CONTRATOS Em ESPÉCIE

por: Carolina Sardenberg SuSSekind CriStiano ChaveS de Melo laura FragoMeni

2ª edição

roteiro de curso 2008.2

Contratos em Espécie
introdução .................................................................................................................................................. 03 1.1. AulA 1: clAssificAção dos contrAtos. elementos essenciAis. ........................................................................... 06 1.2. AulA 2: contrAto de comprA e VendA ............................................................................................................. 10 1.3. AulA 3: contrAto de comprA e VendA (cont.)- cláusulAs especiAis dA comprA e VendA .......................................... 26 1.4. AulA 4: trocA ou permutA. contrAto estimAtório........................................................................................... 31 1.5. AulA 5: doAção .......................................................................................................................................... 33 1.6. AulA 6: contrAto de locAção. locAção de coisAs. ............................................................................................ 38 1.7. AulA 7: contrAto de locAção (locAção de prédios urbAnos –– locAção residenciAl) ........................................... 43 1.8. AulA 8: contrAto de locAção ....................................................................................................................... 48 1.9. AulA 9: empréstimo (comodAto) ................................................................................................................... 52 1.10. AulA 10: empréstimo (mútuo)..................................................................................................................... 57 1.11. AulA 11: prestAção de serViços. empreitAdA ................................................................................................ 61 1.12. AulA 12: depósito ..................................................................................................................................... 64 1.13. AulA 13: mAndAto ..................................................................................................................................... 67 1.14. AulAs 14 e 15: comissão. AgênciA e distribuição (representAção comerciAl)..................................................... 71 1.15. AulA 16: Análise de contrAtos ................................................................................................................... 92 1.16. AulA 17: licençA e cessão de mArcAs............................................................................................................ 93 1.17. AulAs 18 e 19: Jogo e ApostA. seguro.......................................................................................................... 120 1.18. AulAs 20 e 21: fiAnçA. .............................................................................................................................. 125 1.19. AulA 22: trAnsAção. compromisso. ........................................................................................................... 129 1.20. AulAs 23 e 24: leAsing.............................................................................................................................. 137 1.21. AulA 25: resultAdo dA diligênciA.............................................................................................................. 144 1.22. AulA 26: closing! .................................................................................................................................... 147

sumário

CONTRATOs Em EsPÉCIE

INTROduçãO

1.1 Visão Geral Bem-vindo ao Curso de Contratos em Espécie! Esta disciplina é de suma relevância, pois qualquer que seja o ramo do direito que venha a ser escolhido pelo aluno no futuro, seja público ou privado, uma boa base em direito civil, incluindo contratos em espécie, será sempre exigida. Aliás, independentemente do ramo de atividade escolhido, o conhecimento de contratos em espécie é fundamental, tendo em vista que diariamente nos deparamos com inúmeros contratos, seja, no aluguel de um imóvel, em um empréstimo no banco, ou mesmo na simples compra de uma passagem de ônibus. Veremos que o novo Código Civil (Lei nº 10.406/2002) incluiu, no rol de contratos em espécie, contratos que anteriormente eram tratados apenas pelo Código Comercial, como o contrato de comissão, agência e distribuição. Em nossas aulas estudaremos boa parte dos contratos nominados ou típicos, ou seja, aqueles disciplinados no Código Civil, assim como alguns contratos inominados ou atípicos, que, embora não sejam previstos e disciplinados expressamente pela lei, são lícitos e parte do dia-a-dia do intérprete do Direito, como o contrato de leasing e o contrato de cessão de marca.

1.2 objetiVos Gerais O mercado exige, cada vez mais, a participação do advogado como viabilizador do negócio, auxiliando o executivo a negociar o contrato e atuando sempre na advocacia preventiva. Desta forma, nosso objetivo, além de ensinar (é claro), será o de fazer com que o aluno conheça os diversos tipos de contrato e saiba identificar seus requisitos necessários e seus vícios para a conclusão do negócio. Queremos preparar o aluno não apenas para a prova, mas principalmente, provê-lo com as ferramentas (objetivo do curso) que o habilite a identificar as características dos principais contratos do nosso ordenamento jurídico, não só com a abrangência que a matéria requer, mas também com a profundidade necessária de um bom enfoque acadêmico e prático, para que, com isso, ele possa ter um diferencial na sua vida profissional.

1.3 MetodoloGia A metodologia do curso será participativa com exposição dialogada e debates sobre casos propostos. Na próxima aula apresentaremos o caso mestre, que será o fio condutor da disciplina. Por meio dele, os alunos serão convidados a integrar a equipe responsável pela análise de contratos em uma due diligence fictícia. Dessa forma, os alunos terão contato com as diversas espécies de contratos e com os possíveis problemas enfrentados no dia-a-dia de um advogado. Adicionalmente, em todas as aulas serão apresentadas questões, relacionadas ao tema exposto para que sejam debatidas em aula. Para tanto, vale lembrar que: – como todas as aulas serão participativas, a leitura prévia do material didático e da leitura obrigatória é indispensável. – a indicação da bibliografia obrigatória e da bibliografia complementar deve servir de base para o aluno. Espera-se, porém, que o aluno pesquise textos adicionais que possam dar enfoques diferentes ou mais profundos sobre o mesmo tema.
FGV DIREITO RIO 3

0 (sete) e superior ou igual a 4. A discussão de casos em todas as aulas servirá justamente para estimular o aluno a pensar a teoria na prática.0 (cinco) pontos e será somada ao trabalho que também valerá de 0 (zero) a 5. Caso haja modificação no cronograma que implique em alteração na data das provas. e. somente com remissões a artigos e súmulas dos tribunais superiores.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.0 (dois) pontos.0) 2 O aluno que obtiver média inferior a 7.0 (oito) pontos. nas quais o aluno deverá demonstrar o domínio da matéria em casos teóricos e práticos. salvo orientação distinta por parte do professor. FGV DIREITO RIO 4 . conhecimento e discussão dos casos apresentados. deverá fazer uma prova final.5 Métodos de aValiação O desempenho do aluno na disciplina Contratos em Espécie será avaliado por meio das seguintes atividades: (i) uma prova escrita a ser realizada no início de outubro.. As provas serão compostas de até cinco questões. A avaliação por participação será feita com base no interesse demonstrado pelo aluno. a primeira prova será realizada na primeira semana de outubro e a segunda prova será realizada na semana de 21/11 a 24/11. 1.0 (quatro) estará automaticamente reprovado na disciplina. presença e pontualidade nas aulas.0 pontos na nota da segunda prova.0 (seis) pontos. conforme a participação do aluno durante o curso. a média de aprovação a ser alcançada é de 6. em casos práticos.0 (quatro) pontos. (iii) um trabalho a ser entregue individualmente pelos alunos. Participação em aula: Os alunos deverão participar ativamente das aulas.0 (cinco) pontos. O aluno que obtiver média inferior a 4. leitura do material indicado. A princípio. sem comentários ou anotações.0) + participação (2. é saber aplicar o conhecimento teórico.0) + trabalho (5. nova data e horário serão divulgados com antecedência para os alunos. e (iv) participação em sala de aula.Manual do Professor.4 desafios Tendo em vista o grande número de contratos no Código Civil e a abrangência da matéria. um dos principais desafios a serem enfrentados pelos alunos nesta disciplina. (ii) uma prova escrita a ser realizada na última aula do curso. para elaborar as respostas. adquirido a partir do estudo e de pesquisa. Prova escrita: Para ambas as provas o aluno poderá consultar a legislação pertinente. Para os alunos que fizerem a prova final. que será somado na segunda prova. a qual será obtida conforme fórmula constante no Manual do Aluno . A primeira prova valerá de 0 (zero) a 5. Poderá ser atribuído até 2. A participação do aluno em aula valerá até 2. A segunda prova valerá de 0 (zero) a 8. A média do aluno será obtida da seguinte forma: Média final = primeira prova (5.0) + Segunda prova (8.

cada aluno deverá apresentar relatório apontando os problemas encontrados na diligência legal. seus riscos e. nova data e horário serão divulgados com antecedência para os alunos. FGV DIREITO RIO 5 .5 (meio ponto) cada uma. Os pontos adicionais serão somados à nota da segunda prova. Caso haja modificação no cronograma que implique em alteração na data da entrega do trabalho. Ao longo do curso serão fornecidas mais informações sobre como elaborar o trabalho. conforme os casos apresentados durante as aulas. as formas de solucioná-los.CONTRATOs Em EsPÉCIE trabalho: Na segunda semana de novembro.6 atiVidades CoMPleMentares Dependendo do andamento das aulas. 1. quando possível. o professor poderá propor atividades adicionais que valerão 0.

biblioGrafia obriGatória: • RODRIGUES. Hoje. págs 59 a 77. 3. • PEREIRA. – forma. págs. III. aprenderam os seguintes tópicos: (i) princípios da nova teoria contratual. Silvio..CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. São Paulo: Ed. (ii) interpretação dos contratos. eMentário de teMas: Introdução. Caio Mário da Silva. Arnoldo. e (v) extinção dos contratos. Joaquim Portes de Cerqueira César e Roberto Rosas (coord). Classificação dos contratos. 1. 2003. a ele são aplicáveis os mesmos elementos constitutivos e os pressupostos de validade do negócio jurídico1. 27 a 48. 30 a 35. analisaremos os elementos e requisitos para existência e validade do contrato e a classificação dos contratos. A evolução do contrato no terceiro milênio e o novo Código Civil. 1. quando da substância do ato. São Paulo: Saraiva. (iii) formação dos contratos. Aspectos Controvertidos do Novo Código Civil. 2002. Existência e validade do contrato. • AZEVEDO. Instituições de Direito Civil. AulA 1: ClASSIfICAçãO dOS CONTRATOS. 2005.1. 1 FGV DIREITO RIO 6 . roteiro de aula a) introdução No semestre passado. Saraiva. vol. In ARRUDA Alvim. (iv) revisão dos contratos.1. os alunos tiveram oportunidade de fazer o curso de Teoria Geral das Obrigações e dos Contratos. Rever aula 2 do curso de Teoria Geral das Obrigações e dos Contratos. Direito Civil. biblioGrafia CoMPleMentar: • WALD. b) existência e validade do contrato Sendo o contrato um negócio jurídico.3. Dentre outros. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Negócio Jurídico – Existência. Antonio Junqueira de. 2002. Rio de Janeiro: Forense.1. vol. porém.1.2. págs. Nosso curso será voltado ao estudo dos contratos em espécie.4. – idoneidade do objeto. Validade e Eficácia. 1.1. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. ElEmENTOS ESSENCIAIS. São elementos constitutivos: – vontade manifestada por meio de declaração. 1.1.

conforme o ponto de observação do estudo. 2 FGV DIREITO RIO 7 . Estando ausente algum desses requisitos. determinado ou determinável. Conforme bibliografia complementar. Relacionamos abaixo alguns exemplos: [i – classificação dos contratos quanto a sua natureza:] – Unilaterais e bilaterais Afinal. certo? Como podemos dizer que um contrato é unilateral? Qual é a importância de distinguir o contrato unilateral do bilateral? – Onerosos e gratuitos Os contratos onerosos envolvem sacrifícios e vantagens patrimoniais a ambas as partes. C) Classificação dos contratos Qual é o objetivo de classificar os contratos? Embora haja consenso na doutrina sobre boa parte da classificação dos contratos. – forma prescrita ou não defesa em lei. cada autor tem um enfoque diferente ao tratar dessa matéria. no máximo. – objeto lícito. possível. o negócio jurídico nem mesmo existirá. o mero acordo entre as partes não é suficiente para constituir o contrato. O exemplo tradicional de contrato gratuito é a doação sem encargo. Qual é a importância de distinguir o contrato comutativo do aleatório? [ii – classificação dos contratos quanto ao seu aperfeiçoamento:] – Consensuais e reais O contrato consensual não requer a entrega do bem para aperfeiçoamento do contrato. Exemplo: contrato de compra e venda de bem móvel. exige apenas o consentimento das partes. o contrato será nulo ou anulável O elemento novo e inerente ao contrato é o acordo entre duas partes sobre determinado assunto. Uma mesma espécie de contrato pode ser classificada de inúmeras maneiras.CONTRATOs Em EsPÉCIE Caso um desses elementos não esteja presente. o que ocorre é uma promessa de contratar. Já os contratos gratuitos envolvem sacríficio econômico para apenas uma das partes e consequentemente vantagem patrimonial a apenas uma delas. o contrato em si é um ato bilateral. Os requisitos de validade estão previstos no art. 104 do Código Civil: – agente capaz. Já no contrato real. mas recomendamos que o livro de Caio Mario da Silva Pereira2 também seja estudado. Qual é a importância de distinguir o contrato gratuito do oneroso?– Comutativos e aleatórios Essa distinção aplica-se apenas aos contratos bilaterais e onerosos. O donátario recebe algo do doador e nada lhe dá em retorno. Nesta aula usaremos por base a metodologia de Silvio Rodrigues.

o contrato não se aperfeiçoa por mais que haja um contrato entre mutuante e mutuário. A recíproca. por exemplo. O contrato definitivo pode ter vários objetos. porém. [v – classificação dos contratos quanto ao momento de sua execução] – Execução instantânea e de execução diferida no futuro Qual é a importância de distinguir o contrato de execução instantânea do contrato de execução diferida no futuro? [vi – classificação dos contratos quanto ao seu objeto] – Definitivo e preliminar O contrato preliminar tem sempre como objeto a realização de um contrato definitivo.406/2002). 462 a 644 da Lei nº 10. É o caso do contrato de compra e venda de imóvel de valor superior a 30 (trinta) vezes o maior salário mínimo vigente no país e que tem que ser feito por escritura pública (art. são permitidos quando lícitos. Qual é a importância de distinguir o contrato solene do não solene? [iii – classificação dos contratos quanto a sua sistematização:] – Nominados e inominados Nominados são os contratos previstos e regulados por lei. se o mutuante não empresta o dinheiro ao mutuário.406/2002. no entanto. Como diz o próprio nome. Como pela regra geral. alguns casos em que o legislador achou por bem determinar forma para a validade do ato. conforme a espécie de contrato. ou seja.CONTRATOs Em EsPÉCIE Isso ocorre. existe em função de outro contrato. nulo será o contrato acessório. por sua vez. Há.406/2002). [iv – classificação dos contratos quanto ao seu relacionamento com os demais contratos:] – Principais e acessórios O contrato que independe de outro para existir é o contrato principal. não é verdadeira. apesar de não estarem disciplinados em lei. A fiança é um bom exemplo de contrato acessório ao contrato de locação. As peculiaridades do contrato preliminar estão previstas nos arts. 425 da Lei nº 10. já que o contrato principal sobrevive sem o contrato acessório. 108 da Lei nº 10. no mútuo. o acessório segue o principal. O contrato acessório. se o contrato principal é nulo. trata-se do contrato que trata do assunto definitivamente. – Solenes e não solenes Geralmente os contratos são não solenes. FGV DIREITO RIO 8 . Inominados ou atípicos são os contratos que. em razão do princípio da autonomia da vontade (art. não há forma prescrita em lei para que sejam válidos.

c. questões de ConCurso (Prova: 10º exame de ordem .5. Formal. aquele que não pôde negociar as cláusulas do contrato.1ª fase) o contrato real é um contrato: a.6.1. 1. Os artigos 423 e 424 mostram a preocupação do legislador em tentar preservar o aderente. Efetivamente existente. b. ou seja. d. As regras foram previamente estipuladas por uma das partes.CONTRATOs Em EsPÉCIE [vii – classificação dos contratos quanto à maneira como são formados] – Paritários e de adesão Ao contrário do contrato paritário. Que tem por objeto coisas corpóreas. joGo – disCussão eM sala de aula Contrato/ Classificação Unilateral Bilateral Oneroso Gratuito Comutativo Aleatório Consensual Real Solene Não solene Nominado Inominado Principal Acessório Execução Instantânea Execução diferida no futuro Definitivo Preliminar Paritário De adesão Compra e Venda locação doação Empréstimo fiança mandato fornecimento de energia FGV DIREITO RIO 9 . no contrato de adesão não há espaço para negociação. Em que a entrega da res é pressuposto da sua existência. 1. cabendo a outra parte aceitá-las ou rejeitá-las em sua totalidade.1. no qual as partes discutem os termos do negócio.

2002. Caso Gerador O Sr. 99-121.2. porém.). na década de 80. 205-219. abriram o primeiro mercadinho. São Paulo: Ed.406/2002. Edmundo. 481 a 504 da Lei nº 10. dona Mônica. conseguiu convencê-los de que se tratava de uma chance de ouro para a família. Maria Lúcia sempre teve tino para os negócios. 3. a Pechincha Comércio Varejista Ltda. Rodrigo R. rapidamente ocupou um lugar cativo na vizinhança e a freguesia se tornou cada vez mais fiel. BRUNA. Leandro Santos de (coords. transferindo o fundo de comércio para a Pechincha Ltda.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Maristela Sabbag. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.2.2. In SADDI. Jeremias e Maria Lúcia. com três lojas e um armazém. Reorganização societária. In CASTRO. Com o passar dos anos. págs. Jairo (org. FGV DIREITO RIO 10 . biblioGrafia obriGatória: • Arts. no interior de São Paulo.2. mesmo diante da resistência inicial de seus pais e seu irmão. 1. Monteiro de. biblioGrafia CoMPleMentar: • NEJM. págs. São Paulo: IOB. Cerca de dez anos após o começo das atividades. o senhor Eduardo ampliou seus negócios e hoje é sócio majoritário de uma sociedade que possui uma modesta rede de supermercados.).1. 2002. Direito Civil. Sérgio Varella.4. Silvio. Due diligence – identificando contingências para prever riscos futuros. quando nosso cliente a procurou para lhe fazer uma proposta de compra da Pechincha Ltda. a pequena empresa de Eduardo e Mônica foi experimentando um contínuo sucesso e o negócio foi crescendo junto com seus filhos gêmeos. 137 a 169. Saraiva.. AulA 2: CONTRATO dE COmPRA E VENdA 1. em Brasília. Eduardo e sua mulher. • ABLA. São Paulo: Quartier Latin. ARAGÃO.2. de uma maneira geral. Dessa forma. O que começou com uma loja de conveniência. Com o passar do tempo. • RODRIGUES. eMentário de teMas: Introdução – Natureza Jurídica – Elementos – Despesas do Contrato e Garantia – Riscos da Coisa – Limitações à Compra e Venda – Regras Especiais 1. Fusões e aquisições: aspectos jurídicos e econômicos. alugando outras e. 1. o senhor Eduardo foi paulatinamente transferindo a administração de seus negócios para seus filhos. vol. foi brindada com uma oportunidade de expansão dos seus negócios. Um velho comerciante de Brasília resolveu aposentar-se e voltar a morar com a filha. págs. A partir de então. 2005. e sempre foi capaz de enxergar uma boa oportunidade. Sucessão Empresarial – Declarações e Garantias – O Papel da Legal Due Diligence. que visava atender apenas a região.2. sendo que antes decidiu conferir a Eduardo e Mônica a condução dos seus negócios. e recebeu autorização deles para iniciar as conversas com o interessado.3. vendendo-lhes algumas posses.

se o fizer. dada a fidelização da clientela do senhor Eduardo. considerando o negócio por ela desenvolvido. é a espécie mais comum dos contratos. a obrigação de transferir a coisa vendida. para o comprador. com negócios na área atacadista pretende começar a atuar no segmento de distribuição alimentícia. vamos ao supermercado. Ao fim do processo de diligência legal. são regulados também pelas disposições do contrato de compra e venda. quando saímos para jantar. destacando todos os pontos e questões identificados durante o processo de diligência legal e que podem afetar a situação financeira e legal da companhia. nosso primeiro trabalho será realizar uma due diligence ou diligência legal ou auditoria jurídica na companhia Pechincha Ltda. com o exame criterioso de seus contratos. presidida pelo senhor Odin Heiro. Nesses casos. de forma que os potenciais compradores saibam o que realmente estão comprando. a companhia Grana Certa Empreendimentos S/A. roteiro de aula a) introdução O contrato de compra e venda. ou seja. Isso normalmente se dá por meio de uma análise de todas as operações da empresa. Além disso. contratos e demais áreas que envolvam valor igual ou superior ao critério de materialidade. o domínio do bem alienado. e. O contrato de compra e venda não gera efeitos reais. Por exemplo. os compradores estabelecem um valor base para análise dos aspectos jurídicos. compramos um chiclete na barraquinha. bem como de uma tentativa de identificação de suas dívidas ou passivos mais relevantes. na qualidade de advogado da Grana Certa S/A. Como você. chamado de critério de materialidade. cíveis. A diligência legal tem por objetivo conhecer os aspectos jurídicos da empresa. muitas vezes é elaborado um relatório descrevendo a situação da empresa. verbal ou escrito. sendo que outros contratos. a diligência é feita apenas nos processos judiciais ou administrativos. que é um investidor profissional.CONTRATOs Em EsPÉCIE Nosso cliente.2. quais são os riscos a que estaria submetido. sejam eles tributários. começaria o processo de diligência? Quais seriam os primeiros contratos que você solicitaria ao advogado da Pechincha Ltda. Esse relatório serve de instrumento para que o potencial comprador pondere se deve prosseguir com a aquisição do negócio.? Quais os riscos que. estamos realizando pequenas operações de compra e venda. 3 FGV DIREITO RIO 11 . Porém. no caso de Dependendo do tamanho da empresa. então. O contrato de compra e venda gera: para o vendedor. não transfere. e a escassez de bons supermercados na região. Como de costume em negócios deste gênero. deveremos solicitar todos3 os contratos da empresa a ser adquirida. como permuta. Para tanto. muitas vezes sem prestar atenção. a obrigação de pagar o preço ajustado. por si só. Coube a nós. a transferência do domínio só ocorre com a tradição (entrega) do bem. O resultado de uma diligência legal pode determinar o sucesso ou não da operação e geralmente influi no preço a ser pago. motivo que o levou a se interessar pela Pechincha Ltda. vislumbrou a possibilidade de expandir ainda mais os negócios. ambientais etc. a tarefa de fazer a diligência legal na área de contratos da Pechincha Ltda. Em nosso dia-a-dia realizamos inúmeras operações de compra e venda. Não é à toa que essa é a primeira espécie a ser tratada pelo Código Civil. trabalhistas.5. você concentraria mais sua atenção? Que problemas você vislumbra que ela pode ter nos contratos existentes? 1.

Na venda de bem imóvel de valor superior a 30 (trinta) vezes o maior salário mínimo vigente no país. e o outro. quando pura. embora não formalizada em contrato escrito. 1. um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa. necessitam de um determinado registro para que a tradição do bem – apesar de móvel – tenha sua eficácia plena.406/2002) Os artigos 481 e 482 da Lei 10. desfigura o contrato. Todavia. [sinalagmático (ou bilateral)] Envolve prestações recíprocas de ambas as partes. (arts. O correspondente gratuito da compra e venda é a doação. Estando ambas de acordo com o objeto e o preço. a pagar-lhe certo preço em dinheiro”.406/2002 dispõem: “Art. o contrato é realizado. Cite um exemplo. que só será obrigatória quando prevista especificamente em lei. Pode-se dizer. e com o registro do título de compra no Registro de Imóveis na hipótese de bem imóvel. que envolvem transferência de seu patrimônio. A partir da leitura desses dois artigos. Importante: o contrato de compra e venda de imóvel realizado por meio de instrumento particular é negócio jurídico existente. sem medo de errar.CONTRATOs Em EsPÉCIE bem móvel. embora não necessitem de formalidades especiais para seu aperfeiçoamento. C) elementos: Os elementos do contrato de compra e venda encontram-se destacados em negrito no artigo 482 acima. a observância de determinadas formalidades poderão alterar os efeitos do contrato. A gratuidade da compra e venda. b) natureza jurídica: [consensual e (em regra) não solene] Depende apenas da vontade das partes. é necessária a realização de contrato escrito mediante escritura pública e seu registro no RGI para que gere efeitos perante terceiros. Tanto é assim que a compra de um chiclete no baleiro da esquina perfaz uma compra e venda perfeita. 481. em regra. 482. válido e plenamente eficaz. A compra e venda. Pelo contrato de compra e venda. O comprador deve entregar o preço enquanto o vendedor deve entregar a coisa. não se pode esquecer que. podemos extrair a natureza jurídica e os elementos do contrato de compra e venda. Não se exige. Existem outros contratos que.267 e 1. inclusive perante terceiros. [oneroso] Tanto o comprador quanto o vendedor tem prestações a cumprir. “Art. considerar-se-á obrigatória e perfeita. formalidade específica para o contrato de compra e venda. desde que as partes acordarem no objeto e no preço”. expressa na desproporção manifesta entre o valor da coisa transferida e o preço acordado. que a maioria esmagadora das operações de venda é feita sem formalidades específicas previstas em lei. mas somente entre as partes. quais sejam: FGV DIREITO RIO 12 . para algumas espécies de compra e venda.245 da Lei n° 10.

o preço não deve ser irrisório. Pode o preço. pois nesse caso seria uma hipótese de condição potestativa4. [coisa] Em teoria. mesmo após a tradição do objeto o preço pode estar sujeito a ajustes posteriores. Por quê? Além disso. Tanto é assim.CONTRATOs Em EsPÉCIE [consentimento ] Comprador e vendedor têm que chegar a acordo quanto ao objeto e o preço. não tem qualquer valor econômico. As partes podem. E agora? Não é possível. também podem ser alienados. que é possível alienar um empreendimento imobiliário. você explica que esse presente. no direito brasileiro. Mônica. Relembrando: Condição potestativa é aquela que é sujeita ao puro arbítrio de uma das partes. que só podem ser objetos de venda os bens tangíveis. conta que está super empolgada com o presente que ganhou do namorado. A fixação do preço em regra segue o livre consentimento das partes. Marvin (comprador) e Vital (vendedor) firmaram contrato de compra e venda no qual deixaram de definir o preço. deve haver uma proporcionalidade entre o valor da coisa e seu preço.406/2002. pois senão pode ser considerado uma doação e não uma compra e venda. Um pouco constrangido (a) com a situação. ser ajustado no tempo. inclusive. todas as coisas que não estejam fora do comércio podem ser objetos do contrato de compra e venda. ou (ii) taxa do mercado ou da bolsa. Ele representa a obrigação de transferir um bem no presente ou no futuro. Ou seja. o contrato de compra e venda não transfere o domínio do bem. de acordo com a combinação das partes.406/2002. porém. ou intangíveis. Como visto acima. [preço] Conforme artigo 481 da Lei n° 10. a lei permite que o preço não esteja determinado no contrato e que as partes indiquem: (i) terceiro para fixá-lo. o preço deve ser pago em dinheiro. qualquer fórmula estipulada para fixação do preço é permitida. ou seja. 4 FGV DIREITO RIO 13 . ou (iii) índices ou parâmetros. estabelecer que o preço será fixado de acordo com a vontade de apenas uma das partes. porém. Como vimos anteriormente. embora possa ter muito valor sentimental. em certo e determinado dia e local. entretanto. como as marcas e o fundo de comércio. desde que possam ser determinados objetivamente. as despesas de escritura e registro ficam a cargo do comprador e as despesas com a tradição ficam sob responsabilidade do vendedor. O preço deve ser determinado ou determinável. Sendo assim. – É possível alienar algo que não existe? Nada impede que seja contratada a alienação de um bem que ainda não existe. Qual seria um outro exemplo de venda de coisa futura? d) despesas do contrato e garantia Em regra. Imagine que Eduardo inovou desta vez: comprou-lhe a constelação das Três Marias!!! Ela lhe pergunta quanto vale esse presente. Por quê? Isso não quer dizer. estabelecer regra diversa. Sua amiga. mesmo antes da construção dos prédios. Os bens imateriais. vedada pela Lei n° 10.

os riscos com a coisa são do vendedor. Esta hipótese é uma exceção ao princípio da Res perit domino. os bens ou direitos sobre que se litigar em tribunal. até que o comprador lhe dê garantia de que efetuará os pagamentos no prazo ajustado. tempo e modo acertado. eles não têm legitimidade para realizar determinadas operações. 5 FGV DIREITO RIO 14 . 492. – houver mútuo acordo entre as partes. sofrendo este os prejuízos. marcar ou assinalar a coisa e. direta ou indireta. os riscos da coisa correm por conta do vendedor. f) limitações à compra e venda A lei veda que determinadas pessoas participem de compra e venda. no art. – o comprador solicita que a coisa seja entregue em local diverso daquele que deveria ser entregue. quem tem que cumprir primeiro com sua obrigação: o vendedor ou o comprador? Além disso. no caso de venda a termo. ainda que em hasta pública. no lugar onde servirem. peritos e outros serventuários ou auxiliares da Justiça não podem comprar. Por isso. ou que estejam sob sua administração. se o comprador torna-se insolvente.406/2002: “se. os riscos com a coisa correm por conta do comprador quando: – a coisa encontra-se à disposição do comprador para que ele possa contar. 477 da Lei nº 10. Esse princípio foi utilizado pelo legislador ao determinar. depois de concluído o contrato. pois neste caso não houve a tradição da coisa. Tendo em vista que a celebração do contrato de compra e venda não é suficiente para transferir o domínio da coisa até o momento da tradição (para bens móveis) e do registro (para bens imóveis). Essa vedação não resulta da incapacidade das pessoas para realizar essa operação. os bens ou direitos da pessoa jurídica a que servirem. até que aquela satisfaça a que lhe comete ou dê garantia bastante de satisfazê-la”. 495 está em consonância com a previsão da exceção de contrato não cumprido5 estudada anteriormente. o vendedor pode deixar de entregar a coisa. – servidores públicos não podem comprar. Qual é? e) riscos da coisa Res perit domino – princípio segundo o qual a coisa perece em poder de seu dono. – juízes. pode a outra recusar-se à prestação que lhe incumbe. até o momento de sua efetiva entrega ou registro. Art. e os do preço por conta do comprador”. secretários de tribunais. ou a que se estender a sua autoridade. ainda que em hasta pública. em razão de caso fortuito ou força maior. mas sim da posição na relação jurídica. No caso. sobrevier a uma das partes contratantes diminuição em seu patrimônio capaz de comprometer ou tornar duvidosa a prestação pela qual se obrigou. que o vendedor arcasse com os riscos da coisa. os bens confiados à sua guarda ou administração. – o comprador está em mora de receber a coisa. Há uma diferença entre elas. a coisa se deteriora. a coisa continua a pertencer ao alienante. curadores. uma vez que cumpriu sua parte do contrato.CONTRATOs Em EsPÉCIE No contrato de compra e venda à vista. que foi posta à disposição pelo vendedor no local. Isto ocorre nas seguintes situações: – tutores. entretanto. Porém. testamenteiros e administradores não podem comprar. arbitradores. ainda que em hasta pública. juízo ou conselho. Não seria justo. que “até o momento da tradição. Essa regra do art.

ele precisa oferecer aos demais condôminos sua parte pelo mesmo preço e condições pelos quais pretende vender a terceiros. formal e aleatório. oneroso e não solene. bilateral. Quais são os motivos pelos quais o legislador resolveu restringir a aquisição pelas pessoas elencadas acima? O condômino de coisa indivisível pode alienar sua parte a terceiros. O comprador tem direito de receber coisa igual à amostra. Bilateral. entende-se que a referência à medida do terreno é meramente enunciativa.1ª fase) Quanto à classificação. Embora em alguns casos seja difícil determinar se a venda foi feita ad mensuram ou ad corpus. os bens de cuja venda estejam encarregados. desde que dê direito de preferência aos demais condôminos. 503. caso verifique que as medidas do imóvel adquirido não correspondem exatamente as medidas que constaram do contrato. Exemplo: Fazendeiro tem interesse em adquirir mil hectares para poder plantar. FGV DIREITO RIO 15 . o comprador não teria esse direito. ou seja. Quais são elas e como esse artigo deve ser interpretado para atenuar as críticas? 1. No caso de venda ad mensuram. b.2. O que ocorre se houver mais de um condômino interessado em adquirir a quota parte a ser alienada? G) regras especiais [venda por amostra] Ocorre quando a venda ocorre com base em amostra exibida ao comprador. d. Oneroso. bilateral. ainda que em hasta pública.6. independentemente da extensão. – descendentes não podem adquirir bens do ascendente.CONTRATOs Em EsPÉCIE – leiloeiros e seus prepostos não podem adquirir. rescindir o contrato de compra e venda. Nas coisas vendidas conjuntamente. Consensual. oneroso. c. o contrato de compra e venda de imóveis se apresenta da seguinte forma: a. sem consentimento expresso dos demais descendentes e do cônjuge do alienante. Venda ad corpus – as partes estão interessadas em comprar coisa certa e determinada. bilateral. não formal e consensual. Já no caso de venda ad corpus. o comprador tem o direito de exigir que a coisa vendida tenha as medidas acertadas e não o tendo pode pedir a complementação da área. questões de ConCurso (Prova: 29º Exame de Ordem . Exemplo: Fazendeiro tem interesse em adquirir a Fazenda Boa Esperança. por vezes essa distinção se faz necessária em razão das regras peculiares a cada uma. Nestes casos. [defeito oculto nas vendas conjuntas] “Art. [venda ad corpus e venda ad mensuram] Venda ad mensuram – as partes estão interessadas em uma determinada área. oneroso e solene. O objetivo do adquirente é comprar uma coisa com determinado comprimento necessário para desenvolver uma finalidade. Consensual. Esse artigo sofre críticas de importantes autores. ou caso isso não seja possível. o defeito oculto de uma não autoriza a rejeição de todas”.

deve. Falta de legitimação.1ª fase) Considerando-se o instituto da tradição no direito civil. Ao comprador. Ao vendedor.1ª fase) A quem cabem as despesas com a escritura de compra e venda de imóvel residencial? a. podemos afirmar que: a. Unilateral. configura: a. falta de capacidade. c.7. se for o caso. É válida a venda de ascendente solteiro a descendente. Transfere-se o domínio dos bens móveis. Comutativo. Modelo de lista de due diliGenCe DILIGÊNCIA LEGAL Durante a diligência legal serão analisadas cópias dos documentos abaixo discriminados. Necessariamente ao vendedor c. Neste caso. a todas as suas controladas e coligadas. c.1ª fase) Com relação ao contrato de compra e venda. bastará que a sociedade formule declaração por escrito nesse sentido. Na venda “ad mensuram” as referências às dimensões do imóvel são meramente enunciativas.CONTRATOs Em EsPÉCIE (Prova: 27º Exame de Ordem . antes de vendê-la a um estranho. se for o caso. d. não existe proibição. Falta de legitimação. b. I . que obtém o consentimento dos demais descendentes.1ª fase) A proibição de venda do ascendente aos descendentes sem a concordância dos demais. 1. Necessariamente ao comprador b. não cabendo demanda quanto a uma eventual diferença nas medições d. tanto por tanto. podendo haver disposição em contrário (Prova: 05º Exame de Ordem . O condômino em coisa indivisível. FGV DIREITO RIO 16 . d. podendo haver disposição em contrário d. Transfere-se o domínio de qualquer bem imóvel. dar direito de preferência na aquisição. É nula a pactuação firmada que deixa ao exclusivo arbítrio de uma das partes a fixação do preço b.1ª fase) A compra e venda de bens móveis é contrato: a. Desde que haja capacidade. ao desejar vender a sua parte no bem. aos demais condôminos (Prova: 26º Exame de Ordem . (Prova: 03º Exame de Ordem . d.NOTA INTRODUTÓRIA: Alguns dos documentos solicitados podem não existir ou não ser aplicáveis à sociedade objeto da diligência legal e. ainda que haja capacidade. b. Formal. a suas controladas e coligadas. incapacidade de fato. NÃO É CORRETO afirmar: a. referentes à sociedade limitada a ser adquirida e. Não se transfere o domínio dos bens móveis. A título gratuito. Executam-se as obrigações assumidas verbalmente. c. b. quando da realização de avença c.2. Falta de aptidão intrínseca do agente. (Prova: 05º Exame de Ordem .

6. 19.CONTRATOs Em EsPÉCIE Se a sociedade mantiver filiais. desenhos industriais. Planos de Opção de Compra de Ações/Quotas oferecidos aos seus administradores e/ou empregados.CONTRATOS: 17. Registro das ações ou quotas de outras sociedades de que participa a sociedade. arquivados ou não na sede da sociedade. 13. 10. garantias. as certidões a serem providenciadas deverão abranger a matriz e todas as filiais. III . bem como respectivas cópias. bem como as suas respectivas publicações. 3. 7. se existentes. acompanhados dos respectivos certificados de averbação no INPI e de registro no Banco Central. 12. incluindo suas funções e responsabilidades. Solicitamos que os documentos sejam ordenados e/ou relacionados seguindo a ordem e numeração constante deste check list. 9. especialmente o de Atas de Assembléias ou Reuniões de Sócios. Relatório indicando todas as procurações outorgadas pela sociedade (ad judicia e ad negotia). promessas de compra e venda. 21. 18. patentes. 2. Informar sobre a eventual existência de inadimplemento de cláusulas contratuais contendo obrigações de caráter econômico-financeiro (tais como cláusulas limitando o futuro endividamento da sociedade. depósitos e quaisquer outras operações da sociedade. Todos os Livros Societários da sociedade. Lista de endereços completos de todos os escritórios. FGV DIREITO RIO 17 . 20. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de distribuição. Contrato constitutivo da sociedade e respectivas alterações contratuais posteriores.ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DA SOCIEDADE: 1. Acordo de Sócios e Aditivos. 8. 14. Contratos de consórcio. membros da administração da sociedade que ocupam e/ou ocuparam tais cargos durante os últimos 02 (dois) anos. 11. com comprovantes de arquivamento na Junta Comercial e respectivas publicações. Lista dos nomes dos sócios. direito autoral. representação comercial e de fornecimento (ativo ou passivo) envolvendo a sociedade. Fornecer cópias dos modelos de contratos-padrão utilizados pela sociedade. filiais (com os respectivos números de inscrição no CNPJ).). a fim de agilizar o procedimento de sua identificação e análise. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de licença e/ou cessão envolvendo marcas. controladas e demais sociedades nas quais participe. contratos de assistência técnica e/ou contratos de franquia ou outros contratos envolvendo bens de propriedade intelectual eventualmente firmados pela sociedade. contratos de transferência de tecnologia. 5. coligadas. cauções e outros gravames. cópia das publicações exigidas em lei. Em caso de cisão ou redução do capital social da sociedade. cláusulas estabelecendo proibição de ultrapassar determinado limite entre capital próprio e capital de terceiros (“debt/ equity”) e etc. com identificação de seus sócios. Convenção de grupo de sociedades de que a sociedade participe. vencimentos. tendo por objeto as quotas da sociedade. incorporação e fusão em que tenha sido parte a sociedade ou tendo por objeto suas quotas. 16. prazo e com o fornecimento das respectivas cópias. Protocolos de cisão. Demonstrações financeiras da sociedade. subsidiárias. valor. 4. Opções. 15. informando objeto. Fornecer lista elaborada pela administração da sociedade contemplando todos os contratos em vigor dos quais a sociedade seja parte signatária ou interveniente. Organograma societário da sociedade. associação ou “joint venture”. II . Certidão de Breve Relatório da Junta Comercial competente. situação (adimplemento ou inadimplemento). bem como Atas de Assembléias ou Reuniões de Sócios.

ainda. patentes e/ou desenhos industriais depositados/registrados. caução) concedidas pela sociedade em favor de terceiros ou. 30. correspondências. caução) em favor da sociedade e respectivas certidões ou. que não tenham sido previstos na presente lista. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de prestação de consultoria. 27.1. FGV DIREITO RIO 18 . cujas cópias deverão ser igualmente fornecidas. 24. Desenvolvimento de software. Informar sobre e fornecer cópia de documento de constituição de garantias pessoais (e. 26. se de conhecimento da mesma. assistência técnica ou serviços de qualquer outra natureza. Informar sobre e fornecer cópia de compromissos. Manutenção de software. Processos administrativos e/ou judiciais envolvendo os bens de propriedade intelectual da sociedade.g fiança. 33. 31. incluindo.6. com a informação. instrumentos tendo por objeto alienação fiduciária de bem da sociedade ou compra e venda com reserva de domínio. 28. e/ou outros instrumentos de natureza financeira. 31. bem como comprovação de poderes de representação do signatário do garantidor. instrumentos tendo por objeto alienação fiduciária e compra e venda com reserva de domínio. que qualquer referência a contratos inclui seus aditivos e anexos.g fiança.PROPRIEDADE INTELECTUAL: Solicitamos informações e cópias de todos os bens e documentos referentes à propriedade intelectual da sociedade no Brasil e em outros países. ou modifiquem seus termos. tais como: 31. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantias reais (e.g hipoteca. 39. Processos administrativos apresentados contra marcas de terceiros no Brasil e/ou no exterior. Fornecer todas as apólices de seguros contratados. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantias reais (e. Informar sobre e fornecer cópia de Cartas de Conforto (comfort letters) ou quaisquer instrumentos. Marcas. da eventual cessão pelo beneficiário das referidas notas. 36. mas não se limitando a: 35. Obras intelectuais de titularidade da sociedade. Todos os softwares criados pela sociedade. 42. 34. 31. Informamos. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de prestação de serviços de publicidade e propaganda. 32. Locação de hardware. penhor. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de locação. Manutenção de hardware. 37. 23. 40.. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de empréstimo ou financiamento (inclusive por meio de emissão de valores mobiliários). Nomes de domínio registrados pela sociedade. que definam o modo de cumprimento de cláusulas contratuais. IV . 31. aval) concedidas pela sociedade em favor de terceiros. cartas de intenção ou entendimentos com terceiros em que a sociedade figure como parte. 29. penhor. 25. aval) em favor da sociedade. acordos laterais etc.CONTRATOs Em EsPÉCIE 22.4. Informar sobre e fornecer cópia de Notas Promissórias emitidas pela sociedade.2.3.g. Todos os softwares utilizados pela sociedade. Serviços técnicos. 31. Informar sobre e fornecer cópia de contratos na área de tecnologia da informação. 38. arrendamento mercantil ou comodato de bens imóveis ou móveis. ainda. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantia pessoal (e. 31. hipoteca.5. Licenciamento de software. 41. finalmente. Informação acerca de segredos de negócio de propriedade da sociedade.

etc. Consultas fiscais.000. envolvendo a sociedade. Certidões negativas relativas ao IPTU. 50. Qualquer outra documentação que seja relevante e/ou que afete os bens de propriedade intelectual da sociedade.) relacionada ao regime especial e/ou benefício fiscal concedido à sociedade até a presente data. cujas decisões foram proferidas nos últimos 5(cinco) anos. com a indicação. etc. ainda. utilização de créditos extemporâneos. VI – ASPECTOS FISCAIS: 48. formalmente protocoladas perante os órgãos da administração tributária. 53.. acompanhados dos receptivos termos. (iii) número de parcelas. 49. estadual ou municipal. direitos de retenção ou qualquer outra forma de restrição de qualquer natureza sobre qualquer ativo da sociedade listando tais ativos e os relacionando aos respectivos processos judiciais ou administrativos. (iii) existência ou não de medida judicial que permita a utilização dos créditos. Prova da propriedade dos bens móveis de valor individual acima de R$10. 52. Relatório atualizado discriminando parcelamentos de tributos da sociedade e/ou participação em programas de recuperação fiscal (“REFIS” ou “PAES” .00 (dez mil reais) integrados ao ativo da sociedade. As 3 (três) últimas demonstrações financeiras e os 3 (três) últimos Balancetes consolidados da sociedade. (vi) documentação apresentada à autoridade fiscal competente discriminando os débitos fiscais incluídos no REFIS e/ou PAES e (vii) prova de quitação de todos os pagamentos até a presente data. (ii) valores envolvidos. Certidões negativas do INSS relativas aos bens imóveis da sociedade.no âmbito federal. Informações sobre aproveitamento de créditos tributários. Informar. estaduais ou municipais) concedidos à sociedade. Disponibilizar o LALUR referente ao último ano. Toda e qualquer documentação relativa a penhores. V . estadual ou municipal). dos registros de imóveis competentes. cartas de representação e/ou outras informações formais prestadas pelos administradores aos auditores. referente aos últimos 05 (cinco) anos. já em reais. Caso a sociedade possua bens imóveis: 45. indicando (i) forma do aproveitamento: compensação com outros tributos. nos níveis federal. de todos os valores pendentes de tributação eventualmente registrados na parte B e demonstrativo do prejuízo fiscal acumulado e da base negativa da Contribuição Social. (iv) quantidade de parcelas pagas. inclusive certidões atualizadas com filiação vintenária.PROPRIEDADES E ATIVOS: 44. para fins de auditoria. Prova da propriedade dos bens imóveis da sociedade. FGV DIREITO RIO 19 . com a mesma data do último Balancete que será disponibilizado. a existência de eventuais requerimentos ou questionamentos pendentes quanto aos mesmos. declarações. com negativa de ônus/servidões/alienações. garantias. repetição do indébito. bem como da ausência de aforamento (enfiteuse). Fornecer toda documentação (Instruções Normativas. Pareceres dos auditores independentes. 46. (ii) início do parcelamento. Relatório atualizado identificando todos os eventuais benefícios fiscais e/ou tratamentos fiscais (federais. 51. indicando: (i) tributo parcelado. 47. (v) garantia oferecida. tendo por objeto matéria tributária. 54. já utilizados e a utilizar. Portarias. 55.CONTRATOs Em EsPÉCIE 43. expedidas pelos Municípios onde se encontram os imóveis da sociedade.

65. recursos e acórdãos. 59. 61. sentenças. Criminais e Fiscais. 57. despachos. Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais intimações. expedidas pela Procuradoria da Fazenda Nacional. inclusive parcelamentos em andamento. Secretaria Estadual de Fazenda e Secretaria Municipal de Fazenda indicando os processos administrativos. relativamente a tributos federais. FGV DIREITO RIO 20 . Disponibilizar cópias das peças fundamentais dos processos fiscais. judiciais e administrativos.. Falências e Concordatas (i. Criminais e Fiscais e Certidões da Justiça Estadual dos Distribuidores Cíveis e Fiscais e Certidões dos Distribuidores da Justiça do Trabalho). IPI. e. execução ou cumprimento. notificações. Fornecer originais de Certidões atualizadas dos cartórios distribuidores de ações da Justiça Federal. Fornecer originais de Certidões de quitação de Tributos e Contribuições Federais – “CQTF” (IR. (v) valores envolvidos (atualizados ou em UFIR). tais como. Fornecer originais de Certidões de Dívida Ativa – (CDA) em nome da sociedade. judiciais e administrativos em que a sociedade seja parte ou tenha interesse. com a indicação de: (i) tributo envolvido. 63. inspeções ou investigações realizadas.. cobrindo o período de 10 (dez) anos (i. com a estimativa de valores envolvidos. Fornecer originais de Certidões atualizadas do INss (CND). Interdições e Tutelas. (iv) andamento (status) atualizado. COFINS. PIS). Caso tenha havido alteração de sede nos últimos 05 (cinco) anos. pendentes (nos quais a sociedade figure como autora. (vii) chances de êxito e respectivo critério utilizado. (iii) objeto e fundamentos do pedido.e. 58. Estadual e municipal. em nome da sociedade. 60. Relatórios: 62. abrangendo feitos Cíveis. Justiça Estadual e Justiça do Trabalho das comarcas da matriz e onde a sociedade mantém estabelecimentos ou filiais. Composição analítica das principais contas que compõem depósitos judiciais e provisões para contingências fiscais e suas correlações com os processos fiscais administrativos e judiciais em andamento. 64.CONTRATOs Em EsPÉCIE VII . e referentes a processos administrativos. ré ou terceira interessada) ou em vias de ser iniciados. instauradas por órgãos governamentais ou terceiros. passadas em nome da sociedade. Fornecer Relatório elaborado pelos advogados responsáveis pelos respectivos casos. contestação. as duas últimas para cada estado ou município onde a sociedade possui estabelecimentos. identificando todos os eventuais processos fiscais.LITígIOs JUDICIAIs OU ADmINIsTRATIVOs: Certidões: 56. ainda. (ii) foro. pendentes de julgamento. inicial. ainda não inscritos em dívida ativa. Certidão de Quitação do FgTs. estaduais e municipais. (vi) valor da causa. abrangendo todas as suas filiais. Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais processos de desapropriação em que a sociedade figure como autora. bem como de relatório emitido pela Secretaria da Receita Federal. 66. (viii) provisões e/ou depósitos judiciais e (ix) quaisquer informações relevantes com respeito a tais processos. bem como Trabalhistas.e. em curso em nome da sociedade. Certidões dos Cartórios de Protestos de Letras e Títulos). Certidões da Justiça Federal dos Distribuidores de Ações e Execuções Cíveis. CSLL. com relação a cada um de seus estabelecimentos ou filiais. favor solicitar as certidões aplicáveis também em relação ao(s) antigo(s) endereço(s). Fornecer originais de Certidões atualizadas passadas por todos os Cartórios de Protestos das comarcas onde a sociedade mantém estabelecimentos ou filiais. Certidões de quitação de Tributos Estaduais (ICms) (Certidão de quitação de Tributos Estaduais) e Certidões de quitação de Tributos municipais (ISS) (Certidão de quitação de Tributos Municipais).

prêmios. cópia do modelo de autorização de desconto salarial relativo aos benefícios concedidos. 69. Relativamente à alimentação. 70. Horário de trabalho. (vi) o benefício integra o salário para efeito de cálculo do FGTS. despesas de representação. planos de saúde. e (iv) salário atual (partes fixas e variáveis). gratificações. 73.1. se existente. inspeções ou investigações realizadas. Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais reclamações baseadas em defeitos constatados nos produtos fabricados pela sociedade (“product liability”) ou em garantias concedidas pela sociedade na venda dos produtos.3.CONTRATOs Em EsPÉCIE 67. apresentar cópia dos comprovantes anuais de inscrição. Acordos de compensação e de prorrogação da jornada de trabalho. Fornecer Documentos e relatórios (inclusive os Termos de início e encerramento de fiscalização tributária) contendo informações sobre eventuais intimações. 73. 75.2. FGV DIREITO RIO 21 .1.2. Previdência Social. informar se: (i) os empregados podem optar por tais benefícios. Relativamente à remuneração. contrato por prazo determinado etc. Caso afirmativo. com indicação das respectivas funções e salários. horário de intervalo e dia de folga semanal dos empregados. Há empregados recebendo benefícios tais como. Relativamente à jornada de trabalho. Relação dos empregados que utilizam telefone celular ou equipamento similar. Imposto de Renda. A alimentação é fornecida pela própria sociedade ou são concedidos vales-refeição? Há desconto no salário ou é fornecida gratuitamente? 75. bonificações ou ajudas de custo? Quais funções recebem as ditas parcelas? Qual o critério de pagamento? 74.4. (ii) existem empregados que optaram pelo não recebimento. Fornecer Relatório contendo informações sobre processos administrativos que envolvam as sociedades controladas ou coligadas. inclusive banco de horas. (ii) local de trabalho. Indicar se houve homologação do plano pelo Ministério do Trabalho. VIII – AsPECTOs TRABALHIsTAs: 71. auxílio educação. instauradas por órgãos governamentais ou terceiros. Fornecer Cartas encaminhadas pelos advogados externos aos auditores independentes sobre processos judiciais e administrativos. Cópia do plano de cargos e salários. auxílio alimentação etc. relatório informando: 75. Relação dos empregados não subordinados a controle de horário. férias e décimo terceiro salário. notificações. auxílio moradia. ficando à disposição da sociedade. Informar a forma de remuneração das horas à disposição. Como é feito o controle de horário? A anotação é feita pelo próprio empregado ou por pessoa específica? Onde são feitas tais anotações? Os empregados assinam tal registro? 73. relatório informando: 74.) e do regulamento interno ou regulamento de pessoal da sociedade.1. se houver. Quais as verbas percebidas além do salário fixo e horas extras? Há empregados recebendo comissões. Relatório identificando todos os empregados. 68. (iii) existe autorização dos empregados para o desconto. contendo (i) data de admissão. 74. 76.? Qual o critério de pagamento de cada benefício? É efetuado desconto no salário? Caso haja desconto. Conselho Nacional de Política Salarial ou norma coletiva. Informar eventuais horários de trabalho diferenciados por setor ou sistemas de revezamento. previdência privada. (iii) cargo ou função. A sociedade participa do PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador? Caso positivo. 72. 73. Cópia dos modelos de contrato de trabalho (contrato de experiência. uso de automóvel. relatório informando: 73.2. Informar o saldo atual de horas trabalhadas e ainda não compensadas pelo “banco de horas”.

