CONTRATOS Em ESPÉCIE

por: Carolina Sardenberg SuSSekind CriStiano ChaveS de Melo laura FragoMeni

2ª edição

roteiro de curso 2008.2

Contratos em Espécie
introdução .................................................................................................................................................. 03 1.1. AulA 1: clAssificAção dos contrAtos. elementos essenciAis. ........................................................................... 06 1.2. AulA 2: contrAto de comprA e VendA ............................................................................................................. 10 1.3. AulA 3: contrAto de comprA e VendA (cont.)- cláusulAs especiAis dA comprA e VendA .......................................... 26 1.4. AulA 4: trocA ou permutA. contrAto estimAtório........................................................................................... 31 1.5. AulA 5: doAção .......................................................................................................................................... 33 1.6. AulA 6: contrAto de locAção. locAção de coisAs. ............................................................................................ 38 1.7. AulA 7: contrAto de locAção (locAção de prédios urbAnos –– locAção residenciAl) ........................................... 43 1.8. AulA 8: contrAto de locAção ....................................................................................................................... 48 1.9. AulA 9: empréstimo (comodAto) ................................................................................................................... 52 1.10. AulA 10: empréstimo (mútuo)..................................................................................................................... 57 1.11. AulA 11: prestAção de serViços. empreitAdA ................................................................................................ 61 1.12. AulA 12: depósito ..................................................................................................................................... 64 1.13. AulA 13: mAndAto ..................................................................................................................................... 67 1.14. AulAs 14 e 15: comissão. AgênciA e distribuição (representAção comerciAl)..................................................... 71 1.15. AulA 16: Análise de contrAtos ................................................................................................................... 92 1.16. AulA 17: licençA e cessão de mArcAs............................................................................................................ 93 1.17. AulAs 18 e 19: Jogo e ApostA. seguro.......................................................................................................... 120 1.18. AulAs 20 e 21: fiAnçA. .............................................................................................................................. 125 1.19. AulA 22: trAnsAção. compromisso. ........................................................................................................... 129 1.20. AulAs 23 e 24: leAsing.............................................................................................................................. 137 1.21. AulA 25: resultAdo dA diligênciA.............................................................................................................. 144 1.22. AulA 26: closing! .................................................................................................................................... 147

sumário

CONTRATOs Em EsPÉCIE

INTROduçãO

1.1 Visão Geral Bem-vindo ao Curso de Contratos em Espécie! Esta disciplina é de suma relevância, pois qualquer que seja o ramo do direito que venha a ser escolhido pelo aluno no futuro, seja público ou privado, uma boa base em direito civil, incluindo contratos em espécie, será sempre exigida. Aliás, independentemente do ramo de atividade escolhido, o conhecimento de contratos em espécie é fundamental, tendo em vista que diariamente nos deparamos com inúmeros contratos, seja, no aluguel de um imóvel, em um empréstimo no banco, ou mesmo na simples compra de uma passagem de ônibus. Veremos que o novo Código Civil (Lei nº 10.406/2002) incluiu, no rol de contratos em espécie, contratos que anteriormente eram tratados apenas pelo Código Comercial, como o contrato de comissão, agência e distribuição. Em nossas aulas estudaremos boa parte dos contratos nominados ou típicos, ou seja, aqueles disciplinados no Código Civil, assim como alguns contratos inominados ou atípicos, que, embora não sejam previstos e disciplinados expressamente pela lei, são lícitos e parte do dia-a-dia do intérprete do Direito, como o contrato de leasing e o contrato de cessão de marca.

1.2 objetiVos Gerais O mercado exige, cada vez mais, a participação do advogado como viabilizador do negócio, auxiliando o executivo a negociar o contrato e atuando sempre na advocacia preventiva. Desta forma, nosso objetivo, além de ensinar (é claro), será o de fazer com que o aluno conheça os diversos tipos de contrato e saiba identificar seus requisitos necessários e seus vícios para a conclusão do negócio. Queremos preparar o aluno não apenas para a prova, mas principalmente, provê-lo com as ferramentas (objetivo do curso) que o habilite a identificar as características dos principais contratos do nosso ordenamento jurídico, não só com a abrangência que a matéria requer, mas também com a profundidade necessária de um bom enfoque acadêmico e prático, para que, com isso, ele possa ter um diferencial na sua vida profissional.

1.3 MetodoloGia A metodologia do curso será participativa com exposição dialogada e debates sobre casos propostos. Na próxima aula apresentaremos o caso mestre, que será o fio condutor da disciplina. Por meio dele, os alunos serão convidados a integrar a equipe responsável pela análise de contratos em uma due diligence fictícia. Dessa forma, os alunos terão contato com as diversas espécies de contratos e com os possíveis problemas enfrentados no dia-a-dia de um advogado. Adicionalmente, em todas as aulas serão apresentadas questões, relacionadas ao tema exposto para que sejam debatidas em aula. Para tanto, vale lembrar que: – como todas as aulas serão participativas, a leitura prévia do material didático e da leitura obrigatória é indispensável. – a indicação da bibliografia obrigatória e da bibliografia complementar deve servir de base para o aluno. Espera-se, porém, que o aluno pesquise textos adicionais que possam dar enfoques diferentes ou mais profundos sobre o mesmo tema.
FGV DIREITO RIO 3

CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. (ii) uma prova escrita a ser realizada na última aula do curso. A participação do aluno em aula valerá até 2. a média de aprovação a ser alcançada é de 6. nova data e horário serão divulgados com antecedência para os alunos.Manual do Professor. As provas serão compostas de até cinco questões. sem comentários ou anotações. Prova escrita: Para ambas as provas o aluno poderá consultar a legislação pertinente. deverá fazer uma prova final. conforme a participação do aluno durante o curso.0 (sete) e superior ou igual a 4. A segunda prova valerá de 0 (zero) a 8. e (iv) participação em sala de aula. A discussão de casos em todas as aulas servirá justamente para estimular o aluno a pensar a teoria na prática.5 Métodos de aValiação O desempenho do aluno na disciplina Contratos em Espécie será avaliado por meio das seguintes atividades: (i) uma prova escrita a ser realizada no início de outubro.0) + trabalho (5. Participação em aula: Os alunos deverão participar ativamente das aulas. A média do aluno será obtida da seguinte forma: Média final = primeira prova (5. um dos principais desafios a serem enfrentados pelos alunos nesta disciplina.0 pontos na nota da segunda prova. adquirido a partir do estudo e de pesquisa. A avaliação por participação será feita com base no interesse demonstrado pelo aluno. salvo orientação distinta por parte do professor. que será somado na segunda prova. A princípio. leitura do material indicado.0) 2 O aluno que obtiver média inferior a 7. para elaborar as respostas. é saber aplicar o conhecimento teórico. Poderá ser atribuído até 2.0 (quatro) pontos.4 desafios Tendo em vista o grande número de contratos no Código Civil e a abrangência da matéria. a primeira prova será realizada na primeira semana de outubro e a segunda prova será realizada na semana de 21/11 a 24/11. e.0) + participação (2.. nas quais o aluno deverá demonstrar o domínio da matéria em casos teóricos e práticos. 1. O aluno que obtiver média inferior a 4. Para os alunos que fizerem a prova final.0 (seis) pontos. conhecimento e discussão dos casos apresentados.0) + Segunda prova (8. somente com remissões a artigos e súmulas dos tribunais superiores. presença e pontualidade nas aulas.0 (oito) pontos.0 (cinco) pontos e será somada ao trabalho que também valerá de 0 (zero) a 5.0 (dois) pontos. FGV DIREITO RIO 4 . A primeira prova valerá de 0 (zero) a 5.0 (quatro) estará automaticamente reprovado na disciplina.0 (cinco) pontos. (iii) um trabalho a ser entregue individualmente pelos alunos. Caso haja modificação no cronograma que implique em alteração na data das provas. a qual será obtida conforme fórmula constante no Manual do Aluno . em casos práticos.

o professor poderá propor atividades adicionais que valerão 0. quando possível. cada aluno deverá apresentar relatório apontando os problemas encontrados na diligência legal. Caso haja modificação no cronograma que implique em alteração na data da entrega do trabalho. as formas de solucioná-los.5 (meio ponto) cada uma. FGV DIREITO RIO 5 . nova data e horário serão divulgados com antecedência para os alunos. Os pontos adicionais serão somados à nota da segunda prova. conforme os casos apresentados durante as aulas. 1. seus riscos e. Ao longo do curso serão fornecidas mais informações sobre como elaborar o trabalho.CONTRATOs Em EsPÉCIE trabalho: Na segunda semana de novembro.6 atiVidades CoMPleMentares Dependendo do andamento das aulas.

São Paulo: Ed. Nosso curso será voltado ao estudo dos contratos em espécie. Saraiva.1. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. biblioGrafia CoMPleMentar: • WALD. Instituições de Direito Civil.2. 1. os alunos tiveram oportunidade de fazer o curso de Teoria Geral das Obrigações e dos Contratos. Joaquim Portes de Cerqueira César e Roberto Rosas (coord). 2002. Dentre outros. Aspectos Controvertidos do Novo Código Civil. 1. São Paulo: Saraiva. Validade e Eficácia. (ii) interpretação dos contratos.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Caio Mário da Silva.1. eMentário de teMas: Introdução. e (v) extinção dos contratos. – idoneidade do objeto. Rever aula 2 do curso de Teoria Geral das Obrigações e dos Contratos. 2003.1. 27 a 48. porém. 2002.1. 1. Direito Civil. (iv) revisão dos contratos. a ele são aplicáveis os mesmos elementos constitutivos e os pressupostos de validade do negócio jurídico1. 1 FGV DIREITO RIO 6 . 2005. quando da substância do ato. analisaremos os elementos e requisitos para existência e validade do contrato e a classificação dos contratos. Existência e validade do contrato. In ARRUDA Alvim. Rio de Janeiro: Forense. Arnoldo. ElEmENTOS ESSENCIAIS. roteiro de aula a) introdução No semestre passado. Silvio. págs. AulA 1: ClASSIfICAçãO dOS CONTRATOS. vol. A evolução do contrato no terceiro milênio e o novo Código Civil. biblioGrafia obriGatória: • RODRIGUES. Classificação dos contratos.4. págs 59 a 77.1. (iii) formação dos contratos. • PEREIRA. – forma.3. vol. III. 30 a 35. b) existência e validade do contrato Sendo o contrato um negócio jurídico.1. 3. Negócio Jurídico – Existência. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Hoje. 1. págs. • AZEVEDO. Antonio Junqueira de. São elementos constitutivos: – vontade manifestada por meio de declaração. aprenderam os seguintes tópicos: (i) princípios da nova teoria contratual..

Já no contrato real. Qual é a importância de distinguir o contrato gratuito do oneroso?– Comutativos e aleatórios Essa distinção aplica-se apenas aos contratos bilaterais e onerosos. certo? Como podemos dizer que um contrato é unilateral? Qual é a importância de distinguir o contrato unilateral do bilateral? – Onerosos e gratuitos Os contratos onerosos envolvem sacrifícios e vantagens patrimoniais a ambas as partes. no máximo. Relacionamos abaixo alguns exemplos: [i – classificação dos contratos quanto a sua natureza:] – Unilaterais e bilaterais Afinal. C) Classificação dos contratos Qual é o objetivo de classificar os contratos? Embora haja consenso na doutrina sobre boa parte da classificação dos contratos. Exemplo: contrato de compra e venda de bem móvel. Conforme bibliografia complementar. exige apenas o consentimento das partes.CONTRATOs Em EsPÉCIE Caso um desses elementos não esteja presente. o que ocorre é uma promessa de contratar. o mero acordo entre as partes não é suficiente para constituir o contrato. Nesta aula usaremos por base a metodologia de Silvio Rodrigues. Os requisitos de validade estão previstos no art. – forma prescrita ou não defesa em lei. Já os contratos gratuitos envolvem sacríficio econômico para apenas uma das partes e consequentemente vantagem patrimonial a apenas uma delas. – objeto lícito. o negócio jurídico nem mesmo existirá. o contrato em si é um ato bilateral. mas recomendamos que o livro de Caio Mario da Silva Pereira2 também seja estudado. 2 FGV DIREITO RIO 7 . determinado ou determinável. possível. Estando ausente algum desses requisitos. Qual é a importância de distinguir o contrato comutativo do aleatório? [ii – classificação dos contratos quanto ao seu aperfeiçoamento:] – Consensuais e reais O contrato consensual não requer a entrega do bem para aperfeiçoamento do contrato. conforme o ponto de observação do estudo. o contrato será nulo ou anulável O elemento novo e inerente ao contrato é o acordo entre duas partes sobre determinado assunto. O exemplo tradicional de contrato gratuito é a doação sem encargo. Uma mesma espécie de contrato pode ser classificada de inúmeras maneiras. cada autor tem um enfoque diferente ao tratar dessa matéria. O donátario recebe algo do doador e nada lhe dá em retorno. 104 do Código Civil: – agente capaz.

Há. porém. são permitidos quando lícitos. no entanto. 425 da Lei nº 10.CONTRATOs Em EsPÉCIE Isso ocorre. Como pela regra geral. Como diz o próprio nome. não é verdadeira. o contrato não se aperfeiçoa por mais que haja um contrato entre mutuante e mutuário. 462 a 644 da Lei nº 10. nulo será o contrato acessório.406/2002. não há forma prescrita em lei para que sejam válidos. – Solenes e não solenes Geralmente os contratos são não solenes. conforme a espécie de contrato. em razão do princípio da autonomia da vontade (art. Qual é a importância de distinguir o contrato solene do não solene? [iii – classificação dos contratos quanto a sua sistematização:] – Nominados e inominados Nominados são os contratos previstos e regulados por lei. [v – classificação dos contratos quanto ao momento de sua execução] – Execução instantânea e de execução diferida no futuro Qual é a importância de distinguir o contrato de execução instantânea do contrato de execução diferida no futuro? [vi – classificação dos contratos quanto ao seu objeto] – Definitivo e preliminar O contrato preliminar tem sempre como objeto a realização de um contrato definitivo. [iv – classificação dos contratos quanto ao seu relacionamento com os demais contratos:] – Principais e acessórios O contrato que independe de outro para existir é o contrato principal. o acessório segue o principal. Inominados ou atípicos são os contratos que. no mútuo.406/2002). A recíproca.406/2002). ou seja. É o caso do contrato de compra e venda de imóvel de valor superior a 30 (trinta) vezes o maior salário mínimo vigente no país e que tem que ser feito por escritura pública (art. se o contrato principal é nulo. apesar de não estarem disciplinados em lei. existe em função de outro contrato. As peculiaridades do contrato preliminar estão previstas nos arts. já que o contrato principal sobrevive sem o contrato acessório. FGV DIREITO RIO 8 . por sua vez. se o mutuante não empresta o dinheiro ao mutuário. O contrato acessório. trata-se do contrato que trata do assunto definitivamente. 108 da Lei nº 10. O contrato definitivo pode ter vários objetos. por exemplo. A fiança é um bom exemplo de contrato acessório ao contrato de locação. alguns casos em que o legislador achou por bem determinar forma para a validade do ato.

Efetivamente existente. 1. no qual as partes discutem os termos do negócio. cabendo a outra parte aceitá-las ou rejeitá-las em sua totalidade. b. joGo – disCussão eM sala de aula Contrato/ Classificação Unilateral Bilateral Oneroso Gratuito Comutativo Aleatório Consensual Real Solene Não solene Nominado Inominado Principal Acessório Execução Instantânea Execução diferida no futuro Definitivo Preliminar Paritário De adesão Compra e Venda locação doação Empréstimo fiança mandato fornecimento de energia FGV DIREITO RIO 9 .CONTRATOs Em EsPÉCIE [vii – classificação dos contratos quanto à maneira como são formados] – Paritários e de adesão Ao contrário do contrato paritário. 1. Formal.1. As regras foram previamente estipuladas por uma das partes. ou seja. Que tem por objeto coisas corpóreas.6. Os artigos 423 e 424 mostram a preocupação do legislador em tentar preservar o aderente. no contrato de adesão não há espaço para negociação. Em que a entrega da res é pressuposto da sua existência.1ª fase) o contrato real é um contrato: a. d.5. aquele que não pôde negociar as cláusulas do contrato. c.1. questões de ConCurso (Prova: 10º exame de ordem .

o senhor Eduardo foi paulatinamente transferindo a administração de seus negócios para seus filhos.2. São Paulo: Ed. AulA 2: CONTRATO dE COmPRA E VENdA 1. transferindo o fundo de comércio para a Pechincha Ltda. 137 a 169. Com o passar dos anos.). Maria Lúcia sempre teve tino para os negócios.4.1. Cerca de dez anos após o começo das atividades. e sempre foi capaz de enxergar uma boa oportunidade. Jairo (org. Reorganização societária. Com o passar do tempo. com três lojas e um armazém. alugando outras e. 2005.2. Direito Civil. O que começou com uma loja de conveniência. abriram o primeiro mercadinho. In SADDI. Fusões e aquisições: aspectos jurídicos e econômicos. Edmundo. Um velho comerciante de Brasília resolveu aposentar-se e voltar a morar com a filha.2. no interior de São Paulo. Leandro Santos de (coords. a pequena empresa de Eduardo e Mônica foi experimentando um contínuo sucesso e o negócio foi crescendo junto com seus filhos gêmeos. • RODRIGUES. Maristela Sabbag. na década de 80. eMentário de teMas: Introdução – Natureza Jurídica – Elementos – Despesas do Contrato e Garantia – Riscos da Coisa – Limitações à Compra e Venda – Regras Especiais 1. 2002. a Pechincha Comércio Varejista Ltda. 99-121. biblioGrafia CoMPleMentar: • NEJM. Saraiva. Caso Gerador O Sr. vendendo-lhes algumas posses. 1. biblioGrafia obriGatória: • Arts. 2002. São Paulo: Quartier Latin. págs. foi brindada com uma oportunidade de expansão dos seus negócios.2. BRUNA. Dessa forma. 1.2. 3. quando nosso cliente a procurou para lhe fazer uma proposta de compra da Pechincha Ltda. Rodrigo R. Monteiro de. Silvio.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. porém. Sucessão Empresarial – Declarações e Garantias – O Papel da Legal Due Diligence. e recebeu autorização deles para iniciar as conversas com o interessado. 205-219.2. ARAGÃO.). • ABLA. dona Mônica. Eduardo e sua mulher. mesmo diante da resistência inicial de seus pais e seu irmão. rapidamente ocupou um lugar cativo na vizinhança e a freguesia se tornou cada vez mais fiel. Sérgio Varella. Jeremias e Maria Lúcia. conseguiu convencê-los de que se tratava de uma chance de ouro para a família. In CASTRO. de uma maneira geral.. sendo que antes decidiu conferir a Eduardo e Mônica a condução dos seus negócios. que visava atender apenas a região. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. A partir de então. págs.406/2002. FGV DIREITO RIO 10 . vol.3. 481 a 504 da Lei nº 10. Due diligence – identificando contingências para prever riscos futuros. o senhor Eduardo ampliou seus negócios e hoje é sócio majoritário de uma sociedade que possui uma modesta rede de supermercados. págs. em Brasília. São Paulo: IOB.

é a espécie mais comum dos contratos. chamado de critério de materialidade. e a escassez de bons supermercados na região. A diligência legal tem por objetivo conhecer os aspectos jurídicos da empresa. não transfere. com negócios na área atacadista pretende começar a atuar no segmento de distribuição alimentícia. sendo que outros contratos. O contrato de compra e venda gera: para o vendedor. sejam eles tributários. a obrigação de pagar o preço ajustado. verbal ou escrito. compramos um chiclete na barraquinha. começaria o processo de diligência? Quais seriam os primeiros contratos que você solicitaria ao advogado da Pechincha Ltda. bem como de uma tentativa de identificação de suas dívidas ou passivos mais relevantes.5. de forma que os potenciais compradores saibam o que realmente estão comprando. Esse relatório serve de instrumento para que o potencial comprador pondere se deve prosseguir com a aquisição do negócio. por si só. estamos realizando pequenas operações de compra e venda. ambientais etc. Além disso. Não é à toa que essa é a primeira espécie a ser tratada pelo Código Civil. presidida pelo senhor Odin Heiro. roteiro de aula a) introdução O contrato de compra e venda. o domínio do bem alienado.? Quais os riscos que. quais são os riscos a que estaria submetido. Porém. O contrato de compra e venda não gera efeitos reais. destacando todos os pontos e questões identificados durante o processo de diligência legal e que podem afetar a situação financeira e legal da companhia. Ao fim do processo de diligência legal. Coube a nós. Por exemplo. a transferência do domínio só ocorre com a tradição (entrega) do bem. que é um investidor profissional. cíveis. e. contratos e demais áreas que envolvam valor igual ou superior ao critério de materialidade. são regulados também pelas disposições do contrato de compra e venda. motivo que o levou a se interessar pela Pechincha Ltda. ou seja. vamos ao supermercado. Como de costume em negócios deste gênero. muitas vezes é elaborado um relatório descrevendo a situação da empresa. Nesses casos. Como você. nosso primeiro trabalho será realizar uma due diligence ou diligência legal ou auditoria jurídica na companhia Pechincha Ltda. Em nosso dia-a-dia realizamos inúmeras operações de compra e venda. na qualidade de advogado da Grana Certa S/A. se o fizer. muitas vezes sem prestar atenção. a companhia Grana Certa Empreendimentos S/A. os compradores estabelecem um valor base para análise dos aspectos jurídicos. como permuta. a tarefa de fazer a diligência legal na área de contratos da Pechincha Ltda. Para tanto.CONTRATOs Em EsPÉCIE Nosso cliente. você concentraria mais sua atenção? Que problemas você vislumbra que ela pode ter nos contratos existentes? 1. Isso normalmente se dá por meio de uma análise de todas as operações da empresa. a obrigação de transferir a coisa vendida. com o exame criterioso de seus contratos. quando saímos para jantar. deveremos solicitar todos3 os contratos da empresa a ser adquirida. dada a fidelização da clientela do senhor Eduardo. para o comprador. 3 FGV DIREITO RIO 11 . O resultado de uma diligência legal pode determinar o sucesso ou não da operação e geralmente influi no preço a ser pago. trabalhistas. então. vislumbrou a possibilidade de expandir ainda mais os negócios. a diligência é feita apenas nos processos judiciais ou administrativos.2. no caso de Dependendo do tamanho da empresa. considerando o negócio por ela desenvolvido.

Importante: o contrato de compra e venda de imóvel realizado por meio de instrumento particular é negócio jurídico existente. que só será obrigatória quando prevista especificamente em lei. a observância de determinadas formalidades poderão alterar os efeitos do contrato. Na venda de bem imóvel de valor superior a 30 (trinta) vezes o maior salário mínimo vigente no país. em regra. Estando ambas de acordo com o objeto e o preço. um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa. formalidade específica para o contrato de compra e venda. [sinalagmático (ou bilateral)] Envolve prestações recíprocas de ambas as partes. 482.406/2002) Os artigos 481 e 482 da Lei 10. embora não formalizada em contrato escrito. 1. Não se exige. quais sejam: FGV DIREITO RIO 12 . Pelo contrato de compra e venda.267 e 1. e o outro. [oneroso] Tanto o comprador quanto o vendedor tem prestações a cumprir. C) elementos: Os elementos do contrato de compra e venda encontram-se destacados em negrito no artigo 482 acima. O correspondente gratuito da compra e venda é a doação. b) natureza jurídica: [consensual e (em regra) não solene] Depende apenas da vontade das partes. “Art. mas somente entre as partes.406/2002 dispõem: “Art. necessitam de um determinado registro para que a tradição do bem – apesar de móvel – tenha sua eficácia plena. Tanto é assim que a compra de um chiclete no baleiro da esquina perfaz uma compra e venda perfeita. válido e plenamente eficaz. podemos extrair a natureza jurídica e os elementos do contrato de compra e venda. Pode-se dizer. 481. a pagar-lhe certo preço em dinheiro”. (arts. Todavia. para algumas espécies de compra e venda. que envolvem transferência de seu patrimônio. desfigura o contrato. O comprador deve entregar o preço enquanto o vendedor deve entregar a coisa. expressa na desproporção manifesta entre o valor da coisa transferida e o preço acordado. o contrato é realizado. considerar-se-á obrigatória e perfeita. inclusive perante terceiros. A partir da leitura desses dois artigos. quando pura. sem medo de errar. Cite um exemplo. não se pode esquecer que. desde que as partes acordarem no objeto e no preço”. embora não necessitem de formalidades especiais para seu aperfeiçoamento.CONTRATOs Em EsPÉCIE bem móvel. A compra e venda.245 da Lei n° 10. Existem outros contratos que. é necessária a realização de contrato escrito mediante escritura pública e seu registro no RGI para que gere efeitos perante terceiros. e com o registro do título de compra no Registro de Imóveis na hipótese de bem imóvel. A gratuidade da compra e venda. que a maioria esmagadora das operações de venda é feita sem formalidades específicas previstas em lei.

As partes podem. como as marcas e o fundo de comércio. Ou seja. as despesas de escritura e registro ficam a cargo do comprador e as despesas com a tradição ficam sob responsabilidade do vendedor. em certo e determinado dia e local. Marvin (comprador) e Vital (vendedor) firmaram contrato de compra e venda no qual deixaram de definir o preço. que é possível alienar um empreendimento imobiliário. Imagine que Eduardo inovou desta vez: comprou-lhe a constelação das Três Marias!!! Ela lhe pergunta quanto vale esse presente. ser ajustado no tempo. não tem qualquer valor econômico. desde que possam ser determinados objetivamente. [preço] Conforme artigo 481 da Lei n° 10. Os bens imateriais. a lei permite que o preço não esteja determinado no contrato e que as partes indiquem: (i) terceiro para fixá-lo. o preço não deve ser irrisório. todas as coisas que não estejam fora do comércio podem ser objetos do contrato de compra e venda. A fixação do preço em regra segue o livre consentimento das partes. Por quê? Isso não quer dizer. porém. ou seja. o contrato de compra e venda não transfere o domínio do bem. Pode o preço. – É possível alienar algo que não existe? Nada impede que seja contratada a alienação de um bem que ainda não existe. de acordo com a combinação das partes. qualquer fórmula estipulada para fixação do preço é permitida. Ele representa a obrigação de transferir um bem no presente ou no futuro. entretanto. pois senão pode ser considerado uma doação e não uma compra e venda. Tanto é assim. O preço deve ser determinado ou determinável. Como visto acima. Um pouco constrangido (a) com a situação. mesmo após a tradição do objeto o preço pode estar sujeito a ajustes posteriores. estabelecer que o preço será fixado de acordo com a vontade de apenas uma das partes. Como vimos anteriormente. porém. ou (iii) índices ou parâmetros. [coisa] Em teoria. pois nesse caso seria uma hipótese de condição potestativa4.406/2002. ou (ii) taxa do mercado ou da bolsa. Sua amiga. o preço deve ser pago em dinheiro. 4 FGV DIREITO RIO 13 . mesmo antes da construção dos prédios. Relembrando: Condição potestativa é aquela que é sujeita ao puro arbítrio de uma das partes. deve haver uma proporcionalidade entre o valor da coisa e seu preço. que só podem ser objetos de venda os bens tangíveis. também podem ser alienados. Mônica. embora possa ter muito valor sentimental. ou intangíveis. estabelecer regra diversa. você explica que esse presente. no direito brasileiro.406/2002. Qual seria um outro exemplo de venda de coisa futura? d) despesas do contrato e garantia Em regra. Por quê? Além disso. conta que está super empolgada com o presente que ganhou do namorado. E agora? Não é possível.CONTRATOs Em EsPÉCIE [consentimento ] Comprador e vendedor têm que chegar a acordo quanto ao objeto e o preço. Sendo assim. inclusive. vedada pela Lei n° 10.

406/2002: “se. Não seria justo. ainda que em hasta pública. – o comprador solicita que a coisa seja entregue em local diverso daquele que deveria ser entregue. marcar ou assinalar a coisa e. os bens confiados à sua guarda ou administração. Esta hipótese é uma exceção ao princípio da Res perit domino. quem tem que cumprir primeiro com sua obrigação: o vendedor ou o comprador? Além disso. sobrevier a uma das partes contratantes diminuição em seu patrimônio capaz de comprometer ou tornar duvidosa a prestação pela qual se obrigou. 492. no caso de venda a termo. o vendedor pode deixar de entregar a coisa. Isto ocorre nas seguintes situações: – tutores. até que o comprador lhe dê garantia de que efetuará os pagamentos no prazo ajustado. Esse princípio foi utilizado pelo legislador ao determinar. se o comprador torna-se insolvente. 477 da Lei nº 10. peritos e outros serventuários ou auxiliares da Justiça não podem comprar. Por isso. em razão de caso fortuito ou força maior. Há uma diferença entre elas. mas sim da posição na relação jurídica. Essa vedação não resulta da incapacidade das pessoas para realizar essa operação. – o comprador está em mora de receber a coisa. que foi posta à disposição pelo vendedor no local. os bens ou direitos sobre que se litigar em tribunal. ou a que se estender a sua autoridade. entretanto. que o vendedor arcasse com os riscos da coisa. a coisa se deteriora. – servidores públicos não podem comprar. arbitradores. Art. secretários de tribunais. Essa regra do art. os riscos com a coisa são do vendedor. até o momento de sua efetiva entrega ou registro. juízo ou conselho. ou que estejam sob sua administração. Qual é? e) riscos da coisa Res perit domino – princípio segundo o qual a coisa perece em poder de seu dono. eles não têm legitimidade para realizar determinadas operações. 495 está em consonância com a previsão da exceção de contrato não cumprido5 estudada anteriormente. os riscos com a coisa correm por conta do comprador quando: – a coisa encontra-se à disposição do comprador para que ele possa contar. pois neste caso não houve a tradição da coisa. ainda que em hasta pública. tempo e modo acertado. direta ou indireta. depois de concluído o contrato. os bens ou direitos da pessoa jurídica a que servirem. a coisa continua a pertencer ao alienante.CONTRATOs Em EsPÉCIE No contrato de compra e venda à vista. Tendo em vista que a celebração do contrato de compra e venda não é suficiente para transferir o domínio da coisa até o momento da tradição (para bens móveis) e do registro (para bens imóveis). no art. pode a outra recusar-se à prestação que lhe incumbe. sofrendo este os prejuízos. 5 FGV DIREITO RIO 14 . os riscos da coisa correm por conta do vendedor. ainda que em hasta pública. No caso. Porém. f) limitações à compra e venda A lei veda que determinadas pessoas participem de compra e venda. – houver mútuo acordo entre as partes. uma vez que cumpriu sua parte do contrato. testamenteiros e administradores não podem comprar. curadores. no lugar onde servirem. que “até o momento da tradição. até que aquela satisfaça a que lhe comete ou dê garantia bastante de satisfazê-la”. – juízes. e os do preço por conta do comprador”.

Já no caso de venda ad corpus. Esse artigo sofre críticas de importantes autores. rescindir o contrato de compra e venda. o contrato de compra e venda de imóveis se apresenta da seguinte forma: a. bilateral. Nestes casos. [defeito oculto nas vendas conjuntas] “Art. Quais são elas e como esse artigo deve ser interpretado para atenuar as críticas? 1. d. oneroso. entende-se que a referência à medida do terreno é meramente enunciativa.6. bilateral. O objetivo do adquirente é comprar uma coisa com determinado comprimento necessário para desenvolver uma finalidade. – descendentes não podem adquirir bens do ascendente.CONTRATOs Em EsPÉCIE – leiloeiros e seus prepostos não podem adquirir. Consensual. ele precisa oferecer aos demais condôminos sua parte pelo mesmo preço e condições pelos quais pretende vender a terceiros. Oneroso. não formal e consensual. [venda ad corpus e venda ad mensuram] Venda ad mensuram – as partes estão interessadas em uma determinada área. caso verifique que as medidas do imóvel adquirido não correspondem exatamente as medidas que constaram do contrato. formal e aleatório. Embora em alguns casos seja difícil determinar se a venda foi feita ad mensuram ou ad corpus. ou caso isso não seja possível. Consensual. O comprador tem direito de receber coisa igual à amostra. o comprador tem o direito de exigir que a coisa vendida tenha as medidas acertadas e não o tendo pode pedir a complementação da área. No caso de venda ad mensuram. desde que dê direito de preferência aos demais condôminos. independentemente da extensão. bilateral. Exemplo: Fazendeiro tem interesse em adquirir a Fazenda Boa Esperança. sem consentimento expresso dos demais descendentes e do cônjuge do alienante. oneroso e não solene. Nas coisas vendidas conjuntamente. ou seja. os bens de cuja venda estejam encarregados. o defeito oculto de uma não autoriza a rejeição de todas”. por vezes essa distinção se faz necessária em razão das regras peculiares a cada uma. questões de ConCurso (Prova: 29º Exame de Ordem . Venda ad corpus – as partes estão interessadas em comprar coisa certa e determinada. ainda que em hasta pública. O que ocorre se houver mais de um condômino interessado em adquirir a quota parte a ser alienada? G) regras especiais [venda por amostra] Ocorre quando a venda ocorre com base em amostra exibida ao comprador. o comprador não teria esse direito. oneroso e solene.2. Bilateral. c. 503. FGV DIREITO RIO 15 .1ª fase) Quanto à classificação. b. Quais são os motivos pelos quais o legislador resolveu restringir a aquisição pelas pessoas elencadas acima? O condômino de coisa indivisível pode alienar sua parte a terceiros. Exemplo: Fazendeiro tem interesse em adquirir mil hectares para poder plantar.

7. antes de vendê-la a um estranho.1ª fase) A compra e venda de bens móveis é contrato: a. Na venda “ad mensuram” as referências às dimensões do imóvel são meramente enunciativas. Unilateral. configura: a. A título gratuito. Necessariamente ao comprador b. podendo haver disposição em contrário d. Neste caso. não existe proibição. Necessariamente ao vendedor c. É válida a venda de ascendente solteiro a descendente. I . falta de capacidade. referentes à sociedade limitada a ser adquirida e. quando da realização de avença c. Não se transfere o domínio dos bens móveis. c.1ª fase) A quem cabem as despesas com a escritura de compra e venda de imóvel residencial? a.1ª fase) A proibição de venda do ascendente aos descendentes sem a concordância dos demais.1ª fase) Com relação ao contrato de compra e venda. Comutativo. (Prova: 03º Exame de Ordem . se for o caso. aos demais condôminos (Prova: 26º Exame de Ordem . Transfere-se o domínio de qualquer bem imóvel. Transfere-se o domínio dos bens móveis. d. Formal. Desde que haja capacidade.1ª fase) Considerando-se o instituto da tradição no direito civil. não cabendo demanda quanto a uma eventual diferença nas medições d. Modelo de lista de due diliGenCe DILIGÊNCIA LEGAL Durante a diligência legal serão analisadas cópias dos documentos abaixo discriminados. d. ao desejar vender a sua parte no bem. c. dar direito de preferência na aquisição. podemos afirmar que: a. Falta de legitimação. 1. bastará que a sociedade formule declaração por escrito nesse sentido.CONTRATOs Em EsPÉCIE (Prova: 27º Exame de Ordem . podendo haver disposição em contrário (Prova: 05º Exame de Ordem . que obtém o consentimento dos demais descendentes. O condômino em coisa indivisível. b. FGV DIREITO RIO 16 .2. a todas as suas controladas e coligadas. deve. Falta de aptidão intrínseca do agente. NÃO É CORRETO afirmar: a. d. Executam-se as obrigações assumidas verbalmente. Ao vendedor. ainda que haja capacidade. incapacidade de fato.NOTA INTRODUTÓRIA: Alguns dos documentos solicitados podem não existir ou não ser aplicáveis à sociedade objeto da diligência legal e. Falta de legitimação. se for o caso. É nula a pactuação firmada que deixa ao exclusivo arbítrio de uma das partes a fixação do preço b. (Prova: 05º Exame de Ordem . Ao comprador. c. a suas controladas e coligadas. b. b. tanto por tanto.

Fornecer cópias dos modelos de contratos-padrão utilizados pela sociedade. associação ou “joint venture”. Contratos de consórcio. Planos de Opção de Compra de Ações/Quotas oferecidos aos seus administradores e/ou empregados. com identificação de seus sócios. Registro das ações ou quotas de outras sociedades de que participa a sociedade. 16. 19. valor. arquivados ou não na sede da sociedade. FGV DIREITO RIO 17 . Acordo de Sócios e Aditivos.CONTRATOS: 17. vencimentos. informando objeto. contratos de assistência técnica e/ou contratos de franquia ou outros contratos envolvendo bens de propriedade intelectual eventualmente firmados pela sociedade.ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DA SOCIEDADE: 1. bem como respectivas cópias. II . Relatório indicando todas as procurações outorgadas pela sociedade (ad judicia e ad negotia). direito autoral. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de licença e/ou cessão envolvendo marcas. Lista dos nomes dos sócios. promessas de compra e venda. Contrato constitutivo da sociedade e respectivas alterações contratuais posteriores. 5. 18. Todos os Livros Societários da sociedade. III . Convenção de grupo de sociedades de que a sociedade participe. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de distribuição. filiais (com os respectivos números de inscrição no CNPJ). acompanhados dos respectivos certificados de averbação no INPI e de registro no Banco Central. 6. patentes. subsidiárias. situação (adimplemento ou inadimplemento). 3. Em caso de cisão ou redução do capital social da sociedade. incluindo suas funções e responsabilidades. bem como as suas respectivas publicações. 9. Organograma societário da sociedade. Lista de endereços completos de todos os escritórios. 11. 2. Fornecer lista elaborada pela administração da sociedade contemplando todos os contratos em vigor dos quais a sociedade seja parte signatária ou interveniente. representação comercial e de fornecimento (ativo ou passivo) envolvendo a sociedade. prazo e com o fornecimento das respectivas cópias. garantias. a fim de agilizar o procedimento de sua identificação e análise. as certidões a serem providenciadas deverão abranger a matriz e todas as filiais. membros da administração da sociedade que ocupam e/ou ocuparam tais cargos durante os últimos 02 (dois) anos. Protocolos de cisão. 21. cláusulas estabelecendo proibição de ultrapassar determinado limite entre capital próprio e capital de terceiros (“debt/ equity”) e etc. cauções e outros gravames. 12. controladas e demais sociedades nas quais participe. 15. incorporação e fusão em que tenha sido parte a sociedade ou tendo por objeto suas quotas. com comprovantes de arquivamento na Junta Comercial e respectivas publicações. Solicitamos que os documentos sejam ordenados e/ou relacionados seguindo a ordem e numeração constante deste check list. Demonstrações financeiras da sociedade. 13. desenhos industriais. Certidão de Breve Relatório da Junta Comercial competente.CONTRATOs Em EsPÉCIE Se a sociedade mantiver filiais.). contratos de transferência de tecnologia. bem como Atas de Assembléias ou Reuniões de Sócios. Informar sobre a eventual existência de inadimplemento de cláusulas contratuais contendo obrigações de caráter econômico-financeiro (tais como cláusulas limitando o futuro endividamento da sociedade. Opções. cópia das publicações exigidas em lei. 10. 4. coligadas. depósitos e quaisquer outras operações da sociedade. se existentes. 20. tendo por objeto as quotas da sociedade. 8. especialmente o de Atas de Assembléias ou Reuniões de Sócios. 7. 14.

caução) em favor da sociedade e respectivas certidões ou. 31. penhor. 33. FGV DIREITO RIO 18 . 31. 31. e/ou outros instrumentos de natureza financeira. 31. 31. 28. 38.6. Informar sobre e fornecer cópia de documento de constituição de garantias pessoais (e.g fiança. incluindo. 31. com a informação. da eventual cessão pelo beneficiário das referidas notas. assistência técnica ou serviços de qualquer outra natureza. que não tenham sido previstos na presente lista. mas não se limitando a: 35. caução) concedidas pela sociedade em favor de terceiros ou. hipoteca. Informar sobre e fornecer cópia de compromissos. 42. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de prestação de serviços de publicidade e propaganda. Obras intelectuais de titularidade da sociedade. 30. Todos os softwares criados pela sociedade. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantia pessoal (e. Informar sobre e fornecer cópia de Notas Promissórias emitidas pela sociedade. penhor. finalmente.2. se de conhecimento da mesma. Informar sobre e fornecer cópia de Cartas de Conforto (comfort letters) ou quaisquer instrumentos.g hipoteca. tais como: 31.1.g fiança. 26. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de locação.. Fornecer todas as apólices de seguros contratados. ou modifiquem seus termos. cartas de intenção ou entendimentos com terceiros em que a sociedade figure como parte. 40. bem como comprovação de poderes de representação do signatário do garantidor. ainda. 41. arrendamento mercantil ou comodato de bens imóveis ou móveis. 32. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de prestação de consultoria. instrumentos tendo por objeto alienação fiduciária e compra e venda com reserva de domínio. 25. 34. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantias reais (e. Marcas. instrumentos tendo por objeto alienação fiduciária de bem da sociedade ou compra e venda com reserva de domínio. Desenvolvimento de software. 39. IV . Licenciamento de software. que definam o modo de cumprimento de cláusulas contratuais. patentes e/ou desenhos industriais depositados/registrados. Informamos. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de empréstimo ou financiamento (inclusive por meio de emissão de valores mobiliários). 24. Processos administrativos apresentados contra marcas de terceiros no Brasil e/ou no exterior. 27.PROPRIEDADE INTELECTUAL: Solicitamos informações e cópias de todos os bens e documentos referentes à propriedade intelectual da sociedade no Brasil e em outros países. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantias reais (e. Manutenção de software. cujas cópias deverão ser igualmente fornecidas. Nomes de domínio registrados pela sociedade. correspondências. aval) concedidas pela sociedade em favor de terceiros. Informação acerca de segredos de negócio de propriedade da sociedade. ainda. 29.4. aval) em favor da sociedade.CONTRATOs Em EsPÉCIE 22.g. Manutenção de hardware. acordos laterais etc. 23. Processos administrativos e/ou judiciais envolvendo os bens de propriedade intelectual da sociedade.5. 37.3. 36. Todos os softwares utilizados pela sociedade. que qualquer referência a contratos inclui seus aditivos e anexos. Locação de hardware. Serviços técnicos. Informar sobre e fornecer cópia de contratos na área de tecnologia da informação.

Fornecer toda documentação (Instruções Normativas. utilização de créditos extemporâneos. formalmente protocoladas perante os órgãos da administração tributária. com negativa de ônus/servidões/alienações. (ii) início do parcelamento. 47. Consultas fiscais. de todos os valores pendentes de tributação eventualmente registrados na parte B e demonstrativo do prejuízo fiscal acumulado e da base negativa da Contribuição Social. Prova da propriedade dos bens móveis de valor individual acima de R$10.no âmbito federal. Portarias. Disponibilizar o LALUR referente ao último ano.CONTRATOs Em EsPÉCIE 43. Qualquer outra documentação que seja relevante e/ou que afete os bens de propriedade intelectual da sociedade. com a mesma data do último Balancete que será disponibilizado.PROPRIEDADES E ATIVOS: 44. 54. estaduais ou municipais) concedidos à sociedade. ainda. 52. (v) garantia oferecida. Informações sobre aproveitamento de créditos tributários. 51. repetição do indébito. Relatório atualizado discriminando parcelamentos de tributos da sociedade e/ou participação em programas de recuperação fiscal (“REFIS” ou “PAES” . já utilizados e a utilizar. cujas decisões foram proferidas nos últimos 5(cinco) anos. 55. As 3 (três) últimas demonstrações financeiras e os 3 (três) últimos Balancetes consolidados da sociedade. já em reais. Relatório atualizado identificando todos os eventuais benefícios fiscais e/ou tratamentos fiscais (federais. envolvendo a sociedade. indicando: (i) tributo parcelado. referente aos últimos 05 (cinco) anos. tendo por objeto matéria tributária. inclusive certidões atualizadas com filiação vintenária. a existência de eventuais requerimentos ou questionamentos pendentes quanto aos mesmos. direitos de retenção ou qualquer outra forma de restrição de qualquer natureza sobre qualquer ativo da sociedade listando tais ativos e os relacionando aos respectivos processos judiciais ou administrativos. bem como da ausência de aforamento (enfiteuse). com a indicação. estadual ou municipal. Toda e qualquer documentação relativa a penhores. Certidões negativas relativas ao IPTU. etc. acompanhados dos receptivos termos. (iii) número de parcelas. FGV DIREITO RIO 19 . nos níveis federal. V . estadual ou municipal).) relacionada ao regime especial e/ou benefício fiscal concedido à sociedade até a presente data. (vi) documentação apresentada à autoridade fiscal competente discriminando os débitos fiscais incluídos no REFIS e/ou PAES e (vii) prova de quitação de todos os pagamentos até a presente data. dos registros de imóveis competentes. expedidas pelos Municípios onde se encontram os imóveis da sociedade.000. Prova da propriedade dos bens imóveis da sociedade.. (iii) existência ou não de medida judicial que permita a utilização dos créditos. declarações. cartas de representação e/ou outras informações formais prestadas pelos administradores aos auditores. 46. 53. VI – ASPECTOS FISCAIS: 48. garantias. (ii) valores envolvidos. (iv) quantidade de parcelas pagas. para fins de auditoria. Certidões negativas do INSS relativas aos bens imóveis da sociedade. Pareceres dos auditores independentes. 50.00 (dez mil reais) integrados ao ativo da sociedade. Informar. indicando (i) forma do aproveitamento: compensação com outros tributos. 49. Caso a sociedade possua bens imóveis: 45. etc.

66. 65. bem como Trabalhistas. 63. COFINS. CSLL. (vii) chances de êxito e respectivo critério utilizado. Secretaria Estadual de Fazenda e Secretaria Municipal de Fazenda indicando os processos administrativos. PIS). instauradas por órgãos governamentais ou terceiros. inclusive parcelamentos em andamento.CONTRATOs Em EsPÉCIE VII . (v) valores envolvidos (atualizados ou em UFIR). cobrindo o período de 10 (dez) anos (i. 60. IPI. Fornecer originais de Certidões de Dívida Ativa – (CDA) em nome da sociedade. bem como de relatório emitido pela Secretaria da Receita Federal. FGV DIREITO RIO 20 .e. relativamente a tributos federais. tais como. 61. com relação a cada um de seus estabelecimentos ou filiais. Caso tenha havido alteração de sede nos últimos 05 (cinco) anos. e referentes a processos administrativos. Estadual e municipal. recursos e acórdãos. execução ou cumprimento. ainda. Fornecer originais de Certidões atualizadas dos cartórios distribuidores de ações da Justiça Federal. Criminais e Fiscais. e. identificando todos os eventuais processos fiscais.LITígIOs JUDICIAIs OU ADmINIsTRATIVOs: Certidões: 56. notificações. Composição analítica das principais contas que compõem depósitos judiciais e provisões para contingências fiscais e suas correlações com os processos fiscais administrativos e judiciais em andamento. (iv) andamento (status) atualizado. Disponibilizar cópias das peças fundamentais dos processos fiscais. Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais processos de desapropriação em que a sociedade figure como autora. 58. Justiça Estadual e Justiça do Trabalho das comarcas da matriz e onde a sociedade mantém estabelecimentos ou filiais. Fornecer originais de Certidões atualizadas do INss (CND). judiciais e administrativos em que a sociedade seja parte ou tenha interesse. ainda não inscritos em dívida ativa. Relatórios: 62. Certidões da Justiça Federal dos Distribuidores de Ações e Execuções Cíveis. Interdições e Tutelas.. (iii) objeto e fundamentos do pedido. Certidões dos Cartórios de Protestos de Letras e Títulos). Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais intimações. sentenças. Fornecer originais de Certidões de quitação de Tributos e Contribuições Federais – “CQTF” (IR. ré ou terceira interessada) ou em vias de ser iniciados. Certidões de quitação de Tributos Estaduais (ICms) (Certidão de quitação de Tributos Estaduais) e Certidões de quitação de Tributos municipais (ISS) (Certidão de quitação de Tributos Municipais). contestação. em nome da sociedade. Fornecer Relatório elaborado pelos advogados responsáveis pelos respectivos casos. abrangendo todas as suas filiais.. (vi) valor da causa. estaduais e municipais. judiciais e administrativos. expedidas pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Fornecer originais de Certidões atualizadas passadas por todos os Cartórios de Protestos das comarcas onde a sociedade mantém estabelecimentos ou filiais. com a estimativa de valores envolvidos. inspeções ou investigações realizadas. pendentes de julgamento. abrangendo feitos Cíveis. Criminais e Fiscais e Certidões da Justiça Estadual dos Distribuidores Cíveis e Fiscais e Certidões dos Distribuidores da Justiça do Trabalho). Falências e Concordatas (i. (ii) foro. 64. inicial. com a indicação de: (i) tributo envolvido. Certidão de Quitação do FgTs. pendentes (nos quais a sociedade figure como autora. despachos. passadas em nome da sociedade. as duas últimas para cada estado ou município onde a sociedade possui estabelecimentos. 59. favor solicitar as certidões aplicáveis também em relação ao(s) antigo(s) endereço(s). 57. em curso em nome da sociedade. (viii) provisões e/ou depósitos judiciais e (ix) quaisquer informações relevantes com respeito a tais processos.e.

Fornecer Relatório contendo informações sobre processos administrativos que envolvam as sociedades controladas ou coligadas. férias e décimo terceiro salário.2. instauradas por órgãos governamentais ou terceiros. Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais reclamações baseadas em defeitos constatados nos produtos fabricados pela sociedade (“product liability”) ou em garantias concedidas pela sociedade na venda dos produtos. notificações.2. Imposto de Renda. apresentar cópia dos comprovantes anuais de inscrição. (iii) cargo ou função. se existente.) e do regulamento interno ou regulamento de pessoal da sociedade. (ii) existem empregados que optaram pelo não recebimento. contrato por prazo determinado etc. Conselho Nacional de Política Salarial ou norma coletiva. Previdência Social. 75. Relação dos empregados que utilizam telefone celular ou equipamento similar. Relatório identificando todos os empregados. inspeções ou investigações realizadas. se houver. Relativamente à alimentação. 76. Caso afirmativo.? Qual o critério de pagamento de cada benefício? É efetuado desconto no salário? Caso haja desconto. relatório informando: 74.1. ficando à disposição da sociedade. FGV DIREITO RIO 21 . Informar o saldo atual de horas trabalhadas e ainda não compensadas pelo “banco de horas”. auxílio alimentação etc. 73. Informar a forma de remuneração das horas à disposição. relatório informando: 75. despesas de representação. prêmios.2. Como é feito o controle de horário? A anotação é feita pelo próprio empregado ou por pessoa específica? Onde são feitas tais anotações? Os empregados assinam tal registro? 73. contendo (i) data de admissão. (ii) local de trabalho.1. 69. 73. 73. A alimentação é fornecida pela própria sociedade ou são concedidos vales-refeição? Há desconto no salário ou é fornecida gratuitamente? 75. Indicar se houve homologação do plano pelo Ministério do Trabalho. Quais as verbas percebidas além do salário fixo e horas extras? Há empregados recebendo comissões. gratificações.4. com indicação das respectivas funções e salários.3. inclusive banco de horas. Fornecer Documentos e relatórios (inclusive os Termos de início e encerramento de fiscalização tributária) contendo informações sobre eventuais intimações. Cópia do plano de cargos e salários. Relação dos empregados não subordinados a controle de horário. 72. (iii) existe autorização dos empregados para o desconto. Relativamente à remuneração. Informar eventuais horários de trabalho diferenciados por setor ou sistemas de revezamento. 74. horário de intervalo e dia de folga semanal dos empregados. Acordos de compensação e de prorrogação da jornada de trabalho. uso de automóvel. auxílio moradia. planos de saúde. e (iv) salário atual (partes fixas e variáveis). 70. previdência privada. (vi) o benefício integra o salário para efeito de cálculo do FGTS. informar se: (i) os empregados podem optar por tais benefícios.CONTRATOs Em EsPÉCIE 67. cópia do modelo de autorização de desconto salarial relativo aos benefícios concedidos. Horário de trabalho. relatório informando: 73. A sociedade participa do PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador? Caso positivo. Cópia dos modelos de contrato de trabalho (contrato de experiência. VIII – AsPECTOs TRABALHIsTAs: 71. Fornecer Cartas encaminhadas pelos advogados externos aos auditores independentes sobre processos judiciais e administrativos. Relativamente à jornada de trabalho. Há empregados recebendo benefícios tais como. bonificações ou ajudas de custo? Quais funções recebem as ditas parcelas? Qual o critério de pagamento? 74. 68.1. auxílio educação.

(ii) foro. 91. Cópia de Plano de Participação nos Lucros e/ou Resultados. inclusive termos aditivos. Cópia dos termos de ajustamento de conduta. empregadas grávidas. 78. e (v) situação atual.CONTRATOs Em EsPÉCIE 77. (iii) pedidos. 87. das respectivas rescisões do contrato de trabalho e homologação pelo Sindicato ou pela DRT. cálculos de liquidação. motoristas e profissionais liberais). decisões proferidas em todas as instâncias. 85. Há serviços terceirizados na sociedade? Apresentar cópia dos contratos de prestação de serviços firmados com empresas prestadoras de serviços.). bem como fornecer respectivos documentos. empregados com cargo de direção em sindicatos ou associações profissionais. alvará da prefeitura etc. IX . (vi) estimativa dos valores envolvidos. cálculos homologados e depósitos efetuados. INSS. (iii) quem controla os serviços de tais empregados (a sociedade ou a prestadora de serviços). A sociedade tem organizada a CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes? Caso positivo. explicitando os critérios de tal provisão. A sociedade instituiu.APROVAÇÕEs gOVERNAmENTAIs E LICENÇAs: 92. Licenças Ambientais: Licenças Prévias. do programa de opção de compra de ações e a relação dos empregados e executivos elegíveis a tal plano. X – AsPECTOs AmBIENTAIs: 93. 82. (v) período dos serviços. de Instalação e Funcionamento emitidas pelo órgão ambiental competente. apresentar relação dos atuais integrantes e cópias das atas de reunião dos últimos 02 (dois) anos. acaso existentes. Foram ajuizadas reclamações trabalhistas em razão do plano de demissão? 83. Cópia das principais peças de todas as ações trabalhistas em curso contra a sociedade. 90. ISS. autos de infração. se houver. ou dissídios próprios para categorias diferenciadas (secretárias. acordos coletivos. 89. estaduais e municipais (tais como CNPJ. Cópia do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). bem como cópias.). plano de demissão incentivada? Caso afirmativo. 84. contendo (i) partes envolvidas. Cópia do plano de opção de compra de ações. empregados acidentados. ações civis públicas ou outras ações de natureza trabalhista. Relação dos empregados desligados da sociedade nos últimos 02 (dois) anos. decisões judiciais proferidas em dissídio coletivo. Informar o valor da provisão com relação aos processos judiciais e administrativos em andamento. telefonistas. (ii) se trabalham diariamente nas dependências da sociedade. nos últimos 05 (cinco) anos. por amostragem. Informar se são observadas convenções. Cópia dos Autos de Infração lavrados contra a sociedade nos últimos 02 (dois) anos e respectiva defesa/decisão administrativa/recurso ou guia comprovando pagamento da multa administrativa. (iv) a quem estão subordinados. (vi) número de trabalhadores envolvido. cooperativas. Cópia do Livro de Inspeção do Trabalho de todos os estabelecimentos da sociedade. tais como petição inicial. etc. Informar o valor despendido pela sociedade com o pagamento de tal participação. 86. empresas de mão-de-obra temporária ou trabalhadores autônomos e relatório informando: (i) se os empregados alocados para atender a sociedade são sempre os mesmos. (vi) valores mensais pagos e se a sociedade exige mensalmente os comprovantes de recolhimento previdenciário e do FGTS. acordos. 80. (vii) estimativa de êxito. 81. Relatório identificando todos os empregados com estabilidade permanente ou temporária (CIPA. Cópia das convenções coletivas. esclarecer os critérios do plano. 79. Registros e inscrições da sociedade junto às autoridades fiscais federais. 88. inquéritos administrativos. FGV DIREITO RIO 22 . Relatório identificando todas as reclamações trabalhistas e procedimentos administrativos (DRT e MPT) em curso contra a sociedade.

