CONTRATOS Em ESPÉCIE

por: Carolina Sardenberg SuSSekind CriStiano ChaveS de Melo laura FragoMeni

2ª edição

roteiro de curso 2008.2

Contratos em Espécie
introdução .................................................................................................................................................. 03 1.1. AulA 1: clAssificAção dos contrAtos. elementos essenciAis. ........................................................................... 06 1.2. AulA 2: contrAto de comprA e VendA ............................................................................................................. 10 1.3. AulA 3: contrAto de comprA e VendA (cont.)- cláusulAs especiAis dA comprA e VendA .......................................... 26 1.4. AulA 4: trocA ou permutA. contrAto estimAtório........................................................................................... 31 1.5. AulA 5: doAção .......................................................................................................................................... 33 1.6. AulA 6: contrAto de locAção. locAção de coisAs. ............................................................................................ 38 1.7. AulA 7: contrAto de locAção (locAção de prédios urbAnos –– locAção residenciAl) ........................................... 43 1.8. AulA 8: contrAto de locAção ....................................................................................................................... 48 1.9. AulA 9: empréstimo (comodAto) ................................................................................................................... 52 1.10. AulA 10: empréstimo (mútuo)..................................................................................................................... 57 1.11. AulA 11: prestAção de serViços. empreitAdA ................................................................................................ 61 1.12. AulA 12: depósito ..................................................................................................................................... 64 1.13. AulA 13: mAndAto ..................................................................................................................................... 67 1.14. AulAs 14 e 15: comissão. AgênciA e distribuição (representAção comerciAl)..................................................... 71 1.15. AulA 16: Análise de contrAtos ................................................................................................................... 92 1.16. AulA 17: licençA e cessão de mArcAs............................................................................................................ 93 1.17. AulAs 18 e 19: Jogo e ApostA. seguro.......................................................................................................... 120 1.18. AulAs 20 e 21: fiAnçA. .............................................................................................................................. 125 1.19. AulA 22: trAnsAção. compromisso. ........................................................................................................... 129 1.20. AulAs 23 e 24: leAsing.............................................................................................................................. 137 1.21. AulA 25: resultAdo dA diligênciA.............................................................................................................. 144 1.22. AulA 26: closing! .................................................................................................................................... 147

sumário

CONTRATOs Em EsPÉCIE

INTROduçãO

1.1 Visão Geral Bem-vindo ao Curso de Contratos em Espécie! Esta disciplina é de suma relevância, pois qualquer que seja o ramo do direito que venha a ser escolhido pelo aluno no futuro, seja público ou privado, uma boa base em direito civil, incluindo contratos em espécie, será sempre exigida. Aliás, independentemente do ramo de atividade escolhido, o conhecimento de contratos em espécie é fundamental, tendo em vista que diariamente nos deparamos com inúmeros contratos, seja, no aluguel de um imóvel, em um empréstimo no banco, ou mesmo na simples compra de uma passagem de ônibus. Veremos que o novo Código Civil (Lei nº 10.406/2002) incluiu, no rol de contratos em espécie, contratos que anteriormente eram tratados apenas pelo Código Comercial, como o contrato de comissão, agência e distribuição. Em nossas aulas estudaremos boa parte dos contratos nominados ou típicos, ou seja, aqueles disciplinados no Código Civil, assim como alguns contratos inominados ou atípicos, que, embora não sejam previstos e disciplinados expressamente pela lei, são lícitos e parte do dia-a-dia do intérprete do Direito, como o contrato de leasing e o contrato de cessão de marca.

1.2 objetiVos Gerais O mercado exige, cada vez mais, a participação do advogado como viabilizador do negócio, auxiliando o executivo a negociar o contrato e atuando sempre na advocacia preventiva. Desta forma, nosso objetivo, além de ensinar (é claro), será o de fazer com que o aluno conheça os diversos tipos de contrato e saiba identificar seus requisitos necessários e seus vícios para a conclusão do negócio. Queremos preparar o aluno não apenas para a prova, mas principalmente, provê-lo com as ferramentas (objetivo do curso) que o habilite a identificar as características dos principais contratos do nosso ordenamento jurídico, não só com a abrangência que a matéria requer, mas também com a profundidade necessária de um bom enfoque acadêmico e prático, para que, com isso, ele possa ter um diferencial na sua vida profissional.

1.3 MetodoloGia A metodologia do curso será participativa com exposição dialogada e debates sobre casos propostos. Na próxima aula apresentaremos o caso mestre, que será o fio condutor da disciplina. Por meio dele, os alunos serão convidados a integrar a equipe responsável pela análise de contratos em uma due diligence fictícia. Dessa forma, os alunos terão contato com as diversas espécies de contratos e com os possíveis problemas enfrentados no dia-a-dia de um advogado. Adicionalmente, em todas as aulas serão apresentadas questões, relacionadas ao tema exposto para que sejam debatidas em aula. Para tanto, vale lembrar que: – como todas as aulas serão participativas, a leitura prévia do material didático e da leitura obrigatória é indispensável. – a indicação da bibliografia obrigatória e da bibliografia complementar deve servir de base para o aluno. Espera-se, porém, que o aluno pesquise textos adicionais que possam dar enfoques diferentes ou mais profundos sobre o mesmo tema.
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Poderá ser atribuído até 2. A participação do aluno em aula valerá até 2.0 (dois) pontos. que será somado na segunda prova.0) 2 O aluno que obtiver média inferior a 7. nova data e horário serão divulgados com antecedência para os alunos. em casos práticos.0) + trabalho (5.0 (quatro) pontos. Prova escrita: Para ambas as provas o aluno poderá consultar a legislação pertinente. e (iv) participação em sala de aula. é saber aplicar o conhecimento teórico.0 (cinco) pontos.0 (oito) pontos. 1.. A princípio. para elaborar as respostas. adquirido a partir do estudo e de pesquisa. a média de aprovação a ser alcançada é de 6.0 (cinco) pontos e será somada ao trabalho que também valerá de 0 (zero) a 5.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.0 pontos na nota da segunda prova. As provas serão compostas de até cinco questões. (ii) uma prova escrita a ser realizada na última aula do curso.4 desafios Tendo em vista o grande número de contratos no Código Civil e a abrangência da matéria.0) + Segunda prova (8. A média do aluno será obtida da seguinte forma: Média final = primeira prova (5. nas quais o aluno deverá demonstrar o domínio da matéria em casos teóricos e práticos.0 (quatro) estará automaticamente reprovado na disciplina. A discussão de casos em todas as aulas servirá justamente para estimular o aluno a pensar a teoria na prática. a primeira prova será realizada na primeira semana de outubro e a segunda prova será realizada na semana de 21/11 a 24/11. deverá fazer uma prova final. A segunda prova valerá de 0 (zero) a 8.5 Métodos de aValiação O desempenho do aluno na disciplina Contratos em Espécie será avaliado por meio das seguintes atividades: (i) uma prova escrita a ser realizada no início de outubro. (iii) um trabalho a ser entregue individualmente pelos alunos. O aluno que obtiver média inferior a 4. sem comentários ou anotações. FGV DIREITO RIO 4 .0 (seis) pontos. Participação em aula: Os alunos deverão participar ativamente das aulas. e. conforme a participação do aluno durante o curso. salvo orientação distinta por parte do professor. Caso haja modificação no cronograma que implique em alteração na data das provas.0) + participação (2. conhecimento e discussão dos casos apresentados.0 (sete) e superior ou igual a 4.Manual do Professor. A primeira prova valerá de 0 (zero) a 5. leitura do material indicado. A avaliação por participação será feita com base no interesse demonstrado pelo aluno. a qual será obtida conforme fórmula constante no Manual do Aluno . Para os alunos que fizerem a prova final. presença e pontualidade nas aulas. um dos principais desafios a serem enfrentados pelos alunos nesta disciplina. somente com remissões a artigos e súmulas dos tribunais superiores.

6 atiVidades CoMPleMentares Dependendo do andamento das aulas. 1. as formas de solucioná-los. Ao longo do curso serão fornecidas mais informações sobre como elaborar o trabalho. quando possível.CONTRATOs Em EsPÉCIE trabalho: Na segunda semana de novembro. nova data e horário serão divulgados com antecedência para os alunos. FGV DIREITO RIO 5 . conforme os casos apresentados durante as aulas. Os pontos adicionais serão somados à nota da segunda prova. Caso haja modificação no cronograma que implique em alteração na data da entrega do trabalho.5 (meio ponto) cada uma. cada aluno deverá apresentar relatório apontando os problemas encontrados na diligência legal. seus riscos e. o professor poderá propor atividades adicionais que valerão 0.

Caio Mário da Silva. págs 59 a 77. a ele são aplicáveis os mesmos elementos constitutivos e os pressupostos de validade do negócio jurídico1. 3. Direito Civil.4. Rever aula 2 do curso de Teoria Geral das Obrigações e dos Contratos. 2002. III. São Paulo: Ed. – forma. e (v) extinção dos contratos. porém. 1 FGV DIREITO RIO 6 . Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. (ii) interpretação dos contratos. quando da substância do ato.2. págs. In ARRUDA Alvim.1. aprenderam os seguintes tópicos: (i) princípios da nova teoria contratual. eMentário de teMas: Introdução. biblioGrafia CoMPleMentar: • WALD. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 1. ElEmENTOS ESSENCIAIS. roteiro de aula a) introdução No semestre passado. Nosso curso será voltado ao estudo dos contratos em espécie. Hoje. Joaquim Portes de Cerqueira César e Roberto Rosas (coord).1. – idoneidade do objeto. os alunos tiveram oportunidade de fazer o curso de Teoria Geral das Obrigações e dos Contratos. Antonio Junqueira de. São elementos constitutivos: – vontade manifestada por meio de declaração. 2005.1. 2003. vol. Validade e Eficácia. Existência e validade do contrato.. Instituições de Direito Civil. 1. 27 a 48. • PEREIRA. (iii) formação dos contratos. b) existência e validade do contrato Sendo o contrato um negócio jurídico. Aspectos Controvertidos do Novo Código Civil. págs. 1.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.3. AulA 1: ClASSIfICAçãO dOS CONTRATOS.1. Saraiva.1. analisaremos os elementos e requisitos para existência e validade do contrato e a classificação dos contratos. • AZEVEDO. Arnoldo. 1. Silvio. A evolução do contrato no terceiro milênio e o novo Código Civil. São Paulo: Saraiva. (iv) revisão dos contratos. Classificação dos contratos. 30 a 35. 2002. Negócio Jurídico – Existência. Rio de Janeiro: Forense. Dentre outros. vol.1. biblioGrafia obriGatória: • RODRIGUES.

O donátario recebe algo do doador e nada lhe dá em retorno. cada autor tem um enfoque diferente ao tratar dessa matéria. Conforme bibliografia complementar. Exemplo: contrato de compra e venda de bem móvel. Qual é a importância de distinguir o contrato gratuito do oneroso?– Comutativos e aleatórios Essa distinção aplica-se apenas aos contratos bilaterais e onerosos. Estando ausente algum desses requisitos. no máximo. exige apenas o consentimento das partes. o mero acordo entre as partes não é suficiente para constituir o contrato. Uma mesma espécie de contrato pode ser classificada de inúmeras maneiras. – objeto lícito. Os requisitos de validade estão previstos no art. o contrato em si é um ato bilateral. conforme o ponto de observação do estudo. Nesta aula usaremos por base a metodologia de Silvio Rodrigues. mas recomendamos que o livro de Caio Mario da Silva Pereira2 também seja estudado. – forma prescrita ou não defesa em lei.CONTRATOs Em EsPÉCIE Caso um desses elementos não esteja presente. Já no contrato real. o contrato será nulo ou anulável O elemento novo e inerente ao contrato é o acordo entre duas partes sobre determinado assunto. C) Classificação dos contratos Qual é o objetivo de classificar os contratos? Embora haja consenso na doutrina sobre boa parte da classificação dos contratos. certo? Como podemos dizer que um contrato é unilateral? Qual é a importância de distinguir o contrato unilateral do bilateral? – Onerosos e gratuitos Os contratos onerosos envolvem sacrifícios e vantagens patrimoniais a ambas as partes. O exemplo tradicional de contrato gratuito é a doação sem encargo. o que ocorre é uma promessa de contratar. Qual é a importância de distinguir o contrato comutativo do aleatório? [ii – classificação dos contratos quanto ao seu aperfeiçoamento:] – Consensuais e reais O contrato consensual não requer a entrega do bem para aperfeiçoamento do contrato. possível. Relacionamos abaixo alguns exemplos: [i – classificação dos contratos quanto a sua natureza:] – Unilaterais e bilaterais Afinal. Já os contratos gratuitos envolvem sacríficio econômico para apenas uma das partes e consequentemente vantagem patrimonial a apenas uma delas. o negócio jurídico nem mesmo existirá. determinado ou determinável. 104 do Código Civil: – agente capaz. 2 FGV DIREITO RIO 7 .

trata-se do contrato que trata do assunto definitivamente. [v – classificação dos contratos quanto ao momento de sua execução] – Execução instantânea e de execução diferida no futuro Qual é a importância de distinguir o contrato de execução instantânea do contrato de execução diferida no futuro? [vi – classificação dos contratos quanto ao seu objeto] – Definitivo e preliminar O contrato preliminar tem sempre como objeto a realização de um contrato definitivo. existe em função de outro contrato. 425 da Lei nº 10. Como diz o próprio nome. A recíproca.CONTRATOs Em EsPÉCIE Isso ocorre. no mútuo. Há. [iv – classificação dos contratos quanto ao seu relacionamento com os demais contratos:] – Principais e acessórios O contrato que independe de outro para existir é o contrato principal. A fiança é um bom exemplo de contrato acessório ao contrato de locação. Como pela regra geral. O contrato acessório. Qual é a importância de distinguir o contrato solene do não solene? [iii – classificação dos contratos quanto a sua sistematização:] – Nominados e inominados Nominados são os contratos previstos e regulados por lei. porém. alguns casos em que o legislador achou por bem determinar forma para a validade do ato. por exemplo. As peculiaridades do contrato preliminar estão previstas nos arts. Inominados ou atípicos são os contratos que. por sua vez. em razão do princípio da autonomia da vontade (art.406/2002. não é verdadeira. nulo será o contrato acessório. se o mutuante não empresta o dinheiro ao mutuário. É o caso do contrato de compra e venda de imóvel de valor superior a 30 (trinta) vezes o maior salário mínimo vigente no país e que tem que ser feito por escritura pública (art.406/2002).406/2002). o contrato não se aperfeiçoa por mais que haja um contrato entre mutuante e mutuário. O contrato definitivo pode ter vários objetos. o acessório segue o principal. ou seja. 108 da Lei nº 10. – Solenes e não solenes Geralmente os contratos são não solenes. FGV DIREITO RIO 8 . se o contrato principal é nulo. não há forma prescrita em lei para que sejam válidos. 462 a 644 da Lei nº 10. já que o contrato principal sobrevive sem o contrato acessório. apesar de não estarem disciplinados em lei. conforme a espécie de contrato. no entanto. são permitidos quando lícitos.

joGo – disCussão eM sala de aula Contrato/ Classificação Unilateral Bilateral Oneroso Gratuito Comutativo Aleatório Consensual Real Solene Não solene Nominado Inominado Principal Acessório Execução Instantânea Execução diferida no futuro Definitivo Preliminar Paritário De adesão Compra e Venda locação doação Empréstimo fiança mandato fornecimento de energia FGV DIREITO RIO 9 . questões de ConCurso (Prova: 10º exame de ordem .5. Os artigos 423 e 424 mostram a preocupação do legislador em tentar preservar o aderente. ou seja.6. 1.1ª fase) o contrato real é um contrato: a. 1.1. cabendo a outra parte aceitá-las ou rejeitá-las em sua totalidade.1. Em que a entrega da res é pressuposto da sua existência. no contrato de adesão não há espaço para negociação. As regras foram previamente estipuladas por uma das partes. Que tem por objeto coisas corpóreas. Efetivamente existente. b. Formal. d. no qual as partes discutem os termos do negócio.CONTRATOs Em EsPÉCIE [vii – classificação dos contratos quanto à maneira como são formados] – Paritários e de adesão Ao contrário do contrato paritário. aquele que não pôde negociar as cláusulas do contrato. c.

Rodrigo R. A partir de então.2.2. BRUNA. Saraiva. In SADDI. 2002. em Brasília. Monteiro de. conseguiu convencê-los de que se tratava de uma chance de ouro para a família. quando nosso cliente a procurou para lhe fazer uma proposta de compra da Pechincha Ltda. o senhor Eduardo ampliou seus negócios e hoje é sócio majoritário de uma sociedade que possui uma modesta rede de supermercados. Sucessão Empresarial – Declarações e Garantias – O Papel da Legal Due Diligence. O que começou com uma loja de conveniência. São Paulo: Quartier Latin. a pequena empresa de Eduardo e Mônica foi experimentando um contínuo sucesso e o negócio foi crescendo junto com seus filhos gêmeos. FGV DIREITO RIO 10 . Silvio. 2002. 205-219. vendendo-lhes algumas posses.3. • RODRIGUES. Eduardo e sua mulher. 1. Jeremias e Maria Lúcia.2. foi brindada com uma oportunidade de expansão dos seus negócios. 1. São Paulo: IOB. Dessa forma. Sérgio Varella. o senhor Eduardo foi paulatinamente transferindo a administração de seus negócios para seus filhos. Maria Lúcia sempre teve tino para os negócios. Maristela Sabbag. In CASTRO. porém. Caso Gerador O Sr. biblioGrafia CoMPleMentar: • NEJM. e sempre foi capaz de enxergar uma boa oportunidade.).406/2002. que visava atender apenas a região. Cerca de dez anos após o começo das atividades. abriram o primeiro mercadinho.). com três lojas e um armazém. 137 a 169. de uma maneira geral. • ABLA.1. sendo que antes decidiu conferir a Eduardo e Mônica a condução dos seus negócios.2. 3.4. no interior de São Paulo. Reorganização societária. vol. alugando outras e. eMentário de teMas: Introdução – Natureza Jurídica – Elementos – Despesas do Contrato e Garantia – Riscos da Coisa – Limitações à Compra e Venda – Regras Especiais 1. AulA 2: CONTRATO dE COmPRA E VENdA 1. mesmo diante da resistência inicial de seus pais e seu irmão. 99-121. a Pechincha Comércio Varejista Ltda. Com o passar dos anos.. Fusões e aquisições: aspectos jurídicos e econômicos.2. Com o passar do tempo. págs. Direito Civil. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. 2005. Leandro Santos de (coords.2. São Paulo: Ed. págs. e recebeu autorização deles para iniciar as conversas com o interessado. Um velho comerciante de Brasília resolveu aposentar-se e voltar a morar com a filha. biblioGrafia obriGatória: • Arts. 481 a 504 da Lei nº 10. Due diligence – identificando contingências para prever riscos futuros. rapidamente ocupou um lugar cativo na vizinhança e a freguesia se tornou cada vez mais fiel. transferindo o fundo de comércio para a Pechincha Ltda. Edmundo. ARAGÃO. dona Mônica.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Jairo (org. na década de 80. págs.

por si só. sendo que outros contratos. Nesses casos. se o fizer. que é um investidor profissional.2. a obrigação de pagar o preço ajustado. com negócios na área atacadista pretende começar a atuar no segmento de distribuição alimentícia. estamos realizando pequenas operações de compra e venda. Não é à toa que essa é a primeira espécie a ser tratada pelo Código Civil. verbal ou escrito. não transfere.5. então. de forma que os potenciais compradores saibam o que realmente estão comprando. vislumbrou a possibilidade de expandir ainda mais os negócios. no caso de Dependendo do tamanho da empresa. com o exame criterioso de seus contratos. compramos um chiclete na barraquinha. dada a fidelização da clientela do senhor Eduardo. chamado de critério de materialidade. destacando todos os pontos e questões identificados durante o processo de diligência legal e que podem afetar a situação financeira e legal da companhia. Para tanto. Como você. A diligência legal tem por objetivo conhecer os aspectos jurídicos da empresa.CONTRATOs Em EsPÉCIE Nosso cliente. Como de costume em negócios deste gênero. presidida pelo senhor Odin Heiro. são regulados também pelas disposições do contrato de compra e venda. ou seja. quais são os riscos a que estaria submetido. e a escassez de bons supermercados na região. a tarefa de fazer a diligência legal na área de contratos da Pechincha Ltda. começaria o processo de diligência? Quais seriam os primeiros contratos que você solicitaria ao advogado da Pechincha Ltda. quando saímos para jantar. Por exemplo. é a espécie mais comum dos contratos. Isso normalmente se dá por meio de uma análise de todas as operações da empresa. trabalhistas. o domínio do bem alienado. como permuta. motivo que o levou a se interessar pela Pechincha Ltda. para o comprador. sejam eles tributários. Porém. O contrato de compra e venda não gera efeitos reais. O contrato de compra e venda gera: para o vendedor. muitas vezes é elaborado um relatório descrevendo a situação da empresa. Além disso. vamos ao supermercado. você concentraria mais sua atenção? Que problemas você vislumbra que ela pode ter nos contratos existentes? 1. a obrigação de transferir a coisa vendida. a transferência do domínio só ocorre com a tradição (entrega) do bem. nosso primeiro trabalho será realizar uma due diligence ou diligência legal ou auditoria jurídica na companhia Pechincha Ltda. contratos e demais áreas que envolvam valor igual ou superior ao critério de materialidade. deveremos solicitar todos3 os contratos da empresa a ser adquirida. a companhia Grana Certa Empreendimentos S/A. roteiro de aula a) introdução O contrato de compra e venda. muitas vezes sem prestar atenção. ambientais etc. os compradores estabelecem um valor base para análise dos aspectos jurídicos. Em nosso dia-a-dia realizamos inúmeras operações de compra e venda. O resultado de uma diligência legal pode determinar o sucesso ou não da operação e geralmente influi no preço a ser pago. bem como de uma tentativa de identificação de suas dívidas ou passivos mais relevantes. Ao fim do processo de diligência legal.? Quais os riscos que. cíveis. 3 FGV DIREITO RIO 11 . Coube a nós. considerando o negócio por ela desenvolvido. na qualidade de advogado da Grana Certa S/A. e. Esse relatório serve de instrumento para que o potencial comprador pondere se deve prosseguir com a aquisição do negócio. a diligência é feita apenas nos processos judiciais ou administrativos.

406/2002) Os artigos 481 e 482 da Lei 10. um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa. Pelo contrato de compra e venda. que a maioria esmagadora das operações de venda é feita sem formalidades específicas previstas em lei. A gratuidade da compra e venda. A compra e venda. Todavia. Na venda de bem imóvel de valor superior a 30 (trinta) vezes o maior salário mínimo vigente no país. a pagar-lhe certo preço em dinheiro”. embora não formalizada em contrato escrito. Tanto é assim que a compra de um chiclete no baleiro da esquina perfaz uma compra e venda perfeita. necessitam de um determinado registro para que a tradição do bem – apesar de móvel – tenha sua eficácia plena. Importante: o contrato de compra e venda de imóvel realizado por meio de instrumento particular é negócio jurídico existente. O comprador deve entregar o preço enquanto o vendedor deve entregar a coisa. podemos extrair a natureza jurídica e os elementos do contrato de compra e venda. quando pura. considerar-se-á obrigatória e perfeita. inclusive perante terceiros.406/2002 dispõem: “Art. mas somente entre as partes. em regra. [oneroso] Tanto o comprador quanto o vendedor tem prestações a cumprir. [sinalagmático (ou bilateral)] Envolve prestações recíprocas de ambas as partes.267 e 1. Cite um exemplo.CONTRATOs Em EsPÉCIE bem móvel. Estando ambas de acordo com o objeto e o preço. C) elementos: Os elementos do contrato de compra e venda encontram-se destacados em negrito no artigo 482 acima. o contrato é realizado. não se pode esquecer que. e o outro. desfigura o contrato. desde que as partes acordarem no objeto e no preço”. Pode-se dizer. 482. b) natureza jurídica: [consensual e (em regra) não solene] Depende apenas da vontade das partes. Não se exige. válido e plenamente eficaz. 481. que envolvem transferência de seu patrimônio. que só será obrigatória quando prevista especificamente em lei. “Art. é necessária a realização de contrato escrito mediante escritura pública e seu registro no RGI para que gere efeitos perante terceiros. quais sejam: FGV DIREITO RIO 12 . Existem outros contratos que. e com o registro do título de compra no Registro de Imóveis na hipótese de bem imóvel. A partir da leitura desses dois artigos. O correspondente gratuito da compra e venda é a doação. sem medo de errar. expressa na desproporção manifesta entre o valor da coisa transferida e o preço acordado. (arts. para algumas espécies de compra e venda. 1. a observância de determinadas formalidades poderão alterar os efeitos do contrato. formalidade específica para o contrato de compra e venda.245 da Lei n° 10. embora não necessitem de formalidades especiais para seu aperfeiçoamento.

estabelecer regra diversa. ser ajustado no tempo. Pode o preço. Mônica. Tanto é assim. em certo e determinado dia e local. Um pouco constrangido (a) com a situação. Os bens imateriais. porém. todas as coisas que não estejam fora do comércio podem ser objetos do contrato de compra e venda. Ele representa a obrigação de transferir um bem no presente ou no futuro. mesmo após a tradição do objeto o preço pode estar sujeito a ajustes posteriores. você explica que esse presente. o contrato de compra e venda não transfere o domínio do bem. inclusive. também podem ser alienados. [coisa] Em teoria. mesmo antes da construção dos prédios. pois nesse caso seria uma hipótese de condição potestativa4. a lei permite que o preço não esteja determinado no contrato e que as partes indiquem: (i) terceiro para fixá-lo. ou (ii) taxa do mercado ou da bolsa. as despesas de escritura e registro ficam a cargo do comprador e as despesas com a tradição ficam sob responsabilidade do vendedor. 4 FGV DIREITO RIO 13 . embora possa ter muito valor sentimental. ou seja. A fixação do preço em regra segue o livre consentimento das partes. qualquer fórmula estipulada para fixação do preço é permitida. Sendo assim. o preço não deve ser irrisório. Por quê? Isso não quer dizer. conta que está super empolgada com o presente que ganhou do namorado. E agora? Não é possível. Sua amiga. de acordo com a combinação das partes. no direito brasileiro.406/2002. pois senão pode ser considerado uma doação e não uma compra e venda. não tem qualquer valor econômico. Marvin (comprador) e Vital (vendedor) firmaram contrato de compra e venda no qual deixaram de definir o preço. desde que possam ser determinados objetivamente. Ou seja. estabelecer que o preço será fixado de acordo com a vontade de apenas uma das partes. ou intangíveis. Qual seria um outro exemplo de venda de coisa futura? d) despesas do contrato e garantia Em regra. vedada pela Lei n° 10. deve haver uma proporcionalidade entre o valor da coisa e seu preço. como as marcas e o fundo de comércio. o preço deve ser pago em dinheiro. Relembrando: Condição potestativa é aquela que é sujeita ao puro arbítrio de uma das partes. que é possível alienar um empreendimento imobiliário. O preço deve ser determinado ou determinável. Como visto acima. Por quê? Além disso. porém. – É possível alienar algo que não existe? Nada impede que seja contratada a alienação de um bem que ainda não existe.CONTRATOs Em EsPÉCIE [consentimento ] Comprador e vendedor têm que chegar a acordo quanto ao objeto e o preço. Imagine que Eduardo inovou desta vez: comprou-lhe a constelação das Três Marias!!! Ela lhe pergunta quanto vale esse presente. [preço] Conforme artigo 481 da Lei n° 10. As partes podem. que só podem ser objetos de venda os bens tangíveis. Como vimos anteriormente. entretanto. ou (iii) índices ou parâmetros.406/2002.

até que aquela satisfaça a que lhe comete ou dê garantia bastante de satisfazê-la”. a coisa se deteriora. Esta hipótese é uma exceção ao princípio da Res perit domino. os riscos da coisa correm por conta do vendedor. No caso. até o momento de sua efetiva entrega ou registro. ainda que em hasta pública.CONTRATOs Em EsPÉCIE No contrato de compra e venda à vista. Porém. Tendo em vista que a celebração do contrato de compra e venda não é suficiente para transferir o domínio da coisa até o momento da tradição (para bens móveis) e do registro (para bens imóveis). que o vendedor arcasse com os riscos da coisa. ou que estejam sob sua administração. Essa regra do art. no art. sofrendo este os prejuízos. testamenteiros e administradores não podem comprar. quem tem que cumprir primeiro com sua obrigação: o vendedor ou o comprador? Além disso. ainda que em hasta pública. pode a outra recusar-se à prestação que lhe incumbe. Há uma diferença entre elas. tempo e modo acertado. os riscos com a coisa correm por conta do comprador quando: – a coisa encontra-se à disposição do comprador para que ele possa contar. Esse princípio foi utilizado pelo legislador ao determinar. que “até o momento da tradição. sobrevier a uma das partes contratantes diminuição em seu patrimônio capaz de comprometer ou tornar duvidosa a prestação pela qual se obrigou. secretários de tribunais. a coisa continua a pertencer ao alienante. – o comprador solicita que a coisa seja entregue em local diverso daquele que deveria ser entregue. Isto ocorre nas seguintes situações: – tutores. marcar ou assinalar a coisa e. peritos e outros serventuários ou auxiliares da Justiça não podem comprar. – servidores públicos não podem comprar. juízo ou conselho. os bens ou direitos da pessoa jurídica a que servirem. no lugar onde servirem. 492. 477 da Lei nº 10. em razão de caso fortuito ou força maior. – o comprador está em mora de receber a coisa. arbitradores. – juízes. curadores. Essa vedação não resulta da incapacidade das pessoas para realizar essa operação. ou a que se estender a sua autoridade. f) limitações à compra e venda A lei veda que determinadas pessoas participem de compra e venda. eles não têm legitimidade para realizar determinadas operações. até que o comprador lhe dê garantia de que efetuará os pagamentos no prazo ajustado. uma vez que cumpriu sua parte do contrato. os riscos com a coisa são do vendedor. no caso de venda a termo. ainda que em hasta pública. Art. Não seria justo. 495 está em consonância com a previsão da exceção de contrato não cumprido5 estudada anteriormente. – houver mútuo acordo entre as partes. os bens ou direitos sobre que se litigar em tribunal. depois de concluído o contrato. 5 FGV DIREITO RIO 14 .406/2002: “se. pois neste caso não houve a tradição da coisa. entretanto. mas sim da posição na relação jurídica. e os do preço por conta do comprador”. direta ou indireta. o vendedor pode deixar de entregar a coisa. se o comprador torna-se insolvente. Qual é? e) riscos da coisa Res perit domino – princípio segundo o qual a coisa perece em poder de seu dono. Por isso. os bens confiados à sua guarda ou administração. que foi posta à disposição pelo vendedor no local.

Oneroso. FGV DIREITO RIO 15 . caso verifique que as medidas do imóvel adquirido não correspondem exatamente as medidas que constaram do contrato. b. – descendentes não podem adquirir bens do ascendente. No caso de venda ad mensuram. Bilateral. o contrato de compra e venda de imóveis se apresenta da seguinte forma: a. O que ocorre se houver mais de um condômino interessado em adquirir a quota parte a ser alienada? G) regras especiais [venda por amostra] Ocorre quando a venda ocorre com base em amostra exibida ao comprador. o comprador não teria esse direito. os bens de cuja venda estejam encarregados. Venda ad corpus – as partes estão interessadas em comprar coisa certa e determinada. o comprador tem o direito de exigir que a coisa vendida tenha as medidas acertadas e não o tendo pode pedir a complementação da área. bilateral. ele precisa oferecer aos demais condôminos sua parte pelo mesmo preço e condições pelos quais pretende vender a terceiros. questões de ConCurso (Prova: 29º Exame de Ordem . sem consentimento expresso dos demais descendentes e do cônjuge do alienante. Já no caso de venda ad corpus. Consensual. não formal e consensual. Nestes casos. [defeito oculto nas vendas conjuntas] “Art.6. Exemplo: Fazendeiro tem interesse em adquirir a Fazenda Boa Esperança. por vezes essa distinção se faz necessária em razão das regras peculiares a cada uma. Exemplo: Fazendeiro tem interesse em adquirir mil hectares para poder plantar.1ª fase) Quanto à classificação. Embora em alguns casos seja difícil determinar se a venda foi feita ad mensuram ou ad corpus. entende-se que a referência à medida do terreno é meramente enunciativa. bilateral. O objetivo do adquirente é comprar uma coisa com determinado comprimento necessário para desenvolver uma finalidade. o defeito oculto de uma não autoriza a rejeição de todas”. oneroso. bilateral. c. O comprador tem direito de receber coisa igual à amostra. formal e aleatório. 503. Consensual.2. oneroso e solene. ainda que em hasta pública. oneroso e não solene. Quais são elas e como esse artigo deve ser interpretado para atenuar as críticas? 1.CONTRATOs Em EsPÉCIE – leiloeiros e seus prepostos não podem adquirir. ou seja. desde que dê direito de preferência aos demais condôminos. ou caso isso não seja possível. rescindir o contrato de compra e venda. [venda ad corpus e venda ad mensuram] Venda ad mensuram – as partes estão interessadas em uma determinada área. d. independentemente da extensão. Esse artigo sofre críticas de importantes autores. Nas coisas vendidas conjuntamente. Quais são os motivos pelos quais o legislador resolveu restringir a aquisição pelas pessoas elencadas acima? O condômino de coisa indivisível pode alienar sua parte a terceiros.

Ao vendedor. A título gratuito.1ª fase) Considerando-se o instituto da tradição no direito civil. d. antes de vendê-la a um estranho. Ao comprador. Comutativo. deve.1ª fase) A compra e venda de bens móveis é contrato: a. Unilateral. incapacidade de fato. podendo haver disposição em contrário (Prova: 05º Exame de Ordem . NÃO É CORRETO afirmar: a. O condômino em coisa indivisível. (Prova: 05º Exame de Ordem .NOTA INTRODUTÓRIA: Alguns dos documentos solicitados podem não existir ou não ser aplicáveis à sociedade objeto da diligência legal e. É válida a venda de ascendente solteiro a descendente. (Prova: 03º Exame de Ordem . Executam-se as obrigações assumidas verbalmente. Desde que haja capacidade. c. configura: a. não cabendo demanda quanto a uma eventual diferença nas medições d. falta de capacidade. c.1ª fase) A proibição de venda do ascendente aos descendentes sem a concordância dos demais. dar direito de preferência na aquisição. b. Formal. Modelo de lista de due diliGenCe DILIGÊNCIA LEGAL Durante a diligência legal serão analisadas cópias dos documentos abaixo discriminados. que obtém o consentimento dos demais descendentes. não existe proibição. a todas as suas controladas e coligadas. b. Falta de legitimação. I . Falta de legitimação. Neste caso.2. Necessariamente ao vendedor c. d. Falta de aptidão intrínseca do agente. podendo haver disposição em contrário d. d. Não se transfere o domínio dos bens móveis. Transfere-se o domínio dos bens móveis. podemos afirmar que: a.CONTRATOs Em EsPÉCIE (Prova: 27º Exame de Ordem . referentes à sociedade limitada a ser adquirida e. Transfere-se o domínio de qualquer bem imóvel. 1. se for o caso. se for o caso. quando da realização de avença c. c.1ª fase) A quem cabem as despesas com a escritura de compra e venda de imóvel residencial? a. Na venda “ad mensuram” as referências às dimensões do imóvel são meramente enunciativas. aos demais condôminos (Prova: 26º Exame de Ordem .7. a suas controladas e coligadas. Necessariamente ao comprador b. ao desejar vender a sua parte no bem. É nula a pactuação firmada que deixa ao exclusivo arbítrio de uma das partes a fixação do preço b. FGV DIREITO RIO 16 . tanto por tanto. ainda que haja capacidade.1ª fase) Com relação ao contrato de compra e venda. bastará que a sociedade formule declaração por escrito nesse sentido. b.

as certidões a serem providenciadas deverão abranger a matriz e todas as filiais. Organograma societário da sociedade. contratos de assistência técnica e/ou contratos de franquia ou outros contratos envolvendo bens de propriedade intelectual eventualmente firmados pela sociedade. situação (adimplemento ou inadimplemento). incluindo suas funções e responsabilidades. Registro das ações ou quotas de outras sociedades de que participa a sociedade. associação ou “joint venture”. FGV DIREITO RIO 17 . 4. se existentes. incorporação e fusão em que tenha sido parte a sociedade ou tendo por objeto suas quotas. bem como respectivas cópias. contratos de transferência de tecnologia. direito autoral. Planos de Opção de Compra de Ações/Quotas oferecidos aos seus administradores e/ou empregados. patentes. Fornecer lista elaborada pela administração da sociedade contemplando todos os contratos em vigor dos quais a sociedade seja parte signatária ou interveniente. representação comercial e de fornecimento (ativo ou passivo) envolvendo a sociedade. 12. 19. Certidão de Breve Relatório da Junta Comercial competente. com identificação de seus sócios. cópia das publicações exigidas em lei. 6. 15. Todos os Livros Societários da sociedade. Protocolos de cisão. 3. Relatório indicando todas as procurações outorgadas pela sociedade (ad judicia e ad negotia). membros da administração da sociedade que ocupam e/ou ocuparam tais cargos durante os últimos 02 (dois) anos. Em caso de cisão ou redução do capital social da sociedade. com comprovantes de arquivamento na Junta Comercial e respectivas publicações. 5. vencimentos. depósitos e quaisquer outras operações da sociedade. Contrato constitutivo da sociedade e respectivas alterações contratuais posteriores. Solicitamos que os documentos sejam ordenados e/ou relacionados seguindo a ordem e numeração constante deste check list. coligadas. garantias.ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DA SOCIEDADE: 1. 16. Contratos de consórcio. tendo por objeto as quotas da sociedade. informando objeto. 18. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de distribuição. subsidiárias. Opções. prazo e com o fornecimento das respectivas cópias. acompanhados dos respectivos certificados de averbação no INPI e de registro no Banco Central. bem como as suas respectivas publicações. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de licença e/ou cessão envolvendo marcas. Acordo de Sócios e Aditivos. 21. Convenção de grupo de sociedades de que a sociedade participe. III . 10. cláusulas estabelecendo proibição de ultrapassar determinado limite entre capital próprio e capital de terceiros (“debt/ equity”) e etc.CONTRATOs Em EsPÉCIE Se a sociedade mantiver filiais. Demonstrações financeiras da sociedade. 14. promessas de compra e venda. 9. valor. controladas e demais sociedades nas quais participe. II . 20. Lista de endereços completos de todos os escritórios. 11. a fim de agilizar o procedimento de sua identificação e análise.CONTRATOS: 17. bem como Atas de Assembléias ou Reuniões de Sócios. Lista dos nomes dos sócios. 7. 13. arquivados ou não na sede da sociedade.). 2. filiais (com os respectivos números de inscrição no CNPJ). 8. desenhos industriais. cauções e outros gravames. especialmente o de Atas de Assembléias ou Reuniões de Sócios. Fornecer cópias dos modelos de contratos-padrão utilizados pela sociedade. Informar sobre a eventual existência de inadimplemento de cláusulas contratuais contendo obrigações de caráter econômico-financeiro (tais como cláusulas limitando o futuro endividamento da sociedade.

32. 31.. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantias reais (e. 27. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantia pessoal (e. e/ou outros instrumentos de natureza financeira. 31. com a informação. 28. ainda. 30. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de prestação de consultoria. 33. 31. 23. 31.1. incluindo. hipoteca. 36. se de conhecimento da mesma. penhor. Marcas. arrendamento mercantil ou comodato de bens imóveis ou móveis. Serviços técnicos. Manutenção de hardware.g hipoteca. Informar sobre e fornecer cópia de contratos na área de tecnologia da informação. 24. tais como: 31. 42. Locação de hardware.2. 38. Desenvolvimento de software. Processos administrativos e/ou judiciais envolvendo os bens de propriedade intelectual da sociedade.PROPRIEDADE INTELECTUAL: Solicitamos informações e cópias de todos os bens e documentos referentes à propriedade intelectual da sociedade no Brasil e em outros países.g.CONTRATOs Em EsPÉCIE 22. 39. que qualquer referência a contratos inclui seus aditivos e anexos. ou modifiquem seus termos. acordos laterais etc. Informação acerca de segredos de negócio de propriedade da sociedade. Informamos. Licenciamento de software. 37. 25. FGV DIREITO RIO 18 . Informar sobre e fornecer cópia de Cartas de Conforto (comfort letters) ou quaisquer instrumentos. 31. bem como comprovação de poderes de representação do signatário do garantidor. 26. Informar sobre e fornecer cópia de documento de constituição de garantias pessoais (e. mas não se limitando a: 35. 40. Todos os softwares utilizados pela sociedade. aval) em favor da sociedade. penhor. IV . caução) em favor da sociedade e respectivas certidões ou. que não tenham sido previstos na presente lista. 41. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de prestação de serviços de publicidade e propaganda. assistência técnica ou serviços de qualquer outra natureza. da eventual cessão pelo beneficiário das referidas notas. Fornecer todas as apólices de seguros contratados. instrumentos tendo por objeto alienação fiduciária de bem da sociedade ou compra e venda com reserva de domínio. finalmente. 29. ainda. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantias reais (e. aval) concedidas pela sociedade em favor de terceiros. Manutenção de software.6.g fiança. cartas de intenção ou entendimentos com terceiros em que a sociedade figure como parte. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de empréstimo ou financiamento (inclusive por meio de emissão de valores mobiliários).5. patentes e/ou desenhos industriais depositados/registrados. Nomes de domínio registrados pela sociedade. 34. cujas cópias deverão ser igualmente fornecidas. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de locação. 31. instrumentos tendo por objeto alienação fiduciária e compra e venda com reserva de domínio.4. Todos os softwares criados pela sociedade.g fiança. Processos administrativos apresentados contra marcas de terceiros no Brasil e/ou no exterior. caução) concedidas pela sociedade em favor de terceiros ou. Informar sobre e fornecer cópia de Notas Promissórias emitidas pela sociedade.3. Informar sobre e fornecer cópia de compromissos. Obras intelectuais de titularidade da sociedade. que definam o modo de cumprimento de cláusulas contratuais. correspondências.

com negativa de ônus/servidões/alienações. Prova da propriedade dos bens imóveis da sociedade. cujas decisões foram proferidas nos últimos 5(cinco) anos. etc.CONTRATOs Em EsPÉCIE 43. Relatório atualizado discriminando parcelamentos de tributos da sociedade e/ou participação em programas de recuperação fiscal (“REFIS” ou “PAES” . 55. estadual ou municipal). estadual ou municipal.00 (dez mil reais) integrados ao ativo da sociedade. (iii) número de parcelas. inclusive certidões atualizadas com filiação vintenária. Prova da propriedade dos bens móveis de valor individual acima de R$10. direitos de retenção ou qualquer outra forma de restrição de qualquer natureza sobre qualquer ativo da sociedade listando tais ativos e os relacionando aos respectivos processos judiciais ou administrativos. 50. expedidas pelos Municípios onde se encontram os imóveis da sociedade.000. FGV DIREITO RIO 19 . (v) garantia oferecida.PROPRIEDADES E ATIVOS: 44. indicando (i) forma do aproveitamento: compensação com outros tributos. Pareceres dos auditores independentes. formalmente protocoladas perante os órgãos da administração tributária. V . repetição do indébito. estaduais ou municipais) concedidos à sociedade. etc. 52. Informações sobre aproveitamento de créditos tributários. nos níveis federal.no âmbito federal. indicando: (i) tributo parcelado. já em reais. ainda. (iii) existência ou não de medida judicial que permita a utilização dos créditos. garantias. (ii) valores envolvidos. 46. 53. a existência de eventuais requerimentos ou questionamentos pendentes quanto aos mesmos. 49. Caso a sociedade possua bens imóveis: 45. para fins de auditoria. (iv) quantidade de parcelas pagas. cartas de representação e/ou outras informações formais prestadas pelos administradores aos auditores. com a indicação. As 3 (três) últimas demonstrações financeiras e os 3 (três) últimos Balancetes consolidados da sociedade. Relatório atualizado identificando todos os eventuais benefícios fiscais e/ou tratamentos fiscais (federais. Fornecer toda documentação (Instruções Normativas. VI – ASPECTOS FISCAIS: 48. Toda e qualquer documentação relativa a penhores. Certidões negativas do INSS relativas aos bens imóveis da sociedade. bem como da ausência de aforamento (enfiteuse). de todos os valores pendentes de tributação eventualmente registrados na parte B e demonstrativo do prejuízo fiscal acumulado e da base negativa da Contribuição Social.) relacionada ao regime especial e/ou benefício fiscal concedido à sociedade até a presente data. declarações. Informar. utilização de créditos extemporâneos. já utilizados e a utilizar. dos registros de imóveis competentes. Disponibilizar o LALUR referente ao último ano. 47. (vi) documentação apresentada à autoridade fiscal competente discriminando os débitos fiscais incluídos no REFIS e/ou PAES e (vii) prova de quitação de todos os pagamentos até a presente data. com a mesma data do último Balancete que será disponibilizado. acompanhados dos receptivos termos. Consultas fiscais. Certidões negativas relativas ao IPTU. 51. (ii) início do parcelamento. envolvendo a sociedade. Portarias. referente aos últimos 05 (cinco) anos. 54.. tendo por objeto matéria tributária. Qualquer outra documentação que seja relevante e/ou que afete os bens de propriedade intelectual da sociedade.

instauradas por órgãos governamentais ou terceiros. 59. Certidão de Quitação do FgTs. em curso em nome da sociedade. Fornecer Relatório elaborado pelos advogados responsáveis pelos respectivos casos. 60. ainda. expedidas pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Secretaria Estadual de Fazenda e Secretaria Municipal de Fazenda indicando os processos administrativos. com a indicação de: (i) tributo envolvido. relativamente a tributos federais. judiciais e administrativos. Criminais e Fiscais. contestação.LITígIOs JUDICIAIs OU ADmINIsTRATIVOs: Certidões: 56. (vii) chances de êxito e respectivo critério utilizado. inclusive parcelamentos em andamento. recursos e acórdãos. notificações. identificando todos os eventuais processos fiscais. passadas em nome da sociedade. Falências e Concordatas (i. e. Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais processos de desapropriação em que a sociedade figure como autora. Fornecer originais de Certidões atualizadas dos cartórios distribuidores de ações da Justiça Federal. em nome da sociedade. pendentes (nos quais a sociedade figure como autora. Fornecer originais de Certidões atualizadas passadas por todos os Cartórios de Protestos das comarcas onde a sociedade mantém estabelecimentos ou filiais. (viii) provisões e/ou depósitos judiciais e (ix) quaisquer informações relevantes com respeito a tais processos. sentenças. Certidões da Justiça Federal dos Distribuidores de Ações e Execuções Cíveis. 66. abrangendo feitos Cíveis. bem como de relatório emitido pela Secretaria da Receita Federal. (iv) andamento (status) atualizado. 57. Caso tenha havido alteração de sede nos últimos 05 (cinco) anos.. inicial. Fornecer originais de Certidões de Dívida Ativa – (CDA) em nome da sociedade. pendentes de julgamento. ainda não inscritos em dívida ativa. Criminais e Fiscais e Certidões da Justiça Estadual dos Distribuidores Cíveis e Fiscais e Certidões dos Distribuidores da Justiça do Trabalho). judiciais e administrativos em que a sociedade seja parte ou tenha interesse.e. tais como. e referentes a processos administrativos. 64. abrangendo todas as suas filiais. 61. 65. as duas últimas para cada estado ou município onde a sociedade possui estabelecimentos. Composição analítica das principais contas que compõem depósitos judiciais e provisões para contingências fiscais e suas correlações com os processos fiscais administrativos e judiciais em andamento. (vi) valor da causa. estaduais e municipais. Estadual e municipal. com a estimativa de valores envolvidos. COFINS. despachos. (ii) foro. execução ou cumprimento. CSLL. ré ou terceira interessada) ou em vias de ser iniciados. FGV DIREITO RIO 20 . Relatórios: 62. PIS). favor solicitar as certidões aplicáveis também em relação ao(s) antigo(s) endereço(s). Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais intimações.e. 58. Certidões de quitação de Tributos Estaduais (ICms) (Certidão de quitação de Tributos Estaduais) e Certidões de quitação de Tributos municipais (ISS) (Certidão de quitação de Tributos Municipais). cobrindo o período de 10 (dez) anos (i. Certidões dos Cartórios de Protestos de Letras e Títulos). IPI. com relação a cada um de seus estabelecimentos ou filiais. inspeções ou investigações realizadas. Fornecer originais de Certidões atualizadas do INss (CND). Fornecer originais de Certidões de quitação de Tributos e Contribuições Federais – “CQTF” (IR. (iii) objeto e fundamentos do pedido. (v) valores envolvidos (atualizados ou em UFIR). Justiça Estadual e Justiça do Trabalho das comarcas da matriz e onde a sociedade mantém estabelecimentos ou filiais. bem como Trabalhistas. Interdições e Tutelas. Disponibilizar cópias das peças fundamentais dos processos fiscais..CONTRATOs Em EsPÉCIE VII . 63.

Relatório identificando todos os empregados. cópia do modelo de autorização de desconto salarial relativo aos benefícios concedidos. Há empregados recebendo benefícios tais como. Relação dos empregados que utilizam telefone celular ou equipamento similar. 75. Indicar se houve homologação do plano pelo Ministério do Trabalho. ficando à disposição da sociedade. Fornecer Documentos e relatórios (inclusive os Termos de início e encerramento de fiscalização tributária) contendo informações sobre eventuais intimações. (iii) existe autorização dos empregados para o desconto. Horário de trabalho. 70. auxílio educação. inclusive banco de horas. Relativamente à alimentação.2. planos de saúde. Acordos de compensação e de prorrogação da jornada de trabalho. Fornecer Relatório contendo informações sobre processos administrativos que envolvam as sociedades controladas ou coligadas. (iii) cargo ou função. férias e décimo terceiro salário. auxílio moradia. Fornecer Cartas encaminhadas pelos advogados externos aos auditores independentes sobre processos judiciais e administrativos. Relativamente à remuneração. Informar o saldo atual de horas trabalhadas e ainda não compensadas pelo “banco de horas”. 69. FGV DIREITO RIO 21 . (ii) existem empregados que optaram pelo não recebimento. Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais reclamações baseadas em defeitos constatados nos produtos fabricados pela sociedade (“product liability”) ou em garantias concedidas pela sociedade na venda dos produtos. 74. relatório informando: 75.2. se existente. despesas de representação.3. 73. inspeções ou investigações realizadas. Informar a forma de remuneração das horas à disposição. notificações. Caso afirmativo. 73. se houver.1. (ii) local de trabalho. VIII – AsPECTOs TRABALHIsTAs: 71. e (iv) salário atual (partes fixas e variáveis). Imposto de Renda. instauradas por órgãos governamentais ou terceiros. horário de intervalo e dia de folga semanal dos empregados. bonificações ou ajudas de custo? Quais funções recebem as ditas parcelas? Qual o critério de pagamento? 74. Relativamente à jornada de trabalho. Quais as verbas percebidas além do salário fixo e horas extras? Há empregados recebendo comissões.CONTRATOs Em EsPÉCIE 67. Cópia do plano de cargos e salários. relatório informando: 73. Informar eventuais horários de trabalho diferenciados por setor ou sistemas de revezamento.1. Como é feito o controle de horário? A anotação é feita pelo próprio empregado ou por pessoa específica? Onde são feitas tais anotações? Os empregados assinam tal registro? 73. com indicação das respectivas funções e salários.1. A alimentação é fornecida pela própria sociedade ou são concedidos vales-refeição? Há desconto no salário ou é fornecida gratuitamente? 75. 73. A sociedade participa do PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador? Caso positivo. Conselho Nacional de Política Salarial ou norma coletiva.4. contendo (i) data de admissão. 72. previdência privada. gratificações. apresentar cópia dos comprovantes anuais de inscrição. 68. contrato por prazo determinado etc. auxílio alimentação etc. (vi) o benefício integra o salário para efeito de cálculo do FGTS. 76.? Qual o critério de pagamento de cada benefício? É efetuado desconto no salário? Caso haja desconto. relatório informando: 74. informar se: (i) os empregados podem optar por tais benefícios.2. uso de automóvel. prêmios. Relação dos empregados não subordinados a controle de horário. Cópia dos modelos de contrato de trabalho (contrato de experiência. Previdência Social.) e do regulamento interno ou regulamento de pessoal da sociedade.

Licenças Ambientais: Licenças Prévias.). 86. 90. Cópia do plano de opção de compra de ações. (iv) a quem estão subordinados. esclarecer os critérios do plano. explicitando os critérios de tal provisão. por amostragem. 82. apresentar relação dos atuais integrantes e cópias das atas de reunião dos últimos 02 (dois) anos. telefonistas. das respectivas rescisões do contrato de trabalho e homologação pelo Sindicato ou pela DRT. 79. motoristas e profissionais liberais). tais como petição inicial. do programa de opção de compra de ações e a relação dos empregados e executivos elegíveis a tal plano. empregados com cargo de direção em sindicatos ou associações profissionais. Registros e inscrições da sociedade junto às autoridades fiscais federais.).CONTRATOs Em EsPÉCIE 77. acaso existentes. 80. 78. IX . de Instalação e Funcionamento emitidas pelo órgão ambiental competente. 81. (ii) foro. (iii) quem controla os serviços de tais empregados (a sociedade ou a prestadora de serviços). Relação dos empregados desligados da sociedade nos últimos 02 (dois) anos. autos de infração. ações civis públicas ou outras ações de natureza trabalhista. Cópia das convenções coletivas. ISS. Cópia de Plano de Participação nos Lucros e/ou Resultados. (iii) pedidos. 87. bem como cópias. X – AsPECTOs AmBIENTAIs: 93. inquéritos administrativos. cálculos homologados e depósitos efetuados. 85. Cópia do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). acordos. A sociedade instituiu. Relatório identificando todos os empregados com estabilidade permanente ou temporária (CIPA. FGV DIREITO RIO 22 . Relatório identificando todas as reclamações trabalhistas e procedimentos administrativos (DRT e MPT) em curso contra a sociedade. Informar o valor da provisão com relação aos processos judiciais e administrativos em andamento. inclusive termos aditivos. INSS. acordos coletivos. decisões judiciais proferidas em dissídio coletivo. (vi) estimativa dos valores envolvidos. contendo (i) partes envolvidas. Cópia dos termos de ajustamento de conduta. 91. (ii) se trabalham diariamente nas dependências da sociedade. alvará da prefeitura etc. empregados acidentados. Informar o valor despendido pela sociedade com o pagamento de tal participação. etc. (vi) número de trabalhadores envolvido. Cópia das principais peças de todas as ações trabalhistas em curso contra a sociedade. (v) período dos serviços. empregadas grávidas. cooperativas. Cópia do Livro de Inspeção do Trabalho de todos os estabelecimentos da sociedade. (vii) estimativa de êxito. cálculos de liquidação. 88. Foram ajuizadas reclamações trabalhistas em razão do plano de demissão? 83. (vi) valores mensais pagos e se a sociedade exige mensalmente os comprovantes de recolhimento previdenciário e do FGTS.APROVAÇÕEs gOVERNAmENTAIs E LICENÇAs: 92. A sociedade tem organizada a CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes? Caso positivo. 84. plano de demissão incentivada? Caso afirmativo. ou dissídios próprios para categorias diferenciadas (secretárias. Há serviços terceirizados na sociedade? Apresentar cópia dos contratos de prestação de serviços firmados com empresas prestadoras de serviços. estaduais e municipais (tais como CNPJ. empresas de mão-de-obra temporária ou trabalhadores autônomos e relatório informando: (i) se os empregados alocados para atender a sociedade são sempre os mesmos. se houver. decisões proferidas em todas as instâncias. Cópia dos Autos de Infração lavrados contra a sociedade nos últimos 02 (dois) anos e respectiva defesa/decisão administrativa/recurso ou guia comprovando pagamento da multa administrativa. nos últimos 05 (cinco) anos. Informar se são observadas convenções. bem como fornecer respectivos documentos. 89. e (v) situação atual.

CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE QUOTAS [NOmE E QUALIFICAÇÃO]. Inscrição no Cadastro Técnico Federal das Atividades Potencialmente Poluidoras.000 (quinze mil) quotas representativas de 50% (cinqüenta por cento) do capital social da sociedade (“Quotas”).1 abaixo. a totalidade de suas Quotas representativas do capital social da sociedade ao Comprador. O Vendedor. 96. entre si. Certificado de Licença de Funcionamento emitido pelo Ministério da Justiça. e (ii) O Vendedor deseja alienar as Quotas. FGV DIREITO RIO 23 . O Vendedor e o Comprador (doravante referidos simplesmente como “Partes”) têm.CONTRATOs Em EsPÉCIE 94.Taxa de Controle de Fiscalização Ambiental. 105. Certidão de Uso do Solo. o Vendedor cede e transfere. Licença de substâncias sujeitas a controle especial emitida pelo Departamento de Polícia Federal. 101. e que o Comprador deseja adquiri-las. e [NOmE E QUALIFICAÇÃO]. Modelo de Contrato de CoMPra e Venda de quotas Além da alteração do contrato social necessária para transferir quotas. com todos os respectivos direitos e obrigações. e.2. Habite-se. Licença de Funcionamento emitida pela Vigilância Sanitária. 102. 98. doravante denominado simplesmente “Comprador”. 95. turbações.2. 100. de acordo com as seguintes cláusulas e condições: CLÁUSULA PRIMEIRA . justa e contratada a celebração do presente Contrato de Compra e Venda de Quotas (“Contrato”). doravante denominada simplesmente “sociedade”. 103. que deve ser arquivada no registro competente. pelo preço certo e ajustado estabelecido na Cláusula 2. ainda. Outorgas do Uso da Água. Listagem das ações judiciais e processos administrativos de cunho ambiental e seus respectivos andamentos. CONSIDERANDO QUE: (i) O Vendedor é legítimo possuidor e proprietário de 15. Pelo presente Contrato e na melhor forma de direito. as partes podem celebrar adicionalmente um contrato de compra e venda de quotas. declara que as Quotas foram regularmente integralizadas e se encontram inteiramente livres e desembaraçadas de ônus. neste ato. conforme modelo abaixo. gravames. encargos. Licença do órgão sanitário competente para ambulatórios e refeitórios.1. doravante denominado simplesmente “Vendedor”. usufrutos ou qualquer outra restrição à posse e/ou a qualquer outro direito inerente a tais Quotas. 104. 1. Alvará de Licença e Localização emitido pela Prefeitura. nos termos ajustados pelo presente instrumento. na qualidade de interveniente-anuente: [NOmE E QUALIFICAÇÃO DA sOCIEDADE CUJAs QUOTAs EsTÃO sENDO ALIENADAs]. 1. Comprovante de pagamento do TCFA . Relatório informando a respeito de atividades passadas desenvolvidas nos imóveis onde a sociedade desenvolve suas atividades. 99.8.DA COMPRA E VENDA DAS QUOTAS 1. 97. Alvará do Corpo de Bombeiros. 106.

1. 4. Uma vez creditado na conta-corrente do Vendedor.]. se formalizada mediante instrumento escrito assinado pelas Partes e pela sociedade. herdeiros. inclusive quaisquer despesas decorrentes de serviços profissionais por ele contratados. por meio da entrega pelo Vendedor ao Comprador do cheque administrativo nº [.3. sendo considerada como mero ato de liberalidade.. constantes do item 2. substituindo todos os acordos. e somente produzirá efeitos.CONTRATOs Em EsPÉCIE CLÁUSULA SEGUNDA . seus sucessores. (ii) através de carta registrada. 4. O presente Contrato ou quaisquer direitos e/ou obrigações dele oriundos não poderão ser cedidos sem o prévio e expresso consentimento das Partes e da sociedade. e somente poderá ser alterado por instrumento escrito devidamente assinado por todas as Partes.] do Banco [. assinado por 02 (duas) testemunhas. por qualquer motivo. no exercício de qualquer direito previsto neste Contrato deverá ser interpretado individualmente e não poderá ser considerado como renúncia por qualquer das Partes ou novação de qualquer obrigação contida neste Contrato.1.. A transferência das Quotas será formalizada no ato do pagamento pelo Comprador. anulada ou inexeqüível. mencionado na Cláusula Segunda.8.] do Banco [..] da agência [. Quaisquer dos endereços constantes do preâmbulo poderão ser alterados. do Código de Processo Civil. mediante a assinatura da competente alteração do contrato social da sociedade. as demais disposições serão modificadas para preservar sua exeqüibilidade.000..]. ou (iii) com outra comprovação inequívoca de recebimento. 2.1 do presente Contrato será de exclusiva responsabilidade do Comprador. Na hipótese de qualquer disposição ou parte de qualquer disposição deste Contrato ser tida como nula. e b) R$ 75. 4.7.DISPOSIÇÕES GERAIS 4. o pagamento das parcelas que perfazem o Preço. inciso II. plena.9. Todas as notificações e comunicações a serem feitas com relação ao presente Contrato serão elaboradas por escrito e serão enviadas para os endereços constantes do preâmbulo deste Contrato (i) por meio de Cartório de Títulos e Documentos. CLÁUSULA TERCEIRA – TRANSFERÊNCIA DAS QUOTAS 3..1 acima.000. As Partes declaram e reconhecem que o presente Contrato.4.. cessionários e representantes legais.1. 4. Fica ajustado entre as Partes que as despesas decorrentes do arquivamento da alteração contratual referida na cláusula 3. 4. total e ajustado para a aquisição das Quotas é de R$ 100.. O presente Contrato é celebrado em caráter irrevogável e irretratável e obriga e aproveita às Partes e à sociedade. constitui título executivo extrajudicial. mediante depósito na conta-corrente nº [. conforme o caso. a qualquer título..6. Entretanto..FORMA DE PAGAMENTO 2.8.2.] da agência [.00 (vinte e cinco mil reais) pagos neste ato.] da conta-corrente nº [.. da totalidade do Preço devido ao Vendedor. o Vendedor outorgará ao Comprador. entretanto a respectiva comunicação de alteração de endereço só tornar-se-á efetiva após o recebimento pela outra Parte e/ou pela sociedade.5. 4.. a qualquer tempo. essa disposição será suprimida e não terá nenhuma força e efeito.00 (setenta e cinco mil reais) a serem pagos em até 90 dias a contar desta data. 4..1. rasa e geral quitação com relação ao valor pago. CLÁUSULA QUARTA . Toda e qualquer alteração das disposições do presente Contrato somente será válida e exeqüível. se essa disposição suprimida prejudicar a execução deste Contrato. entendimentos e declarações anteriores.000.. O presente Contrato constitui o acordo final.1. a esse respeito. O não exercício ou atraso por qualquer das Partes e/ou da sociedade. O preço certo. mediante comunicação dada na forma prevista acima. nos termos do artigo 585. a ser pago pelo Comprador ao Vendedor da seguinte forma: a) R$ 25. 4. assim FGV DIREITO RIO 24 .. 4.1. orais ou escritos.00 (cem mil reais) (“Preço”). cabal e exclusivo entre as Partes com relação à compra e venda das Quotas.

E por estarem certas e ajustadas. 639 e seguintes do Código de Processo Civil. [dia] de [mês] de [ano]. Nome: CPF/MF: 2.10. Assinatura das Partes e da Sociedade Testemunhas: 1. Nome: CPF/MF: FGV DIREITO RIO 25 . para dirimir quaisquer questões oriundas deste Contrato. por mais privilegiado que possa ser. nos termos dos artigos 461.CONTRATOs Em EsPÉCIE como as obrigações de fazer aqui contidas comportam execução específica. Rio de Janeiro. 4. as Partes assinam este Contrato em 03 (três) vias de igual teor e efeito. Fica eleito o foro da Comarca do Rio de Janeiro. 632. na presença de 02 (duas) testemunhas. à exclusão de qualquer outro.

São Paulo: Saraiva. • RODRIGUES.406/2002. Comentários ao Código Civil.3. Parte Especial. págs. apesar de morar em Brasília. 1. In: AZEVEDO. (coord.3.4.Venda com reserva de domínio – Da venda sobre documentos 1. 2005 . 505 a 532 da Lei nº 10. Jeremias deve devolvê-lo.3.Contratos. vol. Caio Mário da Silva. Das várias espécies de contratos. • LÔBO. 174 a 182 e 183 a 194. Caso Gerador: Jeremias encontra você trabalhando na diligência legal e aproveita para lhe fazer uma consulta “informal”. Ele conta que. biblioGrafia obriGatória: • Arts.3. portanto. Embora não seja advogado do senhor Jeremias. Saraiva. 6. págs. Direito Civil.. 223 a 225. 2003. 1.vol. biblioGrafia CoMPleMentar: • Parecer Jurídico DNRC/ COJUR/ n° 217/03 – direito de preferência na cessão de quotas.CláuSulAS ESPECIAIS dA COmPRA E VENdA 1. ele diz que pelo menos uma vez por ano vai ao Rio e que há alguns anos atrás decidiu parar de se hospedar em hotéis e comprou um loft na Barra da senhora Ermelinda Silva.. Ele diz que está surpreso porque agora recebeu uma notificação de um tal de Olavo Evolto.Da Venda a Contento e da Sujeita a Prova – Preempção ou Preferência . Após alguns minutos enaltecendo a beleza da cidade.3.). Rio de Janeiro: Forense.). vol. 3. sempre gostou muito do Rio de Janeiro e que os cariocas têm muita sorte de conviver com uma paisagem tão privilegiada. Ele diz que nunca ouviu falar em retrovenda e lhe pergunta o que fazer. Instituições de Direito Civil .1. roteiro de aula a) retrovenda Direito de recobrar = Direito de retrato = direito de resgate = vendedor tem direito de exigir que o comprador lhe revenda o imóvel. págs. Silvio.2. quais são as duas principais perguntas que você deve fazer a ele para poder dar uma orientação inicial sobre o caso? 1. 2002. FGV DIREITO RIO 26 . • PEREIRA. São Paulo: Ed. 215 a 225. III. e que.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade..3. eMentário de teMas: Retrovenda . Paulo Luiz Netto.3. AulA 3: CONTRATO dE COmPRA E VENdA (CONT. informando que exerceu o direito de retrovenda do imóvel em face da senhora Ermelinda. Antônio Junqueira de.5.

RODRIGUEs. durante o período de resgate. inclusive as que. saraiva. são Paulo: Ed.. ele estará obrigado a oferecer o bem ao vendedor. se efetuarem com a sua autorização escrita. instituto superado”6. Direito Civil. pág. RODRIGUEs. quais são as conseqüências do domínio não ser transferido pela tradição da coisa móvel? Duas semanas se passaram e dona Mônica ainda não deu retorno a dona Marli sobre as roupas. saraiva. caso o comprador queira vender esse bem a terceiros. Quais são eles? “Art. silvio. por exemplo. o vendedor pode vir a resguardar seu direito de preempção ou direito de preferência. a despersonalização das relações entre as partes. no caso da venda a contento.. Ela sempre é atendida pela dona Marli. o direito de retrovenda deve ser registrado no registro de imóveis. Tendo em vista o que aprendemos nas aulas anteriores. podemos extrair alguns requisitos da retrovenda. ela ainda pode ocorrer. o papel que durante algum tempo a retrovenda desempenhou. juntamente com a escritura pública de compra e venda.406/2002. restituindo o preço recebido e reembolsando as despesas do comprador. Relembrando. Dona Marli acompanhou em todos esses anos a vida da família Russo. ela manda para a casa da senhora Russo as novas peças para que ela possa experimentar e decidir se vai comprá-las ou não. A concordância do comprador é. Esse exemplo nos mostra que. A gerente da loja já está pressionando Marli. vol. sempre que chegam novas peças que Marli acha que são do gosto de Mônica. com muito mais eficácia e maior economia. pág. Para que tenha efeito erga omnes7. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. o domínio é transferido. ou para a realização de benfeitorias necessárias”.o compromisso de venda e compra preenche. FGV DIREITO RIO 27 . 6 7 8 Oponível a terceiros. Dona Mônica. embora haja a tradição do bem móvel. E agora? O que dona Marli deve fazer? C) Preempção ou preferência Ao vender um bem. o domínio do bem não é transferido. quais são as conseqüências de ser um prazo decadencial e não prescricional? b) da Venda a Contento e da sujeita a Prova A venda a contento é cada vez mais rara atualmente em razão da “padronização de mercadorias. hoje.”8. Apesar de ser mais rara. 505. que se pagar o mesmo valor oferecido pelo terceiro. Assim. 189. “.CONTRATOs Em EsPÉCIE Muitos entendem que a retrovenda caiu em desuso em razão do compromisso de compra e venda. Direito Civil. uma condição suspensiva para a alienação. 3. Somente com a concordância do comprador. terá preferência sobre ele. Assim. Analisando o artigo 505 da Lei 10. Daí ser ela. portanto. a difusão dos preços fixos. vol. Está demorando mais do que o normal para ela se manifestar.. 3. 187.. silvio. Dona Mônica é uma cliente muito querida e conhecida por todas as vendedoras da loja. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. O vendedor de coisa imóvel pode reservar-se o direito de recobrá-la no prazo máximo de decadência de três anos. são Paulo: Ed. pois vai querer vender as peças a outras clientes. Por que você acha que o legislador restringiu o instituto da retrovenda apenas aos bens imóveis? O prazo para recobrar o imóvel é decadencial. compra roupas da boutique Charmosa há mais de dez anos.

118. é comum que pessoas realizem operações de venda de bem móvel sem consultar registros ou sem exigir a prova da propriedade do vendedor. pág. no qual. preferência para adquiri-las. A venda com reserva de domínio é uma venda condicional que se aperfeiçoa na ocorrência de um evento futuro e incerto: o pagamento do preço. como se resolveria esta situação utilizando-se apenas as regras previstas no Código Civil? d) Venda com reserva de domínio A venda com reserva de domínio popularizou-se com o aumento das vendas com pagamento em prestações.. – Rio de Janeiro: Renovar. Os acordos de acionistas. entre outros acertos. Afinal. aplica-se a regra geral de que a propriedade do bem móvel transfere-se com a tradição do bem. que lhe afirma que a venda das quotas não foi válida.CONTRATOs Em EsPÉCIE Para que esse direito exista são necessários os seguintes requisitos: – o comprador tem que querer vender o bem adquirido. Silvio Rodrigues comenta: “Destina-se o acordo de acionistas a regrar o comportamento dos contratantes em relação à sociedade de que participam. após a realização da diligência legal e da celebração do contrato de compra e venda das quotas da Pechincha Ltda. nosso cliente seja procurado pelo senhor Oportunista. Vamos supor que.404/197610. basicamente. Quais são as diferenças entre a preempção e o direito de retrovenda? O direito de preferência é um negócio acessório. sendo um contrato. A venda com reserva de domínio restringe-se aos bens móveis e exige forma escrita. – o vendedor tem que querer recomprar o bem. por meio de acordo de acionistas. e em 60 (sessenta) dias. ou do poder de controle deverão ser observados pela companhia quando arquivados na sua sede”. O prazo começa a contar a partir da notificação do proprietário (comprador) ao vendedor informando sobre seu interesse em vender o bem. uma vez que há três anos atrás fez um acordo de quotistas com o senhor Eduardo. Porém. embora o bem seja entregue ao potencial comprador.. Assim. sócio detentor de apenas 1% das quotas da Pechincha Ltda. geralmente vinculado à compra e venda. como instrumento de composição de grupos. o domínio permanece com o vendedor até que a última prestação seja paga pelo comprador. no caso de bem imóvel. – o vendedor tem que exercer o direito no prazo. assim como na venda a contento. 10 FGV DIREITO RIO 28 . Tendo em vista que esse acordo de quotistas nunca foi divulgado e nem sequer mencionado na diligência legal. que poderão comprá-las pelo mesmo preço e condições oferecidos ao terceiro. se não há previsão expressa da reserva de domínio. o contrato deve ser registrado no Registro de Títulos e Documentos. e como contrato atípico. reconheceu que o direito de preferência é um dos tópicos que pode ser tratado em acordo de acionistas. aum. se o bem for imóvel. por exemplo. Se o prazo não for estipulado. A venda com reserva de domínio pode trazer insegurança jurídica uma vez que. o senhor Eduardo se comprometia a oferecer direito de preferência a esse outro sócio no caso de alienação de suas quotas. para que seja oponível a terceiros. Direito societário – 7 ed. ao contrário do que ocorre com os bens imóveis que exigem solenidade para sua transferência. sobre compra e venda de suas ações. Deste modo. que dispõe sobre as sociedades por ações. o direito de preferência caducará em 3 (três) dias. e atual. os contratantes podem convencionar que se um deles desejar vender sua participação a terceiro será obrigado a oferecer as suas ações primeiro aos demais acionistas. A cláusula de direito de preferência é muito comum. rev. concernentes a essa categoria jurídica. Tanto é assim que a Lei nº 6. a ele se aplicam os preceitos gerais. ou a 2 (dois) anos. em acordos de acionistas9. No caso de venda com reserva de domínio. 9 “Art. 2001. O prazo para exercer o direito de preferência não poderá ser superior a 180 dias se o bem for móvel. José Edwaldo Tavares. no caso de bem móvel. vinha sendo celebrado no período anterior à atual lei das sociedades anônimas” (Borba. Além disso. 322). não é raro vermos a estipulação de direito de preferência em outros contratos. exercício do direito a voto. estando disposto a pagar ao comprador o preço que ele tiver conseguido com terceiros. funcionando.

apenas pode ter por objeto coisa móvel. Das várias espécies de contratos. d. Retrovenda. Antônio Junqueira de. desfazer o contrato ou pedir o preço. a não vender. não pago. pág. O vendedor se libera da obrigação de entregar a coisa remetendo ou entregando ao comprador o título representativo da mercadoria”12. saraiva. as “Demais Partes”).1 abaixo (a seguir o “Potencial Adquirente”). obrigada a primeiramente oferecê-las. bem como a especificação da quantidade e espécie das ações a serem alienadas (as “Ações Ofertadas”). permutar. Se o comprador está em mora.3. o vendedor tem duas opções: mover ação de cobrança das prestações vencidas e vincendas e o que mais lhe for devido ou reaver a posse da coisa vendida.3. 216 12 FGV DIREITO RIO 29 . Paulo Luiz Netto. RODRIGUEs. Direito Civil. as ações de sua titularidade. suas ações da COMPANHIA (a seguir.7. (coord. para pagamento em moeda corrente nacional. Essa cláusula especial à compra e venda é denominada: a. 176. 1. Preempção. Modelo Exemplo de cláusula de direito de preferência em Acordo de Acionistas: “VI – ALIENAÇÃO OU ONERAÇÃO DE AÇÕEs 6. questões de ConCurso (Prova: 18º Exame de Ordem .1ª fase) Ajustado que se desfaça a venda. para que seja exigível o pagamento do preço. poderá o vendedor. 2003. no todo ou em parte. a “Parte Cedente”).. são Paulo: Ed. 11 LÔBO. nos termos deste Acordo. Venda a contento. comentários ao código civil. são Paulo: saraiva. para que estas possam exercer o seu direito de preferência.2. “A venda sobre (ou contra) documentos tem por finalidade dar mais agilidade às transações mercantis que envolvam venda de mercadorias. prometer vender.1. 1. observado o disposto nesta Cláusula 6ª. doar. e) da venda sobre documentos O Código Civil de 1916 não previa essa modalidade de venda. fornecendo inclusive as informações previstas no item 6. In: AZEVEDO. não se pagando o preço até certo dia. por escrito. neste ato. 6. vol. ficando a Parte que desejar alienar. pág. c. Cada uma das Partes se obriga. 6. As comunicações a que se refere o item anterior indicarão o potencial adquirente. Pacto comissório.2. principalmente nos grandes centros e tendo em vista a quantidade fantástica de bens móveis duráveis vendidos. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. às demais Partes (a seguir. diariamente. vol. a qualquer título. Por sua natureza. em caráter irrevogável e irretratável. com reserva de domínio”11. Apenas ele não funciona na prática.). o preço e condições de pagamento. b. senão mediante venda. ou por qualquer outra forma alienar ou transferir. silvio.6. 3.CONTRATOs Em EsPÉCIE “Teoricamente tal sistema é perfeito. A obrigatoriedade da tradição da coisa é satisfeita com a entrega ao comprador de documento representativo. Parte Especial.

1. a aquisição deverá ser efetuada nos 30 (trinta) dias seguintes ao decurso do prazo referido nas alíneas anteriores. e (d) exercida a preferência. proceder-se-á ao respectivo rateio entre as Partes interessadas. 6. com os mesmos direitos e obrigações da Parte Cedente. as Demais Partes terão preferência para adquirir as Ações Ofertadas. ainda. Não havendo manifestação das Demais Partes. alienar todas. observando-se. o seguinte: (a) a preferência deverá ser exercida no prazo de 60 (sessenta) dias a contar da data do recebimento da comunicação referida no item 6. devendo as Demais Partes igualmente subscrever o instrumento. desde que se manifestem nesse sentido no prazo de 60 (sessenta) dias fixado na letra (a) deste item. a comunicação do item 6. mas não menos do que todas as Ações Ofertadas ao Potencial Adquirente indicado e ao mesmo preço e nas mesmas condições constantes das comunicações referidas no item 6. a assinar o citado instrumento. 6.2. Na proporção do número de ações que possuírem. (b) será facultado às Demais Partes estenderem seu direito de preferência à aquisição de sobras. desde que observado o procedimento previsto no item 6.1 abaixo. 6. nos 60 (sessenta) dias seguintes.4. como intervenientes anuentes. a Parte Cedente poderá. pelo mesmo preço e condições oferecidos pelo Potencial Adquirente. deverá identificar também as respectivas Partes ou sócios que detenham o controle do Potencial Adquirente e/ou participações societárias que representem 10% (dez por cento) ou mais de seu capital votante e/ou de seu capital total e assim sucessivamente. Caso o Potencial Adquirente seja uma sociedade. Na hipótese do item 6. proporcionalmente às Ações que possuírem. desde que tenham sido observadas as formalidades previstas nesta Cláusula 6ª”.1 supra. como condição para sua validade e eficácia. se houver. o instrumento contratual de compra e venda das ações deverá conter cláusula pela qual o adquirente manifeste sua adesão incondicional ao presente Acordo.1.1 supra.4. contudo. FGV DIREITO RIO 30 . (c) caso sejam recebidas manifestações de exercício de preferência que totalizem quantidade de ações superior a das Ações Ofertadas.CONTRATOs Em EsPÉCIE 6. ficando obrigadas as Demais Partes.3.4. até atingir as pessoas físicas.1 supra e abranger todas e não menos do que todas as Ações Ofertadas.4.

406/2002.3. 199 a 203/ págs. Maria Helena. um pouco sem graça. págs. 205 a 209. com produtos fartos e de alta qualidade. roteiro de aula a) Permuta A troca ou permuta é o contrato mais antigo. 2005 . quando os bens passaram a ser trocados por moeda. Há algum tempo atrás.2002).4. Tratado teórico e prático dos contratos.01. inclusive. o contrato não era muito detalhado. segundo o qual todo domingo o jornal do Nicanor publicaria anúncio do Supermercado Pechincha e em troca ao final do ano o Supermercado Pechincha forneceria aos funcionários do jornal uma cesta de Natal.406. AulA 4: TROCA Ou PERmuTA. já tendo contratado. dono de um jornal de bairro. vol. 1. pois não estava contando com um número tão grande de cestas de Natal. eles resolveram unir o útil ao agradável e celebraram um contrato de permuta. Das várias espécies de contratos. ampl.. tivemos a oportunidade de visitar o supermercado Pechincha por diversas vezes. • DINIZ. In: AZEVEDO. nós.. eMentário de teMas: Permuta. 226 a 272. Rio de Janeiro: Forense. São Paulo: Saraiva. (coord. Paulo Luiz Netto. e atual. não contendo. Parte Especial.. que não seja dinheiro. 6. III. Ele explica.4. o senhor Nicanor vendeu seu jornalzinho a uma grande editora que quer transformá-lo em um jornal de grande circulação em Brasília.4. págs. que por ter sido celebrado entre grandes amigos. E agora? O contrato continua válido? O que recomendar? 1. biblioGrafia obriGatória: • Arts. 233 a 237.). 2002. de acordo com o novo Código Civil (Lei 10. por exemplo. 17ª ed.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. biblioGrafia CoMPleMentar: • LÔBO. Consiste na entrega de uma coisa para recebimento de outra. Caio Mário da Silva. São Paulo: Saraiva.A. 533 a 537 da Lei nº 10.1.Contratos. Em uma de nossas visitas.2. o senhor Eduardo Russo nos contou a seguinte história. Ocorre que. Contrato Estimatório. págs. FGV DIREITO RIO 31 . completa. o senhor Eduardo está um pouco preocupado.5.4. Antônio Junqueira de. Há muitos anos era grande amigo do senhor Nicanor Tício.4. Caso Gerador Durante o processo de diligência legal. de 10. CONTRATO ESTImATóRIO 1. Ela deu origem ao contrato de compra e venda. 2003.vol.4. Comentários ao Código Civil. 1. o número exato de cestas de Natal a serem trocadas.4. Sabendo disso. • PEREIRA. o dobro de funcionários. Instituições de Direito Civil . na qualidade de advogados da Grana Certa S. cansado e já querendo se aposentar. 1.

Ana Maria. Ao chegarem à loja. Por serem tão parecidos. cedendo-lhe o poder de dispor da coisa. Sendo assim. dentro de prazo determinado. ficando as demais apenas rachadas. você pergunta o que o conjunto está fazendo na loja e ela lhe explica que celebrou um contrato estimatório com o dono da loja. legal ou convencional podem ser permutadas. mas sim a obrigação de transferir ao outro o domínio da coisa objeto de permuta. Apenas os bens móveis e que estão no comércio podem ser objeto do contrato estimatório. O Código Civil fez apenas duas distinções no que diz respeito à aplicação das regras da compra e venda. muitas outras estão rachadas. Quais são elas? Quando os bens a serem permutados têm valores desiguais. Ana Maria então lhe explica que o conjunto está na loja Brechó da Vovó. O dono da loja explica a Ana Maria que um de seus funcionários estava arrumando a loja e que sem querer esbarrou no conjunto. mas que felizmente apenas uma das peças havia se quebrado. esse contrato só veio a ser regulado como contrato típico no novo Código Civil (Lei nº 10. b) Contrato estimatório Embora já fosse realizado na prática. não sendo necessário que os bens sejam da mesma espécie ou valor. neste caso? FGV DIREITO RIO 32 . porém. Curioso. sua amiga. Mesmo sem ver muita utilidade para tal presente. completa sua prestação com dinheiro. por que você acha que o legislador chamou de contrato? Contrato estimatório é o contrato pelo qual o proprietário (consignante) entrega a posse da coisa à outra pessoa (consignatário). O contrato de permuta tem a mesma natureza jurídica da compra e venda: é bilateral. As partes estimam um preço pelo bem. A parte que recebe o bem pode vendê-lo a terceiro por qualquer valor. ficando o consignatário obrigado a devolver o bem ou entregar ao consignatário o preço previamente ajustado pela coisa dentro do prazo determinado. conhecido neste caso como torna. a loja Brechó da Vovó procura Ana Maria para devolver o conjunto de xícaras que não foi vendido. pois percebe que seu conjunto de chá não poderá mais ser utilizado. O uso da torna no contrato de permuta divide os doutrinadores sobre a natureza do contrato: seria ele uma compra e venda ou uma permuta? Muitos entendem que a existência da torna não descaracteriza a permuta. aplicam-se à permuta as regras da compra e venda. Todas as coisas que não sofram indisponibilidade natural.406/2002. Assim como o contrato de compra e venda.CONTRATOs Em EsPÉCIE Atualmente a compra e venda é muito mais utilizada. a não ser que o valor da torna seja de tal modo superior. você agradece e pergunta quando pode buscá-lo. Ana Maria nota que além de faltar uma das peças. não gera efeitos reais. O que você acha? A caracterização como compra e venda ou permuta leva a conseqüências práticas em razão dos itens que foram especificamente diferenciados no art. 533 da Lei n° 10. Você vai junto com Ana Maria para buscá-lo. Para retribuir a um favor seu. mas a permuta mantém seu espaço no ordenamento jurídico. desde que pague a parte que lhe entregou o bem o preço que entre elas foi estimado. Intrigado. Como você aconselharia Ana Maria. Por quê? Estando para terminar o prazo do contrato estimatório. lhe oferece um conjunto de xícaras de porcelanas chinesas. deixando o cair. a parte cujo bem tem valor inferior ao outro. que seja na verdade o objeto da prestação principal. você vai ao Código Civil para consultar esse tipo de contrato e fica um pouco desapontado. que nada mais é do que a venda em consignação. Ana Maria fica muito triste. oneroso e consensual.406/2002).

ao DONATÁRIO. doravante denominado simplesmente “DONATÁRIO”. simplesmente como Partes. págs. 1. 197 a 216. brasileiro. DOADOR e DONATÁRIO doravante denominados. In: AZEVEDO. 2003. vol. Comentários ao Código Civil. vol. biblioGrafia CoMPleMentar: • LÔBO. 272 a 385. págs. empresário. 3. São Paulo: Saraiva. • RODRIGUES. para iniciar a transferência dos negócios da família e fomentar negócios das futuras gerações da sua família. Silvio. (iii) O DOADOR deseja doar.Espécies de doação . 1.1. casado.5.Resolução e revogação da doação.5. por parte do Donatário.406/2002. de determinados encargos. com seus atos constitutivos registrados na Junta Comercial de Brasília sob o número 11111111.5. doravante denominada “Sociedade”. 1. todos relacionados com a finalidade de manter a tradição da família preoFGV DIREITO RIO 33 .2. Distrito Federal. 538 a 564 da Lei nº 10.Restrições à liberdade de doar . solteiro.3. Saraiva. 6. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. JEREMIAS RUSSO. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy.000 (noventa e nove mil) quotas representativas de 99% do capital social da sociedade limitada denominada Pechincha Comércio Varejista Ltda. portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx. (iv) O DOADOR sujeita tal doação à execução integral e tempestiva. Direito Civil.000 (cinqüenta mil) quotas (“Quotas”). residente e domiciliado em Brasília. Antônio Junqueira de. você notou o contrato abaixo: INSTRUMENTO PARTICULAR DE DOAÇÃO EDUARDO RUSSO.. com sede em Brasília. em vida. doravante denominado simplesmente “DOADOR”. AulA 5: dOAçãO 1. 50. Distrito Federal. Parte Especial.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. CONSIDERANDO QUE: (i) O DOADOR é titular de 99. Caso Gerador: Dentre os contratos recebidos.5.5. Paulo Luiz Netto. residente e domiciliado em Brasília.Doação de ascendente para descendente . São Paulo: Ed. eMentário de teMas: Características do contrato de doação – Aceitação . brasileiro. biblioGrafia obriGatória: • Arts. 2002. empresário. (ii) O DONATÁRIO é herdeiro necessário do DOADOR. (coord.4. inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101. em conjunto. Distrito Federal.).. inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202. abaixo estabelecidos. Das várias espécies de contratos.

CONTRATOs Em EsPÉCIE cupada com o bem estar da comunidade em que vive. descendentes e ascendentes terão direito de desfrutar do clube mediante pagamento de mensalidade em valor simbólico. obrigado a cumprir. (b) O clube deverá funcionar todos os fins de semana e feriados. ônus ou encargos de qualquer natureza. (ii) uma piscina rasa para crianças até 5 anos. como na verdade efetivamente doa. contados da data de assinatura deste Instrumento. as partes firmam o presente Instrumento em 02 (duas) vias de igual forma e teor. não sendo mais permitido o seu acesso em caso de demissão ou desligamento. ficando. para dirimir as questões decorrentes do presente Instrumento.. providenciar a constituição legal do clube e a contratação da mão de obra necessária para o funcionamento do clube. outros dois brinquedos do gênero. herdeiros e sucessores. as Quotas. O DOADOR. com escorrega. limpeza e bom funcionamento do clube. encontram-se livres e desembaraçadas de quaisquer dívidas. (iv) um bar. 24 de abril de 2004. 5. Brasília.. Esta doação fica sujeita ao cumprimento dos encargos abaixo estabelecidos. conforme autoriza o artigo 553 do Código Civil Brasileiro. Nome: CPF/MF: FGV DIREITO RIO 34 . Eduardo Russo Testemunhas: 1.. as seguintes obrigações: 2. decide doar. de livre e espontânea vontade. e (v) as quotas representativas do capital social da Sociedade. com pelo menos as seguintes medidas. A doação ora feita é obrigatória para as partes contratantes. O DONATÁRIO poderá alugar. que vigerá de acordo com as seguintes cláusulas e condições. com auxílio jurídico. (iii) uma piscina profunda. resolvem as Partes de comum acordo e na melhor forma de direito celebrar o presente Instrumento Particular de Doação (“Instrumento”). objeto da presente doação. pelo menos. (e) O clube será aberto apenas aos Funcionários e seus familiares. nunca superior a 5% de seu salário. Fica eleito o foro Central da Comarca de Capital do Estado do Rio de Janeiro. (v) um play para crianças. comprar ou arrendar um terreno para que o clube seja instalado. 3. 4. 2. por mais privilegiado que venha a ser. E por estarem assim justas e contratadas. na presença das 02 (duas) testemunhas abaixo assinadas.1 O DONATÁRIO deverá providenciar um clube para que os funcionários possam desfrutá-lo nos dias de folga. balanço e. Fica registrado que o imposto de doação incidente sobre a presente operação foi recolhido. portanto.2. com a renúncia expressa de qualquer outro. (d) Os funcionários e seus cônjuges. no prazo máximo de 24 (vinte e quatro) meses. observados os artigos 538 e seguintes do Código Civil Brasileiro: 1. (c) O clube deverá empregar pelo menos 20 funcionários para segurança. que representam 50% do capital social da Sociedade. Nome: CPF/MF: Jeremias Russo 2. ao Donatário. 2. 2. mediante o DARJ cuja cópia constitui o Anexo I ao presente Instrumento. o Donatário. O DONATÁRIO deverá. O clube deverá atender aos seguintes requisitos: (a) O clube deverá ter no mínimo: (i) duas quadras polivalentes para a prática de esportes em grupo. incluindo dos funcionários do Supermercado Pechincha (“Funcionários”).3. sem qualquer induzimento ou coação.

o doador impõe ao doador uma contraprestação que resulta em vantagem para o próprio doador ou para terceiro. havendo a tradição imediatamente depois. Exemplo: Doador doa recursos ao donatário. Percebendo que ela. o doador não espera qualquer prestação do donatário. roteiro de aula a) Características do contrato de doação O contrato de doação é: – Unilateral – envolve prestação de apenas uma das partes. conta que ganhou de sua prima a coleção de discos desse famoso grupo inglês.5. ele contou a sua avó que havia jogado na Mega Sena. podendo. Seu amigo José resolveu fazer uma aposta. que ainda não recebeu os discos porque eles estão guardados na casa de veraneio de sua tia. de acordo com ele. José deu para a avó o bilhete da Mega Sena. É uma liberalidade do doador.406/2002.. Lucy conta. que sempre demonstrou ser contra a realização do negócio entre o senhor Eduardo e o nosso cliente. portanto. Seu filho. você teria alguma sugestão? 1. mas que não podia ser exigido pagamento pelo doador. Doação com encargo – nessa espécie de doação. mas o donatário fica obrigado a pagar uma mesada a um parente do doador.5. Jeremias. (art. porém. ficou muito triste porque não conseguiria jogar. – Gratuito – em regra. 539. O doador não espera do donatário qualquer ato ou prestação por parte do donatário. Chegando a casa. você consideraria que foi uma doação de pequeno valor? b) aceitação A aceitação pelo donatário é elemento indispensável para a doação e pode ser: – expressa – quando é manifestada de forma verbal. Lucy já pode se considerar proprietária da coleção? O sorteio da Mega Sena estava acumulado e o prêmio estimado em vinte milhões de reais. E agora? Que pontos devem ser levados em consideração? A doação é válida? Tem alguma medida que possa ser tomada para anular essa doação? Supondo que você fosse o advogado do senhor Eduardo Russo e tivesse sido consultado antes do contrato ser assinado. pois. Doação remuneratória – tem o objetivo de pagar um serviço prestado pelo donatário. como havíamos sido informados no início da diligência legal. prêmio pago a alguém que encontrou seu cachorro desaparecido. A doação remuneratória e a doação com encargo perdem a característica da gratuidade? FGV DIREITO RIO 35 . o senhor Eduardo Russo não seria mais o proprietário de 99% das quotas. – Solene – a lei impõe forma escrita para doação. do ponto de vista legal. Analisando. 541) Lucy. – tácita – quando resulta de comportamento do donatário incompatível com sua recusa à doação. Por exemplo. C) espécies de doação Doação pura – é pura liberalidade. 543 e 546 da Lei nº 10. que se encontrava doente e com dificuldade para se movimentar. inviabilizar a compra do negócio.CONTRATOs Em EsPÉCIE Esse contrato deixou nossa equipe de diligência apreensiva. aparentemente detém 50% das quotas da Pechincha Ltda. escrita ou por gestos. Ocorre que a família era pé quente e os números escolhidos por José foram sorteados! Analisando esta situação. Curioso (a) você pede para ver a coleção. exceto nos casos de bens móveis de pequeno valor. grande fã dos Beatles. – presumida pela lei – nos casos previstos nos arts.

são Paulo: Rideel. sendo pago em rateio do saldo que houver. (art. (Dicionário Técnico Jurídico/ organização Deocleciano Torrieri Guimarães. ele só pode doar metade de seus bens. como visto anteriormente. Sendo assim. No momento da doação deve ser aferido se o bem a ser doado é superior à metade dos bens do doador. no caso da compra e venda. os ascendentes e o cônjuge. e é assegurada aos herdeiros necessários. 1.406/2002 O objetivo dessa restrição é proteger o doador e também a sociedade.406/2002 Embora esta restrição não esteja expressa no capítulo sobre doação do Código Civil. se o doador tem herdeiros necessários. 548 da Lei nº 10. Dessa forma. que trata da fraude contra credores. o código prevê que eles podem anular a doação quando o doador estiver insolvente com eles ou ficar insolvente com os credores por ter doado bens a terceiros. 158 do Código Civil. observando-se apenas as demais restrições previstas no Código Civil. 1. Por outro lado. 2001. Qual foi o mecanismo adotado no caso da doação? E se o pai realmente quiser doar algo para um dos filhos em detrimento dos outros? Com a morte de seus pais. os Os herdeiros necessários são os descendentes. sem consentimento dos outros descendentes. o legislador preocupou-se em tentar evitar que um dos filhos seja beneficiado pelos pais em detrimento do outro. tendo em vista que a outra metade constitui a legítima. Na permuta entre descendente e ascendente. ou seja. Se você fosse o juiz. – Doação que prejudique os credores do doador – art. Raquel pede que o juiz considere como adiantamento de legítima à Ruth os gastos que os pais tiveram com a festa de casamento de Ruth. 13 Credor Quirografário ou simples: “aquele que não tem título que lhe dê preferência.406/2002 Essa restrição tem como propósito proteger o cônjuge e os herdeiros necessários. e atual.406/2002). Para proteger os credores quirografários14 do doador. e) doação de ascendente para descendente Como já vimos anteriormente. rev.CONTRATOs Em EsPÉCIE d) restrições à liberdade de doar – Doação de todos os bens do doador – art.846. vimos que é anulável a venda de ascendente a descendente. possui os mesmos direitos que os credores comuns. Ruth. ele terá ampla liberdade de doar seus bens. solicita que o juiz considere como adiantamento de legítima a Raquel. se o doador não tiver herdeiros necessários. De acordo com o art. Ruth e Raquel abriram o inventário. coordenação Luiz Eduardo Alves de siqueira – 3 ed.845 da Lei nº 10. depois de ressarcidos os privilegiados”. 550 da Lei nº 10. o que você faria? f) resolução e revogação da doação A doação pode ser desfeita: – por motivos comuns a todos os contratos – embora não esteja prevista no capítulo específico sobre doações. – Doação de parte que caberia à legítima – art. exceto se os outros descendentes expressamente consentirem. é anulável a troca de valores desiguais.) 14 FGV DIREITO RIO 36 . evitando que o doador passe a ficar totalmente desamparado e tenha que ser assistido pelo Estado. pertence aos herdeiros necessários13 a metade dos bens da herança. todas as despesas que os pais tiveram para pagamento do doutorado de Raquel em Paris. – Doação do cônjuge adúltero a seu cúmplice – art. 158 da Lei nº 10. ela está prevista no art. por sua vez.406/2002 Essa restrição visa proteger o patrimônio dos herdeiros. 549 da Lei nº 10. aplicam-se as regras gerais a todos os contratos.

b. questões de ConCurso (Prova: 10º Exame de Ordem . ao chegar bêbado. Para completar. Depois que fez a doação descobriu que Alfredo não era seu filho e então pretende anular a doação. simulação e fraude. além de fazer barulho até altas horas da madrugada. na frente dos porteiros e de alguns moradores que aguardavam o elevador. – por ser resolúvel o negócio – ocorre. acabou por bater no carro de Lucy que estava estacionado na garagem do prédio. uma noite. 15 FGV DIREITO RIO 37 . c. são motivos para anular a doação. coação. como erro. que. no caso previsto no art. 547. Lucy ficou muito satisfeita com a prima. A doação deverá ser feita por escrito. 158 a 165 (fraude) e 167 (simulação). A doação poderá conter cláusula de retorno do bem ao doador. Prova: 22º Exame de Ordem . Rever arts. indicando em caso positivo qual o seu fundamento. Rita foi visitar sua mãe na casa de veraneio e aproveitou para buscar a coleção de discos dos Beatles e entregá-la a Lucy.6. dolo. Lucy tem razão de ficar preocupada? E se Lucy tiver alugado a coleção para um amigo? 1.É anulável a doação do Cônjuge adúltero ao seu cúmplice. o doador pode desfazer a doação. não paga em dia as cotas do condomínio do prédio onde vivem. mas isso não foi suficiente para apagar a velha briga que tem com o seu vizinho Paul. se sobreviver ao donatário. ainda que se trate de bem móvel de pequeno valor. Paul se disse muito ofendido por Lucy. Lucy diz que Rita é muito ligada a seu irmão e diz que teme que esse incidente com Paul possa ter impacto na doação de Lucy. resolveu fazer uma doação de um apartamento para ele. A doação dos pais aos filhos importa adiantamento da legítima. no qual o doador sobrevive ao donatário e o domínio do bem volta ao patrimônio do doador. dolo e coação) e arts. 138 a 155 (erro. por exemplo. no dia seguinte.CONTRATOs Em EsPÉCIE defeitos15 que podem macular o ato jurídico. Essa foi a gota d’água para Lucy que. que é também irmão de Rita. se o donatário não cumprir o encargo no prazo assinalado pelo doador. Paul é um péssimo vizinho. acabou perdendo a paciência e.5.2ª fase PROVA DIsCURsIVA João acreditando que Alfredo era seu filho natural (filho biológico não registrado) do namoro que manteve com mãe do Alfredo. encontrando-o na entrada do prédio. – por ingratidão do donatário – o legislador visou punir o donatário. chamou de irresponsável e outros adjetivos de baixo calão que não convém replicar para nosso leitor. A doação pode ser revogada: – por descumprimento do encargo – no caso de doação com encargo. d. Esclareça se existe algum vício na manifestação de vontade.1ª fase) Não constitui regra aplicável às doações a que abaixo se destaca: a. mas restringiu a possibilidade de revogar a doação por ingratidão a determinadas causas e regulou seus efeitos.

tratadas no direito romano como espécies de locação. III.6. vol.6. págs. Do claro conceito legal. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. 565 a 578 da Lei nº 10. Silvio. quando há vínculo empregatício) e para a empreitada. o uso e gozo de uma coisa não fungível. algumas são consideradas tão especiais pela mens legis. Na locação de coisas. quando se fala em locação. preço (“certa retribuição”). 2005. que são regidos por legislação especial. 217 a 227. 2002. Portanto.245/1991). A locação de serviços e de obras. se fala sempre em locação de coisas. roteiro de aula a) introdução Modernamente. evoluiu para a prestação de serviços (e para o Direito do Trabalho.036 do código e Lei nº 8. AulA 6: CONTRATO dE lOCAçãO. Instituições de Direito Civil. Direito Civil.6. São Paulo: Ed. 267 a 301 1. uma das partes se obriga a ceder à outra. vol. Código Civil Art. Todavia. ter-se-á sempre em mente a idéia de locação de coisas (locatio rei). conforme diretiva do próprio código (art.. [conceito do contrato de locação] O núcleo do contrato de locação é a cessão de uma coisa não fungível entre o seu proprietário – o locador – e aquele que se utilizará da coisa – o locatário. 1. respectivamente. biblioGrafia CoMPleMentar: • PEREIRA. no âmbito destas aulas.2. • RODRIGUES.1. eMentário de teMas: Introdução – Elementos do contrato de locação – Obrigações do locador – Obrigações do locatário 1. lOCAçãO dE COISAS. 1. que merecem um regramento especial próprio. Trata-se de contrato: FGV DIREITO RIO 38 . consentimento (“se obriga a”) e prazo (“por tempo determinado ou não”). pode-se extrair as características principais do contrato: a cessão da coisa (“ceder à outra. e o maior exemplo disto é a locação de prédios urbanos (residenciais. págs.. Rio de Janeiro: Forense. biblioGrafia obriGatória: • Arts.6. ainda hoje existe uma diferenciação no ordenamento quanto às diversas espécies de locação. mediante certa retribuição. 3.3. por tempo determinado ou não.4.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.6. Caio Mário da Silva.. comerciais e de temporada). uso e gozo de uma coisa não fungível”). ao se falar em locações. 2.406/2002. Saraiva. 565.

pois envolve prestações seguidas no tempo. o locatário é obrigado a restituir a coisa no estado em que a recebeu. pode ser objeto da locação se algum acessório da coisa for consumido. como na compra e venda. (ii) oneroso. o preço e o objeto do negócio. 569. O aluguel de lojas em shoppings centers também possui toda uma sistemática própria. do Código Civil. embora alguns autores17 enxerguem também o consentimento e a forma como seus elementos.CONTRATOs Em EsPÉCIE (i) bilateral. exclui diversos tipos de imóveis.: corte de árvores em casa de campo). 46 da lei 8. 576). 276. simplificadamente. pois é da natureza do contrato a retribuição econômica por parte do locatário. com ele não se confunde. se houver). o objeto do contrato de locação não é a coisa em si. b) elementos do contrato de locação Os elementos do contrato são. incentivando sua utilização. ou seja. O principal atributo da coisa que será objeto de locação é a sua infungibilidade. Além disso. mas seu uso e gozo por alguém que não o seu proprietário. a opção de compra ao final do prazo contratual). IV. Todavia. embora a Lei do Inquilinato tenha tomado para si a normatização de boa parte dos imóveis urbanos. os efeitos do contrato podem ser diferentes conforme houver registro ou não. porque confere obrigações e direitos recíprocos às duas partes. transferidos por meio de manifestação de vontade. no caso de locações prediais urbanas. tal contrato possui peculiaridades específicas com relação à locação comum de coisas regulada pelo Código Civil (como. e (iii) por outro lado. o tempo. isto é. como o dinheiro. pág. como se verá no ponto específico. contanto que sejam infungíveis. Em regra. 16 17 Caio mário. portanto. O fato de um bem ser inalienável não impede o seu uso em locação. que continuam sendo tratados pelo código (ou por legislação especial. 1º. como se vê do próprio conceito legal. por exemplo. ao contrário da compra e venda. a lei privilegia a não-fungibilidade do bem. como. Pode ser objeto da locação bens móveis ou imóveis. FGV DIREITO RIO 39 . seu art. (iv) comutativo. por exemplo. (ii) não se destinam à locação as coisas consumíveis no seu primeiro uso. É muito comum considerar o contrato de leasing ou arrendamento mercantil como uma locação de coisas móveis. sem exigir forma específica16. Note-se que.245) um tratamento especial às locações reduzidas a contrato escrito. (iii) consensual. em caso de alienação do bem. normalmente mensal. Ressalte-se que. como bens fora do comércio ou bens públicos. as vagas autônomas de garagem. todavia. Disso decorrem algumas conseqüências: (i) segundo o art. o contrato de locação não é personalíssimo. pois a lei não exige forma específica para sua validade. [i) a cessão da coisa – o objeto do contrato de locação] Embora seja uma confusão bastante comum. a tradição da coisa. e. salvo as deteriorações do seu uso regular. na celebração da avença. e (v) não solene. havendo um grande avanço jurisprudencial na matéria. em regra. o contrato de locação é de execução continuada ou de trato sucessivo. mas tão somente é considerado como contrapartida pelo uso em um determinado período. A proteção do locatário. embora possa se tornar mediante consentimento das partes. a lei dá (art. é maior se houver registro (art. parágrafo único. já diz respeito à fase da execução do contrato. a coisa. porque as partes já tem conhecimento de suas respectivas prestações. não se trata de contrato real. o pagamento de uma prestação não exaure o contrato. pois se forma só pelo acordo de vontades. sem que ela perca a sua infungibilidade (ex.

prolonga-se durante o prazo da locação. embora não caiba a retenção do aluguel como contrapartida a ausência do cumprimento deste dever. Podem as partes estipular aluguel que não seja em dinheiro? Por quê? No âmbito da discricionariedade das partes. Caso. sem oposição do locador. uma certa proporcionalidade entre o valor do bem e o aluguel cobrado. sendo o contrato sem prazo determinado. conforme art. nos deveres de entrega. o locatário. todavia. Por exemplo: o locador não pode alugar uma televisão com o tubo de imagem queimado. assim como o de garantia. manutenção e garantia da coisa locada. em razão de sua natural deterioração. deve ser feita em estado de servir ao fim a que se destina. podem ser deduzidos do aluguel as obras e benfeitorias feitas pelo locatário. pode este pedir a redução proporcional do aluguel. extingue-se a locação pelo mero decurso do tempo. 566. determina ser obrigação do locador garantir ao locatário o uso pacífico da coisa durante o tempo do contrato. o tratamento jurídico da conservação e reparação do bem. do Código Civil. [ii) preço – o aluguel] Como dito anteriormente. Numa interpretação a contrario sensu. Manutenção – Não basta isso.CONTRATOs Em EsPÉCIE Em regra. permaneça com a posse da coisa. Entrega – A entrega da coisa. todavia. qualquer das partes pode resilir o contrato sem o pagamento de penalidades. 566 e seguintes do Código Civil. Há de haver. A entrega é o ato por meio do qual a coisa locada muda de possuidor. por exemplo. mas. sob pena de invalidação do contrato ou de sua configuração em empréstimo disfarçado ou até mesmo comodato. o locatário também não poderá devolver a coisa sem o pagamento proporcional da multa contratual. O art. A questão da manutenção da coisa envolve. portanto. Sendo o contrato por prazo determinado (arts. salvo se houver previsão contratual específica em contrário. O art. a fundamental é a de proporcionar ao locatário o uso e gozo da coisa locado. embora a sua temporariedade o diferencie. a não ser que pague as perdas e danos correspondentes. ou até mesmo a resolução do contrato. por um lado o locador não pode exigir a devolução da coisa antes do término do contrato. junto com os seus acessórios e pertenças. Esse dever.245/1991) ao contrato de locação conforme o seu prazo. do instituto extinto da enfiteuse. já que o mesmo artigo fala que o locador deve mantê-la neste estado (dever de manutenção). a celebração da locação transfere a posse do bem. presume-se prorrogada a locação por prazo indeterminado. e presume-se que deve ser feita imediatamente. em que a transferência da posse é perpétua. na locação por prazo determinado. 566. Essa presunção legal admite prova em contrário? C) obrigações do locador As obrigações do locador estão dispostas no art. 567 do Código Civil reza que. 571 estabelece que. se não houver culpa do locatário. a qual pode ser desdobrada. 573 e 574). O art. I. se deteriorar-se a coisa durante a vigência do contrato. II. pois o locatário não poderá fazer o uso esperado dela. contudo. naturalmente. dá efeitos diferentes (mais sensíveis ainda no caso da locação de prédios urbanos sujeitos à Lei nº 8. A lei. salvo se em contrário dispuser o contrato. FGV DIREITO RIO 40 . [iii) prazo – o tempo da locação] A definição legal do contrato de locação já permite que ela seja celebrada tanto por prazo determinado quanto por prazo indeterminado. o pagamento do aluguel é o que diferencia a locação do comodato. Dentre todas. basicamente. sem necessidade de notificação ou aviso. por outro.

