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Odisseia

Odisseia

Por Homero

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Odisseia

Por Homero

valoraciones:
4.5/5 (140 valoraciones)
Longitud:
423 página
6 horas
Editorial:
Publicado:
Jun 17, 2015
ISBN:
9788531612602
Formato:
Libro

Descripción

Clássico absoluto da literatura universal, Odisseia leva-nos à Grécia de 3.000 anos atrás, às grandiosas aventuras do herói Odisseu, depois da Guerra de Troia. Esta tradução do texto integral da Odisseia foi feita diretamente do grego, em prosa moderna, mas fiel ao espírito e à letra do original, pelo professor Jaime Bruna, da Universidade de São Paulo, que a enriqueceu com uma introdução acerca dos antecedentes históricos do poema e notas explicativas. Uma narrativa em que sentimentos atemporais como arrogância, coragem, lealdade, desejo de vingança, perdão e amor nos inspiram profundos questionamentos sobre a condição humana e como alcançar a paz em meio às atribulações da vida.
Editorial:
Publicado:
Jun 17, 2015
ISBN:
9788531612602
Formato:
Libro

Sobre el autor


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Odisseia - Homero

Créditos

Copyright da edição brasileira © 1968 Editora Pensamento-Cultrix Ltda.

Texto de acordo com as novas regras ortográficas da língua portuguesa.

1ª edição 1968.

2ª edição 2013.

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou usada de qualquer forma ou por qualquer meio, eletrônico ou mecânico, inclusive fotocópias, gravações ou sistema de armazenamento em banco de dados, sem permissão por escrito, exceto nos casos de trechos curtos citados em resenhas críticas ou artigos de revistas.

A Editora Cultrix não se responsabiliza por eventuais mudanças ocorridas nos endereços convencionais ou eletrônicos citados neste livro.

Editor: Adilson Silva Ramachandra

Editora de texto: Denise de C. Rocha Delela

Coordenação editorial: Roseli de S. Ferraz

Produção editorial: Indiara Faria Kayo

Assistente de produção editorial: Estela A. Minas

Revisão: Débora Sandrini

Projeto gráfico e editoração eletrônica: Ponto Inicial Estúdio Gráfico e Editorial

Produção de ebook: S2 Books

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Homero

       Odisseia / Homero ; tradução direta do grego, introdução e notas por Jaime Bruna. -- 2. ed. -- São Paulo : Cultrix, 2013

       ISBN 978-85-316-1224-4

       1. Poesia épica clássica - Grécia Antiga

2. Poesia grega I. Bruna, Jaime. II. Título.

13-05899                              CDD-883.01

Índices para catálogo sistemático:

1. Epopeia : Literatura grega antiga 883.01

2. Poesia épica : Literatura grega antiga 883.01

1ª Edição digital: 2013

e-ISBN: 978-85-316-1260-2

Direitos reservados EDITORA PENSAMENTO-CULTRIX LTDA.,

que se reserva a propriedade literária desta tradução.

Rua Dr. Mário Vicente, 368 - 04270-000 - São Paulo - SP

Fone: (11) 2066-9000 - Fax: (11) 2066-9008

E-mail: atendimento@editoracultrix.com.br

http://www.editoracultrix.com.br

Foi feito o depósito legal.

Índice

Capa

Folha de Rosto

Créditos

Índice

Introdução

Canto I

Canto II

Canto III

Canto IV

Canto V

Canto VI

Canto VII

Canto VIII

Canto IX

Canto X

Canto XI

Canto XII

Canto XIII

Canto XIV

Canto XV

Canto XVI

Canto XVII

Canto XVIII

Canto XIX

Canto XX

Canto XXI

Canto XXII

Canto XXIII

Canto XXIV

Introdução

Os aqueus habitavam a Grécia peninsular e algumas ilhas na idade do bronze, nos últimos séculos do segundo milênio antes de Cristo. Povo invasor, tinham expulsado, reduzido à obediência ou assimilado as populações anteriores. De sua civilização, fortemente influenciada pela da Ilha de Creta, restam, de um lado, ruínas e achados arqueológicos e, de outro, um rico filão de lendas e tradições, onde se opulentou a poesia épica e trágica do milênio seguinte.

Eles destruíram, na Frígia, diante dos Dardanelos, a praça-forte de Troia. Motivou a guerra, segundo a lenda, o rapto de Helena, a mais bela mulher do mundo, esposa de Menelau, rei de Argos, por Páris, príncipe troiano. Os feitos dos guerreiros nessa campanha e os eventos de seu regresso à terra pátria constituíram o tema de um número considerável de epopeias, das quais o tempo somente nos conservou duas, atribuídas pela antiguidade a um aedo chamado Homero, sobre quem nada se sabe com certeza: a Ilíada, que versa episódios da guerra, e a Odisseia, onde se narram as aventuras do mais astuto dos capitães daquela expedição, Odisseu, rei de Ítaca, após a destruição de Troia, até chegar de volta a seu lar.

Essas obras resultam aparentemente da fusão de poemas de autores desconhecidos, realizada, através do tempo, por uma corporação de adedos intitulados Homéridas, isto é, descendentes de Homero, que os transmitiam oralmente de geração a geração. A mais antiga edição escrita de que se tem notícia não foi certamente a primeira que se fez. Foi a determinada, no século VI a.C., por Pisístrato, tirano de Atenas, ou por seu filho e sucessor, Hiparco. Outras edições se fizeram por iniciativa particular ou pública em outros lugares da Grécia em várias ocasiões.

O texto que conhecemos é o que compilaram, expurgando erros e vícios, eruditos de Alexandria, a serviço dos Ptolomeus nos séculos III e II a.C. Está vazado numa mistura de dialetos, tão complexa, que não foi possível àqueles sábios separá-los. Predomina o jônio, com abundantes formas eólias; contudo, devem algumas partes ter sido compostas em dialeto mais antigo, provavelmente o aqueu, visto como numerosos hiatos parecem explicar-se pelo desaparecimento, na transposição para o jônio e o eólio, de semivogais indo-europeias ainda existentes na linguagem da obra original.

O leitor arguto notará inúmeras repetições de epítetos, de hemistíquios, de versos inteiros e mesmo de grupos de versos. Não lhe será difícil inferir daí o caráter popular da composição. Nossos cantores populares, principalmente os cultivadores do gênero desafio, têm à mão a sua coleção de rimas e de versos já prontos, que muito ajudam a improvisação. O mesmo se passava nos poemas homéricos, cujos autores recorrem livremente a um arsenal de fórmulas prontas.

Compreende a Odisseia três poemas distintos pelo assunto, cujo alinhavo se adivinha sob a solidez da costura. Um narra a viagem de Telêmaco em busca de notícias do pai; outro, as peripécias do regresso de Odisseu, espécie de Malazarte mitológico; o terceiro, o extermínio dos moços que, em sua ausência, pretendiam a mão da suposta viúva e, com esse pretexto, lhe iam dilapidando a fortuna.

Conquanto movimente deuses, bruxas, espectros, monstros e outras abusões, a arte da Odisseia é assaz realista na pintura de pessoas, costumes, cenas e lugares; por isso consegue transportar-nos ao reino do maravilhoso. Finda a leitura, como que temos saudades de um mundo onde princesas iam lavar roupa no ribeirão, mendigos comiam à mesa do rei e mesmo um guardador de porcos podia ser divino, e agradecemos aos deuses daquela época, porque, segundo Homero, se eles fiaram a ruína dos homens, foi para proporcionar poemas à posteridade.

