nas causas cíveis e nas penais civilmente intentadas. é de que: – A cláusula compromissória poderá ser utilizada antes de surgir à controvérsia. por entender que a Lei de Arbitragem reflete esse pensamento: “Boa só é a norma que traduz uma aspiração ou uma necessidade reveladas. em um adendo.J. instituto utilizado por vários paises. como se encontra normalizado. Aliás. de janeiro de 1996. p.Tribunal Pleno . “era em que o processo jurisdicional fique reservado para aqueles em que nenhuma outra forma de resolução de conflitos foi adequada”. deixando claro que. hoje. Podendo. 5. afirmar que a arbitragem pode e deve ser utilizada por toda a sociedade brasileira como um instrumento alternativo a Justiça Comum. a solução de suas controvérsias através do juízo arbitral. ainda.037 a 1048. portanto. STF . Arbitragem – Lei nº 9307/96. não tínhamos em nosso ordenamento jurídico. 3o.

319. Câmara. 9o. com a sua instituição. 4o.” 16. 10. p. art. 53. Anotação (114) de atualização da obra. da Lei 9. 159. Ibidem.. p. Ementário nº 2085-2. podendo ser judicial ou extrajudicial.307 de 1996 – “Nos contratos de adesão. p. Carmona. Monteiro. 11. A Aspectos Atuais da Arbitragem.34 15. STF . Ibidem. designando o juiz audiência especial para tal fim. 33. art.2. §2o. Alexandre Freitas. Câmara. art.J. p. da Lei 9. 14. Carlos Alberto.Tribunal Pleno . Ráo.4.753-7 – Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte. 8. p. a fim de lavrar-se o compromisso. Alexandre Freitas. Arbitragem – Lei nº 9307/96. 34.307 de 1996 – “Existindo cláusula compromissória e havendo resistência quanto à instituição da arbitragem.307 de 1996 – “O compromisso arbitral é a convenção através da qual as partes submetem um litígio à arbitragem de uma ou mais pessoa. 28. a cláusula compromissória só terá eficácia se o aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar. v. 9. 7o. Arbitragem – Lei nº 9307/96. Curso de Direito Civil. p. v. expressamente. p. Vicente. poderá a parte interessada requerer a citação da outra parte para comparecer m juízo. 12. Arbitragem – Lei nº 9307/96. FGV DIREITO RIO 136 .CONTRATOs Em EsPÉCIE 7. de 04/10/2002.792. Arbitragem no Brasil no terceiro ano de vigência da Lei nº 93047/96..” 18.Sentença Estrangeira Contestada nº 6. Washington de Barros. 17. p. Alexandre Freitas. por Ovídio Rocha Barros Sandoval. D. desde que por escrito em documento anexo ou em negrito. 13. com a assinatura ou visto especialmente para essa cláusula. Acórdão de 13/06/2002. da Lei 9. Câmara. O Direito e a Vida dos Direitos.

20. 1999.20. Questões Controversas. troca de peças etc. (iv) o contrato pode ser rescindido a qualquer tempo pela arrendatária. O contrato dos automóveis foi firmado com a Tupinambá Automóveis Arrendamento Mercantil S/A. 1. fundamentais para todo o processo de logística e da distribuição das mercadorias.099/74. Identifique quais os principais aspectos de cada contrato.. 1.20. Rio de Janeiro: Forense. 349468. do Conselho Monetário Nacional. que servem para realizar pequenas entregas de compras nas redondezas.20. (iii) prazo de vigência de 12 meses. e tem como principais caraterísticas: (i) o montante global das contraprestações a serem pagas pela empresa equivalem a 70% do valor de mercado dos carros objeto do leasing.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. págs. e (vi) toda a manutenção dos carros deverá ser feita em oficinas mecânicas credenciadas junto à arrendadora. 2001. ed. obrigando-se a manter os veículos em perfeito estado de funcionamento. 15. 3. 571 a 581. baseado nas informações fornecidas abaixo. ço financeiro da conhecida montadora nacional.309/96. foram submetidos à sua análise contratos de “arrendamento mercantil” de veículos da frota do supermercado.4. MANCUSO. p.20. em sua maioria automóveis compactos. Rodolfo de Camargo.1. 1. eMentário de teMas Introdução e Conceito. Contratos e Obrigações Comerciais. Direito Civil. vol. Sílvio de Salvo. AulAS 23 E 24: lEASINg. Fran. tipo vans. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. MARTINS. biblioGrafia obriGatória Lei n° 6. bra/A.2. biblioGrafia CoMPleMentar VENOSA. 6. (v) o valor da opção de compra no final da vigência do contrato é quase igual ao valor de mercado dos bens arrendados. ed. Caso Gerador Durante a diligência legal dos Supermercados Pechincha. FGV DIREITO RIO 137 . os quais podem ser separados em três grandes grupos: os veículos leves. 2006. Partes do Contrato de Leasing e suas Respectivas Obrigações. 1. Modalidades. que também arcará com os custos da manutenção ordinária. Resolução 2. e os caminhões. para inserção no seu relatório de diligência legal. Classificação e Características do Contrato. (ii) a propriedade dos automóveis é da arrendadora. os utilitários. utilizados pela administração dos supermercados. São Paulo: Atlas.3. Leasing.