(iv) Evicção. art. ou defeitos que possam prejudicar o seu uso. sob esse pretexto. II do código. 1. para o fim a que se destina. não permite 18 Caio mário. 1. Se for total. I). ela sobrevier na vigência do contrato. o locatário deve ser indenizado dos frutos que tiver que restituir. respondendo pelas perdas e danos (graduados pelo seu grau de culpa.467. pág. as despesas dela oriundas. A desapropriação tem um regramento próprio. conforme sistematiza Caio Mário da Silva Pereira. ou à redução proporcional do aluguel. A prática. 566.210. o locador indenizará o locatário pelas benfeitorias e os aluguéis são devidos até que o ente público seja imitido na posse da coisa. FGV DIREITO RIO 41 . 567).: fechamento de estabelecimento comercial pela vigilância sanitária). sem. porém. mudar a destinação da coisa alugada. reparos etc. na medida em que em regra o contrato não pode ter sobrevida pelo interesse público subjacente. tratando-a como se sua fosse (art. conforme a escolha do locatário (v. (v) Atos da administração pública – não só a desapropriação. sobretudo para os vícios ou defeitos posteriores ao contrato) e sujeitando-se à resolução do contrato. Isso quer dizer. consertos. principal interessado na manutenção do seu valor econômico. 568. em regra. Art. especialmente nos imóveis urbanos. Se o locador tinha conhecimento do decreto expropriatório. 289. Isso vale somente para os vícios ocultos ou também para os vícios aparentes? (ii) incômodos ou turbações de terceiros. Caberia ao locatário o pedido de restituição dos aluguéis pagos? Se parcial a evicção. em regra se atribui ao locador o dever de promover as obras necessárias à sua conservação. A eventual tolerância do locador. in fine. tb. A mais importante delas é a de pagar pontualmente o aluguel. sob pena de resolução do contrato e pagamento das perdas e danos correspondentes. contudo. embora seja normal que o locatário responda pelas despesas de conservação de pequeno porte. Esse dever é imposto mesmo no caso de turbações feitas por colocatários. Art.CONTRATOs Em EsPÉCIE Como proprietário da coisa. todavia. 569. Garantia – o já mencionado art. A lei estabelece inclusive um penhor legal sobre os móveis que guarnecem o imóvel locado como garantia de pagamento. O aluguel está para a locação assim como o preço está para a compra e venda. conforme o art. mas também os chamados fatos do príncipe que desnaturem a coisa ou o uso a que ela se destina. exceto se causadas pelo próprio locatário (ex. §1º)”18. (iii) Abstenção de incômodos. na forma ajustada no contrato. portanto. além da resolução do contrato decorrente da própria evicção. e. d) obrigações do locatário: Estão dispostas fundamentalmente no art. o locatário pode pedir a resolução do contrato ou abatimento proporcional no aluguel. Se. responde pela indenização. II. caso em que pode o locador solicitar as perdas e danos sofridas. que o locador deve garantir o locatário quanto a: (i) vícios da coisa. 569 do Código Civil. 568. embora caiba ao locatário “o desforço que a lei lhe assegura (Código Civil. sendo esse assunto inclusive objeto de regramento próprio na Lei do Inquilinato. conforme o mesmo art. determina ser obrigação do locador garantir ao locatário o uso pacífico da coisa. é que o contrato de locação estabeleça exatamente que tipo de despesas caberá o locatário e ao locador. Se o locador deve garantir ao locatário o uso pacífico da coisa com relação a terceiros. com muito mais razão não pode ele praticar atos que venham a prejudicar esta utilização pacífica. além das perdas e danos. Deve também o locatário usar a coisa para os usos convencionados ou presumidos.

ainda que proveniente de caso fortuito. O desvio de finalidade é analisado no caso concreto. salvo por sua deterioração natural. a impedir a deterioração do bem se ela é evidente. para que ele.406/2002: “são úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem”. 578). Caso o locatário descumpra esse dever. de maneira. Art. possa entrar com as medidas judiciais cabíveis para a proteção de sua propriedade e da posse do locador.406/2002: “são necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore”. Por fim. podem as partes dispor em contrário no contrato. Isso é contrapartida do dever do locador de garantir a coisa locada. sem prejuízo das regras específicas da Lei nº 8. 576 do código. A lei confere direito de retenção ao locatário pelas benfeitorias necessárias19. deve notificar o locador. por exemplo. enquanto não lhe forem indenizadas as despesas ou perdas sofridas em razão da coisa. uma defesa que a lei dá ao locatário de conservar em sua posse a coisa alheia locada. As únicas exceções permitidas por lei são as em é conferido ao locatário direito de retenção. mesmo depois de findo o prazo contratual.CONTRATOs Em EsPÉCIE afastamento desta regra. como se verá a seguir. e responderá pelos danos a ela. isto é. findo o contrato de locação. deve o locatário restituir a coisa no estado em que a recebeu. conforme as circunstâncias do contrato. contudo. no valor arbitrado pelo locador. 20 FGV DIREITO RIO 42 . O locatário é obrigado a levar ao conhecimento do locador as turbações de terceiros. Tratandose de norma dispositiva. Pode-se dizer até que é um dos poucos casos de “Justiça privada” aceita pelo Direito brasileiro. O locatário deve ter a diligência esperada para o cuidado com a coisa. 96. a lei provê a solução no art.245. 575: ficará responsável pelos aluguéis enquanto mantiver a coisa em seu poder. [alienação do bem durante o prazo locatício] A questão está regulada no art. Esse dever de informação deve ser exercido de modo a permitir a que o locador possa tomar todas as providências para o exercício do seu próprio dever. [direito de retenção] É um poder. parágrafo 2º da Lei nº 10. caso tenham sido feitas com o consentimento do locador (art. sem prejuízo de seu dever de pequenos reparos e consertos já mencionado. e também pelas úteis20. por exemplo. 19 Art. do local em que ele é celebrado e o princípio da boa-fé objetiva. O adquirente do bem somente estará obrigado a respeitar a locação se o contrato contiver cláusula expressa e tiver sido submetido ao registro próprio. tão logo o locatário tome conhecimento da turbação. 96. parágrafo 3º da Lei nº 10.

2005. Todavia. é o de locação de prédios urbanos. eMentário de teMas: Introdução – Âmbito de aplicação – Obrigações das partes – Garantias Locatícias – Prazo e forma – Alienação do imóvel – Locação residencial 1.7. que o profissional do Direito é levado a lidar. 481-573.7. de 18 de outubro de 1991. ed. 1. todavia. que. O regime da locação de imóveis urbanos é de tal importância para o Direito que mereceu uma disciplina própria. a questão habitacional vem sendo uma das maiores preocupações legislativas em todo mundo a partir do Século XX. Rio de Janeiro: Forense.5.1. roteiro de aula a) introdução Vimos na aula passada o regime geral das locações de coisas no Código Civil. págs. Pode-se até dizer que a atividade legislativa. 301 a 312. pelo menos no Brasil. com as normas ora protegendo mais o proprietário.245. pede ao pai que lhe ceda esse apartamento que se encontra alugado.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. ao invés da filha. e o crescente déficit na oferta de casas tem gerado uma verdadeira sucessão de regras jurídicas sobre o tema. Caio Mário da Silva. separada do Código Civil. vol. Com efeito. não foi a primeira legislação específica sobre o tema no Direito brasileiro.245/1991. AulA 7: CONTRATO dE lOCAçãO (lOCAçãO dE PRÉdIOS uRbANOS –– lOCAçãO RESIdENCIAl) 1. ora protegendo mais o inquilino. Caso Gerador Imagine que o senhor Eduardo Russo tenha alugado um de seus apartamentos em Brasília por 30 meses.. sua filha.7. biblioGrafia obriGatória: • Lei nº 8.7. Maria Lúcia. para ela morar. 2006. como não possui imóvel próprio. Arnaldo. envolvendo o contrato de locação. fosse o seu sobrinho? E se o imóvel estivesse sendo vendido? 1. Instituições de Direito Civil.4. 1.2. No 17º mês de vigência.7. III.7. • PEREIRA. 6. Pergunta-se: cabe a denúncia “cheia” nos contratos por igual a 30 meses? E se. pág. biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO. FGV DIREITO RIO 43 . indubitavelmente o maior número de casos. Contratos. tem-se mostrado até certo ponto pendular. que hoje encontra abrigo na Lei nº 8. Rio de Janeiro: Forense. em grande parte devido ao fato de que mais de 80% da população brasileira vive em centros urbanos. decide morar sozinha e.3.

ou seja. nem tampouco uma necessidade social tutelável. a disciplina do Código Civil não é totalmente afastada nas locações de imóveis urbanos. b) Âmbito de aplicação Nem todos os imóveis em áreas urbanas estão sujeitos ao tratamento jurídico da Lei do Inquilinato. aumentando o déficit habitacional. em regra. o intérprete decidirá preponderantemente de acordo com a atividade econômica praticada ou desenvolvida naquele imóvel. como o da boa-fé objetiva e do equilíbrio contratual. restituindo-o ao locador ao fim do prazo estipulado. expostas já no parágrafo único do seu art. Como visto na aula anterior. Além disso. está o dever de cuidar do imóvel e servir-se dele para o fim acordado no contrato. 79) determina a aplicação subsidiária da legislação geral nos casos omissos. como é o espírito da lei. obedece mais a um critério funcional/eco/econômico do que um geográfico. que chegam a extrapolar a mera relação locatícia de transferência da posse. neste caso. Esse tipo de locação. possui caracteres específicos. Também não se aplica a lei no caso de leasing de imóveis. 1º. A configuração de imóvel urbano.CONTRATOs Em EsPÉCIE A relativa longevidade da legislação vigente deve-se. e não ao contrário. gerava um aumento no preço dos aluguéis. num patamar imediatamente inferior. A experiência mostrou que a proteção demasiada ao locatário. a variação do aluguel a ser pago em função do faturamento da loja. As exceções ao âmbito de aplicação da lei.245/1991 todos os imóveis urbanos não incluídos nas exceções legais expressas.504/1964). A própria lei (em seu art. nos casos limítrofes. as principais obrigações do locador se referem à entrega. a não residencial (ou comercial) e a por temporada. sua obrigação primordial é a de pagar pontualmente o aluguel. da sua localização dentro do shopping. permitir o uso e gozo pleno do imóvel pelo locatário. vagas autônomas de garagem. não se verifica um desnível econômico significativo entre as partes que enseje a atuação do legislador. portanto. É legal esta estipulação? No que tange ao locatário. O art. imóveis de propriedade de entes públicos. de locadores e locatários. É muito comum. Estão. porém. A Lei do Inquilinato regula três tipos de locação: a residencial. embora o contrato possa contemplar cláusula de reajuste (arts. Por outro lado. que o contrato transfira para o locatário tais despesas. é livre a pactuação das cláusulas do contrato entre locador e locatário. Os imóveis rurais são regulados pelo Estatuto da Terra (Lei nº 4. exceto por algumas questões referentes a despesas condominiais tratadas no próprio artigo. ao fato de que procura equilibrar os interesses. as regras para o uso do estacionamento. normalmente contrapostos. a submissão a promoções do shopping etc. o impacto social não é tão relevante. O aluguel deve ser fixado em dinheiro. solução que parece mais simples em face do direito constitucional de moradia. por exemplo. sendo que as duas últimas serão tratadas na próxima aula. garantindo o seu uso pacífico inclusive perante terceiros. em virtude de exceção expressa no texto legal. apart-hotéis etc. manutenção e garantia da posse do locatário. como. 54 da lei determina que. por exemplo. 17 e 18). incluem. FGV DIREITO RIO 44 . Isto é. todavia. no que tange às despesas condominiais. podemos inferir. sujeitos à aplicação da Lei nº 8. aplicam-se a este tipo de locação. 22 e 23 da lei. C) obrigações das partes Estão listadas fundamentalmente nos art. Todos os princípios contratuais expostos no código. nestes casos. Uma situação especial diz respeito aos espaços comerciais em shopping centers. O legislador entendeu que.

não depende de forma específica. ou (ii) manter-se na posse do imóvel. A questão do prazo é. talvez. na forma do art. A regra geral é a de que. o contrato contenha cláusula de vigência e esteja averbado na matrícula do imóvel no Registro de Imóveis. ou (iii) seguro de fiança locatícia. 8º da lei estabelece que quando o contrato contém a chamada “cláusula de vigência”. a mais importante no regime da lei. isto é. já que a depender do que as partes acordarem os efeitos serão bem distintos. a lei faculta ao proprietário o direito de exigir um reforço – ou até mesmo uma troca – da garantia nas hipóteses previstas no art. solicitar o acúmulo de garantias para um mesmo contrato. Entretanto. apesar de o contrato de locação ser. então. porém.228) confere ao proprietário o direito de usar. desde que. e) Prazo e forma O art. para o locatário. como se verá adiante. mas a lei regula – e confere alguns direitos ao locatário nestas hipóteses – a forma e o procedimento que deve ser respeitado pelo proprietário e pelo adquirente no caso de venda do imóvel alugado. 40 da lei. se não obtido. o adquirente pode denunciar o contrato de locação. não pode o locador reaver o imóvel locado. Primeiramente. Não lhe é permitido. todavia. não estará obrigado a respeitar o prazo da avença. o adquirente não poderá denunciar o contrato. que. se for superior a dez anos. no prazo de 30 dias contados do conhecimento da proposta. Além disso. Resumidamente. durante a vigência do contrato. e o contrato foi averbado na matrícula do imóvel no Registro de Imóveis. consensual e não solene. Sendo assim. o direito de vender o bem continua com o proprietário. 3º da lei determina que o contrato pode ser ajustado por qualquer prazo. Pode-se dizer. Por isso. Quanto à forma. e o locatário somente poderá devolvê-lo mediante pagamento proporcional da multa estipulada no acordo. mas. o contrato de locação transfere ao locatário a posse do bem. isto é. Este requisito é indispensável para possibilitar a manutenção do contrato em caso de alienação do imóvel. como já dito anteriormente. 37. a lei determina que o contrato é consensual. Por outro lado. de adquirir o imóvel em condições de igualdade de condições com o terceiro. recebe um tempero especial quando se trata de locação residencial. em regra. conforme dispõe o art. FGV DIREITO RIO 45 . em regra. a regra geral é que se resolve o contrato de locação. o art. Como já vimos anteriormente. se o proprietário vender o imóvel. permanecendo o contrato em vigência. depende do consentimento do cônjuge do proprietário. consolidar novamente posse e propriedade em suas mãos. Tal regra.CONTRATOs Em EsPÉCIE d) Garantias locatícias A lei estabelece que o locador pode exigir do locatário uma das seguintes garantias: (i) caução. 27 cria um direito de preferência. a diversidade de efeitos do registro no caso da alienação do imóvel é um grande incentivo não só a reduzir o contrato por escrito como também averbá-lo na matrícula do imóvel. Todavia. que a proteção jurídica do locatário independe da forma escrita do contrato? f) alienação do imóvel O sistema de propriedade adotado pelo nosso código (art. o art. 27. gozar e dispor de seus bens. necessariamente excludentes entre si: (i) exercer a preferência para compra do imóvel em igualdade de condições com o terceiro. a lei confere ao locatário dois direitos. (ii) fiança. 1. o direito de uso e gozo. cumulativamente.

As prorrogações previstas no art.Poderá ficar ainda mais três meses além do prazo estabelecido.7. mesmo se para os seus administradores (art. tendo sempre cumprido rigorosamente todas as condições do contrato. exercida a denúncia. §2º) • Findo o prazo estabelecido. e cabe o locatário desocupar o imóvel em trinta dias. 1. 55). • Só cabe a denúncia “cheia” – nos casos previstos no art. 47 não podem ser afastadas pelas partes. Contratos. onde pratica em regra os seus atos jurídicos. 46. Rio de Janeiro: Forense.6. no qual o legislador fixou uma referência (30 meses) em torno da qual os efeitos do contrato e os direitos e obrigações das partes serão modificados. sob pena de nulidade do contrato (art. c. ed. que pode ou não ser o mesmo local do domicílio. Esse é o lugar da “atividade jurídica da pessoa”. • o locatário. 46) Efeito • o locador pode denunciar o contrato a qualquer tempo. d. Para melhor entendimento da matéria. Seu elemento essencial é a habitualidade”.21 Não devem ser confundidas as noções jurídicas de residência e de domicílio.CONTRATOs Em EsPÉCIE G) locação residencial Locação residencial é aquela destinada à habitação de pessoas. questões de ConCurso (Prova: 09º Exame de Ordem . 486. após os trinta meses cabe a “denúncia vazia”. fixa o parâmetro dos 30 (trinta) meses como razoável para o prazo locatício. tem um prazo de trinta dias para desocupação do imóvel (art. aquela. estudemos a tabela abaixo: Prazo Contratual Indeterminado Inferior a 30 meses (art. portanto. isto é. devolvendo-o nas mesmas condições que o recebeu. Arnaldo. A lei. foi surpreendido com uma notificação para desocupar o imóvel no prazo de doze meses. Findo o prazo. O direito a uma indenização proporcional ao número de anos em razão do rompimento imotivado do contrato.1ª fase) Arnaldo reside há dez anos consecutivos em um imóvel locado através de instrumento escrito e atualmente vigorando por prazo indeterminado. 6. a locação prorroga-se imediatamente por prazo indeterminado. O principal traço da locação residencial diz respeito ao prazo. 47) Igual ou superior a 30 meses (art. • Nesse tipo de prorrogação. A hipótese importa para o locatário: a. • A resolução do contrato ocorre no fim do prazo estipulado. FGV DIREITO RIO 46 . proceder a desocupação do imóvel. sempre. 47. Destinam-se à habitação da pessoa natural. especialmente no que tange à denúncia do contrato. com prorrogação automática se não houver oposição do locador. b. 21 RIZZARDO. imotivada. 45). ainda que sem a intenção de nele permanecer sempre. O direito de não pagar os locativos no período estipulado na notificação. a morada habitual da pessoa. Pessoa jurídica não pode ser parte em contrato de locação residencial. 2006. onde ela se estabelece com ânimo definitivo. pág. “Residência é o lugar onde alguém fica habitualmente.

1ª fase) sendo alienado o imóvel durante a vigência de contrato de locação: a. FGV DIREITO RIO 47 . salvo se a locação for por tempo determinado e o contrato contiver cláusula de vigência em caso de alienação e estiver averbado junto à matrícula do imóvel. O adquirente poderá denunciar o contrato com prazo de noventa dias para desocupação.CONTRATOs Em EsPÉCIE (Prova: 02º Exame de Ordem . após esse prazo.A denúncia deverá ser exercitada no prazo de 30 dias contados do registro da venda ou do compromisso. O adquirente não poderá denunciar o contrato se este vigorar por prazo indeterminado. d. O adquirente poderá denunciar o contrato com prazo de sessenta dias para desocupação. presumindo-se. b. independentemente de cláusula de vigência em razão do princípio “venda rompe a locação”. c. a concordância na manutenção da locação.

CONTRATOs Em EsPÉCIE

1.8. AulA 8: CONTRATO dE lOCAçãO

1.8.1. eMentário de teMas: Introdução - Locação para temporada - Locação não residencial - Ações locatícias. 1.8.2. biblioGrafia obriGatória: • Lei 8.245/1991. • RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. São Paulo: Ed. Saraiva, 2002, vol. 3, págs. 227 a 239. 1.8.3. biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO, Arnaldo. Contratos. Rio de Janeiro: Forense, 2006. págs. 481-573. • VENOSA, Silvio de Salvo. Lei do inquilinato comentada. São Paulo: Atlas, 1997. Comentários aos artigos 48 a 57. • FUX, Luiz. Locações - Processo e Procedimento. Rio de Janeiro: Destaque, 1999. 1.8.4. Caso Gerador Durante o curso da diligência legal, recebemos uma cópia de um contrato de locação não residencial de uma das lojas dos Supermercados Pechincha, celebrado inicialmente em 1º de janeiro de 2000 com prazo de vigência até 31 de dezembro de 2005. Questionada sobre o vencimento do contrato, a senhora Maria Lúcia Russo alegou que o advogado da Pechincha Comércio Varejista Ltda. a orientou a escudar-se no parágrafo único do art. 56, que garante a permanência do locatário se não houver oposição do locador no prazo de 30 dias. Sendo assim, ela argumenta que, passados vários meses do prazo legal, o contrato deve ser considerado como renovado. Como advogado da Grana Certa S/A, quais são os riscos para o seu cliente dessa situação? Seu chefe no escritório, preocupado com isso, pede a você uma pesquisa para verificar se é possível a propositura de ação renovatória. O que você responde a ele? Paralelamente, o senhor Odin Heiro pretende contratar um administrador profissional para assumir a administração da Pechincha Ltda. quando o negócio for fechado. Dentro do pacote oferecido para os candidatos à vaga, inclui-se o pagamento de aluguel de uma mansão no Lago Sul, em Brasília, onde serão sediadas as operações da Grana Certa S/A no ramo de distribuição alimentícia. Neste cenário, o seu cliente lhe pergunta qual seria o prazo recomendável para a vigência do contrato. O que você diz a ele? 1.8.5. roteiro de aula a) introdução A Lei nº 8.245/1991, além das locações residenciais, estabelece ainda o regime das locações não-residenciais (ou comerciais) e por temporada, cada qual com uma finalidade econômica específica. Assim, a Lei do Inquilinato divide em três grandes sistemáticas o regramento das locações prediais urbanas, atendendo aos bens jurídicos respectivamente tutelados – a locação residencial protege o direito à habitação, a
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locação não residencial protege o fundo de comércio e a locação por temporada, por não ser nem habitacional nem parte de atividade econômica, merece regulamento próprio. b) locação para temporada O conceito de locação para temporada está disposto no art. 48 da Lei do Inquilinato, segundo o qual são requisitos para a caracterização da locação para temporada o fim ao qual é destinado o imóvel (recreativo ou na necessidade do locatário de celebrar o contrato, seja por realização de curso, seja por tratamento de saúde ou obras em seu imóvel), e o prazo de sua vigência (que não pode ser superior a 90 (noventa) dias). O prazo superior a 90 (noventa) dias descaracteriza a locação como para temporada. O art. 50 mostra que, se permanecer o locatário no imóvel para além do prazo máximo estipulado, não é possível mais se exigir o pagamento antecipado do aluguel, descaracterizando a temporada. Assim, o artigo equipara à locação residencial, só podendo ser denunciado nas hipóteses do art. 47. Parte da doutrina entende que é necessário contrato escrito. Embora contivesse do projeto original uma disposição específica neste sentido, há quem entenda que o prazo exíguo a torna incompatível com o contrato verbal, sobretudo porque o contrato não escrito, como pode não deixar claro o prazo contratado, pode ser confundido com uma locação residencial comum. E você, acha necessária, conceitualmente, a forma escrita para a locação por temporada? Em todo caso, se o imóvel estiver mobiliado, o parágrafo único determina que deva constar do contrato o rol dos móveis e utensílios que o guarnecem, bem como o estado em que se encontra. E se as partes não procederem assim, qual a sanção jurídica? Torna-se inválido o contrato? Outro grande traço da locação para temporada é a possibilidade de exigência, por parte do locador, de recebimento dos aluguéis antecipadamente, o que é vedado para os demais tipos de locação segundo o art. 20. Se, todavia, o contrato for resolvido, por algumas das hipóteses estabelecidas no art. 9º, o locador será obrigado a devolver, proporcionalmente, o valor recebido antecipadamente, sob pena de seu enriquecimento sem causa. C) locação não residencial Considera-se locação não residencial, naturalmente, aquela que não é destinada à habitação de pessoas. Sempre que a destinação do imóvel não for a moradia de alguém, será para fins não residenciais. O contrato de locação não residencial ganha uma importância maior na medida em que pode ser – e quase sempre é – parte integrante do fundo de comércio (ou fundo de empresa) do empresário. O ponto, o estabelecimento, a loja, são partes fundamentais da atividade empresarial, apesar de ser um bem imaterial, e, desta forma, não pode o legislador – que sempre procura preservar a atividade empresarial, em prol do crescimento econômico (que gera empregos e tributos) – tratar esse tipo de locação da mesma forma que trata a locação residencial. Como o legislador se utilizou da expressão “não residencial”, e não de “empresa”, “empresário” etc., é irrelevante para a lei se a atividade desenvolvida no local é empresarial, civil, industrial, ou qualquer outra. O critério da lei é residual – todas as locações que não sejam destinadas à moradia de pessoas naturais são “não residenciais” e sua disciplina então é a aplicável. Há também a locação não residencial por força de lei, estabelecida no art. 55 da lei. De modo a proteger, então, a atividade econômica, o legislador, ao contrário do que ocorre na locação residencial, outorgou ao locatário, nestes casos, um direito à renovação compulsória, ao qual corresponde uma ação – a ação renovatória. Note-se que a possibilidade de renovação compulsória do contrato encerra uma revolução paradigmática no direito dos contratos: a vigência do contrato independe da vontade de uma das partes. Em outras palavras: o locador pode inclusive ter manifestado sua intenção de não renovar
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o contrato, mas se o locatário cumprir os requisitos legais, o juiz deverá autorizar a manutenção da vigência do contrato. A rescisão do contrato, em regra, nesses casos, se dá ao fim de seu prazo, conforme estabelecido no art. 56 da lei, que dá um tratamento semelhante ao que ocorre na locação residencial. Para que o locador possa fazer jus ao direito à renovação compulsória, a lei exige determinados requisitos que devem constar do contrato, necessariamente. Tais requisitos estão expostos nos três incisos do art. 51, que são cumulativos, ou seja, é necessária a presença das três condições para a possibilidade da renovação compulsória. Vale ressaltar que, neste caso, a lei é cogente; significa dizer que o contrato não pode afastar a possibilidade de renovação, estando presentes os requisitos legais. Note que (i) a lei obriga que o contrato seja por escrito – volta-se aquela definição vista anteriormente: o contrato é consensual, mas dependendo de sua finalidade, a forma escrita garantirá uma determinada sorte de efeitos; e (ii) o legislador realmente privilegia a formação do “fundo de empresa” quando estabelece prazos mínimos e requer que seja o mesmo ramo de atividade. No que tange ao inciso II, ressalte-se que se o contrato for estipulado por menos de cinco anos e houver um lapso temporal entre o seu vencimento e a sua efetiva renovação, a jurisprudência entende que se computa este tempo, valendo o tempo que o inquilino está no imóvel. Um outro requisito fundamental de validade da ação renovatória está previsto no §5º do referido artigo, que estabelece um prazo decadencial para a propositura da ação, de seis meses, entre um ano e seis meses antes do vencimento previsto do contrato vigente. Portanto, quando você estiver estagiando em um escritório e tiver que protocolar um prazo de ação renovatória, muita atenção: NÃO PERCA O PRAZO; seu cliente pode sofrer gravíssimos prejuízos. Dê uma olhada atenta nos arts. 52 e 53 da lei – lá estão estabelecidas algumas exceções à regra da renovação compulsória, por matéria de política legislativa. Luvas: é uma quantia paga pelo locatário, além dos aluguéis, para o locador, como adiantamento ou para a renovação do contrato. No regime anterior da locação não residencial, sua cobrança era permitida. No atual sistema legislativo, parte da doutrina acha que a lei atual não veda a cobrança, que ocorria, na prática, mesmo com a existência de vedação expressa do decreto anterior (lei de luvas). Mas não é matéria pacificada; alguns entendem que o Art. 45 proíbe a cobrança de luvas. d) ações locatícias Por fim, e sem querer entrar na aula do professor de Processo Civil, a Lei do Inquilinato possui regras processuais específicas para o caso de locação de imóvel urbano, criando alguns remédios para locadores e locatários sujeitos ao âmbito da lei. 1) Ação de despejo (art. 59) – é a ação utilizada pelo locador para retomar o imóvel, por qualquer que seja o motivo (e não somente por falta de pagamento). Assim, sempre que o locatário se mantiver na posse do imóvel e a lei conferir ao locador o direito de retomada, ele poderá propor a ação de despejo e poderá, inclusive, pedir liminar ao juiz para desocupação em 15 (quinze) dias, nos casos previstos no art. 59. Se a ação de despejo for proposta com fundamento na falta do pagamento pontual do aluguel, o objeto da ação incluirá também a cobrança dos valores devidos, não sendo necessária, até mesmo por um primado de economia processual, a propositura de ação de cobrança. O locatário poderá, nesse caso, impedir a resolução do contrato mediante a “purga da mora”, isto é, o depósito judicial do valor do débito atualizado, com multa, juros e encargos. 2) Ação de consignação de aluguel (art. 67) – é a ação do locatário quando o locador se nega a receber os valores do aluguel, e por meio da qual ele irá depositar em juízo a importância que acha devida, indicada na petição inicial.
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Neste caso. a retribuição a ser paga pelo locatário. b. a locatária. Vale ressaltar que. levantar o depósito sobre o valor que não está sendo mais objeto da disputa. na locação não residencial. 1. em que muitas vezes o locador era prejudicado por um índice defasado no contrato. conforme visto acima.2ª fase . d. iniciou tratativas com o locador. alguma solução judicial para a questão? Qual? Explique e fundamente a sua resposta FGV DIREITO RIO 51 .1ª fase) Não é defesa possível ao locador na ação renovatória: a.CONTRATOs Em EsPÉCIE Caso o locador levante o depósito ou não oferecer contestação. 68) – serve para qualquer tipo de locação prevista no ordenamento. celebrado em 01/12/1999. IV). Proposta de terceiro para a locação em condições melhores. Tinha muita relevância na época da escalada inflacionária. Não preenchimento dos requisitos legais para a renovação. as quais restaram infrutíferas. Assim. também por medida de economia processual. o locatário poderá. desta forma. existe.8. Sendo assim. ou não. 73). A intenção de se instalar no imóvel com comércio no mesmo ramo que o inquilino. basicamente o que se busca é uma perícia judicial para que seja arbitrado o valor de mercado justo do imóvel. no intuito de preservar o fundo de empresa. 71) – é aquela usada para a renovação compulsória da locação. na qualidade de locatária. A necessidade de realização de obras urgentes. Pergunta-se: no caso concreto. por prazo determinado de 5 (cinco) anos. Nessa ação. face à resistência do locador. o legislador limitou as matérias de fato que podem ser objeto da contestação do locador.PROVA DIsCURsIVA Padaria Alvino.6. gerando um enriquecimento sem causa do locatário. em contrato de locação não residencial. de radical transformação no imóvel. c. que não deseja renovar o contrato. 4) Ação renovatória (art. na data de hoje. no art. Prova: 24º Exame de Ordem . ajustando-se. que também será discutido na ação (art. pretendendo renovar a relação. poderá ser cobrada a diferença aferida no valor dos aluguéis. questões de ConCurso (Prova: 21º Exame de Ordem . na maioria das vezes o autor da ação era o locador. expondo todo o caso concreto e desejando sua opinião sobre a possibilidade de compelir a realização da renovação contratual. Por outro lado. lhe procura como advogado. a qualquer tempo. determinadas pelo poder público. 72. 67. 3) Ação revisional de aluguel (art. o juiz acolherá o pedido (art.

9. 1. 1. Silvio. sociedade limitada com sede na Rua dos Oitis. Tendo em vista a importância desse imóvel para a rede de supermercados e. • RODRIGUES.9. 2002. 3. AulA 9: EmPRÉSTImO (COmOdATO) 1. “Parte”. REsOLVEm. a Comodatária tem interesse na utilização do Imóvel e que a Comodante deseja dar em comodato à Comodatária parte do Imóvel. Parte Especial. Eduardo Russo. matrícula 555 do Cartório de Registro de Imóveis do Distrito Federal.. e pelas seguintes cláusulas e condições: FGV DIREITO RIO 52 . biblioGrafia obriGatória: • Arts. págs. 82 a 130. Comodante e Comodatária são doravante.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. conseqüentemente. 2003.9. CONSIDERANDO QUE: a Comodante é proprietária e legítima possuidora do imóvel localizado no Lago Sul.406/2002. doravante denominada simplesmente “Comodatária”. inscrita no CNPJ/MF sob nº 00000000. que comentários você teria a fazer com relação ao contrato abaixo? CONTRATO DE COmODATO XYZ LTDA. biblioGrafia CoMPleMentar: • LOPEZ. 255 a 261. Saraiva. São Paulo-SP. In: AZEVEDO. Comentários ao Código Civil. Extinção do comodato. potencial adquirente do negócio. neste ato representada por seu representante legal.1.3. Comodante e Comodatária. com sede em Brasília. individualmente. (coord. Quadra ABC (o “Imóvel”). denominadas “Partes” e.9.2. conjuntamente. Sr.). Obrigações do comodatário. Antônio Junqueira de.4. vol. págs. para o nosso cliente. eMentário de teMas: Introdução. São Paulo: Ed. 7.. que será regido pelo artigo 579 e seguintes do Código Civil. Distrito Federal. 1. e PECHINCHA COMÉRCIO VAREJISTA LTDA. celebrar o presente Contrato. Das várias espécies de contratos. vol. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Caso Gerador: Recebemos na diligência o contrato de comodato de um dos imóveis utilizados pela rede de Supermercados Pechincha. Direito Civil. 579 a 585 da Lei nº 10. neste ato representada por seu representante legal. doravante denominada simplesmente “Comodante”. Características. com seus atos constitutivos registrados na Junta Comercial de Brasília sob o número 11111111. São Paulo: Saraiva. Teresa Ancona.9.

2. A Comodatária será exclusivamente responsável pelo pagamento de todas as despesas ordinárias tais como.1.1. para todos os fins de direito. 2. comprometendo-se a não lhe causar danos ou avarias e a conservá-lo no mesmo estado em que o recebeu. 5. 1. taxas. ou ainda restrições de qualquer natureza. luz. ficando. O presente Contrato é celebrado por prazo indeterminado. Da Imissão na Posse. sem o expresso e inequívoco consentimento da Comodante. O presente Contrato poderá ser rescindido por qualquer uma das Partes. água. Da Utilização da Área. 2.2. a Comodante cede em comodato à Comodatária o Imóvel. 1. se realizadas pela Comodatária.3.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. pela outra Parte.1. a Comodatária é imitida na posse do Imóvel. a preservar e manter em perfeito estado de conservação e limpeza o Imóvel cedido. de qualquer de suas cláusulas e/ou condições.2. turbações ou esbulhos e a preservar o Imóvel como se seu fosse. 2. e as benfeitorias delas decorrentes a ele se incorporarão. ainda. obrigando-se. 4. ou (b) pedido de concordata ou falência da Comodatária.1. em caso de inobservância. FGV DIREITO RIO 53 . que o Imóvel se encontra livre e desembaraçado de quaisquer ônus reais. mediante notificação com efeitos imediatos. Do Objeto. serão consideradas despesas necessárias para o uso e gozo do Imóvel. Durante a vigência do presente Contrato. bem como a cessão ou transferência dos direitos e obrigações oriundos deste Contrato. Fica desde já ajustado entre as Partes que as benfeitorias realizadas pela Comodatária no Imóvel não criarão para a Comodatária direito a qualquer indenização.3.1. Fica. impostos e demais encargos que recaiam sobre o Imóvel. desde já.1. ou (c) utilização do Imóvel para outros fins além daqueles descritos neste Contrato. ressalvado o desgaste natural decorrente do uso regular do Imóvel. Pelo presente Contrato. 3. desde já. 4. podendo ser rescindido por qualquer das Partes mediante aviso prévio de 30 (trinta) dias. em conformidade com o seu Contrato Social e respectivas alterações. vedada sua utilização para qualquer outra finalidade sem o prévio e expresso consentimento da Comodante. Neste ato. bem como sobre o exercício de suas atividades. 3. Tais adaptações e reformas. sob pena de responder por perdas e danos. na ocorrência de qualquer uma das seguintes hipóteses: (a) protesto de títulos de responsabilidade da Comodatária. 5. sem prejuízo das sanções aplicáveis. A Comodante reserva-se o direito de rescindir este Contrato. Da Vigência e da Rescisão. 5. caso tais irregularidades não sejam sanadas dentro de 02 (dois) dias contados a partir da data do recebimento de aviso escrito enviado pela Parte prejudicada. Das Despesas.2. 2. na melhor forma de direito. 1. vedado à Comodatária o aluguel ou comodato do Imóvel. a partir da posse. pessoais ou fiscais. não podendo a Comodatária reter o Imóvel nos termos deste Contrato pelas benfeitorias nele realizadas. gás. na forma do artigo 582 do Código Civil. 5. A Comodante declara. A Comodatária será a responsável exclusiva pelo custeio de todas e quaisquer despesas decorrentes de adaptações e reformas eventualmente realizadas a fim de permitir a instalação e o funcionamento das atividades da Comodatária no Imóvel. a defendê-la contra ameaças. A Comodatária declara que utilizará o Imóvel ora dado em comodato exclusivamente para a consecução de seus objetivos sociais. a Comodatária se obriga.

as Partes assinam o presente Contrato de Comodato em três vias de igual teor e forma na presença de duas testemunhas abaixo assinadas.5. qualidade e quantidade”. 2002. eminentemente gratuito. a qualquer tempo. para ser devolvido em espécie ou gênero. veremos as características do comodato e na próxima aula estudaremos as diferenças entre comodato e mútuo e as regras específicas do mútuo. permitidas ou decorrentes deste Contrato. 8. 8. 85 da Lei nº 10. A Parte que infringir qualquer das cláusulas ou condições do presente Contrato ficará sujeita ao pagamento. por mais privilegiado que seja. 10 de novembro de 1995. Relembrando: art. As Partes elegem o foro da comarca da capital do Estado de São Paulo como competente para solucionar qualquer conflito decorrente do presente Contrato. deverão ser feitas por carta com aviso ou protocolo de recebimento ou. roteiro de aula a) introdução Empréstimo é o contrato pelo qual uma das partes entrega um bem à outra. vol. ao termo do negócio”23.9. silvio. dirigidos e/ou entregues às Partes nos endereços constantes do preâmbulo deste Contrato ou em outro endereço que uma das Partes venha a comunicar à outra. 23 FGV DIREITO RIO 54 . Existem duas espécies de empréstimo: comodato e mútuo. 22 RODRIGUEs. Direito Civil. e-mail com comprovação de recebimento. POR EsTAREm AssIm JUsTAs E CONTRATADAs. saraiva. pág. Das Penalidades. 3. na vigência deste instrumento. Brasília. ainda. são Paulo: Ed. à Parte inocente. no qual o comodatário recebe a coisa emprestada para uso.CONTRATOs Em EsPÉCIE 6. 7. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Das Notificações. por notificação judicial ou extrajudicial.406/2002: “são fungíveis os móveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie. Testemunhas: Nome: RG: Nome: RG: 1. fax. Todas as notificações. 6. “O comodato é o empréstimo de coisa não fungível22.1.1. devendo devolver a mesma coisa. com renúncia expressa de qualquer outro. das perdas e danos a que tiver dado causa. 7. Pechincha Comércio Varejista Ltda. por qualquer das Partes à outra. 255. avisos ou comunicações exigidas.1. Nesta aula. Do Foro.

Não basta a mera troca de consentimentos. embora as máquinas permaneçam no supermercado. se em caso de risco. Que conseqüências podem resultar desse fato? d) extinção do Comodato O contrato de comodato se extingue: Rever arts. – Usar a coisa de forma adequada – O bem em comodato só poderá ser usado. poderia ser confundido com a locação. exceto se ele comprovar necessidade urgente e imprevista para exigi-lo antes. pelo comodatário. Recebemos o contrato celebrado entre o Supermercado Pechincha e a empresa de café e notamos que. abandonando os bens do comodante. o comodante não pode exigir o bem antes do termo do contrato. Assim. é possível extrair três elementos desse contrato: a gratuidade. incumbem obrigações apenas ao comodatário. 579 da Lei nº 10. mesmo em caso de força maior. C) obrigações do comodatário – Velar pela conservação da coisa – O comodatário deve zelar pela coisa como se própria fosse. o comodatário privilegiar a segurança de seus bens próprios. Se o contrato for omisso quanto à finalidade. que cedeu duas máquinas em comodato ao supermercado para que os clientes comprem os produtos e coloquem nas máquinas que ficam ali à disposição. A natureza jurídica do contrato de comodato. deve ser entendido que a coisa foi emprestada para ser utilizada de acordo com sua natureza. o prazo do contrato já terminou. que descumpra a obrigação de devolver o bem no prazo. Vale notar que no comodato. fica em mora e. sujeito aos efeitos da mora24. Um dos diferenciais do Supermercado Pechincha é o atendimento aos clientes. a não-fungibilidade do objeto e a necessidade de sua tradição para o aperfeiçoamento do negócio. Para tanto. o comodatário responde pelo dano que venha a ser sofrido pelo comodante. A princípio. por exemplo. é: – Gratuito – caso fosse oneroso.CONTRATOs Em EsPÉCIE b) Características Art. 394 a 401 da Lei nº 10. – Não solene – a lei não prescreve qualquer forma. 24 FGV DIREITO RIO 55 . – Real – é necessário que o bem seja transferido ao comodatário para que o contrato exista. O comodatário. embora haja transferência do bem. – Restituir a coisa emprestada no momento devido – O comodatário deve restituir o bem no prazo acordado. deve ser restituído findo o prazo necessário para a finalidade para a qual ele foi emprestado. portanto. Há. o Supermercado Pechincha entrou em acordo com uma renomada empresa de café expresso. portanto. Perfaz-se com a tradição do objeto”.406/2002: “O comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis.406/2002. já analisada neste curso. onde os clientes podem tomar um gostoso cafezinho. para a finalidade e de acordo com os termos do contrato de comodato. o domínio não é transferido ao comodatário. Pela análise do artigo acima. Não havendo prazo expressamente pactuado. – Unilateral – após a entrega do bem. uma área perto da seção de confeitaria.

– pelo comodante. Irene veio a falecer poucos dias depois. Apesar de estar muito chateado. alegaram que o contrato de comodato ainda estaria em vigor e que a moto era responsável por uma boa parte da renda do restaurante uma vez que viabilizava o serviço de entrega em domicílio.CONTRATOs Em EsPÉCIE – pelo decurso do prazo pactuado ou. Sabendo que Irene tinha acabado de abrir um restaurante e que queria implementar um serviço de entrega em domicílio. Nesse caso. como julgaria a questão? FGV DIREITO RIO 56 . – pelo comodante. Se você fosse o juiz. Além disso. se o comodatário descumpre qualquer de suas obrigações. por sua vez. o comodante estava ciente de que não era ela quem dirigia a moto. Vital deu sua moto em comodato a Irene. infelizmente. alegando que somente tinha feito aquele contrato porque conhecia muito bem Irene e que agora não fazia sentido manter o contrato de comodato. caso não haja termo ajustado. Vital pleiteou em juízo a resolução do contrato de comodato. caso prove a superveniência de necessidade imprevista e urgente. embora o contrato de comodato tivesse sido celebrado com Irene. após o uso pelo comodatário de acordo com a finalidade para que foi emprestada. Irene e Vital eram amigos desde a época do colégio. de acordo com os herdeiros. Ocorre que. Os herdeiros de Irene. a rescisão decorrerá de sentença judicial que reconheça o advento de necessidade urgente e imprevisível à época do negócio.

um bem que tenha as mesmas características do que o recebido.10. • LOPEZ. As coisas fungíveis são substituíveis por outras. 10. 2002. 1.Prazos no mútuo.10. roteiro de aula a) diferenças entre mútuo e comodato Embora ambos sejam espécie do gênero empréstimo. Direito Civil. 586 a 592 da Lei nº. Arnaldo. Parte Especial. por meio de mútuo. • FONSECA. biblioGrafia obriGatória: • Arts. pretende obter recursos.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.10.406/2002. Já o mútuo. out. – Transferência de domínio – Enquanto no comodato. págs. 7. Saraiva. vol. do Mercado de Capitais e da Arbitragem 26. 1. AulA 10: EmPRÉSTImO (múTuO) 1. o comodato é o empréstimo de coisas não fungíveis.Mútuo oneroso ou feneratício . mas não necessariamente o mesmo recebido. Antônio Junqueira de. Grana Certa Empreendimentos S.-dez. Das várias espécies de contratos. In: AZEVEDO. págs. apresentam algumas diferenças. 1.Mudança na situação econômica do devedor . 2003.406/2002. out. Caso Gerador: Nosso cliente. São Paulo: RT. o comodatário recebe coisa não fungível. no prazo pactuado.5. Comentários ao Código Civil. Rodrigo Garcia da. págs.2.4. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Ed.1. vol. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.). Desta forma. Juros no Código Civil de 2002. Revista de Direito Bancário. eMentário de teMas: Diferenças entre mútuo e comodato – Características . • RODRIGUES. São Paulo: RT.. tendo que devolvê-la ao comodante ao final do comodato. tais como: – Objeto – Como vimos na aula anterior. o domínio do bem é transferido pelo mutuante ao mutuário. Juros e o novo Código Civil.10. 261 a 268.10. Ele comenta que soube que houve muita discussão a respeito da cobrança de juros com a edição do novo Código Civil e lhe consulta sobre esta questão. como o bem emprestado é fungível. (coord. do Mercado de Capitais e da Arbitragem 22.. é o “empréstimo de coisas fungíveis”.A. 3. págs.3. o mutuário tem que entregar ao mutuante.10.. 2004. no mútuo. Ao explicar a situação. 1.169 a 187. Silvio. 67 a 110. Revista de Direito Bancário. diferentemente do que ocorre no comodato. FGV DIREITO RIO 57 . conforme art. 2003. 53 a 77. Teresa Ancona. para viabilizar a compra da participação na Pechincha Comércio Varejista Ltda. biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO. Dessa diferença decorre a segunda distinção entre comodato e mútuo.-dez. 586 da Lei nº 10. não deixe de apontar as diferenças entre o regime geral do mútuo no Código Civil e o mútuo bancário. no mútuo.

que no caso de notória mudança na situação econômica. Jeremias pediu R$ 500. uma vez que a única obrigação do mutuante seria a entrega da coisa. – Gratuito ou oneroso – O contrato de mútuo tanto pode ser gratuito. o mutuário deve devolver ao mutuante valor equivalente ao recebido. acrescido de juros.00. 333 da Lei nº 10. no caso de ajuda a um amigo. aplica-se a regra geral25 de que. é possível dizer que a partir desse momento apenas o mutuário tem obrigações para com o mutuante. 227 da Lei nº 10.CONTRATOs Em EsPÉCIE Jeremias vinha conversando muito com um amigo que se dizia entendido de investimentos na bolsa de valores. Vale lembrar que o art.000. Jeremias decidiu investir em ações. – Não solene – A lei não determina uma forma obrigatória para a celebração do mútuo. portanto. No mútuo oneroso ou feneratício.406/2002 e 401 do Código de Processo Civil. ele também pagaria ao João Alberto apenas o que havia sobrado. Como não tinha recursos para fazê-lo. o legislador prevê no art. 402 do Código de Processo Civil prevê exceções a regra do arts. Dessa forma. Ele lembra que certa vez uma das máquinas de café expresso emprestadas para uma das filiais do supermercado quebrou e que o supermercado teve apenas que devolvê-la a empresa proprietária das máquinas. prevista no art. sendo conveniente. no caso de negócios jurídicos de valor superior a dez salários mínimos. mas essa é necessária para que o contrato exista. 227 da Lei nº 10. celebrar esse tipo de contrato por escrito. por exemplo. o mutuante pode exigir do mutuário garantia de que poderá cumprir sua obrigação de pagar o mútuo. Para provar a existência do mútuo. – Unilateral – Como o contrato somente se concretiza com a entrega do bem pelo mutuante ao mutuário. Jeremias entregou o dinheiro ao amigo para que ele fizesse o investimento na bolsa. com a previsão de juros sobre o valor emprestado.00 a João Alberto. tem sido cada vez mais comum a pactuação de mútuos onerosos. No dia fixado para pagamento do mútuo. Caput do art. assim como o valor das ações que foram adquiridas pelo amigo de Jeremias. assim como o supermercado pôde entregar apenas a máquina quebrada. que é a remuneração pelo uso do capital. a prova exclusivamente testemunhal só se admite nos negócios jurídicos cujo valor não ultrapasse o décuplo do maior salário mínimo vigente no País ao tempo em que foram celebrados”. contudo.406/2002: “salvo os casos expressos. tendo em vista que agora ele só tem metade desse valor. Atualmente. como também oneroso. Ocorre que a bolsa de valores despencou. 590 da mesma lei. O que você responde? Quais são as principais diferenças entre a locação e o comodato e a locação e o mútuo? b) Características O mútuo é contrato: – Real – Só se aperfeiçoa com a entrega da coisa.406/2002. não bastando o acordo entre as partes. Curioso e atraído pela conversa de seu amigo. para devolvê-lo no prazo de seis meses. Jeremias lhe procura e pergunta se tem obrigação de devolver a João Alberto os R$ 500.000. 25 FGV DIREITO RIO 58 . d) Mútuo oneroso ou feneratício O caso mais usual de mútuo é o empréstimo de dinheiro. não é admitida apenas a prova testemunhal. C) Mudança na situação econômica do devedor Seguindo a orientação de proteção ao credor. sem ter a obrigação de consertá-la ou pagar pelo seu conserto.

os frutos produzidos pelo dinheiro. Teresa Ancona Lopez. desde que seja observado o limite máximo estabelecido no referido art. resultantes da utilização permitida desse capital”27. pág. a fixação dos juros tinha que ser expressa. É bem acessório e depende do principal”26. como também é muito comum. Vol. pois esses bens têm disciplina específica prevista nos incisos anteriores.406/2002 remete ao art. são definidos como a compensação. Como o art. 406 da Lei nº. Das várias espécies de contratos”. A taxa em vigor para pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional é a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC)29. são Paulo: saraiva. serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional”. Parte Especial. Os juros são classificados em juros remuneratórios e juros moratórios. são definidos como o rendimento do capital. a cobrança de juros não só é aceitável. (coord) Antônio Junqueira de Azevedo. (coord) Antônio Junqueira de Azevedo. “Comentários ao Código Civil. o mutuante poderá intimar o mutuário para restituir o bem no prazo que fixar. No Código Civil de 1916. 10. Os juros também podem ser legais ou convencionais. Parte Especial. Parte Especial. 175. eles são presumidamente devidos no caso de mútuo para fins econômicos. Vol.CONTRATOs Em EsPÉCIE A cobrança de juros vem sendo discutida durante a história. 591 da Lei nº. ou quando provierem de determinação de lei. 10. (coord) Antônio Junqueira de Azevedo. 2003. “Os juros remuneratórios podem ser definidos como os frutos de um capital emprestado. por sua vez.065/95 FGV DIREITO RIO 59 . 2003. Essa regra não se aplica ao mútuo de dinheiro ou de produtos agrícolas. 174. se for de qualquer outra coisa fungível”. são Paulo: saraiva. 26 “Comentários ao Código Civil. Das várias espécies de contratos”. Vale ressaltar o prazo previsto no inciso III do referido artigo: “do espaço de tempo que declarar o mutuante. Atualmente. 591 da Lei nº. as partes são livres para pactuar a taxa de juros. 406 da mesma lei para fixar teto para a taxa de juros: Art. A princípio. Teresa Ancona Lopez. 7.406/2002: “Quando os juros moratórios não forem convencionados. 10. Esse prazo deve ser razoável para que o mutuário possa usar e gozar do bem mutuado. ou o forem sem taxa estipulada. pg. “Os juros moratórios. podemos afirmar que ele refere-se aos dois tipos: remuneratórios e moratórios. 28 29 Lei nº 9. de um modo geral. Dessa forma. 7. do ponto de vista moral e religioso. “Os juros. 175. Já no Código Civil de 2002. 406. e) Prazos no mútuo Caso as partes não convencionem o prazo para o término do mútuo. mesmo que não haja previsão expressa de cobrança de juros. 2003. O art. inclusive. portanto. 27 “Comentários ao Código Civil. são Paulo: saraiva. da mesma forma que o aluguel é o rendimento produzido pela coisa cedida em locação. Teresa Ancona Lopez. Vol. Aplicam-se quando o devedor deixar de cumprir sua obrigação no tempo acordado como credor”28. Das várias espécies de contratos”. a indenização por descumprimento de uma obrigação pecuniária. 7. o Código Civil estabeleceu prazos em seu artigo 592.406/2002 não faz referência a um tipo específico de juros. Os juros legais decorrem de imposição legal e os juros convencionais decorrem da vontade das partes. pág.

Poderá se valer de prova testemunhal. c. pois dívida não se comprova com testemunha. Não existe previsão legal para esta hipótese. Nada poderá fazer. questões de ConCurso (Prova: 12º Exame de Ordem . sendo certo que tais tratativas verbais ocorreram na presença de manoel e Joaquim. d.1ª fase) João tendo emprestado certa importância a seu primo José. diante do constrangimento decorrente da relação de parentesco.10. Só poderá se valer de testemunhas se estas forem em número de quatro ou mais.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. face ao impedimento moral existente. Diante desta hipótese João poderá: a. b. independentemente do valor contratado. não cuidou de obter sua assinatura em documento que tornasse hábil a futura cobrança.6. FGV DIREITO RIO 60 .

O Código Civil regula a prestação de serviços residual.11. III. Saraiva. há mais de cinco meses. o “trabalho avulso feito por pessoa física ou jurídica (geralmente microempresa) e o trabalho dos profissionais liberais”. Caso Gerador Em visita a uma das filiais do supermercado Pechincha. 243 a 253. Empreitada – Introdução. São Paulo: Ed. págs. Ocorre que a obra já ultrapassou tanto a previsão de tempo quanto a de custo e Pedro ainda está cobrando de Maria Lúcia valores adicionais pela obra. 593 a 626 da Lei n° 10. 2005. um rapaz conhecido por ser um bom empreiteiro. Modernamente.11.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. AulA 11: PRESTAçãO dE SERVIçOS. PEREIRA. como executor de uma obra para ampliação do estacionamento da loja.2. 1. 375 a 384. RODRIGUES. Caio Mário da Silva. Direito Civil. Pedro acaba de avisar à Maria Lúcia. ou seja. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. roteiro de aula a) Prestação de serviços . Ela conta que contratou. a prestação de serviços era tratada como “locação de serviços”. como orientaríamos Maria Lúcia? E se. ao contrário. 2002. Características da Prestação de Serviços. eMentário de teMas Prestação de Serviços – Introdução. Rio de Janeiro: Forense. que está completamente irada.1. EmPREITAdA. Obrigações do Empreiteiro. o termo “locação” é utilizado apenas para coisas e não mais para pessoas. o que poderíamos alegar? 1. Riscos com aumento ou redução de preços.11. que ele não tinha como prever quando foi contratado.3. biblioGrafia obriGatória Arts. como transporte. Silvio. Obrigações do dono da obra.000. 1.11.introdução No Código Civil anterior. A previsão inicial era de que a obra duraria três meses e custaria R$ 20. que em razão de um acidente ocorrido no dia anterior. Pedro. filha do senhor Eduardo Russo e administradora das lojas.4. Instituições de Direito Civil. Para piorar. Espécies de Empreitada.00. corretagem.406/2002. Características da Empreitada. agência e distribuição. Se fôssemos advogados do Supermercado Pechincha. Pedro alega que alguns materiais necessários para a obra tiveram seus preços reajustados e que o projeto original sofreu modificações durante a obra. 1. para análise de contratos que ali estavam. ou até mesmo em lei específica.11. encontramos Maria Lúcia. Perguntado sobre o descumprimento do prazo e do orçamento previstos. o material que iria ser utilizado para revestir as paredes do estacionamento deteriorou-se e que será necessário repor boa parte do material. FGV DIREITO RIO 61 . vol. como os serviços de telefonia e bancário. Há serviços específicos que são tratados em seção específica do Código Civil. vol 3. fôssemos advogados do empreiteiro. O trabalho com vínculo empregatício é regulado pelo Direito do Trabalho. págs.

os riscos da alta ou baixa do preço dos materiais e do salário são assumidos pelo empreiteiro. salvo estipulação em contrário. Não solene – a lei não impõe forma específica para sua execução. como poderíamos classificar o contrato de prestação de serviços? Tendo atuado muitos anos no comércio varejista. o senhor Eugênio foi contratado com exclusividade pelo Supermercado Pechincha para prestar serviços de pesquisa de técnicas de atração ao consumidor. pessoalmente ou por terceiros.introdução Empreitada é o contrato por meio do qual o empreiteiro “se compromete a executar determinada obra. objeto lícito e forma.CONTRATOs Em EsPÉCIE Desde que respeitados os pressupostos e requisitos1 para os negócios jurídicos. sendo a ausência de protesto considerada uma aceitação tácita do dono da obra. Pode ser ajustado verbalmente. vol 3. e) riscos com aumento ou redução de preços Em regra. O empreiteiro entrega a obra e o dono da obra entrega o preço. 1 RODRIGUEs. Quais são as diferenças entre o contrato de empreitada e o de prestação de serviços? d) Características da empreitada O contrato de empreitada é: Bilateral ou sinalagmático – envolve prestação de ambas as partes. (art. sem que seja necessária a entrega da coisa. nos pergunta se há alguma providência que possa ser tomada caso o senhor Eugênio resolva parar de trabalhar para o Supermercado Pechincha. São Paulo: Ed.406/2002). 2 FGV DIREITO RIO 62 . como ocorre no mútuo. por meio de instruções por escrito do dono da obra e. Ao saber disso. preocupado. C) empreitada . Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. no caso de não haver autorização escrita do dono da obra. Consensual – se aperfeiçoa com a mera vontade das partes. Saraiva. qualquer espécie de serviço pode ser objeto do contrato de prestação de serviço. Oneroso – envolve um “sacrifício” patrimonial para ambas as partes. Direito Civil. o senhor Odin Heiro. Durante a diligência. em troca de certa remuneração fixa a ser paga pelo outro contraente – dono da obra -. pág. b) Características da Prestação de serviços Relembrando nossa primeira aula. Silvio. Relembrando: capacidade das partes. se esse presente às obras verificou a alteração no projeto e não protestou. tivemos conhecimento de que Jeremias Russo vinha mantendo conversas e negociações com o senhor Eugênio para que ele parasse de prestar serviços ao supermercado e passasse a trabalhar para o seu sócio em um novo negócio que Jeremias estava pensando em abrir. O empreiteiro só pode exigir acréscimo no preço do dono da obra se forem feitas modificações no projeto a ser implementado. 2002.243. 619 da Lei n° 10. nosso cliente. de acordo com instruções deste e sem relação de subordinação”2.

corretamente a obrigaçao. a doutrina entende que o empreiteiro tem direito de retenção. não podendo recusar injustificadamente o seu recebimento. o dono da obra tem duas alternativas: rejeitar a coisa ou recebê-la com abatimento do preço.406/2002: “Não cumprida a obrigação. devido a isso pensa em extinguir o contrato que mantém com ele. Caso o empreiteiro não cumpra as obrigações do contrato. conforme regra geral4. Ajuizando ação com fundamento na exceptio non adimpleti contractus. Para os vícios ocultos. segundo a qual o empreiteiro de materiais e execução responderá pela solidez e segurança do trabalho. Ao ser entregue. 389 da Lei nº 10. 441 e seguintes da Lei n° 10. ficando responsável pelos efeitos decorrentes da mora. responde o devedor por perdas e danos. Por sua vez. Ela lhe procura com a seguinte pergunta: qual é a regra geral para suspensão dos serviços no caso de empreitada? 1. H) obrigações do dono da obra A principal obrigação do dona da obra é efetuar o pagamento do preço. Embora não haja previsão legal. Por que é importante distinguir entre a empreitada de lavor e a empreitada mista? G) obrigações do empreiteiro A principal obrigação do empreiteiro é entregar a coisa no tempo e na forma acertados. d. A lei prevê ainda uma regra específica no caso de empreitada de edifícios e outras construções consideráveis. b.CONTRATOs Em EsPÉCIE f) espécies de empreitada Empreitada de lavor – aquela em que o empreiteiro contribui apenas com seu trabalho. mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. “B” alega que houve cumprimento insatisfatório e inadequado da obrigação por parte de “A”. Art. Além disso. fica sujeito à obrigação de reparar o prejuízo. e honorários de advogado”.11. se o empreiteiro não atende as especificações contratadas. Maria Lúcia está muito insatisfeita com o trabalho do senhor Pedro. Caso o dono da obra recuse o recebimento da coisa sem motivo. a obra pode ter defeitos aparentes ou ocultos. Assim “B” suspende os últimos pagamentos devidos a “A”: a. c. rigorosamente. Empreitada mista – aquela em que o empreiteiro contribui com mão-de-obra e materiais.Ajuizando ação com fundamento na exceptio non rite adimpleti contractus. cuja obra foi concluída segundo afirmativa categórica de “A” no prazo estabelecido pelo contrato. em razão dos materiais como do solo. a lei criou as alternativas referidas acima.1ª fase) “A” obrigou-se a construir para “B” um edifício. questões de ConCurso (Prova: 29º Exame de Ordem . a qualidade dos materias especificados no memorial de incorporação. 5 FGV DIREITO RIO 63 . Aguardando que este cumpra. ele será tido como em mora. aplicam-se as regras de vício redibitório5. Para os defeitos aparentes. 4 Arts. como garantia do pagamento do preço.406/2002. Ajuizando ação com fundamento na cláusula rebus sic stantibus. O dono da obra tem obrigação de receber a coisa. durante o prazo de cinco anos. que não observou.5. de 10 andares.