J. B.

Canto I

Musa, narra-me as aventuras do herói engenhoso, que, após saquear a sagrada fortaleza de Troia, errou por tantíssimos lugares vendo as cidades e conhecendo o pensamento de tantos povos e, no mar, sofreu tantas angústias no coração, tentando preservar a sua vida e o repatriamento de seus companheiros, sem, contudo, salvá-los, mau grado seu; eles perderam-se por seu próprio desatino; imbecis, devoraram as vacas de Hélio, filho de Hipérion, e ele os privou do dia do regresso. Começa por onde te apraz, deusa, filha de Zeus, e conta-as a nós também.[1]

Já se achavam em sua terra todos os demais[2] que escaparam ao fim abismal, salvos da guerra e do mar; só ele ainda curtia saudades da pátria e da esposa, retido no seio duma gruta pela real ninfa Calipso, augusta deusa, que o cobiçava para marido.

Porém, com o volver dos tempos, chegou, enfim, o ano em que, segundo teceram os deuses, voltaria a seu lar em Ítaca[3], mas nem então se veria livre de lutas, embora entre seus entes queridos. Todos os deuses condoíam-se dele, menos Posêidon[4], cuja cólera só deu quartel ao divinal Odisseu quando ele chegou à sua terra.

Posêidon, porém, partira em visita aos longínquos etíopes, nação cindida em duas nos limites do mundo, uma onde Hipérion se deita, outra onde ele se levanta; fora receber uma hecatombe de touros e carneiros.

Enquanto ele se regalava ali à mesa do banquete, os demais deuses enchiam os salões de Zeus Olímpio. O primeiro a falar entre eles foi o pai dos homens e dos deuses; em seu coração se lembrara do impecável Egisto, morto pelo filho de Agamêmnon, Orestes, de largo renome. Nele pensando, dirigiu aos imortais estas palavras:

— Santos numes! É de ver como os mortais se queixam dos deuses! Atribuem a nós a origem de suas desgraças, quando eles próprios, com sua estultícia, arranjam tribulações a mais de sua sina. Haja vista o caso recente de Egisto; a mais de sua sina, ele desposou a mulher legítima do filho de Atreu e, embora advertido do fim abismal, matou-o quando ele regressou. Nós mandamos Hermes Argeifontes[5], o clarividente, preveni-lo que não o matasse, nem lhe cobiçasse a mulher, porque a vingança do filho de Atreu viria por mão de Orestes, quando chegasse à juventude e sentisse saudades da pátria. Assim o avisou Hermes, mas, com todos os bons intuitos, não o demoveu de seus desígnios e Egisto acaba de pagar duma só vez todos os crimes.

Volveu-lhe, então, Atena, deusa de olhos verde-mar:

— Pai nosso, filho de Crono, supremo senhor, ele bem mereceu a morte que o prostrou; assim pereçam quantos cometem crimes iguais. A mim punge-me o coração a sorte do judicioso Odisseu, o desditoso, que, longe dos seus, há tanto tempo vem penando numa ilha em meio das ondas, onde fica o umbigo do mar. A ilha é selvosa. Tem ali sua morada uma deusa, filha do maligno Atlas, conhecedor das profundezas de todos os mares, que sustenta as longas colunas que mantêm separados a terra e o céu. Sua filha retém o coitado, mau grado os seus lamentos, e continuamente o procura fascinar com palavras ternas e sedutoras, para que se esqueça de Ítaca. Odisseu, porém, ansioso por ao menos lobrigar uma fumaça elevando-se de sua terra, desejaria morrer. Mas tuas entranhas, Olímpio, nem se comovem! Odisseu não conciliou o teu favor imolando-te vítimas junto dos barcos dos argivos nos vastos domínios de Troia? Por que, ó Zeus, tens tanto ódio a Odisseu?[6]

Disse-lhe em resposta Zeus, que as nuvens ajunta:

— Minha filha, que palavras te escaparam à barreira dos dentes! Como pudera eu ainda esquecer o divino Odisseu, que supera os mortais na inteligência e na oferta de vítimas aos deuses imortais, habitantes da vastidão dos céus? Posêidon, que a terra envolve, é quem lhe guarda perene rancor por causa do Ciclope[7], cujo olho ele cegou, o divino Polifemo, que máximo poder tem entre todos os Ciclopes; quem o trouxe ao mundo foi a ninfa Toosa, filha de Fórcis, rei do mar sem messes, após entregar-se a Posêidon no seio duma gruta. Daí para cá, Posêidon, que a terra envolve[8], embora não o mate vem desgarrando Odisseu da terra pátria. Eia, porém, pensemos nós todos aqui em seu regresso, a fim de que ele volte. Posêidon deporá o rancor; não poderá brigar sozinho contra todos os deuses imortais e a despeito deles.

Volveu-lhe, então, Atena, deusa de olhos verde-mar:

— Pai nosso, filho de Crono, supremo senhor, se agora deveras praz aos deuses bem-aventurados que regresse a seu lar o judicioso Odisseu, então aviemos Hermes Argeifontes, nosso mensageiro, à ilha de Ogígia, para comunicar com urgência à ninfa de ricas tranças que decidimos de modo inflexível o regresso do intrépido Odisseu, e assim ele volte. De minha parte, irei a Ítaca, a fim de melhor estimular o seu filho e infundir em sua alma a coragem de convocar uma assembleia dos melenudos aqueus e enxotar a malta de pretendentes, que, sem cessar, abatem incontáveis carneiros e retorcidos bois·de curvos passos. Levá-

-lo-ei a Esparta e a Pilos areenta, a indagar do regresso de seu amado pai, pois talvez ouça notícias, e a conquistar nobre renome na Humanidade.

Assim falou e atou em seus pés as lindas sandálias divinas de ouro, que a transportavam, tanto sobre a água como sobre a terra infinita, com a rapidez do sopro do vento; apanhou a forte lança, de ponta de bronze acerado, pesada, grande e grossa, com que subjuga fileiras de varões guerreiros com quem ela, filha de um pai poderoso, se agasta. Desceu de um salto dos cimos do Olimpo[9] e pousou no país de Ítaca, no vestíbulo de Odisseu, na soleira do pátio; empalmava a lança de bronze, sob a figura dum estrangeiro, Mentes, caudilho dos táfios. Deparou ali os arrogantes pretendentes, que se distraíam jogando gamão diante das portas, sentados sobre couros de bois por eles próprios abatidos. Dos arautos e ativos criados, uns misturavam água ao vinho em crateras[10], enquanto outros, com esburacadas esponjas, limpavam e achegavam as mesas e ainda outros picavam carne abundante.

O primeiro a avistá-la foi Telêmaco, de aspecto divino. Sentado entre os pretendentes, via, em imaginação, o nobre pai chegar um dia, desbaratar os pretendentes pelo solar, impor respeito e reinar em sua casa. Enquanto cismava nisso, sentado entre os pretendentes, avistou Atena; caminhou direito ao vestíbulo, indignado, no íntimo, de que um forasteiro aguardasse longo tempo à porta. Aproximou-se, apertou-lhe a destra, recebeu sua lança de bronze e disse-lhe aladas palavras:

— Salve estrangeiro; sê bem-vindo a esta casa. Quando tiveres provado o nosso jantar, dirás o de que precisas.

Assim disse e indicou-lhe o caminho. Palas Atena seguiu-o. Uma vez entrados na alta mansão, ele levou a lança e encostou-a numa alta coluna, num bem polido lanceiro, onde se alinhavam muitas outras lanças, do intrépido Odisseu, e levou Atena a sentar numa cadeira, que forrou com linho, bela obra de arte; debaixo havia um escabelo para os pés. Para si colocou ao lado um divã marchetado, a distância do grupo dos pretendentes, para que o forasteiro se deleitasse em vez de se aborrecer com um jantar turbulento na companhia de descomedidos; queria, também, interrogá-lo sobre o pai ausente.