notificando a arrendadora previamente. (ii) um prazo de vigência de cinco anos. Todavia. de 60 (sessenta) meses.CONTRATOs Em EsPÉCIE Os veículos utilitários de médio porte foram objeto de um contrato com a Afro Taboa Administração de Bens Ltda. a arrendadora poderá requerer a busca e apreensão dos bens objeto do contrato.000. irrevogavelmente. pelas empresas e até mesmo pelas pessoas.099/1974.. conforme delegação da referida lei. sobretudo na aquisição de veículos automotores. do Conselho Monetário Nacional.309. e possui como principais cláusulas: (i) todos os custos de manutenção deverão ser arcados pela arrendatária. renomada empresa do ramo. além da opção de compra. Trata-se de contrato atípico. embora trate mais de seus aspectos tributários.20. a verificação de sua utilização. Esse contrato prevê que: (i) a arrendatária terá uma opção irrevogável de compra dos bens. que efetivamente traz regras sobre os contornos jurídicos do contrato. sem previsão legal expressa no código. Sua regulamentação obedece a dois diplomas específicos: a Lei nº 6. 1º. ao final do prazo contratual. ainda que timidamente. valendo o pagamento da última parcela como o exercício da opção. ela terá a opção de renovar o contrato por prazo semelhante. embora seja largamente utilizado no comércio. o contrato de leasing dos caminhões foi celebrado com a instituição financeira Ideal S/A Arrendamento Mercantil. e (v) em caso de inadimplemento da obrigação do pagamento mensal. sua utilização foi observada a partir da década seguinte. entre 10% e 5% do seu valor de mercado. que. os Supermercados Pechincha poderão solicitar o aumento da frota inicialmente objeto do contrato. (iii) o valor unitário da opção de compra de cada bem é de R$12. reajustáveis ao final de cada ano de vigência. 1. pelo valor unitário de R$3. roteiro de aula a) introdução e Conceito O contrato de leasing também é conhecido no Brasil como arrendamento mercantil. e (iv) em caso de inadimplemento da obrigação do pagamento mensal.00. sociedade limitada constituída conforme o código civil e cujo objeto social é o de administração de bens móveis próprios ou de terceiros. em função da deterioração normal do bem. e a Resolução nº 2. reajustadas periodicamente conforme a variação do dólar dos Estados Unidos em relação ao Real. o contrato logo em seu art.5. a arrendadora poderá requerer a busca e apreensão dos bens objeto do contrato. aos Supermercados Pechincha. a qual deverá ir ao mercado e adquirir os bens conforme especificados pela cliente. durante os quais a arrendatária pagará prestações mensais. No Brasil. Por fim. com um pequeno decréscimo no valor das parcelas mensais.000. não se responsabilizando a financeira pelo bom funcionamento e manutenção dos caminhões. no mundo dos fatos.00. sua utilização iniciou-se nos Estados Unidos. Embora sua origem remonte a épocas mais remotas. (iii) ao final do prazo contratual. o contrato prevê que esse valor deverá ser diluído nas prestações mensais. ocasião em que a titularidade dos caminhões será transferida. com vistas a permitir o avanço das atividades econômicas sem necessariamente aumentar o endividamento das empresas. (iv) as parcelas serão mensais e sucessivas. e como acontece muito no Direito. e é objeto de pouca regulamentação legal. (ii) durante a vigência do contrato. FGV DIREITO RIO 138 . na década de 1950. impôs a criação de normas jurídicas sobre o contrato. parágrafo único. tratou de definir. isto é. mantidas as demais condições contratuais.

se tornam arrendatárias em um contrato de leasing. a noção de arrendamento – equivalente. facultando-se-lhe a final que opte entre a devolução do bem.514/1997 criou a possibilidade de bens imóveis serem objeto de arrendamento mercantil. como a locação. O que ocorre é que. Como no mútuo. que não se enquadra. 2006. o mútuo e o mandato. atípico. 571-572. A doutrina o qualifica como uma relação contratual complexa. Como no mandato. 37 FGV DIREITO RIO 139 . sílvio de salvo. Como na promessa de compra e venda. Muitas vezes é a transferência da posse sua característica mais importante. hoje em dia há um sem número de pessoas físicas que. muitas vezes o arrendatário é quem trata da escolha dos bens com o vendedor. que cria uma solidariedade entre o locatário e a empresa de locação de automóveis quanto à responsabilidade perante os danos causados a terceiros. p. outras cláusulas que sirvam ao interesse das partes. composto de elementos de vários contratos típicos. e há quem preferiria chamar essa modalidade contratual de “locação financeira”. Direito Civil. embora quem vá comprá-lo seja a arrendadora. 3. Além desses caracteres mais usuais. como se verá. ed. Vale ressaltar que boa parte da doutrina o qualifica como uma modalidade de financiamento ao arrendatário. como no caso da modalidade operacional. com uma única causa jurídica. o fato de ser multifacetado não faz com que ele deixe de constituir um único negócio jurídico. de acordo com as cláusulas contratuais negociadas entre as partes. Todavia. encerra o financiamento do valor global do bem. alugando-o posteriormente a ele por prazo certo. Uma boa conceituação é fornecida por Silvio Venosa37. alguns autores tomam a espécie pelo gênero e confundem os contornos dessa modalidade com a do próprio contrato. cuidado ao ler os textos sobre o tema. faz com que instituição financeira ou especializada o adquira. a renovação do contrato ou a compra pelo preço residual conforme estabelecido”. Portanto. 6. a designação de “arrendamento mercantil” é largamente utilizada e. sem dúvida alguma. No entanto. De fato. corresponde ao leasing no direito brasileiro. de certa forma. Além disso. Lembre-se sempre: o leasing é um contrato excepcional. O contrato. e prevê a cobrança de juros. como a modalidade do leasing financeiro é a mais comum. contrariando a orientação anterior que restringia essa modalidade contratual aos bens móveis. em nenhuma fórmula desenhada aprioristicamente pelo legislador. se inicialmente ele era direcionado às empresas. nem sempre o caráter financeiro é o que sobressai na contratação do leasing. à transferência da posse do bem – encerra apenas um dos aspectos do contrato. A nomenclatura de “arrendamento mercantil” sofre algumas críticas na doutrina. inclusive na contramão da tendência moderna de unificação do direito privado. v. no âmbito da autonomia privada.CONTRATOs Em EsPÉCIE Além dessas normas. para quem o contrato é aquele “mediante o qual um agente. são Paulo: Atlas. Assim. a compra e venda. Tanto é assim que a jurisprudência nacional não aplica às operações de arrendamento mercantil a Súmula 492 do STF. VENOsA. Contudo. pretendendo utilizar coisa móvel ou imóvel. Suas características serão sempre verificadas no caso concreto. como a locação. hoje. não faria sentido qualificá-lo como mercantil. atualmente. como veremos adiante. na forma e no tempo devidos. obriga a transferência da propriedade do bem mediante o pagamento do valor previsto no contrato. a Lei nº 9. podem ser inseridas no contrato. muitas vezes até sem saber. portanto. transfere a posse do bem para o arrendatário.