98. doravante denominada simplesmente “sociedade”. Relatório informando a respeito de atividades passadas desenvolvidas nos imóveis onde a sociedade desenvolve suas atividades. 100. Habite-se. doravante denominado simplesmente “Comprador”. de acordo com as seguintes cláusulas e condições: CLÁUSULA PRIMEIRA . 96.8. 97. Comprovante de pagamento do TCFA .000 (quinze mil) quotas representativas de 50% (cinqüenta por cento) do capital social da sociedade (“Quotas”). Alvará do Corpo de Bombeiros. 1. 103. turbações. Licença do órgão sanitário competente para ambulatórios e refeitórios. declara que as Quotas foram regularmente integralizadas e se encontram inteiramente livres e desembaraçadas de ônus. doravante denominado simplesmente “Vendedor”. Alvará de Licença e Localização emitido pela Prefeitura. as partes podem celebrar adicionalmente um contrato de compra e venda de quotas. e que o Comprador deseja adquiri-las. neste ato. Licença de substâncias sujeitas a controle especial emitida pelo Departamento de Polícia Federal. FGV DIREITO RIO 23 . 99. O Vendedor e o Comprador (doravante referidos simplesmente como “Partes”) têm. O Vendedor. Listagem das ações judiciais e processos administrativos de cunho ambiental e seus respectivos andamentos. com todos os respectivos direitos e obrigações. 101. na qualidade de interveniente-anuente: [NOmE E QUALIFICAÇÃO DA sOCIEDADE CUJAs QUOTAs EsTÃO sENDO ALIENADAs]. Licença de Funcionamento emitida pela Vigilância Sanitária.Taxa de Controle de Fiscalização Ambiental. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE QUOTAS [NOmE E QUALIFICAÇÃO].CONTRATOs Em EsPÉCIE 94. e (ii) O Vendedor deseja alienar as Quotas. e.1. 1. justa e contratada a celebração do presente Contrato de Compra e Venda de Quotas (“Contrato”). gravames. Modelo de Contrato de CoMPra e Venda de quotas Além da alteração do contrato social necessária para transferir quotas. a totalidade de suas Quotas representativas do capital social da sociedade ao Comprador. encargos. pelo preço certo e ajustado estabelecido na Cláusula 2. Inscrição no Cadastro Técnico Federal das Atividades Potencialmente Poluidoras.2. nos termos ajustados pelo presente instrumento. Outorgas do Uso da Água. conforme modelo abaixo. entre si.DA COMPRA E VENDA DAS QUOTAS 1.2. 102. Certificado de Licença de Funcionamento emitido pelo Ministério da Justiça. ainda. CONSIDERANDO QUE: (i) O Vendedor é legítimo possuidor e proprietário de 15. 106. Certidão de Uso do Solo. 95. usufrutos ou qualquer outra restrição à posse e/ou a qualquer outro direito inerente a tais Quotas. que deve ser arquivada no registro competente. e [NOmE E QUALIFICAÇÃO]. o Vendedor cede e transfere. 105.1 abaixo. Pelo presente Contrato e na melhor forma de direito. 104.

6. sendo considerada como mero ato de liberalidade. a ser pago pelo Comprador ao Vendedor da seguinte forma: a) R$ 25. assim FGV DIREITO RIO 24 . constantes do item 2.1. a qualquer tempo. mediante depósito na conta-corrente nº [. 4. e somente poderá ser alterado por instrumento escrito devidamente assinado por todas as Partes. a qualquer título. As Partes declaram e reconhecem que o presente Contrato.. ou (iii) com outra comprovação inequívoca de recebimento.] da conta-corrente nº [. essa disposição será suprimida e não terá nenhuma força e efeito. e b) R$ 75. O presente Contrato é celebrado em caráter irrevogável e irretratável e obriga e aproveita às Partes e à sociedade.FORMA DE PAGAMENTO 2.. Todas as notificações e comunicações a serem feitas com relação ao presente Contrato serão elaboradas por escrito e serão enviadas para os endereços constantes do preâmbulo deste Contrato (i) por meio de Cartório de Títulos e Documentos.000. 4. orais ou escritos. se essa disposição suprimida prejudicar a execução deste Contrato.000. seus sucessores..]. 4.. O presente Contrato ou quaisquer direitos e/ou obrigações dele oriundos não poderão ser cedidos sem o prévio e expresso consentimento das Partes e da sociedade. 4.4. rasa e geral quitação com relação ao valor pago. o pagamento das parcelas que perfazem o Preço. Na hipótese de qualquer disposição ou parte de qualquer disposição deste Contrato ser tida como nula.] do Banco [. O não exercício ou atraso por qualquer das Partes e/ou da sociedade.2.1.. cessionários e representantes legais. o Vendedor outorgará ao Comprador.1 acima.1. O presente Contrato constitui o acordo final. inciso II.7. inclusive quaisquer despesas decorrentes de serviços profissionais por ele contratados. Entretanto. Quaisquer dos endereços constantes do preâmbulo poderão ser alterados. herdeiros. mediante comunicação dada na forma prevista acima. entendimentos e declarações anteriores. anulada ou inexeqüível.1.00 (vinte e cinco mil reais) pagos neste ato.] da agência [. substituindo todos os acordos. conforme o caso. 4. nos termos do artigo 585. constitui título executivo extrajudicial. plena.8. por meio da entrega pelo Vendedor ao Comprador do cheque administrativo nº [. (ii) através de carta registrada. mencionado na Cláusula Segunda. no exercício de qualquer direito previsto neste Contrato deverá ser interpretado individualmente e não poderá ser considerado como renúncia por qualquer das Partes ou novação de qualquer obrigação contida neste Contrato. 4.. se formalizada mediante instrumento escrito assinado pelas Partes e pela sociedade. 4.5. Uma vez creditado na conta-corrente do Vendedor. O preço certo.DISPOSIÇÕES GERAIS 4. e somente produzirá efeitos.. as demais disposições serão modificadas para preservar sua exeqüibilidade. do Código de Processo Civil.. 4. Toda e qualquer alteração das disposições do presente Contrato somente será válida e exeqüível.]. CLÁUSULA TERCEIRA – TRANSFERÊNCIA DAS QUOTAS 3. assinado por 02 (duas) testemunhas.00 (cem mil reais) (“Preço”).00 (setenta e cinco mil reais) a serem pagos em até 90 dias a contar desta data.1. a esse respeito. entretanto a respectiva comunicação de alteração de endereço só tornar-se-á efetiva após o recebimento pela outra Parte e/ou pela sociedade.8.1 do presente Contrato será de exclusiva responsabilidade do Comprador..000. 4..1..CONTRATOs Em EsPÉCIE CLÁUSULA SEGUNDA ... mediante a assinatura da competente alteração do contrato social da sociedade. da totalidade do Preço devido ao Vendedor. total e ajustado para a aquisição das Quotas é de R$ 100.3.] da agência [. CLÁUSULA QUARTA . A transferência das Quotas será formalizada no ato do pagamento pelo Comprador.. 2. Fica ajustado entre as Partes que as despesas decorrentes do arquivamento da alteração contratual referida na cláusula 3.] do Banco [. cabal e exclusivo entre as Partes com relação à compra e venda das Quotas. por qualquer motivo.9.

4. 632. Fica eleito o foro da Comarca do Rio de Janeiro. [dia] de [mês] de [ano]. Nome: CPF/MF: 2. 639 e seguintes do Código de Processo Civil. por mais privilegiado que possa ser. à exclusão de qualquer outro. na presença de 02 (duas) testemunhas. Rio de Janeiro. nos termos dos artigos 461.CONTRATOs Em EsPÉCIE como as obrigações de fazer aqui contidas comportam execução específica. Assinatura das Partes e da Sociedade Testemunhas: 1. para dirimir quaisquer questões oriundas deste Contrato. E por estarem certas e ajustadas. Nome: CPF/MF: FGV DIREITO RIO 25 . as Partes assinam este Contrato em 03 (três) vias de igual teor e efeito.10.

406/2002. págs. 1. Das várias espécies de contratos. informando que exerceu o direito de retrovenda do imóvel em face da senhora Ermelinda. eMentário de teMas: Retrovenda .3. roteiro de aula a) retrovenda Direito de recobrar = Direito de retrato = direito de resgate = vendedor tem direito de exigir que o comprador lhe revenda o imóvel. Rio de Janeiro: Forense. vol. Após alguns minutos enaltecendo a beleza da cidade. Direito Civil.). In: AZEVEDO.CláuSulAS ESPECIAIS dA COmPRA E VENdA 1.Venda com reserva de domínio – Da venda sobre documentos 1.. • RODRIGUES.3. São Paulo: Ed..1.3. portanto. Caio Mário da Silva. sempre gostou muito do Rio de Janeiro e que os cariocas têm muita sorte de conviver com uma paisagem tão privilegiada. biblioGrafia CoMPleMentar: • Parecer Jurídico DNRC/ COJUR/ n° 217/03 – direito de preferência na cessão de quotas.Da Venda a Contento e da Sujeita a Prova – Preempção ou Preferência .3.). 2005 .4. Ele conta que. Parte Especial. 174 a 182 e 183 a 194. ele diz que pelo menos uma vez por ano vai ao Rio e que há alguns anos atrás decidiu parar de se hospedar em hotéis e comprou um loft na Barra da senhora Ermelinda Silva. Ele diz que nunca ouviu falar em retrovenda e lhe pergunta o que fazer. págs.2. Comentários ao Código Civil.3. • LÔBO. 6. Jeremias deve devolvê-lo. Ele diz que está surpreso porque agora recebeu uma notificação de um tal de Olavo Evolto. Silvio. Instituições de Direito Civil . Antônio Junqueira de. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. FGV DIREITO RIO 26 . 505 a 532 da Lei nº 10. Caso Gerador: Jeremias encontra você trabalhando na diligência legal e aproveita para lhe fazer uma consulta “informal”. 1. 223 a 225. (coord. AulA 3: CONTRATO dE COmPRA E VENdA (CONT. Paulo Luiz Netto.5. III. págs. e que. Embora não seja advogado do senhor Jeremias.vol. 2002. apesar de morar em Brasília. biblioGrafia obriGatória: • Arts. vol..CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. quais são as duas principais perguntas que você deve fazer a ele para poder dar uma orientação inicial sobre o caso? 1. 2003. Saraiva.Contratos. • PEREIRA. São Paulo: Saraiva. 215 a 225.3. 3.3.

A gerente da loja já está pressionando Marli. 189. saraiva. o direito de retrovenda deve ser registrado no registro de imóveis. Ela sempre é atendida pela dona Marli. Dona Mônica é uma cliente muito querida e conhecida por todas as vendedoras da loja. Tendo em vista o que aprendemos nas aulas anteriores. quais são as conseqüências de ser um prazo decadencial e não prescricional? b) da Venda a Contento e da sujeita a Prova A venda a contento é cada vez mais rara atualmente em razão da “padronização de mercadorias. são Paulo: Ed. Está demorando mais do que o normal para ela se manifestar. o papel que durante algum tempo a retrovenda desempenhou.. vol. a despersonalização das relações entre as partes. silvio. Assim. 187. ele estará obrigado a oferecer o bem ao vendedor.CONTRATOs Em EsPÉCIE Muitos entendem que a retrovenda caiu em desuso em razão do compromisso de compra e venda. Direito Civil. Quais são eles? “Art. 3. saraiva. caso o comprador queira vender esse bem a terceiros. juntamente com a escritura pública de compra e venda.406/2002. 3. FGV DIREITO RIO 27 . sempre que chegam novas peças que Marli acha que são do gosto de Mônica. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. que se pagar o mesmo valor oferecido pelo terceiro. Por que você acha que o legislador restringiu o instituto da retrovenda apenas aos bens imóveis? O prazo para recobrar o imóvel é decadencial. o domínio é transferido. Esse exemplo nos mostra que.. Dona Marli acompanhou em todos esses anos a vida da família Russo. o vendedor pode vir a resguardar seu direito de preempção ou direito de preferência. por exemplo. se efetuarem com a sua autorização escrita. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. a difusão dos preços fixos. Direito Civil. “. O vendedor de coisa imóvel pode reservar-se o direito de recobrá-la no prazo máximo de decadência de três anos. Daí ser ela. Assim. Apesar de ser mais rara. RODRIGUEs. terá preferência sobre ele. compra roupas da boutique Charmosa há mais de dez anos. restituindo o preço recebido e reembolsando as despesas do comprador. vol.”8. portanto. instituto superado”6. durante o período de resgate. pág. ela ainda pode ocorrer. no caso da venda a contento. Dona Mônica.o compromisso de venda e compra preenche. Somente com a concordância do comprador. inclusive as que. 6 7 8 Oponível a terceiros. o domínio do bem não é transferido. com muito mais eficácia e maior economia. pois vai querer vender as peças a outras clientes. Para que tenha efeito erga omnes7. podemos extrair alguns requisitos da retrovenda. ou para a realização de benfeitorias necessárias”. A concordância do comprador é. Analisando o artigo 505 da Lei 10. silvio. 505. pág. E agora? O que dona Marli deve fazer? C) Preempção ou preferência Ao vender um bem. são Paulo: Ed. embora haja a tradição do bem móvel.. Relembrando. uma condição suspensiva para a alienação.. ela manda para a casa da senhora Russo as novas peças para que ela possa experimentar e decidir se vai comprá-las ou não. quais são as conseqüências do domínio não ser transferido pela tradição da coisa móvel? Duas semanas se passaram e dona Mônica ainda não deu retorno a dona Marli sobre as roupas. hoje. RODRIGUEs.

Além disso.. no caso de bem imóvel. Os acordos de acionistas. aplica-se a regra geral de que a propriedade do bem móvel transfere-se com a tradição do bem.404/197610. pág. embora o bem seja entregue ao potencial comprador.CONTRATOs Em EsPÉCIE Para que esse direito exista são necessários os seguintes requisitos: – o comprador tem que querer vender o bem adquirido. sobre compra e venda de suas ações. os contratantes podem convencionar que se um deles desejar vender sua participação a terceiro será obrigado a oferecer as suas ações primeiro aos demais acionistas. sendo um contrato. O prazo começa a contar a partir da notificação do proprietário (comprador) ao vendedor informando sobre seu interesse em vender o bem. Porém. Deste modo. ou do poder de controle deverão ser observados pela companhia quando arquivados na sua sede”.. geralmente vinculado à compra e venda. como instrumento de composição de grupos. basicamente. 9 “Art. Tendo em vista que esse acordo de quotistas nunca foi divulgado e nem sequer mencionado na diligência legal. 10 FGV DIREITO RIO 28 . A venda com reserva de domínio é uma venda condicional que se aperfeiçoa na ocorrência de um evento futuro e incerto: o pagamento do preço. estando disposto a pagar ao comprador o preço que ele tiver conseguido com terceiros. e atual. uma vez que há três anos atrás fez um acordo de quotistas com o senhor Eduardo. é comum que pessoas realizem operações de venda de bem móvel sem consultar registros ou sem exigir a prova da propriedade do vendedor. por exemplo. José Edwaldo Tavares. reconheceu que o direito de preferência é um dos tópicos que pode ser tratado em acordo de acionistas. como se resolveria esta situação utilizando-se apenas as regras previstas no Código Civil? d) Venda com reserva de domínio A venda com reserva de domínio popularizou-se com o aumento das vendas com pagamento em prestações. O prazo para exercer o direito de preferência não poderá ser superior a 180 dias se o bem for móvel. – o vendedor tem que exercer o direito no prazo. preferência para adquiri-las. Se o prazo não for estipulado. em acordos de acionistas9. o contrato deve ser registrado no Registro de Títulos e Documentos. e como contrato atípico. rev. no caso de bem móvel. 2001. Silvio Rodrigues comenta: “Destina-se o acordo de acionistas a regrar o comportamento dos contratantes em relação à sociedade de que participam. Afinal. 118. o direito de preferência caducará em 3 (três) dias. se não há previsão expressa da reserva de domínio. ao contrário do que ocorre com os bens imóveis que exigem solenidade para sua transferência. aum. A venda com reserva de domínio restringe-se aos bens móveis e exige forma escrita. vinha sendo celebrado no período anterior à atual lei das sociedades anônimas” (Borba. o domínio permanece com o vendedor até que a última prestação seja paga pelo comprador. que poderão comprá-las pelo mesmo preço e condições oferecidos ao terceiro. Quais são as diferenças entre a preempção e o direito de retrovenda? O direito de preferência é um negócio acessório. – o vendedor tem que querer recomprar o bem. No caso de venda com reserva de domínio. o senhor Eduardo se comprometia a oferecer direito de preferência a esse outro sócio no caso de alienação de suas quotas. por meio de acordo de acionistas. entre outros acertos. funcionando. Tanto é assim que a Lei nº 6. Direito societário – 7 ed. nosso cliente seja procurado pelo senhor Oportunista. – Rio de Janeiro: Renovar. sócio detentor de apenas 1% das quotas da Pechincha Ltda. e em 60 (sessenta) dias. a ele se aplicam os preceitos gerais. para que seja oponível a terceiros. Assim. após a realização da diligência legal e da celebração do contrato de compra e venda das quotas da Pechincha Ltda. concernentes a essa categoria jurídica. A venda com reserva de domínio pode trazer insegurança jurídica uma vez que. que lhe afirma que a venda das quotas não foi válida. se o bem for imóvel. ou a 2 (dois) anos. que dispõe sobre as sociedades por ações. no qual. assim como na venda a contento. Vamos supor que. não é raro vermos a estipulação de direito de preferência em outros contratos. 322). exercício do direito a voto. A cláusula de direito de preferência é muito comum.

para que seja exigível o pagamento do preço. “A venda sobre (ou contra) documentos tem por finalidade dar mais agilidade às transações mercantis que envolvam venda de mercadorias. são Paulo: saraiva. para que estas possam exercer o seu direito de preferência. d. 3. c. vol.3. questões de ConCurso (Prova: 18º Exame de Ordem . Das várias espécies de contratos. Apenas ele não funciona na prática. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. no todo ou em parte. Se o comprador está em mora. Venda a contento. Paulo Luiz Netto. a “Parte Cedente”). Essa cláusula especial à compra e venda é denominada: a. diariamente. o preço e condições de pagamento. ou por qualquer outra forma alienar ou transferir. suas ações da COMPANHIA (a seguir. vol. por escrito. In: AZEVEDO. nos termos deste Acordo.CONTRATOs Em EsPÉCIE “Teoricamente tal sistema é perfeito. ficando a Parte que desejar alienar. saraiva. as “Demais Partes”).2. permutar. (coord.. obrigada a primeiramente oferecê-las. 2003. não pago.3. b. o vendedor tem duas opções: mover ação de cobrança das prestações vencidas e vincendas e o que mais lhe for devido ou reaver a posse da coisa vendida. Retrovenda. pág. as ações de sua titularidade. desfazer o contrato ou pedir o preço.1ª fase) Ajustado que se desfaça a venda. com reserva de domínio”11.2. a qualquer título. Preempção.). comentários ao código civil. às demais Partes (a seguir. As comunicações a que se refere o item anterior indicarão o potencial adquirente. 1. Pacto comissório. doar. para pagamento em moeda corrente nacional. não se pagando o preço até certo dia. a não vender. principalmente nos grandes centros e tendo em vista a quantidade fantástica de bens móveis duráveis vendidos. poderá o vendedor. e) da venda sobre documentos O Código Civil de 1916 não previa essa modalidade de venda. fornecendo inclusive as informações previstas no item 6. RODRIGUEs. apenas pode ter por objeto coisa móvel. 216 12 FGV DIREITO RIO 29 . em caráter irrevogável e irretratável. Antônio Junqueira de. silvio. 6.1 abaixo (a seguir o “Potencial Adquirente”). observado o disposto nesta Cláusula 6ª. pág. 11 LÔBO. bem como a especificação da quantidade e espécie das ações a serem alienadas (as “Ações Ofertadas”). são Paulo: Ed. prometer vender. O vendedor se libera da obrigação de entregar a coisa remetendo ou entregando ao comprador o título representativo da mercadoria”12.1.7. A obrigatoriedade da tradição da coisa é satisfeita com a entrega ao comprador de documento representativo. Modelo Exemplo de cláusula de direito de preferência em Acordo de Acionistas: “VI – ALIENAÇÃO OU ONERAÇÃO DE AÇÕEs 6. 1. 176. 6. Parte Especial.6. Direito Civil. Cada uma das Partes se obriga. Por sua natureza. neste ato. senão mediante venda.

1 supra e abranger todas e não menos do que todas as Ações Ofertadas. contudo.3. o seguinte: (a) a preferência deverá ser exercida no prazo de 60 (sessenta) dias a contar da data do recebimento da comunicação referida no item 6.1 abaixo.4. 6. 6.1 supra. 6. desde que tenham sido observadas as formalidades previstas nesta Cláusula 6ª”. até atingir as pessoas físicas.CONTRATOs Em EsPÉCIE 6. a aquisição deverá ser efetuada nos 30 (trinta) dias seguintes ao decurso do prazo referido nas alíneas anteriores. desde que observado o procedimento previsto no item 6. se houver. proporcionalmente às Ações que possuírem. devendo as Demais Partes igualmente subscrever o instrumento. (b) será facultado às Demais Partes estenderem seu direito de preferência à aquisição de sobras. e (d) exercida a preferência. a comunicação do item 6. pelo mesmo preço e condições oferecidos pelo Potencial Adquirente. ainda. Não havendo manifestação das Demais Partes. as Demais Partes terão preferência para adquirir as Ações Ofertadas. ficando obrigadas as Demais Partes.4. como condição para sua validade e eficácia. a assinar o citado instrumento.1. observando-se.1 supra.4. (c) caso sejam recebidas manifestações de exercício de preferência que totalizem quantidade de ações superior a das Ações Ofertadas. como intervenientes anuentes. a Parte Cedente poderá.1. nos 60 (sessenta) dias seguintes. FGV DIREITO RIO 30 . com os mesmos direitos e obrigações da Parte Cedente. desde que se manifestem nesse sentido no prazo de 60 (sessenta) dias fixado na letra (a) deste item. deverá identificar também as respectivas Partes ou sócios que detenham o controle do Potencial Adquirente e/ou participações societárias que representem 10% (dez por cento) ou mais de seu capital votante e/ou de seu capital total e assim sucessivamente. alienar todas.4. o instrumento contratual de compra e venda das ações deverá conter cláusula pela qual o adquirente manifeste sua adesão incondicional ao presente Acordo. Na proporção do número de ações que possuírem. Na hipótese do item 6. proceder-se-á ao respectivo rateio entre as Partes interessadas. Caso o Potencial Adquirente seja uma sociedade. mas não menos do que todas as Ações Ofertadas ao Potencial Adquirente indicado e ao mesmo preço e nas mesmas condições constantes das comunicações referidas no item 6.2.

In: AZEVEDO. págs. 1. Contrato Estimatório. Sabendo disso. Paulo Luiz Netto. FGV DIREITO RIO 31 . São Paulo: Saraiva. biblioGrafia obriGatória: • Arts. quando os bens passaram a ser trocados por moeda. Maria Helena. São Paulo: Saraiva. (coord. III. de 10. Ocorre que. Em uma de nossas visitas.4. um pouco sem graça. 2002. págs. 533 a 537 da Lei nº 10. cansado e já querendo se aposentar.. o senhor Eduardo Russo nos contou a seguinte história. 2005 . o senhor Eduardo está um pouco preocupado. 233 a 237. tivemos a oportunidade de visitar o supermercado Pechincha por diversas vezes.406.5. o contrato não era muito detalhado. Parte Especial.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.vol. completa.Contratos. Ela deu origem ao contrato de compra e venda. 1. 1. Há algum tempo atrás. eles resolveram unir o útil ao agradável e celebraram um contrato de permuta. segundo o qual todo domingo o jornal do Nicanor publicaria anúncio do Supermercado Pechincha e em troca ao final do ano o Supermercado Pechincha forneceria aos funcionários do jornal uma cesta de Natal. Há muitos anos era grande amigo do senhor Nicanor Tício.). e atual. na qualidade de advogados da Grana Certa S. pois não estava contando com um número tão grande de cestas de Natal. ampl. Das várias espécies de contratos. que não seja dinheiro. 226 a 272. Comentários ao Código Civil. eMentário de teMas: Permuta. já tendo contratado. vol. Consiste na entrega de uma coisa para recebimento de outra. nós. • PEREIRA. 205 a 209. Tratado teórico e prático dos contratos. E agora? O contrato continua válido? O que recomendar? 1.4.4. Antônio Junqueira de. que por ter sido celebrado entre grandes amigos. • DINIZ.4. Caso Gerador Durante o processo de diligência legal. com produtos fartos e de alta qualidade. 2003. AulA 4: TROCA Ou PERmuTA. CONTRATO ESTImATóRIO 1.01. 6.406/2002. Rio de Janeiro: Forense.2.4. págs..1. roteiro de aula a) Permuta A troca ou permuta é o contrato mais antigo.3. Instituições de Direito Civil . Caio Mário da Silva.4. o senhor Nicanor vendeu seu jornalzinho a uma grande editora que quer transformá-lo em um jornal de grande circulação em Brasília. dono de um jornal de bairro. por exemplo. de acordo com o novo Código Civil (Lei 10.4.2002).A. inclusive.. Ele explica. 199 a 203/ págs. o número exato de cestas de Natal a serem trocadas. 17ª ed. não contendo. biblioGrafia CoMPleMentar: • LÔBO. o dobro de funcionários.

não gera efeitos reais.CONTRATOs Em EsPÉCIE Atualmente a compra e venda é muito mais utilizada. a não ser que o valor da torna seja de tal modo superior.406/2002. dentro de prazo determinado. que nada mais é do que a venda em consignação. Sendo assim. você vai ao Código Civil para consultar esse tipo de contrato e fica um pouco desapontado. A parte que recebe o bem pode vendê-lo a terceiro por qualquer valor. Por serem tão parecidos. mas que felizmente apenas uma das peças havia se quebrado. pois percebe que seu conjunto de chá não poderá mais ser utilizado. mas sim a obrigação de transferir ao outro o domínio da coisa objeto de permuta. Você vai junto com Ana Maria para buscá-lo. Quais são elas? Quando os bens a serem permutados têm valores desiguais. Intrigado. Ana Maria. por que você acha que o legislador chamou de contrato? Contrato estimatório é o contrato pelo qual o proprietário (consignante) entrega a posse da coisa à outra pessoa (consignatário). esse contrato só veio a ser regulado como contrato típico no novo Código Civil (Lei nº 10. você agradece e pergunta quando pode buscá-lo. O contrato de permuta tem a mesma natureza jurídica da compra e venda: é bilateral. O uso da torna no contrato de permuta divide os doutrinadores sobre a natureza do contrato: seria ele uma compra e venda ou uma permuta? Muitos entendem que a existência da torna não descaracteriza a permuta. que seja na verdade o objeto da prestação principal. não sendo necessário que os bens sejam da mesma espécie ou valor. O Código Civil fez apenas duas distinções no que diz respeito à aplicação das regras da compra e venda. completa sua prestação com dinheiro. a parte cujo bem tem valor inferior ao outro. neste caso? FGV DIREITO RIO 32 . Por quê? Estando para terminar o prazo do contrato estimatório. cedendo-lhe o poder de dispor da coisa. deixando o cair. Mesmo sem ver muita utilidade para tal presente. a loja Brechó da Vovó procura Ana Maria para devolver o conjunto de xícaras que não foi vendido. Apenas os bens móveis e que estão no comércio podem ser objeto do contrato estimatório. mas a permuta mantém seu espaço no ordenamento jurídico. Para retribuir a um favor seu. sua amiga. Ana Maria então lhe explica que o conjunto está na loja Brechó da Vovó. oneroso e consensual. Ao chegarem à loja. Ana Maria nota que além de faltar uma das peças. desde que pague a parte que lhe entregou o bem o preço que entre elas foi estimado. conhecido neste caso como torna. você pergunta o que o conjunto está fazendo na loja e ela lhe explica que celebrou um contrato estimatório com o dono da loja. porém. aplicam-se à permuta as regras da compra e venda. As partes estimam um preço pelo bem. 533 da Lei n° 10. ficando as demais apenas rachadas. Como você aconselharia Ana Maria. Assim como o contrato de compra e venda. legal ou convencional podem ser permutadas. b) Contrato estimatório Embora já fosse realizado na prática.406/2002). muitas outras estão rachadas. lhe oferece um conjunto de xícaras de porcelanas chinesas. Curioso. Todas as coisas que não sofram indisponibilidade natural. Ana Maria fica muito triste. O dono da loja explica a Ana Maria que um de seus funcionários estava arrumando a loja e que sem querer esbarrou no conjunto. O que você acha? A caracterização como compra e venda ou permuta leva a conseqüências práticas em razão dos itens que foram especificamente diferenciados no art. ficando o consignatário obrigado a devolver o bem ou entregar ao consignatário o preço previamente ajustado pela coisa dentro do prazo determinado.

6.5. com seus atos constitutivos registrados na Junta Comercial de Brasília sob o número 11111111. DOADOR e DONATÁRIO doravante denominados. Distrito Federal. solteiro. empresário.000 (cinqüenta mil) quotas (“Quotas”). brasileiro. (iii) O DOADOR deseja doar. 538 a 564 da Lei nº 10. Direito Civil. 197 a 216. São Paulo: Saraiva.5.Espécies de doação .5. Paulo Luiz Netto. empresário. todos relacionados com a finalidade de manter a tradição da família preoFGV DIREITO RIO 33 .3. Silvio. ao DONATÁRIO. 3. págs. abaixo estabelecidos. inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101. Saraiva. de determinados encargos. JEREMIAS RUSSO.Resolução e revogação da doação. Distrito Federal. (ii) O DONATÁRIO é herdeiro necessário do DOADOR. • RODRIGUES.406/2002. portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx. 2002. em conjunto. Distrito Federal. 1. 272 a 385. eMentário de teMas: Características do contrato de doação – Aceitação . 1.Doação de ascendente para descendente . Antônio Junqueira de. (iv) O DOADOR sujeita tal doação à execução integral e tempestiva. 50. você notou o contrato abaixo: INSTRUMENTO PARTICULAR DE DOAÇÃO EDUARDO RUSSO. biblioGrafia CoMPleMentar: • LÔBO.. para iniciar a transferência dos negócios da família e fomentar negócios das futuras gerações da sua família.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. residente e domiciliado em Brasília. simplesmente como Partes. Comentários ao Código Civil. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy. casado. vol..1. Caso Gerador: Dentre os contratos recebidos. 1.4.2. AulA 5: dOAçãO 1. doravante denominado simplesmente “DONATÁRIO”. brasileiro. São Paulo: Ed. doravante denominado simplesmente “DOADOR”.Restrições à liberdade de doar . Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. vol. Parte Especial. com sede em Brasília. residente e domiciliado em Brasília. (coord.). 2003. doravante denominada “Sociedade”. inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202.5.5. por parte do Donatário. In: AZEVEDO. CONSIDERANDO QUE: (i) O DOADOR é titular de 99. págs.000 (noventa e nove mil) quotas representativas de 99% do capital social da sociedade limitada denominada Pechincha Comércio Varejista Ltda. em vida. Das várias espécies de contratos. biblioGrafia obriGatória: • Arts.

outros dois brinquedos do gênero. limpeza e bom funcionamento do clube. com auxílio jurídico. objeto da presente doação. (e) O clube será aberto apenas aos Funcionários e seus familiares.. contados da data de assinatura deste Instrumento. resolvem as Partes de comum acordo e na melhor forma de direito celebrar o presente Instrumento Particular de Doação (“Instrumento”). que representam 50% do capital social da Sociedade. descendentes e ascendentes terão direito de desfrutar do clube mediante pagamento de mensalidade em valor simbólico. portanto. (c) O clube deverá empregar pelo menos 20 funcionários para segurança. nunca superior a 5% de seu salário. A doação ora feita é obrigatória para as partes contratantes. as partes firmam o presente Instrumento em 02 (duas) vias de igual forma e teor. observados os artigos 538 e seguintes do Código Civil Brasileiro: 1. mediante o DARJ cuja cópia constitui o Anexo I ao presente Instrumento. 2. sem qualquer induzimento ou coação. ao Donatário. Nome: CPF/MF: FGV DIREITO RIO 34 . no prazo máximo de 24 (vinte e quatro) meses. ficando. providenciar a constituição legal do clube e a contratação da mão de obra necessária para o funcionamento do clube. como na verdade efetivamente doa. Fica registrado que o imposto de doação incidente sobre a presente operação foi recolhido. encontram-se livres e desembaraçadas de quaisquer dívidas. comprar ou arrendar um terreno para que o clube seja instalado. que vigerá de acordo com as seguintes cláusulas e condições. o Donatário. O DOADOR. decide doar.CONTRATOs Em EsPÉCIE cupada com o bem estar da comunidade em que vive. com a renúncia expressa de qualquer outro. 24 de abril de 2004. balanço e. para dirimir as questões decorrentes do presente Instrumento.. O DONATÁRIO deverá.3. ônus ou encargos de qualquer natureza. 4. na presença das 02 (duas) testemunhas abaixo assinadas. 3. não sendo mais permitido o seu acesso em caso de demissão ou desligamento. de livre e espontânea vontade. e (v) as quotas representativas do capital social da Sociedade.2. O clube deverá atender aos seguintes requisitos: (a) O clube deverá ter no mínimo: (i) duas quadras polivalentes para a prática de esportes em grupo. (iv) um bar. herdeiros e sucessores. por mais privilegiado que venha a ser. com pelo menos as seguintes medidas. pelo menos. O DONATÁRIO poderá alugar. Esta doação fica sujeita ao cumprimento dos encargos abaixo estabelecidos. (ii) uma piscina rasa para crianças até 5 anos. (d) Os funcionários e seus cônjuges.1 O DONATÁRIO deverá providenciar um clube para que os funcionários possam desfrutá-lo nos dias de folga. as seguintes obrigações: 2. 2. 2. Brasília. incluindo dos funcionários do Supermercado Pechincha (“Funcionários”). E por estarem assim justas e contratadas.. obrigado a cumprir. (b) O clube deverá funcionar todos os fins de semana e feriados. Eduardo Russo Testemunhas: 1. 5. conforme autoriza o artigo 553 do Código Civil Brasileiro. as Quotas. com escorrega. (v) um play para crianças. Fica eleito o foro Central da Comarca de Capital do Estado do Rio de Janeiro. (iii) uma piscina profunda. Nome: CPF/MF: Jeremias Russo 2.

José deu para a avó o bilhete da Mega Sena. É uma liberalidade do doador. podendo. Jeremias. que sempre demonstrou ser contra a realização do negócio entre o senhor Eduardo e o nosso cliente. grande fã dos Beatles. você teria alguma sugestão? 1. o senhor Eduardo Russo não seria mais o proprietário de 99% das quotas. – presumida pela lei – nos casos previstos nos arts. – Solene – a lei impõe forma escrita para doação.406/2002. Ocorre que a família era pé quente e os números escolhidos por José foram sorteados! Analisando esta situação. mas o donatário fica obrigado a pagar uma mesada a um parente do doador. portanto.CONTRATOs Em EsPÉCIE Esse contrato deixou nossa equipe de diligência apreensiva. que ainda não recebeu os discos porque eles estão guardados na casa de veraneio de sua tia. Exemplo: Doador doa recursos ao donatário. mas que não podia ser exigido pagamento pelo doador. porém. o doador não espera qualquer prestação do donatário. Seu amigo José resolveu fazer uma aposta. que se encontrava doente e com dificuldade para se movimentar. ele contou a sua avó que havia jogado na Mega Sena.5. de acordo com ele. conta que ganhou de sua prima a coleção de discos desse famoso grupo inglês. você consideraria que foi uma doação de pequeno valor? b) aceitação A aceitação pelo donatário é elemento indispensável para a doação e pode ser: – expressa – quando é manifestada de forma verbal. havendo a tradição imediatamente depois. Por exemplo. Doação com encargo – nessa espécie de doação. Lucy já pode se considerar proprietária da coleção? O sorteio da Mega Sena estava acumulado e o prêmio estimado em vinte milhões de reais. o doador impõe ao doador uma contraprestação que resulta em vantagem para o próprio doador ou para terceiro. pois. (art. ficou muito triste porque não conseguiria jogar. Curioso (a) você pede para ver a coleção. escrita ou por gestos. do ponto de vista legal. A doação remuneratória e a doação com encargo perdem a característica da gratuidade? FGV DIREITO RIO 35 . exceto nos casos de bens móveis de pequeno valor. – tácita – quando resulta de comportamento do donatário incompatível com sua recusa à doação. Percebendo que ela. O doador não espera do donatário qualquer ato ou prestação por parte do donatário. Seu filho. C) espécies de doação Doação pura – é pura liberalidade. – Gratuito – em regra. aparentemente detém 50% das quotas da Pechincha Ltda. inviabilizar a compra do negócio..5. 543 e 546 da Lei nº 10. 541) Lucy. Lucy conta. Doação remuneratória – tem o objetivo de pagar um serviço prestado pelo donatário. roteiro de aula a) Características do contrato de doação O contrato de doação é: – Unilateral – envolve prestação de apenas uma das partes. Analisando. como havíamos sido informados no início da diligência legal. Chegando a casa. E agora? Que pontos devem ser levados em consideração? A doação é válida? Tem alguma medida que possa ser tomada para anular essa doação? Supondo que você fosse o advogado do senhor Eduardo Russo e tivesse sido consultado antes do contrato ser assinado. 539. prêmio pago a alguém que encontrou seu cachorro desaparecido.

846. Dessa forma. 158 da Lei nº 10. – Doação que prejudique os credores do doador – art.406/2002 Embora esta restrição não esteja expressa no capítulo sobre doação do Código Civil. se o doador tem herdeiros necessários. que trata da fraude contra credores. Se você fosse o juiz. 158 do Código Civil. Para proteger os credores quirografários14 do doador.406/2002). aplicam-se as regras gerais a todos os contratos. ele só pode doar metade de seus bens. Ruth. é anulável a troca de valores desiguais. os Os herdeiros necessários são os descendentes. sem consentimento dos outros descendentes. rev. coordenação Luiz Eduardo Alves de siqueira – 3 ed. o código prevê que eles podem anular a doação quando o doador estiver insolvente com eles ou ficar insolvente com os credores por ter doado bens a terceiros. o legislador preocupou-se em tentar evitar que um dos filhos seja beneficiado pelos pais em detrimento do outro. e) doação de ascendente para descendente Como já vimos anteriormente. 1. (art. Na permuta entre descendente e ascendente. Qual foi o mecanismo adotado no caso da doação? E se o pai realmente quiser doar algo para um dos filhos em detrimento dos outros? Com a morte de seus pais. vimos que é anulável a venda de ascendente a descendente. sendo pago em rateio do saldo que houver. tendo em vista que a outra metade constitui a legítima. ela está prevista no art. o que você faria? f) resolução e revogação da doação A doação pode ser desfeita: – por motivos comuns a todos os contratos – embora não esteja prevista no capítulo específico sobre doações. 2001. todas as despesas que os pais tiveram para pagamento do doutorado de Raquel em Paris. por sua vez. Raquel pede que o juiz considere como adiantamento de legítima à Ruth os gastos que os pais tiveram com a festa de casamento de Ruth. possui os mesmos direitos que os credores comuns. e atual. De acordo com o art.) 14 FGV DIREITO RIO 36 . (Dicionário Técnico Jurídico/ organização Deocleciano Torrieri Guimarães. Por outro lado. e é assegurada aos herdeiros necessários. no caso da compra e venda. ou seja. – Doação de parte que caberia à legítima – art. são Paulo: Rideel. os ascendentes e o cônjuge. evitando que o doador passe a ficar totalmente desamparado e tenha que ser assistido pelo Estado.CONTRATOs Em EsPÉCIE d) restrições à liberdade de doar – Doação de todos os bens do doador – art. depois de ressarcidos os privilegiados”. 549 da Lei nº 10. Ruth e Raquel abriram o inventário.406/2002 Essa restrição visa proteger o patrimônio dos herdeiros.845 da Lei nº 10. – Doação do cônjuge adúltero a seu cúmplice – art. pertence aos herdeiros necessários13 a metade dos bens da herança. como visto anteriormente. solicita que o juiz considere como adiantamento de legítima a Raquel. ele terá ampla liberdade de doar seus bens. 548 da Lei nº 10. exceto se os outros descendentes expressamente consentirem. 550 da Lei nº 10.406/2002 Essa restrição tem como propósito proteger o cônjuge e os herdeiros necessários. observando-se apenas as demais restrições previstas no Código Civil. Sendo assim. se o doador não tiver herdeiros necessários. 13 Credor Quirografário ou simples: “aquele que não tem título que lhe dê preferência.406/2002 O objetivo dessa restrição é proteger o doador e também a sociedade. 1. No momento da doação deve ser aferido se o bem a ser doado é superior à metade dos bens do doador.

indicando em caso positivo qual o seu fundamento. além de fazer barulho até altas horas da madrugada. d. na frente dos porteiros e de alguns moradores que aguardavam o elevador. coação. A doação deverá ser feita por escrito. Rever arts. no caso previsto no art. Prova: 22º Exame de Ordem . 138 a 155 (erro. no qual o doador sobrevive ao donatário e o domínio do bem volta ao patrimônio do doador. se o donatário não cumprir o encargo no prazo assinalado pelo doador.5. b. encontrando-o na entrada do prédio.6. no dia seguinte.É anulável a doação do Cônjuge adúltero ao seu cúmplice. Lucy tem razão de ficar preocupada? E se Lucy tiver alugado a coleção para um amigo? 1. dolo. que. Rita foi visitar sua mãe na casa de veraneio e aproveitou para buscar a coleção de discos dos Beatles e entregá-la a Lucy. Lucy diz que Rita é muito ligada a seu irmão e diz que teme que esse incidente com Paul possa ter impacto na doação de Lucy. questões de ConCurso (Prova: 10º Exame de Ordem . chamou de irresponsável e outros adjetivos de baixo calão que não convém replicar para nosso leitor. Depois que fez a doação descobriu que Alfredo não era seu filho e então pretende anular a doação.CONTRATOs Em EsPÉCIE defeitos15 que podem macular o ato jurídico. Esclareça se existe algum vício na manifestação de vontade. se sobreviver ao donatário. 158 a 165 (fraude) e 167 (simulação). uma noite. resolveu fazer uma doação de um apartamento para ele. Paul é um péssimo vizinho. por exemplo. Paul se disse muito ofendido por Lucy. ainda que se trate de bem móvel de pequeno valor.1ª fase) Não constitui regra aplicável às doações a que abaixo se destaca: a. mas restringiu a possibilidade de revogar a doação por ingratidão a determinadas causas e regulou seus efeitos. Essa foi a gota d’água para Lucy que. c. ao chegar bêbado. como erro. Lucy ficou muito satisfeita com a prima. simulação e fraude. acabou por bater no carro de Lucy que estava estacionado na garagem do prédio.2ª fase PROVA DIsCURsIVA João acreditando que Alfredo era seu filho natural (filho biológico não registrado) do namoro que manteve com mãe do Alfredo. A doação pode ser revogada: – por descumprimento do encargo – no caso de doação com encargo. acabou perdendo a paciência e. – por ingratidão do donatário – o legislador visou punir o donatário. – por ser resolúvel o negócio – ocorre. são motivos para anular a doação. 547. dolo e coação) e arts. 15 FGV DIREITO RIO 37 . A doação dos pais aos filhos importa adiantamento da legítima. que é também irmão de Rita. o doador pode desfazer a doação. Para completar. não paga em dia as cotas do condomínio do prédio onde vivem. mas isso não foi suficiente para apagar a velha briga que tem com o seu vizinho Paul. A doação poderá conter cláusula de retorno do bem ao doador.

1. o uso e gozo de uma coisa não fungível. 565 a 578 da Lei nº 10.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Rio de Janeiro: Forense. págs.2.6. que merecem um regramento especial próprio. uma das partes se obriga a ceder à outra. vol. preço (“certa retribuição”).245/1991).6. Caio Mário da Silva. tratadas no direito romano como espécies de locação. Código Civil Art.036 do código e Lei nº 8.6. se fala sempre em locação de coisas. ter-se-á sempre em mente a idéia de locação de coisas (locatio rei). ainda hoje existe uma diferenciação no ordenamento quanto às diversas espécies de locação. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. consentimento (“se obriga a”) e prazo (“por tempo determinado ou não”). 565. [conceito do contrato de locação] O núcleo do contrato de locação é a cessão de uma coisa não fungível entre o seu proprietário – o locador – e aquele que se utilizará da coisa – o locatário. Direito Civil.3. III. lOCAçãO dE COISAS. mediante certa retribuição. Todavia. Trata-se de contrato: FGV DIREITO RIO 38 . Na locação de coisas.. biblioGrafia obriGatória: • Arts. Saraiva. Do claro conceito legal.. conforme diretiva do próprio código (art. 2. Portanto. roteiro de aula a) introdução Modernamente. 217 a 227. quando se fala em locação. biblioGrafia CoMPleMentar: • PEREIRA. que são regidos por legislação especial. 267 a 301 1. A locação de serviços e de obras. AulA 6: CONTRATO dE lOCAçãO. Instituições de Direito Civil. • RODRIGUES. pode-se extrair as características principais do contrato: a cessão da coisa (“ceder à outra. algumas são consideradas tão especiais pela mens legis. Silvio. por tempo determinado ou não. respectivamente. no âmbito destas aulas. 3.. comerciais e de temporada). ao se falar em locações.1. quando há vínculo empregatício) e para a empreitada.6. págs. São Paulo: Ed. uso e gozo de uma coisa não fungível”). 2005. eMentário de teMas: Introdução – Elementos do contrato de locação – Obrigações do locador – Obrigações do locatário 1.6. evoluiu para a prestação de serviços (e para o Direito do Trabalho. 2002.4. 1. e o maior exemplo disto é a locação de prédios urbanos (residenciais. vol.406/2002.

Ressalte-se que. porque confere obrigações e direitos recíprocos às duas partes. pois envolve prestações seguidas no tempo. A proteção do locatário. se houver). 16 17 Caio mário. o locatário é obrigado a restituir a coisa no estado em que a recebeu. embora possa se tornar mediante consentimento das partes. isto é. não se trata de contrato real. a lei dá (art. O principal atributo da coisa que será objeto de locação é a sua infungibilidade. exclui diversos tipos de imóveis. É muito comum considerar o contrato de leasing ou arrendamento mercantil como uma locação de coisas móveis. o preço e o objeto do negócio. pois a lei não exige forma específica para sua validade. transferidos por meio de manifestação de vontade. como.: corte de árvores em casa de campo). a coisa. salvo as deteriorações do seu uso regular. em caso de alienação do bem. Note-se que. Além disso. como o dinheiro. ao contrário da compra e venda. (ii) oneroso. 576). havendo um grande avanço jurisprudencial na matéria. é maior se houver registro (art. pois se forma só pelo acordo de vontades. a lei privilegia a não-fungibilidade do bem. 46 da lei 8. Disso decorrem algumas conseqüências: (i) segundo o art. como se vê do próprio conceito legal. o contrato de locação não é personalíssimo. mas tão somente é considerado como contrapartida pelo uso em um determinado período. 569. b) elementos do contrato de locação Os elementos do contrato são. todavia. FGV DIREITO RIO 39 . embora a Lei do Inquilinato tenha tomado para si a normatização de boa parte dos imóveis urbanos. 1º. e (v) não solene. a opção de compra ao final do prazo contratual). (iii) consensual. do Código Civil. o tempo. contanto que sejam infungíveis. normalmente mensal. como na compra e venda. em regra. simplificadamente. os efeitos do contrato podem ser diferentes conforme houver registro ou não. embora alguns autores17 enxerguem também o consentimento e a forma como seus elementos. portanto. Em regra. como se verá no ponto específico. tal contrato possui peculiaridades específicas com relação à locação comum de coisas regulada pelo Código Civil (como. sem exigir forma específica16. o contrato de locação é de execução continuada ou de trato sucessivo. [i) a cessão da coisa – o objeto do contrato de locação] Embora seja uma confusão bastante comum. sem que ela perca a sua infungibilidade (ex. no caso de locações prediais urbanas. que continuam sendo tratados pelo código (ou por legislação especial. a tradição da coisa. IV. (iv) comutativo. porque as partes já tem conhecimento de suas respectivas prestações. ou seja. como bens fora do comércio ou bens públicos. O fato de um bem ser inalienável não impede o seu uso em locação. 276. já diz respeito à fase da execução do contrato. pág. por exemplo. Pode ser objeto da locação bens móveis ou imóveis. pois é da natureza do contrato a retribuição econômica por parte do locatário. mas seu uso e gozo por alguém que não o seu proprietário. com ele não se confunde. e (iii) por outro lado. incentivando sua utilização.245) um tratamento especial às locações reduzidas a contrato escrito.CONTRATOs Em EsPÉCIE (i) bilateral. o pagamento de uma prestação não exaure o contrato. as vagas autônomas de garagem. na celebração da avença. o objeto do contrato de locação não é a coisa em si. seu art. Todavia. por exemplo. (ii) não se destinam à locação as coisas consumíveis no seu primeiro uso. O aluguel de lojas em shoppings centers também possui toda uma sistemática própria. e. pode ser objeto da locação se algum acessório da coisa for consumido. parágrafo único.

O art. A questão da manutenção da coisa envolve. 571 estabelece que. o locatário. sem necessidade de notificação ou aviso. mas. naturalmente. embora não caiba a retenção do aluguel como contrapartida a ausência do cumprimento deste dever. Esse dever. o tratamento jurídico da conservação e reparação do bem. Dentre todas. dá efeitos diferentes (mais sensíveis ainda no caso da locação de prédios urbanos sujeitos à Lei nº 8. do Código Civil. a fundamental é a de proporcionar ao locatário o uso e gozo da coisa locado. basicamente. Podem as partes estipular aluguel que não seja em dinheiro? Por quê? No âmbito da discricionariedade das partes. O art. determina ser obrigação do locador garantir ao locatário o uso pacífico da coisa durante o tempo do contrato. 567 do Código Civil reza que.CONTRATOs Em EsPÉCIE Em regra. Há de haver. embora a sua temporariedade o diferencie. FGV DIREITO RIO 40 . se não houver culpa do locatário. Essa presunção legal admite prova em contrário? C) obrigações do locador As obrigações do locador estão dispostas no art. e presume-se que deve ser feita imediatamente. Entrega – A entrega da coisa. 573 e 574). sob pena de invalidação do contrato ou de sua configuração em empréstimo disfarçado ou até mesmo comodato. salvo se em contrário dispuser o contrato. o locatário também não poderá devolver a coisa sem o pagamento proporcional da multa contratual. extingue-se a locação pelo mero decurso do tempo. uma certa proporcionalidade entre o valor do bem e o aluguel cobrado. qualquer das partes pode resilir o contrato sem o pagamento de penalidades. a celebração da locação transfere a posse do bem. do instituto extinto da enfiteuse. por um lado o locador não pode exigir a devolução da coisa antes do término do contrato. conforme art. O art. manutenção e garantia da coisa locada. portanto. em que a transferência da posse é perpétua. [ii) preço – o aluguel] Como dito anteriormente. deve ser feita em estado de servir ao fim a que se destina. o pagamento do aluguel é o que diferencia a locação do comodato. por exemplo. todavia. 566 e seguintes do Código Civil. na locação por prazo determinado. pois o locatário não poderá fazer o uso esperado dela. em razão de sua natural deterioração. 566. sem oposição do locador. todavia. sendo o contrato sem prazo determinado. Manutenção – Não basta isso. Numa interpretação a contrario sensu. Sendo o contrato por prazo determinado (arts. II. Por exemplo: o locador não pode alugar uma televisão com o tubo de imagem queimado. podem ser deduzidos do aluguel as obras e benfeitorias feitas pelo locatário. A lei. nos deveres de entrega. ou até mesmo a resolução do contrato. a qual pode ser desdobrada. I. contudo. salvo se houver previsão contratual específica em contrário. A entrega é o ato por meio do qual a coisa locada muda de possuidor. assim como o de garantia. 566. prolonga-se durante o prazo da locação. Caso. junto com os seus acessórios e pertenças. permaneça com a posse da coisa. [iii) prazo – o tempo da locação] A definição legal do contrato de locação já permite que ela seja celebrada tanto por prazo determinado quanto por prazo indeterminado. pode este pedir a redução proporcional do aluguel. se deteriorar-se a coisa durante a vigência do contrato. já que o mesmo artigo fala que o locador deve mantê-la neste estado (dever de manutenção). presume-se prorrogada a locação por prazo indeterminado. a não ser que pague as perdas e danos correspondentes.245/1991) ao contrato de locação conforme o seu prazo. por outro.

(v) Atos da administração pública – não só a desapropriação. em regra. sob esse pretexto. 289. tratando-a como se sua fosse (art.CONTRATOs Em EsPÉCIE Como proprietário da coisa. Se o locador deve garantir ao locatário o uso pacífico da coisa com relação a terceiros. Art. para o fim a que se destina. Se for total. embora caiba ao locatário “o desforço que a lei lhe assegura (Código Civil. §1º)”18. mudar a destinação da coisa alugada. com muito mais razão não pode ele praticar atos que venham a prejudicar esta utilização pacífica. A mais importante delas é a de pagar pontualmente o aluguel. conforme a escolha do locatário (v. conforme sistematiza Caio Mário da Silva Pereira. Se. além das perdas e danos. Isso quer dizer. II do código. (iv) Evicção. que o locador deve garantir o locatário quanto a: (i) vícios da coisa. in fine. tb. 568. 566. na medida em que em regra o contrato não pode ter sobrevida pelo interesse público subjacente. Deve também o locatário usar a coisa para os usos convencionados ou presumidos. pág. o locatário deve ser indenizado dos frutos que tiver que restituir. I).467. não permite 18 Caio mário.: fechamento de estabelecimento comercial pela vigilância sanitária). o locador indenizará o locatário pelas benfeitorias e os aluguéis são devidos até que o ente público seja imitido na posse da coisa. em regra se atribui ao locador o dever de promover as obras necessárias à sua conservação. Se o locador tinha conhecimento do decreto expropriatório. (iii) Abstenção de incômodos. caso em que pode o locador solicitar as perdas e danos sofridas. é que o contrato de locação estabeleça exatamente que tipo de despesas caberá o locatário e ao locador. Art. o locatário pode pedir a resolução do contrato ou abatimento proporcional no aluguel. A lei estabelece inclusive um penhor legal sobre os móveis que guarnecem o imóvel locado como garantia de pagamento. art. Garantia – o já mencionado art. conforme o art. A desapropriação tem um regramento próprio. principal interessado na manutenção do seu valor econômico. 568.210. Caberia ao locatário o pedido de restituição dos aluguéis pagos? Se parcial a evicção. as despesas dela oriundas. 1. determina ser obrigação do locador garantir ao locatário o uso pacífico da coisa. O aluguel está para a locação assim como o preço está para a compra e venda. d) obrigações do locatário: Estão dispostas fundamentalmente no art. responde pela indenização. ela sobrevier na vigência do contrato. porém. ou à redução proporcional do aluguel. na forma ajustada no contrato. sob pena de resolução do contrato e pagamento das perdas e danos correspondentes. além da resolução do contrato decorrente da própria evicção. Esse dever é imposto mesmo no caso de turbações feitas por colocatários. 569 do Código Civil. sem. portanto. II. respondendo pelas perdas e danos (graduados pelo seu grau de culpa. 1. Isso vale somente para os vícios ocultos ou também para os vícios aparentes? (ii) incômodos ou turbações de terceiros. e. 569. reparos etc. exceto se causadas pelo próprio locatário (ex. A prática. consertos. todavia. contudo. conforme o mesmo art. sobretudo para os vícios ou defeitos posteriores ao contrato) e sujeitando-se à resolução do contrato. mas também os chamados fatos do príncipe que desnaturem a coisa ou o uso a que ela se destina. A eventual tolerância do locador. 567). sendo esse assunto inclusive objeto de regramento próprio na Lei do Inquilinato. embora seja normal que o locatário responda pelas despesas de conservação de pequeno porte. ou defeitos que possam prejudicar o seu uso. FGV DIREITO RIO 41 . especialmente nos imóveis urbanos.