Uma serva trouxe água lustral num belo gomil de ouro e despejou-a por sobre uma bacia de prata, para que lavassem as mãos, e achegou-lhes uma mesa polida. A atenciosa despenseira trouxe e serviu o pão e depois pratos numerosos, prodigalizando o que havia; um trinchão trouxe erguidas, travessas de carnes variadas, que lhes pôs diante e junto deles colocou taças de ouro; um arauto constantemente ia e vinha servindo-lhes vinho.

Entraram, então, os soberbos pretendentes e desde logo sentaram em filas de divãs e cadeiras; os arautos despejaram-lhes água nas mãos; escravas acumularam pães em cestas diante deles; moços encheram as crateras de bebida até as bordas e eles levavam as mãos aos acepipes preparados e servidos. Depois de expulsarem de si o desejo de comer e beber, seus corações acharam outros atrativos, o canto e a dança, que são o coroamento dum banquete. Um arauto pôs uma cítara adornada nas mãos de Fêmio, constrangido a cantar para os pretendentes, e ele, então, dedilhou o prelúdio dum belo cantar.

Telêmaco, no entanto, dirigiu-se a Atena de olhos verde-mar, aproximando a cabeça, para não o ouvirem os demais:

— Caro hóspede, ficarás agastado comigo, se eu te disser uma coisa? A eles o que interessa é isso, cítara e canto; muito cômodo, porque devoram impunemente o sustento alheio, de um homem cujos brancos ossos quiçá estejam apodrecendo sob a chuva, jogados em terra firme, se não os está rolando a vaga do mar. Se o avistassem de regresso a Ítaca, orariam todos antes por ter pernas ligeiras do que riqueza de ouros e roupagens. Mas ele, suponho, teve um triste fim e não nos resta nenhum consolo, mesmo quando um homem deste mundo declarasse que ele há de voltar; foi-se o dia de seu regresso. Eia, porém, dize-me uma coisa, falando sem rebuços: quem és? De que lugar no mundo? Onde demoram tua cidade e teus pais? Em que espécie de barco chegaste? como te trouxeram os mareantes a Ítaca? Quem se prezavam eles de ser? Porquanto de modo nenhum acredito que tenhas chegado aqui a pé. Conta-me, também, verazmente, para eu ter certeza, se nos procuras a primeira vez ou se és hóspede de meu pai; a nossa casa têm vindo muitos outros homens, pois ele também travara muitas relações pelo mundo.

Respondendo-lhe, disse Atena, deusa de olhos verde-mar:

— Pois bem, eu te direi isso falando a pura verdade. Prezo-me de ser Mentes, filho do judicioso Anquíalo, e reino sobre os táfios afeitos ao remo. Agora, como vês, aportei aqui com um barco e tripulação, navegando o mar cor de vinho em demanda de povos de línguas estranhas; destino-me a Têmese em busca de cobre e carrego ferro reluzente. Meu barco fundeou junto do campo, longe da cidade, na enseada de Ritro ao pé do selvoso Neio. Prezamo-nos de ser, por nossos pais, mútuos hóspedes de longa data; podes, se queres, ir perguntá-lo ao velho guerreiro Laertes[11]; segundo dizem, já não vem à cidade mas, retirado no campo, sofre provações, acompanhado de velha escrava, que lhe serve comida e bebida, quando se apodera de suas pernas o cansaço de arrastar se galgando o outeiro de sua quinta vinhateira. Agora aqui estou; deveras, haviam-me dito que teu pai estava no país. Os deuses, porém, negam-he o retorno, porquanto o divino Odisseu ainda não morreu em terra; provavelmente ainda vive retido no vasto mar, numa ilha em meio às ondas, guardado por cruéis homens selvagens, que talvez o detenham mau grado seu. No entanto, agora te predirei eu como inspiram a meu coração os imortais e creio que se realizará, conquanto não seja adivinho nem profundo conhecedor do voo das aves. Ele não continuará por muito tempo longe da amada pátria, ainda que o prendam cadeias de ferro; descobrirá meios de regressar, visto que é engenhoso. Eia, porém, dize-me uma coisa, falando sem rebuços. Tu, dessa altura, és realmente filho de Odisseu? Parecem-se extraordinariamente com os dele essa cabeça e esses belos olhos; nós dois estivemos juntos tantas vezes, antes de ele embarcar para Troia, quando os outros mais valentes dos argivos partiram nos côncavos barcos; desde então, nunca mais vi Odisseu; nem ele me viu.

Volveu-lhe, então, o ajuizado Telêmaco:

— Pois bem, estrangeiro, eu te direi isso falando a pura verdade. Diz minha mãe que sou filho dele, mas eu mesmo não sei; ninguém, aliás, sabe de per si sua ascendência. Oxalá fosse eu filho dum homem ditoso que alcançasse a velhice em seus próprios domínios. Todavia, daquele que foi o mais infortunado dos homens mortais, desse dizem que eu venho, já que isso me perguntas.

Respondendo-lhe, disse Atena, deusa de olhos verde-mar:

— Não, os deuses não te designaram uma linhagem sem nome na posteridade, se Penélope te gerou tal qual és. Eia, porém, dize-me uma coisa falando a pura verdade que banquete, que reunião vem a ser esta? que proveito te dá? é patuscada ou são bodas? É de ver que não se trata de festa de escote, tal a insolência e descomedimento com que me parecem regalar-se no solar. A vista de tanta impudência sentiria indignação um homem de siso que os deparasse.

Volveu-lhe, então, o ajuizado Telêmaco:

— Já que me perguntas e queres saber isso, esta casa outrora prometia ser rica e impecável quando aquele homem ainda se achava em sua terra; mas os deuses decidiram de outra maneira em seus nefastos desígnios porque o ocultaram como ninguém no mundo. Pois menor sofrimento seria o meu por sua morte, se, entre seus companheiros, tivesse tombado na terra de Troia, ou entre braços amigos, cessada a lida da guerra. A comunidade aqueia lhe teria erguido um túmulo e ele teria granjeado glória na posteridade para seu filho também. Ao invés as harpias[12] arrebataram-no ingloriamente; ele se foi, sumiu, sem notícias, deixando-me um legado de angústias e gemidos; nem mesmo o posso carpir e lamentar só a ele, pois que os deuses me depararam outras graves tribulações; todos os fidalgos potentados das ilhas, de Dulíquio, de Same e da selvosa Zacinto, e quantos senhoreiam em Ítaca rochosa, todos pretendem a mão de minha mãe e vão consumindo a casa. Ela nem repele as odiosas núpcias, nem é capaz de pôr cobro à situação; eles vão, assim, com seus banquetes, dando cabo de minha casa e não tardarão a liquidar também a minha pessoa.

Indignada, volveu-lhe Palas Atena:

— Santos numes! Muita falta te faz o ausente Odisseu, para deitar mãos aos desfaçados pretendentes! Ah! Se ele chegasse neste instante e parasse à porta de entrada, com o elmo, o escudo e um par de lanças, tal como o vi a primeira vez em nossa casa a beber e folgar, quando voltava da visita a Ilo, filho de Mérmero, em Éfira – pois também lá foi Odisseu num ligeiro barco em busca dum veneno mortífero, com que untar suas setas de ponta de bronze; Ilo não lho deu, por temor dos deuses eternos, mas deu-lho meu pai, por o estimar profundamente. Oxalá como o viu então surpreendesse Odisseu os pretendentes! Achariam todos eles morte pronta e amargas bodas. É coisa que deveras repousa nos joelhos dos deuses se ele há de voltar e tomar vingança em seu palácio ou se não; a ti, porém, exorto a cogitar nos meios de expulsar do solar os pretendentes. Vamos, dá-me ouvidos, atenta em minhas palavras; convoca amanhã uma assembleia dos guerreiros aqueus e dirige a palavra a todos, tomando os deuses por testemunhas. Intima os pretendentes a dispersar-se para suas casas e tua mãe, se seu coração pende para o casamento, a ir de volta para o solar de seu mui poderoso pai; lá prepararão as bodas e exporão copiosos presentes de núpcias, quantos devem acompanhar uma filha dileta. Quanto a ti, farei uma sugestão sábia, se me ouvires; arma um barco de vinte remos, o melhor que puderes, e parte a indagar de teu pai há muito ausente; talvez algum mortal te possa falar dele; talvez ouças a voz do oráculo de Zeus, a principal fonte de informação para a Humanidade. Vai, primeiro, a Pilos e interroga o divino Nestor e daí a Esparta, a casa do louro Menelau, que foi o último dos aqueus de cotas de bronze a chegar. Se, por ventura, ouvires que teu pai está vivo e regressando, então, por mais que te consumam as mágoas, podes suportar mais um ano;·se ouvires, porém, que morreu, que já não vive, então, de volta à querida terra pátria, erige-lhe uma tumba e faze-lhe oferendas fúnebres copiosas, como ele merece, e dá tua mãe a um marido. Mas depois que levares a termo esses pios deveres, cogita, em tua mente e teu coração, em como matar os pretendentes em teu solar, quer pela astúcia, quer em luta aberta. Não deves proceder como criança, pois já não estás nessa idade. Não ouviste contar quanta glória adquiriu em todo o mundo o divino Orestes, quando matou o assassino de seu pai, o patife Egisto, o matador do glorioso Agamêmnon? Sê valoroso também tu, meu caro, pois te vejo tão formoso e crescido, para teres igualmente os louvores da posteridade. Quanto a mim, volto agora ao meu ligeiro barco e a meus companheiros, que, por certo, se aborrecem muito com a minha demora. Tu, cuida de teus interesses e considera os meus conselhos.

Volveu-lhe, então, o ajuizado Telêmaco:

— Forasteiro, esses conselhos tu me dás realmente por bem querer, como um pai a um filho, e não os esquecerei nunca. Mas eia, agora, demora-te, conquanto ansioso por partir, a fim de tomares banho, recreares o coração e então embarcares de alma leve, levando um presente precioso, muito bonito, que seja uma lembrança minha, como costumam dar os hospedeiros aos hóspedes benquistos.

Volveu-lhe, então, Atena, deusa de olhos verde-mar:

— Não me retenhas mais tempo contra o meu desejo de partir; o presente que teu coração te exorta a dar-me, dá-mo quando eu passar na volta, a fim de que o leve para casa; escolhe um bem bonito, que te valha uma retribuição.

Com essas palavras, Atena de olhos verde-mar partiu; alçou o voo, como uma ave, e desapareceu. Deixou-lhe no coração ardor e coragem, com a memória do pai mais viva do que antes. Refletiu sobre ela e seu coração maravilhou-se, porque imaginou tratar-se de um deus. Quando, a seguir, foi ter com os pretendentes, era um homem de aparência divina.

O famoso aedo estava cantando para eles, que o escutavam em silêncio; celebrava o regresso dos aqueus, o triste regresso que lhes deparou Palas Atena. Dos aposentos superiores, a filha de Icário, a sensata Penélope, recolheu no coração o seu canto inspirado e desceu de sua alcova pelas altas escadas. Não vinha só; duas aias a acompanhavam. Quando a divina senhora chegou junto dos pretendentes, deteve-se ao pé do pilar do bem construído salão; mantinha erguidos diante do rosto, preciosos cendais; duas servas devotadas ladeavam-na. Falou, então, em pranto ao divino aedo:

— Fêmio, conheces muitos outros cantares para enlevar os mortais, façanhas de homens e deuses, que os aedos tornam famosas. Canta-lhes um desses, aí sentado, enquanto bebem calados o seu vinho, e deixa – esse cantar doloroso, que sempre me rói no peito o coração, pois sobre mim como sobre ninguém, desceu um pesar inesquecível, tão cara é a pessoa que sem cessar recordo com saudade, meu esposo, de extensa fama na Hélade e em meia Argos.

Volveu-lhe, então, o ajuizado Telêmaco:

— Minha mãe, por que reprovas o leal aedo que nos distrai como lhe dita o coração? A culpa não cabe aos aedos, mas decerto a Zeus, que aos homens estrênuos dá conforme lhe apraz. Nenhum mal vai a que ele cante o triste destino dos dânaos[13]; os homens tanto mais aplaudem um cantar quanto mais novo lhes chega aos ouvidos. Que teu coração e tua alma suportem melhor escutá-lo; Odisseu não foi o único a perder em Troia o dia do regresso; muitos outros varões pereceram. Volta a teus aposentos, ocupa-te de teus misteres, do tear e da roca, e manda tuas servas pôr-se ao trabalho; a palavra de ordem compete a homens, principalmente a mim, pois que a mim cabe a autoridade nesta casa.

Ela, tomada de espanto, voltou a seus aposentos; tinha acolhido em sua alma a sábia ordem do filho. Subiu com as suas aias para os aposentos de cima; em seguida, pôs-se a chorar a Odisseu, o amado esposo, até que Atena de olhos verde-mar lhe esparziu nas pálpebras um doce sono.

Os pretendentes romperam numa algazarra pelas salas escuras; todos rezavam pela graça de deitar a seu lado no leito. Começou, porém, a falar-lhes o ajuizado Telêmaco:

— Pretendentes à mão de minha mãe, que vos comportais com abusiva insolência, por ora folguemos banqueteando-nos, mas sem gritaria, pois belo é escutar um aedo exímio como este, semelhante aos deuses na voz. De manhã, vamos todos à assembleia e sentemo-nos, para que eu vos intime abertamente a ordem de abandonar esta casa. Providenciai outros banquetes, consumindo recursos vossos e passando de casa em casa. Se, porém, vos parece mais vantajoso e agradável que se arruíne impunemente o sustento de um único homem, pilhai-o; eu irei invocar os deuses eternos aos brados; quiçá conceda Zeus que ações punitivas se consumem e então pereçais, inultos, dentro destas paredes.

Assim falou ele. Todos cravaram os dentes nos lábios, admirados de ouvir Telêmaco proferir palavras ousadas. Volveu-lhe, então, Antínoo, filho de Eupites:

— Telêmaco são decerto os próprios deuses quem te ensinam a altear a voz e proferir palavras ousadas. Que jamais o filho de Crono te faça rei de Ítaca em meio ao mar, como te cabe por herança paterna.

Volveu-lhe, então, o ajuizado Telêmaco:

— Talvez, Antínoo, te agastes, com o que vou dizer. Essa herança eu quisera recolher por outorga de Zeus. Ou dizes tu ser essa a pior sorte no mundo? Não, não é mal nenhum reinar; a casa do rei enriquece depressa, sua pessoa desfruta maior respeito. No entanto, existem muitos outros reis aqueus em Ítaca em meio ao mar, moços e velhos; um deles pode lograr o posto, desde que o divino Odisseu está morto, mas serei eu o senhor de nossa casa e dos escravos que o divino Odisseu capturou para mim.

Tornou-lhe, então, Eurímaco, filho de Pólibo:

— Telêmaco, é coisa que deveras repousa nos joelhos dos deuses quem dentre os aqueus reinará em Ítaca em meio ao mar. Tu podes possuir os bens e senhorear em tua casa e não chegue jamais homem que pela violência e contra tua vontade te haja de arrebatar a fortuna enquanto Ítaca for habitada. Desejo, porém, meu bravo, interrogar-te acerca do estrangeiro. De onde veio aquele homem? De que terra se preza de ser? Onde demora sua família e sua terra pátria? Trouxe alguma notícia da vinda de teu pai ou veio aqui cuidar de seus próprios negócios? Quão depressa se levantou e partiu! Nem esperou para conhecer-nos! No entanto, sua aparência não era nada humilde.