A obrigação fundamental do arrendatário é a de pagar as prestações na forma. caso não haja exercício da opção. Tem também a obrigação de receber os bens de volta ao fim do prazo. 7º da Res. mediante o pagamento do restante da dívida. em que o arrendador responde somente pela manutenção ordinária e pelo desgaste natural do bem arrendado. o arrendatário possui a obrigação de devolver a coisa no final do prazo contratual. uma pessoa jurídica. expressamente. 2. entretanto. somente operacional. Deve constar do seu objeto social. a transferência da posse do bem) e para o arrendatário (o pagamento das parcelas convencionadas). o desenvolvimento dessa atividade. ser necessariamente uma instituição financeira. pois ambos os contratantes têm ônus aos quais correspondem deveres. É também freqüente. não sendo necessária a entrega da coisa. O arrendador. porque o art. pelo distrato ou pela falência da arrendadora. caso não haja nem a renovação do prazo nem o exercício da opção de compra. mas em regra gera sua extinção e o direito de o arrendador se reintegrar na posse dos bens arrendados.099/1974. A expressão “arrendamento mercantil” deve constar de sua denominação. Todavia. em virtude de sua vigência contínua pelo seu prazo.309 impõe a forma escrita ao contrato (instrumento público ou particular) e determina a inserção de determinadas cláusulas no seu corpo. contudo. (iii) solene. Finalmente. Nos dois casos. a existência de cláusula que permita o término antecipado do contrato. conforme determina a Resolução do CMN. cada período contando como uma parte da relação contratual. em prontas condições de uso para a finalidade acordada. Ocorre também pelo inadimplemento. Inicialmente. (iv) oneroso. pelo fim do seu prazo. C) Partes do Contrato de leasing e suas respectivas obrigações. embora mantenha a sua propriedade. pois encerra obrigação para o arrendador (e. deve necessariamente ser uma sociedade anônima autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil. em virtude da liquidez e certeza das prestações. A obrigação primordial do arrendador é a de entregar o bem para o arrendatário. o arrendatário deveria ser. valor e tempo estipulados no contrato. é necessária a autorização de funcionamento do BACEN. Há casos também (sobretudo em contratos relativos a equipamentos de informática) em que a renovação implica em troca dos bens por modelos mais modernos ou mais novos. Não precisa. A extinção do contrato se dá. O arrendatário é aquele que se utiliza do bem. quando o arrendatário poderá escolher entre exercer a opção de compra. a redação desse dispositivo foi alterada e. (v) comutativo. FGV DIREITO RIO 140 . pelo menos até o exercício da opção de compra. hoje. obrigatoriamente. conforme a redação original da Lei nº 6. pessoas físicas também podem ser parte num contrato de leasing. São duas as partes do contrato de leasing: o arrendador e o arrendatário. respondendo pelos prejuízos que causar ao bem. Seu inadimplemento terá conseqüências diversas conforme o contrato.CONTRATOs Em EsPÉCIE b) Classificação e Características do Contrato A doutrina considera o contrato: (i) consensual.. mesmo no caso de leasing operacional. no estatuto. ordinariamente. deve o arrendatário zelar pela conservação dos bens. garantindo a posse mansa e pacífica do seu contratante. (vi) por tempo determinado e de execução sucessiva. g. Além disso. (ii) bilateral. pois a própria manifestação de vontade aperfeiçoa o contrato. a renovação do prazo do arrendamento ou a devolução do bem. contanto que não opere com a modalidade financeira. principalmente em contratos de leasing financeiro. e é exclusiva desse tipo de sociedade.