O locatário deve ter a diligência esperada para o cuidado com a coisa. uma defesa que a lei dá ao locatário de conservar em sua posse a coisa alheia locada. por exemplo. deve o locatário restituir a coisa no estado em que a recebeu. 20 FGV DIREITO RIO 42 . 96. conforme as circunstâncias do contrato. parágrafo 2º da Lei nº 10. salvo por sua deterioração natural. sem prejuízo das regras específicas da Lei nº 8. do local em que ele é celebrado e o princípio da boa-fé objetiva. 19 Art. Art.406/2002: “são necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore”. [alienação do bem durante o prazo locatício] A questão está regulada no art. sem prejuízo de seu dever de pequenos reparos e consertos já mencionado. podem as partes dispor em contrário no contrato. Tratandose de norma dispositiva. A lei confere direito de retenção ao locatário pelas benfeitorias necessárias19. O locatário é obrigado a levar ao conhecimento do locador as turbações de terceiros. 575: ficará responsável pelos aluguéis enquanto mantiver a coisa em seu poder. Por fim. As únicas exceções permitidas por lei são as em é conferido ao locatário direito de retenção. 576 do código. 578).CONTRATOs Em EsPÉCIE afastamento desta regra. no valor arbitrado pelo locador. como se verá a seguir. enquanto não lhe forem indenizadas as despesas ou perdas sofridas em razão da coisa.406/2002: “são úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem”. Esse dever de informação deve ser exercido de modo a permitir a que o locador possa tomar todas as providências para o exercício do seu próprio dever. possa entrar com as medidas judiciais cabíveis para a proteção de sua propriedade e da posse do locador. Pode-se dizer até que é um dos poucos casos de “Justiça privada” aceita pelo Direito brasileiro. contudo. 96. e também pelas úteis20. tão logo o locatário tome conhecimento da turbação. deve notificar o locador. isto é.245. ainda que proveniente de caso fortuito. para que ele. a lei provê a solução no art. Caso o locatário descumpra esse dever. parágrafo 3º da Lei nº 10. findo o contrato de locação. [direito de retenção] É um poder. por exemplo. Isso é contrapartida do dever do locador de garantir a coisa locada. a impedir a deterioração do bem se ela é evidente. O adquirente do bem somente estará obrigado a respeitar a locação se o contrato contiver cláusula expressa e tiver sido submetido ao registro próprio. e responderá pelos danos a ela. mesmo depois de findo o prazo contratual. O desvio de finalidade é analisado no caso concreto. caso tenham sido feitas com o consentimento do locador (art. de maneira.

481-573.5. indubitavelmente o maior número de casos. Contratos. sua filha.. fosse o seu sobrinho? E se o imóvel estivesse sendo vendido? 1. Todavia. O regime da locação de imóveis urbanos é de tal importância para o Direito que mereceu uma disciplina própria.4. em grande parte devido ao fato de que mais de 80% da população brasileira vive em centros urbanos. de 18 de outubro de 1991. decide morar sozinha e. 1. FGV DIREITO RIO 43 . ao invés da filha.2. Com efeito. envolvendo o contrato de locação.7. roteiro de aula a) introdução Vimos na aula passada o regime geral das locações de coisas no Código Civil.7. e o crescente déficit na oferta de casas tem gerado uma verdadeira sucessão de regras jurídicas sobre o tema. Maria Lúcia.3.7. biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO. Arnaldo. pág. Rio de Janeiro: Forense. 1. pelo menos no Brasil. que hoje encontra abrigo na Lei nº 8. Rio de Janeiro: Forense. é o de locação de prédios urbanos. • PEREIRA. não foi a primeira legislação específica sobre o tema no Direito brasileiro. 301 a 312. todavia. Caso Gerador Imagine que o senhor Eduardo Russo tenha alugado um de seus apartamentos em Brasília por 30 meses. No 17º mês de vigência. a questão habitacional vem sendo uma das maiores preocupações legislativas em todo mundo a partir do Século XX.7.7. 6. ora protegendo mais o inquilino. eMentário de teMas: Introdução – Âmbito de aplicação – Obrigações das partes – Garantias Locatícias – Prazo e forma – Alienação do imóvel – Locação residencial 1. Pergunta-se: cabe a denúncia “cheia” nos contratos por igual a 30 meses? E se.245/1991. que o profissional do Direito é levado a lidar. biblioGrafia obriGatória: • Lei nº 8. que. Caio Mário da Silva. págs.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.7. vol. AulA 7: CONTRATO dE lOCAçãO (lOCAçãO dE PRÉdIOS uRbANOS –– lOCAçãO RESIdENCIAl) 1. III.1. separada do Código Civil. para ela morar.245. pede ao pai que lhe ceda esse apartamento que se encontra alugado. tem-se mostrado até certo ponto pendular. 2005. com as normas ora protegendo mais o proprietário. ed. 2006. Instituições de Direito Civil. como não possui imóvel próprio. Pode-se até dizer que a atividade legislativa.

ou seja. e não ao contrário. exceto por algumas questões referentes a despesas condominiais tratadas no próprio artigo. A própria lei (em seu art. Uma situação especial diz respeito aos espaços comerciais em shopping centers. Isto é. nem tampouco uma necessidade social tutelável. ao fato de que procura equilibrar os interesses. Também não se aplica a lei no caso de leasing de imóveis. aumentando o déficit habitacional. neste caso. 54 da lei determina que. da sua localização dentro do shopping. é livre a pactuação das cláusulas do contrato entre locador e locatário. O art. nestes casos. sujeitos à aplicação da Lei nº 8. A Lei do Inquilinato regula três tipos de locação: a residencial. o intérprete decidirá preponderantemente de acordo com a atividade econômica praticada ou desenvolvida naquele imóvel. a não residencial (ou comercial) e a por temporada. o impacto social não é tão relevante. por exemplo. imóveis de propriedade de entes públicos. a disciplina do Código Civil não é totalmente afastada nas locações de imóveis urbanos. como. porém. em virtude de exceção expressa no texto legal. manutenção e garantia da posse do locatário. Estão. as principais obrigações do locador se referem à entrega. sendo que as duas últimas serão tratadas na próxima aula. no que tange às despesas condominiais. como é o espírito da lei. O aluguel deve ser fixado em dinheiro.504/1964). em regra. embora o contrato possa contemplar cláusula de reajuste (arts. não se verifica um desnível econômico significativo entre as partes que enseje a atuação do legislador. Além disso. podemos inferir. C) obrigações das partes Estão listadas fundamentalmente nos art. vagas autônomas de garagem. 1º. nos casos limítrofes. garantindo o seu uso pacífico inclusive perante terceiros. É muito comum. permitir o uso e gozo pleno do imóvel pelo locatário. por exemplo. as regras para o uso do estacionamento. A configuração de imóvel urbano. num patamar imediatamente inferior. 17 e 18). todavia. está o dever de cuidar do imóvel e servir-se dele para o fim acordado no contrato. de locadores e locatários. possui caracteres específicos. Por outro lado. Os imóveis rurais são regulados pelo Estatuto da Terra (Lei nº 4. que chegam a extrapolar a mera relação locatícia de transferência da posse. expostas já no parágrafo único do seu art. que o contrato transfira para o locatário tais despesas. incluem. aplicam-se a este tipo de locação. a submissão a promoções do shopping etc. a variação do aluguel a ser pago em função do faturamento da loja. Esse tipo de locação. normalmente contrapostos. As exceções ao âmbito de aplicação da lei.245/1991 todos os imóveis urbanos não incluídos nas exceções legais expressas. Todos os princípios contratuais expostos no código. Como visto na aula anterior. gerava um aumento no preço dos aluguéis.CONTRATOs Em EsPÉCIE A relativa longevidade da legislação vigente deve-se. solução que parece mais simples em face do direito constitucional de moradia. O legislador entendeu que. É legal esta estipulação? No que tange ao locatário. 22 e 23 da lei. 79) determina a aplicação subsidiária da legislação geral nos casos omissos. A experiência mostrou que a proteção demasiada ao locatário. sua obrigação primordial é a de pagar pontualmente o aluguel. apart-hotéis etc. restituindo-o ao locador ao fim do prazo estipulado. portanto. obedece mais a um critério funcional/eco/econômico do que um geográfico. FGV DIREITO RIO 44 . como o da boa-fé objetiva e do equilíbrio contratual. b) Âmbito de aplicação Nem todos os imóveis em áreas urbanas estão sujeitos ao tratamento jurídico da Lei do Inquilinato.

durante a vigência do contrato. como já dito anteriormente. isto é. (ii) fiança. 40 da lei. se o proprietário vender o imóvel. Resumidamente. o art. e o contrato foi averbado na matrícula do imóvel no Registro de Imóveis. já que a depender do que as partes acordarem os efeitos serão bem distintos. se não obtido. ou (ii) manter-se na posse do imóvel. que. não pode o locador reaver o imóvel locado. porém. a diversidade de efeitos do registro no caso da alienação do imóvel é um grande incentivo não só a reduzir o contrato por escrito como também averbá-lo na matrícula do imóvel. 27. apesar de o contrato de locação ser. consensual e não solene. ou (iii) seguro de fiança locatícia. desde que. o contrato de locação transfere ao locatário a posse do bem. o contrato contenha cláusula de vigência e esteja averbado na matrícula do imóvel no Registro de Imóveis. Entretanto. para o locatário. 1. o direito de vender o bem continua com o proprietário. FGV DIREITO RIO 45 . Tal regra. a lei determina que o contrato é consensual. A questão do prazo é. A regra geral é a de que. o adquirente pode denunciar o contrato de locação. 3º da lei determina que o contrato pode ser ajustado por qualquer prazo. a lei faculta ao proprietário o direito de exigir um reforço – ou até mesmo uma troca – da garantia nas hipóteses previstas no art. 37. Como já vimos anteriormente. 27 cria um direito de preferência. Primeiramente. recebe um tempero especial quando se trata de locação residencial. gozar e dispor de seus bens. e o locatário somente poderá devolvê-lo mediante pagamento proporcional da multa estipulada no acordo. Este requisito é indispensável para possibilitar a manutenção do contrato em caso de alienação do imóvel. de adquirir o imóvel em condições de igualdade de condições com o terceiro. em regra. 8º da lei estabelece que quando o contrato contém a chamada “cláusula de vigência”. isto é. talvez. Sendo assim. em regra. que a proteção jurídica do locatário independe da forma escrita do contrato? f) alienação do imóvel O sistema de propriedade adotado pelo nosso código (art. a regra geral é que se resolve o contrato de locação. Todavia. Por outro lado. se for superior a dez anos. no prazo de 30 dias contados do conhecimento da proposta.CONTRATOs Em EsPÉCIE d) Garantias locatícias A lei estabelece que o locador pode exigir do locatário uma das seguintes garantias: (i) caução. Por isso. Não lhe é permitido. o art. o adquirente não poderá denunciar o contrato. consolidar novamente posse e propriedade em suas mãos. depende do consentimento do cônjuge do proprietário. Quanto à forma. não depende de forma específica. necessariamente excludentes entre si: (i) exercer a preferência para compra do imóvel em igualdade de condições com o terceiro. e) Prazo e forma O art. Pode-se dizer. a lei confere ao locatário dois direitos. então. não estará obrigado a respeitar o prazo da avença. conforme dispõe o art. como se verá adiante. mas a lei regula – e confere alguns direitos ao locatário nestas hipóteses – a forma e o procedimento que deve ser respeitado pelo proprietário e pelo adquirente no caso de venda do imóvel alugado.228) confere ao proprietário o direito de usar. permanecendo o contrato em vigência. o direito de uso e gozo. cumulativamente. na forma do art. a mais importante no regime da lei. todavia. solicitar o acúmulo de garantias para um mesmo contrato. Além disso. mas.

c. 46) Efeito • o locador pode denunciar o contrato a qualquer tempo. mesmo se para os seus administradores (art. proceder a desocupação do imóvel. ainda que sem a intenção de nele permanecer sempre. O direito a uma indenização proporcional ao número de anos em razão do rompimento imotivado do contrato. ed. tem um prazo de trinta dias para desocupação do imóvel (art.Poderá ficar ainda mais três meses além do prazo estabelecido. Arnaldo.6. b. 46. 2006. 45). Contratos. 21 RIZZARDO. no qual o legislador fixou uma referência (30 meses) em torno da qual os efeitos do contrato e os direitos e obrigações das partes serão modificados. Findo o prazo. imotivada. exercida a denúncia. sempre. onde pratica em regra os seus atos jurídicos. a morada habitual da pessoa. com prorrogação automática se não houver oposição do locador. fixa o parâmetro dos 30 (trinta) meses como razoável para o prazo locatício. Pessoa jurídica não pode ser parte em contrato de locação residencial. aquela. 47. questões de ConCurso (Prova: 09º Exame de Ordem .21 Não devem ser confundidas as noções jurídicas de residência e de domicílio. 6. • o locatário. O principal traço da locação residencial diz respeito ao prazo. a locação prorroga-se imediatamente por prazo indeterminado. • Nesse tipo de prorrogação. especialmente no que tange à denúncia do contrato. devolvendo-o nas mesmas condições que o recebeu. O direito de não pagar os locativos no período estipulado na notificação. 55). • A resolução do contrato ocorre no fim do prazo estipulado. tendo sempre cumprido rigorosamente todas as condições do contrato. que pode ou não ser o mesmo local do domicílio. §2º) • Findo o prazo estabelecido. A hipótese importa para o locatário: a.1ª fase) Arnaldo reside há dez anos consecutivos em um imóvel locado através de instrumento escrito e atualmente vigorando por prazo indeterminado. isto é. Esse é o lugar da “atividade jurídica da pessoa”. 486. • Só cabe a denúncia “cheia” – nos casos previstos no art. Destinam-se à habitação da pessoa natural.7.CONTRATOs Em EsPÉCIE G) locação residencial Locação residencial é aquela destinada à habitação de pessoas. As prorrogações previstas no art. 1. Seu elemento essencial é a habitualidade”. Para melhor entendimento da matéria. d. pág. A lei. após os trinta meses cabe a “denúncia vazia”. 47) Igual ou superior a 30 meses (art. estudemos a tabela abaixo: Prazo Contratual Indeterminado Inferior a 30 meses (art. 47 não podem ser afastadas pelas partes. Rio de Janeiro: Forense. portanto. FGV DIREITO RIO 46 . foi surpreendido com uma notificação para desocupar o imóvel no prazo de doze meses. e cabe o locatário desocupar o imóvel em trinta dias. “Residência é o lugar onde alguém fica habitualmente. onde ela se estabelece com ânimo definitivo. sob pena de nulidade do contrato (art.

c.1ª fase) sendo alienado o imóvel durante a vigência de contrato de locação: a. salvo se a locação for por tempo determinado e o contrato contiver cláusula de vigência em caso de alienação e estiver averbado junto à matrícula do imóvel.A denúncia deverá ser exercitada no prazo de 30 dias contados do registro da venda ou do compromisso. d. O adquirente poderá denunciar o contrato com prazo de noventa dias para desocupação. b. O adquirente poderá denunciar o contrato com prazo de sessenta dias para desocupação. presumindo-se. FGV DIREITO RIO 47 .CONTRATOs Em EsPÉCIE (Prova: 02º Exame de Ordem . a concordância na manutenção da locação. O adquirente não poderá denunciar o contrato se este vigorar por prazo indeterminado. após esse prazo. independentemente de cláusula de vigência em razão do princípio “venda rompe a locação”.

CONTRATOs Em EsPÉCIE

1.8. AulA 8: CONTRATO dE lOCAçãO

1.8.1. eMentário de teMas: Introdução - Locação para temporada - Locação não residencial - Ações locatícias. 1.8.2. biblioGrafia obriGatória: • Lei 8.245/1991. • RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. São Paulo: Ed. Saraiva, 2002, vol. 3, págs. 227 a 239. 1.8.3. biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO, Arnaldo. Contratos. Rio de Janeiro: Forense, 2006. págs. 481-573. • VENOSA, Silvio de Salvo. Lei do inquilinato comentada. São Paulo: Atlas, 1997. Comentários aos artigos 48 a 57. • FUX, Luiz. Locações - Processo e Procedimento. Rio de Janeiro: Destaque, 1999. 1.8.4. Caso Gerador Durante o curso da diligência legal, recebemos uma cópia de um contrato de locação não residencial de uma das lojas dos Supermercados Pechincha, celebrado inicialmente em 1º de janeiro de 2000 com prazo de vigência até 31 de dezembro de 2005. Questionada sobre o vencimento do contrato, a senhora Maria Lúcia Russo alegou que o advogado da Pechincha Comércio Varejista Ltda. a orientou a escudar-se no parágrafo único do art. 56, que garante a permanência do locatário se não houver oposição do locador no prazo de 30 dias. Sendo assim, ela argumenta que, passados vários meses do prazo legal, o contrato deve ser considerado como renovado. Como advogado da Grana Certa S/A, quais são os riscos para o seu cliente dessa situação? Seu chefe no escritório, preocupado com isso, pede a você uma pesquisa para verificar se é possível a propositura de ação renovatória. O que você responde a ele? Paralelamente, o senhor Odin Heiro pretende contratar um administrador profissional para assumir a administração da Pechincha Ltda. quando o negócio for fechado. Dentro do pacote oferecido para os candidatos à vaga, inclui-se o pagamento de aluguel de uma mansão no Lago Sul, em Brasília, onde serão sediadas as operações da Grana Certa S/A no ramo de distribuição alimentícia. Neste cenário, o seu cliente lhe pergunta qual seria o prazo recomendável para a vigência do contrato. O que você diz a ele? 1.8.5. roteiro de aula a) introdução A Lei nº 8.245/1991, além das locações residenciais, estabelece ainda o regime das locações não-residenciais (ou comerciais) e por temporada, cada qual com uma finalidade econômica específica. Assim, a Lei do Inquilinato divide em três grandes sistemáticas o regramento das locações prediais urbanas, atendendo aos bens jurídicos respectivamente tutelados – a locação residencial protege o direito à habitação, a
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locação não residencial protege o fundo de comércio e a locação por temporada, por não ser nem habitacional nem parte de atividade econômica, merece regulamento próprio. b) locação para temporada O conceito de locação para temporada está disposto no art. 48 da Lei do Inquilinato, segundo o qual são requisitos para a caracterização da locação para temporada o fim ao qual é destinado o imóvel (recreativo ou na necessidade do locatário de celebrar o contrato, seja por realização de curso, seja por tratamento de saúde ou obras em seu imóvel), e o prazo de sua vigência (que não pode ser superior a 90 (noventa) dias). O prazo superior a 90 (noventa) dias descaracteriza a locação como para temporada. O art. 50 mostra que, se permanecer o locatário no imóvel para além do prazo máximo estipulado, não é possível mais se exigir o pagamento antecipado do aluguel, descaracterizando a temporada. Assim, o artigo equipara à locação residencial, só podendo ser denunciado nas hipóteses do art. 47. Parte da doutrina entende que é necessário contrato escrito. Embora contivesse do projeto original uma disposição específica neste sentido, há quem entenda que o prazo exíguo a torna incompatível com o contrato verbal, sobretudo porque o contrato não escrito, como pode não deixar claro o prazo contratado, pode ser confundido com uma locação residencial comum. E você, acha necessária, conceitualmente, a forma escrita para a locação por temporada? Em todo caso, se o imóvel estiver mobiliado, o parágrafo único determina que deva constar do contrato o rol dos móveis e utensílios que o guarnecem, bem como o estado em que se encontra. E se as partes não procederem assim, qual a sanção jurídica? Torna-se inválido o contrato? Outro grande traço da locação para temporada é a possibilidade de exigência, por parte do locador, de recebimento dos aluguéis antecipadamente, o que é vedado para os demais tipos de locação segundo o art. 20. Se, todavia, o contrato for resolvido, por algumas das hipóteses estabelecidas no art. 9º, o locador será obrigado a devolver, proporcionalmente, o valor recebido antecipadamente, sob pena de seu enriquecimento sem causa. C) locação não residencial Considera-se locação não residencial, naturalmente, aquela que não é destinada à habitação de pessoas. Sempre que a destinação do imóvel não for a moradia de alguém, será para fins não residenciais. O contrato de locação não residencial ganha uma importância maior na medida em que pode ser – e quase sempre é – parte integrante do fundo de comércio (ou fundo de empresa) do empresário. O ponto, o estabelecimento, a loja, são partes fundamentais da atividade empresarial, apesar de ser um bem imaterial, e, desta forma, não pode o legislador – que sempre procura preservar a atividade empresarial, em prol do crescimento econômico (que gera empregos e tributos) – tratar esse tipo de locação da mesma forma que trata a locação residencial. Como o legislador se utilizou da expressão “não residencial”, e não de “empresa”, “empresário” etc., é irrelevante para a lei se a atividade desenvolvida no local é empresarial, civil, industrial, ou qualquer outra. O critério da lei é residual – todas as locações que não sejam destinadas à moradia de pessoas naturais são “não residenciais” e sua disciplina então é a aplicável. Há também a locação não residencial por força de lei, estabelecida no art. 55 da lei. De modo a proteger, então, a atividade econômica, o legislador, ao contrário do que ocorre na locação residencial, outorgou ao locatário, nestes casos, um direito à renovação compulsória, ao qual corresponde uma ação – a ação renovatória. Note-se que a possibilidade de renovação compulsória do contrato encerra uma revolução paradigmática no direito dos contratos: a vigência do contrato independe da vontade de uma das partes. Em outras palavras: o locador pode inclusive ter manifestado sua intenção de não renovar
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o contrato, mas se o locatário cumprir os requisitos legais, o juiz deverá autorizar a manutenção da vigência do contrato. A rescisão do contrato, em regra, nesses casos, se dá ao fim de seu prazo, conforme estabelecido no art. 56 da lei, que dá um tratamento semelhante ao que ocorre na locação residencial. Para que o locador possa fazer jus ao direito à renovação compulsória, a lei exige determinados requisitos que devem constar do contrato, necessariamente. Tais requisitos estão expostos nos três incisos do art. 51, que são cumulativos, ou seja, é necessária a presença das três condições para a possibilidade da renovação compulsória. Vale ressaltar que, neste caso, a lei é cogente; significa dizer que o contrato não pode afastar a possibilidade de renovação, estando presentes os requisitos legais. Note que (i) a lei obriga que o contrato seja por escrito – volta-se aquela definição vista anteriormente: o contrato é consensual, mas dependendo de sua finalidade, a forma escrita garantirá uma determinada sorte de efeitos; e (ii) o legislador realmente privilegia a formação do “fundo de empresa” quando estabelece prazos mínimos e requer que seja o mesmo ramo de atividade. No que tange ao inciso II, ressalte-se que se o contrato for estipulado por menos de cinco anos e houver um lapso temporal entre o seu vencimento e a sua efetiva renovação, a jurisprudência entende que se computa este tempo, valendo o tempo que o inquilino está no imóvel. Um outro requisito fundamental de validade da ação renovatória está previsto no §5º do referido artigo, que estabelece um prazo decadencial para a propositura da ação, de seis meses, entre um ano e seis meses antes do vencimento previsto do contrato vigente. Portanto, quando você estiver estagiando em um escritório e tiver que protocolar um prazo de ação renovatória, muita atenção: NÃO PERCA O PRAZO; seu cliente pode sofrer gravíssimos prejuízos. Dê uma olhada atenta nos arts. 52 e 53 da lei – lá estão estabelecidas algumas exceções à regra da renovação compulsória, por matéria de política legislativa. Luvas: é uma quantia paga pelo locatário, além dos aluguéis, para o locador, como adiantamento ou para a renovação do contrato. No regime anterior da locação não residencial, sua cobrança era permitida. No atual sistema legislativo, parte da doutrina acha que a lei atual não veda a cobrança, que ocorria, na prática, mesmo com a existência de vedação expressa do decreto anterior (lei de luvas). Mas não é matéria pacificada; alguns entendem que o Art. 45 proíbe a cobrança de luvas. d) ações locatícias Por fim, e sem querer entrar na aula do professor de Processo Civil, a Lei do Inquilinato possui regras processuais específicas para o caso de locação de imóvel urbano, criando alguns remédios para locadores e locatários sujeitos ao âmbito da lei. 1) Ação de despejo (art. 59) – é a ação utilizada pelo locador para retomar o imóvel, por qualquer que seja o motivo (e não somente por falta de pagamento). Assim, sempre que o locatário se mantiver na posse do imóvel e a lei conferir ao locador o direito de retomada, ele poderá propor a ação de despejo e poderá, inclusive, pedir liminar ao juiz para desocupação em 15 (quinze) dias, nos casos previstos no art. 59. Se a ação de despejo for proposta com fundamento na falta do pagamento pontual do aluguel, o objeto da ação incluirá também a cobrança dos valores devidos, não sendo necessária, até mesmo por um primado de economia processual, a propositura de ação de cobrança. O locatário poderá, nesse caso, impedir a resolução do contrato mediante a “purga da mora”, isto é, o depósito judicial do valor do débito atualizado, com multa, juros e encargos. 2) Ação de consignação de aluguel (art. 67) – é a ação do locatário quando o locador se nega a receber os valores do aluguel, e por meio da qual ele irá depositar em juízo a importância que acha devida, indicada na petição inicial.
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a retribuição a ser paga pelo locatário. expondo todo o caso concreto e desejando sua opinião sobre a possibilidade de compelir a realização da renovação contratual.PROVA DIsCURsIVA Padaria Alvino. lhe procura como advogado. no art. celebrado em 01/12/1999. por prazo determinado de 5 (cinco) anos. o juiz acolherá o pedido (art. existe. d. IV). A necessidade de realização de obras urgentes. Vale ressaltar que. face à resistência do locador. que também será discutido na ação (art. também por medida de economia processual. a locatária. 4) Ação renovatória (art.6. poderá ser cobrada a diferença aferida no valor dos aluguéis. 1.1ª fase) Não é defesa possível ao locador na ação renovatória: a. Por outro lado. Neste caso. Sendo assim. questões de ConCurso (Prova: 21º Exame de Ordem . determinadas pelo poder público. desta forma. ou não. Não preenchimento dos requisitos legais para a renovação. na locação não residencial. c. as quais restaram infrutíferas. 72. alguma solução judicial para a questão? Qual? Explique e fundamente a sua resposta FGV DIREITO RIO 51 . a qualquer tempo. em que muitas vezes o locador era prejudicado por um índice defasado no contrato. basicamente o que se busca é uma perícia judicial para que seja arbitrado o valor de mercado justo do imóvel. b. gerando um enriquecimento sem causa do locatário. iniciou tratativas com o locador. Pergunta-se: no caso concreto. A intenção de se instalar no imóvel com comércio no mesmo ramo que o inquilino. 73). na maioria das vezes o autor da ação era o locador. que não deseja renovar o contrato. 3) Ação revisional de aluguel (art. pretendendo renovar a relação. Proposta de terceiro para a locação em condições melhores. na data de hoje.2ª fase . na qualidade de locatária. 67.CONTRATOs Em EsPÉCIE Caso o locador levante o depósito ou não oferecer contestação. 71) – é aquela usada para a renovação compulsória da locação. ajustando-se. no intuito de preservar o fundo de empresa. o legislador limitou as matérias de fato que podem ser objeto da contestação do locador. conforme visto acima. em contrato de locação não residencial. Tinha muita relevância na época da escalada inflacionária. Assim.8. Prova: 24º Exame de Ordem . de radical transformação no imóvel. 68) – serve para qualquer tipo de locação prevista no ordenamento. o locatário poderá. levantar o depósito sobre o valor que não está sendo mais objeto da disputa. Nessa ação.

82 a 130. biblioGrafia CoMPleMentar: • LOPEZ. Antônio Junqueira de. Teresa Ancona.9.1.9. 3. Quadra ABC (o “Imóvel”). São Paulo-SP. Caso Gerador: Recebemos na diligência o contrato de comodato de um dos imóveis utilizados pela rede de Supermercados Pechincha. doravante denominada simplesmente “Comodante”. Comentários ao Código Civil. CONSIDERANDO QUE: a Comodante é proprietária e legítima possuidora do imóvel localizado no Lago Sul. Comodante e Comodatária. • RODRIGUES. págs. com sede em Brasília. (coord. conseqüentemente. Tendo em vista a importância desse imóvel para a rede de supermercados e. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. São Paulo: Saraiva.3. 579 a 585 da Lei nº 10. Das várias espécies de contratos. conjuntamente. Extinção do comodato. REsOLVEm. Parte Especial. Eduardo Russo. Silvio. AulA 9: EmPRÉSTImO (COmOdATO) 1. Sr. matrícula 555 do Cartório de Registro de Imóveis do Distrito Federal.2. 2002. vol.406/2002. 255 a 261. Distrito Federal. inscrita no CNPJ/MF sob nº 00000000. sociedade limitada com sede na Rua dos Oitis.9. doravante denominada simplesmente “Comodatária”. denominadas “Partes” e. Direito Civil. e pelas seguintes cláusulas e condições: FGV DIREITO RIO 52 . 2003. 1. eMentário de teMas: Introdução.9.. “Parte”. potencial adquirente do negócio. a Comodatária tem interesse na utilização do Imóvel e que a Comodante deseja dar em comodato à Comodatária parte do Imóvel.9.4. Características.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. 7. 1. que comentários você teria a fazer com relação ao contrato abaixo? CONTRATO DE COmODATO XYZ LTDA. 1. neste ato representada por seu representante legal. In: AZEVEDO. Obrigações do comodatário. vol. e PECHINCHA COMÉRCIO VAREJISTA LTDA. Comodante e Comodatária são doravante. para o nosso cliente. biblioGrafia obriGatória: • Arts. págs. São Paulo: Ed. com seus atos constitutivos registrados na Junta Comercial de Brasília sob o número 11111111. neste ato representada por seu representante legal. celebrar o presente Contrato.).. individualmente. Saraiva. que será regido pelo artigo 579 e seguintes do Código Civil.

2. A Comodatária será a responsável exclusiva pelo custeio de todas e quaisquer despesas decorrentes de adaptações e reformas eventualmente realizadas a fim de permitir a instalação e o funcionamento das atividades da Comodatária no Imóvel. que o Imóvel se encontra livre e desembaraçado de quaisquer ônus reais. na ocorrência de qualquer uma das seguintes hipóteses: (a) protesto de títulos de responsabilidade da Comodatária. na forma do artigo 582 do Código Civil. 5. de qualquer de suas cláusulas e/ou condições. ou ainda restrições de qualquer natureza. 2.2. A Comodante reserva-se o direito de rescindir este Contrato.2. 1. a Comodatária é imitida na posse do Imóvel. caso tais irregularidades não sejam sanadas dentro de 02 (dois) dias contados a partir da data do recebimento de aviso escrito enviado pela Parte prejudicada. 5. pessoais ou fiscais. A Comodatária declara que utilizará o Imóvel ora dado em comodato exclusivamente para a consecução de seus objetivos sociais. ainda. para todos os fins de direito. ficando. 2. Tais adaptações e reformas. Da Utilização da Área.2. sem prejuízo das sanções aplicáveis.3. O presente Contrato é celebrado por prazo indeterminado. e as benfeitorias delas decorrentes a ele se incorporarão. 5. Do Objeto. sem o expresso e inequívoco consentimento da Comodante. ressalvado o desgaste natural decorrente do uso regular do Imóvel. água. a Comodatária se obriga. FGV DIREITO RIO 53 . mediante notificação com efeitos imediatos. Da Imissão na Posse. desde já. impostos e demais encargos que recaiam sobre o Imóvel. 3.1. 4. 1. Durante a vigência do presente Contrato. Fica. Das Despesas. comprometendo-se a não lhe causar danos ou avarias e a conservá-lo no mesmo estado em que o recebeu.1.1. a partir da posse. desde já. pela outra Parte. em caso de inobservância. bem como sobre o exercício de suas atividades. a preservar e manter em perfeito estado de conservação e limpeza o Imóvel cedido. turbações ou esbulhos e a preservar o Imóvel como se seu fosse. 4. Neste ato. A Comodante declara. serão consideradas despesas necessárias para o uso e gozo do Imóvel. a Comodante cede em comodato à Comodatária o Imóvel. Fica desde já ajustado entre as Partes que as benfeitorias realizadas pela Comodatária no Imóvel não criarão para a Comodatária direito a qualquer indenização. 5. ou (c) utilização do Imóvel para outros fins além daqueles descritos neste Contrato. na melhor forma de direito. a defendê-la contra ameaças. bem como a cessão ou transferência dos direitos e obrigações oriundos deste Contrato. Pelo presente Contrato. Da Vigência e da Rescisão. A Comodatária será exclusivamente responsável pelo pagamento de todas as despesas ordinárias tais como. ou (b) pedido de concordata ou falência da Comodatária. 3. sob pena de responder por perdas e danos.1. taxas. O presente Contrato poderá ser rescindido por qualquer uma das Partes.3. luz. se realizadas pela Comodatária. não podendo a Comodatária reter o Imóvel nos termos deste Contrato pelas benfeitorias nele realizadas. obrigando-se. vedado à Comodatária o aluguel ou comodato do Imóvel. gás. 2.1. vedada sua utilização para qualquer outra finalidade sem o prévio e expresso consentimento da Comodante.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. 1.2. podendo ser rescindido por qualquer das Partes mediante aviso prévio de 30 (trinta) dias.1. em conformidade com o seu Contrato Social e respectivas alterações.

Todas as notificações. e-mail com comprovação de recebimento. pág. 8.9.1. fax. Do Foro. roteiro de aula a) introdução Empréstimo é o contrato pelo qual uma das partes entrega um bem à outra. por mais privilegiado que seja. são Paulo: Ed.CONTRATOs Em EsPÉCIE 6. ainda. 85 da Lei nº 10. deverão ser feitas por carta com aviso ou protocolo de recebimento ou. dirigidos e/ou entregues às Partes nos endereços constantes do preâmbulo deste Contrato ou em outro endereço que uma das Partes venha a comunicar à outra. 23 FGV DIREITO RIO 54 . as Partes assinam o presente Contrato de Comodato em três vias de igual teor e forma na presença de duas testemunhas abaixo assinadas.1. por notificação judicial ou extrajudicial. As Partes elegem o foro da comarca da capital do Estado de São Paulo como competente para solucionar qualquer conflito decorrente do presente Contrato. 22 RODRIGUEs. Nesta aula. devendo devolver a mesma coisa. Pechincha Comércio Varejista Ltda. das perdas e danos a que tiver dado causa. Brasília. silvio. 8. para ser devolvido em espécie ou gênero. A Parte que infringir qualquer das cláusulas ou condições do presente Contrato ficará sujeita ao pagamento. permitidas ou decorrentes deste Contrato. avisos ou comunicações exigidas. Relembrando: art. eminentemente gratuito. Existem duas espécies de empréstimo: comodato e mútuo.406/2002: “são fungíveis os móveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie. ao termo do negócio”23. no qual o comodatário recebe a coisa emprestada para uso. Direito Civil. à Parte inocente. 255. vol. Das Penalidades. “O comodato é o empréstimo de coisa não fungível22. saraiva. 3. qualidade e quantidade”. 7. POR EsTAREm AssIm JUsTAs E CONTRATADAs. por qualquer das Partes à outra.1. veremos as características do comodato e na próxima aula estudaremos as diferenças entre comodato e mútuo e as regras específicas do mútuo. 7. 2002. Das Notificações. 10 de novembro de 1995. 6. na vigência deste instrumento. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. com renúncia expressa de qualquer outro. Testemunhas: Nome: RG: Nome: RG: 1. a qualquer tempo.5.

exceto se ele comprovar necessidade urgente e imprevista para exigi-lo antes. O comodatário. C) obrigações do comodatário – Velar pela conservação da coisa – O comodatário deve zelar pela coisa como se própria fosse. por exemplo. portanto. Vale notar que no comodato. Perfaz-se com a tradição do objeto”. incumbem obrigações apenas ao comodatário. embora haja transferência do bem. o comodatário privilegiar a segurança de seus bens próprios. uma área perto da seção de confeitaria. – Restituir a coisa emprestada no momento devido – O comodatário deve restituir o bem no prazo acordado. 394 a 401 da Lei nº 10. se em caso de risco. Não basta a mera troca de consentimentos. A natureza jurídica do contrato de comodato. Um dos diferenciais do Supermercado Pechincha é o atendimento aos clientes. é: – Gratuito – caso fosse oneroso. poderia ser confundido com a locação. o Supermercado Pechincha entrou em acordo com uma renomada empresa de café expresso. Há. embora as máquinas permaneçam no supermercado. Não havendo prazo expressamente pactuado. – Usar a coisa de forma adequada – O bem em comodato só poderá ser usado. fica em mora e. o comodante não pode exigir o bem antes do termo do contrato. a não-fungibilidade do objeto e a necessidade de sua tradição para o aperfeiçoamento do negócio. Recebemos o contrato celebrado entre o Supermercado Pechincha e a empresa de café e notamos que. – Unilateral – após a entrega do bem. o domínio não é transferido ao comodatário. 24 FGV DIREITO RIO 55 . o comodatário responde pelo dano que venha a ser sofrido pelo comodante. – Real – é necessário que o bem seja transferido ao comodatário para que o contrato exista.CONTRATOs Em EsPÉCIE b) Características Art.406/2002. deve ser restituído findo o prazo necessário para a finalidade para a qual ele foi emprestado. 579 da Lei nº 10. abandonando os bens do comodante. Para tanto. que cedeu duas máquinas em comodato ao supermercado para que os clientes comprem os produtos e coloquem nas máquinas que ficam ali à disposição. Assim. pelo comodatário. mesmo em caso de força maior. sujeito aos efeitos da mora24. deve ser entendido que a coisa foi emprestada para ser utilizada de acordo com sua natureza. portanto. para a finalidade e de acordo com os termos do contrato de comodato. Que conseqüências podem resultar desse fato? d) extinção do Comodato O contrato de comodato se extingue: Rever arts. já analisada neste curso. Se o contrato for omisso quanto à finalidade. que descumpra a obrigação de devolver o bem no prazo. Pela análise do artigo acima. onde os clientes podem tomar um gostoso cafezinho. A princípio. o prazo do contrato já terminou. – Não solene – a lei não prescreve qualquer forma.406/2002: “O comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis. é possível extrair três elementos desse contrato: a gratuidade.

alegando que somente tinha feito aquele contrato porque conhecia muito bem Irene e que agora não fazia sentido manter o contrato de comodato. alegaram que o contrato de comodato ainda estaria em vigor e que a moto era responsável por uma boa parte da renda do restaurante uma vez que viabilizava o serviço de entrega em domicílio. Além disso. a rescisão decorrerá de sentença judicial que reconheça o advento de necessidade urgente e imprevisível à época do negócio. o comodante estava ciente de que não era ela quem dirigia a moto. caso prove a superveniência de necessidade imprevista e urgente. Irene e Vital eram amigos desde a época do colégio. após o uso pelo comodatário de acordo com a finalidade para que foi emprestada. como julgaria a questão? FGV DIREITO RIO 56 . Nesse caso. caso não haja termo ajustado. Os herdeiros de Irene. – pelo comodante. Vital deu sua moto em comodato a Irene. Apesar de estar muito chateado. Irene veio a falecer poucos dias depois. se o comodatário descumpre qualquer de suas obrigações. de acordo com os herdeiros. Vital pleiteou em juízo a resolução do contrato de comodato. – pelo comodante. embora o contrato de comodato tivesse sido celebrado com Irene. Sabendo que Irene tinha acabado de abrir um restaurante e que queria implementar um serviço de entrega em domicílio. por sua vez. Ocorre que. Se você fosse o juiz. infelizmente.CONTRATOs Em EsPÉCIE – pelo decurso do prazo pactuado ou.

um bem que tenha as mesmas características do que o recebido.10. Teresa Ancona. é o “empréstimo de coisas fungíveis”. do Mercado de Capitais e da Arbitragem 22. In: AZEVEDO.. Ele comenta que soube que houve muita discussão a respeito da cobrança de juros com a edição do novo Código Civil e lhe consulta sobre esta questão. out.2.. • RODRIGUES. Juros no Código Civil de 2002. págs. vol. Já o mútuo.5. pretende obter recursos. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. • FONSECA.). Antônio Junqueira de. 1. 53 a 77.A. Ao explicar a situação. tais como: – Objeto – Como vimos na aula anterior. 67 a 110. São Paulo: RT. no mútuo. 3. o domínio do bem é transferido pelo mutuante ao mutuário. 586 da Lei nº 10. roteiro de aula a) diferenças entre mútuo e comodato Embora ambos sejam espécie do gênero empréstimo. biblioGrafia obriGatória: • Arts.-dez. Comentários ao Código Civil. págs. vol. FGV DIREITO RIO 57 .4. diferentemente do que ocorre no comodato.406/2002. 261 a 268. 2002. Caso Gerador: Nosso cliente. Revista de Direito Bancário. Grana Certa Empreendimentos S. São Paulo: RT. Silvio. 10.10. por meio de mútuo.406/2002. – Transferência de domínio – Enquanto no comodato.1. 2003. págs. 1. (coord. Direito Civil. 1. Desta forma.3. não deixe de apontar as diferenças entre o regime geral do mútuo no Código Civil e o mútuo bancário.10.Mútuo oneroso ou feneratício . São Paulo: Ed. Parte Especial. o comodato é o empréstimo de coisas não fungíveis. • LOPEZ. o comodatário recebe coisa não fungível.-dez. Saraiva. biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO.Mudança na situação econômica do devedor . do Mercado de Capitais e da Arbitragem 26. Arnaldo. no mútuo. Rodrigo Garcia da. Dessa diferença decorre a segunda distinção entre comodato e mútuo. Das várias espécies de contratos. Revista de Direito Bancário. 2003. apresentam algumas diferenças. o mutuário tem que entregar ao mutuante. tendo que devolvê-la ao comodante ao final do comodato. conforme art. como o bem emprestado é fungível. Juros e o novo Código Civil.10.10. eMentário de teMas: Diferenças entre mútuo e comodato – Características . para viabilizar a compra da participação na Pechincha Comércio Varejista Ltda. out. págs. no prazo pactuado.10. São Paulo: Saraiva. As coisas fungíveis são substituíveis por outras.169 a 187. 2004. 586 a 592 da Lei nº..Prazos no mútuo. 1. mas não necessariamente o mesmo recebido.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. AulA 10: EmPRÉSTImO (múTuO) 1. 7.

não é admitida apenas a prova testemunhal. sem ter a obrigação de consertá-la ou pagar pelo seu conserto.00 a João Alberto. aplica-se a regra geral25 de que. Caput do art. o mutuante pode exigir do mutuário garantia de que poderá cumprir sua obrigação de pagar o mútuo. Jeremias lhe procura e pergunta se tem obrigação de devolver a João Alberto os R$ 500. mas essa é necessária para que o contrato exista. Jeremias pediu R$ 500. que no caso de notória mudança na situação econômica. uma vez que a única obrigação do mutuante seria a entrega da coisa. 25 FGV DIREITO RIO 58 . O que você responde? Quais são as principais diferenças entre a locação e o comodato e a locação e o mútuo? b) Características O mútuo é contrato: – Real – Só se aperfeiçoa com a entrega da coisa. 333 da Lei nº 10. – Unilateral – Como o contrato somente se concretiza com a entrega do bem pelo mutuante ao mutuário. No mútuo oneroso ou feneratício. – Gratuito ou oneroso – O contrato de mútuo tanto pode ser gratuito. portanto. não bastando o acordo entre as partes. com a previsão de juros sobre o valor emprestado. d) Mútuo oneroso ou feneratício O caso mais usual de mútuo é o empréstimo de dinheiro. Vale lembrar que o art. Jeremias entregou o dinheiro ao amigo para que ele fizesse o investimento na bolsa. Ele lembra que certa vez uma das máquinas de café expresso emprestadas para uma das filiais do supermercado quebrou e que o supermercado teve apenas que devolvê-la a empresa proprietária das máquinas. Dessa forma. Para provar a existência do mútuo. por exemplo. no caso de ajuda a um amigo. o mutuário deve devolver ao mutuante valor equivalente ao recebido. Como não tinha recursos para fazê-lo. para devolvê-lo no prazo de seis meses. sendo conveniente. 590 da mesma lei.406/2002. acrescido de juros. tendo em vista que agora ele só tem metade desse valor.CONTRATOs Em EsPÉCIE Jeremias vinha conversando muito com um amigo que se dizia entendido de investimentos na bolsa de valores. a prova exclusivamente testemunhal só se admite nos negócios jurídicos cujo valor não ultrapasse o décuplo do maior salário mínimo vigente no País ao tempo em que foram celebrados”. – Não solene – A lei não determina uma forma obrigatória para a celebração do mútuo. C) Mudança na situação econômica do devedor Seguindo a orientação de proteção ao credor. como também oneroso.000. o legislador prevê no art. 402 do Código de Processo Civil prevê exceções a regra do arts. no caso de negócios jurídicos de valor superior a dez salários mínimos. prevista no art. tem sido cada vez mais comum a pactuação de mútuos onerosos.406/2002: “salvo os casos expressos. Ocorre que a bolsa de valores despencou.000. No dia fixado para pagamento do mútuo. ele também pagaria ao João Alberto apenas o que havia sobrado. que é a remuneração pelo uso do capital. Atualmente. Curioso e atraído pela conversa de seu amigo. Jeremias decidiu investir em ações. 227 da Lei nº 10. contudo.00. 227 da Lei nº 10.406/2002 e 401 do Código de Processo Civil. celebrar esse tipo de contrato por escrito. assim como o supermercado pôde entregar apenas a máquina quebrada. é possível dizer que a partir desse momento apenas o mutuário tem obrigações para com o mutuante. assim como o valor das ações que foram adquiridas pelo amigo de Jeremias.

pg. 7. são Paulo: saraiva.065/95 FGV DIREITO RIO 59 . Teresa Ancona Lopez. Já no Código Civil de 2002. 406 da mesma lei para fixar teto para a taxa de juros: Art. No Código Civil de 1916. Parte Especial. Vol. pág. Parte Especial. resultantes da utilização permitida desse capital”27. 175. Vol. É bem acessório e depende do principal”26. serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional”. A princípio. pág. Como o art. ou quando provierem de determinação de lei. mesmo que não haja previsão expressa de cobrança de juros. são Paulo: saraiva. Teresa Ancona Lopez. da mesma forma que o aluguel é o rendimento produzido pela coisa cedida em locação. (coord) Antônio Junqueira de Azevedo. 591 da Lei nº. a cobrança de juros não só é aceitável. 7. (coord) Antônio Junqueira de Azevedo.CONTRATOs Em EsPÉCIE A cobrança de juros vem sendo discutida durante a história. Os juros legais decorrem de imposição legal e os juros convencionais decorrem da vontade das partes. 174. Os juros são classificados em juros remuneratórios e juros moratórios. os frutos produzidos pelo dinheiro. 406 da Lei nº. 7. o Código Civil estabeleceu prazos em seu artigo 592. a fixação dos juros tinha que ser expressa. 10. desde que seja observado o limite máximo estabelecido no referido art. a indenização por descumprimento de uma obrigação pecuniária. Atualmente. Aplicam-se quando o devedor deixar de cumprir sua obrigação no tempo acordado como credor”28. 175. Dessa forma. 10. Vale ressaltar o prazo previsto no inciso III do referido artigo: “do espaço de tempo que declarar o mutuante. Das várias espécies de contratos”. de um modo geral. (coord) Antônio Junqueira de Azevedo. portanto.406/2002 não faz referência a um tipo específico de juros. inclusive. como também é muito comum. 26 “Comentários ao Código Civil. pois esses bens têm disciplina específica prevista nos incisos anteriores. são definidos como o rendimento do capital. “Os juros. do ponto de vista moral e religioso. podemos afirmar que ele refere-se aos dois tipos: remuneratórios e moratórios. “Os juros moratórios. 2003. 27 “Comentários ao Código Civil. se for de qualquer outra coisa fungível”.406/2002: “Quando os juros moratórios não forem convencionados. são definidos como a compensação. Das várias espécies de contratos”. 28 29 Lei nº 9. são Paulo: saraiva. Teresa Ancona Lopez. Essa regra não se aplica ao mútuo de dinheiro ou de produtos agrícolas. “Comentários ao Código Civil. 10. 2003. Os juros também podem ser legais ou convencionais. 591 da Lei nº. 406. e) Prazos no mútuo Caso as partes não convencionem o prazo para o término do mútuo. eles são presumidamente devidos no caso de mútuo para fins econômicos. Vol. 2003. A taxa em vigor para pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional é a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC)29.406/2002 remete ao art. as partes são livres para pactuar a taxa de juros. Das várias espécies de contratos”. O art. ou o forem sem taxa estipulada. Esse prazo deve ser razoável para que o mutuário possa usar e gozar do bem mutuado. Parte Especial. por sua vez. o mutuante poderá intimar o mutuário para restituir o bem no prazo que fixar. “Os juros remuneratórios podem ser definidos como os frutos de um capital emprestado.

não cuidou de obter sua assinatura em documento que tornasse hábil a futura cobrança. Só poderá se valer de testemunhas se estas forem em número de quatro ou mais.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. d. diante do constrangimento decorrente da relação de parentesco. b. Diante desta hipótese João poderá: a.6. FGV DIREITO RIO 60 . Poderá se valer de prova testemunhal. Não existe previsão legal para esta hipótese. pois dívida não se comprova com testemunha. face ao impedimento moral existente. Nada poderá fazer. sendo certo que tais tratativas verbais ocorreram na presença de manoel e Joaquim.10. c. questões de ConCurso (Prova: 12º Exame de Ordem . independentemente do valor contratado.1ª fase) João tendo emprestado certa importância a seu primo José.

para análise de contratos que ali estavam.4. Silvio. encontramos Maria Lúcia. 2002. Ocorre que a obra já ultrapassou tanto a previsão de tempo quanto a de custo e Pedro ainda está cobrando de Maria Lúcia valores adicionais pela obra. Obrigações do dono da obra. como transporte. São Paulo: Ed.11.introdução No Código Civil anterior. ao contrário. ou até mesmo em lei específica.3. Espécies de Empreitada.11. Instituições de Direito Civil. que em razão de um acidente ocorrido no dia anterior. Pedro alega que alguns materiais necessários para a obra tiveram seus preços reajustados e que o projeto original sofreu modificações durante a obra. roteiro de aula a) Prestação de serviços . um rapaz conhecido por ser um bom empreiteiro. Rio de Janeiro: Forense. eMentário de teMas Prestação de Serviços – Introdução. o material que iria ser utilizado para revestir as paredes do estacionamento deteriorou-se e que será necessário repor boa parte do material. a prestação de serviços era tratada como “locação de serviços”.11.00. 375 a 384. há mais de cinco meses. como os serviços de telefonia e bancário. Pedro acaba de avisar à Maria Lúcia. 1. Perguntado sobre o descumprimento do prazo e do orçamento previstos. 243 a 253. corretagem. 1. EmPREITAdA.000.11. Direito Civil. Riscos com aumento ou redução de preços. que está completamente irada. agência e distribuição.2. Se fôssemos advogados do Supermercado Pechincha. vol 3. como executor de uma obra para ampliação do estacionamento da loja. A previsão inicial era de que a obra duraria três meses e custaria R$ 20. Há serviços específicos que são tratados em seção específica do Código Civil. o termo “locação” é utilizado apenas para coisas e não mais para pessoas. AulA 11: PRESTAçãO dE SERVIçOS. O trabalho com vínculo empregatício é regulado pelo Direito do Trabalho. FGV DIREITO RIO 61 . Para piorar. 1. Ela conta que contratou. Pedro. que ele não tinha como prever quando foi contratado.11. Empreitada – Introdução. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. PEREIRA. o “trabalho avulso feito por pessoa física ou jurídica (geralmente microempresa) e o trabalho dos profissionais liberais”.1.406/2002. Caso Gerador Em visita a uma das filiais do supermercado Pechincha. vol. Obrigações do Empreiteiro.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. RODRIGUES. 593 a 626 da Lei n° 10. fôssemos advogados do empreiteiro. ou seja. Saraiva. O Código Civil regula a prestação de serviços residual. págs. como orientaríamos Maria Lúcia? E se. págs. Modernamente. filha do senhor Eduardo Russo e administradora das lojas. III. Caio Mário da Silva. Características da Prestação de Serviços. Características da Empreitada. biblioGrafia obriGatória Arts. 2005. o que poderíamos alegar? 1.

Saraiva. Direito Civil. se esse presente às obras verificou a alteração no projeto e não protestou. 2 FGV DIREITO RIO 62 . sendo a ausência de protesto considerada uma aceitação tácita do dono da obra. em troca de certa remuneração fixa a ser paga pelo outro contraente – dono da obra -. (art.243.406/2002). Consensual – se aperfeiçoa com a mera vontade das partes. Durante a diligência. como poderíamos classificar o contrato de prestação de serviços? Tendo atuado muitos anos no comércio varejista. 2002. salvo estipulação em contrário. preocupado. Relembrando: capacidade das partes. por meio de instruções por escrito do dono da obra e. O empreiteiro só pode exigir acréscimo no preço do dono da obra se forem feitas modificações no projeto a ser implementado. como ocorre no mútuo. Ao saber disso. São Paulo: Ed. pessoalmente ou por terceiros. Quais são as diferenças entre o contrato de empreitada e o de prestação de serviços? d) Características da empreitada O contrato de empreitada é: Bilateral ou sinalagmático – envolve prestação de ambas as partes. Pode ser ajustado verbalmente. O empreiteiro entrega a obra e o dono da obra entrega o preço. pág. 619 da Lei n° 10. no caso de não haver autorização escrita do dono da obra. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Não solene – a lei não impõe forma específica para sua execução. sem que seja necessária a entrega da coisa. 1 RODRIGUEs. o senhor Odin Heiro. b) Características da Prestação de serviços Relembrando nossa primeira aula. tivemos conhecimento de que Jeremias Russo vinha mantendo conversas e negociações com o senhor Eugênio para que ele parasse de prestar serviços ao supermercado e passasse a trabalhar para o seu sócio em um novo negócio que Jeremias estava pensando em abrir. o senhor Eugênio foi contratado com exclusividade pelo Supermercado Pechincha para prestar serviços de pesquisa de técnicas de atração ao consumidor. os riscos da alta ou baixa do preço dos materiais e do salário são assumidos pelo empreiteiro. nosso cliente. Oneroso – envolve um “sacrifício” patrimonial para ambas as partes. nos pergunta se há alguma providência que possa ser tomada caso o senhor Eugênio resolva parar de trabalhar para o Supermercado Pechincha. objeto lícito e forma.CONTRATOs Em EsPÉCIE Desde que respeitados os pressupostos e requisitos1 para os negócios jurídicos.introdução Empreitada é o contrato por meio do qual o empreiteiro “se compromete a executar determinada obra. vol 3. C) empreitada . de acordo com instruções deste e sem relação de subordinação”2. qualquer espécie de serviço pode ser objeto do contrato de prestação de serviço. e) riscos com aumento ou redução de preços Em regra. Silvio.

se o empreiteiro não atende as especificações contratadas. de 10 andares. Assim “B” suspende os últimos pagamentos devidos a “A”: a. Embora não haja previsão legal. fica sujeito à obrigação de reparar o prejuízo.5.1ª fase) “A” obrigou-se a construir para “B” um edifício. Ajuizando ação com fundamento na exceptio non adimpleti contractus. Empreitada mista – aquela em que o empreiteiro contribui com mão-de-obra e materiais. responde o devedor por perdas e danos. não podendo recusar injustificadamente o seu recebimento. Por sua vez. e honorários de advogado”. Para os defeitos aparentes. 5 FGV DIREITO RIO 63 . Para os vícios ocultos. Maria Lúcia está muito insatisfeita com o trabalho do senhor Pedro. Aguardando que este cumpra. Além disso. a lei criou as alternativas referidas acima. A lei prevê ainda uma regra específica no caso de empreitada de edifícios e outras construções consideráveis. corretamente a obrigaçao.Ajuizando ação com fundamento na exceptio non rite adimpleti contractus. o dono da obra tem duas alternativas: rejeitar a coisa ou recebê-la com abatimento do preço. Por que é importante distinguir entre a empreitada de lavor e a empreitada mista? G) obrigações do empreiteiro A principal obrigação do empreiteiro é entregar a coisa no tempo e na forma acertados. a doutrina entende que o empreiteiro tem direito de retenção.406/2002: “Não cumprida a obrigação. 389 da Lei nº 10. mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. 4 Arts. segundo a qual o empreiteiro de materiais e execução responderá pela solidez e segurança do trabalho. a qualidade dos materias especificados no memorial de incorporação. a obra pode ter defeitos aparentes ou ocultos.11. conforme regra geral4. Art. que não observou. em razão dos materiais como do solo. cuja obra foi concluída segundo afirmativa categórica de “A” no prazo estabelecido pelo contrato. ficando responsável pelos efeitos decorrentes da mora. “B” alega que houve cumprimento insatisfatório e inadequado da obrigação por parte de “A”. Ajuizando ação com fundamento na cláusula rebus sic stantibus. Caso o empreiteiro não cumpra as obrigações do contrato. ele será tido como em mora. aplicam-se as regras de vício redibitório5. c. H) obrigações do dono da obra A principal obrigação do dona da obra é efetuar o pagamento do preço. 441 e seguintes da Lei n° 10. b. O dono da obra tem obrigação de receber a coisa. Caso o dono da obra recuse o recebimento da coisa sem motivo. durante o prazo de cinco anos.CONTRATOs Em EsPÉCIE f) espécies de empreitada Empreitada de lavor – aquela em que o empreiteiro contribui apenas com seu trabalho. como garantia do pagamento do preço. devido a isso pensa em extinguir o contrato que mantém com ele. Ela lhe procura com a seguinte pergunta: qual é a regra geral para suspensão dos serviços no caso de empreitada? 1. questões de ConCurso (Prova: 29º Exame de Ordem . d. Ao ser entregue.406/2002. rigorosamente.