Volveu-lhe, então, o ajuizado Telêmaco:

— Eurímaco, por certo não mais se espera que meu pai regresse, nem mais acredito em notícias, se alguma chegar, nem darei crédito a vaticínios, que minha mãe obtiver de adivinho chamado a palácio. Aquele senhor é um hóspede de nossa família, vindo de Tafos; preza-se de ser Mentes, filho do judicioso Anquíalo; ademais, reina sobre os táfios afeitos ao remo.

Assim falou Telêmaco, mas em seu íntimo sabia tratar-se duma deusa imortal. Os pretendentes entregaram-se à dança e ao canto deleitoso, e a divertir-se, enquanto esperavam o anoitecer. Estavam-se divertindo quando chegou o escuro anoitecer e, então, sonolentos, se foram para suas casas.

A alta alcova de Telêmaco erguia-se no belíssimo pátio, num sítio elevado; ali foi ele deitar-se, levando na alma preocupações sem conta. Com ele ia, portando tochas acesas, a fiel Euricleia, filha de Ops e neta de Pisenor. Laertes a comprara um dia com seu dinheiro, ainda rapariga; pagara o valor de vinte bois[14] e respeitava-a tanto como mulher legítima no solar, mas jamais a teve no leito, por temor à cólera da esposa. Era ela quem levava as tochas acesas e quem, dentre as servas, mais queria a Telêmaco e o pajeara quando ele ainda mamava.

Ele abriu as portas da bem construída alcova, sentou-se no leito, despiu a macia túnica e pô-la nas mãos da sábia anciã. Ela dobrou a túnica, alisou-a, pendurou-a num cabide junto à cinzelada cama, passou para fora da alcova, puxou a porta pela aldrava de prata e com a correia fez cair no lugar o ferrolho.

Ali refletiu Telêmaco a noite toda, envolto em velos de ovelha, sobre a viagem de que lhe falara Atena.

Canto II

Mal raiou a filha da manhã, Aurora de róseos dedos, o dileto filho de Odisseu saltou da cama, vestiu a roupa, pendurou ao ombro o gládio acerado, atou nos delicados pés bonitas sandálias e passou para fora da alcova; seu semblante era o de um deus. Ato contínuo, ordenou aos arautos de claro vozeio que convocassem uma assembleia dos melenudos aqueus.

Os arautos convocaram-nos e eles prontamente se reuniram. Quando se achavam reunidos, formando a assembleia, Telêmaco encaminhou-se para a praça, levando na palma sua lança de bronze. Não ia só; dois cães velozes o seguiam. Atena sobre ele derramara uma graça divinal e toda gente à sua chegada olhava-o com espanto. Ele foi sentar-se no lugar de seu pai e os anciãos lhe abriram espaço.

O primeiro a falar entre eles foi Egípcio, guerreiro acurvado pela idade, senhor de sabedoria imensa; fê-lo porque, com o divinal Odisseu, nos côncavos barcos, rumo a Ílio[15] rica em cavalos, partira seu filho, o lanceiro Antifo. A este o selvagem Ciclope[16] matou no seio da caverna; foi o último de que ele fez seu repasto. Egípcio tinha mais três; um deles, Eurínomo, juntara-se aos pretendentes; os dois outros não deixavam o eito de seu pai. No entanto, ele não esquecia o primeiro, pranteando-o e sofrendo. Por ele vertendo lágrimas, falou à assembleia e disse:

— Ouvi-me agora, itacenses, o que tenho para dizer. Não mais se reuniu a nossa assembleia, nem tivemos sessão, desde que o divino Odisseu partiu nos côncavos barcos. Quem nos convoca hoje? Dentre os moços ou dentre os homens idosos, quem tem uma questão tão premente? Terá ouvido, acaso, notícia do regresso do exército[17], que nos possa dar com certeza, por ter sido o primeiro a sabê-la? Ou tem algum outro interesse público, que nos tenha de comunicar e explicar? Espero que seja um homem honrado, com bom proveito. Que Zeus lhe conceda a realização do bem a que em seu íntimo aspire.

Assim falou ele. O filho dileto de Odisseu alegrou-se com o bom augúrio e não se quedou mais tempo sentado; ansioso por falar, ergueu-se no meio da assembleia; o arauto Pisenor, homem de sábios desígnios, colocou-lhe o cetro nas mãos. Então começou a falar, dirigindo-se ao velho:

— Não está longe, ó ancião, como tu mesmo já o saberás, o homem que convocou o povo. Sou eu, a quem mais afeta o pesar. Não ouvi notícia nenhuma do regresso do exército, que vos possa dar com certeza por ter sido o primeiro a sabê-la, nem tenho outro interesse público que vos tenha de comunicar e explicar. Trata-se duma precisão minha particular. Tombou sobre minha casa dobrado flagelo; dum lado, perdi meu nobre genitor, que outrora reinava aqui sobre vós com a brandura dum pai; de outro lado, calamidade ainda maior, que em breve dissipará completamente toda a minha casa e arruinará totalmente o meu sustento. Minha mãe, mau grado seu, tem sido assediada por pretendentes, filhos diletos dos homens mais nobres do país; eles temem ir à casa de Icário, seu pai, para que ele pessoalmente reclame os dons de noivado da filha e a entregue a quem ele quiser, ou seja, a quem lhe ganhe o favor. Em vez disso, frequentam minha casa todos os dias, imolam bois, ovelhas e gordas cabras, banqueteando-se e bebendo estouvadamente o rútilo vinho; toda a riqueza se vai esgotando, porque não assiste ali um homem como era Odisseu, para defender a casa da ruína. Eu não tenho forças suficientes para defendê-la; ao contrário, mostrar-me-ia franzino e não amestrado para a luta. Bem que a defenderia, se tivesse forças para isso; o que eles têm praticado não é de se tolerar mais; minha casa foi dilapidada além de toda decência. Enchei-vos também vós de indignação

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Reseñas

Lo que piensa la gente sobre Odisseia

4.3
140 valoraciones / 140 Reseñas
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Reseñas de lectores

  • (4/5)
    I had attempted to read The Odyssey once before and failed miserably. Since then I've learned just how important the translator is when choosing to read ancient classics. I'm happy that I found a different translation to try which made this a much more enjoyable and engaging read. Given that the story comes from a time of oral tradition I decided to try out the audio book, which I think was the right idea but the wrong narrator for me. More on that below.For anyone who doesn't know, The Odyssey was written by Homer somewhere around 800 BC. The epic poem relates the story of Odysseus and his trials on his return journey home after the Trojan war. For such a simple premise, the scope is vast. It has a little bit of everything (magic, monsters, gods, suitors, shipwrecks, action) and touches on so many themes (violence and the aftermath of war, poverty, wealth, marriage and family, betrayal, yearning for ones home, hospitality) that is is easy to see why this poem is so important and how it has inspired many stories to this day. One of the best and worst parts about this version was the introduction to the poem. The intro goes into great detail about the controversies about the poem's origins and dives deeply into the poem's many themes. This was great for someone who already knows the story and wants to learn more before getting into Odysseus's tale. For those that don't like spoilers, it's best if you skip the introduction and read/listen to it after you're done with the poem. Fair warning for audio book listeners - the introduction is roughly 3.5 hours long and I was definitely getting impatient to hear the poem long before it was done.I listened to the audio book narrated by Claire Danes. This has really driven home that I need to listen to a sample of the narrator before choosing my audio books. Claire does an adequate job when reading the descriptive paragraphs but just didn't work for me when it came to dialog. All her characters, male and female, sounded the same and were a bit over done so it was a challenge to keep who was speaking apart. She is going on my avoid list for future audio books.
  • (5/5)
    The Odyssey is well worth reading not only to experience a story that has so heavily influenced Western literature, but also because, as appalling of a hero as Odysseus may be, it's a fun story. In all its extravagance, it set the standard for epic adventures.I cannot recommend Emily Wilson's translation enough. It is beautiful and fluid. She maintains a poetic rhythm yet the language is modern and clear. It's worth the extra time to read it out loud so you can truly savor the language for both its flow and the way it captures the sentiments of the characters.For those with several Odysseys under their belt, I would still recommend this version, if for no other reason than to read her introduction. Her analysis of the story is brilliant.
  • (5/5)
    One of the single greatest books, EVER. Written.!!! !!! !!!