já sob a forma de leasing. existe a modalidade de leasing operacional. a interveniência do vendedor do bem no contrato de leasing financeiro. para a obtenção de capital de giro. mas desde o antigo Decreto-Lei nº 857/1969. e foi a partir dele que se desenvolveu originalmente esse tipo de contrato. Geralmente pode ser resilido unilateralmente pelo arrendatário. o exercício da opção de compra é quase uma certeza. em geral o arrendador é o próprio fabricante. é um financiamento. As prestações. Nesse caso. o leasing financeiro clássico e o lease-back são atividades privativas de instituição financeira. que vai ao mercado adquiri-lo conforme as instruções do arrendatário. Sua lógica econômica é a de constituir um financiamento para um agente econômico (pessoas ou empresas). se admitia sua pactuação nos contratos de arrendamento mercantil. ainda em vigor. Nesse caso. a regra é que o vendedor esteja no contrato para garantir prazos de entrega. fica com a arrendadora e não com o financiado. 318 do código civil. em que o arrendatário escolhe os bens a serem objeto do arrendamento. e. É claro que o leasing financeiro. Nesse caso. como o fato de que a propriedade do bem. na aquisição de um determinado bem. Por conta dessas características marcantes de intermediação financeira. especificações técnicas etc. na medida em que. mediante cláusula que reajuste o valor das prestações pela cotação da moeda estrangeira. art. compra o bem do fornecedor. esse agente deva contratar um financiamento direto em seu nome junto ao fornecedor ou a um banco (onde as taxas de juros em geral são bem mais altas). se a “causa” do contrato é o financiamento. que imediatamente transfere (fictamente) a posse dele de volta para sua antiga proprietária. o sale lease-back muito se assemelha ao mútuo. não há interveniência da fornecedora original.CONTRATOs Em EsPÉCIE Existe. O leasing financeiro.309). Do ponto de vista prático. 6º). pois o bem já era de propriedade da arrendatária. que transfere a posse dos bens para o arrendatário por um determinado prazo. transfere sua posse ao arrendatário. sujeitas à regulamentação do Banco Central. por si só. ao contrário do que ocorre no mútuo bancário comum. outro traço que difere o leasing do financiamento. ao pagar o preço. O novo código não alterou essa sistemática.. FGV DIREITO RIO 141 . o operacional e o financeiro. é o tradicional. pois remuneram não só o uso da coisa como também o seu custo de aquisição. Finalmente. o bem arrendado é originalmente de titularidade do arrendatário que. o risco da variação cambial pode ser repassado ao arrendatário. Uma subespécie de leasing financeiro é o conhecido como sale lease-back. Por outro lado. Nesses casos. sem que. em muitos casos.880/1994. Existem duas espécies – embora a autonomia privada possa criar outras figuras ou até mesmo figuras híbridas – de leasing reconhecidas no direito brasileiro (cf. mas dotado de características próprias. Nessa modalidade. que também foi inserida na Lei do Plano Real (Lei nº 8. Em linhas gerais. como a elas é permitida a captação de recursos no exterior para fazer frente às suas operações. d) Modalidades. o valor da opção de compra – conhecido comumente como valor residual garantido ou VRG – é de pequena monta se comparado às prestações. durante a vigência do contrato. competindo às partes originárias concordarem sobre os demais termos do arrendamento. ao contrário do que ocorre no financeiro. também conhecido como puro. Esse tipo de operação não tem previsão legal no nosso ordenamento. contudo.309. Assim. para levantar recursos imediatos. A variação cambial nos contratos é em regra proibida por força do art. vende o bem para a empresa de arrendamento mercantil. nem mesmo na Resolução nº 2. pois a arrendatária efetivamente recebe recursos em dinheiro oriundos da venda do bem. são relativamente mais altas. imediatamente após. é que o bem não é originalmente de titularidade do arrendador. obrigando-se ainda a prestar assistência técnica e manutenção nos bens arrendados. sobre os quais incidirão juros e que serão pagos nas prestações periódicas previstas no arrendamento mercantil. ocorre que o arrendatário escolhe o bem e o arrendador. a Resolução 2.

e) questões Controversas. O consumidor vai à concessionária. com o preço sendo financiado pelo vendedor (no caso. o valor residual é aquele correspondente à opção de compra conferida ao arrendatário no final do prazo do contrato. enquanto o consumidor usufruta do bem. o contrato de leasing sempre suscitou questões controversas na jurisprudência nacional. que pacificou. nas próprias prestações periódicas. configurando-se o negócio como compra e venda ou como mútuo. a corte reviu o seu posicionamento. como não há o caráter financeiro. portanto.CONTRATOs Em EsPÉCIE Nesse caso. Talvez pela pouca produção legislativa sobre o tema. Esse entendimento chegou a ser cristalizado no STJ. Como vimos. uma parcela do VRG. as empresas passaram a embutir. a compra de automóveis por meio de um leasing financeiro é uma operação corriqueira. pois as prestações em regra equivalem somente ao custo pelo uso do bem. existem outras características marcadamente do contrato de leasing que permanecem presentes. e passou a entender que. Essa controvérsia tem grande relevância prática. na corte superior. no entanto. o que só faz aumentar a insegurança jurídica no assunto. onde o valor da opção é relativamente pequeno. No leasing financeiro. atualmente. Se no leasing financeiro ressalta-se o caráter do mútuo. no operacional o traço da locação é mais marcante. Além disso. escolhe o carro. como já vimos. os contornos próprios do arrendamento mercantil impedem que ele seja caracterizado ou enquadrado como um ou outro. o entendimento que “a cobrança antecipada do valor residual garantido (VRG) não descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil”. pois a descaracterização do leasing implica no impedimento da propositura de ação de reintegração de posse. descaracterizando o arrendamento nessa hipótese. por exemplo. transformando-o em compra e venda a prestação”. balizada na melhor doutrina. A primeira delas é a discussão sobre se a diluição do chamado VRG nas demais prestações do contrato descaracteriza o leasing. embora. e uma sociedade de arrendamento mercantil financia o valor. sobreveio o cancelamento da Súmula 263 e a subseqüente edição da Súmula 293. mas o arrendador não faz jus à retomada do bem. quando do último pagamento por parte do arrendatário. quando a mudança do regime cambial brasileiro fez com que a cotação do dólar dos Estados Unidos praticamente dobrasse em menos de um mês. descaracterizando na hipótese o contrato como leasing.230/RS no STJ. Esse impacto foi maximizado pelo fato de que. Vide. a opção de compra. Nesse caso. como a possibilidade de renovação e a manutenção da propriedade do bem com o arrendador. a empresa de arrendamento mercantil). o valor referente à opção de compra já estaria quitado e. o valor da opção de compra tende a ser expressivo. o julgamento no RESP 237. Vale ressaltar que. sobretudo a partir de janeiro de 1999. embora se diluindo o VRG nas demais prestações. como visto. na hipótese de falta de pagamento das prestações acordadas. Com isso. Posteriormente. adquiriram maior relevância no cenário jurídico nos últimos anos. de modo que. alguns tribunais ainda seguem a linha da Súmula 263. a propriedade do bem era automaticamente transmitida ao arrendatário. segundo a qual “a cobrança antecipada do valor residual (VRG) descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil. deveria ser cobrada necessariamente ao final do contrato. com o reflexo correspondente nos contratos de arrendamento mercantil. o inadimplemento gera a resolução do contrato em perdas e danos. como numa locação comum. Duas delas. FGV DIREITO RIO 142 . a possibilidade de repassar para as prestações a variação de moeda estrangeira em relação à moeda nacional também gerou uma enxurrada de ações judiciais. que editou a Súmula 263. que caracterizaria o contrato. Parte da doutrina passou a enxergar nesse tipo de ajuste uma compra e venda a prestações disfarçada. todavia. apesar da mudança de entendimento do STJ.