A sociedade tem organizada a CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes? Caso positivo. apresentar relação dos atuais integrantes e cópias das atas de reunião dos últimos 02 (dois) anos. empregadas grávidas. contendo (i) partes envolvidas. (vi) estimativa dos valores envolvidos. Há serviços terceirizados na sociedade? Apresentar cópia dos contratos de prestação de serviços firmados com empresas prestadoras de serviços. (iv) a quem estão subordinados. ou dissídios próprios para categorias diferenciadas (secretárias. Foram ajuizadas reclamações trabalhistas em razão do plano de demissão? 83. etc. cooperativas. 89. X – AsPECTOs AmBIENTAIs: 93. (ii) se trabalham diariamente nas dependências da sociedade. FGV DIREITO RIO 22 . decisões proferidas em todas as instâncias. A sociedade instituiu. de Instalação e Funcionamento emitidas pelo órgão ambiental competente. bem como cópias.). Registros e inscrições da sociedade junto às autoridades fiscais federais. se houver. (iii) quem controla os serviços de tais empregados (a sociedade ou a prestadora de serviços). 90. (vi) valores mensais pagos e se a sociedade exige mensalmente os comprovantes de recolhimento previdenciário e do FGTS. Cópia de Plano de Participação nos Lucros e/ou Resultados.APROVAÇÕEs gOVERNAmENTAIs E LICENÇAs: 92. (vi) número de trabalhadores envolvido. Relatório identificando todos os empregados com estabilidade permanente ou temporária (CIPA. Cópia dos termos de ajustamento de conduta. (vii) estimativa de êxito. Informar o valor da provisão com relação aos processos judiciais e administrativos em andamento. inclusive termos aditivos. alvará da prefeitura etc. Cópia das convenções coletivas. 85. nos últimos 05 (cinco) anos. 82. 91. Cópia do Livro de Inspeção do Trabalho de todos os estabelecimentos da sociedade. empregados com cargo de direção em sindicatos ou associações profissionais. 78. inquéritos administrativos. ações civis públicas ou outras ações de natureza trabalhista. (iii) pedidos. telefonistas. 88. esclarecer os critérios do plano. Cópia do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). estaduais e municipais (tais como CNPJ. bem como fornecer respectivos documentos. (v) período dos serviços. motoristas e profissionais liberais). empresas de mão-de-obra temporária ou trabalhadores autônomos e relatório informando: (i) se os empregados alocados para atender a sociedade são sempre os mesmos. acordos. Informar se são observadas convenções. tais como petição inicial. INSS. 79. 87. Informar o valor despendido pela sociedade com o pagamento de tal participação. (ii) foro. das respectivas rescisões do contrato de trabalho e homologação pelo Sindicato ou pela DRT. por amostragem. cálculos de liquidação.CONTRATOs Em EsPÉCIE 77. 86. acaso existentes. Cópia dos Autos de Infração lavrados contra a sociedade nos últimos 02 (dois) anos e respectiva defesa/decisão administrativa/recurso ou guia comprovando pagamento da multa administrativa. acordos coletivos. do programa de opção de compra de ações e a relação dos empregados e executivos elegíveis a tal plano. Relação dos empregados desligados da sociedade nos últimos 02 (dois) anos. empregados acidentados. explicitando os critérios de tal provisão. Relatório identificando todas as reclamações trabalhistas e procedimentos administrativos (DRT e MPT) em curso contra a sociedade. plano de demissão incentivada? Caso afirmativo. Cópia das principais peças de todas as ações trabalhistas em curso contra a sociedade. cálculos homologados e depósitos efetuados. 84. decisões judiciais proferidas em dissídio coletivo. 80. autos de infração. IX . e (v) situação atual. 81. Licenças Ambientais: Licenças Prévias. ISS. Cópia do plano de opção de compra de ações.).

e que o Comprador deseja adquiri-las. usufrutos ou qualquer outra restrição à posse e/ou a qualquer outro direito inerente a tais Quotas. 1. Inscrição no Cadastro Técnico Federal das Atividades Potencialmente Poluidoras. 104. Habite-se. declara que as Quotas foram regularmente integralizadas e se encontram inteiramente livres e desembaraçadas de ônus. Alvará do Corpo de Bombeiros. Comprovante de pagamento do TCFA .8. de acordo com as seguintes cláusulas e condições: CLÁUSULA PRIMEIRA . encargos. Listagem das ações judiciais e processos administrativos de cunho ambiental e seus respectivos andamentos. 1. doravante denominada simplesmente “sociedade”. doravante denominado simplesmente “Comprador”. neste ato. conforme modelo abaixo. O Vendedor. Pelo presente Contrato e na melhor forma de direito. pelo preço certo e ajustado estabelecido na Cláusula 2. Licença do órgão sanitário competente para ambulatórios e refeitórios. CONSIDERANDO QUE: (i) O Vendedor é legítimo possuidor e proprietário de 15. Modelo de Contrato de CoMPra e Venda de quotas Além da alteração do contrato social necessária para transferir quotas. gravames.000 (quinze mil) quotas representativas de 50% (cinqüenta por cento) do capital social da sociedade (“Quotas”).2.Taxa de Controle de Fiscalização Ambiental. 98. Outorgas do Uso da Água. nos termos ajustados pelo presente instrumento. na qualidade de interveniente-anuente: [NOmE E QUALIFICAÇÃO DA sOCIEDADE CUJAs QUOTAs EsTÃO sENDO ALIENADAs]. Licença de Funcionamento emitida pela Vigilância Sanitária. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE QUOTAS [NOmE E QUALIFICAÇÃO].1 abaixo. 102. e (ii) O Vendedor deseja alienar as Quotas. turbações. a totalidade de suas Quotas representativas do capital social da sociedade ao Comprador.1. O Vendedor e o Comprador (doravante referidos simplesmente como “Partes”) têm. 99. 96. doravante denominado simplesmente “Vendedor”. 101.DA COMPRA E VENDA DAS QUOTAS 1. que deve ser arquivada no registro competente.CONTRATOs Em EsPÉCIE 94. 105. 100. 106. e [NOmE E QUALIFICAÇÃO]. o Vendedor cede e transfere. entre si. Certificado de Licença de Funcionamento emitido pelo Ministério da Justiça. ainda. com todos os respectivos direitos e obrigações. justa e contratada a celebração do presente Contrato de Compra e Venda de Quotas (“Contrato”). 95. Alvará de Licença e Localização emitido pela Prefeitura. Relatório informando a respeito de atividades passadas desenvolvidas nos imóveis onde a sociedade desenvolve suas atividades. e. 103. Certidão de Uso do Solo. 97. Licença de substâncias sujeitas a controle especial emitida pelo Departamento de Polícia Federal.2. as partes podem celebrar adicionalmente um contrato de compra e venda de quotas. FGV DIREITO RIO 23 .

por qualquer motivo.DISPOSIÇÕES GERAIS 4.. o Vendedor outorgará ao Comprador. anulada ou inexeqüível.00 (cem mil reais) (“Preço”). as demais disposições serão modificadas para preservar sua exeqüibilidade. rasa e geral quitação com relação ao valor pago. Toda e qualquer alteração das disposições do presente Contrato somente será válida e exeqüível. cabal e exclusivo entre as Partes com relação à compra e venda das Quotas. assim FGV DIREITO RIO 24 .. herdeiros. O preço certo.5. Fica ajustado entre as Partes que as despesas decorrentes do arquivamento da alteração contratual referida na cláusula 3.. Entretanto. Quaisquer dos endereços constantes do preâmbulo poderão ser alterados.. O presente Contrato constitui o acordo final. 4.CONTRATOs Em EsPÉCIE CLÁUSULA SEGUNDA . CLÁUSULA QUARTA . essa disposição será suprimida e não terá nenhuma força e efeito.] da agência [.7..1. a qualquer título.1. entendimentos e declarações anteriores. o pagamento das parcelas que perfazem o Preço.] da agência [. a qualquer tempo.00 (vinte e cinco mil reais) pagos neste ato.1. substituindo todos os acordos. Uma vez creditado na conta-corrente do Vendedor. plena. constantes do item 2.] do Banco [. e b) R$ 75. seus sucessores. assinado por 02 (duas) testemunhas. a ser pago pelo Comprador ao Vendedor da seguinte forma: a) R$ 25. do Código de Processo Civil.] da conta-corrente nº [. e somente poderá ser alterado por instrumento escrito devidamente assinado por todas as Partes.1. 4. entretanto a respectiva comunicação de alteração de endereço só tornar-se-á efetiva após o recebimento pela outra Parte e/ou pela sociedade.3. mediante a assinatura da competente alteração do contrato social da sociedade. constitui título executivo extrajudicial. O não exercício ou atraso por qualquer das Partes e/ou da sociedade. 2.1 do presente Contrato será de exclusiva responsabilidade do Comprador. 4.] do Banco [. mediante depósito na conta-corrente nº [. se essa disposição suprimida prejudicar a execução deste Contrato. CLÁUSULA TERCEIRA – TRANSFERÊNCIA DAS QUOTAS 3.. (ii) através de carta registrada. 4. mencionado na Cláusula Segunda. ou (iii) com outra comprovação inequívoca de recebimento.8. mediante comunicação dada na forma prevista acima..]. 4.1 acima. conforme o caso. da totalidade do Preço devido ao Vendedor...000.000. se formalizada mediante instrumento escrito assinado pelas Partes e pela sociedade.2. inclusive quaisquer despesas decorrentes de serviços profissionais por ele contratados. O presente Contrato é celebrado em caráter irrevogável e irretratável e obriga e aproveita às Partes e à sociedade. e somente produzirá efeitos. cessionários e representantes legais.000.FORMA DE PAGAMENTO 2. total e ajustado para a aquisição das Quotas é de R$ 100. nos termos do artigo 585. 4. a esse respeito. 4..00 (setenta e cinco mil reais) a serem pagos em até 90 dias a contar desta data. As Partes declaram e reconhecem que o presente Contrato.8.1..9. A transferência das Quotas será formalizada no ato do pagamento pelo Comprador. por meio da entrega pelo Vendedor ao Comprador do cheque administrativo nº [.]. O presente Contrato ou quaisquer direitos e/ou obrigações dele oriundos não poderão ser cedidos sem o prévio e expresso consentimento das Partes e da sociedade. no exercício de qualquer direito previsto neste Contrato deverá ser interpretado individualmente e não poderá ser considerado como renúncia por qualquer das Partes ou novação de qualquer obrigação contida neste Contrato. Na hipótese de qualquer disposição ou parte de qualquer disposição deste Contrato ser tida como nula. 4... inciso II.. orais ou escritos.4.1. sendo considerada como mero ato de liberalidade. 4. Todas as notificações e comunicações a serem feitas com relação ao presente Contrato serão elaboradas por escrito e serão enviadas para os endereços constantes do preâmbulo deste Contrato (i) por meio de Cartório de Títulos e Documentos.6.

632. 4.10. para dirimir quaisquer questões oriundas deste Contrato. as Partes assinam este Contrato em 03 (três) vias de igual teor e efeito. 639 e seguintes do Código de Processo Civil. Rio de Janeiro. por mais privilegiado que possa ser. nos termos dos artigos 461. E por estarem certas e ajustadas. Assinatura das Partes e da Sociedade Testemunhas: 1.CONTRATOs Em EsPÉCIE como as obrigações de fazer aqui contidas comportam execução específica. Nome: CPF/MF: FGV DIREITO RIO 25 . à exclusão de qualquer outro. Nome: CPF/MF: 2. Fica eleito o foro da Comarca do Rio de Janeiro. na presença de 02 (duas) testemunhas. [dia] de [mês] de [ano].

quais são as duas principais perguntas que você deve fazer a ele para poder dar uma orientação inicial sobre o caso? 1.). biblioGrafia obriGatória: • Arts. Embora não seja advogado do senhor Jeremias.vol. eMentário de teMas: Retrovenda . Instituições de Direito Civil . São Paulo: Saraiva. Caso Gerador: Jeremias encontra você trabalhando na diligência legal e aproveita para lhe fazer uma consulta “informal”. 215 a 225.Da Venda a Contento e da Sujeita a Prova – Preempção ou Preferência . Paulo Luiz Netto. 3. Saraiva. págs. São Paulo: Ed.. Ele conta que.Venda com reserva de domínio – Da venda sobre documentos 1. 174 a 182 e 183 a 194. Comentários ao Código Civil. Caio Mário da Silva. e que.). págs. (coord. Antônio Junqueira de.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Jeremias deve devolvê-lo. Ele diz que está surpreso porque agora recebeu uma notificação de um tal de Olavo Evolto. 6. Parte Especial..4. In: AZEVEDO. informando que exerceu o direito de retrovenda do imóvel em face da senhora Ermelinda. 505 a 532 da Lei nº 10.3.Contratos. biblioGrafia CoMPleMentar: • Parecer Jurídico DNRC/ COJUR/ n° 217/03 – direito de preferência na cessão de quotas. Após alguns minutos enaltecendo a beleza da cidade. Ele diz que nunca ouviu falar em retrovenda e lhe pergunta o que fazer. roteiro de aula a) retrovenda Direito de recobrar = Direito de retrato = direito de resgate = vendedor tem direito de exigir que o comprador lhe revenda o imóvel. apesar de morar em Brasília.406/2002. 2002. 1.3.CláuSulAS ESPECIAIS dA COmPRA E VENdA 1. • RODRIGUES. vol. Direito Civil. ele diz que pelo menos uma vez por ano vai ao Rio e que há alguns anos atrás decidiu parar de se hospedar em hotéis e comprou um loft na Barra da senhora Ermelinda Silva. 2003. 1. 2005 . Das várias espécies de contratos. • LÔBO. Silvio. III.3. portanto..3.2. 223 a 225. Rio de Janeiro: Forense.1.3. vol. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.3. FGV DIREITO RIO 26 . págs.3. AulA 3: CONTRATO dE COmPRA E VENdA (CONT.5. sempre gostou muito do Rio de Janeiro e que os cariocas têm muita sorte de conviver com uma paisagem tão privilegiada. • PEREIRA.

juntamente com a escritura pública de compra e venda.406/2002. inclusive as que. silvio. Relembrando. A concordância do comprador é. Direito Civil. Tendo em vista o que aprendemos nas aulas anteriores. o domínio do bem não é transferido. Somente com a concordância do comprador. compra roupas da boutique Charmosa há mais de dez anos. sempre que chegam novas peças que Marli acha que são do gosto de Mônica. se efetuarem com a sua autorização escrita. Está demorando mais do que o normal para ela se manifestar. a despersonalização das relações entre as partes. 505. 187. portanto. Quais são eles? “Art. são Paulo: Ed. Dona Mônica. ele estará obrigado a oferecer o bem ao vendedor. Assim. Daí ser ela.. RODRIGUEs. saraiva. o vendedor pode vir a resguardar seu direito de preempção ou direito de preferência. Assim. E agora? O que dona Marli deve fazer? C) Preempção ou preferência Ao vender um bem. Por que você acha que o legislador restringiu o instituto da retrovenda apenas aos bens imóveis? O prazo para recobrar o imóvel é decadencial. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Direito Civil. hoje. vol. quais são as conseqüências de ser um prazo decadencial e não prescricional? b) da Venda a Contento e da sujeita a Prova A venda a contento é cada vez mais rara atualmente em razão da “padronização de mercadorias. 3. restituindo o preço recebido e reembolsando as despesas do comprador. 6 7 8 Oponível a terceiros. embora haja a tradição do bem móvel. ela ainda pode ocorrer..”8.o compromisso de venda e compra preenche. saraiva. pág. ou para a realização de benfeitorias necessárias”. Para que tenha efeito erga omnes7. ela manda para a casa da senhora Russo as novas peças para que ela possa experimentar e decidir se vai comprá-las ou não. Esse exemplo nos mostra que. por exemplo. Dona Mônica é uma cliente muito querida e conhecida por todas as vendedoras da loja. 189. A gerente da loja já está pressionando Marli. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. o domínio é transferido. pág. O vendedor de coisa imóvel pode reservar-se o direito de recobrá-la no prazo máximo de decadência de três anos. RODRIGUEs. Dona Marli acompanhou em todos esses anos a vida da família Russo.. o direito de retrovenda deve ser registrado no registro de imóveis. 3. vol. no caso da venda a contento. uma condição suspensiva para a alienação. FGV DIREITO RIO 27 . durante o período de resgate. silvio. quais são as conseqüências do domínio não ser transferido pela tradição da coisa móvel? Duas semanas se passaram e dona Mônica ainda não deu retorno a dona Marli sobre as roupas. caso o comprador queira vender esse bem a terceiros.CONTRATOs Em EsPÉCIE Muitos entendem que a retrovenda caiu em desuso em razão do compromisso de compra e venda. terá preferência sobre ele. que se pagar o mesmo valor oferecido pelo terceiro. com muito mais eficácia e maior economia. Ela sempre é atendida pela dona Marli. Apesar de ser mais rara.. instituto superado”6. são Paulo: Ed. pois vai querer vender as peças a outras clientes. Analisando o artigo 505 da Lei 10. o papel que durante algum tempo a retrovenda desempenhou. podemos extrair alguns requisitos da retrovenda. “. a difusão dos preços fixos.

Se o prazo não for estipulado. e atual. os contratantes podem convencionar que se um deles desejar vender sua participação a terceiro será obrigado a oferecer as suas ações primeiro aos demais acionistas. geralmente vinculado à compra e venda. sendo um contrato. aum. Vamos supor que. estando disposto a pagar ao comprador o preço que ele tiver conseguido com terceiros. o direito de preferência caducará em 3 (três) dias. que poderão comprá-las pelo mesmo preço e condições oferecidos ao terceiro. ao contrário do que ocorre com os bens imóveis que exigem solenidade para sua transferência. se não há previsão expressa da reserva de domínio. A cláusula de direito de preferência é muito comum. No caso de venda com reserva de domínio. – o vendedor tem que exercer o direito no prazo. Quais são as diferenças entre a preempção e o direito de retrovenda? O direito de preferência é um negócio acessório. 9 “Art. Silvio Rodrigues comenta: “Destina-se o acordo de acionistas a regrar o comportamento dos contratantes em relação à sociedade de que participam. o contrato deve ser registrado no Registro de Títulos e Documentos. preferência para adquiri-las. 322). no caso de bem imóvel.. que lhe afirma que a venda das quotas não foi válida. o senhor Eduardo se comprometia a oferecer direito de preferência a esse outro sócio no caso de alienação de suas quotas. Além disso. Tanto é assim que a Lei nº 6. ou a 2 (dois) anos. aplica-se a regra geral de que a propriedade do bem móvel transfere-se com a tradição do bem. Direito societário – 7 ed. 2001. para que seja oponível a terceiros. embora o bem seja entregue ao potencial comprador. é comum que pessoas realizem operações de venda de bem móvel sem consultar registros ou sem exigir a prova da propriedade do vendedor. exercício do direito a voto. sobre compra e venda de suas ações. nosso cliente seja procurado pelo senhor Oportunista. O prazo para exercer o direito de preferência não poderá ser superior a 180 dias se o bem for móvel. a ele se aplicam os preceitos gerais. no qual. que dispõe sobre as sociedades por ações. funcionando. Tendo em vista que esse acordo de quotistas nunca foi divulgado e nem sequer mencionado na diligência legal. entre outros acertos. e em 60 (sessenta) dias. não é raro vermos a estipulação de direito de preferência em outros contratos. 10 FGV DIREITO RIO 28 . assim como na venda a contento. Assim.. no caso de bem móvel. José Edwaldo Tavares. O prazo começa a contar a partir da notificação do proprietário (comprador) ao vendedor informando sobre seu interesse em vender o bem. vinha sendo celebrado no período anterior à atual lei das sociedades anônimas” (Borba. ou do poder de controle deverão ser observados pela companhia quando arquivados na sua sede”. pág. – Rio de Janeiro: Renovar. e como contrato atípico. como instrumento de composição de grupos. se o bem for imóvel. rev. Os acordos de acionistas. como se resolveria esta situação utilizando-se apenas as regras previstas no Código Civil? d) Venda com reserva de domínio A venda com reserva de domínio popularizou-se com o aumento das vendas com pagamento em prestações. Deste modo. Afinal.CONTRATOs Em EsPÉCIE Para que esse direito exista são necessários os seguintes requisitos: – o comprador tem que querer vender o bem adquirido. 118. em acordos de acionistas9. uma vez que há três anos atrás fez um acordo de quotistas com o senhor Eduardo. basicamente.404/197610. A venda com reserva de domínio restringe-se aos bens móveis e exige forma escrita. reconheceu que o direito de preferência é um dos tópicos que pode ser tratado em acordo de acionistas. por exemplo. – o vendedor tem que querer recomprar o bem. A venda com reserva de domínio é uma venda condicional que se aperfeiçoa na ocorrência de um evento futuro e incerto: o pagamento do preço. concernentes a essa categoria jurídica. A venda com reserva de domínio pode trazer insegurança jurídica uma vez que. o domínio permanece com o vendedor até que a última prestação seja paga pelo comprador. sócio detentor de apenas 1% das quotas da Pechincha Ltda. após a realização da diligência legal e da celebração do contrato de compra e venda das quotas da Pechincha Ltda. por meio de acordo de acionistas. Porém.

por escrito. para pagamento em moeda corrente nacional. fornecendo inclusive as informações previstas no item 6. silvio. Cada uma das Partes se obriga. o preço e condições de pagamento. Parte Especial. principalmente nos grandes centros e tendo em vista a quantidade fantástica de bens móveis duráveis vendidos.2. poderá o vendedor. Modelo Exemplo de cláusula de direito de preferência em Acordo de Acionistas: “VI – ALIENAÇÃO OU ONERAÇÃO DE AÇÕEs 6. 1. b. A obrigatoriedade da tradição da coisa é satisfeita com a entrega ao comprador de documento representativo. senão mediante venda. às demais Partes (a seguir. Venda a contento. 2003. c. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Antônio Junqueira de. comentários ao código civil.3. permutar.CONTRATOs Em EsPÉCIE “Teoricamente tal sistema é perfeito. a qualquer título. as “Demais Partes”). e) da venda sobre documentos O Código Civil de 1916 não previa essa modalidade de venda.2. 11 LÔBO. As comunicações a que se refere o item anterior indicarão o potencial adquirente.1 abaixo (a seguir o “Potencial Adquirente”).3. com reserva de domínio”11. O vendedor se libera da obrigação de entregar a coisa remetendo ou entregando ao comprador o título representativo da mercadoria”12. diariamente. doar. Preempção. neste ato. desfazer o contrato ou pedir o preço. Essa cláusula especial à compra e venda é denominada: a. 6. a não vender. ou por qualquer outra forma alienar ou transferir. Se o comprador está em mora. as ações de sua titularidade. suas ações da COMPANHIA (a seguir. 176. Das várias espécies de contratos.1. vol.). bem como a especificação da quantidade e espécie das ações a serem alienadas (as “Ações Ofertadas”). Apenas ele não funciona na prática. são Paulo: saraiva. não se pagando o preço até certo dia. Direito Civil. para que estas possam exercer o seu direito de preferência. no todo ou em parte.1ª fase) Ajustado que se desfaça a venda. (coord. Paulo Luiz Netto. questões de ConCurso (Prova: 18º Exame de Ordem . 1. Por sua natureza. o vendedor tem duas opções: mover ação de cobrança das prestações vencidas e vincendas e o que mais lhe for devido ou reaver a posse da coisa vendida. obrigada a primeiramente oferecê-las. 216 12 FGV DIREITO RIO 29 . para que seja exigível o pagamento do preço. 6. ficando a Parte que desejar alienar. pág. a “Parte Cedente”). em caráter irrevogável e irretratável. não pago. saraiva. In: AZEVEDO. observado o disposto nesta Cláusula 6ª. são Paulo: Ed.6. prometer vender. nos termos deste Acordo. Pacto comissório. “A venda sobre (ou contra) documentos tem por finalidade dar mais agilidade às transações mercantis que envolvam venda de mercadorias. pág.. d. 3. RODRIGUEs. Retrovenda. vol. apenas pode ter por objeto coisa móvel.7.

ainda. (c) caso sejam recebidas manifestações de exercício de preferência que totalizem quantidade de ações superior a das Ações Ofertadas.2. a assinar o citado instrumento. observando-se.3. as Demais Partes terão preferência para adquirir as Ações Ofertadas.1 abaixo. a comunicação do item 6. Na proporção do número de ações que possuírem. até atingir as pessoas físicas. como condição para sua validade e eficácia. a aquisição deverá ser efetuada nos 30 (trinta) dias seguintes ao decurso do prazo referido nas alíneas anteriores. 6.4. proceder-se-á ao respectivo rateio entre as Partes interessadas. a Parte Cedente poderá.CONTRATOs Em EsPÉCIE 6. devendo as Demais Partes igualmente subscrever o instrumento. alienar todas. ficando obrigadas as Demais Partes. 6. FGV DIREITO RIO 30 .1.4. (b) será facultado às Demais Partes estenderem seu direito de preferência à aquisição de sobras. desde que tenham sido observadas as formalidades previstas nesta Cláusula 6ª”. o instrumento contratual de compra e venda das ações deverá conter cláusula pela qual o adquirente manifeste sua adesão incondicional ao presente Acordo. desde que se manifestem nesse sentido no prazo de 60 (sessenta) dias fixado na letra (a) deste item. com os mesmos direitos e obrigações da Parte Cedente.4.4. pelo mesmo preço e condições oferecidos pelo Potencial Adquirente.1 supra.1 supra e abranger todas e não menos do que todas as Ações Ofertadas.1 supra. Caso o Potencial Adquirente seja uma sociedade. contudo. Na hipótese do item 6.1. nos 60 (sessenta) dias seguintes. mas não menos do que todas as Ações Ofertadas ao Potencial Adquirente indicado e ao mesmo preço e nas mesmas condições constantes das comunicações referidas no item 6. deverá identificar também as respectivas Partes ou sócios que detenham o controle do Potencial Adquirente e/ou participações societárias que representem 10% (dez por cento) ou mais de seu capital votante e/ou de seu capital total e assim sucessivamente. desde que observado o procedimento previsto no item 6. Não havendo manifestação das Demais Partes. 6. se houver. e (d) exercida a preferência. o seguinte: (a) a preferência deverá ser exercida no prazo de 60 (sessenta) dias a contar da data do recebimento da comunicação referida no item 6. proporcionalmente às Ações que possuírem. como intervenientes anuentes.

nós.A. Comentários ao Código Civil.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.4. biblioGrafia obriGatória: • Arts. 1. dono de um jornal de bairro. Das várias espécies de contratos. que não seja dinheiro.vol. São Paulo: Saraiva. FGV DIREITO RIO 31 . 2003. (coord. quando os bens passaram a ser trocados por moeda.5. já tendo contratado.Contratos.4.4. Consiste na entrega de uma coisa para recebimento de outra. págs. tivemos a oportunidade de visitar o supermercado Pechincha por diversas vezes. o senhor Eduardo Russo nos contou a seguinte história. Caio Mário da Silva. vol.1. 1.. o contrato não era muito detalhado. CONTRATO ESTImATóRIO 1. cansado e já querendo se aposentar.406/2002. 6.4. 199 a 203/ págs. • PEREIRA. Sabendo disso. Há muitos anos era grande amigo do senhor Nicanor Tício. 533 a 537 da Lei nº 10. um pouco sem graça. Ele explica.01. o dobro de funcionários. o número exato de cestas de Natal a serem trocadas. Em uma de nossas visitas. Rio de Janeiro: Forense. na qualidade de advogados da Grana Certa S. Parte Especial. biblioGrafia CoMPleMentar: • LÔBO.). Paulo Luiz Netto. Caso Gerador Durante o processo de diligência legal. ampl. com produtos fartos e de alta qualidade. não contendo. • DINIZ. por exemplo.2002). 233 a 237.4. págs. o senhor Eduardo está um pouco preocupado. E agora? O contrato continua válido? O que recomendar? 1. eles resolveram unir o útil ao agradável e celebraram um contrato de permuta. o senhor Nicanor vendeu seu jornalzinho a uma grande editora que quer transformá-lo em um jornal de grande circulação em Brasília. Maria Helena. São Paulo: Saraiva. 205 a 209. In: AZEVEDO.406.4. segundo o qual todo domingo o jornal do Nicanor publicaria anúncio do Supermercado Pechincha e em troca ao final do ano o Supermercado Pechincha forneceria aos funcionários do jornal uma cesta de Natal. completa. 2002.2. e atual. roteiro de aula a) Permuta A troca ou permuta é o contrato mais antigo. que por ter sido celebrado entre grandes amigos.3.. Ocorre que. Contrato Estimatório. Antônio Junqueira de. pois não estava contando com um número tão grande de cestas de Natal. Instituições de Direito Civil . 2005 . Tratado teórico e prático dos contratos. de acordo com o novo Código Civil (Lei 10. 1.4. AulA 4: TROCA Ou PERmuTA. Há algum tempo atrás. Ela deu origem ao contrato de compra e venda. eMentário de teMas: Permuta. págs. 17ª ed. de 10. III. inclusive. 226 a 272..

Apenas os bens móveis e que estão no comércio podem ser objeto do contrato estimatório. a parte cujo bem tem valor inferior ao outro. O uso da torna no contrato de permuta divide os doutrinadores sobre a natureza do contrato: seria ele uma compra e venda ou uma permuta? Muitos entendem que a existência da torna não descaracteriza a permuta. b) Contrato estimatório Embora já fosse realizado na prática. lhe oferece um conjunto de xícaras de porcelanas chinesas. conhecido neste caso como torna. O que você acha? A caracterização como compra e venda ou permuta leva a conseqüências práticas em razão dos itens que foram especificamente diferenciados no art. cedendo-lhe o poder de dispor da coisa. Curioso.406/2002. Intrigado. legal ou convencional podem ser permutadas. O Código Civil fez apenas duas distinções no que diz respeito à aplicação das regras da compra e venda. a loja Brechó da Vovó procura Ana Maria para devolver o conjunto de xícaras que não foi vendido. Ana Maria então lhe explica que o conjunto está na loja Brechó da Vovó. desde que pague a parte que lhe entregou o bem o preço que entre elas foi estimado. oneroso e consensual. a não ser que o valor da torna seja de tal modo superior. dentro de prazo determinado.CONTRATOs Em EsPÉCIE Atualmente a compra e venda é muito mais utilizada. você agradece e pergunta quando pode buscá-lo. Ao chegarem à loja. Por quê? Estando para terminar o prazo do contrato estimatório. neste caso? FGV DIREITO RIO 32 . deixando o cair. Para retribuir a um favor seu. você pergunta o que o conjunto está fazendo na loja e ela lhe explica que celebrou um contrato estimatório com o dono da loja. aplicam-se à permuta as regras da compra e venda. você vai ao Código Civil para consultar esse tipo de contrato e fica um pouco desapontado. esse contrato só veio a ser regulado como contrato típico no novo Código Civil (Lei nº 10. Ana Maria. por que você acha que o legislador chamou de contrato? Contrato estimatório é o contrato pelo qual o proprietário (consignante) entrega a posse da coisa à outra pessoa (consignatário). Como você aconselharia Ana Maria. O contrato de permuta tem a mesma natureza jurídica da compra e venda: é bilateral. ficando as demais apenas rachadas. que nada mais é do que a venda em consignação. 533 da Lei n° 10.406/2002). mas sim a obrigação de transferir ao outro o domínio da coisa objeto de permuta. pois percebe que seu conjunto de chá não poderá mais ser utilizado. O dono da loja explica a Ana Maria que um de seus funcionários estava arrumando a loja e que sem querer esbarrou no conjunto. porém. Ana Maria fica muito triste. As partes estimam um preço pelo bem. Todas as coisas que não sofram indisponibilidade natural. Ana Maria nota que além de faltar uma das peças. completa sua prestação com dinheiro. não sendo necessário que os bens sejam da mesma espécie ou valor. que seja na verdade o objeto da prestação principal. Por serem tão parecidos. Sendo assim. não gera efeitos reais. Quais são elas? Quando os bens a serem permutados têm valores desiguais. A parte que recebe o bem pode vendê-lo a terceiro por qualquer valor. ficando o consignatário obrigado a devolver o bem ou entregar ao consignatário o preço previamente ajustado pela coisa dentro do prazo determinado. mas que felizmente apenas uma das peças havia se quebrado. Assim como o contrato de compra e venda. mas a permuta mantém seu espaço no ordenamento jurídico. muitas outras estão rachadas. sua amiga. Mesmo sem ver muita utilidade para tal presente. Você vai junto com Ana Maria para buscá-lo.

. brasileiro. residente e domiciliado em Brasília. solteiro.000 (cinqüenta mil) quotas (“Quotas”). você notou o contrato abaixo: INSTRUMENTO PARTICULAR DE DOAÇÃO EDUARDO RUSSO. Antônio Junqueira de.Restrições à liberdade de doar . empresário. portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx. de determinados encargos.Doação de ascendente para descendente .Resolução e revogação da doação. 1. doravante denominado simplesmente “DOADOR”.). 1. JEREMIAS RUSSO. Direito Civil. 2002. 197 a 216. Caso Gerador: Dentre os contratos recebidos. doravante denominado simplesmente “DONATÁRIO”. 2003.5.000 (noventa e nove mil) quotas representativas de 99% do capital social da sociedade limitada denominada Pechincha Comércio Varejista Ltda. abaixo estabelecidos. biblioGrafia obriGatória: • Arts. ao DONATÁRIO.1. Distrito Federal. São Paulo: Ed. em vida.Espécies de doação . por parte do Donatário. biblioGrafia CoMPleMentar: • LÔBO. 50. (iv) O DOADOR sujeita tal doação à execução integral e tempestiva. todos relacionados com a finalidade de manter a tradição da família preoFGV DIREITO RIO 33 . residente e domiciliado em Brasília. Das várias espécies de contratos. vol. 1.5. com seus atos constitutivos registrados na Junta Comercial de Brasília sob o número 11111111.. doravante denominada “Sociedade”. (iii) O DOADOR deseja doar. Parte Especial. casado. 538 a 564 da Lei nº 10. • RODRIGUES. brasileiro. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. In: AZEVEDO. em conjunto.3.2. Silvio. para iniciar a transferência dos negócios da família e fomentar negócios das futuras gerações da sua família. inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202. Paulo Luiz Netto. vol.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. São Paulo: Saraiva. págs. eMentário de teMas: Características do contrato de doação – Aceitação .4. 6.5. 3. Distrito Federal. Saraiva. (coord. 272 a 385.406/2002. inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101. Distrito Federal. empresário. com sede em Brasília. págs. simplesmente como Partes. Comentários ao Código Civil. AulA 5: dOAçãO 1. DOADOR e DONATÁRIO doravante denominados. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy. CONSIDERANDO QUE: (i) O DOADOR é titular de 99.5. (ii) O DONATÁRIO é herdeiro necessário do DOADOR.5.

observados os artigos 538 e seguintes do Código Civil Brasileiro: 1. (e) O clube será aberto apenas aos Funcionários e seus familiares. pelo menos. ao Donatário. de livre e espontânea vontade. (b) O clube deverá funcionar todos os fins de semana e feriados. ficando. 24 de abril de 2004. resolvem as Partes de comum acordo e na melhor forma de direito celebrar o presente Instrumento Particular de Doação (“Instrumento”). A doação ora feita é obrigatória para as partes contratantes.CONTRATOs Em EsPÉCIE cupada com o bem estar da comunidade em que vive. que representam 50% do capital social da Sociedade. objeto da presente doação. decide doar. limpeza e bom funcionamento do clube. como na verdade efetivamente doa. encontram-se livres e desembaraçadas de quaisquer dívidas.. Nome: CPF/MF: FGV DIREITO RIO 34 . conforme autoriza o artigo 553 do Código Civil Brasileiro.3. sem qualquer induzimento ou coação. Brasília. balanço e.. obrigado a cumprir. descendentes e ascendentes terão direito de desfrutar do clube mediante pagamento de mensalidade em valor simbólico. por mais privilegiado que venha a ser. comprar ou arrendar um terreno para que o clube seja instalado. na presença das 02 (duas) testemunhas abaixo assinadas. outros dois brinquedos do gênero. (c) O clube deverá empregar pelo menos 20 funcionários para segurança. O DOADOR. 2. nunca superior a 5% de seu salário. com pelo menos as seguintes medidas. O DONATÁRIO poderá alugar. para dirimir as questões decorrentes do presente Instrumento. Eduardo Russo Testemunhas: 1. com escorrega. portanto. 2. o Donatário. as partes firmam o presente Instrumento em 02 (duas) vias de igual forma e teor. E por estarem assim justas e contratadas. as Quotas. Fica registrado que o imposto de doação incidente sobre a presente operação foi recolhido. 4. que vigerá de acordo com as seguintes cláusulas e condições. incluindo dos funcionários do Supermercado Pechincha (“Funcionários”). Nome: CPF/MF: Jeremias Russo 2. contados da data de assinatura deste Instrumento. 2. e (v) as quotas representativas do capital social da Sociedade. mediante o DARJ cuja cópia constitui o Anexo I ao presente Instrumento. Esta doação fica sujeita ao cumprimento dos encargos abaixo estabelecidos. com a renúncia expressa de qualquer outro. Fica eleito o foro Central da Comarca de Capital do Estado do Rio de Janeiro. O DONATÁRIO deverá. ônus ou encargos de qualquer natureza. (iii) uma piscina profunda. (iv) um bar. herdeiros e sucessores.. (v) um play para crianças. não sendo mais permitido o seu acesso em caso de demissão ou desligamento. as seguintes obrigações: 2. (ii) uma piscina rasa para crianças até 5 anos. O clube deverá atender aos seguintes requisitos: (a) O clube deverá ter no mínimo: (i) duas quadras polivalentes para a prática de esportes em grupo. providenciar a constituição legal do clube e a contratação da mão de obra necessária para o funcionamento do clube. 5. no prazo máximo de 24 (vinte e quatro) meses. 3. com auxílio jurídico.2.1 O DONATÁRIO deverá providenciar um clube para que os funcionários possam desfrutá-lo nos dias de folga. (d) Os funcionários e seus cônjuges.

5. C) espécies de doação Doação pura – é pura liberalidade. Exemplo: Doador doa recursos ao donatário. mas que não podia ser exigido pagamento pelo doador. Percebendo que ela. 539. Por exemplo. Lucy conta. – Gratuito – em regra. grande fã dos Beatles. O doador não espera do donatário qualquer ato ou prestação por parte do donatário. Doação remuneratória – tem o objetivo de pagar um serviço prestado pelo donatário. Ocorre que a família era pé quente e os números escolhidos por José foram sorteados! Analisando esta situação. havendo a tradição imediatamente depois. pois. Lucy já pode se considerar proprietária da coleção? O sorteio da Mega Sena estava acumulado e o prêmio estimado em vinte milhões de reais. prêmio pago a alguém que encontrou seu cachorro desaparecido. que ainda não recebeu os discos porque eles estão guardados na casa de veraneio de sua tia. É uma liberalidade do doador. Analisando. você teria alguma sugestão? 1. que sempre demonstrou ser contra a realização do negócio entre o senhor Eduardo e o nosso cliente. o doador impõe ao doador uma contraprestação que resulta em vantagem para o próprio doador ou para terceiro. conta que ganhou de sua prima a coleção de discos desse famoso grupo inglês. de acordo com ele.5. Doação com encargo – nessa espécie de doação. porém. podendo. José deu para a avó o bilhete da Mega Sena.. ele contou a sua avó que havia jogado na Mega Sena. o doador não espera qualquer prestação do donatário. que se encontrava doente e com dificuldade para se movimentar. – Solene – a lei impõe forma escrita para doação. Chegando a casa. 541) Lucy. – tácita – quando resulta de comportamento do donatário incompatível com sua recusa à doação. mas o donatário fica obrigado a pagar uma mesada a um parente do doador.406/2002. ficou muito triste porque não conseguiria jogar. escrita ou por gestos. 543 e 546 da Lei nº 10. (art. aparentemente detém 50% das quotas da Pechincha Ltda. – presumida pela lei – nos casos previstos nos arts. do ponto de vista legal. exceto nos casos de bens móveis de pequeno valor. portanto. Seu filho. Curioso (a) você pede para ver a coleção. E agora? Que pontos devem ser levados em consideração? A doação é válida? Tem alguma medida que possa ser tomada para anular essa doação? Supondo que você fosse o advogado do senhor Eduardo Russo e tivesse sido consultado antes do contrato ser assinado. o senhor Eduardo Russo não seria mais o proprietário de 99% das quotas. você consideraria que foi uma doação de pequeno valor? b) aceitação A aceitação pelo donatário é elemento indispensável para a doação e pode ser: – expressa – quando é manifestada de forma verbal. Jeremias. inviabilizar a compra do negócio. como havíamos sido informados no início da diligência legal. A doação remuneratória e a doação com encargo perdem a característica da gratuidade? FGV DIREITO RIO 35 .CONTRATOs Em EsPÉCIE Esse contrato deixou nossa equipe de diligência apreensiva. roteiro de aula a) Características do contrato de doação O contrato de doação é: – Unilateral – envolve prestação de apenas uma das partes. Seu amigo José resolveu fazer uma aposta.

ou seja. Ruth. os ascendentes e o cônjuge. e atual. ele terá ampla liberdade de doar seus bens. Se você fosse o juiz. – Doação do cônjuge adúltero a seu cúmplice – art. aplicam-se as regras gerais a todos os contratos. se o doador tem herdeiros necessários.) 14 FGV DIREITO RIO 36 . Para proteger os credores quirografários14 do doador. – Doação de parte que caberia à legítima – art. o código prevê que eles podem anular a doação quando o doador estiver insolvente com eles ou ficar insolvente com os credores por ter doado bens a terceiros. ele só pode doar metade de seus bens. coordenação Luiz Eduardo Alves de siqueira – 3 ed. Por outro lado. exceto se os outros descendentes expressamente consentirem.406/2002 O objetivo dessa restrição é proteger o doador e também a sociedade. solicita que o juiz considere como adiantamento de legítima a Raquel. e) doação de ascendente para descendente Como já vimos anteriormente. Dessa forma. como visto anteriormente. depois de ressarcidos os privilegiados”. Ruth e Raquel abriram o inventário. sendo pago em rateio do saldo que houver.846. tendo em vista que a outra metade constitui a legítima. Raquel pede que o juiz considere como adiantamento de legítima à Ruth os gastos que os pais tiveram com a festa de casamento de Ruth. 548 da Lei nº 10.406/2002).CONTRATOs Em EsPÉCIE d) restrições à liberdade de doar – Doação de todos os bens do doador – art. todas as despesas que os pais tiveram para pagamento do doutorado de Raquel em Paris. 158 do Código Civil. no caso da compra e venda. Na permuta entre descendente e ascendente. 1. No momento da doação deve ser aferido se o bem a ser doado é superior à metade dos bens do doador.406/2002 Essa restrição visa proteger o patrimônio dos herdeiros. 13 Credor Quirografário ou simples: “aquele que não tem título que lhe dê preferência.406/2002 Embora esta restrição não esteja expressa no capítulo sobre doação do Código Civil. vimos que é anulável a venda de ascendente a descendente. 158 da Lei nº 10. 1. De acordo com o art. ela está prevista no art. se o doador não tiver herdeiros necessários. evitando que o doador passe a ficar totalmente desamparado e tenha que ser assistido pelo Estado. o que você faria? f) resolução e revogação da doação A doação pode ser desfeita: – por motivos comuns a todos os contratos – embora não esteja prevista no capítulo específico sobre doações. Qual foi o mecanismo adotado no caso da doação? E se o pai realmente quiser doar algo para um dos filhos em detrimento dos outros? Com a morte de seus pais.845 da Lei nº 10. 2001. possui os mesmos direitos que os credores comuns. pertence aos herdeiros necessários13 a metade dos bens da herança. 550 da Lei nº 10. Sendo assim. e é assegurada aos herdeiros necessários. observando-se apenas as demais restrições previstas no Código Civil.406/2002 Essa restrição tem como propósito proteger o cônjuge e os herdeiros necessários. sem consentimento dos outros descendentes. 549 da Lei nº 10. rev. é anulável a troca de valores desiguais. por sua vez. o legislador preocupou-se em tentar evitar que um dos filhos seja beneficiado pelos pais em detrimento do outro. que trata da fraude contra credores. os Os herdeiros necessários são os descendentes. (Dicionário Técnico Jurídico/ organização Deocleciano Torrieri Guimarães. (art. são Paulo: Rideel. – Doação que prejudique os credores do doador – art.

indicando em caso positivo qual o seu fundamento. – por ingratidão do donatário – o legislador visou punir o donatário. Rita foi visitar sua mãe na casa de veraneio e aproveitou para buscar a coleção de discos dos Beatles e entregá-la a Lucy.6. Rever arts. Para completar. se o donatário não cumprir o encargo no prazo assinalado pelo doador.É anulável a doação do Cônjuge adúltero ao seu cúmplice. se sobreviver ao donatário. simulação e fraude. Paul é um péssimo vizinho. Lucy tem razão de ficar preocupada? E se Lucy tiver alugado a coleção para um amigo? 1. dolo. são motivos para anular a doação. A doação dos pais aos filhos importa adiantamento da legítima.2ª fase PROVA DIsCURsIVA João acreditando que Alfredo era seu filho natural (filho biológico não registrado) do namoro que manteve com mãe do Alfredo.5. Essa foi a gota d’água para Lucy que. Lucy diz que Rita é muito ligada a seu irmão e diz que teme que esse incidente com Paul possa ter impacto na doação de Lucy. b. Paul se disse muito ofendido por Lucy. acabou perdendo a paciência e. mas restringiu a possibilidade de revogar a doação por ingratidão a determinadas causas e regulou seus efeitos. resolveu fazer uma doação de um apartamento para ele. d. uma noite. Lucy ficou muito satisfeita com a prima.CONTRATOs Em EsPÉCIE defeitos15 que podem macular o ato jurídico. A doação pode ser revogada: – por descumprimento do encargo – no caso de doação com encargo. acabou por bater no carro de Lucy que estava estacionado na garagem do prédio. não paga em dia as cotas do condomínio do prédio onde vivem. ao chegar bêbado. como erro. que. no caso previsto no art. 138 a 155 (erro. na frente dos porteiros e de alguns moradores que aguardavam o elevador. além de fazer barulho até altas horas da madrugada. c. 15 FGV DIREITO RIO 37 . dolo e coação) e arts. encontrando-o na entrada do prédio. A doação deverá ser feita por escrito. mas isso não foi suficiente para apagar a velha briga que tem com o seu vizinho Paul. que é também irmão de Rita. ainda que se trate de bem móvel de pequeno valor. – por ser resolúvel o negócio – ocorre. no dia seguinte. Depois que fez a doação descobriu que Alfredo não era seu filho e então pretende anular a doação. A doação poderá conter cláusula de retorno do bem ao doador. por exemplo. o doador pode desfazer a doação. no qual o doador sobrevive ao donatário e o domínio do bem volta ao patrimônio do doador. Prova: 22º Exame de Ordem . coação. chamou de irresponsável e outros adjetivos de baixo calão que não convém replicar para nosso leitor.1ª fase) Não constitui regra aplicável às doações a que abaixo se destaca: a. 547. questões de ConCurso (Prova: 10º Exame de Ordem . 158 a 165 (fraude) e 167 (simulação). Esclareça se existe algum vício na manifestação de vontade.

lOCAçãO dE COISAS. 2002. eMentário de teMas: Introdução – Elementos do contrato de locação – Obrigações do locador – Obrigações do locatário 1.245/1991).3. III.. se fala sempre em locação de coisas. uso e gozo de uma coisa não fungível”).6. 267 a 301 1. no âmbito destas aulas. vol.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.6. roteiro de aula a) introdução Modernamente. comerciais e de temporada). respectivamente. 217 a 227.6. 3. Portanto.6. 2005. 1. que são regidos por legislação especial. ainda hoje existe uma diferenciação no ordenamento quanto às diversas espécies de locação. o uso e gozo de uma coisa não fungível. Instituições de Direito Civil. mediante certa retribuição. ter-se-á sempre em mente a idéia de locação de coisas (locatio rei). por tempo determinado ou não. 1. ao se falar em locações. Trata-se de contrato: FGV DIREITO RIO 38 . Do claro conceito legal. AulA 6: CONTRATO dE lOCAçãO. 565. biblioGrafia CoMPleMentar: • PEREIRA. que merecem um regramento especial próprio. Saraiva. Todavia. vol. Direito Civil. e o maior exemplo disto é a locação de prédios urbanos (residenciais.036 do código e Lei nº 8. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. 2. Caio Mário da Silva. 565 a 578 da Lei nº 10. A locação de serviços e de obras. biblioGrafia obriGatória: • Arts. consentimento (“se obriga a”) e prazo (“por tempo determinado ou não”). evoluiu para a prestação de serviços (e para o Direito do Trabalho. pode-se extrair as características principais do contrato: a cessão da coisa (“ceder à outra.. Silvio. preço (“certa retribuição”).4.2. • RODRIGUES. quando há vínculo empregatício) e para a empreitada. [conceito do contrato de locação] O núcleo do contrato de locação é a cessão de uma coisa não fungível entre o seu proprietário – o locador – e aquele que se utilizará da coisa – o locatário. uma das partes se obriga a ceder à outra. quando se fala em locação.6.. Rio de Janeiro: Forense. conforme diretiva do próprio código (art. São Paulo: Ed. págs. Na locação de coisas.406/2002.1. tratadas no direito romano como espécies de locação. Código Civil Art. algumas são consideradas tão especiais pela mens legis. págs.

576). o pagamento de uma prestação não exaure o contrato. pode ser objeto da locação se algum acessório da coisa for consumido. contanto que sejam infungíveis. mas tão somente é considerado como contrapartida pelo uso em um determinado período. o preço e o objeto do negócio. por exemplo. transferidos por meio de manifestação de vontade. é maior se houver registro (art. (ii) não se destinam à locação as coisas consumíveis no seu primeiro uso. como. na celebração da avença. parágrafo único. portanto. em regra. exclui diversos tipos de imóveis.: corte de árvores em casa de campo). a lei privilegia a não-fungibilidade do bem. O fato de um bem ser inalienável não impede o seu uso em locação. FGV DIREITO RIO 39 . como se vê do próprio conceito legal. incentivando sua utilização. do Código Civil. Pode ser objeto da locação bens móveis ou imóveis. ao contrário da compra e venda. pois a lei não exige forma específica para sua validade. as vagas autônomas de garagem. 46 da lei 8. como o dinheiro. que continuam sendo tratados pelo código (ou por legislação especial. e. O principal atributo da coisa que será objeto de locação é a sua infungibilidade. ou seja. havendo um grande avanço jurisprudencial na matéria. Em regra. tal contrato possui peculiaridades específicas com relação à locação comum de coisas regulada pelo Código Civil (como. não se trata de contrato real. (ii) oneroso. Note-se que. A proteção do locatário. por exemplo. o locatário é obrigado a restituir a coisa no estado em que a recebeu. e (v) não solene. como se verá no ponto específico. Todavia. salvo as deteriorações do seu uso regular. embora a Lei do Inquilinato tenha tomado para si a normatização de boa parte dos imóveis urbanos. porque confere obrigações e direitos recíprocos às duas partes. embora alguns autores17 enxerguem também o consentimento e a forma como seus elementos. Disso decorrem algumas conseqüências: (i) segundo o art. [i) a cessão da coisa – o objeto do contrato de locação] Embora seja uma confusão bastante comum. O aluguel de lojas em shoppings centers também possui toda uma sistemática própria. sem que ela perca a sua infungibilidade (ex. os efeitos do contrato podem ser diferentes conforme houver registro ou não. como na compra e venda. em caso de alienação do bem. pois se forma só pelo acordo de vontades. e (iii) por outro lado. como bens fora do comércio ou bens públicos. IV. mas seu uso e gozo por alguém que não o seu proprietário. (iv) comutativo. 1º. (iii) consensual. simplificadamente. pois envolve prestações seguidas no tempo. 16 17 Caio mário. pág. b) elementos do contrato de locação Os elementos do contrato são. o objeto do contrato de locação não é a coisa em si. sem exigir forma específica16. a opção de compra ao final do prazo contratual). o contrato de locação é de execução continuada ou de trato sucessivo. embora possa se tornar mediante consentimento das partes.245) um tratamento especial às locações reduzidas a contrato escrito. 569. já diz respeito à fase da execução do contrato. o contrato de locação não é personalíssimo. isto é. Ressalte-se que. se houver). a coisa. 276.CONTRATOs Em EsPÉCIE (i) bilateral. porque as partes já tem conhecimento de suas respectivas prestações. o tempo. todavia. no caso de locações prediais urbanas. normalmente mensal. a lei dá (art. com ele não se confunde. pois é da natureza do contrato a retribuição econômica por parte do locatário. É muito comum considerar o contrato de leasing ou arrendamento mercantil como uma locação de coisas móveis. seu art. a tradição da coisa. Além disso.

assim como o de garantia. dá efeitos diferentes (mais sensíveis ainda no caso da locação de prédios urbanos sujeitos à Lei nº 8. Caso. A entrega é o ato por meio do qual a coisa locada muda de possuidor. mas. sem oposição do locador. 573 e 574). Há de haver. 566.245/1991) ao contrato de locação conforme o seu prazo. A questão da manutenção da coisa envolve. se não houver culpa do locatário. por outro. 571 estabelece que. 567 do Código Civil reza que. a qual pode ser desdobrada. uma certa proporcionalidade entre o valor do bem e o aluguel cobrado. Podem as partes estipular aluguel que não seja em dinheiro? Por quê? No âmbito da discricionariedade das partes. portanto. do instituto extinto da enfiteuse. FGV DIREITO RIO 40 . sendo o contrato sem prazo determinado. pois o locatário não poderá fazer o uso esperado dela. manutenção e garantia da coisa locada. basicamente. Essa presunção legal admite prova em contrário? C) obrigações do locador As obrigações do locador estão dispostas no art. em que a transferência da posse é perpétua. por exemplo. permaneça com a posse da coisa. conforme art. em razão de sua natural deterioração. deve ser feita em estado de servir ao fim a que se destina. o locatário. Sendo o contrato por prazo determinado (arts. embora a sua temporariedade o diferencie. O art. na locação por prazo determinado. [iii) prazo – o tempo da locação] A definição legal do contrato de locação já permite que ela seja celebrada tanto por prazo determinado quanto por prazo indeterminado. se deteriorar-se a coisa durante a vigência do contrato. por um lado o locador não pode exigir a devolução da coisa antes do término do contrato. já que o mesmo artigo fala que o locador deve mantê-la neste estado (dever de manutenção). O art. [ii) preço – o aluguel] Como dito anteriormente. junto com os seus acessórios e pertenças. A lei. qualquer das partes pode resilir o contrato sem o pagamento de penalidades. prolonga-se durante o prazo da locação. 566. salvo se houver previsão contratual específica em contrário. pode este pedir a redução proporcional do aluguel. extingue-se a locação pelo mero decurso do tempo. O art. o pagamento do aluguel é o que diferencia a locação do comodato. a fundamental é a de proporcionar ao locatário o uso e gozo da coisa locado. do Código Civil. Manutenção – Não basta isso. Por exemplo: o locador não pode alugar uma televisão com o tubo de imagem queimado. embora não caiba a retenção do aluguel como contrapartida a ausência do cumprimento deste dever. Esse dever. salvo se em contrário dispuser o contrato. contudo. 566 e seguintes do Código Civil. II. I. a celebração da locação transfere a posse do bem.CONTRATOs Em EsPÉCIE Em regra. Numa interpretação a contrario sensu. o tratamento jurídico da conservação e reparação do bem. nos deveres de entrega. naturalmente. todavia. Entrega – A entrega da coisa. todavia. sob pena de invalidação do contrato ou de sua configuração em empréstimo disfarçado ou até mesmo comodato. ou até mesmo a resolução do contrato. e presume-se que deve ser feita imediatamente. podem ser deduzidos do aluguel as obras e benfeitorias feitas pelo locatário. Dentre todas. a não ser que pague as perdas e danos correspondentes. presume-se prorrogada a locação por prazo indeterminado. determina ser obrigação do locador garantir ao locatário o uso pacífico da coisa durante o tempo do contrato. sem necessidade de notificação ou aviso. o locatário também não poderá devolver a coisa sem o pagamento proporcional da multa contratual.