    #paganism_101
  • (5/5)
    Wilson's translation of the Odyssey is excellent, but the real value is her introductory material and notes, including the three maps of the world of The Odyssey and of the actual classical Greek world. As for the translation, my Greek is not adequate to comment but it reads very well, lively and yet true to the Homeric conventions. The pace is brisker than that of the archaic translations I have previously read, and more like contemporary English than some of the more modern. I even found myself sympathizing with different characters as I read. And I noticed some character development, in Telemachus, for example.
  • (5/5)
    A wonderful translation, easy to read and to understand. But thank goodness for the intro.Hard to believe but I've never read this before. And rather than get lost in the lengthy introduction, I jumped ahead and just began the tale itself. It was hard to put down and I sped right through it, but by the end I was thinking, "Boy, these people were weird", so thank goodness for that intro, which I started after finishing the main work. One of the first things mentioned is that no one in the ancient world, at any time, acted or spoke like these people. So that was one question answered.
  • (3/5)
    This was a book I decided to tackle with audiobook and I thought it came across better listening to a narrator. Will give the Iliad go to.
  • (5/5)
    A standard text for high school classrooms, the Fitzgerald translation, rewritten in prose form, provides an accessible version of Homer's The Odyssey. Without question, this page-turning adventure acts as a model for storytelling, as Homer likely captured in riveting manner the attention of his local audience wherever he traveled. Set up in media res, the gripping narrative takes readers through the wandering years of Odysseus, a Greek soldier-king, who had fought in the Trojan War. With hubris, the cocky hero manages to enrage Poseidon who punishes the mere mortal through a series of obstacles where he is unable to get back to his homeland of Ithaca to be with his wife and son. Even after reading the classic epic several times, I am always impressed by Homer's use of imagery as illustrated in the passage when Odysseus pokes the eye out of the baby cyclops Polyphemus: "Eyelid and lash were seared; the pierced ball hissed broiling, and the roots popped." Wow! This is enough for any student to lose an appetite before lunch break.
  • (5/5)
    I have nothing new to add, of course. Homer sings for our time too- what more is there? Gods and heroes and regular humans all jumbled up together and humanity is unchanged down all the years. This translation is lovely, by turns sonorous and stirring but always compelling.
  • (4/5)
    What else could you select while sailing the Med if not a previous voyage across a similar sea? I thought this was going to be a hard read, but it really wasn't. In part, I think, that is because there is a part of knowing the outline of the story and it's elements already. It is such a well known story that you can't really come it it without knowing something of it already. It's not told in real time, that is reserved for Odysseus' son, Telemachus' journey to try and find news of his father and his dealings with his mother's suitors. The tale of Odysseus' journey back form the Trojan wars is told in order, but in retrospect. It's an interesting way of combining the two strands of the tale, the traveller and those left behind. The impact the traveller's absence has on those left behind is well illustrated, and how things are difficult for both sides in that instance - it's not just the traveller that has to endure trials. I was pleasantly surprised at how much I enjoyed this.
  • (4/5)
    My first foray into ancient Greek myth and I loved it. This translation is very accessible and immersed me into Odysseus' journey of trials and tribulations. Loved it!
  • (3/5)
    A must read
  • (4/5)
    Opmerkelijke, niet-chronologische structuur. Ook minder tragedisch-heroïsch dan Ilias, meer accent op waarden trouw, vriendeschap. Verschuiving tav Ilias: mensheld speelt hier de hoofdrol; Odysseus doorspartelt alle gevaren dankzij zijn formidabele karakter (groot hart, eerlijk maar ook vurig en wreedaardig), een man voor alle tijden; doorslaggevend: hij gelooft in eigen kunnen. Ook intelligent-listig (soms web van leugens), daarom in de Oudheid eerder als negatieve figuur gezien (corrupt en leugenachtig), pas met Renaissance gerehabiliteerd.Maar Odysseus is wel de enige onbesproken held, alle anderen (inclusief Telemachos en Penelope) worden in een dubieus daglicht gesteld. Tav Ilias komen vrouwen meer op voorgrond (maar niet altijd positief).Geen mythe, maar wel heldenverhaal, epos. De hoofdlijn is grondig vermengd met andere verhalen (dat van de cycloop is bij andere volkeren in 125 versies te vinden). Het centraal thema is de queeste, de zoektocht naar wat verloren is gegaan (vergelijking met Gilgamesj mogelijk: bezoek aan onderwereld, nihilistische visie op dood).
  • (5/5)


    I never was a reader of classic in fact I had to read the cliff notes version before attempting one. Last year's reading through all those Jane Austen was a pain but weirdly enough this classics is really good. Initially I thought The Odyssey would be hard on me and I was right when I begin the reading with Samuel Butler's translation. I tried using Librivox's audiobook to keep me going but its confusing me since Pallas Athena became Minerva, Zeus became Jove and Odysseus became Ulysses, I end up being so disinterest with the descriptiveness that I turn to Fagles. Fagles saved me.

    There's a huge differences between Fagles (1996), Butler's (1922) and Rieu's (1946) translations. I read through nearly half of Butler's, quarter of Rieu's and all of the Fagles and to be honest, if you saw Fagles version. Get them.

    One of the reason that Fagles is most preferred is that when a professor recommend it, you get it. Other than that, Fagles is said to be closest to the poetic form from the original Ancient Greek and even I notice the poetic elements in the words rather than the excessive descriptive paragraphs of the same thing with Rieu and Butler's. Both translated Odyssey in novel style and most of the free source "The Odyssey" translation came from Butler, it made absolute sense why some people have differences in opinions on this epic.

    Before I began, I actually read this book with the help of Ian McKellan's narration. I know I have been an anti-audiobook thing but I'm not being hypocrite, in fact I was still struggling with the audiobooks but I was absolutely fine with poems (and The Odyssey actually is a series of rhapsodies) since these things are not meant to be read. Its mean to be said out loud and for me, this is quite an exception. But I still have problems concentrating with the listening part because I often fall asleep or space out so thats why I read and listen at the same time.

    With Ian McKellan's (aka Gandalf or Magneto if you don't know who that was) theatric experience, he effectively brought the classic into deathless dramatic epicness. Experiencing "The Odyssey" is nothing if you haven't listen to it being told by a bard who is ironically is who Ian McKellan is and listening to Sir Ian McKellan breathing the soul of Homer into Odyssey is possibly near orgasmic thing that I've ever had to listen to.

    The Odyssey began with a prayer to the Muse as the narrator started giving a short summary of the story. It's mostly centered around the events surrounding the missing hero, Odysseus, King of Ithaca. 20 years since Odysseus went to Troy to fight the war for Helen of Argos (not Helen of Troy!), the hero never went home and everyone including his wife and son accepted that he's died. Years earlier prior to the even in the first book, hundreds of men came to Ithaca to court the King's widow, Queen Penelope as it seems to be a custom for a beautiful young widow to remarry after the death of their husband. But Penelope managed to avoid the remarriage by prolonging the courtship which ends with the suitors overstaying Penelope's palace for years and spend all of the palace's resources on their feasting.