e abordando especialmente os seguintes aspectos: • se a cobrança antecipada do VRg descaracteriza o leasing. quando for o caso. não é contrato de consumo e. com base na idéia de que o arrendador teria que provar que houve captação de recursos em moeda estrangeira especificamente para o contrato daquele consumidor que estava propondo a ação. 51. Por um lado. por não cumprimento do contrato. sentindo-se prejudicada com os termos do contrato.. FGV DIREITO RIO 143 . a empresa Dinamismo s. interpôs ação de reintegração de posse para haver a restituição do bem. não haveria porque esta disposição ser afastada pelo Poder Judiciário. em dobro. em manifesta desvantagem para o consumidor. 1.A. o STJ tem optado por uma solução salomônica. ao alegar que o arrendatário assinou um contrato – sem a existência de qualquer vício –. a jurisprudência tenha chegado a uma conclusão definitiva sobre o assunto.6. quando já havia pago 75% das prestações.)[não relacionada à matéria].A. da legislação especial. seriam abusivas as cláusulas que previam a variação cambial e. como também sob a alegação de que o leasing. redija um parecer a respeito da questão. 6º da Lei nº 8. diziam se enquadrar perfeitamente no conceito legal de consumidor. • a hipótese da reintegração de posse proposta pela arrendante. Outros preferiam prestigiar a livre autonomia privada. Posteriormente. conforme permissão legal.A.. Essa discussão se arrastou (e ainda se arrasta) nos tribunais. explicando fundamentadamente o seu ponto de vista. e quais são elas. por sua vez. pela sua estrutura contratual complexa. manifestando válida e livremente a sua vontade. o que estaria em desacordo com o código de defesa do consumidor. diante do inadimplemento de mais de três prestações. Diante da situação hipotética apresentada acima. aplicando-se o Código de Defesa do Consumidor.A. IV. dividindo pela metade o prejuízo decorrente do aumento das prestações do arrendamento mercantil em virtude da mudança de regime cambial e a conseqüente disparada da cotação da moeda estrangeira (e..880/1994. entre as operações de captação e de financiamento. era impossível. sem que. firmou com a empresa Arrendamento mercantil s.20. por sua vez.CONTRATOs Em EsPÉCIE Como esses contratos previam a variação cambial. contudo. • (. A empresa Arrendamento mercantil s.) [não relacionada à matéria] • o direito do arrendatário à restituição de todas as parcelas pagas ou das parcelas pagas a título de antecipação do VRg. as empresas de arrendamento mercantil defendiam a liceidade do contrato baseado não só no permissivo legal de variação cambial da Lei nº 8. Alguns juízes afastavam o comando do art. • (. nas tesourarias bancárias e das instituições de arrendamento. portanto... sobre o qual incidiam juros de 20% ao ano e juros capitalizados. 2º do CDC. as prestações aumentaram vertiginosamente. um contrato de leasing financeiro em que se previa a cobrança antecipada do valor residual garantido (VRg). parou de efetuar o pagamento e pleiteou judicialmente a anulação do contrato. e.880/1994. sendo assim. o que. pois não há uma relação determinada de correspondência. pleiteando a perda das quantias pagas pela arrendatária. REsp 727899 / DF). que previa a variação cambial. questões de ConCurso Petrobras – 2003 – Advogado Júnior A empresa Dinamismo s. não se sujeita ao CDC. • na hipótese de serem pagas todas as prestações pelo arrendatário. Todavia. não havendo nenhum tipo de exceção à regra estabelecida no art. por isso. com base na legislação vigente.. g. Os consumidores lesados. na prática. e. que arca com todo o aumento. deveriam ser fulminadas com a nulidade prevista no art. se este ainda conserva as opções previstas para o término do contrato.

Locação. Leasing.br/static/ text/38413. Maria Neuenschwander Escosteguy.A. O aluno deverá identificar no relatório os contratos a que teve acesso e os que apenas teve conhecimento. um panorama com a situação atual dos contratos da empresa.ago. biblioGrafia obriGatória CARNEIRO. Comodato. Licença e Cessão da Marca. analisando aula por aula e relembrando os casos e discussões deste semestre.21.21. (em anexo) 1. 1. 1. Por exemplo: contratos que possam impedir ou dificultar a aquisição do supermercado ou que possam desvalorizar o supermercado no futuro.estadao. AulA 25: RESulTAdO dA dIlIgêNCIA. Acesso em 04. quando possível.2. FGV DIREITO RIO 144 . trabalHo Hoje os alunos deverão apresentar e discutir em sala de aula o seu relatório da diligência. Comissão. os alunos deverão aproveitar para fazer uma boa revisão da matéria. Contrato Estimatório. Agência.21. (iii) Descrição de cada contrato e das questões levantadas durante a diligência que possam ser de interesse ao cliente. Beabá das fusões Due Diligence jurídica garante lisura de operações. Doação. Jogo e Aposta. Artigo disponível em http://conjur.1. Distribuição. Empreitada. Transação e Compromisso. destacando os problemas encontrados e. eMentário de teMas Compra e Venda. (ii) Lista de contratos que foram objeto da diligência – O aluno deverá incluir em seu relatório não apenas os contratos que foram efetivamente fornecidos em sala de aula. Vale lembrar que o relatório de diligência da área de contratos deve abranger o maior número de questões que possam vir a afetar a aquisição das quotas do Supermercado Pechincha. Prestação de Serviços. Seguro. O relatório deverá conter três partes: (i) Sumário – com a indicação dos pontos que são mais importantes para o cliente. É preciso dar ao cliente. Mandato. Mútuo. Consultor jurídico.3. Fiança. Troca ou Permuta.com. Depósito..CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. assim como questões que possam afetar o funcionamento do supermercado no futuro. uma sugestão para resolvê-los ou mitigá-los.1. mas também aqueles sobre os quais obtiveram informações. Ao elaborar o relatório. Grana Certa Empreendimentos S.21.2006.