2002. Depósito Necessário. tivemos que fazer algumas visitas ao supermercado. ficamos hospedados no Hotel Descanse em Paz. Aborrecidos com o acontecimento. (art. 269 a 282.406/2002).3. para nossa surpresa. E agora? O gerente tem razão? 1. AulA 12: dEPóSITO 1. encontramos nossos quartos revirados e percebemos que alguns itens pessoais.406/2002. fomos conversar com o gerente do hotel. por isso. como relógios e aparelhos de celular. O contrato de depósito voluntário é classificado como: – Real – o contrato de depósito só se aperfeiçoa com a entrega do bem. Direito Civil. FGV DIREITO RIO 64 . 1. Como argumento final.4. para guardar. Este.1. ele nos mostrou uma placa afixada na recepção que assim dizia: “O HOTEL NÃO sE REsPONsABILIZA PELOs OBJETOs DEIXADOs NO INTERIOR DOs APARTAmENTOs”. vol 3.12.12.406/2002. 640 da Lei nº 10. roteiro de aula a) introdução Conforme dispõe o artigo 627 da Lei nº 10. até que o depositante o reclame”. 627 a 652 da Lei nº 10. Em nossa última viagem. no entanto. Qual é a principal diferença entre o contrato de depósito e o contrato de comodato? O depositário não pode utilizar a coisa depositada. não basta apenas a celebração do contrato. São Paulo: Ed.12.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.12. nos disse que o hotel nada tinha a fazer e que um eventual prejuízo deveria ser imputado à própria omissão dos hóspedes. eMentário de teMas Introdução. Um dia. Depósito Voluntário. por não terem utilizados os cofres eletrônicos de segurança postos à disposição nos apartamentos em que nos hospedamos. págs. haviam sido furtados. Caso Gerador Os Supermercados Pechincha ficam em Brasília. RODRIGUES. o contrato de depósito é aquele segundo o qual “recebe o depositário um bem móvel. a não ser que tenha expressa autorização do depositante. 1. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Silvio.2. biblioGrafia obriGatória Arts. b) depósito voluntário É aquele ajustado única e exclusivamente em razão da vontade das partes. durante a diligência. ao voltarmos do trabalho para o hotel. O depósito tem por objeto apenas bens móveis.12. Saraiva. Há duas espécies de depósito reguladas pelo Código Civil: o voluntário e o necessário.

– Unilateral ou bilateral – após o aperfeiçoamento do contrato. – Obrigação de conservar a coisa alheia – essa obrigação é uma conseqüência da obrigação de guardar. podemos concluir que esta não é da essência do contrato de depósito. A Lei prevê que o depositário poderá devolver a coisa ou depositá-la judicialmente. In: AZEVEDO.406/2002). Ele desabafa que está com problemas porque descobriu que seu pai. provar a ocorrência de força maior (art. – Gratuito ou oneroso – De acordo com o Código Civil. qualquer começo de prova escrita (cf. que as partes convencionem uma retribuição ao depositário. era depositário dos seguintes bens: um baú de madeira. 652 da Lei n° 10. um conjunto de xícaras de porcelana e um automóvel. porém. comentários ao código civil. Já no depósito oneroso. sendo assim uma das exceções ao princípio de que ninguém pode ser preso em razão de dívidas. A coisa deve ser restituída no estado em que foi recebida pelo depositário. Uma das sanções previstas para o descumprimento da obrigação de restituir o bem depositado é a prisão civil. Obrigações do depositário: – Obrigação de guardar a coisa alheia – é a obrigação inerente e principal do contrato de depósito. 227 do CC de 2002)”6. apenas para sua prova. 646 da Lei nº 10. que não a testemunhal. Conforme artigo 629. Desconhecendo a existência desse contrato de depósito. o contrato de depósito é gratuito. necessitará de prova outra. cabem obrigações apenas para o depositário. que pode ser pactuado sem qualquer formalidade pelas partes e mesmo assim existirá e será válido. Art. independentemente do prazo inicialmente ajustado entre as partes. por motivo plausível. “Assim. vendendo-os a terceiros. Teresa Ancona. Caso o depositário não cumpra essa obrigação. se exceder ao décuplo do salário mínimo vigente. 635 da Lei nº 10. senhor Odin Heiro. cabendo a ele. admitindo-se. muitos sustentam que não há o caráter intuitu personae.). muitos autores entendem que não há forma prevista para a validade do ato. se o depositante se recusar a recebê-la. – Obrigação de restituir a coisa – O depositário deve devolver o bem ao depositante quando solicitado. acompanhada dos frutos e acrescidos.406/2002). mas descobriu que o mesmo foi deteriorado em um recente LOPEZ. independentemente do debate a respeito das duas espécies de forma. É necessário. o depositário é obrigado a conservar a coisa como se sua fosse. 414. entende-se que ele é um contrato intuitu personae. 642 da Lei nº 10. deverá reparar o prejuízo do depositante.406/2002 disponha que o “depósito voluntário provar-se-á por escrito”. O depositário não responde pela deterioração ou perda do bem em caso de força maior.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Não solene – embora o art. vol. não puder continuar a guardá-la (art. para a sua prova. p. Das várias espécies de contratos. São Paulo: Saraiva. ele manteve o mesmo na garagem do pai. quando. porém. Parte Especial. para tanto. com a entrega do bem pelo depositante ao depositário. já falecido. nos procura para falar sobre um assunto pessoal. Quanto ao carro. 6 FGV DIREITO RIO 65 . em regra. (coord. 2003. analisar o caso específico para classificar o depósito como gratuito ou oneroso e unilateral ou bilateral. pois tem por base a confiança que o depositante tem no depositário. Nosso cliente. Nada impede. 7. Antônio Junqueira de. Nesse sentido. porém. ele se desfez do baú de madeira e do conjunto de xícaras. e ressarcir os prejuízos”. No caso de depósito oneroso. Entretanto. portanto. o art. o depositário que não restituir quando exigido será compelido a fazê-lo mediante prisão não excedente a um ano. Quando o depósito é gratuito.406/2002 dispõe: “Seja o depósito voluntário ou necessário. cabe ao depositante a obrigação de pagar ao depositário.

a senhora Juracema deveria ter pago ao seu pai uma quantia semestral como pagamento pelo depósito e que sabia que ela não havia efetuado o pagamento de. Dias atrás. p.). 412. a senhora Juracema. pelo menos. sabendo do falecimento do pai do senhor.. Ao contrário do depósito voluntário que se presume gratuito. Alguma providência a tomar quanto a esse caso? Obrigações do depositante: Como vimos. feitos como meio de guardar valores e perceber rendimentos e juros. comentários ao código civil. mas um genuíno empréstimo por força da intenção das partes”7. 411. nos depósitos bancários. comentários ao código civil. duas últimas contribuições. Das várias espécies de contratos. os chamados depósitos bancários não são depósitos. São Paulo: Saraiva.. ao ver sua casa inundando. 8 FGV DIREITO RIO 66 . p. mostrou o contrato que foi celebrado entre eles. Odin Heiro. Em um dia de chuvas torrenciais. Como ajudar Marvim nessa situação? É possível enquadrar o vizinho como depositário infiel mesmo sem a existência de um contrato entre eles? Cabe a prisão civil nesse caso? LOPEZ. cabem ao depositante algumas obrigações que não decorrem da natureza do contrato de depósito em si. ele nos pergunta: O contrato de depósito se extingue com a morte do depositário? O herdeiro tem alguma responsabilidade quanto aos bens depositados? O que fazer tendo em vista que alguns bens foram vendidos e outro foi deteriorado? Ele reparou que. Antônio Junqueira de. quando foi buscar a televisão e o computador. 2003. teve melhor sorte com a chuva. Parte Especial. Alguns dias depois. (coord. o contrato de depósito é unilateral quando o contrato é gratuito e bilateral quando o contrato é oneroso. o depósito necessário presume-se oneroso. mas sim de obrigações subsidiárias. 2003. (coord. In: AZEVEDO. depositante dos bens.CONTRATOs Em EsPÉCIE incêndio ocorrido no prédio. como a televisão e o computador. Estes são equiparados ao depósito necessário e ao depósito de bagagens em hospedarias. In: AZEVEDO. Depósito de coisas fungíveis É o chamado depósito irregular. Mesmo nos casos em que o contrato é unilateral. Parte Especial. A autora conclui: “em conclusão. por morar em uma área de ladeira. Das várias espécies de contratos. Teresa Ancona. mas sim empréstimos”8. C) depósito necessário O depósito necessário ocorre nas seguintes hipóteses: – depósito para desempenho de obrigação legal. Antônio Junqueira de. procurou nosso cliente. ocorre quando o bem depositado é dinheiro. Teresa Ancona. pois de acordo com Teresa Ancona Lopez: “. como a de reembolsar as despesas feitas pelo depositário na guarda da coisa e de indenizá-lo pelos prejuízos que venha a ter em razão do depósito. vol. 7. Há discussão na doutrina quanto à natureza do depósito bancário. São Paulo: Saraiva. não há um depósito. Em regra. Marvim retirou apressadamente alguns objetos. O legislador entendeu que nesses casos deveriam ser aplicadas as regras referentes ao mútuo. foi surpreendido com a alegação do vizinho de que não devolveria aqueles bens.). Diante dessa situação. 7. e os deixou na casa de um vizinho que. e – depósito que se faz em situação de calamidade. vol. e pediu a devolução dos bens. 7 LOPEZ. de acordo com o contrato.

283 a 305. o senhor Justin Case nos contou que o senhor Odin Heiro se esqueceu apenas de um pequeno detalhe: há uma boa probabilidade de a assinatura do contrato ocorrer justamente no período no qual Justin Case ia tirar férias para se casar com sua noiva no Paraná.A. 1. 656 da Lei n° 10. roteiro de aula a) introdução Por meio do mandato.13. Saraiva. eMentário de teMas Introdução. ele poderia outorgar a um amigo uma procuração para se casar em seu lugar? Ele poderia substabelecer a outro funcionário da companhia os poderes que lhe foram outorgados na procuração para assinar o contrato de compra e venda? 1. Silvio. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.. Caso Gerador Sabendo que estaria fora do país na provável época da assinatura do contrato de compra e venda das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda. o senhor Justin Case lhe pergunta: ele poderia casar por procuração. o mandante se faz representar pelo mandatário. outorgou uma procuração a um dos funcionários de sua confiança.406/2002) FGV DIREITO RIO 67 . São Paulo: Ed.13. vol 3.2. Revogação e Extinção do Mandato.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Procuração e Substabelecimento. é possível o mandato tácito e o verbal (art.13.13. Classificação. na qualidade de diretor e representante da Grana Certa Empreendimentos S. RODRIGUES. Obrigações do Mandatário. ou seja. o senhor Odin Heiro. 2002. 1. 653 a 692 da Lei nº 10. Obrigações do Mandante. O mandatário age em nome do mandante..1. biblioGrafia obriGatória Arts. 1. para adquirir a participação na Pechincha Ltda. – Não solene – embora a lei determine que a procuração é o instrumento do mandato. Sem querer desapontar o senhor Odin Heiro e muito menos a sua noiva. AulA 13: mANdATO.3. o senhor Justin Case.406/2002. Ao ser comunicado desse fato. págs.4. Direito Civil. Qual a diferença entre o mandato e a comissão? b) Classificação O mandato é contrato: – Consensual – para que se aperfeiçoe basta a vontade das partes.13.

9 FGV DIREITO RIO 68 . sendo oneroso. 667 da Lei n° 10. são ineficazes em relação àquele em cujo nome foram praticados. quando eles resultarem de culpa do mandatário. 653 da Lei n° 10. naturalmente o substabelecimento deverá ser outorgado também por instrumento público. Direito Civil. 2002. Sendo o mandato outorgado por instrumento público. ou o tenha sem poderes suficientes. exceto para aqueles que exigem instrumento particular ou público. certo? Para efetuar determinados atos como alienar. hipotecar. Havendo remuneração prevista. pois ele é um instrumento para que o advogado possa defender os interesses de seu cliente e exercer seu ofício. d) obrigações do Mandatário As obrigações do mandatário são: – Agir em nome do mandante (art. o ato é inválido para o mandante. o Código Civil exige que a procuração contenha poderes expressos. por exemplo. uma vez que o mandante confere poderes a alguém de sua confiança. Tendo em vista que a lei admite mandato tácito. será bilateral. não se presume gratuito. Substabelecimento “é o ato pelo qual o mandatário transfere ao substabelecido. ou seja. é indispensável conferir a procuração e os poderes que foram outorgados para não correr o risco de que o contrato seja ineficaz em relação ao mandante. Cabe ao mandatário provar que não houve culpa sua para se livrar de ser responsabilizado pelo prejuízo que venha a ser sofrido pelo mandante. Antes de contratar com alguém que se apresente como mandatário do outro contratante. Silvio. Dessa forma. Se o mandatário agir extrapolando os poderes que lhe foram conferidos. O mandato outorgado a advogado. tendo em vista que o artigo 662 da Lei n° 10. Pode um advogado prestar serviço advocatícios sem mandato e vice-versa? C) Procuração e substabelecimento A procuração é o instrumento do mandato. Assim. a procuração não é indispensável para conclusão de negócios. pág. um mandato com poderes de administração em geral não bastaria para que o mandatário assinasse escritura de hipoteca em nome do mandante.406/2002) – O mandatário deve atuar respeitando os poderes outorgados na procuração. São Paulo: Ed. – Unilateral – sendo o mandato gratuito. A procuração pode ser outorgada por instrumento público ou particular. vol 3.406/2002 dispõe que: “os atos praticados por quem não tenha mandato. os poderes que lhe foram conferidos pelo mandante”9. 289. Saraiva. O mandato é intuitu personae. exceto quando tem por objeto a realização de atos que o mandatário realiza profissionalmente. transigir.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Gratuito – não havendo estipulação de remuneração. RODRIGUEs. salvo se este os ratificar”. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. presume-se que o mandato é gratuito. salvo raras exceções que serão vistas adiante.406/2002) – o mandatário é responsável pelos prejuízos causados ao mandante. pois implicará obrigações para ambas as partes. o mandato será extinto. ele será unilateral. – Agir com o zelo necessário e diligência habitual na defesa dos interesses do mandante (art. a não ser que este venha a ratificar o ato posteriormente. havendo morte de uma das partes.

mas não exceder os limites do mandato. 668 da Lei n° 10. até porque o tal conhecido já até devolveu ao pai dele a quantia que havia recebido para pagar o sinal do imóvel. o senhor Eduardo Russo resolveu outorgar procuração.406/2002). neste caso. 675 e 679 da Lei n° 10. somente se vincula dentro dos termos previstos na procuração.406/2002). ele havia sido constituído mandatário de sua tia Gertrudes para transferir a ele próprio um imóvel que era de propriedade da referida tia. um pouco decepcionado pelo andamento dos trabalhos do filho. 675 e 676 da Lei n° 10.406/2002) – O mandante. porém. deixando a família de seu amigo “na mão”. Meses depois. f) revogação e extinção do mandato O senhor Eduardo Russo outorgou uma procuração ao seu filho. Como você orienta o seu amigo? e) obrigações do Mandante – Cumprir os compromissos assumidos pelo mandatário em seu nome (arts. Maria Lúcia lhe pergunta: afinal. preocupado. ambos são mandatários do pai? Jeremias pode continuar a desempenhar os poderes que a ele foram outorgados? A contratação dos empregados é válida? O senhor Odin Heiro lhe procura. antes mesmo que ele houvesse efetuado a transferência do imóvel para seu nome. – Indenizar o mandatário pelos prejuízos que venha a sofrer em cumprimento ao mandato. inclusive fazer entrevistas e ajustar salários.406/2002).CONTRATOs Em EsPÉCIE – Prestar contas de sua gerência ao mandante e transferir ao mandante todas as vantagens obtidas nos negócios – (art. pois. Mesmo tendo conhecimento da nova procuração. tia Gertrudes faleceu inesperadamente. 678 da Lei n° 10. podendo. para concluir negócio já iniciado ou até ser substituído quando for para impedir que o mandante ou seus herdeiros sofram prejuízo (art. inclusive. infelizmente. Um amigo seu lhe conta que o pai dele havia nomeado um conhecido como procurador dele para adquirir uma bela casa em Itaipava. contratado alguns empregados. desde que não resultem de culpa do mandatário ou de excesso de poderes (art. Aproveitando-se das ótimas condições do negócio. É verdade? FGV DIREITO RIO 69 . Ocorre que. caso o mandato seja oneroso (art. Maria Lúcia. E agora? Ele ouviu dizer que o mandato se extingue com a morte de uma das partes. ele diz que acha que não há nada mais a ser feito. – Pagar ao mandatário a remuneração ajustada. Jeremias. 676 da Lei n° 10. – Adiantar ao mandatário os valores necessários ou reembolsá-lo pelas despesas efetuadas em razão do cumprimento do mandato (arts. para contratar pessoas para trabalharem em sua fazenda. com poderes idênticos. tendo apenas ação de perdas e danos contra o mandatário pela inobservância das instruções. em razão de alguns acordos familiares. tendo.406/2002) – Prosseguir no exercício do mandato mesmo após extinção do mandato por morte. 647 da Lei n° 10. Muito chateado com a situação. a sua filha. se o mandatário contrariar as instruções do mandante. Vale notar que. Jeremias continuou a utilizar a procuração que havia recebido e a fazer entrevistas. o tal conhecido acabou adquirindo a casa para si próprio. o mandante ficará obrigado a cumprir as obrigações perante terceiros. interdição ou mudança de estado do mandante.406/2002).

Ato é perfeitamente válido uma vez que visava a ultimação de negócio já iniciado. b. Tício revogou a procuração. podemos dizer que: a. Ato praticado é nulo de pleno direito.1ª fase) A procuração outorgada a vários procuradores com esfera de atuação devidamente delimitada. Ato é tido como inexistente ou insubsistente. Mandato plural solidário.1ª fase) Dentre as características abaixo arroladas. Diante do ocorrido.1ª fase) maria José. caracteriza: a. (Prova: 26º Exame de Ordem . c. vítima de um acidente automobilístico. Posteriormente. vez que. Posteriormente. Mandato plural conjunto. outorgando-lhe procuração para que Caio assine por Tício a escritura definitiva quando Caio tiver quitado integralmente o preço. utilizando-se dos poderes especiais constantes da procuração. questões de ConCurso (Prova: 28º Exame de Ordem .13. É outorgada no interesse exclusivo do mandatário que.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. representando Tício quando tiver quitado o preço? FGV DIREITO RIO 70 . veio a saber que Pedro falecera dias antes. c. É essencial para o advogado que postula em Juízo em causa própria d.2ª fase PROVA DIsCURsIVA 4 .Mandato plural substitutivo. diga qual não está adequada à procuração em causa própria: a. Ato é anulável. Prova: 26º Exame de Ordem . na qualidade de procuradora de Pedro. com a morte. d. É válida a revogação ou poderá Caio assinar a escritura de compra e venda.Subsiste mesmo após a morte do mandante (Prova: 13º Exame de Ordem . cessou o valor da procuração.5. b.Tício prometeu vender a Caio um imóvel. Mandato plural fracionário. cabendo a cada um agir apenas em seu setor. d. outorgou escritura definitiva de imóvel prometido vender a Estela. conseqüentemente. vez que o preço já se achava quitado. mas dependerá da iniciativa dos interessados. É irrevogável b. fica isento de prestar contas ao mandante c.

com as alterações da Lei nº 8. Rio de Janeiro: Forense. Antonio Felix de Araujo. III. Disponível em: www. Agência e Distribuição x Representação Comercial.14. (em anexo) PEREIRA. Acesso em 03.html Acesso em: 03.14. biblioGrafia CoMPleMentar CINTRA. do ponto de vista do supermercado? Utilizando a planilha abaixo como base. Acesso em: 04 ago. Francisco Wanderson Pinho.2006. págs. br/demarest/svrepresentacao.ago. 2005 . agência e distribuição. Caso Gerador É possível perceber. distribuição e representação.br.1.societario. AulAS 14 E 15: COmISSãO. Instituições de Direito Civil .com. 1. Lei nº 4.ago.2006 (em anexo) VENOSA. 1. Renato. 2006.adv.mundojuridico. Aspecto responsabilidade perante terceiros responsabilidade pela solvência das pessoas com quem contratar exclusividade dever de obediência às instruções do comitente/ proponente remuneração demissão sem justa causa demissão por justa causa Morte do comissário/ agente direito de retenção demais regras aplicáveis especificidades Comissão Agência/ distribuição FGV DIREITO RIO 71 .CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.420/1992.com. pensa em contratar terceiros para fazer a revenda dos produtos do Supermercado Pechincha? Qual seria o contrato mais seguro. Jus Navigandi.2006. BiBliografia oBrigatória Arts.uol. 66. A representação no novo Código Civil. Humberto Theodoro. mundo Jurídico.4. 1.14.org. eMentário de teMas Análise e comparação das características da comissão.14. É hora de definir agência e distribuição no novo Código Civil . Teresina. Tendo em vista os novos entendimentos e analisando as regras específicas de cada um desses tipos jurídicos. Centro Acadêmico Clóvis Beviláqua. JÚNIOR. Disponível em: <http://jus2. br/doutrina/texto.14. Do contrato de agência e distribuição no Novo Código Civil. já pensando no futuro.Contratos.ago. Silvio de Salvo.406/2002. Acesso em: 03. ano 7. n.asp?id=4148>. Disponível em www. 693 a 721 da Lei nº 10.asp?id=215. (em anexo) 1.br/artigos/verartigo. Disponível em: http://cacbufc. AgêNCIA E dISTRIbuIçãO (REPRESENTAçãO COmERCIAl).2. que o novo Código Civil gerou algumas discussões acerca dos contratos de agência. como você orientaria o senhor Odin Heiro que. BERGER.vol. jun. Caio Mário da Silva. compare as vantagens e desvantagens que cada uma dessas figuras jurídicas poderia trazer ao supermercado. por meio da leitura dos textos obrigatórios e dos recomendados.3. 2003. (em anexo) DANTAS. 389 a 393.886/1965.

Todos.3. Encarrega. ou concessão comercial. Agência e comissão. você entende que a lei n° 4. alguns empregados de sair do estabelecimento para ir em busca de clientes na praça da empresa ou em outras praças. Contratos afins. que se integram à estrutura operacional da empresa. o vende ao consumidor.1. pois o agente é um representante autônomo.2. 5. 8. O instrumento jurídico básico de que se valem os empresários. o artesão cria o produto. Os elementos essenciais do contrato de agência. 7. 6. sem interferência dos empresários que utilizam seus serviços. seja na produção seja na comercialização. foi revogada pela lei n° 10. 1. O contrato de agência no direito brasileiro. O fabricante cria os produtos com o fim de colocá-los no mercado.14. 5. FGV DIREITO RIO 72 . expõe-no à venda e. O objeto do contrato de agência. por meio do contrato de trabalho. Outros empresários adquirem do fabricante esses produtos. 4. aceito por grande parte da doutrina. 5.1. 5. então.as partes no contato de agência. Já então o fornecedor não terá comando do processo. de que agência e representação comercial são o mesmo contrato. que será concluída pelo preponente. O agente faz da intermediação de negócios sua profissão. 2. 8. Conceito de contrato de agência. o empresário sente a necessidade de atuar além dos limites físicos do estabelecimento. que organiza sua própria empresa e a dirige. que regulava especificamente as atividades dos representantes comerciais. também com o mesmo propósito de revendê-los no mercado.406/2002? 1. Conforme o volume da produção e da comercialização. noções introdutórias A atividade comercial realiza a circulação de produtos na cadeia econômica entre a produção e o consumo. é o contrato de compra e venda. Noções introdutórias.14. 4. Não pratica a compra e venda das mercadorias do representado. para melhor colocação de suas mercadorias. contratando o serviço de empregados. contratos de colaboração empresarial. o produtor não tem condições de explorar individualmente seu negócio. Natureza jurídica.6.5. A representação comercial. Nesse momento surge o fenômeno da representação comercial ou agência. 5. Sujeitos do contrato de agência. Agência e distribuição por conta própria (revenda). Em lugar de usar empregados para angariar clientes fora do estabelecimento.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. que fazem do agenciamento de clientela o objeto de suas empresas. que integra a categoria dos chamados.4. A nomenclatura legal . Numa escala mais desenvolvida do processo industrial. porém. Recorre à mão de obra alheia. o empresário pode contratar esse serviço junto a outros empresários. ele mesmo. 3. Os empregados que captam clientela nestas circunstâncias são os viajantes e pracistas. Embora atuando fora do recinto do estabelecimento do empresário. Direito comparado.1. 9. Num estágio primário da exploração do mercado. atuam dentro do estabelecimento sob o comando direto do empresário.886/1965. nessa cadeia. leitura obriGatória: Do contrato de agência e distribuição no Novo Código Civil autor: Humberto theodoro júnior Publicado em: 29/9/2005 SUMÁRIO: 1. roteiro de aula a) qual é a principal diferença entre o contrato de comissão e o de agência? b) Partindo do pressuposto. Presta serviço tendente a promover a compra e venda. continuam vinculados à estrutura organizacional permanente da empresa. Agência e mandato. Agente e viajante ou pracista (contrato de agência e contrato de trabalho).

Pode. se sujeitará também às do mandato mercantil (Código Civil. Nos termos da Lei nº 4. e. porém. visto que se conserva o caráter de preposição. Aí se pensa em contratos de distribuição como um gênero a que pertencem os mais variados negócios jurídicos. O novo Código Civil. conferir poderes especiais ao agente. a figura do representante comercial. continua sendo exatamente a mesma do representante comercial autônomo. Embora já praticada.). porém. que desempenha em caráter não eventual. além de falar em “contrato de agência”.65). a exemplo do direito europeu. agenciando propostas ou pedidos. Sua função. representação comercial. Essas noções são muito importantes para que não se venha a confundir o contrato regulado pelo art. para que este pratique atos próprios do mandatário. é a autonomia com que age na intermediação: o representante não é um empregado da empresa a que serve. Foi a Lei nº 4. único. lhe pode ser delegada. ou não. na linguagem tradicional do direito brasileiro esse agente recebia o nome de “representante comercial autônomo” (Lei nº 4. pois a habitualidade (o caráter não eventual) da prestação de serviços realizada pelo agente em prol do representado. eventualmente. etc. 1º). A palavra “distribuição” é daquelas que o direito utiliza com vários sentidos. de maneira que. para transmiti-los aos representados. baseado na revenda de mercadorias e sujeito a princípios que nem sequer foram reduzidos a contrato típico pelo Código Civil. Não é. há um bom tempo nos meios empresariais. arts. Há. a distribuição não é a revenda feita pelo agente. parág. porque afinal os negócios agenciados são retransmitidos ao comitente e são por este aceitos. sem relação de emprego. por conta de uma ou mais pessoas. 2. só em 1965 mereceu disciplina legal específica no Brasil. ao concluir a compra e venda e promover a entrega de produtos ao comprador. sim.886. 710. Há uma idéia genérica de distribuição como processo de colocação dos produtos no mercado. que inexiste nessa última modalidade. correspondente à atividade daquele que. Mas. de 09 de dezembro de 1965 que cuidou de regulamentar a representação comercial.886. abandonou o nomem iuris de “representante comercial”. um sentido mais restrito. a mesma atividade empresarial passa a denominar-se distribuição. cuja função econômica e jurídica se localiza no terreno da captação de clientela. a mediação para a realização de negócios mercantis. todos voltados para o objetivo final de alcançar e ampliar a clientela (comissão mercantil. ainda faz parte da prestação de serviços. sem entretanto.12. amparado por contrato com uma ou várias empresas.CONTRATOs Em EsPÉCIE Por isso. substituindo-o por “agente”. franquia comercial. fornecimento. a representação comercial O novo Código Civil. a representação ajustada. a representação será negócio complexo e que. dois contratos distintos. praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios (art. FGV DIREITO RIO 73 . física ou jurídica. não age em nome próprio. um mandatário. porém. “exerce a representação comercial autônoma a pessoa. Esse nunca compra a mercadoria do preponente.” O seu segundo elemento caracterizador é. e 721). No teor do art. em caso positivo. porém. 710 – contrato de agência e distribuição – com o contrato de concessão comercial. 710 do Código Civil. de 09. revenda ou concessão comercial.886. este. confundir-se com a concessão comercial. além de suas regras próprias. Ele age como depositário apenas da mercadoria do preponente. mandato mercantil. A primeira característica do representante comercial. que é aquele com que a lei qualifica o contrato de agência. mas o faz em nome e por conta da empresa que representa. ora apelidado agente. a exemplo do direito europeu. Não são. atribui à atividade tradicional da representação comercial o nomen iuris de agência. A distribuição que eventualmente. por ele consumados. nos moldes de sua configuração legal. Em determinadas circunstâncias. É ele sempre um prestador de serviços. Ao invés de atuar como vendedor atua como mandatário do vendedor. se dedica a angariar negócios em proveito destas. Já então. mas o mesmo contrato de agência no qual se pode atribuir maior ou menor soma de funções ao preposto. o Código fala também em “contrato de agência e distribuição”.

no art. deverá ser feita a prova de sua existência legal. Durante longos anos. de quitação com o serviço militar. o requerimento haverá de ser instruído com a prova de identidade. diversamente do que se passa com o empregado. Muito fraca. a reivindicação de um regulamento legal para a profissão do representante comercial autônomo tornou-se a maior aspiração dos órgãos representativos da categoria. na espécie. em princípio.886. Nada impede. expressamente. 721 do novo Código. na vida empresarial brasileira. foi. foi aprovada a reivindicação classista de enviar-se o pleito à comissão então encarregada de elaborar o Projeto de novo Código Comercial. art. estabelecendo-se as necessárias garantias da profissão. Na mesma ocasião.886 traçou para disciplinar a profissão e os direitos e deveres do representante comercial. tais como falsidade. Todas as regras especiais. ou não. FGV DIREITO RIO 74 . continuam em vigor. 3º. com objeto distinto da agência. também no Brasil. § 2º). expedida pelos cartórios criminais das comarcas em que o registrante houver tido domicílio nos últimos dez anos. Podem inscrever-se no respectivo Conselho.CONTRATOs Em EsPÉCIE Com a Lei nº 4. pessoas físicas ou jurídicas. que uma empresa comercial. de que fosse nele definida e caracterizada a figura jurídica do representante comercial. cujo objetivo principal era o de dar curso à reivindicação antes aprovada pela Conferência de Araxá. ou agência. já que a jurisprudência limitava-se a negar enquadramento na legislação trabalhista. outrossim.171/49 e que. A lei interdita o exercício da representação comercial a todo aquele que não possa ser comerciante. o contrato de agência no direito brasileiro Desde que. então. a contribuição pretoriana. estelionato. a grande preocupação jurídica foi a de distingui-la da relação empregatícia. sem. furto. para legitimar-se ao exercício da representação comercial. art. 3. e com a quitação com o imposto sindical (Lei nº 4. todavia. com o seu ramo.886. lenocínio ou crimes também punidos com a perda de cargo público. Tal como se passava na Europa. e ao que estiver o seu registro comercial cancelado como penalidade (Lei nº 4. criando-se um Conselho Federal e Vários Conselhos Regionais. § 2º). roubo.886 é que terá ocorrido derrogação parcial desta. na espécie. ao condenado por infração penal de natureza infamante.886. contrate com outra uma representação comercial para explorar negócio de intermediação conexo. funciona apenas como um acessório ou complemento da atividade principal da empresa. de estar em dia com as exigências da legislação eleitoral. na II Conferência Nacional das Classes Produtoras. se introduziu a figura do representante comercial. É comum a existência de estabelecimentos dedicados exclusivamente à representação comercial. Surgiu. a atividade do representante comercial foi desempenhada sem contar com o apoio de lei que lhe desse tipicidade. art. com a folha-corrida de antecedentes. 4º). aos quais se confiou a fiscalização do exercício da profissão. no Ministério da Justiça. porém. 3º). Em 1949. A agência. contudo. um anteprojeto que. É. tomou o nº 1. realizada em Araxá. que a Lei nº 4. foi reapresentado sem sucesso algum. para atribuir-lhe uma função autônoma e independente em relação à empresa a que serve. levado ao Congresso Nacional. apropriação indébita. aliás. o que se acha ressalvado. De tal sorte. quando exigível. em várias legislaturas. contrabando. porque o Código Civil traçou apenas normas gerais acerca do contrato de agência (Lei de Introdução. a representação comercial (ou agência) ganhou o status de atividade profissional regulamentada. art. Em se tratando de pessoa física. No caso de pessoa jurídica. construir uma estrutura dogmática que pudesse fixar a natureza jurídica do contrato que vinculava a empresa e os agentes comerciais. por meio de seu instrumento de constituição devidamente arquivado no Registro Público competente (Lei nº 4. realizou-se em São Paulo o 1º Congresso Nacional de Representantes Comerciais.886/65. 2º. ao falido não reabilitado. apenas quando alguma norma do Código estiver conflitando com preceito da Lei nº 4.

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Somente viria a ter maior repressão o Projeto nº 2.794/61, de autoria do deputado Barbosa Lima Sobrinho, que, no Senado provocou o surgimento do Substitutivo nº 38/63, elaborado pelo Senador Eurico Resende, o qual mereceu aprovação de ambas as casas do Congresso. No entanto, não chegou a transformar-se em lei, porquanto recebeu veto total da Presidência da República, ao fundamento de que, nos termos em que se intentou regulamentar a profissão, ao representante apenas se estendiam “as vantagens e garantias que a legislação do trabalho assegura ao trabalho assalariado”. Tal equiparação foi considerada incabível, entre outros motivos pela ausência de subordinação hierárquica e pela possibilidade de a representação comercial ser exercida por pessoas jurídicas. O então Presidente, General Castelo Branco, ao vetar o projeto aprovado pelo Congresso, encarregou o Ministério da Indústria e Comércio de reexaminar o assunto. Daí surgiu novo Projeto que, após tramitação parlamentar, se tornou a Lei nº 4.886, de 09.12.1965, ainda em vigor, com as alterações da Lei nº 8.420, de 08.05.1992. Tal como o direito europeu, a lei brasileira previu uma representação comercial, simples, em que ao representante cabia apenas intermediar negócios, captando pedidos ou propostas da clientela, para encaminhá-los à deliberação do preponente; e também uma representação complexa, em que ao agente se conferiam poderes de conclusão dos negócios angariados, mas sempre em nome e por conta do preponente (Lei nº 4.886/1965, art. 1º, parágrafo único). Sobreveio, finalmente, o novo Código Civil, sancionado em janeiro de 2.002, que insere o contrato de agência e distribuição entre os contratos típicos, mas sem revogar a legislação especial em vigor, como se ressalva no art. 721, especialmente, no tocante às indenizações asseguradas pelas Leis nºs 4.886 e 8.420 (art. 718). A maior novidade, no texto codificado é o nomen iuris do contrato que passou a ser contrato de agência. Explica RUBENS REQUIÃO, que o contrato de agência, a que alude o Código Civil “nada mais é do que o atual contrato de representação comercial, objeto da legislação especial, contida na Lei nº 4.886, de 09.12.1965. Constitui importante contrato no moderno mundo comercial, e é exercido por centenas de milhares de profissionais, distribuídos por todas as praças do país. A denominação do instituto foi tirada do Código italiano, que o regula”. Para o Prof. REQUIÃO, todavia, a linguagem do Código “não deslocará o uso correntio da expressão representante comercial. Que podia ser perfeitamente mantida... Não seria criticável se mantivesse a denominação representação comercial, já consagrada nos costumes do país, e em nosso direito”. É de se ponderar, no entanto, que o direito comparado, de onde emergiu o instituto jurídico, prestigia, de fato, o nomen iuris agora adotado por nosso Código Civil, razão pela qual este não merece censura pela nomenclatura inovada. É de evidente conveniência procurar identificar a figura jurídica por denominação que seja de universal acolhida, evitando-se terminologia regional, que não tenha, por si só, capacidade de revelar a identidade da figura local com aquela que já amadureceu e se consolidou na experiência do direito comparado. 4. Conceito de contrato de agência Como o Código Civil determina que ao contrato de agência devem ser aplicadas, no que couber, as regras constantes de lei especial, é necessário cotejar-se a definição codificada (art. 710) com a constante da Lei nº 4.886/65 e das alterações da Lei nº 8.420/92. Em primeiro lugar, é bom ressaltar que a lei especial define diretamente o representante comercial (isto é, o agente) (art. 1º). Já o Código Civil enfoca o contrato típico que vincula o representante e o representado (art. 710). Assim, na definição do Código, o contrato de agência (ou de representação comercial autônoma) é aquele pelo qual uma pessoa – o agente – assume, em caráter não eventual, e sem vínculos de dependência, a obrigação de promover à conta de outra – o preponente ou fornecedor – mediante retribuição, a realização de certos negócios, em zona determinada.
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Dessa conceituação legal, deduz-se que o contrato de agência envolve: a) relação entre empresários, dentro da circulação mercadológica de bens e serviços; b) a relação, contudo, não é de dependência hierárquica entre representante e representado, pois aquele age com autonomia na organização de seu negócio e na condução da intermediação dos negócios do último (embora tenha de cumprir programas e instruções do preponente); c) o objetivo do contrato não é um negócio determinado, mas uma prática habitual, de sorte que entre as partes se estabelece um vínculo duradouro (não eventual); d) a representação importa atos promovidos por uma das partes à conta da outra, configurando, portanto, um negócio de intermediação na prática mercantil de interesse do representado; e) à prestação do serviço de intermediação do agente corresponde o direito a uma remuneração ou retribuição, de maneira que o contrato é bilateral, oneroso e comutativo; f ) a representação, finalmente, deve ser exercitada nos limites de uma zona determinada, ou seja, cabe ao agente praticar a intermediação dentro de um território estipulado pelo contrato, ou algo que a isso corresponda. A atividade do agente, em suma, é a intermediação de forma autônoma, em caráter profissional, sem dependência hierárquica, mas, de acordo com as instruções do preponente. É uma figura jurídica típica a do agente, pois, embora guarde alguma semelhança, o agente não é, em princípio, mandatário, nem comissário, nem tampouco empregado, ou prestador de serviço no sentido técnico. Presta, no entanto, um serviço especial que é, nos termos da lei, a coleta de propostas ou pedidos para transmiti-los ao representado. Eventualmente, o representado pode confiar ao agente os bens a serem colocados junto à clientela, caso que o Código trata como distribuição, mas não como revenda, visto que os atos de negociação se realizam em nome e por conta do comitente. Nessas hipóteses especiais, o contrato, além das normas próprias da agência, rege-se complementarmente, pela disciplina do mandato e da comissão (arts. 710, in fine, e 721). O art. 1º da Lei n.º 4.886/65 cuidou de definir o representante comercial e não o contrato de representação comercial. Segundo tal dispositivo, é representante comercial autônomo a pessoa jurídica ou a pessoa física, sem relação de emprego, que “desempenha, em caráter não eventual, por conta de uma ou mais pessoas, a mediação para realização de negócios mercantis, agenciando propostas ou pedidos, para transmiti-los aos representados, praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios”. O parágrafo único do questionado dispositivo legal, aduz que, na eventualidade de “a representação comercial incluir poderes atinentes ao mandato mercantil” – isto é, quando ao representante comercial forem conferidos poderes relacionados com a execução dos negócios intermediados – “serão aplicáveis, quanto ao exercício deste, os preceitos próprios da legislação comercial”. Em outros termos: se o agente for autorizado pelo preponente a realizar negócios jurídicos em seu nome, tais atos que ultrapassam o conteúdo normal do contrato de agência, serão submetidos ao regime legal do mandato, como, aliás, prevê o art. 721 do novo Código Civil. Da definição dada pela lei especial ao representante comercial autônomo (isto é, ao agente), extraem-se as seguintes características: a) o agente não mantém relação de emprego com o representado, gozando, portanto, de autonomia laboral para organizar e desempenhar sua atividade; b) a atividade contratada é não-eventual; deve ser exercida em caráter permanente e profissional; c) a função do agente, embora organizada e dirigida com autonomia, é concluída por conta de outra pessoa (o representado), de modo que fica claro o “caráter de uma intermediação”, ou de uma “preposição”. O agente, como prestador autônomo de serviço, atua fora da estrutura interna da empresa a que serve, permitindo a esta colocar seus produtos e serviços juntos à clientela que o representante angaria, nos mais variados lugares. Os negócios, porém, são sempre promovidos em nome e por conta do representado; d) a mediação é, pois, uma função típica do agente comercial, que se presta à difusão dos produtos ou serviços do representado no comércio;
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e) a intermediação se dá na realização de negócios mercantis: o que a lei especial atribuiu ao agente comercial não é qualquer representação, mas aquela que se volta para a promoção de negócios mercantis (vendas de produtos ou prestação de serviços); f ) o modus faciendi da intermediação consiste em agenciar propostas ou pedidos relativos a operações comerciais do representado, ou seja, relacionadas a bens ou serviços a serem vendidos ou prestados pela empresa em cujo nome atua o agente; g) cabe, em princípio, ao representante transmitir as propostas ou pedidos ao representado. Eventualmente, o agente pode receber poderes que ultrapassem a simples intermediação de pedidos, caso em que realizará, sempre em nome do preponente, atos de consumação ou execução dos negócios agenciados. Quanto a esses atos de consumação da venda dos produtos do representado, a atividade do representante será regida pelas regras do mandado mercantil. Diante do cotejo entre o conceito legal, mais sintético, que o Código faz do contrato de agência, e aquele que a Lei nº 4.886/95 faz do representante comercial autônomo (isto é, do agente), não se encontra contradição maior que possa incompatibilizar um com o outro. A circunstância de o Código não usar as expressões “representante comercial” ou “negócios mercantis” prende-se à circunstância de ter sido unificado o direito das obrigações, de maneira que os contratos nele disciplinados, em princípio, tanto servem para as atividades civis como para as mercantis. No entanto, muito difícil será imaginar o caso em que um contrato de agência se configurará fora das relações mercantis. Ademais, se isto eventualmente acontecer, ficará o negócio fora do alcance da Lei nº 4.886/95, visto que esta se aplica especificamente aos agentes que servem, profissionalmente, à intermediação de negócios mercantis. Harmonizando-se, de tal sorte, a disciplina do contrato de agência instituída pelo Código Civil com a do representante comercial, constante das Leis nºs 4.886/65 e 8.420/92, ter-se-á um negócio jurídico vocacionado naturalmente para as atividades mercantis. 4.1. direito comparado A definição brasileira de representante ou agente comercial muito se aproxima da que consta do Código Comercial da Alemanha, que o qualifica como “toda pessoa que, a título de exercício de uma profissão independente, seja encarregada permanente de servir de intermediária em operações negociadas por conta de um empresário ou de os concluir em nome deste último. É independente quem pode organizar o essencial de sua atividade e determinar seu tempo de trabalho” (art. 84). Na França, também, o agente comercial é definido em termos que se aproximam do novo Código Civil brasileiro, por Dec. de 23.12.58: “Est agent commercial le mandataire qui, à titre de profession habituelle et indépendant, sans être lié par un contrat de louage de services, négocie et, eventuellement, conclut des achats, des ventes, de locations ou de prestations de service, au nom et pour le compte de producteurs, d’industriels ou de commerçants”. O Conselho da Comunidade Econômica Européia (CEE) em 18.12.1986 adotou uma Diretiva relativa aos agentes comerciais independentes, na qual se conceituou como agente comercial “celui qui, en tant qu’ intermédiaire indépendant, est chargé de façon permanente, soit de négocier la vente ou l’achat de marchandises pour une autre personne, ci-après dénominée commettant, soit de négocier et de conclure ces opérations au nom et pour le compte du commettant”. Em todos esses exemplos, tal como entre nós, a função normal do contrato de agência é conferir ao representante poderes de intermediação para angariar negócios para o representado. Só excepcionalmente, e mediante poderes adicionais explícitos, ocorre a atribuição de mandato para que o próprio representante conclua o negócio em nome do representado, seja firmando os contratos, seja mesmo entregando as mercadorias negociadas ao comprador.
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nem a revestir-se da natureza jurídica de alguma das figuras com que mantém inegável afinidade. Em primeiro lugar. Esse quadro classificatório muito contribuirá para obter-se a distinção entre o contrato de agência e outras figuras afins. de variada natureza. o contrato de agência dessas figuras afins. mais ultimamente. freqüentes são as dúvidas e confusões que se instalam entre essa novel modalidade contratual e o mandato. mantendo com a empresa vínculo empregatício permanente. O contrato de agência e distribuição. É certo. Em primeiro lugar. que o fato de o contrato de agência conter traços comuns a outros contratos mercantis tradicionais. O mandatário detém poderes. De outro lado. um contrato nominado (típico) e. Essa distribuição. como a do mandato. a distribuição é feita por meio de empregados que atuam na captação dos compradores.1. que o distribuidor conclui como preposto ou mandatário do representado (ou seja. No primeiro caso. Contratos afins Com o incremento na economia moderna dos meios de distribuição da produção de bens e serviços. A agência refere-se a um relacionamento negocial permanente envolvendo operações reiteradas e indeterminadas. o Código Civil brasileiro denomina o negócio jurídico de contrato de agência e distribuição (art. em nome e por conta do preponente). Daí a necessidade de tentar-se uma diferenciação que separe. ou seja. contudo. a concessão mercantil e a franquia empresarial. a outorga de mandato é em regra. já que esta só ocorre quando há revenda. limita-se a aproximar FGV DIREITO RIO 78 . “a colaboração empresarial no escoamento de mercadorias pode ser feita por intermediação ou aproximação. tem fisionomia e disciplina próprias. no direito moderno. quando o concessionário adquire o produto do concedente e o comercia em nome próprio e por conta própria. que são empresários que se inserem na cadeia de comercialização sem vínculo empregatício. Dessa maneira. De duas maneiras básicas se processa a colaboração empresarial (externa) no escoamento dos produtos de uma empresa: a) pela distribuição propriamente dita (revenda) e b) pela busca de empresários interessados na aquisição dos produtos do fornecedor (intermediação. e. continua sendo. prestando serviços. 710). novas figuras contratuais surgiram para atuar no mesmo segmento da mercancia. ao escoamento da produção. ou seja. como tal. comprando o produto do fornecedor para revendê-lo. destinada a realização de negócios determinados. Para individuá-lo e determinar a respectiva natureza. a que alude o art. malgrado a posse e disponibilidade da mercadoria pelo agente. O simples representante. que lhe permitem deliberar sobre o negócio e o realizar em nome deste. conservando e ampliando o mercado para o produto de outro empresário. a locação de serviços. a comissão mercantil. colocam-se os colaboradores externos. ou agência. o viajante ou pracista. conquistando. sem que a doutrina tivesse tempo para digerir as inovações. captando-lhes com precisão a natureza e os contornos. o colaborador ocupa um dos elos da cadeia de circulação. com nitidez. não se confunde com a concessão mercantil. 5. não o leva a confundir-se com nenhum deles. No segundo. porque os poderes de que dispõe o agente nem sempre são aqueles que se conferem ao mandatário. Perante a representação comercial. um contrato de intermediação. existe a possibilidade de utilização de auxiliares internos. não há necessidade de subsumi-lo à tipicidade de outros contratos: a agência é. todavia. outorgados pelo mandante. 5. o colaborador procura outros empresários potencialmente interessados em negociar com o fornecedor”. agência e mandato O contrato de agência não se confunde com o de mandato mercantil. no caso de agência comercial. Como ponto de partida é importante classificar os contratos de que se vale o empresário para obter colaboração de outros agentes no escoamento de seus produtos. comissão mercantil e agência).CONTRATOs Em EsPÉCIE Nesta última hipótese. 710 do nosso Código.

sua empresa de representação. o comissário age em seu próprio nome. evitando ao principal interessado nas operações suportar ações da parte da clientela. A comissão. nos negócios que pratica. eventualmente. Como ressalta RUBENS REQUIÃO. portanto. Na agência. O comissário adquire ou vende bens à conta do comitente. A atuação é de um representante (mandatário) do vendedor. o comprador). terá se tornado complexo. não é atingido pelos atos que pratica. conferelhe maior segurança. presta serviços à empresa sem estabelecer com ela um vínculo empregatício.3. O viajante ou pracista. Não dispõe de autonomia alguma para organizar seu serviço. embora do ponto de vista prático realize atividade econômica igual à do agente – pois angariam ambos clientela para a empresa – liga-se ao preponente de maneira diversa. eventualmente. por sua própria definição legal. O agente. mas. mas ao contrário do mandato. representam apenas elemento acessório. o art. absorvendo em suas cláusulas também o contrato de mandato. no que couber. age contudo como empresário e não como empregado. “o representante comercial. concluir negócio por conta do preponente. enquanto o comissário não age em nome. Isto porque o mandato mercantil implica necessariamente a representação para realizar negócios comerciais em nome do mandante. dispõe o art. e sim por conta do comitente. por isso mesmo. o que não depende de poderes inerentes ao mandato. 693). em função do encargo contratual. por sua vez. seria um mandato sem representação. Nesse sentido. portanto. seu escritório. Suas tarefas são comandas hierarquicamente pelo empregador. agência e comissão A comissão é um contrato de colaboração empresarial. FGV DIREITO RIO 79 . E. na linguagem antiga do Código Comercial. então o contrato de agência não será mais simples. nem tampouco na definição de sua natureza jurídica. Perante estes. e não em nome da empresa a que presta colaboração (art.2. ao contrato de agência e distribuição. as regras concernentes ao mandato.CONTRATOs Em EsPÉCIE comprador e fornecedor. que organiza e dirige com liberdade e autonomia. O agente comercial. por meio de uma consignação. sendo em face do terceiro o responsável pelo ato praticado. o vendedor é sempre o preponente. Na comissão mercantil. por isso. o negócio. secundário ou acidental. mas contrata em nome próprio. e não de um vendedor propriamente dito. se incluem nas cláusulas da agência. No contrato de agência. ainda que se confiram poderes ao agente para concluir e executar a venda. garantindo o anonimato para o comitente. o comissário não representa. 710. agindo em nome e no interesse do representado. o comitente. Com o outro contratante (isto é. não interferindo. dentro dos poderes que recebeu. 721 manda aplicar. 5. o essencial ao contrato de agência é a mediação de negócios em favor do preponente. quem se vincula é o comissário e não o comitente. Tem sua sede própria. porque só o comissionário trava relações jurídicas com os clientes. na conceituação ou configuração. Quando estes poderes. porque não negocia o fornecimento em nome próprio e opera sempre em nome e por conta do representado. que o credencia a vendê-los aos consumidores em nome próprio. não delibera. É um empregado dele. 5. muito embora o tenha realizado por conta e no interesse do comitente”. agente e viajante ou pracista (contrato de agência e contrato de trabalho) O agente. A presença do comissário cria uma certa barreira entre o comitente e os terceiros que negociam com o comissário. parágrafo único. o único responsável perante o cliente é o comitente. o vendedor é o comissário e não o comitente. Pode. propriamente dita. O comissário. Os produtos do comitente são postos à disposição do comissário. não aparece no negócio que ele agenciou e que finalmente será concretizado diretamente pelo preponente. Ademais. do contrato. embora preposto. que “o preponente pode conferir poderes ao agente para que este o represente na conclusão dos contratos”.

como se demonstrará no tópico seguinte. naturalmente. assegura ao agente a faculdade de contratar sub-agentes. com interferência econômica do fornecedor sobre o negócio do revendedor configura o que modernamente se denomina contrato de concessão comercial. por negociação direta entre produtos e consumidor. Não faz jus. da maneira que melhor lhe convier. como contratos eventuais e isolados. com habitualidade e sob certas condições. no fecho da cadeia econômica. é hierarquicamente subordinado ao comando do empregador. por sua vez. contudo.4. não exerce interferência alguma na gestão do negócio do revendedor. Este se remunera com o lucro que a revenda dos produtos lhe proporciona. em suma. Se a articulação entre produtores e revendedores assume o feitio de uma convenção duradoura. Entre os contratos de concessão comercial assumiram grandes relevos os chamados contratos de franquia. a distribuição se exterioriza como contrato de fornecimento: o produtor se obriga a fornecer certo volume de determinado produto. Sujeitar-se-á. no mundo atual. assistência técnica etc. os produtos de um deles (contratos-quadros). Costumam-se arrolar as seguintes e principais distinções entre agente e representante assalariado: a) O viajante ou pracista não pode contratar pessoal para desempenhar a representação que lhe cabe. b) O viajante ou pracista não tem iniciativa pessoal. o mesmo não se passa na organização econômica da revenda. de maneira que o produtor exerça certa interferência na atividade do revendedor. tem-se o contrato de distribuição. de orientação geral. no entanto. podendo estabelecer-se sinônima entre os dois.. pode ser mais ampla. na tarefa da conquista de clientela para a empresa a que servem uns e outros. FGV DIREITO RIO 80 . continuará negociando os produtos por conta própria e em nome próprio. por isso. A lei. que pode ser simples ou complexo. A ingerência do fornecedor no empreendimento do revendedor produz uma subordinação econômica. os revendem ao consumidor final. Essa colaboração entre os elos da cadeia econômica pode acontecer de maneira avulsa. d) O viajante ou pracista somente pode ser pessoa física. Essa modalidade de contrato de colaboração. O viajante não é mandatário e não capitaliza clientela. por sua vez. periodicamente. a franquia comercial não é um contrato distinto da concessão comercial. Se há entre eles uma independência jurídica. ou concessão comercial A colocação da produção industrial no mercado raramente se faz. Na sua manifestação mais simples. que em seguida são vendidos aos atacadistas. e) O viajante ou pracista não pode contratar sub-representantes. criando um sistema racional de conjugação de esforços até a colocação do produto junto ao consumidor final. e o revendedor se obriga a adquiri-lo. que não raro envolve outros negócios entre as partes. No entanto. que envolve sucessivas compras-e-vendas: uma empresa vende a matéria prima ao fabricante. a doutrina majoritária aponta traços da franquia que lhe outorgariam uma identidade jurídica capaz de separá-la dos comuns casos de concessão comercial. A colaboração empresarial. como uso de marca. traçadas pelo fornecedor. c) O viajante ou pracista não pode aceitar representação de outras empresas. a algumas regras. ou pode se envolver numa relação contratual duradoura que gere a obrigação entre os empresários de comprar e vender.CONTRATOs Em EsPÉCIE É. formando-se uma cadeia de negócios. enquanto o agente pode ser indiferentemente pessoa física ou jurídica. um profissional independente. O revendedor. agência e distribuição por conta própria (revenda). Não há uma remuneração direta entre fornecedor e revendedor. às indenizações legais devidas ao agente autônomo. os vendem aos varejistas que. estes. a não ser mediante autorização do empregador. Para RUBENS REQUIÃO. O fornecedor. porém. a ausência de um contrato de trabalho que caracteriza o agente comercial e o distingue do viajante ou pracista. 5. que pode livremente organizar sua empresa. Já o agente comercial é um empresário. Quase sempre se estabelece uma intermediação entre empresários. este a transforma em manufaturados.