    In the first book, Athena became distraught over the plight of the great hero who is stuck in limbo and the fate of Odysseus's wife and son with their guests terrorizing their home. After she begged Zeus to command Calypso to let Odysseus go from her sensual snare, she disguised herself as Mentes, an old friend of Odysseus, to nudge the young prince to take action against the suitor's menace. With the guidance by the goddess, Telemachus finally set off to the seas to search for real news from his father. Meanwhile, Odysseus escaped Calypso's grasp finally heading towards his home but his journey was diverted and he was stranded again in Scheria due to Poseidon's being angry over what Odysseus had blinded his son, the cyclops Polyphemus during his earlier journey. In Scheria, he began to weave his tale and finally tell the Phaecians of his past and his journey back from Troy to Ithaca. The tales itself include his encounter with Circe, Polyphebus, Aeolus, The Cattle of the Sun and etc. The Phaecians took pity on him and send him back to Ithaca where he plotted doom against the suitors who defiled his house.

    The story is being told in various multiple narration in the beginning (Athena, Telemachus, Penelope, Odysseus etc) that is why I get some readers would get lost and felt it is boring but if its being read out loud, the poetry in Odyssey is much more prevalent than some passive narration style. Because Fagles updated the translation to be nearer to the original, you'll get the feel of what Homer had initially tried to portray with his stories.

    Since I do critical reading with The Odyssey, I do take note to the major recurrent theme of Xenia. A concept of hospitality by the Greek that embrace travelers into their home, mostly because they fear a god would disguise themselves as travellers and would punish them if they didn't treat their guests well. There are also signs from the gods or the hint by Odysseus cunning tongue or the forebodings. Some argue that The Odyssey is used to justify the role of some political ideologies that even I couldn't grasp it firmly. Besides I was thinking that The Odyssey's characterizations and conflicts are being overused in so many modern literature particularly famous archetypal ones.

    Other than that, I do notice this book is actually a mild romance novel, particularly with Penelope who is constantly grieving about her husband from the start of the book. I can't say about Odysseus fidelity but frankly, some characters in this book is classic strong female archetype. Athena (obviously.. disguising as several guys, fighting in wars, a peacekeeper etc), Penelope (a loyal woman who acting skills and great patience is what kept her in that limbo and somehow did do something to escape her near inevitable fate of loveless forced marriage from a broken mutual love marriage), Calypso (a woman desperate in need of love and companionship so much that she offers everything kept a man who never love her) and Circe (basically a lonely girl who know how to defend herself against a bunch of men coming into her house and turn them into pigs which they are). Ironically, the female in this book have more character than a bunch of YA novels and hypes these days.

    I had some misgivings about the story initially since Telemachus part of the book is really annoying. But it move well whenever Athena and Odysseus was around.