568. caso em que pode o locador solicitar as perdas e danos sofridas. Se for total. o locatário deve ser indenizado dos frutos que tiver que restituir. Garantia – o já mencionado art.467. Isso vale somente para os vícios ocultos ou também para os vícios aparentes? (ii) incômodos ou turbações de terceiros. principal interessado na manutenção do seu valor econômico. todavia. portanto. mas também os chamados fatos do príncipe que desnaturem a coisa ou o uso a que ela se destina. ou à redução proporcional do aluguel. além das perdas e danos. mudar a destinação da coisa alugada. em regra se atribui ao locador o dever de promover as obras necessárias à sua conservação. além da resolução do contrato decorrente da própria evicção. A desapropriação tem um regramento próprio. 567). 289. responde pela indenização. 568. 566. O aluguel está para a locação assim como o preço está para a compra e venda. Se o locador tinha conhecimento do decreto expropriatório. que o locador deve garantir o locatário quanto a: (i) vícios da coisa. reparos etc. A mais importante delas é a de pagar pontualmente o aluguel. A lei estabelece inclusive um penhor legal sobre os móveis que guarnecem o imóvel locado como garantia de pagamento. conforme sistematiza Caio Mário da Silva Pereira. 1. art. 569. sob esse pretexto. é que o contrato de locação estabeleça exatamente que tipo de despesas caberá o locatário e ao locador. ela sobrevier na vigência do contrato. d) obrigações do locatário: Estão dispostas fundamentalmente no art. Esse dever é imposto mesmo no caso de turbações feitas por colocatários. II do código. II. na medida em que em regra o contrato não pode ter sobrevida pelo interesse público subjacente. A eventual tolerância do locador. conforme o art.CONTRATOs Em EsPÉCIE Como proprietário da coisa. Deve também o locatário usar a coisa para os usos convencionados ou presumidos. respondendo pelas perdas e danos (graduados pelo seu grau de culpa. o locador indenizará o locatário pelas benfeitorias e os aluguéis são devidos até que o ente público seja imitido na posse da coisa. especialmente nos imóveis urbanos. para o fim a que se destina. conforme o mesmo art. tb. 1. exceto se causadas pelo próprio locatário (ex. sob pena de resolução do contrato e pagamento das perdas e danos correspondentes. I). Caberia ao locatário o pedido de restituição dos aluguéis pagos? Se parcial a evicção. FGV DIREITO RIO 41 . contudo. 569 do Código Civil. o locatário pode pedir a resolução do contrato ou abatimento proporcional no aluguel. (v) Atos da administração pública – não só a desapropriação. Art. Se o locador deve garantir ao locatário o uso pacífico da coisa com relação a terceiros. com muito mais razão não pode ele praticar atos que venham a prejudicar esta utilização pacífica. Isso quer dizer. ou defeitos que possam prejudicar o seu uso.210. Se. embora caiba ao locatário “o desforço que a lei lhe assegura (Código Civil. não permite 18 Caio mário. na forma ajustada no contrato. sendo esse assunto inclusive objeto de regramento próprio na Lei do Inquilinato. A prática. tratando-a como se sua fosse (art. porém. embora seja normal que o locatário responda pelas despesas de conservação de pequeno porte.: fechamento de estabelecimento comercial pela vigilância sanitária). as despesas dela oriundas. §1º)”18. consertos. (iv) Evicção. Art. in fine. pág. sem. em regra. determina ser obrigação do locador garantir ao locatário o uso pacífico da coisa. e. (iii) Abstenção de incômodos. conforme a escolha do locatário (v. sobretudo para os vícios ou defeitos posteriores ao contrato) e sujeitando-se à resolução do contrato.

sem prejuízo de seu dever de pequenos reparos e consertos já mencionado. por exemplo. 19 Art. 575: ficará responsável pelos aluguéis enquanto mantiver a coisa em seu poder. deve o locatário restituir a coisa no estado em que a recebeu. O locatário deve ter a diligência esperada para o cuidado com a coisa.406/2002: “são necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore”. Por fim.245. parágrafo 3º da Lei nº 10. por exemplo. possa entrar com as medidas judiciais cabíveis para a proteção de sua propriedade e da posse do locador. tão logo o locatário tome conhecimento da turbação. O desvio de finalidade é analisado no caso concreto. Tratandose de norma dispositiva. para que ele. [alienação do bem durante o prazo locatício] A questão está regulada no art. 96. Art. 20 FGV DIREITO RIO 42 . salvo por sua deterioração natural. Isso é contrapartida do dever do locador de garantir a coisa locada. As únicas exceções permitidas por lei são as em é conferido ao locatário direito de retenção. O adquirente do bem somente estará obrigado a respeitar a locação se o contrato contiver cláusula expressa e tiver sido submetido ao registro próprio. Pode-se dizer até que é um dos poucos casos de “Justiça privada” aceita pelo Direito brasileiro.406/2002: “são úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem”. como se verá a seguir. a lei provê a solução no art. findo o contrato de locação.CONTRATOs Em EsPÉCIE afastamento desta regra. e responderá pelos danos a ela. uma defesa que a lei dá ao locatário de conservar em sua posse a coisa alheia locada. contudo. mesmo depois de findo o prazo contratual. [direito de retenção] É um poder. ainda que proveniente de caso fortuito. isto é. caso tenham sido feitas com o consentimento do locador (art. conforme as circunstâncias do contrato. 576 do código. O locatário é obrigado a levar ao conhecimento do locador as turbações de terceiros. podem as partes dispor em contrário no contrato. Caso o locatário descumpra esse dever. sem prejuízo das regras específicas da Lei nº 8. deve notificar o locador. no valor arbitrado pelo locador. Esse dever de informação deve ser exercido de modo a permitir a que o locador possa tomar todas as providências para o exercício do seu próprio dever. do local em que ele é celebrado e o princípio da boa-fé objetiva. e também pelas úteis20. 578). A lei confere direito de retenção ao locatário pelas benfeitorias necessárias19. enquanto não lhe forem indenizadas as despesas ou perdas sofridas em razão da coisa. 96. a impedir a deterioração do bem se ela é evidente. de maneira. parágrafo 2º da Lei nº 10.

e o crescente déficit na oferta de casas tem gerado uma verdadeira sucessão de regras jurídicas sobre o tema. Arnaldo.7. pelo menos no Brasil. No 17º mês de vigência. Contratos. 6. que.7. Pode-se até dizer que a atividade legislativa. págs.3. em grande parte devido ao fato de que mais de 80% da população brasileira vive em centros urbanos. separada do Código Civil. Todavia. FGV DIREITO RIO 43 . para ela morar. AulA 7: CONTRATO dE lOCAçãO (lOCAçãO dE PRÉdIOS uRbANOS –– lOCAçãO RESIdENCIAl) 1.4. • PEREIRA. envolvendo o contrato de locação. sua filha. decide morar sozinha e.. biblioGrafia obriGatória: • Lei nº 8. como não possui imóvel próprio. não foi a primeira legislação específica sobre o tema no Direito brasileiro. Maria Lúcia. 1. Com efeito. vol. pede ao pai que lhe ceda esse apartamento que se encontra alugado. pág. 301 a 312. biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO.5. Caio Mário da Silva. Rio de Janeiro: Forense. tem-se mostrado até certo ponto pendular. Instituições de Direito Civil. 2005.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. a questão habitacional vem sendo uma das maiores preocupações legislativas em todo mundo a partir do Século XX.7. que o profissional do Direito é levado a lidar. III.245/1991. fosse o seu sobrinho? E se o imóvel estivesse sendo vendido? 1. roteiro de aula a) introdução Vimos na aula passada o regime geral das locações de coisas no Código Civil.1. ao invés da filha.2. 481-573. Caso Gerador Imagine que o senhor Eduardo Russo tenha alugado um de seus apartamentos em Brasília por 30 meses. é o de locação de prédios urbanos. que hoje encontra abrigo na Lei nº 8. Rio de Janeiro: Forense. indubitavelmente o maior número de casos. com as normas ora protegendo mais o proprietário.7. eMentário de teMas: Introdução – Âmbito de aplicação – Obrigações das partes – Garantias Locatícias – Prazo e forma – Alienação do imóvel – Locação residencial 1. O regime da locação de imóveis urbanos é de tal importância para o Direito que mereceu uma disciplina própria. 2006. 1.245.7. de 18 de outubro de 1991. todavia. ora protegendo mais o inquilino. ed. Pergunta-se: cabe a denúncia “cheia” nos contratos por igual a 30 meses? E se.7.

nestes casos. O aluguel deve ser fixado em dinheiro. de locadores e locatários. solução que parece mais simples em face do direito constitucional de moradia. sendo que as duas últimas serão tratadas na próxima aula. o intérprete decidirá preponderantemente de acordo com a atividade econômica praticada ou desenvolvida naquele imóvel. normalmente contrapostos. b) Âmbito de aplicação Nem todos os imóveis em áreas urbanas estão sujeitos ao tratamento jurídico da Lei do Inquilinato. A experiência mostrou que a proteção demasiada ao locatário.245/1991 todos os imóveis urbanos não incluídos nas exceções legais expressas. a disciplina do Código Civil não é totalmente afastada nas locações de imóveis urbanos. da sua localização dentro do shopping. Todos os princípios contratuais expostos no código. embora o contrato possa contemplar cláusula de reajuste (arts. sujeitos à aplicação da Lei nº 8. Uma situação especial diz respeito aos espaços comerciais em shopping centers. sua obrigação primordial é a de pagar pontualmente o aluguel. Estão. a variação do aluguel a ser pago em função do faturamento da loja. As exceções ao âmbito de aplicação da lei. FGV DIREITO RIO 44 . manutenção e garantia da posse do locatário. como é o espírito da lei. neste caso. É legal esta estipulação? No que tange ao locatário. por exemplo. o impacto social não é tão relevante. 54 da lei determina que. exceto por algumas questões referentes a despesas condominiais tratadas no próprio artigo. porém. É muito comum. está o dever de cuidar do imóvel e servir-se dele para o fim acordado no contrato. restituindo-o ao locador ao fim do prazo estipulado. a não residencial (ou comercial) e a por temporada. permitir o uso e gozo pleno do imóvel pelo locatário.CONTRATOs Em EsPÉCIE A relativa longevidade da legislação vigente deve-se. nem tampouco uma necessidade social tutelável. não se verifica um desnível econômico significativo entre as partes que enseje a atuação do legislador. por exemplo. Por outro lado. O legislador entendeu que. é livre a pactuação das cláusulas do contrato entre locador e locatário. em virtude de exceção expressa no texto legal. todavia.504/1964). 22 e 23 da lei. nos casos limítrofes. aplicam-se a este tipo de locação. e não ao contrário. imóveis de propriedade de entes públicos. podemos inferir. Isto é. Além disso. em regra. num patamar imediatamente inferior. ao fato de que procura equilibrar os interesses. a submissão a promoções do shopping etc. Esse tipo de locação. expostas já no parágrafo único do seu art. as regras para o uso do estacionamento. Como visto na aula anterior. aumentando o déficit habitacional. vagas autônomas de garagem. gerava um aumento no preço dos aluguéis. as principais obrigações do locador se referem à entrega. O art. A própria lei (em seu art. ou seja. incluem. apart-hotéis etc. possui caracteres específicos. C) obrigações das partes Estão listadas fundamentalmente nos art. como o da boa-fé objetiva e do equilíbrio contratual. no que tange às despesas condominiais. Os imóveis rurais são regulados pelo Estatuto da Terra (Lei nº 4. 17 e 18). 1º. portanto. A Lei do Inquilinato regula três tipos de locação: a residencial. que o contrato transfira para o locatário tais despesas. obedece mais a um critério funcional/eco/econômico do que um geográfico. 79) determina a aplicação subsidiária da legislação geral nos casos omissos. garantindo o seu uso pacífico inclusive perante terceiros. A configuração de imóvel urbano. como. Também não se aplica a lei no caso de leasing de imóveis. que chegam a extrapolar a mera relação locatícia de transferência da posse.

que.228) confere ao proprietário o direito de usar. durante a vigência do contrato. Pode-se dizer. o direito de vender o bem continua com o proprietário. para o locatário. como se verá adiante. o art. que a proteção jurídica do locatário independe da forma escrita do contrato? f) alienação do imóvel O sistema de propriedade adotado pelo nosso código (art. Sendo assim. gozar e dispor de seus bens. cumulativamente. o adquirente pode denunciar o contrato de locação. em regra. a mais importante no regime da lei. Todavia. e) Prazo e forma O art. A regra geral é a de que. todavia. o adquirente não poderá denunciar o contrato. a lei determina que o contrato é consensual. a regra geral é que se resolve o contrato de locação. o contrato de locação transfere ao locatário a posse do bem. já que a depender do que as partes acordarem os efeitos serão bem distintos. a diversidade de efeitos do registro no caso da alienação do imóvel é um grande incentivo não só a reduzir o contrato por escrito como também averbá-lo na matrícula do imóvel. depende do consentimento do cônjuge do proprietário. conforme dispõe o art. 3º da lei determina que o contrato pode ser ajustado por qualquer prazo. mas. Quanto à forma. Primeiramente. Por isso. consensual e não solene. FGV DIREITO RIO 45 . necessariamente excludentes entre si: (i) exercer a preferência para compra do imóvel em igualdade de condições com o terceiro. 1. Não lhe é permitido. na forma do art. se o proprietário vender o imóvel. Entretanto. ou (ii) manter-se na posse do imóvel. isto é. (ii) fiança.CONTRATOs Em EsPÉCIE d) Garantias locatícias A lei estabelece que o locador pode exigir do locatário uma das seguintes garantias: (i) caução. Tal regra. solicitar o acúmulo de garantias para um mesmo contrato. 27. permanecendo o contrato em vigência. Por outro lado. ou (iii) seguro de fiança locatícia. como já dito anteriormente. 8º da lei estabelece que quando o contrato contém a chamada “cláusula de vigência”. o art. e o contrato foi averbado na matrícula do imóvel no Registro de Imóveis. apesar de o contrato de locação ser. isto é. porém. 37. Além disso. de adquirir o imóvel em condições de igualdade de condições com o terceiro. Como já vimos anteriormente. não depende de forma específica. o direito de uso e gozo. mas a lei regula – e confere alguns direitos ao locatário nestas hipóteses – a forma e o procedimento que deve ser respeitado pelo proprietário e pelo adquirente no caso de venda do imóvel alugado. consolidar novamente posse e propriedade em suas mãos. a lei faculta ao proprietário o direito de exigir um reforço – ou até mesmo uma troca – da garantia nas hipóteses previstas no art. A questão do prazo é. no prazo de 30 dias contados do conhecimento da proposta. se não obtido. desde que. Este requisito é indispensável para possibilitar a manutenção do contrato em caso de alienação do imóvel. Resumidamente. não estará obrigado a respeitar o prazo da avença. então. 27 cria um direito de preferência. se for superior a dez anos. e o locatário somente poderá devolvê-lo mediante pagamento proporcional da multa estipulada no acordo. recebe um tempero especial quando se trata de locação residencial. o contrato contenha cláusula de vigência e esteja averbado na matrícula do imóvel no Registro de Imóveis. 40 da lei. em regra. talvez. a lei confere ao locatário dois direitos. não pode o locador reaver o imóvel locado.

e cabe o locatário desocupar o imóvel em trinta dias. §2º) • Findo o prazo estabelecido. As prorrogações previstas no art. aquela. após os trinta meses cabe a “denúncia vazia”. 486. tendo sempre cumprido rigorosamente todas as condições do contrato.CONTRATOs Em EsPÉCIE G) locação residencial Locação residencial é aquela destinada à habitação de pessoas. pág. proceder a desocupação do imóvel. a locação prorroga-se imediatamente por prazo indeterminado.1ª fase) Arnaldo reside há dez anos consecutivos em um imóvel locado através de instrumento escrito e atualmente vigorando por prazo indeterminado. Pessoa jurídica não pode ser parte em contrato de locação residencial. FGV DIREITO RIO 46 . Destinam-se à habitação da pessoa natural. 21 RIZZARDO. especialmente no que tange à denúncia do contrato. mesmo se para os seus administradores (art. c. questões de ConCurso (Prova: 09º Exame de Ordem . onde pratica em regra os seus atos jurídicos. Para melhor entendimento da matéria. que pode ou não ser o mesmo local do domicílio. foi surpreendido com uma notificação para desocupar o imóvel no prazo de doze meses. imotivada. 45). estudemos a tabela abaixo: Prazo Contratual Indeterminado Inferior a 30 meses (art.6. onde ela se estabelece com ânimo definitivo. 47) Igual ou superior a 30 meses (art. 47. isto é. 2006. exercida a denúncia. Esse é o lugar da “atividade jurídica da pessoa”. fixa o parâmetro dos 30 (trinta) meses como razoável para o prazo locatício. • A resolução do contrato ocorre no fim do prazo estipulado. devolvendo-o nas mesmas condições que o recebeu. a morada habitual da pessoa. Arnaldo. Seu elemento essencial é a habitualidade”. d.21 Não devem ser confundidas as noções jurídicas de residência e de domicílio. 46) Efeito • o locador pode denunciar o contrato a qualquer tempo. no qual o legislador fixou uma referência (30 meses) em torno da qual os efeitos do contrato e os direitos e obrigações das partes serão modificados. portanto. 55). Contratos. 6. ed. A hipótese importa para o locatário: a. ainda que sem a intenção de nele permanecer sempre. b. • Nesse tipo de prorrogação. A lei. “Residência é o lugar onde alguém fica habitualmente. • o locatário. com prorrogação automática se não houver oposição do locador. O direito de não pagar os locativos no período estipulado na notificação. sempre. sob pena de nulidade do contrato (art. • Só cabe a denúncia “cheia” – nos casos previstos no art. 1. O principal traço da locação residencial diz respeito ao prazo. 46. Rio de Janeiro: Forense.Poderá ficar ainda mais três meses além do prazo estabelecido. tem um prazo de trinta dias para desocupação do imóvel (art.7. Findo o prazo. 47 não podem ser afastadas pelas partes. O direito a uma indenização proporcional ao número de anos em razão do rompimento imotivado do contrato.

b. d. salvo se a locação for por tempo determinado e o contrato contiver cláusula de vigência em caso de alienação e estiver averbado junto à matrícula do imóvel.CONTRATOs Em EsPÉCIE (Prova: 02º Exame de Ordem . O adquirente poderá denunciar o contrato com prazo de sessenta dias para desocupação. após esse prazo. FGV DIREITO RIO 47 . O adquirente poderá denunciar o contrato com prazo de noventa dias para desocupação. presumindo-se.1ª fase) sendo alienado o imóvel durante a vigência de contrato de locação: a. independentemente de cláusula de vigência em razão do princípio “venda rompe a locação”.A denúncia deverá ser exercitada no prazo de 30 dias contados do registro da venda ou do compromisso. O adquirente não poderá denunciar o contrato se este vigorar por prazo indeterminado. c. a concordância na manutenção da locação.

CONTRATOs Em EsPÉCIE

1.8. AulA 8: CONTRATO dE lOCAçãO

1.8.1. eMentário de teMas: Introdução - Locação para temporada - Locação não residencial - Ações locatícias. 1.8.2. biblioGrafia obriGatória: • Lei 8.245/1991. • RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. São Paulo: Ed. Saraiva, 2002, vol. 3, págs. 227 a 239. 1.8.3. biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO, Arnaldo. Contratos. Rio de Janeiro: Forense, 2006. págs. 481-573. • VENOSA, Silvio de Salvo. Lei do inquilinato comentada. São Paulo: Atlas, 1997. Comentários aos artigos 48 a 57. • FUX, Luiz. Locações - Processo e Procedimento. Rio de Janeiro: Destaque, 1999. 1.8.4. Caso Gerador Durante o curso da diligência legal, recebemos uma cópia de um contrato de locação não residencial de uma das lojas dos Supermercados Pechincha, celebrado inicialmente em 1º de janeiro de 2000 com prazo de vigência até 31 de dezembro de 2005. Questionada sobre o vencimento do contrato, a senhora Maria Lúcia Russo alegou que o advogado da Pechincha Comércio Varejista Ltda. a orientou a escudar-se no parágrafo único do art. 56, que garante a permanência do locatário se não houver oposição do locador no prazo de 30 dias. Sendo assim, ela argumenta que, passados vários meses do prazo legal, o contrato deve ser considerado como renovado. Como advogado da Grana Certa S/A, quais são os riscos para o seu cliente dessa situação? Seu chefe no escritório, preocupado com isso, pede a você uma pesquisa para verificar se é possível a propositura de ação renovatória. O que você responde a ele? Paralelamente, o senhor Odin Heiro pretende contratar um administrador profissional para assumir a administração da Pechincha Ltda. quando o negócio for fechado. Dentro do pacote oferecido para os candidatos à vaga, inclui-se o pagamento de aluguel de uma mansão no Lago Sul, em Brasília, onde serão sediadas as operações da Grana Certa S/A no ramo de distribuição alimentícia. Neste cenário, o seu cliente lhe pergunta qual seria o prazo recomendável para a vigência do contrato. O que você diz a ele? 1.8.5. roteiro de aula a) introdução A Lei nº 8.245/1991, além das locações residenciais, estabelece ainda o regime das locações não-residenciais (ou comerciais) e por temporada, cada qual com uma finalidade econômica específica. Assim, a Lei do Inquilinato divide em três grandes sistemáticas o regramento das locações prediais urbanas, atendendo aos bens jurídicos respectivamente tutelados – a locação residencial protege o direito à habitação, a
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locação não residencial protege o fundo de comércio e a locação por temporada, por não ser nem habitacional nem parte de atividade econômica, merece regulamento próprio. b) locação para temporada O conceito de locação para temporada está disposto no art. 48 da Lei do Inquilinato, segundo o qual são requisitos para a caracterização da locação para temporada o fim ao qual é destinado o imóvel (recreativo ou na necessidade do locatário de celebrar o contrato, seja por realização de curso, seja por tratamento de saúde ou obras em seu imóvel), e o prazo de sua vigência (que não pode ser superior a 90 (noventa) dias). O prazo superior a 90 (noventa) dias descaracteriza a locação como para temporada. O art. 50 mostra que, se permanecer o locatário no imóvel para além do prazo máximo estipulado, não é possível mais se exigir o pagamento antecipado do aluguel, descaracterizando a temporada. Assim, o artigo equipara à locação residencial, só podendo ser denunciado nas hipóteses do art. 47. Parte da doutrina entende que é necessário contrato escrito. Embora contivesse do projeto original uma disposição específica neste sentido, há quem entenda que o prazo exíguo a torna incompatível com o contrato verbal, sobretudo porque o contrato não escrito, como pode não deixar claro o prazo contratado, pode ser confundido com uma locação residencial comum. E você, acha necessária, conceitualmente, a forma escrita para a locação por temporada? Em todo caso, se o imóvel estiver mobiliado, o parágrafo único determina que deva constar do contrato o rol dos móveis e utensílios que o guarnecem, bem como o estado em que se encontra. E se as partes não procederem assim, qual a sanção jurídica? Torna-se inválido o contrato? Outro grande traço da locação para temporada é a possibilidade de exigência, por parte do locador, de recebimento dos aluguéis antecipadamente, o que é vedado para os demais tipos de locação segundo o art. 20. Se, todavia, o contrato for resolvido, por algumas das hipóteses estabelecidas no art. 9º, o locador será obrigado a devolver, proporcionalmente, o valor recebido antecipadamente, sob pena de seu enriquecimento sem causa. C) locação não residencial Considera-se locação não residencial, naturalmente, aquela que não é destinada à habitação de pessoas. Sempre que a destinação do imóvel não for a moradia de alguém, será para fins não residenciais. O contrato de locação não residencial ganha uma importância maior na medida em que pode ser – e quase sempre é – parte integrante do fundo de comércio (ou fundo de empresa) do empresário. O ponto, o estabelecimento, a loja, são partes fundamentais da atividade empresarial, apesar de ser um bem imaterial, e, desta forma, não pode o legislador – que sempre procura preservar a atividade empresarial, em prol do crescimento econômico (que gera empregos e tributos) – tratar esse tipo de locação da mesma forma que trata a locação residencial. Como o legislador se utilizou da expressão “não residencial”, e não de “empresa”, “empresário” etc., é irrelevante para a lei se a atividade desenvolvida no local é empresarial, civil, industrial, ou qualquer outra. O critério da lei é residual – todas as locações que não sejam destinadas à moradia de pessoas naturais são “não residenciais” e sua disciplina então é a aplicável. Há também a locação não residencial por força de lei, estabelecida no art. 55 da lei. De modo a proteger, então, a atividade econômica, o legislador, ao contrário do que ocorre na locação residencial, outorgou ao locatário, nestes casos, um direito à renovação compulsória, ao qual corresponde uma ação – a ação renovatória. Note-se que a possibilidade de renovação compulsória do contrato encerra uma revolução paradigmática no direito dos contratos: a vigência do contrato independe da vontade de uma das partes. Em outras palavras: o locador pode inclusive ter manifestado sua intenção de não renovar
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o contrato, mas se o locatário cumprir os requisitos legais, o juiz deverá autorizar a manutenção da vigência do contrato. A rescisão do contrato, em regra, nesses casos, se dá ao fim de seu prazo, conforme estabelecido no art. 56 da lei, que dá um tratamento semelhante ao que ocorre na locação residencial. Para que o locador possa fazer jus ao direito à renovação compulsória, a lei exige determinados requisitos que devem constar do contrato, necessariamente. Tais requisitos estão expostos nos três incisos do art. 51, que são cumulativos, ou seja, é necessária a presença das três condições para a possibilidade da renovação compulsória. Vale ressaltar que, neste caso, a lei é cogente; significa dizer que o contrato não pode afastar a possibilidade de renovação, estando presentes os requisitos legais. Note que (i) a lei obriga que o contrato seja por escrito – volta-se aquela definição vista anteriormente: o contrato é consensual, mas dependendo de sua finalidade, a forma escrita garantirá uma determinada sorte de efeitos; e (ii) o legislador realmente privilegia a formação do “fundo de empresa” quando estabelece prazos mínimos e requer que seja o mesmo ramo de atividade. No que tange ao inciso II, ressalte-se que se o contrato for estipulado por menos de cinco anos e houver um lapso temporal entre o seu vencimento e a sua efetiva renovação, a jurisprudência entende que se computa este tempo, valendo o tempo que o inquilino está no imóvel. Um outro requisito fundamental de validade da ação renovatória está previsto no §5º do referido artigo, que estabelece um prazo decadencial para a propositura da ação, de seis meses, entre um ano e seis meses antes do vencimento previsto do contrato vigente. Portanto, quando você estiver estagiando em um escritório e tiver que protocolar um prazo de ação renovatória, muita atenção: NÃO PERCA O PRAZO; seu cliente pode sofrer gravíssimos prejuízos. Dê uma olhada atenta nos arts. 52 e 53 da lei – lá estão estabelecidas algumas exceções à regra da renovação compulsória, por matéria de política legislativa. Luvas: é uma quantia paga pelo locatário, além dos aluguéis, para o locador, como adiantamento ou para a renovação do contrato. No regime anterior da locação não residencial, sua cobrança era permitida. No atual sistema legislativo, parte da doutrina acha que a lei atual não veda a cobrança, que ocorria, na prática, mesmo com a existência de vedação expressa do decreto anterior (lei de luvas). Mas não é matéria pacificada; alguns entendem que o Art. 45 proíbe a cobrança de luvas. d) ações locatícias Por fim, e sem querer entrar na aula do professor de Processo Civil, a Lei do Inquilinato possui regras processuais específicas para o caso de locação de imóvel urbano, criando alguns remédios para locadores e locatários sujeitos ao âmbito da lei. 1) Ação de despejo (art. 59) – é a ação utilizada pelo locador para retomar o imóvel, por qualquer que seja o motivo (e não somente por falta de pagamento). Assim, sempre que o locatário se mantiver na posse do imóvel e a lei conferir ao locador o direito de retomada, ele poderá propor a ação de despejo e poderá, inclusive, pedir liminar ao juiz para desocupação em 15 (quinze) dias, nos casos previstos no art. 59. Se a ação de despejo for proposta com fundamento na falta do pagamento pontual do aluguel, o objeto da ação incluirá também a cobrança dos valores devidos, não sendo necessária, até mesmo por um primado de economia processual, a propositura de ação de cobrança. O locatário poderá, nesse caso, impedir a resolução do contrato mediante a “purga da mora”, isto é, o depósito judicial do valor do débito atualizado, com multa, juros e encargos. 2) Ação de consignação de aluguel (art. 67) – é a ação do locatário quando o locador se nega a receber os valores do aluguel, e por meio da qual ele irá depositar em juízo a importância que acha devida, indicada na petição inicial.
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iniciou tratativas com o locador. conforme visto acima. A intenção de se instalar no imóvel com comércio no mesmo ramo que o inquilino. Proposta de terceiro para a locação em condições melhores. alguma solução judicial para a questão? Qual? Explique e fundamente a sua resposta FGV DIREITO RIO 51 . a locatária.2ª fase . 4) Ação renovatória (art. desta forma. Tinha muita relevância na época da escalada inflacionária.1ª fase) Não é defesa possível ao locador na ação renovatória: a. c. na maioria das vezes o autor da ação era o locador.PROVA DIsCURsIVA Padaria Alvino. determinadas pelo poder público. as quais restaram infrutíferas. b. de radical transformação no imóvel. pretendendo renovar a relação. poderá ser cobrada a diferença aferida no valor dos aluguéis. ou não. Assim. em que muitas vezes o locador era prejudicado por um índice defasado no contrato. IV). 68) – serve para qualquer tipo de locação prevista no ordenamento. no art. 67. que não deseja renovar o contrato.8. Não preenchimento dos requisitos legais para a renovação. 1. Nessa ação. d. levantar o depósito sobre o valor que não está sendo mais objeto da disputa. 3) Ação revisional de aluguel (art. Por outro lado.6. Sendo assim. questões de ConCurso (Prova: 21º Exame de Ordem . existe. Neste caso. expondo todo o caso concreto e desejando sua opinião sobre a possibilidade de compelir a realização da renovação contratual. o legislador limitou as matérias de fato que podem ser objeto da contestação do locador. Pergunta-se: no caso concreto.CONTRATOs Em EsPÉCIE Caso o locador levante o depósito ou não oferecer contestação. em contrato de locação não residencial. o juiz acolherá o pedido (art. celebrado em 01/12/1999. basicamente o que se busca é uma perícia judicial para que seja arbitrado o valor de mercado justo do imóvel. ajustando-se. o locatário poderá. na qualidade de locatária. gerando um enriquecimento sem causa do locatário. Prova: 24º Exame de Ordem . que também será discutido na ação (art. 71) – é aquela usada para a renovação compulsória da locação. também por medida de economia processual. A necessidade de realização de obras urgentes. a qualquer tempo. lhe procura como advogado. 73). no intuito de preservar o fundo de empresa. na data de hoje. por prazo determinado de 5 (cinco) anos. face à resistência do locador. na locação não residencial. a retribuição a ser paga pelo locatário. Vale ressaltar que. 72.

biblioGrafia CoMPleMentar: • LOPEZ. São Paulo-SP. que comentários você teria a fazer com relação ao contrato abaixo? CONTRATO DE COmODATO XYZ LTDA. eMentário de teMas: Introdução. Distrito Federal.3. com seus atos constitutivos registrados na Junta Comercial de Brasília sob o número 11111111.2. sociedade limitada com sede na Rua dos Oitis. 1. Caso Gerador: Recebemos na diligência o contrato de comodato de um dos imóveis utilizados pela rede de Supermercados Pechincha. São Paulo: Ed.4. págs. com sede em Brasília. 2003. Parte Especial. São Paulo: Saraiva. potencial adquirente do negócio. biblioGrafia obriGatória: • Arts. denominadas “Partes” e. AulA 9: EmPRÉSTImO (COmOdATO) 1. vol. doravante denominada simplesmente “Comodante”. 2002. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. neste ato representada por seu representante legal. Quadra ABC (o “Imóvel”). e pelas seguintes cláusulas e condições: FGV DIREITO RIO 52 . Saraiva. Teresa Ancona. págs.9. e PECHINCHA COMÉRCIO VAREJISTA LTDA.406/2002.9. In: AZEVEDO.9. neste ato representada por seu representante legal.. 1. (coord. Comentários ao Código Civil. 3. Antônio Junqueira de. conseqüentemente.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.. • RODRIGUES.9. 1. 82 a 130. Comodante e Comodatária. REsOLVEm. celebrar o presente Contrato.1. Silvio. Das várias espécies de contratos. Sr. “Parte”. para o nosso cliente. Tendo em vista a importância desse imóvel para a rede de supermercados e. vol. Características. Direito Civil. conjuntamente. Eduardo Russo. doravante denominada simplesmente “Comodatária”. matrícula 555 do Cartório de Registro de Imóveis do Distrito Federal. 579 a 585 da Lei nº 10. 7. Extinção do comodato. que será regido pelo artigo 579 e seguintes do Código Civil. a Comodatária tem interesse na utilização do Imóvel e que a Comodante deseja dar em comodato à Comodatária parte do Imóvel. individualmente.9. Obrigações do comodatário. 255 a 261.). Comodante e Comodatária são doravante. inscrita no CNPJ/MF sob nº 00000000. CONSIDERANDO QUE: a Comodante é proprietária e legítima possuidora do imóvel localizado no Lago Sul.

a Comodante cede em comodato à Comodatária o Imóvel. Tais adaptações e reformas.3. A Comodante declara. sob pena de responder por perdas e danos.2. ficando. 4. turbações ou esbulhos e a preservar o Imóvel como se seu fosse.1. 2. em caso de inobservância. em conformidade com o seu Contrato Social e respectivas alterações.1. desde já. mediante notificação com efeitos imediatos. 3. na forma do artigo 582 do Código Civil. Das Despesas. A Comodatária será exclusivamente responsável pelo pagamento de todas as despesas ordinárias tais como.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. bem como a cessão ou transferência dos direitos e obrigações oriundos deste Contrato.1.1.1. obrigando-se. A Comodatária será a responsável exclusiva pelo custeio de todas e quaisquer despesas decorrentes de adaptações e reformas eventualmente realizadas a fim de permitir a instalação e o funcionamento das atividades da Comodatária no Imóvel. a Comodatária é imitida na posse do Imóvel. água.3. O presente Contrato é celebrado por prazo indeterminado. bem como sobre o exercício de suas atividades. a preservar e manter em perfeito estado de conservação e limpeza o Imóvel cedido. na ocorrência de qualquer uma das seguintes hipóteses: (a) protesto de títulos de responsabilidade da Comodatária. caso tais irregularidades não sejam sanadas dentro de 02 (dois) dias contados a partir da data do recebimento de aviso escrito enviado pela Parte prejudicada. impostos e demais encargos que recaiam sobre o Imóvel. 2. Fica desde já ajustado entre as Partes que as benfeitorias realizadas pela Comodatária no Imóvel não criarão para a Comodatária direito a qualquer indenização. sem o expresso e inequívoco consentimento da Comodante. 3. Da Vigência e da Rescisão. ressalvado o desgaste natural decorrente do uso regular do Imóvel. desde já. vedada sua utilização para qualquer outra finalidade sem o prévio e expresso consentimento da Comodante. Fica. Da Imissão na Posse. 1. 1.2. não podendo a Comodatária reter o Imóvel nos termos deste Contrato pelas benfeitorias nele realizadas. FGV DIREITO RIO 53 . A Comodante reserva-se o direito de rescindir este Contrato. a defendê-la contra ameaças.2. 2. taxas.1. pela outra Parte. que o Imóvel se encontra livre e desembaraçado de quaisquer ônus reais. e as benfeitorias delas decorrentes a ele se incorporarão. 5. Neste ato. vedado à Comodatária o aluguel ou comodato do Imóvel. de qualquer de suas cláusulas e/ou condições. luz. pessoais ou fiscais. Da Utilização da Área. 5. 4. 2. ou (b) pedido de concordata ou falência da Comodatária. para todos os fins de direito. comprometendo-se a não lhe causar danos ou avarias e a conservá-lo no mesmo estado em que o recebeu. serão consideradas despesas necessárias para o uso e gozo do Imóvel. 1. A Comodatária declara que utilizará o Imóvel ora dado em comodato exclusivamente para a consecução de seus objetivos sociais. O presente Contrato poderá ser rescindido por qualquer uma das Partes. ou ainda restrições de qualquer natureza. Pelo presente Contrato. 5. ainda. a Comodatária se obriga. sem prejuízo das sanções aplicáveis. Do Objeto. ou (c) utilização do Imóvel para outros fins além daqueles descritos neste Contrato.2. Durante a vigência do presente Contrato. gás. a partir da posse. se realizadas pela Comodatária. podendo ser rescindido por qualquer das Partes mediante aviso prévio de 30 (trinta) dias. 5. na melhor forma de direito.

silvio. Do Foro. 255. 22 RODRIGUEs.1. ainda. saraiva. veremos as características do comodato e na próxima aula estudaremos as diferenças entre comodato e mútuo e as regras específicas do mútuo. ao termo do negócio”23. 10 de novembro de 1995. 8.CONTRATOs Em EsPÉCIE 6. Existem duas espécies de empréstimo: comodato e mútuo. com renúncia expressa de qualquer outro. são Paulo: Ed. no qual o comodatário recebe a coisa emprestada para uso. devendo devolver a mesma coisa. Pechincha Comércio Varejista Ltda. A Parte que infringir qualquer das cláusulas ou condições do presente Contrato ficará sujeita ao pagamento. fax. eminentemente gratuito. por mais privilegiado que seja.9. deverão ser feitas por carta com aviso ou protocolo de recebimento ou. 8. Das Notificações. Testemunhas: Nome: RG: Nome: RG: 1. para ser devolvido em espécie ou gênero. 23 FGV DIREITO RIO 54 . qualidade e quantidade”. 6. Todas as notificações. pág. 7. Nesta aula. 85 da Lei nº 10. Direito Civil. Brasília. e-mail com comprovação de recebimento. as Partes assinam o presente Contrato de Comodato em três vias de igual teor e forma na presença de duas testemunhas abaixo assinadas. “O comodato é o empréstimo de coisa não fungível22. dirigidos e/ou entregues às Partes nos endereços constantes do preâmbulo deste Contrato ou em outro endereço que uma das Partes venha a comunicar à outra. na vigência deste instrumento. vol. avisos ou comunicações exigidas.1. permitidas ou decorrentes deste Contrato. As Partes elegem o foro da comarca da capital do Estado de São Paulo como competente para solucionar qualquer conflito decorrente do presente Contrato. Das Penalidades.406/2002: “são fungíveis os móveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie. POR EsTAREm AssIm JUsTAs E CONTRATADAs. à Parte inocente. das perdas e danos a que tiver dado causa.5. 2002. 7. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. por notificação judicial ou extrajudicial. roteiro de aula a) introdução Empréstimo é o contrato pelo qual uma das partes entrega um bem à outra. a qualquer tempo. por qualquer das Partes à outra. Relembrando: art. 3.1.

Há. Recebemos o contrato celebrado entre o Supermercado Pechincha e a empresa de café e notamos que. Não basta a mera troca de consentimentos. O comodatário. é: – Gratuito – caso fosse oneroso. Não havendo prazo expressamente pactuado. portanto. deve ser entendido que a coisa foi emprestada para ser utilizada de acordo com sua natureza. Que conseqüências podem resultar desse fato? d) extinção do Comodato O contrato de comodato se extingue: Rever arts. que descumpra a obrigação de devolver o bem no prazo. Pela análise do artigo acima. – Real – é necessário que o bem seja transferido ao comodatário para que o contrato exista. sujeito aos efeitos da mora24. pelo comodatário. deve ser restituído findo o prazo necessário para a finalidade para a qual ele foi emprestado. que cedeu duas máquinas em comodato ao supermercado para que os clientes comprem os produtos e coloquem nas máquinas que ficam ali à disposição. por exemplo. fica em mora e. Para tanto. o prazo do contrato já terminou. Um dos diferenciais do Supermercado Pechincha é o atendimento aos clientes. o comodatário responde pelo dano que venha a ser sofrido pelo comodante. embora haja transferência do bem. o comodante não pode exigir o bem antes do termo do contrato. uma área perto da seção de confeitaria.CONTRATOs Em EsPÉCIE b) Características Art. é possível extrair três elementos desse contrato: a gratuidade. poderia ser confundido com a locação.406/2002. Se o contrato for omisso quanto à finalidade. 24 FGV DIREITO RIO 55 . exceto se ele comprovar necessidade urgente e imprevista para exigi-lo antes. abandonando os bens do comodante. portanto. – Unilateral – após a entrega do bem. Assim. A natureza jurídica do contrato de comodato. o Supermercado Pechincha entrou em acordo com uma renomada empresa de café expresso. A princípio. já analisada neste curso. C) obrigações do comodatário – Velar pela conservação da coisa – O comodatário deve zelar pela coisa como se própria fosse. – Usar a coisa de forma adequada – O bem em comodato só poderá ser usado. 394 a 401 da Lei nº 10. Vale notar que no comodato. o domínio não é transferido ao comodatário. embora as máquinas permaneçam no supermercado. – Não solene – a lei não prescreve qualquer forma. incumbem obrigações apenas ao comodatário. onde os clientes podem tomar um gostoso cafezinho. mesmo em caso de força maior. a não-fungibilidade do objeto e a necessidade de sua tradição para o aperfeiçoamento do negócio. para a finalidade e de acordo com os termos do contrato de comodato. 579 da Lei nº 10. – Restituir a coisa emprestada no momento devido – O comodatário deve restituir o bem no prazo acordado.406/2002: “O comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis. se em caso de risco. Perfaz-se com a tradição do objeto”. o comodatário privilegiar a segurança de seus bens próprios.

– pelo comodante. de acordo com os herdeiros. Vital deu sua moto em comodato a Irene. Irene veio a falecer poucos dias depois. se o comodatário descumpre qualquer de suas obrigações. o comodante estava ciente de que não era ela quem dirigia a moto. Apesar de estar muito chateado. alegaram que o contrato de comodato ainda estaria em vigor e que a moto era responsável por uma boa parte da renda do restaurante uma vez que viabilizava o serviço de entrega em domicílio. Os herdeiros de Irene. infelizmente. embora o contrato de comodato tivesse sido celebrado com Irene. a rescisão decorrerá de sentença judicial que reconheça o advento de necessidade urgente e imprevisível à época do negócio. Nesse caso. Irene e Vital eram amigos desde a época do colégio. por sua vez. Ocorre que. Se você fosse o juiz.CONTRATOs Em EsPÉCIE – pelo decurso do prazo pactuado ou. Além disso. caso não haja termo ajustado. Vital pleiteou em juízo a resolução do contrato de comodato. após o uso pelo comodatário de acordo com a finalidade para que foi emprestada. – pelo comodante. como julgaria a questão? FGV DIREITO RIO 56 . alegando que somente tinha feito aquele contrato porque conhecia muito bem Irene e que agora não fazia sentido manter o contrato de comodato. Sabendo que Irene tinha acabado de abrir um restaurante e que queria implementar um serviço de entrega em domicílio. caso prove a superveniência de necessidade imprevista e urgente.

4. Juros e o novo Código Civil. 1.169 a 187. Ao explicar a situação.3. São Paulo: Ed. – Transferência de domínio – Enquanto no comodato.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. o mutuário tem que entregar ao mutuante. Caso Gerador: Nosso cliente. 586 a 592 da Lei nº.10. Grana Certa Empreendimentos S.-dez. do Mercado de Capitais e da Arbitragem 22.Mudança na situação econômica do devedor . 2003. Juros no Código Civil de 2002. out.10.. no mútuo. (coord. FGV DIREITO RIO 57 . conforme art. • FONSECA. São Paulo: Saraiva. biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO. o comodatário recebe coisa não fungível. 67 a 110. In: AZEVEDO. 2003. Dessa diferença decorre a segunda distinção entre comodato e mútuo. Ele comenta que soube que houve muita discussão a respeito da cobrança de juros com a edição do novo Código Civil e lhe consulta sobre esta questão.-dez. Comentários ao Código Civil.10. 2002. eMentário de teMas: Diferenças entre mútuo e comodato – Características . Antônio Junqueira de. por meio de mútuo. Arnaldo. Revista de Direito Bancário. págs. 1. págs. roteiro de aula a) diferenças entre mútuo e comodato Embora ambos sejam espécie do gênero empréstimo. um bem que tenha as mesmas características do que o recebido. Silvio.10.10.10.1. vol. pretende obter recursos. Parte Especial.Mútuo oneroso ou feneratício . não deixe de apontar as diferenças entre o regime geral do mútuo no Código Civil e o mútuo bancário. 2004. mas não necessariamente o mesmo recebido. apresentam algumas diferenças.. Desta forma. 53 a 77. tendo que devolvê-la ao comodante ao final do comodato. São Paulo: RT. no prazo pactuado. 1. vol. págs. out. diferentemente do que ocorre no comodato. o domínio do bem é transferido pelo mutuante ao mutuário.A.406/2002. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. As coisas fungíveis são substituíveis por outras. • LOPEZ. 3.5. • RODRIGUES. é o “empréstimo de coisas fungíveis”. Saraiva. no mútuo. Das várias espécies de contratos. o comodato é o empréstimo de coisas não fungíveis.. Revista de Direito Bancário. 7. biblioGrafia obriGatória: • Arts.Prazos no mútuo. 10. do Mercado de Capitais e da Arbitragem 26.). para viabilizar a compra da participação na Pechincha Comércio Varejista Ltda. tais como: – Objeto – Como vimos na aula anterior. Já o mútuo. 261 a 268. Teresa Ancona. Rodrigo Garcia da.406/2002. Direito Civil. AulA 10: EmPRÉSTImO (múTuO) 1. págs. 586 da Lei nº 10. como o bem emprestado é fungível. 1.2. São Paulo: RT.

a prova exclusivamente testemunhal só se admite nos negócios jurídicos cujo valor não ultrapasse o décuplo do maior salário mínimo vigente no País ao tempo em que foram celebrados”. com a previsão de juros sobre o valor emprestado.00 a João Alberto. no caso de negócios jurídicos de valor superior a dez salários mínimos. o mutuário deve devolver ao mutuante valor equivalente ao recebido. tendo em vista que agora ele só tem metade desse valor. não bastando o acordo entre as partes. 333 da Lei nº 10. mas essa é necessária para que o contrato exista. No dia fixado para pagamento do mútuo. o mutuante pode exigir do mutuário garantia de que poderá cumprir sua obrigação de pagar o mútuo. 402 do Código de Processo Civil prevê exceções a regra do arts. no caso de ajuda a um amigo. d) Mútuo oneroso ou feneratício O caso mais usual de mútuo é o empréstimo de dinheiro. acrescido de juros. Jeremias lhe procura e pergunta se tem obrigação de devolver a João Alberto os R$ 500. Ele lembra que certa vez uma das máquinas de café expresso emprestadas para uma das filiais do supermercado quebrou e que o supermercado teve apenas que devolvê-la a empresa proprietária das máquinas. Ocorre que a bolsa de valores despencou. C) Mudança na situação econômica do devedor Seguindo a orientação de proteção ao credor. uma vez que a única obrigação do mutuante seria a entrega da coisa. assim como o valor das ações que foram adquiridas pelo amigo de Jeremias. 25 FGV DIREITO RIO 58 . para devolvê-lo no prazo de seis meses. portanto. não é admitida apenas a prova testemunhal. prevista no art. como também oneroso. Curioso e atraído pela conversa de seu amigo. – Gratuito ou oneroso – O contrato de mútuo tanto pode ser gratuito. – Não solene – A lei não determina uma forma obrigatória para a celebração do mútuo.000.406/2002 e 401 do Código de Processo Civil. No mútuo oneroso ou feneratício. que no caso de notória mudança na situação econômica. sendo conveniente. Vale lembrar que o art. celebrar esse tipo de contrato por escrito.00. contudo. Caput do art. Atualmente. 227 da Lei nº 10. Como não tinha recursos para fazê-lo.406/2002: “salvo os casos expressos. é possível dizer que a partir desse momento apenas o mutuário tem obrigações para com o mutuante. – Unilateral – Como o contrato somente se concretiza com a entrega do bem pelo mutuante ao mutuário. tem sido cada vez mais comum a pactuação de mútuos onerosos.CONTRATOs Em EsPÉCIE Jeremias vinha conversando muito com um amigo que se dizia entendido de investimentos na bolsa de valores.406/2002. o legislador prevê no art. ele também pagaria ao João Alberto apenas o que havia sobrado. Jeremias pediu R$ 500. assim como o supermercado pôde entregar apenas a máquina quebrada. 227 da Lei nº 10. O que você responde? Quais são as principais diferenças entre a locação e o comodato e a locação e o mútuo? b) Características O mútuo é contrato: – Real – Só se aperfeiçoa com a entrega da coisa. Para provar a existência do mútuo. Dessa forma. Jeremias entregou o dinheiro ao amigo para que ele fizesse o investimento na bolsa. que é a remuneração pelo uso do capital. por exemplo. Jeremias decidiu investir em ações. aplica-se a regra geral25 de que. sem ter a obrigação de consertá-la ou pagar pelo seu conserto. 590 da mesma lei.000.

(coord) Antônio Junqueira de Azevedo.406/2002 remete ao art. ou o forem sem taxa estipulada. a cobrança de juros não só é aceitável. Esse prazo deve ser razoável para que o mutuário possa usar e gozar do bem mutuado. Parte Especial. Vale ressaltar o prazo previsto no inciso III do referido artigo: “do espaço de tempo que declarar o mutuante. 10. Já no Código Civil de 2002. “Os juros moratórios. 10. e) Prazos no mútuo Caso as partes não convencionem o prazo para o término do mútuo. Teresa Ancona Lopez. por sua vez. pág. A taxa em vigor para pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional é a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC)29. Como o art. desde que seja observado o limite máximo estabelecido no referido art. são Paulo: saraiva. Das várias espécies de contratos”. Atualmente. Vol. É bem acessório e depende do principal”26. pg. Parte Especial. a indenização por descumprimento de uma obrigação pecuniária. “Comentários ao Código Civil. inclusive. 7. 591 da Lei nº. 7. como também é muito comum. eles são presumidamente devidos no caso de mútuo para fins econômicos. o mutuante poderá intimar o mutuário para restituir o bem no prazo que fixar. 175.406/2002: “Quando os juros moratórios não forem convencionados. 175. são definidos como o rendimento do capital. 27 “Comentários ao Código Civil. ou quando provierem de determinação de lei. (coord) Antônio Junqueira de Azevedo. A princípio. se for de qualquer outra coisa fungível”. 406 da mesma lei para fixar teto para a taxa de juros: Art. Os juros são classificados em juros remuneratórios e juros moratórios. da mesma forma que o aluguel é o rendimento produzido pela coisa cedida em locação. Vol. Dessa forma. podemos afirmar que ele refere-se aos dois tipos: remuneratórios e moratórios. as partes são livres para pactuar a taxa de juros. 406 da Lei nº. 2003. do ponto de vista moral e religioso. são Paulo: saraiva. pois esses bens têm disciplina específica prevista nos incisos anteriores. portanto. Das várias espécies de contratos”. Essa regra não se aplica ao mútuo de dinheiro ou de produtos agrícolas. Os juros também podem ser legais ou convencionais. Teresa Ancona Lopez. 7. pág. 10.065/95 FGV DIREITO RIO 59 . Teresa Ancona Lopez. 28 29 Lei nº 9. de um modo geral. o Código Civil estabeleceu prazos em seu artigo 592. 2003. Os juros legais decorrem de imposição legal e os juros convencionais decorrem da vontade das partes. “Os juros remuneratórios podem ser definidos como os frutos de um capital emprestado. os frutos produzidos pelo dinheiro.406/2002 não faz referência a um tipo específico de juros. são definidos como a compensação. mesmo que não haja previsão expressa de cobrança de juros. 2003. No Código Civil de 1916. 26 “Comentários ao Código Civil. são Paulo: saraiva.CONTRATOs Em EsPÉCIE A cobrança de juros vem sendo discutida durante a história. Parte Especial. (coord) Antônio Junqueira de Azevedo. Vol. 406. Das várias espécies de contratos”. O art. serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional”. 174. a fixação dos juros tinha que ser expressa. “Os juros. Aplicam-se quando o devedor deixar de cumprir sua obrigação no tempo acordado como credor”28. 591 da Lei nº. resultantes da utilização permitida desse capital”27.

b. independentemente do valor contratado. d. questões de ConCurso (Prova: 12º Exame de Ordem . Só poderá se valer de testemunhas se estas forem em número de quatro ou mais.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Poderá se valer de prova testemunhal. face ao impedimento moral existente. FGV DIREITO RIO 60 . pois dívida não se comprova com testemunha. não cuidou de obter sua assinatura em documento que tornasse hábil a futura cobrança. diante do constrangimento decorrente da relação de parentesco.6. c. Diante desta hipótese João poderá: a.1ª fase) João tendo emprestado certa importância a seu primo José.10. Não existe previsão legal para esta hipótese. sendo certo que tais tratativas verbais ocorreram na presença de manoel e Joaquim. Nada poderá fazer.

Instituições de Direito Civil. corretagem. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. como transporte. O trabalho com vínculo empregatício é regulado pelo Direito do Trabalho. para análise de contratos que ali estavam. Obrigações do Empreiteiro. III. o “trabalho avulso feito por pessoa física ou jurídica (geralmente microempresa) e o trabalho dos profissionais liberais”. roteiro de aula a) Prestação de serviços .000. o que poderíamos alegar? 1.introdução No Código Civil anterior. 2005. Caso Gerador Em visita a uma das filiais do supermercado Pechincha.406/2002.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Obrigações do dono da obra. 1. encontramos Maria Lúcia. A previsão inicial era de que a obra duraria três meses e custaria R$ 20. Pedro. FGV DIREITO RIO 61 . Empreitada – Introdução. há mais de cinco meses. que está completamente irada. Caio Mário da Silva. Para piorar. Riscos com aumento ou redução de preços.1. 1. que ele não tinha como prever quando foi contratado. Ela conta que contratou.11. Se fôssemos advogados do Supermercado Pechincha. o termo “locação” é utilizado apenas para coisas e não mais para pessoas. a prestação de serviços era tratada como “locação de serviços”. vol 3.11. como orientaríamos Maria Lúcia? E se. 593 a 626 da Lei n° 10. ao contrário. São Paulo: Ed. como executor de uma obra para ampliação do estacionamento da loja. Modernamente. págs. Direito Civil. vol. ou seja. EmPREITAdA. fôssemos advogados do empreiteiro. AulA 11: PRESTAçãO dE SERVIçOS. 1. Pedro alega que alguns materiais necessários para a obra tiveram seus preços reajustados e que o projeto original sofreu modificações durante a obra. Silvio. Saraiva.3.00. agência e distribuição. Há serviços específicos que são tratados em seção específica do Código Civil. Características da Empreitada. Perguntado sobre o descumprimento do prazo e do orçamento previstos.11.11. Características da Prestação de Serviços. Pedro acaba de avisar à Maria Lúcia. PEREIRA. que em razão de um acidente ocorrido no dia anterior. ou até mesmo em lei específica.2. o material que iria ser utilizado para revestir as paredes do estacionamento deteriorou-se e que será necessário repor boa parte do material. Rio de Janeiro: Forense. como os serviços de telefonia e bancário. Espécies de Empreitada. 2002. um rapaz conhecido por ser um bom empreiteiro. biblioGrafia obriGatória Arts. Ocorre que a obra já ultrapassou tanto a previsão de tempo quanto a de custo e Pedro ainda está cobrando de Maria Lúcia valores adicionais pela obra. págs. filha do senhor Eduardo Russo e administradora das lojas.11. RODRIGUES. eMentário de teMas Prestação de Serviços – Introdução. 243 a 253. 375 a 384. O Código Civil regula a prestação de serviços residual.4.