1. encontramos nossos quartos revirados e percebemos que alguns itens pessoais. Caso Gerador Os Supermercados Pechincha ficam em Brasília. Qual é a principal diferença entre o contrato de depósito e o contrato de comodato? O depositário não pode utilizar a coisa depositada. no entanto. ao voltarmos do trabalho para o hotel. AulA 12: dEPóSITO 1.12. como relógios e aparelhos de celular. eMentário de teMas Introdução. por isso. para guardar. por não terem utilizados os cofres eletrônicos de segurança postos à disposição nos apartamentos em que nos hospedamos. 1. 2002.12.406/2002.406/2002). São Paulo: Ed. págs. tivemos que fazer algumas visitas ao supermercado. nos disse que o hotel nada tinha a fazer e que um eventual prejuízo deveria ser imputado à própria omissão dos hóspedes. ficamos hospedados no Hotel Descanse em Paz. O depósito tem por objeto apenas bens móveis. E agora? O gerente tem razão? 1. o contrato de depósito é aquele segundo o qual “recebe o depositário um bem móvel. Saraiva. até que o depositante o reclame”.12. a não ser que tenha expressa autorização do depositante. biblioGrafia obriGatória Arts. FGV DIREITO RIO 64 . RODRIGUES. O contrato de depósito voluntário é classificado como: – Real – o contrato de depósito só se aperfeiçoa com a entrega do bem. ele nos mostrou uma placa afixada na recepção que assim dizia: “O HOTEL NÃO sE REsPONsABILIZA PELOs OBJETOs DEIXADOs NO INTERIOR DOs APARTAmENTOs”. 269 a 282.3. Depósito Necessário. vol 3. haviam sido furtados.12. 640 da Lei nº 10.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. para nossa surpresa. (art. fomos conversar com o gerente do hotel. Direito Civil.4. Um dia. Depósito Voluntário. Como argumento final. Aborrecidos com o acontecimento. roteiro de aula a) introdução Conforme dispõe o artigo 627 da Lei nº 10.2.406/2002. Em nossa última viagem. durante a diligência.12. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Há duas espécies de depósito reguladas pelo Código Civil: o voluntário e o necessário. Este. Silvio. não basta apenas a celebração do contrato.1. b) depósito voluntário É aquele ajustado única e exclusivamente em razão da vontade das partes. 627 a 652 da Lei nº 10.

Já no depósito oneroso. cabe ao depositante a obrigação de pagar ao depositário. Quanto ao carro. entende-se que ele é um contrato intuitu personae. acompanhada dos frutos e acrescidos. Quando o depósito é gratuito. 646 da Lei nº 10. Parte Especial. 414. admitindo-se. vendendo-os a terceiros. Obrigações do depositário: – Obrigação de guardar a coisa alheia – é a obrigação inerente e principal do contrato de depósito. o depositário é obrigado a conservar a coisa como se sua fosse. Conforme artigo 629. Das várias espécies de contratos. se o depositante se recusar a recebê-la. 227 do CC de 2002)”6. In: AZEVEDO. Entretanto. o art. muitos autores entendem que não há forma prevista para a validade do ato. com a entrega do bem pelo depositante ao depositário. Desconhecendo a existência desse contrato de depósito. porém. 7. mas descobriu que o mesmo foi deteriorado em um recente LOPEZ. qualquer começo de prova escrita (cf. não puder continuar a guardá-la (art. O depositário não responde pela deterioração ou perda do bem em caso de força maior.406/2002). A Lei prevê que o depositário poderá devolver a coisa ou depositá-la judicialmente. por motivo plausível. muitos sustentam que não há o caráter intuitu personae.406/2002). para tanto. 642 da Lei nº 10. quando. A coisa deve ser restituída no estado em que foi recebida pelo depositário. e ressarcir os prejuízos”. vol.). portanto. se exceder ao décuplo do salário mínimo vigente. É necessário. porém. (coord. – Unilateral ou bilateral – após o aperfeiçoamento do contrato. 652 da Lei n° 10. p. Nesse sentido. Teresa Ancona. 6 FGV DIREITO RIO 65 . ele se desfez do baú de madeira e do conjunto de xícaras. independentemente do debate a respeito das duas espécies de forma. podemos concluir que esta não é da essência do contrato de depósito. provar a ocorrência de força maior (art.406/2002 disponha que o “depósito voluntário provar-se-á por escrito”. – Gratuito ou oneroso – De acordo com o Código Civil. Uma das sanções previstas para o descumprimento da obrigação de restituir o bem depositado é a prisão civil. que pode ser pactuado sem qualquer formalidade pelas partes e mesmo assim existirá e será válido. para a sua prova. deverá reparar o prejuízo do depositante. necessitará de prova outra. o depositário que não restituir quando exigido será compelido a fazê-lo mediante prisão não excedente a um ano. 2003. era depositário dos seguintes bens: um baú de madeira. que as partes convencionem uma retribuição ao depositário. nos procura para falar sobre um assunto pessoal. um conjunto de xícaras de porcelana e um automóvel. No caso de depósito oneroso. em regra. comentários ao código civil. que não a testemunhal. senhor Odin Heiro. Nosso cliente. pois tem por base a confiança que o depositante tem no depositário. analisar o caso específico para classificar o depósito como gratuito ou oneroso e unilateral ou bilateral. Caso o depositário não cumpra essa obrigação. o contrato de depósito é gratuito. independentemente do prazo inicialmente ajustado entre as partes. “Assim. cabem obrigações apenas para o depositário. sendo assim uma das exceções ao princípio de que ninguém pode ser preso em razão de dívidas. apenas para sua prova. 635 da Lei nº 10. cabendo a ele. Nada impede. – Obrigação de restituir a coisa – O depositário deve devolver o bem ao depositante quando solicitado. Ele desabafa que está com problemas porque descobriu que seu pai. porém.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Não solene – embora o art. já falecido. Antônio Junqueira de. São Paulo: Saraiva. Art.406/2002 dispõe: “Seja o depósito voluntário ou necessário. ele manteve o mesmo na garagem do pai. – Obrigação de conservar a coisa alheia – essa obrigação é uma conseqüência da obrigação de guardar.

o depósito necessário presume-se oneroso. por morar em uma área de ladeira. Estes são equiparados ao depósito necessário e ao depósito de bagagens em hospedarias. Mesmo nos casos em que o contrato é unilateral. Ao contrário do depósito voluntário que se presume gratuito. 412. foi surpreendido com a alegação do vizinho de que não devolveria aqueles bens. os chamados depósitos bancários não são depósitos.). pelo menos. Teresa Ancona. Parte Especial. vol. Depósito de coisas fungíveis É o chamado depósito irregular. ele nos pergunta: O contrato de depósito se extingue com a morte do depositário? O herdeiro tem alguma responsabilidade quanto aos bens depositados? O que fazer tendo em vista que alguns bens foram vendidos e outro foi deteriorado? Ele reparou que. 2003. e – depósito que se faz em situação de calamidade. Alguns dias depois. 7 LOPEZ. In: AZEVEDO. como a televisão e o computador. Como ajudar Marvim nessa situação? É possível enquadrar o vizinho como depositário infiel mesmo sem a existência de um contrato entre eles? Cabe a prisão civil nesse caso? LOPEZ. como a de reembolsar as despesas feitas pelo depositário na guarda da coisa e de indenizá-lo pelos prejuízos que venha a ter em razão do depósito.CONTRATOs Em EsPÉCIE incêndio ocorrido no prédio. 8 FGV DIREITO RIO 66 .. duas últimas contribuições. Odin Heiro. Das várias espécies de contratos. (coord. 411. Teresa Ancona. (coord. a senhora Juracema. quando foi buscar a televisão e o computador. Alguma providência a tomar quanto a esse caso? Obrigações do depositante: Como vimos. teve melhor sorte com a chuva. Dias atrás. o contrato de depósito é unilateral quando o contrato é gratuito e bilateral quando o contrato é oneroso. p. vol.. C) depósito necessário O depósito necessário ocorre nas seguintes hipóteses: – depósito para desempenho de obrigação legal. 2003. São Paulo: Saraiva. Marvim retirou apressadamente alguns objetos. mas um genuíno empréstimo por força da intenção das partes”7. São Paulo: Saraiva. p. Antônio Junqueira de. de acordo com o contrato. Diante dessa situação. ao ver sua casa inundando. In: AZEVEDO. a senhora Juracema deveria ter pago ao seu pai uma quantia semestral como pagamento pelo depósito e que sabia que ela não havia efetuado o pagamento de. ocorre quando o bem depositado é dinheiro. Antônio Junqueira de. O legislador entendeu que nesses casos deveriam ser aplicadas as regras referentes ao mútuo. mas sim de obrigações subsidiárias. pois de acordo com Teresa Ancona Lopez: “. e os deixou na casa de um vizinho que.). não há um depósito. Há discussão na doutrina quanto à natureza do depósito bancário. cabem ao depositante algumas obrigações que não decorrem da natureza do contrato de depósito em si. comentários ao código civil. nos depósitos bancários. Das várias espécies de contratos. 7. procurou nosso cliente. A autora conclui: “em conclusão. e pediu a devolução dos bens. 7. mas sim empréstimos”8. mostrou o contrato que foi celebrado entre eles. Em regra. sabendo do falecimento do pai do senhor. Parte Especial. depositante dos bens. comentários ao código civil. feitos como meio de guardar valores e perceber rendimentos e juros. Em um dia de chuvas torrenciais.

1. Revogação e Extinção do Mandato.406/2002) FGV DIREITO RIO 67 . eMentário de teMas Introdução. o senhor Odin Heiro. Saraiva. 1.13.2.13. ele poderia outorgar a um amigo uma procuração para se casar em seu lugar? Ele poderia substabelecer a outro funcionário da companhia os poderes que lhe foram outorgados na procuração para assinar o contrato de compra e venda? 1. RODRIGUES. Direito Civil. na qualidade de diretor e representante da Grana Certa Empreendimentos S. outorgou uma procuração a um dos funcionários de sua confiança.13.. Procuração e Substabelecimento. o senhor Justin Case. Obrigações do Mandante. o mandante se faz representar pelo mandatário. ou seja. São Paulo: Ed. Caso Gerador Sabendo que estaria fora do país na provável época da assinatura do contrato de compra e venda das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda. págs. 656 da Lei n° 10.A. Classificação.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. o senhor Justin Case lhe pergunta: ele poderia casar por procuração. Qual a diferença entre o mandato e a comissão? b) Classificação O mandato é contrato: – Consensual – para que se aperfeiçoe basta a vontade das partes. 1. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. 653 a 692 da Lei nº 10. roteiro de aula a) introdução Por meio do mandato.. vol 3. AulA 13: mANdATO. Sem querer desapontar o senhor Odin Heiro e muito menos a sua noiva.13.4.13.3. é possível o mandato tácito e o verbal (art.406/2002. – Não solene – embora a lei determine que a procuração é o instrumento do mandato. 1. Obrigações do Mandatário. o senhor Justin Case nos contou que o senhor Odin Heiro se esqueceu apenas de um pequeno detalhe: há uma boa probabilidade de a assinatura do contrato ocorrer justamente no período no qual Justin Case ia tirar férias para se casar com sua noiva no Paraná. O mandatário age em nome do mandante. para adquirir a participação na Pechincha Ltda. 283 a 305. 2002. biblioGrafia obriGatória Arts. Silvio. Ao ser comunicado desse fato.

Assim. ele será unilateral. Silvio. O mandato é intuitu personae. Dessa forma. não se presume gratuito. ou seja. por exemplo. Sendo o mandato outorgado por instrumento público. pois ele é um instrumento para que o advogado possa defender os interesses de seu cliente e exercer seu ofício. presume-se que o mandato é gratuito. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Pode um advogado prestar serviço advocatícios sem mandato e vice-versa? C) Procuração e substabelecimento A procuração é o instrumento do mandato. RODRIGUEs. havendo morte de uma das partes. um mandato com poderes de administração em geral não bastaria para que o mandatário assinasse escritura de hipoteca em nome do mandante. o Código Civil exige que a procuração contenha poderes expressos. 289. naturalmente o substabelecimento deverá ser outorgado também por instrumento público. será bilateral. o mandato será extinto.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Gratuito – não havendo estipulação de remuneração. são ineficazes em relação àquele em cujo nome foram praticados. hipotecar. O mandato outorgado a advogado. A procuração pode ser outorgada por instrumento público ou particular. pois implicará obrigações para ambas as partes. tendo em vista que o artigo 662 da Lei n° 10. 653 da Lei n° 10. transigir.406/2002 dispõe que: “os atos praticados por quem não tenha mandato. Substabelecimento “é o ato pelo qual o mandatário transfere ao substabelecido. o ato é inválido para o mandante. Tendo em vista que a lei admite mandato tácito. é indispensável conferir a procuração e os poderes que foram outorgados para não correr o risco de que o contrato seja ineficaz em relação ao mandante. quando eles resultarem de culpa do mandatário. salvo raras exceções que serão vistas adiante. exceto para aqueles que exigem instrumento particular ou público. a procuração não é indispensável para conclusão de negócios. 2002. – Unilateral – sendo o mandato gratuito. salvo se este os ratificar”. Direito Civil. Antes de contratar com alguém que se apresente como mandatário do outro contratante. vol 3. certo? Para efetuar determinados atos como alienar. Saraiva.406/2002) – O mandatário deve atuar respeitando os poderes outorgados na procuração. 9 FGV DIREITO RIO 68 . exceto quando tem por objeto a realização de atos que o mandatário realiza profissionalmente. Se o mandatário agir extrapolando os poderes que lhe foram conferidos. a não ser que este venha a ratificar o ato posteriormente.406/2002) – o mandatário é responsável pelos prejuízos causados ao mandante. Havendo remuneração prevista. 667 da Lei n° 10. São Paulo: Ed. Cabe ao mandatário provar que não houve culpa sua para se livrar de ser responsabilizado pelo prejuízo que venha a ser sofrido pelo mandante. d) obrigações do Mandatário As obrigações do mandatário são: – Agir em nome do mandante (art. os poderes que lhe foram conferidos pelo mandante”9. sendo oneroso. – Agir com o zelo necessário e diligência habitual na defesa dos interesses do mandante (art. pág. ou o tenha sem poderes suficientes. uma vez que o mandante confere poderes a alguém de sua confiança.

ambos são mandatários do pai? Jeremias pode continuar a desempenhar os poderes que a ele foram outorgados? A contratação dos empregados é válida? O senhor Odin Heiro lhe procura. – Adiantar ao mandatário os valores necessários ou reembolsá-lo pelas despesas efetuadas em razão do cumprimento do mandato (arts. se o mandatário contrariar as instruções do mandante. Maria Lúcia lhe pergunta: afinal. interdição ou mudança de estado do mandante. o senhor Eduardo Russo resolveu outorgar procuração. ele havia sido constituído mandatário de sua tia Gertrudes para transferir a ele próprio um imóvel que era de propriedade da referida tia. Meses depois. inclusive fazer entrevistas e ajustar salários. E agora? Ele ouviu dizer que o mandato se extingue com a morte de uma das partes. caso o mandato seja oneroso (art. porém. Vale notar que. para contratar pessoas para trabalharem em sua fazenda. o mandante ficará obrigado a cumprir as obrigações perante terceiros.406/2002). – Indenizar o mandatário pelos prejuízos que venha a sofrer em cumprimento ao mandato. 678 da Lei n° 10. somente se vincula dentro dos termos previstos na procuração. preocupado. em razão de alguns acordos familiares. – Pagar ao mandatário a remuneração ajustada. até porque o tal conhecido já até devolveu ao pai dele a quantia que havia recebido para pagar o sinal do imóvel. Como você orienta o seu amigo? e) obrigações do Mandante – Cumprir os compromissos assumidos pelo mandatário em seu nome (arts. 668 da Lei n° 10. contratado alguns empregados. tia Gertrudes faleceu inesperadamente. mas não exceder os limites do mandato. um pouco decepcionado pelo andamento dos trabalhos do filho.406/2002) – Prosseguir no exercício do mandato mesmo após extinção do mandato por morte. Aproveitando-se das ótimas condições do negócio.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Prestar contas de sua gerência ao mandante e transferir ao mandante todas as vantagens obtidas nos negócios – (art. com poderes idênticos. neste caso. Jeremias. o tal conhecido acabou adquirindo a casa para si próprio. tendo apenas ação de perdas e danos contra o mandatário pela inobservância das instruções. 675 e 676 da Lei n° 10. deixando a família de seu amigo “na mão”. Jeremias continuou a utilizar a procuração que havia recebido e a fazer entrevistas. Ocorre que. tendo. podendo. infelizmente.406/2002). Muito chateado com a situação.406/2002) – O mandante. antes mesmo que ele houvesse efetuado a transferência do imóvel para seu nome. É verdade? FGV DIREITO RIO 69 . Maria Lúcia. Um amigo seu lhe conta que o pai dele havia nomeado um conhecido como procurador dele para adquirir uma bela casa em Itaipava. ele diz que acha que não há nada mais a ser feito. inclusive. 676 da Lei n° 10. desde que não resultem de culpa do mandatário ou de excesso de poderes (art. 647 da Lei n° 10. f) revogação e extinção do mandato O senhor Eduardo Russo outorgou uma procuração ao seu filho. Mesmo tendo conhecimento da nova procuração.406/2002). 675 e 679 da Lei n° 10. pois.406/2002). para concluir negócio já iniciado ou até ser substituído quando for para impedir que o mandante ou seus herdeiros sofram prejuízo (art. a sua filha.

Tício prometeu vender a Caio um imóvel.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. utilizando-se dos poderes especiais constantes da procuração. vez que o preço já se achava quitado. caracteriza: a. Ato é anulável. representando Tício quando tiver quitado o preço? FGV DIREITO RIO 70 . outorgando-lhe procuração para que Caio assine por Tício a escritura definitiva quando Caio tiver quitado integralmente o preço.Subsiste mesmo após a morte do mandante (Prova: 13º Exame de Ordem .5.Ato é perfeitamente válido uma vez que visava a ultimação de negócio já iniciado. Tício revogou a procuração. c. Posteriormente. b.2ª fase PROVA DIsCURsIVA 4 . Prova: 26º Exame de Ordem . vez que. mas dependerá da iniciativa dos interessados.1ª fase) Dentre as características abaixo arroladas. É irrevogável b. cessou o valor da procuração. questões de ConCurso (Prova: 28º Exame de Ordem . d.1ª fase) maria José.13. outorgou escritura definitiva de imóvel prometido vender a Estela. Ato é tido como inexistente ou insubsistente.1ª fase) A procuração outorgada a vários procuradores com esfera de atuação devidamente delimitada. conseqüentemente. fica isento de prestar contas ao mandante c. Diante do ocorrido. diga qual não está adequada à procuração em causa própria: a. vítima de um acidente automobilístico. cabendo a cada um agir apenas em seu setor. podemos dizer que: a. Mandato plural solidário. veio a saber que Pedro falecera dias antes. Mandato plural fracionário. Posteriormente. É válida a revogação ou poderá Caio assinar a escritura de compra e venda. b. Mandato plural conjunto. d. É outorgada no interesse exclusivo do mandatário que. na qualidade de procuradora de Pedro. Ato praticado é nulo de pleno direito. c. É essencial para o advogado que postula em Juízo em causa própria d.Mandato plural substitutivo. com a morte. (Prova: 26º Exame de Ordem .

É hora de definir agência e distribuição no novo Código Civil .br/artigos/verartigo. Centro Acadêmico Clóvis Beviláqua. 1.14. Acesso em: 03.14. AulAS 14 E 15: COmISSãO. págs. Rio de Janeiro: Forense. como você orientaria o senhor Odin Heiro que. Disponível em www. 1.br. 693 a 721 da Lei nº 10. Silvio de Salvo.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. compare as vantagens e desvantagens que cada uma dessas figuras jurídicas poderia trazer ao supermercado.asp?id=4148>.Contratos. (em anexo) DANTAS.asp?id=215. BiBliografia oBrigatória Arts. 2005 .3. (em anexo) 1.vol. Tendo em vista os novos entendimentos e analisando as regras específicas de cada um desses tipos jurídicos. br/doutrina/texto.406/2002. pensa em contratar terceiros para fazer a revenda dos produtos do Supermercado Pechincha? Qual seria o contrato mais seguro.420/1992.2006. Humberto Theodoro. distribuição e representação. n. Caio Mário da Silva. AgêNCIA E dISTRIbuIçãO (REPRESENTAçãO COmERCIAl).html Acesso em: 03.mundojuridico. Do contrato de agência e distribuição no Novo Código Civil. Teresina. Disponível em: http://cacbufc.1.uol. br/demarest/svrepresentacao. Francisco Wanderson Pinho. Jus Navigandi.com.societario. Disponível em: <http://jus2. ano 7.ago.org.4. A representação no novo Código Civil.com.14. Agência e Distribuição x Representação Comercial. Instituições de Direito Civil . Renato. Caso Gerador É possível perceber. eMentário de teMas Análise e comparação das características da comissão. agência e distribuição. (em anexo) PEREIRA. Antonio Felix de Araujo.14. com as alterações da Lei nº 8. 1. Disponível em: www. biblioGrafia CoMPleMentar CINTRA. Acesso em: 04 ago. já pensando no futuro. 2003. 389 a 393. Lei nº 4. BERGER.adv. que o novo Código Civil gerou algumas discussões acerca dos contratos de agência. III.ago. por meio da leitura dos textos obrigatórios e dos recomendados.886/1965. jun. Acesso em 03. do ponto de vista do supermercado? Utilizando a planilha abaixo como base.14.2006 (em anexo) VENOSA.ago. Aspecto responsabilidade perante terceiros responsabilidade pela solvência das pessoas com quem contratar exclusividade dever de obediência às instruções do comitente/ proponente remuneração demissão sem justa causa demissão por justa causa Morte do comissário/ agente direito de retenção demais regras aplicáveis especificidades Comissão Agência/ distribuição FGV DIREITO RIO 71 . 2006.2006. JÚNIOR. mundo Jurídico. 66.2.

5.1. nessa cadeia.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. atuam dentro do estabelecimento sob o comando direto do empresário. 2. Recorre à mão de obra alheia. Nesse momento surge o fenômeno da representação comercial ou agência. também com o mesmo propósito de revendê-los no mercado. por meio do contrato de trabalho. que será concluída pelo preponente. Noções introdutórias. o empresário pode contratar esse serviço junto a outros empresários. A nomenclatura legal . Encarrega. ou concessão comercial. continuam vinculados à estrutura organizacional permanente da empresa.2. Sujeitos do contrato de agência.406/2002? 1. Outros empresários adquirem do fabricante esses produtos. Não pratica a compra e venda das mercadorias do representado.5. 5. 8. 3.14. Numa escala mais desenvolvida do processo industrial. O agente faz da intermediação de negócios sua profissão. 7. para melhor colocação de suas mercadorias. você entende que a lei n° 4. o empresário sente a necessidade de atuar além dos limites físicos do estabelecimento.as partes no contato de agência. que se integram à estrutura operacional da empresa. ele mesmo. 5. 5. 9. Direito comparado. 4. O instrumento jurídico básico de que se valem os empresários.6. então. Embora atuando fora do recinto do estabelecimento do empresário. foi revogada pela lei n° 10.1. FGV DIREITO RIO 72 . O contrato de agência no direito brasileiro. 5. aceito por grande parte da doutrina. Agência e distribuição por conta própria (revenda). O objeto do contrato de agência. leitura obriGatória: Do contrato de agência e distribuição no Novo Código Civil autor: Humberto theodoro júnior Publicado em: 29/9/2005 SUMÁRIO: 1. o artesão cria o produto. Natureza jurídica. alguns empregados de sair do estabelecimento para ir em busca de clientes na praça da empresa ou em outras praças. seja na produção seja na comercialização. Agência e mandato. porém.1. Todos. noções introdutórias A atividade comercial realiza a circulação de produtos na cadeia econômica entre a produção e o consumo. que fazem do agenciamento de clientela o objeto de suas empresas. Conforme o volume da produção e da comercialização. Contratos afins. 4.886/1965. que regulava especificamente as atividades dos representantes comerciais. Os empregados que captam clientela nestas circunstâncias são os viajantes e pracistas. pois o agente é um representante autônomo. roteiro de aula a) qual é a principal diferença entre o contrato de comissão e o de agência? b) Partindo do pressuposto. contratando o serviço de empregados. Presta serviço tendente a promover a compra e venda. o vende ao consumidor. de que agência e representação comercial são o mesmo contrato. Os elementos essenciais do contrato de agência. A representação comercial. contratos de colaboração empresarial. sem interferência dos empresários que utilizam seus serviços. Conceito de contrato de agência. 6.14.3. Agência e comissão. que integra a categoria dos chamados. que organiza sua própria empresa e a dirige. 1. O fabricante cria os produtos com o fim de colocá-los no mercado. Agente e viajante ou pracista (contrato de agência e contrato de trabalho). Em lugar de usar empregados para angariar clientes fora do estabelecimento. Num estágio primário da exploração do mercado. é o contrato de compra e venda. expõe-no à venda e.4. 8. Já então o fornecedor não terá comando do processo. o produtor não tem condições de explorar individualmente seu negócio.

o Código fala também em “contrato de agência e distribuição”. revenda ou concessão comercial. Ao invés de atuar como vendedor atua como mandatário do vendedor. Há uma idéia genérica de distribuição como processo de colocação dos produtos no mercado. correspondente à atividade daquele que. por conta de uma ou mais pessoas. mandato mercantil. Aí se pensa em contratos de distribuição como um gênero a que pertencem os mais variados negócios jurídicos. 710. além de falar em “contrato de agência”. amparado por contrato com uma ou várias empresas. é a autonomia com que age na intermediação: o representante não é um empregado da empresa a que serve. parág. Mas. representação comercial. Não é.886. que desempenha em caráter não eventual. um sentido mais restrito. ora apelidado agente. Não são. em caso positivo. Embora já praticada. física ou jurídica. confundir-se com a concessão comercial. visto que se conserva o caráter de preposição.65). que é aquele com que a lei qualifica o contrato de agência. ou não. de maneira que. que inexiste nessa última modalidade. porém. “exerce a representação comercial autônoma a pessoa. por ele consumados. a exemplo do direito europeu. arts. A palavra “distribuição” é daquelas que o direito utiliza com vários sentidos. mas o faz em nome e por conta da empresa que representa. porque afinal os negócios agenciados são retransmitidos ao comitente e são por este aceitos. 710 do Código Civil. sem relação de emprego. para que este pratique atos próprios do mandatário. abandonou o nomem iuris de “representante comercial”. ainda faz parte da prestação de serviços. mas o mesmo contrato de agência no qual se pode atribuir maior ou menor soma de funções ao preposto. só em 1965 mereceu disciplina legal específica no Brasil. único.12. sim. Esse nunca compra a mercadoria do preponente. na linguagem tradicional do direito brasileiro esse agente recebia o nome de “representante comercial autônomo” (Lei nº 4. Há. e 721). Nos termos da Lei nº 4. e. substituindo-o por “agente”. praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios (art. de 09. pois a habitualidade (o caráter não eventual) da prestação de serviços realizada pelo agente em prol do representado. um mandatário. porém. a representação será negócio complexo e que. A distribuição que eventualmente. cuja função econômica e jurídica se localiza no terreno da captação de clientela. 1º). conferir poderes especiais ao agente. além de suas regras próprias. a distribuição não é a revenda feita pelo agente. nos moldes de sua configuração legal. a representação ajustada. a exemplo do direito europeu.886. franquia comercial. se sujeitará também às do mandato mercantil (Código Civil. O novo Código Civil.). a mesma atividade empresarial passa a denominar-se distribuição. agenciando propostas ou pedidos. etc.CONTRATOs Em EsPÉCIE Por isso. a figura do representante comercial. Já então.” O seu segundo elemento caracterizador é. FGV DIREITO RIO 73 . 710 – contrato de agência e distribuição – com o contrato de concessão comercial. a mediação para a realização de negócios mercantis.886. se dedica a angariar negócios em proveito destas. dois contratos distintos. atribui à atividade tradicional da representação comercial o nomen iuris de agência. É ele sempre um prestador de serviços. a representação comercial O novo Código Civil. Pode. No teor do art. lhe pode ser delegada. todos voltados para o objetivo final de alcançar e ampliar a clientela (comissão mercantil. eventualmente. porém. continua sendo exatamente a mesma do representante comercial autônomo. de 09 de dezembro de 1965 que cuidou de regulamentar a representação comercial. baseado na revenda de mercadorias e sujeito a princípios que nem sequer foram reduzidos a contrato típico pelo Código Civil. Essas noções são muito importantes para que não se venha a confundir o contrato regulado pelo art. fornecimento. para transmiti-los aos representados. há um bom tempo nos meios empresariais. Ele age como depositário apenas da mercadoria do preponente. sem entretanto. Foi a Lei nº 4. porém. Em determinadas circunstâncias. não age em nome próprio. A primeira característica do representante comercial. Sua função. 2. este. ao concluir a compra e venda e promover a entrega de produtos ao comprador.

todavia. de que fosse nele definida e caracterizada a figura jurídica do representante comercial. 4º). expressamente.886 traçou para disciplinar a profissão e os direitos e deveres do representante comercial. 3º. realizou-se em São Paulo o 1º Congresso Nacional de Representantes Comerciais. § 2º).171/49 e que. Nada impede. com objeto distinto da agência. a contribuição pretoriana. Tal como se passava na Europa. a atividade do representante comercial foi desempenhada sem contar com o apoio de lei que lhe desse tipicidade. para legitimar-se ao exercício da representação comercial. De tal sorte. aos quais se confiou a fiscalização do exercício da profissão. 2º. No caso de pessoa jurídica. um anteprojeto que. ou agência. no Ministério da Justiça. tais como falsidade. Todas as regras especiais. e com a quitação com o imposto sindical (Lei nº 4. estelionato. tomou o nº 1. na espécie.886/65. contudo. com a folha-corrida de antecedentes. que uma empresa comercial. continuam em vigor.886. estabelecendo-se as necessárias garantias da profissão. ao condenado por infração penal de natureza infamante. ou não. realizada em Araxá. o contrato de agência no direito brasileiro Desde que. contrate com outra uma representação comercial para explorar negócio de intermediação conexo. Surgiu. criando-se um Conselho Federal e Vários Conselhos Regionais. furto. foi aprovada a reivindicação classista de enviar-se o pleito à comissão então encarregada de elaborar o Projeto de novo Código Comercial. É comum a existência de estabelecimentos dedicados exclusivamente à representação comercial. contrabando. construir uma estrutura dogmática que pudesse fixar a natureza jurídica do contrato que vinculava a empresa e os agentes comerciais. Podem inscrever-se no respectivo Conselho. quando exigível. foi reapresentado sem sucesso algum. levado ao Congresso Nacional. art. A agência.CONTRATOs Em EsPÉCIE Com a Lei nº 4. de quitação com o serviço militar. em princípio. porém. Muito fraca. ao falido não reabilitado. cujo objetivo principal era o de dar curso à reivindicação antes aprovada pela Conferência de Araxá. que a Lei nº 4. apenas quando alguma norma do Código estiver conflitando com preceito da Lei nº 4. roubo. também no Brasil. diversamente do que se passa com o empregado. então. para atribuir-lhe uma função autônoma e independente em relação à empresa a que serve. pessoas físicas ou jurídicas. 3º). FGV DIREITO RIO 74 . É. 721 do novo Código.886. apropriação indébita. funciona apenas como um acessório ou complemento da atividade principal da empresa. Em se tratando de pessoa física. Durante longos anos. Na mesma ocasião. 3. lenocínio ou crimes também punidos com a perda de cargo público. a grande preocupação jurídica foi a de distingui-la da relação empregatícia. com o seu ramo. deverá ser feita a prova de sua existência legal. aliás. expedida pelos cartórios criminais das comarcas em que o registrante houver tido domicílio nos últimos dez anos. Em 1949. art. sem. a reivindicação de um regulamento legal para a profissão do representante comercial autônomo tornou-se a maior aspiração dos órgãos representativos da categoria. art. o requerimento haverá de ser instruído com a prova de identidade. já que a jurisprudência limitava-se a negar enquadramento na legislação trabalhista.886. e ao que estiver o seu registro comercial cancelado como penalidade (Lei nº 4. no art. foi. na espécie. na II Conferência Nacional das Classes Produtoras. se introduziu a figura do representante comercial. na vida empresarial brasileira. art. de estar em dia com as exigências da legislação eleitoral. A lei interdita o exercício da representação comercial a todo aquele que não possa ser comerciante. em várias legislaturas. por meio de seu instrumento de constituição devidamente arquivado no Registro Público competente (Lei nº 4. o que se acha ressalvado. porque o Código Civil traçou apenas normas gerais acerca do contrato de agência (Lei de Introdução.886 é que terá ocorrido derrogação parcial desta. outrossim. a representação comercial (ou agência) ganhou o status de atividade profissional regulamentada. § 2º).

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Somente viria a ter maior repressão o Projeto nº 2.794/61, de autoria do deputado Barbosa Lima Sobrinho, que, no Senado provocou o surgimento do Substitutivo nº 38/63, elaborado pelo Senador Eurico Resende, o qual mereceu aprovação de ambas as casas do Congresso. No entanto, não chegou a transformar-se em lei, porquanto recebeu veto total da Presidência da República, ao fundamento de que, nos termos em que se intentou regulamentar a profissão, ao representante apenas se estendiam “as vantagens e garantias que a legislação do trabalho assegura ao trabalho assalariado”. Tal equiparação foi considerada incabível, entre outros motivos pela ausência de subordinação hierárquica e pela possibilidade de a representação comercial ser exercida por pessoas jurídicas. O então Presidente, General Castelo Branco, ao vetar o projeto aprovado pelo Congresso, encarregou o Ministério da Indústria e Comércio de reexaminar o assunto. Daí surgiu novo Projeto que, após tramitação parlamentar, se tornou a Lei nº 4.886, de 09.12.1965, ainda em vigor, com as alterações da Lei nº 8.420, de 08.05.1992. Tal como o direito europeu, a lei brasileira previu uma representação comercial, simples, em que ao representante cabia apenas intermediar negócios, captando pedidos ou propostas da clientela, para encaminhá-los à deliberação do preponente; e também uma representação complexa, em que ao agente se conferiam poderes de conclusão dos negócios angariados, mas sempre em nome e por conta do preponente (Lei nº 4.886/1965, art. 1º, parágrafo único). Sobreveio, finalmente, o novo Código Civil, sancionado em janeiro de 2.002, que insere o contrato de agência e distribuição entre os contratos típicos, mas sem revogar a legislação especial em vigor, como se ressalva no art. 721, especialmente, no tocante às indenizações asseguradas pelas Leis nºs 4.886 e 8.420 (art. 718). A maior novidade, no texto codificado é o nomen iuris do contrato que passou a ser contrato de agência. Explica RUBENS REQUIÃO, que o contrato de agência, a que alude o Código Civil “nada mais é do que o atual contrato de representação comercial, objeto da legislação especial, contida na Lei nº 4.886, de 09.12.1965. Constitui importante contrato no moderno mundo comercial, e é exercido por centenas de milhares de profissionais, distribuídos por todas as praças do país. A denominação do instituto foi tirada do Código italiano, que o regula”. Para o Prof. REQUIÃO, todavia, a linguagem do Código “não deslocará o uso correntio da expressão representante comercial. Que podia ser perfeitamente mantida... Não seria criticável se mantivesse a denominação representação comercial, já consagrada nos costumes do país, e em nosso direito”. É de se ponderar, no entanto, que o direito comparado, de onde emergiu o instituto jurídico, prestigia, de fato, o nomen iuris agora adotado por nosso Código Civil, razão pela qual este não merece censura pela nomenclatura inovada. É de evidente conveniência procurar identificar a figura jurídica por denominação que seja de universal acolhida, evitando-se terminologia regional, que não tenha, por si só, capacidade de revelar a identidade da figura local com aquela que já amadureceu e se consolidou na experiência do direito comparado. 4. Conceito de contrato de agência Como o Código Civil determina que ao contrato de agência devem ser aplicadas, no que couber, as regras constantes de lei especial, é necessário cotejar-se a definição codificada (art. 710) com a constante da Lei nº 4.886/65 e das alterações da Lei nº 8.420/92. Em primeiro lugar, é bom ressaltar que a lei especial define diretamente o representante comercial (isto é, o agente) (art. 1º). Já o Código Civil enfoca o contrato típico que vincula o representante e o representado (art. 710). Assim, na definição do Código, o contrato de agência (ou de representação comercial autônoma) é aquele pelo qual uma pessoa – o agente – assume, em caráter não eventual, e sem vínculos de dependência, a obrigação de promover à conta de outra – o preponente ou fornecedor – mediante retribuição, a realização de certos negócios, em zona determinada.
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Dessa conceituação legal, deduz-se que o contrato de agência envolve: a) relação entre empresários, dentro da circulação mercadológica de bens e serviços; b) a relação, contudo, não é de dependência hierárquica entre representante e representado, pois aquele age com autonomia na organização de seu negócio e na condução da intermediação dos negócios do último (embora tenha de cumprir programas e instruções do preponente); c) o objetivo do contrato não é um negócio determinado, mas uma prática habitual, de sorte que entre as partes se estabelece um vínculo duradouro (não eventual); d) a representação importa atos promovidos por uma das partes à conta da outra, configurando, portanto, um negócio de intermediação na prática mercantil de interesse do representado; e) à prestação do serviço de intermediação do agente corresponde o direito a uma remuneração ou retribuição, de maneira que o contrato é bilateral, oneroso e comutativo; f ) a representação, finalmente, deve ser exercitada nos limites de uma zona determinada, ou seja, cabe ao agente praticar a intermediação dentro de um território estipulado pelo contrato, ou algo que a isso corresponda. A atividade do agente, em suma, é a intermediação de forma autônoma, em caráter profissional, sem dependência hierárquica, mas, de acordo com as instruções do preponente. É uma figura jurídica típica a do agente, pois, embora guarde alguma semelhança, o agente não é, em princípio, mandatário, nem comissário, nem tampouco empregado, ou prestador de serviço no sentido técnico. Presta, no entanto, um serviço especial que é, nos termos da lei, a coleta de propostas ou pedidos para transmiti-los ao representado. Eventualmente, o representado pode confiar ao agente os bens a serem colocados junto à clientela, caso que o Código trata como distribuição, mas não como revenda, visto que os atos de negociação se realizam em nome e por conta do comitente. Nessas hipóteses especiais, o contrato, além das normas próprias da agência, rege-se complementarmente, pela disciplina do mandato e da comissão (arts. 710, in fine, e 721). O art. 1º da Lei n.º 4.886/65 cuidou de definir o representante comercial e não o contrato de representação comercial. Segundo tal dispositivo, é representante comercial autônomo a pessoa jurídica ou a pessoa física, sem relação de emprego, que “desempenha, em caráter não eventual, por conta de uma ou mais pessoas, a mediação para realização de negócios mercantis, agenciando propostas ou pedidos, para transmiti-los aos representados, praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios”. O parágrafo único do questionado dispositivo legal, aduz que, na eventualidade de “a representação comercial incluir poderes atinentes ao mandato mercantil” – isto é, quando ao representante comercial forem conferidos poderes relacionados com a execução dos negócios intermediados – “serão aplicáveis, quanto ao exercício deste, os preceitos próprios da legislação comercial”. Em outros termos: se o agente for autorizado pelo preponente a realizar negócios jurídicos em seu nome, tais atos que ultrapassam o conteúdo normal do contrato de agência, serão submetidos ao regime legal do mandato, como, aliás, prevê o art. 721 do novo Código Civil. Da definição dada pela lei especial ao representante comercial autônomo (isto é, ao agente), extraem-se as seguintes características: a) o agente não mantém relação de emprego com o representado, gozando, portanto, de autonomia laboral para organizar e desempenhar sua atividade; b) a atividade contratada é não-eventual; deve ser exercida em caráter permanente e profissional; c) a função do agente, embora organizada e dirigida com autonomia, é concluída por conta de outra pessoa (o representado), de modo que fica claro o “caráter de uma intermediação”, ou de uma “preposição”. O agente, como prestador autônomo de serviço, atua fora da estrutura interna da empresa a que serve, permitindo a esta colocar seus produtos e serviços juntos à clientela que o representante angaria, nos mais variados lugares. Os negócios, porém, são sempre promovidos em nome e por conta do representado; d) a mediação é, pois, uma função típica do agente comercial, que se presta à difusão dos produtos ou serviços do representado no comércio;
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e) a intermediação se dá na realização de negócios mercantis: o que a lei especial atribuiu ao agente comercial não é qualquer representação, mas aquela que se volta para a promoção de negócios mercantis (vendas de produtos ou prestação de serviços); f ) o modus faciendi da intermediação consiste em agenciar propostas ou pedidos relativos a operações comerciais do representado, ou seja, relacionadas a bens ou serviços a serem vendidos ou prestados pela empresa em cujo nome atua o agente; g) cabe, em princípio, ao representante transmitir as propostas ou pedidos ao representado. Eventualmente, o agente pode receber poderes que ultrapassem a simples intermediação de pedidos, caso em que realizará, sempre em nome do preponente, atos de consumação ou execução dos negócios agenciados. Quanto a esses atos de consumação da venda dos produtos do representado, a atividade do representante será regida pelas regras do mandado mercantil. Diante do cotejo entre o conceito legal, mais sintético, que o Código faz do contrato de agência, e aquele que a Lei nº 4.886/95 faz do representante comercial autônomo (isto é, do agente), não se encontra contradição maior que possa incompatibilizar um com o outro. A circunstância de o Código não usar as expressões “representante comercial” ou “negócios mercantis” prende-se à circunstância de ter sido unificado o direito das obrigações, de maneira que os contratos nele disciplinados, em princípio, tanto servem para as atividades civis como para as mercantis. No entanto, muito difícil será imaginar o caso em que um contrato de agência se configurará fora das relações mercantis. Ademais, se isto eventualmente acontecer, ficará o negócio fora do alcance da Lei nº 4.886/95, visto que esta se aplica especificamente aos agentes que servem, profissionalmente, à intermediação de negócios mercantis. Harmonizando-se, de tal sorte, a disciplina do contrato de agência instituída pelo Código Civil com a do representante comercial, constante das Leis nºs 4.886/65 e 8.420/92, ter-se-á um negócio jurídico vocacionado naturalmente para as atividades mercantis. 4.1. direito comparado A definição brasileira de representante ou agente comercial muito se aproxima da que consta do Código Comercial da Alemanha, que o qualifica como “toda pessoa que, a título de exercício de uma profissão independente, seja encarregada permanente de servir de intermediária em operações negociadas por conta de um empresário ou de os concluir em nome deste último. É independente quem pode organizar o essencial de sua atividade e determinar seu tempo de trabalho” (art. 84). Na França, também, o agente comercial é definido em termos que se aproximam do novo Código Civil brasileiro, por Dec. de 23.12.58: “Est agent commercial le mandataire qui, à titre de profession habituelle et indépendant, sans être lié par un contrat de louage de services, négocie et, eventuellement, conclut des achats, des ventes, de locations ou de prestations de service, au nom et pour le compte de producteurs, d’industriels ou de commerçants”. O Conselho da Comunidade Econômica Européia (CEE) em 18.12.1986 adotou uma Diretiva relativa aos agentes comerciais independentes, na qual se conceituou como agente comercial “celui qui, en tant qu’ intermédiaire indépendant, est chargé de façon permanente, soit de négocier la vente ou l’achat de marchandises pour une autre personne, ci-après dénominée commettant, soit de négocier et de conclure ces opérations au nom et pour le compte du commettant”. Em todos esses exemplos, tal como entre nós, a função normal do contrato de agência é conferir ao representante poderes de intermediação para angariar negócios para o representado. Só excepcionalmente, e mediante poderes adicionais explícitos, ocorre a atribuição de mandato para que o próprio representante conclua o negócio em nome do representado, seja firmando os contratos, seja mesmo entregando as mercadorias negociadas ao comprador.
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Essa distribuição. Contratos afins Com o incremento na economia moderna dos meios de distribuição da produção de bens e serviços. como a do mandato. a outorga de mandato é em regra. freqüentes são as dúvidas e confusões que se instalam entre essa novel modalidade contratual e o mandato. todavia. o contrato de agência dessas figuras afins. mais ultimamente. Para individuá-lo e determinar a respectiva natureza. O simples representante. de variada natureza. 710 do nosso Código. o colaborador procura outros empresários potencialmente interessados em negociar com o fornecedor”. um contrato nominado (típico) e. comprando o produto do fornecedor para revendê-lo. porque os poderes de que dispõe o agente nem sempre são aqueles que se conferem ao mandatário. com nitidez. limita-se a aproximar FGV DIREITO RIO 78 . que o fato de o contrato de agência conter traços comuns a outros contratos mercantis tradicionais. No primeiro caso. sem que a doutrina tivesse tempo para digerir as inovações. em nome e por conta do preponente). como tal. De outro lado. comissão mercantil e agência). a que alude o art. 5. malgrado a posse e disponibilidade da mercadoria pelo agente. que lhe permitem deliberar sobre o negócio e o realizar em nome deste. não há necessidade de subsumi-lo à tipicidade de outros contratos: a agência é. ao escoamento da produção. contudo. mantendo com a empresa vínculo empregatício permanente. continua sendo. ou seja. Em primeiro lugar. ou seja. um contrato de intermediação. nem a revestir-se da natureza jurídica de alguma das figuras com que mantém inegável afinidade. O contrato de agência e distribuição. conquistando. existe a possibilidade de utilização de auxiliares internos. a distribuição é feita por meio de empregados que atuam na captação dos compradores. não se confunde com a concessão mercantil. Dessa maneira. prestando serviços. não o leva a confundir-se com nenhum deles. tem fisionomia e disciplina próprias. já que esta só ocorre quando há revenda. Como ponto de partida é importante classificar os contratos de que se vale o empresário para obter colaboração de outros agentes no escoamento de seus produtos. agência e mandato O contrato de agência não se confunde com o de mandato mercantil. No segundo. a concessão mercantil e a franquia empresarial. no direito moderno. O mandatário detém poderes. destinada a realização de negócios determinados.1. no caso de agência comercial. Daí a necessidade de tentar-se uma diferenciação que separe.CONTRATOs Em EsPÉCIE Nesta última hipótese. De duas maneiras básicas se processa a colaboração empresarial (externa) no escoamento dos produtos de uma empresa: a) pela distribuição propriamente dita (revenda) e b) pela busca de empresários interessados na aquisição dos produtos do fornecedor (intermediação. “a colaboração empresarial no escoamento de mercadorias pode ser feita por intermediação ou aproximação. que o distribuidor conclui como preposto ou mandatário do representado (ou seja. o viajante ou pracista. A agência refere-se a um relacionamento negocial permanente envolvendo operações reiteradas e indeterminadas. a locação de serviços. É certo. novas figuras contratuais surgiram para atuar no mesmo segmento da mercancia. ou agência. a comissão mercantil. 5. colocam-se os colaboradores externos. Esse quadro classificatório muito contribuirá para obter-se a distinção entre o contrato de agência e outras figuras afins. Perante a representação comercial. outorgados pelo mandante. o Código Civil brasileiro denomina o negócio jurídico de contrato de agência e distribuição (art. captando-lhes com precisão a natureza e os contornos. e. que são empresários que se inserem na cadeia de comercialização sem vínculo empregatício. o colaborador ocupa um dos elos da cadeia de circulação. Em primeiro lugar. quando o concessionário adquire o produto do concedente e o comercia em nome próprio e por conta própria. conservando e ampliando o mercado para o produto de outro empresário. 710).

No contrato de agência. Na agência. 693). o vendedor é o comissário e não o comitente. age contudo como empresário e não como empregado. por isso. propriamente dita.2. na linguagem antiga do Código Comercial. É um empregado dele. e sim por conta do comitente. Suas tarefas são comandas hierarquicamente pelo empregador. o negócio. Nesse sentido. O agente comercial. presta serviços à empresa sem estabelecer com ela um vínculo empregatício. em função do encargo contratual. conferelhe maior segurança. o comprador). O viajante ou pracista. não delibera. o vendedor é sempre o preponente.3. “o representante comercial. garantindo o anonimato para o comitente. representam apenas elemento acessório. enquanto o comissário não age em nome. eventualmente. dispõe o art. não é atingido pelos atos que pratica. mas. o essencial ao contrato de agência é a mediação de negócios em favor do preponente. então o contrato de agência não será mais simples. porque só o comissionário trava relações jurídicas com os clientes. portanto. nos negócios que pratica. que o credencia a vendê-los aos consumidores em nome próprio. as regras concernentes ao mandato. o que não depende de poderes inerentes ao mandato. E. o único responsável perante o cliente é o comitente. não interferindo. mas ao contrário do mandato. Tem sua sede própria. Não dispõe de autonomia alguma para organizar seu serviço. se incluem nas cláusulas da agência. por sua vez. O agente. secundário ou acidental. concluir negócio por conta do preponente. 5. portanto. Pode. do contrato. quem se vincula é o comissário e não o comitente. Com o outro contratante (isto é. seria um mandato sem representação. evitando ao principal interessado nas operações suportar ações da parte da clientela. Como ressalta RUBENS REQUIÃO. sendo em face do terceiro o responsável pelo ato praticado. o comissário age em seu próprio nome. no que couber. na conceituação ou configuração. agente e viajante ou pracista (contrato de agência e contrato de trabalho) O agente. o art. Os produtos do comitente são postos à disposição do comissário. parágrafo único. e não em nome da empresa a que presta colaboração (art.CONTRATOs Em EsPÉCIE comprador e fornecedor. absorvendo em suas cláusulas também o contrato de mandato. por isso mesmo. A comissão. Perante estes. agindo em nome e no interesse do representado. embora preposto. embora do ponto de vista prático realize atividade econômica igual à do agente – pois angariam ambos clientela para a empresa – liga-se ao preponente de maneira diversa. Na comissão mercantil. O comissário adquire ou vende bens à conta do comitente. o comitente. Isto porque o mandato mercantil implica necessariamente a representação para realizar negócios comerciais em nome do mandante. A atuação é de um representante (mandatário) do vendedor. 5. sua empresa de representação. porque não negocia o fornecimento em nome próprio e opera sempre em nome e por conta do representado. 721 manda aplicar. FGV DIREITO RIO 79 . eventualmente. ainda que se confiram poderes ao agente para concluir e executar a venda. A presença do comissário cria uma certa barreira entre o comitente e os terceiros que negociam com o comissário. por sua própria definição legal. que “o preponente pode conferir poderes ao agente para que este o represente na conclusão dos contratos”. e não de um vendedor propriamente dito. por meio de uma consignação. dentro dos poderes que recebeu. Quando estes poderes. 710. agência e comissão A comissão é um contrato de colaboração empresarial. nem tampouco na definição de sua natureza jurídica. o comissário não representa. ao contrato de agência e distribuição. muito embora o tenha realizado por conta e no interesse do comitente”. mas contrata em nome próprio. O comissário. Ademais. terá se tornado complexo. seu escritório. não aparece no negócio que ele agenciou e que finalmente será concretizado diretamente pelo preponente. que organiza e dirige com liberdade e autonomia.

assegura ao agente a faculdade de contratar sub-agentes. formando-se uma cadeia de negócios. que pode livremente organizar sua empresa. Sujeitar-se-á. como contratos eventuais e isolados. que envolve sucessivas compras-e-vendas: uma empresa vende a matéria prima ao fabricante. e o revendedor se obriga a adquiri-lo. a distribuição se exterioriza como contrato de fornecimento: o produtor se obriga a fornecer certo volume de determinado produto. que pode ser simples ou complexo. que não raro envolve outros negócios entre as partes. O viajante não é mandatário e não capitaliza clientela. tem-se o contrato de distribuição. podendo estabelecer-se sinônima entre os dois. Não há uma remuneração direta entre fornecedor e revendedor. traçadas pelo fornecedor. continuará negociando os produtos por conta própria e em nome próprio. No entanto. a franquia comercial não é um contrato distinto da concessão comercial.. FGV DIREITO RIO 80 . d) O viajante ou pracista somente pode ser pessoa física. é hierarquicamente subordinado ao comando do empregador. e) O viajante ou pracista não pode contratar sub-representantes. que em seguida são vendidos aos atacadistas. Essa modalidade de contrato de colaboração. b) O viajante ou pracista não tem iniciativa pessoal. Costumam-se arrolar as seguintes e principais distinções entre agente e representante assalariado: a) O viajante ou pracista não pode contratar pessoal para desempenhar a representação que lhe cabe. no entanto. na tarefa da conquista de clientela para a empresa a que servem uns e outros. por sua vez. 5. assistência técnica etc. um profissional independente. por negociação direta entre produtos e consumidor. Não faz jus. Essa colaboração entre os elos da cadeia econômica pode acontecer de maneira avulsa. periodicamente. naturalmente. O fornecedor. A ingerência do fornecedor no empreendimento do revendedor produz uma subordinação econômica. estes. Este se remunera com o lucro que a revenda dos produtos lhe proporciona. A lei. com interferência econômica do fornecedor sobre o negócio do revendedor configura o que modernamente se denomina contrato de concessão comercial. como uso de marca. por sua vez. contudo. Se há entre eles uma independência jurídica.4. Já o agente comercial é um empresário. os revendem ao consumidor final. O revendedor. Quase sempre se estabelece uma intermediação entre empresários. o mesmo não se passa na organização econômica da revenda. Entre os contratos de concessão comercial assumiram grandes relevos os chamados contratos de franquia. Para RUBENS REQUIÃO. pode ser mais ampla. da maneira que melhor lhe convier. com habitualidade e sob certas condições. de orientação geral. não exerce interferência alguma na gestão do negócio do revendedor. A colaboração empresarial. a não ser mediante autorização do empregador. os produtos de um deles (contratos-quadros). a doutrina majoritária aponta traços da franquia que lhe outorgariam uma identidade jurídica capaz de separá-la dos comuns casos de concessão comercial. agência e distribuição por conta própria (revenda). às indenizações legais devidas ao agente autônomo. criando um sistema racional de conjugação de esforços até a colocação do produto junto ao consumidor final. em suma. a algumas regras. no fecho da cadeia econômica. Na sua manifestação mais simples.CONTRATOs Em EsPÉCIE É. como se demonstrará no tópico seguinte. c) O viajante ou pracista não pode aceitar representação de outras empresas. este a transforma em manufaturados. ou concessão comercial A colocação da produção industrial no mercado raramente se faz. de maneira que o produtor exerça certa interferência na atividade do revendedor. ou pode se envolver numa relação contratual duradoura que gere a obrigação entre os empresários de comprar e vender. a ausência de um contrato de trabalho que caracteriza o agente comercial e o distingue do viajante ou pracista. Se a articulação entre produtores e revendedores assume o feitio de uma convenção duradoura. porém. os vendem aos varejistas que. por isso. no mundo atual. enquanto o agente pode ser indiferentemente pessoa física ou jurídica.