O agente (mesmo quando exerce a distribuição) é remunerado. E. É que a mercadoria que o fornecedor coloca em poder do agente-distribuidor é objeto apenas de depósito ou consignação. Aliás. quando regulamentou a atividade do representante comercial. Dentro da sistemática da preposição que é inerente ao contrato de agência. A distribuição. Há distribuição (ou pode haver distribuição) tanto por meio do contrato de agência como do contrato de concessão comercial. pelo fornecedor (o representado).886/65. em nome do representante (art. se há. atua apenas em nome e por conta do representado. Outra distinção que se fez com nitidez entre o contrato de agência e o contrato de revenda (distribuição por conta própria. o legislador houve por bem tipificar o contrato de concessão comercial (Lei nº 6. já previa a possibilidade de ser ele encarregado da execução da venda. A distribuição de que cogita o art. ou concessão comercial). mesmo porque a infinita variedade de convenções que os comerciantes criam no âmbito da revenda autônoma torna quase impossível sua redução ao padrão de um contrato típico. FGV DIREITO RIO 81 . pode ser autorizada ao agente mas nunca como revenda. quanto ao serviço de intermediação. porém. A remuneração que alcança se traduz nos lucros que a revenda lhe proporciona. 710 do Código Civil). Juridicamente quem vende é o fornecedor e não o agente-distribuidor. torna-se dono da mercadoria que o fornecedor lhe transfere. Voltaremos ao tema da concessão comercial. 1º e seu parágrafo único). distingue-se a distribuição por conta alheia (mera preposição.729/79). Em suma não é a operação econômica da distribuição que distingue a agência da concessão comercial. as mercadorias de propriedade do comitente são postas à disposição do agente-distribuidor para entrega aos compradores. como negócio que anteriormente se denominava contrato de representação comercial. O dispositivo cuidou exclusivamente do contrato de agência. sem que isso desnaturasse a representação comercial em sua essência e a transformasse em concessão comercial. A interferência deste na pactuação e execução do negócio final é de um mandatário e não de um revendedor. portanto. ele não se transforma num concessionário comercial. a inteligência que alguns apressadamente estão dando ao artigo 710 do Código Civil. sem independência jurídica do agente) da distribuição por conta própria (concessão comercial).CONTRATOs Em EsPÉCIE Todas as formas de contrato de distribuição – fornecimento ou concessão – distinguem-se do contrato de agência em dois aspectos básicos: a autonomia e a remuneração da intermediação. pelas características e relevância do negócio. o contrato fica no plano da agência. situa-se na remuneração do intermediário do processo de circulação dos produtos. a Lei nº 4. nos comentários relativos aos ressarcimentos cabíveis na ruptura ou cessação do contrato (art. pode realizar-se por conta do fornecedor ou por conta do próprio distribuidor. O concessionário nada recebe do fornecedor pela colaboração exercida na colocação de seus produtos. Não é correta. entra-se no âmbito da concessão comercial. assim. Se não há venda e revenda de produtos. de modo que a venda para o consumidor não assume a natureza de uma revenda. Apenas para o caso dos revendedores de veículos é que. 710 é aquela que. no sentido de ter sido nele disciplinado tanto a representação comercial como a concessão comercial. eventualmente. O agente (representante comercial) não pratica o negócio de colocação dos produtos do representado em nome próprio. Já o concessionário ou revendedor. Mesmo quando a lei admite que o agente atue também como distribuidor (art. segundo o volume e o preço das operações agenciadas. O contrato de distribuição em nome próprio (a concessão comercial) continua sendo atípico. Distribuição é um gênero que corresponde aos vários tipos de contrato de colaboração empresarial. 721). mas tudo se faz em nome e por conta do representado. O representante não a adquire do representado. e a negocia com o consumidor em nome próprio e por sua própria conta. e sempre como simples ato complementar do agenciamento.

em última análise. a franquia. qualquer que seja a dimensão dos poderes do agente. os elementos essenciais do contrato de agência Segundo a definição legal do contrato de agência. na concepção legal. se beneficia da contínua obra promocional levada a efeito pelo agente junto à clientela. mediante remuneração. nos quais o agente desenvolve um papel importante na colocação no mercado dos produtos gerados ou comercializados pela empresa preponente. em favor da empresa do comitente. Contratos de distribuição. não porém em nome próprio. d) a retribuição dos serviços do agente em proporção aos negócios agenciados. De forma alguma se pode ver no conteúdo do contrato de agência uma forma de compra e venda operada pelo agente. em uma zona determinada. A construção da teoria do contrato de agência se fez por influência do direito francês a partir do mandato que. De tal sorte. os negócios por ele intermediados ou concluídos se aperfeiçoam diretamente na esfera jurídica do preponente e do terceiro adquirente.formação e ampliação de clientela -. A lei francesa ainda hoje identifica o agente comercial como um mandatário que como FGV DIREITO RIO 82 . “um mandatário que aja a título oneroso e em seu próprio benefício”. mas que igualmente se relacionava com seus próprios interesses.CONTRATOs Em EsPÉCIE 6. a concessão comercial. O que traça a tipicidade do contrato de agência é que a atividade de colaboração empresarial na espécie se dá por meio de prestação do agente que têm por objeto o desempenho. Visto que tanto do lado do comitente como do agente. c) a determinação de uma zona sobre a qual deverá operar o agente. profissional e empresário. pode-se afirmar que. porque é na medida da consumação dos negócios pelo preponente que o agente adquire direito à remuneração pelos serviços de intermediação empresarial levados a efeito. tais como a comissão mercantil. 7. e eventualmente de concluí-los e executá-los. Nessa ordem de idéias. Configuram um gênero no qual se inserem vários tipos negociais todos voltados para a chamada colaboração empresarial. a concessão do uso de marca etc. para configurar-se contrato de agência. de maneira que esta. mas sempre em nome e por conta do preponente. entendia-se que este desempenhava um mandato que não dizia respeito apenas ao interesse do mandante. de uma atividade profissional dirigida à promoção e conclusão de contratos entre o preponente e os terceiros arrebanhados pelo preposto. sempre por conta da outra parte (o preponente) e dentro de uma determinada zona. 710 do Código Civil. não são sinônimos de contratos de revenda de mercadorias. Eventualmente os contratos agenciados podem ser concluídos e executados pelo próprio agente. a formação de negócios. o objetivo perseguido é um só . na espécie. natureza jurídica O contrato de agência integra a classe dos contratos de distribuição comercial. caracterizada pelo chamado mandato de interesse comum. podia-se divisar “o interesse comum como qualificativo do mandato contido no contrato de agência comercial”. é necessário que uma parte (o agente) assuma de forma duradoura a função de promover. todavia. sua estrutura fundamental envolve a combinação de quatro elementos essenciais: a) o desenvolvimento de uma atividade de promoção de vendas ou serviços por parte do agente. b) o caráter duradouro da atividade desempenhada pelo agente (habitualidade ou profissionalidade dessa prestação). em seu próprio nome. Com isso. a corretagem. Assim. seria uma modalidade excepcional daquele negócio. de sorte que nele não se acha em jogo um interesse jurídico seu. a representação comercial. Na conclusão do negócio intermediado o agente não é parte. mas apenas um interesse econômico. contida no art. realizou-se a evolução do tratamento jurídico do agente da categoria de mandatário para a figura do “mandatário independente”.

não se pode continuar a insistir na conceituação do contrato de agência como forma de mandato. que é a de angariar clientela para adquirir os produtos do primeiro. na circulação de bens do mercado. indenizações tarifadas. sujeitos do contrato de agência De um lado coloca-se o preponente que tem bens e serviços a colocar no mercado. reconhecido como profissional independente e ainda em face do estabelecimento de um regime de direito social de proteção ao agente. etc). mas sempre com plena liberdade de organizar seu trabalho e com assunção do risco de seu negócio de intermediação. Se se pretender comparar a agência atual com outros contratos típicos. preponente e agente. Na verdade. sem estabelecer vínculo de subordinação a este e que deve ser remunerado em função do volume de operações promovidas. em função da qual o agente promove e às vezes conclui negócios em favor do preponente. Dentro da consagração da autonomia do agente. só por insistência histórica se mantém entre os franceses a doutrina da agência como modalidade de mandato. De tal sorte. que se formou a partir da idéia de profissionalização do mandato e. 91-593 de 25. FGV DIREITO RIO 83 . 8. e de outro. não tem mais sentido atrelá-la à natureza jurídica do mandato. A prática da agência comercial. se encarrega de negociar contratos por ordem e conta de outros empresários (Lei n. que melhor se qualifica como um profissional do comércio. apagando os liames com o mandato e consagrando uma liberdade de iniciativa muito acentuada. cada um dedicando-se a um ramo próprio de negócios. Daí reconhecer-se sua posição de titular da própria empresa. que se adaptou à Diretiva Comunitária de 1986). Além do mais. O agente comercial. por meio de “uma evolução das regras do mandato clássico”. Assim. O que efetivamente se tem. No entanto. “o agente comercial continua um mandatário. nessa ordem de idéias. é inegável que o contrato de agência estabelece uma relação jurídica entre empresários. “o agente se beneficia de um estatuto originado de modificação de regras civis do mandato. Ambos. desempenha uma atividade de mercado cujo requisito fundamental é a liberdade de iniciativa na prestação do serviço de agenciamento.06. pois. Um realiza a comercialização de suas mercadorias ou serviços (preponente) e outro exerce uma especial atividade profissional (o agente). seja do fato de uma abordagem econômica da agência que se desenvolveu recentemente”.1991. pois apenas excepcionalmente o agente se encarrega de tarefas que são próprias do mandatário. nos moldes atuais da figura jurídica se afasta das concepções primitivas. mas deve ser apreciado enquanto profissional do comércio”. registra-se uma aproximação do regime legal da agência com o direito social. cuja atividade específica “consiste na realização de atos materiais que visam à criação de uma corrente de negócios para a difusão dos produtos e serviços de outra empresa. em cuja organização e administração não interfere a empresa do preponente. é um mandatário remunerado e profissional. que o agente se apresenta como autêntico empresário porque seu serviço é desempenhado de forma autônoma e constitui um tipo de negócio de evidente valor econômico e jurídico. A independência que a lei confere ao agente comercial no exercício de sua atividade profissional faz dele um empresário que se encarrega de uma função com autonomia de objeto dentro da circulação do mercado. Vê-se. Dessa maneira. depois que se estabeleceu um regime legal particular para a agência. A natureza jurídica do contrato de agência é hoje a de um contrato típico. em defesa de interesses do agente (duração indeterminada do contrato.CONTRATOs Em EsPÉCIE profissional independente. entretanto. sua afinidade será maior com o contrato de prestação de serviços do que com o de mandato. são empresários. seja sobre influência dos usos e regulamentos. remuneração mínima. o agente (um preposto) que é um profissional que se encarrega de colaborar na promoção dos negócios do preponente. o que também não é adaptável à figura do mandato. mesmo.

742 e 1. o novo Código Civil escolheu a nomenclatura recomendada pela antiga doutrina portuguesa. o contrato é denominado de “agência e distribuição”. pelos expedientes que livremente engendrar. outrossim. de negócios que venham a ser concluídos entre os terceiros e o preponente. denomina de agente e principal os respectivos sujeitos. tivesse nomeado de preponente o empresário que contrata a intermediação do agente. Malgrado a opção da lei. o objeto do contrato de agência O contrato de agência. O agente-distribuidor apenas representa o fornecedor. No Brasil. já há o cliente que. ou seja. os léxicos nacionais não registram proponente com o sentido de denominar quem delega poderes de gestão a outrem. por sua conta e sob sua dependência”. A lei portuguesa que regula o mesmo contrato. porquanto já era esta a palavra utilizada pelo direito português para nomear a contraparte dos “representantes comerciais não autônomos” .1. a obrigação de remunerar o serviço prestado pelo agente. em síntese. visto que o agente não revende os produtos que o preponente apenas coloca à sua disposição. praticamente. Duas partes. para coletar propostas ou encomendas a serem repassadas à empresa representada. entre nós. há um inconveniente de ordem prática. A operação é toda ela desenvolvida e consumada em nome e por conta do preponente. ao formular propostas endereçadas a este também deverá ser identificado como proponente. mas como aquele que “propõe algo”. Quando esses poderes adicionais são incluídos no ajuste. revenda. afinal é o vendedor das mercadorias consignadas ao preposto e negociadas com a clientela. todavia. mas apenas venda. e preferiria que. e sim a um percentual sobre as operações úteis captadas pelo agente em benefício do representado. em Portugal fosse prestigiada a denominação de proponente (em lugar de principal). em sua feição típica. Na relação econômica desenvolvida pelo agente em prol do fornecedor. ou seja. Não há. Integra o contrato. É. consistente na busca e visita da clientela. não estará incorrendo em censura alguma quem empregar o termo preponente em lugar de proponente. continua sendo uma prestação de serviços profissionais na área da intermediação de negócios. operada entre o preponente e o consumidor. para compreender a conclusão do contrato de venda e entrega das mercadorias. arts. ou que se concluam junto ao preposto. tem como objeto uma prestação de serviço entre empresários: a promoção de negócios constitui a obrigação fundamental que o agente contrai em favor do preponente. em seu nome. a exemplo do Código italiano. mas em nome do representado. de contratos por conta do preponente.753). As confusões serão inevitáveis o que recomendaria o uso da designação preponente para o fornecedor. Dessa forma. que. repita-se. seja a de identificar o representado como preponente e não como proponente. 9. que é um contrato típico e de execução continuada. esse objeto pode ser ampliado. Com FGV DIREITO RIO 84 . todavia. Ademais. pode-se afirmar. portanto. melhor teria andado o legislador brasileiro se. portanto. De fato. antes da legislação atual. Dessa forma. Objeto.CONTRATOs Em EsPÉCIE 8. por ser lexicamente correto e. da parte do preponente. mediante remuneração. o designativo preponente que identifica “aquele que constitui um auxiliar direto para ocupar-se dos seus negócios. 1. O objeto do contrato. dará cumprimento à obrigação contraída de angariar clientela para quem contratou seus especiais serviços. censure a opção do Dec-Lei nº 178/76. a nomenclatura legal – as partes no contato de agência A legislação italiana adota as expressões agente e preponente para indicar as duas partes do contrato de agência ou representação comercial (Código Civil italiano. proponente e agente. em posições jurídicas diversas teriam titulação igual dentro do mesmo negócio. Eventualmente. O agente organiza com autonomia seu negócio e. Há quem. sob influência da terminologia com que common law se identifica a agency. mas isto não corresponde a um preço fixo. é uma atividade de promoção de negócios individuais. mais expressivo. que característica essencial do contrato de agência é a promoção. muito embora nos contratos de prestação de serviços com subordinação jurídica a tradição. do contrato de agência.

Trata-se de um contrato de duração. Algumas dúvidas fundamentais precisam ser eliminadas para que se tenha razoável segurança jurídica na utilização desses contratos. Afinal. de contratos que serão concluídos pelo preponente. manter e incrementar a demanda dos produtos do preponente. São vários os motivos para tanto. A representação poderia ou não ocorrer. E de fato a nomenclatura não deve ser considerada tão relevante. o agente tivesse poderes para representá-lo nas respectivas relações de compra e venda dos produtos agenciados.2003) biblioGrafia CoMPleMentar: É hora de definir agência e distribuição no novo Código Civil antonio felix de araújo Cintra advogado. o agenciamento sempre ocorreria por força da natureza do contrato.CONTRATOs Em EsPÉCIE essa noção do objeto contratual. dependendo de serem ou não conferidos poderes para que o agente representasse o proponente na contratação dos negócios. teixeira e silva advogados renato berger consultor de tozzini.5. sendo que a representação apenas existira se. como os de fornecimento ou de concessão comercial. freire. Belo Horizonte. tem como objeto a atividade do agente. a melhor interpretação indica que os contratos de agência e os de representação comercial constituem a mesma figura jurídica. é fácil entender que os legisladores do Código Civil apenas utilizaram o nome que lhes pareceu refletir de maneira correta a natureza do contrato. Analisando o Código Civil e a Lei do Representante Comercial. abril de 2003 (Artigo publicado no Mundo Jurídico (www. conforme posteriormente alterada) e. dentro de uma zona determinada. excluem-se do campo da agência as vendas em nome próprio. voltada para a promoção. para cuja consecução empenhará múltiplas atividades. Diante dessa situação. O contrato de agência. tudo em busca de conquistar. O nome representação comercial foi muitas vezes criticado por não traduzir corretamente a noção do contrato. Vários autores apontavam. inclusive citando leis estrangeiras. pelo que o agente se obriga a exercer habitualmente a intermediação de negócios em favor do preponente enquanto permanecer em vigor o ajuste. o que interessa na definição da natureza jurídica do instituto é o seu conteúdo e não a embalagem. Outra grande característica do objeto da obrigação veiculada pelo contrato de agência é o caráter duradouro da prestação a cargo do agente. Passando então para o exame do negócio em FGV DIREITO RIO 85 .886/65. com caráter de estabilidade. nessa ordem de idéias. que em hipótese alguma se podem confundir com a figura delineada no art. de impulso e de agilização. em caso positivo. é necessário definir: (a) se o contrato de agência previsto no Código Civil é o mesmo contrato previsto na Lei do Representante Comercial (Lei 4.br) em 02. de que maneira devem ser interpretadas as normas desses dois diplomas legais sobre a matéria e (b) se a distribuição prevista no Código Civil é a mesma relação contratual que tradicionalmente não era objeto de legislação específica e que era conhecida por distribuição. Ou seja. Mais especificamente. freire. além de agenciar os pedidos em favor do proponente. sócio de tozzini. a questão da nomenclatura.adv. Antes de qualquer coisa.mundojuridico. que são objeto de outros contratos de colaboração empresarial. posto que a relação negocial implica agenciamento de pedidos. que o termo mais adequado seria agência. As principais dúvidas referem-se ao impacto do Código Civil sobre as conhecidas relações de representação comercial e distribuição. 710 do novo Código Civil. teixeira e silva advogados O capítulo sobre agência e distribuição no Código Civil tem causado muita discussão.

mas a exclusão é absolutamente coerente com o desaparecimento da diferenciação entre negócios civis e mercantis na lei brasileira. desde que já tenha transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto dos investimentos exigidos do agente. exceto com relação à distribuição de veículos automotores. realizada pelo agente. na ausência de cláusula contratual. curiosamente.CONTRATOs Em EsPÉCIE si. quando se fala em zona de atuação do agente. cessação de atendimento de propostas. negócio realizado. Isso decorre não apenas da definição equivalente do contrato. Ora. O lucro do distribuidor deriva então da diferença entre o preço de compra e venda dos produtos distribuídos. tendo inclusive ressalvado a aplicação de lei especial. uma nota sobre a distribuição. menciona claramente “coisa a ser negociada”. direito à remuneração pelos negócios concluídos dentro da zona de atuação e assim por diante. não há que se falar em remuneração paga pelo fornecedor. Tal distribuição era e continua sendo contrato atípico. em nome próprio e por conta e risco do distribuidor. cujo projeto foi elaborado em 1972. permanecendo em vigor os demais. que é contratado para encontrar compradores para os produtos do proponente. é evidente que a lei especial contemplada no Código Civil. verifica-se que o capítulo de agência ressalva expressamente a aplicação de lei especial sobre a matéria. ou aquela que viesse a substituí-la. devem ser considerados revogados apenas os dispositivos da Lei do Representante Comercial cuja matéria tenha sido regulada de forma diferente no Código Civil. estabelecer como deve ser compatibilizada a Lei do Representante Comercial com o capítulo de agência do Código Civil. que nada mais é do que um desdobramento da relação de agência. Por fim. por exemplo. portanto. tanto na parte específica de indenizações (art. A resposta é razoavelmente simples. Nessa linha de raciocínio. A distribuição do Código Civil é contrato de agenciamento de negócios em favor do proponente. com a particularidade de que os bens objeto do agenciamento FGV DIREITO RIO 86 . Utilizando o nome distribuição. Ao contrário da agência. dizendo que serviria para agenciamento de artistas. percebe-se que a definição de agência no Código Civil é equivalente à definição de representação comercial na Lei do Representante Comercial. objeto da Lei Ferrari (Lei 6. Em ambos os casos. Ou seja. mas deverá ter no mínimo 90 dias e. trata-se do agenciamento de pedidos em favor do proponente e do recebimento de remuneração pelos negócios concluídos. Ainda para demonstrar que o Código Civil tratou agência da mesma forma que a chamada representação comercial. Dado que o Código Civil não pretendeu esgotar a regulamentação da matéria. mas também da própria regulamentação encontrada nos artigos 710 e seguintes do Código Civil. posto que não regulado expressamente na lei. Toda a linguagem e toda a lógica desses dispositivos apontam para o agenciamento na compra e venda de mercadorias. datada de 1965. Por exemplo. 718) como na utilização da lei especial sempre que couber (art. acima mencionada. Infelizmente. que a Lei do Representante Comercial utiliza a expressão “agenciando propostas ou pedidos” exatamente na definição da atividade do representante. é a Lei do Representante Comercial. a terminologia empregada no Código Civil pode gerar grande confusão. Note-se ainda. portanto. 721).729/79). A antiga distribuição é caracterizada pela compra dos produtos do fornecedor para posterior revenda. mas a distribuição ali prevista não se confunde com a relação chamada distribuição a que todos se acostumaram no Brasil. não se justifica a amplitude que alguns querem dar ao contrato de agência no Código Civil. E naquela que deve ser a maior diferença. caracteriza-se a figura clássica de aproximação do comprador e vendedor. Resta. o aviso prévio para encerramento de contratos por prazo indeterminado não será simplesmente de 30 dias como previsto na Lei do Representante Comercial. Vale frisar novamente que o Código Civil apenas deu outro nome para a mesma relação conhecida tradicionalmente como representação comercial. A única diferença no Código Civil é a exclusão da expressão “negócios mercantis” que aparece na Lei do Representante Comercial. ainda assim. vale agora a presunção de exclusividade do Código Civil tanto para a zona de atuação do agente (exclusividade em favor do agente) como para o agenciamento (exclusividade em favor do proponente). atletas e outras atividades que não fossem relacionadas à compra e venda de mercadorias. o Código Civil contempla uma nova e diferente figura contratual. que conforme será visto aparece dentro da definição de agência e como um desdobramento desta última. Até a definição de distribuição.

à conta de outra. já que não tratam de tal figura. Isso inclui os conceitos e princípios de boa fé contratual e função social dos contratos. mediante retribuição. se a pessoa tem a coisa que comercializa consigo será distribuidor. pois o contrato de representação comercial costuma ser identificado pela doutrina e pela jurisprudência com o de agência e distribuição. em zona determinada. como por exemplo. no artigo 721. (http://jus2. a obrigação de promover. Pela lei. os dispositivos sobre os contratos de agência e distribuição. Subsidiariamente poderá ser aplicado o novo código. além de importantes dispositivos específicos. em caráter não eventual e sem vínculos de dependência. no caso. da mesma forma que ocorre em qualquer contrato atípico. aplicam-se ao representante comercial. Há que se levar em conta. subordinados estes ao Conselho Federal. que passa a ser chamado também de distribuidor. embora se reporte. que essa lei atribui os direitos básicos do representante. à aplicação de legislação especial.com. O legislador do novo código deveria ter sido mais claro. que doravante devem ser harmonizados com os dispositivos do novo Código Civil. não há de se ter preocupação FGV DIREITO RIO 87 . naquilo que o contrato e a lei protetiva forem omissos. preponderarão as disposições do novo código. que lhe é protetiva e cria.CONTRATOs Em EsPÉCIE encontram-se na posse do agente. será agente. 715). no que couber. A nova posição legal mais serve para baralhar a questão. A primeira conclusão inafastável é no sentido da aplicação da lei do representante comercial sempre que este for devidamente registrado. a disponibilidade da coisa em mãos do sujeito caracteriza a diferença entre a agência e a distribuição. 710) até as disposições sobre o direito do distribuidor à remuneração por negócios concluídos em sua zona sem sua interferência (art. todas referentes apenas a contratos de aproximação entre comprador e vendedor e nunca à aquisição de produtos para revenda por conta própria. Naturalmente serão aplicáveis à distribuição clássica as normas gerais do Código Civil sobre obrigações e contratos. Quanto ao representante comercial. a qual. contudo. porém. Assim. Tratando-se de profissão regulamentada. na verdade. A harmonização dessa nova lei com os novos dispositivos é complexa. conforme a nova lei. a principal delas protege e regula o representante comercial (Lei nº 4. 714) e direito à indenização no caso de diminuição no atendimento de propostas (art. caso contrário. O proponente pode conferir poderes ao agente para que este o represente na conclusão dos contratos. Assim. aplica-se essa lei. conseqüentemente.uol. Parágrafo único.886/65). Todo o capítulo de agência e distribuição corrobora tal constatação. Pouco importa que pratique ele negócios de agência ou de representação segundo o novo código. nos termos do artigo 5º da Lei nº 4. a necessidade de ter transcorrido prazo compatível com o investimento realizado pela outra parte quando da denúncia unilateral de contrato (art. desde a definição da distribuição como um derivado da agência (art. 473). uma pessoa assume. Leve-se em conta que os dispositivos contratuais do código são de direito dispositivo. a realização de certos negócios. e realiza negócios em razão dessa profissão habitual. No mais. caracterizando-se a distribuição quando o agente tiver à sua disposição a coisa a ser negociada.” Portanto.asp?id=4148) A representação no novo Código Civil Por sílvio de salvo Venosa O novo Código Civil introduz no mesmo capítulo.br/doutrina/texto. o novo código dispõe no artigo 710: “Pelo contrato de agência. Os dispositivos do capítulo de agência e distribuição. procura a lei unificar os direitos de ambos e. um microssistema jurídico. não serão aplicáveis às relações de distribuição na sua forma tradicional de aquisição para revenda. Nesses contratos há inúmeros pontos de contato com a representação comercial. estando o sujeito inscrito nos Conselhos Regionais dos Representantes Comerciais.886/65.

Não há que se entender que somente os representantes comerciais devidamente inscritos em sua corporação de ofício tenham direito à aplicação da lei específica. contudo. As gradações entre um extremo e outro deverão ser definidas no caso concreto. que é aquele doravante presente no Código Civil. pois. que já vinha sendo adotada. o que contribui. existirão sempre duas partes. No conceito há um sentido amplo. como a franquia. a concessão. a de colocar no mercado os bens ou serviços de uma empresa produtora. sua situação será de distribuidor. Nesse sentido. por vezes. Sob essa égide. O distribuidor. São contratos. Esses contratos possuem características comuns. Caberá à jurisprudência definir. com várias pessoas. agente ou representante deve se submeter a uma séria de diretrizes impostas FGV DIREITO RIO 88 . o qual garante direitos básicos a esses profissionais. atendendo a cláusulas de exclusividade e de área geográfica. que inclui todas as formas que uma empresa se utiliza para colocar bens e serviços no mercado. porque. excluindo-se a possibilidade de ser considerado representante. Essa tendência. mandatários. O novo universo da empresa cria novas formas de comercialização. também. Questão maior vai se colocar quando o agente e o distribuidor em sentido amplo. de duração. Nesses contratos há um forte aspecto de colaboração entre as partes e a possibilidade de exclusividade dentro de determinada área geográfica. consagrada pelo nosso velho Código Comercial. com a intervenção de terceiros. Nada impede. é afastar-se contratualmente sua aplicação. o sujeito fará jus aos benefícios da lei respectiva. referindo-se aí expressamente ao contrato de distribuição. agentes. a palavra “distribuição” é equívoca. com prazo mais ou menos longo. se adotada a caracterização de representante para a relação jurídica. conforme os princípios da lei específica. a empresa concentra sua atividade principalmente na produção. disciplinava os auxiliares de comércio. há possibilidade de que a empresa celebre muitos contratos da mesma natureza. pois o fornecedor de produtos e serviços sempre atribuirá a outrem essa função. para desenvolvimento de uma antiga função econômica. qual seja. A situação não fica clara. segundo remansosa jurisprudência. ou por meio de terceiros. representantes etc. se o sujeito adquire os bens do produtor ou fornecedor e os revende. De qualquer modo. Desse modo. ser firmados com qualquer pessoa e a esta situação se dirigem os dispositivos do novo Código Civil. para o representante é irrelevante ter ou não a posse dos bens comercializados. surge assim uma nova família de contratos. Eventual transgressão administrativa é irrelevante para a definição dos direitos e a respectiva natureza jurídica dos contratos. Como já de início apontamos. aos representantes comerciais oficiais. a própria legislação comercial. a representação. Sempre que se examina a comercialização de produtos ou serviços por terceiros. quando ela não o faz por si mesma. alude-se à distribuição como referência genérica a vários fenômenos. há um conceito restrito. pressupõem a existência de empresas e sujeitos independentes que desempenham atividade em favor dela. pretenderem os mesmos direitos expostos na Lei nº 4. em princípio. os corretores. agência e distribuição. os quais se aplicam. para a confusão terminológica. por natureza. que as próprias partes indiquem no contrato como aplicável essa lei do representante comercial autônomo. no que não conflitar com seu estatuto específico. fará jus o sujeito aos direitos respectivos conforme os artigos 31 e seguintes da lei específica. técnicos ou não. absorvendo vários significados. há confusão terminológica entre os contratos de representação mercantil. diretamente. os comissionistas e os agentes de comércio. Como regra geral. Por outro lado. que diz respeito à relação jurídica que vincula o produtor e o sujeito que coloca seus produtos no mercado.886/65. que não foi aclarada pelo legislador. de caráter geral. naturais ou jurídicas. Nessa introdução à nova problemática é importante estabelecer que os contratos de agência e distribuição podem. que se lastreia em princípios constitucionais sobre a liberdade do trabalho. Assim. como já não estava clara no sistema anterior e qualquer das soluções apresenta dificuldades. sob o prisma de direito cogente. O que será ineficaz. Desempenhando a função de representante.CONTRATOs Em EsPÉCIE se sua atividade é de agência ou representação de acordo com o novo código. mormente quando as partes não definem claramente suas obrigações. deverá persistir. Nesse sentido. em princípio. sem a compreensão de representante. atribuindo a intermediários a atividade de promover e vender.

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pelo produtor em prol do bom andamento do negócio. A regra de exclusividade é importante nesses contratos, embora possa não se fazer presente. Caberá às partes mantê-la ou não. Por seu lado, o distribuidor ou qualquer nome ou natureza jurídica que se lhe dê, não importando qual a modalidade de contrato que lhe permite comercializar bens de terceiros (distribuição, representação, agência, franquia), obtém uma posição vantajosa no mercado, pois, em princípio, terá exclusividade sobre determinada região ou goza de benefícios e vantagens para adquirir bens da empresa produtora. Geralmente, o nome do produtor já outorga aos intermediários um patamar de ganhos superior. Sob esse prisma, a moderna empresa cria uma rede de distribuição, nem sempre juridicamente homogênea, cuja finalidade é cobrir uma cidade, uma região, um Estado ou Província, um país ou o exterior. Essa distribuição mais ou menos ampla seria muito custosa e difícil para que o produtor a encetasse com recursos próprios, além de esbarrar em leis de proteção econômica, que proíbem a cartelização ou o truste. Inúmeros outros aspectos devem ser estudados em função desses novos contratos que ora se tipificam no novo Código Civil. http://www.societario.com.br/demarest/svrepresentacao.html

Agência e Distribuição x Representação Comercial francisco Wanderson Pinho dantas data: 09/09/2004 1. Contratos iguais com nomes diferentes ou contratos diferentes com leis aplicáveis diferentes? O novo código civil trouxe algumas inovações ao tratar do contrato de agência e distribuição em suas disposições. Isso causou uma divergência na doutrina, sendo que a maior parte dela acredita ser esse contrato, não mencionado no C.C. anterior, o mesmo contrato de representação comercial, disciplinado pela lei 4886/65, enquanto uma minoria defende que se trata de um novo contrato. Nesta minoria estão Fábio Ulhoa e Venosa, defendendo este último que ao representante, diferentemente do agente, poderia ser dado o poder de concluir os negócios que ele prepara, sendo aplicado, ao ato de conclusão, a legislação referente ao contrato de mandato. Contudo, não haveria essa possibilidade para o agente, alertando o autor que se, no contrato de agência, houvesse a incumbência de concluir o negócio, o contrato estaria desnaturado. Entretanto, esses argumentos não são fortes o suficiente para rebater a outra posição doutrinária, de que o contrato de agência e o de representação são o mesmo contrato com nomes diferentes. Esse raciocínio, defendido por Humberto Theodoro Jr, Rubens Requião e Felix de Araújo Cintra tem como base o fato de que a definição de representante, dada pela lei 4886/65, lei da representação comercial, é totalmente compatível com a definição de contrato de agência dada pelo código civil. De acordo com as duas legislações, tanto o agente quanto o representante atuam agenciando propostas e pedidos, à conta de outrem, sem vínculo de dependência e em caráter não eventual. A única diferença que existe entre as duas referidas legislações é que, na definição de contrato de agência, dada pelo C.C., não há a expressão “negócios mercantis”, existente na definição de representante, dada pela lei de representação comercial. Entretanto, isso se explica pela igualdade que o novo C.C. atribuiu ao negócio civil e ao negócio comercial. Além disso, outro argumento que é favorável à identidade dos dois contratos baseia-se nas reclamações doutrinárias feitas em relação ao nome antigo do contrato, “representação comercial”, atribuído pela lei 4886/65. Tal nome não reflete o objeto do contrato, que é o agenciamento de propostas, mas a possibilidade de o terceiro representar quem o contratou na conclusão dos negócios, ou seja, a representação.
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Internacionalmente, o nome “agência” já é consagrado para referir-se ao contrato da lei 4886/65, o que permite visualizar a possibilidade de o legislador do C.C. ter utilizado esse nome para adequar o contrato às influências internacionais. Destarte, o próprio artigo 721 do C.C. prevê a aplicação no que couber da lei especial para o contrato de agência e distribuição, o que reforça a afirmativa de tratarem as duas leis, a 4886/65 e a 10.406/02 (C.C.), do mesmo contrato. 2. qual é a lei predominante, se for o mesmo contrato? Apesar de o critério cronológico ter aplicação subsidiária em relação ao da especialidade, o C.C., que traz uma legislação mais nova, porém mais geral, deve ser aplicável de forma predominante, pois ele amplia as garantias do agente, permitindo que a lei 4886/65, nos aspectos mais detalhados, seja também aplicada. O C.C. já traz disposto no artigo 718 o seu papel de regra geral em relação à lei 4886/65, estabelecendo, para o caso de dispensa sem culpa do agente, a remuneração até então devida, além das indenizações previstas em lei especial. Em regra, considera-se o C.C. como um microssistema constitucional para o direito privado, tendo as outras leis uma aplicação subsidiária em relação a ele. 3. quais os artigos conflitantes e quais as novidades que o C.C. trouxe para o agente? O artigo 31 da lei 4886/65 entra em conflito com o artigo 711 do C.C., pois os dois falam a respeito de exclusividade nas zonas, tanto para o agente quanto para o proponente, de modo diverso. O artigo 31 da lei 4886/65 diz, a princípio, que o representante fará jus à comissão pelos negócios realizados em sua zona, ainda que diretamente pelo representado ou por intermédio de terceiros, quando prevista no contrato a exclusividade de zona ou mesmo quando o contrato for omisso a esse respeito (até este ponto, a previsão é a mesma no C.C.). Entretanto, em seu parágrafo único, ele estabelece que na ausência de ajustes expressos, a exclusividade do representante para o representado não se presume. Assim, pode o representante, se não houver proibição contratual, prestar serviços para mais de uma empresa (art. 41), não havendo restrição na lei para as empresas de mesmo gênero. O C.C., em seu artigo 711, presume, no caso da omissão do contrato, a exclusividade tanto para o agente quanto para o proponente, não podendo o agente prestar serviços a empresas concorrentes. Tal norma veio beneficiar o proponente. Outra diferença entre a lei 4886/65 e o C.C. diz respeito ao prazo do aviso prévio no caso de denunciação unilateral e injustificada do contrato de agência por tempo indeterminado. A lei de representação comercial estabeleceu no seu artigo 34 a antecedência mínima de 30 dias para o aviso prévio. Entretanto, o novo C.C. veio estabelecendo um prazo maior, de 90 dias, estabelecendo como condição para ocorrer a denúncia o transcurso de um prazo compatível com a natureza e o vulto do investimento exigido do agente, enquanto a lei de representação especifica um prazo de 6 meses de vigência do contrato para poder haver a denúncia dele. Tal norma veio em benefício do representante. 4. diferença entre agência e distribuição A polêmica que surgiu devido ao nome “distribuição” ao lado de “agência”, no novo código, deu-se porque aquele nome já era culturalmente usado para fazer referência a um outro tipo de contrato muito diferente do de agência.
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O contrato de distribuição, que já era conhecido, é uma espécie de contrato de colaboração por intermediação, através do qual o distribuidor adquire os bens do distribuído e os revende a consumidores, atacadistas ou a qualquer outro. A distribuição referida no código é tão somente um desdobramento do contrato de agência. Trata-se de uma figura contratual nova, mas não muito diferente do contrato de agência, pois também tem como objeto o agenciamento de propostas para o preponente, mas tem como acréscimo o fato de a coisa a ser vendida para o consumidor estar com o agente. O agente, nesse caso, não adquire a coisa. Ele simplesmente a detém ou a tem a sua disposição para ser entregue àquele que a adquirir, quando concluído o negócio do preponente. Desta forma, o contrato de distribuição referido pelo código não é o mesmo contrato de distribuição, espécie de contrato de colaboração por intermediação. Este contrato continua atípico, sendo regido pelas normas gerais dos contratos, e nele o colaborador revende o produto do distribuído, ganhando os lucros sobre a revenda. Na distribuição do C.C., em suma um contrato de agência, o distribuidor ganha uma remuneração do distribuído, agindo em nome e no interesse deste. http://cacbufc.org.br/artigos/verartigo.asp?id=215

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Abaixo. Para agilizar nosso trabalho. AulA 16: ANálISE dE CONTRATOS 1. roteiro de aula Esta aula será diferente das anteriores. Assim. incluímos um quadro com os pontos fundamentais a serem observados em cada contrato. mas não são suficientes por si só. nome do contrato Contratante Contratado data de assinatura objeto valor/ Forma de pagamento Cessão de direitos vigência do Contrato Formalidades garantias rescisão Contratual por transferência de Controle e/ou reorganização Societária demais hipóteses de rescisão Foro e lei aplicável outras observações (É possível?) (ainda está em vigor? Qual é o prazo de vigência?) (obs: está assinado? tem assinatura de duas testemunhas?) (o contrato pode ser rescindido em razão de transferência de controle do contratante? há multa prevista?) FGV DIREITO RIO 92 .1.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. nos dividiremos em grupos e cada grupo será responsável pela análise de alguns contratos. Maria Lúcia nos informa que há uma caixa de contratos que será disponibilizada hoje.15. seremos obrigados a analisar os contratos durante a aula.15. Vale lembrar que esses pontos devem orientar a análise dos contratos. mas que não poderemos tirar cópia e nem levá-los para nosso Escritório. É necessário analisar o contrato como um todo e qualquer outro aspecto que pareça relevante deve ser informado no campo “observações”.

sendo pessoa física. 2006. Lumen Juris. Rio de Janeiro: Ed. ano 6.16. biblioGrafia obriGatória Lei n° 9. 1.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. ago. SANTA ROSA. o que poderíamos recomendar ao nosso cliente? Conversamos com a equipe de due diligence responsável pela área de propriedade intelectual sobre o contrato de licença que encontramos.16. Uma Introdução à Propriedade Intelectual. Denis Borges. BARBOSA. págs. Uma Introdução à Propriedade Intelectual. n. eMentário de teMas Marcas.1. para o Rio de Janeiro. 2003. o senhor Renato Russo. Considerando que nosso cliente pretende expandir seus negócios.asp?id=3006>.br/doutrina/texto.041 a 1. biblioGrafia CoMPleMentar BARBOSA. de. Rio de Janeiro: Ed.2. 58. poderia ter as marcas do Supermercado Pechincha registradas em seu nome? O que fazer quanto aos registros das marcas e os pedidos de registro? FGV DIREITO RIO 93 .16. Dirceu P.4. Contrato de Cessão de Marcas. 797 a 963. o que fazer nessa situação? A simples aquisição das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda. Disponível em: <http://jus2. Contrato de Licença de Marcas. Tendo em vista que a marca desempenha papel fundamental no negócio. 2003. (ii) os registros das marcas e os pedidos de registros foram feitos em nome do senhor Eduardo Russo e não em nome da sociedade Pechincha Comércio Varejista Ltda.16.uol. resultaria na transferência da marca para o nosso cliente? Considerando que é o supermercado que efetivamente exerce as atividades relacionadas às marcas. Caso Gerador Ao analisarmos os contratos que nos foram disponibilizados na aula anterior. págs. segundo o qual o senhor Eduardo Russo permitia que um comerciante do Rio de Janeiro utilizasse a marca do Supermercado Pechincha em suas lojas na cidade maravilhosa. (em anexo). inclusive. 1.16.058. Lumen Juris.. Jus Navigandi. e fomos alertados pela equipe sobre os seguintes aspectos: (i) metade das marcas do Supermercado Pechincha estão registradas no INPI e a outra metade ainda está com pedido de registro. A importância da “due diligence” de propriedade intelectual nas fusões e aquisições (Debaixo dos caracóis dos seus cabelos).com. 1. AulA 17: lICENçA E CESSãO dE mARCAS. Teresina. 1.279/1996. 2002. Denis Borges.3. deparamo-nos com um contrato de licença de marcas. Acesso em: 04 ago. 1.

Compreendendo a importância do registro das marcas para o supermercado. Neste sentido.16. Os direitos de propriedade intelectual. capaz de distinguir bens e serviços de um empreendimento daqueles de outro empreendimento”. Símbolo voltado a um fim.1 do Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (TRIPS). Conforme o artigo 122 da Lei de Propriedade Industrial. Rio de Janeiro: Ed. Denis Borges. regulando as normas referentes às marcas. Rio de Janeiro. 10 11 BARBOsA. Uma Introdução à Propriedade Intelectual. Sua proteção jurídica depende de um fator a mais: a apropriabilidade. Uma introdução à propriedade intelectual – Lúmen Júris. tendo em vista que a sede do supermercado é em Brasília. vale analisar brevemente o seu objeto: a marca. e capacidade de indicar uma origem específica. antes mesmo do registro. Esta definição segue os conceitos e princípios previstos nas convenções internacionais. marcas são todos os sinais distintivos visualmente perceptíveis. FGV DIREITO RIO 94 . suscetível de proteção. p. a possibilidade de se tornar um símbolo exclusivo. Denis Borges Barbosa11 comenta o que se segue: BARBOSA. à propriedade e ao direito de uso exclusivo de marcas e outros signos distintivos. ou combinação de sinais. Com relação à definição de marca.05.5. que é configurado para o fim específico de distinguir a origem dos produtos e serviços. tais como a Convenção de Paris e o TRIPS. 2003. a marca “é o sinal visualmente representado. Entretanto. em face do objeto simbolizado”10. inciso XXIX. como Rio de Janeiro e São Paulo. ou seja. Considerada por muitos como uma das mais importantes modalidades da propriedade intelectual. roteiro de aula a) Marcas Antes de estudarmos os contratos de licença e de cessão de marcas propriamente ditos. não compreendidos nas proibições legais. O senhor Odin Heiro nos pergunta se terceiros poderiam registrar as marcas (já registradas) do Supermercado Pechincha em outros Estados. pág. imóveis ou semoventes? Para ter proteção jurídica. desenhos industriais e concorrência desleal. ou legalmente unívoco. da Constituição da República Federativa Brasileira de 1998 dispõe que a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização. 803. 803. Denis Borges. como a marca. o proprietário da marca deve registrá-la no INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial. b) Marcas – Conceito O artigo 5º. patentes. sua existência fáctica depende da presença destes dois requisitos: capacidade de simbolizar.279 de 1996 (Lei de Propriedade Industrial). sem confundir o destinatário do processo de comunicação em que se insere: o consumidor.1997. “poderá constituir marca qualquer sinal. que visa a regular os direitos e obrigações relativos à propriedade industrial no Brasil. em vigor desde 15. 2003. alguns entendem que a partir do depósito da marca no INPI haveria uma expectativa de direito. De acordo com o artigo 15. que pode ser bem demorado. o senhor Odin Heiro nos pergunta se há prazo para o registro das marcas e se o registro pode ser extinto. são bens móveis. Lumen Juris. bem como proteção às criações industriais. foi promulgada a Lei nº 9.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.

13 FGV DIREITO RIO 95 . bem como a respectiva designação. e capacidade de indicar uma origem específica. Símbolo voltado a um fim. suscetível de causar confusão ou associação com estes sinais distintivos. figura ou imitação. é uma marca representativa da atividade mediadora do comerciante e. medalha. salvo se dispostas ou combinadas de modo peculiar e distintivo. Tratado de Direito Comercial Brasileiro. quando não requerido o registro pela própria entidade ou órgão público. Para João da Gama Cerqueira. qualidade ou utilidade do produto ou serviço a que a marca se destina. vulgar ou simplesmente descritivo. pp.CONTRATOs Em EsPÉCIE (. procedência. emblema. algarismo e data. que é configurado para o fim específico de distinguir a origem dos produtos e serviços. distintivo e monumento oficiais. IX – indicação geográfica. sua existência fática depende da existência destes dois requisitos: capacidade de simbolizar. uma série de situações em que o sinal que não poderá ser registrado marca: I – brasão. armas. VI – sinal de caráter genérico. marca distintiva da mercadoria quanto à origem.. culto religioso ou idéia e sentimento dignos de respeito e veneração. salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva. marca é todo sinal distintivo aposto facultativamente aos produtos e artigos das indústrias em geral para identificá-los e diferenciá-los de outros idênticos ou semelhantes de origem diversa12. CERQUEIRA. II – letra. Com relação às proibições legais a que se refere o artigo 122.. o referido autor entende que “a marca de comércio não é. no artigo 124. a possibilidade de se tornar um símbolo exclusivo. quanto à natureza. como a de indústria ou de comércio. X – sinal que induza a falsa indicação quanto à origem. comum. I. ou seja. XI – reprodução ou imitação de cunho oficial. III – expressão. ou aquele empregado comumente para designar uma característica do produto ou serviço. Carvalho de. sua imitação suscetível de causar confusão ou sinal que possa falsamente induzir indicação geográfica. peso. a Lei de Propriedade Industrial elenca. sem confundir o destinatário do processo de comunicação em que se insere: o consumidor. 1963. regularmente adotada para garantia de padrão de qualquer gênero ou natureza. bandeira. salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva. Embora Carvalho de Mendonça não a defina especificamente. figura. nacionalidade. desenho ou qualquer outro sinal contrário à moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra ou imagem de pessoas ou atente contra liberdade de consciência. públicos. em face do objeto simbolizado. qualidade e época de produção ou de prestação do serviço. propriamente falando. 365 – 366. VII – sinal ou expressão empregada apenas como meio de propaganda. natureza. quando tiver relação com o produto ou serviço a distinguir.) marca é o sinal visualmente representado. Freitas Basto. crença. estrangeiros ou internacionais. IV – designação ou sigla de entidade ou órgão público. também reveladora do trabalho. VIII – cores e suas denominações. Tratado de propriedade industrial. 12 mENDONÇA. V – reprodução ou imitação de elemento característico ou diferenciador de título de estabelecimento ou nome de empresa de terceiros. da capacidade e da probidade de seu titular”13. João da Gama. Sua proteção jurídica depende de um fator a mais: a apropriabilidade. nacionais. ou legalmente unívoco. valor. t. necessário. isoladamente.

Alguns afirmam se tratar de um direito pessoal. dos Municípios. cultural. de caráter patrimonial. se a marca se destinar a distinguir produto ou serviço idêntico. artística ou científica. XIV – reprodução ou imitação de título. de marca alheia registrada. herdeiros ou sucessores. nome de família ou patronímico e imagem de terceiros. nome artístico singular ou coletivo. salvo quando. social. de origem diversa. quais sejam: (i) marcas de produto ou serviço. para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico. natureza. notadamente quanto à qualidade. no caso de marcas de mesma natureza. econômico ou técnico. incluindo a natureza jurídica das marcas. salvo com consentimento do titular. dos Territórios. Outros alegam se tratar de bem imaterial. aquela que não possa ser dissociada de efeito técnico. que tenha relação com o produto ou serviço a distinguir. assim como os títulos que estejam protegidos pelo direito autoral e sejam suscetíveis de causar confusão ou associação. moeda e cédula da União. oficial ou oficialmente reconhecido. definindo-as da forma que se segue: – Marca de produto ou serviço: aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico. 154. XXI – a forma necessária. político. dos Estados. suscetível de causar confusão ou associação com aquela marca alheia. XVII – obra literária. equivalente à proteção que se dá aos direitos da personalidade de qualquer pessoa. prêmio ou símbolo de evento esportivo. XIII – nome. salvo com consentimento do titular. apólice. cujo titular seja sediado ou domiciliado em território nacional ou em país com o qual o Brasil mantenha acordo ou que assegure reciprocidade de tratamento.CONTRATOs Em EsPÉCIE XII – reprodução ou imitação de sinal que tenha sido registrado como marca coletiva ou de certificação por terceiro. semelhante ou afim. XXII – objeto que estiver protegido por registro de desenho industrial de terceiro. salvo quando autorizados pela autoridade competente ou entidade promotora do evento. marca que o requerente evidentemente não poderia desconhecer em razão de sua atividade. ainda. bem como a imitação suscetível de criar confusão. semelhante ou afim. XVIII – termo técnico usado na indústria. semelhante ou afim. Há. ou de país. salvo com consentimento do autor ou titular. (ii) marca de certificação e (iii) marca coletiva. material utilizado e metodologia empregada. na ciência e na arte. artístico. ainda que com acréscimo. por sua vez. XV – nome civil ou sua assinatura. e XXIII – sinal que imite ou reproduza. ou. observado o disposto no art. FGV DIREITO RIO 96 . XIX – reprodução ou imitação. no todo ou em parte. diferencia as marcas em três tipos. se revestirem de suficiente forma distintiva. no todo ou em parte. C) tipos de Marcas O artigo 123. e – Marca coletiva: aquela usada para identificar produtos ou serviços provindos de membros de uma determinada entidade. suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia. herdeiros ou sucessores. XVI – pseudônimo ou apelido notoriamente conhecidos. do Distrito Federal. XX – dualidade de marcas de um só titular para o mesmo produto ou serviço. – Marca de certificação: aquela usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas. d) natureza jurídica Há muita discussão acerca da natureza jurídica dos direito da propriedade industrial. comum ou vulgar do produto ou de acondicionamento.

porque há marcas a que falta qualquer elemento característico. Pontes de Miranda comenta o que se segue: A marca tem de distinguir. vol. a função econômica e a função de propaganda. conforma as disposições desta lei. “É um direito complexo. 147. pg. tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País. Além disso. A Constituição Federal de 1988. não se lhe podem mencionar elementos característicos. p. de outros produtos ou serviços idênticos. também patrimoniais. e de reavê-los de quem injustamente o possua.. 14 CERQUEIRA Gama. o Código Civil emprega a palavra bens. antes ou após ela. cuja significação é mais lata do que a expressão coisa compreendendo não só as coisas corpóreas. bem como pela legislação atual. são Paulo: Editora revista dos Tribunais. I. parte I. tais como a função de identificação de origem. Confundir-se-ia com as outras marcas registradas. Orlando. uma outra corrente que entende ter a propriedade industrial um caráter dualista. Ed. Sobre o assunto. A distinção da marca há de ser em relação às marcas registradas ou em uso. Gama Cerqueira acrescenta que “definindo a propriedade como o direito de usar. nota-se que há outras funções que a marca tem por finalidade. 10° edição. 129. de cunho incorpóreo. constituindo num feixe de direitos consubstanciados nas faculdades de usar. à propriedade das marcas. “Tratado de Propriedade Industrial”. a função distintiva é considerada a mais relevante pela maioria dos autores. gozar e dispor dos bens. parte especial. matiê Cecília Fabbri. 16 mIRANDA. não é sinal distintivo. fruto da atividade intelectual do homem.CONTRATOs Em EsPÉCIE ainda. 85. a maioria dos autores afirma que as marcas são consideradas como um direito de propriedade. privilégio temporário para sua utilização. gozar. 1956. De acordo com a autora Maitê Cecília Fabbri Moro16. Embora se tratando de objetos de criação não corpórea.15 e) função das Marcas (i) Função Distintiva: No que tange à função das marcas. se não o faz.Tratado de Direito Privado. bem como proteção às criações industriais. em seu artigo 5º. Direito das marcas. como as incorpóreas”..) O direito de propriedade é o mais amplo dos direitos reais. 5º. entende-se que a marca é definida como direito de propriedade e tal conceito está expresso na Lei de Propriedade Industrial. Borsoi. a função de garantia da qualidade. Pontes de . para efeitos legais. p. sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional (. marcas que são vulgaridades notórias.17 GOmEs. se bem que unitário. em seu art. mORO. dispor e reivindicar a coisa que lhe serve de objeto”14. assegurou aos autores de inventos industriais. 36. ou seja. não assinala o produto. ou apenas em uso. 17 FGV DIREITO RIO 97 . p. 15 Além da função distintiva da marca. No Brasil. Direitos Reais. Forense. faz-se necessário ressaltar que a Lei de Propriedade Industrial. 7. aos nomes de empresas e a outros signos distintivos. e em si mesma. estas se caracterizam por preencher a função precípua de distinguir os produtos e serviços aos quais se opõem. Desta forma. há o entendimento de que se trata de uma propriedade imaterial. considerou os direitos da propriedade industrial como bens móveis. em seu artigo 129: Art. A propriedade da marca adquire-se com o registro validamente expedido. com elementos pessoais e.

conforme artigo 123. pg 364. na prática. permitindo ao titular destes distinguir suas mercadorias ou seus produtos/serviços de outros. a proteção das marcas é o reconhecimento legal da função psicológica dos símbolos. ob. sendo ela imprescindível para o funcionamento do mercado e das empresas em geral. (iv) Função de Propaganda: Cabe entender que a marca pode ser considerada como qualquer sinal. 19 FGV DIREITO RIO 98 . (iii) Função de garantia de qualidade: Observamos. Esta função de propaganda ou publicidade decorre do fato de ser a marca um dos principais veículos de propaganda dos produtos por ela cobertos. concluirão. in Trademark Reporter. servindo para recomendá-lo e para atrair a atenção dos consumidores. verifica-se a predominância de um ou do outro sistema puro. pois os consumidores. que os produtos têm a mesma origem. possuindo uma qualidade constante. A publicidade é o meio pelo qual o público toma conhecimento de uma marca. pelo qual o produto é conhecido e distinguido no mercado consumidor. agosto de 1997. Maitê Cecília Fabbri Moro19 comenta que. Se é verdade que vivemos por símbolos. a proteção no sentido de se evitar o enfraquecimento do seu caráter distintivo. Segundo Albert Robin. Com relação a este sistema misto. e outros que exigem determinadas formalidades de registro para fins de obter o direito sobre uma marca. O sistema misto é o sistema que tem características do sistema declarativo e.cit. Por meio da compra dos produtos e satisfazendo os consumidores. n° 4. presume-se que estes voltem a comprá-los devido ao conhecimento da marca. manter e aumentar a clientela. I da Lei nº 9279/1996. que não prejudica a divisão teórica mencionada acima (sistema atributivo e sistema declarativo). do sistema atributivo.CONTRATOs Em EsPÉCIE (ii) Função de identificação de origem: A função de identificação de origem tem o intuito de indicar a origem dos produtos. Já o sistema em que o direito sobre uma marca somente é reconhecido por meio de registro é o sistema atributivo de direitos. 2003. de procedência diversa. por conseguinte. matiê Cecília Fabbri. 69. com isso. também. ROBIN Albert. O poder sugestivo da marca representa indubitavelmente a sua principal função do ponto de vista econômico. a função de garantia da qualidade dos produtos. Esta força atrativa é utilizada para obter.53. A doutrina reconhece esta importância da função econômica. idênticos ou semelhantes. exercendo. 18 mORO. Comparative Advertising: A Skeptical View. O dono da marca explora esta propensão humana fazendo todo esforço para impregnar a atmosfera do mercado com o poder atrativo de um símbolo congenial18. vol. por meio da identificação da marca de uma empresa. p. f) aquisição de direitos A aquisição do direito sobre uma marca depende da legislação de cada país. marca. O sistema que atribui direito sobre a marca pelo seu simples uso. de fato. uma vez que há países que atribuem direitos sobre a marca pelo seu simples uso. é considerado como sistema declarativo. símbolo ou palavras. visto que é o registro que atribui a propriedade de uma marca ao interessado. não é menos verdadeiro que por eles compramos mercadorias. A marca é um atrativo de comercialização que induz um comprador a escolher o que quer.

mas. matiê Cecília Fabbri. estabelecendo a possibilidade de impedir o pedido de registro de marca similar. usava no País. conforme as disposições desta Lei. na data da prioridade ou depósito. 2001. Para o autor Ricardo Luiz Sichel.INPI. 20 sICHEL. As regras de colidência. a existência dessa precedência vicia um registro mORO. § 2º O direito de precedência somente poderá ser cedido juntamente com o negócio da empresa.) § 1º Toda pessoa que. de uma marca. No entanto. desprovida do necessário registro. portanto. um processo administrativo de nulidade. observa-se um sistema misto. pertencente a um determinado titular. 129 (. Palestra: “Direito De Precedência”. p. há pelo menos 6 (seis) meses.20 G) direito de Precedência O registro de uma marca é concedido àquele que primeiro solicitar o seu registro. em face de um pedido em trâmite. ob. conforme mencionado acima. Sobre o assunto. Em regra. por alienação ou arrendamento. com isso. A esse utente. tão-somente vedando o registro de uma marca que lhe seja similar e que assinale o produto ou serviço idêntico ou afim. marca idêntica ou semelhante. Nota-se que este é o sistema atributivo de direitos. um sistema misto com predominância do sistema atributivo. sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional. cit. são idênticas àquelas utilizadas quando do conflito entre uma marca registrada e um registro anterior. 21 FGV DIREITO RIO 99 . É. Ricardo Luiz. semelhante ou afim. 54. pode ser oposto um direito. com base no direito de precedência. para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico. de boa fé.. por exemplo. excepcionalmente.CONTRATOs Em EsPÉCIE No Brasil. que tenha direta relação com o uso da marca. procurou a lei proteger. decorrente do uso. no Brasil. argüindo. de forma regular e de boa-fé. terá direito de precedência ao registro. não impondo outras obrigações. ou parte deste. onde o registro atribui propriedade sob uma marca. para que uma pessoa física ou jurídica seja titular de uma marca. deve-se fazer o registro da mesma junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial . este princípio atributivo é excepcionado pelo direito de precedência que será estudado no item a seguir. em seu artigo 129. previsto o artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial. Esta é uma regra característica do princípio atributivo para a aquisição do direito marcário. Muitos indagam sobre a possibilidade de restringir a alegação desse direito de precedência tão somente na fase de oposição ou mesmo após o registro da marca em face do terceiro. Desta forma. uma vez que a lei é silente sobre o assunto. Entretanto. É importante mencionar a questão referente ao momento para argüição desse direito de precedência. No entanto. O artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial estabelece. a prova anterior do uso é suficiente (direito de precedência). a aquisição do direito sobre uma marca se faz pelo registro. eventualmente com valor patrimonial. no caso em espécie. entretanto. que assinale produto ou serviço idêntico ou afim. Diz o referido artigo: Art. que a propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido.Anais do XXI seminário Nacional da Propriedade Intelectual. pode-se dizer então que. Ricardo Luiz21 comenta o que se segue: A marca continua sendo adquirida através de um competente registro. esta regra é limitada e excepcionada pelo direito de precedência..