Relembrando: capacidade das partes. Durante a diligência. 2002. (art. preocupado. Saraiva. se esse presente às obras verificou a alteração no projeto e não protestou. Não solene – a lei não impõe forma específica para sua execução. 2 FGV DIREITO RIO 62 . no caso de não haver autorização escrita do dono da obra. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. pessoalmente ou por terceiros. Quais são as diferenças entre o contrato de empreitada e o de prestação de serviços? d) Características da empreitada O contrato de empreitada é: Bilateral ou sinalagmático – envolve prestação de ambas as partes. como poderíamos classificar o contrato de prestação de serviços? Tendo atuado muitos anos no comércio varejista. em troca de certa remuneração fixa a ser paga pelo outro contraente – dono da obra -. Ao saber disso. por meio de instruções por escrito do dono da obra e. nosso cliente. o senhor Eugênio foi contratado com exclusividade pelo Supermercado Pechincha para prestar serviços de pesquisa de técnicas de atração ao consumidor. vol 3. Pode ser ajustado verbalmente. O empreiteiro só pode exigir acréscimo no preço do dono da obra se forem feitas modificações no projeto a ser implementado.406/2002).243. sendo a ausência de protesto considerada uma aceitação tácita do dono da obra. b) Características da Prestação de serviços Relembrando nossa primeira aula. como ocorre no mútuo. qualquer espécie de serviço pode ser objeto do contrato de prestação de serviço. objeto lícito e forma. Silvio. C) empreitada . sem que seja necessária a entrega da coisa. 1 RODRIGUEs. 619 da Lei n° 10. tivemos conhecimento de que Jeremias Russo vinha mantendo conversas e negociações com o senhor Eugênio para que ele parasse de prestar serviços ao supermercado e passasse a trabalhar para o seu sócio em um novo negócio que Jeremias estava pensando em abrir. salvo estipulação em contrário. Oneroso – envolve um “sacrifício” patrimonial para ambas as partes. Direito Civil.introdução Empreitada é o contrato por meio do qual o empreiteiro “se compromete a executar determinada obra. Consensual – se aperfeiçoa com a mera vontade das partes. nos pergunta se há alguma providência que possa ser tomada caso o senhor Eugênio resolva parar de trabalhar para o Supermercado Pechincha. o senhor Odin Heiro. de acordo com instruções deste e sem relação de subordinação”2.CONTRATOs Em EsPÉCIE Desde que respeitados os pressupostos e requisitos1 para os negócios jurídicos. O empreiteiro entrega a obra e o dono da obra entrega o preço. pág. e) riscos com aumento ou redução de preços Em regra. os riscos da alta ou baixa do preço dos materiais e do salário são assumidos pelo empreiteiro. São Paulo: Ed.

a lei criou as alternativas referidas acima. que não observou. durante o prazo de cinco anos.CONTRATOs Em EsPÉCIE f) espécies de empreitada Empreitada de lavor – aquela em que o empreiteiro contribui apenas com seu trabalho. Por sua vez.406/2002. Ajuizando ação com fundamento na cláusula rebus sic stantibus. a qualidade dos materias especificados no memorial de incorporação. mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos.406/2002: “Não cumprida a obrigação. H) obrigações do dono da obra A principal obrigação do dona da obra é efetuar o pagamento do preço.Ajuizando ação com fundamento na exceptio non rite adimpleti contractus.5.1ª fase) “A” obrigou-se a construir para “B” um edifício. fica sujeito à obrigação de reparar o prejuízo. o dono da obra tem duas alternativas: rejeitar a coisa ou recebê-la com abatimento do preço. questões de ConCurso (Prova: 29º Exame de Ordem . ele será tido como em mora. Maria Lúcia está muito insatisfeita com o trabalho do senhor Pedro. Assim “B” suspende os últimos pagamentos devidos a “A”: a. 5 FGV DIREITO RIO 63 . Aguardando que este cumpra. 441 e seguintes da Lei n° 10. c. b. a doutrina entende que o empreiteiro tem direito de retenção. Art. Caso o empreiteiro não cumpra as obrigações do contrato. Por que é importante distinguir entre a empreitada de lavor e a empreitada mista? G) obrigações do empreiteiro A principal obrigação do empreiteiro é entregar a coisa no tempo e na forma acertados. Para os vícios ocultos. rigorosamente. aplicam-se as regras de vício redibitório5. em razão dos materiais como do solo. Ao ser entregue. e honorários de advogado”. d. responde o devedor por perdas e danos. “B” alega que houve cumprimento insatisfatório e inadequado da obrigação por parte de “A”. Embora não haja previsão legal. ficando responsável pelos efeitos decorrentes da mora. 389 da Lei nº 10. devido a isso pensa em extinguir o contrato que mantém com ele. conforme regra geral4. Ela lhe procura com a seguinte pergunta: qual é a regra geral para suspensão dos serviços no caso de empreitada? 1.11. corretamente a obrigaçao. A lei prevê ainda uma regra específica no caso de empreitada de edifícios e outras construções consideráveis. O dono da obra tem obrigação de receber a coisa. Caso o dono da obra recuse o recebimento da coisa sem motivo. cuja obra foi concluída segundo afirmativa categórica de “A” no prazo estabelecido pelo contrato. de 10 andares. Para os defeitos aparentes. como garantia do pagamento do preço. 4 Arts. Além disso. a obra pode ter defeitos aparentes ou ocultos. Empreitada mista – aquela em que o empreiteiro contribui com mão-de-obra e materiais. não podendo recusar injustificadamente o seu recebimento. segundo a qual o empreiteiro de materiais e execução responderá pela solidez e segurança do trabalho. Ajuizando ação com fundamento na exceptio non adimpleti contractus. se o empreiteiro não atende as especificações contratadas.

vol 3. Em nossa última viagem. b) depósito voluntário É aquele ajustado única e exclusivamente em razão da vontade das partes. tivemos que fazer algumas visitas ao supermercado. Qual é a principal diferença entre o contrato de depósito e o contrato de comodato? O depositário não pode utilizar a coisa depositada. a não ser que tenha expressa autorização do depositante. Direito Civil. nos disse que o hotel nada tinha a fazer e que um eventual prejuízo deveria ser imputado à própria omissão dos hóspedes. O depósito tem por objeto apenas bens móveis.12.12. no entanto. haviam sido furtados. durante a diligência.406/2002).406/2002. Depósito Voluntário. como relógios e aparelhos de celular. Um dia. Saraiva.4. Como argumento final. 269 a 282. 2002. eMentário de teMas Introdução. E agora? O gerente tem razão? 1. roteiro de aula a) introdução Conforme dispõe o artigo 627 da Lei nº 10. Há duas espécies de depósito reguladas pelo Código Civil: o voluntário e o necessário. Silvio. Caso Gerador Os Supermercados Pechincha ficam em Brasília. não basta apenas a celebração do contrato.2. 640 da Lei nº 10. (art. RODRIGUES. Aborrecidos com o acontecimento.12. 1. São Paulo: Ed.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. 1. o contrato de depósito é aquele segundo o qual “recebe o depositário um bem móvel. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. biblioGrafia obriGatória Arts. págs. por não terem utilizados os cofres eletrônicos de segurança postos à disposição nos apartamentos em que nos hospedamos. O contrato de depósito voluntário é classificado como: – Real – o contrato de depósito só se aperfeiçoa com a entrega do bem. 627 a 652 da Lei nº 10. por isso.1. até que o depositante o reclame”. encontramos nossos quartos revirados e percebemos que alguns itens pessoais.406/2002. FGV DIREITO RIO 64 . ao voltarmos do trabalho para o hotel.3. Depósito Necessário. para guardar. ele nos mostrou uma placa afixada na recepção que assim dizia: “O HOTEL NÃO sE REsPONsABILIZA PELOs OBJETOs DEIXADOs NO INTERIOR DOs APARTAmENTOs”. fomos conversar com o gerente do hotel.12. para nossa surpresa.12. Este. AulA 12: dEPóSITO 1. ficamos hospedados no Hotel Descanse em Paz.

vendendo-os a terceiros.406/2002). ele manteve o mesmo na garagem do pai. cabem obrigações apenas para o depositário. porém. Quando o depósito é gratuito. 646 da Lei nº 10. muitos sustentam que não há o caráter intuitu personae. comentários ao código civil.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Não solene – embora o art. provar a ocorrência de força maior (art. Entretanto. quando. podemos concluir que esta não é da essência do contrato de depósito. portanto. Ele desabafa que está com problemas porque descobriu que seu pai. É necessário. cabendo a ele. um conjunto de xícaras de porcelana e um automóvel. Uma das sanções previstas para o descumprimento da obrigação de restituir o bem depositado é a prisão civil. não puder continuar a guardá-la (art. o art. mas descobriu que o mesmo foi deteriorado em um recente LOPEZ. ele se desfez do baú de madeira e do conjunto de xícaras.406/2002 disponha que o “depósito voluntário provar-se-á por escrito”. 642 da Lei nº 10. (coord. 2003. se exceder ao décuplo do salário mínimo vigente. porém. e ressarcir os prejuízos”. Conforme artigo 629. Parte Especial. 6 FGV DIREITO RIO 65 . Caso o depositário não cumpra essa obrigação. 414. A Lei prevê que o depositário poderá devolver a coisa ou depositá-la judicialmente. No caso de depósito oneroso. Art. senhor Odin Heiro. 227 do CC de 2002)”6. “Assim. Das várias espécies de contratos.406/2002).406/2002 dispõe: “Seja o depósito voluntário ou necessário. p. admitindo-se. independentemente do debate a respeito das duas espécies de forma. – Unilateral ou bilateral – após o aperfeiçoamento do contrato. se o depositante se recusar a recebê-la. Antônio Junqueira de. deverá reparar o prejuízo do depositante. A coisa deve ser restituída no estado em que foi recebida pelo depositário. apenas para sua prova. necessitará de prova outra. 652 da Lei n° 10. muitos autores entendem que não há forma prevista para a validade do ato. 635 da Lei nº 10. Nada impede. independentemente do prazo inicialmente ajustado entre as partes. qualquer começo de prova escrita (cf. Obrigações do depositário: – Obrigação de guardar a coisa alheia – é a obrigação inerente e principal do contrato de depósito. porém. já falecido. – Obrigação de restituir a coisa – O depositário deve devolver o bem ao depositante quando solicitado. entende-se que ele é um contrato intuitu personae. nos procura para falar sobre um assunto pessoal. Nesse sentido. pois tem por base a confiança que o depositante tem no depositário. para a sua prova. Já no depósito oneroso. São Paulo: Saraiva. Quanto ao carro. – Obrigação de conservar a coisa alheia – essa obrigação é uma conseqüência da obrigação de guardar. cabe ao depositante a obrigação de pagar ao depositário. o contrato de depósito é gratuito. In: AZEVEDO. que pode ser pactuado sem qualquer formalidade pelas partes e mesmo assim existirá e será válido. Nosso cliente. o depositário é obrigado a conservar a coisa como se sua fosse. para tanto. o depositário que não restituir quando exigido será compelido a fazê-lo mediante prisão não excedente a um ano. que não a testemunhal. Desconhecendo a existência desse contrato de depósito. analisar o caso específico para classificar o depósito como gratuito ou oneroso e unilateral ou bilateral. com a entrega do bem pelo depositante ao depositário. em regra. 7. O depositário não responde pela deterioração ou perda do bem em caso de força maior. sendo assim uma das exceções ao princípio de que ninguém pode ser preso em razão de dívidas. que as partes convencionem uma retribuição ao depositário. – Gratuito ou oneroso – De acordo com o Código Civil. por motivo plausível. vol. Teresa Ancona.). era depositário dos seguintes bens: um baú de madeira. acompanhada dos frutos e acrescidos.

foi surpreendido com a alegação do vizinho de que não devolveria aqueles bens. (coord. procurou nosso cliente. mas um genuíno empréstimo por força da intenção das partes”7. comentários ao código civil.). duas últimas contribuições. In: AZEVEDO. pois de acordo com Teresa Ancona Lopez: “. não há um depósito. Marvim retirou apressadamente alguns objetos. Há discussão na doutrina quanto à natureza do depósito bancário. a senhora Juracema. como a televisão e o computador. 8 FGV DIREITO RIO 66 . nos depósitos bancários. os chamados depósitos bancários não são depósitos. Ao contrário do depósito voluntário que se presume gratuito. Antônio Junqueira de. a senhora Juracema deveria ter pago ao seu pai uma quantia semestral como pagamento pelo depósito e que sabia que ela não havia efetuado o pagamento de. São Paulo: Saraiva. como a de reembolsar as despesas feitas pelo depositário na guarda da coisa e de indenizá-lo pelos prejuízos que venha a ter em razão do depósito. Mesmo nos casos em que o contrato é unilateral. mas sim de obrigações subsidiárias. Diante dessa situação. O legislador entendeu que nesses casos deveriam ser aplicadas as regras referentes ao mútuo. ocorre quando o bem depositado é dinheiro. ele nos pergunta: O contrato de depósito se extingue com a morte do depositário? O herdeiro tem alguma responsabilidade quanto aos bens depositados? O que fazer tendo em vista que alguns bens foram vendidos e outro foi deteriorado? Ele reparou que. Alguma providência a tomar quanto a esse caso? Obrigações do depositante: Como vimos. sabendo do falecimento do pai do senhor. e – depósito que se faz em situação de calamidade. In: AZEVEDO. vol. Alguns dias depois. Odin Heiro. depositante dos bens. Dias atrás. Parte Especial. Em um dia de chuvas torrenciais. A autora conclui: “em conclusão. vol. e os deixou na casa de um vizinho que.CONTRATOs Em EsPÉCIE incêndio ocorrido no prédio. Teresa Ancona. Antônio Junqueira de. p. p. Das várias espécies de contratos. C) depósito necessário O depósito necessário ocorre nas seguintes hipóteses: – depósito para desempenho de obrigação legal. Como ajudar Marvim nessa situação? É possível enquadrar o vizinho como depositário infiel mesmo sem a existência de um contrato entre eles? Cabe a prisão civil nesse caso? LOPEZ. feitos como meio de guardar valores e perceber rendimentos e juros. 412. cabem ao depositante algumas obrigações que não decorrem da natureza do contrato de depósito em si. de acordo com o contrato. Em regra. o depósito necessário presume-se oneroso. 7. teve melhor sorte com a chuva. e pediu a devolução dos bens. por morar em uma área de ladeira. o contrato de depósito é unilateral quando o contrato é gratuito e bilateral quando o contrato é oneroso. São Paulo: Saraiva. pelo menos. Parte Especial.. 411. 7 LOPEZ. Das várias espécies de contratos. Teresa Ancona. Estes são equiparados ao depósito necessário e ao depósito de bagagens em hospedarias. (coord. comentários ao código civil.. Depósito de coisas fungíveis É o chamado depósito irregular. mostrou o contrato que foi celebrado entre eles. ao ver sua casa inundando. mas sim empréstimos”8. 7. 2003. 2003.). quando foi buscar a televisão e o computador.

Saraiva. o senhor Justin Case nos contou que o senhor Odin Heiro se esqueceu apenas de um pequeno detalhe: há uma boa probabilidade de a assinatura do contrato ocorrer justamente no período no qual Justin Case ia tirar férias para se casar com sua noiva no Paraná. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. 653 a 692 da Lei nº 10.4. 2002. RODRIGUES. roteiro de aula a) introdução Por meio do mandato.406/2002. eMentário de teMas Introdução. O mandatário age em nome do mandante.. 1. ou seja. Qual a diferença entre o mandato e a comissão? b) Classificação O mandato é contrato: – Consensual – para que se aperfeiçoe basta a vontade das partes.2. AulA 13: mANdATO.13. outorgou uma procuração a um dos funcionários de sua confiança. é possível o mandato tácito e o verbal (art.13. Classificação.A. o senhor Odin Heiro. Caso Gerador Sabendo que estaria fora do país na provável época da assinatura do contrato de compra e venda das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda.3. para adquirir a participação na Pechincha Ltda. Silvio. o mandante se faz representar pelo mandatário.13. biblioGrafia obriGatória Arts. São Paulo: Ed. o senhor Justin Case. Revogação e Extinção do Mandato.406/2002) FGV DIREITO RIO 67 . ele poderia outorgar a um amigo uma procuração para se casar em seu lugar? Ele poderia substabelecer a outro funcionário da companhia os poderes que lhe foram outorgados na procuração para assinar o contrato de compra e venda? 1. págs. 1. o senhor Justin Case lhe pergunta: ele poderia casar por procuração. 656 da Lei n° 10. vol 3.13. na qualidade de diretor e representante da Grana Certa Empreendimentos S. 283 a 305. Procuração e Substabelecimento.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.1. Obrigações do Mandatário.. 1.13. Obrigações do Mandante. Sem querer desapontar o senhor Odin Heiro e muito menos a sua noiva. – Não solene – embora a lei determine que a procuração é o instrumento do mandato. Ao ser comunicado desse fato. Direito Civil.

Cabe ao mandatário provar que não houve culpa sua para se livrar de ser responsabilizado pelo prejuízo que venha a ser sofrido pelo mandante. certo? Para efetuar determinados atos como alienar. presume-se que o mandato é gratuito. hipotecar. 289. não se presume gratuito. a não ser que este venha a ratificar o ato posteriormente.406/2002 dispõe que: “os atos praticados por quem não tenha mandato. tendo em vista que o artigo 662 da Lei n° 10. havendo morte de uma das partes. Dessa forma. ou seja. O mandato é intuitu personae. – Agir com o zelo necessário e diligência habitual na defesa dos interesses do mandante (art. uma vez que o mandante confere poderes a alguém de sua confiança. por exemplo. 667 da Lei n° 10. Sendo o mandato outorgado por instrumento público. 653 da Lei n° 10. O mandato outorgado a advogado. pois implicará obrigações para ambas as partes. ele será unilateral. Antes de contratar com alguém que se apresente como mandatário do outro contratante. Saraiva.406/2002) – o mandatário é responsável pelos prejuízos causados ao mandante. Assim. pois ele é um instrumento para que o advogado possa defender os interesses de seu cliente e exercer seu ofício. o mandato será extinto. salvo raras exceções que serão vistas adiante. São Paulo: Ed. os poderes que lhe foram conferidos pelo mandante”9. são ineficazes em relação àquele em cujo nome foram praticados. salvo se este os ratificar”. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. a procuração não é indispensável para conclusão de negócios. transigir. exceto quando tem por objeto a realização de atos que o mandatário realiza profissionalmente. é indispensável conferir a procuração e os poderes que foram outorgados para não correr o risco de que o contrato seja ineficaz em relação ao mandante. sendo oneroso. Havendo remuneração prevista. o ato é inválido para o mandante. um mandato com poderes de administração em geral não bastaria para que o mandatário assinasse escritura de hipoteca em nome do mandante. d) obrigações do Mandatário As obrigações do mandatário são: – Agir em nome do mandante (art. pág. exceto para aqueles que exigem instrumento particular ou público. RODRIGUEs. Substabelecimento “é o ato pelo qual o mandatário transfere ao substabelecido. vol 3.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Gratuito – não havendo estipulação de remuneração. Direito Civil. 9 FGV DIREITO RIO 68 . Silvio. Pode um advogado prestar serviço advocatícios sem mandato e vice-versa? C) Procuração e substabelecimento A procuração é o instrumento do mandato. o Código Civil exige que a procuração contenha poderes expressos. quando eles resultarem de culpa do mandatário.406/2002) – O mandatário deve atuar respeitando os poderes outorgados na procuração. ou o tenha sem poderes suficientes. A procuração pode ser outorgada por instrumento público ou particular. naturalmente o substabelecimento deverá ser outorgado também por instrumento público. – Unilateral – sendo o mandato gratuito. será bilateral. Tendo em vista que a lei admite mandato tácito. Se o mandatário agir extrapolando os poderes que lhe foram conferidos. 2002.

Um amigo seu lhe conta que o pai dele havia nomeado um conhecido como procurador dele para adquirir uma bela casa em Itaipava. 678 da Lei n° 10. Maria Lúcia. um pouco decepcionado pelo andamento dos trabalhos do filho. neste caso. ele havia sido constituído mandatário de sua tia Gertrudes para transferir a ele próprio um imóvel que era de propriedade da referida tia. Como você orienta o seu amigo? e) obrigações do Mandante – Cumprir os compromissos assumidos pelo mandatário em seu nome (arts. em razão de alguns acordos familiares. pois. Mesmo tendo conhecimento da nova procuração. a sua filha. Vale notar que. tia Gertrudes faleceu inesperadamente. ele diz que acha que não há nada mais a ser feito. o mandante ficará obrigado a cumprir as obrigações perante terceiros. para contratar pessoas para trabalharem em sua fazenda. 647 da Lei n° 10. E agora? Ele ouviu dizer que o mandato se extingue com a morte de uma das partes. 668 da Lei n° 10. deixando a família de seu amigo “na mão”. até porque o tal conhecido já até devolveu ao pai dele a quantia que havia recebido para pagar o sinal do imóvel. – Pagar ao mandatário a remuneração ajustada. É verdade? FGV DIREITO RIO 69 . o tal conhecido acabou adquirindo a casa para si próprio.406/2002). Meses depois. Maria Lúcia lhe pergunta: afinal. desde que não resultem de culpa do mandatário ou de excesso de poderes (art. se o mandatário contrariar as instruções do mandante.406/2002). o senhor Eduardo Russo resolveu outorgar procuração. 675 e 676 da Lei n° 10. podendo. com poderes idênticos. Muito chateado com a situação.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Prestar contas de sua gerência ao mandante e transferir ao mandante todas as vantagens obtidas nos negócios – (art. Ocorre que. infelizmente. Aproveitando-se das ótimas condições do negócio. mas não exceder os limites do mandato. antes mesmo que ele houvesse efetuado a transferência do imóvel para seu nome.406/2002) – O mandante. preocupado. tendo apenas ação de perdas e danos contra o mandatário pela inobservância das instruções. f) revogação e extinção do mandato O senhor Eduardo Russo outorgou uma procuração ao seu filho. ambos são mandatários do pai? Jeremias pode continuar a desempenhar os poderes que a ele foram outorgados? A contratação dos empregados é válida? O senhor Odin Heiro lhe procura. Jeremias continuou a utilizar a procuração que havia recebido e a fazer entrevistas. tendo.406/2002) – Prosseguir no exercício do mandato mesmo após extinção do mandato por morte. Jeremias. 675 e 679 da Lei n° 10. somente se vincula dentro dos termos previstos na procuração. porém.406/2002). inclusive fazer entrevistas e ajustar salários.406/2002). caso o mandato seja oneroso (art. – Adiantar ao mandatário os valores necessários ou reembolsá-lo pelas despesas efetuadas em razão do cumprimento do mandato (arts. inclusive. interdição ou mudança de estado do mandante. para concluir negócio já iniciado ou até ser substituído quando for para impedir que o mandante ou seus herdeiros sofram prejuízo (art. 676 da Lei n° 10. contratado alguns empregados. – Indenizar o mandatário pelos prejuízos que venha a sofrer em cumprimento ao mandato.

b. Ato é anulável. Posteriormente. (Prova: 26º Exame de Ordem . Diante do ocorrido.5.2ª fase PROVA DIsCURsIVA 4 . questões de ConCurso (Prova: 28º Exame de Ordem . veio a saber que Pedro falecera dias antes. outorgando-lhe procuração para que Caio assine por Tício a escritura definitiva quando Caio tiver quitado integralmente o preço. É outorgada no interesse exclusivo do mandatário que. fica isento de prestar contas ao mandante c. Ato é tido como inexistente ou insubsistente. podemos dizer que: a.Mandato plural substitutivo. d. Mandato plural fracionário. mas dependerá da iniciativa dos interessados. utilizando-se dos poderes especiais constantes da procuração.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. É essencial para o advogado que postula em Juízo em causa própria d. vez que o preço já se achava quitado. cessou o valor da procuração.1ª fase) Dentre as características abaixo arroladas. É válida a revogação ou poderá Caio assinar a escritura de compra e venda. Posteriormente. vítima de um acidente automobilístico.Ato é perfeitamente válido uma vez que visava a ultimação de negócio já iniciado.1ª fase) A procuração outorgada a vários procuradores com esfera de atuação devidamente delimitada.1ª fase) maria José. outorgou escritura definitiva de imóvel prometido vender a Estela. representando Tício quando tiver quitado o preço? FGV DIREITO RIO 70 . caracteriza: a. vez que. c.Subsiste mesmo após a morte do mandante (Prova: 13º Exame de Ordem . É irrevogável b. Mandato plural conjunto. com a morte. b. diga qual não está adequada à procuração em causa própria: a. Ato praticado é nulo de pleno direito. Mandato plural solidário. conseqüentemente. Prova: 26º Exame de Ordem .13. d. c. cabendo a cada um agir apenas em seu setor.Tício prometeu vender a Caio um imóvel. na qualidade de procuradora de Pedro. Tício revogou a procuração.

Rio de Janeiro: Forense. Aspecto responsabilidade perante terceiros responsabilidade pela solvência das pessoas com quem contratar exclusividade dever de obediência às instruções do comitente/ proponente remuneração demissão sem justa causa demissão por justa causa Morte do comissário/ agente direito de retenção demais regras aplicáveis especificidades Comissão Agência/ distribuição FGV DIREITO RIO 71 . (em anexo) PEREIRA. já pensando no futuro.ago. AgêNCIA E dISTRIbuIçãO (REPRESENTAçãO COmERCIAl). biblioGrafia CoMPleMentar CINTRA.886/1965. 2005 . Teresina.2. ano 7. Do contrato de agência e distribuição no Novo Código Civil.html Acesso em: 03.Contratos.br/artigos/verartigo. por meio da leitura dos textos obrigatórios e dos recomendados. Humberto Theodoro. (em anexo) 1.1.ago. Francisco Wanderson Pinho.com. Caso Gerador É possível perceber. eMentário de teMas Análise e comparação das características da comissão. Caio Mário da Silva.2006. 693 a 721 da Lei nº 10. 1.asp?id=4148>.420/1992. como você orientaria o senhor Odin Heiro que. Jus Navigandi. III. mundo Jurídico. 66.2006. 1. BERGER. Instituições de Direito Civil . 2003. compare as vantagens e desvantagens que cada uma dessas figuras jurídicas poderia trazer ao supermercado.org.adv. É hora de definir agência e distribuição no novo Código Civil . pensa em contratar terceiros para fazer a revenda dos produtos do Supermercado Pechincha? Qual seria o contrato mais seguro.14. Acesso em: 03. com as alterações da Lei nº 8. Acesso em 03. br/doutrina/texto.br. Lei nº 4.3. Disponível em: www. (em anexo) DANTAS.14. agência e distribuição.asp?id=215. Silvio de Salvo. Antonio Felix de Araujo. BiBliografia oBrigatória Arts.14. JÚNIOR.societario. págs.406/2002.2006 (em anexo) VENOSA. A representação no novo Código Civil. do ponto de vista do supermercado? Utilizando a planilha abaixo como base. Tendo em vista os novos entendimentos e analisando as regras específicas de cada um desses tipos jurídicos. distribuição e representação.mundojuridico. 2006. 389 a 393.14.com. AulAS 14 E 15: COmISSãO. Disponível em: <http://jus2.vol. jun. Renato. Disponível em www. Centro Acadêmico Clóvis Beviláqua. Acesso em: 04 ago.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.uol.ago. Disponível em: http://cacbufc. que o novo Código Civil gerou algumas discussões acerca dos contratos de agência.14. 1. br/demarest/svrepresentacao.4. n. Agência e Distribuição x Representação Comercial.

Outros empresários adquirem do fabricante esses produtos. Em lugar de usar empregados para angariar clientes fora do estabelecimento. Encarrega. continuam vinculados à estrutura organizacional permanente da empresa. Não pratica a compra e venda das mercadorias do representado. por meio do contrato de trabalho. o artesão cria o produto. Contratos afins. 6. 8. O objeto do contrato de agência. O contrato de agência no direito brasileiro. O instrumento jurídico básico de que se valem os empresários. 3. Noções introdutórias. é o contrato de compra e venda. contratos de colaboração empresarial. Agente e viajante ou pracista (contrato de agência e contrato de trabalho).406/2002? 1. 2. ele mesmo. o produtor não tem condições de explorar individualmente seu negócio. FGV DIREITO RIO 72 . Já então o fornecedor não terá comando do processo. 5.1. Agência e distribuição por conta própria (revenda). porém. Os empregados que captam clientela nestas circunstâncias são os viajantes e pracistas.5. seja na produção seja na comercialização. 4. ou concessão comercial. sem interferência dos empresários que utilizam seus serviços. 5.3. 7. contratando o serviço de empregados. que será concluída pelo preponente. A representação comercial. você entende que a lei n° 4. pois o agente é um representante autônomo. Agência e mandato. que organiza sua própria empresa e a dirige. roteiro de aula a) qual é a principal diferença entre o contrato de comissão e o de agência? b) Partindo do pressuposto. Numa escala mais desenvolvida do processo industrial. Conforme o volume da produção e da comercialização.14. que regulava especificamente as atividades dos representantes comerciais. então. A nomenclatura legal . o empresário pode contratar esse serviço junto a outros empresários. aceito por grande parte da doutrina.6. Num estágio primário da exploração do mercado. 5. 8. Nesse momento surge o fenômeno da representação comercial ou agência.886/1965.4. 4. para melhor colocação de suas mercadorias. 9. Embora atuando fora do recinto do estabelecimento do empresário. 5. Natureza jurídica. Presta serviço tendente a promover a compra e venda. Conceito de contrato de agência. que integra a categoria dos chamados.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.14.1. que fazem do agenciamento de clientela o objeto de suas empresas. foi revogada pela lei n° 10. O agente faz da intermediação de negócios sua profissão. expõe-no à venda e. Agência e comissão. nessa cadeia. 5. Todos. também com o mesmo propósito de revendê-los no mercado. Recorre à mão de obra alheia. Sujeitos do contrato de agência.1. alguns empregados de sair do estabelecimento para ir em busca de clientes na praça da empresa ou em outras praças. o empresário sente a necessidade de atuar além dos limites físicos do estabelecimento.as partes no contato de agência. leitura obriGatória: Do contrato de agência e distribuição no Novo Código Civil autor: Humberto theodoro júnior Publicado em: 29/9/2005 SUMÁRIO: 1. atuam dentro do estabelecimento sob o comando direto do empresário. que se integram à estrutura operacional da empresa. noções introdutórias A atividade comercial realiza a circulação de produtos na cadeia econômica entre a produção e o consumo. O fabricante cria os produtos com o fim de colocá-los no mercado. Os elementos essenciais do contrato de agência. Direito comparado. o vende ao consumidor.2. de que agência e representação comercial são o mesmo contrato. 1.

se dedica a angariar negócios em proveito destas. Embora já praticada. representação comercial. a representação ajustada. parág.). a representação será negócio complexo e que. ora apelidado agente. Aí se pensa em contratos de distribuição como um gênero a que pertencem os mais variados negócios jurídicos. único. baseado na revenda de mercadorias e sujeito a princípios que nem sequer foram reduzidos a contrato típico pelo Código Civil. sim. 1º). ou não. confundir-se com a concessão comercial. lhe pode ser delegada. Nos termos da Lei nº 4. para que este pratique atos próprios do mandatário. Essas noções são muito importantes para que não se venha a confundir o contrato regulado pelo art. para transmiti-los aos representados. Sua função. Esse nunca compra a mercadoria do preponente. No teor do art. porém. que inexiste nessa última modalidade. atribui à atividade tradicional da representação comercial o nomen iuris de agência. franquia comercial. não age em nome próprio. conferir poderes especiais ao agente. visto que se conserva o caráter de preposição. de 09 de dezembro de 1965 que cuidou de regulamentar a representação comercial. Em determinadas circunstâncias. A distribuição que eventualmente. a mediação para a realização de negócios mercantis. além de suas regras próprias. cuja função econômica e jurídica se localiza no terreno da captação de clientela. Ao invés de atuar como vendedor atua como mandatário do vendedor. Pode. A primeira característica do representante comercial. é a autonomia com que age na intermediação: o representante não é um empregado da empresa a que serve. um mandatário. ao concluir a compra e venda e promover a entrega de produtos ao comprador. porque afinal os negócios agenciados são retransmitidos ao comitente e são por este aceitos.886. “exerce a representação comercial autônoma a pessoa. e. dois contratos distintos. o Código fala também em “contrato de agência e distribuição”. A palavra “distribuição” é daquelas que o direito utiliza com vários sentidos. que desempenha em caráter não eventual. revenda ou concessão comercial. a representação comercial O novo Código Civil. abandonou o nomem iuris de “representante comercial”. 710 – contrato de agência e distribuição – com o contrato de concessão comercial.CONTRATOs Em EsPÉCIE Por isso. a distribuição não é a revenda feita pelo agente. a mesma atividade empresarial passa a denominar-se distribuição. substituindo-o por “agente”. Há uma idéia genérica de distribuição como processo de colocação dos produtos no mercado. porém. a figura do representante comercial. Mas. mas o faz em nome e por conta da empresa que representa. agenciando propostas ou pedidos. continua sendo exatamente a mesma do representante comercial autônomo. praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios (art. 710 do Código Civil. a exemplo do direito europeu. este. por conta de uma ou mais pessoas. há um bom tempo nos meios empresariais. ainda faz parte da prestação de serviços. mandato mercantil. Não são. 2. que é aquele com que a lei qualifica o contrato de agência.886. na linguagem tradicional do direito brasileiro esse agente recebia o nome de “representante comercial autônomo” (Lei nº 4. além de falar em “contrato de agência”. fornecimento.65). Já então. 710. só em 1965 mereceu disciplina legal específica no Brasil.12. porém. eventualmente. física ou jurídica. etc. correspondente à atividade daquele que. e 721). sem relação de emprego. porém. sem entretanto. a exemplo do direito europeu. Foi a Lei nº 4. um sentido mais restrito. arts. FGV DIREITO RIO 73 .886. Ele age como depositário apenas da mercadoria do preponente. de maneira que. todos voltados para o objetivo final de alcançar e ampliar a clientela (comissão mercantil. nos moldes de sua configuração legal. mas o mesmo contrato de agência no qual se pode atribuir maior ou menor soma de funções ao preposto. pois a habitualidade (o caráter não eventual) da prestação de serviços realizada pelo agente em prol do representado. por ele consumados. amparado por contrato com uma ou várias empresas. em caso positivo. É ele sempre um prestador de serviços. se sujeitará também às do mandato mercantil (Código Civil. de 09.” O seu segundo elemento caracterizador é. Há. Não é. O novo Código Civil.

porém. furto. 3º. ao falido não reabilitado. já que a jurisprudência limitava-se a negar enquadramento na legislação trabalhista. realizada em Araxá. FGV DIREITO RIO 74 . 3º). estelionato. outrossim. 3. ao condenado por infração penal de natureza infamante. Tal como se passava na Europa. na espécie. Nada impede. e ao que estiver o seu registro comercial cancelado como penalidade (Lei nº 4. e com a quitação com o imposto sindical (Lei nº 4.171/49 e que. em várias legislaturas. na II Conferência Nacional das Classes Produtoras.886 é que terá ocorrido derrogação parcial desta. No caso de pessoa jurídica. deverá ser feita a prova de sua existência legal. se introduziu a figura do representante comercial.886. então. o contrato de agência no direito brasileiro Desde que. 4º). por meio de seu instrumento de constituição devidamente arquivado no Registro Público competente (Lei nº 4. ou não. que a Lei nº 4. a contribuição pretoriana. aos quais se confiou a fiscalização do exercício da profissão. tais como falsidade. apropriação indébita. A agência. Muito fraca. realizou-se em São Paulo o 1º Congresso Nacional de Representantes Comerciais. art. contrate com outra uma representação comercial para explorar negócio de intermediação conexo. a grande preocupação jurídica foi a de distingui-la da relação empregatícia. o que se acha ressalvado. de quitação com o serviço militar. para atribuir-lhe uma função autônoma e independente em relação à empresa a que serve. § 2º). construir uma estrutura dogmática que pudesse fixar a natureza jurídica do contrato que vinculava a empresa e os agentes comerciais. 2º. A lei interdita o exercício da representação comercial a todo aquele que não possa ser comerciante. com objeto distinto da agência. 721 do novo Código. a reivindicação de um regulamento legal para a profissão do representante comercial autônomo tornou-se a maior aspiração dos órgãos representativos da categoria.886 traçou para disciplinar a profissão e os direitos e deveres do representante comercial.CONTRATOs Em EsPÉCIE Com a Lei nº 4. roubo. aliás.886/65. foi reapresentado sem sucesso algum. art. Em se tratando de pessoa física. todavia. que uma empresa comercial. contudo. § 2º). pessoas físicas ou jurídicas. no Ministério da Justiça. apenas quando alguma norma do Código estiver conflitando com preceito da Lei nº 4. tomou o nº 1. em princípio. diversamente do que se passa com o empregado. o requerimento haverá de ser instruído com a prova de identidade. com o seu ramo. também no Brasil. art. a atividade do representante comercial foi desempenhada sem contar com o apoio de lei que lhe desse tipicidade. estabelecendo-se as necessárias garantias da profissão. criando-se um Conselho Federal e Vários Conselhos Regionais. É. sem. Na mesma ocasião. expressamente. para legitimar-se ao exercício da representação comercial. na espécie. levado ao Congresso Nacional. porque o Código Civil traçou apenas normas gerais acerca do contrato de agência (Lei de Introdução. contrabando. ou agência. De tal sorte. no art. funciona apenas como um acessório ou complemento da atividade principal da empresa. art. na vida empresarial brasileira. foi aprovada a reivindicação classista de enviar-se o pleito à comissão então encarregada de elaborar o Projeto de novo Código Comercial. Durante longos anos. Em 1949. de que fosse nele definida e caracterizada a figura jurídica do representante comercial. Podem inscrever-se no respectivo Conselho. continuam em vigor. com a folha-corrida de antecedentes.886. É comum a existência de estabelecimentos dedicados exclusivamente à representação comercial. expedida pelos cartórios criminais das comarcas em que o registrante houver tido domicílio nos últimos dez anos. de estar em dia com as exigências da legislação eleitoral. um anteprojeto que. Surgiu. lenocínio ou crimes também punidos com a perda de cargo público. cujo objetivo principal era o de dar curso à reivindicação antes aprovada pela Conferência de Araxá.886. foi. a representação comercial (ou agência) ganhou o status de atividade profissional regulamentada. Todas as regras especiais. quando exigível.

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Somente viria a ter maior repressão o Projeto nº 2.794/61, de autoria do deputado Barbosa Lima Sobrinho, que, no Senado provocou o surgimento do Substitutivo nº 38/63, elaborado pelo Senador Eurico Resende, o qual mereceu aprovação de ambas as casas do Congresso. No entanto, não chegou a transformar-se em lei, porquanto recebeu veto total da Presidência da República, ao fundamento de que, nos termos em que se intentou regulamentar a profissão, ao representante apenas se estendiam “as vantagens e garantias que a legislação do trabalho assegura ao trabalho assalariado”. Tal equiparação foi considerada incabível, entre outros motivos pela ausência de subordinação hierárquica e pela possibilidade de a representação comercial ser exercida por pessoas jurídicas. O então Presidente, General Castelo Branco, ao vetar o projeto aprovado pelo Congresso, encarregou o Ministério da Indústria e Comércio de reexaminar o assunto. Daí surgiu novo Projeto que, após tramitação parlamentar, se tornou a Lei nº 4.886, de 09.12.1965, ainda em vigor, com as alterações da Lei nº 8.420, de 08.05.1992. Tal como o direito europeu, a lei brasileira previu uma representação comercial, simples, em que ao representante cabia apenas intermediar negócios, captando pedidos ou propostas da clientela, para encaminhá-los à deliberação do preponente; e também uma representação complexa, em que ao agente se conferiam poderes de conclusão dos negócios angariados, mas sempre em nome e por conta do preponente (Lei nº 4.886/1965, art. 1º, parágrafo único). Sobreveio, finalmente, o novo Código Civil, sancionado em janeiro de 2.002, que insere o contrato de agência e distribuição entre os contratos típicos, mas sem revogar a legislação especial em vigor, como se ressalva no art. 721, especialmente, no tocante às indenizações asseguradas pelas Leis nºs 4.886 e 8.420 (art. 718). A maior novidade, no texto codificado é o nomen iuris do contrato que passou a ser contrato de agência. Explica RUBENS REQUIÃO, que o contrato de agência, a que alude o Código Civil “nada mais é do que o atual contrato de representação comercial, objeto da legislação especial, contida na Lei nº 4.886, de 09.12.1965. Constitui importante contrato no moderno mundo comercial, e é exercido por centenas de milhares de profissionais, distribuídos por todas as praças do país. A denominação do instituto foi tirada do Código italiano, que o regula”. Para o Prof. REQUIÃO, todavia, a linguagem do Código “não deslocará o uso correntio da expressão representante comercial. Que podia ser perfeitamente mantida... Não seria criticável se mantivesse a denominação representação comercial, já consagrada nos costumes do país, e em nosso direito”. É de se ponderar, no entanto, que o direito comparado, de onde emergiu o instituto jurídico, prestigia, de fato, o nomen iuris agora adotado por nosso Código Civil, razão pela qual este não merece censura pela nomenclatura inovada. É de evidente conveniência procurar identificar a figura jurídica por denominação que seja de universal acolhida, evitando-se terminologia regional, que não tenha, por si só, capacidade de revelar a identidade da figura local com aquela que já amadureceu e se consolidou na experiência do direito comparado. 4. Conceito de contrato de agência Como o Código Civil determina que ao contrato de agência devem ser aplicadas, no que couber, as regras constantes de lei especial, é necessário cotejar-se a definição codificada (art. 710) com a constante da Lei nº 4.886/65 e das alterações da Lei nº 8.420/92. Em primeiro lugar, é bom ressaltar que a lei especial define diretamente o representante comercial (isto é, o agente) (art. 1º). Já o Código Civil enfoca o contrato típico que vincula o representante e o representado (art. 710). Assim, na definição do Código, o contrato de agência (ou de representação comercial autônoma) é aquele pelo qual uma pessoa – o agente – assume, em caráter não eventual, e sem vínculos de dependência, a obrigação de promover à conta de outra – o preponente ou fornecedor – mediante retribuição, a realização de certos negócios, em zona determinada.
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Dessa conceituação legal, deduz-se que o contrato de agência envolve: a) relação entre empresários, dentro da circulação mercadológica de bens e serviços; b) a relação, contudo, não é de dependência hierárquica entre representante e representado, pois aquele age com autonomia na organização de seu negócio e na condução da intermediação dos negócios do último (embora tenha de cumprir programas e instruções do preponente); c) o objetivo do contrato não é um negócio determinado, mas uma prática habitual, de sorte que entre as partes se estabelece um vínculo duradouro (não eventual); d) a representação importa atos promovidos por uma das partes à conta da outra, configurando, portanto, um negócio de intermediação na prática mercantil de interesse do representado; e) à prestação do serviço de intermediação do agente corresponde o direito a uma remuneração ou retribuição, de maneira que o contrato é bilateral, oneroso e comutativo; f ) a representação, finalmente, deve ser exercitada nos limites de uma zona determinada, ou seja, cabe ao agente praticar a intermediação dentro de um território estipulado pelo contrato, ou algo que a isso corresponda. A atividade do agente, em suma, é a intermediação de forma autônoma, em caráter profissional, sem dependência hierárquica, mas, de acordo com as instruções do preponente. É uma figura jurídica típica a do agente, pois, embora guarde alguma semelhança, o agente não é, em princípio, mandatário, nem comissário, nem tampouco empregado, ou prestador de serviço no sentido técnico. Presta, no entanto, um serviço especial que é, nos termos da lei, a coleta de propostas ou pedidos para transmiti-los ao representado. Eventualmente, o representado pode confiar ao agente os bens a serem colocados junto à clientela, caso que o Código trata como distribuição, mas não como revenda, visto que os atos de negociação se realizam em nome e por conta do comitente. Nessas hipóteses especiais, o contrato, além das normas próprias da agência, rege-se complementarmente, pela disciplina do mandato e da comissão (arts. 710, in fine, e 721). O art. 1º da Lei n.º 4.886/65 cuidou de definir o representante comercial e não o contrato de representação comercial. Segundo tal dispositivo, é representante comercial autônomo a pessoa jurídica ou a pessoa física, sem relação de emprego, que “desempenha, em caráter não eventual, por conta de uma ou mais pessoas, a mediação para realização de negócios mercantis, agenciando propostas ou pedidos, para transmiti-los aos representados, praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios”. O parágrafo único do questionado dispositivo legal, aduz que, na eventualidade de “a representação comercial incluir poderes atinentes ao mandato mercantil” – isto é, quando ao representante comercial forem conferidos poderes relacionados com a execução dos negócios intermediados – “serão aplicáveis, quanto ao exercício deste, os preceitos próprios da legislação comercial”. Em outros termos: se o agente for autorizado pelo preponente a realizar negócios jurídicos em seu nome, tais atos que ultrapassam o conteúdo normal do contrato de agência, serão submetidos ao regime legal do mandato, como, aliás, prevê o art. 721 do novo Código Civil. Da definição dada pela lei especial ao representante comercial autônomo (isto é, ao agente), extraem-se as seguintes características: a) o agente não mantém relação de emprego com o representado, gozando, portanto, de autonomia laboral para organizar e desempenhar sua atividade; b) a atividade contratada é não-eventual; deve ser exercida em caráter permanente e profissional; c) a função do agente, embora organizada e dirigida com autonomia, é concluída por conta de outra pessoa (o representado), de modo que fica claro o “caráter de uma intermediação”, ou de uma “preposição”. O agente, como prestador autônomo de serviço, atua fora da estrutura interna da empresa a que serve, permitindo a esta colocar seus produtos e serviços juntos à clientela que o representante angaria, nos mais variados lugares. Os negócios, porém, são sempre promovidos em nome e por conta do representado; d) a mediação é, pois, uma função típica do agente comercial, que se presta à difusão dos produtos ou serviços do representado no comércio;
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e) a intermediação se dá na realização de negócios mercantis: o que a lei especial atribuiu ao agente comercial não é qualquer representação, mas aquela que se volta para a promoção de negócios mercantis (vendas de produtos ou prestação de serviços); f ) o modus faciendi da intermediação consiste em agenciar propostas ou pedidos relativos a operações comerciais do representado, ou seja, relacionadas a bens ou serviços a serem vendidos ou prestados pela empresa em cujo nome atua o agente; g) cabe, em princípio, ao representante transmitir as propostas ou pedidos ao representado. Eventualmente, o agente pode receber poderes que ultrapassem a simples intermediação de pedidos, caso em que realizará, sempre em nome do preponente, atos de consumação ou execução dos negócios agenciados. Quanto a esses atos de consumação da venda dos produtos do representado, a atividade do representante será regida pelas regras do mandado mercantil. Diante do cotejo entre o conceito legal, mais sintético, que o Código faz do contrato de agência, e aquele que a Lei nº 4.886/95 faz do representante comercial autônomo (isto é, do agente), não se encontra contradição maior que possa incompatibilizar um com o outro. A circunstância de o Código não usar as expressões “representante comercial” ou “negócios mercantis” prende-se à circunstância de ter sido unificado o direito das obrigações, de maneira que os contratos nele disciplinados, em princípio, tanto servem para as atividades civis como para as mercantis. No entanto, muito difícil será imaginar o caso em que um contrato de agência se configurará fora das relações mercantis. Ademais, se isto eventualmente acontecer, ficará o negócio fora do alcance da Lei nº 4.886/95, visto que esta se aplica especificamente aos agentes que servem, profissionalmente, à intermediação de negócios mercantis. Harmonizando-se, de tal sorte, a disciplina do contrato de agência instituída pelo Código Civil com a do representante comercial, constante das Leis nºs 4.886/65 e 8.420/92, ter-se-á um negócio jurídico vocacionado naturalmente para as atividades mercantis. 4.1. direito comparado A definição brasileira de representante ou agente comercial muito se aproxima da que consta do Código Comercial da Alemanha, que o qualifica como “toda pessoa que, a título de exercício de uma profissão independente, seja encarregada permanente de servir de intermediária em operações negociadas por conta de um empresário ou de os concluir em nome deste último. É independente quem pode organizar o essencial de sua atividade e determinar seu tempo de trabalho” (art. 84). Na França, também, o agente comercial é definido em termos que se aproximam do novo Código Civil brasileiro, por Dec. de 23.12.58: “Est agent commercial le mandataire qui, à titre de profession habituelle et indépendant, sans être lié par un contrat de louage de services, négocie et, eventuellement, conclut des achats, des ventes, de locations ou de prestations de service, au nom et pour le compte de producteurs, d’industriels ou de commerçants”. O Conselho da Comunidade Econômica Européia (CEE) em 18.12.1986 adotou uma Diretiva relativa aos agentes comerciais independentes, na qual se conceituou como agente comercial “celui qui, en tant qu’ intermédiaire indépendant, est chargé de façon permanente, soit de négocier la vente ou l’achat de marchandises pour une autre personne, ci-après dénominée commettant, soit de négocier et de conclure ces opérations au nom et pour le compte du commettant”. Em todos esses exemplos, tal como entre nós, a função normal do contrato de agência é conferir ao representante poderes de intermediação para angariar negócios para o representado. Só excepcionalmente, e mediante poderes adicionais explícitos, ocorre a atribuição de mandato para que o próprio representante conclua o negócio em nome do representado, seja firmando os contratos, seja mesmo entregando as mercadorias negociadas ao comprador.
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comprando o produto do fornecedor para revendê-lo. malgrado a posse e disponibilidade da mercadoria pelo agente. mantendo com a empresa vínculo empregatício permanente. A agência refere-se a um relacionamento negocial permanente envolvendo operações reiteradas e indeterminadas. De outro lado. tem fisionomia e disciplina próprias. o colaborador procura outros empresários potencialmente interessados em negociar com o fornecedor”. O mandatário detém poderes. comissão mercantil e agência). a locação de serviços. não se confunde com a concessão mercantil. agência e mandato O contrato de agência não se confunde com o de mandato mercantil. Dessa maneira. um contrato nominado (típico) e. existe a possibilidade de utilização de auxiliares internos. 5. o Código Civil brasileiro denomina o negócio jurídico de contrato de agência e distribuição (art. ao escoamento da produção. ou seja. e. a concessão mercantil e a franquia empresarial. já que esta só ocorre quando há revenda.1. limita-se a aproximar FGV DIREITO RIO 78 . prestando serviços. destinada a realização de negócios determinados. No segundo. em nome e por conta do preponente). de variada natureza. 710). “a colaboração empresarial no escoamento de mercadorias pode ser feita por intermediação ou aproximação. que o distribuidor conclui como preposto ou mandatário do representado (ou seja. como a do mandato. com nitidez. conquistando. Como ponto de partida é importante classificar os contratos de que se vale o empresário para obter colaboração de outros agentes no escoamento de seus produtos. ou seja. a comissão mercantil. o contrato de agência dessas figuras afins. novas figuras contratuais surgiram para atuar no mesmo segmento da mercancia. colocam-se os colaboradores externos. continua sendo. a outorga de mandato é em regra. Esse quadro classificatório muito contribuirá para obter-se a distinção entre o contrato de agência e outras figuras afins.CONTRATOs Em EsPÉCIE Nesta última hipótese. no direito moderno. O simples representante. que são empresários que se inserem na cadeia de comercialização sem vínculo empregatício. É certo. sem que a doutrina tivesse tempo para digerir as inovações. porque os poderes de que dispõe o agente nem sempre são aqueles que se conferem ao mandatário. 710 do nosso Código. o colaborador ocupa um dos elos da cadeia de circulação. no caso de agência comercial. nem a revestir-se da natureza jurídica de alguma das figuras com que mantém inegável afinidade. conservando e ampliando o mercado para o produto de outro empresário. Essa distribuição. não o leva a confundir-se com nenhum deles. captando-lhes com precisão a natureza e os contornos. Para individuá-lo e determinar a respectiva natureza. todavia. como tal. que o fato de o contrato de agência conter traços comuns a outros contratos mercantis tradicionais. outorgados pelo mandante. a que alude o art. Daí a necessidade de tentar-se uma diferenciação que separe. Contratos afins Com o incremento na economia moderna dos meios de distribuição da produção de bens e serviços. 5. freqüentes são as dúvidas e confusões que se instalam entre essa novel modalidade contratual e o mandato. mais ultimamente. que lhe permitem deliberar sobre o negócio e o realizar em nome deste. contudo. O contrato de agência e distribuição. Em primeiro lugar. um contrato de intermediação. Perante a representação comercial. o viajante ou pracista. De duas maneiras básicas se processa a colaboração empresarial (externa) no escoamento dos produtos de uma empresa: a) pela distribuição propriamente dita (revenda) e b) pela busca de empresários interessados na aquisição dos produtos do fornecedor (intermediação. Em primeiro lugar. não há necessidade de subsumi-lo à tipicidade de outros contratos: a agência é. ou agência. No primeiro caso. a distribuição é feita por meio de empregados que atuam na captação dos compradores. quando o concessionário adquire o produto do concedente e o comercia em nome próprio e por conta própria.

as regras concernentes ao mandato. O comissário adquire ou vende bens à conta do comitente. Com o outro contratante (isto é. absorvendo em suas cláusulas também o contrato de mandato. É um empregado dele. 721 manda aplicar. por sua vez. o essencial ao contrato de agência é a mediação de negócios em favor do preponente. porque não negocia o fornecimento em nome próprio e opera sempre em nome e por conta do representado. na linguagem antiga do Código Comercial. dentro dos poderes que recebeu. que o credencia a vendê-los aos consumidores em nome próprio. A comissão. O viajante ou pracista. A presença do comissário cria uma certa barreira entre o comitente e os terceiros que negociam com o comissário. quem se vincula é o comissário e não o comitente. evitando ao principal interessado nas operações suportar ações da parte da clientela. enquanto o comissário não age em nome. que “o preponente pode conferir poderes ao agente para que este o represente na conclusão dos contratos”. portanto. conferelhe maior segurança. não é atingido pelos atos que pratica. ainda que se confiram poderes ao agente para concluir e executar a venda. no que couber. embora preposto. dispõe o art. Na agência. O agente. agente e viajante ou pracista (contrato de agência e contrato de trabalho) O agente. propriamente dita. por isso. terá se tornado complexo. Na comissão mercantil. A atuação é de um representante (mandatário) do vendedor. não delibera. então o contrato de agência não será mais simples. Ademais. O comissário. nem tampouco na definição de sua natureza jurídica. concluir negócio por conta do preponente. Isto porque o mandato mercantil implica necessariamente a representação para realizar negócios comerciais em nome do mandante. Nesse sentido.3. não aparece no negócio que ele agenciou e que finalmente será concretizado diretamente pelo preponente. seu escritório. em função do encargo contratual. porque só o comissionário trava relações jurídicas com os clientes. o único responsável perante o cliente é o comitente. nos negócios que pratica. o que não depende de poderes inerentes ao mandato. No contrato de agência. “o representante comercial. portanto. Suas tarefas são comandas hierarquicamente pelo empregador. eventualmente. o comitente. na conceituação ou configuração. por isso mesmo. 5. Tem sua sede própria. Pode. embora do ponto de vista prático realize atividade econômica igual à do agente – pois angariam ambos clientela para a empresa – liga-se ao preponente de maneira diversa. 5. seria um mandato sem representação. E. e não em nome da empresa a que presta colaboração (art. mas contrata em nome próprio. FGV DIREITO RIO 79 . e sim por conta do comitente. o negócio. o comprador).CONTRATOs Em EsPÉCIE comprador e fornecedor. 693). O agente comercial. o comissário age em seu próprio nome. do contrato. o art. sua empresa de representação. eventualmente. agência e comissão A comissão é um contrato de colaboração empresarial. o vendedor é sempre o preponente. presta serviços à empresa sem estabelecer com ela um vínculo empregatício. Quando estes poderes. se incluem nas cláusulas da agência. Perante estes. mas. o comissário não representa. parágrafo único. o vendedor é o comissário e não o comitente.2. garantindo o anonimato para o comitente. por meio de uma consignação. muito embora o tenha realizado por conta e no interesse do comitente”. mas ao contrário do mandato. e não de um vendedor propriamente dito. ao contrato de agência e distribuição. agindo em nome e no interesse do representado. por sua própria definição legal. secundário ou acidental. representam apenas elemento acessório. 710. age contudo como empresário e não como empregado. sendo em face do terceiro o responsável pelo ato praticado. que organiza e dirige com liberdade e autonomia. Os produtos do comitente são postos à disposição do comissário. Como ressalta RUBENS REQUIÃO. não interferindo. Não dispõe de autonomia alguma para organizar seu serviço.

às indenizações legais devidas ao agente autônomo. ou pode se envolver numa relação contratual duradoura que gere a obrigação entre os empresários de comprar e vender. na tarefa da conquista de clientela para a empresa a que servem uns e outros. os produtos de um deles (contratos-quadros). a não ser mediante autorização do empregador. o mesmo não se passa na organização econômica da revenda. pode ser mais ampla. enquanto o agente pode ser indiferentemente pessoa física ou jurídica. um profissional independente.. a algumas regras. e) O viajante ou pracista não pode contratar sub-representantes. por isso. este a transforma em manufaturados. Costumam-se arrolar as seguintes e principais distinções entre agente e representante assalariado: a) O viajante ou pracista não pode contratar pessoal para desempenhar a representação que lhe cabe. continuará negociando os produtos por conta própria e em nome próprio. d) O viajante ou pracista somente pode ser pessoa física. em suma. como contratos eventuais e isolados. os revendem ao consumidor final. Essa colaboração entre os elos da cadeia econômica pode acontecer de maneira avulsa. com interferência econômica do fornecedor sobre o negócio do revendedor configura o que modernamente se denomina contrato de concessão comercial. no mundo atual. traçadas pelo fornecedor. No entanto. não exerce interferência alguma na gestão do negócio do revendedor. no fecho da cadeia econômica. contudo. A ingerência do fornecedor no empreendimento do revendedor produz uma subordinação econômica. criando um sistema racional de conjugação de esforços até a colocação do produto junto ao consumidor final. formando-se uma cadeia de negócios.CONTRATOs Em EsPÉCIE É. com habitualidade e sob certas condições. ou concessão comercial A colocação da produção industrial no mercado raramente se faz. a franquia comercial não é um contrato distinto da concessão comercial. que envolve sucessivas compras-e-vendas: uma empresa vende a matéria prima ao fabricante. Não há uma remuneração direta entre fornecedor e revendedor. por sua vez. da maneira que melhor lhe convier. tem-se o contrato de distribuição. A colaboração empresarial. periodicamente. assegura ao agente a faculdade de contratar sub-agentes. a ausência de um contrato de trabalho que caracteriza o agente comercial e o distingue do viajante ou pracista. que pode livremente organizar sua empresa. agência e distribuição por conta própria (revenda). O revendedor. O viajante não é mandatário e não capitaliza clientela. a distribuição se exterioriza como contrato de fornecimento: o produtor se obriga a fornecer certo volume de determinado produto. Não faz jus. FGV DIREITO RIO 80 . Já o agente comercial é um empresário. Na sua manifestação mais simples. Para RUBENS REQUIÃO. os vendem aos varejistas que. podendo estabelecer-se sinônima entre os dois. por negociação direta entre produtos e consumidor. Sujeitar-se-á. estes. 5. b) O viajante ou pracista não tem iniciativa pessoal. O fornecedor. Essa modalidade de contrato de colaboração. de orientação geral. Quase sempre se estabelece uma intermediação entre empresários. como se demonstrará no tópico seguinte. a doutrina majoritária aponta traços da franquia que lhe outorgariam uma identidade jurídica capaz de separá-la dos comuns casos de concessão comercial. de maneira que o produtor exerça certa interferência na atividade do revendedor. Se há entre eles uma independência jurídica. naturalmente. A lei. c) O viajante ou pracista não pode aceitar representação de outras empresas. como uso de marca. e o revendedor se obriga a adquiri-lo. no entanto. que em seguida são vendidos aos atacadistas. por sua vez. Entre os contratos de concessão comercial assumiram grandes relevos os chamados contratos de franquia. que pode ser simples ou complexo. que não raro envolve outros negócios entre as partes. porém. é hierarquicamente subordinado ao comando do empregador.4. Se a articulação entre produtores e revendedores assume o feitio de uma convenção duradoura. assistência técnica etc. Este se remunera com o lucro que a revenda dos produtos lhe proporciona.