Contudo. Esta situação demonstra que assuntos concorrenciais podem afetar a avaliação dos ativos adquiridos em uma operação de aquisição de controle. A identificação de contingências em momento anterior ao closing da operação favorece a empresa interessada. permitindo renegociar o preço final. as particularidades inerentes às operações podem exigir o trabalho conjunto de profissionais de várias áreas. após a aquisição. visando à verificação da situação de sociedades. determinação de responsabilidades ou outras. O volume de informações e documentos manuseados em uma due diligence pode ser tão grande que acaba fazendo com que vários profissionais tenham de se acomodar nas sedes das sociedades envolvidas. Cabe destacar. estabelecimentos. consoante cada caso concreto. implicações financeiras. podendo ser aconselhável em diversos momentos da negociação. Atrelada a este aumento. fundos de comércio e dos ativos que as compõem. já que eventuais penalidades aplicadas pela Autoridade Antitruste podem representar a eliminação do ganho naquela aquisição. Além disso. se não forem bem e previamente dimensionados. identificar problemas a serem resolvidos após a concretização do negócio. O Cade expôs que a penalidade havia sido imposta à pessoa jurídica e não a seus acionistas e que se o novo sócio entendia-se lesado. poderia buscar a reparação de perdas e danos no Poder Judiciário. Nas fusões e aquisições. os quais podem gerar responsabilidades vultosas (imediatas e futuras) e que. não foram apresentadas provas ao Cade de que a empresa teria continuado a participar da colusão. conceito este que foi sendo trabalhado em decisões dos tribunais norte-americanos. o mais adequado é entendê-la como uma metodologia — e não como uma obrigação legal — a ser utilizada opcionalmente pelas partes. o potencial de crescimento do negócio. comparado ao primeiro semestre de 2004. dentre outros.CONTRATOs Em EsPÉCIE Beabá das fusões due diligence jurídica garante lisura de operações por Maria neuenschwander escosteguy Carneiro Segundo noticiou a Imprensa. o nível de competição do setor. Não menos relevante é a identificação dos passivos tributário. ou mesmo exigir maiores garantias do vendedor. Desta forma. foi mesmo na prática empresarial que as due diligences jurídicas se firmaram. previdenciário e ambiental. ademais. As due diligences jurídicas podem ser definidas como procedimentos sistemáticos preventivos de revisão e análise de informações e documentos. podem até mesmo inviabilizar o projeto empresarial. Alguns autores informam que as due diligences jurídicas teriam surgido a partir do conceito do Direito Romano “diligentia quam suis rebus” (diligência de um cidadão em gerenciar suas coisas). está a necessidade de realização das chamadas “due diligences” jurídicas. garantias a prestar. com vistas à apuração dos riscos ínsitos à atividade desenvolvida pelas empresas. destinando-se sempre à conclusão sobre a viabilidade da operação. no primeiro semestre de 2005. Esta investigação pode abranger aspectos pessoais dos sócios. FGV DIREITO RIO 145 . avaliação dos riscos inerentes. Releva esclarecer que a due diligence não existe como figura jurídica autônoma na legislação brasileira. houve um aumento de 38% no número de fusões e aquisições. trabalhista. Assunto discutido entre os especialistas é a abrangência dos relatórios de due diligence. Exemplo disso ocorreu recentemente: o controle de uma das 18 empresas do setor de mineração e britas para a construção civil com atuação na região metropolitana de São Paulo condenadas pelo Cade — Conselho Administrativo de Defesa Econômica por formação de cartel para divisão do mercado havia sido adquirido por um novo sócio e. é recomendável uma profunda e pormenorizada investigação em todos os aspectos jurídicos de uma companhia objeto de qualquer modalidade de aquisição. que as due diligences jurídicas devem identificar também passivos decorrentes de potenciais focos de preocupação concorrencial ou mesmo de investigações em curso pelos órgãos de defesa da concorrência.

capazes de demonstrar. FGV DIREITO RIO 146 . a importância da adoção de cuidadosos procedimentos de due diligence. com muita clareza e com elevado grau de segurança.CONTRATOs Em EsPÉCIE Verifica-se. 4 de outubro de 2005. Revista Consultor Jurídico. todas as variáveis que merecem ser analisadas antes da conclusão de negócios envolvendo operações de fusões e aquisições de empresas. pois.

portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx. neste ato representado por seu procurador. fomos chamados para ajudá-lo no closing. FGV DIREITO RIO 147 . inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101. Jeremias Russo. empresário. celebrar. Eduardo Russo Relembrando o que aprendemos na aula de mandato. Distrito Federal (“Outorgado”). o senhor Eduardo Russo pretende outorgar uma procuração a seu filho para que ele o represente. alterar. mesmo com as questões encontradas na due diligence.222/0001-22.22. residente e domiciliado em Brasília. para (i) celebrar quaisquer contratos. o senhor Odin Heiro regateou com o senhor Eduardo Russo o preço das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda. Ele nos mostrou dois documentos que recebeu do advogado do senhor Eduardo Russo e pediu nossos comentários. Cidade e Estado do Rio de Janeiro. Estaduais. inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101. Municipais e Autárquicas. estipular ou impugnar cláusulas e condições.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Federais. empresário. prorrogar. PROCURAÇÃO Pelo presente instrumento particular de mandato. solteiro. AulA 26: ClOSINg! 1. rescindir e assinar quaisquer contratos em nome do Outorgante. empresário. Sendo assim. 2222. no fechamento do negócio. solteiro. Fica vedado o substabelecimento dos poderes outorgados por este mandato. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy. brasileiro. Esta procuração terá validade de 30 dias após a data de assinatura do mandato. companhia com sede na Rua ABC. e EDUARDO RUSSO. foi a minuta do contrato de compra e venda de quotas abaixo. brasileiro. brasileiro. Distrito Federal (“Outorgante”) nomeia e constitui como seu bastante procurador. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy. empresário. Caso Gerador Após analisar cuidadosamente nosso relatório de due diligence e resolver as questões relacionadas às marcas do Supermercado Pechincha. portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx. casado. órgãos ambientais e órgãos regulatórios. e considerou que. residente e domiciliado em Brasília. O primeiro deles é uma minuta de procuração. inscrita no CNPJ sob o n° 002. JEREMIAS RUSSO. que sugestões você poderia fazer na procuração? E se tivéssemos acesso àquela procuração apenas na data da assinatura do contrato e não pudéssemos fazer sugestões antes do closing? Que providência poderia ser tomada para dar mais segurança ao nosso cliente quanto à assinatura do contrato pelo senhor Jeremias? O outro documento que o senhor Odin Heiro nos deu. Não tendo certeza de que poderá comparecer pessoalmente ao evento de assinatura do contrato de compra e venda das quotas. inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202. conforme minuta em anexo. Cartórios de Protestos de Letras e Títulos. residente e domiciliado em Brasília. Distrito Federal.002. doravante denominada simplesmente “Compradora”. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE QUOTAS GRANA CERTA EMPREENDIMENTOS S/A. a aquisição das quotas do supermercado seria um bom negócio. ou seja. Secretaria de Estado de Negócios da Fazenda Estadual. bem como praticar todos os atos necessários ao fiel cumprimento deste mandato. brasileiro. Juntas Comerciais. EDUARDO RUSSO.1.22. representada na forma de seu estatuto social. casado. Cartórios de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. (ii) representar o Outorgante junto às Repartições Públicas.

inscrita no CNPJ sob o n° 000... Distrito Federal. seus sucessores.1..002/0001-00.00 (duzentos e cinqüenta mil reais) pagos neste ato. O não exercício ou atraso por qualquer das Partes e/ou da Sociedade..] do Banco [. Uma vez creditado na conta-corrente do Vendedor. a qualquer título.1.1..CONTRATOs Em EsPÉCIE inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202.DA COMPRA E VENDA DAS QUOTAS 1. constantes do item 2. Distrito Federal. CLÁUSULA QUARTA .. por meio da entrega pela Compradora ao Vendedor do cheque administrativo nº [.. e (b) R$ 250. de acordo com as seguintes cláusulas e condições: CLÁUSULA PRIMEIRA . turbações. CLÁUSULA TERCEIRA – TRANSFERÊNCIA DAS QUOTAS 3.000. gravames. doravante denominada simplesmente “Sociedade”. plena. justa e contratada a celebração do presente Contrato de Compra e Venda de Quotas (“Contrato”). Brasília..2.].1. mediante depósito na conta-corrente nº [. e.1 acima.. 2.00 (quinhentos mil reais) a serem pagos um ano após esta data. no exercício de qualquer direito previsto neste Contrato deverá ser interpretado individualmente e não poderá ser considerado como renúncia por FGV DIREITO RIO 148 .] do Banco [.000. 1. O preço certo. sociedade com sede na Quadra XYZ.00 (duzentos e cinqüenta mil reais) a serem pagos em até 90 dias a contar desta data. rasa e geral quitação com relação ao valor pago. o pagamento das parcelas que perfazem o Preço.1. 4. a ser pago pela Compradora ao Vendedor da seguinte forma: (a) R$ 250.000.. e que a Compradora deseja adquiri-las. usufrutos ou qualquer outra restrição à posse e/ou a qualquer outro direito inerente a tais Quotas.. cessionários e representantes legais. mediante depósito na conta-corrente nº [. nos termos ajustados pelo presente instrumento. herdeiros. ainda.000.. O Vendedor. o Vendedor outorgará à Compradora. o Vendedor cede e transfere.. mediante a assinatura da competente alteração do contrato social da Sociedade.. declara que as Quotas foram regularmente integralizadas e se encontram inteiramente livres e desembaraçadas de ônus.1. total e ajustado para a aquisição das Quotas é de R$ 1. entre si.] da conta-corrente nº [.2. com todos os respectivos direitos e obrigações.] da agência [.] da agência [. da totalidade do Preço devido ao Vendedor.. e (ii) O Vendedor deseja alienar as Quotas.000. residente e domiciliado em Brasília. (c) R$ 500. representada na forma de seu contrato social. pelo preço certo e ajustado estabelecido na Cláusula 2. O presente Contrato é celebrado em caráter irrevogável e irretratável e obriga e aproveita às Partes e à Sociedade..FORMA DE PAGAMENTO 2. O Vendedor e a Compradora (doravante referidos simplesmente como “Partes”) têm.] do Banco [..].. mencionado na Cláusula Segunda. a totalidade de suas Quotas representativas do capital social da Sociedade à Compradora.] da agência [. e somente poderá ser alterado por instrumento escrito devidamente assinado por todas as Partes. neste ato.... Pelo presente Contrato e na melhor forma de direito.]. na qualidade de interveniente-anuente: PECHINCHA COMÉRCIO VAREJISTA LTDA. A transferência das Quotas será formalizada no ato do pagamento pela Compradora. CLÁUSULA SEGUNDA . encargos. CONSIDERANDO QUE: (i) O Vendedor é legítimo possuidor e proprietário de x quotas representativas de 99% (noventa e nove por cento) do capital social da Sociedade (“Quotas”).00 (um milhão de reais) (“Preço”).1 abaixo. doravante denominado simplesmente “Vendedor”.000.DISPOSIÇÕES GERAIS 4.