O registro de uma marca é muito importante para a sua proteção. podem requerer registro de marca as pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou de direito privado. da doação ou da transmissão hereditária. Ricardo Luiz.2001. que tem por função executar.CONTRATOs Em EsPÉCIE eventualmente concedido. a partir de um certo nível de preço. trata-se. a marca é uma das poucas armas que restam às empresas para garantir a lucratividade. Segundo este artigo. gratuitamente ou onerosamente. sendo um fator de identificação e valorização no mercado. segundo Ricardo Luiz Sichel. Com relação à cessão mencionada no parágrafo segundo do artigo 129. Leonardo. este somente poderá ser requerido por pessoa sem interesse comercial ou industrial direto no produto ou serviço atestado.05. evidentemente. em virtude do explicitado no artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial. Quanto Custa o Nome?. BRANT. o parágrafo único do artigo 128 estabelece uma limitação ao registro por parte das pessoas jurídicas de direito privado. Jornal Valor. somente estabelecendo que a mesma dar-se-á concomitantemente com o negócio da empresa. Conforme argumenta Mariana Barbosa. prevendo que as pessoas de direito privado só podem requerer registro de marca relativo à atividade que exerçam efetiva e licitamente. especificamente na parte relacionada a contratos. No que se refere ao registro de marca coletiva. no âmbito nacional. é necessário que exista perfeita compatibilização entre o ramo de atividade do depositante e os produtos ou serviços reivindicados no pedido de registro. estar-se-ia aventando as figuras do contrato de compra e venda. Uma marca pode ser tão valiosa quanto o resultado financeiro que ela pode gerar.279/96. Ela é incorporada no patrimônio de seus titulares. Assim. Desta forma. chegando a ser o bem mais valioso do patrimônio de uma empresa. as normas que regulam a propriedade 22 23 sICHEL. este somente poderá ser requerido por pessoa jurídica representativa de coletividade. cit. A marca é tida como uma “característica marcante no processo de conquista de mercados e clientes das economias globalizadas”24. mas pelo seu grau de identificação no mercado. Com relação ao registro da marca de certificação. a Lei de Propriedade Industrial é silente no tocante à natureza dessa cessão. “num mundo altamente competitivo. No entanto. funciona com a mesma eficiência. i) registro e o Princípio da especialidade Nota-se que a marca é imprescindível para o sucesso de uma empresa. o direito de uso da marca a um terceiro (contratado ou cessionário). BARBOsA. conforme já estudado nesta apostila.2001.22 H) requerentes do registro O artigo 128 da Lei de Propriedade Industrial dispõe sobre as pessoas aptas a requerer o registro de uma marca. na medida que uma parte – a cessionária – cede. de uma modalidade de cessão de direitos cujos parâmetros encontram-se estabelecidos pelo Código Civil. site rits. 24 FGV DIREITO RIO 100 . o qual prevê que a propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido. 16. a teor do artigo 168 da Lei nº 9. Cultura e Investimento Social. a qual poderá exercer atividade distinta da de seus membros.22. onde praticamente qualquer categoria de produto.05. atraindo consumidores não pelos seus produtos em si. fato esse ensejador do processo administrativo de nulidade. Este registro é realizado por intermédio do Instituto Nacional de Propriedade Industrial. ob. Para o autor. de modo direto ou através de empresas que controlem direta ou indiretamente. Valorizá-la é cada vez mais essencial”23. org. mariana.br.

vol.1991. quando o legislador fala em “produto ou serviço idêntico. não importa que ela seja idêntica a outra já em uso”. cit. José da Gama. 10.br FGV DIREITO RIO 101 . O INPI é uma autarquia federal criada pela Lei n° 5648. mas é ressaltada. conclui-se que é possível a convivência de marcas semelhantes no mercado. a questão da coexistência das marcas idênticas ou semelhantes facilmente se resolve28. j) formas de registro das marcas As marcas podem ser registradas sob a forma nominativa. De fato. sem qualquer vinculação entre si. mas num signo apropriado em função da aplicação a um objeto ou serviço específico. em que se impede “ a reprodução ou imitação. de acordo com definição abaixo29: 25 mATHÉLY. mista. 26 mORO. mas tratando-se de produtos ou indústria diversa. de marca alheia registrada. da natureza e função da marca.gov. e até idênticas.26 De acordo com Maitê Cecília Fabbri Moro27. uma vez que advém. é a mais justa. influi em toda a sua regulamentação. patentes. 1994. ainda que com acréscimo. inclusive as normas relativas ao registro de marcas. É importante mencionar que o princípio da especialidade sofre algumas exceções no que tange às marcas de alto renome e às marcas notoriamente conhecidas.25 O Supremo Tribunal de Justiça pronunciou-se afirmando que “a marca deve distinguir-se suficientemente das já existentes. o princípio da especialidade não é absoluto. para Gama Cerqueira. por parte de empresas diferentes. semelhante ou afim”. está limitando o direito de marca no campo de sua especialidade. Esta forma de limitação. econômica. presente a função primordial de distinguir. À luz deste princípio. sendo o órgão responsável pela concessão dos registros de marcas. visando limitar o campo de extensão da proteção marcária de acordo com o segmento mercadológico no qual a mesma se insere.06.71. Este princípio é fundamental para a distinção das marcas e dos nomes de domínio. no artigo 124. ob. cujas circunstâncias não podem ser desatendidas quando se tem de decidir sobre a novidade das marcas e as possibilidades de confusão. p. pois depende de uma análise caso a caso. a regra da especialidade como princípio do direito marcário. dentre outros artigos. pg 171. O princípio básico que norteia o sistema de concessão de marcas em nosso país é o princípio da especialidade.inpi. cit.CONTRATOs Em EsPÉCIE industrial. ob. de acordo com o artigo 125 e 126 respectivamente. Com relação ao princípio da especialidade das marcas. Recurso Especial n° 9. da Lei 9. suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia. as quais serão objetos de estudo nas próximas aulas. inciso XIX. nem neste assunto podem firmar-se regras absolutas. pois se trata sempre de questões de fato. 37. para distinguir ou certificar produtos ou serviço idêntico.279 de 1996. Paul. no todo ou em parte. como se verá a seguir. modelos de utilidade e desenho industrial no Brasil. no que se analisa a possibilidade de confusão ou associação de marcas. semelhante ou afim. Quando se trata de indústrias ou gêneros de comércio inteiramente diversos. uma marca não consiste num signo apropriado em si mesmo. Le Noveau Droit Français de Marques. Paul Mathély ensina que: A regra da especialidade é substancial. I. direta e necessariamente. tendo em vista a sua função social.380/ sP. Segundo a autora. estando nesta relação identificador/identificado. p. jurídica e técnica. maitê Cecília Fabbri. 27 CERQUEIRA. No entanto. pode-se dizer. de 11 de Dezembro de 1970. 28 29 Fonte: www. figurativa ou tridimensional.

caso em que se interpretará como marca mista. alfabeto romano. cuja grafia se apresente de forma estilizada. hebraico etc. isoladamente. em que se constituída por desenho. a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. compreendendo. Exemplos: Exemplos: Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e elementos figurativos ou de elementos nominativos.CONTRATOs Em EsPÉCIE • Nominativa: É constituída por uma ou mais palavras no sentido amplo do desde que requerimento a palavra ou o termo que o ideograma representa. que ele representa. Exemplos: Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma plástica. desde que compreensível por uma como marca mista. desde que Nesta última Exemplos: hipótese. público consumidor. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma dissociada de qualquer efeito técnico. plástica. a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. cuja grafia se • Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e elementos figurativos ou de elementos Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e nominativos. requerimento a ideogramas o línguas tais como o japonês. a proteção legal recai sobre o parcela significativa do público consumidor. caso FGV e Coca-Cola) • Figurativa: É interpretará como marca mista. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja dissociada de qualquer efeito técnico. (Exemplos: compreensível por uma parcela significativa do público consumidor. elementos figurativos ou de elementos nominativos. • Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma plástica. e não sobre a palavra ou termo caso ressalvada a hipótese de o requerente indicar no requerimento a palavra ou o termo que o ideograma represenem que se interpretará parcela significativa do ta. bem como dos palavra ou determo que o ideograma representa. FGV DIREITO RIO 102 Exemplos: L) Direito de Prioridade O artigo 127 da Lei de Propriedade Industrial estabelece que. figura ou qualquer forma estilizada de letra e número. apresente de forma estilizada. também. ao pedido de . a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. imagem. chinês. cuja grafia se apresente de forma estilizada. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja dissociada de qualquer efeito técnico. os neologismos e as combinações de letras e/ou algarismos romanos e/ou arábicos. compreensível por uma ideograma em si.

FGV DIREITO RIO 103 . para apresentar o pedido nos outros países. • impedir que fabricantes de acessórios utilizem a marca para indicar a destinação do produto. devendo ser comprovada por documento hábil da origem.CONTRATOs Em EsPÉCIE l) direito de Prioridade O artigo 127 da Lei de Propriedade Industrial estabelece que. • impedir a livre circulação de produto colocado no mercado interno. por outras prioridades anteriores à data do depósito no Brasil. o artigo 142 preceitua que o registro da marca extingue-se: • pela expiração do prazo de vigência. ou • impedir a citação da marca em discurso. podendo ser suplementada dentro de 60 (sessenta) dias. Tratando-se de prioridade obtida por cessão. obra científica ou literária ou qualquer outra publicação. na sua promoção e comercialização. será assegurado direito de prioridade. que poderá ser total ou parcial em relação aos produtos ou serviços assinalados pela marca. o documento correspondente deverá ser apresentado junto com o próprio documento de prioridade. sob pena de perda da prioridade. a reivindicação da prioridade deverá feita no ato de depósito. desde que obedecidas as práticas leais de concorrência. como segue abaixo: A (1) Aquele que tiver devidamente apresentado pedido de patente de invenção. Segundo a Lei de Propriedade Industrial. 68. a comprovação da prioridade deverá ocorrer em até 4 (quatro) meses. contendo o número. juntamente com a marca do produto. • pela renúncia. se não efetuada por ocasião do depósito. M) limitações e Perda de direitos As limitações aos direito de propriedade das marcas encontram-se discriminadas no artigo 132 da Lei de Propriedade Industrial. de desenho ou modelo industrial. nos prazos previstos na referida Convenção de Paris. Com relação à perda dos direitos marcários. do s direito de prioridade durante os prazos adiante fixados. ressalvado o disposto nos §§ 3º e 4º do art. ou o seu sucessor. acompanhado de tradução simples. o qual discrimina que o titular da marca não poderá: • impedir que comerciantes ou distribuidores utilizem sinais distintivos que lhes são próprios. a data e a reprodução do pedido ou do registro. Sobre o prazo para apresentação da reivindicação de prioridade. Este princípio do direito da prioridade é previsto no artigo 4º da Convenção da União de Paris. não sendo o depósito invalidado nem prejudicado por fatos ocorridos nesses prazos. de registro de marca de fábrica ou de comércio num dos países da União. cujo teor será de inteira responsabilidade do depositante. por si ou por outrem com seu consentimento. gozará. em seu artigo 4 (C) dispõe da forma abaixo: (1) Os prazos de prioridade acima mencionados serão de doze meses para invenções e modelos de utilidade e de seis meses para os desenhos ou modelos industriais e para as marcas de fábrica ou de comércio Cumpre destacar que. contados do depósito. de depósito de modelo de utilidade. que produza efeito de depósito nacional. da qual o Brasil é signatário. desde que sem conotação comercial e sem prejuízo para seu caráter distintivo. ao pedido de registro de marca depositado em país que mantenha acordo com o Brasil ou em organização internacional. a Convenção de Paris.

que a caducidade seja concedida apenas parcialmente. Em caso contrário. contados da data da concessão do registro. Pontes de Miranda explica sobre as formalidades da renúncia: Pode dar-se a renúncia à propriedade industrial. O prazo para início de uso é de 05 (cinco) anos. considerado abandono. o artigo 143 da Lei de Propriedade Industrial dispõe o que se segue: Art. decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão. Tomo XVII. disponível. relativas a mIRANDA. Da decisão que declarar ou denegar a caducidade caberá recurso. ou II – o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos consecutivos. sendo prorrogável. 143 . por períodos iguais e sucessivos. caberá ao detentor do registro provar a sua utilização. O artigo 134 estabelece que o pedido de registro e o registro poderão ser cedidos. 4ª ed. ou se. pp. sob pena de extinção do registro. expressa em documento hábil ou o não uso. que dispõe sobre a falta de constituição de procurador no país pela pessoa domiciliada no exterior. será extinto o registro e a marca estará. a pedido do titular.Parte Especial. são Paulo: Editora Revista dos Tribunais. em princípio. O uso da marca deverá compreender produtos ou serviços constantes do certificado. desde que o cessionário atenda aos requisitos legais para requerer tal registro. tal como constante do certificado de registro. Vale ressaltar. 144. o artigo 145 da Lei de Propriedade Industrial dispõe que não se conhecerá do requerimento de caducidade se o uso da marca tiver sido comprovado ou justificado seu desuso em processo anterior. o artigo 135 da Lei de Propriedade Industrial prevê que a cessão deverá compreender todos os registros ou pedidos. No que tange à caducidade da marca. no entanto. ainda.CONTRATOs Em EsPÉCIE • pela caducidade. Com relação à comprovação de uso. de marcas iguais ou semelhantes. Pontes de. contados a partir da data de concessão. a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original. ou • pela inobservância do disposto no art. a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse se.Caducará o registro. na data do requerimento: I – o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil. Contudo. de acordo com o artigo 144 da Lei de Propriedade Industrial: Art. Desta forma. com a declaração da caducidade de que cogitam os arts 152-155 do Decreto – Lei 7. É possível.90330. no mesmo prazo. o titular do registro de uma marca deve utilizá-la para mantê-la em vigor.. No tocante à renúncia dos direitos. 1983. Uma vez requerida a caducidade da marca. 217 da referida Lei. a questão da cessão dos pedidos de registro ou dos registros de marcas como caso de perda de direitos sobre as mesas. O prazo de validade de registro de uma marca é de dez anos. 15-16. em nome do cedente. 30 FGV DIREITO RIO 104 . sob pena de caducar parcialmente o registro em relação aos não semelhantes ou afins daqueles para os quais a marca foi comprovadamente usada. requerido há menos de 5 (cinco) anos. Tratado de direito privado .

No setor farmacêutico.. se tornou tópico de grande importância no noticiário político nacional. mas permaneceria com os registros das outras marcas. n) Contrato de licença de Marcas O registro da marca como o pedido. semelhante ou afim. conseqüentemente o contrato de licença perde seu objeto. o senhor Eduardo Russo fez a seguinte proposta: cederia os pedidos de registro de marcas para a Pechincha Comércio Varejista Ltda. podem ser objeto de licença. Você teria algum comentário a essa proposta? leitura CoMPleMentar: A importância da “due diligence” de propriedade intelectual nas fusões e aquisições (Debaixo dos caracóis dos seus cabelos) dirceu P.CONTRATOs Em EsPÉCIE produto ou serviço idêntico. nota-se que a hipótese de cessão parcial de marcas iguais ou semelhantes relativas a produtos ou serviços idênticos. também. os pesquisadores brasileiros cada dia mais buscam uma recompensa justa para suas pesquisas. Vale notar que a licença só poderá vigorar enquanto o registro da marca estiver em vigor. Um dia a areia branca / seus pés irão tocar e vai molhar seus cabelos / a água azul do mar Janelas e portas vão se abrir / prá ver você chegar e ao se sentir em casa. à perda dos pedidos de registros ou registros que não foram transferidos do cedente ao cessionário. Na biotecnologia e na área científica. o) Contrato de Cessão de Marcas Qual é a diferença entre o contrato de licença de marcas e o contrato de cessão de marcas? Ao ser consultado pelo nosso cliente quanto à cessão das marcas. ganhando considerável espaço no mundo dos negócios e até mesmo nas manchetes dos principais jornais do país. sob pena de cancelamento dos registros ou arquivamento dos pedidos não cedidos. Roberto Carlos/Erasmo Carlos De alguns anos para cá. a disputa entre os Estados Unidos e o Brasil envolvendo as licenças compulsórias e a exigência de fabricação de certos produtos farmacêuticos no território nacional. dimensionando-as para a concessão de patentes. questões legislativas e judiciais envolvendo aspectos de propriedade intelectual vem se destacando cada vez mais. ao invés apenas do reconhecimento acadêmico. leva. após publicado e requerido o exame. por exemplo. Diante do exposto. a averbação no INPI é necessária para produzir efeitos perante terceiros. semelhantes ou afins. Debaixo dos caracóis dos seus cabelos uma história prá contar / de um mundo tão distante debaixo dos caracóis dos seus cabelos um soluço e a vontade / de ficar mais um instante. mestre em direito pela the George Washington university (eua). de santa rosa advogado no rio de janeiro (rj). FGV DIREITO RIO 105 . Se o registro da marca é extinto. Embora não seja necessária para comprovar a exploração da marca. sorrindo vai chorar.

George Lucas. Neste cenário globalizado. acreditando poder lucrar mais com a exclusividade. recentemente promoveu uma interessante pesquisa entre diversos professores de cursos de MBA. dentre os principais erros abordados nesta pesquisa. decidiu não conceder licenças aos possíveis concorrentes que desejavam fabricar computadores compatíveis. a Apple Computers. Acabou vitima de sua própria ganância. Operações de fusões. preocupada com acusações de formação de monopólio no setor de computadores. tanto que um descuido na análise de seus aspectos relevantes pode trazer conseqüências desastrosas. visando evitar que passivos ocultos comprometam o negócio. O gerenciamento de propriedade intelectual deixou de ser um assunto limitado à seara do especialista. – Em 1981. i – a importância da Propriedade intelectual no mundo dos negócios Os profissionais de propriedade intelectual estão vivendo um momento sui generis. Pelo contrário. esporte e energia. Aceitou repassar os mesmos. seu estudo ganha importância na maior parte das operações de fusão ou aquisição. investimentos e operações de compra envolvendo empresas locais.CONTRATOs Em EsPÉCIE Situação semelhante ocorre em outros setores da economia. e alertou muitas delas para o desenvolvimento de políticas de gerenciamento de propriedade intelectual. não é mais possível enxergar o Direito da Propriedade Intelectual como uma área subsidiária. Tais procedimentos são conhecidos como “due diligence”. desenvolver ou adquirir inovações tecnológicas podem fazer a diferença num mercado globalizado e altamente competitivo. oferecida por um jovem Bill Gates e desenvolvida por uma pequena empresa chamada Microsoft. gratuitamente. a IBM. a Microsoft ofereceu o referido sistema às concorrentes da IBM. onde se nota cada vez mais que proteger. após criar o computador pessoal Macintosh (2). o crescimento de setores da chamada “nova economia” e o desenvolvimento da internet e do e-commerce valorizou os ativos intangíveis das empresas. e as bancas de advocacia que prestam este serviço geralmente dão ênfase à análise dos aspectos societários. aquisições ou financiamentos são geralmente precedidas de uma criteriosa avaliação da instituição prospectada. distante do Direito Empresarial moderno. e despertam o interesse de empresários que pretendem estender suas atividades ao Brasil por meio de joint ventures. a publicação norte-americana MBA Jungle. de que a propriedade intelectual é matéria acessória. O objetivo principal deste artigo é desmistificar a idéia. Surpreendentemente. Sem exclusividade. bem como de suas possíveis seqüências. pois enquanto os consumidores adquiriam a preços competitivos computadores baseados na arquitetura dos PCs. desenvolvida pela IBM e licenciada para FGV DIREITO RIO 106 . Hoje em dia. e o declínio da IBM no desenvolvimento de software para computadores pessoais. preferiu não adquirir a licença exclusiva do sistema operacional MS-DOS. em se tratando de fusões e aquisições de empresas. e ganhou destaque em setores como a administração de empresas e a gestão estratégica de negócios. Apenas para melhor ilustrar a afirmação acima. como nos de telecomunicações. que consideram como os principais. ao produtor do filme. tendo em vista uma “avalanche” de fusões e aquisições de empresas brasileira. relegando outras áreas a um segundo plano. – Em 1984. alguns diretamente relacionados à propriedade intelectual tiveram destaque: – O fato da produtora de cinema 20th Century Fox não ter se interessado em reter os direitos de licenciamento e merchandising de produtos associados ao filme “Guerra nas Estrelas”. o que possibilitou as bases do seu crescimento. Esta tendência do mundo empresarial também se reflete na economia brasileira. as empresas nacionais se transformaram também em mercadorias. capitaneada por companhias estrangeiras que desejam se fixar em nosso promissor mercado. administradores e diretores das maiores empresas dos EUA para identificar quais foram os “25 maiores erros corporativos do mundo” (1). a nosso ver errônea. Diversos setores estão sendo totalmente reformulados. Nunca o meio empresarial esteve tão antenado com a necessidade de se proteger devidamente as criações intelectuais e obter lucro destes ativos. trabalhistas e fiscais. direcionada para estudantes e profissionais de administração. E falando em economia globalizada.

mas também o mouse. aquisições. Afinal. e levou o nome de “Windows”. Uma conseqüência da autonomia da vontade das partes que. A importância que hoje é dada pelos renomados professores de administração de empresas aos fatos acima não é fruto do acaso.a due diligence no meio empresarial Apesar de muitos profissionais associarem o termo “due diligence” a procedimentos de auditoria legal e financeira que envolvem fusões. na Califórnia. que a propriedade intelectual assume papel de destaque nos modernos métodos de gestão empresarial. tanto em operações envolvendo fusões e aquisições de negócios como no planejamento de reestruturações societárias. fixando livremente certas práticas. durante anos. Trata-se do reconhecimento de que a proteção da propriedade intelectual precisa. nas mãos destas outras empresas para quem eles gentilmente as apresentaram. – A Xerox Corporation. enquanto só restou para a Apple um nicho do mercado de computadores pessoais (3). Alguns remontam sua origem nos Estados Unidos. Portanto. Nos anos 70. Em pouco mais de uma década. se tornando então aceito no ordenamento jurídico-comercial norte americano. Porém. operações financeiras complexas. mas que se tornaram muitíssimo lucrativas no futuro.CONTRATOs Em EsPÉCIE uma miríade de empresas. e Bill Gates. em um quase uníssono. cada vez mais. concentrando seus esforços nas fotocopiadoras que. Independente de suas origens. o conceito foi melhor depurado após decisões de Cortes norte-americanas. uma “cópia” do mesmo acabou sendo desenvolvida também para os PCs por uma outra empresa. ser tratada como um ativo estratégico. FGV DIREITO RIO 107 . o desenvolvimento de políticas de gestão de patentes é tema de muitos estudos e livros de negócios (5) que concluem. executivos da Xerox preferiram ignorar tais criações. foram conhecer as tecnologias desenvolvidas pelos pesquisadores da Xerox. e investimentos. não se importaram quando os jovens Steve Jobs. dentre outros (doravante denominadas de “transação” ou “transações”). especialmente quando analisamos ramos de negócio cuja atividade principal está baseada na exploração do conhecimento tecnológico e em ativos intangíveis tais como patentes e marcas. geravam mais lucro para a empresa. a impressora laser e alguns conceitos básicos sobre redes de computadores (4). processos de privatização de empresas estatais. é utilizada nas mais diversas circunstâncias. pouco se comenta sobre o surgimento desta atividade e os motivos que a tornaram essencial na prática empresarial moderna. uma vantagem competitiva para qualquer empresa. E como a arquitetura do sistema operacional gráfico dos Macintosh era realmente inovadora. Invenções deixadas de lado por não serem lucrativas. pesquisadores deste centro desenvolveram não apenas a interface gráfica para sistemas operacionais (precursora tanto do sistema Windows como do Macintosh). e a instituição de regras sobre a responsabilidade de compradores e vendedores na prestação de informações. em procedimentos de aquisição de empresas (6). Sendo assim. da Microsoft. Outros autores como LAJOUX e ELSON (7) remontam a origem das “due diligences” a tempos mais antigos: Teria sido desenvolvida a partir de um conceito do Direito Romano: “diligentia quam suis rebus” (diligencia de um cidadão em gerenciar suas coisas) que foi trazido para a Common Law e já era adotado em decisões judiciais antigas. à época. que as apresentaram sem qualquer cuidado com confidencialidade ou patenteamento. a dominância dos PCs consolidou-se. Por isso mesmo. nada mais atual que discutir a propriedade intelectual sob um ponto de vista tanto negocial como jurídico. cujos preços eram bem mais caros. da Apple. ii. a única opção para comprar um Macintosh era por meio da Apple. Por não terem uma estratégia de pesquisa e desenvolvimento de produtos atrelada à propriedade intelectual. manteve um centro de pesquisas em Palo Alto. criaram este mecanismo que garante ao adquirente ou investidor a possibilidade de realizar uma investigação prévia sobre a empresa a ser adquirida ou que receberá investimentos (e que doravante será denominada “empresa-alvo”). reorganizações societárias. foi mesmo na prática empresarial que a “due diligence” ganhou forma e se tornou um procedimento comum no mundo inteiro. mais precisamente após a promulgação do Securities Exchange Act de 1933.

uma parte importante de seu conteúdo (13). Esta fase inicial envolve a celebração de um acordo preliminar de compra (conhecido como “Engagement Letter”) ou uma Carta de Intenções preliminar. dependendo do tamanho da transação e das contingências encontradas. por meio de um documento que indica normas e temas estratégicos importantes. uma “due diligence” ? Expressão de origem anglo-saxônica. seu ponto de partida é o período de entendimentos iniciais entre as partes e. e não uma obrigação legal. II-b) Os Procedimentos de “due diligence” A realização de uma “due diligence” é uma opção das partes.Envio de “Check List”. 2. consoante cada caso concreto. definir garantias e evitar eventuais situações de incumprimento” (10). garantias a prestar. se traduzida literalmente. listando as informações que deverão ser disponibilizadas pela empresa-alvo. é melhor entendê-la como uma metodologia que. dentre outros. envolver prazos exíguos e um custo altíssimo para a parte que solicita o serviço (doravante denominada de “encomendante”). Geralmente uma “Engagement Letter” vem acompanhada da prestação de diversos “Representations and Warranties” por parte do vendedor. antes de tudo. O processo de “due diligence” não existe como figura jurídica autônoma na legislação pátria.da situação de sociedades. bem como para garantir. Via de regra. Em poucas palavras. Um “check list” pode até mesmo incluir perguntas diretas. resumidamente. prever riscos e definir a sua partilha pelas partes. Due diligence significa. avaliação dos riscos inerentes. direitos de preferência no negócio (12). fundos de comércio ou de parte significativa dos ativos que os compõem” (9) Embora a “due diligence” tenha surgido para resguardar as partes em litígios pós-compra ou fusão. usa-se a expressão due diligence para definir o que. Algumas das práticas elencadas abaixo são características nos mais diversos procedimentos de “due diligence”: 1. e geralmente é entregue aos diretores da empresa-alvo pouco depois da assinatura da “Engagement Letter”. “due diligence”. a quem cabe acordar os termos e condições nas quais a “due diligence” será desenvolvida. Porém. uma “due diligence” é a prova incontestável de que a velha máxima popular “mais vale prevenir que remediar” é verdadeira. significaria “devida cautela ou diligência” (8). Porém. FGV DIREITO RIO 108 . O bom senso das partes é o que prevalece. visando à verificação . determinação de responsabilidades ou outras. Sendo um acordo que formata uma negociação que se dará entre as partes. pode ser demorada. o regular cumprimento de obrigações legais ou contratualmente assumidas. tais dados geralmente são de conhecimento das partes. geralmente dependem dos interesses da empresa encomendante do serviço. afinal. o que fazer para verificar que o objecto da operação pode ser transacionado legitima e livremente e apresenta as características e tem o valor que o vendedor lhe atribui. consiste no procedimento sistemático de revisão e análise de informações e documentos. o excelente trabalho de MORI nos traz uma boa definição de “due diligence”. é fruto da prudência e do bom senso das partes. verificação do funcionamento da empresa e do cumprimento das regras legais. seja para determinação do real valor das empresas e seus activos. especialistas como o português CORREA DE SAMPAIO a reconhecem como uma medida de caráter preventivo: “A due diligence é um procedimento de análise levado a cabo normalmente pela compradora com a colaboração da vendedora e tem por finalidade verificar e avaliar a situação das empresas e/ou dos negócios a transaccionar. Documento que geralmente é preparado pelos advogados contratados para realizar a “due diligence”. não existe como enumerar com precisão o que deve constar neste documento. É onde são determinadas as regras da “due diligence”. visto que seu escopo depende inteiramente da transação comercial que a motiva.CONTRATOs Em EsPÉCIE II-a) O que é. é difícil trazer uma definição precisa que possa abarcar a amplitude de uma “due diligence” jurídica. tanto quanto possível. tanto para o potencial vendedor como para o comprador.Declaração de intenção do comprador. Quanto às conseqüências que decorrerão de seus resultados. interpretada no contexto jurídico brasileiro: “Atualmente. Mesmo assim.sob um escopo predefinindo . bem como aborda aspectos como confidencialidade (11). numa óptica jurídica. estabelecimentos. Assim. e pode ser útil em diversos níveis e momentos de uma negociação ou transação.

E as vantagens deste “retrato” superam em muito qualquer prestação de garantias por parte da empresa-alvo. Este relatório poderá ser utilizado pelo encomendante diretamente na mesa de negociações. de modo que não implique em um atraso no fechamento do negócio (uma fase também conhecida como “closing”). gerenciar e utilizar estrategicamente estes ativos se tornou matéria fundamental para as empresas verdadeiramente antenadas com o futuro e. Assim. ele utilizará a “due diligence” até mesmo para ganhar tempo e decidir sobre o negócio. O objetivo de grande parte das “due diligences” jurídicas pode ser resumido de maneira simples: É como se a missão do advogado fosse “tirar um retrato” da empresa-alvo. pode avaliar. da análise dos documentos entregues pela empresa-alvo. Em alguns casos. impreterivelmente. nos moldes solicitados pela contratante do serviço e seguindo os padrões adotados pelos advogados responsáveis. existe o dever e o interesse em proteger o maior número de invenções. a identificação e análise de contingências por uma empresa independente. uma avaliação de seu passivo processual (inclusive reclamações trabalhistas e processos administrativos). Desenvolver. inicia-se a fase mais árdua da “due diligence”. todas as pendências legais em uma reorganização societária devem ser observadas com a mesma atenção e detalhe. o encomendante da “due diligence” quer se precaver o máximo possível. caberá a ambas as partes continuar as negociações até a assinatura de um acordo final. Os documentos podem ser disponibilizados em local determinado. no momento certo. 4. bem como a pesquisa e coleta de dados complementares.Fornecimento e/ou obtenção das informações. A nosso ver. uma opção que garante maiores cuidados quanto ao sigilo e segurança dos documentos (15). Após o recebimento do “check list”. Afinal. a análise da situação fiscal e tributária da empresa. Geralmente. a importância de uma companhia está cada vez mais baseada no valor que seus ativos intangíveis podem atingir. por apenas duas abordagens: Por um lado. Porém. A partir dai. De outro. a preocupação dos empresários e investidores com a propriedade intelectual passa. Assim.CONTRATOs Em EsPÉCIE 3. Pode ser efetuado por meio da consulta em bases de dados públicas (como o site do INPI (14)). um extenso relatório é preparado. a preocupação em não infringir os direitos de terceiros. Do outro lado. as atenções do meio empresarial estão se voltando para a propriedade intelectual como ferramenta estratégica para garantir a melhor utilização destes bens intelectuais. mas os da empresa-alvo e de sua indústria. (17) A abrangência dos seus resultados também é um assunto polêmico. ou ser criteriosamente analisado pelo mesmo ao avaliar a viabilidade da transação. e poder FGV DIREITO RIO 109 . bem como examinar as operações financeiras realizadas. e tentará iniciar os trabalhos antes mesmo de assinar uma eventual carta de intenções (16). o bom relatório de “due diligence” deve destacar não só os aspectos relevantes da prática do escritório contratado.Entrega do relatório final de “due diligence”. e num momento anterior à conclusão de qualquer transação. iii – a due diligence de propriedade intelectual Num mercado dominado pela informação e tecnologia. 5. que envolve a revisão das informações passadas pela empresa-alvo. se as condições e o preço sugeridos pela empresa-alvo são realmente justos. marcas e outros ativos incorpóreos.Consolidação das informações Após a análise dos dados coletados pelas equipes de advogados. até mesmo os bens de propriedade intelectual. favorecem a empresa interessada. é conhecido como “data room”. a empresa-alvo fará o máximo para que o procedimento seja encerrado com a máxima brevidade. Alguns especialistas entendem que relatórios de “due diligence” devem destacar. permitindo renegociar o preço final. visto que o advogado avalia aspectos de um negócio do qual jamais participou diretamente. não se importando com a eventual pressa da empresa-alvo. O “timing” de uma “due diligence” também é muito importante. que no jargão negocial. identificar problemas a serem resolvidos após a concretização do negócio. ou mesmo exigir maiores garantias por parte do vendedor. dentre outros. mais que nunca. incluindo a análise de todos os ativos importantes da empresa. geralmente. avaliando todos os riscos legais inerentes ao seu negócio.

em alguns casos. Alguns meses atrás. se possível.CONTRATOs Em EsPÉCIE identificar quem está infringindo os seus. a “due diligence” de propriedade intelectual não deve ser vista como algo inusitado em diversos procedimentos de fusão ou aquisição. pois não é interessante que as regras de uma “due diligence” criem entraves complexos que impeçam a realização do trabalho. Quais são as possíveis contingências envolvendo este portfolio que podem gerar riscos. além de muito raras. E no âmbito da propriedade intelectual. Qual o tamanho e a força do portfolio de propriedade intelectual da empresa-alvo? 2. aquisição ou outro tipo de negociação. o processo de identificação de ativos e análise de sua situação legal (que se inicia a partir da preparação e do envio do “check list” ou da abertura do “data room”) não é diferente do que ocorre em quaisquer outras “due diligences” legais. prestadas por profissionais sem formação técnica e. na maior parte das “due diligence” jurídicas preparadas por bancas de advocacia empresarial. – Solicitação de cópias de certificados de registro de marca. uma “due diligence” envolve a identificação e análise dos ativos de propriedade intelectual da empresa-alvo de uma fusão. no Brasil e no exterior. Afinal. até sem o necessário cuidado ético. é claro que uma “due diligence” pode enfatizar alguns aspectos específicos: Porém. ao noticiar a compra de um tradicional periódico carioca. Assim. Dentre estes possíveis recursos. destacamos: – Solicitação direta à empresa-alvo de cópias de documentos de patentes. bem como cópias de pedidos de registro de marca. não é mais incomum que o principal interesse da empresa compradora possa ser adquirir marcas que lhe garantam uma fatia do “market share”. os aspectos de propriedade intelectual são abordados de modo raso. Portanto. no Brasil e no exterior. É possível identificar se a empresa-alvo tem uma política de proteção dos seus ativos intangíveis? A empresa-alvo protege devidamente seus ativos intelectuais? 4. tal procedimento tem como base quatro questões-chaves: 1. é crucial ter em mente os pontos acima. bem como o uso de todos os métodos lícitos e acordados pelas partes para a obtenção de dados. Poucas bancas nacionais estão realmente capacitadas para fazer análises mais criteriosas sobre o assunto. FGV DIREITO RIO 110 . III-a) Fundamentos das “due diligences” de propriedade intelectual Como já vimos anteriormente. III-b) Identificando ativos de propriedade intelectual Numa “due diligence” de propriedade intelectual. marcas e/ou programas de computador licenciados de terceiros? Em que situação legal encontra-se tais licenças? São elas fundamentais para o desenvolvimento do negócio? Dependendo do cliente e de seus objetivos. O uso de procedimentos mais detalhados para analisar aspectos de propriedade intelectual nas “due diligences” não é muito difundido no Brasil. e que o resto do patrimônio da empresa seria apenas uma “contingência a ser absorvida”. inclusive quanto à penhora das mesmas. e na celebração de acordos preliminares. Os compradores até efetuaram uma cuidadosa análise da situação das principais marcas da empresa-alvo junto ao INPI. e as auditorias preventivas oferecidas no mercado são. ou invenções patenteadas que lhe possibilitariam fabricar um produto ou melhor desenvolver determinada tecnologia. – Obtenção de informações sobre registros declaratórios de direito autoral e de programas de computador. na fase de Declaração de Intenções do comprador. tão somente identificando os bens intelectuais existentes e. a mídia especializada em finanças e negócios alardeou com grande surpresa que a maior preocupação do grupo comprador era adquirir apenas a marca do jornal. (18). A empresa-alvo utiliza tecnologias. Os métodos para a obtenção destas informações também envolvem a compilação e análise de documentos complexos. antes mesmo de iniciar qualquer negociação com os donos do periódico. avaliando sua situação atual. tanto para o bom andamento do negócio como para o comprador? 3.

após a fase investigativa inicia-se a elaboração do relatório final. tais como a do INPI (19). convém deixar a cargo do advogado a preparação das listagens dos dados a serem solicitados e analisados. Nesta fase. se autorizada. Nas “due diligences” em que existe a possibilidade de se requerer documentos diretamente à empresa-alvo. – Consultas nas bases de dados (nacionais e internacionais) de propriedade intelectual. A identificação de ativos também pode ser realizada mediante entrevistas a diretores. em alguns casos até propondo soluções emergenciais. dados vitais sobre a existência de problemas envolvendo seu patrimônio intelectual. com bastante conhecimento específico da área. Procuraremos nos fixar a seguir nos tópicos que.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Obtenção de cópias de contratos envolvendo licenças de uso de software e quaisquer outros bens intelectuais. em algumas situações a empresa-alvo sequer obteve registros de marca ou patente. III-c) Elaborando o relatório final Considerada por muitos como a fase mais interessante de uma “due diligence”. levando em conta a importância que o encomendante do relatório dará para cada aspecto de propriedade intelectual da transação (21). Em nossa prática. e utiliza indiscriminadamente seus ativos intelectuais sem o mínimo cuidado com a proteção dos mesmos. pois a empresa-alvo pode acabar omitindo. na obtenção e compilação de dados. Assim. (20) Quase sempre cabe aos advogados mais experientes. Para efeito de metodologia. e os dados disponibilizados no “data room” ou fornecidos pela empresa-alvo sobre cada ativo intelectual devem ser revisados e confirmados. por má-fé ou puro desconhecimento. e como “cada caso é um caso”. não menos importante é tecer as necessárias considerações sobre todas as contingências identificadas na análise do relatório. técnicos e especialistas da própria empresa-alvo. são essenciais em qualquer “due diligence” de propriedade intelectual (22). e que nem sempre são facilmente identificáveis. a nosso ver. Ademais. onde o resultado das pesquisas de ativos é devidamente analisado. – Compilação e obtenção de informações subjetivas sobre políticas de proteção dos ativos intelectuais da empresa-alvo. já não é imprescindível um entendimento genérico da transação que motivou a “due diligence”. Este recurso complementar pode ser muito eficiente para identificar práticas e procedimentos utilizados pela empresa-alvo para a proteção de seu patrimônio intelectual. o relatório final é a fase em que as informações compiladas são analisadas. reconhecemos que é nesta fase onde aparecem alguns dos entraves mais complexos de uma “due diligence”. iV – analisando tópicos específicos em uma due diligence de propriedade industrial Como vimos acima. O mesmo procedimento preventivo deve ser adotado na coleta de quaisquer informações subjetivas. Ademais. FGV DIREITO RIO 111 . sempre que possível. O diferencial é saber analisar os dados disponíveis e identificar quais devem figurar no relatório final e com que ênfase. Isto porque. é importante que a fase de reconhecimento dos ativos seja conduzida. os pontos abaixo foram divididos e abordados de maneira resumida e modo exemplificativo. do modo mais direto e com o apoio irrestrito da empresa-alvo. também pode significar uma redução do tempo a ser dispensado na coleta de dados e informações. As informações obtidas devem ser organizadas e separadas pelo seu nível de importância para o encomendante do relatório final. muitas vezes descobrimos empresas que nunca organizaram ou gerenciaram de modo sistemático seus ativos de propriedade intelectual. e envolve as questões eminentemente jurídicas do trabalho. Uma consulta formal aos agentes de propriedade industrial da empresa-alvo. em vista do interesse do encomendante e das contingências encontradas.

dados sobre o real valor de mercado dos signos principais da empresa (uma avaliação que é geralmente efetuada por especialistas no assunto (24)). deve ser examinado por um especialista na área. Quanto ao nome comercial. tais como fabricação. é habitual a utilização de obras autorais como objeto de negociação ou garantia colateral para pagamento de dívidas e captação de fundos. e as disputas envolvendo Michael Jackson e a Sony FGV DIREITO RIO 112 . Análises semelhantes também podem ser efetuadas com relação a modelos de utilidade e desenhos industriais. O escopo de uma patente importante na área química. por exemplo. um exame detalhado da situação atual de cada registro e/ou pedido de registro em nome da empresa-alvo. tem filiais ou realiza negócios. Outros tópicos podem incluir a titularidade dos direitos patentários e os termos de cessão de cada patente por seus respectivos inventores. E este tipo de avaliação só pode ser realizado por meio do exame técnico do teor das reivindicações. que regula a propriedade industrial no Brasil. uma análise de pesquisas na Junta Comercial dos estados onde a empresa-alvo está estabelecida. com base no relatório descritivo. para que este possa excluir terceiros de certos atos relativos à matéria protegida. Em países que adotam o sistema de “copyright” (27). pedidos indeferidos e recursos também deve ser pesquisada e abordada. numa definição breve. ou obteve. Porém. semelhantes ou afins. Astros como David Bowie e James Brown já utilizaram seu repertório com esta finalidade. é importante estudarmos o momento no qual uma análise técnica deve complementar o trabalho do advogado. tangível ou intangível. e capaz de um parecer técnico sobre a possibilidade de utilizar dita patente contra um concorrente. é altamente recomendável. por meio de terceiros. uma parcela significativa do relatório final deve cuidar do portfolio de patentes. A patente é. sem sua prévia autorização (25). um dos aspectos mais importantes da “due diligence” é realizar uma análise integral do seu portfolio de marcas. mas até mesmo definir quais marcas serão mantidas ou abandonadas. Um exame mais detalhado de um portfolio de patentes deve ser realizado por profissionais especializados. ou mesmo verificar sua forca perante tecnologias já existentes e/ou patenteadas. de origem diversa. IV-b) Patentes Quando a empresa-alvo tem entre suas atividades a pesquisa e o uso de tecnologia em seus principais produtos e serviços.279/1996. Quando a empresa-alvo é titular de signos altamente reconhecidos no mercado. Porém. o direito autoral é um exemplo típico de propriedade imaterial. então. sempre que necessário. Outro tópico importante é verificar.CONTRATOs Em EsPÉCIE IV-a) Marcas e nomes comerciais Nos termos do artigo 122 da Lei nº 9. expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte. que permita distinguir produtos ou serviços de outros idênticos. a um inventor. A “due diligence” jurídica de patentes deve. bem como analisar se o pagamento das anuidades e outras taxas para a manutenção de cada patente está ocorrendo dentro dos prazos legais (26). Tópicos adicionais que podem fazer parte de um relatório detalhado incluem ainda uma avaliação dos procedimentos adotados pela empresa-alvo para evitar o uso indevido de suas marcas por terceiros. Para tanto. habilitado em propriedade intelectual. para que o encomendante possa não apenas se precaver. dispõe que é registrável como marca todo e qualquer sinal distintivo visualmente perceptível. conhecido ou que venha a ser inventado. se possível. direitos de uso sobre os mesmos. com sólida formação técnica na área de atuação da empresa-alvo. comercialização ou importação. um título de propriedade outorgado pelo Estado. admitimos que estes temas são mais pertinentes numa auditoria de propriedade intelectual. é o passo inicial. IV-c) Bens sujeitos à proteção autoral Tema altamente complexo em qualquer “due diligence”. Este instituto visa proteger todo tipo de criações intelectuais do espírito humano. no Brasil e no exterior. enfatizar a verificação da situação atual de cada uma das patentes depositadas e/ou concedidas à empresa-alvo. se as marcas registradas estão em uso regular no seu território de validade (o que evita riscos de caducidade (23)) e se as taxas de registro e prorrogação estão sendo pagas tempestivamente. por força de lei e em caráter temporário. A existência de oposições.

devemos respeitar. Se não é possível identificá-los. processos de fabricação. formação de preços e outras espécies de dados confidenciais relativos ao desempenho de atividades empresariais. técnicas de comercialização. Existe sempre um risco de contaminação tecnológica que nem todos preferem correr e que. envolvem milhões de dólares. E partindo destas informações. mesmo que o registro da obra intelectual não seja pré-requisito para garantir sua proteção. em vista de seu escopo de atividades. bem como do material disponibilizado pela empresa-alvo. A rigor. não existe uma definição na lei brasileira do que seja um “segredo de negócio”. sobre os direitos de edição do repertório do grupo The Beatles (que dispensa qualquer apresentação). por exemplo). como nas empresas de desenvolvimento de software. O relatório pode também enfatizar se vale ou não a pena buscar uma proteção mais segura para esta tecnologia (por meio do seu patenteamento. A interrupção de um importante contrato de licenciamento de patente ou tecnologia em vista de uma reorganização FGV DIREITO RIO 113 . celebrar termos de cessão de direitos patrimoniais com os autores. é a proteção de certos tipos de informações e práticas comerciais que. Porém. passíveis ou não de proteção por meio de direitos de propriedade intelectual. nossa experiência mostra que informações tratadas pela empresa-alvo como segredos de negócio dificilmente são fornecidas aos advogados da encomendante. são tão críticas para o negócio da empresa-alvo que é necessário mantê-las em rigoroso sigilo. IV-d) Segredos de negócio e “know-how” Outra preocupação que afeta muitos procedimentos de “due diligence”. se possível. Mas autores como SILVEIRA o especificam com precisão: “O segredo de negócio consiste em conhecimentos técnicos. em vista de quaisquer riscos de vazamento da informação. e este risco deve ser bem avaliado (31). motivo pelo qual devem ser adotadas medidas protetivas contra a sua revelação” (32) Em uma “due diligence” de propriedade intelectual. Tendo em vista a natureza incorpórea do direito autoral e que praticamente qualquer trabalho intelectual pode ser objeto de sua proteção. inicia-se o relatório analisando se as obras mais importantes estão devidamente resguardadas. O ideal é verificar. experiências. III-e) Analisando contratos de licença e outros acordos Juntamente com a análise do patrimônio intelectual pertencente à empresa-alvo. é quase impossível que a empresa-alvo consiga. É importante lembrar ainda que. ou que seus funcionários-chave a abandonem. métodos. listar todos os textos e obras de natureza intelectual que esteja autorizada a utilizar em vista das circunstâncias específicas de seu negócio. tratar-se-á de um elemento incorpóreo sigiloso suscetível de aplicação prática que confere uma vantagem competitiva a seu detentor enquanto de conhecimento restrito. ou para terceiros. bem como auxiliar no registro das obras intelectuais mais relevantes junto aos órgãos competentes (30). fórmulas. a verificação minuciosa deste assunto é imprescindível. é importante também examinar a existência de contingências envolvendo ativos intelectuais licenciados de terceiros. Em alguns casos. o relatório deve indicar se a empresa-alvo tem como prática identificar devidamente os autores de obras intelectuais (e se guarda em seus arquivos estas informações). São poucas as companhias que solicitam a todos os seus funcionários criadores de obras intelectuais que assinem termos específicos de cessão. marketing. mesmo que os mais rígidos acordos de confidencialidade sejam celebrados entre as partes. custos. e como é protegido pela empresa-alvo. quais obras autorais são importantes para a natureza do negócio da empresa-alvo. em vista da caracterização dos programas de computador como obras autorais perante a legislação brasileira (29). o relatório final deve abordar se os segredos comerciais estão devidamente protegidos e se não existe risco de que sejam divulgados ou perdidos caso a empresa-alvo sofra mudanças. Em todos os casos.CONTRATOs Em EsPÉCIE Music. um valioso investimento para qualquer empresa (28). para uma “due diligence”. Daí a importância da abordagem especializada de questões autorais em “due diligence” de propriedade intelectual. especialmente nas empresas que lidam com desenvolvimento de tecnologia. como advogados. listas e informações de clientes. o fato do profissional de “due diligence” não ter acesso ao segredo de negocio não deve ser um óbice para que ele analise se o mesmo existe.

com atenção aos casos nos quais a empresa-alvo esteja obtendo licenças cujo objeto é essencial para a continuidade de seu negócio. é necessária atenção redobrada ao interpretar cláusulas duvidosas e ambíguas de contratos cujo objeto é vital para o negócio da empresa-alvo (33). No curso da revisão de todos estes acordos. e se é necessária aprovação da outra parte para que isto ocorra. depositados ou concedidos no Brasil. Também entendemos ser necessário identificar quais destes contratos necessitam de averbação junto ao INPI e. se possível. – Verificar se as obrigações de ambas as partes podem ser transferidas para outra empresa ou serem sublicenciadas. Considerando que os contratos a serem destacados no relatório final serão aqueles mais pertinentes ao negócio da empresa-alvo. um tópico específico de qualquer “due diligence” de propriedade intelectual deve abordar este tema. – Identificar riscos negociais. cláusulas de exclusividade e direitos de preferência até mesmo opções de renegociação ou rescisão do contrato. muitas vezes. patentes. Assim. em alguns casos. é imperativo examinar se a remessa das respectivas divisas está sendo realizada de modo legítimo. ser crucial para que uma transação não se concretize.131/1962. em circunstâncias totalmente diferentes das que norteiam a análise encomendada. é necessário identificar qualquer contrato que gere perdas significativas. – Acordos que envolvam transferência de tecnologia. Lembrando que nem todos os contratos que envolvem a exploração de ativos intelectuais precisam de averbação. nomes comerciais e/ou obras intelectuais de natureza autoral em que a empresa-alvo tenha participado. (35) mas. Em alguns casos. e alguns dos contratos que geralmente são examinados incluem: – Todos os acordos de licenciamento de marcas. Contratos de maior importância contêm. quer como licenciado ou licenciante. nos quais a empresa-alvo seja a licenciada. por intermédio do Banco Central. muito freqüentemente. tais como: – Confirmar se todos os acordos examinados permanecem em vigor e. é preciso investigar se. se tal averbação não ocorreu. FGV DIREITO RIO 114 . nos contratos com fornecedores de tecnologia. – Contratos que envolvam transferência de tecnologia. é sempre importante lembrar que o objetivo de uma “due diligence” não deve ser avaliar a qualidade técnica das cláusulas de cada acordo ou criticar o trabalho de algum colega. pode deixá-la em situação desfavorável e. por exemplo. da boa vontade da empresa-alvo em ceder tais documentos. desde compromissos mínimos de produção.CONTRATOs Em EsPÉCIE societária da empresa-alvo. indicar se os procedimentos necessários para fazê-lo ainda podem ser devidamente efetuados pela empresa-alvo (34). Em outros. demandas que precisam ser atendidas mesmo em caso de transferência de controle acionário. com especial atenção a quaisquer limitações de responsabilidade ou garantias excessivas estabelecidas contratualmente. e nos termos da Lei nº 4. o trabalho do profissional de “due diligence” acaba ensejando a leitura de inúmeros contratos preparados por outros advogados. ou cujas obrigações não estejam sendo cumpridas pela empresa-alvo. nos quais a empresa-alvo seja a licenciadora. É claro que a profundidade da análise dos contratos que envolvem bens intelectuais depende do interesse da encomendante e. mas sim verificar e destacar as disposições contratuais que possam afetar a transação. por exemplo. – Contratos que objetivam a aquisição de conhecimentos e de técnicas não amparadas por direitos de propriedade industrial. Tendo em vista que a negociação de cada contrato analisado certamente teve suas particularidades. com especial atenção aos casos nos quais esteja licenciando tecnologias que também utiliza em seus produtos ou serviços para empresas que atuam no mesmo mercado. que nenhuma das partes está em flagrante violação dos termos e condições de cada um dos mesmos. quando envolvem o licenciamento de ativos intelectuais do exterior e prevêem o pagamento de royalties. o licenciante garantiu contratualmente desde a atualização da tecnologia licenciada até que o fornecimento da mesma não será encerrado caso a empresa-alvo sofra alguma reorganização societária.

antes de se fechar qualquer negócio. é o método mais eficiente não somente para identificar contingências. 3. como autora ou ré. não apenas desenvolveram o embrião do computador de hoje como auxiliaram em estudos que levariam a nossa concepção atual de internet e a interligação de computadores por rede. nos grandes escritórios de advocacia empresarial. May 2001. Porém. com o objetivo de demonstrar à empresa interessada quais as contingências legais existentes e avaliar os riscos da transação. é sempre recomendável uma profunda investigação em todos os aspectos jurídicos de uma companhia objeto de qualquer modalidade de aquisição. Ao mesmo tempo a Japan Victor Company – JVC licenciava gratuitamente a tecnologia para o sistema VHS e. mostrando as ações judiciais nas quais a empresa-alvo está envolvida. Convêm lembrar que a ocorrência reiterada de processos semelhantes envolvendo a empresa-alvo. o foro competente. As fontes principais para a coleta destes dados são as certidões forenses e de protestos emitidas em nome do negócio (e de suas filiais). Cujo sistema operacional gráfico era altamente inovador e eficiente se comparado à concorrência da época. identificando o tipo de ação. MBA Jungle. isto não é diferente. dita verificação seria provavelmente feita pelos advogados que analisam os aspectos do contencioso da empresa-alvo. passível de uma revisão ainda mais detalhada. Os dados coletados por meio deste exame podem ser úteis até para fixar o valor patrimonial de marcas e patentes de uma empresa. sua situação atual e se existe risco de pagamento de indenização pela empresa-alvo. mas também é necessário que. nosso estudo encontrou não apenas os subsídios que confirmam uma nova realidade da propriedade intelectual nas fusões e aquisições. a área atue em harmonia com outros setores. mas também um caminho quase inexplorado no estudo do planejamento e gerenciamento de propriedade intelectual. é necessária uma conscientização. Eles avaliariam de forma genérica cada litígio. E na propriedade intelectual. para alcançar este objetivo. a Sony Corporation se recusou a licenciar para terceiros as patentes para a fabricação de aparelhos de videocassete com o sistema Betamax. patentes e quaisquer outros ativos de propriedade intelectual da empresa-alvo. Mostramos que a metodologia das “due diligences” jurídicas é uma ferramenta que. Numa “due diligence” jurídica mais ampla. Não seria tolice afirmar que os pesquisadores do Palo Alto Research Center. citado acima. com esta tática. pode valorizar em muito o trabalho dos profissionais de propriedade intelectual no meio empresarial. o MS-DOS. ou PARC. provavelmente pode indicar algum procedimento de risco adotado pela mesma e. The 25 Dumbest Business Decisions of All Time. fusão ou incorporação. 4. conseguiu que sua criação se tornasse o padrão do mercado de aparelhos de videocassete.Conclusão No mercado de fusões e aquisições. bem como informações prestadas por seus próprios advogados a respeito de litígios nos quais a empresa participa e emitidas por todos os distribuidores que a jurisdicionam. Debaixo dos caracóis dos cabelos das “due diligences”. 2. FGV DIREITO RIO 115 . se bem adaptada. Em situação semelhante que não foi listada no artigo ora citado.CONTRATOs Em EsPÉCIE IV-f ) Analisando pendências judiciais de propriedade industrial Um outro assunto que pode ser abordado é a situação das pendências judiciais envolvendo marcas. Vi. notas 1. mas merece nossa ressalva. A prática internacional tem demonstrado que adotar uma metodologia para a pesquisa e análise dos ativos intelectuais de uma empresa. ou mesmo avaliar como está sendo feito o gerenciamento de sua propriedade intelectual. Uma “due diligence” bem feita proporciona ao encomendante um valioso panorama de todos os aspectos legais da empresa-alvo. por isso mesmo. mas também buscar soluções que evitem ou minimizem quaisquer riscos para o ativo intelectual da empresa.