É que a mercadoria que o fornecedor coloca em poder do agente-distribuidor é objeto apenas de depósito ou consignação. 710 do Código Civil). 710 é aquela que. FGV DIREITO RIO 81 . de modo que a venda para o consumidor não assume a natureza de uma revenda. pelas características e relevância do negócio. e a negocia com o consumidor em nome próprio e por sua própria conta. pode ser autorizada ao agente mas nunca como revenda. Distribuição é um gênero que corresponde aos vários tipos de contrato de colaboração empresarial. ou concessão comercial). Mesmo quando a lei admite que o agente atue também como distribuidor (art. Já o concessionário ou revendedor. quando regulamentou a atividade do representante comercial. 1º e seu parágrafo único). Aliás. pode realizar-se por conta do fornecedor ou por conta do próprio distribuidor. distingue-se a distribuição por conta alheia (mera preposição.CONTRATOs Em EsPÉCIE Todas as formas de contrato de distribuição – fornecimento ou concessão – distinguem-se do contrato de agência em dois aspectos básicos: a autonomia e a remuneração da intermediação. a Lei nº 4. Não é correta. O representante não a adquire do representado. A distribuição. a inteligência que alguns apressadamente estão dando ao artigo 710 do Código Civil. torna-se dono da mercadoria que o fornecedor lhe transfere. as mercadorias de propriedade do comitente são postas à disposição do agente-distribuidor para entrega aos compradores. porém.886/65. A distribuição de que cogita o art. se há. pelo fornecedor (o representado). O agente (mesmo quando exerce a distribuição) é remunerado. quanto ao serviço de intermediação. no sentido de ter sido nele disciplinado tanto a representação comercial como a concessão comercial. entra-se no âmbito da concessão comercial. nos comentários relativos aos ressarcimentos cabíveis na ruptura ou cessação do contrato (art. ele não se transforma num concessionário comercial. 721). Dentro da sistemática da preposição que é inerente ao contrato de agência. O agente (representante comercial) não pratica o negócio de colocação dos produtos do representado em nome próprio. A remuneração que alcança se traduz nos lucros que a revenda lhe proporciona. atua apenas em nome e por conta do representado. portanto. Voltaremos ao tema da concessão comercial.729/79). A interferência deste na pactuação e execução do negócio final é de um mandatário e não de um revendedor. o legislador houve por bem tipificar o contrato de concessão comercial (Lei nº 6. O concessionário nada recebe do fornecedor pela colaboração exercida na colocação de seus produtos. sem que isso desnaturasse a representação comercial em sua essência e a transformasse em concessão comercial. Se não há venda e revenda de produtos. O contrato de distribuição em nome próprio (a concessão comercial) continua sendo atípico. eventualmente. Em suma não é a operação econômica da distribuição que distingue a agência da concessão comercial. segundo o volume e o preço das operações agenciadas. E. em nome do representante (art. Apenas para o caso dos revendedores de veículos é que. mas tudo se faz em nome e por conta do representado. assim. e sempre como simples ato complementar do agenciamento. sem independência jurídica do agente) da distribuição por conta própria (concessão comercial). Juridicamente quem vende é o fornecedor e não o agente-distribuidor. já previa a possibilidade de ser ele encarregado da execução da venda. o contrato fica no plano da agência. situa-se na remuneração do intermediário do processo de circulação dos produtos. Outra distinção que se fez com nitidez entre o contrato de agência e o contrato de revenda (distribuição por conta própria. O dispositivo cuidou exclusivamente do contrato de agência. Há distribuição (ou pode haver distribuição) tanto por meio do contrato de agência como do contrato de concessão comercial. como negócio que anteriormente se denominava contrato de representação comercial. mesmo porque a infinita variedade de convenções que os comerciantes criam no âmbito da revenda autônoma torna quase impossível sua redução ao padrão de um contrato típico.

contida no art. mediante remuneração. porque é na medida da consumação dos negócios pelo preponente que o agente adquire direito à remuneração pelos serviços de intermediação empresarial levados a efeito. todavia. pode-se afirmar que.CONTRATOs Em EsPÉCIE 6. mas apenas um interesse econômico. Nessa ordem de idéias. mas que igualmente se relacionava com seus próprios interesses. “um mandatário que aja a título oneroso e em seu próprio benefício”. não são sinônimos de contratos de revenda de mercadorias. Com isso. em favor da empresa do comitente. é necessário que uma parte (o agente) assuma de forma duradoura a função de promover. caracterizada pelo chamado mandato de interesse comum. qualquer que seja a dimensão dos poderes do agente. Eventualmente os contratos agenciados podem ser concluídos e executados pelo próprio agente. a concessão comercial. Assim. b) o caráter duradouro da atividade desempenhada pelo agente (habitualidade ou profissionalidade dessa prestação). seria uma modalidade excepcional daquele negócio. em seu próprio nome. entendia-se que este desempenhava um mandato que não dizia respeito apenas ao interesse do mandante. na concepção legal. Na conclusão do negócio intermediado o agente não é parte. 7. tais como a comissão mercantil. d) a retribuição dos serviços do agente em proporção aos negócios agenciados. profissional e empresário. De forma alguma se pode ver no conteúdo do contrato de agência uma forma de compra e venda operada pelo agente. a franquia. a concessão do uso de marca etc. de uma atividade profissional dirigida à promoção e conclusão de contratos entre o preponente e os terceiros arrebanhados pelo preposto. O que traça a tipicidade do contrato de agência é que a atividade de colaboração empresarial na espécie se dá por meio de prestação do agente que têm por objeto o desempenho. c) a determinação de uma zona sobre a qual deverá operar o agente. em última análise.formação e ampliação de clientela -. Configuram um gênero no qual se inserem vários tipos negociais todos voltados para a chamada colaboração empresarial. se beneficia da contínua obra promocional levada a efeito pelo agente junto à clientela. de sorte que nele não se acha em jogo um interesse jurídico seu. nos quais o agente desenvolve um papel importante na colocação no mercado dos produtos gerados ou comercializados pela empresa preponente. Visto que tanto do lado do comitente como do agente. natureza jurídica O contrato de agência integra a classe dos contratos de distribuição comercial. A lei francesa ainda hoje identifica o agente comercial como um mandatário que como FGV DIREITO RIO 82 . mas sempre em nome e por conta do preponente. em uma zona determinada. não porém em nome próprio. os elementos essenciais do contrato de agência Segundo a definição legal do contrato de agência. os negócios por ele intermediados ou concluídos se aperfeiçoam diretamente na esfera jurídica do preponente e do terceiro adquirente. Contratos de distribuição. e eventualmente de concluí-los e executá-los. a formação de negócios. de maneira que esta. a representação comercial. realizou-se a evolução do tratamento jurídico do agente da categoria de mandatário para a figura do “mandatário independente”. o objetivo perseguido é um só . sempre por conta da outra parte (o preponente) e dentro de uma determinada zona. na espécie. De tal sorte. 710 do Código Civil. a corretagem. sua estrutura fundamental envolve a combinação de quatro elementos essenciais: a) o desenvolvimento de uma atividade de promoção de vendas ou serviços por parte do agente. A construção da teoria do contrato de agência se fez por influência do direito francês a partir do mandato que. podia-se divisar “o interesse comum como qualificativo do mandato contido no contrato de agência comercial”. para configurar-se contrato de agência.

1991. sem estabelecer vínculo de subordinação a este e que deve ser remunerado em função do volume de operações promovidas. e de outro. cuja atividade específica “consiste na realização de atos materiais que visam à criação de uma corrente de negócios para a difusão dos produtos e serviços de outra empresa. indenizações tarifadas. Daí reconhecer-se sua posição de titular da própria empresa. o agente (um preposto) que é um profissional que se encarrega de colaborar na promoção dos negócios do preponente. Dentro da consagração da autonomia do agente. seja sobre influência dos usos e regulamentos. A independência que a lei confere ao agente comercial no exercício de sua atividade profissional faz dele um empresário que se encarrega de uma função com autonomia de objeto dentro da circulação do mercado. mas deve ser apreciado enquanto profissional do comércio”. que o agente se apresenta como autêntico empresário porque seu serviço é desempenhado de forma autônoma e constitui um tipo de negócio de evidente valor econômico e jurídico. sujeitos do contrato de agência De um lado coloca-se o preponente que tem bens e serviços a colocar no mercado. De tal sorte. “o agente comercial continua um mandatário. 8. são empresários. remuneração mínima. seja do fato de uma abordagem econômica da agência que se desenvolveu recentemente”. pois apenas excepcionalmente o agente se encarrega de tarefas que são próprias do mandatário. preponente e agente. em função da qual o agente promove e às vezes conclui negócios em favor do preponente. Dessa maneira. que melhor se qualifica como um profissional do comércio. que se adaptou à Diretiva Comunitária de 1986). pois. 91-593 de 25. Um realiza a comercialização de suas mercadorias ou serviços (preponente) e outro exerce uma especial atividade profissional (o agente). não se pode continuar a insistir na conceituação do contrato de agência como forma de mandato. em defesa de interesses do agente (duração indeterminada do contrato. que se formou a partir da idéia de profissionalização do mandato e. Além do mais. só por insistência histórica se mantém entre os franceses a doutrina da agência como modalidade de mandato. por meio de “uma evolução das regras do mandato clássico”. mesmo. nessa ordem de idéias.CONTRATOs Em EsPÉCIE profissional independente. A prática da agência comercial. sua afinidade será maior com o contrato de prestação de serviços do que com o de mandato. Se se pretender comparar a agência atual com outros contratos típicos. registra-se uma aproximação do regime legal da agência com o direito social. apagando os liames com o mandato e consagrando uma liberdade de iniciativa muito acentuada. Ambos. que é a de angariar clientela para adquirir os produtos do primeiro. é inegável que o contrato de agência estabelece uma relação jurídica entre empresários. O que efetivamente se tem. em cuja organização e administração não interfere a empresa do preponente. mas sempre com plena liberdade de organizar seu trabalho e com assunção do risco de seu negócio de intermediação. depois que se estabeleceu um regime legal particular para a agência. etc). o que também não é adaptável à figura do mandato. na circulação de bens do mercado. Vê-se.06. Assim. O agente comercial. No entanto. não tem mais sentido atrelá-la à natureza jurídica do mandato. cada um dedicando-se a um ramo próprio de negócios. entretanto. FGV DIREITO RIO 83 . A natureza jurídica do contrato de agência é hoje a de um contrato típico. é um mandatário remunerado e profissional. Na verdade. nos moldes atuais da figura jurídica se afasta das concepções primitivas. “o agente se beneficia de um estatuto originado de modificação de regras civis do mandato. reconhecido como profissional independente e ainda em face do estabelecimento de um regime de direito social de proteção ao agente. se encarrega de negociar contratos por ordem e conta de outros empresários (Lei n. desempenha uma atividade de mercado cujo requisito fundamental é a liberdade de iniciativa na prestação do serviço de agenciamento.

tem como objeto uma prestação de serviço entre empresários: a promoção de negócios constitui a obrigação fundamental que o agente contrai em favor do preponente. ao formular propostas endereçadas a este também deverá ser identificado como proponente. tivesse nomeado de preponente o empresário que contrata a intermediação do agente. Eventualmente. todavia. O agente-distribuidor apenas representa o fornecedor. mas isto não corresponde a um preço fixo. a obrigação de remunerar o serviço prestado pelo agente. muito embora nos contratos de prestação de serviços com subordinação jurídica a tradição. por ser lexicamente correto e. por sua conta e sob sua dependência”. que característica essencial do contrato de agência é a promoção. em sua feição típica. a exemplo do Código italiano. entre nós. antes da legislação atual. o objeto do contrato de agência O contrato de agência. Não há.753). O objeto do contrato. É. que é um contrato típico e de execução continuada. censure a opção do Dec-Lei nº 178/76. da parte do preponente. revenda. em posições jurídicas diversas teriam titulação igual dentro do mesmo negócio. Dessa forma. Quando esses poderes adicionais são incluídos no ajuste. consistente na busca e visita da clientela. Na relação econômica desenvolvida pelo agente em prol do fornecedor. portanto. a nomenclatura legal – as partes no contato de agência A legislação italiana adota as expressões agente e preponente para indicar as duas partes do contrato de agência ou representação comercial (Código Civil italiano.CONTRATOs Em EsPÉCIE 8. e preferiria que. o designativo preponente que identifica “aquele que constitui um auxiliar direto para ocupar-se dos seus negócios. mais expressivo. já há o cliente que. de negócios que venham a ser concluídos entre os terceiros e o preponente. praticamente. Com FGV DIREITO RIO 84 . pelos expedientes que livremente engendrar. proponente e agente. 9. outrossim. De fato. do contrato de agência. mediante remuneração. é uma atividade de promoção de negócios individuais. Objeto. para compreender a conclusão do contrato de venda e entrega das mercadorias. sob influência da terminologia com que common law se identifica a agency. ou que se concluam junto ao preposto. seja a de identificar o representado como preponente e não como proponente. Ademais. Integra o contrato. mas apenas venda. continua sendo uma prestação de serviços profissionais na área da intermediação de negócios. pode-se afirmar. portanto. mas como aquele que “propõe algo”. ou seja. repita-se.1. 1. Malgrado a opção da lei. A operação é toda ela desenvolvida e consumada em nome e por conta do preponente. As confusões serão inevitáveis o que recomendaria o uso da designação preponente para o fornecedor. o novo Código Civil escolheu a nomenclatura recomendada pela antiga doutrina portuguesa. mas em nome do representado. dará cumprimento à obrigação contraída de angariar clientela para quem contratou seus especiais serviços. o contrato é denominado de “agência e distribuição”. que. arts. Há quem. operada entre o preponente e o consumidor.742 e 1. em síntese. em seu nome. e sim a um percentual sobre as operações úteis captadas pelo agente em benefício do representado. em Portugal fosse prestigiada a denominação de proponente (em lugar de principal). O agente organiza com autonomia seu negócio e. todavia. para coletar propostas ou encomendas a serem repassadas à empresa representada. A lei portuguesa que regula o mesmo contrato. os léxicos nacionais não registram proponente com o sentido de denominar quem delega poderes de gestão a outrem. ou seja. há um inconveniente de ordem prática. não estará incorrendo em censura alguma quem empregar o termo preponente em lugar de proponente. visto que o agente não revende os produtos que o preponente apenas coloca à sua disposição. denomina de agente e principal os respectivos sujeitos. de contratos por conta do preponente. esse objeto pode ser ampliado. No Brasil. melhor teria andado o legislador brasileiro se. porquanto já era esta a palavra utilizada pelo direito português para nomear a contraparte dos “representantes comerciais não autônomos” . Dessa forma. afinal é o vendedor das mercadorias consignadas ao preposto e negociadas com a clientela. Duas partes.

posto que a relação negocial implica agenciamento de pedidos. Trata-se de um contrato de duração. E de fato a nomenclatura não deve ser considerada tão relevante.2003) biblioGrafia CoMPleMentar: É hora de definir agência e distribuição no novo Código Civil antonio felix de araújo Cintra advogado.mundojuridico. freire. sócio de tozzini.5. com caráter de estabilidade. Analisando o Código Civil e a Lei do Representante Comercial. conforme posteriormente alterada) e. O contrato de agência. é fácil entender que os legisladores do Código Civil apenas utilizaram o nome que lhes pareceu refletir de maneira correta a natureza do contrato. inclusive citando leis estrangeiras. que o termo mais adequado seria agência.CONTRATOs Em EsPÉCIE essa noção do objeto contratual. Mais especificamente. Diante dessa situação. é necessário definir: (a) se o contrato de agência previsto no Código Civil é o mesmo contrato previsto na Lei do Representante Comercial (Lei 4. manter e incrementar a demanda dos produtos do preponente. voltada para a promoção. 710 do novo Código Civil. de contratos que serão concluídos pelo preponente.886/65. dependendo de serem ou não conferidos poderes para que o agente representasse o proponente na contratação dos negócios. O nome representação comercial foi muitas vezes criticado por não traduzir corretamente a noção do contrato. A representação poderia ou não ocorrer. tudo em busca de conquistar. Passando então para o exame do negócio em FGV DIREITO RIO 85 . Algumas dúvidas fundamentais precisam ser eliminadas para que se tenha razoável segurança jurídica na utilização desses contratos. dentro de uma zona determinada. o que interessa na definição da natureza jurídica do instituto é o seu conteúdo e não a embalagem.adv. tem como objeto a atividade do agente. Belo Horizonte. Outra grande característica do objeto da obrigação veiculada pelo contrato de agência é o caráter duradouro da prestação a cargo do agente. São vários os motivos para tanto. de que maneira devem ser interpretadas as normas desses dois diplomas legais sobre a matéria e (b) se a distribuição prevista no Código Civil é a mesma relação contratual que tradicionalmente não era objeto de legislação específica e que era conhecida por distribuição. em caso positivo. nessa ordem de idéias. que em hipótese alguma se podem confundir com a figura delineada no art. que são objeto de outros contratos de colaboração empresarial. Ou seja. freire. abril de 2003 (Artigo publicado no Mundo Jurídico (www. teixeira e silva advogados O capítulo sobre agência e distribuição no Código Civil tem causado muita discussão. excluem-se do campo da agência as vendas em nome próprio. a questão da nomenclatura. para cuja consecução empenhará múltiplas atividades. teixeira e silva advogados renato berger consultor de tozzini. sendo que a representação apenas existira se. a melhor interpretação indica que os contratos de agência e os de representação comercial constituem a mesma figura jurídica. o agente tivesse poderes para representá-lo nas respectivas relações de compra e venda dos produtos agenciados. o agenciamento sempre ocorreria por força da natureza do contrato. como os de fornecimento ou de concessão comercial. de impulso e de agilização. Afinal. Vários autores apontavam. pelo que o agente se obriga a exercer habitualmente a intermediação de negócios em favor do preponente enquanto permanecer em vigor o ajuste. além de agenciar os pedidos em favor do proponente. Antes de qualquer coisa.br) em 02. As principais dúvidas referem-se ao impacto do Código Civil sobre as conhecidas relações de representação comercial e distribuição.

trata-se do agenciamento de pedidos em favor do proponente e do recebimento de remuneração pelos negócios concluídos. Utilizando o nome distribuição. Tal distribuição era e continua sendo contrato atípico. A distribuição do Código Civil é contrato de agenciamento de negócios em favor do proponente. desde que já tenha transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto dos investimentos exigidos do agente. atletas e outras atividades que não fossem relacionadas à compra e venda de mercadorias. mas a exclusão é absolutamente coerente com o desaparecimento da diferenciação entre negócios civis e mercantis na lei brasileira. Infelizmente. quando se fala em zona de atuação do agente. Ora. ainda assim. Resta. negócio realizado. 721). mas deverá ter no mínimo 90 dias e. A única diferença no Código Civil é a exclusão da expressão “negócios mercantis” que aparece na Lei do Representante Comercial. portanto. em nome próprio e por conta e risco do distribuidor. na ausência de cláusula contratual.729/79). direito à remuneração pelos negócios concluídos dentro da zona de atuação e assim por diante. Ainda para demonstrar que o Código Civil tratou agência da mesma forma que a chamada representação comercial. não se justifica a amplitude que alguns querem dar ao contrato de agência no Código Civil. Por exemplo. A antiga distribuição é caracterizada pela compra dos produtos do fornecedor para posterior revenda. mas a distribuição ali prevista não se confunde com a relação chamada distribuição a que todos se acostumaram no Brasil. é evidente que a lei especial contemplada no Código Civil. dizendo que serviria para agenciamento de artistas. tanto na parte específica de indenizações (art. Nessa linha de raciocínio.CONTRATOs Em EsPÉCIE si. a terminologia empregada no Código Civil pode gerar grande confusão. E naquela que deve ser a maior diferença. que a Lei do Representante Comercial utiliza a expressão “agenciando propostas ou pedidos” exatamente na definição da atividade do representante. cujo projeto foi elaborado em 1972. caracteriza-se a figura clássica de aproximação do comprador e vendedor. 718) como na utilização da lei especial sempre que couber (art. posto que não regulado expressamente na lei. objeto da Lei Ferrari (Lei 6. que é contratado para encontrar compradores para os produtos do proponente. verifica-se que o capítulo de agência ressalva expressamente a aplicação de lei especial sobre a matéria. Ao contrário da agência. Note-se ainda. O lucro do distribuidor deriva então da diferença entre o preço de compra e venda dos produtos distribuídos. é a Lei do Representante Comercial. A resposta é razoavelmente simples. permanecendo em vigor os demais. Ou seja. datada de 1965. devem ser considerados revogados apenas os dispositivos da Lei do Representante Comercial cuja matéria tenha sido regulada de forma diferente no Código Civil. cessação de atendimento de propostas. vale agora a presunção de exclusividade do Código Civil tanto para a zona de atuação do agente (exclusividade em favor do agente) como para o agenciamento (exclusividade em favor do proponente). Dado que o Código Civil não pretendeu esgotar a regulamentação da matéria. que conforme será visto aparece dentro da definição de agência e como um desdobramento desta última. uma nota sobre a distribuição. Até a definição de distribuição. com a particularidade de que os bens objeto do agenciamento FGV DIREITO RIO 86 . mas também da própria regulamentação encontrada nos artigos 710 e seguintes do Código Civil. por exemplo. Por fim. não há que se falar em remuneração paga pelo fornecedor. o aviso prévio para encerramento de contratos por prazo indeterminado não será simplesmente de 30 dias como previsto na Lei do Representante Comercial. ou aquela que viesse a substituí-la. portanto. Toda a linguagem e toda a lógica desses dispositivos apontam para o agenciamento na compra e venda de mercadorias. Isso decorre não apenas da definição equivalente do contrato. curiosamente. menciona claramente “coisa a ser negociada”. Em ambos os casos. realizada pelo agente. que nada mais é do que um desdobramento da relação de agência. o Código Civil contempla uma nova e diferente figura contratual. estabelecer como deve ser compatibilizada a Lei do Representante Comercial com o capítulo de agência do Código Civil. percebe-se que a definição de agência no Código Civil é equivalente à definição de representação comercial na Lei do Representante Comercial. acima mencionada. tendo inclusive ressalvado a aplicação de lei especial. exceto com relação à distribuição de veículos automotores. Vale frisar novamente que o Código Civil apenas deu outro nome para a mesma relação conhecida tradicionalmente como representação comercial.

já que não tratam de tal figura. na verdade. será agente. conforme a nova lei. Pela lei. os dispositivos sobre os contratos de agência e distribuição. não serão aplicáveis às relações de distribuição na sua forma tradicional de aquisição para revenda. e realiza negócios em razão dessa profissão habitual. todas referentes apenas a contratos de aproximação entre comprador e vendedor e nunca à aquisição de produtos para revenda por conta própria. Os dispositivos do capítulo de agência e distribuição. Todo o capítulo de agência e distribuição corrobora tal constatação. No mais. a principal delas protege e regula o representante comercial (Lei nº 4. Naturalmente serão aplicáveis à distribuição clássica as normas gerais do Código Civil sobre obrigações e contratos. A harmonização dessa nova lei com os novos dispositivos é complexa. estando o sujeito inscrito nos Conselhos Regionais dos Representantes Comerciais. mediante retribuição. não há de se ter preocupação FGV DIREITO RIO 87 . a qual.uol. A nova posição legal mais serve para baralhar a questão. aplica-se essa lei. embora se reporte. Nesses contratos há inúmeros pontos de contato com a representação comercial. Parágrafo único.com. que lhe é protetiva e cria. contudo. a disponibilidade da coisa em mãos do sujeito caracteriza a diferença entre a agência e a distribuição. porém. Subsidiariamente poderá ser aplicado o novo código.br/doutrina/texto.CONTRATOs Em EsPÉCIE encontram-se na posse do agente. que essa lei atribui os direitos básicos do representante. no artigo 721. Leve-se em conta que os dispositivos contratuais do código são de direito dispositivo. preponderarão as disposições do novo código. Quanto ao representante comercial. naquilo que o contrato e a lei protetiva forem omissos. 715). subordinados estes ao Conselho Federal. que doravante devem ser harmonizados com os dispositivos do novo Código Civil. procura a lei unificar os direitos de ambos e. como por exemplo. nos termos do artigo 5º da Lei nº 4. Assim.asp?id=4148) A representação no novo Código Civil Por sílvio de salvo Venosa O novo Código Civil introduz no mesmo capítulo. além de importantes dispositivos específicos. se a pessoa tem a coisa que comercializa consigo será distribuidor. a realização de certos negócios. 473). em caráter não eventual e sem vínculos de dependência. aplicam-se ao representante comercial. O legislador do novo código deveria ter sido mais claro. A primeira conclusão inafastável é no sentido da aplicação da lei do representante comercial sempre que este for devidamente registrado. a necessidade de ter transcorrido prazo compatível com o investimento realizado pela outra parte quando da denúncia unilateral de contrato (art. Há que se levar em conta. à conta de outra. 714) e direito à indenização no caso de diminuição no atendimento de propostas (art.886/65). a obrigação de promover.” Portanto. da mesma forma que ocorre em qualquer contrato atípico. um microssistema jurídico. que passa a ser chamado também de distribuidor. O proponente pode conferir poderes ao agente para que este o represente na conclusão dos contratos. caracterizando-se a distribuição quando o agente tiver à sua disposição a coisa a ser negociada. à aplicação de legislação especial. o novo código dispõe no artigo 710: “Pelo contrato de agência. em zona determinada. caso contrário. Pouco importa que pratique ele negócios de agência ou de representação segundo o novo código. no que couber. pois o contrato de representação comercial costuma ser identificado pela doutrina e pela jurisprudência com o de agência e distribuição. uma pessoa assume. no caso. 710) até as disposições sobre o direito do distribuidor à remuneração por negócios concluídos em sua zona sem sua interferência (art. (http://jus2. desde a definição da distribuição como um derivado da agência (art. Tratando-se de profissão regulamentada.886/65. Isso inclui os conceitos e princípios de boa fé contratual e função social dos contratos. conseqüentemente. Assim.

De qualquer modo. Como já de início apontamos. que inclui todas as formas que uma empresa se utiliza para colocar bens e serviços no mercado. para desenvolvimento de uma antiga função econômica. Nesses contratos há um forte aspecto de colaboração entre as partes e a possibilidade de exclusividade dentro de determinada área geográfica. consagrada pelo nosso velho Código Comercial. pois o fornecedor de produtos e serviços sempre atribuirá a outrem essa função. disciplinava os auxiliares de comércio. técnicos ou não. por natureza. o sujeito fará jus aos benefícios da lei respectiva. No conceito há um sentido amplo. Como regra geral. há um conceito restrito. Nada impede. O distribuidor. representantes etc. de duração. quando ela não o faz por si mesma. referindo-se aí expressamente ao contrato de distribuição. com várias pessoas. Sob essa égide. O novo universo da empresa cria novas formas de comercialização. a concessão. Não há que se entender que somente os representantes comerciais devidamente inscritos em sua corporação de ofício tenham direito à aplicação da lei específica. surge assim uma nova família de contratos. Assim. pois. conforme os princípios da lei específica. que já vinha sendo adotada. ou por meio de terceiros. em princípio. aos representantes comerciais oficiais. Questão maior vai se colocar quando o agente e o distribuidor em sentido amplo. naturais ou jurídicas. os corretores. que se lastreia em princípios constitucionais sobre a liberdade do trabalho. que as próprias partes indiquem no contrato como aplicável essa lei do representante comercial autônomo. porque. ser firmados com qualquer pessoa e a esta situação se dirigem os dispositivos do novo Código Civil. há confusão terminológica entre os contratos de representação mercantil. São contratos. Nesse sentido. atribuindo a intermediários a atividade de promover e vender. se o sujeito adquire os bens do produtor ou fornecedor e os revende. qual seja. Por outro lado. agente ou representante deve se submeter a uma séria de diretrizes impostas FGV DIREITO RIO 88 . diretamente. o que contribui. sob o prisma de direito cogente. As gradações entre um extremo e outro deverão ser definidas no caso concreto. a de colocar no mercado os bens ou serviços de uma empresa produtora. como já não estava clara no sistema anterior e qualquer das soluções apresenta dificuldades. a empresa concentra sua atividade principalmente na produção. Nesse sentido. pretenderem os mesmos direitos expostos na Lei nº 4. Caberá à jurisprudência definir. absorvendo vários significados. alude-se à distribuição como referência genérica a vários fenômenos. no que não conflitar com seu estatuto específico. Sempre que se examina a comercialização de produtos ou serviços por terceiros. O que será ineficaz. de caráter geral. contudo. pressupõem a existência de empresas e sujeitos independentes que desempenham atividade em favor dela. os comissionistas e os agentes de comércio. Esses contratos possuem características comuns. a representação. atendendo a cláusulas de exclusividade e de área geográfica. agência e distribuição. mandatários. se adotada a caracterização de representante para a relação jurídica. Desempenhando a função de representante. a própria legislação comercial. segundo remansosa jurisprudência. Eventual transgressão administrativa é irrelevante para a definição dos direitos e a respectiva natureza jurídica dos contratos. agentes. com a intervenção de terceiros. que não foi aclarada pelo legislador.886/65. deverá persistir. Essa tendência. há possibilidade de que a empresa celebre muitos contratos da mesma natureza. que diz respeito à relação jurídica que vincula o produtor e o sujeito que coloca seus produtos no mercado. por vezes. fará jus o sujeito aos direitos respectivos conforme os artigos 31 e seguintes da lei específica. que é aquele doravante presente no Código Civil. Nessa introdução à nova problemática é importante estabelecer que os contratos de agência e distribuição podem. Desse modo. é afastar-se contratualmente sua aplicação. sem a compreensão de representante. o qual garante direitos básicos a esses profissionais. sua situação será de distribuidor.CONTRATOs Em EsPÉCIE se sua atividade é de agência ou representação de acordo com o novo código. em princípio. A situação não fica clara. excluindo-se a possibilidade de ser considerado representante. com prazo mais ou menos longo. para a confusão terminológica. os quais se aplicam. também. mormente quando as partes não definem claramente suas obrigações. existirão sempre duas partes. como a franquia. para o representante é irrelevante ter ou não a posse dos bens comercializados. a palavra “distribuição” é equívoca.

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pelo produtor em prol do bom andamento do negócio. A regra de exclusividade é importante nesses contratos, embora possa não se fazer presente. Caberá às partes mantê-la ou não. Por seu lado, o distribuidor ou qualquer nome ou natureza jurídica que se lhe dê, não importando qual a modalidade de contrato que lhe permite comercializar bens de terceiros (distribuição, representação, agência, franquia), obtém uma posição vantajosa no mercado, pois, em princípio, terá exclusividade sobre determinada região ou goza de benefícios e vantagens para adquirir bens da empresa produtora. Geralmente, o nome do produtor já outorga aos intermediários um patamar de ganhos superior. Sob esse prisma, a moderna empresa cria uma rede de distribuição, nem sempre juridicamente homogênea, cuja finalidade é cobrir uma cidade, uma região, um Estado ou Província, um país ou o exterior. Essa distribuição mais ou menos ampla seria muito custosa e difícil para que o produtor a encetasse com recursos próprios, além de esbarrar em leis de proteção econômica, que proíbem a cartelização ou o truste. Inúmeros outros aspectos devem ser estudados em função desses novos contratos que ora se tipificam no novo Código Civil. http://www.societario.com.br/demarest/svrepresentacao.html

Agência e Distribuição x Representação Comercial francisco Wanderson Pinho dantas data: 09/09/2004 1. Contratos iguais com nomes diferentes ou contratos diferentes com leis aplicáveis diferentes? O novo código civil trouxe algumas inovações ao tratar do contrato de agência e distribuição em suas disposições. Isso causou uma divergência na doutrina, sendo que a maior parte dela acredita ser esse contrato, não mencionado no C.C. anterior, o mesmo contrato de representação comercial, disciplinado pela lei 4886/65, enquanto uma minoria defende que se trata de um novo contrato. Nesta minoria estão Fábio Ulhoa e Venosa, defendendo este último que ao representante, diferentemente do agente, poderia ser dado o poder de concluir os negócios que ele prepara, sendo aplicado, ao ato de conclusão, a legislação referente ao contrato de mandato. Contudo, não haveria essa possibilidade para o agente, alertando o autor que se, no contrato de agência, houvesse a incumbência de concluir o negócio, o contrato estaria desnaturado. Entretanto, esses argumentos não são fortes o suficiente para rebater a outra posição doutrinária, de que o contrato de agência e o de representação são o mesmo contrato com nomes diferentes. Esse raciocínio, defendido por Humberto Theodoro Jr, Rubens Requião e Felix de Araújo Cintra tem como base o fato de que a definição de representante, dada pela lei 4886/65, lei da representação comercial, é totalmente compatível com a definição de contrato de agência dada pelo código civil. De acordo com as duas legislações, tanto o agente quanto o representante atuam agenciando propostas e pedidos, à conta de outrem, sem vínculo de dependência e em caráter não eventual. A única diferença que existe entre as duas referidas legislações é que, na definição de contrato de agência, dada pelo C.C., não há a expressão “negócios mercantis”, existente na definição de representante, dada pela lei de representação comercial. Entretanto, isso se explica pela igualdade que o novo C.C. atribuiu ao negócio civil e ao negócio comercial. Além disso, outro argumento que é favorável à identidade dos dois contratos baseia-se nas reclamações doutrinárias feitas em relação ao nome antigo do contrato, “representação comercial”, atribuído pela lei 4886/65. Tal nome não reflete o objeto do contrato, que é o agenciamento de propostas, mas a possibilidade de o terceiro representar quem o contratou na conclusão dos negócios, ou seja, a representação.
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Internacionalmente, o nome “agência” já é consagrado para referir-se ao contrato da lei 4886/65, o que permite visualizar a possibilidade de o legislador do C.C. ter utilizado esse nome para adequar o contrato às influências internacionais. Destarte, o próprio artigo 721 do C.C. prevê a aplicação no que couber da lei especial para o contrato de agência e distribuição, o que reforça a afirmativa de tratarem as duas leis, a 4886/65 e a 10.406/02 (C.C.), do mesmo contrato. 2. qual é a lei predominante, se for o mesmo contrato? Apesar de o critério cronológico ter aplicação subsidiária em relação ao da especialidade, o C.C., que traz uma legislação mais nova, porém mais geral, deve ser aplicável de forma predominante, pois ele amplia as garantias do agente, permitindo que a lei 4886/65, nos aspectos mais detalhados, seja também aplicada. O C.C. já traz disposto no artigo 718 o seu papel de regra geral em relação à lei 4886/65, estabelecendo, para o caso de dispensa sem culpa do agente, a remuneração até então devida, além das indenizações previstas em lei especial. Em regra, considera-se o C.C. como um microssistema constitucional para o direito privado, tendo as outras leis uma aplicação subsidiária em relação a ele. 3. quais os artigos conflitantes e quais as novidades que o C.C. trouxe para o agente? O artigo 31 da lei 4886/65 entra em conflito com o artigo 711 do C.C., pois os dois falam a respeito de exclusividade nas zonas, tanto para o agente quanto para o proponente, de modo diverso. O artigo 31 da lei 4886/65 diz, a princípio, que o representante fará jus à comissão pelos negócios realizados em sua zona, ainda que diretamente pelo representado ou por intermédio de terceiros, quando prevista no contrato a exclusividade de zona ou mesmo quando o contrato for omisso a esse respeito (até este ponto, a previsão é a mesma no C.C.). Entretanto, em seu parágrafo único, ele estabelece que na ausência de ajustes expressos, a exclusividade do representante para o representado não se presume. Assim, pode o representante, se não houver proibição contratual, prestar serviços para mais de uma empresa (art. 41), não havendo restrição na lei para as empresas de mesmo gênero. O C.C., em seu artigo 711, presume, no caso da omissão do contrato, a exclusividade tanto para o agente quanto para o proponente, não podendo o agente prestar serviços a empresas concorrentes. Tal norma veio beneficiar o proponente. Outra diferença entre a lei 4886/65 e o C.C. diz respeito ao prazo do aviso prévio no caso de denunciação unilateral e injustificada do contrato de agência por tempo indeterminado. A lei de representação comercial estabeleceu no seu artigo 34 a antecedência mínima de 30 dias para o aviso prévio. Entretanto, o novo C.C. veio estabelecendo um prazo maior, de 90 dias, estabelecendo como condição para ocorrer a denúncia o transcurso de um prazo compatível com a natureza e o vulto do investimento exigido do agente, enquanto a lei de representação especifica um prazo de 6 meses de vigência do contrato para poder haver a denúncia dele. Tal norma veio em benefício do representante. 4. diferença entre agência e distribuição A polêmica que surgiu devido ao nome “distribuição” ao lado de “agência”, no novo código, deu-se porque aquele nome já era culturalmente usado para fazer referência a um outro tipo de contrato muito diferente do de agência.
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O contrato de distribuição, que já era conhecido, é uma espécie de contrato de colaboração por intermediação, através do qual o distribuidor adquire os bens do distribuído e os revende a consumidores, atacadistas ou a qualquer outro. A distribuição referida no código é tão somente um desdobramento do contrato de agência. Trata-se de uma figura contratual nova, mas não muito diferente do contrato de agência, pois também tem como objeto o agenciamento de propostas para o preponente, mas tem como acréscimo o fato de a coisa a ser vendida para o consumidor estar com o agente. O agente, nesse caso, não adquire a coisa. Ele simplesmente a detém ou a tem a sua disposição para ser entregue àquele que a adquirir, quando concluído o negócio do preponente. Desta forma, o contrato de distribuição referido pelo código não é o mesmo contrato de distribuição, espécie de contrato de colaboração por intermediação. Este contrato continua atípico, sendo regido pelas normas gerais dos contratos, e nele o colaborador revende o produto do distribuído, ganhando os lucros sobre a revenda. Na distribuição do C.C., em suma um contrato de agência, o distribuidor ganha uma remuneração do distribuído, agindo em nome e no interesse deste. http://cacbufc.org.br/artigos/verartigo.asp?id=215

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Vale lembrar que esses pontos devem orientar a análise dos contratos. Assim. nome do contrato Contratante Contratado data de assinatura objeto valor/ Forma de pagamento Cessão de direitos vigência do Contrato Formalidades garantias rescisão Contratual por transferência de Controle e/ou reorganização Societária demais hipóteses de rescisão Foro e lei aplicável outras observações (É possível?) (ainda está em vigor? Qual é o prazo de vigência?) (obs: está assinado? tem assinatura de duas testemunhas?) (o contrato pode ser rescindido em razão de transferência de controle do contratante? há multa prevista?) FGV DIREITO RIO 92 . Abaixo. mas não são suficientes por si só.1. roteiro de aula Esta aula será diferente das anteriores.15. É necessário analisar o contrato como um todo e qualquer outro aspecto que pareça relevante deve ser informado no campo “observações”. incluímos um quadro com os pontos fundamentais a serem observados em cada contrato. mas que não poderemos tirar cópia e nem levá-los para nosso Escritório. Maria Lúcia nos informa que há uma caixa de contratos que será disponibilizada hoje. nos dividiremos em grupos e cada grupo será responsável pela análise de alguns contratos. AulA 16: ANálISE dE CONTRATOS 1.15.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Para agilizar nosso trabalho. seremos obrigados a analisar os contratos durante a aula.

041 a 1. 1. 2006. SANTA ROSA.. Considerando que nosso cliente pretende expandir seus negócios.asp?id=3006>. (em anexo). ano 6. Teresina.16.16.1. ago. 797 a 963. Lumen Juris. de. deparamo-nos com um contrato de licença de marcas. 1. Caso Gerador Ao analisarmos os contratos que nos foram disponibilizados na aula anterior. 1. poderia ter as marcas do Supermercado Pechincha registradas em seu nome? O que fazer quanto aos registros das marcas e os pedidos de registro? FGV DIREITO RIO 93 . 1. Tendo em vista que a marca desempenha papel fundamental no negócio. o que poderíamos recomendar ao nosso cliente? Conversamos com a equipe de due diligence responsável pela área de propriedade intelectual sobre o contrato de licença que encontramos. sendo pessoa física. biblioGrafia CoMPleMentar BARBOSA. Acesso em: 04 ago. 1. AulA 17: lICENçA E CESSãO dE mARCAS.2. BARBOSA. Contrato de Cessão de Marcas. biblioGrafia obriGatória Lei n° 9. págs.16. segundo o qual o senhor Eduardo Russo permitia que um comerciante do Rio de Janeiro utilizasse a marca do Supermercado Pechincha em suas lojas na cidade maravilhosa. e fomos alertados pela equipe sobre os seguintes aspectos: (i) metade das marcas do Supermercado Pechincha estão registradas no INPI e a outra metade ainda está com pedido de registro. Jus Navigandi. Disponível em: <http://jus2. págs.16. A importância da “due diligence” de propriedade intelectual nas fusões e aquisições (Debaixo dos caracóis dos seus cabelos). o senhor Renato Russo. 2003. Contrato de Licença de Marcas. 58. para o Rio de Janeiro. eMentário de teMas Marcas. 2002. 2003. n. (ii) os registros das marcas e os pedidos de registros foram feitos em nome do senhor Eduardo Russo e não em nome da sociedade Pechincha Comércio Varejista Ltda.3.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Rio de Janeiro: Ed. resultaria na transferência da marca para o nosso cliente? Considerando que é o supermercado que efetivamente exerce as atividades relacionadas às marcas.16.4. Denis Borges. Rio de Janeiro: Ed. Uma Introdução à Propriedade Intelectual. o que fazer nessa situação? A simples aquisição das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda.058.uol. Uma Introdução à Propriedade Intelectual.279/1996. Lumen Juris. inclusive. Denis Borges.br/doutrina/texto.com. Dirceu P.

FGV DIREITO RIO 94 . p. 803. Com relação à definição de marca. O senhor Odin Heiro nos pergunta se terceiros poderiam registrar as marcas (já registradas) do Supermercado Pechincha em outros Estados.1 do Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (TRIPS). e capacidade de indicar uma origem específica. regulando as normas referentes às marcas. tais como a Convenção de Paris e o TRIPS. que é configurado para o fim específico de distinguir a origem dos produtos e serviços. suscetível de proteção. Esta definição segue os conceitos e princípios previstos nas convenções internacionais.5.1997. Denis Borges Barbosa11 comenta o que se segue: BARBOSA. “poderá constituir marca qualquer sinal. capaz de distinguir bens e serviços de um empreendimento daqueles de outro empreendimento”. Entretanto. Considerada por muitos como uma das mais importantes modalidades da propriedade intelectual. foi promulgada a Lei nº 9. ou legalmente unívoco. Sua proteção jurídica depende de um fator a mais: a apropriabilidade. desenhos industriais e concorrência desleal. Conforme o artigo 122 da Lei de Propriedade Industrial. marcas são todos os sinais distintivos visualmente perceptíveis. como Rio de Janeiro e São Paulo.279 de 1996 (Lei de Propriedade Industrial). que visa a regular os direitos e obrigações relativos à propriedade industrial no Brasil. Uma Introdução à Propriedade Intelectual. Os direitos de propriedade intelectual. inciso XXIX. em face do objeto simbolizado”10. sua existência fáctica depende da presença destes dois requisitos: capacidade de simbolizar. alguns entendem que a partir do depósito da marca no INPI haveria uma expectativa de direito. 10 11 BARBOsA. não compreendidos nas proibições legais. vale analisar brevemente o seu objeto: a marca. Rio de Janeiro: Ed. Rio de Janeiro. Compreendendo a importância do registro das marcas para o supermercado. b) Marcas – Conceito O artigo 5º. 803. sem confundir o destinatário do processo de comunicação em que se insere: o consumidor. Símbolo voltado a um fim. Neste sentido. como a marca. roteiro de aula a) Marcas Antes de estudarmos os contratos de licença e de cessão de marcas propriamente ditos. 2003. ou combinação de sinais. Denis Borges. Denis Borges. Uma introdução à propriedade intelectual – Lúmen Júris. tendo em vista que a sede do supermercado é em Brasília. ou seja. em vigor desde 15. o proprietário da marca deve registrá-la no INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.16. De acordo com o artigo 15. a marca “é o sinal visualmente representado. 2003. a possibilidade de se tornar um símbolo exclusivo. patentes. Lumen Juris. antes mesmo do registro. que pode ser bem demorado. à propriedade e ao direito de uso exclusivo de marcas e outros signos distintivos. bem como proteção às criações industriais.05. imóveis ou semoventes? Para ter proteção jurídica. da Constituição da República Federativa Brasileira de 1998 dispõe que a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização. o senhor Odin Heiro nos pergunta se há prazo para o registro das marcas e se o registro pode ser extinto. são bens móveis. pág.

também reveladora do trabalho. no artigo 124. 12 mENDONÇA. em face do objeto simbolizado. culto religioso ou idéia e sentimento dignos de respeito e veneração. VIII – cores e suas denominações. Sua proteção jurídica depende de um fator a mais: a apropriabilidade. quando não requerido o registro pela própria entidade ou órgão público. Símbolo voltado a um fim. e capacidade de indicar uma origem específica. armas. Tratado de Direito Comercial Brasileiro. desenho ou qualquer outro sinal contrário à moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra ou imagem de pessoas ou atente contra liberdade de consciência. crença. bem como a respectiva designação. suscetível de causar confusão ou associação com estes sinais distintivos. públicos. VI – sinal de caráter genérico. da capacidade e da probidade de seu titular”13. bandeira. 365 – 366. X – sinal que induza a falsa indicação quanto à origem. peso. propriamente falando. valor. necessário. marca é todo sinal distintivo aposto facultativamente aos produtos e artigos das indústrias em geral para identificá-los e diferenciá-los de outros idênticos ou semelhantes de origem diversa12. 1963. sua imitação suscetível de causar confusão ou sinal que possa falsamente induzir indicação geográfica. sem confundir o destinatário do processo de comunicação em que se insere: o consumidor. quanto à natureza. I. procedência. comum. Tratado de propriedade industrial. distintivo e monumento oficiais. t.CONTRATOs Em EsPÉCIE (. salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva. VII – sinal ou expressão empregada apenas como meio de propaganda. IV – designação ou sigla de entidade ou órgão público. figura. II – letra. sua existência fática depende da existência destes dois requisitos: capacidade de simbolizar. nacionais. João da Gama. que é configurado para o fim específico de distinguir a origem dos produtos e serviços. Para João da Gama Cerqueira. o referido autor entende que “a marca de comércio não é. CERQUEIRA. figura ou imitação. natureza. uma série de situações em que o sinal que não poderá ser registrado marca: I – brasão. qualidade ou utilidade do produto ou serviço a que a marca se destina.) marca é o sinal visualmente representado. como a de indústria ou de comércio. estrangeiros ou internacionais. salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva. algarismo e data.. 13 FGV DIREITO RIO 95 . V – reprodução ou imitação de elemento característico ou diferenciador de título de estabelecimento ou nome de empresa de terceiros. marca distintiva da mercadoria quanto à origem. ou seja. XI – reprodução ou imitação de cunho oficial. ou aquele empregado comumente para designar uma característica do produto ou serviço. a Lei de Propriedade Industrial elenca. isoladamente. pp. é uma marca representativa da atividade mediadora do comerciante e. Carvalho de. vulgar ou simplesmente descritivo. medalha. Com relação às proibições legais a que se refere o artigo 122. qualidade e época de produção ou de prestação do serviço. quando tiver relação com o produto ou serviço a distinguir. III – expressão. emblema. ou legalmente unívoco.. Embora Carvalho de Mendonça não a defina especificamente. a possibilidade de se tornar um símbolo exclusivo. nacionalidade. IX – indicação geográfica. salvo se dispostas ou combinadas de modo peculiar e distintivo. Freitas Basto. regularmente adotada para garantia de padrão de qualquer gênero ou natureza.

de marca alheia registrada. suscetível de causar confusão ou associação com aquela marca alheia. XX – dualidade de marcas de um só titular para o mesmo produto ou serviço. artístico. XIII – nome. nome artístico singular ou coletivo. herdeiros ou sucessores. por sua vez. ou. no caso de marcas de mesma natureza. e XXIII – sinal que imite ou reproduza. incluindo a natureza jurídica das marcas. semelhante ou afim. de caráter patrimonial. dos Estados. notadamente quanto à qualidade. equivalente à proteção que se dá aos direitos da personalidade de qualquer pessoa. XVII – obra literária. XVI – pseudônimo ou apelido notoriamente conhecidos. no todo ou em parte. cultural. para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico. que tenha relação com o produto ou serviço a distinguir. d) natureza jurídica Há muita discussão acerca da natureza jurídica dos direito da propriedade industrial. quais sejam: (i) marcas de produto ou serviço. bem como a imitação suscetível de criar confusão. nome de família ou patronímico e imagem de terceiros. moeda e cédula da União. político. XXII – objeto que estiver protegido por registro de desenho industrial de terceiro. C) tipos de Marcas O artigo 123. no todo ou em parte. Outros alegam se tratar de bem imaterial. ou de país. observado o disposto no art. natureza. – Marca de certificação: aquela usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas. XXI – a forma necessária. ainda. e – Marca coletiva: aquela usada para identificar produtos ou serviços provindos de membros de uma determinada entidade. prêmio ou símbolo de evento esportivo. aquela que não possa ser dissociada de efeito técnico. comum ou vulgar do produto ou de acondicionamento. assim como os títulos que estejam protegidos pelo direito autoral e sejam suscetíveis de causar confusão ou associação. Alguns afirmam se tratar de um direito pessoal. do Distrito Federal. (ii) marca de certificação e (iii) marca coletiva. salvo com consentimento do titular. cujo titular seja sediado ou domiciliado em território nacional ou em país com o qual o Brasil mantenha acordo ou que assegure reciprocidade de tratamento. se a marca se destinar a distinguir produto ou serviço idêntico. XIV – reprodução ou imitação de título. Há. 154. XVIII – termo técnico usado na indústria. ainda que com acréscimo.CONTRATOs Em EsPÉCIE XII – reprodução ou imitação de sinal que tenha sido registrado como marca coletiva ou de certificação por terceiro. diferencia as marcas em três tipos. FGV DIREITO RIO 96 . XV – nome civil ou sua assinatura. na ciência e na arte. artística ou científica. dos Municípios. semelhante ou afim. semelhante ou afim. oficial ou oficialmente reconhecido. econômico ou técnico. XIX – reprodução ou imitação. salvo com consentimento do titular. salvo com consentimento do autor ou titular. se revestirem de suficiente forma distintiva. herdeiros ou sucessores. salvo quando. suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia. dos Territórios. de origem diversa. salvo quando autorizados pela autoridade competente ou entidade promotora do evento. apólice. definindo-as da forma que se segue: – Marca de produto ou serviço: aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico. social. material utilizado e metodologia empregada. marca que o requerente evidentemente não poderia desconhecer em razão de sua atividade.

ou seja. 7. “Tratado de Propriedade Industrial”. nota-se que há outras funções que a marca tem por finalidade. gozar e dispor dos bens. a função econômica e a função de propaganda. de cunho incorpóreo. privilégio temporário para sua utilização. 147. de outros produtos ou serviços idênticos. em seu artigo 129: Art. e de reavê-los de quem injustamente o possua. em seu artigo 5º. a maioria dos autores afirma que as marcas são consideradas como um direito de propriedade. porque há marcas a que falta qualquer elemento característico.Tratado de Direito Privado. parte especial. se não o faz. a função de garantia da qualidade. A Constituição Federal de 1988. 5º. Embora se tratando de objetos de criação não corpórea. parte I. Confundir-se-ia com as outras marcas registradas. 14 CERQUEIRA Gama. cuja significação é mais lata do que a expressão coisa compreendendo não só as coisas corpóreas. Ed. p. não é sinal distintivo. p. entende-se que a marca é definida como direito de propriedade e tal conceito está expresso na Lei de Propriedade Industrial. com elementos pessoais e. sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional (. A propriedade da marca adquire-se com o registro validamente expedido. constituindo num feixe de direitos consubstanciados nas faculdades de usar. mORO. 85. não se lhe podem mencionar elementos característicos. 15 Além da função distintiva da marca. Desta forma. dispor e reivindicar a coisa que lhe serve de objeto”14. Além disso. estas se caracterizam por preencher a função precípua de distinguir os produtos e serviços aos quais se opõem.15 e) função das Marcas (i) Função Distintiva: No que tange à função das marcas. bem como proteção às criações industriais. se bem que unitário. Borsoi.CONTRATOs Em EsPÉCIE ainda. A distinção da marca há de ser em relação às marcas registradas ou em uso. aos nomes de empresas e a outros signos distintivos. p. considerou os direitos da propriedade industrial como bens móveis. Direitos Reais. No Brasil. vol. 10° edição. Orlando. “É um direito complexo. bem como pela legislação atual. Direito das marcas.. também patrimoniais. marcas que são vulgaridades notórias. 17 FGV DIREITO RIO 97 . Pontes de Miranda comenta o que se segue: A marca tem de distinguir. a função distintiva é considerada a mais relevante pela maioria dos autores. ou apenas em uso. à propriedade das marcas. Sobre o assunto. não assinala o produto. 36. assegurou aos autores de inventos industriais. 1956. tais como a função de identificação de origem.) O direito de propriedade é o mais amplo dos direitos reais. De acordo com a autora Maitê Cecília Fabbri Moro16. há o entendimento de que se trata de uma propriedade imaterial.. 129. em seu art. tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País. como as incorpóreas”. gozar. Pontes de . faz-se necessário ressaltar que a Lei de Propriedade Industrial. conforma as disposições desta lei. para efeitos legais. e em si mesma. uma outra corrente que entende ter a propriedade industrial um caráter dualista. fruto da atividade intelectual do homem. 16 mIRANDA. Forense. matiê Cecília Fabbri. Gama Cerqueira acrescenta que “definindo a propriedade como o direito de usar. I. antes ou após ela. são Paulo: Editora revista dos Tribunais. o Código Civil emprega a palavra bens. pg.17 GOmEs.