Se não há venda e revenda de produtos. Aliás. A distribuição. Já o concessionário ou revendedor. nos comentários relativos aos ressarcimentos cabíveis na ruptura ou cessação do contrato (art. assim. O representante não a adquire do representado. mas tudo se faz em nome e por conta do representado. em nome do representante (art. segundo o volume e o preço das operações agenciadas. 721). 710 é aquela que. porém. as mercadorias de propriedade do comitente são postas à disposição do agente-distribuidor para entrega aos compradores. A distribuição de que cogita o art. entra-se no âmbito da concessão comercial. Distribuição é um gênero que corresponde aos vários tipos de contrato de colaboração empresarial. pode ser autorizada ao agente mas nunca como revenda.729/79). E. pode realizar-se por conta do fornecedor ou por conta do próprio distribuidor. Mesmo quando a lei admite que o agente atue também como distribuidor (art. O concessionário nada recebe do fornecedor pela colaboração exercida na colocação de seus produtos. sem que isso desnaturasse a representação comercial em sua essência e a transformasse em concessão comercial. torna-se dono da mercadoria que o fornecedor lhe transfere. de modo que a venda para o consumidor não assume a natureza de uma revenda. ou concessão comercial). Voltaremos ao tema da concessão comercial. a Lei nº 4. Há distribuição (ou pode haver distribuição) tanto por meio do contrato de agência como do contrato de concessão comercial. quando regulamentou a atividade do representante comercial. sem independência jurídica do agente) da distribuição por conta própria (concessão comercial). O agente (representante comercial) não pratica o negócio de colocação dos produtos do representado em nome próprio. já previa a possibilidade de ser ele encarregado da execução da venda. A interferência deste na pactuação e execução do negócio final é de um mandatário e não de um revendedor. e sempre como simples ato complementar do agenciamento. no sentido de ter sido nele disciplinado tanto a representação comercial como a concessão comercial. É que a mercadoria que o fornecedor coloca em poder do agente-distribuidor é objeto apenas de depósito ou consignação. situa-se na remuneração do intermediário do processo de circulação dos produtos. Não é correta. distingue-se a distribuição por conta alheia (mera preposição. pelo fornecedor (o representado).CONTRATOs Em EsPÉCIE Todas as formas de contrato de distribuição – fornecimento ou concessão – distinguem-se do contrato de agência em dois aspectos básicos: a autonomia e a remuneração da intermediação. FGV DIREITO RIO 81 . ele não se transforma num concessionário comercial. portanto. O dispositivo cuidou exclusivamente do contrato de agência. atua apenas em nome e por conta do representado. mesmo porque a infinita variedade de convenções que os comerciantes criam no âmbito da revenda autônoma torna quase impossível sua redução ao padrão de um contrato típico.886/65. Em suma não é a operação econômica da distribuição que distingue a agência da concessão comercial. 1º e seu parágrafo único). o contrato fica no plano da agência. eventualmente. se há. pelas características e relevância do negócio. A remuneração que alcança se traduz nos lucros que a revenda lhe proporciona. O agente (mesmo quando exerce a distribuição) é remunerado. como negócio que anteriormente se denominava contrato de representação comercial. e a negocia com o consumidor em nome próprio e por sua própria conta. Dentro da sistemática da preposição que é inerente ao contrato de agência. o legislador houve por bem tipificar o contrato de concessão comercial (Lei nº 6. Outra distinção que se fez com nitidez entre o contrato de agência e o contrato de revenda (distribuição por conta própria. quanto ao serviço de intermediação. 710 do Código Civil). O contrato de distribuição em nome próprio (a concessão comercial) continua sendo atípico. Juridicamente quem vende é o fornecedor e não o agente-distribuidor. a inteligência que alguns apressadamente estão dando ao artigo 710 do Código Civil. Apenas para o caso dos revendedores de veículos é que.

A lei francesa ainda hoje identifica o agente comercial como um mandatário que como FGV DIREITO RIO 82 . 710 do Código Civil. a representação comercial. não porém em nome próprio. não são sinônimos de contratos de revenda de mercadorias. mas sempre em nome e por conta do preponente. pode-se afirmar que. é necessário que uma parte (o agente) assuma de forma duradoura a função de promover. a corretagem. seria uma modalidade excepcional daquele negócio. Contratos de distribuição. mediante remuneração. todavia. os negócios por ele intermediados ou concluídos se aperfeiçoam diretamente na esfera jurídica do preponente e do terceiro adquirente. de uma atividade profissional dirigida à promoção e conclusão de contratos entre o preponente e os terceiros arrebanhados pelo preposto. tais como a comissão mercantil. A construção da teoria do contrato de agência se fez por influência do direito francês a partir do mandato que. sempre por conta da outra parte (o preponente) e dentro de uma determinada zona. em favor da empresa do comitente. profissional e empresário. a franquia. Configuram um gênero no qual se inserem vários tipos negociais todos voltados para a chamada colaboração empresarial. O que traça a tipicidade do contrato de agência é que a atividade de colaboração empresarial na espécie se dá por meio de prestação do agente que têm por objeto o desempenho. e eventualmente de concluí-los e executá-los. os elementos essenciais do contrato de agência Segundo a definição legal do contrato de agência. o objetivo perseguido é um só . em última análise. realizou-se a evolução do tratamento jurídico do agente da categoria de mandatário para a figura do “mandatário independente”. entendia-se que este desempenhava um mandato que não dizia respeito apenas ao interesse do mandante. Eventualmente os contratos agenciados podem ser concluídos e executados pelo próprio agente. porque é na medida da consumação dos negócios pelo preponente que o agente adquire direito à remuneração pelos serviços de intermediação empresarial levados a efeito. Com isso. nos quais o agente desenvolve um papel importante na colocação no mercado dos produtos gerados ou comercializados pela empresa preponente. contida no art. “um mandatário que aja a título oneroso e em seu próprio benefício”. a concessão comercial. caracterizada pelo chamado mandato de interesse comum. De tal sorte. mas que igualmente se relacionava com seus próprios interesses. de sorte que nele não se acha em jogo um interesse jurídico seu. de maneira que esta. em uma zona determinada. para configurar-se contrato de agência. mas apenas um interesse econômico.CONTRATOs Em EsPÉCIE 6. sua estrutura fundamental envolve a combinação de quatro elementos essenciais: a) o desenvolvimento de uma atividade de promoção de vendas ou serviços por parte do agente. podia-se divisar “o interesse comum como qualificativo do mandato contido no contrato de agência comercial”. 7. b) o caráter duradouro da atividade desempenhada pelo agente (habitualidade ou profissionalidade dessa prestação). d) a retribuição dos serviços do agente em proporção aos negócios agenciados.formação e ampliação de clientela -. se beneficia da contínua obra promocional levada a efeito pelo agente junto à clientela. Nessa ordem de idéias. a formação de negócios. na espécie. em seu próprio nome. Assim. Na conclusão do negócio intermediado o agente não é parte. natureza jurídica O contrato de agência integra a classe dos contratos de distribuição comercial. Visto que tanto do lado do comitente como do agente. De forma alguma se pode ver no conteúdo do contrato de agência uma forma de compra e venda operada pelo agente. na concepção legal. qualquer que seja a dimensão dos poderes do agente. a concessão do uso de marca etc. c) a determinação de uma zona sobre a qual deverá operar o agente.

nos moldes atuais da figura jurídica se afasta das concepções primitivas. só por insistência histórica se mantém entre os franceses a doutrina da agência como modalidade de mandato. se encarrega de negociar contratos por ordem e conta de outros empresários (Lei n. nessa ordem de idéias. O agente comercial. entretanto. 8. registra-se uma aproximação do regime legal da agência com o direito social. 91-593 de 25. “o agente se beneficia de um estatuto originado de modificação de regras civis do mandato. indenizações tarifadas. que é a de angariar clientela para adquirir os produtos do primeiro. que melhor se qualifica como um profissional do comércio. Dessa maneira. sujeitos do contrato de agência De um lado coloca-se o preponente que tem bens e serviços a colocar no mercado. sua afinidade será maior com o contrato de prestação de serviços do que com o de mandato. Dentro da consagração da autonomia do agente. FGV DIREITO RIO 83 . A prática da agência comercial. na circulação de bens do mercado. apagando os liames com o mandato e consagrando uma liberdade de iniciativa muito acentuada. e de outro. A natureza jurídica do contrato de agência é hoje a de um contrato típico. o agente (um preposto) que é um profissional que se encarrega de colaborar na promoção dos negócios do preponente. é um mandatário remunerado e profissional. “o agente comercial continua um mandatário. depois que se estabeleceu um regime legal particular para a agência. Vê-se. em função da qual o agente promove e às vezes conclui negócios em favor do preponente. é inegável que o contrato de agência estabelece uma relação jurídica entre empresários. Um realiza a comercialização de suas mercadorias ou serviços (preponente) e outro exerce uma especial atividade profissional (o agente). preponente e agente. em defesa de interesses do agente (duração indeterminada do contrato. Daí reconhecer-se sua posição de titular da própria empresa. não se pode continuar a insistir na conceituação do contrato de agência como forma de mandato.06. mas sempre com plena liberdade de organizar seu trabalho e com assunção do risco de seu negócio de intermediação. Além do mais. remuneração mínima. que se formou a partir da idéia de profissionalização do mandato e. pois. Assim. desempenha uma atividade de mercado cujo requisito fundamental é a liberdade de iniciativa na prestação do serviço de agenciamento. o que também não é adaptável à figura do mandato.1991. A independência que a lei confere ao agente comercial no exercício de sua atividade profissional faz dele um empresário que se encarrega de uma função com autonomia de objeto dentro da circulação do mercado. mesmo. Se se pretender comparar a agência atual com outros contratos típicos. Na verdade. são empresários. seja do fato de uma abordagem econômica da agência que se desenvolveu recentemente”. Ambos.CONTRATOs Em EsPÉCIE profissional independente. cuja atividade específica “consiste na realização de atos materiais que visam à criação de uma corrente de negócios para a difusão dos produtos e serviços de outra empresa. por meio de “uma evolução das regras do mandato clássico”. etc). em cuja organização e administração não interfere a empresa do preponente. mas deve ser apreciado enquanto profissional do comércio”. que se adaptou à Diretiva Comunitária de 1986). reconhecido como profissional independente e ainda em face do estabelecimento de um regime de direito social de proteção ao agente. No entanto. pois apenas excepcionalmente o agente se encarrega de tarefas que são próprias do mandatário. que o agente se apresenta como autêntico empresário porque seu serviço é desempenhado de forma autônoma e constitui um tipo de negócio de evidente valor econômico e jurídico. não tem mais sentido atrelá-la à natureza jurídica do mandato. sem estabelecer vínculo de subordinação a este e que deve ser remunerado em função do volume de operações promovidas. cada um dedicando-se a um ramo próprio de negócios. O que efetivamente se tem. De tal sorte. seja sobre influência dos usos e regulamentos.

O agente organiza com autonomia seu negócio e. Integra o contrato. o contrato é denominado de “agência e distribuição”. É. ou que se concluam junto ao preposto. que é um contrato típico e de execução continuada. mas apenas venda. em posições jurídicas diversas teriam titulação igual dentro do mesmo negócio. do contrato de agência. tem como objeto uma prestação de serviço entre empresários: a promoção de negócios constitui a obrigação fundamental que o agente contrai em favor do preponente. censure a opção do Dec-Lei nº 178/76. revenda. de negócios que venham a ser concluídos entre os terceiros e o preponente. tivesse nomeado de preponente o empresário que contrata a intermediação do agente. porquanto já era esta a palavra utilizada pelo direito português para nomear a contraparte dos “representantes comerciais não autônomos” . entre nós. melhor teria andado o legislador brasileiro se. não estará incorrendo em censura alguma quem empregar o termo preponente em lugar de proponente. em síntese. mais expressivo. e preferiria que. Duas partes. 1. Dessa forma. No Brasil. que característica essencial do contrato de agência é a promoção. A operação é toda ela desenvolvida e consumada em nome e por conta do preponente. continua sendo uma prestação de serviços profissionais na área da intermediação de negócios. para compreender a conclusão do contrato de venda e entrega das mercadorias. 9. outrossim. que. em Portugal fosse prestigiada a denominação de proponente (em lugar de principal). arts. todavia. Com FGV DIREITO RIO 84 . As confusões serão inevitáveis o que recomendaria o uso da designação preponente para o fornecedor. Objeto. portanto. a nomenclatura legal – as partes no contato de agência A legislação italiana adota as expressões agente e preponente para indicar as duas partes do contrato de agência ou representação comercial (Código Civil italiano. em seu nome. Eventualmente.753). já há o cliente que. por sua conta e sob sua dependência”. a exemplo do Código italiano.742 e 1. Dessa forma. mas como aquele que “propõe algo”. ou seja. da parte do preponente. operada entre o preponente e o consumidor. por ser lexicamente correto e. ou seja.CONTRATOs Em EsPÉCIE 8. é uma atividade de promoção de negócios individuais. Quando esses poderes adicionais são incluídos no ajuste. O agente-distribuidor apenas representa o fornecedor. denomina de agente e principal os respectivos sujeitos. visto que o agente não revende os produtos que o preponente apenas coloca à sua disposição. os léxicos nacionais não registram proponente com o sentido de denominar quem delega poderes de gestão a outrem. Ademais. há um inconveniente de ordem prática. Não há. De fato. dará cumprimento à obrigação contraída de angariar clientela para quem contratou seus especiais serviços. sob influência da terminologia com que common law se identifica a agency. todavia. seja a de identificar o representado como preponente e não como proponente. em sua feição típica. esse objeto pode ser ampliado. pelos expedientes que livremente engendrar. antes da legislação atual. Na relação econômica desenvolvida pelo agente em prol do fornecedor. para coletar propostas ou encomendas a serem repassadas à empresa representada. de contratos por conta do preponente.1. afinal é o vendedor das mercadorias consignadas ao preposto e negociadas com a clientela. ao formular propostas endereçadas a este também deverá ser identificado como proponente. mas em nome do representado. a obrigação de remunerar o serviço prestado pelo agente. proponente e agente. Malgrado a opção da lei. o objeto do contrato de agência O contrato de agência. Há quem. mas isto não corresponde a um preço fixo. O objeto do contrato. repita-se. o designativo preponente que identifica “aquele que constitui um auxiliar direto para ocupar-se dos seus negócios. e sim a um percentual sobre as operações úteis captadas pelo agente em benefício do representado. mediante remuneração. praticamente. o novo Código Civil escolheu a nomenclatura recomendada pela antiga doutrina portuguesa. pode-se afirmar. A lei portuguesa que regula o mesmo contrato. consistente na busca e visita da clientela. muito embora nos contratos de prestação de serviços com subordinação jurídica a tradição. portanto.

Outra grande característica do objeto da obrigação veiculada pelo contrato de agência é o caráter duradouro da prestação a cargo do agente. além de agenciar os pedidos em favor do proponente. de impulso e de agilização. o agente tivesse poderes para representá-lo nas respectivas relações de compra e venda dos produtos agenciados. teixeira e silva advogados renato berger consultor de tozzini. é necessário definir: (a) se o contrato de agência previsto no Código Civil é o mesmo contrato previsto na Lei do Representante Comercial (Lei 4. freire.5. tudo em busca de conquistar. 710 do novo Código Civil. Belo Horizonte. tem como objeto a atividade do agente. o agenciamento sempre ocorreria por força da natureza do contrato. Diante dessa situação. Mais especificamente. a melhor interpretação indica que os contratos de agência e os de representação comercial constituem a mesma figura jurídica. sócio de tozzini. dentro de uma zona determinada. Analisando o Código Civil e a Lei do Representante Comercial. manter e incrementar a demanda dos produtos do preponente.2003) biblioGrafia CoMPleMentar: É hora de definir agência e distribuição no novo Código Civil antonio felix de araújo Cintra advogado. de que maneira devem ser interpretadas as normas desses dois diplomas legais sobre a matéria e (b) se a distribuição prevista no Código Civil é a mesma relação contratual que tradicionalmente não era objeto de legislação específica e que era conhecida por distribuição. voltada para a promoção. abril de 2003 (Artigo publicado no Mundo Jurídico (www.adv. nessa ordem de idéias. em caso positivo. Antes de qualquer coisa. As principais dúvidas referem-se ao impacto do Código Civil sobre as conhecidas relações de representação comercial e distribuição. que em hipótese alguma se podem confundir com a figura delineada no art. A representação poderia ou não ocorrer. para cuja consecução empenhará múltiplas atividades. posto que a relação negocial implica agenciamento de pedidos. com caráter de estabilidade. inclusive citando leis estrangeiras. que o termo mais adequado seria agência. Algumas dúvidas fundamentais precisam ser eliminadas para que se tenha razoável segurança jurídica na utilização desses contratos. O contrato de agência. conforme posteriormente alterada) e. que são objeto de outros contratos de colaboração empresarial. Afinal. é fácil entender que os legisladores do Código Civil apenas utilizaram o nome que lhes pareceu refletir de maneira correta a natureza do contrato. como os de fornecimento ou de concessão comercial. freire.886/65. Ou seja. E de fato a nomenclatura não deve ser considerada tão relevante. sendo que a representação apenas existira se. Passando então para o exame do negócio em FGV DIREITO RIO 85 .br) em 02.CONTRATOs Em EsPÉCIE essa noção do objeto contratual. Vários autores apontavam. dependendo de serem ou não conferidos poderes para que o agente representasse o proponente na contratação dos negócios. Trata-se de um contrato de duração. de contratos que serão concluídos pelo preponente. pelo que o agente se obriga a exercer habitualmente a intermediação de negócios em favor do preponente enquanto permanecer em vigor o ajuste. teixeira e silva advogados O capítulo sobre agência e distribuição no Código Civil tem causado muita discussão. a questão da nomenclatura. excluem-se do campo da agência as vendas em nome próprio. O nome representação comercial foi muitas vezes criticado por não traduzir corretamente a noção do contrato. o que interessa na definição da natureza jurídica do instituto é o seu conteúdo e não a embalagem.mundojuridico. São vários os motivos para tanto.

caracteriza-se a figura clássica de aproximação do comprador e vendedor. negócio realizado. exceto com relação à distribuição de veículos automotores. o Código Civil contempla uma nova e diferente figura contratual. cessação de atendimento de propostas.CONTRATOs Em EsPÉCIE si. que a Lei do Representante Comercial utiliza a expressão “agenciando propostas ou pedidos” exatamente na definição da atividade do representante. que é contratado para encontrar compradores para os produtos do proponente. Utilizando o nome distribuição. E naquela que deve ser a maior diferença. Por exemplo. ou aquela que viesse a substituí-la. menciona claramente “coisa a ser negociada”. por exemplo. Infelizmente. vale agora a presunção de exclusividade do Código Civil tanto para a zona de atuação do agente (exclusividade em favor do agente) como para o agenciamento (exclusividade em favor do proponente). ainda assim. mas deverá ter no mínimo 90 dias e. mas a exclusão é absolutamente coerente com o desaparecimento da diferenciação entre negócios civis e mercantis na lei brasileira. Ao contrário da agência. A única diferença no Código Civil é a exclusão da expressão “negócios mercantis” que aparece na Lei do Representante Comercial. trata-se do agenciamento de pedidos em favor do proponente e do recebimento de remuneração pelos negócios concluídos. Vale frisar novamente que o Código Civil apenas deu outro nome para a mesma relação conhecida tradicionalmente como representação comercial. é evidente que a lei especial contemplada no Código Civil. Ora. portanto. portanto. Em ambos os casos. uma nota sobre a distribuição. Nessa linha de raciocínio. na ausência de cláusula contratual. desde que já tenha transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto dos investimentos exigidos do agente. A distribuição do Código Civil é contrato de agenciamento de negócios em favor do proponente. atletas e outras atividades que não fossem relacionadas à compra e venda de mercadorias. mas também da própria regulamentação encontrada nos artigos 710 e seguintes do Código Civil. objeto da Lei Ferrari (Lei 6. 721). é a Lei do Representante Comercial. estabelecer como deve ser compatibilizada a Lei do Representante Comercial com o capítulo de agência do Código Civil. 718) como na utilização da lei especial sempre que couber (art. permanecendo em vigor os demais. percebe-se que a definição de agência no Código Civil é equivalente à definição de representação comercial na Lei do Representante Comercial. quando se fala em zona de atuação do agente. a terminologia empregada no Código Civil pode gerar grande confusão. datada de 1965. Por fim. acima mencionada. A resposta é razoavelmente simples. Note-se ainda. Tal distribuição era e continua sendo contrato atípico. que conforme será visto aparece dentro da definição de agência e como um desdobramento desta última. direito à remuneração pelos negócios concluídos dentro da zona de atuação e assim por diante. não se justifica a amplitude que alguns querem dar ao contrato de agência no Código Civil. tanto na parte específica de indenizações (art. Resta. que nada mais é do que um desdobramento da relação de agência. tendo inclusive ressalvado a aplicação de lei especial. Dado que o Código Civil não pretendeu esgotar a regulamentação da matéria. não há que se falar em remuneração paga pelo fornecedor. Até a definição de distribuição. Ainda para demonstrar que o Código Civil tratou agência da mesma forma que a chamada representação comercial.729/79). Ou seja. com a particularidade de que os bens objeto do agenciamento FGV DIREITO RIO 86 . realizada pelo agente. O lucro do distribuidor deriva então da diferença entre o preço de compra e venda dos produtos distribuídos. dizendo que serviria para agenciamento de artistas. mas a distribuição ali prevista não se confunde com a relação chamada distribuição a que todos se acostumaram no Brasil. verifica-se que o capítulo de agência ressalva expressamente a aplicação de lei especial sobre a matéria. devem ser considerados revogados apenas os dispositivos da Lei do Representante Comercial cuja matéria tenha sido regulada de forma diferente no Código Civil. Toda a linguagem e toda a lógica desses dispositivos apontam para o agenciamento na compra e venda de mercadorias. Isso decorre não apenas da definição equivalente do contrato. curiosamente. o aviso prévio para encerramento de contratos por prazo indeterminado não será simplesmente de 30 dias como previsto na Lei do Representante Comercial. posto que não regulado expressamente na lei. cujo projeto foi elaborado em 1972. em nome próprio e por conta e risco do distribuidor. A antiga distribuição é caracterizada pela compra dos produtos do fornecedor para posterior revenda.

a disponibilidade da coisa em mãos do sujeito caracteriza a diferença entre a agência e a distribuição. conseqüentemente. aplica-se essa lei. Os dispositivos do capítulo de agência e distribuição. mediante retribuição. no que couber. que passa a ser chamado também de distribuidor. que lhe é protetiva e cria. desde a definição da distribuição como um derivado da agência (art. A primeira conclusão inafastável é no sentido da aplicação da lei do representante comercial sempre que este for devidamente registrado. 473). não serão aplicáveis às relações de distribuição na sua forma tradicional de aquisição para revenda.” Portanto. que essa lei atribui os direitos básicos do representante. Pouco importa que pratique ele negócios de agência ou de representação segundo o novo código.uol. a obrigação de promover. Tratando-se de profissão regulamentada. Assim. Há que se levar em conta. além de importantes dispositivos específicos. caracterizando-se a distribuição quando o agente tiver à sua disposição a coisa a ser negociada. a necessidade de ter transcorrido prazo compatível com o investimento realizado pela outra parte quando da denúncia unilateral de contrato (art. Pela lei. Quanto ao representante comercial. O legislador do novo código deveria ter sido mais claro. No mais. Todo o capítulo de agência e distribuição corrobora tal constatação. na verdade. Isso inclui os conceitos e princípios de boa fé contratual e função social dos contratos. Assim. se a pessoa tem a coisa que comercializa consigo será distribuidor.asp?id=4148) A representação no novo Código Civil Por sílvio de salvo Venosa O novo Código Civil introduz no mesmo capítulo. todas referentes apenas a contratos de aproximação entre comprador e vendedor e nunca à aquisição de produtos para revenda por conta própria. o novo código dispõe no artigo 710: “Pelo contrato de agência. uma pessoa assume. Nesses contratos há inúmeros pontos de contato com a representação comercial. a principal delas protege e regula o representante comercial (Lei nº 4. os dispositivos sobre os contratos de agência e distribuição.br/doutrina/texto. nos termos do artigo 5º da Lei nº 4. não há de se ter preocupação FGV DIREITO RIO 87 . 714) e direito à indenização no caso de diminuição no atendimento de propostas (art. no artigo 721. subordinados estes ao Conselho Federal. porém. pois o contrato de representação comercial costuma ser identificado pela doutrina e pela jurisprudência com o de agência e distribuição. à conta de outra. um microssistema jurídico.CONTRATOs Em EsPÉCIE encontram-se na posse do agente. (http://jus2. caso contrário. a realização de certos negócios. Parágrafo único. contudo.com. a qual. naquilo que o contrato e a lei protetiva forem omissos. aplicam-se ao representante comercial. à aplicação de legislação especial. Subsidiariamente poderá ser aplicado o novo código. em caráter não eventual e sem vínculos de dependência. 715). A harmonização dessa nova lei com os novos dispositivos é complexa. como por exemplo. Naturalmente serão aplicáveis à distribuição clássica as normas gerais do Código Civil sobre obrigações e contratos. que doravante devem ser harmonizados com os dispositivos do novo Código Civil. embora se reporte. será agente. Leve-se em conta que os dispositivos contratuais do código são de direito dispositivo. em zona determinada. estando o sujeito inscrito nos Conselhos Regionais dos Representantes Comerciais. já que não tratam de tal figura. e realiza negócios em razão dessa profissão habitual. preponderarão as disposições do novo código.886/65). no caso. A nova posição legal mais serve para baralhar a questão. conforme a nova lei.886/65. procura a lei unificar os direitos de ambos e. da mesma forma que ocorre em qualquer contrato atípico. 710) até as disposições sobre o direito do distribuidor à remuneração por negócios concluídos em sua zona sem sua interferência (art. O proponente pode conferir poderes ao agente para que este o represente na conclusão dos contratos.

agentes. em princípio. mormente quando as partes não definem claramente suas obrigações. pois. sob o prisma de direito cogente. Essa tendência. Questão maior vai se colocar quando o agente e o distribuidor em sentido amplo. Nesse sentido. de caráter geral. técnicos ou não. que inclui todas as formas que uma empresa se utiliza para colocar bens e serviços no mercado. a de colocar no mercado os bens ou serviços de uma empresa produtora. Esses contratos possuem características comuns.886/65. agência e distribuição. que as próprias partes indiquem no contrato como aplicável essa lei do representante comercial autônomo. com prazo mais ou menos longo. que diz respeito à relação jurídica que vincula o produtor e o sujeito que coloca seus produtos no mercado. Desse modo. como a franquia. para desenvolvimento de uma antiga função econômica. O distribuidor. Nada impede. com várias pessoas. pretenderem os mesmos direitos expostos na Lei nº 4. em princípio. o sujeito fará jus aos benefícios da lei respectiva. O novo universo da empresa cria novas formas de comercialização. As gradações entre um extremo e outro deverão ser definidas no caso concreto. Sempre que se examina a comercialização de produtos ou serviços por terceiros. a própria legislação comercial. se adotada a caracterização de representante para a relação jurídica. fará jus o sujeito aos direitos respectivos conforme os artigos 31 e seguintes da lei específica. disciplinava os auxiliares de comércio. há possibilidade de que a empresa celebre muitos contratos da mesma natureza. Nesse sentido. é afastar-se contratualmente sua aplicação. atribuindo a intermediários a atividade de promover e vender. segundo remansosa jurisprudência. os corretores. Como regra geral. a palavra “distribuição” é equívoca. a empresa concentra sua atividade principalmente na produção. pois o fornecedor de produtos e serviços sempre atribuirá a outrem essa função. Sob essa égide. como já não estava clara no sistema anterior e qualquer das soluções apresenta dificuldades.CONTRATOs Em EsPÉCIE se sua atividade é de agência ou representação de acordo com o novo código. excluindo-se a possibilidade de ser considerado representante. no que não conflitar com seu estatuto específico. o qual garante direitos básicos a esses profissionais. de duração. alude-se à distribuição como referência genérica a vários fenômenos. representantes etc. para a confusão terminológica. No conceito há um sentido amplo. com a intervenção de terceiros. surge assim uma nova família de contratos. Nessa introdução à nova problemática é importante estabelecer que os contratos de agência e distribuição podem. deverá persistir. Não há que se entender que somente os representantes comerciais devidamente inscritos em sua corporação de ofício tenham direito à aplicação da lei específica. De qualquer modo. o que contribui. a representação. O que será ineficaz. Por outro lado. por natureza. se o sujeito adquire os bens do produtor ou fornecedor e os revende. Eventual transgressão administrativa é irrelevante para a definição dos direitos e a respectiva natureza jurídica dos contratos. Como já de início apontamos. a concessão. mandatários. ou por meio de terceiros. consagrada pelo nosso velho Código Comercial. atendendo a cláusulas de exclusividade e de área geográfica. aos representantes comerciais oficiais. ser firmados com qualquer pessoa e a esta situação se dirigem os dispositivos do novo Código Civil. Caberá à jurisprudência definir. absorvendo vários significados. que é aquele doravante presente no Código Civil. os comissionistas e os agentes de comércio. que não foi aclarada pelo legislador. por vezes. São contratos. há confusão terminológica entre os contratos de representação mercantil. Desempenhando a função de representante. há um conceito restrito. sem a compreensão de representante. agente ou representante deve se submeter a uma séria de diretrizes impostas FGV DIREITO RIO 88 . porque. para o representante é irrelevante ter ou não a posse dos bens comercializados. pressupõem a existência de empresas e sujeitos independentes que desempenham atividade em favor dela. diretamente. que já vinha sendo adotada. sua situação será de distribuidor. Assim. Nesses contratos há um forte aspecto de colaboração entre as partes e a possibilidade de exclusividade dentro de determinada área geográfica. A situação não fica clara. naturais ou jurídicas. contudo. qual seja. existirão sempre duas partes. conforme os princípios da lei específica. os quais se aplicam. também. quando ela não o faz por si mesma. referindo-se aí expressamente ao contrato de distribuição. que se lastreia em princípios constitucionais sobre a liberdade do trabalho.

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pelo produtor em prol do bom andamento do negócio. A regra de exclusividade é importante nesses contratos, embora possa não se fazer presente. Caberá às partes mantê-la ou não. Por seu lado, o distribuidor ou qualquer nome ou natureza jurídica que se lhe dê, não importando qual a modalidade de contrato que lhe permite comercializar bens de terceiros (distribuição, representação, agência, franquia), obtém uma posição vantajosa no mercado, pois, em princípio, terá exclusividade sobre determinada região ou goza de benefícios e vantagens para adquirir bens da empresa produtora. Geralmente, o nome do produtor já outorga aos intermediários um patamar de ganhos superior. Sob esse prisma, a moderna empresa cria uma rede de distribuição, nem sempre juridicamente homogênea, cuja finalidade é cobrir uma cidade, uma região, um Estado ou Província, um país ou o exterior. Essa distribuição mais ou menos ampla seria muito custosa e difícil para que o produtor a encetasse com recursos próprios, além de esbarrar em leis de proteção econômica, que proíbem a cartelização ou o truste. Inúmeros outros aspectos devem ser estudados em função desses novos contratos que ora se tipificam no novo Código Civil. http://www.societario.com.br/demarest/svrepresentacao.html

Agência e Distribuição x Representação Comercial francisco Wanderson Pinho dantas data: 09/09/2004 1. Contratos iguais com nomes diferentes ou contratos diferentes com leis aplicáveis diferentes? O novo código civil trouxe algumas inovações ao tratar do contrato de agência e distribuição em suas disposições. Isso causou uma divergência na doutrina, sendo que a maior parte dela acredita ser esse contrato, não mencionado no C.C. anterior, o mesmo contrato de representação comercial, disciplinado pela lei 4886/65, enquanto uma minoria defende que se trata de um novo contrato. Nesta minoria estão Fábio Ulhoa e Venosa, defendendo este último que ao representante, diferentemente do agente, poderia ser dado o poder de concluir os negócios que ele prepara, sendo aplicado, ao ato de conclusão, a legislação referente ao contrato de mandato. Contudo, não haveria essa possibilidade para o agente, alertando o autor que se, no contrato de agência, houvesse a incumbência de concluir o negócio, o contrato estaria desnaturado. Entretanto, esses argumentos não são fortes o suficiente para rebater a outra posição doutrinária, de que o contrato de agência e o de representação são o mesmo contrato com nomes diferentes. Esse raciocínio, defendido por Humberto Theodoro Jr, Rubens Requião e Felix de Araújo Cintra tem como base o fato de que a definição de representante, dada pela lei 4886/65, lei da representação comercial, é totalmente compatível com a definição de contrato de agência dada pelo código civil. De acordo com as duas legislações, tanto o agente quanto o representante atuam agenciando propostas e pedidos, à conta de outrem, sem vínculo de dependência e em caráter não eventual. A única diferença que existe entre as duas referidas legislações é que, na definição de contrato de agência, dada pelo C.C., não há a expressão “negócios mercantis”, existente na definição de representante, dada pela lei de representação comercial. Entretanto, isso se explica pela igualdade que o novo C.C. atribuiu ao negócio civil e ao negócio comercial. Além disso, outro argumento que é favorável à identidade dos dois contratos baseia-se nas reclamações doutrinárias feitas em relação ao nome antigo do contrato, “representação comercial”, atribuído pela lei 4886/65. Tal nome não reflete o objeto do contrato, que é o agenciamento de propostas, mas a possibilidade de o terceiro representar quem o contratou na conclusão dos negócios, ou seja, a representação.
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Internacionalmente, o nome “agência” já é consagrado para referir-se ao contrato da lei 4886/65, o que permite visualizar a possibilidade de o legislador do C.C. ter utilizado esse nome para adequar o contrato às influências internacionais. Destarte, o próprio artigo 721 do C.C. prevê a aplicação no que couber da lei especial para o contrato de agência e distribuição, o que reforça a afirmativa de tratarem as duas leis, a 4886/65 e a 10.406/02 (C.C.), do mesmo contrato. 2. qual é a lei predominante, se for o mesmo contrato? Apesar de o critério cronológico ter aplicação subsidiária em relação ao da especialidade, o C.C., que traz uma legislação mais nova, porém mais geral, deve ser aplicável de forma predominante, pois ele amplia as garantias do agente, permitindo que a lei 4886/65, nos aspectos mais detalhados, seja também aplicada. O C.C. já traz disposto no artigo 718 o seu papel de regra geral em relação à lei 4886/65, estabelecendo, para o caso de dispensa sem culpa do agente, a remuneração até então devida, além das indenizações previstas em lei especial. Em regra, considera-se o C.C. como um microssistema constitucional para o direito privado, tendo as outras leis uma aplicação subsidiária em relação a ele. 3. quais os artigos conflitantes e quais as novidades que o C.C. trouxe para o agente? O artigo 31 da lei 4886/65 entra em conflito com o artigo 711 do C.C., pois os dois falam a respeito de exclusividade nas zonas, tanto para o agente quanto para o proponente, de modo diverso. O artigo 31 da lei 4886/65 diz, a princípio, que o representante fará jus à comissão pelos negócios realizados em sua zona, ainda que diretamente pelo representado ou por intermédio de terceiros, quando prevista no contrato a exclusividade de zona ou mesmo quando o contrato for omisso a esse respeito (até este ponto, a previsão é a mesma no C.C.). Entretanto, em seu parágrafo único, ele estabelece que na ausência de ajustes expressos, a exclusividade do representante para o representado não se presume. Assim, pode o representante, se não houver proibição contratual, prestar serviços para mais de uma empresa (art. 41), não havendo restrição na lei para as empresas de mesmo gênero. O C.C., em seu artigo 711, presume, no caso da omissão do contrato, a exclusividade tanto para o agente quanto para o proponente, não podendo o agente prestar serviços a empresas concorrentes. Tal norma veio beneficiar o proponente. Outra diferença entre a lei 4886/65 e o C.C. diz respeito ao prazo do aviso prévio no caso de denunciação unilateral e injustificada do contrato de agência por tempo indeterminado. A lei de representação comercial estabeleceu no seu artigo 34 a antecedência mínima de 30 dias para o aviso prévio. Entretanto, o novo C.C. veio estabelecendo um prazo maior, de 90 dias, estabelecendo como condição para ocorrer a denúncia o transcurso de um prazo compatível com a natureza e o vulto do investimento exigido do agente, enquanto a lei de representação especifica um prazo de 6 meses de vigência do contrato para poder haver a denúncia dele. Tal norma veio em benefício do representante. 4. diferença entre agência e distribuição A polêmica que surgiu devido ao nome “distribuição” ao lado de “agência”, no novo código, deu-se porque aquele nome já era culturalmente usado para fazer referência a um outro tipo de contrato muito diferente do de agência.
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O contrato de distribuição, que já era conhecido, é uma espécie de contrato de colaboração por intermediação, através do qual o distribuidor adquire os bens do distribuído e os revende a consumidores, atacadistas ou a qualquer outro. A distribuição referida no código é tão somente um desdobramento do contrato de agência. Trata-se de uma figura contratual nova, mas não muito diferente do contrato de agência, pois também tem como objeto o agenciamento de propostas para o preponente, mas tem como acréscimo o fato de a coisa a ser vendida para o consumidor estar com o agente. O agente, nesse caso, não adquire a coisa. Ele simplesmente a detém ou a tem a sua disposição para ser entregue àquele que a adquirir, quando concluído o negócio do preponente. Desta forma, o contrato de distribuição referido pelo código não é o mesmo contrato de distribuição, espécie de contrato de colaboração por intermediação. Este contrato continua atípico, sendo regido pelas normas gerais dos contratos, e nele o colaborador revende o produto do distribuído, ganhando os lucros sobre a revenda. Na distribuição do C.C., em suma um contrato de agência, o distribuidor ganha uma remuneração do distribuído, agindo em nome e no interesse deste. http://cacbufc.org.br/artigos/verartigo.asp?id=215

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Maria Lúcia nos informa que há uma caixa de contratos que será disponibilizada hoje. seremos obrigados a analisar os contratos durante a aula. Para agilizar nosso trabalho. nome do contrato Contratante Contratado data de assinatura objeto valor/ Forma de pagamento Cessão de direitos vigência do Contrato Formalidades garantias rescisão Contratual por transferência de Controle e/ou reorganização Societária demais hipóteses de rescisão Foro e lei aplicável outras observações (É possível?) (ainda está em vigor? Qual é o prazo de vigência?) (obs: está assinado? tem assinatura de duas testemunhas?) (o contrato pode ser rescindido em razão de transferência de controle do contratante? há multa prevista?) FGV DIREITO RIO 92 .1. Vale lembrar que esses pontos devem orientar a análise dos contratos. nos dividiremos em grupos e cada grupo será responsável pela análise de alguns contratos. É necessário analisar o contrato como um todo e qualquer outro aspecto que pareça relevante deve ser informado no campo “observações”. incluímos um quadro com os pontos fundamentais a serem observados em cada contrato. AulA 16: ANálISE dE CONTRATOS 1. mas que não poderemos tirar cópia e nem levá-los para nosso Escritório.15.15. mas não são suficientes por si só.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Abaixo. roteiro de aula Esta aula será diferente das anteriores. Assim.

058. o senhor Renato Russo.. Rio de Janeiro: Ed. 1. e fomos alertados pela equipe sobre os seguintes aspectos: (i) metade das marcas do Supermercado Pechincha estão registradas no INPI e a outra metade ainda está com pedido de registro. Teresina. n.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. 2003. págs. AulA 17: lICENçA E CESSãO dE mARCAS. Rio de Janeiro: Ed. Denis Borges.1. o que poderíamos recomendar ao nosso cliente? Conversamos com a equipe de due diligence responsável pela área de propriedade intelectual sobre o contrato de licença que encontramos. Tendo em vista que a marca desempenha papel fundamental no negócio. Uma Introdução à Propriedade Intelectual. deparamo-nos com um contrato de licença de marcas. ago. 1. de. 1. ano 6.16. sendo pessoa física. págs. Lumen Juris.16. eMentário de teMas Marcas. biblioGrafia CoMPleMentar BARBOSA. inclusive. Denis Borges. Contrato de Licença de Marcas. Acesso em: 04 ago. o que fazer nessa situação? A simples aquisição das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda. 58. resultaria na transferência da marca para o nosso cliente? Considerando que é o supermercado que efetivamente exerce as atividades relacionadas às marcas. Disponível em: <http://jus2. 1. Dirceu P.br/doutrina/texto. segundo o qual o senhor Eduardo Russo permitia que um comerciante do Rio de Janeiro utilizasse a marca do Supermercado Pechincha em suas lojas na cidade maravilhosa. SANTA ROSA. Uma Introdução à Propriedade Intelectual.3.041 a 1. BARBOSA. para o Rio de Janeiro. 797 a 963.4.asp?id=3006>. Considerando que nosso cliente pretende expandir seus negócios. biblioGrafia obriGatória Lei n° 9. Contrato de Cessão de Marcas.16. 2003.16.2. Caso Gerador Ao analisarmos os contratos que nos foram disponibilizados na aula anterior. 1. Lumen Juris. (em anexo). poderia ter as marcas do Supermercado Pechincha registradas em seu nome? O que fazer quanto aos registros das marcas e os pedidos de registro? FGV DIREITO RIO 93 . Jus Navigandi. 2002. A importância da “due diligence” de propriedade intelectual nas fusões e aquisições (Debaixo dos caracóis dos seus cabelos). (ii) os registros das marcas e os pedidos de registros foram feitos em nome do senhor Eduardo Russo e não em nome da sociedade Pechincha Comércio Varejista Ltda.279/1996.com.uol.16. 2006.

Lumen Juris. como Rio de Janeiro e São Paulo. Os direitos de propriedade intelectual. a possibilidade de se tornar um símbolo exclusivo. antes mesmo do registro. ou seja. que pode ser bem demorado. Uma Introdução à Propriedade Intelectual. não compreendidos nas proibições legais.279 de 1996 (Lei de Propriedade Industrial). 803. Considerada por muitos como uma das mais importantes modalidades da propriedade intelectual. suscetível de proteção. imóveis ou semoventes? Para ter proteção jurídica. Denis Borges Barbosa11 comenta o que se segue: BARBOSA. O senhor Odin Heiro nos pergunta se terceiros poderiam registrar as marcas (já registradas) do Supermercado Pechincha em outros Estados. em face do objeto simbolizado”10.5. patentes. inciso XXIX. 803. ou legalmente unívoco. Neste sentido. Conforme o artigo 122 da Lei de Propriedade Industrial.1 do Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (TRIPS). que visa a regular os direitos e obrigações relativos à propriedade industrial no Brasil. Uma introdução à propriedade intelectual – Lúmen Júris. marcas são todos os sinais distintivos visualmente perceptíveis. De acordo com o artigo 15.16. 2003. “poderá constituir marca qualquer sinal. Compreendendo a importância do registro das marcas para o supermercado. o senhor Odin Heiro nos pergunta se há prazo para o registro das marcas e se o registro pode ser extinto. Denis Borges. o proprietário da marca deve registrá-la no INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial. ou combinação de sinais. tendo em vista que a sede do supermercado é em Brasília. p. vale analisar brevemente o seu objeto: a marca.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. sua existência fáctica depende da presença destes dois requisitos: capacidade de simbolizar. Esta definição segue os conceitos e princípios previstos nas convenções internacionais. alguns entendem que a partir do depósito da marca no INPI haveria uma expectativa de direito. desenhos industriais e concorrência desleal. foi promulgada a Lei nº 9. bem como proteção às criações industriais. 2003. pág. roteiro de aula a) Marcas Antes de estudarmos os contratos de licença e de cessão de marcas propriamente ditos. Denis Borges.1997. Símbolo voltado a um fim. são bens móveis. a marca “é o sinal visualmente representado. Rio de Janeiro: Ed. da Constituição da República Federativa Brasileira de 1998 dispõe que a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização.05. que é configurado para o fim específico de distinguir a origem dos produtos e serviços. Com relação à definição de marca. Entretanto. Rio de Janeiro. tais como a Convenção de Paris e o TRIPS. Sua proteção jurídica depende de um fator a mais: a apropriabilidade. b) Marcas – Conceito O artigo 5º. como a marca. e capacidade de indicar uma origem específica. 10 11 BARBOsA. à propriedade e ao direito de uso exclusivo de marcas e outros signos distintivos. capaz de distinguir bens e serviços de um empreendimento daqueles de outro empreendimento”. regulando as normas referentes às marcas. sem confundir o destinatário do processo de comunicação em que se insere: o consumidor. em vigor desde 15. FGV DIREITO RIO 94 .

ou seja. o referido autor entende que “a marca de comércio não é. algarismo e data. 12 mENDONÇA. no artigo 124. sem confundir o destinatário do processo de comunicação em que se insere: o consumidor. nacionais. VI – sinal de caráter genérico. 1963. Sua proteção jurídica depende de um fator a mais: a apropriabilidade. X – sinal que induza a falsa indicação quanto à origem. Símbolo voltado a um fim. t. vulgar ou simplesmente descritivo. isoladamente. II – letra. da capacidade e da probidade de seu titular”13. ou legalmente unívoco. emblema. Tratado de Direito Comercial Brasileiro. IV – designação ou sigla de entidade ou órgão público. sua imitação suscetível de causar confusão ou sinal que possa falsamente induzir indicação geográfica. natureza. armas. uma série de situações em que o sinal que não poderá ser registrado marca: I – brasão. figura. João da Gama. salvo se dispostas ou combinadas de modo peculiar e distintivo. necessário. Carvalho de. IX – indicação geográfica. VII – sinal ou expressão empregada apenas como meio de propaganda. quando tiver relação com o produto ou serviço a distinguir. sua existência fática depende da existência destes dois requisitos: capacidade de simbolizar. V – reprodução ou imitação de elemento característico ou diferenciador de título de estabelecimento ou nome de empresa de terceiros. culto religioso ou idéia e sentimento dignos de respeito e veneração. qualidade e época de produção ou de prestação do serviço. quando não requerido o registro pela própria entidade ou órgão público. crença. III – expressão. a possibilidade de se tornar um símbolo exclusivo. Embora Carvalho de Mendonça não a defina especificamente. bandeira. propriamente falando. comum. em face do objeto simbolizado. bem como a respectiva designação. valor. salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva.CONTRATOs Em EsPÉCIE (. a Lei de Propriedade Industrial elenca. salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva. XI – reprodução ou imitação de cunho oficial. quanto à natureza. como a de indústria ou de comércio. estrangeiros ou internacionais. nacionalidade. procedência. Freitas Basto. desenho ou qualquer outro sinal contrário à moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra ou imagem de pessoas ou atente contra liberdade de consciência. 13 FGV DIREITO RIO 95 . pp.) marca é o sinal visualmente representado. Tratado de propriedade industrial. figura ou imitação. I. marca distintiva da mercadoria quanto à origem. medalha. Com relação às proibições legais a que se refere o artigo 122. suscetível de causar confusão ou associação com estes sinais distintivos.. 365 – 366. regularmente adotada para garantia de padrão de qualquer gênero ou natureza. é uma marca representativa da atividade mediadora do comerciante e. Para João da Gama Cerqueira. marca é todo sinal distintivo aposto facultativamente aos produtos e artigos das indústrias em geral para identificá-los e diferenciá-los de outros idênticos ou semelhantes de origem diversa12. VIII – cores e suas denominações. e capacidade de indicar uma origem específica. públicos. ou aquele empregado comumente para designar uma característica do produto ou serviço. CERQUEIRA. peso. qualidade ou utilidade do produto ou serviço a que a marca se destina. também reveladora do trabalho.. distintivo e monumento oficiais. que é configurado para o fim específico de distinguir a origem dos produtos e serviços.

XXI – a forma necessária. salvo com consentimento do titular. ou. por sua vez. salvo quando. salvo com consentimento do autor ou titular. no todo ou em parte. Há. herdeiros ou sucessores. dos Estados. se a marca se destinar a distinguir produto ou serviço idêntico. XIII – nome. dos Territórios. Alguns afirmam se tratar de um direito pessoal. suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia. Outros alegam se tratar de bem imaterial. XIX – reprodução ou imitação. – Marca de certificação: aquela usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas. dos Municípios. suscetível de causar confusão ou associação com aquela marca alheia. XXII – objeto que estiver protegido por registro de desenho industrial de terceiro. e – Marca coletiva: aquela usada para identificar produtos ou serviços provindos de membros de uma determinada entidade. social. marca que o requerente evidentemente não poderia desconhecer em razão de sua atividade. político. diferencia as marcas em três tipos. bem como a imitação suscetível de criar confusão. salvo com consentimento do titular. oficial ou oficialmente reconhecido. cujo titular seja sediado ou domiciliado em território nacional ou em país com o qual o Brasil mantenha acordo ou que assegure reciprocidade de tratamento.CONTRATOs Em EsPÉCIE XII – reprodução ou imitação de sinal que tenha sido registrado como marca coletiva ou de certificação por terceiro. se revestirem de suficiente forma distintiva. 154. salvo quando autorizados pela autoridade competente ou entidade promotora do evento. apólice. quais sejam: (i) marcas de produto ou serviço. artística ou científica. semelhante ou afim. artístico. de origem diversa. ainda que com acréscimo. na ciência e na arte. e XXIII – sinal que imite ou reproduza. equivalente à proteção que se dá aos direitos da personalidade de qualquer pessoa. incluindo a natureza jurídica das marcas. nome de família ou patronímico e imagem de terceiros. C) tipos de Marcas O artigo 123. assim como os títulos que estejam protegidos pelo direito autoral e sejam suscetíveis de causar confusão ou associação. definindo-as da forma que se segue: – Marca de produto ou serviço: aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico. semelhante ou afim. no caso de marcas de mesma natureza. natureza. (ii) marca de certificação e (iii) marca coletiva. de marca alheia registrada. moeda e cédula da União. comum ou vulgar do produto ou de acondicionamento. econômico ou técnico. observado o disposto no art. XVI – pseudônimo ou apelido notoriamente conhecidos. semelhante ou afim. notadamente quanto à qualidade. XVIII – termo técnico usado na indústria. XIV – reprodução ou imitação de título. XVII – obra literária. cultural. ainda. herdeiros ou sucessores. XV – nome civil ou sua assinatura. prêmio ou símbolo de evento esportivo. aquela que não possa ser dissociada de efeito técnico. nome artístico singular ou coletivo. FGV DIREITO RIO 96 . no todo ou em parte. de caráter patrimonial. material utilizado e metodologia empregada. que tenha relação com o produto ou serviço a distinguir. d) natureza jurídica Há muita discussão acerca da natureza jurídica dos direito da propriedade industrial. ou de país. XX – dualidade de marcas de um só titular para o mesmo produto ou serviço. para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico. do Distrito Federal.

sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional (. Gama Cerqueira acrescenta que “definindo a propriedade como o direito de usar. mORO. a maioria dos autores afirma que as marcas são consideradas como um direito de propriedade. privilégio temporário para sua utilização. Pontes de Miranda comenta o que se segue: A marca tem de distinguir. estas se caracterizam por preencher a função precípua de distinguir os produtos e serviços aos quais se opõem. uma outra corrente que entende ter a propriedade industrial um caráter dualista. “Tratado de Propriedade Industrial”. tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País.17 GOmEs. para efeitos legais. 129. a função distintiva é considerada a mais relevante pela maioria dos autores. vol. 85. aos nomes de empresas e a outros signos distintivos. Pontes de . em seu artigo 5º. A Constituição Federal de 1988. Desta forma. Borsoi. Ed. 10° edição. com elementos pessoais e. são Paulo: Editora revista dos Tribunais. ou apenas em uso. p. bem como proteção às criações industriais. p. A propriedade da marca adquire-se com o registro validamente expedido.. bem como pela legislação atual. se bem que unitário.) O direito de propriedade é o mais amplo dos direitos reais. em seu art. 14 CERQUEIRA Gama. 16 mIRANDA. 17 FGV DIREITO RIO 97 . e de reavê-los de quem injustamente o possua. 36. Confundir-se-ia com as outras marcas registradas.Tratado de Direito Privado. a função econômica e a função de propaganda. porque há marcas a que falta qualquer elemento característico. “É um direito complexo. Forense. A distinção da marca há de ser em relação às marcas registradas ou em uso. à propriedade das marcas. em seu artigo 129: Art. parte I.. Direito das marcas. o Código Civil emprega a palavra bens. e em si mesma. Embora se tratando de objetos de criação não corpórea. parte especial. No Brasil. De acordo com a autora Maitê Cecília Fabbri Moro16.15 e) função das Marcas (i) Função Distintiva: No que tange à função das marcas. marcas que são vulgaridades notórias. constituindo num feixe de direitos consubstanciados nas faculdades de usar. se não o faz. Sobre o assunto. 15 Além da função distintiva da marca. há o entendimento de que se trata de uma propriedade imaterial. 7. I. como as incorpóreas”. não se lhe podem mencionar elementos característicos. considerou os direitos da propriedade industrial como bens móveis. não assinala o produto. fruto da atividade intelectual do homem. entende-se que a marca é definida como direito de propriedade e tal conceito está expresso na Lei de Propriedade Industrial. ou seja. não é sinal distintivo. gozar. pg.CONTRATOs Em EsPÉCIE ainda. também patrimoniais. tais como a função de identificação de origem. conforma as disposições desta lei. 5º. 147. matiê Cecília Fabbri. cuja significação é mais lata do que a expressão coisa compreendendo não só as coisas corpóreas. dispor e reivindicar a coisa que lhe serve de objeto”14. faz-se necessário ressaltar que a Lei de Propriedade Industrial. Orlando. Direitos Reais. gozar e dispor dos bens. nota-se que há outras funções que a marca tem por finalidade. a função de garantia da qualidade. de cunho incorpóreo. de outros produtos ou serviços idênticos. 1956. p. assegurou aos autores de inventos industriais. antes ou após ela. Além disso.

com isso. que não prejudica a divisão teórica mencionada acima (sistema atributivo e sistema declarativo). marca. 19 FGV DIREITO RIO 98 . O poder sugestivo da marca representa indubitavelmente a sua principal função do ponto de vista econômico. Se é verdade que vivemos por símbolos. pois os consumidores.CONTRATOs Em EsPÉCIE (ii) Função de identificação de origem: A função de identificação de origem tem o intuito de indicar a origem dos produtos. 2003. a função de garantia da qualidade dos produtos. ob.53. permitindo ao titular destes distinguir suas mercadorias ou seus produtos/serviços de outros. também. Esta função de propaganda ou publicidade decorre do fato de ser a marca um dos principais veículos de propaganda dos produtos por ela cobertos. p. Comparative Advertising: A Skeptical View. vol. Com relação a este sistema misto. de fato. 18 mORO. A marca é um atrativo de comercialização que induz um comprador a escolher o que quer. por conseguinte. Por meio da compra dos produtos e satisfazendo os consumidores.cit. do sistema atributivo. presume-se que estes voltem a comprá-los devido ao conhecimento da marca. servindo para recomendá-lo e para atrair a atenção dos consumidores. idênticos ou semelhantes. pg 364. f) aquisição de direitos A aquisição do direito sobre uma marca depende da legislação de cada país. verifica-se a predominância de um ou do outro sistema puro. que os produtos têm a mesma origem. (iii) Função de garantia de qualidade: Observamos. agosto de 1997. é considerado como sistema declarativo. ROBIN Albert. possuindo uma qualidade constante. manter e aumentar a clientela. A publicidade é o meio pelo qual o público toma conhecimento de uma marca. I da Lei nº 9279/1996. Segundo Albert Robin. uma vez que há países que atribuem direitos sobre a marca pelo seu simples uso. Maitê Cecília Fabbri Moro19 comenta que. Esta força atrativa é utilizada para obter. Já o sistema em que o direito sobre uma marca somente é reconhecido por meio de registro é o sistema atributivo de direitos. sendo ela imprescindível para o funcionamento do mercado e das empresas em geral. A doutrina reconhece esta importância da função econômica. O dono da marca explora esta propensão humana fazendo todo esforço para impregnar a atmosfera do mercado com o poder atrativo de um símbolo congenial18. in Trademark Reporter. O sistema misto é o sistema que tem características do sistema declarativo e. e outros que exigem determinadas formalidades de registro para fins de obter o direito sobre uma marca. (iv) Função de Propaganda: Cabe entender que a marca pode ser considerada como qualquer sinal. exercendo. por meio da identificação da marca de uma empresa. visto que é o registro que atribui a propriedade de uma marca ao interessado. de procedência diversa. pelo qual o produto é conhecido e distinguido no mercado consumidor. O sistema que atribui direito sobre a marca pelo seu simples uso. a proteção das marcas é o reconhecimento legal da função psicológica dos símbolos. concluirão. a proteção no sentido de se evitar o enfraquecimento do seu caráter distintivo. na prática. não é menos verdadeiro que por eles compramos mercadorias. conforme artigo 123. n° 4. matiê Cecília Fabbri. símbolo ou palavras. 69.

uma vez que a lei é silente sobre o assunto. Sobre o assunto. conforme as disposições desta Lei. de boa fé. mas. Para o autor Ricardo Luiz Sichel. no caso em espécie. a aquisição do direito sobre uma marca se faz pelo registro. são idênticas àquelas utilizadas quando do conflito entre uma marca registrada e um registro anterior. pertencente a um determinado titular. que a propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido. excepcionalmente. tão-somente vedando o registro de uma marca que lhe seja similar e que assinale o produto ou serviço idêntico ou afim. um processo administrativo de nulidade. O artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial estabelece. É importante mencionar a questão referente ao momento para argüição desse direito de precedência. procurou a lei proteger. com isso.) § 1º Toda pessoa que. para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico. estabelecendo a possibilidade de impedir o pedido de registro de marca similar. Nota-se que este é o sistema atributivo de direitos. não impondo outras obrigações. por alienação ou arrendamento. decorrente do uso. 21 FGV DIREITO RIO 99 . Palestra: “Direito De Precedência”. com base no direito de precedência. Entretanto. de forma regular e de boa-fé. § 2º O direito de precedência somente poderá ser cedido juntamente com o negócio da empresa. ou parte deste. matiê Cecília Fabbri. Diz o referido artigo: Art. ob. desprovida do necessário registro. um sistema misto com predominância do sistema atributivo. conforme mencionado acima. No entanto. que tenha direta relação com o uso da marca. em seu artigo 129. Em regra. entretanto. Muitos indagam sobre a possibilidade de restringir a alegação desse direito de precedência tão somente na fase de oposição ou mesmo após o registro da marca em face do terceiro. previsto o artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial. 20 sICHEL. p. usava no País. deve-se fazer o registro da mesma junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial . de uma marca. É. pode-se dizer então que. para que uma pessoa física ou jurídica seja titular de uma marca. na data da prioridade ou depósito. que assinale produto ou serviço idêntico ou afim. marca idêntica ou semelhante. semelhante ou afim. a existência dessa precedência vicia um registro mORO.INPI. Ricardo Luiz. Desta forma. eventualmente com valor patrimonial.20 G) direito de Precedência O registro de uma marca é concedido àquele que primeiro solicitar o seu registro. esta regra é limitada e excepcionada pelo direito de precedência. No entanto. há pelo menos 6 (seis) meses. 129 (. Ricardo Luiz21 comenta o que se segue: A marca continua sendo adquirida através de um competente registro.Anais do XXI seminário Nacional da Propriedade Intelectual. pode ser oposto um direito. A esse utente. cit. Esta é uma regra característica do princípio atributivo para a aquisição do direito marcário. a prova anterior do uso é suficiente (direito de precedência). por exemplo. no Brasil. sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional.CONTRATOs Em EsPÉCIE No Brasil. portanto. 54. este princípio atributivo é excepcionado pelo direito de precedência que será estudado no item a seguir. observa-se um sistema misto. 2001. terá direito de precedência ao registro. em face de um pedido em trâmite... argüindo. onde o registro atribui propriedade sob uma marca. As regras de colidência.