4.5. nos termos do artigo 585.CONTRATOs Em EsPÉCIE qualquer das Partes ou novação de qualquer obrigação contida neste Contrato. por mais privilegiado que possa ser. Nome: CPF/MF Cabe notar que se trata de minuta bem simples e similar à minuta que analisamos em nossa segunda aula. Nome: CPF/MF: Grana Certa Empreendimentos S/A 2.10. orais ou escritos. por qualquer motivo. cabal e exclusivo entre as Partes com relação à compra e venda das Quotas.8. Eduardo Russo Pechincha Comércio Varejista Ltda. as Partes assinam este Contrato em 03 (três) vias de igual teor e efeito. assim como as obrigações de fazer.7. assinado por 02 (duas) testemunhas. substituindo todos os acordos. as demais disposições serão modificadas para preservar sua exeqüibilidade. (ii) por meio de carta registrada. e somente produzirá efeitos. constitui título executivo extrajudicial. Fica eleito o foro da Comarca do Rio de Janeiro. Todas as notificações e comunicações a serem feitas com relação ao presente Contrato serão elaboradas por escrito e serão enviadas para os endereços constantes do preâmbulo deste Contrato (i) por meio de Cartório de Títulos e Documentos. inciso II. O presente Contrato ou quaisquer direitos e/ou obrigações dele oriundos não poderão ser cedidos sem o prévio e expresso consentimento das Partes e da Sociedade. essa disposição será suprimida e não terá nenhuma força e efeito. Entretanto. 4. O presente Contrato constitui o acordo final. 639 e seguintes do Código de Processo Civil. na presença de 02 (duas) testemunhas. inclusive quaisquer despesas decorrentes de serviços profissionais por ele contratados. 4.4. do Código de Processo Civil. a qualquer tempo. 4. Rio de Janeiro. aqui contidas. entretanto a respectiva comunicação de alteração de endereço só tornarse-á efetiva após o recebimento pela outra Parte e/ou pela Sociedade. Tendo em vista que somos advogados da compradora: (a) que alterações poderíamos propor na minuta acima? (b) que novas cláusulas poderíamos sugerir? FGV DIREITO RIO 149 . 632.6. Fica ajustado entre as Partes que as despesas decorrentes do arquivamento da alteração contratual referida na cláusula 3. à exclusão de qualquer outro. Toda e qualquer alteração das disposições do presente Contrato somente será válida e exeqüível. 4. nos termos dos artigos 461. ou (iii) com outra comprovação inequívoca de recebimento. 4. Na hipótese de qualquer disposição ou parte de qualquer disposição deste Contrato ser tida como nula. se essa disposição suprimida prejudicar a execução deste Contrato. para dirimir quaisquer questões oriundas deste Contrato. conforme o caso.9.1 do presente Contrato será de exclusiva responsabilidade da Compradora. [dia] de novembro de 2006. As Partes declaram e reconhecem que o presente Contrato.8. mediante comunicação dada na forma prevista acima. entendimentos e declarações anteriores.3. E por estarem certas e ajustadas. se formalizada mediante instrumento escrito assinado pelas Partes e pela Sociedade. Testemunhas: 1. Quaisquer dos endereços constantes do preâmbulo poderão ser alterados.1. 4. 4. a esse respeito. comportam execução específica. sendo considerada como mero ato de liberalidade. 4. anulada ou inexeqüível.

Trabalhou por mais de 5 anos em escritório no Rio de Janeiro. Doutorando e Mestre em Direito Civil pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Graduado em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Ex-Procurador.Chefe do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação – ITI.CONTRATOS EM ESPÉCIE SÉRGIO VIEIRA BRANCO JÚNIOR Professor de direito da graduação e da pós-graduação na FGV DIREITODIREITO RIO. Especialista em Propriedade Intelectual pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio. FGV DIREITO RIO 150 . Ex-professor de Direitos Autorais da UERJ. Líder de Projetos do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV DIREITODIREITO RIO. Autor do livro “Direitos Autorais na Internet e o Uso de Obras Alheias”. Ex-Coordenador de Desenvolvimento Acadêmico do Programa de Pós-Graduação da FGV Direito Rio.

CONTRATOs Em EsPÉCIE FICHA TÉCNICA fundação getulio Vargas carlos ivan simonsen leal presidente fgV direito rio Joaquim falcão diretor fernando penteado VICE-DIRETOR ADmINIsTRATIVO luís fernando schuartz VICE-DIRETOR ACADÊmICO sérgio guerra VICE-DIRETOR DE PÓs-GRADUAÇÃO PROFEssOR COORDENADOR DO PROGRAmA DE CAPACITAÇÃO Em PODER JUDICIÁRIO luiz roberto Ayoub ronaldo lemos COORDENADOR DO CENTRO DE TECNOLOGIA E sOCIEDADE evandro menezes de carvalho rogério barcelos COORDENADOR ACADÊmICO DA GRADUAÇÃO COORDENADOR DE ENsINO DA GRADUAÇÃO tânia rangel COORDENADORA DE mATERIAL DIDÁTICO COORDENADORA DE ATIVIDADEs COmPLEmENTAREs Ana maria barros Vivian barros martins COORDENADORA DE TRABALHO DE CONCLUsÃO DE CURsO COORDENADOREs DO NÚCLEO DE PRÁTICAs JURÍDICAs COORDENADORA DE sECRETARIA DE GRADUAÇÃO COORDENADOR DE FINANÇAs COORDENADORA DE mARKETING EsTRATÉGICO E PLANEJAmENTO lígia fabris e thiago bottino do Amaral Wania torres diogo pinheiro milena brant FGV DIREITO RIO 151 .