presume-se que estes voltem a comprá-los devido ao conhecimento da marca. marca. (iv) Função de Propaganda: Cabe entender que a marca pode ser considerada como qualquer sinal. Esta força atrativa é utilizada para obter. 19 FGV DIREITO RIO 98 . não é menos verdadeiro que por eles compramos mercadorias. f) aquisição de direitos A aquisição do direito sobre uma marca depende da legislação de cada país. concluirão. símbolo ou palavras. O dono da marca explora esta propensão humana fazendo todo esforço para impregnar a atmosfera do mercado com o poder atrativo de um símbolo congenial18. sendo ela imprescindível para o funcionamento do mercado e das empresas em geral.53. Segundo Albert Robin. na prática. n° 4. ROBIN Albert. Maitê Cecília Fabbri Moro19 comenta que. O sistema misto é o sistema que tem características do sistema declarativo e. A doutrina reconhece esta importância da função econômica. Esta função de propaganda ou publicidade decorre do fato de ser a marca um dos principais veículos de propaganda dos produtos por ela cobertos. permitindo ao titular destes distinguir suas mercadorias ou seus produtos/serviços de outros. servindo para recomendá-lo e para atrair a atenção dos consumidores. O poder sugestivo da marca representa indubitavelmente a sua principal função do ponto de vista econômico. Se é verdade que vivemos por símbolos. agosto de 1997. a proteção das marcas é o reconhecimento legal da função psicológica dos símbolos. a função de garantia da qualidade dos produtos. Com relação a este sistema misto. visto que é o registro que atribui a propriedade de uma marca ao interessado. Já o sistema em que o direito sobre uma marca somente é reconhecido por meio de registro é o sistema atributivo de direitos. (iii) Função de garantia de qualidade: Observamos. O sistema que atribui direito sobre a marca pelo seu simples uso. 2003. pois os consumidores. in Trademark Reporter. com isso. 69. é considerado como sistema declarativo. possuindo uma qualidade constante.cit. idênticos ou semelhantes. I da Lei nº 9279/1996. pelo qual o produto é conhecido e distinguido no mercado consumidor.CONTRATOs Em EsPÉCIE (ii) Função de identificação de origem: A função de identificação de origem tem o intuito de indicar a origem dos produtos. do sistema atributivo. Por meio da compra dos produtos e satisfazendo os consumidores. de fato. exercendo. A marca é um atrativo de comercialização que induz um comprador a escolher o que quer. por meio da identificação da marca de uma empresa. de procedência diversa. conforme artigo 123. 18 mORO. também. A publicidade é o meio pelo qual o público toma conhecimento de uma marca. Comparative Advertising: A Skeptical View. e outros que exigem determinadas formalidades de registro para fins de obter o direito sobre uma marca. uma vez que há países que atribuem direitos sobre a marca pelo seu simples uso. vol. verifica-se a predominância de um ou do outro sistema puro. ob. por conseguinte. matiê Cecília Fabbri. pg 364. que os produtos têm a mesma origem. p. manter e aumentar a clientela. que não prejudica a divisão teórica mencionada acima (sistema atributivo e sistema declarativo). a proteção no sentido de se evitar o enfraquecimento do seu caráter distintivo.

terá direito de precedência ao registro. 129 (. portanto. O artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial estabelece. Nota-se que este é o sistema atributivo de direitos. com isso. que assinale produto ou serviço idêntico ou afim. são idênticas àquelas utilizadas quando do conflito entre uma marca registrada e um registro anterior. Palestra: “Direito De Precedência”. por exemplo. em seu artigo 129. pode-se dizer então que. desprovida do necessário registro. É importante mencionar a questão referente ao momento para argüição desse direito de precedência. usava no País. previsto o artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial. mas. Diz o referido artigo: Art. há pelo menos 6 (seis) meses. conforme as disposições desta Lei. cit. 21 FGV DIREITO RIO 99 . na data da prioridade ou depósito. uma vez que a lei é silente sobre o assunto.Anais do XXI seminário Nacional da Propriedade Intelectual. ob.20 G) direito de Precedência O registro de uma marca é concedido àquele que primeiro solicitar o seu registro. a prova anterior do uso é suficiente (direito de precedência). um sistema misto com predominância do sistema atributivo.. p. marca idêntica ou semelhante. pode ser oposto um direito. Em regra. de boa fé. excepcionalmente.CONTRATOs Em EsPÉCIE No Brasil. em face de um pedido em trâmite. Muitos indagam sobre a possibilidade de restringir a alegação desse direito de precedência tão somente na fase de oposição ou mesmo após o registro da marca em face do terceiro. tão-somente vedando o registro de uma marca que lhe seja similar e que assinale o produto ou serviço idêntico ou afim. decorrente do uso. eventualmente com valor patrimonial. pertencente a um determinado titular. a existência dessa precedência vicia um registro mORO. onde o registro atribui propriedade sob uma marca. para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico. A esse utente. um processo administrativo de nulidade. de uma marca.INPI. estabelecendo a possibilidade de impedir o pedido de registro de marca similar.. deve-se fazer o registro da mesma junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial . que a propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido. de forma regular e de boa-fé. No entanto. não impondo outras obrigações. para que uma pessoa física ou jurídica seja titular de uma marca.) § 1º Toda pessoa que. a aquisição do direito sobre uma marca se faz pelo registro. este princípio atributivo é excepcionado pelo direito de precedência que será estudado no item a seguir. 2001. esta regra é limitada e excepcionada pelo direito de precedência. matiê Cecília Fabbri. conforme mencionado acima. As regras de colidência. com base no direito de precedência. É. No entanto. no Brasil. procurou a lei proteger. § 2º O direito de precedência somente poderá ser cedido juntamente com o negócio da empresa. 20 sICHEL. que tenha direta relação com o uso da marca. observa-se um sistema misto. Esta é uma regra característica do princípio atributivo para a aquisição do direito marcário. no caso em espécie. Para o autor Ricardo Luiz Sichel. Desta forma. por alienação ou arrendamento. entretanto. argüindo. ou parte deste. 54. sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional. semelhante ou afim. Ricardo Luiz21 comenta o que se segue: A marca continua sendo adquirida através de um competente registro. Ricardo Luiz. Entretanto. Sobre o assunto.

as normas que regulam a propriedade 22 23 sICHEL. na medida que uma parte – a cessionária – cede. gratuitamente ou onerosamente.22. ob. cit. de uma modalidade de cessão de direitos cujos parâmetros encontram-se estabelecidos pelo Código Civil.2001. fato esse ensejador do processo administrativo de nulidade. estar-se-ia aventando as figuras do contrato de compra e venda. de modo direto ou através de empresas que controlem direta ou indiretamente. Uma marca pode ser tão valiosa quanto o resultado financeiro que ela pode gerar. Desta forma. sendo um fator de identificação e valorização no mercado. Valorizá-la é cada vez mais essencial”23. i) registro e o Princípio da especialidade Nota-se que a marca é imprescindível para o sucesso de uma empresa. Este registro é realizado por intermédio do Instituto Nacional de Propriedade Industrial. especificamente na parte relacionada a contratos. 24 FGV DIREITO RIO 100 . a qual poderá exercer atividade distinta da de seus membros. Com relação à cessão mencionada no parágrafo segundo do artigo 129. “num mundo altamente competitivo. Ricardo Luiz. A marca é tida como uma “característica marcante no processo de conquista de mercados e clientes das economias globalizadas”24. a Lei de Propriedade Industrial é silente no tocante à natureza dessa cessão.br. em virtude do explicitado no artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial. Conforme argumenta Mariana Barbosa. Com relação ao registro da marca de certificação. conforme já estudado nesta apostila. da doação ou da transmissão hereditária. mariana. chegando a ser o bem mais valioso do patrimônio de uma empresa. Leonardo. é necessário que exista perfeita compatibilização entre o ramo de atividade do depositante e os produtos ou serviços reivindicados no pedido de registro. no âmbito nacional. No entanto. o direito de uso da marca a um terceiro (contratado ou cessionário).22 H) requerentes do registro O artigo 128 da Lei de Propriedade Industrial dispõe sobre as pessoas aptas a requerer o registro de uma marca. segundo Ricardo Luiz Sichel. Cultura e Investimento Social. a marca é uma das poucas armas que restam às empresas para garantir a lucratividade. No que se refere ao registro de marca coletiva. a teor do artigo 168 da Lei nº 9. este somente poderá ser requerido por pessoa jurídica representativa de coletividade. Segundo este artigo. o qual prevê que a propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido. atraindo consumidores não pelos seus produtos em si. site rits.05.CONTRATOs Em EsPÉCIE eventualmente concedido. O registro de uma marca é muito importante para a sua proteção. a partir de um certo nível de preço. podem requerer registro de marca as pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou de direito privado. Jornal Valor.279/96. onde praticamente qualquer categoria de produto. 16. somente estabelecendo que a mesma dar-se-á concomitantemente com o negócio da empresa. trata-se. Assim. funciona com a mesma eficiência. evidentemente. que tem por função executar. este somente poderá ser requerido por pessoa sem interesse comercial ou industrial direto no produto ou serviço atestado. BRANT. mas pelo seu grau de identificação no mercado. Ela é incorporada no patrimônio de seus titulares. BARBOsA. Para o autor. org. Quanto Custa o Nome?. o parágrafo único do artigo 128 estabelece uma limitação ao registro por parte das pessoas jurídicas de direito privado. prevendo que as pessoas de direito privado só podem requerer registro de marca relativo à atividade que exerçam efetiva e licitamente.05.2001.

26 De acordo com Maitê Cecília Fabbri Moro27. mas é ressaltada.25 O Supremo Tribunal de Justiça pronunciou-se afirmando que “a marca deve distinguir-se suficientemente das já existentes. da Lei 9. O princípio básico que norteia o sistema de concessão de marcas em nosso país é o princípio da especialidade. mas tratando-se de produtos ou indústria diversa. Le Noveau Droit Français de Marques. 28 29 Fonte: www. quando o legislador fala em “produto ou serviço idêntico. sendo o órgão responsável pela concessão dos registros de marcas. Quando se trata de indústrias ou gêneros de comércio inteiramente diversos. inclusive as normas relativas ao registro de marcas. É importante mencionar que o princípio da especialidade sofre algumas exceções no que tange às marcas de alto renome e às marcas notoriamente conhecidas. No entanto. 27 CERQUEIRA. 26 mORO. De fato. Segundo a autora. Com relação ao princípio da especialidade das marcas. jurídica e técnica. sem qualquer vinculação entre si. no artigo 124. ainda que com acréscimo. figurativa ou tridimensional. o princípio da especialidade não é absoluto. tendo em vista a sua função social. a questão da coexistência das marcas idênticas ou semelhantes facilmente se resolve28. nem neste assunto podem firmar-se regras absolutas. ob. visando limitar o campo de extensão da proteção marcária de acordo com o segmento mercadológico no qual a mesma se insere. vol. cujas circunstâncias não podem ser desatendidas quando se tem de decidir sobre a novidade das marcas e as possibilidades de confusão. como se verá a seguir. de acordo com definição abaixo29: 25 mATHÉLY. no todo ou em parte. de acordo com o artigo 125 e 126 respectivamente. direta e necessariamente. Paul Mathély ensina que: A regra da especialidade é substancial. influi em toda a sua regulamentação. por parte de empresas diferentes. O INPI é uma autarquia federal criada pela Lei n° 5648. dentre outros artigos. não importa que ela seja idêntica a outra já em uso”. para distinguir ou certificar produtos ou serviço idêntico. cit. conclui-se que é possível a convivência de marcas semelhantes no mercado. pois depende de uma análise caso a caso.inpi. estando nesta relação identificador/identificado. 10. da natureza e função da marca. j) formas de registro das marcas As marcas podem ser registradas sob a forma nominativa. mas num signo apropriado em função da aplicação a um objeto ou serviço específico.gov. cit. modelos de utilidade e desenho industrial no Brasil.06. ob. I. Esta forma de limitação. 1994. uma vez que advém. inciso XIX. 37. p. pg 171.1991. as quais serão objetos de estudo nas próximas aulas. e até idênticas. p. José da Gama. presente a função primordial de distinguir. Recurso Especial n° 9. a regra da especialidade como princípio do direito marcário. semelhante ou afim”. econômica.CONTRATOs Em EsPÉCIE industrial. Este princípio é fundamental para a distinção das marcas e dos nomes de domínio. está limitando o direito de marca no campo de sua especialidade. de 11 de Dezembro de 1970. mista. em que se impede “ a reprodução ou imitação.380/ sP. patentes. maitê Cecília Fabbri. Paul. para Gama Cerqueira.br FGV DIREITO RIO 101 . pode-se dizer. uma marca não consiste num signo apropriado em si mesmo.71. pois se trata sempre de questões de fato. semelhante ou afim. de marca alheia registrada. no que se analisa a possibilidade de confusão ou associação de marcas. À luz deste princípio. é a mais justa. suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia.279 de 1996.

isoladamente. a proteção legal recai sobre o parcela significativa do público consumidor. e não sobre a palavra ou termo caso ressalvada a hipótese de o requerente indicar no requerimento a palavra ou o termo que o ideograma represenem que se interpretará parcela significativa do ta. alfabeto romano. hebraico etc. desde que compreensível por uma como marca mista. a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. caso FGV e Coca-Cola) • Figurativa: É interpretará como marca mista. os neologismos e as combinações de letras e/ou algarismos romanos e/ou arábicos. apresente de forma estilizada. Exemplos: Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma plástica. em que se constituída por desenho. cuja grafia se apresente de forma estilizada. também. elementos figurativos ou de elementos nominativos. Exemplos: Exemplos: Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e elementos figurativos ou de elementos nominativos. bem como dos palavra ou determo que o ideograma representa. caso em que se interpretará como marca mista. plástica. cuja grafia se • Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e elementos figurativos ou de elementos Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e nominativos. FGV DIREITO RIO 102 Exemplos: L) Direito de Prioridade O artigo 127 da Lei de Propriedade Industrial estabelece que. público consumidor. (Exemplos: compreensível por uma parcela significativa do público consumidor. desde que Nesta última Exemplos: hipótese. compreensível por uma ideograma em si. • Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma plástica. imagem. chinês. requerimento a ideogramas o línguas tais como o japonês. a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. que ele representa. cuja grafia se apresente de forma estilizada. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja dissociada de qualquer efeito técnico. figura ou qualquer forma estilizada de letra e número.CONTRATOs Em EsPÉCIE • Nominativa: É constituída por uma ou mais palavras no sentido amplo do desde que requerimento a palavra ou o termo que o ideograma representa. compreendendo. ao pedido de . cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma dissociada de qualquer efeito técnico. a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja dissociada de qualquer efeito técnico.

Segundo a Lei de Propriedade Industrial. desde que obedecidas as práticas leais de concorrência. a Convenção de Paris. acompanhado de tradução simples. de registro de marca de fábrica ou de comércio num dos países da União. Sobre o prazo para apresentação da reivindicação de prioridade. sob pena de perda da prioridade. que poderá ser total ou parcial em relação aos produtos ou serviços assinalados pela marca. a data e a reprodução do pedido ou do registro. de desenho ou modelo industrial. Tratando-se de prioridade obtida por cessão. M) limitações e Perda de direitos As limitações aos direito de propriedade das marcas encontram-se discriminadas no artigo 132 da Lei de Propriedade Industrial. desde que sem conotação comercial e sem prejuízo para seu caráter distintivo. juntamente com a marca do produto. FGV DIREITO RIO 103 . que produza efeito de depósito nacional. a reivindicação da prioridade deverá feita no ato de depósito. ressalvado o disposto nos §§ 3º e 4º do art. o artigo 142 preceitua que o registro da marca extingue-se: • pela expiração do prazo de vigência. gozará. será assegurado direito de prioridade. contados do depósito. não sendo o depósito invalidado nem prejudicado por fatos ocorridos nesses prazos. • impedir a livre circulação de produto colocado no mercado interno. de depósito de modelo de utilidade. a comprovação da prioridade deverá ocorrer em até 4 (quatro) meses. devendo ser comprovada por documento hábil da origem. o documento correspondente deverá ser apresentado junto com o próprio documento de prioridade. na sua promoção e comercialização. contendo o número. • pela renúncia.CONTRATOs Em EsPÉCIE l) direito de Prioridade O artigo 127 da Lei de Propriedade Industrial estabelece que. por si ou por outrem com seu consentimento. para apresentar o pedido nos outros países. por outras prioridades anteriores à data do depósito no Brasil. do s direito de prioridade durante os prazos adiante fixados. podendo ser suplementada dentro de 60 (sessenta) dias. como segue abaixo: A (1) Aquele que tiver devidamente apresentado pedido de patente de invenção. em seu artigo 4 (C) dispõe da forma abaixo: (1) Os prazos de prioridade acima mencionados serão de doze meses para invenções e modelos de utilidade e de seis meses para os desenhos ou modelos industriais e para as marcas de fábrica ou de comércio Cumpre destacar que. o qual discrimina que o titular da marca não poderá: • impedir que comerciantes ou distribuidores utilizem sinais distintivos que lhes são próprios. 68. ou • impedir a citação da marca em discurso. nos prazos previstos na referida Convenção de Paris. ou o seu sucessor. Este princípio do direito da prioridade é previsto no artigo 4º da Convenção da União de Paris. Com relação à perda dos direitos marcários. se não efetuada por ocasião do depósito. • impedir que fabricantes de acessórios utilizem a marca para indicar a destinação do produto. obra científica ou literária ou qualquer outra publicação. ao pedido de registro de marca depositado em país que mantenha acordo com o Brasil ou em organização internacional. da qual o Brasil é signatário. cujo teor será de inteira responsabilidade do depositante.

Pontes de. 143 . 1983. que dispõe sobre a falta de constituição de procurador no país pela pessoa domiciliada no exterior. O artigo 134 estabelece que o pedido de registro e o registro poderão ser cedidos. É possível. na data do requerimento: I – o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil. ou • pela inobservância do disposto no art. contados da data da concessão do registro. são Paulo: Editora Revista dos Tribunais.. 144. disponível. Desta forma. tal como constante do certificado de registro. Contudo. em princípio. será extinto o registro e a marca estará. O uso da marca deverá compreender produtos ou serviços constantes do certificado. pp. de marcas iguais ou semelhantes.CONTRATOs Em EsPÉCIE • pela caducidade. O prazo para início de uso é de 05 (cinco) anos. Tratado de direito privado . ou se. 30 FGV DIREITO RIO 104 . ou II – o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos consecutivos. relativas a mIRANDA. sob pena de caducar parcialmente o registro em relação aos não semelhantes ou afins daqueles para os quais a marca foi comprovadamente usada. por períodos iguais e sucessivos. Vale ressaltar. em nome do cedente. Da decisão que declarar ou denegar a caducidade caberá recurso. requerido há menos de 5 (cinco) anos. o artigo 145 da Lei de Propriedade Industrial dispõe que não se conhecerá do requerimento de caducidade se o uso da marca tiver sido comprovado ou justificado seu desuso em processo anterior. a questão da cessão dos pedidos de registro ou dos registros de marcas como caso de perda de direitos sobre as mesas. no entanto. com a declaração da caducidade de que cogitam os arts 152-155 do Decreto – Lei 7. Em caso contrário. 15-16. o artigo 135 da Lei de Propriedade Industrial prevê que a cessão deverá compreender todos os registros ou pedidos. desde que o cessionário atenda aos requisitos legais para requerer tal registro. 4ª ed. Com relação à comprovação de uso. O prazo de validade de registro de uma marca é de dez anos. 217 da referida Lei. o titular do registro de uma marca deve utilizá-la para mantê-la em vigor. de acordo com o artigo 144 da Lei de Propriedade Industrial: Art. sendo prorrogável. contados a partir da data de concessão. que a caducidade seja concedida apenas parcialmente. Pontes de Miranda explica sobre as formalidades da renúncia: Pode dar-se a renúncia à propriedade industrial.Parte Especial. a pedido do titular. expressa em documento hábil ou o não uso. a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse se. caberá ao detentor do registro provar a sua utilização. a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original. considerado abandono. No tocante à renúncia dos direitos. Tomo XVII.Caducará o registro. sob pena de extinção do registro. ainda. o artigo 143 da Lei de Propriedade Industrial dispõe o que se segue: Art. decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão. No que tange à caducidade da marca. no mesmo prazo. Uma vez requerida a caducidade da marca.90330.

leva. questões legislativas e judiciais envolvendo aspectos de propriedade intelectual vem se destacando cada vez mais. mas permaneceria com os registros das outras marcas. os pesquisadores brasileiros cada dia mais buscam uma recompensa justa para suas pesquisas. mestre em direito pela the George Washington university (eua). conseqüentemente o contrato de licença perde seu objeto. o senhor Eduardo Russo fez a seguinte proposta: cederia os pedidos de registro de marcas para a Pechincha Comércio Varejista Ltda.CONTRATOs Em EsPÉCIE produto ou serviço idêntico. semelhantes ou afins. por exemplo. a averbação no INPI é necessária para produzir efeitos perante terceiros. FGV DIREITO RIO 105 .. dimensionando-as para a concessão de patentes. à perda dos pedidos de registros ou registros que não foram transferidos do cedente ao cessionário. No setor farmacêutico. podem ser objeto de licença. o) Contrato de Cessão de Marcas Qual é a diferença entre o contrato de licença de marcas e o contrato de cessão de marcas? Ao ser consultado pelo nosso cliente quanto à cessão das marcas. Embora não seja necessária para comprovar a exploração da marca. sob pena de cancelamento dos registros ou arquivamento dos pedidos não cedidos. n) Contrato de licença de Marcas O registro da marca como o pedido. se tornou tópico de grande importância no noticiário político nacional. Você teria algum comentário a essa proposta? leitura CoMPleMentar: A importância da “due diligence” de propriedade intelectual nas fusões e aquisições (Debaixo dos caracóis dos seus cabelos) dirceu P. Roberto Carlos/Erasmo Carlos De alguns anos para cá. Diante do exposto. semelhante ou afim. após publicado e requerido o exame. Vale notar que a licença só poderá vigorar enquanto o registro da marca estiver em vigor. ao invés apenas do reconhecimento acadêmico. sorrindo vai chorar. Um dia a areia branca / seus pés irão tocar e vai molhar seus cabelos / a água azul do mar Janelas e portas vão se abrir / prá ver você chegar e ao se sentir em casa. a disputa entre os Estados Unidos e o Brasil envolvendo as licenças compulsórias e a exigência de fabricação de certos produtos farmacêuticos no território nacional. Se o registro da marca é extinto. também. de santa rosa advogado no rio de janeiro (rj). Na biotecnologia e na área científica. nota-se que a hipótese de cessão parcial de marcas iguais ou semelhantes relativas a produtos ou serviços idênticos. Debaixo dos caracóis dos seus cabelos uma história prá contar / de um mundo tão distante debaixo dos caracóis dos seus cabelos um soluço e a vontade / de ficar mais um instante. ganhando considerável espaço no mundo dos negócios e até mesmo nas manchetes dos principais jornais do país.

seu estudo ganha importância na maior parte das operações de fusão ou aquisição. i – a importância da Propriedade intelectual no mundo dos negócios Os profissionais de propriedade intelectual estão vivendo um momento sui generis. tanto que um descuido na análise de seus aspectos relevantes pode trazer conseqüências desastrosas. a Apple Computers. O objetivo principal deste artigo é desmistificar a idéia. o que possibilitou as bases do seu crescimento. preocupada com acusações de formação de monopólio no setor de computadores. E falando em economia globalizada. Diversos setores estão sendo totalmente reformulados. Neste cenário globalizado. o crescimento de setores da chamada “nova economia” e o desenvolvimento da internet e do e-commerce valorizou os ativos intangíveis das empresas. a Microsoft ofereceu o referido sistema às concorrentes da IBM. dentre os principais erros abordados nesta pesquisa. e alertou muitas delas para o desenvolvimento de políticas de gerenciamento de propriedade intelectual. George Lucas. Pelo contrário. pois enquanto os consumidores adquiriam a preços competitivos computadores baseados na arquitetura dos PCs. como nos de telecomunicações. de que a propriedade intelectual é matéria acessória. Tais procedimentos são conhecidos como “due diligence”. Esta tendência do mundo empresarial também se reflete na economia brasileira. Hoje em dia. aquisições ou financiamentos são geralmente precedidas de uma criteriosa avaliação da instituição prospectada. capitaneada por companhias estrangeiras que desejam se fixar em nosso promissor mercado. e as bancas de advocacia que prestam este serviço geralmente dão ênfase à análise dos aspectos societários. as empresas nacionais se transformaram também em mercadorias. Apenas para melhor ilustrar a afirmação acima. desenvolver ou adquirir inovações tecnológicas podem fazer a diferença num mercado globalizado e altamente competitivo. gratuitamente. ao produtor do filme. O gerenciamento de propriedade intelectual deixou de ser um assunto limitado à seara do especialista. Acabou vitima de sua própria ganância. direcionada para estudantes e profissionais de administração. e o declínio da IBM no desenvolvimento de software para computadores pessoais. alguns diretamente relacionados à propriedade intelectual tiveram destaque: – O fato da produtora de cinema 20th Century Fox não ter se interessado em reter os direitos de licenciamento e merchandising de produtos associados ao filme “Guerra nas Estrelas”. a nosso ver errônea. Operações de fusões. Aceitou repassar os mesmos. a publicação norte-americana MBA Jungle. Sem exclusividade. administradores e diretores das maiores empresas dos EUA para identificar quais foram os “25 maiores erros corporativos do mundo” (1). Nunca o meio empresarial esteve tão antenado com a necessidade de se proteger devidamente as criações intelectuais e obter lucro destes ativos. – Em 1981. relegando outras áreas a um segundo plano. oferecida por um jovem Bill Gates e desenvolvida por uma pequena empresa chamada Microsoft. que consideram como os principais. onde se nota cada vez mais que proteger. Surpreendentemente. esporte e energia. desenvolvida pela IBM e licenciada para FGV DIREITO RIO 106 . – Em 1984. recentemente promoveu uma interessante pesquisa entre diversos professores de cursos de MBA. a IBM. bem como de suas possíveis seqüências. distante do Direito Empresarial moderno. não é mais possível enxergar o Direito da Propriedade Intelectual como uma área subsidiária. e ganhou destaque em setores como a administração de empresas e a gestão estratégica de negócios. em se tratando de fusões e aquisições de empresas. e despertam o interesse de empresários que pretendem estender suas atividades ao Brasil por meio de joint ventures. após criar o computador pessoal Macintosh (2). decidiu não conceder licenças aos possíveis concorrentes que desejavam fabricar computadores compatíveis.CONTRATOs Em EsPÉCIE Situação semelhante ocorre em outros setores da economia. trabalhistas e fiscais. investimentos e operações de compra envolvendo empresas locais. preferiu não adquirir a licença exclusiva do sistema operacional MS-DOS. acreditando poder lucrar mais com a exclusividade. visando evitar que passivos ocultos comprometam o negócio. tendo em vista uma “avalanche” de fusões e aquisições de empresas brasileira.

em um quase uníssono. a única opção para comprar um Macintosh era por meio da Apple. que as apresentaram sem qualquer cuidado com confidencialidade ou patenteamento. e investimentos. Outros autores como LAJOUX e ELSON (7) remontam a origem das “due diligences” a tempos mais antigos: Teria sido desenvolvida a partir de um conceito do Direito Romano: “diligentia quam suis rebus” (diligencia de um cidadão em gerenciar suas coisas) que foi trazido para a Common Law e já era adotado em decisões judiciais antigas. não se importaram quando os jovens Steve Jobs. foram conhecer as tecnologias desenvolvidas pelos pesquisadores da Xerox. geravam mais lucro para a empresa. Independente de suas origens. manteve um centro de pesquisas em Palo Alto. Alguns remontam sua origem nos Estados Unidos. a impressora laser e alguns conceitos básicos sobre redes de computadores (4). – A Xerox Corporation. nas mãos destas outras empresas para quem eles gentilmente as apresentaram. a dominância dos PCs consolidou-se. especialmente quando analisamos ramos de negócio cuja atividade principal está baseada na exploração do conhecimento tecnológico e em ativos intangíveis tais como patentes e marcas. mas também o mouse. A importância que hoje é dada pelos renomados professores de administração de empresas aos fatos acima não é fruto do acaso. mas que se tornaram muitíssimo lucrativas no futuro. o conceito foi melhor depurado após decisões de Cortes norte-americanas. que a propriedade intelectual assume papel de destaque nos modernos métodos de gestão empresarial. fixando livremente certas práticas. FGV DIREITO RIO 107 . concentrando seus esforços nas fotocopiadoras que. o desenvolvimento de políticas de gestão de patentes é tema de muitos estudos e livros de negócios (5) que concluem. pouco se comenta sobre o surgimento desta atividade e os motivos que a tornaram essencial na prática empresarial moderna. cada vez mais. foi mesmo na prática empresarial que a “due diligence” ganhou forma e se tornou um procedimento comum no mundo inteiro. enquanto só restou para a Apple um nicho do mercado de computadores pessoais (3). Trata-se do reconhecimento de que a proteção da propriedade intelectual precisa. Em pouco mais de uma década. uma “cópia” do mesmo acabou sendo desenvolvida também para os PCs por uma outra empresa. Invenções deixadas de lado por não serem lucrativas. nada mais atual que discutir a propriedade intelectual sob um ponto de vista tanto negocial como jurídico. da Microsoft.a due diligence no meio empresarial Apesar de muitos profissionais associarem o termo “due diligence” a procedimentos de auditoria legal e financeira que envolvem fusões. ser tratada como um ativo estratégico. e Bill Gates. dentre outros (doravante denominadas de “transação” ou “transações”). em procedimentos de aquisição de empresas (6). E como a arquitetura do sistema operacional gráfico dos Macintosh era realmente inovadora. pesquisadores deste centro desenvolveram não apenas a interface gráfica para sistemas operacionais (precursora tanto do sistema Windows como do Macintosh). tanto em operações envolvendo fusões e aquisições de negócios como no planejamento de reestruturações societárias. Afinal. à época. Por não terem uma estratégia de pesquisa e desenvolvimento de produtos atrelada à propriedade intelectual. se tornando então aceito no ordenamento jurídico-comercial norte americano. Por isso mesmo. é utilizada nas mais diversas circunstâncias. Sendo assim. durante anos. executivos da Xerox preferiram ignorar tais criações. ii. e levou o nome de “Windows”. criaram este mecanismo que garante ao adquirente ou investidor a possibilidade de realizar uma investigação prévia sobre a empresa a ser adquirida ou que receberá investimentos (e que doravante será denominada “empresa-alvo”). cujos preços eram bem mais caros. processos de privatização de empresas estatais. operações financeiras complexas. Nos anos 70.CONTRATOs Em EsPÉCIE uma miríade de empresas. mais precisamente após a promulgação do Securities Exchange Act de 1933. e a instituição de regras sobre a responsabilidade de compradores e vendedores na prestação de informações. na Califórnia. da Apple. Portanto. uma vantagem competitiva para qualquer empresa. reorganizações societárias. Porém. Uma conseqüência da autonomia da vontade das partes que. aquisições.

por meio de um documento que indica normas e temas estratégicos importantes. usa-se a expressão due diligence para definir o que. II-b) Os Procedimentos de “due diligence” A realização de uma “due diligence” é uma opção das partes. tanto quanto possível. direitos de preferência no negócio (12). Um “check list” pode até mesmo incluir perguntas diretas. determinação de responsabilidades ou outras. dependendo do tamanho da transação e das contingências encontradas. é fruto da prudência e do bom senso das partes. resumidamente. Porém. não existe como enumerar com precisão o que deve constar neste documento. tanto para o potencial vendedor como para o comprador. interpretada no contexto jurídico brasileiro: “Atualmente. geralmente dependem dos interesses da empresa encomendante do serviço. dentre outros. e geralmente é entregue aos diretores da empresa-alvo pouco depois da assinatura da “Engagement Letter”.Declaração de intenção do comprador. consoante cada caso concreto. Via de regra.sob um escopo predefinindo . O bom senso das partes é o que prevalece. Quanto às conseqüências que decorrerão de seus resultados. Porém. garantias a prestar. afinal.CONTRATOs Em EsPÉCIE II-a) O que é. Algumas das práticas elencadas abaixo são características nos mais diversos procedimentos de “due diligence”: 1. consiste no procedimento sistemático de revisão e análise de informações e documentos. se traduzida literalmente. verificação do funcionamento da empresa e do cumprimento das regras legais. Assim. Esta fase inicial envolve a celebração de um acordo preliminar de compra (conhecido como “Engagement Letter”) ou uma Carta de Intenções preliminar. especialistas como o português CORREA DE SAMPAIO a reconhecem como uma medida de caráter preventivo: “A due diligence é um procedimento de análise levado a cabo normalmente pela compradora com a colaboração da vendedora e tem por finalidade verificar e avaliar a situação das empresas e/ou dos negócios a transaccionar. listando as informações que deverão ser disponibilizadas pela empresa-alvo. fundos de comércio ou de parte significativa dos ativos que os compõem” (9) Embora a “due diligence” tenha surgido para resguardar as partes em litígios pós-compra ou fusão. envolver prazos exíguos e um custo altíssimo para a parte que solicita o serviço (doravante denominada de “encomendante”). pode ser demorada. Mesmo assim. e pode ser útil em diversos níveis e momentos de uma negociação ou transação. o excelente trabalho de MORI nos traz uma boa definição de “due diligence”. avaliação dos riscos inerentes. o que fazer para verificar que o objecto da operação pode ser transacionado legitima e livremente e apresenta as características e tem o valor que o vendedor lhe atribui. antes de tudo. estabelecimentos. bem como para garantir. é difícil trazer uma definição precisa que possa abarcar a amplitude de uma “due diligence” jurídica. numa óptica jurídica. É onde são determinadas as regras da “due diligence”. 2. uma “due diligence” é a prova incontestável de que a velha máxima popular “mais vale prevenir que remediar” é verdadeira. prever riscos e definir a sua partilha pelas partes. visando à verificação . FGV DIREITO RIO 108 .da situação de sociedades. o regular cumprimento de obrigações legais ou contratualmente assumidas. e não uma obrigação legal. é melhor entendê-la como uma metodologia que. Due diligence significa. a quem cabe acordar os termos e condições nas quais a “due diligence” será desenvolvida.Envio de “Check List”. “due diligence”. Geralmente uma “Engagement Letter” vem acompanhada da prestação de diversos “Representations and Warranties” por parte do vendedor. uma “due diligence” ? Expressão de origem anglo-saxônica. significaria “devida cautela ou diligência” (8). Documento que geralmente é preparado pelos advogados contratados para realizar a “due diligence”. O processo de “due diligence” não existe como figura jurídica autônoma na legislação pátria. seja para determinação do real valor das empresas e seus activos. uma parte importante de seu conteúdo (13). seu ponto de partida é o período de entendimentos iniciais entre as partes e. bem como aborda aspectos como confidencialidade (11). definir garantias e evitar eventuais situações de incumprimento” (10). visto que seu escopo depende inteiramente da transação comercial que a motiva. Em poucas palavras. Sendo um acordo que formata uma negociação que se dará entre as partes. tais dados geralmente são de conhecimento das partes.

(17) A abrangência dos seus resultados também é um assunto polêmico. impreterivelmente. Geralmente. de modo que não implique em um atraso no fechamento do negócio (uma fase também conhecida como “closing”). Do outro lado. até mesmo os bens de propriedade intelectual. e tentará iniciar os trabalhos antes mesmo de assinar uma eventual carta de intenções (16).Entrega do relatório final de “due diligence”.Fornecimento e/ou obtenção das informações.CONTRATOs Em EsPÉCIE 3. bem como a pesquisa e coleta de dados complementares. favorecem a empresa interessada. Os documentos podem ser disponibilizados em local determinado. uma opção que garante maiores cuidados quanto ao sigilo e segurança dos documentos (15). bem como examinar as operações financeiras realizadas. ou mesmo exigir maiores garantias por parte do vendedor. por apenas duas abordagens: Por um lado. gerenciar e utilizar estrategicamente estes ativos se tornou matéria fundamental para as empresas verdadeiramente antenadas com o futuro e. a importância de uma companhia está cada vez mais baseada no valor que seus ativos intangíveis podem atingir. Em alguns casos. uma avaliação de seu passivo processual (inclusive reclamações trabalhistas e processos administrativos). que envolve a revisão das informações passadas pela empresa-alvo. identificar problemas a serem resolvidos após a concretização do negócio. a análise da situação fiscal e tributária da empresa. as atenções do meio empresarial estão se voltando para a propriedade intelectual como ferramenta estratégica para garantir a melhor utilização destes bens intelectuais. ou ser criteriosamente analisado pelo mesmo ao avaliar a viabilidade da transação. A nosso ver. Alguns especialistas entendem que relatórios de “due diligence” devem destacar. 5. 4. incluindo a análise de todos os ativos importantes da empresa. mas os da empresa-alvo e de sua indústria. iii – a due diligence de propriedade intelectual Num mercado dominado pela informação e tecnologia. inicia-se a fase mais árdua da “due diligence”. a identificação e análise de contingências por uma empresa independente. Assim. a empresa-alvo fará o máximo para que o procedimento seja encerrado com a máxima brevidade. o bom relatório de “due diligence” deve destacar não só os aspectos relevantes da prática do escritório contratado. geralmente. Pode ser efetuado por meio da consulta em bases de dados públicas (como o site do INPI (14)). Porém. O “timing” de uma “due diligence” também é muito importante. Assim. De outro.Consolidação das informações Após a análise dos dados coletados pelas equipes de advogados. que no jargão negocial. existe o dever e o interesse em proteger o maior número de invenções. Desenvolver. pode avaliar. da análise dos documentos entregues pela empresa-alvo. um extenso relatório é preparado. visto que o advogado avalia aspectos de um negócio do qual jamais participou diretamente. ele utilizará a “due diligence” até mesmo para ganhar tempo e decidir sobre o negócio. todas as pendências legais em uma reorganização societária devem ser observadas com a mesma atenção e detalhe. dentre outros. marcas e outros ativos incorpóreos. não se importando com a eventual pressa da empresa-alvo. caberá a ambas as partes continuar as negociações até a assinatura de um acordo final. a preocupação em não infringir os direitos de terceiros. E as vantagens deste “retrato” superam em muito qualquer prestação de garantias por parte da empresa-alvo. mais que nunca. a preocupação dos empresários e investidores com a propriedade intelectual passa. no momento certo. O objetivo de grande parte das “due diligences” jurídicas pode ser resumido de maneira simples: É como se a missão do advogado fosse “tirar um retrato” da empresa-alvo. avaliando todos os riscos legais inerentes ao seu negócio. permitindo renegociar o preço final. Afinal. nos moldes solicitados pela contratante do serviço e seguindo os padrões adotados pelos advogados responsáveis. o encomendante da “due diligence” quer se precaver o máximo possível. é conhecido como “data room”. e poder FGV DIREITO RIO 109 . Este relatório poderá ser utilizado pelo encomendante diretamente na mesa de negociações. A partir dai. Após o recebimento do “check list”. se as condições e o preço sugeridos pela empresa-alvo são realmente justos. e num momento anterior à conclusão de qualquer transação.

não é mais incomum que o principal interesse da empresa compradora possa ser adquirir marcas que lhe garantam uma fatia do “market share”. A empresa-alvo utiliza tecnologias. inclusive quanto à penhora das mesmas. bem como cópias de pedidos de registro de marca. tal procedimento tem como base quatro questões-chaves: 1. Alguns meses atrás. e as auditorias preventivas oferecidas no mercado são.CONTRATOs Em EsPÉCIE identificar quem está infringindo os seus. na maior parte das “due diligence” jurídicas preparadas por bancas de advocacia empresarial. e na celebração de acordos preliminares. tão somente identificando os bens intelectuais existentes e. Qual o tamanho e a força do portfolio de propriedade intelectual da empresa-alvo? 2. antes mesmo de iniciar qualquer negociação com os donos do periódico. Assim. Os métodos para a obtenção destas informações também envolvem a compilação e análise de documentos complexos. III-a) Fundamentos das “due diligences” de propriedade intelectual Como já vimos anteriormente. FGV DIREITO RIO 110 . em alguns casos. Portanto. prestadas por profissionais sem formação técnica e. pois não é interessante que as regras de uma “due diligence” criem entraves complexos que impeçam a realização do trabalho. ou invenções patenteadas que lhe possibilitariam fabricar um produto ou melhor desenvolver determinada tecnologia. avaliando sua situação atual. – Solicitação de cópias de certificados de registro de marca. (18). e que o resto do patrimônio da empresa seria apenas uma “contingência a ser absorvida”. marcas e/ou programas de computador licenciados de terceiros? Em que situação legal encontra-se tais licenças? São elas fundamentais para o desenvolvimento do negócio? Dependendo do cliente e de seus objetivos. a mídia especializada em finanças e negócios alardeou com grande surpresa que a maior preocupação do grupo comprador era adquirir apenas a marca do jornal. Dentre estes possíveis recursos. além de muito raras. é crucial ter em mente os pontos acima. destacamos: – Solicitação direta à empresa-alvo de cópias de documentos de patentes. Afinal. na fase de Declaração de Intenções do comprador. os aspectos de propriedade intelectual são abordados de modo raso. no Brasil e no exterior. – Obtenção de informações sobre registros declaratórios de direito autoral e de programas de computador. Os compradores até efetuaram uma cuidadosa análise da situação das principais marcas da empresa-alvo junto ao INPI. aquisição ou outro tipo de negociação. a “due diligence” de propriedade intelectual não deve ser vista como algo inusitado em diversos procedimentos de fusão ou aquisição. o processo de identificação de ativos e análise de sua situação legal (que se inicia a partir da preparação e do envio do “check list” ou da abertura do “data room”) não é diferente do que ocorre em quaisquer outras “due diligences” legais. E no âmbito da propriedade intelectual. tanto para o bom andamento do negócio como para o comprador? 3. III-b) Identificando ativos de propriedade intelectual Numa “due diligence” de propriedade intelectual. uma “due diligence” envolve a identificação e análise dos ativos de propriedade intelectual da empresa-alvo de uma fusão. O uso de procedimentos mais detalhados para analisar aspectos de propriedade intelectual nas “due diligences” não é muito difundido no Brasil. Quais são as possíveis contingências envolvendo este portfolio que podem gerar riscos. Poucas bancas nacionais estão realmente capacitadas para fazer análises mais criteriosas sobre o assunto. bem como o uso de todos os métodos lícitos e acordados pelas partes para a obtenção de dados. ao noticiar a compra de um tradicional periódico carioca. É possível identificar se a empresa-alvo tem uma política de proteção dos seus ativos intangíveis? A empresa-alvo protege devidamente seus ativos intelectuais? 4. se possível. é claro que uma “due diligence” pode enfatizar alguns aspectos específicos: Porém. no Brasil e no exterior. até sem o necessário cuidado ético.

e os dados disponibilizados no “data room” ou fornecidos pela empresa-alvo sobre cada ativo intelectual devem ser revisados e confirmados. Procuraremos nos fixar a seguir nos tópicos que. Para efeito de metodologia. com bastante conhecimento específico da área. Ademais. pois a empresa-alvo pode acabar omitindo. são essenciais em qualquer “due diligence” de propriedade intelectual (22). A identificação de ativos também pode ser realizada mediante entrevistas a diretores. os pontos abaixo foram divididos e abordados de maneira resumida e modo exemplificativo. tais como a do INPI (19).CONTRATOs Em EsPÉCIE – Obtenção de cópias de contratos envolvendo licenças de uso de software e quaisquer outros bens intelectuais. O diferencial é saber analisar os dados disponíveis e identificar quais devem figurar no relatório final e com que ênfase. em algumas situações a empresa-alvo sequer obteve registros de marca ou patente. já não é imprescindível um entendimento genérico da transação que motivou a “due diligence”. e que nem sempre são facilmente identificáveis. – Compilação e obtenção de informações subjetivas sobre políticas de proteção dos ativos intelectuais da empresa-alvo. As informações obtidas devem ser organizadas e separadas pelo seu nível de importância para o encomendante do relatório final. Isto porque. onde o resultado das pesquisas de ativos é devidamente analisado. dados vitais sobre a existência de problemas envolvendo seu patrimônio intelectual. na obtenção e compilação de dados. Nesta fase. é importante que a fase de reconhecimento dos ativos seja conduzida. Nas “due diligences” em que existe a possibilidade de se requerer documentos diretamente à empresa-alvo. Uma consulta formal aos agentes de propriedade industrial da empresa-alvo. levando em conta a importância que o encomendante do relatório dará para cada aspecto de propriedade intelectual da transação (21). técnicos e especialistas da própria empresa-alvo. e utiliza indiscriminadamente seus ativos intelectuais sem o mínimo cuidado com a proteção dos mesmos. Este recurso complementar pode ser muito eficiente para identificar práticas e procedimentos utilizados pela empresa-alvo para a proteção de seu patrimônio intelectual. em vista do interesse do encomendante e das contingências encontradas. por má-fé ou puro desconhecimento. o relatório final é a fase em que as informações compiladas são analisadas. convém deixar a cargo do advogado a preparação das listagens dos dados a serem solicitados e analisados. III-c) Elaborando o relatório final Considerada por muitos como a fase mais interessante de uma “due diligence”. não menos importante é tecer as necessárias considerações sobre todas as contingências identificadas na análise do relatório. muitas vezes descobrimos empresas que nunca organizaram ou gerenciaram de modo sistemático seus ativos de propriedade intelectual. sempre que possível. Em nossa prática. se autorizada. iV – analisando tópicos específicos em uma due diligence de propriedade industrial Como vimos acima. em alguns casos até propondo soluções emergenciais. (20) Quase sempre cabe aos advogados mais experientes. e como “cada caso é um caso”. e envolve as questões eminentemente jurídicas do trabalho. O mesmo procedimento preventivo deve ser adotado na coleta de quaisquer informações subjetivas. FGV DIREITO RIO 111 . Assim. após a fase investigativa inicia-se a elaboração do relatório final. – Consultas nas bases de dados (nacionais e internacionais) de propriedade intelectual. também pode significar uma redução do tempo a ser dispensado na coleta de dados e informações. reconhecemos que é nesta fase onde aparecem alguns dos entraves mais complexos de uma “due diligence”. a nosso ver. do modo mais direto e com o apoio irrestrito da empresa-alvo. Ademais.

é o passo inicial. por exemplo. Para tanto. Em países que adotam o sistema de “copyright” (27). direitos de uso sobre os mesmos. dispõe que é registrável como marca todo e qualquer sinal distintivo visualmente perceptível. enfatizar a verificação da situação atual de cada uma das patentes depositadas e/ou concedidas à empresa-alvo. bem como analisar se o pagamento das anuidades e outras taxas para a manutenção de cada patente está ocorrendo dentro dos prazos legais (26). se as marcas registradas estão em uso regular no seu território de validade (o que evita riscos de caducidade (23)) e se as taxas de registro e prorrogação estão sendo pagas tempestivamente. A “due diligence” jurídica de patentes deve. uma parcela significativa do relatório final deve cuidar do portfolio de patentes. sempre que necessário. expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte. Quanto ao nome comercial. Um exame mais detalhado de um portfolio de patentes deve ser realizado por profissionais especializados. é altamente recomendável. então. Quando a empresa-alvo é titular de signos altamente reconhecidos no mercado. que permita distinguir produtos ou serviços de outros idênticos. deve ser examinado por um especialista na área. numa definição breve. Astros como David Bowie e James Brown já utilizaram seu repertório com esta finalidade. dados sobre o real valor de mercado dos signos principais da empresa (uma avaliação que é geralmente efetuada por especialistas no assunto (24)). O escopo de uma patente importante na área química. Outro tópico importante é verificar. tangível ou intangível. habilitado em propriedade intelectual. com base no relatório descritivo. A patente é. e capaz de um parecer técnico sobre a possibilidade de utilizar dita patente contra um concorrente. por meio de terceiros. admitimos que estes temas são mais pertinentes numa auditoria de propriedade intelectual. ou obteve. semelhantes ou afins. Porém. sem sua prévia autorização (25). no Brasil e no exterior. IV-c) Bens sujeitos à proteção autoral Tema altamente complexo em qualquer “due diligence”. tais como fabricação. para que o encomendante possa não apenas se precaver. que regula a propriedade industrial no Brasil. uma análise de pesquisas na Junta Comercial dos estados onde a empresa-alvo está estabelecida. comercialização ou importação. por força de lei e em caráter temporário. a um inventor. tem filiais ou realiza negócios. um título de propriedade outorgado pelo Estado. é habitual a utilização de obras autorais como objeto de negociação ou garantia colateral para pagamento de dívidas e captação de fundos. Outros tópicos podem incluir a titularidade dos direitos patentários e os termos de cessão de cada patente por seus respectivos inventores. E este tipo de avaliação só pode ser realizado por meio do exame técnico do teor das reivindicações. um dos aspectos mais importantes da “due diligence” é realizar uma análise integral do seu portfolio de marcas. de origem diversa.279/1996. mas até mesmo definir quais marcas serão mantidas ou abandonadas. Porém.CONTRATOs Em EsPÉCIE IV-a) Marcas e nomes comerciais Nos termos do artigo 122 da Lei nº 9. e as disputas envolvendo Michael Jackson e a Sony FGV DIREITO RIO 112 . Este instituto visa proteger todo tipo de criações intelectuais do espírito humano. A existência de oposições. Análises semelhantes também podem ser efetuadas com relação a modelos de utilidade e desenhos industriais. Tópicos adicionais que podem fazer parte de um relatório detalhado incluem ainda uma avaliação dos procedimentos adotados pela empresa-alvo para evitar o uso indevido de suas marcas por terceiros. um exame detalhado da situação atual de cada registro e/ou pedido de registro em nome da empresa-alvo. conhecido ou que venha a ser inventado. ou mesmo verificar sua forca perante tecnologias já existentes e/ou patenteadas. com sólida formação técnica na área de atuação da empresa-alvo. é importante estudarmos o momento no qual uma análise técnica deve complementar o trabalho do advogado. IV-b) Patentes Quando a empresa-alvo tem entre suas atividades a pesquisa e o uso de tecnologia em seus principais produtos e serviços. pedidos indeferidos e recursos também deve ser pesquisada e abordada. o direito autoral é um exemplo típico de propriedade imaterial. se possível. para que este possa excluir terceiros de certos atos relativos à matéria protegida.

Em alguns casos. formação de preços e outras espécies de dados confidenciais relativos ao desempenho de atividades empresariais. celebrar termos de cessão de direitos patrimoniais com os autores. inicia-se o relatório analisando se as obras mais importantes estão devidamente resguardadas. métodos. marketing. A interrupção de um importante contrato de licenciamento de patente ou tecnologia em vista de uma reorganização FGV DIREITO RIO 113 . é importante também examinar a existência de contingências envolvendo ativos intelectuais licenciados de terceiros. é quase impossível que a empresa-alvo consiga. motivo pelo qual devem ser adotadas medidas protetivas contra a sua revelação” (32) Em uma “due diligence” de propriedade intelectual. São poucas as companhias que solicitam a todos os seus funcionários criadores de obras intelectuais que assinem termos específicos de cessão. mesmo que os mais rígidos acordos de confidencialidade sejam celebrados entre as partes. O relatório pode também enfatizar se vale ou não a pena buscar uma proteção mais segura para esta tecnologia (por meio do seu patenteamento.CONTRATOs Em EsPÉCIE Music. se possível. Se não é possível identificá-los. IV-d) Segredos de negócio e “know-how” Outra preocupação que afeta muitos procedimentos de “due diligence”. a verificação minuciosa deste assunto é imprescindível. o relatório final deve abordar se os segredos comerciais estão devidamente protegidos e se não existe risco de que sejam divulgados ou perdidos caso a empresa-alvo sofra mudanças. técnicas de comercialização. em vista de seu escopo de atividades. É importante lembrar ainda que. listas e informações de clientes. experiências. por exemplo). devemos respeitar. envolvem milhões de dólares. nossa experiência mostra que informações tratadas pela empresa-alvo como segredos de negócio dificilmente são fornecidas aos advogados da encomendante. A rigor. bem como do material disponibilizado pela empresa-alvo. especialmente nas empresas que lidam com desenvolvimento de tecnologia. E partindo destas informações. é a proteção de certos tipos de informações e práticas comerciais que. mesmo que o registro da obra intelectual não seja pré-requisito para garantir sua proteção. III-e) Analisando contratos de licença e outros acordos Juntamente com a análise do patrimônio intelectual pertencente à empresa-alvo. bem como auxiliar no registro das obras intelectuais mais relevantes junto aos órgãos competentes (30). e como é protegido pela empresa-alvo. processos de fabricação. Daí a importância da abordagem especializada de questões autorais em “due diligence” de propriedade intelectual. sobre os direitos de edição do repertório do grupo The Beatles (que dispensa qualquer apresentação). são tão críticas para o negócio da empresa-alvo que é necessário mantê-las em rigoroso sigilo. o fato do profissional de “due diligence” não ter acesso ao segredo de negocio não deve ser um óbice para que ele analise se o mesmo existe. Existe sempre um risco de contaminação tecnológica que nem todos preferem correr e que. não existe uma definição na lei brasileira do que seja um “segredo de negócio”. Em todos os casos. tratar-se-á de um elemento incorpóreo sigiloso suscetível de aplicação prática que confere uma vantagem competitiva a seu detentor enquanto de conhecimento restrito. em vista da caracterização dos programas de computador como obras autorais perante a legislação brasileira (29). um valioso investimento para qualquer empresa (28). custos. ou que seus funcionários-chave a abandonem. o relatório deve indicar se a empresa-alvo tem como prática identificar devidamente os autores de obras intelectuais (e se guarda em seus arquivos estas informações). e este risco deve ser bem avaliado (31). O ideal é verificar. passíveis ou não de proteção por meio de direitos de propriedade intelectual. quais obras autorais são importantes para a natureza do negócio da empresa-alvo. em vista de quaisquer riscos de vazamento da informação. listar todos os textos e obras de natureza intelectual que esteja autorizada a utilizar em vista das circunstâncias específicas de seu negócio. ou para terceiros. para uma “due diligence”. Mas autores como SILVEIRA o especificam com precisão: “O segredo de negócio consiste em conhecimentos técnicos. como advogados. fórmulas. como nas empresas de desenvolvimento de software. Tendo em vista a natureza incorpórea do direito autoral e que praticamente qualquer trabalho intelectual pode ser objeto de sua proteção. Porém.

nos contratos com fornecedores de tecnologia. Assim. FGV DIREITO RIO 114 . ser crucial para que uma transação não se concretize. por exemplo. o trabalho do profissional de “due diligence” acaba ensejando a leitura de inúmeros contratos preparados por outros advogados. com atenção aos casos nos quais a empresa-alvo esteja obtendo licenças cujo objeto é essencial para a continuidade de seu negócio. – Contratos que envolvam transferência de tecnologia. (35) mas. muitas vezes. desde compromissos mínimos de produção. nos quais a empresa-alvo seja a licenciadora. quer como licenciado ou licenciante. é imperativo examinar se a remessa das respectivas divisas está sendo realizada de modo legítimo. nomes comerciais e/ou obras intelectuais de natureza autoral em que a empresa-alvo tenha participado. é preciso investigar se. mas sim verificar e destacar as disposições contratuais que possam afetar a transação. No curso da revisão de todos estes acordos. demandas que precisam ser atendidas mesmo em caso de transferência de controle acionário. e se é necessária aprovação da outra parte para que isto ocorra. e alguns dos contratos que geralmente são examinados incluem: – Todos os acordos de licenciamento de marcas. Em alguns casos. – Verificar se as obrigações de ambas as partes podem ser transferidas para outra empresa ou serem sublicenciadas. cláusulas de exclusividade e direitos de preferência até mesmo opções de renegociação ou rescisão do contrato. pode deixá-la em situação desfavorável e. indicar se os procedimentos necessários para fazê-lo ainda podem ser devidamente efetuados pela empresa-alvo (34). que nenhuma das partes está em flagrante violação dos termos e condições de cada um dos mesmos. com especial atenção a quaisquer limitações de responsabilidade ou garantias excessivas estabelecidas contratualmente. Também entendemos ser necessário identificar quais destes contratos necessitam de averbação junto ao INPI e. é necessária atenção redobrada ao interpretar cláusulas duvidosas e ambíguas de contratos cujo objeto é vital para o negócio da empresa-alvo (33). tais como: – Confirmar se todos os acordos examinados permanecem em vigor e. e nos termos da Lei nº 4.CONTRATOs Em EsPÉCIE societária da empresa-alvo. é necessário identificar qualquer contrato que gere perdas significativas. depositados ou concedidos no Brasil. muito freqüentemente. nos quais a empresa-alvo seja a licenciada. se tal averbação não ocorreu. um tópico específico de qualquer “due diligence” de propriedade intelectual deve abordar este tema. em alguns casos. o licenciante garantiu contratualmente desde a atualização da tecnologia licenciada até que o fornecimento da mesma não será encerrado caso a empresa-alvo sofra alguma reorganização societária. quando envolvem o licenciamento de ativos intelectuais do exterior e prevêem o pagamento de royalties. é sempre importante lembrar que o objetivo de uma “due diligence” não deve ser avaliar a qualidade técnica das cláusulas de cada acordo ou criticar o trabalho de algum colega. Tendo em vista que a negociação de cada contrato analisado certamente teve suas particularidades. É claro que a profundidade da análise dos contratos que envolvem bens intelectuais depende do interesse da encomendante e. por exemplo. Considerando que os contratos a serem destacados no relatório final serão aqueles mais pertinentes ao negócio da empresa-alvo. – Contratos que objetivam a aquisição de conhecimentos e de técnicas não amparadas por direitos de propriedade industrial. ou cujas obrigações não estejam sendo cumpridas pela empresa-alvo.131/1962. se possível. – Identificar riscos negociais. Lembrando que nem todos os contratos que envolvem a exploração de ativos intelectuais precisam de averbação. por intermédio do Banco Central. com especial atenção aos casos nos quais esteja licenciando tecnologias que também utiliza em seus produtos ou serviços para empresas que atuam no mesmo mercado. patentes. – Acordos que envolvam transferência de tecnologia. em circunstâncias totalmente diferentes das que norteiam a análise encomendada. Contratos de maior importância contêm. da boa vontade da empresa-alvo em ceder tais documentos. Em outros.