A marca é tida como uma “característica marcante no processo de conquista de mercados e clientes das economias globalizadas”24. estar-se-ia aventando as figuras do contrato de compra e venda. evidentemente. Cultura e Investimento Social. Segundo este artigo. a Lei de Propriedade Industrial é silente no tocante à natureza dessa cessão. segundo Ricardo Luiz Sichel.05. é necessário que exista perfeita compatibilização entre o ramo de atividade do depositante e os produtos ou serviços reivindicados no pedido de registro. o direito de uso da marca a um terceiro (contratado ou cessionário). Para o autor. de uma modalidade de cessão de direitos cujos parâmetros encontram-se estabelecidos pelo Código Civil. a partir de um certo nível de preço. funciona com a mesma eficiência. 16. “num mundo altamente competitivo. 24 FGV DIREITO RIO 100 .2001. o qual prevê que a propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido. Uma marca pode ser tão valiosa quanto o resultado financeiro que ela pode gerar. Leonardo. este somente poderá ser requerido por pessoa sem interesse comercial ou industrial direto no produto ou serviço atestado. No que se refere ao registro de marca coletiva.2001. podem requerer registro de marca as pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou de direito privado.05. i) registro e o Princípio da especialidade Nota-se que a marca é imprescindível para o sucesso de uma empresa. no âmbito nacional. Com relação ao registro da marca de certificação. Ela é incorporada no patrimônio de seus titulares. BRANT. site rits.br. de modo direto ou através de empresas que controlem direta ou indiretamente. a teor do artigo 168 da Lei nº 9. Conforme argumenta Mariana Barbosa. fato esse ensejador do processo administrativo de nulidade. atraindo consumidores não pelos seus produtos em si. a marca é uma das poucas armas que restam às empresas para garantir a lucratividade. mas pelo seu grau de identificação no mercado. a qual poderá exercer atividade distinta da de seus membros. este somente poderá ser requerido por pessoa jurídica representativa de coletividade. O registro de uma marca é muito importante para a sua proteção. BARBOsA. somente estabelecendo que a mesma dar-se-á concomitantemente com o negócio da empresa. ob. na medida que uma parte – a cessionária – cede. prevendo que as pessoas de direito privado só podem requerer registro de marca relativo à atividade que exerçam efetiva e licitamente. Este registro é realizado por intermédio do Instituto Nacional de Propriedade Industrial. as normas que regulam a propriedade 22 23 sICHEL. mariana.CONTRATOs Em EsPÉCIE eventualmente concedido. da doação ou da transmissão hereditária. que tem por função executar. Assim. Com relação à cessão mencionada no parágrafo segundo do artigo 129. Valorizá-la é cada vez mais essencial”23.22. cit. onde praticamente qualquer categoria de produto. org. Quanto Custa o Nome?. em virtude do explicitado no artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial. chegando a ser o bem mais valioso do patrimônio de uma empresa. sendo um fator de identificação e valorização no mercado. o parágrafo único do artigo 128 estabelece uma limitação ao registro por parte das pessoas jurídicas de direito privado. conforme já estudado nesta apostila. especificamente na parte relacionada a contratos. Ricardo Luiz. Desta forma. No entanto. trata-se. gratuitamente ou onerosamente. Jornal Valor.22 H) requerentes do registro O artigo 128 da Lei de Propriedade Industrial dispõe sobre as pessoas aptas a requerer o registro de uma marca.279/96.

nem neste assunto podem firmar-se regras absolutas. Esta forma de limitação. em que se impede “ a reprodução ou imitação. por parte de empresas diferentes. Paul Mathély ensina que: A regra da especialidade é substancial. Quando se trata de indústrias ou gêneros de comércio inteiramente diversos. patentes. 26 mORO. de acordo com o artigo 125 e 126 respectivamente. suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia. cit. cujas circunstâncias não podem ser desatendidas quando se tem de decidir sobre a novidade das marcas e as possibilidades de confusão. O INPI é uma autarquia federal criada pela Lei n° 5648. inclusive as normas relativas ao registro de marcas. Com relação ao princípio da especialidade das marcas. É importante mencionar que o princípio da especialidade sofre algumas exceções no que tange às marcas de alto renome e às marcas notoriamente conhecidas.1991. Le Noveau Droit Français de Marques. pois depende de uma análise caso a caso. sem qualquer vinculação entre si. a questão da coexistência das marcas idênticas ou semelhantes facilmente se resolve28. no todo ou em parte. 28 29 Fonte: www. 37.inpi. p. para distinguir ou certificar produtos ou serviço idêntico.25 O Supremo Tribunal de Justiça pronunciou-se afirmando que “a marca deve distinguir-se suficientemente das já existentes. no artigo 124. Este princípio é fundamental para a distinção das marcas e dos nomes de domínio. dentre outros artigos. mista. não importa que ela seja idêntica a outra já em uso”.380/ sP. da Lei 9. p. pois se trata sempre de questões de fato. está limitando o direito de marca no campo de sua especialidade. de 11 de Dezembro de 1970. Paul. mas num signo apropriado em função da aplicação a um objeto ou serviço específico. semelhante ou afim. I. De fato. O princípio básico que norteia o sistema de concessão de marcas em nosso país é o princípio da especialidade. figurativa ou tridimensional. a regra da especialidade como princípio do direito marcário.CONTRATOs Em EsPÉCIE industrial.71. semelhante ou afim”. conclui-se que é possível a convivência de marcas semelhantes no mercado. quando o legislador fala em “produto ou serviço idêntico. mas é ressaltada. ainda que com acréscimo. como se verá a seguir. da natureza e função da marca. modelos de utilidade e desenho industrial no Brasil. presente a função primordial de distinguir. tendo em vista a sua função social. pode-se dizer. de marca alheia registrada. José da Gama. o princípio da especialidade não é absoluto.br FGV DIREITO RIO 101 . 10. é a mais justa. visando limitar o campo de extensão da proteção marcária de acordo com o segmento mercadológico no qual a mesma se insere. influi em toda a sua regulamentação. econômica. Segundo a autora. inciso XIX. uma vez que advém. sendo o órgão responsável pela concessão dos registros de marcas.26 De acordo com Maitê Cecília Fabbri Moro27. No entanto. e até idênticas. pg 171. as quais serão objetos de estudo nas próximas aulas. vol. cit. j) formas de registro das marcas As marcas podem ser registradas sob a forma nominativa.gov. estando nesta relação identificador/identificado. 27 CERQUEIRA. no que se analisa a possibilidade de confusão ou associação de marcas.279 de 1996. ob. À luz deste princípio. jurídica e técnica. ob. para Gama Cerqueira. maitê Cecília Fabbri. de acordo com definição abaixo29: 25 mATHÉLY.06. Recurso Especial n° 9. 1994. direta e necessariamente. mas tratando-se de produtos ou indústria diversa. uma marca não consiste num signo apropriado em si mesmo.

compreensível por uma ideograma em si. plástica. que ele representa. também. cuja grafia se • Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e elementos figurativos ou de elementos Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e nominativos. apresente de forma estilizada. público consumidor. a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja dissociada de qualquer efeito técnico. caso em que se interpretará como marca mista. e não sobre a palavra ou termo caso ressalvada a hipótese de o requerente indicar no requerimento a palavra ou o termo que o ideograma represenem que se interpretará parcela significativa do ta. imagem. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma dissociada de qualquer efeito técnico. isoladamente. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja dissociada de qualquer efeito técnico. alfabeto romano. desde que compreensível por uma como marca mista. chinês. cuja grafia se apresente de forma estilizada. Exemplos: Exemplos: Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e elementos figurativos ou de elementos nominativos. caso FGV e Coca-Cola) • Figurativa: É interpretará como marca mista. (Exemplos: compreensível por uma parcela significativa do público consumidor. a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. elementos figurativos ou de elementos nominativos. cuja grafia se apresente de forma estilizada. hebraico etc. Exemplos: Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma plástica. desde que Nesta última Exemplos: hipótese. a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. a proteção legal recai sobre o parcela significativa do público consumidor. figura ou qualquer forma estilizada de letra e número. FGV DIREITO RIO 102 Exemplos: L) Direito de Prioridade O artigo 127 da Lei de Propriedade Industrial estabelece que. bem como dos palavra ou determo que o ideograma representa. requerimento a ideogramas o línguas tais como o japonês.CONTRATOs Em EsPÉCIE • Nominativa: É constituída por uma ou mais palavras no sentido amplo do desde que requerimento a palavra ou o termo que o ideograma representa. compreendendo. em que se constituída por desenho. os neologismos e as combinações de letras e/ou algarismos romanos e/ou arábicos. ao pedido de . • Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma plástica.

contendo o número. de registro de marca de fábrica ou de comércio num dos países da União. ou • impedir a citação da marca em discurso. o qual discrimina que o titular da marca não poderá: • impedir que comerciantes ou distribuidores utilizem sinais distintivos que lhes são próprios. não sendo o depósito invalidado nem prejudicado por fatos ocorridos nesses prazos. a comprovação da prioridade deverá ocorrer em até 4 (quatro) meses. na sua promoção e comercialização. do s direito de prioridade durante os prazos adiante fixados. de desenho ou modelo industrial. podendo ser suplementada dentro de 60 (sessenta) dias. Segundo a Lei de Propriedade Industrial. juntamente com a marca do produto. será assegurado direito de prioridade. cujo teor será de inteira responsabilidade do depositante. 68. devendo ser comprovada por documento hábil da origem. em seu artigo 4 (C) dispõe da forma abaixo: (1) Os prazos de prioridade acima mencionados serão de doze meses para invenções e modelos de utilidade e de seis meses para os desenhos ou modelos industriais e para as marcas de fábrica ou de comércio Cumpre destacar que. contados do depósito. Este princípio do direito da prioridade é previsto no artigo 4º da Convenção da União de Paris. a data e a reprodução do pedido ou do registro. que poderá ser total ou parcial em relação aos produtos ou serviços assinalados pela marca.CONTRATOs Em EsPÉCIE l) direito de Prioridade O artigo 127 da Lei de Propriedade Industrial estabelece que. por si ou por outrem com seu consentimento. M) limitações e Perda de direitos As limitações aos direito de propriedade das marcas encontram-se discriminadas no artigo 132 da Lei de Propriedade Industrial. Com relação à perda dos direitos marcários. Sobre o prazo para apresentação da reivindicação de prioridade. desde que obedecidas as práticas leais de concorrência. para apresentar o pedido nos outros países. ou o seu sucessor. de depósito de modelo de utilidade. como segue abaixo: A (1) Aquele que tiver devidamente apresentado pedido de patente de invenção. a Convenção de Paris. ressalvado o disposto nos §§ 3º e 4º do art. nos prazos previstos na referida Convenção de Paris. desde que sem conotação comercial e sem prejuízo para seu caráter distintivo. obra científica ou literária ou qualquer outra publicação. • impedir a livre circulação de produto colocado no mercado interno. ao pedido de registro de marca depositado em país que mantenha acordo com o Brasil ou em organização internacional. • impedir que fabricantes de acessórios utilizem a marca para indicar a destinação do produto. FGV DIREITO RIO 103 . que produza efeito de depósito nacional. da qual o Brasil é signatário. por outras prioridades anteriores à data do depósito no Brasil. se não efetuada por ocasião do depósito. o documento correspondente deverá ser apresentado junto com o próprio documento de prioridade. gozará. • pela renúncia. acompanhado de tradução simples. a reivindicação da prioridade deverá feita no ato de depósito. o artigo 142 preceitua que o registro da marca extingue-se: • pela expiração do prazo de vigência. sob pena de perda da prioridade. Tratando-se de prioridade obtida por cessão.

decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão. de acordo com o artigo 144 da Lei de Propriedade Industrial: Art. contados a partir da data de concessão. de marcas iguais ou semelhantes. Em caso contrário. em nome do cedente. Pontes de Miranda explica sobre as formalidades da renúncia: Pode dar-se a renúncia à propriedade industrial. na data do requerimento: I – o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil. com a declaração da caducidade de que cogitam os arts 152-155 do Decreto – Lei 7. ou se.CONTRATOs Em EsPÉCIE • pela caducidade. Tratado de direito privado . O prazo de validade de registro de uma marca é de dez anos. 144. no mesmo prazo. O artigo 134 estabelece que o pedido de registro e o registro poderão ser cedidos. relativas a mIRANDA. 15-16.Caducará o registro. considerado abandono. 217 da referida Lei. a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse se. sob pena de caducar parcialmente o registro em relação aos não semelhantes ou afins daqueles para os quais a marca foi comprovadamente usada. requerido há menos de 5 (cinco) anos. será extinto o registro e a marca estará. 143 . É possível. Desta forma. ainda. No que tange à caducidade da marca.Parte Especial. em princípio. 30 FGV DIREITO RIO 104 . Vale ressaltar. caberá ao detentor do registro provar a sua utilização. Com relação à comprovação de uso. 4ª ed. desde que o cessionário atenda aos requisitos legais para requerer tal registro. são Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Contudo. expressa em documento hábil ou o não uso. No tocante à renúncia dos direitos. 1983. sendo prorrogável. o artigo 135 da Lei de Propriedade Industrial prevê que a cessão deverá compreender todos os registros ou pedidos. ou • pela inobservância do disposto no art. que dispõe sobre a falta de constituição de procurador no país pela pessoa domiciliada no exterior. Pontes de.90330. por períodos iguais e sucessivos. Uma vez requerida a caducidade da marca. disponível.. a pedido do titular. tal como constante do certificado de registro. o artigo 143 da Lei de Propriedade Industrial dispõe o que se segue: Art. a questão da cessão dos pedidos de registro ou dos registros de marcas como caso de perda de direitos sobre as mesas. a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original. Tomo XVII. O uso da marca deverá compreender produtos ou serviços constantes do certificado. que a caducidade seja concedida apenas parcialmente. contados da data da concessão do registro. o artigo 145 da Lei de Propriedade Industrial dispõe que não se conhecerá do requerimento de caducidade se o uso da marca tiver sido comprovado ou justificado seu desuso em processo anterior. ou II – o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos consecutivos. O prazo para início de uso é de 05 (cinco) anos. no entanto. o titular do registro de uma marca deve utilizá-la para mantê-la em vigor. Da decisão que declarar ou denegar a caducidade caberá recurso. sob pena de extinção do registro. pp.

também. questões legislativas e judiciais envolvendo aspectos de propriedade intelectual vem se destacando cada vez mais. mestre em direito pela the George Washington university (eua). semelhante ou afim. Um dia a areia branca / seus pés irão tocar e vai molhar seus cabelos / a água azul do mar Janelas e portas vão se abrir / prá ver você chegar e ao se sentir em casa. o senhor Eduardo Russo fez a seguinte proposta: cederia os pedidos de registro de marcas para a Pechincha Comércio Varejista Ltda. semelhantes ou afins. a averbação no INPI é necessária para produzir efeitos perante terceiros. conseqüentemente o contrato de licença perde seu objeto. por exemplo. de santa rosa advogado no rio de janeiro (rj). sorrindo vai chorar. ganhando considerável espaço no mundo dos negócios e até mesmo nas manchetes dos principais jornais do país. a disputa entre os Estados Unidos e o Brasil envolvendo as licenças compulsórias e a exigência de fabricação de certos produtos farmacêuticos no território nacional. Embora não seja necessária para comprovar a exploração da marca. à perda dos pedidos de registros ou registros que não foram transferidos do cedente ao cessionário. Na biotecnologia e na área científica. leva. Debaixo dos caracóis dos seus cabelos uma história prá contar / de um mundo tão distante debaixo dos caracóis dos seus cabelos um soluço e a vontade / de ficar mais um instante. nota-se que a hipótese de cessão parcial de marcas iguais ou semelhantes relativas a produtos ou serviços idênticos. ao invés apenas do reconhecimento acadêmico. os pesquisadores brasileiros cada dia mais buscam uma recompensa justa para suas pesquisas. Roberto Carlos/Erasmo Carlos De alguns anos para cá. sob pena de cancelamento dos registros ou arquivamento dos pedidos não cedidos.CONTRATOs Em EsPÉCIE produto ou serviço idêntico. Você teria algum comentário a essa proposta? leitura CoMPleMentar: A importância da “due diligence” de propriedade intelectual nas fusões e aquisições (Debaixo dos caracóis dos seus cabelos) dirceu P. No setor farmacêutico. n) Contrato de licença de Marcas O registro da marca como o pedido. dimensionando-as para a concessão de patentes. Vale notar que a licença só poderá vigorar enquanto o registro da marca estiver em vigor. podem ser objeto de licença. FGV DIREITO RIO 105 . Se o registro da marca é extinto. se tornou tópico de grande importância no noticiário político nacional. o) Contrato de Cessão de Marcas Qual é a diferença entre o contrato de licença de marcas e o contrato de cessão de marcas? Ao ser consultado pelo nosso cliente quanto à cessão das marcas. mas permaneceria com os registros das outras marcas.. após publicado e requerido o exame. Diante do exposto.

Diversos setores estão sendo totalmente reformulados. recentemente promoveu uma interessante pesquisa entre diversos professores de cursos de MBA. após criar o computador pessoal Macintosh (2). que consideram como os principais. O objetivo principal deste artigo é desmistificar a idéia. as empresas nacionais se transformaram também em mercadorias. Apenas para melhor ilustrar a afirmação acima. ao produtor do filme. a IBM. a publicação norte-americana MBA Jungle. relegando outras áreas a um segundo plano. Sem exclusividade. e despertam o interesse de empresários que pretendem estender suas atividades ao Brasil por meio de joint ventures. investimentos e operações de compra envolvendo empresas locais. Hoje em dia. – Em 1984. Pelo contrário. Esta tendência do mundo empresarial também se reflete na economia brasileira. a Apple Computers. Tais procedimentos são conhecidos como “due diligence”. como nos de telecomunicações. bem como de suas possíveis seqüências. Acabou vitima de sua própria ganância. – Em 1981. administradores e diretores das maiores empresas dos EUA para identificar quais foram os “25 maiores erros corporativos do mundo” (1). e alertou muitas delas para o desenvolvimento de políticas de gerenciamento de propriedade intelectual. capitaneada por companhias estrangeiras que desejam se fixar em nosso promissor mercado. visando evitar que passivos ocultos comprometam o negócio. i – a importância da Propriedade intelectual no mundo dos negócios Os profissionais de propriedade intelectual estão vivendo um momento sui generis. a Microsoft ofereceu o referido sistema às concorrentes da IBM. oferecida por um jovem Bill Gates e desenvolvida por uma pequena empresa chamada Microsoft. tanto que um descuido na análise de seus aspectos relevantes pode trazer conseqüências desastrosas.CONTRATOs Em EsPÉCIE Situação semelhante ocorre em outros setores da economia. direcionada para estudantes e profissionais de administração. O gerenciamento de propriedade intelectual deixou de ser um assunto limitado à seara do especialista. onde se nota cada vez mais que proteger. Aceitou repassar os mesmos. distante do Direito Empresarial moderno. a nosso ver errônea. decidiu não conceder licenças aos possíveis concorrentes que desejavam fabricar computadores compatíveis. alguns diretamente relacionados à propriedade intelectual tiveram destaque: – O fato da produtora de cinema 20th Century Fox não ter se interessado em reter os direitos de licenciamento e merchandising de produtos associados ao filme “Guerra nas Estrelas”. o que possibilitou as bases do seu crescimento. esporte e energia. preferiu não adquirir a licença exclusiva do sistema operacional MS-DOS. desenvolvida pela IBM e licenciada para FGV DIREITO RIO 106 . Surpreendentemente. e as bancas de advocacia que prestam este serviço geralmente dão ênfase à análise dos aspectos societários. Nunca o meio empresarial esteve tão antenado com a necessidade de se proteger devidamente as criações intelectuais e obter lucro destes ativos. aquisições ou financiamentos são geralmente precedidas de uma criteriosa avaliação da instituição prospectada. acreditando poder lucrar mais com a exclusividade. Neste cenário globalizado. desenvolver ou adquirir inovações tecnológicas podem fazer a diferença num mercado globalizado e altamente competitivo. E falando em economia globalizada. e o declínio da IBM no desenvolvimento de software para computadores pessoais. gratuitamente. trabalhistas e fiscais. pois enquanto os consumidores adquiriam a preços competitivos computadores baseados na arquitetura dos PCs. seu estudo ganha importância na maior parte das operações de fusão ou aquisição. e ganhou destaque em setores como a administração de empresas e a gestão estratégica de negócios. de que a propriedade intelectual é matéria acessória. em se tratando de fusões e aquisições de empresas. tendo em vista uma “avalanche” de fusões e aquisições de empresas brasileira. o crescimento de setores da chamada “nova economia” e o desenvolvimento da internet e do e-commerce valorizou os ativos intangíveis das empresas. preocupada com acusações de formação de monopólio no setor de computadores. dentre os principais erros abordados nesta pesquisa. não é mais possível enxergar o Direito da Propriedade Intelectual como uma área subsidiária. Operações de fusões. George Lucas.

a due diligence no meio empresarial Apesar de muitos profissionais associarem o termo “due diligence” a procedimentos de auditoria legal e financeira que envolvem fusões. processos de privatização de empresas estatais. e levou o nome de “Windows”. em procedimentos de aquisição de empresas (6). a dominância dos PCs consolidou-se. foi mesmo na prática empresarial que a “due diligence” ganhou forma e se tornou um procedimento comum no mundo inteiro. e Bill Gates. se tornando então aceito no ordenamento jurídico-comercial norte americano. durante anos. reorganizações societárias. – A Xerox Corporation. foram conhecer as tecnologias desenvolvidas pelos pesquisadores da Xerox. fixando livremente certas práticas. dentre outros (doravante denominadas de “transação” ou “transações”). Sendo assim. manteve um centro de pesquisas em Palo Alto. aquisições. e a instituição de regras sobre a responsabilidade de compradores e vendedores na prestação de informações. A importância que hoje é dada pelos renomados professores de administração de empresas aos fatos acima não é fruto do acaso. que a propriedade intelectual assume papel de destaque nos modernos métodos de gestão empresarial. é utilizada nas mais diversas circunstâncias. e investimentos. da Microsoft. o desenvolvimento de políticas de gestão de patentes é tema de muitos estudos e livros de negócios (5) que concluem. Alguns remontam sua origem nos Estados Unidos. na Califórnia. mais precisamente após a promulgação do Securities Exchange Act de 1933. ser tratada como um ativo estratégico. a única opção para comprar um Macintosh era por meio da Apple. Invenções deixadas de lado por não serem lucrativas. nada mais atual que discutir a propriedade intelectual sob um ponto de vista tanto negocial como jurídico. executivos da Xerox preferiram ignorar tais criações. Porém. mas que se tornaram muitíssimo lucrativas no futuro. o conceito foi melhor depurado após decisões de Cortes norte-americanas. Por não terem uma estratégia de pesquisa e desenvolvimento de produtos atrelada à propriedade intelectual. uma vantagem competitiva para qualquer empresa. Afinal. Por isso mesmo. FGV DIREITO RIO 107 . uma “cópia” do mesmo acabou sendo desenvolvida também para os PCs por uma outra empresa. E como a arquitetura do sistema operacional gráfico dos Macintosh era realmente inovadora. a impressora laser e alguns conceitos básicos sobre redes de computadores (4). especialmente quando analisamos ramos de negócio cuja atividade principal está baseada na exploração do conhecimento tecnológico e em ativos intangíveis tais como patentes e marcas. à época. cada vez mais. que as apresentaram sem qualquer cuidado com confidencialidade ou patenteamento. pesquisadores deste centro desenvolveram não apenas a interface gráfica para sistemas operacionais (precursora tanto do sistema Windows como do Macintosh). mas também o mouse. operações financeiras complexas. não se importaram quando os jovens Steve Jobs. Nos anos 70.CONTRATOs Em EsPÉCIE uma miríade de empresas. cujos preços eram bem mais caros. em um quase uníssono. ii. Portanto. pouco se comenta sobre o surgimento desta atividade e os motivos que a tornaram essencial na prática empresarial moderna. criaram este mecanismo que garante ao adquirente ou investidor a possibilidade de realizar uma investigação prévia sobre a empresa a ser adquirida ou que receberá investimentos (e que doravante será denominada “empresa-alvo”). Uma conseqüência da autonomia da vontade das partes que. enquanto só restou para a Apple um nicho do mercado de computadores pessoais (3). concentrando seus esforços nas fotocopiadoras que. nas mãos destas outras empresas para quem eles gentilmente as apresentaram. geravam mais lucro para a empresa. Outros autores como LAJOUX e ELSON (7) remontam a origem das “due diligences” a tempos mais antigos: Teria sido desenvolvida a partir de um conceito do Direito Romano: “diligentia quam suis rebus” (diligencia de um cidadão em gerenciar suas coisas) que foi trazido para a Common Law e já era adotado em decisões judiciais antigas. tanto em operações envolvendo fusões e aquisições de negócios como no planejamento de reestruturações societárias. Independente de suas origens. Em pouco mais de uma década. Trata-se do reconhecimento de que a proteção da propriedade intelectual precisa. da Apple.

uma “due diligence” ? Expressão de origem anglo-saxônica. e não uma obrigação legal. “due diligence”. o excelente trabalho de MORI nos traz uma boa definição de “due diligence”. afinal. dependendo do tamanho da transação e das contingências encontradas. geralmente dependem dos interesses da empresa encomendante do serviço. verificação do funcionamento da empresa e do cumprimento das regras legais. tais dados geralmente são de conhecimento das partes. Via de regra. Porém. é fruto da prudência e do bom senso das partes. Geralmente uma “Engagement Letter” vem acompanhada da prestação de diversos “Representations and Warranties” por parte do vendedor. por meio de um documento que indica normas e temas estratégicos importantes.da situação de sociedades. resumidamente. especialistas como o português CORREA DE SAMPAIO a reconhecem como uma medida de caráter preventivo: “A due diligence é um procedimento de análise levado a cabo normalmente pela compradora com a colaboração da vendedora e tem por finalidade verificar e avaliar a situação das empresas e/ou dos negócios a transaccionar. interpretada no contexto jurídico brasileiro: “Atualmente. Assim. pode ser demorada. visando à verificação . significaria “devida cautela ou diligência” (8).Declaração de intenção do comprador. bem como para garantir. determinação de responsabilidades ou outras. e pode ser útil em diversos níveis e momentos de uma negociação ou transação. a quem cabe acordar os termos e condições nas quais a “due diligence” será desenvolvida. consiste no procedimento sistemático de revisão e análise de informações e documentos. fundos de comércio ou de parte significativa dos ativos que os compõem” (9) Embora a “due diligence” tenha surgido para resguardar as partes em litígios pós-compra ou fusão. consoante cada caso concreto. É onde são determinadas as regras da “due diligence”. tanto quanto possível. seu ponto de partida é o período de entendimentos iniciais entre as partes e. é melhor entendê-la como uma metodologia que. II-b) Os Procedimentos de “due diligence” A realização de uma “due diligence” é uma opção das partes. Em poucas palavras. Algumas das práticas elencadas abaixo são características nos mais diversos procedimentos de “due diligence”: 1. definir garantias e evitar eventuais situações de incumprimento” (10). uma “due diligence” é a prova incontestável de que a velha máxima popular “mais vale prevenir que remediar” é verdadeira. FGV DIREITO RIO 108 . o que fazer para verificar que o objecto da operação pode ser transacionado legitima e livremente e apresenta as características e tem o valor que o vendedor lhe atribui. Due diligence significa. numa óptica jurídica. tanto para o potencial vendedor como para o comprador. Mesmo assim. O bom senso das partes é o que prevalece. bem como aborda aspectos como confidencialidade (11). é difícil trazer uma definição precisa que possa abarcar a amplitude de uma “due diligence” jurídica. prever riscos e definir a sua partilha pelas partes. Um “check list” pode até mesmo incluir perguntas diretas. visto que seu escopo depende inteiramente da transação comercial que a motiva. e geralmente é entregue aos diretores da empresa-alvo pouco depois da assinatura da “Engagement Letter”. Esta fase inicial envolve a celebração de um acordo preliminar de compra (conhecido como “Engagement Letter”) ou uma Carta de Intenções preliminar. avaliação dos riscos inerentes. listando as informações que deverão ser disponibilizadas pela empresa-alvo. estabelecimentos. seja para determinação do real valor das empresas e seus activos. O processo de “due diligence” não existe como figura jurídica autônoma na legislação pátria. não existe como enumerar com precisão o que deve constar neste documento.sob um escopo predefinindo . Porém. direitos de preferência no negócio (12). Quanto às conseqüências que decorrerão de seus resultados. antes de tudo. usa-se a expressão due diligence para definir o que. Documento que geralmente é preparado pelos advogados contratados para realizar a “due diligence”.CONTRATOs Em EsPÉCIE II-a) O que é. 2. Sendo um acordo que formata uma negociação que se dará entre as partes.Envio de “Check List”. envolver prazos exíguos e um custo altíssimo para a parte que solicita o serviço (doravante denominada de “encomendante”). se traduzida literalmente. garantias a prestar. uma parte importante de seu conteúdo (13). dentre outros. o regular cumprimento de obrigações legais ou contratualmente assumidas.

pode avaliar. a identificação e análise de contingências por uma empresa independente.Entrega do relatório final de “due diligence”. (17) A abrangência dos seus resultados também é um assunto polêmico. Após o recebimento do “check list”. inicia-se a fase mais árdua da “due diligence”. ou ser criteriosamente analisado pelo mesmo ao avaliar a viabilidade da transação. 4. bem como examinar as operações financeiras realizadas. todas as pendências legais em uma reorganização societária devem ser observadas com a mesma atenção e detalhe. Pode ser efetuado por meio da consulta em bases de dados públicas (como o site do INPI (14)). favorecem a empresa interessada. 5. e num momento anterior à conclusão de qualquer transação.CONTRATOs Em EsPÉCIE 3. um extenso relatório é preparado. as atenções do meio empresarial estão se voltando para a propriedade intelectual como ferramenta estratégica para garantir a melhor utilização destes bens intelectuais. bem como a pesquisa e coleta de dados complementares. incluindo a análise de todos os ativos importantes da empresa.Fornecimento e/ou obtenção das informações. visto que o advogado avalia aspectos de um negócio do qual jamais participou diretamente. mas os da empresa-alvo e de sua indústria. Desenvolver. O objetivo de grande parte das “due diligences” jurídicas pode ser resumido de maneira simples: É como se a missão do advogado fosse “tirar um retrato” da empresa-alvo. uma avaliação de seu passivo processual (inclusive reclamações trabalhistas e processos administrativos). O “timing” de uma “due diligence” também é muito importante. a análise da situação fiscal e tributária da empresa. no momento certo. a empresa-alvo fará o máximo para que o procedimento seja encerrado com a máxima brevidade. Alguns especialistas entendem que relatórios de “due diligence” devem destacar. e poder FGV DIREITO RIO 109 . Afinal. Do outro lado. E as vantagens deste “retrato” superam em muito qualquer prestação de garantias por parte da empresa-alvo. A partir dai. avaliando todos os riscos legais inerentes ao seu negócio. a preocupação em não infringir os direitos de terceiros. por apenas duas abordagens: Por um lado. o encomendante da “due diligence” quer se precaver o máximo possível. existe o dever e o interesse em proteger o maior número de invenções. que envolve a revisão das informações passadas pela empresa-alvo. geralmente. Os documentos podem ser disponibilizados em local determinado. da análise dos documentos entregues pela empresa-alvo.Consolidação das informações Após a análise dos dados coletados pelas equipes de advogados. Assim. se as condições e o preço sugeridos pela empresa-alvo são realmente justos. a importância de uma companhia está cada vez mais baseada no valor que seus ativos intangíveis podem atingir. De outro. permitindo renegociar o preço final. a preocupação dos empresários e investidores com a propriedade intelectual passa. que no jargão negocial. uma opção que garante maiores cuidados quanto ao sigilo e segurança dos documentos (15). caberá a ambas as partes continuar as negociações até a assinatura de um acordo final. mais que nunca. nos moldes solicitados pela contratante do serviço e seguindo os padrões adotados pelos advogados responsáveis. gerenciar e utilizar estrategicamente estes ativos se tornou matéria fundamental para as empresas verdadeiramente antenadas com o futuro e. A nosso ver. marcas e outros ativos incorpóreos. não se importando com a eventual pressa da empresa-alvo. ele utilizará a “due diligence” até mesmo para ganhar tempo e decidir sobre o negócio. Em alguns casos. identificar problemas a serem resolvidos após a concretização do negócio. iii – a due diligence de propriedade intelectual Num mercado dominado pela informação e tecnologia. impreterivelmente. Porém. ou mesmo exigir maiores garantias por parte do vendedor. até mesmo os bens de propriedade intelectual. Assim. Este relatório poderá ser utilizado pelo encomendante diretamente na mesa de negociações. é conhecido como “data room”. Geralmente. o bom relatório de “due diligence” deve destacar não só os aspectos relevantes da prática do escritório contratado. e tentará iniciar os trabalhos antes mesmo de assinar uma eventual carta de intenções (16). de modo que não implique em um atraso no fechamento do negócio (uma fase também conhecida como “closing”). dentre outros.

O uso de procedimentos mais detalhados para analisar aspectos de propriedade intelectual nas “due diligences” não é muito difundido no Brasil. tal procedimento tem como base quatro questões-chaves: 1. e que o resto do patrimônio da empresa seria apenas uma “contingência a ser absorvida”. aquisição ou outro tipo de negociação. Qual o tamanho e a força do portfolio de propriedade intelectual da empresa-alvo? 2. em alguns casos. bem como cópias de pedidos de registro de marca. uma “due diligence” envolve a identificação e análise dos ativos de propriedade intelectual da empresa-alvo de uma fusão. tanto para o bom andamento do negócio como para o comprador? 3. prestadas por profissionais sem formação técnica e. no Brasil e no exterior. ao noticiar a compra de um tradicional periódico carioca. e as auditorias preventivas oferecidas no mercado são. pois não é interessante que as regras de uma “due diligence” criem entraves complexos que impeçam a realização do trabalho. além de muito raras. a mídia especializada em finanças e negócios alardeou com grande surpresa que a maior preocupação do grupo comprador era adquirir apenas a marca do jornal. Os compradores até efetuaram uma cuidadosa análise da situação das principais marcas da empresa-alvo junto ao INPI. bem como o uso de todos os métodos lícitos e acordados pelas partes para a obtenção de dados. antes mesmo de iniciar qualquer negociação com os donos do periódico. se possível. III-a) Fundamentos das “due diligences” de propriedade intelectual Como já vimos anteriormente. no Brasil e no exterior. na fase de Declaração de Intenções do comprador. inclusive quanto à penhora das mesmas. é crucial ter em mente os pontos acima. E no âmbito da propriedade intelectual. não é mais incomum que o principal interesse da empresa compradora possa ser adquirir marcas que lhe garantam uma fatia do “market share”. FGV DIREITO RIO 110 . os aspectos de propriedade intelectual são abordados de modo raso. e na celebração de acordos preliminares. Assim. – Solicitação de cópias de certificados de registro de marca. Poucas bancas nacionais estão realmente capacitadas para fazer análises mais criteriosas sobre o assunto. Os métodos para a obtenção destas informações também envolvem a compilação e análise de documentos complexos. tão somente identificando os bens intelectuais existentes e. É possível identificar se a empresa-alvo tem uma política de proteção dos seus ativos intangíveis? A empresa-alvo protege devidamente seus ativos intelectuais? 4. a “due diligence” de propriedade intelectual não deve ser vista como algo inusitado em diversos procedimentos de fusão ou aquisição. Portanto. Afinal. marcas e/ou programas de computador licenciados de terceiros? Em que situação legal encontra-se tais licenças? São elas fundamentais para o desenvolvimento do negócio? Dependendo do cliente e de seus objetivos. (18). Alguns meses atrás. ou invenções patenteadas que lhe possibilitariam fabricar um produto ou melhor desenvolver determinada tecnologia. avaliando sua situação atual. III-b) Identificando ativos de propriedade intelectual Numa “due diligence” de propriedade intelectual. até sem o necessário cuidado ético.CONTRATOs Em EsPÉCIE identificar quem está infringindo os seus. Quais são as possíveis contingências envolvendo este portfolio que podem gerar riscos. na maior parte das “due diligence” jurídicas preparadas por bancas de advocacia empresarial. A empresa-alvo utiliza tecnologias. – Obtenção de informações sobre registros declaratórios de direito autoral e de programas de computador. Dentre estes possíveis recursos. destacamos: – Solicitação direta à empresa-alvo de cópias de documentos de patentes. é claro que uma “due diligence” pode enfatizar alguns aspectos específicos: Porém. o processo de identificação de ativos e análise de sua situação legal (que se inicia a partir da preparação e do envio do “check list” ou da abertura do “data room”) não é diferente do que ocorre em quaisquer outras “due diligences” legais.

os pontos abaixo foram divididos e abordados de maneira resumida e modo exemplificativo. convém deixar a cargo do advogado a preparação das listagens dos dados a serem solicitados e analisados. o relatório final é a fase em que as informações compiladas são analisadas. se autorizada. – Consultas nas bases de dados (nacionais e internacionais) de propriedade intelectual. Nas “due diligences” em que existe a possibilidade de se requerer documentos diretamente à empresa-alvo. Assim. não menos importante é tecer as necessárias considerações sobre todas as contingências identificadas na análise do relatório. são essenciais em qualquer “due diligence” de propriedade intelectual (22). pois a empresa-alvo pode acabar omitindo. sempre que possível. e os dados disponibilizados no “data room” ou fornecidos pela empresa-alvo sobre cada ativo intelectual devem ser revisados e confirmados. Ademais. Uma consulta formal aos agentes de propriedade industrial da empresa-alvo. após a fase investigativa inicia-se a elaboração do relatório final. na obtenção e compilação de dados. dados vitais sobre a existência de problemas envolvendo seu patrimônio intelectual. em alguns casos até propondo soluções emergenciais. muitas vezes descobrimos empresas que nunca organizaram ou gerenciaram de modo sistemático seus ativos de propriedade intelectual. iV – analisando tópicos específicos em uma due diligence de propriedade industrial Como vimos acima. Nesta fase. a nosso ver. também pode significar uma redução do tempo a ser dispensado na coleta de dados e informações. técnicos e especialistas da própria empresa-alvo. III-c) Elaborando o relatório final Considerada por muitos como a fase mais interessante de uma “due diligence”. Para efeito de metodologia. Em nossa prática. com bastante conhecimento específico da área. Procuraremos nos fixar a seguir nos tópicos que. A identificação de ativos também pode ser realizada mediante entrevistas a diretores. Este recurso complementar pode ser muito eficiente para identificar práticas e procedimentos utilizados pela empresa-alvo para a proteção de seu patrimônio intelectual. Isto porque. Ademais. do modo mais direto e com o apoio irrestrito da empresa-alvo. – Compilação e obtenção de informações subjetivas sobre políticas de proteção dos ativos intelectuais da empresa-alvo. levando em conta a importância que o encomendante do relatório dará para cada aspecto de propriedade intelectual da transação (21). e como “cada caso é um caso”. e utiliza indiscriminadamente seus ativos intelectuais sem o mínimo cuidado com a proteção dos mesmos. As informações obtidas devem ser organizadas e separadas pelo seu nível de importância para o encomendante do relatório final. é importante que a fase de reconhecimento dos ativos seja conduzida. e envolve as questões eminentemente jurídicas do trabalho. O diferencial é saber analisar os dados disponíveis e identificar quais devem figurar no relatório final e com que ênfase. (20) Quase sempre cabe aos advogados mais experientes. por má-fé ou puro desconhecimento. em vista do interesse do encomendante e das contingências encontradas. onde o resultado das pesquisas de ativos é devidamente analisado. já não é imprescindível um entendimento genérico da transação que motivou a “due diligence”. FGV DIREITO RIO 111 . em algumas situações a empresa-alvo sequer obteve registros de marca ou patente. tais como a do INPI (19). reconhecemos que é nesta fase onde aparecem alguns dos entraves mais complexos de uma “due diligence”.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Obtenção de cópias de contratos envolvendo licenças de uso de software e quaisquer outros bens intelectuais. e que nem sempre são facilmente identificáveis. O mesmo procedimento preventivo deve ser adotado na coleta de quaisquer informações subjetivas.

tangível ou intangível. Em países que adotam o sistema de “copyright” (27). A patente é. mas até mesmo definir quais marcas serão mantidas ou abandonadas. numa definição breve. e capaz de um parecer técnico sobre a possibilidade de utilizar dita patente contra um concorrente. deve ser examinado por um especialista na área. Outro tópico importante é verificar. conhecido ou que venha a ser inventado. IV-c) Bens sujeitos à proteção autoral Tema altamente complexo em qualquer “due diligence”. habilitado em propriedade intelectual. bem como analisar se o pagamento das anuidades e outras taxas para a manutenção de cada patente está ocorrendo dentro dos prazos legais (26). Para tanto. para que o encomendante possa não apenas se precaver. uma parcela significativa do relatório final deve cuidar do portfolio de patentes. pedidos indeferidos e recursos também deve ser pesquisada e abordada. ou obteve. Análises semelhantes também podem ser efetuadas com relação a modelos de utilidade e desenhos industriais. sempre que necessário. um dos aspectos mais importantes da “due diligence” é realizar uma análise integral do seu portfolio de marcas. admitimos que estes temas são mais pertinentes numa auditoria de propriedade intelectual. A “due diligence” jurídica de patentes deve. com sólida formação técnica na área de atuação da empresa-alvo. dados sobre o real valor de mercado dos signos principais da empresa (uma avaliação que é geralmente efetuada por especialistas no assunto (24)). Astros como David Bowie e James Brown já utilizaram seu repertório com esta finalidade. comercialização ou importação. no Brasil e no exterior. E este tipo de avaliação só pode ser realizado por meio do exame técnico do teor das reivindicações. por exemplo. para que este possa excluir terceiros de certos atos relativos à matéria protegida. é altamente recomendável. semelhantes ou afins. se possível.CONTRATOs Em EsPÉCIE IV-a) Marcas e nomes comerciais Nos termos do artigo 122 da Lei nº 9. um exame detalhado da situação atual de cada registro e/ou pedido de registro em nome da empresa-alvo. ou mesmo verificar sua forca perante tecnologias já existentes e/ou patenteadas. uma análise de pesquisas na Junta Comercial dos estados onde a empresa-alvo está estabelecida. por meio de terceiros. é o passo inicial. se as marcas registradas estão em uso regular no seu território de validade (o que evita riscos de caducidade (23)) e se as taxas de registro e prorrogação estão sendo pagas tempestivamente. direitos de uso sobre os mesmos. com base no relatório descritivo. que permita distinguir produtos ou serviços de outros idênticos. IV-b) Patentes Quando a empresa-alvo tem entre suas atividades a pesquisa e o uso de tecnologia em seus principais produtos e serviços. sem sua prévia autorização (25). A existência de oposições. é habitual a utilização de obras autorais como objeto de negociação ou garantia colateral para pagamento de dívidas e captação de fundos. de origem diversa. o direito autoral é um exemplo típico de propriedade imaterial.279/1996. então. Este instituto visa proteger todo tipo de criações intelectuais do espírito humano. a um inventor. dispõe que é registrável como marca todo e qualquer sinal distintivo visualmente perceptível. O escopo de uma patente importante na área química. Quanto ao nome comercial. Porém. que regula a propriedade industrial no Brasil. Porém. é importante estudarmos o momento no qual uma análise técnica deve complementar o trabalho do advogado. enfatizar a verificação da situação atual de cada uma das patentes depositadas e/ou concedidas à empresa-alvo. e as disputas envolvendo Michael Jackson e a Sony FGV DIREITO RIO 112 . tem filiais ou realiza negócios. Outros tópicos podem incluir a titularidade dos direitos patentários e os termos de cessão de cada patente por seus respectivos inventores. Um exame mais detalhado de um portfolio de patentes deve ser realizado por profissionais especializados. expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte. por força de lei e em caráter temporário. Tópicos adicionais que podem fazer parte de um relatório detalhado incluem ainda uma avaliação dos procedimentos adotados pela empresa-alvo para evitar o uso indevido de suas marcas por terceiros. tais como fabricação. Quando a empresa-alvo é titular de signos altamente reconhecidos no mercado. um título de propriedade outorgado pelo Estado.

inicia-se o relatório analisando se as obras mais importantes estão devidamente resguardadas. mesmo que o registro da obra intelectual não seja pré-requisito para garantir sua proteção. Em todos os casos. envolvem milhões de dólares. técnicas de comercialização. Tendo em vista a natureza incorpórea do direito autoral e que praticamente qualquer trabalho intelectual pode ser objeto de sua proteção. para uma “due diligence”. é a proteção de certos tipos de informações e práticas comerciais que. em vista da caracterização dos programas de computador como obras autorais perante a legislação brasileira (29). e este risco deve ser bem avaliado (31). como advogados. Existe sempre um risco de contaminação tecnológica que nem todos preferem correr e que. em vista de quaisquer riscos de vazamento da informação. A rigor. quais obras autorais são importantes para a natureza do negócio da empresa-alvo. motivo pelo qual devem ser adotadas medidas protetivas contra a sua revelação” (32) Em uma “due diligence” de propriedade intelectual. IV-d) Segredos de negócio e “know-how” Outra preocupação que afeta muitos procedimentos de “due diligence”. Em alguns casos. um valioso investimento para qualquer empresa (28). marketing. custos. mesmo que os mais rígidos acordos de confidencialidade sejam celebrados entre as partes. como nas empresas de desenvolvimento de software. o relatório deve indicar se a empresa-alvo tem como prática identificar devidamente os autores de obras intelectuais (e se guarda em seus arquivos estas informações). III-e) Analisando contratos de licença e outros acordos Juntamente com a análise do patrimônio intelectual pertencente à empresa-alvo. fórmulas. processos de fabricação. sobre os direitos de edição do repertório do grupo The Beatles (que dispensa qualquer apresentação). listar todos os textos e obras de natureza intelectual que esteja autorizada a utilizar em vista das circunstâncias específicas de seu negócio. e como é protegido pela empresa-alvo. nossa experiência mostra que informações tratadas pela empresa-alvo como segredos de negócio dificilmente são fornecidas aos advogados da encomendante. o relatório final deve abordar se os segredos comerciais estão devidamente protegidos e se não existe risco de que sejam divulgados ou perdidos caso a empresa-alvo sofra mudanças. tratar-se-á de um elemento incorpóreo sigiloso suscetível de aplicação prática que confere uma vantagem competitiva a seu detentor enquanto de conhecimento restrito. a verificação minuciosa deste assunto é imprescindível. em vista de seu escopo de atividades. Porém. o fato do profissional de “due diligence” não ter acesso ao segredo de negocio não deve ser um óbice para que ele analise se o mesmo existe. não existe uma definição na lei brasileira do que seja um “segredo de negócio”. ou que seus funcionários-chave a abandonem. ou para terceiros. especialmente nas empresas que lidam com desenvolvimento de tecnologia. passíveis ou não de proteção por meio de direitos de propriedade intelectual. se possível. é importante também examinar a existência de contingências envolvendo ativos intelectuais licenciados de terceiros. formação de preços e outras espécies de dados confidenciais relativos ao desempenho de atividades empresariais.CONTRATOs Em EsPÉCIE Music. bem como do material disponibilizado pela empresa-alvo. celebrar termos de cessão de direitos patrimoniais com os autores. por exemplo). E partindo destas informações. É importante lembrar ainda que. Mas autores como SILVEIRA o especificam com precisão: “O segredo de negócio consiste em conhecimentos técnicos. O ideal é verificar. listas e informações de clientes. A interrupção de um importante contrato de licenciamento de patente ou tecnologia em vista de uma reorganização FGV DIREITO RIO 113 . Daí a importância da abordagem especializada de questões autorais em “due diligence” de propriedade intelectual. O relatório pode também enfatizar se vale ou não a pena buscar uma proteção mais segura para esta tecnologia (por meio do seu patenteamento. bem como auxiliar no registro das obras intelectuais mais relevantes junto aos órgãos competentes (30). Se não é possível identificá-los. experiências. é quase impossível que a empresa-alvo consiga. São poucas as companhias que solicitam a todos os seus funcionários criadores de obras intelectuais que assinem termos específicos de cessão. devemos respeitar. métodos. são tão críticas para o negócio da empresa-alvo que é necessário mantê-las em rigoroso sigilo.

patentes. se possível. em alguns casos. ou cujas obrigações não estejam sendo cumpridas pela empresa-alvo. Lembrando que nem todos os contratos que envolvem a exploração de ativos intelectuais precisam de averbação.131/1962. Em alguns casos. É claro que a profundidade da análise dos contratos que envolvem bens intelectuais depende do interesse da encomendante e. por intermédio do Banco Central. – Identificar riscos negociais. Contratos de maior importância contêm. é sempre importante lembrar que o objetivo de uma “due diligence” não deve ser avaliar a qualidade técnica das cláusulas de cada acordo ou criticar o trabalho de algum colega. é necessário identificar qualquer contrato que gere perdas significativas. No curso da revisão de todos estes acordos. – Contratos que envolvam transferência de tecnologia. nomes comerciais e/ou obras intelectuais de natureza autoral em que a empresa-alvo tenha participado. da boa vontade da empresa-alvo em ceder tais documentos. Considerando que os contratos a serem destacados no relatório final serão aqueles mais pertinentes ao negócio da empresa-alvo. por exemplo. pode deixá-la em situação desfavorável e. o licenciante garantiu contratualmente desde a atualização da tecnologia licenciada até que o fornecimento da mesma não será encerrado caso a empresa-alvo sofra alguma reorganização societária. com atenção aos casos nos quais a empresa-alvo esteja obtendo licenças cujo objeto é essencial para a continuidade de seu negócio. muito freqüentemente. quando envolvem o licenciamento de ativos intelectuais do exterior e prevêem o pagamento de royalties. demandas que precisam ser atendidas mesmo em caso de transferência de controle acionário. indicar se os procedimentos necessários para fazê-lo ainda podem ser devidamente efetuados pela empresa-alvo (34). – Contratos que objetivam a aquisição de conhecimentos e de técnicas não amparadas por direitos de propriedade industrial. é necessária atenção redobrada ao interpretar cláusulas duvidosas e ambíguas de contratos cujo objeto é vital para o negócio da empresa-alvo (33). – Verificar se as obrigações de ambas as partes podem ser transferidas para outra empresa ou serem sublicenciadas. com especial atenção aos casos nos quais esteja licenciando tecnologias que também utiliza em seus produtos ou serviços para empresas que atuam no mesmo mercado. Tendo em vista que a negociação de cada contrato analisado certamente teve suas particularidades. Assim. que nenhuma das partes está em flagrante violação dos termos e condições de cada um dos mesmos. nos contratos com fornecedores de tecnologia. – Acordos que envolvam transferência de tecnologia.CONTRATOs Em EsPÉCIE societária da empresa-alvo. (35) mas. e nos termos da Lei nº 4. quer como licenciado ou licenciante. o trabalho do profissional de “due diligence” acaba ensejando a leitura de inúmeros contratos preparados por outros advogados. nos quais a empresa-alvo seja a licenciada. muitas vezes. FGV DIREITO RIO 114 . depositados ou concedidos no Brasil. nos quais a empresa-alvo seja a licenciadora. com especial atenção a quaisquer limitações de responsabilidade ou garantias excessivas estabelecidas contratualmente. Também entendemos ser necessário identificar quais destes contratos necessitam de averbação junto ao INPI e. desde compromissos mínimos de produção. por exemplo. é imperativo examinar se a remessa das respectivas divisas está sendo realizada de modo legítimo. e alguns dos contratos que geralmente são examinados incluem: – Todos os acordos de licenciamento de marcas. Em outros. é preciso investigar se. tais como: – Confirmar se todos os acordos examinados permanecem em vigor e. em circunstâncias totalmente diferentes das que norteiam a análise encomendada. e se é necessária aprovação da outra parte para que isto ocorra. mas sim verificar e destacar as disposições contratuais que possam afetar a transação. cláusulas de exclusividade e direitos de preferência até mesmo opções de renegociação ou rescisão do contrato. ser crucial para que uma transação não se concretize. se tal averbação não ocorreu. um tópico específico de qualquer “due diligence” de propriedade intelectual deve abordar este tema.