Profiting from Intellectual Capital. MORI. Alberto.pacsa. Charles. bem como a definição das conseqüências que decorrerão dos resultados que vierem a ser apurados.fenwick. voltados para administradores. Dentre os livros importantes sobre o assunto.br – A sigla INPI significa Instituto Nacional da Propriedade Industrial. a empresa-alvo pode abrir um “data room”. por exemplo). estas geralmente prestam o que se costuma chamar de representations and warranlies ou declarações e garantias . em especial se ambas são competidoras. dentro do processo de venda de uma empresa. Deste modo. define bem o papel dos “representations and warranties” : “Na área jurídica. after reasonable investigation.pt/main_4. 15. empresários espertalhões deliberadamente não informavam os possíveis compradores sobre a existência de dívidas. 15. 8. uma das finalidades das informações obtidas no due diligence na área jurídica é revisar as representations and warranlies.Outubro 2001. 6. 11. uma sala contendo todos os dados que se quer mostrar aos possíveis adquirentes. Afinal o que é o due diligence? Disclosure Das Transações Financeiras . Algumas destas regras surgiram para por ordem em uma situação que se tornou comum nos tempos da depressão norte-americana e da quebra da Bolsa de Nova Iorque: Como lembra SAVAGE. o comprador e os advogados que realizam o serviço deve ser cercado de todo cuidado ético e profissional. em português) e diligence (diligência. 1a.” 14. Diane. e no que mais for pertinente à transação que pretendem fechar. 12. que solicitaram até mesmo que alguns advogados FGV DIREITO RIO 116 . que incluem garantias como a de que as partes comprometem-se a não aceitar nenhuma outra oferta. é um exemplo destes cuidados que. 1998. op. para prepararem suas respectivas propostas de preço. todo comprador sempre corria o risco de adquirir “gato por lebre”. fusão ou financiamento de uma empresa através de uma Due Diligence. em se tratando de propriedade intelectual merecem destaque. A celebração de extensos acordos de confidencialidade na fase das “Engagement Letter” ou “Representations and warranties”. www. Após a fase de discussões e negociações preliminares.inpi. e motivo de situações inusitadas.como se costumou traduzir estas expressões. LAJOUX. 13. Mc.cit. Ed. disponibilizado em www. Assim. ed. penhora de bens ou outras obrigações. sempre que o due diligence for provocado por uma transação entre partes não-relacionadas (aquisição ou joint aventure por exemplo). MORI. destacamos: SULLIVAN. reasonable ground to believe and did believe” that the offering materials were accurate and were free of material omissions” em SAVAGE. Para assegurar o acesso de todos os interessados a um mesmo volume de informações. Patrick. Assim.htm (visitado em 01 de abril de 2002). ou seja. A confidencialidade destes “data rooms” é. Intellectual Property Due Diligence In Acquisitions of Technology Companies. 7. Consiste nas afirmações expressas em contrato pelas partes. Nossa conclusão parte da tradução simples das palavras da língua inglesa due (devida. as declarações e garantias podem ser vistas como um retrato do negócio a ser concretizado. A execução de um acordo de confidencialidade específico é também um dos primeiros passos que pode ser tomado no início de qualquer procedimento de “due diligence”. Juntamente com as cláusulas contratuais que disciplinam as indenizações a serem efetuadas por uma parte à outra (por passivos ocultos.CONTRATOs Em EsPÉCIE 5. seja ela de compra ou de venda. Certa vez. corrigindo-se assertivas incorretas. Deste princípio resulta que é às partes que cabe acordar os termos em que a due diligence será desenvolvida. no que diz respeito à situação legal do negócio.com (visitado em 18 de novembro de 2001). antes do início de qualquer “due diligence”. Por isso. é preciso lembrar que o relacionamento entre a empresa-alvo. disponível em http://www. 2000. o Autor e todos os advogados que estavam no data room passaram pelo constrangimento de serem colocados em cárcere privado e brutalmente revistados por seguranças de uma empresa. na sua própria situação.Graw Hill. Como reduzir os riscos de uma aquisição. CORRÊA DE SAMPAIO. passou a constar na Section 11(b)(3) do Securities Act de 1933 “participants had. em vista da perda de um documento importante. 9.. não é recomendável ir adiante sem que esta questão esteja devidamente acordada entre as partes. por vezes. 10.gov. e muitas vezes apresentavam documentação falsa ou incorreta. The Art of M&A Due Diligence. José Maria. Alexandra & ELSON. cautela). John Wiley & Sons.

a não ser caso esta contingência tenha sido prevista nas Declarações de Intenção. lembramos que a própria parte interessada pode. Apesar de ser sempre recomendável efetuar uma “due diligence completa” dos aspectos de propriedade intelectual. In some situations. Maryann A. The report allows the best-quality information to be factored-in and if necessary enables the acquirer to use a discount rate reflecting the risk. or copyrights in the field and recommend what action needs to be taken -. 16. 18. marcas e afins. 20. Porém. For many acquiring companies. 17. Alguns aspectos importantes na elaboração de um relatório final são também abordados por DAHL : “The due diligence report summarizes the findings regarding the intellectual property rights. The report will also (normally in a separate section) identify significant other patents. Conversely. many attorneys believe that a letter of intent is generally more advantageous to a buyer than a seller. and (ii) resolution of the principal terms of the transaction at an early stage can make the negotiation of the definitive agreement more focused and straightforward. or before allowing a detailed due diligence investigation to begin. e suas vantagens sobre a Engagement Letter. For example.” DAHL. Sobre o uso da carta de intenções na fase iniciai de uma due diligence. it can be the crucial document determining whether the deal goes ahead -. trademarks. Waryjas. 2000. 2001. ownership. any issues of validity which have arisen. In the case of a smaller deal. the scope of protection.. merece destaque o comentário de WARVIAS: “The main advantages of a letter or intent are that (i) issues that could be “deal breakers” can be identified early in the negotiation process before substantial expenses are incurred in a due diligence review and the drafting of a definitive agreement. Pedidos de registro recém depositados geralmente não estão incluídos nesta base de dados. a court may find that provisions of a letter of intent that one of the parties considered to be non-binding are binding. And it can be important for the adviser. Tal decisão. muitas vezes. A letter of intent may burden the parties’ negotiations with too may difficult issues too early in the process and may impair. many buyers and sellers prefer a letter of intent as a method of “testing the waters” for the likelihood that a definitive agreement can be reached.in terms of re-negotiating the deal. attorneys may often disagree regarding the desirability of a letter of intent in a particular situation. lembre-se que as contingências descobertas pelo encomendante no decorrer do procedimento nem sempre poderão ser utilizadas como justificativa para a recusa ou cancelamento do negócio. não é uma base de dados totalmente atualizada e 100% confiável. the costs of preparing. Lucash.and at what price. September 2001. Christopher T “Intellectual Property Due Diligences”. é importante lembrar que o trabalho do profissional do Direito numa “due diligence” deve estar focalizado na coleta das informações fornecidas pela empresa que está sendo analisada. a claim of patent infringement that is brought six months after the closing)”. Por razões éticas. Corporate Law and Practice Course Handbook Series. negotiating and revising a letter of intent can be substantial in comparison to the size of the deal and the overall transaction costs. Gesmer & Updegrove. and any other questions regarding litigation or prior art. before proceeding with the time commitments and costs of negotiating a definitive agreement.CONTRATOs Em EsPÉCIE tirassem a roupa e se perfilassem contra a parede.g. Practising Law Institute. ou nos dados obtidos em bases públicas de dados. a deal’s momentum. the firm could face a malpractice suit. applications. certain problems may never be discovered during due diligence and can only be addressed through adequate representations and warranties (e. too: if significant issues are omitted through counsel’s negligence. Nevertheless. agreeing to a license with a third party or threatening litigation. Soube-se depois que o documento havia sido roubado por um estagiário de um escritório de advocacia. 21. é FGV DIREITO RIO 117 . Se a conclusão da “due diligence” não for uma condição para o fechamento do negócio. or even halt. com base nos mais diversos critérios . LETTERS OF INTENT IN THE ACQUISITION OR SALE OF THE PRIVATELY HELD COMPANY. While letters of intent are relatively common.às vezes puramente subjetivos. 19. dispensar a análise de determinadas áreas por achá-las irrelevantes. o que nos leva a crer que as buscas eletrônicas no Brasil são limitadas e não devem ser utilizadas em substituição da inspeção física dos documentos de patentes. LLP. O site do INPI é a principal fonte para consultas sobre a situação de marcas e patentes no Brasil.

esboços e obras plásticas concernentes à engenharia e arquitetura) Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI (programas de computador). João de Gama. OLIVEIRA.610/1998: São incumbidos para procederem ao registro das obras intelectuais os seguintes órgãos ainda existentes: Fundação Biblioteca Nacional (obras literárias em geral). observado o disposto nesta Lei. 1997. Direito Autoral. PARENTE & SORENSEN GARCIA. Parágrafo 1º . Renovar. de produzir. Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (composições musicais. 22. No Brasil. Civ. O catálogo dos Beatles é avaliado em US$ 598 milhões.. 1946.o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos consecutivos. 84 da mesma Lei nº 9. nº 3118/1992.143 da Lei nº 9279/1996 prevê as hipóteses em que pode ocorrer a caducidade de um registro de marca: “Art. parágrafos 1º e 2º da Lei nº 5. a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original.processo ou produto obtido diretamente por processo patenteado. 17. O prazo de validade de uma patente é de 20 anos da data do depósito. A gravadora quer se responsabilizar pelo pagamento do empréstimo e pretende que Jackson transfira sua parte dos direitos.279. a partir do início do terceiro ano da data do depósito da patente. L. 42 da Lei nº 9. São Paulo: Revista dos Tribunais. usar. M. 1998. op. vender ou importar com estes propósitos: I . José O.988/1973. em vigor por força da Lei nº 9. Âmbito de proteção à marca registrada.279/1996: “A patente confere ao seu titular o direito de impedir terceiro. Marcas e expressões de propaganda. não iremos detalhar aspectos gerais do direito patentário. 25. 29. conferido pelo Art. O Brasil adota sistema baseado no “Droit d’auteur”. v. que prevê a existência e o reconhecimento dos direitos morais do autor.” 30. ou se. 2000. II . A batalha judicial entre a Sony Music e o pop star Michael Jackson envolve a retenção de 50% dos direitos de exploração das musicas dos Beatles. 143 . Alguns livros que podem proporcionar uma visão mais detalhada sobre estes assuntos. A previsão de pagamento das anuidades pelo depositante do pedido ou o titular da patente estão previstas pelo Art. 23. com ou sem letras). fotográficas). recomendamos MARTINS. a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse se. Existem vários critérios e metodologias para medir o valor econômico-financeiro e o valor intangível de uma marca.produto objeto de patente. Rio de Janeiro: Forense. Lei nº 9609/1998: “Art. dentre outros. 28. Sobre o assunto ver ASCENSAO. decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão. Douglas Gabriel. Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (obras de desenho. o registro das obras intelectuais é regulamentado pelo artigo 17. Tratado Da Propriedade Industrial. na data do requerimento: I . e cabe ao advogado apenas alertar no relatório que a “due diligence” só abordou alguns assuntos. incluem: CERQUEIRA. cabendo-lhe o ônus de provar o uso da marca ou justificar seu desuso por razões legítimas. 2º. 31. O cantor comprou os direitos em 1985 e vendeu 50% a gravadora por US$ 100 milhões. 1984 PONTES DE MIRANDA. DI BLASI. Arquitetura e Agronomia (projetos. sem o seu consentimento. 40 da Lei nº 9279/1996. Rio de Janeiro: Lumen Juris. bem como reconhecer os direitos morais FGV DIREITO RIO 118 . O regime de proteção à propriedade intelectual de programa de computador é o conferido às obras literárias pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no País. Tendo em vista que este artigo é voltado eminentemente para os profissionais que atuam na propriedade intelectual.” 26.” 24. Na época.CONTRATOs Em EsPÉCIE claro. ou II . Rio de Janeiro: Forense.Caducará o registro. colocar à venda. Cit. 1983.Não ocorrerá caducidade se o titular justificar o desuso da marca por razões legítimas. 27. DOMINGUEZ. Propriedade Industrial. prazos legais que envolvem o registro de marca.O titular será intimado para se manifestar no prazo de 60 (sessenta) dias. 4ª ed. Ed. O Art. pediu que a Sony fosse avalista de um empréstimo de US$ 200 milhões que levantou dando como garantia os 50% restantes. Sobre o assunto. Na AP. o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou a Cia Cervejaria Brahma a pagar vultuosa indenização aos herdeiros do criador de seu logotipo. Tratado de Direito Privado. tal como constante do certificado de registro. Art. que demanda o pagamento de retribuição anual. A Propriedade Industrial. Conselho Federal de Engenharia. deve ser respeitada. Parágrafo 2º . Rio de Janeiro: Forense.o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil. no mesmo prazo. dentre outros. conforme instruções da encomendante.

Aquisição de cópia única de software. Fornecimento de Tecnologia. Homologação e certificação de qualidade de produtos brasileiros.). visando a exportação Consultoria na área financeira. como pagamento pela tecnologia negociada – dedutibilidade fiscal para a empresa receptora da tecnologia pelos pagamentos contratuais efetuados – para produzir efeitos em relação a terceiros. Serviços realizados no exterior sem a presença de técnicos da empresa brasileira e. da Lei no 9279/1996: Agenciamento de compras. em especial o código-fonte comentado. João Marcos.br/pjs. Rosiane (org. econômica jurídica e comercial. 3a.inpi. autores da letra de “Stairway to Heaven”. Contratos que objetivam a Exploração de Patentes: o Uso de Marcas.” (grifos nossos) 34.br. p. 33.) Beneficiamento de produtos. 35. Alguns contratos são dispensados de averbação por caracterizarem transferência de tecnologia. tais como: Legitimar remessas de divisas ao exterior. 11. O inteiro teor de referida decisão pode ser encontrado em DA VEIGA. conforme Art. Ed. que não gerem quaisquer documentos e/ou relatórios. disponível em http://www.. 211. FGV DIREITO RIO 119 . parafraseando Robert Page e Jimmy Plant. 2000. nos termos do Art. ed. SILVEIRA. tarefas administrativas relacionadas à liberação alfandegária etc. prestados. Serviços de “marketing. por meio de “help-desk”. da Lei no 9609/1998.rt (visitado em 01 de maio de 2002). Esplanada. Os requisitos e procedimentos para a averbação podem ser encontrados em www. Serviços de manutenção de software sem a vinda de técnicos ao Brasil. por exemplo. Distribuição de software.141. “Direito Autoral”. Prestação de Serviços de Assistência Técnica e Científica. incluindo serviços de logística (suporte ao embarque.silveiraadvogados. imortalizada pelo conjunto Led Zeppelin: “There’s a sign on the wall but she wants to be sure And you know sometimes words have two meanings.CONTRATOs Em EsPÉCIE de sua criação. “A Proteção Jurídica dos Segredos Industriais e de Negócio”. Franquia. A importância de uma análise jurídica destes contratos não pode ser deixada de lado.adv. O contrato deve ser avaliado e averbado pelo INPI para que gere determinados efeitos econômicos no território nacional. Afinal. 32. Licença de uso de software sem o fornecimento de documentação completa.gov.

Obrigações do Segurado. págs. PEREIRA. 483 a 490. 329 a 348.5. Elementos do Contrato de Seguro. vol 3. Jus Navigandi. Frederico Eduardo Zenedin.asp?id=3261>. Contornos atuais do contrato de seguro. Instituições de Direito Civil . Sendo assim. havia jogado pôquer na casa de um conhecido e que perdeu naquela noite aproximadamente um milhão de reais. Classificação – Seguro. na semana passada.uol. roteiro de aula a) introdução O jogo e a aposta estão dispostos entre as várias espécies de contratos previstos na Lei n° 10. 2006 (em anexo).br/doutrina/texto. eMentário de teMas Introdução.17. Saraiva. 2005 .3.17. 1.17. Caio Mário da Silva.vol. biblioGrafia CoMPleMentar GLITZ.406/2002. mas eles podem ser considerados como contrato? O novo Código Civil trouxe duas alterações significativas na disciplina do jogo e da aposta. Espécies de Jogo e Efeitos. A seguradora não está querendo pagar a indenização alegando que Jeremias não efetuou o pagamento das três últimas parcelas do prêmio.2.4. Direito Civil: Contratos em Espécie. 1. 757 a 802 da Lei nº 10.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. 3. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. São Paulo: Ed. 2002. VENOSA. Silvio.1. ouvimos boatos de que Jeremias era um inveterado jogador.17. mas que depois conversando com um amigo ficou sabendo que dívida de jogo é inexigível. Jeremias diz que saiu do jogo um tanto atordoado por ter perdido aquela boa quantia em dinheiro e acabou batendo com o carro e dando perda total.17. Acesso em: 06 ago.com. 2002. biblioGrafia obriGatória Arts. Caso Gerador Durante a diligência. Introdução – Seguro. out. 1. Arts. Por isso não foi surpresa quando este nos procurou para contar que. Disponível em: <http://jus2. vol. SEguRO.Contratos. Silvio de Salvo. Ele disse que pagou a dívida. 1. Obrigações do Segurador.17. Quais foram? FGV DIREITO RIO 120 . nº 59. Direito Civil. AulAS 18 E 19: JOgO E APOSTA. 2005. págs. págs. Teresina. RODRIGUES. Para piorar a situação. III. Como você aconselha Jeremias? E se Jeremias lhe contasse que descobriu que o jogo foi roubado? Jeremias pergunta se o mútuo que ele havia tomado na véspera para jogar também seria inexigível e se ele poderia deixar de pagar ao mutuante. ano 6. São Paulo: Ed. 1.406/2002.406/2002. 814 a 817 da Lei nº 10. Atlas. Rio de Janeiro: Forense. ele quer pedir seu dinheiro de volta. 369 a 407.

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b) espécies de jogos e efeitos Proibidos – São os jogos de azar31, como a roleta, o bicho, aposta sobre corrida de cavalos fora de hipódromos, briga de galo. Tendo em vista que são ilícitos não geram direitos e sujeitam o infrator a punição. Tolerados – São aqueles que o resultado não depende preponderantemente da sorte, como o truco, a canastra, o pôquer. Embora não sejam contravenções penais, não são protegidos pela lei uma vez que não há interesse social em proteger relações que não passam de “divertimento sem utilidade”32, exceto se forem eivados de vícios, como dolo, que mereçam repressão. Autorizados – São aqueles que trazem algum benefício à Sociedade, seja por estimularem o espírito esportista (competições esportivas) ou atividades econômicas (turfe), seja por gerarem outra fonte de renda ao Estado (loterias). Nesse caso, as obrigações oriundas de jogo ou aposta são exigíveis. Apenas os jogos e apostas autorizados perdem o caráter ilícito e dão causa à exigibilidade da prestação. C) seguro – introdução O seguro é regulado pela Lei n° 10.406/2002 e por diversas leis esparsas, que regulam minuciosamente os tipos de seguro. Em nossas aulas daremos ênfase às regras previstas no novo Código Civil. d) Classificação – seguro O contrato de seguro é: – Bilateral – gera obrigações para ambas as partes. – Oneroso – requer desembolso patrimonial para segurado e para o segurador. – De adesão – ao segurado não é dada opção de alterar as cláusulas do contrato. O segurado pode aceitar ou não as cláusulas impostas na apólice de seguro. Aplicam-se, dessa forma, as regras previstas nos artigos 423 e 424 da Lei n° 10.406/2002, que protegem os aderentes. e) elementos do Contrato de seguro Os elementos do contrato de seguro são: – Segurador – Somente pode ser segurador entidade legalmente autorizada para esse fim. O Decreto-Lei nº 2.063/1940 estabelece algumas exigências para que a entidade possa atuar como seguradora. Exemplo: capital mínimo, nacionalidade dos sócios, autorização governamental. – Segurado – É o contratante. Ele paga o prêmio ao segurador para transferir a este o risco. – Risco – O objeto do contrato de seguro é o risco. Dessa forma, a Lei n° 10.406/2002 prevê uma multa (dobro do prêmio recebido) a ser paga pelo segurador que expedir apólice de seguro mesmo sabendo que não é possível o risco que se pretende cobrir. O objetivo do legislador é tentar coibir essa prática. Afinal, se não há risco, não há contrato de seguro. Nos seguros privados, é possível estipular a espécie ou combinação de espécies de seguro.

Definição de jogo de azar está no artigo 50, parágrafo 3° da Lei de Contravenções Penais: “O jogo em que o ganho e a perda dependem exclusiva ou principalmente da sorte”.
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PEREIRA, Caio mário da silva. Instituições de Direito Civil - Contratos. Rio de Janeiro: Forense, 2005 - vol. III, pág. 488.
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– Prêmio – É a prestação devida pelo segurado ao segurador para que este assuma os riscos do segurado e pague indenização em caso de sinistro. – Apólice – Assim como o instrumento do mandato é a procuração, o instrumento do seguro é a apólice. A apólice deve conter os requisitos previstos no art. 760 da Lei n° 10.406/2002, tais como os riscos cobertos e o prêmio devido. As apólices podem ser nominativas, à ordem ou ao portador. A lei veda que a apólice de seguro de pessoas seja ao portador. f) obrigações do segurado O segurado tem obrigação de: – veracidade – A declaração falsa ou omissão de informações pode levar o segurador a fixar prêmio diverso do que fixaria ou até mesmo a aceitar seguro que normalmente não aceitaria se tivesse acesso a todas as informações. – pagar o prêmio. – não agravar os riscos do contrato – se o segurado passa a se comportar de forma diferente da que vinha se comportando, que resulte em um aumento de seus riscos, ele está, de certa forma, alterando unilateralmente o contrato, pois estará sujeitando o segurador a riscos distintos dos previstos no momento da celebração do contrato. – comunicar ao segurador qualquer fato que possa aumentar o risco do bem sob pena de perder o direito à garantia (art. 769 da Lei n° 10.406/2002). Analisando os contratos de seguro contra danos do supermercado, notamos que cada um dos estabelecimentos onde o supermercado funciona, foi segurado por duas seguradoras diferentes. Ao ser perguntada sobre esse fato, a senhora Maria Lúcia nos explica que seu pai estava tão preocupado em evitar prejuízos decorrentes de eventual sinistro, que resolveu segurar duplamente os estabelecimentos. Você vê algum problema nessa situação? G) obrigações do segurador A principal obrigação do segurador é pagar ao segurado os prejuízos decorrentes de sinistro sobre o bem segurado.

Contornos atuais do contrato de seguro frederico eduardo Zenedin Glitz As inovações em matéria securitária sempre são questões candentes. A reconhecida complexidade do tema é elemento que acentua, ainda mais, a importância da análise do tratamento jurisprudencial e doutrinário dispensado ao assunto. Os recentes pronunciamentos dos Tribunais Superiores demonstram cada vez mais a preocupação em se “socializar” o contrato de seguro e atribuir-lhe uma função social. Também contribuirá para essa “nova” adequação do instituto, a recente aprovação do novo Código Civil (Lei 10.406/2002). Esta posição, aliás, está consignada expressamente na exposição de motivos, quando se deixa clara a intenção de preservar o segurado, sem com isso abrir mão da segurança e certeza jurídicas essenciais ao contrato de seguro. O novo Código incorpora a idéia de cláusulas gerais que introduzem princípios orientadores de condutas, abandonando a pretensão de total regulamentação e oportunizando maior liberdade ao intérprete da lei..
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O novo Código Civil traz, ainda, outras inovações em matéria securitária. O legislador previu, por exemplo, a possibilidade de prova da relação contratual por meio de apólice, do bilhete de seguro ou, ainda, por “outro documento” na falta de algum desses (art. 758). No que tange aos riscos, o novo Código Civil estabelece que a agravação do risco por ato intencional do segurado implica na perda da garantia (art. 768). Entretanto se essa agravação se der por fato alheio a sua vontade, o segurado possui prazo para comunicar o evento a seguradora, sob pena de perda da garantia (art. 769). Possibilita-se, então, a readequação dos negócios às novas circunstâncias, mantendo-se o equilíbrio do contrato. Caso haja diminuição considerável do risco, assegura-se ao segurado o direito de revisão do prêmio ou a resolução do contrato (art. 770). Essas inovações refletem uma preocupação do legislador na manutenção do equilíbrio contratual. Pode-se afirmar, aliás, que esta é uma tendência geral no novo Código Civil, principalmente com a positivação dos institutos da lesão (art. 157), do estado de perigo (art. 156) e da revisão do contrato por excessiva onerosidade (art. 478). A jurisprudência também vem reconhecendo a necessidade de manutenção base econômica do contrato. Recentemente, no entanto, o Superior Tribunal de Justiça entendeu que a seguradora deve indenizar o segurado ainda que parte do prêmio não tenha sido pago (1), uma vez que a cláusula de cancelamento automático da apólice é nula em face do Código de Defesa do Consumidor, isso porque a resolução do contrato deveria ser requerida previamente em Juízo. Tal entendimento baseou-se no argumento de que a rescisão unilateral criaria uma excessiva desvantagem ao segurado, ou seja, o equilíbrio contratual estaria quebrado. Essa posição, aliás, inova em relação a tradicional jurisprudência e o disposto no art. 763 do novo Código Civil, que reafirmam a regra de que não há direito a indenização se o segurado estiver em mora no pagamento do prêmio. Talvez uma boa solução para o dilema seja a permissão a purgação da mora mesmo após o sinistro quando for o caso de cumprimento substancial do contrato (apesar de o Código expressamente prever que a purgação da mora deve ser anterior ao sinistro). Outro recente posicionamento do Superior Tribunal de Justiça é em relação ao prazo prescricional para o segurado demandar a seguradora. Este, segundo o atual entendimento, só passa a ser contado a partir da recusa formal ao pagamento da indenização (2). Este prazo é mantido pelo novo Código Civil, que estabelece em seu art. 206 que o prazo é contado para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que é citado para responder à ação de indenização proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que a este indeniza, com a anuência do segurador. Para os demais seguros, o prazo corre da ciência do fato gerador da pretensão. O novo Código Civil também incorpora inovações jurisprudenciais, tal como o reconhecimento da possibilidade de denunciação à lide ao segurador pelo segurado. Ou, ainda, a proibição expressa de o segurado reconhecer sua responsabilidade (confessar ou transigir com o terceiro prejudicado) sem a anuência da seguradora (art. 787, §2º). Em se tratando do seguro de responsabilidade civil o novo Código Civil previu, expressamente, a obrigação (normalmente tida como contratual) de que o segurado avise a seguradora do sinistro ocorrido (art. 787, §1º), bem como da ação intentada contra sua pessoa (art. 787, §3º). Prevê também a responsabilidade do segurado frente ao terceiro no caso de insolvência do segurador (art. 787, §4º). Previu a responsabilidade da seguradora, nos seguros de responsabilidade legalmente obrigatórios, de indenizar diretamente ao terceiro prejudicado (art. 788). E, ainda, a necessidade da seguradora promover a citação do segurado para integrar a lide quando demandada em ação direta pela vítima do dano (não podendo, simplesmente, opor a exceção de contrato não cumprido pelo segurado - art. 784, § único). Mas talvez a inovação que crie mais impacto nesta carteira ainda incipiente no Brasil, é a alteração do prazo prescricional para a ação indenizatória. O prazo anteriormente de 20 (vinte) anos foi reduzido para 03
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§1º. mas. impondo o respeito a sua função social e a obediência aos princípios da boa-fé. pelo menos. Recurso Especial 323186/SP (2001/0053944-4).386. V). p. Neste sentido.art. pode não engendrar grandes alterações paradigmáticas (e por certo possui muitas imperfeições (3)). Recurso Especial 323416/RO. reflete uma nova visão acerca do contrato. 202. QUARTA TURMA do STJ 2. Tal modificação poderá representar uma redução significativa do valor do prêmio. DJ 04/02/2002. e quanto maior o risco mais caro é o seguro. bem como o enunciado da Súmula 229/STJ: “O pedido do pagamento de indenização à seguradora suspende o prazo de prescrição até que o segurado tenha ciência da decisão. Relator Min BARROS MONTEIRO. §3º. 206. Todas essas inovações legislativas e jurisprudenciais pretendem solucionar dilemas constantes enfrentados pelos operadores jurídicos que atuam no setor. contado da data em que se conhece o dano (e não de sua ocorrência .art. 206. notas 1. FGV DIREITO RIO 124 . II). lealdade e equilíbrio contratual. A começar pela própria técnica superada das grandes codificações. O novo Código Civil entrará em vigor apenas em 2003.CONTRATOs Em EsPÉCIE (três) (art.” 3. moralidade. Sendo que a interrupção da prescrição passa a se dar com o despacho do juiz determinando a citação (mesmo que incompetente . Recurso Especial 132357 /RJ e Recurso Especial 236034/ RJ. I). vez que quanto maior o prazo maior o risco.

5. individualmente. eMentário de teMas Introdução. vol 3.18. Efeitos da Fiança. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Extinção da Fiança.vol. roteiro de aula a) introdução A fiança é uma espécie de garantia.4.18.2. AulAS 20 E 21: fIANçA. 1. Garantia pessoal ou fidejussória “consiste apenas na segurança que.18. GUIMARÃES. 283 a 305. 33 FGV DIREITO RIO 125 . Rio de Janeiro: Forense.406/2002. móvel ou imóvel. tomou com o banco. a garantia pessoal é aquela dada por um terceiro.18. BiBliografia oBrigatória Arts. 1. Olavo. Para piorar. por exemplo. Silvio. da fiança. caso o devedor não o faça. conseqüentemente. A garantia pode ser real ou pessoal. A Fiança na Música.1. A fiança pode ser: – convencional – resulta da vontade das partes. 1. 2005 . págs. 818 a 839 da Lei n.18. Classificação. Como você pode orientá-lo? 1. Ele descobriu que seu cunhado ficou desempregado e deixou de pagar algumas parcelas do empréstimo. ele nos conta que entrou como fiador em um empréstimo que seu cunhado. Garantia real é aquela que recai sobre um bem. São Paulo: Ed. São Paulo: Rideel. que Olavo e o banco recentemente aditaram o contrato para aumentar o valor do empréstimo e.Contratos.18. A fiança é garantia pessoal. alguém presta. que servirá como garantia do cumprimento de determinada obrigação. Ocorre. 2001. de responder pelo cumprimento de obrigação se faltar o devedor principal”33. RODRIGUES. 493 a 504. Direito Civil. 1. Caso Gerador O Sr. Dicionário Técnico Jurídico. Em outras palavras. págs. Dessa vez.3. biblioGrafia CoMPleMentar PEREIRA. Caio Mário da Silva.). SIQUEIRA. descobriu. 10. que se compromete a cumprir a obrigação. Odin Heiro novamente nos procura apreensivo com uma questão pessoal. III.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. 2002. Deocleciano Torrieri (Org. Saraiva. Luiz Eduardo Alves de. Instituições de Direito Civil . conversando com sua irmã. na hipoteca e no penhor.

a fiança não pode ser mais onerosa que a dívida principal. A fiança a ser analisada nesta aula é a fiança convencional. na qual o banco garante a obrigação em troca de um percentual sobre o montante garantido. não efetue o pagamento em dia. O fiador não tem direito ao benefício de ordem se: (i) renunciar expressamente ao mesmo. Notamos ainda que o contrato não foi assinado pelo marido de dona Teresa. casada e proprietária da Guloseimas Ltda. O credor tem o direito de exigir do fiador o pagamento da dívida garantida. A lei permite. – Benefício da divisão – Havendo mais de um fiador. Depois de ser pressionada por Jeremias. caso a Guloseima Ltda. Maria Lúcia nos contou que estava aborrecida porque na semana passada. mas sem perder seu caráter acessório. porém. locação. ou devedor solidário.. a fiança não será nula. garantindo o pagamento do aluguel. desconfiando da sua capacidade de pagar. ponsáveis pela dívida (art. que é ajustada por meio de contrato. Jeremias tem o péssimo hábito de jogar pôquer por dinheiro. FGV DIREITO RIO 126 . que sejam suficientes para pagar a dívida. – Unilateral – Uma vez contratada a fiança. que pode ser um mútuo. Por ser acessória. dona Teresa precisaria de autorização do marido para prestar fiança? Sendo a autorização necessária. objeto do contrato principal. – Solene – A lei impõe forma escrita para a validade da fiança. (ii) se obrigar como principal pagador.CONTRATOs Em EsPÉCIE – legal – resulta de lei – judicial – resulta de imposição do juiz. brasileira. segundo o qual o Supermercado Pechincha alugava uma parte de um dos supermercados à confeitaria Guloseimas Ltda. É o que ocorre na fiança bancária. apenas será reduzido o montante da fiança até o valor da obrigação principal. que cada fiador reserve apenas uma parte da dívida como de sua responsabilidade.. Em outras palavras. que estabeleceu a igualdade jurídica dos cônjuges. qual é a conseqüência de não tê-la? C) efeitos da fiança Podemos notar a existência de duas relações distintas no contrato de fiança: uma entre fiador e credor e outra entre fiador e devedor. É possível. que o fiador queira receber remuneração em troca da garantia que oferece. Esse direito pode ter algumas limitações: – Benefício de ordem – O fiador tem o direito ao benefício de ordem. o fiador deverá indicar bens do devedor. b) Classificação A fiança é contrato: – Acessório – A fiança visa assegurar o cumprimento de outra obrigação. ou (iii) o devedor for insolvente ou falido. Notamos que o contrato de locação prevê que a senhora Teresa Assunção. Conforme já havíamos sido informados. 829 da Lei n° 10. a fiança é contrato gratuito. a presunção legal é a de que são solidariamente resfiador. Nesses casos. ela só gera obrigações do fiador para com o credor. A fiança pode ser contratada no mesmo contrato da obrigação principal ou em contrato em separado. Se isto ocorrer. a fiança é onerosa. seja primeiramente executado o devedor. Para se valer desse benefício. Na diligência legal.. Jeremias perdeu uma boa quantia em dinheiro e agora Maria Lúcia estava preocupada de ser executada porque assinou um instrumento no qual se dizia fiadora da dívida de Jeremias. Maria Lúcia acabou aceitando ser sua fiadora.406/2002). ele pode exigir que. exigiram um fiador. Há algum problema nesse fato? Mesmo após a promulgação da Constituição Federal. assina o contrato na qualidade de fiadora. encontramos um contrato de locação. os parceiros de pôquer de Jeremias. localizados no mesmo muncípio e que estejam livres e desembaraçados. porém. até a contestação da lide. Como sempre. – Gratuito – Em regra.

sarapatel e lua de mel em Salvador. Veja abaixo a letra de “Samba do Grande Amor”. mentira Me atirei assim de trampolim Fui até o fim. a morte do fiador extingue a fiança? Não havendo prazo determinado previsto no contrato. quando o credor renuncia seu direito à hipoteca ou a direito de retenção. Luiz Eduardo Alves de. GUIMARÃES. por evicção. ôôôô Passava um verão a água e pão Dava o meu quinhão pro grande amor. – o credor aceitar receber em pagamento bem diverso do que foi originalmente ajustado. mentira Fui muito fiel. não sou mais um sonhador Chego a mudar de calçada quando aparece uma flor E dou risada do grande amor. implicando assim.406/2002). perdas e danos que pagar ao credor e perdas e danos que vier a sofrer em razão da fiança (art. d) extinção da fiança Sendo a fiança. – o credor tornar impossível a sub-rogação nos seus direitos e preferências. ôôôô Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito Exijo respeito. Ainda que o credor venha a perder. um amador.. a fiança pode ser extinta pelo fiador. ôôôô “moratória – dilação de prazo que se concede ao devedor para pagar a dívida depois de vencida. inclusive na música. mentira Reservei hotel. em regra. (Dicionário Técnico Jurídico. a fiança não será restaurada.CONTRATOs Em EsPÉCIE A relação entre o fiador e o devedor só passa a existir se o fiador é obrigado a efetuar o pagamento da dívida.. do genial Chico Buarque. 2001) 34 FGV DIREITO RIO 127 . Que motivo teria o autor para fazer menção à fiança nesse grande samba? samba do grande Amor Chico Buarque Tinha cá prá mim que agora sim Eu vivia enfim o grande amor. sem o consentimento do fiador. 832 e 833 da Lei n° 10. Ocorre.)”. que ficará liberado de sua obrigação 60 dias após a notificação ao credor para esse fim. um contrato intuitu personae. (. A fiança também é extinta se: – o credor conceder moratória34 ao devedor. comprei anel Botei no papel o grande amor. São Paulo: Rideel. passando. Deocleciano Torrieri (Org. acrescido de juros. assim. mentira Eu botava a mão no fogo então Com meu coração de fiador. – o fiador opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as extintivas da obrigafiador ção. por exemplo. e) a fiança na Música O Direito é incrível mesmo! Podemos encontrá-lo em todos os cantos.). a ter o direito de exigir do devedor o reembolso do valor por ele. SIQUEIRA. na perda de direitos que o fiador teria caso efetuasse o pagamento da dívida. o bem aceito em pagamento. se não resultarem apenas de incapacidade pessoal.

Executado pela dívida de seu afiançado.6. executado por Marco Antonio. pois ele não é o devedor principal. ôôô 1. não tendo bens para serem executados. obrigou-se como fiador e principal pagador num contrato de locação. porque sendo ele o executado.CONTRATOs Em EsPÉCIE Fui rezar na Sé prá São José Que eu levava fé no grande amor. Não. Sim. Sim. Tal alegação é procedente? a. cobrar de Mário metade do que pagou a Marco Antonio? FGV DIREITO RIO 128 . pretende Olavo alegar o benefício de ordem.18. sem terem estabelecido o beneficio de divisão previsto no artigo 829.Sim. bancário. num contrato em que o credor é Marco Antonio. Prova: 27º Exame de Ordem . d. mentira Fiz promessa até prá Oxumaré Que subir a pé o redentor. Crasso. Pode Crasso. é de se supor que seu afiançado não tenha bens suficiente para responder pela execução.Crasso e Mário se obrigaram solidariamente como fiadores de Pompeu. b.1ª fase) Olavo Bento de souza. pois no caso há solidariedade passiva. porque ele se obrigou como principal pagador. Como Pompeu não pagou o débito no vencimento. onde figurava como locatário seu amigo Armando Amaro gomes. que não cumpriu a obrigação de pagar o preço ajustado. que não estabeleceu o benefício de divisão com Mário. pagou o débito na sua totalidade. do Código Civil. casado e com 21 anos de idade. c. questões de ConCurso (Prova: 01º Exame de Ordem .2ª fase PROVA DISCURSIVA 4 .

reciprocamente. 365 a 383. vol 3. 2002.307/1996. 1. Na época do pagamento do mútuo. que estava passando por um período financeiramente delicado.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. pág. abr. biblioGrafia CoMPleMentar BENEDETTI JUNIOR. Teresina. eMentário de teMas Transação. 1. o supermercado e o fornecedor chegaram a um acordo e assinaram um termo de transação. A transação é a “composição a que recorrem as partes para evitar os riscos da demanda ou para liquidar pleitos em que se encontram envolvidas. 840 a 853 da Lei n° 10. biblioGrafia obriGatória Arts.19. RODRIGUEs. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Lidio Francisco. 1.19.uol. Direito Civil. Saraiva. com. 2002. AulA 22: TRANSAçãO. as partes divergiram quanto ao valor a ser pago e aos juros incidentes no período. São Paulo: Ed. receosas de tudo perder ou das delongas da lide. Disponível em: <http://jus2. o supermercado quer cobrar o valor do mútuo do fiador. em troca da tranqüilidade que não tem”35. Direito Civil.3. 1. 366. vol 3. COmPROmISSO.5. Após muita discussão. mas sim como um dos modos de extinção das obrigações.19. Silvio. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. decidem abrir mão. 2003. Compromisso. 2006 (em anexo). o Supermercado Pechincha emprestou dinheiro a um de seus fornecedores. de algumas vantagens potenciais. ano 7. 1.4. 64. Silvio. roteiro de aula a) transação O Código Civil de 1916 não tratava a transação como contrato. Comente a situação. págs.asp?id=3951>. 35 FGV DIREITO RIO 129 .19. Caso Gerador Embora não fosse de costume.1. São Paulo: Ed. Jus Navigandi. Atendendo a algumas críticas doutrinárias. de modo que.2.br/doutrina/texto. n. RODRIGUES.19. Saraiva. o novo Código Civil incluiu a transação no rol dos contratos.406/2002. Lei n° 9. Da convenção de arbitragem e seus efeitos. Tendo em vista que o devedor não vem efetuando os pagamentos pactuados no instrumento de transação. Acesso em: 15 ago.19.

406/2002. A transação para extinguir processo judicial em curso deve ser feita por escritura pública ou termo assinado nos autos. Ora.406/2002). nas obrigações que a lei assim o exigir. em troca de desistir da ação judicial. independentes entre si. a transação que não versar sobre objeto de disputa judicial deve ser feita por escritura pública. A lei abranda essa regra ao dispor no parágrafo único desse artigo que “quando a transação versar sobre diversos direitos contestados. E agora? – Acordo entre as partes com concessões recíprocas – na transação. Assim. ou por instrumento particular. A procuração continha poderes específicos para transigir. admite pena convencional36.CONTRATOs Em EsPÉCIE A transação é contrato bilateral e solene. 408 a 416 da Lei n° 10. o fato de não prevalecer em relação a um não prejudicará os demais”. 36 FGV DIREITO RIO 130 . Notamos que o compromisso foi assinado por um procurador do revendedor e pedimos para analisar o teor da procuração que foi outorgada. a existência do processo em si seria uma propaganda negativa para o supermercado. Vale lembrar que. b) Compromisso O compromisso também entrou para o rol dos contratos com a edição da Lei n° 10. após a assinatura do termo de transação. (iii) Assim como os demais contratos. Você concorda com o legislador que entendeu que o compromisso é um contrato? Assim como na transação. o supermercado resolveu assinar um termo de transação com o cliente. Sendo assim. Maria Lúcia descobriu que o processo já havia terminado com sentença favorável ao supermercado. de direito pessoal de família. a procuração deve conter poderes especiais e expressos para transigir. a transação só pode ter por objeto direitos patrimoniais de caráter privado. Recebemos cópia de um termo de compromisso celebrado entre o supermercado e um revendedor. o cliente poderia levar mercadorias do supermercado em valor total equivalente a R$ 200. Isso é suficiente? Arts. de acordo com o parágrafo primeiro do artigo 661 da Lei n° 10. quando for admitido em lei.00.406/2002. (ii) Interpretação restritiva – A transação não pode ser alterada por analogia ou ser utilizada para casos que não estejam expressamente refletidos no instrumento de transação (art.406/2002. só é possível compromisso que envolva direito patrimonial. – Objeto da transação – Conforme art. entre outras. segundo o qual.406/2002. “sendo nula qualquer das cláusulas da transação.406/2002. Elementos da Transação – Divergência entre as partes e a vontade de terminar com ela – as partes podem estar discutindo em juízo ou em vias de fazê-lo. apesar de achar que o supermercado sairia vitorioso da disputa judicial. 848 da Lei n° 10. Não podem ser objeto de compromisso questões de estado. Ocorre que. nula será esta”. 843 da Lei n° 10. ambas as partes devem abrir mão de algo para alcançar a segurança desejada. Princípios que decorrem da natureza jurídica da transação: (i) Indivisibilidade – De acordo com o art. assinado pelas partes e homologado pelo juiz. Maria Lúcia lhe conta que um cliente entrou com um processo contra o Supermercado Pechincha pedindo perdas e danos por ter sido mal atendido no supermercado. 841 da Lei n° 10.

Ademais. que a Arbitragem não se desenvolveu. mas simples tentativa de análise da Lei de 9. geraria para a outra parte apenas o direito a perdas e danos.307. as partes comprometem-se a submeter eventual pendência à decisão do juízo arbitral. de 1916. também. que a questão da constitucionalidade levantada no Supremo Tribunal Federal encontra-se superada. entendia-se anteriormente que. que abrange a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. pois está intrinsecamente relacionada com a livre e voluntária vontade das partes em se submeter à arbitragem.307. esse sistema encontrava-se estagnado. uma vez que.CONTRATOs Em EsPÉCIE Distinção entre compromisso e cláusula compromissória O compromisso é contrato perfeito e acabado. de 23 de setembro de 1996. Hoje. isto é. Qual é a vantagem de se escolher o juízo privado. A temática proposta assume especial relevância. Entretanto. de acordo com a Lei 9. capaz de garantir segurança jurídica às partes que voluntariamente vierem a instituir a cláusula compromissória em seus contratos. em detrimento ao Poder Judiciário. e. com a promulgação da Lei de Arbitragem. posteriormente. Assim. desde a primeira Constituição (1) brasileira. como instrumento eficaz para solução de controvérsias consolida-se FGV DIREITO RIO 131 . as barreiras legais que causavam insegurança jurídica para as partes contratantes foram revogadas. para resolver impasses ou conflitos surgidos num relacionamento pessoal ou negocial. Tem força vinculativa e obriga as partes a submeterem determinada questão ao julgamento de árbitros. de 23 de setembro de 1996. também. através da cláusula compromissória. no que diz respeito à convenção de arbitragem e seus efeitos. comportamento decorrente da cultura e tradição reinante em nosso país. até a promulgação da nova Lei de Arbitragem. embora as partes tivessem acordado de instituírem o juízo arbitral. ainda. Há que se considerar. espero compartilhar as idéias e. devido à insegurança jurídica que o sistema transmitia às partes. com esse simples estudo. Por meio da cláusula compromissória. contemplada no Código Civil Brasileiro (2). “um meio paraestatal de solução de conflitos” (3). uma parte desistisse de celebrar o compromisso arbitral. por exemplo. posteriormente. como a arbitragem. em 1996. Há que se ressaltar. mesmo que o compromisso de arbitragem contivesse a cláusula “sem recurso” as partes poderiam recorrer ao tribunal superior. a Arbitragem. de 1824. ao invés do juízo público? biblioGrafia CoMPleMentar Da convenção de arbitragem e seus efeitos lidio francisco benedetti junior advogado em são Paulo sinopse Nosso estudo trata da convenção de arbitragem. a nova Lei de Arbitragem é considerada um instrumento privado alternativo para solução de conflitos ou. como ensina ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. introdução Este trabalho não consiste num aprofundamento sobre o tema específico. em setembro de 1996. contribuir e divulgar as vantagens que a justiça alternativa proporciona: como ser mais rápida e menos onerosa do que a Justiça Comum. não acompanhou a evolução dos tempos. Já a cláusula compromissória diz respeito a litígio futuro e incerto. no Brasil. Assim. Contudo. Ressalta-se que a arbitragem já estava presente em nosso ordenamento jurídico.

no que pertine à forma de indicação dos árbitros (art. entretanto. convencionam que se ocorrer qualquer impasse ou controvérsia a questão será resolvida pelo procedimento arbitral em detrimento ao Poder Judiciário. livres e voluntariamente. Estas. a cláusula compromissória ou cláusula arbitral. essa cláusula deve ser estipulada por escrito pelas partes. seja no próprio contrato ou em um adendo. Entretanto. conforme é a definição dada pela Lei de Arbitragem. Lei 10. §§ 1o e 2o). De acordo com o artigo 4o. que é firmado quando surge a controvérsia. como Estados Unidos da América. relativas a direito patrimonial disponível. isto é. prazo para o árbitro proferir a sentença arbitral (arts.” (5). as partes envolvidas em algum negócio pessoal ou negocial. a respeito da convenção de arbitragem. é conhecida. dispondo da jurisdição estatal comum. ao prolatar seu voto. no seguinte sentido: “A convenção de arbitragem é a fonte ordinária do direito processual arbitral. como também é conhecida. devem firmar. admitindo a nova lei o compromisso e a cláusula compromissória para resolver divergências mediante o juízo arbitral. SELMA MARIA FERREIRA LEMES. da Convenção de arbitragem e seus efeitos 1. espécie destinada à solução privada dos conflitos de interesses e que tem por fundamento maior a autonomia da vontade das partes. Da Convenção de Arbitragem Por intermédio da convenção de arbitragem (4). 2o. nesse estudo a identificaremos apenas como cláusula compromissória.5o). pontifica que “o Principio da Autonomia da Vontade é a mola propulsora da arbitragem em todos os seus quadrantes. Para tanto. o compromisso arbitral surge apenas quando o conflito já se instaurou e as partes. até como será desenvolvido o procedimento arbitral. ou não. em virtude dela. como afirmamos acima. 1. Com efeito. nasce antes do surgimento do conflito. da lei 9307/96.1. nos termos do artigo 3o da Lei nº 9. para que. para aqueles que procuram rapidez e Justiça na solução do conflito.” (6) Concluindo que: “O objetivo do princípio da autonomia do pacto arbitral é salvar a cláusula compromissória. também. Em recente julgamento. a ilustre Advogada e Membro da Comissão Relatora do Projeto de Lei sobre Arbitragem. conforme adotado pela lei 9.CONTRATOs Em EsPÉCIE no Brasil.2o). espontaneamente. as partes. resolvem que o impasse será resolvido pela Arbitragem. artigo 3o. de comum acordo. a convenção de arbitragem abrange tanto a cláusula compromissória como o compromisso arbitral Assim. eleger a arbitragem institucional (art. Da Cláusula Compromissória A cláusula compromissória. como já mencionado.13).”. cláusula compromissória é “a convenção através da qual as partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir. podem resolver suas controvérsias. optam em submeter os litígios existentes ou que venham a surgir nas relações negociais à decisão de um árbitro. DRA. Japão e países da Europa. cabe frisar que. do contrato arbitrável. que o novo Código Civil.2. A respeito da autonomia da vontade das partes.307/96. Inciso III e 23). como cláusula arbitral. Ao passo que. 1o). 1. desde que não viole os bons costumes e a ordem pública (art. submetendo-se ao juízo arbitral. ou através do compromisso arbitral. através da cláusula compromissória. cabe esclarecer que. se a decisão será de direito ou por eqüidade (art. uma convenção de arbitragem. fortaleceu o instituo da arbitragem no Brasil.” (7). ainda. o ilustre Relator MINISTRO MAURICIO CORRÊA. a Lei de Arbitragem torna-se um instrumento seguro. Cabe frisar.406/2002. Assim. desde a faculdade de as partes em um negócio envolvendo direitos patrimoniais disponíveis disporem quanto a esta via opcional de conflitos (art. contratada anteriormente ao eventual conflito. FGV DIREITO RIO 132 . nos artigos 851 a 853. relativamente a tal contrato. com o mesmo consentimento que encontra em outros países. manifestou-se. possa se julgar a validade. seja material ou formal.307/96. alternativo ao Poder Judiciário. 11.