Eles avaliariam de forma genérica cada litígio. Mostramos que a metodologia das “due diligences” jurídicas é uma ferramenta que.Conclusão No mercado de fusões e aquisições. 3. ou mesmo avaliar como está sendo feito o gerenciamento de sua propriedade intelectual. A prática internacional tem demonstrado que adotar uma metodologia para a pesquisa e análise dos ativos intelectuais de uma empresa. é o método mais eficiente não somente para identificar contingências. Em situação semelhante que não foi listada no artigo ora citado. E na propriedade intelectual. Uma “due diligence” bem feita proporciona ao encomendante um valioso panorama de todos os aspectos legais da empresa-alvo. antes de se fechar qualquer negócio. As fontes principais para a coleta destes dados são as certidões forenses e de protestos emitidas em nome do negócio (e de suas filiais). é sempre recomendável uma profunda investigação em todos os aspectos jurídicos de uma companhia objeto de qualquer modalidade de aquisição. mas também um caminho quase inexplorado no estudo do planejamento e gerenciamento de propriedade intelectual. provavelmente pode indicar algum procedimento de risco adotado pela mesma e. 4. se bem adaptada. o MS-DOS. como autora ou ré. Não seria tolice afirmar que os pesquisadores do Palo Alto Research Center. por isso mesmo. para alcançar este objetivo. o foro competente. passível de uma revisão ainda mais detalhada. com esta tática. patentes e quaisquer outros ativos de propriedade intelectual da empresa-alvo. ou PARC. FGV DIREITO RIO 115 . May 2001. notas 1. mas merece nossa ressalva. a área atue em harmonia com outros setores. mostrando as ações judiciais nas quais a empresa-alvo está envolvida. a Sony Corporation se recusou a licenciar para terceiros as patentes para a fabricação de aparelhos de videocassete com o sistema Betamax. identificando o tipo de ação. pode valorizar em muito o trabalho dos profissionais de propriedade intelectual no meio empresarial. Debaixo dos caracóis dos cabelos das “due diligences”. isto não é diferente. Ao mesmo tempo a Japan Victor Company – JVC licenciava gratuitamente a tecnologia para o sistema VHS e. citado acima.CONTRATOs Em EsPÉCIE IV-f ) Analisando pendências judiciais de propriedade industrial Um outro assunto que pode ser abordado é a situação das pendências judiciais envolvendo marcas. The 25 Dumbest Business Decisions of All Time. dita verificação seria provavelmente feita pelos advogados que analisam os aspectos do contencioso da empresa-alvo. Porém. Cujo sistema operacional gráfico era altamente inovador e eficiente se comparado à concorrência da época. bem como informações prestadas por seus próprios advogados a respeito de litígios nos quais a empresa participa e emitidas por todos os distribuidores que a jurisdicionam. mas também buscar soluções que evitem ou minimizem quaisquer riscos para o ativo intelectual da empresa. com o objetivo de demonstrar à empresa interessada quais as contingências legais existentes e avaliar os riscos da transação. não apenas desenvolveram o embrião do computador de hoje como auxiliaram em estudos que levariam a nossa concepção atual de internet e a interligação de computadores por rede. é necessária uma conscientização. 2. fusão ou incorporação. nos grandes escritórios de advocacia empresarial. nosso estudo encontrou não apenas os subsídios que confirmam uma nova realidade da propriedade intelectual nas fusões e aquisições. sua situação atual e se existe risco de pagamento de indenização pela empresa-alvo. Convêm lembrar que a ocorrência reiterada de processos semelhantes envolvendo a empresa-alvo. Numa “due diligence” jurídica mais ampla. mas também é necessário que. conseguiu que sua criação se tornasse o padrão do mercado de aparelhos de videocassete. Os dados coletados por meio deste exame podem ser úteis até para fixar o valor patrimonial de marcas e patentes de uma empresa. MBA Jungle. Vi.

2000. na sua própria situação. 15.cit.como se costumou traduzir estas expressões. e muitas vezes apresentavam documentação falsa ou incorreta. 12. em especial se ambas são competidoras.br – A sigla INPI significa Instituto Nacional da Propriedade Industrial. 13. reasonable ground to believe and did believe” that the offering materials were accurate and were free of material omissions” em SAVAGE. Diane. MORI. 7. fusão ou financiamento de uma empresa através de uma Due Diligence. Ed. por exemplo). não é recomendável ir adiante sem que esta questão esteja devidamente acordada entre as partes. John Wiley & Sons. em vista da perda de um documento importante. por vezes. a empresa-alvo pode abrir um “data room”.” 14. cautela). o comprador e os advogados que realizam o serviço deve ser cercado de todo cuidado ético e profissional. Juntamente com as cláusulas contratuais que disciplinam as indenizações a serem efetuadas por uma parte à outra (por passivos ocultos.fenwick. dentro do processo de venda de uma empresa. uma sala contendo todos os dados que se quer mostrar aos possíveis adquirentes. Afinal o que é o due diligence? Disclosure Das Transações Financeiras .Graw Hill. 1998. ou seja. bem como a definição das conseqüências que decorrerão dos resultados que vierem a ser apurados. CORRÊA DE SAMPAIO. no que diz respeito à situação legal do negócio. o Autor e todos os advogados que estavam no data room passaram pelo constrangimento de serem colocados em cárcere privado e brutalmente revistados por seguranças de uma empresa. Profiting from Intellectual Capital. passou a constar na Section 11(b)(3) do Securities Act de 1933 “participants had. Certa vez. 15.inpi. Alberto. que solicitaram até mesmo que alguns advogados FGV DIREITO RIO 116 . 1a. Assim.Outubro 2001. e motivo de situações inusitadas. seja ela de compra ou de venda. Deste modo. Deste princípio resulta que é às partes que cabe acordar os termos em que a due diligence será desenvolvida. MORI. Patrick. Por isso. 9. Para assegurar o acesso de todos os interessados a um mesmo volume de informações. Após a fase de discussões e negociações preliminares.gov. antes do início de qualquer “due diligence”. Charles. Assim. Nossa conclusão parte da tradução simples das palavras da língua inglesa due (devida. as declarações e garantias podem ser vistas como um retrato do negócio a ser concretizado. que incluem garantias como a de que as partes comprometem-se a não aceitar nenhuma outra oferta.CONTRATOs Em EsPÉCIE 5. corrigindo-se assertivas incorretas. uma das finalidades das informações obtidas no due diligence na área jurídica é revisar as representations and warranlies. 6. A execução de um acordo de confidencialidade específico é também um dos primeiros passos que pode ser tomado no início de qualquer procedimento de “due diligence”. sempre que o due diligence for provocado por uma transação entre partes não-relacionadas (aquisição ou joint aventure por exemplo).pt/main_4. Dentre os livros importantes sobre o assunto. 10. voltados para administradores. todo comprador sempre corria o risco de adquirir “gato por lebre”. 8. www. define bem o papel dos “representations and warranties” : “Na área jurídica. disponibilizado em www. destacamos: SULLIVAN. é preciso lembrar que o relacionamento entre a empresa-alvo. penhora de bens ou outras obrigações. Mc.pacsa. estas geralmente prestam o que se costuma chamar de representations and warranlies ou declarações e garantias .htm (visitado em 01 de abril de 2002). Alexandra & ELSON. Algumas destas regras surgiram para por ordem em uma situação que se tornou comum nos tempos da depressão norte-americana e da quebra da Bolsa de Nova Iorque: Como lembra SAVAGE. A celebração de extensos acordos de confidencialidade na fase das “Engagement Letter” ou “Representations and warranties”. é um exemplo destes cuidados que. Intellectual Property Due Diligence In Acquisitions of Technology Companies. A confidencialidade destes “data rooms” é. after reasonable investigation. em se tratando de propriedade intelectual merecem destaque. José Maria. empresários espertalhões deliberadamente não informavam os possíveis compradores sobre a existência de dívidas. em português) e diligence (diligência. op. Como reduzir os riscos de uma aquisição. The Art of M&A Due Diligence. e no que mais for pertinente à transação que pretendem fechar. disponível em http://www. ed. LAJOUX. Consiste nas afirmações expressas em contrato pelas partes.. para prepararem suas respectivas propostas de preço.com (visitado em 18 de novembro de 2001). 11.

LLP. Nevertheless. ou nos dados obtidos em bases públicas de dados. dispensar a análise de determinadas áreas por achá-las irrelevantes. com base nos mais diversos critérios . o que nos leva a crer que as buscas eletrônicas no Brasil são limitadas e não devem ser utilizadas em substituição da inspeção física dos documentos de patentes. trademarks. 2000.CONTRATOs Em EsPÉCIE tirassem a roupa e se perfilassem contra a parede. or before allowing a detailed due diligence investigation to begin. September 2001. the costs of preparing. before proceeding with the time commitments and costs of negotiating a definitive agreement. é FGV DIREITO RIO 117 . certain problems may never be discovered during due diligence and can only be addressed through adequate representations and warranties (e. é importante lembrar que o trabalho do profissional do Direito numa “due diligence” deve estar focalizado na coleta das informações fornecidas pela empresa que está sendo analisada. and (ii) resolution of the principal terms of the transaction at an early stage can make the negotiation of the definitive agreement more focused and straightforward. e suas vantagens sobre a Engagement Letter. Gesmer & Updegrove. 21. And it can be important for the adviser. it can be the crucial document determining whether the deal goes ahead -. Soube-se depois que o documento havia sido roubado por um estagiário de um escritório de advocacia. 19. Alguns aspectos importantes na elaboração de um relatório final são também abordados por DAHL : “The due diligence report summarizes the findings regarding the intellectual property rights. a não ser caso esta contingência tenha sido prevista nas Declarações de Intenção. many buyers and sellers prefer a letter of intent as a method of “testing the waters” for the likelihood that a definitive agreement can be reached. Se a conclusão da “due diligence” não for uma condição para o fechamento do negócio. muitas vezes. and any other questions regarding litigation or prior art.” DAHL. Por razões éticas. any issues of validity which have arisen. A letter of intent may burden the parties’ negotiations with too may difficult issues too early in the process and may impair.. Conversely. a court may find that provisions of a letter of intent that one of the parties considered to be non-binding are binding. too: if significant issues are omitted through counsel’s negligence.às vezes puramente subjetivos. Sobre o uso da carta de intenções na fase iniciai de uma due diligence. Corporate Law and Practice Course Handbook Series. The report allows the best-quality information to be factored-in and if necessary enables the acquirer to use a discount rate reflecting the risk. the scope of protection.and at what price. applications. The report will also (normally in a separate section) identify significant other patents. Lucash. agreeing to a license with a third party or threatening litigation. 17. attorneys may often disagree regarding the desirability of a letter of intent in a particular situation. For example. negotiating and revising a letter of intent can be substantial in comparison to the size of the deal and the overall transaction costs. Practising Law Institute.g. merece destaque o comentário de WARVIAS: “The main advantages of a letter or intent are that (i) issues that could be “deal breakers” can be identified early in the negotiation process before substantial expenses are incurred in a due diligence review and the drafting of a definitive agreement. 2001.in terms of re-negotiating the deal. the firm could face a malpractice suit. ownership. Waryjas. lembramos que a própria parte interessada pode. Maryann A. or copyrights in the field and recommend what action needs to be taken -. 18. Christopher T “Intellectual Property Due Diligences”. a claim of patent infringement that is brought six months after the closing)”. Pedidos de registro recém depositados geralmente não estão incluídos nesta base de dados. or even halt. In the case of a smaller deal. não é uma base de dados totalmente atualizada e 100% confiável. a deal’s momentum. In some situations. Apesar de ser sempre recomendável efetuar uma “due diligence completa” dos aspectos de propriedade intelectual. For many acquiring companies. O site do INPI é a principal fonte para consultas sobre a situação de marcas e patentes no Brasil. 20. 16. marcas e afins. many attorneys believe that a letter of intent is generally more advantageous to a buyer than a seller. LETTERS OF INTENT IN THE ACQUISITION OR SALE OF THE PRIVATELY HELD COMPANY. lembre-se que as contingências descobertas pelo encomendante no decorrer do procedimento nem sempre poderão ser utilizadas como justificativa para a recusa ou cancelamento do negócio. Tal decisão. Porém. While letters of intent are relatively common.

produto objeto de patente. Direito Autoral. 143 . observado o disposto nesta Lei. Rio de Janeiro: Forense.143 da Lei nº 9279/1996 prevê as hipóteses em que pode ocorrer a caducidade de um registro de marca: “Art. O cantor comprou os direitos em 1985 e vendeu 50% a gravadora por US$ 100 milhões.O titular será intimado para se manifestar no prazo de 60 (sessenta) dias. M. Tendo em vista que este artigo é voltado eminentemente para os profissionais que atuam na propriedade intelectual. Rio de Janeiro: Forense. 2000. 1983. dentre outros. 1946. 2º. ou II . Sobre o assunto. 31. O Art. que prevê a existência e o reconhecimento dos direitos morais do autor. e cabe ao advogado apenas alertar no relatório que a “due diligence” só abordou alguns assuntos. São Paulo: Revista dos Tribunais. 4ª ed. 25. A batalha judicial entre a Sony Music e o pop star Michael Jackson envolve a retenção de 50% dos direitos de exploração das musicas dos Beatles. João de Gama. A gravadora quer se responsabilizar pelo pagamento do empréstimo e pretende que Jackson transfira sua parte dos direitos. a partir do início do terceiro ano da data do depósito da patente. bem como reconhecer os direitos morais FGV DIREITO RIO 118 . op. DOMINGUEZ. dentre outros. Art. Renovar. 1984 PONTES DE MIRANDA. Civ. conferido pelo Art. prazos legais que envolvem o registro de marca. Alguns livros que podem proporcionar uma visão mais detalhada sobre estes assuntos. Tratado Da Propriedade Industrial. esboços e obras plásticas concernentes à engenharia e arquitetura) Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI (programas de computador). José O. A Propriedade Industrial. tal como constante do certificado de registro. 42 da Lei nº 9. com ou sem letras). deve ser respeitada. Âmbito de proteção à marca registrada. O catálogo dos Beatles é avaliado em US$ 598 milhões. Cit. incluem: CERQUEIRA. na data do requerimento: I . Marcas e expressões de propaganda. Na AP. 84 da mesma Lei nº 9. fotográficas). Rio de Janeiro: Forense. vender ou importar com estes propósitos: I . ou se. 17. usar.CONTRATOs Em EsPÉCIE claro. o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou a Cia Cervejaria Brahma a pagar vultuosa indenização aos herdeiros do criador de seu logotipo. II . 1998.” 24. No Brasil. decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão. recomendamos MARTINS. O prazo de validade de uma patente é de 20 anos da data do depósito. que demanda o pagamento de retribuição anual. O Brasil adota sistema baseado no “Droit d’auteur”. 22.610/1998: São incumbidos para procederem ao registro das obras intelectuais os seguintes órgãos ainda existentes: Fundação Biblioteca Nacional (obras literárias em geral). Ed.o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos consecutivos. DI BLASI.processo ou produto obtido diretamente por processo patenteado. cabendo-lhe o ônus de provar o uso da marca ou justificar seu desuso por razões legítimas. 27.279/1996: “A patente confere ao seu titular o direito de impedir terceiro.” 30. O regime de proteção à propriedade intelectual de programa de computador é o conferido às obras literárias pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no País.Não ocorrerá caducidade se o titular justificar o desuso da marca por razões legítimas. Tratado de Direito Privado. Existem vários critérios e metodologias para medir o valor econômico-financeiro e o valor intangível de uma marca. nº 3118/1992. Parágrafo 2º . L. PARENTE & SORENSEN GARCIA. pediu que a Sony fosse avalista de um empréstimo de US$ 200 milhões que levantou dando como garantia os 50% restantes. Arquitetura e Agronomia (projetos. a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse se. em vigor por força da Lei nº 9. não iremos detalhar aspectos gerais do direito patentário. de produzir. no mesmo prazo.” 26. OLIVEIRA.279. Sobre o assunto ver ASCENSAO. Rio de Janeiro: Lumen Juris. Lei nº 9609/1998: “Art. 1997. 40 da Lei nº 9279/1996. Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (obras de desenho. Douglas Gabriel. v.o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil.988/1973. Parágrafo 1º . a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original. A previsão de pagamento das anuidades pelo depositante do pedido ou o titular da patente estão previstas pelo Art. Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (composições musicais. conforme instruções da encomendante. Na época. sem o seu consentimento. o registro das obras intelectuais é regulamentado pelo artigo 17.Caducará o registro. Propriedade Industrial. 28. colocar à venda. 23. 29.. Conselho Federal de Engenharia. parágrafos 1º e 2º da Lei nº 5.

por exemplo. 211. Distribuição de software. “Direito Autoral”.inpi.). econômica jurídica e comercial.silveiraadvogados. O inteiro teor de referida decisão pode ser encontrado em DA VEIGA. em especial o código-fonte comentado. 11. 35. tais como: Legitimar remessas de divisas ao exterior. FGV DIREITO RIO 119 . Licença de uso de software sem o fornecimento de documentação completa. Prestação de Serviços de Assistência Técnica e Científica. por meio de “help-desk”. Serviços realizados no exterior sem a presença de técnicos da empresa brasileira e. Franquia. Esplanada. Afinal. SILVEIRA. João Marcos.br/pjs. como pagamento pela tecnologia negociada – dedutibilidade fiscal para a empresa receptora da tecnologia pelos pagamentos contratuais efetuados – para produzir efeitos em relação a terceiros. Aquisição de cópia única de software.) Beneficiamento de produtos. Serviços de manutenção de software sem a vinda de técnicos ao Brasil. O contrato deve ser avaliado e averbado pelo INPI para que gere determinados efeitos econômicos no território nacional. Alguns contratos são dispensados de averbação por caracterizarem transferência de tecnologia. A importância de uma análise jurídica destes contratos não pode ser deixada de lado. autores da letra de “Stairway to Heaven”.rt (visitado em 01 de maio de 2002). da Lei no 9279/1996: Agenciamento de compras. 2000. tarefas administrativas relacionadas à liberação alfandegária etc. ed. imortalizada pelo conjunto Led Zeppelin: “There’s a sign on the wall but she wants to be sure And you know sometimes words have two meanings. 32. nos termos do Art. prestados. parafraseando Robert Page e Jimmy Plant.” (grifos nossos) 34.. Os requisitos e procedimentos para a averbação podem ser encontrados em www. 33. “A Proteção Jurídica dos Segredos Industriais e de Negócio”. Serviços de “marketing.CONTRATOs Em EsPÉCIE de sua criação.br.adv. que não gerem quaisquer documentos e/ou relatórios. 3a.gov. Rosiane (org. da Lei no 9609/1998.141. conforme Art. visando a exportação Consultoria na área financeira. p. Fornecimento de Tecnologia. Homologação e certificação de qualidade de produtos brasileiros. Ed. incluindo serviços de logística (suporte ao embarque. Contratos que objetivam a Exploração de Patentes: o Uso de Marcas. disponível em http://www.

Ele disse que pagou a dívida.17. 814 a 817 da Lei nº 10. biblioGrafia CoMPleMentar GLITZ. Direito Civil: Contratos em Espécie.vol.406/2002. Frederico Eduardo Zenedin. 3. 1. 2002. 1. SEguRO. Por isso não foi surpresa quando este nos procurou para contar que. Quais foram? FGV DIREITO RIO 120 . 483 a 490. vol. Acesso em: 06 ago. ouvimos boatos de que Jeremias era um inveterado jogador. vol 3. mas que depois conversando com um amigo ficou sabendo que dívida de jogo é inexigível.5. PEREIRA. Direito Civil. Jeremias diz que saiu do jogo um tanto atordoado por ter perdido aquela boa quantia em dinheiro e acabou batendo com o carro e dando perda total. Caso Gerador Durante a diligência.1. Obrigações do Segurador. Silvio de Salvo.3.17. São Paulo: Ed.4.406/2002. III. 369 a 407.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.17. eMentário de teMas Introdução. Rio de Janeiro: Forense. havia jogado pôquer na casa de um conhecido e que perdeu naquela noite aproximadamente um milhão de reais. nº 59.uol. Introdução – Seguro.17.17. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. págs. out. Disponível em: <http://jus2. A seguradora não está querendo pagar a indenização alegando que Jeremias não efetuou o pagamento das três últimas parcelas do prêmio. Arts. São Paulo: Ed. Como você aconselha Jeremias? E se Jeremias lhe contasse que descobriu que o jogo foi roubado? Jeremias pergunta se o mútuo que ele havia tomado na véspera para jogar também seria inexigível e se ele poderia deixar de pagar ao mutuante.17. 329 a 348. AulAS 18 E 19: JOgO E APOSTA. Classificação – Seguro.Contratos. 2002. 1.com. Sendo assim. VENOSA. ano 6. págs. 2005 . 1. Caio Mário da Silva. biblioGrafia obriGatória Arts. Espécies de Jogo e Efeitos. 2005. 757 a 802 da Lei nº 10. Silvio.406/2002. roteiro de aula a) introdução O jogo e a aposta estão dispostos entre as várias espécies de contratos previstos na Lei n° 10. Para piorar a situação. na semana passada. págs.br/doutrina/texto. Atlas. Instituições de Direito Civil . 1. ele quer pedir seu dinheiro de volta. mas eles podem ser considerados como contrato? O novo Código Civil trouxe duas alterações significativas na disciplina do jogo e da aposta. Saraiva. Contornos atuais do contrato de seguro. RODRIGUES. Obrigações do Segurado. Elementos do Contrato de Seguro. Jus Navigandi. Teresina.asp?id=3261>. 2006 (em anexo).2.

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b) espécies de jogos e efeitos Proibidos – São os jogos de azar31, como a roleta, o bicho, aposta sobre corrida de cavalos fora de hipódromos, briga de galo. Tendo em vista que são ilícitos não geram direitos e sujeitam o infrator a punição. Tolerados – São aqueles que o resultado não depende preponderantemente da sorte, como o truco, a canastra, o pôquer. Embora não sejam contravenções penais, não são protegidos pela lei uma vez que não há interesse social em proteger relações que não passam de “divertimento sem utilidade”32, exceto se forem eivados de vícios, como dolo, que mereçam repressão. Autorizados – São aqueles que trazem algum benefício à Sociedade, seja por estimularem o espírito esportista (competições esportivas) ou atividades econômicas (turfe), seja por gerarem outra fonte de renda ao Estado (loterias). Nesse caso, as obrigações oriundas de jogo ou aposta são exigíveis. Apenas os jogos e apostas autorizados perdem o caráter ilícito e dão causa à exigibilidade da prestação. C) seguro – introdução O seguro é regulado pela Lei n° 10.406/2002 e por diversas leis esparsas, que regulam minuciosamente os tipos de seguro. Em nossas aulas daremos ênfase às regras previstas no novo Código Civil. d) Classificação – seguro O contrato de seguro é: – Bilateral – gera obrigações para ambas as partes. – Oneroso – requer desembolso patrimonial para segurado e para o segurador. – De adesão – ao segurado não é dada opção de alterar as cláusulas do contrato. O segurado pode aceitar ou não as cláusulas impostas na apólice de seguro. Aplicam-se, dessa forma, as regras previstas nos artigos 423 e 424 da Lei n° 10.406/2002, que protegem os aderentes. e) elementos do Contrato de seguro Os elementos do contrato de seguro são: – Segurador – Somente pode ser segurador entidade legalmente autorizada para esse fim. O Decreto-Lei nº 2.063/1940 estabelece algumas exigências para que a entidade possa atuar como seguradora. Exemplo: capital mínimo, nacionalidade dos sócios, autorização governamental. – Segurado – É o contratante. Ele paga o prêmio ao segurador para transferir a este o risco. – Risco – O objeto do contrato de seguro é o risco. Dessa forma, a Lei n° 10.406/2002 prevê uma multa (dobro do prêmio recebido) a ser paga pelo segurador que expedir apólice de seguro mesmo sabendo que não é possível o risco que se pretende cobrir. O objetivo do legislador é tentar coibir essa prática. Afinal, se não há risco, não há contrato de seguro. Nos seguros privados, é possível estipular a espécie ou combinação de espécies de seguro.

Definição de jogo de azar está no artigo 50, parágrafo 3° da Lei de Contravenções Penais: “O jogo em que o ganho e a perda dependem exclusiva ou principalmente da sorte”.
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PEREIRA, Caio mário da silva. Instituições de Direito Civil - Contratos. Rio de Janeiro: Forense, 2005 - vol. III, pág. 488.
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– Prêmio – É a prestação devida pelo segurado ao segurador para que este assuma os riscos do segurado e pague indenização em caso de sinistro. – Apólice – Assim como o instrumento do mandato é a procuração, o instrumento do seguro é a apólice. A apólice deve conter os requisitos previstos no art. 760 da Lei n° 10.406/2002, tais como os riscos cobertos e o prêmio devido. As apólices podem ser nominativas, à ordem ou ao portador. A lei veda que a apólice de seguro de pessoas seja ao portador. f) obrigações do segurado O segurado tem obrigação de: – veracidade – A declaração falsa ou omissão de informações pode levar o segurador a fixar prêmio diverso do que fixaria ou até mesmo a aceitar seguro que normalmente não aceitaria se tivesse acesso a todas as informações. – pagar o prêmio. – não agravar os riscos do contrato – se o segurado passa a se comportar de forma diferente da que vinha se comportando, que resulte em um aumento de seus riscos, ele está, de certa forma, alterando unilateralmente o contrato, pois estará sujeitando o segurador a riscos distintos dos previstos no momento da celebração do contrato. – comunicar ao segurador qualquer fato que possa aumentar o risco do bem sob pena de perder o direito à garantia (art. 769 da Lei n° 10.406/2002). Analisando os contratos de seguro contra danos do supermercado, notamos que cada um dos estabelecimentos onde o supermercado funciona, foi segurado por duas seguradoras diferentes. Ao ser perguntada sobre esse fato, a senhora Maria Lúcia nos explica que seu pai estava tão preocupado em evitar prejuízos decorrentes de eventual sinistro, que resolveu segurar duplamente os estabelecimentos. Você vê algum problema nessa situação? G) obrigações do segurador A principal obrigação do segurador é pagar ao segurado os prejuízos decorrentes de sinistro sobre o bem segurado.

Contornos atuais do contrato de seguro frederico eduardo Zenedin Glitz As inovações em matéria securitária sempre são questões candentes. A reconhecida complexidade do tema é elemento que acentua, ainda mais, a importância da análise do tratamento jurisprudencial e doutrinário dispensado ao assunto. Os recentes pronunciamentos dos Tribunais Superiores demonstram cada vez mais a preocupação em se “socializar” o contrato de seguro e atribuir-lhe uma função social. Também contribuirá para essa “nova” adequação do instituto, a recente aprovação do novo Código Civil (Lei 10.406/2002). Esta posição, aliás, está consignada expressamente na exposição de motivos, quando se deixa clara a intenção de preservar o segurado, sem com isso abrir mão da segurança e certeza jurídicas essenciais ao contrato de seguro. O novo Código incorpora a idéia de cláusulas gerais que introduzem princípios orientadores de condutas, abandonando a pretensão de total regulamentação e oportunizando maior liberdade ao intérprete da lei..
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O novo Código Civil traz, ainda, outras inovações em matéria securitária. O legislador previu, por exemplo, a possibilidade de prova da relação contratual por meio de apólice, do bilhete de seguro ou, ainda, por “outro documento” na falta de algum desses (art. 758). No que tange aos riscos, o novo Código Civil estabelece que a agravação do risco por ato intencional do segurado implica na perda da garantia (art. 768). Entretanto se essa agravação se der por fato alheio a sua vontade, o segurado possui prazo para comunicar o evento a seguradora, sob pena de perda da garantia (art. 769). Possibilita-se, então, a readequação dos negócios às novas circunstâncias, mantendo-se o equilíbrio do contrato. Caso haja diminuição considerável do risco, assegura-se ao segurado o direito de revisão do prêmio ou a resolução do contrato (art. 770). Essas inovações refletem uma preocupação do legislador na manutenção do equilíbrio contratual. Pode-se afirmar, aliás, que esta é uma tendência geral no novo Código Civil, principalmente com a positivação dos institutos da lesão (art. 157), do estado de perigo (art. 156) e da revisão do contrato por excessiva onerosidade (art. 478). A jurisprudência também vem reconhecendo a necessidade de manutenção base econômica do contrato. Recentemente, no entanto, o Superior Tribunal de Justiça entendeu que a seguradora deve indenizar o segurado ainda que parte do prêmio não tenha sido pago (1), uma vez que a cláusula de cancelamento automático da apólice é nula em face do Código de Defesa do Consumidor, isso porque a resolução do contrato deveria ser requerida previamente em Juízo. Tal entendimento baseou-se no argumento de que a rescisão unilateral criaria uma excessiva desvantagem ao segurado, ou seja, o equilíbrio contratual estaria quebrado. Essa posição, aliás, inova em relação a tradicional jurisprudência e o disposto no art. 763 do novo Código Civil, que reafirmam a regra de que não há direito a indenização se o segurado estiver em mora no pagamento do prêmio. Talvez uma boa solução para o dilema seja a permissão a purgação da mora mesmo após o sinistro quando for o caso de cumprimento substancial do contrato (apesar de o Código expressamente prever que a purgação da mora deve ser anterior ao sinistro). Outro recente posicionamento do Superior Tribunal de Justiça é em relação ao prazo prescricional para o segurado demandar a seguradora. Este, segundo o atual entendimento, só passa a ser contado a partir da recusa formal ao pagamento da indenização (2). Este prazo é mantido pelo novo Código Civil, que estabelece em seu art. 206 que o prazo é contado para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que é citado para responder à ação de indenização proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que a este indeniza, com a anuência do segurador. Para os demais seguros, o prazo corre da ciência do fato gerador da pretensão. O novo Código Civil também incorpora inovações jurisprudenciais, tal como o reconhecimento da possibilidade de denunciação à lide ao segurador pelo segurado. Ou, ainda, a proibição expressa de o segurado reconhecer sua responsabilidade (confessar ou transigir com o terceiro prejudicado) sem a anuência da seguradora (art. 787, §2º). Em se tratando do seguro de responsabilidade civil o novo Código Civil previu, expressamente, a obrigação (normalmente tida como contratual) de que o segurado avise a seguradora do sinistro ocorrido (art. 787, §1º), bem como da ação intentada contra sua pessoa (art. 787, §3º). Prevê também a responsabilidade do segurado frente ao terceiro no caso de insolvência do segurador (art. 787, §4º). Previu a responsabilidade da seguradora, nos seguros de responsabilidade legalmente obrigatórios, de indenizar diretamente ao terceiro prejudicado (art. 788). E, ainda, a necessidade da seguradora promover a citação do segurado para integrar a lide quando demandada em ação direta pela vítima do dano (não podendo, simplesmente, opor a exceção de contrato não cumprido pelo segurado - art. 784, § único). Mas talvez a inovação que crie mais impacto nesta carteira ainda incipiente no Brasil, é a alteração do prazo prescricional para a ação indenizatória. O prazo anteriormente de 20 (vinte) anos foi reduzido para 03
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vez que quanto maior o prazo maior o risco. contado da data em que se conhece o dano (e não de sua ocorrência . 202. moralidade.386. reflete uma nova visão acerca do contrato.art. Recurso Especial 323416/RO.CONTRATOs Em EsPÉCIE (três) (art. bem como o enunciado da Súmula 229/STJ: “O pedido do pagamento de indenização à seguradora suspende o prazo de prescrição até que o segurado tenha ciência da decisão. e quanto maior o risco mais caro é o seguro. QUARTA TURMA do STJ 2. I). Sendo que a interrupção da prescrição passa a se dar com o despacho do juiz determinando a citação (mesmo que incompetente . A começar pela própria técnica superada das grandes codificações. p. §1º. Recurso Especial 132357 /RJ e Recurso Especial 236034/ RJ. lealdade e equilíbrio contratual. Recurso Especial 323186/SP (2001/0053944-4). Todas essas inovações legislativas e jurisprudenciais pretendem solucionar dilemas constantes enfrentados pelos operadores jurídicos que atuam no setor. notas 1. Neste sentido. §3º. impondo o respeito a sua função social e a obediência aos princípios da boa-fé.” 3. 206. Tal modificação poderá representar uma redução significativa do valor do prêmio.art. pelo menos. pode não engendrar grandes alterações paradigmáticas (e por certo possui muitas imperfeições (3)). mas. DJ 04/02/2002. 206. Relator Min BARROS MONTEIRO. O novo Código Civil entrará em vigor apenas em 2003. FGV DIREITO RIO 124 . V). II).

caso o devedor não o faça. Saraiva. A Fiança na Música. de responder pelo cumprimento de obrigação se faltar o devedor principal”33. Caso Gerador O Sr. São Paulo: Ed.vol. roteiro de aula a) introdução A fiança é uma espécie de garantia. 283 a 305.406/2002. III. 1. A fiança pode ser: – convencional – resulta da vontade das partes. 2005 . eMentário de teMas Introdução. conversando com sua irmã. que se compromete a cumprir a obrigação. págs. Garantia pessoal ou fidejussória “consiste apenas na segurança que. da fiança. Efeitos da Fiança. SIQUEIRA. que Olavo e o banco recentemente aditaram o contrato para aumentar o valor do empréstimo e. Para piorar. Ocorre. Caio Mário da Silva. Em outras palavras. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. 818 a 839 da Lei n. Deocleciano Torrieri (Org.18. págs. móvel ou imóvel. biblioGrafia CoMPleMentar PEREIRA.18. Dicionário Técnico Jurídico. 10. A fiança é garantia pessoal. Odin Heiro novamente nos procura apreensivo com uma questão pessoal. 2001.18. 493 a 504. que servirá como garantia do cumprimento de determinada obrigação. vol 3. por exemplo.18. São Paulo: Rideel. 2002. 33 FGV DIREITO RIO 125 . Dessa vez. Extinção da Fiança. Silvio.5. individualmente.2.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Ele descobriu que seu cunhado ficou desempregado e deixou de pagar algumas parcelas do empréstimo. Garantia real é aquela que recai sobre um bem. AulAS 20 E 21: fIANçA. tomou com o banco. 1.).18.1.3. Luiz Eduardo Alves de. BiBliografia oBrigatória Arts. 1. Como você pode orientá-lo? 1. Direito Civil. RODRIGUES. A garantia pode ser real ou pessoal. 1. alguém presta. conseqüentemente. Instituições de Direito Civil . ele nos conta que entrou como fiador em um empréstimo que seu cunhado. Rio de Janeiro: Forense.18. Olavo. Classificação. descobriu. a garantia pessoal é aquela dada por um terceiro. na hipoteca e no penhor. GUIMARÃES.4.Contratos.

desconfiando da sua capacidade de pagar. caso a Guloseima Ltda. Nesses casos. Em outras palavras. Notamos ainda que o contrato não foi assinado pelo marido de dona Teresa. segundo o qual o Supermercado Pechincha alugava uma parte de um dos supermercados à confeitaria Guloseimas Ltda. O fiador não tem direito ao benefício de ordem se: (i) renunciar expressamente ao mesmo. ela só gera obrigações do fiador para com o credor. que estabeleceu a igualdade jurídica dos cônjuges. A fiança pode ser contratada no mesmo contrato da obrigação principal ou em contrato em separado. Maria Lúcia acabou aceitando ser sua fiadora. – Solene – A lei impõe forma escrita para a validade da fiança. objeto do contrato principal. garantindo o pagamento do aluguel. qual é a conseqüência de não tê-la? C) efeitos da fiança Podemos notar a existência de duas relações distintas no contrato de fiança: uma entre fiador e credor e outra entre fiador e devedor. O credor tem o direito de exigir do fiador o pagamento da dívida garantida. que pode ser um mútuo. ou devedor solidário. encontramos um contrato de locação. que o fiador queira receber remuneração em troca da garantia que oferece. que é ajustada por meio de contrato. Na diligência legal. – Gratuito – Em regra. Conforme já havíamos sido informados. assina o contrato na qualidade de fiadora. – Unilateral – Uma vez contratada a fiança. brasileira. que cada fiador reserve apenas uma parte da dívida como de sua responsabilidade. a fiança é contrato gratuito. a fiança é onerosa. locação. a fiança não pode ser mais onerosa que a dívida principal. seja primeiramente executado o devedor. Jeremias perdeu uma boa quantia em dinheiro e agora Maria Lúcia estava preocupada de ser executada porque assinou um instrumento no qual se dizia fiadora da dívida de Jeremias. Notamos que o contrato de locação prevê que a senhora Teresa Assunção. É possível. ponsáveis pela dívida (art. casada e proprietária da Guloseimas Ltda. porém. FGV DIREITO RIO 126 . Maria Lúcia nos contou que estava aborrecida porque na semana passada. (ii) se obrigar como principal pagador. mas sem perder seu caráter acessório. até a contestação da lide. que sejam suficientes para pagar a dívida. a presunção legal é a de que são solidariamente resfiador. exigiram um fiador. o fiador deverá indicar bens do devedor. porém. localizados no mesmo muncípio e que estejam livres e desembaraçados.. Se isto ocorrer. É o que ocorre na fiança bancária. Por ser acessória. b) Classificação A fiança é contrato: – Acessório – A fiança visa assegurar o cumprimento de outra obrigação.. não efetue o pagamento em dia. Esse direito pode ter algumas limitações: – Benefício de ordem – O fiador tem o direito ao benefício de ordem. na qual o banco garante a obrigação em troca de um percentual sobre o montante garantido. Jeremias tem o péssimo hábito de jogar pôquer por dinheiro. os parceiros de pôquer de Jeremias. A lei permite. Há algum problema nesse fato? Mesmo após a promulgação da Constituição Federal.CONTRATOs Em EsPÉCIE – legal – resulta de lei – judicial – resulta de imposição do juiz. ele pode exigir que. a fiança não será nula.406/2002).. Depois de ser pressionada por Jeremias. apenas será reduzido o montante da fiança até o valor da obrigação principal. Para se valer desse benefício. A fiança a ser analisada nesta aula é a fiança convencional. 829 da Lei n° 10. Como sempre. – Benefício da divisão – Havendo mais de um fiador. ou (iii) o devedor for insolvente ou falido. dona Teresa precisaria de autorização do marido para prestar fiança? Sendo a autorização necessária.

406/2002). a fiança pode ser extinta pelo fiador. passando. por evicção. que ficará liberado de sua obrigação 60 dias após a notificação ao credor para esse fim.. mentira Me atirei assim de trampolim Fui até o fim. sarapatel e lua de mel em Salvador. na perda de direitos que o fiador teria caso efetuasse o pagamento da dívida. Luiz Eduardo Alves de. em regra.CONTRATOs Em EsPÉCIE A relação entre o fiador e o devedor só passa a existir se o fiador é obrigado a efetuar o pagamento da dívida. o bem aceito em pagamento. mentira Fui muito fiel. um contrato intuitu personae. do genial Chico Buarque. ôôôô Passava um verão a água e pão Dava o meu quinhão pro grande amor. quando o credor renuncia seu direito à hipoteca ou a direito de retenção. d) extinção da fiança Sendo a fiança. e) a fiança na Música O Direito é incrível mesmo! Podemos encontrá-lo em todos os cantos. Veja abaixo a letra de “Samba do Grande Amor”. Ainda que o credor venha a perder. implicando assim. (Dicionário Técnico Jurídico. comprei anel Botei no papel o grande amor. 832 e 833 da Lei n° 10. um amador. não sou mais um sonhador Chego a mudar de calçada quando aparece uma flor E dou risada do grande amor. a fiança não será restaurada. se não resultarem apenas de incapacidade pessoal. sem o consentimento do fiador. Deocleciano Torrieri (Org. SIQUEIRA. ôôôô “moratória – dilação de prazo que se concede ao devedor para pagar a dívida depois de vencida. A fiança também é extinta se: – o credor conceder moratória34 ao devedor. perdas e danos que pagar ao credor e perdas e danos que vier a sofrer em razão da fiança (art. por exemplo. – o fiador opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as extintivas da obrigafiador ção. Ocorre. ôôôô Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito Exijo respeito. (. 2001) 34 FGV DIREITO RIO 127 .)”. – o credor aceitar receber em pagamento bem diverso do que foi originalmente ajustado. GUIMARÃES. mentira Reservei hotel.. mentira Eu botava a mão no fogo então Com meu coração de fiador. a morte do fiador extingue a fiança? Não havendo prazo determinado previsto no contrato. inclusive na música. a ter o direito de exigir do devedor o reembolso do valor por ele. – o credor tornar impossível a sub-rogação nos seus direitos e preferências.). São Paulo: Rideel. assim. acrescido de juros. Que motivo teria o autor para fazer menção à fiança nesse grande samba? samba do grande Amor Chico Buarque Tinha cá prá mim que agora sim Eu vivia enfim o grande amor.

Sim. b. Prova: 27º Exame de Ordem . do Código Civil. que não estabeleceu o benefício de divisão com Mário. pois ele não é o devedor principal. porque sendo ele o executado. executado por Marco Antonio. ôôô 1. onde figurava como locatário seu amigo Armando Amaro gomes.6. pretende Olavo alegar o benefício de ordem. pagou o débito na sua totalidade. Executado pela dívida de seu afiançado.CONTRATOs Em EsPÉCIE Fui rezar na Sé prá São José Que eu levava fé no grande amor. questões de ConCurso (Prova: 01º Exame de Ordem .18. é de se supor que seu afiançado não tenha bens suficiente para responder pela execução. c. bancário. casado e com 21 anos de idade. Pode Crasso. cobrar de Mário metade do que pagou a Marco Antonio? FGV DIREITO RIO 128 .Crasso e Mário se obrigaram solidariamente como fiadores de Pompeu. não tendo bens para serem executados. Crasso. porque ele se obrigou como principal pagador. que não cumpriu a obrigação de pagar o preço ajustado. Tal alegação é procedente? a. Como Pompeu não pagou o débito no vencimento. Não. mentira Fiz promessa até prá Oxumaré Que subir a pé o redentor.2ª fase PROVA DISCURSIVA 4 .Sim. d. num contrato em que o credor é Marco Antonio. obrigou-se como fiador e principal pagador num contrato de locação. Sim. pois no caso há solidariedade passiva. sem terem estabelecido o beneficio de divisão previsto no artigo 829.1ª fase) Olavo Bento de souza.

asp?id=3951>. RODRIGUES. de modo que.307/1996. 64. Na época do pagamento do mútuo. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Comente a situação.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. biblioGrafia obriGatória Arts. com. págs. Após muita discussão.19.uol.3. o Supermercado Pechincha emprestou dinheiro a um de seus fornecedores. Direito Civil. em troca da tranqüilidade que não tem”35. o novo Código Civil incluiu a transação no rol dos contratos. o supermercado quer cobrar o valor do mútuo do fiador. A transação é a “composição a que recorrem as partes para evitar os riscos da demanda ou para liquidar pleitos em que se encontram envolvidas.4.19. 2002. Compromisso. mas sim como um dos modos de extinção das obrigações. AulA 22: TRANSAçãO. Saraiva. 365 a 383. Direito Civil. decidem abrir mão. de algumas vantagens potenciais. Jus Navigandi. 1.19. Acesso em: 15 ago. 1. Lidio Francisco. Silvio. Atendendo a algumas críticas doutrinárias. n. pág. 1. 840 a 853 da Lei n° 10. COmPROmISSO. ano 7.1. Teresina. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. RODRIGUEs. abr. o supermercado e o fornecedor chegaram a um acordo e assinaram um termo de transação. 2003. Lei n° 9. vol 3. 1. eMentário de teMas Transação. Saraiva.19. Da convenção de arbitragem e seus efeitos. as partes divergiram quanto ao valor a ser pago e aos juros incidentes no período. Disponível em: <http://jus2. São Paulo: Ed.2.19. receosas de tudo perder ou das delongas da lide.5. 2006 (em anexo). Silvio. 2002. São Paulo: Ed.406/2002. 366. que estava passando por um período financeiramente delicado.19. Caso Gerador Embora não fosse de costume. biblioGrafia CoMPleMentar BENEDETTI JUNIOR. vol 3. 1. Tendo em vista que o devedor não vem efetuando os pagamentos pactuados no instrumento de transação. reciprocamente. 35 FGV DIREITO RIO 129 . roteiro de aula a) transação O Código Civil de 1916 não tratava a transação como contrato.br/doutrina/texto.

quando for admitido em lei. 36 FGV DIREITO RIO 130 . a procuração deve conter poderes especiais e expressos para transigir. 841 da Lei n° 10. admite pena convencional36.406/2002. 848 da Lei n° 10. ambas as partes devem abrir mão de algo para alcançar a segurança desejada. Notamos que o compromisso foi assinado por um procurador do revendedor e pedimos para analisar o teor da procuração que foi outorgada. A procuração continha poderes específicos para transigir. o cliente poderia levar mercadorias do supermercado em valor total equivalente a R$ 200.406/2002. Princípios que decorrem da natureza jurídica da transação: (i) Indivisibilidade – De acordo com o art. (iii) Assim como os demais contratos. a transação só pode ter por objeto direitos patrimoniais de caráter privado. ou por instrumento particular. b) Compromisso O compromisso também entrou para o rol dos contratos com a edição da Lei n° 10.406/2002). independentes entre si.00. apesar de achar que o supermercado sairia vitorioso da disputa judicial. nula será esta”. assinado pelas partes e homologado pelo juiz. A lei abranda essa regra ao dispor no parágrafo único desse artigo que “quando a transação versar sobre diversos direitos contestados. “sendo nula qualquer das cláusulas da transação. o supermercado resolveu assinar um termo de transação com o cliente. Recebemos cópia de um termo de compromisso celebrado entre o supermercado e um revendedor. (ii) Interpretação restritiva – A transação não pode ser alterada por analogia ou ser utilizada para casos que não estejam expressamente refletidos no instrumento de transação (art. a existência do processo em si seria uma propaganda negativa para o supermercado. Elementos da Transação – Divergência entre as partes e a vontade de terminar com ela – as partes podem estar discutindo em juízo ou em vias de fazê-lo.406/2002. o fato de não prevalecer em relação a um não prejudicará os demais”. Maria Lúcia descobriu que o processo já havia terminado com sentença favorável ao supermercado. Vale lembrar que. Você concorda com o legislador que entendeu que o compromisso é um contrato? Assim como na transação. Não podem ser objeto de compromisso questões de estado. Maria Lúcia lhe conta que um cliente entrou com um processo contra o Supermercado Pechincha pedindo perdas e danos por ter sido mal atendido no supermercado.406/2002.CONTRATOs Em EsPÉCIE A transação é contrato bilateral e solene. – Objeto da transação – Conforme art. em troca de desistir da ação judicial. Ora. E agora? – Acordo entre as partes com concessões recíprocas – na transação. 408 a 416 da Lei n° 10. Sendo assim. após a assinatura do termo de transação. de acordo com o parágrafo primeiro do artigo 661 da Lei n° 10. Ocorre que. Assim. A transação para extinguir processo judicial em curso deve ser feita por escritura pública ou termo assinado nos autos.406/2002. nas obrigações que a lei assim o exigir. de direito pessoal de família. só é possível compromisso que envolva direito patrimonial. segundo o qual. entre outras. a transação que não versar sobre objeto de disputa judicial deve ser feita por escritura pública. Isso é suficiente? Arts. 843 da Lei n° 10.