Em situação semelhante que não foi listada no artigo ora citado. isto não é diferente. dita verificação seria provavelmente feita pelos advogados que analisam os aspectos do contencioso da empresa-alvo. é necessária uma conscientização. o foro competente. mas também buscar soluções que evitem ou minimizem quaisquer riscos para o ativo intelectual da empresa. Uma “due diligence” bem feita proporciona ao encomendante um valioso panorama de todos os aspectos legais da empresa-alvo. The 25 Dumbest Business Decisions of All Time. Numa “due diligence” jurídica mais ampla. MBA Jungle. nosso estudo encontrou não apenas os subsídios que confirmam uma nova realidade da propriedade intelectual nas fusões e aquisições. Mostramos que a metodologia das “due diligences” jurídicas é uma ferramenta que. mas também é necessário que. Convêm lembrar que a ocorrência reiterada de processos semelhantes envolvendo a empresa-alvo. patentes e quaisquer outros ativos de propriedade intelectual da empresa-alvo. se bem adaptada. nos grandes escritórios de advocacia empresarial. o MS-DOS. May 2001. a área atue em harmonia com outros setores. Vi. E na propriedade intelectual. 2. provavelmente pode indicar algum procedimento de risco adotado pela mesma e. mostrando as ações judiciais nas quais a empresa-alvo está envolvida. antes de se fechar qualquer negócio. passível de uma revisão ainda mais detalhada. FGV DIREITO RIO 115 . é o método mais eficiente não somente para identificar contingências. pode valorizar em muito o trabalho dos profissionais de propriedade intelectual no meio empresarial. Eles avaliariam de forma genérica cada litígio. fusão ou incorporação. como autora ou ré. para alcançar este objetivo. com o objetivo de demonstrar à empresa interessada quais as contingências legais existentes e avaliar os riscos da transação. Ao mesmo tempo a Japan Victor Company – JVC licenciava gratuitamente a tecnologia para o sistema VHS e. ou PARC. 4. não apenas desenvolveram o embrião do computador de hoje como auxiliaram em estudos que levariam a nossa concepção atual de internet e a interligação de computadores por rede. sua situação atual e se existe risco de pagamento de indenização pela empresa-alvo. 3. As fontes principais para a coleta destes dados são as certidões forenses e de protestos emitidas em nome do negócio (e de suas filiais).Conclusão No mercado de fusões e aquisições. ou mesmo avaliar como está sendo feito o gerenciamento de sua propriedade intelectual. mas merece nossa ressalva. Cujo sistema operacional gráfico era altamente inovador e eficiente se comparado à concorrência da época.CONTRATOs Em EsPÉCIE IV-f ) Analisando pendências judiciais de propriedade industrial Um outro assunto que pode ser abordado é a situação das pendências judiciais envolvendo marcas. citado acima. notas 1. bem como informações prestadas por seus próprios advogados a respeito de litígios nos quais a empresa participa e emitidas por todos os distribuidores que a jurisdicionam. Debaixo dos caracóis dos cabelos das “due diligences”. por isso mesmo. A prática internacional tem demonstrado que adotar uma metodologia para a pesquisa e análise dos ativos intelectuais de uma empresa. a Sony Corporation se recusou a licenciar para terceiros as patentes para a fabricação de aparelhos de videocassete com o sistema Betamax. mas também um caminho quase inexplorado no estudo do planejamento e gerenciamento de propriedade intelectual. é sempre recomendável uma profunda investigação em todos os aspectos jurídicos de uma companhia objeto de qualquer modalidade de aquisição. com esta tática. Os dados coletados por meio deste exame podem ser úteis até para fixar o valor patrimonial de marcas e patentes de uma empresa. Porém. conseguiu que sua criação se tornasse o padrão do mercado de aparelhos de videocassete. Não seria tolice afirmar que os pesquisadores do Palo Alto Research Center. identificando o tipo de ação.

Mc. reasonable ground to believe and did believe” that the offering materials were accurate and were free of material omissions” em SAVAGE. bem como a definição das conseqüências que decorrerão dos resultados que vierem a ser apurados. as declarações e garantias podem ser vistas como um retrato do negócio a ser concretizado. Nossa conclusão parte da tradução simples das palavras da língua inglesa due (devida. disponível em http://www. Deste modo. Deste princípio resulta que é às partes que cabe acordar os termos em que a due diligence será desenvolvida. Assim. MORI. passou a constar na Section 11(b)(3) do Securities Act de 1933 “participants had. 1998. The Art of M&A Due Diligence. fusão ou financiamento de uma empresa através de uma Due Diligence. estas geralmente prestam o que se costuma chamar de representations and warranlies ou declarações e garantias . todo comprador sempre corria o risco de adquirir “gato por lebre”. em português) e diligence (diligência. seja ela de compra ou de venda.fenwick.com (visitado em 18 de novembro de 2001). uma das finalidades das informações obtidas no due diligence na área jurídica é revisar as representations and warranlies. e no que mais for pertinente à transação que pretendem fechar. Consiste nas afirmações expressas em contrato pelas partes. LAJOUX.pacsa. em especial se ambas são competidoras. Alexandra & ELSON. penhora de bens ou outras obrigações. 6. o Autor e todos os advogados que estavam no data room passaram pelo constrangimento de serem colocados em cárcere privado e brutalmente revistados por seguranças de uma empresa. Profiting from Intellectual Capital. Como reduzir os riscos de uma aquisição. não é recomendável ir adiante sem que esta questão esteja devidamente acordada entre as partes. voltados para administradores. destacamos: SULLIVAN. antes do início de qualquer “due diligence”.Outubro 2001. after reasonable investigation. que solicitaram até mesmo que alguns advogados FGV DIREITO RIO 116 . 11. Dentre os livros importantes sobre o assunto. sempre que o due diligence for provocado por uma transação entre partes não-relacionadas (aquisição ou joint aventure por exemplo). em vista da perda de um documento importante. 13. Assim. 12.htm (visitado em 01 de abril de 2002). Patrick.CONTRATOs Em EsPÉCIE 5. no que diz respeito à situação legal do negócio. MORI..” 14. CORRÊA DE SAMPAIO. Por isso. A execução de um acordo de confidencialidade específico é também um dos primeiros passos que pode ser tomado no início de qualquer procedimento de “due diligence”. Alberto. Juntamente com as cláusulas contratuais que disciplinam as indenizações a serem efetuadas por uma parte à outra (por passivos ocultos. dentro do processo de venda de uma empresa. 1a.cit. é um exemplo destes cuidados que. por vezes. a empresa-alvo pode abrir um “data room”.inpi. empresários espertalhões deliberadamente não informavam os possíveis compradores sobre a existência de dívidas. Diane. é preciso lembrar que o relacionamento entre a empresa-alvo. disponibilizado em www. op. Ed. Algumas destas regras surgiram para por ordem em uma situação que se tornou comum nos tempos da depressão norte-americana e da quebra da Bolsa de Nova Iorque: Como lembra SAVAGE. Intellectual Property Due Diligence In Acquisitions of Technology Companies. 15. 8. A celebração de extensos acordos de confidencialidade na fase das “Engagement Letter” ou “Representations and warranties”. uma sala contendo todos os dados que se quer mostrar aos possíveis adquirentes. e motivo de situações inusitadas. em se tratando de propriedade intelectual merecem destaque. 10. Certa vez. o comprador e os advogados que realizam o serviço deve ser cercado de todo cuidado ético e profissional. José Maria. 7. Afinal o que é o due diligence? Disclosure Das Transações Financeiras . corrigindo-se assertivas incorretas. Após a fase de discussões e negociações preliminares. 9. na sua própria situação. ed. ou seja. cautela). para prepararem suas respectivas propostas de preço. A confidencialidade destes “data rooms” é. Charles. por exemplo). John Wiley & Sons. www. 15.br – A sigla INPI significa Instituto Nacional da Propriedade Industrial.como se costumou traduzir estas expressões.gov. define bem o papel dos “representations and warranties” : “Na área jurídica.pt/main_4. 2000. Para assegurar o acesso de todos os interessados a um mesmo volume de informações.Graw Hill. que incluem garantias como a de que as partes comprometem-se a não aceitar nenhuma outra oferta. e muitas vezes apresentavam documentação falsa ou incorreta.

ownership. 16. LETTERS OF INTENT IN THE ACQUISITION OR SALE OF THE PRIVATELY HELD COMPANY. and any other questions regarding litigation or prior art. Sobre o uso da carta de intenções na fase iniciai de uma due diligence. Conversely. the costs of preparing. it can be the crucial document determining whether the deal goes ahead -. For example. or even halt. Tal decisão. Pedidos de registro recém depositados geralmente não estão incluídos nesta base de dados. Se a conclusão da “due diligence” não for uma condição para o fechamento do negócio.in terms of re-negotiating the deal. 2001. Gesmer & Updegrove. a claim of patent infringement that is brought six months after the closing)”. é importante lembrar que o trabalho do profissional do Direito numa “due diligence” deve estar focalizado na coleta das informações fornecidas pela empresa que está sendo analisada. While letters of intent are relatively common. e suas vantagens sobre a Engagement Letter. Nevertheless. too: if significant issues are omitted through counsel’s negligence. não é uma base de dados totalmente atualizada e 100% confiável. muitas vezes. lembramos que a própria parte interessada pode. The report allows the best-quality information to be factored-in and if necessary enables the acquirer to use a discount rate reflecting the risk. negotiating and revising a letter of intent can be substantial in comparison to the size of the deal and the overall transaction costs. In some situations. o que nos leva a crer que as buscas eletrônicas no Brasil são limitadas e não devem ser utilizadas em substituição da inspeção física dos documentos de patentes. 19. 2000. lembre-se que as contingências descobertas pelo encomendante no decorrer do procedimento nem sempre poderão ser utilizadas como justificativa para a recusa ou cancelamento do negócio. Lucash..” DAHL. many buyers and sellers prefer a letter of intent as a method of “testing the waters” for the likelihood that a definitive agreement can be reached. Maryann A. many attorneys believe that a letter of intent is generally more advantageous to a buyer than a seller. In the case of a smaller deal. a deal’s momentum. attorneys may often disagree regarding the desirability of a letter of intent in a particular situation. before proceeding with the time commitments and costs of negotiating a definitive agreement. For many acquiring companies. September 2001. A letter of intent may burden the parties’ negotiations with too may difficult issues too early in the process and may impair. and (ii) resolution of the principal terms of the transaction at an early stage can make the negotiation of the definitive agreement more focused and straightforward. or before allowing a detailed due diligence investigation to begin. agreeing to a license with a third party or threatening litigation. a não ser caso esta contingência tenha sido prevista nas Declarações de Intenção. 20. Alguns aspectos importantes na elaboração de um relatório final são também abordados por DAHL : “The due diligence report summarizes the findings regarding the intellectual property rights. Por razões éticas. any issues of validity which have arisen. LLP. a court may find that provisions of a letter of intent that one of the parties considered to be non-binding are binding. 21. com base nos mais diversos critérios . applications. dispensar a análise de determinadas áreas por achá-las irrelevantes.and at what price. O site do INPI é a principal fonte para consultas sobre a situação de marcas e patentes no Brasil. or copyrights in the field and recommend what action needs to be taken -. certain problems may never be discovered during due diligence and can only be addressed through adequate representations and warranties (e. the scope of protection.g. Christopher T “Intellectual Property Due Diligences”. Soube-se depois que o documento havia sido roubado por um estagiário de um escritório de advocacia. merece destaque o comentário de WARVIAS: “The main advantages of a letter or intent are that (i) issues that could be “deal breakers” can be identified early in the negotiation process before substantial expenses are incurred in a due diligence review and the drafting of a definitive agreement.CONTRATOs Em EsPÉCIE tirassem a roupa e se perfilassem contra a parede. And it can be important for the adviser. Porém. Practising Law Institute. Apesar de ser sempre recomendável efetuar uma “due diligence completa” dos aspectos de propriedade intelectual. 18. é FGV DIREITO RIO 117 . trademarks. 17. Corporate Law and Practice Course Handbook Series. ou nos dados obtidos em bases públicas de dados. The report will also (normally in a separate section) identify significant other patents. the firm could face a malpractice suit.às vezes puramente subjetivos. marcas e afins. Waryjas.

op. vender ou importar com estes propósitos: I .” 24. A previsão de pagamento das anuidades pelo depositante do pedido ou o titular da patente estão previstas pelo Art. 25. colocar à venda. DOMINGUEZ. com ou sem letras).produto objeto de patente. incluem: CERQUEIRA. Rio de Janeiro: Forense. 1946. L. deve ser respeitada. A Propriedade Industrial. Marcas e expressões de propaganda. Parágrafo 1º . tal como constante do certificado de registro. 29. O catálogo dos Beatles é avaliado em US$ 598 milhões. Alguns livros que podem proporcionar uma visão mais detalhada sobre estes assuntos. 17. II . Tratado Da Propriedade Industrial.O titular será intimado para se manifestar no prazo de 60 (sessenta) dias. O cantor comprou os direitos em 1985 e vendeu 50% a gravadora por US$ 100 milhões. Tendo em vista que este artigo é voltado eminentemente para os profissionais que atuam na propriedade intelectual.279/1996: “A patente confere ao seu titular o direito de impedir terceiro. Tratado de Direito Privado. pediu que a Sony fosse avalista de um empréstimo de US$ 200 milhões que levantou dando como garantia os 50% restantes. 2º. O regime de proteção à propriedade intelectual de programa de computador é o conferido às obras literárias pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no País. Propriedade Industrial. Parágrafo 2º . O prazo de validade de uma patente é de 20 anos da data do depósito. esboços e obras plásticas concernentes à engenharia e arquitetura) Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI (programas de computador).” 30. Rio de Janeiro: Forense. 28. OLIVEIRA. 1983. Conselho Federal de Engenharia. 84 da mesma Lei nº 9. a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse se. decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão. 42 da Lei nº 9. PARENTE & SORENSEN GARCIA. 1984 PONTES DE MIRANDA. Civ. São Paulo: Revista dos Tribunais. 23. Âmbito de proteção à marca registrada. Douglas Gabriel. parágrafos 1º e 2º da Lei nº 5. Direito Autoral.610/1998: São incumbidos para procederem ao registro das obras intelectuais os seguintes órgãos ainda existentes: Fundação Biblioteca Nacional (obras literárias em geral). bem como reconhecer os direitos morais FGV DIREITO RIO 118 . Rio de Janeiro: Forense. dentre outros. a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original.” 26. ou se. Cit. DI BLASI. José O. Sobre o assunto ver ASCENSAO. 27. Na AP. Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (obras de desenho. A gravadora quer se responsabilizar pelo pagamento do empréstimo e pretende que Jackson transfira sua parte dos direitos. M. fotográficas).Não ocorrerá caducidade se o titular justificar o desuso da marca por razões legítimas.988/1973. que demanda o pagamento de retribuição anual. 31. v. Sobre o assunto. de produzir.o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil. 40 da Lei nº 9279/1996. no mesmo prazo. conforme instruções da encomendante. A batalha judicial entre a Sony Music e o pop star Michael Jackson envolve a retenção de 50% dos direitos de exploração das musicas dos Beatles.. prazos legais que envolvem o registro de marca. Arquitetura e Agronomia (projetos. usar. No Brasil. Existem vários critérios e metodologias para medir o valor econômico-financeiro e o valor intangível de uma marca. O Art. recomendamos MARTINS. 22. e cabe ao advogado apenas alertar no relatório que a “due diligence” só abordou alguns assuntos. João de Gama. 4ª ed. 143 . Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (composições musicais.CONTRATOs Em EsPÉCIE claro. dentre outros. a partir do início do terceiro ano da data do depósito da patente.279. 1997. conferido pelo Art. Ed. que prevê a existência e o reconhecimento dos direitos morais do autor. Lei nº 9609/1998: “Art. observado o disposto nesta Lei. Renovar. cabendo-lhe o ônus de provar o uso da marca ou justificar seu desuso por razões legítimas. Rio de Janeiro: Lumen Juris. O Brasil adota sistema baseado no “Droit d’auteur”. Na época.o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos consecutivos. sem o seu consentimento. Art. ou II .processo ou produto obtido diretamente por processo patenteado. 2000.Caducará o registro. em vigor por força da Lei nº 9. 1998. não iremos detalhar aspectos gerais do direito patentário. nº 3118/1992. o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou a Cia Cervejaria Brahma a pagar vultuosa indenização aos herdeiros do criador de seu logotipo. o registro das obras intelectuais é regulamentado pelo artigo 17.143 da Lei nº 9279/1996 prevê as hipóteses em que pode ocorrer a caducidade de um registro de marca: “Art. na data do requerimento: I .

disponível em http://www. ed. Rosiane (org. Alguns contratos são dispensados de averbação por caracterizarem transferência de tecnologia.silveiraadvogados. Os requisitos e procedimentos para a averbação podem ser encontrados em www. Prestação de Serviços de Assistência Técnica e Científica. Homologação e certificação de qualidade de produtos brasileiros. como pagamento pela tecnologia negociada – dedutibilidade fiscal para a empresa receptora da tecnologia pelos pagamentos contratuais efetuados – para produzir efeitos em relação a terceiros.rt (visitado em 01 de maio de 2002). Esplanada. Serviços realizados no exterior sem a presença de técnicos da empresa brasileira e. Ed. 33.br/pjs.). tais como: Legitimar remessas de divisas ao exterior. Afinal. SILVEIRA. O inteiro teor de referida decisão pode ser encontrado em DA VEIGA. “Direito Autoral”.) Beneficiamento de produtos.inpi. Fornecimento de Tecnologia. O contrato deve ser avaliado e averbado pelo INPI para que gere determinados efeitos econômicos no território nacional. Distribuição de software. 3a. 2000. em especial o código-fonte comentado. prestados. João Marcos. 11. por meio de “help-desk”. autores da letra de “Stairway to Heaven”. da Lei no 9279/1996: Agenciamento de compras.” (grifos nossos) 34.br. conforme Art. Serviços de manutenção de software sem a vinda de técnicos ao Brasil. que não gerem quaisquer documentos e/ou relatórios.adv. por exemplo. Contratos que objetivam a Exploração de Patentes: o Uso de Marcas. “A Proteção Jurídica dos Segredos Industriais e de Negócio”. Serviços de “marketing. nos termos do Art. visando a exportação Consultoria na área financeira.CONTRATOs Em EsPÉCIE de sua criação.. 211. Aquisição de cópia única de software. tarefas administrativas relacionadas à liberação alfandegária etc. p. incluindo serviços de logística (suporte ao embarque. Franquia.141. 32. Licença de uso de software sem o fornecimento de documentação completa. FGV DIREITO RIO 119 . parafraseando Robert Page e Jimmy Plant.gov. A importância de uma análise jurídica destes contratos não pode ser deixada de lado. econômica jurídica e comercial. 35. da Lei no 9609/1998. imortalizada pelo conjunto Led Zeppelin: “There’s a sign on the wall but she wants to be sure And you know sometimes words have two meanings.

Direito Civil: Contratos em Espécie. 1. 814 a 817 da Lei nº 10. Quais foram? FGV DIREITO RIO 120 .asp?id=3261>. Caio Mário da Silva. págs.Contratos.2. Ele disse que pagou a dívida. nº 59.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Obrigações do Segurado. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Como você aconselha Jeremias? E se Jeremias lhe contasse que descobriu que o jogo foi roubado? Jeremias pergunta se o mútuo que ele havia tomado na véspera para jogar também seria inexigível e se ele poderia deixar de pagar ao mutuante. Atlas. 1. Elementos do Contrato de Seguro. III. 1. na semana passada. ano 6. Rio de Janeiro: Forense. vol 3. Frederico Eduardo Zenedin. Contornos atuais do contrato de seguro. vol. roteiro de aula a) introdução O jogo e a aposta estão dispostos entre as várias espécies de contratos previstos na Lei n° 10. págs. Teresina. 483 a 490. ele quer pedir seu dinheiro de volta. 2005. 329 a 348. 2006 (em anexo). Arts. eMentário de teMas Introdução. Jeremias diz que saiu do jogo um tanto atordoado por ter perdido aquela boa quantia em dinheiro e acabou batendo com o carro e dando perda total. RODRIGUES. 2002. Acesso em: 06 ago. A seguradora não está querendo pagar a indenização alegando que Jeremias não efetuou o pagamento das três últimas parcelas do prêmio. São Paulo: Ed.com. São Paulo: Ed. out. Introdução – Seguro. VENOSA. biblioGrafia obriGatória Arts. mas que depois conversando com um amigo ficou sabendo que dívida de jogo é inexigível. Caso Gerador Durante a diligência. Obrigações do Segurador. Por isso não foi surpresa quando este nos procurou para contar que.17. Sendo assim. PEREIRA. 2002. AulAS 18 E 19: JOgO E APOSTA.406/2002.17. 2005 . págs. biblioGrafia CoMPleMentar GLITZ. Silvio. Disponível em: <http://jus2. 757 a 802 da Lei nº 10. Classificação – Seguro.3.17.4. SEguRO. Silvio de Salvo.1. Direito Civil. Instituições de Direito Civil .17.5.vol.17. 369 a 407. ouvimos boatos de que Jeremias era um inveterado jogador.406/2002. 3. Jus Navigandi. Para piorar a situação.406/2002. mas eles podem ser considerados como contrato? O novo Código Civil trouxe duas alterações significativas na disciplina do jogo e da aposta. 1. 1.uol. havia jogado pôquer na casa de um conhecido e que perdeu naquela noite aproximadamente um milhão de reais.br/doutrina/texto. Saraiva. Espécies de Jogo e Efeitos.17.

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b) espécies de jogos e efeitos Proibidos – São os jogos de azar31, como a roleta, o bicho, aposta sobre corrida de cavalos fora de hipódromos, briga de galo. Tendo em vista que são ilícitos não geram direitos e sujeitam o infrator a punição. Tolerados – São aqueles que o resultado não depende preponderantemente da sorte, como o truco, a canastra, o pôquer. Embora não sejam contravenções penais, não são protegidos pela lei uma vez que não há interesse social em proteger relações que não passam de “divertimento sem utilidade”32, exceto se forem eivados de vícios, como dolo, que mereçam repressão. Autorizados – São aqueles que trazem algum benefício à Sociedade, seja por estimularem o espírito esportista (competições esportivas) ou atividades econômicas (turfe), seja por gerarem outra fonte de renda ao Estado (loterias). Nesse caso, as obrigações oriundas de jogo ou aposta são exigíveis. Apenas os jogos e apostas autorizados perdem o caráter ilícito e dão causa à exigibilidade da prestação. C) seguro – introdução O seguro é regulado pela Lei n° 10.406/2002 e por diversas leis esparsas, que regulam minuciosamente os tipos de seguro. Em nossas aulas daremos ênfase às regras previstas no novo Código Civil. d) Classificação – seguro O contrato de seguro é: – Bilateral – gera obrigações para ambas as partes. – Oneroso – requer desembolso patrimonial para segurado e para o segurador. – De adesão – ao segurado não é dada opção de alterar as cláusulas do contrato. O segurado pode aceitar ou não as cláusulas impostas na apólice de seguro. Aplicam-se, dessa forma, as regras previstas nos artigos 423 e 424 da Lei n° 10.406/2002, que protegem os aderentes. e) elementos do Contrato de seguro Os elementos do contrato de seguro são: – Segurador – Somente pode ser segurador entidade legalmente autorizada para esse fim. O Decreto-Lei nº 2.063/1940 estabelece algumas exigências para que a entidade possa atuar como seguradora. Exemplo: capital mínimo, nacionalidade dos sócios, autorização governamental. – Segurado – É o contratante. Ele paga o prêmio ao segurador para transferir a este o risco. – Risco – O objeto do contrato de seguro é o risco. Dessa forma, a Lei n° 10.406/2002 prevê uma multa (dobro do prêmio recebido) a ser paga pelo segurador que expedir apólice de seguro mesmo sabendo que não é possível o risco que se pretende cobrir. O objetivo do legislador é tentar coibir essa prática. Afinal, se não há risco, não há contrato de seguro. Nos seguros privados, é possível estipular a espécie ou combinação de espécies de seguro.

Definição de jogo de azar está no artigo 50, parágrafo 3° da Lei de Contravenções Penais: “O jogo em que o ganho e a perda dependem exclusiva ou principalmente da sorte”.
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PEREIRA, Caio mário da silva. Instituições de Direito Civil - Contratos. Rio de Janeiro: Forense, 2005 - vol. III, pág. 488.
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– Prêmio – É a prestação devida pelo segurado ao segurador para que este assuma os riscos do segurado e pague indenização em caso de sinistro. – Apólice – Assim como o instrumento do mandato é a procuração, o instrumento do seguro é a apólice. A apólice deve conter os requisitos previstos no art. 760 da Lei n° 10.406/2002, tais como os riscos cobertos e o prêmio devido. As apólices podem ser nominativas, à ordem ou ao portador. A lei veda que a apólice de seguro de pessoas seja ao portador. f) obrigações do segurado O segurado tem obrigação de: – veracidade – A declaração falsa ou omissão de informações pode levar o segurador a fixar prêmio diverso do que fixaria ou até mesmo a aceitar seguro que normalmente não aceitaria se tivesse acesso a todas as informações. – pagar o prêmio. – não agravar os riscos do contrato – se o segurado passa a se comportar de forma diferente da que vinha se comportando, que resulte em um aumento de seus riscos, ele está, de certa forma, alterando unilateralmente o contrato, pois estará sujeitando o segurador a riscos distintos dos previstos no momento da celebração do contrato. – comunicar ao segurador qualquer fato que possa aumentar o risco do bem sob pena de perder o direito à garantia (art. 769 da Lei n° 10.406/2002). Analisando os contratos de seguro contra danos do supermercado, notamos que cada um dos estabelecimentos onde o supermercado funciona, foi segurado por duas seguradoras diferentes. Ao ser perguntada sobre esse fato, a senhora Maria Lúcia nos explica que seu pai estava tão preocupado em evitar prejuízos decorrentes de eventual sinistro, que resolveu segurar duplamente os estabelecimentos. Você vê algum problema nessa situação? G) obrigações do segurador A principal obrigação do segurador é pagar ao segurado os prejuízos decorrentes de sinistro sobre o bem segurado.

Contornos atuais do contrato de seguro frederico eduardo Zenedin Glitz As inovações em matéria securitária sempre são questões candentes. A reconhecida complexidade do tema é elemento que acentua, ainda mais, a importância da análise do tratamento jurisprudencial e doutrinário dispensado ao assunto. Os recentes pronunciamentos dos Tribunais Superiores demonstram cada vez mais a preocupação em se “socializar” o contrato de seguro e atribuir-lhe uma função social. Também contribuirá para essa “nova” adequação do instituto, a recente aprovação do novo Código Civil (Lei 10.406/2002). Esta posição, aliás, está consignada expressamente na exposição de motivos, quando se deixa clara a intenção de preservar o segurado, sem com isso abrir mão da segurança e certeza jurídicas essenciais ao contrato de seguro. O novo Código incorpora a idéia de cláusulas gerais que introduzem princípios orientadores de condutas, abandonando a pretensão de total regulamentação e oportunizando maior liberdade ao intérprete da lei..
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O novo Código Civil traz, ainda, outras inovações em matéria securitária. O legislador previu, por exemplo, a possibilidade de prova da relação contratual por meio de apólice, do bilhete de seguro ou, ainda, por “outro documento” na falta de algum desses (art. 758). No que tange aos riscos, o novo Código Civil estabelece que a agravação do risco por ato intencional do segurado implica na perda da garantia (art. 768). Entretanto se essa agravação se der por fato alheio a sua vontade, o segurado possui prazo para comunicar o evento a seguradora, sob pena de perda da garantia (art. 769). Possibilita-se, então, a readequação dos negócios às novas circunstâncias, mantendo-se o equilíbrio do contrato. Caso haja diminuição considerável do risco, assegura-se ao segurado o direito de revisão do prêmio ou a resolução do contrato (art. 770). Essas inovações refletem uma preocupação do legislador na manutenção do equilíbrio contratual. Pode-se afirmar, aliás, que esta é uma tendência geral no novo Código Civil, principalmente com a positivação dos institutos da lesão (art. 157), do estado de perigo (art. 156) e da revisão do contrato por excessiva onerosidade (art. 478). A jurisprudência também vem reconhecendo a necessidade de manutenção base econômica do contrato. Recentemente, no entanto, o Superior Tribunal de Justiça entendeu que a seguradora deve indenizar o segurado ainda que parte do prêmio não tenha sido pago (1), uma vez que a cláusula de cancelamento automático da apólice é nula em face do Código de Defesa do Consumidor, isso porque a resolução do contrato deveria ser requerida previamente em Juízo. Tal entendimento baseou-se no argumento de que a rescisão unilateral criaria uma excessiva desvantagem ao segurado, ou seja, o equilíbrio contratual estaria quebrado. Essa posição, aliás, inova em relação a tradicional jurisprudência e o disposto no art. 763 do novo Código Civil, que reafirmam a regra de que não há direito a indenização se o segurado estiver em mora no pagamento do prêmio. Talvez uma boa solução para o dilema seja a permissão a purgação da mora mesmo após o sinistro quando for o caso de cumprimento substancial do contrato (apesar de o Código expressamente prever que a purgação da mora deve ser anterior ao sinistro). Outro recente posicionamento do Superior Tribunal de Justiça é em relação ao prazo prescricional para o segurado demandar a seguradora. Este, segundo o atual entendimento, só passa a ser contado a partir da recusa formal ao pagamento da indenização (2). Este prazo é mantido pelo novo Código Civil, que estabelece em seu art. 206 que o prazo é contado para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que é citado para responder à ação de indenização proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que a este indeniza, com a anuência do segurador. Para os demais seguros, o prazo corre da ciência do fato gerador da pretensão. O novo Código Civil também incorpora inovações jurisprudenciais, tal como o reconhecimento da possibilidade de denunciação à lide ao segurador pelo segurado. Ou, ainda, a proibição expressa de o segurado reconhecer sua responsabilidade (confessar ou transigir com o terceiro prejudicado) sem a anuência da seguradora (art. 787, §2º). Em se tratando do seguro de responsabilidade civil o novo Código Civil previu, expressamente, a obrigação (normalmente tida como contratual) de que o segurado avise a seguradora do sinistro ocorrido (art. 787, §1º), bem como da ação intentada contra sua pessoa (art. 787, §3º). Prevê também a responsabilidade do segurado frente ao terceiro no caso de insolvência do segurador (art. 787, §4º). Previu a responsabilidade da seguradora, nos seguros de responsabilidade legalmente obrigatórios, de indenizar diretamente ao terceiro prejudicado (art. 788). E, ainda, a necessidade da seguradora promover a citação do segurado para integrar a lide quando demandada em ação direta pela vítima do dano (não podendo, simplesmente, opor a exceção de contrato não cumprido pelo segurado - art. 784, § único). Mas talvez a inovação que crie mais impacto nesta carteira ainda incipiente no Brasil, é a alteração do prazo prescricional para a ação indenizatória. O prazo anteriormente de 20 (vinte) anos foi reduzido para 03
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V). Tal modificação poderá representar uma redução significativa do valor do prêmio. bem como o enunciado da Súmula 229/STJ: “O pedido do pagamento de indenização à seguradora suspende o prazo de prescrição até que o segurado tenha ciência da decisão. Neste sentido. 202. notas 1. Recurso Especial 323416/RO. moralidade. impondo o respeito a sua função social e a obediência aos princípios da boa-fé.” 3. pelo menos. 206.art.CONTRATOs Em EsPÉCIE (três) (art. mas. lealdade e equilíbrio contratual. p. Recurso Especial 323186/SP (2001/0053944-4). II). pode não engendrar grandes alterações paradigmáticas (e por certo possui muitas imperfeições (3)).art. 206. O novo Código Civil entrará em vigor apenas em 2003. §3º. vez que quanto maior o prazo maior o risco. Relator Min BARROS MONTEIRO. FGV DIREITO RIO 124 . Recurso Especial 132357 /RJ e Recurso Especial 236034/ RJ. Todas essas inovações legislativas e jurisprudenciais pretendem solucionar dilemas constantes enfrentados pelos operadores jurídicos que atuam no setor. DJ 04/02/2002. QUARTA TURMA do STJ 2. §1º. I). e quanto maior o risco mais caro é o seguro.386. A começar pela própria técnica superada das grandes codificações. reflete uma nova visão acerca do contrato. Sendo que a interrupção da prescrição passa a se dar com o despacho do juiz determinando a citação (mesmo que incompetente . contado da data em que se conhece o dano (e não de sua ocorrência .

18.1. SIQUEIRA. Caso Gerador O Sr. ele nos conta que entrou como fiador em um empréstimo que seu cunhado. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.406/2002.3. A fiança é garantia pessoal.2. 1. da fiança. caso o devedor não o faça.vol.Contratos. Olavo. 2001.18. Instituições de Direito Civil . a garantia pessoal é aquela dada por um terceiro. 1. de responder pelo cumprimento de obrigação se faltar o devedor principal”33.18.18. Caio Mário da Silva. Efeitos da Fiança. Extinção da Fiança. alguém presta. 33 FGV DIREITO RIO 125 . Luiz Eduardo Alves de. conseqüentemente. Classificação. por exemplo. Deocleciano Torrieri (Org. descobriu. Garantia pessoal ou fidejussória “consiste apenas na segurança que. 1.4. na hipoteca e no penhor. Como você pode orientá-lo? 1. tomou com o banco. A fiança pode ser: – convencional – resulta da vontade das partes. A Fiança na Música. vol 3. págs. RODRIGUES. A garantia pode ser real ou pessoal. Saraiva. 2005 . Direito Civil. Rio de Janeiro: Forense. conversando com sua irmã. que Olavo e o banco recentemente aditaram o contrato para aumentar o valor do empréstimo e. individualmente. roteiro de aula a) introdução A fiança é uma espécie de garantia. III. Dessa vez. São Paulo: Rideel. 818 a 839 da Lei n.18. São Paulo: Ed. Para piorar. Em outras palavras. 283 a 305.5.18. que servirá como garantia do cumprimento de determinada obrigação. 493 a 504. BiBliografia oBrigatória Arts. Odin Heiro novamente nos procura apreensivo com uma questão pessoal. AulAS 20 E 21: fIANçA. 1. Ele descobriu que seu cunhado ficou desempregado e deixou de pagar algumas parcelas do empréstimo. Garantia real é aquela que recai sobre um bem.). págs. Silvio. móvel ou imóvel. biblioGrafia CoMPleMentar PEREIRA.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Dicionário Técnico Jurídico. eMentário de teMas Introdução. 10. Ocorre. GUIMARÃES. 2002. que se compromete a cumprir a obrigação.

– Solene – A lei impõe forma escrita para a validade da fiança. localizados no mesmo muncípio e que estejam livres e desembaraçados. Notamos ainda que o contrato não foi assinado pelo marido de dona Teresa. A lei permite. locação.406/2002). garantindo o pagamento do aluguel. assina o contrato na qualidade de fiadora. até a contestação da lide. ou (iii) o devedor for insolvente ou falido. Conforme já havíamos sido informados. Maria Lúcia nos contou que estava aborrecida porque na semana passada. porém. Por ser acessória. que é ajustada por meio de contrato.. a fiança não pode ser mais onerosa que a dívida principal. Se isto ocorrer. Esse direito pode ter algumas limitações: – Benefício de ordem – O fiador tem o direito ao benefício de ordem.. dona Teresa precisaria de autorização do marido para prestar fiança? Sendo a autorização necessária. 829 da Lei n° 10. (ii) se obrigar como principal pagador. É possível. que sejam suficientes para pagar a dívida. não efetue o pagamento em dia. b) Classificação A fiança é contrato: – Acessório – A fiança visa assegurar o cumprimento de outra obrigação. ele pode exigir que.CONTRATOs Em EsPÉCIE – legal – resulta de lei – judicial – resulta de imposição do juiz. exigiram um fiador. apenas será reduzido o montante da fiança até o valor da obrigação principal. seja primeiramente executado o devedor. que pode ser um mútuo. segundo o qual o Supermercado Pechincha alugava uma parte de um dos supermercados à confeitaria Guloseimas Ltda. mas sem perder seu caráter acessório. Jeremias tem o péssimo hábito de jogar pôquer por dinheiro. encontramos um contrato de locação. que cada fiador reserve apenas uma parte da dívida como de sua responsabilidade. brasileira. a fiança é onerosa. ou devedor solidário. O fiador não tem direito ao benefício de ordem se: (i) renunciar expressamente ao mesmo. Na diligência legal. o fiador deverá indicar bens do devedor. Em outras palavras. que estabeleceu a igualdade jurídica dos cônjuges. Há algum problema nesse fato? Mesmo após a promulgação da Constituição Federal. Nesses casos. A fiança pode ser contratada no mesmo contrato da obrigação principal ou em contrato em separado. O credor tem o direito de exigir do fiador o pagamento da dívida garantida. É o que ocorre na fiança bancária. a fiança é contrato gratuito. Notamos que o contrato de locação prevê que a senhora Teresa Assunção. caso a Guloseima Ltda. – Benefício da divisão – Havendo mais de um fiador. ela só gera obrigações do fiador para com o credor. – Unilateral – Uma vez contratada a fiança. Jeremias perdeu uma boa quantia em dinheiro e agora Maria Lúcia estava preocupada de ser executada porque assinou um instrumento no qual se dizia fiadora da dívida de Jeremias. desconfiando da sua capacidade de pagar. casada e proprietária da Guloseimas Ltda. Maria Lúcia acabou aceitando ser sua fiadora. objeto do contrato principal. os parceiros de pôquer de Jeremias. ponsáveis pela dívida (art. – Gratuito – Em regra. Como sempre. FGV DIREITO RIO 126 . porém. a fiança não será nula.. que o fiador queira receber remuneração em troca da garantia que oferece. na qual o banco garante a obrigação em troca de um percentual sobre o montante garantido. a presunção legal é a de que são solidariamente resfiador. Para se valer desse benefício. Depois de ser pressionada por Jeremias. qual é a conseqüência de não tê-la? C) efeitos da fiança Podemos notar a existência de duas relações distintas no contrato de fiança: uma entre fiador e credor e outra entre fiador e devedor. A fiança a ser analisada nesta aula é a fiança convencional.

ôôôô “moratória – dilação de prazo que se concede ao devedor para pagar a dívida depois de vencida. e) a fiança na Música O Direito é incrível mesmo! Podemos encontrá-lo em todos os cantos. por evicção. d) extinção da fiança Sendo a fiança. mentira Eu botava a mão no fogo então Com meu coração de fiador. ôôôô Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito Exijo respeito. acrescido de juros.406/2002). GUIMARÃES. – o fiador opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as extintivas da obrigafiador ção. não sou mais um sonhador Chego a mudar de calçada quando aparece uma flor E dou risada do grande amor. Ainda que o credor venha a perder. São Paulo: Rideel. Luiz Eduardo Alves de. 832 e 833 da Lei n° 10. 2001) 34 FGV DIREITO RIO 127 . (. a fiança não será restaurada. ôôôô Passava um verão a água e pão Dava o meu quinhão pro grande amor. se não resultarem apenas de incapacidade pessoal. Que motivo teria o autor para fazer menção à fiança nesse grande samba? samba do grande Amor Chico Buarque Tinha cá prá mim que agora sim Eu vivia enfim o grande amor. a fiança pode ser extinta pelo fiador. sarapatel e lua de mel em Salvador. Deocleciano Torrieri (Org. mentira Fui muito fiel.). implicando assim.. (Dicionário Técnico Jurídico.)”. na perda de direitos que o fiador teria caso efetuasse o pagamento da dívida. por exemplo. o bem aceito em pagamento. perdas e danos que pagar ao credor e perdas e danos que vier a sofrer em razão da fiança (art. – o credor aceitar receber em pagamento bem diverso do que foi originalmente ajustado.CONTRATOs Em EsPÉCIE A relação entre o fiador e o devedor só passa a existir se o fiador é obrigado a efetuar o pagamento da dívida. um contrato intuitu personae. assim. a ter o direito de exigir do devedor o reembolso do valor por ele. Ocorre. um amador. sem o consentimento do fiador. a morte do fiador extingue a fiança? Não havendo prazo determinado previsto no contrato. – o credor tornar impossível a sub-rogação nos seus direitos e preferências. quando o credor renuncia seu direito à hipoteca ou a direito de retenção. mentira Me atirei assim de trampolim Fui até o fim. Veja abaixo a letra de “Samba do Grande Amor”. em regra. SIQUEIRA. mentira Reservei hotel. A fiança também é extinta se: – o credor conceder moratória34 ao devedor. que ficará liberado de sua obrigação 60 dias após a notificação ao credor para esse fim. passando. inclusive na música. do genial Chico Buarque. comprei anel Botei no papel o grande amor..

Sim. Sim. num contrato em que o credor é Marco Antonio. Sim. Tal alegação é procedente? a. questões de ConCurso (Prova: 01º Exame de Ordem . casado e com 21 anos de idade. obrigou-se como fiador e principal pagador num contrato de locação. cobrar de Mário metade do que pagou a Marco Antonio? FGV DIREITO RIO 128 .2ª fase PROVA DISCURSIVA 4 .6. é de se supor que seu afiançado não tenha bens suficiente para responder pela execução. onde figurava como locatário seu amigo Armando Amaro gomes. ôôô 1. Prova: 27º Exame de Ordem . b. não tendo bens para serem executados. porque sendo ele o executado. pagou o débito na sua totalidade. Crasso. d. que não cumpriu a obrigação de pagar o preço ajustado. Não. mentira Fiz promessa até prá Oxumaré Que subir a pé o redentor. do Código Civil. que não estabeleceu o benefício de divisão com Mário. Como Pompeu não pagou o débito no vencimento. executado por Marco Antonio. c. pois no caso há solidariedade passiva. porque ele se obrigou como principal pagador.Crasso e Mário se obrigaram solidariamente como fiadores de Pompeu. pois ele não é o devedor principal.18.1ª fase) Olavo Bento de souza. Pode Crasso. pretende Olavo alegar o benefício de ordem.CONTRATOs Em EsPÉCIE Fui rezar na Sé prá São José Que eu levava fé no grande amor. Executado pela dívida de seu afiançado. bancário. sem terem estabelecido o beneficio de divisão previsto no artigo 829.

asp?id=3951>. 365 a 383. com.5. Saraiva.4. 1.br/doutrina/texto.406/2002. reciprocamente.19. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Direito Civil. mas sim como um dos modos de extinção das obrigações. Jus Navigandi. biblioGrafia CoMPleMentar BENEDETTI JUNIOR. o novo Código Civil incluiu a transação no rol dos contratos. biblioGrafia obriGatória Arts. Após muita discussão. em troca da tranqüilidade que não tem”35. COmPROmISSO.19. Na época do pagamento do mútuo. n. pág. eMentário de teMas Transação. Saraiva. ano 7. Compromisso. Direito Civil.19. RODRIGUES. Comente a situação. vol 3.3. Lidio Francisco. 2002. Disponível em: <http://jus2. o supermercado e o fornecedor chegaram a um acordo e assinaram um termo de transação.2. Tendo em vista que o devedor não vem efetuando os pagamentos pactuados no instrumento de transação. 2003. 2006 (em anexo). 366. 1. Lei n° 9.307/1996. decidem abrir mão. o supermercado quer cobrar o valor do mútuo do fiador. Da convenção de arbitragem e seus efeitos.19.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. 35 FGV DIREITO RIO 129 . São Paulo: Ed. 1. 1.uol. que estava passando por um período financeiramente delicado. págs.1. RODRIGUEs. 840 a 853 da Lei n° 10. A transação é a “composição a que recorrem as partes para evitar os riscos da demanda ou para liquidar pleitos em que se encontram envolvidas. 64. 2002.19. as partes divergiram quanto ao valor a ser pago e aos juros incidentes no período. Acesso em: 15 ago. de modo que.19. AulA 22: TRANSAçãO. Teresina. receosas de tudo perder ou das delongas da lide. São Paulo: Ed. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. 1. vol 3. de algumas vantagens potenciais. Silvio. o Supermercado Pechincha emprestou dinheiro a um de seus fornecedores. Caso Gerador Embora não fosse de costume. Silvio. Atendendo a algumas críticas doutrinárias. roteiro de aula a) transação O Código Civil de 1916 não tratava a transação como contrato. abr.

segundo o qual. (ii) Interpretação restritiva – A transação não pode ser alterada por analogia ou ser utilizada para casos que não estejam expressamente refletidos no instrumento de transação (art. A lei abranda essa regra ao dispor no parágrafo único desse artigo que “quando a transação versar sobre diversos direitos contestados. Você concorda com o legislador que entendeu que o compromisso é um contrato? Assim como na transação. o fato de não prevalecer em relação a um não prejudicará os demais”. Maria Lúcia lhe conta que um cliente entrou com um processo contra o Supermercado Pechincha pedindo perdas e danos por ter sido mal atendido no supermercado. após a assinatura do termo de transação. a procuração deve conter poderes especiais e expressos para transigir. entre outras.406/2002. E agora? – Acordo entre as partes com concessões recíprocas – na transação. em troca de desistir da ação judicial. Vale lembrar que. Ora. a transação que não versar sobre objeto de disputa judicial deve ser feita por escritura pública. a existência do processo em si seria uma propaganda negativa para o supermercado. Não podem ser objeto de compromisso questões de estado. o cliente poderia levar mercadorias do supermercado em valor total equivalente a R$ 200. de acordo com o parágrafo primeiro do artigo 661 da Lei n° 10. Sendo assim. A procuração continha poderes específicos para transigir. independentes entre si. (iii) Assim como os demais contratos. Elementos da Transação – Divergência entre as partes e a vontade de terminar com ela – as partes podem estar discutindo em juízo ou em vias de fazê-lo.406/2002). Ocorre que. Princípios que decorrem da natureza jurídica da transação: (i) Indivisibilidade – De acordo com o art.406/2002. só é possível compromisso que envolva direito patrimonial. b) Compromisso O compromisso também entrou para o rol dos contratos com a edição da Lei n° 10. “sendo nula qualquer das cláusulas da transação. Notamos que o compromisso foi assinado por um procurador do revendedor e pedimos para analisar o teor da procuração que foi outorgada.CONTRATOs Em EsPÉCIE A transação é contrato bilateral e solene. o supermercado resolveu assinar um termo de transação com o cliente. 843 da Lei n° 10. Isso é suficiente? Arts. nula será esta”. nas obrigações que a lei assim o exigir. 841 da Lei n° 10. ou por instrumento particular. apesar de achar que o supermercado sairia vitorioso da disputa judicial. quando for admitido em lei. de direito pessoal de família.406/2002. assinado pelas partes e homologado pelo juiz. 848 da Lei n° 10. – Objeto da transação – Conforme art. A transação para extinguir processo judicial em curso deve ser feita por escritura pública ou termo assinado nos autos. Maria Lúcia descobriu que o processo já havia terminado com sentença favorável ao supermercado. a transação só pode ter por objeto direitos patrimoniais de caráter privado.00. Recebemos cópia de um termo de compromisso celebrado entre o supermercado e um revendedor. 408 a 416 da Lei n° 10.406/2002.406/2002. 36 FGV DIREITO RIO 130 . ambas as partes devem abrir mão de algo para alcançar a segurança desejada. admite pena convencional36. Assim.

Entretanto. espero compartilhar as idéias e. em detrimento ao Poder Judiciário. através da cláusula compromissória. até a promulgação da nova Lei de Arbitragem. por exemplo. as partes comprometem-se a submeter eventual pendência à decisão do juízo arbitral. de 1916. e. Assim. ao invés do juízo público? biblioGrafia CoMPleMentar Da convenção de arbitragem e seus efeitos lidio francisco benedetti junior advogado em são Paulo sinopse Nosso estudo trata da convenção de arbitragem.CONTRATOs Em EsPÉCIE Distinção entre compromisso e cláusula compromissória O compromisso é contrato perfeito e acabado. que a Arbitragem não se desenvolveu. como a arbitragem. Há que se ressaltar. introdução Este trabalho não consiste num aprofundamento sobre o tema específico. as barreiras legais que causavam insegurança jurídica para as partes contratantes foram revogadas. a Arbitragem. Assim. Por meio da cláusula compromissória. geraria para a outra parte apenas o direito a perdas e danos. Ademais. no que diz respeito à convenção de arbitragem e seus efeitos. Tem força vinculativa e obriga as partes a submeterem determinada questão ao julgamento de árbitros. a nova Lei de Arbitragem é considerada um instrumento privado alternativo para solução de conflitos ou. esse sistema encontrava-se estagnado. de acordo com a Lei 9. com a promulgação da Lei de Arbitragem. em setembro de 1996. também. de 23 de setembro de 1996. entendia-se anteriormente que. desde a primeira Constituição (1) brasileira. embora as partes tivessem acordado de instituírem o juízo arbitral. para resolver impasses ou conflitos surgidos num relacionamento pessoal ou negocial. contemplada no Código Civil Brasileiro (2). Há que se considerar. uma parte desistisse de celebrar o compromisso arbitral. posteriormente. “um meio paraestatal de solução de conflitos” (3). que a questão da constitucionalidade levantada no Supremo Tribunal Federal encontra-se superada. posteriormente. devido à insegurança jurídica que o sistema transmitia às partes. ainda. também. com esse simples estudo. como instrumento eficaz para solução de controvérsias consolida-se FGV DIREITO RIO 131 . Já a cláusula compromissória diz respeito a litígio futuro e incerto. mas simples tentativa de análise da Lei de 9. uma vez que. comportamento decorrente da cultura e tradição reinante em nosso país. não acompanhou a evolução dos tempos. contribuir e divulgar as vantagens que a justiça alternativa proporciona: como ser mais rápida e menos onerosa do que a Justiça Comum. de 23 de setembro de 1996.307. que abrange a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. isto é. pois está intrinsecamente relacionada com a livre e voluntária vontade das partes em se submeter à arbitragem. Contudo. Ressalta-se que a arbitragem já estava presente em nosso ordenamento jurídico. como ensina ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. de 1824.307. Hoje. em 1996. mesmo que o compromisso de arbitragem contivesse a cláusula “sem recurso” as partes poderiam recorrer ao tribunal superior. Qual é a vantagem de se escolher o juízo privado. A temática proposta assume especial relevância. no Brasil. capaz de garantir segurança jurídica às partes que voluntariamente vierem a instituir a cláusula compromissória em seus contratos.

a Lei de Arbitragem torna-se um instrumento seguro. 11.” (6) Concluindo que: “O objetivo do princípio da autonomia do pacto arbitral é salvar a cláusula compromissória. ainda. conforme adotado pela lei 9.1. Estas. nasce antes do surgimento do conflito. relativas a direito patrimonial disponível. 2o. dispondo da jurisdição estatal comum. SELMA MARIA FERREIRA LEMES. em virtude dela. também. conforme é a definição dada pela Lei de Arbitragem.2o). Lei 10.5o). do contrato arbitrável. através da cláusula compromissória. relativamente a tal contrato. desde que não viole os bons costumes e a ordem pública (art. para aqueles que procuram rapidez e Justiça na solução do conflito. da lei 9307/96. podem resolver suas controvérsias.” (7). alternativo ao Poder Judiciário. resolvem que o impasse será resolvido pela Arbitragem. eleger a arbitragem institucional (art. Em recente julgamento.307/96. De acordo com o artigo 4o. da Convenção de arbitragem e seus efeitos 1. FGV DIREITO RIO 132 . seja no próprio contrato ou em um adendo.CONTRATOs Em EsPÉCIE no Brasil. desde a faculdade de as partes em um negócio envolvendo direitos patrimoniais disponíveis disporem quanto a esta via opcional de conflitos (art. cabe esclarecer que. nesse estudo a identificaremos apenas como cláusula compromissória. cláusula compromissória é “a convenção através da qual as partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir. como afirmamos acima. como cláusula arbitral. ou através do compromisso arbitral. no que pertine à forma de indicação dos árbitros (art. ou não. como já mencionado. 1. as partes envolvidas em algum negócio pessoal ou negocial. essa cláusula deve ser estipulada por escrito pelas partes. espécie destinada à solução privada dos conflitos de interesses e que tem por fundamento maior a autonomia da vontade das partes. Entretanto. cabe frisar que. espontaneamente. DRA.2. prazo para o árbitro proferir a sentença arbitral (arts. submetendo-se ao juízo arbitral. Inciso III e 23). de comum acordo. para que. Da Convenção de Arbitragem Por intermédio da convenção de arbitragem (4).307/96. a cláusula compromissória ou cláusula arbitral. uma convenção de arbitragem. nos artigos 851 a 853. §§ 1o e 2o). Para tanto. ao prolatar seu voto. isto é. convencionam que se ocorrer qualquer impasse ou controvérsia a questão será resolvida pelo procedimento arbitral em detrimento ao Poder Judiciário. Da Cláusula Compromissória A cláusula compromissória. possa se julgar a validade. que o novo Código Civil. fortaleceu o instituo da arbitragem no Brasil. seja material ou formal.13). optam em submeter os litígios existentes ou que venham a surgir nas relações negociais à decisão de um árbitro. manifestou-se. no seguinte sentido: “A convenção de arbitragem é a fonte ordinária do direito processual arbitral. que é firmado quando surge a controvérsia. é conhecida. Assim. Japão e países da Europa. a respeito da convenção de arbitragem. devem firmar. se a decisão será de direito ou por eqüidade (art. como também é conhecida. o compromisso arbitral surge apenas quando o conflito já se instaurou e as partes.”. 1o). entretanto. Com efeito. Cabe frisar. a convenção de arbitragem abrange tanto a cláusula compromissória como o compromisso arbitral Assim. até como será desenvolvido o procedimento arbitral.406/2002. a ilustre Advogada e Membro da Comissão Relatora do Projeto de Lei sobre Arbitragem. contratada anteriormente ao eventual conflito. as partes. A respeito da autonomia da vontade das partes. Ao passo que. artigo 3o. admitindo a nova lei o compromisso e a cláusula compromissória para resolver divergências mediante o juízo arbitral. o ilustre Relator MINISTRO MAURICIO CORRÊA. nos termos do artigo 3o da Lei nº 9.” (5). com o mesmo consentimento que encontra em outros países. como Estados Unidos da América. pontifica que “o Principio da Autonomia da Vontade é a mola propulsora da arbitragem em todos os seus quadrantes. 1. livres e voluntariamente.