Importante salientar que. No contrato de adesão. artigos 3o.” (8). conclui-se que a cláusula compromissória é o primeiro acordo de vontade das partes. Assim é que. a cláusula compromissória só terá validade se a mesma estiver em negrito e conter a assinatura. a definição da melhor doutrina. como manifestação de sua vontade em instituir o compromisso arbitral. se posicionou o eminente MINISTRO MAURÍCIO CORREA. Assim. Isto é. surgindo o conflito estão as partes obrigadas. FGV DIREITO RIO 133 .. acordaram pela instituição do juízo arbitral.” (14) 1. Segundo ensina ALEXANDRE DE FREITAS CÂMARA. a cláusula compromissória é independente do contrato negocial.” (11) 1. preventivamente. Nesse sentido.”. se obrigam a submeter-se à decisão do juízo arbitral. Tanto que nos contratos de adesão requer-se destaque e a assinatura especial na cláusula compromissória e. da Lei de Arbitragem. Ou seja. por essa razão a Lei exige a manifestação de vontade das partes ao aderirem à cláusula compromissória. as partes ao acordarem sobre a cláusula compromissória. uma vez acordada. essa distinção “é importante principalmente nos casos em que uma das partes se recuse a. chama-se cheia a cláusula compromissória quando já contém todos os elementos necessários à instauração do processo arbitral (13). em existindo o conflito. celebrar o compromisso arbitral. Espécies da Cláusula Compromissória A respeito da cláusula compromissória é de grande relevância. nos ajustes remissivos não se dispensa que as partes reportem-se expressamente à opção. seja no próprio contrato negocial ou em outro documento aditivo. implícita e remissiva. Nesse sentido. ainda. ou seja.753-7. Força obrigatória da Cláusula Compromissária De acordo com o artigo 8o da Lei de Arbitragem. 4o e 5o). ensina ALEXANDRE FREITAS CÂMARA que a cláusula compromissória é “um contrato preliminar. Entretanto.3. Assim. sob pena de ser declarada nula. é necessário trazer a luz deste estudo. enquanto que. por força da cláusula compromissória. distinguir a cláusula compromissória vazia da cláusula compromissória cheia.2. cuja intenção do legislador foi dar maior segurança às partes que.2.1. a instaurar o compromisso arbitral. surgindo o conflito.307/96. convenção de arbitragem tácita. uma promessa de celebrar o contrato definitivo.2. até pela sua excepcionalidade. especialmente para essa cláusula. Esclarece.CONTRATOs Em EsPÉCIE O texto da lei é claro ao conceituar a cláusula compromissória. ao proferir seu voto em sentença estrangeira contestada nº 6. Não se admite. para que. havendo a recusa de qualquer uma das partes em celebrar o compromisso. a celebrarem o compromisso arbitral. todavia. segundo o ilustre professor WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO a cláusula compromissória (pacto de compromittendo) “constitui apenas parte acessória do contrato constitutivo da obrigação. e a nulidade deste não implica a nulidade daquela. Da autonomia de vontade e forma escrita A cláusula compromissória deve ser estipulada por escrito. 1. que essa promessa gera a obrigação de celebrar o compromisso arbitral. livre e voluntariamente.. tudo o que ali tenha sido estipulado será obrigatoriamente observado pelo juiz ao proferir a sentença do processo a que se refere o artigo 7o. o conflito venha a ser dirimido pelo juízo arbitral. comprometem-se. ela obriga às partes a resolver o conflito através do Juízo Arbitral. é peculiar da cláusula compromissória a autonomia. também. a respeito de qualquer dúvida emergente na execução do contrato. Segundo as melhores doutrinas. as chamadas cláusulas vazias são àquelas que não contemplam os elementos mínimos necessários para instituição da arbitragem (12). Esse é o entendimento da Lei (10). oriunda do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte: “a lei brasileira sobre o tema exige clara manifestação escrita das partes quanto à opção pela jurisdição arbitral (Lei 9.2. do aderente. é a cláusula pela qual as partes. numa possível e futura controvérsia. em conseqüência. que é o compromisso arbitral. substituindo no contrato a clássica cláusula que designa o Foro Judicial. (9). Isto porque sendo cheia a cláusula compromissória.

2 – Da extinção do Compromisso Arbitral O compromisso arbitral extingue-se nas hipóteses do artigo 12. Do Compromisso Arbitral judicial e extrajudicial O compromisso arbitral. (i) quando qualquer árbitro recusar-se. do artigo 7o.307/96. definem todos os aspectos que serão observados no processo arbitral. obrigatoriamente. renunciam à solução no Judiciário. não existe demanda ajuizada. do artigo 9o. é celebrado após o surgimento da controvérsia entre as partes.3. Do Compromisso Arbitral O Compromisso arbitral. deliberado. 1. porém. o compromisso é o ato instituidor do juízo arbitral.CONTRATOs Em EsPÉCIE gera para a outra parte o direito de recorrer à Justiça comum para ver garantido a instauração do procedimento arbitral. e as partes terem deliberado que não seria aceito substituto. da Lei de Arbitragem. a sentença judicial valerá como o compromisso arbitral. A segunda hipótese é tratada pelo §1o do artigo 9o. também. criteriosamente. que é de submeter o conflito à apreciação de um árbitro. (17) A – Do Compromisso Arbitral Judicial De acordo com a Lei de Arbitragem há duas hipóteses de compromisso arbitral celebrado em juízo. que tratam das cláusulas obrigatórias e facultativas do compromisso arbitral. ou seja. A primeira hipótese vem estabelecida no artigo 7o. que submetem esta à decisão de um árbitro. mesmo sem ter combinado. pode ser judicial ou extrajudicial. conforme artigo 9o. da lei de arbitragem. de comum acordo. (15) Ademais. assinado por duas testemunhas. da Lei de Arbitragem. portanto. B – Compromisso Arbitral Extrajudicial O compromisso arbitral extrajudicial vem regulado no § 2o. embora notificado a respeito do prazo de 10 dias para apresentar a sentença arbitral. como uma segunda espécie da convenção de arbitragem. de acordo com a lei. (16) É nesta peça inicial que as partes. Ademais. da Lei de Arbitragem. FGV DIREITO RIO 134 . fazendo com que a outra parte ingresse com um processo judicial requerendo o cumprimento da declaração de vontade instituída no contrato (cláusula compromissória). voluntariamente. Ou ainda. (iii) quando tiver expirado o prazo fixado no compromisso e o árbitro. em favor da arbitragem. ressalte-se que. diferente da cláusula compromissória. decidem optar pela arbitragem. 1. lavrando-se então o compromisso arbitral. que o compromisso arbitral é a convenção em que. mas as partes. a instituição da cláusula compromissória. 1. anteriormente. em litígio na justiça comum. decidem que o conflito existente será submetido à decisão de um árbitro. que não seria aceito substituto em caso de falecimento ou impossibilidade do árbitro proferir seu voto.3. Esse compromisso. o compromisso arbitral. pode ser lavrado por escritura pública ou por documento particular. (ii) quando. §§ 1o ao 7o. Ou seja. Conclui-se. é a primeira peça onde constam as regras que irão reger o processo arbitral. não apresente sua decisão. surgindo o conflito entre as partes esse deveria ser solucionado pela arbitragem. sendo procedente o pedido de instauração do procedimento arbitral.1. antes de aceita a nomeação. e ocorre quando a cláusula compromissória já existe. devendo para tanto. uma das partes impõe resistência para se lavrar o compromisso arbitral. também. Esse é o entendimento do § 7o. As partes. Este compromisso é lavrado quando não foi instituída a cláusula compromissória e. as partes interessadas em resolver a controvérsia existente. serem observadas as regras dos artigos 10 e 11 da Lei 9. manifestando a vontade de solucionar o conflito através da arbitragem. Ocorre quando as partes. desistem do processo judicial e lavram o compromisso arbitral.3.

por entender que a Lei de Arbitragem reflete esse pensamento: “Boa só é a norma que traduz uma aspiração ou uma necessidade reveladas. posteriormente. algumas peculiaridades mais benéficas.307/96. ainda. anteriormente. esta e aquela. em nosso ordenamento jurídico. Podendo. como se encontra normalizado. iniciando. Lei nº 3. a solução de suas controvérsias através do juízo arbitral. de 1o. Alexandre Freitas. art.J. a sentença arbitral tem o mesmo efeito da sentença judicial tendo. – A cláusula compromissória poderá ser acordada no momento judicial do negócio principal ou. afirmar que a arbitragem pode e deve ser utilizada por toda a sociedade brasileira como um instrumento alternativo a Justiça Comum.CONTRATOs Em EsPÉCIE 2. 6. por ser mais ágil e objetiva na solução dos conflitos que envolvam direito patrimoniais disponíveis. p. quando então as partes lavram o compromisso prevendo as regras que serão utilizadas no juízo arbitral e. – O compromisso arbitral retrata o conflito atual e específico. em um adendo. Acórdão de 13/06/2002. poderão as Partes nomear Juízes Árbitros. (18) Por fim. também.Conclusão Diante desse modesto estudo. AASP/Revista do Advogado nº 51. 3o. pela consciência social e humana e não a que impõe a prática de doutrinas eivadas de mero logicismo”. 4. – Não cabe recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário. artigos 1. não tínhamos em nosso ordenamento jurídico.Tribunal Pleno . esses conceitos dispostos na Lei nº 9. no Brasil. o árbitro regularmente escolhido para solucionar e prolatar a sentença arbitral. FGV DIREITO RIO 135 . Aliás. de janeiro de 1996. Ementário nº 2085-2. notas 1. que espontânea e consensualmente optaram por esse sistema privado e alternativo ao judiciário. – É auto-executável. se assim for a vontade das partes. Artigo 164 da Constituição Imperial do Brasil – “Nas causas cíveis e nas penais civilmente intentadas. STF . portanto. 32. reflete a modernidade do mundo globalizado. “era em que o processo jurisdicional fique reservado para aqueles em que nenhuma outra forma de resolução de conflitos foi adequada”. traduzem hoje.753-7 – Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte. Ressalta-se que. A arbitragem. cumpre salientar que. Selma Maria Ferreira. Arbitragem – Lei nº 9307/96.037 a 1048. assim entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. dos pontos relevantes da convenção de arbitragem – cláusula compromissória e compromisso arbitral –. tais como: Japão e Estados Unidos. sem dúvida alguma. essa cláusula refere-se a um conflito futuro e incerto. hoje.307 de 1996 – “ As partes interessadas podem submeter a solução de seus litígios ao juízo arbitral mediante convenção de arbitragem. Câmara. é de que: – A cláusula compromissória poderá ser utilizada antes de surgir à controvérsia. 5. deixando claro que. da Lei 9. 9.Sentença Estrangeira Contestada nº 6. uma segurança maior ao instituto da arbitragem no Brasil o que. instituto utilizado por vários paises.” 2.071. tais como: – É prolatada por um árbitro escolhido livremente pelas partes. Lemes. na perspectiva de ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. Segurança capaz de garantir as partes. D. Essas peculiaridades demonstram a precisão da nossa Lei de Arbitragem. 3. se assim o convencionarem as mesmas Partes. Suas sentenças serão executadas sem recurso. p. uma nova era. a conclusão a que se chega. de 04/10/2002. Princípios e Origens da Lei de Arbitragem. vale transcrever aqui os ensinamentos do ilustre professor VICENTE RÁO.

33. O Direito e a Vida dos Direitos. 12. podendo ser judicial ou extrajudicial. da Lei 9. poderá a parte interessada requerer a citação da outra parte para comparecer m juízo. D. Alexandre Freitas. 319. STF . Curso de Direito Civil. 8. por Ovídio Rocha Barros Sandoval. Carlos Alberto.307 de 1996 – “Nos contratos de adesão. de 04/10/2002. 34.2. 9o.Tribunal Pleno . a cláusula compromissória só terá eficácia se o aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar. Câmara. 10. art.753-7 – Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte. p. 7o. Anotação (114) de atualização da obra. Ementário nº 2085-2. da Lei 9. Carmona. com a sua instituição. Washington de Barros. Acórdão de 13/06/2002. Arbitragem – Lei nº 9307/96. Câmara. Câmara. p. designando o juiz audiência especial para tal fim. da Lei 9. desde que por escrito em documento anexo ou em negrito..” 18. v. FGV DIREITO RIO 136 . p. 53. v. A Aspectos Atuais da Arbitragem. p. Alexandre Freitas. Ibidem. a fim de lavrar-se o compromisso.792. 14. com a assinatura ou visto especialmente para essa cláusula.34 15. p. Ibidem.307 de 1996 – “Existindo cláusula compromissória e havendo resistência quanto à instituição da arbitragem. p. art. Alexandre Freitas. Arbitragem no Brasil no terceiro ano de vigência da Lei nº 93047/96. p. 28. Arbitragem – Lei nº 9307/96. 159. 9. 13. 4o.J. §2o. Arbitragem – Lei nº 9307/96.Sentença Estrangeira Contestada nº 6. art. Ráo.4. Vicente. 17.307 de 1996 – “O compromisso arbitral é a convenção através da qual as partes submetem um litígio à arbitragem de uma ou mais pessoa. expressamente. 11. Monteiro.. p.” 16.CONTRATOs Em EsPÉCIE 7.

Leasing. bra/A.309/96. Partes do Contrato de Leasing e suas Respectivas Obrigações. fundamentais para todo o processo de logística e da distribuição das mercadorias. 1. em sua maioria automóveis compactos. obrigando-se a manter os veículos em perfeito estado de funcionamento. Caso Gerador Durante a diligência legal dos Supermercados Pechincha. troca de peças etc. baseado nas informações fornecidas abaixo. Fran.20. e os caminhões. (iv) o contrato pode ser rescindido a qualquer tempo pela arrendatária. MARTINS.4. Rodolfo de Camargo. utilizados pela administração dos supermercados. do Conselho Monetário Nacional. Direito Civil. tipo vans. 1. 2001. 3. São Paulo: Atlas. Identifique quais os principais aspectos de cada contrato. os quais podem ser separados em três grandes grupos: os veículos leves. 1. os utilitários. 1. 349468. ed. Resolução 2. Classificação e Características do Contrato. 15.2.20.1. (v) o valor da opção de compra no final da vigência do contrato é quase igual ao valor de mercado dos bens arrendados. que servem para realizar pequenas entregas de compras nas redondezas.. biblioGrafia obriGatória Lei n° 6.20. ed.3. Modalidades. foram submetidos à sua análise contratos de “arrendamento mercantil” de veículos da frota do supermercado.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.20.099/74. vol. FGV DIREITO RIO 137 . (ii) a propriedade dos automóveis é da arrendadora. Questões Controversas. 6. Sílvio de Salvo. p. e (vi) toda a manutenção dos carros deverá ser feita em oficinas mecânicas credenciadas junto à arrendadora. 1999. MANCUSO. ço financeiro da conhecida montadora nacional. AulAS 23 E 24: lEASINg. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 571 a 581.20. Rio de Janeiro: Forense. O contrato dos automóveis foi firmado com a Tupinambá Automóveis Arrendamento Mercantil S/A. págs. 2006. biblioGrafia CoMPleMentar VENOSA. eMentário de teMas Introdução e Conceito. que também arcará com os custos da manutenção ordinária. para inserção no seu relatório de diligência legal. (iii) prazo de vigência de 12 meses. e tem como principais caraterísticas: (i) o montante global das contraprestações a serem pagas pela empresa equivalem a 70% do valor de mercado dos carros objeto do leasing. Contratos e Obrigações Comerciais.

com vistas a permitir o avanço das atividades econômicas sem necessariamente aumentar o endividamento das empresas. e (iv) em caso de inadimplemento da obrigação do pagamento mensal. pelas empresas e até mesmo pelas pessoas. (iv) as parcelas serão mensais e sucessivas. em função da deterioração normal do bem. entre 10% e 5% do seu valor de mercado. e a Resolução nº 2. sua utilização iniciou-se nos Estados Unidos. que efetivamente traz regras sobre os contornos jurídicos do contrato. reajustáveis ao final de cada ano de vigência. notificando a arrendadora previamente. conforme delegação da referida lei.CONTRATOs Em EsPÉCIE Os veículos utilitários de médio porte foram objeto de um contrato com a Afro Taboa Administração de Bens Ltda. Embora sua origem remonte a épocas mais remotas. ela terá a opção de renovar o contrato por prazo semelhante.099/1974. com um pequeno decréscimo no valor das parcelas mensais. Sua regulamentação obedece a dois diplomas específicos: a Lei nº 6. Esse contrato prevê que: (i) a arrendatária terá uma opção irrevogável de compra dos bens. os Supermercados Pechincha poderão solicitar o aumento da frota inicialmente objeto do contrato. sem previsão legal expressa no código.000.309.000. roteiro de aula a) introdução e Conceito O contrato de leasing também é conhecido no Brasil como arrendamento mercantil. (ii) durante a vigência do contrato. reajustadas periodicamente conforme a variação do dólar dos Estados Unidos em relação ao Real. ao final do prazo contratual. o contrato prevê que esse valor deverá ser diluído nas prestações mensais. o contrato de leasing dos caminhões foi celebrado com a instituição financeira Ideal S/A Arrendamento Mercantil. Por fim. (iii) o valor unitário da opção de compra de cada bem é de R$12.20. além da opção de compra. (ii) um prazo de vigência de cinco anos. a verificação de sua utilização. de 60 (sessenta) meses. tratou de definir. do Conselho Monetário Nacional. pelo valor unitário de R$3.00. e é objeto de pouca regulamentação legal. ocasião em que a titularidade dos caminhões será transferida. renomada empresa do ramo. valendo o pagamento da última parcela como o exercício da opção. ainda que timidamente. não se responsabilizando a financeira pelo bom funcionamento e manutenção dos caminhões. durante os quais a arrendatária pagará prestações mensais. na década de 1950. FGV DIREITO RIO 138 . mantidas as demais condições contratuais. o contrato logo em seu art. sua utilização foi observada a partir da década seguinte. No Brasil. sociedade limitada constituída conforme o código civil e cujo objeto social é o de administração de bens móveis próprios ou de terceiros. embora seja largamente utilizado no comércio. que. a arrendadora poderá requerer a busca e apreensão dos bens objeto do contrato. 1. 1º. aos Supermercados Pechincha. (iii) ao final do prazo contratual. irrevogavelmente. a arrendadora poderá requerer a busca e apreensão dos bens objeto do contrato.. isto é. parágrafo único. embora trate mais de seus aspectos tributários. e (v) em caso de inadimplemento da obrigação do pagamento mensal. impôs a criação de normas jurídicas sobre o contrato. Todavia. e possui como principais cláusulas: (i) todos os custos de manutenção deverão ser arcados pela arrendatária.00. a qual deverá ir ao mercado e adquirir os bens conforme especificados pela cliente. Trata-se de contrato atípico. no mundo dos fatos. sobretudo na aquisição de veículos automotores.5. e como acontece muito no Direito.

a renovação do contrato ou a compra pelo preço residual conforme estabelecido”. contrariando a orientação anterior que restringia essa modalidade contratual aos bens móveis. são Paulo: Atlas.514/1997 criou a possibilidade de bens imóveis serem objeto de arrendamento mercantil. como se verá. não faria sentido qualificá-lo como mercantil. a compra e venda. na forma e no tempo devidos. e há quem preferiria chamar essa modalidade contratual de “locação financeira”. Assim. Uma boa conceituação é fornecida por Silvio Venosa37. atualmente. faz com que instituição financeira ou especializada o adquira. Suas características serão sempre verificadas no caso concreto. sem dúvida alguma. ed. De fato. hoje em dia há um sem número de pessoas físicas que. Portanto. hoje. como a locação. sílvio de salvo. O contrato. transfere a posse do bem para o arrendatário. pretendendo utilizar coisa móvel ou imóvel. a noção de arrendamento – equivalente. nem sempre o caráter financeiro é o que sobressai na contratação do leasing. como no caso da modalidade operacional. obriga a transferência da propriedade do bem mediante o pagamento do valor previsto no contrato. com uma única causa jurídica. Muitas vezes é a transferência da posse sua característica mais importante. outras cláusulas que sirvam ao interesse das partes. Contudo. de acordo com as cláusulas contratuais negociadas entre as partes. Como na promessa de compra e venda. A doutrina o qualifica como uma relação contratual complexa. A nomenclatura de “arrendamento mercantil” sofre algumas críticas na doutrina. Como no mútuo. Lembre-se sempre: o leasing é um contrato excepcional. 3. muitas vezes o arrendatário é quem trata da escolha dos bens com o vendedor. como a modalidade do leasing financeiro é a mais comum. Como no mandato. Vale ressaltar que boa parte da doutrina o qualifica como uma modalidade de financiamento ao arrendatário. composto de elementos de vários contratos típicos. O que ocorre é que. como veremos adiante. podem ser inseridas no contrato. à transferência da posse do bem – encerra apenas um dos aspectos do contrato. p. Todavia. que não se enquadra. cuidado ao ler os textos sobre o tema. encerra o financiamento do valor global do bem. se tornam arrendatárias em um contrato de leasing. 6. alguns autores tomam a espécie pelo gênero e confundem os contornos dessa modalidade com a do próprio contrato. como a locação. VENOsA. facultando-se-lhe a final que opte entre a devolução do bem. portanto. para quem o contrato é aquele “mediante o qual um agente. no âmbito da autonomia privada. e prevê a cobrança de juros. 37 FGV DIREITO RIO 139 . Além desses caracteres mais usuais. que cria uma solidariedade entre o locatário e a empresa de locação de automóveis quanto à responsabilidade perante os danos causados a terceiros. embora quem vá comprá-lo seja a arrendadora. Direito Civil. de certa forma. a Lei nº 9. o fato de ser multifacetado não faz com que ele deixe de constituir um único negócio jurídico. 571-572. em nenhuma fórmula desenhada aprioristicamente pelo legislador. Além disso. o mútuo e o mandato. 2006. corresponde ao leasing no direito brasileiro. a designação de “arrendamento mercantil” é largamente utilizada e. muitas vezes até sem saber. No entanto. atípico. alugando-o posteriormente a ele por prazo certo. Tanto é assim que a jurisprudência nacional não aplica às operações de arrendamento mercantil a Súmula 492 do STF.CONTRATOs Em EsPÉCIE Além dessas normas. se inicialmente ele era direcionado às empresas. inclusive na contramão da tendência moderna de unificação do direito privado. v.

quando o arrendatário poderá escolher entre exercer a opção de compra. em virtude de sua vigência contínua pelo seu prazo. É também freqüente. hoje. A obrigação fundamental do arrendatário é a de pagar as prestações na forma. mas em regra gera sua extinção e o direito de o arrendador se reintegrar na posse dos bens arrendados. porque o art. Nos dois casos. contanto que não opere com a modalidade financeira. 7º da Res. pois ambos os contratantes têm ônus aos quais correspondem deveres. Deve constar do seu objeto social.CONTRATOs Em EsPÉCIE b) Classificação e Características do Contrato A doutrina considera o contrato: (i) consensual. o arrendatário deveria ser.099/1974. A extinção do contrato se dá. O arrendador. entretanto. caso não haja exercício da opção. O arrendatário é aquele que se utiliza do bem. Ocorre também pelo inadimplemento. a renovação do prazo do arrendamento ou a devolução do bem. mediante o pagamento do restante da dívida. obrigatoriamente. o desenvolvimento dessa atividade. (iv) oneroso. respondendo pelos prejuízos que causar ao bem. o arrendatário possui a obrigação de devolver a coisa no final do prazo contratual. Finalmente. A obrigação primordial do arrendador é a de entregar o bem para o arrendatário. no estatuto. pelo fim do seu prazo. deve necessariamente ser uma sociedade anônima autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil. Todavia. pelo distrato ou pela falência da arrendadora. Tem também a obrigação de receber os bens de volta ao fim do prazo. embora mantenha a sua propriedade. Além disso. mesmo no caso de leasing operacional. valor e tempo estipulados no contrato. e é exclusiva desse tipo de sociedade. principalmente em contratos de leasing financeiro. pelo menos até o exercício da opção de compra. ordinariamente. garantindo a posse mansa e pacífica do seu contratante. conforme determina a Resolução do CMN. 2. FGV DIREITO RIO 140 . C) Partes do Contrato de leasing e suas respectivas obrigações.. conforme a redação original da Lei nº 6. é necessária a autorização de funcionamento do BACEN.309 impõe a forma escrita ao contrato (instrumento público ou particular) e determina a inserção de determinadas cláusulas no seu corpo. a redação desse dispositivo foi alterada e. caso não haja nem a renovação do prazo nem o exercício da opção de compra. uma pessoa jurídica. em prontas condições de uso para a finalidade acordada. a transferência da posse do bem) e para o arrendatário (o pagamento das parcelas convencionadas). Seu inadimplemento terá conseqüências diversas conforme o contrato. Não precisa. pessoas físicas também podem ser parte num contrato de leasing. em que o arrendador responde somente pela manutenção ordinária e pelo desgaste natural do bem arrendado. não sendo necessária a entrega da coisa. Há casos também (sobretudo em contratos relativos a equipamentos de informática) em que a renovação implica em troca dos bens por modelos mais modernos ou mais novos. cada período contando como uma parte da relação contratual. somente operacional. pois a própria manifestação de vontade aperfeiçoa o contrato. São duas as partes do contrato de leasing: o arrendador e o arrendatário. (vi) por tempo determinado e de execução sucessiva. deve o arrendatário zelar pela conservação dos bens. (iii) solene. g. em virtude da liquidez e certeza das prestações. pois encerra obrigação para o arrendador (e. (ii) bilateral. contudo. A expressão “arrendamento mercantil” deve constar de sua denominação. a existência de cláusula que permita o término antecipado do contrato. expressamente. (v) comutativo. ser necessariamente uma instituição financeira. Inicialmente.

são relativamente mais altas. que imediatamente transfere (fictamente) a posse dele de volta para sua antiga proprietária. Em linhas gerais. a interveniência do vendedor do bem no contrato de leasing financeiro. esse agente deva contratar um financiamento direto em seu nome junto ao fornecedor ou a um banco (onde as taxas de juros em geral são bem mais altas). o operacional e o financeiro. Sua lógica econômica é a de constituir um financiamento para um agente econômico (pessoas ou empresas). também conhecido como puro. na medida em que. ao contrário do que ocorre no financeiro. não há interveniência da fornecedora original. especificações técnicas etc. mediante cláusula que reajuste o valor das prestações pela cotação da moeda estrangeira. 318 do código civil.CONTRATOs Em EsPÉCIE Existe. compra o bem do fornecedor. por si só. em geral o arrendador é o próprio fabricante. pois a arrendatária efetivamente recebe recursos em dinheiro oriundos da venda do bem. Finalmente. que também foi inserida na Lei do Plano Real (Lei nº 8. a Resolução 2. é que o bem não é originalmente de titularidade do arrendador. outro traço que difere o leasing do financiamento. o sale lease-back muito se assemelha ao mútuo. como o fato de que a propriedade do bem. Nesse caso. imediatamente após. Nessa modalidade. transfere sua posse ao arrendatário. se a “causa” do contrato é o financiamento. d) Modalidades. existe a modalidade de leasing operacional. como a elas é permitida a captação de recursos no exterior para fazer frente às suas operações. contudo. competindo às partes originárias concordarem sobre os demais termos do arrendamento.880/1994. a regra é que o vendedor esteja no contrato para garantir prazos de entrega. ao contrário do que ocorre no mútuo bancário comum. mas desde o antigo Decreto-Lei nº 857/1969. Por outro lado. o exercício da opção de compra é quase uma certeza. Geralmente pode ser resilido unilateralmente pelo arrendatário. o valor da opção de compra – conhecido comumente como valor residual garantido ou VRG – é de pequena monta se comparado às prestações. pois remuneram não só o uso da coisa como também o seu custo de aquisição. Uma subespécie de leasing financeiro é o conhecido como sale lease-back. Por conta dessas características marcantes de intermediação financeira. e. As prestações. 6º). e foi a partir dele que se desenvolveu originalmente esse tipo de contrato. o leasing financeiro clássico e o lease-back são atividades privativas de instituição financeira. Nesse caso. em muitos casos.309. O novo código não alterou essa sistemática. ainda em vigor. FGV DIREITO RIO 141 . é o tradicional. sem que. o bem arrendado é originalmente de titularidade do arrendatário que. É claro que o leasing financeiro. O leasing financeiro. sujeitas à regulamentação do Banco Central. para a obtenção de capital de giro. que vai ao mercado adquiri-lo conforme as instruções do arrendatário. que transfere a posse dos bens para o arrendatário por um determinado prazo. Nesses casos. se admitia sua pactuação nos contratos de arrendamento mercantil. já sob a forma de leasing.309). para levantar recursos imediatos. sobre os quais incidirão juros e que serão pagos nas prestações periódicas previstas no arrendamento mercantil. durante a vigência do contrato. fica com a arrendadora e não com o financiado. Assim. Do ponto de vista prático. Esse tipo de operação não tem previsão legal no nosso ordenamento. pois o bem já era de propriedade da arrendatária. obrigando-se ainda a prestar assistência técnica e manutenção nos bens arrendados. mas dotado de características próprias. A variação cambial nos contratos é em regra proibida por força do art. art. ocorre que o arrendatário escolhe o bem e o arrendador. Existem duas espécies – embora a autonomia privada possa criar outras figuras ou até mesmo figuras híbridas – de leasing reconhecidas no direito brasileiro (cf.. em que o arrendatário escolhe os bens a serem objeto do arrendamento. vende o bem para a empresa de arrendamento mercantil. Nesse caso. nem mesmo na Resolução nº 2. é um financiamento. o risco da variação cambial pode ser repassado ao arrendatário. ao pagar o preço. na aquisição de um determinado bem.

existem outras características marcadamente do contrato de leasing que permanecem presentes. Essa controvérsia tem grande relevância prática. a propriedade do bem era automaticamente transmitida ao arrendatário. o valor da opção de compra tende a ser expressivo. A primeira delas é a discussão sobre se a diluição do chamado VRG nas demais prestações do contrato descaracteriza o leasing. Posteriormente. que pacificou. Duas delas. sobretudo a partir de janeiro de 1999. embora. transformando-o em compra e venda a prestação”. o valor residual é aquele correspondente à opção de compra conferida ao arrendatário no final do prazo do contrato. a empresa de arrendamento mercantil). No leasing financeiro. apesar da mudança de entendimento do STJ. descaracterizando o arrendamento nessa hipótese. Se no leasing financeiro ressalta-se o caráter do mútuo. quando a mudança do regime cambial brasileiro fez com que a cotação do dólar dos Estados Unidos praticamente dobrasse em menos de um mês. nas próprias prestações periódicas. e uma sociedade de arrendamento mercantil financia o valor. com o preço sendo financiado pelo vendedor (no caso. o contrato de leasing sempre suscitou questões controversas na jurisprudência nacional. a opção de compra. FGV DIREITO RIO 142 . e passou a entender que. no entanto. que caracterizaria o contrato. O consumidor vai à concessionária. o entendimento que “a cobrança antecipada do valor residual garantido (VRG) não descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil”. como não há o caráter financeiro. quando do último pagamento por parte do arrendatário. embora se diluindo o VRG nas demais prestações. atualmente. balizada na melhor doutrina. que editou a Súmula 263. como já vimos. Nesse caso. os contornos próprios do arrendamento mercantil impedem que ele seja caracterizado ou enquadrado como um ou outro. o julgamento no RESP 237. Vide. escolhe o carro. Esse entendimento chegou a ser cristalizado no STJ. na corte superior. no operacional o traço da locação é mais marcante. a possibilidade de repassar para as prestações a variação de moeda estrangeira em relação à moeda nacional também gerou uma enxurrada de ações judiciais. como visto. segundo a qual “a cobrança antecipada do valor residual (VRG) descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil. na hipótese de falta de pagamento das prestações acordadas. descaracterizando na hipótese o contrato como leasing. mas o arrendador não faz jus à retomada do bem. e) questões Controversas. sobreveio o cancelamento da Súmula 263 e a subseqüente edição da Súmula 293. Vale ressaltar que. Com isso. deveria ser cobrada necessariamente ao final do contrato. Talvez pela pouca produção legislativa sobre o tema. o valor referente à opção de compra já estaria quitado e.230/RS no STJ. Esse impacto foi maximizado pelo fato de que. Parte da doutrina passou a enxergar nesse tipo de ajuste uma compra e venda a prestações disfarçada. o inadimplemento gera a resolução do contrato em perdas e danos. portanto. como numa locação comum. enquanto o consumidor usufruta do bem. a corte reviu o seu posicionamento. configurando-se o negócio como compra e venda ou como mútuo. adquiriram maior relevância no cenário jurídico nos últimos anos. como a possibilidade de renovação e a manutenção da propriedade do bem com o arrendador. pois a descaracterização do leasing implica no impedimento da propositura de ação de reintegração de posse. alguns tribunais ainda seguem a linha da Súmula 263. Como vimos. com o reflexo correspondente nos contratos de arrendamento mercantil. por exemplo. a compra de automóveis por meio de um leasing financeiro é uma operação corriqueira. Além disso. o que só faz aumentar a insegurança jurídica no assunto. onde o valor da opção é relativamente pequeno. uma parcela do VRG.CONTRATOs Em EsPÉCIE Nesse caso. todavia. pois as prestações em regra equivalem somente ao custo pelo uso do bem. de modo que. as empresas passaram a embutir.

da legislação especial. com base na legislação vigente. por sua vez.6. diante do inadimplemento de mais de três prestações. o que estaria em desacordo com o código de defesa do consumidor. o STJ tem optado por uma solução salomônica. por não cumprimento do contrato. a jurisprudência tenha chegado a uma conclusão definitiva sobre o assunto. Por um lado. pleiteando a perda das quantias pagas pela arrendatária. seriam abusivas as cláusulas que previam a variação cambial e.. 51.. que arca com todo o aumento. redija um parecer a respeito da questão. que previa a variação cambial. com base na idéia de que o arrendador teria que provar que houve captação de recursos em moeda estrangeira especificamente para o contrato daquele consumidor que estava propondo a ação.. as empresas de arrendamento mercantil defendiam a liceidade do contrato baseado não só no permissivo legal de variação cambial da Lei nº 8. IV. se este ainda conserva as opções previstas para o término do contrato. 6º da Lei nº 8.880/1994. e quais são elas. • (. explicando fundamentadamente o seu ponto de vista. aplicando-se o Código de Defesa do Consumidor.CONTRATOs Em EsPÉCIE Como esses contratos previam a variação cambial. Diante da situação hipotética apresentada acima. por sua vez. 1. g. interpôs ação de reintegração de posse para haver a restituição do bem. 2º do CDC. por isso. portanto.A. firmou com a empresa Arrendamento mercantil s.20. sem que.. não é contrato de consumo e.A. as prestações aumentaram vertiginosamente. A empresa Arrendamento mercantil s. deveriam ser fulminadas com a nulidade prevista no art.880/1994. FGV DIREITO RIO 143 . ao alegar que o arrendatário assinou um contrato – sem a existência de qualquer vício –. contudo.. manifestando válida e livremente a sua vontade. quando for o caso. Essa discussão se arrastou (e ainda se arrasta) nos tribunais. Alguns juízes afastavam o comando do art. • (. em manifesta desvantagem para o consumidor. REsp 727899 / DF).A. não se sujeita ao CDC. diziam se enquadrar perfeitamente no conceito legal de consumidor. como também sob a alegação de que o leasing. entre as operações de captação e de financiamento. e. Os consumidores lesados.)[não relacionada à matéria]. nas tesourarias bancárias e das instituições de arrendamento. • a hipótese da reintegração de posse proposta pela arrendante. na prática. conforme permissão legal. não haveria porque esta disposição ser afastada pelo Poder Judiciário. um contrato de leasing financeiro em que se previa a cobrança antecipada do valor residual garantido (VRg). em dobro. • na hipótese de serem pagas todas as prestações pelo arrendatário. era impossível. não havendo nenhum tipo de exceção à regra estabelecida no art.. questões de ConCurso Petrobras – 2003 – Advogado Júnior A empresa Dinamismo s. e abordando especialmente os seguintes aspectos: • se a cobrança antecipada do VRg descaracteriza o leasing. pela sua estrutura contratual complexa. sobre o qual incidiam juros de 20% ao ano e juros capitalizados.) [não relacionada à matéria] • o direito do arrendatário à restituição de todas as parcelas pagas ou das parcelas pagas a título de antecipação do VRg. sentindo-se prejudicada com os termos do contrato. parou de efetuar o pagamento e pleiteou judicialmente a anulação do contrato. Posteriormente. a empresa Dinamismo s. sendo assim. dividindo pela metade o prejuízo decorrente do aumento das prestações do arrendamento mercantil em virtude da mudança de regime cambial e a conseqüente disparada da cotação da moeda estrangeira (e. Outros preferiam prestigiar a livre autonomia privada. quando já havia pago 75% das prestações. pois não há uma relação determinada de correspondência.A. o que. Todavia. e.

A. AulA 25: RESulTAdO dA dIlIgêNCIA. (ii) Lista de contratos que foram objeto da diligência – O aluno deverá incluir em seu relatório não apenas os contratos que foram efetivamente fornecidos em sala de aula. Vale lembrar que o relatório de diligência da área de contratos deve abranger o maior número de questões que possam vir a afetar a aquisição das quotas do Supermercado Pechincha. Consultor jurídico.2. (iii) Descrição de cada contrato e das questões levantadas durante a diligência que possam ser de interesse ao cliente. (em anexo) 1.21. Locação. Fiança. 1. destacando os problemas encontrados e. analisando aula por aula e relembrando os casos e discussões deste semestre.estadao. trabalHo Hoje os alunos deverão apresentar e discutir em sala de aula o seu relatório da diligência. eMentário de teMas Compra e Venda. Mandato. Jogo e Aposta. assim como questões que possam afetar o funcionamento do supermercado no futuro. O aluno deverá identificar no relatório os contratos a que teve acesso e os que apenas teve conhecimento. Distribuição. O relatório deverá conter três partes: (i) Sumário – com a indicação dos pontos que são mais importantes para o cliente.21. FGV DIREITO RIO 144 . Doação. É preciso dar ao cliente. Prestação de Serviços. Licença e Cessão da Marca. um panorama com a situação atual dos contratos da empresa. Ao elaborar o relatório. Por exemplo: contratos que possam impedir ou dificultar a aquisição do supermercado ou que possam desvalorizar o supermercado no futuro.ago.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Troca ou Permuta. Grana Certa Empreendimentos S. mas também aqueles sobre os quais obtiveram informações. 1. Empreitada.21. Depósito. uma sugestão para resolvê-los ou mitigá-los.br/static/ text/38413.com. Mútuo. Acesso em 04. Comodato. quando possível.1.1. Leasing. Transação e Compromisso.3. Maria Neuenschwander Escosteguy. os alunos deverão aproveitar para fazer uma boa revisão da matéria. Agência.2006. Comissão. Artigo disponível em http://conjur.21.. Seguro. biblioGrafia obriGatória CARNEIRO. Contrato Estimatório. Beabá das fusões Due Diligence jurídica garante lisura de operações.

podendo ser aconselhável em diversos momentos da negociação. determinação de responsabilidades ou outras. Nas fusões e aquisições. Exemplo disso ocorreu recentemente: o controle de uma das 18 empresas do setor de mineração e britas para a construção civil com atuação na região metropolitana de São Paulo condenadas pelo Cade — Conselho Administrativo de Defesa Econômica por formação de cartel para divisão do mercado havia sido adquirido por um novo sócio e. está a necessidade de realização das chamadas “due diligences” jurídicas. no primeiro semestre de 2005. Esta investigação pode abranger aspectos pessoais dos sócios. previdenciário e ambiental. dentre outros. já que eventuais penalidades aplicadas pela Autoridade Antitruste podem representar a eliminação do ganho naquela aquisição. O volume de informações e documentos manuseados em uma due diligence pode ser tão grande que acaba fazendo com que vários profissionais tenham de se acomodar nas sedes das sociedades envolvidas. Esta situação demonstra que assuntos concorrenciais podem afetar a avaliação dos ativos adquiridos em uma operação de aquisição de controle. foi mesmo na prática empresarial que as due diligences jurídicas se firmaram. visando à verificação da situação de sociedades. As due diligences jurídicas podem ser definidas como procedimentos sistemáticos preventivos de revisão e análise de informações e documentos. comparado ao primeiro semestre de 2004. Atrelada a este aumento. estabelecimentos.CONTRATOs Em EsPÉCIE Beabá das fusões due diligence jurídica garante lisura de operações por Maria neuenschwander escosteguy Carneiro Segundo noticiou a Imprensa. identificar problemas a serem resolvidos após a concretização do negócio. com vistas à apuração dos riscos ínsitos à atividade desenvolvida pelas empresas. garantias a prestar. as particularidades inerentes às operações podem exigir o trabalho conjunto de profissionais de várias áreas. Desta forma. fundos de comércio e dos ativos que as compõem. os quais podem gerar responsabilidades vultosas (imediatas e futuras) e que. implicações financeiras. trabalhista. Não menos relevante é a identificação dos passivos tributário. se não forem bem e previamente dimensionados. Releva esclarecer que a due diligence não existe como figura jurídica autônoma na legislação brasileira. FGV DIREITO RIO 145 . Além disso. conceito este que foi sendo trabalhado em decisões dos tribunais norte-americanos. podem até mesmo inviabilizar o projeto empresarial. A identificação de contingências em momento anterior ao closing da operação favorece a empresa interessada. O Cade expôs que a penalidade havia sido imposta à pessoa jurídica e não a seus acionistas e que se o novo sócio entendia-se lesado. após a aquisição. permitindo renegociar o preço final. poderia buscar a reparação de perdas e danos no Poder Judiciário. Assunto discutido entre os especialistas é a abrangência dos relatórios de due diligence. é recomendável uma profunda e pormenorizada investigação em todos os aspectos jurídicos de uma companhia objeto de qualquer modalidade de aquisição. ademais. não foram apresentadas provas ao Cade de que a empresa teria continuado a participar da colusão. Alguns autores informam que as due diligences jurídicas teriam surgido a partir do conceito do Direito Romano “diligentia quam suis rebus” (diligência de um cidadão em gerenciar suas coisas). Contudo. o nível de competição do setor. que as due diligences jurídicas devem identificar também passivos decorrentes de potenciais focos de preocupação concorrencial ou mesmo de investigações em curso pelos órgãos de defesa da concorrência. o potencial de crescimento do negócio. consoante cada caso concreto. o mais adequado é entendê-la como uma metodologia — e não como uma obrigação legal — a ser utilizada opcionalmente pelas partes. Cabe destacar. avaliação dos riscos inerentes. ou mesmo exigir maiores garantias do vendedor. destinando-se sempre à conclusão sobre a viabilidade da operação. houve um aumento de 38% no número de fusões e aquisições.

4 de outubro de 2005. capazes de demonstrar. com muita clareza e com elevado grau de segurança. todas as variáveis que merecem ser analisadas antes da conclusão de negócios envolvendo operações de fusões e aquisições de empresas. a importância da adoção de cuidadosos procedimentos de due diligence. pois.CONTRATOs Em EsPÉCIE Verifica-se. FGV DIREITO RIO 146 . Revista Consultor Jurídico.

órgãos ambientais e órgãos regulatórios.222/0001-22. celebrar. Estaduais. brasileiro. companhia com sede na Rua ABC. o senhor Eduardo Russo pretende outorgar uma procuração a seu filho para que ele o represente. mesmo com as questões encontradas na due diligence. 2222. inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101. Esta procuração terá validade de 30 dias após a data de assinatura do mandato. residente e domiciliado em Brasília. solteiro. empresário. doravante denominada simplesmente “Compradora”. foi a minuta do contrato de compra e venda de quotas abaixo. casado. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy. a aquisição das quotas do supermercado seria um bom negócio. no fechamento do negócio. brasileiro. representada na forma de seu estatuto social. (ii) representar o Outorgante junto às Repartições Públicas.22. Federais. empresário. residente e domiciliado em Brasília. solteiro.002. Cartórios de Protestos de Letras e Títulos. Caso Gerador Após analisar cuidadosamente nosso relatório de due diligence e resolver as questões relacionadas às marcas do Supermercado Pechincha. brasileiro. FGV DIREITO RIO 147 . Municipais e Autárquicas. neste ato representado por seu procurador. alterar. conforme minuta em anexo.1. bem como praticar todos os atos necessários ao fiel cumprimento deste mandato. residente e domiciliado em Brasília. Ele nos mostrou dois documentos que recebeu do advogado do senhor Eduardo Russo e pediu nossos comentários. JEREMIAS RUSSO. brasileiro. Cartórios de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. para (i) celebrar quaisquer contratos. e considerou que. AulA 26: ClOSINg! 1. e EDUARDO RUSSO.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Cidade e Estado do Rio de Janeiro. portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx. casado. estipular ou impugnar cláusulas e condições. que sugestões você poderia fazer na procuração? E se tivéssemos acesso àquela procuração apenas na data da assinatura do contrato e não pudéssemos fazer sugestões antes do closing? Que providência poderia ser tomada para dar mais segurança ao nosso cliente quanto à assinatura do contrato pelo senhor Jeremias? O outro documento que o senhor Odin Heiro nos deu. EDUARDO RUSSO. inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101. Sendo assim. ou seja. Fica vedado o substabelecimento dos poderes outorgados por este mandato. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE QUOTAS GRANA CERTA EMPREENDIMENTOS S/A. Jeremias Russo. fomos chamados para ajudá-lo no closing. empresário. portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx. inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202. prorrogar. Secretaria de Estado de Negócios da Fazenda Estadual. Eduardo Russo Relembrando o que aprendemos na aula de mandato. Não tendo certeza de que poderá comparecer pessoalmente ao evento de assinatura do contrato de compra e venda das quotas. Distrito Federal (“Outorgado”).22. O primeiro deles é uma minuta de procuração. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy. Juntas Comerciais. PROCURAÇÃO Pelo presente instrumento particular de mandato. Distrito Federal. Distrito Federal (“Outorgante”) nomeia e constitui como seu bastante procurador. rescindir e assinar quaisquer contratos em nome do Outorgante. o senhor Odin Heiro regateou com o senhor Eduardo Russo o preço das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda. empresário. inscrita no CNPJ sob o n° 002.

DISPOSIÇÕES GERAIS 4. mediante a assinatura da competente alteração do contrato social da Sociedade. total e ajustado para a aquisição das Quotas é de R$ 1. plena. Distrito Federal. O não exercício ou atraso por qualquer das Partes e/ou da Sociedade.002/0001-00.]. CLÁUSULA SEGUNDA .. CLÁUSULA TERCEIRA – TRANSFERÊNCIA DAS QUOTAS 3. de acordo com as seguintes cláusulas e condições: CLÁUSULA PRIMEIRA . com todos os respectivos direitos e obrigações. 1.1. Uma vez creditado na conta-corrente do Vendedor. 2. a totalidade de suas Quotas representativas do capital social da Sociedade à Compradora.1 abaixo. o Vendedor cede e transfere.].1..] da agência [. cessionários e representantes legais.000. O Vendedor. doravante denominado simplesmente “Vendedor”.] do Banco [.. O presente Contrato é celebrado em caráter irrevogável e irretratável e obriga e aproveita às Partes e à Sociedade.00 (duzentos e cinqüenta mil reais) pagos neste ato. Distrito Federal..000. turbações.. e.] da conta-corrente nº [.1 acima. sociedade com sede na Quadra XYZ.] da agência [.2. encargos. Pelo presente Contrato e na melhor forma de direito. e (ii) O Vendedor deseja alienar as Quotas. gravames.. declara que as Quotas foram regularmente integralizadas e se encontram inteiramente livres e desembaraçadas de ônus.. na qualidade de interveniente-anuente: PECHINCHA COMÉRCIO VAREJISTA LTDA. mencionado na Cláusula Segunda..]. A transferência das Quotas será formalizada no ato do pagamento pela Compradora. o pagamento das parcelas que perfazem o Preço.. a qualquer título..1. pelo preço certo e ajustado estabelecido na Cláusula 2. mediante depósito na conta-corrente nº [. inscrita no CNPJ sob o n° 000. O Vendedor e a Compradora (doravante referidos simplesmente como “Partes”) têm.] do Banco [.00 (quinhentos mil reais) a serem pagos um ano após esta data.. representada na forma de seu contrato social. e (b) R$ 250. da totalidade do Preço devido ao Vendedor. por meio da entrega pela Compradora ao Vendedor do cheque administrativo nº [. usufrutos ou qualquer outra restrição à posse e/ou a qualquer outro direito inerente a tais Quotas. mediante depósito na conta-corrente nº [.. 4. a ser pago pela Compradora ao Vendedor da seguinte forma: (a) R$ 250.1.FORMA DE PAGAMENTO 2... CONSIDERANDO QUE: (i) O Vendedor é legítimo possuidor e proprietário de x quotas representativas de 99% (noventa e nove por cento) do capital social da Sociedade (“Quotas”). (c) R$ 500. residente e domiciliado em Brasília.. CLÁUSULA QUARTA .] do Banco [. seus sucessores.DA COMPRA E VENDA DAS QUOTAS 1.. ainda. rasa e geral quitação com relação ao valor pago. e que a Compradora deseja adquiri-las..00 (um milhão de reais) (“Preço”).000.000.1. herdeiros. O preço certo. o Vendedor outorgará à Compradora. entre si. constantes do item 2. no exercício de qualquer direito previsto neste Contrato deverá ser interpretado individualmente e não poderá ser considerado como renúncia por FGV DIREITO RIO 148 . Brasília.CONTRATOs Em EsPÉCIE inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202.000. e somente poderá ser alterado por instrumento escrito devidamente assinado por todas as Partes.. doravante denominada simplesmente “Sociedade”.000.] da agência [. nos termos ajustados pelo presente instrumento. neste ato..1.. justa e contratada a celebração do presente Contrato de Compra e Venda de Quotas (“Contrato”)..00 (duzentos e cinqüenta mil reais) a serem pagos em até 90 dias a contar desta data.2.

por qualquer motivo. comportam execução específica. 4.1 do presente Contrato será de exclusiva responsabilidade da Compradora. do Código de Processo Civil. Nome: CPF/MF: Grana Certa Empreendimentos S/A 2. 4. constitui título executivo extrajudicial.3.1. aqui contidas. se essa disposição suprimida prejudicar a execução deste Contrato. assinado por 02 (duas) testemunhas. se formalizada mediante instrumento escrito assinado pelas Partes e pela Sociedade. O presente Contrato constitui o acordo final. Rio de Janeiro. entendimentos e declarações anteriores. Entretanto.8. orais ou escritos. na presença de 02 (duas) testemunhas.9. essa disposição será suprimida e não terá nenhuma força e efeito. Tendo em vista que somos advogados da compradora: (a) que alterações poderíamos propor na minuta acima? (b) que novas cláusulas poderíamos sugerir? FGV DIREITO RIO 149 . a esse respeito. e somente produzirá efeitos.CONTRATOs Em EsPÉCIE qualquer das Partes ou novação de qualquer obrigação contida neste Contrato. Toda e qualquer alteração das disposições do presente Contrato somente será válida e exeqüível.4. 4. as demais disposições serão modificadas para preservar sua exeqüibilidade. assim como as obrigações de fazer. Fica ajustado entre as Partes que as despesas decorrentes do arquivamento da alteração contratual referida na cláusula 3. O presente Contrato ou quaisquer direitos e/ou obrigações dele oriundos não poderão ser cedidos sem o prévio e expresso consentimento das Partes e da Sociedade. 4. entretanto a respectiva comunicação de alteração de endereço só tornarse-á efetiva após o recebimento pela outra Parte e/ou pela Sociedade. inclusive quaisquer despesas decorrentes de serviços profissionais por ele contratados. Nome: CPF/MF Cabe notar que se trata de minuta bem simples e similar à minuta que analisamos em nossa segunda aula. conforme o caso. substituindo todos os acordos. 4. nos termos do artigo 585. Eduardo Russo Pechincha Comércio Varejista Ltda. As Partes declaram e reconhecem que o presente Contrato. as Partes assinam este Contrato em 03 (três) vias de igual teor e efeito. à exclusão de qualquer outro. Testemunhas: 1. 4. [dia] de novembro de 2006.10. sendo considerada como mero ato de liberalidade. E por estarem certas e ajustadas. anulada ou inexeqüível. a qualquer tempo. 632. por mais privilegiado que possa ser. Todas as notificações e comunicações a serem feitas com relação ao presente Contrato serão elaboradas por escrito e serão enviadas para os endereços constantes do preâmbulo deste Contrato (i) por meio de Cartório de Títulos e Documentos. 4. para dirimir quaisquer questões oriundas deste Contrato.7. 4. 4. inciso II. (ii) por meio de carta registrada. 639 e seguintes do Código de Processo Civil. Quaisquer dos endereços constantes do preâmbulo poderão ser alterados. cabal e exclusivo entre as Partes com relação à compra e venda das Quotas. mediante comunicação dada na forma prevista acima. nos termos dos artigos 461. Na hipótese de qualquer disposição ou parte de qualquer disposição deste Contrato ser tida como nula.8.6. ou (iii) com outra comprovação inequívoca de recebimento.5. Fica eleito o foro da Comarca do Rio de Janeiro.

FGV DIREITO RIO 150 . Ex-professor de Direitos Autorais da UERJ. Ex-Procurador. Autor do livro “Direitos Autorais na Internet e o Uso de Obras Alheias”. Trabalhou por mais de 5 anos em escritório no Rio de Janeiro. Especialista em Propriedade Intelectual pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio.CONTRATOS EM ESPÉCIE SÉRGIO VIEIRA BRANCO JÚNIOR Professor de direito da graduação e da pós-graduação na FGV DIREITODIREITO RIO.Chefe do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação – ITI. Graduado em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Ex-Coordenador de Desenvolvimento Acadêmico do Programa de Pós-Graduação da FGV Direito Rio. Doutorando e Mestre em Direito Civil pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Líder de Projetos do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV DIREITODIREITO RIO.

CONTRATOs Em EsPÉCIE FICHA TÉCNICA fundação getulio Vargas carlos ivan simonsen leal presidente fgV direito rio Joaquim falcão diretor fernando penteado VICE-DIRETOR ADmINIsTRATIVO luís fernando schuartz VICE-DIRETOR ACADÊmICO sérgio guerra VICE-DIRETOR DE PÓs-GRADUAÇÃO PROFEssOR COORDENADOR DO PROGRAmA DE CAPACITAÇÃO Em PODER JUDICIÁRIO luiz roberto Ayoub ronaldo lemos COORDENADOR DO CENTRO DE TECNOLOGIA E sOCIEDADE evandro menezes de carvalho rogério barcelos COORDENADOR ACADÊmICO DA GRADUAÇÃO COORDENADOR DE ENsINO DA GRADUAÇÃO tânia rangel COORDENADORA DE mATERIAL DIDÁTICO COORDENADORA DE ATIVIDADEs COmPLEmENTAREs Ana maria barros Vivian barros martins COORDENADORA DE TRABALHO DE CONCLUsÃO DE CURsO COORDENADOREs DO NÚCLEO DE PRÁTICAs JURÍDICAs COORDENADORA DE sECRETARIA DE GRADUAÇÃO COORDENADOR DE FINANÇAs COORDENADORA DE mARKETING EsTRATÉGICO E PLANEJAmENTO lígia fabris e thiago bottino do Amaral Wania torres diogo pinheiro milena brant FGV DIREITO RIO 151 .

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