    To anyone who is considering to take on the classic, for more immersive experience, I would recommend the combination of Fagles translation and Sir Ian McKellan's audiobook if you want to read the epic. It will take longer than a few days if you read them at night, but its well worth to see Ian McKellan curses and narrating female parts nicely.
  • (5/5)
    Condensed version of the incredible epic, though Odysseus does not loose his luster even in Spanish. He continues to be a hero you wish to see home, but know he has many flaws that he needs to work on.
  • (4/5)
    Great story and translated in a way that compares more with a modern written tale.
  • (4/5)
    This epic I never did try to read as a teenager, but I knew that it too would come someday just as the Iliad would. This epic took longer to read than the Iliad, but then the translation of the Iliad I read had some books taken out for the sake of the readers. This translation by Fagles didn't cut anything out. I really enjoyed this translation. I've heard others praise Fagles as a wonderful translator and I have to agree. This myth is also an outstanding one. It really personifies the Quest Pattern we now-a-days link to many books. This is another epic I would love to listen to as well, so we'll see if I can get my hands on another good translation.
  • (5/5)
    It's good to meet classics in person after being distant acquaintances who know one another just well enough to nod in passing. Now I can shake The Odyssey heartily by the hand when I meet it in other stories, hail-well-met. And meet it in other stories I will, this revered grandfather of the revenge story and the travelogue. Besides being a classic, The Odyssey is a fascinating tale in its own right of strange wonders and awful dangers, of the faithful and the faithless, of wrongs committed and retribution meted out. Odysseus, Achaean hero of the Trojan War, has been ten years fighting at Troy and another ten making his way home. Imprisoned by a nymph, shipwrecked, lost, waylaid — Odysseus, beloved of some gods, is hated by others. Meanwhile at home in Ithaca, many have despaired of his coming, including his wife Penelope and son Telemachus, who now suffer at the hands of Penelope's suitors, leading men of the Achaeans who wish to possess her. Odysseus will never return, they say, as they sit in his house eating and drinking up all his wealth. Telemachus is just a young man and cannot prevent their ravages. The situation is indeed desperate, as Penelope, worn out with mourning Odysseus, begins to accept her fate to become another man's wife. Once I got used to it, I loved the repetition of certain phrases and descriptions: "long-tried royal Odysseus," "discreet Telemachus," "heedful Penelope," "clear-eyed Athena," "the gods who hold the open sky," "rosy-fingered dawn," "on the food before them they laid hands," and more. It reminded me that I was hearing a poem (I listened on audiobook) and that it was originally memorized by the bard, not read off the page. The repetition is comforting. It was easy to fall into the rhythm of the story and the archaic language, surrendering to the storyteller's art. I find the interplay between the gods and men so interesting. I don't know if The Odyssey is an accurate picture of ancient Greek theology and I don't want to draw too many conclusions from what was understood even at the time to be mythological. But I had a similar experience listening to The Iliad — the gods are great and powerful and all that, but they are so very involved in human affairs, almost as if they can't bear to be left out... why should Athena care so much whether Odysseus ever gets home? Why is it that human affairs so concern the councils of Olympus? I suppose the simple answer is that these stories were made up by humans and since the thing that interests us most is ourselves, we can't imagine gods who aren't likewise fascinated.I listened to an older translation by George Herbert Palmer and I'm glad I did. My experience of The Iliad was marred by the fact that it was a modernized translation, the latest and greatest supposedly. But all that really means is that it was dumbed-down for lazy listeners, to the point where some of the heroic moments almost became comical in our modern parlance. No thank you! I'm no expert in translation, but this one presented no jarring moments of disconnect between the style and substance, and I thought it fitted the subject matter very well. The reader of this particular audiobook, Norman Dietz, has a low, smooth, calm voice that I quickly learned to like. This is an excellent story that never slackens its pace or lets you stop caring what happens to its hero. Don't be intimidated by its status as a classic — all that means is that it's a good story that has stood the test of time, delighting its hearers both in ancient days and now. I recommend it!
  • (4/5)
    Surprisingly, The Odyssey was not a part of my education in any form whether abridged or otherwise. When I set a goal to read more classics this year I decided, what better place to start to than one of the foundations of western literature!First of all, the translation by Robert Squillace is anything but poetic, but served as a good starting point for an Odyssey novice such as myself. The prose format made it easy to read and the endnotes provided necessary background information which was essential for my understanding as I have never had much of a background in Greek or Roman mythology. This story has it all romance, adventure, betrayal, manipulative schemes, and violence in abundance...let's just say, its epic! Odysseus, King of Ithaca, survives the Trojan war only to meet obstacle upon obstacle on his journey home to his faithful wife, Penelope. Along the way he and his men must battle a man eating Cyclops, the charms of Circe who turns Odysseus' men into pigs, the wrath of the Sun god and Poseidon the god of the seas, Calypso who makes Odysseus a prisoner of love and other wizards, sirens, and gods. In all it takes Odysseus 10 years to return to Ithaca only to find that his home has been plundered by suitors seeking his wife's hand in marriage.As a classic, it is easy to see how The Odyssesy affected the creation of such movies/books as: Lord of the Rings, Star Wars, and Harry Potter. The Odyssey certainly deserves its place among classic literature for these reasons and its obvious entertainment value. I would be hard pressed to say that this was my favorite book to read, it did take me nearly 10 months to complete it after all, but it is one that I'm glad I took the time to read just for the background knowledge I acquired. As I read the epic, I found myself alternately amused and irritated with Odysseus who uses cleverness and intelligence to get him out of more than one scrape only to be led into another with his personality flaw of arrogance. The epic shows Odysseus' ability to manipulate his enemies and lead his men, but somehow miss all opportunities to return to his wife, who is forced to deal with the aggressive suitors. Despite the fantastic/mythical nature of the read, the humanness of Odysseus is ultimately the very aspect of the epic, in addition to his classical influence, that makes it worth the time to read. I can only imagine what this epic would be like to hear performed, how entertaining it must have been for its listeners!
  • (5/5)
    Infinitely more enjoyable than the Iliad, but slightly different than I remember. I really don't remember the story being so disjointed. Don't get me wrong, I really love the Odyssey, but I would have preferred if it had been more linear (instead of so much of it being told in retrospect).I didn't quite get to that point I often expereince with epic works where I feel as though I've lost a friend, though I will miss the great adventure! I wish more time had been devoted to Odysseus's actual voyage, but I'll take what I can get from such an ancient work.
  • (5/5)
    Rated: A-The New Lifetime Reading Plan: Number 3Life as the journey.And thus he spoke among the immortals:"Ah, how quick men are to blame the gods!From us, they say, all their evils come,When they themselves, by their own ridiculous pride,Bring horrors on far beyond anything fateWould ever have done.For a better and a higher gift than this there cannot be, when with accordant aims man and wife have a home. Great grief is it to foes and joy to friends; but they themselves best know its meaning.Our lives are soon over. If one is unfeeling,And cruel in his thoughts, all men call down cursesUpon him while he is alive, and after he's deadThey mock and scorn him. but if one is kind-hearted and generous,Strangers carry his fame throughtout the worldAnd many are they who call that mortal good.
  • (4/5)
    I figured it was about time to read this. I wanted to understand the references to Homer and Greek mythology that is littered throughout literature. I was afraid it was going to be difficult to get through the book and it might be a slog, but fortunately it was not. I really enjoyed it, and got into the story. While I slept I even had dreams about Athena messing with me. This is a great translation and I highly recommend it.
  • (5/5)
    My knowledge of classical literature and mythology is sadly lacking. The main reason I decided to tackle The Odyssey is because I want to read Ulysses and I gather that a passing acquaintance with this work will make that experience more meaningful.Listening to Ian McKellen reading the Robert Fagles' translation made me regret my lack of education in the classics. I have no way of assessing the merits of Fagles' work, but I would love be to be able to read this epic poem in the language in which it was written and not feel that I was missing most of its cultural, social and political context.Given my lack of familiarity with Greek mythology, it was interesting to realise just how much of the story is imbedded in my consciousness, from Penelope unravelling her weaving to put off her suitors, to the story of the Sirens, to the Cyclops. This is but a small indicstion of the importance of this epic to Western history and literature.Overall, I found The Odyssey more interesting for what it represents as a primary source of Western literature than for the characters or the plot. Odysseus is not exactly a hero for modern times: he may be a master tactician and warrior, but he's also a consummate liar, a rapist, a plunderer and a murderer. The other characters don't have a lot going for them either, at least not in contemporary terms. However, in spite of having an instinctive reaction against the Odysseus' behaviour and the horrific violence contained in the text, I still found it compulsive listening. I loved the non-linear structure and the rhythm of the language. In addition. I was fascinated by the involvement of the gods in the affairs of human beings: directing their actions, subverting their plans, punishing them and performing the odd makeover to assist them to achieve their ends.Ian McKellen's narration was - unsurprisingly - excellent. However, the sound quality of the audiobook left a bit to be desired. At times it was blurry and the volume was variable. While I would have benefited from the introduction and endnotes in a good text edition of this work, listening to an epic poem almost certainly written to be read aloud was for me the best way of tackling it. At some point I'd like to read a well annotated edition in order to learn what my ignorance led me to miss.How can I not give five stars to a literary work which is still being read and discussed thousands of years after it was written?
  • (5/5)
    After the ten-year Trojan War ends the warriors return to their home lands. Odysseus’ journey is longer than most because he has angered Poseidon. He runs into one obstacle after another as he fights to return to his wife and son. He fights a Cyclops, travels to the land of the dead, narrowly misses the call of the sirens and spends years trapped on Calypso's island. When he finally returns to Ithaca his home is filled with suitors attempting to woo his wife. I first read The Odyssey in high school, rereading it a decade later was a very different experience. This time I paid much more attention to Penelope’s story. She is such an incredible character. Her loyalty and patience is remarkable. Even though her husband has been gone for 20 years she still holds out that he is alive and will return to her. It made me wonder how long someone would wait nowadays. Obviously there were fewer communication options back then, but still a couple decades is a long time to hang on to hope. Penelope is surrounded by suitors and keeps them at bay by telling them she’ll consider them once she finishes what she’s weaving. She weaves all day and then at night she undoes everything she’s woven. Margaret Atwood wrote an interesting novella about her story, The Penelopiad: The Myth of Penelope and Odysseus.I enjoyed his son Telemachus’ journey. When his father leaves he is only a baby, but he’s grown to become a man in Odysseus’ absence and he longs to find his father. He isn’t sure if he should search for his father or stay and protect his mother, it’s a difficult decision. For me, it’s important that Odysseus is not a god. He is just a mortal man. So many of the stories in Greek literature are about the gods or demigods. Odysseus is neither, he occasionally has help from the gods, like Athena, at other times he is persecuted by the gods, especially Poseidon, but he has none of their powers. He must rely on his intelligence and cunning to outsmart his captors. BOTTOM LINE: An absolute must for classic lovers. It’s also one of the most accessible pieces of Greek literature and a gateway drug into that world. p.s. This time around I listened to the Robert Fagles translation on audio and it was read by the magnificent Ian McKellen. I would highly recommend it!  
  • (4/5)
    I've read this classic a number of times. Most "recently" was for Mythology and Parageography at university. I always enjoy mythology, and I'm not a great judge of translations or anything, but I do better reading this outloud to myself.

    I love Odysseus and his travels. I should read it more often.
  • (4/5)
    I've always loved the Odyssey. Odysseus isn't my favourite hero -- he spends far too much time being tricksy for that. But I always enjoyed the stories.
  • (3/5)
    I'm glad that my library had this as an audiobook - I think it made me like the tale much more. Had I read it in paper the style would just make me bored and quit but the story fit well in an audio format.

    The writing style was mediocre and much repetitions to make the reader remember that it was Athena in a different shape etcetera. I wouldn't have liked this style at all in paper form. But it's heart-warming, thinking that someone back in the ancient days wrote this, that the humans had the same reactions and feelings back then. And the story in itself is a good adventure tale.
  • (4/5)
    I have read several versions of The Odyssey ranging from ones designed for collegiate readers to ones designed for early readers, and frankly I like them all. I have long been a fan of this particular story for all its colorful characters and life lessons. I think that the parallel story lines of Odysseus, Telemachus, and Penelope offer a variety of perspectives for any reader.
  • (5/5)
    The greatest of all ancient Greek works is spellbinding. Fagles' prose is lean and muscular, giving a grit and immediacy to his adventures. Loved it when I read it in high school, love it still today. As relevant today as it was nealy 3000 years ago.
  • (4/5)
    A classic and a great look into Greek lit.
  • (5/5)
    The tribulations of the wily Odysseus making his way home after the Trojan war to his wife Penelope in Ithaca. An excellent translation for today's reader with a masterly introduction by the classicist Bernard Knox. "So they traded stories, the two ghosts standing there in the House of Death..." As Ted Hughes wrote, "Just the right blend of sophistication and roughness it seems to me."