CONTRATOs Em EsPÉCIE Distinção entre compromisso e cláusula compromissória O compromisso é contrato perfeito e acabado. no Brasil. também. Há que se considerar. também. de 1824. que a questão da constitucionalidade levantada no Supremo Tribunal Federal encontra-se superada. pois está intrinsecamente relacionada com a livre e voluntária vontade das partes em se submeter à arbitragem. Qual é a vantagem de se escolher o juízo privado. por exemplo. contribuir e divulgar as vantagens que a justiça alternativa proporciona: como ser mais rápida e menos onerosa do que a Justiça Comum. e. para resolver impasses ou conflitos surgidos num relacionamento pessoal ou negocial. contemplada no Código Civil Brasileiro (2). que a Arbitragem não se desenvolveu. através da cláusula compromissória. comportamento decorrente da cultura e tradição reinante em nosso país. em detrimento ao Poder Judiciário. as barreiras legais que causavam insegurança jurídica para as partes contratantes foram revogadas. introdução Este trabalho não consiste num aprofundamento sobre o tema específico. uma parte desistisse de celebrar o compromisso arbitral. devido à insegurança jurídica que o sistema transmitia às partes. posteriormente. a nova Lei de Arbitragem é considerada um instrumento privado alternativo para solução de conflitos ou. geraria para a outra parte apenas o direito a perdas e danos. capaz de garantir segurança jurídica às partes que voluntariamente vierem a instituir a cláusula compromissória em seus contratos. com esse simples estudo. as partes comprometem-se a submeter eventual pendência à decisão do juízo arbitral. desde a primeira Constituição (1) brasileira. mesmo que o compromisso de arbitragem contivesse a cláusula “sem recurso” as partes poderiam recorrer ao tribunal superior. esse sistema encontrava-se estagnado.307. Assim. Ademais. posteriormente. Hoje. entendia-se anteriormente que. como instrumento eficaz para solução de controvérsias consolida-se FGV DIREITO RIO 131 . com a promulgação da Lei de Arbitragem. “um meio paraestatal de solução de conflitos” (3). a Arbitragem. isto é. de 23 de setembro de 1996. Contudo. até a promulgação da nova Lei de Arbitragem. Ressalta-se que a arbitragem já estava presente em nosso ordenamento jurídico. de 23 de setembro de 1996. no que diz respeito à convenção de arbitragem e seus efeitos. Por meio da cláusula compromissória. como ensina ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. Há que se ressaltar. Entretanto. como a arbitragem. mas simples tentativa de análise da Lei de 9. uma vez que. não acompanhou a evolução dos tempos. ao invés do juízo público? biblioGrafia CoMPleMentar Da convenção de arbitragem e seus efeitos lidio francisco benedetti junior advogado em são Paulo sinopse Nosso estudo trata da convenção de arbitragem. espero compartilhar as idéias e. Tem força vinculativa e obriga as partes a submeterem determinada questão ao julgamento de árbitros. Assim. ainda.307. que abrange a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. A temática proposta assume especial relevância. em 1996. embora as partes tivessem acordado de instituírem o juízo arbitral. em setembro de 1996. de 1916. de acordo com a Lei 9. Já a cláusula compromissória diz respeito a litígio futuro e incerto.

fortaleceu o instituo da arbitragem no Brasil. Entretanto. pontifica que “o Principio da Autonomia da Vontade é a mola propulsora da arbitragem em todos os seus quadrantes. a respeito da convenção de arbitragem. no seguinte sentido: “A convenção de arbitragem é a fonte ordinária do direito processual arbitral. 1. nos artigos 851 a 853.2o). possa se julgar a validade. 2o. De acordo com o artigo 4o. admitindo a nova lei o compromisso e a cláusula compromissória para resolver divergências mediante o juízo arbitral. SELMA MARIA FERREIRA LEMES. de comum acordo. Assim. no que pertine à forma de indicação dos árbitros (art. dispondo da jurisdição estatal comum. a Lei de Arbitragem torna-se um instrumento seguro. Da Cláusula Compromissória A cláusula compromissória. a convenção de arbitragem abrange tanto a cláusula compromissória como o compromisso arbitral Assim. se a decisão será de direito ou por eqüidade (art. Ao passo que. 1o). alternativo ao Poder Judiciário. que o novo Código Civil. ou não. nesse estudo a identificaremos apenas como cláusula compromissória. livres e voluntariamente. Inciso III e 23). Com efeito.307/96. ou através do compromisso arbitral. resolvem que o impasse será resolvido pela Arbitragem. também. o ilustre Relator MINISTRO MAURICIO CORRÊA.307/96. eleger a arbitragem institucional (art. para que. a cláusula compromissória ou cláusula arbitral. convencionam que se ocorrer qualquer impasse ou controvérsia a questão será resolvida pelo procedimento arbitral em detrimento ao Poder Judiciário. desde a faculdade de as partes em um negócio envolvendo direitos patrimoniais disponíveis disporem quanto a esta via opcional de conflitos (art. podem resolver suas controvérsias. até como será desenvolvido o procedimento arbitral. para aqueles que procuram rapidez e Justiça na solução do conflito. da lei 9307/96. como já mencionado. a ilustre Advogada e Membro da Comissão Relatora do Projeto de Lei sobre Arbitragem. contratada anteriormente ao eventual conflito. 11. seja no próprio contrato ou em um adendo. as partes. FGV DIREITO RIO 132 . manifestou-se.13). com o mesmo consentimento que encontra em outros países. como também é conhecida.” (6) Concluindo que: “O objetivo do princípio da autonomia do pacto arbitral é salvar a cláusula compromissória. espontaneamente. essa cláusula deve ser estipulada por escrito pelas partes. Japão e países da Europa. cabe frisar que. devem firmar. do contrato arbitrável. nasce antes do surgimento do conflito. em virtude dela. ainda. ao prolatar seu voto. espécie destinada à solução privada dos conflitos de interesses e que tem por fundamento maior a autonomia da vontade das partes. A respeito da autonomia da vontade das partes. cabe esclarecer que. através da cláusula compromissória.1. como cláusula arbitral.406/2002.” (7). o compromisso arbitral surge apenas quando o conflito já se instaurou e as partes. relativamente a tal contrato. uma convenção de arbitragem. Em recente julgamento. Cabe frisar. cláusula compromissória é “a convenção através da qual as partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir. conforme é a definição dada pela Lei de Arbitragem. DRA. desde que não viole os bons costumes e a ordem pública (art. Estas. como afirmamos acima.”. seja material ou formal. é conhecida.CONTRATOs Em EsPÉCIE no Brasil. submetendo-se ao juízo arbitral. as partes envolvidas em algum negócio pessoal ou negocial. que é firmado quando surge a controvérsia. prazo para o árbitro proferir a sentença arbitral (arts.” (5). §§ 1o e 2o). Lei 10. 1. entretanto.2. nos termos do artigo 3o da Lei nº 9.5o). optam em submeter os litígios existentes ou que venham a surgir nas relações negociais à decisão de um árbitro. da Convenção de arbitragem e seus efeitos 1. como Estados Unidos da América. conforme adotado pela lei 9. Da Convenção de Arbitragem Por intermédio da convenção de arbitragem (4). artigo 3o. Para tanto. isto é. relativas a direito patrimonial disponível.

as partes ao acordarem sobre a cláusula compromissória. Nesse sentido. Tanto que nos contratos de adesão requer-se destaque e a assinatura especial na cláusula compromissória e. em conseqüência. (9). cuja intenção do legislador foi dar maior segurança às partes que. Nesse sentido.2. e a nulidade deste não implica a nulidade daquela. essa distinção “é importante principalmente nos casos em que uma das partes se recuse a. em existindo o conflito. o conflito venha a ser dirimido pelo juízo arbitral. Assim é que. a celebrarem o compromisso arbitral.3. oriunda do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte: “a lei brasileira sobre o tema exige clara manifestação escrita das partes quanto à opção pela jurisdição arbitral (Lei 9.2. ao proferir seu voto em sentença estrangeira contestada nº 6. tudo o que ali tenha sido estipulado será obrigatoriamente observado pelo juiz ao proferir a sentença do processo a que se refere o artigo 7o. Assim. chama-se cheia a cláusula compromissória quando já contém todos os elementos necessários à instauração do processo arbitral (13). ensina ALEXANDRE FREITAS CÂMARA que a cláusula compromissória é “um contrato preliminar.2.753-7.. celebrar o compromisso arbitral. 4o e 5o). implícita e remissiva. comprometem-se. distinguir a cláusula compromissória vazia da cláusula compromissória cheia. conclui-se que a cláusula compromissória é o primeiro acordo de vontade das partes. FGV DIREITO RIO 133 . Espécies da Cláusula Compromissória A respeito da cláusula compromissória é de grande relevância. também. a cláusula compromissória é independente do contrato negocial.” (8). Isto porque sendo cheia a cláusula compromissória. Segundo as melhores doutrinas. substituindo no contrato a clássica cláusula que designa o Foro Judicial. se obrigam a submeter-se à decisão do juízo arbitral. 1.. uma promessa de celebrar o contrato definitivo. Esclarece.CONTRATOs Em EsPÉCIE O texto da lei é claro ao conceituar a cláusula compromissória.2.1. por essa razão a Lei exige a manifestação de vontade das partes ao aderirem à cláusula compromissória. surgindo o conflito estão as partes obrigadas.” (14) 1. Assim. ainda. No contrato de adesão. é peculiar da cláusula compromissória a autonomia. é necessário trazer a luz deste estudo. para que. preventivamente. especialmente para essa cláusula. numa possível e futura controvérsia. havendo a recusa de qualquer uma das partes em celebrar o compromisso. artigos 3o.”. que é o compromisso arbitral. que essa promessa gera a obrigação de celebrar o compromisso arbitral. seja no próprio contrato negocial ou em outro documento aditivo. segundo o ilustre professor WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO a cláusula compromissória (pacto de compromittendo) “constitui apenas parte acessória do contrato constitutivo da obrigação. as chamadas cláusulas vazias são àquelas que não contemplam os elementos mínimos necessários para instituição da arbitragem (12). Força obrigatória da Cláusula Compromissária De acordo com o artigo 8o da Lei de Arbitragem. uma vez acordada. a respeito de qualquer dúvida emergente na execução do contrato. acordaram pela instituição do juízo arbitral. ou seja. se posicionou o eminente MINISTRO MAURÍCIO CORREA. Ou seja. a definição da melhor doutrina. surgindo o conflito. a instaurar o compromisso arbitral.307/96. como manifestação de sua vontade em instituir o compromisso arbitral.” (11) 1. Da autonomia de vontade e forma escrita A cláusula compromissória deve ser estipulada por escrito. Isto é. até pela sua excepcionalidade. todavia. a cláusula compromissória só terá validade se a mesma estiver em negrito e conter a assinatura. Segundo ensina ALEXANDRE DE FREITAS CÂMARA. da Lei de Arbitragem. enquanto que. livre e voluntariamente. nos ajustes remissivos não se dispensa que as partes reportem-se expressamente à opção. por força da cláusula compromissória. convenção de arbitragem tácita. é a cláusula pela qual as partes. Não se admite. ela obriga às partes a resolver o conflito através do Juízo Arbitral. do aderente. Esse é o entendimento da Lei (10). Importante salientar que. sob pena de ser declarada nula. Entretanto.

da Lei de Arbitragem. é celebrado após o surgimento da controvérsia entre as partes. e ocorre quando a cláusula compromissória já existe. A primeira hipótese vem estabelecida no artigo 7o. (15) Ademais. da Lei de Arbitragem. como uma segunda espécie da convenção de arbitragem. FGV DIREITO RIO 134 . mas as partes. Ou seja. Do Compromisso Arbitral O Compromisso arbitral. assinado por duas testemunhas. também. (16) É nesta peça inicial que as partes. a instituição da cláusula compromissória. lavrando-se então o compromisso arbitral. (iii) quando tiver expirado o prazo fixado no compromisso e o árbitro. que não seria aceito substituto em caso de falecimento ou impossibilidade do árbitro proferir seu voto.2 – Da extinção do Compromisso Arbitral O compromisso arbitral extingue-se nas hipóteses do artigo 12. Esse compromisso. Ademais. em litígio na justiça comum. pode ser judicial ou extrajudicial. decidem optar pela arbitragem. e as partes terem deliberado que não seria aceito substituto. Ocorre quando as partes. a sentença judicial valerá como o compromisso arbitral. 1.3.1. (ii) quando. de comum acordo.307/96. fazendo com que a outra parte ingresse com um processo judicial requerendo o cumprimento da declaração de vontade instituída no contrato (cláusula compromissória). (i) quando qualquer árbitro recusar-se. ressalte-se que. do artigo 7o. A segunda hipótese é tratada pelo §1o do artigo 9o. Conclui-se. conforme artigo 9o. o compromisso arbitral. 1. obrigatoriamente. Do Compromisso Arbitral judicial e extrajudicial O compromisso arbitral. é a primeira peça onde constam as regras que irão reger o processo arbitral. Ou ainda. que é de submeter o conflito à apreciação de um árbitro. que tratam das cláusulas obrigatórias e facultativas do compromisso arbitral. diferente da cláusula compromissória. em favor da arbitragem. mesmo sem ter combinado. não apresente sua decisão. pode ser lavrado por escritura pública ou por documento particular. da Lei de Arbitragem. do artigo 9o. Esse é o entendimento do § 7o. anteriormente. que submetem esta à decisão de um árbitro. 1. manifestando a vontade de solucionar o conflito através da arbitragem. que o compromisso arbitral é a convenção em que. Este compromisso é lavrado quando não foi instituída a cláusula compromissória e.3.3. embora notificado a respeito do prazo de 10 dias para apresentar a sentença arbitral. (17) A – Do Compromisso Arbitral Judicial De acordo com a Lei de Arbitragem há duas hipóteses de compromisso arbitral celebrado em juízo. sendo procedente o pedido de instauração do procedimento arbitral. As partes. B – Compromisso Arbitral Extrajudicial O compromisso arbitral extrajudicial vem regulado no § 2o. também. o compromisso é o ato instituidor do juízo arbitral. decidem que o conflito existente será submetido à decisão de um árbitro. antes de aceita a nomeação. uma das partes impõe resistência para se lavrar o compromisso arbitral.CONTRATOs Em EsPÉCIE gera para a outra parte o direito de recorrer à Justiça comum para ver garantido a instauração do procedimento arbitral. deliberado. desistem do processo judicial e lavram o compromisso arbitral. portanto. §§ 1o ao 7o. não existe demanda ajuizada. ou seja. devendo para tanto. criteriosamente. porém. de acordo com a lei. as partes interessadas em resolver a controvérsia existente. definem todos os aspectos que serão observados no processo arbitral. da lei de arbitragem. serem observadas as regras dos artigos 10 e 11 da Lei 9. voluntariamente. surgindo o conflito entre as partes esse deveria ser solucionado pela arbitragem. renunciam à solução no Judiciário.

hoje. 3o. AASP/Revista do Advogado nº 51. se assim o convencionarem as mesmas Partes. vale transcrever aqui os ensinamentos do ilustre professor VICENTE RÁO. instituto utilizado por vários paises. em nosso ordenamento jurídico. “era em que o processo jurisdicional fique reservado para aqueles em que nenhuma outra forma de resolução de conflitos foi adequada”. reflete a modernidade do mundo globalizado.” 2. artigos 1. assim entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. se assim for a vontade das partes.307/96.J. traduzem hoje. a sentença arbitral tem o mesmo efeito da sentença judicial tendo. Alexandre Freitas. cumpre salientar que.Sentença Estrangeira Contestada nº 6. de 1o. a conclusão a que se chega. que espontânea e consensualmente optaram por esse sistema privado e alternativo ao judiciário. na perspectiva de ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. – Não cabe recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário. portanto. também. Câmara.Conclusão Diante desse modesto estudo. deixando claro que. iniciando.Tribunal Pleno . Podendo. algumas peculiaridades mais benéficas. de 04/10/2002. uma segurança maior ao instituto da arbitragem no Brasil o que. p. A arbitragem. Acórdão de 13/06/2002. Ementário nº 2085-2. em um adendo.071. ainda. (18) Por fim. anteriormente. uma nova era. D. p. 3. 32. quando então as partes lavram o compromisso prevendo as regras que serão utilizadas no juízo arbitral e. essa cláusula refere-se a um conflito futuro e incerto. sem dúvida alguma. Segurança capaz de garantir as partes. da Lei 9. dos pontos relevantes da convenção de arbitragem – cláusula compromissória e compromisso arbitral –. Selma Maria Ferreira. como se encontra normalizado. – A cláusula compromissória poderá ser acordada no momento judicial do negócio principal ou. 4. não tínhamos em nosso ordenamento jurídico.037 a 1048. – É auto-executável. por ser mais ágil e objetiva na solução dos conflitos que envolvam direito patrimoniais disponíveis. de janeiro de 1996. Lemes. posteriormente. esses conceitos dispostos na Lei nº 9. é de que: – A cláusula compromissória poderá ser utilizada antes de surgir à controvérsia. Ressalta-se que.753-7 – Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte. tais como: Japão e Estados Unidos. Aliás. – O compromisso arbitral retrata o conflito atual e específico. por entender que a Lei de Arbitragem reflete esse pensamento: “Boa só é a norma que traduz uma aspiração ou uma necessidade reveladas. o árbitro regularmente escolhido para solucionar e prolatar a sentença arbitral. no Brasil. art. Essas peculiaridades demonstram a precisão da nossa Lei de Arbitragem. 6. STF . poderão as Partes nomear Juízes Árbitros. afirmar que a arbitragem pode e deve ser utilizada por toda a sociedade brasileira como um instrumento alternativo a Justiça Comum. FGV DIREITO RIO 135 . 9. esta e aquela. Artigo 164 da Constituição Imperial do Brasil – “Nas causas cíveis e nas penais civilmente intentadas. tais como: – É prolatada por um árbitro escolhido livremente pelas partes. Lei nº 3. 5.307 de 1996 – “ As partes interessadas podem submeter a solução de seus litígios ao juízo arbitral mediante convenção de arbitragem. Suas sentenças serão executadas sem recurso. notas 1.CONTRATOs Em EsPÉCIE 2. Princípios e Origens da Lei de Arbitragem. pela consciência social e humana e não a que impõe a prática de doutrinas eivadas de mero logicismo”. a solução de suas controvérsias através do juízo arbitral. Arbitragem – Lei nº 9307/96.

CONTRATOs Em EsPÉCIE 7.” 18. 53. 14. poderá a parte interessada requerer a citação da outra parte para comparecer m juízo. da Lei 9. Ibidem. 7o. Anotação (114) de atualização da obra.307 de 1996 – “Existindo cláusula compromissória e havendo resistência quanto à instituição da arbitragem. designando o juiz audiência especial para tal fim. Câmara. com a assinatura ou visto especialmente para essa cláusula. art. §2o. p. art. 159. Curso de Direito Civil.Tribunal Pleno . Câmara. p. p. Carlos Alberto. art. FGV DIREITO RIO 136 . 33. A Aspectos Atuais da Arbitragem. expressamente.753-7 – Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte. 12. 34. por Ovídio Rocha Barros Sandoval.4. Ibidem. 9.” 16. v. Acórdão de 13/06/2002. 17. a fim de lavrar-se o compromisso. podendo ser judicial ou extrajudicial. p.34 15. p. Alexandre Freitas. 28. Ráo. O Direito e a Vida dos Direitos. Ementário nº 2085-2.307 de 1996 – “Nos contratos de adesão. Arbitragem – Lei nº 9307/96. p. da Lei 9.J. p. desde que por escrito em documento anexo ou em negrito. 319.. 13. Vicente. Carmona. Alexandre Freitas. com a sua instituição. 9o. Alexandre Freitas. Washington de Barros. da Lei 9. 11.Sentença Estrangeira Contestada nº 6. v.2. p. D. 4o.792. Arbitragem no Brasil no terceiro ano de vigência da Lei nº 93047/96. a cláusula compromissória só terá eficácia se o aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar. de 04/10/2002. Câmara. STF . Monteiro. 10.. 8. Arbitragem – Lei nº 9307/96.307 de 1996 – “O compromisso arbitral é a convenção através da qual as partes submetem um litígio à arbitragem de uma ou mais pessoa. Arbitragem – Lei nº 9307/96.

Modalidades.20. (iv) o contrato pode ser rescindido a qualquer tempo pela arrendatária. e os caminhões. Leasing. 2001. troca de peças etc. que servem para realizar pequenas entregas de compras nas redondezas. Direito Civil. Sílvio de Salvo.. Classificação e Características do Contrato. biblioGrafia CoMPleMentar VENOSA.4. os quais podem ser separados em três grandes grupos: os veículos leves. O contrato dos automóveis foi firmado com a Tupinambá Automóveis Arrendamento Mercantil S/A. 1. Partes do Contrato de Leasing e suas Respectivas Obrigações.20. em sua maioria automóveis compactos. 1. São Paulo: Atlas. 2006. MARTINS. Rio de Janeiro: Forense. Fran. Caso Gerador Durante a diligência legal dos Supermercados Pechincha. Rodolfo de Camargo. 571 a 581. eMentário de teMas Introdução e Conceito. Questões Controversas. Identifique quais os principais aspectos de cada contrato. vol. (iii) prazo de vigência de 12 meses.2. foram submetidos à sua análise contratos de “arrendamento mercantil” de veículos da frota do supermercado. biblioGrafia obriGatória Lei n° 6. obrigando-se a manter os veículos em perfeito estado de funcionamento. 1999. bra/A. fundamentais para todo o processo de logística e da distribuição das mercadorias. 3. utilizados pela administração dos supermercados.20.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. MANCUSO. 15. tipo vans.309/96. 1. e (vi) toda a manutenção dos carros deverá ser feita em oficinas mecânicas credenciadas junto à arrendadora. 349468.20. FGV DIREITO RIO 137 . ço financeiro da conhecida montadora nacional. ed. para inserção no seu relatório de diligência legal. (ii) a propriedade dos automóveis é da arrendadora.099/74. págs. Resolução 2. do Conselho Monetário Nacional. que também arcará com os custos da manutenção ordinária. ed. Contratos e Obrigações Comerciais. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. baseado nas informações fornecidas abaixo. e tem como principais caraterísticas: (i) o montante global das contraprestações a serem pagas pela empresa equivalem a 70% do valor de mercado dos carros objeto do leasing. p. 1. AulAS 23 E 24: lEASINg. 6.20.1. (v) o valor da opção de compra no final da vigência do contrato é quase igual ao valor de mercado dos bens arrendados. os utilitários.3.

ao final do prazo contratual. durante os quais a arrendatária pagará prestações mensais.00. 1. pelas empresas e até mesmo pelas pessoas. (ii) um prazo de vigência de cinco anos.. irrevogavelmente. conforme delegação da referida lei. Trata-se de contrato atípico. não se responsabilizando a financeira pelo bom funcionamento e manutenção dos caminhões. Sua regulamentação obedece a dois diplomas específicos: a Lei nº 6. e (v) em caso de inadimplemento da obrigação do pagamento mensal. que. Por fim.000. (iii) ao final do prazo contratual. além da opção de compra. embora seja largamente utilizado no comércio. (iii) o valor unitário da opção de compra de cada bem é de R$12. entre 10% e 5% do seu valor de mercado. Esse contrato prevê que: (i) a arrendatária terá uma opção irrevogável de compra dos bens. a verificação de sua utilização. com vistas a permitir o avanço das atividades econômicas sem necessariamente aumentar o endividamento das empresas. embora trate mais de seus aspectos tributários. sua utilização foi observada a partir da década seguinte.5. e possui como principais cláusulas: (i) todos os custos de manutenção deverão ser arcados pela arrendatária. impôs a criação de normas jurídicas sobre o contrato. e (iv) em caso de inadimplemento da obrigação do pagamento mensal. em função da deterioração normal do bem. aos Supermercados Pechincha.00.099/1974.309.000. sua utilização iniciou-se nos Estados Unidos. reajustáveis ao final de cada ano de vigência. Todavia. o contrato de leasing dos caminhões foi celebrado com a instituição financeira Ideal S/A Arrendamento Mercantil. que efetivamente traz regras sobre os contornos jurídicos do contrato. no mundo dos fatos. ocasião em que a titularidade dos caminhões será transferida. No Brasil. sobretudo na aquisição de veículos automotores. com um pequeno decréscimo no valor das parcelas mensais. valendo o pagamento da última parcela como o exercício da opção. (ii) durante a vigência do contrato.20. sociedade limitada constituída conforme o código civil e cujo objeto social é o de administração de bens móveis próprios ou de terceiros. renomada empresa do ramo. ela terá a opção de renovar o contrato por prazo semelhante. pelo valor unitário de R$3. e a Resolução nº 2. o contrato prevê que esse valor deverá ser diluído nas prestações mensais. e é objeto de pouca regulamentação legal. roteiro de aula a) introdução e Conceito O contrato de leasing também é conhecido no Brasil como arrendamento mercantil. o contrato logo em seu art. do Conselho Monetário Nacional. os Supermercados Pechincha poderão solicitar o aumento da frota inicialmente objeto do contrato. isto é. a arrendadora poderá requerer a busca e apreensão dos bens objeto do contrato. a qual deverá ir ao mercado e adquirir os bens conforme especificados pela cliente. Embora sua origem remonte a épocas mais remotas. de 60 (sessenta) meses. (iv) as parcelas serão mensais e sucessivas. a arrendadora poderá requerer a busca e apreensão dos bens objeto do contrato. notificando a arrendadora previamente. tratou de definir. parágrafo único. 1º. mantidas as demais condições contratuais. e como acontece muito no Direito.CONTRATOs Em EsPÉCIE Os veículos utilitários de médio porte foram objeto de um contrato com a Afro Taboa Administração de Bens Ltda. na década de 1950. FGV DIREITO RIO 138 . ainda que timidamente. reajustadas periodicamente conforme a variação do dólar dos Estados Unidos em relação ao Real. sem previsão legal expressa no código.

Como no mútuo. se inicialmente ele era direcionado às empresas. de certa forma. se tornam arrendatárias em um contrato de leasing. e há quem preferiria chamar essa modalidade contratual de “locação financeira”. hoje. A nomenclatura de “arrendamento mercantil” sofre algumas críticas na doutrina. como a locação. Como na promessa de compra e venda. ed. 571-572. A doutrina o qualifica como uma relação contratual complexa. transfere a posse do bem para o arrendatário. portanto.514/1997 criou a possibilidade de bens imóveis serem objeto de arrendamento mercantil. Contudo. a renovação do contrato ou a compra pelo preço residual conforme estabelecido”. pretendendo utilizar coisa móvel ou imóvel. Muitas vezes é a transferência da posse sua característica mais importante. outras cláusulas que sirvam ao interesse das partes. Tanto é assim que a jurisprudência nacional não aplica às operações de arrendamento mercantil a Súmula 492 do STF. podem ser inseridas no contrato. obriga a transferência da propriedade do bem mediante o pagamento do valor previsto no contrato. encerra o financiamento do valor global do bem. que não se enquadra. v. corresponde ao leasing no direito brasileiro. muitas vezes até sem saber.CONTRATOs Em EsPÉCIE Além dessas normas. embora quem vá comprá-lo seja a arrendadora. a compra e venda. como a locação. não faria sentido qualificá-lo como mercantil. Além disso. cuidado ao ler os textos sobre o tema. com uma única causa jurídica. O que ocorre é que. alugando-o posteriormente a ele por prazo certo. como a modalidade do leasing financeiro é a mais comum. hoje em dia há um sem número de pessoas físicas que. Direito Civil. o mútuo e o mandato. muitas vezes o arrendatário é quem trata da escolha dos bens com o vendedor. Portanto. Lembre-se sempre: o leasing é um contrato excepcional. 3. nem sempre o caráter financeiro é o que sobressai na contratação do leasing. faz com que instituição financeira ou especializada o adquira. e prevê a cobrança de juros. a noção de arrendamento – equivalente. à transferência da posse do bem – encerra apenas um dos aspectos do contrato. O contrato. na forma e no tempo devidos. em nenhuma fórmula desenhada aprioristicamente pelo legislador. atípico. No entanto. contrariando a orientação anterior que restringia essa modalidade contratual aos bens móveis. o fato de ser multifacetado não faz com que ele deixe de constituir um único negócio jurídico. sem dúvida alguma. sílvio de salvo. Uma boa conceituação é fornecida por Silvio Venosa37. como se verá. Suas características serão sempre verificadas no caso concreto. Vale ressaltar que boa parte da doutrina o qualifica como uma modalidade de financiamento ao arrendatário. de acordo com as cláusulas contratuais negociadas entre as partes. 6. Além desses caracteres mais usuais. Todavia. 2006. VENOsA. no âmbito da autonomia privada. Assim. De fato. 37 FGV DIREITO RIO 139 . como veremos adiante. para quem o contrato é aquele “mediante o qual um agente. Como no mandato. facultando-se-lhe a final que opte entre a devolução do bem. atualmente. que cria uma solidariedade entre o locatário e a empresa de locação de automóveis quanto à responsabilidade perante os danos causados a terceiros. p. a designação de “arrendamento mercantil” é largamente utilizada e. composto de elementos de vários contratos típicos. alguns autores tomam a espécie pelo gênero e confundem os contornos dessa modalidade com a do próprio contrato. como no caso da modalidade operacional. são Paulo: Atlas. a Lei nº 9. inclusive na contramão da tendência moderna de unificação do direito privado.

A obrigação fundamental do arrendatário é a de pagar as prestações na forma. (iii) solene. Além disso. Deve constar do seu objeto social. Tem também a obrigação de receber os bens de volta ao fim do prazo. o desenvolvimento dessa atividade. contudo. uma pessoa jurídica. a redação desse dispositivo foi alterada e. Há casos também (sobretudo em contratos relativos a equipamentos de informática) em que a renovação implica em troca dos bens por modelos mais modernos ou mais novos. É também freqüente. conforme determina a Resolução do CMN. (vi) por tempo determinado e de execução sucessiva. em que o arrendador responde somente pela manutenção ordinária e pelo desgaste natural do bem arrendado. pelo menos até o exercício da opção de compra.. pois encerra obrigação para o arrendador (e. principalmente em contratos de leasing financeiro. pelo distrato ou pela falência da arrendadora. FGV DIREITO RIO 140 . pois ambos os contratantes têm ônus aos quais correspondem deveres. Ocorre também pelo inadimplemento. pessoas físicas também podem ser parte num contrato de leasing. conforme a redação original da Lei nº 6. a renovação do prazo do arrendamento ou a devolução do bem. porque o art. ser necessariamente uma instituição financeira.309 impõe a forma escrita ao contrato (instrumento público ou particular) e determina a inserção de determinadas cláusulas no seu corpo. A expressão “arrendamento mercantil” deve constar de sua denominação. no estatuto. 2.099/1974. cada período contando como uma parte da relação contratual. e é exclusiva desse tipo de sociedade.CONTRATOs Em EsPÉCIE b) Classificação e Características do Contrato A doutrina considera o contrato: (i) consensual. quando o arrendatário poderá escolher entre exercer a opção de compra. é necessária a autorização de funcionamento do BACEN. mas em regra gera sua extinção e o direito de o arrendador se reintegrar na posse dos bens arrendados. entretanto. em virtude de sua vigência contínua pelo seu prazo. Não precisa. A obrigação primordial do arrendador é a de entregar o bem para o arrendatário. (iv) oneroso. garantindo a posse mansa e pacífica do seu contratante. somente operacional. ordinariamente. (v) comutativo. Finalmente. pois a própria manifestação de vontade aperfeiçoa o contrato. O arrendatário é aquele que se utiliza do bem. obrigatoriamente. O arrendador. o arrendatário possui a obrigação de devolver a coisa no final do prazo contratual. São duas as partes do contrato de leasing: o arrendador e o arrendatário. Inicialmente. mesmo no caso de leasing operacional. (ii) bilateral. em virtude da liquidez e certeza das prestações. não sendo necessária a entrega da coisa. g. em prontas condições de uso para a finalidade acordada. expressamente. embora mantenha a sua propriedade. respondendo pelos prejuízos que causar ao bem. Todavia. mediante o pagamento do restante da dívida. deve o arrendatário zelar pela conservação dos bens. valor e tempo estipulados no contrato. C) Partes do Contrato de leasing e suas respectivas obrigações. caso não haja nem a renovação do prazo nem o exercício da opção de compra. a existência de cláusula que permita o término antecipado do contrato. A extinção do contrato se dá. caso não haja exercício da opção. hoje. a transferência da posse do bem) e para o arrendatário (o pagamento das parcelas convencionadas). deve necessariamente ser uma sociedade anônima autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil. 7º da Res. pelo fim do seu prazo. Nos dois casos. Seu inadimplemento terá conseqüências diversas conforme o contrato. contanto que não opere com a modalidade financeira. o arrendatário deveria ser.

para a obtenção de capital de giro. também conhecido como puro. ao pagar o preço.880/1994. Do ponto de vista prático. Finalmente. em muitos casos. o leasing financeiro clássico e o lease-back são atividades privativas de instituição financeira. fica com a arrendadora e não com o financiado. já sob a forma de leasing. que transfere a posse dos bens para o arrendatário por um determinado prazo. em que o arrendatário escolhe os bens a serem objeto do arrendamento. Nessa modalidade. competindo às partes originárias concordarem sobre os demais termos do arrendamento.CONTRATOs Em EsPÉCIE Existe. É claro que o leasing financeiro.309). A variação cambial nos contratos é em regra proibida por força do art. especificações técnicas etc. 318 do código civil. mediante cláusula que reajuste o valor das prestações pela cotação da moeda estrangeira. na aquisição de um determinado bem. o exercício da opção de compra é quase uma certeza. a regra é que o vendedor esteja no contrato para garantir prazos de entrega. o valor da opção de compra – conhecido comumente como valor residual garantido ou VRG – é de pequena monta se comparado às prestações. é que o bem não é originalmente de titularidade do arrendador. que imediatamente transfere (fictamente) a posse dele de volta para sua antiga proprietária. existe a modalidade de leasing operacional. Em linhas gerais. sobre os quais incidirão juros e que serão pagos nas prestações periódicas previstas no arrendamento mercantil. se admitia sua pactuação nos contratos de arrendamento mercantil. Por conta dessas características marcantes de intermediação financeira. Nesse caso. esse agente deva contratar um financiamento direto em seu nome junto ao fornecedor ou a um banco (onde as taxas de juros em geral são bem mais altas). sem que. o bem arrendado é originalmente de titularidade do arrendatário que. compra o bem do fornecedor. o operacional e o financeiro. nem mesmo na Resolução nº 2. Nesse caso. sujeitas à regulamentação do Banco Central. obrigando-se ainda a prestar assistência técnica e manutenção nos bens arrendados. vende o bem para a empresa de arrendamento mercantil. pois o bem já era de propriedade da arrendatária. que vai ao mercado adquiri-lo conforme as instruções do arrendatário. o risco da variação cambial pode ser repassado ao arrendatário. outro traço que difere o leasing do financiamento. ao contrário do que ocorre no mútuo bancário comum. Uma subespécie de leasing financeiro é o conhecido como sale lease-back. como a elas é permitida a captação de recursos no exterior para fazer frente às suas operações. mas desde o antigo Decreto-Lei nº 857/1969. é o tradicional. Sua lógica econômica é a de constituir um financiamento para um agente econômico (pessoas ou empresas). d) Modalidades. se a “causa” do contrato é o financiamento.309. O leasing financeiro. não há interveniência da fornecedora original. e foi a partir dele que se desenvolveu originalmente esse tipo de contrato. Nesse caso. Esse tipo de operação não tem previsão legal no nosso ordenamento. Nesses casos. para levantar recursos imediatos. Existem duas espécies – embora a autonomia privada possa criar outras figuras ou até mesmo figuras híbridas – de leasing reconhecidas no direito brasileiro (cf. contudo. que também foi inserida na Lei do Plano Real (Lei nº 8. é um financiamento. ainda em vigor. transfere sua posse ao arrendatário. ao contrário do que ocorre no financeiro. como o fato de que a propriedade do bem. o sale lease-back muito se assemelha ao mútuo. a interveniência do vendedor do bem no contrato de leasing financeiro. na medida em que. As prestações. são relativamente mais altas. pois a arrendatária efetivamente recebe recursos em dinheiro oriundos da venda do bem. em geral o arrendador é o próprio fabricante. a Resolução 2. Assim. 6º). FGV DIREITO RIO 141 . O novo código não alterou essa sistemática.. mas dotado de características próprias. art. ocorre que o arrendatário escolhe o bem e o arrendador. pois remuneram não só o uso da coisa como também o seu custo de aquisição. Geralmente pode ser resilido unilateralmente pelo arrendatário. por si só. imediatamente após. durante a vigência do contrato. Por outro lado. e.

a corte reviu o seu posicionamento. no operacional o traço da locação é mais marcante. e passou a entender que. Esse impacto foi maximizado pelo fato de que. Vide. Parte da doutrina passou a enxergar nesse tipo de ajuste uma compra e venda a prestações disfarçada. embora. como já vimos. o que só faz aumentar a insegurança jurídica no assunto. o entendimento que “a cobrança antecipada do valor residual garantido (VRG) não descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil”. a opção de compra. enquanto o consumidor usufruta do bem. segundo a qual “a cobrança antecipada do valor residual (VRG) descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil. Nesse caso. A primeira delas é a discussão sobre se a diluição do chamado VRG nas demais prestações do contrato descaracteriza o leasing. Com isso. Duas delas. o valor da opção de compra tende a ser expressivo. os contornos próprios do arrendamento mercantil impedem que ele seja caracterizado ou enquadrado como um ou outro. que caracterizaria o contrato. quando a mudança do regime cambial brasileiro fez com que a cotação do dólar dos Estados Unidos praticamente dobrasse em menos de um mês. Essa controvérsia tem grande relevância prática. deveria ser cobrada necessariamente ao final do contrato. o valor residual é aquele correspondente à opção de compra conferida ao arrendatário no final do prazo do contrato.CONTRATOs Em EsPÉCIE Nesse caso. apesar da mudança de entendimento do STJ. a possibilidade de repassar para as prestações a variação de moeda estrangeira em relação à moeda nacional também gerou uma enxurrada de ações judiciais. FGV DIREITO RIO 142 . com o preço sendo financiado pelo vendedor (no caso. no entanto. como visto. quando do último pagamento por parte do arrendatário. como não há o caráter financeiro. sobretudo a partir de janeiro de 1999. transformando-o em compra e venda a prestação”. as empresas passaram a embutir. Posteriormente.230/RS no STJ. O consumidor vai à concessionária. Além disso. e uma sociedade de arrendamento mercantil financia o valor. na corte superior. mas o arrendador não faz jus à retomada do bem. Se no leasing financeiro ressalta-se o caráter do mútuo. nas próprias prestações periódicas. uma parcela do VRG. Vale ressaltar que. embora se diluindo o VRG nas demais prestações. na hipótese de falta de pagamento das prestações acordadas. o valor referente à opção de compra já estaria quitado e. por exemplo. descaracterizando na hipótese o contrato como leasing. alguns tribunais ainda seguem a linha da Súmula 263. existem outras características marcadamente do contrato de leasing que permanecem presentes. atualmente. escolhe o carro. a propriedade do bem era automaticamente transmitida ao arrendatário. com o reflexo correspondente nos contratos de arrendamento mercantil. sobreveio o cancelamento da Súmula 263 e a subseqüente edição da Súmula 293. de modo que. que editou a Súmula 263. o contrato de leasing sempre suscitou questões controversas na jurisprudência nacional. portanto. o julgamento no RESP 237. balizada na melhor doutrina. configurando-se o negócio como compra e venda ou como mútuo. Talvez pela pouca produção legislativa sobre o tema. como numa locação comum. todavia. a compra de automóveis por meio de um leasing financeiro é uma operação corriqueira. e) questões Controversas. a empresa de arrendamento mercantil). Como vimos. descaracterizando o arrendamento nessa hipótese. adquiriram maior relevância no cenário jurídico nos últimos anos. o inadimplemento gera a resolução do contrato em perdas e danos. como a possibilidade de renovação e a manutenção da propriedade do bem com o arrendador. Esse entendimento chegou a ser cristalizado no STJ. No leasing financeiro. pois as prestações em regra equivalem somente ao custo pelo uso do bem. que pacificou. onde o valor da opção é relativamente pequeno. pois a descaracterização do leasing implica no impedimento da propositura de ação de reintegração de posse.

dividindo pela metade o prejuízo decorrente do aumento das prestações do arrendamento mercantil em virtude da mudança de regime cambial e a conseqüente disparada da cotação da moeda estrangeira (e. Posteriormente. da legislação especial.)[não relacionada à matéria]. as empresas de arrendamento mercantil defendiam a liceidade do contrato baseado não só no permissivo legal de variação cambial da Lei nº 8. Alguns juízes afastavam o comando do art. o que. não havendo nenhum tipo de exceção à regra estabelecida no art. Essa discussão se arrastou (e ainda se arrasta) nos tribunais. deveriam ser fulminadas com a nulidade prevista no art. na prática. quando já havia pago 75% das prestações. e quais são elas. Por um lado.. 1. que previa a variação cambial. REsp 727899 / DF). era impossível. um contrato de leasing financeiro em que se previa a cobrança antecipada do valor residual garantido (VRg). g. entre as operações de captação e de financiamento.) [não relacionada à matéria] • o direito do arrendatário à restituição de todas as parcelas pagas ou das parcelas pagas a título de antecipação do VRg. a jurisprudência tenha chegado a uma conclusão definitiva sobre o assunto. conforme permissão legal. • na hipótese de serem pagas todas as prestações pelo arrendatário. as prestações aumentaram vertiginosamente. pois não há uma relação determinada de correspondência.6. com base na legislação vigente. firmou com a empresa Arrendamento mercantil s... portanto. em manifesta desvantagem para o consumidor.. o STJ tem optado por uma solução salomônica. e. pela sua estrutura contratual complexa. sendo assim. 6º da Lei nº 8. por sua vez. • (. A empresa Arrendamento mercantil s. Outros preferiam prestigiar a livre autonomia privada. redija um parecer a respeito da questão. 2º do CDC. como também sob a alegação de que o leasing.880/1994. a empresa Dinamismo s. por não cumprimento do contrato. o que estaria em desacordo com o código de defesa do consumidor. quando for o caso. questões de ConCurso Petrobras – 2003 – Advogado Júnior A empresa Dinamismo s. Os consumidores lesados. manifestando válida e livremente a sua vontade. interpôs ação de reintegração de posse para haver a restituição do bem.. explicando fundamentadamente o seu ponto de vista. contudo. IV. diziam se enquadrar perfeitamente no conceito legal de consumidor. • (. • a hipótese da reintegração de posse proposta pela arrendante. aplicando-se o Código de Defesa do Consumidor. sentindo-se prejudicada com os termos do contrato. em dobro. e. por sua vez.880/1994. com base na idéia de que o arrendador teria que provar que houve captação de recursos em moeda estrangeira especificamente para o contrato daquele consumidor que estava propondo a ação. ao alegar que o arrendatário assinou um contrato – sem a existência de qualquer vício –. não haveria porque esta disposição ser afastada pelo Poder Judiciário. FGV DIREITO RIO 143 . Diante da situação hipotética apresentada acima. pleiteando a perda das quantias pagas pela arrendatária. diante do inadimplemento de mais de três prestações. 51. Todavia. sem que.. sobre o qual incidiam juros de 20% ao ano e juros capitalizados.A. não é contrato de consumo e. seriam abusivas as cláusulas que previam a variação cambial e. parou de efetuar o pagamento e pleiteou judicialmente a anulação do contrato. nas tesourarias bancárias e das instituições de arrendamento.20.A. e abordando especialmente os seguintes aspectos: • se a cobrança antecipada do VRg descaracteriza o leasing.CONTRATOs Em EsPÉCIE Como esses contratos previam a variação cambial.A. que arca com todo o aumento. não se sujeita ao CDC. se este ainda conserva as opções previstas para o término do contrato. por isso.A.

(ii) Lista de contratos que foram objeto da diligência – O aluno deverá incluir em seu relatório não apenas os contratos que foram efetivamente fornecidos em sala de aula.A. Troca ou Permuta.1.21. quando possível. É preciso dar ao cliente. Grana Certa Empreendimentos S. Comissão. Artigo disponível em http://conjur. Seguro.2. Acesso em 04. Fiança.21. Agência. FGV DIREITO RIO 144 . Comodato. (em anexo) 1. Doação. eMentário de teMas Compra e Venda. 1. Beabá das fusões Due Diligence jurídica garante lisura de operações. (iii) Descrição de cada contrato e das questões levantadas durante a diligência que possam ser de interesse ao cliente. Empreitada.. 1. Mútuo.1. uma sugestão para resolvê-los ou mitigá-los.com. Contrato Estimatório. O aluno deverá identificar no relatório os contratos a que teve acesso e os que apenas teve conhecimento. AulA 25: RESulTAdO dA dIlIgêNCIA. Por exemplo: contratos que possam impedir ou dificultar a aquisição do supermercado ou que possam desvalorizar o supermercado no futuro.2006. Consultor jurídico. Prestação de Serviços. Depósito. Vale lembrar que o relatório de diligência da área de contratos deve abranger o maior número de questões que possam vir a afetar a aquisição das quotas do Supermercado Pechincha. assim como questões que possam afetar o funcionamento do supermercado no futuro. Transação e Compromisso.21.3. biblioGrafia obriGatória CARNEIRO. os alunos deverão aproveitar para fazer uma boa revisão da matéria. Locação.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Leasing. destacando os problemas encontrados e. um panorama com a situação atual dos contratos da empresa.ago. Distribuição. Mandato. analisando aula por aula e relembrando os casos e discussões deste semestre. Jogo e Aposta.estadao.21.br/static/ text/38413. mas também aqueles sobre os quais obtiveram informações. trabalHo Hoje os alunos deverão apresentar e discutir em sala de aula o seu relatório da diligência. O relatório deverá conter três partes: (i) Sumário – com a indicação dos pontos que são mais importantes para o cliente. Licença e Cessão da Marca. Ao elaborar o relatório. Maria Neuenschwander Escosteguy.

previdenciário e ambiental. consoante cada caso concreto. Assunto discutido entre os especialistas é a abrangência dos relatórios de due diligence. houve um aumento de 38% no número de fusões e aquisições. está a necessidade de realização das chamadas “due diligences” jurídicas. se não forem bem e previamente dimensionados. Esta situação demonstra que assuntos concorrenciais podem afetar a avaliação dos ativos adquiridos em uma operação de aquisição de controle. identificar problemas a serem resolvidos após a concretização do negócio. dentre outros. As due diligences jurídicas podem ser definidas como procedimentos sistemáticos preventivos de revisão e análise de informações e documentos. ademais. fundos de comércio e dos ativos que as compõem. O volume de informações e documentos manuseados em uma due diligence pode ser tão grande que acaba fazendo com que vários profissionais tenham de se acomodar nas sedes das sociedades envolvidas. foi mesmo na prática empresarial que as due diligences jurídicas se firmaram.CONTRATOs Em EsPÉCIE Beabá das fusões due diligence jurídica garante lisura de operações por Maria neuenschwander escosteguy Carneiro Segundo noticiou a Imprensa. podem até mesmo inviabilizar o projeto empresarial. FGV DIREITO RIO 145 . Alguns autores informam que as due diligences jurídicas teriam surgido a partir do conceito do Direito Romano “diligentia quam suis rebus” (diligência de um cidadão em gerenciar suas coisas). Atrelada a este aumento. comparado ao primeiro semestre de 2004. Nas fusões e aquisições. o potencial de crescimento do negócio. que as due diligences jurídicas devem identificar também passivos decorrentes de potenciais focos de preocupação concorrencial ou mesmo de investigações em curso pelos órgãos de defesa da concorrência. não foram apresentadas provas ao Cade de que a empresa teria continuado a participar da colusão. após a aquisição. Releva esclarecer que a due diligence não existe como figura jurídica autônoma na legislação brasileira. O Cade expôs que a penalidade havia sido imposta à pessoa jurídica e não a seus acionistas e que se o novo sócio entendia-se lesado. A identificação de contingências em momento anterior ao closing da operação favorece a empresa interessada. ou mesmo exigir maiores garantias do vendedor. já que eventuais penalidades aplicadas pela Autoridade Antitruste podem representar a eliminação do ganho naquela aquisição. podendo ser aconselhável em diversos momentos da negociação. poderia buscar a reparação de perdas e danos no Poder Judiciário. permitindo renegociar o preço final. Não menos relevante é a identificação dos passivos tributário. o nível de competição do setor. os quais podem gerar responsabilidades vultosas (imediatas e futuras) e que. Desta forma. Cabe destacar. implicações financeiras. Exemplo disso ocorreu recentemente: o controle de uma das 18 empresas do setor de mineração e britas para a construção civil com atuação na região metropolitana de São Paulo condenadas pelo Cade — Conselho Administrativo de Defesa Econômica por formação de cartel para divisão do mercado havia sido adquirido por um novo sócio e. Contudo. estabelecimentos. o mais adequado é entendê-la como uma metodologia — e não como uma obrigação legal — a ser utilizada opcionalmente pelas partes. Além disso. destinando-se sempre à conclusão sobre a viabilidade da operação. com vistas à apuração dos riscos ínsitos à atividade desenvolvida pelas empresas. as particularidades inerentes às operações podem exigir o trabalho conjunto de profissionais de várias áreas. no primeiro semestre de 2005. determinação de responsabilidades ou outras. garantias a prestar. conceito este que foi sendo trabalhado em decisões dos tribunais norte-americanos. Esta investigação pode abranger aspectos pessoais dos sócios. trabalhista. avaliação dos riscos inerentes. é recomendável uma profunda e pormenorizada investigação em todos os aspectos jurídicos de uma companhia objeto de qualquer modalidade de aquisição. visando à verificação da situação de sociedades.

CONTRATOs Em EsPÉCIE Verifica-se. pois. com muita clareza e com elevado grau de segurança. FGV DIREITO RIO 146 . Revista Consultor Jurídico. capazes de demonstrar. todas as variáveis que merecem ser analisadas antes da conclusão de negócios envolvendo operações de fusões e aquisições de empresas. a importância da adoção de cuidadosos procedimentos de due diligence. 4 de outubro de 2005.

Sendo assim. rescindir e assinar quaisquer contratos em nome do Outorgante.22. para (i) celebrar quaisquer contratos. residente e domiciliado em Brasília. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE QUOTAS GRANA CERTA EMPREENDIMENTOS S/A. Distrito Federal (“Outorgante”) nomeia e constitui como seu bastante procurador. Juntas Comerciais. Secretaria de Estado de Negócios da Fazenda Estadual. prorrogar. fomos chamados para ajudá-lo no closing. órgãos ambientais e órgãos regulatórios. no fechamento do negócio. Esta procuração terá validade de 30 dias após a data de assinatura do mandato. representada na forma de seu estatuto social. o senhor Odin Heiro regateou com o senhor Eduardo Russo o preço das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda. brasileiro. empresário. brasileiro. Municipais e Autárquicas. estipular ou impugnar cláusulas e condições. conforme minuta em anexo. Estaduais. PROCURAÇÃO Pelo presente instrumento particular de mandato. empresário. Fica vedado o substabelecimento dos poderes outorgados por este mandato. brasileiro. casado. Distrito Federal. empresário. Cartórios de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. e EDUARDO RUSSO. Eduardo Russo Relembrando o que aprendemos na aula de mandato. doravante denominada simplesmente “Compradora”. bem como praticar todos os atos necessários ao fiel cumprimento deste mandato.22. Cidade e Estado do Rio de Janeiro. Não tendo certeza de que poderá comparecer pessoalmente ao evento de assinatura do contrato de compra e venda das quotas. celebrar. FGV DIREITO RIO 147 .1. Federais. casado. companhia com sede na Rua ABC. inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101. alterar. inscrita no CNPJ sob o n° 002. brasileiro. O primeiro deles é uma minuta de procuração. residente e domiciliado em Brasília. AulA 26: ClOSINg! 1. Distrito Federal (“Outorgado”). (ii) representar o Outorgante junto às Repartições Públicas. inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202.222/0001-22. EDUARDO RUSSO. portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx. solteiro. residente e domiciliado em Brasília. solteiro. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy. a aquisição das quotas do supermercado seria um bom negócio.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Caso Gerador Após analisar cuidadosamente nosso relatório de due diligence e resolver as questões relacionadas às marcas do Supermercado Pechincha. Ele nos mostrou dois documentos que recebeu do advogado do senhor Eduardo Russo e pediu nossos comentários. mesmo com as questões encontradas na due diligence. foi a minuta do contrato de compra e venda de quotas abaixo. JEREMIAS RUSSO. 2222. portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx. que sugestões você poderia fazer na procuração? E se tivéssemos acesso àquela procuração apenas na data da assinatura do contrato e não pudéssemos fazer sugestões antes do closing? Que providência poderia ser tomada para dar mais segurança ao nosso cliente quanto à assinatura do contrato pelo senhor Jeremias? O outro documento que o senhor Odin Heiro nos deu. o senhor Eduardo Russo pretende outorgar uma procuração a seu filho para que ele o represente. inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101.002. empresário. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy. Cartórios de Protestos de Letras e Títulos. e considerou que. Jeremias Russo. neste ato representado por seu procurador. ou seja.

declara que as Quotas foram regularmente integralizadas e se encontram inteiramente livres e desembaraçadas de ônus. inscrita no CNPJ sob o n° 000..000. CLÁUSULA TERCEIRA – TRANSFERÊNCIA DAS QUOTAS 3. O preço certo. constantes do item 2. Distrito Federal.1.1.1.CONTRATOs Em EsPÉCIE inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202. 4... na qualidade de interveniente-anuente: PECHINCHA COMÉRCIO VAREJISTA LTDA. de acordo com as seguintes cláusulas e condições: CLÁUSULA PRIMEIRA .1 abaixo. mediante a assinatura da competente alteração do contrato social da Sociedade. Distrito Federal.. O Vendedor.00 (duzentos e cinqüenta mil reais) a serem pagos em até 90 dias a contar desta data. Pelo presente Contrato e na melhor forma de direito. sociedade com sede na Quadra XYZ. com todos os respectivos direitos e obrigações..]..] da agência [. CONSIDERANDO QUE: (i) O Vendedor é legítimo possuidor e proprietário de x quotas representativas de 99% (noventa e nove por cento) do capital social da Sociedade (“Quotas”). no exercício de qualquer direito previsto neste Contrato deverá ser interpretado individualmente e não poderá ser considerado como renúncia por FGV DIREITO RIO 148 .].DA COMPRA E VENDA DAS QUOTAS 1.000. ainda. mediante depósito na conta-corrente nº [..000. encargos. justa e contratada a celebração do presente Contrato de Compra e Venda de Quotas (“Contrato”).000.DISPOSIÇÕES GERAIS 4. da totalidade do Preço devido ao Vendedor. O Vendedor e a Compradora (doravante referidos simplesmente como “Partes”) têm. O presente Contrato é celebrado em caráter irrevogável e irretratável e obriga e aproveita às Partes e à Sociedade. doravante denominado simplesmente “Vendedor”. herdeiros..1 acima.. e somente poderá ser alterado por instrumento escrito devidamente assinado por todas as Partes. 2.. o Vendedor outorgará à Compradora.... entre si.000. residente e domiciliado em Brasília. e (b) R$ 250. o pagamento das parcelas que perfazem o Preço.] da agência [. rasa e geral quitação com relação ao valor pago.1. a qualquer título.00 (um milhão de reais) (“Preço”).00 (duzentos e cinqüenta mil reais) pagos neste ato. cessionários e representantes legais.00 (quinhentos mil reais) a serem pagos um ano após esta data.2.. mencionado na Cláusula Segunda. representada na forma de seu contrato social. total e ajustado para a aquisição das Quotas é de R$ 1.002/0001-00. seus sucessores. Uma vez creditado na conta-corrente do Vendedor. CLÁUSULA SEGUNDA . usufrutos ou qualquer outra restrição à posse e/ou a qualquer outro direito inerente a tais Quotas. O não exercício ou atraso por qualquer das Partes e/ou da Sociedade. (c) R$ 500. por meio da entrega pela Compradora ao Vendedor do cheque administrativo nº [.... CLÁUSULA QUARTA . pelo preço certo e ajustado estabelecido na Cláusula 2. e (ii) O Vendedor deseja alienar as Quotas.000..1. e.] do Banco [. a ser pago pela Compradora ao Vendedor da seguinte forma: (a) R$ 250..]. A transferência das Quotas será formalizada no ato do pagamento pela Compradora. Brasília. gravames. o Vendedor cede e transfere. turbações. neste ato.] da agência [.. e que a Compradora deseja adquiri-las.FORMA DE PAGAMENTO 2. 1. mediante depósito na conta-corrente nº [. doravante denominada simplesmente “Sociedade”.2. plena..1. nos termos ajustados pelo presente instrumento. a totalidade de suas Quotas representativas do capital social da Sociedade à Compradora.] do Banco [.] do Banco [.] da conta-corrente nº [.

4. Quaisquer dos endereços constantes do preâmbulo poderão ser alterados. Tendo em vista que somos advogados da compradora: (a) que alterações poderíamos propor na minuta acima? (b) que novas cláusulas poderíamos sugerir? FGV DIREITO RIO 149 . 4. inclusive quaisquer despesas decorrentes de serviços profissionais por ele contratados.5. Fica ajustado entre as Partes que as despesas decorrentes do arquivamento da alteração contratual referida na cláusula 3.7. O presente Contrato ou quaisquer direitos e/ou obrigações dele oriundos não poderão ser cedidos sem o prévio e expresso consentimento das Partes e da Sociedade. Nome: CPF/MF: Grana Certa Empreendimentos S/A 2. do Código de Processo Civil. substituindo todos os acordos. mediante comunicação dada na forma prevista acima.4. E por estarem certas e ajustadas.3. Fica eleito o foro da Comarca do Rio de Janeiro. nos termos do artigo 585.CONTRATOs Em EsPÉCIE qualquer das Partes ou novação de qualquer obrigação contida neste Contrato. e somente produzirá efeitos. 4. 639 e seguintes do Código de Processo Civil.6. 4. para dirimir quaisquer questões oriundas deste Contrato. (ii) por meio de carta registrada. essa disposição será suprimida e não terá nenhuma força e efeito. 4.8. a qualquer tempo. assim como as obrigações de fazer. Testemunhas: 1.1 do presente Contrato será de exclusiva responsabilidade da Compradora. 632. Rio de Janeiro. As Partes declaram e reconhecem que o presente Contrato. as demais disposições serão modificadas para preservar sua exeqüibilidade. anulada ou inexeqüível. Nome: CPF/MF Cabe notar que se trata de minuta bem simples e similar à minuta que analisamos em nossa segunda aula. Eduardo Russo Pechincha Comércio Varejista Ltda. Todas as notificações e comunicações a serem feitas com relação ao presente Contrato serão elaboradas por escrito e serão enviadas para os endereços constantes do preâmbulo deste Contrato (i) por meio de Cartório de Títulos e Documentos. entendimentos e declarações anteriores. 4.9. Toda e qualquer alteração das disposições do presente Contrato somente será válida e exeqüível. O presente Contrato constitui o acordo final. se essa disposição suprimida prejudicar a execução deste Contrato. cabal e exclusivo entre as Partes com relação à compra e venda das Quotas. inciso II. na presença de 02 (duas) testemunhas.8. ou (iii) com outra comprovação inequívoca de recebimento. comportam execução específica. se formalizada mediante instrumento escrito assinado pelas Partes e pela Sociedade. Na hipótese de qualquer disposição ou parte de qualquer disposição deste Contrato ser tida como nula. assinado por 02 (duas) testemunhas. por qualquer motivo. 4. orais ou escritos.10. 4. nos termos dos artigos 461. 4. aqui contidas. Entretanto. a esse respeito. sendo considerada como mero ato de liberalidade. [dia] de novembro de 2006.1. por mais privilegiado que possa ser. entretanto a respectiva comunicação de alteração de endereço só tornarse-á efetiva após o recebimento pela outra Parte e/ou pela Sociedade. conforme o caso. constitui título executivo extrajudicial. à exclusão de qualquer outro. as Partes assinam este Contrato em 03 (três) vias de igual teor e efeito.

Chefe do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação – ITI. Ex-professor de Direitos Autorais da UERJ. Ex-Coordenador de Desenvolvimento Acadêmico do Programa de Pós-Graduação da FGV Direito Rio. Autor do livro “Direitos Autorais na Internet e o Uso de Obras Alheias”. Trabalhou por mais de 5 anos em escritório no Rio de Janeiro. FGV DIREITO RIO 150 . Especialista em Propriedade Intelectual pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio. Doutorando e Mestre em Direito Civil pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ.CONTRATOS EM ESPÉCIE SÉRGIO VIEIRA BRANCO JÚNIOR Professor de direito da graduação e da pós-graduação na FGV DIREITODIREITO RIO. Líder de Projetos do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV DIREITODIREITO RIO. Ex-Procurador. Graduado em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ.

CONTRATOs Em EsPÉCIE FICHA TÉCNICA fundação getulio Vargas carlos ivan simonsen leal presidente fgV direito rio Joaquim falcão diretor fernando penteado VICE-DIRETOR ADmINIsTRATIVO luís fernando schuartz VICE-DIRETOR ACADÊmICO sérgio guerra VICE-DIRETOR DE PÓs-GRADUAÇÃO PROFEssOR COORDENADOR DO PROGRAmA DE CAPACITAÇÃO Em PODER JUDICIÁRIO luiz roberto Ayoub ronaldo lemos COORDENADOR DO CENTRO DE TECNOLOGIA E sOCIEDADE evandro menezes de carvalho rogério barcelos COORDENADOR ACADÊmICO DA GRADUAÇÃO COORDENADOR DE ENsINO DA GRADUAÇÃO tânia rangel COORDENADORA DE mATERIAL DIDÁTICO COORDENADORA DE ATIVIDADEs COmPLEmENTAREs Ana maria barros Vivian barros martins COORDENADORA DE TRABALHO DE CONCLUsÃO DE CURsO COORDENADOREs DO NÚCLEO DE PRÁTICAs JURÍDICAs COORDENADORA DE sECRETARIA DE GRADUAÇÃO COORDENADOR DE FINANÇAs COORDENADORA DE mARKETING EsTRATÉGICO E PLANEJAmENTO lígia fabris e thiago bottino do Amaral Wania torres diogo pinheiro milena brant FGV DIREITO RIO 151 .

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