Assim. ela obriga às partes a resolver o conflito através do Juízo Arbitral. por força da cláusula compromissória..753-7.” (14) 1. Não se admite. se posicionou o eminente MINISTRO MAURÍCIO CORREA. havendo a recusa de qualquer uma das partes em celebrar o compromisso. especialmente para essa cláusula. 1. (9). implícita e remissiva.” (11) 1. Segundo as melhores doutrinas. ainda. surgindo o conflito. substituindo no contrato a clássica cláusula que designa o Foro Judicial. acordaram pela instituição do juízo arbitral. as chamadas cláusulas vazias são àquelas que não contemplam os elementos mínimos necessários para instituição da arbitragem (12). que essa promessa gera a obrigação de celebrar o compromisso arbitral. celebrar o compromisso arbitral. No contrato de adesão. por essa razão a Lei exige a manifestação de vontade das partes ao aderirem à cláusula compromissória.3. é peculiar da cláusula compromissória a autonomia. 4o e 5o).2. enquanto que. preventivamente. é necessário trazer a luz deste estudo.2. o conflito venha a ser dirimido pelo juízo arbitral. ensina ALEXANDRE FREITAS CÂMARA que a cláusula compromissória é “um contrato preliminar. é a cláusula pela qual as partes. tudo o que ali tenha sido estipulado será obrigatoriamente observado pelo juiz ao proferir a sentença do processo a que se refere o artigo 7o.307/96. também. Assim. convenção de arbitragem tácita. nos ajustes remissivos não se dispensa que as partes reportem-se expressamente à opção. ao proferir seu voto em sentença estrangeira contestada nº 6. conclui-se que a cláusula compromissória é o primeiro acordo de vontade das partes. livre e voluntariamente. Esclarece. Segundo ensina ALEXANDRE DE FREITAS CÂMARA. se obrigam a submeter-se à decisão do juízo arbitral. da Lei de Arbitragem. a celebrarem o compromisso arbitral. uma vez acordada. Esse é o entendimento da Lei (10). Espécies da Cláusula Compromissória A respeito da cláusula compromissória é de grande relevância. Entretanto. surgindo o conflito estão as partes obrigadas. cuja intenção do legislador foi dar maior segurança às partes que. ou seja.. em conseqüência. e a nulidade deste não implica a nulidade daquela. para que. Assim é que. a cláusula compromissória é independente do contrato negocial. Ou seja. chama-se cheia a cláusula compromissória quando já contém todos os elementos necessários à instauração do processo arbitral (13).2. comprometem-se.CONTRATOs Em EsPÉCIE O texto da lei é claro ao conceituar a cláusula compromissória. essa distinção “é importante principalmente nos casos em que uma das partes se recuse a. que é o compromisso arbitral. numa possível e futura controvérsia.1. até pela sua excepcionalidade. Força obrigatória da Cláusula Compromissária De acordo com o artigo 8o da Lei de Arbitragem. Isto é. sob pena de ser declarada nula.2. distinguir a cláusula compromissória vazia da cláusula compromissória cheia. oriunda do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte: “a lei brasileira sobre o tema exige clara manifestação escrita das partes quanto à opção pela jurisdição arbitral (Lei 9. Nesse sentido. uma promessa de celebrar o contrato definitivo. a respeito de qualquer dúvida emergente na execução do contrato. todavia. Da autonomia de vontade e forma escrita A cláusula compromissória deve ser estipulada por escrito. Isto porque sendo cheia a cláusula compromissória. as partes ao acordarem sobre a cláusula compromissória. artigos 3o. seja no próprio contrato negocial ou em outro documento aditivo. segundo o ilustre professor WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO a cláusula compromissória (pacto de compromittendo) “constitui apenas parte acessória do contrato constitutivo da obrigação. como manifestação de sua vontade em instituir o compromisso arbitral. em existindo o conflito. a cláusula compromissória só terá validade se a mesma estiver em negrito e conter a assinatura. Importante salientar que. Nesse sentido. Tanto que nos contratos de adesão requer-se destaque e a assinatura especial na cláusula compromissória e.”.” (8). a definição da melhor doutrina. a instaurar o compromisso arbitral. FGV DIREITO RIO 133 . do aderente.

anteriormente. devendo para tanto. §§ 1o ao 7o. que submetem esta à decisão de um árbitro. renunciam à solução no Judiciário. criteriosamente. Do Compromisso Arbitral judicial e extrajudicial O compromisso arbitral. (ii) quando. FGV DIREITO RIO 134 . de comum acordo. as partes interessadas em resolver a controvérsia existente. assinado por duas testemunhas. também. em favor da arbitragem. o compromisso é o ato instituidor do juízo arbitral. As partes. da Lei de Arbitragem. manifestando a vontade de solucionar o conflito através da arbitragem. sendo procedente o pedido de instauração do procedimento arbitral. também. pode ser lavrado por escritura pública ou por documento particular. não apresente sua decisão. Do Compromisso Arbitral O Compromisso arbitral. do artigo 7o. obrigatoriamente. ressalte-se que. mesmo sem ter combinado. e as partes terem deliberado que não seria aceito substituto. diferente da cláusula compromissória. como uma segunda espécie da convenção de arbitragem.CONTRATOs Em EsPÉCIE gera para a outra parte o direito de recorrer à Justiça comum para ver garantido a instauração do procedimento arbitral. da Lei de Arbitragem.3. pode ser judicial ou extrajudicial. desistem do processo judicial e lavram o compromisso arbitral.307/96. serem observadas as regras dos artigos 10 e 11 da Lei 9. e ocorre quando a cláusula compromissória já existe. Conclui-se. lavrando-se então o compromisso arbitral. que tratam das cláusulas obrigatórias e facultativas do compromisso arbitral. uma das partes impõe resistência para se lavrar o compromisso arbitral. voluntariamente. 1. (iii) quando tiver expirado o prazo fixado no compromisso e o árbitro. Ou seja. que o compromisso arbitral é a convenção em que. da lei de arbitragem. Ademais. definem todos os aspectos que serão observados no processo arbitral. é celebrado após o surgimento da controvérsia entre as partes.2 – Da extinção do Compromisso Arbitral O compromisso arbitral extingue-se nas hipóteses do artigo 12. fazendo com que a outra parte ingresse com um processo judicial requerendo o cumprimento da declaração de vontade instituída no contrato (cláusula compromissória). Esse é o entendimento do § 7o. A segunda hipótese é tratada pelo §1o do artigo 9o. (17) A – Do Compromisso Arbitral Judicial De acordo com a Lei de Arbitragem há duas hipóteses de compromisso arbitral celebrado em juízo. surgindo o conflito entre as partes esse deveria ser solucionado pela arbitragem. é a primeira peça onde constam as regras que irão reger o processo arbitral. B – Compromisso Arbitral Extrajudicial O compromisso arbitral extrajudicial vem regulado no § 2o. conforme artigo 9o. não existe demanda ajuizada. do artigo 9o. a instituição da cláusula compromissória. (15) Ademais. decidem optar pela arbitragem. portanto. A primeira hipótese vem estabelecida no artigo 7o. deliberado. antes de aceita a nomeação. que é de submeter o conflito à apreciação de um árbitro. 1. Ocorre quando as partes. o compromisso arbitral. em litígio na justiça comum. Este compromisso é lavrado quando não foi instituída a cláusula compromissória e. 1. (i) quando qualquer árbitro recusar-se. Esse compromisso. Ou ainda.1. de acordo com a lei. mas as partes.3. a sentença judicial valerá como o compromisso arbitral. decidem que o conflito existente será submetido à decisão de um árbitro. embora notificado a respeito do prazo de 10 dias para apresentar a sentença arbitral. porém. (16) É nesta peça inicial que as partes. da Lei de Arbitragem. ou seja. que não seria aceito substituto em caso de falecimento ou impossibilidade do árbitro proferir seu voto.3.

art. de 1o.753-7 – Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte. Ementário nº 2085-2.CONTRATOs Em EsPÉCIE 2. na perspectiva de ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. esta e aquela. uma segurança maior ao instituto da arbitragem no Brasil o que. poderão as Partes nomear Juízes Árbitros. “era em que o processo jurisdicional fique reservado para aqueles em que nenhuma outra forma de resolução de conflitos foi adequada”. a conclusão a que se chega. 5. p. instituto utilizado por vários paises. FGV DIREITO RIO 135 . Lei nº 3. Essas peculiaridades demonstram a precisão da nossa Lei de Arbitragem. Artigo 164 da Constituição Imperial do Brasil – “Nas causas cíveis e nas penais civilmente intentadas. não tínhamos em nosso ordenamento jurídico. Ressalta-se que.307 de 1996 – “ As partes interessadas podem submeter a solução de seus litígios ao juízo arbitral mediante convenção de arbitragem. tais como: – É prolatada por um árbitro escolhido livremente pelas partes. da Lei 9. Acórdão de 13/06/2002. portanto. afirmar que a arbitragem pode e deve ser utilizada por toda a sociedade brasileira como um instrumento alternativo a Justiça Comum. 9. posteriormente. – O compromisso arbitral retrata o conflito atual e específico. esses conceitos dispostos na Lei nº 9. Selma Maria Ferreira. notas 1. Lemes. Câmara. – Não cabe recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário. (18) Por fim.071. essa cláusula refere-se a um conflito futuro e incerto. de 04/10/2002. é de que: – A cláusula compromissória poderá ser utilizada antes de surgir à controvérsia. a sentença arbitral tem o mesmo efeito da sentença judicial tendo. como se encontra normalizado. por entender que a Lei de Arbitragem reflete esse pensamento: “Boa só é a norma que traduz uma aspiração ou uma necessidade reveladas. STF . sem dúvida alguma.037 a 1048. AASP/Revista do Advogado nº 51. traduzem hoje. reflete a modernidade do mundo globalizado. D. Arbitragem – Lei nº 9307/96.Sentença Estrangeira Contestada nº 6. assim entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. Podendo. se assim for a vontade das partes. tais como: Japão e Estados Unidos. 3o. pela consciência social e humana e não a que impõe a prática de doutrinas eivadas de mero logicismo”. por ser mais ágil e objetiva na solução dos conflitos que envolvam direito patrimoniais disponíveis. o árbitro regularmente escolhido para solucionar e prolatar a sentença arbitral. em nosso ordenamento jurídico. algumas peculiaridades mais benéficas. Aliás. Princípios e Origens da Lei de Arbitragem. que espontânea e consensualmente optaram por esse sistema privado e alternativo ao judiciário. p. Alexandre Freitas. uma nova era. ainda. Segurança capaz de garantir as partes. quando então as partes lavram o compromisso prevendo as regras que serão utilizadas no juízo arbitral e. em um adendo.” 2. hoje. – A cláusula compromissória poderá ser acordada no momento judicial do negócio principal ou.J.Conclusão Diante desse modesto estudo. de janeiro de 1996. anteriormente. Suas sentenças serão executadas sem recurso. deixando claro que. 3. 6.307/96. no Brasil. vale transcrever aqui os ensinamentos do ilustre professor VICENTE RÁO. cumpre salientar que. se assim o convencionarem as mesmas Partes. iniciando. a solução de suas controvérsias através do juízo arbitral. – É auto-executável. A arbitragem. artigos 1. 32. dos pontos relevantes da convenção de arbitragem – cláusula compromissória e compromisso arbitral –. 4. também.Tribunal Pleno .

753-7 – Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte. Arbitragem no Brasil no terceiro ano de vigência da Lei nº 93047/96. Curso de Direito Civil. Câmara.2. Carmona. §2o. 17. p. art. STF . 7o.307 de 1996 – “O compromisso arbitral é a convenção através da qual as partes submetem um litígio à arbitragem de uma ou mais pessoa. com a assinatura ou visto especialmente para essa cláusula. D. 12. poderá a parte interessada requerer a citação da outra parte para comparecer m juízo.4. Alexandre Freitas. 28. p. a fim de lavrar-se o compromisso. 34. 8. v. Acórdão de 13/06/2002. 53. Carlos Alberto. expressamente. designando o juiz audiência especial para tal fim. 9o. Arbitragem – Lei nº 9307/96. com a sua instituição. 319. Arbitragem – Lei nº 9307/96. p. FGV DIREITO RIO 136 .792. Alexandre Freitas. da Lei 9. Ibidem. A Aspectos Atuais da Arbitragem.34 15. 10. 13.Tribunal Pleno . v. 4o.” 18.Sentença Estrangeira Contestada nº 6. art. art. a cláusula compromissória só terá eficácia se o aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar. Vicente. de 04/10/2002. Ráo. Washington de Barros.307 de 1996 – “Existindo cláusula compromissória e havendo resistência quanto à instituição da arbitragem. Ibidem.307 de 1996 – “Nos contratos de adesão. p. 9.. 11. por Ovídio Rocha Barros Sandoval. Ementário nº 2085-2. p. 14. O Direito e a Vida dos Direitos.CONTRATOs Em EsPÉCIE 7. p. p.” 16. da Lei 9. Alexandre Freitas. Câmara. Monteiro. 33. 159. p. podendo ser judicial ou extrajudicial. desde que por escrito em documento anexo ou em negrito.J. Câmara. Anotação (114) de atualização da obra. Arbitragem – Lei nº 9307/96. da Lei 9..

para inserção no seu relatório de diligência legal. 3. que também arcará com os custos da manutenção ordinária. ed. 349468.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. vol. AulAS 23 E 24: lEASINg. do Conselho Monetário Nacional. Fran. biblioGrafia CoMPleMentar VENOSA. Rio de Janeiro: Forense.4. tipo vans. 2001. (v) o valor da opção de compra no final da vigência do contrato é quase igual ao valor de mercado dos bens arrendados. em sua maioria automóveis compactos. que servem para realizar pequenas entregas de compras nas redondezas.3. Modalidades. utilizados pela administração dos supermercados. os utilitários. ed. bra/A. 2006. ço financeiro da conhecida montadora nacional. Questões Controversas. p. eMentário de teMas Introdução e Conceito. São Paulo: Atlas. MANCUSO. Partes do Contrato de Leasing e suas Respectivas Obrigações. Rodolfo de Camargo. Resolução 2. e (vi) toda a manutenção dos carros deverá ser feita em oficinas mecânicas credenciadas junto à arrendadora.1. baseado nas informações fornecidas abaixo.20.309/96. (iii) prazo de vigência de 12 meses. 1. Identifique quais os principais aspectos de cada contrato. 1999. Caso Gerador Durante a diligência legal dos Supermercados Pechincha. MARTINS.099/74.2.20.20. Sílvio de Salvo. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Leasing. págs. foram submetidos à sua análise contratos de “arrendamento mercantil” de veículos da frota do supermercado. 571 a 581. (ii) a propriedade dos automóveis é da arrendadora. troca de peças etc. e os caminhões. Contratos e Obrigações Comerciais.20. e tem como principais caraterísticas: (i) o montante global das contraprestações a serem pagas pela empresa equivalem a 70% do valor de mercado dos carros objeto do leasing. Direito Civil. 1..20. os quais podem ser separados em três grandes grupos: os veículos leves. 1. fundamentais para todo o processo de logística e da distribuição das mercadorias. 15. 6. Classificação e Características do Contrato. biblioGrafia obriGatória Lei n° 6. 1. (iv) o contrato pode ser rescindido a qualquer tempo pela arrendatária. FGV DIREITO RIO 137 . O contrato dos automóveis foi firmado com a Tupinambá Automóveis Arrendamento Mercantil S/A. obrigando-se a manter os veículos em perfeito estado de funcionamento.

a qual deverá ir ao mercado e adquirir os bens conforme especificados pela cliente. sociedade limitada constituída conforme o código civil e cujo objeto social é o de administração de bens móveis próprios ou de terceiros. o contrato logo em seu art. FGV DIREITO RIO 138 . mantidas as demais condições contratuais. (ii) durante a vigência do contrato. aos Supermercados Pechincha. Todavia. (iv) as parcelas serão mensais e sucessivas. (iii) o valor unitário da opção de compra de cada bem é de R$12. tratou de definir.5. pelo valor unitário de R$3. sua utilização foi observada a partir da década seguinte. (ii) um prazo de vigência de cinco anos. Embora sua origem remonte a épocas mais remotas. além da opção de compra. Trata-se de contrato atípico. entre 10% e 5% do seu valor de mercado. parágrafo único. No Brasil. os Supermercados Pechincha poderão solicitar o aumento da frota inicialmente objeto do contrato.. notificando a arrendadora previamente. isto é. embora seja largamente utilizado no comércio. ocasião em que a titularidade dos caminhões será transferida. o contrato prevê que esse valor deverá ser diluído nas prestações mensais. valendo o pagamento da última parcela como o exercício da opção.20. e como acontece muito no Direito. que efetivamente traz regras sobre os contornos jurídicos do contrato. com um pequeno decréscimo no valor das parcelas mensais. e (v) em caso de inadimplemento da obrigação do pagamento mensal. impôs a criação de normas jurídicas sobre o contrato. do Conselho Monetário Nacional.099/1974. Por fim. roteiro de aula a) introdução e Conceito O contrato de leasing também é conhecido no Brasil como arrendamento mercantil. e possui como principais cláusulas: (i) todos os custos de manutenção deverão ser arcados pela arrendatária. de 60 (sessenta) meses. sem previsão legal expressa no código. Sua regulamentação obedece a dois diplomas específicos: a Lei nº 6.CONTRATOs Em EsPÉCIE Os veículos utilitários de médio porte foram objeto de um contrato com a Afro Taboa Administração de Bens Ltda. embora trate mais de seus aspectos tributários. sobretudo na aquisição de veículos automotores. renomada empresa do ramo. a arrendadora poderá requerer a busca e apreensão dos bens objeto do contrato. a verificação de sua utilização. durante os quais a arrendatária pagará prestações mensais. sua utilização iniciou-se nos Estados Unidos. e a Resolução nº 2. 1. e é objeto de pouca regulamentação legal. a arrendadora poderá requerer a busca e apreensão dos bens objeto do contrato. ao final do prazo contratual. pelas empresas e até mesmo pelas pessoas. reajustadas periodicamente conforme a variação do dólar dos Estados Unidos em relação ao Real. que. ainda que timidamente. Esse contrato prevê que: (i) a arrendatária terá uma opção irrevogável de compra dos bens.00.309.00. o contrato de leasing dos caminhões foi celebrado com a instituição financeira Ideal S/A Arrendamento Mercantil. (iii) ao final do prazo contratual. e (iv) em caso de inadimplemento da obrigação do pagamento mensal. irrevogavelmente. na década de 1950.000. reajustáveis ao final de cada ano de vigência. ela terá a opção de renovar o contrato por prazo semelhante. conforme delegação da referida lei. no mundo dos fatos.000. em função da deterioração normal do bem. com vistas a permitir o avanço das atividades econômicas sem necessariamente aumentar o endividamento das empresas. não se responsabilizando a financeira pelo bom funcionamento e manutenção dos caminhões. 1º.

O que ocorre é que. embora quem vá comprá-lo seja a arrendadora. Contudo. como a locação. como a modalidade do leasing financeiro é a mais comum. se tornam arrendatárias em um contrato de leasing. alugando-o posteriormente a ele por prazo certo. contrariando a orientação anterior que restringia essa modalidade contratual aos bens móveis. com uma única causa jurídica. encerra o financiamento do valor global do bem. Como no mandato. o fato de ser multifacetado não faz com que ele deixe de constituir um único negócio jurídico. De fato. hoje em dia há um sem número de pessoas físicas que. corresponde ao leasing no direito brasileiro.CONTRATOs Em EsPÉCIE Além dessas normas. 3. VENOsA. Como no mútuo. atípico. Uma boa conceituação é fornecida por Silvio Venosa37. não faria sentido qualificá-lo como mercantil. pretendendo utilizar coisa móvel ou imóvel. e prevê a cobrança de juros. Suas características serão sempre verificadas no caso concreto. faz com que instituição financeira ou especializada o adquira. obriga a transferência da propriedade do bem mediante o pagamento do valor previsto no contrato. sílvio de salvo. como a locação. v. para quem o contrato é aquele “mediante o qual um agente. alguns autores tomam a espécie pelo gênero e confundem os contornos dessa modalidade com a do próprio contrato. inclusive na contramão da tendência moderna de unificação do direito privado. a designação de “arrendamento mercantil” é largamente utilizada e. p. e há quem preferiria chamar essa modalidade contratual de “locação financeira”. que cria uma solidariedade entre o locatário e a empresa de locação de automóveis quanto à responsabilidade perante os danos causados a terceiros. em nenhuma fórmula desenhada aprioristicamente pelo legislador. 6. no âmbito da autonomia privada. muitas vezes até sem saber. ed. hoje. Assim. a compra e venda. o mútuo e o mandato. a noção de arrendamento – equivalente. à transferência da posse do bem – encerra apenas um dos aspectos do contrato. 37 FGV DIREITO RIO 139 . Todavia. atualmente. portanto. 2006. como veremos adiante. composto de elementos de vários contratos típicos. O contrato. 571-572. nem sempre o caráter financeiro é o que sobressai na contratação do leasing. que não se enquadra. muitas vezes o arrendatário é quem trata da escolha dos bens com o vendedor. sem dúvida alguma. de acordo com as cláusulas contratuais negociadas entre as partes. cuidado ao ler os textos sobre o tema. A nomenclatura de “arrendamento mercantil” sofre algumas críticas na doutrina. Lembre-se sempre: o leasing é um contrato excepcional. Muitas vezes é a transferência da posse sua característica mais importante. A doutrina o qualifica como uma relação contratual complexa. facultando-se-lhe a final que opte entre a devolução do bem.514/1997 criou a possibilidade de bens imóveis serem objeto de arrendamento mercantil. Direito Civil. a renovação do contrato ou a compra pelo preço residual conforme estabelecido”. se inicialmente ele era direcionado às empresas. Como na promessa de compra e venda. No entanto. podem ser inseridas no contrato. como se verá. na forma e no tempo devidos. Além disso. Tanto é assim que a jurisprudência nacional não aplica às operações de arrendamento mercantil a Súmula 492 do STF. são Paulo: Atlas. Além desses caracteres mais usuais. outras cláusulas que sirvam ao interesse das partes. Vale ressaltar que boa parte da doutrina o qualifica como uma modalidade de financiamento ao arrendatário. Portanto. de certa forma. a Lei nº 9. transfere a posse do bem para o arrendatário. como no caso da modalidade operacional.

Todavia. cada período contando como uma parte da relação contratual. a renovação do prazo do arrendamento ou a devolução do bem. não sendo necessária a entrega da coisa. ser necessariamente uma instituição financeira. valor e tempo estipulados no contrato. deve necessariamente ser uma sociedade anônima autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.309 impõe a forma escrita ao contrato (instrumento público ou particular) e determina a inserção de determinadas cláusulas no seu corpo. conforme determina a Resolução do CMN. contanto que não opere com a modalidade financeira.. A obrigação primordial do arrendador é a de entregar o bem para o arrendatário. g. quando o arrendatário poderá escolher entre exercer a opção de compra. em que o arrendador responde somente pela manutenção ordinária e pelo desgaste natural do bem arrendado. pois a própria manifestação de vontade aperfeiçoa o contrato. o desenvolvimento dessa atividade. caso não haja exercício da opção. em virtude da liquidez e certeza das prestações. Finalmente. Não precisa. e é exclusiva desse tipo de sociedade. O arrendador. o arrendatário possui a obrigação de devolver a coisa no final do prazo contratual. em virtude de sua vigência contínua pelo seu prazo. a existência de cláusula que permita o término antecipado do contrato. uma pessoa jurídica. mediante o pagamento do restante da dívida. pois encerra obrigação para o arrendador (e. A expressão “arrendamento mercantil” deve constar de sua denominação. Seu inadimplemento terá conseqüências diversas conforme o contrato. Ocorre também pelo inadimplemento. É também freqüente. Além disso. em prontas condições de uso para a finalidade acordada. hoje. garantindo a posse mansa e pacífica do seu contratante. porque o art. (v) comutativo. entretanto. no estatuto. pelo fim do seu prazo. deve o arrendatário zelar pela conservação dos bens. pois ambos os contratantes têm ônus aos quais correspondem deveres. principalmente em contratos de leasing financeiro. Tem também a obrigação de receber os bens de volta ao fim do prazo. mas em regra gera sua extinção e o direito de o arrendador se reintegrar na posse dos bens arrendados. Inicialmente. somente operacional. O arrendatário é aquele que se utiliza do bem. Deve constar do seu objeto social. A extinção do contrato se dá. embora mantenha a sua propriedade. (iv) oneroso. pelo menos até o exercício da opção de compra. Há casos também (sobretudo em contratos relativos a equipamentos de informática) em que a renovação implica em troca dos bens por modelos mais modernos ou mais novos. conforme a redação original da Lei nº 6. (ii) bilateral. expressamente. caso não haja nem a renovação do prazo nem o exercício da opção de compra. São duas as partes do contrato de leasing: o arrendador e o arrendatário. o arrendatário deveria ser. respondendo pelos prejuízos que causar ao bem. 2. é necessária a autorização de funcionamento do BACEN. a redação desse dispositivo foi alterada e. Nos dois casos. contudo. C) Partes do Contrato de leasing e suas respectivas obrigações. (iii) solene. 7º da Res. obrigatoriamente. (vi) por tempo determinado e de execução sucessiva. a transferência da posse do bem) e para o arrendatário (o pagamento das parcelas convencionadas). ordinariamente. pelo distrato ou pela falência da arrendadora. FGV DIREITO RIO 140 . mesmo no caso de leasing operacional.CONTRATOs Em EsPÉCIE b) Classificação e Características do Contrato A doutrina considera o contrato: (i) consensual.099/1974. pessoas físicas também podem ser parte num contrato de leasing. A obrigação fundamental do arrendatário é a de pagar as prestações na forma.

competindo às partes originárias concordarem sobre os demais termos do arrendamento. e. Assim. ao contrário do que ocorre no financeiro. ao pagar o preço. são relativamente mais altas. O novo código não alterou essa sistemática. fica com a arrendadora e não com o financiado. Uma subespécie de leasing financeiro é o conhecido como sale lease-back. se admitia sua pactuação nos contratos de arrendamento mercantil. para levantar recursos imediatos. Finalmente. em geral o arrendador é o próprio fabricante. outro traço que difere o leasing do financiamento. Existem duas espécies – embora a autonomia privada possa criar outras figuras ou até mesmo figuras híbridas – de leasing reconhecidas no direito brasileiro (cf. pois o bem já era de propriedade da arrendatária. Sua lógica econômica é a de constituir um financiamento para um agente econômico (pessoas ou empresas).309. pois remuneram não só o uso da coisa como também o seu custo de aquisição. imediatamente após.309). por si só. Geralmente pode ser resilido unilateralmente pelo arrendatário. também conhecido como puro. o sale lease-back muito se assemelha ao mútuo. a Resolução 2. ainda em vigor. o operacional e o financeiro. o risco da variação cambial pode ser repassado ao arrendatário. sobre os quais incidirão juros e que serão pagos nas prestações periódicas previstas no arrendamento mercantil. durante a vigência do contrato. O leasing financeiro. esse agente deva contratar um financiamento direto em seu nome junto ao fornecedor ou a um banco (onde as taxas de juros em geral são bem mais altas). é o tradicional. É claro que o leasing financeiro. na medida em que. transfere sua posse ao arrendatário. como o fato de que a propriedade do bem. Nesses casos. Em linhas gerais. d) Modalidades. ao contrário do que ocorre no mútuo bancário comum. se a “causa” do contrato é o financiamento. obrigando-se ainda a prestar assistência técnica e manutenção nos bens arrendados. contudo. mas dotado de características próprias. Nesse caso. 6º). Por conta dessas características marcantes de intermediação financeira. Nesse caso. existe a modalidade de leasing operacional. e foi a partir dele que se desenvolveu originalmente esse tipo de contrato. que transfere a posse dos bens para o arrendatário por um determinado prazo. como a elas é permitida a captação de recursos no exterior para fazer frente às suas operações. pois a arrendatária efetivamente recebe recursos em dinheiro oriundos da venda do bem. é um financiamento. não há interveniência da fornecedora original. A variação cambial nos contratos é em regra proibida por força do art. na aquisição de um determinado bem. que imediatamente transfere (fictamente) a posse dele de volta para sua antiga proprietária. que também foi inserida na Lei do Plano Real (Lei nº 8. As prestações. Nesse caso. em muitos casos. art. Por outro lado. o leasing financeiro clássico e o lease-back são atividades privativas de instituição financeira. FGV DIREITO RIO 141 . mediante cláusula que reajuste o valor das prestações pela cotação da moeda estrangeira. o valor da opção de compra – conhecido comumente como valor residual garantido ou VRG – é de pequena monta se comparado às prestações.880/1994. para a obtenção de capital de giro. Esse tipo de operação não tem previsão legal no nosso ordenamento. o bem arrendado é originalmente de titularidade do arrendatário que. mas desde o antigo Decreto-Lei nº 857/1969. especificações técnicas etc.. o exercício da opção de compra é quase uma certeza. sem que. vende o bem para a empresa de arrendamento mercantil. que vai ao mercado adquiri-lo conforme as instruções do arrendatário. compra o bem do fornecedor. Nessa modalidade. já sob a forma de leasing. sujeitas à regulamentação do Banco Central. é que o bem não é originalmente de titularidade do arrendador. ocorre que o arrendatário escolhe o bem e o arrendador. a interveniência do vendedor do bem no contrato de leasing financeiro. a regra é que o vendedor esteja no contrato para garantir prazos de entrega. 318 do código civil. em que o arrendatário escolhe os bens a serem objeto do arrendamento. nem mesmo na Resolução nº 2.CONTRATOs Em EsPÉCIE Existe. Do ponto de vista prático.

quando a mudança do regime cambial brasileiro fez com que a cotação do dólar dos Estados Unidos praticamente dobrasse em menos de um mês. Vide. apesar da mudança de entendimento do STJ. o valor da opção de compra tende a ser expressivo. transformando-o em compra e venda a prestação”. no entanto. a empresa de arrendamento mercantil). como a possibilidade de renovação e a manutenção da propriedade do bem com o arrendador. o julgamento no RESP 237. o valor referente à opção de compra já estaria quitado e. Com isso. O consumidor vai à concessionária. na hipótese de falta de pagamento das prestações acordadas. quando do último pagamento por parte do arrendatário. com o preço sendo financiado pelo vendedor (no caso. que pacificou. a corte reviu o seu posicionamento. e) questões Controversas. como não há o caráter financeiro. as empresas passaram a embutir. enquanto o consumidor usufruta do bem. pois as prestações em regra equivalem somente ao custo pelo uso do bem. descaracterizando na hipótese o contrato como leasing. balizada na melhor doutrina. Se no leasing financeiro ressalta-se o caráter do mútuo. Nesse caso. o contrato de leasing sempre suscitou questões controversas na jurisprudência nacional. descaracterizando o arrendamento nessa hipótese. Além disso. na corte superior. Vale ressaltar que. uma parcela do VRG. existem outras características marcadamente do contrato de leasing que permanecem presentes. a propriedade do bem era automaticamente transmitida ao arrendatário. atualmente. a possibilidade de repassar para as prestações a variação de moeda estrangeira em relação à moeda nacional também gerou uma enxurrada de ações judiciais. alguns tribunais ainda seguem a linha da Súmula 263. mas o arrendador não faz jus à retomada do bem. o entendimento que “a cobrança antecipada do valor residual garantido (VRG) não descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil”. Parte da doutrina passou a enxergar nesse tipo de ajuste uma compra e venda a prestações disfarçada. No leasing financeiro.CONTRATOs Em EsPÉCIE Nesse caso. com o reflexo correspondente nos contratos de arrendamento mercantil. que editou a Súmula 263. o inadimplemento gera a resolução do contrato em perdas e danos. como visto. Essa controvérsia tem grande relevância prática. a compra de automóveis por meio de um leasing financeiro é uma operação corriqueira. Como vimos. segundo a qual “a cobrança antecipada do valor residual (VRG) descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil. A primeira delas é a discussão sobre se a diluição do chamado VRG nas demais prestações do contrato descaracteriza o leasing. escolhe o carro. configurando-se o negócio como compra e venda ou como mútuo. e uma sociedade de arrendamento mercantil financia o valor. sobretudo a partir de janeiro de 1999. o valor residual é aquele correspondente à opção de compra conferida ao arrendatário no final do prazo do contrato. adquiriram maior relevância no cenário jurídico nos últimos anos. nas próprias prestações periódicas. embora. FGV DIREITO RIO 142 . os contornos próprios do arrendamento mercantil impedem que ele seja caracterizado ou enquadrado como um ou outro. que caracterizaria o contrato. como já vimos. o que só faz aumentar a insegurança jurídica no assunto. por exemplo. de modo que. embora se diluindo o VRG nas demais prestações. Duas delas. portanto. deveria ser cobrada necessariamente ao final do contrato. pois a descaracterização do leasing implica no impedimento da propositura de ação de reintegração de posse. todavia. no operacional o traço da locação é mais marcante.230/RS no STJ. Esse entendimento chegou a ser cristalizado no STJ. Posteriormente. onde o valor da opção é relativamente pequeno. Talvez pela pouca produção legislativa sobre o tema. e passou a entender que. Esse impacto foi maximizado pelo fato de que. a opção de compra. como numa locação comum. sobreveio o cancelamento da Súmula 263 e a subseqüente edição da Súmula 293.

• a hipótese da reintegração de posse proposta pela arrendante. • (.. Por um lado.A. REsp 727899 / DF). sendo assim. em dobro. manifestando válida e livremente a sua vontade. não haveria porque esta disposição ser afastada pelo Poder Judiciário..20. firmou com a empresa Arrendamento mercantil s. nas tesourarias bancárias e das instituições de arrendamento. se este ainda conserva as opções previstas para o término do contrato. ao alegar que o arrendatário assinou um contrato – sem a existência de qualquer vício –. não se sujeita ao CDC.A. por não cumprimento do contrato.. Outros preferiam prestigiar a livre autonomia privada.880/1994. questões de ConCurso Petrobras – 2003 – Advogado Júnior A empresa Dinamismo s. da legislação especial. não é contrato de consumo e. e abordando especialmente os seguintes aspectos: • se a cobrança antecipada do VRg descaracteriza o leasing. pela sua estrutura contratual complexa. o que estaria em desacordo com o código de defesa do consumidor.A. em manifesta desvantagem para o consumidor. o STJ tem optado por uma solução salomônica. que arca com todo o aumento. 1.880/1994. era impossível.A. contudo. por sua vez. quando já havia pago 75% das prestações. e.CONTRATOs Em EsPÉCIE Como esses contratos previam a variação cambial. deveriam ser fulminadas com a nulidade prevista no art. a empresa Dinamismo s. IV. • na hipótese de serem pagas todas as prestações pelo arrendatário. diziam se enquadrar perfeitamente no conceito legal de consumidor.)[não relacionada à matéria]. A empresa Arrendamento mercantil s. Posteriormente. 2º do CDC. 51. sobre o qual incidiam juros de 20% ao ano e juros capitalizados. • (. Essa discussão se arrastou (e ainda se arrasta) nos tribunais. diante do inadimplemento de mais de três prestações. 6º da Lei nº 8. seriam abusivas as cláusulas que previam a variação cambial e. explicando fundamentadamente o seu ponto de vista. na prática.6. g. conforme permissão legal. com base na legislação vigente. que previa a variação cambial. entre as operações de captação e de financiamento. não havendo nenhum tipo de exceção à regra estabelecida no art. redija um parecer a respeito da questão. e quais são elas. portanto.. quando for o caso.. as prestações aumentaram vertiginosamente. Os consumidores lesados. parou de efetuar o pagamento e pleiteou judicialmente a anulação do contrato. interpôs ação de reintegração de posse para haver a restituição do bem.. Diante da situação hipotética apresentada acima. pleiteando a perda das quantias pagas pela arrendatária. Todavia. como também sob a alegação de que o leasing. FGV DIREITO RIO 143 . um contrato de leasing financeiro em que se previa a cobrança antecipada do valor residual garantido (VRg).) [não relacionada à matéria] • o direito do arrendatário à restituição de todas as parcelas pagas ou das parcelas pagas a título de antecipação do VRg. a jurisprudência tenha chegado a uma conclusão definitiva sobre o assunto. aplicando-se o Código de Defesa do Consumidor. pois não há uma relação determinada de correspondência. Alguns juízes afastavam o comando do art. as empresas de arrendamento mercantil defendiam a liceidade do contrato baseado não só no permissivo legal de variação cambial da Lei nº 8. com base na idéia de que o arrendador teria que provar que houve captação de recursos em moeda estrangeira especificamente para o contrato daquele consumidor que estava propondo a ação. sentindo-se prejudicada com os termos do contrato. por sua vez. dividindo pela metade o prejuízo decorrente do aumento das prestações do arrendamento mercantil em virtude da mudança de regime cambial e a conseqüente disparada da cotação da moeda estrangeira (e. e. por isso. sem que. o que.

Ao elaborar o relatório. Por exemplo: contratos que possam impedir ou dificultar a aquisição do supermercado ou que possam desvalorizar o supermercado no futuro. Comissão. FGV DIREITO RIO 144 . Artigo disponível em http://conjur.ago. Jogo e Aposta.21. 1. Transação e Compromisso. AulA 25: RESulTAdO dA dIlIgêNCIA. trabalHo Hoje os alunos deverão apresentar e discutir em sala de aula o seu relatório da diligência. Prestação de Serviços. Acesso em 04. É preciso dar ao cliente. Seguro. Doação.estadao. quando possível.21. os alunos deverão aproveitar para fazer uma boa revisão da matéria.A.2. destacando os problemas encontrados e. O aluno deverá identificar no relatório os contratos a que teve acesso e os que apenas teve conhecimento.3. Agência.com. Consultor jurídico.1. analisando aula por aula e relembrando os casos e discussões deste semestre. (iii) Descrição de cada contrato e das questões levantadas durante a diligência que possam ser de interesse ao cliente.br/static/ text/38413. Distribuição. Comodato. um panorama com a situação atual dos contratos da empresa. Locação. Maria Neuenschwander Escosteguy. Troca ou Permuta.1. biblioGrafia obriGatória CARNEIRO. Fiança. mas também aqueles sobre os quais obtiveram informações. Mandato. Leasing.2006. O relatório deverá conter três partes: (i) Sumário – com a indicação dos pontos que são mais importantes para o cliente. Vale lembrar que o relatório de diligência da área de contratos deve abranger o maior número de questões que possam vir a afetar a aquisição das quotas do Supermercado Pechincha.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Mútuo. (ii) Lista de contratos que foram objeto da diligência – O aluno deverá incluir em seu relatório não apenas os contratos que foram efetivamente fornecidos em sala de aula. Contrato Estimatório.21. Beabá das fusões Due Diligence jurídica garante lisura de operações. 1. Licença e Cessão da Marca. Grana Certa Empreendimentos S. uma sugestão para resolvê-los ou mitigá-los. eMentário de teMas Compra e Venda. assim como questões que possam afetar o funcionamento do supermercado no futuro. (em anexo) 1.. Empreitada. Depósito.21.

avaliação dos riscos inerentes. identificar problemas a serem resolvidos após a concretização do negócio. comparado ao primeiro semestre de 2004. Releva esclarecer que a due diligence não existe como figura jurídica autônoma na legislação brasileira. O Cade expôs que a penalidade havia sido imposta à pessoa jurídica e não a seus acionistas e que se o novo sócio entendia-se lesado. Exemplo disso ocorreu recentemente: o controle de uma das 18 empresas do setor de mineração e britas para a construção civil com atuação na região metropolitana de São Paulo condenadas pelo Cade — Conselho Administrativo de Defesa Econômica por formação de cartel para divisão do mercado havia sido adquirido por um novo sócio e. não foram apresentadas provas ao Cade de que a empresa teria continuado a participar da colusão. foi mesmo na prática empresarial que as due diligences jurídicas se firmaram. ou mesmo exigir maiores garantias do vendedor. Desta forma. as particularidades inerentes às operações podem exigir o trabalho conjunto de profissionais de várias áreas. permitindo renegociar o preço final. dentre outros. O volume de informações e documentos manuseados em uma due diligence pode ser tão grande que acaba fazendo com que vários profissionais tenham de se acomodar nas sedes das sociedades envolvidas. Além disso. após a aquisição. Contudo. previdenciário e ambiental. consoante cada caso concreto. Não menos relevante é a identificação dos passivos tributário. Alguns autores informam que as due diligences jurídicas teriam surgido a partir do conceito do Direito Romano “diligentia quam suis rebus” (diligência de um cidadão em gerenciar suas coisas). no primeiro semestre de 2005. o nível de competição do setor. podem até mesmo inviabilizar o projeto empresarial. que as due diligences jurídicas devem identificar também passivos decorrentes de potenciais focos de preocupação concorrencial ou mesmo de investigações em curso pelos órgãos de defesa da concorrência. As due diligences jurídicas podem ser definidas como procedimentos sistemáticos preventivos de revisão e análise de informações e documentos. implicações financeiras. conceito este que foi sendo trabalhado em decisões dos tribunais norte-americanos. Atrelada a este aumento. já que eventuais penalidades aplicadas pela Autoridade Antitruste podem representar a eliminação do ganho naquela aquisição. destinando-se sempre à conclusão sobre a viabilidade da operação. determinação de responsabilidades ou outras. visando à verificação da situação de sociedades. está a necessidade de realização das chamadas “due diligences” jurídicas. é recomendável uma profunda e pormenorizada investigação em todos os aspectos jurídicos de uma companhia objeto de qualquer modalidade de aquisição. A identificação de contingências em momento anterior ao closing da operação favorece a empresa interessada. trabalhista. Cabe destacar. Assunto discutido entre os especialistas é a abrangência dos relatórios de due diligence. FGV DIREITO RIO 145 . Esta situação demonstra que assuntos concorrenciais podem afetar a avaliação dos ativos adquiridos em uma operação de aquisição de controle. o mais adequado é entendê-la como uma metodologia — e não como uma obrigação legal — a ser utilizada opcionalmente pelas partes. poderia buscar a reparação de perdas e danos no Poder Judiciário. estabelecimentos. Esta investigação pode abranger aspectos pessoais dos sócios. com vistas à apuração dos riscos ínsitos à atividade desenvolvida pelas empresas. garantias a prestar. Nas fusões e aquisições. os quais podem gerar responsabilidades vultosas (imediatas e futuras) e que. se não forem bem e previamente dimensionados. podendo ser aconselhável em diversos momentos da negociação.CONTRATOs Em EsPÉCIE Beabá das fusões due diligence jurídica garante lisura de operações por Maria neuenschwander escosteguy Carneiro Segundo noticiou a Imprensa. houve um aumento de 38% no número de fusões e aquisições. o potencial de crescimento do negócio. ademais. fundos de comércio e dos ativos que as compõem.

4 de outubro de 2005. capazes de demonstrar. Revista Consultor Jurídico. FGV DIREITO RIO 146 . a importância da adoção de cuidadosos procedimentos de due diligence. com muita clareza e com elevado grau de segurança. todas as variáveis que merecem ser analisadas antes da conclusão de negócios envolvendo operações de fusões e aquisições de empresas.CONTRATOs Em EsPÉCIE Verifica-se. pois.

22. que sugestões você poderia fazer na procuração? E se tivéssemos acesso àquela procuração apenas na data da assinatura do contrato e não pudéssemos fazer sugestões antes do closing? Que providência poderia ser tomada para dar mais segurança ao nosso cliente quanto à assinatura do contrato pelo senhor Jeremias? O outro documento que o senhor Odin Heiro nos deu. solteiro. mesmo com as questões encontradas na due diligence.22. PROCURAÇÃO Pelo presente instrumento particular de mandato. JEREMIAS RUSSO. Eduardo Russo Relembrando o que aprendemos na aula de mandato. Cartórios de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Distrito Federal (“Outorgado”). Distrito Federal (“Outorgante”) nomeia e constitui como seu bastante procurador. AulA 26: ClOSINg! 1. empresário. Juntas Comerciais. Ele nos mostrou dois documentos que recebeu do advogado do senhor Eduardo Russo e pediu nossos comentários.1. Jeremias Russo. solteiro. no fechamento do negócio. doravante denominada simplesmente “Compradora”. casado. O primeiro deles é uma minuta de procuração. Caso Gerador Após analisar cuidadosamente nosso relatório de due diligence e resolver as questões relacionadas às marcas do Supermercado Pechincha. empresário. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy. bem como praticar todos os atos necessários ao fiel cumprimento deste mandato. o senhor Odin Heiro regateou com o senhor Eduardo Russo o preço das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda. brasileiro. foi a minuta do contrato de compra e venda de quotas abaixo. (ii) representar o Outorgante junto às Repartições Públicas. FGV DIREITO RIO 147 . Cidade e Estado do Rio de Janeiro. inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202. inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101. alterar. rescindir e assinar quaisquer contratos em nome do Outorgante. neste ato representado por seu procurador. portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx. o senhor Eduardo Russo pretende outorgar uma procuração a seu filho para que ele o represente. empresário. Federais. para (i) celebrar quaisquer contratos. prorrogar. Não tendo certeza de que poderá comparecer pessoalmente ao evento de assinatura do contrato de compra e venda das quotas. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy. residente e domiciliado em Brasília.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx. Municipais e Autárquicas. empresário. brasileiro. representada na forma de seu estatuto social. companhia com sede na Rua ABC. residente e domiciliado em Brasília. fomos chamados para ajudá-lo no closing. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE QUOTAS GRANA CERTA EMPREENDIMENTOS S/A. 2222. Esta procuração terá validade de 30 dias após a data de assinatura do mandato. órgãos ambientais e órgãos regulatórios. brasileiro. conforme minuta em anexo. estipular ou impugnar cláusulas e condições. casado.222/0001-22. Distrito Federal. celebrar. Fica vedado o substabelecimento dos poderes outorgados por este mandato. Sendo assim. inscrita no CNPJ sob o n° 002. EDUARDO RUSSO. e EDUARDO RUSSO. Cartórios de Protestos de Letras e Títulos. brasileiro. ou seja. Estaduais. Secretaria de Estado de Negócios da Fazenda Estadual. residente e domiciliado em Brasília. inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101. a aquisição das quotas do supermercado seria um bom negócio.002. e considerou que.

].1. plena..1. a totalidade de suas Quotas representativas do capital social da Sociedade à Compradora. 4. O não exercício ou atraso por qualquer das Partes e/ou da Sociedade. doravante denominada simplesmente “Sociedade”.DISPOSIÇÕES GERAIS 4.000. Uma vez creditado na conta-corrente do Vendedor..] da agência [.2. justa e contratada a celebração do presente Contrato de Compra e Venda de Quotas (“Contrato”). entre si. representada na forma de seu contrato social. declara que as Quotas foram regularmente integralizadas e se encontram inteiramente livres e desembaraçadas de ônus.. gravames.000.00 (duzentos e cinqüenta mil reais) a serem pagos em até 90 dias a contar desta data.002/0001-00. mediante a assinatura da competente alteração do contrato social da Sociedade. mencionado na Cláusula Segunda.] do Banco [. O Vendedor.DA COMPRA E VENDA DAS QUOTAS 1. ainda.. O presente Contrato é celebrado em caráter irrevogável e irretratável e obriga e aproveita às Partes e à Sociedade.1 abaixo.00 (quinhentos mil reais) a serem pagos um ano após esta data..].... a qualquer título.00 (um milhão de reais) (“Preço”). de acordo com as seguintes cláusulas e condições: CLÁUSULA PRIMEIRA . CONSIDERANDO QUE: (i) O Vendedor é legítimo possuidor e proprietário de x quotas representativas de 99% (noventa e nove por cento) do capital social da Sociedade (“Quotas”). constantes do item 2. neste ato.2. CLÁUSULA SEGUNDA . da totalidade do Preço devido ao Vendedor.000. com todos os respectivos direitos e obrigações.CONTRATOs Em EsPÉCIE inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202. encargos. seus sucessores. 1. mediante depósito na conta-corrente nº [.] da conta-corrente nº [..1.. a ser pago pela Compradora ao Vendedor da seguinte forma: (a) R$ 250. inscrita no CNPJ sob o n° 000. e somente poderá ser alterado por instrumento escrito devidamente assinado por todas as Partes.. herdeiros.. e. o pagamento das parcelas que perfazem o Preço.000. (c) R$ 500. rasa e geral quitação com relação ao valor pago.00 (duzentos e cinqüenta mil reais) pagos neste ato. CLÁUSULA QUARTA . A transferência das Quotas será formalizada no ato do pagamento pela Compradora. por meio da entrega pela Compradora ao Vendedor do cheque administrativo nº [.]...] da agência [. sociedade com sede na Quadra XYZ. nos termos ajustados pelo presente instrumento.FORMA DE PAGAMENTO 2. total e ajustado para a aquisição das Quotas é de R$ 1. residente e domiciliado em Brasília. CLÁUSULA TERCEIRA – TRANSFERÊNCIA DAS QUOTAS 3.000.000.. pelo preço certo e ajustado estabelecido na Cláusula 2. O preço certo. cessionários e representantes legais. e que a Compradora deseja adquiri-las.. Brasília. 2.1 acima.] do Banco [. mediante depósito na conta-corrente nº [. e (b) R$ 250.. o Vendedor cede e transfere. doravante denominado simplesmente “Vendedor”. no exercício de qualquer direito previsto neste Contrato deverá ser interpretado individualmente e não poderá ser considerado como renúncia por FGV DIREITO RIO 148 .1. usufrutos ou qualquer outra restrição à posse e/ou a qualquer outro direito inerente a tais Quotas.. Distrito Federal. Pelo presente Contrato e na melhor forma de direito. Distrito Federal. o Vendedor outorgará à Compradora..1. na qualidade de interveniente-anuente: PECHINCHA COMÉRCIO VAREJISTA LTDA.. turbações.] da agência [.1. e (ii) O Vendedor deseja alienar as Quotas.. O Vendedor e a Compradora (doravante referidos simplesmente como “Partes”) têm.] do Banco [.

mediante comunicação dada na forma prevista acima. aqui contidas. orais ou escritos.3. 632.1. 4. Quaisquer dos endereços constantes do preâmbulo poderão ser alterados. à exclusão de qualquer outro. comportam execução específica. substituindo todos os acordos. 4.10. assim como as obrigações de fazer. 4. para dirimir quaisquer questões oriundas deste Contrato. por qualquer motivo. do Código de Processo Civil.8. e somente produzirá efeitos. inclusive quaisquer despesas decorrentes de serviços profissionais por ele contratados.5.8. 4. assinado por 02 (duas) testemunhas. cabal e exclusivo entre as Partes com relação à compra e venda das Quotas. sendo considerada como mero ato de liberalidade. (ii) por meio de carta registrada. a qualquer tempo. Todas as notificações e comunicações a serem feitas com relação ao presente Contrato serão elaboradas por escrito e serão enviadas para os endereços constantes do preâmbulo deste Contrato (i) por meio de Cartório de Títulos e Documentos. O presente Contrato ou quaisquer direitos e/ou obrigações dele oriundos não poderão ser cedidos sem o prévio e expresso consentimento das Partes e da Sociedade. na presença de 02 (duas) testemunhas. conforme o caso.1 do presente Contrato será de exclusiva responsabilidade da Compradora. Nome: CPF/MF: Grana Certa Empreendimentos S/A 2. Fica ajustado entre as Partes que as despesas decorrentes do arquivamento da alteração contratual referida na cláusula 3. a esse respeito.7. 4.9. se essa disposição suprimida prejudicar a execução deste Contrato. entendimentos e declarações anteriores. Tendo em vista que somos advogados da compradora: (a) que alterações poderíamos propor na minuta acima? (b) que novas cláusulas poderíamos sugerir? FGV DIREITO RIO 149 . ou (iii) com outra comprovação inequívoca de recebimento. nos termos do artigo 585. As Partes declaram e reconhecem que o presente Contrato. 4. entretanto a respectiva comunicação de alteração de endereço só tornarse-á efetiva após o recebimento pela outra Parte e/ou pela Sociedade. anulada ou inexeqüível. nos termos dos artigos 461. Nome: CPF/MF Cabe notar que se trata de minuta bem simples e similar à minuta que analisamos em nossa segunda aula. 4. Testemunhas: 1. 4.6. Fica eleito o foro da Comarca do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro.CONTRATOs Em EsPÉCIE qualquer das Partes ou novação de qualquer obrigação contida neste Contrato. Toda e qualquer alteração das disposições do presente Contrato somente será válida e exeqüível. as Partes assinam este Contrato em 03 (três) vias de igual teor e efeito. Na hipótese de qualquer disposição ou parte de qualquer disposição deste Contrato ser tida como nula. 4. Eduardo Russo Pechincha Comércio Varejista Ltda. [dia] de novembro de 2006.4. essa disposição será suprimida e não terá nenhuma força e efeito. O presente Contrato constitui o acordo final. E por estarem certas e ajustadas. as demais disposições serão modificadas para preservar sua exeqüibilidade. 639 e seguintes do Código de Processo Civil. Entretanto. inciso II. constitui título executivo extrajudicial. por mais privilegiado que possa ser. se formalizada mediante instrumento escrito assinado pelas Partes e pela Sociedade.

Chefe do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação – ITI. Líder de Projetos do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV DIREITODIREITO RIO. Ex-Procurador. Doutorando e Mestre em Direito Civil pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. FGV DIREITO RIO 150 . Autor do livro “Direitos Autorais na Internet e o Uso de Obras Alheias”.CONTRATOS EM ESPÉCIE SÉRGIO VIEIRA BRANCO JÚNIOR Professor de direito da graduação e da pós-graduação na FGV DIREITODIREITO RIO. Ex-professor de Direitos Autorais da UERJ. Especialista em Propriedade Intelectual pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio. Trabalhou por mais de 5 anos em escritório no Rio de Janeiro. Ex-Coordenador de Desenvolvimento Acadêmico do Programa de Pós-Graduação da FGV Direito Rio. Graduado em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ.

CONTRATOs Em EsPÉCIE FICHA TÉCNICA fundação getulio Vargas carlos ivan simonsen leal presidente fgV direito rio Joaquim falcão diretor fernando penteado VICE-DIRETOR ADmINIsTRATIVO luís fernando schuartz VICE-DIRETOR ACADÊmICO sérgio guerra VICE-DIRETOR DE PÓs-GRADUAÇÃO PROFEssOR COORDENADOR DO PROGRAmA DE CAPACITAÇÃO Em PODER JUDICIÁRIO luiz roberto Ayoub ronaldo lemos COORDENADOR DO CENTRO DE TECNOLOGIA E sOCIEDADE evandro menezes de carvalho rogério barcelos COORDENADOR ACADÊmICO DA GRADUAÇÃO COORDENADOR DE ENsINO DA GRADUAÇÃO tânia rangel COORDENADORA DE mATERIAL DIDÁTICO COORDENADORA DE ATIVIDADEs COmPLEmENTAREs Ana maria barros Vivian barros martins COORDENADORA DE TRABALHO DE CONCLUsÃO DE CURsO COORDENADOREs DO NÚCLEO DE PRÁTICAs JURÍDICAs COORDENADORA DE sECRETARIA DE GRADUAÇÃO COORDENADOR DE FINANÇAs COORDENADORA DE mARKETING EsTRATÉGICO E PLANEJAmENTO lígia fabris e thiago bottino do Amaral Wania torres diogo pinheiro milena brant FGV DIREITO RIO 151 .

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